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11453148 #
Numero do processo: 10935.721718/2015-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 10 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Aug 06 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2014 RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. O recurso voluntário deve ser apresentado no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão, conforme previsão constante do artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972. Eventual recurso formalizado em inobservância ao prazo legal deve ser tido por intempestivo, do que resulta o seu não conhecimento e o caráter de definitividade da decisão proferida pelo julgador de primeira instância.
Numero da decisão: 2301-012.231
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestividade. Assinatura Digital CARLOS EDUARDO ÁVILA CABRAL - Relator Assinatura Digital Diogo Cristian Denny - Presidente Participaram do presente julgamento os conselheiros Flavia Lilian Selmer Dias, Carlos Eduardo Avila Cabral, Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Marcelle Rezende Cota, Christianne Kandyce Gomes Ferreira de Mendonca e Diogo Cristian Denny.
Nome do relator: CARLOS EDUARDO AVILA CABRAL

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INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. O recurso voluntário deve ser apresentado no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão, conforme previsão constante do artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972. Eventual recurso formalizado em inobservância ao prazo legal deve ser tido por intempestivo, do que resulta o seu não conhecimento e o caráter de definitividade da decisão proferida pelo julgador de primeira instância. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestividade. Assinatura Digital CARLOS EDUARDO ÁVILA CABRAL – Relator Assinatura Digital Diogo Cristian Denny – Presidente Participaram do presente julgamento os conselheiros Flavia Lilian Selmer Dias, Carlos Eduardo Avila Cabral, Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Marcelle Rezende Cota, Christianne Kandyce Gomes Ferreira de Mendonca e Diogo Cristian Denny. Fl. 330DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-012.231 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721718/2015-31 2 RELATÓRIO Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo trechos do relatório da decisão ora recorrida: 3. O contribuinte identificado em epígrafe está sendo autuado através do Auto de Infração DEBCAD n° 51.080.121-8 a recolher à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), débito no montante de R$ 1.690.473,02, referente à multa isolada aplicada em razão de compensações indevidas efetuadas em GFIP conforme ficará demonstrado nos parágrafos seguintes. (...) 6. Durante a fase preparatória da ação fiscal, verificou-se que o órgão público declarou compensações de contribuições previdenciárias, informando-as nas GFIP (Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) conforme demonstrado no quadro abaixo: (Tabela de fl. 256) 7. Em atenção à Notificação 023/DRF/CVL/2015 (fl. 47), relativa à auditoria de compensações previdenciárias, a prefeitura municipal protocolou expedientes no dia 18 de maio de 2015 (fls. 02/36 e fls. 37/151), onde informa que parte dos valores compensados (competências 08/2012, 09/2012 e 10/2012) refere-se ao percentual da contribuição devida para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho - RAT. O órgão público entende que a alíquota do RAT é de 1% quando o correto é de 2% conforme consta do Anexo V do Regulamento da Previdência Social, onde se verifica que desde 06/2007, quando passou a vigorar a redação prevista no Decreto 6.042 de 12/02/2007, a alíquota RAT para o código - CNAE "8411-6/00 -Administração Pública em Geral" corresponde ao percentual de 2% (dois por cento). Esta alíquota foi mantida na redação atual dada pelo Decreto 6.957/2009. 8. A prefeitura municipal informou, ainda, que outra .parte das compensações efetuadas em GFIP (competências 11/2013, 12/2013, 13/2013, 01/2014, 03/2014, 11/2014 e 12/2014) referem-se a parcelas das remunerações pagas, as quais o órgão público entende que não deve haver incidência de contribuição previdenciária, pois teriam o caráter indenizatório, segundo o seu entendimento. Desta feita, a prefeitura considerou que os pagamentos aos seus segurados empregados a título de Terço Constitucional Férias e Subsídios de Agentes Políticos, deviam ficar de fora da base de incidência da contribuição previdenciária. Na resposta encaminhada pela Prefeitura Municipal, foram anexadas planilhas contendo os detalhamentos dos créditos separadas por rubricas, nas quais estão consignados os valores das verbas consideradas Fl. 331DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-012.231 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721718/2015-31 3 indenizatórias, os valores das contribuições previdenciárias (20%), as competências a que se referem e os valores atualizados. 9. Na análise de tal documentação, verifica-se de imediato que nos valores planilhados como "adicionais de férias" foram incluídas indevidamente outras verbas. A título de exemplo, observe-se que no valor do adicional de férias considerado pela Prefeitura para o período 01/2010 (R$ 198.843,49 - fls. 50, 54, 58 e 62) foram extraídas do correspondente Demonstrativo da Folha Completa (fl. 86), além da própria verba referente ao terço de férias (R$ 48.426,00), também as verbas relativas às férias (145.279,26), às férias médias (R$ 3.853,82) e ao terço de férias médias (R$ 1.284,41). Tal procedimento pode ser constatado também nos demais períodos compensados, fazendo com que a maior parte das compensações se tornem improcedentes antes mesmo da análise da legitimidade da compensação do terço constitucional de férias. º (...) 15. Considerando que as compensações efetuadas estão em desacordo com as normas vigentes e foram informadas indevidamente nas GFIPS, foram procedidas as glosas através do Despacho Decisório nº 509, no Processo Administrativo nº 10935.721494/2015-67. 16. O Artigo 89 da Lei 8.212/1991 dispõe sobre os requisitos legais para a compensação com créditos previdenciários. 17. É de se notar pelo texto legal que somente poderão ser compensadas as contribuições previdenciárias na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. A prefeitura municipal compensou em GFIP valores que não foram pagos indevidamente, pois os valores devidos de RAT e a contribuição previdenciária incidente sobre os valores das remunerações que a prefeitura considerou como sendo verbas indenizatórias tem respaldo legal para sua cobrança e não podem ser simplesmente declaradas como pagamento indevido. (...) Devido a compensação indevida apurada nos autos do PAF nº 10935.721494/2015- 67, com fundamento no § 10, do art. 89 da Lei nº 8.212/91, o presente feito trata de auto de infração sobre a aplicação de multa isolada no importe de 150%. A DRJ, ao apreciar a impugnação ofertada pelo sujeito passivo, decidiu por julgar improcedente e manter integralmente o crédito tributário. Eis a decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2014 APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE Não cabe a esta instância julgadora apreciar argumentos de inconstitucionalidade e ilegalidade de norma por ser matéria reservada ao Poder Judiciário. Fl. 332DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-012.231 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721718/2015-31 4 DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias à orientação estabelecida para a administração direta e autárquica em atos de caráter normativo ordinário. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Na hipótese de compensação indevida e uma vez presente a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, impõe-se a aplicação da multa isolada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Cientificado da decisão de primeira instância em 14/07/2021 (fl. 277), o sujeito passivo interpôs Recurso Voluntário em 19/08/2021 (fl. 278), alegando a improcedência da decisão recorrida. À fl. 325 há informação sobre a intempestividade do recurso interposto. Após sobrestamento (fl. 327), o feito foi devolvido para prosseguimento considerando o trânsito em julgado do RE 1.072.485/PR, que versem sobre a questão presente no Tema nº 985 do ementário da Repercussão Geral – a natureza jurídica do terço constitucional de férias, indenizadas ou gozadas, para fins de incidência da contribuição previdenciária patronal –, nos termos do art. 1.035, § 5º, do CPC. É o relatório. VOTO Conselheiro CARLOS EDUARDO ÁVILA CABRAL, Relator O Recurso Voluntário apresentado não deve ser conhecido face sua intempestividade. O documento de fl. 277 noticia que o sujeito passivo foi cientificado da decisão da DRJ em 14/07/2021. O recurso voluntário só foi interposto em 19/08/2021, conforme documento de fl. 278. Não há qualquer carimbo ou prova de postagem do recurso em data anterior a registrada na fl. 278. No Recurso Voluntário apresentado, não foram trazidas alegações acerca da tempestividade do recurso. Fl. 333DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-012.231 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721718/2015-31 5 Ademais, como anotado no relatório do presente voto, à fl. 325 consta anotação atestando a intempestividade do recurso interposto exarada pela Equipe de Gestão do Crédito Tributário e do Direito Creditório da 9ªRF – EQRAT, da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil – 9ª RF. Considerando que o art. 33 do Decreto nº 70.235/72 estabelece o prazo de 30 dias para interposição de recurso, contados da ciência da decisão, é inquestionável a sua intempestividade. CONCLUSÃO. Por todo o exposto, voto por não conhecer do Recurso Voluntário intempestivo. Assinado Digitalmente CARLOS EDUARDO ÁVILA CABRAL Fl. 334DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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11415034 #
Numero do processo: 10467.720038/2013-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 25 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2026
Numero da decisão: 3401-003.057
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. Assinado Digitalmente Laura Baptista Borges – Relatora Assinado Digitalmente Leonardo Correia Lima Macedo – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ana Paula Pedrosa Giglio, Celso Jose Ferreira de Oliveira, Laercio Cruz Uliana Junior, Laura Baptista Borges, Mateus Soares de Oliveira e Leonardo Correia Lima Macedo (Presidente).
Nome do relator: LAURA BAPTISTA BORGES

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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. Assinado Digitalmente Laura Baptista Borges – Relatora Assinado Digitalmente Leonardo Correia Lima Macedo – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ana Paula Pedrosa Giglio, Celso Jose Ferreira de Oliveira, Laercio Cruz Uliana Junior, Laura Baptista Borges, Mateus Soares de Oliveira e Leonardo Correia Lima Macedo (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão proferido pela DRJ/BEL, que julgou improcedente a Impugnação apresentada. Na origem, trata-se de Auto de infração lavrado contra estabelecimento da Recorrente, decorrente do aproveitamento irregular de três categorias de créditos de IPI. A impugnação foi apresentada tempestivamente em março de 2013 e, em julgamento, a DRJ julgou improcedente as alegações em acórdão assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/02/2008 a 31/12/2009 Fl. 866DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3401-003.057 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10467.720038/2013-00 2 NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS ISENTOS. No direito tributário brasileiro, o princípio da não-cumulatividade é implementado por meio da escrita fiscal, com crédito do valor do imposto efetivamente pago na operação anterior e débito do valor devido nas operações posteriores. Assim, o direito ao crédito do IPI, regra geral, condiciona-se a que as aquisições de insumos utilizados no processo de industrialização tenham sido efetivamente oneradas pelo imposto, excluindo-se, portanto, as aquisições isentas. CRÉDITO. INSUMOS. Somente geram direito ao crédito do imposto os materiais que se enquadrem no conceito jurídico de insumo, ou seja, aqueles que se desgastem ou sejam consumidos mediante contato físico direto com o produto em fabricação. CRÉDITO. MONOFÁSICO. A aquisição de produtos acabados sujeitos ao regime monofásico está fora das hipóteses geradoras de crédito do IPI. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” A Recorrente interpôs, assim, seu Recurso Voluntário, estruturado nos seguintes tópicos: 1. ILEGITIMIDADE DA GLOSA DOS CRÉDITOS DE INSUMOS ORIGINÁRIOS DA ZFM. JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 592.891 SOB A SISTEMÁTICA DE REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO IMEDIATA; 2. DIREITO AOS CRÉDITOS SOBRE MATÉRIAS PRIMAS E PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. INDEVIDA INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA; e 3. DESCABIMENTO DA COBRANÇA DO IPI A PARTIR DA GLOSA DOS CRÉDITOS ORIGINÁRIOS DAS MERCADORIAS SUJEITAS AO REGIME MONOFÁSICO. O IMPOSTO FOI RECOLHIDO NA SAÍDA DAS MERCADORIAS. HAVERIA, NO MÁXIMO, POSTERGAÇÃO NO SEU PAGAMENTO. É o relatório. VOTO Conselheira Laura Baptista Borges, Relatora. O Recurso Voluntário é tempestivo, entretanto, entendo que ainda não se encontra maduro para julgamento. Fl. 867DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3401-003.057 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10467.720038/2013-00 3 DO DESCABIMENTO DA COBRANÇA DO IPI A PARTIR DA GLOSA DOS CRÉDITOS ORIGINÁRIOS DAS MERCADORIAS SUJEITAS AO REGIME MONOFÁSICO. O IMPOSTO FOI RECOLHIDO NA SAÍDA DAS MERCADORIAS. HAVERIA, NO MÁXIMO, POSTERGAÇÃO NO SEU PAGAMENTO. A Recorrente impugna a glosa de créditos de IPI decorrentes da entrada de bebidas prontas para consumo sujeitas ao regime monofásico de tributação, adquiridas de outros estabelecimentos do mesmo grupo econômico para posterior revenda ou transferência a centros de distribuição. Sustenta que o IPI foi efetivamente debitado e recolhido nas saídas subsequentes, tanto pelo próprio estabelecimento autuado quanto pelos centros de distribuição destinatários, de modo que manter a glosa importaria em exigência do mesmo tributo duas vezes sobre as mesmas operações, configurando bis in idem vedado pelo ordenamento. Apresenta laudo da KPMG atestando que 99,16% dos produtos monofásicos cujos créditos foram glosados foram posteriormente oferecidos à tributação na saída e requer a realização de diligência para verificação desse percentual. Entendo que a questão não envolve o direito ao crédito na entrada de produto monofásico, mas algo distinto e mais específico: saber se houve efetiva falta de recolhimento do tributo capaz de justificar o lançamento de ofício. A lógica do auto de infração pressupõe que a glosa do crédito indevido, ao reconstituir a escrita fiscal, revele saldo a pagar. Mas se o estabelecimento, ao dar saída às mesmas mercadorias, debitou e recolheu o IPI correspondente, o resultado é que o tributo já foi recolhido, ainda que por via operacional diversa da prevista no regime monofásico, e a exigência adicional decorrente da glosa do crédito de entrada representaria dupla cobrança sobre a mesma base. A jurisprudência deste Conselho tem enfrentado essa questão em casos envolvendo a própria recorrente, determinando diligência para apuração do percentual de produtos monofásicos que foram objeto de débito na saída, e cancelando o lançamento na proporção comprovada. É o que resulta, entre outros, dos Acórdãos 3302-007.763 e 3402-003.810, nos quais se assentou que, restando comprovado que o contribuinte debita os impostos na saída dos produtos em alienação a terceiros, oferecendo à tributação tudo quanto devido pelo regime monofásico, não existe falta de pagamento do imposto a ensejar a cobrança do IPI. O laudo da KPMG apresentado pela Recorrente constitui indício relevante que não pode ser simplesmente desconsiderado sem análise e, assim, por entender verossímeis as alegações da Recorrente demonstradas em sua peça recursal e ante a documentação comprobatória juntada aos autos, proponho a conversão do julgamento em diligência para fins de que a Unidade de Origem: Fl. 868DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3401-003.057 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10467.720038/2013-00 4 1) Intime a Recorrente para fazer prova cabal de sua alegação de glosa de créditos em operações posteriormente sujeitas a indevido débito na saída, alertando-se o contribuinte de que a atividade de provar não se limita a simplesmente juntar documentos nos autos, sem a necessária conciliação entre os registros contábeis fiscais e os documentos que os legitimam; 2) Com base na prova produzida nesses termos pelo contribuinte, reconstitua- se a escrita fiscal dos períodos de apuração alvo, excluindo-se os débitos porventura indevidamente lançados; 3) Elabore parecer conclusivo indicando; e 4) Intime a Recorrente do resultado da diligência, sendo-lhe concedido o prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação e considerações, após o qual o processo deverá retornar a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para prosseguimento do julgamento. É a resolução. Assinado Digitalmente Laura Baptista Borges Fl. 869DF CARF MF Original Resolução Relatório Voto

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Numero do processo: 10510.722594/2019-25
Turma: Quarta Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 01 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Aug 04 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2015 DESPESAS FINANCEIRAS. MÚTUOS PASSIVOS ONEROSOS. CONCESSÃO CONCOMITANTE DE RECURSOS GRATUITOS A PARTES RELACIONADAS. INDEDUTIBILIDADE. São indedutíveis na apuração do lucro real os encargos financeiros incorridos pela pessoa jurídica em captações onerosas, na proporção dos recursos disponibilizados a terceiros e a partes relacionadas sem a cobrança de remuneração equivalente. Nessa hipótese, a despesa não atende aos requisitos de necessidade, usualidade e normalidade exigidos pelo art. 47 da Lei nº 4.506/64 e pelo art. 299 do RIR/99, por não se relacionar com a manutenção da fonte produtora dos rendimentos da própria captante. MÉTODO DE APURAÇÃO. MÉDIA DOS SALDOS CONTÁBEIS. VALIDADE. AUSÊNCIA DE OFENSA AO PRAZO DECADENCIAL. É válido o critério de quantificação da parcela indedutível baseado na média percentual dos saldos do ativo realizável em relação ao passivo não circulante verificados no exercício fiscalizado. O objeto da glosa é a dedução indevida promovida na apuração do período fiscalizado, e não as operações de exercícios anteriores, de modo que a incorporação de saldos de origem pretérita não desloca o lançamento para período alcançado pela decadência. QUALIFICAÇÃO DAS OPERAÇÕES. MÚTUO OU CONTA CORRENTE. IRRELEVÂNCIA PARA A DEDUTIBILIDADE. A distinção entre contrato de mútuo e contrato de contracorrente é irrelevante para o exame da dedutibilidade das despesas financeiras. Independentemente da qualificação do instrumento pelo qual os recursos foram disponibilizados às partes relacionadas, o fato tributariamente relevante é a existência de encargos suportados sobre recursos não empregados na atividade própria da contribuinte, o que afasta o requisito da necessidade.
Numero da decisão: 1004-000.426
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Jandir Jose Dalle Lucca - Relator Assinado Digitalmente Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Luis Henrique Marotti Toselli, Jandir José Dalle Lucca e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: JANDIR JOSE DALLE LUCCA

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MÚTUOS PASSIVOS ONEROSOS. CONCESSÃO CONCOMITANTE DE RECURSOS GRATUITOS A PARTES RELACIONADAS. INDEDUTIBILIDADE. São indedutíveis na apuração do lucro real os encargos financeiros incorridos pela pessoa jurídica em captações onerosas, na proporção dos recursos disponibilizados a terceiros e a partes relacionadas sem a cobrança de remuneração equivalente. Nessa hipótese, a despesa não atende aos requisitos de necessidade, usualidade e normalidade exigidos pelo art. 47 da Lei nº 4.506/64 e pelo art. 299 do RIR/99, por não se relacionar com a manutenção da fonte produtora dos rendimentos da própria captante. MÉTODO DE APURAÇÃO. MÉDIA DOS SALDOS CONTÁBEIS. VALIDADE. AUSÊNCIA DE OFENSA AO PRAZO DECADENCIAL. É válido o critério de quantificação da parcela indedutível baseado na média percentual dos saldos do ativo realizável em relação ao passivo não circulante verificados no exercício fiscalizado. O objeto da glosa é a dedução indevida promovida na apuração do período fiscalizado, e não as operações de exercícios anteriores, de modo que a incorporação de saldos de origem pretérita não desloca o lançamento para período alcançado pela decadência. QUALIFICAÇÃO DAS OPERAÇÕES. MÚTUO OU CONTA CORRENTE. IRRELEVÂNCIA PARA A DEDUTIBILIDADE. A distinção entre contrato de mútuo e contrato de contracorrente é irrelevante para o exame da dedutibilidade das despesas financeiras. Fl. 305DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.426 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10510.722594/2019-25 2 Independentemente da qualificação do instrumento pelo qual os recursos foram disponibilizados às partes relacionadas, o fato tributariamente relevante é a existência de encargos suportados sobre recursos não empregados na atividade própria da contribuinte, o que afasta o requisito da necessidade. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Jandir Jose Dalle Lucca – Relator Assinado Digitalmente Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Luis Henrique Marotti Toselli, Jandir José Dalle Lucca e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). RELATÓRIO 1.Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão de fls. 262/273, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário em litígio. 2.Para melhor compreensão sobre a matéria versada nos autos e por bem descrever os fatos, consulte-se o Relatório da r. decisão recorrida: Contra a contribuinte em epígrafe, foram lavrados Autos de Infração - AI - de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) por reapuração de compensação de prejuízos e bases negativas de CSLL e de Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros, ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários (IOF), no valor de 4.346.894,36, já incluídos multa de ofício e juros de mora. A constituição do crédito tributário em litígio neste processo ocorreu no âmbito de procedimento fiscal em que houve lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS/PASEP, COFINS e IOF conforme tabela abaixo: Fl. 306DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.426 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10510.722594/2019-25 3 A - DO PROCEDIMENTO FISCAL Reporto-me ao Relatório Fiscal - RF - de fls. 12 a 20, no qual o agente fiscal detalha todo o procedimento adotado durante os trabalhos de auditoria, que, ao final, resultou nos presentes lançamentos. Informa a Fiscalização que, após intimar a interessada requerendo documentos/esclarecimentos constatou a ocorrência de Despesas Financeiras não Dedutíveis, decorrente da existência de contratos de mútuo no passivo, tendo a NORCON como mutuaria, ao mesmo tempo, existiram contratos de mútuo no ativo tendo a NORCON como mutuante, que respectivamente, provocaram indevidamente vários lançamentos contábeis de deduções de despesas financeiras, proporcionalmente superiores aos das receitas financeiras em sua apuração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Segundo a Autoridade Fiscal, as despesas financeiras incorridas pela Fiscalizada revelaram-se desnecessárias, já que, no ano-calendário de 2015, a empresa concedeu empréstimos a pessoas jurídicas ligadas/controladas (mútuos intercompany) ao mesmo tempo que contraiu empréstimos sob a forma de mútuos. Demonstrou que a NORCON concedeu empréstimos ao mesmo tempo que tinha contraído empréstimos sob a forma de mútuos, consequentemente, dessa forma pode-se concluir que até o limite dos valores do Ativo Realizável – conta 238 - Mútuos c/ Partes Relaciona-Ativo-Longo Prazo, que foram emprestados pela NORCON, não existiu necessidade dos empréstimos obtidos pela NORCON nas contas: 586 - Passivo Não Circulante - Mútuos c/ Partes Relaciona-No Pais -Longo Praz e 584 - Passivo Não Circulante - Mútuos c/ Não Partes Relaciona-No Pais -Longo Praz, para manter o funcionamento regular de sua empresa. Diante disso, procedeu à lavratura dos Autos de Infração determinando o ajuste da base de cálculo do IRPJ e CSLL em função do indevido aproveitamento de despesas financeiras não necessárias e, portanto, indedutíveis. B - DA IMPUGNAÇÃO Cientificada por AR (fl. 200) em 17/06/2019, a Interessada apresentou, em 16/07/2019 (fl. 204), a Impugnação de folhas 206 a 226, onde cita vasta legislação, doutrina, jurisprudência, e, em síntese apertada, argumenta que: I) lançamento seria nulo por imprecisão na identificação da exigência lançada; II) as despesas financeiras incorridas seriam dedutíveis; e III) a não incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício aplicada. 3.A 2ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil 01 proferiu decisão assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2015 DESPESAS FINANCEIRAS DECORRENTES DE EMPRÉSTIMOS OBTIDOS E REPASSADOS PARA INTERLIGADAS A concomitância de operações realizadas pelo contribuinte a título de mútuos com pessoas jurídicas interligadas (alguns a título gracioso) faz com que os valores dos encargos que excederem as receitas decorrentes dos mútuos sejam indedutíveis do lucro tributável, por se caracterizarem despesas que não são suas e, portanto, desnecessárias. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Fl. 307DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.426 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10510.722594/2019-25 4 Aplica-se ao lançamento das contribuições, quando decorrente do mesmo fato, o decidido em relação à exigência principal LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ÔNUS DA PROVA Tendo em vista que os atos administrativos gozam de presunção de veracidade e legitimidade, cabe ao sujeito passivo o ônus de produzir provas que infirmem o lançamento tributário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 4.Inconformada, a Recorrente interpôs o Recurso Voluntário de fls. 279/299, via do qual reedita, ipsis litteris, os argumentos já deduzidos na sua impugnação de fls. 206/226, assim resumidos:  Preliminar de nulidade por imprecisão da base de cálculo: Alega que o método adotado pela fiscalização, consistente na média ponderada dos saldos contábeis, incorporaria movimentações históricas de exercícios anteriores ao ano fiscalizado, contaminando a apuração com elementos já alcançados pela decadência e violando o art. 142 do CTN, que exige a identificação precisa da matéria tributável.  Mérito: o Natureza jurídica das operações ativas: Sustenta que os repasses às ligadas não configuravam mútuos, mas contratos de conta corrente, instituto de natureza distinta no qual a ausência de juros é inerente à própria estrutura contratual, e não uma liberalidade. Invoca o princípio da primazia da essência sobre a forma para afastar a denominação formal de mútuo e argumenta que os repasses eram necessários à preservação das participações societárias da empresa, alinhando-se ao seu objeto social. o Natureza jurídica das operações ativas: Afirma que os recursos captados foram integralmente aplicados em obras imobiliárias e obrigações operacionais próprias, não tendo sido canalizados às controladas, de modo que as despesas financeiras correspondentes seriam genuinamente necessárias nos termos do art. 299 do RIR/99. o Não incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício: Pleiteia o afastamento dos juros moratórios sobre a multa de ofício, sustentando que os juros têm natureza indenizatória e incidem exclusivamente sobre o tributo principal, não alcançando a penalidade. 5.É o relatório. Fl. 308DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.426 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10510.722594/2019-25 5 VOTO Conselheiro Jandir Jose Dalle Lucca, Relator 6.O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. 7.Trata-se de lançamentos de IRPJ e CSLL relativos ao ano-calendário de 2015, decorrente da glosa proporcional de despesas financeiras consideradas não dedutíveis pela autoridade fiscal, no valor de R$ 401.888,30, em razão da constatação de que a contribuinte, empresa de incorporação imobiliária sediada em Aracaju/SE, figurava simultaneamente como mutuante e como mutuária em contratos de mútuo registrados, respectivamente, no ativo e no passivo de seu balanço patrimonial. 8.De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 12/20, a fiscalização constatou que, enquanto a Recorrente registrava encargos sobre mútuos passivos no valor de R$ 11.311.579,40 (conta contábil 43401413, relativa às contas 586 e 584 do Passivo Não Circulante), as receitas financeiras decorrentes dos mútuos ativos atingiram apenas R$ 112.788,56 (conta contábil 31301020, relativa à conta 238 do Ativo Realizável). A assimetria expressiva entre despesas e receitas financeiras decorreu do fato de que os mútuos intercompany, que representavam a parcela majoritária do ativo (aproximadamente R$ 82,8 milhões dos R$ 84,7 milhões totais), eram celebrados sem incidência de juros ou correção monetária, ao passo que os mútuos passivos convencionais, com incidência de encargos, alcançaram saldo final de R$ 86,6 milhões. 9.Segundo a fiscalização, na medida em que a Recorrente concedeu recursos a terceiros e partes relacionadas sem remuneração, ao mesmo tempo em que captava empréstimos onerosos, a parcela das despesas financeiras proporcional aos recursos que, se não tivessem sido emprestados sem remuneração, poderiam ter reduzido ou eliminado a necessidade da captação onerosa, não preencheria os requisitos de necessidade, usualidade e normalidade exigidos pelo art. 299, §§ 1º e 2º do RIR/99 (correspondente ao art. 47 da Lei nº 4.506, de 1964) para fins de dedutibilidade na apuração do lucro real. A glosa foi calculada com base na média percentual entre os saldos iniciais e finais do ativo realizável em relação ao passivo não circulante (3,85%), resultando em encargos proporcionalmente desnecessários de R$ 514.676,86, dos quais foram deduzidas as receitas financeiras efetivamente auferidas de R$ 112.788,56, chegando ao valor glosado de R$ 401.888,30. 10.Como a Recorrente apresentava prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL declarados no exercício, o lançamento não implicou exigência de tributo, mas sim ajuste redutor do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL acumulados. DA PRELIMINAR DE NULIDADE 11.A Recorrente suscita, em sede preliminar, a nulidade do lançamento sob o argumento de que o método adotado pela fiscalização para quantificar as despesas desnecessárias Fl. 309DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.426 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10510.722594/2019-25 6 seria metodologicamente inadequado. Sustenta que a utilização da média ponderada dos saldos das contas contábeis de ativo e passivo incorporaria movimentações de exercícios anteriores ao ano-calendário fiscalizado, contaminando a apuração com elementos já alcançados pela decadência e violando o art. 142 do CTN, que exige a identificação precisa da matéria tributável como requisito de validade do lançamento. 