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Numero do processo: 11030.904409/2012-16
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2005
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.223
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2005 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2005 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 44 09 /2 01 2- 16 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904409/201216 Acórdão n.º 3801003.223 S3TE01 Fl. 88 2 Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904409/201216 Acórdão n.º 3801003.223 S3TE01 Fl. 89 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a restituir o crédito nele declarado em razão de pagamento indevido ou a maior de Cofins, relativo ao fato gerador de 30/06/2005. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual indefere a restituição pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, tendo sido cientificado em 23/01/2013 (fl. 8), o contribuinte apresentou, em 20/02/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 11/21, com os argumentos a seguir sintetizados. Informa que pediu a restituição dos valores pagos a maior a título de Cofins, uma vez que foram pagos sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Traz entendimentos doutrinários e jurisprudência dos tribunais acerca do conceito de faturamento, o qual entende não abarcar o conceito de “ingresso”. O ICMS seria mero ingresso na escrituração contábil das empresas, para posterior destinação ao Fisco, terceiro titular de tais valores. Cita o recurso extraordinário nº 240785, que se encontra em fase decisória no STF, outros excertos doutrinários e princípios constitucionais, discorrendo acerca da impossibilidade de inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, visto que não representa riqueza do contribuinte, não fazendo parte da receita ou do faturamento. Por fim, requer seja deferido o seu pedido de restituição, tendo em vista ser inconstitucional a cobrança do PIS/Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, e que os créditos sejam acrescidos de juros Selic, desde o seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2005 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904409/201216 Acórdão n.º 3801003.223 S3TE01 Fl. 90 4 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Cofins apuradas pelos regimes cumulativo e nãocumulativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual repisa os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904409/201216 Acórdão n.º 3801003.223 S3TE01 Fl. 91 5 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que sucedeu no recurso apresentado, no qual a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também Fl. 91DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904409/201216 Acórdão n.º 3801003.223 S3TE01 Fl. 92 6 sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria sendo calculado “por dentro”, ou seja, o montante do próprio imposto está incluído na sua base de cálculo, nos termos do art. 13, §1º, inciso I da LC 87/96, integrando assim a receita bruta ou faturamento, que é base de cálculo das contribuições, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal para tanto. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei 10.833, de 2003, para aquelas empresas sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das referidas contribuições, estas passaram a ter como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, ,porém não trazendo qualquer disposição que se refira à possibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo. O inciso VII do art. 1º das retrocitadas leis, incluído pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009, prevê apenas a exclusão das receitas decorrentes de transferência onerosa de créditos acumulados de ICMS originados de operações de exportação. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), que foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, Fl. 92DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904409/201216 Acórdão n.º 3801003.223 S3TE01 Fl. 93 7 DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. Assim, diante do exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 93DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI
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Numero do processo: 13971.909565/2009-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2006 a 30/03/2006
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO.
O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, deve-se apreciar as provas trazidas pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 3302-002.357
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Sustentação Oral: Bruna Tuguie Nakamura OAB/SC 34535
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 25/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/2006 a 30/03/2006 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, deve-se apreciar as provas trazidas pelo contribuinte. Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Sustentação Oral: Bruna Tuguie Nakamura OAB/SC 34535 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES - Relator. EDITADO EM: 25/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2006 a 30/03/2006 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas trazidas pelo contribuinte. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Sustentação Oral: Bruna Tuguie Nakamura – OAB/SC 34535 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 25/03/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 95 65 /2 00 9- 65 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório produzido pela DRJ de Florianópolis: Trata o presente processo de Declaração de Compensação DCOMP, apresentada pela contribuinte acima qualificada. Em análise da compensação intentada,. a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC decidiu não homologála (Despacho Decisório à folha 06), em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para o pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos valores informados no PER/Dcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs contribuinte manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que pagou indevidamente a Cofins, relativa à competência de mês de março de 2006. Esclarece a interessada, em síntese, que não retificou a DCTF correspondente, a fim de reduzir o valor devido para evidenciar o saldo de valor (pagamento a maior) relativo ao pagamento da Cofins. A par dos argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada, a DRJ entendeu por bem indeferir a solicitação em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO:NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, s6 se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 54DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 13971.909565/200965 Acórdão n.º 3302002.357 S3C3T2 Fl. 54 3 Contra esta decisão foi apresentado Recurso Voluntário onde alega que a ausência de retificação da DCTF apresentada, preenchida com erro, não pode afastar o seu direto a restituição dos valores pagos indevidamente, principalmente quando sua contabilidade corrobora a existência do recolhimento a maior. Pugna pela aplicação do principio da verdade material que deve sempre ser aplicado ao processo administrativo. Cita jurisprudência desta casa que coaduna sua interpretação. É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Como se verifica do sintético relatório reproduzido acima, a controvérsia tratada no presente processo versa sobre a existência dos créditos alegados pelo Recorrente tendo em vista que as informações constantes da DCTF originalmente transmitida alocavam a totalidade dos pagamentos efetuados. A Recorrente, por sua vez, advoga a existência de pagamentos indevidos que poderiam ser facilmente comprovados a partir da simples análise de seus registros contábeis. Entendo assistir razão ao Recorrente. A existência de pagamento indevido ou a maior em nenhum momento foi avaliada pela DRF de Blumenau, que se limitou a informar que o alegado crédito estava totalmente alocado a outros débitos conforme informado em DCTF. Ora, como tenho me manifestado em diversas ocasiões, no âmbito do processo administrativo impera o princípio da verdade material, que obriga a autoridade administrativa a analisar exaustivamente os fatos alegados pelos contribuintes, solicitando, inclusive, diligências e apresentação de novas provas em relação as alegações existentes no processo administrativo fiscal. A existência de informação na DCTF em nada altera a existência ou não do pagamento a maior, ainda mais quando se tratar a DCTF de instrumento de controle da própria Receita Federal. Veja que se indeferiu a solicitação apenas porque, antes do despacho decisório, não houve a retificação da declaração originalmente apresentada. Se esta tivesse ocorrido no momento que as autoridades julgadoras entendem por adequado, o crédito alegado pelo Recorrente teria sido analisado. Sobre este tema, são elucidativas as conclusões exaradas pelo eminente Conselheiro Walber José da Silva, que assim se manifestou no processo nº 10283.900064/200983, julgado recentemente por esta turma: Fl. 55DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES 4 Concluindo: à mingua de previsão legal, a falta de apresentação de DCTF retificadora, ou a sua apresentação após a emissão do Despacho Decisório, por si só, não se constitui em motivo para o indeferimento do pedido de restituição e, conseqüentemente, para a não homologação da compensação declarada pela Recorrente. Deve, portanto, a autoridade administrativa da RFB apurar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado considerando todas as provas trazidas aos autos e outras que julgar imprescindível para apurar a verdade material e formar sua convicção. Nesta linha de pensar, entendo que a autoridade preparadora deve promover a análise da liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes dos autos e outros mais que entender necessários tendo por norte o princípio da verdade material, e, no caso de serem os créditos suficientes, homologar as compensações efetuadas. Caso contrário, sejam compensados os débitos declarados até o limite dos créditos existentes e intimada a contribuinte para a apresentação de manifestação de inconformidade contra a homologação parcial das compensações. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao presente recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 56DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 19991.000243/2008-16
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/04/1999
DECADÊNCIA. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR 118/05.
O prazo estabelecido na Lei Complementar 118/05 somente se aplica para os processos protocolizados a partir 9 de junho de 2005, e que anteriormente a este limite temporal aplica-se a tese de que o prazo para repetição ou compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação é de dez anos, contado de seu fato gerador, de acordo com decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3801-003.411
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso no sentido de afastar a decadência.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso no sentido de afastar a decadência. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR 118/05. O prazo estabelecido na Lei Complementar 118/05 somente se aplica para os processos protocolizados a partir 9 de junho de 2005, e que anteriormente a este limite temporal aplicase a tese de que o prazo para repetição ou compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação é de dez anos, contado de seu fato gerador, de acordo com decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso no sentido de afastar a decadência. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 99 1. 00 02 43 /2 00 8- 16 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19991.000243/200816 Acórdão n.º 3801003.411 S3TE01 Fl. 11 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, uma vez que narra bem os fatos: O interessado transmitiu as Dcomps nºs 22675.23288.181004.1.3.548145 e 09489.41171.291004.1.3.54 1434, visando compensar os débitos nelas declarados, com crédito relativo a pagamento a maior à Cofins no período de 28/02/1999 a 30/04/1999. Essas declarações foram selecionadas para tratamento manual por meio do presente processo; A DRFPoços de Caldas/MG emitiu Despacho Decisório, no qual não reconhece o direito creditório e não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de extinção do direito de pleitear restituição e por falta do direito material (fls. 42/48); A empresa apresenta manifestação de inconformidade (fls. 50 e seguintes), na qual alega, em síntese, que: a Lei 9.718/98 fere a Constituição Federal, em sua redação anterior à Emenda Constitucional 20/98 e também o artigo 110 do CTN; a mesma lei não observou o prazo nonagesimal para exigibilidade de aumento de contribuição; o prazo para pedido de restituição é de 10 anos (cinco mais cinco), para tributos cujo lançamento é por homologação; A DRJ em Juiz de Fora (MG) indeferiu a solicitação, nos termos da ementa abaixo transcrita: INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Não cabe ao julgador administrativo apreciar a matéria do ponto de vista constitucional. DECADÊNCIA O direito de pleitear restituição extinguese em 05 anos conforme artigo 168 CTN. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, cujo teor é sintetizado a seguir. Após um breve relatório, apresenta sua irresignação com o acórdão que negou as compensações efetuadas relativas ao recolhimento de 1/3 da Cofins (1/3 equivalente à majoração de 2% para 3%), períodos de apuração de fevereiro de 1999 a abril de 1999. Sustenta a tese de inconstitucionalidade da Lei 9.718/98. Faz um histórico da edição da Lei 9.718/98 e da Emenda Constitucional 20/98. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19991.000243/200816 Acórdão n.º 3801003.411 S3TE01 Fl. 12 3 Defende a tese de que a regulamentação de artigo da Constituição Federal que tenha sido alterado por emenda constitucional a partir de 1995 não pode ser feita por medida provisória, conforme disposto no artigo 246 da Constituição Federal. Assim, a vedação se aplica à Medida Provisória nº 1.724/98 que foi convertida na Lei 9.718/98 Aduz que a Lei Ordinária nº 9.718/98 não poderia regular matéria reservada constitucionalmente à Lei Complementar, no caso a LC 70/91, havendo, ainda, inobservância ao prazo nonagesimal (noventena) para exigibilidade. Aponta vícios no processo legislativo de conversão da MP 1.724/98 na Lei 9.718/98. Em relação ao prazo decadencial, alega que a jurisprudência é pacífica no sentido de que o prazo decadencial para repetição de indébito é de 10 (dez) anos, contado da ocorrência do fato gerador, acrescido de mais 5 (cinco) anos da homologação tácita. Por fim requereu um novo exame de acordo com os fatos apresentados. É o relatório. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19991.000243/200816 Acórdão n.º 3801003.411 S3TE01 Fl. 13 4 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. O litígio tem como controvérsia principal o prazo que o sujeito passivo tem para pleitear a restituição total ou parcial de contribuição paga indevidamente ou a maior que o devido. A propósito, o art. 165, inciso I, do Código Tributário Nacional – CTN estabelece as hipóteses em que o sujeito passivo tem direito à repetição do indébito: “Art. 165 O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; (...)” Por seu turno, na hipótese do inciso I, o art. 168 c/c com o 156 do CTN fixa esse prazo em cinco anos, in verbis: “Art. 156. Extinguem o crédito Tributário: I – o pagamento; (...).” “Art. 168 O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário;” Tenhase presente que a Lei Complementar nº 118, de 2005 dispôs no art. 3º que, em se tratando de lançamento por homologação, o termo inicial do prazo para pedido de restituição é a data do pagamento e estabeleceu no art. 4º, por se tratar de lei meramente interpretativa, aplicase a fato pretérito, conforme previsto no art. 106, I do CTN: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do Fl. 91DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19991.000243/200816 Acórdão n.º 3801003.411 S3TE01 Fl. 14 5 pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Ocorre, todavia, que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário n.º 566.621, submetido a sistemática da repercussão geral, Relatora Min. Ellen Gracie, pacificou o entendimento de que o prazo estabelecido na Lei Complementar 118/05 somente se aplica para os processos ajuizados a partir 9 de junho de 2005, e que anteriormente a este limite temporal aplicase a tese de que o prazo para repetição ou compensação era de dez anos contados de seu fato gerador. O aludido acórdão foi assim ementado: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos Fl. 92DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19991.000243/200816 Acórdão n.º 3801003.411 S3TE01 Fl. 15 6 seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Destarte, são inúteis e desnecessárias eventuais discussões de outras teses sobre o prazo que o contribuinte tem para pleitear a restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação. As autoridades administrativas têm que se submeter ao entendimento do Supremo Tribunal Federal e, de fato, atribuir eficácia em relação ao mérito. Neste sentido, alterouse o Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010. O artigo 62A dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemárica da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {*} (...) {*} alteraçãos introduzida pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010 ( grifouse) Assim, o termo inicial do prazo para o exercício do direito de pleitear a restituição de tributos sujeito a lançamento por homologação, caso da contribuição Cofins, é de 10(dez) anos, ou seja, cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita, tese dos “cinco mais cinco”. Em remate, no caso vertente, o Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP) foi transmitido em 18/10/2004, e os recolhimentos a maior referemse aos períodos de apuração de fevereiro de 1999 a abril de 1999, de modo que pelas razões acima fica afastada a decadência. Quanto ao mérito, direito à restituição e compensação dos valores recolhidos a título da contribuição Cofins em razão de uma suposta inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98 e não observância do princípio da anterioridade nonagesimal, é importante consignar que estas matérias não foram enfrentadas pela Delegacia de origem e pela Delegacia de Julgamento. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19991.000243/200816 Acórdão n.º 3801003.411 S3TE01 Fl. 16 7 É de se ver, portanto, que, para que não haja supressão de instância, a Delegacia de origem deve enfrentar o mérito do pedido de restituição/compensação, proferindo novo despacho decisório, ficando afastada a decadência nos termos desta decisão. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário interposto pela interessada para afastar a decadência. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 94DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10660.905889/2011-64
