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Numero do processo: 16327.001989/00-63
Turma: Sexta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 1991, 1992
ILL. RESTITUIÇÃO DE VALORES PAGOS POR SOCIEDADE ANÔNIMA E LIMITADAS. LEGITIMIDADE PARA PLEITEAR A RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 166 DO CTN.
A empresa que recolheu indevidamente valores a titulo de ILL tem legitimidade para pleitear a restituição do indébito, não se aplicando ao caso a regra do artigo 166 do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-002.081
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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RESTITUIÇÃO DE VALORES PAGOS POR SOCIEDADE ANÔNIMA E LIMITADAS. LEGITIMIDADE PARA PLEITEAR A RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 166 DO CTN. A empresa que recolheu indevidamente valores a titulo de ILL tem legitimidade para pleitear a restituição do indébito, não se aplicando ao caso a regra do artigo 166 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 19 89 /0 0- 63 Fl. 713DF CARF MF Impresso em 16/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por NELSON MALLMANN 2 Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 714DF CARF MF Impresso em 16/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 16327.001989/0063 Acórdão n.º 2202002.081 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição do Imposto sobre o Lucro Líquido – ILL, recolhido em abril e maio de 1992 e fevereiro e março de 1993 (fls. 01), protocolado pela "UNIBANCO LEASING S/A ARRENDAMENTO MERCANTIL". Em 22/06/2001, foi emitido Despacho Decisório pela DEINFSPO, indeferindo o pedido (fls. 35/37). A solicitação contida na Manifestação de Inconformidade apresentada em 14/09/2001 (fls 4056) foi indeferida, conforme Acórdão DRJ/SP I — Turma n° 06.841, de 12/04/2005. Ao apreciar o Recurso Voluntário interposto, a Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, no Acórdão n° 10616049, de 19/12/2006, decidiu "AFASTAR a decadência do direito de pedir da recorrente e DETERMINAR a remessa dos autos à DRJ de origem para exame das questões de mérito" (fls. 355/361). O processo retornou então à DIORT/DEINF/SP "para apreciação do mérito do pedido formulado na inicial, uma vez que a sua análise direta" pela DRJ/SP1 "implicaria na supressão de uma instância administrativa". Em dezembro/2009, foi então proferido o Despacho Decisório de fls. 493/503, em que a auditora fiscal designada para apreciar a matéria, expõe que: A Unibanco Leasing S/A. Arrendamento Mercantil CNPJ n° 34.120.899/000106 foi incorporada em 29.06.01 pela Bandeirantes S/A Arrendamento Mercantil CNPJ n° 44.071.785/000169, a qual alterou sua Razão Social para Unibanco Leasing S/A. Arrendamento Mercantil, e foi, por sua vez, incorporada pela Dibens Leasing S/A Arrendamento Mercantil CNPJ n° 65.654.303/000173, em 30.11.05 (fls. 243 265, 374 377, 397); segundo os registros no sistema "TrataPagamento" os cinco Documento de Arrecadação de Receitas Federais DARF foram alocados em débitos de ILL (fls.398 400). O terceiro DARF confere com os dados declarados no Item 25, Quadro 04, Anexo4, da Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica DIRPJ PeríodoBase – PB 1991 e os quarto e quinto conferem com Itens 29 a 36 do Quadro 16 da DIRPJ Ano Calendário AC 1992 (fls. 403408); Segundo a DOAR, DMPL e as Notas Explicativas relativas ao ano 1991, publicadas no D.O.E. de 28.02.92, "foi aprovado a distribuição de dividendos no valor de Cr$9.700.000 mil, sendo Cr$ 7.267.488 mil relativo a lucro apurado em exercícios anteriores e Cr$ 2.432.512 mil por conta do lucro do exercício" (fls.438441); Entretanto, como se verifica na DMPL (em milhares de Cr$), não havia saldo suficiente na Reserva de Lucros Estatutária para a parcela dos Cr$ 7.267.488 distribuídos como dividendos (fls. 438441). A parcela do valor distribuído Cr$ 7.267.488 é Fl. 715DF CARF MF Impresso em 16/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por NELSON MALLMANN 4 maior que o saldo existente em 31.12.90 Cr$ 6.407.472. Além disso, houve uma capitalização durante o ano de 1991 no valor de Cr$ 3.517.198, diminuindo mais ainda o saldo de 34.12.90. Da mesma forma, o saldo em 31. 1 i91 Cr$ 9.607.955 é menor que o valor dos lucros designados para essa reserva nessa mesma data Cr$ 13.985.169. Logo, além dos Cr$ 2.432.512 acima mencionados, também foram distribuídos como dividendos Cr$ 4.377.214 relativo ao lucro apurado em 31.12.91. Na ata da A.G.O/A.G.E. de 28.04.92, consta o aumento do capital social, incorporando os Cr$ 190.078.635,51 da Reserva de Capital Incentivos Fiscais mais Cr$434.308.547,46 da Reserva de Lucros Legal (fls .. 456472). Na retrocitada DMPL (em milhares de Cr$), verificase que os Cr$190.079 de Reserva de Capital Incentivos Fiscais originamse do resultado do ano de 1991, uma vez que não havia saldo em 31.12.90. Dessa forma, do Lucro Líquido apurado em 31.12.91, Cr$6.809.726 foram distribuídos como dividendos e Cr$ 190.079 foi capitalizado em 28.04.92. A outra parte Cr$ 434.308.547,46 realmente refere se a períodos anteriores. De acordo com as Notas Explicativos relativas ao ano 1992, "Os acionistas decidiram pela nãodistribuição de dividendos. O lucro não distribuído foi destinado à conta Reserva estatutária" (fls. 442446). E, segundo a Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos DOAR e a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido DMPL (ambas em milhões de Cr$), publicadas no D.O.E. de 26.02.93, o Lucro Líquido foi apropriado da seguinte maneira: Na ata da A.G.O./A.G.E. de 24.03.93, consta a "capitalização de parte do saldo da Reserva Estatutária constante das Demonstrações Financeiras de 31.12.92, no valor de Cr$ 80.365.825.879,52" (fls. 474477). Como descrito acima, o saldo anterior ao ano 1991 não foi suficiente nem para a distribuição dos dividendos . Logo, o valor Capitalizado de Cr$ 80.365.825.879,52 é originário do Lucro do ano de 1991. Desse modo, do Lucro Líquido apurado em 31.12.91, Cr$6.809.726 foram distribuídos como dividendos; Cr$ 190.079 foi capitalizado em 28.04.92 e Cr$ 80.365.825.879,52, capitalizado em 24.03.93; A empresa foi intimada a apresentar as Demonstrações Financeiras e as atas de AGO/ AGE que contivessem informações sobre a destinação do Lucro de 1992 e do restante do de 1991, em 20.07.99 (fl. 427) e em 01.09.09 (fl. 447). Após três meses, não recebemos nenhum outro documento além dos acima mencionados, impedindonos de saber se tais lucros foram distribuídos ou capitalizados; Fl. 716DF CARF MF Impresso em 16/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 16327.001989/0063 Acórdão n.º 2202002.081 S2C2T2 Fl. 4 5 segundo a legislação vigente à época dos fatos, os lucros eram tributados na fonte quer pelo artigo 35 ou pelo art. 36 ambos da Lei n° 7.713/1988 No relatório do julgamento do Recurso Extraordinário RE n° 172.0581 SC pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal STF, em 30.06.95, que resultou na Resolução do Senado n° 82/96, concluiuse que: "a disponibilidade econômica ou jurídica de renda e proventos de qualquer natureza constitui elemento essencial do fato gerador do imposto de renda previsto na lei complementar Código Tributário Nacional, artigo 43 ... No caso, sem a deliberação da assembléia competente, não se pode cogitar da disponibilidade" (fls. 478487). Entretanto, se os lucros foram distribuídos, ocorreu a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda pelo acionista, como previsto no caput do art. 43 do CTN, ocorreu o fato gerador e foi removido o óbice à tributação dos lucros. Reporta se então a excerto do voto no Sr. Ministro Sydney Sanches (RE No. 172.0581/SC – fls.497) e do Sr. Ministro Octávio Galliotti, no mesmo julgamento; Como mencionado anteriormente, se os lucros não fossem tributados com base no art. 35 da Lei n° 7.713/88, deveriam sê lo com base em seu art. 36. Se capitalizados, também seriam tributados (art. 38). No caso de residente ou domiciliado no exterior, idem, a uma alíquota maior (art. 35, § 4°, alínea "c" e art. 36, caput e parágrafo único, alínea "b"). Beneficiários não identificados tinham uma retenção ainda maior (art. 47). Apenas era dispensada a parcela do lucro que correspondesse à participação de pessoa jurídica imune ou isenta de imposto de renda idem (art. 35, § 5°); Conforme esclarecido no Ato Declaratório Normativo ADN do Coordenador Geral do Sistema. De Tributação COSIT n° 49 de 23.09.94: "os dividendos, bonificaçães em dinheiro, lucros e outros.interesses, oriundos de lucros apurados, até 31 de dezembro de 1993, por Pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real submetemse às normas de incidência aplicáveis à época da formação dos lucros". À guisa de observação, segundo declarado nas DIRPJ PB 1991 e AC 1992 (Quadro 14), a empresa apurou o imposto devido com base no lucro real (fls. 404408). Ou seja, a única forma de não serem tributados, seria se os lucros apurados nos PB 1991 e AC 1992 ainda estivessem nas Reservas de Lucros, sem distribuição e sem capitalização até esta data. Como visto acima, parte dos lucros do PB 1991 foram distribuídos. Estaria o restante e os de 1992 ainda nas Reservas? Foram capitalizados ou distribuídos?; Ademais, eventual direito creditório existente teria de ser requerido, a priori, pelos acionistas. Assim entendido pelo Supremo Tribunal de Justiça STJ, no Recurso Especial REsp n° 842.390 RJ (fls. 488492), cuja conclusão transcreve às fls. 499/500; Fl. 717DF CARF MF Impresso em 16/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por NELSON MALLMANN 6 o art. 166 do CTN prescreve que "A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla"; A fim de se apurar quais parcelas dos lucros distribuídos seriam tributáveis, e quais não seriam (PJ imunes/isentas, fundos de condomínio e clubes de investimento), se parte do ILL recolhido foi deduzido de IRRF devido no caso de pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa de lucros, quando o beneficiário for residente ou domiciliado no exterior, em 27.07.09, a contribuinte foi intimada a apresentar os documentos elencados nos itens "b", "c" e "d" do Termo de Intimação de fls. 427. Entretanto, passados três meses da intimação nenhum documento fora apresentado no sentido de atender o quanto solicitado; Para fins de conciliação dos valores recolhidos (5 DARFs referentes a apenas uma parcela do ILL apurado em 1991 e 1992) com os valores dos lucros distribuídos entre os (diferentes tipos de) acionistas foi solicitada, em 01/09/2009 (fl. 447), o "Demonstrativo do cálculo do ILL recolhido, a partir do Lucro Líquido declarado na DIPJ (Quadro 13) até os valores recolhidos em 1992 e 1993". Para saber se os lucros de 1991 e 1992 não foram distribuídos ou capitalizados, foi solicitada, no mesmo Termo de Intimação de fls. 447, a "Comprovação da distribuição ou capitalização, em anos subseqüentes, do restante dos lucros (não distribuídos no ano) apurados em 1991 (Cr$ 105.167 mil) e 1992 (Cr$ 12.285.587 mil), através de Atas de destinação dos lucros, Atas de aumento de capital social, Balanço Patrimonial, Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos DÓ , Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido e Notas Explicativas publicadas". E, ainda, para comprovar o direito de pleitear a restituição (Resp 842.230RJ), solicitouse a "Comprovação de titularidade do direito sobre o crédito pleiteado (restituição do ILL aos acionistas); Sem que a documentação fosse apresentada, ficou a autoridade fiscal sem saber quanto do valor recolhido poderia ser compensado, se é que havia algum. Não lhe restando outra alternativa que a de negar o pedido, uma vez que não se cumpriu a exigência básica em qualquer tipo de compensação: a certeza e liquidez do crédito a ser compensado. Tal como exposto no Código Tributário Nacional, nos art. 165, inc.I, e 170, capta'. Concluiu que não havendo certeza e liquidez do crédito, não é possível autorizar qualquer restituição e/ou compensação. O Despacho Decisório encontrase assim ementado: ASSUNTO: Restituição de ILL AC 1991 e 1992; EMENTA: Falta de comprovação de titularidade sobre eventual direito; Impossibilidade de quantificar eventual crédito; Inexistência de certeza e liquidez de crédito; INDEFERIMENTO do Pedido; Fl. 718DF CARF MF Impresso em 16/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 16327.001989/0063 Acórdão n.º 2202002.081 S2C2T2 Fl. 5 7 Legislação aplicada: art. 165, caput e inc. I, art. 166 e art. 170, caput, do CTN; art. 73 e art. 74, caput da Lei n°9.430/96. Em sua Manifestação de Inconformidade (fls. 508/516), protocolizada em 18/01/2010, a interessada requer a "declaração de INSUBSISTÊNCIA do Despacho Decisório" e "o RECONHECIMENTO do direito creditório pleiteado com a consequente HOMOLOGAÇÃO integral do pedido de restituição levado a efeito". Nesse sentido defende a efetiva presença da liquidez e certeza do direito ao pleito de restituição, argumentando que: • o direito do Manifestante ao crédito de "ILL" decorrente da ausência de distribuição de dividendos, nos períodosbase de 1991 e 1992, não merece ser contestado por argumentos de índole meramente superficial, por questionamentos oriundos da superficialidade das investigações fiscais, tal como pretende a própria D. Autoridade Fiscal, visto que se trata de direito plenamente amparado na Constituição Federal e, inclusive, em decisão de inconstitucionalidade sacramentada em resolução do Senado; • de acordo com os art. 35 e 36 da Lei 7.713/88, aplicável aos fatos geradores analisado em tela (anos 1991 e 1992), os lucros eram tributados na fonte. Com base no julgamento do STF do RE 172.0581, o qual ensejou a Resolução do Senado Federal 82/96, de 18.11.1996, restou a convicção de que a disponibilidade econômica ou jurídica de renda e proventos de qualquer natureza constitui elemento essencial do fato gerador do imposto de renda previsto no artigo 43, do CTN, de modo que no caso em tela, tal disponibilidade somente ocorreria em razão da deliberação da assembléia competente sobre a distribuicão dos dividendos; • a Resolução do Senado Federal n° 82/96 afastou a cobrança do imposto sobre o lucro líquido na hipótese da ausência de deliberação e de distribuição de fatos dividendos apurados no próprio exercício; • nas hipóteses tanto dos sócios quotistas quanto dos acionistas somente ocorre disponibilidade efetiva do lucro apurado, em momento refletido seja pela determinação da destinação do lucro apurado ou por meio de contrato de distribuição dos lucros seja pela deliberação em assembléia competente que em algumas hipóteses pode não ocorrer, mesmo com a prévia definição em atos societários; • de acordo com os documentos trazidos pelo Manifestante aos autos, tanto no que tange aos documentos societários quanto aos dos balanços dos anos de 1991 e 1992, resta claro que o indeferimento do pedido de restituição não merece perpetrar nesta via administrativa fiscal, pois a D. Autoridade Fiscal equivocadamente confundiuse com os valores efetivamente relacionados na distribuição dos dividendos ou na identificada capitalização dos lucros líquidos dos referidos períodos; • De fato, os valores considerados pela fiscalização como "distribuídos ou capitalizados" no ano 1991, não refletem o Fl. 719DF CARF MF Impresso em 16/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por NELSON MALLMANN 8 quanto o Manifestante aprovou na distribuição de dividendos do mesmo período ("Cr$ 9.700.000 mil), de modo que a utilização do referido valor razoavelmente não permitiria o pleito inicial de restituição; • cumpre esclarecer que parcela do valor considerado pela fiscalização (Cr$ 7.267.488 mil) decorre de reservas de lucros de períodos anteriores, inclusive, atinentes a período que não se submetiam à tributação do "ILL", sendo que a parcela que devia ser submetida à incidência do "ILL" em nada se aproximou ao que a decisão ora rebatida referendou; • inferese que tal equívoco é claro e fora modal para a concretização do indeferimento combatido, visto que o Despacho Decisório tomou como supedâneo as informações desencontradas consideradas pela D. Autoridade Fiscal. Informações estas que, aliás, foram prestadas pelo Manifestante, de modo que, considerandoas da forma devida, resta evidenciado o lídimo direito creditório do Manifestante; • válido ainda frisar que, o lídimo direito de qualquer contribuinte ao imediato ressarcimento daquilo que recolheu indevidamente ou a maior, seja pela via da compensação, seja pela via da restituição do indébito, encontra ancoro na Carta Magna, mormente no direito de propriedade (art. S°, XXII) e do devido processo legal (art. 5 0, LIV), como nos primados da Legalidade (art. 150, I) e da Moralidade Administrativa (art. 37, caput); • todo ato administrativo perpetrado com vistas à cobrança de determinado tributo manifestamente indevido ou a maior, bem como que obstaculizar a sua devolução, mostrase frontalmente contrário aos ditames dos preceitos constitucionais retro alinhavados; • em consonância com os dispositivos constitucionais invocados, devese trazer a lume que o direito à restituição do indébito tributário se encontra previsto no Código Tributário Nacional (CTN), na dicção do art. 165 desse diploma legal. Citando excertos de ensinamentos de Hugo de Brito Machado e de Paulo de Barros Carvalho, conclui que "eventuais equívocos cometidos pela D. Autoridade Fiscal, tanto nos cálculos dos valores distribuídos nos anos de 1991 e de 1992, quanto na constataão da forma e do momento escolhido pelo Manifestante para distribuição dos dividendos ou capitalização dos recursos não conferem com a realidade de ato comprovados, de modo que não suportam o indeferimento do presente pedido de restituição, visto que o direito do Manifestante ao indébito aqui pleiteado resta devidamente comprovado nos autos, bem como garantido na Constituição Federal e na Legislação tributária em vigor. A DRJ proferiu, indeferindo o pedido de restituição do ILL, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 1991, 1992 Fl. 720DF CARF MF Impresso em 16/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 16327.001989/0063 Acórdão n.