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4710627 #
Numero do processo: 13706.001375/2002-61
Turma: Segunda Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2005
Ementa: PDV - RESTITUIÇÃO - DECADÊNCIA - TERMO INICIAL - ALCANCE - Conta-se a partir da publicação da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal nº 165, de 1998 (DOU de 06/01/99), o prazo decadencial para a apresentação de requerimento de restituição dos valores indevidamente retidos na fonte, relativos aos planos de desligamento voluntário, sendo irrelevante a data da efetiva retenção, que não é marco inicial do prazo extintivo. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO - Afastada a decadência, procede o julgamento de mérito em primeira instância, em obediência ao Decreto nº 70.235, de 1972. Decadência afastada. Recurso provido.
Numero da decisão: 102-46.946
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso para AFASTAR a decadência e determinar o retorno dos autos à C. 2ª. Turma da DRJ/RJ/RJ II, para o enfrentamento do mérito, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Naury Fragoso Tanaka e José Oleskovicz que acolhem a decadência do direito de pedir.
Nome do relator: SILVANA MANCINI KARAM

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Decadência afastada. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por NELSON ARANHA PINTO DIAS. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso para AFASTAR a decadência e determinar o retorno dos autos à C. 2. Turma da DRJ/RJ/RJ II, para o enfrentamento do mérito, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Naury Fragoso Tanaka e José Oleskovicz que acolhem a decadência do direito de pedirk Mak LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO PRESIDENTE prIrp MINISTÉRIO DA FAZENDA Lt PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES"P.P.% SEGUNDA CÂMARA Processo n° : 13706.001375/2002-61 Acórdão n° : 102-46.946 j>44(14k0k, SILVANA MANCINI KARAM RELATORA FORMALIZADO EM: 1 2 AGO 2005 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros LEONARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO, JOSE RAIMUNDO TOSTA DOS SANTOS e ROMEU BUENO DE CAMARGO. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA i4rpt.,:',J PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n° : 13706.001375/2002-61 Acórdão n° : 102-46.946 Recurso n° : 141.200 Recorrente : NELSON ARANHA PINTO DIAS RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra a decisão proferida pela DRJ/RJ/RJ II que negou provimento ao pedido de restituição do IRRF que incidira sobre as verbas indenizatórias auferidas pelo ora Recorrente, dada a sua adesão ao Programa de Demissão Voluntária instituído pela IBM do Brasil Ind. Maq. e Serviços Ltda., apresentado em 27.03.2002. Ocorre que o Recorrente ocupou na referida empresa o cargo de Gerente de Marketing tendo aderido ao Programa de Demissão Voluntária nos termos do documento de fls. 08 dos autos, em 1983 e, em conseqüência, auferido a remuneração correspondente à indenização respectiva no mesmo período, sofrendo as retenções de IRRF aplicáveis à época. A r. decisão atacada entendeu que o direito à restituição do IRRF sobre as verbas de PDV já decaíra em razão das disposições do Ato DecIaratório SRF 96 de 1999, segundo o qual, o termo inicial do prazo decadencial de 5 anos conta-se da data da extinção do crédito, conforme os artigos 165, I e 168, I do CTN. O Recurso Voluntário requer pela aplicação da Instrução Normativa 165 de 31.12.98 (DOU.06.01.98) e do Parecer COSIT n. 4 de 1999 que estabelecem como termo inicial da contagem do prazo decadencial de 5 anos para interposição do pedido de restituição, a data em que passou a viger a referida IN 165/98. É o relatório.3 .fitti A :44 MINISTÉRIO DA FAZENDA -11.ez tprZt PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n° : 13706.00137512002-61 Acórdão n° : 102-46.946 VOTO Conselheira SILVANA MANCINI KARAM A questão tem diversos precedentes, dentre eles, aqueles julgados pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, cujo entendimento, por maioria de votos, é de que deve prevalecer o quanto exarado no Parecer COSIT n.4/99, segundo o qual, a data em que entrou em vigor a IN 165/98 é, efetivamente, o termo inicial para a contagem do prazo preclusivo de 5 anos para a obtenção da restituição do IRRF sobre as verbas indenizatórias, recebidas a titulo de PDV (Recurso n. 106.123804, Primeira Turma, Acórdão CSRF/01-04.94, Sessão de 13.04.2004, Maria Goretti de Bulhões Carvalho, Relatora ). Ocorre que a IN 165/88 passou a ter vigência a partir da data de sua publicação, qual seja, 06.01.99. O termo final portanto, para a interposição de pedido de restituição do IRRF sobre as verbas indenizatórias decorrentes de adesão ao PDV, ocorreu em 06.01.2004. No caso vertente, o pedido de restituição foi apresentado em 27.03.2002, antes portanto, de expirado prazo decadencial de 5 anos, conforme acima exposto. Nestas condições, resta afastada a preliminar de decadência devendo os autos retomarem à c. DRJ de origem para o enfrentamento do mérito, sem que se incida, com esta providência, em supressão de instância. É como voto. Sala das Sessões — DF, 07 de julho de 2005. Jitmae(44/— SILVANA MANCINI KARAM 4 Page 1 _0013700.PDF Page 1 _0013800.PDF Page 1 _0013900.PDF Page 1

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Numero do processo: 19679.720604/2020-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2015 a 30/06/2015 INSUMO. CONCEITO. REGIME NÃO CUMULATIVO. STJ, RESP 1.221.170/PR. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando­se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial no 1.221.170/PR).
Numero da decisão: 3202-003.993
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Juciléia de Souza Lima - Relatora Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Wagner Mota Momesso de Oliveira, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Aline Cardoso de Faria, Juciléia de Souza Lima (Relatora) e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente).
Nome do relator: JUCILEIA DE SOUZA LIMA

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CONCEITO. REGIME NÃO CUMULATIVO. STJ, RESP 1.221.170/PR. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando­se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial no 1.221.170/PR). ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Juciléia de Souza Lima – Relatora Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Wagner Mota Momesso de Oliveira, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Aline Cardoso de Faria, Juciléia de Souza Lima (Relatora) e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente). Fl. 429DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.993 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19679.720604/2020-83 2 RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário contra o deferimento parcial de Pedido de Ressarcimento nº 19399.61728.2002196.1.1.18-8807, no valor de R$ 262.607,65, referente a créditos na apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, auferidos no 2º trimestre de 2015. Em sede de verificação do direito creditório, houve as seguintes glosas: (i) Aquisição de bens utilizados como insumo, pelas seguintes razões: 1º A chave da NF-e não foi informada na EFD-Contribuições. 2º A nota fiscal informada na EFD-Contribuições não existe na base nacional do SPED. 3º A nota fiscal informada na EFD-Contribuições consta como cancelada, na base nacional do SPED. 4º Crédito extemporâneo 5º A interessada não é nem emitente nem participante do documento gerador de crédito com chave de NF-e informada nas EFD-Contribuições; 6º Aquisição de bens ou insumos não sujeitos ao pagamento de contribuição; 7º O código NCM informado na Nota Fiscal não existe na tabela NCM. 8º A mercadoria descrita na nota fiscal não é insumo do processo produtivo de indústria de laticínios. 9º O CFOP da mercadoria, descrito na nota fiscal não corresponde a uma operação de venda. 10º Utilização de alíquotas ou bases de cálculo inapropriadas, no cálculo dos créditos. 11º Outros motivos. Enquadram-se aqui uma série de situações: a) O bem foi adquirido por estabelecimentos da interessada que não têm atividade industrial ou de prestação de serviços. 12º Bem não considerado insumo, pois o documento gerador de crédito foi contabilizado na conta 1.1.30.50.0001 - MATERIAL DE USO CONSUMO e não na conta de 1.1.30.10.0001 - MATÉRIA PRIMA. (ii) aquisição de bem ou insumo não sujeitos ao pagamento das contribuições (iii) Armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda Fl. 430DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.993 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19679.720604/2020-83 3 1º Crédito extemporâneo 2º A empresa não informou a chave do CT-e na coluna E, ou então a chave informada na coluna E não existe na base nacional do SPED. 3º No CT-e informado na coluna E, a interessada não consta como tomadora do serviço de transporte. Se o tomador não é a interessada, ela não arcou com as despesas de transporte; portanto, não pode tomar crédito sobre tais despesas ou custos que, na realidade, não são seus. 4º Frete de transferência entre estabelecimentos da própria empresa de produtos acabados 5º A chave eletrônica da mercadoria transportada (ver coluna DI), informada no CT- e, não existe na base nacional do SPED. 6º O destinatário do frete é estabelecimento da interessada que não tem atividade industrial. Não se trata de frete na aquisição de insumos, porque o destinatário não tem atividade industrial nem de prestação de serviços, e tampouco se enquadra como frete na operação de venda, já que o estabelecimento destinatário é da própria interessada. 7º O destinatário do frete é estabelecimento da interessada, contudo, o frete não pode ser considerado frete de insumo porque a mercadoria transportada não consta da lista de insumos do processo produtivo da empresa, fornecida pela própria empresa. 8º Utilização de alíquotas ou bases de cálculo inapropriadas, no cálculo dos créditos, resultando em valor superior ao correto– calculou o crédito utilizando alíquotas básicas cheias, quando se tratava de crédito presumido (aquisição de leite in natura) a ser calculado com alíquotas reduzidas. 9º Não forneceu os dados de contabilização do documento gerador de crédito. 10º Informou, na coluna CN da planilha em tela, que se trata de frete na operação de venda. Todavia, o destinatário é estabelecimento da própria empresa (ver coluna DF), e não o estabelecimento do adquirente. Tal frete não se caracteriza nem como frete na operação de venda, nem como frete na aquisição de insumo. (iv) Energia Elétrica 1º A empresa não demonstrou a contabilização do documento gerador de crédito. 2º A empresa deixou de apresentar, nas colunas CO e CP, informações da fatura de energia elétrica que deveriam comprovar que a fatura se refere realmente a energia elétrica fornecida e consumida nos estabelecimentos da empresa, e deixou de apresentar, nas colunas CT, CV, CV, CW, e CZ a DD, a discriminação detalhada da composição da fatura Fl. 431DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.993 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19679.720604/2020-83 4 3º O CFOP que constou na NF-e de energia elétrica indica que não se trata de venda de energia elétrica para estabelecimento industrial, e sim, venda de energia elétrica para distribuição ou comercialização 5º Crédito extemporâneo. 6º Glosa parcial - inserção indevida de TUSD, TUST, encargos, perdas e outros lançamentos, cobranças e serviços autorizados, contribuição de iluminação pública, juros, multa e atualização monetária, na base de cálculo dos créditos de PIS e COFINS. (v) Máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado (crédito com base no valor de depreciação) 93. De acordo com as EFD-Contribuições apresentadas pela empresa, a mesma tomou créditos sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado apenas com base nos encargos de depreciação. Não tomou crédito com base no custo de aquisição. (vi) Devolução de Vendas Sujeitas à Incidência Não-Cumulativa 1º A mercadoria descrita na NF-e de devolução não foi tributada conforme as Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Infração ao art. 3º, VIII, das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002. 2º Crédito extemporâneo 3º Nota Fiscal Eletrônica inexistente na base nacional do SPED. 4º A empresa não demonstrou a contabilização da nota fiscal da venda original que originou a devolução das mercadorias, lançando dúvidas sobre a efetiva ocorrência dessa devolução. 5º Glosa parcial: a base de cálculo do crédito adotada pela empresa superou o valor do item menos desconto informado na Nota Fiscal Eletrônica. (vii) Aluguéis de máquinas e equipamentos 1º Crédito extemporâneo, com infração ao art. 3º, §1º, II, das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002. 2º Aluguel pago a pessoa física, no caso, o prestador de serviço Anderson Pazotto, com CNPJ de natureza jurídica 213-5 - Empresário Individual. Tais serviços não geram créditos de PIS e COFINS por força do art. 3º, §2º, I e §3º, I e II, das Leis 10833/2003 e 10637/2002. Fl. 432DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.993 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19679.720604/2020-83 5 3º Data inválida de emissão do documento gerador de crédito: no caso, a interessada informou, para diversas tomadas de crédito relativas à empresa Embro Robótica e Automação Ltda, a data de emissão 00/01/1900, que é inválida. (viii) Serviços utilizados como insumos 1º Duplicidade na tomada de crédito - o documento gerador de crédito mencionado na coluna E já havia sido utilizado pela interessada na apuração dos créditos de Armazenagem e Frete na operação de venda. 2º Crédito extemporâneo - o documento gerador de crédito se refere a aquisições de serviços de transporte ocorridas em trimestre anterior ao trimestre da tomada de crédito. 3º O Conhecimento de Transporte eletrônico informado pela empresa não existe na base nacional. 4º A chave do documento gerador de crédito informado pela empresa é de Nota Fiscal eletrônica mercantil; 5º Frete de transferência, entre estabelecimentos da própria empresa, de produto acabado 6º Frete para estabelecimento da interessada sem atividade industrial, que também não dá direito a crédito 7º Frete para estabelecimento da interessada de material que não é insumo 8º A interessada não é a tomadora do serviço de frete, portanto não arcou com o custo do mesmo e não pode tomar crédito sobre o mesmo. 9º A empresa não conseguiu demonstrar a contabilização do documento gerador de crédito – se a tomada de crédito não está respaldada pela contabilidade da empresa, torna-se impossível convalidá-la. 10º A contabilização do documento gerador de crédito mostrou que o serviço prestado não é insumo 11º A mercadoria transportada, destinada a estabelecimento da interessada, não está sujeita ao pagamento de contribuição 12º Utilização de alíquotas ou bases de cálculo inapropriadas, no cálculo dos créditos – calculou o crédito utilizando alíquotas básicas cheias, quando se tratava de crédito presumido (aquisição de leite in natura) a ser calculado com alíquotas reduzidas. (ix) Créditos descontados das contribuições, apurados em períodos anteriores- fora do período de análise Fl. 433DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.993 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19679.720604/2020-83 6 Os pedidos de ressarcimento abrangidos pelo Mandado de Segurança 5002607 11.2020.4.03.6100 (fl. 10 a 19 do processo 19679.720598/2020-64) referem-se aos trimestres de apuração 2015/2T e 2016/4T a 2017/4T, ou seja, período de abril a junho/2015 e outubro/2016 a dezembro/2017. As glosas acima geraram insuficiência de recolhimento de contribuições, mas não afetaram a apuração do crédito a ressarcir, uma vez que o crédito a ressarcir da empresa se compõem unicamente de créditos apurados no próprio período. Em face das alegações da contribuinte, a 34ª Turma da DRJ08 exarou a Resolução 108 002.347m convertendo o julgamento em diligência, para que o auditor-fiscal, levando em conta os argumentos acima expostos: (e-fls. 1711 a 1727) 1. analise se os bens cujos créditos foram glosados porque não constavam da lista de insumos originalmente fornecida pela contribuinte, não seriam de fato insumos, ainda que não constando daquela lista. Na hipótese de que esses bens devam ser considerados insumos seja então apurado o respectivo crédito a que teria direito a contribuinte. Essa análise deve se estender aos fretes relativos aos transportes desses produtos, cujos créditos foram glosados por consequência de a mercadoria transportada não ser classificada como insumo; 2. nos cálculos a serem feitos na diligência, refaça a apuração do direito creditório considerando, nos períodos corretos, os créditos extemporâneos que foram glosados, desde que a análise dos períodos em que eles foram apropriados pela contribuinte tenha sido abrangida pelo procedimento fiscal que resultou no despacho decisório objeto destes autos; 3. informe se considerou os respectivos CFOPs na análise que resultou na glosa de créditos decorrentes das notas fiscais consideradas como mercantis, mas apropriadas pela contribuinte como de serviços, e, sendo esse o caso, esclareça por que mesmo assim não considerou que essas operações se refeririam a serviços. Caso não tenha feito tal análise levando em conta os CFOPs, que então a faça agora, buscando averiguar se realmente as respectivas operações não se caracterizariam como serviços, apurando ainda a possibilidade de elas, mesmo não se referindo a serviços, gerarem créditos como aquisição de bens utilizados como insumo. Caso as operações alvo da glosa sejam consideradas como geradoras de crédito, refaça então os cálculos do direito de crédito correspondente; 4. apure se os fretes cujos créditos foram glosados porque a mercadoria transportada estava sujeita à incidência das contribuições à alíquota zero, tiveram a incidência do PIS/Pasep e da Cofins, e, sendo esse o caso, calcule Fl. 434DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.993 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19679.720604/2020-83 7 o crédito decorrente a que tem direito a contribuinte, nos termos do art. 176, inciso XVIII, da Instrução Normativa 2.121, de 2022. Encerrada a diligência, deve ser elaborada Informação Fiscal, demonstrando as implicações das análises efetuadas sobre o crédito a que tem direito a contribuinte, anexando-se aos autos todos os documentos que fundamentarem as conclusões. Dos resultados da diligência, a interessada deverá ser cientificada, sendo-lhe facultado aditar sua manifestação no prazo de trinta dias, conforme parágrafo único do art. 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. Após os trabalhos diligenciais, o montante do crédito ressarcível reconhecido sofreu, na maior parte dos trimestres analisados, um incremento conforme tabela abaixo: (e-fls. 1767) De outra parte, o montante da contribuição a lançar sofreu uma redução, conforme tabela abaixo: Fl. 435DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.993 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19679.720604/2020-83 8 Em manifestação aos resultados da diligência, a recorrente repisa os fundamentos de sua defesa administrativa, os quais serão analisados neste Voto. Cientificada, a Recorrente apresentou defesa administrativa, a qual foi julgada procedente em parte pela 34ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento 08, através do acórdão 108-039.320. Inconformada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário ao CARF, pugnando pela homologação integral do crédito. É o que havia a ser relatado. VOTO Conselheira Juciléia de Souza Lima, Relatora O Recurso é tempestivo, bem como, atende aos demais pressupostos para sua admissibilidade, portanto, dele conheço. Ante a inexistência da arguição de preliminares, passo a análise do mérito. I- DO MÉRITO 1.1- Do conceito de insumo e o RESP 1.221.170/PR Para interpretar o conceito de insumo, entendo por bem registrar que o conceito de insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS deve tomar como base a decisão proferida no RESP 1.221.170. Fl. 436DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.993 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19679.720604/2020-83 9 É sabido que em fevereiro de 2018, a 1ª Seção do STJ ao apreciar o Resp 1.221.170 definiu, em sede de repetitivo, decidiu pela ilegalidade das instruções normativas 247 e 404, ambas de 2002, sendo firmada a seguinte tese: “(a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte”. No resultado final do julgamento, o STJ adotou interpretação intermediária, considerando que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, pretendeu-se que seja considerado insumo o que for essencial ou relevante para o processo produtivo ou à atividade principal desenvolvida pela empresa. Vejamos excerto do voto da Ministra Assusete Magalhães: “Pela perspectiva da zona de certeza negativa, quanto ao que seguramente se deve excluir do conceito de ‘insumo’, para efeito de creditamento do PIS/COFINS, observa-se que as Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 trazem vedações e limitações ao desconto de créditos. Quanto às vedações, por exemplo, o art. 3º, §2º, de ambas as Leis impede o crédito em relação aos valores de mão de obra pagos a pessoa física e aos valores de aquisição de bens e serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. Já como exemplos de limitações, o art. 3º, §3º, das referidas Leis estabelece que o desconto de créditos aplica-se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País e aos custos e despesas pagos ou creditados a pessoas jurídicas também domiciliadas no território nacional.” Restou pacificada no STJ a tese que: “o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte”. O conceito de insumo também foi consignado pela Fazenda Nacional, vez que, em setembro de 2018, publicou a NOTA SEI PGFN/MF 63/2018, in verbis: Fl. 437DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.993 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19679.720604/2020-83 10 "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014." A Nota clarifica e orienta, internamente, a definição do conceito de insumos na “visão” da Fazenda Nacional: “41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Busca-se uma eliminação hipotética, suprimindo-se mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo." Com tal nota, restou claro, assim, que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou obste a atividade principal da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Tal ato ainda reflete que o “teste de subtração” Fl. 438DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.993 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19679.720604/2020-83 11 deve ser utilizado para fins de se definir se determinado item seria ou não essencial à atividade do sujeito passivo. Eis o item 15 da Nota PGFN: “15. Deve-se, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poder-se-ia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observa-se que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividade-fim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques.” Nesse sentido, poder-se-ia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente - cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. Com efeito, o conceito de insumo a ser utilizado nesse voto será a sua relação direta com o processo produtivo. Feitos os devidos comentários, passemos à análise do presente das glosas. 1.1- Das Glosas Conforme já relatado, do Termo de Verificação Fiscal constata-se que houve as seguintes glosas: (i) Aquisição de bens utilizados como insumo, pelas seguintes razões: O auditor-fiscal glosou créditos sobre a aquisição de bens que não constaram da relação de insumos fornecida pela contribuinte durante o procedimento fiscal. A recorrente alega que a relação de insumos é mais ampla do que os insumos diretamente relacionados a determinado produto. E que tanto a Delegacia quanto a DRJ Fl. 439DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.993 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19679.720604/2020-83 12 entenderam que somente os itens relacionados em atendimento a intimação é que podem gerar créditos e glosou os demais itens geradores de créditos. A Recorrente entende que os preceitos da não-cumulatividade de Pis e Cofins não foram observados. Pois bem. Primeiro, registro que o trabalho da fiscalização tem incomparável primor, listando, aliás, diversas razões para cada tipo glosa, o que, por óbvio demonstra deferência e proteção ao direito de defesa da recorrente. Todavia, dos resultados da diligência fiscal, evidenciou-se que muitas das glosas se deram por questões de fato e não de direito. Sendo que, mesmo que superada as questões de direito, não posso me afastar das questões de fato constatadas pela fiscalização, as quais implicam diretamente a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado nestes autos, como passo a expor. A fiscalização listou cada motivo para glosa: 1º A chave da NF-e não foi informada na EFD-Contribuições. 2º A nota fiscal informada na EFD-Contribuições não existe na base nacional do SPED. 3º A nota fiscal informada na EFD-Contribuições consta como cancelada, na base nacional do SPED. 4º Crédito extemporâneo 5º A interessada não é nem emitente nem participante do documento gerador de crédito com chave de NF-e informada nas EFD-Contribuições; 6º Aquisição de bens ou insumos não sujeitos ao pagamento de contribuição; 7º O código NCM informado na Nota Fiscal não existe na tabela NCM. 8º A mercadoria descrita na nota fiscal não é insumo do processo produtivo de indústria de laticínios. 9º O CFOP da mercadoria, descrito na nota fiscal não corresponde a uma operação de venda. 10º Utilização de alíquotas ou bases de cálculo inapropriadas, no cálculo dos créditos. 11º Outros motivos. Enquadram-se aqui uma série de situações: a) O bem foi adquirido por estabelecimentos da interessada que não têm atividade industrial ou de prestação de serviços. Fl. 440DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.993 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19679.720604/2020-83 13 12º Bem não considerado insumo, pois o documento gerador de crédito foi contabilizado na conta 1.1.30.50.0001 - MATERIAL DE USO CONSUMO e não na conta de 1.1.30.10.0001 - MATÉRIA PRIMA. Em sua defesa, a recorrente impugna o 8º Motivo – (i) A mercadoria descrita na nota fiscal não é insumo do processo produtivo de indústria de laticínios. Todavia, do relatório da diligência se evidencia que a recorrente deveria informar todos os bens utilizados como insumos referentes a cada um dos produtos que ela fabrica, de fato, ônus que lhe cabia. É importante registrar que não existe insumo em tese, cabe ao contribuinte detalhar e demonstrar cabalmente a relevância e essencialidade de cada aquisição para o seu processo produtivo. A meu sentir, acertada está a decisão do julgador de piso, pois é preciso considerar que o decidido pelo STJ, de que são insumos, bens e serviços que compõem o processo de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviço a terceiros, não validou que todas as despesas realizadas com a aquisição de bens e serviços para a atividade empresarial da contribuinte direta ou indiretamente possam ser consideradas insumos para fins de tomada de crédito, por isso, por ausência de provas quanto a sua relevância e essencialidade, mantenho hígidas as glosas de aquisições de bens utilizados como insumo. E no que se refere as glosas de aquisições bens para uso e consumo, esclarece a fiscalização que tais aquisições foram registradas e utilizadas para seu uso e consumo da própria contribuinte e não como matéria-prima/insumo no processo produtivo, o que justifica a glosa. Outrossim, a recorrente não conseguiu comprovar que tais aquisições tratavam-se de insumo para o seu processo produtivo, ônus que lhe cabia, sobretudo, porque a discussão cinge-se a respeito de direito creditório. Outrossim, analisar a descrição do bem ou sua classificação na NCM não traz qualquer prejuízo à recorrente, pois, sejam quais forem essas características, o fato é que a contribuinte contabilizou esses bens como se fossem para o seu consumo, e não como utilizados no processo produtivo, o que não lhe dá direito a créditos a descontar na apuração da contribuição devida. Ademais, registra o julgador de piso, o qual ratifico o seu entendimento que se, de fato, houvesse algum equívoco na contabilização, a recorrente deveria ter trazido aos autos documentos que comprovassem esse equívoco e a natureza de insumos dos bens adquiridos, o que ela não fez, por isso, por ausência de provas, mantenho as glosas com aquisições de uso e consumo. Fl. 441DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.993 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19679.720604/2020-83 14 (ii) aquisição de bem ou insumo não sujeitos ao pagamento das contribuições Constatou a fiscalização a existência de valores nulos de PIS e COFINS destacados na nota fiscal, bem como os dados de CST de PIS e COFINS, indicam que o bem ou insumo adquirido não se sujeitou ao pagamento de contribuição. Infração ao art. 3º, § 2º, II, das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002. No que se refere às aquisições de leite cru ou de resíduo de madeira, constatou a fiscalização que o bem adquirido também não daria direito a crédito presumido, pois os dados de CNAE constantes do CNPJ do fornecedor indicaram que o mesmo não se enquadrava no art. 8º, §12, incisos I a III, da Lei 10.925/2004, ou então, no caso do resíduo de madeira, a natureza jurídica do CNPJ do fornecedor não era de produtor rural pessoa física; portanto, não há que se falar em direito a crédito presumido. Sendo assim, como se sabe o direito à apuração de créditos do PIS e da COFINS decorre da técnica da não cumulatividade introduzida no ordenamento jurídico pela Lei 10.637/2002, ao assim prever: Lei nº 10.637, de 2002, e Lei nº 10.833, de 2003 (idêntica redação). "Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, (...) II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, (...) § 2º Não dará direito a crédito o valor: (...) II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição." Do texto legal se extrai que não se trata de restringir o direito ao crédito das contribuições da não cumulatividade, mas permiti-la apenas naquelas situações determinadas pelo legislador, sem qualquer ofensa ao princípio da não-cumulatividade. Destaca-se que o legislador, ao criar tal sistemática de apuração, já considerou as etapas da cadeia produtiva, as margens estimadas, bem como, a vedação para o crédito nas aquisições. Ao contrário sensu, permitir o creditamento nas situações sujeitas à sistemática da não incidência das contribuições é desvirtuar todo o sistema de apuração das contribuições, Fl. 442DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.993 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19679.720604/2020-83 15 permitindo um ganho indevido por parte do sujeito passivo, afrontando a concorrência e outros setores econômicos que não teriam tal possibilidade. Daí, por ausência de previsão legal, mantenho as glosas com aquisições de bem ou insumo não sujeitos ao pagamento das contribuições. (iii) Armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda O auditor-fiscal glosou créditos referentes a serviços de transportes: (a) de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa; (b) frete interno entre estabelecimentos da recorrente de produtos acabados sem atividade industrial. Como razões para glosa, a fiscalização apontou os seguintes motivos: 1º Crédito extemporâneo 2º A empresa não informou a chave do CT-e na coluna E, ou então a chave informada na coluna E não existe na base nacional do SPED. 3º No CT-e informado na coluna E, a interessada não consta como tomadora do serviço de transporte. Se o tomador não é a interessada, ela não arcou com as despesas de transporte; portanto, não pode tomar crédito sobre tais despesas ou custos que, na realidade, não são seus. 4º Frete de transferência entre estabelecimentos da própria empresa de produtos acabados 5º A chave eletrônica da mercadoria transportada (ver coluna DI), informada no CT-e, não existe na base nacional do SPED. 6º O destinatário do frete é estabelecimento da interessada que não tem atividade industrial. Não se trata de frete na aquisição de insumos, porque o destinatário não tem atividade industrial nem de prestação de serviços, e tampouco se enquadra como frete na operação de venda, já que o estabelecimento destinatário é da própria interessada. 7º O destinatário do frete é estabelecimento da interessada, contudo, o frete não pode ser considerado frete de insumo porque a mercadoria transportada não consta da lista de insumos do processo produtivo da empresa, fornecida pela própria empresa. 8º Utilização de alíquotas ou bases de cálculo inapropriadas, no cálculo dos créditos, resultando em valor superior ao correto– calculou o crédito utilizando alíquotas básicas cheias, quando se tratava de crédito presumido (aquisição de leite in natura) a ser calculado com alíquotas reduzidas. Fl. 443DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.993 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19679.720604/2020-83 16 9º Não forneceu os dados de contabilização do documento gerador de crédito. 10º Informou, na coluna CN da planilha em tela, que se trata de frete na operação de venda. Todavia, o destinatário é estabelecimento da própria empresa (ver coluna DF), e não o estabelecimento do adquirente. Tal frete não se caracteriza nem como frete na operação de venda, nem como frete na aquisição de insumo. Pois bem. No que se refere a glosa de fretes de produtos acabados, conforme jurisprudência assentada, pacífica e unânime do STJ, e textos das leis de regência das contribuições não cumulativas (Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003), não há amparo normativo para a tomada de créditos em relação a fretes na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte. Daí, mantenho as glosas ao aplicar a Súmula CARF nº 217 ao assim prever: “Gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas”. (c) frete de material que não é insumo, tal despesa também não merece ser revertida. Pois, é inegável que o frete representa etapa essencial e relevante no desenvolvimento do produto final, entretanto, em sede de diligência fiscal, constatou a fiscalização tratar-se de despesa que não guarda qualquer vínculo com a operação produtiva da recorrente e por consequência, não decorre de operação de venda, devendo assim, ser mantida a glosa. (iv) Energia Elétrica Neste ponto, aponta a fiscalização as razões para a glosa: 1º A empresa não demonstrou a contabilização do documento gerador de crédito. 2º A empresa deixou de apresentar, nas colunas CO e CP, informações da fatura de energia elétrica que deveriam comprovar que a fatura se refere realmente a energia elétrica fornecida e consumida nos estabelecimentos da empresa, e deixou de apresentar, nas colunas CT, CV, CV, CW, e CZ a DD, a discriminação detalhada da composição da fatura 3º O CFOP que constou na NF-e de energia elétrica indica que não se trata de venda de energia elétrica para estabelecimento industrial, e sim, venda de energia elétrica para distribuição ou comercialização 5º Crédito extemporâneo. 6º Glosa parcial - inserção indevida de TUSD, TUST, encargos, perdas e outros lançamentos, cobranças e serviços autorizados, contribuição de iluminação pública, juros, multa e atualização monetária, na base de cálculo dos créditos de PIS e COFINS. Fl. 444DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.993 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19679.720604/2020-83 17 No que se refere às glosas com energia elétrica, a recorrente não a impugna especificamente, não havendo litígio a respeito, opera-se a preclusão consumativa da discussão. (v) Máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado (crédito com base no valor de depreciação) 93. De acordo com as EFD-Contribuições apresentadas pela empresa, a mesma tomou créditos sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado apenas com base nos encargos de depreciação. Não tomou crédito com base no custo de aquisição. No que se refere às glosas com máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado (crédito com base no valor de depreciação, a recorrente não a impugna, não havendo litígio a respeito, opera-se a preclusão consumativa da discussão. (vi) Devolução de Vendas Sujeitas à Incidência Não-Cumulativa Houve glosas no que se refere à devolução de vendas sujeitas à incidência não- cumulativa das contribuições. Sendo as seguintes razões: 1º A mercadoria descrita na NF-e de devolução não foi tributada conforme as Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Infração ao art. 3º, VIII, das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002. 2º Crédito extemporâneo 3º Nota Fiscal Eletrônica inexistente na base nacional do SPED. 4º A empresa não demonstrou a contabilização da nota fiscal da venda original que originou a devolução das mercadorias, lançando dúvidas sobre a efetiva ocorrência dessa devolução. 5º Glosa parcial: a base de cálculo do crédito adotada pela empresa superou o valor do item menos desconto informado na Nota Fiscal Eletrônica. No que se refere às glosas com devolução de vendas sujeitas à incidência não- cumulativa das contribuições, a recorrente não a impugna, não havendo litígio a respeito, opera- se a preclusão consumativa da discussão. Fl. 445DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.993 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19679.720604/2020-83 18 (vii) Aluguéis de máquinas e equipamentos Seguem abaixo as razões para glosa: 1º Crédito extemporâneo, com infração ao art. 3º, §1º, II, das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002. 2º Aluguel pago a pessoa física, no caso, o prestador de serviço Anderson Pazotto, com CNPJ de natureza jurídica 213-5 - Empresário Individual. Tais serviços não geram créditos de PIS e COFINS por força do art. 3º, §2º, I e §3º, I e II, das Leis 10833/2003 e 10637/2002. 3º Data inválida de emissão do documento gerador de crédito: no caso, a interessada informou, para diversas tomadas de crédito relativas à empresa Embro Robótica e Automação Ltda, a data de emissão 00/01/1900, que é inválida. No que se refere às glosas com aluguéis de máquinas e equipamentos, a recorrente não a impugna, não havendo litígio a respeito, opera-se a preclusão consumativa da discussão. (viii) Serviços utilizados como insumos Seguem abaixo as razões para glosa: 1º Duplicidade na tomada de crédito - o documento gerador de crédito mencionado na coluna E já havia sido utilizado pela interessada na apuração dos créditos de Armazenagem e Frete na operação de venda. 2º Crédito extemporâneo - o documento gerador de crédito se refere a aquisições de serviços de transporte ocorridas em trimestre anterior ao trimestre da tomada de crédito. 3º O Conhecimento de Transporte eletrônico informado pela empresa não existe na base nacional. 4º A chave do documento gerador de crédito informado pela empresa é de Nota Fiscal eletrônica mercantil; 5º Frete de transferência, entre estabelecimentos da própria empresa, de produto acabado 6º Frete para estabelecimento da interessada sem atividade industrial, que também não dá direito a crédito 7º Frete para estabelecimento da interessada de material que não é insumo Fl. 446DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.993 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19679.720604/2020-83 19 8º A interessada não é a tomadora do serviço de frete, portanto não arcou com o custo do mesmo e não pode tomar crédito sobre o mesmo. 9º A empresa não conseguiu demonstrar a contabilização do documento gerador de crédito – se a tomada de crédito não está respaldada pela contabilidade da empresa, torna-se impossível convalidá-la. 10º A contabilização do documento gerador de crédito mostrou que o serviço prestado não é insumo 11º A mercadoria transportada, destinada a estabelecimento da interessada, não está sujeita ao pagamento de contribuição 12º Utilização de alíquotas ou bases de cálculo inapropriadas, no cálculo dos créditos – calculou o crédito utilizando alíquotas básicas cheias, quando se tratava de crédito presumido (aquisição de leite in natura) a ser calculado com alíquotas reduzidas. No que se refere às glosas com serviços utilizados como insumo, a recorrente não a impugna, não havendo litígio a respeito, opera-se a preclusão consumativa da discussão. (ix) Créditos descontados das contribuições, apurados em períodos anteriores- fora do período de análise Seguem abaixo as razões para glosa: 126. Os pedidos de ressarcimento abrangidos pelo Mandado de Segurança 5002607 11.2020.4.03.6100 (fl. 10 a 19 do processo 19679.720598/2020- 64) referem-se aos trimestres de apuração 2015/2T e 2016/4T a 2017/4T, ou seja, período de abril a junho/2015 e outubro/2016 a dezembro/2017. No que se refere às glosas com créditos descontados das contribuições, apurados em períodos anteriores- fora do período de análise, a recorrente não a impugna, não havendo litígio a respeito, opera-se a preclusão consumativa da discussão. Ante todo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É o voto. Assinado Digitalmente Juciléia de Souza Lima Fl. 447DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.993 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19679.720604/2020-83 20 Fl. 448DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 13985.720025/2018-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 25 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Aug 10 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2013 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO ANALISADO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO ANTERIOR RELATIVO AOS CRÉDITOS BÁSICOS. REPERCUSSÃO DIRETA. APLICAÇÃO DO RESULTADO DO JULGAMENTO. Reconhecida a vinculação dos processos administrativos por repercussão do direito creditório e, ante a impossibilidade de tramitação conjunta em face das fases distintas dos processos, o resultado do julgamento em que os créditos presumidos já foram analisados deve ser aplicado ao caso. CRÉDITO PRESUMIDO. REVENDA DE LEITE IN NATURA. SUSPENSÃO. ÔNUS DA PROVA A revenda de leite in natura a granel deve ser efetuada obrigatoriamente com suspensão da incidência das contribuições para o PIS/Pasep e da COFINS, implicando o estorno de eventuais créditos apurados na proporção das vendas efetuadas. Não havendo provas que não houve a comercialização do leite in natura adquirido e, considerando que nos pedidos de ressarcimento incube ao contribuinte a comprovação dos créditos pleiteados, a glosa deve ser mantida. CORREÇÃO MONETÁRIA. APLICAÇÃO DA SELIC. POSSIBILIDADE. De acordo com entendimento consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) na sistemática de recursos repetitivos (tema 1033 - RESP 1.767.945/PR) deve ser reconhecido o direito à correção da Selic, nos termos do artigo 148 da Instrução Normativa RFB nº 2055/21 sobre créditos não ressarcido ou não compensado a partir do 361º dia da data do protocolo do pedido de ressarcimento.
Numero da decisão: 3301-015.276
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito à correção da Selic, nos termos do artigo 148 da Instrução Normativa RFB nº 2055, de 06 de dezembro de 2021, sobre créditos reconhecidos a partir do 361º dia da data do protocolo do pedido de ressarcimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-015.267, de 26 de maio de 2026, prolatado no julgamento do processo 13985.720023/2018-87, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Paulo Guilherme Deroulede - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Keli Campos de Lima, Marcio Jose Pinto Ribeiro, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues (substituto[a] integral), Rachel Freixo Chaves, Rodrigo Kendi Hiramuki, Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE

