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Numero do processo: 10920.001676/2010-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 17/09/2009 a 08/12/2009
MULTA POR CESSÃO DO NOME. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA COMPROVADA. RESPONSABILIDADE DO IMPORTADOR. POSSIBILIDADE.
É devida a aplicação da multa de 10% (dez por cento) do valor da operação de importação se comprova a interposição fraudulenta e que o importador ostensivo cedeu o nome, com vista à ocultação do real comprador das mercadorias importadas.
MULTA POR OMISSÃO DE INFORMAÇÃO NECESSÁRIA À DETERMINAÇÃO DO PROCEDIMENTO DE CONTROLE ADUANEIRO. FALTA DE INFORMAÇÃO DO CNPJ NO CAMPO PRÓPRIO DA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO (DI). CABIMENTO.
A ausência da informação do número de inscrição no CNPJ do suposto encomendante predeterminado no campo próprio da DI descaracteriza a operação de importação por encomenda e altera o procedimento de controle aduaneiro apropriado a real operação de importação, circunstância que configura a prática da correspondente infração.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 17/09/2009 a 08/12/2009
MANADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). DESCUMPRIMENTO DO PRAZO EMISSÃO. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Eventual irregularidade do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não se constitui hipótese legal de nulidade do auto de infração, quando este atende todos os requisitos estabelecidos no art. 142 do CTN e no art. 10 do Decreto 70.235/1972.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.724
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 17/09/2009 a 08/12/2009 MULTA POR CESSÃO DO NOME. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA COMPROVADA. RESPONSABILIDADE DO IMPORTADOR. POSSIBILIDADE. É devida a aplicação da multa de 10% (dez por cento) do valor da operação de importação se comprova a interposição fraudulenta e que o importador ostensivo cedeu o nome, com vista à ocultação do real comprador das mercadorias importadas. MULTA POR OMISSÃO DE INFORMAÇÃO NECESSÁRIA À DETERMINAÇÃO DO PROCEDIMENTO DE CONTROLE ADUANEIRO. FALTA DE INFORMAÇÃO DO CNPJ NO CAMPO PRÓPRIO DA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO (DI). CABIMENTO. A ausência da informação do número de inscrição no CNPJ do suposto encomendante predeterminado no campo próprio da DI descaracteriza a operação de importação por encomenda e altera o procedimento de controle aduaneiro apropriado a real operação de importação, circunstância que configura a prática da correspondente infração. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 17/09/2009 a 08/12/2009 MANADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). DESCUMPRIMENTO DO PRAZO EMISSÃO. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Eventual irregularidade do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não se constitui hipótese legal de nulidade do auto de infração, quando este atende todos os requisitos estabelecidos no art. 142 do CTN e no art. 10 do Decreto 70.235/1972. Recurso Voluntário Negado.
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E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 17/09/2009 a 08/12/2009 MULTA POR CESSÃO DO NOME. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA COMPROVADA. RESPONSABILIDADE DO IMPORTADOR. POSSIBILIDADE. É devida a aplicação da multa de 10% (dez por cento) do valor da operação de importação se comprova a interposição fraudulenta e que o importador ostensivo cedeu o nome, com vista à ocultação do real comprador das mercadorias importadas. MULTA POR OMISSÃO DE INFORMAÇÃO NECESSÁRIA À DETERMINAÇÃO DO PROCEDIMENTO DE CONTROLE ADUANEIRO. FALTA DE INFORMAÇÃO DO CNPJ NO CAMPO PRÓPRIO DA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO (DI). CABIMENTO. A ausência da informação do número de inscrição no CNPJ do suposto encomendante predeterminado no campo próprio da DI descaracteriza a operação de importação por encomenda e altera o procedimento de controle aduaneiro apropriado a real operação de importação, circunstância que configura a prática da correspondente infração. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 17/09/2009 a 08/12/2009 MANADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). DESCUMPRIMENTO DO PRAZO EMISSÃO. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Eventual irregularidade do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não se constitui hipótese legal de nulidade do auto de infração, quando este atende todos os requisitos estabelecidos no art. 142 do CTN e no art. 10 do Decreto 70.235/1972. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 16 76 /2 01 0- 72 Fl. 544DF CARF MF 2 Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório que integra a decisão de primeiro grau, que segue integralmente transcrito: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de crédito tributário no valor de R$ 772.114,92 referente a multa por prestação de forma inexata de informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial (R$ 4.042,82), multa por cessão do nome da pessoa jurídica com vistas ao acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários (R$ 50.405,44) e multa por entregar a consumo ou consumir mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente (R$ 717.666,66). Depreendese do “Termo de verificação fiscal e de descrição dos fatos” que é parte integrante do auto de infração que: A importadora “D & A Comércio Serviços Importação e Exportação Ltda” registrou as Declarações de Importação n° 09/12572021, n° 09/14902584, n° 09/15428193 e 09/1734943 6, no período entre 17/09/2009 e 08/12/2009, declarando ser a importadora e adquirente das mercadorias por elas amparadas. Apenas no campo destinado a “Dados complementares” a interessada registrava que as importações tinham por encomendante a empresa “Têxtil Fine Ltda”. Os documentos que instruíram os despachos de importação traziam como adquirente a “Têxtil Fine Ltda”. A “D & A Comércio Serviços Importação e Exportação Ltda” registrou as Declarações de Importação sem apor no campo próprio o nome da adquirente das mercadorias, conforme determina a legislação, em especial a Lei n° 11.281/2006 e a Instrução Normativa SRF n° 634/2006, pelo fato de a adquirente “Têxtil Fl. 545DF CARF MF Processo nº 10920.001676/201072 Acórdão n.