Sistemas: Acordãos
Busca:
mostrar execução da query
11495362 #
Numero do processo: 11128.721181/2012-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 20 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros Ano-calendário: 2009 DIREITO ADUANEIRO. MULTA ADMINISTRATIVA. INFRAÇÃO ADUANEIRA DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. ART. 1º, § 1º, DA LEI Nº 9.873/1999. TEMA REPETITIVO Nº 1.293 DO STJ. PARALISAÇÃO PROCESSUAL POR MAIS DE TRÊS ANOS. OCORRÊNCIA. A prescrição intercorrente prevista no art. 1º, § 1º, da Lei nº 9.873/1999 incide nos processos administrativos de apuração de infrações aduaneiras de natureza não tributária que permaneçam paralisados por mais de três anos, conforme definido pelo Superior Tribunal de Justiça no Tema Repetitivo nº 1.293. A natureza jurídica da multa imposta com fundamento no art. 107, IV, e, do Decreto-Lei nº 37/1966 é administrativa (não tributária), pois decorre de obrigação aduaneira vinculada ao controle do trânsito internacional de mercadorias, e não direta e imediatamente à arrecadação ou fiscalização tributária.
Numero da decisão: 3401-014.983
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Laércio Cruz Uliana Junior - Relator e Vice-presidente Assinado Digitalmente Leonardo Correia Lima Macedo - Presidente Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ana Paula Pedrosa Giglio, Celso Jose Ferreira de Oliveira, Flavia Sales Campos Vale (substituto[a] integral), Laercio Cruz Uliana Junior, Laura Baptista Borges, Leonardo Correia Lima Macedo (Presidente).
Nome do relator: LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Sep 19 09:00:00 UTC 2026

anomes_sessao_s : 202607

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Ano-calendário: 2009 DIREITO ADUANEIRO. MULTA ADMINISTRATIVA. INFRAÇÃO ADUANEIRA DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. ART. 1º, § 1º, DA LEI Nº 9.873/1999. TEMA REPETITIVO Nº 1.293 DO STJ. PARALISAÇÃO PROCESSUAL POR MAIS DE TRÊS ANOS. OCORRÊNCIA. A prescrição intercorrente prevista no art. 1º, § 1º, da Lei nº 9.873/1999 incide nos processos administrativos de apuração de infrações aduaneiras de natureza não tributária que permaneçam paralisados por mais de três anos, conforme definido pelo Superior Tribunal de Justiça no Tema Repetitivo nº 1.293. A natureza jurídica da multa imposta com fundamento no art. 107, IV, e, do Decreto-Lei nº 37/1966 é administrativa (não tributária), pois decorre de obrigação aduaneira vinculada ao controle do trânsito internacional de mercadorias, e não direta e imediatamente à arrecadação ou fiscalização tributária.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2026

numero_processo_s : 11128.721181/2012-33

anomes_publicacao_s : 202609

conteudo_id_s : 7409605

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2026

numero_decisao_s : 3401-014.983

nome_arquivo_s : Decisao_11128721181201233.PDF

ano_publicacao_s : 2026

nome_relator_s : LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR

nome_arquivo_pdf_s : 11128721181201233_7409605.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Laércio Cruz Uliana Junior - Relator e Vice-presidente Assinado Digitalmente Leonardo Correia Lima Macedo - Presidente Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ana Paula Pedrosa Giglio, Celso Jose Ferreira de Oliveira, Flavia Sales Campos Vale (substituto[a] integral), Laercio Cruz Uliana Junior, Laura Baptista Borges, Leonardo Correia Lima Macedo (Presidente).

dt_sessao_tdt : Mon Jul 20 00:00:00 UTC 2026

id : 11495362

ano_sessao_s : 2026

atualizado_anexos_dt : Sat Oct 10 09:43:30 UTC 2026

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1878655423709446144

conteudo_txt : Metadados => date: 2026-08-25T13:09:49Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-08-25T13:09:49Z; Last-Modified: 2026-08-25T13:09:49Z; dcterms:modified: 2026-08-25T13:09:49Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-08-25T13:09:49Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-08-25T13:09:49Z; meta:save-date: 2026-08-25T13:09:49Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-08-25T13:09:49Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-08-25T13:09:49Z; created: 2026-08-25T13:09:49Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2026-08-25T13:09:49Z; pdf:charsPerPage: 1469; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-08-25T13:09:49Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 11128.721181/2012-33 ACÓRDÃO 3401-014.983 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 24 de julho de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE DHL SUPPLY CHAIN (BRAZIL) LTDA INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Regimes Aduaneiros Ano-calendário: 2009 DIREITO ADUANEIRO. MULTA ADMINISTRATIVA. INFRAÇÃO ADUANEIRA DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. ART. 1º, § 1º, DA LEI Nº 9.873/1999. TEMA REPETITIVO Nº 1.293 DO STJ. PARALISAÇÃO PROCESSUAL POR MAIS DE TRÊS ANOS. OCORRÊNCIA. A prescrição intercorrente prevista no art. 1º, § 1º, da Lei nº 9.873/1999 incide nos processos administrativos de apuração de infrações aduaneiras de natureza não tributária que permaneçam paralisados por mais de três anos, conforme definido pelo Superior Tribunal de Justiça no Tema Repetitivo nº 1.293. A natureza jurídica da multa imposta com fundamento no art. 107, IV, "e", do Decreto-Lei nº 37/1966 é administrativa (não tributária), pois decorre de obrigação aduaneira vinculada ao controle do trânsito internacional de mercadorias, e não direta e imediatamente à arrecadação ou fiscalização tributária. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Laércio Cruz Uliana Junior – Relator e Vice-presidente Fl. 237DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-014.983 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.721181/2012-33 2 Assinado Digitalmente Leonardo Correia Lima Macedo – Presidente Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ana Paula Pedrosa Giglio, Celso Jose Ferreira de Oliveira, Flavia Sales Campos Vale (substituto[a] integral), Laercio Cruz Uliana Junior, Laura Baptista Borges, Leonardo Correia Lima Macedo (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de auto de infração de multa prevista no art. 107, IV, e, do Decreto-Lei nº 37/1966. Foi apresentado o recurso voluntário pela contribuinte tempestivamente, repisando os mesmos argumentos da impugnação. É o relatório. VOTO Conselheiro Laércio Cruz Uliana Junior, Relator. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, sob o rito dos recursos repetitivos (Tema n. 1293), que a prescrição intercorrente prevista no art. 1º, parágrafo 1º, da Lei n. 9.873/1999 incide nos processos administrativos de apuração de infrações aduaneiras que permaneçam paralisados por mais de três anos: A Primeira Seção, por unanimidade, deu provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Foram aprovadas, por unanimidade, as seguintes teses, no tema repetitivo 1293: 1. Incide a prescrição intercorrente prevista no art. 1º, § 1º, da Lei 9.873/1999 quando paralisado o processo administrativo de apuração de infrações aduaneiras, de natureza não tributária, por mais de 3 anos. 2. A natureza jurídica do crédito correspondente à sanção pela infração à legislação aduaneira é de direito administrativo (não tributário) se a norma infringida visa primordialmente ao controle do trânsito internacional de mercadorias ou à regularidade do serviço aduaneiro, ainda que, reflexamente, possa colaborar para a fiscalização do recolhimento dos tributos incidentes sobre a operação. Fl. 238DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-014.983 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.721181/2012-33 3 3. Não incidirá o art. 1º, § 1º, da Lei 9.873/99 apenas se a obrigação descumprida, conquanto inserida em ambiente aduaneiro, destinava-se direta e imediatamente à arrecadação ou à fiscalização dos tributos incidentes sobre o negócio jurídico realizado. Fato inconteste que da decisão proferida fez distinção da natureza das infrações aduaneiras para as tributárias, nesse aspecto já me posicionei anteriormente: No entanto, é mais adequado deixar de lado a classificação principal ou acessória, posto que a natureza jurídica da obrigação aduaneira sempre estará vinculada ao bem jurídico protegido pelo Direito Aduaneiro, ou seja, o controle aduaneiro. Por conseguinte, toda obrigação aduaneira é acessória e essencial à efetivação do controle previsto no art. 237 da Constituição Federal, não se confundindo, pois, com a obrigação tributária, a qual está vinculada à arrecadação do tributo, esta sim classificada como principal ou acessória. Conclui-se, assim, que o ponto chave para diferenciar as obrigações está na motivação de sua criação. Enquanto as obrigações acessórias são instituídas com a finalidade de arrecadação e fiscalização dos tributos, as aduaneiras têm sua criação ligada às medidas de controle das operações de comércio exterior, não vinculados a fins tributários. Ao adentrar no regime jurídico da infração aduaneira, é imprescindível analisar, novamente, a Convenção de Quioto Revisada, a qual, em seu anexo H.2, definiu Infrações Aduaneiras como qualquer violação ou tentativa de violação da legislação aduaneira. Além disso, infração aduaneira caracteriza-se, também, por qualquer oposição ou obstrução à estância aduaneira em cumprimento das medidas de controle necessárias, bem como a apresentação às autoridades aduaneiras de faturas ou outros documentos falsos. (...) Primeiramente, é fundamental a compreensão da natureza das obrigações aduaneiras: que são sempre aduaneiras, mas podem ser integradas pela relação administrativa, tributária, penal. Assim, se a relação for aduaneira-tributária, a obrigação principal figurará no pagamento de tributo ou de multa pecuniária e/ou a obrigação acessória versará sobre a prestação de interesse da arrecadação ou fiscalização dos tributos (...) Outra conceituação falha, visto que todas as obrigações aduaneiras também possuem natureza administrativa, mas que foi consolidada pelo legislador quando definiu a denúncia espontânea em matéria aduaneira. Assim, as obrigações que surgem a partir de uma relação aduaneira-tributária possuem natureza tributária Fl. 239DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-014.983 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.721181/2012-33 4 e as obrigações que surgem de uma relação aduaneira não tributária possuem natureza administrativa.1 Nesse sentido, é fato que o presente caso trata de multa de natureza administrativa decorrente do art. 107, IV, "e", do Decreto-Lei nº 37/1966. Nesse sentido: Número do processo: 10711.720321/2015-56 Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 01/01/2020 DIREITO ADUANEIRO. MULTA ADMINISTRATIVA. INFRAÇÃO ADUANEIRA DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. ART. 1º, § 1º, DA LEI Nº 9.873/1999. TEMA REPETITIVO Nº 1.293 DO STJ. PARALISAÇÃO PROCESSUAL POR MAIS DE TRÊS ANOS. OCORRÊNCIA. A prescrição intercorrente prevista no art. 1º, § 1º, da Lei nº 9.873/1999 incide nos processos administrativos de apuração de infrações aduaneiras de natureza não tributária que permaneçam paralisados por mais de três anos, conforme definido pelo Superior Tribunal de Justiça no Tema Repetitivo nº 1.293. A natureza jurídica da multa imposta com fundamento no art. 107, IV, e, do Decreto-Lei nº 37/1966 é administrativa (não tributária), pois decorre de obrigação aduaneira vinculada ao controle do trânsito internacional de mercadorias, e não direta e imediatamente à arrecadação ou fiscalização tributária. Número da decisão: 3401-014.439 Nome do Relator: LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR Número do processo: 11128.006994/2009-02 Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 31/01/2006 a 07/01/2008 DIREITO ADUANEIRO. MULTA ADMINISTRATIVA. INFRAÇÃO ADUANEIRA DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. ART. 1º, § 1º, DA LEI Nº 9.873/1999. TEMA REPETITIVO Nº 1.293 DO STJ. PARALISAÇÃO PROCESSUAL POR MAIS DE TRÊS ANOS. OCORRÊNCIA. A prescrição intercorrente prevista no art. 1º, § 1º, da Lei nº 9.873/1999 incide nos processos administrativos de apuração de infrações aduaneiras de natureza não tributária que permaneçam paralisados por mais de três anos, conforme definido pelo Superior Tribunal de Justiça no Tema Repetitivo nº 1.293. A natureza jurídica da multa imposta com fundamento no art. 107, IV, e, do Decreto-Lei nº 37/1966 é administrativa (não tributária), pois decorre de obrigação aduaneira vinculada ao controle do trânsito internacional de mercadorias, e não direta e imediatamente à arrecadação ou fiscalização tributária. Número da decisão: 3401-014.388 Nome do relator: LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR 1 ULIANA JUNIOR, Laércio Cruz. Sanções aduaneiras decorrentes da importação de mercadoria e a proteção ao direito fundamental a livre-iniciativa: uma perspectiva da Análise Econômica do Direito. https://www.unibrasil.com.br/wp-content/uploads/2019/07/Dissertac%CC%A7a%CC%83o- LA%C3%89RCIO-CRUZ-ULIANA-JUNIOR.pdf Fl. 240DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-014.983 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.721181/2012-33 5 Número do processo: 11684.720517/2013-16 Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros Ano-calendário: 2013 DIREITO ADUANEIRO. MULTA ADMINISTRATIVA. INFRAÇÃO ADUANEIRA DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. ART. 1º, § 1º, DA LEI Nº 9.873/1999. TEMA REPETITIVO Nº 1.293 DO STJ. PARALISAÇÃO PROCESSUAL POR MAIS DE TRÊS ANOS. OCORRÊNCIA. A prescrição intercorrente prevista no art. 1º, § 1º, da Lei nº 9.873/1999 incide nos processos administrativos de apuração de infrações aduaneiras de natureza não tributária que permaneçam paralisados por mais de três anos, conforme definido pelo Superior Tribunal de Justiça no Tema Repetitivo nº 1.293. A natureza jurídica da multa imposta com fundamento no art. 107, IV, e, do Decreto-Lei nº 37/1966 é administrativa (não tributária), pois decorre de obrigação aduaneira vinculada ao controle do trânsito internacional de mercadorias, e não direta e imediatamente à arrecadação ou fiscalização tributária. Número da decisão: 3401-014.381 Nome do relator: LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR Assim, considerando que o feito permaneceu paralisado por mais de 3 (três) anos entre o protocolo da impugnação e o acórdão da DRJ, deve ser reconhecida a prescrição intercorrente. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR Fl. 241DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto CONCLUSão

score : 1.0
11495450 #
Numero do processo: 13971.721239/2014-95
Turma: Quarta Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 16 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2009 a 31/03/2014 INTIMAÇÃO. PATRONO. DESCABIMENTO. SÚMULA CARF Nº 110. Não é possível acatar o pedido de intimação dirigida ao patrono da parte, sob pena de violação ao art. 23 do Decreto nº 70.235/72 e à Súmula CARF nº 110. TÉRMINO DA OBRA. DECADÊNCIA. ÔNUS DA PROVA. IN RFB Nº 971. Cabe ao contribuinte comprovar que a data do término da obra teria ocorrido há mais de cinco anos da data de cientificação do lançamento, mediante a apresentação da documentação elencada no art. 390 da Instrução Normativa RFB nº 971, de 13/11/2009.
Numero da decisão: 2004-000.506
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora Assinado Digitalmente Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Leonam Rocha de Medeiros, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: LUDMILA MARA MONTEIRO DE OLIVEIRA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Sep 19 09:00:00 UTC 2026

anomes_sessao_s : 202607

ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2009 a 31/03/2014 INTIMAÇÃO. PATRONO. DESCABIMENTO. SÚMULA CARF Nº 110. Não é possível acatar o pedido de intimação dirigida ao patrono da parte, sob pena de violação ao art. 23 do Decreto nº 70.235/72 e à Súmula CARF nº 110. TÉRMINO DA OBRA. DECADÊNCIA. ÔNUS DA PROVA. IN RFB Nº 971. Cabe ao contribuinte comprovar que a data do término da obra teria ocorrido há mais de cinco anos da data de cientificação do lançamento, mediante a apresentação da documentação elencada no art. 390 da Instrução Normativa RFB nº 971, de 13/11/2009.

turma_s : Quarta Turma Extraordinária da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2026

numero_processo_s : 13971.721239/2014-95

anomes_publicacao_s : 202609

conteudo_id_s : 7409693

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2026

numero_decisao_s : 2004-000.506

nome_arquivo_s : Decisao_13971721239201495.PDF

ano_publicacao_s : 2026

nome_relator_s : LUDMILA MARA MONTEIRO DE OLIVEIRA

nome_arquivo_pdf_s : 13971721239201495_7409693.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora Assinado Digitalmente Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Leonam Rocha de Medeiros, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).

dt_sessao_tdt : Thu Jul 16 00:00:00 UTC 2026

id : 11495450

ano_sessao_s : 2026

atualizado_anexos_dt : Sat Oct 10 09:43:34 UTC 2026

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1878655423762923520

conteudo_txt : Metadados => date: 2026-09-04T19:30:35Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-09-04T19:30:35Z; Last-Modified: 2026-09-04T19:30:35Z; dcterms:modified: 2026-09-04T19:30:35Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-09-04T19:30:35Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-09-04T19:30:35Z; meta:save-date: 2026-09-04T19:30:35Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-09-04T19:30:35Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-09-04T19:30:35Z; created: 2026-09-04T19:30:35Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2026-09-04T19:30:35Z; pdf:charsPerPage: 1393; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-09-04T19:30:35Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 13971.721239/2014-95 ACÓRDÃO 2004-000.506 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA SESSÃO DE 17 de julho de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE LUIZ CARLOS LENZI INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2009 a 31/03/2014 INTIMAÇÃO. PATRONO. DESCABIMENTO. SÚMULA CARF Nº 110. Não é possível acatar o pedido de intimação dirigida ao patrono da parte, sob pena de violação ao art. 23 do Decreto nº 70.235/72 e à Súmula CARF nº 110. TÉRMINO DA OBRA. DECADÊNCIA. ÔNUS DA PROVA. IN RFB Nº 971. Cabe ao contribuinte comprovar que a data do término da obra teria ocorrido há mais de cinco anos da data de cientificação do lançamento, mediante a apresentação da documentação elencada no art. 390 da Instrução Normativa RFB nº 971, de 13/11/2009. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Ludmila Mara Monteiro de Oliveira – Relatora Assinado Digitalmente Jorge Cláudio Duarte Cardoso – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Leonam Rocha de Medeiros, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Fl. 163DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.506 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13971.721239/2014-95 2 RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário interposto por LUIZ CARLOS LENZI contra o acórdão, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (DRJ/CTA), que julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo-se o crédito tributário lançado decorrente do não recolhimento das contribuições previdenciárias referentes à construção civil. Em sua defesa inaugural (f. 48/59), após narrar como teria se dado o processo de construção, conclui que a obra em apreço foi construída em anos anteriores a 2007 e, portanto, os débitos previdenciários lançados já foram atingidos pela decadência, em conformidade com o art. 156, V combinado com o art. 173, I do CTN, em consonância com Acórdãos citados e a Súmula Vinculante n° 8 do STF, que declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/91. Ao apreciar o único motivos de insurgência apresentado, prolatado o acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2009 a 31/03/2014 OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS DECADÊNCIA. COMPROBATÓRIOS. DOCUMENTOS. Para fins de reconhecimento da decadência dos lançamentos de Contribuições Previdenciárias devidas em relação às obras de construção civil o contribuinte deve trazer aos autos os documentos constantes do rol de que trata o art. 390 da IN RFB 971/2009. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (f. 131) Cientificado da decisão da DRJ em 21 de fevereiro de 2020 (f. 142), apresentou, em 18 de março de 2020 (f. 143), recurso voluntário (f. 145/153), insistindo estar a fulminada a exigência. Pediu fossem as intimações remetidas ao endereço indicado pelo subscritor das razões recursais. É o relatório. VOTO Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Relatora Fl. 164DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.506 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13971.721239/2014-95 3 Registro que o art. 23 do Decreto nº 70.235/72 é hialino ao dispor que as intimações são dirigidas ao sujeito passivo, e nunca aos seus mandatários. Acresço que este Conselho, em seu verbete sumular de nº 110, determina ser incabível, no processo administrativo fiscal, dirigir a intimação ao endereço de advogado da parte recorrente. O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Cinge-se a controvérsia analisar ter sido a exigência fulminada pela decadência. Registro que, a despeito de ter a instância de piso ter asseverado a insuficiência da documentação acostada, não intentou o recorrente complementá-la, sendo os elementos de análise os mesmos apresentados desde o início da fiscalização. Transcrevo as razões ofertadas pela DRJ para a manutenção do lançamento: Constata-se que a autoridade fiscal considerou, com fulcro no inciso VII, do § 2° do art. 390 da IN RFB 971/2009, que a obra teve início, em 07/05/2007, data do alvará de concessão de licença para construção, emitido pela Prefeitura Municipal de Blumenau, à e fl. 12, tendo em vista que tal documento é o mais antigo da lista. Já em relação ao término da obra, pautou-se no Aviso para Regularização de Obra (ARO), emitido em 14/03/2013, conforme inciso IV, do § 3° do art. 390 da IN RFB 971/2009. Em contraposição ao enquadramento da autoridade fiscal, com relação ao prazo decadencial, a reclamante alega que a obra teve início em período anterior, juntando aos autos os documentos abaixo: 1°) À e-fl 102, uma guia de recolhimento judicial, referente a uma adjudicação indeterminada, paga em 30/07/1998. 2°) À e-fl. 93, “um recibo”, e não uma “Nota Fiscal”, emitido em 24/01/2001, por uma empresa de nome PERFIL – INDÚSTRIA DE PRÉ-MOLDADOS, em nome da reclamante, no valor de R$ 13.000,00, referente à finalização de uma “determinada” obra, sem identificação do endereço de entrega. 3°) À e-fl. 92, um guia de recolhimento, emitido em 23/04/2003, referente a uma taxa municipal, no montante de R$ 16,40, sem menção à obra em questão, onde constata-se que o nome do requerente encontra-se rasurado. 4°) À e-fl. 86, documento intitulado de “Autorização para Construir”, datado em 08 de março de 2004, com carimbo da Prefeitura Municipal de Blumenau, de 01/08/2013, com fé pública, em tese, a partir da data do carimbo. 5°) Às e-fl. 88 a 89, um documento emitido pela Prefeitura Municipal de Blumenau, em 28/02/2005, referente a uma consulta para construir obra com a Fl. 165DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.506 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13971.721239/2014-95 4 finalidade de comércio e habitação coletiva onde encontra-se um esboço (Croqui de Situação) de mapa de autoria não identificada que atesta que a reclamante estava cogitando em levar a efeito uma obra que ainda não se havia iniciado. 6°) Às e-fl. 90 a 91, um documento emitido pela Prefeitura Municipal de Blumenau - Instituto de Pesquisas e Planejamento Urbano – Superintendência de Análise de Projetos, que corresponde a uma resposta de consulta emitida em 28/02/2005, que atesta que a reclamante estava cogitando em levar a efeito uma obra que ainda não se havia iniciado. 7°) À e-fl. 87, um extrato da Prefeitura Municipal de Blumenau, emitido em 04/05/2005, onde constata-se que na Rua Professor Max Humpl , 1212- Bairro Salto do Norte - Blumenau/SC, endereço da obra em questão, havia apenas uma casa, com área de 150 m2, que foi cadastrada no ano de 2000, de onde se infere que não havia obras em andamento. 8°) À e-fl. 97, em 11/05/2011, o comprovante de pagamento da taxa decorrente da expedição do Alvará de Construção. 9°) À e-fl. 94, um documento emitido pela Secretaria de Segurança Pública e Defesa do Cidadão – Corpo de Bombeiros Militar, em 28/05/2007, que atesta que o “PROJETO DA EDIFICAÇÃO”, da obra sob litígio, atende aos padrões mínimos de segurança contra incêndio. 10°) À e-fl. 98 e 95, os comprovantes, ilegíveis, dos pagamentos de recibos com datas de vencimento, em 27/12/2007 e 18/09/2012, do Banco do Brasil, referentes à taxas devidas ao FUNSEB –Blumenau que atestam que a reclamante pagou as taxas devidas em relação à construção da obra em andamento. 11°) Às e-fls. 99 e 100, os recibos de pagamentos aos engenheiros com data, de 08/05/2007 e 17/08/2012, que atestam o pagamento a profissionais ligados à obra em andamento. 12°) Às e-fls. 101, o pagamento de taxa ao Conselho de Arquitetura e Urbanismo, com vencimento em 04/09/2013, que atesta o pagamento de taxa ligada à obra. Ocorre que dos supra documentos nenhum guarda inequívoca vinculação com a obra ( ex: endereço da obra, metragem) ou encontra-se no rol de documentos constantes do art. 390 da IN RFB n° 971/2009, alhures citados. Assim, os referidos documentos não são hábeis e idôneos a comprovarem o termo de início do prazo decadencial pugnado pela reclamante e, portanto, não podem ser aceitos para sustentar o pedido de retificação em tela. Destaque-se que o Contribuinte trouxe também aos autos as guias de notificação de lançamentos de IPTU, conforme abaixo relacionadas, que constam do rol de documentos previstos no art. 390 da IN RFB n° 971/2009: Fl. 166DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.506 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13971.721239/2014-95 5 13°) Às e-fls. 103 a 107, notificações de lançamento de IPTU, do ano de 2007 a 2010, onde se evidencia que, até então, havia apenas uma casa no terreno sem a averbação do andamento da obra em questão. 14°) À e-fl. 108, a notificação de lançamento de IPTU, referente ao ano de 2012, onde se constata que no terreno havia uma “GALPÃO” de uso em “SERVIÇO”, de onde se infere que havia obras em andamento no terreno no ano de 2011. 15°) À e-fl. 109, a notificação de lançamento de IPTU do ano de 2013, onde se constata que, no terreno há a residência anterior e a obra em questão, concluída e regularizada junto à prefeitura, objeto do presente lançamento. Contudo, como pode-se verificar pelo período de apuração a que se referem, tais documentos são contrários aos interesses da reclamante porque foram emitidos após 07/05/2007, data da expedição do Alvará de Construção da Obra, considerada como o termo de início da contagem do prazo decadencial pela autoridade fiscal. Por derradeiro, a impugnante trouxe aos autos o Alvará de Construção da Obra, às e-fl 96, não obstante, por tratar-se de documento constante do inciso VII, do § 2° do art. 390 da IN RFB 971/2009, já ter sido considerado pela autoridade fiscal, conforme o parágrafo anterior. Portanto, os débitos previdenciários lançados, em 28/04/2014, não foram alcançados pela decadência, segundo o art. 173, I do CTN, razão pela qual conclui-se que procedeu corretamente a fiscalização ao apurar as contribuições para a seguridade social, ora contestadas. Insiste que, [a]inda que se se considere a obra finalizada no ano de 2007, está equivocado o período de apuração do termo de início de procedimento fiscal. Assim, a cobrança do crédito deveria ter sido realizada no ano de 2012, como não foi, também resta prescrito o direito de cobrança. Quanto a essa hipótese de extinção do crédito tributário, pacífica a jurisprudência, firmada no RESP nº 973.333/SC, sob a sistemática dos recursos repetitivos, no sentido de que, tratando-se de tributos sujeitos à homologação, aplica-se a regra do art. 150, § 4º do CTN, desde que tenha havido pagamento antecipado e que não esteja configurado dolo, fraude ou simulação. Esse entendimento, inclusive, foi consolidado na súmula CARF nº 72, que, em idêntico sentido, dispõe que, comprovado ter o contribuinte agido com dolo, fraude ou simulação, aplica-se a regra do art. 173, I, CTN, por força do art. 149, VII do mesmo diploma. Ausente qualquer recolhimento, o termo inicial da contagem do prazo decadencial quinquenal se dá no exercício financeiro seguinte, ou seja, em 1º de janeiro de 2008, diferentemente do que sustenta a parte recorrente. Fl. 167DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.506 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13971.721239/2014-95 6 Negligencia ainda já ter sido a decadência parcial da exigência apurada quando da fiscalização, fato inclusive repisado pela decisão recorrida: Às e-fls. 06 a 07, encontra-se a Declaração e Informação sobre obra de construção civil (DISO) e, às e-fls. 09 a 10, o Aviso para Regularização de Obra (ARO), onde há o demonstrativo de cálculo de remuneração de mão-de-obra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de construção, no montante de R$ 108.291,34, que em razão da decadência, considerada pela autoridade fiscal, com a aplicação do coeficiente de 88,73% reduziu-se ao montante de R$ 96.089,50, constituindo-se a base de cálculo para o lançamento da Contribuição Previdenciária Patronal (20%), da Contribuição Previdenciária dos Segurados ( 8%), da Contribuição do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa decorrente de Riscos Ambientais do Trabalho RAT (3%) e Contribuições Sociais devidas a Outras Entidades (5,8%), conforme tabela abaixo: Não restando configurada a decadência de outras competências, além das já decotadas pela autoridade fiscalizadora, não merece ser a tese acolhida. Por derradeiro, malgrado tenha tentado argumentar a higidez de alguns documentos não considerados, seja pela fiscalização, seja pela DRJ, para comprovar o início e fim da obra, noto não ter se desincumbido do ônus de demonstrar a inequívoca vinculação deles com a construção objeto de autuação. Ante o exposto, nego provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Fl. 168DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

score : 1.0
11495277 #
Numero do processo: 10140.725245/2018-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2014 ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. NECESSIDADE DE ATO ESPECÍFICO DO PODER PÚBLICO. São excluídas da área tributável as áreas de imóvel rural localizado integralmente dentro dos limites de Parque Nacional, reconhecido, pelo órgão ambiental federal responsável pela gestão e fiscalização da unidade de conservação, como de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas naturais de grande relevância e beleza cênica, havendo ampliação das restrições de uso para as áreas de preservação permanente e de reserva legal previstas no Código Florestal. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2014 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. SÚMULA CARF Nº 11. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
Numero da decisão: 2102-004.462
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário para cancelar a notificação de lançamento. Assinado Digitalmente Cleberson Alex Friess - Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Marcio Bittes, Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Carlos Marne Dias Alves, Fernando Gomes Favacho (substituto integral), Yendis Rodrigues Costa e Cleberson Alex Friess (Presidente).
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Sep 19 09:00:00 UTC 2026

anomes_sessao_s : 202607

camara_s : Primeira Câmara

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2014 ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. NECESSIDADE DE ATO ESPECÍFICO DO PODER PÚBLICO. São excluídas da área tributável as áreas de imóvel rural localizado integralmente dentro dos limites de Parque Nacional, reconhecido, pelo órgão ambiental federal responsável pela gestão e fiscalização da unidade de conservação, como de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas naturais de grande relevância e beleza cênica, havendo ampliação das restrições de uso para as áreas de preservação permanente e de reserva legal previstas no Código Florestal. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2014 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. SÚMULA CARF Nº 11. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2026

numero_processo_s : 10140.725245/2018-30

anomes_publicacao_s : 202609

conteudo_id_s : 7409520

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2026

numero_decisao_s : 2102-004.462

nome_arquivo_s : Decisao_10140725245201830.PDF

ano_publicacao_s : 2026

nome_relator_s : CLEBERSON ALEX FRIESS

nome_arquivo_pdf_s : 10140725245201830_7409520.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário para cancelar a notificação de lançamento. Assinado Digitalmente Cleberson Alex Friess - Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Marcio Bittes, Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Carlos Marne Dias Alves, Fernando Gomes Favacho (substituto integral), Yendis Rodrigues Costa e Cleberson Alex Friess (Presidente).