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CRÉDITO PRESUMIDO ANALISADO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO ANTERIOR RELATIVO AOS CRÉDITOS BÁSICOS. REPERCUSSÃO DIRETA. APLICAÇÃO DO RESULTADO DO JULGAMENTO. Reconhecida a vinculação dos processos administrativos por repercussão do direito creditório e, ante a impossibilidade de tramitação conjunta em face das fases distintas dos processos, o resultado do julgamento em que os créditos presumidos já foram analisados deve ser aplicado ao caso. CRÉDITO PRESUMIDO. REVENDA DE LEITE IN NATURA. SUSPENSÃO. ÔNUS DA PROVA A revenda de leite in natura a granel deve ser efetuada obrigatoriamente com suspensão da incidência das contribuições para o PIS/Pasep e da COFINS, implicando o estorno de eventuais créditos apurados na proporção das vendas efetuadas. Não havendo provas que não houve a comercialização do leite in natura adquirido e, considerando que nos pedidos de ressarcimento incube ao contribuinte a comprovação dos créditos pleiteados, a glosa deve ser mantida. CORREÇÃO MONETÁRIA. APLICAÇÃO DA SELIC. POSSIBILIDADE. De acordo com entendimento consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) na sistemática de recursos repetitivos (tema 1033 - RESP 1.767.945/PR) deve ser reconhecido o direito à correção da Selic, nos termos do artigo 148 da Instrução Normativa RFB nº 2055/21 sobre créditos não ressarcido ou não compensado a partir do 361º dia da data do protocolo do pedido de ressarcimento. Fl. 135DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.276 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13985.720025/2018-76 2 ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito à correção da Selic, nos termos do artigo 148 da Instrução Normativa RFB nº 2055, de 06 de dezembro de 2021, sobre créditos reconhecidos a partir do 361º dia da data do protocolo do pedido de ressarcimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-015.267, de 26 de maio de 2026, prolatado no julgamento do processo 13985.720023/2018-87, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Paulo Guilherme Deroulede – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Keli Campos de Lima, Marcio Jose Pinto Ribeiro, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues (substituto[a] integral), Rachel Freixo Chaves, Rodrigo Kendi Hiramuki, Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente manifestação de inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que julgou o pedido de ressarcimento apresentado pelo Contribuinte relativo ao suposto crédito de PIS/PASEP. Informada a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, cujo fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, em síntese abaixo, estão sumariados os fundamentos da decisão, vejamos: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2013 CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. VENDAS COM SUSPENSÃO. Não pode ser aproveitado o crédito presumido calculado com base no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, em relação às receitas de vendas efetuadas com a suspensão da incidência da contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins para as Fl. 136DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.276 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13985.720025/2018-76 3 pessoas jurídicas que produzam bens destinados à alimentação humana e animal especificados no caput do dispositivo. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Nos termos da Nota Técnica CODAR/RFB nº 22 de 30/06/2021, deve ser aplicada a taxa SELIC aos créditos de ressarcimento de PIS/Pasep e de Cofins, a partir do 361º dia após a transmissão do pedido somente à parcela do crédito deferido e ainda não ressarcido ou compensado. Cientificada do acórdão recorrido, insurge a Recorrente por meio de Recurso Voluntário, reiterando a existência do direito creditório postulado e requerendo, em síntese: Ante ao exposto, requer-se: I. o recebimento e processamento da presente com os documentos que a acompanham; II. seja dado provimento ao presente Recurso Voluntario, para o fim de que, seja reformando o Despacho Decisório, nos termos das razões de pedir; III. ato contínuo, decidir pela expedição da ordem bancária para ressarcimento dos créditos reconhecidos devidamente atualizados pela SELIC. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto deve ser admitido. Conforme relatado, cuida-se de pedido de ressarcimento referente ao crédito presumido de COFINS não-cumulativo relativos ao 2º trimestre de 2013 apurado nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. O referido Despacho Decisório Eletrônico foi emitido com base em Relatório de Auditoria Fiscal datado de 27/01/2020 , em que informa que o referido crédito foi verificado no PAF nº 10925.900591/2017-03 que analisou o PER de nº 16099.65211.240815.15.11-4602 ,relativo a créditos básicos decorrentes das operações de vendas não tributadas no mercado interno, aplicando as conclusões do referido processo que reconheceu parcialmente o crédito pleiteado. Fl. 137DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.276 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13985.720025/2018-76 4 No presente processo, o pedido de ressarcimento de crédito presumido se deu forma apartada dos demais créditos em face do art. 9º-A da Lei nº 10.925, de 2004, incluído pela Lei nº 13.137, de 2015, o qual estabeleceu a possibilidade de os créditos presumidos da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS relacionados a custos, despesas e encargos vinculados à produção e à comercialização de leite in natura serem utilizados para ressarcimento em dinheiro ou compensação com débitos de outros tributos. Assim, a questão central é que o pedido de ressarcimento em análise tem como fundamento créditos tributários que já foram analisados em procedimento de fiscalização anterior, sendo certo que a decisão proferida naquele processo definirá a própria existência e liquidez do direito creditório que embasa o pleito de ressarcimento. Neste cenário, a relação de dependência é manifesta. O processo de ressarcimento é reflexo do resultado de procedimento de fiscalização anterior. Tal situação se amolda à hipótese de vinculação por decorrência, conforme o Art. 47, § 1º, inciso II e §5º do Regimento Interno do CARF (RICARF): Art. 47 Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observando-se o disposto neste artigo. § 1º Os processos podem ser vinculados por: (...)II - decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e(...) § 5º Na impossibilidade de distribuição, ao mesmo relator, dos processos principal e decorrente ou reflexo, será determinada a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo decorrente ou reflexo, até que seja proferida decisão de mesma instância relativa ao processo principal. Conforme disposto acima, a norma regimental orienta, ainda, a solução para casos de impossibilidade de julgamento simultâneo, como o presente, sobrestamento do julgamento do processo decorrente ou reflexo, até que seja proferida decisão de mesma instância relativa ao processo principal. Ocorre que o processo 10925.900591/2017-03 já foi definitivamente julgado no âmbito das câmaras baixas deste Colegiado, conforme acordão 3402-012.672 de 23/07/2025 proferido pela 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA, razão pela qual cessa os motivos para o sobrestamento deste processo reflexo. Assim, em estrita observância à disciplina do RICARF e ao princípio da segurança jurídica, em relação ao direito creditório pleiteado, esta relatora aplica o entendimento firmado no processo principal, independentemente de qualquer juízo de valor sobre o mérito da tese ali consagrada. Fl. 138DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.276 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13985.720025/2018-76 5 A matéria de fundo, portanto, encontra-se madura para julgamento, devendo ser aplicado a este caso a solução já consolidada em relação ao direito de crédito presumido nas aquisições de comercialização de leite in natura. No referido julgamento, neste ponto, restou consignado que a Recorrente não logrou êxito em comprovar os equívocos apontados e que não se tratava de aquisição para revenda. Vejamos: “VOTO Conselheira Mariel Orsi Gameiro, Relatora O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo integral conhecimento. Cinge-se a controvérsia no conhecido tema da não-cumulatividade das contribuições, em relação ao conceito de insumo, e outros dispositivos presentes no artigo 3º, das Leis 10.637 e 10.833. Pois bem, antes de adentrar na análise de cada um dos insumos glosados, vale tecer algumas considerações sobre o conceito de insumo e o caminho percorrido na jurisprudência administrativa e judicial. (...) Crédito presumido da atividade agroindustrial Segundo a autoridade fiscal, as vendas de leite resfriado in natura são operações que estariam sujeitas à suspensão da incidência de PIS e de Cofins, situação que impediria o aproveitamento do crédito presumido correspondente, justificando os ajustes nas bases de cálculo dos créditos presumidos. A contribuinte argumenta, em síntese, que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, garante o seu direito ao crédito. Nos termos da decisão de primeira instância: Nos termos do artigo transcrito, as cooperativas podem deduzir crédito presumido apurado sobre valor do leite in natura quando o utilizem na produção de mercadorias para a alimentação humana. Nesse contexto, quando utiliza o leite in natura, recebido de cooperados ou adquiridos de terceiros não cooperados, na fabricação de laticínios, a cooperativa pode deduzir os correspondentes créditos presumidos sobre o valor do leite recebido. No entanto, quando a cooperativa comercializa o leite in natura a granel para a indústria de transformação a operação se dá com suspensão das contribuições. Nessa medida, nos termos do §4º, II do art. 8º, fica vedado o aproveitamento do crédito presumido vinculado às operações com suspensão das contribuições. Por essa razão, a autoridade fiscal corretamente desconsiderou os créditos calculados sobre leite in natura vendido com suspensão, devendo ser mantidas as glosas efetuadas. Irretocável também neste ponto a decisão de primeira instância, de modo que, mantenho as glosas. (...)” Fl. 139DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.276 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13985.720025/2018-76 6 Assim, mantém-se as glosas apontadas. Por fim, a Recorrente insurge com argumento de que teria direito à correção monetária (pela taxa Selic) sobre os valores parcialmente deferidos a partir do pedido de ressarcimento. Tece considerações acerca dos créditos escriturais e restrições imposta aos aproveitamentos. Cita precedentes do STJ para amparar suas alegações. Em relação ao referido argumento, entendo que trata-se de matéria autônoma que deve ser apreciada por este colegiado e, a despeito dos argumentos apresentados pela Recorrente, cumpre-nos pontuar que o STJ no julgamento do tema repetitivo 1003 – RESP 1.767.945/PR – firmou entendimento de que é devida a correção monetária no ressarcimento de crédito escritural excedente de tributo sujeito ao regime não cumulativo após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo Fisco (art. 24 da Lei n. 11.457/2007), vejamos: “(...) O termo inicial da correção monetária de ressarcimento de crédito escritural excedente de tributo sujeito ao regime não cumulativo ocorre somente após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo Fisco (art. 24 da Lei n. 11.457/2007). (...) Em face da vinculação aos precedentes judiciais, a Instrução Normativa RFB nº 2055 de 06 de dezembro de 2021, regulamentou a aplicação da correção monetária nos seguintes termos: Art. 148. O crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de reembolso, será restituído, reembolsado ou compensado acrescido de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: I - a quantia for disponibilizada ao sujeito passivo; II - for entregue a declaração de compensação ou for efetivada a compensação na GFIP; ou III - for considerada efetuada a compensação de ofício, conforme a data definida nos incisos I e II do art. 96. (...) Art. 151. Não haverá incidência dos juros compensatórios sobre o crédito do sujeito passivo: I - se a restituição for efetuada no mesmo mês da origem do direito creditório; Fl. 140DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.276 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13985.720025/2018-76 7 II - no caso de compensação de ofício ou compensação declarada pelo sujeito passivo, se a data de valoração do crédito ocorrer no mesmo mês da origem do direito creditório; III - no ressarcimento ou na compensação de créditos do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep, da Cofins e relativos ao Reintegra, ressalvado o disposto no art. 152; e IV - na compensação do crédito de IRRF relativo a juros sobre capital próprio e de IRRF incidente sobre pagamentos efetuados a cooperativas a que se referem o art. 81 e o caput do art. 82, respectivamente. Art. 152. Na hipótese de não haver o ressarcimento de créditos do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep, da Cofins e relativos ao Reintegra, no prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias da data do protocolo do pedido de ressarcimento, aplica-se à parcela do crédito não ressarcida ou não compensada o acréscimo de que trata o caput do art. 148. § 1º No cálculo dos juros de que trata o caput, será observado como termo inicial o 361º (trecentésimo sexagésimo primeiro) dia contado da data do protocolo do pedido de ressarcimento original. § 2º O termo final da valoração do crédito objeto de pedido de ressarcimento deverá ser: I - na hipótese de ressarcimento, quando a quantia for disponibilizada ao contribuinte; II - na hipótese de compensação declarada, quando houver a entrega da declaração de compensação original; e III - na hipótese de compensação de ofício, quando ela for considerada efetuada. Assim, ante a previsão normativa e, considerando a vinculação deste Colegiado às decisões pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática da dos recursos repetitivos nos termos do artigo 99 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023, há que se conhecer o direito da Recorrente em face dos créditos reconhecidos pela fiscalização. Art. 99. As decisões de mérito transitadas em julgado, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, ou pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica nos casos em que houver recurso extraordinário, com repercussão geral reconhecida, pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal, sobre o mesmo tema decidido pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática dos recursos repetitivos. Fl. 141DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.276 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13985.720025/2018-76 8 Neste sentido, considerando que nos termos dos documentos de fls. 72/87 relativo às restituições efetivadas, os valores pleiteados não foram compensados e foram restituídos em valores originais, deve ser reconhecido o direito à correção da Selic sobre créditos a partir do 361º dia da data do protocolo do pedido de ressarcimento. Diante do exposto voto em conhecer do recurso voluntário e, em dar parcial provimento para reconhecer o direito à correção da Selic nos termos do artigo 148 da Instrução Normativa RFB nº 2055 de 06 de dezembro de 2021 sobre créditos reconhecidos a partir do 361º dia da data do protocolo do pedido de ressarcimento. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito à correção da Selic, nos termos do artigo 148 da Instrução Normativa RFB nº 2055, de 06 de dezembro de 2021, sobre créditos reconhecidos a partir do 361º dia da data do protocolo do pedido de ressarcimento. Assinado Digitalmente Paulo Guilherme Deroulede – Presidente Redator Fl. 142DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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11441209 #
Numero do processo: 10340.720621/2022-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 25 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Jul 28 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. DESENTRANHAMENTO E REJUNTADA DO RELATÓRIO FISCAL. AUSÊNCIA DE ALTERAÇÃO MATERIAL. INEXISTÊNCIA DE REABERTURA DO PRAZO DEFENSIVO. INTEMPESTIVIDADE. O mero desentranhamento do Relatório Fiscal, seguido de sua imediata rejuntada no mesmo dia – em lapso inferior a dois minutos –, sem alteração substancial do conteúdo da acusação fiscal ou prejuízo concreto ao exercício do contraditório e da ampla defesa, não enseja a reabertura do prazo para apresentação de impugnação. Apresentada a impugnação após o término do prazo previsto no Decreto nº 70.235/72, impõe-se o não conhecimento do recurso por intempestividade.
Numero da decisão: 1102-002.025
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário somente no que toca à alegada tempestividade da impugnação, rejeitando-a, nos termos do voto da Relatora. Assinado Digitalmente Cristiane Pires McNaughton – Relatora Assinado Digitalmente Fernando Beltcher da Silva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rafael Zedral(substituto[a] integral), Cristiane Pires McNaughton, Cassiano Romulo Soares, Gustavo Schneider Fossati, Gabriel Campelo de Carvalho, Fernando Beltcher da Silva (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente(s) o conselheiro(a) Lizandro Rodrigues de Sousa.
Nome do relator: CRISTIANE PIRES MCNAUGHTON