º 3302003.724 S3C3T2 Fl. 631 3 Fine Ltda” estar impedida de importar por ter atingido o limite para o qual havia sido habilitada (habilitação simplificada para atuação no comércio exterior em valor de pequena monta, prevista na Instrução Normativa SRF n° 650/2006). No período no qual o limite para realizar importações ainda não havia sido atingido, a “D & A Comércio Serviços Importação e Exportação Ltda” registrava as operações de importação na modalidade por conta e ordem da “Têxtil Fine Ltda”. Atingido o limite, as operações passaram a ser registradas como se a “D & A Comércio Serviços Importação e Exportação Ltda” fosse a importadora e adquirente das mercadorias, ocultando a informação de que a real adquirente era a “Têxtil Fine Ltda”. Depois que a “Têxtil Fine Ltda” se habilitou como exclusivamente encomendante, as operações voltaram a informar que ela era a adquirente das mercadorias. A simulação realizada propiciou a burla do controle aduaneiro da capacidade econômica da adquirente das mercadorias. A “Têxtil Fine Ltda” antecipava os recursos referentes às importações que a “D & A Comércio Serviços Importação e Exportação Ltda” registrou como sendo por sua própria conta, ou seja, os recursos utilizados nas operações provinham da “Têxtil Fine Ltda”. Posteriormente a “D & A Comércio Serviços Importação e Exportação Ltda” realizava os lançamentos contábeis para ajustálos à modalidade de importação declarada. A “Têxtil Fine Ltda” apresentou, inclusive, cópia de recibo emitido por corretora de seguros, no qual assume o pagamento do seguro internacional das mercadorias. A simulação constatada determina a apreensão das mercadorias para a aplicação da pena de perdimento, nos termos do Decreto lei n° 1.455/1976, com as alterações da Lei n° 10.637/2002, regulamentada pelo artigo 689, inciso XXII, do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 6.759/2009. Entretanto, em razão de as mercadoria terem sido entregues a consumo, por ser a penalidade mais específica aplicável, em face da impossibilidade material da aplicação da pena de perdimento, foi lavrada a multa equivalente ao valor comercial das mercadorias, prevista no artigo 704 do mesmo Regulamento Aduaneiro. A “omissão ou prestação de forma inexata ou incompleta de informação de natureza aduaneiratributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado, qual seja, as informações estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para inclusão em campo próprio da DI, para a descrição detalhada da operação, da identificação completa e endereço das pessoas envolvidas na transação: importador e adquirente (comprador), por NCM (mercadorias com classificação fiscal distintas)” determinou a infração punível com a multa lavrada equivalente a um por cento do valar aduaneiro das mercadorias, prevista no artigo 84, inciso I, da Fl. 546DF CARF MF 4 Medida Provisória n° 2.15835/2001 c/c com os artigos 69 e 81, inciso IV, da Lei n° 10.833/2003. Também foi lavrada a “multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários”, prevista no artigo 33 da Lei n° 1 1.488/2007. Regularmente cientificadas por via postal (AR's fl. 310v), não consta dos autos que a interessada “Têxtil Fine Ltda” tenha apresentado impugnação. A interessada “D A & Comércio Serviços Importação e Exportação Ltda” apresentou a impugnação tempestiva de folhas 315 a 354, com os documentos de folhas 355 a 418 anexados, na qual defende que: A fiscalização foi promovida de forma ilegal, pois perdurou por nove meses e envolveu indevidamente Declarações de Importação já desembaraçadas que não eram o escopo da investigação. Não há que se falar em ocultação do real importador ou cessão do nome da pessoa jurídica, pois a Impugnante jamais tentou ocultar o verdadeiro adquirente da pessoa jurídica em questão, qual seja, a empresa Têxtil Fine. Ao contrário, praticou todos os atos necessários para que a operação de importação ocorresse de forma transparente para a Receita Federal. Não houve ocultação do adquirente, sendo que todos os documentos inclusive aqueles apresentados para o despacho aduaneiro (pedidos, faturas invoice e comerciais, conhecimentos de carga, packing lists) informam que as importações têm como adquirente das mercadorias a “Têxtil Fine Ltda”. “Antes mesmo de iniciar as operações por encomenda, a Impugnante e a empresa Encomendante firmaram “Contrato de Importação por Encomenda”, solicitando a vinculação dos CNPJs das duas empresas na Receita Federal, ocasião na qual foi apresentado uma via do seguinte contrato (doc. Anexo): ...” O importador não omitiu o CNPJ do encomendante no campo “adquirente por conta e ordem” da DI (como quer fazer crer a autoridade fiscalizadora), mas sim, foi impedido de incluílo em razão de um problema operacional pelo Siscomex. Isso porque, ao incluir o CNPJ do encomendante no campo do adquirente por conta e ordem, o sistema analisa o limite de importações do adquirente. Todavia, na modalidade “por encomenda” os reclusos empregados e o limite a ser analisado é o do importador, não do encomendante. A IN SRF n° 634/06 determina que o CNPJ do encomendante deve ser informado “em campo próprio”. Todavia, como até hoje não há “campo próprio”, o parágrafo único de seu artigo 3° recomendou que se indique o CNPJ do encomendante no campo do adquirente “por conta e ordem” e no campo “informações complementares” que se trata de uma importação “por encomenda”. Essa situação acabou por gerar problemas de ordem operacional para o importador, como dito. Fl. 547DF CARF MF Processo nº 10920.001676/201072 Acórdão n.