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.051
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 58 89 /2 01 1- 64 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905889/201164 Acórdão n.º 3803006.051 S3TE03 Fl. 162 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Juiz de Fora/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência do indeferimento do Pedido de Restituição. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da Cofins, no valor de R$ 68.063,03. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem indeferiu a restituição pleiteada, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos da titularidade do sujeito passivo. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, bem como o deferimento da restituição pleiteada, alegando que o indébito reclamado decorria do reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Reportandose aos princípios da verdade material e da moralidade administrativa, requereu a realização de diligências e perícias, para fins de se confirmar o crédito pleiteado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de representação, assim como cópias do despacho decisório, do DARF e de planilha por ele elaborada. A DRJ Juiz de Fora/MG não reconheceu o direito creditório, fundamentando sua decisão (i) na inaplicabilidade, no presente caso, da decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em sede de recurso extraordinário, (ii) na incompetência da Administração tributária para se manifestar sobre ofensa a princípios constitucionais, (iii) na ausência de eficácia normativa da doutrina e da jurisprudência administrativa e judicial colacionadas na peça recursal, (iv) na ausência de nulidade no despacho decisório e (v) na desnecessidade de realização de diligências e perícias. Constou, ainda, do voto condutor da decisão recorrida que, “no presente caso, não foram trazidos ao processo, quaisquer elementos que viessem a comprovar o direito alegado e mais, a legislação tributária, determina que juntamente com a manifestação de inconformidade devem ser apresentadas as provas que fundamentem de modo concreto e veemente a discordância da contribuinte do entendimento adotado pela administração, precluindo seu direito de fazêlo em outro momento processual”. Cientificado do acórdão da DRJ Juiz de Fora/MG em 7 de novembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 5 de dezembro do mesmo ano, e reiterou seu pedido de reconhecimento do direito creditório e de deferimento integral da restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. Aduziu, ainda, o ora Recorrente, que a Delegacia de Julgamento deveria ter avançado na matéria fática e convertido o julgamento em diligência para que fossem prestados esclarecimentos e apresentada a documentação comprobatória do crédito pleiteado, sem o que tevese por configurado cerceamento do seu direito de defesa. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905889/201164 Acórdão n.º 3803006.051 S3TE03 Fl. 163 3 Ressaltou, também, que a inobservância da inconstitucionalidade declarada pelo STF acerca do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pela Lei nº 9.718, de 1998, “representa inegável afronta à Constituição Federal e negativa de prestação administrativa”. Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de representação. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica do relatório supra, o pedido de restituição foi indeferido pela repartição de origem pelo fato de que o pagamento informado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ Juiz de Fora/MG. De início, registrese que, para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. Não há dúvidas que este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, encontrase obrigado a reproduzir decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal (STF) submetidas à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC), mas desde que comprovada, com documentação hábil e idônea, a ocorrência de pagamento indevido relativo à parcela do tributo apurada sobre a base de cálculo prevista em dispositivo legal declarado inconstitucional. No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários, do DARF e de uma planilha por ele elaborada, documentos esses insuficientes à comprovação do indébito, dado que desacompanhados de qualquer elemento da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Destaquese que, na planilha trazida aos autos pelo contribuinte na primeira instância administrativa, não são identificadas as outras receitas, além do faturamento, que teriam ensejado a tributação indevida decorrente da inconstitucionalidade do preceptivo legal. Para decidir acerca do pedido de reconhecimento do direito creditório decorrente do pagamento da contribuição apurada sobre outras receitas que não o faturamento, em razão da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1988, este Colegiado necessita, além de conhecer os valores envolvidos nas operações mercantis, como o faturamento, o total das outras receitas, a contribuição devida etc., confirmar sua ocorrência na contabilidade da pessoa jurídica. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905889/201164 Acórdão n.º 3803006.051 S3TE03 Fl. 164 4 Em processos da espécie ao ora analisado, a falta da devida instrução dos autos por parte da pessoa obrigada não pode ser suprida por diligência à repartição de origem, dada a inexistência de um início de prova que convença o julgador quanto à probabilidade de efetiva existência do direito creditório pleiteado, isso em conformidade com os princípios constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que regem a atuação da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador administrativo de primeira instância acerca da necessidade de apresentação de documentos comprobatórios do crédito pleiteado o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância. Bastaria que o interessado tivesse trazido aos autos cópias da escrituração contábilfiscal abrangendo o período sob análise, observandose as formalidades exigidas pela legislação tributária, para que se tivesse por configurado o início de prova requerido para justificar a realização de diligência ou perícia destinada à confirmação do crédito pleiteado. Uma simples planilha elaborada pelo próprio interessado não supre a necessidade de apresentação da documentação fiscal apta a comprovar os fatos alegados. A não apresentação de provas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 164DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905889/201164 Acórdão n.º 3803006.051 S3TE03 Fl. 165 5 Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, em razão da ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 165DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10073.902519/2012-76
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/05/2008
INVALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. INOCORRÊNCIA.
Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, não há que se falar em invalidade do despacho decisório por vícios relativos à forma.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.515
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 31/05/2008 INVALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, não há que se falar em invalidade do despacho decisório por vícios relativos à forma. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
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INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, não há que se falar em invalidade do despacho decisório por vícios relativos à forma. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 25 19 /2 01 2- 76 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902519/201276 Acórdão n.º 3801003.515 S3TE01 Fl. 140 2 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902519/201276 Acórdão n.º 3801003.515 S3TE01 Fl. 141 3 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP cujo crédito seria decorrente de pagamento indevido ou a maior no valor original na data de transmissão de R$21.134,25. Após processada foi exarado o Despacho Decisório no qual consta que o pagamento descrito no PER/DCOMP já havia sido parcialmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, sendo insuficiente o crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da insuficiência de crédito, a compensação declarada FOI PARCIALMENTE HOMOLOGADA. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aonde alega, em síntese: Em sede preliminar, a invalidade do ato administrativo por não ter preenchido o requisito com relação à Forma, perdendo o Despacho Decisório o seu objeto; No mérito aduz que a compensação originouse de sobra de valor de COFINS pago a maior e não retificado em DCTF, sendo certo que, persistindo a não homologação do PER/DCOMP apresentado, estará sendo o contribuinte obrigado a pagar tributos duplamente, em flagrante desrespeito à legislação vigente; Tece considerações acerca da ilegalidade da aplicação da taxa Selic para fins tributários e sua inaplicabilidade como índice de atualização de débitos fiscais, fazendo menção a jurisprudência do Judiciário, devendo ser aplicado o percentual de 1% ao mês e sem capitalização, previsto no CTN; Da ilegalidade da multa proposta, fazendo menção a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, para enfatizar o efeito confiscatório da multa exigida. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2008 DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. Deve ser rejeitada a preliminar de invalidade do ato administrativo, quando o Despacho Decisório contém a fundamentação legal e as informações e orientações necessárias ao exercício da plena defesa do contribuinte, em observância estrita ao rito do processo administrativo fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 141DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902519/201276 Acórdão n.º 3801003.515 S3TE01 Fl. 142 4 Data do fato gerador: 31/05/2008 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Os débitos indevidamente compensados serão exigidos com os respectivos acréscimos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade e requer seja acolhida a preliminar alegada referente à invalidade do ato administrativo, caso não seja este o entendimento, requer seja dado provimento ao recurso, reconhecendose o seu direito creditório e homologandose a compensação dos valores. É o Relatório. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902519/201276 Acórdão n.º 3801003.515 S3TE01 Fl. 143 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de recolhimento a maior de COFINS, Código de Receita 2172, cujo período de apuração se deu em 31/05/2008 e não retificado em DCTF. Preliminarmente, quanto à alegação de invalidade do ato administrativo entendo que não assiste razão à recorrente. O instituto da compensação está previsto no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. In casu, o contribuinte apresentou declaração de compensação de débitos diversos e apontou o documento de arrecadação (DARF) referente a COFINS, Código de Receita 2172, como origem do crédito, alegando “pagamento indevido ou a maior”, conforme disposto nas normas regulamentadoras. O direito creditório apresentava saldo disponível inferior ao pretendido, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam parcialmente vinculados a débitos já declarados. A fundamentação da não homologação da compensação pleiteada reside no cotejo entre as próprias declarações apresentadas pelo contribuinte e os documentos apontados como origem do direito creditório. A analise eletrônica do PERDCOMP se deu com base nas declarações ativas quando da apresentação do mesmo. Uma vez que o direito creditório não foi integralmente reconhecido, a compensação foi parcialmente homologada e o sujeito passivo foi cientificado e intimado a Fl. 143DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902519/201276 Acórdão n.º 3801003.515 S3TE01 Fl. 144 6 efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados com os respectivos acréscimos legais. Tal procedimento, conforme o disposto no aludido diploma legal, foi disciplinado pela Receita Federal através de diversas Instruções Normativas ao longo do tempo, não se verificando no despacho decisório combatido qualquer inobservância das formalidades ali prescritas, não caracterizando assim o alegado vicio de forma que poderia levar a eventual invalidade do ato administrativo. Quanto ao mérito, melhor sorte não assiste à recorrente. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos qualquer elemento que pudesse comprovar a origem do seu crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no pagamento do DARF e preenchimento da DCTF e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. A alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior não foram acompanhadas na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, ainda mais porque não foi acompanhada de qualquer alegação de impossibilidade na sua apresentação, bem como, dos documentos comprobatórios que poderiam até embasar uma eventual retificação de ofício. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados, o que não se verifica no caso em tela. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Em relação à alegação de que não é devida a multa de mora na cobrança dos débitos indevidamente compensados, igualmente não assiste razão à recorrente. A IN RFB 900/2008, vigente à época, assim como as alterações posteriores, que disciplinava o procedimento de compensação, previa no seu art. 38 que o tributo ou contribuição objeto de compensação nãohomologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. O art. 61 da Lei 9.430/1996, por sua vez, dispõe que os débitos não recolhidos no vencimento estão sujeitos à incidência da multa moratória. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902519/201276 Acórdão n.º 3801003.515 S3TE01 Fl. 145 7 Art. 61. Os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela SRF, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. A alegação de que essa multa possui caráter confiscatório não pode ser analisada por este Conselho já que o afastamento da aplicação da Legislação referente, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, o que é vedado, conforme entendimento consolidado por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No que se refere à legalidade da cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC, a matéria já fora pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo por meio da Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR as compensações em litigio. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 145DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13005.720003/2007-40
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
MASSA FALIDA. LEI 7.661/45. RETROATIVIDADE DE NORMA. SUJEITO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE DE HABILITAÇÃO DO CRÉDITO.
Ainda que se entenda que a massa falida é sujeito passivo da imputação tributária, o crédito não poderá ser habilitado no processo falimentar por impssibilidade legal.
Numero da decisão: 1803-002.025
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Walter Adolfo Maresch - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Meigan Sack Rodrigues - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Sérgio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 MASSA FALIDA. LEI 7.661/45. RETROATIVIDADE DE NORMA. SUJEITO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE DE HABILITAÇÃO DO CRÉDITO. Ainda que se entenda que a massa falida é sujeito passivo da imputação tributária, o crédito não poderá ser habilitado no processo falimentar por impssibilidade legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Walter Adolfo Maresch - Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Sérgio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman.
