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Numero do processo: 13808.002379/2001-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
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Numero da decisão: 2202-002.679
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Nome do relator: FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
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Não tendo o recorrente logrado êxito em afastar a omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas apurada pela fiscalização, deve ser mantido o lançamento. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. EMPRÉSTIMO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. A mera alegação da existência de empréstimo não é suficiente para fins de aproveitamento na evolução patrimonial do contribuinte, quando não vier acompanhado de provas inequívocas a materialidade desse recurso. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. AQUISIÇÃO DE LIVROS. DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Na Declaração de Ajuste Anual poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação préescolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual estipulado, não se enquadrando nesse conceito as despesas de aquisição de livros, conforme a IN/SRF nº 65, de 05/12/1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 08 .0 02 37 9/ 20 01 -3 8 Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 13808.002379/200138 Resolução nº 2202002.679 S2C2T2 Fl. 9 2 (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente (Assinado digitalmente) Fabio Brun Goldschmidt Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), RAFAEL PANDOLFO, DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada), FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Relatório Tratase de auto de infração (fls. 727731) constituído em razão de omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas sem vínculo empregatício; acréscimo patrimonial a descoberto; dedução indevida da base de cálculo sobre a previdência oficial, despesas médicas e instrução, relativamente ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos exercícios de 1994, 1995, 1997 e 1998, exigindo o crédito tributário na monta de R$ 462.279,77, já acrescido de multa de ofício (75%) e juros de mora. Procedimento de Fiscalização A ação fiscal foi impulsionada pelo Ministério Público Federal, através do Ofício MPF/PR/SP nº 856/00 (fl. 75/76), a fim de apurar eventuais crimes contra a ordem tributária cometidos pelo recorrente. O MPF encaminhou ao Fisco todos os documentos1 (fls. 77/148) obtidos a partir da quebra de sigilo bancário decretada pelo Judiciário no processo crime em que se apuravam os beneficiários diretos e indiretos de recursos transferidos pelas empresas do grupo Monteiro e Barros, a partir das verbas repassadas pelo Tribunal Regional do Trabalho. Em decorrência da determinação do MPF, o contribuinte foi intimado pela fiscalização tributária de “Termo de Intimação”, 12/08/2000, (fls. 13/16) para prestar 1 Cópias de cheques, extratos bancários, matriculas de imóveis, escritura de compra e venda. Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 13808.002379/200138 Resolução nº 2202002.679 S2C2T2 Fl. 10 3 esclarecimentos e apresentar documentação comprobatória, referente às Declarações de Ajuste Anual do IRPF, dos exercícios fiscalizados2 (1996, 1997, 1998,1999 e 2000). 2 Foi requerido, in verbis, pela fiscalização: “1 Comprovar por meio de documentação hábil (escritura pública, contrato ), data e valor de aquisição e/ou alienação dos imóveis transacionados no período estipulado. 2 Comprovar, por meio de documentação hábil, os valores efetivamente pagos pela aquisição dos imóveis relacionados no item 1. 3 Discriminar a utilização de bens imóveis para uso próprio daqueles cedidos a Terceiros, com sua respectiva destinação, bem como, caso haja, apresentar contratos de locação de imóveis firmados juntos a pessoas físicas ou jurídicas. 4 Apresentar comprovação dos pagamentos efetuados para quitação do financiamento imobiliário junto à Carteira Hipotecária da CEF/ CEHAB — Zona Sul nos anos calendários estipulados (1995 a 1999), bem como cópia do contrato firmado com este agente financeiro. 5 Apresentar comprovação de dependência de Luciana Ferreira da Gama e Silva. 6 Apresentar comprovante das despesas efetuadas nos anos — calendários estipulados (1995 a 1999) com: instrução, própria e de dependentes, médicos, dentistas, psicólogos, terapeutas, hospitais, clínicas, planos de saúde, etc.; doações, lançadas como dedutíveis. 7 Comprovar, por meio de nota fiscal e/ou recibo e/ou certidão do DETRAN/Capitania dos Portos / DAC, data e valor de aquisição e/ou alienação, quando for o caso, de veículos / embarcações /aeronaves transacionados no período estipulado. 8 Discriminar e comprovar todos os valores lançados a título de rendimentos tributáveis, isentos e não tributáveis e tributados exclusivamente na fonte, mensalmente, nos anos — calendários estipulados. 9 Comprovar os valores lançados a título de dívidas e ônus reais, respaldados em documentação bancária (cópia de extrato, cheque e/ou depósito), bem como sua quitação (no caso de empréstimo recebido de pessoa jurídica, apresentar também a documentação contábil). 10 Apresentar extratos bancários de contacorrente e de aplicações financeiras, cadernetas de poupança de todas as contas mantidas pelo declarante e seus dependentes junto a instituições financeiras no Brasil e/ou exterior, referentes ao período estipulado. Como alternativa ao cumprimento deste item, fornecer autorização escrita destinada a cada instituição bancária onde o contribuinte mantenha ou tenha mantido tais contas, para que sejam fornecidas a esta Repartição as movimentações realizadas. A autorização deverá conter assinatura pessoal registrada em cartório. 11 Preencher planilha anexa de movimentação de aplicações financeiras e poupanças, informando os valores de aplicações e resgates mensais, corroborando com extratos bancários, no período estipulado. 12 Preencher planilha anexa de gastos efetivos realizados pelo contribuinte e dependentes, com documentação comprobatória. 13 Apresentar planilha referente a movimentações de ações de empresas, no período estipulado, demonstrando compra e venda destas ações, bem como suas quantidades nos respectivos anos calendários. 14 Informar, por escrito, se todos os bens de sua propriedade, no Brasil e no exterior, foram declarados. Em caso negativo, apresentar o documento de aquisição e/ou alienação (escrituras, instrumentos particulares, notas fiscais, etc.). 15 Informar, por escrito, se realizou operações nos mercados a vista de opções e futuro nas Bolsas de Valores de São Paulo (BOVESPA), do Rio de Janeiro (BVRJ), na Bolsa de Mercadorias e Futuros BM&F), ou em qualquer outra Bolsa_ Em caso afirmativo, apresentar as Notas de Corretagem do período jan/95 a dez/99, a posição do estoque em 31/12/94, bem como o formulário "Resumo de Apuração dos Ganhos Renda Variável" preenchido. 16 Apresentar cópia de contrato social ou estatuto social, atas de assembléia e alterações posteriores, referentes á(s) empresa(s), nas quais foi ou seja sócio, em caso negativo, informar por escrito a não participação em qualquer sociedade. 17 Apresentar, se for o caso, documentação contábilfiscal de todos os saldos credores declarados na(s) empresa(s) de sua titularidade, respaldados com as cópias de documentação bancária (extratos, cópias de cheques, recibos de depósitos). 18 Apresentar, se for o caso, documentação comprobatória dos rendimentos recebidos, a qualquer título, das empresas das quais seja sócio no período estipulado. 19 Comprovar receitas e despesas da atividade rural, incluindo as receitas decorrentes da alienação de rebanhos animais.” Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 13808.002379/200138 Resolução nº 2202002.679 S2C2T2 Fl. 11 4 Em vista da inércia do recorrente em apresentar resposta, o Fisco lavrou novo “Termo de Intimação nº2” (fl. 18/20), reiterando a notificação anteriormente realizada (“Termo de Intimação nº1”). Em resposta, o recorrente, por meio de seu representante legal, protocolou vasta documentação junto à RFB: notificações da Receita Federal do Brasil (exercícios de 1996, 1997, 1998, 1999 e 2000); recibos de entrega do ajuste anual (exercícios de 1996, 1997, 1998, 1999 e 2000); comprovação de rendimentos pagos e retenção de imposto de renda na fonte; recibos de pagamento ao Colégio Visconde Porto Seguro; notas fiscais; diversos recibos de gastos médicos e odontológicos; comprovantes de doação; instrumento de alteração contratual de Sociedade Civil na qual o recorrente fazia parte; certidão de nascimento da dependente Luciana Ferreira; matrículas de imóveis; certidões do Detran dos veículos Peugeot, Honda Accord, Estratus; e xerox das cautelas de ações da Cia. Coml. Indl. e Administradora Prada (fls. 299 a 571). Ademais, esclareceu que: 1) não realizou operações no mercado financeiro nacional ou estrangeiro; 2) que já não fazia mais parte da sociedade da empresa GPA – Engenharia de Projeto e Avaliações S/C desde 1998; e, 3) quanto aos rendimentos percebidos da atividade rural, referiu que foram declarados, conforme suas Declarações de Ajuste Anual (DAA), e comprovados mediante cópias dos rendimentos recebidos da Cia. Agrícola Lorenzetti. (fl.508). Após a análise da documentação trazida pelo recorrente, o Fisco intimou o contribuinte, em 01/12/2000, de “Termo de Intimação nº3” (fl. 22/23), para prestar esclarecimentos e apresentar documentos referente aos anos fiscalizados. Em suma foi requerido: “1 Discriminar e comprovar, mês a mês, nos AnosCalendários (sic) 1993 e 1994, todos os valores lançados a título de: A) Rendimentos Tributáveis; B) Rendimentos Isentos e NãoTributáveis; C) Rendimentos Tributados Exclusivamente na Fonte. 2 Apresentar comprovante das despesas efetuadas, nos Anos— Calendários 1993 e 1994, com instrução; despesas médicas; doações lançadas como dedutíveis. 3 Comprovar, por meio de nota fiscal ou outro documento hábil, data e valor de aquisição e/ou alienação dos seguintes veículos, transacionados nos AnosCalendários 1993 e 1994: GM Monza GL ano 1989, placa LE 5060 (alienado); Fiat Tempra ano 1993 (adquirido junto à Sinal Ltda., CNPJ 57.215.097/000177); Honda Accord EX ano 1994, placa CGS 3000 (adquirido junto à H. Point Com. Ltd..); Outros veículos, se for o caso. 4 Apresentar comprovação dos pagamentos efetuados para quitação do financiamento imobiliário junto à Carteira Hipotecária da CEF/ CEHAB Zona Sul nos AnosCalendários 1993 e 1994. 5 Esclarecer as formas de pagamento dos bens adquiridos nos Anos Calendários 1993 e 1994, bem como apresentar documentação hábil que comprove tais formas de pagamento. Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 13808.002379/200138 Resolução nº 2202002.679 S2C2T2 Fl. 12 5 6 Comprovar os valores lançados a título de "Dívidas e Ônus Reais" nas Declarações de Ajuste dos AnosCalendários 1997, 1998 e 1999, respaldados em documentação hábil (extrato bancário, cheque e/ou depósito bancário), bem como sua quitação.” Em 21/12/2000, o recorrente requereu prorrogação do prazo para cumprimento das solicitações. (fl. 572). Diante da desídia do recorrente em atender ao solicitado no “Termo de Intimação nº3”, a fiscalização emitiu novo “Termo de Intimação nº4” (fl. 25/26), em que se reiterou a intimação feita no dia 01/12/2000 (“Termo de Intimação nº3”). Em resposta, o recorrente prestou esclarecimentos (fl. 573/575) e apresentou a seguinte relação de documentos: cópia de nota promissória; cópia de instrumento particular de compra e venda; documentação referente aos veículos Monza e Honda, Acórdão da Apelação Cível nº 226.4702/0 do TJ/SP; Cópia da Correspondência da Caixa Federal ao 4º Cartório de Imóveis; cópia do Extrato da CEF p/ Imp. De renda; documentação referente ao exercício de 1994 e 1995 (declarações de ajustes anuais dos exercícios mencionados, bem como cópia dos documentos relativos a rendimentos tributáveis e a pagamentos, tais quais, despesas médicas doações e etc.). (fls. 577/711). Da análise de toda documentação juntada pelo contribuinte, entendeu a RFB em lançar o crédito tributário, conforme Auto de Infração (fls. 727/731). O detalhamento da autuação fiscal encontrase descrito no “Termo de Verificação Fiscal” (fls.712/720), literalmente: “No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal, procedemos à fiscalização do contribuinte acima identificado, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física exercícios de 1994 a 1998, anos calendários de 1993 a 1997. Nos termos dos Artigos 844, 845, 927 e 928 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto 3.000/99, de 26/03/99, o contribuinte foi intimado conforme Termo de Intimação (folhas datado de 03/08/2000 e recebido em 12/08/2000) a comparecer a esta Divisão de Fiscalização a fim de prestar esclarecimentos e apresentar documentação comprobatória de suas Declarações de Ajuste Anual – IRPF. Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 13808.002379/200138 Resolução nº 2202002.679 S2C2T2 Fl. 13 6 Enviamos, então, o Termo de Intimação N° 2 (folhas 16 /18), reiterando a primeira intimação, o qual foi recebido em 23/09/2000. Outros esclarecimentos e documentos necessários a esta Fiscalização foram solicitados por meio dos Termos de Intimação N° 3 (folhas 20/21 e N° 4 (folhas 23/24), os quais foram recebidos, respectivamente, em 01/12/2000 e 02/02/2001. Em atendimento às citadas Intimações, o contribuinte veio a se apresentar em 05/09/2000, por meio de Procurador legalmente habilitado (procuração à folha 273). Em 03/10/2000, o Procurador entregou a documentação conforme folhas 276/532, a qual está descrita no Termo de Constatação à folha 274. Por fim, em 20/02/2001, o contribuinte apresentou a documentação constante das folhas 536/647, conforme Termo à folha 535. Ressaltamos os seguintes pontos em relação aos anoscalendários 1993 e 1994 : A) Conforme documentação encaminhada pelo Ministério Público Federal, folhas 66/139, obtida a partir de quebra de sigilo bancário decretada judicialmente, o contribuinte recebeu, nos anos de 1992, 1993 e 1994, cheques nominais segundo a tabela abaixo, os quais perfazem o valor total de 71.654,26 UFIR. (...) B) Tais recebimentos foram todos depositados pelo contribuinte em conta bancária de sua titularidade que ele, então, mantinha junto ao Banco Real S. A. (Conta N° 4.0397500, Agência 0560), como se depreende da análise dos extratos bancários às folhas 70 / 132. C) Apenas o cheque emitido por Monteiro de Barros Escr. Imob. Ltda., CNPJ 54.218.264/000116, em 25/05/92 (folha 70), foi oferecido à tributação e declarado como "Rendimento Tributável Recebido de Pessoa Jurídica" em sua Declaração de Ajuste Anual Exercício 1993 (AnoCalendário 1992), conforme folha 30 . Intimado conforme Termos de Intimação N° 3 e N° 4, o contribuinte não se manifestou sobre estes rendimentos. A situação aqui descrita configura, em tese, omissão dolosa de rendimentos, o que nos conduz, obrigatoriamente, com base na legislação vigente, à revisão de oficio dos Exercícios 1994 e 1995 (Art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional, Lei 5.172, de 25/10/1966 ). Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 13808.002379/200138 Resolução nº 2202002.679 S2C2T2 Fl. 14 7 D) Para que a tributação alcance a efetiva movimentação financeira da conta bancária N° 4.0397500, do Banco Real S. A., nos períodos citados, efetuamos o levantamento dos gastos conforme planilhas às folhas 650 e 654, levantamento, este, no qual estão incluídos os referidos cheques omitidos. Portanto, da documentação disponibilizada pelo Ministério Público Federal, da documentação e esclarecimentos fornecidos pelo contribuinte, das informações disponíveis nos sistemas informatizados da Receita Federal, da documentação referente a imóveis fornecida pelos Cartórios de Registro de Imóveis e Cartórios de Notas, da documentação sobre veículos enviada pelo DETRANSP, esta fiscalização constatou os seguintes fatos: EXERCÍCIO 1994 ANOCALENDÁRIO 1993 (planilha à folha 698): 1.1) Financiamento imobiliário junto à Caixa Econômica Federal referente ao Apartamento N° 6113, situado à Rua André Fernandes, 51 ItaimBibi – São Paulo: Intimado, conforme folha 20, a apresentar os comprovantes das prestações pagas durante os anoscalendários 93 e 94, o contribuinte prestou as seguintes informações (folha537): A) O imóvel foi adquirido em 03/07/89, em condomínio com sua esposa, Lucia Marina de Freitas Ferreira, CPF 882.043.67872, com quem é casado em regime de separação total de bens (Certidão à folha 253); B) O contribuinte financiou parte do valor do imóvel junto à Caixa Econômica Federal; C) Esclareceu que a quitação definitiva do financiamento ocorreu em 1993, "ficando assim prejudicado tais pagamentos ocorridos nos exercícios de 1993 e 1994", conforme expresso no item 5 da folha 537; D) Com base nas informações do contribuinte e nos documentos às folhas 556, 554, 245/252, concluímos por: Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 13808.002379/200138 Resolução nº 2202002.679 S2C2T2 Fl. 15 8 D1) Considerar como integralmente quitado o financiamento junto à CEF em 07/01/1993 e, conforme o documento "Comunicação Anual p/ Imposto de Renda" (folha 556), emitido pela CEF para informação à Receita Federal para o AnoBase 93, lançar, como dispêndio efetivamente ocorrido em janeiro/93, pagamento no valor de 133.839,9432 UFIR (o qual decorre da soma da parcela referente a jan/93 981,54654 UFIR — com a amortização extraordinária de 132.858,39678 UFIR); D2) Por conseqüência, não considerar como efetivamente ocorridos os pagamentos declarados erroneamente pelo contribuinte no Ano Base 94 (folha 38, verso) e no AnoBase 95 (folha 44) tendo em vista estes terem ficado "prejudicados" pela liquidação antecipada em 07/01/1993. 1.2) Aquisição do veículo FIAT TEMPRA Placa BMM3223: acatamos a informação declarada pelo contribuinte conforme folha 36 e lançamos o valor de 49.666,09 UFIR em maio/93. 1.3) Alienação do veículo da marca GM, modelo MONZA SL, Ano 1989, Placa LE5060: lançamos o valor de venda, CR$ 750.000,00, em dezembro/93. 1.4) Pagamento a Lucia Marina de Freitas Ferreira, CPF d 882.043.67872, no valor de 20.000 UFIR: o valor, declarado à folha 34 , verso, foi lançado em dezembro/93. 1.5) Análise da Evolução Patrimonial : 1.5.1) Rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas : devido à falta de comprovação quanto ao mês de recebimento, o valor declarado foi lançado no mês de janeiro 93. 1.5.2) Rendimentos sujeitos à tributação exclusiva: consideramos os valores declarados pelo contribuinte, lançandoos em janeiro. 1.5.3) Dedução com dependentes : devido à falta de informação dos valores mensais, distribuímos o valor declarado à razão de 1/12 avos ao mês. Adotamos este procedimento para todos os anoscalendários em análise. Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 13808.002379/200138 Resolução nº 2202002.679 S2C2T2 Fl. 16 9 1.5.6) Movimentação da conta bancária n° 4.0397500 (Banco Real ) : Os extratos bancários fornecidos pelo Ministério Público Federal, às folhas 75/139, foram utilizados para o desenvolvimento das planilhas "Levantamento dos Saldos Iniciais e Finais" (folha 649) e "Movimentação Bancária" (folhas 650 e 654) nas quais calculamos os resgates / aplicações em Fundos e os dispêndios/gastos efetuados pela emissão dos cheques. Em 24/11/2000, emitimos intimação visando esclarecer as formas de pagamento dos bens adquiridos nos anoscalendários 1993 e 1994, a fim de evitarmos duplicidade de lançamento nas planilhas de Análise de Variação Patrimonial às folhas 648 e 652, porém o contribuinte não se manifestou. 1.5.7) Conclusão para a variação patrimonial do anocalendário 1993: Procedida à análise da variação patrimonial conforme planilha à folha 08, apuramos Acréscimo Patrimonial a Descoberto / Excesso de Gastos, não justificado ou comprovado pelos Recursos, nos meses de janeiro/93 a dezembro/93, sujeito à tributação. Fundamentação legal: • Artigos 1% 2° e 3°, e parágrafos, da Lei 7.713/88; • Arts. 1° a 4% da Lei 8.134/90 ; • Arts. 4°, 5° e 6°, da Lei 8.383/91; • Arts. 43, 44, 45, 112, 114, 116, 142, 144, 149, do Cód. Tributário Nacional (Lei 5.172/66); • Arts. 37, 38, 39, 43, 55 inc. XIII, 106, 107, 108, 791, 795, 796, 797, 798, 799, 806, 807, 839, 841, 845, 846, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto 3.000/99). 2) EXERCÍCIO 1995 ANOCALENDÁRIO 1994 (planilha à folha 652) : Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 13808.002379/200138 Resolução nº 2202002.679 S2C2T2 Fl. 17 10 2.1) Aquisição de veículo da marca HONDA, modelo ACCORD EX, ano 1994, Placa CGS3000, junto à H.Point Comercial Ltda., CNPJ 67.719.104/000202, em julho/94 : conforme Nota Fiscal N° 1196, à folha 548, o valor do veículo foi de R$ 40.450,00, que corresponde a 72.000,71 UFIR, ao invés do valor declarado de 53.357,31 UFIR. Lançamos, também, em julho/94, o valor pago referente ao IPVA do veículo em comento, cf. folha 547. 