º 3302003.724 S3C3T2 Fl. 632 5 Restou demonstrado que o importador estava impedido operacionalmente pelo sistema de indicar o CNPJ do encomendante no campo do adquirente por conta e ordem. Todavia não houve descumprimento do parágrafo único do artigo 3° da IN SRF 634/06, pois foram tomadas “todas as providências legais necessárias para operacionalização da importação para encomendante prédeterminado, quais sejam: formulou contrato de importação por encomenda com a Têxtil Fine; vinculou o referido contrato na Receita Federal deixando cristalina a operação que iria se realizar, e, por fim; Informou no campo “Informações Complementares” da DI se tratar de importação por encomenda,...” A empresa D & A agiu na mais absoluta boafé, sendo que a não informação do CNPJ do encomendante no campo “adquirente por conta e ordem” da DI poderia ser, no máximo, tratada como mero equívoco, mas muito longe de se caracterizar fraude ou simulação do negócio que queria praticar, qual seja, a própria importação na modalidade “por encomenda”. O erro poderia ser sanado com mera retificação da DI, cumulada, se fosse o caso, com a multa por infração ao controle administrativo aduaneiro, nos termos do art. 711, § 1°, I, do Regulamento Aduaneiro. Não houve nenhum intuito doloso ou fraude, pois os documentos que deveriam ser analisados pela fiscalização juntamente com os dados da Declaração de Importação, no procedimento de conferência aduaneira, sempre deixaram evidente que a adquirente das mercadorias era a empresa “Têxtil Fine Ltda”. A norma exige apenas que o encomendante seja habilitado no Radar. Todavia, diferentemente do que entende a fiscalização, não há a exigência de que a habilitação seja na modalidade de “exclusivamente por encomenda”, pois não há menção específica a qualquer das modalidades. Como o limite a ser verificado é o do importador e não do encomendante, não havia qualquer restrição à realização das importações na modalidade por encomenda. Análise da IN SRF n° 650/06, artigo 2° leva à conclusão que, das submodalidades de habilitação simplificada, apenas aquela que se refere a comércio exterior de pequena monta é que apresenta limitações quanto a valores a serem importados. Portanto, “não pode prosperar qualquer alegação da autoridade fiscal no sentido de que o encomendante estaria “Impedido” de realizar a presente operação por ter seu “limite tomado”, pois quando se tratar de importação por encomenda, não há o que se falar em “limite” de importação para o encomendante, mas tão somente para o importador ostensivo.” No presente caso, a encomendante já havia utilizado seu limite para realizar importações próprias ou por sua conta e ordem. Todavia essa situação não lhe impedia de realizar importações por encomenda. Fl. 548DF CARF MF 6 A importação por encomenda se caracteriza pela aquisição de mercadorias importadas no mercado interno, sendo que essas mercadorias já vêm com o comprador prédeterminado quando sai do exterior. Assim, o encomendante é equiparado a industrial e se sujeita à tributação do IPI como constatou a fiscalização quando da análise das notas fiscais de saída, nas quais o imposto foi destacado e recolhido, não havendo nenhum lançamento por parte da fiscalização. A lei que criou essa modalidade de importação, Lei n° 11.281/2006, também não estabeleceu nenhuma restrição ou limite para as importações por encomenda. Apenas ressalvou que, caso os valores da encomenda sejam incompatíveis com o patrimônio líquido do encomendante, a Receita federal do Brasil pode exigir garantias para a liberação das mercadorias, ou seja, não há impedimento para a importação, apenas eventual exigência de garantia para entrega da mercadoria importada. A fiscalização confunde “lançamentos e pagamentos realizados em processos que as importações foram realmente realizadas na modalidade “por conta e ordem”, com os do processo de importação realizados na modalidade “por encomenda”.” (...) “Por estas razões, restam especificamente impugnados todas as conclusões acerca os lançamentos contábeis apresentados no relatório do Auto de Infração, devendo ser considerados os documentos anexos para a apuração dessas importações.” (sic) A Lei n° 11.281/2006 “nao impediu o importador de receber “sinal” ou “adiantamento” de seus clientes. O requisito legal necessário é que o importador possua “recursos próprios” (art. 11, § 3°), ou seja, “capacidade econômicofinanceira” para suportar a importação, o que é muito diferente.” A lei não ode interferir nas práticas comerciais normais, tal como receber sinal ou antecipação de pagamento. E caso isso ocorresse se estaria diante de uma inconstitucionalidade por contrariar o disposto no art. 1° e art. l70 da Constituição Federal. Ademais a D &A possuía plena capacidade de importação, pois à época dos fatos a estimativa para importações era da ordem de U$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil dólares), ou seja, é uma empresa fortemente consolidada no ramo do comércio exterior, longe de poder ser considerada “empresa laranja”, “empresa fantasma” ou “empresa de fachada”. Portanto, para se saber se as importações foram realizadas com recursos próprios do importador, devese se indagar se “caso não houvessem pagamentos antecipados a importadora teria conseguido realizar a operação?” Em nenhum momento a fiscalização investigou a capacidade financeira da importadora. “Em momento algum a autoridade fiscalizadora consegue comprovar, eficazmente, que foram feitos adiantamentos para a realização das importações, pois os valores remetidos à importadora tratamse de pagamentos por operações já realizadas e não adiantamentos.” Fl. 549DF CARF MF Processo nº 10920.001676/201072 Acórdão n.