º 2202002.081 S2C2T2 Fl. 6 9 IMPOSTO SOBRE O LUCRO LÍQUIDO RESTITUIÇÃO SOCIEDADE ANÔNIMA. A restituição dos tributos que comportam transferência do respectivo encargo financeiro, somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Insatisfeita a contribuinte, interpõe recurso voluntário reiterando as razões da manifestação de inconformidade. Enfatizando, os seguinte pontos: Da legitimidade do recorrente. Da decisão recorrida, denotase que a Autoridade de Julgamento somente calcou suas razões de decidir na ilegitimidade do ora Recorrente para pleitear o crédito de ILL em voga, estritamente à luz do atendimento ou não das condições previstas para tanto no artigo 166 do CTN. Só que, ao contrário do consignado no aresto guerreado, temse que tal premissa é totalmente precária, visto que a legitimidade do Recorrente para postular o presente pedido de restituição é manifesto, sendo contrário à legalidade, moralidade e ao bom direito todo e qualquer posicionamento diverso, tal como lançado no vergastado acórdão recorrido. O ILL é por excelência tributo direto — se existir essa definição na legislação tributária atinente , que não comporta transferência do respectivo encargo financeiro a terceiros, pelo que a restituição do ILL indevidamente recolhido não se sujeita ao comando do dispositivo invocado pelas autoridades de julgamento. Sobre a inaplicabilidade do artigo 166 do CTN aos pedidos de restituição do ILL é matéria que tem posicionamento pacificado perante o Egrégio Superior Tribunal de Justiça — STJ, Indica que jurisprudência do CARF, nas sociedades anônimas, os acionistas somente adquirem disponibilidade financeira ou jurídica em relação ao lucro da empresa, após a deliberação de assembleia geral ordinária. Como o imposto incide sobre os lucros apurados e não distribuídos, o ônus econômico deste é suportado pela empresa, que, consequentemente, tem legitimidade para pleitear a restituição. É o relatório. Fl. 721DF CARF MF Impresso em 16/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por NELSON MALLMANN 10 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A lide versa sobre pedido de restituição de créditos de ILL. A questão da decadência não é apreciada pois a mesma já foi superada pela Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, no Acórdão n° 10616049, de 19/12/2006, onde decidiu "AFASTAR a decadência do direito de pedir da recorrente e DETERMINAR a remessa dos autos à DRJ de origem para exame das questões de mérito" (fls. 355/361). No mérito, as razões apontada para a DRJ para não efetuar a compensação pode ser reproduzida: A Lei 7.713/88 estabelece em seu artigo 35 que o acionista ficará sujeito ao imposto de renda na fonte. Como é a pessoa jurídica que efetua o recolhimento aos cofres públicos, fica caracterizado que o ILL é um tributo indireto. O contribuinte real é o acionista, ou seja, o contribuinte de fato, aquele que assume o ônus financeiro do imposto, e a empresa é o contribuinte de direito, isto é, o responsável tributário. Os DARF's de fls. 25/29, isoladamente, não permitem concluir que a empresa que efetuou o recolhimento (como responsável), tenha suportado o ônus do ILL. Por conseguinte como não foram trazidos aos autos elementos suficientes para comprovar que a requerente, por meio de sua incorporada, arcou com o encargo financeiro, nem autor nem autorização expressa de quem suportou tal encargo, como prevê o artigo 166 do CTN, não há que falar em direito à restituição por parte da empresa que a solicitou. Apesar do respeitável entendimento da autoridade recorrida, a jurisprudência administrativa predominante entende pela inaplicabilidade do artigo 166 do Código Tributário Nacional no tocante à incidência do ILL. Isso porque o ILL não é tributo indireto como o IPI e o ICMS, e, como tributo direto que , não comporta transferência do respectivo encargo financeiro a terceiros. Acórdão n° 10616.813, sessão de 07/03/2008, relator o Conselheiro Luiz Antonio de Paula NULIDADE DE DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÉNCIA, Não constitui cerceamento do direito de defesa a decisão proferida por autoridade competente com observância dos requisitos estabelecidos no art 31 do Decreto no 70.235/72. Fl. 722DF CARF MF Impresso em 16/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 16327.001989/0063 Acórdão n.º 2202002.081 S2C2T2 Fl. 7 11 ILL RESTITUIÇÃO DE VALORES PAGOS POR SOCIEDADE ANÔNIMA. LEGIMITIDADE PARA PLEITEAR A RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 166 DO CTN A empresa que recolheu indevidamente valores a titulo de ILL tem legitimidade para pleitear a restituição do indébito, não se aplicando ao caso a regra do artigo 166 do Código Tributário Nacional IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE LUCRO LIQUIDO. ILL Deve ser reconhecido o direito da contribuinte a restituição elou compensação de valor que se caracterize como indébito, quando a exigência da respectiva exaçâo for considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal Acórdão 10248.107, sessão de 08/12/2006, relator o Conselheiro Antônio José Praga de Souza PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ILEGITIMIDADE ATIVA — O Código Tributário Nacional determina em seu art. 166 que a restituição que comporte, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro, somente será ,feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado recebêla Todavia, nada impede que o pedido de restituição seja interposto pelo sujeito passivo, responsável pela retenção e recolhimento, que também compôs a relação jurídicotributário PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO ILL E de cinco anos o prazo para repetição do indébito, contados da edição de aio normativo que reconheceu a ilegalidade da exigência, qual seja, a Instrução Normativa SRF n" 63 de 1997 ('Acórdão CSRF/0103.854).REPETIÇÃO DE INDÉBITO ILL SOCIEDADE LIMITADA. DISTRIBUIÇÃO AUTOMÁTICA DE LUCROS A existência de cláusula no contrato social de distribuição do lucro caracteriza, por si só, a disponibilidade jurídica dos lucros para os sócios quotistas, para efeito do fato gerador do Imposto de Renda, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, uma vez que somente a deliberação expresso dos sócios o lucro poderia ter outra destinação. Acórdão n" 10616.587, sessão de 07/11/2006, relator o Conselheiro Gonçalo Bonet Allege ILL — RESTITUIÇÃO DE VALORES PAGOS POR SOCIEDADE ANÓNIMA LEGIMITIDADE PARA PLEITEAR A RESTITUIÇÂO DO INDÉBITO — INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 166 DO C731. A empresa que recolheu indevidamente valores a titulo de ILL tem legitimidade para pleitear a restituição do indébito, não se aplicando ao caso a regra do artigo 166 do Código Tributário Nacional. COMPENSAÇÃO — MATÉRIA NÃO LITIGIOSA — Como as compensações vinculadas ao direito creditório pleiteado neste feito já estão expressamente homologadas e, portanto, os débitos Fl. 723DF CARF MF Impresso em 16/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por NELSON MALLMANN 12 encontramse extintos, nos termos do artigo 156, inciso II, do Código Tributário Nacional, a insurgencia da contribuinte com relação a tal matéria não pode ser apreciada, em razão da ausência de matéria litigiosa. Dessa forma, a recorrente detém legitimidade para pleitear o indébito do Imposto de Renda Retido na Fonte Sobre Lucro Liquido. Acrescentese por pertinente, que no que toca comprovação do pagamento os documentos de fls. 05 a 10 comprovam o efetivo pagamento do ILL pela recorrente, não restando dúvidas nos autos quanto ao seu efetivo recolhimento. Uma vez que o pagamento está documentado, o direito de solicitar a restituição não está decadente, e o recorrente é parte legítima para pleitear a repetição do indébito, é de se reconhecer o direito da recorrente. Ante ao exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao presente Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 724DF CARF MF Impresso em 16/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por NELSON MALLMANN
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Numero do processo: 10909.004850/2008-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IRRF. COMPENSAÇÃO. Comprovada a retenção do imposto pela informação da fonte pagadora, deve ser reconhecido o direito à compensação do valor correspondente com o imposto devido, apurado quando do ajuste anual.
Recurso parcialmente provido
Numero da decisão: 2201-001.814
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para restabelecer o valor do IRRF - Imposto de Renda Retido na Fonte declarado.
Assinatura digital
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente
Assinatura digital
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator
EDITADO EM: 28/09/2012
Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para restabelecer o valor do IRRF - Imposto de Renda Retido na Fonte declarado. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator EDITADO EM: 28/09/2012 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França.
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COMPENSAÇÃO. Comprovada a retenção do imposto pela informação da fonte pagadora, deve ser reconhecido o direito à compensação do valor correspondente com o imposto devido, apurado quando do ajuste anual. Recurso parcialmente provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para restabelecer o valor do IRRF Imposto de Renda Retido na Fonte declarado. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 28/09/2012 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 48 50 /2 00 8- 72 Fl. 30DF CARF MF Impresso em 05/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/ 10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Relatório ILSE BRUNE interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJ FLORIANÓPOLIS/SC (fls. 12) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio da Notificação de Lançamento de fls. 04/06, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF suplementar, referente ao exercício de 2006, no valor de R$ 2.381,88, acrescido de multa de ofício de R$ 1.786,41 e de juros de mora de R$ 633,81. Foi também exigido imposto no valor de R$ 967,23 sujeito a multa de mora. O valor total da notificação de lançamento foi, assim, de R$ 6.220,14. Segundo o relato fiscal, foi apurada diferença do imposto devido, sujeita a multa de ofício, de R$ 2.381,88; e foi constatada a dedução indevida de IRRF no valor de R$ 967,23, que foi glosada, sendo exigido o imposto com multa de mora. A Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que o IRRF de R$ 967,23 referese ao Imposto de Renda na Fonte incidente sobre sua aposentadoria e observa que o mesmo caso ocorreu com relação ao anobase de 2006. A DRJFLORIANÓPOLIS/SC julgou procedente o lançamento. Inicialmente, observou que não houve impugnação quanto à diferença na apuração do imposto devido. E quanto à compensação indevida de IRRF observou que a interessada não apresentou prova de que o IRRF da fonte pagadora INSS é o valor declarado, o qual discrepa daquele informado pela fonte pagadora dos rendimentos. A Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância (não consta dos autos a data da ciência) e interpôs o recurso voluntário de fls. 18 no qual reitera a alegação da impugnação e apresenta documentos que comprovariam tais alegações. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, discute neste processo apenas o valor do imposto retido na fonte pela fonte pagadora INSS. A Contribuinte declarou o valor de R$ 2.314,63 e a Receita Federal apurou o valor de apenas R$ 1.341,41, com base na DIRF apresentada pela fonte pagadora, glosando a diferença. No recurso a Contribuinte reafirma que o valor retido é o maior e apresenta documentos que passo a examinar. Pois bem, às fls. 20/27 dos autos a Contribuinte apresenta “Relação Detalhada de Créditos” extraída dos sistemas da Previdência Social no qual se indica os valores Fl. 31DF CARF MF Impresso em 05/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/ 10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10909.004850/200872 Acórdão n.º 2201001.814 S2C2T1 Fl. 3 3 pagos a cada mês à Contribuinte a título de aposentadoria por idade e pensão por morte, com os respectivos valores retidos a título de IRRF. Somando os valores indicados como IRRF se apura um total de R$ 2.346,28. Portanto, um valor um pouco maior até do que o que foi declarado. Nestas condições, penso que resta comprovada a retenção do imposto pela fonte pagadora, devendo ser restabelecida a compensação. Quanto à diferença na apuração do imposto devido, embora a matéria não tenha sido questionada na impugnação, reforço que também não o foi no recurso. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a compensação do IRRF no valor declarado pela Contribuinte, de R$ 2.314,63. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2ª CÂMARA/2ª SEÇÃO DE JULGAMENTO Fl. 32DF CARF MF Impresso em 05/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/ 10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Processo nº: 10909.004850/200872 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº. 2201001.814. Brasília/DF, 28 de setembro de 2012. ______________________________________ Maria Helena Cotta Cardozo Presidente da Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Fl. 33DF CARF MF Impresso em 05/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/ 10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10940.900852/2008-06
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2003, 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito sem os documentos fiscais comprobatórios de suas alegações.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA
Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário negado,
Numero da decisão: 3801-001.284
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flavio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
EDITADO EM: 13/09/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio De Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso De Melo, Maria Inês Caldeira Pereira Da Silva Murgel e eu Sidney Eduardo Stahl (Relator)
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2003, 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito sem os documentos fiscais comprobatórios de suas alegações. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário negado,
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. EDITADO EM: 13/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio De Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso De Melo, Maria Inês Caldeira Pereira Da Silva Murgel e eu Sidney Eduardo Stahl (Relator)
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PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito sem os documentos fiscais comprobatórios de suas alegações. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário negado, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. EDITADO EM: 13/09/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 08 52 /2 00 8- 06 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio De Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso De Melo, Maria Inês Caldeira Pereira Da Silva Murgel e eu Sidney Eduardo Stahl (Relator) Fl. 50DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900852/200806 Acórdão n.º 3801001.284 S3TE01 Fl. 41 3 Relatório Trata o presente processo administrativo de pedido de compensação realizado através de PER/DCOMP, transmitida em 20/09/2006 (fls. 16/20), com base em suposto pagamento a maior a título de PIS/PASEP do período de apuração de fevereiro de 2003, por meio de guia DARF cujo recolhimento se deu em 14/03/2003, com débitos de COFINS do período de apuração de julho de 2004, tendo sido objetivada compensação no montante total de R$ 4.394,64. A DRF de origem proferiu despacho decisório (fls. 02) não homologando a compensação sob o fundamento de que o pagamento informado em PER/DCOMP, através de guia DARF, foi integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Inconformado, apresentou o contribuinte manifestação de inconformidade às fls. 01, sustentando, em síntese, que a origem do seu crédito decorre de pagamentos a maior, realizados em função da ausência de dedução da base de cálculo da Contribuição de valores legalmente dedutíveis, conforme supostamente lhe autorizaria a Lei nº 10.833/2003, sendo tais créditos aferíveis das respectivas DACON e DIPJ do período. A DRJ em Curitiba – PR, por sua vez, julgou improcedente a manifestação de inconformidade ofertada pelo contribuinte através do acórdão de fls. 23/24, considerando a ausência de comprovação do direito ao credito objeto da compensação materializada na PER/DCOMP, o que se confirmaria, inclusive, a partir inconsistências apuradas conta dos documentos mencionados pelo contribuinte na sua Manifestação de Inconformidade (DACON, DIPJ e DCTF) e planilha apresentada. Devidamente intimado para tanto (fls. 25), interpôs o contribuinte o presente Recurso Voluntário de fls. 26 (em 14/03/2003), através do qual sustenta, em síntese, que o argumento trazido em sua Manifestação de Inconformidade foi equivocado, e que em verdade “(...) os valores apropriados em Perd/Comp tem como sua origem o crédito de PIS nas entradas de Produtos e Serviços, como permite o contido no artigo 3º e parágrafos da MP 66/2002.” É o relatório. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. O argumento recursal fundamental é o de que a Recorrente tem direito a indébitos de PIS/COFINS por recolhimentos foram feitos a maior por conta de não aproveitamento dos créditos que teria direito em decorrência da legislação pertinente. Para tanto a Recorrente juntou as planilhas demonstrativas dos créditos não aproveitados em suas operações. A DRJ com base nas declarações da contribuinte (DACON, DIPJ e DCTF), entendeu não estarem comprovados os créditos requeridos, mantendo o mesmo suporte do despacho decisório. Despacho Decisório este, ressaltese, elaborado eletronicamente, isto é, a partir de um mero confronto de informações realizadas pelos sistemas de controle da Receita Federal do Brasil (Dacon x DCTF x Darf), do qual exsurgiu a informação de que valor algum havia sido recolhido a maior, e, portanto, crédito algum haveria de ser reconhecido. No caso em concreto, o Contribuinte administrado deve apresentar as provas do seu direito creditório. Tratase de postulado do Código de Processo Civil, subsidiariamente aplicável ao PAF, vejamos: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. No processo administrativo fiscal, temse como regra que cabe àquele que pleiteia o direito, provar os fatos, prevalecendo o princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Portanto, no caso em apreço, compete ao sujeito passivo. À ora Recorrente, a comprovação de que preenche os requisitos para fruição do ressarcimento. Ademais, do mesmo modo que o Decreto nº 70.235/1972 estabelece, em seu artigo 9°, a obrigatoriedade da autoridade fiscal traduzir por provas os fundamentos do lançamento, também atribui ao contribuinte, no inciso III do artigo 16, o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Em verdade, este dispositivo legal apenas transfere, para o processo administrativo fiscal, o sistema adotado pelo Código de Processo Civil, que, em seu artigo 333, ao repartir o ônus probandi, o faz inadmitindo a mera alegação e a negação geral. Assim, na hipótese de ressarcimento pleiteado, recai sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida. Logo, é imprescindível que as provas e argumentos sejam Fl. 52DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900852/200806 Acórdão n.º 3801001.284 S3TE01 Fl. 42 5 carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Do exame desse litígio administrativo, verificase que a Recorrente não apresentou documentos suficientes para demonstrar o seu crédito, juntando mera planilha de valores que pretende compensar de que sorte o pedido de compensação nos moldes requeridos não deve prosperar. Consignese que o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para compensação que o crédito seja líquido e certo. No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não comprovou por meio de demonstrativos, da escrituração fiscal, notas fiscais que alega estarem canceladas e dos lançamentos contábeis o valor de seu crédito. Nesse sentido voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. É como voto. Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 53DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 15540.000345/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007
EXCLUSÃO DO SIMPLES. COMPETÊNCIA. DISCUSSÃO EM FORO ADEQUADO.