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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. DESENTRANHAMENTO E REJUNTADA DO RELATÓRIO FISCAL. AUSÊNCIA DE ALTERAÇÃO MATERIAL. INEXISTÊNCIA DE REABERTURA DO PRAZO DEFENSIVO. INTEMPESTIVIDADE. O mero desentranhamento do Relatório Fiscal, seguido de sua imediata rejuntada no mesmo dia – em lapso inferior a dois minutos –, sem alteração substancial do conteúdo da acusação fiscal ou prejuízo concreto ao exercício do contraditório e da ampla defesa, não enseja a reabertura do prazo para apresentação de impugnação. Apresentada a impugnação após o término do prazo previsto no Decreto nº 70.235/72, impõe-se o não conhecimento do recurso por intempestividade. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário somente no que toca à alegada tempestividade da impugnação, rejeitando-a, nos termos do voto da Relatora. Assinado Digitalmente Cristiane Pires McNaughton – Relatora Assinado Digitalmente Fernando Beltcher da Silva – Presidente Fl. 1015DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-002.025 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720621/2022-20 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rafael Zedral(substituto[a] integral), Cristiane Pires McNaughton, Cassiano Romulo Soares, Gustavo Schneider Fossati, Gabriel Campelo de Carvalho, Fernando Beltcher da Silva (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente(s) o conselheiro(a) Lizandro Rodrigues de Sousa. RELATÓRIO A Recorrente foi submetida a procedimento fiscalizatório formalizado por meio do Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal - 0910200.2021.00643-2, visando à apuração de contribuições patronais previdenciárias destinadas a terceiros, incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados no período de 01/2018 a 12/2020. Segundo a autoridade fiscal, embora a empresa tenha optado pelo Simples Nacional, verificou-se que, relativamente ao exercício de 2018, houve apresentação de declarações consideradas contraditórias, uma vez que a contribuinte teria declarado tributos tanto na condição de optante pelo Simples Nacional quanto como empresa submetida ao regime normal de tributação, inclusive mediante entrega de DCTF. A fiscalização registrou ainda que a Recorrente havia sido anteriormente excluída do Simples Nacional no âmbito do Processo nº 10935.721700/2011-13, tendo posteriormente ajuizado o Mandado de Segurança nº 5003780-20.2015.4.04.7005/PR, no qual obteve decisão favorável. Não obstante, consignou que, após reanálise do período fiscalizado e com fundamento no processo de exclusão, entendeu-se que a opção pelo Simples Nacional seria indevida desde 01/2018. Nesse contexto, a fiscalização menciona no Relatório Fiscal das Infrações que a exclusão do Simples Nacional foi formalizada por meio do Ato Declaratório nº 045/2022, expedido em 29/09/2022 pela Delegacia da Receita Federal em Londrina/PR, no âmbito do Processo nº 10340.720622/2022-74, produzindo efeitos retroativos a 01/01/2018, com fundamento nos arts. 28, 29 e 32 da Lei Complementar nº 123/2006. Em razão da exclusão retroativa do Simples Nacional, a Recorrente passou a sujeitar-se às regras gerais de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, razão pela qual procedeu ao lançamento das contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre a folha de pagamento de segurados empregados e contribuintes individuais no período de 01/2018 a 12/2020. Conforme descrito no relatório fiscal, embora as remunerações dos trabalhadores tenham sido declaradas em GFIP, a empresa teria informado sua condição de optante pelo Simples Nacional durante todo o período fiscalizado, circunstância que teria impedido o cálculo automático das contribuições patronais e das contribuições destinadas a terceiros. Por essa razão, Fl. 1016DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-002.025 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720621/2022-20 3 a fiscalização concluiu que as contribuições objeto do lançamento não teriam sido declaradas em GFIP. Ademais, a fiscalização esclarece ainda que a apuração das contribuições foi realizada com base nas informações constantes das GFIPs apresentadas pela própria contribuinte, especialmente quanto ao código FPAS 515 e aos valores de remuneração declarados, os quais foram confrontados com os resumos mensais das folhas de pagamento. Por fim, a fiscalização informou que os recolhimentos efetuados mediante GPS corresponderiam apenas às contribuições dos segurados declaradas em GFIP, inexistindo saldo a ser compensado relativamente às contribuições patronais objeto do Auto de Infração. Também relacionou os documentos anexados ao lançamento, dentre eles planilhas de apuração, cópias de GFIP, DCTF, Ato Declaratório de exclusão do Simples Nacional e demonstrativos de cálculo dos tributos, multas e juros. Concluído o procedimento fiscalizatório, o Auditor-Fiscal efetuou o lançamento de ofício (fls. 02/28), para exigência do crédito previdenciário relativo às contribuições de Terceiros FNDE Salário-educação, SESC, SENAC, INCRA e SEBRAE, no período compreendido pelas competências 01/2018 a 12/2020, no valor total originário de R$ 1.262.335,28. O valor individualizado do crédito previdenciário, bem como o respectivo enquadramento legal das infrações, encontra-se devidamente discriminado no Auto de Infração. Cientificada do lançamento, a Recorrente apresentou Impugnação às fls. 74/101, na qual pugnou pela improcedência das exigências fiscais. Posteriormente, à fl. 792/992, foi lavrado Termo de Intempestividade, no qual a autoridade fiscal consignou que a impugnação foi apresentada fora do prazo legal de 30 (trinta) dias previsto no art. 15 do Decreto nº 70.235/72. Às fls. 796/799, a Recorrente apresentou uma manifestação denominada “Recurso Voluntário”, alegando em síntese: 1. Preliminarmente, alegou a ausência de intimação acerca da decisão que reconheceu a intempestividade da impugnação, afirmando que, embora o Termo de Intempestividade e Revelia tenha sido emitido em 11/11/2022, a ciência somente teria ocorrido em 14/12/2022. Assim, defende a tempestividade do recurso interposto; 2. No mérito, argumentou que, apesar da ciência do lançamento ter ocorrido em 04/10/2022, houve, em 05/10/2022, o desentranhamento do Relatório Fiscal do Auto de Infração (REFISC), conforme Termo de Desentranhamento constante à fl. 65; 3. Sustentou que o referido relatório constitui peça essencial para a compreensão dos fatos imputados e para o exercício do direito de defesa, uma vez que a impugnação aos fatos narrados no auto de infração estaria diretamente fundamentada em seu conteúdo; Fl. 1017DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-002.025 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720621/2022-20 4 4. Aduziu, ainda, que o novo Relatório Fiscal somente foi juntado aos autos em 05/10/2022, às fls. 66 e seguintes, razão pela qual o prazo para apresentação da impugnação deveria ser contado a partir dessa data, e não da ciência originalmente realizada em 04/10/2022; 5. Defendeu que a contagem do prazo em período no qual a contribuinte não possuía acesso integral aos documentos necessários à defesa configuraria cerceamento do direito de defesa. Assim, sustentou que o prazo para impugnação teria se encerrado apenas em 04/11/2022, motivo pelo qual a impugnação apresentada deveria ser considerada tempestiva, afastando-se a decretação de revelia. Às fls. 802/804, a Recorrente apresentou “Pedido de Reconsideração”, reiterando, em síntese, os mesmos argumentos já deduzidos na manifestação de fls. 796/799. À fl. 807, a Equipe Regional de Fiscalização apresentou informação fiscal, alegando: 1. Trata-se o presente de atendimento a solicitação para verificar se cabe revisão de ofício, visto que o contribuinte apresentou defesa intempestiva. 2. Não identifiquei erros nos lançamentos, nem quanto a valores nem quanto a período. 3. Com relação a opção pelo SIMPLES, observa-se que tanto o Relatório do Processo de Exclusão – 10.340.720622/2022-74, quanto os Relatórios dos Processos dos Autos de Infração – 10340.720620/2022-85 e 10340.720621/2022- 20 apontam corretamente que a empresa se declarou como optante em 2018, 2019 e 2020, e destaca-se, recolheu os tributos como optante nos três anos. 4. Restou comprovado que os fatos que impedem a opção pelo SIMPLES ocorreram a partir de 2018, incluindo os anos 2019 e 2020, e por isso o contribuinte deve estar fora do sistema nesse período. Se já estiver com situação cadastral fora do SIMPLES em 2018, excluir 2019 e 2020. 5. Ou seja, uma vez que a opção é indevida nos 3 anos, mas tendo recolhido os tributos como optante, está correto o lançamento das contribuições correspondentes tanto para o ano de 2018 quanto para 2019 e 2020. 6. Sendo assim concluo que não cabe revisão de ofício. Posteriormente, os membros da 32ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil 08, proferiram o Acórdão nº 108-041.582 (fls. 852/861, por meio do qual, por unanimidade de votos, não conheceram da impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário em litígio. A seguir, destacam-se os trechos relevantes do acórdão: (...) O contribuinte foi intimado quanto ao Auto de Infração em 04/10/2022. A teor do disposto nos artigos 5º e 6º do Decreto nº 70.235/72, e artigo 66 da Lei nº 9.784/99, o prazo de 30 dias fixado para o protocolo do instrumento de impugnação se iniciou em 05/10/2022, inclusive, transcorrendo de forma contínua, e tendo seu término no dia 03/11/2022, inclusive. Assim, o protocolo do Fl. 1018DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-002.025 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720621/2022-20 5 instrumento de impugnação, feito em 04/11/2022, mostra-se flagrantemente intempestivo. O contribuinte, no tocante a esta questão, alega: 1. Houve desentranhamento do Relatório Fiscal em 05/10/2022, tendo ocorrido a sua juntada aos autos na mesma data; 2. Não houve intimação quanto à decisão que declarou a intempestividade da impugnação. Com a devida vênia, as alegações não prosperam. A um, porque a intimação quanto à intempestividade do protocolo da impugnação não restaura ou concede novo prazo para manifestação, por ausência de previsão de recurso para a hipótese. Ao revés, havendo o questionamento da intempestividade, qualquer que seja a sua forma, devolve-se a análise ao órgão julgador, no caso, este Colegiado. A dois, porque não houve o desentranhamento do Relatório Fiscal nos presentes autos, mas, ainda que tivesse ocorrido, este fato, por si só, não representa fato processual relevante ao deslocamento ou alteração do dies a quo do prazo processual. Explico. A impugnação é ato jurídico-processual do sujeito passivo que, ao manifestar sua não aquiescência com o lançamento, instaura a fase litigiosa. Neste sentido, sabendo-se que os prazos processuais devem ser respeitados sob pena de preclusão temporal, uma vez operada a ciência do contribuinte quanto ao Auto de Infração, e neste se inclui a sua motivação, constante do Relatório Fiscal, com exclusão do dia em que se realiza a intimação (04/10/2022), inicia-se o prazo de 30 dias para oferta da impugnação. Obviamente, a impugnação versará as matérias discutidas no Auto de Infração a partir da motivação constante do Relatório Fiscal, e, dessa forma, o contribuinte, ao ser cientificado dele, já dispõe dos elementos necessários à manifestação de seu inconformismo e isto independente da formalização dos autos processuais. A formalização seguirá seu curso independentemente do prazo outorgado ao contribuinte. Destarte, e aqui trazendo a lume a situação ocorrida nos autos do processo administrativo nº 10340.720620/2022-85, o mero desentranhamento do Relatório Fiscal, com a sua juntada no mesmo dia (05/10/2022), via de regra, não afeta a fluência do prazo para impugnação, é preciso destacar que podem ocorrer situações nas quais se faça necessária a outorga de novo prazo de impugnação, até mesmo perfazendo-se nova ciência do contribuinte. A hipótese é aquela na qual o Relatório Fiscal que foi cientificado ao contribuinte é substituído por outro que lhe altere o conteúdo ou aspecto relevante, de forma a prejudicar o contraditório e a ampla defesa. (...) Fl. 1019DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-002.025 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720621/2022-20 6 Ora, o desentranhamento para a correção de erros pontuais de digitação e a sua juntada no mesmo dia, no meu entender, não configuram hipótese suficiente a ensejar a abertura de novo prazo para os sujeitos passivos, principalmente pelo fato de que não ocorreram alterações de conteúdo ou mesmo de relevância impar a alterar o entendimento do qual os sujeitos passivos já foram intimados. O contribuinte apresentou seu instrumento de impugnação com as matérias “em tese” pertinentes ao conteúdo da motivação exposta no Relatório Fiscal, não demonstrando, ipso facto, a ocorrência de prejuízo ao contraditório e/ou à ampla defesa. Diante disto, não conheço do instrumento de impugnação protocolado, porque intempestivo. O acórdão restou assim ementado: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/01/2018 a 31/12/2020 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE DO PROTOCOLO DA IMPUGNAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. Não instaura a lide administrativa o protocolo intempestivo do instrumento de impugnação, impondo-se o seu não conhecimento. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido A Recorrente tomou ciência da decisão proferida pela DRJ em 01/03/2024, conforme consta à fl. 899. Irresignada, interpôs Recurso Voluntário em 26/03/2024 (fls. 902/936), no qual, em síntese: 1. Inicialmente, defende a tempestividade da impugnação apresentada. Alega que, embora a cientificação da contribuinte tenha ocorrido em 04/10/2022, no dia 05/10/2022 houve desentranhamento no processo, conforme Termo de Desentranhamento constante à fl. 65, ocasião em que teria sido excluído o Relatório Fiscal do Auto de Infração (REFISC). Sustenta que o documento excluído se trata de relatório de apuração acerca do suposto ilícito, no qual deveriam constar os elementos utilizados pelo Auditor Fiscal para demonstrar, de maneira inequívoca, os fundamentos da constituição do crédito tributário e os respectivos valores exigidos. 1.1. Afirma que o documento excluído consistia em relatório de apuração sobre o suposto ilícito, devendo conter os fundamentos utilizados pela fiscalização para constituição do crédito tributário e definição do montante lançado. 1.2. Alega que o art. 3º, II, da Lei nº 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, assegura ao administrado o direito de ter plena ciência de todos os atos processuais. Destaca, ainda, que o art. 28 do referido diploma legal Fl. 1020DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-002.025 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720621/2022-20 7 estabelece ser dever da Administração promover a intimação dos atos que afetem direitos do administrado. 1.3. Sustenta que não houve intempestividade da defesa, pois a Recorrente não teria sido intimada acerca da alteração do relatório de fiscalização. Aduz que a autoridade administrativa deveria ter expedido nova intimação, assegurando o pleno conhecimento dos atos processuais e reabrindo prazo para apresentação da impugnação. 1.4. Afirma que o próprio servidor responsável pela remoção do relatório e substituição por novo documento teria consignado que o relatório anteriormente juntado continha incorreções, razão pela qual teria ocorrido sua substituição. 1.5. Sustenta que o art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72 dispõe serem nulos os atos praticados com preterição do direito de defesa, razão pela qual requer o retorno ao status quo ante, com reconhecimento da ilegalidade da decisão que declarou a intempestividade da impugnação. Afirma que entendimento em sentido contrário implicaria afronta aos princípios constitucionais previstos nos arts. 5º, II, LIV, LV e 37 da Constituição Federal, bem como ao art. 269 do CPC e aos arts. 3º e 28 da Lei nº 9.784/99, dentre outras normas infraconstitucionais. 2. No tocante ao local da lavratura do Auto de Infração, a Recorrente sustenta possuir domicílio fiscal em Santos/SP, sujeito à jurisdição da Delegacia da Receita Federal em Santos/SP, enquanto o Auto de Infração teria sido lavrado pela Delegacia da Receita Federal de Londrina/PR, em jurisdição diversa daquela correspondente ao seu domicílio tributário. 2.1. Afirma que a competência das Delegacias da Receita Federal do Brasil é disciplinada pelo Regimento Interno da Receita Federal do Brasil, instituído pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 284/2020. 2.2. Alega que, para identificação da autoridade competente para realização da fiscalização, seria necessário observar os Anexos I e II da Portaria RFB nº 2.466, de 28 de dezembro de 2010, que definem a área de jurisdição fiscal das Unidades Descentralizadas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, considerando-se a unidade responsável pelo estabelecimento matriz. 2.3. Sustenta que, à luz das referidas normas regimentais e regulamentares, a Delegacia da Receita Federal de Londrina/PR não possuiria jurisdição sobre a localidade ou domicílio da Recorrente em matéria previdenciária, inexistindo vínculo apto a autorizar a fiscalização ou cobrança administrativa. 2.4. Defende a aplicação da teoria da autonomia dos estabelecimentos ao caso concreto, requerendo o reconhecimento da incompetência da unidade da Receita Federal situada em jurisdição diversa do domicílio fiscal da Recorrente. 3. Quanto ao faturamento do período de 01/01/2018 a 31/12/2020, a Recorrente sustenta que o valor faturado e considerado como base de cálculo corresponde a R$ 1.329.507,38, integralmente declarado, tendo sido apurado mediante consideração dos valores efetivamente Fl. 1021DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-002.025 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720621/2022-20 8 recebidos dos tomadores de serviços, descontados os valores recebidos a título de reembolso. Afirma que o simples ingresso financeiro não representa, necessariamente, acréscimo patrimonial ou geração de riqueza, razão pela qual reputa indevida a utilização do valor da folha de pagamento, no montante de R$ 11.476.569,30, como base de cálculo. 3.1. Alega que o faturamento considerado para fins de exclusão do Simples Nacional deve ser revisto, pois, embora a empresa possua diversos empregados registrados, os valores desembolsados a título de pagamento destes seriam posteriormente reembolsados pelos tomadores de serviços, não constituindo renda nem riqueza nova, razão pela qual não se enquadrariam no conceito de faturamento. 3.2. Defende que o procedimento adotado pela empresa não configura fraude, dolo ou qualquer outra infração legal, uma vez que teria apenas declarado os pagamentos efetuados aos empregados e os respectivos tomadores da mão de obra. 4. Quanto ao princípio da capacidade contributiva, a Recorrente sustenta que a apuração baseada no valor da folha de pagamentos afrontaria o disposto no art. 145, §1º, da Constituição Federal, sob o argumento de que os valores pagos a título de mão de obra não influenciariam o preço do serviço prestado, não constituindo renda. 4.1. Afirma que a mão de obra, os salários e respectivos encargos seriam objeto de reembolso pelos tomadores de serviços, razão pela qual não deveriam ser considerados renda, por não representarem aumento patrimonial da contribuinte, mas mera recomposição patrimonial. 4.2. Sustenta, assim, a impossibilidade de aferição de receita bruta com base no total da folha de pagamentos, bem como a impossibilidade de exclusão do Simples Nacional a partir de tal critério, afirmando que isso acarretaria consequências irreversíveis à contribuinte, além da apuração de débitos previdenciários e de terceiros incompatíveis com sua realidade operacional e financeira. 4.3. Aduz que o ato seria ilegal por pretender tributar valores relativos ao reembolso de salários pagos pelos tomadores de serviços, inexistindo fato gerador apto a justificar a tributação, uma vez que a contribuinte apenas repassaria os salários decorrentes da contratação dos empregados. 5. Em relação à multa aplicada, a Recorrente sustenta que sua dosagem deveria considerar eventual dificuldade criada à fiscalização ou omissão de informações, o que, segundo afirma, não ocorreu no caso concreto. Aduz que a própria fiscalização utilizou dados fornecidos pela contribuinte, razão pela qual entende indevida a aplicação da penalidade ou, subsidiariamente, requer sua redução ao menor patamar possível. 6. Quanto à multa qualificada, sustenta que a fiscalização aplicou multa de 75%, fundamentando a qualificação no desenquadramento do Simples Nacional, o que, segundo a Recorrente, não autorizaria a majoração da penalidade à luz da Súmula CARF nº 25. Fl. 1022DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-002.025 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720621/2022-20 9 6.1. Afirma que somente seria possível a aplicação de sanção qualificada mediante comprovação, pelo Fisco, de intuito sonegador ou evidente intuito de fraude. Aduz que, no caso concreto, não houve sonegação nem intenção de fraudar o Fisco, destacando que toda a tributação da empresa foi realizada com fundamento no regime do Simples Nacional. 6.2. Sustenta que a manutenção do Auto de Infração implicaria validação de hipótese de bis in idem, consistente na tributação do mesmo fato jurídico mais de uma vez pela mesma pessoa política. 6.3. Aduz que a Receita Federal estaria impondo sanções qualificadas, de maneira arbitrária e com aparente abuso de poder, em situações nas quais os contribuintes atuariam em conformidade com a legislação ou praticariam condutas não vedadas em lei. 6.4. Sustenta que a qualificação da multa careceria de amparo legal, requerendo sua redução ao patamar mínimo. 7. Em relação à alegada multa com efeito confiscatório, sustenta que a penalidade não pode assumir natureza confiscatória. Aduz que o Auto de Infração aplicou multa de 75% incidente sobre os valores apurados a título de contribuição previdenciária patronal e contribuições destinadas a terceiros, apesar de a própria fiscalização ter reconhecido que utilizou informações constantes dos sistemas da Receita Federal do Brasil. 7.1. Afirma que, segundo entendimento recente dos tribunais e da doutrina, em caso de concurso de leis, deve ser aplicada a norma mais benéfica ao contribuinte, com fundamento no princípio do in dubio pro reo, ou, segundo sustenta, in dubio pro contribuinte. 7.2. Requer, assim, a redução da multa ao patamar de 20%, por entender tratar-se da penalidade mais benéfica à contribuinte. 8. No que se refere à base de cálculo tributável, a Recorrente sustenta que devem ser excluídos da base de cálculo das contribuições patronais os valores pagos a título de verbas indenizatórias, sob o argumento de que tais verbas não configurariam fato gerador de contribuições previdenciárias. 8.1. Quanto às contribuições destinadas a terceiros, alega que os tribunais vêm reconhecendo a limitação da base de cálculo ao equivalente a 20 salários-mínimos nacionais vigentes, requerendo a aplicação desse entendimento ao caso concreto. 8.2. Requer, assim, a alteração do Auto de Infração para exclusão, da base de cálculo previdenciária, das verbas relativas a auxílio-doença, auxílio-acidente, aviso prévio indenizado, abono de férias e demais verbas indenizatórias, bem como a limitação da base de cálculo das contribuições destinadas a terceiros. 9. Quanto à compensação de valores pagos ou retidos, a Recorrente sustenta que o Auto de Infração não menciona eventual compensação de valores pagos ou retidos no período fiscalizado, requerendo a compensação integral desses valores. Fl. 1023DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-002.025 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720621/2022-20 10 10. Em relação à exclusão do Simples Nacional, sustenta que a exclusão somente poderia ser efetivada após o julgamento definitivo da defesa ou recurso administrativo, em razão do efeito suspensivo previsto no art. 151, III, do CTN, razão pela qual a contribuinte deveria permanecer enquadrada no regime até o esgotamento das vias administrativa e judicial. 10.1. Afirma que a condição cadastral da contribuinte não consta como excluída do Simples Nacional, conforme consulta extraída do portal do Simples Nacional e juntada aos autos, sustentando que o Fisco não poderia tratá-la como excluída, sob pena de cerceamento de defesa. 10.2. Aduz que os efeitos da exclusão do Simples Nacional seriam irreversíveis, razão pela qual os processos de exclusão deveriam ser definitivamente julgados antes da produção de efeitos tributários e previdenciários. Sustenta, assim, ser ilegal a retroação dos efeitos da exclusão sem o encerramento da discussão administrativa e judicial. 11. Quanto aos efeitos da exclusão, sustenta que o Ato Declaratório DRF/LON nº 45, acostado à fl. 160, estabeleceu que a exclusão do Simples Nacional produziria efeitos a partir de 01/01/2018, abrangendo os anos-calendário de 2018, 2019 e 2020, período utilizado para apuração dos créditos tributários exigidos. Contudo, afirma existir equívoco na fixação desses efeitos, pois a contribuinte não seria optante do Simples Nacional no ano de 2018, conforme demonstraria consulta juntada aos autos, segundo a qual a opção pelo regime teria ocorrido apenas em janeiro de 2019. 11.1. Aduz, ainda, que despacho proferido no procedimento administrativo nº 10935.722503/2015-37 (Anexo IV) evidenciaria que a contribuinte foi excluída do regime especial em 01/02/2010, permanecendo fora do Simples Nacional até 01/01/2019, quando teria sido formulado novo pedido de inclusão. 11.2. Sustenta, assim, a impossibilidade de aplicação dos efeitos da exclusão desde 01/2018, uma vez que, no período de 01/2018 a 12/2018, a contribuinte sequer seria optante do regime. Requer, subsidiariamente, a revisão da aplicabilidade dos efeitos da exclusão e o recálculo do crédito tributário, com exclusão desse período. 12. No tocante à caracterização de grupo econômico para fins de responsabilização solidária, a Recorrente invoca o art. 124 do Código Tributário Nacional, segundo o qual são solidariamente responsáveis as pessoas expressamente designadas em lei, bem como o art. 30, IX, da Lei nº 8.212/91, que dispõe sobre solidariedade entre empresas integrantes de grupo econômico. 12.1. Sustenta não haver óbice à responsabilização solidária quando efetivamente caracterizado grupo econômico, mas afirma que a fiscalização deveria observar os requisitos formais e materiais para sua configuração, nos termos do art. 494 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009. Fl. 1024DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-002.025 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720621/2022-20 11 12.2. Aduz que elementos como identidade de endereço, nome fantasia e sócios em comum não seriam suficientes para comprovar a existência de grupo econômico, diante da inexistência de vedação legal à semelhança desses elementos. 12.3. Invoca precedente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, notadamente o Acórdão nº 9101-002.397, da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Rel. Luís Flávio Neto, julgado em 14/07/2016, segundo o qual seriam distintas as hipóteses de reestruturações societárias legítimas daquelas caracterizadas por simulação com intuito de evasão tributária. 12.4. Sustenta que a segregação de fontes de renda, ainda que motivada pela redução da carga tributária, não seria vedada em lei, desde que não simulada, razão pela qual a autonomia das pessoas jurídicas deveria ser preservada quando inexistente simulação comprovada. 12.5. Afirma que, no caso concreto, existiria segregação formal e material das atividades desempenhadas pelas empresas apontadas pela fiscalização como integrantes de grupo econômico, sustentando que a mera semelhança de atividades não seria suficiente para caracterizar grupo econômico. 12.6. Aduz que não seria admissível considerar fraudulentas as segregações realizadas, uma vez que teriam sido implementadas formal e materialmente, destacando, ainda, inexistir impedimento legal para compartilhamento do mesmo endereço por duas ou mais empresas. Sustenta que a empresa “R.E.” utilizaria apenas uma sala do imóvel, inexistindo desenvolvimento conjunto de atividades. 12.7. Em relação à empresa REF Recursos Humanos Ltda. (“REF”), afirma que, embora desenvolva atividades semelhantes às da empresa “DINAMICA”, ambas estariam estabelecidas em cidades distintas, separadas por aproximadamente 600 km, o que evidenciaria a existência de estruturas autônomas. Sustenta que a mera semelhança de atividades e identidade de sócios não seriam suficientes para caracterização de grupo econômico. 12.8. Aduz, por fim, que seria inadmissível a atuação da autoridade fiscal em desconformidade com a legislação pátria, sob pena de afronta aos princípios e garantias da livre iniciativa. Destaca-se que o Recurso Voluntário foi protocolado em mais de uma oportunidade, encontrando-se acostado às fls. 940/974 e 978/1.012, em versões de igual conteúdo. É o relatório. VOTO Conselheira Cristiane Pires McNaughton, Relatora. Fl. 1025DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-002.025 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720621/2022-20 12 1 ADMISSIBILIDADE A Recorrente foi cientificada da lavratura do Auto de Infração em 04/10/2022. Nos termos dos arts. 5º e 6º do Decreto nº 70.235/72, bem como do art. 66 da Lei nº 9.784/99, o prazo de 30 (trinta) dias para apresentação da impugnação teve início em 05/10/2022, fluindo de forma contínua e encerrando-se em 03/11/2022, inclusive. Dessa forma, a DRJ concluiu pela intempestividade da impugnação protocolada apenas em 04/11/2022. A Recorrente sustenta, contudo, que, embora a ciência do Auto de Infração tenha ocorrido em 04/10/2022, a autoridade fiscal promoveu, em 05/10/2022, o desentranhamento do Relatório Fiscal anteriormente juntado aos autos, conforme termo de fl. 175, para correção de determinadas informações, circunstância que, segundo alegam, implicaria o reinício do prazo impugnatório, sob pena de violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa. A decisão recorrida afastou tal argumento ao fundamento de que o mero desentranhamento do Relatório Fiscal, desacompanhado de alteração substancial de seu conteúdo, não configura fato processual apto a modificar o dies a quo do prazo para impugnação. Entendo correta a conclusão adotada pela instância de origem. Com efeito, o simples desentranhamento do Relatório Fiscal, seguido de sua nova juntada no mesmo dia — em lapso inferior a dois minutos, conforme registrado nos autos — não possui, por si só, o condão de interromper ou reabrir o prazo impugnatório. Confiramos relato da autoridade fiscal da unidade de origem: É certo que podem existir hipóteses excepcionais em que a substituição do Relatório Fiscal imponha a concessão de novo prazo de defesa, inclusive mediante renovação da ciência ao sujeito passivo. Isso ocorrerá quando o documento substitutivo trouxer modificação relevante do conteúdo originalmente cientificado, apta a impactar a compreensão da acusação fiscal ou a comprometer o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa. Todavia, não é essa a situação verificada nos presentes autos. Conforme relatado pela própria autoridade fiscal da unidade de origem, as alterações promovidas restringiram-se à correção de erros pontuais de redação e digitação, sem qualquer modificação substancial da fundamentação jurídica, dos fatos imputados ou dos critérios de quantificação do crédito tributário. Nesse contexto, mostra-se desarrazoado sustentar que o mero ajuste formal do Relatório Fiscal, realizado no mesmo dia da ciência e imediatamente seguido de nova juntada, Fl. 1026DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-002.025 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720621/2022-20 13 seria suficiente para ensejar a reabertura integral do prazo de impugnação, especialmente quando inexistente qualquer alteração material capaz de surpreender os sujeitos passivos ou dificultar o exercício de sua defesa. Ademais, a Recorrente sequer demonstrou concretamente de que forma o referido procedimento lhes teria causado efetivo prejuízo processual. A mera alegação genérica de afronta à ampla defesa, desacompanhada da indicação objetiva de dano ou limitação defensiva, não se mostra suficiente para infirmar a regularidade do procedimento adotado. Assim, ausente qualquer causa apta a suspender, interromper ou reiniciar a fluência do prazo impugnatório, impõe-se o reconhecimento da intempestividade da impugnação apresentada. Diante do exposto, voto em conhecer o Recurso Voluntário somente no que toca à alegada tempestividade da impugnação, rejeitando-a. Assinado Digitalmente Cristiane Pires McNaughton Fl. 1027DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto 1 admissibilidade

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Numero do processo: 10380.902575/2012-37
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 06 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Aug 03 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DA COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. A comprovação pela Recorrente da existência, certeza e liquidez do crédito pleiteado são requisitos essenciais ao deferimento do pedido, na forma do art. 170 do Código Tributário Nacional. Na apuração do IRPJ ou CSLL, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto (Súmula CARF nº 80). A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos (Súmula CARF nº 143).
Numero da decisão: 1001-004.400
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar-lhe provimento em parte para aplicação do direito superveniente previsto nas determinações das Súmulas CARF nº 80 e nº 143 para fins de reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF de Origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp devendo o procedimento ser retomado desde o início. Assinado Digitalmente Carmen Ferreira Saraiva - Relatora e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Elias da Silva Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Reginaldo Cezar Cardoso, Gustavo de Oliveira Machado e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA

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conteudo_txt : Metadados => date: 2026-08-03T17:54:10Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-08-03T17:54:10Z; Last-Modified: 2026-08-03T17:54:10Z; dcterms:modified: 2026-08-03T17:54:10Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-08-03T17:54:10Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-08-03T17:54:10Z; meta:save-date: 2026-08-03T17:54:10Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-08-03T17:54:10Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-08-03T17:54:10Z; created: 2026-08-03T17:54:10Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; Creation-Date: 2026-08-03T17:54:10Z; pdf:charsPerPage: 1652; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-08-03T17:54:10Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10380.902575/2012-37 ACÓRDÃO 1001-004.400 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA SESSÃO DE 8 de julho de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE CALILA ADMINISTRAÇÃO E COMÉRCIO S/A INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DA COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. A comprovação pela Recorrente da existência, certeza e liquidez do crédito pleiteado são requisitos essenciais ao deferimento do pedido, na forma do art. 170 do Código Tributário Nacional. Na apuração do IRPJ ou CSLL, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto (Súmula CARF nº 80). A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos (Súmula CARF nº 143). ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar-lhe provimento em parte para aplicação do direito superveniente previsto nas determinações das Súmulas CARF nº 80 e nº 143 para fins de reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos Fl. 205DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.400 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10380.902575/2012-37 2 autos à DRF de Origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp devendo o procedimento ser retomado desde o início. Assinado Digitalmente Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Elias da Silva Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Reginaldo Cezar Cardoso, Gustavo de Oliveira Machado e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). RELATÓRIO Per/DComp e Despacho Decisório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 13467.78218.130808.1.7.02-7408, em 13.08.2008, e-fls. 02-12, utilizando-se do crédito relativo ao saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$118.138,66 do ano-calendário de 2002 para compensação dos débitos ali confessados. Consta no Despacho Decisório, e-fls. 21-26: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificou-se: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP PARC. CREDITO [...] RETENÇÕES FONTE [...] SOMA PARC. CRED. PER/DCOMP [...] 203.168,16 [...] 203.168,16 CONFIRMADAS [...] 44.001,95 [...] 44.001,95 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 118.138,66 Valor na DIPJ: R$ 118.138,66 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 203.168,16 IRPJ devido: R$ 85.029,50 Fl. 206DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.400 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10380.902575/2012-37 3 Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) - (IRPJ devido) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$ 0,00 Informações complementares da análise do crédito estão disponíveis na página internet da Receita Federal, e integram este despacho. Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada nos seguintes PER/DCOMP: 40388.83920.130907.1.7.02-5055 28927.51605.240907.1.7.02-0810 13467.78218.130808.1.7.02-7408 [...] Enquadramento Legal: Art. 168 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). Inciso II do Parágrafo 1º do art. 6º da Lei 9.430, de 1996. Art. 4º da IN RFB 900, de 2008. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Manifestação de Inconformidade e Decisão de Primeira Instância Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado no Acórdão da 1ª Turma DRJ/RPO/SP nº 14-95.858, de 14.06.2019, e-fls. 83-89: Acordam os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, nos termos do voto do relator. Recurso Voluntário Notificada em 22.07.2019, e-fl. 98, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 07.08.2019, e-fls. 100-108, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fundamentos de fato e de direito aduz que: III - DO DIREITO III. A – DO DIREITO DA EMPRESA INCORPORADORA DE COMPENSAR CRÉDITOS PERTENCENTES À EMPRESA INCORPORADA: Ilustres Julgadores, o instituto jurídico da “incorporação” compõe uma das hipóteses legais de operação societária prevista no art. 227 da Lei das Sociedades Anônimas e no art. 1.118 do Código Civil, em que a empresa incorporadora passa a deter, em curta síntese, todos os direitos e obrigações da empresa incorporada. [...] O crédito tributário, portanto, sendo um direito pertencente a incorporada, passa a ser disponível de utilização da empresa incorporadora, mormente por não existir nenhuma legislação tributária que vede tal sub-rogação. [...] Fl. 207DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.400 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10380.902575/2012-37 4 Foi exatamente o que aconteceu no caso em tela, em relação aos valores não considerados na monta de R$ 148.370,60 apontados pela DRJ, quando da análise das DIRF´s emitidas por tomadores em nome da Recorrente. Ocorre que, tal crédito é originário de imposto de renda retido na fonte, no ano 2000, da empresa JCN – PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO S/A, que foi incorporada pela Recorrente (Doc. 05). A análise dos documentos anteriormente acostados na Manifestação de Inconformidade, e que seguem mais uma vez em anexo (Doc. 06), demonstra que a origem do crédito no valor de R$148.370,60 foi justamente o IRRF pelo Banco BBA ICATU em face da JCN – PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO S/A. [...] No entanto, como a DRJ não conseguiu detectar a origem de tal crédito, pois não analisou tais documentos, nem ao menos diligenciou no sentido de apreciar as DIRF’s emitidas pela empresa JCN – PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO S/A, conforme CNPJ que foi apontado pela Recorrente em sua Manifestação de Inconformidade (CNPJ: 11.805.884/0001-78) [...]. Ora, o instrumento hábil a atestar o crédito existente e a sua natureza, é a DIRF emitida em nome da empresa incorporada pela Recorrente, JCN – PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO S/A (CNPJ:11.805.884/0001-78), razão pela qual a DRF conforme se pode ver nos extratos analíticos emitidos pelo banco BBA relativo ao período de 2002, já adunados aos autos. Portanto, resta-se totalmente comprovada a origem do valor de R$ 148.370,60, não havendo nenhum saldo devedor relativa as PER/ DCOMP’s aqui analisadas. III. C – DA ORIGEM DOS CRÉDITOS GLOSADOS E DA NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA: Como já dito acima, o a Recorrente foi acusada pelo agente fiscal de ter realizado supostas compensações indevidas, oriundas de créditos de saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2002. Entretanto, se este ilustre órgão julgador analisar detidamente os elementos que lastreiam este recurso, perceberá que os créditos oriundos do saldo negativo de IRPJ são mais que suficientes para suprir es débitos destacados nas PER/DCOMPS em tablado, No entanto, caso entenda necessário para confirmar as alegações e provas juntadas neste recurso e na Manifestação de Inconformidade, este colegiado poderá converter o julgamento em diligência, para que seja feita consulta ao Sistema DIRF de modo verificar que houve declaração de pessoa jurídica em nome da JCN - PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO S/A DIRF, para o ano de 2002, com retenção do IRRF, realizada pelo Banco BBA ICATU, no valor de R$ 148.370,60. Conclui-se, destarte, que os critérios utilizados pelas instâncias de 1º grau não encontram amparo na ordem jurídica na medida em que não foi corretamente Fl. 208DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.400 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10380.902575/2012-37 5 analisada a natureza dos créditos utilizados pela Recorrente para a compensação em apreço, o que demonstraria, de forma cabal, não haver saldo de IRPJ a pagar. No que concerne ao pedido conclui que: III - DO PEDIDO Diante de todo o exposto, a Recorrente requer que este ilustrado Órgão Administrativo dê PROVIMENTO ao presente recurso para: a) Considerar o direito creditório da Recorrente no valor de R$ 148.370,60 retido na fonte em face da empresa por esta incorporada, a JCN – PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO S/A; b) Homologar integralmente as PER/DCOMP’s ora em litígio, nos termos alhures; c) Roga, ainda, desde já, pela juntada posterior de novos documentos a fim de comprovar a verdade material. d) Por fim, caso os argumentos trazidos e os documentos acostados não sejam suficientes para o convencimento destes nobres julgadores, que se determine a realização de perícia a fim de comprovar não haver qualquer valor devido pela Recorrente no presente processo. No caso de realização de perícia, a postulante formula os quesitos abaixo: FORMULAÇÃO DE QUESITOS 1. Ao analisar o sistema DIRF (ano calendário de 2002) com retenções em nome da empresa JCN – Participações e Administração S/A, é possível identificar retenção no valor de R$148.370,60 realizado pelo Banco BBA ICATU? A autuada indica como assistente técnico o Sra. Cristina Lima, Coordenadora Contábil Fiscal da recorrente. Diligência Tendo em vista a adesão da Recorrente ao PRLF controlada no DDA nº 1303.1195994/2023-12 (Portaria Conjunta SRFB/PGFN nº 01, de 12 de janeiro de 2023, que institui o Programa de Redução de Litigiosidade Fiscal – PRLF), o julgamento foi convertido na realização de diligência consubstanciada na Resolução da 1ª TEx/1ª Seção/CARF nº 1003-000.422, de 09.08.2023, e-fls. 179-184 (art. 15, art. 18 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Em atendimento, foi proferido o Relatório de Diligência Fiscal de 23.03.2026, e-fls. 202: Em atendimento à Resolução nº 1003-000422, de fls. 179 183, encaminho as informações solicitadas. O contribuinte identificado apresentou pedido de adesão à Transação Tributária PRLF/2023, vinculado ao processo nº 19614 720301/2025- 20, formalizado por meio do dossiê nº 13031 195994/2023-12. Fl. 209DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.400 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10380.902575/2012-37 6 No entanto, verificou se que, entre os processos indicados pelo interessado para fins de transação, não consta o processo nº 10380 902575/2012-37. Segue anexo o extrato do parcelamento correspondente, o qual se encontra liquidado e em fase de encerramento. Diante do exposto, encaminho o presente processo ao CARF para prosseguimento (g.n.). É o Relatório. VOTO Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora. Tempestividade O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, inclusive para os fins do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Assim, dele tomo conhecimento. Necessidade de Comprovação da Liquidez e Certeza do Indébito A Recorrente discorda do procedimento fiscal. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizá-lo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. O Per/DComp delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pela Recorrente quanto ao preenchimento dos requisitos, de modo que em regra a retificação somente é possível se encontrar pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e o seu cancelamento é procedimento cabível ao sujeito passivo na forma, no tempo e lugar previstos na legislação tributária (art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170-A do Código Tributário Nacional, art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 com redação dada pelo art. 49 da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, que entrou em vigor em 01.10.2002 e foi convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002). Posteriormente, ou seja, em 31.10.2003, ficou estabelecido que o Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega até a intimação válida do despacho decisório. Ademais, o procedimento se submete ao procedimento do Decreto nº 70.235, de 6 de Fl. 210DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.400 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10380.902575/2012-37 7 março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§1º do art. 5º do Decreto-Lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, art. 17 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003). O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo como condição absolutamente essencial para fins de verificação da precisão dos dados informados. Cabe a averiguação dos livros de registros obrigatórios pela legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal (art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995). Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Devem ser detalhados os motivos de fato e de direito em que se baseiam com exposição de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões. A peça de defesa deve ser instruída com prova documental imprescindível à comprovação das matérias suscitadas dada a concentração dos atos em momento oportuno (art. 170 do Código Tributário Nacional e art. 15, art. 16, art. 18 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). A “escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais” (art. 9º do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977). Nesse sentido, a legislação exige que a Recorrente produza prova de suas alegações que demonstrem a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado (art. 170 do Código Tributário Nacional). Observe-se que no caso de “o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias” (art. 37 e art. 69 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Tem-se que no processo administrativo fiscal a Administração deve se pautar no princípio da verdade material, flexibilizando a preclusão no que se refere a apresentação de documentos, a fim de que se busque ao máximo a incidência tributária, pois “não há óbice para apreciação, pela autoridade julgadora de segunda instância, de provas trazidas apenas em recurso voluntário, mas que estejam no contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação” (Acórdão CSRF nº 9101-004.568, de 03.12.2019). Fl. 211DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.400 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10380.902575/2012-37 8 Em se tratando da necessidade de se demonstrar a liquidez e certeza do crédito que a Recorrente pretende utilizar no Per/DComp, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) pacificou que: “10. A compensação, posto modalidade extintiva do crédito tributário (artigo 156, do CTN), exsurge quando o sujeito passivo da obrigação tributária é, ao mesmo tempo, credor e devedor do erário público, sendo mister, para sua concretização, autorização por lei específica e créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos, do contribuinte para com a Fazenda Pública (artigo 170, do CTN)” (Agravo Regimental no Recuso Especial nº 862572/CE) (BRASIL, AgRg no REsp 862572/CE, 2008). Nesse sentido, em caso de Per/DComp inverte-se o ônus da prova, cabendo à Recorrente comprovar seu direito líquido e certo. É dever da autoridade fiscal, ao analisar os valores informados em Per/DComp para fins de decidir homologação ou não da compensação, investigar a exatidão do indébito apurado pela Recorrente. O Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, prevê: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Cabe mencionar os seguintes precedentes (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): Acórdão da 1ª Turma da CSRF do CARF nº 9101-002.548, de 07.02.2017: Tratando-se de fato constitutivo de direito, cujo ônus da prova incumbe ao autor, em conformidade com o art. 333, inciso I, do Código de Processo Civil CPC (Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015), e tendo em vista que a existência, certeza e liquidez do crédito pleiteado são requisitos essenciais ao deferimento da restituição/compensação requerida, na forma do art. 170 do Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), compete ao sujeito passivo, que dele pretende se beneficiar, a efetiva comprovação daquele crédito [...]. Acórdão CARF nº 1101-001.494, de 10.12.2024: DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO PROBATÓRIA. APRESENTAÇÃO. REANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO. O contribuinte deve provar a liquidez e certeza do direito creditório postulado, exceto nos casos de erro evidente, de fácil constatação. Uma vez colacionados aos autos elementos probatórios suficientes e hábeis, eventual equívoco, o qual deve ser analisado caso a caso, não pode figurar como óbice ao direito creditório. Neste caso, o processo deve retornar à Receita Federal para reanálise do direito creditório vindicado e emissão de despacho decisório complementar. Sobre o IRRF, o Parecer Normativo Cosit nº 01, de 24 de setembro de 2002, orienta: 7. No caso do imposto de renda, há que ser feita distinção entre os dois regimes de retenção na fonte: o de retenção exclusiva e o de retenção por antecipação do imposto que será tributado posteriormente pelo contribuinte. Fl. 212DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.400 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10380.902575/2012-37 9 Retenção exclusiva na fonte 8. Na retenção exclusiva na fonte, o imposto devido é retido pela fonte pagadora que entrega o valor já líquido ao beneficiário. 9. Nesse regime, a fonte pagadora substitui o contribuinte desde logo, no momento em que surge a obrigação tributária. A sujeição passiva é exclusiva da fonte pagadora, embora quem arque economicamente com o ônus do imposto seja o contribuinte. 10. Ressalvada a hipótese prevista nos parágrafos 18 a 22, a responsabilidade exclusiva da fonte pagadora subsiste, ainda que ela não tenha retido o imposto. Imposto retido como antecipação 11. Diferentemente do regime anterior, no qual a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é exclusiva da fonte pagadora, no regime de retenção do imposto por antecipação, além da responsabilidade atribuída à fonte pagadora para a retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, a legislação determina que a apuração definitiva do imposto de renda seja efetuada pelo contribuinte, pessoa física, na declaração de ajuste anual, e, pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor do tributo pago ou retido na fonte incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ ou CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ ou CSLL negativo ou a pagar no encerramento do período de apuração, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza (art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º e art. 28 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Cabe a aplicação dos enunciados estabelecidos nos termos do art. 123 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023: Súmula CARF nº 80 Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Súmula CARF nº 143 A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. (Vinculante, conforme Portaria nº 410, de 16/12/2020, DOU de 18/12/2020). Fl. 213DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.400 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10380.902575/2012-37 10 Está registrado no Acórdão da 1ª Turma da CSRF do CARF nº 9101-006.680, de 09.08.20235, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): SALDO NEGATIVO. RETENÇÕES NA FONTE. COMPROVAÇÃO DO OFERECIMENTO DOS RENDIMENTOS À TRIBUTAÇÃO. Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte correspondente a receitas computadas na base de cálculo do imposto no mesmo período de apuração, ou em período passado, segundo o regime de competência. Voto [...] Aqui, importa decidir se a legislação tributária invocada pelo Colegiado a quo autoriza a conclusão de a dedução das retenções na fonte estar limitada ao período no qual os correspondentes rendimentos foram oferecidos à tributação. O Colegiado que proferiu o paradigma, como visto, admitiu a dedução das retenções mediante comprovação do cômputo dos rendimentos no lucro tributável de períodos anteriores. Como adiantado na transcrição ao norte, e inclusive pode ser considerado incontroverso nestes autos, a incidência de imposto de renda na fonte sobre determinados rendimentos de aplicações financeiras está prevista no momento da liquidação da operação, ao passo que os rendimentos correspondentes devem ser registrados segundo o regime de competência. Daí o alegado “descasamento” entre a apropriação da receita financeira e a retenção do IRRF. Tais retenções, porém, não estão previstas como incidentes exclusivamente na fonte, admitindo-se a sua dedução na apuração final do sujeito passivo. E, no entender do Colegiado a quo, esta dedução somente pode ser promovida no período de apuração em que os correspondentes rendimentos foram oferecidos à tributação. Embora o acórdão recorrido não se estenda neste aspecto, infere-se desta premissa que a retenção na fonte sofrida no futuro, em relação a rendimentos reconhecidos contabilmente em períodos pretéritos, deveria ser aproveitada na apuração passada, mediante sua retificação para aumento do saldo negativo originalmente apurado, ou para constituição de indébito, caso a apuração tenha resultado em imposto a pagar. Na compreensão desta Conselheira, exteriorizada em diversas resoluções e acórdãos acerca do tema, a questão é solucionada a partir do que dispõe a Lei no 9.430/96: Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº Fl. 214DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.400 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10380.902575/2012-37 11 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. §1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I - dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II - dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III - do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV - do imposto de renda pago na forma deste artigo. (destacou-se) Nestes termos, demanda-se, apenas, que a retenção corresponda a receita computada na determinação do lucro real, o que significa dizer que a receita deve ser oferecida à tributação até a determinação do lucro real na qual se pretende a dedução da retenção, ou seja, em período de apuração presente ou passado. Se a pessoa jurídica auferiu rendimentos e os reconheceu contabilmente segundo o regime de competência, integrando-os ao lucro líquido a partir do qual são apurados o lucro real e o imposto de renda devido, mas somente em momento futuro sofre a retenção na fonte do imposto de renda sobre tais rendimentos, este valor pode ser deduzido no período de apuração de ocorrência da retenção, porque a lei não faz qualquer restrição neste sentido. A dedução no período de apuração de ocorrência da retenção também se justificaria sob a lógica financeira, porque permitir o deslocamento desta antecipação para período passado resultaria na formação de um indébito antes do ingresso da retenção nos cofres públicos e, em consequência, atrairia a cogitação da aplicação de juros compensatórios desde aquele momento, anterior ao desembolso da antecipação. O Colegiado a quo também invoca o disposto no art. 64, §3º da Lei nº 9.430/96 que, ao tratar da dedução de retenções sofridas no fornecimento de bens e na prestação de serviços a órgãos públicos, especifica que o valor do imposto e das contribuições sociais retidos será considerado como antecipação do que for Fl. 215DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.400 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10380.902575/2012-37 12 devido pela contribuinte em relação ao mesmo imposto e às mesmas contribuições. Contudo, a peculiaridade destas retenções é agregar diversos tributos, incidentes sobre o lucro e o faturamento, contexto no qual a referência à mesmo imposto e mesmas contribuições presta-se, apenas, a limitar a dedução da antecipação na apuração do correspondente imposto ou contribuição, segundo a parcela que a lei define como destinada a cada um deles. Não há, nestes termos, qualquer restrição ao período de apuração no qual a receita de fornecimento de bens ou de prestação de serviços foi oferecida à tributação. Ou seja, também nesta hipótese, se a receita foi computada pelo regime de competência na base de cálculo dos tributos incidentes sobre o faturamento e o lucro, e somente em momento futuro ocorre seu pagamento pelo órgão público, com a correspondente retenção, o sujeito passivo poderá distribuir a dedução desta retenção entre o mesmo imposto e as mesmas contribuições no período de apuração em que sofrer a retenção. Ainda, o Colegiado a quo também invoca a Súmula CARF nº 80 para firmar o dever de a Contribuinte comprovar que todas as receitas correspondentes às retenções na fonte tenham sido levadas à tributação. De fato, a jurisprudência deste Conselho consolidou-se nos seguintes termos: Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Contudo, mais uma vez se nota a indeterminação do período de apuração no qual se faz a prova do cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. A exigência é de prova da retenção e deste cômputo, mas não de que eles tenham ocorrido, necessariamente, no mesmo período de apuração. Neste mesmo sentido consta no Acórdão da 1ª Turma da CSRF nº 9101-007.237, de 03.12.2024, restou pacificado (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): SALDO NEGATIVO. RETENÇÕES NA FONTE. DEDUÇÃO DE RETENÇÕES DE PERÍODOS ANTERIORES. POSSIBILIDADE. Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte correspondente a receitas computadas na base de cálculo do imposto no mesmo período de apuração, ou em período passado, segundo o regime de competência. Especificamente, no que se refere às receitas financeiras, tem-se que na apuração do IRPJ a pessoa jurídica pode deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte correspondente a receitas computadas na base de cálculo do imposto no mesmo período de apuração, ou em período passado, segundo o regime de competência. O critério jurídico adequado é de que há descompasso legal entre o entre o registro contábil das receitas financeiras, por regime de competência e as retenções efetivadas em DIRF, por regime de caixa. Fl. 216DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.400 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10380.902575/2012-37 13 O IRRF, código 6813, tem como fato gerador os rendimentos produzidos por aplicações em fundos de investimentos em títulos e valores mobiliários (fundos de investimento em ações) e em fundos de investimento em quotas de fundos de investimento em títulos e valores mobiliários (fundos de investimento em quotas de fundos de investimentos em ações) (art. 33 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997). Sujeita-se ao regime de tributação em que o tributo retido será deduzido do apurado no encerramento do período de apuração trimestral ou anual. A alíquota incidente de 20% (vinte por cento) sobre a diferença positiva entre o valor de resgate, líquido de IOF, e o custo de aquisição da quota, considerados pelo seu valor patrimonial, cujas carteiras sejam constituídas, no mínimo, por 67% de ações negociadas no mercado à vista de bolsa de valores ou entidade assemelhada ou no caso dos fundos de investimento que mantenham, no mínimo, 95% de seus recursos em quotas de fundos de investimento em ações. Somente são considerados fundos de investimento em ações aqueles cujas carteiras sejam constituídas por, no mínimo, 67% de ações negociadas no mercado à vista de bolsa de valores. Somente são considerados fundos de investimento em quotas de fundos de investimento em ações aqueles que mantenham, no mínimo, 95% de seus recursos em fundos de investimento em ações. O beneficiário é a pessoa jurídica que obtém os rendimentos e o imposto é recolhido pelo administrador do fundo na data do resgate até o terceiro dia útil da semana subsequente àquela em que tiverem ocorrido os fatos geradores (Manual do Imposto de Renda Retido na Fonte – Mafon 2003). Consta no Acórdão da 1ª Turma DRJ/RPO/SP nº 14-95.858, de 14.06.2019, e-fls. 83- 89: Os documentos juntados pela contribuinte (fls. 45 a 67) são apenas extratos bancários de investimentos, não se revestindo dos requisitos necessários para serem considerados Informes de Rendimentos Financeiros, conforme instrução normativa acima. As informações dos comprovantes podem ser supridas pelas contas prestadas pelas fontes pagadoras nas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF, instrumento hábil a atestar o pagamento do rendimento e a sua natureza. A partir da matéria de insurgência recursal dialogando com a decisão de primeira instância cabe esclarecer que foi produzido pela Recorrente um início de prova da apuração do indébito, de acordo com o acervo fático-probatório composto dos extratos bancários de investimentos com informações sobre o rendimento e a retenção, e-fls. 45-67 e 153-175. As informações constantes nos sistemas da RFB devem ser cotejadas com aquelas originárias dos registros contábeis e fiscais e demais documentos que a Recorrente deve ser notificada a apresentar. Os efeitos da aplicação do direito superveniente fixam a relação de causalidade com a possibilidade de deferimento da Per/DComp. Esta legislação impõe, pois, o retorno dos autos a DRF de origem que inaugurou o litígio sob esse fundamento para que seja analisado o conjunto probatório produzido junto com o recurso voluntário referente ao mérito do pedido, sob pena de Fl. 217DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.400 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10380.902575/2012-37 14 supressão de instância. Devem ser averiguadas a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que evidenciada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais em cotejo com os registros internos da RFB. O procedimento do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, pode ser revisto no caso em que foi instaurada a fase litigiosa no procedimento. A autoridade administrativa deve apreciar fato não conhecido ou não provado por ocasião ao ato original decorrente de fato ou a direito superveniente, e ainda se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, caso em que é elaborado ato administrativo complementar com efeito retroativo ao tempo de sua execução. Assim, no procedimento do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, sendo afastado o óbice do despacho decisório original em que a compensação não foi homologada na sua integralidade, cabe a autoridade preparadora retomar a verificação do indébito. Registre-se que não se tratar de nova lide, mas sim a continuação de análise do direito creditório pleiteado considerando o saneamento no seu exame. Por conseguinte, não há que se falar em perda do direito de a Fazenda Pública analisar o Per/DComp nesse segundo momento, já que da ciência deste ato complementar não ocorre a homologação tácita, pois os débitos estão com exigibilidade suspensa desde a instauração do litígio. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, deve ser possibilitada a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento, conforme o procedimento do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Diligência A Recorrente diz que o prazo de produção de provas deve ser devolvido. Sobre a diligência, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelecem que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito com inserção de todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar. Opera-se a preclusão do direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, nos termos do art. 15, art. 16, art. 17 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, que determinam critérios de aplicação do princípio da verdade material. Assim, tendo em vista o princípio da concentração da defesa, a manifestação de inconformidade deve conter todas as matérias litigiosas e instruída com os elementos de prova Fl. 218DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.400 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10380.902575/2012-37 15 em que se justificar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. A lei prevê meios instrutórios amplos para que o julgador venha formar sua livre convicção motivada na apreciação do conjunto probatório mediante determinação de diligências quando entender necessárias com a finalidade de corrigir erros de fato e suprir lacunas probatórias. Sobre a distribuição do ônus da prova, o Código de Processo Civil determina: Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. [...] Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações. Devem ser detalhados os motivos de fato e de direito em que se baseiam com exposição de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões. A peça de defesa deve ser instruída com prova documental imprescindível à comprovação das matérias suscitadas dada a concentração dos atos em momento oportuno (art. 15, art. 16, art. 18 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). A “escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais” (art. 9º do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977). Tem-se que, a partir da regra de distribuição estática, o art. 373 do Código de Processo Civil estabelece que o ônus probatório incumbe à autoridade fiscal, quanto ao fato constitutivo de seu direito, e à Recorrente, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda Pública. Nesse sentido, não cabe ao julgador atuar em defesa da Recorrente, sobretudo quando não encontra na prova juntada aos autos deficiências que lhe causassem dúvidas a ponto de determinar de ofício a realização de diligência. As autoridades administrativa e julgadora de primeira instância analisaram detidamente todos os elementos constantes nos registros internos da RFB e aqueles colacionados em sede de impugnação. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. Cabe a aplicação do enunciado estabelecido nos termos do art. 123 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023: Súmula CARF nº 163 O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador Fl. 219DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.400 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10380.902575/2012-37 16 indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). A realização desse meio probante é prescindível, uma vez que os elementos produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio e formação do livre convencimento motivado do julgador de que os autos devem retornar à DRF de Origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp devendo o procedimento ser retomado desde o início. A justificativa arguida pela Recorrente, por essa razão, não se comprova. Responsabilidade por Infrações Tem-se que “a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato” (art. 136 do Código Tributário Nacional). Ressalte-se que a “atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional” (art. 142 do Código Tributário Nacional). Ademais, “ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece” (art. 3º do Decreto-Lei nº 4.657, de 04 de setembro de 1942). Princípio da Legalidade Tem-se que nos estritos termos legais este procedimento está de acordo com o princípio da legalidade ao qual o agente público está vinculado em razão da obrigatoriedade da aplicação da lei de ofício. Trata-se de poder-dever funcional irrenunciável vinculado à norma jurídica, cuja atuação está direcionada ao cumprimento das determinações constantes no ordenamento jurídico. Como corolário encontra-se o princípio da indisponibilidade que decorre da supremacia do interesse público no que tange aos direitos fundamentais (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 98 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023). Dispositivo Em assim sucedendo, voto em conhecer do recurso voluntário, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar-lhe provimento em parte para aplicação do direito superveniente previsto nas determinações das Súmulas CARF nº 80 e nº 143 para fins de reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF de Origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp devendo o procedimento ser retomado desde o início. Assinado Digitalmente Carmen Ferreira Saraiva Fl. 220DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.400 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10380.902575/2012-37 17 Fl. 221DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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11458848 #
Numero do processo: 18183.728347/2025-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 08 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Wed Aug 12 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2021 RECURSO DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. Aplica-se, para fins de conhecimento do recurso de ofício, o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância, nos termos da Súmula CARF n. 103. Exonerado valor superior ao limite estabelecido pela Portaria MF n. 2/23, o recurso de ofício deve ser conhecido. DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E COBERTA POR FLORESTAS NATIVAS Essas áreas, para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente ADA. Cabe restabelecer as áreas de preservação permanente e coberta por florestas nativas cuja não-tributação foi comprovada com documento hábil. DAS ÁREAS DE RPPN E DE SERVIDÃO FLORESTAL OU AMBIENTAL Essas áreas, para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente ADA, além de suas averbações tempestivas à margem da matrícula do imóvel. DA ÁREA DE RESERVA LEGAL A área de reserva legal, para fins de exclusão do ITR, deve ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do respectivo ADA, além de seu registro em Órgão Ambiental, por meio de sua inscrição no Cadastro Ambiental Rural (CAR), em tempo hábil, exceto aquela averbada ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. NECESSIDADE DE ATO ESPECÍFICO DO PODER PÚBLICO. Para efeito de exclusão da base de cálculo do ITR, é necessário que o imóvel seja declarado como área de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, por ato específico do Poder Público, que amplie as restrições de uso definidas legalmente para as áreas de preservação permanente e de reserva legal. DO VALOR DA TERRA NUA Cabe restabelecer o VTN declarado, quando restar afastada a hipótese de subavaliação, mediante a apresentação de Laudo de Avaliação elaborado por profissional habilitado, com Registro de Responsabilidade Técnica (RRT), registrado no Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), em consonância com as normas da ABNT.
Numero da decisão: 2101-003.892
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Roberto Junqueira de Alvarenga Neto - Relator Assinado Digitalmente Heitor de Souza Lima Junior - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Debora Fofano dos Santos, Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Luciana Costa Loureiro Solar(substituto[a] integral), Silvio Lucio de Oliveira Junior, Ana Carolina da Silva Barbosa, Heitor de Souza Lima Junior (Presidente).
Nome do relator: ROBERTO JUNQUEIRA DE ALVARENGA NETO

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2021 RECURSO DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. Aplica-se, para fins de conhecimento do recurso de ofício, o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância, nos termos da Súmula CARF n. 103. Exonerado valor superior ao limite estabelecido pela Portaria MF n. 2/23, o recurso de ofício deve ser conhecido. DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E COBERTA POR FLORESTAS NATIVAS Essas áreas, para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente ADA. Cabe restabelecer as áreas de preservação permanente e coberta por florestas nativas cuja não-tributação foi comprovada com documento hábil. DAS ÁREAS DE RPPN E DE SERVIDÃO FLORESTAL OU AMBIENTAL Essas áreas, para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente ADA, além de suas averbações tempestivas à margem da matrícula do imóvel. DA ÁREA DE RESERVA LEGAL A área de reserva legal, para fins de exclusão do ITR, deve ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do respectivo ADA, além de seu registro em Órgão Ambiental, por meio de sua inscrição no Cadastro Ambiental Rural (CAR), em tempo hábil, exceto aquela averbada ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. NECESSIDADE DE ATO ESPECÍFICO DO PODER PÚBLICO. Para efeito de exclusão da base de cálculo do ITR, é necessário que o imóvel seja declarado como área de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, por ato específico do Poder Público, que amplie as restrições de uso definidas legalmente para as áreas de preservação permanente e de reserva legal. DO VALOR DA TERRA NUA Cabe restabelecer o VTN declarado, quando restar afastada a hipótese de subavaliação, mediante a apresentação de Laudo de Avaliação elaborado por profissional habilitado, com Registro de Responsabilidade Técnica (RRT), registrado no Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), em consonância com as normas da ABNT.