º 3302003.724 S3C3T2 Fl. 633 7 Pelas razões expostas há que se “concluir pela descaracterização das infrações aplicadas, principalmente quanto à pena de perdimento por ocultação do encomendante da operação, vez que, de fato, não houve qualquer ocultação, muito menos intuito doloso ou tentativa de fraude ou simulação.” Há nulidade por falta de competência da Autoridade Fiscal e pela inexistência de MPFF específico para revisão aduaneira. A fiscalização teve nítido caráter externo e envolveu Declarações de Importação já desembaraçadas, fatos que obrigam a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal específico. O desatendimento à exigência determina a nulidade do procedimento, por vício formal, nos termos do artigo 59 do Decreto 70.235/1972. Houve abuso do poder fiscalizatório, pois o prazo de conclusão do procedimento fiscal foi excessivo, chegando a 268 dias, quando não deveria ultrapassar 90 dias e, se fosse o caso, ser prorrogado por, no máximo mais 90 dias caso houvesse justificativa. Portanto o auto de infração é nulo por vício formal. Há incorreta adequação fática ao enquadramento legal, pois a fiscalização concluiu que as mercadorias deveriam ser apreendidas, porém, presumindo que tenham sido consumidas aplicou a multa do artigo 704 do Regulamento Aduaneiro. Todavia tal multa somente é aplicável para as mercadorias que entram no País sem que tenham sido submetidas aos controles aduaneiros, ou seja, ocultas, sem submissão ao despacho aduaneiro, o que não é caso, pois todas as mercadorias foram devidamente amparadas em Declarações de Importação. E ainda que se admitisse a adequação fática ao artigo 704, seu parágrafo único exclui expressamente sua aplicação “quando houver tipificação mais específica no Regulamento Aduaneiro”. Portanto, se a própria fiscalização concluiu que caberia a apreensão das mercadorias para aplicação da pena de perdimento, a multa em referência não poderia ser aplicada. Dessa forma, há erra na penalidade aplicável, fato que determina a nulidade do auto de infração sem resolução do mérito. O consumo das mercadorias foi presumido pela fiscalização, ou seja, não houve comprovação dessa alegação. Portanto, a multa não pode ser aplicada, devendo, também por este motivo, ser anulado o auto de infração. Há ilegitimidade passiva, pois a pena de perdimento é sanção que visa punir o real adquirente da mercadoria e não o importador ostensivo. Por outro lado, o adquirente não pode responder pela multa prevista no artigo 33 da Lei n° 11.488/2007. A fundamentação legal para aplicação da multa de 10% é nula, pois a fiscalização descreve que houve cessão de nome para operações de exportação, quando, em verdade não foi realizada nenhuma operação de exportação, mas unicamente importações. Fl. 550DF CARF MF 8 Ademais fundamenta a penalidade em dispositivo que trata de perdimento de moeda, completamente estranho aos fatos. Assim, por total desrespeito ao princípio da legalidade e da ampla defesa, tendo em vista o evidente erro/ausência na fundamentação legal aplicada é nula a autuação. Todas as características das operações demonstram que se tratam de operações de importação na modalidade por encomenda, nos termos da Lei n° 11.281/2006, sendo as mercadorias de propriedade do importador, conforme preconiza o Ato Declaratório Normativo n° 7/2002, e posteriormente revendidas ao encomendante prédeterminado. Não houve ocultação do adquirente, tendo o importador plena capacidade financeira para suportar as operações que realizou. No máximo houve irregularidades meramente formais que não determinariam a aplicação da pena de perdimento. É aplicável ao caso o disposto no artigo 102 do Decretolei n° 37/1966, pois o importador declarou voluntariamente, em todos os documentos, que se tratava de importação por encomenda. Todos os tributos foram devidamente recolhidos, portanto aplicável a relevação da pena de perdimento preceituada no artigo 737 do Regulamento Aduaneiro (Decreto n° 7.659/2009). Aplicável também o disposto no artigo 112 do Código Tributário Nacional, para aplicar unicamente, se for o caso, a multa prevista no artigo 711 do Regulamento Aduaneiro. A multa lavrada, prevista no artigo 704 do Regulamento Aduaneiro se refere ao valor comercial das mercadoria se foi calculada pela fiscalização com base nos valores da notas fiscais de saída. Todavia, ao caso se aplicaria, em tese, a conversão da pena de perdimento, prevista no parágrafo 1° do artigo 689 do RA, que equivale ao valor aduaneiro das mercadorias e não do valor das notas fiscais de saída. Requer sejam acatadas as preliminares de nulidade do auto de infração, no mérito seja cancelado o auto de infração. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 466/481), em que, por unanimidade de votos, o lançamento foi considerado procedente em parte e exonerado o crédito tributário no valor de R$ 717.666,66, referente à multa regulamentar do IPI por entregar a consumo ou consumir mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 17/09/2009 a 08/12/2009 NORMAS PROCESSUAIS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. IRREGULARIDADES. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Eventual irregularidade do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não se constitui hipótese legal de nulidade do lançamento. Fl. 551DF CARF MF Processo nº 10920.001676/201072 Acórdão n.º 3302003.724 S3C3T2 Fl. 634 9 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 17/09/2009 a 08/12/2009 INFRAÇÃO. SUBSUNÇÃO DOS FATOS A NORMA. PENALIDADE. A caracterização da infração depende da subsunção dos fatos à norma que a tipifica, sem o que é impossibilitada a aplicação de penalidade. IMPOSTO. INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. O adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, é responsável solidário pelo imposto de importação e responde conjunta ou isoladamente pela infração. A autuada D&A Comércio Serviços Importação e Exportação Ltda., doravante denominada D&A, foi cientificada da decisão de primeira instância em 11/2/2011, (fls. 484/487) e a responsável solidária Têxtil Fine Ltda., doravante denominada Têxtil Fine, foi cientificada em 22/2/2011 (fls. 489/490), mas não apresentou recurso voluntário. Em 14/3/2011, a autuada D&A apresentou o recurso voluntário de fls. 491/465, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória quanto à preliminar de nulidade do auto de infração e às questões de mérito remanescentes. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. Os recursos interpostos são tempestivos e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, portanto, devem ser conhecidos. Nos recursos em apreço foram apresentadas razões de defesa sobre questões preliminares e de mérito. Da Preliminar de Nulidade da Autuação. A recorrente D&A alegou nulidade da autuação por ausência de MPFF específico para o procedimento de revisão aduaneira de natureza externa, uma vez a fiscalização lavrou incontáveis intimações fiscais contra várias outras empresas, com o fito de juntar elementos probatórios até então não disponíveis no âmbito da RFB. Sem razão a recorrente, pois, de acordo com extrato de fl. 465 e em conformidade com o disposto na Portaria RFB 11.371/2007, no procedimento fiscal em tela o referido MPFF foi emitido em 19/4/2010 e prorrogado a sua validade até 16/10/2010. Também fica demonstrado que não procede a alegação de que o referido documento fora emitido somente em agosto de 2010. Fl. 552DF CARF MF 10 Entretanto, embora o procedimento de revisão aduaneira tenha se iniciado no dia 10/11/2009, com a ciência da recorrente no Termo de Início de Fiscalização de fl. 32, portanto, antes da expedição do referido MPFF, no dia 6/8/2010, na data da lavratura dos autos infração colacionados aos autos, o referido documento encontravase com seu prazo de validade em dia. Acontece que essa irregularidade, de natureza meramente procedimental, não tem o efeito de acarretar nulidade de toda a investigação anteriormente realizada pela fiscalização e tampouco da autuação em apreço, conforme alegou a recorrente, porque o simples atraso na emissão do MPF não representa vício formal insanável apto a acarretar a declaração de nulidade da autuação, haja vista que o referido documento, quando ainda exigido a sua emissão, tinha por finalidade o controle e a transparência da atividade de fiscalização. Sabidamente, o atraso na emissão do MPF, por falta de previsão legal, não implica nulidade da autuação, haja vista que essa suposta irregularidade não se enquadra em nenhuma das hipótese de nulidade prevista no art. 59 do PAF. A uma, porque o atraso na emissão do referido documento, evidentemente, não resultou em cerceamento do direito de defesa da recorrente. A duas, porque o descumprimento dessa formalidade não implica nulidade do lançamento por incompetência da autoridade lançadora, matéria que se encontra, expressamente, definida em lei. Com efeito, dispõe o art. 142 do CTN, que compete privativamente a autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento. Da mesma forma, no âmbito dos tributos federais, determina o art. 10 do PAF, que o auto de infração deve ser lavrado por servidor competente. E no que tange aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), tal competência foi atribuída ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB), conforme expressamente estabelecido no art. 6º da Lei nº 10.593, de 06 de dezembro de 2002, com a redação dada pelo art. 9º da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007. Por essas razões, fica demonstrado que o descumprimento de aspectos formais atinentes à expedição ou expedição a destempo do MPF não tem o condão de macular a higidez do auto de infração lavrado por autoridade fiscal competente, com estrita observância do disposto no art. 142 do CTN e art. 10 do Decreto 70.235/1972. No mesmo sentido, o entendimento esposado em inúmeros julgados deste Conselho, a exemplo dos acórdãos nº 1802001.864, de 09/10/2013; 2403002.571, de 15/04/2014; 3102001.669, de 27/11/2012; e 3401002.564, de 23/04/2014, e pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), tal como explicitado no acórdão CSRF/0105.558, cuja ementa segue transcrita: MPF – DESCUMPRIMENTO DA PORTARIA SRF 3007/2001 – NULIDADE – O desrespeito à previsão de indicação no MPFF de período fiscalizado e autuado não implica na nulidade dos atos administrativos posteriores, porque Portaria do Secretário da Receita Federal não pode interferir na investidura de competência do AFRF de fiscalizar e promover lançamento; ademais, o descumprimento de algum item do art. 7 da Portaria SRF 3007/2001 não traz como conseqüência a nulidade do ato. (CARF. CSRF. 1ª Turma. Ac. CSRF/0105.558, de 4/12/2006, Rel. Cons. José Henrique Longo) Em suma, eventual inobservância de algum requisito ou condição atinente à expedição, validade e prorrogação do MPF, por se tratar de exigência instituída por ato Fl. 553DF CARF MF Processo nº 10920.001676/201072 Acórdão n.º 3302003.724 S3C3T2 Fl. 635 11 normativo de natureza infralegal, destinado ao planejamento e controle da atividade fiscal, certamente, não contamina o auto de infração com vício formal insanável que acarrete a sua nulidade, especialmente, quando o procedimento foi realizado com observância aos ditames do art. 142 do CTN e do art. 10 do PAF. No caso em questão, com a emissão do MPFF, ainda que posterior ao início do procedimento fiscal, e o cumprimento integral dos requisitos estabelecidos no art. 142 do CTN e no art. 10 do Decreto 70.235/1972, induvidosamente, não há que se falar em mácula na autuação de modo conspurcar a sua legitimidade. Com base nessas considerações, rejeitase as alegações de nulidade do auto de infração suscitadas pela recorrente. Das Questões de Mérito. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal e de Descrição dos Fatos de fls. 286/314, as autuadas foram impostas as seguintes penalidades: a) multa de igual ao valor comercial da mercadoria, por importação irregular (simulação de importação por conta própria) de mercadoria entregue a consumo, capitulada no art. 704 do Regulamento Aduaneiro de 2009 RA/2009 (Decreto 6.759/2009); b) multa de 10% (dez por cento) do valor da operação, por cessão do nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, capitulada no art. 727 do RA/2009; e c) multa de 1% (um por cento) do valor aduaneiro da mercadoria pela omissão e prestação de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativo tributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado, estabelecida no art. 711, III, do RA/2009. No julgamento de primeira instância, o Colegiado afastou aplicação da primeira penalidade, capitulada no art. 704 do RA/2009, sob o argumento de que a tipificação específica da infração e respectiva penalidade seria no § 1º do artigo 689 do RA/2009 e não no artigo 704 do RA/2009, como procedera a fiscalização. Entretanto, como não foi submetida a recurso de oficio, por estar abaixo do limite de alçado o valor do crédito exonerado, a decisão que cancelou a referida multa deve ser considerada definitiva na esfera administrava, nos termos do parágrafo único do artigo 421 do Decreto 70.235/1972. Em face dessa circunstância, no presente julgamento, cabe analisar apenas as controvérsias remanescentes, referentes à aplicação da segunda e terceira penalidades, o que será feito nos tópicos a seguir. 1 "Art. 42. São definitivas as decisões: [...] Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de oficio." Fl. 554DF CARF MF 12 Da multa de 10% (dez por cento) do valor da operação por cessão do nome. Antes de analisar a legalidade da aplicação da referida multa, é imprescindível definir se, no caso em tela, houve ou não a prática da infração por interposição fraudulenta nas referidas operações de importação. Essa questão deve ser definida previamente, porque a infração por cessão do nome somente ficará configurada se comprovado o efetivo acobertamento do real interveniente ou beneficiário nas referidas operações de importação, conforme definido no art. 727 do RA/20092, que tem a seguinte redação, in verbis: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000, 00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (grifos não originais) De acordo com o Termo de Verificação Fiscal colacionado aos autos (fls. 286/314), o motivo da aplicação da segunda penalidade foi a apuração da prática, pela importadora D&A, da infração caracterizada pela cessão do nome, para fim de acobertar a responsável solidária Têxtil Fine, mediante simulação de operações de importação por encomenda, realizadas em nome desta última. Para a fiscalização, o modus operandi adotado pela autuada D&A consistia em registrar a DI em nome próprio e incluir apenas no campo de “Dados complementares” a informação de que a operação era realizada “para encomendante prédeterminado”. Ao assim proceder, inequivocamente, a recorrente burlava os critérios de controle estabelecidos no Siscomex, pois, para fins de análise fiscal, não eram levados em consideração pelo sistema os dados e os limites de valores de importação exigidos da real adquirente das mercadorias, no caso, a responsável solidária Têxtil Fine. De outra parte, a recorrente alegou que não cometera a referida infração, porque não realizara operação de importação simulada por conta e ordem da responsável solidária Têxtil Fine, mas sim operação de importação por encomenda em nome da referida empresa, uma vez que: a) a encomendante da mercadoria fora identificada de forma completa e detalhada, incluindo o endereço completo, em todos os documentos utilizados na instrução do despacho aduaneiro de importação, inclusive no campo destinado aos dados complementares da própria DI; b) não omitira, de forma intencional, o CNPJ da encomendante no campo da DI destinado ao “adquirente por conta e ordem”, mas porque fora impedida, em razão de um problema operacional no Siscomex, porém, tal irregularidade, no máximo, deveria ser tratada como mero equívoco e não como fraude ou simulação de importação “por encomenda”; e 2 A matriz legal do referido preceito regulamentar é o art. 33 da Lei 11.488/2007. Fl. 555DF CARF MF Processo nº 10920.001676/201072 Acórdão n.º 3302003.724 S3C3T2 Fl. 636 13 c) a lei e a regulamentação infralegal não estabeleciam limites para a importação por encomenda nem impediam o importador de receber “sinal” ou “adiantamentos” de seus clientes. Com base no exposto, fica evidenciado que o cerne da controvérsia gira em torno da definição do tipo de importação que foi efetivamente realizada pela recorrente. Especificamente, se as referenciadas operações de importação atenderam os requisitos atinentes à operação de importação por encomenda, conforme defendido pela recorrente, ou não atenderam tais requisitos e, da forma como realizada, tratam de operação por conta e ordem da responsável solidária, realizada de forma dissimulada, conforme entendera a fiscalização. E caso se confirme o entendimento da fiscalização, resta ainda saber se tais operações de importação enquadramse como operação de importação por conta própria simulada, mediante a ocultação do real adquirente e importadora das mercadorias, no caso, a pessoa jurídica Têxtil Fine. Para esse desiderato, previamente, cabe definir se as operações em comento atendem, simultaneamente, os requisitos formais e materiais determinados para a operação de importação por encomenda. Em conformidade com o disposto no art. 11, § 1º, da Lei 11.281/2006, os requisitos formais da operação de importação por encomenda foram estabelecidos na Instrução Normativa SRF 634/2006. Além de outros requisitos de natureza procedimental, em razão da pertinência com a controvérsia em apreço, cabe analisar os requisitos que se encontram estabelecidos no art. 3º da referida IN, que segue transcrito: Art. 2º O registro da Declaração