12.A preliminar não se sustenta como questão autônoma de validade formal do ato administrativo. Os requisitos obrigatórios do auto de infração estão previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e seu exame revela que todos os elementos indispensáveis ao pleno exercício do contraditório e da ampla defesa encontram-se presentes nos autos, a saber, a qualificação da autuada, a descrição do fato, a disposição legal infringida, a penalidade aplicável e a determinação da exigência. Tampouco se verificam as hipóteses de nulidade taxativamente arroladas no art. 59 do mesmo diploma, quais sejam, a lavratura do ato por pessoa incompetente e a preterição do direito de defesa. A própria extensão e profundidade das razões deduzidas na impugnação e no recurso voluntário evidenciam que a Recorrente compreendeu integralmente a motivação do lançamento e exerceu seu direito de defesa sem qualquer restrição. 13.O que a Recorrente efetivamente questiona não é um vício do auto de infração, mas a adequação do critério empregado pela fiscalização para apurar a proporção das despesas consideradas desnecessárias. A controvérsia diz respeito, portanto, à correção da metodologia de cálculo e, por consequência, à própria existência e extensão da obrigação tributária constituída. Cuida-se de matéria que se confunde com o mérito, e que com ele será examinada e decidida no tópico seguinte. Por essas razões, rejeito a preliminar de nulidade. DO MÉRITO DA DEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS FINANCEIRAS 14.A questão central do litígio consiste em definir se as despesas financeiras incorridas pela Recorrente em razão dos mútuos passivos onerosos são dedutíveis na apuração do lucro real, à vista da concomitante concessão de recursos a partes relacionadas sem a correspondente cobrança de encargos. 15.O exame da matéria tem como ponto de partida o regime de dedutibilidade das despesas operacionais estabelecido no art. 47 da Lei nº 4.506, de 1964, reproduzido no art. 299 e seus parágrafos do RIR/99. Nos termos desses dispositivos, são dedutíveis as despesas necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, assim entendidas aquelas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade e que sejam usuais ou normais no tipo de negócio. A ausência de qualquer desses atributos impede que o dispêndio seja qualificado como despesa dedutível. 16.As despesas financeiras são, em regra, despesas operacionais dedutíveis. Essa premissa, contudo, pressupõe que os recursos captados onerosamente tenham sido efetivamente empregados na atividade geradora de receitas da própria pessoa jurídica. Quando a empresa Fl. 310DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.426 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10510.722594/2019-25 7 capta recursos com encargos e os disponibiliza a terceiros ou partes relacionadas sem exigir remuneração equivalente, a despesa correspondente à parcela repassada deixa de ser necessária à sua atividade, porquanto os recursos subjacentes não permaneceram à sua disposição para a geração de receitas próprias. Nessa hipótese, o encargo pertence economicamente ao beneficiário dos recursos, e não à pessoa jurídica que o contabilizou. 17.No presente caso, a fiscalização demonstrou, com base na escrituração contábil da Recorrente e nos documentos por ela próprios apresentados, que os mútuos intercompany registrados no ativo, correspondentes à parcela majoritária da conta 238, foram celebrados sem incidência de juros ou correção monetária, circunstância confirmada pelos aditivos contratuais juntados pela própria contribuinte. Simultaneamente, os mútuos convencionais passivos registrados nas contas 586 e 584 geraram encargos financeiros de R$ 11.311.579,40 no exercício, ao passo que as receitas financeiras decorrentes dos mútuos ativos alcançaram apenas R$ 112.788,56. A acentuada assimetria entre os encargos suportados e as receitas auferidas constitui a expressão contábil de uma estrutura na qual a Recorrente arcou com o custo da captação de recursos que, em proporção significativa, foram disponibilizados gratuitamente a suas ligadas e controladas. 18.Quanto à metodologia adotada para quantificar a parcela indedutível, consistente no cálculo da média percentual entre os saldos iniciais e finais do ativo realizável em relação ao passivo não circulante, não se verifica o vício apontado pela Recorrente. O argumento de que os saldos contábeis incorporariam movimentações de exercícios anteriores não infirma a validade do critério. O que releva para a apuração das despesas desnecessárias é a posição patrimonial da empresa durante o período fiscalizado, refletida pelos saldos vigentes ao longo do ano de 2015, sendo irrelevante a data em que os contratos subjacentes foram originalmente celebrados. Os saldos das contas de ativo e passivo no exercício fiscalizado expressam, com a aproximação adequada, a proporção dos recursos captados onerosamente que estiveram à disposição de terceiros sem remuneração naquele período. Não há, portanto, invasão de exercícios pretéritos, uma vez que o objeto da glosa são os encargos efetivamente incorridos e deduzidos no próprio ano-calendário de 2015, e não as operações de períodos anteriores. O critério adotado pela fiscalização guarda plena aderência ao objeto do lançamento e à legislação de regência, razão pela qual a impugnação ao método de apuração, deduzida sob a forma de preliminar, não merece acolhimento também quando examinada no mérito. 19.Pela mesma razão, não se cogita de decadência, uma vez que o fato jurídico tributado é a dedução indevida realizada na apuração do ano-calendário de 2015, período não alcançado pelo prazo do art. 150, § 4º, ou do art. 173, I, do CTN. 20.A Recorrente defende que as operações realizadas com suas ligadas e controladas não constituiriam contratos de mútuo, mas contratos de conta corrente, instituto de natureza diversa no qual a ausência de remuneração seria inerente à própria estrutura contratual. Invoca o princípio da primazia da essência sobre a forma para defender que, a despeito da Fl. 311DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.426 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10510.722594/2019-25 8 denominação adotada nos instrumentos, as operações deveriam ser qualificadas como conta corrente. 21.O argumento não pode ser acolhido. No plano fático, os documentos apresentados pela própria Recorrente ao longo do procedimento fiscal comprometem a tese sustentada. Os instrumentos foram por ela denominados contratos de mútuo, e, ao ser intimada a esclarecer a ausência de remuneração nas operações ativas, afirmou expressamente não fazer sentido pagar ou receber juros de suas empresas investidas. Tal manifestação revela que a gratuidade resultou de escolha deliberada da contribuinte, e não de uma característica estrutural inerente ao tipo contratual invocado. Acresce que o princípio da primazia da essência sobre a forma, quando transposto ao direito tributário, presta-se a revelar a substância econômica das operações, e não a substituir a qualificação que melhor corresponde aos fatos por outra mais conveniente ao contribuinte. No caso, a substância das operações é a disponibilização de recursos financeiros a terceiros sem contrapartida remuneratória, o que corresponde, em essência, a empréstimos gratuitos. 22.No plano jurídico, ainda que se admitisse a qualificação das operações como contratos de conta corrente, tal circunstância não alteraria a conclusão quanto à indedutibilidade da parcela glosada. A distinção entre mútuo e conta corrente pode revelar-se relevante para fins de incidência de outros tributos, mas não para a questão ora examinada. O que se discute não é a natureza do instrumento pelo qual os recursos foram disponibilizados às ligadas, e sim se os encargos financeiros incorridos pela Recorrente em suas captações onerosas eram necessários à sua própria atividade. Qualificada a operação de uma ou de outra forma, o fato tributariamente relevante permanece inalterado, qual seja, a Recorrente suportou encargos financeiros sobre recursos que foram disponibilizados a terceiros sem remuneração equivalente, o que afasta o requisito da necessidade quanto à parcela proporcional desses encargos. 23.Argumenta a Recorrente que os recursos obtidos por meio dos mútuos passivos onerosos foram integralmente aplicados em obras de empreendimentos imobiliários próprios e no pagamento de obrigações operacionais, não tendo sido canalizados às controladas. 24.A alegação, além de não ter sido demonstrada por meio de prova documental específica no curso do procedimento fiscal ou das instâncias de julgamento, esbarra na fungibilidade do dinheiro, que torna inviável a correlação direta entre entradas e saídas de recursos no caixa da empresa. O que os autos efetivamente revelam é que a Recorrente manteve, de forma concomitante, passivos onerosos e ativos gratuitos de expressiva magnitude. Tal circunstância evidencia que, caso não tivesse disponibilizado recursos a suas ligadas sem remuneração, a Recorrente poderia ter reduzido a necessidade de parte de suas captações onerosas. Reside precisamente nesse ponto a lógica que fundamenta a glosa, segundo a qual a empresa que contrai empréstimos onerosos e, simultaneamente, concede recursos de forma gratuita demonstra, pelo próprio comportamento, que a parcela dos empréstimos correspondente aos valores repassados não lhe era necessária. Fl. 312DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.426 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10510.722594/2019-25 9 25.Cumpre acrescentar que, uma vez evidenciada pela fiscalização a desproporção entre os encargos suportados e os recursos efetivamente empregados na atividade própria, recai sobre o sujeito passivo o ônus de produzir prova capaz de infirmar o lançamento, conforme corretamente assentado na decisão recorrida. A Recorrente não se desincumbiu desse ônus, limitando-se a afirmar genericamente a destinação dos recursos sem oferecer elementos probatórios aptos a comprová-la. DOS JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO 26.A Recorrente pleiteia o afastamento dos juros moratórios incidentes sobre a multa de ofício, sob o argumento de que os juros teriam natureza indenizatória e incidiriam exclusivamente sobre o tributo principal. 27.Sucede, todavia, que a matéria não comporta mais discussão desde a edição da Súmula CARF nº108, assim enunciada: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. CONCLUSÃO 28.Ante todo o exposto, rejeito a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, nego provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Jandir Jose Dalle Lucca Fl. 313DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10280.720580/2010-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 16 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Fri Jul 17 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros Exercício: 2004 DRAWBACK SUSPENSÃO. PERÍODO ANTERIOR A 28/07/2010. VINCULAÇÃO FÍSICA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO BENEFICIÁRIO. SÚMULA CARF Nº 227. O regime aduaneiro especial de drawback, em sua modalidade suspensão, impõe que, até 28/07/2010, haja vinculação física entre os insumos importados com suspensão de tributos e os produtos exportados. A inexistência de controles e registros idôneos que assegurem a rastreabilidade física e quantitativa dos insumos impede a consolidação do benefício fiscal. Súmula CARF nº 227.
Numero da decisão: 3402-013.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Cynthia Elena de Campos - Relatora Assinado Digitalmente Arnaldo Diefenthaeler Dornelles - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Anselmo Messias Ferraz Alves, Mariel Orsi Gameiro, José de Assis Ferraz Neto, Alessandra Lessa dos Santos, Cynthia Elena de Campos e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente).
Nome do relator: CYNTHIA ELENA DE CAMPOS

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PERÍODO ANTERIOR A 28/07/2010. VINCULAÇÃO FÍSICA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO BENEFICIÁRIO. SÚMULA CARF Nº 227. O regime aduaneiro especial de drawback, em sua modalidade suspensão, impõe que, até 28/07/2010, haja vinculação física entre os insumos importados com suspensão de tributos e os produtos exportados. A inexistência de controles e registros idôneos que assegurem a rastreabilidade física e quantitativa dos insumos impede a consolidação do benefício fiscal. Súmula CARF nº 227. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Cynthia Elena de Campos – Relatora Assinado Digitalmente Arnaldo Diefenthaeler Dornelles – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Anselmo Messias Ferraz Alves, Mariel Orsi Gameiro, José de Assis Ferraz Neto, Alessandra Lessa dos Santos, Cynthia Elena de Campos e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente). Fl. 354DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.161 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10280.720580/2010-90 2 RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 07-42.266, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, conforme Ementa abaixo: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Exercício: 2004 FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE NF-E NO LIVRO REGISTRO DE ENTRADAS. INÉRCIA DO TITULAR DO ATO CONCESSÓRIO PARA COMUNICAR O OCORRIDO. A expedição de Nota Fiscal de Entrada, no caso de importação, deve ocorrer antes da saída da mercadoria do Recinto Alfandegado, para acompanhar o trânsito daquele bem até o estabelecimento do importador ou aquele por ele indicado, devendo ser escriturada no Livro Registro de Entradas, no prazo de 5 (cinco) dias, via de regra. No caso de falta de escrituração da NF-E no citado Livro de Entradas, quando combinado com a inércia do interessado em regularizar essa situação, é possível entender que o bem não ingressou no estabelecimento do importador. Assim, não é possível utilizar tal mercadoria de acordo com as condições estipuladas para fruição do Regime de Drawback, sendo devidos, portanto, os tributos "suspensos" e demais acréscimos legais. DRAWBACK SUSPENSÃO. VINCULAÇÃO FÍSICA. O princípio da vinculação física é de observância obrigatória para os atos concessórios de drawback expedidos com amparo legal no art.78 - II, do Decreto- Lei nº 37/66. DRAWBACK SUSPENSÃO. FUNGIBILIDADE. APLICAÇÃO RETROATIVA. A aplicação retroativa do princípio da fungibilidade deve observar o §6º, do art.5º- A, da Portaria Conjunta RFB/Secex nº 467/2010. DRAWBACK. COMPETÊNCIA PARA FISCALIZAÇÃO. "O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback na modalidade suspensão, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente." (Ementa nº 100, da Súmula do CARF. Caráter vinculante atribuído pela Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018) DRAWBACK. JUROS DE MORA. MOMENTO DE INCIDÊNCIA. "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." (Ementa nº 5, da Súmula do CARF. Caráter vinculante conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Fl. 355DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.161 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10280.720580/2010-90 3 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Desde de 01/04/1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela RFB são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA DE OFÍCIO. O percentual da multa em questão, exigível em lançamento de ofício, é determinado expressamente em lei, portanto decorre de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico, não dispondo a autoridade fiscal de competência para apreciar quaisquer alegações para seu afastamento. PERÍCIA SUPRIDORA DE ÔNUS PROBATÓRIO NÃO CUMPRIDO. INDEFERIMENTO. A impugnação deve ser escrita e apresentar os motivos em que se encontra fundamentada, tanto aqueles relativos ao direito aplicável, quanto aos fatos ocorridos, mencionando, ainda, sua contraposição à acusação fiscal, tudo lastreado com as devidas provas. É incabível a perícia demandada pelo sujeito passivo sobre questões e documentos que já constam dos autos, que não demandam qualquer conhecimento técnico específico e que foram, exatamente, o objeto da auditoria, que culminou com a lavratura de auto de infração. Devem ser indeferidos os pedidos de perícia e de diligência, quando formulados como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pela parte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Por bem demonstrar os fatos ocorridos até aquele momento, adoto o relatório da decisão de primeira instância: Trata-se de auto de infração (fls.02 a 34), protocolado na ALF - PORTO DE BELÉM/PA, em 22/04/2010, notificado ao interessado em 03/05/2010 (fls.04; 12; 20; 26; 33; 46) em face do descumprimento das normas relativas ao Drawback Suspensão, no valor total igual a R$ 2.900.374,68, discriminado segundo Tabela 1, abaixo: Fl. 356DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.161 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10280.720580/2010-90 4 Segundo relato da fiscalização (fls.35 a 46), foi objeto de auditoria 1 (um) Ato Concessório - AC -, vinculado a 3 (três) Declarações de Importação, conforme Tabela 2, tendo sido constatadas três infrações, indicadas na Tabela 3. A coluna "linha" estabelece uma relação entre as Tabelas 2 e 3, para evitar repetições de campos. Com relação à infração "1", indicada na Tabela 3, o titular do AC, segundo a autoridade fiscal, "admitiu que houve falha no processamento da Nota Fiscal nº 216 e que a essa Nota Fiscal não poderia mais ser registrado nos Livros Fiscais competentes" (fls.39, terceiro parágrafo), o que levou ao entendimento de que teria havido "desvio ao mercado interno ou sua utilização em outra produção de alumina calcinada não amparada pelo Ato Concessório fiscalizado" (fls.39, quarto parágrafo). Essas foram as palavras do sujeito passivo (fls.162, item "2"): "Houve uma falha no processamento dessa NF, pois o lançamento fiscal segue os procedimentos abaixo: a) A NF é cadastrada no sistema Contas a Pagar; b) O sistema de contas a pagar através de interface faz o registro no livro fiscal; c) Quando há alguma divergência a NF fica "presa" nesta interface e o seu lançamento deve ser efetuado manualmente. Ocorre que no caso concreto, a divergência ocorreu e o analista, por falha humana, não efetivou registro manual, tendo tal fato vindo ao conhecimento do setor fiscal responsável somente no momento da presente auditoria fiscal. Dessa forma a empresa está tentando corrigir o problema, pois a NF não poderá mais ser registrada no livro fiscal de registro manual e atualmente a empresa já opera com SPED, dependendo o novo registro de consulta a SEFAZ/PA." Quanto às infrações "2" e "3", tais constatações (planilhas de cálculos à fls.40-41) se deram a partir das análises feitas sobre a utilização do insumo hidróxido de sódio (soda cáustica) (fls.39, sexto parágrafo). Segundo Laudo Técnico (fls.79 a 81) entregue pelo contribuinte, o ciclo de fabricação do produto que seria exportado, com utilização do hidróxido de sódio, Fl. 357DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.161 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10280.720580/2010-90 5 era de 13,60 dias (fls.42, terceira conclusão do item "XV"; fls.81), mas, em outra ocasião (fls.162, item "1"), o contribuinte teria informado que esse período seria de 3,5 meses (fls.42, quarta conclusão do item "XV"). Assim, a fiscalização, em "benefício do importador", utilizou o período de 13,60 dias, glosando as exportações cujos insumos importados, ao amparo do Drawback suspensão, ocorreram em período de até 12 dias da entrada na fábrica, o que totalizou "8.916,59 toneladas de hidróxido de sódio " (fls.42, última conclusão do item "XV"), haja vista que tais exportações não poderiam ter-se utilizado dos insumos importados ao amparo do AC em tela. Em 02/06/2010, o interessado apresentou sua impugnação (fls.202 a 228) por meio de seu advogado, tendo alegado, em síntese: I - Relativamente à infração "1", da Tabela 3: a) que houve mera presunção da fiscalização, já que não consta, em sua escrita contábil, qualquer faturamento relativo à mencionada venda no mercado interno da mercadoria acobertada por tal nota fiscal; b) que tal nota foi apresentada à fiscalização e o produto fabricado foi exportado, não se podendo falar que teria havido descumprimento do regime aduaneiro especial; c) que competiria à fiscalização "comprovar que a referida importação não foi aplicada na empresa" (fls.204, quarto parágrafo); d) que a falta de escrituração da NF-E se constituía mera falha técnica, sendo "perfeitamente aceitável se considerarmos que o setor contábil opera mensalmente com mais de, uma dezena de milhar de lançamentos fiscais" (fls.204, quinto parágrafo); e) que a falta de escrituração da NF-E somente poderia levar à presunção de que as mercadorias foram desviadas para o mercado interno se fosse provada a existência de NF-S ou ausência de NF de exportação "suficientes para a comprovação de que a empresa não aplicou o produto importado na sua exportação" (fls.204, sexto parágrafo); II - Relativamente às infrações "2" e "3", da Tabela 3: f) que o ciclo produtivo de 13,6 dias, informado pela titular do AC, era um prazo médio, que varia em função de fatores como a vazão da linha de produção, o volume de estoque, a qualidade da matéria-prima, a carga da energia elétrica; g) que para a DI nº 04/1193789-2 (fls.205), o ciclo de fabricação foi de 8 dias, entre a entrada da soda cáustica e a exportação do produto final, período suficiente para a industrialização; h) que não teria havido formação de estoque negativo, pois a impugnante utilizava-se da média mensal dos índices técnicos, que variavam a cada mês. Ainda mencionou (fls.207, quinto parágrafo): "somente a apuração real desse índice é que poderá resultar em conclusão precisa acerca da utilização ou de Fl. 358DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.161 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10280.720580/2010-90 6 todos os insumos importados sob o manto do drawback para produzir produtos exportados"; i) que, relativamente ao exíguo prazo para fabricação do produto exportado, não fora apontado, pela fiscalização, "quais os documentos fiscais que comprovam que essa matéria prima não foi utilizada nos produtos destinados a exportação" (fls.203, sexto parágrafo); j) que seria necessário apurar, mediante perícia, qual o índice técnico efetivo da produção da empresa. Apresentados quesitos e respectivo assistente técnico à fls.226; l) que o descumprimento de normas constantes de portarias e atos normativos equivalentes somente poderia acarretar infrações ao cumprimento de obrigações acessórias; m) que somente a SECEX poderia "revogar o incentivo" (fls.212, item "2.2"), sendo que tal órgão concessor tinha aceito a documentação apresentada pela impugnante; n) que deveria ser observado o princípio da equivalência ou da fungibilidade, pois as exportações teriam efetivamente ocorrido, com insumos importados ao amparo do Drawback suspensão; o) que, no caso de ser entendido que houve descumprimento do Regime de Drawback, os juros de mora somente são exigíveis a partir do momento em que terminou a "suspensão dos tributos". Nas palavras do impugnante (fls.224, parágrafo anterior ao item "3.2"): "se afigura ilegal a exigibilidade de juros no período em que a exigibilidade do crédito estava suspensa"; p) que, no caso de ser entendido que houve descumprimento do Regime de Drawback, seria ilegal a exigência de juros de mora utilizando-se da taxa Selic; q) que, no caso de ser entendido que houve descumprimento do Regime de Drawback, não seria devida a cobrança de multa de ofício; Nos pedidos, demandou pela improcedência da autuação. Juntou, tão somente, procuração (fls.229) e identidade do procurador (fls.230), sem quaisquer outras provas de suas alegações. A intimação sobre a decisão de primeira instância ocorreu pela via postal em 04/10/2018 (Aviso de Recebimento de fls. 261), sendo o Recurso Voluntário protocolado em 31/10/2018 (Termo de Análise de Solicitação de Juntada de fls. 263), pelo qual pediu a reforma do acórdão recorrido, o que fez com os mesmos argumentos da peça de impugnação. Após, o processo foi encaminhado para inclusão em lote e sorteio para julgamento. É o relatório. Fl. 359DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.161 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10280.720580/2010-90 7 VOTO Conselheira Cynthia Elena de Campos, Relatora. 1. Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. 2. Mérito Versa o presente litígio sobre auto de infração lavrado para cobrança de crédito tributário constituído no montante de R$ 2.900.374,68, em razão da descaracterização do regime aduaneiro especial de drawback, na modalidade suspensão. O lançamento decorre de procedimento de auditoria fiscal destinado à verificação do cumprimento das condições estabelecidas no Ato Concessório nº 20040261760, vinculado a três Declarações de Importação. A fiscalização identificou três irregularidades principais no âmbito do regime de drawback suspensão. A primeira refere-se à ausência de escrituração da Nota Fiscal de Entrada nº 216 no Livro de Entradas, fato admitido pela própria contribuinte, o que levou à conclusão de que não restou comprovada a efetiva entrada da mercadoria no estabelecimento, ensejando a presunção de desvio ao mercado interno ou de utilização em finalidade diversa da prevista no ato concessório. As demais infrações dizem respeito à glosa de insumos, notadamente soda cáustica, em razão da impossibilidade de comprovação da vinculação física entre os insumos importados e os produtos exportados. Para tanto, a fiscalização apontou a proximidade entre as datas de entrada dos insumos e saída dos produtos finais, considerada incompatível com o processo produtivo, bem como a existência de saldos negativos de insumos, concluindo que parcela relevante dos materiais importados não foi efetivamente utilizada na produção destinada à exportação. Sustenta que a ausência de escrituração de nota fiscal constitui falha meramente formal, não sendo suficiente para afastar a comprovação da entrada física dos insumos, a qual estaria demonstrada por outros documentos. Afirma inexistir prova de desvio de finalidade e impugna o uso de presunções pela fiscalização. Argumenta, ainda, que a vinculação física deve ser analisada considerando a complexidade do processo produtivo, não sendo a proximidade de datas elemento suficiente para descaracterizá-la, e que os saldos negativos identificados decorreriam de metodologia fiscal inadequada. Fl. 360DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.161 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10280.720580/2010-90 8 Defende a aplicação do princípio da fungibilidade dos insumos e sustenta que eventuais irregularidades possuem natureza acessória, não sendo aptas a justificar a exigência dos tributos suspensos. Com isso, a controvérsia submetida à apreciação do CARF consiste em definir se, no caso concreto, restaram efetivamente comprovados os requisitos necessários à fruição do regime aduaneiro especial de drawback suspensão, em especial a vinculação física entre os insumos importados com suspensão de tributos e os produtos exportados. Ocorre que foi editada a SÚMULA CARF Nº 227, que assim prevê: SÚMULA CARF Nº 227 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em sessão de 26/08/2025 – vigência em 01/09/2025 O regime aduaneiro especial de drawback, em sua modalidade suspensão, impõe que, até 28/07/2010, haja vinculação física entre os insumos importados com suspensão de tributos e os produtos exportados. Acórdãos Precedentes: 9303-013.628, 9303-016.062, 9303-014.161. Os fatos em exame são todos anteriores a essa data-limite, já que os Atos Concessórios e as operações de importação e exportação discutidas nos autos situam-se no ano de 2002. Cumpre observar que o conjunto probatório dos autos é essencialmente documental, tendo a fiscalização fundamentado o lançamento em análise técnica baseada no cruzamento de informações, identificando inconsistências relevantes, como ausência de escrituração de nota fiscal, incompatibilidade temporal e saldos negativos de insumos, o que evidencia a não comprovação da vinculação física. Por sua vez, a contribuinte apresentou apenas justificativas e documentação genérica, sem comprovar de forma objetiva a utilização dos insumos importados na produção destinada à exportação, ônus que lhe incumbia. Diante desse contexto, verifica-se que a Recorrente não logrou comprovar, de forma objetiva, individualizada e rastreável, a efetiva vinculação física entre os insumos importados sob o regime de drawback suspensão e os produtos posteriormente exportados. Com efeito, não foram apresentados controles de produção, registros de consumo ou sistemas de rastreabilidade que permitissem correlacionar, de maneira segura, cada insumo importado às respectivas operações de industrialização e exportação. Ao contrário, os elementos constantes dos autos evidenciam inconsistências relevantes, tais como a ausência de escrituração de nota fiscal de entrada, a proximidade temporal incompatível entre a internalização dos insumos e a saída dos produtos finais, bem como a ocorrência de saldos negativos de matérias- primas, circunstâncias que comprometem a credibilidade dos controles internos e inviabilizam a reconstrução da cadeia física exigida pelo regime. Fl. 361DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.161 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10280.720580/2010-90 9 Assim, ausente prova idônea capaz de demonstrar o efetivo emprego dos insumos importados na produção destinada à exportação, não se pode reconhecer o cumprimento das condições do drawback, impondo-se a aplicação da Súmula CARF nº 227 e a manutenção da exigência fiscal. 3. Dispositivo Ante o exposto, conheço e nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Assinado Digitalmente Cynthia Elena de Campos Fl. 362DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 16682.720905/2019-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 18 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Jul 13 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2015 a 31/12/2015 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. Somente se acolhem os Embargos de Declaração quando demonstrada, de forma inequívoca, a ocorrência, no acórdão embargado, de omissão, contradição ou obscuridade. A omissão sobre aspecto sobre o qual deveria ter se pronunciado a turma pode ser saneada com a complementação do acórdão na análise dos embargos.
Numero da decisão: 3201-013.614
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão em relação ao argumento omissão quanto ao reconhecimento, pelo Ministério da Fazenda, que o concentrado deve ser classificado na posição 2106.90.10 EX 01 com o acréscimo dos fundamentos constantes do voto. Assinado Digitalmente MARCELO ENK DE AGUIAR - Relator Assinado Digitalmente HÉLCIO LAFETÁ REIS - Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Marcelo Enk Aguiar, Bárbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Fabiana Francisco de Miranda, Flávia Sales Campos Vale, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow e Hélcio Lafetá Reis (Presidente).