dt_sessao_tdt : Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2026

id : 11495277

ano_sessao_s : 2026

atualizado_anexos_dt : Sat Oct 10 09:43:26 UTC 2026

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1878655423772360704

conteudo_txt : Metadados => date: 2026-09-04T03:08:30Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-09-04T03:08:30Z; Last-Modified: 2026-09-04T03:08:30Z; dcterms:modified: 2026-09-04T03:08:30Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-09-04T03:08:30Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-09-04T03:08:30Z; meta:save-date: 2026-09-04T03:08:30Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-09-04T03:08:30Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-09-04T03:08:30Z; created: 2026-09-04T03:08:30Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2026-09-04T03:08:30Z; pdf:charsPerPage: 1441; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-09-04T03:08:30Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10140.725245/2018-30 ACÓRDÃO 2102-004.462 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 8 de julho de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE PAULO VENDRAMIN INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2014 ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. NECESSIDADE DE ATO ESPECÍFICO DO PODER PÚBLICO. São excluídas da área tributável as áreas de imóvel rural localizado integralmente dentro dos limites de Parque Nacional, reconhecido, pelo órgão ambiental federal responsável pela gestão e fiscalização da unidade de conservação, como de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas naturais de grande relevância e beleza cênica, havendo ampliação das restrições de uso para as áreas de preservação permanente e de reserva legal previstas no Código Florestal. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2014 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. SÚMULA CARF Nº 11. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário para cancelar a notificação de lançamento. Assinado Digitalmente Cleberson Alex Friess – Relator e Presidente Fl. 200DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.462 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10140.725245/2018-30 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Marcio Bittes, Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Carlos Marne Dias Alves, Fernando Gomes Favacho (substituto integral), Yendis Rodrigues Costa e Cleberson Alex Friess (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 101-019.523, de 29/09/2022, prolatado pela 1ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil 01 (DRJ01), cujo dispositivo considerou procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo (fls. 108/119). O acórdão está assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2014 DA NULIDADE DO LANÇAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. A impugnação tempestiva da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal, e somente a partir disso é que se pode, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela. DAS ÁREAS NÃO-TRIBUTÁVEIS. Essas áreas ambientais, para fins de exclusão do ITR, devem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do respectivo ADA, além da inscrição tempestiva da área de reserva legal no CAR ou de sua averbação tempestiva à margem da matrícula do imóvel. DA ÁREA DE RESERVA LEGAL. Conforme Súmula 122 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a averbação tempestiva da reserva legal na matrícula do imóvel torna dispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental. DAS ÁREAS DE INTERESSE ECOLÓGICO. Mesmo as áreas do imóvel comprovadamente localizadas nos limites de Parque Nacional devem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do respectivo ADA, para fins de exclusão de tributação. Impugnação Procedente em Parte Fl. 201DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.462 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10140.725245/2018-30 3 Extrai-se dos autos a lavratura da Notificação de Lançamento nº 9111/00011/2018 para exigência do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), no exercício de 2014, relativamente ao imóvel denominado de “Fazenda 12 de maio” (NIRF 4.140.678-8), com área declarada de 694,7 ha, localizado no município de Miranda - MS (fls. 03/05). Após regulamente intimado, o contribuinte não comprovou as áreas de preservação permanente (427,6 ha) e de reserva legal (147,1 ha), razão pela qual a fiscalização glosou integralmente as áreas declaradas. A revisão da Declaração do ITR (DITR/2014) entregue pelo contribuinte foi feita por autoridade fiscal vinculada ao município de Miranda (MS), por delegação em Convênio, com fundamento na Lei nº 11.250, de 27 de dezembro de 2005, e legislação correlata. Ciente do lançamento em 14/09/2018, o contribuinte impugnou a notificação no dia 24/09/2018 (fls. 22/23). Em síntese, a pessoa física apresentou os seguintes argumentos de fato e de direito para a improcedência do crédito tributário, instruídos com elementos de prova (fls. 24/32 e 34/77): (i) as intimações e a notificação do lançamento foram entregues no domicílio anterior, deixando-se de observar a alteração de endereço realizada, no dia 03/07/2018, no Cadastro de Imóveis Rurais (Cafir). Em razão disso, a autuação fiscal é nula; (ii) a área do imóvel, sob a matrícula nº 10.483, se localiza integramente inserida no Parque Nacional da Serra da Bodoquena, conforme documentação juntada aos autos; (iii) o imóvel rural “Fazenda 12 de maio” é uma área de preservação permanente, sendo vedada a sua exploração econômica, e, portanto, área não tributável para fins do ITR; e (iv) em procedimento anterior houve decisão favorável ao contribuinte, em relação ao mesmo imóvel, exercício de 2011 (Processo Administrativo nº 10140.722850/2015-14). Em caso de decisão favorável, solicitou a extensão dos efeitos aos anos de 2015 a 2018, a fim de evitar a utilização desnecessária da máquina pública, e requereu a tramitação prioritária do processo administrativo por contar com mais de 80 anos de idade. O acórdão de primeira instância reconheceu uma área de reserva legal de 138,9 ha, averbada na matrícula do imóvel antes da data do fato gerador, motivo pela qual a impugnação foi parcialmente procedente. A intimação decisão de piso foi realizada por edital em 09/11/2022, tendo em vista a devolução da correspondência enviada pelos Correios (fls. 125/126). Fl. 202DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.462 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10140.725245/2018-30 4 No dia 04/01/2023, foi fornecida cópia do processo, com apresentação de recurso voluntário em 24/01/2023. A petição está assinada pela viúva e sucessora do contribuinte, Maria Aparecida Vendramin (fls. 131/132 e 139/150). Em preliminar, justifica a tempestividade recursal e defende a ocorrência de prescrição intercorrente. No mérito, o apelo recursal reitera os argumentos da impugnação no sentido de que o imóvel rural é constituído, na sua integralidade, de área florestal nativa que não pode ser explorada, classificada como área de preservação permanente, localizada dentro do Parque Nacional da Serra da Bodoquena. Com a finalidade de fazer prova de suas alegações, juntou aos autos documentação complementar (fls. 154/168). Logo após o interessado solicitou a juntada do Ofício SEI nº 6/2023, de 26/01/2023, assinado pelo chefe do Parque Nacional da Serra da Bodoquena, vinculado ao Instituto Chico Mendes de Conservação de Biodiversidade - ICMBio (fls. 175/177). A unidade preparadora da RFB informou a intempestividade do recurso voluntário, considerando a ciência do acórdão de primeira instância em 09/11/2022 e o protocolo do apelo recursal no dia 24/01/2023 (fls. 180). Em razão de dúvidas quanto à tempestividade recursal, o feito foi convertido em diligência à unidade da RFB, consoante Despacho 2102-000.002, de 30/06/2025, para prestar esclarecimentos sobre a solicitação de alteração de endereço de correspondência do imóvel rural, mediante atualização cadastral, formulado pelo contribuinte em 03/07/2018 (fls. 182/188). A unidade local da RFB prestou as informações e confirmou que o endereço de correspondência do imóvel foi mantido inalterado, apesar do requerimento apresentado em 03/07/2018, e concluiu pela tempestividade do recurso voluntário interposto em 24/01/2023. O interessado não se manifestou, a despeito de intimado sobre o resultado da diligência (fls. 190/191 e 192/197). A Procuradoria da Fazenda Nacional não apresentou contrarrazões. É o relatório, no que interessa. VOTO Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Juízo de Admissibilidade De acordo com o resultado da diligência, a intimação do acórdão recorrido se mostrou equivocada, dado que deixou de observar a atualização cadastral solicitada em 03/07/2018. Com a ciência válida da decisão em 04/01/2023, data em que o interessado solicitou cópia do processo administrativo, o recurso voluntário interposto em 24/01/2023 é tempestivo (fls. 190/191). Fl. 203DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.462 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10140.725245/2018-30 5 Dessa forma, uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, razão pela qual dele tomo conhecimento. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário é decorrência automática da apresentação tempestiva do recurso voluntário, nos termos do art. 151, inciso III, do Código Tributário Nacional (CTN). Preliminar Inicialmente, o recorrente alega a prescrição intercorrente, considerando a inércia da administração pública ao deixar o processo paralisado por mais de quatro anos, desde o último ato praticado. Contudo, a pretensão encontra óbice no enunciado nº 11 deste Tribunal Administrativo, cuja observância é obrigatória pelos conselheiros: Súmula CARF nº 11 Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Áreas de Utilização Limitada O recurso voluntário defende que a “Fazenda 12 de maio”, integrante da matrícula 10.483, com área total de 694,7 ha, é coberta por vegetação nativa, disponível para compensação ambiental, conforme averbação nº AV-5/10.483 (fls. 35/41). O imóvel rural está totalmente inserido dentro dos limites do Parque Nacional da Serra da Bodoquena e, portanto, uma área de preservação permanente, não tributável pelo ITR. A declaração de interesse ecológico advém do próprio Decreto de 21 de setembro de 2000, que criou o Parque Nacional. Por sua vez, a decisão recorrida justificou que, no caso de área de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, a entrega do Ato Declaratório Ambiental (ADA) ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), relativamente ao exercício de 2014, é requisito indispensável para permitir a exclusão de tributação de áreas ambientais. Além disso, o acórdão de primeira instância ressaltou que o interesse ecológico deve ser comprovado com a apresentação de ato específico do órgão ambiental federal ou estadual, que declare as áreas do imóvel rural como de interesse ecológico em data anterior ao fato gerador do imposto (01/01/2014). Pois bem. Para efeito de redução do valor a pagar do ITR, a utilização do ADA se tornou obrigatória a partir da edição da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, que deu nova redação Fl. 204DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.462 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10140.725245/2018-30 6 ao art. 17-O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente: Art. 17-O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental - ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (...) (destaquei) A Medida Provisória nº 2.166-67, de 24 de agosto de 2001, acrescentou o § 7º ao art. 10 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, a fim de determinar que, para fim de isenção do imposto, a declaração fiscal referente às áreas de preservação permanente e de reserva legal, assim como áreas sob regime de servidão ambiental, previstas nas alíneas “a” e “d” do inciso II do § 1º, do mesmo artigo, não estaria sujeita à prévia comprovação pelo declarante: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: (...) II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (...) Fl. 205DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.462 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10140.725245/2018-30 7 § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. Daí prevaleceu uma interpretação sistemática da legislação no sentido da desnecessidade do protocolo do ADA nas hipóteses das áreas ambientais de que tratam o art. 10, § 1º, inciso II, alíneas “a” e “d”, da Lei nº 9.393, de 1996, isto é, as áreas de preservação permanente, reserva legal e sob o regime de servidão. A dispensa do ADA para essas áreas vigorou até a publicação do novo Código Florestal, por meio da Lei nº 12.651, de 26 de maio de 2012, que revogou o art. 10, § 7º, da Lei nº 9.393, de 1996. A partir do exercício de 2013, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR em relação às áreas ambientais a que faz alusão o art. 10, § 1º, inciso II, da Lei nº 9.393, de 1996, sem exceção, é exigida a apresentação obrigatória do ADA junto ao Ibama, até o prazo estipulado na legislação de regência. A partir do exercício de 2025, tal exigência deixou de existir, haja vista a revogação do art. 17-O, § 1º, da Lei nº 6.938, de 1981, pela Lei nº 14.932, de 23 de julho de 2024. Tratando-se do exercício de 2014, o ADA configura, a princípio, documento obrigatório para redução do valor do ITR para as áreas de utilização limitada, dentre elas as áreas de preservação permanente, áreas de interesse ecológico e áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração. Além do que é indispensável o reconhecimento específico da área por meio de declaração emitida pelo órgão ambiental competente, a fim de justificar a exclusão da base de cálculo do imposto em relação à área de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, por força do art. 10, § 2º, alínea “b”, da Lei nº 9.393, de 1996: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. (...) II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: (...) b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; (...) (destaquei) Fl. 206DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.462 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10140.725245/2018-30 8 O Ofício SEI nº 6/2023, de 26/01/2023, foi juntado aos autos em sede recursal para se contrapor às razões trazidas pelo acórdão de primeira instância, nos termos do art. 16, § 4º, alínea “c”, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. A decisão recorrida entendeu que o Ofício nº 237/2015, de 21/10/2015, expedido pelo ICMBio, apesar de reconhecer que o imóvel rural “Fazenda 12 de maio” se encontrava integralmente dentro do Parque Nacional da Serra da Bodoquena, não comprovava a condição de área de interesse ecológico anteriormente ao fato gerador do ITR (01/01/2014) (fls. 57/60). Por sua vez, Ofício SEI nº 6/2023, de 26/01/2023, também expedido pelo ICMBio, acompanhado de imagem de satélite, configura prova documental que o imóvel rural está localizado integralmente dentro de área declarada como interesse ecológico. Particularmente a “Fazenda 12 de maio” está situada dentro do perímetro do Parque Nacional da Serra da Bodoquena (fls. 175/176). Adicionalmente, o documento assinado pelo chefe do Parque Nacional da Serra da Bodoquena também equivale a um ato específico do Poder Público que reconhece o imóvel rural como área de interesse ecológico para a preservação dos ecossistemas naturais de grande relevância, ampliando as restrições para as áreas de preservação permanente e de reserva legal previstas no Código Florestal. Nesse sentido, convém reproduzir os trechos abaixo do Ofício SEI nº 6/2023, de 26/01/2023: (...) 2. Importante destacar que um requerimento semelhante foi realizado no ano de 2015, sendo que naquele momento a chefia do Parque Nacional da Serra da Bodoquena declarou através de Ofício que a Fazenda 12 de Maio está situada dentro dos limites desta Unidade de Conservação, sendo a área referente à Matrícula 10.483 (694,6998 hectares) localizada 100% dentro do Parque Nacional da Serra da Bodoquena. Viemos reiterar/reafirmar esta informação. (...) 5. A Imagem 01 (em anexo) apresenta os limites da Fazenda 12 de Maio em relação aos limites do Parque nacional da Serra da Bodoquena. Através da imagem também pode-se comprovar que a propriedade está totalmente dentro da área do Parque Nacional, além disso também pode-se constatar que a área da Fazenda 12 de Maio (matrícula 10.483) é praticamente toda composta por ambiente florestal muito bem preservado (não há indícios de atividades produtiva como pecuária ou agricultura), dando ainda mais ênfase à sua função de interesse ecológico para preservação dos ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, a qual já é estabelecida pelo Decreto s/nº de 21 de setembro de 2000 e pela Lei 9.985/2000. (...) (destaque em negrito do original. Adicionalmente, sublinhei) Fl. 207DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.462 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10140.725245/2018-30 9 Segundo o Decreto de 21 de setembro de 2000, que criou o Parque Nacional da Serra da Bodoquena: Art. 1º Fica criado o Parque Nacional da Serra da Bodoquena, no Estado de Mato Grosso do Sul, com o objetivo de preservar ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitar a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental, de recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico. (...) Art. 3º O Parque Nacional da Serra da Bodoquena será administrado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis-IBAMA, que adotará as medidas necessárias para sua efetiva implantação. Art. 4º As terras e benfeitorias localizadas dentro dos limites descritos no art. 2º deste Decreto, ressalvadas as da União, ficam declaradas de utilidade pública, para fins de desapropriação, pelo IBAMA, nos termos do Decreto-Lei nº 3.365, de 21 de junho de 1941, alterado pela Lei nº 2.786, de 21 de maio de 1956. (...) (destaquei) A Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza. Dela se extrai o conceito de unidade de conservação ambiental e as restrições de uso que estarão submetidas as terras localizadas dentro do limite de um Parque Nacional. Senão vejamos: (...) Art. 2º Para os fins previstos nesta Lei, entende-se por: I - unidade de conservação: espaço territorial e seus recursos ambientais, incluindo as águas jurisdicionais, com características naturais relevantes, legalmente instituído pelo Poder Público, com objetivos de conservação e limites definidos, sob regime especial de administração, ao qual se aplicam garantias adequadas de proteção; (...) Art. 7º As unidades de conservação integrantes do SNUC dividem-se em dois grupos, com características específicas: I - Unidades de Proteção Integral; (...) § 1º O objetivo básico das Unidades de Proteção Integral é preservar a natureza, sendo admitido apenas o uso indireto dos seus recursos naturais, com exceção dos casos previstos nesta Lei. (...) Fl. 208DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.462 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10140.725245/2018-30 10 Art. 8º O grupo das Unidades de Proteção Integral é composto pelas seguintes categorias de unidade de conservação: (...) III - Parque Nacional; (...) Art. 11. O Parque Nacional tem como objetivo básico a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental, de recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico. § 1º O Parque Nacional é de posse e domínio públicos, sendo que as áreas particulares incluídas em seus limites serão desapropriadas, de acordo com o que dispõe a lei. § 2º A visitação pública está sujeita às normas e restrições estabelecidas no Plano de Manejo da unidade, às normas estabelecidas pelo órgão responsável por sua administração, e àquelas previstas em regulamento. § 3º A pesquisa científica depende de autorização prévia do órgão responsável pela administração da unidade e está sujeita às condições e restrições por este estabelecidas, bem como àquelas previstas em regulamento. (...) (destaquei) Como se verifica do texto de lei, a propriedade privada dentro dos limites do Parque Nacional é mantida enquanto não concluído o processo de regularização fundiária, mediante desapropriação. As atividades econômicas são alvo de restrições pelo Poder Público, devendo-se cumprir o estabelecido em seu plano de manejo. Até que seja desapropriada, é vedado ao proprietário ampliar a exploração econômica ou introduzir modificações no ambiente natural, alterando paisagens e recursos naturais. As ações devem ser direcionadas para recomposição e preservação do equilíbrio natural e diversidade biológica. Mesmo a pesquisa científica, quando previamente autorizada pelo órgão ambiental responsável pela administração do Parque, está sujeita a condições e restrições. A partir da imagem de satélite, anexa ao Ofício SEI nº 6/2023, de 26/01/2023, é indiscutível que a área do imóvel rural, na quase totalidade, está revestida de vegetação nativa, presumidamente desde a criação do Parque Nacional da Serra da Bodoquena, considerando o processo de formação da vegetação, as características do Bioma Cerrado e as restrições para as terras situadas em unidade de proteção integral. Fl. 209DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.462 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10140.725245/2018-30 11 Logo, a limitação para exploração econômica das terras é evidente, com esvaziamento do direito de propriedade, caracterizado pelos atributos de usar, gozar, dispor e reivindicar o bem. O argumento da decisão recorrida que a documentação não comprova o interesse ecológico da “Fazenda 12 de maio” anteriormente ao fato gerador do imposto em 01/01/2014 não se sustenta, até porque o reconhecimento do órgão ambiental federal não tem natureza constitutiva de um direito do proprietário, mas apenas reconhece uma situação de fato já existente que se prolonga no tempo. O contribuinte não entregou o ADA para o exercício de 2014. Contudo, a declaração pelo proprietário sobre existência de áreas de preservação ambiental no imóvel “Fazenda 12 de maio” é suprida pela própria localização geográfica do imóvel, integralmente dentro dos limites do Parque Nacional da Serra da Bodoquena, permitindo ao órgão ambiental federal, em qualquer momento, proceder à vistoria das áreas de interesse ecológico. É difícil crer que o ICMBio - autarquia federal vinculada ao Ministério do Meio Ambiente e responsável pela gestão e fiscalização ambiental da unidade de conservação - desconhecia as características ambientais das áreas do imóvel rural “Fazenda 12 de maio”, mesmo antes do ano de 2014. A propósito, extrai-se do Acórdão nº 03-071.354, de 15/06/2016, que o órgão julgador de primeira instância confirmou o protocolo tempestivo do ADA junto ao Ibama, referente ao exercício de 2011, no qual o proprietário declarou uma área ambiental de 1.564,4 ha, considerando as matrículas 10.482 e 10.483 (fls. 63/77). No Acórdão nº 03-071.354, a mesma Turma da Delegacia de Julgamento que apreciou a impugnação no presente processo reconheceu a existência de 1.629,1 ha de área de preservação permanente de relevante interesse ecológico, por estar o imóvel rural localizado nos limites do Parque Nacional da Serra Bodoquena. A exigência do protocolo tempestivo do ADA referente ao exercício de 2014, bem como a emissão de ato específico pelo órgão ambiental em data anterior ao fato gerador do ITR, é medida que se apega ao formalismo exacerbado, em detrimento à finalidade dos dispositivos em lei e à verdade material que deve orientar a atuação do órgão julgador administrativo. Em suma, os elementos de prova carreados aos autos são hábeis e suficientes para reconhecer, na data do fato gerador do imposto, que o imóvel rural se enquadra como área de preservação permanente de relevante interesse ecológico, nos termos da legislação ambiental (art. 10, § 2º, alínea “b”, da Lei nº 9.393, de 1996). Fl. 210DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.462 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10140.725245/2018-30 12 Em que pese a denominação na DITR/2014, cabe restabelecer a exclusão da tributação sobre a área de preservação permanente de 427,6 ha e a área de reserva legal de 147,1 ha, ambas glosadas pela fiscalização, cancelando, em consequência, o lançamento fiscal.1 Por último, quanto ao pedido de extensão dos efeitos desta decisão aos exercícios posteriores de 2015 a 2018, relativo ao mesmo imóvel rural, é inviável deferir o pleito, visto que a “coisa julgada” administrativa é apenas formal, gerando estabilidade interna dentro do processo específico na qual a decisão é proferida. A presente decisão restringe-se ao litígio instaurado que aqui se discute, atinente ao lançamento do imposto no exercício de 2014, o que delimita a causa de pedir, o pedido e a “coisa julgada” administrativa, no âmbito do respectivo processo administrativo. Conclusão Ante o exposto, voto para rejeitar a preliminar e, no mérito, dar PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar a Notificação de Lançamento nº 9111/00011/2018. Assinado Digitalmente Cleberson Alex Friess 1 O acórdão recorrido já havia reconhecido uma área de reserva legal de 138,9 ha, integrante da área de 147,1 ha declarada pelo contribuinte. A área total do imóvel rural é de 694,7 ha. Fl. 211DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

score : 1.0
11495278 #
Numero do processo: 10665.721036/2018-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 15 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013, 2014, 2015, 2016, 2017 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. TITULAR DE CARTÓRIO. APURAÇÃO COM BASE EM DAP/TFJ. NÃO INCLUSÃO DA TFJ E DO RECOMPE NA BASE DE CÁLCULO.Demonstrado, por meio da memória de cálculo fiscal, que a autoridade lançadora utilizou as informações constantes das Declarações de Apuração e Informação da Taxa de Fiscalização Judiciária (DAP/TFJ) apenas como parâmetro para reconstrução da receita tributável efetivamente auferida pela titular da serventia extrajudicial, excluindo da base de cálculo os valores correspondentes à Taxa de Fiscalização Judiciária (TFJ) e ao Fundo de Compensação do Judiciário (RECOMPE), fica caracterizada a higidez da apuração do crédito tributário lançado de ofício. TFJ E RECOMPE. ARGUMENTAÇÃO DESVINCULADA DA BASE EFETIVAMENTE TRIBUTADA. IMPROCEDÊNCIA.Não prospera a alegação de que TFJ e RECOMPE não constituiriam renda tributável quando verificado que tais verbas sequer integraram a base de cálculo do lançamento. MULTA DE 75%. AUSÊNCIA DE REITERAÇÃO NOS TERMOS DO ART. 44, §1º-A, DA LEI Nº 9.430/1996.Quando a reiteração se constituir como único argumento para caracterização da simulação ou dolo, de que tratam os arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964, a verificação de não caracterização da reiteração nos termos do art. 44, §1º-A, da Lei nº 9.430/1996, implica a redução da multa ao patamar de 75%.
Numero da decisão: 2102-004.405
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para desqualificar a multa de ofício, reduzindo a penalidade ao patamar de 75%. Vencidos os conselheiros José Márcio Bittes e Carlos Eduardo Fagundes de Paula, que negaram provimento. Assinado Digitalmente Yendis Rodrigues Costa – Relator Assinado Digitalmente Cleberson Alex Friess – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Carlos Marne Dias Alves, Christianne Kandyce Gomes Ferreira de Mendonca (substituto[a] integral), Jose Marcio Bittes, Yendis Rodrigues Costa, Cleberson Alex Friess (Presidente).
Nome do relator: YENDIS RODRIGUES COSTA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Sep 19 09:00:00 UTC 2026

anomes_sessao_s : 202605

camara_s : Primeira Câmara

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013, 2014, 2015, 2016, 2017 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. TITULAR DE CARTÓRIO. APURAÇÃO COM BASE EM DAP/TFJ. NÃO INCLUSÃO DA TFJ E DO RECOMPE NA BASE DE CÁLCULO.Demonstrado, por meio da memória de cálculo fiscal, que a autoridade lançadora utilizou as informações constantes das Declarações de Apuração e Informação da Taxa de Fiscalização Judiciária (DAP/TFJ) apenas como parâmetro para reconstrução da receita tributável efetivamente auferida pela titular da serventia extrajudicial, excluindo da base de cálculo os valores correspondentes à Taxa de Fiscalização Judiciária (TFJ) e ao Fundo de Compensação do Judiciário (RECOMPE), fica caracterizada a higidez da apuração do crédito tributário lançado de ofício. TFJ E RECOMPE. ARGUMENTAÇÃO DESVINCULADA DA BASE EFETIVAMENTE TRIBUTADA. IMPROCEDÊNCIA.Não prospera a alegação de que TFJ e RECOMPE não constituiriam renda tributável quando verificado que tais verbas sequer integraram a base de cálculo do lançamento. MULTA DE 75%. AUSÊNCIA DE REITERAÇÃO NOS TERMOS DO ART. 44, §1º-A, DA LEI Nº 9.430/1996.Quando a reiteração se constituir como único argumento para caracterização da simulação ou dolo, de que tratam os arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964, a verificação de não caracterização da reiteração nos termos do art. 44, §1º-A, da Lei nº 9.430/1996, implica a redução da multa ao patamar de 75%.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2026

numero_processo_s : 10665.721036/2018-06

anomes_publicacao_s : 202609

conteudo_id_s : 7409521

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2026

numero_decisao_s : 2102-004.405

nome_arquivo_s : Decisao_10665721036201806.PDF

ano_publicacao_s : 2026

nome_relator_s : YENDIS RODRIGUES COSTA

nome_arquivo_pdf_s : 10665721036201806_7409521.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para desqualificar a multa de ofício, reduzindo a penalidade ao patamar de 75%. Vencidos os conselheiros José Márcio Bittes e Carlos Eduardo Fagundes de Paula, que negaram provimento. Assinado Digitalmente Yendis Rodrigues Costa – Relator Assinado Digitalmente Cleberson Alex Friess – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Carlos Marne Dias Alves, Christianne Kandyce Gomes Ferreira de Mendonca (substituto[a] integral), Jose Marcio Bittes, Yendis Rodrigues Costa, Cleberson Alex Friess (Presidente).

dt_sessao_tdt : Fri May 15 00:00:00 UTC 2026

id : 11495278

ano_sessao_s : 2026

atualizado_anexos_dt : Sat Oct 10 09:43:26 UTC 2026

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1878655423789137920

conteudo_txt : Metadados => date: 2026-09-04T02:59:21Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-09-04T02:59:21Z; Last-Modified: 2026-09-04T02:59:21Z; dcterms:modified: 2026-09-04T02:59:21Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-09-04T02:59:21Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-09-04T02:59:21Z; meta:save-date: 2026-09-04T02:59:21Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-09-04T02:59:21Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-09-04T02:59:21Z; created: 2026-09-04T02:59:21Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2026-09-04T02:59:21Z; pdf:charsPerPage: 1741; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-09-04T02:59:21Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10665.721036/2018-06 ACÓRDÃO 2102-004.405 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 18 de maio de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE SONIA ALVES DE SOUZA INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013, 2014, 2015, 2016, 2017 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. TITULAR DE CARTÓRIO. APURAÇÃO COM BASE EM DAP/TFJ. NÃO INCLUSÃO DA TFJ E DO RECOMPE NA BASE DE CÁLCULO. Demonstrado, por meio da memória de cálculo fiscal, que a autoridade lançadora utilizou as informações constantes das Declarações de Apuração e Informação da Taxa de Fiscalização Judiciária (DAP/TFJ) apenas como parâmetro para reconstrução da receita tributável efetivamente auferida pela titular da serventia extrajudicial, excluindo da base de cálculo os valores correspondentes à Taxa de Fiscalização Judiciária (TFJ) e ao Fundo de Compensação do Judiciário (RECOMPE), fica caracterizada a higidez da apuração do crédito tributário lançado de ofício. TFJ E RECOMPE. ARGUMENTAÇÃO DESVINCULADA DA BASE EFETIVAMENTE TRIBUTADA. IMPROCEDÊNCIA. Não prospera a alegação de que TFJ e RECOMPE não constituiriam renda tributável quando verificado que tais verbas sequer integraram a base de cálculo do lançamento. MULTA DE 75%. AUSÊNCIA DE REITERAÇÃO NOS TERMOS DO ART. 44, §1º- A, DA LEI Nº 9.430/1996. Quando a reiteração se constituir como único argumento para caracterização da simulação ou dolo, de que tratam os arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964, a verificação de não caracterização da reiteração nos termos do art. 44, §1º-A, da Lei nº 9.430/1996, implica a redução da multa ao patamar de 75%. Fl. 335DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.405 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10665.721036/2018-06 2 ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para desqualificar a multa de ofício, reduzindo a penalidade ao patamar de 75%. Vencidos os conselheiros José Márcio Bittes e Carlos Eduardo Fagundes de Paula, que negaram provimento. Assinado Digitalmente Yendis Rodrigues Costa – Relator Assinado Digitalmente Cleberson Alex Friess – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Carlos Marne Dias Alves, Christianne Kandyce Gomes Ferreira de Mendonca (substituto[a] integral), Jose Marcio Bittes, Yendis Rodrigues Costa, Cleberson Alex Friess (Presidente). RELATÓRIO 1. Trata-se de Recurso voluntário, fls. 320/332, manejado pelo contribuinte, com fundamento art. 33 do Decreto n.º 70.235/1972, relativo ao seu inconformismo com a decisão de primeira instância, fls. 295/304, consubstanciada no Acórdão nº 08-46.441 - 6ª Turma da DRJ/FOR que julgou improcedente a impugnação, de fls. 180/190. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO 2. O lançamento de ofício foi formalizado por meio de Auto de Infração lavrado, fl. 137, em face da contribuinte, com vistas à exigência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física – IRPF, relativamente aos anos-calendário de 2013 a 2017, acrescido de multa de ofício qualificada, multa isolada e juros de mora. 3. Nas fls. 169/172, consta Termo de Verificação Fiscal - TVF, merecendo destaque os seguintes trechos de referido TVF (fl. 169): 5. Cumpre esclarecer que, pelos atos praticados na serventia, o titular de cartório, além dos emolumentos líquidos que lhe remuneram, recebe ainda, no valor final cobrado do usuário, a Taxa de Fiscalização Judiciária (TFJ) e Fl. 336DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.405 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10665.721036/2018-06 3 uma parcela(correspondente a 5,66% dos emolumentos brutos) a ser depositada em favor do fundo de compensação (RECOMPE) instituída pelo art. 31 da Lei do Estado de Minas Gerais nº 15.424, de 30/12/2004. 6. Conforme definição do artigo 2º da Lei nº 15.424/2004 de MG o emolumento é “a retribuição pecuniária por atos praticados pelo Notário e pelo Registrador, no âmbito de suas respectivas competências, e têm como fato gerador a prática de atos pelo Tabelião de Notas, Tabelião de Protesto de Títulos, Oficial de Registro de Imóveis, Oficial de Registro de Títulos e Documentos, Oficial de Registro Civil das Pessoas Jurídicas, Oficial de Registro Civil das Pessoas Naturais e Oficial de Registro de Distribuição”. 7. Já a Taxa de Fiscalização Judiciária, segundo o artigo 3º da lei supracitada, “tem como fato gerador o exercício do poder de polícia atribuído ao Poder Judiciário pela Constituição da República, em seu art. 236, § 1º, e legalmente exercido pela Corregedoria-Geral de Justiça e pelo Juiz de Direito Diretor do Foro”, tendo como CONTRIBUINTE a pessoa natural ou jurídica usuária dos serviços notariais e de registro e como RESPONSÁVEL pelo recolhimento o Tabelião ou Oficial que praticar o ato notarial ou de registro. 8. Dessa forma, os ingressos totais do cartório são compostos pela soma dos valores dos emolumentos brutos (constituídos pelos emolumentos líquidos mais a parcela a ser depositada em favor do fundo de compensação – RECOMPE) com os valores da Taxa de Fiscalização Judiciária - TFJ. Todos esses valores são cobrados da pessoa física ou jurídica usuária dos serviços do cartório. 9. Os atos praticados pelo titular de cartório, em cada mês, são informados à Secretaria de Fazenda de Minas Gerais por meio da Declaração de Apuração e Informação da Taxa de Fiscalização Judiciária (DAP/TFJ). 10. No caso em apreço, a Fiscalização verificou que o sujeito passivo no(s) ano(s)-calendário 2013 a 2017 apresentou Declaração(ões) de Ajuste(s) Anual(ais) do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física – DIRPF no(s) modelo(s) modelo simplificado. DOS RENDIMENTOS APURADOS PELO FISCO 11. A Fiscalização apurou o total de rendimentos recebidos pelo sujeito passivo em cada mês baseando-se nas DAP/TFJ apresentadas. Os emolumentos foram apurados através do valor do RECOMPE que corresponde a 5,66% deste. Fl. 337DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.405 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10665.721036/2018-06 4 [...] 4. Diante disso, foram lançados impostos de renda decorrentes de omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoa física, relativos aos anos- calendários 2013 a 2017, e respectivas multas de ofício, e ainda decorrentes de multas isoladas aplicáveis à pessoa física em decorrência da falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê leão, nos anos-calendários 2013 a 2017. IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA 5. Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou impugnação administrativa às fls. 180 e seguintes, na qual sustentou:  que a fiscalização incorreu em equívoco ao considerar como rendimentos próprios valores que não integram seu patrimônio, notadamente aqueles relativos à Taxa de Fiscalização Judiciária (TFJ) e à parcela destinada ao RECOMPE, os quais possuem destinação legal específica e não configuram acréscimo patrimonial, razão pela qual não poderiam compor a base de cálculo do imposto de renda;  que a apuração realizada pela autoridade fiscal se baseou em presunções e provas indiretas, sem a devida participação da contribuinte na formação dos elementos probatórios, o que teria comprometido o exercício do contraditório e da ampla defesa;  que teria ocorrido cerceamento de defesa, especialmente pela ausência de oportunidade para confrontação dos dados utilizados pela fiscalização e pela não realização de prova pericial, expressamente requerida, com fundamento no art. 38 da Lei nº 9.784/99;  que seria indevida a multa qualificada de 150%, defendendo que não restou caracterizada qualquer conduta dolosa apta a configurar sonegação, fraude ou conluio, nos termos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, sustentando que, no máximo, estaria configurada hipótese de multa de ofício no percentual de 75%, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96 . 6. A DRJ, por sua vez, julgou improcedente a impugnação, nos termos assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2013,2014,2015,2016,2017 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Fl. 338DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.405 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10665.721036/2018-06 5 A perícia se restringe à elucidação de questões técnicas complexas, cuja inconclusão impossibilite a devida convicção do julgador. Presentes nos autos todos os elementos necessários ao deslinde da questão, afasta-se a premência de manifestação pericial. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não que se falar em mácula no lançamento lavrado por autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil do qual o contribuinte foi regularmente cientificado, sendo-lhe assim oferecida a possibilidade de apresentação de impugnação contra a o que ali consta, garantido assim os necessários contraditório e ampla defesa. MULTA QUALIFICADA. É cabível a aplicação da multa qualificada de 150% quando restar comprovado o intento doloso de elidir a responsabilidade fiscal, omitindo rendimentos em sua declaração de ajuste anual, a fim de se eximir do imposto devido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido RECURSO VOLUNTÁRIO 7. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, fls. 320/332, defendendo:  que a natureza jurídica da Taxa de Fiscalização Judiciária (TFJ) e do Fundo de Compensação do Judiciário (RECOMPE) não são de remuneração do tabelião, mas sim de compensação por atuação gratuita, segundo a legislação indicada (fls. 325/326), razão pela qual não representariam renda ou acréscimo patrimonial da contribuinte, e, por conseguinte, devem ser excluídos da base de cálculo do IRPF;  que seria indevida a multa qualificada de 150%, sob o argumento (fls. 328/331) de ausência de comprovação de dolo, destacando que a mera omissão de rendimentos, desacompanhada de elementos concretos que evidenciem fraude, sonegação ou conluio, não autoriza tal penalidade, nos termos da jurisprudência administrativa do CARF. 8. Ao final, requer a contribuinte o provimento do recurso para cancelamento integral do lançamento, com o reconhecimento da improcedência do Auto de Infração, ou, subsidiariamente, a readequação da penalidade aplicada, com a exclusão da qualificação da multa. 9. É o relatório, no que interessa ao feito. Fl. 339DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.405 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10665.721036/2018-06 6 VOTO Conselheiro YENDIS RODRIGUES COSTA, Relator JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE 10. O Recurso Voluntário é tempestivo, na medida em que interposto no prazo previsto no art. 33, do Decreto Federal nº 70.235/1972, considerando-se a sua interposição em 02/07/2019 (fl. 318), em face da ciência do acórdão recorrido em 05/06/2019 (fl. 317). 11. Em razão do exposto, presentes os demais requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. MÉRITO 12. Previamente ao adentramento do mérito, necessário compreender como se deram os cálculos realizados por parte da fiscalização, merecendo destaque os seguintes trechos do TVF (fls. 169/170): 8. Dessa forma, os ingressos totais do cartório são compostos pela soma dos valores dos emolumentos brutos (constituídos pelos emolumentos líquidos mais a parcela a ser depositada em favor do fundo de compensação - RECOMPE) com os valores da Taxa de Fiscalização Judiciária - TFJ. Todos esses valores são cobrados da pessoa física ou jurídica usuária dos serviços do cartório. 9. Os atos praticados pelo titular de cartório, em cada mês, são informados à Secretaria de Fazenda de Minas Gerais por meio da Declaração de Apuração e Informação da Taxa de Fiscalização Judiciária (DAP/TFJ). 10. No caso em apreço, a Fiscalização verificou que o sujeito passivo no(s) ano(s)- calendário 2013 a 2017 apresentou Declaração(ões) de Ajuste(s) Anual(ais) do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física – DIRPF no(s) modelo(s) modelo simplificado. DOS RENDIMENTOS APURADOS PELO FISCO 11. A Fiscalização apurou o total de rendimentos recebidos pelo sujeito passivo em cada mês baseando-se nas DAP/TFJ apresentadas. Os emolumentos foram apurados através do valor do RECOMPE que corresponde a 5,66% deste. 12. A planilha abaixo demonstra os cálculos referentes à apuração dos emolumentos líquidos. Fl. 340DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.405 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10665.721036/2018-06 7 13. FIxando-se como exemplo o mês de janeiro de 2013, verifica-se que na fl. 39, do presente processo, constam as declarações relativas a cada mês, em que estas declarações indicam o total arrecadado a título de TFJ e de RECOMPE, e, especialmente em referido mês de janeiro de 2013, constam campos que indicam que a “ARRECADAÇÃO DO PERÍODO” foi de R$ 9.102,47, a título de TFJ apurada, e de R$ 1.383,13 a título de RECOMPE. 14. Por simples cálculos aritméticos, sabendo-se que o RECOMPE significa 5,66% do total arrecadado, e considerando que o RECOMPE de janeiro de 2013 se deu no montante de R$ 1.383,13, por óbvio que se obtém o total arrecadado foi de R$ 24.436,92. 15. Disso decorre que a fiscalização não considerou como tributável nem a taxa de fiscalização (não incluída nos emolumentos) nem o RECOMPE, já que deduziu dos emolumentos, o RECOMPE calculado, obtendo-se a receita tributável de R$ 23.053,80, para janeiro de 2013. 16. No entanto, a contribuinte somente declarou a quanto de R$ 8.509,62, sendo a diferença entre R$ 23.053,80 e R$ 8.509,62 o valor pendente de declaração de R$ 14.544,18. 17. Dessa forma, compreendendo-se que a fiscalização não incluiu na base tributável nem a TFJ e nem o RECOMPE, a partir disso, passa-se à apreciação das alegações recursais. Alegação de percepção de verbas compensatórias, decorrentes de atuação gratuita 18. A contribuinte defende, fls. 325/326, que a natureza jurídica da Taxa de Fiscalização Judiciária (TFJ) e do Fundo de Compensação do Judiciário (RECOMPE) não são de remuneração do tabelião, mas sim de compensação por atuação gratuita, segundo a legislação indicada (fls. 325/326), razão pela qual não representariam renda ou acréscimo patrimonial da contribuinte, e, por conseguinte, devem ser excluídos da base de cálculo do IRPF. 19. Merecem destaque os seguintes argumentos da contribuinte (fls. 326): No exercício desta atividade, faz jus aos emolumentos, que constitui a remuneração fixada em Lei(Lei Federal n.6.015/73e Lei Estadual MG n.15.424/04). 20. Assim, nos termos da Lei Estadual MG n.15.424/04: Fl. 341DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.405 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10665.721036/2018-06 8 Art.2°-Os emolumentos são a retribuição pecuniária por atos praticados pelo Notário e pelo Registrador, no âmbito de suas respectivas competências, e têm como fato gerador a prática de atos pelo Tabelião de Notas, Tabelião de Protesto de Titulos, Oficial de Registro de Imóveis, Oficial de Registro de Títulos e Documentos, Oficial de Registro Civil das Pessoas Jurídicas, Oficial de Registro Civil das Pessoas Naturais e Oficial de Registro de Distribuição. 21. Ocorre que os ingressos de divisas nos Cartórios compõem-se de receitas diversas daquele devida ao oficial titular, tais como as receitas da Taxa de Fiscalização Judiciária(TFJ)e a parcela depositada ao Fundo de Compensação (RECOMPE). 22. A natureza jurídica destas receitas está explicitada na Lei Estadual MG n. 15.424/04, nos Arts.3° (TFJ) e 31 (RECOMPE),in verbis: Art. 3º - A Taxa de Fiscalização Judiciária tem como fato gerador o exercício do poder de polícia atribuído ao Poder Judiciário pela Constituição da República, em seu art. 236, § 1º, e legalmente exercido pela Corregedoria- Geral de Justiça e pelo Juiz de Direito Diretor do Foro. [...] Art. 31. Fica estabelecida, sem ônus para o Estado, a compensação ao Oficial do Registro Civil das Pessoas Naturais pelos atos gratuitos por ele praticados em decorrência de lei, conforme o disposto no art. 8º- da Lei Federal n°10.169,de 29 de dezembro de 2000,bem como a compensacão pelos atos gratuitos praticados pelos registradores de imóveis em decorrência da aplicacão da Lei n°14.313,de 19 de junho de 2002. (Caput com redação dada pelo art. 2º da Lei nº 18.711, de 8/1/2010) Parágrafo único-A compensacão de que trata o caput deste artigo será realizada com recursos provenientes do recolhimento de quantia equivalente a 5,66%(cinco vírgula sessenta e seis por cento)do valor dos emolumentos recebidos pelo Notário e pelo Registrador. 23. Por sua vez,a constituição do Fundo de Compensação aos oficiais encontra sua previsão legal na Lei Federal n.10.169/00: Fl. 342DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.405 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10665.721036/2018-06 9 Art.8°Os Estados e o Distrito Federal, no ambito de sua competencia, respeitado o prazo estabelecido no art.9º desta Lei, estabelecerão forma de compensacão aos registradores civis das pessoas naturais pelos atos gratuitos,por eles praticados,conforme estabelecido em lei federal. 24. E na Lei Estadual MG 14.313/02: Art.1°-Os beneficiários de terras rurais obtidas por meio de programa de reforma agrária ou de assentamento promovido por órgão ou entidade da União ou do Estado ou por meio da concessão a que se refere o inciso II do § 3º do art. 247 da Constituição do Estado ficam isentos […] II-dos emolumentos cartoriais incidentes sobre os atos relativos ao registro de títulos translativos de domínio de imóveis rurais e sobre a certidão,positiva ou negativa,de registro de área em nome do beneficiário ou de seus antecessores,de que trata o inciso V do§2°do art.30 da Lei n°11.020,de 1993,bem como da respectiva Taxa de Fiscalizacão Judiciária; 25. Merecem transcrição ainda, os seguintes dispositivos da Lei Lei nº 15.424, de 30/12/2004 Art. 3º - A Taxa de Fiscalização Judiciária tem como fato gerador o exercício do poder de polícia atribuído ao Poder Judiciário pela Constituição da República, em seu art. 236, § 1º, e legalmente exercido pela Corregedoria- Geral de Justiça e pelo Juiz de Direito Diretor do Foro. Art. 4º - É contribuinte dos emolumentos e da Taxa de Fiscalização Judiciária a pessoa natural ou jurídica usuária dos serviços notariais e de registro. Art. 5º - É responsável pelo recolhimento da Taxa de Fiscalização Judiciária, nos termos do inciso II do parágrafo único do art. 121 da Lei Federal n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966, que contém o Código Tributário Nacional, o Tabelião de Notas, o Tabelião de Protesto de Títulos, o Oficial de Registro de Imóveis, o Oficial de Registro de Títulos e Documentos, o Oficial de Registro Civil das Pessoas Jurídicas, o Oficial de Registro Civil das Pessoas Fl. 343DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.405 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10665.721036/2018-06 10 Naturais ou o Oficial de Registro de Distribuição que praticar ato notarial ou de registro. Art. 5º-A - Constitui condição necessária para realização dos atos de registro ou averbação nas serventias de registro de imóveis, quando instrumentalizados por escritura pública, o recolhimento integral das parcelas destinadas ao Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, ao Recompe, ao Ministério Público do Estado de Minas Gerais, à Defensoria Pública do Estado de Minas Gerais e à Advocacia-Geral do Estado de Minas Gerais, bem como sua referência na escritura pública correspondente, inclusive aquelas lavradas em outras unidades da Federação. § 1º - A base de cálculo das parcelas a que se refere o caput, para fins de enquadramento na Tabela 1 do Anexo desta lei, será apurada conforme parâmetros estabelecidos nos incisos I e II do caput e no § 3º do art. 10. § 2º - A informação da obrigação de recolhimento das parcelas a que se refere o caput deve constar das certidões de situação jurídica atualizada, de propriedade, de inteiro teor, de ônus reais e de ações reipersecutórias, expedidas pelos registros de imóveis. § 3º - Para os fins do disposto neste artigo, a análise da adequação do recolhimento será feita por Tabelião de Notas do Estado por meio de certidão. § 4º - Caso seja necessário, o Tabelião a que se refere o § 3º deverá realizar o cálculo e a emissão da guia de pagamento, realizar o aditamento da referida escritura para constar o respectivo pagamento ou realizar o reconhecimento do sinal público nos documentos físicos. § 5º - O recolhimento das parcelas a que se refere o caput será regulamentado pelo Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais por ato normativo em até noventa dias contados da data de publicação desta lei. (Artigo acrescentado pelo art. 2º da Lei nº 25.125, de 30/12/2024.) 26. Verifica-se, portanto, que a contribuinte busca defender-se do auto de infração aduzindo que as verbas de Taxa de Fiscalização Judiciária (TFJ) e de Fundo de Compensação do Judiciário (RECOMPE), não possuem natureza jurídica apta a caracterizar renda ou acréscimo patrimonial tributável pelo Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. 27. No entanto, conforme restou verificado na análise da memória de cálculo da fiscalização, por meio de simples cálculos, a fiscalização não incluiu o TFJ nem o RECOMPE em sua base de cálculo, isso porque, a única ação da fiscalização foi encontrar a base tributável (sem inclusão de RECOMPE nem TFJ) e comparar com a base declarada, fixando-se a quantia a título de omissão de rendimentos. Fl. 344DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.405 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10665.721036/2018-06 11 28. A contribuinte, no entanto, limitou seus argumentos a indicar que não incidiria imposto de renda sobre o RECOMPE e TFJ mesmo sem que a fiscalização as tenha incluído na base tributável, deixando a contribuinte de formular argumentos capazes de demonstrar o acerto de sua base de cálculo declarada ou o equívoco da base de cálculo fixada pela fiscalização. 29. Assim, a recorrente não logrou êxito em refutar os créditos tributários lançados, não merecendo provimento os seus argumentos, nesse tocante. Da alegação de aplicação indevida da multa qualificada de 150%. 30. No tocante à penalidade, sustenta a recorrente que a simples omissão de rendimentos não autorizaria, por si só, a incidência da multa de ofício qualificada, aduzindo, fl. 331, que a fiscalização poderia apurar erro, mas jamais que teria havido conduta sonegadora por parte da contribuinte. 31. Acerca disso, assim dispõe a Lei nº 4.502/1964: Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Art . 74. Apurando-se, no mesmo processo, a prática de duas ou mais infrações pela mesma pessoa natural ou jurídica, aplicam-se cumulativamente, no grau correspondente, as penas a elas cominadas, se as infrações não forem idênticas ou quando ocorrerem as hipóteses previstas no art. 85 e em seu parágrafo. 32. Nesse contexto, o CARF consolidou o seguinte entendimento sumulado: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. 32. Por fim, relevante mencionar que o STF possui entendimento vinculante de que, mesmo em casos de fraude, dolo e simulação, ou seja, mesmo em casos mais graves do que os praticados no presente processos, em certas circunstâncias, demonstra-se descabida a aplicação de multa superior a 100% (ressalvada a hipótese de reiteração de conduta), nos termos do seguinte Tema nº 863 do STF: Até que seja editada lei complementar federal sobre a matéria, a multa tributária qualificada em razão de sonegação, fraude ou conluio limita-se a Fl. 345DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.405 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10665.721036/2018-06 12 100% (cem por cento) do débito tributário, podendo ser de até 150% (cento e cinquenta por cento) do débito tributário caso se verifique a reincidência definida no art. 44, § 1º-A, da Lei nº 9.430/96, incluído pela Lei nº 14.689/23, observando-se, ainda, o disposto no § 1º-C do citado artigo. 33. No entanto, a caracterização da reiteração deve obediência ao que dispõe o art. 44, §1º-A, da Lei nº 9.430/1996, in verbis: Art. 44 [...] [...] § 1º-A. Verifica-se a reincidência prevista no inciso VII do § 1º deste artigo quando, no prazo de 2 (dois) anos, contado do ato de lançamento em que tiver sido imputada a ação ou omissão tipificada nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, ficar comprovado que o sujeito passivo incorreu novamente em qualquer uma dessas ações ou omissões. (Incluído pela Lei nº 14.689, de 2023) 34. Assim, quando a reiteração se constituir como único argumento para caracterização da simulação ou dolo, de que tratam os arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964, a verificação de não caracterização da reiteração nos termos do art. 44, §1º-A, da Lei nº 9.430/1996, implica a redução da multa ao patamar de 75%. 35. Em que pese o presente processo abranja 4 anos-calendários, não há que se falar em reiteração para os estritos fins de aplicação da multa, já que, para fins de aplicação da multa, o conceito de reiteração indica a necessidade de haver um lançamento anterior nos últimos dois anos em relação à nova identificação de prática reiterada, reiteração esta que não restou comprovada no presente processo. CONCLUSÃO 36. Diante do exposto, voto por CONHECER o recurso voluntário e, no mérito, DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO, para o estrito fim de se reduzir a multa de ofício aplicada ao patamar de 75%, mantendo-se os demais créditos tributários e respectivos encargos e atualizações. Assinado Digitalmente Yendis Rodrigues Costa Fl. 346DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4502.htm#art71 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4502.htm#art72 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4502.htm#art73 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4502.htm#art73 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Lei/L14689.htm#art8 Acórdão Relatório Voto