2.2) Análise da Evolução Patrimonial : 2.2.1) Rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas : foram apropriados aos respectivos meses de recebimento, conforme planilha à folha 6S3 , elaborada a partir dos dados constantes do sistema IRF (folhas l Y8/ í , os quais foram confrontados com os valores declarados. Apenas os rendimentos recebidos do TRT – 2ª Região foram lançados integralmente no mês de janeiro/94, devido à falta de maiores informações. 2.2.2) Rendimentos sujeitos à tributação exclusiva: lançamos o valor como recebido em janeiro/94. 2.2.3) Despesas com instrução, despesas médicas e despesas com contribuições /doações / entidades de classe : os valores foram apropriados aos respectivos meses em que ocorreram, conforme comprovantes apresentados às folhas 626/647. 2.2.4) Movimentação da conta bancária n° 4.0397500 (Banco Real): os valores lançados como saldos iniciais e finais de cada mês, os resgates, as aplicações e os cheques compensados / gastos foram os constantes das planilhas às folhas 649 e 654. 2.2.5) Conclusão para a variação patrimonial do anocalendário 1994: Apuramos Acréscimo Patrimonial a Descoberto / Excesso de gastos, conforme planilha à folha 652 não justificado ou comprovado pelos rendimentos, nos meses de fevereiro/94 a julho/94 e no mês de outubro/94, a ser tributado conforme enquadramento legal citado no item 1.5.7. Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 13808.002379/200138 Resolução nº 2202002.679 S2C2T2 Fl. 18 11 3) EXERCÍCIO 1996 ANOCALENDÁRIO 1995 (planilha à folha 656): 3.1) Análise da Evolução Patrimonial: Dentre os elementos analisados por esta fiscalização, e conforme planilha à folha 656, não apuramos Acréscimo Patrimonial a Descoberto/ Excesso de Gastos durante o anocalendário de 1995. 4) EXERCÍCIO 1997 ANOCALENDÁRIO 1996 (planilha à folha 660): 4.1) Análise da Evolução patrimonial : Conforme planilha à folha 660, não apuramos Acréscimo Patrimonial a Descoberto /Excesso de Gastos durante o Anocalendário 1996. 4.2) Omissão de Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica: O contribuinte omitiu os rendimentos recebidos da pessoa jurídica Antonio Carlos da Gama e Silva, CNPJ 00.932.397/000150, firma mercantil individual de sua titularidade, constituída em 13/11/95. Esses rendimentos, conforme documento à folha 216, importaram na quantia de R$ 10.752,00, que passa, então, a ser objeto de lançamento de oficio. Fundamentação legal: • Artigos 1% 2° e 3% e parágrafos, da Lei 7.713/88; • Arts. 1' a 4° da Lei 8.134/90 ; • Arts. 3° e 11 da Lei 9.250/95. Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 13808.002379/200138 Resolução nº 2202002.679 S2C2T2 Fl. 19 12 5) EXERCÍCIO 1998 ANOCALENDÁRIO 1997 (planilha à folha 66S) : 5.1) Aquisição de imóvel situado à Rua Inglaterra, n° 202 São Paulo / SP, em 15/09/97: O valor total do imóvel, conforme escritura do 8° Tabelionato de Notas da Capital (folhas: 498/500, foi de R$ 300.000,00, sendo este valor parcelado da seguinte maneira: R$ 30.000,00 em 01/02/97; R$ 120.000,00 em seis parcelas mensais e sucessivas de R$ 20.000,00, sendo a primeira em março/97; R$ 150.000,00 em 15/09/97. 5.2) Aquisição de veículo da marca CHRYSLER, modelo STRATUS LXC, Ano 1997, Placa CJS 6093, junto a Millenium Veículos e Peças Ltda., CNPJ 01.253.862/000240, em agosto/97 conforme Nota Fiscal N° 000562, à folha 525, o valor do veículo foi de R$ 55.300,00, ao invés do valor declarado de R$ 53.000,00. Lançamos, também, em agosto/97, o pagamento referente ao IPVA do veículo, cf. folha 524. 5.3) Rendimentos Isentos e NãoTributáveis : O contribuinte declarou, cf. folha 53, rendimentos isentos e não tributáveis classificados na Linha 1 do Quadro 3 ( Aviso prévio indenizado, indenização por rescisão de contrato de trabalho, acidente de trabalho e FGTS), no valor de R$ 26.754,39. Entretanto, intimado, não apresentou quaisquer comprovantes destes rendimentos, motivo pelo qual eles não serão considerados na presente análise. Pelo mesmo motivo, não será considerado rendimento declarado de R$ 92,10 (Linha 8 do Quadro 3), não comprovado. Quanto ao valor declarado de R$ 221.666,67 (Quadro 3, Linha 2), ele se refere à Correção de Custo/95, não implicando em recebimento de rendimentos. 5.4) Dívida no valor de R$ 250.000,00, contraída, conforme declaração, junto a Roberto Lara Nogueira, CPF 386.364.41820: Intimado repetidamente a comprovar, por meio de documentação hábil, os valores lançados a título de "Dívidas e Ônus Reais", o contribuinte manifestouse conforme o que está expresso à folha 538 e Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 13808.002379/200138 Resolução nº 2202002.679 S2C2T2 Fl. 20 13 apresentou tãosomente uma nota promissória emitida por ele em favor de Roberto Lara Nogueira, no valor de R$ 150.000,00 (folha Som. Contudo, tal nota promissória, à luz da legislação e jurisprudência associadas ao tema, isoladamente é insuficiente para comprovar a transação, sendo necessário que o contribuinte comprove de maneira cabal, com documentação hábil, idônea e suficiente, a efetiva transferência de fundos do patrimônio do mutuante para o do mutuário. Complementamos, observando os seguintes pontos: o alegado mutuante Roberto Lara Nogueira declarou, em sua DIRPF1998, ter emprestado R$ 150.000,00 ( ao invés do valor declarado de R$ 250.000,00) ao contribuinte, mas tal declaração, sem a devida comprovação documental como já citado, quedase insuficiente. As operações de alienação e um segundo empréstimo — tomado de José Elias Diniz, CPF 378.315.85834 —, listados pelo contribuinte à folha 538, com o fito de demonstrar a obtenção de recursos para a quitação do alegado empréstimo tomado a Roberto Lara Nogueira, carecem de comprovação documental. Concluímos, por todo o acima exposto, por desconsiderar o declarado empréstimo no valor de R$ 250.000,00, na presente análise (Ac. 1° CC 1064.643/92 DO 12/01/93; Ac. 1° CC 1048.095/91 DO 11/10/91; Ac. 1° CC 10410.357/93 DO 22/08196 ; Ac. 1° CC 1049.200/92 DO 25/01/93 ). 5.5) Análise da Evolução Patrimonial : 5.5.1) Rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas : lançamos conforme planilha à folha 666, elaborada com os dados do IRF. Os valores recebidos da Cia. Agrícola Zillo Lorenzetti e Justiça Federal de São Paulo foram considerados como recebidos em janeiro. 5.5.2) Rendimentos sujeitos à tributação exclusiva (13° salário) : lançamos como integralmente recebidos em janeiro. 5.5.3) Despesas com instrução, despesas médicas e despesas com contribuições / doações entidades de classe : as despesas foram apropriadas aos respectivos meses, conforme comprovantes apresentados às folhas 393/ 427. 5.5.4) Conclusão para a variação patrimonial do anocalendário 1997 : Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 13808.002379/200138 Resolução nº 2202002.679 S2C2T2 Fl. 21 14 Apuramos Acréscimo Patrimonial a Descoberto / Excesso de Gastos, cf. planilha à folha 665, não justificado pelos rendimentos, nos meses de fevereiro/97 a setembro/97 e no mês de dezembro/97, a ser tributado conforme enquadramento legal citado no item 1.5.7, acrescido dos Arts. 3° e 11 da Lei 9950/95 5.6) Dedução indevida de : 5.6.1) Contribuição à previdência oficial O contribuinte declarou uma dedução de R$ 10.249,37, porém comprovou, à folha 387, o valor de R$ 8.730,13, acarretando, assim, o lançamento da diferença (R$ 1.519,24). Fundamentação legal : • Art. 11, § 3º do DecretoLei 5.844/43 ; • Art. 4º inciso IV, da Lei 9.250/95. 5.6.2) Despesas com instrução : O contribuinte apresentou apenas os comprovantes referentes a gastos com instrução do único dependente. Glosamos, portanto, o valor de R$ 1.700,00, não comprovado. Fundamentação legal: • Art. 11, § 3° do DecretoLei 5.844/43 ; • Art. 8°, inciso II, alínea "b", da Lei 9.250/95. 5.6.3) Despesas médicas: O contribuinte declarou despesas médicas no valor de R$ 33.235,40, porém logrou comprovar despesas no valor total de R$ 31.085,32 (folhas 402/414). A diferença R$ 2.150,08 será lançado de oficio no presente trabalho. Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 13808.002379/200138 Resolução nº 2202002.679 S2C2T2 Fl. 22 15 Fundamentação legal: • Art. 11, § 3° do DecretoLei 5.844/43 ; • Art. 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/95. 6) CONCLUSÃO: Identificamos, ao final dos procedimentos fiscais, os créditos tributários descritos neste Termo de Verificação Fiscal, de acordo com os elementos apurados. Sendo a atividade administrativa de lançamento vinculada e obrigatória, lavramos o presente Auto de Infração, com fundamento nos dispositivos legais citados. Ressaltamos que os Exercícios de 1994 e 1995 foram revisados de oficio em obediência ao ordenamento legal vigente, tendo em vista a existência de elementos materiais que, em tese, configuram omissão dolosa de rendimentos.” Impugnação Cientificado em 29/06/2001, (fl. 735) do lançamento, o contribuinte apresentou tempestivamente a impugnação (fls.736/749), juntando documentos (ficha de aluno da USP; demonstrativo de pagamentos; demonstrativo de resultado do exercício de 1996; declaração de quitação de notas promissórias). (fls. 750/761). Aduziu em síntese: a) decadência do direito do fisco em proceder o lançamento dos exercícios de 1994 e 1995; b) que o montante de R$ 10.752,00, equivalente à retirada mensal de R$ 896,00, correspondente ao exercício de 1997, nunca foi percebido pelo autuado, devendo ser desconsiderada a pretendida omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, pois o fisco deixou de lograr êxito em comprovála; c) que os valores recebidos no exercício de 1998 a título de indenizações (rendimentos isentos e não tributáveis), foram efetivamente recebidos, conforme faz prova o informe de rendimentos fornecido pelo TCE/SP; d) que a glosa das despesas médicas é improcedente, pois consta no mesmo informe de rendimentos as contribuições feitas ao IAMSPE no montante de R$ 2.150,08; e) que as despesas com instrução foram comprovadas em sua totalidade, mediante apresentação, no curso de procedimento fiscalizatório, da matrícula do impugnante no curso de Pós Graduação da USP, sendo por todos sabido Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 13808.002379/200138 Resolução nº 2202002.679 S2C2T2 Fl. 23 16 que em cursos dessa espécie, somente em livros, o valor de R$ 1.700,00 é ínfimo face ao elevado custo das aquisições que se fazem necessárias; f) que não merece prosperar a autuação quanto ao acréscimo patrimonial a descoberto, isso porque a fiscalização deixou de considerar como efetivamente dispendidos os valores em 1993 que serviram para quitação do financiamento imobiliário junto à CEF, devendo esses serem considerados no exercício de 1995; g) que é improcedente a glosa do empréstimo pessoal obtido de Roberto Lara Nogueira, sendo que o mútuo perfez a monta de R$ 250.000,00, diferentemente do que pretendeu o autuante, pois a Nota promissória no valor de R$ 150.000,00 não condiz com a realidade, podendo ser constatada a realidade dos fatos através da declaração acostada junto à impugnação; h) em relação ao dolo, a jurisprudência administrativa é unanime no sentido de que deve ser provado, não se prestando para tanto a presumida afirmação da autuação. Acórdão da DRJ A 7ª Turma de Julgamento da DRJ/SPO II, por unanimidade de votos, acolheu a preliminar de decadência suscitada, relativamente aos anoscalendário de 1993 e 1994, julgando parcialmente procedente o lançamento. (fls. 764 a 781). Especificamente no mérito, foi alterado o lançamento do crédito tributário, relativamente ao anocalendário de 1997, no que cerca à parcela do acréscimo patrimonial a descoberto apurado no mês de dezembro/1997 no valor de R$18.515,83, pois devidamente justificado. Ademais, foi excluída a glosa de dedução com despesas médicas no valor de R$ 2.150,08. A DRJ disse em síntese: a) que o contribuinte omitiu os rendimentos recebidos no anocalendário de 1996 da pessoa jurídica denominada Antonio Carlos da Gama e Silva, firma mercantil individual de titularidade do interessado, no valor de R$ 10.752,00, com base na IRPJ da referida empresa, conforme informações obtidas nos sistemas informatizados da SRF, isso porque, após o exame da declaração do IRPJ/97 e o Demonstrativo de Resultado, verificouse que a quantia referida, correspondia à retirada de prólabore, pois foi apropriada como despesas Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 13808.002379/200138 Resolução nº 2202002.679 S2C2T2 Fl. 24 17 operacionais e deduzidas do Lucro Bruto apurado, motivo pelo qual não merece prosperar as alegações do impugnante quanto ao ponto; b) quanto à apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, atinente ao ano calendário de 1997, verificase que foi realizado através da análise da variação patrimonial, mediante o cotejo mensal dos recursos com as aplicações realizadas pelo contribuinte, tendo decorrido, fundamentalmente da aquisição pelo contribuinte de um prédio sito à Rua Inglaterra, 202, Jardim América, São Paulo/SP, pelo de preço de R$ 300.000,00, tendo concorrido, ainda, para variação patrimonial a descoberto, a compra realizado do automóvel, Chrysler Stratus LX, no valor de R$ 55.300,00, portanto correta a autuação neste ponto; c) o empréstimo no valor de R$ 250.000,00 contraído junto ao Sr. Roberto Lara Nogueira, consignado no quadro de dívidas e ônus reais da declaração de ajuste anual referente ao exercício de 1998, foi desconsiderado para fins da Análise da Variação Patrimonial, por falta de comprovação da efetiva transferência de fundo do patrimônio do mutuante para o mutuário, isso porque a nota promissória apresentada, isoladamente, no valor de R$ 150.000,00 é insuficiente para a comprovação do efetivo recebimento do numerário pelo contribuinte, que deveria ter sido demonstrado a partir de documentação hábil e idônea; d) que é fato indiscutível que o tomador e o credor do empréstimo têm a obrigatoriedade de informar a declaração de empréstimo em suas declarações de bens, contudo, a consignação dessa informação não desobriga o contribuinte de comprovar a efetiva transação, sendo que mera declaração firmada pelo mutuante e pelo mutuário não tem a força probante necessária para caracterizar a existência do mútuo; e) assiste razão ao contribuinte quanto aos rendimentos isentos e não tributáveis que não foram considerados na Análise da Variação Patrimonial, em vista que, diante da comprovação de tal rendimento pelo interessado, contabilizou se R$ 26.754,39, como fonte de recursos, sendo que o acréscimo patrimonial apurado no mês de dezembro/1997 restou justificado; f) a dedução da contribuição previdenciária oficial pleiteada na declaração de ajuste anual do exercício de 1998, não foi expressamente contestada pelo contribuinte, motivo pelo qual deixouse de analisar; g) a glosa referente aos R$ 1.700,00 da dedução com despesas com instrução foi correta, isso porque, conforme a IN/SRF 65/1996, não se enquadram como despesas as aquisições com livros e instrumentos; h) por fim, a glosa referente às despesas médicas não merece ser mantida, uma vez que justificadas as despesas pelo recorrente. Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 13808.002379/200138 Resolução nº 2202002.679 S2C2T2 Fl. 25 18 Recurso Voluntário Intimado em 25/05/02 (fl. 783), irresignado com a decisão proferida pela DRJ, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 788/797). Em síntese, repisou os argumentos trazidos em sede de impugnação. Para cumprir com o requisito de admissibilidade dos recursos voluntários, o recorrente arrolou um Relógio Vacheron Constantin, Ouro 18 K (750), modelo masculino, com pulseira em outro 18 K (750), avaliado no valor de R$ 54.000,00. O bem dado em garantia não foi aceito pelo Fisco, pois não alcançava o valor mínimo de 30% do valor do crédito consolidado. Em vista disso, o débito fiscal foi encaminhado para execução (fl. 879), tendo sido inscrito em dívida ativa (883 a 887). Em vista da situação posta, o recorrente solicitou a Procuradoria da Fazenda Nacional o cancelamento da CDA e, posteriormente, o prosseguimento do processo administrativo, tendo sido indeferido o seu pedido, conforme decisão de fls. 937 a 938. Diante disso, o recorrente ingressou com Mandado de Segurança nº 200861000197154 (fls. 951 a 955), objetivando o cancelamento do débito inscrito em dívida, bem como o prosseguimento do recurso voluntário interposto ao Conselho de Contribuintes. Intimada a se manifestar nos autos do MS, a PFN/SP concordou no sentido de acolher o pedido do recorrente, cancelando a inscrição da dívida ativa, haja vista o julgamento da ADIN nº1976/DF, em que se entendeu pela inconstitucionalidade da exigência do art. 32, § 2º, do Decreto 70.235/72. (fls. 1005/1006). Retornados os autos, o processo foi distribuído à minha relatoria. Voto Conselheiro Fabio Brun Goldschmidt Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 13808.002379/200138 Resolução nº 2202002.679 S2C2T2 Fl. 26 19 O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. O auto versa sobre: (i) omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas, exercício de 1997; (ii) acréscimo patrimonial a descoberto, exercícios de 1994, 1995 e 1998; (iii) dedução da base de cálculo pleiteada indevidamente da previdência oficial, exercício de 1998; (iv) dedução da base de cálculo pleiteada indevidamente de despesas médicas, exercício de 1998; (v) dedução da base de cálculo pleiteada indevidamente de despesas com educação, exercício de 1998; O acréscimo patrimonial apurado pela fiscalização, referente aos exercícios de 1994 e 1995, não será analisada, porquanto extinto o direito da Fazenda Nacional em constituir o crédito tributário pelo lançamento, já que alcançado pela decadência, consoante Acórdão da DRJ. Também não será objeto de análise a glosa referente às despesas médicas, uma vez que comprovada e considerada correta sua dedução pelo mesmo órgão julgador. Ainda, apesar do auto de infração versar, inclusive, sobre a dedução indevida da base de cálculo sobre a previdência oficial e, tendo o recorrente interposto recurso voluntário sem contestar o ponto em específico, a matéria não expressamente contestada não será considerada, conforme dispõe o art. 17 do Decreto 70.235/72. Portanto, a análise compreenderá, apenas, a tributação da omissão de rendimentos recebidos por pessoa jurídica (exercício de 1997); o acréscimo patrimonial a descoberto (exercício de 1998) e a glosa de despesas com educação (exercício de 1998). Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoas Jurídicas – Exercício/1997 A Fiscalização apurou com base na declaração IRPJ da empresa Antonio Carlos Gama e Silva, omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrente do trabalho sem vínculo empregatício, consoante documento extraído dos sistemas informatizados da RFB (fl. 225). Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 13808.002379/200138 Resolução nº 2202002.679 S2C2T2 Fl. 27 20 O referido vem bem descrito no “Termo de Verificação Fiscal” (fl. 717): “O contribuinte omitiu os rendimentos recebidos da pessoa jurídica Antonio Carlos Gama e Silva, CNPJ 00.932.397/000150, firma mercantil individual de sua titularidade, constituída em 13/11/95. Esses rendimentos, conforme documento à fl. 216, importam na quantia de R$ 10.752,00, que passa, então a ser objeto de lançamento de ofício.” Ao analisar o ponto, a DRJ entendeu pela manutenção da autuação, visto que: “a declaração IRPJ/1997 relativa à empresa de titularidade do interessado (fls. 205/216, vol. I) e o Demonstrativo de Resultado de fl. 717 (vol. III), verificase que a quantia de R$10.752,00, correspondente à retirada prólabore (fl. 216, vol. I e fl. 717, vol. III), foi devidamente apropriada como despesas operacionais e deduzida do Lucro Bruto apurado (fl. 210, vol. I); fato que vem desmentir a alegação do impugnante de que nunca recebeu a remuneração em tela. A aludida Declaração IRPJ/exercício 1997 (fls. 203/227, vol. I), registrese, não contestada pelo Fisco e nem retificada pelo contribuinte, faz prova de que o interessado percebeu, no anocalendário de 1996, a título de prólabore, a importância de R$10.752,00. Quantia esta omitida na declaração de ajuste anual correspondente ao anocalendário 1996 (fls. 47/51), e por isso tributada de ofício com fundamento nos arts. 1º, 2º e 3º, e §§, da Lei nº 7.713, de 22/12/1988, arts. 1º a 4º da Lei nº 8.134, de 27/12/1990 e arts. 3º e 11 da Lei nº 9.250, de 26/12/1995. A alegação de que referido montante de R$ 10.752,00 ou mensais de R$ 896,00 não constam do exame dos depósitos bancários exaustivamente manuseados pelo Autuante é deveras equivocada. Isto porque os comprovantes de extratos bancários anexados nos autos às fls. 70/139 (vol. I) dizem respeito unicamente aos anoscalendário de 1992, 1993 e 1994. Não há, outrossim, qualquer referência no Termo de Verificação Fiscal (fls. 670/678, vol. III) que denote que a Fiscalização tivesse examinado a movimentação financeira do contribuinte relativo ao anocalendário de 1996. Nem o contribuinte trouxe qualquer comprovação nesse sentido. (fls. 773 e 774). Em decorrência da manutenção do AI, o recorrente asseverou: “Do exame dos depósitos bancários exaustivamente manuseados pelo autuante não constam referidos montantes, não tendo o balancete já referido, valor probante da efetiva percepção de tal numerário, devendo pois ser desconsiderada a pretendida omissão de receita.” Entendo que não assiste razão ao recorrente, isso porque, conforme se verifica da documentação acostada aos autos (DAA/1997, fls. 56 a 60), bem como do Termo de Verificação Fiscal TVF e do Acórdão da DRJ, esse deixou de oferecer à tributação o valor de R$ 10.752,00, limitandose a alegar que esta seria indevida, sem ao menos acostar qualquer documento que comprovasse suas afirmações. Acréscimo Patrimonial a Descoberto – Exercício/1988 Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 13808.002379/200138 Resolução nº 2202002.679 S2C2T2 Fl. 28 21 O acréscimo patrimonial a descoberto tem como fundamento legal o artigo 3º, da Lei nº 7.713/98: “Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. § 5º Ficam revogados todos os dispositivos legais concessivos de isenção ou exclusão, da base de cálculo do imposto de renda das pessoas físicas, de rendimentos e proventos de qualquer natureza, bem como os que autorizam redução do imposto por investimento de interesse econômico ou social. § 6º Ficam revogados todos os dispositivos legais que autorizam deduções cedulares ou abatimentos da renda bruta do contribuinte, para efeito de incidência do imposto de renda.”