Nome do relator: MARCELO ENK DE AGUIAR

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OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. Somente se acolhem os Embargos de Declaração quando demonstrada, de forma inequívoca, a ocorrência, no acórdão embargado, de omissão, contradição ou obscuridade. A omissão sobre aspecto sobre o qual deveria ter se pronunciado a turma pode ser saneada com a complementação do acórdão na análise dos embargos. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão em relação ao argumento “omissão quanto ao reconhecimento, pelo Ministério da Fazenda, que o concentrado deve ser classificado na posição 2106.90.10 EX 01” com o acréscimo dos fundamentos constantes do voto. Assinado Digitalmente MARCELO ENK DE AGUIAR – Relator Assinado Digitalmente HÉLCIO LAFETÁ REIS – Presidente Fl. 1837DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.614 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720905/2019-26 2 Participaram da sessão de julgamento os julgadores Marcelo Enk Aguiar, Bárbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Fabiana Francisco de Miranda, Flávia Sales Campos Vale, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow e Hélcio Lafetá Reis (Presidente). RELATÓRIO O contribuinte em epígrafe apresentou embargos de declaração em face do acórdão 3201-012.008, de 20/08/2024, que foram admitidos parcialmente. Aproveita-se o relatório e análise elaborados por ocasião do exame de admissibilidade, com maior ênfase na parte admitida: Sobre os Embargos de Declaração, veja-se o que diz o art. 116 do Regimento Interno do CARF: Art. 116. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a Turma. (...) - OMISSÃO QUANTO DIREITO À APROPRIAÇÃO DOS CRÉDITOS, TENDO EM VISTA A COISA JULGADA (ARTS. 462, 467, 468 E 474 DO CPC/73 – ARTS. 493, 502, 503 E 508 DO CPC/2015); (...) Assim, no Recurso Voluntário, a Embargante demonstrou que, nos termos do art. 474 do CPC/1973 (correspondente ao art. 508 do CPC/2015), uma vez transitada em julgado a decisão, reputam-se deduzidas e repelidas todas as alegações e defesas, inclusive aquelas que pretensamente pudessem prejudicar a tese da Embargante, como a frágil tese (que nunca foi deduzida no Writ) de que a supostamente equivocada classificação fiscal dos insumos impediria a tomada dos créditos. Essa norma é consentânea e coerente com o consagrado preceito de que é a parte dispositiva da decisão que faz coisa julgada, sendo irrelevantes, para fins exclusivos de imutabilidade da decisão judicial, os fundamentos apreciados ou expostos na decisão, consoante o disposto nos artigos 462, 467, 468 e 469, do CPC (atuais artigos 493, 502, 503 e 504 do CPC/2015). (...) Sem razão a embargante. (...) O Acórdão, apesar de não mencionar expressamente os artigos citados, teve como fundamento de decidir os mesmos argumentos expendidos na explanação Fl. 1838DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.614 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720905/2019-26 3 da PFN, ou seja, pelo fato de o dispositivo da sentença na ação judicial garantir, apenas, créditos oriundos de operações isentas do IPI, a motivação do lançamento, qual seja, a classificação do produto e sua alíquota diante da classificação, não foram objeto da ação judicial, portanto, não significaram uma rediscussão da coisa julgada, como defende a embargante. (...) Portanto, resta claro que não ocorreu a omissão alegada. - OMISSÃO QUANTO À IMPROPRIEDADE DA RECLASSIFICAÇÃO FISCAL; A embargante apresenta as seguintes afirmações: Além da violação à coisa julgada, a Embargante demonstrou em seu Recurso Voluntário o equívoco da reclassificação fiscal dos concentrados, notadamente no tópico “III.2 – OS CONCENTRADOS SÃO INDIVISÍVEIS”. Entretanto, quanto aos argumentos autônomos acerca da impropriedade da reclassificação dos kits de concentrados, o v. acórdão embargado também foi absolutamente omisso. A Embargante demonstrou que o concentrado para cada tipo de refrigerante produzido é insumo único e não comporta divisões, sob pena, por óbvio, de descaracterização do próprio produto. O concentrado é preparado e as partes acondicionadas separadamente em função das características físico-químicas de cada uma delas, as quais não podem ser substituídas e devem ser utilizadas sempre em conjunto com a outra parte do mesmo item de série. (...) Sem razão a embargante. O Acórdão embargado já na ementa é claro a respeito do tema: CLASSIFICAÇÃO FISCAL. KITS PARA FABRICAÇÃO DE REFRIGERANTES. Nas hipóteses em que a mercadoria descrita como “kit ou concentrado para refrigerantes” se constitui de um conjunto cujas partes abrangem diferentes matérias-primas e produtos intermediários que só se tornam efetivamente uma preparação composta para elaboração de bebidas em decorrência de nova etapa de industrialização ocorrida no estabelecimento adquirente, cada um dos componentes desses “kits” deverá ser classificado no código próprio da TIPI. Mais adiante, o Conselheiro Relator ressalta a sua posição quanto à classificação fiscal do produto em exame, transcrevendo decisão, que integra o julgado: (...) Dessa forma, é de se manter o entendimento da auditoria fiscal sobre a classificação fiscal, devendo ser individualizada, e não pelo kit, afastando o enquadramento no Ex tarifário 01 da NCM 2106.90.10. Desta forma, claramente demonstrado que não ocorreu a omissão alegada. Fl. 1839DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.614 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720905/2019-26 4 - OMISSÃO QUANTO AO RECONHECIMENTO, PELO MINISTÉRIO DA FAZENDA, QUE O CONCENTRADO DEVE SER CLASSIFICADO NA POSIÇÃO 2106.90.10 EX 01; A embargante sustenta: Às fls. 1747/1748, o relatório do v. acórdão embargado indica que ora Embargante “Reforça e confirma os argumentos já apresentados na manifestação de inconformidade. Destaque-se: (...) tem-se que o Ministério da Fazenda, ao justificar a redução da alíquota do IPI para os produtos classificados na posição 2106.90.10 Ex. 01, reconheceu expressamente que essa medida visava à redução do volume de créditos gerados na aquisição de concentrados fabricados na ZFM, confirmando o entendimento de esses são produtos únicos e enquadrados nessa posição da TIPI (transcreve a exposição de motivos do Decreto 9.394/2018)”. O voto, contudo, não teceu qualquer consideração acerca do reconhecimento, pelo Ministério da Fazenda, de que os concentrados para fabricação de refrigerantes são classificados na posição NCM 2106.90.10 Ex. 01. O Decreto 9.394/2018 reduziu a alíquota do IPI incidente sobre os produtos classificados na posição 2106.90.10 ex 01 de 20% para 4%, em evidente medida visando à redução do crédito gerado na aquisição dos insumos para fabricação de refrigerantes. Transcreve-se trecho da aludida exposição de motivos para evidenciar as razões subjacentes àquele à decisão de reduzir a alíquota do produto: “(...) Trata-se de Nota para estimar o impacto de eventual redução da alíquota incidente sobre concentrados para elaboração de bebidas (Código TIPI 2106.90.10 e seu Ex 01). 2. Apesar de se tratar de redução de alíquota, é importante esclarecer que a medida terá o condão de incrementar a arrecadação na cadeia de bebidas frias, particularmente no segmento de refrigerantes. Isso porque este produto é um insumo para produção dessas bebidas e, a despeito da alíquota elevada, não gera arrecadação de tributo tendo em vista ser produzido na Zona Franca de Manaus (ZFM) e, por isso, gozar de isenção de IPI na saída.” Portanto, tem-se que o Ministério da Fazenda, ao justificar a redução da alíquota do IPI para os produtos classificados na posição 2106.90.10 ex 01, reconheceu expressamente que essa medida visava à redução do volume de créditos gerados na aquisição de concentrados fabricados na ZFM, confirmando o entendimento de esses são produtos únicos e enquadrados nessa posição da TIPI. O v. acórdão embargado, todavia, não enfrentou a questão. Com razão a embargante. No seu Recurso Voluntário, item III.2.4, a embargante apresentou a seguinte discussão: III.2.4 - RECONHECIMENTO, PELO MINISTÉRIO DA FAZENDA, QUE O CONCENTRADO DEVE SER CLASSIFICADO NA POSIÇÃO 2106.90.10 EX 01 Fl. 1840DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.614 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720905/2019-26 5 74. Para arrematar, a Recorrente salienta que o próprio Ministério da Fazenda, ao apresentar a exposição de motivos para o Decreto 9.394/2018 (doc. 08 da Impugnação), reconheceu expressamente que os concentrados são classificados na posição 2106.90.10 ex 01. 75. Sobre o tema, o v. acórdão tenta fazer crer que “não há nenhum reconhecimento de que os produtos sob controvérsia devem ser classificados no código NCM 2106.90.10 Ex 01. O texto acima reproduzido alude aos insumos classificados no código 2106.90.10 Ex 01 e não entra no mérito das características desses insumos”. 76. O Decreto 9.394/2018 reduziu a alíquota do IPI incidente sobre os produtos classificados na posição 2106.90.10 Ex 01 de 20% para 4%, em evidente medida visando à redução do crédito gerado na aquisição dos insumos para fabricação de refrigerantes. 77. Em outras palavras, não precisava a exposição de motivos afirmar expressamente que o kit de concentrado deve ser classificado na posição NCM 2106.90.10 Ex 01. Essa conclusão é inferida dos seus termos e é evidente a intenção de modificar a alíquota da aludida posição com propósito especifico de atingir as empresas que fabricam os concentrados na região da ZFM, como a Recofarma. 78. Para que não restem dúvidas, a Recorrente transcreve o trecho da exposição de motivos do Decreto, que evidenciam as razões subjacentes à decisão de reduzir a alíquota do produto: (...) 79. Portanto, tem-se que o Ministério da Fazenda, ao justificar a redução da alíquota do IPI para os produtos classificados na posição 2106.90.10 Ex. 01, reconheceu expressamente que essa medida visava à redução do volume de créditos gerados na aquisição de concentrados fabricados na ZFM, confirmando o entendimento de esses são produtos únicos e enquadrados nessa posição da TIPI. O Acórdão, em seu relatório, citou a discussão trazida pela embargante, em sede de Recurso Voluntário: Ainda, tem-se que o Ministério da Fazenda, ao justificar a redução da alíquota do IPI para os produtos classificados na posição 2106.90.10 Ex. 01, reconheceu expressamente que essa medida visava à redução do volume de créditos gerados na aquisição de concentrados fabricados na ZFM, confirmando o entendimento de esses são produtos únicos e enquadrados nessa posição da TIPI (transcreve a exposição de motivos do Decreto 9.394/2018). Entretanto, no corpo do Acórdão, não encontramos menção à tese defendida pela ora embargante, caracterizando a omissão alegada, que deve ser saneada. Fl. 1841DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.614 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720905/2019-26 6 - OMISSÃO E OBSCURIDADE QUANTO À NECESSIDADE DE CANCELAMENTO DA MULTA, NOS TERMOS DOS ARTIGOS 76, II, DA LEI Nº 4.502/64 E 567, II, “A”, DO RIPI/2010 (...) O v. acórdão embargado, contudo, não enfrentou o conteúdo do art. 567, inc. II, ‘a’, do RIPI/2010, que é posterior ao CTN, e afasta a imposição de multa se o contribuinte tiver agido em conformidade com interpretação dada pela última instância administrativa, independentemente de ter sido parte do processo: (...) O v. acórdão embargado não expôs as razões pelas quais não aplicou a previsão do Decreto. Sobre o tema, há, também obscuridade, pois não está claro se a Turma está afastando a norma por considerá-la ilegal ou inconstitucional, o que afrontaria o art. 98 do RICARF, segundo o qual “fica vedado aos membros das Turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto”. Sem razão a embargante. O Acórdão deixou claro que comando inserto no artigo 100 do CTN, publicado após a Lei 4504/64, fundamento do artigo 567 do RIPI/2020, estabeleceu que a partir da vigência do CTN, a exclusão de penalidades com fundamento em decisões do CARF, sem que o contribuinte seja parte nos processos específicos, só é possível caso exista lei atribuindo eficácia normativa às referidas decisões, o que, até o presente momento, não existe. Eis o trecho do Acórdão: Pois bem, ocorre que posteriormente à edição da Lei n° 4.502/1964, foi editado o Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172, de 1966), recepcionado como Lei Complementar pela Constituição Federal de 1988, que assim dispôs no seu art. 100, incs. I e II e parágrafo único: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I- os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II- as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Ou seja, a partir da vigência do CTN, a exclusão de penalidades com fundamento em decisões do CARF, sem que o contribuinte seja parte nos processos Fl. 1842DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.614 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720905/2019-26 7 específicos, só é possível caso exista lei atribuindo eficácia normativa às referidas decisões, o que, até o presente momento, não existe. (...) Por último, é de se observar, como já visto no capítulo 1 deste voto, que não se está discutindo o direito à isenção, em tese, reconhecido, mas sim a classificação fiscal, ou, ainda, a subsunção do caso à norma. Dessa forma, a multa deve ser mantida. Quanto à obscuridade, esta não ocorreu, pois o RIPI/2020 foi aprovado por Decreto nº 7212/2010, e como bem expressado no Acórdão, a multa lançada está fundada no art. 80 da Lei 4.502/64, com redação dada pelo art. 13 da Lei 11.448, de 15/06/2007. Portanto, há lei válida e eficaz a cumprir. Desse modo, os embargos foram admitidos quanto à seguinte questão, o que implica a verificação da matéria (procedência dos embargos e, se caso, mérito) pela Turma de julgamento: - omissão quanto ao reconhecimento, pelo ministério da fazenda, que o concentrado deve ser classificado na posição 2106.90.10 ex 01. As razões e o mérito do recurso voluntário serão destacados no voto, caso se confirme omissão que implique em análise da matéria. É o relatório. VOTO Conselheiro MARCELO ENK DE AGUIAR, Relator. Os embargos foram admitidos para verificar em acórdão possível omissão quanto ao alegado reconhecimento pelo Ministério da Fazenda de que o concentrado teria a correta classificação. Os demais pontos foram devidamente esclarecidos na decisão, não sendo cabível usar os embargos para rediscussão de mérito. Nos embargos, sobre a matéria admitida, se alegou: 21. O voto, contudo, não teceu qualquer consideração acerca do reconhecimento, pelo Ministério da Fazenda, de que os concentrados para fabricação de refrigerantes são classificados na posição NCM 2106.90.10 Ex. 01. 22. O Decreto 9.394/2018 reduziu a alíquota do IPI incidente sobre os produtos classificados na posição 2106.90.10 ex 01 de 20% para 4%, em evidente medida visando à redução do crédito gerado na aquisição dos insumos para fabricação de refrigerantes. Fl. 1843DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.614 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720905/2019-26 8 23. Transcreve-se trecho da aludida exposição de motivos para evidenciar as razões subjacentes àquele à decisão de reduzir a alíquota do produto: “(...) Trata-se de Nota para estimar o impacto de eventual redução da alíquota incidente sobre concentrados para elaboração de bebidas (Código TIPI 2106.90.10 e seu Ex 01). 2. Apesar de se tratar de redução de alíquota, é importante esclarecer que a medida terá o condão de incrementar a arrecadação na cadeia de bebidas frias, particularmente no segmento de refrigerantes. Isso porque este produto é um insumo para produção dessa bebidas e, a despeito da alíquota elevada, não gera arrecadação de tributo tendo em vista ser produzido na Zona Franca de Manaus (ZFM) e, por isso, gozar de isenção de IPI na saída.” 24. Portanto, tem-se que o Ministério da Fazenda, ao justificar a redução da alíquota do IPI para os produtos classificados na posição 2106.90.10 ex 01, reconheceu expressamente que essa medida visava à redução do volume de créditos gerados na aquisição de concentrados fabricados na ZFM, confirmando o entendimento de esses são produtos únicos e enquadrados nessa posição da TIPI. O embargo aponta que a alegação do recurso voluntário foi registrada no relatório da decisão, sem, contudo, enfrentá-la no voto. No despacho de admissibilidade se traz, com referência em Marinoni, Arenhart e Mitidiero (Novo código de processo civil comentado. Luiz Guilherme Marinoni, Sérgio Cruz Arenhart, Daniel Mitidiero. São Paulo: Editoria Revista dos Tribunais, 2015. Págs. 953/954), conceitos aplicáveis. A omissão, no julgado, concerne à falta de apreciação ou manifestação expressa acerca de ponto sobre o qual deveria se pronunciar o julgador, ademais, não há omissão quando o colegiado chegou à sua conclusão com motivos suficientes. A omissão constitui negativa de entrega da prestação jurisdicional. Pois bem, por um lado, a decisão não deixou nenhuma margem de dúvida sobre a impossibilidade da classificação postulada e sobre os fundamentos adotados na decisão. A ementa da decisão assim indicou: : Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2015 a 31/12/2015 COMPETÊNCIA. SUFRAMA. RECEITA FEDERAL. FISCALIZAÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS. As atribuições da Suframa na sua área de competência não afastam a competência da Receita Federal para fiscalização dos tributos em todo o território nacional, inclusive no que diz respeito à verificação da correta classificação fiscal de produtos e da legitimidade dos créditos apropriados na escrita fiscal pelos contribuintes, bem como à verificação se os produtos adquiridos com isenção foram elaborados, no estabelecimento da Fl. 1844DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.614 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720905/2019-26 9 fornecedora, com matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. KITS PARA FABRICAÇÃO DE REFRIGERANTES. Nas hipóteses em que a mercadoria descrita como “kit ou concentrado para refrigerantes” se constitui de um conjunto cujas partes abrangem diferentes matérias-primas e produtos intermediários que só se tornam efetivamente uma preparação composta para elaboração de bebidas em decorrência de nova etapa de industrialização ocorrida no estabelecimento adquirente, cada um dos componentes desses “kits” deverá ser classificado no código próprio da TIPI. ZFM. INSUMOS. CRÉDITO FICTO DO ART. 6º DO DECRETO-LEI Nº 1.435/75. ISENÇÃO. AMAZÔNIA OCIDENTAL. A aquisição de insumos isentos, provenientes da Zona Franca de Manaus, não legitima aproveitamento de créditos de IPI. No art. 6º do Decreto-Lei nº 1.435/75, entende-se por "matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional", aquelas produzidas na área da Amazônia Ocidental. Não se tratando os insumos de matérias-primas agrícolas e/ou extrativas vegetais de produção regional, não há direito ao creditamento ficto. CRÉDITOS DE IPI. DIREITO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS ISENTOS. O Supremo Tribunal Federal - STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 592.891, em sede de repercussão geral, decidiu que: "Há direito ao creditamento de IPI na entrada de insumos, matéria-prima e material de embalagem adquiridos junto à Zona Franca de Manaus sob o regime da isenção, considerada a previsão de incentivos regionais constante do art. 43, § 2º, III, da Constituição Federal, combinada com o comando do art. 40 do ADCT". É necessário que o bem tenha tributação positiva na TIPI e que seja identificado e comprovado como insumo, matéria-prima e material de embalagem, adquirido da ZFM para empresa situada fora da região. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. NOTA FISCAL. PRODUTOS ADQUIRIDOS COM ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E ALÍQUOTA. GLOSA DOS VALORES INDEVIDAMENTE APROPRIADOS. POSSIBILIDADE. Quando o dispositivo legal se refere à necessidade de verificar se os produtos “estão acompanhados dos documentos exigidos e se estes satisfazem a todas as prescrições legais e regulamentares”, está-se a exigir do adquirente que verifique não só requisitos formais, mas a substância do Fl. 1845DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.614 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720905/2019-26 10 documento, mormente quando de tal substância pode decorrer (ou não) crédito incentivado condicionado a características do fornecedor e da classificação da mercadoria ou enquadramento em “Ex Tarifário”. Todos os pontos foram devidamente fundamentados. Descabe trazer à colação aqui novamente os trechos do acórdão. Ressalte-se que o julgador não está obrigado a rebater todos os pontos do recurso quando já houver elementos suficientes para formação da sua decisão. Nesse sentido é o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça: AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. INCIDENTE DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. CONCLUSÃO NO SENTIDO DA VIABILIDADE DA INCLUSÃO DOS INSURGENTES NO POLO PASSIVO DA LIDE. SÚMULA 7/STJ. CONTEXTO FÁTICO QUE EVIDENCIA ATUAÇÃO ABUSIVA DOS SÓCIOS E OCORRÊNCIA DE CONFUSÃO PATRIMONIAL. SÚMULA 7/STJ. ACÓRDÃO EM HARMONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE SUPERIOR. SÚMULA 83/STJ. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Não há nenhuma omissão, carência de fundamentação ou mesmo nulidade a ser sanada no julgamento ora recorrido. A decisão desta relatoria dirimiu a controvérsia com base em fundamentação sólida, sem tais vícios, tendo apenas resolvido a celeuma em sentido contrário ao postulado pela parte insurgente. Ademais, o órgão julgador não está obrigado a responder a questionamentos das partes, mas tão só a declinar as razões de seu convencimento motivado, como de fato ocorreu nos autos. (...) (AgInt no REsp 1920967/SP, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 03/05/2021, DJe 05/05/2021) De toda a forma, o recurso apresenta uma alegação de que teria havido um reconhecimento da classificação postulada pelo Ministério da Fazenda, o que possui certo grau de independência das demais alegações. Considera-se, por prudência e transparência, deva ser conhecido dos embargos para enfrentar a questão. Antes, é de se advertir que a jurisprudência do Carf é ampla sobre a matéria enfrentada e, inclusive, sobre a alegação suscitada, sendo que se identificam acórdãos que abordam tal alegação no voto e outros que não, estes certamente considerando que o disponível já oferece elementos mais do que suficientes para justificar a decisão. Como visto acima, a partir do recurso voluntário transcrito nos embargos, a exposição de motivos do Decreto 9.394/2018 esclarece os efeitos da redução de alíquotas. Tal medida traria incremento na arrecadação de IPI decorrente da cadeia de bebidas frias, uma vez que a produção se dá predominantemente na Zona Franca de Manaus e gera créditos. Ou seja, há Fl. 1846DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.614 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720905/2019-26 11 uma constatação do excesso de créditos no ramo, ou da falta de arrecadação. Da exposição de motivos tem-se: “(...) Trata-se de Nota para estimar o impacto de eventual redução da alíquota incidente sobre concentrados para elaboração de bebidas (Código TIPI 2106.90.10 e seu Ex 01). 2. Apesar de se tratar de redução de alíquota, é importante esclarecer que a medida terá o condão de incrementar a arrecadação na cadeia de bebidas frias, particularmente no segmento de refrigerantes. Isso porque este produto é um insumo para produção dessa bebida e, a despeito da alíquota elevada, não gera arrecadação de tributo tendo em vista ser produzido na Zona Franca de Manaus (ZFM) e, por isso, gozar de isenção de IPI na saída.” Os documentos preparatórios e a Exposição de Motivos do Decreto não descreveram as características das mercadorias em questão, e não reconheceram (nem poderiam ter reconhecido) que elas devem ser classificadas no Ex 01 do código 2106.90.10 da TIPI. Um Decreto não é o instrumento adequado para avaliar na esfera administrativa se é ou não correto o emprego de determinada classificação fiscal. Para este fim, deve ser formalizada consulta junto à RFB. A correção da classificação só poderia ser examinada em procedimento fiscalizatório. Cabe acrescentar que a referida alegação foi apreciada em processo dessa Turma de Julgamento relatado pelo Conselheiro Hélcio Lafetá Reis, cujas razões de decidir são adotadas e que deixou assim consignado em seu voto: Por outro lado, o Recorrente alega que, com a redução da alíquota de 20% para 4% para os produtos classificados no código 2106.90.10 Ex 01, promovida por meio do Decreto nº 9.394/2018, a Receita Federal pretendeu reduzir os créditos fictos decorrentes de aquisições de insumos isentos (concentrados) oriundos da Zona Franca de Manaus (ZFM) e, por decorrência, aumentar a arrecadação tributária, o que tornava inconteste que o produto por ele adquirido é aquele previsto na referida posição da TIPI. Segundo ele, a interpretação autêntica do Decreto nº 9.394/2018 formulada pela própria Receita Federal é vinculante, inclusive para o CARF, por força do art. 26-A do Decreto nº 70.235/1972 e do art. 62 do seu Regimento Interno. No entanto, mesmo que se admita a existência da alegada “interpretação autêntica” da Receita Federal, não se pode ignorar que, nas manifestações daquele órgão identificadas pelo Recorrente, fez-se referência aos produtos classificados no código TIPI 2106.90.10 Ex 01 mas sem identificá-los. Nesse código, conforme já dito, classificam-se os concentrados já misturados, dependentes apenas da diluição final a se realizar no ambiente produtivo do adquirente, hipótese essa, conforme já dito exaustivamente neste voto, não coincidente com a sob análise nestes autos. Fl. 1847DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.614 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720905/2019-26 12 O fato de a redução da alíquota de 20% para 4% ter como objetivo o aumento da arrecadação em nada altera a presente análise, pois, aqui, conforme já apontado, controverte-se sobre componentes vendidos separadamente, ainda que em uma operação conjunta, situação em que os argumentos do Recorrente não se ajustam. (Processo 10840-725940-2018-41; acórdão 3201-011.914; sessão 23/07/2024) Não há, portanto, o alegado reconhecimento expresso por parte da RFB de que os produtos que se encontram em litígio no presente processo classificam-se na posição da TIPI 21.06.90.10 EX. 01, razão pela qual nada há a ser alterado quanto à matéria. Por fim, já foram transcritos no acórdão de recurso voluntário jurisprudência, inclusive da CSRF. Cumpre aqui acrescentar, como exemplo, ementa de acórdão de outra turma de julgamento que apreciou o argumento suscitado e chegou a igual conclusão: Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/09/2016 a 31/12/2019 KITS PARA PRODUÇÃO DE REFRIGERANTES. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. RGI-3 B. NOTA EXPLICATIVA XI. Nos termos do que foi decidido no âmbito do Sistema Harmonizado, decisão essa que foi expressa na Nota Explicativa XI da RGI-3 (b), a classificação dos kits de refrigerantes deve se dar de forma individualizada para cada componente dos kits, e não como se mercadorias únicas fossem. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. ATIVIDADE JURÍDICA. ATIVIDADE TÉCNICA. DIFERENÇAS. A classificação de mercadorias é atividade jurídica, a partir de informações técnicas. O perito, técnico em determinada área (mecânica, elétrica etc.) informa, se necessário, quais são as características e a composição da mercadoria, especificando-a, e o especialista em classificação (conhecedor das regras do SH e de outras normas complementares), então, classifica a mercadoria, seguindo tais disposições normativas. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/09/2016 a 31/12/2019 APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. NOTA FISCAL. PRODUTOS ADQUIRIDOS COM ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E ALÍQUOTA. GLOSA DOS VALORES INDEVIDAMENTE APROPRIADOS. POSSIBILIDADE. LEI 4.502/1964, ART. 62. A leitura do art. 62 da Lei nº 4.502/1964 demanda ponderação. Quando o dispositivo legal se refere à necessidade de verificar se os produtos “estão acompanhados dos documentos exigidos e se estes satisfazem a todas as prescrições legais e regulamentares”, está-se a exigir do adquirente que verifique não só requisitos formais, mas a substância do documento, mormente quando de tal substância pode decorrer (ou não) crédito incentivado condicionado a características do fornecedor e da Fl. 1848DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.614 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720905/2019-26 13 classificação da mercadoria ou enquadramento em “Ex Tarifário”, como nas aquisições isentas no âmbito da Zona Franca de Manaus, à luz do RE nº 592.891/SP. SÚMULA 509 STJ. BOA-FÉ. PROVA. DESCONHECIMENTO DA SITUAÇÃO DE FATO. Para que se possa falar em boa-fé, necessário que as provas demonstrem que o contribuinte desconhece a situação de fato que chama a incidência da norma. No caso de aquisição de insumos para a produção de refrigerantes, necessário que o contribuinte desconheça o produto que adquire. (...) (Processo 10380.737664/2021-97; acórdão 3402-012.345; sessão 17/10/2024). Do acórdão embargado se acrescenta o que segue, a confirmar o decidido: É irrazoável e ilógica a pretensão da recorrente de que a classificação do kit produzido pela Recofarma deva ser a do concentrado obtido no processo industrial da Rio de Janeiro Refrigerantes pois a ele se destina como um dos insumos. Tal fundamento não encontra guarida nas regras de interpretação do SH e NESH. A classificação fiscal é definida pelas características intrínsecas e extrínsecas da mercadoria no momento da ocorrência do fato gerador. Há etapas a serem cumpridas com a adição de outras substâncias e processos intermediários de industrialização até chegar no concentrado que com diluição e mistura em água resultará no refrigerante. Os kits para refrigerantes não são extratos concentrados destinados à elaboração de bebidas, mas sim um conjunto de ingredientes destinados à industrialização de extratos concentrados. Depreende-se que a classificação fiscal não pode ser efetuada de acordo com as características que o produto só passará a apresentar em etapas futuras da cadeia produtiva, realizadas em outro estabelecimento industrial. Conclusão Por todo o exposto, voto por acolher parcialmente os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão em relação ao argumento “omissão quanto ao reconhecimento, pelo Ministério da Fazenda, que o concentrado deve ser classificado na posição 2106.90.10 EX 01” com o acréscimo dos fundamentos constantes do voto. Assinado Digitalmente MARCELO ENK DE AGUIAR Fl. 1849DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 18365.721557/2018-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 20 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Wed Jul 22 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2017 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE ECF. CABIMENTO. A falta de apresentação da ECF pelas pessoas jurídicas nos prazos fixados no art. 3º da IN RFB 1422/2013, ou a sua apresentação com incorreções ou omissões, acarretará a aplicação, ao infrator das multas previstas no art. 8º-A do Decreto-Lei nº 1.598/77, para as pessoas jurídicas que apuram o IRPJ pela sistemática do lucro real. No caso das demais pessoas jurídicas, são aplicáveis as multas previstas no art. 12 da Lei nº 8.218/91.
