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Numero do processo: 10183.909875/2020-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 09 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2016 a 31/03/2016
NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO E ACÓRDÃO RECORRIDO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. MERO INCONFORMISMO.
O mero inconformismo do contribuinte com o entendimento exarado no Despacho Decisório e/ou no v. acórdão recorrido não gera por si só a sua nulidade, quando houve a devida motivação e fundamentação das glosas efetuadas e mantidas.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2016 a 31/03/2016
REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170 - PR, pelo rito dos Recursos Repetitivos, decidiu que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte.
NÃO CUMULATIVIDADE. CADEIAS DA INDÚSTRIA AGROPECUÁRIA. VENDAS COM SUSPENSÃO. BOVINOS. CAROÇO DE ALGODÃO. MILHO EM GRÃOS. GIRASSOL. ARROZ COM CASCA. CRÉDITOS. ESTORNO. LEI Nº 10.925/2004. LEI Nº 12.058/2009. LEI Nº 12.350/2010.
As vendas com suspensão de insumos feitas à indústria agropecuária, nos termos dos arts. 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 2004 (caroço de algodão e girassol), 32 e 33 da Lei nº 12.058, de 2009, e 54 e 55 da Lei nº 12.350, de 2010, impedem, aos fornecedores, o aproveitamento dos créditos básicos ou presumidos correspondentes, que devem ser estornados.
NÃO-CUMULATIVIDADE. CULTIVO DE GRÃOS (SOJA, MILHO, ALGODÃO). LICENCIAMENTO E CESSÃO DE DIREITO DE USO DE PATENTES. SEMENTES CERTIFICADAS. PAGAMENTO DE ROYALTIES. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE.
Os direitos de uso de patentes para produção e comercialização de sementes certificadas (uso da tecnologia) adquiridos, por meio de licenciamento ou cessão, se enquadram, por expressa disposição legal, na condição de bens móveis, e são inquestionavelmente utilizados no processo produtivo da empresa (cultivo de grãos), razão pela qual geram o direito ao aproveitamento de créditos da não-cumulatividade das contribuições ao PIS e da COFINS, nos termos do artigo 3º, inciso II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. VEDAÇÕES DE CREDITAMENTO.
É vedada a apropriação de créditos da(e) COFINS em relação a bens e serviços adquiridos em operações não sujeitas à incidência ou sujeitas à incidência com alíquota zero ou com suspensão dessa contribuição, independentemente da destinação dada aos bens ou serviços adquiridos.
NÃO-CUMULATIVIDADE. FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMO NÃO ONERADO. APROVEITAMENTO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N. 188.
É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições, nos termos da Súmula CARF nº 188.
CREDITAMENTO. COMERCIAL EXPORTADORA. DESPESAS INDIRETAS. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. POSSIBILIDADE.
A vedação do § 4º, do art. 6º, da Lei nº 10.833/03, deve cingir-se às despesas diretamente empregadas com a aquisição das mercadorias destinadas à exportação, não abarcando os custos indiretos, como as despesas com frete na venda, que são suportados pelo vendedor/exportador, cujos créditos poderão ser apropriados nos termos do art. 3º, das Leis nº 10.833/03 e 10.637/02.
NÃO-CUMULATIVIDADE. FRETE DE PRODUTO ACABADO. ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. SÚMULA CARF N. 217.
Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas, nos termos da Súmula CARF nº 217.
NÃO CUMULATIVIDADE. FRETE. REMESSA DE MERCADORIAS EM BONIFICAÇÃO. CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
Bonificações são desdobramentos da venda de mercadorias, promovidas pelo vendedor a fim de tornar seu produto competitivo no mercado e atrair a fidelização de clientes. Portanto, o frete relacionado ao transporte dessas mercadorias gera créditos de PIS e COFINS, nos termos do artigo 3º, inciso IX, e artigo 15, da Lei nº 10.833/2003.
NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS DE REPOSIÇÃO E SERVIÇOS. MANUTENÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. APROPRIAÇÃO. POSSIBILIDADE.
São considerados insumos para fins de aproveitamento de créditos da não-cumulatividade das contribuições ao PIS e da COFINS, os bens de reposição e serviços utilizados na manutenção de bens do ativo imobilizado utilizados em qualquer etapa do processo de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços cuja utilização implique aumento de vida útil do bem do ativo imobilizado de até um ano, nos termos do artigo 176, §1º, inciso VII, da Instrução Normativa RFB nº 2.121/22.
NÃO-CUMULATIVIDADE. EXPORTAÇÃO. DESPESAS PORTUÁRIAS E DESPACHANTE ADUANEIRO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N. 232.
As despesas portuárias na exportação de produtos acabados não se qualificam como insumos do processo produtivo do exportador para efeito de créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de COFINS não cumulativas.
NÃO-CUMULATIVIDADE. LOCAÇÃO DE VEÍCULOS DE TRANSPORTE DE CARGA OU PASSAGEIROS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N. 190.
Para fins do disposto no art. 3º, IV, da Lei nº 10.637/2002 e no art. 3º, IV, da Lei nº 10.833/2003, os dispêndios com locação de veículos de transporte de carga ou de passageiros não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas, nos termos da Súmula CARF nº 190.
NÃO-CUMULATIVIDADE. ICMS-ST INCIDENTE NA AQUISIÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. TEMA DE RECURSO REPETITIVO 1231. STJ.
Os valores pagos pelo contribuinte substituto a título de ICMS-ST não geram, no regime não cumulativo, créditos para fins de incidência das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS devidas pelo contribuinte substituído, nos termos da tese fixada pelo STJ no julgamento do Tema Repetitivo nº 1231.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ALUGUEL. ARRENDAMENTO DE IMÓVEL RURAL.
A contraprestação pelo contrato de arrendamento de imóvel rural gera direito ao creditamento no regime da não cumulatividade. No entanto, não se configura arrendamento quando o contrato fixa o preço em quantidade de frutos compartilhando, com o proprietário rural, os riscos da flutuação de preço do produto agropecuário.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. EDIFICAÇÕES E BENFEITORIAS. CREDITAMENTO ACELERADO. UTILIZAÇÃO NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE.
Para apropriação de créditos da não-cumulatividade na forma acelerada, nos termos do artigo 6º da Lei nº 11.488/07, não basta que as edificações e benfeitorias sejam utilizadas nas atividades da empresa em geral, deve se tratar de edificações adquiridas ou construídas para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Para as edificações e benfeitorias utilizadas nas atividades da empresa é autorizada a apropriação de créditos regular, nos termos do artigo 3º, inciso VII, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03.
CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO PRÉVIA. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N. 231.
O aproveitamento de créditos extemporâneos da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS exige a apresentação de DCTF e DACON retificadores, comprovando os créditos e os saldos credores dos trimestres correspondentes, nos termos da Súmula CARF nº 231.
Numero da decisão: 3101-004.470
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares de nulidade. No mérito, em dar provimento parcial ao recurso nos seguintes termos: a) Por unanimidade de votos, reverter as glosas relativas ao pagamento de royalties aos licenciantes pelo direito de uso de patentes para produção e comercialização de sementes certificadas (uso da tecnologia); b) Por unanimidade de votos, reverter as glosas sobre fretes na aquisição de bens e insumos sujeitos à alíquota zero, suspensão ou não incidência; c) Por unanimidade de votos, reverter as glosas sobre fretes no transporte de mercadorias recebidas ou adquiridas de terceiros com o fim específico de exportação; d) Por maioria de votos, reverter as glosas sobre fretes de remessas das bonificações; e) Por unanimidade de votos, reverter as glosas sobre bens adquiridos e utilizados para manutenção dos bens do ativo imobilizado da pessoa jurídica responsáveis pelo processo produtivo; f) Por unanimidade de votos, reverter as glosas sobre os serviços relativos à NF nº 9, de 21/06/2019, emitida por GUAXE CONSTRUTORA LTDA, às Notas Fiscais emitidas pela empresa G2 CONSTRUTORA que tratam dos serviços de manutenção civil em “Fossa”, e à Pintura de Algodoeira; g) Por maioria de votos, manter as glosas referentes aos fretes de remessas de amostra grátis, da doação, dos brindes, da demonstração e sobre os custos com serviços de rastreamento de veículos. Vencidos Conselheiro Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues e Conselheira Neiva Aparecida Baylon que reverteram as glosas referentes aos fretes de remessas de amostra grátis, da doação, dos brindes, da demonstração e sobre os custos com rastreamento de veículos e o Conselheiro Ramon Silva Cunha que manteve as glosas referentes aos fretes de remessas das bonificações. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3101-004.465, de 9 de fevereiro de 2026, prolatado no julgamento do processo 10183.909896/2020-07, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Assinado Digitalmente
Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Renan Gomes Rego, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Ramon Silva Cunha, Neiva Aparecida Baylon (substituto[a] integral), Luciana Ferreira Braga, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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O Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170 - PR, pelo rito dos Recursos Repetitivos, decidiu que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. NÃO CUMULATIVIDADE. CADEIAS DA INDÚSTRIA AGROPECUÁRIA. VENDAS COM SUSPENSÃO. BOVINOS. CAROÇO DE ALGODÃO. MILHO EM GRÃOS. GIRASSOL. ARROZ COM CASCA. CRÉDITOS. ESTORNO. LEI Nº 10.925/2004. LEI Nº 12.058/2009. LEI Nº 12.350/2010. As vendas com suspensão de insumos feitas à indústria agropecuária, nos termos dos arts. 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 2004 (caroço de algodão e girassol), 32 e 33 da Lei nº 12.058, de 2009, e 54 e 55 da Lei nº 12.350, de 2010, impedem, aos fornecedores, o aproveitamento dos créditos básicos ou presumidos correspondentes, que devem ser estornados. NÃO-CUMULATIVIDADE. CULTIVO DE GRÃOS (SOJA, MILHO, ALGODÃO). LICENCIAMENTO E CESSÃO DE DIREITO DE USO DE PATENTES. SEMENTES CERTIFICADAS. PAGAMENTO DE ROYALTIES. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Os direitos de uso de patentes para produção e comercialização de sementes certificadas (uso da tecnologia) adquiridos, por meio de licenciamento ou cessão, se enquadram, por expressa disposição legal, na condição de bens móveis, e são inquestionavelmente utilizados no processo produtivo da empresa (cultivo de grãos), razão pela qual geram o direito ao aproveitamento de créditos da não-cumulatividade das contribuições ao PIS e da COFINS, nos termos do artigo 3º, inciso II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. VEDAÇÕES DE CREDITAMENTO. É vedada a apropriação de créditos da(e) COFINS em relação a bens e serviços adquiridos em operações não sujeitas à incidência ou sujeitas à incidência com alíquota zero ou com suspensão dessa contribuição, independentemente da destinação dada aos bens ou serviços adquiridos. NÃO-CUMULATIVIDADE. FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMO NÃO ONERADO. APROVEITAMENTO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N. 188. É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições, nos termos da Súmula CARF nº 188. CREDITAMENTO. COMERCIAL EXPORTADORA. DESPESAS INDIRETAS. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. POSSIBILIDADE. A vedação do § 4º, do art. 6º, da Lei nº 10.833/03, deve cingir-se às despesas diretamente empregadas com a aquisição das mercadorias destinadas à exportação, não abarcando os custos indiretos, como as despesas com frete na venda, que são suportados pelo vendedor/exportador, cujos créditos poderão ser apropriados nos termos do art. 3º, das Leis nº 10.833/03 e 10.637/02. NÃO-CUMULATIVIDADE. FRETE DE PRODUTO ACABADO. ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. SÚMULA CARF N. 217. Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas, nos termos da Súmula CARF nº 217. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETE. REMESSA DE MERCADORIAS EM BONIFICAÇÃO. CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Bonificações são desdobramentos da venda de mercadorias, promovidas pelo vendedor a fim de tornar seu produto competitivo no mercado e atrair a fidelização de clientes. Portanto, o frete relacionado ao transporte dessas mercadorias gera créditos de PIS e COFINS, nos termos do artigo 3º, inciso IX, e artigo 15, da Lei nº 10.833/2003. NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS DE REPOSIÇÃO E SERVIÇOS. MANUTENÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. APROPRIAÇÃO. POSSIBILIDADE. São considerados insumos para fins de aproveitamento de créditos da não-cumulatividade das contribuições ao PIS e da COFINS, os bens de reposição e serviços utilizados na manutenção de bens do ativo imobilizado utilizados em qualquer etapa do processo de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços cuja utilização implique aumento de vida útil do bem do ativo imobilizado de até um ano, nos termos do artigo 176, §1º, inciso VII, da Instrução Normativa RFB nº 2.121/22. NÃO-CUMULATIVIDADE. EXPORTAÇÃO. DESPESAS PORTUÁRIAS E DESPACHANTE ADUANEIRO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N. 232. As despesas portuárias na exportação de produtos acabados não se qualificam como insumos do processo produtivo do exportador para efeito de créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de COFINS não cumulativas. NÃO-CUMULATIVIDADE. LOCAÇÃO DE VEÍCULOS DE TRANSPORTE DE CARGA OU PASSAGEIROS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N. 190. Para fins do disposto no art. 3º, IV, da Lei nº 10.637/2002 e no art. 3º, IV, da Lei nº 10.833/2003, os dispêndios com locação de veículos de transporte de carga ou de passageiros não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas, nos termos da Súmula CARF nº 190. NÃO-CUMULATIVIDADE. ICMS-ST INCIDENTE NA AQUISIÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. TEMA DE RECURSO REPETITIVO 1231. STJ. Os valores pagos pelo contribuinte substituto a título de ICMS-ST não geram, no regime não cumulativo, créditos para fins de incidência das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS devidas pelo contribuinte substituído, nos termos da tese fixada pelo STJ no julgamento do Tema Repetitivo nº 1231. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ALUGUEL. ARRENDAMENTO DE IMÓVEL RURAL. A contraprestação pelo contrato de arrendamento de imóvel rural gera direito ao creditamento no regime da não cumulatividade. No entanto, não se configura arrendamento quando o contrato fixa o preço em quantidade de frutos compartilhando, com o proprietário rural, os riscos da flutuação de preço do produto agropecuário. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. EDIFICAÇÕES E BENFEITORIAS. CREDITAMENTO ACELERADO. UTILIZAÇÃO NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE. Para apropriação de créditos da não-cumulatividade na forma acelerada, nos termos do artigo 6º da Lei nº 11.488/07, não basta que as edificações e benfeitorias sejam utilizadas nas atividades da empresa em geral, deve se tratar de edificações adquiridas ou construídas para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Para as edificações e benfeitorias utilizadas nas atividades da empresa é autorizada a apropriação de créditos regular, nos termos do artigo 3º, inciso VII, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO PRÉVIA. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N. 231. O aproveitamento de créditos extemporâneos da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS exige a apresentação de DCTF e DACON retificadores, comprovando os créditos e os saldos credores dos trimestres correspondentes, nos termos da Súmula CARF nº 231.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2026-03-30T13:14:09Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-03-30T13:14:09Z; Last-Modified: 2026-03-30T13:14:09Z; dcterms:modified: 2026-03-30T13:14:09Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-03-30T13:14:09Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-03-30T13:14:09Z; meta:save-date: 2026-03-30T13:14:09Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-03-30T13:14:09Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-03-30T13:14:09Z; created: 2026-03-30T13:14:09Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 87; Creation-Date: 2026-03-30T13:14:09Z; pdf:charsPerPage: 1812; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-03-30T13:14:09Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10183.909875/2020-83 ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 9 de fevereiro de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE BOM FUTURO AGRICOLA LTDA INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2016 a 31/03/2016 NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO E ACÓRDÃO RECORRIDO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. MERO INCONFORMISMO. O mero inconformismo do contribuinte com o entendimento exarado no Despacho Decisório e/ou no v. acórdão recorrido não gera por si só a sua nulidade, quando houve a devida motivação e fundamentação das glosas efetuadas e mantidas. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2016 a 31/03/2016 REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170 - PR, pelo rito dos Recursos Repetitivos, decidiu que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. NÃO CUMULATIVIDADE. CADEIAS DA INDÚSTRIA AGROPECUÁRIA. VENDAS COM SUSPENSÃO. BOVINOS. CAROÇO DE ALGODÃO. MILHO EM GRÃOS. GIRASSOL. ARROZ COM CASCA. CRÉDITOS. ESTORNO. LEI Nº 10.925/2004. LEI Nº 12.058/2009. LEI Nº 12.350/2010. As vendas com suspensão de insumos feitas à indústria agropecuária, nos termos dos arts. 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 2004 (caroço de algodão e girassol), 32 e 33 da Lei nº 12.058, de 2009, e 54 e 55 da Lei nº 12.350, de Fl. 1306DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 2 2010, impedem, aos fornecedores, o aproveitamento dos créditos básicos ou presumidos correspondentes, que devem ser estornados. NÃO-CUMULATIVIDADE. CULTIVO DE GRÃOS (SOJA, MILHO, ALGODÃO). LICENCIAMENTO E CESSÃO DE DIREITO DE USO DE PATENTES. SEMENTES CERTIFICADAS. PAGAMENTO DE ROYALTIES. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Os direitos de uso de patentes para produção e comercialização de sementes certificadas (uso da tecnologia) adquiridos, por meio de licenciamento ou cessão, se enquadram, por expressa disposição legal, na condição de bens móveis, e são inquestionavelmente utilizados no processo produtivo da empresa (cultivo de grãos), razão pela qual geram o direito ao aproveitamento de créditos da não-cumulatividade das contribuições ao PIS e da COFINS, nos termos do artigo 3º, inciso II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. VEDAÇÕES DE CREDITAMENTO. É vedada a apropriação de créditos da(e) COFINS em relação a bens e serviços adquiridos em operações não sujeitas à incidência ou sujeitas à incidência com alíquota zero ou com suspensão dessa contribuição, independentemente da destinação dada aos bens ou serviços adquiridos. NÃO-CUMULATIVIDADE. FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMO NÃO ONERADO. APROVEITAMENTO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N. 188. É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições, nos termos da Súmula CARF nº 188. CREDITAMENTO. COMERCIAL EXPORTADORA. DESPESAS INDIRETAS. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. POSSIBILIDADE. A vedação do § 4º, do art. 6º, da Lei nº 10.833/03, deve cingir-se às despesas diretamente empregadas com a aquisição das mercadorias destinadas à exportação, não abarcando os custos indiretos, como as despesas com frete na venda, que são suportados pelo Fl. 1307DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 3 vendedor/exportador, cujos créditos poderão ser apropriados nos termos do art. 3º, das Leis nº 10.833/03 e 10.637/02. NÃO-CUMULATIVIDADE. FRETE DE PRODUTO ACABADO. ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. SÚMULA CARF N. 217. Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas, nos termos da Súmula CARF nº 217. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETE. REMESSA DE MERCADORIAS EM BONIFICAÇÃO. CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Bonificações são desdobramentos da venda de mercadorias, promovidas pelo vendedor a fim de tornar seu produto competitivo no mercado e atrair a fidelização de clientes. Portanto, o frete relacionado ao transporte dessas mercadorias gera créditos de PIS e COFINS, nos termos do artigo 3º, inciso IX, e artigo 15, da Lei nº 10.833/2003. NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS DE REPOSIÇÃO E SERVIÇOS. MANUTENÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. APROPRIAÇÃO. POSSIBILIDADE. São considerados insumos para fins de aproveitamento de créditos da não- cumulatividade das contribuições ao PIS e da COFINS, os bens de reposição e serviços utilizados na manutenção de bens do ativo imobilizado utilizados em qualquer etapa do processo de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços cuja utilização implique aumento de vida útil do bem do ativo imobilizado de até um ano, nos termos do artigo 176, §1º, inciso VII, da Instrução Normativa RFB nº 2.121/22. NÃO-CUMULATIVIDADE. EXPORTAÇÃO. DESPESAS PORTUÁRIAS E DESPACHANTE ADUANEIRO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N. 232. As despesas portuárias na exportação de produtos acabados não se qualificam como insumos do processo produtivo do exportador para efeito de créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de COFINS não cumulativas. NÃO-CUMULATIVIDADE. LOCAÇÃO DE VEÍCULOS DE TRANSPORTE DE CARGA OU PASSAGEIROS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N. 190. Para fins do disposto no art. 3º, IV, da Lei nº 10.637/2002 e no art. 3º, IV, da Lei nº 10.833/2003, os dispêndios com locação de veículos de transporte de carga ou de passageiros não geram créditos de Contribuição Fl. 1308DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 4 para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas, nos termos da Súmula CARF nº 190. NÃO-CUMULATIVIDADE. ICMS-ST INCIDENTE NA AQUISIÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. TEMA DE RECURSO REPETITIVO 1231. STJ. Os valores pagos pelo contribuinte substituto a título de ICMS-ST não geram, no regime não cumulativo, créditos para fins de incidência das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS devidas pelo contribuinte substituído, nos termos da tese fixada pelo STJ no julgamento do Tema Repetitivo nº 1231. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ALUGUEL. ARRENDAMENTO DE IMÓVEL RURAL. A contraprestação pelo contrato de arrendamento de imóvel rural gera direito ao creditamento no regime da não cumulatividade. No entanto, não se configura arrendamento quando o contrato fixa o preço em quantidade de frutos compartilhando, com o proprietário rural, os riscos da flutuação de preço do produto agropecuário. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. EDIFICAÇÕES E BENFEITORIAS. CREDITAMENTO ACELERADO. UTILIZAÇÃO NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE. Para apropriação de créditos da não-cumulatividade na forma acelerada, nos termos do artigo 6º da Lei nº 11.488/07, não basta que as edificações e benfeitorias sejam utilizadas nas atividades da empresa em geral, deve se tratar de edificações adquiridas ou construídas para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Para as edificações e benfeitorias utilizadas nas atividades da empresa é autorizada a apropriação de créditos regular, nos termos do artigo 3º, inciso VII, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO PRÉVIA. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N. 231. O aproveitamento de créditos extemporâneos da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS exige a apresentação de DCTF e DACON retificadores, comprovando os créditos e os saldos credores dos trimestres correspondentes, nos termos da Súmula CARF nº 231. ACÓRDÃO Fl. 1309DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 5 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares de nulidade. No mérito, em dar provimento parcial ao recurso nos seguintes termos: a) Por unanimidade de votos, reverter as glosas relativas ao pagamento de royalties aos licenciantes pelo direito de uso de patentes para produção e comercialização de sementes certificadas (uso da tecnologia); b) Por unanimidade de votos, reverter as glosas sobre fretes na aquisição de bens e insumos sujeitos à alíquota zero, suspensão ou não incidência; c) Por unanimidade de votos, reverter as glosas sobre fretes no transporte de mercadorias recebidas ou adquiridas de terceiros com o fim específico de exportação; d) Por maioria de votos, reverter as glosas sobre fretes de remessas das bonificações; e) Por unanimidade de votos, reverter as glosas sobre bens adquiridos e utilizados para manutenção dos bens do ativo imobilizado da pessoa jurídica responsáveis pelo processo produtivo; f) Por unanimidade de votos, reverter as glosas sobre os serviços relativos à NF nº 9, de 21/06/2019, emitida por GUAXE CONSTRUTORA LTDA, às Notas Fiscais emitidas pela empresa G2 CONSTRUTORA que tratam dos serviços de manutenção civil em “Fossa”, e à Pintura de Algodoeira; g) Por maioria de votos, manter as glosas referentes aos fretes de remessas de amostra grátis, da doação, dos brindes, da demonstração e sobre os custos com serviços de rastreamento de veículos. Vencidos Conselheiro Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues e Conselheira Neiva Aparecida Baylon que reverteram as glosas referentes aos fretes de remessas de amostra grátis, da doação, dos brindes, da demonstração e sobre os custos com rastreamento de veículos e o Conselheiro Ramon Silva Cunha que manteve as glosas referentes aos fretes de remessas das bonificações. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3101-004.465, de 9 de fevereiro de 2026, prolatado no julgamento do processo 10183.909896/2020-07, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Renan Gomes Rego, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Ramon Silva Cunha, Neiva Aparecida Baylon (substituto[a] integral), Luciana Ferreira Braga, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Fl. 1310DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 6 Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que julgou o Pedido de Ressarcimento apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao suposto crédito de COFINS. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, em síntese abaixo, estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2016 a 31/03/2016 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. HIPÓTESES. NÃO OCORRÊNCIA. Não é nulo o despacho decisório quando não se verifica a ocorrência das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIOS. BUSCA DA VERDADE MATERIAL. OBSERVÂNCIA. Considera-se respeitado o princípio processual da busca pela verdade material quando a autoridade fiscal se empenha no exame da documentação probatória, inclusive intimando a contribuinte a prestar esclarecimentos no caso de inconsistências. PROCESSO ADMINSTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DA PROVA. O ônus da comprovação da certeza e liquidez do direito creditório oposto contra a Fazenda Pública objeto de pedido de ressarcimento recai sobre a contribuinte que o invoca. A não comprovação do direito compromete o deferimento integral do pleito. NÃO CUMULATIVIDADE INSUMOS. CONCEITO. PROCESSO PRODUTIVO. ESSENCIALIDADE. RELEVÂNCIA. GLOSA. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Somente podem ser considerados insumos os bens ou serviços que sejam essenciais ou relevantes ao processo de fabricação ou à prestação de serviços. Não se enquadram nessa hipótese as despesas não vinculadas ao processo produtivo ou à prestação de serviços ou aquelas inerentes às etapas de comercialização do produto pronto. NÃO CUMULATIVIDADE. CADEIAS DA INDÚSTRIA AGROPECUÁRIA. VENDAS COM SUSPENSÃO. BOVINOS. CAROÇO DE ALGODÃO. MILHO EM GRÃOS. GIRASSOL. Fl. 1311DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 7 ARROZ COM CASCA. CRÉDITOS. ESTORNO. LEI Nº 10.925/2004. LEI Nº 12.058/2009. LEI Nº 12.350/2010. As vendas com suspensão de insumos feitas à indústria agropecuária, nos termos dos arts. 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 2004 (caroço de algodão e girassol), 32 e 33 da Lei nº 12.058, de 2009, e 54 e 55 da Lei nº 12.350, de 2010, impedem, aos fornecedores, o aproveitamento dos créditos básicos ou presumidos correspondentes, que devem ser estornados. NÃO CUMULATIVIDADE. GLOSA DE CRÉDITOS. PROPORCIONALIZAÇÃO. No regime da não cumulatividade, o rateio proporcional fundamentado em critérios racionais é recurso legítimo para a discriminação dos créditos relativos a bem ou serviços em função da natureza, origem e vinculação. A proporção entre a receita bruta e a receita de referência é a forma legítima para o cálculo do crédito vinculado à receita de referência (de mercado externo, interno não tributado, interno tributado, submetida a regime cumulativo, com suspensão, etc). NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ROYALTIES. VEDAÇÃO. Os gastos com royalties não podem ser aproveitados como crédito no regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. VEDAÇÃO. É vedada a apropriação de créditos em relação a bens e serviços adquiridos em operações não sujeitas à incidência ou sujeitas à incidência com alíquota zero ou com suspensão dessa contribuição, independentemente da destinação dada aos bens ou serviços adquiridos. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. FRETE. POSSIBILIDADE. Somente dão direito a crédito no regime de incidência não-cumulativa os gastos com frete na operação de venda suportados pelo vendedor, aqueles que compõem o custo de insumo adquirido que também gere crédito e os relativos à movimentação interna de matéria-prima e produtos em elaboração, vedados os créditos referentes à movimentação de produtos acabados e fretes não relacionados à venda ou à produção. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. Os fretes incorridos na aquisição de insumos não estão abrangidos no conceito de insumos de forma autônoma. A possibilidade de creditamento deve ser analisada em relação aos bens adquiridos, e não em relação ao serviço de transporte considerado isoladamente. Não é permitido o creditamento sobre os fretes pagos na aquisição de bens sujeitos à alíquota zero, não incidência ou isentos. FRETES. INCONSISTÊNCIA DOCUMENTAL. COMPROVAÇÃO. GLOSA REVERSÃO. Fl. 1312DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 8 Revertem-se as glosas de créditos tomados sobre dispêndios com fretes por inconsistência de informações documentais uma vez apresentada documentação comprobatória em sede de manifestação de inconformidade que atestam que os fretes foram incorridos em operações hábeis ao creditamento (frete no território nacional quando da importação de insumos e máquinas e equipamento incorporados ao ativo imobilizado utilizados na produção de bem destinado à venda ou na prestação de serviço). NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. FRETE. BENS RECEBIDOS OU ADQUIRIDOS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. A empresa comercial exportadora não pode calcular créditos sobre despesas com frete relacionados a produtos recebidos ou adquiridos com fim específico de exportação. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS. INSUMOS. MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO E OBRA CIVIL. Não são considerados insumos os materiais de construção quando a dimensão dos gastos e a característica dos bens denotam que não se vincularam a manutenção regular, mas a emprego em reformas e construções que impõem a ativação dos gastos por aumentarem a vida útil do bem em mais de um ano. NÃO CUMULATIVIDADE. SERVIÇOS. MANUTENÇÃO CIVIL. Não são considerados insumos dispêndios com serviços quando suas características extrapolam a mera manutenção predial e quando a dimensão dos gastos e a identidade dos prestadores, construtoras, impõem a ativação dos gastos. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. SERVIÇOS NÃO RELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. Não se qualificam no conceito de insumos os serviços que não sejam relevantes ou essenciais ao processo produtivo, a exemplo de serviços portuários e de despachante aduaneiro, alocados em etapa posterior à produção. NÃO CUMULATIVIDADE. LOCAÇÃO DE VEÍCULOS. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A despesa com locação de veículo não gera direito a desconto de créditos no regime não cumulativo. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. DESPESAS PARA VIABILIZAÇÃO DA MÃO DE OBRA. CLÍNICA MÉDICA. VALE-ALIMENTAÇÃO. Não são considerados insumos as despesas destinadas a viabilizar a atividade da mão de obra empregada no processo de produção ou fabricação de bens ou de prestação de serviços, tais como alimentação, vestimenta, transporte, cursos, plano de saúde e seguro de vida. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. TRATAMENTO. Fl. 1313DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 9 O aproveitamento de créditos não informados à época própria deve ser precedido da retificação da documentação fiscal relativa ao período de competência do crédito até o período em que o crédito está sendo utilizado ou passa a ser objeto de pedido de ressarcimento. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS NÃO RELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. Não se qualificam no conceito de insumos os bens e serviços que não sejam relevantes ou essenciais ao processo produtivo, a exemplo de vigilância e segurança e serviços portuários NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ICMS-ST. IMPOSSIBILIDADE. O ICMS-Substituição Tributária que consta na nota fiscal emitida pelo vendedor- substituto da mercadoria não compõe a base de cálculo das contribuições devidas por ele vendedor. Não havendo incidência de contribuição sobre o valor do ICMS- ST na etapa anterior, a parcela não gera crédito em consonância com o princípio do regime não cumulativo. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ALUGUEL. ARRENDAMENTO DE IMÓVEL RURAL. A contraprestação pelo contrato de arrendamento de imóvel rural gera direito ao creditamento no regime da não cumulatividade. No entanto, não se configura arrendamento quando o contrato fixa o preço em quantidade de frutos compartilhando, com o proprietário rural, os riscos da flutuação de preço do produto agropecuário. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. EDIFICAÇÕES E BENFEITORIAS. Comprovada a vinculação de edificações e benfeitorias às atividades de produção, admite-se a tomada de créditos. A recorrente BOM FUTURO AGRICOLA LTDA, interpôs Recurso Voluntário, reiterando os argumentos expostos em sede de manifestação de inconformidade e pleiteando, em breve síntese, o seguinte: A Recorrente pleiteia, inicialmente, a reunião dos Processos Administrativos mencionados no item III do presente recurso, devendo ser regularmente processados e julgados os recursos voluntários em conjunto. Ademais, diante de todo o exposto e, com base nos fundamentos de fato e de direito acima narrados, devidamente suportados pelos documentos comprobatórios de seu direito, bem como pela jurisprudência colacionada, a Recorrente pleiteia que se DÊ PROVIMENTO a este Recurso Voluntário, para que, preliminarmente, seja reconhecida a nulidade do despacho decisório e do acórdão recorrido, por violação à verdade material. Fl. 1314DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 10 Caso assim não entendam Vossas Senhorias, o que se admite a título meramente argumentativo, a Recorrente requer, no mérito, seja DADO PROVIMENTO ao presente Recurso Voluntário, para que seja reformado o Acórdão recorrido, reconhecendo-se a nulidade do despacho decisório que veiculou glosas em desacordo com atos normativos da SRFB e/ou, caso sejam superadas as nulidades, sejam acolhidos os argumentos de fato e de direito para que seja reconhecido o direito aos créditos pleiteados, com o ressarcimento integral dos valores, devidamente atualizados, pois comprovadamente os bens e serviços adquiridos são essenciais para as atividades da Recorrente. Por fim, caso Vossas Senhorias entendam que sejam necessários novos elementos, em respeito ao princípio da verdade real e, principalmente, pelas inovações aos critérios jurídicos das glosas no acórdão recorrido, a Recorrente pleiteia que o presente processo seja baixado em diligência e/ou que lhe seja assegurada a produção de provas por todos os meios em direito admitidos, em especial pela posterior juntada de novos documentos. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto condutor consignado no acórdão paradigma como razões de decidir. Deixa-se de transcrever a parte vencida do voto do relator, que pode ser consultada no acórdão paradigma e deverá ser considerada, para todos os fins regimentais, inclusive de pré-questionamento, como parte integrante desta decisão, transcrevendo-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado. Quanto à tempestividade, conhecimento e ao mérito, ressalvado quanto em manter as glosas referentes aos fretes de remessas de amostra grátis, da doação, dos brindes, da demonstração e sobre os custos com serviços de rastreamento de veículos, transcreve-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto do relator do acórdão paradigma: O Recurso Voluntário é tempestivo e cumpre com os requisitos formais de admissibilidade, devendo, por conseguinte, ser conhecido. No que se refere ao pedido de julgamento, em conjunto, dos Recursos Voluntários interpostos nos processos administrativos decorrentes do mesmo procedimento de fiscalização, cumpre informar que o presente processo é paradigma dos demais, que estão contemplados no lote de repetitivo, devendo ser aplicada a mesma decisão a todos os casos. Fl. 1315DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 11 DA PRELIMINAR DE AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO R. DESPACHO DECISÓRIO E DO V. ACÓRDÃO RECORRIDO. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL Em seu Recurso Voluntário, a recorrente sustenta que “[...] o indeferimento parcial do crédito se fundou em presunções sobre a atividade econômica desenvolvida e a forma de tributação eleita, diante das inúmeras especificidades das operações empreendidas pela Recorrente. Tais vícios foram ratificados pelo v. acórdão recorrido, que praticamente repisou os fundamentos da instância de origem, desconsiderando todas as provas e razões de direito exploradas pela Recorrente em sua Manifestação de Inconformidade, inclusive assumindo premissas com base em meras presunções”. Alegando não ter havido a adequada análise do seu processo produtivo, das provas colacionadas aos autos e da legislação que disciplina a matéria, ressalta que a fiscalização teria se apegado “[...] a questões formais e em presunções de hipotéticas irregularidades que afastariam os créditos postulados” e que o v. acórdão recorrido “[...] simplesmente desconsiderou o conjunto probatório então apresentado, assim como todos os fundamentos de direito e explicações detalhadas a respeito do processo produtivo da Recorrente, basicamente ratificando o teor do despacho decisório”. Por tais razões, defende que “[...] haja vista a afronta aos princípios da motivação, ampla defesa, contraditório e segurança jurídica, faz-se necessária a declaração de nulidade do v. acórdão recorrido (e do despacho decisório), na parcela glosada dos créditos postulados”. Ao apreciar tais alegações, em sede de manifestação de inconformidade, assim se manifestou o v. acórdão recorrido: [...] não procede a alegação da requerente de que não haveria motivação para as glosas e de que a auditoria, desconhecendo o processo produtivo desenvolvido pela empresa, não teria se empenhado em cumprir com o princípio da busca pela verdade material. Toda a motivação para as glosas, sem que ainda se avalie sua legitimidade concordando-se ou não com elas, está clara no Relatório Fiscal que integra o Despacho Decisório. Tanto foi clara a fundamentação que o contribuinte exerceu plenamente sua defesa, construindo manifestação de inconformidade em que demonstra ter conhecido das motivações da fiscalização. A questão quanto a eventual desrespeito na procura pela verdade material é referida pela contribuinte de forma genérica para todo o trabalho de auditoria e mais especificamente em relação a duas matérias de glosa de créditos: aquisição de bovinos e aquisição de materiais de construção civil, cujas implicações serão examinadas mais adiante neste voto. Antes de que se inicie a avaliação do mérito, importante realçar que o trabalho fiscal está bem organizado, contendo relatório fiscal que se refere aos documentos analisados, às planilhas de cálculo elaboradas e à legislação acionada pela auditoria no exame da legitimidade do crédito demandado, documentação toda essa reunida no e-dossiê nº 10265.004190/2021-10, não havendo até aqui como Fl. 1316DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 12 acolher a alegação de inobservância do princípio da busca pela verdade material, uso de presunções não previstas em lei ou falta de motivação. É o que passo a apreciar. Sem adentrar no mérito da controvérsia, cumpre destacar que todas as glosas foram devidamente motivadas no Relatório de Auditoria do Crédito do Pis e da Cofins, colacionado ao e-Dossiê 10265.004190/2021-10 (fls. 2044/2116), em que a fiscalização expõe individualizadamente as razões para indeferimento dos créditos pleiteados. Ressalta-se que tais informações foram suficientemente completas a ponto de permitir à Recorrente, tanto em sua manifestação de inconformidade, quanto no próprio Recurso Voluntário, suscitar uma ampla discussão acerca do mérito, o que não se coaduna com a hipótese de falta de motivação, e vai de encontro com a tese de cerceamento do direito de defesa. Da mesma forma, o v. acórdão recorrido apreciou todas as alegações suscitadas pela recorrente na manifestação de inconformidade, observando o princípio da livre convicção fundamentada, sendo certo que o mero inconformismo da recorrente com o entendimento exarado não gera por si só a nulidade do Despacho Decisório e/ou do v. acórdão recorrido, devendo as suas razões de insurgência serem apreciadas quando do julgamento do mérito do presente recurso. Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do Despacho Decisório e do v. acórdão recorrido. DA PRELIMINAR DE IMPOSSIBILIDADE DE GLOSA DE CRÉDITOS EM DESACORDO COM ATOS NORMATIVOS DA SRF – SOLUÇÕES DE CONSULTA E INSTRUÇÕES NORMATIVAS Neste tópico, a recorrente sustenta que, ao fundamentar as glosas combatidas, “[...] a Autoridade Fiscal deixou de observar o que dispõem os atos normativos da própria Receita Federal do Brasil, notadamente: (i) Parecer Normativo Cosit nº 5/2018; e (ii) Instrução Normativa RFB nº 1.911/2019; (iii) Soluções de Consulta — Disit nº 6.026/2021 e 6.027/2021, às quais vinculam a administração tributária, nos termos do disposto no art. 9º, da IN RFB nº 1.396, de 16/09/2013”, razão pela qual pleiteia a nulidade do Despacho Decisório. Não assiste razão à recorrente. Conforme já nos manifestamos, não se vislumbra nulidade no Despacho Decisório que motivou cada uma das glosas efetuadas, existindo mero inconformismo da recorrente com o entendimento exarado. Fl. 1317DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 13 Da mesma forma, não houve inobservância do Despacho Decisório aos atos normativos mencionados, existindo apenas divergência interpretativa acerca da aplicação das normas ao caso concreto. Diante disto, voto por rejeitar a preliminar de inobservância aos entendimentos vinculantes proferidos no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil. DOS CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE E DA ATIVIDADE DESENVOLVIDA PELA RECORRENTE No julgamento do REsp nº 1.221.170, em sede de Recurso Repetitivo, o Superior Tribunal de Justiça, além de reconhecer a ilegalidade da disciplina de creditamento prevista pelas Instruções Normativas da RFB n° 247/2002 e 404/2004, fixou o entendimento de que “[...] o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, ou seja, considerando- se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela contribuinte”. Em breve síntese, a essencialidade consiste na imprescindibilidade do item do qual o produto ou serviço dependa, intrínseca ou fundamentalmente, de forma a configurar elemento estrutural e inseparável para o desenvolvimento da atividade econômica, ou, quando menos, que a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Por sua vez, com base no critério da relevância, o item pode ser considerado como insumo quando, embora não indispensável ao processo produtivo ou à prestação do serviço, integre o seu processo produtivo, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva, seja por imposição legal. Ainda, questão bastante relevante fixada no referido julgamento, mas nem sempre observada, se refere à dimensão temporal dentro da qual devem ser reconhecidos os bens e serviços utilizados como insumos. Pela clareza e didática, cumpre reproduzir a doutrina de Marco Aurélio Greco expressamente citada no julgamento do REsp nº1.221.170: De fato, serão as circunstâncias de cada atividade, de cada empreendimento e, mais, até mesmo de cada produto a ser vendido que determinarão a dimensão temporal dentro da qual reconhecer os bens e serviços utilizados como respectivos insumos. [...] Cumpre, pois, afastar a idéia preconcebida de que só é insumo aquilo direta e imediatamente utilizado no momento final da obtenção do bem ou produto a ser vendido, como se não existisse o empreendimento nem a atividade econômica como um todo, desempenhada pelo contribuinte. (...) Fl. 1318DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 14 O critério a ser aplicado, portanto, apóia-se na inerência do bem ou serviço à atividade econômica desenvolvida pelo contribuinte (por decisão sua e/ou por delineamento legal) e o grau de relevância que apresenta para ela. Se o bem adquirido integra o desempenho da atividade, ainda que em fase anterior à obtenção do produto final a ser vendido, e assume a importância de algo necessário à sua existência ou útil para que possua determinada qualidade, então o bem estará sendo utilizado como insumo daquela atividade (de produção, fabricação), pois desde o momento de sua aquisição já se encontra em andamento a atividade econômica que – vista global e unitariamente – desembocará num produto final a ser vendido. 1 (Grifamos) Assim, não configura insumo apenas aquilo que é utilizado direta e imediatamente na prestação de serviços e/ou na produção de produtos, mas tudo aquilo que é essencial e relevante para o desempenho da atividade econômica que desembocará numa prestação de serviço ou na venda de um produto. Tal compreensão é imprescindível para análise de qualquer caso envolvendo direito creditório. Além disto, para fins de análise do direito ao creditamento, não podemos analisar a atividade exercida pela empresa de forma teórica, focando exclusivamente naqueles itens imprescindíveis para uma atividade genericamente considerada. Pelo contrário, devemos estar atentos às peculiaridades de cada atividade específica, analisando em cada situação aquilo que cumpre com os critérios de essencialidade e relevância no caso concreto. Por fim, cumpre ressaltar que, no voto vencedor, o Ministro Relator Napoleão Nunes Maia Filho ainda afasta expressamente a aplicação do artigo 111 do CTN aos casos envolvendo direito creditório, ressaltando que o creditamento não consiste em benefício fiscal, de modo que não há de ser interpretado de forma literal ou restritiva. Para afastar de vez a compreensão equivocada de que o direito creditório decorrente da não-cumulatividade configuraria benefício fiscal, cumpre reproduzir as diversas funções da não-cumulatividade, elencadas por André Mendes Moreira em seu “A não-cumulatividade dos tributos”2, que demonstram que tal princípio, e a correspondente sistemática de apuração, não busca um benefício individual, pelo contrário, persegue diversos objetivos coletivos da sociedade, entre eles: (a) a translação jurídica do ônus tributário ao contribuinte de facto, não onerando os agentes produtivos; (b) a neutralidade fiscal, de modo que o número de etapas de circulação da mercadoria não influa na tributação sobre ela incidente; 1 Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS, in Revista Fórum de Direito Tributário - RFDT, Belo Horizonte, n. 34, jul./ago. 2008, p. 6 2 MOREIRA, André Mendes. A não-cumulatividade dos tributos. 4ªed., rev. e atual., São Paulo: Noeses, 2020, pg. 120. Fl. 1319DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 15 (c) o desenvolvimento da sociedade, pois a experiência mundial denota que a tributação cumulativa sobre o consumo gera pobreza, pois encarece a circulação de riquezas; (d) a conquista de mercados internacionais, permitindo-se a efetiva desoneração tributária dos bens e serviços exportados (impraticável no regime cumulativo de tributação); (e) a isonomia entre produtos nacionais e estrangeiros, pois a não-cumulatividade possibilita a cobrança, na importação, de tributo em montante idêntico ao suportado pelo produtor nacional. Com base em tais premissas e considerando que a adoção dos critérios fixados pelo STJ demanda a análise da essencialidade e relevância do insumo ao desenvolvimento da atividade empresarial do contribuinte, pertinente trazer considerações acerca da atividade exercida pela recorrente. Por bem descrever o objeto social da recorrente, merece transcrição o artigo 3º do seu Contrato Social: CLÁUSULA TERCEIRA: A Sociedade tem por objeto social a exploração das atividades de agricultura, produção de sementes e mudas, vinicultura, fruticultura, olericultura, pecuária, suinocultura e avicultura; a fabricação de rações balanceadas, concentrados, sais minerais e produtos de suplementação mineral e proteica, comercialização no mercado interno e externo mediante importação e exportação dos produtos retro mencionados; a comercialização no mercado interno mediante compra e venda dos produtos e subprodutos oriundos das atividades de agricultura, produção de sementes e mudas, vinicultura, fruticultura, olericultura, pecuária, suinocultura e avicultura; a comercialização no mercado externo mediante importação e exportação dos produtos e subprodutos oriundos das atividades de agricultura, produção de sementes e mudas, vinicultura, fruticultura, olericultura, pecuária, suinocultura e avicultura; o comércio e representação de adubos e fertilizantes, fungicidas, herbicidas, inseticidas, medicamentos, vacinas, produtos agrícolas, pecuários e veterinários em geral; o comércio atacadista e varejista de cereais, sementes, corretivos para o solo, algodão em pluma e em fardos e outros produtos agrícolas; transporte rodoviário de cargas, agenciamento de cargas; a locação de veículos, equipamentos e máquinas; a fabricação de óleos vegetais em bruto, a extração de óleo de caroço de algodão; extração, tratamento, beneficiamento e comércio de madeiras nativas e de reflorestamento; beneficiamento de algodão, caroço de algodão, sementes de algodão, sementes de soja, sementes de milho; secagem, limpeza, expurga de sementes e cereais em estado natural, ensacados ou a granel; armazenamento de sementes, cereais, fertilizantes, corretivos para o solo, algodão em pluma e em fardos e outros produtos agrícolas; piscicultura, criação, comercialização e exportação de peixes de água doce, in natura, frescos e congelados; e a participação como quotista ou acionista em outras empresas, comercio, armazenagem, manipulação, formulação, produção, fabricação, importação, controle de qualidade, transportes, pesquisa e desenvolvimento experimental de: agrotóxicos e seus componentes e afins (incluindo produtos de origem biológica), Fl. 1320DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 16 adubos, fertilizantes e inoculantes, importação, exportação, comercialização, fabricação, formulação, produção, manipulação, armazenagem, controle de qualidade, transporte, pesquisa e desenvolvimento de: inoculantes, fertilizantes, agrotóxicos seus componentes e afins (incluindo produtos de origem bioquímica e biológica para agricultura convencional e orgânica), reembalador de sementes, atividades após colheita. Por pertinente, transcrevo também excerto do Recurso Voluntário - corroborado por Laudo técnico elaborado internamente (juntado aos autos com a manifestação de inconformidade) e Parecer Técnico elaborado pela Pedrosa Consultores Associados (juntado aos autos com o Recurso Voluntário) - no qual a recorrente sintetiza o seu processo produtivo: [...] a Recorrente desenvolve, há mais de 40 anos, atividade econômica nas áreas da agricultura, pecuária, sementes e piscicultura, conforme se constata do seu contrato social. Eis uma fotografia de uma de suas unidades produtivas (extraída da página 13 do Parecer Técnico): Vale destacar que, conforme demonstrado no Parecer Técnico, há uma interligação entre tais atividades, “que reflete na apuração de créditos de PIS/COFINS. Uma atividade econômica pode resultar em produção de bens e serviços para mercado ou insumos para outra atividade desenvolvida” (página 10). Considerando os temas ora envolvidos, a seguir serão detalhadas as três primeiras atividades (agricultura, pecuária e sementes). A) AGRICULTURA Atualmente, a Recorrente é o maior produtor individual de soja no mundo e o maior na cultura do algodão no Brasil, possuindo uma área total aproximada de 583 mil hectares cultivados no Estado do Mato Grosso, na qual são produzidas cerca de 1,3 milhão de toneladas de soja e 300 mil toneladas de pluma de algodão por safra. Antes de prosseguir, é importante fazer uma contextualização. Considerando que pode ser difícil para quem não está familiarizado com o meio rural compreender o significado de 583 mil hectares, vale uma explicação. Para efeito de comparação, a cidade de São Paulo tem uma área de 1.521 km², o que corresponde a 152.100 hectares. Assim, a área cultivada pela Recorrente, somando a safra principal e a safrinha, é quase quatro vezes maior que a área da cidade de São Paulo. Essa comparação é feita para não apenas destacar as vastas dimensões da operação da Recorrente, mas também ressaltar a importância de se analisar Fl. 1321DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 17 cuidadosamente a essencialidade dos produtos utilizados nessa imensa indústria ao ar livre. Continuando. Conforme consta da página 24 do Parecer Técnico, a atividade operacional é dividida entre 38 unidades centralizadoras de produção; 21 unidades de beneficiamento e armazenamento de grãos; 09 unidades de beneficiamento de algodão; e 03 unidades de beneficiamento de sementes, distribuídas em diversos municípios do Estado de Mato Grosso. Registre-se que as referidas culturas levam, em média, 130 dias entre o plantio e o fruto pronto e disponível para a comercialização. O ciclo se inicia no preparo da terra, com a análise da boa qualidade física e estrutural e dos nutrientes presentes no solo e a implementação de medidas, se necessárias, para suprir as demandas nutricionais do local. E uma vez constatada a viabilidade do solo, segue-se para o plantio de sementes que, por sua vez, são previamente selecionadas e sujeitas a um processo de beneficiamento realizado com a utilização de avançada tecnologia genética de alta complexidade e relevância. Nesse contexto, insta salientar que, na atividade agrícola da Recorrente, a semente é o seu principal insumo. Isso pois, para um bom plantio, é imprescindível que as sementes utilizadas possuam boa qualidade física, fisiológica, sanitária e genética, de modo que todos os custos que são empreendidos para a sua aquisição e/ou beneficiamento, torna-se indispensável para a perfeita eficiência e realização da atividade agrária. Em outras palavras, sementes de baixa qualidade ou que não possuem traços genéticos adequados a possibilitar um bom plantio podem ser fontes de desenvolvimento de doenças, contribuindo para a inserção de pragas e doenças na lavoura, assim como representam um aumento significativo de mão de obra e recursos financeiros. A esse respeito, eis excerto do Parecer Técnico ora apresentado: “Diante das informações acima dispostas sobre o processo produtivo da BOM FUTURO, é possível constatar que para o desenvolvimento da atividade de agricultura, a empresa depende da aquisição de itens indispensáveis (a indispensabilidade desses itens está relacionada à ligação direta com a sua eficiência e capacidade produtiva), sendo eles: a) Sementes: Sementes de qualidade propiciam melhores características para culturas agrícolas plantadas. Semente tratadas possuem reguladores de crescimento, micronutriente e inoculantes, que contribuem para o desenvolvimento das plantas, deixando-as mais sadias e resistentes. Considerando que o grupo BOM FUTURO é um dos três maiores produtores agrícolas do Brasil, a utilização de sementes tratadas é fundamental para a realização de suas atividades agrícolas; b) Instalações diversas: As instalações possibilitam racionalizar a produção agrícola, ou seja, trazem eficiência e eficácia ao processo produtivo, protegendo os cultivos das intempéries. Essas instalações necessitam de Fl. 1322DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 18 manutenção constante. Portanto, materiais de construção são elementos imprescindíveis no dia a dia da empresa; c) Fertilizantes e Defensivos: A utilização de fertilizantes e defensivos tem como finalidade o aumento da produtividade e o controle de pragas que possam prejudicar o cultivo; d) Peças para manutenção de aeronaves: A utilização de aeronaves na agricultura tem como finalidade a pulverização de defensivos em propriedades de grande extensão (como a BOM FUTURO, que possui cerca de 583 mil hectares), além disso, pode ser utilizada no combate de possíveis incêndios.” (página 28 do Parecer Técnico – destacamos) Registre-se que, após alguns dias de vida da planta, ocorre o manejo com adubagem e pulverizações para o controle de insetos, fungos e ervas daninhas. E com aproximadamente 110 dias de extremos cuidados, a cultura passa à fase da maturação e, por conseguinte, da colheita, que só pode ocorrer quando a cultura atingir