. No caso concreto, verificase que a fiscalização lançou o crédito tributário após o cotejo mensal dos recursos com as aplicações realizadas pelo contribuinte, conforme as tabelas anexas às fls. 707/711, em que se demonstra a análise da variação patrimonial. Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 13808.002379/200138 Resolução nº 2202002.679 S2C2T2 Fl. 29 22 Esse comparativo foi realizado a partir da Declaração de Ajuste Anual do ano calendário 1997, dos sistemas informatizados da SRF e dos esclarecimentos e da documentação fornecida pelo recorrente. Para a consolidação das informações, cumpre salientar que todos os rendimentos recebidos por pessoas jurídicas declarados na DAA/1997, bem como os rendimentos de aplicações financeiras sujeitos à tributação exclusiva na fonte foram considerados como recurso para análise da variação patrimonial mensal. A decisão de primeira instância foi proferida no sentido de julgar parcialmente procedente a impugnação do recorrente para considerar como recurso o valor recebido a titulo de licençaprêmio e indenização de férias FEP, na monta de R$ 26.754,39, mantendo no resto o crédito tributário lançado. O recorrente, repisando os argumentos postos em sede de impugnação, tão somente quanto ao exercício de 1998, haja vista que a discussão referente aos exercícios de 1994 e 1995 restou superada, em vista da decadência reconhecida pela DRJ, referiu que a autuação quanto ao acréscimo patrimonial a descoberto é insubsistente, haja vista a comprovação (nota promissória, no valor de R$ 150.000,00, fl. 577), do empréstimo contraído junto ao Sr. Roberto Lara Nogueira no valor de R$ 250.000,00. Ocorre que, ao se analisar os autos, verificase que o recorrente não trouxe qualquer documento novo que viesse ao encontro de suas afirmações. Quanto à alegação do empréstimo realizado, entendo que a declaração unilateral do contribuinte e a simples apresentação de nota promissória são insuficientes para fins de comprovação do recebimento do referido empréstimo. Isso porque, não servem para demonstrar a transação realizada, havendo a necessidade de comprovação da efetiva transferência de numerário do mutuante para o mutuário, o que não se verifica no caso em concreto. Aliás, mesmo a frágil prova trazida pelo recorrente (qual seja, nota promissória no valor de R$ 150.000,00 – fl. 577) traz informação (ao menos quanto ao valor) diversa da afirmada pelo contribuinte. Logo, uma vez que o contribuinte não logrou êxito em demonstrar que recebeu recursos suficientes para justificar a aquisição dos bens no exercício fiscalizado (automóvel e imóvel), surge a figura do acréscimo patrimonial a descoberto. Diante disso, já que não comprovadas as alegações feitas pelo recorrente, entendo que não merece reparos a decisão proferida pela DRJ. Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 13808.002379/200138 Resolução nº 2202002.679 S2C2T2 Fl. 30 23 Dedução da Base de Cálculo de Despesa com Instrução O contribuinte, consoante a Declaração de Ajuste Anual, deduziu a quantia de R$ 3.400,00 a título de despesas com instrução. Destacase que tão somente a parcela de despesas com material de papelaria, livros técnicos e material de informática, na monta de R$ 1.700,00, foi glosada, sendo que a dedução da diferença foi acatada. O recorrente, insatisfeito com a glosa da parcela referida, impugnou o ponto. A DRJ, conforme demonstrado no relatório, não acatou sua justificativa. Diante disso, o recorrente repisou o argumento referente à questão em seu recurso voluntário. Vejase que de acordo com o art. 8º, inciso II, ‘b’ da Lei 9.250/95, na época do fato gerador eram dedutíveis os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação préescolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte de seus dependentes, até o limite de R$ 1.700,00. A IN/SRF nº65, de 05/12/1996, estabelecia em seu art. 6º, alínea ‘b’, que os gastos com as despesas com aquisição de livros, revistas e jornais não eram passíveis de dedução. A IN/SRF nº15/2001, hoje em vigência, prevê o mesmo tratamento para as deduções desejadas. Diante disso, entendo que não merece prosperar a dedução pretendida pelo recorrente, em vista da falta de fundamento legal que a ampare. Conclusão Isso posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Fabio Brun Goldschmidt Relator Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
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Numero do processo: 13161.720317/2008-21
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006
ESCRITURAÇÃO RETIFICADA APRESENTADA APÓS ENCERRAMENTO DA AÇÃO FISCAL. EFEITO INÓCUO PARA DESCARACTERIZAR ARBITRAMENTO.
Disponibilizar a escrituração corrigida após o encerramento da ação fiscal não descaracteriza os fundamentos do arbitramento do lucro efetuado com base em livros contábeis e fiscais apresentados em desacordo com a legislação vigente no decorrer da fase inquisitória. É obrigação do contribuinte manter o adequado registro contábil de suas operações, apto a amparar o regime de tributação adotado, e, não o fazendo, submete-se ao disposto na norma. Incorre em preclusão lógica comportamento no qual a contribuinte mostra-se negligente no cumprimento de suas obrigações acessórias, motiva o arbitramento, e, em seguida, após consumada a situação, alega que teria incorrido em equívoco e apresenta escrituração retificada. Trata-se de arbitramento condicional que é rechaçado pela jurisprudência.
LUCRO REAL. ESCRITURAÇÃO COMPATÍVEL.
Ao optar pelo lucro real, que toma como base a apuração contábil, para em seguida efetuar os ajustes previstos na legislação fiscal, a contribuinte, naturalmente, assume maiores encargos, vez que se vale de uma série de deduções não previstas em outros regimes de tributação. A apresentação livros contábeis e fiscais com informações incorretas, fora dos padrões estabelecidos em legislação enseja o arbitramento do lucro. Deve a contribuinte se preocupar em efetuar seus registros contábeis de modo a promover a real situação contábil no decorrer de toda a sua existência, e não apenas só depois de ser alvo de uma fiscalização.
Numero da decisão: 1103-000.998
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, dar provimento ao recurso de ofício por maioria, vencido o Conselheiro Fábio Nieves Barreira.
Assinado Digitalmente
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente.
Assinado Digitalmente
André Mendes de Moura - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006 ESCRITURAÇÃO RETIFICADA APRESENTADA APÓS ENCERRAMENTO DA AÇÃO FISCAL. EFEITO INÓCUO PARA DESCARACTERIZAR ARBITRAMENTO. Disponibilizar a escrituração corrigida após o encerramento da ação fiscal não descaracteriza os fundamentos do arbitramento do lucro efetuado com base em livros contábeis e fiscais apresentados em desacordo com a legislação vigente no decorrer da fase inquisitória. É obrigação do contribuinte manter o adequado registro contábil de suas operações, apto a amparar o regime de tributação adotado, e, não o fazendo, submete-se ao disposto na norma. Incorre em preclusão lógica comportamento no qual a contribuinte mostra-se negligente no cumprimento de suas obrigações acessórias, motiva o arbitramento, e, em seguida, após consumada a situação, alega que teria incorrido em equívoco e apresenta escrituração retificada. Trata-se de arbitramento condicional que é rechaçado pela jurisprudência. LUCRO REAL. ESCRITURAÇÃO COMPATÍVEL. Ao optar pelo lucro real, que toma como base a apuração contábil, para em seguida efetuar os ajustes previstos na legislação fiscal, a contribuinte, naturalmente, assume maiores encargos, vez que se vale de uma série de deduções não previstas em outros regimes de tributação. A apresentação livros contábeis e fiscais com informações incorretas, fora dos padrões estabelecidos em legislação enseja o arbitramento do lucro. Deve a contribuinte se preocupar em efetuar seus registros contábeis de modo a promover a real situação contábil no decorrer de toda a sua existência, e não apenas só depois de ser alvo de uma fiscalização.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, dar provimento ao recurso de ofício por maioria, vencido o Conselheiro Fábio Nieves Barreira. Assinado Digitalmente Aloysio José Percínio da Silva - Presidente. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
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LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 ESCRITURAÇÃO RETIFICADA APRESENTADA APÓS ENCERRAMENTO DA AÇÃO FISCAL. EFEITO INÓCUO PARA DESCARACTERIZAR ARBITRAMENTO. Disponibilizar a escrituração “corrigida” após o encerramento da ação fiscal não descaracteriza os fundamentos do arbitramento do lucro efetuado com base em livros contábeis e fiscais apresentados em desacordo com a legislação vigente no decorrer da fase inquisitória. É obrigação do contribuinte manter o adequado registro contábil de suas operações, apto a amparar o regime de tributação adotado, e, não o fazendo, submetese ao disposto na norma. Incorre em preclusão lógica comportamento no qual a contribuinte mostrase negligente no cumprimento de suas obrigações acessórias, motiva o arbitramento, e, em seguida, após consumada a situação, alega que teria incorrido em equívoco e apresenta escrituração retificada. Tratase de arbitramento condicional que é rechaçado pela jurisprudência. LUCRO REAL. ESCRITURAÇÃO COMPATÍVEL. Ao optar pelo lucro real, que toma como base a apuração contábil, para em seguida efetuar os ajustes previstos na legislação fiscal, a contribuinte, naturalmente, assume maiores encargos, vez que se vale de uma série de deduções não previstas em outros regimes de tributação. A apresentação livros contábeis e fiscais com informações incorretas, fora dos padrões estabelecidos em legislação enseja o arbitramento do lucro. Deve a contribuinte se preocupar em efetuar seus registros contábeis de modo a promover a real situação contábil no decorrer de toda a sua existência, e não apenas só depois de ser alvo de uma fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 72 03 17 /2 00 8- 21 Fl. 249DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13161.720317/200821 Acórdão n.º 1103000.998 S1C1T3 Fl. 250 2 Acordam os membros do colegiado, dar provimento ao recurso de ofício por maioria, vencido o Conselheiro Fábio Nieves Barreira. Assinado Digitalmente Aloysio José Percínio da Silva Presidente. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Tratase de Recurso de Ofício interposto em face da decisão da 2ª Turma da DRJ/Campo Grande (fls. 234/243), que apresentou a seguinte ementa: PROVA PERICIAL. DILIGÊNCIA. UTILIDADE E NECESSIDADE. ESCLARECIMENTO DE FATOS RELEVANTES. Só deve ser deferida a prova que, além de atender aos requisitos do inciso IV, do Decreto n° 70.235/1972, se mostre útil e necessária ao esclarecimento de fatos controversos e relevantes para a solução do processo. REGISTRO CONTÁBIL. PARTIDAS MENSAIS. HISTÓRICO CONCISO. LIVRO AUXILIAR. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA DESCLASSIFICAÇÃO DA ESCRITA CONTÁBIL. ARBITRAMENTO DO LUCRO. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. É válido o registro dos fatos contábeis por partidas mensais, desde que haja o detalhamento em livro auxiliar, cuja função pode ser feita por um dos livros fiscais exigidos pela legislação especifica. Atende a exigência da legislação comercial o histórico do lançamento contábil se, apesar de conciso, apresentar clareza suficiente para a compreensão do fato contábil registrado. O registro mensal da movimentação bancária, quando respaldo em extratos postos a disposição da Fiscalização, não autoriza a desclassificação da Fl. 250DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13161.720317/200821 Acórdão n.º 1103000.998 S1C1T3 Fl. 251 3 escrita contábil. Os dispositivos que estabelecem as hipóteses de arbitramento do lucro devem ser interpretados de forma restritiva, não se admitindo o arbitramento quando, apesar de eventuais irregularidades, for possível a apuração do lucro real ou presumido. Dos fatos da Autuação Fiscal. No decorrer da ação fiscal, constatou a autoridade autuante que a escrituração apresentada pela contribuinte estaria em desacordo com as leis comerciais e fiscais, razão pela qual desconsiderou a opção do regime de tributação da empresa, lucro real trimestral, e efetuou o arbitramento do lucro para os anoscalendário de 2005 e 2006. Foram relacionadas as seguintes irregularidades no Relatório Fiscal de fls. 151/161: 1) Os lançamentos foram registrados no último dia de cada mês, sem respeitar a ordem cronológica e a data da efetiva ocorrência dos fatos contábeis; 2) Diversos lançamentos foram efetuados por totalização mensal, sem individualização, com históricos genéricos e sem qualquer vinculação com documentos probantes; 3) A empresa não registra suas operações bancárias nas contas próprias dos bancos, efetua lançamentos por totais mensais, em contrapartida à conta Caixa, apenas para ajustar o saldo das contas bancárias no ultimo dia de cada mês; 4) O contribuinte devidamente intimado não apresentou os livros auxiliares de escrituração contábil que individualizam as operações escrituradas sinteticamente nos livros Diários e Razões; 5) Os valores escriturados nos livros apresentados como Livro Razão Auxiliar n° 03/2005 — Registro de Clientes e Livro Razão Auxiliar no 04/2005 — Registro de Clientes não correspondem aos valores lançados nos livros Diários e Razões. Tendo a fiscalização constatado a prática de lançamentos em partidas mensais, por totais, intimou o contribuinte a apresentar os livros auxiliares de escrituração individualizada. Ao analisar os livros apresentados pela fiscalizada, quais sejam, Razão Auxiliar n° 03/2005 Registro de Clientes e Razão Auxiliar no 04/2005 Registro de Clientes, apurou a ocorrência de divergências relevantes entre os valores lançados nos livros Diário e Razão da pessoa jurídica. Concluiu a autoridade fiscal: A regra geral é a tributação das pessoas jurídicas de acordo com o seu lucro real, determinado a partir da escrituração contábil do contribuinte. A generalidade desta forma de tributação é tal que a toda pessoa jurídica é dada a opção de tributar seus resultados pela aplicação desta sistemática. A tributação com base no lucro presumido ou no lucro arbitrado, pelo contrário, restringemse às situações e às pessoas jurídicas que se enquadrarem em determinadas condições estabelecidas pela lei. E ainda, a via de apuração da base de calculo pelo Fl. 251DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13161.720317/200821 Acórdão n.º 1103000.998 S1C1T3 Fl. 252 4 lucro arbitrado representa uma criação do próprio direito com finalidade precipua de garantir e dar efetividade à legislação de regência do imposto. É uma forma de tributação excepcional que se aplica basicamente quando a pessoa jurídica não se enquadra nas condições necessárias para se manter nos regimes de apuração do lucro real ou do lucro presumido. No caso vertente, relativamente aos anoscalendários de 2005 e 2006, o contribuinte não preencheu as condições legais para a opção pela tributação do Imposto de Renda com base no lucro real, conseqüência da falta de apresentação da escrita contábil nos termos da legislação comercial, durante o procedimento de fiscalização, após devidamente intimado. Nesse contexto, foram lavrados os autos de infração de IRPJ e CSLL de fls. 246/247, levandose em consideração a receita bruta conhecida informada nas DIPJ referentes aos anoscalendário de 2005 e 2006. Da Fase Contenciosa. Devidamente cientificado o contribuinte, apresentou impugnação de fls. 187/193, discorrendo sobre os seguintes pontos: 1) O processo administrativo fiscal deve primar pela busca da verdade material, e a certeza quanto à real ocorrência do fato gerador é interesse da própria Administração; 2) O livro apontado como discrepante dos lançamentos feitos no livro Diário seria, na verdade, um mero relatório de duplicatas, que foi entregue ao Fisco por equivoco; 3) Após a autuação, foram encontrados os livros auxiliares referentes às contas utilizadas na escrita contábil, contendo o detalhamento de todos os lançamento, coincidentes em valores e datas com os dados inseridos nos livros Diário e Razão; 4) Os referidos livros encontramse à disposição da Fiscalização, mas não foram juntados aos autos em razão da grande quantidade de lançamentos para cada conta. 5) Requer a realização de perícia, a fim de confirmar a existência dos livros auxiliares de cada uma das contas registradas de forma resumida e também para identificar a movimentação financeira, assim como para que seja analisado o livro razão auxiliar referente a cada uma das contas anotadas no livro Diário, e para tanto formula quesitos e indica perito. Por sua vez, a 2ª Turma da DRJ/Campo Grande decidiu, por maioria, julgar a impugnação procedente e cancelar o crédito tributário. Tendo em vista que a exclusão de crédito tributário ocorreu em valor superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), o Presidente da Turma recorreu de ofício ao CARF, conforme disposto pela Portaria MF nº 3, de 03/01/2008. O sujeito passivo tomou ciência da decisão em 27/07/2010 (“AR” de fl. 247). É o relatório. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13161.720317/200821 Acórdão n.º 1103000.998 S1C1T3 Fl. 253 5 Voto Conselheiro André Mendes de Moura Tratase de recurso de ofício, interposto em face de acórdão da DRJ/Campo Grande, que julgou a impugnação procedente e afastou o arbitramento do lucro aplicado pela Fiscalização. Discorre sobre as seguintes razões o voto da DRJ: O fato que rendeu ensejo ao lançamento foi a desclassificação da escrita contábil, se originando dai o arbitramento da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, com a apuração de novo valor devido e o respectivo lançamento. A controvérsia, portanto, gira em torno do exame do cabimento da desclassificação da escrita contábil e da apuração da base de cálculo pelo lucro arbitrado. Embora tenha considerado imprestável a escrita contábil para respaldar a apuração da base de cálculo pelo lucro real, a Fiscalização arbitrou o lucro com base na mesma receita informada pela contribuinte na DIPJ. (...) Ora, se a escrita é imprestável, não se pode arbitrar o lucro tomando por base as receitas dela extraídas. Imprestável é o que não tem utilidade. Porém, como afirmar que é imprestável uma escrita contábil que, a despeito de eventuais incorreções, permite identificar a receita bruta? Por que seria imprestável a escrita se nenhuma objeção foi levantada quanto as despesas e custos contabilizados? E cabível um arbitramento, motivado pela desclassificação da escrita contábil, que tome por base receita idêntica à contabilizada? (...) Quatro foram os motivos que levaram a Fiscalização a desqualificar a escrita contábil. O primeiro é a escrituração do livro Diário em partidas mensais, sem obediência à. ordem cronológica dos fatos. Esse fundamento não resiste ao exame dos livros contábeis (Anexos I a IV). Neles, de fato, se verifica que os lançamentos foram feitos por partidas mensais. Mas isso não significa falta de observância da ordem cronológica. Tratase de prática consagrada há muito tempo pelos usos e costumes, e amparada pela lei civil e pela própria legislação do Imposto de Renda. (...) Fl. 253DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13161.720317/200821 Acórdão n.