Numero da decisão: 1301-008.228
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Monteiro Cardoso – Relator Assinado Digitalmente Rafael Taranto Malheiros – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Iagaro Jung Martins, Jose Eduardo Dornelas Souza, Luis Angelo Carneiro Baptista, Eduardo Monteiro Cardoso, Eduarda Lacerda Kanieski, Rafael Taranto Malheiros (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MONTEIRO CARDOSO

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CABIMENTO. A falta de apresentação da ECF pelas pessoas jurídicas nos prazos fixados no art. 3º da IN RFB 1422/2013, ou a sua apresentação com incorreções ou omissões, acarretará a aplicação, ao infrator das multas previstas no art. 8º-A do Decreto-Lei nº 1.598/77, para as pessoas jurídicas que apuram o IRPJ pela sistemática do lucro real. No caso das demais pessoas jurídicas, são aplicáveis as multas previstas no art. 12 da Lei nº 8.218/91. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Monteiro Cardoso – Relator Assinado Digitalmente Rafael Taranto Malheiros – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Iagaro Jung Martins, Jose Eduardo Dornelas Souza, Luis Angelo Carneiro Baptista, Eduardo Monteiro Cardoso, Eduarda Lacerda Kanieski, Rafael Taranto Malheiros (Presidente). Fl. 288DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.228 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18365.721557/2018-41 2 RELATÓRIO 1. Trata-se de Recurso Voluntário interposto por ICEA – INSTITUTO DE CIRURGIA DO ESTADO DO AMAZONAS S/S em face de acórdão da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil 03 (DRJ03) que julgou improcedente a Impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário cobrado. 2. Referido crédito tributário decorre de Notificação de Lançamento lavrada para exigir multa pela apresentação extemporânea da ECF, tendo em vista que, apesar de o prazo se encerrar em 31/07/2017, a escrituração somente foi entregue em 25/08/2018, com o transcurso de 421 dias de atraso. 3. Inconformada, a Recorrente apresentou Impugnação, a qual foi rejeitada pela DRJ, por meio de acórdão ementado da seguinte forma: Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2015 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE ECF. A não apresentação da ECF pelas pessoas jurídicas nos prazos fixados no art. 3º da IN RFB 1422/2013, ou a sua apresentação com incorreções ou omissões, acarretará a aplicação, ao infrator das multas previstas no art. 8º-A do Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, para as pessoas jurídicas que apuram o IRPJ pela sistemática do lucro real; e, das multas previstas no art. 12 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, para as demais pessoas jurídicas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 4. A contribuinte interpôs Recurso Voluntário, alegando em síntese que: houve a publicação da Medida Provisória nº 2.158/2001, a qual estabeleceu penalidade mais benéfica ao contribuinte no seu art. 57, sendo aplicável a lei mais benéfica neste caso, por se tratar de processo não julgado definitivamente (art. 106, II, “c” do CTN); após o transcurso do prazo de 360 dias (art. 24 da Lei nº 11.457/2007), seria incabível a exigência de juros de mora. 5. É o relatório. VOTO Conselheiro Eduardo Monteiro Cardoso, Relator. 6. O Recurso Voluntário foi interposto em 28/03/2024, dentro do prazo de dentro do prazo de 30 (trinta) dias contados da sua intimação, por procurador devidamente habilitado. Assim, presentes os pressupostos formais, conheço do Recurso Voluntário. Fl. 289DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.228 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18365.721557/2018-41 3 7. Como relatado, trata-se de exigência decorrente de Notificação de Lançamento lavrada para exigir multa regulamentar pelo atraso na entrega da ECF, no valor de R$ 548.686,12, com fundamento legal nos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218/91. 8. A Recorrente menciona que foi aplicada multa de 1% (um por cento) sobre a receita bruta, com base nos arts. 11 e 12, III, da Lei nº 8.218/91, os quais têm a seguinte redação: Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. Art. 12 - A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: [...] III - multa equivalente a 0,02% (dois centésimos por cento) por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período a que se refere a escrituração, limitada a 1% (um por cento) desta, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos registros e respectivos arquivos. 9. Em seguida, defende que “após a lavratura do presente Auto de Infração, foi publicada a Medida Provisória nº 2.158/2001, que estabeleceu penalidade mais benéfica ao contribuinte”. Assim, tratando-se de processo sem julgamento definitivo, a lei “[...] mais benéfica deve ser aplicada de forma retroativa a favor do contribuinte”, nos termos do art. 106, II, “c”, do CTN. 10. Ocorre que, diferentemente do que afirma a Recorrente, a Notificação de Lançamento não é anterior à Medida Provisória nº 2.158/2001, mas sim posterior. Tanto é assim que o a notificação faz referência aos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218/91 com o texto alterado pela Lei nº 13.670/2018. Portanto, não há que se falar em aplicação retroativa da Medida Provisória, mas sim da lei vigente no momento da infração, sendo caso de rejeição da alegação. 11. Em seguida, a Recorrente alega a impossibilidade de exigência de juros de mora após o transcurso do prazo de 360 dias para julgamento estabelecido no art. 24 da Lei nº 11.457/2007. 12. Porém, consultando o dispositivo citado, não se verifica sanção específica a respeito do descumprimento do prazo de 360 dias, sendo certo que inexiste previsão de cancelamento dos juros de mora previstos no art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96 em razão da sua inobservância. Nesse sentido: INOBSERVÂNCIA DO PRAZO. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DE JUROS. IMPOSSIBILIDADE. No art. 24 da Lei n° 11.457, de 2007, não se prevê obrigações ou consequências específicas em caso de inobservância do prazo ali fixado para decisões administrativas. A incidência de juros de mora sobre o crédito tributário Fl. 290DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.228 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18365.721557/2018-41 4 decorre da aplicação do disposto no §3º do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não sendo afastada em decorrência do excesso de prazo para emissão da decisão pelo julgador administrativo. (Acórdão nº 1302-006.313, Rel. Cons. Paulo Henrique Silva Figueiredo, Sessão de 16/11/2022) 13. Assim, entendo que a alegação deve ser rejeitada. 14. Diante do exposto, conheço do Recurso Voluntário e lhe nego provimento. Assinado Digitalmente Eduardo Monteiro Cardoso Fl. 291DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10880.900077/2015-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri May 15 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Jul 21 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012 CRÉDITO. MATERIAIS REFRATÁRIOS E CORPOS MOEDORES. Não há direito ao creditamento de IPI na aquisição de materiais refratários e corpos moedores, bens que não sofrem desgaste imediato e integral no processo produtivo, mas desgastam-se com o correr do tempo e porque submetidos a altas temperaturas, dentre outras condições normais de operação. O fato de que devem ser substituídos periodicamente não autoriza afirmar-se que se incluem no rol das matérias-primas ou produtos intermediários. Conforme precedentes do Poder Judiciário, a palavra consumidos, no Regulamento do IPI, indica a absorção do produto em termos relativamente consideráveis, e não o mero desgaste paulatino de partes da instalação, como o revestimento térmico que se substitui de tempos em tempos. Materiais refratários e corpos moedores são bens que não são consumidos no processo de industrialização, mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste normal, natural e indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final, razão pela qual não há direito a crédito de IPI. CRÉDITO. BOLAS DE AÇO. PRODUTO INTERMEDIÁRIO. As bolas de aço utilizadas na moagem do clínquer constituem produtos intermediários aptos a gerar crédito de IPI, por atuarem diretamente sobre o produto em elaboração, mediante contato físico contínuo e desgaste inerente ao processo produtivo, desde que não integradas ao ativo imobilizado.
Numero da decisão: 3302-015.901
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, para rejeitar as preliminares; (ii) por maioria de votos, para reverter a glosa dos créditos referentes às aquisições de bolas de aço, vencidos os Conselheiros Lázaro Antônio Souza Soares e Mário Sérgio Martinez Piccini; e, (iii) por voto de qualidade, para negar provimento ao pedido de reversão da glosa dos créditos referentes às aquisições de materiais refratários e corpos moedores, vencidas as Conselheiras Marina Righi Rodrigues Lara (relatora), Louise Lerina Fialho e Flávia Sales Campos Vale. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares. Assinado Digitalmente Marina Righi Rodrigues Lara – Relatora Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente e redator do voto vencedor Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Sergio Martinez Piccini, Flavia Sales Campos Vale (substituta integral), Winderley Morais Pereira, Louise Lerina Fialho, Marina Righi Rodrigues Lara e Lazaro Antonio Souza Soares (Presidente).
Nome do relator: MARINA RIGHI RODRIGUES LARA

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MATERIAIS REFRATÁRIOS E CORPOS MOEDORES. Não há direito ao creditamento de IPI na aquisição de materiais refratários e corpos moedores, bens que não sofrem desgaste imediato e integral no processo produtivo, mas desgastam-se com o correr do tempo e porque submetidos a altas temperaturas, dentre outras condições normais de operação. O fato de que devem ser substituídos periodicamente não autoriza afirmar-se que se incluem no rol das matérias-primas ou produtos intermediários. Conforme precedentes do Poder Judiciário, a palavra "consumidos", no Regulamento do IPI, indica a absorção do produto em termos relativamente consideráveis, e não o mero desgaste paulatino de partes da instalação, como o revestimento térmico que se substitui de tempos em tempos. Materiais refratários e corpos moedores são bens que não são consumidos no processo de industrialização, mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste normal, natural e indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final, razão pela qual não há direito a crédito de IPI. CRÉDITO. BOLAS DE AÇO. PRODUTO INTERMEDIÁRIO. As bolas de aço utilizadas na moagem do clínquer constituem produtos intermediários aptos a gerar crédito de IPI, por atuarem diretamente sobre o produto em elaboração, mediante contato físico contínuo e desgaste inerente ao processo produtivo, desde que não integradas ao ativo imobilizado. Fl. 440DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.901 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.900077/2015-61 2 ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, para rejeitar as preliminares; (ii) por maioria de votos, para reverter a glosa dos créditos referentes às aquisições de bolas de aço, vencidos os Conselheiros Lázaro Antônio Souza Soares e Mário Sérgio Martinez Piccini; e, (iii) por voto de qualidade, para negar provimento ao pedido de reversão da glosa dos créditos referentes às aquisições de materiais refratários e corpos moedores, vencidas as Conselheiras Marina Righi Rodrigues Lara (relatora), Louise Lerina Fialho e Flávia Sales Campos Vale. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares. Assinado Digitalmente Marina Righi Rodrigues Lara – Relatora Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente e redator do voto vencedor Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Sergio Martinez Piccini, Flavia Sales Campos Vale (substituta integral), Winderley Morais Pereira, Louise Lerina Fialho, Marina Righi Rodrigues Lara e Lazaro Antonio Souza Soares (Presidente). RELATÓRIO Trata-se na origem de Pedido de Ressarcimento de crédito de IPI referente ao saldo credor do 4º trimestre de 2012, no valor de R$ 287.359,78, bem como de DCOMP, cuja homologação foi apenas parcial, resultando na cobrança de R$ 76.656,64 da contribuinte. A autoridade fiscal de origem entendeu que parte dos créditos de IPI aproveitados pela empresa eram indevidos, sob o fundamento de que determinados insumos utilizados no processo produtivo do cimento – especialmente materiais refratários e corpos moedores – não gerariam direito a crédito, por supostamente integrarem o ativo permanente ou não se consumirem diretamente no processo industrial. Inconformada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, sustentando que a fiscalização adotou interpretação excessivamente restritiva do Parecer Normativo CST nº 65/79, ao exigir contato físico imediato ou integração ao produto final para Fl. 441DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.901 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.900077/2015-61 3 reconhecimento do crédito de IPI. Defende que a Constituição Federal assegura a não cumulatividade do IPI sem impor tais limitações, bastando que o insumo seja consumido ou desgastado no processo produtivo. A contribuinte descreve detalhadamente o processo de fabricação do cimento, destacando que os materiais refratários utilizados no revestimento dos fornos sofrem desgaste intenso devido às elevadas temperaturas e precisam ser substituídos frequentemente, em período inferior a 12 meses. Da mesma forma, os corpos moedores (bolas de aço utilizadas na moagem) também se desgastam continuamente pelo atrito e impacto no processo industrial, demandando reposição constante. A DRJ, contudo, julgou improcedente a referida Manifestação de Inconformidade, da seguinte forma: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012 MATÉRIA-PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO. CONCEITO. Somente as matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, conforme a conceituação albergada pela legislação tributária, são hábeis ao creditamento do imposto. Para que seja dado o tratamento de insumos aos bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização, tais bens devem guardar semelhança com as matérias primas - MP e produtos intermediários - PI, em sentido estrito, semelhança essa que reside no fato de exercerem, na operação de industrialização, função análoga a das MP e PI, ou seja, se consumirem, em decorrência de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por esse diretamente sofrida, mesmo que não integrando ao produto final. CRÉDITOS DE IPI. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. AQUISIÇÃO DE PARTES E PEÇAS DE BENS DO ATIVO PERMANENTE. O crédito de IPI está ligado diretamente ao fato de o insumo participar intrinsecamente do processo produtivo. Como isso não ocorre com as máquinas, equipamentos e instalações, suas partes e peças, não cabe crédito de IPI relativo à aquisição destes materiais. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 442DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.901 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.900077/2015-61 4 Devidamente intimada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, sustentando, em síntese, as mesmas razões expostas em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. VOTO VENCIDO Conselheira Marina Righi Rodrigues Lara, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido. 1. Das preliminares de nulidade Preliminarmente, sustenta a Recorrente a nulidade da autuação que embasou o despacho decisório, sob o argumento de que a glosa dos créditos teria sido promovida sem adequada comprovação dos fatos que lhe serviram de fundamento. A preliminar, contudo, não merece acolhimento. Tratando-se de direito creditório, o ônus da prova incumbe ao próprio contribuinte, a quem compete demonstrar, de forma clara e inequívoca, o preenchimento dos requisitos legais necessários ao aproveitamento dos créditos pleiteados. No caso concreto, verifica-se que a fiscalização procedeu à análise da documentação apresentada pela própria Recorrente, incluindo notas fiscais, planilhas de apuração, descrições técnicas dos materiais empregados no processo produtivo e demais elementos relacionados aos itens objeto da glosa, concluindo, ao final, pela impossibilidade de reconhecimento dos créditos relativamente aos materiais controvertidos. A circunstância de a Recorrente discordar das conclusões jurídicas adotadas pela autoridade fiscal não é suficiente, por si só, para caracterizar ausência de motivação, deficiência de fundamentação ou nulidade do procedimento administrativo. Com efeito, os fundamentos da glosa foram expressamente indicados no procedimento fiscal e posteriormente reiterados pela decisão recorrida, estando claramente delimitada a controvérsia instaurada nos autos. Eventual discussão acerca da abrangência do conceito de produto intermediário, da existência de contato direto com o produto em elaboração ou da caracterização dos itens como bens consumidos no processo produtivo confunde-se, portanto, com o próprio mérito da controvérsia, não sendo apta a ensejar nulidade do despacho decisório ou da decisão recorrida. Também não procede eventual alegação de nulidade decorrente do indeferimento do pedido de perícia técnica. Nos termos da Súmula CARF nº 163: Fl. 443DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.901 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.900077/2015-61 5 Súmula CARF nº 163 Aprovada pelo Pleno em sessão de 06/08/2021 – vigência em 16/08/2021 O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). Acórdãos Precedentes: 9303-01.098, 2401-007.256, 2202-004.120, 2401-007.444, 1401-002.007, 2401-006.103, 1301-003.768, 2401-007.154 e 2202-005.304. No caso concreto, a DRJ apresentou fundamentação expressa para o indeferimento da prova pericial requerida, entendendo suficientes os elementos constantes dos autos para formação de seu convencimento. Nessas condições, não se verifica qualquer afronta aos princípios do contraditório, da ampla defesa ou do devido processo legal. Rejeitam-se, portanto, as preliminares de nulidade suscitadas pela Recorrente. 2. Do mérito Como relatado, a autoridade fiscal de origem concluiu que os itens objeto de creditamento, por constituírem partes ou peças de máquinas e equipamentos do estabelecimento industrial, não gerariam direito ao crédito de IPI, por integrarem o ativo permanente da contribuinte. A DRJ, por sua vez, manteve a glosa sob fundamento ainda mais abrangente, ao entender que os materiais controvertidos não gerariam direito ao crédito de IPI pelo simples fato de constituírem partes ou componentes de máquinas, fornos e equipamentos industriais, o que demonstraria que sua utilização no processo produtivo ocorreria apenas de forma indireta, reputando irrelevante sua eventual classificação fora do ativo permanente. A contribuinte, por sua vez, sustenta que os materiais refratários e os corpos moedores possuem vida útil inferior a 12 meses, demandam reposição periódica e participam diretamente das etapas de clinquerização e moagem do cimento, enquadrando-se, assim, no conceito de produtos intermediários previsto no art. 226, I, do RIPI/2010. Sobre o tema, algumas considerações se fazem necessárias. Nos termos do art. 226, inciso I do Decreto nº 7.212/10, os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditar-se do imposto relativo a matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se, entre as matérias-primas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. Fl. 444DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.901 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.900077/2015-61 6 Da leitura do referido dispositivo é possível extrair que o crédito de IPI pode ser aproveitado com relação a matéria-prima e produto intermediário que, (i) mesmo não se integrando ao novo produto, (ii) for consumido no processo de industrialização, (iii) salvo se enquadrado entre os bens do ativo permanente. O Parecer Normativo CST nº 65/79, por sua vez, abordava a questão da seguinte forma: “10 - Resume-se, portanto, o problema na determinação do que se deva entender como produtos “que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização”, para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1 - Como o texto fala em “incluindo-se entre as matérias-primas e os produtos intermediários”, é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matérias primas e os produtos intermediários stricto sensu, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga à destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2 - A expressão “consumidos”, sobretudo levando-se em conta que as restrições “imediata e integralmente”, constantes dos dispositivos correspondentes do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. 10.3 - Passam, portanto, a fazer jus ao crédito, distintamente do que ocorria em face da norma anterior, as ferramentas manuais e as intermutáveis, bem como quaisquer outros bens que, não sendo partes nem peças de máquinas, independentemente de suas qualificações tecnológicas, se enquadrem no que ficou exposto na parte final do subitem 10.1 (se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida). 10.4 - Note-se, ainda, que a expressão “compreendidos no Ativo Permanente” deve ser entendida faticamente, isto é, a inclusão ou não dos bens, pelo contribuinte, naquele grupo de contas deve ser juris tantum aceita como legítima, somente passível de impugnação para fins de reconhecimento, ou não, do direito ao crédito quando em desrespeito aos princípios contábeis geralmente aceitos. 11 - Em resumo, geram direito ao crédito, além dos que se integram ao produto final (matérias-primas e produtos intermediários, stricto sensu, e material de embalagem), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação; ou, vice-versa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face de princípios contábeis geralmente aceitos, ser incluídos no Ativo Permanente. 11.1 - Não havendo tais alterações, ou havendo em função de ações exercidas indiretamente, ainda que se dêem rapidamente e mesmo que os produtos não estejam compreendidos no Ativo Permanente, inexiste o direito de que trata o inciso I do art. 66 do RIPI/79.” (sem destaques no original) Fl. 445DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.901 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.900077/2015-61 7 Ocorre que, em 23 de setembro de 2009, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) julgou o REsp 1.075.508/SC, na sistemática dos recursos repetitivos, cuja ementa colaciono a seguir: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. RATIO ESSENDI DOS DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98. 1. A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização não gera direito a creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 1.082.522/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009; AgRg no REsp 1.063.630/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 16.09.2008, DJe 29.09.2008; REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.09.2007, DJ 15.10.2007; REsp 608.181/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006; e REsp 497.187/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 17.06.2003, DJ 08.09.2003). 2. Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditar-se do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se "aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente". 3. In casu, consoante assente na instância ordinária, cuida-se de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp n. 1.075.508/SC, relator Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 23/9/2009, DJe de 13/10/2009.) Conforme decidido naquela ocasião, o direito ao crédito relativo à aquisição de determinado bem, independentemente de se desgastarem de forma direta ou indireta no processo produtivo, depende, em primeiro lugar, da forma que foi contabilizado: se ativo permanente ou não. A respeito do referido julgamento, destaco os trechos da decisão proferida pela Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, no Acórdão 3402-008.325: “Portanto, no caso julgado pelo STJ, foi negado provimento ao recurso especial do Contribuinte, pois aqueles itens de maquinário em julgamento só sofriam desgaste indireto no processo industrial. Ou seja, não foi pelo fato de se tratar de item de maquinário que o Fl. 446DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.901 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.900077/2015-61 8 crédito foi entendido como indevido, mas sim pelo fato de seu desgaste não decorrer de contato físico direto com a produção. Vale dizer, foi afastada a interpretação constante nos atos interpretativos da Receita Federal no sentido de que nunca componentes dos maquinários poderiam gerar direito ao crédito. Foi trazida, assim, a seguinte interpretação vinculante ao CARF (cf. artigo 62, §2º do seu Regimento Interno) para fins de crédito do IPI: não é possível o creditamento pelas aquisições de produtos intermediários (dentre eles, possivelmente, componentes de maquinário) que só indiretamente façam parte da industrialização (e.g. lubrificantes para máquinas, no contexto da indústria de metais). De outro lado, darão direito ao crédito as aquisições de produtos intermediários que diretamente exerçam ação sobre o produto industrializado, desgastando-se ou consumindo-se. Lembrando sempre que em qualquer situação o item somente será passível de creditamento se não fizer parte do ativo imobilizado da empresa.” Feitas tais considerações, verifica-se que partes ou peças de máquinas e equipamentos do estabelecimento industrial apenas gerarão direito ao crédito de IPI, nos casos em que não forem contabilizados como bens do ativo permanente. Este é, portanto, o primeiro requisito que precisa ser superado, para que seja possível a análise do direito creditório. Dito de outra forma, apenas quando determinado item não tiver sido classificado contabilmente pela sociedade como ativo imobilizado, é que será relevante analisar se este entrou ou não em contato direto ou indireto com o bem produzido. Esse é o requisito estabelecido pela tese firmada na ocasião do REsp 1.075.508/SC, a qual, nos termos do art. 62, §2º da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, Regimento Interno do CARF (RICARF), é de observância obrigatória e deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. “A aquisição de bens integrantes do ativo permanente da empresa não gera direito a creditamento de IPI.” No presente caso, conforme demonstrado, a decisão recorrida limitou-se à conclusão de que, por constituírem partes ou peças de máquinas e equipamentos industriais, os itens glosados jamais poderiam ensejar direito ao crédito de IPI, independentemente de sua classificação contábil. Todavia, tal entendimento não encontra respaldo na tese vinculante firmada pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.075.508/SC. Ao contrário, o precedente vinculante condiciona expressamente a vedação ao creditamento à caracterização do bem como integrante do ativo permanente, não estabelecendo proibição absoluta ao aproveitamento de créditos relativos a partes e peças de maquinário industrial. Afastada, portanto, a premissa de que toda parte ou peça de equipamento industrial deva, necessariamente, ser considerada bem do ativo imobilizado, mostra-se pertinente examinar o conceito de ativo imobilizado previsto no art. 179, inciso IV, da Lei nº 6.404/76: Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: (...) Fl. 447DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.901 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.900077/2015-61 9 IV – no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens; Por opção do legislador, a definição de ativo imobilizado decorre do conceito adotado nas ciências contábeis que foi estabelecido pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), no item 6 do Pronunciamento nº 27: Ativo imobilizado é o item tangível que: (a) é mantido para uso na produção ou fornecimento de mercadorias ou serviços, para aluguel a outros, ou para fins administrativos; e (b) se espera utilizar por mais de um período. Correspondem aos direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da entidade ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram a ela os benefícios, os riscos e o controle desses bens. Ademais, especificamente no que diz respeito ao tratamento contábil dado às partes e peças, o mesmo pronunciamento contábil assim dispõe: “Sobressalentes, peças de reposição, ferramentas e equipamentos de uso interno são classificados como ativo imobilizado quando a entidade espera usá-los por mais de um período. Da mesma forma, se puderem ser utilizados somente em conexão com itens do ativo imobilizado, também são contabilizados como ativo imobilizado.” Do referido trecho, tal como sustentado na peça recursal, extrai-se que, em regra, as partes e peças com vida útil superior a 12 meses devem ser classificadas e, consequentemente, contabilizadas no ativo imobilizado. Tal circunstância reforça o entendimento de que nem toda parte ou peça de determinado maquinário deve, necessariamente, receber classificação contábil como ativo imobilizado. Embora não se negue que a parte final do excerto permita concluir pela existência de hipóteses em que, mesmo possuindo vida útil inferior a 12 meses, tais itens devam ser contabilizados no ativo imobilizado, trata-se de situação excepcional, cuja caracterização exige demonstração concreta das circunstâncias que justifiquem sua ativação. Transpondo tais premissas ao caso dos autos, verifica-se que a decisão recorrida não afastou a alegação da recorrente de que os bens em questão não teriam sido contabilizados no ativo imobilizado. A conclusão adotada limitou-se à premissa de que partes e peças de máquinas e equipamentos industriais, por sua própria natureza, jamais poderiam ensejar direito ao crédito de IPI, independentemente de sua classificação contábil. Superado esse fundamento jurídico, e tendo a contribuinte demonstrado que os itens controvertidos possuíam vida útil inferior a 12 meses, entendo que, diante da ausência de contestação específica quanto à sua efetiva contabilização, devem prevalecer as alegações da Recorrente. Fl. 448DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.901 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.900077/2015-61 10 Feitas essas considerações, passa-se à análise da incorporação do bem ao produto final ou de sua imediata e integral consumação em decorrência do contato direto com o produto em elaboração. Nesse sentido, destaca-se, o recente entendimento consolidado na Súmula CARF nº 242, segundo a qual: SÚMULA CARF Nº 242 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em sessão de 27/11/2025 – vigência em 04/12/2025 Afasta-se o direito ao creditamento de IPI de bens que não se incorporam ao produto final nem são imediata e integralmente consumidos em razão de um contato direto com o produto em elaboração, conforme os fundamentos da decisão do STJ no Recurso Especial nº 1.075.508/SC. Acórdãos Precedentes: 9303-003.507, 9303-015.688, 9303-015.187, 9303- 014.186, 9303-006.958, 9303-009.690. Em síntese, impõe-se verificar, no caso concreto, se os materiais refratários e os corpos moedores (i) se incorporam ao produto final ou (ii) foram imediata e integralmente consumidos no processo produtivo, em razão de um contato direto com o produto em elaboração. No que tange aos materiais refratários e corpos moedores, verifico que os elementos constantes dos autos demonstram que tais itens não atuam apenas como componentes passivos ou meramente estruturais dos equipamentos industriais, mas participam diretamente das etapas essenciais do processo produtivo do cimento, submetendo-se continuamente ao contato físico com o produto em elaboração e às severas condições térmicas, químicas e abrasivas inerentes à industrialização. No caso dos refratários, restou demonstrado que estes mantêm contato direto com o clínquer durante a etapa de clinquerização, sofrendo desgaste progressivo decorrente da ação térmica, química e mecânica exercida pelo próprio material em fabricação, exigindo substituição periódica em prazo inferior a 12 meses. Os refratários são empregados nas indústrias de cimento e de Construção Civil para o isolamento térmico dos fornos e panelas industriais, com a finalidade de evitar a perda de calor para o ambiente externo, possibilitando, assim, a manutenção das temperaturas internas desses fornos necessários ao processo de cozimento da mistura de calcário que dará origem ao cimento. Vale mencionar, inclusive, que todos os materiais refratários sob exame, além de serem indispensáveis ao processo produtivo, entram contato direto com o produto em fabricação. Impende, pois, notar, que, por sua relevância no processo produtivo industrial, especialmente no processo do cimento e da construção civil, os materiais refratários são inequivocamente classificados como produtos intermediários ou Fl. 449DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.901 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.900077/2015-61 11 secundários, empregados diretamente no processo de industrialização, nele se consumindo, ou, simplesmente, tornando-se inutilizável em decorrência do processo de industrialização, pelo exaurimento de sua finalidade e propriedades, o que exige sua constante substituição. Sobre o assunto, assim conclui o renomado jurista Professor Humberto Ávila, em parecer encomendado pelo Sindicato Nacional das Indústrias de Cimento, ao qual a RECORRENTE se submete (Doc. 01): 3.1. A interpretação conferida pelo Supremo Tribunal Federal adotou uma concepção material-funcional de crédito para a não-cumulatividade do IPI. Sendo assim, são dois os critérios para a definição acerca do direito de crédito de um determinado insumo para fins de creditamento de IPI: o primeiro, o critério da vinculação do produto adquirido ao processo de industrialização que abrange os produtos que são materialmente incorporados aos produtos industrializados (integração); e, o segundo, o critério da vinculação do produto adquirido ao processo de industrialização que abrange os produtos que são materialmente consumidos no processo de industrialização (consumição). 