O foro adequado para discussão acerca da exclusão da empresa do tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLES FEDERAL/SIMPLES-Nacional) é o respectivo processo instaurado para esse fim. Descabe em sede de processo de lançamento fiscal de crédito tributário o exame dos motivos que ensejaram a emissão do ato de exclusão.
CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO.
A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007).
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.111
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em relação à prejudicialidade no exame do enquadramento no SIMPLES, acolher em parte da preliminar para que este processo, após sua decisão definitiva, seja sobrestado na origem até a tramitação final dos processos de exclusão do SIMPLES e em rejeitar as demais preliminares suscitadas; no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente.
Ronaldo de Lima Macedo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007 EXCLUSÃO DO SIMPLES. COMPETÊNCIA. DISCUSSÃO EM FORO ADEQUADO. O foro adequado para discussão acerca da exclusão da empresa do tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLES FEDERAL/SIMPLES-Nacional) é o respectivo processo instaurado para esse fim. Descabe em sede de processo de lançamento fiscal de crédito tributário o exame dos motivos que ensejaram a emissão do ato de exclusão. CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO. A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007). CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais. Recurso Voluntário Negado.
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EXCLUSÃO DO SISTEMA SIMPLES Recorrente AVENEW DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007 EXCLUSÃO DO SIMPLES. COMPETÊNCIA. DISCUSSÃO EM FORO ADEQUADO. O foro adequado para discussão acerca da exclusão da empresa do tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLES FEDERAL/SIMPLESNacional) é o respectivo processo instaurado para esse fim. Descabe em sede de processo de lançamento fiscal de crédito tributário o exame dos motivos que ensejaram a emissão do ato de exclusão. CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO. A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007). CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 00 03 45 /2 01 0- 11 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/10/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em relação à prejudicialidade no exame do enquadramento no SIMPLES, acolher em parte da preliminar para que este processo, após sua decisão definitiva, seja sobrestado na origem até a tramitação final dos processos de exclusão do SIMPLES e em rejeitar as demais preliminares suscitadas; no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/10/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15540.000345/201011 Acórdão n.º 2402003.111 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, concernente às contribuições destinadas a outras Entidades/Terceiros (SalárioEducação/FNDE, SESC, SENAC, INCRA e SEBRAE), para as competências 01/2006 a 06/2007. O Relatório Fiscal (fls. 21/23) informa que os fatos geradores das contribuições lançadas decorrem das remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados empregados que trabalharam na empresa. A base de cálculo foi declarada na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) e nas folhas de pagamento. Esse Relatório Fiscal informa que os créditos tributários foram constituídos em virtude da exclusão da empresa da sistemática do Simples Federal, por meio do Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 21, de 03/03/2008 (cópia anexa às fls. 29), com efeitos a partir de 01/01/2002. Quanto à multa aplicada, não houve comparação entre as multas cabíveis antes da MP 449/08 (multa anterior + AIOA 68) e após esta MP (multa atual) que foi convertida na Lei 11.941/09 e, portanto, a multa de mora aplicada foi a prevista nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991). A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 23/08/2010 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 27/28) – acompanhada de anexos de fls. 29/43 –, alegando, em síntese, que: 1. o objeto do presente auto de infração baseiase em exclusão do SIMPLES ocorrida no ano de 2001, por ultrapassar os limites da receita bruta e publicada no Diário Oficial da União em 10/03/2008; 2. os anos autuados referemse ao período de apuração de 01/2006 a 06/2007, interpondo o recolhimento de cota patronal, quando na ocasião a empresa encontravase inscrita no SIMPLES, não cabendo para tanto recolhimentos de cota patronal e de terceiros; 3. os artigos 5o e 23 da Lei 9.317/1996, e alterações promovidas pela medida provisória 275/2005, vislumbram e ordenam os recolhimentos da época em epígrafe. O artigo 173 e 174 do CTN e a Súmula Vinculante n° 08 do STF, discorrem sobre os prazos prescricionais; 4. solicita que, constatada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, seja acolhida a impugnação, cancelandose o débito fiscal reclamado. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/10/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no Rio de Janeiro/RJ – por meio do Acórdão no 1236.543 da 10a Turma da DRJ/RJ1 (fls. 53/58) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. A Notificada apresentou recurso voluntário (fls. 62/64), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Niterói/RJ encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processo e julgamento (fls. 86/87). É o relatório. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/10/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15540.000345/201011 Acórdão n.º 2402003.111 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo e não há óbice, em parte, ao seu conhecimento. No presente lançamento fiscal ora analisado, constam as contribuições devidas à Seguridade Social – incidentes sobre a remuneração dos segurados declarados pela empresa como empregados – relativas às contribuições sociais destinadas a outras Entidades/Terceiros. Esclarecemos que a empresa foi excluída do sistema de tratamento tributário diferenciado “SIMPLES FEDERAL”, por meio de ato próprio, no qual foi expedido o Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 21, de 03/03/2008 (cópia anexa às fls. 29), com efeitos a partir de 01/01/2002. O motivo de sua exclusão do “SIMPLES FEDERAL” decorre do fato de que a empresa ultrapassou os limites da receita bruta e, por fundamentação legal, o art. 14, inciso V, da Lei 9.317/1996, consubstanciada na Representação Fiscal (RP) no Processo n° 10730.006526/200525, que também apurou omissão de recolhimento ao INSS das contribuições descontadas de seus empregados no período de 05/1998 a 02/2005. Como os motivos fáticos e jurídicos da exclusão da empresa do “SIMPLES FEDERAL” estão devidamente registrados no Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 21 (processo 10730.006526/200525), iremos afastar e não conhecer todos os motivos que fundamentam o pleito de declaração de ilegalidade ou nulidade do aludido ADE, que não está em julgamento nesta oportunidade, pois este não é o momento ou o local oportuno para analisar essas matérias. O foro adequado para a discussão dessas matérias deverá ser o respectivo processo instaurado para esse fim (processo 10730.006526/200525) e não o presente processo de lançamento fiscal de crédito previdenciário oriundo de uma obrigação tributária principal. Com isso, a decisão desta Turma da Corte Administrativa (CARF) vai restringirse exclusivamente às demais questões que não dizem respeito ao âmbito da matéria da sua exclusão do sistema de tratamento tributário diferenciado “SIMPLES FEDERAL”. Esse entendimento está consubstanciado nos artigos 2o e 3o do Regimento Interno do CARF – Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009 –, que estabelecem as atribuições (competências) específicas de cada órgão dessa Corte Administrativa. Regimento Interno do CARF Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009: Art. 2°. À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...) Fl. 95DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/10/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESNacional); ................................................................................................ Art. 3°. À Segunda Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (....) IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3° da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007; Dessas regras do Regimento Interno do CARF, retromencionadas, percebe se, então, que os processos de exclusão do SIMPLES FEDERAL e os processos de lançamentos de contribuições previdenciárias são apreciados por órgãos julgadores distintos, em atendimento ao princípio da especialidade. De fato, constatase que há correlação e dependência entre a controvérsia que se discute especificamente no lançamento da contribuição social previdenciária (relação obrigacional principal) e a matéria referente ao enquadramento no SIMPLES FEDERAL, uma vez que essa última matéria, sendo favorável ao Recorrente, arrastará para a mesma conclusão todos os processos de constituição de créditos tributários. A decisão de primeira instância foi no sentido de julgar o lançamento fiscal procedente. Segue transcrição da Ementa: “EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS. Inexiste óbice à cobrança das contribuições sociais patronais para o período em que a empresa foi excluída do SIMPLES por ato administrativo irreformável. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O direito de a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos, no lançamento por homologação, extinguese após 5 anos, contados da ocorrência do fato gerador. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido” Portanto, com relação ao enquadramento no SIMPLES FEDERAL, não farei apreciação nem exame dessa matéria, pois não se trata de matéria pertinente à análise dessa Turma julgadora do CARF (2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção). No entanto, sinalizo no sentido que fique sobrestada esta decisão até a decisão definitiva sobre o Fl. 96DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/10/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15540.000345/201011 Acórdão n.º 2402003.111 S2C4T2 Fl. 5 7 enquadramento da empresa no SIMPLES FEDERAL e, caso tenha havido interposição de recurso no processo 10730.006526/200525, deverá ser analisado pela Primeira Seção do CARF. Diante desse quadro, faremos análise apenas das matérias que não dizem respeito da sua exclusão do sistema “SIMPLES FEDERAL”. A Recorrente alega que não consta no lançamento fiscal a necessária e adequada descrição dos fatos e motivação da autuação, existindo dúvidas quanto ao lançamento, o qual, diante de tais irregularidades, deve ser declarado nulo. Tal alegação não será acatada, pois os elementos probatórios que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do fato gerador das contribuições sociais lançadas, que foram as relativas à contribuição destinada a outras Entidades/Terceiros (Salário Educação/FNDE, SESC, SENAC, INCRA e SEBRAE). Os valores das contribuições sociais previdenciárias decorrem das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados, e foram devidamente delineados no Relatório Fiscal os motivos fáticos de exclusão da Recorrente do “SIMPLES FEDERAL”. Verificase ainda que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, contendo de forma clara os elementos necessários para a sua configuração e caracterização. Com isso, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, eis que estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01/29) todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN, o art. 37 da Lei 8.212/1991 e o art. 10 do Decreto 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da contribuição previdenciária devida; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumpri la ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Lei 8.212/1991: Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. Nesse mesmo sentido dispõe o art. 10 do Decreto 70.235/1972: Fl. 97DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/10/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O Relatório Fiscal (fls. 21/23) e seus anexos (fls. 01/20), complementados pelos documentos acostados pela Recorrente (fls. 27/29), são suficientemente claros e relacionam os dispositivos legais aplicados ao lançamento fiscal ora analisado, bem como descriminam o fato gerador da contribuição devida. A fundamentação legal aplicada encontra se no Relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD, que contém todos os dispositivos legais por assunto e competência. Há o Discriminativo Débito (DD), que contém todas as contribuições sociais devidas, de forma clara e precisa. Ademais, constam outros relatórios que complementam essas informações, tais como: Discriminativo Sintético do Débito (DSD); Relatório de Lançamentos (RL); Relatório de Documentos Apresentados (RDA) e Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados (RADA); base de cálculo declarada nas folhas de pagamento e nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP); dentre outros. Esses documentos, somados entre si, permitem a completa verificação dos valores e cálculos utilizados na constituição do crédito tributário. Além disso – no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD e no Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal TEPF –, todos assinados por representantes da empresa, constam a documentação utilizada para caracterizar e concretizar a hipótese fática do fato gerador das contribuições lançadas e a informação de que o sujeito passivo recebeu toda a documentação utilizada para caracterizar os valores lançados no presente lançamento fiscal. Posteriormente, isso foi confirmado pelo Relatório Fiscal de fls. 21/23. Com isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o lançamento fiscal foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias dos segurados empregados e contribuintes individuais, fazendo constar nos relatórios que o compõem (fls. 01/29) os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do lançamento fiscal são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade e não serão acatadas. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/10/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15540.000345/201011 Acórdão n.º 2402003.111 S2C4T2 Fl. 6 9 CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER, em parte, do recurso e, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Caso o Fisco ainda não tenha proferida a decisão definitiva das questões concernentes à exclusão do regime diferenciado de tributação SIMPLES FEDERAL (processo 10730.006526/200525), deverá haver a suspensão dos efeitos deste Acórdão, eis que a cobrança do crédito objeto do presente auto de infração somente poderá ser levado a efeito quando transitado em julgado o processo de exclusão desse regime diferenciado. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/10/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000314/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
CONTABILIDADE. CIRCUNSTÂNCIA QUE NÃO CONFERE CREDIBILIDADE AOS REGISTROS CONTÁBEIS. CONTABILIDADE DESCLASSIFICADA. ARBITRADO O LUCRO. Não se pode conferir credibilidade à contabilidade quando materialmente se verifica que ela não reflete a realidade das operações comerciais e bancárias realizadas pela empresa.
O artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1995, ao usar a expressão de que o lucro será arbitrado, nos casos que especifica, não confere faculdade à autoridade fiscal, mas sim comando impositivo quanto à forma de tributação. Assim verificado quem a contabilidade não registra a maior parte das transações realizadas pela empresa, impõe-se o arbitramento do lucro para fins de apuração do IRPJ e da CSLL.
DESPESAS E CUSTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO INTEGRAL. LUCRO REAL. IMPOSSIBILIDADE. LUCRO ARBITRADO CABIMENTO. Sendo incabível o lançamento que considera lucro real a totalidade das receitas auferidas. Deve-se reduzir a base de cálculo aos valores do lucro arbitrado.
LUCRO ARBITRADO. INCIDÊNCIA CUMULATIVA. CABIMENTO. Os contribuintes sujeitos à tributação com base no lucro arbitrado estão também sujeitos às normas da incidência cumulativa para apuração da contribuição devida ao PIS e à Cofins.
MULTA QUALIFICADA. Verificada o evidente intuito de fraude, mediante apresentação de DIPJ sem movimento, apesar de a empresa ter auferido receitas no ano todo, aplica-se a multa qualificada.
Recurso de Ofício Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-000.869
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao recurso de ofício nos seguintes termos: 1) Por maioria de votos, restabelecer a base de cálculo do IRPJ e da CSLL para o montante correspondente a 9,6% do total da receita, aplicando-se a sistemática de apuração de base de cálculo do lucro arbitrado, vencida a Conselheira Albertina Silva Santos de Lima, que entendia que o lançamento já deveria ter sido efetuado no regime do lucro arbitrado e negava provimento. 2) Pelo voto de qualidade, restabelecer a qualificação da multa de ofício, vencidos os Conselheiros Carlos Pelá (relator), Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira que reduziam a multa de ofício para 75%. 3) Por unanimidade de votos, restabelecer as exigências de contribuição para o PIS, com a alíquota de 0,65% e da COFINS, com alíquota de 3%. Tudo nos termos do relatório e votos que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Albertina Silva dos Santos Lima - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Pelá - Relator
(assinado digitalmente)
Antônio José Praga de Souza Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima.