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conteudo_txt : Metadados => date: 2026-08-11T20:17:07Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-08-11T20:17:07Z; Last-Modified: 2026-08-11T20:17:07Z; dcterms:modified: 2026-08-11T20:17:07Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-08-11T20:17:07Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-08-11T20:17:07Z; meta:save-date: 2026-08-11T20:17:07Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-08-11T20:17:07Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-08-11T20:17:07Z; created: 2026-08-11T20:17:07Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; Creation-Date: 2026-08-11T20:17:07Z; pdf:charsPerPage: 1786; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-08-11T20:17:07Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 18183.728347/2025-41 ACÓRDÃO 2101-003.892 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 8 de julho de 2026 RECURSO DE OFÍCIO E VOLUNTÁRIO RECORRENTES VALE S.A. FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2021 RECURSO DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. Aplica-se, para fins de conhecimento do recurso de ofício, o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância, nos termos da Súmula CARF n. 103. Exonerado valor superior ao limite estabelecido pela Portaria MF n. 2/23, o recurso de ofício deve ser conhecido. DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E COBERTA POR FLORESTAS NATIVAS Essas áreas, para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente ADA. Cabe restabelecer as áreas de preservação permanente e coberta por florestas nativas cuja não-tributação foi comprovada com documento hábil. DAS ÁREAS DE RPPN E DE SERVIDÃO FLORESTAL OU AMBIENTAL Essas áreas, para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente ADA, além de suas averbações tempestivas à margem da matrícula do imóvel. DA ÁREA DE RESERVA LEGAL A área de reserva legal, para fins de exclusão do ITR, deve ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do respectivo ADA, além de seu registro em Órgão Ambiental, por meio de sua Fl. 1280DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.892 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18183.728347/2025-41 2 inscrição no Cadastro Ambiental Rural (CAR), em tempo hábil, exceto aquela averbada ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. NECESSIDADE DE ATO ESPECÍFICO DO PODER PÚBLICO. Para efeito de exclusão da base de cálculo do ITR, é necessário que o imóvel seja declarado como área de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, por ato específico do Poder Público, que amplie as restrições de uso definidas legalmente para as áreas de preservação permanente e de reserva legal. DO VALOR DA TERRA NUA Cabe restabelecer o VTN declarado, quando restar afastada a hipótese de subavaliação, mediante a apresentação de Laudo de Avaliação elaborado por profissional habilitado, com Registro de Responsabilidade Técnica (RRT), registrado no Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), em consonância com as normas da ABNT. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Roberto Junqueira de Alvarenga Neto – Relator Assinado Digitalmente Heitor de Souza Lima Junior – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Debora Fofano dos Santos, Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Luciana Costa Loureiro Solar(substituto[a] integral), Silvio Lucio de Oliveira Junior, Ana Carolina da Silva Barbosa, Heitor de Souza Lima Junior (Presidente). Fl. 1281DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.892 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18183.728347/2025-41 3 RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário interposto por Vale S.A. contra o Acórdão nº 101- 030.704, proferido pela 4ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil 01 (DRJ01), em sessão de 9 de outubro de 2025, que julgou parcialmente procedente a impugnação ao lançamento de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) do exercício de 2021, relativo ao imóvel rural denominado “Rio do Peixe e outros”, inscrito no CIB sob o nº 1.322.461-1, integrante do Complexo Vargem Grande, no Quadrilátero Ferrífero, em Nova Lima e Itabirito/MG, com área total de 12.255,46 ha. O lançamento, decorrente de revisão da Declaração do ITR (DITR/2021), glosou as áreas declaradas como não tributáveis de preservação permanente, de reserva legal, de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), de interesse ecológico, de servidão ambiental e coberta por florestas nativas e arbitrou o Valor da Terra Nua, apurando imposto suplementar de R$ 66.083.712,59. Cumpre transcrever a descrição dos fatos e o enquadramento legal apresentado na notificação de lançamento: DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL Área de Preservação Permanente não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovrou a isenção da área declarada a título de preservação permanente no imóvel rural. O Documento de Informação e Apuração do ITR [DIAT] foi alterado e os seus valores encontram-se no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. De acordo com o artigo 111 da Lei nº 5172/66 [CTN], interpreta- se literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário e outorga de isenção. Enquadramento Legal: Art. 10, § 1º, inciso II, alínea 'a' da Lei nº 9.393/96. Área de Reserva Legal não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovrou a isenção da área declarada a título de reserva legal no imóvel rural. O Documento de Informação e Apuração do ITR [DIAT] foi alterado e os seus valores encontram-se no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. De acordo com o artigo 111 da Lei nº 5172/66 [CTN], interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário e outorga de isenção. Enquadramento Legal: Art. 10, § 1º, inciso II, alínea 'a' da Lei nº 9.393/96. Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovrou a isenção da área declarada a título de reserva particular do patrimônio natural no imóvel rural. O Documento de Informação e Apuração do ITR [DIAT] foi alterado e os seus valores encontram-se no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. De acordo com o artigo 111 da Lei nº 5172/66 [CTN], interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário e outorga de isenção. Fl. 1282DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.892 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18183.728347/2025-41 4 Enquadramento Legal: Art. 10, § 1º, inciso II, alíneas 'a' e 'b' da Lei nº 9.393/96 e artigos 10, inciso III e 13 do Decreto nº 4.382/2002. Área de Interesse Ecológico não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovrou a isenção da área declarada a título de interesse ecológico no imóvel rural. O Documento de Informação e Apuração do ITR [DIAT] foi alterado e os seus valores encontram-se no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. De acordo com o artigo 111 da Lei nº 5172/66 [CTN], interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário e outorga de isenção. Enquadramento Legal: Art. 10, § 1º, inciso II, alíneas 'b' e 'c' da Lei nº 9.393/96. Área de Servidão Florestal ou Ambiental não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovrou a isenção da área declarada a título de servidão florestal ou ambiental no imóvel rural. O Documento de Informação e Apuração do ITR [DIAT] foi alterado e os seus valores encontram-se no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. De acordo com o artigo 111 da Lei nº 5172/66 [CTN], interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário e outorga de isenção. Enquadramento Legal: Art. 10, § 1º, inciso II, alínea 'd' da Lei nº 9.393/96. Área de Floresta Nativa não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovrou a isenção da área declarada a título de área coberta de florestas nativas no imóvel rural. O Documento de Informação e Apuração do ITR [DIAT] foi alterado e os seus valores encontram-se no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. De acordo com o artigo 111 da Lei nº 5172/66 [CTN], interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário e outorga de isenção. Enquadramento Legal: Art. 10, § 1º, inciso II, alínea 'e' da Lei nº 9.393/96. Valor da Terra Nua declarado não comprovado Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovrou por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653-3 da ABNT, o valor da terra nua declarado. No Documento de Informação e Apuração do ITR [DIAT], o campo valor da terra nua por ha [VTN/ha] foi arbitrado considerando o valor obtido no Sistema de Preços de Terra [SIPT], e o valor total da terra nua foi calculado multiplicando-se esse VTN/ha arbitrado pela área total do imóvel. O Sistema de Preços de Terra [SIPT] da RFB, instituído através da Portaria SRF nº 447, de 28/03/02, é alimentado com os valores recebidos das Secretarias Estaduais ou Municipais de Agricultura ou entidades correlatas, sendo que esses valores são informados para cada município/UF, de localização do imóvel rural, e exercício [AC da DITR]; assim foram obtidos os dados para os respectivos campos: município, UF e exercício. Os valores do DIAT encontram-se no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Enquadramento Legal: Art. 10, § 1º, inciso I e art. 14 da Lei nº 9.393/96. COMPLEMENTO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS: Fl. 1283DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.892 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18183.728347/2025-41 5 Lavramos o Termo de Intimação de nº 4895/005/2024 no dia 23/09/2024, em nome de Vale S.A, CPF/CNPJ: 33.592.510/001-54, com a finalidade de comprovação dos dados informados na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural [DITR], exercícios 2021 e 2022, relativa ao imóvel denominado Rio de Peixe e Outros, localizada em Rio de Peixe e Outros, neste Município Nova Lima/MG, área 12.255,4 CIB 1.322.461-1. Entramos em contato várias vezes por email e celular com a procuradora da empresa, e não obtivemos êxito em intimar pessoalmente. Encaminhamos via AR, a ciência ocorreu em 11/10/2024. Solicitou prorrogação do prazo para entrega dos documentos, sendo deferido até 23/11/2024. Apresentou em 21/11/2024 a documentação abaixo:  Estatuto Social da Companhia Vale do Rio Doce CVRD.  Certidão Simplificada Vale S/A, CNPJ: 33.592.510/0001-54.  Procuração em nome da Vale, delegando poderes, Livro nº 4763, folha 175/176, Ato 077 e cópias dos documentos das Procuradoras.  Laudo Técnico de Caracterização Ambiental, empresa responsável pelo empreendimento e pelo relatório: Vale S.A, CNPJ: 33.592.510/0034-12 emitido em nome da Empresa com CNPJ diferente do Termo.  Equipe Técnica de Biólogos e Engenheiro Ambiental, da Vale S.A, data de junho de 2022, referente ao Imóvel rural Fazenda Rio de Peixe e Outros; CIB: 1.322.461-1. A metodologia utilizada, mapeamento dos ambientes na área do imóvel foi realizado por meio de pesquisa de dados secundários, com atualização e produção da base cartográfica; utilizado também um mapeamento de uso do solo e cobertura vegetal e Áreas de Preservação Permanente [APP], com data de 2018 atualizado a partir de imagem de satélite do Google Earth de 2022. O imóvel possui área total de 12.255,462 hectares; Área de Preservação Permanente APP 1.113,51 ha; Área de Reserva Legal ARL: 1.369,177 ha; Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural RPPN: 1.363,02 ha; Área de Floresta Coberta Nativa - AFN: 3.682,402 ha.  Anotação de Responsabilidade Técnica ART Obra/Serviço nº MG 20221041983, Data de início: 28/05/2021, Previsão de Término: 05/05/2022; atividade: Elaboração de Laudos Técnicos de caracterização ambiental para apoio a declaração do Ato Declaratório Ambiental [ADA], do Ibama dos imóveis rurais; Laudo elaborado pela Engenheira Ambiental e assinado em 14 de abril de 2022.  Certificado de Cadastro de Imóvel Rural CCIR número: 67227664249, referente ao exercício de 2024; Código do imóvel rural: 426.113.283.550-3; Área total [ha] 12.530,7587; Classificação Fundiária: Não Classificada; Número de autenticidade: 09890.15940.13453.02472.  Certidão de Inteiro Teor expedida por meio eletrônico, Registro de Imóveis desta Comarca: nº de Ordem: 6.170; 6.173; 3.642; 7.361, Av.11-7.361 averbação de reserva legal; 8.489 Av.2-8.489 averbação de reserva legal; 8.450 Av.7-8.450 averbação de reserva legal; 9842 Livro 3-J, folha 92 a 111, AV-8 averbação de reserva legal 305,8 ha; 12.497; 25.359, 30.687. Fl. 1284DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.892 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18183.728347/2025-41 6  51.988 averbação de reserva legal Av.3-51.988 8,54 ha, Av-4-51.988 27,53 ha, Av-5-51.988 177,14 ha, Av-6-51.988 373,44 ha, Av-7-51.988 43,58 ha, totalizando 630,23 ha.  56.408; 58.767 Av-2-58.767 averbação de reserva legal 239,4 ha, Av-3- 58.767 79,84 ha.  58.922 Av-2-58.922 reserva legal 239,4 ha, Av-3-58.922 averbação 98,35 ha; 59.393 Av-2-59.393 averbação reserva legal 250,0 ha; 64.123 Av-2-64.123 averbação reserva legal; 65.941; 65.971 Av-3-65.971 reserva legal 66,58 ha; 66.129; 66.130; 66.131; 66.196 Av-2-66.196 averbação reserva legal; 66.428; 66.908 Av-2-66.908 averbação de reserva legal; 66.909 Av-2-66.909 averbação reserva legal; 66.910 Av-3-66.910 averbação reserva legal; 67.002; 67.003 Av-2- 67.003 averbação de área 439,50 ha; 69.165; 69.166.  100,52 Livro 3-J folha 170 a 176 Av-5 118,25 ha, Av-6 439,50 ha, Av-7 250,0 ha, Av-9 Cumprimento de Termo de Compromisso.  Juntada da Procuração Vale S.A Livro 5011 folhas 180-181 Ato 075 nomeando os procuradores da empresa Núcleo Engenharia Consultiva S.A e as folhas 162-163 Ato 061 que constitui os seus procuradores. Foi comprovado Área de Reserva Legal em algumas averbações, conforme solicitado às fls 02 do termo de intimação. Não apresentaram o Laudo de Valor da Terra Nua exercício 2022 conforme solicitado às fls.04 do Termo de Intimação. Não apresentaram comprovação da Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural, conforme solicitação de fls.03/04 do termo de intimação. O laudo não foi aceito, por não estar em conformidade com a solicitação especificada às fls. 03/04, motivo foi elaborado por Equipe Técnica de Geógrafo; Biólogo e Engenheiro Ambiental e assinado por engenheira ambiental, não alteramos às áreas de APP e AFN. Emitimos TCI nº 4895/0024/2025 em 10/02/2025, exercício 2022, a ciência ocorreu em 21/02/2025. Apresentou em 12/03/2025 os documentos abaixo:  Resposta ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 4895/0024/2025.  Cópia do Termo de Constatação.  Cópia do envelope enviado com a data de recebimento.  Estatuto Social da Companhia Vale do Rio Doce CVRD.  Cópias dos documentos das Procuradoras.  Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ.  Certidão Simplificada Vale S/A, CNPJ: 33.592.510/0001-54, atualizada em 12 de fevereiro de 2025.  Procuração em nome da Vale, delegando poderes, Livro nº 5011, folha 180/181, Ato 075, data de dezembro de 2025.  Certificado de Cadastro de Imóvel Rural CCIR número: 67227664249, referente ao exercício de 2024; Código do imóvel rural: 426.113.283.550-3; Área total [ha] 12.530,7587; Classificação Fundiária: Não Classificada; Número de autenticidade: 09890.15940.13453.02472. Fl. 1285DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.892 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18183.728347/2025-41 7  Recibo de Inscrição do Imóvel Rural no CAR, Registro: MG-3144805- 5E02.99C6.C885.4E28.A8E3.703C.FAF3.E55F, data 14/12/2014, área total 16.695,9399. Foi detectada uma diferença entre a área do imóvel rural declarada conforme documentação comprobatória de propriedade/posse/concessão 16741.097000000005 hectares e a área do imóvel identificada em representação gráfica 16.695,9399 hectares; Área de Reserva Legal 2.751,6382 ha.  Ato Declaratório Ambiental ADA referente ao exercício 2022, número do Recibo: 12231314578061; data da transmissão: 27/09/2022, Área total ATI 12.255,459; APP: 1.113,511; ARL: 1.369,177; RPPN: 1.363,021; AFN: 3.731,222, em nome da Companhia Vale do Rio Doce, CNPJ 33.592.510/0034-12.  Laudo Técnico de Caracterização Ambiental, empresa responsável pelo empreendimento e pelo relatório: Vale S.A, CNPJ: 33.592.510/0034-12 emitido em nome da Empresa com CNPJ diferente do Termo.  Equipe Técnica de Biólogo, Engenheiro Ambiental e Geógrafo, da Vale S.A, data de junho de 2022, referente ao Imóvel rural Fazenda Rio de Peixe; CIB: 1.322.461-1. O imóvel possui área total de 12.320,459 hectares; Área de Preservação Permanente APP 1.113,51 ha; Área de Reserva Legal ARL: 1.369,177 ha; Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural RPPN: 1.363,02 ha; Área de Floresta Coberta Nativa - AFN: 3.731,222 ha.  Laudo de Avaliação Imobiliária elaborado pela Empresa Wander Sapucaia Arquitetura e Avaliações; Objeto: Terreno rural; Área do terreno: 12.255,40 ha; Propriedade: Rio de Peixe e Outros; Matrícula: 6.170 e outras; Proprietário: Vale S.A.  Caracterização: imóvel caracterizado por condomínios residenciais uni e multifamiliares, seu principal acesso é a Rodovia BR040, próximo aos Bairros Jardim Canada e Alphaville.  A Vistoria foi dispensada, conforme estabelecido pela contratante, sendo as fotos apresentadas no Laudo meramente ilustrativas da região onde está inserido o imóvel e/ou de avaliações anteriores realizadas no mesmo imóvel.  Método Comparativo Direto de Dados de Mercado.  Valor Estimado de Avaliação R$ 144.934.688,93 [cento e quarenta e quatro milhões novecentos e trinta e quatro mil e seiscentos e oitenta e oito reais e noventa e três centavos].  Grau de fundamentação II e Grau de Precisão III.  Laudo assinado em novembro de 2024, por profissional graduado em arquitetura, com Pós-Graduado em Perícias de Engenharia e Avaliações; profissional graduado em Engenharia Civil, Pós-graduado em Georreferenciamento de imóveis rurais e urbanos.  CAU/BR Conselho de Arquitetura e Urbanismo, nº RRT/TRT nº 00A246719, empresa Wander Prates Sapucaia, Data de início: 20/03/2023, Previsão de término: 26/12/2025; prestação de serviço de avaliações de imóveis rurais e urbanos ou Industriais de interesse da Vale S.A em todo o território nacional; assinado por Responsável Técnico arquiteto, profissional registrado no CAU. Fl. 1286DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.892 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18183.728347/2025-41 8  Termo de Responsabilidade Técnica TRT, Conselho Federal dos Técnicos Agrícolas nº BR20240800178; Data de Início: 11/07/2024; Previsão do Término: 26/12/2025; prestação de serviços de Avaliações de Imóveis Rurais em áreas de interesse da Vale S.A.  Certidão de Registro de Imóveis da Comarca de Itabirito nº 15.818; 15.819; 14.823; 31.074, Av-3-31074, Compromisso de Reserva Legal estão averbados na matrícula 7362; sem mencionar 31.075 Av-2-31.075 Termos de Responsabilidade/Compromisso de Preservação de Reserva Legal, averbados na matrícula 7.361; 3.642;31.073 Av-2-31073, Av-3-31073 não cita os hectares correspondentes a reserva legal; 8489; 8450; 30.687.  Certidão de Inteiro Teor expedida por meio eletrônico, Registro de Imóveis desta Comarca: 25.359; 6.173; 65.941; Número de ordem 9842 Livro 3-j, folha 92 a 111; 100.52 Livro 3-J folha 170 a 176; 69.166; 69.165; 67.003; 67.002; 66.910; 66.909; 66.908; 66.428; 66.196; 66.131; 66.130; 66.129; 65.971; 64.123; 12.497; 39.483; 51.988; 58.767; 58.922; 59.393; 6.170. O Laudo de VTN apresentado, não foi emitido por engenheiro agrônomo ou Florestal, conforme determinado nos Termos de Intimação. Cientificada, a contribuinte apresentou impugnação tempestiva, instruída, entre outros documentos, com laudo técnico de caracterização ambiental das áreas existentes no imóvel e respectivas matrículas, laudo de avaliação imobiliária, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) referente ao exercício de 2021 e o Cadastro Ambiental Rural (CAR). Sustentou que a exclusão das áreas ambientais decorre de presunção legal de veracidade da declaração, sendo desnecessária comprovação adicional, e que o conjunto probatório atestaria a existência de todas as áreas declaradas. A 4ª Turma da DRJ01, à vista do ADA do exercício de 2021, restabeleceu a área de preservação permanente de 1.113,5 ha e a área coberta por florestas nativas de 3.682,4 ha; e, afastada a hipótese de subavaliação à vista do laudo de avaliação apresentado, restabeleceu o Valor da Terra Nua declarado de R$ 141.644.359,13 (R$ 11.557,71/ha), reduzindo o imposto suplementar para R$ 6.681,640,56. Manteve, contudo, as demais glosas. Quanto à RPPN (1.363,0 ha), consignou que, embora informada no ADA, não consta averbada nas matrículas do imóvel (fls. 92/261), nem listada no CCIR (fls. 90/91), averbação exigida pelo art. 21, § 1º, da Lei nº 9.985/2000 e pelo art. 5º, VII, do Decreto nº 5.746/2006. Quanto à servidão ambiental (528,3 ha), pela mesma razão de ausência de averbação, nos termos do art. 9º-A, § 4º, da Lei nº 6.938/1981. Quanto à área de interesse ecológico (14,4 ha), por ausência de ato específico do órgão competente que a declarasse como tal, não bastando a inserção do imóvel no Parque Estadual da Serra do Rola- Moça, instituído pelo Decreto Estadual nº 36.071, alterado pelos Decretos Estaduais nº 44.116/2005 e nº 45.890/2012. E, quanto à reserva legal, manteve a glosa de forma parcial, reduzindo-a de 1.369,2 ha para 807,7 ha por aplicação da Súmula CARF nº 122 à parcela averbada, ao fundamento de que o CAR apresentado (fls. 328/332), realizado em 14/12/2014, é consolidado, abrange 16.695,9 ha de diversos imóveis e não individualiza a reserva legal informada para o presente imóvel. Fl. 1287DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.892 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18183.728347/2025-41 9 Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2021 DA NULIDADE DO LANÇAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. A impugnação tempestiva da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal, e somente a partir disso é que se pode, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela. Improcedente a arguição de nulidade a Notificação de Lançamento contém os requisitos contidos no art. 11 do Decreto nº 70.235/72 e ausentes as hipóteses do art. 59 do mesmo Decreto. DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E COBERTA POR FLORESTAS NATIVAS Essas áreas, para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente ADA. Cabe restabelecer as áreas de preservação permanente e coberta por florestas nativas cuja não-tributação foi comprovada com documento hábil. DAS ÁREAS DE RPPN E DE SERVIDÃO FLORESTAL OU AMBIENTAL Essas áreas, para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente ADA, além de suas averbações tempestivas à margem da matrícula do imóvel. DA ÁREA DE RESERVA LEGAL A área de reserva legal, para fins de exclusão do ITR, deve ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do respectivo ADA, além de seu registro em Órgão Ambiental, por meio de sua inscrição no Cadastro Ambiental Rural (CAR), em tempo hábil, exceto aquela averbada tempestivamente à margem da matrícula do imóvel. DAS ÁREAS DE INTERESSE ECOLÓGICO As áreas de interesse ecológico, para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente ADA, além da apresentação do Ato específico do órgão competente federal ou estadual reconhecendo as áreas do imóvel que são de interesse ecológico. DA ÁREA DO IMÓVEL DE PROPRIEDADE PRIVADA INSERIDA EM PARQUE A área do imóvel de propriedade privada inserida nos limites de Parque é normalmente tributada até data em que o proprietário perde a posse e o direito de propriedade da área do imóvel rural objeto da desapropriação quando ocorrer o pagamento integral da indenização, sendo que a exceção decorrente de imissão prévia na posse pelo Ente Governamental deve ser devidamente comprovada DO VALOR DA TERRA NUA Cabe restabelecer o VTN declarado, quando restar afastada a hipótese de subavaliação, mediante a apresentação de Laudo de Avaliação elaborado por profissional habilitado, com Registro de Responsabilidade Técnica (RRT), Fl. 1288DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.892 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18183.728347/2025-41 10 registrado no Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), em consonância com as normas da ABNT. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em recurso voluntário, a recorrente sustenta, em síntese: que a exclusão das áreas ambientais decorre de presunção legal incondicionada, à luz do art. 10, § 1º, II, da Lei nº 9.393/1996, cabendo ao Fisco elidi-la; que o ADA, o CAR e o laudo de caracterização ambiental comprovam a integralidade das áreas declaradas; que a averbação não é requisito para o reconhecimento das áreas; que decisão da própria Delegacia já reconheceu a suficiência do CAR consolidado quando acompanhado de outros documentos que permitam identificar a reserva; e que a Lei nº 14.932/2024 autoriza expressamente a apresentação do CAR para apuração da área tributável do ITR. Requer a reforma do acórdão para excluir as áreas remanescentes e reconhecer a insubsistência do crédito. Por força da exoneração promovida, superior ao limite de alçada, recorreu a autoridade julgadora de ofício, na forma do art. 1º da Portaria MF nº 2/2023. É o relatório. VOTO Conselheiro Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Relator 1. Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Portanto, o recurso deve ser conhecido. Da mesma forma, o recurso de ofício foi interposto por força do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972 c/c a Portaria MF nº 02/2023. O crédito tributário principal exonerado pelo Acórdão nº 101-030.745 monta a R$ 23.871.650,21, a ser acrescido ainda da multa proporcional de 75%, valor que supera o limite de alçada de R$ 15.000.000,00 fixado pelo art. 1º da Portaria MF nº 02/2023 para submissão ao CARF (vide Súmula CARF nº 103). Preenchidos os pressupostos de admissibilidade, toma-se conhecimento. 2. Mérito 2.1. Recurso de ofício. A instância de piso restabeleceu a área de preservação permanente, a área coberta por florestas nativas e o valor da terra nua, e é essa exoneração que a remessa devolve a exame. Quanto ao restabelecimento da área de preservação permanente e da área coberta por florestas nativas, o acordão recorrido entendeu o que segue: Fl. 1289DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.892 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18183.728347/2025-41 11 Das Áreas de Preservação Permanente, De Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), De Servidão Florestal ou Ambiental, Coberta Por Florestas Nativas, De Reserva Legal e De Interesse Ecológico. Parque Em relação ao pedido de acatamento de áreas não-tributáveis (áreas ambientais declaradas ou requeridas posteriormente), cabe observar que, com base na legislação de regência das matérias, exige-se o cumprimento de uma obrigação para fins de acatar a exclusão de áreas ambientais da incidência do ITR, que consiste na informação dessas áreas no Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado tempestivamente no IBAMA, que é uma exigência, de caráter genérico, para a exclusão de qualquer área não-tributável. A exigência relativa ao ADA, de caráter genérico, pois se aplica a qualquer área ambiental, seja de preservação permanente, coberta por florestas nativas ou de utilização limitada (RPPN, Servidão Florestal, Área Imprestável/Declarada como de Interesse Ecológico e Reserva Legal, com exceção daquela averbada na matrícula do imóvel antes da data do fato gerador), está prevista na IN/SRF nº 256/2002 (aplicada ao ITR/2002 e subsequentes) e no Decreto nº 4.382/2002 – RITR (art. 10, § 3º, I), tendo como fundamento o art. 17-O da Lei nº 6.938/81, em especial o caput e parágrafo 1º, cuja redação foi dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165/2000, a seguir transcritos: (...) No presente caso, o requerente acostou aos autos o ADA – Exercício 2021, às fls. 35, protocolado no IBAMA, em 30.06.2021, informando uma área de preservação permanente de 1.113,5 ha, uma área de reserva legal de 1.369,1 ha, uma área de RPPN de 1.363,0 ha, uma área de interesse ecológico de 14,4 ha, uma área de servidão ambiental de 528,2 ha e uma área coberta por florestas nativas de 3.682,4 ha, sendo essa providência tempestiva para o exercício em questão. Desta forma, cumpre restabelecer as áreas de preservação permanente de 1.113,5 ha e coberta por florestas nativas de 3.682,4 ha.. (...) A notificação de lançamento, por outro lado, fundamentou o crédito tributário por entender que o laudo técnico de caracterização ambiental apresentado pela contribuinte não atendia ao requisito de habilitação profissional estabelecido nos Termos de Intimação. Para a comprovação das áreas de preservação permanente, o Termo de Intimação Fiscal havia especificado, expressamente, laudo emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica registrada no CREA, com identificação das áreas por coordenadas geográficas; para a comprovação das florestas nativas, a exigência era idêntica quanto ao signatário e ao registro profissional, acrescida da caracterização das áreas nos termos da alínea e do inciso II do §1º do art. 10 da Lei nº 9.393/1996. Cumpre ressaltar, desde já, que o contribuinte apresentou laudo técnico de caracterização ambiental (fls. 71/87), assinados pelo Sr. Gustavo Lazarini Forreque (engenheiro ambiental) e pela Sra. Luiza Vieira (bióloga), acompanhado do ART (fls. 88/89) em nome de Jéssica Marques Jesus Sathler (engenheira ambiental). Além disso, foi apresentado o ADA, protocolado em 27/09/2022 de forma tempestiva (fl. 333). Fl. 1290DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.892 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18183.728347/2025-41 12 A partir dessas premissas, passo à análise das matérias devolvidas pelo recurso de ofício. a) Das áreas de preservação permanente As áreas de preservação permanente são definidas diretamente pela lei, pelos arts. 4º e 5º da Lei 12.651/2012, em razão das características físicas e da localização do imóvel (considerando margens de cursos d'água, entornos de nascentes, topos de morro e outras formações determinadas por critérios objetivos). A APP existe ex lege, independentemente de qualquer ato constitutivo do proprietário. De todo modo, o laudo técnico de caracterização ambiental aponta a área de 1.113,511 ha como área de preservação permanente. Esta mesma área está indicada no ADA (fl. 333). Registra-se que a exigência de que a comprovação da área de preservação permanente prescinde de laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal carece de sustentação jurídica. A Anotação de Responsabilidade Técnica que acompanha o laudo apresentado, nº MG20221041983, foi firmada por Jéssica Marques Jesus Sathler, cujo título profissional registrado é Engenheira Ambiental. E o laudo foi elaborado pelo Sr. Gustavo Lazarini Forreque (engenheiro ambiental) e pela Sra. Luiza Vieira (bióloga). A Decisão Normativa CONFEA nº 116/2021, ao disciplinar a habilitação profissional para o georreferenciamento de limites de imóveis rurais nos termos da Lei nº 10.267/2001, tarefa tecnicamente equivalente à identificação por coordenadas geográficas exigida pelo Termo de Intimação Fiscal, reconhece como habilitados os profissionais com formação em topografia aplicada ao georreferenciamento, cartografia, sistemas de referência, projeções cartográficas e agrimensura legal, sem restringir essa habilitação à engenharia agronômica ou florestal. Portanto, a conclusão do acórdão da DRJ se mostra correta e o recurso de ofício não merece provimento nesse ponto. b) Das áreas cobertas por florestas nativas A exclusão das áreas cobertas por florestas nativas da base de cálculo do ITR está prevista no art. 10, §1º, II, e, da Lei 9.393/1996, que exige que a vegetação seja primária ou secundária em estágio médio ou avançado de regeneração. A instância de piso restabeleceu a área de 3.682,4 ha com fundamento na tempestividade do Ato Declaratório Ambiental, protocolado em 30/06/2021. A fiscalização, ao rejeitar o laudo técnico de caracterização ambiental apresentado, fundou-se exclusivamente na categoria profissional do responsável técnico, engenheira ambiental, e não em vistoria própria ou em qualquer elemento técnico que contradissesse, no plano fático, a existência ou a extensão das florestas nativas declaradas. Em nenhum momento a autoridade fiscal impugnou a fitofisionomia descrita no laudo (Floresta Estacional Semidecidual, Campo Rupestre Quartzítico, Campo Rupestre Ferruginoso, Campo Limpo, Campo Sujo e Vegetação de Fl. 1291DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.892 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18183.728347/2025-41 13 Área Úmida) ou o quantitativo de 3.682,4 ha apurado, tampouco apontou incompatibilidade entre o que foi declarado e a realidade do imóvel. O laudo técnico, conquanto elaborado por engenheira ambiental, está amparado por Anotação de Responsabilidade Técnica regularmente registrada e quitada perante o CREA-MG (ART nº MG20221041983), descreve a metodologia empregada, com base cartográfica, escala e sistema de coordenadas identificados, e apresenta fundamentação bibliográfica específica sobre cada fitofisionomia caracterizada, atendendo aos requisitos decorrentes do art. 10, §1º, II, e, da Lei 9.393/1996. Novamente, a exigência de que a comprovação das áreas cobertas por florestas nativas prescinde de laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal carece de sustentação jurídica. Assim, o recurso de ofício não merece provimento neste ponto. c) Do Valor da Terra Nua A autoridade fiscal arbitrou o VTN em R$ 210.104.739,29 (R$17.143,85/ha), com base no menor valor por aptidão agrícola constante do SIPT para o Município de Nova Lima, por entender que o VTN declarado de R$ 127.332.667,36 (R$ 10.389,92/ha) encontrava-se subavaliado. O Termo de Intimação havia advertido expressamente que a ausência de laudo de avaliação elaborado por Engenheiro Agrônomo ou Florestal, com grau de fundamentação e precisão II e ART registrada no CREA, em conformidade com as normas da ABNT, ensejaria o arbitramento com base no SIPT. A contribuinte apresentou o Laudo de Avaliação Imobiliária de fls. 1109/1160, elaborado em novembro de 2024 por Arquiteto, com Registro de Responsabilidade Técnica perante o Conselho de Arquitetura e Urbanismo, concluindo pelo valor de R$ 144.934.688,93 (R$ 11.763,80/ha). A DRJ aceitou o laudo ao fundamento de que o arquiteto possui competência legal para avaliações imobiliárias e que o resultado do laudo, por ser inferior ao VTN declarado, afastaria a hipótese de subavaliação, nos seguintes termos: Com efeito, em uma análise inicial, não há dúvidas de que o VTN declarado de R$10.389,92/ha encontra-se subavaliado, até prova documental em contrário, por ser inferior ao menor VTN por hectare listado no SIPT, conforme consta nos Termos de Intimação e no Extrato do SIPT, obtido, por meio da consulta pública, no sítio da RFB, como se segue: Fl. 1292DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.892 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18183.728347/2025-41 14 Pois bem, caracterizada a subavaliação do VTN declarado, só restava à Autoridade Fiscal arbitrar novo valor de terra nua para efeito de cálculo do ITR em obediência ao disposto no art. 14 da Lei nº 9.393/1996 e art. 52 do Decreto nº 4.382/2002 (RITR); sendo observado, nessa oportunidade, o menor valor, por aptidão agrícola, apontado de R$17.143,85/ha, no SIPT. De fato, há que se destacar que à fiscalização cabe verificar o fiel cumprimento da legislação em vigor, sendo a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, como previsto no art. 142, parágrafo único, do CTN. Consta nos autos o Laudo de Avaliação Imobiliária/anexos, às fls. 359/409, elaborado por Arquiteto, pós graduado em Georreferenciamento de imóveis rurais e urbanos, com Registro de Responsabilidade Técnica (RRT), registrado no Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), às fls. 410/411, informando um VTN para o imóvel de R$141.644.359,13 (R$11.557,01/ha), às fls. 375, no exercício em análise. No caso, o Laudo Técnico de Avaliação do imóvel elaborado por profissional legalmente habilitado e, nesta condição, responsável pelas informações constantes no trabalho por ele desenvolvido, fornece elementos que cabem ser considerados para a finalidade a que se propõe – revisão do VTN arbitrado pela Autoridade Fiscal. Isto porque, o Laudo identifica e caracteriza o imóvel rural em tela, com descrição da localização, caracterização da região e do imóvel - localização e acesso, benfeitorias e uso das terras, com a realização de vistoria no imóvel. Na parte propriamente avaliatória, faz referências ao método constante na NBR 14653-3 da ABNT - Método Comparativo de Dados do Mercado, demonstrando as características do imóvel rural objeto da avaliação, e, com base nos dados de mercado coletados, submetidos a homogeneização e tratamentos estatísticos específicos e com a demonstração da pontuação atingida para enquadramento quanto ao grau de fundamentação e precisão, conclui o autor do trabalho que o valor da terra nua do imóvel objeto do presente processo é de R$141.644.359,13 (R$11.557,01/ha), às fls. 375. Assim sendo, entendo que deva ser acatado o VTN de R$141.644.359,13 (R$11.557,01/ha), às fls. 375, com base no Laudo Técnico de Avaliação, para o imóvel, no exercício de 2021. Fl. 1293DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.892 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18183.728347/2025-41 15 Assim, deve ser negado provimento ao recurso de ofício quanto ao VTN. 2.2. Recurso voluntário O recurso assenta-se, em todas as suas frentes, sobre uma mesma premissa, qual seja: a de que a exclusão das áreas ambientais decorreria, automática e incondicionadamente, da simples declaração do contribuinte, por força do art. 10, § 1º, II, da Lei nº 9.393/1996, incumbindo ao Fisco o ônus de elidir essa presunção. a) Da Reserva Legal A instância de piso manteve a glosa parcial da área de reserva legal, restabelecendo 807,7 ha dos 1.369,2 ha declarados, ao fundamento de que o Cadastro Ambiental Rural de fls. 328/332, realizado em 14.12.2014, é consolidado, abrange 16.695,9 ha de diversos imóveis e não individualiza a reserva legal deste imóvel especificamente. Nos termos dos arts. 18, 29 e 30 da Lei nº 12.651/2012, c/c art. 11, §1º, da IN/SRF nº 256/2002 e art. 12, §1º, do Decreto nº 4.382/2002, a exclusão da área de reserva legal da tributação do ITR pressupõe, para o exercício de 2022, a averbação da área à margem da matrícula do imóvel ou, alternativamente, sua inscrição tempestiva no Cadastro Ambiental Rural, sempre antes da data do fato gerador. A recorrente sustenta, subsidiariamente à tese da averbação, que o Recibo de Inscrição no CAR de fls. 328/332, de 14.12.2014, combinado com o laudo técnico e o ADA, seria apto a individualizar a reserva legal deste imóvel, invocando precedente da própria DRJ (Acórdão nº 101-017.619) que teria aceitado CAR consolidado nessas condições. O argumento não prospera. O próprio Recibo de Inscrição no CAR abrange, indistintamente, 16.695,9 ha de diversos imóveis do grupo econômico da recorrente, informando uma área de reserva legal agregada de 2.751,6 ha sem qualquer segregação por matrícula ou por NIRF que permita atribuir, com precisão, qual parcela corresponde a "Rio do Peixe e Outros". A individualização que faltaria ao CAR não pode ser suprida pelo laudo técnico de caracterização ambiental, tampouco pelo ADA, que é declaração unilateral do próprio contribuinte, desprovida de eficácia constitutiva. Como bem apontado pelo acórdão recorrido: Para que a área de reserva legal seja excluída da tributação, fazia-se necessário, também, que ela esteja registrada no órgão ambiental competente por meio da inscrição tempestiva no Cadastro Ambiental Rural (CAR), exceto a área já averbada na matrícula do imóvel, antes da data do fato gerador do imposto. A exigência específica de que a área de reserva legal esteja averbada à margem da matrícula do imóvel, encontrava-se prevista no art. 16, § 8º, da Lei nº 4.771/1965 (até o exercício 2012) e, para exercícios posteriores, como é o caso do exercício 2022, nos artigos 18, 29 e 30 da Lei nº 12.651/2012; art. 11, § 1º, da IN/SRF nº 256/2002 e art. 12, § 1º, do Decreto nº 4.382/2002 – RITR. Ressalte-se que a averbação ou a inscrição no CAR, se for o caso, deve ser realizada antes de 01.01.2022 (data do fato gerador do ITR/2022, art. 1º da Lei nº 9.393/1996). (...) Portanto, para fazer jus à não-tributação de área de reserva legal, em se tratando do exercício 2021, a exigência de averbação da referida área à margem da Fl. 1294DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.892 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18183.728347/2025-41 16 matrícula do imóvel ou de sua inscrição no CAR, deveria ter sido cumprida antes da data do fato gerador do correspondente exercício, no caso, 01.01.2021. Relativamente ao Recibo de Inscrição no CAR, às fls. 1.183/1.187, realizada em 14.12.2014, ressalte-se que ele abrange outros imóveis do impugnante, totalizando uma área de 16.695,9 ha, não havendo individualização da área de reserva legal nele informada de 2.751,6 ha, para o presente imóvel. Na situação em análise, a glosa, parcial, da área de reserva legal, de 1.369,2 ha para 807,7 ha, cabe ser mantida, considerando que não houve comprovação de uma área de reserva legal averbada tempestivamente em dimensão maior do que a aceita pela fiscalização, por força da Súmula CARF nº 122, nas Matrículas do imóvel, às fls. 96/269, e listadas no CCIR de fls. 94/95.. Ademais, a recorrente colaciona ao recurso os recortes das matrículas nº 15.818 (58,0 ha, averbados em 1994), nº 51.988 (630,23 ha, averbados em 2013), nº 59.393 (250,0 ha, averbados em 2015), nº 67.003 (439,5 ha, averbados em 2020) e nº 10.052 (118,25 ha, averbados em 1999), somando 1.495,98 ha, valor superior ao declarado. O Certificado de Cadastro de Imóvel Rural (CCIR), exercício 2024, código do imóvel 426.113.283.550-3, confirma que essas matrículas integram a composição registral do imóvel Retiro do Rio de Peixe e Outros, afastando-se qualquer dúvida quanto à sua pertinência ao imóvel autuado. Ocorre que a averbação da matrícula nº 51.988, embora genuína e anterior ao fato gerador, não se presta a comprovar reserva legal deste imóvel. As averbações Av-3, Av-4, Av-5 e Av-7 dessa matrícula qualificam-na, expressamente, como “imóvel receptor”, e vinculam a vegetação ali preservada, em sua integralidade, à reserva legal dos imóveis matriz identificados nas matrículas nº 51.990, 51.994, 51.995 e 51.997 (nenhum dos quais consta do CCIR do imóvel ora tributado). Essa nomenclatura corresponde à disciplina da compensação de reserva legal do próprio órgão ambiental estadual responsável pela autorização, hoje consolidada na Resolução Conjunta SEMAD/IEF nº 3.132/2022, que define imóvel receptor como aquele que, detendo remanescente de vegetação nativa em percentual superior ao mínimo legal, tem sua área excedente “destinada à compensação de Reserva Legal de imóveis matrizes” (art. 2º, VIII). O receptor, note-se, não recebe reserva legal para si: cede-a, em favor de terceiro. É o que o próprio teor de cada uma das averbações confirma, ao declarar que a área “refere-se à reserva legal do imóvel objeto da matrícula [Y]”. Trata-se, portanto, de área fisicamente integrante do imóvel "Rio do Peixe e Outros", mas juridicamente destinada, pelo próprio registro que a instituiu, a suprir o déficit de reserva legal de propriedades rurais diversas. Reconhecê-la também como reserva legal deste imóvel importaria fazer a mesma cobertura vegetal prestar dupla função exonerativa, incompatível com a lógica da compensação por imóvel receptor. Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário quanto à reserva legal. b) Da Reserva Particular do Patrimônio Natural Fl. 1295DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.892 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18183.728347/2025-41 17 A recorrente sustenta, em síntese, dois fundamentos para o restabelecimento da RPPN de 1.363,0 ha: (i) a exclusão prevista no art. 10, §1º, II, a, da Lei 9.393/1996 seria incondicionada, não impondo ao contribuinte a apresentação de documentos específicos além do ADA, cuja presunção de veracidade tornaria o lançamento ilegítimo; e (ii) subsidiariamente, o ADA tempestivo e o laudo técnico de caracterização ambiental demonstrariam suficientemente a existência física da área. A exclusão da RPPN da base de cálculo do ITR, prevista no art. 10, §1º, II, "a", da Lei 9.393/1996, opera sobre uma categoria jurídica definida pelo direito ambiental: a Reserva Particular do Patrimônio Natural tal como instituída pela Lei 9.985/2000. Para que a exclusão tributária incida, é necessário que a área seja uma RPPN. E para que seja uma RPPN, devem estar cumpridos os requisitos constitutivos estabelecidos pelo art. 21 e seu §1º da Lei 9.985/2000 e pelo art. 5º, VII, do Decreto 5.746/2006: (a) termo de compromisso com caráter de perpetuidade, firmado perante o órgão ambiental competente; (b) verificação, por esse órgão, da existência de interesse público; e (c) averbação do gravame à margem da matrícula no Registro Público de Imóveis. Esses três elementos não são condições de prova impostas pelo Fisco ou pela autoridade julgadora, são condições de existência do próprio instituto. A RPPN não nasce de um fato natural verificável por laudo técnico; nasce de ato jurídico formal com efeitos produzidos pelo registro imobiliário. Cumpre ressaltar que a Fiscalização não exigiu provas adicionais além daquelas previstas na legislação ambiental. Dito de outro modo, o art. 10, §1º, II, a da Lei 9.393/1996 não exige que o contribuinte comprove à Fazenda que a área é RPPN, mas exige que a área seja RPPN, e essa existência jurídica é inseparável dos atos constitutivos do art. 21 da Lei 9.985/2000. Como bem apontou o acórdão recorrido: Em relação à área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), além da exigência genérica do ADA, há a exigência, de caráter específico, que trata da necessidade de averbação dessa área à margem da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, para seu reconhecimento, que se encontra prevista no art. 21, caput e 1º, da Lei nº 9.985/2000: Art. 21. A Reserva Particular do Patrimônio Natural é uma área privada, gravada com perpetuidade, com o objetivo de conservar a diversidade biológica. (Regulamento) § 1º O gravame de que trata este artigo constará de termo de compromisso assinado perante o órgão ambiental, que verificará a existência de interesse público, e será averbado à margem da inscrição no Registro Público de Imóveis. (grifo nosso) Quanto às condições exigidas para a exclusão de áreas não-tributáveis a Receita Federal, no Manual de Perguntas e Respostas, referente ao Exercício 2021, assim explica: (...) Fl. 1296DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.892 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18183.728347/2025-41 18 As determinações para o reconhecimento das Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN) constam no Decreto nº 5.746/2006, que regulamentou o mencionado art. 21 da Lei nº 9.985/2000. O Decreto nº 5.746/2006, além de definir a RPPN, fixou as exigências para seu reconhecimento, entre as quais figurou a obrigação de o proprietário do imóvel efetuar a averbação do Termo de Compromisso da área da reserva junto ao Cartório de Registro de Imóveis, como dispõe o inciso VII do art. 5º desse Decreto. Por seu turno, no que diz respeito ao prazo para o cumprimento da obrigação ora tratada, deve ser levado em consideração que o lançamento se reporta à data de ocorrência do fato gerador da obrigação, conforme prescrito no art. 144 do CTN. Já o art. 1º, caput, da Lei nº 9.393/1996, estabelece como marco temporal do fato gerador do ITR o dia 1º de janeiro de cada ano, conforme expressamente disposto no parágrafo único do art. 13 do Decreto nº 4.382/2002. Assim, as áreas de RPPN somente poderão ser excluídas de tributação se cumprida, além da protocolização do ADA tempestivo, a exigência de sua averbação à margem da matrícula do imóvel, até a data de ocorrência do fato gerador do ITR do correspondente exercício. No caso em análise, não obstante a área de RPPN tenha sido informada no ADA 2021, não consta nas Matrículas do imóvel, às fls. 96/269, e listadas no CCIR de fls. 94/95, a sua averbação e, assim, cabe manter a glosa da área de RPPN de 1.363,0 ha. Nesse aspecto, inclusive, é a jurisprudência do CARF: (...) ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ÁREA DE SERVIDÃO FLORESTAL. ÁREA DE RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL. AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. Para a declaração do ITR, não se exige do contribuinte a prévia comprovação da Área de Reserva Legal, mas a declaração tem de ser verdadeira e para tanto, ao tempo da ocorrência do fato gerador, deve estar cumprido o previsto no art. 16, § 8°, da Lei n° 4.771, de 1965, em face do disposto no art. 10°, § 7°, da Lei n° 9.393, de 1996, impondo-se, por conseguinte, a averbação da reserva legal na matrícula do imóvel. A jurisprudência sumulada do CARF dispensa o ADA, mas não a averbação (Súmula CARF n° 122). A área de servidão florestal e a área de Reserva Particular do Patrimônio Natural devem igualmente estar averbadas ao tempo do fato gerador. (...) (Acórdão nº 2401-009.227, Processo nº 13971.720456/2007-39, Conselheira Relatora Miriam Denise Xavier, data da sessão 09/03/2021) (...) RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL. NATUREZA CONSTITUTIVA. A Reserva Particular do Patrimônio Natural depende para sua efetivação da assinatura de termo de compromisso perante o órgão ambiental e da averbação da área correspondente no registro imobiliário, motivo pelo qual a natureza destes atos é constitutiva e não declaratória, não produzindo efeitos pretéritos. (...) (Acórdão nº 2202-011.621, Processo nº 10725.721329/2012-38, Conselheiro Relator Marcelo Valverde Ferreira da Silva, data da sessão 05/11/2025) (..) ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ÁREA DE SERVIDÃO FLORESTAL. ÁREA DE RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL. AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. Para a declaração do ITR, não se exige do contribuinte a prévia Fl. 1297DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.892 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18183.728347/2025-41 19 comprovação da Área de Reserva Legal, mas a declaração tem de ser verdadeira e para tanto, ao tempo da ocorrência do fato gerador, deve estar cumprido o previsto no art. 16, § 8°, da Lei n° 4.771, de 1965, em face do disposto no art. 10°, § 7°, da Lei n° 9.393, de 1996, impondo-se, por conseguinte, a averbação da reserva legal na matrícula do imóvel. A jurisprudência sumulada do CARF dispensa o ADA, mas não a averbação (Súmula CARF n° 122). A área de servidão florestal e a área de Reserva Particular do Patrimônio Natural devem igualmente estar averbadas ao tempo do fato gerador. (Acórdão nº 2401-010.779, Processo nº 13629.720122/2010-61, Conselheiro Relator Rayd Santana Ferreira, data da sessão 17/02/2023) Não constando das matrículas do imóvel, a averbação de qualquer área como RPPN, a glosa de 1.363,0 ha deve ser integralmente mantida, em conformidade com o art. 21, §1º, da Lei 9.985/2000 c/c o art. 5º, VII, do Decreto 5.746/2006, com o art. 13 do Decreto 4.382/2002. O recurso voluntário não merece provimento neste ponto. d) Da Servidão Ambiental A recorrente sustenta, para a ASA de 528,2 ha, os mesmos argumentos da RPPN: exclusão incondicionada, presunção de veracidade do ADA e suficiência do laudo técnico. A estrutura da resposta é análoga, mas o fundamento normativo específico é diverso. A exclusão da área sob regime de servidão ambiental está prevista no art. 10, §1º, II, d, da Lei 9.393/1996. A categoria jurídica da servidão ambiental é definida e disciplinada pelo art. 9º-A da Lei 6.938/1981, com redação dada pelo art. 78 da Lei 12.651/2012. Nos termos desse dispositivo, o proprietário ou possuidor pode, por instrumento público ou particular ou por termo administrativo firmado perante órgão integrante do SISNAMA, limitar o uso de sua propriedade para preservar recursos ambientais, instituindo servidão ambiental. O §4º, I, do mesmo artigo é explícito: o instrumento ou termo de instituição da servidão ambiental deve ser objeto de averbação na matrícula do imóvel no registro de imóveis competente. A averbação é requisito probatório é requisito de constituição e de eficácia da servidão ambiental. A servidão ambiental é direito real limitativo do domínio, e direitos reais, por força do art. 1.227 do Código Civil, somente se constituem e produzem efeitos perante terceiros mediante registro, no caso do imóvel rural, mediante averbação na matrícula. Antes do registro, o instrumento tem eficácia meramente obrigacional entre as partes, não configura servidão ambiental no sentido técnico do art. 9º-A da Lei 6.938/1981 e, consequentemente, não se enquadra na hipótese de exclusão do art. 10, §1º, II, d, da Lei 9.393/1996. Como já destacado acima, a jurisprudência do CARF é pacífica: (...) ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ÁREA DE SERVIDÃO FLORESTAL. ÁREA DE RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL. AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. Para a declaração do ITR, não se exige do contribuinte a prévia Fl. 1298DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.892 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18183.728347/2025-41 20 comprovação da Área de Reserva Legal, mas a declaração tem de ser verdadeira e para tanto, ao tempo da ocorrência do fato gerador, deve estar cumprido o previsto no art. 16, § 8°, da Lei n° 4.771, de 1965, em face do disposto no art. 10°, § 7°, da Lei n° 9.393, de 1996, impondo-se, por conseguinte, a averbação da reserva legal na matrícula do imóvel. A jurisprudência sumulada do CARF dispensa o ADA, mas não a averbação (Súmula CARF n° 122). A área de servidão florestal e a área de Reserva Particular do Patrimônio Natural devem igualmente estar averbadas ao tempo do fato gerador. (...) (Acórdão nº 2401-009.227, Processo nº 13971.720456/2007-39, Conselheira Relatora Miriam Denise Xavier, data da sessão 09/03/2021) (..) ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ÁREA DE SERVIDÃO FLORESTAL. ÁREA DE RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL. AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. Para a declaração do ITR, não se exige do contribuinte a prévia comprovação da Área de Reserva Legal, mas a declaração tem de ser verdadeira e para tanto, ao tempo da ocorrência do fato gerador, deve estar cumprido o previsto no art. 16, § 8°, da Lei n° 4.771, de 1965, em face do disposto no art. 10°, § 7°, da Lei n° 9.393, de 1996, impondo-se, por conseguinte, a averbação da reserva legal na matrícula do imóvel. A jurisprudência sumulada do CARF dispensa o ADA, mas não a averbação (Súmula CARF n° 122). A área de servidão florestal e a área de Reserva Particular do Patrimônio Natural devem igualmente estar averbadas ao tempo do fato gerador. (Acórdão nº 2401-010.779, Processo nº 13629.720122/2010-61, Conselheiro Relator Rayd Santana Ferreira, data da sessão 17/02/2023) O argumento da recorrente de que a lei isentiva não impõe a averbação como condição para a exclusão replica o mesmo equívoco já identificado para a RPPN: mistura o plano da prova tributária com o plano da existência jurídica do instituto. O Fisco não está criando requisito adicional não previsto em lei; está aplicando a definição legal do instituto cuja existência é pressuposto da exclusão. Sem averbação do instrumento de instituição na matrícula, a área não está sob regime de servidão ambiental nos termos do art. 10, §1º, II, "d" e sem estar sob esse regime, a exclusão não tem suporte factual. O ADA declara que a recorrente afirma existir 528,2 ha de servidão ambiental. O laudo técnico quando válido (o que não é o caso aqui) poderia descrever as características ambientais da área. Mas nem o ADA nem o laudo têm força para constituir o vínculo jurídico formal que o art. 9º-A, §4º, I, da Lei 6.938/1981 exige. Não consta das matrículas do imóvel qualquer averbação de instrumento de instituição de servidão ambiental ou florestal. A glosa de 528,2 ha deve ser integralmente mantida. O recurso voluntário não merece provimento neste ponto. e) Da Área de Interesse Ecológico O art. 10, §1º, II, "b", da Lei 9.393/1996 exclui da área tributável as áreas "de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior". Fl. 1299DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.892 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18183.728347/2025-41 21 A recorrente sustenta que os Decretos Estaduais nº 36.071, 44.116/2005 e 45.890/2012, que instituíram e delimitaram o Parque Estadual da Serra do Rola-Moça, satisfazem esse requisito, dispensada qualquer individualização por imóvel. A Câmara Superior de Recursos Fiscais já assentou entendimento no sentido que a declaração de área de interesse ecológico há de ser específica para o imóvel, não bastando decreto de caráter geral que apenas delimite a unidade de conservação em plano regional: “declarações em caráter geral, por região local ou nacional, que não especifiquem quais as áreas da propriedade são de interesse ambiental, são inaptas para a fruição do benefício fiscal” (Acórdão nº 9202-011.123, Conselheiro Relator Mário Hermes Soares Campos). A recorrente não trouxe aos autos qualquer ato específico do órgão gestor do Parque Estadual da Serra do Rola-Moça reconhecendo que a área de 14,4 ha do imóvel Rio do Peixe e Outros está inserida nos limites do parque. Menciona, tão somente, que “ao se consultarem as coordenadas geográficas do imóvel, verifica-se que elas conduzem exatamente à região onde se encontra o Parque Serra do Rola Moça”, afirmação que, além de não vir acompanhada de nenhum documento técnico que demonstre a sobreposição de forma precisa, não supriria, ainda que comprovada, a exigência de ato específico do órgão competente. O Laudo Técnico de Caracterização Ambiental não dedica nenhuma seção à área de interesse ecológico: o valor de 14,418 ha aparece unicamente nos quadros de sobreposição e no modelo de preenchimento do Ato Declaratório Ambiental, sem qualquer texto que o sustente, sem menção ao Decreto Estadual nº 36.071 ou aos limites do Parque, e sem indicação de metodologia de sobreposição geográfica. Como bem apontou o acórdão recorrido: Quanto à área declarada de interesse ecológico de 14,4 ha, que foi glosada pela fiscalização, embora ela conste no ADA tempestivo, caberia ser apresentado Ato específico do órgão ambiental competente, emitido antes da data do fato gerador do ITR, declarando tal área como sendo de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas, em conformidade com o art. 10, §1º, II, “b”, da Lei nº 9.393/96: (...) Desta forma, não consta nos autos o Ato Específico reconhecendo eventual área do imóvel como sendo de interesse ecológico, que não possa ser tributada, cabe manter a glosa da área de interesse ecológico de 14,4 ha. Em relação à pretensão do impugnante de que a área de 14,4 ha seja reconhecida como de interesse ecológico, porque estaria inserida na área do Parque Estadual da Serra do Rola Moça, instituído pelo Decreto Estadual nº 36.071, posteriormente, alterado pelos Decretos Estaduais nº 44.116/2005 e nº 45.890/2012, às fls. 1.173/1.184, não cabe ser aceita, isso porque é necessário comprovar nos autos a existência de ato específico do órgão ambiental competente, gestor do citado Parque Estadual, atestando qual a área específica do imóvel, devidamente caracterizada e dimensionada, é declarada como sendo Fl. 1300DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.892 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18183.728347/2025-41 22 de interesse ecológico para proteção do referido ecossistema, de acordo com o disposto no art. 10, § 1º, II, “b”, da Lei nº 9.393/96, transcrito anteriormente. No caso, cumpre esclarecer que o fato de um imóvel, parcial ou integralmente, de propriedade particular estar inserido nos limites de Parque Federal, Estadual ou Municipal, tal fato não supre a necessidade de apresentação do ADA, para o exercício fiscalizado, o que, no caso, ocorreu, e do Ato Específico do órgão ambiental competente, o que não ocorreu, na situação em análise, para fins de exclusão da tributação do ITR, por serem exigências legais, como visto, isso porque enquanto não for efetuada a desapropriação dos imóveis particulares que estejam localizados nos limites do Parque, esses imóveis continuam sujeitos à tributação pelo ITR. Consoante disposições da Lei nº 9.985/2000, os Parques compõem o grupo das Unidades de Proteção Integral (art. 8º), e “é de posse e domínio públicos, sendo que as áreas particulares incluídas em seus limites serão desapropriadas, de acordo com o que dispõe a lei” (art. 11, § 1º). Assim, vê-se que a previsão legal define como Parque a área composta por imóveis públicos e esses já estão afastados da tributação por imunidade, como previsto na Constituição da República, o que não é o caso do presente imóvel, que é de propriedade do impugnante e, portanto, sujeito à tributação do ITR. Em regra, no caso de desapropriação, o expropriado só perde a posse e o direito de propriedade do imóvel rural objeto da desapropriação quando ocorrer o pagamento integral da indenização, sendo que a exceção, que é a imissão prévia na posse, também, deve ser devidamente comprovada. Com isso, vê-se que as propriedades privadas localizadas em Unidades de Conservação estão sujeitas à tributação pelo ITR, já que não estão imunes e, assim, há necessidade de comprovação das condições legais previstas para a não- incidência do imposto. Não há nos autos comprovação de que parte da área do imóvel foi desapropriada em favor do Estado de Minas Gerais antes da data do fato gerador aqui tratado, portanto, a área requerida é normalmente tributada, posto que não foi apresentada documentação hábil para excluí-la da tributação do ITR, como sendo área de interesse ecológico, conforme solicitado. Assim, não cabe excluir da tributação a área requerida de interesse ecológico de 14,4 ha, sob a alegação de que ela estaria inserida nos limites do Parque Estadual da Serra do Rola-Moça. Diante do exposto, mantenho a glosa da área de interesse ecológico de 14,4 ha, tanto pela ausência de ato específico do órgão gestor do Parque Estadual da Serra do Rola-Moça individualizando a área do imóvel, quanto pela ausência de prova técnica de sobreposição geográfica. 3. Conclusão Fl. 1301DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.892 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18183.728347/2025-41 23 Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Roberto Junqueira de Alvarenga Neto Fl. 1302DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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4649063 #
Numero do processo: 10280.003650/89-30
Turma: Oitava Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2001
Data da publicação: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2001
Ementa: IRPJ – GLOSA DE CUSTOS – Incabível a imposição quando não resultar comprovada mediante elementos hábeis a oneração de custos pela pessoa jurídica. Preliminar rejeitada. Recurso provido.
Numero da decisão: 108-06.670
Decisão: ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Nelson Lósso Filho e Marcia Maria Lona Meira que deram provimento parcial ao recurso para reduzir o valor tributável ao patamar apurado no laudo elaborado pela empresa de auditoria independente.
Nome do relator: LUÍZ ALBERTO CAVA MACEIRA