3.2. Os refratários cumprem estes dois critérios com relação à indústria de cimento. Em primeiro lugar, os refratários cumprem com o critério de integração, porque são materialmente incorporados ao produto industrializado(cimento) durante o processo produtivo. O material refratário é capaz de suportar a ação de sólidos, líquidos ou gases corrosivos presentes em altas temperaturas, sendo essencial para a atividade de produção do cimento. Por isso mesmo, os refratários são aplicados na linha de clinquerização e são utilizados na fábrica em diversos locais, desde a torre de ciclones e os fornos, até o resfriamento. Sua aplicação é feita na parte interna dos equipamentos em forma de tijolo, concreto e argamassa, atuando na proteção da parte estrutural e metálica contra a abrasão, corrosão e temperatura. Como material sofre desgaste durante o processo industrial e encontra-se em contato direito com a matéria-prima, os resíduos decorrentes do seu desgaste acabam fazendo parte do produto final. 3.3. Em segundo lugar, os refratários cumprem com o critério da consumição, porque além de se integrarem o produto industrializado, são consumidos durante o processo de fabricação do cimento, através de seu desgaste durante a sua utilização como protetor térmico, abrasivo e corrosivo dos equipamentos. Sua utilização, portanto, passa necessariamente pelo seu consumo no processo industrial, ao longo de toda a cadeia de produção do cimento. (...) Fl. 450DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.901 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.900077/2015-61 12 E nem se diga que os refratários não podem ser considerados como produto intermediário para fins de creditamento do IPI em razão do seu desgaste ocorrer de forma acidental no processo produtivo. Primeiramente porque, os refratários que compõe os fornos e panelas industriais entram em contato direto com o produto fabricado e, ainda que acidentalmente, desgastam-se direta e integralmente na produção, incorporando-se ao produto fabricado. Segundo porque, conforme apontado alhures, a legislação ordinária (artigo 226, I, do RIPI/2010) não especifica a forma de consumo do produto intermediário para fins de creditamento do imposto, apenas exigindo que seja consumido no processo de industrialização. Portanto, os materiais refratários possuem sim essência de produto intermediário e são indispensáveis ao processo produtivo da ora RECORRENTE. Destarte, verifica-se claramente que o entendimento perfilhado pela Autoridade Fiscal vai de encontro ao disposto na legislação ordinária. Com efeito, os materiais refratários têm natureza de produtos intermediários e não simplesmente de partes e peças que revestem os maquinários utilizados para a produção do cimento. (...) Na etapa de clinquerização, conforme já demonstrado alhures no tópico relativo à Atividade da Empresa, ocorre o cozimento da mistura do calcário (farinha)no forno rotativo, à altas temperaturas (1450ºC). O forno usado para clinquerização consiste basicamente em um cilindro com comprimento e diâmetro variáveis de acordo com o tipo de processo utilizado. O cumprimento do forno depende principalmente do tempo necessário para se elevar os materiais à temperatura de clinquerização. A parte externa do forno, a qual fica em contato com o ambiente externo, é composta por uma chapa de aço, cuja espessura varia com o cumprimento do forno. Devido às altas temperaturas existentes dentro do forno durante o processo de fabricação do clínquer, é necessário proteger e revestir a carapaça de aço do forno com uma camada de material refratário, formando dois cilindros concêntricos e em contato (justapostos), conforme imagem ilustrativa colacionada abaixo. Sem qual proteção a carcaça de aço se desintegraria em poucas horas, conforme evidencia o Laudo de nº 20.888-301, elaborado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas, a pedido do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento, do qual a RECORRENTE é parte integrante. (...) Além disso, os refratários têm função de diminuir as perdas de calor por radiação e convecção da estrutura de aço do forno, com como absorver a energia térmica Fl. 451DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.901 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.900077/2015-61 13 dos gases quentes do forno e cedê-la ao material. Num forno rotativo, o refratário consiste em tijolos de composição e tamanho especiais. A estratégia por trás do sistema de queima dos fornos rotativos é reduzir o consumo de energia, assegurar a operação estável do forno, assegurar a qualidade do clínquer produzido e, ainda, que não haja redução nas condições dentro da zona de queima onde acontecem as principais reações de clinquerização. Cumpre ressaltar que mesmo em excelentes condições de operação é comum que os refratários sofram desgaste. A principal causa de desgaste pode ser atribuída aos fatores térmicos, mecânicos e químicos, que atuam de forma isolada ou, mais frequentemente, em combinação. Embora não apresentando nenhuma avaliação estatística, a principal causa de desgaste é de natureza química, originada do ataque dos silicatos presentes no clínquer e das condições redutoras do interior do forno. Considerando este desgaste do revestimento refratário, existe a substituição dos tijolos refratários do forno de clínquer de forma parcial, ou seja, na parada para manutenção são inseridas peças de reposição, sem as quais não é possível continuar produzindo clínquer no forno. O desgaste do revestimento refratário é uma ocorrência indesejável, nº entanto inevitável, já que o clínquer entra em contato direto com os tijolos quando a camada se “cola” ao refratário acaba sendo perdido. Assim, os materiais refratários são produtos que acabam sendo consumidos no processo produtivo. No caso dos Tijolos, principal material desta categoria, é responsável por realizar as tarefas de isolar o calor com a finalidade de aumentar a eficiência térmica do processo, e também de proteger o desgaste da carapaça de metal do fornº rotativo. Já os demais materiais desta categoria (Concreto, X-Concreto, Argamassa, Hormgon) são compostos por uma mistura de água, cimento e agregados. A função destes é a fixação e assentamento dos tijolos no forno de clinquerização. Em outras palavras tanto os tijolos como as “pastas” (Concreto, XConcreto, Argamassa, Hormgon) são utilizados para recompor o desgaste causado pelo processo de produção do clínquer. Em resumo verificamos nesta breve descrição que o MATERIAL REFRATÁRIO detém as seguintes características: a) Sua finalidade é evitar a dispersão do calor no Forno de Clínquer, aumentando a eficiência térmica, bem como preservando a carapaça metálica do mesmo. Fl. 452DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.901 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.900077/2015-61 14 b) São desgastados e consumidos com o processo de fabricação do cimento, por causa dos fatores térmicos (cerca de 1450ºC), mecânicos e químicos. c) São indispensáveis ao processo produtivo, uma vez que sem sua utilização demandaria um custo maior de produção decorrentes da perda de eficiência e desgaste de peças. Diante destas características dos materiais em questão verificamos que se desgastam e se consomem no processo produtivo, e consequentemente se enquadram perfeitamente no conceito de produtos intermediários trazidos pelo RIPI (artigo 226, inciso I, do RIPI/2010) como insumos CONSUMIDOS NO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. Já os corpos moedores e bolas de aço atuam diretamente na moagem da farinha e do clínquer, mediante contato físico contínuo e abrasivo com o produto em elaboração, sendo igualmente consumidos ao longo do processo produtivo: Os corpos moedores são utilizados diretamente nos moinhos para moagem da farinha e cimento. Trata-se de pequenas esferas rígidas que se misturam com a farinha e o cimento de modo que sua pressão resulte na trituração dos referidos produtos, conforme se depreende pelas conclusões do Parecer do Professor Humberto Ávila, que ora se anexa à presente minuta (Doc. 02). Os corpos moedores utilizados na máquina de moagem também devem ser repostos em curtos períodos de tempo, em razão de se desgastarem e serem consumidos na etapa de moagem do clínquer com o gesso. Como dito, essas bolas atuam dentro da máquina de moagem, a fim de triturar a mistura pelo atrito direto com o produto que está sendo fabricado, para torná-lo o mais fino possível. Neste espeque, inegável é o fato de que os corpos moedores se desgastam no processo de industrialização de cimento. Tanto assim é que a RECORRENTE, corriqueiramente, necessita adquirir quantidade expressiva desse material para a continuidade do seu processo produtivo. Sendo assim, os corpos moedores são consumidos integralmente durante a produção do cimento, gerando direito ao crédito de IPI, nos termos da legislação de regência (RIPIs 2002 e 2010; art. 49 do CTN e CF/88). (...) As bolas de aço são utilizadas no processo de Moagem do Clínquer, material intermediário resultado do forno rotativo que deverá ser moído até atingir a granulometria adequada (tamanho de seus grãos), inferior a 0,03mm. É nessa etapa da fabricação que são misturados o clínquer, o gesso e outras possíveis adições (como calcário aditivo e escória), cuja moagem a seco dá origem ao cimento Portland. As adições feitas determinam o tipo de cimento Portland, assim como a finura do material moído influencia a resistência e a qualidade do cimento produzido. Fl. 453DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.901 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.900077/2015-61 15 Os moinhos de bolas trabalham com uma alimentação de material na faixa de 1,2mm a 0,6mm e podem gerar um produto tão fino quanto se queira. Esses moinhos trabalham com cerca de 35% a 50% do volume útil preenchido por bolas. De acordo com a velocidade utilizada, o regime de operação do movimento da carga dentro do moinho será classificado como cascata ou catarata e essa variável influencia na potência requerida pelo moinho. Vemos na figura abaixo: (...) Com o passar do tempo, estas bolas sofrem desgastes que alteram o seu funcionamento, em razão de vários eventos que podem ocorrer em conjunto, danificando-as. Abaixo seguem listados estes eventos: (...) Em consequência disso, é necessária a reposição das bolas utilizadas nos Moinhos de Bolas, conforme bem evidencia o Parecer Técnico nº 20886-301 solicitado pelo Sindicado Nacional da Indústria do Cimento – SNIC, entidade da qual a RECORRENTE faz parte. Embora seja possível adicionar bolas novas, de maior tamanho ao moinho para equalizar e otimizar a carga exigida para a efetiva trituração do Clínquer, as bolas de tamanho reduzido devem obrigatoriamente ser substituídas, em verdade, em prazo inferior a 12 meses. Assim, concluímos que as BOLAS MOEDORAS são consumidas nº processo de fabricação do cimento, podendo ser consideradas sim produtos intermediários que são consumidos no processo produtivo da RECORRENTE, embora não se incorporem ao produto final, tal como foi a conclusão do Parecer Técnico nº 20886-301: Desta forma, o conjunto de dados coletados, obtidos e analisados nº presente trabalho, associado aos da literatura especializada possibilita indicar, genericamente, que as bolas de moinho: a) são insumos utilizados na fabricação do cimento como corpo moedor na moagem de farinha e/ou de clínquer b) entra em contato com a farinha e/ou clínquer durante o processo de moagem, sendo parcialmente consumido devido ao desgaste inerente que ocorre nessa etapa do processo de fabricação de cimento Portland. Diante destas características dos materiais em questão verificamos que se consomem no processo produtivo, e consequentemente, se enquadram perfeitamente no conceito de produtos intermediários trazidos pelo RIPI (artigo 226, inciso I, do RIPI/2010). E por esta razão, os créditos de IPI decorrente da aquisição das BOLAS MOEDORAS devem ser reconhecidos e mantidos em favor da RECORRENTE, dado sua essencialidade e consumo efetivo no processo produtivo do cimento. Fl. 454DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.901 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.900077/2015-61 16 A questão foi inclusive reconhecida pela própria DRJ, que expressamente admitiu a ocorrência de contato físico e desgaste dos materiais refratários e das bolas de aço no curso do processo produtivo, limitando-se a afastar o direito creditório sob o fundamento de que tais itens integrariam máquinas e equipamentos industriais: Por conseguinte, fica claro que “máquinas, equipamentos e instalações, bem como suas partes, peças e acessórios e ferramentas não se confundem com as matérias-primas e produtos intermediários”. As partes e peças de máquinas adquiridas para reposição ou restauração, ainda que não sejam incorporadas ao ativo imobilizado e mesmo que tais partes e peças se desgastem, se consumam ou percam suas propriedades no processo de industrialização em razão do contato que exercem sobre o produto em fabricação ou que este produto exerce sobre elas, não geram direito ao crédito de IPI. E os materiais refratários (concreto, tijolos e massa) estão compreendido na categoria de “máquinas, equipamentos e instalações, suas partes, peças e acessórios”. Também os são as bolas de aço. Não se questiona que o material refratário tem contato com o produto, o mesmo com relação às bolas de aço, nem mesmo se há o desgastes destes materiais. Porém, este contato\desgaste não tem o objetivo de agregar nada ao produto, nem mesmo alterar sua característica especial. A substituição do material refratário danificado é um custo de manutenção do equipamento, constituindo um dos itens obrigatórios dos orçamentos financeiros das indústrias. Ele se desgasta com o uso do equipamento. Não aumenta sua vida útil, apenas o mantém em funcionamento. Portanto, embora sejam repostos com frequência devido às altíssimas temperaturas a que são submetidos, os refratários guardam similaridade não com matéria-prima e produto intermediário, mas sim com os bens do ativo permanente, pois apenas recondicionam os equipamentos ao seu estado funcional, restabelecendo a sua condição de uso. Portanto, não há possibilidade de crédito do IPI incidente sobre o material refratário. O mesmo deve-se observar com relação às bolas de aço, que fazem parte do moinho de cimento e têm a finalidade de triturar a matéria prima. Estas sofrem desgaste de forma indireta, pela própria ação do equipamento, sendo seu contato com a matéria prima de forma incidental. Embora essenciais ao processo produtivo, este produto faz parte da máquina ou equipamento (ativo permanente). Portanto, correta a glosa. Todavia, conforme já demonstrado, a tese vinculante firmada no REsp nº 1.075.508/SC – posteriormente consolidada na Súmula CARF nº 242 – não estabelece vedação Fl. 455DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.901 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.900077/2015-61 17 absoluta ao creditamento relativo a componentes de maquinário industrial. Ao contrário, a restrição ao aproveitamento dos créditos encontra-se condicionada à caracterização do bem como integrante do ativo imobilizado. Nesse contexto, afastada a premissa adotada pela DRJ, e uma vez reconhecidos o contato físico e o desgaste sofrido pelos materiais refratários, corpos moedores e pelas bolas de aço no curso do processo produtivo, deixam de subsistir fundamentos aptos a justificar a manutenção da glosa. 3. Dispositivo Pelo exposto, voto por rejeitar as preliminares e no mérito dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas relativas aos gastos com materiais refratários, corpos moedores e bolas de aço. Assinado Digitalmente Marina Righi Rodrigues Lara VOTO VENCEDOR Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, redator designado. Com as vênias de estilo, em que pese o voto muito bem fundamentado da Conselheira Relatora Marina Righi Rodrigues Lara, ouso dela discordar quanto à sua decisão de reverter as glosas relativas aos gastos com materiais refratários e corpos moedores. Explico. Consta do voto da ilustre Relatora os seguintes fundamentos para sua decisão: No que tange aos materiais refratários e corpos moedores, verifico que os elementos constantes dos autos demonstram que tais itens não atuam apenas como componentes passivos ou meramente estruturais dos equipamentos industriais, mas participam diretamente das etapas essenciais do processo produtivo do cimento, submetendo-se continuamente ao contato físico com o produto em elaboração e às severas condições térmicas, químicas e abrasivas inerentes à industrialização. No caso dos refratários, restou demonstrado que estes mantêm contato direto com o clínquer durante a etapa de clinquerização, sofrendo desgaste progressivo decorrente da ação térmica, química e mecânica exercida pelo próprio material em fabricação, exigindo substituição periódica em prazo inferior a 12 meses. Os refratários são empregados nas indústrias de cimento e de Construção Civil para o isolamento térmico dos fornos e panelas industriais, com a finalidade de evitar a perda de calor para o ambiente externo, possibilitando, assim, a Fl. 456DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.901 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.900077/2015-61 18 manutenção das temperaturas internas desses fornos necessários ao processo de cozimento da mistura de calcário que dará origem ao cimento. Vale mencionar, inclusive, que todos os materiais refratários sob exame, além de serem indispensáveis ao processo produtivo, entram contato direto com o produto em fabricação. Impende, pois, notar, que, por sua relevância no processo produtivo industrial, especialmente no processo do cimento e da construção civil, os materiais refratários são inequivocamente classificados como produtos intermediários ou secundários, empregados diretamente no processo de industrialização, nele se consumindo, ou, simplesmente, tornando-se inutilizável em decorrência do processo de industrialização, pelo exaurimento de sua finalidade e propriedades, o que exige sua constante substituição. (...) Já os corpos moedores e bolas de aço atuam diretamente na moagem da farinha e do clínquer, mediante contato físico contínuo e abrasivo com o produto em elaboração, sendo igualmente consumidos ao longo do processo produtivo: Os corpos moedores são utilizados diretamente nos moinhos para moagem da farinha e cimento. Trata-se de pequenas esferas rígidas que se misturam com a farinha e o cimento de modo que sua pressão resulte na trituração dos referidos produtos, conforme se depreende pelas conclusões do Parecer do Professor Humberto Ávila, que ora se anexa à presente minuta (Doc. 02). Os corpos moedores utilizados na máquina de moagem também devem ser repostos em curtos períodos de tempo, em razão de se desgastarem e serem consumidos na etapa de moagem do clínquer com o gesso. Como dito, essas bolas atuam dentro da máquina de moagem, a fim de triturar a mistura pelo atrito direto com o produto que está sendo fabricado, para torná-lo o mais fino possível. Neste espeque, inegável é o fato de que os corpos moedores se desgastam no processo de industrialização de cimento. Tanto assim é que a RECORRENTE, corriqueiramente, necessita adquirir quantidade expressiva desse material para a continuidade do seu processo produtivo. Sendo assim, os corpos moedores são consumidos integralmente durante a produção do cimento, gerando direito ao crédito de IPI, nos termos da legislação de regência (RIPIs 2002 e 2010; art. 49 do CTN e CF/88). (...) Todavia, conforme já demonstrado, a tese vinculante firmada no REsp nº 1.075.508/SC – posteriormente consolidada na Súmula CARF nº 242 – não estabelece vedação absoluta ao creditamento relativo a componentes de maquinário industrial. Ao contrário, a restrição ao aproveitamento dos créditos encontra-se condicionada à caracterização do bem como integrante do ativo imobilizado. Fl. 457DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.901 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.900077/2015-61 19 Nesse contexto, afastada a premissa adotada pela DRJ, e uma vez reconhecidos o contato físico e o desgaste sofrido pelos materiais refratários, corpos moedores e pelas bolas de aço no curso do processo produtivo, deixam de subsistir fundamentos aptos a justificar a manutenção da glosa. Sobre o tema, este Conselho publicou a Súmula CARF nº 242: Afasta-se o direito ao creditamento de IPI de bens que não se incorporam ao produto final nem são imediata e integralmente consumidos em razão de um contato direto com o produto em elaboração, conforme os fundamentos da decisão do STJ no Recurso Especial nº 1.075.508/SC. O STJ, por sua vez, também consolidou seu entendimento sobre a matéria nos termos do REsp 1.075.508/SC (Tema Repetitivo 168), Relator Ministro Luiz Fux, julgamento em 23/09/2009 sob a sistemática dos recursos repetitivos: EMENTA PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. RATIO ESSENDI DOS DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98. 1. A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização não gera direito a creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (...). 2. Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditar-se do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se "aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente". 3. In casu, consoante assente na instância ordinária, cuida-se de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. TESE JURÍDICA Fl. 458DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.901 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.900077/2015-61 20 "A aquisição de bens integrantes do ativo permanente da empresa não gera direito a creditamento de IPI". Em seu voto, o Ministro fundamentou sua decisão nos seguintes termos: O ponto nodal da atual controvérsia cinge-se à possibilidade de creditamento, a título de IPI, dos valores decorrentes da aquisição de bens destinados ao uso e consumo e ao ativo fixo do estabelecimento que, apesar de não integrarem fisicamente o produto final nem se desgastarem por ação direta - física ou química -, sofrem desgaste indireto no processo produtivo, integrando-se financeiramente ao produto final. A sentença bem concluiu, ao vaticinar que: "... não é todo o IPI pago pelas indústrias que gera creditamento. A legislação do IPI limita o creditamento aos produtos intermediários utilizados na produção de bens industriais, isto é, produtos que tenham contato físico direto com o bem produzido - produtos que embora não se integrando ao novo produto são consumidos no processo de industrialização. Note-se que a doutrina e a jurisprudência também adotam o conceito de crédito físico para reconhecer o direito ao creditamento. No caso, as notas fiscais de fls. 31 a 42 indicam a compra de 'anel retenção', 'rol esfera', 'rolos con.', 'voluta em fofo inferior', 'rotor em bronze', 'selo mecânico metal duro', 'rolamento', 'facas retas', 'cilindro polido', 'jogo de palheta', 'rodizio', 'ogiva mecânica com contado para controlar' e 'palheta delta', produtos estes que não são consumidos no processo de industrialização (consigne-se que a inicial não veio acompanhada de descrição do processo produtivo da empresa), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final. Não há, portanto, que se confundir o consumo do produto com o mero desgaste do produto. (...) Deveras, ao proferir voto-vista no Recurso Especial 608.181/SC, destaquei que: "Trata-se de recurso especial interposto por Fábio Perini S/A Indústria e Comércio de Máquinas, com fulcro na alínea "a", do permissivo constitucional, com o intuito de ver reformado acórdão proferido pelo egrégio Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que negou provimento à apelação da empresa ora recorrente, nos termos da ementa a seguir transcrita: (...) Tais bens e insumos, designados genericamente como matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, são inúmeros, tendo o vetusto Parecer Normativo CST n° 181/74 elencado os seguintes: Fl. 459DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.901 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.900077/2015-61 21 'Entre outros, admitem o crédito do imposto, desde que utilizados na fabricação de produtos tributados: varetas de latão, ferro e estanho, eletrodos e oxigênio, utilizados em solda; abrilhantadores, ácidos, bissulfito de sódio, carbonatos, cianetos, sais, cloretos, sulfatos e outras substâncias empregadas na formação de banhos para cromagem e niquelagem de peças; terra diatomácea sulfato ferroso, carvão ativo e ativado e placas filtrantes, empregados na filtragem de bebidas e que se utilizam ao término de cada etapa do processo industrial; soda cáustica, detergentes e sabões, utilizados na lavagem de garrafas; lixas para polimento de artefatos de madeira e metal, que se inutilizam ao término de cada etapa do processo industrial: bentonita, carvão Cardiff, 'espaguete de cera de camaúba', mogul, corfix, óleo de oiticica, 'terra tipo Lisboa', óxido de ferro, silicato de sódio alcalino e outros produtos que se consomem nas areias de moldagem, bem como placas refratárias para canais de lingoteiras, materiais esses empregados em processos de fundição de peças de metal, quando se inutilizam ao término de cada etapa do processo industrial'. (...) Destarte, a interpretação sistemática do art. 147 do Regulamento do IPI (Decreto nº 2.637/88) revela a expressa vedação à utilização de créditos do IPI oriundos da aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa, não se vislumbrando a ofensa aos dispositivos legais apontados. Neste sentido, confiram-se, à guisa de exemplo, os seguintes julgados desta Corte: (...) Não prospera a alegação de que restou malferido o comando do artigo 49 do CTN, pois, consoante asseverou o nobre relator do v. acórdão objurgado, o Regulamento do IPI (art. 147, do Decreto n. 2.637/98) veda expressamente o aproveitamento dos bens do ativo permanente da empresa, mesmo se houver seu natural desgaste no curso do processo de industrialização. Aplicam-se os mesmos fundamentos, dessarte, para o não conhecimento do recurso pela letra "c". (grifo nosso) Recurso especial do contribuinte não conhecido." (RESP 497.187/SC, Rel. Min Franciulli Netto, DJ de 08.09.2003) Com essas considerações, ACOMPANHO o relator para negar provimento ao recurso especial." (...) In casu, consoante assente na instância ordinária, cuida-se de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. Com essas considerações, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL. Fl. 460DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.901 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.900077/2015-61 22 Nesse mesmo sentido, acórdão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região em Remessa Necessária no processo nº 92.03.027763-3, julgado em 12/06/2008, publicação no DJ em 10/07/2008, Turma Suplementar da 2ª Seção: Na mesma linha de considerações, também não se oportuniza o creditamento do imposto incidente sobre os chamados bens instrumentais da produção, e muito menos o abatimento relativo a seu desgaste físico ou econômico, mediante depreciação, como se vê no caso do IRPJ e agora também para as contribuições devidas ao PIS/PASEP e à COFINS, cujas leis, expressamente, contemplaram a possibilidade. Demonstram as lições do Professor Alcides Jorge da Costa que o IPI brasileiro caracteriza-se como aquele imposto de valor acrescido tipo produto bruto, onde a base global do tributo equivale ao total das vendas de varejo mais as vendas de bens instrumentais, ou, em síntese mais apertada, onde não se permite a dedução dos chamados bens instrumentais de produção (obra já citada). (...) Acrescenta ainda que o C. STF colaborou casuisticamente na construção do sistema do crédito físico, negando que pudesse haver o aproveitamento do imposto correspondente à operação anterior com inúmeras mercadorias, como, por exemplo: os sacos e sacolas gratuitamente fornecidos por estabelecimentos comerciais aos seus fregueses; corpos moedores que não se desgastam no processo de produção de cimento; mercadorias adquiridas para consumo próprio; cimento, pregos e material elétrico utilizado na construção de prédios ou na construção de base para assentamento de máquinas. (obra já citada). Por fim, trouxe o escólio de Cesare Cosciani elucidando que no sistema do crédito físico ‘deduzem-se do valor da produção unicamente os bens ou mercadorias que se incorporam fisicamente ao bem obtido, excluindo-se todos aqueles gastos que embora indispensáveis para a produção do bem gravado, não se exteriorizam fisicamente no bem produzido (gastos com instalações, fábricas, imóveis, fontes de energia, transporte, investigações e estudos, patentes, publicidade etc). (obra já citada) Tenha-se, portanto, esta opção do constituinte, desde os albores da EC n° 18/65, bem gravada, durante a análise de qualquer abordagem acerca do tema. A opção constitucional foi pela sistemática de um imposto do tipo bruto, onde não se admite a dedução dos custos ou impostos tidos com a aquisição dos bens de capital. (...) Esta orientação confirma entendimento do extinto TFR, firmado pouco ante da transformação daquela E. Corte no atual Sodalício, que restou assim ementado: Fl. 461DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.901 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.900077/2015-61 23 “EMBARGOS A EXECUÇÃO - IPI - CERTIDÃO DE DÍVIDA ATIVA PRINCÍPIO DE NÃO CUMULATIVIDADE - TIJOLOS REFRATARIOS - CERTIDÃO DE DÍVIDA ATIVA QUE REUNE OS REQUISITOS DO ART. 202 DO CTN. - A DEDUÇÃO DO IMPOSTO PAGO ANTERIOMENTE SOMENTE PODERA OCORRER SE SE TRATAR DE INSUMOS QUE SE INCORPORAM AO PRODUTO FINAL OU, NÃO SE INCORPORANDO, SÃO CONSUMIDOS NO CURSO DO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO, DE FORMA IMEDIATA E INTEGRAL. TIJOLOS REFRATARIOS, UTILIZADOS NO REVESTIMENTO DO FORNO, NÃO SE INCLUEM NA CATEGORIA DE PRODUTOS INTERMEDIARIOS, PORQUE INTEGRAM UM EQUIPAMENTO, EM BEM DE CAPITAL E NÃO SE CONSOMEM, DE FORMA IMEDIATA E INTEGRAL, NA OPERAÇÃO, MAS DESGASTAM-SE, COM O CORRER DO TEMPO E PORQUE SUBMETIDOS A ALTAS TEMPERATURAS. O FATO DE QUE DEVEM SE SUBSTITUIDOS, PERIODICAMENTE, NÃO AUTORIZA AFIRMAR-SE QUE SE INCLUEM NO ROL DAS MATERIAS PRIMAS OU PRODUTOS INTERMEDIARIOS. - APELAÇÃO DA EMBARGANTE IMPROVIDA. (...) No âmbito do Augusto Pretório, colhemos os seguintes arestos: IPI. NÃO CUMULATIVIDADE. TIJOLOS REFRATARIOS. PRODUÇÃO DE ACO, ART- 49 DO CTN. O DESGASTE NATURAL DO FORNO OU DAS MÁQUINAS, NÃO SE SUJEITA A INCIDENCIA DO IPI, DEDUTIVEL DO IMPOSTO DE RENDA, PELO QUE NÃO PODE SER DEDUZIDO DO IPI A SER PAGO. RE NÃO CONHECIDO. (RE 93768 / MG - MINAS GERAIS RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. CORDEIRO GUERRA Julgamento: 26/03/1982 Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA) -TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. PRODUTOS INTERMEDIARIOS QUE SE CONSOMEM NA FABRICAÇÃO DO CIMENTO. A PALAVRA "CONSUMIDOS", NO ART. 32, I, DO REGULAMENTO, DECRETO 70.162, DE 18.2.72, INDICA A ABSORÇÃO DO PRODUTO EM TERMOS RELATIVOS CONSIDERAVEIS, E NÃO O MERO DESGASTE PAULATINO DE PARTES DA INSTALAÇÃO, COMO O REVESTIMENTO TERMICO QUE SE SUBSTITUI DE TRES EM TRES ANOS. (RE 96934 / MG - MINAS GERAIS RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. DECIO MIRANDA Julgamento: 21/09/1982 Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA) Constata-se assim que em face do método eleito pelo constituinte, desde a EC. 18/65, imposto sobre imposto, o mais imperfeito daqueles elaborados pela doutrina, a partir do IVA existente no continente europeu e do crédito físico, que somente admite o creditamento dos valores alusivos às matérias primas e produtos intermediários efetivamente integrados no produto final, assim como do material de embalagem para tanto utilizado, não se poderia, sem expressa previsão legal, admitir-se a providência posto que no caso dos tijolos refratários não se implementa a sua consunção durante a elaboração do produto final e sim Fl. 462DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.901 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.900077/2015-61 24 o desgaste do mesmo, o qual sabemos, decorre das altas temperaturas a que submetidos, e não do aço daí resultante. Existem ainda outros precedentes do STJ sobre o tema: a) REsp 608.181/SC, Relator Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, Órgão Julgador Primeira Turma, julgamento em 06/10/2005: EMENTA TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO DE VALORES PAGOS NA AQUISIÇÃO DE BENS DE USO E CONSUMO UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. DESGASTE INDIRETO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO AO CRÉDITO. 