score : 1.0
11495545 #
Numero do processo: 15586.720347/2016-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2015 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ISENÇÃO NÃO COMPROVADA. Rendimentos Tributáveis classificados indevidamente como Isentos O lançamento de ofício será realizado quando o sujeito passivo fizer declaração inexata, incluindo ou omitindo elemento que implique redução do imposto a pagar ou restituição indevida. IRF. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Em se tratando de imposto em que a incidência na fonte se dá por antecipação daquele a ser apurado na declaração de ajuste anual, não existe responsabilidade tributária concentrada, exclusivamente, na pessoa da fonte pagadora. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADA Presentes os pressupostos estabelecidos em lei para aplicação de multa de ofício, a autoridade tem não só o poder, mas também o dever, de aplicá-la no percentual previsto na legislação tributária. JUROS DE MORA - TAXA SELIC. SÚMULA CARF N. 4. É cabível, por expressa disposição legal, a partir de 01/04/1995, a exigência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC. MULTA QUALIFICADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO A 100%. O inciso VI, §1º, do art. 44 da Lei n. 9.430/96, deve ser aplicado, retroativamente, tratando-se de ato não julgado definitivamente, conforme o art. 106, inciso II, alínea c, do CTN.
Numero da decisão: 2302-004.566
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para reduzir a multa de ofício qualificada ao patamar de 100% (cem por cento). Assinado Digitalmente Angélica Carolina Oliveira Duarte Toledo - Relatora Assinado Digitalmente Johnny Wilson Araujo Cavalcanti - Presidente Participaram do presente julgamento os conselheiros Angelica Carolina Oliveira Duarte Toledo, Roberto Carvalho Veloso Filho, Rosane Beatriz Jachimovski Danilevicz, Rosimery Brandao Barbosa (substituto[a] integral), Weber Allak da Silva (substituto[a]integral), Johnny Wilson Araujo Cavalcanti (Presidente) Ausente(s) o conselheiro(a)Alfredo Jorge Madeira Rosa, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Weber Allak da Silva.
Nome do relator: ANGELICA CAROLINA OLIVEIRA DUARTE TOLEDO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Sep 19 09:00:00 UTC 2026

anomes_sessao_s : 202606

camara_s : Terceira Câmara

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2015 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ISENÇÃO NÃO COMPROVADA. Rendimentos Tributáveis classificados indevidamente como Isentos O lançamento de ofício será realizado quando o sujeito passivo fizer declaração inexata, incluindo ou omitindo elemento que implique redução do imposto a pagar ou restituição indevida. IRF. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Em se tratando de imposto em que a incidência na fonte se dá por antecipação daquele a ser apurado na declaração de ajuste anual, não existe responsabilidade tributária concentrada, exclusivamente, na pessoa da fonte pagadora. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADA Presentes os pressupostos estabelecidos em lei para aplicação de multa de ofício, a autoridade tem não só o poder, mas também o dever, de aplicá-la no percentual previsto na legislação tributária. JUROS DE MORA - TAXA SELIC. SÚMULA CARF N. 4. É cabível, por expressa disposição legal, a partir de 01/04/1995, a exigência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC. MULTA QUALIFICADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO A 100%. O inciso VI, §1º, do art. 44 da Lei n. 9.430/96, deve ser aplicado, retroativamente, tratando-se de ato não julgado definitivamente, conforme o art. 106, inciso II, alínea c, do CTN.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2026

numero_processo_s : 15586.720347/2016-81

anomes_publicacao_s : 202609

conteudo_id_s : 7409788

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2026

numero_decisao_s : 2302-004.566

nome_arquivo_s : Decisao_15586720347201681.PDF

ano_publicacao_s : 2026

nome_relator_s : ANGELICA CAROLINA OLIVEIRA DUARTE TOLEDO

nome_arquivo_pdf_s : 15586720347201681_7409788.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para reduzir a multa de ofício qualificada ao patamar de 100% (cem por cento). Assinado Digitalmente Angélica Carolina Oliveira Duarte Toledo - Relatora Assinado Digitalmente Johnny Wilson Araujo Cavalcanti - Presidente Participaram do presente julgamento os conselheiros Angelica Carolina Oliveira Duarte Toledo, Roberto Carvalho Veloso Filho, Rosane Beatriz Jachimovski Danilevicz, Rosimery Brandao Barbosa (substituto[a] integral), Weber Allak da Silva (substituto[a]integral), Johnny Wilson Araujo Cavalcanti (Presidente) Ausente(s) o conselheiro(a)Alfredo Jorge Madeira Rosa, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Weber Allak da Silva.

dt_sessao_tdt : Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2026

id : 11495545

ano_sessao_s : 2026

atualizado_anexos_dt : Sat Oct 10 09:43:38 UTC 2026

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1878655423833178112

conteudo_txt : Metadados => date: 2026-08-14T13:57:05Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-08-14T13:57:05Z; Last-Modified: 2026-08-14T13:57:05Z; dcterms:modified: 2026-08-14T13:57:05Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-08-14T13:57:05Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-08-14T13:57:05Z; meta:save-date: 2026-08-14T13:57:05Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-08-14T13:57:05Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-08-14T13:57:05Z; created: 2026-08-14T13:57:05Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2026-08-14T13:57:05Z; pdf:charsPerPage: 1672; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-08-14T13:57:05Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 15586.720347/2016-81 ACÓRDÃO 2302-004.566 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 19 de junho de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE CARLOS EDUARDO SABRA INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2015 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ISENÇÃO NÃO COMPROVADA. Rendimentos Tributáveis classificados indevidamente como Isentos O lançamento de ofício será realizado quando o sujeito passivo fizer declaração inexata, incluindo ou omitindo elemento que implique redução do imposto a pagar ou restituição indevida. IRF. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Em se tratando de imposto em que a incidência na fonte se dá por antecipação daquele a ser apurado na declaração de ajuste anual, não existe responsabilidade tributária concentrada, exclusivamente, na pessoa da fonte pagadora. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADA Presentes os pressupostos estabelecidos em lei para aplicação de multa de ofício, a autoridade tem não só o poder, mas também o dever, de aplicá-la no percentual previsto na legislação tributária. JUROS DE MORA - TAXA SELIC. SÚMULA CARF N. 4. É cabível, por expressa disposição legal, a partir de 01/04/1995, a exigência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC. MULTA QUALIFICADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO A 100%. O inciso VI, §1º, do art. 44 da Lei n. 9.430/96, deve ser aplicado, retroativamente, tratando-se de ato não julgado definitivamente, conforme o art. 106, inciso II, alínea ‘c’, do CTN. Fl. 210DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.566 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15586.720347/2016-81 2 ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para reduzir a multa de ofício qualificada ao patamar de 100% (cem por cento). Assinado Digitalmente Angélica Carolina Oliveira Duarte Toledo – Relatora Assinado Digitalmente Johnny Wilson Araujo Cavalcanti – Presidente Participaram do presente julgamento os conselheiros Angelica Carolina Oliveira Duarte Toledo, Roberto Carvalho Veloso Filho, Rosane Beatriz Jachimovski Danilevicz, Rosimery Brandao Barbosa (substituto[a] integral), Weber Allak da Silva (substituto[a]integral), Johnny Wilson Araujo Cavalcanti (Presidente) Ausente(s) o conselheiro(a)Alfredo Jorge Madeira Rosa, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Weber Allak da Silva. RELATÓRIO Reproduzo trecho do Relatório da decisão de piso, que bem descreve o processo (e- fls. 350/367): Contra o Contribuinte acima identificado foi lavrado, em 27/06/2016, o Auto de Infração de fls. 79 a 83, relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF do exercício 2015, ano-calendário 2014, tendo sido apurado o crédito tributário assim constituído(em Reais): (...) O lançamento teve origem na constatação da omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica – trabalho sem vínculo empregatício recebido de pessoa jurídica, no valor de R$ 321.844,96 declarados como rendimentos isentos e não tributáveis – Lucros e Dividendos - recebidos das fontes pagadoras abaixo relacionadas, conforme demonstrado nº Relatório de Constatação de Infração Fiscal de fls. 85 a 102, parte integrante do Auto de Infração.  Appex Consultoria Tributária, CNPJ 15.511.847/0001-08 Valor R$ 184.358,79;  G1 Gestão e Consultoria Empresarial CNPJ 20.342.269/0001-63 Valor R$ 95.693,42 e Fl. 211DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.566 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15586.720347/2016-81 3  Lemos & Casagrande Consultoria Empresarial CNPJ 02.158.648/0001-16 Valor R$41. 792,75. Cientificada do lançamento em 30/06/2016 (Aviso de Recebimento de fls. 105), a Interessada protocolou, em 28/07/2016, a impugnação de fls. 110 a 114, assinada digitalmente pelo impugnante, alegando que:  A tributação ocorreu diretamente na fonte por isso os rendimentos no valor de R$321.844,96 foram declarados em campo especifico da declaração – RENDIMENTOS ISENTOS E NÃO TRIBUTÁVEIS.  A responsabilidade pelo recolhimento dos tributos devidos é dos sócios ostensivos que deve apurar o resultado, apresentar declaração e recolher os impostos devidos pela SCP.  Que possuía a época contrato de Sociedade por Conta de Participação com estas empresas e que os rendimentos declarados decorrem de sua participação nos lucros por elas auferidos, e que são, portanto rendimentos ISENTOS, segundo artigo 39 inciso XXIX do RIR.  Que à época as sociedades por conta de participação não eram obrigadas a inscrever no CNPJ e somente a partir de 03.06.2014 é que esta obrigação passou a ser exigida, por força da IN RFB 1.470/2014. Requer seja julgada procedente a impugnação e declarado indevido o imposto, multa e juros exigidos na exação fiscal. Os autos foram encaminhados à DRJ e os membros da 6ª Turma da DRJ/BSB, por unanimidade de votos, julgaram improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Cientificado do acórdão, o contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, repisando os argumentos trazidos em sua impugnação (e-fls. 203/207). É o relatório. VOTO Conselheira Angélica Carolina Oliveira Duarte Toledo, Relatora. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. 1 MÉRITO O recorrente repisa idênticos argumentos àqueles veiculados em sua impugnação. Fl. 212DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.566 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15586.720347/2016-81 4 Não obstante, concordo com a decisão de piso e adoto as razões expostas como fundamento do presente voto, mediante a reprodução do seguinte trecho (art. 114, § 12, do RICARF): Da natureza dos rendimentos O contribuinte afirma que não houve omissão por se tratar de rendimentos ISENTOS-corretamente informados na DIRPF, em decorrência de sua participação nos lucros, das empresas Appex Consultoria Tributária, G1 Gestão e Consultoria Empresarial e Lemos & Casagrande Consultoria Empresarial com as quais possuía contrato de Sociedade por Conta de Participação e que somente a partir de 2014 passou a ser exigida a inscrição da SCP nº CNPJ. Pois bem, no que se refere ao Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica(CNPJ) do Ministério da Fazenda, até o dia 03/06/2014 era uma faculdade a inclusão ou não das SCP neste cadastro, conforme dispunha o item 4 da Instrução Normativa SRF nº 179/1987, in verbis: (...)4. Não será exigida a inscrição da SCP no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da Fazenda - CGC/MF. (...)Entretanto, a ausência de obrigatoriedade de inscrição do CNPJ ou de qualquer outra formalidade não impede a prova da constituição da sociedade, bem como dos resultados alcançados, pois, consoante o disposto no artigo 992 da Lei 11.406/2002, in verbis: Art. 992. A constituição da sociedade em conta de participação independe de qualquer formalidade e pode provar-se por todos os meios de direito. O impugnante não apresentou nenhum documento que comprovasse que os rendimentos declarados são provenientes de sua participação nos lucros nas empresas, tais como:  Comprovante da sua participação na SCP e do aporte de recursos para a formação do "capital" da SCP na condição de sócio oculto.  Demonstração de Resultado da SCP, que segundo a lei deve ser apurado pelo sócio ostensivo, que também é responsável pela declaração de rendimentos e pelo recolhimento dos tributos e contribuições devidos pela SCP.  Comprovação da tributação dos lucros na SCP, que quando distribuídos, sujeitam-se às mesmas regras estabelecidas para a tributação na distribuição de lucros das demais sociedades. Por outro lado, todos os documentos examinados convergem para demonstrar que os rendimentos foram declarados indevidamente como isentos, pois se tratam de rendimentos do trabalho recebidos de pessoa jurídica, senão vejamos:  Em depoimento prestado à fiscalização, o impugnante informou que recebeu os rendimentos a titulo de corretagem e comissões dos Fl. 213DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.566 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15586.720347/2016-81 5 corretores, oriundos “da venda de créditos via STN_DARF SIAFI para quitação de tributos federais, como se verifica nº Termo de Constatação às fls. 14 e 15”;  O impugnante se qualifica como CONSULTOR DE VENDAS, conforme consta dos a resposta apresentada a Termo de Intimação Fiscal nº 01/37/2016;  Em pedido de dilação de prazo, no curso da fiscalização, o impugnante argumentou que os esclarecimentos solicitados pelo fisco só poderiam ser conferidos junto às empresas que trabalhou naquele período, e que as empresas tinham sede em outros Estados da Federação.(fls 58);  Os contratos sociais das empresas Appex Consultoria Tributária Ltda, G1 Gestão e Consultoria Empresarial Ltda e Lemos & Casagrande Consultoria Empresarial Ltda, fontes pagadoras dos supostos lucros não trazem o nome do impugnante nos seus quadros societários (fls. 22 –34);  Os informes de rendimento destas fontes pagadoras declaram que a natureza dos rendimentos é Rendimento do Trabalho Assalariado(fls. 19/20).  As fontes pagadoras por sua vez, intimadas não lograram comprovar que os depósitos efetivamente realizados em conta bancária do fiscalizado, ao longo do ano de 2014 eram decorrentes de lucros auferidos por SCP. (fls. 62- 85). O fato gerador do imposto de renda é a disponibilização econômica ou jurídica, conforme disposto no art. 43, da Lei nº 5.172/66 – Código Tributário Nacional: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I - de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II - de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Parágrafo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001)§ 2º Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. (Parágrafo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001)O art. 45 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99 dispoe que Art. 45. São tributáveis os rendimentos do trabalho não-assalariado, tais como(Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º): Fl. 214DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.566 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15586.720347/2016-81 6 I - honorários do livre exercício das profissões de médico, engenheiro, advogado, dentista, veterinário, professor, economista, contador, jornalista, pintor, escritor, escultor e de outras que lhes possam ser assemelhadas; II - remuneração proveniente de profissões, ocupações e prestação de serviços não-comerciais; III - remuneração dos agentes, representantes e outras pessoas sem vínculo empregatício que, tomando parte em atos de comércio, não os pratiquem por conta própria; IV - emolumentos e custas dos serventuários da Justiça, como tabeliães, notários, oficiais públicos e outros, quando não forem remunerados exclusivamente pelos cofres públicos; V - corretagens e comissões dos corretores, leiloeiros e despachantes, seus prepostos e adjuntos; VI - lucros da exploração individual de contratos de empreitada unicamente de lavor, qualquer que seja a sua natureza; VII - direitos autorais de obras artísticas, didáticas, científicas, urbanísticas, projetos técnicos de construção, instalações ou equipamentos, quando explorados diretamente pelo autor ou criador do bem ou da obra; VIII - remuneração pela prestação de serviços no curso de processo judicial. Dito isto, rejeito as alegações do contribuinte, não havendo correções a serem feitas nesta infração. Responsabilidade de Retenção do IRF Também não procede a alegação de ser a fonte pagadora a responsável pela retenção e recolhimento do IRF sobre os rendimentos pagos ao impugnante, isto porque ao tratar do sujeito passivo da obrigação principal, o art. 121 do CTN assim dispõe: “Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz-se: I-contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II-responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei.” A responsabilidade da fonte pagadora, no que tange à retenção e ao recolhimento do imposto, encontra-se prevista, respectivamente, nos arts. 717, caput, e 722, caput, ambos do RIR/99, abaixo transcritos. Fl. 215DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.566 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15586.720347/2016-81 7 “Art. 717. Compete à fonte reter o imposto de que trata este Título, salvo disposição em contrário (Decreto-lei nº 5.844/43, arts. 99 e 100, e Lei nº 7.713/88, art. 7º, § 1º)”. “Art. 722. A fonte pagadora fica obrigada ao recolhimento do imposto, ainda que não o tenha retido (Decreto-lei nº 5.844/43, art. 103)”. Entretanto, quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto extingue-se, no caso de pessoa física, no prazo fixado para entrega da declaração de ajuste anual, conforme dispõe o Parecer Normativo Cosit 1/2002. Conclui-se, assim, de forma inequívoca, que a responsabilidade tributária da fonte pagadora quanto à retenção na fonte e ao recolhimento do imposto, na condição de sujeito passivo responsável, não exclui a responsabilidade do beneficiário do respectivo rendimento, na condição de contribuinte, em oferecê-lo à tributação. Da multa qualificada e juros de mora. O impugnante pede a anulação do lançamento e conseqüente cancelamento da multa e juros aplicados. Quanto aos juros é cabível, por expressa disposição legal, a partir de 01/04/1995, a exigência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC. No tocante a multa qualificada nada trouxe para afastar a qualificação. Não comprovado tratar-se de distribuição de lucros e sim de rendimentos do trabalho de corretagem, resta demonstrado que tanto as fontes pagadoras quanto o impugnante deliberadamente inseriram declarações inexatas em documentos fiscais visando se eximir de suas responsabilidades fiscais e suprimir o pagamento do tributo devido. Correta também a aplicação da multa qualificada 2 RETROATIVIDADE BENIGNA Entretanto, apesar da improcedência dos argumentos levantados pelo recorrente quanto à multa qualificada, verifica-se que o art. 44 da Lei n. 9.430/96 foi alterado pelo art. 8º da Lei n. 14.689/23, passando a ter a seguinte redação: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será majorado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de Fl. 216DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.566 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15586.720347/2016-81 8 novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, e passará a ser de: VI – 100% (cem por cento) sobre a totalidade ou a diferença de imposto ou de contribuição objeto do lançamento de ofício; VII – 150% (cento e cinquenta por cento) sobre a totalidade ou a diferença de imposto ou de contribuição objeto do lançamento de ofício, nos casos em que verificada a reincidência do sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 14.689, de 2023) § 1º-A. Verifica-se a reincidência prevista no inciso VII do § 1º deste artigo quando, no prazo de 2 (dois) anos, contado do ato de lançamento em que tiver sido imputada a ação ou omissão tipificada nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, ficar comprovado que o sujeito passivo incorreu novamente em qualquer uma dessas ações ou omissões. Como se vê, a alteração legislativa promovida estabelece que a multa qualificada deverá ser lançada no montante de 100% (cem por cento) sobre a totalidade ou a diferença de imposto ou de contribuição objeto do lançamento de ofício. A multa de 150% passa a ser aplicável apenas nos casos em que verificada a reincidência do sujeito passivo. Nos termos do art. 106, II, “c”, do CTN a lei nova aplica-se a ato ou fato pretérito, no caso de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente à época da prática da infração. É nesse sentido o que determina, inclusive, o Parecer SEI n. 3950/2023/MF. Deste modo, deve-se aplicar a retroação da multa da Lei n. 9.430/96, art. 44, § 1º, VI, reduzindo-a ao percentual de 100% (cem por cento). 3 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e dar-lhe parcial provimento para reduzir a multa de ofício qualificada ao patamar de 100% (cem por cento). Assinado Digitalmente Angélica Carolina Oliveira Duarte Toledo Fl. 217DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto 1 mérito 2 retroatividade benigna 3 Conclusão

score : 1.0
11495282 #
Numero do processo: 19613.733854/2023-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 12 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 18/04/2022 a 20/07/2023 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO APRESENTADA. Na hipótese de não homologação de compensação, quando presente a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, impõe-se a aplicação da multa isolada, no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado. A falsidade se caracteriza pela inclusão, na declaração, de créditos que o contribuinte sabe serem inexistentes. MULTA ISOLADA. CONSTITUCIONALIDADE. EFEITO CONFISCATÓRIO. SÚMULA CARF N. 2. Falece competência ao CARF para se pronunciar sobre a compatibilidade do percentual da multa isolada fixado pela lei tributária com preceitos de índole constitucional.
Numero da decisão: 2102-004.378
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Carlos Eduardo Fagundes de Paula (relator), Yendis Rodrigues Costa e Christianne Kandyce Gomes Ferreira de Mendonça, que limitaram a multa isolada ao percentual de 100%. Manifestou a intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Yendis Rodrigues Costa. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. Assinado Digitalmente Carlos Eduardo Fagundes de Paula - Relator Assinado Digitalmente Cleberson Alex Friess - Presidente e Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jose Marcio Bittes, Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Carlos Marne Dias Alves, Yendis Rodrigues Costa, Christianne Kandyce Gomes Ferreira de Mendonca (substituta integral) e Cleberson Alex Friess (Presidente).
Nome do relator: CARLOS EDUARDO FAGUNDES DE PAULA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Sep 19 09:00:00 UTC 2026

anomes_sessao_s : 202605

camara_s : Primeira Câmara

ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 18/04/2022 a 20/07/2023 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO APRESENTADA. Na hipótese de não homologação de compensação, quando presente a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, impõe-se a aplicação da multa isolada, no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado. A falsidade se caracteriza pela inclusão, na declaração, de créditos que o contribuinte sabe serem inexistentes. MULTA ISOLADA. CONSTITUCIONALIDADE. EFEITO CONFISCATÓRIO. SÚMULA CARF N. 2. Falece competência ao CARF para se pronunciar sobre a compatibilidade do percentual da multa isolada fixado pela lei tributária com preceitos de índole constitucional.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2026

numero_processo_s : 19613.733854/2023-91

anomes_publicacao_s : 202609

conteudo_id_s : 7409525

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2026

numero_decisao_s : 2102-004.378

nome_arquivo_s : Decisao_19613733854202391.PDF

ano_publicacao_s : 2026

nome_relator_s : CARLOS EDUARDO FAGUNDES DE PAULA

nome_arquivo_pdf_s : 19613733854202391_7409525.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Carlos Eduardo Fagundes de Paula (relator), Yendis Rodrigues Costa e Christianne Kandyce Gomes Ferreira de Mendonça, que limitaram a multa isolada ao percentual de 100%. Manifestou a intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Yendis Rodrigues Costa. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. Assinado Digitalmente Carlos Eduardo Fagundes de Paula - Relator Assinado Digitalmente Cleberson Alex Friess - Presidente e Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jose Marcio Bittes, Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Carlos Marne Dias Alves, Yendis Rodrigues Costa, Christianne Kandyce Gomes Ferreira de Mendonca (substituta integral) e Cleberson Alex Friess (Presidente).