a maturação fisiológica e a umidade ideal para tanto, sob o risco de perda de produtividade. Com a finalização da colheita, os frutos são transportados para os armazéns ou para as unidades de beneficiamento da Recorrente para as etapas de limpeza, secagem, padronização e, por fim, armazenagem. Somente a partir de então é que os produtos estarão prontos para serem comercializados ou utilizados para a produção de rações especiais que serão destinadas para o uso interno da Recorrente (que, como visto, atua também no setor pecuário). B) SEMENTES Conforme acima mencionado, a semente utilizada pela Recorrente possui um processo produtivo próprio (anterior, portanto, ao processo agrícola), já que é responsável em boa parte pelo resultado da colheita. A cadeia produtiva da semente se inicia com as pesquisas de cruzamentos varietais e inserção genética de genes que podem proporcionar resistência a pragas e doenças, definição de ciclos e grupo de maturação, arquitetura de planta, produtividade entre outros inúmeros atributos. Acerca desse tema, foi apresentado com a Manifestação de Inconformidade um Laudo Técnico formulado pela equipe técnica da Recorrente, com a integralidade da descrição dos processos empreendidos nas sementes (doc. 01 da Manifestação de Inconformidade). De acordo com o referido trabalho, a Recorrente, enquanto produtora devidamente cadastrada junto das entidades reguladoras (MAPA e INDEA) e atenta às necessidades de plantio sustentável e eficaz, adquire sementes com melhoramento genético das obtentoras de tecnologia, mediante contratos de licenciamentos remunerados por royalties, dando início à produção segundo o fluxo abaixo: Fl. 1323DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 19 Note-se que, para a produção de sementes, é exigido o credenciamento junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), ao Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (INDEA) e, ainda, ter inscrição no Registro Nacional de Sementes E Mudas (RENASEM), com a indicação de um responsável técnico habilitado. Quanto ao credenciamento, somente é deferido quando comprovado o atendimento dos seguintes requisitos: ▪ Preenchimento de formulário padrão de inscrição de campos; ▪ Comprovante da taxa de recolhimento referente a área; ▪ Anotação de responsabilidade técnica com projeto técnico de execução; ▪ Croqui de localização dos campos seguidos de coordenadas georreferenciadas; ▪ Apresentação das Notas Fiscais (NFs) de origem das sementes com seus respectivos documentos (termos de conformidades para S1 e S2 ou certificado de sementes para C1, C2 e básica e o boletim de análise de semente); e ▪ A autorização do obtentor da cultivar e da tecnologia empregada nas sementes com direitos de patentes. Essa autorização de multiplicação é fornecida por meio de contratos de licenciamentos para fins de recolhimentos de royalties. Nesse cenário, a Recorrente adquire sementes com melhoramento genético (cultivares), destinando-as como matéria-prima para uma das unidades de beneficiamentos, processamento e armazenamento. UNIDADE DE BENEFICIAMENTO DE SEMENTES (FAZENDA FARTURA - CAMPO VERDE/MT) Já na unidade de beneficiamento processam-se as seguintes etapas: pesagem nas moegas recebedoras; separação de acordo com a cultivar presente em cada Fl. 1324DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 20 semente (traço genético obtido com a aplicação de tecnologia do germoplasma); recepção; classificação; avaliação de dano mecânico; e a descarga da massa de grãos. Na etapa seguinte, realiza-se a limpeza dos grãos, onde são retiradas as impureza e fragmentos de grãos que serão descartados do processo de produção de sementes. A limpeza dos grãos também é realizada de forma segregada por cada cultivar, sendo que as máquinas de secagem são previamente preparadas e configuradas para receber um tipo específico por vez. MÁQUINA DE PRÉ-LIMPEZA UNIDADE DE BENEFICIAMENTO DE SEMENTES Quando do processo de secagem, é feita retirada do excesso de água, sendo o grão encaminhado para a etapa seguinte, de classificação por forma – realizado por um conjunto de espiral, selecionando os grãos redondos perfeitos; por diâmetro – realizado por um conjunto de peneiras, onde utiliza-se a circunferência em medida de milímetros para a seleção; e por peso, em que somente são os grãos pesado, descartando-se os leves. CONJUNTO DE ESPIRAL (ESQ.) E CONJUNTO DE PADRONIZADORES POR PENEIRAS (DIR.) PARA CLASSIFICAÇÃO DE GRÃOS – UNIDADE DE BENEFICIAMENTO DE SEMENTES Fl. 1325DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 21 VISTA GERAL DO EQUIPAMENTO – UNIDADE DE BENEFICIAMENTO DE SEMENTES Após a classificação, os grãos são envazados em bags ou sacos, devidamente identificados por peso, informações da cultivar, peneira, categoria produzida, safra e validade dos documentos oficiais de qualidade; sendo enviados na sequência para a armazenagem e controle de qualidade da produção. BAG DE ENVASAMENTO DAS SEMENTES, COM AS INFORMAÇÕES DA FORMAÇÃO DO LOTE ARMAZÉM DE SEMENTES BENEFICIADAS Por sua vez, na etapa de avaliação técnica são realizadas as averiguações da qualidade fisiologia (germinação e vigor) e da qualidade física por meio de testes específicos em laboratório próprio. Após a finalização das análises são emitidos documentos oficiais através do boletim de análises que geram os termos de conformidade e certificados conforme as categorias das sementes produzidas. Fl. 1326DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 22 LABORATÓRIO DE ANÁLISES DAS SEMENTES Cumpre registrar que a saída do armazém se dá mediante a emissão de Notas Fiscais, com a remessa das sementes aos campos produtivos para operação de plantio gerando grãos comerciais, ou podendo gerar uma nova geração de sementes, reiniciando a cadeia de produção de sementes descrita acima. EVOLUÇÃO DO GRÃO DESTINADO A PRODUÇÃO DE SEMENTE Após a emissão das NFs, comprova-se o uso das sementes e, consequentemente, do benefício das cultivares inseridas por melhoramento genético nesse insumo, gerando as quantidades (em toneladas ou quilos) de utilização da semente de cada cultivar e procedendo-se, assim, ao pagamento dos royalties pertinentes ao contrato de licenciamento junto ao detentor da tecnologia. C) PECUÁRIA De acordo com o Parecer Técnico ora anexado, “a BOM FUTURO atua dentro do seguimento da pecuária, com um rebanho bovino circulante de aproximadamente 130 mil cabeças de gados das raças Nelore e cruzamento industrial em sistemas de semiconfinamento e confinamento. A vasta experiência e o auxílio da tecnologia, permitiram a BOM FUTURO construir e implementar o maior projeto de integração lavoura-pecuária (ILP) do mundo, com uma área de 31 mil hectares para essa modalidade” (página 29) Assim, unindo uma vasta experiência no ramo e o auxílio de tecnologia, a Recorrente desenvolve um perfeito sistema de integração lavoura-pecuária (ILP), consistente na recuperação de áreas de pastagens degradadas, explorando no mesmo local, em rotação ou sucessão, diferentes sistemas de plantio, como o sistema de grãos, destinado a produção de alimentação para o próprio rebanho. Fl. 1327DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 23 Ou seja, na mesma área e em épocas diferentes, a Recorrente promove a exploração de atividades agrícolas e pecuárias, de forma a otimizar e intensificar o uso dos recursos naturais, causando menor impacto ao meio ambiente. Dito de outro modo, o processo produtivo empreendido pela Recorrente, em relação aos bovinos, engloba (i) a aquisição de novilhos; (ii) a realização de pesquisas e produção de ração de alta qualidade genética e nutricional, que é utilizada na recria e engorda (beneficiamento) do rebanho; e (iii) a venda do gado para abate. Ainda a respeito da pecuária, merece destaque o seguinte excerto do mencionado Parecer Técnico: “Para o desenvolvimento da pecuária em tamanha escala é indispensável itens tais como: a) Aquisição de bovinos: Atividade comum a todo e qualquer pecuarista de corte, devido à alta rotatividade do “estoque”. A aquisição de novos animais para engorda e reposição é essencial a prática pecuarista, sendo um dos principais insumos da atividade de engorda para venda do gado vivo. b) Instalações diversas: As instalações possibilitam o bom manejo do rebanho que, consequentemente, reduz possíveis custos veterinários, promovendo maior rentabilidade ao pecuarista. Essas instalações, necessitam de manutenção constante. Portanto, os materiais de construção são elementos imprescindíveis no dia a dia da empresa; c) Milho: Considerado o principal grão para a produção de rações destinadas à pecuária, o milho, além do cultivo “fácil”, dispõe de nutrientes e é livre de substâncias tóxicas aos rebanhos, o que o torna elemento indispensável na alimentação de criações (bovinos, suínos e aves).” (página 31 – destacamos) Cumpre esclarecer ainda que os novilhos adquiridos são submetidos ao Sistema Oficial de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos - SISBOV, por meio do qual são implantados chips e brincos nos animais, que possibilitam o monitoramento da evolução dos processos de recria e engorda, garantindo a procedência e a rastreabilidade bovina. Portanto, dentro do processo produtivo da Recorrente, destacam-se 03 (três) atividades básicas: (1) a recria; (2) a engorda; e (3) a fabricação da ração especial própria, para propiciar o beneficiamento do bovino, enquanto atividade industrial de transformação da matéria-prima. Atividade de Recria Conforme página 31 do Parecer Técnico, a fase de recria inicia-se no momento da aquisição, pela Recorrente, dos bezerros desmamados ou de animais com até 16 meses, com peso estimado entre 180 e 220 kg, encerrando-se na fase de engorda dos bovinos. Logo na entrada, os animais são submetidos com a uma triagem inicial em curral para pesagem, brincagem, inclusão no sistema SISBOV, conferência física, vacinação e tratos sanitários. Fl. 1328DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 24 Após a triagem, os animais são separados em lotes respeitando a idade, sexo, peso individual e raça, sendo destinados a estruturas de recria semi-intensiva, onde podem permanecer por até 05 meses, em processo de adaptação ao manejo alimentar, com o fornecimento de ração a pasto. Na fase de recria os animais recebem sal mineral e rações fabricadas pela própria Recorrente, garantindo o balanceamento energético proteico adequado ao crescimento e desenvolvimento da carcaça do animal. O principal objetivo nesse momento, assim, é o desenvolvimento do novilho, para que ele possa expressar ao máximo o seu potencial genético, ganhando estrutura e o peso ideal para a raça, no menor tempo possível. Nessa etapa do processo produtivo, são ofertados de 02 a 04 kg de ração por dia confeccionada pela própria Recorrente, permitindo a alta taxa de lotação das pastagens, chegando a 15 unidades animal por hectare, onde há o pastejo para oferta de volumoso e a oferta do concentrado energético / proteico em estrutura de cochos cobertos. Observe-se as ilustrações abaixo: CURRAL DE TRIAGEM DOS NOVILHOS BRINCAGEM PARA INCLUSÃO NO SISTEMA SISBOV E MONITORAMENTO DAS ETAPAS DE RECRIA E ENGORDA FASE DE RECRIA – NOVILHO EM ESTRUTURA SEMI-INTENSIVA, COM O FORNECIMENTO DE RAÇÃO CONFECCIONADA PELA BOM FUTURO EM ESTRUTURA DE COCHOS COBERTOS Fl. 1329DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 25 Ainda na recria, impõe-se a utilização de estruturas de dessedentação para fornecimento de água limpa, estruturas de cercas e divisões, bem como a manutenção de vias de acesso para fazer a suplementação diária dos animais. Vale mencionar também que as estruturas de cochos compõem parte da infraestrutura, ao passo que os currais de manejo são ferramentas de trabalho para embarque e desembarque, além da realização dos tratos sanitários e de rastreabilidade. Nesta fase o principal propósito é a obtenção de um animal saudável, com grande desenvolvimento da carcaça, saindo de cerca de 180/220kg para 300/320kg. A partir disso, o animal segue para a etapa de engorda, com grande performance e adaptação ao sistema de suplementação. Atividade de Engorda De acordo com o exposto na página 32 do Parecer Técnico, na fase de engorda os animais podem possuir duas origens: a remessa da etapa de recria, onde o animal já está inserido e adaptado ao manejo tecnológico da Recorrente; ou via aquisição de garrotes (animais de 18 a 24 meses), que entrarão direto no processo de engorda. Durante a fase de engorda, os bovinos recebem uma alimentação específica para aumento de peso e deposição de gordura, com o objetivo de produzir mais carne e de melhor qualidade, agregando o máximo de valor possível. Trata-se de etapa que demanda um maior tempo de pastagens e o oferecimento de suplementação com elevado custo nutricional, o que implica em dispêndios de maiores investimentos. Outrossim, sua consecução pode se dar mediante o fornecimento de alimentação/suplementação nas modalidades de semiconfinamento ou confinamento: ▪ Semiconfinamento: constituída por 215 pontos estruturais para oferta de ração e suplementação, denominadas “praças de alimentação”, referidas áreas podem ser utilizadas para implementação do sistema (ILP), ora ocupadas com agricultura ora para pastagens. Os animais são integrados a partir da finalização da atividade de recria, ao atingirem o peso intermediário de 300 a 320 kg, e podem permanecer nesta fase pelo período de 90 a 120 dias, sendo submetidos ao manejo e fornecimento de ração de 08 a 12kg diários. Para a dessedentação são utilizados grandes reservatórios destinados a distribuição de água. A oferta de volumoso é feita através do pastejo da gramínea cultivada. O ganho médio diário de peso nesta modalidade fica em torno de 1.200 a 1.400 gramas ao dia, possibilitando assim um melhor controle temporal da oferta do animal acabado ao frigorífico. Fl. 1330DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 26 VISÃO GERAL SEMICONFINAMENTO (ESQ.) E PRAÇAS DE ALIMENTAÇÃO (DIR.) – FASE ENGORDA CAMINHÃO REALIZANDO A DISTRIBUIÇÃO DA RAÇÃO NOS COCHOS – FASE ENGORDA/SEMICONFINAMENTO BOVINOS COMENDO A RAÇÃO OFERTADA EM COCHO – FASE ENGORDA/SEMICONFINAMENTO ▪ Confinamento: é constituído por 34 boxes destinados a engorda, com capacidade estática de cerca de 5.000 animais. As atividades se concentram no período de abril a novembro, tendo as condições climáticas de chuvas como limitação da atividade. Nesta modalidade os animais permanecem de 60 a 90 dias recebendo a dieta alimentar integral no cocho, sendo ofertado 10 kg de ração própria adequada e balanceada, e de 10 a 12 kg de volumoso (silagem de milho, de capim e/ou resíduos de algodoeiras) para complementar a dieta. Há um ganho médio de peso diário de 1.750 gramas por dia, sendo que o sucesso do processo de engorda está condicionado (i) à qualidade da ração; (ii) na quantidade de ração ofertada; e (iii) na ambiência e bem-estar proporcionado ao animal durante sua estadia nos boxes de confinamento de engorda. Por conta disto, tal modalidade demanda para além dos cuidados diários com a alimentação e nutrição, o dispêndio de custos com irrigação, limpeza, oferta de água renovável nos bebedouros e pela implantação de sombras artificias para conforto térmico. Sendo, portanto, uma modalidade muito mais onerosa para a Recorrente. Fl. 1331DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 27 Ao atingir a terminação (finalização da engorda), o animal é vendido para os frigoríficos, com finalidade de abate, com preceitos de acabamento de gordura e marmorização de carne desejada para atender o mercado consumidor. [...] VISÃO GERAL SISTEMA DE CONFINAMENTO – FASE ENGORDA [...] VOLUMOSO (SILAGEM DE MILHO, CAPIM E RESÍDUOS DE ALGODOEIRAS) PARA COMPLEMENTAR A DIETA Fabricação de Ração e Suplemento Mineral A Recorrente dispõe de 08 unidades de fabricação de ração para uso próprio, que compreende desde a elaboração dos núcleos e sais minerais a serem empregados nestas rações, até as fases de mistura, envase, armazenamento e efetiva oferta ao rebanho nas etapas de recria e engorda. Referida produção atinge a capacidade diária de 1.500 toneladas/dia, utilizando tanto elementos de produção própria, quanto de mercadoria adquiridas de terceiros, levando em conta a demanda da área de produção junto a recria e engorda e a quantidade de animais. A produção do suplemento mineral (aditivo minerais e aminoácidos) e formulação de núcleos utilizados na composição das rações são produzidos exclusivamente na planta fabril de Campo Verde, e deste local é realizada a remessa às demais fábricas e estabelecimentos da Recorrente, para uso como suplementos minerais e núcleos aditivos de rações. Dentre os insumos utilizados para a fabricação da ração especial bovina, destacam- se os itens de produção própria de origem vegetal, milho, sorgo e derivados de algodão (torta, caroço e briquete formado a partir da prensa de capulhos de algodão). Podem, ainda, serem agregados alguns produtos adquiridos de terceiros, como farelos e base de soja. Todos esses insumos são submetidos ao processo de transformação por meio de moagem e/ou esmagamento, oportunidade na qual passam a ser compatíveis com a formulação e os preceitos técnicos desejados de teores de proteína e energia para cada tipo de ração. [...] UNIDADE DE PRODUÇÃO DE SUPLEMENTOS MINERAIS E NÚCLEOS UTILIZADOS NA FORMULAÇÃO DE RAÇÕES [...] ESTOQUE DE SUPLEMENTOS MINERAIS E NÚCLEOS ACABADOS PARA INTEGRAÇÃO ÀS RAÇÕES [...] PROCESSO DE FABRICAÇÃO DE RAÇÃO – INTEGRAÇÃO DOS INSUMOS AO MILHO MIX PÓS MOAGEM Fl. 1332DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 28 Após o processamento das matérias-primas, pesagem, e mistura, a produção segue para ser armazenada nos estoques de ração e/ou utilização nas etapas de recria e engorda dos animais (já abordadas anteriormente). [...] ARMAZÉM DE ESTOQUE DE RAÇÃO [...] REBANHO EM FASE DE TERMINAÇÃO, ONDE A CARCAÇA JÁ OBTEVE A TRANSFORMAÇÃO NECESSÁRIA ATRAVÉS DA ALIMENTAÇÃO OFERTADA DURANTE O CONFINAMENTO Com essas explicações, corroboradas com os demonstrativos fotográficos e pelo Parecer Técnico, chega-se à conclusão de que a pecuária intensiva explorada pela Recorrente demanda a edificação e a manutenção de estruturas civis expressivas, além de investimento em maquinários específicos, que demandam manutenção e por vezes substituição, a fim de que, desde o início do ciclo produtivo da cadeia de pecuária desenvolvido pela Recorrente, até a entrega ao frigorífico, que abaterá um animal que se converterá em alimento de qualidade. Ademais, a partir do detalhamento das etapas que compõem o complexo processo produtivo da Recorrente, tratadas, repita-se, de forma minuciosa pelo Parecer Técnico ora anexado, resta inquestionável a existência de um processo de industrialização, versado nos esforços e investimentos empregados para a transformação do novilho em um bovino que atenda a condições de peso, estrutura e variação genética requeridas pelo mercado. É importante destacar também que a comercialização dos bovinos se destina à continuação de outro processo industrial, o abate pelos frigoríficos. Sobre esse tema, revela-se imprescindível relembrar que, por industrialização, nos termos do art. 4º do RIPI/2010, entende-se qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo. Há, assim, nítida subsunção do conceito legal de industrialização ao caso concreto, haja vista que a produção da Recorrente representa, sem sombra de dúvidas, uma transformação e aperfeiçoamento da mercadoria (bovino). Ora, o produto bovino final em condições de abate só surgirá após a implementação de um processo de industrialização sobre todos os insumos adquiridos, unindo esforços, tecnologia e conhecimento para que a mercadoria final esteja modificada e aperfeiçoada para o abate. Com isso em vista, passamos a analisar as glosas combatidas no Recurso Voluntário. DO ESTORNO DO CRÉDITO RELATIVO ÀS RECEITAS DE VENDAS COM SUSPENSÃO Conforme supra relatado, a fiscalização identificou vendas realizadas pela recorrente em operações submetidas à suspensão da incidência das contribuições Fl. 1333DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 29 relativas a bovinos (NCM 0122990), caroço de algodão (NCM 52010090), milho (NCM 10059010), girassol (NCM 12060090) e arroz com casca (NCM 10061092). Mencionando os artigos 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 2004 (caroço de algodão e girassol), artigos 32 e 33 da Lei nº 12.058, de 2009 (bovinos vivos), art. 54 e 55 da Lei nº 12.350, de 2010 (milho em grãos e arroz com casca), a fiscalização destaca que a venda desses produtos com suspensão da incidência das contribuições impede o aproveitamento dos créditos regulares ou presumidos associados às receitas correspondentes. Assim, não havendo verificado, nos ajustes de redução de crédito, os estornos de créditos básicos relativos às mencionadas vendas com suspensão, a autoridade reduziu os créditos básicos com base na proporção entre as receitas de vendas com suspensão dos citados produtos e a receita bruta total. Por sua vez, a recorrente defende que os dispositivos mencionados pela fiscalização tratam da concessão de crédito presumido a contribuintes que praticam negócio diverso da atividade por ela desenvolvida, não sendo aplicáveis ao caso concreto. Para fundamentar suas alegações, sustenta que ao vedarem o aproveitamento “de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo”, tais normas não se dirigem aos créditos básicos das contribuições, mas aos próprios créditos presumidos de que tratam os caputs dos dispositivos legais, não se podendo pretender interpretar o parágrafo de modo separado do caput, haja vista a relação necessária de sentido que deve existir entre esses elementos do texto legal, como, de resto, é exigido pela Lei Complementar nº 95/98. Desta forma, sustenta que as aquisições (entradas) que deram origem aos créditos glosados pela Autoridade Fiscal foram realizadas junto a pessoas jurídicas, e foram devidamente tributadas, não se lhes aplicando, de resto, a suspensão prevista nos dispositivos mencionados pela fiscalização e pelo v. acórdão recorrido, em razão da não observância dos requisitos ali previstos (a adquirente, no caso a Recorrente, não promove a venda dos produtos então relacionados). Assim, por se tratar justamente de um insumo, essencial ao processo produtivo da Recorrente, haveria direito ao crédito BÁSICO das contribuições ao PIS e da COFINS, que é autorizado na forma do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, e não é vedado por qualquer disposição atinente ao regime geral de apuração dos créditos das contribuições. O mesmo ocorreria em relação aos demais insumos adquiridos, sem suspensão, pela Recorrente (milho, caroço de algodão, girassol e arroz com casca). Ademais, ainda que se pudesse estender a regra em questão aos créditos básicos, o que se admite apenas para argumentar, a vedação ao desconto dos créditos estaria condicionada à realização de operações com suspensão “às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo”. Vale dizer, não basta que as vendas sejam realizadas com suspensão das contribuições; é necessário que as vendas Fl. 1334DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 30 sejam realizadas às pessoas jurídicas que produzem as mercadorias classificadas nos códigos NCM citados no caput e que as destinem para as exportações – o que sequer teria sido objeto de análise pela Autoridade Fiscal. Por fim, ainda que se entenda pela procedência do estorno realizado pela fiscalização, a recorrente sustenta existir equívoco na metodologia de cálculo aplicada, uma que vez “[...] ao se utilizar da composição da receita da pecuária para amparar os estornos dos créditos, sem qualquer fundamento legal, a Autoridade Fiscal onerou as atividades da Recorrente, na medida que considerou o arquivo EFD Contribuição em sua integralidade, sem distinguir quais movimentações seriam de fato passíveis de tributação”. Entendo que não assiste razão à recorrente. Por entender que todas as alegações e matérias controvertidas foram devidamente dirimidas no v. acórdão recorrido, transcrevo os fundamentos expostos no r. decisum, adotando-os como razões para decidir, conforme autorizado pelo artigo 50, §1º, da Lei nº 9.784/99: Neste ponto, importa transcrever os comandos em discussão. Trazem os arts. 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 2004, primeiro diploma a conferir a possibilidade de geração de créditos presumidos relativos à atividade agropecuária, a seguinte redação: Lei nº 10.925, de 2004: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º O disposto no caput deste artigo aplica-se também às aquisições efetuadas de: I - cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) II - pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e Fl. 1335DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 31 III - pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) ………. § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I - do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II - de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. ………. Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I - de produtos de que trata o inciso I do § 1º do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II - de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1º do art. 8º desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III - de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1º do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I - aplica-se somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) ………. § 2º A suspensão de que trata este artigo aplicar-se-á nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal - SRF. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) A contribuinte tem razão quando afirma que o caput do comando, autorizando a apuração de créditos presumidos não se dirige precipuamente a sua atividade econômica. No entanto, isso não significa que a contribuinte está imune aos efeitos do dispositivo. De fato, a interessada aloca-se no inciso III do parágrafo 1º do artigo transcrito na condição de pessoa jurídica que exerce atividade agropecuária. Nesse contexto, quando vende insumos que serão destinados a outra pessoa jurídica que os transformará nos produtos relacionados no caput, a operação deve ser feita com a suspensão da incidência das contribuições para o PIS/Pasep e para a Cofins, nos termos do art. 9º e ao adquirente é conferido do direito de apropriar-se de crédito presumido, conforme o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. Note-se, porém, que ao polo vendedor da operação é interditado aproveitamento de créditos, sejam eles presumidos ou regulares. O §4º do art. 9º acima reproduzido Fl. 1336DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 32 é bastante claro ao qualificar o crédito como presumido na redação do inciso I e ao retirar essa qualificação no inciso II, de forma que a restrição ao aproveitamento de créditos pela pessoa jurídica vendedora de produtos agropecuários para o destino referido no caput do art. 8º se estende para toda a sorte de créditos, presumidos ou regulares, como acerta a interpretação da autoridade fiscal. Nessa medida, quando a contribuinte vende caroço de algodão e girassol com a suspensão tratada no art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004, é de rigor que os créditos de quaisquer naturezas relativos às respectivas receitas sejam estornados. O mesmo raciocínio vale para as vendas com suspensão de bovinos, milho e arroz com casca. No que se refere às operações de venda de bovinos vivos, dizem os art. 32 e 33 da Lei nº 12.058, de 2009: Lei nº 12.058/2009 (DOU 14/10/2009) Art. 32. Fica suspenso o pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre a receita bruta da venda, no mercado interno, de: I - animais vivos classificados nas posições 01.02 e 01.04 da Nomenclatura Comum do Mercosul - NCM, quando efetuada por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, vendidos para pessoas jurídicas que produzam mercadorias classificadas nos códigos 02.01, 02.02, 02.04, 0206.10.00, 0206.20, 0206.21, 0206.29, 0206.80.00, 0210.20.00, 0506.90.00, 0510.00.10 e 1502.00.1 da NCM; (Redação dada pela Lei nº 12.839, de 2013) Parágrafo único. A suspensão de que trata este artigo: I - não alcança a receita bruta auferida nas vendas a varejo; (Redação dada pela Lei nº 12.431, de 2011). II - aplicar-se-á nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Art. 33. As pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias classificadas nos códigos 02.01, 02.02, 02.04, 0206.10.00, 0206.20, 0206.21, 0206.29, 0206.80.00, 0210.20.00, 0506.90.00, 0510.00.10 e 1502.00.1 da NCM, destinadas a exportação, poderão descontar da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas em cada período de apuração crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens classificados nas posições 01.02 e 01.04 da NCM, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 12.839, de 2013) § 1º O disposto no caput deste artigo aplica-se também às aquisições de pessoa jurídica que exercer atividade agropecuária ou cooperativa de produção agropecuária. ………. § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que trata o § 1º deste artigo o aproveitamento: I - do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; Fl. 1337DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 33 II - de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. Assim, quando a contribuinte vende a exportadores de produtos de origem bovina os animais vivos de sua atividade agropecuária, a operação se dá com a suspensão da incidência das contribuições, nos termos do art. 32 transcrito, com a faculdade de apuração de crédito presumido pelo exportador, nos termos do art. 33, e o crédito relacionado às correspondentes receitas de venda dos animais deve ser estornado por conta do que diz o §4º do art. 33 do diploma que, da mesma forma que fez o §4º do art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004, pretendeu interditar indistintamente tanto o aproveitamento dos créditos presumidos quanto dos créditos regulares às pessoas jurídicas que exercem atividade agropecuária quando vendem insumos para certos setores da agroindústria. O entendimento se estende também para as vendas com suspensão de arroz com casca e milho, conforme dita a Lei nº 12.350, de 2010: Lei nº 12.350/2010 (DOU 21.12.2010): Art. 54. Fica suspenso o pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre a receita bruta da venda, no mercado interno, de: I – insumos de origem vegetal, classificados nas posições 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e nas posições 12.01*, 23.04* e 23.06 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), quando efetuada por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, vendidos: (Vide Lei nº 12.865, de 2013) (Vigência)*retirados pelo art. 34 da Lei nº 12.865, de 09/10/2013, com efeitos a partir de 01/02/2014 a) para pessoas jurídicas que produzam mercadorias classificadas nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM; b) para pessoas jurídicas que produzam preparações dos tipos utilizados na alimentação de animais vivos classificados nas posições 01.03 e 01.05, classificadas no código 2309.90 da NCM; e c) para pessoas físicas; II – preparações dos tipos utilizados na alimentação de animais vivos classificados nas posições 01.03 e 01.05, classificadas no código 2309.90 da NCM; III – animais vivos classificados nas posições 01.03 e 01.05 da NCM, quando efetuada por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, vendidos para pessoas jurídicas que produzam mercadorias classificadas nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM; Parágrafo único. A suspensão de que trata este artigo: I – não alcança a receita bruta auferida nas vendas a varejo; II – aplicar-se-á nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Art. 55. As pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias classificadas nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, Fl. 1338DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 34 02.07 e 0210.1 da NCM, destinadas a exportação, poderão descontar da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas em cada período de apuração crédito presumido, calculado sobre: I – o valor dos bens classificados nas posições 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e nas posições 12.01*, 23.04* e 23.06 da NCM, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física; (Vide Lei nº 12.865, de 2013) (Vigência)*retirados pelo art. 34 da Lei nº 12.865, de 09/10/2013, com efeitos a partir de 01/02/2014 II – o valor das preparações dos tipos utilizados na alimentação de animais vivos classificados nas posições 01.03 e 01.05, classificadas no código 2309.90 da NCM, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física; III – o valor dos bens classificados nas posições 01.03 e 01.05 da NCM, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto nos incisos I a III do caput deste artigo aplica-se também às aquisições de pessoa jurídica. ………. § 5º É vedado às pessoas jurídicas de que trata o § 1º deste artigo o aproveitamento: I – do crédito presumido de que trata o caput deste ar6go; II - de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo, exceto em relação às receitas auferidas com vendas dos produtos classificados nas posições 23.04 e 23.06 da NCM. (Redação dada pela Lei nº 12.431, de 2011). Na situação em que há venda de insumos à cadeia do frango e de suínos, fica suspensa a incidência do PIS/Pasep e da Cofins, nos termos do art. 54 da Lei nº 12.350, de 2010. Por sua vez, aos exportadores de produtos classificados nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM, a lei confere a possibilidade de apuração do crédito presumido calculado com base nos insumos adquiridos, nos termos do art. 55 da lei em foco. Em consonância com a sistemática dos demais insumos acima destacados, bovinos, caroço de algodão e girassol, também fica interditado o aproveitamento dos créditos relacionados às correspondentes vendas de milho e arroz com casca efetuadas com suspensão, de acordo com o transcrito §5º do artigo 55 da Lei nº 12.350, de 2010, aplicável à contribuinte que é a pessoa jurídica de quem os exportadores adquirem os insumos referidos no §1º do art. 55. Diante desse quadro, está correta a interpretação que a fiscalização deu aos dispositivos legais que, de fato, alcançam a atividade econômica da contribuinte e se referem a vedação ao aproveitamento de todo o crédito, presumido ou regular, relacionado às receitas de vendas feitas com suspensão da incidência das contribuições para o destino identificados no caput dos art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, art. 33 da Lei nº 12.058, de 2009 e art. 55 da Lei nº 12.350, de 2010. Alega a contribuinte que, mesmo que as interdições ao creditamento também se estendessem aos créditos regulares – o que, como se viu acima, é o que ocorre – Fl. 1339DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 35 não seriam todas as vendas com suspensão que motivariam o estorno. Isto porque a obrigatoriedade dos estornos estaria vinculada apenas nas vendas com suspensão às pessoas jurídicas que produzam as mercadorias tratadas no caput do art. 55 da Lei nº 12.350, de 2010, que as destinem à exportação, o que não teria sido objeto de análise pela autoridade fiscal que teria efetuado o estorno referente a todas as operações de vendas dos mencionados produtos em que houve a suspensão das contribuições. Examinando-se a aba <NFe de Vendas Suspensão (EFD-C)> da planilha <% Estorno do Crédito relativo às Receitas de Vendas efetuadas com Suspensão.xlsx> incluído no arquivo não-paginável anexo ao relatório fiscal, observa-se que a quase totalidade das vendas cujos créditos foram estornados são destinadas a empresas reconhecidamente exportadoras (BRF SA, Marfrig Global Foods SA, JBS SA, Minerva SA) o que aponta que, de fato, as vendas se destinaram a empresas que empregaram os insumos vendidos pela interessada na produção de bens destinados a exportação. Por outro lado, a contribuinte não traz aos autos nenhuma comprovação de que eventualmente algumas das vendas tenham se destinado a empresas cujos produtos foram direcionados ao mercado interno. Importante salientar que o ônus de comprovar direito de crédito oposto contra a Fazenda Pública recai sobre aquele que se diz dele detentor. Nesse passo, corretas as glosas praticadas pela fiscalização. METODOLOGIA DE CÁLCULO A contribuinte diz que, ainda que seja vencida na discussão sobre a legitimidade do estorno de créditos, teria havido erro na determinação do montante estornado, partindo da proporcionalização a que procedeu a fiscalização com base na relação entre as receitas de vendas com suspensão e a receita bruta total. Constrói a contribuinte argumento em que, ao final, conclui que os estornos fiscais recaíram sobre produtos creditados que seriam da atividade pecuária, não havendo que se falar em invalidação de crédito relativo a venda de bovinos para frigoríficos. Ao contrário do que afirma a interessada a proporcionalização efetuada pela fiscalização não se restringiu aos créditos relativos à atividade pecuária. Como anotado nos itens 255 e 256 do Relatório Fiscal, o ajuste de redução do crédito foi feito mês a mês com base na proporção entre a Receita de Vendas com Suspensão dos produtos na tabela 9 abaixo e a Receita Bruta Total. [...] Como se viu acima, também as receitas sujeitas à suspensão da incidência das contribuições relativas a vendas de bovinos a frigoríficos exportadores devem ter os créditos estornados. Por sua vez, a proporcionalização com base na relação entre parte e todo efetuada pela auditoria é procedimento chancelado pela legislação e jurisprudrudência nas situações em que não é possível determinar a contribuição de cada item específico na composição de determinada grandeza, sejam créditos decorrentes de insumos comuns a diferentes regimes de tributação (cumulativo e não cumulativo), receitas vinculadas (exportação, mercado interno), etc. Sobre o método de rateio de créditos, assim dispuseram os §8º dos art. 3º das Lei nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, com igual redação, exceto quando referenciam a contribuição que regulam: Fl. 1340DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 36 Lei nº 10.833, de 2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitar-se à incidência não-cumulativa [...], em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I - apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II - rateio proporcional, aplicando-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não-cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9º O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8º, será aplicado consistentemente por todo o ano-calendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição [...] não- cumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. Observe-se que a regra está posta com relação à forma de rateio aplicável à pessoa jurídica submetida aos dois regimes de tributação, cumulativo e não cumulativo. Os dispositivos em comento, vale dizer, assim como a interpretação que deles se faz estendem-se ao necessário rateio dos custos, despesas e encargos comuns às receitas de exportação e aquelas vinculadas ao mercado interno. Isso porque a legislação dá tratamento diferenciado no que respeita à forma de aproveitamento entre os créditos vinculados às receitas do mercado interno e as de exportação. Apenas o saldo de créditos referente a estas últimas podem ser compensados ou pleiteados em dinheiro. A necessidade do rateio é decorrência dessa diferenciação. Confira-se o art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003 (também aplicável ao PIS nos termos do art. 15 do mesmo diploma), especialmente o que vem escrito no §3º: Lei nº 10.833, de 2003: Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I - exportação de mercadorias para o exterior; [...] Fl. 1341DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 37 § 1ºNa hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I - dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2ºA pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1ºpoderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3ºO disposto nos §§ 1ºe 2º aplica-se somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8ºe 9ºdo art. 3º. [...] Nova hipótese de repartição veio integrar a legislação tendo em vista o disposto nos art. 17, da Lei nº 11.033, de 2004, sobre a possibilidade de manutenção dos créditos sobre vendas não tributadas, e art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, que franqueou o ressarcimento e a compensação dos saldos de créditos acumulados em virtude do disposto no citado art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004. A atual IN RFB nº 2.121, de 2022, reflete, em seu art. 244, §7º, a hipótese de proporcionalidade que viabiliza o disposto nos citados art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, e 16 da Lei nº 11.116, de 2005: IN RFB nº 2.121, de 2022: Art. 244. Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitar-se ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, em relação a apenas parte de suas receitas, o crédito deve ser calculado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, § 7º; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, § 7º; e Lei nº 10.865, de 2004, art. 15, § 5º). [...] § 2º Para efeito do disposto neste artigo, o valor a ser registrado deve ser determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, § 8º, incisos I e II; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, § 8º, incisos I e II): I - apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II – rateio proporcional, aplicando-se aos custos, despesas e encargos comuns, a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita ao regime de apuração não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Fl. 1342DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 38 § 3º Para apuração do crédito decorrente de encargos comuns, na hipótese prevista no inciso I do § 2º, devem ser aplicados sobre o valor de aquisição de insumos, dos custos e das despesas referentes ao mês de apuração, critérios de apropriação por rateio que confiram adequada distribuição entre os encargos vinculados às receitas submetidas ao regime de apuração não cumulativa e os encargos vinculados às receitas submetidas ao regime de apuração cumulativa. [...] § 5º O método eleito pela pessoa jurídica referido no § 2º deve ser aplicado consistentemente por todo o ano-calendário e igualmente adotado para a Contribuição para o PIS/Pasep e para a Cofins (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, § 9º; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, § 9º). § 6º As disposições deste artigo aplicam-se independentemente de os créditos serem decorrentes de operações relativas ao mercado interno ou do pagamento das contribuições incidentes na importação (Lei nº 10.865, de 2004, art. 15, § 5º). § 7º O disposto neste artigo aplica-se à apuração dos créditos vinculados às receitas de exportação e às receitas sujeitas a suspensão, isenção, alíquota de 0% (zero por cento) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, § 8º; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, § 8º, e art. 6º, § 3º; e Lei nº 11.033, de 2004, art. 17). Como visto, a forma de rateio proporcional é recurso amplamente empregado pela legislação na regulação da forma de repartição dos créditos da não cumulatividade, o que orientou os trabalhos fiscais ao proporcionalizar os estornos dos créditos tomados sobre os produtos relacionados na tabela 9 do Relatório Fiscal segundo a relação entre as vendas com suspensão daqueles produtos e a receita bruta total. Cumpre destacar que, no Recurso Voluntário, a recorrente se limita a repetir as razões expostas em sede de Manifestação de Inconformidade, sem apresentar qualquer argumento capaz de infirmar a conclusão adotada pelo v. acórdão recorrido, seja em relação à subsunção dos fatos às normas supramencionadas, seja em relação à metologia de cálculo aplicada. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso neste tópico. DESPESAS COM ROYALTIES Conforme supra relatado, a autoridade fiscal glosou créditos apropriados pela recorrente sobre o pagamento de royalties aos licenciantes pelo direito de uso de patentes para produção e comercialização de sementes certificadas (uso da tecnologia), com base no entendimento de que tais dispêndios “[...] não são considerados aquisições de bens ou de serviços e, por conseguinte, não podem ser tratados como insumos para efeitos da apuração dos créditos de PIS/Cofins”. Para Fl. 1343DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 39 corroborar seu entendimento, menciona as Soluções de Consulta COSIT nº 116/21- Cosit e 71/15. Destaca, ainda, que, “[...] os royalties são calculados na etapa da colheita, conforme relata a contribuinte em sua resposta. Ou seja, ainda que fossem um serviço – e não o são -, não poderiam ser considerado insumo, posto que corresponderiam a um gasto incorrido após o encerramento das etapas produtivas (gastos após a produção)”. Da mesma forma, o v. acórdão recorrido manifestou o entendimento de que “os pagamentos feitos como contrapartida pela utilização dos direitos de propriedade sobre um bem, uma técnica, uma fórmula, não constituem remuneração por prestação de serviço ou se referem a aquisição de um bem, pelo que, a orientação da SC Cosit nº 116, de 2021, se aplica ao caso corrente”, de modo que “[...] não constituindo pagamentos correspondentes a prestação de serviços ou a aquisição de bens, aos dispêndios com royalties não se aplica a possibilidade de apuração de créditos da não cumulatividade nos termos dos art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003”. Por sua vez, a recorrente sustenta que tais dispêndios representam uma contrapartida a um direito de propriedade intelectual, que, para efeitos jurídicos, é tratado como bem móvel, à luz do art. 83, III, do Código Civil, destacando, ainda, que, o caso específico de sementes, inclusive, é protegido pela Lei nº 9.456/1997 (Lei de Proteção de Cultivares), que também confere a natureza jurídica de bem móvel ao direito de propriedade da tecnologia usada no desenvolvimento do produto, conforme prescrito em seu art. 2º. Assim, por se tratar de um instituto inerente ao direito privado, ressalta que a administração tributária se encontra impedida de promover distorções à definição e alcance, nos termos do artigo 110 do Código Tributário Nacional. Desta forma, mencionando jurisprudência deste e. CARF, defende que, ao contrário do que “sustentou a fiscalização (e o v. acórdão recorrido), os custos com royalties correspondem a aquisição de bens móveis como insumos da atividade produtiva, o que legitima o aproveitamento do crédito nos termos do art. 3º, II, das Leis nº 10.833/2003 e nº 10.637/2002”. No que se refere à essencialidade de tais custos ao seu processo produtivo, a recorrente tece os seguintes argumentos de fato e de direito: [...] a Recorrente celebrou contratos com terceiros para viabilizar a utilização de tecnologias relacionadas à produção de sementes (contratos de royalties) que, como visto, estão relacionadas ao seu principal processo produtivo – cultivo de grãos como a soja, milho e algodão. Tais tecnologias – TRAITS e germoplasma – foram exploradas no laudo técnico que instruiu a Manifestação de Inconformidade apresentada e são responsáveis por significativa melhora na qualidade genética das sementes. De acordo com o laudo, os atributos genéticos envolvem: Fl. 1344DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 40 • pureza varietal; • potencial de produtividade; • resistência a pragas e doenças; • precocidade; • qualidade do grão; • resistência a condições adversas de solo e clima; • resistência a nematoides; • tolerância a menor textura de solo e fertilidade; • melhor arquitetura de planta; e • seletividade a herbicidas Disso decorre um impacto direto no resultado da produção agrícola da Recorrente, com aumento de produtividade, melhora na qualidade do produto, maior adaptação a questões ambientais e redução na utilização de defensivos agrícolas (beneficiando a saúde da população e reduzindo os impactos ambientais). Nesse sentido, a tecnologia na produção de sementes, ainda de acordo com o laudo técnico apresentado no presente processo, é indispensável à atividade da Recorrente, à medida que, na agricultura sustentável, a biotecnologia permite produzir maior quantidade de alimentos, a um custo menor e sem necessidade de aumentar a área de cultivo. Na mesma linha é o Parecer Técnico ora anexado: “d) Para aquisição das sementes para plantio para multiplicar as sementes ou colher os grãos, a empresa é obrigada legalmente a pagar uma despesa intitulada royalties, ou seja, o item SEMENTES, por consistir em elemento “estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço” (COSIT 05/2018), é essencial; e) Ademais, por questões relacionadas ao fato que as sementes certificadas adquiridas possuem inúmeras vantagens, como proteção a insetos ou produtividade superior, a privação deste item SEMENTES no processo produtivo, priva o produto final de “qualidade, quantidade e/ou suficiência” (COSIT 05/2018); f) Por fim, entendendo como relevante o item SEMENTE, devido a características de b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva” e b.2) “por imposição legal”. (Parecer Cosit 5 de 17/12/2018), temos que esse item é relevante.” (páginas 102 e 103 – grifamos e destacamos) Aumenta-se, portanto, a produção agrícola, por meio da otimização do espaço e com plantas adaptadas às peculiaridades regionais. Também há significativa redução no uso de defensivos agrícolas, o que, além de aumentar a produtividade, traz benefícios à saúde da população. Tudo isso reflete, ainda, na redução do preço do produto, aumentando o acesso das pessoas aos alimentos. Fl. 1345DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 41 Pode-se concluir, assim, que os custos incorridos com a Recorrente relativamente aos royalties em comento são essenciais ao seu processo produtivo, dando-lhe contornos de sustentabilidade e tornando o seu produto competitivo no mercado. Tamanha é a importância do tema que se discute no presente item, que essa tecnologia integra o Sistema Nacional de Sementes e Mudas (SNSM), instituído pela Lei nº 10.711/03 e regulamentado, atualmente, pelo Decreto 10.586/20. Referidas normas, em apertada síntese, determinam que novos cultivares deverão ser previamente habilitados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), sendo agrupados no Cadastro Nacional de Cultivares Registrada (CNCR). Merece destaque, ainda, que as sementes em questão são obtidas a partir da adoção de tecnologias desenvolvidas pelas referidas empresas. Essas, por sua vez, estão sujeitas a rígido controle de qualidade, fiscalização e auditoria, como evidenciam os contratos trazidos ao feito e mencionados pela fiscalização (fls. 1365 a 1848 dos autos do e-dossiê). É dizer, trata-se de atividade regulamentada e rigorosamente fiscalizada por órgão regulatório. Mais que isso, a adoção de tecnologias na produção de cultivares visa atender a especificações profundamente técnicas, que à luz da interpretação sedimentada pelo egrégio Superior Tribunal de Justiça – nos Temas nº 799 e 780, aqui já referendados –, são indispensáveis ao alcance da qualidade esperada dos produtos, motivo pelo qual é inquestionável a essencialidade da despesa. Nesse sentido, a essencialidade da tecnologia envolvida nas sementes é expressamente reconhecida pelo MAPA em seu site, como se pode verificar do trecho abaixo reproduzido: “O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA estabeleceu mecanismos para a organização, sistematização e controle da produção e comercialização de sementes e mudas, e instituiu, por meio da Portaria n° 527, de 30 de dezembro de 1997, o Registro Nacional de Cultivares - RNC. Atualmente, o RNC é regido pela Lei n° 10.711, de 05 de agosto de 2003, e regulamentado pelo Decreto n° 5.153, de 23 de julho de 2004, tendo como preceito fundamental que a geração de novas cultivares se traduz em altas tecnologias transferidas para o agronegócio, indispensáveis ao sucesso deste, pelo aumento da produtividade agrícola e da qualidade dos insumos e dos produtos deles derivados. As cultivares são disponibilizadas ao agricultor com os mais recentes avanços da pesquisa em genética e melhoramento vegetal, transformadas em insumos, sob a forma de material de propagação. O RNC tem por finalidade habilitar previamente cultivares e espécies para a produção e a comercialização de sementes e mudas no País, independente do grupo a que pertencem - florestais, forrageiras, frutíferas, grandes culturas, olerícolas, ornamentais e outros. O RNC é de responsabilidade da Coordenação de Sementes e Mudas - CSM, do Departamento de Fiscalização de Insumos Agrícolas - DFIA, da Secretaria de Defesa Agropecuária – DAS.” Como se vê, o próprio Ministério, que possui técnicos com conhecimento do setor agropecuário, e que é responsável pela regulamentação e cadastro das tecnologias Fl. 1346DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 42 envolvidas nas sementes, trata as cultivares como insumos essenciais à produção. Nesse sentido, inclusive, merece destaque o trecho abaixo, extraído do laudo ora apresentado: “As sementes são insumos com essencialidade dentro do processo agrícola. A agricultura inicia-se com o plantio, sem as sementes não há implantação da cultura, geração de plantas e sua produção. A representatividade dos insumos semente que carregam tecnologia do melhoramento genético estão presentes em 92 % da soja cultivada do Brasil, em 90% do milho e tem um crescimento grande na cultura do algodoeiro, tendo a estimativa de cerca de 47% de utilização de sementes transgênicas na cultura conforme dados de 2020. É observada a quantidade de TRAITs devidamente patenteadas e liberadas para uso no brasil para as culturas de soja, milho e algodão. Os eventos de transgenia são fundamentais para a agricultura. Estão incorporados dentro do insumo sementes através das técnicas de melhoramento genético. Ao utilizar o insumo que contêm essa genética, usufruímos dos benefícios essenciais que colocam o Brasil como celeiro da produção mundial. A tecnologia empregada no melhoramento traz benéficos diretos como resistência a pragas, doenças e seletividade a determinados herbicidas proporcionando uma agricultura sustentável, mais econômica e produtiva. As tecnologias inseridas no insumo sementes são pagas / comercializadas através de contratos de licenciamentos que estipulam a cobrança dos royalties. Os contratos de licenciamentos permitem o recolhimento as instituições que fazem os melhoramentos e as instituições que são as proprietárias da patente de TRAITs, permitindo que através do recurso que elas recebem possam dar continuidade ao desenvolvimento de novas cultivares e tecnologias de TRAITs, trazendo inovação, tecnologia, soluções e sustentabilidade ao processo produtivo agrícola brasileiro e mundial. Através do insumo sementes, gera-se e fundamenta-se a prática agrícola responsável em gerar alimentos saudáveis e que qualidade a população. Através dessa agricultura temos o reconhecimento do Brasil no cenário mundial como grande produtor. Fato esse que não seria possível essa produção sem o uso de tecnologias presentes no insumo sementes que foram melhorados e desenvolvidos através da transgenia e do melhoramento. Para a continuidade do processo é necessária realizar a remuneração, através dos royalties, para que não sessem as pesquisas, a produção de novas cultivares e tecnologias que trazem a inovação a agricultura brasileira.” (destacamos) Claro, portanto, que se trata de despesa que integra o custo das sementes e que é essencial ao processo produtivo da Recorrente, contrariando a fundamentação da glosa dos créditos a elas relacionadas. Veja-se o organograma abaixo, extraído da página 96 do Parecer Técnico que acompanha o presente: [...] Fl. 1347DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 43 Por fim, deve ser esclarecida a impropriedade cometida pela Autoridade Fiscal ao alegar que, mesmo que os royalties fossem pagamentos decorrentes de prestação de serviços, não seria possível o aproveitamento dos créditos, pois o gasto teria ocorrido após o encerramento das etapas produtivas: [...] Para elucidar esse ponto, é importante retomar o esclarecimento prestado durante a fiscalização: 51 “1º - Processo de licenciamento – etapa onde se firma contrato entre LICENCIANTE e LICENCIADO, autorização para produção, beneficiamento, multiplicação e comercialização das sementes; 2º - Aquisição das sementes melhoradas (algodão e soja) junto as LICENCIANTES (detentoras das tecnologias); 3º - Plantio - Inscrição de campo junto ao MAPA (ministério da Agricultura); 4º - Colheita – análise da semente, poderá ser utilizada para consumo/transferência BOM FUTURO ou venda para produtores. Nesta etapa calcula-se o Royalties pago a LICENCIANTE, este incidirá sobre o volume de sementes produzidas.” (p. 49, do Relatório de Auditoria) Como se pode perceber, o mercado em que a Recorrente atua exige, na grande maioria das vezes, a utilização de sementes melhoradas por germoplasmas e / ou tecnologias. O débito dos royalties nasce quando a Recorrente realiza a multiplicação das sementes, ou seja, quando envia/transfere as sementes já multiplicadas para nova multiplicação em campos registrados pelas unidades produtoras, podendo ser pago na vigência do ano safra. Acerca dessa questão, merece destaque o seguinte trecho das páginas 96 e 97 do Parecer Técnico que instrui o recurso: Sendo assim, o momento de pagamento dos royalties é questão contratual e está dentro da liberdade de contratar, podendo ser pago desde a aquisição da semente ou transferência dos já multiplicados para nova multiplicação, até ao momento da Fl. 1348DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 44 colheita das sementes. Não se trata, desta forma, de gastos após a produção, como foi alegado pela Autoridade Fiscal. Entendo que assiste razão à recorrente. Inicialmente, verificamos que, para glosar os créditos ora combatidos, a autoridade fiscal se baseou em três fundamentos: (i) a cessão de direito e/ou licença de propriedade (ou direito) não seria um bem; (ii) ainda que se tratasse de bens, não haveria propriamente a aquisição do bem, mas apenas o seu uso mediante pagamento acordado entre as partes (uma espécie de aluguel), o que não estaria contemplado pela legislação que prevê o direito ao creditamento; (iii) por fim, a cessão ou licenciamento de direitos relativos à propriedade intelectual também não poderia ser enquadrada como prestação de serviços, pois lhe faltaria o elemento essencial, qual seja, a efetiva prestação do serviço. A nosso ver, a questão se resume à análise dos dois primeiros fundamentos, afinal, como será demonstrado, os direitos relativos à propriedade intelectual realmente não se enquadram na condição de serviços, mas, por expressa disposição legal, são considerados bens móveis. Conforme previsto pelo artigo 2° da Lei n° 9.456/97, “[a] proteção dos direitos relativos à propriedade intelectual referente a cultivar se efetua mediante a concessão de Certificado de Proteção de Cultivar, considerado bem móvel para todos os efeitos legais e única forma de proteção de cultivares e de direito que poderá obstar a livre utilização de plantas ou de suas partes de reprodução ou de multiplicação vegetativa, no País”. No mesmo sentido, o artigo 83, inciso III, do Código Civil, estabelece que “[c]onsideram-se móveis para os efeitos legais: III - os direitos pessoais de caráter patrimonial e respectivas ações”. Sem precisar tecer maiores considerações acerca da interpretação sistemática do ordenamento jurídico e da necessária correspondência entre a legislação civil e a legislação tributária, expressamente consagrada no artigo 110 do Código Tributário Nacional, é certo que tal dispositivo legal afasta qualquer tentativa de se desconsiderar o caráter de bem dos direitos relativos à propriedade intelectual. No que se refere à suposta inexistência de aquisição dos direitos relativos à propriedade intelectual, com a devida vênia, também não assiste razão à autoridade fiscal. Apesar de inexistir regramento específico na lei que trata da proteção de cultivares, as relações contratuais em análise observam disciplina idêntica àquela prevista para os direitos autorais. E, neste sentido, o artigo 49 da Lei n° 9.610/98 estabelece que “[o]s direitos de autor poderão ser total ou parcialmente transferidos a terceiros, por ele ou por seus sucessores, a título universal ou singular, pessoalmente ou por meio de representantes com poderes especiais, por meio de licenciamento, concessão, cessão ou por outros meios admitidos em Direito, [...]". Fl. 1349DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 45 Vejam que a legislação trata da transferência total ou parcial dos direitos, a título universal ou singular, de modo que se o cedente transfere o direito de um lado, a operação reversa é justamente a aquisição do direito pelo licenciado ou cessionário. Afinal, como incontroversamente demonstrado, o licenciado ou cessionário adquire o direito de uso de patentes para produção e comercialização de sementes certificadas (uso da tecnologia). Assim, com a devida vênia, não há como se falar em mero “uso mediante pagamento acordado entre as partes (uma espécie de aluguel)”, uma vez que as contratações firmadas pela recorrente não envolvem apenas o direito de uso do direito autoral, mas efetivas autorizações para exploração econômica daqueles direitos. Ademais, ainda que se afastasse a ocorrência de uma efetiva aquisição do direito relativo à propriedade intelectual – o que se discorda – é certo que o §3°, do artigo 3°, das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 e o artigo 15, inciso II, da lei nº 10.865/2004 não podem ser interpretados da forma restritiva pretendida pela autoridade fiscal. Ora, os referidos dispositivos legais visam apenas assegurar que o aproveitamento de créditos – dentro da sistemática não-cumulativa – se dê em relação à bens e serviços que estejam sujeitos ao pagamento das contribuições ao PIS e da COFINS. Isto porque, ainda que sejam utilizados na condição de insumos, caso os bens e serviços não estejam sujeitos ao pagamento das contribuições ao PIS e da COFINS, no regime legal previsto em nosso ordenamento jurídico, não há que se falar em não-cumulatividade. No que se refere à subsunção de tais gastos ao conceito de insumo, restou devidamente demonstrado que tais contratações são essenciais para viabilizar a utilização de tecnologia na produção de sementes, o que está diretamente relacionado ao principal processo produtivo da recorrente – cultivo de grãos como a soja, milho e algodão. Ressalte-se que, conforme corroborado pelos laudos técnicos colacionados aos autos, a referida tecnologia é essencial para a melhora da qualidade genética das sementes, impactando diretamente no aumento de produtividade, melhora na qualidade do produto, maior adaptação a questões ambientais e redução na utilização de defensivos agrícolas. Ainda, restou devidamente demonstrado o equívoco incorrido pela fiscalização ao considerar tais gastos como posteriores ao processo produtivo, uma vez que analisou o momento do pagamento dos royalties e não da utilização da tecnologia no processo produtivo. Assim, os direitos relativos à propriedade intelectual em análise cumprem todos os requisitos exigidos pelo artigo 3°, inciso II, das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, para aproveitamento dos créditos da não-cumulatividade, uma vez que, como Fl. 1350DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 46 vimos, se enquadram, por expressa disposição legal, na condição de bens, e são utilizados como insumo na prestação de serviços da recorrente. Neste sentido, cita-se os seguintes julgados do E. Tribunal Regional Federal da 4ª Região: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. TEMA STJ 779. PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. 