Nome do relator: CARLOS PELA
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Recorrida 1a. TURMA DA DRJ EM SÃO PAULO I SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 CONTABILIDADE. CIRCUNSTÂNCIA QUE NÃO CONFERE CREDIBILIDADE AOS REGISTROS CONTÁBEIS. CONTABILIDADE DESCLASSIFICADA. ARBITRADO O LUCRO. Não se pode conferir credibilidade à contabilidade quando materialmente se verifica que ela não reflete a realidade das operações comerciais e bancárias realizadas pela empresa. O artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1995, ao usar a expressão de que o lucro será arbitrado, nos casos que especifica, não confere faculdade à autoridade fiscal, mas sim comando impositivo quanto à forma de tributação. Assim verificado quem a contabilidade não registra a maior parte das transações realizadas pela empresa, impõese o arbitramento do lucro para fins de apuração do IRPJ e da CSLL. DESPESAS E CUSTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO INTEGRAL. LUCRO REAL. IMPOSSIBILIDADE. LUCRO ARBITRADO CABIMENTO. Sendo incabível o lançamento que considera lucro real a totalidade das receitas auferidas. Devese reduzir a base de cálculo aos valores do lucro arbitrado. LUCRO ARBITRADO. INCIDÊNCIA CUMULATIVA. CABIMENTO. Os contribuintes sujeitos à tributação com base no lucro arbitrado estão também sujeitos às normas da incidência cumulativa para apuração da contribuição devida ao PIS e à Cofins. MULTA QUALIFICADA. Verificada o evidente intuito de fraude, mediante apresentação de DIPJ sem movimento, apesar de a empresa ter auferido receitas no ano todo, aplicase a multa qualificada. Recurso de Ofício Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 03 14 /2 01 0- 11 Fl. 361DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA Processo nº 19515.000314/201011 Acórdão n.º 1402000.869 S1C4T2 Fl. 362 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao recurso de ofício nos seguintes termos: 1) Por maioria de votos, restabelecer a base de cálculo do IRPJ e da CSLL para o montante correspondente a 9,6% do total da receita, aplicandose a sistemática de apuração de base de cálculo do lucro arbitrado, vencida a Conselheira Albertina Silva Santos de Lima, que entendia que o lançamento já deveria ter sido efetuado no regime do lucro arbitrado e negava provimento. 2) Pelo voto de qualidade, restabelecer a qualificação da multa de ofício, vencidos os Conselheiros Carlos Pelá (relator), Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira que reduziam a multa de ofício para 75%. 3) Por unanimidade de votos, restabelecer as exigências de contribuição para o PIS, com a alíquota de 0,65% e da COFINS, com alíquota de 3%. Tudo nos termos do relatório e votos que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva dos Santos Lima Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório Tratase de auto de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, multa proporcional qualificada (150%) e juros de mora, referentes aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2005. Conforme descrito nos Autos de Infração e no Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades Fiscais (fls. 237/239), a contribuinte omitiu receitas, constatadas pela fiscalização por meio: (i) da análise do talonário de notas fiscais e dos livros contábeis apresentados, e (ii) da entrega de DIPJ, na qual optou pelo Lucro Real Trimestral, com todos os valores em branco. A fiscalização também relata que a contribuinte, após a ciência do Termo de Início de Fiscalização, apresentou DIPJ, como se original fosse, optando pelo Lucro Presumido e que, apesar das diversas intimações, não comprovou nenhuma de suas despesas. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA Processo nº 19515.000314/201011 Acórdão n.º 1402000.869 S1C4T2 Fl. 363 3 Irresignada com os lançamentos, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 298/312), acompanhada dos documentos de fls. 313 e 314, na qual alega, em síntese, conforme relatório da DRJ/SP1, o seguinte: 5.1. o valor lançado é quase o dobro das receitas auferidas pela impugnante, que possui apertada margem na atividade desenvolvida por serviços prestados ao Poder Público Municipal; 5.2. "em razão de manifesto equivoco da área contábil foi inicialmente transmitida declaração sem apontar qualquer lançamento, ou seja, completamente em branco para o ano calendário 2005, fato que logo em seguida foi sanado com a transmissão da DIRPJ correta e de acordo com a realidade da empresa e de suas movimentações, receitas auferidas e forma de apuração"; 5.3. a fiscalização jamais poderia utilizar a totalidade das receitas do anocalendário de 2005 acrescida das receitas do mês de janeiro de 2006 como base de cálculo (lucro tributável) do IRPJ e da CSLL, mas deveria, no mínimo, ter utilizado o arbitramento para determinação do lucro tributável, conforme as regras dos artigos 519, 530, inciso I e II, 532 e 537 do RIR11999, ainda mais porque considerou deficientes os lançamentos da recorrente e não tinha elementos para apurar o lucro real; 5.4. o erro na determinação da base de cálculo, que torna os valores indevidos, irreais e exorbitantes, contamina o lançamento com vicio insanável de legalidade e o torna nulo de pleno direito, de acordo com decisões transcritas do Conselho de Contribuintes; 5.5. a adequada e correta declaração de IRPJ transmitida e da qual constam os valores e a forma pela qual apurou os tributos (lucro presumido) não deveria ter sido desconsiderada pelo auditor fiscal, que lançou sem ter qualquer elemento que pudesse fundamentar a apuração baseada no lucro real; 5.6. "os valores totais das receitas auferidas no anocalendário 2005 e as do mês de janeiro de 2006, que o Sr. AFRF entendeu incorretamente como receitas omitidas já foram objeto de declaração"; 5.7. o lançamento indevidamente desconsiderou os valores dos tributos retidos pela prefeitura por ocasião do pagamento à recorrente, os valores relativos ao anocalendário 2005 já pagos em virtude de parcelamento e os valores do mês de janeiro de 2006 já declarados pela recorrente no referido anocalendário; 5.8. também houve erro nos lançamento de PIS e COFINS, pois sendo a apuração pelo lucro presumido ou pelo lucro arbitrado, estas contribuições devem ser apuradas pelo regime da cumulatividade com as alíquotas respectivas de 3% e 0,65% e Fl. 363DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA Processo nº 19515.000314/201011 Acórdão n.º 1402000.869 S1C4T2 Fl. 364 4 não 7,6% e 1,65% como foram as utilizadas (inciso II do artigo 10 da Lei n° 10.833/2003); 5.9. é equivocada a aplicação da multa de 150%, pois a recorrente não omitiu receitas ou informações, não adotou medida que tenha dificultado ou embaraçado o trabalho da fiscalização, nem agiu com evidente intuito de fraude, mas sempre apresentou as pertinentes declarações exigidas pela legislação, "tanto que até mesmo apresentou declaração da qual constam suas receitas"; 5.10. "não podemos equiparar, até com base no preceito isonômico, aqueles contribuintes que omitem receitas e sonegam informações quanto às suas bases e movimentações, daqueles que nada omitem e sonegam quanto às suas receitas e informações quanto à movimentação, como é o caso da recorrente que não omitiu ou sonegou informações quanto As suas movimentações, bases e receitas, tanto que a fiscalização utilizouse das informações prestadas pela recorrente em suas declarações"; 5.11. como a recorrente apresentou as declarações e até a própria fiscalização utilizouse das declarações apresentadas pela recorrente, é aplicável o disposto no artigo 5° do Decreto lei n° 2.124/1984, segundo o qual cabe apenas multa de mora de 20% para os tributos confessados, devendo ser afastada a aplicação da multa de oficio qualificada imposta pela fiscalização, conforme decisões do extinto Conselho de Contribuintes transcritas; 5.12. nem cabe a alegação de que a multa aplicada de 150% deverá prevalecer pois supostamente a declaração ocorreu após o inicio do procedimento fiscal, pois não é esse o percentual para a aplicação de multa de oficio ou penalidade isolada, devendo ser reduzida"; e 5.13. "ao menos em relação ao PIS c COFINS sequer caberia a aplicação de multa de oficio, uma vez que inequivocadamente a declaração da recorrente foi anterior à inclusão do PIS e COFINS no procedimento fiscal que ocorreu apenas em MPF datado de 03/12/2008". Após isso, em 29/04/2010, a contribuinte apresentou o requerimento de fl. 315 pelo qual solicita a juntada de documentos comprobatórios do parcelamento da CSLL relativa ao anocalendário 2005 (fls. 316 a 328). Diante do exposto, a 1ª Turma da DRJ/SPO1 entendeu por bem julgar procedente a impugnação apresentada pela contribuinte, cancelando a totalidade do crédito tributário exigido, razão pela qual, a autoridade de primeira instância (Presidente da 1ª Turma da DRJ/SPO1) recorre de ofício a este Conselho. É o Relatório. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA Processo nº 19515.000314/201011 Acórdão n.º 1402000.869 S1C4T2 Fl. 365 5 Voto Vencido Conselheiro Carlos Pelá, Relator Da atenta leitura dos fatos, percebese que a fiscalização agiu corretamente ao não aceitar a declaração retificadora do contribuinte ou a troca do regime de tributação. Isso porque, em que pesem os argumentos do contribuinte sobre o lapso ou equívoco na transmissão da DIPJ em branco, a suposta nova DIPJ somente for a transmitida em 25/08/2008, mais de um ano e meio depois da DIPJ original, quando já havia iniciado o procedimento de fiscalização, em 18/08/2008. Destarte, verificouse que a contribuinte não efetuou nenhum pagamento como contribuinte (não como responsável) de IRPJ, CSLL, PIS ou COFINS anteriormente ao inicio da ação fiscal (fl. 333). E, como se não bastasse, nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTFs), relativas aos semestres de 2005, a contribuinte reafirmou a opção pelo lucro real trimestral e a inexistência de débitos a declarar, tornando, portanto, impossível aceitar a alegação de mero equívoco. Após isso, em 21/09/2009 (fls. 204/205) e 21/10/2009 (fls. 211/212), a autoridade fiscal intimou a contribuinte a comprovar parte de suas despesas, sendo que em nenhuma das duas ocasiões foi apresentado qualquer documento comprobatório das despesas, limitandose a contribuinte a declarar, sem justificar o motivo, que os documentos solicitados não haviam sido encontrados (fls. 207 e 213). Diante da falta de atendimento, a fiscalização passou a intimar a fiscalizada a apresentar todas as Notas Fiscais referentes às despesas consideradas na apuração do lucro real do anocalendário 2005 (em 04/11/2009,Termo de Intimação Fiscal n° 0028, fl. 223/226 em 18/12/2009, Termo de Intimação Fiscal n° 0029, fls. 227/228 em 07/01/2010, Termo de Intimação Fiscal n° 0030, fls. 229/232), bem assim como intimou a contribuinte a apresentar documentos relativos às despesas com depreciação de veículos (em 01/02/2010, Termo de Intimação Fiscal n° 0029, fls. 233/236). Uma vez que nenhuma das intimações foi atendida, a fiscalização glosou todas as despesas contabilizadas pela contribuinte e tributou o total das receitas como se fosse o lucro real da fiscalizada (2° parágrafo de fl. 239). Nesse passo, como bem afirmado pela decisão recorrida, andou mal a fiscalização, já que a conseqüência para o contribuinte que não apresenta a documentação contábilfiscal é ter seu lucro arbitrado, nos termos do inciso III do artigo 530 do RIR/1999. A falta de previsão para a glosa de todas as despesas e custos da contribuinte e a tributação da integralidade da receita como se fosse lucro real, é corroborada pela jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes e do próprio CARF, conforme exposto no acórdão recorrido. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA Processo nº 19515.000314/201011 Acórdão n.º 1402000.869 S1C4T2 Fl. 366 6 Todavia, como assente na jurisprudência deste Colegiado, a tributação de todas as receitas, como se o contribuinte estivesse no lucro real, não conduz imediatamente à nulidade do auto de infração, senão à necessidade de redução da base de cálculo apurada para o percentual devido no regime de apuração pelo lucro arbitrado. Vale dizer, se não há dúvidas a respeito das receitas e não há meios para recompor o lucro real, devese reduzir a base de cálculo até o montante devido de acordo com o lucro arbitrado. Disso decorre que, o PIS e a COFINS também deveriam ter sido lançados com base no lucro arbitrado, com base no regime cumulativo, sob as alíquotas respectivas de 3% e 0,65% e não 7,6% e 1,65% (regime não cumulativo) como foram as utilizadas. Com relação à multa de lançamento de ofício, entendo incabível a sua qualificação, uma vez que, pelo exame dos autos, não se pode identificar quaisquer das condutas eleitas como seu pressuposto (dolo, fraude, simulação), dado que a constatação da omissão se deu na própria escrituração do contribuinte, inclusive os livros contáveis apresentados, relativos a um só exercício. Ademais, tendo sido anulado o lançamento pela DRJ, o argumento do descabimento da qualificadora não foi devidamente enfrentado na decisão de primeira instancia. Posto isso, voto por dar parcial provimento ao recurso de ofício para reduzir o montante do crédito tributário aos percentuais do lucro arbitrado e reduzir as alíquotas de PIS e COFINS para os percentuais aplicáveis ao lançamento pelo lucro arbitrado, afastandose a qualificação da multa por ausência dos pressupostos necessários à sua incidência. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 366DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA Processo nº 19515.000314/201011 Acórdão n.º 1402000.869 S1C4T2 Fl. 367 7 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Redator Designado. O recurso de oficio preenche as condições de dedutibilidade, dele conheço Nos debates para julgamento do recurso voluntário interposto neste processo divergi do ilustre relator, conselheiro Carlos Pelá, apenas quanto a aplicação da multa qualificada de 150%. A meu ver, no presente caso estão reunidos os pressupostos para aplicação da penalidade mais gravosa, conforme minuciosamente descrito pela Fiscalização no TERMO DE VERIFICAÇÃO E CONSTATAÇÃO DE IRREGULARIDADES FISCAIS, às fls. 237 e seguintes, estando patente nos autos que: O contribuinte entregou a DIPJ ano calendário 2005, optando pelo lucro real, porem, com todos os valores em branco; somente após o inicio da auditoria fiscal que o contribuinte buscou regularizarse mediante declaração retificadora, onde informou a receita, mas tentou alterar a tributação pelo lucro presumido; O total das receitas no ano de 2005, apurado pela Fiscalização conforme notas fiscais emitidas pelo contribuinte (fls. 144 a 203) foi de R$ 9.262.869,82. Consoante o enquadramento legal utilizado pela fiscal autuante, a multa qualificada no percentual de 150% tem fulcro no do art. 44, inciso II, da Lei n.o 9.430/96, que, com a redação vigente à época da autuação, assim dispõe: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I – se setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. ...” (grifei). Observo que para os casos de mera falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração ou de declaração inexata será aplicada a multa de 75%, a menos que o fisco detecte e aponte as condutas dolosas definidas como sonegação, fraude ou conluio, consoante a Lei n.º 4.502, de 1964, arts. 71 a 73: “Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Fl. 367DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA Processo nº 19515.000314/201011 Acórdão n.º 1402000.869 S1C4T2 Fl. 368 8 II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” (Grifei). Por sua vez, na Lei n.º 8.137, de 27 de dezembro de 1990, no âmbito do Direito Penal e, portanto, com reflexos no presente caso (aplicação de penalidade qualificada com conhecimento do Ministério Público para fins penais), a sonegação vem definida, de forma genérica, como qualquer conduta dolosa que ofenda a ordem tributária: “Art. 1o Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório mediante as seguintes condutas: I – omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; II – fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; (...) Art. 2o Constitui crime da mesma natureza: I – fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo; ...” (Grifei). O inciso I do art. 1o, bem como o inciso I do artigo 2°, supra transcritos assemelhamse ao tipo penal previsto no artigo 299 do Código Penal, o qual descreve a conduta da falsidade ideológica, que também se materializa neste crime na sua forma omissiva – omitir informação – uma vez que a omissão da verdade pode interferir significativamente no resultado tributário. A importância das declarações entregues ao Fisco fundase nas próprias bases do Direito Tributário. O Código Tributário Nacional estabelece a primazia e importância das informações prestadas tanto pelos contribuintes como por terceiros, elementos estes decisivos no lançamento do crédito tributário. Lembro que a apresentação de declarações, sendo uma obrigação acessória, “decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos.” (CTN, art. 113, § 2º). O Código Tributário Nacional estabelece que o ‘lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação’ (art. 147 CTN). Aliomar Baleeiro observa que ‘até prova em contrário (e também são provas os indícios e as presunções veementes), o Fisco aceita a palavra do sujeito passivo, em sua declaração, ressalvado o controle posterior, inclusive nos casos do art. 149 do CTN. E prossegue, ‘mas, em relação ao valor ou preço dos bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, o sujeito passivo pode ser omisso, reticente ou mendaz. Do mesmo modo, ao prestar informações, o terceiro, por displicência, comodismo ou conluio, desejo de não desgostar o contribuinte etc., às vezes deserta da verdade e da exatidão ...” Fl. 368DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA Processo nº 19515.000314/201011 Acórdão n.º 1402000.869 S1C4T2 Fl. 369 9 Daí que, ao produzir uma declaração falsa destinada ao Fisco, sendo ela capaz de reduzir ou suprimir tributo, configurase o delito, que é consumado com a entrega da declaração. Pelo exposto, com a supressão ou redução de tributo obtida através da falsidade ou omissão de prestação de informações na declaração de rendimentos e/ou bens e, concomitantemente, identificada a vontade do agente em fraudar o fisco, por afastada a possibilidade do cometimento de erro natural, independentemente de haver um outro documento falso, configurase o dolo, a fraude, o crime contra a ordem tributária, o que dá ensejo ao lançamento de ofício com a aplicação da penalidade qualificada. Não resta dúvida de que a falsidade material deixa exposto o evidente intuito de fraude, porém, o dolo elemento subjetivo do tipo qualificado tributário ou do tipo penal também está presente quando a consciência e a vontade do agente para a prática da conduta (positiva ou omissiva) exsurgem de atos que tenham por finalidade impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador e de suas circunstâncias materiais, necessárias a sua mensuração. Neste caso concreto, a autoridade lançadora apontou fatos, sem que haja qualquer prova em contrário, que afastam a possibilidade de simples erro e levam à qualificação da penalidade em virtude da prática dolosa. Diante de tais circunstâncias, não se concebe que outra tenha sido a intenção do sujeito passivo que não a de ocultar do fisco a ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária principal, de modo a evitar seu pagamento, o que evidencia o intuito de fraude e obriga à qualificação da penalidade. Nesse sentido já se manifestou este Conselho, a exemplo dos seguintes acordãos: “MULTA DE OFÍCIO MAJORAÇÃO DO PERCENTUAL SITUAÇÃO QUALIFICATIVA FRAUDE O sujeito passivo, ao declarar e recolher valores menores que aqueles devidos, agiu de modo a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fiscal do fato gerador da obrigação tributária principal, restando configurado que a autuada incorreu na conduta descrita como sonegação fiscal, cuja definição decorre do art. 71, I, da Lei nº 4.502/64. A omissão de expressiva e vultosa quantia de rendimentos não oferecidos à tributação demonstra a manifesta intenção dolosa do agente, tipificando a infração tributária como sonegação fiscal. E, em havendo infração, cabível a imposição de caráter punitivo, pelo que pertinente a infligência da penalidade inscrita no art. 44, II, da Lei nº 9.430/96. Recurso ao qual se nega provimento.” (Ac. 20309129, sessão de 13/08/2003. No mesmo sentido: Ac. 20214693, Ac. 20214692 etc). “REDUÇÕES SISTEMÁTICA E REITERADA DOS MONTANTES TRIBUTÁVEIS USO DE REDUTOR NO ENTE ACESSÓRIO EXIGÊNCIA PERTINENTE Restando provada a manifesta intenção de se ocultar a ocorrência do fato gerador dos tributos com o objetivo de se obter vantagens indevidas em matéria tributária, mormente quando se mantém dualidade de informações de forma sistemática e reiterada , ao longo de vários períodos ao sabor da clandestinidade, impõese a multa majorada consentânea com a tipicidade que se apresenta viciada. Recurso negado.” (Ac. 10706937 de 28/01/2003. Publicado no DOU em: 24.04.2003). “MULTA QUALIFICADA – CONDUTA CONTINUADA – A escrituração e a declaração sistemática de receita menor que a real, provada nos autos, demonstra a intenção, de impedir ou retardar, parcialmente o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal por parte da autoridade fazendária e enquadrase perfeitamente na norma hipotética contida do artigo 71 da Lei Fl. 369DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA Processo nº 19515.000314/201011 Acórdão n.