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LEI 7.661/45. RETROATIVIDADE DE NORMA. SUJEITO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE DE HABILITAÇÃO DO CRÉDITO. Ainda que se entenda que a massa falida é sujeito passivo da imputação tributária, o crédito não poderá ser habilitado no processo falimentar por impssibilidade legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Walter Adolfo Maresch Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 72 00 03 /2 00 7- 40 Fl. 52DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 13005.720003/200740 Acórdão n.º 1803002.025 S1TE03 Fl. 112 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Sérgio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório Tratase, o presente feito, de auto de infração para cobrar exigência de multa paga a menor, apurado com dados da DCTF do quarto trimentre de 2001. Temse que a empresa teria recolhido os débitos de CSLL sem o acréscimo legais devidos multa de mora. Devidamente cientificada da exigência, a empresa recorrente apresenta suas razões em seara de impugnação de forma tempestiva, argunindo que a sociedade empresarial de que se trata teve uma falência declarada em 07.08.1996, atuando como síndico o Banco do Brasil S/A, argúi que a exigência é indevida por fora do que dispõe o inciso III, do art. 23 do Decreto Lei 7.661/66 e das Súmulas 192 e 565 do STF. Conclui requerendo o cancelamento do auto de infração. A autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem manter o lançamento. Em seus argumentos, refere que não existia conflito entre o entendimento propugnado pelo Judiciário e aquele adotado na esfera administrativa com relação à aplicação da multa de ofício contra a massa falida, posto que à autoridade fiscal cabia, por dever de ofício, nos termos do art. 142 do CTN, constituir, pelo lançamento, o crédito tributário em sua totalidade, não lhe sendo atribuída qualquer faculdade discricionária que lhe permitisse se abster de aplicar as penalidade aos dispositivos infirngidos. Aduz que ao juiz, nos casos de falênica, competia, por sua vez, habilitar os créditos reclamados contra a massa falida e nessa oportunidade obstruir aquelas parcelas cujo seguimento fosse legalmente vedado. Atenta para o fato de que com a edição da Lei 11.101/2005 que, revogando o Decreto Lei 7.661/45, regulou a recuperação judicial, a extrajudicial e a falência do empresário e da sociedade empresarial, essa polêmica não mais subsistirá, tal como disciplinado nos arts. 83 e 84. Assim dispõe o art. 83 da referida lei: "Art. 83. A classificação dos créditos na falência obedece à seguinte ordem: I os créditos derivados da legislação do trabalho, limitados a 150 (cento e cinqüenta) saláriosmínimos por credor, e os decorrentes de acidentes de trabalho; II créditos com garantia real até o limite do valor do bem gravado; III créditos tributários, independentemente da sua natureza e tempo de constituição, excetuadas as multas tributárias; Fl. 53DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 13005.720003/200740 Acórdão n.º 1803002.025 S1TE03 Fl. 113 3 IV créditos com privilégio especial, a saber: a) os previstos no art. 964 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002; b) os assim definidos em outras leis civis e comerciais, salvo disposição contrária desta Lei; c) aqueles a cujos titulares a lei confira o direito de retenção sobre a coisa dada em garantia; V créditos com privilégio geral, a saber: a) os previstos no art. 965 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002; b) os previstos no parágrafo único do art. 67 desta Lei; c) os assim definidos em outras leis civis e comerciais, salvo disposição contrária desta Lei; VI créditos quirografários, a saber: a) aqueles não previstos nos demais incisos deste artigo; b) os saldos dos créditos não cobertos pelo produto da alienação dos bens vinculados ao seu pagamento; c) os saldos dos créditos derivados da legislação do trabalho que excederem o limite estabelecido no inciso I do caput deste artigo; VII as multas contratuais e as penas pecuniárias por infração das leis penais ou administrativas, inclusive as multas tributárias; VIII créditos subordinados, a saber: a) os assim previstos em lei ou em contrato; b) os créditos dos sócios e dos administradores sem vínculo empregatício. § 1º Para os fins do inciso II do caput deste artigo, será considerado como valor do bem objeto de garantia real a importância efetivamente arrecadada com sua venda, ou, no caso de alienação em bloco, o valor de avaliação do bem individualmente considerado. § 2º Não são oponíveis à massa os valores decorrentes de direito de sócio ao recebimento de sua parcela do capital social na liquidação da sociedade. § 3º As cláusulas penais dos contratos unilaterais não serão atendidas se as obrigações neles estipuladas se vencerem em virtude da falência. § 4º Os créditos trabalhistas cedidos a terceiros serão considerados quirografários." Fl. 54DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 13005.720003/200740 Acórdão n.º 1803002.025 S1TE03 Fl. 114 4 Neste caminho, entendeu o julgador a quo que não há qualquer impedimento legal a que sejam reclamadas, na falência, as multas tributárias, sejam as de ofício ou as de mora, devendo elas obedecer à primazia de créditos de outras natureza. Devidamente cientificada da decisão de primeira instância, a empresa recorrente apresenta, de forma tempestiva, suas razões em seara de recurso voluntário, alegando, de forma sintética, que a nova Lei de Falências não pode ser aplicada a caso pretérito, como no presente feito.Cita jurisprudência e doutrina a esse respeito. É o relatório Voto Conselheira Meigan Sack Rodrigues. O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Tratase, o presente feito, de auto de infração para cobrar exigência de multa paga a menor, referente ao quarto trimentre de 2001. Temse que a empresa teria recolhido os débitos de CSLL sem o acréscimo legais devidos multa de mora. Ocorre que a presente cobrança não merece apreço, tomando em conta as normas vigentes à época dos fatos. A empresa foi cientificada em 11.12.2006, referente ao período de apuração que compreende o 4° trimestre de 2001. Ainda, temse que a empresa teve a sua falência decretada em 07.08.1996 e embora a cientificidade do lançamento tenha se perfectibilziado na constância da nova legislação falimentar, os atos que geraram a aplicação da suposta multa se deram sob a égide do Decreto Lei 7.661/45. Segundo o referido Decreto Lei 7.661/45, art. 23, III, vigente ao tempo dos fatos tributários em apreço, não há que se aplicar as penalidade pecuniárias, às massas falidas, a cobrança de multa por infração decorrente de Lei Administrativa. Assim dispõe o artigo 23 supra citado: "Art. 23. Ao juízo da falência devem concorrer todos os credores do devedor comum, comerciais ou civis, alegando e provando os seus direitos. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 13005.720003/200740 Acórdão n.º 1803002.025 S1TE03 Fl. 115 5 Parágrafo único. Não podem ser reclamados na falência: I as obrigações a título gratuito e as prestações alimentícias; II as despesas que os credores individualmente fizerem para tomar parte na falência, salvo custas judiciais em litígio com a massa; III as penas pecuniárias por infração das leis penais e administrativas." E neste sentido não podemos olvida o pronunciamento do STF em suas Súmulas de n. 192 e 565: "STF Súmula nº 192 Crédito Habilitado em Falência Multa Fiscal com Efeito de Pena Administrativa Não se inclui no crédito habilitado em falência a multa fiscal com efeito de pena administrativa." "STF Súmula nº 565 Multa Fiscal Moratória Pena Administrativa Crédito Habilitado em Falência A multa fiscal moratória constitui pena administrativa, não se incluindo no crédito habilitado em falência." Assim, compreendese pela leitura simplista das Súmulas elencadas acima e da norma disposta que a multa de mora, penalidade administrativa, não pode ser incluída no crédito habilitado em falência e tão pouco cobrado. Por essa razão, a decisão proferida, na instância que me precede também não pode se perfectilizar. Isso porque não podem ser reclamados na falência os créditos advindo de penas pecuniárias por infração das leis administrativas, bem como cumpriria ao juiz da lide habilitar o suposto crédito, depois de devidamente constituído, na falência, descumprindo as súmulas. Desse modo, temos que a decisão a quo não merece procedência em primeiro porque o crédito não pode ser constituído, tomando em conta a determinação da norma aplicada na época dos fatos; em segundo porque a norma posterior não pode retroagir para penalizar, como pretende o douto julgador de primeira instância; em terceiro porque na a Fl. 56DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 13005.720003/200740 Acórdão n.º 1803002.025 S1TE03 Fl. 116 6 aplicação da nova legislação falimentar alcança apenas novos processos falimentares e não os já iniciados sob a égide da legislação anterior. Neste caminho, não se pode olvidar o princípio do "tempus regit actum" que determina que a lei vigente é a que se aplica ao ato no momento em que ele é praticado e os atos praticados anteriormente continuam eficazes de acordo com a lei do tempo em que foram praticados. O fato gerador é regido pela lei do tempo de tal sorte que, mesmo revogada, a lei substantiva atinge os fatos geradores ocorridos no período de sua vigência. Ademais, não se pode olvidar de citar o Parecer da PGFN n° 1.936/2005,que reportase ao fato, tornando obrigatória a imputação proporcional. Assim, nos casos de recolhimento de tributo em atraso, deve ser considerado o recolhimento como um todo, aplicandose a referida imputação proporcional, restando descabida a cobrança da multa. Assim por entender que a legislação a ser aplicada é a vigente à época dos fatos, qual seja: Decreto Lei 7.661/45, art.23, III, que vedava a imputação de penalidade à massa falida, não há que prevalecer o presente auto de infração. Diante do exposto, voto em DAR PROVIMENTO ao recurso. É o voto. (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues – Conselheira Fl. 57DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES
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Numero do processo: 10980.009673/2008-58
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2801-000.124
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62-A,
§§1º e 2º do Regimento do CARF.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§1º e 2º do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 4ª Turma de Julgamento da DRJ/CTA/PR. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Trata o presente processo de notificação de lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF, às fls. 08/11, relativa à declaração de ajuste anual do exercício 2005, anocalendário 2004, para a redução do saldo de imposto a restituir, de R 3.557,84 para R$ 492,62, em face da constatação de: (a) omissão de rendimentos, no valor de R$ 7.179,05, auferidos em virtude de processo judicial trabalhista, já deduzidos dos honorários advocatícios e do INSS do empregado; (b) omissão parcial de rendimentos, no valor de R$ Fl. 43DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/06/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10980.009673/200858 Resolução n.º 2801000.124 S2TE01 Fl. 36 2 1.056,10, auferidos da empresa DALCON ENGENHARIA LTDA; e (c) dedução indevida a título de previdência oficial, no valor de R$ 3.193,27, por falta de comprovação. Cientificado do lançamento, por via postal, em 11/06/2008 (fl. 22), o interessado apresentou, tempestivamente, em 04/07/2008, a impugnação de fls. 01/02, instruída com os documentos de fls. 03/12, a seguir sintetizada. No que se refere à omissão de rendimentos decorrente de ação trabalhista, no valor de R$ 7.179,05, alega estar equivocado o auditor fiscal, uma vez que o montante de R$ 28.927,43 é relativo ao crédito bruto, composto de INSS (R$ 7.540,66), FGTS a depositar (R$ 18.724,92) e juros (R$ 2.667,85), sendo, portanto, tributáveis R$ 10.202,57, nada restando a declarar após a dedução dos honorários advocatícios de R$ 16.005,16. Esclarece que, sem ter feito uma "análise mais acurada", declarou o valor de R$ 5.743,22, que deve ser retificado para R$ 0,00. Quanto à omissão de rendimentos de aluguel, atribui à taxa de R$ 909,51 paga à advogada ANA CAROLINA MAINGUÉ MEYER, pelo gerenciamento do contrato, e à metade do IPTU do imóvel, de R$ 146,59, valores esses que diz ter indicado na declaração ("Pagamentos e doações efetuados"). No que se refere à previdência oficial, diz que a fonte pagadora, DALCON ENGENHARIA LTDA, apresentou declaração retificadora, informando o valor em questão. Esclarece que a fonte pagadora havia fornecido três comprovantes de rendimentos pagos e de retenção de imposto na fonte, os quais descreve. Em face do exposto, conforme cálculo demonstrado à fl. 02, pugna pelo direito à restituição de R$ 5.137,23.” A impugnação foi julgada procedente em parte, conforme Acórdão de fls. 234/239, para considerar o valor de R$ 16.584,00 a título de pensão alimentícia. Regularmente cientificado daquele acórdão em 21/02/2011 (AR, fl. 26), o interessado interpôs recurso voluntário de fls. 28/29, em 22/03/2011. Em sua defesa, requerer a juntada da cópia da planilha datada de 10/09/2004, elaborada pela Secretaria Geral da Presidência Serviço de Perícias Contábeis da Justiça do Trabalho da 12ª Região, na qual são discriminados os valores citados na peça impugnatória. Esclarece que os valores recebidos na época não eram conclusivos nem definitivos, pois se tratava de execução provisória, restando em discussão valores sobre o FGTS, que são isentos de tributação do Imposto de Renda. Afirma que acordou com seus advogados de fazer o acerto, em 2004, dos honorários advocatícios sobre o total estimado da ação no montante de R$ 16.005,16, sendo que somente no ano de 2010 foi concluída a liberação de duas parcelas remanescentes do FGTS, sendo a primeira no valor de R$ 10.916,54 (R$ 9.506,26+R$ 1.411,28), recebida em 19/04/2010, e a segunda no valor de R$ 26.462,14, recebida em 02/08/2010, conforme comprovantes anexos. É o relatório. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/06/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10980.009673/200858 Resolução n.º 2801000.124 S2TE01 Fl. 37 3 Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. No presente caso, temse que o auto de infração objeto deste processo versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte. Compulsando os autos, verificase que a Fiscalização, ao proceder ao lançamento tributário, em 2007, aplicou a Tabela Progressiva Anual sobre o total dos rendimentos recebidos acumuladamente no anocalendário 2004. Ocorre que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, em decisão assim ementada, in verbis: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011). Ante o reconhecimento da repercussão geral do tema, pelo Supremo Tribunal Federal, e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, verifica se que as questões concernentes ao artigo 12 da Lei n.º 7.713, de 1988, não podem ser Fl. 45DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/06/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10980.009673/200858 Resolução n.º 2801000.124 S2TE01 Fl. 38 4 apreciadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais até que ocorra o julgamento final do Recurso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal. É que, recentemente, foi alterado (Portaria MF n.º 586, de 2010) o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), editado pela Portaria MF n.º 256, de 2009, determinando o sobrestamento ex officio dos recursos nas hipóteses em que reconhecida a repercussão geral do tema e determinado o sobrestamento dos julgamentos sobre a matéria pelo Supremo Tribunal Federal, a teor do art. 62A, §§1º e 2º, do Regimento Interno do CARF, que, a seguir transcrevese, ipsis litteris: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Esses os motivos pelos quais entendo por bem sobrestar a apreciação do presente recurso voluntário, até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE nº 614.406, nos termos do disposto nos artigos 62A, §§1º e 2º, do RICARF. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 46DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/06/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES
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Numero do processo: 10640.721001/2011-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
INTEMPESTIVIDADE.
Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1401-001.130
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM NÃO CONHECER do recurso voluntário em face da intempestividade.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM NÃO CONHECER do recurso voluntário em face da intempestividade. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1614; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 414 1 413 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.721001/201171 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 1401001.130 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de março de 2014 Matéria IRPJ/Reflexos Recorrente DIOCACIEL TELEMED COM. EQUIP. INFORMÁTICA E SERVIÇOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM NÃO CONHECER do recurso voluntário em face da intempestividade. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 10 01 /2 01 1- 71 Fl. 414DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10640.721001/201171 Acórdão n.º 1401001.130 S1C4T1 Fl. 415 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Juiz de ForaMG. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Em Contra a pessoa jurídica acima qualificada foram lavrados Autos de Infração de IRPJ (fls. 03/09), PIS (fls. 10/17), COFINS (fls. 18/25) e CSLL (fls. 26/32), em decorrência da apuração de omissão de receitas caracterizada pela existência de depósitos bancários não escriturados, tudo conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, Relatório Fiscal de fls. 45/66 e demonstrativo dos "Totais Mensais dos Créditos Bancários cujas origens não foram comprovadas" fls. 69/70. A empresa foi intimada a apresentar seus livros contábeis e fiscais, sendo que tais documentos não foram levados à fiscalização. Assim, "sem os elementos indispensáveis à apuração do Lucro Real" ou seja, "na ausência de escrita contábil e fiscal", os valores correspondentes às receitas omitidas foram submetidos à tributação com base no Lucro Arbitrado. Foi também lavrado Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte (fls. 33/42) em virtude da existência de pagamentos efetuados a beneficiários não identificados ou sem causa, segundo os valores constantes da planilha "Totais Diários de Valores Reajustados sujeitos ao IRRF" (fls. 67/68). As explicações, fundamentações e caracterização da infração se acham consignadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, Relatório Fiscal de fls. 45/66 e demonstrativo "Totais Diários de Valores Reajustado sujeitos ao IRFonte" (fls. 67/68). Consta no "Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo" (fls. 43/44) que os autos de infração lavrados, depois de formalizados, totalizaram o montante a pagar de R$ 1.471.656,67, incluídos os valores devidos a título de tributo, de multa e de juros de mora, calculados até 28/02/2011. A autoridade fiscal, além de relacionar os fatos geradores correspondentes às infrações apuradas no corpo dos autos de infração, pormenorizouas no Relatório Fiscal de fls. 45/66, que pode ser assim resumido: ... ressaltamos que o Mandado de Procedimento Fiscal, ... teve inclusão de tributo (IRRF) e prazo prorrogado, conforme pode ser confirmado por intermédio no endereço www.receita.fazenda.qov.br (Empresa > Todos os Serviços > Fiscalização > Consulta MPF), devendo a fiscalizada, para tanto, utilizarse do código de acesso informado no Termo de Intimação Fiscal n° 01 ... A ação fiscal ... teve por objeto o confronto da movimentação financeira ... no ano de 2008, na ordem de R$ 1.177.971,08, incompatível com a situação de INATIVIDADE ... para os anos de 2005 a 2007 e com a ausência de declaração (OMISSÃO) em relação ao próprio ano de 2008. Em 09/11/2009, lavramos o Termo de Intimação n° 01 ... Em 10/11/2009, a empresa tomou ciência do ... Termo, por sua sócia Joana D'Arc Pinto, no endereço Fl. 415DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10640.721001/201171 Acórdão n.º 1401001.130 S1C4T1 Fl. 416 3 identificado na epígrafe deste Relatório, chamandonos a atenção o fato de naquele local não trabalhar nenhuma pessoa, tendo lá apenas uma mesa de escritório e duas cadeiras. Em 20/11/2009, recebemos, ... solicitação ... para dilação no prazo para apresentação dos documentos ... concedemos um prazo ... de 30... dias, somente em relação a tais extratos. ... atendendo novo pedido da empresa ... concedemos prorrogação, até o dia 21/12/2009, para apresentação de toda a documentação ... ... lavramos o Termo de Intimação n° 02, de Reintimação do Termo ... n° 01 ... Não tendo havido atendimento quanto aos documentos bancários solicitados ... Em 12/01/2010, foi assinada a RMFn°s 0610400.2010.000013 ... ... lavramos o Termo de Relntimação Fiscal n° 03, ... reintimando ... para apresentar os documentos e informações requeridas no Termo ... n°01... Em 18/02/2010, recebemos as informações requeridas da instituição financeira Banco do Brasil S.A. ... Junto destas, uma procuração pública em que a empresa nomeava e constituía seu procurador o Senhor Rafael Pinto da Silva, CPF n° 070.174.63609, filho do Senhor Josemar da Silva, à frente identificado como gestor de fato de diversas empresas, inclusive a fiscalizada. Em 10/03/2010 ... , a fiscalizada fez a entrega de extratos bancários (com lacunas, isto é, ... a empresa apresentou também cópias de contratos de prestação de serviços por ela firmados com entidades de governo (não estão sendo anexados, por não terem relação direta com os lançamentos ...). ... lavramos o Termo de Intimação Fiscal n° 04, ... Referida intimação requeria ... a comprovação, ... da origem dos recursos creditados/depositados nas contas de sua titularidade, no ano de 2008, relacionados em planilha anexa ... a empresa foi cientificada de que a falta da comprovação ... ensejaria um lançamento de ofício a título de omissão de receita. Em 13/05/2010, ... , a empresa postou, ... , uma solicitação de prorrogação no prazo para atendimento ao referido Termo de Intimação n° 04. Concedemos os 15 dias ... Não houve atendimento ao ... termo fiscal, restando sem comprovação de origem todos recursos creditados/depositados nas contas de titularidade da fiscalizada ... Em 14/06/2010, lavramos o Termo de Intimação n° 05 ... recebido no endereço da empresa ... Referida intimação requeria a) a comprovação documental exigida por meio do Termo de Intimação Fiscal n° 04; e b) a comprovação, das operações ou das causas que tinham dado origem às entregas de recursos (pagamentos*) a terceiros ou sócios, especificados no próprio corpo da intimação e em planilha anexa (complementarmente), registrados nas suas contas ... Não houve esclarecimento da fiscalizada quanto a nenhuma operação ou causa correspondente às entregas de recursos questionadas ... Assim sendo, consideramos todos esses pagamentos como feitos a beneficiários não identificados, Fl. 416DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10640.721001/201171 Acórdão n.º 1401001.130 S1C4T1 Fl. 417 4 ainda que algum cheque de sua emissão tenha sido nominal, porquanto não foi identificada a respectiva operação ou causa. A mesma consideração aplicamos no caso de cheques possivelmente emitidos, nominalmente, para quitação de parcelas de impostos, contribuições, taxas e/ou tarifas de serviços, de vez que podem ter sido usados para pagamentos sem nenhuma relação com a empresa sob fiscalização, ou seja, para quitar dívidas de terceiros (sócios ou não). Em 13/08/2010, lavramos o Termo de Continuidade da Ação Fiscal n° 02, recebido na empresa em 18/08/2010. Em 04/10/2010, nova comunicação de continuidade da ação, recebida na empresa em 07/10/10. Em 01/12/2010, mais uma comunicação no mesmo sentido, sempre alertando para a espera de resposta aos termos ... 04 e 05 ... Novo termo no mesmo sentido em 24/01/2011... A seguir, apresentamos, ... , as infrações verificadas na ação fiscal e os respectivos tratamentos tributário fiscais. Infrações: Pagamento sem causa/operação comprovada Regularmente intimado a prestar esclarecimentos/comprovar, nos termos do artigo 61 da Lei n° 8.981/95, mediante documentação hábil e idônea, acerca das operações ou das causas que deram origem às entregas de recursos (pagamentos) a terceiros ou sócios, correspondentes aos débitos/valores listados na planilha anexa denominada "TOTAIS DIÁRIOS DE VALORES REAJUSTADOS SUJEITOS AO IRFONTE", o sujeito passivo não atendeu à intimação feita, pelo que se aplica o disposto nos artigos 674 e parágrafos, do ... RIR ... O reajustamento da base de cálculo de que trata o §3° aplicável quando a fonte assume o ônus do imposto, foi procedido de acordo com a IN SRF n° 15/2001, artigo 20, §§ Le 2,, I... Omissão de receita caracterizada por créditos bancários com origem não comprovada A pessoa jurídica foi omissa na apresentação de declaração a que estava obrigada para o ano de 2008. Não obstante tal fato, constatamos a existência de atividade da empresa no referido ano, confirmada por elevada movimentação bancária. A empresa, então, sujeitarseia ao Lucro Real. Contudo, após exaustivos pedidos de apresentação de seus livros contábeis e fiscais estes não foram apresentados à Fiscalização. Por isso, sem os elementos indispensáveis à apuração do Lucro Real, equivalendo a dizer na ausência de escrita contábil e fiscal, os valores de receita omitida serão submetidos à tributação com base no Lucro Arbitrado. Aos lançamentos referidos ... caberá a aplicação da multa de ofício estabelecida no artigo 957, inciso II, do RIR/99 uma vez que, ...foi constatada a existência de interposição de pessoas na gestão da empresa. Em consequência do acima exposto, lavraremos uma Representação Fiscal para Fins Penais. Identificação de interposição de pessoas e arrolamento de responsáveis solidários Fl. 417DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10640.721001/201171 Acórdão n.º 1401001.130 S1C4T1 Fl. 418 5 ... , constatamos a existência de interposição de pessoas na representação da empresa fiscalizada; "laranjas", no jargão popular. Por todas as provas que serão apresentadas, em volume mais do que suficiente, formamos nossa convicção de que a identidade dos reais administradores da empresa sob ação fiscal está encoberta pela figura de terceiros ... Em outras palavras, identificamos uma simulação de transferência de responsabilidade tributária para terceiros que não eram os verdadeiros beneficiários econômicos da atividade empresarial nem tinham condições econômicofinanceiras para satisfazer possíveis compromissos que não fossem saldados pela empresa (em se considerando o volume financeiro de transações realizadas pela pessoa jurídica), e nem detinham capacitação gerencial à evidência. Dando nome e sobrenome, referimonos aos elementos que convergem fortemente na formação da prova da interposição dos sócios de direito da empresa em face de Josemar da Silva e seu filho, Rafael Pinto da Silva. O Relatório Fiscal de 2008 Em 03 de junho de 2008, foi concluído, no âmbito desta Delegacia um Relatório Fiscal ... , que objetivava analisar a situação econômicofiscal de pessoas físicas e jurídicas relacionadas ao contribuinte Josemar da Silva, inscrito no CPF sob o n° 384.356.67634. ... o referido Relatório foi encaminhado ao Ministério Público Federal. Quatro fatos motivaram o feito: Fato 1: uma denúncia que apontava o empresário Josemar da Silva como proprietário, de fato, de diversas empresas e bens, que se encontrariam emnome de terceiros ("laranjas"); ... a) Josemar ... comandaria as empresas com o ... seu filho, Rafael... CPF n° 070.174.63609, porem, ambos não teriam bens, direitos ou sociedades em seus nomes, mas no de funcionários e de pessoas ligadas a eles; b) quase todas as empresas estariam domiciliadas de fato no endereço à Rua Dr. Costa Reis, n° 316, Bairro Bela Aurora, em Juiz de Fora (onde nesta data funciona o call center da Receita Federal); Rafael, filho de Josemar, possuiria procurações com poderes para movimentar as contas bancárias das empresas; Antônio Carlos Spineli seria um "testa de ferro" de Josemar, também possuindo procurações com poderes para movimentar as contas bancárias das empresas; a "mansão" localizada no Condomínio Bosque Imperial, casa n° 186, que seria avaliada em R$ 1.500.000,00 estaria em nome de Joyce da Silva, irmã de Josemar, e seria onde residem Janete Maria Pinto da Silva, exesposa de Josemar, e seus filhos, Rafael e Leandro; • Fato 2: o histórico do contribuinte Josemar registrado pela Fiscalização ... justificava a averiguação dos fatos denunciados, senão vejamos: a) Em 06/10/2003, foi encerrada uma ação fiscaliniciada em 2001, na qual apurouse uma movimentação financeira, em 1998, no valor de R$ 13.732.088,43, incompatível com valores declarados ao fisco, vez que a empresa encontravase omissa quanto à entrega da declaração de rendimentos. Documentos ...s comprovaram que os então sócios Rosilda ... e João Batista, foram utilizados como interpostas pessoas (... "laranjas"), e que os reais controladores, agindo por intermédio de procurações que lhes conferiam plenos poderes inclusive de movimentação bancária, eram Josemar ... e seu irmão Gilber ... A ação fiscal resultou no ... processo ... n° 10640.000864/200481,... com responsabilidade solidária ... dos dois últimos..., processo de Representação Fiscal para Fins Penais ... foi encaminhado à Procuradoria Geral da República... b) No mesmo ano de 2003 iniciouse nova ação fiscal, desta feita em face da pessoa jurídica Sprinter Teleinformática e Comércio Ltda, CNPJ 03.051.799/000133, também motivada pela apuração de movimentação financeira incompatível, nos anos de 2000 e 2001, Fl. 418DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10640.721001/201171 Acórdão n.