1. O conceito de insumo, para fins de creditamento no regime não cumulativo das contribuições PIS e COFINS, consoante entendimento firmado pelo STJ, no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, sob a sistemática dos recursos repetitivos, deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, considerando- se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item, bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 2. O contribuinte que exerce a atividade de produção de sementes certificadas tem o direito de deduzir crédito de contribuição ao PIS e de COFINS, no âmbito do regime não-cumulativo, dos valores que paga a título de royalties, à pessoa jurídica domiciliada no Brasil (pelo uso de patentes genéticas das sementes agrícolas), por constituírem insumo, nos termos do art. 3º, II, das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, e da orientação firmada pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento, submetido ao regime de recursos repetitivos, do REsp nº 1.221.170/PR. (TRF4, AC 5010231-22.2019.4.04.7005, 1ª Turma, Relator LUCIANE A. CORRÊA MÜNCH, julgado em 18/09/2024) TRIBUTÁRIO. PIS/COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ESSENCIALIDADE E RELEV NCIA. TEMA 779 DO STJ. 1. A sistemática de tributação não-cumulativa do PIS e da COFINS, prevista nas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, confere ao sujeito passivo do tributo o aproveitamento de determinados créditos previstos na legislação, excluídos os contribuintes sujeitos à tributação pelo lucro presumido. 2. A aplicação do princípio da não-cumulatividade do PIS e da COFINS em relação aos insumos utilizados na fabricação de bens e serviços não implica estender sua interpretação, de modo a permitir que sejam deduzidos, sem restrição, todos e quaisquer custos da empresa despendidos no processo de industrialização e comercialização do produto fabricado. 3. O Superior Tribunal de Justiça, em 22/02/2018, no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR (Temas 779 e 780), sob a sistemática de recursos repetitivos, declarou, por maioria de votos, a ilegalidade das Instruções Normativas 247/2002 e 404/2004 da Receita e concluiu que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item, bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 4. Hipótese em que, diante do Tema 779/STJ e da atividade-fim da requerente (empresa agroindustrial de produção de soja, milho, trigo, entre outras culturas, comércio de insumos agrícolas, adubos e fertilizantes), se reconhece o direito ao creditamento de PIS e COFINS sobre as despesas com royalties relativamente ao uso de sementes geneticamente modificadas, não se reconhecendo em relação às despesas com Fl. 1351DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 47 corretagem na venda de soja e despesas financeiras. 5. Apelação provida parcialmente. (TRF4, AC 5005849-69.2022.4.04.7105, 2ª Turma, Relatora MARIA DE FÁTIMA FREITAS LABARRÈRE, julgado em 17/10/2023) (Grifamos) Em sentido análogo, merece referência excerto do v. acórdão nº 9303-008.742, de relatoria da i. ex-conselheira Vanessa Marini Cecconello: [...] o know-how que é fornecido à Recorrente nada mais é do que a transferência de toda a tecnologia, suporte, experiência e conhecimento necessários à produção dos pistões. É evidente que o know-how para produção é necessário e diretamente aplicado ao processo produtivo, constituindo, sem sombra de dúvidas, em insumo para a produção. Há de se acrescentar que os royalties tratados neste processo (transferência de tecnologia) devem ser considerados como bens móveis nos termos do artigo 83 do Código Civil e, consequentemente, enquadrados como "bens" nos termos do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003. O know-how que é fornecido à Recorrente é a transferência de toda a tecnologia, suporte, experiência e conhecimento necessários à produção dos pistões, sendo essencial ao processo produtivo, constituindo-se em insumo para a produção. E também os seguintes julgados deste e. CARF: COFINS NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. DIREITOS AUTORAIS. Os critérios de essencialidade ou de relevância (REsp nº 1.221.170/PR) devem ser avaliados em relação ao processo produtivo em si, do qual origina o produto final ou atinente à execução do serviço prestado a terceiros. Os incisos II dos arts. 3º das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002 contemplam o creditamento sobre bens ou de serviços utilizados na atividade de prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, é imprescindível à indústria fonográfica a aquisição de direitos autorais para a produção de suas obras, razão pela qual devem ser reconhecidos como insumos. (Processo nº 19515.721042/2017-62; Acórdão nº 3402-006.830; Relator Conselheiro Pedro Sousa Bispo; sessão de 21/08/2019) INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. INSUMOS. DIREITOS AUTORAIS. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, são imprescindíveis à indústria fonográfica a aquisição de direitos autorais para a produção de suas obras, razão pela qual devem ser reconhecidos como insumos. (Processo nº 19515.722673/2013-75; Acórdão nº 9303-006.604; Relatora Conselheira Vanessa Marini Cecconello; sessão de 11/04/2018) NÃO-CUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. DIREITOS AUTORAIS. Fl. 1352DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 48 Os direitos autorais pagos pela indústria fonográfica só dão direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas se tiverem se sujeitado ao pagamento da Cofins-importação e da Contribuição para o PIS/Pasep importação. (Processo nº 15374.970011/2009-24; Acórdão nº 3801-003.639; Relator Conselheiro Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira; sessão de 22/07/2014) Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário neste tópico, para o fim de reverter as glosas relativas ao pagamento de royalties aos licenciantes pelo direito de uso de patentes para produção e comercialização de sementes certificadas (uso da tecnologia). DAS AQUISIÇÕES E FRETES DE BENS SUJEITOS À ALIQUOTA ZERO, SUSPENSÃO OU NÃO INCIDÊNCIA Conforme supra relatado, a fiscalização glosou créditos sobre a aquisição de bovinos, nos seguintes termos: A aquisição de bovinos, por parte da contribuinte, só teria sentido para incorporar- se ao ativo imobilizado (animais reprodutores), ou para revenda. No caso, a descrição constante nas notas fiscais não indica se tratar de animais reprodutores. Acrescente-se que as saídas dos fornecedores foram registradas sem a apuração de pagamento de PIS/Cofins (CSTs 06, 07 e 49). Dessa forma, não sendo insumo do processo produtivo e tampouco sofrido pagamento das contribuições (art. 3º, caput e § 2º, II, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, reproduzido no tópico seguinte), não há previsão legal para o crédito dessas entradas. Ainda, a fiscalização manifestou o entendimento de que “em se tratando de aquisição de insumo não sujeito ao pagamento das contribuições (alíquota zero/suspensão/não incidência de PIS/Cofins), não há que se falar em crédito do frete de compra associado”, uma vez que o frete integra o custo de aquisição dos bens transportados, sendo admitido o seu creditamento apenas quando o bem adquirido for passível de gerar crédito, o que foi mantido pelo v. acórdão recorrido. Em seu Recurso Voluntário, a recorrente sustenta que “não apenas é legítimo o direito ao crédito relacionado às aquisições dos bens sujeitos à alíquota zero, suspensão ou não incidência, como também do respectivo frete”. Neste sentido, alega que “a interpretação da norma deve ser feita com base na integralidade do texto legal e dando o correto uso da conjunção alternativa “OU”. Ao assim proceder, não há outra interpretação possível senão a de que o inciso II do §2º do art. 3º das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 veda o desconto de crédito Fl. 1353DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 49 sobre a aquisição de bens não sujeitos ao pagamento das contribuições ao PIS e à COFINS quando a operação subsequente se sujeitar à alíquota zero, isenção ou não incidência das contribuições, o que não ocorre no caso da Recorrente”. Ainda, traz considerações acerca da sistemática não-cumulativa, para defender que “[...] da combinação dos arts. 3°, § 2°, inc. II, das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, com o art. 17, da Lei n° 11.033/04, sob a égide do princípio da não- cumulatividade, depreende-se que, quando a etapa anterior é desonerada e a subsequente também, não seria possível o creditamento, a contrário sensu, quando uma das etapas for tributada o crédito será possível”. No que se refere aos fretes, sustenta que se trata de relações jurídicas distintas, sendo que “[...] ainda que a mercadoria em si, por qualquer motivo, não esteja sujeita à incidência do PIS/COFINS, a empresa designada para o transporte se sujeita ao recolhimento das contribuições sobre sua receita, o que justifica o aproveitamento de crédito por quem pagou por esse serviço – no caso, a Recorrente – à luz do princípio da não-cumulatividade”, o que se aplica também ao frete de insumos. É o que passo a apreciar. Com a devida vênia, em relação ao presente tema, a legislação é clara ao estabelecer que as aquisições de produtos não sujeitos ao pagamento das contribuições ao PIS e da COFINS não permitem a apropriação de créditos pelo adquirente, nos termos do artigo 3º, §2º, inciso II, da Lei nº 10.833/03: Art. 3 o Do valor apurado na forma do art. 2 o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2 o Não dará direito a crédito o valor: (...) II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição; (Grifamos) Neste sentido, a sujeição do produto à alíquota zero ou suspensão (ou, até mesmo, a não incidência) implica o não pagamento das contribuições, de modo que a subsunção das aquisições à norma que veda a apropriação de créditos pelo adquirente é inegável, sendo a jurisprudência deste e. Conselho pacífica sobre o tema. Nos mesmos termos, merece transcrição a ementa da Solução de Consulta COSIT nº 227/17: Fl. 1354DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 50 CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS EMENTA: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. VEDAÇÕES DE CREDITAMENTO. É vedada a apropriação de créditos da Cofins em relação a bens e serviços adquiridos em operações não sujeitas à incidência ou sujeitas à incidência com alíquota zero ou com suspensão dessa contribuição, independentemente da destinação dada aos bens ou serviços adquiridos. É vedada a apropriação de créditos da Cofins em relação a bens e serviços adquiridos em operações beneficiadas com isenção e posteriormente: a) revendidos; ou b) utilizados como insumo na elaboração de produtos ou na prestação de serviços que sejam vendidos ou prestados em operações não sujeitas ao pagamento dessa contribuição. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº10.833/2003, arts. 3º, § 2º, II, e 6º, III. (Grifamos) Por outro lado, no que se refere aos fretes, tal matéria já foi amplamente analisada perante este e. Tribunal, tendo sido editada a Súmula CARF nº 188, cuja observância é obrigatória pelos Conselheiros do CARF, ex vi do art. 123, §4º do Regimento Interno do CARF (RICARF), que assim dispõe: Súmula CARF nº 188. É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. Desta forma, este e. CARF reconhece o direito de apropriação de créditos da não- cumulatividade das contribuições ao PIS e da COFINS sobre as despesas com serviços de frete, de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, o que alcança tanto bens adquiridos para revenda quanto insumos não onerados pelas contribuições (alíquota zero). Por tais razões, voto por dar parcial provimento ao recurso neste tópico, no sentido de reverter as glosas sobre fretes na aquisição de bens e insumos sujeitos à alíquota zero, suspensão ou não incidência. FRETE DE MERCADORIA RECEBIDA COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO Conforme supra relatado, a fiscalização glosou os créditos apropriados pela recorrente, na condição de comercial exportadora, sobre fretes no transporte de mercadorias recebidas ou adquiridas de terceiros com o fim específico de exportação, com base no §4º, inciso III, do artigo 6º da Lei nº 10.833/03, abaixo transcrito: Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...] III - vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Fl. 1355DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 51 § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I - dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. [...] § 3º O disposto nos §§ 1º e 2º aplica-se somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º. § 4º O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1º não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. (Grifamos) No mesmo sentido, o v. acórdão recorrido manteve as glosas, por entender que “[...] está vedada a apuração de créditos correspondentes às aquisições das mercadorias exportadas e, também, aos demais créditos acaso vinculados a tais operações, tais como custos, despesas e encargos incorridos até a colocação desta mercadoria no exterior”. Em seu Recurso Voluntário, a recorrente sustenta que o dispositivo supratranscrito atingiria “[...] apenas o crédito decorrente das mercadorias adquiridas para fins de exportação, e não aos serviços (frete), contratados para o desempenho de suas atividades, uma vez que tais custos não estão abarcados pela isenção do tributo. Os prestadores do serviço de transporte das mercadorias são contribuintes do PIS/COFINS, motivo pelo qual é assegurado o direito de tomada de crédito relativo a estas despesas, em atendimento ao princípio da não cumulatividade dessas contribuições”. Ainda, destaca que “[...] o frete em questão, como foi mencionado pela própria fiscalização, é relacionado à operação de venda, sendo hipótese expressamente permitida pelo art. 3º, inciso IX c/c art. 15 da Lei 10.833/03, desde que o ônus seja suportado pelo vendedor, como ocorreu no presente caso”. Entendo que assiste razão à recorrente. Trata-se de matéria que vem sendo debatida perante este e. CARF, sendo que, por concordar com os seus argumentos, transcrevo os fundamentos do v. acórdão nº 3402-009.133, de lavra da i. ex- Conselheira Renata da Silveira Bilhim, que bem analisaram a controvérsia, os quais adoto como razões para decidir, conforme autorizado pelo artigo 50, §1º, da Lei nº 9.784/99: Antes de tudo, parece-me que a intenção do legislador infraconstitucional é desonerar as exportações e gerar um superávit na balança comercial, assim como a Fl. 1356DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 52 do legislador constitucional que, por meio da Emenda Constitucional nº 33/2001, incluiu o parágrafo segundo ao art. 149, da CF, assegurando a não incidência (imunidade) das contribuições sociais (PIS e COFINS) sobre as receitas decorrentes de exportação, ex vi do art. 149, § 2º, da CF, verbis: At. 149. (...) § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) I - não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) (grifou-se) Sendo certo que tal imunidade alcança também as exportações indiretas, por comerciais exportadoras e trading company, conforme já definiu o STF no julgamento do RE 759.244/SP, em 25/03/2020, ao qual se atribuiu os efeitos de repercussão geral (tema 674), resultando na fixação da seguinte tese: “A norma imunizante contida no inciso I do §2º do art. 149 da Constituição da República alcança as receitas decorrentes de operações indiretas de exportação caracterizadas por haver participação de sociedade exportadora intermediária”. O art. 6º, incisos I e III, da Lei nº 10.833/03, repetiu o comando constitucional e reiterou que a COFINS e o PIS não incidem sobre as receitas decorrente de exportação e aquelas derivadas de a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Apesar da impossibilidade da incidência das aludidas contribuições sobre as receitas de exportação, o legislador ordinário permitiu, em nome do princípio da não cumulatividade, a apropriação de créditos relativos aos custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação (§ 3º, do art. 6º, da Lei nº10.833/03), o que poderia ser realizado por meio de dedução de valores devidos de tais contribuições, decorrente das demais operações no mercado interno; compensações com débitos próprios, ou, na sua impossibilidade, mediante pedido de ressarcimento (§ 1º e 2º, do art. 6º, da Lei nº10.833/03). Ocorre que, no tocante às exportações por comerciais exportadoras que adquirem mercadorias com o fim específico de exportação, a legislação vedou a apropriação de créditos vinculados à receita de exportação: Art. 6º. § 4º O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1º não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. Veja-se, da leitura do dispositivo acima, não me parece que existe outra interpretação senão a de que a vedação nele contida diz respeito aos custos derivados da aquisição das mercadorias que serão exportadas com fim específico de exportação. Fl. 1357DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 53 Noutras palavras, o legislador ordinário quando previu o benefício em questão tratou de ressalvar, expressamente, a hipótese em que a empresa comercial exportadora adquire mercadoria com o fim exclusivo de exportação, vedando, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação (art. 6º, §4º) - entenda-se decorrentes da venda da mercadoria. Não vejo, desta forma, como dar o alcance pretendido pela autoridade fazendária e pela DRJ ao § 4º, do art. 6ª, da Lei n. 10.833/2003. O que o legislador fez foi reafirmar didaticamente a regra dos art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis nºs. 10.833/03 e 10.637/02, inviabilizando o crédito decorrente de aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, como é o caso da aquisição de mercadorias com fim específico de exportação. Melhor explicando: como os produtos adquiridos pela comercial exportadora para fins de exportação não foram onerados pelas contribuições ao PIS e à COFINS quando da saída da empresa produtora, consequentemente não irão gerar créditos em favor da comercial exportadora. Isso porque a empresa produtora representa o final do ciclo produtivo e, como tal, deve se beneficiar dos créditos das etapas anteriores tendo em vista que a saída do produto para exportação não será tributada. O que gera nenhum prejuízo à comercial exportadora, uma vez que sobre a saída destas mercadorias para a exportação não incidirão as referidas contribuições. É exatamente por esse motivo que o § 4º do art. 6º da Lei n. 10.833/2003 veda a apuração de crédito pela comercial exportadora referentemente aquisição de mercadorias destinadas à exportação. Se assim não o fosse, a comercial exportadora se beneficiaria de um crédito já utilizado pela empresa produtora no final do ciclo produtivo. Ou seja, o crédito seria utilizado em duplicidade. Essa duplicidade que a lei visa a proibir, não ocorre com relação aos custos e despesas indiretas que são suportados pela comercial exportadora, as quais geram o direito ao crédito ao exportador, conforme art. 3º, da Lei nº 10.833/03 e 10.637/02. Entendimento diverso, ou seja, o impedimento ao creditamento de despesas e custos indiretos vinculados à exportação e suportados pelo exportador, resultaria em onerar reflexamente as operações de exportação. Além de gerar violação direta ao princípio constitucional da não cumulatividade, cujo objetivo é desonerar a carga tributária, buscando evitar a cumulação da incidência dos tributos ao longo da cadeia econômica. Por exemplo, os custos com fretes na venda e armazenagem não são desonerados pelas contribuições ao PIS e à COFINS, portanto são suportados pela Recorrente (art. 3º, inciso IX), e, em obediência ao regime da não-cumulatividade, ela poderá aproveitar os créditos das etapas anteriores, pois, caso contrário, teria que arcar com o ônus da tributação de toda cadeia. Com efeito, entendo que o § 4º, do art. 6º, da Lei 10.833/2004, não tem aplicação no caso concreto ora analisado, já que apenas proíbe que a exportadora se aproveite de créditos que pertenciam à produtora. Já os créditos decorrentes da contratação de fretes na venda, de armazenamento, insumos, entre outros, Fl. 1358DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 54 ocorridos por conta da exportadora, por essa podem ser aproveitados, conforme fundamentado acima. Ademais, não se pode olvidar que quanto as normas tributárias restritivas de direitos, como o caso em testilha, o Código Tributário Nacional, em seu art. 111, determina que se deve emprestar à norma interpretação restrita e literal. Ao meu sentir, se o legislador quisesse limitar o direito de crédito das comerciais exportadoras que adquirem mercadorias com fim específico de exportação a todos os custos e despesas a ela vinculados (diretos e indiretos), e não apenas àqueles atinentes diretamente à sua aquisição, o deveria ter realizado de forma expressa, não deixando margem à interpretação. Desta forma, fazendo um interpretação sistemática das normas legais, com atenção à vontade do legislador, associada à obediência ao princípio da não cumulatividade, entendo que a restrição do § 4º, do art. 6º, da Lei nº 10.833/03, deve cingir-se às despesas diretamente empregadas com a aquisição das mercadorias destinadas à exportação, não abarcando os custos indiretos, como as despesas com frete na venda, armazenagem, aquisição de insumos, aluguel, energia elétrica, dentre outros, que são suportados pelo vendedor/exportador, cujos créditos poderão ser apropriados na forma dos art. 3º, das Leis nº 10.833/03 e 10.637/02. No mesmo sentido, cita-se o seguinte julgado do e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região: TRIBUTÁRIO. PIS. COFINS. EXPORTADORA. DESPESAS DE FRETES NACIONAIS E INTERNACIONAIS E DESPESAS DE ARMAZENAMENTO. CREDITAMENTO. Hipótese em que a Impetrante, exportadora, adquire da produtora produtos para o fim exclusivo de exportação, nos termos do artigo 6º, III, da Lei 10.833/2003. O art. 6º da Lei n. 10.833/2003 prevê que não incidirá COFINS sobre as receitas decorrentes das operações de (I) exportação de mercadorias para o exterior e (III) vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Assim, A empresa produtora aproveita os créditos do PIS e da COFINS referentes às etapas anteriores e sobre a saída dos produtos para a comercial exportadora também não há incidência das contribuições, conforme lhe autoriza o parágrafo 1º do artigo 6º da Lei 10.833. Nesse caso, a Exportadora (ora Impetrante) não se credita de PIS e COFINS sobre o preço da mercadoria, eis que já estava desonerada de tais contribuições sociais a mercadoria na saída do estabelecimento produtor. Contudo, à Exportadora existe o direito de aproveitar créditos referentes às despesas com fretes contratados e despesas de armazenagem, nos termos do artigo 3º, IX, da Lei n. 10.833/2003. Não se aplica a estas circunstâncias a restrição prevista no §4º do art. 6º da Lei n. 10.833/2003, que se refere tão somente ao crédito decorrente das mercadorias adquiridas para fins de exportação, o que não é o caso. Isso porque a exportadora (Impetrante) pretende usufruir de créditos referentes às despesas de frete e armazenagem, constituídos após ter adquirido as mercadorias da produtora. (TRF4 5003026-48.2010.4.04.7201, 1ª Turma, Relator para Acórdão JOEL ILAN PACIORNIK, julgado em 21/05/2014) (Grifamos) Fl. 1359DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 55 Assim, voto por dar provimento ao recurso neste tópico, para o fim de reverter as glosas sobre fretes no transporte de mercadorias recebidas ou adquiridas de terceiros com o fim específico de exportação, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. FRETES DIVERSOS Neste tópico, a recorrente contesta a glosa sobre (i) fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da pessoa jurídica, defendendo a possibilidade de aproveitamento de créditos da não-cumulatividade com base nos incisos II e IX do artigo 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, e (ii) de devoluções de vasilhame ou sacaria ou de compra, bem como de compra ou transferência de imobilizado; sustentando se tratar de insumos relacionados à divulgação de seus produtos e despesas com a venda de bens. É o que passo a apreciar. No que se refere aos fretes de produtos acabados, este e. CARF editou a Súmula CARF nº 217, cuja observância é obrigatória pelos Conselheiros do CARF, ex vi do art. 123, §4º do Regimento Interno do CARF (RICARF): Súmula CARF nº 217. Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas. Assim, independentemente do entendimento pessoal deste julgador, deve ser observado o entendimento sumulado, no sentido de manter a glosa sobre os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos. Por fim, considerando que a recorrente não traz argumentos ou provas com o fim de relacionar as remessas de devoluções de vasilhame ou sacaria ou de compra, bem como, de compra ou transferência de imobilizado, com as operações de venda, de modo a corroborar o suposto direito creditório pretendido, voto por manter a glosa sobre tais dispêndios. DAS AQUISIÇÕES DE BENS UTILIZADOS COMO INSUMO MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO E OBRA CIVIL Conforme supra relatado, a fiscalização efetuou a glosa de itens vinculados às contas contábeis analíticas de nº 1010522002 (‘Material de construção) e 5010306005 (‘Material de obra civil), como cimento, arame ovalado, chapas, areia, brita, tijolos, telhas, materiais elétricos como fios, lâmpadas, etc, sob o Fl. 1360DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 56 fundamento de que “os materiais aqui tratados, diferentemente de peças empregadas em máquinas e equipamentos do processo produtivo, não se subsomem no conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade das contribuições. Falta-lhes preencher os critérios de essencialidade ou da relevância para a produção dos bens ou prestação do serviço”. Ressaltou, ainda, que o legislador reservou, para edificações e benfeitorias, o creditamento com base no valor de depreciação (art. 3º, caput e §1º, III, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03), de modo que os gastos com materiais de construção e obras devem, portanto, primeiramente ser imobilizados para então usufruir do crédito com base no valor da depreciação do bem. No que se refere às alegações da recorrente (em sede de fiscalização) de que os materiais foram utilizados para manutenção nas estruturas operacionais, a autoridade fiscal manifestou o seguinte entendimento: As alegações de que os materiais foram utilizados para manutenção nas estruturas operacionais não justificam o alegado direito ao crédito. A uma, porque a estrutura de contas contábeis informada não permite distinguir se os materiais foram empregados em estruturas do processo produtivo ou em obras de finalidade administrativa. Pelo contrário, aponta-se para “GASTOS GERAIS”, conforme estrutura hierárquica de contas abaixo: [...] A duas, porque além de produtos de fabricação própria, a empresa comercializa produtos de terceiros, e não há apuração de créditos de insumo na atividade comercial (igualmente há contabilização de “Gastos Gerais”, sem distinção). A três, porque há uma série de bens ou grupo de bens que superam em muito, às vezes na casa de dezenas ou centenas de milhares de reais, o limite para bens de pequeno valor previsto no art. 15 do Decreto-lei nº 1.598, de 1977, bem como afiguram ter vida útil superior a um ano (chapas, vigas, estruturas metálicas, painéis, etc.): Art. 15. O custo de aquisição de bens do ativo não circulante imobilizado e intangível não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a R$ 1.200,00 (mil e duzentos reais) ou prazo de vida útil não superior a 1 (um) ano. Não há, portanto, previsão legal de crédito com base inciso II do caput do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, como pretende a fiscalizada, devendo ser glosadas as aquisições de material de construção [...] Por sua vez, com base no Parecer Normativo Cosit nº 5, de 2018, o v. acórdão recorrido manifestou o entendimento de que “diversamente do que dispôs a autoridade fiscal, é de se entender que, ainda que aplicados em edificações e Fl. 1361DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 57 benfeitorias, os dispêndios com a manutenção regular são geradores de créditos não cumulativos, desde que os ativos mantidos sejam empregados em qualquer etapa do processo produtivo e desde que os reparos e não confiram extensão à vida útil do bem superior a um ano” [sic]. Ressalta, ainda, que “[o] Parecer, citando legislação originária da tributação do imposto sobre a renda, acrescenta mais um elemento na caracterização do dispêndio como sendo de manutenção regular e, portanto, apto à geração de créditos não cumulativos diretamente, sem passar pelo ritmo dos encargos de depreciação. Cuida-se do pequeno valor do gasto, no caso, até R$ 1.200,00”. Entretanto, a D. DRJ entendeu pela manutenção das glosas ora combatidas, com base nos seguintes fundamentos: Voltando-se à situação dos autos, aponta a fiscalização para a ocorrência de gastos com materiais que, efetivamente, não configuram mera manutenção ordinária das instalações. Inspecionando-se a relação de itens glosados presente na planilha anexa ao Relatório Fiscal, verifica-se a recusa de créditos sobre a aquisição de transformadores, caixa de água, pias de mármore, portas de alumínio, coluna pré- moldada de concreto, janelas, pisos cerâmicos, telhas, tijolos entre outros itens que, além de superarem o valor de R$ 1.200,00, adotado como definição de gasto de pequeno valor, autorizam, de fato, o entendimento que não se trata de aquisição de bens vinculados à manutenção periódica de instalações, mas mais propriamente ao emprego em edificações novas ou em reformas que conferem aumento de vida útil superior a um ano. Adicionalmente, como anotou a autoridade fiscal, não se pode afastar o emprego dos materiais em edificações administrativas ou comerciais, não vinculadas à atividade produtiva e, portanto, fora do âmbito do creditamento no regime não cumulativo. Para se caracterizarem como geradores de créditos, os gastos com manutenção, devem estar comprovadamente atrelados a ativos responsáveis por qualquer etapa do processo de produção de bens destinados à venda. Como essa comprovação não veio aos autos, não se pode afastar a hipótese de terem sido os itens alvo da glosa empregados em instalações administrativas. Ademais, tratando-se de materiais de construção e de manutenção predial, a apropriação do crédito correspondente diretamente sobre o custo de aquisição dependeria, uma vez confirmada a hipótese de manutenção de ativos relacionados a alguma etapa da produção, da comprovação de que o ganho com a conservação não estenderia por mais de um ano a vida útil das instalações, prova também não produzida pela interessada. Em seu Recurso Voluntário, a recorrente contesta a conclusão adotada, pleiteando o reconhecimento do direito creditório pleiteado, com base nos seguintes argumentos de fato e de direito: In casu, conforme se extrai da descrição do processo produtivo constante do tópico “IV.1”, a Recorrente possui uma área total de aproximadamente 583 mil hectares Fl. 1362DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 58 cultivados, nas quais existem inúmeras edificações operacionais, voltadas a produção, beneficiamento e armazenamento de grãos, sementes, algodão e rebanho bovino. Ademais, proporcionalmente, as dependências destinadas às atividades administrativas são ínfimas, frente às dimensões da área produtiva. Nesse sentido, as dimensões dos empreendimentos da Recorrente, bem como a proporção entre áreas administrativas e operacionais fica evidente das imagens abaixo: • Sede da Fazenda Colorado (Diamantino/MT): [...] • Fazenda Fartura (Campo Verde-MT) [...] (pp. 49/50, do parecer técnico) A reduzida dimensão das áreas administrativas frente às produtivas foi, inclusive, observada pelo perito responsável pela elaboração do parecer técnico anexado ao presente recurso: [...] Isso fica ainda mais claro, se considerado o apontamento feito pelo parecerista, de que “não há estruturas administrativas relevantes que possam impactar, ou mesmo compor, as compras no mercado interno de material de construção e de obra civil, tampouco a empresa possui atividade comercial de revenda de produtos relevante.” (p. 52 do parecer técnico). Dito de outro modo, a Recorrente não opera como vendedora. Assim, não reflete a realidade dos fatos o fundamento utilizado pela DRJ, no sentido de que o crédito pleiteado careceria de liquidez e certeza, por falta de demonstração da Recorrente de que os materiais de construção foram utilizados na manutenção de bens relacionados à produção. [...] Ademais, para a perfectibilização da atividade econômica da Recorrente, todas as etapas devem ser realizadas com a máxima eficiência, uso de material de qualidade e um ambiente que atenda às condições de segurança dos recursos humanos e financeiros empregados nas operações. A título exemplificativo, na atividade desenvolvida no setor agrícola, é de rigor que todos os galpões destinados a estocagem dos insumos, produtos em elaboração e acabados, bem como os prédios utilizados nas etapas operacionais, estejam com suas manutenções em dia, visto que se referem a mercadorias frágeis e que não suportam a exposição a temperaturas extremas ou condições de umidade fora dos padrões exigidos. De igual sorte, os estabelecimentos destinados a atividade pecuária, os cochos das praças de alimentação, as unidades de fabricação e galpões de armazenagem das rações, devem permanecer íntegros, sem apresentar qualquer risco à saúde do rebanho e a qualidade da alimentação. Fl. 1363DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 59 Portanto, todas as infraestruturas físicas utilizadas pela Recorrente necessitam de constantes reparos e manutenções, para possibilitar a fabricação e comercialização do produto final. Logo, os gastos incorridos na aquisição dos materiais de construção e obra civil, tais como cimento, arame ovalado, chapas, vigas, estruturas metálicas, areia, brita, tijolos, telhas, materiais elétricos, fios e lâmpadas, entre outros, destinados à manutenção das referidas estruturas são essenciais e necessários, garantindo à Recorrente o direito ao aproveitamento dos créditos decorrentes. Para elucidar a questão, seguem algumas fotos das unidades da Recorrente que necessitam de reparo ou foram submetidas a manutenção recente: [...] PRAÇAS DE ALIMENTAÇÃO – ESSENCIAIS À PRODUÇÃO – QUE NECESSITAM DE REPARO [...] ARMAZÉM DE RAÇÃO DE BOVINO (ESQ.) E DEPÓSITO DE GRÃO (DIR.) QUE NECESSITAM DE REPAROS [...] UNIDADE FABRIL DE FABRICAÇÃO DAS RAÇÕES, RECÉM SUBMETIDA À MANUTENÇÃO, COM EMPREGO DE MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO, PARA REPARO ESTRUTURAL Adicionalmente a isso, o parecer técnico trouxe diversas evidências de que o material que deu origem ao direito creditório pleiteado pela Recorrente foi destinado à manutenção das áreas produtivas (páginas 52/55 do parecer técnico): Veja-se o produto “CHAPA GALVANIZADA”, que é um material cujos créditos de PIS/COFINS das aquisições foram glosados pelo Fisco, conforme planilha “Glosa Materiais de Construção”, parte integrante do RELATÓRIO DE AUDITORIA e-Dossiê 10265.004190/2021- 10. Foram R$ 919.693,65 adquiridos, e, notadamente, o seu uso é operacional, na manutenção de Silos, telhas de armazéns e calhas, com ou sem isolamento térmico (necessidade de se manter a temperatura controlada em ambientes de armazenamento de sementes). Observe-se algumas imagens de Chapas Galvanizadas: [...] Essas chapas são utilizadas em telhados ou paredes de Silos, Galpões etc. [...] Com efeito, é inequívoco que todo edifício sofre degradação ao longo do tempo, precisando de cuidados técnicos para preservar o seu bom desempenho, manutenção de condições compatíveis com as exigidas pelos órgãos regulamentadores, as boas condições técnicas e de segurança das construções. Para tanto, para a manutenção do ambiente em condições tais que possibilitem a efetivação da produção, livre de fatores de contaminação que colocariam em risco a segurança dos recursos envolvidos, a Recorrente se vê obrigada a arcar com os Fl. 1364DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 60 custos da aquisição dos materiais de construção e obras civis, sendo imperioso o reconhecimento do alcance do conceito de insumo para fins do aproveitamento dos créditos oriundos das contribuições. Nesse sentido, a Recorrente apropriou-se regular e legalmente dos créditos oriundos dos serviços destacados, em razão de sua essencialidade para a garantia da efetivação da produção da empresa, restando inequívoca a irregularidade das glosas ora combatidas. Por outro lado, também não procede o argumento da DRJ de que os materiais utilizados na manutenção das áreas produtivas superariam o valor individual de R$ 1.200,00 e/ou incrementariam a vida útil do bem em período superior a um ano (conforme entendimento extraído do PN Cosit nº 5, de 2018): [...] Nesse ponto, são valiosos os elementos trazidos pelo parecer técnico, o qual analisou cada um dos itens utilizados na manutenção das áreas produtivas e constatou que o limite individual de R$ 1.200,00 não foi extrapolado (pp. 59/61 do parecer técnico), contrariando a conclusão veiculada pelo acórdão recorrido. A título de exemplo, podemos destacar os trechos abaixo, extraídos do parecer em questão: Em relação ao limite de R$ 1.200,00, que permite a classificação como despesa operacional, o qual não foi ultrapassado (artigo 313 do RIR/2018). Para demonstrar esse ponto, utiliza-se os 10 maiores dispêndios, os quais, de antemão, não correspondem a dezenas ou milhares de reais, como consta do relatório da fiscalização. [...] Analisando as Notas Fiscais, obtidas em consulta ao site da Nota Fiscal eletrônica, https://www.nfe.fazenda.gov.br/portal/consultaRecaptcha.aspx?tipoConsul ta=resumo&tipoConteudo=7PhJ%20gAVw2g=, extrai-se a informação de que nenhum dos materiais acima, unitariamente, ultrapassou o limite de R$ 1.200,00, vejamos: [...] Resta claro, portanto, que também não procede a acusação da Fiscalização, referendada pela DRJ, de que teria sido desrespeitado o limite individual de R$ 1.200,00, estabelecido no Parecer COSIT 05/2018. De outra parte, ponderou o Fisco que “a estrutura de contas contábeis informada não permite distinguir se os materiais foram empregados em estruturas do processo produtivo ou em obras de finalidade administrativa”. Contudo, a glosa também não se sustenta sob tal argumento. Explica-se. Os gastos com essas reformas não são reconhecidos contabilmente como ativo imobilizado pelo fato de não refletir, para o bem objeto de manutenção, em acréscimo de vida útil superior a um ano, conforme determina o CPC 27 (comitê de pronunciamento contábil). Fl. 1365DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 61 O Pronunciamento Técnico, em seus itens 12 e 13, traz um tratamento próprio para os casos em apreço: “12. Segundo o princípio de reconhecimento do item 7 do CPC 27, a entidade não reconhece no valor contábil de um item do ativo imobilizado os custos da manutenção periódica do item. Pelo contrário, esses custos são reconhecidos no resultado quando incorridos. Os custos da manutenção periódica são principalmente os custos de mão-de-obra e de produtos consumíveis, e podem incluir o custo de pequenas peças. A finalidade desses gastos é muitas vezes descrita como sendo para “reparo e manutenção” de item do ativo imobilizado. 13. Partes de alguns itens do ativo imobilizado podem requerer substituição em intervalos regulares. Por exemplo, um forno pode requerer novo revestimento após um número específico de horas de uso; ou o interior dos aviões, como bancos e equipamentos internos, pode exigir substituição diversas vezes durante a vida da estrutura. Itens do ativo imobilizado também podem ser adquiridos para efetuar substituição recorrente menos frequente, tal como a substituição das paredes interiores de edifício, ou para efetuar substituição não recorrente. Segundo o princípio de reconhecimento do item 7, a entidade reconhece no valor contábil de um item do ativo imobilizado o custo da peça reposta desse item quando o custo é incorrido se os critérios de reconhecimento forem atendidos.” Logo, de acordo com o pronunciamento enunciado acima, a Receita Federal apenas reconhece o valor contábil das pequenas reformas como item do ativo imobilizado, quando a manutenção não tem finalidade de manutenção periódica, que se repete exercício após exercício. Nesse contexto, é importante mencionar novamente a conclusão contida no parecer técnico de que os créditos pleiteados pela Recorrente são relacionados a despesas com manutenção de prédios diretamente relacionados aos setores produtivos da Recorrente. Tal entendimento foi possível a partir do exame de toda a estrutura operacional, bem como dos assentamentos contábeis da Contribuinte, os quais realizam a segregação entre os materiais e serviços empregados na área operacional, daqueles aplicados na manutenção administrativa: “Ainda assim, a contabilidade da BOM FUTURO promove a segregação de apontamento das manutenções realizadas em unidade operacional (lançadas em conta contábil com o código 5 - formação de custo) daquelas relacionadas a manutenção administrativa (lançadas em conta contábil com o código 3). A partir de tudo isso, extrai-se a conclusão de que os materiais em questão foram empregados nas estruturas do processo produtivo da empresa.” (p. 51 do parecer técnico) Assim, resta incontroverso que a Recorrente cumpriu todas as regras tributárias e contábeis quanto ao enquadramento do dispêndio em referência como custo corrente. E, portanto, inquestionável que os gastos incorridos estão intrinsicamente vinculados ao seu complexo produtivo agropecuário, sendo-lhe essenciais, o que justifica o aproveitamento do crédito postulado. Fl. 1366DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 62 Destarte, fica evidente que os gastos com os reparos dos galpões, dos armazéns, e os materiais e serviços de manutenções inerentes, estão ligados diretamente à produção, ainda que não ativados em cumprimento ao CPC 27, devendo ser procedida a reforma do v. acórdão recorrido, com o consequente cancelamento das glosas e deferimento da integralidade do crédito. É o que passo a apreciar. Inicialmente, cumpre destacar que a Receita Federal já reconheceu, no âmbito do Parecer Normativo Cosit nº 5/18, que “[...] são considerados insumos geradores de créditos das contribuições os bens e serviços adquiridos e utilizados na manutenção de bens do ativo imobilizado da pessoa jurídica responsáveis por qualquer etapa do processo de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviço”. Neste sentido, merece menção também o artigo 176, § 1º inciso VII, da Instrução Normativa RFB nº 2121/22: Art. 176. Para efeito do disposto nesta Subseção, consideram-se insumos, os bens ou serviços considerados essenciais ou relevantes para o processo de produção ou fabricação de bens destinados à venda ou de prestação de serviços (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, caput, inciso II, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004, art. 37; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, caput, inciso II, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004, art. 21). § 1º Consideram-se insumos, inclusive: [...] VII - bens de reposição e serviços utilizados na manutenção de bens do ativo imobilizado utilizados em qualquer etapa do processo de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços cuja utilização implique aumento de vida útil do bem do ativo imobilizado de até um ano; Ademais, os fundamentos indicados pelo v. acórdão recorrido para manutenção da glosa, quais sejam, (i) tratar-se de gasto de pequeno valor (até R$ 1.200,00); (ii) ausência de emprego dos materiais em edificações administrativas ou comerciais, (iii) materiais atrelados ao ativo responsável pelo processo produtivo, e (iv) comprovação de que o ganho com a conservação não estenderia por mais de um ano a vida útil das instalações, foram todos refutados pela recorrente, com suporte no Parecer Técnico colacionado aos autos às fls. 1080/1193. Conforme supra reproduzido, o referido Parecer Técnico demonstrou que, nas propriedades da recorrente, a proporção das instalações operacionais corresponde à quase totalidade da estrutura, e há uma pequena sede administrativa, irrelevante em termos de construção. Ainda assim, ressaltou-se que “[...] a contabilidade da BOM FUTURO promove a segregação de apontamento das manutenções realizadas em unidade operacional (lançadas em Fl. 1367DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 63 conta contábil com o código 5 - formação de custo) daquelas relacionadas a manutenção administrativa (lançadas em conta contábil com o código 3). Ademais, analisando contabilmente os insumos adquiridos e utilizados na manutenção de estruturas operacionais, constatou-se “que os custos unitários não ultrapassam o valor de R$ 1.200,00 e possuem vida útil inferior a 1 ano, permitindo sua classificação como despesa operacional, na forma do artigo 313 do RIR/2018”, sendo destacado que, em relação à vida útil, o fator determinante é a utilização e não a descrição do bem. Por fim, demonstrou-se que os itens glosados são essenciais para manutenção das instalações produtivas da empresa, especialmente, na manutenção de Silos, telhas de armazéns e calhas, com ou sem isolamento térmico. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso neste tópico, para o fim de reverter as glosas sobre bens adquiridos e utilizados para manutenção dos bens do ativo imobilizado da pessoa jurídica responsáveis pelo processo produtivo. DAS AQUISIÇÕES DE SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMO SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO CIVIL DE PRÉDIOS Conforme se verifica do Relatório Fiscal, a fiscalização manifestou o entendimento de que “[a]ssim como os Materiais de Construção e de Obra Civil foram glosados (v. Item II.2.1.1), o “SERVICO DE MANUTENCAO CIVIL - PREDIOS OPERACIONAIS” também não se amolda ao conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade das contribuições”. Ressaltou, ainda, que “[b]asta verificar as notas apresentadas que se constata, inclusive, que os serviços extrapolam em muito a mera manutenção de prédios, tratando-se em alguns casos de obras de construção civil, a exemplo de “...EXECUÇÃO DE SERVIÇOS DE TERRAPLENAGEM, PAVIMENTAÇÃO DE DRENAGEM REALIZADOS NA FAZENDA 3 IRMÃOS” (NF nº 9, de 21/06/2019, emitida por GUAXE CONSTRUTORA LTDA, CNPJ 02.837.996/0001-10, no valor de R$ 658.030,42, fls. 365); “...CONSTRUÇÃO DO BARRACÃO…” e “SERVIÇO DE CONSTRUÇÃO PONTE…” (NFs nºs 60 e 65, de 20/04/2018 14/06/2018, emi7das por DAMIAO FIGUEIREDO EIRELI, CNPJ 25.191.377/0001-04, nos valores de R$ 39.300,00 e R$ 50.000,00, fls. 270 e 313); “FABRICACAO E MONTAGEM DE OFICINA E LANTERNIN TROCAR TELHA, FECHAMENTO FRONTAL, JANELAS BASCULANTE, COBERTURA DE CHIQUEI….” (NF 118, de 20/04/2018, emi7da por JC METALURGICA LTDA, CNPJ 24.538.950/0001-32, no valor de R$ 58.710,00, fls. 274), etc.. Não à toa, os participantes são, via de regra, construtoras: SANTOS CONSTRUTORA (fls. 246 e 349), VOIGT CONSTRUÇÕES (fls. 306 e 341), G2 CONSTRUTORA (fls. 311 e 321)”. Segundo a fiscalização, tais serviços, se preenchidos os critérios previstos no art. 3º, caput e §1º, III, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, poderiam gerar crédito Fl. 1368DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 64 com base no valor mensal de depreciação, mas não com base na aquisição de insumos. No mesmo sentido, o v. acórdão recorrido entendeu por manter a glosa, reforçando “[...] a afirmativa da fiscalização de que os prestadores de serviços são empresas de construção indicando obras que ultrapassam os limites das despesas com manutenção regular de edificações”. Em seu Recurso Voluntário, a recorrente reitera o exposto no tópico anterior, defendendo o direito ao aproveitamento de créditos, com base no entendimento de que “[...] é de rigor que todos os galpões destinados a estocagem dos insumos, produtos em elaboração e acabados, bem como os prédios operacionais utilizados pela Recorrente, estejam com suas manutenções em dia”. Ainda, destaca que a análise contida no parecer técnico anexado ao processo, em que foram examinados cada um dos serviços glosados pela fiscalização, concluiu que “[...] ao contrário do que foi alegado pelo Sr. Agente Fiscal e confirmado pela DRJ, os serviços são i) essenciais para que a estrutura operacional permaneça em funcionamento; e ii) caracterizam-se como de manutenção periódica dos ativos, prescindindo de ativação, por serem custos de manutenção e reparo do ativo imobilizado”: Perante o exposto nesse tópico, os serviços de manutenção civil de prédios referem- se à manutenção periódica dos ativos que, conforme o item 12, do CPC 27, não devem ser reconhecidos como parte integrante do ativo, visto serem considerados como custos de manutenção e reparo do ativo imobilizado. Vale reafirmar que toda a manutenção realizada foi essencial para manter a estrutura operacional em funcionamento; sem a devida conservação tornar-se-ia inviável a manutenção da cadeia produtiva. (fls. 76 do parecer técnico) Por tais razões, a recorrente sustenta que “[...] os gastos incorridos na aquisição dos serviços de manutenção das referidas estruturas são essenciais e necessários, devendo ser reformado o acórdão DRJ e revertidas as glosas ora combatidas, com o consequente deferimento integral do ressarcimento pleiteado”. É o que passo a apreciar. Inicialmente, reporta-se ao que foi decidido no tópico anterior, no que se refere à possibilidade de aproveitamento de serviços utilizados na manutenção de bens do ativo imobilizado utilizados em qualquer etapa do processo produtivo, cuja utilização implique aumento de vida útil do bem do ativo imobilizado de até um ano, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 5/18 e artigo 176, § 1º inciso VII, da Instrução Normativa RFB nº 2121/22. No que se refere ao enquadramento de tais itens aos requisitos normativos exigidos para apropriação dos créditos da não-cumulatividade, cumpre transcrever excerto do Parecer Técnico colacionado aos autos, no qual é analisada a natureza e o objeto de tais contratações: Fl. 1369DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 65 Iniciando-se pela análise do documento fiscal “NF nº 9, de 21/06/2019, emitida por GUAXE CONSTRUTORA LTDA, CNPJ 02.837.996/0001-10, no valor de R$ 658.030,42, fls. 365”: [...] Constata-se que, dos R$ 658.030,42 do valor total da Nota Fiscal, o montante de R$ 394.818,25 refere-se a materiais e R$ 263.212,67 a prestação de serviços, como consta do rodapé e também do campo “Base de Cálculo do ISS”: [...] Primeiramente, destaca-se que, nos serviços de manutenção, há os materiais utilizados, ou seja, a análise deve ser restrita ao serviço, devido à natureza distinta entre a efetiva prestação de serviços e os materiais utilizados. O valor total de R$ 658.030,42 contempla serviços de manutenção de pavimentação, utilizados pela BOM FUTURO para o desenvolvimento de suas atividades, visto que apenas uma estrada particular da empresa localizada em Campo Verde/MT possui 8.2km asfaltados para se chegar à sede operacional da Fazenda (vide introdução deste Parecer). O valor envolvido é condizente com a natureza de insumo, de manutenção, visto que o valor não é suficiente nem para asfaltar 1 quilometro de rodovia 3 . Nesse contexto, o valor da nota fiscal, insuficiente para se pavimentar 1 km de estrada em relação à BOM FUTURO, que possui centenas de quilômetros pavimentados, permite concluir não se tratar de obra viária, mas sim de manutenção das estradas existentes. Prosseguindo na análise, algumas Notas Fiscais são da empresa G 2 CONSTRUTORA, que presta serviços de manutenção civil em “Fossa”. Vide, a seguir, o documento fiscal: [...] No campo “Serviços Prestados”, consta expressamente “Serviços de Manutenção Civil” em “Fossa”: [...] Trata-se de manutenção em fossa, que deve ser considerando com uma obra civil, contabilizada no ativo imobilizado. Além disso, não está sujeita à depreciação mensal, nos termos do CPC 27 (Comitê de Pronunciamento Técnico), o qual disciplina que não se deve reconhecer no ativo imobilizado os custos de manutenção periódica. Conforme Pronunciamento Técnico CPC 27, item 12: “Segundo o princípio de reconhecimento do item 7, a entidade não reconhece no valor contábil de um item do ativo imobilizado os custos da manutenção periódica do item. Pelo contrário, esses custos são reconhecidos no resultado quando incorridos. Os custos da manutenção periódica são 3 Vide no site da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística – SINFRA, do Governo do Estado do Mato Grosso, a notícia que, para se construir 56,2 quilômetros de rodovia o estado do Mato Grosso está investindo R$ 65 milhões de reais Fl. 1370DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 66 principalmente os custos de mão-de-obra e de produtos consumíveis, e podem incluir o custo de pequenas peças. A finalidade desses gastos é muitas vezes descrita como sendo para “reparo e manutenção” de item do ativo imobilizado.” Ademais, manutenção (especificamente em fossas), é de essencial importância, visto estar diretamente relacionada a: - Prevenção da contaminação do solo; - Impedir o surgimento de ratos, baratas, moscas etc; - Destinação correta da rede de esgoto; Seguindo as análises, veja-se outra Nota Fiscal, referente a serviços de pintura de maquinários da Algodoeira. [...] Em relação a Pintura de Algodoeira, constata-se que: - Não é um serviço passível de contabilização como ativo imobilizado, logo, não é depreciável; - Não é obra civil. A pintura de máquinas e implementos agrícolas é um serviço essencial de manutenção para o desenvolvimento das atividades da BOM FUTURO, visto que, com o desgaste natural da pintura, partes dos equipamentos ficam expostas a intempéries e agentes de corrosão. Observe-se ainda a Nota Fiscal 65, de 14/06/2018, emitida por DAMIAO FIGUEIREDO E/RELI, CNPJ 25.191.377/0001-04: [...] Constata-se que a descrição do serviço é “PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MANUTENÇÃO CIVIL – PREDIOS OPERACIONAIS – SERVIÇO DE CONSTRUÇÃO DE PONTE – CONFORME PEDIDO DE COMPRA”. A descrição inicia-se com os dizeres “Manutenção Civil”, logo, entende-se que manutenção é a essência do serviço. A obra civil relacionada à construção de ponte corresponde a uma atividade mais aderente à manutenção: [...] Por fim, a descrição dos serviços na NF 679, é expressa: “SERVIÇO DE MANUTENÇÃO CIVIL PREDIOS OPERACIONAIS – PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS CONFORME CONTRATO”: [...] O documento fiscal em questão envolve a contratação de serviços de manutenção predial, e não obra civil, sujeita à depreciação. Para a manutenção da operação, é fundamental que se tenham plenas condições das instalações do processo produtivo; é essencial que toda a estrutura esteja apta para realização da produção e armazenagem. Fl. 1371DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 67 Perante o exposto nesse tópico, os serviços de manutenção civil de prédios referem- se à manutenção periódica dos ativos que, conforme o item 12, do CPC 27, não devem ser reconhecidos como parte integrante do ativo, visto serem considerados como custos de manutenção e reparo do ativo imobilizado. Vale reafirmar que toda a manutenção realizada foi essencial para manter a estrutura operacional em funcionamento; sem a devida conservação tornar-se-ia inviável a manutenção da cadeia produtiva. Com base no referido Parecer Técnico, que analisa os serviços glosados pela fiscalização, entendo que, na maior parte dos casos, restou demonstrado se tratar de serviços utilizados na manutenção de bens do ativo imobilizado utilizados no processo produtivo. No que se refere à NF nº 9, de 21/06/2019, emitida por GUAXE CONSTRUTORA LTDA, demonstrou-se que se trata de serviço de manutenção de pavimentação e terraplanagem (o valor da nota fiscal é insuficiente para pavimentar uma estrada, sendo adequado se admitir que é utilizado exclusivamente na manutenção de estradas existentes), o que está envolvido no processo produtivo da empresa, que exige o transporte de máquinas, insumos e produtos ao longo das áreas rurais da empresa de vasta extensão. Da mesma forma, as Notas Fiscais da empresa G2 CONSTRUTORA, tratam dos serviços de manutenção civil em “Fossa”, sendo de essencial importância ao processo produtivo da empresa que envolve requisitos sanitários rígidos, ao prevenir a contaminação do solo, impedir o surgimento de ratos, baratas, moscas etc, e dar a destinação correta da rede de esgoto. No mesmo sentido, os serviços de Pintura de Algodoeira são essenciais para manutenção das atividades produtivas da empresa, uma vez que com o desgaste natural da pintura, partes dos equipamentos ficam expostas a intempéries e agentes de corrosão. Ademais, o Parecer Técnico bem aponta que, por se tratar de custos de manutenção periódica do ativo imobilizado, não são passíveis de contabilização como ativo imobilizado (e, por conseguinte, não são depreciáveis), o que reforça a possibilidade de aproveitamento dos créditos na condição de insumos. Por outro lado, a Nota Fiscal 65, de 14/05/2018, emitida por Damião Figueiredo, se refere expressamente a “Serviço de Construção de Ponte”, o que configura construção e não manutenção, além de não ser possível, com base nas provas juntadas, a individualização dos serviços para alcançar apenas aqueles de manutenção. Ainda, no que se refere à NF 679, que trata de “SERVIÇO DE MANUTENÇÃO CIVIL PREDIOS OPERACIONAIS – PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS CONFORME CONTRATO”, não há qualquer prova – como o contrato citado na descrição – que permita avaliar a natureza da contratação, o que impede o reconhecimento do crédito pleiteado. Por tais razões, voto por dar parcial provimento ao recurso neste tópico, para o fim de reverter as glosas sobre os serviços relativos à NF nº 9, de 21/06/2019, Fl. 1372DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 68 emitida por GUAXE CONSTRUTORA LTDA, às Notas Fiscais emitidas pela empresa G2 CONSTRUTORA que tratam dos serviços de manutenção civil em “Fossa”, e à Pintura de Algodoeira. SERVIÇOS PORTUÁRIOS E DESPACHO ADUANEIRO Conforme se extrai do Relatório Fiscal, a recorrente “[...] escriturou em suas EFD Contribuições, nas rubricas de crédito “Aquisição de serviços utilizados como insumo” (01/2016 a 06/2017) e “Armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda” (10/2017 a 10/2018), Serviços Portuários em Geral, a título de “SERVIÇO DE ARMAZENAGEM DE GRÃOS (GRÃOS/ALGODAO)” e “SERVIÇO FRETE SOB VENDAS””. Para justificar a glosa dos referidos itens, assim se manifestou a autoridade fiscal: 94. Verificando-se as notas apresentadas, temos as seguintes descrições para os serviços prestados: a) COMPANHIA BANDEIRANTES DE ARMAZENS GERAIS: “ESTUFAGEM ALGODAO” (v. NFs 10567, 11907 e 14034 às fls. 203, 205 e 245); b) LIBRA TERMINAL VALONGO S/A: “ADICIONAL DE SEGURO-CONS, REMOCAO DE CHEIOS MD – CNTR…...