º 1402000.869 S1C4T2 Fl. 370 10 4.502/64, justificando a aplicação da multa qualificada”. ACÓRDÃO CSRF/01 05.810 em 14 de abril de 2008). A colaboração com as investigações no curso da ação fiscal não implica a inexistência de dolo por parte da contribuinte, tampouco afasta prática dolosa anterior. In casu, pelo contrário, pois a escrituração da fiscalizada comprova o dolo e a fraude cometidos quando do lançamento por homologação do tributo, isto é, quando a contribuinte, tendo o dever legal de prestar informações acerca dos fatos geradores ocorridos e antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, omitiu fatos e sonegou imposto e contribuições relativos a 100% das receitas escrituradas. A autuada podia até o início da ação fiscal retificar suas declarações e pagar os tributos devidos, entretanto, assim não procedeu. Houvesse a administração tributária confiado passivamente nas informações prestadas pela contribuinte à época da ocorrência dos fatos geradores, indiscutivelmente tal inércia resultaria em perda irremediável do crédito tributário exsurgido em decorrência do procedimento de ofício. A título de ilustração, cito manifestação do TRF da 4ª Região consentânea com o entendimento ora exposto: ‘PENAL. ART. 1º, I, DA LEI Nº 8.137/90. PRESTAÇÃO DE DECLARAÇÕES FALSAS DE IMPOSTO DE RENDA. SUPRESSÃO DE TRIBUTOS. MATERIALIDADE E AUTORIA. DOLO. ... 3. O dolo é genérico e inerente ao tipo penal do art. 1º, inciso I da Lei 8.137/90, que não prevê a modalidade culposa. 4. "A consumação do crime tipificado no art. 1º, caput, ocorre com a realização do resultado, consistente na redução ou supressão do tributo ou da contribuição social (evasão proporcionada pela prática da conduta fraudulenta anterior). (Andreas Eisele, em "Crimes Contra a Ordem Tributária", 2ª edição, editora Dialética, fl. 146). 5. Apelação improvida.’ (Apelação Criminal nº 2001.71.08.005548−2/RS, DJU de 29/10/2003) Do voto condutor do referido acórdão extraio o seguinte fragmento, por esclarecedor: “(...) 32. No presente caso, justamente o fato de a contribuinte ter emitido Notas Fiscais de fevereiro de 2001 a novembro de 2005 (fls. 422 a 705) e ter sido beneficiária de depósitos bancários (extratos às fls. 165 a 199, 202 a 263, 271 e 277 a 313) cuja origem não foi comprovada (intimação às fls. 314 a 351), ao mesmo tempo em que apresentou Declaração de Inatividade relativa ao anocalendário 2001 (fls. 359 e 360) e Declarações Simplificadas zeradas relativas aos anoscalendário 2002, 2003, 2004 e 2005 (fls. 361 a 399 e 402 a 420) demonstram o dolo (intenção) de praticar as condutas descritas nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/1964, pelo menos em relação aos tributos federais que são os aqui discutidos, motivo para aplicação da multa qualificada de 150%, conforme atual § 1º (antigo inciso II) do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA Processo nº 19515.000314/201011 Acórdão n.º 1402000.869 S1C4T2 Fl. 371 11 33. Assim, no presente caso, está caracterizado o evidente intuito de fraude do sujeito passivo nos termos da Súmula 14 do Primeiro Conselho de Contribuintes, tendo a multa de ofício qualificada sido correta e legalmente aplicada, descabendo as afirmações da autuada em sentido diverso. (...)” Portanto, deve ser mantido o lançamento com a aplicação da multa qualificada sobre os débitos autuados. Da Redução das Bases de Cálculo Mediante Arbitramento dos Lucros Outrossim, registro que na situação versada nos autos o correto é mesmo a apuração das bases de cálculo do IRPJ e CSLL pela sistemática do Lucro Arbitrado, que a meu ver pode ser feito no julgamento administrativo, haja vista que: i) O Arbitramento é medida extrema e irreversível. No lançamento de ofício, se presentes as condições, o arbitramento é impositivo e não facultativo. Não há meio termo. Logo, não só pode como deve ser suscitado de ofício pelos julgadores na revisão do crédito tributário. ii) Tal qual o lançamento de tributos de oficio, o Arbitramento não é penalidade. É a modalidade alternativa, legal é viável, para apuração dos tributos devidos em face da ocorrência do fato gerador. iii) O Arbitramento de lucros não deve ser tratado como uma modalidade de tributação, mas sim de determinação da base de cálculo. Exatamente pela impossibilidade do lucro real ou do lucro presumido (cuja natureza não estamos tratando aqui). iv) O arbitramento do lucro não alcança o núcleo da obrigação tributária, que nasceu com a ocorrência do fato gerador, não implica ou modifica as infrações eventualmente apuradas, não é medida punitiva, muito menos pode agravar a exigência tributária. Considerando essas e outras premissas o Colegiado da 2a. Turma da 4a. Câmara da 1a. Seção do CARF firmou entendimento de que ajustar as bases de cálculo do lançamento de oficio aos critérios do lucro arbitrado, tem amparo na legislação tributária, não implica em mudança de critério jurídico, evitando inclusive que a incidência tributária do IRPJ e CSLL atinja as receitas quando deve se dar sobre o resultado. Em recentes julgamento deste colegiado essa tese tem prevalecido, a exemplo do Acórdão 140200.728 de 29/09/2011, assim ementado: “CONTABILIDADE QUE NÃO REGISTRA A MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. CIRCUNSTÂNCIA QUE NÃO CONFERE CREDIBILIDADE AOS REGISTROS CONTÁBEIS. CONTABILIDADE DESCLASSIFICADA. ARBITRADO O LUCRO. Não se pode conferir credibilidade à contabilidade quando materialmente se verifica que ela não reflete a realidade das operações comerciais e bancárias realizadas pela empresa. O artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1995, ao usar a expressão de que o lucro será arbitrado, nos casos que especifica, não confere faculdade à autoridade fiscal, mas sim comando impositivo quanto à forma de tributação. Assim verificado quem a Fl. 371DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA Processo nº 19515.000314/201011 Acórdão n.º 1402000.869 S1C4T2 Fl. 372 12 contabilidade não registra a maior parte das transações realizadas pela empresa, impõese o arbitramento do lucro para fins de apuração do IRPJ e da CSLL” No voto condutor, da lavra do ilustre conselheiro Moises Giacomelli, destaco os seguintes fundamentos. “Os demonstrativos acima, apurados pela fiscalização a partir de verificações, demonstram que a contabilidade da empresa não merece credibilidade, pois os valores das transações omitidas superam ao montante dos operações registradas. Não se pode conferir credibilidade à contabilidade, só porque ela preenche os requisitos formais, quando materialmente se verifica que ela não reflete a realidade da empresa. O artigo 47, II da Lei nº 8.981, de 1997, determina que o lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou Entendese por contabilidade na forma da lei aquela que registra integralmente e não parte reduzida das operações comerciais e transações bancárias. No caso dos autos, a apuração feita pela autoridade fiscal demonstrou que a recorrente teve omissões em montante maior ao das receitas registradas. Tal fato demonstra, de forma inquestionável, que a contabilidade apresentada pela recorrente não atendia aos requisitos especificados nos incisos I e II, do artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1997 e artigos 529 e 530, do Regulamento do Imposto de Renda, que nestas situações determinam que o lucro deve ser arbitrado. O arbitramento do lucro não é faculdade concedida pela lei, mas sim imposição. O artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1995, não usa a expressão poderá, mas sim será arbitrado. Constatado fraude que não identifica as efetivas operações da empresa, a autoridade fiscal, mesmo para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, deve arbitrar o lucro. O artigo 241 da Lei nº 9.249, de 1996, deve ser aplicado em conjunto com o artigo 472 da Lei nº 8.981, de 1995. Nos casos em que a contabilidade da empresa 1 Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. § 1º. No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. § 2º. O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, da Contribuição para o PIS/Pasep e das contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita. (Redação dada ao parágrafo pela Lei nº 11.941, de 27.05.2009, DOU 28.05.2009, conversão da Medida Provisória nº 449, de 03.12.2008, DOU 04.12.2008). 2 Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real ou submetido ao regime de tributação de que trata o DecretoLei nº 2.397, de 1987, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; Fl. 372DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA Processo nº 19515.000314/201011 Acórdão n.º 1402000.869 S1C4T2 Fl. 373 13 apresentar deficiência ao ponto de registrar menos da metade das operações, deverá a autoridade fiscal proceder o arbitramento do lucro. Não é regular a contabilidade que deixa de registrar a maior parte das transações realizadas pelo contribuinte. O artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1995, ao usar o comando de que o lucro será arbitrado nos casos que especifica, não confere faculdade à autoridade fiscal, mas sim comando impositivo quanto à forma de tributação. Portanto, entendo que não merece reparos o voto Relator quanto ao ajuste das bases de cálculo do IRPJ e CSLL à sistemática do lucro arbitrado, bem como do PIS e Cofins ao regime de tributação cumulativo, porem, mantendo a multa qualificada. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de restabelecer a base de cálculo do IRPJ e da CSLL para o montante correspondente a 9,6% do total da receita, aplicandose a sistemática de apuração de base de cálculo do lucro arbitrado; restabelecer a qualificação da multa de ofício; restabelecer as exigências de contribuição para o PIS, com a alíquota de 0,65% e da COFINS, com alíquota de 3%. É este o voto condutor do presente acórdão. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou Fl. 373DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 01/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/01/2013 por CARLOS PELA
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Numero do processo: 12963.000158/2009-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3402-000.461
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado por unanimidade de votos em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator), Mário César Fracalossi Bais (Suplente), Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Silvia de Brito Oliveira, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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RESOLVEM os membros do Colegiado por unanimidade de votos em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator), Mário César Fracalossi Bais (Suplente), Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Silvia de Brito Oliveira, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 29 63 .0 00 15 8/ 20 09 -2 7 Fl. 259DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 260 ___________ Relatório Versa o processo de Auto de Infração por falta ou insuficiência de recolhimento de COFINS, no valor originário de R$ 244.636,46, sendo R$ 115.777,13 referentes ao valor da contribuição, R$ 42.026,50 referentes à juros de mora e R$ 86.832,83 referentes à multa proporcional, originados de diferenças apuradas entre a DCTF e a DACON entregues pelo contribuinte. DA IMPUGNAÇÃO Cientificado do Auto de Infração em 16/06/2009, conforme AR de fls. 19, o contribuinte apresentou Impugnação (fls. 23/26), aduzindo que o lançamento realizado pelo Fisco originase de um equívoco no momento do preenchimento da DCTF, estando correta a informação prestada pela DACON, apresentando documentos que, na sua concepção, comprovariam a verdade material da contabilidade da empresa. Alega ainda que, em 25/05/2006, retificou a DCTF para fazer constar o valor correto. No mesmo dia o contribuinte requereu a compensação das diferenças apuradas, por meio de PER/DCOMP para quitar os débitos. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise aos argumentos sustentados pelo sujeito passivo em sua defesa, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) (DRJ/JFA), houve por bem em considerar improcedente a impugnação apresentada, proferido Acórdão nº. 0934.150, ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2006 LANÇAMENTO DE OFICIO. PERDA DA ESPONTANEIDADE Iniciado o procedimento de ofício, o contribuinte perde o direito de recolher e/ou compensar espontaneamente, as diferenças de tributos em relação ao período fiscalizado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em apertada síntese a DRJ competente para o julgamento entende que tanto a DCTF retificadora, quando a DCOMP, foram transmitidas posteriormente ao início da fiscalização, o que impossibilita a compensação espontânea. Desta forma, deveria o contribuinte ter efetuado a compensação dos valores originários, juntamente com a adição da multa de ofício no montante de 75% do valor devido. Nestes termos, houve o cancelamento de oficio da DCOMP transmitida, sendo possibilitado ao contribuinte transmitir nova declaração de compensação para compensar os débitos lançados com as respectivas multas de ofício. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificado do Acórdão supracitado em 04/04/2011, conforme AR de fls. 196, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 197/206) em 02/05/2011, repisando os Fl. 260DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 12963.000158/200927 Resolução nº 3402000.461 S3C4T2 Fl. 261 3 mesmos argumentos já levantados em sede de Manifestação de Inconformidade, que por respeito à brevidade, não os repetirei. Sustenta ainda que tratase de mero erro de fato, não justificandose a penalização do contribuinte, haja vista que não houve qualquer atitude delituosa dolosa, que de ensejo à aplicação das multas e a desconsideração da DCOMP transmitida. DO JULGAMENTO PELO CARF Em sessão realizada em data de 26/01/2012, a 2ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 3ª Seção entendeu, por meio da Resolução nº 330200.181, que a Autoridade Lançadora não tem competência para cancelar PER/DCOMP apresentada por contribuinte, inclusive por não existir previsão legal acerca desta possibilidade. Desta forma, foi convertido o julgamento em diligência, determinando que a repartição de origem da RFB junte aos autos cópia da decisão proferida no PER/DCOMP enviado pelo contribuinte. DA DISTRIBUIÇÃO Havendo o cumprimento da diligência por parte da repartição de origem da RFB, os autos retornaram ao CARF para prosseguimento no julgamento. Ao ser submetido a julgamento pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta 3ª Seção, partindo da compreensão de que este processo estaria atrelado ao resultado de julgamento do processo nº 19991.000149/200948, distribuído a este relator, determinou a redistribuição deste Processo de nº 12963.000158/200927, para julgamento conjunto. Diante da redistribuição realizada, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 01 (um) Volume, numerado até a folha 258 (duzentos e cinquenta e oito), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. Versam os autos de Auto de Infração originado de diferenças apuradas entre a DCTF e a DACON entregues pelo contribuinte, o qual, após o início do procedimento fiscal, apresentou DCTF retificadora, fazendo coincidir a dívida confessada com os valores constantes da DACON, e efetuou a compensação do débito declarado através da DCOMP nº 34162.76896.250509.1.3.096632. Após a decisão da DRJ ter mantido o lançamento por entender que após o termo de início de fiscalização não seria possível ao contribuinte efetuar a compensação do débito declarado, e consequentemente cancelar a referida DCOMP, o sujeito passivo manejou Recurso Voluntário inicialmente distribuído à 2ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 3ª Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, houve decisão que afastou Fl. 261DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 12963.000158/200927 Resolução nº 3402000.461 S3C4T2 Fl. 262 4 o cancelamento da DCOMP, por falta de previsão legal para referido procedimento, bem como determinou a realização de diligência para que fosse decidido sobre a homologação ou não da DCOMP restabelecida, juntando cópia da referida decisão nestes autos. Quando do retorno da diligência, constatouse que a DCOMP mencionada foi tida como não homologada ante a ausência de créditos, sendo que restou consignado o que segue: A lide estabelecida no presente processo nº 12963.000158/200927 passa por duas questões. Primeira: o crédito utilizado na compensação declarada pela empresa na DCOMP nº 34162.76896.250509.1.3.096632 foi reconhecido pela RFB ou pelo CARF? Segunda: é permitido ao contribuinte, iniciado o procedimento fiscal e dentro do prazo fixado no art. 47 da Lei nº 9.430/96, efetuar a compensação de crédito líquido e certo com débito declarado no DACON e não declarado em DCTF, com multa de mora? Ou seja, para que possa haver o julgamento do mérito deste processo, necessariamente deverseá verificar se houvera a homologação da compensação levada à cabo pelo contribuinte, o que passa pela análise do mérito do processo em que se discute a existência ou não do direito de crédito em favor do contribuinte. Apenas na hipótese de existes crédito disponível ao contribuinte é que será viável questionar se ele estava autorizado à efetuar a compensação do débito declarado, mesmo após o início da fiscalização, bem assim, os efeitos que esta compensação produzirá sobre o débito objeto do lançamento. Compulsando os autos, constatase que o indeferimento dos pedidos de ressarcimento, e, consequentemente, a inexistência de créditos acumulados em operações de venda ao exterior de seus produtos, estão fundados na existência de indícios de fraude e de inidoneidade em relação aos fornecedores da Recorrente, afetando diretamente o direito aos créditos pleiteados, conforme relatório de fls. 1157/1164v. Pelo despacho de encaminhamento destes autos para esta 4ª Câmara, ficou consignado que a compensação, objeto da DCOMP nº 34162.76896.250509.1.3.096632, estava sendo controlada pelo Processo Administrativo nº 19991.000149/200948, de minha relatoria. Sendo assim, para que seja possível a análise dos créditos postos à compensação pelo contribuinte, que produzirão efeitos sobre o Auto de Infração aqui discutido, necessário se faz que seja solucionada a questão atinente à idoneidade dos fornecedores que dão azo aos créditos pretendidos. Como se depreende das informações juntadas à estes autos, tanto pelo Fisco quanto pelo próprio contribuinte, a questão da idoneidade dos fornecedores está sendo discutida em Processo Administrativo nº 13656.000021/200666, de relatoria do Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte, da 1ª Turma Ordinária, da Quarta Câmara, da 3ª Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no qual existe Recurso Voluntário pendente de julgamento. É dizer, o Processo Administrativo nº 19991.000149/200948, igualmente está subordinado à decisão que será proferida no citado processo nº 13656.000021/200666. Assim, a solução da lide aqui posta está condicionada à solução que for dada àquele Processo de nº 13656.000021/200666, configurando questão de prejudicialidade destes autos, com aqueles distribuídos ao Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 12963.000158/200927 Resolução nº 3402000.461 S3C4T2 Fl. 263 5 Isto porque, reconhecida a inidoneidade dos fornecedores afirmada pela Administração e negada/questionada pelo contribuinte, realmente não subsistirão créditos em favor do sujeito passivo, e, consequentemente, não se poderá homologar as compensações deles decorrentes. Por outro lado, afastada a fraude e inidoneidade, o efeito será contrário, mantendose os créditos com as consequências pertinentes. Deste modo, entendo que o julgamento do processo deve ser convertido em diligência, ficando sobrestado até que haja julgamento final do Processo Administrativo nº 13656.000021/200666 de relatoria do Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 1/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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Numero do processo: 15940.000042/2007-82
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
CIÊNCIA DO LANÇAMENTO. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL.