º 1103000.998 S1C1T3 Fl. 254 6 O registro por partidas mensais, em si mesmo, não implica violação à lei, sobretudo quando as operações são numerosas, como ocorre com a impugnante, que exerce atividade de venda a varejo de produtos veterinários, realizando por dia grande volume de vendas. Não é difícil perceber que o registro individual de cada uma dessas vendas inviabilizaria a escrita contábil e tornaria quase impossível o próprio exame dos livros comerciais. O segundo fundamento consiste na descrição genérica das operações, no histórico de cada lançamento, que, além disso, não estaria respaldado por documentos hábeis. De acordo com a Fiscalização, não teriam sido individualizados os fatos contábeis (registrados por totais mensais) em livros auxiliares. Também esse fundamento não pode prevalecer. O histórico descreve o evento contábil de forma sucinta, porém com clareza suficiente para permitir a exata compreensão do fato a que se refere o lançamento. Ademais, as contas debitadas e as creditadas foram identificadas com precisão nos respectivos registros. (...) Quanto aos documentos que dão suporte aos lançamentos contábeis, caberia à Fiscalização ter feito uma intimação especifica para que a contribuinte os apresentasse, reiterando, se fosse o caso,. pelo menos uma vez, antes de desclassificar a escrita e adotar o arbitramento do lucro. Ocorre que a Fiscalização, ao longo de todo o procedimento fiscal, fez duas intimações e, em nenhuma delas, requisitou a apresentação dos documentos que davam suporte aos lançamentos contábeis. No que tange à afirmação de ausência de livros auxiliares, é importante ressaltar que a função do livro auxiliar é registrar, de forma sistemática, determinadas operações ou a movimentação de contas especificas. Para esse fim, a contabilidade prevê alguns livros, como o livro Caixa e o Razão. Porém, considerando a característica marcadamente instrumental desses registros auxiliares, é perfeitamente possível, sem prejuízo para o Fisco, que a mesma função do livro auxiliar venha a ser feita por um livro fiscal, tais como os livros de Registro de Entrada e Registro de Saída de Mercadorias e o Registro de Inventário. O terceiro fundamento é a suposta irregularidade do registro das operações bancárias, que, por totais mensais, seriam contabilizadas em contra partida da conta caixa. Não parece ser esse um motivo suficientemente forte para justificar a medida extrema de desqualificação de toda a escrita contábil e, posterior, arbitramento do lucro. Primeiro porque o art. 47, inciso II, alínea "a", da Lei n° 8.981 prevê como causa para o arbitramento a fraude, o vicio, o erro Fl. 254DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13161.720317/200821 Acórdão n.º 1103000.998 S1C1T3 Fl. 255 7 ou a deficiência que tome a escrita imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, incluindo a bancária. Por maior que seja o rigor no exame da escrita contábil da impugnante, não se pode afirmar que ela seja imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira. Talvez a forma de contabilização torne o exame dos fatos mais trabalhoso, porém isso não autoriza a conclusão de que a escrita seja imprestável. São situações distintas, que não se confundem. Quanto aos lançamentos feitos sistematicamente em contra partida da conta caixa, o procedimento atende a um critério de contabilização que, em si, não traz qualquer prejuízo para identificar a movimentação bancária. Contudo, se a forma pela qual foi registrado o movimento na conta bancos inviabilizasse o exame da movimentação financeira, poderia a Fiscalização requisitar A. própria contribuinte, ou diretamente às instituições financeiras, os extratos bancários. Por último, a alegada desconformidade entre os livros Diário e Razão e os lançamentos no livro Razão Auxiliar — Registro de Clientes não dá suporte ao arbitramento. A Fiscalização, ao longo de todo o procedimento fiscalizatório, fez duas intimações a contribuinte, e, em nenhuma delas, solicitou esclarecimentos específicos acerca daquela divergência. A impugnante alega não ter cometido fraude, mas um erro, que pode ser verificado pelos livros auxiliares que estão à disposição do Fisco. Erro ou fraude, tratase na verdade de circunstância irrelevante para o caso em exame, porquanto, se as divergências anotadas pela Fiscalização traduzissem ilícito tributário, isso autorizaria tãosomente o lançamento das eventuais diferenças, mas nunca a desclassificação da escrita contábil no seu todo, como foi feito. Apesar das considerações expostas pela decisão de primeira instância, não entendo que seja a mais adequada interpretação dos fatos. Analisando os autos, observase que, no “Termo de Início de Procedimento Fiscal”, de fls. 05/06, foi intimada a contribuinte, optante do regime de tributação do lucro real trimestral, a apresentar os seguintes documentos: 1 Livros Diário e Razão (Lucro Real); 2 Livro Registro de Apuração do IPI; 3 Livros auxiliares da escrituração; 4 Contratos de empréstimos/financiamentos com sócios/acionistas; 5 Registro de Inventário; 6 Contrato/Estatuto Social e suas alterações. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13161.720317/200821 Acórdão n.º 1103000.998 S1C1T3 Fl. 256 8 Ao analisar a documentação apresentada, a autoridade tributária encaminhou o “Termo de Intimação Fiscal nº 0002”, de fls. 74/75, ocasião em que solicitou da contribuinte: 1 Justificar os seguintes procedimentos adotados na escrituração dos Livros Contábeis: 1.1 Somente ocorrem lançamentos no último dia de cada mês, e não no dia do fato contábil, impossibilitando a identificação da data exata do ocorrido; 1.2 Todo o fluxo financeiro transita contabilmente pela conta Caixa, independente se os valores, de fato, foram operados por contas bancárias; 1.3 As contas Bancos têm lançamentos mensais globais, com históricos genéricos: " DEPOS.EFET. NO MÊS, "CHEQUES COMPENSADOS", que não discriminam cada operação de forma individualizada; 1.4 A conta Clientes Diversos tem lançamentos mensais globais, com históricos genéricos: "REC.CONF. DVS CLIENTES", que não discriminam cada operação de forma individualizada; 1.5 As contas de Vendas tem lançamentos mensais globais, com históricos genéricos: "VENDAS REF. MÊS ...", que não discriminam cada operação de forma individualizada; 1.6 Invocar as normas comerciais, princípios contábeis, etc., que dariam amparo a tal conduta. Externar ainda seu entendimento sobre possíveis máculas em sua escrituração, derivadas dos fatos em comento. 2 Explicar qual a função das seguintes contas: 11414 1104011400 CONTA DE TRANSFER.VLRS MATRIZ 12122 1104100600 TRANSFERENCIA MATRIZ 21853 2111030000 FILIAL02 3 Apresentar os livros auxiliares para registro individuado, nos termos do § 1º do Art. 258 do RIR/99, que possibilitem a fiscalização e a conferência dos procedimentos adotados em relação á legislação tributária. No aludido termo ainda constou a seguinte observação: Fica o contribuinte cientificado que os livros e documentos solicitados são imprescindíveis ao exame da escrituração contábil, a falta de apresentação dos mesmos poderá resultar em arbitramento do lucro, nos termos do inciso II, Art. 530 do Decreto 3000, de 29/03/1999 Regulamento do Imposto de Renda 1999. Por sua vez, a fiscalizada encaminhou como resposta documento de fls. 77/78, no qual requer prazo adicional de dez dias para providenciar a entrega dos registros individualizados dos recebimentos de clientes, devido ao fato do grande volume de registros. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13161.720317/200821 Acórdão n.º 1103000.998 S1C1T3 Fl. 257 9 O prazo foi concedido pela Fiscalização, contudo, com a ressalva transcrita no próprio documento entregue pela contribuinte, à fl. 78: A escrituração resumida do Diário, por partidas mensais, deve ser subsidiada por livros auxiliares que individualizem cada operação. Os livros auxiliares integram o Diário Sintético, assumindo o seu detalhamento como meio de prova, e por esse motivo devem ser devidamente autenticados no órgão próprio do Registro do Comércio. Concedida a dilação de prazo, foram entregues pelo contribuinte o Livro Razão Auxiliar n°03/2005 Registro de Clientes e o Livro Razão Auxiliar n° 04/2005 Registro de Clientes. A partir da análise dos livros, concluiu a autoridade autuante pela subsunção ao inciso II do art. 530 do RIR/99: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; (...) Observase que as intimações realizadas pela autoridade autuante foram claras e objetivas. A autoridade fiscal procedeu com a devida análise dos livros apresentados, tanto que, na segunda intimação, foram encaminhados questionamentos específicos, como esclarecimentos sobre os lançamentos mensais, em contas como Clientes Diversos e Vendas, sem discriminação da operação de forma individualizada, registros globais de movimentação financeira com histórico que não permite identificação da operação, dentre outros. Não por acaso, foi logo em seguida intimada a contribuinte a apresentar os livros auxiliares que permitiriam a verificação do registro individuado de cada operação. E, uma vez verificando os livros disponibilizados pela fiscalizada, quais sejam, Razão Auxiliar n° 03/2005 Registro de Clientes e Razão Auxiliar no 04/2005 Registro de Clientes, identificou divergências entre os valores lançados nos livros Diário e Razão, conforme demonstrado nas planilhas de fls. 173/177. O procedimento fiscal mostrouse minucioso e coerente. O Relatório Fiscal de fls. 151/161 fundamenta, com detalhes, os motivos que levaram a autoridade autuante a desconsiderar a escrituração e arbitrar o lucro. Não pode se admitir a dispensa de um registro contábil adequado pelo fato de a empresa trabalhar com grande quantidade de eventos contábeis. O artigo 258, do RIR/99, dispõe sobre a situação: Art. 258. Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de Livro Diário, encadernado com folhas Fl. 257DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13161.720317/200821 Acórdão n.º 1103000.998 S1C1T3 Fl. 258 10 numeradas seguidamente, em que serão lançados, dia a dia, diretamente ou por reprodução, os atos ou operações da atividade, ou que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial da pessoa jurídica (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º). § 1º Admitese a escrituração resumida no Diário, por totais que não excedam ao período de um mês, relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utilizados livros auxiliares para registro individuado e conservados os documentos que permitam sua perfeita verificação (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 3º). Não poderia ser mais transparente o dispositivo legal. A escrituração resumida é admitida, até o limite mensal, contudo, com a ressalva expressa, de que sejam escriturados livros auxiliares para registro individualizado e conservados os documentos que permitam sua perfeita verificação. O Código Civil dispõe sobre a mesma premissa: Art. 1.183. A escrituração será feita em idioma e moeda corrente nacionais e em forma contábil, por ordem cronológica de dia, mês e ano, sem intervalos em branco, nem entrelinhas, borrões, rasuras, emendas ou transportes para as margens. Parágrafo único. É permitido o uso de código de números ou de abreviaturas, que constem de livro próprio, regularmente autenticado. Art. 1.184. No Diário serão lançados, com individualização, clareza e caracterização do documento respectivo, dia a dia, por escrita direta ou reprodução, todas as operações relativas ao exercício da empresa. § 1º Admitese a escrituração resumida do Diário, com totais que não excedam o período de trinta dias, relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utilizados livros auxiliares regularmente autenticados, para registro individualizado, e conservados os documentos que permitam a sua perfeita verificação. (grifei) Percebese claramente no relato da autoridade tributária que, pelo fato de a contribuinte manter registros mensais nos livros Diário e Razão, foi intimada precisamente a apresentar os livros auxiliares. E, uma vez apresentados, foram encontradas inconsistências. Tanto que a contribuinte, na impugnação, discorre expressamente: O livro auxiliar referido é aquele encartado nas fls. 103 e seguintes do Anexo I — Registros Contábeis dos presentes autos, cujos documentos falam por si mesmos. Representam mero Relatório de Duplicatas — Registro de Duplicatas, fornecidos pelos então procuradores da impugnante (fls. 07), resultante de evidente equivoco, quando da sua apresentação. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13161.720317/200821 Acórdão n.º 1103000.998 S1C1T3 Fl. 259 11 Todavia, após a notificação e sobretudo em razão de seus fundamentos, aprofundou, com o auxílio de outros profissionais, a verificação da real situação contábil, tendo então sido localizado o Razão Auxiliar das contas contábeis, em valores absolutamente coincidentes com aqueles contidos no Diário pelo saldo das contas, devidamente detalhados os fatos contábeis, em ordem cronológica de dia, mês e ano, como exige a legislação comercial e fiscal, como comprova exemplificativamente o anexo Razão Auxiliar — Vendas. (grifei) No decorrer da ação fiscal, alega a contribuinte que, por equívoco, teria apresentado livro incorreto, para justificar as divergências encontradas. E, após a notificação fiscal, procedeu com a verificação da real situação contábil, que teria permitido localizar o Razão Auxiliar com valores coincidentes com os livros principais. Ocorre que a apresentação de escrituração “corrigida” após o encerramento da fase inquisitória não descaracteriza os fundamentos da autuação no presente caso. É obrigação da contribuinte disponibilizar ao Fisco o adequado registro contábil de suas operações, apto a amparar o regime de tributação adotado, no caso, o lucro real, e, não o fazendo, submetese ao disposto na norma. Ora, incorre em preclusão lógica comportamento no qual a contribuinte mostrase negligente no cumprimento de suas obrigações acessórias, motiva o arbitramento, e, em seguida, após consumada a situação, alega que teria incorrido em equívoco e apresenta escrituração adequada. Não por acaso o arbitramento condicional é rechaçado pela jurisprudência deste tribunal, como se pode observar pelas ementas transcritas a seguir. IRPJ.CSLL. ARBITRAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS FISCAIS E CONTÁBEIS. É cabível o arbitramento do lucro se a pessoa jurídica, durante a ação fiscal, deixar de exibir a escrituração que a ampararia na tributação com base no lucro real. ARBITRAMENTO. INCONDICIONALIDADE. Inexiste arbitramento condicional, sendo inócua a pretensão do contribuinte em apresentar a escrituração depois do lançamento para efeito de verificação da apuração do lucro real. (Acórdão 1401001.043, Sessão de 11/09/2013 – 1ª Seção / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária) IRPJ. ARBITRAMENTO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS APÓS O LANÇAMENTO. ARBITRAMENTO CONDICIONAL. IMPOSSIBILIDADE. O ato administrativo de lançamento não é modificável pela posterior apresentação de escrituração/documentação/livros auxiliares/de Inventário, uma vez que inexiste arbitramento condicional. (Acórdão 140201.097, Sessão de 03/07/2012 – 1ª Seção / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) ARBITRAMENTO CONDICIONAL DO LUCRO. Inexiste arbitramento condicional. Logo, o ato administrativo de lançamento desse natureza não é modificável pela posterior apresentação do documentário cuja inexistência e/ou recusa foi a causa do arbitramento. (Acórdão 140200.985, Sessão de 11/04/2012 – 1ª Seção / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) Fl. 259DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13161.720317/200821 Acórdão n.º 1103000.998 S1C1T3 Fl. 260 12 ARBITRAMENTO DO LUCRO. APRESENTAÇÃO DE ESCRITURAÇÃO EM FASE DE JULGAMENTO. A apresentação de livros e documentos somente na fase de julgamento, não tem o condão de invalidar o lançamento de ofício efetuado com base no arbitramento do lucro, pois não existe arbitramento condicional. (Acórdão 180200.775, Sessão de 25/01/2011 – 1ª Seção / 2ª Turma Especial) APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS DE ESCRITURAÇÃO APÓS A LAVRAT1URA DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE ARBITRAMENTO CONDICIONAL. A apresentação de livros e documentos de escrituração contábilfiscal após a lavratura do auto de infração é inócua para fins de descaracterização do arbitramento ex officio de lucros da pessoa jurídica, tendo em vista que a adoção desse regime de tributação (arbitramento) pela autoridade fiscal não constitui medida condicional. (Acórdão 110100.145, Sessão de 19/06/2009 – 1ª Seção / 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária) A jurisprudência consolidada resultou na edição da Súmula CARF nº 59: A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. Entendo que, pela situação exposta até o momento no presente voto, o arbitramento já seria plenamente justificável. Mas não foi só. Constatou a Fiscalização, ao analisar os livros contábeis da contribuinte, mais uma ocorrência: A empresa não registra suas operações bancária nas contas próprias dos bancos, efetua lançamentos por totais mensais, em contrapartida à conta Caixa, apenas para ajustar o saldo das contas bancárias no ultimo dia de cada mês; O relato fiscal apresenta as planilhas de fls. 162/163 (TABELA 1 Lançamentos de depósitos bancários por totais mensais) e 164/165 (TABELA 2 Lançamentos de cheques compensados por totais mensais), para demonstrar que o procedimento de lançamentos globais, consolidado por mês, da movimentação financeira, foi recorrente, durante todo o período fiscalizado. Cita, ainda, dois exemplos. Lançamentos de depósitos bancários Lançamento página 208 do Livro Diário N°0019 do ano de 2005(cópia à folha 24 do Anexo 1): Data do lançamento: 31/05/2005 Conta Débito: 11201 — HSBC BANK BRASIL S/A Fl. 260DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13161.720317/200821 Acórdão n.º 1103000.998 S1C1T3 Fl. 261 13 Conta Crédito: 11112 CAIXA Valor: R$ 4.068.664,56 Histórico: DEPOS. EFET. NO MES (...) Lançamentos de cheques compensados Lançamento página 110 do Livro Diário N°0019 do ano de 2005(cópia A. folha 23 do Anexo I): Data do lançamento: 31/03/2005 Conta Débito: 11112 CAIXA Conta Crédito: 11201 — HSBC BANK BRASIL S/A Valor: R$ 6.284.615,66 Histórico: CHEQUES COMPENSADOS Tratase de procedimento que prejudica a análise da movimentação financeira da contribuinte, e que ratifica a decisão da autoridade autuante no sentido de arbitrar o lucro com base no inciso II do art. 530 do RIR/99. Há que se registrar que as normas em debate, que exigem determinados comportamentos do contribuinte, não foram dispostas ao acaso. São obrigações, delineadas em uma série de procedimentos que visam padronizar os registros contábeis de modo a refletir, da maneira mais fiel possível, a realidade econômica e financeira da empresa e, por consequência, possibilitar uma adequada auditoria do Fisco. Ao optar pelo lucro real, que toma como base a apuração contábil, para em seguida efetuar os ajustes previstos na legislação fiscal, a contribuinte, naturalmente, assume maiores encargos, vez que se vale de uma série de deduções não previstas em outros regimes de tributação. Portanto, deve a postura da empresa mostrarse diligente, precisamente o que não foi observado no caso concreto. Apresentar livros com informações incorretas, fora dos padrões estabelecidos em legislação, lançamentos bancários agregados impropriamente, e pugnar por uma correção após a autuação fiscal, para a verificação da real situação contábil, não se mostra conduta apropriada. A empresa deve se preocupar em efetuar seus registros contábeis de modo a promover a real situação contábil no decorrer de toda a sua existência, e não apenas só depois de ser alvo de uma fiscalização. Enfim, cumpre esclarecer que a Fiscalização procedeu corretamente ao se valer das DIPJ encaminhadas pela contribuinte para determinar a receita bruta e promover o arbitramento. Não há nenhuma contradição, nos termos aduzidos pelo voto da primeira instância. Pelo contrário, tratase de procedimento lógico, vez que a DIPJ, declaração da Receita Federal, mostrase como fonte para extrair a base de cálculo utilizada para o lucro arbitrado. Sendo possível determinar a receita bruta, aplicase o art. 532 do RIR/99: Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). Fl. 261DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13161.720317/200821 Acórdão n.º 1103000.998 S1C1T3 Fl. 262 14 Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso de ofício. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura Fl. 262DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA
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Numero do processo: 11634.000375/2010-10
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2005 a 31/10/2009
PREVIDENCIÁRIO. FALTA DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA.