-CONSREMOCAO DE VAZIOS MD – CNTR….,-CONS,OCTE CONSOLID S/TRAN” e “REMOCAO DE CHEIOS MD – CNTR …, -CONS, ADICIONAL DE SEGURO-CONS,REMOCAO DE VAZIO MD – CNTR…, -CONS, PCTE CONSOLID S/ TRAN” (v. NFs 9601, 13190, 13290 às fls. 231, 240/241); c) SANTOS BRASIL LOGISTICA S.A.: “SERVIÇO DE POSICIONAMENTO EXPORTAÇÃO...ARMAZENAGEM APOS PERIODO...STUFFING MECANIZADO…”, “NAVIO CAPE SOUNIO VAGEM … STUFFING MECANIZADO CNTR 40 SERVICO DE POSICIONAMENTO EXPORTACAO ARMAZENAGEM APOS PERIODO CNTR 40” e “NAVIO KOTA LUKIS VIAGEM …. ARMAZENAGEM APOS PERIODO CONTR 40 STUFFING MECANIZADO CNTR 40” (v. NFs 93098, 100267 e 99902, fls. 268, 271 e 320); d) TCP - TERMINAL DE CONTEINERES DE PARANAGUA SA: “...FATURA: XX SERIE: YY NAVIO: VIAGEM: OBS; OVA EXPORTACAO TENDA HH ….BOOKING ….” (v. NFs 59218 e 82263 às fls. 226 e 229); e) EMBRAPORT EMPRESA BRASILEIRA DE TERMINAIS PORTUARIOS: “SERVIÇOS PORTUARIOS – ARMAZENAGEM DE QUALQUER NATUREZA E SERVICOS ACESSORIOS/ Draft: … / NAVIO: XX…..” (NFs 137461 e 140208, fls. 243/244); f) BRASIL TERMINAL PORTUARIO S.A.: “MAERSK LONDRINA …. ROLAGEM 40 CH EXPORT…….”, e “MAERSK LONDRINA …. POSIC. P/ VITORIA 40 – EXP QTDE: XX Preço: YY …..” (v. NFs 104018 e 90420, fls. 201 e 230); g) TRANSMODAL LOGISTICA EIRELI: “SERVIÇOS RETROPORTUÁRIOS / RETIRADA DE CNTR VAZIO ESTUFAGEM E ENTREGA DO CNTR CHEIO NO TERMINAL DE EMBARQUE” (v. NF 12864 às fls. 238); Fl. 1373DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 69 h) CONCORDIA LOGISTICA S.A.: “SERVIÇO DE ESTUFAGEM E TRANSPORTE….BOOKING:…../ NAVIO: XX…..” (v. NFs 25085 e 25192 às fls. 219/220). 95. Da amostragem realizada, consta-se que são serviços portuários diversos, como movimentação de contêineres, posicionamento, rolagem, amarração, fixação e inspeção de cargas, etc. [...] 97. Os serviços portuários aqui tratados são gastos posteriores à finalização do processo de produção dos bens destinados a exportação, de forma que não se caracterizam como serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda (art. 3º, inc. II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003). 98. Em se tratando de produtos acabados, só é possível o creditamento na hipótese do inciso IX do art. 3° da Lei nº 10.833/03, ou seja, sobre armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. 99. O conceito de armazenagem e frete, contudo, não alcança despesas de natureza completamente diversa, como são os serviços logísticos e de operação portuária (de movimentação, posicionamento e rolagem de contêineres, inspeção de carga, contratação de agenciadoras marítimas, etc). 100. Ainda que em algumas das notas fiscais apresentadas possa haver também serviço de armazenagem, este sim possível de creditamento, não há como distingui- lo dos demais serviços portuários praticados. 101. Não há, portanto, previsão legal de crédito para esses dispêndios, [...] Também foram glosados créditos tomados sobre serviços de Despachante Aduaneiro, nos seguintes termos: 103. De acordo com as EFD-C apresentadas, a contribuinte creditou-se de serviços de “ATIVIDADES DE DESPACHANTES ADUANEIRO”, sendo a empresa MEDITERRANEAN LOGISTICA ADUANEIRA, CNPJ 07.250.092/0001-07, que tem como atividade: “33.01 / 5250801 - Comissaria de despachos”, responsável por 95% do valor dos serviços prestados. 104. Verificando-se as notas apresentadas, a discriminação dos serviços é “Processo….” (NF 4484, fls. 263) e “...INSPEÇÃO NÃO INVASIVA…” (NF 301053, fls. 252). 105. Tais gastos são posteriores à finalização do processo produtivo, de modo que não podem ser considerados insumos, e tampouco se relacionam com operações de armazenagem e frete na operação de venda. 106. Não há, portanto, previsão legal de crédito para esses dispêndios, [...] Fl. 1374DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 70 Considerando que a glosa foi mantida pelo v. acórdão recorrido, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, contestando a conclusão adotada, com base nos seguintes argumentos de fato e de direito: De acordo com o parecer técnico anexado ao presente recurso, os serviços portuários consistem na armazenagem, fretes e stuffing (serviço técnico de organização dos produtos no container para exportação): “Basicamente, nota-se que, majoritariamente, além de Armazenagem e Fretes, trata-se de Estufagem ou Stuffing, que é o procedimento técnico de organização dos produtos no container para exportação, com planejamento rigoroso e respeito a normas técnicas, visto que uma estufagem mal realizada pode prejudicar a qualidade do produto final devido a diversos fatores, tais como: • Deve respeitar os limites de capacidade, pois uma simples prensagem maior do algodão pode prejudicar a qualidade da fibra; • O material que acondiciona o algodão não pode ser danificado ou perfurado, pois a exposição do algodão ao ambiente pode danificar a fibra; • O algodão é altamente inflamável, pelo que seu acondicionamento deve respeitar normas rígidas para se evitar incêndio;” (fls. 77 do parecer técnico) Já com relação aos serviços prestados pelo despachante aduaneiro, as conclusões expostas no parecer técnico já mencionado deixam claro que se trata de despesa necessária à atividade da Recorrente, a qual, naturalmente, permite o creditamento das contribuições ao PIS/COFINS: “O serviço de comissária de despacho é realizado por profissional responsável pela vistoria e desembaraço aduaneiro, ou seja, é um dos profissionais que garante a qualidade da armazenagem do produto. Em linha com o abordado no capítulo anterior, em se tratando de cargas que, em seu transporte, são exigidos procedimentos técnicos para garantia da qualidade do produto, são essenciais ao processo produtivo da empresa.” (fls. 78 do parecer técnico) [...] Com efeito, não são necessárias maiores considerações para demonstrar a essencialidade dos serviços portuários e o desembaraço aduaneiro, afinal, para que os bens exportados cheguem ao seu destino, os produtos devem ser movimentados nas instalações alfandegárias, ser conferidos, carregados e descarregados, liberados, eventualmente armazenados e, por fim, transportados para o seu adquirente. Até porque os prestadores dos serviços em comento são contribuintes do PIS/COFINS, motivo pelo qual é assegurado o direito de tomada de crédito relativo a essas despesas, em atendimento ao princípio da não cumulatividade dessas contribuições. Trata-se, portanto, de serviços imprescindíveis para a perfectibilização da venda que irá gerar receita à Recorrente, motivo pelo qual deve ser reformado o acórdão recorrido e revertidas as glosas efetuadas pela fiscalização. Fl. 1375DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 71 Independentemente do entendimento pessoal deste julgador, este e. CARF editou a Súmula CARF nº 232, cuja observância é obrigatória pelos Conselheiros do CARF, ex vi do art. 123, §4º do Regimento Interno do CARF (RICARF): As despesas portuárias na exportação de produtos acabados não se qualificam como insumos do processo produtivo do exportador para efeito de créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de COFINS não cumulativas. Assim, deve ser observado o entendimento sumulado, razão pela qual voto no sentido de manter a glosa sobre despesas portuárias e despachante aduaneiro. DEMAIS SERVIÇOS (ESTACIONAMENTO, ALUGUEL DE VEÍCULO, VALE- ALIMENTAÇÃO, RASTREAMENTO, EXPURGO DE CARGAS, CLÍNICA MÉDICA E SERVIÇOS DIVERSOS) No que se refere aos demais serviços glosados (Estacionamento, aluguel de veículo, vale-alimentação, expurgo de cargas, clínica médica e serviços diversos), a recorrente sustenta que “[...] é imperioso o reconhecimento do alcance do conceito de insumo para todos os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços, ainda que tais elementos não entrem em contato direto com os bens produzidos”. Especificamente com relação ao aluguel de veículos e estacionamento, destaca que o parecer técnico anexo aos autos ressalta que são despesas essenciais às atividades da recorrente, pois envolvem a movimentação de funcionários para a consecução das suas atividades: “Estacionamento e aluguel de veículos ➔ A empresa exerce atividades pulverizadas por toda a dimensão do estado do Mato Grosso, com fazendas se estendendo por milhares de hectares. Nesse contexto, o deslocamento de seus profissionais só é possível através de automóveis. Assim, impossível garantir o bom funcionamento da operação, se seus agrônomos, por exemplo, não possam se deslocar entre as terras, o que está, intrínseca e fundamentalmente, relacionado ao processo produtivo, além da qualidade do produto final. O estacionamento destes veículos são consectários naturais.” (página 78 do parecer técnico) No que se refere às despesas com vale alimentação e despesas médicas glosadas pela fiscalização, sustenta que a IN RFB nº 1.911/2019 é expressa ao consignar que é possível o creditamento com vale-transporte, vale-refeição ou vale- alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica (artigo 172, §2º, VI). Ressalta, ainda, que as despesas com vale- alimentação decorrem de acordo coletivo, sendo que “[o]s instrumentos de negociação coletiva correspondem a imposições normativas que têm força de lei para as partes nela representadas, conforme decidiu o STF, no Recurso Extraordinário com Agravo (ARE) nº 1.121.63/GO”. Fl. 1376DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 72 É o que passo a apreciar. Inicialmente, cumpre destacar que este e. CARF editou a Súmula CARF nº 190, cuja observância é obrigatória pelos Conselheiros do CARF, ex vi do art. 123, §4º do Regimento Interno do CARF (RICARF): Para fins do disposto no art. 3º, IV, da Lei nº 10.637/2002 e no art. 3º, IV, da Lei nº 10.833/2003, os dispêndios com locação de veículos de transporte de carga ou de passageiros não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas. Assim, independentemente do entendimento pessoal deste julgador, deve ser observado o entendimento sumulado, no sentido de manter a glosa sobre os gastos com locação de veículos. Quanto aos gastos com estacionamento, entendo não se tratar de despesa essencial ou relevante para o processo produtivo da empresa, em razão da ausência de comprovação da sua imprescindibilidade para o desenvolvimento da atividade econômica. No que se refere às despesas com vale-alimentação e despesas médicas, merece destaque que o artigo 172, §2º, inciso VI, da IN RFB nº 1.911/2019 mencionado pela recorrente, vai no sentido contrário ao pleiteado, ao expressamente consignar que “[n]ão são considerados insumos, entre outros: VI - despesas destinadas a viabilizar a atividade da mão-de-obra empregada no processo de produção ou fabricação de bens ou de prestação de serviços, tais como alimentação, vestimenta, transporte, cursos, plano de seguro e seguro de vida, ressalvado o disposto no inciso VI do art. 181”. Tal dispositivo é repetido pelo artigo 176, §2º, inciso VI, da atual IN RFB nº 2.121/22, ex vi: Art. 176. Para efeito do disposto nesta Subseção, consideram-se insumos, os bens ou serviços considerados essenciais ou relevantes para o processo de produção ou fabricação de bens destinados à venda ou de prestação de serviços (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, caput, inciso II, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004, art. 37; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, caput, inciso II, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004, art. 21). [...] § 2º Não são considerados insumos, entre outros: [...] VI - despesas destinadas a viabilizar a atividade da mão de obra empregada no processo de produção ou fabricação de bens ou de prestação de serviços, tais como alimentação, vestimenta, transporte, cursos, plano de saúde e seguro de vida; Fl. 1377DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 73 Quanto à alegação da recorrente de que os gastos com vale-transporte decorrem de acordo coletivo, ressalto que, com base no artigo 177 da IN RFB nº 2121/22, a Receita Federal reconhece que “[t]ambém se consideram insumos, os bens ou os serviços especificamente exigidos por norma legal ou infralegal para viabilizar as atividades de produção de bens ou de prestação de serviços por parte da mão de obra empregada nessas atividades”. Por sua vez, no §1º, estabelece que “[o] disposto no caput não se aplica nas hipóteses em que a exigência dos bens ou dos serviços decorrem de celebração de acordos ou convenções coletivas de trabalho”. Com a devida vênia, entendo que, ao exercer sua competência de interpretar e aplicar a legislação tributária, editando instruções normativas necessárias à sua execução, a Receita Federal andou bem ao reconhecer que os bens e serviços exigidos, por norma legal ou infralegal, para viabilizar a mão-de-obra empregada nas atividades, devem ser considerados insumos, por outro lado, ultrapassou os limites estabelecidos em lei, inovando o ordenamento jurídico, ao excetuar as hipóteses em que a exigência decorre da celebração de acordos ou convenções coletivas de trabalho. Ora, a partir do momento em que se reconhece o caráter de insumo aos bens e serviços exigidos, por norma legal ou infralegal, para viabilizar a mão-de-obra empregada nas atividades de produção de bens ou de prestação de serviços, não vislumbro qualquer fundamento legal que permita a exclusão das exigências decorrentes de acordos e convenções coletivas de trabalho. Nos termos do artigo 611 da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, a Convenção Coletiva de Trabalho configura acordo de caráter normativo, sendo que, conforme estabelece o artigo 611-A do mesmo diploma legal, a convenção coletiva e o acordo coletivo de trabalho têm prevalência sobre a lei quando, entre outros, dispuserem sobre diversas questões atinentes à relação de trabalho. Neste sentido, assim leciona o professor Maurício Godinho Delgado: As convenções coletivas, embora de origem privada, criam regras jurídicas (normas autônomas), isto é, preceitos gerais, abstratos e impessoais, dirigidos a normatizar situações ad futurum. Correspondem, consequentemente, à noção de lei em sentido material, traduzindo ato-regra (Duguit) ou comando abstrato. São, desse modo, do ponto de vista substantivo (ou seja, de seu conteúdo), diplomas desveladores de inquestionáveis regras jurídicas (embora existam também no seu interior cláusulas contratuais. Somado a isto, a Constituição Federal elenca, em seu artigo 7º, inciso XXVI, o reconhecimento das convenções e acordos coletivos de trabalho como direito dos trabalhadores urbanos e rurais. Ressalte-se que a relevância está na imposição da exigência – que deve ser observada no exercício da atividade do contribuinte – e não propriamente no instrumento jurídico que a impõe, até porque, a própria instrução normativa Fl. 1378DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 74 compreende que o conceito de insumo alcança exigências impostas tanto por norma legal quanto infralegal. Por tais razões, entendo que os bens ou serviços especificamente exigidos por convenções e acordos coletivos de trabalho, para viabilizar as atividades de produção de bens ou de prestação de serviços por parte da mão de obra empregada nessas atividades, também revestem o caráter de insumo. Ocorre que, no presente caso, a recorrente se limita a alegar que a obrigação decorre de acordo coletivo, sem trazer qualquer documento que permita a comprovação do alegado, o que impossibilita o reconhecimento do direito creditório pleiteado. DA GLOSA PARCIAL DE BASE DE CÁLCULO SUPOSTAMENTE INFORMADA A MAIOR – INTEGRAÇÃO DO ICMS-ST NO VALOR DOS INSUMOS ADQUIRIDOS Conforme se extrai do Relatório Fiscal, a fiscalização verificou que “[a] contribuinte, ao informar a Base de Cálculo (BC) do crédito de PIS/Cofins decorrente da aquisição de alguns insumos, por vezes integrou o ICMS sobre substituição tributária (ICMS-ST) ao seu valor, conforme se depreende do cotejo das NFe emitidas pelos respectivos fornecedores”. Mencionando a Solução de Consulta Cosit nº 99.041/17, o entendimento firmado pelo STJ no julgamento do Recurso Especial nº 1.456.648/RS e os artigos 26 e 167 da IN RFB nº 1.911/19, a autoridade fiscal efetuou a glosa da base de créditos informada a maior, ressaltando que o ICMS-ST “que consta na nota fiscal emitida pelo vendedor-substituto da mercadoria à fiscalizada não compõe a base de cálculo das contribuições devidas por ele vendedor, ou seja, não há incidência de PIS/Cofins sobre o valor do ICMS-ST na etapa anterior”, sendo indevido, portanto, o crédito calculo sobre o ICMS-ST destacado nas notas fiscais de aquisição. Ao manter a glosa efetuada, assim se manifestou o v. acórdão recorrido: [...] evitando-se distorções na aplicação do regime da não cumulatividade, o valor do crédito passível de apuração pelos contribuintes substituídos deve ser calculado excluindo-se dos custos de aquisição a parcela do ICMS cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário, na medida em esta parcela é sacada da base de cálculo deste último. A situação não é alterada pelo julgamento, no STJ, do Tema Repetitivo nº 1.125 que entendeu que o valor correspondente ao ICMS-ST recolhido antecipadamente pelo substituto tributário não compõe a base de cálculo da Contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, devidas pelo contribuinte substituído. Note-se que o julgamento do STJ voltou-se para a formação da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins devidos pelos adquirentes, contribuintes substituídos do ICMS, concluindo que nela não se inclui a parcela referente ao ICMS cobrado pelo vendedor na condição de substituto do ICMS. Fl. 1379DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 75 Esse entendimento só vem reforçar o acerto da fiscalização em glosar a tomada de créditos sobre o valor do ICMS-substituição tributária pela adquirente substituído. Em seu Recurso Voluntário, a recorrente ressalta que “[...] o ICMS que é retido pelo substituto não entra no mecanismo de compensação entre débitos e créditos, inerente ao princípio da não cumulatividade, de tal sorte que todo o encargo é arcado, em última instância, pelo substituído tributário, reforçando o caráter de irrecuperabilidade do referido tributo”. Sustenta, ainda, ser inadequada a IN RFB nº 1.911/19 na parte em que pretende disciplinar a matéria, “[...] visto que o tema ainda se encontra pendente de julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Esse Tribunal, sob o rito de recursos repetitivos, afetou os Recursos Especiais nº 1.896.678 e nº 1.958.265 (tema nº 1.125), no qual será oportunamente decidida a possibilidade ou não de exclusão do valor correspondente ao ICMS-ST da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS”. Por tais razões, defende que “[...] não há que se falar em redução ou glosa de créditos pautados na pretensa exclusão, devendo ser reformado o v. acórdão recorrido para determinar o ressarcimento integral com a inclusão do montante atinente ao ICMS-ST integrante da base de cálculo das contribuições”. É o que passo a apreciar. Trata-se tema decidido pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Tema Repetitivo nº 1231, no qual foram fixadas as seguintes teses: 1ª) Os tributos recolhidos em substituição tributária não integram o conceito de custo de aquisição previsto no art. 13, do Decreto-Lei n. 1.598/77; 2ª) Os valores pagos pelo contribuinte substituto a título de ICMS-ST não geram, no regime não cumulativo, créditos para fins de incidência das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS devidas pelo contribuinte substituído. O acórdão do referido julgamento restou assim ementado: RECURSO REPETITIVO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. VALORES REFERENTES AO ICMS-SUBSTITUIÇÃO (ICMS- ST). IMPOSSIBILIDADE. TRIBUTO RECOLHIDO EM SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. DESCARACTERIZAÇÃO COMO CUSTO DE AQUISIÇÃO PREVISTO NO ART. 13, DO DECRETO-LEI N. 1.598/77. 1. Indeferidos os os pedidos de ingresso no feito na condição de amicus curiae. Isto porque, em se tratando de processo que foi adiado de pauta anterior, os pedidos são extemporâneos, além do que realizados somente às vésperas do julgamento do recurso (Precedentes: EDcl nos EDcl no REsp. n. 1.143.677 / RS, Corte Especial, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 21.11.2012; EDcl no REsp. n. 1.143.677 / RS, Corte Especial, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 29.06.2010). Fl. 1380DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 76 2. Não sendo receita bruta do substituto tributário, o ICMS-ST não está na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS não cumulativas por si (pelo substituto) devidas e definida nos arts. 1º e §2º, das Leis ns. 10.637/2002 e 10.833/2003. 3. Como o princípio da não cumulatividade preconiza que o valor do tributo incidente sobre o bem na saída do vendedor é que irá gerar o valor do crédito na entrada do bem para o adquirente, se não houver tributação na saída do vendedor (substituto), não haverá creditamento na entrada para o adquirente (substituído) e qualquer crédito concedido nessa situação ou para além do valor do tributo pago na etapa anterior é crédito presumido ou fictício, carecedor de lei específica, na forma do art. 150, §6º, da CF/88. Precedentes: Súmula Vinculante n. 58/STF; Repercussão Geral Tema n. 844/STF; recurso repetitivo REsp. n. 1.894.741/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 27.04.2022. 4. No caso concreto, as contribuições ao PIS/PASEP e COFINS não incidem sobre o ICMS-ST na etapa anterior (substituto), portanto, na ausência de lei expressa criadora do crédito presumido, não podem gerar crédito para ser utilizado na etapa posterior (substituído). 5. Com o julgamento do TEMA n. 1125/STJ ("O ICMS-ST não compõe a base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS devidas pelo contribuinte substituído no regime de substituição tributária progressiva"), este Superior Tribunal de Justiça equiparou a situação econômica dos contribuintes de direito do ICMS normal àquela dos contribuintes de fato do ICMS-ST, em razão do princípio da isonomia, tornando a escolha do Estado em tributar determinada mercadoria via ICMS ou ICMS-ST economicamente neutra para as contribuições ao PIS/PASEP e COFINS e, por consequência, para as empresas. 6. Acaso fosse concedido na atualidade o creditamento pleiteado, a distorção existente entre o contribuinte de fato do ICMS-ST e o contribuinte de direito do ICMS normal voltaria, agora em prejuízo deste último, pois o primeiro, além de excluir o ICMS-ST da base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS por si devidas, também ganharia o direito ao crédito dos valores correspondentes ao ICMS-ST, caracterizando odioso duplo benefício (ganharia de volta o crédito sem ter o débito correspondente), sendo que o segundo nenhum benefício mais tem depois do advento dos os artigos 6º e 7º, da Lei n. 14.592/2023 (não tem crédito e não tem débito). 7. Os tributos recolhidos em substituição tributária não integram o conceito de custo de aquisição previsto no art. 13, do Decreto-Lei n. 1.598/77, isto porque: 7.1. A lei foi publicada em período onde não havia substituição tributária progressiva (substituição tributária "para frente") no Brasil, não podendo dar efeitos a algo que não existia, desta forma, sequer é possível instrução normativa que assim trate a matéria, sob pena de extrapolar a lei de regência; 7.2. Os tributos recolhidos em substituição tributária "para frente" são mera antecipação de um tributo que incidiria na venda (não na aquisição) a ser feita pelo substituído, ou seja, não são juridicamente uma oneração na aquisição, mas uma oneração antecipada da venda a ser futuramente feita; e 7.3. A classificação de Fl. 1381DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 77 "tributo recuperável" e "tributo não recuperável" não é aplicável aos casos de substituição tributária, porque monofásicos. 8. Ainda que o ICMS-ST integrasse o conceito de custo de aquisição, esta Corte tem posicionamento pacificado no sentido de que nem todo o custo de aquisição gera direito ao creditamento na sistemática não cumulativa das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. Precedentes em recursos repetitivos: REsp. n. 1.221.170/PR, Primeira Seção, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 22.02.2018 e REsp. n. 1.894.741/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 27.04.2022. 9. Desta forma, seja em razão dos limites impostos pelo princípio da não cumulatividade, seja em razão da impossibilidade de tratamento anti-isonômico entre os contribuintes, seja porque não configuram custo de aquisição e seja porque nem todo o custo de aquisição gera direito ao creditamento na sistemática não cumulativa das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores despendidos pelo contribuinte substituído, a título de reembolso ao contribuinte substituto pelo recolhimento do ICMS-ST, não geram créditos das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS não cumulativas. 10. Teses propostas para efeito de repetitivo: 10.1. Os tributos recolhidos em substituição tributária não integram o conceito de custo de aquisição previsto no art. 13, do Decreto-Lei n. 1.598/77; e 10.2. Os valores pagos pelo contribuinte substituto a título de ICMS-ST não geram, no regime não cumulativo, créditos para fins de incidência das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS devidas pelo contribuinte substituído. 11. Embargos de divergência em recurso especial providos. (EREsp n. 1.959.571/RS, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, julgado em 20/6/2024, DJe de 25/6/2024.) Desta forma, considerando que, nos termos do artigo 99 do Regimento Interno do CARF, “[a]s decisões de mérito transitadas em julgado, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, ou pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.”, voto por negar provimento ao recurso neste tópico, para o fim de manter as glosas efetuadas pela fiscalização. DA GLOSA DE DESPESAS COM ALUGUEL (ARRENDAMENTO MERCANTIL) Conforme se verifica do Relatório Fiscal, a recorrente apresenta contratos de arrendamento rural com valores mensais líquidos e certos, cujo crédito é apropriado de acordo com a competência do arrendamento, e contratos indexados, prefixados em quantidade de sacas de soja. Esses últimos foram objeto de glosa. Fl. 1382DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 78 Apesar de reconhecer que o aproveitamento de créditos sobre arrendamento rural está autorizado pelo artigo 3º, inciso IV, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, por estar compreendido nos conceitos de “aluguel” e de “prédio”, a fiscalização entendeu que tais contratos não se caracterizam como contratos de arrendamento rural, por terem seus preços predefinidos em quantidade fixa de produtos (sacas de soja), o que violaria condição obrigatória em lei, descaracterizando a natureza da contratação. Ressaltou, ainda, que “ao estabelecer a remuneração em quantidades fixas de produto, no caso, sacas de soja (ou o equivalente em dinheiro no pagamento), o arrendador está submetido ao risco da variação do preço da soja, não existindo, quando da contratação, a certeza do valor a receber, que poderá oscilar para mais ou para menos conforme o valor de mercado do produto à época do pagamento”, situação que se amolda aos contratos de parceria rural, em que o proprietário concorre apenas com a terra nua, e que a variação do preço, por si só, é o risco partilhado pelas partes contratantes. Para fundamentar o seu entendimento, mencionou os seguintes dispositivos da Lei nº 4.504/64 (Estatuto da Terra) e do Decreto nº 59.566/66, que regulamentou a referida lei: Lei nº 4.504/64 (Estatuto da Terra) Art. 95. Quanto ao arrendamento rural, observar-se-ão os seguintes princípios: [...] XI - na regulamentação desta Lei, serão complementadas as seguintes condições que, obrigatoriamente, constarão dos contratos de arrendamento: a) limites da remuneração e formas de pagamento em dinheiro ou no seu equivalente em produtos; (Redação dada pela Lei nº 11.443, de 2007). [...] Art. 96. Na parceria agrícola, pecuária, agro-industrial e extrativa, observar-se-ão os seguintes princípios: [...] VI - na participação dos frutos da parceria, a quota do proprietário não poderá ser superior a: a) 20% (vinte por cento), quando concorrer apenas com a terra nua; [...] § 1 o Parceria rural é o contrato agrário pelo qual uma pessoa se obriga a ceder à outra, por tempo determinado ou não, o uso específico de imóvel rural, de parte ou partes dele, incluindo, ou não, benfeitorias, outros bens e/ou facilidades, com o objetivo de nele ser exercida atividade de exploração agrícola, pecuária, agroindustrial, extrativa vegetal ou mista; e/ou lhe entrega animais para cria, recria, invernagem, engorda ou extração de matérias-primas de origem animal, mediante partilha, isolada ou cumulativamente, dos seguintes riscos: Fl. 1383DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 79 I - caso fortuito e de força maior do empreendimento rural; (Incluído pela Lei nº 11.443, de 2007). II - dos frutos, produtos ou lucros havidos nas proporções que estipularem, observados os limites percentuais estabelecidos no inciso VI do caput deste artigo; (Incluído pela Lei nº 11.443, de 2007). III - variações de preço dos frutos obtidos na exploração do empreendimento rural. Decreto nº 59.566/66 Art 3º Arrendamento rural é o contrato agrário pelo qual uma pessoa se obriga a ceder à outra, por tempo determinado ou não, o uso e gozo de imóvel rural, parte ou partes do mesmo, incluindo, ou não, outros bens, benfeitorias e ou facilidades, com o objetivo de nêle ser exercida atividade de exploração agrícola, pecuária, agro-industrial, extrativa ou mista, mediante, certa retribuição ou aluguel, observados os limites percentuais da Lei. [...] Art 18. O preço do arrendamento só pode ser ajustado em quantia fixa de dinheiro, mas o seu pagamento pode ser ajustado que se faça em dinheiro ou em quantidade de frutos cujo preço corrente no mercado local, nunca inferior ao preço mínimo oficial, equivalha ao do aluguel, à época da liquidação. Parágrafo único. É vedado ajustar como preço de arrendamento quantidade fixa de frutos ou produtos, ou seu equivalente em dinheiro. (Grifamos) Diante disto, a fiscalização entendeu por glosar os referidos créditos, por ausência de previsão legal para o seu aproveitamento. Por fim, ainda ressaltou que cerca de 80% dos créditos oriundos de contratos indexados foram escriturados de forma extemporânea, o que também impediria o seu aproveitamento. Em seu Recurso Voluntário, a recorrente defende que a celebração de contratos com previsão de pagamento em sacas de soja é comum no agronegócio e que o art. 18 do Decreto nº 59.566, de 1966, tem sua aplicabilidade restrita a quem explore a terra pessoal e diretamente, sendo conferido, aos demais, a liberdade de contratar. Não estaria, assim, descaracterizado o contrato, mas tão somente configurada a abdicação de uma proteção por parte da empresa rural. Menciona que o STJ já decidiu que “o contrato de arrendamento rural que estabelece pagamento em quantidade de produtos pode ser usado como prova escrita para aparelhar ação monitória com a finalidade de determinar a entrega de coisa fungível, porquanto é indício da relação jurídica material subjacente” (Recurso Especial nº 1.266.975, Rel. Min. Ricardo Villas Boas Cueva, J: 10/03/2016), e colaciona excerto do Parecer Técnico no sentido de que, em tais Fl. 1384DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 80 contratações, os valores estabelecidos em moeda nacional podem ser convertidos em comodities como a seja, no momento do pagamento. Cita, ainda, decisões deste e. CARF que supostamente corroborariam a sua pretensão, além de defender que, superada a questão relativa à legitimidade do crédito (materialidade), inexistiria vedação legal ao aproveitamento de créditos em períodos posteriores ao do registro das operações, mencionando especialmente o artigo 3º, §4º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, hipótese que estaria contemplada, inclusive, nas linhas de preenchimento do DACON. É o que passo a apreciar. No que se refere à legitimidade do crédito, entendo que a controvérsia foi adequadamente dirimida pelo v. acórdão recorrido, razão pela qual transcrevo os fundamentos expostos no r. decisum, adotando-os como razões para decidir, conforme autorizado pelo artigo 50, §1º, da Lei nº 9.784/99: [...] no caso de arrendamento rural, o arrendatário pode calcular créditos no regime da não cumulatividade sobre os valores pagos com contraprestação pelo aluguel do prédio rústico ou imóvel rural. Até esse ponto, não há dissenso entre contribuinte e auditoria. A disputa se instala no entendimento fiscal de que contratos alvo da glosa, chamados de arrendamento rural, não teriam essa natureza por conta da fixação do valor em quantidade de frutos, no caso, a sacas de soja. O núcleo da discussão gira em torno da forma como os riscos são partilhados entre o proprietário do imóvel rural e aquele que o explora, dele extraindo os produtos agropecuários. Observem-se os dispositivos do Estatuto da Terra, instituído pela Lei nº 4.504, de 1964, e do Decreto nº 59.566, de 1966, que o regulamentou em parte: [...] Vê-se que os conceitos se assemelham quanto à cessão de uso de imóvel rural. Entretanto, a diferença de base entre eles é que, na parceria rural, a remuneração do proprietário da terra está necessariamente atrelada à partilha do risco da atividade, enquanto, no arredamento rural, a remuneração do proprietário é certa. No âmbito tributário, prevê o art. 59 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99), aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, na seção que trata de rendimentos da atividade rural: RIR, de 1999: Art. 59. Os arrendatários, os condôminos e os parceiros na exploração da atividade rural, comprovada a situação documentalmente, pagarão o imposto, separadamente, na proporção dos rendimentos que couberem a cada um (Lei nº 8.023, de 1990, art. 13) Parágrafo único. Na hipótese de parceria rural, o disposto neste artigo aplica-se somente em relação aos rendimentos para cuja obtenção o parceiro houver assumido os riscos inerentes à exploração da respectiva atividade. [destaque acrescido] Fl. 1385DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 81 Portanto, a questão que importa examinar no presente caso, para avaliar a natureza do contrato firmado entre o proprietário rural e a interessada é a da existência de risco na exploração. Na inexistência de risco, configura-se arrendamento rural, sendo tributado pelas contribuições o rendimento de aluguel recebido pelo proprietário fazendo jus, na mesma medida, o arrendatário, ao crédito não cumulativo referente à contraprestação. Não desmente a contribuinte que, nos contratos que firmou e cujas contraprestações foram alvo da glosa, o valor foi combinado em quantidade de sacas de soja. Ora, sendo assim, o proprietário rural acaba partilhando com o produtor o risco das variações de preço do fruto resultado da exploração rural, o que afasta do acordo a natureza de arrendamento rural. Veja-se não se está aqui impedindo que os particulares exerçam a pactuação de suas livres vontades. O que ocorre é que o pacto tem repercussões tributárias que não se submetem à nomeação que lhes deu os pactuantes, mas à natureza jurídica do contrato. A partilha do risco da variação dos preços do fruto, as sacas de soja, desnatura o caráter de aluguel do imóvel relativamente aos valores pagos pelo uso do imóvel rural. Não cabendo cogitar de pagamento de aluguel, não há a atração do disposto no inciso IV, art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Correta a glosa efetuada pela fiscalização, portanto. Para finalizar a discussão, é necessário assinalar que a auditoria atuou apenas aplicando à situação de fato as repercussões tributárias da legislação do PIS/Pasep e da Cofins no regime da não cumulatividade que apenas admitem, no caso, a tomada de créditos sobre aluguel de prédios em conformidade com o disposto no art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Na situação examinada, os valores não correspondem a aluguéis como contraprestação pelo uso do prédio rural, o que afasta possibilidade de creditamento. Não houve a desconsideração do negócio praticado pela contribuinte, não havendo que invocar o disposto no art. 116, do CTN. No que se refere ao aproveitamento extemporâneo de créditos da não- cumulatividade das contribuições ao PIS e da COFINS, resta prejudicada a alegação em razão do não reconhecimento da legitimidade do crédito. Por tais razões, voto por negar provimento ao recurso neste tópico. DOS BENS DO ATIVO IMOBILIZADO Conforme se verifica do Relatório Fiscal, a autoridade fiscal glosou créditos apropriados sobre bens do ativo imobilizado, por falta de comprovação de que estariam relacionados com a atividade da contribuinte. Segundo a fiscalização, as glosas tiveram como alvo serviços e obras de construção civil, associados às contas 1030202100 (CONSTRUCOES EM TERCEIROS), 1030202200 (BENFEITORIAS EM TERCEIROS) e 1030201013 Fl. 1386DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 82 (BENFEITORIAS), cujos valores de aquisição foram, em sua maioria, aproveitados em 24 meses. Conforme narra a autoridade fiscal, a fiscalizada não ofereceu, na resposta à intimação, justificativa para ter apropriado o crédito de imobilizado de forma acelerada, não sendo possível aferir se as edificações são novas ou se trata de reformas, ou mesmo se todas se destinam à produção de bens, havendo entre elas ampliações, oficinas, casa de máquinas, banheiros, depósitos, almoxarifados, armazéns, etc. Tampouco, foi possível, nestes casos, estabelecer-se uma correlação precisa entre os itens/valores/meses das planilhas “Doc_Comprobatorios01” (resposta à intimação) e “Imobilizado -Valor de Aquisição” (dados EFD-C), de modo que, o direito ao crédito acelerado (integral ou em 24 meses) sobre tais edificações não restou comprovado. Ao apreciar a manifestação de inconformidade, o v. acórdão recorrido entendeu por reconhecer parcialmente o direito creditório pleiteado, nos seguintes termos: A despeito da informação presente no relatório, esta relatoria entende que alguns itens objeto da glosa relacionada a edificações e benfeitorias, estão sim vinculados a atividades produtivas. Ademais, a própria planilha que serviu para orientar a glosa fiscal (arquivo não paginável anexo ao relatório fiscal – Glosa Imobilizado (Edificações e Benfeitorias) – Aba -> Edificações e Benfeitoria EFD-C traz informações sobre a Descrição do Item, o nome da conta analítica e a descrição do Centro de Custos em que o gasto foi alocado. Os Centros de Custo são identificados como, entre outros, Apoio Produção, Unid. Benef. Algodão, Unid. Benf. E Armaz. De Graos, Psicultura Producao, Uni. Benef. Sementes. Tais nomenclaturas vistas em conjunto com os descritores complementares dos bens, permitem concluir que parte deles efetivamente se relaciona à atividade de produção. Trata-se de bens como poço artesiano (Centro de Custo: Apoio Producao), ampliação fabrica racao (Centro de Custo: Apoio Producao), cobertura da câmara fria, base civil para prensa de fibrilha (Centro de Custo: Unid. Benef. De Algodao). Em sua defesa a contribuinte junta ainda planilha com a identificação dos itens no imobilizado. Portanto, entende-se que parte das glosas deve ser revertida. Planilha juntada aos autos por este relator em arquivo indica em colorido as glosas mantidas por não se relacionarem a centro de custos relacionados a atividades produtivas (Transportadora) e/ou porque o item descrito não se vincula a atividades produtivas (banheiros, alojamentos, casas, instalações das sedes, escritórios). Nessa medida, os valores dos créditos trimestrais deverão levar em conta as glosas revertidas nesse item, conforme planilha <DRJ Revisão Glosa Imobilizado (Edificações e Benfeitorias).xlsx>. Em seu Recurso Voluntário, a recorrente reitera as razões expostas na manifestação de inconformidade, mencionando a possibilidade de apropriação de créditos sobre aquisição de bens destinados ao ativo imobilizado, na forma acelerada, nos termos do artigo 6º da Lei nº 11.488/07, e, na forma regular, nos termos do artigo 3º, inciso VI e VII, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Fl. 1387DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 83 Ressalta, ainda, que o artigo 3º, inciso VII, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 alcançaria, no conceito de edificação, “[...] todos os bens incorporados à obra civil, bem como obras preliminares e complementares, a exemplo do canteiro de obras, alojamento para operários, banheiros, almoxarifados, entre outros”. Por fim, defende que “[...] ainda que sejam refutados os argumentos até aqui expostos, que levam à reversão das glosas em questão, o que se admite apenas a título de argumentação, o fato é que o procedimento adotado pela Recorrente, relativamente à tomada de crédito de bens do ativo imobilizado (máquinas, equipamentos e edificações), não causou qualquer prejuízo ao fisco, como se pode verificar do demonstrativo elaborado pela Recorrente (vide doc. 10 da Manifestação de Inconformidade). Ou seja, também por esse motivo, não merece prosperar a glosa realizada pela fiscalização”. É o que passo a apreciar. Inicialmente, cumpre destacar que, mesmo diante da reversão parcial das glosas pelo v. acórdão recorrido, a recorrente reitera integralmente as razões expostas na manifestação de inconformidade, sem trazer argumentos específicos para contestar as glosas mantidas. Conforme supra relatado, o v. acórdão recorrido reverteu as glosas sobre itens que considerou relacionados ao processo produtivo da empresa, mantendo as glosas exclusivamente sobre itens que, no seu entendimento, não se referem “a centro de custos relacionados a atividades produtivas (Transportadora) e/ou porque o item descrito não se vincula a atividades produtivas (banheiros, alojamentos, casas, instalações das sedes, escritórios)”. Quanto à controvérsia remanescente, merecem transcrição o artigo 3º, inciso VII, c/c §1º, inciso III, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 e o artigo 6º da Lei nº 11.488/07: Lei nº 10.833/03 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] VII - edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; [...] § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: [...] III - dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; Lei nº 11.488/07 Fl. 1388DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 84 Art. 6 o As pessoas jurídicas poderão optar pelo desconto, no prazo de 24 (vinte e quatro) meses, dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que tratam o inciso VII do caput do art. 3 o da Lei n o 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e o inciso VII do caput do art. 3 o da Lei n o 10.833, de 29 de dezembro de 2003, na hipótese de edificações incorporadas ao ativo imobilizado, adquiridas ou construídas para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Conforme se verifica da leitura dos referidos dispositivos, o contribuinte pode se apropriar de créditos da não-cumulatividade das contribuições ao PIS e da COFINS sobre “edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa”, com base nos encargos de depreciação incorridos no mês. Por sua vez, “na hipótese de edificações incorporadas ao ativo imobilizado, adquiridas ou construídas para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços”, o contribuinte poderá optar pelo desconto de tais créditos, no prazo de 24 (vinte quatro meses). Desta forma, para apropriação de créditos na forma acelerada, não basta que as edificações e benfeitorias sejam utilizadas nas atividades da empresa em geral, deve se tratar de edificações adquiridas ou construídas para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Foi justamente este o fundamento da glosa. Assim, considerando que a glosa remanescente alcança edificações e benfeitorias que não são utilizadas no processo produtivo da empresa, entendo correta a manutenção parcial da glosa, em razão da inexistência de permissão legal para apropriação de créditos na forma acelerada sobre tais itens, o que, obviamente, não impede a apropriação dos créditos nos termos do artigo 3º, inciso VII, c/c §1º, inciso III, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso neste tópico. Quanto às glosas referentes aos fretes de remessas de amostra grátis, da doação, dos brindes, da demonstração e sobre os custos com serviços de rastreamento de veículos, transcreve-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado do acórdão paradigma: Não obstante as consistentes e bem fundamentadas razões apresentadas pelo eminente Relator, permito-me divergir exclusivamente quanto à conclusão por ele adotado no tocante ao creditamento sobre fretes de remessas de amostra grátis, de doações, de brindes ou de demonstrações e sobre serviços de monitoramento de veículos. No que tange aos fretes relacionados a remessas de amostras grátis, doações, brindes ou materiais destinados à demonstração, entendo que tais envios não se Fl. 1389DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 85 caracterizam como operação de venda, por não envolverem negócio jurídico translativo com circulação onerosa de bens. Ademais, no âmbito do PIS e da COFINS, a venda corresponde ao ingresso de receita decorrente da atividade econômica da pessoa jurídica, constituindo a materialidade das contribuições — o que evidentemente não se verifica nas remessas de amostras, brindes ou materiais destinados exclusivamente à demonstração. Nessa medida, tais dispêndios não se inserem no escopo das hipóteses que autorizam a apropriação de créditos da não-cumulatividade, em particular no inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.833/03. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, para manter as glosas sobre fretes de remessas de amostra grátis, doação ou brinde, ou para demonstração. Por outro lado, acompanho o entendimento do Relator para afastar as glosas relativas aos fretes incidentes sobre bonificações em mercadorias. Isso porque tais bonificações guardam vínculo direto com a operação de venda, consistindo na entrega adicional de produtos ao adquirente como extensão da própria operação comercial — seja por incentivos, fidelização ou política promocional. Cuida-se, portanto, de prática inserida em negócio jurídico translativo com circulação onerosa de bens (venda), razão pela qual o respectivo frete integra os custos da operação de venda e permite o aproveitamento dos créditos. Sobre serviços de monitoramento (rastreamento) de veículos, nota-se que a parte Recorrente não exerce a atividade de serviço de transporte, alegando apenas que o serviço de rastreamento serve para bom funcionamento dos veículos utilizados pelos funcionários para descolar dentro de sua propriedade rural. Senão, vejamos: “Estacionamento, aluguel de veículos e rastreamento ➔ A empresa exerce atividades pulverizadas por toda a dimensão do estado do Mato Grosso, com fazendas se estendendo por milhares de hectares. Nesse contexto, o deslocamento de seus profissionais só é possível através de automóveis. Assim, impossível garantir o bom funcionamento da operação, se seus agrônomos, por exemplo, não possam se deslocar entre as terras, o que está, intrínseca e fundamentalmente, relacionado ao processo produtivo, além da qualidade do produto final. O estacionamento e rastreamento destes veículos são consectários naturais.” (página 78 do parecer técnico) Pois bem. O conceito de insumo para fins de creditamento no regime não cumulativo do PIS e da COFINS deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade e da relevância. Sob tal ótica, somente se qualificam como insumos os bens e serviços cuja ausência comprometa, de forma significativa, a realização Fl. 1390DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 86 da atividade econômica ou a qualidade do produto ou serviço oferecido pela pessoa jurídica. A essencialidade revela-se quando o dispêndio se mostra necessário ao desenvolvimento da atividade fim, de modo que sua supressão inviabilizaria ou prejudicaria substancialmente o processo produtivo. A relevância, por sua vez, manifesta-se quando o item, ainda que não estritamente indispensável, interfere diretamente na qualidade ou adequação do produto ou serviço, constituindo elemento relevante para o resultado econômico da atividade. Tal compreensão decorre da aplicação do chamado teste de subtração, utilizado pelo STJ no referido julgamento, mediante o qual se examina se a retirada do item compromete a execução, o resultado ou a qualidade do processo produtivo. Nessa linha, verifico que os gastos com serviços de rastreamento apontados pela recorrente não se enquadram nos critérios estabelecidos pelo STJ. Tais dispêndios não se destinam à produção agrícola nem guardam relação direta com a obtenção ou melhoria do produto. Sua supressão não inviabiliza a atividade produtiva, tampouco interfere em sua qualidade. Assim, não atendidos os critérios de essencialidade ou relevância, os valores despendidos com rastreamento, no caso concreto, não se qualificam como insumos para fins do art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, devendo ser mantida a impossibilidade de creditamento. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de afastar as preliminares de nulidade e no mérito, em dar provimento parcial ao recurso em (a) reverter as glosas relativas ao pagamento de royalties aos licenciantes pelo direito de uso de patentes para produção e comercialização de sementes certificadas (uso da tecnologia); (b) reverter as glosas sobre fretes na aquisição de bens e insumos sujeitos à alíquota zero, suspensão ou não incidência; (c) reverter as glosas sobre fretes no transporte de mercadorias recebidas ou adquiridas de terceiros com o fim específico de exportação; (d) reverter as glosas sobre fretes de remessas das bonificações; (e) reverter as glosas sobre bens adquiridos e utilizados para manutenção dos bens do ativo imobilizado da pessoa jurídica responsáveis pelo processo produtivo e (f) reverter as glosas sobre os serviços relativos à NF nº 9, de 21/06/2019, emitida por GUAXE CONSTRUTORA LTDA, às Notas Fiscais emitidas pela empresa G2 CONSTRUTORA que tratam dos serviços de manutenção civil em “Fossa”, e à Pintura de Algodoeira. Assinado Digitalmente Fl. 1391DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.470 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.909875/2020-83 87 Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Fl. 1392DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 11634.720459/2017-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2014
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Alegação de ausência de juntada das notas fiscais e de falta de demonstração da base de cálculo afastada. Fiscalização apresentou planilhas detalhadas com os dados extraídos de documentos produzidos pela própria Contribuinte, bem como relacionou os PGDAS analisados. Contribuinte devidamente intimada a prestar esclarecimentos, permanecendo inerte. Inexistência de prejuízo ao contraditório e à ampla defesa. Inteligência do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2014
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FRAUDE E SONEGAÇÃO. PGDAS-D. INFORMAÇÕES FALSAS. SEGREGAÇÃO INDEVIDA DE RECEITAS. DOLO COMPROVADO.
Caracteriza fraude e sonegação a inserção deliberada de informações falsas em declarações fiscais, a segregação arbitrária de receitas em desacordo com a legislação e a omissão consciente de valores, com o objetivo de reduzir indevidamente a carga tributária. Configurado o dolo, é cabível a multa de ofício qualificada prevista no artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996. Aplicação do princípio da retroatividade benigna para redução do percentual da penalidade para 100%, nos termos do artigo 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional e do artigo 14 da Lei nº 14.689/2023.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PRETENSÃO DE REDIRECIONAMENTO DA MULTA A TERCEIRO. IMPOSSIBILIDADE. ARTIGO 123 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL.
A mera contratação de contador ou de terceiro para a execução de rotinas fiscais não tem o condão de afastar ou transferir a responsabilidade tributária da pessoa jurídica perante a Fazenda Pública. Convenções particulares não são oponíveis ao Fisco para modificar a definição legal do sujeito passivo. Ausente comprovação de conduta dolosa do profissional nos termos do artigo 135, II, do Código Tributário Nacional, descabe sua responsabilização.
MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 108.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Numero da decisão: 1302-007.736
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada, e, no mérito,, em dar provimento parcial ao recurso voluntário tão somente para reduzir o percentual de qualificação da multa ao patamar de 100% (cem por cento).
Assinado Digitalmente
Miriam Costa Faccin – Relatora
Assinado Digitalmente
Sérgio Magalhães Lima – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcelo Izaguirre da Silva, Henrique Nímer Chamas, Ricardo Pezzuto Rufino (substituto integral), Miriam Costa Faccin, Natália Uchôa Brandão e Sérgio Magalhães Lima (Presidente).