dt_sessao_tdt : Tue May 12 00:00:00 UTC 2026

id : 11495282

ano_sessao_s : 2026

atualizado_anexos_dt : Sat Oct 10 09:43:27 UTC 2026

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1878655423851003904

conteudo_txt : Metadados => date: 2026-08-13T19:03:01Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-08-13T19:03:01Z; Last-Modified: 2026-08-13T19:03:01Z; dcterms:modified: 2026-08-13T19:03:01Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-08-13T19:03:01Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-08-13T19:03:01Z; meta:save-date: 2026-08-13T19:03:01Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-08-13T19:03:01Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-08-13T19:03:01Z; created: 2026-08-13T19:03:01Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; Creation-Date: 2026-08-13T19:03:01Z; pdf:charsPerPage: 1701; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-08-13T19:03:01Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 19613.733854/2023-91 ACÓRDÃO 2102-004.378 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 12 de maio de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE GLOBALWEB OUTSOURCING DO BRASIL S.A. E OUTROS INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 18/04/2022 a 20/07/2023 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO APRESENTADA. Na hipótese de não homologação de compensação, quando presente a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, impõe-se a aplicação da multa isolada, no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado. A falsidade se caracteriza pela inclusão, na declaração, de créditos que o contribuinte sabe serem inexistentes. MULTA ISOLADA. CONSTITUCIONALIDADE. EFEITO CONFISCATÓRIO. SÚMULA CARF N. 2. Falece competência ao CARF para se pronunciar sobre a compatibilidade do percentual da multa isolada fixado pela lei tributária com preceitos de índole constitucional. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Carlos Eduardo Fagundes de Paula (relator), Yendis Rodrigues Costa e Christianne Kandyce Gomes Ferreira de Mendonça, que limitaram a multa isolada ao percentual de 100%. Manifestou a intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Yendis Rodrigues Costa. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. Assinado Digitalmente Fl. 1027DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.378 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19613.733854/2023-91 2 Carlos Eduardo Fagundes de Paula – Relator Assinado Digitalmente Cleberson Alex Friess – Presidente e Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jose Marcio Bittes, Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Carlos Marne Dias Alves, Yendis Rodrigues Costa, Christianne Kandyce Gomes Ferreira de Mendonca (substituta integral) e Cleberson Alex Friess (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de recursos voluntários interpostos contra o Acórdão nº 105-013.389, proferido às fls. 916/920, pela 7ª Turma da DRJ05, que julgou improcedentes as impugnações apresentadas, mantendo integralmente o Auto de Infração lavrado para exigência de multa isolada no percentual de 150% sobre o valor total de débitos indevidamente compensados. O lançamento refere-se à multa isolada no montante de R$ 40.828.767,75, aplicada em decorrência da transmissão de pedidos de compensação tributária (PER/DCOMP) lastreados em pagamentos inexistentes, circunstância que levou à caracterização de falsidade nas declarações prestadas ao Fisco Federal, com fundamento no art. 18, caput e § 2º, da Lei nº 10.833/2003. Conforme consignado no demonstrativo de responsáveis tributários constante do Auto de Infração, foram incluídas no polo passivo, na qualidade de responsáveis solidárias, as pessoas físicas Tatiane Araujo Pereira e Karina Boner Leo Silva, sob o fundamento de prática de atos com infração à lei e excesso de poderes. De acordo com a autoridade fiscal, verificou-se a inexistência de créditos aptos a sustentar as compensações declaradas, em razão da ausência de comprovação dos pagamentos informados nos PER/DCOMP. Em decorrência, foi proferido o Despacho Decisório nº 27.037/2023, que determinou a não homologação dos pedidos de compensação apresentados, diante da inexistência de direito creditório. Diante da não homologação das compensações e da constatação de falsidade nas declarações, procedeu-se ao lançamento da multa isolada de 150% sobre o valor dos créditos indevidamente compensados, nos termos do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, tendo como base de cálculo o montante total do débito objeto de compensação indevida. A autoridade fiscal ressaltou que a Declaração de Compensação, prevista no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, constitui ato declaratório por meio do qual o contribuinte afirma a extinção de crédito tributário mediante compensação com créditos próprios, líquidos e certos, produzindo Fl. 1028DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.378 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19613.733854/2023-91 3 efeitos imediatos, ainda que sujeitos à homologação posterior. Destacou-se, ademais, que a utilização desse instrumento encontra limites na legislação, sendo passível de sanção quando manejado em desacordo com as condições legais, especialmente na hipótese de apresentação de declarações desprovidas de lastro. Nesse contexto, entendeu a fiscalização que admitir compensações desacompanhadas de suporte idôneo, sem a correspondente penalidade, implicaria estímulo ao uso indevido do instituto, em prejuízo ao erário, razão pela qual foi qualificada a multa em razão da caracterização de fraude. No tocante à responsabilização solidária, consignou-se que a utilização reiterada de declarações de compensação baseadas em créditos inexistentes evidenciaria conduta voltada à evasão do pagamento de contribuições previdenciárias, tendo sido destacado que tais práticas tiveram início após a alteração da administração da empresa, com a entrada de Tatiane Araujo Pereira e, posteriormente, de Karina Boner Leo Silva. Concluiu-se, assim, pela responsabilidade das administradoras, seja por anuência, seja por ausência de diligência na condução dos negócios sociais. Diante desse quadro, foi atribuída responsabilidade tributária solidária às referidas administradoras, com fundamento no art. 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, alcançando tanto os valores indevidamente compensados quanto a multa aplicada. Irresignadas, as recorrentes sustentam, preliminarmente, a nulidade do Auto de Infração em razão de erro na apuração da base de cálculo da multa isolada, ao argumento de que teriam sido indevidamente incluídos valores relativos a multa moratória e juros de mora, o que implicaria indevida incidência de multa sobre multa e multa sobre juros. No mérito, alegam que a não homologação das compensações teria ocorrido sem a observância do contraditório e da ampla defesa, bem como defendem que a empresa seria credora da União em montante superior aos débitos compensados. Sustentam que os fatos decorreriam de equívoco no preenchimento das declarações, especialmente quanto à indicação do tipo de crédito, afirmando que os valores teriam origem em créditos judiciais lançados em campo inadequado no PER/DCOMP. Aduzem, ainda, a inexistência de dolo ou fraude, asseverando que os procedimentos adotados estariam em conformidade com a legislação vigente à época, sendo eventual erro meramente formal e imputável a terceiros responsáveis pela elaboração e transmissão das declarações. No tocante às diretoras, não há insurgência específica. Ao final, requerem o provimento dos recursos voluntários para que seja reconhecida a validade dos créditos declarados, com a consequente homologação das compensações realizadas. É o relatório. Fl. 1029DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.378 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19613.733854/2023-91 4 VOTO VENCIDO Conselheiro Carlos Eduardo Fagundes de Paula, relator Dos Pressupostos de Admissibilidade O presente recurso é tempestivo e preenche os requisitos e admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido. Não há, no caso, preliminares a serem enfrentadas, pelo que se passa à análise do mérito. Mérito Da Multa Isolada de 150% A exigência da multa isolada no percentual de 150% decorre diretamente da constatação de falsidade nas informações prestadas nas Declarações de Compensação (DCOMP), consubstanciada na inclusão de compensações desprovidas de lastro, conforme apurado pela fiscalização e relatado no presente feito. Tal conduta subsume-se ao disposto no art. 18, caput e § 2º, da Lei nº 10.833/2003, que prevê a aplicação de multa isolada quando verificada a não homologação da compensação em razão de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, estabelecendo, ainda, que o percentual aplicável corresponde ao dobro da multa prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, tendo como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. Importa ressaltar que, embora o percentual da penalidade coincida com aquele previsto no art. 44 da Lei nº 9.430/1996 para hipóteses de sonegação, fraude ou conluio, a multa ora examinada possui fundamento jurídico distinto, pois sua incidência não exige a caracterização dessas figuras típicas, bastando a comprovação da falsidade na declaração de compensação, elemento que, por si só, tipifica a conduta sancionada pela norma específica do art. 18 da Lei nº 10.833/2003. Nesse sentido, a aplicação da penalidade encontra-se condicionada à presença de dois requisitos: a existência de compensação indevida e a comprovação de que a declaração apresentada não corresponde à realidade fática ou jurídica. Verifica-se a falsidade quando o contribuinte declara possuir crédito líquido e certo que, na realidade, não detém tais atributos, seja pela inexistência dos recolhimentos alegados, seja pela ausência de direito creditório apto à compensação. No caso concreto, restou evidenciado que as DCOMP foram instruídas com informações inverídicas, notadamente quanto à existência de pagamentos que não se confirmaram, circunstância que resultou na indevida extinção de débitos tributários ao longo do Fl. 1030DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.378 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19613.733854/2023-91 5 tempo. Tal situação afasta a hipótese de mero erro formal, evidenciando que as declarações apresentadas não refletem a realidade jurídica, caracterizando a falsidade exigida pela norma para a aplicação da multa qualificada. Diante desse cenário, uma vez configurada a conduta típica prevista em lei, impõe- se à Administração Tributária o dever de proceder ao lançamento da penalidade correspondente. Trata-se de atividade vinculada, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional, não sendo dado à autoridade fiscal deixar de aplicar a sanção legalmente prevista quando presentes os seus pressupostos, sob pena de responsabilidade funcional. Assim, constatado que o sujeito passivo se valeu de declarações de compensação baseadas em créditos inexistentes, mediante a inserção de informações falsas, revela-se correta a aplicação da multa isolada de 150% sobre o montante indevidamente compensado, não se verificando qualquer irregularidade no procedimento fiscal adotado. No tocante às alegações de caráter constitucional, notadamente quanto à suposta natureza confiscatória da penalidade e à afronta aos princípios da proporcionalidade, razoabilidade e capacidade contributiva, cumpre destacar que tais matérias não se inserem na competência da autoridade administrativa. Os referidos princípios dirigem-se primordialmente ao legislador, cabendo à Administração Tributária a estrita observância da legislação vigente, cuja validade somente pode ser afastada por decisão judicial definitiva. Nesse contexto, não é dado ao julgador administrativo afastar a aplicação de norma legal sob fundamento de inconstitucionalidade, consoante orientação consolidada no âmbito administrativo, razão pela qual não merecem acolhida tais alegações. Também não procede a alegação de impossibilidade de cumulação da multa isolada com multa de mora e juros, porquanto tais encargos decorrem de fatos geradores distintos. A multa isolada tem por fundamento a apresentação de declaração falsa de compensação, enquanto a multa de mora e os juros incidem sobre o débito não adimplido no prazo legal, após a não homologação da compensação. Trata-se, portanto, de exações autônomas, com naturezas e fundamentos diversos. Por fim, cumpre registrar que as discussões relativas à existência dos créditos alegados e à regularidade das compensações foram objeto de análise em processo próprio, no qual já houve decisão administrativa definitiva pela não homologação dos pedidos de compensação. Assim, tais matérias não se submetem à rediscussão no presente feito, que se limita à verificação da legalidade da multa aplicada em decorrência da falsidade constatada nas declarações. Diante do exposto, conclui-se pela improcedência das alegações recursais, devendo ser mantida integralmente a multa isolada aplicada. 2 - Alegação de erro escusável Fl. 1031DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.378 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19613.733854/2023-91 6 No tocante à alegação de erro escusável, os recorrentes sustentam, em síntese, que as inconsistências verificadas nas declarações de compensação decorreriam de equívocos operacionais atribuíveis à equipe técnica ou contábil responsável pela transmissão das PER/DCOMP, afirmando que, na realidade, a contribuinte seria titular de créditos legítimos — inclusive de origem judicial — que teriam sido informados em campos inadequados ou de forma tecnicamente incorreta no sistema eletrônico. Nessa linha, defendem a ausência de dolo, fraude ou intenção de induzir o Fisco em erro, qualificando os fatos como meros lapsos materiais passíveis de correção e, portanto, incapazes de afastar a validade das compensações ou justificar as consequências impostas pela autoridade fiscal. Todavia, tais alegações não encontram respaldo nos elementos constantes dos autos, nem são aptas a infirmar as conclusões alcançadas pela decisão recorrida, que afastou, de forma expressa e fundamentada, a caracterização de erro escusável. Com efeito, o exame do conjunto fático-probatório revela que as inconsistências identificadas não se limitam a falhas formais ou a erros de classificação de dados, mas atingem o próprio núcleo da declaração, qual seja, a indicação da existência de crédito tributário apto à compensação, o que, no caso concreto, não se confirmou. A decisão recorrida foi categórica ao consignar que os créditos declarados se encontravam lastreados em pagamentos inexistentes nos sistemas corporativos da Receita Federal do Brasil, inclusive em valores expressivos, circunstância que, por si só, afasta a possibilidade de enquadramento da situação como erro meramente material ou escusável. Não se trata, portanto, de erro quanto ao enquadramento jurídico ou à classificação de um crédito existente, mas da declaração de créditos cuja própria existência não foi comprovada e sequer encontra correspondência nos registros oficiais de arrecadação. A alegação de erro escusável, ou seja, inevitável, pressupõe, como condição mínima, a existência de um fato subjacente verdadeiro que tenha sido mal interpretado ou incorretamente declarado. No caso dos autos, contudo, o que se verifica é a inexistência do fato gerador do próprio crédito, uma vez que os pagamentos indicados como sua origem não foram identificados nos sistemas da administração tributária, e tampouco foram comprovados por documentação idônea. Ademais, a DRJ foi expressa ao enfrentar a tese defensiva, consignando que, ainda que se admitisse, em tese, a ocorrência de erro involuntário decorrente de imperícia, seria exigível do contribuinte — especialmente de pessoa jurídica de grande porte, dotada de estrutura administrativa e contábil adequada — a adoção de mecanismos mínimos de controle e verificação das informações prestadas ao Fisco. Nesse sentido, destacou-se que, de posse do conteúdo das PER/DCOMP e das informações disponíveis à alta administração, caberia aos administradores verificar que os créditos informados estavam lastreados em dados inconsistentes — notadamente, pagamentos Fl. 1032DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.378 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19613.733854/2023-91 7 inexistentes de valores vultosos — e, diante disso, promover a imediata correção das declarações, por meio de retificação tempestiva, o que poderia ter sido realizado dentro dos prazos legais. Ocorre que tal providência não foi adotada. Ao contrário, as declarações permaneceram hígidas e produziram efeitos no mundo jurídico, mesmo após a intimação fiscal e a explicitação das inconsistências pela autoridade administrativa, sem que o contribuinte tenha apresentado qualquer documentação apta a comprovar os créditos ou tenha promovido sua regularização. Esse comportamento é incompatível com a alegação de erro escusável. A escusabilidade do erro, para fins de afastamento de consequências jurídicas, pressupõe não apenas a ausência de dolo, mas também a presença de diligência mínima na conduta do sujeito passivo, tanto no momento da prática do ato quanto após a ciência do equívoco. No presente caso, verifica-se justamente o oposto: a manutenção de declarações inconsistentes, desacompanhadas de comprovação idônea e não corrigidas oportunamente. Some-se a isso o fato de que a própria decisão recorrida contextualiza as declarações no âmbito de um cenário mais amplo, no qual o contribuinte, conforme dados extraídos do sistema SIAFI, teria sido beneficiário de ordens de pagamento superiores a R$ 110 milhões, cuja viabilização dependeria da comprovação de regularidade fiscal. Nesse contexto, a DRJ consignou que, mediante consulta ao sistema Certidão Conjunta, foi possível identificar a emissão de diversas certidões positivas com efeitos de negativa (CPD-EN), viabilizadas pelas declarações de compensação apresentadas com informações inconsistentes quanto à existência de crédito oriundo de contribuições previdenciárias. Tal circunstância é particularmente relevante, pois evidencia que as declarações não permaneceram no plano meramente formal, mas produziram efeitos concretos e economicamente relevantes, permitindo ao contribuinte aparentar regularidade fiscal e, assim, manter relações contratuais de grande vulto. Diante desse cenário, a tese de erro escusável perde ainda mais amparo. Isso porque não se está diante de erro isolado, de pequena monta ou desprovido de consequências práticas, mas de conduta reiterada, com impacto direto na relação do contribuinte com a Administração Pública, em contexto no qual seria exigível elevado grau de cautela e verificação das informações prestadas. Ademais, como já destacado nos itens anteriores, tais inconsistências se inserem em um quadro mais amplo de inadimplência previdenciária relevante, em que o contribuinte figura como devedor reiterado desde 2010, com saldo negativo expressivo, o que reforça a incompatibilidade entre a realidade fiscal apurada e a existência dos créditos declarados. Fl. 1033DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.378 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19613.733854/2023-91 8 Nesse contexto, a alegação de erro operacional não apenas carece de prova, como também se mostra inverossímil à luz do conjunto probatório, sendo corretamente afastada pela decisão recorrida. Entrementes, à vista do conjunto probatório constante dos autos, verifica-se que não houve comprovação da existência dos créditos informados, sendo estes, inclusive, lastreados em pagamentos que não se confirmam nos sistemas oficiais da administração tributária, o que compromete sua própria materialidade. Soma-se a isso a ausência de qualquer retificação tempestiva das declarações apresentadas, mesmo diante das inconsistências apontadas, circunstância que evidencia a falta de diligência do contribuinte. Além disso, as declarações produziram efeitos fiscais relevantes, notadamente a emissão de certidões positivas com efeitos de negativa (CPD-EN), conferindo aparência de regularidade fiscal em contexto no qual se constatou, simultaneamente, situação de inadimplência previdenciária relevante. Nesse cenário, a conjugação desses elementos afasta, de forma inequívoca, a caracterização de erro escusável, impondo-se a manutenção, neste ponto, do entendimento adotado na decisão primeva. Resta, pois, mantida a decisão recorrida. Da redução da multa isolada Uma vez caracterizada a conduta do contribuinte e mantida a exigência da multa isolada, impõe-se a este Colegiado examinar, à luz de fato superveniente, os efeitos decorrentes da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 736.090, sob a sistemática da repercussão geral. No caso em exame, discute-se a aplicação da multa isolada prevista no § 2º do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, incidente nas hipóteses em que se verifica compensação não declarada, fundada na comprovação de falsidade das informações prestadas pelo sujeito passivo. Referido dispositivo estabelece que a penalidade será calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado, mediante aplicação, em dobro, do percentual previsto no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. A análise da natureza jurídica dessa penalidade revela significativa aproximação com a multa qualificada prevista no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, especialmente porque ambas se destinam a reprimir condutas dolosas voltadas à supressão ou redução indevida de tributos. Em ambos os casos, a sanção possui nítido caráter punitivo agravado, justificado pela presença de elemento subjetivo qualificado na conduta do contribuinte. É nesse contexto que se mostra pertinente a aplicação do entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do referido Recurso Extraordinário, no qual se fixou a tese de que, até a edição de lei complementar específica, a multa tributária qualificada deve observar o limite de 100% do débito tributário, podendo atingir até 150% apenas nas hipóteses de reincidência, conforme os parâmetros atualmente previstos no art. 44, § 1º-A, da Lei nº 9.430/1996. Fl. 1034DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.378 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19613.733854/2023-91 9 Na ocasião, restou consignado que as multas qualificadas visam reprimir as infrações de maior gravidade, usualmente associadas a condutas dolosas como sonegação, fraude ou conluio, exigindo, por isso, não apenas a observância de limites máximos, mas também a adequada gradação da penalidade conforme as circunstâncias do caso concreto, em respeito aos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da vedação ao confisco. Não é o caso de se discutir a constitucionalidade de norma vigente, providência que escaparia à competência deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula CARF nº 2. A solução ora adotada decorre, isto sim, de interpretação analógica e sistemática do entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário 736.090, no qual a Corte Suprema, ao examinar os limites constitucionais das multas tributárias qualificadas, assentou que, até a superveniência de disciplina legislativa específica, o percentual da penalidade não deve exceder, em regra, 100% do valor do tributo, ressalvada a hipótese de reincidência. A razão de decidir do referido precedente não se restringe à multa qualificada prevista no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996. Ao contrário, o Supremo Tribunal Federal fixou parâmetro constitucional aplicável justamente às penalidades mais severas do ordenamento jurídico tributário pátrio, ou seja, àquelas destinadas a reprimir condutas especialmente graves, como sonegação, fraude e conluio, todas dotadas de inequívoco caráter punitivo agravado. Ao estabelecer que tais sanções devem, em regra, observar o limite de 100% do débito tributário, a Corte Suprema delineou diretriz constitucional fundada nos princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e da vedação ao efeito confiscatório, previstos no art. 150, inciso IV, da Constituição Federal. Nesse contexto, não se mostra juridicamente razoável excluir do alcance desse entendimento a multa de 150% discutida no presente caso, uma vez que se trata de penalidade igualmente inserida no núcleo das sanções tributárias mais gravosas, com idêntica natureza punitiva e finalidade repressiva. Se até mesmo as hipóteses paradigmáticas de sonegação, fraude e conluio — tradicionalmente consideradas as infrações mais graves no âmbito tributário — foram submetidas ao limite de 100% do valor do tributo, não há fundamento lógico ou jurídico para admitir que a multa isolada prevista no § 2º do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, incidente em razão de “falsidade de declaração”, possa subsistir em patamar superior. Em reforço a essa compreensão, merece destaque o Tema 1195 da Repercussão Geral, de relatoria do Ministro Nunes Marques, no qual se discute, à luz dos arts. 2º, 24, inciso I, 150, inciso IV, e 155, inciso II, da Constituição Federal, a possibilidade de multas fiscais de caráter punitivo, não qualificadas por sonegação, fraude ou conluio, serem fixadas em percentual superior ao valor do tributo devido, bem como a possibilidade de sua redução pelo Poder Judiciário quando reputadas desproporcionais ou confiscatórias. Embora ainda pendente de julgamento definitivo, a repercussão geral reconhecida evidencia que o próprio Supremo Tribunal Federal considera constitucionalmente relevante a controvérsia acerca da validade de penalidades que excedam 100% do montante exigido. Fl. 1035DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.378 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19613.733854/2023-91 10 Desse modo, a limitação ora promovida não decorre de declaração, explícita ou implícita, de invalidade do § 2º do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, dispositivo que permanece plenamente vigente. O que se realiza é a adequação da incidência concreta da penalidade ao parâmetro constitucional extraído da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, mediante aplicação analógica de precedente cuja fundamentação se ajusta, por identidade de razão, à hipótese em exame. Trata-se, portanto, de exercício interpretativo destinado a harmonizar a legislação infraconstitucional com os postulados constitucionais que regem o poder estatal de tributar e de sancionar, impondo, no caso concreto, a limitação da multa isolada ao patamar de 100% do valor do débito indevidamente compensado. Diante desse parâmetro constitucional, não se mostra razoável admitir que a multa isolada prevista no art. 18, § 2º, da Lei nº 10.833/2003 — cuja hipótese de incidência se vincula à “falsidade de declaração”, conduta que, embora reprovável, não necessariamente alcança o mesmo grau de gravidade das hipóteses típicas de sonegação, fraude ou conluio — possa ultrapassar o patamar de 100% do débito tributário. Ademais, a denominação de “multa isolada” decorre da própria sistemática da compensação tributária. Nesses casos, não há lançamento de ofício do crédito tributário principal, uma vez que, não homologada a compensação, subsiste a obrigação de recolhimento espontâneo do tributo, sob pena de inscrição em dívida ativa. A penalidade, portanto, é exigida de forma autônoma, mas desempenha função equivalente à da multa de ofício, inclusive quanto à base de cálculo e aos percentuais aplicáveis, como expressamente previsto no § 2º do art. 18 da Lei nº 10.833/2003. Assim, considerando a identidade material entre as penalidades e a orientação firmada pelo Supremo Tribunal Federal, impõe-se a adequação da multa isolada ao limite de 100% do débito indevidamente compensado, em observância aos princípios constitucionais da proporcionalidade, da razoabilidade e da vedação ao efeito confiscatório. - Da arguição de inconstitucionalidade Por fim, no que se refere à alegação de ser confiscatória a multa isolada aplicada, aplicável o que dispõe a Súmula 2 deste CARF, de observância obrigatória por este órgão de julgamento, a saber: Súmula CARF n. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Sem razão os recorrentes. - Conclusão: Fl. 1036DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.378 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19613.733854/2023-91 11 Face ao exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, dar-lhe parcial provimento tão somente para reduzir a multa isolada para 100%. Assinado Digitalmente Carlos Eduardo Fagundes de Paula VOTO VENCEDOR Conselheiro Cleberson Alex Friess, redator designado Peço licença ao I. relator para divergir do voto, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Extrai-se dos autos que o auto de infração foi lavrado para imposição da multa isolada no patamar de 150% de que trata o art. 18, “caput” e § 2º, da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, em razão de não homologação da compensação quando comprovada a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo (fls. 02/29): Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á à imposição de multa isolada em razão de não-homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (...) § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (...) O Supremo Tribunal Federal (STF) avaliou, através do Tema 863, os limites constitucionais da multa de ofício qualificada nas hipóteses de sonegação, fraude ou conluio, ocasião que fixou a seguinte tese: Até que seja editada lei complementar federal sobre a matéria, a multa tributária qualificada em razão de sonegação, fraude ou conluio limita-se a 100% (cem por cento) do débito tributário, podendo ser de até 150% (cento e cinquenta por cento) do débito tributário caso se verifique a reincidência definida no art. 44, § 1º-A, da Lei nº 9.430/96, incluído pela Lei nº 14.689/23, observando-se, ainda, o disposto no § 1º-C do citado artigo. Fl. 1037DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2158-35.htm#art90 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2158-35.htm#art90 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9430.htm#art44i. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9430.htm#art44i. D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.378 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19613.733854/2023-91 12 O tipo penal-tributário do art. 18, “caput” e § 2º, da Lei nº 10.833, de 2003, não se confunde com a situação examinada pelo STF, visto que a multa isolada aqui discutida estabelece regime sancionatório específico para a hipótese de compensação não homologada quando presente a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. A alusão feita no dispositivo de lei ao art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, possui uma única finalidade: fixar o percentual da multa isolada em 150%, calculado com base no patamar básico de 75%, aplicado em dobro. Em nenhum momento a penalidade do art. 18, “caput” e § 2º, da Lei nº 10.833, de 2003, está vinculada à descrição legal e/ou a elementos subjetivos atinentes à prática de sonegação, fraude ou conluio. O art. 18, “caput” e § 2º, da Lei nº 10.833, de 2003, permanece vigente e produzindo os efeitos jurídicos que lhe são próprios, tampouco a aderência do dispositivo de lei às normas constitucionais foi objeto de exame pelo STF. No Tema 863/STF, quando fixou um teto para a multa de ofício qualificada em razão de sonegação, fraude ou conluio, a Corte Suprema avaliou a compatibilidade do art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, em face de preceitos de índole constitucional, tais como proporcionalidade, razoabilidade, segurança jurídica e proibição ao efeito confiscatório, este último por força do art. 150, inciso VI, da Constituição de 1988. Convém reproduzir trechos do voto do Ministro Dias Toffoli, relator do Recurso Extraordinário nº 736.090/SC, paradigma do Tema 863/STF: (...) Segundo os recorrentes, a multa em referência teria violado o art. 150, inciso IV, da Constituição Federal, além dos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da moralidade. Estão em debate os limites da multa fiscal qualificada em razão de sonegação, fraude ou conluio. (...) Pois bem. As limitações qualitativas e quantitativas às sanções tributárias devem ser estabelecidas, observadas a razoabilidade e a proporcionalidade, pelo legislador complementar, consoante o art. 146, inciso III, do texto constitucional. A finalidade seria não só conferir efetividade às normas constitucionais protetivas do sujeito passivo, mas também uniformizar o tratamento da matéria nas legislações dos diversos entes da federação. (...) Ocorre que, até então, o legislador complementar não editou normas gerais a respeito dos limites qualitativos e quantitativos das sanções Fl. 1038DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.378 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19613.733854/2023-91 13 tributárias impostas por infração à legislação tributária, objeto do tema em discussão. Na ausência dessas normas e estando em jogo norma constitucional protetiva de direitos fundamentais do contribuinte, como a vedação do confisco, cumpre ao Poder Judiciário, ante provocação, atuar. (...) É preciso, assim, se estabelecer, com base na proporcionalidade, na razoabilidade e na segurança jurídica, até que patamar quantitativo as multas qualificadas em razão de sonegação, fraude ou conluio podem chegar sem resultar em efeito confiscatório. (...) Por outro lado, fixar um limite quantitativo muito alto para as multas qualificadas em razão de sonegação, fraude ou conluio pode importar em efeito confiscatório, o que é vedado pela Constituição Federal. Afora isso, o patamar muito alto poderia, por exemplo, estimular a sanha arrecadatória, por permitir a edição de novas leis majorando os valores de multas anteriormente estabelecidos em patamar mais baixo, destoando das funções que as sanções devem desempenhar na ordem jurídica. (...) (destaque do original) A limitação da multa a 100%, com base no entendimento de haver identidade material com a penalidade prevista no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, e com a orientação firmada no Tema 863/STF, é equivalente, em verdade, a exercer um controle de constitucionalidade sobre o art. 18, § 2º, da Lei nº 10.833, de 2003, de forma a harmonizar sua interpretação com a Constituição da República de 1988. Entretanto, o art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, não deixa dúvidas que é vedado aos conselheiros, no âmbito do contencioso administrativo fiscal, afastar a aplicação ou deixar de observar lei, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nas situações ali expressamente ressalvadas: Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; Fl. 1039DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.378 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19613.733854/2023-91 14 II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do Advogado-Geral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. O art. 98 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023 (RICARF/23), contém determinação semelhante: Art. 98. Fica vedado aos membros das Turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou decreto que: I - já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado, ou em controle difuso, com execução suspensa por Resolução do Senado Federal; ou II - fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103-A da Constituição Federal; b) Decisão transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, proferida na sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos, na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) dispensa legal de constituição, Ato Declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional ou parecer, vigente e aprovado pelo Procurador-Geral da Fazenda Nacional, que conclua no mesmo sentido do pleito do particular, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do Advogado-Geral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da Advocacia-Geral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Mesmo o art. 99 do RICARF/23 exige decisão de mérito transitada em julgado, proferida pelo STF, na sistemática da repercussão geral, para que se possa reduzir o percentual da penalidade prevista no art. 18, § 2º, da Lei nº 10.833, de 2003: Art. 99. As decisões de mérito transitadas em julgado, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, ou pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria Fl. 1040DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10522.htm#art18 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10522.htm#art18 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp73.htm#art43 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp73.htm#art43 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp73.htm#art40 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp73.htm#art40 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art103A https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10522.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp73.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp73.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp73.htm#art43 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp73.htm#art43 D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.378 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19613.733854/2023-91 15 infraconstitucional, na sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica nos casos em que houver recurso extraordinário, com repercussão geral reconhecida, pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal, sobre o mesmo tema decidido pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática dos recursos repetitivos. Em suma, até que, eventualmente, sobrevenha decisão vinculante emanada pelo Poder Judiciário, a redução do percentual da multa isolada do art. 18, “caput” e § 2º, da Lei nº 10.833, de 2003, estabelecido pelo legislador ordinário em patamar fixo de 150%, é medida inviável no contencioso administrativo fiscal. Acompanho o I. relator nas demais questões decididas. Conclusão Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Cleberson Alex Friess DECLARAÇÃO DE VOTO Conselheiro Yendis Rodrigues Costa Acompanho o eminente Relator quanto ao reconhecimento da legitimidade da exigência da multa isolada prevista no art. 18, caput e § 2º, da Lei nº 10.833/2003, por entender demonstrada, no caso concreto, a apresentação de declaração de compensação fundada em crédito inexistente, circunstância que atrai a incidência da penalidade legal. Todavia, apresento declaração de voto para consignar que o percentual da multa deve ser limitado a 100% (cem por cento) do débito indevidamente compensado, pelas razões a seguir expostas. A controvérsia restringe-se exclusivamente à dosimetria da sanção. O Supremo Tribunal Federal, ao apreciar o Recurso Extraordinário nº 736.090/SC (Tema 863 da Repercussão Geral), fixou a seguinte tese vinculante: "Até que seja editada lei complementar federal sobre a matéria, a multa tributária qualificada em razão de sonegação, fraude ou conluio limita-se a 100% (cem por cento) do débito tributário, podendo ser de até 150% (cento e cinquenta por cento) do débito tributário caso se verifique a reincidência definida no art. 44, § 1º-A, da Lei nº 9.430/96, observando-se, ainda, o disposto no § 1º-C do citado artigo." Fl. 1041DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.378 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19613.733854/2023-91 16 Entretanto, a força normativa do precedente não decorre apenas da tese fixada ao final do julgamento. A verdadeira razão de decidir (ratio decidendi) construída pelo Ministro Dias Toffoli possui alcance significativamente mais amplo. O voto parte da premissa de que o poder sancionatório do Estado encontra limites diretamente na Constituição, especialmente nos princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e da vedação ao efeito confiscatório, afirmando que, enquanto não editada lei complementar disciplinando nacionalmente a matéria, compete ao Supremo Tribunal Federal estabelecer parâmetros mínimos de racionalidade para a aplicação das sanções tributárias. O Relator registra expressamente que: "É preciso estabelecer, com base na proporcionalidade, na razoabilidade e na segurança jurídica, até que patamar quantitativo as multas qualificadas (...) podem chegar sem resultar em efeito confiscatório." Em seguida, assinala que a fixação de patamares demasiadamente elevados para multas punitivas não apenas afronta a vedação constitucional ao confisco, como também estimula indevidamente a função arrecadatória das penalidades, afastando-as de sua verdadeira finalidade repressiva e preventiva. Não se trata, portanto, de simples interpretação do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Trata-se da construção de um parâmetro constitucional geral aplicável às sanções tributárias de natureza punitiva. Embora o Tema 863 tenha examinado diretamente a multa qualificada prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/1996, a multa isolada disciplinada pelo art. 18, § 2º, da Lei nº 10.833/2003 apresenta identidade material quanto à sua natureza jurídica. Ambas constituem penalidades tributárias punitivas agravadas. Ambas decorrem da prática de conduta dolosa atribuída ao sujeito passivo. Ambas possuem finalidade repressiva e preventiva. Ambas são calculadas proporcionalmente sobre o valor do débito tributário. Não existe fundamento constitucional que autorize a incidência de parâmetros distintos para sanções dotadas da mesma natureza apenas porque previstas em diplomas legislativos diversos. A própria evolução legislativa reforça essa conclusão. Conforme destacado pelo Supremo Tribunal Federal, a Lei nº 14.689/2023 promoveu importante alteração no sistema sancionatório federal ao estabelecer que, nas hipóteses de sonegação, fraude ou conluio, a multa passa a ser de 100% do débito tributário, Fl. 1042DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.378 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19613.733854/2023-91 17 reservando o percentual de 150% exclusivamente para os casos de reincidência legalmente caracterizada. O Ministro Dias Toffoli reconhece expressamente que essa alteração representa significativa evolução na individualização das sanções tributárias, afirmando que tais parâmetros revelam adequada concretização dos princípios constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade. Ao sintetizar sua conclusão, o Relator afirma: "Até que seja editada lei complementar federal sobre a matéria, a multa tributária qualificada (...) deve se limitar a 100% do débito tributário e, em caso de reincidência, a 150%." No próprio caso concreto examinado pelo Supremo Tribunal Federal, a redução da penalidade decorreu precisamente da inexistência de reincidência, circunstância expressamente consignada pelo Relator. No presente processo igualmente não há demonstração de reincidência apta a justificar a manutenção do percentual máximo de 150%. Assim, embora reconhecida a ocorrência da infração e mantida integralmente a incidência da multa isolada prevista no art. 18 da Lei nº 10.833/2003, entendo que sua quantificação deve observar o parâmetro constitucional estabelecido pelo Supremo Tribunal Federal no Tema 863. Ressalte-se que essa conclusão não implica afastamento da incidência da lei por fundamento de inconstitucionalidade, providência vedada ao julgador administrativo em razão da Súmula CARF nº 2. Cuida-se, diversamente, de aplicar a legislação infraconstitucional em conformidade com a interpretação constitucional vinculante firmada pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, cuja ratio decidendi possui eficácia que transcende o dispositivo legal especificamente examinado, alcançando todas as sanções tributárias punitivas de natureza equivalente. Por essas razões, acompanho o eminente Relator quanto à manutenção integral da exigência fiscal, apresentando declaração de voto apenas para consignar que a multa isolada deve ser limitada ao percentual de 100% (cem por cento) do débito indevidamente compensado, em observância aos princípios constitucionais da proporcionalidade, da razoabilidade, da vedação ao efeito confiscatório e ao entendimento vinculante firmado pelo Supremo Tribunal Federal no RE nº 736.090 (Tema 863 da Repercussão Geral). Assinado Digitalmente Yendis Rodrigues Costa Fl. 1043DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Vencido Voto Vencedor Declaração de Voto

score : 1.0
11495612 #
Numero do processo: 10611.720714/2017-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2026
Numero da decisão: 3401-003.024
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgado do recurso voluntário em diligência, nos termos do voto do relator. Assinado Digitalmente Laércio Cruz Uliana Junior - Relator ad hoc Assinado Digitalmente Leonardo Correia Lima Macedo -Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ana Paula Pedrosa Giglio, Laercio Cruz Uliana Junior, Celso Jose Ferreira de Oliveira, Mateus Soares de Oliveira, George da Silva Santos, Leonardo Correia Lima Macedo (Presidente).
Nome do relator: GEORGE DA SILVA SANTOS

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Sep 19 09:00:00 UTC 2026

anomes_sessao_s : 202601

camara_s : Quarta Câmara

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2026

numero_processo_s : 10611.720714/2017-50

anomes_publicacao_s : 202609

conteudo_id_s : 7409855

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2026

numero_decisao_s : 3401-003.024

nome_arquivo_s : Decisao_10611720714201750.PDF

ano_publicacao_s : 2026

nome_relator_s : GEORGE DA SILVA SANTOS

nome_arquivo_pdf_s : 10611720714201750_7409855.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgado do recurso voluntário em diligência, nos termos do voto do relator. Assinado Digitalmente Laércio Cruz Uliana Junior - Relator ad hoc Assinado Digitalmente Leonardo Correia Lima Macedo -Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ana Paula Pedrosa Giglio, Laercio Cruz Uliana Junior, Celso Jose Ferreira de Oliveira, Mateus Soares de Oliveira, George da Silva Santos, Leonardo Correia Lima Macedo (Presidente).

dt_sessao_tdt : Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2026

id : 11495612

ano_sessao_s : 2026

atualizado_anexos_dt : Sat Oct 10 09:43:41 UTC 2026

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1878655423898189824

conteudo_txt : Metadados => date: 2026-08-15T14:22:53Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-08-15T14:22:53Z; Last-Modified: 2026-08-15T14:22:53Z; dcterms:modified: 2026-08-15T14:22:53Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-08-15T14:22:53Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-08-15T14:22:53Z; meta:save-date: 2026-08-15T14:22:53Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-08-15T14:22:53Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-08-15T14:22:53Z; created: 2026-08-15T14:22:53Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2026-08-15T14:22:53Z; pdf:charsPerPage: 1331; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-08-15T14:22:53Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10611.720714/2017-50 RESOLUÇÃO 3401-003.024 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 23 de janeiro de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE NEW ROUTE TRADING CONSULTORIA EM COMEX EIRELI INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Conversão do Julgamento em Diligência RESOLUÇÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgado do recurso voluntário em diligência, nos termos do voto do relator. Assinado Digitalmente Laércio Cruz Uliana Junior – Relator ad hoc Assinado Digitalmente Leonardo Correia Lima Macedo -Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ana Paula Pedrosa Giglio, Laercio Cruz Uliana Junior, Celso Jose Ferreira de Oliveira, Mateus Soares de Oliveira, George da Silva Santos, Leonardo Correia Lima Macedo (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de oito Recursos Voluntários interpostos contra o Acórdão nº 12-104.718 - 4ª Turma da DRJ/RJO, assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Importação - II Exercício: 2012, 2013, 2014 Ementa: DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE Desnecessária a diligência quando todos os elementos necessários estão presentes. DECADÊNCIA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA. Fl. 2906DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3401-003.024 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10611.720714/2017-50 2 A aplicação de penalidade por infração aduaneira tem seu prazo decadencial de cinco anos a contar da infração, conforme estabelecido nº art. 139 do Decreto-lei no 37, de 1966. CONTAGEM. PRAZO. DECADÊNCIA. SUJEITOS PASSIVOS SOLIDÁRIOS. A contagem de prazo para reconhecer a figura da decadência em face dos diversos sujeitos passivos, arrolados como solidários pela fiscalização, é aquele mesmo prazo adotado para constituição do prazo decadencial aplicado ao sujeito passivo titular da obrigação fiscal . NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Carece de fundamento legal a alegação de nulidade de auto de infração se estiver acostado aos autos todos os elementos e provas necessários a apuração e controle da constituição do crédito fiscal. CONCOMITÂNCIA ENTRE A MULTA DECORRENTE DA CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO E A MULTA POR CESSÃO DE NOME. BIS IN IDEM. NÃO OCORRÊNCIA. Tratando-se de penalidades não sucedâneas, referentes a fatos infracionais juridicamente distintos, a multa por cessão de nome e a multa por interposição fraudulenta de terceiros podem ser aplicadas concomitantemente à mesma pessoa jurídica. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Na origem, tem-se Auto de Infração lavrado em decorrência de procedimento fiscal voltado à verificação da origem dos recursos empregados em operações de comércio exterior e à apuração de indícios de interposição fraudulenta de terceiros, com exigência de multa formal prevista no art. 23, inciso V e § 3º, do Decreto-Lei nº 1.455/1976. A fiscalização descreveu dinâmica de importações em que, embora constasse materialmente na DI como importadora a empresa NEW ROUTE IMP, EXP E REPRESENT EIRELI, as mercadorias teriam sido adquiridas, de fato, com recursos de empresas do denominado GRUPO BANDEMAR, reputando-se caracterizada a ocultação do real adquirente e a utilização de artifícios simulatórios para conferir aparência de regularidade às operações. No que importa ao presente julgamento, as irregularidades apontadas no Relatório Fiscal e acolhidas pela DRJ podem ser sintetizadas, em seus aspectos operacionais de comércio exterior, como: (i) utilização de importadora de fachada/interposta (NEW ROUTE) para registrar as importações, com ocultação do real interessado; (ii) emprego predominante de recursos provenientes de empresas do Grupo Bandemar para suportar os desembolsos das importações, inclusive para quitação de tributos incidentes; (iii) execução do pagamento de tributos aduaneiros por intermédio da conta corrente da empresa PLENO (despachante), sem identificação, na contabilidade da NEW ROUTE, de reembolso desses pagamentos ou de lançamentos próprios de quitação dos tributos; e (iv) identificação, em operações internas subsequentes, de revenda a Fl. 2907DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3401-003.024 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10611.720714/2017-50 3 preço inferior ao custo total de importação e de fluxo financeiro entre empresas apontadas como financiadoras, reforçando a conclusão fiscal de simulação/ocultação do real adquirente. A DRJ, apreciando a impugnação, afastou as preliminares, rejeitou pedidos de diligência/perícia por considerá-los prescindíveis e manteve a conclusão fiscal quanto à ocorrência do ilícito e quanto à responsabilidade solidária dos sujeitos indicados, com base, entre outros fundamentos, no art. 95, V, do Decreto-Lei nº 37/1966, no art. 124, I e II, do CTN e, quanto a dirigentes, no art. 135, III, do CTN. O Recurso Voluntário de LAPAMAR (pessoa jurídica) sustenta, em síntese, que não haveria prova ou indícios efetivos de colaboração do recorrente com a vontade de promover intermediação fraudulenta, razão pela qual não se poderia reconhecer a infração nem sua responsabilidade solidária. Requer a anulação do acórdão recorrido, com reabertura de prazo para impugnação e produção de provas; subsidiariamente, requer conversão do julgamento em diligência para revisão da base de cálculo; ao final, requer o provimento para julgar improcedente o Auto de Infração. O Recurso Voluntário de SUELY GOMES (pessoa física, dirigente) afirma, em linhas gerais, a nulidade do Auto de Infração por falta de correlação entre fatos e enquadramento legal e por suposta inobservância das formalidades do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, alegando violação ao devido processo legal e à ampla defesa. Sustenta, ainda, nulidade por ausência de intimação acerca da instauração da ação fiscal, invocando dispositivos da IN SRF nº 228/2002. Ao final, pede a anulação do acórdão, com reabertura de prazo e produção de provas; subsidiariamente, diligência para revisão da base de cálculo; e, no mérito, a improcedência do Auto de Infração. O Recurso Voluntário de BRUNO GOMES (pessoa física, dirigente) reproduz, substancialmente, a mesma linha: aponta nulidade por suposta falta de correlação entre fatos e enquadramento legal, invoca o art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e sustenta ausência de intimação no procedimento preparatório, com fundamento na IN SRF nº 228/2002. Também pleiteia anulação do acórdão com reabertura de prazo e produção de provas; subsidiariamente, diligência para revisão da base de cálculo; e, ao final, provimento para afastar a exigência. O Recurso Voluntário de SUELY GOMES DE SOUZA (pessoa física) reitera, igualmente, a tese de nulidade do auto por falta de correlação e por ofensa ao art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, bem como a alegação de nulidade por ausência de intimação com base na IN SRF nº 228/2002, formulando os mesmos pedidos de anulação do acórdão, reabertura de prazo e produção de provas; subsidiariamente diligência/perícia para revisão da base de cálculo; e, ao final, improcedência do auto. O Recurso Voluntário de KARINE ELENA RAGAZZI WANNER (pessoa física) insurge-se contra sua inclusão no polo passivo e contra a manutenção da exigência, sustentando, em essência, que não estariam presentes elementos aptos a justificar a responsabilização solidária e que não se poderia, a partir do conjunto de fatos, concluir pela participação apta a mantê-la como Fl. 2908DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3401-003.024 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10611.720714/2017-50 4 responsável pelo crédito, pleiteando o provimento para afastar a exigência em relação à recorrente. O Recurso Voluntário de CARLOS AUGUSTO FANTINI SILVA (responsabilizado solidariamente) busca afastar a responsabilidade que lhe foi atribuída em razão de sua vinculação operacional às declarações de importação, requerendo o provimento do recurso para excluí-lo do polo passivo e, por consequência, afastar a exigência em seu desfavor. O Recurso Voluntário de DÁRIO FERREIRA PINTO JUNIOR (responsabilizado solidariamente) também pretende a exclusão do polo passivo, alegando ausência de elementos que autorizem a imputação de responsabilidade solidária e postulando o afastamento da exigência em relação à sua pessoa. Por fim, o Recurso Voluntário de PLENO SOLUÇÕES E COMÉRCIO EXTERIOR LTDA. (pessoa jurídica) combate a responsabilização solidária e a conclusão de que teria participação relevante na dinâmica apurada, sustentando que, na condição de despachante aduaneiro, não realizaria a operação de comércio exterior, pleiteando o provimento para afastar sua sujeição passiva no feito. É o relatório. VOTO Conselheiro Laércio Cruz Uliana Junior, relato ad hoc. Tendo em vista que o Conselheiro relator não faz mais parte do colegiado, reproduzo o voto proferido por ele: Conselheiro George da Silva Santos, relator O núcleo do ilícito, tal como descrito no Relatório Fiscal e acolhido pela decisão recorrida, reside na realização de importações formalmente registradas em nome de NEW ROUTE, mas financiadas, em larga medida, por empresas identificadas como integrantes do Grupo Bandemar, com a utilização de mecanismos destinados a ocultar o real adquirente e a produzir aparência de regularidade da cadeia documental e financeira. A materialidade da irregularidade, no plano operacional, é reforçada por achados específicos: o Relatório Fiscal aponta que a PLENO atuou como intermediária, sendo recebedora direta de recursos destinados à quitação de tributos aduaneiros, destacando que a fonte desses recursos foi, na maioria das vezes, MARMOARIA BOAVISTA, STONE RIO, LAPAMAR e BANDEMAR, e que, embora houvesse algumas operações em que o repasse se desse via NEW ROUTE, a origem é sempre de empresas do mencionado grupo. Fl. 2909DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3401-003.024 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10611.720714/2017-50 5 Ademais, registra-se que a PLENO utilizou conta corrente própria para pagamento de tributos e que não foi encontrado, na contabilidade da NEW ROUTE, reembolso dos pagamentos de tributos, nem qualquer lançamento a título de quitação desses tributos nas operações relacionadas. A DRJ, por sua vez, ao examinar os elementos, explicitou fatos como a transferência de recursos de STONE RIO e MARMOARIA BOAVISTA para NEW ROUTE com a finalidade de custear importações, assim como a existência de revendas a preço inferior ao custo total de importação, e consignou que tais elementos se harmonizam com a conclusão fiscal de que se tratava de operações estruturadas para ocultar o real interessado e conferir aparência de regularidade. É nesse contexto que se aplica, o que subscrevo, o enquadramento sancionatório do art. 23, inciso V e § 3º, do Decreto-Lei nº 1.455/1976, adotado no Auto de Infração: Art 23. Consideram-se dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] V - estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) [...] § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Da participação de cada recorrente nas operações e da responsabilidade atribuída A participação dos recorrentes foi construída, no Relatório Fiscal e na decisão recorrida, a partir da função que cada um desempenhou na cadeia operacional e financeira das importações. No que tange à LAPAMAR, a DRJ consignou que resta fácil concluir que a empresa responde solidariamente, nos termos do art. 95, V, do Decreto-Lei nº 37/1966 c/c art. 124, I e II, do CTN, por infrações apuradas no processo, afastando alegações de falta de prova e reputando improcedente a pretensão de exclusão por ilegitimidade passiva. Essa conclusão dialoga com a descrição fiscal de que a LAPAMAR figurou como uma das fontes dos recursos empregados para quitação dos tributos incidentes nas importações, no âmbito da dinâmica de ocultação do real adquirente, o que caracteriza interesse comum e nexo com os fatos apurados. Quanto a SUELY GOMES DE SOUZA e BRUNO GOMES FERNANDES, a decisão recorrida registrou que ambos, na condição de dirigentes, agiram com pleno Fl. 2910DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3401-003.024 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10611.720714/2017-50 6 conhecimento de seus atos e sabendo que incorriam em infração, razão pela qual responderiam solidariamente nos termos do art. 124, I e II, c/c art. 135, III, do CTN. Além disso, a DRJ explicitou que a responsabilidade da LAPAMAR estende-se da mesma forma a seus dirigentes, justamente por atos atribuídos à condução e ao dever jurídico de administração. No que se refere à PLENO SOLUÇÕES E COMÉRCIO EXTERIOR LTDA., o Relatório Fiscal foi expresso ao afirmar que os fatos demonstraram participação ativa do despachante na ocultação do real beneficiário da fraude, assinalando que a PLENO não foi fonte real dos recursos, mas que, na qualidade de despachante aduaneiro, concorreu para dar aparência de regulares a operações efetivadas mediante artifícios simulatórios, reputando absolutamente inafastável sua responsabilização solidária com base no art. 124, I, do CTN. A própria decisão recorrida, ao tratar da legitimidade passiva da PLENO, registrou como fatos e conclusões que embasaram a imputação: o registro da maior parte das declarações de importação de determinadas importadoras; o papel de intermediária do real adquirente, como recebedora direta de recursos para quitação dos tributos; e o funcionamento no mesmo endereço (lojas contíguas) da PLENO e da NEW ROUTE. Em relação a CARLOS AUGUSTO FANTINI SILVA, sua participação foi apontada, no Relatório Fiscal, como responsável pelo registro de determinadas declarações de importação (no quadro específico de Declarações x Responsáveis pelo Registro), vinculando-se operacionalmente ao processamento das DIs no âmbito da estrutura descrita. Quanto a DÁRIO FERREIRA PINTO JUNIOR, sua participação foi tratada no Relatório Fiscal no contexto da identificação de responsáveis solidários e do encadeamento operacional do esquema, constando como um dos sujeitos relacionados no conjunto de responsáveis alcançados pela conclusão fiscal. Por fim, no tocante a KARINE ELENA RAGAZZI WANNER, sua vinculação foi tratada no Relatório Fiscal ao lado da empresa NEW ROUTE, como sócia-administradora, inserindo-se no contexto de condução societária/administrativa da pessoa jurídica que figurou como importadora formal nas operações questionadas. Dos argumentos de mérito Passo, agora, à análise dos argumentos recursais. A alegação de nulidade por suposta falta de correlação entre fatos e enquadramento legal, com invocação do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e de violação ao devido processo legal/ampla defesa, foi deduzida por SUELY GOMES, por BRUNO GOMES e por SUELY GOMES DE SOUZA. Tal tese não procede. Fl. 2911DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3401-003.024 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10611.720714/2017-50 7 A DRJ registrou que o auto foi instruído com ampla documentação — incluindo livro razão, extratos bancários, notas fiscais, contrato de prestação de serviço entre LAPAMAR e NEW ROUTE, termos lavrados durante a ação fiscal e vasta documentação — entendendo suficientemente demonstrados os fatos sustentados pela fiscalização. A conclusão da decisão recorrida, assim, é no sentido de que houve base documental e narrativa aptas a permitir o contraditório e a ampla defesa, razão pela qual não se reconhece nulidade. Ainda nessa linha, a alegação de nulidade por ausência de intimação acerca da instauração do procedimento preparatório, com fundamento na IN SRF nº 228/2002, foi igualmente deduzida por SUELY GOMES, BRUNO GOMES e SUELY GOMES DE SOUZA. A DRJ enfrentou a questão e consignou que o comando da IN SRF nº 228/2002, no tocante à intimação de início do procedimento especial, dirige-se à empresa fiscalizada, e não àquela eventualmente responsabilizada solidariamente, afastando a preliminar de cerceamento nesses termos. Os pedidos de diligência/perícia para revisão de base de cálculo foram formulados por LAPAMAR, SUELY GOMES, BRUNO GOMES e SUELY GOMES DE SOUZA, acompanhados de quesitos periciais que buscam decompor a base de cálculo e verificar aderência dos valores ao valor aduaneiro das DIs, além de perquirir se a NEW ROUTE teria utilizado recursos próprios e, em alguns casos, se haveria elementos para responsabilização por atos de administração. A DRJ já havia rejeitado os pedidos de diligência por entender prescindível sua realização, assinalando que as interessadas poderiam ter trazido, ainda que por amostragem, documentação apta a suscitar dúvida razoável quanto à matéria, e que inexistiam alegações ou documentos que justificassem a providência, aplicando o art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. Não se identifica, em grau recursal, demonstração concreta de imprescindibilidade técnica da prova pericial, nem indicação objetiva de erro material específico na apuração que não pudesse ser enfrentado por prova documental já produzida; por isso, mantenho o indeferimento. No mérito, a tese de LAPAMAR, de que não haveria provas ou indícios efetivos de colaboração com a intermediação fraudulenta e, por consequência, inexistiria base para responsabilidade solidária, não se sustenta diante do conjunto probatório e das conclusões já explicitadas, inclusive quanto ao papel de empresas do grupo como fontes de recursos para pagamento de tributos e quanto ao interesse comum na situação caracterizadora da solidariedade tributária. Fl. 2912DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3401-003.024 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10611.720714/2017-50 8 Também não prosperam, pelas mesmas razões estruturais, as insurgências de KARINE ELENA RAGAZZI WANNER, de CARLOS AUGUSTO FANTINI SILVA, de DÁRIO FERREIRA PINTO JUNIOR e de PLENO SOLUÇÕES E COMÉRCIO EXTERIOR LTDA. quanto ao afastamento de sua sujeição passiva. No caso da PLENO, a própria autuação e a decisão recorrida não a tratam como mera interveniente neutra: apontam recebimento direto de recursos para quitação de tributos, ausência de reembolso contabilizado pela importadora formal, proximidade física e atuação compatível com o papel de intermediária na ocultação do real adquirente. No caso de KARINE, a vinculação administrativa à NEW ROUTE é elemento relevante no contexto de condução e viabilização das operações formalmente registradas pela importadora, cujos recursos, segundo a fiscalização, provinham de empresas do grupo apontado. E, no caso de CARLOS e DÁRIO, as menções no Relatório Fiscal os vinculam à estrutura operacional de registro e responsabilização construída no procedimento fiscal, não havendo, nos recursos, demonstração apta a desconstituir o nexo fático que justificou sua inclusão. Em síntese, os recursos reiteram, predominantemente, alegações de nulidade e pedidos genéricos de reabertura probatória, sem enfrentar, com documentação idônea e específica, os elementos que sustentam a conclusão fiscal e a manutenção do lançamento pela DRJ. Mantém-se, portanto, o entendimento recorrido. Ante o exposto, conheço dos recursos, rejeito as preliminares e nego-lhes provimento. É o voto. Assinado Digitalmente George da Silva Santos Eis o voto proferido. Assinado Digitalmente Laércio Cruz Uliana Junior Fl. 2913DF CARF MF Original Resolução Relatório Voto