O lançamento deve conter os requisitos constantes no art. 142 do CTN. A falta do MPF não constitui causa de nulidade do Auto de Infração.
REPRESENTAÇÃO PARA FINS PENAIS.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais, nos termos da Súmula nº 28 do CARF.
NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS OU DOCUMENTOS EXIGIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. MULTA COM BASE NO ART. 92 DA LEI N. 8.212/91.
Constitui infração não apresentar documentos, nos termos do arts 33, §§ 2o e 3o da Lei nº 8.212/91, c/c o art. 233, parágrafo único do Decreto n. 3.048/99.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-002.477
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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FALTA DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. O lançamento deve conter os requisitos constantes no art. 142 do CTN. A falta do MPF não constitui causa de nulidade do Auto de Infração. REPRESENTAÇÃO PARA FINS PENAIS. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais, nos termos da Súmula nº 28 do CARF. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS OU DOCUMENTOS EXIGIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. MULTA COM BASE NO ART. 92 DA LEI N. 8.212/91. Constitui infração não apresentar documentos, nos termos do arts 33, §§ 2o e 3o da Lei nº 8.212/91, c/c o art. 233, parágrafo único do Decreto n. 3.048/99. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 03 75 /2 01 0- 10 Fl. 216DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11634.000375/201010 Acórdão n.º 2403002.477 S2C4T3 Fl. 63 3 Relatório Tratase de Auto de Infração – AI, DEBCAD nº 37.272.8626, lavrado em 06/04/2010 (fl. 3 da numeração digital), cuja notificação ocorreu em 15/04/2010 (fl. 19 da numeração digital), em face da ASSOCIAÇÃO DOS DEFICIENTES FÍSICOS DE LONDRINA – ADEFIL, no valor de R$ 42.323,31 (quarenta e dois mil, trezentos e vinte e três reais e trinta e um centavos), por ter deixado de apresentar documentos à Fiscalização, conforme previsto no art. 33, §§ 2º e 3º da Lei nº 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 11.941, c/c o art. 233, parágrafo único do Decreto nº 3.048/99. Segundo o Relatório Fiscal da Infração de fl. 07, in verbis: “A empresa embora intimada através do Termo de Início de Procedimento Fiscal e Termo de Intimação Fiscal datados de 08/12/09 e 16/03/10, deixou de apresentar os seguintes documentos: Arquivos digitais da GFIP (SEFIPCR.RE ) Cartão de CNPJ de todos os estabelecimentos Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEAS) Comprovantes de recolhimento: DARP/GRPS/GPS Cópia de comprovante de residência, CPF e RG dos representantes legais e contador Estatuto social Folhas de pagamento de todos os segurados (empregados, contribuintes individuais e trabalhadores avulsos) GFIP, GRFP e GRFC com comprovantes de entrega e eventuais retificações Guias de recolhimento que originaram os créditos compensados Memória de cálculo de compensações efetuadas Recibos de aviso prévio e de férias Recibos e fichas de saláriomaternidade e atestados médicos Registro de empregados Registro de Entidade Beneficente de Assistência Social no CNAS Relação de dirigentes do órgão/entidade por período (RG, CPF e endereço completo) Fl. 218DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Rescisões de contrato de trabalho” Segundo o Relatório Fiscal da aplicação da Multa de fl. 8, in verbis: “Nos termos da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, arts. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. II, alínea ‘j’ e art. 373, aplicouse a multa no montante de R$ 42.323,31. Valor da multa está disciplinado na Portaria PT/MPS/MF n.º 350, de 30/12/2009 (DOU 31/12/2009), art. 8º, inciso VI. Ficou constatada a ocorrência de circunstância agravante. Cálculo do valor da multa com base no Art. 290 e 292 do Regulamento da Previdência Sodal RPS, aprovado pelo Decreto n 3.048/99. Valor da Multa R$ 14.107,77 x 3 = R$ 42.323,31” DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a Recorrente apresentou, tempestivamente, Impugnação de fls. 28/58. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaPR, por meio da 5a Turma da DRJ/CTA, prolatou o Acórdão n° 0633.359 de fls. 143/157, mantendo procedente em parte o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, in verbis: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/11/2005 a 31/10/2009 AIOA 37.272.8626 APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. OBRIGAÇÃO AFETA A TODAS AS EMPRESAS OU EQUIPARADAS A apresentação, à auditoria fiscal da RFB, de todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previdenciárias, bem assim, a prestação de informações é obrigação que afeta a todos os contribuintes da previdência social, inclusive daqueles que se julgam isentos dessas contribuições. Por isto, incide em infração à legislação tributária todo e qualquer contribuinte que descumpre essa obrigação. IMUNIDADE. DISCUSSÃO INOPORTUNA EM AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO POR FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS Por ser obrigação que afeta a todos os contribuintes da previdência social, inclusive daqueles que se julgam isentos dessas contribuições, é inoportuna em processo de autuação por descumprimento da obrigação acessória de apresentar documentos à auditoria fiscal exame de alegações acerca da imunidade tributária. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11634.000375/201010 Acórdão n.º 2403002.477 S2C4T3 Fl. 64 5 MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento gerencial de controle administrativo da atividade fiscal, cuja emissão é feita de forma exclusivamente eletrônica, ficando disponível na interne para consulta pelo sujeito passivo. Não é nulo o procedimento fiscal amparado por MPF válido, cuja ciência foi dada ao sujeito passivo por meio do Termo de Início do Procedimento Fiscal. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Não compete ao julgador administrativo de primeira instância reconhecer ou declarar a legalidade ou ilegalidade nem a improcedência da Representação Fiscal para Fins Penais instaurada em face do sujeito passivo. RETRATAÇÃO FISCAL Não compete à autoridade julgadora nem às Turmas de Julgamento impor à Auditora Fiscal autuante qualquer retratação em decorrência de informações prestadas no curso do procedimento fiscal ou no auto de infração resultante desse procedimento. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. MULTA. A multa a ser aplicada por falta de apresentação de documentos relacionados com as contribuições previdenciárias ou por omissão na prestação das informações devidas está prevista no art. 92, da Lei 8.212, de 1991, combinado com o art. 102 da mesma Lei e regulamentada pelo art. 283, II, ‘j’, do RPS. CANCELAMENTO DO AGRAVAMENTO Cancelase o agravamento da penalidade aplicada quando não restar devidamente explicitada a agravante em que teria incidido o autuado. IMPUGNAÇÃO. PROVAS. OPORTUNIDADE. Com a impugnação ocorre a oportunidade da apresentação de provas, precluindo o direito de o impugnante apresentálas em outro momento processual. Precluso o direito, devese indeferir o pedido genérico de apresentação de provas. PROVA TESTEMUNHAL Prescinde da apresentação de prova testemunhal quando o deslinde da questão, em processo administrativo fiscal, depender exclusivamente da prova documental. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” O provimento parcial foi dado para reduzir o valor da multa aplicada para o seu valor básico, qual seja, R$ 14.107,77. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 DO RECURSO Inconformada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 178/192, com os seguintes argumentos, em suma: I. Preliminarmente – Nulidade do Acórdão Recorrido – Descumprimento dos Requisitos do Artigo 31 do Decreto 70235/72 Segundo a Recorrente, o Acórdão recorrido violou o art. 31 do Decreto nº 70.235/72, vez que o Sr. Relator não se referiu expressamente a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. Para a Recorrente, o acórdão deveria mencionar o processo principal. Assim como trouxe de forma superficial e genérica as alegações da Recorrente em sede de impugnação, omitindo argumentos e descontextualizandoos. Sustenta a Recorrente que o Acórdão violou o devido processo legal, o princípio da legalidade e cerceou o seu direito de defesa. Devendo, portanto, ser anulado. II. Pelo Mérito – Inconsistência e Ilegalidade da Apreciação e Decisão no Acórdão Recorrido A Recorrente reafirma o tópico anterior, complementando que a DRJ não poderia ter se afastado do MPF que deu origem ao ato fiscalizatório, vez que o caso em tela se trata de descumprimento de obrigação acessória. II.I. Quanto à alegada “inoportunidade” da discussão da Imunidade da Recorrente A Recorrente impugna os argumentos da DRJ, no sentido de que a discussão acerca da imunidade é inoportuna, tendo em vista que, por ser imune, como demonstrou, está imune a qualquer ato fiscalizatório também. Discorre acerca da imunidade, para pleitear a nulidade do Auto de Infração em tela. II.II. MPF – Nulidade pela ausência de juntada Sustenta a Recorrente que o entendimento do Sr. Relator, no sentido de que a juntada do MPF é dispensável, é equivocado e corporativista, pois tem a clara intenção de acobertar o erro grosseiro da Sra. AFRFB. A Recorrente alega que o MPF passou a ser indispensável por força da disposição contida no art. 2º do Decreto nº 3.724/01, que regulamentou a LC nº 105, com as alterações do Decreto nº 6.104/07. Tanto que a Portaria RFB nº 11.371/07, invocada pelo Sr, Relator na sua fundamentação, atribui a validade do MPF ao válido e vigente Procedimento Fiscal, acarretando a sua extinção se não for requerida a prorrogação do MPF, nos termos dos arts. 11 a 15 da referida norma. O MPF é o ato que autoriza e dimensiona a instauração do processo administrativo fiscal. Sem ele o processo fiscal é nulo, por ausência de legalidade, nos termos da LC nº 105, combinada com os Decretos nºs 70.235/72 e 3.724/01. Sendo o § 1º do art. 2º do Decreto nº 3.24/01 que atribuiu ao MPF o ato que demarca o termo inicial do procedimento Fl. 221DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11634.000375/201010 Acórdão n.º 2403002.477 S2C4T3 Fl. 65 7 fiscal que trata o art. 7º do Decreto nº 70.235/72. Daí a obrigatoriedade da sua juntada aos autos como requisito de validade do processo fiscal, nos termos do art. 8º do Decreto nº 70.235/72. Não há no âmbito do direito brasileiro a possibilidade de haver dois processos distintos e paralelos sobre os mesmos fatos, ainda mais sendo um virtual e outro físico, como equivocadamente afirma o Sr. Relator. Essa impossibilidade emana dos princípios da segurança jurídica e do devido processo legal. I.III. Quanto à Representação Fiscal para Fins Penais e Inconsistência (falsidade) da narrativa fática A Recorrente se insurge em face da não apreciação do mérito da representação para fins penais, sob o argumento de que o Sr. Relator “abordou o tema de maneira totalmente equivocada e corporativa.” Segundo a Recorrente, não se verifica no contexto do procedimento fiscal, decorrente do MPF nº 09.1.02.002009017144, de 02/12/2009, a configuração de quaisquer das figuras dos arts. 168A ou 337A do Código Penal, muito menos a obrigatoriedade da Recorrente de apurar e recolher os tributos ali fiscalizados. Logo, se a Sra. AFRFB pratica ato que não contém os pressupostos legais, cabe à autoridade superior administrativa analisar, julgar a anular o ato ilegal. A Recorrente sustenta que o Sr. Relator se equivocou ao negar validade ao Ato Declaratório expedido pelo Sr. Delegado da RFB de Londrina para dizer que o sistema CONFILAM é soberano e infalível, com poder para desconstituir qualquer ato específico praticado por um delegado da RFB. Para a Recorrente, da mesma forma que a DRJ se julgou incompetente para analisar eventuais falsidades praticadas por Autoridades Fiscais, julgouse competente para desenvolver atividade típica judicial, quando decretou que a sentença de mérito obtida do Mandado de Segurança e o Ato Declaratório expedido pelo Sr. Delegado da RFB de Londrina, perderam as validades em 18/10/2005. Por esses motivos, entende que o AI deve ser anulado. I.IV. Quanto à multa Sustenta a Recorrente que, neste tópico, o Sr. Relator condensou seu julgamento dos tópicos II.IV, III.V e III.VII da impugnação. Para a Recorrente, os tópicos II.IV e III.V, referemse à inexistência de narrativa fática do suposto fato gerador da multa aplicada, levantados em sede preliminar e de mérito na sua impugnação. Para a Recorrente, como o Auto de Infração é intempestivo, vez que não foi lançado de imediato (quando da suposta prática da infração), nos termos do art. 293 do Decreto n. 3.048/99. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 Segundo a Recorrente o relato não traz qualquer discriminação clara e precisa quanto à data e local do fato, nem mesmo menciona o vencimento da suposta obrigação ou quem teria sido intimado e não teria cumprido a obrigação, estando, portanto, desprovido dos requisitos essenciais para a validade e subsistência do auto de infração, conforme determina o RPS. Para a Recorrente, a conduta retratada na fl. 5 dos autos não relata a inexistência da exibição de “documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento ou apresentalos sem atender às formalidades legais exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira”, conforme prevê a alínea “j” do inciso II do artigo 283 do Decreto nº 3.048/99, que fundamenta o enquadramento legal do Auto de Infração atacado. Por essas razões, a Recorrente pleiteia o reconhecimento da total ilegalidade do MPF e de todos os atos dele derivados. II.V. Quanto ao tópico “Pedido genérico de juntada de Provas” Sustenta a Recorrente que o Sr. Relator faz extenso arrazoado para negar o pedido formulado ad cauletam de produção de provas formulado com base no seu direito à ampla defesa e contraditório, inclusive consoante previsão específica dos §§ 4º, 5º, e 6º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Para a Recorrente, a argumentação do Sr. Relator dá a entender que os diversos documentos apresentados com a impugnação não são passíveis de serem acatados e juntados aos autos. A Recorrente questiona: se a DRFB, no Ato Declaratório Executivo nº 19 reconhece a imunidade, como poderia a DRJ/CTA desconhecer e não acatálo? Sustenta a Recorrente que não houve qualquer ato decretando ou comunicando a perda da isenção ou imunidade. DA BAIXA EM DILIGÊNCIA – DA RESOLUÇÃO Diante das informações trazidas pela Recorrente, foi proferida a Resolução nº. 2403000.124, fls. 199/206, na qual converteu o julgamento em diligência para determinar à Receita Federal que informasse eventual processo administrativo de cancelamento do gozo dos benefícios da imunidade, e caso positivo, instruísse os presentes autos com cópia integral do dito processo. DA INFORMAÇÃO FISCAL Ato contínuo, foi anexada informação fiscal, fls. 210/211, consignando a inexistência de processo próprio de cancelamento, afirmando, inclusive, a ausência de qualquer procedimento tendente ao ato cancelatório no bojo dos autos do processo nº. 10930.005924/200811 (processo administrativo que reconheceu, através de Ato Declaratório Executivo, a isenção da empresa para o período de 10/2002 a 10/2005), entretanto esclarecendo que à época da autuação já não mais havia previsão para expedição de Ato Cancelatório de Isenção, previsto no art. 55, § 4º, da Lei nº. 8.212/91, porém revogada pela Lei nº. 12.101/09, mas que não macula a validade dos certificados que a Recorrente detém. É o relatório. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11634.000375/201010 Acórdão n.º 2403002.477 S2C4T3 Fl. 66 9 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fls. 175 e 178, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. PRELIMINARMENTE NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO A Recorrente pleiteia a nulidade do Acórdão da DRJ, ao argumento de que ele não atendeu a todos os requisitos constantes no art. 31 do Decreto nº 70.235/72, por não tem se referido a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo. Ocorre que o citado artigo traz a exigência de que a decisão deve “referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo”. Ocorre que, o Auto de Infração objeto do processo em tela é exclusivamente o AI DEBCAD nº 37.272.8626, o qual foi devidamente referido no Acórdão ora combatido. Logo, não há que se falar em nulidade do acórdão da DRJ, tendo em vista que ele atendeu a todos os preceitos legais. DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL A Recorrente pleiteia a nulidade do Auto de Infração em tela, ante a falta do Mandado de Procedimento Fiscal. Ocorre que a ausência do MPF no Auto de Infração não é causa de nulidade, até porque o Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, constante na fl. 10, traz o Número do MPF e o Código de Acesso para se constatar a autenticidade do mesmo, por meio do sítio da RFB. Ademais, o lançamento deve atender as exigências contidas no art. 142 do CTN, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Tendo, portanto, o lançamento atendido aos requisitos constantes no supracitado artigo, não há que se falar em nulidade do Auto de Infração, vez que o MPF não é elemento essencial do lançamento. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Insurge a Recorrente em face da não apreciação do mérito por parte da DRJ da Representação Fiscal para Fins Penais. Ocorre que a DRJ agiu de forma correta, vez que a Súmula nº 28 do CARF dispõe nesse sentido, in verbis: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Nesse diapasão, não compete ao CARF se manifestar sobre esse tema, vez que, as Súmulas do CARF têm efeito vinculante, nos termos do art. 72, § 4º do RICARF, in verbis: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. DO MÉRITO O auto de infração lançado contra a Recorrente teve por base o descumprimento da obrigação de apresentar os documentos abaixo, solicitados por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal e Termo de Intimação Fiscal datados de 08/12/2009 e 16/03/2010: Arquivos digitais da GFIP (SEFIPCR.RE ); Cartão de CNPJ de todos os estabelecimentos; Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEAS); Comprovantes de recolhimento: DARP/GRPS/GPS; Cópia de comprovante de residência, CPF e RG dos representantes legais e contador; Estatuto social; Folhas de pagamento de todos os segurados (empregados, contribuintes individuais e trabalhadores avulsos); GFIP, GRFP e GRFC com comprovantes de entrega e eventuais retificações; Guias de recolhimento que originaram os créditos compensados; Memória de cálculo de compensações efetuadas; Recibos de aviso prévio e de férias; Recibos e fichas de saláriomaternidade e atestados médicos; Registro de empregados; Registro de Entidade Beneficente de Assistência Social no CNAS; Relação de dirigentes do órgão/entidade por período (RG, CPF e endereço completo); Rescisões de contrato de trabalho Esses documentos são relacionados às contribuições previdenciárias, por conseguinte, a Recorrente infringiu o disposto no artigo 33, §§ 2o e 3o da Lei nº 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 11.941, c/c o art. 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social, Decreto nº 3.048/99, verbis: Lei nº 8.212/91: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título Fl. 225DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11634.000375/201010 Acórdão n.º 2403002.477 S2C4T3 Fl. 67 11 de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 2º A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Decreto nº 3.048/99: Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. Pela não apresentação dos documentos solicitados, conforme descrito alhures, com base nos arts. 92 e 102 da Lei nº 8.212/91, foi aplicada a multa prevista nos artigos 283, inciso II, “j” e 373 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, no valor de R$ 42.323,31, estabelecido na Portaria PT/MPS/MF nº 350, de 30/12/2009, tendo em vista que a Fiscalização entendeu que houve circunstância agravante, nos termos dos arts. 290 e 292 do RPS. Ressaltese, contudo, que a DRJ reduziu a multa aplicada ao seu valor básico de R$ 14.107,77. Este processo está apensado ao Processo Principal de nº 11634.000321/2010 54, fl. 206, também de minha relatoria. Nele, votei pelo provimento do recurso para anular o lançamento em razão de vício material ali verificado. Ocorre que esse fato é irrelevante para o deslinde da questão, tendo em vista que a autuação se deu porque a Recorrente não apresentou os documentos solicitados pela fiscalização, de modo que a presente autuação não está estritamente vinculada ao resultado do processo principal. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 Também não há como prosperar a alegação de não lhe ser assegurado o devido processo legal, pois ele está sendo assegurado por meio deste Processo Administrativo Fiscal. Logo, mesmo reconhecida a imunidade parcial da Recorrente, deve o lançamento ser mantido. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 13971.720020/2008-21
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
AÇÃO JUDICIAL. PROPOSITURA. EFEITOS.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 1)
DIREITO DE CRÉDITO. PROVA INSUFICIENTE.
Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3403-003.062
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à tutela do Poder Judiciário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Ausente momentaneamente o Conselheiro Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 AÇÃO JUDICIAL. PROPOSITURA. EFEITOS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 1) DIREITO DE CRÉDITO. PROVA INSUFICIENTE. Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1983; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 683 1 682 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.720020/200821 Recurso nº 13.971.720020200821 Voluntário Acórdão nº 3403003.062 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 22 de julho de 2014 Matéria COFINS PEDIDO ELETRONICO DE RESSARCIMENTO DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente ROHDEN PORTAS E PAINÉIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 AÇÃO JUDICIAL. PROPOSITURA. EFEITOS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 1) DIREITO DE CRÉDITO. PROVA INSUFICIENTE. Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à tutela do Poder Judiciário e, na parte conhecida, negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 00 20 /2 00 8- 21 Fl. 683DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 2 Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Ausente momentaneamente o Conselheiro Ivan Allegretti. Relatório ROHDEN PORTAS E PAINÉIS LTDA transmitiu, em 10/12/2007, o Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER nº 29500.73373.101207.1.5.093425., de créditos da apuração não cumulativa de COFINSexportação, no valor de R$ 234.860,25, referente ao terceiro trimestre de 2007. A DRFBlumenauSC, por meio do Despacho Decisório Saort/DRF/BLU nº 214/2008, fls. 486 a 502, deferiu o pleito parcialmente, em R$ 191.320,60. A glosa no valor de R$ 43.539,65 deveuse às seguintes irregularidades constatadas na tomada de créditos: a) aquisição no mercado interno de bens utilizados como insumos sem emissão de nota fiscal: a autoridade fiscal glosou o valor de R$ 318.272,12, referente a despesa ocorrida no trimestre, que a contribuinte, em resposta a intimação fiscal (fl.70), justificou como sendo decorrente de “exaustão de reflorestamento de Pinus conforme contratos com a L. Schmaedecke Com e Ind Ltda. e com a Serraria São Pasqual Ltda.”, em razão de tal aquisição de insumo não encontrar respaldo na escrita fiscal da requerente, haja vista ter ocorrido sem a emissão de nota fiscal pelo fornecedor e, por conseguinte, sem incidência de tributação; b) aquisição de serviços utilizados como insumo b.1) quantia informada a maior: a autoridade fiscal excluiu da base de cálculo dos créditos apurados no DACON os valores referentes a despesas e taxas de importação de vidro, conforme esclarecimento prestado pela contribuinte em resposta a intimação fiscal; b.2) aquisição de serviços não especificados: foram glosados os serviços em relação aos quais a interessa, instada a apresentar a memória de cálculo para os créditos referente a linha três (Serviços Utilizados com Insumo), informou utilizar o CFOP 1.949 (Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada). Informa a autoridade fiscal que glosou a totalidade dos valores referentes as notas com esse CFOP “Considerando que a requerente não especificou – entre as notas fiscais com CFOP 1.949 que estão no LRE – quais estariam compondo os valores solicitados, já que todos os registros estão com campos de créditos de PIS/PASEP e COFINS zerados; considerando que esse CFOP, por referirse a ‘outras entradas não previstas’ nos demais CFOP, a princípio, não corresponde a serviço utilizado como insumo”; c) locação de máquinas e equipamentos: a autoridade fiscal glosou os valores referentes a despesa com locação de caminhões e carrocerias reboque, de propriedade da empresa controladora, Rohden Artefatos de Madeiras Ltda.; em razão de caminhão ser “espécie do gênero veículo e não do gênero máquina”, a teor da NCM – Nomenclatura Comum do Mercosul. Em Manifestação de Inconformidade, fls. 514 a 520, controverteramse as seguintes glosas: a) do valor de R$313.540,39, referente a aquisição no mercado interno de bens utilizados como insumos realizada sem emissão de nota fiscal, alegando que, em resposta a intimação fiscal informou referirse “exaustão de reflorestamento de Pinus”. Defende o direito ao crédito pleiteado alegando que: em verdade, tal valor tratase de “amortização, eis Fl. 684DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720020/200821 Acórdão n.º 3403003.062 S3C4T3 Fl. 684 3 que a aquisição da floresta se deu por contratos com prazo indeterminado, restando evidente o direito ao crédito à recorrente, nos termos do art. 3º, §1º, III da Lei 10.833/2003”; que, a teor do inciso II do mesmo artigo, o valor referente a floresta adquirida gera direito de crédito pois “foi utilizada como insumo no processo produtivo”; e ainda, que mesmo que se tratasse de exaustão, a Solução de Consulta nº 254 de 19/07/2007, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, prevê a possibilidade de crédito de formação de floresta. Conclui, por fim, que a glosa é insubsistente “eis que comprou o insumo, conforme fazem prova os contratos e notas fiscais em anexo”. Acrescenta, ainda, que mesmo não sendo o caso de emissão de nota, face ao contrato de aquisição, estas foram emitidas, as quais seguem em anexo. b) das aquisições de serviços não especificados, argumentando que os valores das entradas com CFOP 1.949 foram incluídos corretamente na apuração do crédito, vez que se tratam de importâncias relativas a serviços de pessoa jurídica utilizados na extração de madeira e manutenção de máquinas, cujo direito ao crédito está previsto no art. 3o, II, da Lei 10.833/03. Quanto a ausência de escrituração fiscal, esclarece que os prestadores dos serviços não possuem inscrição estadual, mas somente municipal, razão pela qual “tais notas não podem ser lançadas nos livros fiscais, sendo lançadas, apenas nos livros contábeis. Assim, por mais que não estejam laçadas no Livro de Registro de Entrada, tais notas foram devidamente contabilizadas.”. Reclama que a Autoridade Administrativa, antes de glosar todos os valores pleiteados, deveria ter intimado a recorrente para prestar as informações necessárias; desta feita, anexa aos autos as notas fiscais que diz comprovarem o direito pleiteado. Ao final pugna que, caso o órgão Julgador entenda que não tem como auferir os valores a serem ressarcidos, seja determinado o retorno dos autos à DRF em Blumenau para “análise do crédito”. A 4ª Turma da DRJ/FNS julgou a Manifestação de Inconformidade improcedenteO Acórdão nº 07020.419, de 2 de julho de 2010, fls. 617 a 625, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO! PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO., COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2007 INSUMO. DIREITO DE CREDITO. PERÍODO DE APURAÇÃO. O direito ao crédito decorre da utilização de insumo que esteja vinculado a atividade empresarial, somente gerando créditos em um determinado período de apuração os custos de aquisição de insumos utilizados neste mesmo período. Fl. 685DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 4 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM SERVIÇOS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Dão direito a crédito, no âmbito do regime da não cumulatividade, custos e despesas com bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 4ª Turma da DRJ/FNS. O arrazoado de fls. 629 a 640, após síntese dos fatos relacionados com a lide, discorre sobre o sistema de distribuição do ônus da prova no processo administrativo, articulandoo com o princípio da verdade material, para concluir que não se pode indeferir requerimento efetuado pelo contribuinte sob o argumento de que o mesmo não logrou êxito na comprovação de seu direito. No mérito, quanto à glosa de serviços não especificados, registrados sob o CFOP 1949 e 2949, pugna pela adoção do conceito econômico de insumo e se admita a tomada de crédito sobre os gastos com a extração de madeira, manutenção de máquinas e serviços de fumigação, haja vista que tais produtos são considerados como insumo, sendo, igualmente, integrado ou consumido no processo de produção de mercadorias industrializadas destinadas ao exterior. Destaca que seu processo industrial começa já no momento em que seus prestadores de serviços se dirigem até a localidade onde estão as árvores e realizam o corte da forma exigida pela recorrente. Da mesma forma, considerandose que as máquinas são empregadas na produção de bens da recorrente eis que indispensáveis à obtenção do resultado final a medida que se impõe é o deferimento do ressarcimento do crédito em relação às aquisições de peças e serviços empregados na manutenção das máquinas e veículos. Conclui, retomando a argumentação já exposta na MI para defender o direito ao crédito referente à amortização do valor dos contratos de aquisição de florestas. Os presentes autos foram encaminhados para julgamento em conjunto com os processos conexos de nºs 13971.720775/200914, 13971.720776/200951,13971.720778/2009 40 e 13971.720926/200764, na forma prevista no § 7º do art. 49 do Anexo II à Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF, em razão do sorteio ocorrido em 28/05/2014. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração digitalmente estabelecida. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 629 a 640 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJFNS4ª Turma nº 07020.419, de 2 de julho de 2010. Fl. 686DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720020/200821 Acórdão n.º 3403003.062 S3C4T3 Fl. 685 5 Devolvemse a esta Turma Recursal as discussões a respeito do ônus da prova nos processos de iniciativa do contribuinte; do direito à tomada de crédito sobre os fretes pagos no transporte de insumos, sobre os gastos com a extração de madeira, manutenção de máquinas e sobre as despesas de amortização do valor dos contratos de aquisição de florestas. Tenho notícia de que ROHDEN PORTAS E PAINÉIS LTDA, ora recorrente, ajuizou, em 30/09/2013, a Ação Ordinária nº 500358124.2013.404.7213, distribuída à 1ª Vara da Justiça Federal em Rio do SulSC, almejando que se declare o seu direito ao creditamento do PIS e da COFINS calculados sobre: a) aquisição de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumos; b) serviços de extração de madeira, baldeamento e manutenção de máquinas; c) serviços de armazenagem de mercadorias; d) depreciação de bens do ativo imobilizado – aquisição de florestas por meio de contrato de compra e venda; e) fretes utilizados para o transporte de mercadorias adquiridas de pessoas físicas, transporte de insumos utilizados na industrialização e transporte rodoviário de cargas. Requer, ainda, seja reconhecido o direito da autora aos créditos discutidos na presente peça exordial, os quais foram glosados pela autoridade fiscal nos processos administrativos nºs 13975.000463/200357, 13975.000464/200300, 13975.000496/200305, 13975.000018/2004 78, 13975.000217/200567, 13975.000215/200578, 13975.000213/2005 89, 13975.000212/200534, 13975.000210/2005 45, 13975.000199/200513, 13971.720021/200875, 13971.720022/200810, 13971.720023/200864, 13971.720024/2008 17, 13971.720025/200853, 13971.720026/200806, 13971.910941/201189, 13971.910944/201112, 13971.910945/2011 67, 13971.910950/201170, 13971.910958/2011 36, 13971.910959/201181, 13975.000218/200510, 13975.000216/2005 12, 13975.000214/200523, 13975.000224/200569, 13975.000209/200511, 13971.001997/2006 83, 13971.001996/2006 39, 13971.720016/200862, 13971.720017/200815, 13971.720018/200851, 13971.720019/200804, 13971.720020/2008 21, 13971.910942/2011 23, 13971.910943/201178, 13971.910946/201110, 13971.910949/201145, 13971.910960/2011 13, 13971.910955/201101, corrigidos monetariamente pela taxa referencial SELIC deste a data do protocolo dos pedidos administrativos. Como se vê, à exceção das primeira matéria, as demais foram submetidas à tutela do Poder Judiciário. Incide, no caso, a Súmula CARF nº 1 (DOU nº 244, de 22 de dezembro de 2009): Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Em face da renúncia à discussão administrativa dessas matérias, só se conhecerá das alegações recursais atinentes ao ônus da prova nos processos administrativos de iniciativa do contribuinte. Ônus da prova nos processos de iniciativa do contribuinte Em que pese a dissertação da recorrente, comungo integralmente com as considerações sobre a distribuição do ônus probatório tecidas pela relatora da decisão recorrida, AFRFB Andréa Luiza Vasconcelos Mendes. Fl. 687DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 6 Cabe ao contribuinte, até o momento processual da Manifestação de Inconformidade, provar o teor das alegações que contrapõe aos argumentos postos pela Autoridade Fiscal para não acatar, ou acatar apenas parcialmente o pleito repetitório. Decerto, não basta ao contribuinte apenas alegar sem provar não basta, simplesmente vir aos autos discordado do entendimento do fiscal, afirmando que entende possuir o direito ao crédito o contribuinte deve ser capaz de comprovar cabalmente o direito ao crédito que pleiteia, demonstrando sua conformidade com os dispositivos legais de regência. Este é o princípio fundamental do sistema de distribuição do onus probandi adotado no processo administrativo federal, plasmado no art. 36 da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: [...] II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). Nesse sentido, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO Fl. 688DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720020/200821 Acórdão n.º 3403003.062 S3C4T3 Fl. 686 7 – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) Aliás, este Colegiado já se pronunciou diversas vezes no sentido de que toca ao interessado a produção das provas do direito creditório alegado. Confirase: “DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA.As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou da recorrente.” (Acórdãos nº 3403002.469 a 477, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a Fl. 689DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 8 instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. (Acórdãos nº 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânime, sessão de 23.abr.2013) Conclusão Com essas considerações, voto por não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário e, na parte conhecida, quanto ao ônus da prova nos processos administrativos de iniciativa do contribuinte, por negar provimento. Sala de sessões, em 22 de julho de 2014 Fl. 690DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10730.720858/2012-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 28/03/2008
AUTO DE INFRAÇÃO. REGIME ADUANEIRO. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DE NÃO CUMPRIMENTO DO REGIME ADUANEIRO POR PARTE FO FISCO. NULIDADE.
Não existindo nos autos qualquer fato que comprove o descumprimento do regime por parte da recorrente e sendo frívolo argumento utilizado pela fiscalização sobre a pesagem e amostragem da mercadoria, desrespeitando o disposto na Instrução Normativa SRF nº 205/2002, nula é a autuação.