º 1401001.130 S1C4T1 Fl. 419 6 no montante de R$ 20.607.784,30, visto que a empresa entregou suas declarações ... como se inativa estivesse. Mais uma vez verificouse a prática de idêntica estratégia: a utilização de empresa de fachada e de interpostas pessoas, sem capacidade econômicofinanceira, visando ocultar os verdadeiros responsáveis pelos recursos movimentados Josemar da Silva e seu irmão ... c) Ação fiscal ... concluiu pela atribuição ao fiscalizado da responsabilidade pela omissão fraudulenta de rendimentos, caracterizados pela expressiva movimentação financeira existente em nome da fictícia empresa Sprinter inexistente de fato, com a utilização de interpostas pessoas que se passavam por sócios do empreendimento. Característica marcante desta ação fiscal foi a repetida troca de domicílio tributário por parte do fiscalizado, interpretada como tentativa de dificultar a ação do fisco. O Termo de Início ...foi encaminhado e recebido no ... do cadastro da Receita ... : Rua Dr. Costa Reis, 316, bairro Jardim Bela Aurora, Juiz de Fora MG (que consta da denúncia referida acima como sendo o endereço de fato de diversas empresas atribuídas a Josemar da Silva). Um termo seguinte, ...foi devolvido pelos correios por motivo de mudança de endereço. ... o fiscalizado alterou seu endereço para Alameda Jamanis, 110/1110, bairro Moema, São PauloSP. Correspondência remetida ao novo domicílio também foi devolvida ... Em 11/05/2004, Josemar da Silva alterou seu domicílio para Travessa Jordão, 14, Zona Sul, Rio de JaneiroRJ, deixando ausente o nome do bairro. Pesquisas feitas junto aos correios constataram que o CEP informado correspondia à Favela da Rocinha ... Ciente da candidatura de Josemar da Silva ao cargo de Prefeito de Juiz de Fora, o Delegado da Receita Federal encaminhou ofício à Justiça Eleitoral solicitando informações acerca do endereço informado pelo candidato àquele órgão ... A resposta foi: Rua Tenente Guimarães, 393, bairro Nova Era, Juiz de ForaMG, demonstrando que Josemar da Silva jamais deixara de ter domicílio nesta cidade. Salientese que, no cadastro de Josemar da Silva junto à OAB/MG, atualizado em 31/07/2006 (fis. 135), está registrado como seu endereço comercial a Rua Dr. Costa Reis, 316, Bela Aurora, Juiz de ForaMG. Encerrada em 16/11/2004, a ação fiscal ... resultou na lavratura do auto de infração ... cujo crédito tributário alcançou o valor de R$ 4.655.468,58. ... foi formalizado processo de Representação Fiscal para Fins Penais ... • Fato 3: a licitação para o callcenter da Receita Federal... foi "vencida"por uma das empresas referidas na denúncia citada no Fato 1 a Star Segur Engenharia Ltda. ME, CNPJ 04.424.629/000110 , e teria, a partir de seu funcionamento, localização na circunscrição desta Delegacia; • Fato 4: esta Delegacia foi oficiada pela Procuradoria Regional do Trabalho em Juiz de Fora, com o fito de encaminhar documentos ("falsos") utilizados em processo de licitação pela pessoa jurídica IPEPPI Instituto de Pesquisa e Elaboração de Projetos e Planos Integrados, que também constava do rol de empresas que seriam controladas pelo contribuinte Josemar da Silva; o fato resultou em denúncia oferecida ao Ministério Público do Trabalho. A análise registrada no Relatório Fiscal citado acima abrangia os dados cadastrais de 32 pessoas jurídicas que seriam ligadas a Josemar. Diversas características destas pessoas jurídicas eram comuns entre elas, como denominações muito próximas (Atram II Ltda., Atran II Comércio e Serviços de Limpeza Ltda., Atram II Comércio e Serviços de Limpeza Ltda., dentre outras), sócios e exsócios comuns, endereços comuns, telefones comuns; levando a confirmar que se tratava de um grupo econômico gerido por um mesmo interessado econômico (tendo este, no filho, um cogestor). Fl. 419DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10640.721001/201171 Acórdão n.º 1401001.130 S1C4T1 Fl. 420 7 ... no referido Relatório, não faltaram evidências de "fratura exposta" com movimentações em instituições bancárias em volume muito superior às receitas declaradas ... Da análise fiscal das pessoas físicas ... ligadas a Josemar ficou demonstrada a existência ... de "laranjas", ... patrimônios ínfimos ... usadas na montagem de uma "pirâmide", com o fim ... recursos para justificar enriquecimento dos que se encontram no topo da pirâmide ... O modus operandi dessa pirâmide se daria por meio de transferência de recursos a título de empréstimos ("fictícios") os de baixo da pirâmide emprestando para os de cima. Assim que os valores vão ... tornandose de monta maior, se fossem verdadeiros os empréstimos, era de se esperar que fossem realizados por meio de operações bancárias. Mas são sempre declarados como realizados em moeda corrente. Por todo o exposto no citado Relatório Fiscal de 2008, tornase evidente a participação de Josemar da Silva como "gerentemor" de todas as empresas do grupo econômico por ele próprio montado para prática de irregularidades fiscais. Entre estas, a fiscalizada Dicaciel Telemed Com. Equip. Inf. Serv. Ltda. ME. As evidências surgidas no curso da ação fiscal As evidências que emergiram no curso da ação fiscal levada a efeito contra a Dicaciel nos levaram às mesmas constatações extraídas dos fatos informados ... no Relatório Fiscal citado ... , ou seja, à participação de Josemar da Silva como "gerente" do grupo econômico do qual faz parte a fiscalizada, tendo, nesta, a ajuda do filho Rafael, senão vejamos: a) A sócia Joana Darc Pinto, CPF n° 925.195.12768, é excunhada de Josemar da Silva e uma das participantes da "pirâmide fraudulenta" referida anteriormente. b) O sócio José da Silva, CPFn° 007.570.00610, épai de Josemar da Silva. c) Conseguimos obter em cartório de registro civil e notas da cidade de Belmiro Braga, uma série de procurações (anexadas à Representação Fiscal para Fins Penais correspondente à autuação sob relato) em que os "laranjas " das empresas do "grupo econômico", ou seja, aqueles que constam oficialmente como seus sócios, conferiam poderes especiais inclusive para representação das pessoas jurídicas junto às instituições financeiras às pessoas mais próximas de Josemar, a saber: Rafael Pinto da Silva (seu filho), João Luiz Rochet, Gilber da Silva (seu irmão), Joana D'Arc Pinto (sua excunhada). Ressaltese que, em uma dessas procurações, ele próprio, Josemar, foi constituido procurador da pessoa jurídica. No caso específico da fiscalizada sob relato, os sócios de direito fizeram uma procuração para o sócio de fato Rafael (filho de Josemar)... Esta prova obtida retira qualquer dúvida quanto a serem Josemar e seu filho cogestores das pessoas jurídicas referidas no Relatório Fiscal elaborado em 2008. d) Verificamos, ainda, na documentação bancária ... a existência de pagamentos estranhos à empresa, pelo que a intimamos a esclarecer e comprovar as respectivas operações ou as causas que lhes deram origem; não tendo sido feito o atendimento à intimação ... , procedemos à tributação dos valores ... , considerando esses desembolsos como feitos a beneficiários não identificados. Este fato, Fl. 420DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10640.721001/201171 Acórdão n.º 1401001.130 S1C4T1 Fl. 421 8 conjugado a todos os demais, indica fortemente a existência de um caixa geral do grupo econômico, em que uma das empresas a este pertencente paga despesas das demais ou de seus sócios (ocultos). Decisão da 2a Vara do Trabalho de Juiz de Fora Muito recentemente (novembro de 2010), a 2° Vara do Trabalho de Juiz de Fora ... proferiu duas decisões (anexas) em que aborda a questão do grupo econômico aqui referido, incluindo neste a empresa Dicacie l... , bem como define o Senhor Josemar da Silva como sócio oculto desse grupo. Segundo a fundamentação utilizada nas decisões ... , "... , constituise grupo econômico, para efeitos da relação de emprego, sempre que uma ou mais entidades, com personalidade jurídica própria, encontraremse dirigidas, controladas ou administradas por outra, formando grupo industrial, comercial ou 'de qualquer outra espécie econômica'." ... "restou apurado ... nos autos 02/1632/09, cujos depoimentos foram admitidos como prova emprestada..., que as empresas reclamadas (inclusive a Dicaciel) funcionam no mesmo local, exercem a mesma atividade econômica e sujeitamse ao mesmo controle, direção e administração, caracterizando verdadeiro grupo econômico." ... "os depoimentos pessoais colhidos ... , especialmente o da preposta da segunda ré (Dicaciel), evidenciam toda uma rede de fraude na constituição das empresas, inclusive com contratação de sócios/funcionários 'laranja', tudo comandado pelo sócio oculto Josemar da Silva." Por fim, eis algumas partes extraídas da conclusão das decisões proferidas: "POSTO ISSO, julgo PROCEDENTE EM PARTE o pedido para condenar solidariamente os reclamados ... (inclusive a fiscalizada Dicaciel) e JOSEMAR DA SILVA...". (Onegrito e o sublinhado em solidariamente é nosso) Oficiese ao Superintendente Regional da Polícia Federal de São Paulo comunicandolhe que foi apurado neste Juízo que todas as empresas que participaram do processo licitatório n° 08500.036497/200831, constituem na verdade empreendimento do sócio oculto Sr. Josemar da Silva. Todas as empresas mencionadas funcionavam e funcionam em um mesmo endereço em Juiz de Fora. Este Juízo chegou a esta conclusão após a oitiva das partes e testemunhas, cumprindo mencionar que, inclusive, uma das sócias formais da empresa Dicaciel ganhava R$ 600,00 /R$ 700,00, tendo declarado que adquiriu as cotas por R$ 3.000.000,00 em parcelas de R$ 1.500,00, vale dizer, a instrução deste processo convenceu este Juízo de que as empresas são integradas por "laranjas" do Sr. Josemar da Silva ... " ... , evidenciase que o conjunto de elementos ... convergem no sentido da comprovação da existência de uma interposição dos sócios de direito da fiscalizada em face de Josemar da Silva e seu filho, Rafael Pinto da Silva, na gestão da pessoa jurídica sob fiscalização. São estes últimos, os sócios de fato da pessoa jurídica, com claro interesse e gerência sobre seus negócios. Nesse sentido, ao caso aplicamse as seguintes conclusões exaradas no Parecer/PGFN/CRJ/CAT/N° 55/2009: Fl. 421DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10640.721001/201171 Acórdão n.º 1401001.130 S1C4T1 Fl. 422 9 "a) A responsabilidade do dito "sóciogerente ", de acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, decorre de sua condição de "gerente" (administrador), e não da sua condição de sócio; c) Para efeito de aplicação do art. 135, III, do CTN, responde também a pessoa que, de fato, administra a pessoa jurídica, ainda que não constem seus poderes expressamente do estatuto ou contrato social;" A fiscalização constatou a "existência de interposição fraudulenta de pessoas na gestão da empresa" e, em consequência, emitiu o Termo de Sujeição Passiva Solidária de fls. 193/194, em 04/03/2011, nomeando Josemar da Silva e Rafael Pinto da Silva como sujeitos passivos solidários nos termos do art. 124 do Código Tributário Nacional. A ciência de Josemar da Silva do referido termo, dos Autos de Infração e respectivos anexos foi dada primeiramente por via postal sendo que no endereço constante do AR de fls. 264, o contribuinte foi dado como desconhecido. E, como consequência da falta de sua localização no endereço fornecido à RFB, foi emitido o Edital n° 012, de 2011 (fl. 265) para ciência. A ciência de Rafael Pinto da Silva se deu da mesma forma, via edital, por resultar infrutífera a via postal. Cientificada dos Autos de Infração, do Relatório Fiscal e do Termo de Sujeição Passiva Solidária (fl. 255), a empresa apresentou impugnação (fls. 271/331), devidamente representada por Joana D'Arc da Silva, alegando em síntese que: Dicaciel Telemed Com Equip. Informática e Serviços Ltda. EPP, ... representada por seu representante legal, ... , vem, respeitosamente apresentar IMPUGNAÇÃO... DO CERCEAMENTO AO DIREITO DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA: O ordenamento jurídico brasileiro consubstanciou de forma justa e democrática ... que, aos litigantes em processo judiciais e administrativos, acusados em geral, serão dados o direito ao contraditório e a ampla defesa. O disposto encontrase entabulado no artigo 5o , LV, da Constituição Federal de 1988 ... ... no caso da ampla defesa, este direito é decorrente do contraditório, pois, para que uma pessoa se defenda materialmente de uma acusação, é mister, que a mesma tenha plenos conhecimentos do objeto o qual está sendo processada/denunciada. ... o órgão investigador garantiu tão somente o direito à resistência formal, que é simplesmente conferir prazo para se defender de uma denúncia que consubstancia puros argumentos, desprovida de objetos instrutórios. ... , percebemos a tentativa de criar argumentos acusatórios ... , porém, se esqueceu o r.Relator de fortalecer sua fundamentação com materialidade, ou seja, documentos ... ... Na data de 01/04/11, protocolou ... , requerimento onde pleiteava acesso amplo aos documentos que baseavam a tese acusatória. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10640.721001/201171 Acórdão n.º 1401001.130 S1C4T1 Fl. 423 10 ... órgão remeteu ... cópia virtual do procedimento fiscal, fonte parcial das acusações. Ao receber o documento, a investigada entendeu que seu pedido não foi atendido por completo, tendo em vista que no processo não constava as cópias de INÚMEROS documentos mencionado no teor do r. Relatório quais sejam, os documentos e provas que supostamente ligam a empresa fiscalizada a outras 32 pessoas jurídicas, procurações dadas a terceiros, conexão entre ao Senhor Rafael Pinto da Silva e Senhor Josemar da Silva, bem como ao Senhor Antônio Carlos Spineli. Assim, na data 13/04/11, a investigada formulou novo requerimento, no sentido de postular a entrega dos documentos faltantes, ALERTANDO E ADVERTINDO que a falta destes, cercearia o contraditório e prejudicaria a ampla defesa ... No caso em concreto, é patente que a investigante ao não proceder à entrega dos documentos requeridos vem prejudicar a defesa da investigada. ... como estamos em meados do mês de Abril de 2011, a fiscalizada, requer desde já, a prescrição dos créditos tributários que porventura existirem em nome da mesma, nos períodos anteriores ao exercício de 2006! DA ILEGALIDADE DA TRIBUTAÇÃO ANUAL (2008) Em se tratando de pessoa jurídica, in casu, uma empresa de pequeno porte, o artigo 42 e seus parágrafos, da Lei n°. 9430/96, é esclarecedor acerca da tributação de eventual omissão de rendimentos ... Neste sentido, o artigo 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional estabelece ... Levando em consideração tal vinculação estabelecida expressamente no texto legal, ... não poderia o Ilmo. Auditor Fiscal ... , ter agido em desconformidade com a legislação supra citada, pois, a sua autuação não obedeceu à legislação de regência, eis que foi realizada com base em fatos geradores anuais (ano de 2008), quando deveria ter sido realizada com base em fatos geradores mensais, sendo NULA de pleno direito ... DA INVALIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL POR OFENSA DIRETA AO PRINCIPIO CONSTITUCIONAL DA IMPESSOALIDADE: A Constituição Federal, no art. 37, caput, trata dos princípios inerentes à Administração Pública, dentre eles, o Princípio da Impessoalidade ... Conforme ensina Carmen Lúcia Antunes Rocha (1994, p. 148 e p. 150): "...O princípio da impessoalidade assegura não apenas que pessoas recebam tratamento particularizado em razão de suas condições específicas, mas também, veda a adoção de comportamento administrativo motivado pelo partidarismo..." ... sobre este Princípio, a PORTARIA n° 500, de 02/05/95, ... é bastante clara ... Por todo o citado, está mais que explanado que a atividade administrativa de fiscalização exige, em face dos Princípios Constitucionais da Impessoalidade, Isonomia e Imparcialidade, que ela seja dirigida uniformemente aos administrados, havendo que se cumprir piamente o programa de fiscalização, sob pena de configuração de perseguição. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10640.721001/201171 Acórdão n.º 1401001.130 S1C4T1 Fl. 424 11 ... em nenhum momento o Ilmo. Auditor Fiscal indicou as razões e a origem da fiscalização procedida com relação à fiscalizada, bem como em qual programa de fiscalização havia sido ela inclusa ... ... não constam que houve solicitação ao CoordenadorGeral da COFINS, tampouco, que foi concedida autorização ao Sr. Superintendente da Receita Federal de Minas Gerais para a instauração de tais investigações razão pelo qual deve ser considerado NULO por ter origem em fiscalização não autorizada, e de cunho objetivamente pessoal, o que afronta o Principio da Impessoalidade, tudo nos termos do caput do artigo Io, da Portaria n° 500 de 02/05/95, da Secretaria da Receita Federal. DOS FATOS: A Receita aduziu que não houve atendimento quanto aos documentos bancários. Assim, em 23/12/2009, foi lavrada Solicitação de Emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF) ... Em 09/02/2010, foi lavrado o Termo de ReIntimação Fiscal n°. 03, re intimando a empresa, mais uma vez, para apresentar os documentos e informações requeridas no Termo de Intimação n°. 01. Em 18/02/2010, foram recebidas informações da instituição financeira Banco do Brasil S/A e junto destas, uma procuração pública em que a empresa nomeava e constituía seu procurador Senhor Rafael Pinto da Silva, CPF n°. 070.174.63609, filho do Senhor Josemar da Silva, à frente identificado como gestor de fato de diversas empresas, inclusive a fiscalizada. Ora Ilustríssimo, esta alegação é totalmente improcedente, inverídica e infundada, pois, a fiscalizada jamais nomeou qualquer pessoa para fazer sua gestão, tal atribuição sempre foi mister dos sócios. ... o r. Relatório está eivado de vícios formais, com manifestações sem a menor fundamentação legal ou prova cabal capaz de sustentar o alegado. a Receita Federal não disponibilizou as referidas procurações de modo a permitir a defesa contestála, pois, impossível sua existência, uma vez que jamais se outorgou a qualquer terceiro sua administração e ou gestão. Em 12/04/2010, foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal n°. 04, cuja referida intimação requeria da empresa comprovação, ... da origem dos recursos creditados/depositados nas contas de sua titularidade, no ano de 2008 ... A Receita afirmou ... que não houve atendimento ao supra mencionado termo fiscal, restando sem comprovação de origem todos os recursos creditados/depositados nas contas de titularidade da fiscalizada. A Receita alegou que não houve esclarecimento da fiscalizada quanto a nenhuma operação ou causa correspondente às entregas de recursos questionadas ... Assim sendo, considerou todos esses pagamentos como feitos a beneficiários não identificados, ainda que algum cheque de sua emissão tenha sido nominal, porquanto não foi identificada a respectiva operação ou causa. A mesma consideração foi aplicada no case dos cheques possivelmente emitidos, nominalmente, para quitação de parcelas de impostos, contribuições, taxas e/ou tarifas de serviços, de vez que podem ter sido usados para quitar dívidas de terceiros (sócios ou não). Desta forma, sumariamente, a Receita Federal apresentou as infrações as quais a fiscalizada está incursa e respectivos tratamentos tributáriofiscais, quais sejam, o pagamento sem causa/operação comprovada (artigo 61 da Lei n°. 8.981/95 Fl. 424DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10640.721001/201171 Acórdão n.º 1401001.130 S1C4T1 Fl. 425 12 c/c artigo 674 e parágrafos do Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto n°. 3000/1999 e, omissão de receita caracterizada por créditos bancários com origem não comprovada. Aos lançamentos de ambas as infrações, a Receita protesta pela aplicação da multa de ofício estabelecida no artigo 957, inciso II, do RIR/99, uma vez que a mesma alegou suposta existência de interposição de pessoas na gestão da empresa fiscalizada (Sr. Rafael Pinto da Silva e seu genitor, Sr. Josemar da Silva). 1 DO MÉRITO: 1. 1 DOS EXTRATOS BANCÁRIOS: A Ação Fiscal ... aduziu que não houve atendimento quanto aos documentos bancários ... , haja vista que a fiscalizada fez a entrega de extratos bancários, com lacunas, isto é, faltando registros referentes a períodos em que houve movimentação de valores, conforme trazidos nos extratos obtidos diretamente do Banco. Desta forma, a fiscalizada entende não haver lacuna alguma, pois, encaminhou ... todos os documentos que lhe foram exigidos ... , não havendo por que a mesma alegar tais brechas, pois, ... a própria instituição financeira já forneceu ... Além dos extratos, o r. Auditor aduziu que a empresa apresentou também cópias de contratos de prestação de serviços por ela firmados com entidades de governo, todavia, não foram anexados, por não terem relação direta com os lançamentos que tomam o Relatório como explicativo. A empresa fiscalizada acha totalmente conveniente, coerente e produtivo que sejam anexados tais contratos tendo em vista que é uma forma da mesma provar que presta serviços para órgãos públicos com probidade, o que mostra sua boafé e ilibada reputação ... ... tais documentos, ... podem servir como elemento de defesa para a empresa fiscalizada, requerendo esta sua juntada aos autos, como mera prevenção. 1.2 DO LIVRO CAIXA: No que tange à exigência da Receita Federal acerca do fornecimento de Livro Caixa pela empresa fiscalizada, esta entende que todos os documentos aos quais pudessem comprovar os balancetes realizados, já foram apresentados impecavelmente. A empresa fiscalizada não apresentou o LivroCaixa, pois, é optante pelo Simples Nacional, sendolhe dispensada a apresentação dos mesmos, com respaldo no artigo 26, §2°, da Lei Complementar 123/2006. Desta forma, como a empresa fiscalizada é de pequeno porte e optante pelo Simples Nacional está efetivamente exonerada de escriturar os livros obrigatórios. 1.3DO PAGAMENTO SEM CAUSA/OPERAÇÃO COMPROVADA: No que tange aos beneficiários dos recursos feitos pela empresa fiscalizada e a comprovação do "destino" de tais pagamentos, o r. Relatório afirmou que: "Não houve esclarecimento da fiscalizada quanto a nenhuma operação ou causa correspondente às entregas de recursos questionadas por meio de termo fiscal Fl. 425DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10640.721001/201171 Acórdão n.º 1401001.130 S1C4T1 Fl. 426 13 sob menção. Assim sendo, consideramos todos esses pagamentos como feitos a beneficiários não identificados ... " ... a fiscalizada apresentou todas as provas ... , que a seu ver, são suficientes e ímpares para o deslinde da fiscalização, demonstrando o destino de todos os rendimentos, cujos pagamentos eram reservados exclusivamente às despesas realizadas pela própria empresa fiscalizada, conforme documentos já juntados aos autos do procedimento fiscal. Não há por que a Receita Federal vir alegando que desconhece os beneficiários sendo que tais provas são capazes de identificálos e ainda, detalhar cada operação ... que deram causa a essas despesas fortuitas. A empresa fiscalizada já comprovou através de documentos juntadas no decorrer do procedimento fiscal que as operações foram feitas junto a uma rede bancária oficial com a emissão de cheques, inclusive, nominais, destinados ao pagamento de DESPESAS DA EMPRESA, no cumprimento de contratos de prestação de serviços, tais como salários, alimentação, compra de combustível, peças, acessórios hidráulicos, pneus, serviços de funilaria, e outras prestações de serviços correlatos, esses desconsiderados pelo Ilmo. Auditor, bem como, empréstimos que a mesma fez, POR NÃO conter saldo de caixa, situação provocada pela própria Administração Pública, tanto que no final e no início dos anos, deixa de pagar seus prestadores de serviço, isto, em função do encerramento orçamentário e pelo atraso na aprovação pelo Congresso Nacional do novo orçamento. Não há que se cogitar a possibilidade de pagamento sem operação e causa comprovada, pois, a todo tempo, foi informado a origem do dinheiro e para quem o mesmo foi repassado! No que diz respeito à suposição feita no r. relatório pelo fisco acerca dos cheques emitidos nominalmente, foi exatamente uma forma da empresa se resguardar de futuras indagações acerca do destino dos mesmos, pois, o fato de emitilos nominalmente faz com que se possa provar mais facilmente sua boafé, dando a oportunidade para ser identificado os destinos de todos os pagamentos realizados pela fiscalizada. ... a empresa fiscalizada está sendo penalizada até por ter realizado pagamento de tributo, como assim mesmo é confirmado pelo próprio Relatório supra citado; "A mesma consideração aplicamos no caso de cheques emitidos, nominalmente, para quitação de parcelas de impostos, contribuições, taxas e/ou tarifas de serviços", tornando tais alegações um tanto quanto colidentes/contraditórias, pois, ao mesmo tempo a empresa fiscalizada é penalizada pela não comprovação dos pagamentos que realizou, esta sendo penalizada, então, também pela não comprovação do pagamento realizado a título de tributos?! ... o Ilmo. Auditor ingressou em um infundado "campo de abstração", pois, trouxe afirmações, in totum, emanadas de dúvidas quanto aos pagamentos ... 1.4 DA SUPOSIÇÃO DE INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS E ARROLAMENTO DE RESPONSA VEIS SOLIDÁRIOS: 1.4.1 DO RELATÓRIO FISCAL DE 2008: O r. Relatório Fiscal de 2008 analisou genericamente e fez constar o seguinte: "A análise registrada no Relatório Fiscal citado acima abrangia os dados cadastrais de 32 pessoas jurídicas que seriam ligas a Josemar. Diversas Fl. 426DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10640.721001/201171 Acórdão n.º 1401001.130 S1C4T1 Fl. 427 14 características destas pessoas jurídicas eram comuns entre elas, como denominações muito próximas (Atram II Ltda., Atran II...)..." Não restam dúvidas que mais uma vez o Ilmo. Auditor fez alegações baseadas em meras presunções, não havendo sequer como proválas. O fato de existirem pessoas jurídicas com denominações muito próximas não quer dizer absolutamente nada ... Frisase: mesmo se vislumbrássemos a ideia de que há sinais de parentalidade entre tais pessoas mencionadas no Relatório Fiscal, não significa que existe um "gerentemor" e muito menos ligação entre suas empresas ... 