A ciência do lançamento, quando efetuada por via postal, se dá pelo simples recebimento da correspondência no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. O fato de o empresário individual estar ou não viajando nesta data é irrelevante para a caracterização do lançamento que foi cientificado por via postal.
DECADÊNCIA.
Se a ciência do lançamento ocorreu antes do prazo de 5 (cinco) anos contados da data dos fatos geradores, não há decadência do crédito tributário por qualquer dos prazos previstos no Código Tributário Nacional - CTN.
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR EMPREITADA. COEFICIENTE PARA A PRESUNÇÃO DE LUCRO.
Quando não ficar comprovado o uso de materiais que foram incorporados à obra, o coeficiente para a presunção do lucro na atividade de prestação de serviços de instalações elétricas, auxiliares da construção civil por empreita-da, é de 16%, desde que a receita bruta anual da empresa seja de até R$ 120.000,00. Ultrapassado este limite, o coeficiente a ser aplicado na mesma atividade passa para 32% em todos os trimestres do ano-calendário.
ADICIONAL DE IRPJ.
A parcela do lucro presumido excedente a R$ 60.000,00 em cada trimestre sujeita-se à incidência do adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento.
MULTA DE OFÍCIO.
A multa de ofício padrão, no percentual de 75%, foi estabelecida para punir a mera falta de pagamento ou recolhimento de tributo. Sua aplicação independe da caracterização de outros elementos ou circunstâncias, tanto do ponto de vista objetivo, quanto do subjetivo (intenção do agente). Incabível a aplicação da multa moratória de 20%, uma vez que o tributo não foi confessado espontaneamente pelo Contribuinte em documento hábil à execução fiscal, e a exigência de ofício é sempre acompanhada da multa de 75%.
MULTA QUE ACOMPANHA O TRIBUTO. EFEITO DE CONFISCO. MATÉRIA NÃO EXAMINADA PELO CARF.
O acolhimento das alegações sobre o percentual da multa de ofício implicaria no afastamento de norma legal vigente (artigo 44, I, Lei 9.430/96), por suposto vício de inconstitucionalidade, e falece a esse órgão de julgamento administrativo competência para provimento dessa natureza, que está a cargo do Poder Judiciário, exclusivamente.
Numero da decisão: 1802-001.394
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. A ciência do lançamento, quando efetuada por via postal, se dá pelo simples recebimento da correspondência no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. O fato de o empresário individual estar ou não viajando nesta data é irrelevante para a caracterização do lançamento que foi cientificado por via postal. DECADÊNCIA. Se a ciência do lançamento ocorreu antes do prazo de 5 (cinco) anos contados da data dos fatos geradores, não há decadência do crédito tributário por qualquer dos prazos previstos no Código Tributário Nacional CTN. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR EMPREITADA. COEFICIENTE PARA A PRESUNÇÃO DE LUCRO. Quando não ficar comprovado o uso de materiais que foram incorporados à obra, o coeficiente para a presunção do lucro na atividade de prestação de serviços de instalações elétricas, auxiliares da construção civil por empreita da, é de 16%, desde que a receita bruta anual da empresa seja de até R$ 120.000,00. Ultrapassado este limite, o coeficiente a ser aplicado na mesma atividade passa para 32% em todos os trimestres do anocalendário. ADICIONAL DE IRPJ. A parcela do lucro presumido excedente a R$ 60.000,00 em cada trimestre sujeitase à incidência do adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício padrão, no percentual de 75%, foi estabelecida para punir a mera falta de pagamento ou recolhimento de tributo. Sua aplicação independe AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 00 00 42 /2 00 7- 82 Fl. 321DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15940.000042/200782 Acórdão n.º 1802001.394 S1TE02 Fl. 3 2 da caracterização de outros elementos ou circunstâncias, tanto do ponto de vista objetivo, quanto do subjetivo (intenção do agente). Incabível a aplicação da multa moratória de 20%, uma vez que o tributo não foi confessado espontaneamente pelo Contribuinte em documento hábil à execução fiscal, e a exigência de ofício é sempre acompanhada da multa de 75%. MULTA QUE ACOMPANHA O TRIBUTO. EFEITO DE CONFISCO. MATÉRIA NÃO EXAMINADA PELO CARF. O acolhimento das alegações sobre o percentual da multa de ofício implicaria no afastamento de norma legal vigente (artigo 44, I, Lei 9.430/96), por suposto vício de inconstitucionalidade, e falece a esse órgão de julgamento administrativo competência para provimento dessa natureza, que está a cargo do Poder Judiciário, exclusivamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15940.000042/200782 Acórdão n.º 1802001.394 S1TE02 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que manteve o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa da Jurídica – IRPJ dos quatro trimestres do anocalendário 2002, no valor total de R$ 84.747,99, estando incluído neste montante a multa de 75 % e os juros moratórios. A tributação se deu pelo lucro presumido, conforme a opção do Contribuinte. De acordo com a Fiscalização, houve aplicação incorreta do coeficiente para determinação do lucro, eis que o Contribuinte utilizou o percentual de 16% sobre as receitas da atividade de instalação e manutenção elétrica, quando o correto seria 32%. Após cientificado do lançamento, o Contribuinte apresentou impugnação, às fls. 231 a 241, e seus argumentos estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1434.571 (fls. 288 a 293): • Como se vê no Registro de Firma Individual, datado de 06/06/1995, possuía a atividade de “Comércio varejista material elétrico e eletrônico e Serviços de reparação, manutenção, instrumentos, máquinas, aparelhos”. Posteriormente, em 06/06/1997, alterou a atividade para “Obras de Instalação Elétrica” e, em 05/12/2003, para comerciante; • O Fisco quer dar o conceito de construção civil como sendo apenas aquele constante no inciso II do art. 70 da IN SRF nº 480, de 2004, e de definições da doutrina. Entretanto, no presente caso, a norma complementar aplicável é o Ato Declaratório Normativo Cosit n° 6, de 1997; • A sua atividade é de construção civil, a qual engloba várias etapas, iniciando pelo projeto de engenharia e planejamento, incluindo as obras de hidráulica e elétrica. Aplicou e faturou em conjunto material e mão de obra nas empreitadas que contratou para a realização de obras de instalações elétricas parte de uma construção civil por empreitada, como já fez prova durante a fiscalização; .• Não é devido o adicional sobre o IRPJ, pois nos quatro trimestres do anocalendário de 2002, não foi ultrapassado o limite da receita para tal incidência; • Decadência relativamente ao fato gerador de 31/03/2002, tendo em vista que tomou conhecimento do lançamento somente em 06/04/2007, apesar de no Aviso de Recebimento (AR) constar a data de 29/03/2007, pois estava viajando. O objeto postal referente ao .envelope com o auto de infração e anexos somente lhe foi entregue depois do seu retorno da viagem a serviço; Fl. 323DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15940.000042/200782 Acórdão n.º 1802001.394 S1TE02 Fl. 5 4 • A multa de ofício não deve prevalecer, pois, por meio da DIPJ e DCTF, informou a totalidade de sua receita, além de não ter apresentado qualquer obstáculo ao desenvolvimento da ação fiscal. Deve ser exigida apenas a multa de mora; • As multas devem guardar proporção com o valor do tributo, sob pena de destruir a fonte produtora, violar o direito de propriedade; de associação, a capacidade contributiva e o princípio do não confisco. Como mencionado, a DRJ Ribeirão Preto/SP manteve o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2002 BASE .DE CÁLCULO. PERCENTUAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR EMPREITADA. É de 32% (trinta e dois por cento) o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do imposto de renda apurado pelo lucro presumido, na atividade de prestação de serviços de instalações elétricas, na construção civil por empreitada, quando não ficar comprovado o emprego de materiais que serão incorporados à obra. IRPJ. ADICIONAL. A parcela do lucro presumido excedente a R$ 60.000,00 em cada trimestre sujeitase à incidência do adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 CIÊNCIA DO LANÇAMENTO. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. A data da ciência do lançamento, quando a intimação é efetuada por via postal, corresponde à data da entrega da correspondência no domicílio tributário eleito pelo contribuinte. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 DECADÊNCIA. IRPJ. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação extinguese no prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador, no caso de haver pagamento antecipado do tributo e não se verificar a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15940.000042/200782 Acórdão n.º 1802001.394 S1TE02 Fl. 6 5 A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei MULTA DE OFÍCIO. O lançamento decorrente de procedimento fiscal implica a exigência de multa de ofício, cujo percentual é fixado em lei. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com essa decisão, da qual tomou ciência em 30/11/2011, o Contribuinte apresentou recurso voluntário em 21/12/2011, onde reitera os mesmos argumentos de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Este é o Relatório. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15940.000042/200782 Acórdão n.º 1802001.394 S1TE02 Fl. 7 6 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme o relatório, o Contribuinte questiona lançamento para exigência de IRPJ/Lucro Presumido nos quatro trimestres do anocalendário 2002. De acordo com a Fiscalização, houve aplicação incorreta do coeficiente para determinação do lucro, porque o Contribuinte utilizou o percentual de 16% sobre as receitas da atividade de instalação e manutenção elétrica, quando o correto seria 32%. No anocalendário 2002, o Contribuinte auferiu receitas no montante de R$976.734,00, conforme indica a DIPJ juntada aos autos (fls. 182/183), cujos valores estão sintetizados no quadro abaixo: PA Receitas declaradas em 2002 na DIPJ 1º Trimestre 246.450,00 2º Trimestre 388.424,00 3º Trimestre 252.810,00 4º Trimestre 89.050,00 Total 976.734,00 A partir destes valores estão sendo exigidas as diferenças de IRPJ decorrentes da incorreta aplicação do coeficiente para a presunção do lucro. Inicio a apreciação do recurso pela preliminar de decadência. O contribuinte questiona a data da ciência da autuação, argumentando que tomou conhecimento do lançamento somente em 06/04/2007, apesar de constar no Aviso de Recebimento (AR) a data de 29/03/2007. Ele alega que estava viajando neste período. O Decreto nº 70.235/1972, que cuida do Processo Administrativo Fiscal – PAF, é bastante claro a esse respeito: Art. 23. Farseá a intimação: I – (...) Fl. 326DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15940.000042/200782 Acórdão n.º 1802001.394 S1TE02 Fl. 8 7 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) § 2° Considerase feita a intimação: I – (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (grifo acrescido) Vêse que a ciência da intimação, quando efetuada por via postal, se dá pelo seu simples recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, o que ocorreu em 29/03/2007. O fato de o empresário individual estar ou não viajando nesta data é completamente irrelevante para a caracterização do lançamento que foi cientificado por via postal. Deste modo, os prazos decadenciais previstos no CTN (art. 150 ou art. 173) não alcançam nenhum dos período trimestrais de 2002. Preliminar rejeitada. Quanto ao mérito, é importante registrar que o próprio Contribuinte havia utilizado em sua DIPJ o coeficiente de 16%, que é aplicado pelos prestadores de serviços em geral, quando sua receita bruta anual é de até R$ 120.000,00. Se for ultrapassado este limite, como ocorreu aqui, o coeficiente a ser aplicado na mesma atividade passa para 32%, conforme os dispositivos do RIR/1999, abaixo transcritos: Art.518.A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada (...) Art.519.Para efeitos do disposto no artigo anterior, considerase receita bruta (...) §1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de (Lei no 9.249, de 1995, art. 15, §1o): Fl. 327DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15940.000042/200782 Acórdão n.º 1802001.394 S1TE02 Fl. 9 8 (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; (...) §4o A base de cálculo trimestral das pessoas jurídicas prestadoras de serviços em geral cuja receita bruta anual seja de até cento e vinte mil reais, será determinada mediante a aplicação do percentual de dezesseis por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração (Lei no 9.250, de 1995, art. 40, e Lei no 9.430, de 1996, art. 1o). §5o O disposto no parágrafo anterior não se aplica às pessoas jurídicas que prestam serviços hospitalares e de transporte, bem como às sociedades prestadoras de serviços de profissões legalmente regulamentadas (Lei no 9.250, de 1995, art. 40, parágrafo único). §6o A pessoa jurídica que houver utilizado o percentual de que trata o §5o, para apuração da base de cálculo do imposto trimestral, cuja receita bruta acumulada até determinado mês do anocalendário exceder o limite de cento e vinte mil reais, ficará sujeita ao pagamento da diferença do imposto postergado, apurado em relação a cada trimestre transcorrido. Pelas normais acima, se a receita bruta acumulada no decorrer do ano exceder o limite de R$ 120.000,00, todos os trimestres daquele ano ficam submetidos ao coeficiente de 32%, e não mais de 16%. No caso sob exame, vêse que o Contribuinte, mesmo com uma receita bruta anual de R$ 976.734,00, aplicou o coeficiente de 16% para a presunção do lucro em todos os trimestres de 2002, o que resultou em apuração a menor de IRPJ, e motivou o presente lançamento. Ele passou, então, a alegar que o coeficiente para a presunção do lucro de sua atividade não seria nem 32%, nem 16%, mas sim 8%. Deste modo, não haveria recolhimento a menor de IRPJ, e nem falta de recolhimento do adicional. A decisão recorrida examinou esta questão nos seguintes termos: Quanto ao mérito, a contribuinte alega que sua atividade é de Construção civil e .que aplicou e faturou em conjunto material e mão de obra nas empreitadas. O Ato Declaratório (Normativo) n° 06, de 13/01/1997, interpretando o art. 15 da Lei n° 9.249, de 1995, no que se refere à prestação de serviços relativos à construção por empreitada, dispôs: Fl. 328DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15940.000042/200782 Acórdão n.º 1802001.394 S1TE02 Fl. 10 9 I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8%. (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou seja, sem o emprego de materiais. A Solução de Consulta n° 278, da 8ª RF (DOU de 08/11/2004) decidiu, com base no ADN n° 6, de 1997, que para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda pelo lucro presumido aplicase o percentual de 8% sobre a receita bruta auferida em decorrência da prestação de serviços de instalações elétricas, com fornecimento de material, como sendo um serviço auxiliar da construção civil. Sendo assim, de posse dos contratos de prestação de serviços e das notas fiscais de serviços prestados apresentados pela contribuinte, verificase que neles não há indicação de fornecimento de materiais, mas tãosomente de mãodeobra e dos equipamentos inerentes à execução dos serviços. Os materiais a que se refere a norma são aqueles incorporados à obra, e não os instrumentos de trabalho utilizados ou os materiais consumidos na execução da obra. Dessa forma, no presente caso, o percentual correto a ser aplicado para a obtenção da base de cálculo do IRPJ com base no lucro presumido é 32%. Relativamente ao adicional do IRPJ, dispõe o art. 542 do RIR, de 1999: Art. 542. A parcela do lucro real, presumido ou arbitrado que exceder o valor resultante da multiplicação de vinte mil reais pelo número de meses do respectivo período de apuração, sujeitase à incidência de adicional de imposto à alíquota de dez por cento (Lei n° 9.249, de 1995, art. 3°, § 1°, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 4°). Constatase que, aplicandose o percentual correto de 32% sobre a receita bruta, o lucro presumido apurado excede o limite acima fixado. Portanto, correto o lançamento. Em sede de recurso, o Contribuinte apenas reiterou as mesmas alegações de sua impugnação, sem refutar os fundamentos acima transcritos, pelo que os adoto nesta decisão, para também manter o lançamento. Quanto à multa de ofício, primeiramente, cabe esclarecer que não foi aplicada pela Fiscalização a penalidade referente às hipóteses de sonegação ou fraude, no percentual de 150% (multa qualificada), mas sim a multa de ofício padrão, no percentual de 75%, que sempre acompanha o crédito tributário quando este é constituído de ofício, por meio de auto de Fl. 329DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15940.000042/200782 Acórdão n.º 1802001.394 S1TE02 Fl. 11 10 infração, e que foi prevista para os casos de simples falta de pagamento ou recolhimento de tributo, conforme determina o art. 44, I, da Lei 9.430/1996: Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; No caso, não cabe a aplicação da multa moratória de 20%, uma vez que o tributo não foi confessado espontaneamente pela Contribuinte em documento hábil à execução fiscal, e a exigência de ofício, conforme já mencionado, é sempre acompanhada da multa de 75%. Finalmente, no que toca à alegação sobre a desproporcionalidade e o efeito de confisco da multa de ofício, cujo acolhimento implicaria no afastamento de norma legal vigente (art. 44, I, da Lei 9.430/96), por suposta inconstitucionalidade, cabe ressaltar que realmente falece aos órgãos de julgamento administrativo competência para provimento dessa natureza, que está a cargo do Poder Judiciário, exclusivamente. A matéria, inclusive, já foi sumulada por este Conselho: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Oportuno lembrar que apenas de modo excepcional, quando presente alguma das hipóteses previstas no § 6º do art. 26A do Decreto nº 70.235/1972 – PAF (norma incluída pela Lei 11.941/2009), é que a Administração Pública deixaria de aplicar a referida norma legal: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e Fl. 330DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15940.000042/200782 Acórdão n.º 1802001.394 S1TE02 Fl. 12 11 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Ocorre que a multa qualificada de 75% não se subsume a nenhuma das hipóteses acima transcritas. Diante do exposto, rejeito a preliminar de decadência, e, no mérito, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 331DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 19647.006707/2007-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
REVISÃO DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. INÍCIO DE AÇÃO FISCAL. PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. PERDA DA ESPONTANEIDADE.