de Importação (DI) fica condicionado à prévia vinculação do importador por encomenda ao encomendante, no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex). § 1º Para fins da vinculação a que se refere o caput, o encomendante deverá apresentar à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF) de fiscalização aduaneira com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz, requerimento indicando: I nome empresarial e número de inscrição do importador no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ); e II prazo ou operações para os quais o importador foi contratado. § 2º As modificações das informações referidas no § 1ºdeverão ser comunicadas pela mesma forma nele prevista. § 3º Para fins do disposto no caput, o encomendante deverá estar habilitado nos termos da IN SRF nº 455, de 5 de outubro de 2004. Art. 3º O importador por encomenda, ao registrar DI, deverá informar, em campo próprio, o número de inscrição do encomendante no CNPJ. Fl. 556DF CARF MF 14 Parágrafo único. Enquanto não estiver disponível o campo próprio da DI a que se refere o caput, o importador por encomenda deverá utilizar o campo destinado à identificação do adquirente por conta e ordem da ficha "Importador" e indicar no campo "Informações Complementares" que se trata de importação por encomenda. (grifos não originais) O primeiro preceito normativo exige, previamente ao registro da Declaração de Importação (DI), que o importador esteja vinculado ao encomendante no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), o que não ocorreu no caso em tela, conforme asseverado pela própria recorrente. E para que houvesse tal vinculação era imprescindível que o encomendante tivesse apresentado, perante a unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF) de fiscalização aduaneira, com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz, requerimento indicando (i) nome empresarial e número de inscrição do importador no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) e (ii) o prazo e operações para os quais o importador foi contratado, o que também não ocorreu, haja vista que não foi apresentado a prova de que tal requerimento tenha sido formalizado. Enquanto que o segundo preceito normativo estabelece que o importador por encomenda informe, em campo próprio da DI, o número de inscrição do encomendante no CNPJ, porém, enquanto não disponível no sistema campo específico para essa modalidade de importação, a determinação era que fosse utilizado o campo destinado à identificação do adquirente por conta e ordem de terceiro, contido na ficha “Importador” e indicado no campo “Informações Complementares” a informação de que se tratava de operação de importação por encomenda. No caso em tela, não há controvérsia de que a exigência, atinente à informação do tipo de operação de importação, foi adequadamente cumprida, mas que a exigência, relativa a informação do número de inscrição no CNPJ, foi descumprida. Segundo alegou a recorrente, a omissão dessa informação fora motivada por problema de natureza operacional no Siscomex, pois, ao informar, no referido campo, o número de inscrição no CNPJ da suposta encomendante da mercadoria, o sistema não permitia o registro da DI, por duas razões: a) havia se esgotado o limite de valor de importação, atribuído a suposta encomendante, relativo ao regime de habilitação simplificada, para prática de atos no Siscomex, previsto no art. 2º da Instrução Normativa SRF 650/2006; e b) a referida pessoa jurídica não estava habilitada no Siscomex como encomendante predeterminada, nos termos do § 1º do art. 2º da Instrução Normativa SRF 634/2006. Assim, com base nas justificativas apresentadas pela própria recorrente, inferese que o problema por ela relatado, obviamente, não era de natureza operacional (falha de funcionamento do sistema), mas vinculado à operacionalização das rotinas internas de controle do sistema, introduzida com vistas a assegurar o controle administrativo e aduaneiro das importações, em especial, a idoneidade e a capacidade econômicofinanceira do encomendante. Portanto, em vez de problema operacional, o empecilho suscitado pela recorrente, na verdade, confirma a eficácia das rotinas de controle introduzidas no Siscomex, com fim de evitar que fosse o ultrapassado o limite de valor das importações fixado para o importador por encomenda. Por essa razão, temse por descabida a alegação apresentada pela recorrente. Por conseguinte, temse por confirmado o descumprimento da exigência concernente à omissão da informação do número de inscrição do CNPJ da encomendante, requisito formal essencial para fim de definição da operação de importação por encomenda. Fl. 557DF CARF MF Processo nº 10920.001676/201072 Acórdão n.º 3302003.724 S3C3T2 Fl. 637 15 Não se pode olvidar, ademais, que tais formalidades visam assegurar o cumprimento dos preceitos legais que estendem ao encomendante as condições de sujeição passiva e responsabilidade tributária, razão pela qual a identificação do encomendante tanto no Siscomex quanto na DI revestese de condição imprescindível, para o regular processamento da operação de importação deste jaez. De outro modo, se a operação de importação por encomenda for realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos em ato normativo expedido pela RFB, expressamente, dispõe o § 2º do art. 113 da Lei 11.281/2006, que, por presunção, a respectiva operação de importação deve ser considerada por conta e ordem de terceiros. Por sua vez, o aspecto material da operação de importação por encomenda, extraise do art. 11 da Lei 11.281/2006. Com base nesse preceito legal, definese que a operação de importação por encomenda como aquela em que o importador adquire as mercadorias no exterior com recursos próprios, promove o despacho aduaneiro em seu próprio nome, efetua o pagamento de todas as despesas relativas ao desembaraço da mercadoria com recursos próprios e, por