Nome do relator: MIRIAM COSTA FACCIN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2014 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Alegação de ausência de juntada das notas fiscais e de falta de demonstração da base de cálculo afastada. Fiscalização apresentou planilhas detalhadas com os dados extraídos de documentos produzidos pela própria Contribuinte, bem como relacionou os PGDAS analisados. Contribuinte devidamente intimada a prestar esclarecimentos, permanecendo inerte. Inexistência de prejuízo ao contraditório e à ampla defesa. Inteligência do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2014 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FRAUDE E SONEGAÇÃO. PGDAS-D. INFORMAÇÕES FALSAS. SEGREGAÇÃO INDEVIDA DE RECEITAS. DOLO COMPROVADO. Caracteriza fraude e sonegação a inserção deliberada de informações falsas em declarações fiscais, a segregação arbitrária de receitas em desacordo com a legislação e a omissão consciente de valores, com o objetivo de reduzir indevidamente a carga tributária. Configurado o dolo, é cabível a multa de ofício qualificada prevista no artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996. Aplicação do princípio da retroatividade benigna para redução do percentual da penalidade para 100%, nos termos do artigo 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional e do artigo 14 da Lei nº 14.689/2023. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PRETENSÃO DE REDIRECIONAMENTO DA MULTA A TERCEIRO. IMPOSSIBILIDADE. ARTIGO 123 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. A mera contratação de contador ou de terceiro para a execução de rotinas fiscais não tem o condão de afastar ou transferir a responsabilidade tributária da pessoa jurídica perante a Fazenda Pública. Convenções particulares não são oponíveis ao Fisco para modificar a definição legal do sujeito passivo. Ausente comprovação de conduta dolosa do profissional nos termos do artigo 135, II, do Código Tributário Nacional, descabe sua responsabilização. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
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CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Alegação de ausência de juntada das notas fiscais e de falta de demonstração da base de cálculo afastada. Fiscalização apresentou planilhas detalhadas com os dados extraídos de documentos produzidos pela própria Contribuinte, bem como relacionou os PGDAS analisados. Contribuinte devidamente intimada a prestar esclarecimentos, permanecendo inerte. Inexistência de prejuízo ao contraditório e à ampla defesa. Inteligência do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2014 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FRAUDE E SONEGAÇÃO. PGDAS-D. INFORMAÇÕES FALSAS. SEGREGAÇÃO INDEVIDA DE RECEITAS. DOLO COMPROVADO. Caracteriza fraude e sonegação a inserção deliberada de informações falsas em declarações fiscais, a segregação arbitrária de receitas em desacordo com a legislação e a omissão consciente de valores, com o objetivo de reduzir indevidamente a carga tributária. Configurado o dolo, é cabível a multa de ofício qualificada prevista no artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996. Aplicação do princípio da retroatividade benigna para redução do percentual da penalidade para 100%, nos termos do artigo 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional e do artigo 14 da Lei nº 14.689/2023. Fl. 4349DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.736 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720459/2017-40 2 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PRETENSÃO DE REDIRECIONAMENTO DA MULTA A TERCEIRO. IMPOSSIBILIDADE. ARTIGO 123 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. A mera contratação de contador ou de terceiro para a execução de rotinas fiscais não tem o condão de afastar ou transferir a responsabilidade tributária da pessoa jurídica perante a Fazenda Pública. Convenções particulares não são oponíveis ao Fisco para modificar a definição legal do sujeito passivo. Ausente comprovação de conduta dolosa do profissional nos termos do artigo 135, II, do Código Tributário Nacional, descabe sua responsabilização. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada, e, no mérito,, em dar provimento parcial ao recurso voluntário tão somente para reduzir o percentual de qualificação da multa ao patamar de 100% (cem por cento). Assinado Digitalmente Miriam Costa Faccin – Relatora Assinado Digitalmente Sérgio Magalhães Lima – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcelo Izaguirre da Silva, Henrique Nímer Chamas, Ricardo Pezzuto Rufino (substituto integral), Miriam Costa Faccin, Natália Uchôa Brandão e Sérgio Magalhães Lima (Presidente). Fl. 4350DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.736 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720459/2017-40 3 RELATÓRIO 1. Tratam-se, na origem, de Autos de Infração por meio dos quais foram constituídos créditos tributários de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ (e-fls. 4.165/4.177); de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (e-fls. 4.178/4.187); de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS (e-fls. 4.188/4.194); e de Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/PASEP (e- fls. 4.195/4.201), relativos ao ano-calendário de 2014, cujos débitos correlatos restaram formalizados no montante total de R$ 441.993,04, os quais, abrangem a cobrança dos respectivos tributos (principal), a incidência de juros de mora e a aplicação da multa de ofício qualificada (150%), a seguir discriminados: TRIBUTO (principal) JUROS DE MORA MULTA PROPORCIONAL TOTAL IRPJ 47.601,47 18.491,48 71.402,20 137.495,15 CSLL 38.638,40 15.011,62 57.957,59 111.607,62 PIS/PASEP 11.864,17 4.689,78 17.796,21 34.350,16 COFINS 54.757,89 21.645,41 82.136,81 158.540,11 441.993,04 2. Conforme se verifica da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” que compõem os respectivos Autos de Infração, a Autoridade Fiscal apurou as infrações descritas abaixo: IRPJ: Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado, efetuamos o presente lançamento de ofício, nos termos dos arts. 904 e 926 do Decreto n 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR/99), em face da apuração das infrações abaixo descritas aos dispositivos legais mencionados. RECEITA DA ATIVIDADE ESCRITURADA E NÃO DECLARADA INFRAÇÃO: RECEITA BRUTA NA REVENDA DE MERCADORIAS Receita bruta na revenda de mercadorias escriturada e não declarada, conforme relatório fiscal em anexo. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) Fl. 4351DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.736 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720459/2017-40 4 31/01/2014 121.371,90 150,00 28/02/2014 402.090,30 150,00 31/03/2014 220.427,64 150,00 30/04/2014 268.052,93 150,00 31/05/2014 442.363,15 150,00 30/06/2014 395.128,79 150,00 31/07/2014 248.848,68 150,00 31/08/2014 349.428,55 150,00 30/09/2014 296.114,36 150,00 31/10/2014 202.768,03 150,00 30/11/2014 259.714,54 150,00 31/12/2014 371.322,56 150,00 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2014 e 31/12/2014: art. 3`2 da Lei ng 9.249/95. Arts. 518 e 519 do RIR/99 Fazem parte do presente auto de infração todos os termos, demonstrativos, anexos e documentos nele mencionados. CSLL: Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado, efetuamos o presente lançamento de ofício, com a observância do Decreto ng 70.235/72, e alterações posteriores, em face da apuração das infrações abaixo discriminadas, com fundamento em fatos cuja apuração serviu para a determinação de infrações à legislação do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. RECEITAS ESCRITURADAS E NÃO DECLARADAS INFRAÇÃO: FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA CSLL SOBRE RECEITAS DA ATIVIDADE ESCRITURADAS E NÃO DECLARADAS Fato Gerador Receita bruta na revenda de mercadorias escriturada e não declarada, conforme relatório fiscal em anexo. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 31/01/2014 121.371,90 150,00 28/02/2014 402.090,30 150,00 31/03/2014 220.427,64 150,00 30/04/2014 268.052,93 150,00 31/05/2014 442.363,15 150,00 30/06/2014 395.128,79 150,00 31/07/2014 248.848,68 150,00 31/08/2014 349.428,55 150,00 30/09/2014 296.114,36 150,00 31/10/2014 202.768,03 150,00 Fl. 4352DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.736 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720459/2017-40 5 30/11/2014 259.714,54 150,00 31/12/2014 371.322,56 150,00 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2014 e 31/12/2014: Art. 22 da Lei n° 7.689/88 com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Lei n° 8.034/90 Art. 22 da Lei n° 9.249/95 Art. 29, inciso I, da Lei n° 9.430/96 Art. 22 da Lei n° 10.684/03 Art. 32 da Lei n° 7.689/88, com redação dada pelo art. 17 da Lei n° 11.727/08 Art. 28 da Lei n° 9.430/96, com redação dada pelo art. 49 da Lei n° 12.715/12. Fazem parte do presente auto de infração todos os termos, demonstrativos, anexos e documentos nele mencionados. COFINS: Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado, efetuamos o presente lançamento de ofício, com a observância do Decreto n2 70.235/72, e alterações posteriores, em face da apuração das infrações abaixo descritas aos dispositivos legais mencionados. INCIDÊNCIA CUMULATIVA PADRÃO INFRAÇÃO: INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS Valor apurado conforme relatório fiscal em anexo. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 31/01/2014 47.011,20 150,00 28/02/2014 242.377,42 150,00 31/03/2014 64.213,62 150,00 30/04/2014 118.481,82 150,00 31/05/2014 224.273,26 150,00 30/06/2014 187.543,63 150,00 31/07/2014 155.728,42 150,00 31/08/2014 175.506,32 150,00 30/09/2014 187.869,19 150,00 31/10/2014 82.184,26 150,00 30/11/2014 160.740,95 150,00 31/12/2014 179.335,63 150,00 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2014 e 31/12/2014: Art. 89 da Lei n° 9.718/1998 Art. 12 da Lei Complementar n° 70/91; Fl. 4353DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.736 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720459/2017-40 6 art. 22 da Lei n° 9.718/98 Art. 32 da Lei n2 9.718/98, com as alterações introduzidas pelo art. 22 da Medida Provisória n° 2.158-35/01, pelo art. 41 da Lei n2 11.196/05 e pelo art. 15 da Lei n2 11.945/09 Fazem parte do presente auto de infração todos os termos, demonstrativos, anexos e documentos nele mencionados. PIS/PASEP: Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado, efetuamos o presente lançamento de ofício, com a observância do Decreto nº 70.235/72, e alterações posteriores, em face da apuração das infrações abaixo descritas aos dispositivos legais mencionados. INCIDÊNCIA CUMULATIVA PADRÃO INFRAÇÃO: INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Valor apurado conforme relatório fiscal em anexo. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 31/01/2014 47.011,20 150,00 28/02/2014 242.377,42 150,00 31/03/2014 64.213,62 150,00 30/04/2014 118.481,82 150,00 31/05/2014 224.273,26 150,00 30/06/2014 187.543,63 150,00 31/07/2014 155.728,42 150,00 31/08/2014 175.506,32 150,00 30/09/2014 187.869,19 150,00 31/10/2014 82.184,26 150,00 30/11/2014 160.740,95 150,00 31/12/2014 179.335,63 150,00 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2014 e 31/12/2014: Arts. 1º da Lei Complementar nº 7/70 Arts. 2, inciso I, e 9º da Lei nº 9.715/98 Arts. 2º da Lei nº 9.718/98 Art. 8, inciso I, da Lei nº 9.715/98 Art. 79, da Lei nº 11.941/2009 Art. 3, da Lei nº 9.718/98, com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Medida Provisória nº 2.158-35/01, pelo art. 41 da Lei nº 11.196/05 e pelo art. 15 da Lei nº 11.945/09 Fazem parte do presente auto de infração todos os termos, demonstrativos, anexos e documentos nele mencionados. Fl. 4354DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.736 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720459/2017-40 7 3. De acordo com o “Relatório Fiscal” (e-fls. 4.131/4.164), a fiscalização iniciou-se com ciência à Contribuinte em 01.09.2017, com solicitação de documentos societários, livros contábeis/fiscais, listagens de mercadorias com enquadramento legal (monofásico, ST, ICMS reduzido), justificativa de alegada imunidade de INSS/CPP e explicação de divergências entre NF-e e PGDAS-D. 4. Em 25.09.2017, a Contribuinte apresentou parte da documentação e justificativas. Em 29.09.2017, foi intimada a informar endereço de ex-sócia e apresentar decisão judicial que afastasse INSS/CPP, o que não ocorreu. A empresa atua no CNAE 4644-3-01 – comércio atacadista de medicamentos e era optante do Simples desde 2009. Em 23.10.2017, foi excluída de ofício do Simples a partir de 01.01.2014 (ADE nº 40), por excesso de receita em 2013. Para apuração, a Fiscalização baixou as NF-e via SPED, desconsiderando cancelamentos e operações que não representassem receita (devoluções, transferências etc.), utilizando apenas vendas de mercadorias. 5. A Contribuinte não apresentou a lista individualizada de produtos e respectivos fundamentos legais, conforme solicitado. A Fiscalização então procedeu à segregação com base na NCM das NF-e, considerando a Lei nº 10.147/2000 e normas do Simples (LC nº 123/2006 e Resolução CGSN nº 94/2011). Concluiu-se que houve segregação incorreta e declaração inadequada, resultando em recolhimento a menor. 6. Ainda de acordo com o relatório, a Contribuinte declarou no PGDAS-D suposta imunidade de CPP/INSS para receitas monofásicas, sem base legal ou decisão judicial. A Fiscalização destacou que o Simples Nacional inclui a CPP (art. 13, VI, LC nº 123/2006) e que a Contribuinte não pode deixar de recolher tributo por discordância com a lei. Concluiu-se que houve informação falsa com impacto direto no cálculo do DAS. 7. Em 2013, a Contribuinte declarou receita total de R$ 3.464.111,26, porém, pelas NF-e, a receita foi de R$ 4.104.111,26, ultrapassando o limite do Simples vigente à época (R$ 3.600.000,00). Foi constatada omissão de receita em meses específicos e, por isso, ocorreu a exclusão de ofício do Simples com efeitos a partir de 01.01.2014, formalizada pelo ADE nº 40. 8. Após exclusão, a Contribuinte informou opção pelo Lucro Presumido, e a Fiscalização lançou IRPJ/CSLL/PIS/COFINS conforme esse regime, usando as NF-e como base. No Lucro Presumido, constatou-se que a Contribuinte escriturou as NF-e no Livro de Saídas, mas não declarou adequadamente, gerando insuficiência de recolhimento de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, com segregação das receitas monofásicas conforme NCM. 9. A Fiscalização aplicou multa qualificada (150%) por entender configurados dolo, fraude e sonegação, diante de: (i) declaração de imunidade inexistente para “zerar” CPP/INSS; (ii) segregação artificial de receitas por percentuais fixos (5%/10%), e não por NCM e; (iii) redução intencional de receitas em PGDAS-D para pagar menos e permanecer no Simples. 10. Diante desse cenário, a Fiscalização entendeu pela responsabilização solidária das sócias Ana Paula Mendes Juliana e Rita Lombardi Maranha da Costa, com base no artigo 135, Fl. 4355DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.736 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720459/2017-40 8 inciso III, do Código Tributário Nacional, em razão da inserção de informações falsas/inexatas no PGDAS-D, com efeitos de reduzir tributos e omitir receitas, nos seguintes termos: “[...] A inserção deliberada pelos administradores de informações falsas nos PGDAS D, que acarretaram o não recolhimento dos tributos devidos e/ou sua redução, prejudicou a empresa. Conforme já citado anteriormente, o contribuinte não recolheu a totalidade dos tributos devidos no SIMPLES NACIONAL pelo fato de ter manipulado a base de cálculo ou inserido informações falsas. As ações ou omissões dos administradores na gestão da empresa, não se caracterizam como meras decisões administrativas equivocadas, mas de efetiva extrapolação das atribuições de representação e gestão. Portanto, nos Autos de Infração do Simples Nacional (ano calendário 2013) e do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (ano calendário 2014), serão arroladas por sujeição passiva solidária as senhoras ANA PAULA MENDES, CPF nº 015.825.759-67, sócia cotista até 03/05/2017 e sócia administradora a partir desta data e JULIANA RITA LOMBARDI MARANHA DA COSTA, CPF nº 025.860.449-24, sócios administradora à época dos fatos até 03/05/2017, sendo responsáveis solidárias na forma do artigo 135, inciso III do CTN, devendo as mesmas serem intimadas e tomarem ciência das provas coligidas, que compõem o processo administrativo fiscal supracitado, facultando-se vistas no prazo legal (artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235/72)”. 11. A Contribuinte e as responsáveis foram cientificadas do lançamento e apresentaram Impugnação (e-fls. 4.221/4.252 e 4.255/4.269), na qual suscitaram, em síntese, as seguintes alegações: (i) A nulidade do lançamento tributário pela ausência de juntada, ao Auto de Infração, das cópias das notas fiscais utilizadas pela Fiscalização para concluir pela suposta omissão de receitas; e pela falta de demonstração pormenorizada da base de cálculo, inexistindo planilha detalhada das operações tributadas. (ii) A indevida aplicação da multa qualificada, uma vez que não houve dolo, fraude ou sonegação, mas apenas a prestação de informações no PGDAS-D com base em interpretação da legislação tributária, conforme reconhecido no curso da ação fiscal. Ademais, não houve ocultação de operações, visto que todas as notas fiscais foram regularmente emitidas de forma eletrônica. (iii) Questiona-se a constitucionalidade da aplicação da taxa Selic como juros de mora, por violar os princípios da motivação, publicidade dos atos normativos, devido processo legal, inafastabilidade da tutela jurisdicional e segurança jurídica. Fl. 4356DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.736 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720459/2017-40 9 (iv) Sustenta-se também a nulidade do Auto de Infração por deficiência de motivação e fundamentação, uma vez que a imputação de responsabilidade foi feita de forma genérica, sem a indicação da conduta específica, tampouco da existência de excesso de poderes ou infração à lei. (v) Defende-se a inaplicabilidade do artigo 135 do Código Tributário Nacional, pois a autuação decorreu de operações regulares da pessoa jurídica, sem desvio de finalidade ou ocultação dos fatos geradores. 12. Os autos foram, então, encaminhados à Autoridade Julgadora de 1ª Instância, para apreciação da Impugnação. Em 12 de julho de 2018, a 15ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJO), por meio do Acórdão nº 12-99.729 (e-fls. 4.3104.278/), julgou a Impugnação parcialmente procedente, com base nos seguintes fundamentos: (i) O mérito do lançamento não foi contestado, discutem-se apenas nulidades formais, multa qualificada, juros (Selic) e responsabilização solidária das sócias. (ii) Afasta a alegação de nulidade porque: a Fiscalização juntou planilhas detalhadas com dados das NF-e e separou quadros conforme particularidades (ex.: monofásico); relacionou os PGDAS analisados; os documentos são da própria Fiscalizada, de modo que havia plena possibilidade de contraditório; houve intimação para esclarecimentos, mas a empresa não respondeu de forma efetiva, o que legitimou os levantamentos feitos pelo Fisco. (iii) Conclui que não houve prejuízo à defesa, pois, pelo artigo 59 do Decreto 70.235/72, nulidade exige incompetência ou preterição do direito de defesa, o que não ocorreu. (iv) Mantém a multa de 150%, entendendo existir dolo/fraude, pois houve: redução deliberada das receitas declaradas, em desacordo com as NF-e; declarações indevidas de sujeição ao regime monofásico em extensão maior que a real. (v) Afirma que a emissão eletrônica das NF-e e o cumprimento de obrigações acessórias não afastam o dolo, pois a fraude estaria na omissão e/ou informação falsa que impediria o conhecimento do fato gerador sem fiscalização. (vi) Com relação à responsabilidade, conclui que: não ficou provada, com segurança, a participação efetiva das sócias na infração; mera condição de administradora não basta; e a sócia investidora, sem prova de atuação, com mais razão deve ser excluída. Fl. 4357DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.736 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720459/2017-40 10 13. Confira-se, a propósito, a ementa da decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2014 PROVA. JUNTADA POSTERIOR. PRECLUSÃO. Em regra, a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente, ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A constatação de conduta dolosa do sujeito passivo autoriza a cominação da multa de ofício em sua forma qualificada. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no país, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade de atos normativos regularmente insertos no ordenamento jurídico. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os débitos fiscais recolhidos em atraso estão sujeitos à incidência de juros de mora calculados com base na taxa Selic. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. LANÇAMENTO. Embora a resposabilidade solidária seja matéria a ser resolvida no âmbito e no ato da execução fiscal, pode a autoridade autante relacionar aqueles que julgar responsáveis já no auto de infração, de sorte a dar amplo espectro aos direitos dos a priori responsabilizados ao contraditório e à ampla defesa. RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES. ALCANCE. SOLIDARIEDADE. O artigo 135, inciso III, do CTN trata de responsabilidade solidária entre a empresa e os administradores que praticaram atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto. A responsabilidade com base neste dispositivo exige que as pessoas indicadas tenham praticado diretamente ou, ao menos, tolerado a prática de ato abusivo e/ou ilegal quando em posição de influir para a sua não ocorrência. Deve, por conseguinte, ser afastada tal imputação quando não inequivocadamente demonstrada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido Fl. 4358DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.736 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720459/2017-40 11 14. A Contribuinte e as responsáveis foram cientificados do resultado do julgamento consubstanciado no Acórdão nº 12-99.729, e, na sequência, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário (e-fls. 4.322/4.336), no qual ratificou integralmente as alegações já deduzidas em sede de Impugnação, reiterando os fundamentos de fato e de direito anteriormente expostos. 15. Conforme consta do respectivo Despacho de Encaminhamento (e-fl. 4.338), os autos foram remetidos a este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), para prosseguimento do julgamento do Recurso Voluntário. 16. É o relatório. VOTO Conselheira Miriam Costa Faccin, Relatora. I – Juízo de Admissibilidade do Recurso Voluntário 17. Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do artigo 43 da Portaria MF nº 1.634/20231 - Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“RICARF”). Dele, portanto, tomo conhecimento. 18. Como se denota dos autos, a Recorrente tomou ciência do Acórdão recorrido em 16.08.2018 (e-fl. 4.317), apresentando o Recurso Voluntário, ora analisado, no dia 13.09.2018 (e- 1 Art. 43. À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: I - Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ); II - Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III - Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), exceto nas hipóteses previstas no inciso II do art. 44; IV - CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova, sem prejuízo do disposto no § 2º do art. 45; V - exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (Simples- Nacional), bem como exigência de crédito tributário decorrente da exclusão desses regimes, independentemente da natureza do tributo exigido; VI - penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo; e VII - tributos, penalidades, empréstimos compulsórios, anistia e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções. Fl. 4359DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.736 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720459/2017-40 12 fl. 4.321), ou seja, dentro do prazo de 30 (trinta) dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/19722. 19. Portanto, é tempestivo o recurso apresentado e, por isso, deve ser analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”). II – Análise da Alegação Preliminar de Nulidade do Auto de Infração 20. Sustenta a Recorrente que não teria tido acesso aos documentos que instruíram o lançamento, em específico as notas fiscais, razão pela qual o Auto de Infração seria nulo. Alega, ainda, que a Autoridade Fiscal não teria demonstrado de forma pormenorizada a base de cálculo dos tributos exigidos, nos seguintes termos: “A autuação fiscal é inteiramente baseada em notas fiscais que teriam sido emitidas pela recorrente. Tais documentos consubstanciam, via de consequência, elemento de prova indispensável à comprovação do ilícito, devendo, obrigatoriamente, instruir o auto de infração, o que não foi observado no presente caso. Sem cópia das notas fiscais, a recorrente fica com a sua defesa prejudicada, além de o dever fazendário de fundamentar e motivar a autuação fiscal não ter sido cumprido. Mais do que isso, e em sentido ainda pior, a fiscalização não pormenorizou a base de cálculo utilizada para constituir os créditos tributários”. 21. Registre-se, contudo, que tais alegações foram expressamente analisadas e afastadas no Acórdão recorrido, que assim consignou: “Em ambos os casos, as alegações de defesa não resistem à mera vista dos autos. A autoridade autuante trouxe planilhas ricas em dados sobre as notas fiscais que considerou para a lavratura do auto de infração. Alíás, foi patente o zelo da fiscalização, ao separar e entitular os quadros conforme fosse o caso de documentos fiscais afetos à tributação monofásica e demais particularidades afetas ao caso concreto. Não bastasse, a autoridade fiscal também relacionou os PGDAS que considerou em sua análise. E o mais importante: tratam-se, todos os elementos acima, de documentos da lavra da própria fiscalizada, sendo certo, por conseguinte, que a mera menção a eles nos autos já seria o bastante para que a interessada pudesse sobre eles se manifestar. Não obstante, oportunizando máxima voz ao sujeito passivo, às fls. 02/03, o autuante intimou a interessada a prestar informações sobre o que constava dos elementos de prova acima citados. Ela, contudo, deixou tal oportunidade passar em branco, apresentando respostas que não enfrentavam as questões formuladas 2 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 4360DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.736 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720459/2017-40 13 e, desta feita, impôs à fiscalização o exercício do seu poder-dever de efetuar os levantamentos necessários à correta apuração do tributo. A partir de então, a autoridade autuante compulsou os dados existentes, determinando as bases de cálculo e quantificando os tributos devidos na forma em que, com clareza hialina, expôs no relatório fiscal e nos autos de infração. No mais, as alentadas e robustas impugnações demonstraram a ausência de qualquer prejuízo à defesa, mas, antes, o perfeito entendimento dos fatos imputados à interessada e demais impugnantes. Sendo assim, não há falar em razões para nulidade do lançamento carreado nestes autos, seja pelos alegados, porém inexistentes, vícios de procedimento, seja por quaisquer aspectos da acusação fiscal. Adicione-se que o Decreto nº 70.235/72 somente considera nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos do seu artigo 59, incisos I e II. Assim, tendo o Auditor Fiscal competência outorgada por lei para fiscalizar e constituir o crédito tributário pelo lançamento e nenhum embaraço à defesa sendo vislumbrado, não se cogita causas de nulidade do auto de infração. Isto posto, em nada merece reproche a condução da ação fiscal, tendo sido possível às impugnantes conhecer todo o racional do lançamento que, importa reafirmar, fora formulado fortemente calcado em documentos gerados pela própria interessada”. (g.n.) 22. Como se observa, a decisão recorrida consignou de forma expressa que a Autoridade Fiscal apresentou planilhas detalhadas contendo os dados das notas fiscais consideradas na lavratura do Auto de Infração, inclusive com a segregação dos documentos sujeitos à tributação monofásica, o que permitia à Recorrente, se assim entendesse, confrontar tais informações e apontar eventual equívoco do lançamento. 23. Ademais, o “Relatório Fiscal” (e-fls. 4.131/4.164) evidencia reiteradas oportunidades concedidas à Recorrente para esclarecimento e comprovação de suas alegações, as quais restaram infrutíferas, conforme demonstram os seguintes excertos: “Sobre a tributação monofásica do PIS e Cofins, o contribuinte não apresentou a relação das mercadorias, listadas individualmente com o respectivo embasamento legal, que comprovasse a tributação monofásica, conforme intimado no Termo de Início”. (g.n.) ******************************************************************* “Na justificativa apresentada dizia que seguia em anexo os produtos comercializados pela empresa segregados na forma da apuração do imposto, no entanto, apresentou somente a Solução de Divergência RFB nº 17 de 09/09/2013 e Lei Complementar 123/2006. O contribuinte não apresentou a relação de mercadorias”. (g.n.) ******************************************************************* Fl. 4361DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.736 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720459/2017-40 14 “O contribuinte não entregou a relação das mercadorias listadas individualmente com o respectivo embasamento legal, conforme intimado no Termo de Início. O contribuinte entregou simplesmente o Relatório de Conferencia dos Detalhamentos do Sintegra – Registro tipo 54”. (g.n.) ******************************************************************* “Analisando a legislação da substituição tributária do ICMS no Paraná, praticamente todos os produtos com tributação monofásica do PIS e da Cofins também são substituição tributária. Tendo em vista que o contribuinte não apresentou uma relação detalhada dos produtos com ICMS substituição tributária, a fiscalização segregou a receita com base na NCM, da mesma forma da monofásico”. (g.n.) ******************************************************************* “Intimado a apresentar alguma decisão judicial que o eximisse de recolher o INSS, o contribuinte não apresentou”. (g.n.) ******************************************************************* “Tendo em vista que o contribuinte não comprovou possuir qualquer imunidade, os valores da CPP/INSS serão lançados através de auto de infração”. (g.n.) 24. Nesse contexto, não há como acolher a pretensão da Recorrente de ver reconhecida a nulidade do Auto de Infração com fundamento em sua própria inércia. O ônus de comprovar que os valores lançados não constituem receita tributável, ou que já foram oferecidos à tributação, é da Contribuinte, e não da Administração Tributária. 25. Registre-se, ainda, que todas as informações necessárias à plena compreensão das razões fáticas e jurídicas que embasaram as exigências tributárias encontram-se devidamente explicitadas tanto no “Relatório Fiscal” quanto no próprio Auto de Infração, inexistindo qualquer prejuízo ao exercício do contraditório e da ampla defesa. 26. Assim, não obstante o esforço argumentativo expendido pela Recorrente, não se identifica no Auto de Infração qualquer vício apto a ensejar a nulidade pretendida. 27. Por essas razões, entendo pela rejeição da referida preliminar de nulidade. III – Análise das Alegações Acerca da Multa Qualificada 28. Em relação às alegações relativas à aplicação da multa, a Recorrente limita-se a reiterar os mesmos argumentos já deduzidos em sede de Impugnação, sustentando a inexistência de dolo, fraude ou sonegação, sob o fundamento de que as informações prestadas no PGDAS-D decorreriam de interpretação da legislação tributária, e não de qualquer intenção de reduzir indevidamente a carga tributária. Fl. 4362DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.736 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720459/2017-40 15 29. Inicialmente, cumpre registrar que o descumprimento da legislação tributária enseja a aplicação da sanção correspondente independentemente da intenção do agente, nos termos do artigo 136 do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. 30. As sanções tributárias exercem dupla função: preventiva, ao inibir condutas que visem à supressão ou redução indevida de tributos (prevenção geral), e repressiva, ao punir o infrator e evitar a reincidência (prevenção especial). Em última análise, cumprem função pedagógica, estimulando o cumprimento voluntário das obrigações tributárias. 31. A doutrina é firme ao assentar que a multa deve ser graduada conforme a gravidade da infração, não podendo ser utilizada como mero instrumento arrecadatório, mas sim como mecanismo de proteção ao interesse público da arrecadação tributária: “No campo das sanções administrativas pecuniárias (multas), é preciso não confundir (como faz, frequentemente, o próprio legislador) a proteção ao interesse da arrecadação (bem jurídico tutelado) com o objetivo de arrecadação por meio da multa. Noutras palavras, a sanção deve ser estabelecida para estimular o cumprimento da obrigação tributária; se o devedor tentar fugir ao seu dever, o gravame adicional representado pela multa que lhe é imposta se justifica, desde que graduado segundo a gravidade da infração. Se se tratar de obrigação acessória, a multa igualmente se justifica (pelo perigo que o descumprimento da obrigação acessória provoca para a arrecadação de tributos), mas a multa não pode ser transformada em instrumento de arrecadação; pelo contrário, deve-se graduá-la em função da gravidade da infração, vale dizer, da gravidade do dano ou da ameaça que a infração representa para a arrecadação de tributos”3. (g.n.) 32. No tocante à multa qualificada, o artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996 estabelece que o percentual da multa de ofício será duplicado quando configuradas as hipóteses previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, que tratam, respectivamente, da sonegação, da fraude e do conluio. Confira-se: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] 3 MARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 20ª. ed. São Paulo: Saraiva, 2014, não paginado. Fl. 4363DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.736 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720459/2017-40 16 § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). 33. Como se vê, a imposição da multa qualificada pressupõe a comprovação de dois elementos que, embora estejam relacionados, são distintos. De um lado, deve haver a comprovação de que ocorreu o fato gerador de um determinado tributo sem o seu pagamento – o que, por si só, já enseja a incidência da multa de ofício de 75% -, e, de outro lado, dever haver a comprovação de que o inadimplemento do tributo ocorreu por meio de sonegação, de fraude ou de conluio4. A redação do § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/96 é bastante clara ao dispor que a multa será duplicada nos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964 os quais, respectivamente, tratam dos institutos da sonegação, da fraude e do conluio. Confira-se: Art. 71 – Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 – Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73 – Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no artigo 71 e 72. 34. O elemento comum às três figuras jurídicas é o dolo, entendido como a atuação consciente e voluntária do agente, com conhecimento da ilicitude da conduta e intenção de produzir o resultado vedado pelo ordenamento jurídico. 35. Conforme explica Gisele Bossa5, a redação do artigo 44 da Lei 9.430/96 não é despropositada, servindo para indicar que a qualificação da multa é medida de caráter excepcional e, logo, cabe à própria Autoridade Fiscal o ônus de provar que o contribuinte praticou quaisquer das condutas dolosas descritas nos citados artigos da Lei 4.502/64. 36. Nesse sentido, a aplicação da multa qualificada exige que o dolo esteja comprovado de maneira robusta, afastando qualquer dúvida razoável quanto à sua existência, sendo 4 HALPERIN, Eduardo Kowarick. Multa Qualificada no Direito Tributário. São Paulo: Instituto Brasileiro de Direito Tributário – IBDT, 202, p. 31. 5 BOSSA, Gisele Barra. A Imputação de multa qualificada: dos aspectos técnicos à construção e valoração da prova no âmbito do CARF. In: BOSSA, Gisele Barra. Eficiência Probatória e a Atual Jurisprudência do CARF. São Paulo: Almedina, 2020, p. 185/193. Fl. 4364DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.736 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720459/2017-40 17 indispensável demonstrar que a conduta do sujeito passivo somente se explica à luz de uma finalidade ilícita. 37. No caso concreto, a Autoridade Fiscal entendeu configuradas as hipóteses de fraude e sonegação, conforme detalhado no “Relatório Fiscal” e nos Autos de Infração, destacando-se: (i) a inserção deliberada de informação falsa de imunidade no PGDAS-D, relativamente à CPP/INSS; (ii) a segregação arbitrária das receitas, com base em percentuais fixos, em desacordo com a NCM das mercadorias; e (iii) a redução artificial das receitas declaradas, mediante a indicação de valores inferiores aos constantes das notas fiscais eletrônicas. Confira-se: “9 – DA MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA Os tributos e contribuições lançados, regra geral, são passíveis de multa de ofício de 75% (setenta e cinco pontos percentuais), conforme artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pelo artigo 14 da Lei nº 11.488/2007. No entanto, no presente caso houve a qualificação da multa em razão da evidente intenção de fraude e sonegação conforme descrito a seguir. O primeiro meio utilizado pelo contribuinte para reduzir o valor dos tributos a recolher foi ter inserido no PGDAS-D uma informação falsa (imunidade) sobre a CPP/INSS das receitas monofásicas que acarretou o cálculo de R$ 0,00 (zero reais) para tal contribuição. Os dados que o contribuinte informa no PGDAS-D servem para a geração da guia de recolhimento unificado de tributos e contribuições. Neste caso o contribuinte declarou que seria imune do INSS/CPP quando na verdade não era. Ora, o contribuinte deliberadamente, inseriu uma informação falsa com a intenção de “zerar” os valores da CPP/INSS devidas como se fosse imune. Não é um mero erro de preenchimento, é a inserção de uma informação totalmente falsa. Quando do preenchimento do PGDAS-D o contribuinte deliberadamente insere a informação de imunidade. Vide no item seguinte a descrição do preenchimento da PGDAS-D. O segundo meio utilizado pelo contribuinte foi ter segregado a receita com tributação normal e tributação monofásica/substituição tributária (sem pagamento de tributos) com base em um percentual estabelecido por ele (5 ou 10% da receita bruta) e não com base na NCM das notas fiscais conforme determinado pela legislação, conforme demonstrado a seguir. No caso do Simples Nacional, quando há receitas de vendas de produtos monofásicos e/ou substituição tributária, o contribuinte não recolhe o PIS, nem a Cofins, nem o ICMS. Neste caso o contribuinte recolhe somente o IRPJ, CSLL e INSS/CPP. No entanto a legislação determina que para fazer esta segregação de receita, o contribuinte deve utilizar a NCM dos produtos, conforme as notas fiscais emitidas. Fl. 4365DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.736 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720459/2017-40 18 Ocorre que o contribuinte não informou no PGDAS a segregação da receita com base nas NCM dos produtos comercializados e sim com base em um percentual fixado por ele mesmo. O contribuinte fixou o percentual de 5% ou 10% da Receita Bruta total como se fosse receita não monofásica com tributação normal (pagamento de todos os tributos). O restante das receitas, correspondente a 90 ou 95% da Receita Bruta total, o contribuinte informa que seria monofásico e substituição tributária, recolhendo neste caso somente o IRPJ e CSLL. [...] Ora, claramente é possível verificar que o contribuinte declara e paga os tributos somente sobre 5 ou 10% de suas receitas (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, INSS/CPP e ICMS). O contribuinte não considera a classificação da NCM dos produtos e sim estabelece um percentual de receita que será tributada. E isso ocorre em todos os meses de 2013 e 2014. Em levantamento feito pela fiscalização com base na NCM das notas fiscais eletrônicas, verifica-se que não há uma relação percentual das receitas monofásicas e não monofásicas nos anos de 2013 e 2014. [...] Sendo assim, comprova-se a ação dolosa e intencional do contribuinte, que manipulou a segregação das receitas para recolher tributos em valores inferiores aos devidos. E a terceira maneira utilizada pelo contribuinte para diminuir a base de cálculo foi diminuindo as receitas no momento do preenchimento da PGDAS-D. Em alguns meses o contribuinte informou no PGDAS-D, valores menores que os valores das vendas constantes nas notas fiscais eletrônicas. [...] Ora, percebe-se que dolosamente a base de cálculo é manipulada para valores inferiores, valores redondos, que não possuem relação com as notas fiscais emitidas. O contribuinte utilizou de subterfúgios para pagar tributos a menor. Além disso, a diminuição dos valores em 2013 serviu para que o contribuinte se mantivesse no Simples Nacional. Ora, o contribuinte sabia que em 2014 deveria ter se auto excluído do Simples Nacional e não o fez. Diante disso tudo, não restam dúvidas do evidente intuito de sonegação e fraude por ação dolosa que tentou impedir e retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, excluindo e modificando as informações de modo a reduzir o montante do imposto devido ou diferir o seu pagamento. Não podemos falar que o contribuinte simples fez uma PGDAS-D de forma inexata, as atitudes do contribuinte denotam o evidente intuito de fraude. Fl. 4366DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.736 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720459/2017-40 19 Tais comportamentos permitem a qualificação da multa para 150% (cento e cinquenta por cento), conforme previsto no artigo 44, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/1996, por se se enquadrar nas situações previstas no artigo 71 e 72 da Lei nº 4.502/64”. (g.n.) 38. Diante desse cenário, não há como acolher a insurgência da defesa quanto à aplicação da multa de ofício qualificada, uma vez que o conjunto probatório dos autos evidencia a adoção consciente, reiterada e sistemática de condutas voltadas à redução indevida da carga tributária, legitimando a aplicação da penalidade prevista no artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996. 39. Com efeito, restou demonstrado que a Recorrente informou indevidamente imunidade à CPP/INSS, o que resultou no cálculo artificial de valores nulos para a contribuição, conduta que extrapola o campo do erro material ou da simples divergência interpretativa e revela o fornecimento consciente de informação sabidamente falsa ao sistema de apuração. 40. Ademais, restou comprovado que a Recorrente segregou suas receitas de forma arbitrária, utilizando percentuais fixos (5% ou 10% da receita bruta) para definir a parcela sujeita à tributação normal, em flagrante desconformidade com a legislação aplicável, que exige a segregação com base na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) constante das notas fiscais emitidas. O procedimento adotado permitiu que a maior parte da receita fosse indevidamente enquadrada como sujeita à tributação monofásica ou à substituição tributária, com recolhimento restrito a IRPJ e CSLL, em detrimento dos demais tributos devidos. 41. Soma-se a isso o fato de que, em diversos períodos, a Recorrente reduziu artificialmente os valores das receitas informadas no PGDAS-D, declarando montantes inferiores àqueles efetivamente auferidos e registrados nas notas fiscais eletrônicas, frequentemente em valores “redondos”, destituídos de qualquer lastro documental. Tal prática reforça o caráter intencional e sistemático da conduta, afastando a tese de simples declaração inexata. 42. Registre-se, ainda, que a diminuição indevida das receitas declaradas no exercício de 2013 permitiu à Recorrente permanecer irregularmente no regime do Simples Nacional, embora já tivesse ultrapassado o limite legal de receita bruta, circunstância que evidencia, mais uma vez, o pleno conhecimento das consequências jurídicas de seus atos. 43. Nesse contexto, o conjunto das condutas apuradas (inserção de informações falsas, segregação arbitrária de receitas e omissão deliberada de valores) caracteriza, de forma inequívoca, ação dolosa destinada a impedir ou retardar o conhecimento, pela Autoridade Fiscal, da ocorrência dos fatos geradores, com o objetivo de reduzir o montante dos tributos devidos, enquadrando-se perfeitamente nas hipóteses dos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/1964. 44. Assim, não se trata de mera divergência interpretativa ou de erro no cumprimento de obrigação acessória, mas de conduta reiterada, planejada e consciente, apta a justificar a qualificação da multa para 150%, nos termos do artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996. 45. A aplicação da multa qualificada deve ser, portanto, mantida, sendo que, por força do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c” do Código Fl. 4367DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.736 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720459/2017-40 20 Tributário Nacional (CTN)6, que dispõe que a lei se aplica a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, a multa deve ser fixada no patamar de 100%, nos termos do que preceitua o artigo 14 da Lei nº 14.689, de 20 de setembro de 2023. 46. Desse modo, entendo por manter a multa qualificada a qual, a rigor, deve ser fixada e/ou reduzida ao patamar de 100% (cem por cento). IV – Análise das Alegações para Responsabilização de Terceiro 47. No ponto, pugna a Recorrente pela desoneração da multa de ofício que lhe foi imposta, sustentando que as infrações decorreriam de atos praticados exclusivamente pelo contador, o qual não teria agido no exercício regular de mandato nem em cumprimento de ordem expressa da gestão da empresa, sem que a administradora tivesse conhecimento das irregularidades. 48. Argumenta, ainda, que tal circunstância teria sido reconhecida com a exclusão da sócia do polo passivo do Auto de Infração, razão pela qual a penalidade deveria ser afastada em relação à pessoa jurídica e redirecionada ao contador indicado na Representação Fiscal para Fins Penais. 49. Sem razão, contudo, a Recorrente. 50. Com efeito, o artigo 123 do Código Tributário Nacional é expresso ao vedar a oponibilidade de convenções particulares à Fazenda Pública com o objetivo de modificar a definição legal do sujeito passivo da obrigação tributária, dispondo que: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. 51. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é firme no sentido de que a regra prevista no artigo 123 do Código Tributário Nacional visa impedir que ajustes privados entre particulares alterem a responsabilidade tributária perante o Fisco. Nesse sentido, destacam-se os julgamentos proferidos em sede de repetitivos no REsp nº 1.119.558/SC, REsp nº 947.206/RJ e REsp nº 1.736.428/RS, dos quais se extrai, em síntese, que cláusulas contratuais ou ajustes particulares não possuem eficácia para afastar ou transferir a sujeição passiva tributária legalmente definida, cujo teor transcreve-se parcialmente: 6 Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: [...] II – quando expressamente interpretativa, excluído o disposto no artigo 107, ou quando: [...] c) deixe de tratá-lo como infração. Fl. 4368DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.736 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720459/2017-40 21 “Nem mesmo o contrato de locação, no qual é atribuída ao locatário a responsabilidade pela quitação dos tributos inerentes ao imóvel, tem o condão de alterar o sujeito passivo da obrigação tributária, consoante dispõe o art. 123 do CTN. (...). Assim, a cláusula constante do contrato de locação que imputa ao locatário a responsabilidade pelo pagamento do IPTU não tem o condão de se opor ao Poder Público. 2. O Tribunal a quo está em consonância com o entendimento do STJ no sentido de que por força do art. 123 do CTN, salvo disposição de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes”. 52. Sobre o tema, transcrevo trecho da decisão recorrida, a qual analisou muito bem a questão: “A obrigação tributária vincula a interessada à Fazenda, sendo certo que a mera contratação de terceiro para a sua operacionalização é fato que, por si só, não enseja a responsabilidade deste terceiro. Ademais, esta instância julgadora não se presta ao agravamento da exigência fiscal. De sorte que, se a autoridade autuante não entendeu pela pertinência da conduta do contador diante da infração autuada contra a pessoa jurídica, não cabe a este juízo promover tal ampliação dos limites da relação jurídica no caso concreto. Houvesse, contudo, elementos nos autos que identificassem dolo do contador como agente da infração, estaria autorizada, em tese, a fiscalização, a solidariamente responsabilizá-lo pelo crédito tributário lançado de ofício, dês que a conduta dolosa se manifestasse por atos praticados com excesso de poderes ou infração a normas a que estivesse sujeito o profissional. É o que se extrai do artigo 135, inciso II, do CTN, c/c o parágrafo único do artigo 1.177 do CC: [...] Entretanto, não tendo sido apontado na peça acusatória destes autos qualquer evidência de conduta dolosa do contador da interessada, descabe falar em responsabilidade sua enquanto mandatário do sujeito passivo. É preciso atentar, contudo, que a ausência de tal evidência não significa que a pessoa jurídica autuada não possa cometer infração tributária de forma dolosa, mas apenas que não identificado o dolo de determinado agente dos quadros dessa pessoa jurídica, descabe imputar a ele a responsabilidade pelo crédito tributário decorrente do ilícito fiscal”. 53. Assim, não se verificam fundamentos jurídicos para a reforma da decisão recorrida, a qual deve ser mantida integralmente neste ponto. V – Análise das Alegações acerca da Inaplicabilidade da Taxa SELIC Fl. 4369DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.736 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720459/2017-40 22 54. Por fim, a Recorrente sustenta que a aplicação da taxa SELIC como juros tributários é inconstitucional, pois a verificação de sua regularidade depende de dados detidos exclusivamente pelo Banco Central, os quais não são disponibilizados ao público em razão de suposto sigilo bancário. 55. Afirma que a ausência de acesso aos elementos que compõem a SELIC inviabiliza a conferência do cálculo dos juros, violando os princípios da motivação e da publicidade dos atos administrativos (art. 37 da CF/88). Alega, ainda, ofensa aos princípios da inafastabilidade da tutela jurisdicional e do devido processo legal (art. 5º, XXXV e LIV, da CF/88), uma vez que a falta de transparência impediria a Contribuinte de discutir judicialmente a regularidade da cobrança. 56. Pois bem. Como sabido, a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento do tributo ou de penalidade e extingue-se com o crédito dela decorrente, nos termos do artigo 113, § 1º do Código Tributário Nacional 7. Por outro lado, o artigo 139 do Código Tributário Nacional 8 dispõe que o crédito tributário decorre da obrigação principal e apresenta mesma natureza. 57. Ao tratar do crédito, o artigo 161 do Código Tributário Nacional 9 estabelece que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis. 58. Pelo que pode observar, verificado o inadimplemento do tributo será cabível a incidência dos juros de mora sobre o principal, desde a data do vencimento da obrigação até a data da lavratura do Auto de Infração, bem como a aplicação de multa punitiva, que, a propósito, passam a integrar o crédito fiscal consolidado, que é o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. 59. Não se pode olvidar que os juros moratórios representam, efetivamente, o preço do direito, isto é, o valor que o detentor da moeda (contribuinte) paga ao seu legítimo proprietário (Fisco) pela posse temporária do numerário que, aliás, desde o vencimento da obrigação já é de sua titularidade. 60. Com efeito, a partir da data de vencimento especificado no Auto de Infração para o pagamento espontâneo, o sujeito passivo passa a figurar como potencial devedor do montante consolidado objeto do lançamento tributário. Os juros, portanto, são devidos para compensar a demora do sujeito em relação ao pagamento do crédito tributário consolidado. E, se ainda assim 7 § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. 8 Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. 9 Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Fl. 4370DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.736 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720459/2017-40 23 há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do crédito tributário consolidado. 61. A propósito, a matéria encontra-se sumulada por este Conselho nos termos da Súmula CARF nº 108: Súmula CARF nº 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). 62. Por essas razões, não há como se afastar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Os juros de mora incidem sobre a totalidade do crédito tributário e quando incidentes sobre a multa de ofício são calculados com base na Taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC. 63. Não procede, portanto, a alegação de que a taxa SELIC viola os princípios da publicidade e da motivação dos atos administrativos. Trata-se de índice oficial amplamente divulgado, com acesso público e irrestrito, publicado diariamente pelo Banco Central do Brasil (BACEN) e disponibilizado de forma clara e transparente no sítio eletrônico da Receita Federal do Brasil (RFB), inclusive com a apresentação de séries históricas e orientações práticas para o cálculo de juros incidentes sobre créditos tributários. Ademais, a SELIC constitui a taxa básica da economia nacional, sendo utilizada como parâmetro em diversas relações jurídicas, tanto no âmbito público quanto no privado, o que afasta qualquer alegação de ausência de publicidade ou de deficiência de motivação administrativa. 64. A publicidade exigida pelo artigo 37 da Constituição não se confunde com a divulgação de todos os dados individualizados das operações financeiras que integram o sistema de liquidação e custódia. O que deve ser público é o resultado da taxa, suficiente para controle, cálculo e impugnação judicial. 65. A motivação do ato administrativo, por sua vez, decorre diretamente da lei que elegeu a SELIC como índice de juros moratórios, não havendo qualquer margem de discricionariedade que exija motivação específica caso a caso. 66. Com efeito, entendo por não acolher as alegações referentes à inaplicabilidade da taxa SELIC. VI - Dispositivo 67. Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário, para nessa extensão, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito em dar-lhe parcial provimento, apenas para reduzir a multa qualificada para o percentual de 100% (cem por cento), mantendo-se a decisão recorrida com relação aos demais itens. 68. É como voto. Fl. 4371DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.736 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720459/2017-40 24 (Assinado Digitalmente) Miriam Costa Faccin Fl. 4372DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 14751.720138/2017-05
Turma: Quarta Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2014
EXCLUSÃO DO SIMPLES. LANÇAMENTO DO CRÉDITO. VALIDADE.
É válido o lançamento do crédito relativo a contribuições previdenciárias exigíveis por decorrência da exclusão do sujeito passivo do SIMPLES.
RECURSO VOLUNTÁRIO. INSURGÊNCIA QUANTO À CIENTIFICAÇÃO DA EXCLUSÃO DO SIMPLES. OBJETO ALHEIO À AUTUAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO.
Não merece ser conhecido o recurso no tocante à insurgência quanto à exclusão do SIMPLES.
COMPETÊNCIA DA DELEGACIA REGIONAL DE JULGAMENTO. PORTARIA RFB nº 1.916/10. NULIDADE. INOCORRÊNCIA
Em observância ao Regimento Interno da Receita Federal Brasileira, as Portarias serão instrumento para disciplinar a competência, territorial e por matéria, das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ).
Pela exegese da Portaria RFB nº 1.916/10, plenamente possível que uma decisão seja proferida por DRJ situada em local distinto daquele onde se verificou a ocorrência da infração.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SAT/RAT. CNAE INFORMADO PELO SUJEITO PASSIVO. AUTODECLARAÇÃO. ANEXO V DO DECRETO 3.048/99.
A contribuição da empresa, para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidente sobre as remunerações dos segurados empregados varia de 1% a 3%, de acordo com os riscos de sua atividade preponderante.
A alíquota SAT/RAT/GILRAT decorre do correspondente CNAE, para fins de atividade preponderante, cuja informação é prestada pelo próprio sujeito passivo. O CNAE declarado somente poderá ser infirmado mediante provas hábeis e idôneas produzidas pelo sujeito passivo.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. APROVEITAMENTO. TRIBUTOS MESMA NATUREZA. SÚMULA CARF Nº 76. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
O enunciado da Súmula CARF nº 76, de mandatória observância, prescreve que, “na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada.”
Numero da decisão: 2004-000.395
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário, exceto quanto à exclusão do Simples Nacional. Na parte conhecida, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar parcial provimento para determinar a aplicação da Súmula CARF nº 76.
Assinado Digitalmente
Ludmila Mara Monteiro de Oliveira – Relatora
Assinado Digitalmente
Liziane Angelotti Meira – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores: Cleberson Alex Friess (Substituto Integral), Leonam Rocha de Medeiros, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira e Liziane Angelotti Meira (Presidente).
Nome do relator: LUDMILA MARA MONTEIRO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2014 EXCLUSÃO DO SIMPLES. LANÇAMENTO DO CRÉDITO. VALIDADE. É válido o lançamento do crédito relativo a contribuições previdenciárias exigíveis por decorrência da exclusão do sujeito passivo do SIMPLES. RECURSO VOLUNTÁRIO. INSURGÊNCIA QUANTO À CIENTIFICAÇÃO DA EXCLUSÃO DO SIMPLES. OBJETO ALHEIO À AUTUAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. Não merece ser conhecido o recurso no tocante à insurgência quanto à exclusão do SIMPLES. COMPETÊNCIA DA DELEGACIA REGIONAL DE JULGAMENTO. PORTARIA RFB nº 1.916/10. NULIDADE. INOCORRÊNCIA Em observância ao Regimento Interno da Receita Federal Brasileira, as Portarias serão instrumento para disciplinar a competência, territorial e por matéria, das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ). Pela exegese da Portaria RFB nº 1.916/10, plenamente possível que uma decisão seja proferida por DRJ situada em local distinto daquele onde se verificou a ocorrência da infração. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SAT/RAT. CNAE INFORMADO PELO SUJEITO PASSIVO. AUTODECLARAÇÃO. ANEXO V DO DECRETO 3.048/99. A contribuição da empresa, para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidente sobre as remunerações dos segurados empregados varia de 1% a 3%, de acordo com os riscos de sua atividade preponderante. A alíquota SAT/RAT/GILRAT decorre do correspondente CNAE, para fins de atividade preponderante, cuja informação é prestada pelo próprio sujeito passivo. O CNAE declarado somente poderá ser infirmado mediante provas hábeis e idôneas produzidas pelo sujeito passivo. EXCLUSÃO DO SIMPLES. APROVEITAMENTO. TRIBUTOS MESMA NATUREZA. SÚMULA CARF Nº 76. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. O enunciado da Súmula CARF nº 76, de mandatória observância, prescreve que, “na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada.”
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LANÇAMENTO DO CRÉDITO. VALIDADE. É válido o lançamento do crédito relativo a contribuições previdenciárias exigíveis por decorrência da exclusão do sujeito passivo do SIMPLES. RECURSO VOLUNTÁRIO. INSURGÊNCIA QUANTO À CIENTIFICAÇÃO DA EXCLUSÃO DO SIMPLES. OBJETO ALHEIO À AUTUAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. Não merece ser conhecido o recurso no tocante à insurgência quanto à exclusão do SIMPLES. COMPETÊNCIA DA DELEGACIA REGIONAL DE JULGAMENTO. PORTARIA RFB nº 1.916/10. NULIDADE. INOCORRÊNCIA Em observância ao Regimento Interno da Receita Federal Brasileira, as Portarias serão instrumento para disciplinar a competência, territorial e por matéria, das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ). Pela exegese da Portaria RFB nº 1.916/10, plenamente possível que uma decisão seja proferida por DRJ situada em local distinto daquele onde se verificou a ocorrência da infração. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SAT/RAT. CNAE INFORMADO PELO SUJEITO PASSIVO. AUTODECLARAÇÃO. ANEXO V DO DECRETO 3.048/99. A contribuição da empresa, para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidente sobre as remunerações dos segurados empregados varia de 1% a 3%, de acordo com os riscos de sua atividade preponderante. Fl. 623DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.395 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 14751.720138/2017-05 2 A alíquota SAT/RAT/GILRAT decorre do correspondente CNAE, para fins de atividade preponderante, cuja informação é prestada pelo próprio sujeito passivo. O CNAE declarado somente poderá ser infirmado mediante provas hábeis e idôneas produzidas pelo sujeito passivo. EXCLUSÃO DO SIMPLES. APROVEITAMENTO. TRIBUTOS MESMA NATUREZA. SÚMULA CARF Nº 76. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. O enunciado da Súmula CARF nº 76, de mandatória observância, prescreve que, “na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada.” ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário, exceto quanto à exclusão do Simples Nacional. Na parte conhecida, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar parcial provimento para determinar a aplicação da Súmula CARF nº 76. Assinado Digitalmente Ludmila Mara Monteiro de Oliveira – Relatora Assinado Digitalmente Liziane Angelotti Meira – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores: Cleberson Alex Friess (Substituto Integral), Leonam Rocha de Medeiros, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira e Liziane Angelotti Meira (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário interposto por ROGER TURISMO LTDA contra o acórdão, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (DRJ/BEL), que julgou improcedente a impugnação apresentada para manter a exigência das contribuições previdenciárias, porquanto contra ela lavrado "Termo de Exclusão de Ofício - Simples Nacional." Fl. 624DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.395 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 14751.720138/2017-05 3 Analisando as GFIP, a fiscalização verificou que o sujeito passivo informou incorretamente como sendo optante pelo Simples Nacional (código 2), no período de 01/2013 a 12/2014, resultando na omissão integral da contribuição patronal, RAT, e de terceiros – vide Relatório Fiscal às f. 52/66. Teria ainda incorretamente informado nas referidas GFIP a atividade preponderante do estabelecimento matriz CNAE: 7911-2/00 - Agências de viagens, que corresponde a uma alíquota RAT de 1% – vide Relatório Fiscal às f. 52/66. Como bem sumarizado pela DRJ, [o] sujeito passivo apresentou duas defesas em 18/07/2017, uma contra o Auto de Infração de Contribuição Previdenciária da Empresa e do Empregador, fls. 415/457 e outra contra o Auto de Infração de Contribuição Para Outras Entidades e Fundos, fls. 458/496, acompanhadas dos anexos de fls. 497/549. (...) Alega que foi indevida a sua exclusão do Simples Nacional pela Secretaria da Receita Municipal de João Pessoa pelos seguintes motivos: • Não levou em conta o fato de haver realizado, dentro do prazo de 30 (trinta) dias, a contar de sua notificação, o pagamento das multas levadas a efeito por meio dos AI nº 2012/000092-34871-6, 2013/000040-34871-6, 2013/000042- 34871-6, 2013/000044-34871-6, 2013/000046-34871-6 e 2013/000048-34871-6, o que, nos termos do art. 31, §2.°, da LC n.° 123/2006, autoriza "a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples Nacional"; • Não é proporcional, nem tampouco razoável, que o simples descumprimento de obrigações acessórias - penalizadas através da cominação de multa pecuniária — seja capaz de acarretar a exclusão de uma empresa do Simples Nacional e, por conseguinte, o lançamento retroativo de todos os tributos incidentes sobre as operações realizadas desde a data da inobservância daquela obrigação; • Não está caracterizada a prática de "embaraço à fiscalização", infração prevista no art. 29, II, da LC n.° 123/2006 e no art.76, IV, "a" da Resolução CGSN n° 94/2011. A suposta "demora" na apresentação dos elementos solicitados pela Fiscalização não se confunde com a ausência de sua apresentação — essa, sim, motivo para exclusão do Simples; • Os AI nº 2013/000040-34871-6, 2013/000042-34871-6, 2013/000044-34871-6, 2013/000046-34871-6 e 2013/000048-34871-6 - através dos quais são imputadas penalidades de multa em face do descumprimento de obrigações acessórias – foram lavrados incorretamente, posto que os mesmos fatos que deram azo às suas lavraturas foram utilizados como fundamento para o lançamento do ISS (e da multa punitiva) levado a efeito através dos AI nº 2013.000039-34817-6, 2013.000041 34871-6, 2013.000043-34871-6, Fl. 625DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.395 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 14751.720138/2017-05 4 2013.000045-34871-6 e 2013.000047.34871-6. Isso representa evidente "bis in idem"; • A aplicação da penalidade de exclusão do Simples Nacional, no caso sob análise, não se enquadra no regramento estabelecido pelos art. 29, XI, c/c art. 26, I, da LC n.° 123/2006, os quais exigem a comprovação da ocorrência de descumprimento de obrigação acessória concernente à emissão de notas fiscais de serviços. No caso, a SER, incorretamente, presumiu que a ora impugnante deixou de recolher o referido tributo e, com base nessa presunção, presumiu que houve o descumprimento de obrigação tributária acessória concernente à emissão de NF de serviços; • Malferiu a inteligência do art. 29, §1.°, da LC n.° 123/2006 e os princípios da proporcionalidade, razoabilidade e segurança jurídica, ao aplicar os efeitos da exclusão do Simples Nacional por quase 8 (oito). (...) Esclarece que desde o início de suas atividades tem como atividade preponderante a prestação de serviços de agência de viagens, sendo enquadrada no CNAE n.° 7911-2/00, estando submetida à alíquota RAT de 1%, conforme Anexo V do Decreto n.° 3048/99, de modo que não há por que ser enquadrada, no lapso compreendido entre 01/2013 e 09/2014, no CNAE 4929-9/04 e, por conseguinte, ser tributada com alíquota RAT de 3%. Em assim sendo, entende ser excessivo o valor lançado a título de contribuição relativa aos riscos de acidentes do trabalho - RAT, devendo ser declarada a sua improcedência. Junta planilhas aos autos na intenção de comprovar suas alegações. Alega que, ao contrário do entendimento fiscal, sempre recolheu seus impostos e contribuições, ainda que sob o regime do Simples Nacional no período compreendido entre janeiro/2013 a dezembro/2014, razão pela qual solicita que seja descontado do valor objeto de lançamento através do presente AI, os montantes já recolhidos pela empresa a título de contribuição providenciaria, os quais devem ser calculados levando-se em conta os percentuais de partilha estabelecidos no Anexo III da LC 123/2006, sob pena de ocorrência de verdadeiro bis in idem. (sublinhas deste voto) Ao apreciar os motivos de insurgência, prolatado o acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2013 a 30/12/2014 ATO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. INADEQUAÇÃO. NATUREZA JURÍDICA DO ATO A discussão relativa à eventual inadequação jurídica do ato de exclusão da empresa do Simples Nacional é matéria que deve ser discutida nos autos Fl. 626DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.395 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 14751.720138/2017-05 5 relativos especificamente à exclusão e não nos eventuais lançamentos de créditos tributários dali decorrentes. SAT. ENQUADRAMENTO DA ATIVIDADE PREPONDERANTE É preponderante a atividade econômica que ocupa, no estabelecimento, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, para fins de apuração da alíquota aplicável. RECOLHIMENTO. SIMPLES. APROPRIAÇÃO. VEDAÇÃO É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido indevidamente para o Simples Nacional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (f. 552) Registro que, por força do acórdão de nº 2401-02.245, em que reconhecida omissão na apreciação de matéria de defesa, em grau recursal, anulada a decisão de piso proferida nos idos de 2012 pela DRJ. Cientificada em 11 de junho de 2018 da decisão da DRJ (f. 572), apresentou, em 11 de julho de 2018, recurso voluntário (f. 575/620) pleiteando, preliminarmente, a nulidade da decisão por incompetência da DRJ/BEL. No mérito, (i) declina todas as razões que entende justificar o equívoco de sua exclusão do Simples e acrescenta ser (ii) equivocada a fixação da alíquota RAT em 3%. Subsidiariamente, pede o aproveitamento dos valores recolhidos sob a sistemática simplificada, afirmando que [o] entendimento adotado no acórdão recorrido, com todo o respeito, é absurdo e não merece prosperar. Ora, como é sabido, a revogada IN RFB 1300/2012, estabelecia “normas sobre restituição, compensação, ressarcimento e reembolso, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil”. Especificamente, em seu art. 56, a norma tratava do procedimento de compensação a ser observado pelo contribuinte que possui créditos de contribuições previdenciárias. Este, definitivamente, não é o caso dos autos. É o relatório. VOTO Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Relatora Difiro a apreciação do preenchimento dos pressupostos extrínsecos e intrínsecos de admissibilidade para melhor elucidar a controvérsia devolvida a este eg. Conselho. Fl. 627DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.395 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 14751.720138/2017-05 6 Conforme relatado, de acordo com os itens 2.4 e 2.4.1 do Relatório Fiscal, a exigência das contribuições previdenciárias, referente às competências de janeiro de 2013 a dezembro de 2014, se deu em razão da parte ora recorrente ter sido excluída do SIMPLES. De acordo com a decisão recorrida, a discussão cabível acerca dessa questão [exclusão do SIMPLES] já foi travada no processo apropriado, na Secretaria da Receita Municipal de João Pessoa, por meio do processo n.° 2014/088240. Portanto, não cabe neste momento, qualquer apreciação a respeito da exclusão da empresa do Simples Nacional. Assim, no presente processo serão analisados outros temas diferentes da exclusão do Simples Nacional. Como bem pontua a instância de piso, “a AFRFB não excluiu a empresa do SIMPLES. Apenas efetuou o lançamento com base na exclusão do referido regime, operada em 01/03/99.” Diz ainda que toda a base lógica da defesa do contribuinte é voltada para a sua indevida exclusão do SIMPLES. Ocorre que este lançamento é efetuado com base exatamente nesta exclusão, isto é, esta é um pressuposto lógico para este ato administrativo de acertamento. Não é aqui o momento para se decidir a respeito do acerto ou não da RFB ao excluir o contribuinte em pauta do regime simplificado de tributação. Consultando-se os sistemas informatizados da RFB, constata-se que o contribuinte não possui qualquer manifestação de inconformidade quanto à sua situação frente ao não enquadramento no SIMPLES. Além do mais, não refuta nenhum dos fatos geradores lançados. Da leitura do excerto parece-me evidente que, apesar de o dispositivo registrar ter sido julgada improcedente a impugnação, em verdade, o que fez a instância a quo foi não conhecer parcialmente da impugnação, pois expressamente consignado que “não cabendo aqui qualquer discussão acerca de sua exclusão.” Em sede recursal replica todos os argumentos não conhecidos pela instância a quo, limitando-se afirmar ser evidente que a decisão acerca da manutenção/cancelamento dos créditos tributários objeto de lançamento no presente processo administrativo passa, necessariamente, pela análise da (ir)regularidade da decisão que culminou com a exclusão da Roger Turismo do Simples Nacional. Por não demonstrar, objetivamente, o porquê do equívoco da decisão recorrida, não tendo sido conhecida a impugnação nesta parte, tampouco merece ser conhecido o recurso voluntário que insiste em tratar da exclusão do Simples Nacional. Conheço parcialmente do tempestivo recurso voluntário, exceto quanto à exclusão do Simples Nacional, presentes os demais pressupostos de admissibilidade. I – DA PRELIMINAR Fl. 628DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.395 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 14751.720138/2017-05 7 Em observância ao Regimento Interno da Receita Federal Brasileira, as Portarias serão instrumento para disciplinar a competência, territorial e por matéria, das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ). É plenamente possível, pela exegese da Portaria RFB nº 1.916/10, que uma decisão seja proferida por DRJ situada em local distinto daquele onde se verificou a ocorrência da infração. Confira-se o Regimento Interno da Receita Federal, que assim dispõe: Art. 277. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), com jurisdição nacional, compete conhecer e julgar, depois de instaurado o litígio, impugnações e manifestações de inconformidade em processos administrativos fiscais: (...) § 2º O julgamento de impugnação de penalidade aplicada isoladamente em razão de descumprimento de obrigação principal ou acessória será realizado pela DRJ competente para o julgamento de litígios que envolvam o correspondente tributo. Rejeito, com base nessas razões, a alegação de incompetência da DRJ. III – DO MÉRITO Afirma, em suas razões recursais, que [a] atividade preponderantemente desenvolvida pela empresa, no período compreendido entre janeiro/2013 e dezembro/2014 – assim como ao longo de todos os anos desde a sua criação -, sempre foi de agência de viagens, de modo que não há por que ser enquadrada, no lapso compreendido entre janeiro/2013 e setembro/2014, no CNAE 4929-9/04 e, por conseguinte, tributada com alíquota RAT de 3%. Desse modo, impõe-se reconhecer que o valor lançado a título de contribuição relativa aos riscos de acidentes do trabalho - RAT (art. 22, II, da Lei 8212/91), referente ao período compreendido entre janeiro/2013 e setembro/2014, é excessivo, uma vez que o Fiscal Autuante, equivocadamente, aplicou a alíquota de 3%, quando, em verdade, deveria haver aplicado a alíquota de 1%. Passo analisar os motivos ensejadores da autuação, descritos no Relatório Fiscal – vide f. 52/66. De acordo com a autoridade fiscalizadora, a parte ora Recorrente foi intimada para fins de verificação do enquadramento na atividade preponderante da empresa, informada na GFIP como agência de viagens, a descrever as atividades econômicas desenvolvidas pela empresa e a demonstrar qual a preponderante, considerada aquela que ocupa, na empresa, o maior número Fl. 629DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.395 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 14751.720138/2017-05 8 de segurados empregados, de acordo com a Relação de Atividades Preponderantes integrante do anexo V do Decreto 3.048/1999. 2.6.1. Considerando que as atividades desenvolvidas pela empresa, constantes no contrato social, são serviços de agências de viagens; reservas e outros serviços de turismos; locação de veículos rodoviários de passageiros com motorista; transporte de passageiros; locação de automóveis com ou sem motorista ou condutor; escritório de apoio administrativo da sede da empresa; e organização de excursões em veículos rodoviários próprios intermunicipal, interestadual e internacional. 2.6.2. O sujeito passivo respondeu e demonstrou que a maior parte dos seus funcionários atua, primordialmente, na atividade de agência de viagens. 2.6.3. Mas, a fiscalização constatou inconsistências no demonstrativo, em que os empregados na função de motorista foram indevida e exclusivamente alocados na atividade de agência de viagens. 2.6.4. A fiscalização, em razão das inconsistências, intimou (TIF 02), especificamente para as atividades previstas no contrato social de administração, agência de viagens e transporte de passageiros, a descrever as funções, nomes e quantidades dos empregados que atuam em cada atividade, e a demonstrar qual a preponderante. 2.6.5. O sujeito passivo apresentou nova resposta em que demonstra a atividade preponderante da empresa como a de organização de excursões em veículos rodoviários próprios, intermunicipal, interestadual e internacional, CNAE: 4929-9/04, de janeiro/2013 a setembro/2014; e como a de agência de viagens, CNAE: 7911-2/00, de outubro a dezembro/2014. 2.6.6. Mas com inconsistências no demonstrativo, como, por exemplo, empregados da administração relacionados a todas as atividades, como os dos departamentos pessoal / recursos humanos / financeiro / diretoria, mas que foram alocados exclusivamente na de agência de viagens. 2.6.7. A fiscalização concluiu, portanto, que a atividade preponderante da matriz, no período de janeiro/2013 a setembro/2014, é a de transporte de passageiros relativa à organização de excursões em veículos rodoviários próprios, intermunicipal, interestadual e internacional, CNAE: 4929-9/04; e, no período de outubro a dezembro/2014, é a de agência de viagens, CNAE: 7911- 2/00; cujas alíquotas RAT correspondem a, respectivamente, 3% e 1%. Fl. 630DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.395 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 14751.720138/2017-05 9 Controvérsia similar já veio a ser dirimida pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais,1 de relatoria do Cons. Leonam Rocha de Medeiros, nos seguintes termos: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL DESTINADA AO FINANCIAMENTO SAT/RAT/GILRAT. GFIP. DÉBITO CONFESSADO. ATIVIDADE ECONÔMICA PREPONDERANTE AUTODECLARADA. CÓDIGO CNAE. ALÍQUOTAS SAT/RAT/GILRAT. INEXISTÊNCIA DE DEVER DA FISCALIZAÇÃO TRIBUTÁRIA REALIZAR IN LOCO AUDITORIA DAS ATIVIDADES REALIZADAS NO ESTABELECIMENTO. (...) A alíquota SAT/RAT/GILRAT decorre do correspondente CNAE, para fins de atividade preponderante, informado pelo contribuinte em declaração e se este não comprova que o autodeclarado código de atividade está incorreto para determinado estabelecimento por CNPJ, o lançamento de ofício deve ser mantido hígido, inclusive porque as alíquotas decorrem da legislação tributária guardando correlação com a atividade econômica preponderante informada. É devida, por expressa disposição legal, a cobrança da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, em razão da atividade econômica preponderante exercida em estabelecimento da empresa. (...) Em ambos os casos, o contribuinte declarou em GFIP determinado código CNAE, para fins de atividade preponderante, com informação de alíquota SAT/RAT em percentual inferior ao correspondente previsto na legislação. (...) Aliás, o Decreto nº 3.048, que trata do Regulamento da Previdência Social, reza que: “Art. 202, § 5º É de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, (...). (Redação dada pelo Decreto nº 6.042, de 2007)”. (...) É de todos conhecido no direito tributário que a alíquota da contribuição destinada ao financiamento para o SAT/RAT/GILRAT é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada estabelecimento, individualizado pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade econômica preponderante quando houver apenas um 1 CARF. Acórdão nº 9202-011.674, sessão de 11 de fev. de 2025. Fl. 631DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.395 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 14751.720138/2017-05 10 registro. A matéria é assentada na jurisprudência (Súmula STJ nº 351) e em ato declaratório aprovado pelo Ministro (Ato Declaratório nº 11/2011) ao aprovar o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.120, de 2011. Noutro vértice, é fato que compete ao contribuinte prestar as informações para a Administração Tributária acerca das atividades que seus colaboradores desenvolvem e que definem a sua atividade preponderante. A alíquota SAT/RAT/GILRAT decorre do correspondente CNAE informado pelo contribuinte em declaração, inclusive por estabelecimentos, para fins de atividade preponderante, e se este não comprova que o autodeclarado código de atividade está incorreto para determinado estabelecimento por CNPJ, o lançamento de ofício deve ser mantido, especialmente quando o ato de lançar resulta de diferenças em alíquota decorrendo da mudança dela pela legislação tributária, guardando correlação com a atividade econômica preponderante informada. É devida, por expressa disposição legal, a cobrança da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, em razão da atividade econômica preponderante exercida no estabelecimento da empresa. Caso estivesse a fiscalização discordando do autoenquadramento efetuado pela parte ora recorrente caberia à Fiscalização, promover a revisão do enquadramento, segundo as normas prescritas pela própria Administração Tributária por meio da Instrução Normativa que regula a temática. Entretanto, como visto, não estão as autoridades fazendárias afastando aquilo que declarado, e apenas exigindo a alíquota correspondente à atividade preponderante indicada pelo próprio sujeito passivo. Colaciono as razões de decidir da DRJ que estão em igual sentido: Desta forma, ao contrário do que alega a postulante, constata-se que a Fiscalização motivou no Relatório Fiscal o enquadramento da empresa matriz na atividade preponderante, com base no número de segurados informados pela própria defendente nos documentos fornecidos por ocasião da ação fiscalizatória, estando correto o procedimento de lançar as contribuições devidas a título de SAT, não havendo que de se falar em excesso de valores cobrados. Diante do exposto, não há qualquer alteração a ser feita no presente lançamento em relação ao código e alíquota SAT, ressaltando-se que a própria impugnante se enquadrou, conforme os elementos por ela fornecidos, no CNAE 4929-9/04 - Organização de excursões em veículos rodoviários próprios, intermunicipal, interestadual e internacional, no período de 01/2013 a 09/2014 e no CNAE Fl. 632DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.395 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 14751.720138/2017-05 11 7911-2/00 - agência de viagens, cujas alíquotas são de 3% e 1%, respectivamente. (sublinhas deste voto) Rejeito, por essas razões, a tese suscitada. III – DO PEDIDO SUBSIDIÁRIO Quando da apreciação do pedido subsidiário formulado, entendeu a instância de piso que a Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012, vigente à época dos fatos geradores, imposta a expressa vedação de compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido indevidamente para o Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar nº 123, de 2006, e o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), instituído pela Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Ocorre que, em dezembro de 2012, aprovado o verbete sumular de nº 76 do CARF, que exibe a seguinte redação: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Por serem as súmulas editadas por este eg. Conselho de observância obrigatória, merece ser acolhido o pedido subsidiário, de modo que sejam ser deduzidos os recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. IV – DO DISPOSITIVO Por essas razões, conheço parcialmente do recurso, exceto quanto às teses relacionadas à exclusão do Simples Nacional, rejeito a preliminar e, no mérito, dou provimento parcial ao recurso para determinar sejam os valores recolhidos ao Simples Nacional aproveitados, nos termos da Súmula CARF nº 76. Assinado Digitalmente Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Fl. 633DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 19613.738114/2022-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 23/01/2020
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA
A desistência da discussão administrativa no processo que trata das compensações não homologadas, que geraram a aplicação de multa isolada sobre o montante dos débitos em aberto, implica na manutenção do lançamento, uma vez que não foram apresentadas razões de mérito ou preliminares específicas ao auto de infração lavrado.