1. "A dedução do IPI pago anteriormente somente poderá ocorrer se se tratar de insumos que se incorporam ao produto final ou, não se incorporando, são consumidos no curso do processo de industrialização, de forma imediata e integral". (RESP 30.938/PR, Rel. Min. Humberto Gomes De Barros, DJ de 07.03.1994; RESP 500.076/PR, Rel. Min. Francisco Falcão, 1ª Turma, DJ de 15.03.2004). 2. No caso dos autos, ficou assentado que os bens de uso e consumo sofreram desgaste indireto no processo produtivo, não sendo cabível o creditamento do IPI pago na sua aquisição. 3. Recurso especial a que se nega provimento. b) AgInt no AREsp 2.963.154-RS, Relator Ministro BENEDITO GONÇALVES, publicação no DJEN em 19/12/2025: Quanto à questão de fundo, a Corte de origem, após ampla análise do conjunto fático-probatório, firmou compreensão de que os objetos e instrumentos utilizados pela embargante no processo produtivo não são produtos intermediários, e tampouco são consumidos no processo produtivo. Nesse sentido, destaca-se do acórdão proferido no julgamento dos aclaratórios (fl. 316): "Em relação ao mérito da causa, tampouco existem no acórdão impugnado as contradições nele apontadas pela embargante. Isso porque a embargante descreve claramente na petição inicial que fabrica, vende e exporta artefatos metalúrgicos, consistentes em porcas, parafusos, arruelas e pinos, e que no processo produtivo de tais produtos são utilizados principalmente martelos e ferramentas de forma, e ainda estampos, insertos ou pastilhas de usinagem, pentes laminadores e rolos laminadores. Nada, portanto, de difícil compreensão, mormente porque a embargante explica a função dos instrumentos e objetos utilizados no processo produtivo. (...) Ora, não há nenhuma contradição nas conclusões adotadas pelo acórdão quanto ao mérito da causa, uma vez que os objetos e instrumentos utilizados pela Fl. 463DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.901 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.900077/2015-61 25 embargante no processo produtivo (principalmente martelos e ferramentas de forma, e ainda estampos, insertos ou pastilhas de usinagem, pentes laminadores e rolos laminadores) não são produtos intermediários, porque não integram o novo produto (as porcas, os parafusos, as arruelas e os pinos), e tampouco são consumidos no processo produtivo mesmo, embora sofram nele desgaste. À mesma conclusão chegara a sentença: (...) Não parece difícil compreender que um martelo (instrumento) não pode ser produto intermediário de uma porca (produto final), como também não é difícil compreender que esse mesmo martelo utilizado para fabricar a porca não é consumido nesse processo produtivo, embora nele sofra desgaste." (grifei) (...) Ante o exposto, dou provimento ao agravo interno para, exercendo o juízo de retratação, tornar sem efeito a decisão de fls. 441/442 (art. 259, § 6º do RISTJ, combinado com o § 2º do artigo 1.021 do CPC/2015), e com fundamento no art. 932, III, IV, V do CPC/2015, conheço do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nesta extensão, nego-lhe provimento. c) REsp 2.235.579-GO, Relator Ministro TEODORO SILVA SANTOS, publicação no DJEN em 19/11/2025: No mérito, Corte de origem solucionou a controvérsia, nos seguintes termos (fl. 145): (...) Nesse diapasão, a recorrente, indústria de laticínios, deseja ver reconhecido o direito à compensação de crédito do IPI incidente sobre máquinas e apetrechos empregados no processo produtivo, tais como: resistência de aquecimento, sensores, anel de vedação, amortecedor a gás, dentre outros. Importa observar, nessa perspectiva, que o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditar-se do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se ‘aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente’. Ora, na hipótese vertente, cuida-se de estabelecimento industrial que adquire produtos que não são consumidos no processo de industrialização, mas que são componentes do maquinário, que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo, cujo preço de depreciação já integra a planilha de custos do produto final, razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. Fl. 464DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.901 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.900077/2015-61 26 Quanto à tese recursal referente ao creditamento de IPI sobre bens integrantes do ativo permanente e insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorre de forma imediata e integral, o entendimento firmado no acórdão recorrido, no sentido de que “A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização, não gera direito a creditamento de IPI, conforme prescreve o art. 164, I, do Decreto 4.544/2002”, encontra-se em consonância com a jurisprudência desta Corte Superior, conforme se extrai dos seguintes julgados (fl. 143): (...) Ademais, ao decidir sobre o creditamento de IPI relativamente a bens utilizados no processo produtivo (produtos intermediários) versus bens do ativo permanente, a Corte a quo, com base no acervo fático-probatório dos autos, concluiu que "[...] na hipótese vertente, cuida-se de estabelecimento industrial que adquire produtos que não são consumidos no processo de industrialização, mas que são componentes do maquinário, que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo, cujo preço de depreciação já integra a planilha de custos do produto final, razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI." (fls. 142- 146). d) REsp 1.958.148-CE, Relator Ministro PAULO SÉRGIO DOMINGUES, publicação no DJEN em 09/06/2025: O ponto controvertido é se os produtos de limpeza dos equipamentos utilizados pela empresa recorrente para produção dos refrigerantes podem gerar direito ao crédito de IPI. Assim decidiu o Tribunal de origem (fl. 6.561): (...) No caso em apreço, a Embargante pretende o creditamento de IPI em relação a produtos de limpeza (lubrificantes de esteiras à base de sabão, sabonete líquido para assepsia das mãos, detergente desengordurante de alta espuma, gel alcoólico para mãos e detergente desincrustante alcalino para limpeza de equipamentos e superfícies em geral), que servem para higienização de máquinas e equipamentos. Assim, é evidente que os referidos produtos não são incorporados ou consumidos diretamente no processo produtivo de refrigerantes, de modo que não geram direito ao crédito. O Superior Tribunal de Justiça se posiciona no sentido de que a possibilidade de obtenção de créditos do IPI somente se aplica aos casos em que, durante o processo de industrialização, os produtos intermediários e as matérias-primas Fl. 465DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.901 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.900077/2015-61 27 adquiridos pelo contribuinte se incorporarem ao produto final ou cujo desgaste ocorra de forma imediata e integral. (...) O acórdão recorrido está em sintonia com a jurisprudência desta Corte, não merecendo reforma. Portanto, resta claro, a partir da descrição dos bens para os quais se pleiteia o direito ao creditamento de IPI, no caso, materiais refratários e corpos moedores, que estes bens não sofrem desgaste imediato e integral no processo produtivo, mas desgastam-se com o correr do tempo e porque submetidos a altas temperaturas, dentre outras condições normais de operação. O fato de que devem ser substituídos periodicamente não autoriza afirmar-se que se incluem no rol das matérias-primas ou produtos intermediários (mesma situação das bolas de aço, mas, para estes bens, a maioria dos conselheiros votou pelo provimento do recurso). Conforme precedentes acima colacionados, a palavra "consumidos", no Regulamento do IPI, indica a absorção do produto em termos relativamente consideráveis, e não o mero desgaste paulatino de partes da instalação, como o revestimento térmico que se substitui de tempos em tempos. Também seguindo os precedentes judiciais, deve ser observado que se cuida, neste presente caso, de estabelecimento industrial que adquire produtos que não são consumidos no processo de industrialização, mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste normal, natural e indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final, razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. Nesse contexto, voto por negar provimento quanto à reversão da glosa dos créditos de IPI referentes à aquisição de materiais refratários e corpos moedores. Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares Fl. 466DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Vencido Voto Vencedor

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Numero do processo: 10983.901983/2008-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Jul 16 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Exercício: 2004 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO NA FONTE. ANTECIPAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. A retenção na fonte possui natureza de antecipação do tributo devido no período de apuração. A compensação ou restituição somente é cabível quando demonstrada a efetiva formação de crédito líquido e certo em nome do sujeito passivo, com prova idônea de sua não apropriação nas apurações de origem. Inexistindo tal comprovação, não se reconhece crédito passível de restituição ou compensação. COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO NA FONTE. DARF INEXISTENTE. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. A mera alegação de retenção na fonte não basta para amparar declaração de compensação. Ausente a demonstração de crédito líquido e certo em nome do contribuinte, e verificada a instrução do pedido com referência incompatível com o regime legal aplicável, impõe-se a não homologação da compensação.
Numero da decisão: 3402-013.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidas as conselheiras Mariel Orsi Gameiro (relatora), Alessandra Lessa dos Santos e Cynthia Elena de Campos, que votaram por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o crédito pleiteado nos termos da informação fiscal produzida a partir da diligência determinada pelo CARF. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José de Assis Ferraz Neto. Assinado Digitalmente José de Assis Ferraz Neto - Redator designado Assinado Digitalmente Arnaldo Diefenthaeler Dornelles - Presidente e Redator Ad Hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alessandra Lessa dos Santos, Anselmo Messias Ferraz Alves, Cynthia Elena de Campos, Jose de Assis Ferraz Neto, Mariel Orsi Gameiro, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente). Conforme o art. 58, inciso III, do RICARF, o Presidente da 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, Conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, designou-se redator ad hoc para formalizar o presente acórdão, dado que a relatora original, Conselheira Mariel Orsi Gameiro, não mais integra o CARF. Como redator ad hoc apenas para formalizar o acórdão, o Conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles serviu-se das minutas de ementa, relatório e voto inseridas pela relatora original no diretório oficial do CARF, a seguir reproduzidas.
Nome do relator: MARIEL ORSI GAMEIRO

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RETENÇÃO NA FONTE. ANTECIPAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. A retenção na fonte possui natureza de antecipação do tributo devido no período de apuração. A compensação ou restituição somente é cabível quando demonstrada a efetiva formação de crédito líquido e certo em nome do sujeito passivo, com prova idônea de sua não apropriação nas apurações de origem. Inexistindo tal comprovação, não se reconhece crédito passível de restituição ou compensação. COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO NA FONTE. DARF INEXISTENTE. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. A mera alegação de retenção na fonte não basta para amparar declaração de compensação. Ausente a demonstração de crédito líquido e certo em nome do contribuinte, e verificada a instrução do pedido com referência incompatível com o regime legal aplicável, impõe-se a não homologação da compensação. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidas as conselheiras Mariel Orsi Gameiro (relatora), Alessandra Lessa dos Santos e Cynthia Elena de Campos, que votaram por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o crédito pleiteado nos termos da informação fiscal produzida a partir Fl. 361DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.049 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.901983/2008-04 2 da diligência determinada pelo CARF. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José de Assis Ferraz Neto. Assinado Digitalmente José de Assis Ferraz Neto – Redator designado Assinado Digitalmente Arnaldo Diefenthaeler Dornelles – Presidente e Redator Ad Hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alessandra Lessa dos Santos, Anselmo Messias Ferraz Alves, Cynthia Elena de Campos, Jose de Assis Ferraz Neto, Mariel Orsi Gameiro, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente). Conforme o art. 58, inciso III, do RICARF, o Presidente da 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, Conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, designou-se redator ad hoc para formalizar o presente acórdão, dado que a relatora original, Conselheira Mariel Orsi Gameiro, não mais integra o CARF. Como redator ad hoc apenas para formalizar o acórdão, o Conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles serviu-se das minutas de ementa, relatório e voto inseridas pela relatora original no diretório oficial do CARF, a seguir reproduzidas. RELATÓRIO Por bem retratar os fatos e direitos debatidos no presente processo administrativo fiscal, peço vênia para me utilizar do relatório constante à Resolução nº 3402000.599: Versa este processo de Declaração de Compensação não homologada pela unidade de origem sob o fundamento de que inexistia o crédito informado, pois o DARF discriminado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Ou seja, o DARF indicado pela Recorrente como originário do pagamento indevido ou a maior não foi encontrado pela RFB. Cientificado da não homologação nos termos expostos no Despacho Decisório, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, trazendo fundamentos que lhe permitiam sustentar o direito a compensação na forma realizada, demonstrando haver origem para o crédito alegado. A DRJ/FNS, sem fazer qualquer análise da retenção na fonte realizada pela UFSC em nome da Recorrente, não acatou os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade aduzindo a Recorrente não fazia jus ao ressarcimento em vista da Fl. 362DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.049 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.901983/2008-04 3 inobservância da “forma” com que realizou a compensação, ou seja, sem que tivesse retificado as respectivas DACON e DCTF´s dos períodos em que teriam havidos os supostos indébitos. Cientificada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário alegando que nunca teria utilizado o crédito proveniente do valor da retenção, e que esta se trataria de uma forma de pagamento, vez que é feita pela fonte pagadora, diretamente nas contas públicas, com recursos que retém da Recorrente. Em análise ao Recurso interposto, às fls.75 – numeração eletrônica, o julgamento foi convertido em diligência, sendo que pela Resolução nº 340100.145, da 1ª Turma, da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, em que o relator Odassi Guerzoni Filho, restou determinado para que a Unidade de origem agora sabendo do que trata o pedido da interessada, sobre ele se manifeste, facultando à mesma a oportunidade para também manifestar-se, no prazo de trinta dias. Cientificada da Resolução retro descrita, a unidade preparadora, após solicitar inúmeros documentos ao sujeito passivo, apresentou sua conclusão através do Despacho de fls. 314 a 317 – numeração eletrônica, concluindo que o contribuinte descumpriu legislação tributária pelo fato de ter deixado de retificar suas declarações para fazer constar os valores retidos pela UFSC, e que, por este descumprimento e por ser a atividade fiscal plenamente vinculada, posicionou-se no sentido de dar “[...] por encerrada a diligência requerida com manifestação no sentido de que inexiste o direito creditório pleiteado na Dcomp nº 42475.01604.140504.1.3.040090.” Ainda, entendeu “[...] inexistir suporte fático e jurídico para a homologação da compensação versada na Declaração de Compensação (DCOMP) n° 42475.01604.140504.1.3.040090”. É, sucintamente, o Relatório. O processo foi baixado em diligência, no julgamento ocorrido no dia 25 de setembro de 2013, pela Resolução 3402-000.599, sob os seguintes termos: Desta forma, assim como os registros de créditos indevidos não fazem nascer créditos, tenho que a falta de registro de créditos não se lhes podem tolher, pelo que persiste a necessidade de se apurar a real base de cálculo dos tributos em questão, para se aferir a existência ou não do indébito tributário em discussão nos autos, restando esta providência, já cumprimento. Sendo assim, voto no sentido de converter novamente o julgamento em diligencia para determinar o retorno dos autos à unidade de origem, para: a) que se cumpra a diligência nos termos em que foi solicitada, analisando os documentos a fim de se verificar indébito da Recorrente; b) após, seja dado vistas do “Relatório Final da Diligência” ao sujeito passivo, para que, querendo, se manifeste no prazo de no mínimo 30 (trinta) dias, retornando os autos para reinclusão em pauta de julgamento neste Conselho Retorna o processo para julgamento após juntada da informação fiscal suscitada. Fl. 363DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.049 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.901983/2008-04 4 É o relatório. VOTO VENCIDO Conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Redator ad hoc Como Redator ad hoc, sirvo-me da minuta de voto inserida pela relatora original, Conselheira Mariel Orsi Gameiro, no diretório oficial do CARF, a seguir reproduzida, cujo posicionamento adotado não necessariamente coincide com o meu. O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo integral conhecimento. Cinge-se a controvérsia no pedido de compensação oriundo da Declaração de Compensação (DCOMP) nº 42475.01604.140504.1.3.04-0090, donde requer a compensação de parcela de débito da COFINS (período de apuração – abril/04), com a utilização de crédito relativo a suposto pagamento a maior de COFINS, decorrente de retenção promovida em benefício da recorrente, na data de 16/07/2002, nos termos do art. 64 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O processo foi baixado em diligência e retornou com a seguinte informação fiscal: Trata-se de diligência proposta pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, por meio da Resolução nº 3402-000.600, de 25/09/2013, no curso de apreciação de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em epígrafe, no que concerne à Declaração de Compensação (DCOMP) nº 42475.01604.140504.1.3.04-0090, donde requer a compensação de parcela de débito da COFINS (período de apuração – abril/04), com a utilização de crédito relativo a suposto pagamento a maior de COFINS, decorrente de retenção promovida em benefício da recorrente, na data de 16/07/2002, nos termos do art. 64 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Na presente diligência, busca o CARF que esta Unidade da Receita Federal do Brasil (RFB), emita parecer conclusivo sobre a existência ou não de pagamento indevido ou a maior, em sendo consideradas as retenções efetuadas, e, consequentemente, sobre a legitimidade do procedimento de compensação realizado, respondendo se houve ou não compensação com os montantes devidos, elaborando demonstrativo com os valores retidos, compensados e os saldos porventura disponíveis. Com efeito, cumpre destacar, de início, a existência de retenção em benefício da recorrente, equivalente à quantia de R$ 34.123,14 (código 6147)1 , a qual foi realizada pela fonte pagadora Universidade Federal de Santa Catarina (CNPJ 83.899.526/0001-82), o qual foi obtido por meio de diligência outrora realizada por esta Unidade junto àquela fonte pagadora (fls. 348/349). Fl. 364DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.049 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.901983/2008-04 5 O artigo 64 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, determina que os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, estão sujeitos à incidência, na fonte, do Imposto sobre a Renda (IR), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e da Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e ao Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP). Como é cediço, as retenções efetuadas por órgão da administração pública, por determinação da Lei nº 9.430/1996, englobam diversos tributos e contribuições. Dessa feita, no total retido sob o código de receita 6147, é imperioso destacar que há uma parcela de IR, de CSLL, de COFINS e de PIS/PASEP. A Instrução Normativa SRF/STN/SFC nº 28, de 1º de março de 1999, regulamentou no período de 01/02/1999 a 07/03/2001, as alíquotas aplicáveis às retenções de impostos e contribuições de competência da União a serem retidos por órgãos da administração pública. No período de 08/03/2001 a 02/2003 vigorou a Instrução Normativa SRF/STN/SFC nº 23, de 2 de março de 2001. Essas normas dispunham que a retenção sob o código de receita 6147 deveria ser efetuada no percentual total de 5,85% dos rendimentos pagos ao contribuinte, sendo que desse percentual a parcela relativa a COFINS corresponde a 3,0%. Dessa forma, do montante retido sob o código de receita 6147, somente 51,28% correspondem a COFINS. Em consulta aos Sistemas da RFB, notadamente o DIPJ, verifica-se que a recorrente teria, de fato, deixado de se valer da faculdade de dedução do valor relativo à COFINS retida na fonte, nos termos do art. 64, § 3º, da Lei nº 9430/1996, consoante se verifica do cálculo da COFINS (março/2003), extraída da DIPJ 2004. Outrossim, verifica-se que o recorrente não providenciou a retificação de sua Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Na DCOMP nº 42475.01604.140504.1.3.04-0090, a recorrente informou um DARF que não existe, isso porque quem recolhe o DARF, na retenção no código de receita 6147, é a fonte pagadora dos rendimentos e não o beneficiário da retenção. No entanto, a retenção alegada confere com o valor constante do comprovante de rendimentos apresentado. E, conforme já exposto, do montante de R$ 34.123,14, retido sob o código de receita 6147, a quantia de R$ 17.499,05 corresponde à COFINS. A rigor, entendemos, s.m.j, que o procedimento adotado pela recorrente, ou seja, buscar restituir e/ou compensar suposto crédito decorrente de retenção na fonte antecipação como sendo pagamento indevido ou a maior (sem que tais valores tivessem sido deduzidos na apuração da contribuição), não justifica a natureza jurídica de indébito. Fl. 365DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.049 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.901983/2008-04 6 Porém, considerando a uma, que, da análise da Declaração de Informações Econômico Fiscais (período de apuração março/2003), não existe a informação de que teria sido deduzida referida quantia, e, a duas, os entendimentos firmados noutros processos, que reconheceram a existência de indébito nessas condições, a exemplo do recurso voluntário provido, no ponto, no bojo do Processo nº 10983.901218/2008-86, promovemos a apuração do crédito, a consideração da autoridade julgadora, com a respectiva imputação aos débitos da DCOMP sob análise. Na compensação feita na DCOMP em tela, a contribuinte utilizou a taxa de correção 21,49%. Essa taxa engloba a SELIC de abril/2003 (de 1,87%), utilizada indevidamente, porque considera que o pagamento indevido teria ocorrido em março/2003. O correto é posicionar o pagamento indevido em abril/2003 (data de recolhimento da COFINS de março/2003). Assim procedendo, a taxa de correção seria 19,62%. Feita a alocação do crédito da COFINS (R$ 17.499,05 posicionado em abril/2003) ao débito compensado na DCOMP, verifica-se que o crédito seria suficiente para suportar a quase totalidade da compensação declarada, restando em aberto a quantia de R$ 327,44. Diante do exposto, e considerando que o contribuinte apresentou comprovante relativo à retenção na fonte alegada na DCOMP, tendo a fonte pagadora dos rendimentos confirmado a ocorrência da retenção, a presente diligência conclui no sentido de que, do montante retido, a quantia de R$ 17.499,05 seria referente a COFINS. Posicionado o crédito na data correta (abril/2003), o valor seria suficiente para suportar a compensação da quase totalidade do débito indicado na DCOMP, restando em aberto a parcela de R$ 327,44. Cientifique-se o contribuinte deste despacho, para, assim o desejando, contrapor o quanto alegado. Decorridos 30 (trinta) dias da ciência, havendo, ou não, a juntada de manifestação, devolva-se o presente processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para seguimento do Recurso Voluntário. Nesse sentido, acato integralmente a diligência, e julgo parcialmente procedente o recurso voluntário, nos termos da informação fiscal. Assinado Digitalmente Arnaldo Diefenthaeler Dornelles VOTO VENCEDOR José de Assis Ferraz Neto, redator designado Fl. 366DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.049 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.901983/2008-04 7 Acompanho o relatório quanto aos fatos. Divirjo, no entanto, do entendimento da ilustre relatora, por não reconhecer, no caso concreto, a existência de crédito de indébito apto a amparar a compensação declarada. O art. 64 da Lei nº 9.430/1996 atribui às retenções na fonte efetuadas por órgãos públicos natureza de antecipação, dispondo, em seu § 3º, que “o valor retido na forma deste artigo será deduzido do imposto e das contribuições devidas pela pessoa jurídica beneficiária, relativamente ao período de apuração em que houver ocorrido a retenção”. Já o art. 74 da mesma lei permite a compensação apenas de crédito “passível de restituição ou compensação”, isto é, crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, devidamente apurado, líquido e certo. Portanto, a retenção na fonte em debate tem natureza de antecipação: deve, primeiramente, ser deduzida do tributo devido no próprio período de apuração. Apenas eventual excedente, após essa confrontação, poderia, em tese, dar origem a crédito a favor do contribuinte. Art. 64. Os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, estão sujeitos à retenção, na fonte, do imposto de renda e das contribuições sociais de que trata este artigo, na forma e condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal. E o § 3º do mesmo artigo estabelece: § 3º O valor retido na forma deste artigo será deduzido do imposto e das contribuições devidas pela pessoa jurídica beneficiária, relativamente ao período de apuração em que houver ocorrido a retenção. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de compensação, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições sob administração da Secretaria da Receita Federal. As instruções normativas da Receita Federal, em especial a IN SRF/STN/SFC nº 23/2001 e a IN SRF nº 306/2003, disciplinam as retenções e autorizam a compensação “dos valores retidos [...] com o imposto e contribuições de mesma espécie, devidos relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção”, mediante aplicação das alíquotas individuais sobre o valor da fatura. Daí resulta que a retenção deve ser primeiro apropriada nas apurações de origem; eventual excedente, corretamente demonstrado nas declarações (inclusive via retificação), é que pode se tornar crédito compensável na forma do art. 74. IN SRF nº 306, de 12/03/2003 Art. 5º Os valores retidos na forma desta Instrução Normativa poderão ser compensados pelo contribuinte com o imposto e contribuições de mesma Fl. 367DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.049 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.901983/2008-04 8 espécie, devidos relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção. Parágrafo único. O valor do imposto ou das contribuições a ser compensado será determinado mediante aplicação das respectivas alíquotas sobre o valor da fatura. Tal circunstância comprova procedimento incompatível com a legislação de regência e impede reconhecer a existência de pagamento indevido ou a maior em nome da contribuinte, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, afastando a liquidez e certeza do crédito alegado, sem que seja necessário atribuir qualquer juízo subjetivo quanto à intenção do contribuinte. Esse ponto, a meu ver, é decisivo: não há, nos sistemas da Receita Federal, documentação que comprove pagamento indevido ou a maior em nome do sujeito passivo. A compensação foi instruída com número de DARF inexistente, em desacordo com o modelo do art. 74, que pressupõe crédito decorrente de pagamento efetivamente realizado pelo contribuinte e passível de restituição ou compensação. Há decisões no CARF no sentido de que a retenção na fonte constitui antecipação do tributo devido no período de apuração, mas a sua utilização em pedido de restituição ou compensação exige a demonstração da efetiva formação do crédito em nome do sujeito passivo, com prova idônea de que a retenção não foi apropriada na apuração original. Nessa linha, não basta a simples referência à retenção, sendo necessário comprovar a existência de crédito líquido e certo, passível de restituição ou compensação, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/1996. A própria diligência conclui que o procedimento adotado não justifica a natureza jurídica de indébito. Ou seja, a mera existência de retenção não apropriada, sem recomposição das declarações e com indicação de DARF inexistente, não se converte, por si, em crédito de indébito compensável via declaração de compensação. A rigor, entendemos, s.m.j, que o procedimento adotado pela recorrente, ou seja, buscar restituir e/ou compensar suposto crédito decorrente de retenção na fonte antecipação como sendo pagamento indevido ou a maior (sem que tais valores tivessem sido deduzidos na apuração da contribuição), não justifica a natureza jurídica de indébito. É verdade que, por consideração a entendimentos firmados em outros processos, a diligência apura, em caráter subsidiário, qual seria o valor do crédito caso se viesse a reconhecer o indébito. Esse cálculo, contudo, é apresentado apenas “à consideração da autoridade julgadora” e não altera o juízo jurídico anterior de que, “a rigor”, não há natureza de indébito. Diante disso, entendo que, enquanto a retenção do art. 64 não for corretamente apropriada nas apurações de origem, refletida nas declarações e demonstrada com documentos idôneos em nome do contribuinte, não se forma crédito líquido e certo “passível de restituição ou compensação”, na forma do art. 74. A tentativa de tratar diretamente a retenção bruta, com Fl. 368DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.049 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.901983/2008-04 9 indicação de DARF inexistente, como pagamento indevido ou a maior, não encontra amparo no regime legal e infralegal aplicável. Por essas razões, voto em negar provimento ao Recurso Voluntário a fim de não homologar a compensação declarada, mantendo o débito tributário conforme apurado. Assinado Digitalmente José de Assis Ferraz Neto Fl. 369DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Vencido Voto Vencedor

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Numero do processo: 13005.903164/2018-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 16 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Aug 10 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2018 a 31/03/2018 CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. INEXISTÊNCIA. Créditos não cumulativos devem ser glosados, quando constatada a interposição irregular de pessoas jurídicas na cadeia de comercialização, com a única finalidade de gerar créditos indevidos de PIS/COFINS. RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. Devem ser considerados responsáveis solidários todos aqueles que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal ou aquelas pessoas, descritas no art. 135 do CTN, que tenham praticado atos com excesso de poderes ou infração de lei ou contrato social. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2018 a 31/03/2018 AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA DE LIDE ADMINISTRATIVA. NÃO CONHECIMENTO. A ausência de apresentação de impugnação acerca da exigência fiscal em primeira instância impede a formação da lide administrativa, inviabilizando a apreciação da matéria em sede recursal. Não se conhece do Recurso Voluntário quando ausente controvérsia regularmente instaurada perante a autoridade julgadora de primeira instância. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. CUMPRIMENTO DE ORDEM JUDICIAL. Não há nulidade do procedimento fiscal quando os documentos que instruem o lançamento foram obtidos mediante cumprimento de mandado de busca e apreensão regularmente expedido pelo Poder Judiciário.