Recurso de Ofício Negado
Crédito Tributário Exonerado:
Numero da decisão: 3401-002.381
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negou-se provimento ao recurso de ofício. Esteve presente ao julgamento dr. Marcelo Reinecken de Araújo OAB/DF 14874.
Júlio César Alves Ramos - Presidente
Fernando Marques Cleto Duarte- Relator.
EDITADO EM: 03/07/2014
Participaram do presente julgamento os conselheiros JULIO CESAR ALVES RAMOS (Presidente), ROBSON JOSE BAYERL, JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (SUPLENTE) e ANGELA SARTORI
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negou-se provimento ao recurso de ofício. Esteve presente ao julgamento dr. Marcelo Reinecken de Araújo OAB/DF 14874. Júlio César Alves Ramos - Presidente Fernando Marques Cleto Duarte- Relator. EDITADO EM: 03/07/2014 Participaram do presente julgamento os conselheiros JULIO CESAR ALVES RAMOS (Presidente), ROBSON JOSE BAYERL, JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (SUPLENTE) e ANGELA SARTORI
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REGIME ADUANEIRO. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DE NÃO CUMPRIMENTO DO REGIME ADUANEIRO POR PARTE FO FISCO. NULIDADE. Não existindo nos autos qualquer fato que comprove o descumprimento do regime por parte da recorrente e sendo frívolo argumento utilizado pela fiscalização sobre a pesagem e amostragem da mercadoria, desrespeitando o disposto na Instrução Normativa SRF nº 205/2002, nula é a autuação. Recurso de Ofício Negado Crédito Tributário Exonerado: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negouse provimento ao recurso de ofício. Esteve presente ao julgamento dr. Marcelo Reinecken de Araújo OAB/DF 14874. Júlio César Alves Ramos Presidente Fernando Marques Cleto Duarte Relator. EDITADO EM: 03/07/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 08 58 /2 01 2- 45 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DU ARTE 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros JULIO CESAR ALVES RAMOS (Presidente), ROBSON JOSE BAYERL, JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (SUPLENTE) e ANGELA SARTORI Fl. 265DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DU ARTE Processo nº 10730.720858/201245 Acórdão n.º 3401002.381 S3C4T1 Fl. 265 3 Relatório Tratase de recurso de ofício interposto nos termos do 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008, em face de acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC), que exonerou o crédito do contribuinte, cuja ementa transcrevo. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 28/03/2008 ADMISSÃO TEMPORÁRIA. NÃO CUMPRIMENTO DO REGIME ADUANEIRO. FALTA DE PROVA. O auto de infração deve estar instruído com todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito imputado ao sujeito passivo. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado O presente processo é decorrente do auto de infração lavrado de fls. 2 a 14 para constituição de crédito tributário no valor de R$ 13.467.668,86, referentes a multa pelo não retorno ao exterior, no prazo fixado, de mercadoria admitida temporariamente (10%), juros de mora e multa de ofício pelo recolhimento em atraso do II – Imposto de Importação, do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, PIS/PasepImportação e CofinsImportação. Conforme descrição dos fatos constantes do auto de infração, em 05/09/2007 foi desembarcada a carga em referência trazida ao Brasil pelo BL n° S301757164 (fls. 43). Transferida para Niterói pela DTA n° 07/03636480 (fls. 45). Foi concedida a admissão temporária para testes pela DSI n° 07/00298737, instruída com a fatura SI307001 (fls. 51), pelo prazo de três meses, posteriormente prorrogado por mais três meses. Findo esse período, em 12/03/2008, foi solicitada a transferência para o regime de admissão temporária com pagamento proporcional (fls. 56), tendo sido desembaraçada a DI n° 08/04691392, em 14/04/2008 (fls. 66 a 78), e lavrado o Termo de Responsabilidade n° 950/08 (fls. 61 a 65), com prazo até 10/06/2008. Em 25/04/2008, portanto tempestivamente, foi solicitada a reexportação total, tendo sido registrada a DDE n° 2080424720/0 (fls. 79 a 86). Prosseguiu a fiscalização informando que devido a uma divergência de peso entre o declarado na DDE n° 2080424720/0 e o que foi declarado como embarcado pelo transportador (fls. 89 e 90), não houve averbação do despacho, apesar de terem ocorrido: o desembaraço da DDE, o registro dos dados do embarque e a baixa do Termo de Responsabilidade (fls. 87 e 88). Intimado em 12/04/2010 (fls. 91), o importador não foi capaz de promover a retificação dos dados do embarque junto ao transportador, persistindo, portanto, a falta de averbação. Ao invés disso, o importador solicitou (fls. 92) à Receita Federal a retificação da Fl. 266DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DU ARTE 4 DDE desembaraçada, para que fosse diminuido o peso bruto da mercadoria, de forma que ficasse idêntico ao que foi informado pelo transportador (fls. 130). A recorrente foi novamente intimada em 05/07/2010 a explicar a diferença de peso entre o importado e o constante da DDE e dos dados do embarque, tendo respondido que não podia precisar o motivo da diferença de peso (fls. 94 a 96). A retificação foi indeferida (fls. 101 a 103), porque a fiscalização julgou ser incoerente apenas reduzir o peso das mercadorias sem reduzir a quantidade de mercadorias as quais tinham peso superior em muitas toneladas quando da sua entrada no País. Além disso, foi constatada a falta do container n° 63215 no BBCH5290279NH02 (fls. 130) e no documento de chegada ao porto americano (fls. 98 a 100). Em seguida foi apresentado recurso do indeferimento da retificação da DDE (fls. 104 a 116), julgado pelo Sr. Delegado da Receita Federal em Niterói (fls. 121 a 124), que manteve o indeferimento (fls. 125). Não retificada a DDE nem os dados do embarque, persistiu a falta de averbação. A fiscalização acrescenta que o peso bruto dos dados do embarque é inferior em 18.309 kg ao peso líquido importado; o que não poderia ocorrer nem se todas as embalagens fossem eliminadas. Lembra que a Receita Federal não tem a obrigação de pesar as cargas a exportar, especialmente em casos como este, em que elas pesariam mais de 200 toneladas. Essa pesagem tampouco é feita na importação, sendo tomados como verdadeiros e fidedignos os pesos constantes dos conhecimentos de transporte. Ainda de acordo com a descrição dos fatos, a conferência fiscal da mercadoria antes do desembaraço foi feita por amostragem, de dez por cento do volume. Assim, não haveria como o beneficiário do regime comprovar a reexportação total, alegando que houve conferência da mercadoria antes do desembaraço. Uma vez que a averbação é a prova do embarque ou da transposição de fronteira, considerase a mercadoria como não exportada de acordo com a Instrução Normativa da Receita Federal n° 28/1994, artigo 46, parágrafo 1º, artigo 48, II, artigos 49 e 51 e artigos 591 e 593 do Decreto 6.759/2009. Não tendo ocorrido a reexportação, considerouse não cumprido o regime. Regularmente cientificada (fls. 13, 14, 24 e 34), em 13/12/2012, a contribuinte apresentou, em 14/03/2012, a impugnação de fls. 152 a 242, onde alegou, em apertada síntese: a) que a lavratura do auto de infração é absolutamente imotivada e, como consequência, padece de insanável vício de legalidade, o que a torna nula de pleno direito; b) que houve total inobservância de um dos princípios norteadores da atividade administrativa de lançamento, pois o fisco deixou de buscar a verdade material e se utilizou de vaga presunção para concluir, a despeito da documentação acostada no processo administrativo relacionado à DDE, que não houve embarque de um dos contêineres; c) que todos os bens inseridos no regime de admissão foram, sem exceção, reexportados em total cumprimento ao compromisso assumido e garantido, à época, por Termo de Responsabilidade; d) que o lançamento não considerou em sua análise a tolerância legal de até 10% no que se refere à divergência de peso ou preço. Ao final requereu a nulidade do auto de infração. A DRJ acolheu as alegações trazidas pelo contribuinte, julgando procedente sua impugnação, sob o argumento de “que nos autos não há fatos suficientes que comprovem o descumprimento do regime. Ademais, o argumento utilizado pelo auto de infração sobre a pesagem e amostragem da mercadoria não se coaduna com o disposto na Instrução Normativa SRF nº 205, de 25 de setembro de 2002.” (fl. 251). Fl. 267DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DU ARTE Processo nº 10730.720858/201245 Acórdão n.º 3401002.381 S3C4T1 Fl. 266 5 É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte DA ADMISSIBILIDADE O recurso de ofício foi respaldado pelo primeiro órgão julgador no art. 34 do Decreto 70.235/1971, no art. 366 do Regulamento da Previdência Social, combinados com o art. 1º, I, da Portaria MPS 158/2007, abaixo colacionados: DECRETO 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. “Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade.” DECRETO 3.048, DE 6 DE MAIO DE 1999 – REGULAMENTO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. “Art.366.O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil recorrerá de ofício sempre que a decisão:(Redação dada pelo Decreto nº 6.224, de 2007). Ideclarar indevida contribuição ou outra importância apurada pela fiscalização; e(Redação dada pelo Decreto nº 6.224, de 2007). IIrelevar ou atenuar multa aplicada por infração a dispositivos deste Regulamento.(Redação dada pelo Decreto nº 6.224, de 2007). §1oNo caso de decisão de autoridade delegada, o recurso de ofício será dirigido, por intermédio do delegante, à autoridade competente.(Renumerado com nova pelo Decreto nº 6.032, de 2007)(Revogado pelo Decreto nº 6.224, de 2007). Fl. 268DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DU ARTE 6 §2oO Ministro de Estado da Previdência Social poderá estabelecer limite abaixo do qual será dispensada a interposição do recurso de ofício previsto neste artigo.(Incluído pelo Decreto nº 6.032, de 2007) §2oO recurso de que trata ocaputserá interposto ao Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda.(Redação dada pelo Decreto nº 6.224, de 2007). §3oO Ministro de Estado da Fazenda poderá estabelecer limite abaixo do qual será dispensada a interposição do recurso de ofício previsto neste artigo.(Incluído pelo Decreto nº 6.224, de 2007).” Portaria 158, de 11042007 “Art. 1o Deverá ser interposto recurso de ofício dirigido ao Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), observado o disposto no art. 2o ,das Decisões e DespachosDecisórios que: I declararem indevida, em valor total (principal, multa e juros) superior a R$ 200.000,00 (duzentos mil reais), contribuição ou outra importância apurada pela fiscalização;” A interposição de recurso de ofício pelas Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) sofreu modificação, conforme o artigo. 1º da Portaria MF 03/2008: Portaria MF 3, de 3 de janeiro de 2008 DOU de 7.1.2008 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo.” Segundo a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, artigo 6º; a lei nova (latu sensu) é aplicada aos processos ainda em curso, observandose o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada: DECRETOLEI 4.657, DE 4 DE SETEMBRO DE 1942. Art. 6º A Lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada.(Redação dada pela Lei nº 3.238, de 1957) § 1º Reputase ato jurídico perfeito o já consumado segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou.(Incluído pela Lei nº 3.238, de 1957) § 2º Consideramse adquiridos assim os direitos que o seu titular, ou alguém por êle, possa exercer, como aquêles cujo Fl. 269DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DU ARTE Processo nº 10730.720858/201245 Acórdão n.º 3401002.381 S3C4T1 Fl. 267 7 comêço do exercício tenha têrmo préfixo, ou condição pré estabelecida inalterável, a arbítrio de outrem.(Incluído pela Lei nº 3.238, de 1957) § 3º Chamase coisa julgada ou caso julgado a decisão judicial de que já não caiba recurso.(Incluído pela Lei nº 3.238, de 1957) Verifico que o valor apurado inicialmente pelo fisco foi de R$ 13.467.668,86 (treze milhões, quatrocentos e sessenta e sete mil, seiscentos e sessenta e oito reais e oitenta e seis centavos). Dessa forma, constato que o débito deixou de ser exigido em sua totalidade, portanto, dentro do escopo da legislação que regia o recurso de ofício. Assim, conheço do recurso de ofício, tendo em vista que o débito tributário exonerado à época que deu o seu ensejo foi superior ao limite determinado na Portaria MF 158/2007. DA EXISTÊNCIA DE NULIDADE Como bem asseverou a relatora da DRJ, simples divergência entre o peso declarado e o realmente auferido não tem o condão de demonstrar, por si só, que o regime foi descumprido. A fiscalização autuou a interessada pelo fato de a mesma não ter comprovado a reexportação dos bens admitidos no regime de admissão temporária. Ocorre que nos documentos constantes nos autos há indícios de que houve a reexportação dos bens em questão, conforme resta no voto apresentado pela ilustre relatora a quo: “Ao contrário do que afirma a fiscalização, o embarque do conteiner n° 63215 consta da lista tanto do Conhecimento de Embarque BBCH5290279NH02 (fls. 130) da reexportação quanto do extrato de Declaração de Exportação DE nº 2080424720/0 às fls. 81. Abaixo a descrição como se encontra no Conhecimento de Embarque BBCH5290279NH02: 1 X 10´ BOX OPERATOR CABIN, S/N 63215 HS CODE BS371010 Os bens admitidos no regime estão discriminados na descrição detalhada da Declaração de Importação nº 08/04691392 (fls. 66 a 78), referente ao regime de admissão temporária com pagamento proporcional, registrada em 28/03/2008. A Declaração de Exportação nº 2080424720/0, com dados de embarque registrados em 25/04/2008 e desembaraçada em 14/04/2008, apresenta relação de bens exportados coincidente com aquela submetida ao regime em trato (fls. 84 e 85). A data de registro dos dados de embarque e desembaraço da Declaração de Exportação nº 2080424720/0, 25/04/2008 e 14/04/2008, respectivamente, estão dentro do prazo de concessão do regime, que expiraria em 10/06/2008, sendo que esta Declaração de Exportação foi instruída com o Conhecimento de Embarque BBCH5290279NH02.” Os containers listados no Conhecimento de Embarque BBCH5290279NH02 são os mesmos listados no documento expedido pela Alfândega dos Estados Unidos da América (fls. 98 a 100). Fl. 270DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DU ARTE 8 Ora, além dos indícios muito bem apresentados pela ilustre julgadora, não se vislumbra nos autos qualquer fato que comprove o descumprimento do regime por parte da recorrente. Além disso, o frívolo argumento utilizado pela fiscalização sobre a pesagem e amostragem da mercadoria não se coaduna com o disposto na Instrução Normativa SRF nº 205/2002. Destarte, não paira dúvida de que acertada foi a conclusão do acórdão, não merecendo qualquer reforma, até porque o auto de infração deve ser instruído com todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito imputado ao sujeito passivo. CONCLUSÃO Por todo exposto, voto por conhecer o recurso de ofício apresentado e, no mérito, negarlhe provimento, pelas razões supra aduzidas. Fernando Marques Cleto Duarte Relator Fl. 271DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DU ARTE
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Numero do processo: 10850.907781/2011-79
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.696
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1400; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 141 1 140 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.907781/201179 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3801000.696 – 1ª Turma Especial Data 27 de março de 2014 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente PARÁ AUTOMÓVEIS LTDA (INCORPORADORA DE GREEN VEICULOS COMERCIO E IMPORTACAO LTDA) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 07 78 1/ 20 11 -7 9 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.907781/201179 Resolução nº 3801000.696 S3TE01 Fl. 142 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: Trata o presente processo de Pedido de Restituição de créditos de PIS, referentes a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração Julho de 1999, no valor de R$ 10,95. O Pedido de Restituição, de autoria do contribuinte Green Veículos Comércio e Importação Ltda, CNPJ nº 68.947.738/000102, foi transmitido em 15/04/2004, através do PER nº 42442.36465.150404.1.2.049362, fls. 2/4. Em 30/07/2005, o contribuinte foi incorporado pela empresa Pará Automóveis Ltda., CNPJ nº 74.386.137/000162. O despacho decisório de fls. 5, indeferiu o pedido, pois o pagamento indicado no PER teria sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O despacho foi encaminhado para ciência da empresa incorporadora, o que ocorreu em 21/12/2011, conforme comprovante constante à fl. 6. Irresignado, o recorrente apresentou, tempestivamente, a manifestação de inconformidade de fls. 7/15, para alegar que: I. O Despacho Decisório não teria examinado o motivo real dos recolhimentos a maior, por não ter aventado a possibilidade de que tais pagamentos seriam devido à ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins de que trata a Lei nº 9.718/98; dessa forma, deveria ser reformado, em desrespeito ao artigo 65 da IN RFB nº 900/2008, e ao artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN; II. O pagamento indevido, objeto da restituição, seria devido à inconstitucionalidade do parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, que trata da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins; a discussão de tal matéria estaria superada pelo STF, pois já teria sido aplicada a repercussão geral no RE nº 585.235, de 10/09/2008; III. Outra prova da pacificação de tal entendimento seria a edição da Lei nº 11.941/2009, que teria revogado o parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98; IV. O entendimento do STF deveria ser aplicado às decisões administrativas, conforme os seguintes dispositivos: inciso I do parágrafo 6º, do artigo 26A, do Decreto nº 72.235/72 – PAF; inciso I, do artigo 59, do Decreto n° 7.574/2011; inciso I, parágrafo 1º, do artigo 62 e caput do artigo 62A., ambos do RICARF; Fl. 142DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.907781/201179 Resolução nº 3801000.696 S3TE01 Fl. 143 3 Concluiu argumentando que na base de cálculo do PIS e da Cofins deveriam ser incluídos os valores correspondentes apenas às receitas de vendas de mercadorias e serviços. Solicitou comprovar as alegações através da realização de diligência, perícia e juntada de documentos. Requereu ainda a reunião dos processos constantes à fl. 8, já que teriam as mesmas partes e tratariam de matéria idêntica.. Apensou planilha e balancete contendo as receitas financeiras da empresa incorporada, Green Veículos (fls. 44/45). A Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/1999 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/07/1999 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação e juntando documentação comprobatória. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.907781/201179 Resolução nº 3801000.696 S3TE01 Fl. 144 4 É o relatório. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.907781/201179 Resolução nº 3801000.696 S3TE01 Fl. 145 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A questão posta em discussão cingese ao direito ao crédito de PIS pago com base no art. 3º, § 1, da Lei n° 9.718, de 1998, que foram posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Preliminarmente, entendo que deve ser considerada a documentação comprobatória apresentada em sede de Recurso Voluntário, que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, em obediência aos princípios da ampla defesa e da verdade material, conforme entendimento prevalente nesse colegiado e que foram juntadas em complemento aos documentos comprobatórios apensados anteriormente, os quais, em tese, ratificam os argumentos apresentados. No mérito, vejamos o alegado: A Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como "receita bruta" da pessoa jurídica, e esta seria “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Ocorre, todavia, que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à Cofins, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. Os aludidos acórdãos foram assim ementados: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e Fl. 145DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.907781/201179 Resolução nº 3801000.696 S3TE01 Fl. 146 6 faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. No mais, o STF, no julgamento do RE nº 585.235, publicado no DJ nº 227 do dia 28/11/2008, julgado no qual havia sido aplicada a repercussão geral da matéria em exame, reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Segue a ementa, in verbis: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Neste sentido, há de se observar o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Outrossim, o Decreto nº 70.235/72, que rege o processo fiscal, estabelece: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade* (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:* I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;* (...)” *Nova redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.907781/201179 Resolução nº 3801000.696 S3TE01 Fl. 147 7 Atentese que em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei 10.833, de 2003, para aquelas empresas sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das referidas contribuições, essa discussão deixou de ser pertinente, vez que as normas em questão instituíram nova base de cálculo, desta feita com amparo na Constituição Federal, pela redação da Emenda Constitucional 20, de 1998. Além do mais, em consonância com o entendimento da Excelsa Corte, a Lei nº 11.941/09 revogou expressamente o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Da análise dos demonstrativos e da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), verificase que outras receitas compuseram a base de cálculo da contribuição PIS em desacordo com o conceito de faturamento adotado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Com efeito, é incontroverso o bom direito da recorrente em relação aos recolhimentos à título de PIS no período de apuração apontado no pedido de restituição, tendo em vista que esse litígio administrativo tem como objeto principal a restituição de contribuição paga a maior com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF (alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins). Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, Constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar a correta composição da base de cálculo da contribuição para o PIS e eventuais pagamentos a maior. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem: a) apure a composição da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep com base na documentação apresentada e na escrita fiscal e contábil, relativo aos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, e a correção dos valores inicialmente pleiteados correspondentes à indevida ampliação da base de cálculo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98; b) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 147DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI
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Numero do processo: 10675.900287/2006-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/07/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). CRÉDITO FINANCEIRO. CERTEZA E LIQUIDEZ. HOMOLOGAÇÃO. VEDAÇÃO.