score : 1.0
11495222 #
Numero do processo: 10646.720246/2012-10
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 03 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008, 2009, 2010 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não é nulo o lançamento que descreve adequadamente os fatos apurados, identifica as mercadorias objeto da autuação e apresenta os fundamentos legais e técnicos que embasam a exigência fiscal. A discordância do sujeito passivo quanto à classificação fiscal adotada pela autoridade lançadora constitui matéria de mérito, não vício formal do lançamento. NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. INOCORRÊNCIA. A decisão de primeira instância que enfrenta a controvérsia e apresenta fundamentação suficiente para a manutenção da exigência fiscal não padece de nulidade. O julgador administrativo não está obrigado a rebater individualmente todos os argumentos deduzidos pela parte. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ÁCIDO TRICLOROISOCIANÚRICO E DICLOROISOCIANURATO DE SÓDIO. DESINFETANTES PARA TRATAMENTO DE ÁGUA. APRESENTAÇÃO SOB A FORMA DE TABLETES. NCM 3808.94.19. Os produtos destinados à desinfecção de água, ainda que constituídos por compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, classificam-se na posição 3808 da NCM quando apresentados em formas ou embalagens próprias para venda a retalho, nos termos das Notas da Seção VI da NCM e das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado – NESH. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA Lei Complementar 227, de 2026 revoga, expressamente, o artigo 84 da Medida Provisória (MP) nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, e o art. 69 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Multa de 1% do valor aduaneiro deve ser exonerada com base no artigo 106, II, “a” do CTN, em razão da retroatividade benigna
Numero da decisão: 3002-004.530
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para excluir a multa de 1% sobre o valor aduaneiro, em razão da revogação expressa do art. 84 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001 e do art. 69 da Lei nº 10.833/2003 pelo art. 181 da Lei Complementar nº 227/2026, aplicando-se a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II, alínea a, do CTN. Assinado Digitalmente GISELA PIMENTA GADELHA DANTAS – Relator Assinado Digitalmente Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Adriano Monte Pessoa, Gisela Pimenta Gadelha, Jose de Assis Ferraz Neto (substituto[a] integral), Neiva Aparecida Baylon, Renata Casorla Mascarenas, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha (Presidente)
Nome do relator: GISELA PIMENTA GADELHA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Sep 19 09:00:00 UTC 2026

anomes_sessao_s : 202608

ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008, 2009, 2010 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não é nulo o lançamento que descreve adequadamente os fatos apurados, identifica as mercadorias objeto da autuação e apresenta os fundamentos legais e técnicos que embasam a exigência fiscal. A discordância do sujeito passivo quanto à classificação fiscal adotada pela autoridade lançadora constitui matéria de mérito, não vício formal do lançamento. NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. INOCORRÊNCIA. A decisão de primeira instância que enfrenta a controvérsia e apresenta fundamentação suficiente para a manutenção da exigência fiscal não padece de nulidade. O julgador administrativo não está obrigado a rebater individualmente todos os argumentos deduzidos pela parte. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ÁCIDO TRICLOROISOCIANÚRICO E DICLOROISOCIANURATO DE SÓDIO. DESINFETANTES PARA TRATAMENTO DE ÁGUA. APRESENTAÇÃO SOB A FORMA DE TABLETES. NCM 3808.94.19. Os produtos destinados à desinfecção de água, ainda que constituídos por compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, classificam-se na posição 3808 da NCM quando apresentados em formas ou embalagens próprias para venda a retalho, nos termos das Notas da Seção VI da NCM e das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado – NESH. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA Lei Complementar 227, de 2026 revoga, expressamente, o artigo 84 da Medida Provisória (MP) nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, e o art. 69 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Multa de 1% do valor aduaneiro deve ser exonerada com base no artigo 106, II, “a” do CTN, em razão da retroatividade benigna

turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2026

numero_processo_s : 10646.720246/2012-10

anomes_publicacao_s : 202609

conteudo_id_s : 7409465

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2026

numero_decisao_s : 3002-004.530

nome_arquivo_s : Decisao_10646720246201210.PDF

ano_publicacao_s : 2026

nome_relator_s : GISELA PIMENTA GADELHA

nome_arquivo_pdf_s : 10646720246201210_7409465.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para excluir a multa de 1% sobre o valor aduaneiro, em razão da revogação expressa do art. 84 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001 e do art. 69 da Lei nº 10.833/2003 pelo art. 181 da Lei Complementar nº 227/2026, aplicando-se a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II, alínea a, do CTN. Assinado Digitalmente GISELA PIMENTA GADELHA DANTAS – Relator Assinado Digitalmente Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Adriano Monte Pessoa, Gisela Pimenta Gadelha, Jose de Assis Ferraz Neto (substituto[a] integral), Neiva Aparecida Baylon, Renata Casorla Mascarenas, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha (Presidente)

dt_sessao_tdt : Mon Aug 03 00:00:00 UTC 2026

id : 11495222

ano_sessao_s : 2026

atualizado_anexos_dt : Sat Oct 10 09:43:24 UTC 2026

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1878655423900286976

conteudo_txt : Metadados => date: 2026-08-16T20:37:13Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-08-16T20:37:13Z; Last-Modified: 2026-08-16T20:37:13Z; dcterms:modified: 2026-08-16T20:37:13Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-08-16T20:37:13Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-08-16T20:37:13Z; meta:save-date: 2026-08-16T20:37:13Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-08-16T20:37:13Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-08-16T20:37:13Z; created: 2026-08-16T20:37:13Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2026-08-16T20:37:13Z; pdf:charsPerPage: 1903; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-08-16T20:37:13Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10646.720246/2012-10 ACÓRDÃO 3002-004.530 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA SESSÃO DE 6 de agosto de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE HIDRODOMI DO BRASIL INDÚSTRIA DE DOMISSANEANTES LTDA. INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008, 2009, 2010 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não é nulo o lançamento que descreve adequadamente os fatos apurados, identifica as mercadorias objeto da autuação e apresenta os fundamentos legais e técnicos que embasam a exigência fiscal. A discordância do sujeito passivo quanto à classificação fiscal adotada pela autoridade lançadora constitui matéria de mérito, não vício formal do lançamento. NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. INOCORRÊNCIA. A decisão de primeira instância que enfrenta a controvérsia e apresenta fundamentação suficiente para a manutenção da exigência fiscal não padece de nulidade. O julgador administrativo não está obrigado a rebater individualmente todos os argumentos deduzidos pela parte. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ÁCIDO TRICLOROISOCIANÚRICO E DICLOROISOCIANURATO DE SÓDIO. DESINFETANTES PARA TRATAMENTO DE ÁGUA. APRESENTAÇÃO SOB A FORMA DE TABLETES. NCM 3808.94.19. Os produtos destinados à desinfecção de água, ainda que constituídos por compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, classificam-se na posição 3808 da NCM quando apresentados em formas ou embalagens próprias para venda a retalho, nos termos das Notas da Seção VI da NCM e das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado – NESH. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA Lei Complementar 227, de 2026 revoga, expressamente, o artigo 84 da Medida Provisória (MP) nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, e o art. 69 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Multa de 1% do valor Fl. 506DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.530 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10646.720246/2012-10 2 aduaneiro deve ser exonerada com base no artigo 106, II, “a” do CTN, em razão da retroatividade benigna ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para excluir a multa de 1% sobre o valor aduaneiro, em razão da revogação expressa do art. 84 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001 e do art. 69 da Lei nº 10.833/2003 pelo art. 181 da Lei Complementar nº 227/2026, aplicando-se a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II, alínea 'a', do CTN. Assinado Digitalmente GISELA PIMENTA GADELHA DANTAS – Relator Assinado Digitalmente Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Adriano Monte Pessoa, Gisela Pimenta Gadelha, Jose de Assis Ferraz Neto (substituto[a] integral), Neiva Aparecida Baylon, Renata Casorla Mascarenas, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha (Presidente) RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido pela 17ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que julgou improcedentes as impugnações apresentadas e manteve integralmente o crédito tributário constituído por meio de Auto de Infração. Fl. 507DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.530 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10646.720246/2012-10 3 Conforme relato fiscal, a interessada atuou como adquirente/encomendante em operações de importação nas quais figurou como importadora a empresa FIRST S/A, CNPJ nº 00.802.235/0005-20, considerada solidariamente responsável. As operações ocorreram no período compreendido entre 07/2008 e 05/2010, envolvendo oito Declarações de Importação. A autuação decorreu da constatação, pela Fiscalização, de suposto erro de classificação fiscal de parte das mercadorias importadas. Segundo a autoridade fiscal, as mercadorias teriam sido descritas basicamente como ácido dicloro ou tricloro, seco, na forma de tabletes, acondicionados em barricas de 50 kg, tendo sido classificadas pelas interessadas no código NCM 2933.69.19, sujeito às alíquotas de 2% para o Imposto de Importação — II e de 2% para o Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI. A Fiscalização, contudo, entendeu que a classificação correta seria na posição NCM 3808, mais especificamente no código NCM 3808.94.19, relativo a desinfetantes apresentados em formas ou embalagens exclusivamente para uso domissanitário direto, com alíquotas de 14% para o II e de 5% para o IPI. Em razão da reclassificação fiscal promovida, foram exigidos Imposto de Importação — II, Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI, Contribuição para o PIS/Pasep-Importação e COFINS-Importação, acrescidos de multas por falta de pagamento e juros moratórios, bem como multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria, com fundamento no art. 84, inciso I, da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, combinado com os arts. 69 e 81, inciso IV, da Lei nº 10.833/2003, em virtude de classificação incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul. Cientificadas dos lançamentos, as interessadas apresentaram impugnações. Em sua impugnação, HIDRODOMI sustentou, em síntese, que: 1. a classificação adotada estaria em consonância com as Consultas Fiscais nº 7/2007, 7/2002 e 55/2007; 2. não haveria laudo técnico demonstrando a alegada classificação incorreta, o que fragilizaria a acusação fiscal e caracterizaria cerceamento do direito de defesa; 3. os produtos tricloro e dicloro seriam compostos orgânicos de constituição química definida e isolados, distintos entre si, ainda que apresentassem características semelhantes; 4. os produtos não poderiam ser classificados como preparações, por se tratarem de produto técnico com elevada concentração de princípio ativo; 5. os produtos não seriam comercializados a granel para consumidores finais, mas destinados a grandes indústrias alimentícias e de base, tampouco seriam comercializados para tratamento de águas de piscinas, mas sim de águas em geral; 6. as mercadorias seriam importadas em barricas de 50 kg e não se apresentariam de forma a serem comercializadas em retalho; 7. o código 3808.94.1 exigiria que os desinfetantes fossem apresentados em formas ou embalagens exclusivamente para uso domissanitário direto, o que não ocorreria no caso; 8. os produtos não se classificariam na posição 3808, por serem de constituição química definida e não se apresentarem na forma ou nas embalagens nela previstas; Fl. 508DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.530 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10646.720246/2012-10 4 9. os produtos se classificariam no código NCM 2933.69.19, por se tratarem de compostos heterocíclicos cuja estrutura contém um ciclo triazina; 10. haveria exemplo semelhante relacionado ao produto Carbofuran; 11. pela Regra 3 das Regras Gerais de Interpretação, a posição mais específica prevaleceria sobre as mais genéricas, devendo prevalecer a característica essencial do produto; 12. entidade de renome internacional teria classificado o ácido tricloroisocianúrico e o ácido dicloroisocianúrico como produtos de constituição definida; 13. a Organização Mundial da Saúde reconheceria os produtos como provedores de cloro livre e de elevada concentração ativa; e 14. não seria possível a revisão do lançamento, pois a classificação no código NCM 2933.69.19 sempre teria sido aceita. Em sua impugnação, FIRST S/A sustentou, em síntese, que: 1. para a aplicação de multa seria necessária a demonstração de má-fé do contribuinte; 2. teria havido ausência de cientificação acerca do procedimento fiscal, acarretando cerceamento ao contraditório e à ampla defesa, com nulidade do Auto de Infração; 3. o art. 9º do Decreto nº 70.235/1972 ampararia o reconhecimento do cerceamento do direito de defesa; 4. a autoridade fiscal não teria comprovado a infração, de modo que, inexistindo prova em contrário, os requisitos legais aplicáveis à classificação fiscal das mercadorias deveriam ser presumidos como atendidos; 5. a descrição dos produtos teria sido individualizada, sem qualquer tentativa de induzir a Fiscalização a erro; 6. a classificação fiscal correta seria a NCM 2933.69.19; 7. o fato de muitos produtos serem apresentados em tabletes não significaria destinação para venda a retalho; 8. a existência de outra embalagem, utilizada apenas como envoltório, não caracterizaria venda a retalho; 9. após o desembaraço aduaneiro, o contribuinte não poderia ser surpreendido por reclassificação fiscal; 10. não teria havido dano ao erário; 11. seriam aplicáveis os princípios da boa-fé objetiva, da proporcionalidade e da razoabilidade; e 12. caso os argumentos apresentados não fossem acolhidos, deveria ser deferida a produção de todos os meios de prova, inclusive prova pericial, com intimação para apresentação de quesitos e indicação de assistente técnico. Ao apreciar as impugnações, a 17ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgou-as improcedentes, mantendo o crédito tributário exigido. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO — II Exercício: 2008, 2009, 2010 Ácido dicloro. Ácido tricloro. Fl. 509DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.530 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10646.720246/2012-10 5 Ácido dicloro ou tricloro, seco, na forma de tabletes, acondicionados em barricas de 50 kg apresentam correta classificação tarifária NCM 3808.94.19, conforme as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Em sede de Recurso Voluntário, a recorrente sustenta, em síntese, que: 1. o Auto de Infração seria nulo, em razão da ausência de provas técnicas, da ausência de análise específica das operações de importação autuadas e das atividades de industrialização desenvolvidas pela empresa, sendo impossível proceder à classificação fiscal sem provas contundentes nos autos; 2. o acórdão recorrido seria nulo por violação ao inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, ao art. 110 do Código Tributário Nacional e aos arts. 18 e 28 do Decreto nº 70.235/1972; 3. os produtos objeto da autuação, consistentes em ácido tricloroisocianúrico e ácido dicloroisocianúrico, teriam constituição química definida e seriam importados para utilização como matérias-primas no processo de industrialização da recorrente, não podendo ser classificados como acondicionados para venda a retalho; 4. a recorrente, por utilizar ou inserir os ácidos em seu próprio processo produtivo, seria qualificada como consumidora intermediária, conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça; 5. a exigência de Imposto de Importação violaria o § 1º do art. 153 da Constituição Federal, o art. 21 do Código Tributário Nacional e o art. 4º da Lei nº 3.244/1957, diante da ausência de produção nacional da matéria-prima utilizada no processo industrial e da necessidade de fomento da indústria nacional; 6. por se tratarem de produtos químicos orgânicos de constituição química definida, sujeitos à alíquota zero, a tributação violaria o princípio da essencialidade, o inciso I do § 3º e o § 1º do art. 153 da Constituição Federal, o inciso I do art. 4º do Decreto-Lei nº 1.199/1971 e o art. 2º do Decreto nº 8.950/2016; e 7. os ácidos importados, dicloro e tricloro, deveriam ser classificados no código NCM 2933.69.19, à luz da Nomenclatura Comum do Mercosul, das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado, de sua constituição química definida e da inocorrência de venda a retalho. É o relatório. VOTO Gisela Pimenta Gadelha Dantas, Conselheira Relatora Fl. 510DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.530 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10646.720246/2012-10 6 O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido. - Das preliminares de nulidade: A Recorrente suscita a nulidade do Auto de Infração, sob o argumento de ausência de provas técnicas, de análise específica das operações de importação autuadas e das atividades por ela desenvolvidas, bem como a nulidade do acórdão recorrido por alegada violação ao art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, ao art. 110 do CTN e aos arts. 18 e 28 do Decreto nº 70.235/1972. As preliminares não merecem acolhida. O Relatório Fiscal descreve as mercadorias objeto das declarações de importação, indica a classificação fiscal adotada pela importadora, aponta o enquadramento considerado correto e expõe os fundamentos legais e técnicos que embasaram a reclassificação promovida, permitindo o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. Eventual discordância quanto à suficiência dos elementos utilizados pela fiscalização ou quanto à interpretação adotada constitui matéria de mérito, não vício capaz de invalidar o lançamento. Também não se verifica qualquer nulidade na decisão recorrida. O acórdão de primeira instância examinou a controvérsia e apresentou fundamentação suficiente para a manutenção da exigência fiscal. Ademais, o julgador administrativo não está obrigado a enfrentar individualmente todos os argumentos suscitados pela parte, desde que exponha as razões que sustentam sua conclusão, sendo certo que toda a matéria devolvida pelo recurso voluntário pode ser reapreciada por este Conselho. Diante do exposto, rejeito as preliminares de nulidade. - Da Classificação Fiscal das Mercadorias: A controvérsia devolvida a este Colegiado consiste em definir se os produtos importados pela Recorrente, consistentes em ácido tricloroisocianúrico e dicloroisocianurato de sódio, apresentados sob a forma de tabletes, devem ser classificados na NCM 2933.69.19, conforme declarado nas operações de importação, ou na NCM 3808.94.19, conforme entendeu a fiscalização. Segundo o Relatório Fiscal, a Recorrente promoveu a importação de produtos destinados ao tratamento e desinfecção de água, classificados nas declarações de importação sob o código NCM 2933.69.19, com incidência de Imposto de Importação à alíquota de 2% e IPI à alíquota zero. Após procedimento de revisão aduaneira, a fiscalização concluiu que as mercadorias apresentadas sob a forma de tabletes deveriam ser enquadradas na posição 3808.94.19, sujeitando-se à tributação correspondente. A Recorrente sustenta, em síntese, que os produtos consistem em compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, importados em barricas Fl. 511DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.530 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10646.720246/2012-10 7 de 50 kg, destinados a uso industrial e não comercializados diretamente ao consumidor final, razão pela qual não poderiam ser considerados produtos apresentados para venda a retalho. A irresignação não merece acolhida. A classificação fiscal deve observar as Regras Gerais para Interpretação da Nomenclatura Comum do Mercosul, as Notas de Seção e de Capítulo, bem como as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado – NESH. A Nota 2, da Seção VI, estabelece que os produtos que, em razão de sua apresentação em doses ou de seu acondicionamento para venda a retalho, se enquadrem em determinadas posições, dentre elas a posição 38.08, devem ser classificados nesta posição e não em qualquer outra da Nomenclatura. Por sua vez, as NESH da posição 38.08 esclarecem que os desinfetantes classificam- se naquela posição quando apresentados em embalagens para venda a retalho ou quando apresentados sob forma tal que não suscite dúvidas quanto à sua destinação para venda a retalho, citando expressamente bolas, tabletes, comprimidos e formas semelhantes. No caso concreto, a fiscalização demonstrou que parte das mercadorias importadas foi declarada sob a forma de tabletes, circunstância que atrai a incidência da regra específica da posição 38.08. Observe-se que o enquadramento não decorre apenas da natureza química do produto, mas da conjugação de sua função desinfetante com a forma de apresentação prevista nas NESH. A propósito, situação substancialmente idêntica já foi examinada por este Conselho no Acórdão nº 3401-014.394, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, envolvendo a própria Recorrente e os mesmos produtos objeto do presente litígio. Naquele precedente, o Colegiado concluiu que: “Os produtos desinfetantes para água, ainda que produtos orgânicos não misturados, por expressa disposição das Notas 2 do capítulo 29 e 1 do capítulo 38, enquadram-se na posição 3808 quando apresentados em embalagens ou forma para venda a retalho.” Na mesma decisão, restou consignado que as informações constantes dos rótulos, fichas técnicas e registros sanitários evidenciou tratar-se de produtos prontos para uso por seus destinatários finais, circunstância apta a caracterizar sua apresentação para venda a retalho, nos termos das NESH. O referido precedente examinou e rejeitou os mesmos argumentos ora renovados pela Recorrente, inclusive aqueles relacionados à constituição química definida dos produtos, à comercialização em barricas de 50 kg e à alegada destinação industrial. Fl. 512DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.530 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10646.720246/2012-10 8 Com efeito, a circunstância de o produto consistir em composto químico definido apresentado isoladamente não afasta, por si só, a incidência da exceção expressamente prevista para os desinfetantes classificados na posição 38.08. Da mesma forma, a alegação de que a comercialização ocorre em grandes quantidades ou para pessoas jurídicas não se mostra suficiente para afastar a incidência das regras classificatórias quando a própria forma de apresentação do produto enquadra-se nas hipóteses descritas pelas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado. Também não prospera a invocação de antigas soluções de consulta que teriam admitido o enquadramento na posição 2933.69.19. Conforme destacado no precedente acima referido, tais manifestações não enfrentaram a questão específica da forma de apresentação das mercadorias e não possuem aptidão para afastar a correta aplicação das Notas Legais e das NESH ao caso concreto. Dessa forma, considerando o conjunto probatório constante dos autos, as regras de classificação fiscal aplicáveis e a jurisprudência deste Conselho sobre matéria idêntica, concluo que agiu corretamente a fiscalização ao reclassificar os produtos descritos sob a forma de tabletes para a posição NCM 3808.94.19. Da retroatividade benigna A multa do presente processo está lastreada no § 1° e § 2º , do artigo 69, da Lei n° 10.833/03, que assim dispõe: Art. 69. A multa prevista no art. 84 da Medida Provisória no 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, não poderá ser superior a 10% (dez por cento) do valor total das mercadorias constantes da declaração de importação. § 1o A multa a que se refere o caput aplica-se também ao importador, exportador ou beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativo-tributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. § 2o As informações referidas no § 1o, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo: I - identificação completa e endereço das pessoas envolvidas na transação: importador/exportador; adquirente (comprador)/fornecedor (vendedor), fabricante, agente de compra ou de venda e representante comercial; Por sua vez, o artigo 84, da MP 2.158/01, assim estabeleceu: Art.84.Aplica-se a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: Ocorre que recentemente foi publicada Lei Complementar 227, de 2026 que revoga, expressamente, o artigo 84 da Medida Provisória (MP) nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, e o art. 69 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, nos quais constavam a previsão penalidade aplicada nos presentes autos. Fl. 513DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.833.htm#art69 D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.530 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10646.720246/2012-10 9 Art. 181. Revogam-se: I - os seguintes dispositivos da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional): a) parágrafo único do art. 35; e b) art. 39; II - o art. 84 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001; III - o art. 69 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003; (...) Assim sendo, considerando a revogação dos dispositivos acima citados, cabe, a meu ver, a aplicação do princípio da retroatividade benigna , previsto no artigo 106, II, “a” do Código Tributario Nacional nos autos de infração ainda não definitivamente julgados. Senão vejamos: Artigo 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, considerando que artigo 106, II, “a” do CTN estabelece que a lei pode retroagir para alcançar fatos ocorridos antes de sua vigência quando mais favorável ao contribuinte se o ato não estiver definitivamente julgado na esfera administrativa ou judicial; e que os dispositivos que previam as penalidades aplicadas ao Recorrente foram expressamente revogados, entendo que a multa aplicada não poder ser mantida. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para excluir a multa de 1% sobre o valor aduaneiro, tendo em vista a aplicação da Lei Complementar 227, de 2026 que revoga, expressamente, o artigo 84 da Medida Provisória (MP) nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, e o art. 69 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. É como voto. Assinado Digitalmente Fl. 514DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L5172.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L5172.htm#art35p https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L5172.htm#art39 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2158-35.htm#art84 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.833.htm#art69 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.833.htm#art69 D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.530 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10646.720246/2012-10 10 GISELA PIMENTA GADELHA DANTAS Fl. 515DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto - Da Classificação Fiscal das Mercadorias:

score : 1.0
11495219 #
Numero do processo: 19378.720116/2021-41
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 22 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 19/01/2017 a 16/01/2020 REVISÃO ADUANEIRA. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. BOMBAS PERIFÉRICAS. RECLASSIFICAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR AUSÊNCIA DE PERÍCIA. INOCORRÊNCIA. A ausência de laudo pericial ou de coleta de amostras físicas não enseja, por si só, a nulidade do lançamento tributário fundado em reclassificação fiscal, quando a autoridade autuante fundamenta sua decisão em elementos documentais robustos (manuais, catálogos, descrições nas Declarações de Importação e literatura técnica) suficientes para a identificação da mercadoria. O indeferimento de perícia considerada desnecessária não configura cerceamento de defesa. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. BOMBAS PERIFÉRICAS (OU TURBINAS REGENERATIVAS). PRINCÍPIO DE FUNCIONAMENTO BASEADO NA EXPULSÃO DO FLUIDO POR FORÇA CENTRÍFUGA. ENQUADRAMENTO NA SUBPOSIÇÃO NCM 8413.70 (OUTRAS BOMBAS CENTRÍFUGAS). As diferenças de configuração construtiva apontadas no laudo pericial judicial — ausência de voluta convencional, método de sucção e formato do rotor — constituem variações de projeto que não afastam a natureza centrífuga do aparelho. Ao descrever o ciclo do fluido, o laudo atesta expressamente que ele é expelido do alojamento das pás pela força centrífuga, processo que se repete inúmeras vezes ao longo da periferia do rotor. A subposição 8413.70 (Outras bombas centrífugas) é propositadamente abrangente para abarcar turbobombas dinâmicas cujo princípio propulsor é a centrifugação mecânica, ainda que operada por efeito regenerativo. A subposição residual 8413.80 (Outras bombas) foi estruturada pelas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (Nesh) para acolher tecnologias que operam por fenômenos alheios à rotação mecânica e à força centrífuga — como condução elétrica, ejetores, pressão direta de gás —, hipóteses inaplicáveis ao caso. MULTA POR AUSÊNCIA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. RECLASSIFICAÇÃO POSTERIOR AO DESEMBARAÇO. ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO COSIT Nº 12⁄1997. CANCELAMENTO. Conforme dispõe o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 12⁄1997 e o art. 100, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN), não constitui infração administrativa a declaração de importação de mercadoria cuja classificação tarifária errônea exija novo licenciamento, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação, e que não se constate intuito doloso ou má-fé. A reclassificação tarifária a posteriori, anos após o desembaraço aduaneiro, não pode impor ao importador multa por falta de Licença de Importação (LI) prévia, quando ausente fraude na descrição da mercadoria. Multa do art. 706, I, “a”, do Decreto nº 6.759⁄2009 cancelada. MULTA POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ART. 84 DA MP Nº 2.158-35/2001. REVOGAÇÃO PELA LC Nº 227/2026. APLICAÇÃO DO ART. 106, II, A DO CTN. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplica-se o princípio da retroatividade benigna para afastar a exigência da multa decorrente de erro na classificação fiscal de mercadorias, em razão da revogação do art. 84 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001 pela Lei Complementar nº 227/2026.
Numero da decisão: 3002-004.433
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada. No mérito, acordam em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: (i) por maioria de votos, em manter a reclassificação fiscal adotada pela fiscalização, vencida a conselheira Neiva Aparecida Baylon (relatora), que votou por dar provimento ao recurso neste ponto; (ii) por maioria de votos, em cancelar as multas aduaneiras exigidas em razão da ausência de Licença de Importação, nos termos do voto da relatora, vencida a conselheira Renata Casorla Mascareñas, que votou pela inaplicabilidade do Ato Declaratório Normativo (ADN) Cosit nº 12/1997; (iii) por unanimidade de votos, em cancelar a multa prevista no art. 84, inciso I, da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, em razão de sua insubsistência decorrente da superveniência da Lei Complementar nº 227/2026, que revogou o dispositivo legal que a amparava. Considerou-se prejudicado o pedido de realização de perícia técnica, uma vez que o colegiado entendeu serem suficientes os elementos probatórios constantes dos autos para o julgamento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Renata Casorla Mascareñas. Assinado Digitalmente Neiva Aparecida Baylon – Relator Assinado Digitalmente Renata Casorla Mascareñas – Redatora Designada Assinado Digitalmente Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Renata Casorla Mascareñas, Neiva Aparecida Baylon, Sergio Roberto Pereira Araujo (substituto[a] integral), Gisela Pimenta Gadelha, Adriano Monte Pessoa, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha (Presidente).
Nome do relator: NEIVA APARECIDA BAYLON

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Sep 19 09:00:00 UTC 2026

anomes_sessao_s : 202606

ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 19/01/2017 a 16/01/2020 REVISÃO ADUANEIRA. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. BOMBAS PERIFÉRICAS. RECLASSIFICAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR AUSÊNCIA DE PERÍCIA. INOCORRÊNCIA. A ausência de laudo pericial ou de coleta de amostras físicas não enseja, por si só, a nulidade do lançamento tributário fundado em reclassificação fiscal, quando a autoridade autuante fundamenta sua decisão em elementos documentais robustos (manuais, catálogos, descrições nas Declarações de Importação e literatura técnica) suficientes para a identificação da mercadoria. O indeferimento de perícia considerada desnecessária não configura cerceamento de defesa. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. BOMBAS PERIFÉRICAS (OU TURBINAS REGENERATIVAS). PRINCÍPIO DE FUNCIONAMENTO BASEADO NA EXPULSÃO DO FLUIDO POR FORÇA CENTRÍFUGA. ENQUADRAMENTO NA SUBPOSIÇÃO NCM 8413.70 (OUTRAS BOMBAS CENTRÍFUGAS). As diferenças de configuração construtiva apontadas no laudo pericial judicial — ausência de voluta convencional, método de sucção e formato do rotor — constituem variações de projeto que não afastam a natureza centrífuga do aparelho. Ao descrever o ciclo do fluido, o laudo atesta expressamente que ele é expelido do alojamento das pás pela força centrífuga, processo que se repete inúmeras vezes ao longo da periferia do rotor. A subposição 8413.70 (Outras bombas centrífugas) é propositadamente abrangente para abarcar turbobombas dinâmicas cujo princípio propulsor é a centrifugação mecânica, ainda que operada por efeito regenerativo. A subposição residual 8413.80 (Outras bombas) foi estruturada pelas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (Nesh) para acolher tecnologias que operam por fenômenos alheios à rotação mecânica e à força centrífuga — como condução elétrica, ejetores, pressão direta de gás —, hipóteses inaplicáveis ao caso. MULTA POR AUSÊNCIA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. RECLASSIFICAÇÃO POSTERIOR AO DESEMBARAÇO. ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO COSIT Nº 12⁄1997. CANCELAMENTO. Conforme dispõe o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 12⁄1997 e o art. 100, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN), não constitui infração administrativa a declaração de importação de mercadoria cuja classificação tarifária errônea exija novo licenciamento, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação, e que não se constate intuito doloso ou má-fé. A reclassificação tarifária a posteriori, anos após o desembaraço aduaneiro, não pode impor ao importador multa por falta de Licença de Importação (LI) prévia, quando ausente fraude na descrição da mercadoria. Multa do art. 706, I, “a”, do Decreto nº 6.759⁄2009 cancelada. MULTA POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ART. 84 DA MP Nº 2.158-35/2001. REVOGAÇÃO PELA LC Nº 227/2026. APLICAÇÃO DO ART. 106, II, A DO CTN. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplica-se o princípio da retroatividade benigna para afastar a exigência da multa decorrente de erro na classificação fiscal de mercadorias, em razão da revogação do art. 84 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001 pela Lei Complementar nº 227/2026.

turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2026

numero_processo_s : 19378.720116/2021-41

anomes_publicacao_s : 202609

conteudo_id_s : 7409462

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2026

numero_decisao_s : 3002-004.433

nome_arquivo_s : Decisao_19378720116202141.PDF

ano_publicacao_s : 2026

nome_relator_s : NEIVA APARECIDA BAYLON

nome_arquivo_pdf_s : 19378720116202141_7409462.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada. No mérito, acordam em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: (i) por maioria de votos, em manter a reclassificação fiscal adotada pela fiscalização, vencida a conselheira Neiva Aparecida Baylon (relatora), que votou por dar provimento ao recurso neste ponto; (ii) por maioria de votos, em cancelar as multas aduaneiras exigidas em razão da ausência de Licença de Importação, nos termos do voto da relatora, vencida a conselheira Renata Casorla Mascareñas, que votou pela inaplicabilidade do Ato Declaratório Normativo (ADN) Cosit nº 12/1997; (iii) por unanimidade de votos, em cancelar a multa prevista no art. 84, inciso I, da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, em razão de sua insubsistência decorrente da superveniência da Lei Complementar nº 227/2026, que revogou o dispositivo legal que a amparava. Considerou-se prejudicado o pedido de realização de perícia técnica, uma vez que o colegiado entendeu serem suficientes os elementos probatórios constantes dos autos para o julgamento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Renata Casorla Mascareñas. Assinado Digitalmente Neiva Aparecida Baylon – Relator Assinado Digitalmente Renata Casorla Mascareñas – Redatora Designada Assinado Digitalmente Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Renata Casorla Mascareñas, Neiva Aparecida Baylon, Sergio Roberto Pereira Araujo (substituto[a] integral), Gisela Pimenta Gadelha, Adriano Monte Pessoa, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha (Presidente).

dt_sessao_tdt : Mon Jun 22 00:00:00 UTC 2026

id : 11495219

ano_sessao_s : 2026

atualizado_anexos_dt : Sat Oct 10 09:43:24 UTC 2026

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1878655423997804544

conteudo_txt : Metadados => date: 2026-09-03T15:57:40Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-09-03T15:57:40Z; Last-Modified: 2026-09-03T15:57:40Z; dcterms:modified: 2026-09-03T15:57:40Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-09-03T15:57:40Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-09-03T15:57:40Z; meta:save-date: 2026-09-03T15:57:40Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-09-03T15:57:40Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-09-03T15:57:40Z; created: 2026-09-03T15:57:40Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; Creation-Date: 2026-09-03T15:57:40Z; pdf:charsPerPage: 2114; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-09-03T15:57:40Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 19378.720116/2021-41 ACÓRDÃO 3002-004.433 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA SESSÃO DE 22 de junho de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE VELLORE S.A. (NOVA RAZÃO SOCIAL DA FOXLUX S/A) INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 19/01/2017 a 16/01/2020 REVISÃO ADUANEIRA. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. BOMBAS PERIFÉRICAS. RECLASSIFICAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR AUSÊNCIA DE PERÍCIA. INOCORRÊNCIA. A ausência de laudo pericial ou de coleta de amostras físicas não enseja, por si só, a nulidade do lançamento tributário fundado em reclassificação fiscal, quando a autoridade autuante fundamenta sua decisão em elementos documentais robustos (manuais, catálogos, descrições nas Declarações de Importação e literatura técnica) suficientes para a identificação da mercadoria. O indeferimento de perícia considerada desnecessária não configura cerceamento de defesa. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. BOMBAS PERIFÉRICAS (OU TURBINAS REGENERATIVAS). PRINCÍPIO DE FUNCIONAMENTO BASEADO NA EXPULSÃO DO FLUIDO POR FORÇA CENTRÍFUGA. ENQUADRAMENTO NA SUBPOSIÇÃO NCM 8413.70 ("OUTRAS BOMBAS CENTRÍFUGAS"). As diferenças de configuração construtiva apontadas no laudo pericial judicial — ausência de voluta convencional, método de sucção e formato do rotor — constituem variações de projeto que não afastam a natureza centrífuga do aparelho. Ao descrever o ciclo do fluido, o laudo atesta expressamente que ele é "expelido do alojamento das pás pela força centrífuga", processo que "se repete inúmeras vezes" ao longo da periferia do rotor. A subposição 8413.70 ("Outras bombas centrífugas") é propositadamente abrangente para abarcar turbobombas dinâmicas cujo princípio propulsor é a centrifugação mecânica, ainda que operada por efeito regenerativo. A subposição residual 8413.80 ("Outras bombas") foi estruturada pelas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (Nesh) para acolher tecnologias que operam por fenômenos alheios à rotação Fl. 1393DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.433 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19378.720116/2021-41 2 mecânica e à força centrífuga — como condução elétrica, ejetores, pressão direta de gás —, hipóteses inaplicáveis ao caso. MULTA POR AUSÊNCIA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. RECLASSIFICAÇÃO POSTERIOR AO DESEMBARAÇO. ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO COSIT Nº 12⁄1997. CANCELAMENTO. Conforme dispõe o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 12⁄1997 e o art. 100, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN), não constitui infração administrativa a declaração de importação de mercadoria cuja classificação tarifária errônea exija novo licenciamento, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação, e que não se constate intuito doloso ou má-fé. A reclassificação tarifária a posteriori, anos após o desembaraço aduaneiro, não pode impor ao importador multa por falta de Licença de Importação (LI) prévia, quando ausente fraude na descrição da mercadoria. Multa do art. 706, I, “a”, do Decreto nº 6.759⁄2009 cancelada. MULTA POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ART. 84 DA MP Nº 2.158- 35/2001. REVOGAÇÃO PELA LC Nº 227/2026. APLICAÇÃO DO ART. 106, II, "A" DO CTN. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplica-se o princípio da retroatividade benigna para afastar a exigência da multa decorrente de erro na classificação fiscal de mercadorias, em razão da revogação do art. 84 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001 pela Lei Complementar nº 227/2026. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada. No mérito, acordam em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: (i) por maioria de votos, em manter a reclassificação fiscal adotada pela fiscalização, vencida a conselheira Neiva Aparecida Baylon (relatora), que votou por dar provimento ao recurso neste ponto; (ii) por maioria de votos, em cancelar as multas aduaneiras exigidas em razão da ausência de Licença de Importação, nos termos do voto da relatora, vencida a conselheira Renata Casorla Mascareñas, que votou pela inaplicabilidade do Ato Declaratório Normativo (ADN) Cosit nº 12/1997; (iii) por unanimidade de votos, em cancelar a multa prevista no art. 84, inciso I, da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, em razão de sua insubsistência decorrente da superveniência da Lei Complementar nº 227/2026, que revogou o dispositivo legal que a amparava. Considerou-se prejudicado o pedido de realização de perícia técnica, uma vez que o colegiado entendeu serem suficientes os elementos probatórios Fl. 1394DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.433 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19378.720116/2021-41 3 constantes dos autos para o julgamento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Renata Casorla Mascareñas. Assinado Digitalmente Neiva Aparecida Baylon – Relator Assinado Digitalmente Renata Casorla Mascareñas – Redatora Designada Assinado Digitalmente Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Renata Casorla Mascareñas, Neiva Aparecida Baylon, Sergio Roberto Pereira Araujo (substituto[a] integral), Gisela Pimenta Gadelha, Adriano Monte Pessoa, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto por VELLORE S.A. (nova razão social da FOXLUX S.A.), CNPJ nº 01.723.086/0001-43, contra o Acórdão nº 109-019.054, proferido pela 16ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) em Curitiba/PR, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte e manteve o crédito tributário exigido no Auto de Infração lavrado pela Alfândega da Receita Federal do Brasil no Recife/PE. O lançamento originou-se de procedimento de revisão aduaneira relativo a 24 (vinte e quatro) Declarações de Importação (DIs) registradas no período de 2017 a 2020. A autoridade fiscalizadora constatou que a importadora classificou mercadorias descritas como “bombas d’água periféricas” na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) 8413.81.00, com alíquota zero de IPI. Entretanto, a fiscalização concluiu que tais mercadorias seriam espécie de bombas centrífugas, devendo ser classificadas na NCM 8413.70.80 (“outras bombas centrífugas, de vazão inferior ou igual a 300 l/min”), cuja alíquota de IPI aplicável é de 5%. Além da exigência da diferença de IPI e multas proporcionais, a reclassificação atraiu a exigência de licenciamento Fl. 1395DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.433 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19378.720116/2021-41 4 prévio não automático de importação, motivando a aplicação das multas aduaneiras previstas nos artigos 706, inciso I, alínea “a”, e 711, inciso I, do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759⁄2009). O crédito tributário total exigido foi de R$ 406.936,01. Em sua impugnação, a contribuinte requereu a nulidade do lançamento por ausência de coleta de amostras e perícia, defendeu a correção da classificação original com base em laudo técnico particular e pugnou pelo cancelamento das multas aduaneiras. A DRJ, contudo, manteve a autuação in totum, amparando-se essencialmente nas Regras Gerais de Interpretação 1 e 6, na Regra Geral Complementar 1, e na aplicação analógica da Solução de Consulta COSIT nº 98.193⁄2018. Inconformada, a recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário. Em sede preliminar, reitera o pedido de nulidade dos autos de infração em razão de não ter sido coletada qualquer amostra das bombas d’água reclassificadas, nem feita a sua perícia ou vistoria. No mérito, requer o cancelamento dos autos de infração, argumentando que as bombas importadas não são bombas centrífugas, conforme comprovado por laudo técnico particular e laudo pericial produzido na Ação Ordinária nº 5010530-77.2020.4.04.7000, em trâmite na Justiça Federal. Alega a inaplicabilidade da Solução de Consulta COSIT nº 98.193⁄2018 às mercadorias autuadas. Subsidiariamente, pleiteia a realização de perícia técnica nas mercadorias. Por fim, caso mantida a reclassificação, pugna pelo afastamento das multas aduaneiras, invocando o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 12⁄1997 e precedentes do CARF, sustentando que a exigência de licenciamento originou-se de reclassificação a posteriori, sem qualquer má-fé ou erro descritivo nas DIs.´ É o relatório. VOTO VENCIDO Conselheira Neiva Aparecida Baylon, Relatora. Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser admitido 1. Preliminar de Nulidade por Ausência de Perícia Física A recorrente postula a nulidade do lançamento sob o argumento de que a autoridade aduaneira promoveu a reclassificação fiscal das mercadorias sem realizar a coleta de amostras ou vistoria física, o que configuraria cerceamento de defesa e vício material. Não assiste razão à recorrente neste ponto. A jurisprudência consolidada deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) orienta-se no sentido de que a ausência de laudo pericial físico ou coleta de amostras não acarreta, por si só, a nulidade do auto de infração, quando o conjunto documental probatório (catálogos, manuais técnicos, descrições detalhadas Fl. 1396DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.433 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19378.720116/2021-41 5 nas DIs e literatura técnica) for suficiente para identificar a natureza e as características da mercadoria. O indeferimento de perícia ou a não realização de coleta de amostras não configura cerceamento de defesa quando a autoridade julgadora considera os elementos constantes dos autos suficientes para o deslinde da controvérsia. No presente caso, a fiscalização fundamentou a reclassificação com base na análise documental exaustiva das 24 DIs, catálogos do fabricante e literatura técnica especializada, elementos que, em tese, são hábeis a sustentar o lançamento, cabendo à contribuinte o ônus de desconstituí-los na via impugnatória. Assim, rejeito a preliminar de nulidade. 2. Mérito: Da Correta Classificação Fiscal (NCM) A controvérsia central repousa na correta classificação fiscal das mercadorias descritas como “bombas d’água periféricas”. A recorrente defende a classificação na NCM 8413.81.00 (“bombas”), enquanto a fiscalização entende aplicável a NCM 8413.70.80 (“outras bombas centrífugas, de vazão inferior ou igual a 300 l/min”). O cerne da questão técnica consiste em determinar se as “bombas periféricas” importadas pela recorrente subsomem-se ao conceito de “bombas centrífugas” para fins de classificação na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), à luz das Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI). A decisão da DRJ pautou-se, de forma determinante, na Solução de Consulta COSIT nº 98.193⁄2018, que classificou “bombas de canal lateral” no subitem das bombas centrífugas. Contudo, a jurisprudência deste Conselho é pacífica ao asseverar que a reclassificação fiscal exige análise técnica pormenorizada da natureza, composição e constituição do produto específico, não cabendo a aplicação automática de Soluções de Consulta que versem sobre mercadorias distintas, ainda que similares. A recorrente logrou êxito em demonstrar, mediante prova técnica robusta e não infirmada de forma contundente pela Fazenda Nacional, que as bombas importadas possuem características construtivas que as diferenciam das bombas centrífugas. O laudo técnico particular anexado aos autos, corroborado pelas conclusões do laudo pericial judicial produzido na Ação Ordinária nº 5010530-77.2020.4.04.7000 (envolvendo a mesma mercadoria e a mesma recorrente), atesta categoricamente que as bombas periféricas autuadas: 1. Não possuem canal lateral, o que afasta a aplicação direta da Solução de Consulta COSIT nº 98.193⁄2018; 2. Não apresentam carcaça em formato de voluta, característica essencial das bombas centrífugas típicas; Fl. 1397DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.433 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19378.720116/2021-41 6 3. Possuem rotor periférico, com princípio de conversão de energia cinética em pressão distinto do movimento puramente radial das bombas centrífugas. Diante dessas distinções construtivas e operacionais, atestadas por profissional habilitado (CREA/PR nº 159306-D), conclui-se que as mercadorias importadas não se enquadram na subposição 8413.70, destinada às bombas centrífugas. Consequentemente, mostra-se escorreita a classificação original adotada pela contribuinte na NCM 8413.81.00, na condição de “outras bombas”. O STJ e o CARF já consolidaram o entendimento de que cabe ao Fisco o ônus de comprovar a incorreção da classificação declarada pelo contribuinte. Havendo prova técnica idônea produzida pela importadora que demonstra a inadequação da reclassificação fiscal pretendida pela autoridade aduaneira, impõe-se o cancelamento do lançamento principal relativo à diferença de IPI. Por decorrência lógica, restando insubsistente a reclassificação fiscal para a NCM 8413.70.80, o pedido subsidiário de realização de perícia técnica nestes autos administrativos resta prejudicado. 3. Das Multas Aduaneiras por Falta de Licença de Importação Ainda que, por amor ao debate, a reclassificação fiscal fosse mantida, o recurso mereceria provimento quanto ao pedido de cancelamento das multas aduaneiras aplicadas com fulcro nos arts. 706, I, “a”, e 711, I, do Regulamento Aduaneiro. A exigência de Licença de Importação (LI) não automática, in casu, não decorreu de omissão dolosa ou descrição fraudulenta da mercadoria no momento do despacho aduaneiro, mas sim de uma reclassificação tarifária promovida pela fiscalização anos após o desembaraço das mercadorias (período de 2017 a 2020). Neste cenário, incide a diretriz fixada pelo Ato Declaratório Normativo (ADN) COSIT nº 12⁄1997, de observância obrigatória pela Administração Tributária federal, que expressamente estabelece: “Não constitui infração administrativa ao controle das importações (…) a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque ‘ex’ exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se Fl. 1398DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.433 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19378.720116/2021-41 7 constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má-fé por parte do declarante.” As DIs constantes dos autos demonstram que a mercadoria foi descrita de forma precisa (“bomba d’água periférica”), com elementos suficientes para sua identificação, inexistindo qualquer evidência de má-fé por parte da importadora. A jurisprudência do TRF-4 e deste Conselho é firme no sentido de que a alteração do entendimento classificatório pela Receita Federal, a posteriori, não legitima a imposição da gravosa multa de 30% por ausência de LI prévia, sob pena de ofensa à segurança jurídica e à boa-fé objetiva. Aplica-se, outrossim, o art. 100, parágrafo único, do Código Tributário Nacional (CTN), que exclui a imposição de penalidades quando o contribuinte age em conformidade com normas Complementares, como é o caso do ADN COSIT nº 12⁄1997. Por fim, quanto à multa de 1% prevista no art. 84, I da MP nº 2.158-35, de 2001, importa ressaltar sua insubsistência em razão da superveniência da Lei Complementar n. 227/2026 que revogou referido dispositivo, tolhendo a base normativa da multa imposta: Art. 181. Revogam-se: I - os seguintes dispositivos da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional): a) parágrafo único do art. 35; e b) art. 39; II - o art. 84 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001; III - o art. 69 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003; IV - os seguintes dispositivos da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006: a) o art. 87-B, na redação dada pelo art. 517 da Lei Complementar nº 214, de 16 de janeiro de 2025; b) os incisos I e II do § 4º do art. 41; c) em 30 de novembro de 2026, o § 4º do art. 31; d) em 1º de janeiro de 2033, o inciso VI do § 4º do art. 18; V - os seguintes dispositivos da Lei Complementar nº 214, de 16 de janeiro de 2025: a) o § 8º do art. 11; b) os §§ 8º e 9º do art. 22; c) o § 7º do art. 26; Fl. 1399DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.433 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19378.720116/2021-41 8 d) o § 5º do art. 33; e) os §§ 4º, 6º e 7º do art. 57; f) a alínea "b" do inciso I do § 5º e o § 7º do art. 64; g) os §§ 2º, 3º e 6º do art. 80; h) o § 3º do art. 149; i) a alínea "c" do inciso II do caput do art. 201; j) o art. 217; k) os §§ 1º, 2º, 4º, 5º, 7º e 8º do art. 233; l) o inciso I do § 3º do art. 350; m) os §§ 3º e 6º a 10 do art. 481; n) os incisos I e II do § 2º e o § 5º, ambos do art. 482; o) a alínea "i" do inciso XXXVI do art. 542; e p) o Anexo XIV. Essa tese encontra respaldo no princípio da retroatividade benigna, previsto no artigo 106, II, do Código Tributário Nacional, segundo o qual a lei deve retroagir quando deixa de definir determinada conduta como infração. Assim, entendo deveria ser cancelada a multa imputada. Portanto, as multas aduaneiras exigidas são indevidas e devem ser canceladas. DISPOSITIVO Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO INTEGRAL, para cancelar os autos de infração e os respectivos créditos tributários de IPI e multas aduaneiras, reconhecendo a correção da classificação fiscal das mercadorias na NCM 8413.81.00. Assinado Digitalmente Neiva Aparecida Baylon VOTO VENCEDOR Conselheira Renata Casorla Mascareñas, Redatora designada Fl. 1400DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.433 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19378.720116/2021-41 9 Com a devida vênia à Ilustre Relatora, divirjo de seu posicionamento para manter o auto de infração lavrado. Ao meu juízo, a reclassificação fiscal operada pela autoridade aduaneira reflete com exatidão a natureza técnica da mercadoria importada, não subsistindo razões para restaurar a classificação declarada pela Recorrente. O cerne da controvérsia reside em definir se as "bombas periféricas" (ou de turbina regenerativa) importadas subsumem-se à subposição NCM/SH 8413.70 ("Outras bombas centrífugas"), conforme defendido pelo Fisco, ou se devem ser deslocadas para a subposição residual NCM/SH 8413.80 ("Outras bombas"), como concluiu o voto condutor. A Ilustre Relatora acolheu a premissa de que a ausência de carcaça em formato de voluta, a não denominação como bomba de canal lateral (divergência com o paradigma da Solução de Consulta Cosit nº 98.193/2018, não mencionada no Relatório Fiscal de fls. 760/793) e o fato de a conversão de energia ocorrer na periferia do rotor seriam suficientes para afastar a aplicação da subposição NCM/SH 8413.70. Tal entendimento, contudo, confunde a descrição do arquétipo clássico de uma bomba centrífuga com os limites do gênero tarifário estabelecido pelo Sistema Harmonizado. Extraiu-se das distinções estruturais apontadas pelo perito (laudo pericial autos nº 5010530-77.2020.4.04.7000, acostado às fls. 1298/1327) que o caráter centrífugo do equipamento estaria afastado. Ocorre que, ao fazer a descrição detalhada e minuciosa da mecânica do produto, o próprio laudo pericial sepulta a tese do contribuinte. À fl. 1305, ao conceituar as "Bombas periféricas ou turbinas regenerativas", o Sr. Perito Judicial elucidou com clareza solar: "O nome bomba periférica se dá porque o fluido bombeado não passa pelo interior do rotor ficando apenas na sua periferia; e regenerativa pois o fluido sai do rotor para o contato com a carcaça e retorna para a periferia do rotor, onde é novamente “empurrado” radialmente para fora. Neste tipo de bomba o fluido adentra na câmara de pressão pela sua periferia entrando em contato com a pá do rotor quando leva o primeiro impulso. O fluido é então expelido do alojamento das pás pela força centrífuga entrando em contato com a carcaça e volta para o alojamento entre as pás sendo novamente impulsionada e expelida. Este processo se repete inúmeras vezes até que o fluido saia pela descarga da voluta." (destaquei). Essa mesmíssima descrição científica da dinâmica do fluido foi reiterada pelo Perito ao responder ao Quesito 4 da Ré (fl. 1317): Pergunta-se: O Sr. Perito poderia esclarecer a respeito dos impulsionamentos que o líquido sofre nos trajetos do fundo à periferia e no de sua volta, causados pela ação da força centrífuga resultante do movimento de rotação dos impelidores de uma bomba periférica? Fl. 1401DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.433 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19378.720116/2021-41 10 Resposta: O fluido adentra na câmara de pressão pela sua periferia entrando em contato com a pá do rotor quando leva o primeiro impulso. O fluido é então expelido do alojamento das pás pela força centrífuga entrando em contato com a carcaça e volta para o alojamento entre as pás sendo novamente impulsionada e expelida. Este processo se repete inúmeras vezes até que o fluido saia pela descarga da voluta. Uma das diferenças é que na bomba periférica o fluido bombeado não passa pelo interior do rotor, apenas na sua periferia.” (destaquei) Diante da própria narrativa técnica fixada no laudo, indaga-se: qual é a força física real responsável por expelir o líquido do alojamento das pás? A resposta do perito é direta e inescapável: a força centrífuga. Antecipar-se-á, aqui, à objeção de que o mesmo laudo, ao responder ao Quesito 4 do Autor (fl. 1319), consignou que as bombas periféricas e centrífugas "se diferenciam em sua forma e no seu funcionamento". Essa afirmação, lida de forma isolada, poderia sugerir que o perito reconheceu tratar-se de categorias mutuamente excludentes, mas as diferenças apontadas são de natureza construtiva (formato do rotor, percurso do fluido), e não de princípio físico operante. O perito jamais afirmou que a força centrífuga deixa de atuar na bomba periférica — ao contrário, afirmou-o expressamente às fls. 1305 e 1317. Assim, as distinções morfológicas descritas no laudo revelam variações de projeto, e não a ruptura com o princípio de funcionamento pela força centrífuga que define a subposição NCM/SH 8413.70. A peculiaridade da bomba periférica frente à centrífuga convencional é que o fluido não recebe um único impulso radial a partir do centro do rotor; em vez disso, sofre o efeito da centrifugação sucessivas e "inúmeras vezes" ao longo da periferia do mesmo disco. Trata-se de um efeito multiplicador ("regenerativo"), que configura uma variação de engenharia, mas mantém o produto estritamente vinculado ao gênero das bombas que operam por centrifugação mecânica. Quanto à diferenciação do formato dos impelidores e do método de sucção, para afastar a incidência da subposição NCM/SH 8413.70, tem-se que o próprio perito judicial mitigou o peso dessas diferenças ao contextualizar as semelhanças estruturais das bombas periféricas com as bombas centrífugas convencionais ao responder ao Quesito 5 da Ré (fl. 1317): "Quesito 5: É correto afirmar que as bombas periféricas possuem aspectos construtivos gerais muito parecidos com os das bombas centrifugas, tais como eixo suportado por dois mancais de rolamento e impelidor preso em uma das extremidades do eixo, mas diferindo quanto ao formato dos impelidores? Resposta: Sim, possuem semelhança em relação ao eixo suportado por mancais de rolamento e impelidor preso em uma das extremidades do eixo, porém diferenciam- se pelo formato dos impelidores, formato da voluta, método de sucção, rotor entre outros." (destaquei) Mais adiante, ao responder ao Quesito 4 do Autor (fl. 1319), sobre se o princípio de funcionamento seria o mesmo, o expert consignou: Fl. 1402DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.433 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19378.720116/2021-41 11 " 4) O princípio de funcionamento das bombas d'água periféricas é o mesmo princípio das bombas d'água centrifugas? Resposta: Ambas possuem como princípio de funcionamento das bombas cinéticas, turbobombas ou dinâmicas, todavia se diferenciam em sua forma e no seu funcionamento. Enquanto nas bombas centrífugas o fluido entra em um rotor (fechado, aberto ou semiaberto) que ganha energia cinética e é convertida em aumento de pressão. Já nas bombas periféricas, o fluido bombeado fica apenas na periferia, sem passar pelo interior do rotor, pois o fluido sai do rotor para o contato com a carcaça, voltando para a periferia do motor" (Grifou-se). O fato de o fluido sofrer a conversão de energia cinética na periferia do rotor não cria uma nova categoria fiscal alheia ao Sistema Harmonizado. Pertencendo ambas à categoria das turbobombas dinâmicas, e, sendo a força centrífuga o motor que impele o fluido para fora do alojamento das pás (fato incontroverso no laudo às fls. 1305 e 1317), o produto atrai a literalidade da subposição NCM/SH 8413.70 ora examinada. Recorre-se às Notas explicativas – NESH para a definição de bombas centrífugas: “Nesh Capítulo 84 - Reatores nucleares, caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos, e suas partes. (...) B.- ESTRUTURA DO CAPÍTULO (...) 2) As posições 84.02 a 84.24 agrupam outras máquinas e aparelhos que nelas se classificam principalmente em razão da sua função. (...) Nesh Posição 84.13 - Bombas para líquidos, mesmo com dispositivo medidor; elevadores de líquidos. NOTA EXPLICATIVA (...) Segundo o seu modo de funcionamento, os aparelhos da presente posição podem ser divididos em cinco categorias. A.- BOMBAS VOLUMÉTRICAS ALTERNATIVAS (...) B.- BOMBAS VOLUMÉTRICAS ROTATIVAS (...) C.- BOMBAS CENTRÍFUGAS Estas bombas são aparelhos, alimentados axialmente, nos quais o líquido, posto em rotação por uma roda de pás ou de palhetas, é projetado pela força centrífuga em um corpo coletor anular provido de uma abertura tangencial; o coletor é às vezes provido de uma coroa de pás divergentes, chamada "difusor", que transforma a força viva em compressão elevada. Para aumentar a potência da pressão, utilizam-se as bombas centrífugas "multicelulares" que, como turbinas escalonadas, combinam a ação de várias rodas de pás dispostas num mesmo eixo. Fl. 1403DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.433 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19378.720116/2021-41 12 Dada a sua grande velocidade de rotação, as bombas centrífugas são sempre acionadas por um motor ou uma turbina, geralmente em acoplamento direto, enquanto que as bombas alternativas ou rotativas necessitam de um redutor de velocidade. Este grupo engloba, por exemplo, as bombas submersíveis, os circuladores de aquecimento central, as bombas de rodas de canais, as bombas de canal lateral e as bombas de roda radial. D.- OUTRAS BOMBAS Neste grupo, podem citar-se: 1) As bombas eletromagnéticas: são bombas sem partes em movimento, nas quais o líquido é colocado em circulação pelo fenômeno de condução elétrica. Estas bombas não devem ser confundidas com certas bombas volumétricas alternativas cujo movimento de vaivém de um pistão é obtido por efeito eletromagnético, nem com as que funcionam por indução magnética. 2) Os ejetores: neste tipo de bombas, a energia cinética, de um jato de fluido sob pressão (ar, vapor, água, etc.), ejetado por um duto provoca a aspiração e a movimentação do líquido introduzido. Estes aparelhos comportam uma combinação, mais ou menos complexa, de dutos divergentes e convergentes ou dispostos em uma câmara fechada onde desembocam os tubos. Os injetores do tipo Giffard, para alimentar de água as caldeiras e as bombas de injeção para motores, que funcionam do mesmo modo, são também aqui classificados. 3) As bombas de emulsão (bombas de elevação de gás), nas quais o líquido se encontra emulsionado com gás comprimido no tubo de evacuação, resultando a força de compressão da diminuição da massa volumétrica do líquido emulsionado. Quando o gás comprimido é o ar, trata-se de uma bomba de emulsão de ar. 4) Certas bombas nas quais o líquido é elevado por pressão de ar, de vapor ou de gás atuando diretamente sobre a superfície do líquido, tais como: a) As bombas de combustão de gás, que utilizam a força explosiva de um carburante (ou gás) próprio para elevar líquidos. b) Os pulsadores a pressão de vapor (pulsômetros), nos quais a expulsão do líquido movimentado é provocada pela chegada do vapor à câmara do pulsador; a aspiração é obtida pela depressão devida à condensação do vapor nesta câmara. c) Os elevadores de câmara de ar (monte-jus), que utilizam ar comprimido. d) Os carneiros hidráulicos, nos quais o aumento de energia do líquido a bombear resulta da interrupção periódica e abrupta do fluxo do líquido no conduto de suprimento, de tal modo que uma parte reduzida desta água motriz seja colocada sob pressão e constitua o débito do aparelho. E.- ELEVADORES DE LÍQUIDOS (...) (destaquei)” Fl. 1404DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.433 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19378.720116/2021-41 13 Segundo se depreende das Nesh, as bombas centrífugas da subposição NCM/SH 8413.70 abrangem os aparelhos nos quais o fluido é colocado em movimento por uma roda de pás ou palhetas, valendo-se da força centrífuga para a sua propulsão. Lado outro, os equipamentos que impulsionam o líquido por mecanismos diversos — tais como condução elétrica, energia cinética, pressão de ar, pressão de vapor, combustão de gás, ar comprimido, ou qualquer outro fenômeno diferente da centrifugação, são classificadas residualmente como “Outras Bombas” na subposição NCM/SH 8413.80. No texto da subposição 8413.70 - "Outras bombas centrífugas", o termo "Outras" é inclusivo e serve para abrigar as espécies e variações tecnológicas que, embora divirjam do desenho elementar ou do fluxo clássico radial puro (com alimentação axial e carcaça em voluta típica), permanecem utilizando a força centrífuga como o fenômeno dinâmico essencial de impulsão. Não é ocioso sublinhar que a própria Nesh, ao listar os equipamentos abrangidos pelas bombas centrífugas, vale-se de expressão exemplificativa — "Este grupo engloba, por exemplo" —, sinalizando que o rol não é taxativo. O critério de inclusão na subposição 8413.70 é, portanto, funcional (operar por força centrífuga), e não morfológico (possuir voluta convencional ou alimentação axial). Assim, afastar a bomba periférica da subposição NCM/SH 8413.70 pelo fato de ela possuir características peculiares (como o rotor periférico) equivaleria a esvaziar por completo o propósito integrador da referida subposição do gênero. As Soluções de Consulta Cosit nº 98.534/2019 e nº 98.609/2019 guardam irretocável acerto técnico ao reconhecer que, realizando o deslocamento do líquido por impulsos sucessivos gerados por força centrífuga, bombas periféricas são bombas centrífugas cujo enquadramento se dá no código NCM 8413.70.80. Como se viu, o Grupo D da Nesh da Posição NCM/SH 8413, que rege a subposição almejada pela contribuinte, elenca de forma conceitual quais são as tecnologias residuais ali inseridas: bombas eletromagnéticas, ejetores (energia cinética de um jato de fluido), bombas de emulsão, aparelhos por pressão direta de ar, vapor ou gás, carneiros hidráulicos etc. Como se depreende, a subposição residual (8413.80 - "Outras Bombas") foi estruturada para acolher sistemas de bombeamento que prescindem de forças mecânicas rotativas baseadas em força centrífuga. Um equipamento dotado de eixo, mancais de rolamento e um rotor mecânico de palhetas operando por energia cinética e força centrífuga — fatos minuciosamente detalhados no laudo pericial judicial (fls. 1317 e 1319) — não possui qualquer ponto de contato com aqueles descritos no Grupo D da Nesh da Posição NCM/SH 8413. Assim sendo, com as mais respeitosas vênias à ilustre Relatora, entendo que deve ser mantida a reclassificação fiscal, haja vista que o auto de infração atribuiu o correto enquadramento tarifário às bombas periféricas importadas no código NCM 8413.70.80. Em Fl. 1405DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.433 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19378.720116/2021-41 14 decorrência do erro na classificação fiscal adotada pelo importador, é devido o lançamento de ofício das diferenças de tributos e contribuições, e seus correspondentes consectários legais. É como voto. Assinado Digitalmente Renata Casorla Mascareñas Fl. 1406DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Vencido Voto Vencedor

score : 1.0
11495316 #
Numero do processo: 13971.722950/2012-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 04 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. AUSENTE. O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas. (Tema 339 – STF). EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. CONFIRMAÇÃO. POSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO DOS TRIBUTOS POR OUTRA FORMA DE TRIBUTAÇÃO. INDEPENDÊNCIA. SÚMULA CARF nº 77. É legítima a lavratura de auto de infração de contribuições sociais decorrentes da exclusão da empresa do Simples Nacional, ainda que o contribuinte tenha impugnado ADE de exclusão. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EMPRESA EXCLUÍDA DO SIMPLES. A pessoa jurídica excluída do Simples fica obrigada a recolher as contribuições destinadas à Previdência Social, relativas à quota patronal e das destinadas a outras entidades e fundos (Terceiros), de acordo com a legislação aplicada às empresas em geral. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. APROVEITAMENTO. RECOLHIMENTOS PARA O SIMPLES NACIONAL. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF nº 76. Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. SALÁRIO MATERNIDADE. NÃO INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. TEMA 72. O STF, no âmbito do RE 576.967, entendeu ser inconstitucional a incidência de contribuição previdenciária a cargo do empregador sobre o salário maternidade. AFASTAMENTO POR AUXÍLIO-DOENÇA. PRIMEIROS 15 DIAS. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. A importância paga pelo empregador ao empregado nos 15 primeiros dias anteriores à incapacidade/auxílio-doença, não está sujeita à incidência da contribuição previdenciária a cargo do empregador, conforme decisão definitiva do STJ com repercussão geral, que deve ser reproduzida pelas turmas do CARF, nos termos do art. 62, § 2º do RICARF. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. DECISÃO VINCULANTE DO STF NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 1.072.485. TEMA 985. MODULAÇÃO DOS EFEITOS. O terço constitucional de férias compõe a base de cálculo das contribuições devidas à seguridade social, somente a partir da publicação da ata do julgamento do RE 1.072.485, a saber, 15/09/2020. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. FÉRIAS GOZADAS. INCIDÊNCIA. Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos ou creditados a título de férias gozadas. ADICIONAL DE INSALUBRIDADE. TEMA 1252 DO STJ. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. Tema 1252 do STJ: Incide a Contribuição Previdenciária patronal sobre o Adicional de Insalubridade, em razão da sua natureza remuneratória. HORAS EXTRAS. NATUREZA REMUNERATÓRIA. TEMA 687 DO STJ. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. As horas extraordinárias e seus respectivos adicionais possuem natureza remuneratória, por se destinarem à contraprestação de trabalho efetivamente realizado além da jornada normal. O entendimento firmado no Tema Repetitivo nº 687 do STJ reconhece expressamente a legitimidade da incidência da contribuição previdenciária patronal sobre tais parcelas. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. GILRAT/SAT. AUTOENQUADRAMENTO EM GRAU DE RISCO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA. O grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho é mensurado conforme a atividade econômica preponderante da empresa, elaborada com base na Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE, prevista no Anexo V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048 de 1999. É responsabilidade da empresa o autoenquadramento na atividade preponderante, cabendo ao fisco, em caso de erro no autoenquadramento, adotar as medidas necessárias à sua correção. Configura-se ônus da empresa a demonstração, mediante documentação idônea, do enquadramento diferenciado da atividade preponderante de cada um de seus estabelecimentos individualmente considerados. RETROATIVIDADE BENIGNA. MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. SÚMULA CARF Nº 196. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal, bem como de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória nº 449/2008, a retroatividade benigna deve ser aferida da seguinte forma: (i) em relação à obrigação principal, os valores lançados sob amparo da antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 deverão ser comparados com o que seria devido nos termos da nova redação dada ao mesmo art. 35 pela Medida Provisória nº 449/2008, sendo a multa limitada a 20%; e (ii) em relação à multa por descumprimento de obrigação acessória, os valores lançados nos termos do art. 32, IV, §§ 4º e 5º, da Lei nº 8.212/1991, de forma isolada ou não, deverão ser comparados com o que seria devido nos termos do que dispõe o art. 32-A da mesma Lei nº 8.212/1991. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONFIGURAÇÃO CONDUTAS PREVISTAS NOS ARTIGOS 71, 72 E 73 DA LEI Nº 4.502 DE 1964. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo se enquadra nas hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502 de 1964. RETROATIVIDADE DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA. LEI Nº 14.689/2023. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA REDUZIDA A 100%. As multas aplicadas por infrações administrativas tributárias devem seguir o princípio da retroatividade da legislação mais benéfica. Deve ser observado, no caso concreto, a superveniência da Lei nº 14.689/2023, que alterou o percentual da multa qualificada, reduzindo-a a 100%, por força da nova redação do art. 44, da Lei nº 9.430/1996, nos termos do art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional. GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. SOLIDARIEDADE PASSIVA. SÚMULA CARF 210. INCISO IX DO ART. 30 DA LEI Nº 8.212/91. Na presença de elementos que apontam para a existência de grupo econômico entre empresas, correta a atribuição responsabilização solidária pelo crédito tributário objeto do lançamento, sem necessidade de demonstração de interesse comum. Inteligência da Súmula CARF nº 210 c/c inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991.
Numero da decisão: 2201-012.930
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: I)rejeitar a preliminar arguida, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário da Contribuinte MESH COMERCIO E CONFECCOES DE ROUPAS LTDA para: (i) excluir da base de cálculo do lançamento os valores pagos a título de: (a) salário maternidade; (b) auxílio-doença nos primeiros 15 dias; e (c) 1/3 de férias; (ii) aplicar a retroatividade benigna em relação à multa de ofício aplicada nas competências 01/2008 a 11/2008, nos termos da Súmula CARF Nº 196; (iii) reduzir a multa de ofício aplicada nas competências 12/2008 e 13/2008 ao percentual de 100%, em virtude da retroatividade benigna; (iv) determinar o aproveitamento de eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados pela sistemática simplificada, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada; II) rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, negar provimento aos recursos voluntários dos responsáveis solidários. Assinado Digitalmente Luana Esteves Freitas – Relatora Assinado Digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Weber Allak da Silva, Luana Esteves Freitas, Cleber Ferreira Nunes Leite, Ésio Kennedy Souza Silva, Thiago Alvares Feital, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente).
Nome do relator: LUANA ESTEVES FREITAS