A emissão de termo de intimação fiscal, por servidor competente, caracteriza início de procedimento fiscal e exclui a espontaneidade do sujeito passivo, o que somente se descaracteriza pela ausência, por mais de sessenta dias, de outro ato escrito de autoridade que lhe dê prosseguimento. Desta forma, se o contribuinte está sob procedimento fiscal, eventual retificação da Declaração de Ajuste Anual não caracteriza espontaneidade, tampouco enseja a nulidade do lançamento de ofício.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.198
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Pandolfo.
Nome do relator: NELSON MALLMANN
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INÍCIO DE AÇÃO FISCAL. PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. PERDA DA ESPONTANEIDADE. A emissão de termo de intimação fiscal, por servidor competente, caracteriza início de procedimento fiscal e exclui a espontaneidade do sujeito passivo, o que somente se descaracteriza pela ausência, por mais de sessenta dias, de outro ato escrito de autoridade que lhe dê prosseguimento. Desta forma, se o contribuinte está sob procedimento fiscal, eventual retificação da Declaração de Ajuste Anual não caracteriza espontaneidade, tampouco enseja a nulidade do lançamento de ofício. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Odmir AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 67 07 /2 00 7- 37 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN 2 Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Pandolfo. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 19647.006707/200737 Acórdão n.º 2202002.198 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório ALCINA DE FÁTIMA HENRIQUES DE GUSMÃO, contribuinte inscrita no CPF/MF 124.035.55487, com domicílio fiscal na cidade Recife, Estado de Pernambuco, à Rua Hoel Sette, nº 144 – Apto 1101, Bairro Jaqueira, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Recife PE, inconformada com a decisão de Primeira Instância de fls. 37/41, prolatada pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife PE, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 45/48. Contra a contribuinte acima mencionada foi lavrado, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Recife PE, em 29/05/2007, Notificação de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 05/06), com ciência através de AR, em 13/06/2007 (fls. 18), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 4. 246,19 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto de renda, relativo ao exercício de 2005, correspondente ao anocalendário de 2004. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de revisão de Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício de 2005, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver as seguintes irregularidades: 1 DEDUÇÃO INDEVIDA COM DEPENDENTES: Glosa do valor de R$ 1.272, 00, correspondente à dedução indevida com dependentes, por falta de comprovação da relação de dependência. Infração capitulada nos arts. 8.°, inciso II, alínea "c”, e 35, da Lei n.° 9.250, de 1995 e arts. 2.° e 15, da Lei n.° 10.451, de 2002. 2 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS – DIMOB: Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse omissão de rendimentos de aluguéis, recebidos de pessoa física, pelo titular e/ou dependentes, no valor de R$ 3.132,00 , informados na Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (Dimob) pela(s) administradora(s) de imóveis. Na apuração da omissão foi considerado o valor liquido do aluguel, já deduzido da comissão correspondente. Infração capitulada nos arts. 1º ao 3º e §§, e 8.°, da Lei n.° 7.713, de 1988; arts. 1º ao 4.°, da Lei n.° 8.134, de 1990 e 1° e 15, da Lei n° 10.451, de 2002. 3 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VINCULO E/OU SEM VINCULO EMPREGATÍCIO: Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil constatouse omissão de rendimentos do trabalho com vinculo e/ou sem vinculo empregatício, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 8.029,63, recebido pelo titular e/ou dependentes, da fonte pagadora Universidade Federal de Pernambuco. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 0,00. Infração capitulada nos arts. 1° ao 3° e §§, e 8°, da Lei n° 7.713, de 1988; arts. 1° ao 4°, da Lei n° 8.134, de 1990 e arts. 1° e 15, da Lei n° 10.451, de 2002. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN 4 Em sua peça impugnatória de fls. 01/02, apresentada, tempestivamente, em 09/07/2007, a contribuinte, se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência da Notificação de Lançamento, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que, na Solicitação de Retificação de Lançamento apresentada em 07 de maio de 2007, referente a Notificação de Lançamento nº 20051604410092912058, a contribuinte declare que se sentiu cerceada no seu direito à assistência técnica e da possibilidade de apresentar retificação da declaração conforme amparo dos arts. 830, 831 e 832 de Decreto 3.000 de 26.03.1999 — RIR/99, não obstante, a Secretaria da Receita Federal no Recife insiste em não proporcionar o que é de JUSTIÇA e DIREITO à contribuinte; que, em virtude do fato acima, a contribuinte não pôde refazer sua declaração de IRPF2005 para retirar de sua dependência o CPF 007.632.70431, fato que seria a opção de escolha caso fosse mostrado a repercussão em sua declaração dos rendimentos auferidos pela dependente; que, mas, como pode ser constatado, a dependente de CPF 007.632.70431 — apresentou declaração IRPF2005 e, portanto, deve ser retirada da relação de dependência (lançamento indevido — por lapso); que o valor de R$ 8.029,63 foi declarado pelo CPF 007.632.70431, portanto, não deverá ser lançado no IRPF2005 da contribuinte por caracterizar uma tributação. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pela impugnante, os membros da 2° Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife PE concluíram pela improcedência da impugnação, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que, inicialmente a impugnante aduz que se sentiu cerceada sobre a possibilidade de apresentar declaração retificadora conforme permitido nos arts. 830 a 832 do RIR/99, para retirar desta a dependente Ana Karenina Henriques Gusmão e alega que esta apresentou sua DIRPF do ano de 2005 em separado, na qual estariam tributados os referidos rendimentos, juntando copia às fls. 09/12; que, entretanto, analisandose a Declaração de Rendimentos do IRPF/2005 apresentada pela dependente Ana Karenina Henriques Gusmão CPF no 007.632.70431 às fls. 09/12, constatase que, apesar de nesta haverem sido oferecidos à tributação os rendimentos ora em discussão, a referida declaração foi entregue na data de 09/07/2007, após, portanto, a ciência da segunda Notificação de lançamento, uma vez que a primeira fora substituída integralmente após a apresentação da SRL, que ocorreu em 13/06/2007; que, desta forma, o que pretende a notificada em sua impugnação, é a aceitação, pela autoridade administrativa, da retificação da sua DIRPF, no sentido de ser retirado desta, a dependente Ana Karenina Henriques Gusmão, com o escopo de que sejam retirados também os rendimentos por ela percebidos no anocalendário de 2004; que, acordo com o art. 147 § 1º do Código Tributário Nacional, a retificação de Declaração de Rendimentos por iniciativa do contribuinte somente é admissível mediante comprovação de erro em que se funde e antes de notificado do lançamento de oficio; que, do excerto acima, inferese que a exclusão da espontaneidade do sujeito passivo, em razão do inicio de ação fiscal contra este instaurada, alcança todos os atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações Fl. 59DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 19647.006707/200737 Acórdão n.º 2202002.198 S2C2T2 Fl. 4 5 verificadas o que significa que a DIRPF apresentada pelo dependente da autuada com o fito de tornar improcedente o lançamento efetivado com base na DIRPF por esta apresentada e já fiscalizada, posteriormente à instauração da fiscalização, não poderá ser acatada, dada a sua influência na apuração da infração em comento; que, o mesmo se aplica à solicitação da contribuinte para que seja excluída da sua declaração como dependente, Ana Karenina Henriques Gusmão CPF n° 007.632.704 31, uma vez que tal pedido implica em retificação de declaração após o inicio da ação fiscal, conforme já declinado anteriormente; que cumpre ressalvar que o disposto no texto legal préfalado, não implica em vedação da retificação das declarações efetuadas pelo sujeito passivo, antes de notificado do lançamento, mesmo porque, se assim o fosse, estaria indo de encontro ao disposto no art. 147 do CTN. No entanto, tais disposições, guardam consonância com o disposto no parágrafo único do art.138 do CTN, segundo o qual, não se considera espontânea a denúncia apresentada pelo sujeito passivo após o inicio de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração; que vêse, assim, que, por uma medida de precaução e para não prejudicar o andamento dos trabalhos fiscais, o legislador estabeleceu que, uma vez iniciado o procedimento fiscal, qualquer iniciativa do contribuinte fiscalizado e dos demais envolvidos nas infrações verificadas, no sentido de celebrar atos que visem interferir nas infrações apuradas, tais como, declarar receitas ou tributos antes não declarados, não teriam mais o efeito da denuncia espontânea de que trata o art.138 do CTN préfalado; que a contribuinte também alega a existência de duplicidade de tributação sobre o mesmo rendimento. Entretanto, conforme já visto anteriormente, a declaração da dependente Ana Karenina Henriques Gusmão CPF n° 007.632.70431 registrando tais rendimentos foi apresentada posteriormente à lavratura da Notificação de lançamento, o que a torna indevida. Além disso, na referida declaração, os rendimentos referenciados não sofreram nenhuma tributação, uma vez que a base de cálculo nela apurada (R$ 8.029,63) ficou abaixo do valor de isenção estabelecido na Tabela Progressiva Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas para o ano de 2004, correspondente a R$ 12.696,00; que no que se refere à glosa da dedução com dependente relacionada A. Ana Paula Henriques Gusmão, bem como à omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas físicas apontada na autuação, a contribuinte não apresentou qualquer contestação, razão pela qual as considero como não impugnadas, com base no que dispõe o art. 17 do Decreto n° 70.235, de 1972. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO APÓS INICIADO O PROCEDIMENTO FISCAL Não pode o contribuinte, em seu beneficio, obter a retificação de declaração de rendimentos, após iniciado o procedimento fiscal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 60DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN 6 Anocalendário: 2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase como não impugnada matéria não expressamente contestada pelo impugnante, nos termos do art. 17 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 04/01/2010, conforme Termo constante à fl. 44, e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, em tempo hábil (01/02/2010), o recurso voluntário de fls. 45/48, instruído pelos documentos de fls. 49/50, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que a Receita Federal possui os mecanismos necessários para bloquear qualquer tentativa ilegítima de retificação de declaração IRPF, como o fez para o CPF da impugnante. Se para os CPFs 007.632.70431 e 043.265.38481 não havia bloqueio para entrega das respectivas declarações, é coerente deduzir que a opção era legitima e, portanto, exeqüível; que, conforme o art. 147 § 1° do Código Tributário Nacional, a contribuinte solicitou a essa repartição (por lhe ser vedado fazer de modo próprio) que, em virtude dos CPFs 007.632.70431 e 043.265.38481 terem apresentado declarações IRPF2005, retificasse sua declaração de ajuste anual e retirasse de seu corpo tais dependentes, pois havia no caso um erro material, e os valores ora postos à tributação em sua declaração já havia, coerente e legitimamente, sido informados e tributados nas declarações já apresentadas pelas respectivas exdependentes; que a contribuinte, em momento algum, pleiteou a espontaneidade do sujeito passivo após o inicio do procedimento fiscal (art. 7° e seu § 1° do Decreto 70.235 de 1972), porém invocou o art. 833 do Decreto 3.000 — RIR/99, que faculta ao sujeito passivo a retificação de sua declaração de ajuste anual; que, contribuinte tem consciência do lapso ocorrido e solicitou que essa repartição que corrigisse o que fosse de direito, ou seja, excluíssem de sua dependência os CPFs 007.632.70431 e 043.265.38481, assumindo o ônus que tais exclusões pudessem acarretar em sua declaração de ajuste anual. É o Relatório. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 19647.006707/200737 Acórdão n.º 2202002.198 S2C2T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Nelson Mallmann, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Da análise preliminar da matéria, verificase que a autoridade lançadora entendeu haver as seguintes irregularidades: (1) dedução indevida com dependentes; (2) omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas físicas – DIMOB e (3) omissão de rendimentos do trabalho com vinculo e/ou sem vinculo empregatício. A autoridade julgadora de primeira instância resolveu julgar procedente o lançamento, por entender que a contribuinte não logrou comprovar existência de irregularidade no lançamento efetuado. Inconformada, em virtude de não ter logrado êxito na instância inicial, a contribuinte apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância onde se insurge contra o lançamento mantido pela autoridade julgadora, argüindo, inicialmente, preliminar de nulidades do lançamento e, no mérito, tece considerações sobre a impossibilidade de se manter a tributação, sob o entendimento de que demonstrou o equívoco cometido. É de ressaltar, inicialmente, que no que se refere à glosa da dedução com dependente relacionada à Ana Paula Henriques Gusmão, bem como à omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas físicas apontada na autuação, a contribuinte não apresentou qualquer contestação na fase impugnatória, razão pela a autoridade julgadora em primeira instância considerou que não houve impugnação, com base no que dispõe o art. 17 do Decreto n° 70.235, de 1972. Aduz que se sentiu cerceada sobre a possibilidade de apresentar declaração retificadora conforme permitido nos arts. 830 a 832 do RIR/1999, para retirar desta a dependente Ana Karenina Henriques Gusmão e alega que esta apresentou sua DIRPF do ano de 2005 em separado, na qual estariam tributados os referidos rendimentos, juntando copia às fls.09/12. Entretanto, analisandose a Declaração de Rendimentos do IRPF/2005 apresentada pela dependente Ana Karenina Henriques Gusmão CPF no 007.632.70431 às fls. 09/12, constatase que, apesar de nesta haverem sido oferecidos à tributação os rendimentos ora em discussão, a referida declaração foi entregue na data de 09/07/2007, após portanto, a ciência da segunda Notificação de lançamento, uma vez que a primeira fora substituída integralmente após a apresentação da SRL, que ocorreu em 13/06/2007. Desta forma, o que pretende a notificada em sua impugnação, é a aceitação, pela autoridade administrativa, da retificação da sua DIRPF, no sentido de ser retirado desta, a Fl. 62DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN 8 dependente Ana Karenina Henriques Gusmão, com o escopo de que sejam retirados também os rendimentos por ela percebidos no anocalendário de 2004. No que diz respeito à espontaneidade da retificação da Declaração de Ajuste Anual da recorrente, impõese necessário verificar se, em verdade, houve ou não apresentação espontânea da mesma, bem como se existe alguma justificativa razoável para se processar a Declaração de Ajuste Anual em questão em outra data, senão aquela original prevista na legislação de regência. Ora, com a devida vênia, o Processo Administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União e o de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal é regido pelo Decreto nº 70.235, de 1972, e alterações posteriores. O referido decreto tem status de lei, pois ele regula e não apenas regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União. Por isso, as alterações são processadas por dispositivo legal de igual natureza. Diz o Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I – o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; (o destaque não é do original) III – o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1º O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Conforme se infere do citado artigo, o início do procedimento fiscal é objetivo, isto é, atuação da autoridade administrativa tendente a verificar a relação jurídico tributária sobre determinado fato para se apurar ou não infração à legislação tributária. Tanto é verdadeira essa afirmativa, que o inciso I, quando diz “o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto”, a exclusão da espontaneidade do contribuinte está vinculada aos termos de intimações emitidos. Ora, é cristalino nos autos que foi lavrado pela fiscalização da Secretaria da Receita Federal, em cumprimento ao Decreto nº 70.235, de 1972, as intimações e a Notificação de Lançamento. É o que basta para dar início ao procedimento fiscal e este ato exclui a espontaneidade do sujeito passivo e este somente se descaracteriza se ficar, por mais de sessenta dias, sem outro ato escrito de autoridade que lhe dê prosseguimento. Assim, uma vez iniciado o procedimento fiscal, toda e qualquer alteração na Declaração de Ajuste Anual do período sob fiscalização deve ser efetuada de ofício pelo Auditor Fiscal da Receita Federal responsável pelo procedimento, e, na apuração de eventuais infrações cometidas pelo fiscalizado, este dela pode participar, recebendo as intimações fiscais e fornecendo os esclarecimentos, informações e documentos que julgue necessários. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 19647.006707/200737 Acórdão n.º 2202002.198 S2C2T2 Fl. 6 9 Não se admite as declarações retificadoras apresentada após a ciência do início do procedimento de oficio, não tendo as mesmas o condão de anular ou alterar o auto de infração lavrado e tampouco acarretam duplicidade de lançamento, visto que não produzem efeitos legais. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de rejeitar a preliminar suscitada pela Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 64DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN
score : 1.0
Numero do processo: 10640.004405/2008-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Sun Mar 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
Podem ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes.
Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação.
Hipótese em que o recorrente não trouxe qualquer comprovação para duas das despesas glosadas, e apresentou comprovante de pagamentos em nome de terceiro para outra.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-002.050
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
_____________________________________
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente.