1.4.2 DOS PROCESSOS TRAMITADOS NA 2a VARA DO TRABALHO DE JUIZ DE FORA MG: ... o r. Relatório trouxe algumas partes extraídas da conclusão das decisões proferidas em primeira instância. Primordialmente, devese ater ao fato de que tais processos estão sendo apurados em face de Instrução e em sede de Recurso. Portanto, os mesmos não podem servir como elementos probatórios concretos e irrefutáveis, pois, ainda não transitaram em julgado, sendo, inclusive, tais afirmações inverídicas, objeto de contestação via recursos próprios, ainda em tramitação. Além disso, é incabível que tais informações colhidas naqueles autos, juntados no r. Relatório, sirvam como provas emprestadas, tendo em vista que não há decisão final, com consequente formação de coisa julgada material dos mesmos. No caso sob apreciação em que o tema é ventilado, o ato administrativo praticado envolve questões de fato, ao qual se exige o fazimento de prova, devendo ser assegurado o direito de defesa. Frisase novamente: naquela oportunidade, a empresa fiscalizada sequer se manifestou acerca do depoimento das testemunhas que foram ouvidas em Audiência de Instrução, não havendo por que serem usadas como provas capazes de identificar indícios de ligação entre a empresa fiscalizada com terceiros. ... tratavase de audiência trabalhista, a qual nada tem haver com a composição societária da fiscalizada. ... não podem ser levadas como embasamento de um Relatório Fiscal a ponto de imediatamente haver acusação de fraude na constituição de empresas, com o simples fato de ter havido discussão acerca de um assunto totalmente inoportuno em relação à matéria que ali estava sendo discutida, qual seja, Reclamação de um (a) Trabalhador (a). Ademais, merece destaque a omissão do Il m o. Auditor em relação às retenções tributárias realizadas na fonte por todos os órgãos da Administração Pública, ... Portanto, não é difícil apurar os valores retidos, ... Fl. 427DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10640.721001/201171 Acórdão n.º 1401001.130 S1C4T1 Fl. 428 15 O r. Relatório careceu de provas mais precisas capazes de detalhar, com precisão, o concretismo e a veracidade dos fatos em que a Administração fundamenta sua pretensão! Por isso, ROGA POR JUSTIÇA! Nestes termos, Pede deferimento. Juiz de Fora, 18 de Abril de 2011. Joana D'arc Pinto A impugnação foi assinada pela sócia Joana D'Arc Pinto (fl. 331) e, juntamente com ela foi requerida pela mesma fls. 332/333 "cópia ... do procedimento e ... de todos os documentos mencionados no Relatório, quais sejam, as Procurações dadas ao Senhor Rafael Pinto da Silva e Senhor Josemar da Silva; documentação que seria CNJ de todas as 32 empresas e outras as quais a Receita aduz fazerem parte do suposto grupo econômico juntamente com a DICACIEL; documentos que comprovam a ligação do Sr. Antonio Carlos Spinelli com a empresa fiscalizada, bem como cópia da Ação proposta pelo Ministério Público do Trabalho contra a empresa.". É o relatório. A DRJ Manteve os lançamentos, julgando revéis os responsáveis tributários, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 PRINCÍPIO DA IMPESSOALIDADE NA SELEÇÃO DE CONTRIBUINTES PARA A FISCALIZAÇÃO. A seleção de contribuintes para fiscalização, efetuada pela SRF com base em estudos econômicofiscais e critérios técnicos internos previamente estabelecidos, não representa qualquer parcialidade ou pessoalidade com relação ao selecionado. DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS. Evidencia omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, de direito ou de fato, pessoas físicas ou jurídicas, depois de intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Na falta de apresentação da escrituração à autoridade fiscal, é cabível o arbitramento dos lucros sobre o valor das receitas omitidas. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO Sujeitase à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado a beneficiário não identificado. A incidência aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios quando não for comprovada a operação a que se refere ou a sua causa. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10640.721001/201171 Acórdão n.º 1401001.130 S1C4T1 Fl. 429 16 LANÇAMENTOS. MESMOS PRESSUPOSTOS FÁTICOS. IRPJ. DECORRÊNCIA. Em se tratando de lançamentos decorrentes dos mesmos pressupostos fáticos dos que serviram de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento aos relativos ao PIS, à CSLL e à COFINS, em razão da relação de causa e efeito existente entre eles. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. l.Não cabe apreciar questões relativas a ofensa a princípios constitucionais, tais como da impessoalidade, imparcialidade, legalidade ou da razoabilidade, dentre outros, competindo, no âmbito administrativo, tão somente aplicar o direito tributário positivado. 2.A doutrina trazida ao processo, não é texto normativo, não ensejando, pois, subordinação administrativa. 3.A jurisprudência judicial colacionada não possui legalmente eficácia normativa, não se constituindo em normas gerais de direito tributário se não atendidos nenhum dos requisitos previstos no § 6° do art. 26A do Decreto n° 70.235, de 1972. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. REVELIA. OCORRÊNCIA. São revéis os sujeitos passivos que não se apresentaram tempestivamente no processo e não impugnaram suas nomeações como responsáveis solidários. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. O processo foi sobrestado, nos termos do § 2º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012, visto que no presente recurso se discutia questão idêntica àquela que está sendo apreciada pelo STF no RE 601.314RG/SP (sob a sistemática do art. 543B do CPC) e RE 410.054 – AgR/MG). O processo retornou foi redistribuído à minha relatoria novamente, pois a Portaria MF nº 545, de 28 de novembro de 2013, revogou os §§ 1º e 2º do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Tendo em vista a edição desse ato normativo tornouse obrigatória a inclusão em pauta para julgamento os processos referentes às matérias que estão em repercussão geral no Supremo, em conformidade com as normas do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. É o Relatório Fl. 429DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10640.721001/201171 Acórdão n.º 1401001.130 S1C4T1 Fl. 430 17 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Verifico, preliminarmente, que o Recurso foi interposto fora do prazo de trintas dias, contados a partir da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. É de se ver. Conforme atesta o Aviso de Recebimento de fls. 366, a ciência ocorreu em 01/11/2011 e o Recurso somente foi protocolizado em 02/12/2011, conforme o carimbo de protocolo na fl. 367, superando em 1(um) dia o prazo regulamentar de 30(trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Outrossim, a recorrente não traz em seu recurso nenhum argumento para infirmar a conclusão acima. Pelo exposto, voto no sentido NÃO CONHECER do recurso, face à intempestividade. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Fl. 430DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 12466.000913/2008-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório
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Recorrente Gama Comercial Importadora e Exportadora Ltda. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Trata o presente processo do Auto de Infração de fls. 01 a 14 por meio do qual é feita a exigência de R$ 962.299,00 (novecentos e sessenta e dois mil e duzentos e noventa e nove reais) a título de Multa Proporcional ao Valor Aduaneiro, de que trata o artigo 23, inciso V, (e seus parágrafos) do DecretoLei 1.455 de 07 de abril de 1976, com as modificações introduzidas pela Lei 10.637 de 30 de dezembro de 2002 (conversão da Medida Provisória n°.66 de 29 de agosto de 2002). Confirase: 001 — CONVERSÃO DO PERDIMENTO EM MULTA— IMPOSSIBILIDADE DE APREENSÃO DA MERCADORIA Conforme Relatório de Ação Fiscal em anexo (fls. 05/14), o qual passa a fazer parte integrante de forma inseparável deste Auto de Infração, foi detectado que a empresa Gama Comercial Importadora e Exportadora RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 66 .0 00 91 3/ 20 08 -0 1 Fl. 3063DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.000913/200801 Resolução nº 3202000.188 S3C2T2 Fl. 3.076 2 Ltda não é a real adquirente das mercadorias importadas em seu nome e que a mesma operava como interposta pessoa. Face ao que determina o art. 23, inciso V, § 3° do DecretoLei n° 1.455 de 07 de abril de 1976, estamos emitindo o presente Auto de Infração para a aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas pela impossibilidade de apreensão de tais mercadorias, conforme Demonstrativo das Mercadorias Consumidas ou Não Localizadas em anexo (fIs 15/24). Face à interposição detectada, verificouse, conforme Demonstrativo das Notas Fiscais de Saídas e Demonstrativo dos Depósitos Efetuados em anexo (fls 25/27), que o valor do crédito tributário apurado no presente Auto de Infração referese ao valor aduaneiro das mercadorias cujo real adquirente é a empresa DIPLOMAT DO BRASIL COMÉRCIO DE ARTIGOS PARA PRESENTES LIDA (CNPJ 02.398.308/000162), a qual passa a figurar no pólo passivo como devedor solidário, conforme determina o art. 27 da Lei n° 10.637 de 30 de dezembro de 2002. Ficam a autuada e os respectivos devedores solidários (reais adquirentes das mercadorias importadas) cientificados de que foi promovida REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS por meio do processo administrativo n°12466.000912/200859. Intimadas, as empresas, Gama Comercial Importadora e Exportadora Ltda. e a Diplomat do Brasil Comércio de Artigos para Presentes Ltda., apresentaram impugnações, as quais foram julgadas improcedentes pela DRJ. Contra o acórdão recorrido, a empresa Gama Comercial Importadora e Exportadora Ltda. interpôs recurso voluntário, defendendo especialmente que: i) a decisão seria nula por ter alterado o critério jurídico do lançamento; que acusou a empresa de ter insuficiência de recursos, e não de ocultação do real adquirente; ii) seria nulo o lançamento por tese se baseado em Relatório tornado insubsistente pelo Parecer n° 991/07 elaborado pelo SEORT/Alfândega/Porto de Vitória, referendado pelo Inspetor da Alfândega, não tendo havido motivação para contrapor as conclusões deste; iii) não houve interposição fraudulenta ou ocultação de adquirente. A Diplomat do Brasil Comércio de Artigos para Presentes Ltda. igualmente apresentou recurso, pugnando pela nulidade/improcedência do auto de infração ou pela aplicação do princípio da retroatividade benigna, tal como articulado no Voto Vencido do acórdão recorrido. Iniciado os julgamentos dos recursos voluntários, a ilustre Turma do CARF decidiu, através da Resolução, converter o julgamento em diligência, pelos seguintes fundamentos: Conselheira MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM [...] Considerando que a recorrente argumenta que a decisão, a quo, não enfrenta as alegações do Parecer 991/2007. Temse que, a citada decisão, dispõe: "Importante registrar, por oportuno, que a apuração Fl. 3064DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.000913/200801 Resolução nº 3202000.188 S3C2T2 Fl. 3.077 3 dos fatos e as provas concernentes do presente processo são autônomas em relação àqueles que embasaram o Parecer n° 991/07 elaborado pelo SEORT/Alfândega/Porto de Vitória." Ou seja, por todas as alegações acima, solicito que baixe em diligência • Inspetoria de origem para: 1) anexar cópia do processo de n° 12466.000172/200770 referente ao processo de inaptidão (principalmente todo o teor do Parecer n° 991/2007); 2) esclarecer período abrangido do Parecer n° 991/2007 (20/12/2007); e 3) explicar se o Auto de Infração teve como base o relatório conclusivo, conforme alegações da recorrente. Em resposta a citada Resolução, a autoridade preparadora afirmou que, de fato, o Relatório fiscal que baseou o presente auto de infração é o mesmo que foi julgado insubsistente pela Parecer n° 991/07, elaborado pelo SEORT/Alfândega/Porto de Vitória e referendado pelo Inspetor Aduaneiro. Não foi juntada a cópia do processo de n° 12466.000172/200770. A recorrente, Gama Comercial Importadora e Exportadora Ltda., apresentou suas considerações sobre a diligência realizada. Em seguida, o processo foi distribuído e encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Observo, de logo, que não foi cumprida integralmente as solicitações da Resolução proferida nestes autos, porquanto não foi juntada aos autos a cópia do Processo de n° 12466.000172/200770, no qual foi indeferida a representação de inaptidão do CNPJ da recorrente, Gama Comercial Importadora e Exportadora Ltda. A cópia integral do Processo de n° 12466.000172/200770 é importante, porque possui provas com base nas quais o Inspetor da Alfândega considerou demonstrada a capacidade econômica da Gama Comercial Importadora e Exportadora Ltda., o que, em tese, constitui forte motivo para afastar a interposição fraudulenta presumida, imputada pela fiscalização às recorrentes. Efetivamente, como