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Sep 19 09:00:00 UTC 2026

anomes_sessao_s : 202608

camara_s : Segunda Câmara

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2026

numero_processo_s : 13971.722950/2012-03

anomes_publicacao_s : 202609

conteudo_id_s : 7409559

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2026

numero_decisao_s : 2201-012.930

nome_arquivo_s : Decisao_13971722950201203.PDF

ano_publicacao_s : 2026

nome_relator_s : LUANA ESTEVES FREITAS

nome_arquivo_pdf_s : 13971722950201203_7409559.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: I)rejeitar a preliminar arguida, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário da Contribuinte MESH COMERCIO E CONFECCOES DE ROUPAS LTDA para: (i) excluir da base de cálculo do lançamento os valores pagos a título de: (a) salário maternidade; (b) auxílio-doença nos primeiros 15 dias; e (c) 1/3 de férias; (ii) aplicar a retroatividade benigna em relação à multa de ofício aplicada nas competências 01/2008 a 11/2008, nos termos da Súmula CARF Nº 196; (iii) reduzir a multa de ofício aplicada nas competências 12/2008 e 13/2008 ao percentual de 100%, em virtude da retroatividade benigna; (iv) determinar o aproveitamento de eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados pela sistemática simplificada, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada; II) rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, negar provimento aos recursos voluntários dos responsáveis solidários. Assinado Digitalmente Luana Esteves Freitas – Relatora Assinado Digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Weber Allak da Silva, Luana Esteves Freitas, Cleber Ferreira Nunes Leite, Ésio Kennedy Souza Silva, Thiago Alvares Feital, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente).

dt_sessao_tdt : Tue Aug 04 00:00:00 UTC 2026

id : 11495316

ano_sessao_s : 2026

ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. AUSENTE. O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas. (Tema 339 – STF). EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. CONFIRMAÇÃO. POSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO DOS TRIBUTOS POR OUTRA FORMA DE TRIBUTAÇÃO. INDEPENDÊNCIA. SÚMULA CARF nº 77. É legítima a lavratura de auto de infração de contribuições sociais decorrentes da exclusão da empresa do Simples Nacional, ainda que o contribuinte tenha impugnado ADE de exclusão. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EMPRESA EXCLUÍDA DO SIMPLES. A pessoa jurídica excluída do Simples fica obrigada a recolher as contribuições destinadas à Previdência Social, relativas à quota patronal e das destinadas a outras entidades e fundos (Terceiros), de acordo com a legislação aplicada às empresas em geral. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. APROVEITAMENTO. RECOLHIMENTOS PARA O SIMPLES NACIONAL. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF nº 76. Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. SALÁRIO MATERNIDADE. NÃO INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. TEMA 72. O STF, no âmbito do RE 576.967, entendeu ser inconstitucional a incidência de contribuição previdenciária a cargo do empregador sobre o salário maternidade. AFASTAMENTO POR AUXÍLIO-DOENÇA. PRIMEIROS 15 DIAS. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. A importância paga pelo empregador ao empregado nos 15 primeiros dias anteriores à incapacidade/auxílio-doença, não está sujeita à incidência da contribuição previdenciária a cargo do empregador, conforme decisão definitiva do STJ com repercussão geral, que deve ser reproduzida pelas turmas do CARF, nos termos do art. 62, § 2º do RICARF. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. DECISÃO VINCULANTE DO STF NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 1.072.485. TEMA 985. MODULAÇÃO DOS EFEITOS. O terço constitucional de férias compõe a base de cálculo das contribuições devidas à seguridade social, somente a partir da publicação da ata do julgamento do RE 1.072.485, a saber, 15/09/2020. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. FÉRIAS GOZADAS. INCIDÊNCIA. Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos ou creditados a título de férias gozadas. ADICIONAL DE INSALUBRIDADE. TEMA 1252 DO STJ. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. Tema 1252 do STJ: Incide a Contribuição Previdenciária patronal sobre o Adicional de Insalubridade, em razão da sua natureza remuneratória. HORAS EXTRAS. NATUREZA REMUNERATÓRIA. TEMA 687 DO STJ. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. As horas extraordinárias e seus respectivos adicionais possuem natureza remuneratória, por se destinarem à contraprestação de trabalho efetivamente realizado além da jornada normal. O entendimento firmado no Tema Repetitivo nº 687 do STJ reconhece expressamente a legitimidade da incidência da contribuição previdenciária patronal sobre tais parcelas. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. GILRAT/SAT. AUTOENQUADRAMENTO EM GRAU DE RISCO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA. O grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho é mensurado conforme a atividade econômica preponderante da empresa, elaborada com base na Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE, prevista no Anexo V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048 de 1999. É responsabilidade da empresa o autoenquadramento na atividade preponderante, cabendo ao fisco, em caso de erro no autoenquadramento, adotar as medidas necessárias à sua correção. Configura-se ônus da empresa a demonstração, mediante documentação idônea, do enquadramento diferenciado da atividade preponderante de cada um de seus estabelecimentos individualmente considerados. RETROATIVIDADE BENIGNA. MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. SÚMULA CARF Nº 196. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal, bem como de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória nº 449/2008, a retroatividade benigna deve ser aferida da seguinte forma: (i) em relação à obrigação principal, os valores lançados sob amparo da antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 deverão ser comparados com o que seria devido nos termos da nova redação dada ao mesmo art. 35 pela Medida Provisória nº 449/2008, sendo a multa limitada a 20%; e (ii) em relação à multa por descumprimento de obrigação acessória, os valores lançados nos termos do art. 32, IV, §§ 4º e 5º, da Lei nº 8.212/1991, de forma isolada ou não, deverão ser comparados com o que seria devido nos termos do que dispõe o art. 32-A da mesma Lei nº 8.212/1991. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONFIGURAÇÃO CONDUTAS PREVISTAS NOS ARTIGOS 71, 72 E 73 DA LEI Nº 4.502 DE 1964. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo se enquadra nas hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502 de 1964. RETROATIVIDADE DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA. LEI Nº 14.689/2023. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA REDUZIDA A 100%. As multas aplicadas por infrações administrativas tributárias devem seguir o princípio da retroatividade da legislação mais benéfica. Deve ser observado, no caso concreto, a superveniência da Lei nº 14.689/2023, que alterou o percentual da multa qualificada, reduzindo-a a 100%, por força da nova redação do art. 44, da Lei nº 9.430/1996, nos termos do art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional. GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. SOLIDARIEDADE PASSIVA. SÚMULA CARF 210. INCISO IX DO ART. 30 DA LEI Nº 8.212/91. Na presença de elementos que apontam para a existência de grupo econômico entre empresas, correta a atribuição responsabilização solidária pelo crédito tributário objeto do lançamento, sem necessidade de demonstração de interesse comum. Inteligência da Súmula CARF nº 210 c/c inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991.