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Carlos Andre Rodrigues Pereira, Célia Maria de Souza Murphy, Eivanice Canario da Silva, Alexandre Naoki Nishioka.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Podem ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação. Hipótese em que o recorrente não trouxe qualquer comprovação para duas das despesas glosadas, e apresentou comprovante de pagamentos em nome de terceiro para outra. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 44 05 /2 00 8- 09 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10640.004405/200809 Acórdão n.º 2101002.050 S2C1T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Carlos Andre Rodrigues Pereira, Célia Maria de Souza Murphy, Eivanice Canario da Silva, Alexandre Naoki Nishioka. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrada a Notificação de Lançamento fls. 12 a 15, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2007, para glosar dedução indevida de despesa médica, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$3.270,54, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 1 a 11), acatada como tempestiva. O relatório do acórdão de primeira instância descreveu os argumentos do recurso da seguinte maneira (fl. 60): Þ a impugnante desconhece os profissionais Damião Lopes da Silva e Suzane Vasconcelos Zanotti, sendo que os valores glosados não procedem, porquanto não ocorreu qualquer consulta a esses profissionais; Þ em relação à Unimed/Juiz de Fora, segue em anexo (fl. 11), o respectivo recibo, no valor de R$ 2.392,88, que comprova os gastos realizados perante esse plano de saúde; Þ em tópico nominado “Do Direito”, discorre a impugnante sobre doutrina acerca do princípio da legalidade, segurança jurídica, ato administrativo; Þ após, expõe ementas de Acórdãos produzidos por Delegacias de Julgamento e do Conselho de Contribuintes; Þ por fim, requer que seja extinto o crédito contido na notificação de lançamento e mantidas as deduções tributárias pleiteadas. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 59 a 61): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2007 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10640.004405/200809 Acórdão n.º 2101002.050 S2C1T1 Fl. 4 3 Ratificamse as alterações levadas a efeito pela autoridade revisora, no tocante à glosa de despesas médicas, mormente quando a própria impugnante afirma desconhecer os prestadores de serviços que constaram de sua DIRPF, bem como em relação a plano de saúde oferece documento relacionado à terceira pessoa não relacionada como sua dependente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 13/5/2011 (fl. 64), o contribuinte apresentou, em 1/6/2011, recurso voluntário onde afirma que: a) os recibos comprovam as despesas médicas, que a efetividade dos tratamentos foi comprovada por meio de declarações dos próprios profissionais e que os pagamentos foram realizados em moeda corrente; b) uma vez que o AuditorFiscal desconfie da veracidade das informações veiculadas nesses documentos, cabe a ele a prova da falsidade; c) houve violação ao princípio da legalidade. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. O contribuinte deduziu R$26.087,66 de despesas médicas no exercício de 2007 (fl. 26). Entretanto, foram glosados R$11.892,88 por falta de comprovação, com relação às seguintes despesas (fl. 13): NOME DO BENEFICIÁRIO VALOR Antonio Damião Lopes da Silva 4.500,00 Suzane Vasconcelos Zanotti 5.000,00 Unimed/Juiz de Fora 2.392,88 TOTAL 11.892,88 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10640.004405/200809 Acórdão n.º 2101002.050 S2C1T1 Fl. 5 4 Em sua impugnação, o contribuinte afirma desconhecer os dois primeiros profissionais, e busca comprovar a despesa com a Unimed com o recibo de fl. 11 cujo contratante é Luciana Santiago de Oliveira. O acórdão recorrido manteve as glosas por falta de comprovação para as duas primeiras, e porque a responsável pela despesa da Unimed não foi incluída como dependente na declaração de ajuste do exercício de 2007 (fl. 24). No voluntário, o recorrente afirma que comprovou suas despesas médicas com declarações e recibos emitidos pelos profissionais. Para fazer jus a deduções na Declaração de Ajuste Anual, tornase indispensável que o contribuinte observe todos os requisitos legais, sob pena de ter os valores pleiteados glosados. Afinal, todas as deduções, inclusive as despesas médicas, por dizerem respeito à base de cálculo do imposto, estão sob reserva de lei em sentido formal, por força do disposto na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), art. 97, inciso IV. Por oportuno, confirase o estabelecido na Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, a propósito de dedução de despesas médicas: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...). II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...). § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Por sua vez, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, art. 73, dispõe: Fl. 81DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10640.004405/200809 Acórdão n.º 2101002.050 S2C1T1 Fl. 6 5 Art.73.Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). Verificase, portanto, que a dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está, sim, condicionada ao preenchimento de alguns requisitos legais. Observese que a dedução exige a efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente, e que o pagamento tenha se realizado pelo próprio contribuinte. Contudo, ao contrário do afirmado no voluntário, o contribuinte não trouxe qualquer comprovação para duas das despesas glosadas, e apresentou comprovante de pagamentos em nome de terceiro para outra. Diante do exposto, não existindo documentos que comprovem as deduções pleiteadas, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 82DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10320.003204/2009-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. RELATÓRIO DE CO-RESPONSÁVEIS E VÍNCULOS. SUBSÍDIO PARA FUTURA AÇÃO EXECUTÓRIA. Os relatórios de Co-Responsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de lançamento e autuação e se destinam a esclarecer a composição societária da empresa no período do débito, a fim de subsidiarem futuras ações executórias de cobrança. Esses relatórios não são suficientes para se atribuir responsabilidade pessoal. MULTA MORATÓRIA E MULTA DE OFÍCIO Quanto à multa, não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme previa o art. 35 da Lei n ° 8.212/1991, com a redação vigente à época do lançamento, válido para as competências até 11/12008. a partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35-A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício.Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. A aplicação do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, traz percentuais variáveis, de acordo com a fase processual em que se encontre o processo de constituição do crédito tributário e se mostra mais benéfico ao contribuinte, uma vez em que se aplicando a redação dada pela Lei n.º 11.941/2009, mais precisamente o artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, o valor da multa seria mais oneroso ao contribuinte, pois deveria ser aplicado o artigo 44, I da Lei n.º 9430/96. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conceder provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei n. 8212 de 1991 para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008. Marco Andre Ramos Vieira - Presidente. Liege Lacroix Thomasi - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silverio, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. RELATÓRIO DE CORESPONSÁVEIS E VÍNCULOS. SUBSÍDIO PARA FUTURA AÇÃO EXECUTÓRIA. Os relatórios de CoResponsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de lançamento e autuação e se destinam a esclarecer a composição societária da empresa no período do débito, a fim de subsidiarem futuras ações executórias de cobrança. Esses relatórios não são suficientes para se atribuir responsabilidade pessoal. MULTA MORATÓRIA E MULTA DE OFÍCIO Quanto à multa, não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme previa o art. 35 da Lei n ° 8.212/1991, com a redação vigente à época do lançamento, válido para as competências até 11/12008. a partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício.Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. A aplicação do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, traz percentuais variáveis, de acordo com a fase processual em que se encontre o processo de constituição do crédito tributário e se mostra mais benéfico ao contribuinte, uma vez em que se AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 32 04 /2 00 9- 80 Fl. 388DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 aplicando a redação dada pela Lei n.º 11.941/2009, mais precisamente o artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, o valor da multa seria mais oneroso ao contribuinte, pois deveria ser aplicado o artigo 44, I da Lei n.º 9430/96. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conceder provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei n. 8212 de 1991 para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silverio, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato Fl. 389DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10320.003204/200980 Acórdão n.º 2302002.002 S2C3T2 Fl. 361 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal foi lavrado em 30/09/2009 e cientificado ao sujeito passivo através de registro postal em 06/10/2009, referindose às contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados do setor rural e não rural, apuradas através do confronto dos valores recolhidos em GPS e informados nas folhas de pagamento e GFIP’s, nas competências de 01/2006 a 12/12008. O relatório fiscal de fls. 36/46 diz que a notificada declarase em GFIP como empresa do ramo específico da atividade rural – FPAS 604, mas tais GFIP’s apresentam o campo “Comercialização da Produção – PJ com valor zero. Na auditoria fiscal restou comprovado que a empresa não é agroindústria, porque não industrializa sua produção e não comercializa a ração produzida em sua fábrica, utilizada para consumo próprio. Além do que, adquire produtos rurais industrializados e os comercializa, tipificando atividade mercantil, sendo que também cria frangos que são comercializados como “frangos vivos”. Aduz, ainda o relatório que não há divergência entre os valores constantes das folhas de pagamento e informados em GFIP. Após a impugnação, Acórdão de fls. 328/336, pugnou pela procedência do lançamento. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso, onde alega em síntese; a) que o lançamento contém características de iliquidez e certeza, que a autoridade fiscal não preocupouse em detalhar e fundamentar os motivos de seu entendimento pessoal; b) que foi tributado o “não tributável”, pois foram levados à tributação negócios jurídicos realizados por intermédio de pessoas jurídicas contratadas pela recorrente; c) que a auditoria afastou a verdade material, desconsiderando as provas juntadas; d) que a fiscalização utilizou de forma arbitrária documentos que não condizem com a verdade material; e) que a pretensão creditória não pode subsistir para os diretores da notificada, pois não são sujeitos passivos da obrigação tributária; f) que é inaplicável a multa por ser confiscatória; g) que é descabida a SELIC. Requer o acolhimento do recurso, a reforma da decisão recorrida e a improcedência do auto de infração para extinguir o crédito tributário e arquivar o processo. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 É o relatório. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10320.003204/200980 Acórdão n.º 2302002.002 S2C3T2 Fl. 362 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Da Preliminar Não vislumbro a tese de nulidade do auto de infração, pois não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O relatório fiscal descreve o fato gerador da contribuição previdenciária, que é a remuneração paga aos segurados empregados da recorrente, apuradas nas folhas de pagamento e declaradas por ela em GFIP’s. Não pertencem ao lançamento parcelas de natureza discutível, pois a própria autuada é que informou os valores de remuneração, sobre os quais incidiram a contribuição previdenciária. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 São totalmente inócuas as alegações de que foram tributados negócios jurídicos inexistentes, porque as bases de cálculo das contribuições lançadas referemse às remunerações informadas em folha de pagamento e GFIP’s. A recorrente foi devidamente intimada de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Fl. 393DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10320.003204/200980 Acórdão n.º 2302002.002 S2C3T2 Fl. 363 7 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Quanto à solicitada exclusão dos administradores do pólo passivo da autuação, cabe esclarecer que a relação de coresponsáveis, anexada aos autos pela Fiscalização, não tem como escopo incluir os sócios da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa, pois o chamamento dos responsáveis só ocorre em fase de execução fiscal, em consonância com o parágrafo 3o do artigo 4o da Lei no 6.830/80, e após se verificarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa. A responsabilização dos sócios somente ocorrerá por ordem judicial, nas hipóteses previstas na lei e após o devido processo legal. O débito foi lançado somente contra a pessoa jurídica e, neste momento, os sócios não sofreram restrições em seus direitos. Assim, esta discussão é inócua na esfera administrativa, sendo mais apropriada na via da execução judicial, na hipótese dos responsáveis serem convocados, por decisão judicial, para satisfação do crédito. Ademais, os relatórios de CoResponsáveis e de Vínculos fazem parte de todos processos como instrumento de informação, a fim de se esclarecer a composição societária da empresa no período do lançamento ou autuação, relacionando todas as pessoas físicas e jurídicas, representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação. O art. 660 da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005 determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativofiscais e esclarece: Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: (...) X Relação de CoResponsáveis CORESP, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; XI Relação de Vínculos VÍNCULOS, que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; Do Mérito A notificação teve por base as informações prestadas pela recorrente em folhas de pagamento e GFIP,s e o confronto das mesmas com os valores recolhidos em GPS, de forma que se tornam incontroversos os valores lançados e totalmente inócua a alegação de nulidade frente à falta de comprovação dos valores devidos. Fl. 394DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 As folhas de pagamentos foram preparadas pela própria recorrente que reconheceu, através da inclusão das rubricas salariais no campo destinado à remuneração dos segurados, a incidência sobre as mesmas das contribuições sociais lançadas pela fiscalização. Não pertencem ao lançamento impugnado parcelas contestadas pelo recorrente quanto à sua natureza salarial ou não. A base de cálculo considerada pela fiscalização coincide com o montante de salários informado pela recorrente. Acrescentase, ainda, que a partir de 01/01/99, com a implantação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social – GFIP, os valores nela declarados são tratados como confissão de dívida fiscal, nos termos do artigo 225, §1° do Decreto n° 3.048, de 06/05/99: Art.225. (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. Assim sendo, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração, tanto das folhas de pagamento como da GFIP, caberlheia demonstrálo e providenciar sua retificação; no entanto, embora oferecida essa oportunidade durante todo o processo, não o fez. Apreciada a regularidade das bases de cálculo consideradas pela fiscalização, passase ao exame das exações exibidas no relatório discriminativo analítico do débito. Todos os recolhimentos e créditos do recorrente foram devidamente considerados para o cálculo das contribuições e todas as rubricas levantadas decorrem de regrasmatrizes legalmente criadas e que, portanto, não podem ser afastadas do lançamento sob pena de se negar aplicação aos diplomas legais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico. Cuidou a autoridade fiscal de demonstrar ao recorrente em seu relatório de fundamentos legais do débito todos os dispositivos legais e regulamentares que impõem a obrigação tributária de recolhimento. O relatório fiscal também detalha a improcedência da utilização do código FPAS 604, privativo de empresas com atividade rural, enquanto nas GFIP’s não consta qualquer informação quanto à comercialização de produção rural. Pelos elementos constantes dos autos é também de se notar, que a recorrente não está enquadrada como agroindústria, pois não industrializa a sua produção, nem comercializa a produção de sua fábrica de ração, destinada apenas a consumo próprio. Documentos constantes do Anexo II do Relatório Fiscal, fls.53/151. A recorrente não se enquadra como agroindústria. Para tal enquadramento é imprescindível que haja industrialização de produção própria, conforme previsto no art. 22 A da Lei n º 8.212 de 1991. No tocante à taxa SELIC, cumpre asseverar que sobre o principal apurado e não recolhido, incidem os juros moratórios, aplicados conforme determina o artigo 34 da Lei 8.212/91: Fl. 395DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10320.003204/200980 Acórdão n.º 2302002.002 S2C3T2 Fl. 364 9 “... As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, a que se refere o artigo 13, da Lei n.º 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.” O art. 161 do CTN prescreve que os juros de mora serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. No caso das contribuições em tela, há lei dispondo de modo diverso, ou seja, o aludido art. 34 da Lei 8.212/91 dispõe que sobre as contribuições em questão incide a Taxa SELIC. Portanto, está correta a aplicação da referida taxa a título de juros, perfeitamente utilizável como índice a ser aplicado às contribuições em questão, recolhidas com atraso, objetivando recompor os valores devidos. Ainda, quanto à admissibilidade da utilização da taxa SELIC, ressaltamos que o Segundo Conselho, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovou na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28 a Súmula 3, que dita: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. E, com a criação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, tal súmula foi consolidada na Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Quanto à multa aplicada, não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme previa o art. 35 da Lei n ° 8.212/1991, com a redação vigente à época dos fatos geradores até 11/12008. Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. Ainda é de se notar que o lançamento contempla a multa de ofício para a competência 12/2008, em virtude da aplicação do artigo 35A da citada Lei n.º 8.212/91, introduzido pela MP 449 de 03/12/2008, convertida, posteriormente, na Lei 11.941, de 27/05/2009. Também, quanto à multa, tenho o entendimento que à luz da legislação vigente, devem ser aplicadas de forma isolada, conforme o caso, por descumprimento de Fl. 396DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 obrigação principal ou de obrigação acessória, da forma mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disposto no artigo 106, do Código Tributário Nacional. Embora, em algumas vezes, a obrigação acessória descumprida esteja diretamente ligada à obrigação principal, isto não significa que sejam únicas para aplicação de multa conjunta. Pelo contrário, uma subsiste sem a outra e mesmo não havendo crédito a ser lançado, é obrigatória a lavratura de auto de infração se houve o descumprimento de obrigação acessória. As condutas são tipificadas em lei, com penalidades específicas e aplicação isolada. O art. 44 da Lei n º 9.430/96, traz que a multa de ofício de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento , de falta de declaração e nos de declaração inexata. Portanto, está claro que as três condutas não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Quando o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não será aplicada a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; porém, se apesar do pagamento não tiver declarado em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212, justamente por se tratar de condutas distintas. Se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. A multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Desse modo, se o contribuinte tiver declarado em GFIP, mas não tiver pago, o art. 44 da Lei 9.430 não é aplicado pelo motivo de o contribuinte não ter recolhido, mas ter declarado.Neste caso, não se aplica o art. 44 em função de não haver lançamento de ofício, pois o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a GFIP. E nas hipóteses em que o contribuinte não tiver recolhido e não tiver declarado em GFIP, há duas condutas distintas: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em GFIP a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Conforme já foi dito, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Pelo exposto, é de fácil constatação que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. A lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Assim, no caso presente, há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional, o qual dispõe que a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 397DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10320.003204/200980 Acórdão n.º 2302002.002 S2C3T2 Fl. 365 11 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. As multas pelo descumprimento de obrigações acessória e principal devem ser aplicadas de forma isolada. Portanto, no exame do caso em questão é de se ver que a aplicação do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, traz percentuais variáveis, de acordo com a fase processual em que se encontre o processo de constituição do crédito tributário e mostra mais benéfico ao contribuinte, uma vez em que se aplicando a redação dada pela Lei n.º 11.941/2008, mais precisamente o artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, o valor da multa seria mais oneroso ao contribuinte, pois deveria ser aplicado o artigo 44, I da Lei n.º 9430/96, já transcrito anteriormente. A partir da competência 12/2008, deve ser aplicada a multa de ofício na forma como disposto pelo artigo 35 A, da Lei n.º 8.212/91, na redação da Lei n.º11941/2008. Por todo o exposto, Voto pelo provimento parcial do recurso para que a multa seja aplicada de acordo com o artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época dos fatos geradores, para as competências até 11/2008. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 398DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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