A homologação de Dcomp está condicionada a certeza e liquidez do crédito financeiro declarado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-002.315
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Andrada Márcio Canuto Natal, Fábia Regina Freitas e Jaques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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CRÉDITO FINANCEIRO. CERTEZA E LIQUIDEZ. HOMOLOGAÇÃO. VEDAÇÃO. A homologação de Dcomp está condicionada a certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Andrada Márcio Canuto Natal, Fábia Regina Freitas e Jaques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da DRJ em Juiz de Fora (MG) que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 02 87 /2 00 6- 94 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 decisório que não homologou a compensação do débito tributário declarado na Declaração de Compensação (Dcomp) nº 20349.58878.130803.1.3.040488, às fls. 03/07, transmitida na data de 13/08/2003, com crédito financeiro decorrente de pagamento a maior do PIS, efetuado em 12/08/2003. A não homologação decorreu da inexistência do crédito financeiro declarado, tendo em vista que o DARF indicado não foi localizado nos sistemas da Receita Federal, conforme Despacho Decisório às fls. 10, datado de 29/01/2008, do qual foi intimado em 11/02/2008. Intimada daquele despacho, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade, insistindo na homologação da compensação, alegando razões, assim resumidas por aquela DRJ: tratase o presente feito de compensação dos valores, recolhidos a maior, a título da contribuição ao PIS, já que os decretosleis 2.445 e 2.449 de 1988 foram considerados inconstitucionais pelo STF (ADIN n° 14170/DF) e com Resolução do Senado n° 49/95, suspendendo sua execução; discorre sobre seu alegado direito ao crédito e à sua compensação; aduz que não merece prosperar a argumentação de que "o DARF a seguir, discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal" porque foram anexados todos os DARF geradores dos créditos informados no PER/DCOMP. Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme Acórdão nº 0919.450, datado de 28/05/2008, às fls. 46/48, sob a seguinte ementa: “COMPENSAÇÃO. Deixase de homologar a compensação quando não comprovado o crédito objeto da Declaração de Compensação – Dcomp.” Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (106/124), requerendo a sua reforma, a fim de se homologue a compensação do débito declarado, alegando, em síntese, que o crédito decorre de pagamento a maior do PIS, efetuado nos termos dos Decretos leis nº 2.445 e nº 2.449, ambos de 1988, julgados inconstitucionais pelo STF, conforme prova o DARF em anexo, e, ainda que, não ocorreu a prescrição do seu direito, defendendo o prazo decenal, tese dos “cinco mais cinco”. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. A não homologação da Dcomp teve como fundamento a inexistência do crédito financeiro declarado e não a prescrição do direito de a recorrente repetir/compensar o Fl. 70DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10675.900287/200694 Acórdão n.º 3301002.315 S3C3T1 Fl. 70 3 crédito financeiro declarado. Assim, as razões suscitadas, em relação à prescrição, ficaram prejudicas. Segundo a autoridade julgadora de primeira instância, não há comprovação de que o pagamento efetuado, em 12/08/2003, foi realizado a maior do que o valor da contribuição devida. Em seu recurso voluntário, a recorrente apresentou a cópia do DARF às fls. 67, no valor de R$4.931,40, correspondente ao PIS devido para a competência de fevereiro de 1996, vencido em 15/03/1996 e recolhido nesta mesma data. Embora tenha informado, na Dcomp (fls. 05), como data do recolhimento a maior, a data de 12/08/2003, tal erro não impediria a homologação da compensação, desde que tivesse comprovada a certeza e liquidez do indébito, ou seja, o pagamento a maior do PIS para a competência de fevereiro de 1996, efetuado nos termos da MP 1.212, de 28/11/1995, em relação ao valor devido nos termos das LC nº 7, de 1970, e nº 17, de 1973. A simples apresentação daquele DARF não comprova o indébito declarado, como crédito financeiro, na Dcomp em discussão nem permite a apuração de sua certeza e liquidez. Caberia à recorrente ter apresentado demonstrativo do cálculo da contribuição devida naquele mês, nos termos daquela MP, e do valor devido, nos termos daquelas leis complementares, acompanhado de documento fiscal (cópia do livro Registro de Saídas de Mercadorias) e contábil (cópia do Razão ou Diário) referentes àquele mês. Como não o fez, não há como apurar a certeza e liquidez do valor do indébito reclamado. A homologação da Dcomp, segundo o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado. No presente caso, conforme demonstrado, a recorrente não demonstrou a certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado na compensação nem apresentou documentos fiscais e contábeis que permitissem o seu calculo. Assim, inexiste amparo legal para se homologar a Dcomp em discussão. Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 71DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10880.000643/2002-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1997
ESTIMATIVAS. LANÇAMENTO APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO CALENDÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
Na apuração do imposto de renda e da CSLL pela sistemática do lucro real anual, o contribuinte é obrigado a promover o recolhimento de estimativas mensais apuradas conforme seu faturamento, que nada mais são do que antecipações do tributo que será devido no montante verificado a partir do ajuste anual. Neste sentido, encerrado o ano calendário, as obrigações relativas às estimativas se extinguem, passando o tributo a ser devido conforme o lucro real do respectivo ano calendário.
Neste sentido, não pode haver a constituição, na forma de lançamento, das estimativas eventualmente recolhidas a menor no curso de ano calendário já encerrado, posto que a obrigação, enquanto tal, passou a ser absorvida pelo tributo devido em referido exercício.
Numero da decisão: 1401-001.174
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva- Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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LANÇAMENTO APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO CALENDÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Na apuração do imposto de renda e da CSLL pela sistemática do lucro real anual, o contribuinte é obrigado a promover o recolhimento de estimativas mensais apuradas conforme seu faturamento, que nada mais são do que antecipações do tributo que será devido no montante verificado a partir do ajuste anual. Neste sentido, encerrado o ano calendário, as obrigações relativas às estimativas se extinguem, passando o tributo a ser devido conforme o lucro real do respectivo ano calendário. Neste sentido, não pode haver a constituição, na forma de lançamento, das estimativas eventualmente recolhidas a menor no curso de ano calendário já encerrado, posto que a obrigação, enquanto tal, passou a ser absorvida pelo tributo devido em referido exercício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 06 43 /2 00 2- 19 Fl. 487DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10880.000643/200219 Acórdão n.º 1401001.174 S1C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso de ofício com relação à decisão da DRJ de São Paulo, que cancelou o lançamento de estimativas que deixaram de ser recolhidas pela Contribuinte no ano calendário 1997. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 LANÇAMENTO DO VALOR DE ESTIMATIVA NÃO PAGA DE IRPJ. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE MULTA ISOLADA. Tendo o contribuinte optado pela apuração anual do IRPJ com pagamentos por estimativa, a falta de recolhimento mensal acarreta a aplicação de multa isolada sobre o valor não recolhido, constatada a infração após o encerramento do anocalendário correspondente, não sendo cabível o lançamento dos valores principais das estimativas. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado É o relatório, no necessário Fl. 489DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA 4 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Tendo o montante exonerado sido superior ao limite legal, conheço do recurso de ofício. A questão não impõe dificuldade. Na apuração do imposto de renda e da CSLL pela sistemática do lucro real anual, o contribuinte é obrigado a promover o recolhimento de estimativas mensais apuradas conforme seu faturamento, que nada mais são do que antecipações do tributo que será devido no montante verificado a partir do ajuste anual. Neste sentido, encerrado o ano calendário, as obrigações relativas às estimativas se extinguem, passando o tributo a ser devido conforme o lucro real do respectivo ano calendário. Neste sentido, não pode haver a constituição, na forma de lançamento, das estimativas eventualmente recolhidas a menor no curso de ano calendário já encerrado, posto que a obrigação, enquanto tal, passou a ser absorvida pelo tributo devido em referido exercício. Assim, não subsiste auto de infração que pretende constituir referida obrigação. Neste sentido é farta a jurisprudência: CSLL RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA O Fisco, após o encerramento do anocalendário, não pode exigir estimativas não recolhidas, uma vez que as quantias não pagas estão contidas no saldo apurado no ajuste. Acórdão nº 10706475 do Processo 109200000879621 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2000 Ementa: CSLL RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA O Fisco, após o encerramento do ano calendário, não pode exigir estimativas não recolhidas. Acórdão nº 10709395 do Processo 16327001617200512 IRPJ ESTIMATIVAS O Fisco após o encerramento do ano calendário, não pode exigir estimativas não recolhidas uma vez que as quantias não pagas estão contidas no saldo apurado no ajuste. Acórdão nº 10705984 do Processo 108550020149414 Fl. 490DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10880.000643/200219 Acórdão n.º 1401001.174 S1C4T1 Fl. 4 5 RECURSO EX OFFICIO CSLL RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA O Fisco, após o encerramento do ano calendário, não pode exigir estimativas não recolhidas, uma vez que as quantias não pagas estão contidas no saldo apurado no ajuste. Acórdão nº 10707483 do Processo 11522000052200283 Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 491DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.918333/2012-11
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2010 a 31/03/2010
DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material.
INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718.
Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 3801-003.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2010 a 31/03/2010 DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718. Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. Recurso Provido.
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LIQUIDEZ E CERTEZA. Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718. Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 83 33 /2 01 2- 11 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918333/201211 Acórdão n.º 3801003.480 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918333/201211 Acórdão n.º 3801003.480 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre (DRJ/POA), em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, sendo indeferida a restituição pleiteada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de origem em exame de Declaração de Restituição enviada pela empresa, nos quais não foi concedida a restituição por ausência de valores de indébito. Inconformada, insurgese alegando que foi solicitada restituição da contribuição porque houve a tributação sobre receitas financeiras, conforme declarado em DACON, na ficha demais receitas e na ficha contribuição a pagar, refletindo na DCTF mensal, sendo que traz comprovantes bancários dos rendimentos financeiros do período. Estas receitas financeiras não seriam componentes da base de cálculo da contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa, pois o art.79, inciso XII da Lei 11.941, de 27/05/2009, com efeito a partir de sua publicação, excluiuas do conceito de faturamento (vendas de bens e serviços), que é o conceito do fato gerador da contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa.” A manifestação de inconformidade, embora denominada de “impugnação”, foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/POA possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS LIQUIDEZ E CERTEZA PROVA ÔNUS. A comprovação de liquidez e certeza do crédito solicitado, nos termos do art.165 e 170 do Código Tributário Nacional, é obrigação de quem o requer. Então, cabe ao contribuinte provar, de forma inconteste, os fatos/atos que alega, conforme determina o art.333, inciso II, do Código de Processo Civil. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918333/201211 Acórdão n.º 3801003.480 S3TE01 Fl. 5 4 Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs, recurso a qual denominou de “Impugnação”, onde em suas razões, requer seja concedido o pedido de restituição. Apresenta junto com o recurso os seguintes documentos para provar o seu direito: Demonstrativo de cálculo da PIS e DACON do período. É o sucinto relatório. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918333/201211 Acórdão n.º 3801003.480 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário, embora denominado pela recorrente de “impugnação” foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço, aplicandose ao caso o princípio da fungibilidade recursal. A recorrente alega suas razões já expostas na manifestação de inconformidade, porém apresentando desta vez documentos para comprovar seu direito, quais sejam, Demonstrativo de cálculo da PIS e DACON do período. Analisandose os documentos juntados, verificase na DACON do período que a contribuinte declara como “demais receitas – alíquota de 0,65%”, valor este idêntico ao considerado como “receita financeira (aplicações financeiras)”, conforme Demonstrativo de cálculo da PIS. Ainda, ao realizar a análise dos rendimentos obtidos pela recorrente no período, através dos extratos de movimentação bancária anexados aos autos, verificase que aqueles são idênticos ao declarados na DACON e no Demonstrativo de cálculo, havendo portanto correspondência entre ambos. A contribuinte comprova ter receitas financeiras em que somadas coincidem com o valor a restituir. Assim, temse que a recorrente traz prova suficiente para comprovar o seu direito à restituição. Diante disto, pelo princípio da verdade material, os documentos juntados em recurso voluntário devem ser recebidos como prova do alegado, inclusive conforme determina o art. 3º, inc. III, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Necessário ainda destacar que o pedido de restituição elaborado pela contribuinte possui respaldo em firme decisão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do RE 357.950, que declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718, sendo possível, consoante restou decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão 9303002.763, 3ª. Turma, sessão de 21 de janeiro de 2014), sua aplicação pelas autoridades julgadoras de segundo grau à contribuinte diverso daquele beneficiado pela decisão do STF, consoante disposição do art. 26A do Decreto 70.235/72, introduzido pelo art. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918333/201211 Acórdão n.º 3801003.480 S3TE01 Fl. 7 6 26 da Lei 11.941. Registrase ainda que a norma tida como inconstitucional pelo STF já foi, inclusive, revogada pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 54DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 13502.901845/2009-51
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUSPOSTOS NÃO CONFIGURADOS. NÃO CABIMENTO.
Acórdão embargado que enfrentou a questão jurídica, decidindo-a. Omissão não configurada.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3403-003.134
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUSPOSTOS NÃO CONFIGURADOS. NÃO CABIMENTO. Acórdão embargado que enfrentou a questão jurídica, decidindoa. Omissão não configurada. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3403002.428, de 22 de agosto de 2013, cujo entendimento foi resumido na seguinte ementa: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 90 18 45 /2 00 9- 51 Fl. 884DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CREDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. INDÚSTRIA QUÍMICA. Incluemse, na base de cálculo do benefício, somente as aquisições de insumos que se subsumem ao conceito de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem esposado pela legislação do imposto. No processo produtivo do Ácido NFosfonometil Iminodiacético (PIA), o nitrogênio, por entrar em contato diretamente com o PIA, exercendo a função de inertizante, deve ser considerado produto intermediário que integra o processo produtivo. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Os embargos alegam,em seu núcleo, o seguinte: No presente processo se discute a possibilidade de inclusão na base de cálculo do crédito presumido de IPI os valores relativos à aquisição de nitrogênio. A resposta a esta questão depende da definição do papel no nitrogênio na fabricação do Ácido NFosfonometil Iminodiacético (PIA) e da possibilidade de sua caracterização como produto intermediário neste processo, o que levaria à aplicação daquele benefício. Por meio de diligências realizadas pela fiscalização e de laudos técnicos apresentados pela parte procurou se estabelecer se o nitrogênio no referido processo pode ser considerado como insumo na fabricação do Ácido NFosfonometil Iminodiacético (PIA). Tanto o relatório da fiscalização quanto o parecer técnico apontam que o nitrogênio é utilizado em vários momentos no processo produtivo do PIA, sobretudo como inertizante de modo a evitar o contato do produto com o oxigênio. Nas diligências feitas pela fiscalização ficou estabelecido que o nitrogênio é utilizado do processo de produção do PIA mas não se consome ou se desgasta pelo contato com este produto. O voto condutor do Acórdão embargado, no entanto, não analisou a questão do momento em que se consome o nitrogênio utilizado no processo produtivo em questão e sua interação com o PIA. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator Fl. 885DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13502.901845/200951 Acórdão n.º 3403003.134 S3C4T3 Fl. 883 3 O embargante sustenta haver omissão no acórdão embargado, argumentando que não teria analisado “a questão do momento em que se consome o nitrogênio utilizado no processo produtivo em questão e sua interação com o PIA”. Ora, a declaração de voto, que se tornou o voto condutor do acórdão embargado, trata exclusivamente do tema a respeito do qual se está alegando haver omissão. O embargante apenas pretende que prevaleça o seu argumento, de que o desgaste físico apenas estaria caracterizado se o desgaste decorresse de uma reação química que tivesse por agente ativo o próprio produto final. Não é este o entendimento firmado no acórdão embargado, que resolveu a questão da seguinte forma: Como visto, o critério da Fiscalização foi de que não bastaria o contato direto com o produto industrializado, no caso, o Ácido NFosfonometil Iminodiacético (PIA), mas seria indispensável que o nitrogênio sofresse alguma reação química com este, o que não acontece, pois na verdade o nitrogênio sofre a reação química em relação ao ar atmosférico. Ocorre que o nitrogênio não participa do processo como uma matériaprima, no sentido de que tivesse de ser de alguma forma integrado ao produto industrializado, mas atua como um produto intermediário exercendo a função de inertizar o produto industrializado, mantendoo a salvo do contato com o ar atmosférico, tal como uma proteção física. Ou seja, o nitrogênio exerce uma função físicoquímica no processo produtivo, exercendo ação em contato físico direto com o produto, sofrendo desgaste justamente por exercer sua função de inertizar o produto, sofrendo a oxidação no lugar do produto, de maneira que configura um produto intermediário, e quase um material de embalagem, em razão da sua função inertizante, que equivale a uma função de proteção e estabilização. É isto o que retrata a seguinte passagem do Parecer emitido pelo Instituto Nacional de Tecnologia – INT: “Nitrogênio de alta pressão: (...) O Nitrogênio é o gás mais usado em processos de inertização de tanques de armazenamento de produtos químicos, substituindo o ar da atmosfera por um gás inerte no interior do tanqu. Esse process, também chamado de blanketing, impede o contato do produto armazenado com o oxigênio e a umidade presentes no ar, garantindo a qualidade necessária ao produto estocado. Caso aconteça a exposição ao ar atmosférico ocorre a oxidação do produto estocado e, como consequência, perdas no processo. (fl. 27 do Parece do INT) Diante disso, entendo que no processo produtivo do Ácido N Fosfonometil Iminodiacético (PIA), o nitrogênio, por entrar em contato diretamente com o PIA, exercendo a função de inertizante, deve ser considerado produto intermediário que Fl. 886DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 integra o processo produtivo, de maneira que dá direito ao crédito presumido. (sublinhado editado) Não há omissão no acórdão embargado quanto ao tema alegado, mas solução em sentido diferente do entendimento que a embargante queria ver acolhido. Por não haver omissão, voto pela rejeição dos embargos. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 887DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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