se lê do Parecer n° 991/07, elaborado pelo SEORT/Alfândega/Porto de Vitória, o Relatório Fiscal em que se baseou a autuação teria se equivocado, quando considerou irrelevante a existência da conta "Câmbio Exterior Próprio", na qual se demonstraria expressivos pagamentos, em razão de empréstimos realizados no exterior, demonstrados pela recorrente através de contratos de câmbio, na forma do artigo 46 da IN/RFB Fl. 3065DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.000913/200801 Resolução nº 3202000.188 S3C2T2 Fl. 3.078 4 n° 748/2007, juntados às fls. fls. 1.287 a 1.680 dos autos do citado Processo n° 12466.000172/200770. Confirase: Não há realmente conta representativa da existência de fornecedores a demonstrar a obtenção de empréstimos, entretanto, a própria fiscalização reconhece a existência da conta "Câmbio Exterior Próprio" em que se demonstra expressivos pagamentos realizados ao exterior. Resta indagar se esta contabilização se reveste de ilegalidade a demonstrar a falta de comprovação de recursos apontada pela fiscalização. A parte sustenta que esta conta referese a obrigação constituída no exterior decorrente de financiamento externo, que seriam honrados após a negociação das mercadorias no mercado interno. Bastante razoável que a empresa possa se valer empréstimos internos ou externos para custear suas importações, entretanto, necessário se faz que tais operações estejam devidamente registradas em sua contabilidade. No caso, presente pareceme muito mais a existência de possível omissão de receitas, com reflexos na pessoa física dos sócios, do que inexistência de fato da empresa. [...] Nessa esteira, cumpre registrar que o artigo 46 da IN/RFB n° 748/2007, estabelece as condições de prova no que pertine comprovação dos recursos, cujo teor abaixo transcrevemos: [...] A parte comprova que todos os contratos de câmbio foram fechados pela mesma, trazendo agora aos autos os documentos de fls. 1.287 a 1.680 demonstrando o efetivo fechamento de câmbio na forma disciplinada na IN acima mencionada. Ressai, desta forma, ressalvadas as vênias de estilo, atendido ao que prescreve a norma atinente comprovação que se pretende demonstrar. Em que pese as constatações da fiscalização acerca dos lançamentos contábeis da empresa, que repito, deve ser objeto de representação, visando a fiscalização na empresa com reflexos em seus sócios, os autos não demonstram que a empresa tenha sido constituída para sistematicamente fraudar o fisco mediante interposição fraudulenta. [...] Do exame da representação impugnada, obviamente respeitando os posicionamentos divergentes, não ficou caracterizado de forma inequívoca a interposição fraudulenta. Constatase que a recorrente não só recolheu os tributos incidentes na importação, mas repito, também se moveu no sentido de reparar recolhimento feito a menor, no que tange aos tributos internos, mediante retificação de DCTF. A divergência contábil apontada pela fiscalização, a nosso entendimento não causou prejuízo algum a Fazenda Nacional. Em tal Fl. 3066DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.000913/200801 Resolução nº 3202000.188 S3C2T2 Fl. 3.079 5 contexto, presumese, pois, de boafé a conduta da empresa representada, mesmo porque não restou comprovada nem a inexistência de fato, nem a falta de comprovação da origem dos recursos empregados. Ademais, inexiste comprovação de que o contribuinte tenha utilizado algum meio fraudulento objetivando burlar os encargos tributários, de modo que se afigura exorbitante a decretação de inaptidão do CNPJ da mesma. O principio da segurança jurídica consubstanciase na necessidade e adequação dos meios empregados para que atinja os desideratos que a lei almeja. In casu, não se configurando a interposição fraudulenta, bem como havendo possibilidade da determinação de providência extremamente gravosa ao contribuinte, novamente menciono que se afiguraria demasiada a pena imposta. Desta forma, do quanto foi exposto, ressalvandose as vênias cabíveis, e, considerando que os fatos levantados pela fiscalização não configuraram as irregularidades previstas na legislação para caracterização da declaração de inaptidão, manifesto entendimento de que deva ser acolhido o pleito sobre a insubsistência da representação, tornandoa sem efeito, haja vista as razões expendidas no presente parecer. Forte nessas razões, voto para converter o julgamento em diligência para que seja: a) juntada aos autos a cópia integral do Processo de n° 12466.000172/200770, especialmente a documentação de fls. 1.287 a 1.680 deste, onde consta os contratos de câmbio que comprovariam a capacidade econômica da recorrente, Gama Comercial Importadora e Exportadora Ltda., de acordo com o Parecer n° 991/07; b) intimada a unidade preparadora para analisar se a documentação de fls. 1.287 a 1.680 do Processo de n° 12466.000172/200770, onde consta os contratos de câmbio a que alude a conta contábil "Câmbio Exterior Próprio", comprovariam ou não a capacidade econômica da recorrente, Gama Comercial Importadora e Exportadora Ltda. Ao fim da instrução processual, as Recorrentes deverão ser intimadas para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias sobre os documentos juntados aos autos em decorrência da diligência. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 3067DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10073.902534/2012-14
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/12/2007
INVALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. INOCORRÊNCIA.
Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, não há que se falar em invalidade do despacho decisório por vícios relativos à forma.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.530
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 31/12/2007 INVALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, não há que se falar em invalidade do despacho decisório por vícios relativos à forma. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2000; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 139 1 138 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10073.902534/201214 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801003.530 – 1ª Turma Especial Sessão de 29 de maio de 2014 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente VIACAO CIDADE DO ACO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/12/2007 INVALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, não há que se falar em invalidade do despacho decisório por vícios relativos à forma. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 25 34 /2 01 2- 14 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902534/201214 Acórdão n.º 3801003.530 S3TE01 Fl. 140 2 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902534/201214 Acórdão n.º 3801003.530 S3TE01 Fl. 141 3 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP cujo crédito seria decorrente de pagamento indevido ou a maior no valor original na data de transmissão de R$20.765,06. Após processada foi exarado o Despacho Decisório no qual consta que o pagamento descrito no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aonde alega, em síntese: Em sede preliminar, a invalidade do ato administrativo por não ter preenchido o requisito com relação à Forma, perdendo o Despacho Decisório o seu objeto; No mérito aduz que a compensação originouse de sobra de valor de COFINS pago a maior e não retificado em DCTF, sendo certo que, persistindo a não homologação do PER/DCOMP apresentado, estará sendo o contribuinte obrigado a pagar tributos duplamente, em flagrante desrespeito à legislação vigente; Tece considerações acerca da ilegalidade da aplicação da taxa Selic para fins tributários e sua inaplicabilidade como índice de atualização de débitos fiscais, fazendo menção a jurisprudência do Judiciário, devendo ser aplicado o percentual de 1% ao mês e sem capitalização, previsto no CTN; Da ilegalidade da multa proposta, fazendo menção a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, para enfatizar o efeito confiscatório da multa exigida. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2007 DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. Deve ser rejeitada a preliminar de invalidade do ato administrativo, quando o Despacho Decisório contém a fundamentação legal e as informações e orientações necessárias ao exercício da plena defesa do contribuinte, em observância estrita ao rito do processo administrativo fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 141DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902534/201214 Acórdão n.º 3801003.530 S3TE01 Fl. 142 4 Data do fato gerador: 31/12/2007 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Os débitos indevidamente compensados serão exigidos com os respectivos acréscimos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade e requer seja acolhida a preliminar alegada referente à invalidade do ato administrativo, caso não seja este o entendimento, requer seja dado provimento ao recurso, reconhecendose o seu direito creditório e homologandose a compensação dos valores. É o Relatório. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902534/201214 Acórdão n.º 3801003.530 S3TE01 Fl. 143 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de recolhimento a maior de COFINS, Código de Receita 2172, cujo período de apuração se deu em 31/12/2007 e não retificado em DCTF. Preliminarmente, quanto à alegação de invalidade do ato administrativo entendo que não assiste razão à recorrente. O instituto da compensação está previsto no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. In casu, o contribuinte apresentou declaração de compensação de débitos diversos e apontou o documento de arrecadação (DARF) referente a COFINS, Código de Receita 2172, como origem do crédito, alegando “pagamento indevido ou a maior”, conforme disposto nas normas regulamentadoras. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. A fundamentação da não homologação da compensação pleiteada reside no cotejo entre as próprias declarações apresentadas pelo contribuinte e os documentos apontados como origem do direito creditório. A analise eletrônica do PERDCOMP se deu com base nas declarações ativas quando da apresentação do mesmo. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902534/201214 Acórdão n.º 3801003.530 S3TE01 Fl. 144 6 Uma vez que o direito creditório não foi reconhecido, a compensação foi não homologada e o sujeito passivo foi cientificado e intimado a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados com os respectivos acréscimos legais. Tal procedimento, conforme o disposto no aludido diploma legal, foi disciplinado pela Receita Federal através de diversas Instruções Normativas ao longo do tempo, não se verificando no despacho decisório combatido qualquer inobservância das formalidades ali prescritas, não caracterizando assim o alegado vicio de forma que poderia levar a eventual invalidade do ato administrativo. Quanto ao mérito, melhor sorte não assiste à recorrente. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos qualquer elemento que pudesse comprovar a origem do seu crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no pagamento do DARF e preenchimento da DCTF e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. A alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior não foram acompanhadas na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, ainda mais porque não foi acompanhada de qualquer alegação de impossibilidade na sua apresentação, bem como, dos documentos comprobatórios que poderiam até embasar uma eventual retificação de ofício. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados, o que não se verifica no caso em tela. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Em relação à alegação de que não é devida a multa de mora na cobrança dos débitos indevidamente compensados, igualmente não assiste razão à recorrente. A IN RFB 900/2008, vigente à época, assim como as alterações posteriores, que disciplinava o procedimento de compensação, previa no seu art. 38 que o tributo ou contribuição objeto de compensação nãohomologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. O art. 61 da Lei 9.430/1996, por sua vez, dispõe que os débitos não recolhidos no vencimento estão sujeitos à incidência da multa moratória. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902534/201214 Acórdão n.º 3801003.530 S3TE01 Fl. 145 7 Art. 61. Os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela SRF, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. A alegação de que essa multa possui caráter confiscatório não pode ser analisada por este Conselho já que o afastamento da aplicação da Legislação referente, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, o que é vedado, conforme entendimento consolidado por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No que se refere à legalidade da cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC, a matéria já fora pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo por meio da Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR as compensações. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 145DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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