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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-31T18:50:46Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-31T18:50:46Z; Last-Modified: 2009-08-31T18:50:46Z; dcterms:modified: 2009-08-31T18:50:46Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-31T18:50:46Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-31T18:50:46Z; meta:save-date: 2009-08-31T18:50:46Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-31T18:50:46Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-31T18:50:46Z; created: 2009-08-31T18:50:46Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2009-08-31T18:50:46Z; pdf:charsPerPage: 1363; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-31T18:50:46Z | Conteúdo => • V, MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Recurso de Especial da Fazenda Nacional Processo n° : 10280.003650/89-30 RP/108-0.231 Recurso n° : 103.635 Matéria : IRPJ - Ex.: 1987 Recorrente : COMPANHIA TÊXTIL DE CASTANHAL Recorrida : DRJ - BELÉM/PA Sessão de : 19 de setembro de 2001 Acórdão n° :108-06.670 IRPJ — GLOSA DE CUSTOS — Incabível a imposição quando não resultar comprovada mediante elementos hábeis a oneração de custos pela pessoa jurídica. Preliminar rejeitada. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recursos interpostos por COMPANHIA TÊXTIL DE CASTANHAL. ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Nelson Lósso Filho e Marcia Maria Lona Meira que deram provimento parcial ao recurso para reduzir o valor tributável ao patamar apurado no laudo elaborado pela empresa de auditoria independente. MANOEL ANTÔNIO GADELHA DIAS PRES a El I / 1 LUIZ A1: RTO CAVA MÁ ÉlRA RELAT ;i R FORMALIZADO EM: 1 8 OUT 2001 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JUNIOR, 'VETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, TÂNIA KOETZ MOREIRA e JOSÉ HENRIQUE LONGO. Processo n°. : 10280.003650/89-30 Acórdão n°. : 108-06.670 Recurso n° : 103.635 Recorrente : COMPANHIA TÊXTIL DE CASTANHAL • RELATÓRIO COMPANHIA TÊXTIL DE CASTANHAL, empresa estabelecida na Avenida Presidente Vargas, 4267, Município Castanhal, Estado do Pará, inscrita no CNPJ sob o n° 05.389.812/0001-94, inconformada com a decisão monocrática, a qual decidiu pela procedência parcial da ação fiscal, decorrente do lançamento impugnado, baseado no auto de infração relativo ao IRPJ, vem recorrer a este Egrégio Colegiado. Trata-se de exigência fiscal referente a Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ, cuja matéria remanescente diz respeito a custo onerado originado de superavaliação de compras nos registros da sociedade, no período de maio de 1985 a junho de 1986. Enquadramento legal referido na folha 03 dos autos. A fiscalização concluiu que houve divergência no volume de compras nos registros da sociedade, apurada através de confronto dos valores atribuídos às compras no quadro 11 da declaração de rendimentos, com as compras obtidas através dos livros fiscais. A empresa tempestivamente apresentou sua impugnação, às fls. 551/560, enfocando, em síntese, as razões que seguem: Inicialmente, ressalta que em 1986 não existia o ICMS, mas apenas o (CM, e que este, por sua vez, não incidia sobre o serviço de transporte. Deste modo, 2 Processo n°. : 10280.003650/89-30 Acórdão n°. :108-06.670 não era lançado no "Livro de Apuração do ICM" o conhecimento de transporte, porém, este, sendo custo industrial, é escriturado nos demais livros contábeis. Argüi que não foi demonstrado pelo Fisco qual o critério utilizado pelo mesmo para proceder a classificação que adotou quanto ao que seria "material secundário" e "material de consumo". Salienta que a recorrente consiste em empresa de beneficiamento de juta e malva. E que, para isso, deve incentivar a produção destas plantas para ter a matéria prima necessária para produzir. Ressalta, ainda, que não comercializa "sementes", mas planta (que decorre da semente), transformada (dai o IPI) para saco, tela ou fio. Daí porque "semente" é "material secundário" e não "material de consumo", ou para comercialização. Enfim, alega que o procedimento de classificação do que seja "material de consumo" e o que seja "material secundário" adotado pelo Fisco não relata a veracidade dos fatos, não permitindo a correta análise do sistema de apuração de custo industrial da empresa. Aduz que as falhas ocorridas no preenchimento da Declaração de Rendimentos da empresa não acarretaram qualquer redução indevida. Refere, por fim, o Relatório realizado por auditoria externa, incluso nos autos, o qual não levantou quaisquer das irregularidades apontadas pelo Fisco. O julgador monocrático decidiu pela procedência parcial da Impugnação, em ementa a seguir transcrita: gl 3 . • Processo n°. : 10280.003650/89-30 Acórdão n°. : 108-06.670 "IRPJ - A superavaliação de compras distorce a realidade dos custos, para mais, implicando redução indevida dos resultados do exercício. - Infirmada a presunção de omissão de receita, com base em saldo credor de conta de natureza devedora (Adiantamento a Importadores), se demonstrado que teve por origem mero erro de escrituração, no que tange à data correta do lançamento contábil. IMPUGNAÇÃO PARCIALMENTE PROCEDENTE" Irresignada com a decisão do juizo monocrático, a empresa recorreu a este Conselho (fis. 1229/1236), contestando a decisão no que tange à controvérsia remanescente relativa à oneração de custos referentes a compras, requerendo, ao final, o seguinte: a) a anulação do Auto de Infração em face da presença flagrante do Cerceamento do Direito de Defesa da recorrente, eis que os prazos concedidos foram por demais exíguos, impossibilitando a coleta integral dos documentos e registros contábeis exigidos pela fiscalização. b) a abertura de novo prazo (30 dias) para o levantamento de toda a documentação fiscal necessária exigida, visando o melhor esclarecimento dos fatos. É o relatório. Gt), 4 Processo n°. : 10280.003650/89-30 Acórdão n°. : 108-06.670 VOTO Conselheiro LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA, Relator O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Inicialmente rejeito a preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa, pois dos autos depreende-se que a Recorrente não teve usurpado o pleno exercício do seu direito de defesa nos diversos momentos em que se manifestou durante o procedimento. No tocante ao mérito, entendo que melhor sorte lhe assiste, tendo em vista que o Fisco adotou um critério para determinação da matéria tributável que não traduz certeza quanto à sua natureza e quantificação, devido a que procedeu ao confronto entre compras lançadas no Livro de Apuração do ICM e as informações constantes da declaração de rendimentos (Quadro 11). Mencionado confronto para fins de determinação de eventual oneração dos custos não pode ser dimensionado através do confronto direto entre compras lançadas no livros fiscais e ali classificadas para os fins próprios, (insumos, material secundário, material de consumo), com aqueles constantes da declaração de rendimentos que devem corresponder ao conceito contábil de custo, agregando e contemplando aqueles dispêndios que comporão o custo de produção como, exemplificativamente, no caso dos autos, constata-se que o óleo mineral classificado 5 „ - Processo n°. :10280.003650/89-30 Acórdão n°. : 108-06.670 nos livros fiscais como material de consumo, na verdade, efetivamente representa um componente do custo de produção, portanto, ausente a necessária homogeneidade de critérios de classificação dos insumos e materiais empregados de forma direta e indireta, resulta incabível pretender-se imposição fiscal a esse titulo. Ademais o próprio Fisco assinala em diligência fiscal às fls. 257, que devolvia xerocópias apresentadas dos livros de Entradas, Razão e Diário, cuja verificação ficou prejudicada pela ausência de notas fiscais, dai, resta caracterizada a inadequação da fórmula comparativa eleita pelo Fisco por apresentarem elementos de natureza distinta, ou seja, cotejo de informações de índole fiscal com dados de natureza contábil que embasam a declaração de rendimentos. Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade da decisão monocrática e, quanto ao mérito, por dar provimento ao recurso. Sala das Ses . ões - DF, em 19 d- setembro de 2001 r LUZA :, ERTO CAVA M • CERA 6 Page 1 _0016400.PDF Page 1 _0016500.PDF Page 1 _0016600.PDF Page 1 _0016700.PDF Page 1 _0016800.PDF Page 1