Numero da decisão: 3201-013.205
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário interposto por Giovane Ribeiro em razão da ausência de formação da lide administrativa em primeira instância, e, quanto aos Recursos Voluntários interpostos por Tabacos D Itália Ltda., Cristina Luana Teichmann, Gilmar João Alba, Walter Bergamaschi, Jairo Oldacir Silva da Silva e Impoex Importadora e Exportadora Ltda., em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em lhes negar provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-013.195, de 16 de abril de 2026, prolatado no julgamento do processo 13005.904414/2018-49, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Enk de Aguiar, Flavia Sales Campos Vale, Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco de Miranda, Hélcio Lafetá Reis(Presidente).
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS

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INEXISTÊNCIA. Créditos não cumulativos devem ser glosados, quando constatada a interposição irregular de pessoas jurídicas na cadeia de comercialização, com a única finalidade de gerar créditos indevidos de PIS/COFINS. RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. Devem ser considerados responsáveis solidários todos aqueles que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal ou aquelas pessoas, descritas no art. 135 do CTN, que tenham praticado atos com excesso de poderes ou infração de lei ou contrato social. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2018 a 31/03/2018 AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA DE LIDE ADMINISTRATIVA. NÃO CONHECIMENTO. A ausência de apresentação de impugnação acerca da exigência fiscal em primeira instância impede a formação da lide administrativa, inviabilizando a apreciação da matéria em sede recursal. Não se conhece do Recurso Voluntário quando ausente controvérsia regularmente instaurada perante a autoridade julgadora de primeira instância. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. CUMPRIMENTO DE ORDEM JUDICIAL. Não há nulidade do procedimento fiscal quando os documentos que instruem o lançamento foram obtidos mediante cumprimento de mandado de busca e apreensão regularmente expedido pelo Poder Judiciário. Fl. 617DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.205 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13005.903164/2018-20 2 ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário interposto por Giovane Ribeiro em razão da ausência de formação da lide administrativa em primeira instância, e, quanto aos Recursos Voluntários interpostos por Tabacos D' Itália Ltda., Cristina Luana Teichmann, Gilmar João Alba, Walter Bergamaschi, Jairo Oldacir Silva da Silva e Impoex Importadora e Exportadora Ltda., em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em lhes negar provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-013.195, de 16 de abril de 2026, prolatado no julgamento do processo 13005.904414/2018-49, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Enk de Aguiar, Flavia Sales Campos Vale, Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco de Miranda, Hélcio Lafetá Reis(Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que julgou o Pedido de Ressarcimento apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao suposto crédito de COFINS. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, em síntese abaixo, estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2018 a 31/03/2018 CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. INEXISTÊNCIA. Créditos não cumulativos devem ser glosados, quando constatada a interposição irregular de pessoas jurídicas na cadeia de comercialização, com a única finalidade de gerar créditos indevidos de PIS/COFINS. Fl. 618DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.205 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13005.903164/2018-20 3 Foram interpostos de forma tempestiva Recursos Voluntários por Tabacos D' Itália Ltda, Cristina Luana Teichmann, Gilmar João Alba, Walter Bergamaschi, Jairo Oldacir Silva da Silva, Impoex Importadora e Exportadora Ltda, reproduzindo em síntese os argumentos apresentados nas impugnações. Também foi interposto de forma tempestiva Recurso Voluntário por Giovane Ribeiro. Alega não ter sido cientificado dos autos de infração, requer a nulidade de todos os atos processuais posteriores aos autos de infração e a devolução do prazo para impugnação. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Conforme relatado, trata-se de Recursos Voluntários interpostos contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento que julgou improcedente as Manifestações de Inconformidade apresentadas pelos Recorrentes e não reconheceu o direito creditório. Recurso Voluntário Giovane Ribeiro Em sede de Recurso Voluntário, Giovane Ribeiro, sujeito passivo, alega não ter sido cientificado dos autos de infração e nesse sentido requer a nulidade de todos os atos processuais posteriores aos autos de infração, bem como, a devolução do prazo para impugnação. Porém, verifica-se dos autos que o sujeito passivo, regularmente cientificado do lançamento, deixou de apresentar impugnação no prazo legal, não instaurando, portanto, a fase litigiosa no âmbito da instância de julgamento de primeira instância administrativa. Ressalte-se que, não obstante a tentativa de ciência pessoal, o Recorrente foi devidamente intimado por meio de edital, nos termos da legislação, oportunidade em que lhe foi assegurado o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. Ainda assim, permaneceu inerte, deixando transcorrer o prazo para apresentação de impugnação. Dessa forma, ausente a formação da lide administrativa em primeira instância, inexiste decisão de mérito passível de reexame por este Conselho, razão pela qual o Recurso Voluntário não merece ser conhecido, por manifesta ausência de pressuposto de admissibilidade. Fl. 619DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.205 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13005.903164/2018-20 4 Assim, não conheço do Recurso Voluntário. Em relação aos demais recursos, constatada a regularização da representação processual dos sujeitos passivos, presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço dos Recursos Voluntários interpostos por Tabacos D' Itália Ltda, Cristina Luana Teichmann, Gilmar João Alba, Walter Bergamaschi, Jairo Oldacir Silva da Silva, Impoex Importadora e Exportadora Ltda. Especificamente em relação aos Recorrentes Tabacos D' Itália Ltda, Gilmar João Alba, e Jairo Oldacir Silva da Silva nos autos constam que o AR da intimação do Acórdão da Impugnação foi devolvido sem êxito, também não há nos autos comprovação da intimação por edital, entretanto, como o comparecimento espontâneo do Recorrente, nos termos do § 1º do art. 239 do Código de Processo Civil, supre a falta ou a nulidade da intimação, os Recursos foram conhecidos. Para melhor compreensão e enfrentamento da controvérsia, analisaremos os recursos de forma individual. Recurso Voluntário Tabacos D' Itália Ltda, Gilmar João Alba, Jairo Oldacir Silva da Silva Alega a Recorrente em síntese: TABACOS D’ITÁLIA LTDA. VERSUS OPERAÇÕES “FUMO DE PAPEL” E “CAÇA FANTASMA” (...) os documentos que estão em posse do Fisco – e em relação aos quais estranhamente não há qualquer referência nos autos e tampouco fora franqueado acesso à defesa – a Tabacos D’Itália não adquire mercadoria de nenhum fornecedor, seja ele pessoa física ou jurídica, que não apresente certidões de regularidade fiscal (federal, estadual e municipal). O MODELO DE NEGÓCIOS DA RECORRENTE TABACOS D’ITALIA EVIDENCIA A LEGALIDADE DA OPERAÇÃO ADOTADA (...) Não é razoável, portanto, que a Tabacos D’Itália tenha forjado uma complexa engenharia de constituição e de administração de empresas fantasmas com o fito de aumentar artificialmente os seus custos se, ao fim e ao cabo, como revela o quadro supra, não concentra suas aquisições nas empresas do suposto esquema fraudulento. Importa ressaltar, ainda, o modelo de negócios da empresa Recorrente, que consiste, além da própria revenda do fumo, na intermediação de compra de fumo para terceiros, sem agregar lucro no preço de venda à companhia exportadora, coincidindo o preço pago pela D’Itália pelo fumo “comprado” de seus produtores, exatamente com aquele definido na empresa exportadora durante o procedimento de classificação e pesagem. Deste valor, é descontado do vendedor apenas o valor correspondente ao frete e à comissão que são apropriados pela Recorrente D’Itália Fl. 620DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.205 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13005.903164/2018-20 5 ou pelo próprio Recorrente Gilmar (quando operando paralela e independentemente em causa própria), conforme explicitado no seu depoimento prestado em 2018. Imperioso registrar, por oportuno, que todos os valores obtidos pelo Recorrente Gilmar pertinente às comissões foram inteiramente declarados ao Fisco, sendo prontamente recolhidos os tributos incidentes sobre esses ganhos, informações que estavam – e permanecem – ao pleno alcance da Receita Federal do Brasil. Mas que, estranhamente, não há qualquer referência nos autos e, consequentemente, no acórdão recorrido. Da intermediação na venda de fumo pela pessoa física de Gilmar João Alba o Recorrente detém notório conhecimento de fumo e do mercado fumageiro, costumando não apenas comercializar o seu próprio fumo com talão de produtor rural, como intermediar a venda de fumo para terceiros. Por esses serviços desempenhados paralelamente às atividades empresariais da Recorrente Tabacos D’Itália, recebia o valor de comissão correspondente à seleção de compradores e auxílio na classificação e precificação da mercadoria1, tudo conforme admitido no depoimento prestado aos agentes da Receita Federal. Nessa ocasião, aliás, foi bastante salientado que toda a receita proveniente dessas negociações foi devidamente declarada às autoridades fazendárias, valendo transcrever, por oportuno, o seguinte trecho do depoimento de Gilmar João Alba (a íntegra do vídeo do depoimento pode ser baixada digitalmente do processo nº 13370.720304/2020-82, nos anexos dos termos de fls.126 a 133.): (...) Esse equívoco, contudo, voluntariamente confessado à Autoridade Fiscal, não tem o condão de comprovar as sérias imputações que estão sendo promovidas contra os Recorrentes. Do trânsito das mercadorias para o destinatário final Veja-se, a entrega de mercadoria ao destinatário final ocorria por questões logísticas (custos de transporte), a exemplo do mapa abaixo, do qual é possível perceber que, por se situar a empresa Recorrente no município de Venâncio Aires, não faria sentido que as compras efetuadas em Arroio do Tigre (América Tabacos), passasse por aquele município (Venâncio Aires), se seria entregue em Santa Cruz do Sul, notório polo fumageiro da região, onde se situa a maioria das empresas do ramo: (...) Ademais, o maior trunfo comercial do empresário Gilmar João Alba é saber qual tipo de fumo, dentre as centenas de tipos e classes existentes, está sendo procurado em dado momento por cada empresa compradora para compor os “blends”2 (C.T.A., Brasfumo, UTC, Premium, Marasca etc.). O próprio Recorrente Gilmar Alba informou no depoimento prestado à Receita Federal que sua atividade no ramo fumageiro iniciou no princípio dos anos 2000 com intermediação de tabaco entre os produtores e as médias e grandes empresas do setor, com destaque para a Souza Cruz Alba (a íntegra do vídeo do depoimento Fl. 621DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.205 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13005.903164/2018-20 6 pode ser baixada digitalmente do processo nº 13370.720304/2020-82, nos anexos dos termos de fls.126 a 133). Dos e-mails que supostamente demonstrariam proximidade e ingerência entre as empresas Tabacos D’Itália e América Comércio de Tabacos e seus sócios (...) Os e-mails citados no acórdão recorrido – nem de longe – comprovam a premissa adotada pelo I. Auditor-Fiscal. Ora, dentro de um vasto contexto de mensagens trocadas ao longo de quase uma década arquivadas nos computadores da empresa, os Agentes Autuantes encontraram apenas dois e-mails de Cristina Teichmann (ex-sócia da América)para Cássio Cunha (funcionário da D’Itália), datados, respectivamente, de 30/05/2012 e de 28/06/2012, período em que a América sequer tinha qualquer relação comercial com a D’Itália, a qual só passou a adquirir tabaco daquela empresa a partir de 2013. Esses dois e-mails se referem a questionamentos relativos a operações da América, intermediadas por Gilmar Alba (“Gringo”) que também se fez presente no momento da classificação e determinação do preço do fumo negociado com clientes. Dos depoimentos dos produtores rurais Os depoimentos dos produtores rurais colhidos pelos Agentes Fiscais e transcritos no acórdão recorrido apenas comprovam os fundamentos articulados nos tópicos acima, quais sejam: a) que Gilmar Alba comercializava fumo como pessoa física, recebendo comissões pelas vendas, as quais eram declaradas ao Fisco por meio de DIRPF; b) que o fumo, por vezes, era pesado na Tabacos D’Itália; c) que, por vezes, o fumo era entregue ao destinatário final, onde havia a pesagem e classificação. Das irregularidades havidas nas empresas América Tabacos e suas fornecedoras Alvorada e Serrinha: impossibilidade de qualquer imputação aos Recorrentes (...) Por derradeiro, importa ressaltar, nos termos das certidões de regularidade fiscal ora anexadas (Doc. 6), únicos documentos que permanecem em posse dos Recorrentes, que a empresa América Tabacos apresentara à empresa Recorrente Certidões Negativas de Débitos expedidas em 2013 e 2014, razão pela qual não havia como saber que havia irregularidades fiscais nesta empresa. Conclusão A única conclusão que permanece inconteste é a de que não há a mínima evidência de que foi o Recorrente Gilmar Alba quem concebeu ou criou as supostas pessoas jurídicas intermediárias. A bem da verdade, durante a profunda investigação efetuada na Operação Fumo Papel, não se encontrou uma só mensagem ou um só e-mail comprovando a participação direta e pessoal de Gilmar na suposta fraude. Obviamente, um esquema de sonegação de grande porte, como este cuja existência sustenta o Fisco, não pode restar evidenciado apenas por (i)alguns indícios de incapacidade econômica de sócios, (ii) pela inconsistência de endereços Fl. 622DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.205 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13005.903164/2018-20 7 e (iii) por alguns e-mails que passam ao largo da citação do suposto mentor do esquema (Gilmar Alba). Acima de tudo, seria preciso reconstituir a “ciranda financeira” necessária a dar suporte aos supostos benefícios fiscais ilícitos, indicando a conduta específica de cada um dos envolvidos, a fim de que se possa responsabilizar validamente os eventuais infratores. Como todas as receitas e despesas da Tabacos D’Itália foram devidamente registradas e contabilizadas em sua escrita fiscal, seria fácil para a fiscalização comprovar omissões ou saldos descobertos, o que denota, a partir da ausência de tais provas, a lisura de suas operações, uma vez que nada disso foi encontrado, tampouco trazido aos autos. Ocorre que, as razões apresentadas limitam-se a impugnações genéricas e desacompanhadas de suporte material idôneo, incapazes de infirmar os fundamentos fáticos e jurídicos que embasaram o lançamento. Restou provado nos autos que Tabacos D’ Itália, conforme apontado na Representação Fiscal que deu origem à operação Fumo Papel, é beneficiária final do crédito irregular de PIS e de COFINS gerado no esquema fraudulento de interposição de pessoas jurídicas inexistentes (fantasmas) nos elos anteriores de sua cadeia de produção/comercialização do fumo e inobstante as alegações expendidas pelos Recorrentes ao longo de sua peça recursal, não foram carreados aos autos quaisquer documentos ou elementos probatórios aptos a elidir o feito fiscal. Com efeito, o conjunto probatório produzido pela fiscalização, notadamente aquele constante do Relatório Fiscal de 534 páginas e de mais de 1000 páginas de documentos, permanece íntegro e não foi validamente contraditado, razão pela qual subsiste a presunção de legitimidade e veracidade do ato administrativo de constituição do crédito tributário. Destaque-se ainda, nesse sentido, trecho da decisão proferida pela DRJ: (...) ficou plenamente demonstrado que TABACOS D' ITALIA LTDA conhecia a real situação de seus fornecedores, afinal participava ativamente de suas administrações, chegando, inclusive, a valer-se do talonário de cheques dessas empresas para o pagamento de produtores rurais. 153. O Sr. Gilmar Alba mostrou-se extremamente ativo nas negociações de fumo, sempre em nome da pessoa jurídica e não em seu próprio nome, não sendo a falta de instrução formal, motivo para isentá-lo de qualquer acusação. 154. Quanto a um eventual enriquecimento sem causa dos demais impugnantes, tal matéria não compõe a presente lide administrativa. 155. Os demais clientes dos fornecedores em tela podem ou não ser fiscalizados, de todo modo, eventuais procedimentos fiscais são acobertados pelo sigilo fiscal, Fl. 623DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.205 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13005.903164/2018-20 8 entretanto, ressalte-se que grande parte desses clientes também são pessoas jurídicas inexistentes de fato. 156. Tem razão a defesa quando pondera que o fato de a mercadoria transitar ou não por seu estabelecimento, está longe de significar que a operação de compra não seja real, entretanto, tal fundamentação foi considerada em um contexto maior, juntamente com outras provas. 157. Os interessados afirmam que TABACOS D' ITALIA LTDA negocia com mais de 160 empresas, assim, caso a tese do Fisco estivesse correta deveria concentrar seus negócios nos poucos fornecedores arrolados pela fiscalização. 158. Essa afirmação não é correta, o próprio quadro constante do item 68 da impugnação demonstra que no período compreendido entre 2015 e 2017, que coincide com grande parte dos fatos geradores apurados de ofício, cerca de 80% das aquisições de TABACOS D' ITALIA LTDA provinham dos fornecedores colocados em suspeição, o que demonstra que o contribuinte concentrava, sim, suas aquisições nessas empresas. 159. A defesa ainda pondera que a quebra do sigilo bancário não confirmou que Tabacos D’ Itália ou qualquer um dos sócios tenha se beneficiado do esquema fraudulento. 160. O resultado desse esquema não se refletia necessariamente nos dados bancários, pois se concretizava por intermédio da apuração irregular de créditos de PIS/COFINS, sendo irrelevante verificar se tais créditos eram ou não significativos, em relação aos negócios efetuados pela pessoa jurídica. 161. Além das provas já descritas, a autoridade fiscal demonstrou que vários fornecedores emitiam notas fiscais com endereços do IP (protocolo de internet) idênticos aos de outros fornecedores ou até mesmo da própria TABACOS D' ITALIA LTDA, constatação que corrobora a ideia de que essas empresas participavam de um mesmo esquema infrator: 11 DA ANALISE DOS ENDEREÇOS DE IP (Protocolo de Internet) E ORDEM CRONOLÓGICA NA EMISSAO DE NOTAS FISCAIS ELETRÔNICAS - NFE 11.1 DA ANALISE DOS ENDEREÇOS DE IP (Protocolo de Internet) Em consulta aos endereços de IP utilizados nas emissões de notas fiscais eletrônicas por Tabacos Ditália Ltda e seus maiores fornecedores de fumo no período fiscalizado, verificou-se, em diversas datas de emissão, a coincidência de IP registrados na emissão das respectivas notas fiscais por mais de uma empresa em cada data. A tabela abaixo demonstra, de forma resumida, as empresas que emitiram notas fiscais utilizando-se do mesmo endereço de IP (cores idênticas do campo "endereço IP" identificam os IP coincidentes): Fl. 624DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.205 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13005.903164/2018-20 9 A relação completa das notas fiscais que compõem a tabela acima, com a identificação individualizada das mesmas, encontra-se em anexo na planilha "= IP COINCIDENTES NAS NFE EMITIDAS POR DITALIA E FORNECEDORES". Nesta planilha, também é possível visualizar os agrupamentos de notas fiscais emitidas na mesma data e IP (vide aba "Emitentes por IP e data" da planilha anteriormente referida). Essas coincidências são um indício contundente de que existe um controle concentrado na emissão de notas fiscais das empresas fraudulentamente Fl. 625DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.205 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13005.903164/2018-20 10 interpostas no esquema aqui relatado, considerando a enorme quantidade de ocorrências de emissão de notas fiscais nos mesmos endereços de IP e data. É possível afirmar também que não se tratam de eventos esporádicos, haja vista que ocorreram em diversas datas do período e do grande número de coincidências de IP, como anteriormente demonstrado. 162. Desta forma, constatada a interposição fraudulenta de pessoas jurídicas na cadeia negocial do fumo, com o fito de gerar créditos de PIS/COFINS, foi correta a glosa desses créditos apurados por TABACOS D' ITALIA LTDA. Assim, à míngua de prova em sentido contrário, impõe-se a manutenção do feito fiscal nos termos em que constituído. Embora não tenha sido objeto do Recurso Voluntário, destaque-se correta também a inclusão de Gilmar João Alba e Jairo Oldacir Silva da Silva no polo passivo como responsáveis solidários em razão dos atos cometidos com excesso de poderes ou infração de lei ou contrato social de Tabacos D’ Itália Ltda. devidamente comprovados nos autos. Recurso Voluntário Impoex Importadora e Exportadora Ltda. e Walter Bergamaschi A DRJ manteve a responsabilidade solidária dos Recorrentes nos seguintes termos: IMPOEX IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA e WALTER BERGAMASCHI 189. Um dos sócios de TABACOS D' ITALIA LTDA é a pessoa jurídica IMPOEX IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA que tem como sócio administrador o sr. WALTER BERGAMASCHI. 190. Segundo a autoridade fiscal, Walter Bergamaschi atuou em diversas oportunidades como dirigente e administrador de TABACOS D' ITALIA LTDA. Em seguida, foram arroladas diversas mensagens no sentido de caracterizar a responsabilidade solidária. 191. A mensagem abaixo transcrita demonstra que o sr. WALTER BERGAMASCHI participava ativamente da gestão de TABACOS D' ITALIA LTDA sendo o responsável pelo voto de desempate em uma questão envolvendo um dos fornecedores considerados inexistentes de fato, AMÉRICA COMÉRCIO DE TABACOS LTDA: Fl. 626DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.205 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13005.903164/2018-20 11 192. Nesse mesmo sentido, as mensagens a seguir reproduzidas indicam a participação ativa do sr. WALTER BERGAMASCHI na administração de TABACOS D' ITALIA LTDA: (...) 193. Mensagens apreendidas também indicam que o sr. WALTER BERGAMASCHI atuava como diretor de TABACOS D' ITALIA LTDA: (...) 194. Em muitas ocasiões as figuras de WALTER BERGAMASCHI e IMPOEX IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA, se confundiam: (...) 195. Várias outras mensagens constam dos autos e demonstram, ao contrário do que advoga o impugnante, a ativa participação de WALTER BERGAMASCHI na administração de TABACOS D' ITALIA LTDA, desta forma, devem ser considerados responsáveis solidários: WALTER BERGAMASCHI e IMPOEX IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA, a teor do disposto nos artigos 124 e 135 do CTN. Fl. 627DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.205 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13005.903164/2018-20 12 Os Recorrentes alegam inexistir provas nos autos aptas a ensejar o enquadramento no art. 135, III, do Código Tributário Nacional. Entretanto, tal argumento não merece prosperar. Com efeito, diversamente do sustentado, verifica-se que o Relatório Fiscal, encontra-se devidamente fundamentado e lastreado em elementos probatórios idôneos e suficientes à caracterização das hipóteses legais de responsabilização pessoal dos administradores. O referido documento descreve, de forma minuciosa e circunstanciada, a conduta dos responsáveis, evidenciando a prática de atos com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou aos estatutos, circunstâncias que autorizam a aplicação do art. 135, III, do CTN. Nesse sentido, destaque-se trecho do Relatório Fiscal 13.3 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA - WALTER BERGAMASCHI - CPF 009.859.530- 04 E IMPOEX IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA - CNPJ 00.119.769/0001-23 Constatou-se nas trocas de mensagens eletrônicas e documentos verificados nas mídias digitais apreendidas na Tabacos Ditália, que Walter Bergamaschi atuou em diversas oportunidades como verdadeiro dirigente e administrador de Tabacos Ditália ltda, praticando atos, tanto como representante da PJ Impoex (detentora de participação no capital social de Tabacos Ditália Ltda no período fiscalizado), quanto diretamente como pessoa física, tendo tomado diversas decisões de administração da empresa nos mais variados assuntos, como será demonstrado a seguir. Registre-se que Walter Bergamaschi nunca participou do quadro societário de Tabacos Ditália Ltda. Analisando-se o contrato social e alterações posteriores de Tabacos Ditália, verifica-se que, a partir da alteração contratual protocolada em 14/abril/2015 na Junta Comercial do RS, em anexo, houve previsão de delegação de poderes de administração da sociedade apenas aos sócios Gilmar João Alba e Jairo Oldacir Silva da Silva. Dessa forma, inexiste previsão de poderes de administração delegados à pessoa jurídica Impoex Importadora e Exportadora Ltda, que detinha participação no capital social de Tabacos Ditália e da qual Walter era sócio-administrador. A seguir, serão relacionados as mensagens eletrõnicas e demais documentos verificados: (....) - O e-mail abaixo demonstra que Walter Bergamaschi tomava importantes decisões operacionais.: (....) - Documentos encontrados nos computadores apreendidos de Tabacos Ditália Ltda indicam que Walter Bergamaschi efetivamente atuava como diretor da empresa. A seguir, copiamos parte de documentos denominados "Informações cadastrais.pdf' encontrados nos computadores apreendidos de Tabacos Ditália Ltda, que indicam textualmente que Walter Bergamaschi atuava como diretor controller de Tabacos Ditália ltda. Fl. 628DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.205 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13005.903164/2018-20 13 Ademais, cumpre ressaltar que os elementos constantes do Relatório Fiscal não foram infirmados por prova em sentido contrário apresentada pelos Recorrentes, limitando-se estes a alegações genéricas de ausência de comprovação. Ao contrário, o conjunto fático-probatório dos autos revela-se harmônico e convergente, demonstrando de maneira suficiente o nexo entre a conduta dos administradores e a infração tributária apurada, o que legitima a imputação de responsabilidade pessoal, nos termos do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Cristina Luana Teichmann Preliminarmente requer a Recorrente nulidade do procedimento fiscal, pois o procedimento de busca e apreensão teria violado seu escritório de advocacia, em afronta ao disposto no artigo 7° do Estatuto da Advocacia. Porém como bem destacado pela DRJ, no curso do procedimento fiscal, houve a coleta de documentos no domicílio de vários contribuintes, contudo, conforme a própria Recorrente reconhece, essa conduta foi respaldada em Mandado de Busca e Apreensão expedido pelo Poder Judiciário. Nesse contexto, as alegadas ilegalidades não podem ser imputadas ao Fisco, que se limitou a cumprir ordem judicial nos estritos termos em que foi proferida. Assim, todos os documentos obtidos sob a égide do mandado de busca e apreensão, regularmente autorizado pelo Poder Judiciário, são passíveis de exame pela autoridade fiscal. Assim, rejeito a preliminar arguida, por ausência de fundamento, não havendo qualquer modificação a ser feita na decisão da DRJ nesse ponto. No que tange à reponsabilidade solidária, a DRJ manteve a responsabilidade solidária da Recorrente nos seguintes termos: A fiscalização demonstrou que a sra. CRISTINA LUANA TEICHMANN era a responsável de fato de J.A. COMERCIO DE TABACOS LTDA, pois, além de possuir procuração para negociar com instituições financeiras em nome da pessoa jurídica (fls. 48/53), tratava de operações negociais com outras empresas, ademais, os sócios formais da pessoa jurídica não possuíam capacidade para participar da sociedade. 198. Nunca é demais recordar que J.A. COMERCIO DE TABACOS LTDA, conforme foi visto anteriormente, é uma empresa inexistente e foi utilizada no esquema fraudulento de geração de créditos de PIS/COFINS, para emissão de notas fiscais inidôneas. 199. A sra. CRISTINA LUANA TEICHMANN também foi sócia da AMÉRICA COMÉRCIO DE TABACOS LTDA, sociedade que também participava do esquema fraudulento, conforme visto anteriormente. 