Numero da decisão: 1202-002.298
Decisão: Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso voluntário: i) por unanimidade de votos quanto à imputação da multa qualificada de 150% e; ii) por voto de qualidade, quanto ao agravamento dessa multa. Vencidos os Conselheiros André Luís Ulrich Pinto, Fellipe Honório Rodrigues da Costa e Liana Carine Fernandes de Queiróz que votaram por cancelar o agravamento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1202-002.295, de 22 de janeiro de 2026, prolatado no julgamento do processo 19613.738128/2022-83, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Assinado Digitalmente
Leonardo de Andrade Couto – Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Maurício Novaes Ferreira, José André Wanderley Dantas de Oliveiras, Andre Luís Ulrich Pinto, Fellipe Honório Rodrigues da Costa, Liana Carine Fernandes de Queiroz.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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conteudo_txt : Metadados => date: 2026-03-30T13:41:28Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-03-30T13:41:28Z; Last-Modified: 2026-03-30T13:41:28Z; dcterms:modified: 2026-03-30T13:41:28Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-03-30T13:41:28Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-03-30T13:41:28Z; meta:save-date: 2026-03-30T13:41:28Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-03-30T13:41:28Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-03-30T13:41:28Z; created: 2026-03-30T13:41:28Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2026-03-30T13:41:28Z; pdf:charsPerPage: 1730; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-03-30T13:41:28Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 19613.738114/2022-60 ACÓRDÃO 1202-002.298 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 22 de janeiro de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE LUIS DOS SANTOS VOTORANTIM LTDA INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 23/01/2020 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA A desistência da discussão administrativa no processo que trata das compensações não homologadas, que geraram a aplicação de multa isolada sobre o montante dos débitos em aberto, implica na manutenção do lançamento, uma vez que não foram apresentadas razões de mérito ou preliminares específicas ao auto de infração lavrado. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso voluntário: i) por unanimidade de votos quanto à imputação da multa qualificada de 150% e; ii) por voto de qualidade, quanto ao agravamento dessa multa. Vencidos os Conselheiros André Luís Ulrich Pinto, Fellipe Honório Rodrigues da Costa e Liana Carine Fernandes de Queiróz que votaram por cancelar o agravamento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1202-002.295, de 22 de janeiro de 2026, prolatado no julgamento do processo 19613.738128/2022-83, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Leonardo de Andrade Couto – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Maurício Novaes Ferreira, José André Wanderley Dantas de Oliveiras, Andre Luís Ulrich Pinto, Fellipe Honório Rodrigues da Costa, Liana Carine Fernandes de Queiroz. Fl. 348DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.298 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19613.738114/2022-60 2 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face de acórdão de primeira instância, que, apreciando a Impugnação do sujeito passivo, julgou-a improcedente. A exigência é referente ao AUTO DE INFRAÇÃO de multa isolada no percentual de 225%, no importe de R$ 151.960,52, pela não homologação de compensação declarada, valor total dos débitos que permaneceram em aberto R$ 67.538,01 (base de cálculo para aplicação da penalidade), conforme preveem o caput e o § 2º do art. 18 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, todos com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, com a majoração em 50% da multa de ofício aplicada, conforme o § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 (67.538,01 x 225%). As circunstâncias da autuação e os argumentos de Impugnação estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, em síntese abaixo, estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 23/01/2020 A desistência da discussão administrativa no processo que trata das compensações não homologadas, que geraram a aplicação de multa isolada sobre o montante dos débitos em aberto, implica na manutenção do lançamento, uma vez que não foram apresentadas razões de mérito ou preliminares específicas ao auto de infração lavrado. Irresignada a autuada apresentou o seu Recurso Voluntário ratificando e complementando os argumentos de sua Manifestação de Inconformidade com vistas a reformar o Acórdão da instância a quo, solicitando por fim: a) Seja suspensa a exigibilidade do crédito tributário lançado; b) Seja declarada a nulidade do Auto de Infração; c) Alternativamente, seja declarada a integral improcedência do Auto de Infração, afastando integralmente o lançamento; d) Subsidiariamente, seja declarada a improcedência parcial do Auto de Infração, reduzindo a multa lançada para o patamar de 50% do débito cuja compensação não foi homologada. É o relatório. Fl. 349DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.298 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19613.738114/2022-60 3 VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: DA ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte/Recorrente é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, portanto, dele conheço. Ademais, para o regular processamento do feito em todas as fases administrativas, com fundamento no Art. 151, III, do Código Tributário Nacional, Lei nº 5.172/1966, se deve reconhecer a suspenção da exigibilidade do crédito tributário consignado no Auto de Infração constante no presente processo. O Despacho Decisório que não homologou as compensações declaradas que geraram a autuação, anexado às fls. 207/236, foi cientificado à contribuinte em 23/05/2022, através do edital eletrônico de fls. 241/242, com discussão no processo administrativo fiscal 13074.726427/2021-52. Assim, vale esclarecer que, os argumentos trazidos que tratam especificamente da possibilidade de utilização do direito creditório informado no PERDCOMP e sua utilização nas compensações declaradas são pertinentes ao processo administrativo fiscal 13074.726427/2021-52 que trata do Despacho Decisório que não reconheceu o crédito e não homologou as compensações a ele vinculadas. A Recorrente discute em sua defesa basicamente o tema da não homologação das compensações declaradas, em razão de considerar utilizável o direito creditório a elas vinculados, proveniente de precatórios, requerendo ainda a habilitação do crédito transitado em julgado. No processo administrativo fiscal 13074.726427/2021-52, que trata do Despacho Decisório e abre a possibilidade do contraditório sobre o indeferimento do direito creditório e consequente não homologação das compensações a ele vinculadas, a contribuinte apresentou o requerimento a seguir: Assunto: REQUERIMENTO DE DESISTÊNCIA DO RECURSO ADMNISTRATIVO E TRANSFERÊNCIA DOS DÉBITOS FISCAIS SOB ADMINISTRAÇÃO DA RFB [RECEITA FEDERAL DO BRASIL] PARA A PGFN [PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL]. PROCESSO ADMINSTRATIVO N. 13074.726427/2021-52 REQUERIMENTO 1. Este contribuinte é pessoa jurídica, inscrita no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídica sob o nº 12.846.458/0001 45, exercendo a atividade econômica de Fabricação de artigos de serralheria, com data de abertura da empresa, perante os órgãos fazendários, em 09/11/2010, encontrando-se em pleno funcionamento, contribuinte de diversos tributos federais. 2. 3. 4. 5. 2. Neste sentido, roga-se a este insigne órgão DESISTÊNCIA DO RECURSO ADMNISTRATIVO e que remeta os mencionados débitos sob PROCESSO ADMINSTRATIVO N. 13074.726427/2021-52 para a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), para fins de inscrição de Dívida Ativa, nos termos estabelecidos no art. 2º da Portaria MF nº 447 de 25 de outubro de 2018, por questão de Fl. 350DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.298 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19613.738114/2022-60 4 regularidade normativa administrativa. 3. Ato contínuo, este Contribuinte intentará adimplir tais débitos, adequando-se a capacidade contributiva que preserva hodiernamente junto à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional - PGFN, o que pressupõe a devida inscrição dos débitos em Dívida Ativa da União. 4. Aguardamos com a mais possível brevidade o cumprimento da indicativa diligência de transferência dos débitos fiscais ainda sob administração da RFB [Receita Federal do Brasil] para a PGFN [Procuradoria Geral da Fazenda Nacional] 5. Votos de Estima e consideração. Abaixo e em anexo segue demonstrativo das inscrições dos débitos fiscais objeto deste presente REQUERIMENTO. Nestes termos, aguarda deferimento. Brasil |São Paulo /SP, 25 de Abril de 2023. Os débitos relacionados naquele processo para inscrição são aqueles decorrentes da não homologação das compensações declaradas. Não há inclusão da multa decorrente do auto de infração aqui em análise na referida relação. Com a desistência de recorrer no âmbito administrativo da não homologação das compensações, tornou-se definitivo no âmbito administrativo os termos do Despacho Decisório com a anuência da contribuinte em pagar os débitos que não foram compensados, base de cálculo para aplicação da multa isolada aqui em discussão. De modo que, o único argumento apresentado pela defesa, presunção de boa fé na utilização do direito creditório, não pode lhe socorrer, uma vez que aceito os termos do Despacho Decisório com o requerimento de desistência de recurso administrativo para inscrição em dívida ativa dos débitos em aberto constantes do processo administrativo fiscal 13074.726427/2021-52, onde a compensação foi considerada indevida exatamente pela apresentação de declaração com falsidade. O percentual da multa aplicada se encontra de acordo com a legislação pertinente, conforme reprodução a seguir: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.158 35, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á à imposição de multa isolada em razão de não-homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplica-se ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 3º Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não-homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas Fl. 351DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.298 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19613.738114/2022-60 5 simultaneamente. (...) § 5º Aplica-se o disposto no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2º e 4º deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (grifos não originais) Tanto no Despacho Decisório, como na descrição dos fatos constante do auto de infração restam evidenciados tanto a falsidade na apresentação dos PERDCOMP como a falta de atendimento às intimações para esclarecimentos. Repita-se que a desistência do contraditório, no processo que trata do Despacho Decisório, que não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações a ele vinculadas, exatamente pela falsidade nas informações inseridas no PERDCOMP, implica em anuência do contribuinte com o resultado nele expresso e reconhecimento dos débitos que geraram a aplicação da multa aqui em discussão. Por fim, respondendo especificamente os pedidos formulados pela Recorrente, firmamos a convicção que: a) Conforme já mencionamos no item (19) acima, para o regular processamento do feito em todas as fases administrativas, com fundamento no Art. 151, III, do Código Tributário Nacional, Lei nº 5.172/1966, está suspensa a exigibilidade do crédito tributário consignado no Auto de Infração constante no presente processo. b) Não há por que se declarar a nulidade do Auto de infração - pois, o pedido não preenche nenhum dos requisitos do Art. 59, do Decreto nº 70.235/72. Porquanto, todos os atos e termos foram lavrados por pessoa competente; e, os despachos e decisões, igualmente, foram proferidos por autoridade competente e sem a preterição do direito de defesa. c) Alternativamente, seja declarada a integral improcedência do Auto de Infração, afastando integralmente o lançamento – por tudo que consta no presente relatório, não há por que se declarar a integral improcedência do Auto de Infração, pois, a infração foi perfeitamente identificada, comprovada e capitulada, bem como, o lançamento observou, formal e materialmente, os comandos do Art. 142 do Código Tributário Nacional. d) Subsidiariamente, seja declarada a improcedência parcial do Auto de Infração, reduzindo a multa lançada para o patamar de 50% do débito cuja compensação não foi homologada – Conforme consta no Auto de Infração, a multa aplicada seguiu corretamente a legislação de regência. Portanto, não há por que se falar em sua redução. Considerando o exposto e tudo mais que do processo consta, VOTO POR: CONHECER do Recurso Voluntário; NEGAR PROVIMENTO INTEGRAL ao mérito; Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui Fl. 352DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.298 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19613.738114/2022-60 6 adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Leonardo de Andrade Couto – Presidente Redator Fl. 353DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 11891.000485/2009-15
Turma: Quarta Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 02 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 30/04/2009
EX-TARIFÁRIO. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA DE IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ANÁLISE DE SIMILARIDADE.
Para fazer jus a eventual benefício de redução de alíquota de Imposto de Importação é necessário atender todos os requisitos estabelecidos no ato instituidor.
Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/04/2009
MULTA REGULAMENTAR. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. REVOGAÇÃO PELA LC N° 227/2026.
A multa regulamentar de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria, com fundamento na Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, art. 84, caput; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 69, §1º, foi revogada pelo art. 181, da Lei Complementar n° 227/2026, DOU 15/01/2026.
Numero da decisão: 3004-000.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para cancelar a multa regulamentar de 1%, revogada pela Lei Complementar n° 227/2026.
Assinado Digitalmente
Semíramis de Oliveira Duro – Relatora
Assinado Digitalmente
Rosaldo Trevisan – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Dionisio Carvallhedo Barbosa, Semíramis de Oliveira Duro, Tatiana Josefovicz Belisário e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 30/04/2009 EX-TARIFÁRIO. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA DE IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ANÁLISE DE SIMILARIDADE. Para fazer jus a eventual benefício de redução de alíquota de Imposto de Importação é necessário atender todos os requisitos estabelecidos no ato instituidor. Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 30/04/2009 MULTA REGULAMENTAR. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. REVOGAÇÃO PELA LC N° 227/2026. A multa regulamentar de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria, com fundamento na Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, art. 84, caput; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 69, §1º, foi revogada pelo art. 181, da Lei Complementar n° 227/2026, DOU 15/01/2026.
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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 30/04/2009 EX-TARIFÁRIO. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA DE IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ANÁLISE DE SIMILARIDADE. Para fazer jus a eventual benefício de redução de alíquota de Imposto de Importação é necessário atender todos os requisitos estabelecidos no ato instituidor. Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 30/04/2009 MULTA REGULAMENTAR. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. REVOGAÇÃO PELA LC N° 227/2026. A multa regulamentar de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria, com fundamento na Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, art. 84, caput; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 69, §1º, foi revogada pelo art. 181, da Lei Complementar n° 227/2026, DOU 15/01/2026. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para cancelar a multa regulamentar de 1%, revogada pela Lei Complementar n° 227/2026. Assinado Digitalmente Fl. 226DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.135 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11891.000485/2009-15 2 Semíramis de Oliveira Duro – Relatora Assinado Digitalmente Rosaldo Trevisan – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Dionisio Carvallhedo Barbosa, Semíramis de Oliveira Duro, Tatiana Josefovicz Belisário e Rosaldo Trevisan (Presidente). RELATÓRIO Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: A empresa Anglogold Ashanti Brasil Mineração Ltda, CNPJ nº 40.164.964/0013-23, ora Impugnante, já devidamente qualificada nos autos deste Processo, será, no âmbito deste, referida simplesmente como “Anglogold Ashanti”. Resumidamente, segundo a Fiscalização Aduaneira, a empresa Anglogold Ashanti enquadrou mercadoria de forma inadequada em um ex-tarifário (Ex). Em decorrência do fato narrado no parágrafo imediatamente anterior, foi lavrado o Auto de Infração (AI) nº 0615100/00239/09, objetivando lançar (i) Imposto de Importação (II), e respectivos juros de mora e multa de ofício; e (ii) multa por erro de classificação fiscal. O valor total lançado foi, em valor original, R$ 256.607,31 (duzentos e cinquenta e seis mil seiscentos e sete reais e trinta e um centavos). A seguir, transcrevo, de forma sucinta, os principais fatos e fundamentos jurídicos apresentados pela Fiscalização Aduaneira como justificativa para o lançamento, na forma constante do AI de interesse e seus suplementos: 1. Relata-se que a empresa Anglogold Ashanti, em 30/04/2009, registrou a Declaração de Importação (DI) nº 09/0535154-6 na qual submeteu a despacho aduaneiro a mercadoria descrita como sendo “dumper rebaixados (sic), para minas subterrâneas, com chassi articulado próximo ao meio, tração 4x4 sobre rodas, potência do motor de 408 HP, capacidade de carga útil de 30.000 kg, com largura máxima de 2.880 mm, altura da cabine igual a 2.600 mm, caçamba com empurrador de carga (ejetor) de capacidade de carga moninal (sic) a 15,8 m3, altura da caçamba igual a 2.941 mm, sem sistema de basculamento (mancais e cilindros). -> modelo: AD30 -> serie: DXR00349”, classificando-a no código da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) 8704.10.90 e Ex 010; 2. É complementado que o benefício da redução de alíquota utilizado “dumpers rebaixados, para minas subterrâneas, com chassi articulado próximo ao meio, tração 4x4, sobre rodas, potência do motor de 400 HP, capacidade de carga útil de 30.000 kg, com largura máxima igual ou inferior a 2.880 mm, altura da cabine igual ou inferior a 2.600 mm, caçamba com empurrador de carga (ejetor) de capacidade nominal de carga igual ou superior a 15,2 m3, altura da caçamba igual ou inferior a 2.941 mm, sem sistema de basculamento(mancais e cilindro)” está previsto na Resolução Camex nº 47, de 24/07/2008, e prorrogado pelo inciso III do art. 1º da Resolução Camex nº 82, de 19/12/2008; Fl. 227DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.135 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11891.000485/2009-15 3 3. Aponta-se que a mercadoria de interesse não se enquadra no Ex pleiteado, uma vez que sua carga útil é de 27.000 kg, segundo documento com especificações do equipamento e outro documento emitido pela empresa fabricante, e não 30.000 kg, como indicado na DI de interesse e no texto do Ex; 4. É narrado que o despacho aduaneiro foi interrompido e solicitado o desenquadramento do Ex informado, recolhimentos da diferença de II, da multa de ofício e da multa por erro de classificação; e que a empresa Anglogold Ashanti apresentou manifestação de inconformidade discordando das exigências e solicitando que as mesmas fossem consubstanciadas em AI; 5. Indica-se o art. 84 da Medida Provisória (MP) nº 2.158-35, de 24/08/2001, como fundamento para a aplicação da multa por erro de classificação fiscal; 6. São apresentados os cálculos dos créditos tributários; e 7. Complementa-se o enquadramento legal do AI com os arts. 2º, 69, 72, inciso I e parágrafo único do art. 73, inciso I do art. 75, arts. 90, 94 e 97, inciso I do art. 104, arts. 107, 108, 542 a 545, 549, 551, 564, incisos I e IV do art. 603, art. 673, incisos I a IV do art. 674, inciso IV do art. 675, inciso I e §§ 2º a 5º do art. 711 e art. 768 do Decreto n° 6.759, de 05/02/2009, Regulamento Aduaneiro; inciso I do art. 84 da MP nº 2.158-35/2001 combinado com os arts. 69 e 81 da Lei nº 10.833, de 29/12/2003; inciso I do art. 44 e § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, com redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15/06/2007. Contrapondo-se ao relatado e alegado no procedimento fiscal em tela, as contrarrazões manifestadas pela Impugnante podem ser concentradas da seguinte forma: 1. Alega-se que seria tempestiva a Impugnação apresentada; 2. É informado que após a interrupção do despacho de importação e lavratura do consequente AI, a empresa Anglogold Ashanti teria obtido a liberação da mercadoria de interesse mediante liminar concedida em mandado de segurança; 3. Defende-se que o Relatório Técnico nº 034/2006, emitido pela Divisão de Engenharia de Avaliações (Diav) do Instituto Nacional de Tecnologia (INT), em 04/05/2006, teria atestado a inexistência de equipamento de fabricação nacional similar à mercadoria de interesse e respaldado a edição da Resolução Camex nº 47/2008; 4. É realçado que, segundo declaração da empresa fabricante do produto de interesse, Caterpillar Underground Mining Pty Ltd, o mesmo teria capacidade de carga de 30 toneladas; que a capacidade de carga do produto poderia apresentar pequenas variações a menor ou a maior; que o próprio nome adotado pelo modelo do produto de interesse, AD30, por si só, já apontaria sua capacidade de carga; que o texto do ex-tarifário da Resolução Camex nº 6, de 03/02/2009, indicaria que o produto de interesse seria importado com um acessório chamado de “ejetor”; que eventual diferença de capacidade de carga do produto não deveria provocar o desenquadramento do ex-tarifário informado; que a instalação do “ejetor” não reduziria a capacidade de carga do produto; e que o Fl. 228DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.135 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11891.000485/2009-15 4 documento técnico utilizado pela Fiscalização Aduaneira não seria específico para o produto de interesse; 5. Afirma-se que o AI teria indevidamente apontado que a classificação fiscal na NCM estaria incorreta; e que a multa prevista no art. 84 da MP nº 2.158-35/2001 seria inadequada; 6. É assegurado que, com base no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal, a multa de ofício teria caráter confiscatório; e 7. Solicita-se que a multa de ofício seja cancelada; que os eventuais juros de mora se limitem a 1% ao mês; que a impugnação apresentada seja considerada procedente; e que o AI de interesse seja anulado. A 8ª Turma da DRJ/REC, Acórdão n° 11-64.182, negou provimento à impugnação, com decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 30/04/2009 PEDIDO. AUSÊNCIA DE MOTIVOS DE DIREITO. A impugnação mencionará os motivos de direito em que se fundamentar. PRELIMINAR DE MÉRITO. MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. PRINCÍPIO DO NÃO-CONFISCO. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos julgadores afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade. MÉRITO. EX-TARIFÁRIO. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA DE IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ANÁLISE DE SIMILARIDADE. Para fazer jus a eventual benefício de redução de alíquota de Imposto de Importação é necessário atender todos os requisitos estabelecidos no ato instituidor do mesmo. Em Recurso Voluntário, sustenta: (i) A ocorrência de prescrição intercorrente. (ii) Que todos os requisitos para importação com o benefício de redução da alíquota do imposto de importação foram atendidos pela Recorrente. (iii) Não é devida a multa. É o relatório. VOTO Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e atende ao demais pressupostos de admissibilidade. Fl. 229DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.135 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11891.000485/2009-15 5 No mérito, a Recorrente defende o direito à redução da alíquota de imposto de importação, pelas seguintes razões: Em suas razões de impugnação, a recorrente anexou declaração da empresa fabricante do equipamento importado, Caterpillar Underground Mining Pty Ltd, atentando que o mesmo teria capacidade de carga de 30 toneladas e que a capacidade de carga do produto poderia apresentar pequenas variações a menor ou a maior. Tendo, pois, capacidade de 30 toneladas, o equipamento não estaria fora do “Ex”. Apresentou, ainda, o Relatório Técnico n° 034/2006, emitido pela divisão de Engenharia de Avaliações (Diav) do Instituto Nacional de Tecnologia )INT), em 04/05/2006, atestando a inexistência de equipamento de fabricação nacional similar à mercadoria de interesse e respaldado a edição da Resolução Camex n° 47/2008. Sobre os efeitos do Relatório Técnico nº 034/2006, da Diav/INT e Declaração da empresa Caterpillar, a DRJ bem tratou, por isso transcrevo a seguir as razões consignadas na decisão de piso, com fundamento no art. 114, §12, I, do RICARF/2023: Efeitos do Relatório Técnico nº 034/2006, da Diav/INT A Impugnante defende, nas folhas 61 e 62, que devido ao fato de o Relatório Técnico nº 034/2006, da Diav/INT, apontar que inexistiria equipamento de fabricação nacional similar ao produto de interesse, o ex-tarifário previsto na Resolução Camex nº 47/2008 seria aplicável ao mesmo: “É sabido que para a obtenção do benefício do ‘EX’ tarifário, há que ser emitido um parecer sobre o equipamento, atestando que não existe similar nacional do equipamento que se quer importar com o referido benefício. Tal parecer fora emitido pelo Instituto Nacional de Tecnologia - INT do Ministério da Ciência e Tecnologia, conforme cópia anexa. Como demonstrado no documento técnico supramencionado, não existe similar nacional para o caminhão marca Caterpillar, modelo AD30, com capacidade para 30 toneladas de carga. Diante disto, a empresa solicitou o benefício fiscal do ‘EX’, tendo como base o Parecer do INT, que analisou o caminhão de propriedade da Mineração Serra Grande S/A, exatamente da mesma marca e modelo importado pela Impugnante, qual seja caminhão da marca Caterpillar modelo AD30. Ou seja, o Parecer do INT foi emitido para obtenção do benefício do ‘EX’ analisando-se um caminhão idêntico aquele importado pela impugnante, e que fora objeto de discordância do fiscal aduaneiro. Nota-se que a Impugnante não está utilizando-se de um ‘EX’ com a descrição genérica de um tipo de equipamento, para o simples enquadramento daquele por ela importado. Ao Fl. 230DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.135 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11891.000485/2009-15 6 contrário, a Impugnante descreveu as características de um equipamento idêntico ao solicitar o benefício.” Primeiramente, deve ser mencionado que não restou demonstrado eventual laço do Relatório Técnico nº 034/2006, da Diav/INT, com a Resolução Camex nº 47/2008. Tal fato, intrinsecamente, já fere de forma flagrante o inciso III do art. 16 do PAF e o inciso III do art. 57 do Regulamento do PAF, os quais determinam que as razões de fato e de direito devem escoltar as alegações apresentadas. A respeito do mérito do Relatório Técnico nº 034/2006, da Diav/INT, isoladamente, a inexistência de similar nacional ao produto de interesse não pode ser interpretada como sendo possível elemento apto a permitir a aplicação direta da redução da alíquota do II, de 14% para 2%. O Relatório Técnico nº 034/2006, da Diav/INT, pode até ter embasado a elaboração da Resolução Camex nº 47/2008, não temos como aferir a ocorrência desse fato, contudo, a redução da alíquota do II apenas seria aplicável uma vez que a mercadoria importada coincidisse de forma perfeita com aquela da citada Resolução. Isto é, independentemente da vinculação entre o Relatório da Diav/INT e a Resolução Camex, o benefício fiscal de redução da alíquota do II apenas seria aplicável se a mercadoria de interesse pudesse ser identificada como sendo aquela da Resolução Camex nº 47/2008. Em vista de tudo que aqui foi apresentado, oponho-me aos pontos de defesa aqui apresentados. Declaração da empresa Caterpillar A Impugnante declara, na folha 62, que a empresa fabricante do produto de interesse teria informado que o mesmo teria capacidade de carga de 30 toneladas: “Como forma de corroborar a afirmação de que o equipamento importado pela impugnante corresponde exatamente aquele constante do ‘EX’, a fabricante do equipamento emitiu a declaração anexa, na qual diz que o caminhão por ela fabricado, modelo AD30, tem a capacidade de carga de 30 toneladas, com pequenas variações a menor ou a maior.” A Impugnante prossegue e cogita que se houvesse um caminhão com capacidade de carga de 27 toneladas da mesma empresa fabricante este deveria se chamar AD27. E complementa que tal modelo inexiste, na folha 63: “Cabe esclarecer que o próprio nome do modelo do caminhão já especifica a capacidade de carga: AD30 - 30 toneladas de carga. Se houvesse um caminhão da mesma marca (que não há) com a capacidade de 27 toneladas o nome do modelo certamente seria AD27.” A defesa cita a Resolução Camex nº 6/2009 e deduz que “fica claro que o caminhão AD30 seria importado com um acessório denominado ‘ejetor’”, na folha 63: Fl. 231DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.135 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11891.000485/2009-15 7 “Veja-se o que consta do ‘EX’, com redação dada pela Resolução Camex n° 6, de 3 de fevereiro de 2009: ‘Ex 010 – ‘Dumpers’ rebaixados, para minas subterrâneas, com chassi articulado próximo ao meio, tração 4x4, sobre rodas, potência do motor igual ou superior a 400 HP, capacidade de carga útil de 30.000 kg, com largura máxima igual ou inferior a 2.880 mm, altura da cabine igual ou inferior a 2.600 mm, caçamba com empurrador de carga (ejetor) de capacidade nominal de carga igual ou superior a 15,2 m3, altura da caçamba igual ou inferior a 2.941 mm, sem sistema de basculamento (mancais e cilindro)’. Como se vê, a Impugnante em todo o processo de obtenção do ‘EX’ e importação do equipamento por ele beneficiado, como de costume, agiu com estrita boa-fé, importando o equipamento correto, constante do ‘EX’ em comento. Veja-se que tanto no Parecer do INT quanto no texto do ‘EX’, fica claro que o caminhão AD30 seria importado com um acessório denominado ‘ejetor’.” Mais à frente, na folha 64, a Impugnante desvaloriza eventual diferença de capacidade de carga do equipamento frente ao previsto no ato que instituiu o benefício fiscal e reafirma que a existência do “ejetor” é a característica nuclear: “A capacidade de carga do equipamento em questão não é o elemento que distingue de outros equipamentos nacionais. Assim sendo, não é razoável que desenquadramento do equipamento tendo como premissa sua capacidade de carga, mesmo porque, seja 27 ou 30 toneladas de capacidade de carga, ambas estão dentro da gama de possibilidades do equipamento, de acordo com a declaração do fabricante. Diante disto, resta claro que o caminhão marca Caterpillar, modelo AD30 com o acessório ejetor somente se diferenciou de outro equipamento de fabricação nacional em virtude do acessório ejetor de carga.” Na folha 64 a Impugnante afirma que pela instalação do “ejetor” a capacidade de carga do produto de interesse não seria reduzida: “Tem mais. A capacidade de carga do caminhão não é reduzida por utilizar-se o acessório ejetor, uma vez que para instalação do mesmo, há a necessidade de substituição das peças que fariam o basculamento (mancais e cilindro), pelo ejetor de carga. Além disso, de acordo com o Parecer do INT, e exatamente como consta na descrição do ‘EX’, a instalação do ejetor somente diminui a capacidade cúbica do equipamento, de 17,5 m3 para 15,2 m3, mas o mesmo não deixa de ter a capacidade de carga de 30 toneladas.” Por fim, alerta que o documento técnico utilizado pela Fiscalização Aduaneira não apresentaria as informações corretas, na folha 64: “O folheto do equipamento no qual o fiscal se baseou para a autuação não há que ser considerado, uma vez que é um folheto que contém a linha de produtos da fabricante, sendo o folheto anexo, apresentado à Abimaq - Sindimaq, exclusivo do Fl. 232DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.135 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11891.000485/2009-15 8 caminhão AD30 da Caterpillar. Este sim é o folheto adequado para a verificação das características inerentes ao equipamento que foi importado.” Analiso as questões. A declaração da empresa fabricante, na folha 103, tem o seguinte conteúdo, em tradução juramentada, nas folhas 104 e 105: “No que se refere a caminhões utilizados em operações de transporte em minas [mining trucks], é de praxe especificar-se tanto as cargas úteis ‘Nominal’ quanto a ‘Máxima’. A Caterpillar define como carga útil ‘Nominal’ a carga útil média de um determinado modelo de caminhão utilizado em atividades de mineração. O caminhão AD30 apresenta uma capacidade de carga útil média de 30 toneladas, que varia entre o mínimo de 25 toneladas e o máximo de 35 toneladas, em qualquer uma das suas versões de carroceria e acessórios. A carga útil ‘Nominal’ não se refere à carga útil ‘Máxima’ do caminhão. Essa carga útil ‘Máxima’ é definida como a quantidade de material que o caminhão utilizado nas atividades de mineração pode transportar sem comprometer a segurança das operações por ele executadas. O caminhão Caterpillar AD30 tem uma capacidade de carga útil ‘Máxima’ de 120% da sua carga útil nominal. Com base nas definições supra, a Caterpillar atesta que o caminhão AD30, com carroceria tipo ejetor [ejector body], tem uma capacidade de carga útil máxima de 32,5 toneladas.” (meu grifo) É interessante observar que a declaração da empresa fabricante do produto de interesse utiliza-se da mesma nomenclatura presente no texto do ex-tarifário: “carga útil”. O último parágrafo da declaração da empresa fabricante do produto de interesse contém os dados necessários à determinação da carga útil: Carga Útil Máxima = 120% da Carga Útil Nominal (I) Carga Útil Máxima = 32,5 toneladas (II) Transformando a assertiva I em uma equação, temos: Carga Útil Máxima = 120/100 * Carga Útil Nominal Carga Útil Máxima = 1,2 * Carga Útil Nominal Carga Útil Nominal = 1/1,2 * Carga Útil Máxima (III) Substituindo a assertiva II na equação III e ajustando o resultado para a mesma precisão (uma casa decimal) dos dados numéricos apresentados: Carga Útil Nominal = 1/1,2 * 32,5 toneladas Carga Útil Nominal = 27,0 toneladas (IV) Assim, deriva-se da afirmação da empresa fabricante do produto de interesse que a carga útil nominal para o caminhão Caterpillar modelo AD30 com carroceria tipo ejetor é 27 toneladas. Fl. 233DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.135 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11891.000485/2009-15 9 A respeito da tese construída sobre a eventual existência de um modelo denominado AD27, é importante salientar que o modelo AD30 quando equipado com carroceria tipo basculante tem carga útil de 30 toneladas e quando equipado com carroceria tipo ejetor tem carga útil de 27 toneladas. O próprio Relatório Técnico nº 034/2006, da Diav/INT, na folha 110, explica esta diferença apontada no parágrafo anterior: “17. O caminhão Caterpillar AD30 pode ser adquirido de fábrica com o acessório ejetor de carga para caçamba (ver Figura III e IV). Quando uma frente de lavra (área de produção) sabidamente não tem mais condições de produzir minério, normalmente a mesma é abandonada. Todas as galerias abertas para chegar nessas regiões, se possível, serão utilizadas para outras rotas ou serão abandonadas também. Um caminhão equipado com uma caçamba ejetora pode ser utilizado para preencher de estéreo - material que não contém interesse econômico - as frentes de lavra e galerias que não serão mais utilizadas. As vantagens desse procedimento são enumeradas a seguir: (...) 18. Cabe explicar que a operação descrita no parágrafo anterior não seria possível se o caminhão fosse basculante já que precisaria de uma altura de galeria não disponível para depositar o estéreo. A Volvo não dispõe do acessório ejetor para caçamba. A caçamba do Caterpillar AD30 quando se instala o ejetor, tem seu volume reduzido de 17,5 m3 para 15,2 m3 em decorrência do espaço ocupado pelo acessório.” Diante dessas informações apenas se reforça a informação de que o modelo AD30 pode ter carga útil de 30 toneladas ou de 27 toneladas, com a respectiva redução de volume da carroceria. A Resolução Camex nº 6/2009 provavelmente foi mencionada por lapso da Impugnante, já que a Resolução Camex nº 47/2008 foi a efetivamente apontada na DI de interesse. A conclusão da Impugnante de que “tanto no Parecer do INT quanto no texto do ‘EX’, fica claro que o caminhão AD30 seria importado com um acessório denominado ‘ejetor’” vai de contra a lógica. Para que um importador qualquer possa usufruir do benefício de redução da alíquota do II previsto na Resolução Camex nº 47/2008 é necessário que o mesmo importe uma mercadoria que contemple todas as características lá enumeradas (classificação NCM, tipo específico de caminhão, finalidade, tipo de articulação de chassi, tipo de tração de rodas, tipo de contato com o solo, potência do motor, carga útil, dimensões, presença de ejetor na carroceria, ausência de sistema de basculamento na carroceria, dentre outros). Observa-se que a Resolução Camex nº 47/2008 não prevê explicitamente benefício para o produto “Caterpillar AD30 com carroceria tipo ejetor”. Se assim o fosse, o Fl. 234DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.135 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11891.000485/2009-15 10 texto diferente seria. Qualquer produto que atendesse integralmente as exigências da Resolução, durante sua vigência, faria jus à redução da alíquota de II. Logo, da leitura do texto da Resolução Camex nº 47/2008 não há como se depreender que um caminhão “Caterpillar modelo AD30 com carroceria tipo ejetor” seria o claro objeto da mesma. A tentativa de desprezar a característica relativa à carga útil da mercadoria também não tem como prosperar, uma vez que o alvo do benefício fiscal foi uma mercadoria que tivesse carga útil de 30.000 quilos. Assim, entendo pela manutenção da decisão recorrida. Multa Regulamentar prevista no art. 84, da MP nº 2.158-35, de 2001 A autoridade fiscal lançou a multa regulamentar de 1%, conforme art. 84, I, da Medida Provisória nº 2.158-35: Art. 84. Aplica-se a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I - classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou Contudo, a Lei Complementar n° 227/2026, DOU 15/01/2026, em seu art. 181 revogou expressamente a referida multa: Art. 181. Revogam-se: (...) II - o art. 84 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001; III - o art. 69 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003; Já a Lei Complementar n° 214/2025, DOU 23/01/2023, em seu art. 341-G, inciso XIX, prescreve: Art. 341-G. As multas a serem aplicadas em razão de infrações por descumprimento de obrigações tributárias acessórias do IBS ou da CBS são as seguintes: (Incluído pela Lei Complementar nº 227, de 2026) (...) XIX - omitir informação relativa a operações de importação ou exportação, ou prestá-la de forma inexata ou incompleta, desde que necessária à determinação do procedimento de controle fiscal: 100 (cem) UPF por informação; (Incluído pela Lei Complementar nº 227, de 2026) A multa do art. 341-G, inciso XIX, tem aplicação restrita ao IBS e CBS. Por conseguinte, a multa objeto deste processo foi suprimida do ordenamento jurídico. Fl. 235DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.135 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11891.000485/2009-15 11 Logo, a cobrança da multa deve ser cancelada. Conclusão Do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para cancelar a multa regulamentar de 1% revogada pela Lei Complementar n° 227/2026. Assinado Digitalmente Semíramis de Oliveira Duro Fl. 236DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10410.721652/2013-36
Turma: Quarta Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 02 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ART. 170, DO CTN. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
Para fazer jus à compensação pleiteada, o Contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, através da demonstração do indébito, sob pena de ter seu pedido negado.
Numero da decisão: 3004-000.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
Assinado Digitalmente
Semíramis de Oliveira Duro – Relatora
Assinado Digitalmente
Rosaldo Trevisan – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Dionísio Carvallhedo Barbosa, Semíramis de Oliveira Duro, Tatiana Josefovicz Belisário e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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conteudo_txt : Metadados => date: 2026-03-31T01:44:03Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-03-31T01:44:03Z; Last-Modified: 2026-03-31T01:44:03Z; dcterms:modified: 2026-03-31T01:44:03Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-03-31T01:44:03Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-03-31T01:44:03Z; meta:save-date: 2026-03-31T01:44:03Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-03-31T01:44:03Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-03-31T01:44:03Z; created: 2026-03-31T01:44:03Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2026-03-31T01:44:03Z; pdf:charsPerPage: 1507; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-03-31T01:44:03Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L I D A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10410.721652/2013-36 ACÓRDÃO 3004-000.133 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA SESSÃO DE 6 de fevereiro de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE COMPANHIA ALAGOANA DE REFRIGERANTES INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ART. 170, DO CTN. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o Contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, através da demonstração do indébito, sob pena de ter seu pedido negado. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Semíramis de Oliveira Duro – Relatora Assinado Digitalmente Rosaldo Trevisan – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Dionísio Carvallhedo Barbosa, Semíramis de Oliveira Duro, Tatiana Josefovicz Belisário e Rosaldo Trevisan (Presidente). RELATÓRIO Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: Em análise no presente processo o litígio decorrente do Despacho Decisório de fl. 318, da SAORT/DRF/MACEIÓ/AL, que indeferiu o direito creditório e não homologou a compensação vinculada, emitido com base nos fundamentos contidos no Parecer Saort - Fl. 579DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3004-000.133 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10410.721652/2013-36 2 DRFB/MAC 363/2013, que o integra, como resultado da análise do PER 21947.15935.290109.1.1.01-8908 e DCOMP a ele vinculada, transmitido(s) para utilização do saldo credor do IPI apurado no 3º trimestre/2008, no valor de R$1.752.928,71, com fundamento no art. 11 da Lei nº 9.779/99. Para verificação do crédito demandado o documento foi retirado do fluxo eletrônico e instaurado procedimento fiscal amparado pelo MPF nº 04.4.01.00-2013- 00187-3, cujas conclusões encontram-se consignadas no TERMO DE INFORMAÇÃO FISCAL de fls. 305/309, de onde se extrai, em síntese: - a verificação abrange os seguintes períodos: - intimado a apresentar os livros Registro de Entradas, Registro de Saídas, Registro de Apuração do IPI, Relação Descritiva dos Principais Produtos, Descrição do Processo Produtivo e Insumos nele Utilizados, Arquivo Magnético com Número da Nota Fiscal de Aquisição, data entrada, CFOP, NCM TIPI, Descrição do Produto, Valor Total da Nota, IPI Destacado e Escriturado e CNPJ Fornecedor, o contribuinte não se manifestou; - reintimado, apresentou o livro Registro de Entradas e de Saídas do 1º trimestre/2009 [sem autenticação da SEFAZ/AL] e o Registro de Apuração do IPI do Ano- Calendário 2008, informando, quanto ao RAIPI e os Registros de Entradas e Saídas do AC 2009, a impossibilidade da sua apresentação em razão de encontrar-se em poder do DNPM, por motivo de fiscalização. Apresentou também CD contendo o fluxograma do processo produtivo, os insumos utilizados, a classificação fiscal dos produtos industrializados e o relatório geral de entradas de notas ficais; em relação a este último deve-se destacar que discrimina apenas o número da nota fiscal, a data de emissão, CNPJ Fornecedor, razão social, valor total e valor do IPI destacado; - reintimado uma vez mais a apresentar os livros devidamente autenticados pela SEFAZ/AL e o Protocolo de Comprovação da Retenção dos Livros pelo DNPM, o contribuinte não tomou qualquer iniciativa; - somente são passíveis de ressarcimento os créditos de MP, PI e ME escriturados no trimestre-calendário, nos livros próprios [RE e RAIPI]; - a análise do RAIPI denota para o 3º trimestre/2008 o saldo credor da ordem de R$56.317,82; entretanto, a falta de apresentação do livro Registro de Entradas impossibilita a verificação da correta escrituração e aferição dos insumos geradores dos créditos passíveis de ressarcimento, devendo por isso ser glosado o crédito na integralidade; - quanto ao 1º trimestre/2009, a apresentação do Registro de Entradas sem autenticação da SEFAZ/AL, configura descumprimento da exigência contida DL 486/69, art. 5º, §2º, que determina que os livros deverão conter termos de abertura e encerramento e serem submetidos à autenticação do Órgão de Registro do Comércio, não estando o livro revestido das formalidades legais, não podendo ser considerados na presente análise; e quanto ao RAIPI, imprescindível para verificação da apuração do saldo passível de Fl. 580DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3004-000.133 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10410.721652/2013-36 3 ressarcimento, sequer foi apresentado, sob o argumento de retenção pelo DNPM, situação não comprovada documentalmente. Por tais motivos, os créditos deverão ser integralmente glosados e o pleito do 1º trimestre/2009 também não poderá ser deferido. - em resumo conclusivo, “tendo em vista a ausência de livros indispensáveis na apuração de eventuais créditos de ressarcimento de IPI, ou sua apresentação em desacordo com as formalidades legais, conforme explicado neste relatório, efetuamos a glosa integral dos pedidos de ressarcimento”. Ciente do Despacho Decisório e Parecer e Termo que o integram em 12/09/2013 [fl. 323], manifestou a pleiteante a sua inconformidade em 10/10/2013 por intermédio do arrazoado de fls. 324/333, no qual: - discorre sobre os fatos aqui tratados, nos seguintes termos: - o indeferimento do pedido de ressarcimento se deu pela não apresentação de documentação suporte quando da execução da ação fiscal para conferir a exatidão dos valores pleiteados; - restou pendente de apresentação à autoridade fazendária, o Livro Registro de Apuração do IPI, referente ao 3° trimestre de 2008, bem como o Livro Registro de Apuração do IPI relativo ao ano-calendário de 2009, por restarem sob a guarda do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), pela instauração de procedimentos fiscalizatório prévio à fiscalização da RFB, o que impossibilitou a sua apresentação à fiscalização fazendária; e quanto ao Registro de Entradas referente ao 1° trimestre de 2009, não foi apresentado devidamente autenticado pela SEFAZ/AL; - restou pendente, para a completa execução dos trabalhos de auditoria perpetrados pela Receita Federal do Brasil (RFB), de fato, a apresentação de documentação suporte crucial para a aferição dos saldos credores objeto do pedido de ressarcimento em questão; entretanto, dada a natureza da sua atividade econômica não há razão fática a embasar a glosa integral dos créditos, haja vista que os saldos efetivamente existem; - alega a existência do direito creditório, que não pode ser afastado pelas questões retro descritas, uma vez que a atividade da manifestante faticamente atesta a existência de saldo credor em face do alto volume de aquisições necessárias à consecução do seu objeto econômico; - pondera que outras fontes de informações deveriam ter sido analisadas, inclusive as próprias notas fiscais de entrada disponibilizadas à Fiscalização durante os trabalhos, não podendo a situação irregular dos livros fiscais ou a impossibilidade da sua apresentação, por si só, inviabilizar o pedido de ressarcimento; - assegura que, para complementar o trabalho da Fiscalização e atestar faticamente a existência do saldo credor irá apresentar um Laudo nesse sentido, a ser elaborado por empresa contratada para este fim, com análise pormenorizada dos registros relacionados e ateste da existência do saldo credor demandado; - acrescenta que “os respectivos livros ora não analisados pela Fiscalização, bem como aqueles entregues, no entanto, não autenticados pela SEFAZ/AL, além de servirem de Fl. 581DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3004-000.133 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10410.721652/2013-36 4 base para a referida análise, serão disponibilizados à V.Sas. para sua devida apreciação, desta vez, de forma regular, devidamente autenticados e conciliados com o Laudo ora mencionado, de modo que reste comprovado, materialmente, a existência e procedência do PER e sua DCOMP”; - discorre sobre o princípio da verdade material que impõe a observância da verdade factual em detrimento da meramente formal, insiste que o crédito existe e foi regularmente escriturado e declarado e que a Fiscalização explorou de maneira insuficiente os elementos que tinha à disposição para confirmar a existência do direito creditório; - menciona também os princípios da razoabilidade e proporcionalidade como limitadores do poder discricionário da administração pública, cujos atos administrativos devem estar calcados no padrão legalmente vigente [art. 2º da Lei nº 9.784/991, não podendo “ignorar princípios para desrespeitar direitos comprovadamente existentes”; - assevera que “a Administração, mesmo não se valendo de todos os meios de que dispunha para verificar a legitimidade do crédito — ainda que os respectivos Livros não tenham sido disponibilizados, ou se assim foram, não devidamente autenticados, os registros contábeis e fiscais da MANIFESTANTE suportam tais valores e estão devidamente arquivados e à disposição das Autoridades Fiscais, automaticamente determinou o seu indeferimento, medida que não guarda proporção com os fins objetivados pela lei, configurando-se, por conta disso, medida desproporcional em relação ao que a lei determina como necessário, que é a busca da realidade dos fatos”; - requer a unificação do presente processo ao de número 10410.721653/2013-81, objeto da mesma verificação fiscal e por isso envolve a mesma matéria e objeto; - por fim, protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos em direito, a juntada posterior de Laudo comprobatório da existência e materialidade do saldo credor e, ainda, a realização de diligência fiscal para comprovação dos fatos descritos. Anexos à defesa: A 3ª Turma da DRJ/JFA, Acórdão n° 09-75.236, negou provimento à manifestação de inconformidade: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR. COMPROVAÇÃO DA LEGITIMIDADE DO PLEITO. CONDIÇÃO PARA O DEFERIMENTO. O saldo credor do IPI resulta do confronto entre débitos e créditos na escrita fiscal do contribuinte em cumprimento à sua característica fundamental e constitucional de submeter-se ao princípio da não-cumulatividade. A simples Fl. 582DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3004-000.133 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10410.721652/2013-36 5 alegação da existência do saldo credor e de que os produtos adquiridos conferem direito ao crédito indicado nas notas fiscais de aquisição não se traduz em elemento suficiente para ateste da legitimidade dos créditos e não autoriza o seu ressarcimento sem que se verifique nos livros e registros fiscais a existência de saldo credor, cabendo ao interessado a prova do direito que alega possuir. Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação do pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará o indeferimento do pleito. PEDIDO DE APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE DOCUMENTOS E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Não encontra respaldo o pedido de juntada posterior de documentos quando não configurada nenhuma das hipóteses expressamente admitidas no Decreto nº 70.235/67. Do mesmo modo indefere-se o pedido de diligência quando presentes nos autos e na legislação elementos suficientes e satisfatórios para a formação da convicção do Julgador acerca da lide. Em Recurso Voluntário, a Recorrente reitera os exatos argumentos da manifestação de inconformidade no tocante ao mérito do crédito negado pela unidade de origem. Não anexa novos documentos. É o relatório. VOTO Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de interposição, devendo ser conhecido. Conforme relatado, na origem, a compensação do saldo credor do IPI, na forma do art. 11 da Lei nº 9.779/1999, foi negada, em decorrência da falta de apresentação de livros fiscais – RAIPI e Registro de Entradas e de informação quanto a elementos essenciais que impossibilitaram a aferição dos insumos geradores dos créditos passíveis de ressarcimento [ausência de informação, no Relatório Geral de Notas Fiscais de Entradas, quanto à descrição do produto adquirido e respectiva NCM TIPI]. O saldo credor de IPI é apurado pelo confronto entre os créditos pelas entradas dos insumos e os débitos pelas saídas de produtos industrializados, em cada período de apuração do tributo. Logo, é imprescindível a apresentação do RAIPI, que registra, os períodos de apuração, os totais dos valores contábeis e dos valores fiscais das operações de entrada e saída Fl. 583DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3004-000.133 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10410.721652/2013-36 6 extraídos dos livros próprios [Registro de Entradas e Registro de Saídas], atendido o CFOP e, registra os débitos e créditos do IPI, os saldos apurados e outros elementos. Como bem consignado pela decisão de piso, a comprovação da escrituração dos créditos no Livro Registro de Apuração do IPI é uma das condições fundamentais para o deferimento do pedido de ressarcimento, já que o aproveitamento do crédito se dá primeiramente na escrita fiscal, para dedução dos débitos porventura existentes quando das saídas do estabelecimento industrial, sendo concedido de forma subsidiária o ressarcimento, ao final do trimestre em que escriturado, desde que, comprovadamente, exista saldo credor. E mais, escriturado o crédito, este deve ser estornado no período em que ocorrer o pedido de ressarcimento a fim de evitar duplo aproveitamento. Ademais, a falta de informação quanto à descrição do insumo adquirido em cada nota fiscal e o respectivo código NCM/TIPI, impossibilita a sua identificação como sendo MP, PI ou ME utilizado no processo de fabricação, e, consequentemente, a avaliação de se tratar ou não de crédito passível de ressarcimento o IPI a ela referente. Ausentes também de demonstração pelo Contribuinte. Por fim, não consta nos autos, documentação comprobatório de que seus livros estavam retidos em fiscalização de outros órgãos públicos. Por imperativo do art. 170, do CTN, o crédito a ser compensado deve ser líquido e certo, por isso é matéria vinculada à produção de prova, o que implica na análise da eficácia dos meios empregados na demonstração do pagamento a maior ou indevido e o ônus dessa produção probatória. Como regra geral, a prova dos fatos constitutivos cabe a quem pretenda o nascimento da relação jurídica, enquanto a dos extintivos, impeditivos ou modificativos compete a quem os alega, nos termos do art. 373, do CPC/15. Logo, ao Contribuinte cabe a apresentação dos documentos comprobatórios da liquidez e certeza do direito creditório como pré-requisito ao conhecimento do requerimento, que passa por documentos contábeis/fiscais e outros aptos a comprovar a liquidez e certeza do seu crédito. Diante disso, não há mácula ao princípio da verdade material, pois, no caso, o Contribuinte não logrou êxito em produzir as provas necessárias para demonstrar de maneira inequívoca a liquidez e certeza do crédito. O princípio da verdade material não se volta ao propósito de suprir o ônus da prova colocado às partes. Conclusão Do exposto, voto por conhecer e negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Semíramis de Oliveira Duro Fl. 584DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3004-000.133 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10410.721652/2013-36 7 Fl. 585DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 00000.845619/78-78
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 1979
Ementa: FALTA APURADA EM CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO - O fato gerador do imposto de importação é a entrada da mercadoria estrangeira no país, materializando-se, quanto à mercadoria em falta, o fato gerador ficto. Também, na chegada do navio são levados ao conhecimento das autoridades aduaneiras os elementos, necessários à apuração da falta. O "dólar fiscal" e alíquotas tarifárias a serem utilizados no cálculo do crédito tributário são os vigentes nessa ocasião.