atualizado_anexos_dt : Sat Oct 10 09:43:28 UTC 2026

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1878655424072253440

conteudo_txt : Metadados => date: 2026-08-24T19:51:56Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-08-24T19:51:56Z; Last-Modified: 2026-08-24T19:51:56Z; dcterms:modified: 2026-08-24T19:51:56Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-08-24T19:51:56Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-08-24T19:51:56Z; meta:save-date: 2026-08-24T19:51:56Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-08-24T19:51:56Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-08-24T19:51:56Z; created: 2026-08-24T19:51:56Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 33; Creation-Date: 2026-08-24T19:51:56Z; pdf:charsPerPage: 1773; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-08-24T19:51:56Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 13971.722950/2012-03 ACÓRDÃO 2201-012.930 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 4 de agosto de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE MESH COMÉRCIO E CONFECÇÕES DE ROUPAS LTDA. E OUTROS INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. AUSENTE. O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas. (Tema 339 – STF). EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. CONFIRMAÇÃO. POSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO DOS TRIBUTOS POR OUTRA FORMA DE TRIBUTAÇÃO. INDEPENDÊNCIA. SÚMULA CARF nº 77. É legítima a lavratura de auto de infração de contribuições sociais decorrentes da exclusão da empresa do Simples Nacional, ainda que o contribuinte tenha impugnado ADE de exclusão. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EMPRESA EXCLUÍDA DO SIMPLES. A pessoa jurídica excluída do Simples fica obrigada a recolher as contribuições destinadas à Previdência Social, relativas à quota patronal e das destinadas a outras entidades e fundos (Terceiros), de acordo com a legislação aplicada às empresas em geral. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. APROVEITAMENTO. RECOLHIMENTOS PARA O SIMPLES NACIONAL. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF nº 76. Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Fl. 1097DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.930 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.722950/2012-03 2 SALÁRIO MATERNIDADE. NÃO INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. TEMA 72. O STF, no âmbito do RE 576.967, entendeu ser inconstitucional a incidência de contribuição previdenciária a cargo do empregador sobre o salário maternidade. AFASTAMENTO POR AUXÍLIO-DOENÇA. PRIMEIROS 15 DIAS. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. A importância paga pelo empregador ao empregado nos 15 primeiros dias anteriores à incapacidade/auxílio-doença, não está sujeita à incidência da contribuição previdenciária a cargo do empregador, conforme decisão definitiva do STJ com repercussão geral, que deve ser reproduzida pelas turmas do CARF, nos termos do art. 62, § 2º do RICARF. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. DECISÃO VINCULANTE DO STF NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 1.072.485. TEMA 985. MODULAÇÃO DOS EFEITOS. O terço constitucional de férias compõe a base de cálculo das contribuições devidas à seguridade social, somente a partir da publicação da ata do julgamento do RE 1.072.485, a saber, 15/09/2020. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. FÉRIAS GOZADAS. INCIDÊNCIA. Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos ou creditados a título de férias gozadas. ADICIONAL DE INSALUBRIDADE. TEMA 1252 DO STJ. SALÁRIO-DE- CONTRIBUIÇÃO. Tema 1252 do STJ: Incide a Contribuição Previdenciária patronal sobre o Adicional de Insalubridade, em razão da sua natureza remuneratória. HORAS EXTRAS. NATUREZA REMUNERATÓRIA. TEMA 687 DO STJ. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. As horas extraordinárias e seus respectivos adicionais possuem natureza remuneratória, por se destinarem à contraprestação de trabalho efetivamente realizado além da jornada normal. O entendimento firmado no Tema Repetitivo nº 687 do STJ reconhece expressamente a legitimidade da incidência da contribuição previdenciária patronal sobre tais parcelas. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. GILRAT/SAT. AUTOENQUADRAMENTO EM GRAU DE RISCO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA. O grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho é mensurado conforme a atividade econômica Fl. 1098DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.930 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.722950/2012-03 3 preponderante da empresa, elaborada com base na Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE, prevista no Anexo V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048 de 1999. É responsabilidade da empresa o autoenquadramento na atividade preponderante, cabendo ao fisco, em caso de erro no autoenquadramento, adotar as medidas necessárias à sua correção. Configura-se ônus da empresa a demonstração, mediante documentação idônea, do enquadramento diferenciado da atividade preponderante de cada um de seus estabelecimentos individualmente considerados. RETROATIVIDADE BENIGNA. MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. SÚMULA CARF Nº 196. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal, bem como de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória nº 449/2008, a retroatividade benigna deve ser aferida da seguinte forma: (i) em relação à obrigação principal, os valores lançados sob amparo da antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 deverão ser comparados com o que seria devido nos termos da nova redação dada ao mesmo art. 35 pela Medida Provisória nº 449/2008, sendo a multa limitada a 20%; e (ii) em relação à multa por descumprimento de obrigação acessória, os valores lançados nos termos do art. 32, IV, §§ 4º e 5º, da Lei nº 8.212/1991, de forma isolada ou não, deverão ser comparados com o que seria devido nos termos do que dispõe o art. 32-A da mesma Lei nº 8.212/1991. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONFIGURAÇÃO CONDUTAS PREVISTAS NOS ARTIGOS 71, 72 E 73 DA LEI Nº 4.502 DE 1964. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo se enquadra nas hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502 de 1964. RETROATIVIDADE DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA. LEI Nº 14.689/2023. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA REDUZIDA A 100%. As multas aplicadas por infrações administrativas tributárias devem seguir o princípio da retroatividade da legislação mais benéfica. Deve ser observado, no caso concreto, a superveniência da Lei nº 14.689/2023, que alterou o percentual da multa qualificada, reduzindo-a a 100%, por força da nova redação do art. 44, da Lei nº 9.430/1996, nos termos do art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional. Fl. 1099DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.930 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.722950/2012-03 4 GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. SOLIDARIEDADE PASSIVA. SÚMULA CARF 210. INCISO IX DO ART. 30 DA LEI Nº 8.212/91. Na presença de elementos que apontam para a existência de grupo econômico entre empresas, correta a atribuição responsabilização solidária pelo crédito tributário objeto do lançamento, sem necessidade de demonstração de interesse comum. Inteligência da Súmula CARF nº 210 c/c inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: I)rejeitar a preliminar arguida, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário da Contribuinte MESH COMERCIO E CONFECCOES DE ROUPAS LTDA para: (i) excluir da base de cálculo do lançamento os valores pagos a título de: (a) salário maternidade; (b) auxílio-doença nos primeiros 15 dias; e (c) 1/3 de férias; (ii) aplicar a retroatividade benigna em relação à multa de ofício aplicada nas competências 01/2008 a 11/2008, nos termos da Súmula CARF Nº 196; (iii) reduzir a multa de ofício aplicada nas competências 12/2008 e 13/2008 ao percentual de 100%, em virtude da retroatividade benigna; (iv) determinar o aproveitamento de eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados pela sistemática simplificada, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada; II) rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, negar provimento aos recursos voluntários dos responsáveis solidários. Assinado Digitalmente Luana Esteves Freitas – Relatora Assinado Digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Weber Allak da Silva, Luana Esteves Freitas, Cleber Ferreira Nunes Leite, Ésio Kennedy Souza Silva, Thiago Alvares Feital, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente). RELATÓRIO Do Auto de Infração Fl. 1100DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.930 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.722950/2012-03 5 Por esclarecedor, utilizo para compor o presente relatório, o resumo constante no acórdão de piso (fl. 930): Trata o presente processo de Auto de Infração n° 37.350.5230, lavrado em 14/11/2012, no valor de R$ 183.729,22 (cento e oitenta e três mil setecentos e vinte e nove reais e vinte e dois centavos), que acrescido de multa e juros corresponde ao valor consolidado de R$ 423.065,01 (quatrocentos e vinte e três mil e sessenta e cinco reais e um centavo), referente a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa incidente sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidente sobre a remuneração paga aos segurados empregados. 2. De acordo com o Relatório Fiscal, de fls. 41/48 do processo digital, foi realizada auditoria na autuada, MESH COMÉRCIO E CONFECCÇÕES DE ROUPAS LTDA e, concomitantemente, nas empresas COISAS DE BEBÊ CONFECÇÕES LTDA, CNPJ:01.232.447/000159 e WRCP TÊXTIL LTDA, CNPJ: 08.869.459/000138, onde constatou-se que as mesmas integram, DE FATO, um GRUPO ECONÔMICO e, portanto, solidariamente responsáveis, conforme fundamentações legais: CTN, art. 124, I e II; Lei 8.212/1991, art. 30, IX; Decreto 3.048/1999, art. 222 e Lei 8.884/1994, art. 17. 3. Diante disso, a autuada foi excluída do Simples Nacional, conforme Ato Declaratório Executivo – ADE nº 49, de 01/11/2012 (fls. 23), decorrente do processo de Representação Administrativa para Exclusão do SIMPLES, processo nº 13971.722923/2012 22. 4. Em função da exclusão do SIMPLES, com efeito retroativo a 01/01/2008, foram lançadas as contribuições previdenciárias patronais que deixaram de ser recolhidas. O presente lançamento compreende o período de 01/2008 a 12/2008, inclusive o décimo terceiro salário. 5. Os fatos geradores foram as contribuições omitidas nas GFIPs, devido à informação incorreta referente à opção pelo SIMPLES e não recolhidas, constantes das folhas de pagamento. Nos levantamentos E1 (segurados empregados) e I1 (contribuintes individuais), referentes ao período de 01/2008 a 11/2008, foi aplicada a multa de 75% prevista na Lei 11.941/2009, que se mostrou mais benéfica ao contribuinte, conforme demonstrado no comparativo de fls. 39/40. Nos levantamentos E2 (segurados empregados) e I2 (contribuintes individuais), que abrangem as competências 12/2008 e 13/2008, foi aplicada a multa qualificada (2 x 75%), por serem posteriores à edição da Medida Provisória nº 449, de 04/12/2008, que estipulou a nova multa, e por ter restado caracterizada a prática de sonegação e conluio previstas nos arts. 71 e 73 da Lei 4.502/64. Fl. 1101DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.930 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.722950/2012-03 6 6. “Numa análise objetiva dos fatos relatados, constantes nos processos de Representações Administrativas para Exclusão do SIMPLES, mencionados no item 5, frente aos dispositivos legais em comento, não há como deixar de enquadrar a ação dolosa, intencional e consciente de simular a existência de empresas, formalmente distintas (MESH, COISAS DE BEBÊ e WRCP), porém formando um GRUPO ECONÔMICO DE FATO, com o evidente intuito de impedir o conhecimento do Fisco da incidência da Contribuição Previdenciária Patronal sobre as remunerações dos segurados das empresas MESH e COISAS DE BEBÊ (optantes, indevidamente, pelo SIMPLES), nas definições de sonegação e conluio, contidas nos arts. 72 e 73 da Lei 4.502/64, já transcritos.” Da Impugnação Cientificada do Auto de Infração na data de 26/11/2012, por via postal, conforme Aviso de Recebimento – A.R. acostado à fl. 59, a contribuinte, Mesh Comércio e Confecções de Roupas Ltda., apresentou Impugnação (fls. 203/258) na data de 26/12/2012 (fl. 203), na qual alegou, em breve síntese, as razões sintetizadas nos tópicos abaixo: I – Da Representação para Fins Penais; II – Da reunião dos processos administrativos; III – Da Preliminar – Exclusão do Simples Nacional – ausência de efetividade; IV – No mérito: (a) Da insubsistência da exclusão do Simples Nacional; (b) Da insubsistência do Auto de Infração: (b.1.) Da exigência de contribuição sobre verbas indenizatórias: (i) Salário-maternidade; (ii) Auxílio-doença; (iii) 1/3 de férias; (iv) Férias; (v) Demais verbas de natureza indenizatória. (b.2.) SAT/GILRAT: (i) impossibilidade de aplicação de um único SAT/GILRAT para a empresa; (ii) Aumento da alíquota de 2% para 3%; (b.3.) Dos Valores Pagos pela empresa no âmbito do Simples Nacional; (b.4.) Competências de 12/2008 e 13/2008 – inexigibilidade das contribuições; (c) Da Inaplicabilidade da Multa Qualificada. Fl. 1102DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.930 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.722950/2012-03 7 As responsáveis solidárias, Coisas de Bebê Confecções Ltda. e WRCP Ltda., foram cientificadas do Auto de Infração na data de 26/11/2012, por via postal, conforme avisos de recebimento – ARs acostados às fls. 58/59, respectivamente, e apresentaram Impugnações (fls. 792/799 e fls. 857/864) na data de 26/12/2012 (fls. 792 e 857), embora em peças apartadas, contendo os mesmos argumentos, que sintetizo nos tópicos abaixo: I – Da inexistência de solidariedade: (a) Ausência de fundamentos legais que justifiquem; (b) A independência das pessoas jurídicas; (c) Inexistência de atos de gestão; Por fim, reiteraram os demais argumentos apresentados pela contribuinte. Da Decisão de Primeira Instância A 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ – DRJ/RJ1, em sessão realizada em 19/11/2013, por meio do acórdão nº 12-61.462 (fls. 927/942) julgou improcedente as impugnações apresentadas, cujo acórdão restou assim ementado (fls. 927/928): Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA SOBRE A REMUNERAÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Devida contribuição a cargo da empresa sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviços. SIMPLES. Tendo sido a empresa excluída do SIMPLES, são devidas as contribuições patronais previdenciárias sobre as remunerações pagas aos seus empregados e contribuintes individuais que lhes prestaram serviços. TRAMITAÇÃO SIMULTÂNEA DO PROCESSO ADMINISTRATIVO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL E DO LANÇAMENTO FISCAL CORRESPONDENTE À CONSTITUIÇÃO DOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS DECORRENTES DA EXCLUSÃO. A simultânea tramitação dos processos administrativos relativos à discussão da exclusão do Simples e do processo fiscal tendente à determinação do crédito tributário é perfeitamente possível e não causa nenhum prejuízo ao Contribuinte. Ao contrário, a providência assegura a celeridade dos procedimentos administrativos, além de evitar a ocorrência da decadência, sendo, portanto, plenamente justificável. Fl. 1103DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.930 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.722950/2012-03 8 REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS (RFFP). DEVER FUNCIONAL. LEGALIDADE. A emissão de Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP) constitui dever funcional dos Auditores Fiscais, não cabendo no julgamento administrativo a apreciação do conteúdo desta peça, à qual será enviada às autoridades competentes em momento oportuno. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. SALÁRIO MATERNIDADE. AUXÍLIO-DOENÇA. PRIMEIROS 15 DIAS DE AFASTAMENTO. FÉRIAS E 1/3 DE FÉRIAS. Os pagamentos legalmente considerados como salário de contribuição, para fins previdenciários, compõem a base de cálculo da contribuição à Seguridade Social. COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS EFETUADOS EM CONFORMIDADE COM A LEGISLAÇÃO QUE REGE O SIMPLES FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias, mediante aproveitamento de valores recolhidos indevidamente para o Simples. MULTA MAIS BENÉFICA É devida a comparação entre a multa de ofício de 75%, instituída pelo art. 35A da Lei 8.212/91, incluído pela MP 449/08, convertida na Lei 11.941/2009 e as multas do art. 35 da Lei 8.212/91 e 32 § 5º da Lei 8.212/91, com a redação da Lei 9.528/97, prevalecendo a mais favorável ao contribuinte. Aplicação do art. 106 inc. II “c” do Código Tributário Nacional. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Constatada a prática de atos com o intuito de ocultar a ocorrência do fato gerador do tributo, é cabível a exigência do tributo, acrescido de multa qualificada, conforme o art. 44, inciso I e §1º, da Lei nº. 9.430, de 1996. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Empresa integrante de Grupo Econômico de Fato responde, solidariamente, pelo crédito tributário lançado, conforme determina o inciso IX do artigo 30 da Lei 8.212/91. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Dos Recursos Voluntários A contribuinte foi intimada do acórdão prolatado pela DRJ na data de 29/11/2013, por via postal, conforme Aviso de Recebimento – A.R. acostado à fl. 945, e apresentou Recurso Voluntário (fls. 979/1033), na data de 23/12/2013 (fl. 979), no qual repisou os mesmos argumentos apresentados na Impugnação, acrescentando acerca da Nulidade do Acórdão Recorrido, em virtude do cerceamento do direito de defesa. Fl. 1104DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.930 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.722950/2012-03 9 As responsáveis solidárias, Coisas de Bebê Confecções Ltda. – EPP e WRCP Têxtil Ltda – EPP, foram intimadas do acórdão prolatado pela DRJ na data de 29/11/2013, por via postal, conforme Avisos de Recebimento – ARs acostados às fls. 947 e 949, respectivamente, e apresentaram Recursos Voluntários individuais (fls. 951/964 e 965/978, respectivamente) na data de 23/12/2013 (fls. 951/965), contendo os mesmos argumentos apresentados nas Impugnações, e acrescentaram acerca da Nulidade do Acórdão Recorrido, em virtude do cerceamento do direito de defesa. Do Acórdão de Recurso Voluntário A 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 1ª Seção de Julgamento deste CARF, em sessão realizada na data de 17/05/2018, por meio do acórdão nº 1301-003.074 (fls. 1050/1058), declinou da competência à Segunda Seção de Julgamento, cujo acórdão restou assim ementado (fl. 1050): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXCLUSÃO DO SIMPLES. INCOMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 3º, IV, do Anexo II do RICARF, os recursos interpostos em processos que versem sobre aplicação da legislação relativa a Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, são da competência da Segunda Seção e, não, desta Primeira. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência à Segunda Seção de Julgamento. A contribuinte e os responsáveis tributários foram intimados acerca do acórdão proferido, e não apresentaram manifestação. Em seguida o processo foi encaminhado para a Segunda Seção de Julgamento, sendo distribuído a esta Conselheira Relatora. Sem contrarrazões. É o relatório. VOTO Conselheira Luana Esteves Freitas, Relatora Os recursos voluntários são tempestivos e atendem às demais condições de admissibilidade, razão pela qual devem ser conhecidos. Preliminar: Da Nulidade da Decisão Recorrida Fl. 1105DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.930 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.722950/2012-03 10 As Recorrentes, tanto a contribuinte quanto as responsáveis tributárias, suscitam preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, sob o argumento de cerceamento ao direito de defesa, visto que – supostamente – a DRJ não teria analisado de modo pormenorizado todos os fatos e fundamentos expostos nas impugnações. Entretanto, não assiste razão às Recorrentes. Isso porque, ao contrário do que sustentam as recorrentes, o que se observa por meio da leitura dos Recursos Voluntários, é um mero inconformismo com os fundamentos de decidir expostos na decisão de primeiro grau, o que, por sua vez, não caracteriza cerceamento ao direito de defesa e tampouco nulidade, pois o acórdão de piso analisou e julgou todas as teses apresentadas. No que tange ao exame pormenorizado de cada uma das argumentações jurídicas ou provas trazidas na defesa, assim como também o racional utilizado na decisão de origem, enquanto sucinto, destaco desde já o decidido pelo Supremo Tribunal Federal – STF, em sede de repercussão geral – AI 791.292, com a fixação do Tema nº 339, cuja tese a seguir transcrevo: Tema 339 – STF O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas. É esse o entendimento deste Conselho, vejamos pelas ementas a seguir transcritas: Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 NULIDADE DO LANÇAMENTO E DA DECISÃO DE ORIGEM.NÃO OCORRÊNCIA O lançamento que preenche os requisitos legais de validade e está devidamente instruído não incorre em causa de nulidade. Não é nula a decisão proferida por autoridade competente e sem preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DE DEFESA.INEXISTÊNCIA Inexiste prejuízo a defesa quando o contribuinte demonstra amplo conhecimento daqueles fatos contra si imputados pela autoridade e deles se defende exaustivamente. IRREGULARIDADES NO PROCEDIMENTO FISCAL NÃO ACARRETA NULIDADE DO LANÇAMENTO Irregularidade na emissão, alteração ou prorrogação do MPF não acarreta a nulidade do lançamento. (Súmula CARF nº 171) DECISÃO SUCINTA.POSSIBILIDADE O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas. (Tema 339 – STF) SUJEIÇÃO SOLIDÁRIA.GRUPO ECONÔMICO.POSSIBILIDADE As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si e solidariamente pelas obrigações tributárias previdenciárias na forma da lei. DECLARAÇÃO DE CONCORDÂNCIA COM OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO DE ORIGEM A fundamentação da decisão pode ser atendida mediante declaração de concordância com os fundamentos da decisão recorrida. (Acórdão nº 2402 012.865, Relator: Rodrigo Duarte Firmino, Data de Julgamento: 02/10/2024). Fl. 1106DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.930 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.722950/2012-03 11 Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. NULIDADE AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. CONFUSÃO COM O EXAME DE MÉRITO. A circunstância de o julgamento ter resultado com o qual discorde o contribuinte não implica ausência de motivação. O ato está fundamentado, de modo que a discordância do recorrente se confunde com o próprio acerto ou desacerto da decisão. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. REJEIÇÃO. GLOSA DECORRENTE DA AUSÊNCIA DO EFETIVO PAGAMENTO. PADRÃO PROBATÓRIO. Nos termos da Súmula CARF 180, “[p]para DOCUMENTO VALIDADO fins de comprovação de despesas médicas, a apresentação de recibos não exclui a possibilidade de exigência de elementos comprobatórios adicionais”. Se houve intimação prévia (durante a fiscalização, isto é, antes da fase “litigiosa”), específica e inequívoca para a apresentação de documentos como extratos, cheques, comprovantes de transferência ou saque etc., e o contribuinte deixou de atender a tal intimação, deve-se manter a glosa das deduções pleiteadas. Desse modo, se a autoridade lançadora exigiu prova do efetivo pagamento de despesa médica (por ocasião de intimação expressa no curso do lançamento), supostamente realizada em dinheiro, deve-se comprovar a disponibilidade do numerário em data coincidente ou próxima ao desembolso. Essa comprovação deve ser feita com a apresentação de extratos (suporte) e com a correlação entre os respectivos saques e datas de pagamento (argumentação sintética). (Acórdão nº 2202-011.005, Relator: Thiago Buschinelli Sorrenti no, Data de Julgamento: 01/10/2024). Dito isto, rejeito a preliminar suscitada nos Recursos Voluntários, dada a ausência de nulidade do acórdão recorrido. Do Recurso Voluntário da Contribuinte Da Exclusão do Simples Nacional A recorrente afirma que é indevida a sua exclusão do simples nacional, uma vez que a fiscalização não logrou êxito em comprovar que as empresas constituem o mesmo grupo econômico, e, ao contrário, resta demonstrado que possuem atividades diversas, operações e administrações independentes. Aduz que não pode ser excluída do regime diferenciado (Simples Nacional), com efeitos retroativos, por meio de um ato declaratório embasado em mera presunção, em razão da segurança jurídica que garante a previsibilidade no pagamento de tributo. Pugna, por conseguinte, para que seja anulado o lançamento tributário. Em que pese as alegações tecidas pela recorrente, não comportam acolhimento. Primeiramente, vale esclarecer que as alegações contra suposta irregularidade de exclusão da contribuinte do Simples Nacional, não serão objeto de análise no presente processo, porquanto objeto de processo administrativo próprio (13971.722923/2012-22), no qual a ora recorrente teve a oportunidade de trazer seus argumentos e elementos de provas que o corroborem a fim de contestar o ato declaratório de exclusão do regime diferenciado. Fl. 1107DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.930 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.722950/2012-03 12 Outrossim, o Recurso Voluntário apresentada pela ora recorrente no citado processo administrativo (13971.722923/2012-22) foi julgado improcedente, por meio do acórdão nº 1301-003.073, proferido pela 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 1ª Seção de Julgamento deste CARF, em sessão realizada em 17/05/2018, mantendo-se a exclusão do regime especial de tributação, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano calendário: 2008, 2009, 2010, 2011 NULIDADE POR AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA. O julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem a esmiuçar exaustivamente seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado neste Conselho. Hipótese em que o acórdão recorrido apreciou de forma suficiente os argumentos da impugnação e as provas carreadas aos autos, ausente, portanto, vício de motivação. EXCLUSÃO. CISÃO OU DESMEMBRAMENTO DE EMPRESA. CONFIGURAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO DE FATO. A empresa remanescente de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento da pessoa jurídica está impedida de optar pelo Simples. Caracteriza-se o grupo econômico de fato quando duas ou mais empresas estão sobre a direção, o controle ou a administração de uma delas. Em consulta pública realizada por meio do COMPROT observou-se que o acórdão proferido pelo CARF no processo administrativo em que se discutia a exclusão do Simples Nacional – autos n. 13971.722923/2012-22 – tornou-se definitivo, e o processo encontra-se arquivado desde 24/04/2019. Pois bem, a pessoa jurídica excluída do Simples fica obrigada a recolher as contribuições destinadas à Previdência Social, relativas à quota patronal e das contribuições destinadas a outras entidades e fundos (Terceiros), de acordo com a legislação aplicada às empresas em geral, conforme preceitua o art. 16 da Lei nº 9.317/1996. Em razão da exclusão da contribuinte do regime do Simples Nacional, a partir de 01/01/2008, além das contribuições descontadas dos segurados, passaram a ser devidas também as contribuições patronais, para o seguro acidente do trabalho e as contribuições destinadas aos Terceiros. Não procede a alegação da defesa de que somente pode ser aplicado o novo regime de tributação ao sujeito passivo a partir da decisão final que torna definitiva a exclusão do Simples Nacional. Note-se que nada impede que o contribuinte recorra questionando as contribuições decorrentes da exclusão, assim como fez em relação ao presente processo. Fl. 1108DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.930 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.722950/2012-03 13 Registre-se que eventual Manifestação de Inconformidade, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento- DRJ ou eventual recurso endereçado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, questionando a exclusão do contribuinte do regime de tributação do Simples Nacional não obsta o lançamento do crédito tributário. Nos termos do Código Tributário Nacional – CTN, artigo 142, parágrafo único, a constituição do crédito tributário é atividade plenamente vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional do servidor que deixe de proceder ao lançamento ao ter notícia da ocorrência do fato gerador da obrigação e do descumprimento da obrigação tributária de recolher o crédito decorrente. Dessa forma, é desnecessário que a Administração Tributária aguarde o julgamento em todas as instâncias administrativas para só então, com a decisão definitiva final desfavorável ao contribuinte proceder ao lançamento de ofício das contribuições devidas. Constituir o crédito tributário é um procedimento legítimo e visa a evitar a ocorrência da decadência tributária. Inclusive tal matéria encontra-se pacificada no âmbito deste Conselho, conforme redação dada pela Súmula CARF nº 77: Súmula CARF nº 77 Aprovada pela 1ª Turma da CSRF em 10/12/2012 A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Da não incidência de contribuições previdenciárias sobre verbas de natureza indenizatória O inciso I do art. 28 da Lei nº 8.212/91 estabelece o conceito de salário-de- contribuição: Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição: I – para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados, a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato, ou, ainda, de convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. Ao passo que as verbas que não compõe a base de cálculo das contribuições previdenciárias encontram-se declinadas expressamente no §9º do mesmo dispositivo legal, senão vejamos, in verbis: Fl. 1109DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.930 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.722950/2012-03 14 § 9º Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o salário- maternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho-CLT; e) as importâncias: 14 (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997)1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 1997)2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço-FGTS; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 1997)3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 1997)4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 1997)5. recebidas a título de incentivo à demissão; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 1997)6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. recebidas a título de licença-prêmio indenizada; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). f) a parcela recebida a título de vale-transporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) as diárias para viagens; (Redação dada pela Lei nº 13.467, de 2017) i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração Social-PIS e do Programa de Assistência ao Servidor Público-PASEP; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 1110DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.930 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.722950/2012-03 15 m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxílio-doença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, próteses, órteses, despesas médico-hospitalares e outras similares; (Redação dada pela Lei nº 13.467, de 2017) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (Vide Medida Provisória nº 1.116, de 2022) t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e: (Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011)1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011)2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo mensal do salário-de- contribuição, o que for maior; (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 1111DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.930 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.722950/2012-03 16 v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) y) o valor correspondente ao vale-cultura. (Incluído pela Lei nº 12.761, de 2012) z) os prêmios e os abonos. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) aa) os valores recebidos a título de bolsa-atleta, em conformidade com a Lei no 10.891, de 9 de julho de 2004. (Incluído pela Lei nº 13.756, de 2018) A recorrente afirma acerca da não incidência de contribuições previdenciárias sobre verbas de natureza indenizatória, em especial: (i) Salário-maternidade; (ii) Auxílio-doença; (iii) 1/3 de férias e Férias gozadas; (iv) Adicionais de insalubridade e de (v) horas extras, razão pela qual pugna para que sejam os respectivos valores excluídos da base de cálculo do lançamento, de modo que passo a análise individual de cada uma destas verbas. (i) Salário-maternidade No que tange ao salário maternidade, cabe esclarecer que tal matéria foi apreciada pelo STF no RE 576.967/PR, com repercussão geral reconhecida (tema 72), ocasião em que foi firmada a seguinte tese: “É inconstitucional a incidência da contribuição previdenciária a cargo do empregador sobre o salário maternidade”. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), conforme PARECER SEI Nº 19424/2020/ME, reconheceu a dispensa da apresentação de contestação e recursos nos processos judiciais que tratem sobre o Tema. No mesmo sentido a recente Solução de Consulta Cosit nº 27, de 27 de janeiro de 2023: “CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DO EMPREGADOR SOBRE O SALÁRIO MATERNIDADE. NÃO INCIDÊNCIA. TEMA DECIDIDO PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL EM SEDE DE REPERCUSSÃO GERAL. Tendo em atenção o entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 576.967/PR, com repercussão geral reconhecida (Tema nº 72), sem modulação de efeitos, e em razão do disposto nos arts. 19, VI, § 9º, e 19-A, III, § 1º, da Lei nº 10.522, de 2002, na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1, de 2014, e nos Pareceres SEI nº 18361/2020/ME e nº 19424/2020/ME, da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, é inconstitucional a incidência da contribuição previdenciária patronal sobre o salário-maternidade, inclusive a sua respectiva contribuição adicional, bem como aquela destinada a terceiros cuja base de cálculo seja, exclusivamente, a folha de salários. O acolhimento da aludida tese permite o reconhecimento administrativo do direito à restituição e compensação dos valores efetivamente pagos, na forma do Fl. 1112DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.930 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.722950/2012-03 17 art. 165 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), observando-se o prazo decadencial do art. 168, I, do mesmo diploma legal, ao abrigo, inclusive, do Parecer PGFN/CDA/CRJ nº 396, de 2013. Ressalte-se, porém, que essa declaração de inconstitucionalidade não abrange a contribuição devida pela trabalhadora segurada (empregada, trabalhadora avulsa, contribuinte individual e facultativa), eis que a "ratio decidendi" do Tema nº 72 não se estende a essa exação, que possui contornos constitucionais e legais distintos do caso julgado. Essa declaração de inconstitucionalidade também não abrange a remuneração paga durante a prorrogação da licença-maternidade por mais 60 (sessenta) dias, benefício disciplinado pela Lei nº 11.770, de 2008, que instituiu o Programa Empresa Cidadã, uma vez que não se reveste de natureza de benefício previdenciário por não ser custeada pela Previdência Social e possuir contornos legais próprios que são distintos do salário-maternidade e, portanto, alheios à decisão proferida no RE nº 576.967/PR e no Tema nº 72 de repercussão geral do STF”. Dessa forma, há que se atender o pleito da recorrente com relação a essa rubrica e determinar a exclusão dos valores pagos a título de salário-maternidade da base de cálculo do lançamento. (ii) Auxílio-doença nos primeiros quinze dias O Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do RESP nº 1.230.957/RS, sob o rito dos recursos repetitivos, decidiu pela não incidência da contribuição previdenciária sobre o aviso prévio indenizado e o auxílio-doença nos primeiros quinze dias, nos seguintes termos: PROCESSUAL CIVIL. RECURSOS ESPECIAIS. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. DISCUSSÃO A RESPEITO DA INCIDÊNCIA OU NÃO SOBRE AS SEGUINTES VERBAS: TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS; SALÁRIO MATERNIDADE; SALÁRIO PATERNIDADE; AVISO PRÉVIO INDENIZADO; IMPORTÂNCIA PAGA NOS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM O AUXÍLIO-DOENÇA. [...] 2.3 Importância paga nos quinze dias que antecedem o auxílio-doença. No que se refere ao segurado empregado, durante os primeiros quinze dias consecutivos ao do afastamento da atividade por motivo de doença, incumbe ao empregador efetuar o pagamento do seu salário integral (art. 60, § 3º, da Lei 8.213/91 — com redação dada pela Lei 9.876/99). Não obstante nesse período haja o pagamento efetuado pelo empregador, a importância paga não é destinada a retribuir o trabalho, sobretudo porque no intervalo dos quinze dias consecutivos ocorre a interrupção do contrato de trabalho, ou seja, nenhum serviço é prestado pelo empregado. Nesse contexto, a orientação das Turmas que integram a Primeira Seção/STJ firmou-se no sentido de que sobre a importância paga pelo Fl. 1113DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.930 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.722950/2012-03 18 empregador ao empregado durante os primeiros quinze dias de afastamento por motivo de doença não incide a contribuição previdenciária, por não se enquadrar na hipótese de incidência da exação, que exige verba de natureza remuneratória. Nesse sentido: AgRg no REsp 1.100.424/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe 18.3.2010; AgRg no REsp 1074103/SP, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe 16.4.2009; AgRg no REsp 957.719/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 2.12.2009; REsp 836.531/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 17.8.2006. A Procuradoria da Fazenda Nacional incluiu a matéria na “Lista de Dispensa de Contestar e Recorrer”, a que se refere a Lei nº 10.522/2002, com a seguinte redação: [...] r) 15 primeiros dias que antecedem o auxílio-doença Resumo: O STJ, no julgamento do REsp nº 1.230.957/RS, entendeu pela exclusão da remuneração paga pelo empregador ao empregado nos primeiros dias de afastamento do trabalhador por incapacidade da base de cálculo da contribuição patronal disciplinada no art. 22, I, da Lei nº 8.212, de 1991. Esse mesmo entendimento foi replicado para a contribuição do empregado, as contribuições de terceiros e do SAT/RAT, sediada no art. 22, II, da Lei nº 8.212, de 1991, haja vista a identidade de base de cálculo dessas contribuições (folha de salários) com a contribuição previdenciária do art. 22, I, da Lei nº 8.212, de 1991, o que impõe aqui a mesma solução proferida no REsp nº 1.230.957/RS (tema nº 478 de recursos repetitivos). Observação 1: A dispensa da contribuição do empregado do art. 28, I, da Lei nº 8.212, de 2002, foi autorizada na Nota PGFN/CRJ Nº 115/2017. Observação 2: A dispensa da contribuição do empregador de que trata o art. 22, I e §1º, da Lei nº 8.212, de 2002, foi autorizada na Mensagem Eletrônica PGFN/CRJ/COJUD n.º 08, de 18/09/2020, mas a inclusão em lista foi positivada no Parecer SEI Nº 1446/2021/ME. Observação 3: A dispensa da contribuição do empregador do art. 22, II, da Lei nº 8.212, de 2002, (SAT/RAT) do seu adicional regido no art. 57, §6º, da Lei nº 8.213, de 1991, bem como das contribuições destinadas aos terceiros incidentes sobre a folha de salários foi autorizada no Parecer SEI Nº 16120/2020/ME. Precedentes: REsp nº 1.230.957/RS (recurso repetitivo), AgInt no REsp 1825540/RS, AgInt no REsp 1602619/SE e tema nº 482 de repercussão geral. Referência: Nota PGFN/CRJ Nº 115/2017 (complementada pela Nota nº 520/2020), Mensagem Eletrônica PGFN/CRJ/COJUD n.º 08, de 18/09/2020, Parecer SEI Nº 16120/2020/ME e no Parecer SEI Nº 1446/2021/ME". * Data da inclusão: 12/04/2021 Fl. 1114DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.930 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.722950/2012-03 19 Dessa maneira, seguindo o entendimento do STJ, não incide contribuição previdenciária sobre a remuneração paga pelo empregador ao empregado nos primeiros dias de afastamento do trabalhador por incapacidade (auxílio-doença). Esse entendimento não alcança o reflexo do aviso prévio indenizado no 13º salário (gratificação natalina), por essa possuir verba de natureza remuneratória. Nesse sentido, cito precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF): Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2012 a 31/12/2017 AUXÍLIO-DOENÇA. VERBAS RECEBIDAS NOS 15 (QUINZE) PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO POR MOTIVO DE DOENÇA. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTE STJ E ORIENTAÇÃO DA PGFN. Não incide a contribuição previdenciária sobre a remuneração paga pelo empregador ao empregado, durante os primeiros dias do auxílio-doença, uma vez que tal verba não tem natureza salarial (REsp 1.230.957/RS, julgado na sistemática de recursos repetitivos do STJ, e orientação da PGFN através do Parecer SEI nº 1446/2021/ME). (Acórdão nº 9202-011.634, Relator: Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Data de Julgamento: 21/01/2025). Desse modo, há que se atender o pleito da recorrente com relação a essa rubrica, e determinar a exclusão da base de cálculo do lançamento os pagamentos nos quinze dias que antecedem o auxílio-doença. (iii) Terço de Férias Em 2014, ao analisar o Tema 479, o Superior Tribunal de Justiça decidiu que a importância paga a título de terço constitucional de férias possui natureza indenizatória/compensatória, e não constitui ganho habitual do empregado, razão pela qual sobre ela não é possível a incidência de contribuição previdenciária (a cargo da empresa): A importância paga a título de terço constitucional de férias possui natureza indenizatória/compensatória, e não constitui ganho habitual do empregado, razão pela qual sobre ela não é possível a incidência de contribuição previdenciária (a cargo da empresa). Ocorre que, no ano de 2018, o Supremo Tribunal Federal reconheceu que a matéria era constitucional e concluiu pela existência de repercussão geral, afetando o Recurso Extraordinário nº 1.072.485/PR para julgamento sob o rito dos repetitivos (Tema 985). Em dezembro de 2020, a Suprema Corte proferiu acórdão de mérito no Tema 985 e fixou a seguinte tese: “É legítima a incidência de contribuição social sobre o valor satisfeito a título de terço constitucional de férias”, decidindo pela legitimidade da incidência da contribuição social, a cargo do empregador, sobre os valores pagos ao empregado a título de terço constitucional de férias gozadas. Em face dessa decisão, foram opostos embargos de declaração requerendo a modulação dos efeitos, já que, entre 2014 e 2020, diversos contribuintes deixaram de recolher a Fl. 1115DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.930 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.722950/2012-03 20 contribuição sobre o terço constitucional de férias, com fundamento na decisão antes proferida pelo Superior Tribunal de Justiça. Em 19/09/2024, foi publicado o Acórdão proferido no RE 1.072.485, dando parcial provimento aos embargos de declaração, com atribuição de efeitos ex nunc ao acórdão de mérito, a contar da publicação de sua ata de julgamento (15/09/2020), ressalvadas as contribuições já pagas e não impugnadas judicialmente até essa mesma data, que não serão devolvidas pela União: O Tribunal, por maioria, deu parcial provimento aos embargos de declaração, com atribuição de efeitos ex nunc ao acórdão de mérito, a contar da publicação de sua ata de julgamento, ressalvadas as contribuições já pagas e não impugnadas judicialmente até essa mesma data, que não serão devolvidas pela União. Tudo nos termos do voto do Ministro Luís Roberto Barroso (Presidente e Redator para o acórdão), vencidos os Ministros Marco Aurélio (Relator) e Ricardo Lewandowski, que votaram na assentada em que houve pedido de destaque, e os Ministros Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes. Foram opostos novos embargos de declaração, este último pela União, em face do citado acórdão, que foram rejeitados, com publicação em 27/08/2025, cuja decisão transitou em julgado recentemente, em 24/09/2025, de modo que, não há mais necessidade de se manter o sobrestamento destes processos em âmbito desta 2ª seção., diante da definitividade da decisão. Pois bem, com a modulação dos efeitos da decisão do STF, a decisão de mérito proferida no RE nº 1.072.485, somente passou a produzir efeitos, ou seja, a incidência de contribuições previdenciárias sobre o terço constitucional de férias, após a publicação da ata, que ocorreu em 15/09/2020. Assim, tendo em vista que o lançamento é referente ao período de 01/01/2008 a 31/12/2008, e que a Recorrente apresentou Impugnação em 26/12/2012 (fl. 203), quando encontrava-se em vigor a decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ, sob o rito de recurso repetitivo (Tema 479), devem ser excluídos da base de cálculo do lançamento os valores pagos a título de 1/3 de férias. (iv) Férias Gozadas No tocante aos valores pagos a título de férias gozadas (usufruídas), não assiste razão à recorrente. A incidência das contribuições sociais previdenciárias a cargo do empregador decorre da regra matriz estabelecida no art. 195, inciso I, alínea “a”, da Constituição Federal, e encontra disciplina infraconstitucional no art. 22, inciso I, da Lei nº 8.212/91, segundo o qual a contribuição patronal incide sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título aos segurados empregados, destinadas a retribuir o trabalho, inclusive as parcelas que, por sua natureza, integrem o salário de contribuição. Fl. 1116DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.930 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.722950/2012-03 21 O art. 28 da Lei nº 8.212/91, por sua vez, define o conceito de salário de contribuição como o conjunto de rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, e dispõe, em seu § 9º, rol taxativo de parcelas que não o integram, por expressa exclusão legal. Nesse contexto, as férias gozadas não se confundem com verbas indenizatórias. Trata-se de parcela paga ao trabalhador durante a vigência do contrato de trabalho, correspondente ao período regular de descanso anual, assegurado constitucionalmente (art. 7º, XVII, CF), sem que haja ruptura contratual ou substituição indenizatória do período de descanso. Com efeito, durante o gozo das férias, o vínculo empregatício permanece plenamente ativo, havendo continuidade contratual e pagamento de remuneração ao empregado, razão pela qual os valores pagos a esse título mantêm caráter essencialmente remuneratório. Ainda que não haja prestação de serviço durante o período de descanso, o pagamento é devido justamente em razão do contrato de trabalho em curso e representa, na lógica do sistema trabalhista e previdenciário, continuidade remuneratória. Ressalte-se que o fato de o empregado não prestar serviços durante o período de férias não desnatura a natureza remuneratória da verba. O critério jurídico determinante para a incidência não é a execução material de trabalho no período, mas a existência de remuneração paga no contexto do contrato vigente, com nítida vinculação ao salário habitual. A remuneração de férias, portanto, constitui rendimento do trabalho, pago em razão do vínculo empregatício e do direito ao descanso anual, integrando a base de cálculo das contribuições previdenciárias. De igual modo, não há previsão legal de exclusão da remuneração de férias gozadas do salário de contribuição. O art. 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91 não contempla hipótese que autorize o afastamento da incidência sobre a rubrica. Ao contrário, a sistemática legal distingue claramente as parcelas indenizatórias — em especial aquelas pagas em decorrência de rescisão contratual — das parcelas remuneratórias pagas durante a vigência do contrato, categoria em que se enquadram as férias usufruídas. Assim, não há respaldo jurídico para reconhecer recolhimento indevido ou a maior de contribuições previdenciárias sobre férias gozadas, impondo-se manter a incidência e afastar a pretensão recursal quanto a essa rubrica. Dessa forma, por ostentarem natureza remuneratória e por inexistir exclusão legal, os valores pagos a título de férias gozadas integram o salário de contribuição e sujeitam-se à incidência das contribuições sociais previdenciárias, razão pela qual não há que se falar em direito creditório decorrente de recolhimentos indevidos quanto a essa rubrica. (v) Adicional de insalubridade Sobre a incidência de contribuições previdenciárias sobre o adicional de insalubridade já foi objeto de análise pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de Recursos Repetitivos, cuja observância é obrigatória por este CARF: Fl. 1117DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.930 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.722950/2012-03 22 Adicional de Insalubridade Tema 1252 do STJ Incide a Contribuição Previdenciária patronal sobre o Adicional de Insalubridade, em razão da sua natureza remuneratória. Neste ponto, rejeito os argumentos apresentados pela Recorrente. (vi) horas extras Quanto às horas extra, figuram abarcadas pelo conceito amplo de remuneração, que se consubstanciam em verbas pagas pelo empregador em razão do contrato de trabalho e da lei, eis que são horas trabalhadas além da jornada normal do empregado, razão pela qual, a contraprestação a cargo do empregador também deverá ser maior, ou seja, pelo serviço a mais prestado o empregado tem direito a uma remuneração extra. É evidente que esta remuneração tem como objetivo retribuir o trabalho prestado além da jornada normal e como tal deve ser incluída no montante da base de cálculo (salário-de contribuição) das contribuições devidas à Seguridade Social. Sobre a incidência de contribuições previdenciárias sobre o pagamento de tais adicionais (hora extra) já foi objeto de análise pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de Recursos Repetitivos, cuja observância é obrigatória por este CARF: Tema Repetitivo 687: As horas extras e seu respectivo adicional constituem verbas de natureza remuneratória, razão pela qual se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária. Desse modo, não há razão à contribuinte. Da alíquota – SAT/GILRAT A recorrente insurge em face da alíquota única de 2% para o SAT/GILRAT aplicada pela fiscalização, ao argumento de que possui funcionários que laboram em outras atividades, cujo risco de acidente é ínfimo, de modo que deve ser aplica a alíquota de 1%, e ainda acerca da impossibilidade de majoração da alíquota de 2% para 3%. Inicialmente, cumpre deixar consignado que o Plenário do Supremo Tribunal Federal, na ocasião do julgamento do RE nº 343.446/SC de relatoria do Ministro Carlos Velloso, declarou constitucional a instituição, mediante lei ordinária, da contribuição ao Seguro Acidente de Trabalho (SAT), afastando as alegações de ofensa aos princípios da isonomia e da legalidade. Entendeu o STF, sobre o poder regulamentar de que trata o artigo 84, IV da CF/1988, que “o fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos riscos de ‘atividade preponderante’ e ‘grau de risco leve, médio e grave’, não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F, art. 5°, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I”. Destaco que a contribuição social destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos Fl. 1118DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.930 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.722950/2012-03 23 ambientais do trabalho, na forma estabelecida no artigo 22, inciso II da Lei nº 8.212 de 1991, é devida à Seguridade Social. O grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho é mensurado conforme a atividade econômica preponderante da empresa, elaborada com base na Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE, prevista no Anexo V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048 de 1999. O artigo 202 do Decreto n° 3.048 de 1999 (Regulamento da Previdência Social), em complemento ao artigo 22, inciso II da Lei n° 8.212 de 1991, para fins de determinação da alíquota do RAT, elegeu o critério da atividade preponderante da empresa, compreendida como aquela atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. O Anexo V do RPS apresenta a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco (1, 2 ou 3%). A relação de atividades nele listadas tem como referência a Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE, que é de responsabilidade da Comissão Nacional de Classificação Econômica – CONCLA, presidida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, conforme autoriza o § 3º do artigo 22 da Lei nº 8.212 de 1991 e estabelece o artigo 202, § 4º do RPS. Cabe destacar que a Súmula n° 351 do Superior Tribunal de Justiça, assentou o seguinte entendimento: A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. (SÚMULA 351, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 11/06/2008, DJe 19/06/2008) Oportuno ressaltar que de acordo com o artigo 202, §§ 3º, 5º e 6º do Decreto nº 3.048 de 19993, é de responsabilidade da empresa o autoenquadramento mensal no grau de risco relativamente à sua atividade preponderante, cabendo ao fisco revê-lo a qualquer tempo na hipótese de verificação de erro, situação que permitirá à autoridade administrativa adotar as medidas cabíveis à sua correção, bem como orientar o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e proceder à notificação dos valores devidos. Não comporta acolhimento os fundamentos expostos pela Recorrente no sentido de que detém funcionários que laboram em atividades de risco mínimo, de modo que deveria ser aplicada a alíquota de 1%, uma vez que a alíquota única aplicada pela fiscalização levou em consideração a sua atividade preponderante, nos termos da legislação vigente. Destarte, não há reparos a serem feitos na decisão de piso e no lançamento neste ponto. Da multa de ofício – competências 01/2008 a 11/2008 Fl. 1119DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.930 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.722950/2012-03 24 Após o advento da MP 448/2009, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, de 27/95/2009, houve alteração dos artigos 32-A e 35 da Lei nº 8.212/1991, devendo ser aplicado o princípio da retroatividade benigna, independentemente daquela que se encontrava em vigor na data do lançamento, como exige o artigo 106 do CTN, comparando-se as multas anteriores (artigo 35 e 32-A, da norma revogada), e os artigos 35 e 32-A na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. A matéria encontra-se, inclusive, sumulada neste Conselho, de observância obrigatória: Súmula CARF nº 196 Aprovada pela 2ª Turma da CSRF em sessão de 21/06/2024 – vigência em 27/06/2024 No caso de multas por descumprimento de obrigação principal, bem como de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória nº 449/2008, a retroatividade benigna deve ser aferida da seguinte forma: (i) em relação à obrigação principal, os valores lançados sob amparo da antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 deverão ser comparados com o que seria devido nos termos da nova redação dada ao mesmo art. 35 pela Medida Provisória nº 449/2008, sendo a multa limitada a 20%; e (ii) em relação à multa por descumprimento de obrigação acessória, os valores lançados nos termos do art. 32, IV, §§ 4º e 5º, da Lei nº 8.212/1991, de forma isolada ou não, deverão ser comparados com o que seria devido nos termos do que dispõe o art. 32-A da mesma Lei nº 8.212/1991. Acórdãos Precedentes: 9202-010.951; 9202-010.923; 9202.010.872; 9202.010.666; 9202- 010.633. Portanto, deve-se apurar a retroatividade benigna em relação à multa de ofício aplicada nas competências 01/2008 a 11/2008 a partir da comparação do devido à época dos fatos com o regramento contido na nova redação do artigo 35 da Lei 8.212/1991. Da Multa de Ofício Qualificada – competências 12/2008 e 13/2008 Com relação à multa aplicada, assim dispõe o art. 44 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, vigente à época da ocorrência do fato gerador: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II - de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Fl. 1120DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.930 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.722950/2012-03 25 a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I - prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea “a” pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II - apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea “b” com nova redação pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) III - apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea “c” com nova redação pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) A multa qualificada de 150% tem por fundamento o parágrafo 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, transcrito, que trata da qualificação das infrações nos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964: Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72”. Fl. 1121DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.930 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.722950/2012-03 26 Como se percebe, nos casos de lançamento de ofício, a regra é aplicar a multa de 75%, estabelecida no inciso I do artigo acima transcrito. Excepciona a regra a comprovação do intuito doloso, a qual acarreta a aplicação da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º, do artigo 44, da Lei nº 9.430 de 1996, com a redação dada Lei nº 11.488, de 15/06/2007. O conceito de dolo pode ser extraído do inciso I do art. 18 do Decreto-lei nº 2.848, de 07 de dezembro de 1940 – Código Penal, que dispõe ser o crime doloso aquele em que o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo. No lançamento tributário que compõe o presente processo foi aplicada a multa de ofício no percentual de 150% sobre o valor do tributo. No Relatório Fiscal consta a motivação para o lançamento da multa qualificada, conforme transcrição (fls. 45/46): Da Aplicação da Multa Qualificada 9. Nos itens seguintes, serão abordados os aspectos relacionados à aplicação da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei 9.430/96. Em suma, será demonstrado que no presente caso, deve-se se aplicar a multa em seu percentual duplicado (2 x 75% = 150%) por restar caracterizada a prática de sonegação e conluio previstas nos arts. 71 e 73 da Lei 4.502/64. 9. A aplicação da multa qualificada se dará a partir da competência 12/2008, tendo em vista que os dispositivos acima citados aplicam-se as contribuições previdenciárias a partir da edição da Medida Provisória n° 449 de 04/12/2008. 10. A aplicação da multa de ofício tem regulação prevista na Lei 9.430/96, conforme art. 44. O inciso I e § 1º deste dispositivo, transcrito a seguir, assim determina sobre a aplicação da multa de ofício: [...] 11. Os artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64 assim dispõem: [...] 12. Numa análise objetiva dos fatos relatados, constantes nos processos de Representações Administrativas para Exclusão do SIMPLES, mencionados no item 5, frente aos dispositivos legais em comento, não há como deixar de enquadrar a ação dolosa, intencional e consciente de simular a existência de empresas, formalmente distintas (MESH, COISAS DE BEBÊ e WRCP), porém formando um GRUPO ECONÔMICO DE FATO, com o evidente intuito de impedir o conhecimento do Fisco da incidência da Contribuição Previdenciária Patronal sobre as remunerações dos segurados das empresas MESH e COISAS DE BEBÊ (optantes, indevidamente, pelo SIMPLES), nas definições de sonegação e conluio, contidas nos arts. 72 e73 da Lei 4.502/64, já transcritos. 13. Desta forma, a multa de ofício de 75% sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas será duplicada na forma do artigo 44, § 1º da Lei 9.430/96 Fl. 1122DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.930 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.722950/2012-03 27 (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) para as competências de 12/2008 e 13/2008. A DRJ manteve a qualificação da multa conforme fundamentos que extraio do acórdão recorrido (fls. 939/941): 45. Com relação às multas aplicadas, cabem os seguintes esclarecimentos: 45.1 No regime anterior à edição da MP 449/2008, (no caso para o período de 01/2008 a 11/2008) quando a infração cometida pelo contribuinte era composta de não declaração em GFIP, somada ao não recolhimento das contribuições não declaradas, existiam duas punições a saber: a) uma pela não declaração, que ensejava auto de infração por descumprimento de obrigação acessória com fundamento no artigo 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, na redação dada pela Lei 9.528/1997; e b) outra consistindo em multa pelo não cumprimento da obrigação principal no tempo oportuno, com fundamento no artigo 35 da Lei 8.212/1991 com a redação da Lei 9.876/1999, além do recolhimento do valor referente à própria obrigação principal. 45.2 No regime estabelecido pela MP 449/2008, esta mesma infração ficou sujeita à multa de ofício prevista no artigo 44, da Lei 9.430/1996, na redação dada pela Lei 11.488/2007. Ou seja, a situação descrita, que antes levava à lavratura de, no mínimo, dois autos de infração (um por descumprimento de obrigação acessória e outro levantando o quantum não recolhido com a devida multa) passou a ser abordada através de um único dispositivo, que remete a aplicação da multa de ofício. 45.3 O Relatório Fiscal e o anexo de fls. 37/38 (comparativos da aplicação da multa) demonstram de forma clara que a multa da legislação atual, 75% (setenta e cinco por cento) é mais benéfica que a multa da legislação da época do fato gerador, 24% somado ao Auto de Infração CFL 68 (calculado em 100% do valor devido não declarado). 46. Para as competências 12/2008 e 13º/2008, posteriores à MP 449/2008, os valores devidos não recolhidos e não informados em GFIP foram penalizados com a aplicação da multa de 75%, prevista no art. 44 da Lei 9.430/96, que foi duplicada (2x 75%) por ter restado caracterizada a prática de sonegação e conluio prevista nos arts. 71 e 73 da Lei 4.502/64, tese essa defendida no processo administrativo que culminou com a exclusão da empresa do Simples. 46.1 Os artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64 assim dispõem: [...] 46.2 Os fatos relatados e a documentação juntada pela fiscalização no processo de Representação Administrativa para Exclusão do Simples possibilitam enquadrar como ação dolosa, intencional e consciente a simulação da existência Fl. 1123DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.930 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.722950/2012-03 28 de empresas formalmente distintas, mas que na verdade formam um grupo econômico de fato, com o intuito de impedir o conhecimento do Fisco da incidência de contribuição previdenciária patronal sobre as remunerações dos empregados das empresas Coisas de Bebê e Mesh, indevidamente enquadradas como pertencentes ao Simples. Portanto, correta a aplicação da multa qualificada. 47. Já em relação ao pedido de redução da multa, não se pode olvidar que, tanto a atividade de lançamento quanto o seu controle interno realizado pelos órgãos de julgamento, possuem natureza vinculada, conforme determina o art. 142, parágrafo único do CTN. Logo, eventual redução da multa de ofício forçosamente pressupõe a existência de previsão legal específica, inexistente no caso em exame. Ressalte-se que qualquer conduta dolosa do sujeito passivo, com vistas a reduzir ou suprimir tributo, estará sempre enquadrada em uma das hipóteses previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. Portanto, é irrelevante distinguir se a conduta se configurou em sonegação, fraude ou conluio, bastando apenas que se enquadre em qualquer um dos tipos definidos na citada lei e que no lançamento tenham sido indicadas todas as circunstâncias que possibilitaram a identificação do elemento subjetivo. É preciso reconhecer que as hipóteses em que é facultado ao contribuinte realizar negócios sem ter de contribuir para o fisco são restritas e pressupõem a atuação dentro de limites impostos pela lei, não havendo espaço para hipóteses de simulação, fraude ou dolo. Entretanto, havendo simulação, fraude ou dolo, resta caracterizada a evasão fiscal, forma ilícita de afastar a incidência tributária. Dentro da evasão encontram-se manobras ardilosas que, depois de ocorrido o fato gerador, visam a desviar a regra de incidência tributária, abrangendo as mais diversas formas de formas simulação. Não trata, portanto, o presente lançamento de simples omissão de rendimentos, mas sim um verdadeiro intuito de fraude praticado pelo sujeito passivo, especialmente no que tange à criação de pessoa jurídica interposta com vistas à supressão de tributos, de modo que inaplicável ao caso a Súmula CARF nº 14. Destarte, não há como considerar involuntária a conduta do contribuinte nem mera divergência de interpretação fática ou da legislação, o que torna devida a multa qualificada prevista no artigo 44, inciso I, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430, de 1996. Quanto à alegação do caráter confiscatório da multa, a despeito da posição jurisprudencial mencionada, é uma apreciação a ser feita previamente pelo legislador ou no controle da constitucionalidade pelo judiciário. Uma vez vigente a lei, esta goza presunção de constitucionalidade, não cabendo ao aplicador negar sua aplicação sob argumentos desta natureza. No que diz respeito à invocação da violação aos princípios constitucionais aplica-se o disposto na Súmula CARF n° 2, de observância obrigatória por seus Conselheiros: Fl. 1124DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.930 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.722950/2012-03 29 Súmula CARF nº 2 Aprovada pelo Pleno em 2006 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desta forma, deve ser mantida a qualificação da multa de ofício nas competências 12/2008 e 13/2008. Deve-se, porém, aplicar ao caso a retroatividade benigna, diante da superveniência da Lei nº 14.689/2023, que reduziu o percentual da multa qualificada a 100%, dando nova redação ao art. 44, da Lei nº 9.430/1996, nos termos do art. 106, II, "c", do Código Tributário Nacional, para reduzir o percentual da multa qualificada ao montante de 100%. Do aproveitamento dos recolhimentos efetuados na condição de optante pelo Simples Nacional Por fim, no que tange ao pedido de aproveitamento dos recolhimentos efetuados na condição de optante pelo regime especial, assiste razão à recorrente, haja vista a existência da súmula CARF nº 76, que vai ao encontro das aspirações da recorrente, senão vejamos: Súmula CARF nº 76 Aprovada pela 1ª Turma da CSRF em 10/12/2012 Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Dos Recursos Voluntários dos Responsáveis Solidários Os solidários apresentaram Recurso Voluntário (fls. 951/964 e 965/978), com idêntico conteúdo, repisando os mesmos argumentos já apresentados nas Impugnações, por meio do qual pugnam para que seja afastada a responsabilidade tributária que lhes fora atribuída. A responsabilidade tributária atribuída às ora Recorrentes foi fundamentada no artigo 124, incisos I e II do CTN, em virtude da existência de um grupo econômico de fato, que foi um dos motivos para determinar a exclusão da contribuinte do Simples Nacional, objeto do processo administrativo nº 13971.722923/2012-22. A DRJ manteve a sujeição passiva tributária, conforme excerto abaixo reproduzido (fls. 941/942): 48. Por fim, deve-se ressaltar que são duas as situações autorizadas pelo CTN para que se possa fazer incidir a solidariedade para grupos econômicos: a) inciso I, do art. 124 do CTN (as pessoas com interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal): os "grupos econômicos", justamente por constituírem um conjunto de contribuintes, sob a direção, Fl. 1125DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.930 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.722950/2012-03 30 controle ou administração de um mesmo conjunto de pessoas, têm interesses comuns no fato gerador, na medida em que o resultado de uma interessa às demais; b) inciso II, do art. 124 do CTN (as pessoas expressamente designadas por lei): a legislação previdenciária, de acordo com o permissivo legal do CTN, atribui responsabilidade legal aos integrantes dos "grupos econômicos", sejam quais forem: "de direito" ou "de fato". 48.1 Nos termos do CTN, a legislação previdenciária dispõe expressamente sobre a responsabilidade solidária dos grupos econômicos. A Lei nº 8.212/91, sem definir "grupo econômico", trata do efeito da sua existência, estabelecendo que as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes daquela Lei (art. 30, inc. IX). O Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99 segue a mesma orientação (art. 222). [...] 48.2 Com efeito, a legislação brasileira e, especificamente, a Lei 6.404/76 (Lei das Sociedades Anônimas) trata, nos seus arts. 265 a 277, dos grupos econômicos que poderiam ser considerados “de direito”, uma vez que constituídos segundo os requisitos legais e por deliberada e expressa vontade de seus controladores. O contribuinte afirma que o fato das empresas serem autônomas e possuírem personalidade jurídica distintas contraria a definição de “grupo de sociedades”, prevista no art. 265 citado. 48.3 O contribuinte, no entanto, não achará a definição de grupo econômico ‘de fato’. O qualificador proposto, nesses casos, revela que a situação fática encontrada sobrepõe se à realidade formal ou, ainda, que lhe é subjacente. Tem sido cada vez mais frequente a constatação da existência de empresas controladas direta ou indiretamente pela(s) mesma(s) pessoa(s), sem que estejam formalmente revestidas da condição (nem com os mesmos objetivos) do grupo econômico de que trata a Lei 6.404/76. Estes são os que se podem denominar grupos econômicos ‘de fato’. 48.4 Sobre grupo econômico, a vigente Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, assim se reporta: [...] 48.5 Para a caracterização e identificação de grupo econômico de fato, importa investigar a situação real (verificação dos vínculos entre as empresas e das circunstâncias em que se constituíram e realizam suas atividades) de maneira a caracterizar a gestão comum assim entendida como a direção, ou o controle, ou a administração por parte de uma delas. 49. A existência do “grupo econômico de fato” foi amplamente demonstrada no processo de exclusão do Simples. Portanto, as empresas COISAS DE BEBÊ Fl. 1126DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.930 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.722950/2012-03 31 CONFECÇÕES LTDA e WRCP TÊXTIL LTDA são devedoras solidárias em relação ao presente crédito tributário. Ressalte-se que o acórdão nº 1301-003.073, proferido pela 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 1ª Seção de Julgamento deste CARF, no processo administrativo em que se discutiu a exclusão da Recorrente do Simples Nacional, reconheceu a existência do grupo econômico de fato entre as Recorrentes, cuja decisão tornou-se definitiva em razão da ausência de interposição de outros recursos, cujos fundamentos abaixo reproduzo-os: Com efeito, a fiscalização apresentou diversos elementos convergentes que demonstram que a empresa recorrente seria remanescente de desmembramento ocorrido quando da criação da empresa WRCP, possibilitando concluir ainda que as três empresas formam um grupo econômico de fato. Segundo os fatos relatados pela fiscalização, a evolução do faturamento das empresas Coisas de Bebê e Mesh indicava que, no ano de 2007, a soma das receitas brutas delas iriam superar o limite de R$ 2.400.000,00 estabelecido para empresas optantes pelo SIMPLES (uma vez que possuíam sócios em comum, conforme art. 3º, §4º, item III, da Lei Complementar nº 123, de 2006). Assim, após desligar-se daquelas empresas, o Sr. Walter Luiz Spadoto Righetti (e sua filha, Srta. Carolina Prebianca Righetti), resolveu constituir a empresa WRCP, com a finalidade de, a partir daí, distribuir receitas e despesas entre as empresas do grupo, permitindo, com isso, que aquelas empresas continuassem usufruindo, indevidamente, dos benefícios tributários da opção pelo SIMPLES. O faturamento, no período, das três empresas advinha da comercialização de roupas infantis no atacado e varejo, sendo que a produção (confecção de roupas) era realizada unicamente pela MESH, a única que possuía linha de produção. Nessa empresa eram concentradas as maiores despesas com empregados, vinculados às funções administrativas, de produção e de expedição, inclusive superando seu faturamento, nos anos de 2010 e 2011. A partir de 04/2011, a empresa Coisas de Bebê, que atuava essencialmente no comércio varejista (lojas), passou a contratar empregados nas funções administrativas e de produção, apesar de não possuir nenhuma máquina. Já a empresa WRCP não possuía nenhum empregado, não contratava serviços terceirizados para confecção de roupas, e nas suas instalações inexistiam máquinas de produção, e incorreu em despesas com matérias primas. Ou seja, há uma clara distribuição de receitas e despesas entre as três empresas do grupo. Embora argumente a recorrente inexistir desmembramento, vez que a constituição da nova empresa possuía o escopo específico para atender ao seguimento atacadista, e que tal objetivo inexistia nas empresas MESH e Coisas de Bebê, tal afirmação não se coaduna com as provas existentes nos autos, mormente quando se vê que a estrutura tanto administrativa como funcional foi herdada das duas empresas anteriores, pois, como frisado, a empresa WRCP não Fl. 1127DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.930 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.722950/2012-03 32 possuía empregado e adquiria produtos, tais como tecidos, botões, linhas, etiquetas, etc., sem nada produzir. Não há como entender que essa matéria prima seria transformada em produtos acabados para a venda aos clientes atacadistas se a empresa não possuía empregados e nem máquinas, o que se impõe concluir que, de fato, a Mesh é quem confeccionava os produtos com as matérias primas pertencentes à WRCP. Por outro lado, é evidente que o resultado de uma cisão, ou qualquer outra espécie de desmembramento, são duas empresas independentes, não se prestando esta argumentação para desfigurar a constatação de desmembramento, pois a existência de independência entre empresas em questão não modifica a natureza da operação de desmembramento. Na verdade, quando ocorre o desmembramento de uma empresa, tem-se como resultado duas ou mais empresas menores, cada uma constituindo uma parte da empresa original e todas sendo resultado dessa operação. A finalidade da lei é impedir justamente o que ocorreu no caso: um desmembramento cujo objetivo real é a manutenção no regime favorecido, sendo a empresa formada e remanescentes atuando em conjunto, com uma estrutura superior a das concorrentes menores, as quais realmente são o alvo da tributação favorecida disciplinada na lei. Por fim, registre-se haver nos autos provas de contratos de empréstimo realizados perante à Caixa Econômica Federal, em favor das empresas Mesh e Coisas de Bebê, constando a participação do Sr. Walter Luiz Spadoto Righetti, sócio da empresa WRCP, como devedor solidário: [...] O fisco ainda coletou procurações em nome do Sr. Walter Luiz Spadoto Righetti e Srta. Carolina Prebianca Righetti, ambos sócios da empresa WRCP, além de cheques da Mesh assinados pelo Sr. Walter. [...] Todos esses elementos são mais de que suficientes para identificar a interligação, administrativa e econômica das empresas MESH, COISAS DE BEBÊ e WRCP, pois demonstram as características dos vínculos existentes entre essas empresas e circunstâncias em que se constituíram e realizam suas atividades, e evidenciam que se trata, efetivamente, de um grupo econômico de fato. Ainda quanto à responsabilidade tributária das empresas integrantes do mesmo grupo econômico – seja ele de fato ou de direito – tal matéria encontra-se sumulada no âmbito deste Conselho, de observância obrigatória por esta Turma, vejamos: Súmula CARF nº 210 Aprovada pela 2ª Turma da CSRF em sessão de 26/09/2024 – vigência em 04/10/2024 Fl. 1128DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.930 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.722950/2012-03 33 As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações previstas na legislação previdenciária, nos termos do art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/1991, c/c o art. 124, inciso II, do CTN, sem necessidade de o fisco demonstrar o interesse comum a que alude o art. 124, inciso I, do CTN. Acórdãos Precedentes: 9202-007.682; 9202-010.131; 9202-010.178. Diante disso, deve ser mantida a responsabilidade tributária atribuída às Recorrentes. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário apresentado pela contribuinte para rejeitar a preliminar arguida, e, no mérito, dar-lhe PARCIAL PROVIMENTO, para: (i) determinar a exclusão da base de cálculo do lançamento os valores pagos pela recorrente a título de: (a) salário-maternidade; (b) auxílio-doença nos primeiros 15 dias; e (c) 1/3 de férias; (ii) aplicar a retroatividade benigna em relação à multa de ofício aplicada nas competências 01/2008 a 11/2008, mediante a comparação da multa prevista na antiga e na nova redação do artigo 35 da Lei nº 8.212/1991, nos termos da Súmula CARF Nº 196; (iii) reduzir a multa de ofício aplicada nas competências 12/2008 e 13/2008 ao percentual de 100%, em virtude da retroatividade benigna; (iv) determinar o aproveitamento de eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados pela sistemática simplificada, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada; e, por conhecer dos Recursos Voluntários apresentados pelos solidários, para rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, NEGAR-LHES provimento. Assinado Digitalmente Luana Esteves Freitas Fl. 1129DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

score : 1.0