200. Dessa forma, foi correta a imputação da responsabilidade solidária à sra. CRISTINA LUANA TEICHMANN, tendo em vista que tinha interesse comum na Fl. 629DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.205 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13005.903164/2018-20 14 situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, do CTN. Já a Recorrente alega inexistir nos autos, elementos aptos a ensejar seu enquadramento nos arts. 124, I, c/c 128 do Código Tributário Nacional. Contudo, razão não lhe assiste. Conforme se depreende do conjunto probatório, há elementos suficientes e convergentes que evidenciam a existência de interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação tributária, circunstância que autoriza a responsabilização solidária nos termos do art. 124, I, do CTN. Conforme muito bem abordado pela DRJ, o Relatório Fiscal descreve, de forma detalhada, a atuação conjunta dos envolvidos, demonstrando a convergência de interesses e a participação direta da Recorrente na estrutura negocial que deu causa à ocorrência do fato gerador, afastando, portanto, a tese de ausência de vínculo jurídico relevante. Nesse sentido, destaque-se trecho do Relatório Fiscal: 13.4 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA - GIOVANE RIBEIRO - CPF 006.881.580-80 E CRISTINA LUANA TEICHMANN - CPF 006.122.980-60 Giovane e Cristina operavam as interpostas pessoas jurídicas América Tabacos Ltda, CNPJ 07.143.868/0001 e J.A. Comércio de Tabacos LTDA, CNPJ 14.600.771/0001- 24, ambas baixadas por inexistência de fato, viabilizando a geração dos créditos fictícios de PIS e Cofins para a concretização da fraude, resultando no não pagamento ou pagamento muito menor que o devido de PIS e de COFINS, na compensação e no ressarcimento dos créditos indevidos, tendo interesse comum, na medida em que auferiam ganhos oriundos dessas práticas fraudulentas, como minuciosamente descrito neste relatório, através, entre outros, de comissões na intermediação da compra do fumo para a Ditália. Cristina Luana Teichmann, CPF 006.122. 980-60, foi fundadora e sócia da empresa América Comércio de Tabacos Ltda, no período de 09/12/2004 a 23/10/2013, sendo que causa extrema estranheza o fato de que, mesmo após sair formalmente da sociedade, continuou com procuração para representar a empresa, que registrou mais de R$100 milhões em vendas no ano de 2014 e mais de R$ 90 milhões em movimentação financeira registrada em DIMOF — Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira. A partir de dezembro/2014, Cristina Luana Teichmann consta como empregada da empresa J.A. Comércio de Tabacos Ltda, CNPJ 14.600.771/0001-24, que registrou mais de R$158 milhões em vendas no período de 2014-2017 e mais de R$187 milhões em movimentação financeira registrada em DIMOF — Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira. Cristina Teichmann possui procuração outorgada por essa empresa para representá-la junto à instituição financeira Sicredi Centro Serra RS. Ela também possui procurações outorgadas pela empresa América Comércio de Tabacos para representá-la junto à instituição financeira Sicredi — Zona Sul lhe conferindo amplos, gerais e ilimitados poderes para tratar de negócios e assuntos de interesse da outorgante. Cabe ressaltar que Cristina Luana Teichmann assina como advogada nos atos constitutivos da J.A. Fl. 630DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.205 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13005.903164/2018-20 15 (foram verificados os atos a partir da 21 alteração e consolidação), bem como atuou como procuradora da empresa junto a instituições financeiras, como foi visto no item 3.1 da Representação Fiscal que deu origem à operação Fumo Papel, juntada em anexo. Segundo o Relatório de Inteligência Fiscal, RIF 24901, Cristina Luana Teichmann atuaria também como agente financeiro das empresas J.A Comércio de Tabacos Ltda e América Comércio de Tabacos Ltda. Cristina é cônjuge de Giovane Ribeiro, CPF 006.881.580-80, o qual também foi fundador e sócio-administrador da América Comércio de Tabacos no período de 09/12/2004 a 03/04/2014 e também foi fundador e sócio administrador da empresa J.A Comércio de Tabacos Ltda, CNPJ 14.600.771/0001-24, no período de 08/11/2011 a 30/07/2013. Giovane Ribeiro constou como fornecedor de Comercial de Tabacos Alvorada, Gervasio Dilmar Cerentini e América Comércio de Tabacos Ltda, todas empresas baixadas de ofício por inexistência de fato. Destaca-se, entre outras tantas comprovações relacionadas no presente Relatório, como demonstração inequívoca dos ganhos de Giovane Ribeiro oriundos das operações fictícias comprovadas, a troca de mensagens eletrônicas, relacionadas no item "6 DA DEMONSTRAÇÃO DE DIVISÃO DO RESSARCIMENTO DO CRÉDITO DE PIS E DE COFINS GERADOS IRREGULARMENTE ENTRE TABACOS DITÁLIA LTDA E AMÉRICA COM. TABACOS LTDA COM DESTAQUE PARA VOTO "DE MINERVA" DE WALTER BERGAMASCHI" do presente Relatório Fiscal, enviadas em 23/10/2014 (após, destaque-se, de sua saída formal do quadro societário da América, que se deu em 03/04/2014), entre Giovane Ribeiro e Fernando Reckziegel, em que combinam a cobertura do fluxo de caixa da América e a forma de pagamento dos créditos fraudulentamente gerados de PIS/COFINS. Ressalte-se, por fim, que a Recorrente não trouxe aos autos quaisquer provas capazes de desconstituir as conclusões da fiscalização, limitando-se a alegações genéricas de inexistência de responsabilidade, o que não se mostra suficiente para afastar a robusta fundamentação fática e jurídica que ampara o lançamento. Diante desse cenário, mantém-se hígido o enquadramento realizado pela autoridade fiscal. No que tange às alegações fundadas em princípios constitucionais, cumpre esclarecer que não compete a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF o exame de matéria de natureza eminentemente constitucional, sob pena de usurpação de competência reservada ao Poder Judiciário, nos termos da sistemática de controle de constitucionalidade adotada no ordenamento jurídico pátrio. Assim, eventuais insurgências quanto à inconstitucionalidade de normas ou à violação de princípios constitucionais não podem ser conhecidas na esfera administrativa, devendo ser suscitadas perante o órgão jurisdicional competente. Ante todo o exposto, não conheço do Recurso Voluntário interposto por Giovane Ribeiro em razão da ausência de formação da lide administrativa em primeira instância, conheço dos Recursos Voluntários interpostos por Tabacos D' Itália Fl. 631DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.205 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13005.903164/2018-20 16 Ltda, Cristina Luana Teichmann, Gilmar João Alba, Walter Bergamaschi, Jairo Oldacir Silva da Silva e Impoex Importadora e Exportadora Ltda, rejeito as preliminares arguidas e no mérito nego provimento. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário interposto por Giovane Ribeiro em razão da ausência de formação da lide administrativa em primeira instância, e, quanto aos Recursos Voluntários interpostos por Tabacos D' Itália Ltda., Cristina Luana Teichmann, Gilmar João Alba, Walter Bergamaschi, Jairo Oldacir Silva da Silva e Impoex Importadora e Exportadora Ltda., em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em lhes negar provimento. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Fl. 632DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10925.903279/2015-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 18 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Jul 23 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. O silêncio do contribuinte quando em sua impugnação leva à consolidação da decisão administrativa quanto aos pontos não contestados, uma vez que não fica instaurado o litígio, tornando precluso o recurso voluntário quanto à matéria não questionada. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. O reconhecimento de direito creditório em favor do contribuinte, é necessário que restem plenamente caracterizados os seus atributos de certeza e liquidez. Ou seja, o crédito pretendido deve ser comprovado por meio da escrituração contábil e fiscal, bem como pelos documentos que a respalde, de forma que fique demonstrada a certeza de sua procedência e a liquidez do seu valor. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 Ausente a demonstração de equívoco na base de cálculo utilizada para apuração do rateio proporcional o acórdão recorrido mantém-se hígido. BENS IMPORTADOS UTILIZADOS COMO INSUMOS A pessoa jurídica deve estornar os créditos decorrentes da aquisição de insumos, de que trata o § 1º do art. 3º da IN RFB nº 1.157, de 2011, sempre que vinculados a produtos vendidos com suspensão da exigência da Contribuição para o PIS/Pasep na forma dos incisos I a III do art. 2º da referida IN, independentemente de os insumos terem sido importados ou adquiridos nº mercado interno. (Solução de Consulta SRRF08/DISIT nº 74/2013).
Numero da decisão: 3202-003.759
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Aline Cardoso de Faria – Relatora Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Wagner Mota Momesso de Oliveira, Jucileia de Souza Lima, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Aline Cardoso de Faria, Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe.
Nome do relator: ALINE CARDOSO DE FARIA

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O silêncio do contribuinte quando em sua impugnação leva à consolidação da decisão administrativa quanto aos pontos não contestados, uma vez que não fica instaurado o litígio, tornando precluso o recurso voluntário quanto à matéria não questionada. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. O reconhecimento de direito creditório em favor do contribuinte, é necessário que restem plenamente caracterizados os seus atributos de certeza e liquidez. Ou seja, o crédito pretendido deve ser comprovado por meio da escrituração contábil e fiscal, bem como pelos documentos que a respalde, de forma que fique demonstrada a certeza de sua procedência e a liquidez do seu valor. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 Ausente a demonstração de equívoco na base de cálculo utilizada para apuração do rateio proporcional o acórdão recorrido mantém-se hígido. BENS IMPORTADOS UTILIZADOS COMO INSUMOS A pessoa jurídica deve estornar os créditos decorrentes da aquisição de insumos, de que trata o § 1º do art. 3º da IN RFB nº 1.157, de 2011, sempre que vinculados a produtos vendidos com suspensão da exigência da Contribuição para o PIS/Pasep na forma dos incisos I a III do art. 2º da referida IN, independentemente de os insumos terem sido importados ou Fl. 541DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.759 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.903279/2015-00 2 adquiridos nº mercado interno. (Solução de Consulta SRRF08/DISIT nº 74/2013). ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Aline Cardoso de Faria – Relatora Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Wagner Mota Momesso de Oliveira, Jucileia de Souza Lima, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Aline Cardoso de Faria, Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe. RELATÓRIO Trata o presente de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão proferido pela 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento DRJ/01, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente COOPERATIVA REGIONAL AURIVERDE. Por bem descrever os fatos, adota-se o relatório do Acórdão recorrido: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em face de Despacho Decisório que deferiu parcialmente Pedido de Ressarcimento (PER) referente a crédito de COFINS NÃO CUMULATIVA - MERCADO INTERNO: O direito creditório pleiteado foi objeto de análise, cujas conclusões constam do Relatório Fiscal e respectivas Planilhas, fls. 30 a 218, parte integrante do Despacho Decisório nº 116064837, tendo identificado irregularidades em relação aos seguintes tópicos: Fl. 542DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.759 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.903279/2015-00 3 - Divergências entre o valor declarado no Dacon e a correspondente memória de cálculo foram glosadas por falta de comprovação.; - conceito de insumo estabelecido pelas instruções normativas 247/2002 e 404/2004; - Aquisições de bens para revenda sujeitos à substituição tributária e à tributação monofásica; - Fretes pagos na aquisição de bens para revenda e de insumos, cujos bens e insumos não sejam passíveis de creditamento pois o frete compõe o respectivo custo de aquisição; - Fretes relativos aos bens adquiridos de pessoas físicas, pois esse creditamento somente é possível quando o bem adquirido for passível de creditamento, pois o frete compõe o respectivo custo de aquisição; - Fretes referentes a transferências de bens entre os estabelecimentos da interessada, por falta de previsão legal; - Mão de obra paga a pessoa física; - Aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição conforme disposto no § 2º do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; - Aquisição de bens classificados na posição 23.04 (tortas e outros resíduos sólidos da extração do óleo de soja) da NCM, sujeitos à suspensão do pagamento das contribuições, conforme previsão constante no artigo 54, inciso I, da Lei nº 12.350/2010, e disciplinada pelos artigos 2º a 4º da IN RFB nº 1.157/2011;; - Insumos adquiridos no mercado interno e/ou importados utilizados na produção de produtos vendidos com suspensão, nos termos do art. 9º da Lei nº 10.925/2004. Conforme Laudo Técnico descritivo dos processos produtivos, bem como arquivo de notas fiscais de vendas apresentado, uma parte da receita auferida pela interessada é feita com suspensão do pagamento das contribuições, como é o caso, por exemplo, das vendas de leite in natura (NCM 0401.20.90) e de rações para suínos e aves (NCM 2309.90). O disposto no art. 8º, § 4º, II, da Lei nº 10.925/2004 veda o aproveitamento de crédito em relação a essas vendas efetuadas com suspensão, devendo tais créditos serem estornados; - Por se tratar de crédito não ressarcível, todo o crédito presumido apurado nº período foi realocado no Dacon para a coluna Mercado Interno Tributado (não ressarcível). O crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto dos valores devidos a título das contribuições para o PIS/Pasep e para a Cofins não cumulativos, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento, conforme ADI SRF nº 15, de 22/12/2005 e IN SRF nº 660, de 17/07/2006. Em sua manifestação de inconformidade, o sujeito passivo se manifesta, em síntese, sobre os seguintes pontos: · Bens utilizados como insumos – requer o aproveitamento de créditos referentes aos insumos classificados na NCM 2304 da TIPI (farelo, casquinha e pellets de soja)utilizados na fabricação de rações para bovinos. Junta notas fiscais e correspondente relação. · Do crédito presumido – contesta a realocação de créditos presumidos vinculados a venda de leite UHT, pois sendo esta sujeita a alíquota zero deve ser registrada como receita não tributada no mercado interno. · Do Rateio Proporcional - defende a manutenção dos créditos relativas a receitas referentes aos “atos cooperativos”. Dos valores constantes da CST 01, mercado interno tributado, deve ser excluido o repasse ao cooperado, venda ao cooperado e o custo agregado, nos Fl. 543DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.759 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.903279/2015-00 4 termos do artigo 15 da MP 2.158, sendo que esses valores devem ser alocados no mercado interno não tributado. Menciona jurisprudência e requer o reconhecimento da totalidade dos créditos pleiteados. É o relatório. Em decisão por unanimidade, a 13ª TURMA/ DRJ/01 votou para julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. ATOS COOPERATIVOS. As receitas das cooperativas, regra geral, estão sujeitas ao pagamento das contribuições. As exclusões da base de cálculo às quais as cooperativas têm direito não se confundem com não incidência, isenção, suspensão ou redução de alíquota a 0 (zero) nas suas vendas, o que impediria o aproveitamento de crédito por parte dos compradores de seus produtos. Solução de Consulta Cosit nº 65/2014. BENS IMPORTADOS UTILIZADOS COMO INSUMOS A pessoa jurídica deve estornar os créditos decorrentes da aquisição de insumos, de que trata o § 1º do art. 3º da IN RFB nº 1.157, de 2011, sempre que vinculados a produtos vendidos com suspensão da exigência da Contribuição para o PIS/Pasep na forma dos incisos I a III do art. 2º da referida IN, independentemente de os insumos terem sido importados ou adquiridos nº mercado interno. (Solução de Consulta SRRF08/DISIT nº 74/2013)ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. O silêncio do contribuinte quando em sua impugnação leva à consolidação da decisão administrativa quanto aos pontos não contestados, uma vez que não fica instaurado o litígio, tornando precluso o recurso voluntário quanto à matéria não questionada. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. O reconhecimento de direito creditório em favor do contribuinte, é necessário que restem plenamente caracterizados os seus atributos de certeza e liquidez. Ou seja, o crédito pretendido deve ser comprovado por meio da escrituração contábil e fiscal, bem como pelos documentos que a respalde, de forma que fique demonstrada a certeza de sua procedência e a liquidez do seu valor. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário no qual ratifica os argumentos trazidos em sede de Manifestação de Inconformidade e requer que se reforme a decisão da Delegacia de Julgamento. É o relatório. VOTO Conselheira Aline Cardoso de Faria, Relatora. Fl. 544DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.759 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.903279/2015-00 5 O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de admissibilidade, dele, portanto, tomo conhecimento. Não havendo questões preliminares a serem apreciadas passa-se à análise do mérito recursal. I – Do mérito A priori, para deslinde da questão objeto dos autos, importa registrar, que, embora a Recorrente tenha apresentado Manifestação de Inconformidade tempestiva, deixou de contestar a maior parte das glosas, razão pela qual, a teor do art. 17 do Decreto 70.235/72, operou-se a preclusão sobre as matérias não contestadas nos termos reconhecidos pelo Acórdão recorrido: DA MATÉRIA NÃO CONTESTADA Das glosas efetuadas, não foram contestadas as seguintes matérias: - Divergências entre o valor declarado no Dacon e a correspondente memória de cálculo foram glosadas por falta de comprovação.; - conceito de insumo estabelecido pelas instruções normativas 247/2002 e 404/2004; - Aquisições de bens para revenda sujeitos à substituição tributária e à tributação monofásica; - Fretes pagos na aquisição de bens para revenda e de insumos, cujos bens e insumos não sejam passíveis de creditamento pois o frete compõe o respectivo custo de aquisição; - Fretes relativos aos bens adquiridos de pessoas físicas, pois esse creditamento somente é possível quando o bem adquirido for passível de creditamento, pois o frete compõe o respectivo custo de aquisição; - Fretes referentes a transferências de bens entre os estabelecimentos da interessada, por falta de previsão legal; - Mão de obra paga a pessoa física; - Aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição conforme disposto no § 2º do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; - Estorno dos créditos relativos a insumos adquiridos no mercado internº utilizados na produção de produtos vendidos com suspensão, nos termos do art. 9º da Lei nº 10.925/2004. Conforme Laudo Técnico descritivo dos processos produtivos, bem como arquivo de notas fiscais de vendas apresentado, uma parte da receita auferida pela interessada é feita com suspensão do pagamento das contribuições, como é o caso, por exemplo, das vendas de leite in natura (NCM 0401.20.90) e de rações para suínos e aves (NCM 2309.90), cuja vedação consta no art. 8º, § 4º, II, da Lei nº 10.925/2004; Isto posto, o presente voto será dedicado a análise das divergências sobre: 1. insumos classificados na NCM 23.04 da TIPI, 2. bens importados utilizados como insumos e, 3. ao exame da possibilidade de realização de rateio proporcional referente aos atos cooperados nos termos suscitados no Recurso Voluntário interposto pela Recorrente. I.1 insumos classificados na NCM 23.04 da TIPI Fl. 545DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.759 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.903279/2015-00 6 A Recorrente alega que os gastos com insumos utilizados para fabricação de ração de bovinos foram glosados indevidamente. O principal objeto de divergência se assenta sobre os produtos classificados na NCM 2304 da TIPI (farelo, casquinha e pellets de soja). Em sede de manifestação de inconformidade, a Recorrente argumenta que houve a comprovação, por meio de nota fiscal, de todas as operações, para fins de apuração do crédito adequadamente, bem como demonstrou-se que há o efetivo controle e separação dos valores referentes aos insumos para a ração de bovinos, mas, ainda assim, a glosa foi mantida. Finalmente, destaca que existe um equívoco na glosa pois Não assiste razão à Recorrente. Com efeito, no relatório fiscal consta a informação de que parte desses insumos são utilizados na fabricação de ração para bovinos, o que permite o creditamento exclusivamente nesse caso, conforme entendimento firmado pela COSIT na Solução de Consulta nº 97/2020. Todavia, conforme resta evidente no Acórdão Recorrido a Recorrente não comprovou a certeza e liquidez do direito alegado, senão vejamos: Entretanto, a interessada não comprovou nos autos os cálculos exatos da apuração desses créditos como alega. Trouxe uma relação de notas fiscais, acompanhada de cópias destas, dentre as quais muitas, se não a maioria, constam com a suspensão de pagamento do PIS e da COFINS, além de documentos referentes a outros períodos. Além disso, entendemos que a singela relação de notas não é suficiente para demonstrar o controle e a escrituração separada desses créditos, pois, conforme os documentos apresentados à fiscalização e arquivados no dossiê eletrônico mencionado no relatório fiscal, as rações para bovinos, suínos e aves são produzidas na mesma fábrica, sendo os insumos classificados na posição 2304 comuns aos três tipos de rações. Dessa forma, deve ser claramente demonstrada a separação e o controle, amparado por documentação hábil e idônea, que permita a identificação da utilização dos insumos. É consabido que nos casos de restituição e compensação é atribuição do interessado a demonstração da efetiva existência do direito creditório pretendido. O artigo 28 do Decreto nº 7.574/2011 que regulamenta os processos administrativos fiscais no âmbito da Receita Federal do Brasil dispõe: “Art. 28. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e sem prejuízo do disposto no art. 29 (Lei nº 9.784, de 1999, art. 36).” Isto posto, cumpre esclarecer que a apresentação de “demonstrativo de valores que o contribuinte entende devido” (fl. 873), desvinculada da documentação contábil e fiscal comprobatória, não é suficiente para comprovar o direito creditório em favor da Recorrente. Destarte, não há reforma a ser feita no Acórdão recorrido. I.2 bens importados utilizados como insumos A Recorrente alega que os créditos de importações de bens utilizados como insumo foram glosados indevidamente. O principal objeto de divergência se assenta sobre créditos Fl. 546DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.759 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.903279/2015-00 7 decorrentes da importação de milho utilizado na elaboração de rações. Sustenta que a aplicação do artigo 17 da Instrução Normativa nº 1.157/2011 e o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 permite o aproveitamento de créditos decorrentes de importações sujeitas ao pagamento das contribuições. A Recorrente entende, que de acordo com o princípio da especialidade, o regramento mais específico afasta o mais genérico, de modo que a não cumulatividade do PIS e da COFINS no caso das importações mostra-se mais adequada ao caso concreto. Não assiste razão à Recorrente. A interpretação do dispositivo citado deve considerar o conjunto da norma em que está inserido para atender os objetivos legais. Neste contexto, a melhor hermenêutica é aquela mencionada no seguinte trecho do Acórdão recorrido: Assim, conforme o entendimento adotado na Solução de Consulta SRRF08/DISIT nº 74/2013, “a pessoa jurídica deve estornar os créditos decorrentes da aquisição de insumos, de que trata o § 1º do art. 3º da IN RFB nº 1.157, de 2011, sempre que vinculados a produtos vendidos com suspensão da exigência da Contribuição para o PIS/Pasep na forma dos incisos I a III do art. 2º da referida IN, independentemente de os insumos terem sido importados ou adquiridos no mercado interno”, em razão da aplicação dos demais dispositivos da mencionada instrução normativa: (...) 19. Evidência nesse sentido é dada pelos arts. 2º, § 3º, e 17 da IN RFB nº 1.157, de 2011. Segundo o § 3º do art. 2º, a suspensão conferida por esse artigo aplica-se também à receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, dos bens referidos nos incisos de seu caput, quando estes tiverem sido importados. Considerando que o estorno de créditos relaciona-se às vendas efetuadas com a suspensão, conclui-se que o estorno de créditos apurados em relação às importações também é obrigatório. O art. 17, por sua vez, complementa informando que a importação dos bens referidos nos incisos do art. 2º sujeita-se às disposições da Lei nº 10.865, de 2004, notadamente no que se refere ao pagamento das contribuições incidentes na importação e à apuração dos créditos correspondentes. Nesse sentido, havendo o pagamento na operação de importação, o crédito conseqüentemente gerado deve também ser estornado. Portanto, não há que se falar em ajuste/correção no rateio relativo a apuração dos créditos objeto deste tópico, conforme defendido pela Recorrente. Isto posto, não há reforma a ser feita no Acórdão recorrido. I. 3 Realização de rateio proporcional Neste tópico será examinada a possibilidade de realização de rateio proporcional referente aos atos cooperados nos termos suscitados no Recurso Voluntário interposto pela Recorrente, conforme abaixo reproduzido: Portanto, reitera-se o equívoco ocorrido na apuração de base de cálculo quando do rateio proporcional. Dos valores constantes da CST 01, mercado interno tributado, há que se excluir o repasse ao cooperado, venda ao cooperado e o custo agregado, nos termos do artigo 15 da MP Fl. 547DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.759 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.903279/2015-00 8 2.158, sendo que esses valores devem ser alocados nº mercado interno não tributado, o que, no caso concreto não foi feito. A cooperativa não recolhe PIS/Pasep e COFINS sobre a totalidade da base de cálculo inicialmente gerada, posto que, possui uma peculiaridade reconhecida em lei, qual seja, as já referidas exclusões de base de cálculo, previstas no artigo 15 da MP nº 2.158- 35/2001, artigo 17 da lei nº 10.684/03 e do artigo 1º da lei nº 10.676/03. (Grifos nossos). Em que pesem os argumentos empreendidos pela Recorrente acerca do conceito de ato cooperativo fixado com base no entendimento do Superior Tribunal de Justiça (REsp nº 543.828) e do Supremo Tribunal Federal (RE nº 174.478), da leitura da peça recursal acostada aos autos (fls. 526 – 538) em cotejo com o relatório da autoridade fiscal (fls. 30 a 218), não é possível vincular os repasses contestados nestes dois documentos em razão de que o sobredito relatório não faz qualquer menção àquelas três categorias de repasses discriminadas pela Recorrente no Recurso Voluntário (1. repasse ao cooperado; 2. venda ao cooperado e, 3. custo agregado). In casu, a Recorrente alega que a base de cálculo utilizada pela fiscalização quando da apuração do rateio proporcional no Despacho Decisório está equivocada e empreende alegações jurídicas e legais acerca da existência do direito creditório pleiteado, contudo, além de discriminar repasses inexistentes no relatório fiscal não esclarece quais documentos acostados aos autos corroboram a tese alegada, inviabilizando, assim, qualquer análise sobre a existência do direito creditório pleiteado. Novamente é imperioso destacar que nos casos de restituição e compensação é atribuição do interessado a demonstração da efetiva existência do direito creditório pretendido. O artigo 28 do Decreto nº 7.574/2011 que regulamenta os processos administrativos fiscais no âmbito da Receita Federal do Brasil dispõe: “Art. 28. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e sem prejuízo do disposto no art. 29 (Lei nº 9.784, de 1999, art. 36).” Assim, face a ausência de demonstração de equívoco na base de cálculo utilizada pela fiscalização para apuração do rateio proporcional o Acórdão recorrido mantém-se hígido. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Assinado Digitalmente Aline Cardoso de Faria Fl. 548DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.759 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.903279/2015-00 9 Fl. 549DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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