Numero da decisão: 302-24.504
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, pelo voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de decadência levantada pelo Conselheiro relator, vencido também, os Conselheiros Eduardo Jorge Pereira Júnior, Enila Leite de Freitas Chagas e Eduardo Nogueira da Gama, e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Sálvio Medeiros Costa, que negou, e Levy Valério de oliveira, Raimundo José Alves Gonçalves e Edwaldo Reis da Silva, que deram provimento parcial, para considerar como data de referência para cálculo do tributo a da conferência final do manifesto, na forma do relatório e votos integrar o presente julgado.
Nome do relator: JOÃO DA SILVA ARAÚJO
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ACORDÃO N.o ~A ?.OA _ . Recurso n.o Recorrente Recorricfl- 93 408 - Proc. 0845/61978/78 TRANSATLANTIC CARRIERS LTDA D RF - SANTOS FALTA APURADA EM CoNFERtNCIA FINAL DE MANIFESTO - O fato gerador do imposto de ~mportaç~o ~~a entrada ' da mercadoria estrangeira no pãís, materializando - ~e, quanto ~ mercadoria em falta, o fato gerador ficto. Tamb~m na chegada do navio s~o levados ao co nhecimento dasaautoridades aouaneiras os elementos' necessários ~ apuraç~o da faj;ta. O "dólar fiscal" e alíquotas tarifãrias a serem utilizados no cãlculo' do cr~dito tributãrio s~o os vigentes nessa ocasi~o. Visto, relatado e discutido o presente processo, ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Con selho de Contribuintes, pelo voto de qualidade, em rejeitar a pre- liminar de decad~ncia levantada pelo Conselheiro relator, vencido~ também,os Conselheiros Eduardo Jorge Pereira Júnior, Enila Leite' de Freitas Chagas e Eduardo Nogueira da Gama, e, no m~rito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidos os Conse- lheiros Sãlvio Medeiros Costa, que negou, e Levy Valério de olivei ra, Raimundo Jos~ Alves Gonçalves e Edwaldo Reis da Silva, que de - ram provimento parcial, para considerar como data de refer~ncia p~ ra cãlculo do tributo a da confer~ncia final do manifesto, na for« ma do relatório e votos integrar o presente julgado. de 1979 ------- DOS ANJOS-Procurador da Faz. Nacional. RECORRENTE: R.ECORRIDA: R'[LATOR: • -.2- SERViÇO PÚBLICO FEDERAL MP -,TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, SEGUNDA CAMARA ,. ."0 ''';: .. i. ~ - «' ~ t;,~_•••~ •• .w""_<.-t' , ,. ~ TRANSATLANTIC CARRIERS LTDA Rec. 93 408 DRF - SANTOS Ac. 24 504 JO?\O DA SILVA iP.iI~.w~jO'-;- R E L A T Ó R I O Em ~to de conferência final do manifesto do navio "SAN NICOLAS", entrado em 09-04-73, apurou-se a fal ta ou extra vio_.de._d~ve~.s?s volumes, conforme discriminado no auto de in- fração de fl. Dl. ' I .' Às fls. 12/15 ,'a',aJt,uada admite o extravio das mer- cadorias, discordando, entretanto, da crit~rio adotado para o c~lculo do Imposto de Importação. Com arrimo na Orientação Normativa Interna C.S.T.nº 30/76, a autoridade "a quo" julgou procedente a ação fiscal. Em recurso tempestivo, fls. 28/34, reitera~se o en- tendimento de que a quantificação do tributo d~ve ser efetua- da com observ~ncia dos índices vigorantes ~ ~~poca da impor- .tação. É o relatório • SERViÇO PÚBLICO FEDERAL v O TO -3- Rec. 93 408 Ac. 24504 • A questão sUBci tada.no processo' é a de saber-se que alíquota e taxa de câmbio devem ser aplicadas para cálculo do imposto, no ' caso do fato gerador ficto estabelecido no parágrafo único do art. lº do Decreto-lei 37/66. ~ Este, depois de estabelecer, conco~de com o C.T.N., que o fato gerador do Imposto de Importação é a entrada da mercadoria es trangeira no territ6rio nacional ( caput do art. lº) estatue no seu parágrafo único, afigura do mesmo fato gerador, por~m ficto, ao ' considerar, para efeito da ocorrência do fato gerador, como entra- da no territ6rio nacional, a mercadoria que constar como tendo si- do importada, mas posteriormente achada em falta. Esse dispositivo se apoia no art. 116 do C.T.N., pois considera ocorrido o mesmo fa ..to gerador quando se reunem as circunstâncias materiais const~nt~' do manifesto, do conhecimento de carga ou documentos equivalentes- necess~rias a que produza os efeitos que normalmente lhe são pr6~' prios, ou sejam, a descarga da mercadoria, sua entrada no territ6- rio nacional. E nenhuma disposição do Decreto-lei 37/66 ou de outra qualquer lei dispõe em contrário. E portanto estatue qUB o mesmo fato gerador ficto ocorre ' no momento estabelecido no caput do art. lº. O fato de haver empregado o mesmo parágrafo único a expre~ ~ sao "cuja falta venha a ser apurada pela autoridade aduaneira", aliado ~ redação do art. 23 parágrafo único, tem levado ~ int8rpr~ tação segundo a qual o fato gerador do imposto ocorre no momento ' em que a autoridade aduaneira apura a falta referida, resultando' dai conclusão de que a alíquota e taxas cambiais a aplicar sejam ' as daquele momento. Tal interpretação, data vênia, não encontra apoio na lei,' no .direito e nas regras de hermen~~tica.~ "_.- Com efeito, uma mercadoria consta Como tendo sido importa- da quando constante de manifesto, conhecimento de carga ou docume~ tos equivalentes, e desde o momento em que o veIculo condutor (na- vio, avião etc ... ) entra no porto ou local a que, segundo tais docu mentos, se destina tal mercadoria, e a autoridade aduaneira recebeI tais documentos. Recebendo, outrossim, as folhas de descarga das I -segu'3- <:. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL -4- Rec. 93 408 Ac. 24504 mercadorias, tem, nesse momento, conhecimento de qualquer falta de mercadoria que deveria ter sido descarregada. Aquele,o momento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, tanto para as mercadorias efetivamente descarregadas,' como para aquelas que porventura venham a ser encontradas em fal- ta ; ~om relação ~s ~ltimas, o fato gerador ~ ficto, isto ~,consi- dera-se a mercadoria em falta como realmente entrada no território 'tnacional, entrada que ocorre desde o momento em que ocorreria o fa to gerador real se não houvesse a falta. Interpretar-se de outra maneira, dando como ocorrido o fato gerador ficto de que se trata em outro momento, seria admitir~se a poséibilidade juridica de criar a simples lei tributária fato ger~ dor, ainda que ficto, diverso do previsto no art. 19 do Código Tri butário Nacional - lei Complementar da Constituição, de maior hie- rarquia. T~l possibilidade juridica tem sido ~rechaçad~. pelo Supremo Tribunal Federal, com~ se vê, entre outros, dos acórdãos proferidos nos Agravos nQ 74.526-in DJ. de 05/10/78, 74.389-in DJ. 10/10/78 e 74.597.1, in DJ 16/03/79, declarando este, em sua ementa, que "o ' artigo 23, do Decreto-lei nQ 37,' de 1966, que considera ocorrido o fato gerador do Imposto de Importação na data do registro na repa£ tição aduaneira da respectiva declaração, não pode prevalecer sobre a disp"gsição sobranceira do artigo 19 do Código T'ributá'rioNacio~ nal,: segundo o qual o fato gerador é a en-(;rada do produto estrangeie 1'0 no ter ri tór io nacional". ( os gr ifos não são do OI' ig in aI ) • Ora, se disposição expressa de lei não pode prevalecer, mui to menos si~ples interpretação da mesma lei que venha conflitar com aquela disposiçãq de lei Complementar da Constiruição, como ~ o Código Tributário Nacional. Tal interpretação feriria regras elementares de hermeneuti- ca, e feriria o principio da hierarquia das leis. Por outro lado, apurar uma falta de mercadoria presupõe que .~."a,'iTI'esmatenha sido considerada como entrada, e a fal ta ocorrido a.!2 tes de qualquer inicio do procedimento da apuração, oq~e exclue a possibi lidade de se tomar como momento da oc orrência do fa to gerador o da apuração posterior do ffiesmofato já antes ocorrido. O Código Tributário Nacional dispõe no art. 143 que quando' o valor tributável esteja expresso em moeda estrangeira, no l~nça- -segue- ':,!:lI .It' - SERViÇO PÚBLICO FEDERAL -5- Rec.93 408 Ac. 24504 lançamento far-se a sua convers~o em moeda nacional ao cãmbio do dia da ocorr~ncia do fato gerador, h~O havendo no Decreto-lei 3~66 qualquer disposiç~o em contrário. E no artigo 144, imperativamente dispõe que "o lançamento re- porta-sE ~ data da ocorr~n~ia do fato gerador da obrigaç~o e rege- ~e pela lei ent~o vigente~ ainda que posteriormente modificada ou re~Jogada". A interpretaç~o do parágrafo único do art. 23 do Decreto-lei' 37/66 há de ser feita em conformidade com tais disposições do C.T.N., lei cogente para a Uni~o, os Estados e os Município, e de tais disposições n~o pode divergir. Ora, em nenhum momento o Decreto-lei 37/66, e o Decreto nQ' 63.431/68, dispõem de modo diverso sobre a taxa de câmbio a ser utilizada na convers~o da moeda estrangeira, no caso, tornando-se assim" obrigatória a aplicaç~o do art. 143 do C.T.N. Em nenhum momento diz que deve ser aplicada aliquota diversa' da correspondente ao momento da ocorr~ncia do fato gerador estabe- lecido na caput do art. lQ do Decreto-lei 37/66, em conson~ncia com o art. 19 do Código Tributário Nacional. E isso se torna patente na anãlise do Decreto nQ63.43l/68, , que regulamentando especificamente a confer~ncia final do manifes- to, disp~e, expressamente, que a mercadoria ficará sujeita aos tri butos vigentes na data do respectivo fato gerador, que n~o define, limitando-se a repetir a norma do parágrafo único do art. lQ do De ereto-lei 37/66, e que 05 valores expressos em moeda estrangeira' ser~o convertidos em moeda nacional ~ taxa de cãmbib vigente naqu~ la mesma data, que, como vimos, ~ a prevista no caput do artigo lQ do Decreto-lei 37/66. Ante o exposto, dou provimento ao recurso. Sala de Sessões, 13 de (' IiERVIÇO PÚBLICO FEDERAL DE~LARAÇAO DE VOTO -6- Rec. 93 408 Ac. 24 50.4 Antes de tudo devo consignar as razões por que naQ aCbm - panho o ilustre Relator na preliminar de decadência que apresen- tou. efetivamente, se formali - ), para os efeitos do par~ em 29 de março de 19Z8 , quando, zou o ato de of!cio (doc. de fis. 2 Sobre o assunto já se pronunciou a extinta Instância Esp~ cia1, em várias oportunidades, embasada nos argumentos expostos' no voto vencido, dado, entre outros, no recurso 90.514 (acórdão' n'~ 23.426) I em que se expendeu o entendimento de que "o termo inicial para ~. contagem do prazo fixado no artigo 173, do Código Tributário Nacional (CTN), deve recair na data em que o sujeito" passivo toma ciência da medida preparatória indispensável ao , , . '.lançamento tributario, como prescreve o paragrafo un~co, "in fi- ne", da mencionada disposição legal". É de ressaltar-se que es -.4t .sa medida preparatória se traduz, no caso destes autos, na repr~ sentação 'fiscal de fls.~02 , através da qual. a fiscalização deu carater formal ao fato apontado e levou ao conhecimento da trans portadora, e óra recorrente, em 3 de abril de 197'8 . É a par - tir dessa data, de acordo com a norma, que começa a fluir o pra- zo decadencial. Como se vê o decurso de t~mpo entre essa data e a da constituição do crédito ( c22-06~7~ não exaure o prazo de cinco anos que configuraria a decadência. No mérito, devo seguir a mesma linha de raciocinio que vem norteando a minoria da Câmara, segundo a qual, na aplicação' a do parágrfo único do artigo 23, do Decreto-lei nQ 37/66, há que' considerar a data em que a fiscalização apurou a falta ou dela tomou conhecimento através de ato devidamente formalizado, inde- pendentemente de ser ou não constituido, logo, o crédito tribu _ tário correspondente. Tal orientação encontra respaldo em entendimento uniforme da mencionada Instância Especial, manifestado em diversos proce~ ,sos que lhe foram submetidos em grau de apelação do Sr~ Procura- da Fazenda Nacional, citando-se, como exemplo, o recurso nº 90.506, no qual se dete~nlinou fossem os tributos calculados se- os indices vigentes na data da conferência final de mani - (Parecer nº 182/78 do citado Foro). Á vista do exposto, considerando que, na hipótese sob exa'71e, a fisca1"iz~ção tomou conhecimento das fa1 tas, e apurou-a, I ~ '[t. -7- Rec. 93 408 Ac. 24 504 SERViÇO PÚBLICO FEDERAL grafo único do artigo 23, do aludido Decreto-lei nQ 37/66, dou '. provimento ao recurso, apenas em parte, a fim de ser considerada' a situação vigente na data da referida representação, devendo, com efeito, ser retificada a base dê c~lculo adotada na decisão ' recorrida que, como consta, foi determinada levando-se em conta ' a data do lançamento tribut~rio (22-06-78 ). Sala das Sessões, l~ de junho de 1979. • /lI ~.~~1rPt' .~ r RA~DO OS '.AL . . GO ~v S Conselheiro • 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007
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Numero do processo: 10140.720271/2013-67
Turma: Quarta Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 23 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
ALEGAÇÃO DE PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO DECORRENTE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE DO INSTITUTO DA PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DE EXIGÊNCIA TRIBUTÁRIA. SÚMULA CARF Nº 11. VINCULANTE POR ATO DO MINISTÉRIO. PORTARIA MF Nº 277/2018.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
SESI. SENAI. SERVIÇO SOCIAL AUTÔNOMO. RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÃO AO INCRA E SALÁRIO-EDUCAÇÃO/FNDE. ISENÇÃO. PARECER SEI Nº 12963/2021/ME.
Os Serviços Sociais Autônomos não se sujeitam às contribuições ao Incra e ao salário-educação, tanto em razão da natureza jurídica, quanto pela vigência da isenção prevista nos arts. 12 e 13 da Lei nº 2.613, de 1955.
É assente na jurisprudência a ampla isenção tributária de impostos e de contribuições às entidades de serviços sociais autônomos, independentemente da observância dos requisitos legais, à luz do disposto nos arts. 12 e 13 da Lei nº 2.613, de 1955. Nota SEI nº 13/2021/CASTF/PGAJUD/PGFN-ME e Parecer SEI nº 12.963/2021/ME. Jurisprudência do STJ consolidada em sentido contrário aos interesses federais. Inclusão do tema na lista de dispensa de contestar e de recorrer (item 1.23, “j”) de que trata o art. 2º, VII e §§ 4º e 5º, da Portaria PGFN nº 502, de 2016. Apenas SESI, SESC, SENAI SEST, SEBRAE, SENAR, SENAT e SENAC fazem jus à ampla isenção tributária de impostos e de contribuições. Processo SEI nº 10951.104143/2021-37.
Numero da decisão: 2004-000.368
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitadae, no mérito, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
Assinado Digitalmente
Leonam Rocha de Medeiros – Relator
Assinado Digitalmente
Liziane Angelotti Meira – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Cleberson Alex Friess (substituto integral), Leonam Rocha de Medeiros, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Liziane Angelotti Meira (Presidente).
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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CRÉDITO TRIBUTÁRIO DECORRENTE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE DO INSTITUTO DA PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DE EXIGÊNCIA TRIBUTÁRIA. SÚMULA CARF Nº 11. VINCULANTE POR ATO DO MINISTÉRIO. PORTARIA MF Nº 277/2018. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. SESI. SENAI. SERVIÇO SOCIAL AUTÔNOMO. RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÃO AO INCRA E SALÁRIO-EDUCAÇÃO/FNDE. ISENÇÃO. PARECER SEI Nº 12963/2021/ME. Os Serviços Sociais Autônomos não se sujeitam às contribuições ao Incra e ao salário-educação, tanto em razão da natureza jurídica, quanto pela vigência da isenção prevista nos arts. 12 e 13 da Lei nº 2.613, de 1955. É assente na jurisprudência a ampla isenção tributária de impostos e de contribuições às entidades de serviços sociais autônomos, independentemente da observância dos requisitos legais, à luz do disposto nos arts. 12 e 13 da Lei nº 2.613, de 1955. Nota SEI nº 13/2021/CASTF/PGAJUD/PGFN-ME e Parecer SEI nº 12.963/2021/ME. Jurisprudência do STJ consolidada em sentido contrário aos interesses federais. Inclusão do tema na lista de dispensa de contestar e de recorrer (item 1.23, “j”) de que trata o art. 2º, VII e §§ 4º e 5º, da Portaria PGFN nº 502, de 2016. Apenas SESI, SESC, SENAI SEST, SEBRAE, SENAR, SENAT e SENAC fazem jus à ampla isenção tributária de impostos e de contribuições. Processo SEI nº 10951.104143/2021-37. Fl. 323DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.368 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10140.720271/2013-67 2 ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Leonam Rocha de Medeiros – Relator Assinado Digitalmente Liziane Angelotti Meira – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Cleberson Alex Friess (substituto integral), Leonam Rocha de Medeiros, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Liziane Angelotti Meira (Presidente). RELATÓRIO Cuida-se, o caso versando, de Recurso Voluntário (e-fls. 292/304), com efeito suspensivo e devolutivo ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal ―, interposto pelo recorrente, devidamente qualificado nos fólios processuais, relativo ao seu inconformismo com a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) de primeira instância (e-fls. 269/274), consubstanciada no Acórdão nº 14-66.029 - 10ª Turma da DRJ/RPO, de 19/05/2017, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente o pedido deduzido na impugnação, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. É vedado a autoridade julgadora afastar a aplicação de leis, decretos e atos normativos por inconstitucionalidade ou ilegalidade. ENTIDADES PRIVADAS DE SERVIÇO SOCIAL. CONTRIBUIÇÕES PARA OUTRAS ENTIDADES OU FUNDOS. SALÁRIO EDUCAÇÃO E INCRA. As entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical, constituídas sob a forma de serviço social autônomo, não estão sujeitas às contribuições devidas por lei a terceiros, exceto quanto à contribuição social do salário-educação e à contribuição devida ao Incra. Fl. 324DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.368 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10140.720271/2013-67 3 PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. FORMALIDADES. Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência e/ou perícia para as quais não foram expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do lançamento fiscal O lançamento, em sua essência e circunstância, para fatos geradores ocorridos nas competências destacadas na ementa do acórdão recorrido, com auto de infração juntamente com as peças integrativas e Relatório Fiscal (e-fls. 52/54) devidamente colacionados, tendo o contribuinte sido notificado em 08/03/2013 (e-fl. 2), foi bem sumariado no relatório do acórdão objeto da irresignação, pelo que passo a adotá-lo com breves adaptações quando necessárias: Trata-se de crédito tributário constituído pela fiscalização, por meio do Auto de Infração DEBCAD nº 51.011.386-9, no valor de R$ 1.441.126,32, lavrado em 05/03/2013, referente às contribuições destinadas às outras entidades e fundos (Salário Educação e INCRA), incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas pelo SESI (serviço social autônomo) aos segurados empregados que lhe prestaram serviços, no período de 01/2009 a 12/2011. Os valores foram apurados com base nas GFIPs – Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, nas quais foram declaradas as bases de cálculo sem as contribuições devidas aos terceiros (Salário Educação e INCRA). Da Impugnação ao lançamento A impugnação (e-fls. 97/145), que instaurou o contencioso administrativo fiscal, dando início e delimitando os contornos da lide, foi apresentada pelo recorrente. Em suma, controverteu-se na forma apresentada nas razões de inconformismo, conforme consta sumariado no relatório da decisão vergastada, pelo que peço vênia para, igualmente, reproduzir com breves adaptações quando necessárias: O sujeito passivo apresentou impugnação (fls. 97/145), na qual alega e requer, em suma, o seguinte: - O SENAI não é contribuinte do Salário Educação e do INCRA, por força dos artigos 12 e 13 da Lei nº 2.613/55. Transcreve jurisprudência dos tribunais. - As legislações instituidoras das contribuições para o INCRA e Salário Educação elegem como contribuintes as empresas, conceito do direito civil, no qual o SENAI não se enquadra. Transcreve jurisprudência dos tribunais nesse sentido. Fl. 325DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.368 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10140.720271/2013-67 4 - As contribuições destinadas ao INCRA e ao Salário Educação não se sujeitam ao princípio da solidariedade, pois não integram as contribuições destinadas à Seguridade Social. - As contribuições destinadas ao INCRA e ao Salário Educação também não representam adicionais da contribuição previdenciária, a esta se assemelhando apenas quanto à base de cálculo, prazos, condições, sanções e privilégios. - Os contribuintes do INCRA e ao Salário Educação não se confundem com os contribuintes da Seguridade Social. Enquanto, como contribuintes da Seguridade Social, enquadram-se a empresa, a entidade equiparada a empresa e o empregador; como contribuinte do INCRA e ao Salário Educação enquadram-se apenas as empresas. - O SENAI, pelos relevantes serviços de interesse público que presta, foi beneficiado com um ampla isenção fiscal, como se fosse a própria União, conforme previsto nos artigos 12 e 13 da Lei 2.613/1955. Assim, o SENAI beneficia-se das mesmas isenções de que a União usufrui. A Lei 2.613/1955 não concedeu isenção expressa a qualquer tributo. Apenas determinou que onde a união fosse isenta, o SENAI também o seria. - A União, não sendo "empresa", no sentido técnico jurídico da palavra e nem equiparada a esta, pois não tem fins lucrativos nem assume riscos, não se enquadra como contribuinte do INCRA, da qual foi expressamente isenta pelo Decreto nº 60.466, nem do Salário Educação, da qual foi expressamente isenta pelo artigo 1º, § 1º, inciso I, da Lei 9.766/1998. Essa isenção deve ser estendida ao SENAI, por força dos artigos 12 e 13 da Lei 2613/1955. - Caso recolhesse essas contribuições, o SENAI poderia até ser punido pelo Tribunal de Contas da União por irregular aplicação dos recursos da entidade. - A Lei nº 2.613/195 está em pleno vigor, já que não foi editada lei posterior que a revogasse expressamente, com ela fosse incompatível ou regulasse inteiramente a matéria (Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro, art. 2º, § 1º). - O SENAI, por se tratar de uma instituição de ensino, não é contribuinte do Salário Educação. Transcreve jurisprudência dos tribunais nesse sentido. - O artigo 212, §5º, da Constituição Federal, na redação dada pela EC 14/1996, prevê que a contribuição para o Salário Educação será recolhida pelas empresas. Desta forma, é inconstitucional o artigo 1º, §3º, da Lei 9.766/1998, ao estender o entendimento de empresa a qualquer firma individual ou sociedade com fins lucrativos ou não, eis que altera a definição de empresa contida no Código Civil, violando assim o artigo 110 do Código Tributário Nacional. Ademais, como a ressalva contida no artigo 240 da CF já confere ao SENAI o reconhecimento de instituição de educação, é desnecessária a sua previsão na Lei 9.766/1998. Fl. 326DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.368 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10140.720271/2013-67 5 - O SENAI não é contribuinte do INCRA, por não estar vinculado ou exercer atividade rural, sob pena de violação ao artigo 128 do Código Tributário Nacional. - A contribuição devida ao INCRA tornou-se inconstitucional após a entrada em vigor da Constituição Federal de 1988, a partir de quando perdeu seu fundamento de validade. - Protesta pela produção de todos meios de prova em direito admitidas, em especial pela juntada de novos documentos, realização de diligencia e perícias, porventura necessárias no curso do processo, reservando o direito de justificar e formular os quesitos caso necessário. - Requer a improcedência do Auto de Infração. Do Acórdão de Impugnação Na DRJ, primeira instância do contencioso tributário, lavrou-se a decisão a quo cujos fundamentos são pela improcedência dos pedidos deduzidos na impugnação, conforme teses sintetizadas na ementa alhures transcrita. Do Recurso Voluntário e encaminhamento ao CARF No recurso voluntário o sujeito passivo, reiterando termos da impugnação, postula a reforma da decisão de primeira instância, a fim de cancelar o lançamento de ofício lavrado pela autoridade fiscal. Antes, no entanto, apresenta preliminar de prescrição intercorrente. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído por sorteio para este relator. É o que importa relatar. Passo para a fundamentação do voto analisando, primeiramente, o juízo de admissibilidade e, se superado este, o juízo de mérito para, ao final, consignar o encaminhamento com o registro do dispositivo. VOTO Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator. Admissibilidade O Recurso Voluntário atende a todos os pressupostos de admissibilidade intrínsecos, relativos ao direito de recorrer, e extrínsecos, relativos ao exercício deste direito, sendo caso de conhecê-lo. Quanto aos pressupostos extrínsecos, observo que o recurso se apresenta tempestivo (notificação em 08/06/2017, e-fl. 289, protocolo recursal em 04/07/2017, e-fl. 290, e Fl. 327DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.368 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10140.720271/2013-67 6 despacho de encaminhamento, e-fl. 320), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal, bem como resta adequada a representação processual, inclusive contando com advogado regularmente habilitado, de toda sorte, anoto que, conforme a Súmula CARF nº 110, no processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo, sendo a intimação destinada ao contribuinte. Por conseguinte, conheço do recurso voluntário. Apreciação de preliminar antecedente a análise do mérito - Preliminar de prescrição intercorrente O recorrente requer o reconhecimento de prescrição intercorrente por entender que o procedimento administrativo instaurado para apurar fato passível de punição permaneceu paralisado por mais de três anos, nos termos prescritos no §1º do art. 1º da Lei nº 9.873. Sustenta que foi superado o prazo sem movimentação oficial. Muito bem. Não assiste razão ao recorrente. Quanto a prescrição intercorrente do crédito tributário em litígio mantido pela decisão da DRJ, tenho a esclarecer que, para controle de legalidade exercido no CARF, não se aplica o instituto da prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal, isto por ausência de previsão legal específica no Código Tributário Nacional (CTN) ou no Decreto nº 70.235, que disciplina o processo administrativo fiscal. Ademais, a Lei nº 9.873 se aplica exclusivamente as punições administrativas decorrentes do exercício do poder de polícia, o que não é o caso em espécie, o qual trata do processo de determinação e exigência dos créditos tributários da União. A matéria está plenamente pacificada neste Egrégio Conselho para processos de índole tributária como o presente, na forma da Súmula CARF nº 11, a saber: “Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.” Aliás, referido enunciado sumular se tornou vinculante, na forma da Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018. Os acórdãos precedentes que discutiram essa matéria são a seguir referenciados: Acórdão nº 103-21113, de 05/12/2002 Acórdão nº 104-19410, de 12/06/2003 Acórdão nº 104 19980, de 13/05/2004 Acórdão nº 105-15025, de 13/04/2005 Acórdão nº 107-07733, de 11/08/2004 Acórdão nº 202-07929, de 22/08/1995 Acórdão nº 203-02815, de 23/10/1996 Acórdão nº 203-04404, de 11/05/1998 Acórdão nº 201-73615, de 24/02/2000 Acórdão nº 201 76985, de 11/06/2003. De mais a mais, para argumentar, o prazo estabelecido na Lei nº 11.457 é considerado impróprio, na concepção doutrinária, não ocorrendo preclusão, tampouco nulidade. Fl. 328DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.368 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10140.720271/2013-67 7 Princípios constitucionais de duração razoável do processo, outrossim, não anulam o lançamento, por si só, estando o lançamento dentro dos padrões formais regulamentares. Sendo assim, rejeito a preliminar de prescrição intercorrente. Mérito Quanto ao juízo de mérito, passo a apreciá-lo. Como informado em linhas pretéritas, a controvérsia é relativa ao lançamento de ofício constituído por meio do Auto de Infração DEBCAD nº 51.011.386-9, no valor de R$ 1.441.126,32, lavrado em 05/03/2013, referente às contribuições destinadas às outras entidades e fundos (Salário Educação e INCRA), incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas pelo SENAI (serviço social autônomo) aos segurados empregados que lhe prestaram serviços, no período de 01/2009 a 12/2011. Os valores foram apurados com base nas GFIPs, nas quais foram declaradas as bases de cálculo sem as contribuições aos Terceiros (Salário Educação e INCRA). O recorrente alega que goza de ampla isenção tributária de impostos e, também, de contribuições. Essa isenção ampla se destina às entidades de serviços sociais autônomos, independentemente da observância dos requisitos legais, à luz do disposto nos arts. 12 e 13 da Lei nº 2.613, de 1955. Muito bem. Assiste razão ao recorrente. O tema, inclusive, já foi objeto de dispensa de contestar e de recorrer. Deveras, consta na lista de dispensa de contestar e de recorrer (item 1.23, “j”) de que trata o art. 2º, VII e §§ 4º e 5º, da Portaria PGFN nº 502, de 2016, à ampla isenção tributária de impostos e de contribuições destinadas ao SESI, SESC, SENAI SEST, SEBRAE, SENAR, SENAT e SENAC, conforme Processo SEI nº 10951.104143/2021-37, além das diretrizes da Nota SEI nº 13/2021/CASTF/PGAJUD/PGFN-ME e do Parecer SEI nº 12.963/2021/ME. É certo que os Serviços Sociais Autônomos não se sujeitam às contribuições ao Incra e ao salário-educação, tanto em razão da natureza jurídica, quanto pela vigência da isenção prevista nos arts. 12 e 13 da Lei nº 2.613, de 1955, conforme jurisprudência judicial consolidada, especialmente no Superior Tribunal de Justiça – STJ. O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – SENAI, espécie do gênero Serviços Sociais Autônomos, foi criado pelo Decreto-Lei nº 4.048, de 22 de janeiro de 1942, na época se denominava Serviço Nacional da Aprendizagem dos Industriários, mas passou a deter o atual nome pelo Decreto-Lei nº 4.936, de 07 de novembro de 1942, com a finalidade de organizar e administrar escolas de aprendizagem ministrando ensino de continuação e de aperfeiçoamento e especialização, sem fins lucrativos e não integrante da Administração pública direta ou indireta. Fl. 329DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.368 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10140.720271/2013-67 8 No art. 6º do Decreto nº 49.121-B, de 17/10/1960, em consonância com os arts. 11, 12 e 13, todos da Lei nº 2.613/55, dispõe que os serviços e bens do SENAI gozam de ampla isenção fiscal como se fossem próprias da União: A controvérsia, portanto, cinge-se em saber se a isenção se aplica às contribuições devidas a título de salário-educação e ao INCRA. Quanto às contribuições destinadas ao INCRA, o art. 3º do Decreto-Lei nº 1.146/70, que consolida os dispositivos sobre as contribuições criadas pela Lei nº 2.613/55, determina serem devidas pelas empresas. E, ao contrário da Lei nº 8.212, que, no seu art. 15, parágrafo único, admite e faz equiparações, inclusive para considerar como empresas as associações ou entidades de qualquer natureza ou finalidade, o Decreto-Lei retro mencionado não admite a equiparação do SENAI à empresa. Veja-se que o art. 3º é silente a esse respeito: Art. 3º É mantido o adicional de 0,4% (quatro décimos por cento) a contribuição previdenciária das empresas, instituído no § 4º do artigo 6º da Lei nº 2.613, de 23 de setembro de 1955, com a modificação do artigo 35, § 2º, item VIII, da Lei número 4.863, de 29 de novembro de 1965.Vide Lei Complementar nº 11, de 1971. Soma-se a isso, que a hipótese de isenção prevista nos arts. 12 e 13 da Lei nº 2.613/55 alcança expressamente o SENAI, o que é amplamente reconhecido pelo STJ. Da mesma forma, o salário-educação, nos termos do art. 212, § 5º, da Constituição Federal, somente é devido pelas empresas. E, quando a Constituição quis permitir a possibilidade de equiparação, ela o fez expressamente, quando tratou, por exemplo, das contribuições incidentes nos termos do art. 195, inciso I. A jurisprudência do STJ é, realmente, pacífica no sentido da isenção ampla, conforme se pode ver nos seus inúmeros precedentes: TRIBUTÁRIO. SALÁRIO EDUCAÇÃO. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DO ART. 15 DA LEI N. 9.424/96. ART. 1º, § 3º, DA LEI N. 9.766/98. ARTIGOS 966 E 982 DO CC E ART. 110 DO CTN. CONCEITO DE EMPRESA. PRETENSÃO DE REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO [...] V - Todavia, a jurisprudência do STJ firmou-se no sentido de que a regra prevista nos arts. 12 e 13 da Lei n. 2.613/55 confere ampla isenção tributária às entidades assistenciais – SESI, SESC, SENAI E SENAC - , seja quanto aos impostos, seja quanto às contribuições. Nesse sentido: AgInt no REsp n. 1.589.030/ES, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 14/6/2016, DJe 24/6/2016; STJ, REsp n. 552.089/SC, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJU de 23/5/2005; AgRg no REsp n. 1.303.483/PE, Rel. Ministro Olindo Menezes (Desembargador convocado do TRF/1ª Região), Primeira Turma, DJe de 18/11/2015; AgRg no REsp n. 1.417.601/SE, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 10/11/2015; AgRg no AREsp n. 73.797/CE, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe de 11/3/2013; REsp n. 220.625/SC, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, DJU de 20/6/2005. Fl. 330DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.368 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10140.720271/2013-67 9 [...] (EDcl no AgInt no REsp 1633581/BA, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, julgado em 21/02/2019, DJe 01/03/2019) TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. SUJEIÇÃO PASSIVA DO SENAI. ISENÇÃO. LEI 2.613/1955. DIPLOMA LEGAL QUE INSTITUIU O TRIBUTO E PREVIU A REGRA ISENTIVA. SUJEITO PASSIVO. PESSOA FÍSICA OU JURÍDICA QUE EXERÇA UMA DAS ATIVIDADES LISTADAS NO ART. 6º DA LEI 2.613/1955. MODIFICAÇÕES POSTERIORES QUE NÃO PREVIRAM OS SERVIÇOS SOCIAIS AUTÔNOMOS COMO SUJEITOS PASSIVOS. INEXISTÊNCIA DE INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. 1. Cinge-se a controvérsia a definir se o SENAI é sujeito passivo da contribuição ao Incra, instituída pela Lei 2.613/1955. 2. O STJ tem afirmado que os Serviços Sociais Autônomos não se sujeitam à contribuição ao Incra, tanto em razão da natureza jurídica dessas entidades, quanto pela vigência da isenção prevista nos arts. 12 e 13 da Lei 2.613/1955 (REsp 363.175/PR, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJ 21.6.2004, p. 188; REsp 552.089/SC, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJ 23.5.2005, p. 196; REsp 766.796/RJ, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 6.3.2006, p. 223). 3. O Senai, por não exercer atividade empresarial, mas se caracterizar como entidade de educação e assistência social sem fim lucrativo, e ainda por ser beneficiário da isenção prevista na Lei 2.613/55, não está obrigado a recolher contribuição para o Incra. 4. Além disso, há um aspecto que parece ter passado despercebido pela recorrente e que não foi abordado nos precedentes mencionados. A Lei 2.613/1955, em seu art. 6º, definiu o sujeito passivo do tributo em questão como a pessoa natural ou jurídica que exerça uma das atividades industriais nele previstas. 5. Posteriormente, o Decreto-Lei 1.146/1970, que promoveu algumas modificações no regime jurídico da contribuição ao INCRA, continuou a vincular a sujeição passiva do tributo ao exercício de determinadas atividades, entre as quais não se encontram os serviços sociais autônomos (art. 2º). 6. Precede, portanto, a análise da isenção a necessidade de identificar se o SENAI se enquadra na norma que disciplina a sujeição passiva da contribuição ao INCRA. A resposta, como visto, é negativa. 7. Ao contrário do que sustenta a recorrente, a isenção in casu encontra-se prevista especificamente no mesmo diploma legal que criou a contribuição ao Incra, não havendo falar em interpretação extensiva. Fl. 331DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.368 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10140.720271/2013-67 10 8. A suposta afronta aos arts. 150, § 6º, da CF/88 e 41 do ADCT, além de configurar matéria constitucional não apreciável em Recurso Especial, sob pena de usurpação da competência do STF, representa descabida inovação recursal. 9. Recurso Especial não provido. (REsp 1293322/ES, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/09/2012, DJe 24/09/2012) TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL E O INCRA. SESI. 1. O SESI, por não ser empresa, mas entidade de educação e assistência social sem fim lucrativo, e por ser beneficiário da isenção prevista na Lei nº 2.613/55, não está obrigado ao recolhimento da contribuição para o FUNRURAL e o INCRA. (...) 3. Recurso especial improvido. (REsp 363.175/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/03/2004, DJ 21/06/2004, p. 188) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE SALÁRIO-EDUCAÇÃO, INCRA E FUNRURAL. ALEGAÇÃO DE OFENSA AO ART. 1.022 DO CPC/2015. NÃO OCORRÊNCIA. SESI. ISENÇÃO. I - Na origem, trata-se de embargos opostos pelo Sesi à execução fiscal ajuizada pelo INSS, objetivando obstar a cobrança de créditos inscritos em dívida ativa relativos às contribuições sociais a título de salário-educação, Incra, e Funrural. Na sentença, julgou-se procedente o pedido dos embargos. No Tribunal a quo, a sentença foi mantida. Esta Corte conheceu parcialmente do recurso especial e, nessa parte, negou-lhe provimento. II - Em relação à alegada violação do art. 1.022 do CPC/2015, verifica-se que a recorrente limitou-se a afirmar, em linhas gerais, que o acórdão recorrido incorreu em omissão ao deixar de se pronunciar acerca dos dispositivos legais apresentados nos embargos de declaração, fazendo-o de forma genérica, sem desenvolver argumentos para demonstrar de que forma houve a alegada violação, pelo Tribunal de origem, dos dispositivos legais indicados pela recorrente. Incidência da Súmula n. 284/STF. Nesse diapasão, confiram-se: (AgInt no AREsp n. 960.685/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 15/12/2016, DJe 19/12/2016 e REsp n. 1.274.167/PR, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 20/10/2016, DJe 9/11/2016). Fl. 332DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.368 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10140.720271/2013-67 11 III - A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é pacífica ao afirmar que o SESI goza de benefício de isenção que engloba as contribuições para o Incra, Funrural e o salário-educação, com base nos arts. 12 e 13 da Lei n. 2.613/1955. In verbis: (EDcl no AgInt no REsp n. 1.633.581/BA, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 21/2/2019, DJe 1º/3/2019, AgInt no REsp n. 1.589.030/ES, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 14/6/2016, DJe 24/6/2016 e AgRg no REsp n. 1.303.483/PE, Rel. Ministro Olindo Menezes (desembargador convocado do TRF 1ª Região), Primeira Turma, julgado em 5/11/2015, DJe 18/11/2015) IV - Agravo interno improvido. (STJ - AgInt no REsp: 1776320 PE 2018/0283613-3, Relator: Ministro FRANCISCO FALCÃO, Data de Julgamento: 28/09/2020, T2 - SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJe 30/09/2020) Soma-se, o Acórdão nº 9202-009.927, com ementas abaixo reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 30/04/2013 (...) SENAI. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS AO FNDE E AO INCRA. ISENÇÃO. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmou-se no sentido de que a regra prevista nos arts. 12 e 13 da Lei 2.613/55 confere ampla isenção tributária ao SENAI quanto às contribuições destinadas ao FNDE e ao INCRA. Também, o Acórdão da CSRF 9202-010.522, de 22/11/2022: Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 SENAI. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS AO FNDE E AO INCRA. ISENÇÃO. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmou-se no sentido de que a regra prevista nos arts. 12 e 13 da Lei 2.613/55 confere ampla isenção tributária ao SENAI quanto às contribuições destinadas ao FNDE e ao INCRA. Logo, deve ser cancelado o lançamento de ofício no tocante às contribuições destinadas ao INCRA e ao FNDE/Salário-educação. Sendo assim, com razão o recorrente. Conclusão quanto ao Recurso Voluntário Fl. 333DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.368 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10140.720271/2013-67 12 Em apreciação racional com base na legislação tributária e processual, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, em resumo, conheço do recurso, rejeito a preliminar de prescrição intercorrente e, no mérito, dou provimento ao recurso voluntário, assim reformando a decisão recorrida para cancelar o lançamento de ofício. Alfim, finalizo em sintético dispositivo. Dispositivo Ante o exposto, rejeito a preliminar e, no mérito, DOU PROVIMENTO ao recurso. É como Voto. Assinado Digitalmente Leonam Rocha de Medeiros Fl. 334DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 13971.723620/2017-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 02 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 30/12/2012 a 30/12/2015
GLOSA DE COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE. CRÉDITOS PRESCRITOS.
A multa de 150% prevista no artigo 89, § 10, da Lei nº 8.212/91 se aplica quando demonstrada a falsidade na declaração.
Numero da decisão: 2202-011.835
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Andressa Pegoraro Tomazela – Relatora
Assinado Digitalmente
Ronnie Soares Anderson – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Valverde Ferreira da Silva, Thiago Buschinelli Sorrentino, Andressa Pegoraro Tomazela, Luciana Costa Loureiro Solar (substituto[a] integral), Henrique Perlatto Moura, Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: ANDRESSA PEGORARO TOMAZELA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Andressa Pegoraro Tomazela – Relatora Assinado Digitalmente Ronnie Soares Anderson – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Valverde Ferreira da Silva, Thiago Buschinelli Sorrentino, Andressa Pegoraro Tomazela, Luciana Costa Loureiro Solar (substituto[a] integral), Henrique Perlatto Moura, Ronnie Soares Anderson (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2026-04-01T18:59:21Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-04-01T18:59:21Z; Last-Modified: 2026-04-01T18:59:21Z; dcterms:modified: 2026-04-01T18:59:21Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-04-01T18:59:21Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-04-01T18:59:21Z; meta:save-date: 2026-04-01T18:59:21Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-04-01T18:59:21Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-04-01T18:59:21Z; created: 2026-04-01T18:59:21Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; Creation-Date: 2026-04-01T18:59:21Z; pdf:charsPerPage: 1175; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-04-01T18:59:21Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 13971.723620/2017-31 ACÓRDÃO 2202-011.835 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 2 de março de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE MUNICÍPIO DE AURORA INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 30/12/2012 a 30/12/2015 GLOSA DE COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE. CRÉDITOS PRESCRITOS. A multa de 150% prevista no artigo 89, § 10, da Lei nº 8.212/91 se aplica quando demonstrada a falsidade na declaração. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Andressa Pegoraro Tomazela – Relatora Assinado Digitalmente Ronnie Soares Anderson – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Valverde Ferreira da Silva, Thiago Buschinelli Sorrentino, Andressa Pegoraro Tomazela, Luciana Costa Loureiro Solar (substituto[a] integral), Henrique Perlatto Moura, Ronnie Soares Anderson (Presidente). Fl. 1232DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.835 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.723620/2017-31 2 RELATÓRIO Com a finalidade de resumir o presente caso, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Trata o presente processo de Auto de Infração (fls.142/149) emitido em 01/09/2017 para aplicação da multa isolada no percentual de 150%, no valor de R$ 5.524.460,54 motivada na apuração de compensações de Contribuições Previdenciárias, declaradas pelo contribuinte em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP nas competências de 12/2012 a 12/2015, consideradas pela fiscalização como indevidas, em face de falsidade na declaração. Do Demonstrativo de Responsáveis Tributário que faz parte integrante do auto de infração, bem como no Relatório Fiscal foi arrolado como responsável solidário o Sr. VILMAR ZANDONAI- CPF 649.522.589-04, na condição de Prefeito Municipal, com base no art. 135 do CTN, intimado em 18/09/2017, por via postal conforme AR- Aviso de Recebimento constante de fls. 227 dos autos. O Ente público, de acordo com o documento de fls. 224, teve ciência dos documentos relacionados ao Despacho Decisório e do presente auto de infração, por meio da Caixa Postal, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) perante a RFB, na data de 04/09/2017, data em que se considera feita a intimação nos termos do art. 23, § 2º, inciso III, alínea 'b' do Decreto nº 70.235/1972. Segundo Relatório Fiscal de fls. 150/155, a multa foi imputada em razão das glosas de compensações de Contribuições Previdenciárias, declaradas pelo contribuinte em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP nas competências de 12/2012 a 12/2015, cuja análise foi formalizada no Despacho Decisório de nº306/2017 da SAORT/DRF/ de Blumenau/SC, constante do processo 13971.723028/2017-30, consideradas pela fiscalização como indevidas. O Auditor registra que o ente público foi intimado a demonstrar e detalhar a origem dos créditos utilizados nas referidas compensações por meio do Termo de Intimação Fiscal- TIF. Também foi solicitada a apresentação de processos judiciais relativos às compensações. Em resposta às intimações o órgão público justificou no Portal e-CAC da RFB, por meio do sistema Auditoria de Compensações – AudComP, que as compensações efetuadas foram referentes a supostos créditos de pagamento indevido ou a maior e esclareceu que não existiu demanda judicial específica para esse fim. Diz o auditor: 5. Conforme demonstrado no referido DD 306/2017, foi constatada a utilização de supostos créditos de pagamento indevido ou a maior que, caso Fl. 1233DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.835 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.723620/2017-31 3 fossem procedentes, encontravam-se atingidos pela prescrição de cinco anos entre a data do pagamento e a sua utilização como compensação nas GFIP de 12/2012, de 01/2013 a 10/2013 e de parte de 11/2013 e de 13/2013, bem como a inexistência e/ou insuficiência de créditos para o município, a começar pelas outras partes da competência 11/2013 e de 13/2013 não atingidas pela prescrição, abrangendo ainda as competências 12/2013, de 01/2014 a 03/2014 e de 05/2014 a 13/2015. 6. De acordo com o esclarecido pelo contribuinte no atendimento ao TIF 001/2017, fls. 115 a 119, não há nenhuma demanda e/ou decisão judicial transitada em julgado a seu favor que pudesse ter embasado as referidas compensações e, ainda, que as realizou por entender simplesmente que algumas parcelas da folha de pagamento teriam natureza indenizatória. 7. Em consulta ao CCORGFIP, fls. 77 a 94, observou-se que os valores confessados nas GFIP das competências detalhadas como origem dos supostos créditos foram os efetivamente recolhidos nas GPS, com exceção de algumas ínfimas diferenças, não havendo constatação de qualquer retificação para exclusão de base de cálculo nestas a fim de demonstrar um possível crédito como alegado. O mero entendimento, sem base legal, não corrobora a liquidez e certeza necessárias ao crédito. Conclui, que: 11. Desta forma, não há que se falar em erro de preenchimento das informações indevidamente declaradas nas GFIP ou em desconhecimento, constatando-se que o município, através de seus responsáveis legais, tinha pleno conhecimento de que estava agindo contra as normas vigentes ao apresentar declarações com informações sabidamente falsas, incorrendo na hipótese prevista no parágrafo 10 do artigo 89 da Lei 8.212/1991. ... 12. Uma vez comprovada a falsidade das declarações, no exercício das atribuições do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, aplica-se então a multa isolada prevista, no percentual de 150% dos valores compensados indevidamente, no valor total de R$ 5.524.460,52 (Cinco milhões, quinhentos e vinte e quatro mil, quatrocentos e sessenta reais e cinquenta e dois centavos), conforme demonstrado na Tabela abaixo, ressaltando-se que a competência da referida multa é o mês em que ocorreu a infração, ou seja, o mês em que foi entregue a última GFIP válida com as informações dos valores compensados indevidamente: Com relação à imputação da responsabilidade solidária, do Prefeito Municipal Sr.VILMAR ZANDONAI, exercente de mandato no período de 01/01/2013 a Fl. 1234DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.835 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.723620/2017-31 4 31/12/2016, o Auditor cita como fundamento legal o art. 135, inciso II do CTN, considerando que o mandatário agiu de forma ilícita, com afronta à legislação tributária, pois foi comprovada "a prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto. Tal responsabilidade deriva de sua atuação em nome da pessoa jurídica, como administrador de bens e interesses alheios". Diz in verbis: 21. No presente caso, a responsabilidade solidária pelos créditos tributários do presente AI, em vista da prática de atos de gestão que configuraram afronta ao estabelecido em lei, recai sobre o mandatário relacionado abaixo, responsável pelo município nas datas de envio das GFIP com as informações de compensações indevidas, para as quais não havia o direito líquido e certo aos supostos créditos uma vez que, caso fossem procedentes, encontravam- se atingidos pela prescrição de cinco anos e/ou não foi comprovada sua existência. Cientificado da decisão o órgão público oferece em 04/10/2017, por meio de juntada mediante certificação digital do Município de Aurora (fls. 228), a impugnação acostada às fls. 231/307, onde ressalta a tempestividade da peça de contestação, resume os fatos que motivaram o Auto de Infração e diz que a origem dos créditos utilizados são contribuições previdenciárias recolhidas sobre verbas de natureza indenizatória, decorrentes de jurisprudência "contundente emanada pelos tribunais pátrios, abarcando a mais Alta Corte brasileira (STJ e STF), que o procedimento adotado pelo Manifestante, está dentro dos ditames legais, donde se utilizou de exações indenizatórias para compor as compensações em disputa, já que fizeram parte da base de cálculo da contribuição previdenciária em datas pretéritas". Aduz que: Além dos resumos das folhas de pagamentos, igualmente foram entregues ao Fisco, memorial de cálculo contendo a discriminação das verbas utilizadas e o total dos créditos levantados sobre as referidas verbas indenizatórias, além do memorial de cálculo, contendo o valor compensado mês a mês, a fim de demonstrar que o Manifestante apenas recuperou valores despendidos de forma imprópria em datas passadas, por meio do instituto da compensação. Transcreve os dispositivos constantes do CTN, da Lei 8.212/1991 e da Instrução Normativa 1.300/2012 que cuidam do pagamento indevido e da compensação. Diz que foram utilizadas para fins de compensação as seguintes verbas de natureza indenizatória: Auxílio Maternidade, Horas Extras, Função Gratificada, Gratificação, Fl. 1235DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.835 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.723620/2017-31 5 Abonos, 1/3 de Férias, Adicionais (Insalubridade, Noturno, Periculosidade), 13°, Bolsa de Estudo, Ajuda de Custo, Férias (indenizadas e gozadas), 1/3 de Férias, Auxílio Alimentação, Verbas Pagas através de Sentença Judicial, Licença Prêmio Salário Família e Quebra de Caixa, por terem sofrido a incidência da exação previdenciária de maneira imprópria em épocas passadas. Em longo arrazoado discorre sobre o conceito e a natureza de tais verbas e colaciona decisões judiciais, sustentando a natureza indenizatória e a consequente não incidência das contribuições previdenciárias e sociais. Prossegue alegando que existe erro na fixação da alíquota do RAT/SAT, haja vista a sua atividade econômica preponderante. Ressalta que: A regra da preponderância não foi observada pelo Fisco ao Glosar as compensações sustentadas com valores do RAT/FAP, que considerou para fins de enquadramento apenas o critério formal quanto ao CNAE informado pelo CNPJ do Município Manifestante. É de notório conhecimento que o ente público municipal desempenha diversas funções dentro da sociedade, dentre elas saúde e educação, não compreendidas no CNAE 84.11-6/00 – Administração Pública em Geral. Como se vê, não é possível simplesmente enquadrar os órgãos públicos no CNAE 8411-6/00, uma vez que este código abrange apenas algumas atividades estatais enumeradas em sua descrição, e que outras atividades exercidas por entes públicos estão compreendidas em códigos próprios, sendo necessária a consulta à lista de códigos CNAE do Anexo V do RPS relacionado às diversas atividades desenvolvidas pelos entes públicos, observando as notas explicativas, e efetuar o enquadramento naquela preponderante. Sobre o tema, transcreve trechos da Solução de Consulta respondidas pela COSIT e ainda a súmula nº 135 do STJ, sustentando que a atividade preponderante é ensino, portanto de grau leve, ou seja 1%. Com relação a prescrição diz que: O artigo 3º da Lei Complementar n° 118 de 2005 teve condão principal de dar interpretação diversa ao que já detinha um indicativo jurisprudencial consolidado, mormente pelo e. STJ. O dispositivo invocado pela interpretação veiculada através do artigo 3º supra, é o art. 168, inciso I do CTN. Fl. 1236DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.835 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.723620/2017-31 6 Da simples leitura dos artigos acima mencionados, percebe-se que o primeiro problema refere-se, exatamente, à interpretação da Lei Tributária, haja vista que a intenção legislativa foi exatamente a de dar outro sentido ao artigo 168, I, do CTN. ......... Com esse substrato, pode-se afirmar que a Lei Complementar nº 118 de 2005 não é uma Lei interpretativa e sim modificativa. Muito embora o legislador a tenha retirado dos moldes de lei interpretativa, é facilmente perceptível que o propósito por trás deste argumento fora mesmo o de modificar o Código Tributário Nacional a fim de tentar agasalhar os cofres públicos e ludibriar o já arrochado contribuinte. ........... Não há dúvida então, de que o prazo decenal poderia sim ser utilizado pelo contribuinte para fins de verificação dos créditos a serem compensados. A conclusão acima editada pelo e. STJ refletia tão somente um entendimento que já havia se consolidado há muito naquela casa, julgado sob o prisma do sistema dos recursos repetitivos, tendeu dar celeridade e organicidade às decisões dos órgãos e tribunais inferiores. Ou seja, o entendimento é de que o prazo prescricional é de cinco anos mais cinco, da data do pagamento ou, quando muito, de cinco anos a partir da nova legislação de 2005 (quando seja, 08/06/2010). Com efeito, concluir-se pela incidência da aplicação retroativa do art. 3º, para alcançar inclusive fatos passados, ofende o princípio constitucional da autonomia e independência dos poderes (CF, art. 2º) e o da garantia do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada (CF, art. 5º, XXXVI). Ainda sobre prescrição, após discorrer sobre a tramitação do assunto nos tribunais superiores registra que está em curso no STF a Ação Rescisória n° 2.340, que questiona exatamente o tema tratado acima, e que está pendente de julgado, evidenciando ainda mais que a matéria não está resolvida, razão pela qual deve ser aceita a tese defendida pelo Município da inexistência da prescrição e declarado nulo o ato da fazenda pública. Com relação à aplicação da multa isolada reafirma que a compensação realizada observou "os ditames legais, com embasamento jurisprudencial da mais alta corte, onde apenas exerceu o seu direito". Diz que a sanção, no caso, deve ser estabelecida para incitar o cumprimento da obrigação tributária, se o devedor tentar esquivar-se do seu dever, o gravame Fl. 1237DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.835 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.723620/2017-31 7 adicional representado pela multa que lhe é imposta se justifica, desde que graduado segundo a gravidade da infração, e não ser transformada em instrumento de arrecadação. Aduz que não ficou comprovada a finalidade dolosa de evitar, protelar ou reduzir o valor do montante do tributo a ser pago. Sobre o tema colaciona julgados do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF. Diz que: A Autuação vultosa no patamar de 150% (cento e cinquenta por cento), sobre o valor principal, ou seja, sobre o valor compensado em cada competência, em que o Impugnante teria supostamente deixado de observar à legislação correlata a matéria, agindo assim de má fé, é causa de completa repudia. ..... Cabe mencionar que multas aplicadas nestes termos, têm condições de agredir significativamente o patrimônio daqueles que agem dentro dos preceitos legais, residindo aí sua natureza confiscatória, algo que é vedado e rechaçado pelo sistema constitucional em vigor. Desta forma, cumpre repisar que a multa infligida em discussão ceifa os princípios da legalidade, da finalidade da lei, da razoabilidade e da proporcionalidade, encravados no art. 37, da Lei Fundamental, igualmente esculpido na Lei n° 9.784/1999. Por fim, resume os seus pedidos nos seguintes itens: a) Seja a presente Impugnação recebida e conhecida conquanto aos requisitos de tempestividade e modo; b) Seja suspensa a exigibilidade do crédito tributário nos termos do art. 151, inciso III do CTN. c) Não seja negada a certidão positiva de débito com efeito negativo – CPDEN, em nome do Impugnante com base nas compensações protestadas até o desfecho da lide; d) Seja reconhecida a ilegalidade da multa aplicada no vulto de 150% (cento e cinquenta por cento) sobre cada compensação, sendo que as compensações, se deram sob o escudo da legislação e jurisprudências emanadas pela mais alta corte, conforme visto acima, além de parte dos créditos lançados, possuírem o aval do fisco, conforme denota-se das decisões por ela dada, demonstrando que o Impugnante não agiu com o fito de ludibriar o fisco; Fl. 1238DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.835 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.723620/2017-31 8 e) Em não sendo extirpada a multa guerreado, o que não se vislumbra, por toda argumentação tratada na presente peça, que ao menos seja reduzida a aplicação da multa de 150% (cento e cinquenta por cento) para 20% (vinte por cento) sobre o total das compensações, nos termos acima delineados; f) Requer-se a juntada da prova documental anexa a presente, cujo rol é o que segue, reservando-se no direito de carrear outras, caso necessário. A DRJ negou provimento à Impugnação do contribuinte em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 30/12/2012 a 30/12/2015 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. A ausência de impugnação por parte de sujeito passivo solidário acarreta, contra o revel, a preclusão temporal do direito de praticar o ato impugnatório, prosseguindo, o litígio administrativo, em relação aos demais. COMPENSAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. O prazo para realizar compensação de contribuições previdenciárias é de até 05 (cinco) anos contados da data do recolhimento. VERBAS INDENIZATÓRIAS Somente as verbas constantes do § 9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991, ou que tenham a mesma natureza, podem ser consideradas indenizatórias para efeito de não incidência de contribuição social previdenciária. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias à orientação estabelecida para a administração direta e autárquica em atos de caráter normativo ordinário. MULTA ISOLADA. Na hipótese de compensação indevida, quando comprovada a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte fica sujeito à multa isolada aplicada nos termos da legislação previdenciária. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO Fl. 1239DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.835 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.723620/2017-31 9 A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo tributário, devem ser feitas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, repetindo os argumentos apresentados por ocasião da Impugnação. É o relatório. VOTO Conselheira Andressa Pegoraro Tomazela, Relatora. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Inicialmente, importante mencionar que o sujeito passivo solidário, Sr. Vilmar Zandonai, não apresentou Impugnação, razão pela qual não se instaurou a fase litigiosa em relação a ele. Também não apresentou Recurso Voluntário. No mais, o presente processo discute a cobrança de multa isolada no percentual de 150%, em razão da compensação pelo Recorrente de créditos prescritos, em desrespeito à previsão legal. O pedido de compensação não foi homologado, o que se discute no processo administrativo nº 13971.723028/2017-30. Explicando com mais detalhes, o Recorrente requereu a compensação nas GFIPs de débitos de contribuições previdenciárias referente às 12/2012; de 01/2013 a 13/2013; de 01/2014 a 03/2014, de 05/2014 a 13/2014; e de 01/2015 a 13/2015 com créditos oriundos de pagamento indevido ou a maior, cujos pagamentos se deram entre 11/06/2005 e 16/12/2008. Tais pagamentos indevidos ou a maior seriam relativos a verbas de natureza indenizatória que sofreram a incidência das contribuições previdenciárias de maneira supostamente equivocada. O Despacho Decisório não homologou tais compensações, sob o argumento de que teria ocorrido a prescrição de cinco anos entre a data do pagamento e a utilização dos créditos. Em relação a parte dos créditos cuja prescrição não ocorreu, restou consignado que não havia nenhuma decisão judicial transitada em julgado que pudesse ter embasado as referidas compensações, o que demonstraria a falsidade por parte dos responsáveis pelo município nas declarações apresentadas. Fl. 1240DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.835 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.723620/2017-31 10 O Recorrente defende seu direito de compensar as seguintes verbas de natureza indenizatória: Auxílio Maternidade, Horas Extras, Função Gratificada, Gratificação, Abonos, 1/3 de Férias, Adicionais (Insalubridade, Noturno, Periculosidade), 13°, Bolsa de Estudo, Ajuda de Custo, Férias (indenizadas e gozadas), 1/3 de Férias, Auxílio Alimentação, Verbas Pagas através de Sentença Judicial, Licença Prêmio Salário Família e Quebra de Caixa, por terem sofrido a incidência da exação previdenciária de maneira imprópria em épocas passadas. Ainda, referente aos créditos do SAT/RAT, o Recorrente alega que, ao examinar a aplicação da alíquota sobre o RAT/SAT, evidenciou que aplicou de forma superior em datas passadas, recolhendo, assim, valores a maior, requerendo também a compensação de tais créditos. Argumenta ainda não ter ocorrido a prescrição para compensar os créditos oriundos de pagamento indevido ou a maior, pois o entendimento do Superior Tribunal de Justiça seria no sentido de que o prazo prescricional é de cinco anos mais cinco contados da data do pagamento ou, se assim não se entender, de cinco anos a partir da nova legislação de 2005 (Lei Complementar n° 118/2005, que entrou em vigor em 08/06/2010). Porém, como muito bem analisado pela DRJ, tal questão já se encontra pacificada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no julgamento do RE nº 566621/RS, com repercussão geral, no sentido de que a aplicação do prazo de 5 anos previsto na Lei Complementar nº 118/2005 se aplica às ações ajuizadas após o início de sua vigência (08/06/2005). Sobre o tema, a Súmula CARF nº 91 aduz o seguinte: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Esse não é o caso em discussão, pois não há ação judicial ou formulação de pedido administrativo de restituição pleiteado anterior à vigência da Lei Complementar 118/2005. Dessa forma, entendo correta a não homologação das compensações pretendidas pelo Recorrente, o que se discute no processo nº 13971.723028/2017-30 na medida em que os créditos se encontram prescritos. Sobre a multa isolada de 150% cobrada no presente processo, o artigo 89, § 10, da Lei nº 8212/1991 dispõe o seguinte: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 1241DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.835 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.723620/2017-31 11 § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). O artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96 aduz que: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Por se tratar de créditos prescritos, o argumento de desconhecimento da legislação tributária não merece prosperar, ainda mais na hipótese do presente processo, na qual o Recorrente pretendeu compensar créditos tributários posteriores à entrada em vigor da Lei Complementar nº 118/2005. Assim, restou configurada a falsidade na declaração apresentada, tendo em vista que o Recorrente tentou aproveitar-se de créditos inexistentes. Não se pode alegar mero equívoco no presente caso, pois a legislação é clara e já existia há algum tempo quando se pretendeu compensar os créditos prescritos. Nesse sentido é o acórdão nº 2202-011.07, de 6 de novembro de 2024, cuja Relatora Conselheira Sara Maria de Almeida Carneiro Silva dispôs o seguinte: A verdade fática é que a contribuinte declarou reiteradamente créditos que sabidamente não poderiam ser utilizados para fins de extinguir a obrigação tributária apurada por meio da GFIP (créditos oriundos de precatórios adquiridos de terceiros). Já antes mesmo da glosa da compensação que gerou a multa em discussão, conforme informa a autoridade fiscal, tentou habilitar os créditos, o que foi fudamentadamente rejeitado (em 4 processos administrativos). Apresentou recurso hierárquico naqueles processos com as mesmas alegações, o que foi novamente negado com fundamento na legislação que rege o instituto da compensação previdenciária e que veda a utilização dos créditos pretendidos para extinção de débitos; mesmo assim insistiu na conduta de declarar os impossíveis créditos em GIFP, apresentando novamente em impugnação e em recurso os mesmo fundamentos já reiteradamente rejeitados e devidamente informados ao contribuinte. Além disso, referidos créditos já se encontravam prescritos, fato também que não pode ser alegado como desconhecido, uma vez que não é dado a qualquer pessoa, Fl. 1242DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.835 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.723620/2017-31 12 ainda mais àquelas que se propõem ao risco empresarial, a alegação de desconhecimento das leis. Assim, além de indevida, também restou configurada a falsidade na declaração apresentada: o contribuinte tentou aproveitar-se de créditos sobre os quais não paira qualquer dúvida razoável sobre a sua inexistência, de forma que tentou eximir-se do pagamento do tributo por meio de inserção de informações falsas em GFIP, declarando os créditos tributários devidos como extintos. As condutas adotadas não deixam dúvidas que não se trata de mero equívoco, de forma que o contribuinte declarou sabidamente um fato falso, o que comprova sua a conduta dolosa. Acrescento ainda que há farta jurisprudência no âmbito deste Conselho no sentido de que, uma vez comprovada a existência de compensação falsa em GFIP, não há a necessidade de comprovação do dolo, devendo ser aplicada a multa duplicada diante da constatação de falsidade da declaração apresentada. Nesse sentido, cito trechos do voto proferido no Acórdão 2301-002.736 pelo Conselheiro Mauro José da Silva: O art. 35-A é uma determinação geral para os lançamentos de ofício, prescrevendo que estes sigam o art. 44 da Lei 9.430/96. Porém para o caso de compensação, a mesma lei 8.212/91 traz norma especial determinando qual penalidade aplicar quando houver compensação indevida com falsidade de declaração. Tratando-se de aparente conflito de normas, como se sabe, deve prevalecer a lei específica – lex specialis, para o caso. Portanto, é inaplicável ao caso de compensação indevida de contribuições previdenciárias com falsidade de declaração o art. 35-A da Lei 8.212/91. A remissão que o § 10º do art. 89 da Lei 8.212/91 faz ao art. 44 da Lei 9.430/96 é apenas para adotar o mesmo percentual do inciso I do dispositivo. Apenas isso. Afastada a ideia da necessidade de aplicação integral do art. 44 da Lei 9.430/96 ao caso, devemos analisar se o §10º do art. 89 da Lei 8.212/91 exige dolo para a falsidade. Facilmente se observa que o dispositivo não exige dolo ou faz menção à Lei 4502/64. Exige-se apenas a falsidade de declaração como infração. Sendo infração tributária, esta se submete à regra geral do art. 136 do CTN que determina que a responsabilidade por infrações tributárias independe da intenção do agente, ou seja, independe de dolo. Assim, não temos que averiguar a intenção do agente em praticar a falsidade de declaração, mas apenas se esta foi praticada. ... Fl. 1243DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.835 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.723620/2017-31 13 Apesar de o Direito Tributário não exigir, genericamente, em suas infrações a presença do dolo, o que marca uma das diferenças em relação ao do Direito Penal, podemos buscar naquele ramo do Direito a noção da falsidade em si, dissociada do elemento doloso. Tomamos a lição de Guilherme de Souza Nucci (Código Penal Comentado, São Paulo: Editora dos Tribunais, 2007, p. 972) sobre a falsidade prevista no art. 299 do CP (falsidade ideológica): A introdução de algo não correspondente à realidade compõe a falsidade ( ex.: incluir na carteira de habilitação que o motorista pode dirigir qualquer veículo, quando sua permissão limita-se aos automóveis de passeio) e a inserção de declaração não compatível com a que se esperava fosse colocada compõe outra situação.” Assim, falsa é a declaração sobre um fato que não corresponde à realidade ou que não é compatível com o que se esperava fosse colocado. O que se esperava de um crédito que o contribuinte utiliza para compensar créditos tributários da União? Espera-se aquilo que o CTN exige: que seja líquido e certo. É esse o comando do art. 170: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Só existe direito creditório compensável se este for líquido e certo. ... A realidade jurídica da recorrente era a não existência de créditos líquidos e certos. Ao declarar que os possuía, declarou fato falso, fato diverso da realidade jurídica. Fez declaração contendo informação diversa da que se esperava, uma vez que se esperava que só declarasse a compensação de créditos líquidos e certos. De fato, não há provas de que foi feita tal declaração falsa com dolo, mas a lei não exige o dolo, como já demonstramos. As infrações tributárias não exigem a investigação da intenção do agente. A decisão a quo afirmou que a compensação indevida não pode induzir inexoravelmente à falsidade. De fato, não pode e não o faz. Se a compensação indevida for identificada por falta de provas do pagamento, por erros escusáveis de cálculo do crédito, entre outras hipóteses, não teremos a aplicação da multa de 150% por ausência de falsidade. Mas no caso temos evidenciada a declaração em GFIP da existência de créditos Fl. 1244DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.835 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.723620/2017-31 14 líquidos e certos que se revelou falsa. Parece-nos que a situação prevista na lei para a aplicação da penalidade de 150% ficou configurada. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negar- lhe provimento. Assinado Digitalmente Andressa Pegoraro Tomazela Fl. 1245DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 16327.720743/2021-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 09 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2015 a 31/12/2016
BASE DE CÁLCULO. INCIDÊNCIA. REMUNERAÇÃO DECORRENTE DE DEPÓSITOS COMPULSÓRIOS. RECEITA DA ATIVIDADE.