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Numero do processo: 10640.722871/2015-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Wed Aug 05 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVO LEGAL.NÃO PRONUNCIAMENTO O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) QUEBRA DE SIGILO FISCAL – INOCORRÊNCIA O Supremo Tribunal Federal solucionou definitivamente a matéria por ocasião do julgamento do RE nº 601.314 com repercussão geral. DEPÓSITO EM CONTA BANCÁRIA SEM COMPROVADA.RENDIMENTO É considerada omissão de rendimentos valores creditados em contas de depósito ou de investimento não devidamente comprovados na forma da lei. JUROS MORATÓRIOS.TAXA SELIC.MULTA DE OFÍCIO.INCIDÊNCIA A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4) Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Súmula CARF nº 108) MULTA CONFISCATÓRIA.NÃO PRONUNCIAMENTO A imposição de multa pela autoridade decorrente do necessário cumprimento de norma tributária não está sujeita ao pronunciamento quanto à inconstitucionalidade do fundamento em instância administrativa de julgamento. ARROLAMENTO DE BENS.NÃO PRONUNCIAMENTO O órgão julgador administrativo não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a arrolamento de bens. ( Súmula CARF nº 109) NULIDADE DA EXAÇÃO.INEXISTÊNCIA Não é nulo o lançamento que obedeça aos requisitos legais e descreva exaustivamente os fatos e fundamentos jurídicos além de corretamente apurar a base de cálculo e a tributação devida não incorrendo em causa de nulidade. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo.
Numero da decisão: 2402-013.659
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, em dar parcial provimento ao recurso voluntário interposto para reduzir o IRPF de R$ 1.280.182,40 para R$ 1.075.733,36, com os acréscimos legais e a multa de ofício de 75%. Assinado Digitalmente Rodrigo Duarte Firmino – Presidente e relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcus Gaudenzi de Faria, Joao Ricardo Fahrion Nuske, Alexandre Correa Lisboa, Suez Roberto Colabardini Filho, Andre Barros de Moura e Rodrigo Duarte Firmino.
Nome do relator: RODRIGO DUARTE FIRMINO

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(Súmula CARF nº 2) QUEBRA DE SIGILO FISCAL – INOCORRÊNCIA O Supremo Tribunal Federal solucionou definitivamente a matéria por ocasião do julgamento do RE nº 601.314 com repercussão geral. DEPÓSITO EM CONTA BANCÁRIA SEM COMPROVADA.RENDIMENTO É considerada omissão de rendimentos valores creditados em contas de depósito ou de investimento não devidamente comprovados na forma da lei. JUROS MORATÓRIOS.TAXA SELIC.MULTA DE OFÍCIO.INCIDÊNCIA A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4) Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Súmula CARF nº 108) MULTA CONFISCATÓRIA.NÃO PRONUNCIAMENTO A imposição de multa pela autoridade decorrente do necessário cumprimento de norma tributária não está sujeita ao pronunciamento Fl. 4311DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.659 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10640.722871/2015-91 2 quanto à inconstitucionalidade do fundamento em instância administrativa de julgamento. ARROLAMENTO DE BENS.NÃO PRONUNCIAMENTO O órgão julgador administrativo não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a arrolamento de bens. ( Súmula CARF nº 109) NULIDADE DA EXAÇÃO.INEXISTÊNCIA Não é nulo o lançamento que obedeça aos requisitos legais e descreva exaustivamente os fatos e fundamentos jurídicos além de corretamente apurar a base de cálculo e a tributação devida não incorrendo em causa de nulidade. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, em dar parcial provimento ao recurso voluntário interposto para reduzir o IRPF de R$ 1.280.182,40 para R$ 1.075.733,36, com os acréscimos legais e a multa de ofício de 75%. Assinado Digitalmente Rodrigo Duarte Firmino – Presidente e relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcus Gaudenzi de Faria, Joao Ricardo Fahrion Nuske, Alexandre Correa Lisboa, Suez Roberto Colabardini Filho, Andre Barros de Moura e Rodrigo Duarte Firmino. RELATÓRIO I. AUTO DE INFRAÇÃO Em 27/11/2015, fls. 394, o contribuinte foi regularmente notificado da constituição de auto de Infração, fls. 02/07, para a cobrança de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) referente ao ano-calendário 2012, calculado em R$ 1.280.182,40, acrescido de Juros de Mora de R$ 350.641,96 e Multa de Ofício de R$ 960.136,80 (75%), totalizando R$ 2.590.961,16, em razão Fl. 4312DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.659 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10640.722871/2015-91 3 OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. Referida exação está amparada por relatório fiscal com exposição dos fatos e fundamentos jurídicos, instruído por anexos contendo planilha dos créditos sem comprovação da origem e o cômputo do tributo devido, fls. 08/63. O lançamento foi precedido por fiscalização tributária realizada ao amparo do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0610400-2015- 00032-1, fls. 72/74, de início em 13/02/2015 e encerramento em 16/11/2015, fls. 391/392. Constam dos autos cópia da declaração do Sr. Paulo Ananias Campos, as exigências realizadas pelo fisco ao amparo de intimações e respectivas respostas, além de cópia de requisições de movimentação financeiras e extratos bancários, fls. 64/390. Em apertada síntese a autoridade, após intimar o contribuinte a comprovar a razão do dinheiro recebido em contas bancárias de sua titularidade, analisar extratos e excluir transferências e outros valores cujo histórico não caracterizou depósito, lançou o IRPF devido, com fundamento no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996: (Relatório da Ação Fiscal) III - CONCLUSÃO Em face de todo o exposto, concluídos os trabalhos de apuração dos ilícitos tributários, os valores creditados nas sete contas de depósito mantidas pelo sujeito passivo no ano de 2012, excluindo-se os cheques devolvidos, os estornos e as transferências entre contas do titular, foram tratados como omissão de rendimentos. No caso das seis contas conjuntas, os créditos/depósitos foram atribuídos à razão de 50% para cada titular. Na única conta individual, os créditos/depósitos foram integralmente imputados ao fiscalizado. Os rendimentos omitidos foram considerados auferidos no mês do crédito/depósito efetuado pelas instituições financeiras e levados ao ajuste anual para a apuração do saldo de imposto a pagar. Cabe destacar que, conforme a Súmula CARF no 38, “O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário”. O crédito tributário decorrente do imposto de renda a pagar, acrescido de multa de ofício à alíquota de 75% e juros moratórios, consta do Auto de Infração lavrado nesta data. II. DEFESA Irresignado com o lançamento do crédito o contribuinte impugnou em sua integralidade, fls. 396/402. III. DECISÃO ADMINISTRATIVA DE PRIMEIRO GRAU Fl. 4313DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.659 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10640.722871/2015-91 4 A 18ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro – DRJ/RJO julgou a impugnação improcedente, conforme Acórdão nº 12-100.631, de 20/08/2018, fls. 407/417, cuja ementa abaixo se transcreve: (Ementa) NULIDADE DO LANÇAMENTO. Durante o procedimento fiscal o contribuinte teve oportunidade de apresentar os seus elementos de prova. Entretanto, é na fase impugnatória que o autuado pode exercer o seu pleno direito de defesa, podendo, inclusive, juntar aos autos toda documentação que julgar necessária. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há como acatar a tese de nulidade do lançamento. UTILIZAÇÃO DE EXTRATOS BANCÁRIOS. SIGILO BANCÁRIO. RMF. A lei complementar nº 105, de 10/01/2001, estabelece em seu art. 1º, § 3º, inciso III, que "não constitui violação do dever de sigilo o fornecimento das informações de que trata o § 2º, do art. 11, da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996". Portanto, a citada norma legal dá fundamento para que o Fisco se utilize dos extratos bancários no intuito de se apurar possível presunção legal de omissão de rendimentos calcada nos depósitos bancários de origem não comprovada. É lícito à fiscalização solicitar ao contribuinte ou instituições informações e documentos relativos a operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, quando houver procedimento fiscal em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. De acordo com § 5º, do art. 2º, do Decreto nº 3.724/01, o Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil poderá examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras. A citada lei complementar não revogou o art. 42 da Lei n° 9.430/96. A lei nº 10.174, alterou o § 3º do artigo 11, da lei n° 9.311/96, permitindo que as informações relativas à movimentação financeira fossem utilizadas na constituição de outros impostos e contribuições. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente Fl. 4314DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.659 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10640.722871/2015-91 5 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei impõe exclusivamente ao sujeito passivo comprovar a origem dos depósitos mantidos em conta bancária de sua titularidade, sendo obrigação do contribuinte provar por meio de documentação hábil e idônea a procedência do depósito e a sua natureza. Tais elementos de prova devem coincidir em datas e valores com cada depósito que se pretenda comprovar. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. As decisões administrativas e judiciais não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aplicam a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. O contribuinte foi regularmente notificado do decidido em 03/09/2018, fls. 418/421. IV. RECURSO VOLUNTÁRIO Em 25/09/2018 o recorrente interpôs recurso voluntário, fls. 422/448, momento em que juntou vastas cópias de documentos, fls. 449/3.972, justificando inicialmente a impossibilidade de produção probatória em momento anterior, com as seguintes alegações e pedidos: (Recurso Voluntário) Destarte, considerando o cenário doutrinário e as acertadas decisões deste R. órgão, acerca da aplicação do princípio da verdade material, resta evidente a prevalência da verdade dos fatos sobre o formalismo puro e simples das normas processuais no âmbito administrativo. Em verdade, no âmbito do processo administrativo-tributario, a aplicação da verdade material e a flexibilização das regras processuais quanto ao momento de apresentação das provas, é quase um imperativo lógico, pois o prazo concedido ao contribuinte de apenas 30 (trinta) dias, é insuficiente para analisar o auto de infração lavrado, reunir a documentação, recuperar fatos do passado refletidos na autuação e preparar a impugnação. Ademais, no caso em tela há um agravante pois, para conseguir produzir as provas necessárias, o Recorrente dependia de obter a documentação junto aos bancos onde mantém conta corrente. Devido ao grande volume de documentos, as cópias de cheques solicitadas demoraram bastante para ficar prontas. Em consulta às cópias de cheques, denominadas pelo Banco Credivertentes como "Relatório de Impressão de Cheques" anexos (Documento II), que a maioria das cópias foram disponibilizadas ao Recorrente somente entre Fl. 4315DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.659 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10640.722871/2015-91 6 16/03/2016 à 22/06/2016. Considerando que o prazo para Impugnação do AIIM se encerrou em novembro de 2015, era impossível o para o Recorrente exercer de forma plena seu direito ao contraditório e à ampla defesa, uma vez que não estava de posse dos documentos comprobatórios necessários. (grifo do autor) Indubitavelmente, há um desequilíbrio entre os prazos fornecidos ao Fisco para elaborar e encerrar a ação fiscal e o prazo para impugnação do contribuinte, que de partida se justifica, ou até mesmo impõe que se flexibilizem as regras processuais que tratam do momento da juntada das provas no processo administrativo. Portanto, resta demonstrado que o Requerente não conseguiu produzir as provas documentais que pretendia em virtude da insuficiência do prazo para juntada até o protocolo da impugnação, razão pela qual, devem ser devem ser validadas as provas ora apresentadas, obedecendo o princípio da verdade material, que deve sempre nortear o processo administrativo. a. Preliminares i. Nulidade do lançamento – prova ilícita – quebra de sigilo bancário – requisição de movimentação financeira Argumenta o recorrente que a exação foi instruída a partir de prova ilícita obtida pela quebra do sigilo bancário nas informações carreadas aos autos a partir da requisição de movimentos financeiros junto às instituições bancárias. b. Mérito i. Inexistência de acréscimo patrimonial Entende que não houve comprovação efetiva da renda, sendo inaceitável o lançamento fundado exclusivamente em extratos bancários. Aduz que realizou operações comerciais em suas próprias contas bancárias, inexistindo má fé na conduta, sendo os recursos creditados utilizados no pagamento de boletos junto à fornecedores e inexistindo acréscimo patrimonial, com ofensa ao Princípio Constitucional do Não Confisco, sendo o valor do crédito exigido muito superior à capacidade contributiva. Argumenta que houve lançamento com base em valores que já possuía desde 2011, no montante de R$ 261.800,00, movimentados para a compra de imóvel e que foi posteriormente cancelada, sendo devolvido o dinheiro: Acrescenta que nem todos os movimentos entre contas de sua própria titularidade foram excluídos da base de cálculo utilizada no crédito, sendo tributado indevidamente o montante de R$ 1.218.047,65. ii. Aplicação descabida da multa de ofício e de juros abusivos O recorrente se contrapõe à imposição da multa de 75%, por flagrante ilegalidade e violação ao Princípio Constitucional do Não Confisco, devendo ser reduzida ao patamar de 20% e Fl. 4316DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.659 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10640.722871/2015-91 7 aponta juros abusivos e extorsivos, sendo correta a taxa de 6% ao ano, além deste ser inaplicável à sanção imposta (multa de ofício). iii. Improcedência do arrolamento de bens A peça recursal aponta que o arrolamento de bens é descabido e ilegal. c. Pedidos Ao final requereu a juntada de provas e o acatamento das razões de defesa, tanto em preliminar como também no mérito, com o provimento do recurso voluntário interposto. V. CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA O julgamento foi convertido em diligência, fls. 4.205/4.206, para que a autoridade examinasse a vasta documentação juntada e identificasse eventuais transações entre contas de mesma titularidade, estornos e devoluções de cheques, tendo o fisco produzido em resposta, fls. 4.209/4.296, informação detalhada comprovando parte da origem do crédito lançado e apontando, ao final, a necessidade de retificação do IRPF inicialmente lançado de R$ 1.280.182,40 para R$ 1.075.733,36, acrescido este da multa de ofício de 75% e juros de mora à Taxa Selic. Oportunizada a manifestação, fls. 4.300/4.301, o recorrente alegou a fls. 4.304/4.307: (i) prescrição intercorrente; (ii) erros e vícios graves no lançamento apontados conforme diligência realizada, de natureza insanável, demonstrando a nulidade da exação; (iii) falta do Anexo VII apontado pela autoridade diligente, aparentemente se referindo aos movimentos de 2012 na Conta nº 20-5 do Banco Bradesco no total de R$ 54.307,41, devendo este ser também deduzido da base de cálculo do tributo lançado. Sem contrarrazões, é o relatório. VOTO Conselheiro Rodrigo Duarte Firmino, Relator I. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário interposto é tempestivo e obedece aos requisitos legais, portanto dele tomo conhecimento. A documentação de cópias juntadas a fls. 449/3.972 igualmente conheço, com fundamento no art. 16, §4º “a” e à luz da verdade material. Passo a analisar a preliminar de suscitada. II. PRELIMINAR Fl. 4317DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.659 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10640.722871/2015-91 8 a. Nulidade do lançamento – prova ilícita – quebra de sigilo bancário – requisição de movimentação financeira Argumenta o recorrente que a exação foi instruída a partir de prova ilícita obtida pela quebra do sigilo bancário nas informações carreadas aos autos a partir da requisição de movimentos financeiros junto às instituições bancárias. Quanto à alegada quebra de sigilo bancário, primeiramente há que se destacar que a autoridade tributária se utilizou de poderes de fiscalização permitidos em lei, portando aplico o precedente abaixo deste Conselho: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ( Súmula CARF nº 2) Ademais, trata a tese levantada pela defesa de tema já superado pela jurisprudência, pois o Supremo Tribunal Federal (STF) solucionou definitivamente a matéria, por ocasião do julgamento do RE nº 601.314, com repercussão geral (Tema 225), conforme se destaca parte da ementa do julgado: 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. (RE 601314, Relator(a): Min. EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 24/02/2016, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-198 DIVULG 15- 09-2016 PUBLIC 16-09- 2016) Examinando o lançamento em si, auto de infração de fls. 02/07, relatório fiscal e anexos, fls. 08/63, verifico que os requisitos legais de validade foram preenchidos, nos termos dispostos nos arts. 9º e 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, inexistindo causa de nulidade daquelas previstas no art. 59 deste. Sem razão. III. MÉRITO a. Inexistência de acréscimo patrimonial Entende que não houve comprovação efetiva da renda, sendo inaceitável o lançamento fundado exclusivamente em extratos bancários. Aduz que realizou operações comerciais em suas próprias contas bancárias, sem má fé, cujos recursos creditados foram utilizados no pagamento de boletos junto à fornecedores e inexistindo acréscimo patrimonial, com ofensa ao Princípio Constitucional do Não Confisco, sendo o valor do crédito exigido muito superior à capacidade contributiva. Fl. 4318DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.659 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10640.722871/2015-91 9 Argumenta que houve lançamento com base em valores que já possuía desde 2011, no montante de R$ 261.800,00, movimentados para a compra de imóvel e que foi posteriormente cancelada, sendo devolvido o dinheiro. Acrescenta que nem todos os movimentos entre contas de sua própria titularidade foram excluídos da base de cálculo utilizada no crédito, sendo tributado indevidamente o montante de R$ 1.218.047,65. Com efeito, o relato fiscal aponta que o recorrente foi intimado, mais de uma vez, a apresentar os extratos bancários, recebendo por respostas o pedido de dilação dos prazos, justificando a autoridade a requisitar referidos extratos diretamente das instituições bancárias, fls. 08/13. Dada a possibilidade para comprovar a origem do dinheiro recebido ao longo do período examinado, a autoridade descreve que o contribuinte não juntou uma única prova, motivando o lançamento tributário fundamentado no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. A partir da vasta documentação posteriormente juntada no recurso voluntário, fls. 449/3.972, aliada aos argumentos postos em referida peça de defesa, o julgamento foi então convertido em diligência para análise, fls. 4.205/4.206, tendo a fiscalização apresentado informação detalhada em que se comprovou parte da origem do crédito, dando conta da necessidade de retificação do IRPF inicialmente lançado de R$ 1.280.182,40 para R$ 1.075.733,36, acrescido este da multa de ofício de 75% e juros de mora à Taxa Selic, conforme se vê a fls. 4.206/4.296. O fundamento utilizado para a constituição do crédito em discussão é o art. 42, caput, da Lei nº 9.430, de 1.999: (Lei nº 9.430, de 1999) Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (grifo do autor) Para os argumentos de ofensa a princípios constitucionais aplico o precedente deste Conselho que abaixo transcrevo: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) A responsabilidade por infração à legislação tributária é objetiva, nos termos descritos no art. 136 do Código Tributário Nacional (CTN), portanto, independente de dolo como via de regra. Há que se compreender que a legislação tributária em estudo trouxe importantes atualizações para o contexto histórico e político vivido em meados da década de 1990. Os valores creditados em conta bancária, de origem não comprovada, omitem além da receita em si, a Fl. 4319DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.659 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10640.722871/2015-91 10 própria atividade, muitas vezes ilícita e em um contexto histórico de crescimento de crimes, especialmente os transnacionais, com o processo de globalização. A compreensão da real omissão, que é a atividade, faz entender o verdadeiro sentido e alcance do dispositivo legal em referência. Decompondo-se o caput do art. 42, infere-se que o titular da conta bancária, regularmente intimado, ou seja, dentro de um procedimento de ação de fiscalização estatal, deve comprovar a origem de recursos creditados por duas qualidades exigidas para a documentação, que seja hábil e idônea, ou seja, empregadas no sentido de capacidade, habilitação e adequação. A lei presume omissão de receita os valores creditados em conta bancária e inverte o ônus da prova para que o titular, pessoa física ou jurídica, comprove a origem dos recursos e é justamente neste momento que há possibilidade de demonstração do que realmente constitui renda ou não. Portanto, não é o fisco, mas o fiscalizado quem irá apontar, por documentos hábeis e idôneos, aquilo que efetivamente representa rendimento tributável, nos termos da regra matriz de incidência do tributo em exame, a Lei nº 7.713, de 1988, especificamente no art. 3º. Trata-se de uma condição jurídica imposta pela lei que presume renda valores creditados cuja origem não seja provada pelo seu titular, diferenciando da regra geral esculpida no art. 43 e 44 da Lei nº 5.172, de 1966, o Código Tributário Nacional, justamente por tratar, in casu, de norma específica que objetiva o combate também à evasão fiscal. Deste modo, baseado no exame detalhado e preciso da fiscalização, tenho por comprovada a origem lícita e idônea somente para aqueles créditos apontados pela autoridade diligente, fls. 4.206/4.296, nada mais. Razão parcial. b. Aplicação descabida da multa de ofício e de juros abusivos O recorrente se contrapõe à imposição da multa de 75%, por flagrante ilegalidade e violação ao Princípio Constitucional do Não Confisco, devendo ser reduzida ao patamar de 20% e aponta juros abusivos e extorsivos, sendo correta a taxa de 6% ao ano, além deste ser inaplicável à sanção imposta (multa de ofício). Tendo o fisco aplicado a multa de ofício de 75%, nos termos descritos pelo art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, não me pronuncio quanto ao argumento de confisco, nos termos da Súmula Carf nº 2 citada linhas acima e, para os demais argumentos, aplico os precedentes que abaixo transcrevo: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4) Fl. 4320DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.659 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10640.722871/2015-91 11 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Súmula CARF nº 108) Sem razão. c. Improcedência do arrolamento de bens A peça recursal aponta que o arrolamento de bens é descabido e ilegal, donde aplico o precedente deste Conselho que abaixo transcrevo: O órgão julgador administrativo não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a arrolamento de bens. ( Súmula CARF nº 109) Não pronunciamento. IV. CONCLUSÃO Quanto aos argumentos de (i) prescrição intercorrente; (ii) erros e vícios graves no lançamento apontados conforme diligência realizada; (iii) falha da autoridade diligente ao não juntar anexo (Anexo VII), aplico o enunciado que abaixo transcrevo quanto à suscitada prescrição, reforço meu entendimento que inexiste causa de nulidade na exação e entendo que o relatório conclusivo apresentado pelo fisco, fls. 4.209/4.296, aponta claramente os valores cuja origem foi efetivamente comprovada. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula CARF nº 11) Voto por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar parcial provimento ao recurso voluntário interposto para reduzir o IRPF de R$ 1.280.182,40 para R$ 1.075.733,36, com os acréscimos legais e a multa de ofício de 75%. É como voto. Assinado Digitalmente Rodrigo Duarte Firmino Fl. 4321DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10580.001794/91-73
Data da sessão: Thu Apr 15 00:00:00 UTC 1993
Data da publicação: Tue Dec 22 00:00:00 UTC 2009
Ementa: PIS-DEDUÇÃO-CONTRIBUIÇÃO-DECORRÊNCIA- Quando não infirmada a decorrência, a decisão adotada no processo matriz estende seus efeitos ao processo decorrente. É devida a contribuição para o PIS, calculado sobre o imposto de renda suplementar exigido e mantido no processo matriz instaurado contra a pessoa jurídica. Recurso não provido.
Numero da decisão: 108-00.127
Decisão: ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ADELMO MARTINS SILVA