No caso de instituição financeira sujeita à apuração da Cofins sob o regime de incidência cumulativo, conforme disposto na Lei nº 9.718, de 1998, a remuneração decorrente de depósitos compulsórios no Banco Central do Brasil deve ser tributada pela referida contribuição, por se constituir em receita da atividade empresarial.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2015 a 31/12/2016
LANÇAMENTO SOBRE A MESMA MATÉRIA FÁTICA.
Aplica-se à Contribuição para o PIS o decidido sobre a Cofins, por se tratar de mesma matéria fática
Numero da decisão: 3302-015.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, (i) por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo dos itens (i.1) retenções na fonte não consideradas; (i.2) serviços de arrecadação não excluídos; (i.3) adições de valores tributáveis na base de cálculo; (i.4) outros créditos não excluídos da base de cálculo, não suscitados na Manifestação e em relação ao qual se operou a preclusão consumativa, vencidas as Conselheiras Louise Lerina Fialho e Francisca das Chagas Lemos, que votaram pelo conhecimento em razão do Princípio da Verdade Material;
e, na parte conhecida, (ii) por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário.
Assinado Digitalmente
Mário Sérgio Martinez Piccini – Relator
Assinado Digitalmente
Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Martinez Piccini, Marina Righi Rodrigues Lara, Marco Unaian Neves de Miranda(substituto[a] integral), Francisca das Chagas Lemos, Louise Lerina Fialho e Lázaro Antônio Souza Soares (Presidente).
Nome do relator: MARIO SERGIO MARTINEZ PICCINI
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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2015 a 31/12/2016 BASE DE CÁLCULO. INCIDÊNCIA. REMUNERAÇÃO DECORRENTE DE DEPÓSITOS COMPULSÓRIOS. RECEITA DA ATIVIDADE. No caso de instituição financeira sujeita à apuração da Cofins sob o regime de incidência cumulativo, conforme disposto na Lei nº 9.718, de 1998, a remuneração decorrente de depósitos compulsórios no Banco Central do Brasil deve ser tributada pela referida contribuição, por se constituir em receita da atividade empresarial. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/2015 a 31/12/2016 LANÇAMENTO SOBRE A MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplica-se à Contribuição para o PIS o decidido sobre a Cofins, por se tratar de mesma matéria fática ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, (i) por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo dos itens (i.1) retenções na fonte não consideradas; (i.2) serviços de arrecadação não excluídos; (i.3) adições de valores tributáveis na base de cálculo; (i.4) outros créditos não excluídos da base de cálculo, não suscitados na Manifestação e em relação ao qual se operou a preclusão consumativa, vencidas as Conselheiras Louise Lerina Fialho e Francisca das Chagas Lemos, que votaram pelo conhecimento em razão do Princípio da Verdade Material; Fl. 7764DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.574 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720743/2021-90 2 e, na parte conhecida, (ii) por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Mário Sérgio Martinez Piccini – Relator Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Martinez Piccini, Marina Righi Rodrigues Lara, Marco Unaian Neves de Miranda(substituto[a] integral), Francisca das Chagas Lemos, Louise Lerina Fialho e Lázaro Antônio Souza Soares (Presidente). RELATÓRIO O presente processo foi formalizado para analisar pedido de retificação de DCTFs para os débitos de Cofins (código 7987) e de PIS (código 4574), referente às seguintes competências: 08/2015 a 10/2016, e 12/2016. Por trazer uma síntese da autuação, desde a interposição da Manifestação de Inconformidade até o Acordão nos presentes autos, peço vênia para adotar parcialmente o relatório/voto do Acórdão da Delegacia de Julgamento da Receita Federal, bem como sua ementa. 1. PROCEDIMENTO FISCAL Os valores das retificadoras das DCTF´s dos períodos 08/2015 a 12/2016 incidiram em verificação em função de alterações significativas nos débitos, conforme resposta da Recorrente, incidindo na chamada “Malha Valor”: exclusões de receitas não tributáveis, realizadas nas bases de cálculo de COFINS dos meses de Agosto/2015 a Dezembro/2016; e inclusão, neste novo cálculo, dos valores de COFINS retidos pela fonte pagadora, que não haviam sido considerados no cálculo inicial/original. Fl. 7765DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.574 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720743/2021-90 3 Foi efetuado procedimento fiscal para apuração dos valores dos débitos PIS/COFINS e assim colacionou em seu Termo de Verificação Fiscal, após intimações: a não inclusão, na base de cálculo do PIS e da Cofins, das contas contábeis internas, pertencentes ao COSIF 7.1.9.60.00-7 (Receitas de Créditos Vinculados ao Banco Central do Brasil) decorre do fato de que em tais contas são registradas as remunerações entregues pelo Banco Central em decorrência dos recolhimentos compulsórios realizados por esta Instituição Financeira, por determinação do Inc. XIV do Artigo 4º e Inciso III do Art. 10 da Lei nº 4.595/1964; como instituição financeira, o Banco Santander é uma organização cuja atividade social está legalmente tipificada no Artigo 17 da referida Lei nº 4.595/1964, a qual corresponde ao exercício das atividades sociais de coleta, investimento, aplicação e custódia de recursos de terceiros; Após análise das respostas e da documentação apresentada pelo Banco Santander, concluiu que as retificações efetuadas nos débitos de PIS e de COFINS informados no Item 1 deste documento devem ser rejeitadas, tendo em vista que foram juntados elementos de convicção quanto à improcedência das alterações, vide art. 17 da IN nº 2005 de 29 de janeiro de 2021. Claramente, as receitas financeiras sobre depósitos compulsórios compõem o grupo de receitas relativas ao objeto principal do Banco Santander. Sendo assim, não há base legal para exclusão destes montantes da base de cálculo do PIS e da COFINS. Diante das informações prestadas acima, serão indeferidas no sistema as retificações retidas na malha DCTF como um todo; Informou também que na competência de 11/2016 não forma apurados débitos de PIS/COFINS. 2. IMPUGNAÇÃO A empresa resumidamente alega que procedeu a retificação das DCTF´s pois teria: incluído indevidamente a remuneração decorrente dos depósitos compulsórios; deixado de deduzir determinadas despesas, cujo abatimento é permitido pela legislação regente; deixado de considerar determinadas receitas tributáveis; e Fl. 7766DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.574 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720743/2021-90 4 por fim, deixado de considerar créditos provenientes de PIS e Cofins retidos na fonte, o que ensejou trabalho interno de reavaliação de suas bases de cálculo e reapuração do quanto devido. Relatou que: o Despacho Decisório fundamentou o indeferimento das retificações exclusivamente no fato de que 95% (noventa e cinco por cento) dos ajustes realizados se refeririam a não tributação dos valores referentes à remuneração dos recolhimentos compulsórios destinados ao Bacen, o que, na visão da d. Autoridade Fiscal não possui respaldo na legislação tributária vigente, não tendo feito qualquer ponderação em relação aos demais ajustes realizados e que representam 5% (cinco por cento) das retificações que se pretende processar que em relação às contribuições para o PIS e a Cofins relativas ao mês de outubro/2016, tendo em vista que foi verificado que os valores declarados pela ora Recorrente na DCTF Retificadora estão incorretos, conforme demonstrado no documento comprobatório anexo à Impugnação, requereu-se a expressa autorização para se proceder com a retificação da DCTF de tal competência; por fim, pleiteou-se o expresso reconhecimento, com a consequente exclusão de malha, dos valores de PIS e Cofins ajustados nas versões retificadoras e que representam aproximadamente 5% do total das retificações e não se referem à não tributação das contas contábeis do grupo “7.1.9.60.00-7 – ‘Rendas de Créditos Vinculados ao Banco Central’”, uma vez que os mesmos não foram objeto de indeferimento. 3. ACÓRDÃO DRJ A DRJ apreciou a e julgou improcedente, tendo lavrado a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/08/2015 a 31/12/2016 BASE DE CÁLCULO. INCIDÊNCIA. REMUNERAÇÃO DECORRENTE DE DEPÓSITOS COMPULSÓRIOS. RECEITA DA ATIVIDADE. No caso de instituição financeira sujeita à apuração da Cofins sob o regime de incidência cumulativo, conforme disposto na Lei nº 9.718, de 1998, a remuneração decorrente de depósitos compulsórios no Banco Central do Brasil deve ser tributada pela referida contribuição, por se constituir em receita da atividade empresarial. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Fl. 7767DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.574 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720743/2021-90 5 Período de apuração: 01/08/2015 a 31/12/2016 LANÇAMENTO SOBRE A MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplica-se à Contribuição para o PIS o decidido sobre a Cofins, por se tratar de mesma matéria fática. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2015 a 31/12/2016 DESPACHO DECISÓRIO - NULIDADE – IMPROCEDÊNCIA Não há que se falar em nulidade do despacho decisório quando neste constam os fundamentos de fato e de direito que o embasaram, em conformidade com a legislação de regência. Manifestação de Inconformidade Improcedente Outros Valores Controlados Argumentou em seu voto Combateu as preliminares de Nulidade; que os rendimentos oriundos dos depósitos compulsórios devem ser considerados como uma receita da atividade do contribuinte, sendo dessa forma, parte integrante da base de cálculo das contribuições para o PIS e da Cofins; em relação ao pedido de liberação da DCTF retificadora do período de outubro de 2016, foi informado que tais débitos foram objeto de análise em processo apartado de nº 16327.720575/2021-32 (Despacho Decisório nº 364/2021) e no dossiê nº 13032.465856/2021-34. Houve o indeferimento da DCTF retificadora e, atualmente, pende decisão sobre o recurso apresentado pelo contribuinte. Sendo assim, entendeu que deve o contribuinte aguardar o julgamento do referido recurso em tal processo; e no que tange ao pleito de reconhecimento do crédito relativo a 5% dos valores retificados (Anexo II da Impugnação), o mesmo não foi acolhido, sob o argumento de que o pedido de retificação de DCTF não pode ser parcialmente aceito, de tal forma que permanecem válidos os débitos informados na última DCTF ativa(Quadro I deste Recurso Voluntário) relativa a cada período de apuração. 4. RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 7768DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.574 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720743/2021-90 6 Irresignada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual sinteticamente alega: Inicialmente solicita julgamento em conjunto com os demais processos que envolvam o caso; Questiona a negativa ao direito da Retificação da DCTF, alegando a necessidade de lavratura de Auto de Infração Solicita a Nulidade do Despacho Decisório, citando artigo 59 do PAF, alegando que tal exigência deveria ser realizado no âmbito da Fiscalização. Repisa itens da Impugnação, pontua sobre a Solução de Consulta formulada. É o relatório. VOTO Conselheiro Mário Sérgio Martinez Piccini, Relator I – ADMISSIBILIDADE Conheço parcialmente do Recursos Voluntário por ser tempestivo, tratar de matéria de competência desta turma e cumprir os demais requisitos ora exigidos. 1. QUANTO A PARTE DO RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDA O Recurso Voluntário é dividido nos seguintes temas: 1. Exclusão da base de Cálculo dos Rendimentos de Depósitos Compulsórios 2. Retenções na Fonte não consideradas; 3. Serviços de Arrecadação não excluídos; 4. Adições de valores tributáveis na Base de Cálculo; 5. Outros Créditos não excluídos da Base de Cálculo. Percorrendo as alegações da Manifestação de Inconformidade constato que somente o item 1 “Exclusão da Base de Cálculo dos Rendimentos de Depósitos Compulsórios” foi contraposto pela Recorrente. Não há contestação para os demais itens de 2 – 5, já elencados. Fl. 7769DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.574 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720743/2021-90 7 Diante do exposto constata-se a Inovação Recursal, que ocorre quando a parte apresenta fatos ou motivos novos em fase de recurso que não foram discutidos anteriormente, o que é vedado pelo Código de Processo Civil – CPC/2015, conforme artigos 1013 § 1º e 1014: Art. 1.013. A apelação devolverá ao tribunal o conhecimento da matéria impugnada. § 1º Serão, porém, objeto de apreciação e julgamento pelo tribunal todas as questões suscitadas e discutidas no processo, ainda que não tenham sido solucionadas, desde que relativas ao capítulo impugnado. .Art. 1.014. As questões de fato não propostas no juízo inferior poderão ser suscitadas na apelação, se a parte provar que deixou de fazê-lo por motivo de força maior. A falta de adequação entre o Recurso Voluntário e a Impugnação configura necessariamente ausência de lide em relação à matéria trazida apenas em segunda instância, devendo ser reconhecida a preclusão consumativa. Ressalta-se que a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a defesa do contribuinte, contendo as matérias que delimitam a lide administrativa, sendo elas submetidas à primeira instância para apreciação e decisão, tornando possível a veiculação de Recurso voluntário em caso de inconformismo, não se admitindo conhecer de inovação recursal, inclusive para se evitar supressão de instância. A competência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais se circunscreve ao julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial, de forma que não se aprecia a matéria que não tenha sido atacada em impugnação e submetida à primeira instância administrativa. A Jurisprudência do CARF é firme nesse entendimento, conforme Acórdãos apontados a seguir: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2018 a 31/12/2020 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não é nulo, por cerceamento de defesa, o Auto de Infração que apresenta a descrição do fato ilícito, o enquadramento legal da infração e da respectiva penalidade, com respaldo em adequada instrução probatória, e o contribuinte é validamente intimado de todos os atos praticados nº processo. FASE RECURSAL. INOVAÇÃO DA TESE DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO. A impugnação instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal, sendo o momento em que o contribuinte deve aduzir todas as razões de defesa, nos termos dos art. 16 e 17 do Decreto n. 70.235/1972. Não se admite, portanto, a apresentação, em sede recursal, de novos fundamentos não debatidos na origem, devendo ser reconhecida a preclusão consumativa. Fl. 7770DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.574 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720743/2021-90 8 MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO AGRAVADA. Deve ser mantido o agravamento pela metade da multa de ofício quando constatado que a contribuinte, no caso concreto, não responde e nem cumpre qualquer das intimações para prestação de informações e apresentação de documentos, durante o procedimento fiscal (Acórdão CARF nº 3102-002.962, de 14/10/2025) ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2016 INOVAÇÃO DE ARGUMENTOS. INSTÂNCIA RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE Não se admite a inovação de argumentos em sede de Recurso Voluntário. A vertente defensiva deve guardar consonância com o exposto na exordial, sob pena de inviabilizar o conhecimento da matéria esposada. (Processo nº 10725.900240/2017-41; Acórdão nº 3201-008.052; Relator Conselheiro Laércio Cruz Uliana Junior; sessão de 22/03/2021) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2006 FASE RECURSAL. INOVAÇÃO DA TESE DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO. É vedado às partes inovarem nas teses de defesa na fase recursal, sob pena de supressão de instância e de violação aos artigos 16 e 17 do Decreto n° 70.235/72, e aos princípios do contraditório e da ampla defesa. (Processo nº 19647.010980/2009-28; Acórdão nº 2003-003.339; Relatora Conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez; sessão de 23/06/2021) Portanto, voto pelo não conhecimento do Recurso Voluntário no que se refere aos tópicos intitulados (i) Retenções na Fonte não consideradas; (ii) Serviços de Arrecadação não excluídos; (iii) Adições de valores tributáveis na Base de Cálculo; (iv) 5.Outros Créditos não excluídos da Base de Cálculo, não suscitados na Manifestação e em relação ao qual se operou a Preclusão Consumativa. II – DAS PRELIMINARES Neste ponto adoto parcialmente análise da decisão de piso. 1. Pedido de julgamento em conjunto com os demais processos. O contribuinte defende que o julgamento do presente caso as retificações das DCTFs (do período de agosto de 2015 a dezembro de 2016), seriam fundamentais para origem do crédito ora em análise nos processos de restituição. Fl. 7771DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.574 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720743/2021-90 9 Destaque inicialmente que o “initialis Processus” para todo conjunto envolvido na discussão aconteceu com presente processo de análise de Retificação de DCTF´s. A partir desse ponto, a Recorrente para preservar seu eventual direito à restituição de pagamento indevido e/ou a maior transmitiu diversos pedidos de restituição (PER´s) que resultaram em indeferimentos por os citados pagamentos estarem alocados à DCTF original, visto que as Retificados não foram homologadas, conforme abaixo: Processo Equipe Atividade 19614.726670/2022-83 CEGEP-COCAJ-RPO-SP-TRIB60 Tratar CONTENCIOSO - Distribuição 19614.726675/2022-14 CEGEP-COCAJ-RPO-SP-TRIB61 Tratar CONTENCIOSO - Distribuição 16327.907911/2021-50 DISOR-CEGAP-CARF-CA03 Tratar CONTENCIOSO - Distribuição 16327.907914/2021-93 DISOR-CEGAP-CARF-CA03 Tratar CONTENCIOSO - Distribuição 16327.907916/2021-82 DISOR-CEGAP-CARF-CA03 Tratar CONTENCIOSO - Distribuição 16327.907918/2021-71 DISOR-CEGAP-CARF-CA03 Tratar CONTENCIOSO - Distribuição 16327.907920/2021-41 DISOR-CEGAP-CARF-CA03 Tratar CONTENCIOSO - Distribuição 16327.907922/2021-30 DISOR-CEGAP-CARF-CA03 Tratar CONTENCIOSO - Distribuição 16327.907924/2021-29 DISOR-CEGAP-CARF-CA03 Tratar CONTENCIOSO - Distribuição 16327.907926/2021-18 DISOR-CEGAP-CARF-CA03 Tratar CONTENCIOSO - Distribuição 16327.907928/2021-15 DISOR-CEGAP-CARF-CA03 Tratar CONTENCIOSO - Distribuição 16327.907930/2021-86 DISOR-CEGAP-CARF-CA03 Tratar CONTENCIOSO - Distribuição 16327.907932/2021-75 DISOR-CEGAP-CARF-CA03 Tratar CONTENCIOSO - Distribuição 16327.907934/2021-64 DISOR-CEGAP-CARF-CA03 Tratar CONTENCIOSO - Distribuição 16327.907936/2021-53 DISOR-CEGAP-CARF-CA03 Tratar CONTENCIOSO - Distribuição 16327.907938/2021-42 DISOR-CEGAP-CARF-CA03 Tratar CONTENCIOSO - Distribuição 16327.907907/2021-91 GCRED-EAPEX-DIRAT-DEINF-SPO-SP Realizar Diligencia / Perícia 16327.907908/2021-36 GCRED-EAPEX-DIRAT-DEINF-SPO-SP Realizar Diligencia / Perícia 16327.907909/2021-81 GCRED-EAPEX-DIRAT-DEINF-SPO-SP Realizar Diligencia / Perícia 16327.907910/2021-13 GCRED-EAPEX-DIRAT-DEINF-SPO-SP Realizar Diligencia / Perícia Fl. 7772DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.574 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720743/2021-90 10 16327.907912/2021-02 GCRED-EAPEX-DIRAT-DEINF-SPO-SP Realizar Diligencia / Perícia 16327.907913/2021-49 GCRED-EAPEX-DIRAT-DEINF-SPO-SP Realizar Diligencia / Perícia 16327.907915/2021-38 GCRED-EAPEX-DIRAT-DEINF-SPO-SP Realizar Diligencia / Perícia 16327.907917/2021-27 GCRED-EAPEX-DIRAT-DEINF-SPO-SP Realizar Diligencia / Perícia 16327.907919/2021-16 GCRED-EAPEX-DIRAT-DEINF-SPO-SP Realizar Diligencia / Perícia 16327.907921/2021-95 GCRED-EAPEX-DIRAT-DEINF-SPO-SP Realizar Diligencia / Perícia 16327.907923/2021-84 GCRED-EAPEX-DIRAT-DEINF-SPO-SP Realizar Diligencia / Perícia 16327.907925/2021-73 GCRED-EAPEX-DIRAT-DEINF-SPO-SP Realizar Diligencia / Perícia 16327.907927/2021-62 GCRED-EAPEX-DIRAT-DEINF-SPO-SP Realizar Diligencia / Perícia 16327.907929/2021-51 GCRED-EAPEX-DIRAT-DEINF-SPO-SP Realizar Diligencia / Perícia 16327.907931/2021-21 GCRED-EAPEX-DIRAT-DEINF-SPO-SP Realizar Diligencia / Perícia 16327.907933/2021-10 GCRED-EAPEX-DIRAT-DEINF-SPO-SP Realizar Diligencia / Perícia 16327.907935/2021-17 GCRED-EAPEX-DIRAT-DEINF-SPO-SP Realizar Diligencia / Perícia 16327.907935/2021-18 GCRED-EAPEX-DIRAT-DEINF-SPO-SP Realizar Diligencia / Perícia Observe-se que os citados processos não estão todo ainda localizados no CARF, permanecendo em diversos momentos do contencioso administrativo. O Regimento do CARF – RICARF/2023 discorre: Art. 47 Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observando-se o disposto neste artigo. § 1º Os processos podem ser vinculados por: I - conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fatos idênticos, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II - decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III - reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. Fl. 7773DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.574 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720743/2021-90 11 § 2º Os processos poderão, observada a competência da Seção, ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Se o processo principal, nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º, não estiver localizado no CARF, o processo decorrente ou reflexo será enviado à unidade de origem, para apensação ao processo principal, ou mantido no CARF na hipótese de vinculação. § 5º Na impossibilidade de distribuição, ao mesmo relator, dos processos principal e decorrente ou reflexo, será determinada a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo decorrente ou reflexo, até que seja proferida decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Se o processo principal, na hipótese prevista no § 4º, não contiver recurso a ser apreciado pelo CARF, a unidade de origem devolverá o processo decorrente ou reflexo, com as informações relativas ao processo principal, necessárias ao julgamento Como já descrito, o resultado do presente processo, em virtude se ser a célula master do procedimento, deverá ser aplicado aos demais já citados, após o deslinde administrativo. Cite-se também para corroborar o entendimento as seguintes decisões do CARF: “SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO. BASE LEGAL. INEXISTÊNCIA. PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE. Inexistindo previsão legal, não podem as autoridades julgadoras administrativas decidir pelo sobrestamento do processo, sob pena de violar o princípio da legalidade inserto na Constituição da República. O princípio da oficialidade impede que o andamento de um processo fique sobrestado no aguardo de decisão referente a outro processo interposto pelo mesmo contribuinte. (CARF, 2ª Turma, 2ª Câmara, 1ª Seção, acórdão 1202-000.514, sessão de 23/05/2011)“ PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo administrativo dentro das normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal. A Administração Pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final (Princípio da Oficialidade). Apenas a cobrança do débito deverá aguardar o pronunciamento principal, se demonstrada a ocorrência de uma das causas suspensivas da exigibilidade do crédito tributário.” (2º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, acórdão nº 202-18000, sessão de 22/05/2007). Assim sem previsão para sobrestar o presente, nem vincular os processos de restituição, pois estão em momentos processuais distintos, conforme já delineado. Fl. 7774DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.574 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720743/2021-90 12 2. Questionamento quanto à negativa ao direito da Retificação da DCTF, alegando a necessidade de lavratura de Auto de Infração. O contribuinte pugna pela anulação do despacho decisório relacionado ao presente processo, pois entende que o procedimento adotado pela fiscalização para negar a retificação das DCTFs foi incorreto. Ele entende que a exigência de tributos e penalidades dos contribuintes só seria possível mediante a atividade vinculada de lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. E ainda, a Instrução Normativa nº 1.599/2015 que tratava da retificação de DCTF (atualmente IN RFB nº 2005/2021), apenas vedava a retificação caso os débitos retificados estivem em procedimento fiscalizatório ou inscritos em dívida ativa, mas não apenas por discordar do mérito que subsidiou as retificações. Não assiste razão à Recorrente. Adoto parcialmente o voto da Decisão de Piso. A transmissão das DCTF´s e suas retificadoras foi apresentado pelo próprio contribuinte, tipificando o lançamento por homologação, conforme artigo 150 do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. A DCTF caracteriza-se como instrumento de confissão de dívida, para os devidos efeitos tributários, conforme consta no próprio recibo de entrega da mesma e a teor do que dispõe o Decreto-Lei nº 2.124, de 1984, em seu art. 5º, §1º: Fl. 7775DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.574 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720743/2021-90 13 Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Tal previsão legal é reprisada na IN RFB nº 2005/2021, que dispõe sobre a apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais Previdenciários e de Outras Entidades e Fundos (DCTFWeb): Art. 2º A DCTF e a DCTFWeb apresentadas na forma estabelecida por esta Instrução Normativa constituem confissão de dívida e instrumentos hábeis e suficientes para a exigência dos créditos tributários nelas consignados. (...) Art. 15. Os valores informados na DCTF e na DCTFWeb serão objeto de procedimento de auditoria interna. (...) Art. 16. A alteração de informações prestadas por meio da DCTF ou da DCTFWeb, nas hipóteses em que admitida, deverá ser feita mediante apresentação de DCTF ou DCTFWeb retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. (...) Art. 17. A RFB poderá reter para análise, com base na aplicação de parâmetros internos por ela estabelecidos, débitos declarados cujos valores foram reduzidos mediante DCTF ou DCTFWeb retificadora. § 1º Verificada a retenção a que se refere o caput, o responsável pelo envio da DCTF ou DCTFWeb retificadora correspondente poderá ser intimado a prestar esclarecimentos ou apresentar documentos sobre inconsistências ou indícios de irregularidade verificados na análise do débito. § 2º A intimação para o contribuinte prestar esclarecimentos ou apresentar documentos comprobatórios poderá ser feita de forma eletrônica, observada a legislação específica. § 3º A autoridade administrativa decidirá, com base na análise prevista no caput: I - pela liberação dos débitos objeto da retenção, quando presentes elementos de convicção que justifiquem a retificação de seus valores; ou I - pela rejeição da retificação efetuada, diante de elementos de convicção que indiquem sua Fl. 7776DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.574 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720743/2021-90 14 improcedência, ou se o contribuinte não atender à intimação nº prazo determinado ou, se atender, não comprovar o erro de fato a ser retificado. § 4º Não produzirão efeitos as retificações: I - enquanto pendentes de análise; e II - não homologadas. § 5º A liberação dos débitos objeto da retenção, nos termos do inciso I do § 3º, não implica a homologação do lançamento na forma prevista no art. 150 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional (CTN) Logo, por se tratar de débitos informado em DCTF, e no caso de a autoridade fiscal aceitar os valores originalmente apresentados, não há que se exigir lançamento de ofício, pois eles já estão lançados (por homologação) e confessados. Diferente seria se a autoridade fiscal entendesse que os valores declarados estavam abaixo do valor correto, nesse caso, deveria sim a autoridade fiscal lançar a diferença que entende correta, mediante lançamento de ofício por meio do auto de infração. Aqui temos a intenção do contribuinte em diminuir os débitos originalmente declarados, gerando um pagamento a maior ou indevido dos débitos (a fim de pleitear sua restituição/compensação), mas tal retificação não foi aceita, logo, nada muda, a fiscalização concorda com os valores originais lançados e já quitados. Não há, portanto, necessidade de se lavrar um auto de infração, pois não se pretende cobrar nada além do já originalmente declarado, fulminando-se os argumentos apresentados. Assim, rejeito a alegação apontada. 3. Nulidade do Despacho Decisório, citando artigo 59 do PAF, alegando que tal exigência deveria ser realizado no âmbito da Fiscalização. Vejamos o disposto no Artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 (PAF) Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Conforme consta o Despacho Decisório foi emitido por Auditor-Fiscal, dentro de suas competências previstas na legislação Em nenhum ponto do nosso arcabouço jurídico menciona que Auditor Fiscal só pode exercer suas funções dentro do setor de Fiscalização. Fl. 7777DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.574 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720743/2021-90 15 Tais atividades são exercidas em Direito Creditório, Revisão de Autos de Infração, análise de isenções/Benefícios Fiscais, Contencioso, etc. Desde que sejam preservadas todas as determinações da legislação, com intimações, análises, prazos, autoridade competente, com direito a defesa e o devido processo legal, não há de se cogitar em Nulidade. Assim, rejeito a alegação de Nulidade apontada. Por estes motivos afasto as preliminares suscitadas. III – MÉRITO 2. QUANTO A PARTE CONHECIDA A Recorrente em tela apresentou DCTF retificadora e, após incidência em Malha DCTF (Valor e seus argumentos não foram aceitos, mantendo-se a declaração original. Paralelamente a mesma transmitiu Pedidos de Restituição, por entender que seus recolhimentos teriam sido maiores que o devido, gerando os processos conforme já delineado nas preliminares. Os processos em apreço foram todos indeferidos, em função de os pagamentos estarem alocados os débitos da DCTF original, estando em várias fases do contencioso. A Recorrente apresentou retificadora conforme tabela abaixo: PERÍODO Valor PIS ORIG. Valor Pis Retif. Valor Cofins ORIG Valor Cofins Retif ago/15 R$ 506.375,72 R$ 10,00 R$ 3.057.354,52 R$ 10,00 set/15 R$ 677.115,39 R$ 10,00 R$ 4.053.825,04 R$ 10,00 out/15 R$ 38.674.632,77 R$ 32.588.033,29 R$ 238.062.482,46 R$ 197.478.466,40 nov/15 R$ 16.193.331,89 R$ 12.184.504,78 R$ 100.979.187,67 R$ 80.612.527,50 dez/15 R$ 15.237.025,45 R$ 11.557.679,90 R$ 93.000.064,85 R$ 70.439.746,34 jan/16 R$ 8.746.887,15 R$ 5.036.373,79 R$ 55.206.888,28 R$ 32.802.331,63 fev/16 R$ 23.400.787,45 R$ 20.044.283,30 R$ 142.777.383,29 R$ 122.252.571,84 mar/16 R$ 42.121.698,44 R$ 38.161.449,37 R$ 259.328.643,08 R$ 235.075.152,60 abr/16 R$ 42.482.942,98 R$ 38.828.727,66 R$ 261.326.135,06 R$ 239.115.931,13 mai/16 R$ 3.778.501,68 R$ 56.276,97 R$ 23.270.585,96 R$ 346.268,28 jun/16 R$ 29.558.650,80 R$ 25.126.380,43 R$ 181.966.305,23 R$ 155.091.859,07 jul/16 R$ 16.227.479,51 R$ 12.223.340,27 R$ 100.376.604,09 R$ 75.834.652,50 ago/16 R$ 18.674.799,38 R$ 14.206.189,94 R$ 114.646.667,37 R$ 87.257.970,62 set/16 R$ 18.492.711,76 R$ 14.349.553,71 R$ 113.946.259,43 R$ 88.556.722,78 Fl. 7778DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.574 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720743/2021-90 16 out/16 R$ 29.685.721,64 R$ 27.084.473,99 R$ 182.656.449,48 R$ 166.783.575,95 dez/16 R$ 22.162.327,51 R$ 17.438.861,11 R$ 136.549.888,00 R$ 108.017.414,30 TOTAL R$ 326.620.989,52 R$ 268.886.148,51 R$ 2.011.204.723,81 R$ 1.659.665.210,94 Resumidamente almejava o seguinte resultado: ORIGINAL RETIFICADORA DIFERENÇA RETIFICAÇÃO PIS 4574 326.620.989,52 268.886.148,51 57.734.841,01 RETIFICAÇÃO COFINS 7987 2.011.204.723,81 1.659.665.210,94 351.539.512,87 TOTAL RETIFICADO 2.337.825.713,33 1.928.551.359,45 409.274.353,88 A Recorrente apresenta o seguinte quadro onde detalha suas retificações (fl. 19 RV): Fl. 7779DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.574 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720743/2021-90 17 Passemos para análise dos argumentos apresentados Exclusão da base de cálculo dos Rendimentos de Depósitos Compulsórios A Recorrente alega que teria incluído valores indevidos em sua base de cálculo do PIS/COFINS, dentre eles os rendimentos decorrentes dos depósitos compulsórios que são exigidos conforme normas do Banco Central, após apresentar diversos entendimentos sobra a Legislação, com alegação que: apenas as atividades que visam atingir escopo lucrativo podem ser consideradas como objeto social, o que pressupõe a intenção e esforço da sociedade para atingimento do seu objetivo, não podendo ser incluída neste rol, simples remuneração cujo recebimento decorre de mera imposição legislativa, sem qualquer retribuição como serviço ou mercadoria, sob pena de ser considerada estranha à sua atividade (...) Isto porque, uma vez submetida à égide da sistemática da cumulatividade, apenas são objeto de tributação para o PIS e a Cofins as receitas advindas da cobrança de tarifas (serviços bancários) e das operações bancárias (intermediações financeiras), ou seja: as atividades típicas de uma instituição financeira. Entendeu que os depósitos compulsórios e a s remunerações deles decorrente estariam fora do campo de incidência, pois apesar de obrigatoriedade decorrente de normas do Banco Central, tal atividade não seria típica de uma instituição financeira Sem razão a Recorrente. Inicialmente observemos o arcabouço jurídico disponível : Lei nº 9.718/98 Fl. 7780DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.574 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720743/2021-90 18 Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001)Art. 3º O faturamento a que se refere o art. 2º compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014). Decreto-Lei nº 1.598, de 1977. Art. 12. A receita bruta compreende: I - o produto da venda de bens nas operações de conta própria; II - o preço da prestação de serviços em geral; III - o resultado auferido nas operações de conta alheia; e IV – as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III Verifica-se pela exposição acima que não há base legal para exclusão dos rendimentos decorrentes dos Depósitos Compulsórios no BACEN. Nesse mesmo viés vejamos a Solução de Consulta Cosit nº 128, de 14/09/2021 pela Recorrente: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP BASE DE CÁLCULO. INCIDÊNCIA. REMUNERAÇÃO DECORRENTE DE DEPÓSITOS COMPULSÓRIOS. RECEITA DA ATIVIDADE. No caso de instituição financeira sujeita à apuração da Contribuição para o PIS/Pasep sob o regime de incidência cumulativo, conforme disposto na Lei nº 9.718, de 1998, a remuneração decorrente de depósitos compulsórios no Banco Central do Brasil deve ser tributada pelas referidas contribuições, por se constituir em receita da atividade empresarial. Dispositivos Legais: arts. 4º, inciso XIV, e 10, incisos III e IV, da Lei nº 4.595, de 1964; arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998; Decreto-Lei nº 1.598, de 1977. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS BASE DE CÁLCULO. INCIDÊNCIA. REMUNERAÇÃO DECORRENTE DE DEPÓSITOS COMPULSÓRIOS. RECEITA DA ATIVIDADE. No caso de instituição financeira sujeita à apuração da Cofins sob o regime de incidência cumulativo, conforme disposto na Lei nº 9.718, de 1998, a remuneração decorrente de depósitos compulsórios no ao Banco Central do Brasil deve ser tributada pelas referidas contribuições, por se constituir em receita da atividade empresarial. Fl. 7781DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.574 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720743/2021-90 19 Dispositivos Legais: arts. 4º, inciso XIV, e 10, incisos III e IV, da Lei nº 4.595, de 1964; arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998; Decreto-Lei nº 1.598, de 1977. (...) Destaque-se os principais trechos da citada Solução de Consulta: 18. Ainda que haja uma explanação por parte da Consulente defendendo a tese de que a receita em análise não se caracterizaria como típica da atividade bancária, de uma intermediação de recursos financeiros, tal entendimento é rechaçado pelo regramento do BCB. Para a prática da sua atividade empresarial a consulente deve realizar o recolhimento do compulsório e consequentemente receber os rendimentos decorrentes desses depósitos. 19. Dito isto, não se pode aventar que uma receita que é típica e exclusiva de instituições financeiras, uma vez que nenhuma outra companhia, de nenhum outro ramo de atividade, está sujeita a tais regras de recolhimentos de depósitos compulsórios no BCB, não seja considerada como uma receita da atividade da consulente, sendo desta forma, parte integrante da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. 20. Cabe ainda destacar que admitir a exclusão da base de cálculo das contribuições das rendas de créditos vinculados ao BCB, que correspondem à remuneração entregue por aquela Autarquia em decorrência dos recolhimentos compulsórios realizados pela Consulente, resultaria na dedução em dobro já que conforme disposto no art. 3º, § 6º, I-A da Lei nº 9.718, 27 de novembro de 1998, as despesas incorridas nas operações de intermediação financeira podem ser deduzidas Ou seja, a Solução de Consulta em apreço foi explicita no sentido da inclusão dos rendimentos dos depósitos compulsórios, sendo parte integrante da base de cálculo para o PIS/PASEP e da COFINS. Além do exposto, a jurisprudência do CARF é firme nesse sentido, conforme Acórdão abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2000 REGIME CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. O STF, apreciando o tema 372 da repercussão geral, deu parcial provimento ao Recurso Extraordinário 609.096-RG/RS da União a fim de estabelecer a legitimidade da incidência, à luz da Lei nº 9.718/98, do PIS sobre as receitas brutas operacionais decorrentes de atividades empresariais típicas. Foi fixada a seguinte tese: “As receitas brutas operacionais decorrentes da atividade empresarial típica das instituições financeiras integram a base de cálculo PIS/COFINS cobrado em Fl. 7782DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.574 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720743/2021-90 20 face daquelas ante a Lei nº 9.718/98, mesmo em sua redação original, ressalvadas as exclusões e deduções legalmente prescritas”. ATIVIDADES EMPRESARIAIS TÍPICAS. DELIMITAÇÃO. São atividades empresariais típicas não apenas aquelas assim indicadas na legislação ou no Contrato Social (ou Estatuto Social), mas também aquelas exercidas com habitualidade pela sociedade empresária. A Lei nº 14.195/2021, ao revogar o § único do art. 1.015 do Código Civil, que positivava em nosso ordenamento jurídico a teoria do ultra vires societatis, indica que a atividade empresarial não está restrita apenas àquelas assim indicadas no objeto social. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS PROVENIENTES DA LOCAÇÃO DE BENS MÓVEIS E IMÓVEIS. INCIDÊNCIA. O STJ firmou entendimento no sentido de que as receitas provenientes da locação de móveis e imóveis integram o conceito de faturamento, para o fim de tributação a título de PIS e COFINS, incluindo-se aí as receitas provenientes da locação de móveis e imóveis próprios e integrantes do ativo imobilizado, ainda que este não seja o objeto social da empresa. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS DECORRENTES DA REMUNERAÇÃO DOS DEPÓSITOS COMPULSÓRIOS JUNTO AO BACEN. INCIDÊNCIA. Nos termos do art. 17 da Lei nº 4.595/64, consideram-se instituições financeiras as pessoas jurídicas públicas ou privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros. Não foi prevista qualquer restrição em relação à origem dos recursos aplicados ou ao tipo de aplicação financeira (Acórdão 3402-10.962 de 24/08/2023), Relator Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares) Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Ano-calendário: 2000 CONCEITO DE FATURAMENTO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITA BRUTA OPERACIONAL DECORRENTE DE SUAS ATIVIDADES EMPRESARIAIS TÍPICAS. RECEITAS FINANCEIRAS. TEMA 372/STF A tese de repercussão geral fixada foi a seguinte: “As receitas brutas operacionais decorrentes da atividade empresarial típica das instituições financeiras integram a base de cálculo PIS/Cofins cobrado em face daquelas ante a Lei 9.718/98, mesmo em sua redação original, ressalvadas as exclusões e deduções legalmente prescritas”. Fl. 7783DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.574 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720743/2021-90 21 BASE DE CÁLCULO. INCIDÊNCIA. REMUNERAÇÃO DECORRENTE DE DEPÓSITOS COMPULSÓRIOS. RECEITA DA ATIVIDADE. No caso de instituição financeira sujeita à apuração da PIS/Pasep sob o regime de incidência cumulativa, conforme disposto na Lei no 9.718, de 1998, a remuneração decorrente de depósitos compulsórios no Banco Central do Brasil deve ser tributada pelas referidas contribuições, por se constituir em receita da atividade empresarial (Acórdão 3202-002.963, de 25/09/2025, Relatora Conselheira Juciléia de Souza Lima) Adoto a exposição da Ilustre Relatora neste ponto: Entretanto, é sabido, os depósitos compulsórios são recursos que as instituições financeiras e demais instituições autorizadas pelo Banco Central do Brasil são obrigadas a manter depositados no órgão regulador, com base em determinado percentual incidente sobre os depósitos à vista, a prazo e sobre os depósitos de poupança recebidos e, a depender da modalidade de recolhimento do compulsório, tais valores são passíveis de remuneração. Nessa condição, nos parece evidente que os recolhimentos dos depósitos compulsórios, bem como os rendimentos decorrentes desses depósitos, fazem parte das atividades da instituição bancária. Especificamente no que tange à remuneração dos depósitos compulsórios, segundo o entendimento manifestado, não restam dúvidas, a meu ver, do seu enquadramento como receita passível de incidência das contribuições, pois os rendimentos decorrentes desses depósitos, fazem parte das atividades da instituição bancária. No entendimento desta Relatora, a remuneração decorrente de depósitos compulsórios ao Banco Central do Brasil deve ser tributada pelas referidas contribuições, por se constituir em receita da atividade empresarial das instituições financeiras (...) Cita a Solução de Consulta Cosit nº 128/2021 já apresentada. Como é sabido, a remuneração dos depósitos compulsórios reduz o custo de captação dos bancos, implicando menores taxas de juros cobradas nas operações ativas(operações de crédito). Fl. 7784DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.574 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720743/2021-90 22 Aqui filio-me ao entendimento do julgador de piso para afirmar que, de fato, compulsório rentável é uma fonte permanente de receita da instituição financeira e, como tal, é operacional, tanto quanto as operações de crédito, não fazendo sentido isentar a instituição financeira do ganho obtido com a remuneração destes depósitos que, ademais, envolve recursos de clientes depositados no banco, sendo impossível identificar a parcela correspondente a cada cliente. Por todo exposto, nego provimento ao tópico recursal Em pesquisa junto às decisões judiciais, verifica-se que o STJ, em relação ao IRPJ e CSLL assim se pronunciou no RESP 2.167.201/SP: RELATOR(A):Min. VICE-PRESIDENTE DO STJ RAMO DO DIREITO: DIREITO TRIBUTÁRIO ASSUNTO(S): DIREITO TRIBUTÁRIO, Impostos, IRPJ/Imposto de Renda de Pessoa Jurídica. Crédito Tributário, Suspensão da Exigibilidade. Contribuições, Contribuições Sociais, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Compensação de Prejuízo. Obrigação Tributária, Obrigação Acessória. Impostos, IRPJ/Imposto de Renda de Pessoa Jurídica, Compensação de Prejuízos. Crédito Tributário, Juros/Correção Monetária. Contribuições, Contribuições Sociais, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Esses valores emprestados são corrigidos e remunerados pela aplicação da taxa Selic. No caso concreto, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região concluiu que incidem IRPJ e CSLL sobre essa parcela, com base em jurisprudência do STJ. Selic gera renda e lucro O TRF-3 aplicou por analogia a tese do Tema 504 dos recursos repetitivos, segundo a qual “os juros incidentes na devolução dos depósitos judiciais possuem natureza remuneratória e não escapam à tributação pelo IRPJ e pela CSLL”. Assim, essa remuneração constitui receita financeira que se enquadra no conceito de renda e proventos de qualquer natureza, como exige o Código Tributário Nacional. Ela integra o lucro da pessoa jurídica, devendo compor a base de IRPJ e CSLL. “Embora o depósito compulsório seja obrigatório e o judicial, facultativo, em ambas as situações a remuneração pela taxa Selic sobre o capital indisponibilizado gera ingresso financeiro, rendimento que representa acréscimo patrimonial do contribuinte, sujeito a incidência dos impostos”, disse a relatora. A votação foi unânime. Fl. 7785DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.574 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720743/2021-90 23 Diante do quadro exposto, nego provimento nesse ponto. IV – DISPOSITIVO Nesse sentido, voto por rejeitar as preliminares e não conhecer dos itens (i) Retenções na Fonte não consideradas; (ii) Serviços de Arrecadação não excluídos; (iii) Adições de valores tributáveis na Base de Cálculo; (iv) Outros Créditos não excluídos da Base de Cálculo, não suscitados na Manifestação e em relação ao qual se operou a Preclusão Consumativa e, na parte conhecida, negar provimento ao Recurso Voluntário Assinado Digitalmente Mário Sérgio Martinez Piccini Fl. 7786DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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