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Numero do processo: 10983.901984/2008-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Jul 16 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Exercício: 2004 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO NA FONTE. ANTECIPAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. A retenção na fonte possui natureza de antecipação do tributo devido no período de apuração. A compensação ou restituição somente é cabível quando demonstrada a efetiva formação de crédito líquido e certo em nome do sujeito passivo, com prova idônea de sua não apropriação nas apurações de origem. Inexistindo tal comprovação, não se reconhece crédito passível de restituição ou compensação. COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO NA FONTE. DARF INEXISTENTE. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. A mera alegação de retenção na fonte não basta para amparar declaração de compensação. Ausente a demonstração de crédito líquido e certo em nome do contribuinte, e verificada a instrução do pedido com referência incompatível com o regime legal aplicável, impõe-se a não homologação da compensação.
Numero da decisão: 3402-013.042
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidas as conselheiras Mariel Orsi Gameiro (relatora), Alessandra Lessa dos Santos e Cynthia Elena de Campos, que votaram por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o crédito pleiteado nos termos da informação fiscal produzida a partir da diligência determinada pelo CARF. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José de Assis Ferraz Neto. Assinado Digitalmente José de Assis Ferraz Neto - Redator designado Assinado Digitalmente Arnaldo Diefenthaeler Dornelles - Presidente e Redator Ad Hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alessandra Lessa dos Santos, Anselmo Messias Ferraz Alves, Cynthia Elena de Campos, Jose de Assis Ferraz Neto, Mariel Orsi Gameiro, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente). Conforme o art. 58, inciso III, do RICARF, o Presidente da 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, Conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, designou-se redator ad hoc para formalizar o presente acórdão, dado que a relatora original, Conselheira Mariel Orsi Gameiro, não mais integra o CARF. Como redator ad hoc apenas para formalizar o acórdão, o Conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles serviu-se das minutas de ementa, relatório e voto inseridas pela relatora original no diretório oficial do CARF, a seguir reproduzidas.
Nome do relator: MARIEL ORSI GAMEIRO

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RETENÇÃO NA FONTE. ANTECIPAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. A retenção na fonte possui natureza de antecipação do tributo devido no período de apuração. A compensação ou restituição somente é cabível quando demonstrada a efetiva formação de crédito líquido e certo em nome do sujeito passivo, com prova idônea de sua não apropriação nas apurações de origem. Inexistindo tal comprovação, não se reconhece crédito passível de restituição ou compensação. COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO NA FONTE. DARF INEXISTENTE. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. A mera alegação de retenção na fonte não basta para amparar declaração de compensação. Ausente a demonstração de crédito líquido e certo em nome do contribuinte, e verificada a instrução do pedido com referência incompatível com o regime legal aplicável, impõe-se a não homologação da compensação. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidas as conselheiras Mariel Orsi Gameiro (relatora), Alessandra Lessa dos Santos e Cynthia Elena de Campos, que votaram por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o crédito pleiteado nos termos da informação fiscal produzida a partir Fl. 361DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.042 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.901984/2008-41 2 da diligência determinada pelo CARF. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José de Assis Ferraz Neto. Assinado Digitalmente José de Assis Ferraz Neto – Redator designado Assinado Digitalmente Arnaldo Diefenthaeler Dornelles – Presidente e Redator Ad Hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alessandra Lessa dos Santos, Anselmo Messias Ferraz Alves, Cynthia Elena de Campos, Jose de Assis Ferraz Neto, Mariel Orsi Gameiro, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente). Conforme o art. 58, inciso III, do RICARF, o Presidente da 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, Conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, designou-se redator ad hoc para formalizar o presente acórdão, dado que a relatora original, Conselheira Mariel Orsi Gameiro, não mais integra o CARF. Como redator ad hoc apenas para formalizar o acórdão, o Conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles serviu-se das minutas de ementa, relatório e voto inseridas pela relatora original no diretório oficial do CARF, a seguir reproduzidas. RELATÓRIO Por bem retratar os fatos e direitos debatidos no presente processo administrativo fiscal, peço vênia para me utilizar do relatório constante à Resolução nº 3402000.599: Versa este processo de Declaração de Compensação não homologada pela unidade de origem sob o fundamento de que inexistia o crédito informado, pois o DARF discriminado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Ou seja, o DARF indicado pela Recorrente como originário do pagamento indevido ou a maior não foi encontrado pela RFB. Cientificado da não homologação nos termos expostos no Despacho Decisório, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, trazendo fundamentos que lhe permitiam sustentar o direito a compensação na forma realizada, demonstrando haver origem para o crédito alegado. A DRJ/FNS, sem fazer qualquer análise da retenção na fonte realizada pela UFSC em nome da Recorrente, não acatou os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade aduzindo a Recorrente não fazia jus ao ressarcimento em vista da Fl. 362DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.042 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.901984/2008-41 3 inobservância da “forma” com que realizou a compensação, ou seja, sem que tivesse retificado as respectivas DACON e DCTF´s dos períodos em que teriam havidos os supostos indébitos. Cientificada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário alegando que nunca teria utilizado o crédito proveniente do valor da retenção, e que esta se trataria de uma forma de pagamento, vez que é feita pela fonte pagadora, diretamente nas contas públicas, com recursos que retém da Recorrente. Em análise ao Recurso interposto, às fls.77 – numeração eletrônica, o julgamento foi convertido em diligência, sendo que pela Resolução nº 340100.146, da 1ª Turma, da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, em que o relator Odassi Guerzoni Filho, restou determinado para que a Unidade de origem agora sabendo do que trata o pedido da interessada, sobre ele se manifeste, facultando à mesma a oportunidade para também manifestar-se, no prazo de trinta dias. Cientificada da Resolução retro descrita, a unidade preparadora, após solicitar inúmeros documentos ao sujeito passivo, apresentou sua conclusão através do Despacho de fls. 314 a 317 – numeração eletrônica, concluindo que o contribuinte descumpriu legislação tributária pelo fato de ter deixado de retificar suas declarações para fazer constar os valores retidos pela UFSC, e que, por este descumprimento e por ser a atividade fiscal plenamente vinculada, posicionou-se no sentido de dar “[...] por encerrada a diligência requerida com manifestação no sentido de que inexiste o direito creditório pleiteado na Dcomp no 28723.71100.140504.1.3.047725.” Ainda, entendeu “[...] inexistir suporte fático e jurídico para a homologação da compensação versada na Declaração de Compensação (DCOMP) n° 28723.71100.140504.1.3.047725”. É, sucintamente, o Relatório. O processo foi baixado em diligência, no julgamento ocorrido no dia 25 de setembro de 2013, pela Resolução 3402-000.601, sob os seguintes termos: Desta forma, assim como os registros de créditos indevidos não fazem nascer créditos, tenho que a falta de registro de créditos não se lhes podem tolher, pelo que persiste a necessidade de se apurar a real base de cálculo dos tributos em questão, para se aferir a existência ou não do indébito tributário em discussão nos autos, restando esta providência, já cumprimento. Sendo assim, voto no sentido de converter novamente o julgamento em diligencia para determinar o retorno dos autos à unidade de origem, para: a) que se cumpra a diligência nos termos em que foi solicitada, analisando os documentos a fim de se verificar indébito da Recorrente; b) após, seja dado vistas do “Relatório Final da Diligência” ao sujeito passivo, para que, querendo, se manifeste no prazo de no mínimo 30 (trinta) dias, retornando os autos para reinclusão em pauta de julgamento neste Conselho Retorna o processo para julgamento após juntada da informação fiscal suscitada. Fl. 363DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.042 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.901984/2008-41 4 É o relatório. VOTO VENCIDO Conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Redator ad hoc Como Redator ad hoc, sirvo-me da minuta de voto inserida pela relatora original, Conselheira Mariel Orsi Gameiro, no diretório oficial do CARF, a seguir reproduzida, cujo posicionamento adotado não necessariamente coincide com o meu. O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo integral conhecimento. Cinge-se a controvérsia no pedido de compensação oriundo da Declaração de Compensação (DCOMP) nº 28723.71100.140504.1.3.04-7725, donde requer a compensação de parcela de débito da COFINS (período de apuração – abril/04), com a utilização de crédito relativo a suposto pagamento a maior de COFINS, decorrente de retenção promovida em benefício da recorrente, na data de 16/07/2002, nos termos do art. 64 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O processo foi baixado em diligência e retornou com a seguinte informação fiscal: Trata-se de diligência proposta pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, por meio da Resoluçãonº 3402-000.601, de 25/09/2013, no curso de apreciação de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em epígrafe, no que concerne à Declaração de Compensação (DCOMP) nº 28723.71100.140504.1.3.04-7725, donde requer a compensação de parcela de débito da COFINS (período de apuração – abril/04), com a utilização de crédito relativo a suposto pagamento a maior de COFINS, decorrente de retenção promovida em benefício da recorrente, na data de 16/07/2002, nos termos do art. 64 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Na presente diligência, busca o CARF que esta Unidade da Receita Federal do Brasil (RFB), emita parecer conclusivo sobre a existência ou não de pagamento indevido ou a maior, em sendo consideradas as retenções efetuadas, e, consequentemente, sobre a legitimidade do procedimento de compensação realizado, respondendo se houve ou não compensação com os montantes devidos, elaborando demonstrativo com os valores retidos, compensados e os saldos porventura disponíveis. Com efeito, cumpre destacar, de início, a existência de retenção em benefício da recorrente, equivalente à quantia de R$ 30.221,29 (código 6147)1 , a qual foi realizada pela fonte pagadora Universidade Federal de Santa Catarina (CNPJ 83.899.526/0001-82), o qual foi obtido por meio de diligência outrora realizada por esta Unidade junto àquela fonte pagadora (fls. 348/349). Fl. 364DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.042 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.901984/2008-41 5 O artigo 64 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, determina que os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, estão sujeitos à incidência, na fonte, do Imposto sobre a Renda (IR), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e da Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e ao Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP). Como é cediço, as retenções efetuadas por órgão da administração pública, por determinação da Lei nº 9.430/1996, englobam diversos tributos e contribuições. Dessa feita, no total retido sob o código de receita 6147, é imperioso destacar que há uma parcela de IR, de CSLL, de COFINS e de PIS/PASEP. A Instrução Normativa SRF/STN/SFC nº 28, de 1º de março de 1999, regulamentou no período de 01/02/1999 a 07/03/2001, as alíquotas aplicáveis às retenções de impostos e contribuições de competência da União a serem retidos por órgãos da administração pública. No período de 08/03/2001 a 02/2003 vigorou a Instrução Normativa SRF/STN/SFC nº 23, de 2 de março de 2001. Essas normas dispunham que a retenção sob o código de receita 6147 deveria ser efetuada no percentual total de 5,85% dos rendimentos pagos ao contribuinte, sendo que desse percentual a parcela relativa a COFINS corresponde a 3,0%. Dessa forma, do montante retido sob o código de receita 6147, somente 51,28% correspondem a COFINS. Em consulta aos Sistemas da RFB, notadamente o DIPJ, verifica-se que a recorrente teria, de fato, deixado de se valer da faculdade de dedução do valor relativo à COFINS retida na fonte, nos termos do art. 64, § 3º, da Lei nº 9430/1996, consoante se verifica do cálculo da COFINS (abril/2003), extraída da DIPJ 2004. Outrossim, verifica-se que o recorrente não providenciou a retificação de sua Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Na DCOMP nº 28723.71100.140504.1.3.04-7725, a recorrente informou um DARF que não existe, isso porque quem recolhe o DARF, na retenção no código de receita 6147, é a fonte pagadora dos rendimentos e não o beneficiário da retenção. No entanto, a retenção alegada confere com o valor constante do comprovante de rendimentos apresentado. E, conforme já exposto, do montante de R$ 30.221,29, retido sob o código de receita 6147, a quantia de R$ 15.498,10 corresponde à COFINS. A rigor, entendemos, s.m.j, que o procedimento adotado pela recorrente, ou seja, buscar restituir e/ou compensar suposto crédito decorrente de retenção na fonte antecipação como sendo pagamento indevido ou a maior (sem que tais valores tivessem sido deduzidos na apuração da contribuição), não justifica a natureza jurídica de indébito. Fl. 365DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.042 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.901984/2008-41 6 Porém, considerando a uma, que, da análise da Declaração de Informações Econômico Fiscais (período de apuração abril/2003), não existe a informação de que teria sido deduzida referida quantia, e, a duas, os entendimentos firmados noutros processos, que reconheceram a existência de indébito nessas condições, a exemplo do recurso voluntário provido, no ponto, no bojo do Processo nº 10983.901218/2008-86, promovemos a apuração do crédito, a consideração da autoridade julgadora, com a respectiva imputação aos débitos da DCOMP sob análise. Na compensação feita na DCOMP em tela, a contribuinte utilizou a taxa de correção 19,62%. Essa taxa engloba a SELIC de maio/2003 (de 1,97%), utilizada indevidamente, porque considera que o pagamento indevido teria ocorrido em abril/2003. O correto é posicionar o pagamento indevido em maio/2003 (data de recolhimento da COFINS de abril/2003). Assim procedendo, a taxa de correção seria 17,65%. Feita a alocação do crédito da COFINS (R$ 15.498,10 posicionado em maio/2003) ao débito compensado na DCOMP, verifica-se que o crédito seria suficiente para suportar a quase totalidade da compensação declarada, restando em aberto a quantia de R$ 305,32. Diante do exposto, e considerando que o contribuinte apresentou comprovante relativo à retenção na fonte alegada na DCOMP, tendo a fonte pagadora dos rendimentos confirmado a ocorrência da retenção, a presente diligência conclui no sentido de que, do montante retido, a quantia de R$ 15.498,10 seria referente a COFINS. Posicionado o crédito na data correta (maio/2003), o valor seria suficiente para suportar a compensação da quase totalidade do débito indicado na DCOMP, restando em aberto a parcela de R$ 305,32. Cientifique-se o contribuinte deste despacho, para, assim o desejando, contrapor o quanto alegado. Decorridos 30 (trinta) dias da ciência, havendo, ou não, a juntada de manifestação, devolva-se o presente processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para seguimento do Recurso Voluntário. Nesse sentido, acato integralmente a diligência, e julgo parcialmente procedente o recurso voluntário, nos termos da informação fiscal. Assinado Digitalmente Arnaldo Diefenthaeler Dornelles VOTO VENCEDOR José de Assis Ferraz Neto, redator designado Fl. 366DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.042 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.901984/2008-41 7 Acompanho o relatório quanto aos fatos. Divirjo, no entanto, do entendimento da ilustre relatora, por não reconhecer, no caso concreto, a existência de crédito de indébito apto a amparar a compensação declarada. O art. 64 da Lei nº 9.430/1996 atribui às retenções na fonte efetuadas por órgãos públicos natureza de antecipação, dispondo, em seu § 3º, que “o valor retido na forma deste artigo será deduzido do imposto e das contribuições devidas pela pessoa jurídica beneficiária, relativamente ao período de apuração em que houver ocorrido a retenção”. Já o art. 74 da mesma lei permite a compensação apenas de crédito “passível de restituição ou compensação”, isto é, crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, devidamente apurado, líquido e certo. Portanto, a retenção na fonte em debate tem natureza de antecipação: deve, primeiramente, ser deduzida do tributo devido no próprio período de apuração. Apenas eventual excedente, após essa confrontação, poderia, em tese, dar origem a crédito a favor do contribuinte. Art. 64. Os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, estão sujeitos à retenção, na fonte, do imposto de renda e das contribuições sociais de que trata este artigo, na forma e condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal. E o § 3º do mesmo artigo estabelece: § 3º O valor retido na forma deste artigo será deduzido do imposto e das contribuições devidas pela pessoa jurídica beneficiária, relativamente ao período de apuração em que houver ocorrido a retenção. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de compensação, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições sob administração da Secretaria da Receita Federal. As instruções normativas da Receita Federal, em especial a IN SRF/STN/SFC nº 23/2001 e a IN SRF nº 306/2003, disciplinam as retenções e autorizam a compensação “dos valores retidos [...] com o imposto e contribuições de mesma espécie, devidos relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção”, mediante aplicação das alíquotas individuais sobre o valor da fatura. Daí resulta que a retenção deve ser primeiro apropriada nas apurações de origem; eventual excedente, corretamente demonstrado nas declarações (inclusive via retificação), é que pode se tornar crédito compensável na forma do art. 74. IN SRF nº 306, de 12/03/2003 Art. 5º Os valores retidos na forma desta Instrução Normativa poderão ser compensados pelo contribuinte com o imposto e contribuições de mesma Fl. 367DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.042 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.901984/2008-41 8 espécie, devidos relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção. Parágrafo único. O valor do imposto ou das contribuições a ser compensado será determinado mediante aplicação das respectivas alíquotas sobre o valor da fatura. Tal circunstância comprova procedimento incompatível com a legislação de regência e impede reconhecer a existência de pagamento indevido ou a maior em nome da contribuinte, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, afastando a liquidez e certeza do crédito alegado, sem que seja necessário atribuir qualquer juízo subjetivo quanto à intenção do contribuinte. Esse ponto, a meu ver, é decisivo: não há, nos sistemas da Receita Federal, documentação que comprove pagamento indevido ou a maior em nome do sujeito passivo. A compensação foi instruída com número de DARF inexistente, em desacordo com o modelo do art. 74, que pressupõe crédito decorrente de pagamento efetivamente realizado pelo contribuinte e passível de restituição ou compensação. Há decisões no CARF no sentido de que a retenção na fonte constitui antecipação do tributo devido no período de apuração, mas a sua utilização em pedido de restituição ou compensação exige a demonstração da efetiva formação do crédito em nome do sujeito passivo, com prova idônea de que a retenção não foi apropriada na apuração original. Nessa linha, não basta a simples referência à retenção, sendo necessário comprovar a existência de crédito líquido e certo, passível de restituição ou compensação, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/1996. A própria diligência conclui que o procedimento adotado não justifica a natureza jurídica de indébito. Ou seja, a mera existência de retenção não apropriada, sem recomposição das declarações e com indicação de DARF inexistente, não se converte, por si, em crédito de indébito compensável via declaração de compensação. A rigor, entendemos, s.m.j, que o procedimento adotado pela recorrente, ou seja, buscar restituir e/ou compensar suposto crédito decorrente de retenção na fonte antecipação como sendo pagamento indevido ou a maior (sem que tais valores tivessem sido deduzidos na apuração da contribuição), não justifica a natureza jurídica de indébito. É verdade que, por consideração a entendimentos firmados em outros processos, a diligência apura, em caráter subsidiário, qual seria o valor do crédito caso se viesse a reconhecer o indébito. Esse cálculo, contudo, é apresentado apenas “à consideração da autoridade julgadora” e não altera o juízo jurídico anterior de que, “a rigor”, não há natureza de indébito. Diante disso, entendo que, enquanto a retenção do art. 64 não for corretamente apropriada nas apurações de origem, refletida nas declarações e demonstrada com documentos idôneos em nome do contribuinte, não se forma crédito líquido e certo “passível de restituição ou compensação”, na forma do art. 74. A tentativa de tratar diretamente a retenção bruta, com Fl. 368DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.042 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.901984/2008-41 9 indicação de DARF inexistente, como pagamento indevido ou a maior, não encontra amparo no regime legal e infralegal aplicável. Por essas razões, voto em negar provimento ao Recurso Voluntário a fim de não homologar a compensação declarada, mantendo o débito tributário conforme apurado. Assinado Digitalmente José de Assis Ferraz Neto Fl. 369DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Vencido Voto Vencedor

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