fim, revende as mercadorias desembaraçadas ao encomendante que lhe foi previamente vinculado por contrato e no Siscomex (encomendante predeterminado). Por força dessas características, chegase a conclusão que não se considera importação por encomenda a operação realizada com recursos financeiros do encomendante, ainda que parcialmente, conforme expressamente determina o parágrafo único do art. 1º da Instrução Normativa SRF 634/2006, a seguir transcrito: Art. 1º O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado será exercido conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa. Parágrafo único. Não se considera importação por encomenda a operação realizada com recursos do encomendante, ainda que parcialmente. (grifos não originais) Nos autos, há elementos probatórios adequados e suficientes que confirmam que a recorrente descumpriu o requisito formal, concernente à falta de informado do número do CNPJ da encomendante no campo próprio da DI, conforme anteriormente demonstrado. No que tange ao descumprimento do requisito material, atinente à antecipação de recursos financeiros para o pagamento dos dispêndios relativos às referidas importações, a recorrente alegou que, ainda que se entendesse não ser possível tal antecipação, nos autos, não restara comprovado que houve pagamentos antecipados nas supostas operações de importação por encomenda. Segundo a recorrente, na tentativa de demonstrar a ocorrência de pagamentos antecipados, concernentes às referidas operações de importação, a fiscalização 3 "Art. 11. A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros. § 1º A Secretaria da Receita Federal: I estabelecerá os requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora na forma do caput deste artigo; e II poderá exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do encomendante. § 2º A operação de comércio exterior realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na forma do § 1o deste artigo presumese por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001." Fl. 558DF CARF MF 16 confundira “lançamentos e pagamentos realizados em processos que as importações ocorreram na modalidade ‘por conta e ordem’, com os quatro processos de importação realizados na modalidade ‘por encomenda’”, haja vista que a recorrente, anteriormente, já havia realizado importações por conta e ordem da empresa Têxtil Fine. Não procede a alegação da recorrente, pois, diferentemente do alegado, a fiscalização teve o cuidado de apresentar, separadamente, a análise das transferências de recursos atinentes às duas modalidades de importação realizadas pela responsável solidária Têxtil Fine. De fato, no subitem 3.1 do citado Termo de Verificação Fiscal (fls. 294/299) foram explicitadas as transferências de recursos referentes às importações por conta e ordem da Têxtil Fine, em que constou o seu número de inscrição no CNPJ no campo próprio da DI. Da mesma forma, no subitem 3.2 do citado Termo de Verificação Fiscal (fls. 299/307), com base nos documentos contábeis e fiscais fornecidos pelas próprias autuadas, foram apresentadas detalhadamente às transferências, por meio de contacorrente bancária, de recursos financeiros da responsável solidária Têxtil Fine para a recorrente D&A, com discriminação dos valores recebidos nas datas coincidentes ou anteriores aos pagamentos dos encargos das importações realizados pela importadora D&A. Tais depósitos confirmam que os recursos empregados nas referidas operações de importação pela recorrente D&A eram provenientes da suposta encomendante Têxtil Fine. E diante dessa comprovação, deixa de ter relevância a alegação da recorrente de que possuía plena capacidade financeira para arcar com os custos decorrentes das citadas importações, pois o aspecto central para o deslinde da controvérsia em comento consiste em saber de quem era titularidade dos recursos financeiros empregados na liquidação dos encargos financeiros inerentes às respectivas operações de importação. E com base nos demonstrativos elaborados pela fiscalização, corroborado por documentação adequada coligida aos autos, não remanesce qualquer dúvida quanto ao fato de que, para o custeio das referidas operações, tais recursos foram, parcial ou totalmente, fornecidos pela responsável solidária Têxtil Fine. Pelas mesmas razões, a capacidade financeira da suposta encomendante também deixa ter relevância para o deslinde do caso em tela, o que torna desnecessária a análise da situação financeira desta última, conforme pretensão da recorrente. Ainda em relação a esse ponto da lide, cabe ressaltar que, além de não comprovar o alegado, a recorrente afirma na peça recursal que os valores depositados em sua contacorrente bancária representavam “uma parte do valor da operação (compra)” antecipada pela suposta encomendante, pois, a depender do cliente, havia "necessidade de uma análise comercial da operação e a possibilidade de concessão de crédito para a operação ou da exigência de pagamento antecipado (sinal) como garantia da transação comercial". Essa alegação em nada contribui para defesa da recorrente, ao contrário, confirma a alegação da fiscalização de que a pessoa jurídica Têxtil Fine antecipava os recursos referentes às importações que a D & A registrou como sendo por sua própria conta. Em suma, a referida alegação ratifica que os recursos, totais ou parciais, utilizados nas referidas operações de importação provinham da responsável solidária Têxtil Fine. E a comprovação da transferência dos recursos financeiros do real importador (Têxtil Fine) para o importador aparente (D&A) implica (i) presunção da operação de importação por conta e ordem de terceiro, nos termos do art. 274 da Lei 10.637/2002, e (ii) a qualificação do fornecedor dos recursos financeiros como o real importador e beneficiário da operação de importação. 4 "Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001." Fl. 559DF CARF MF Processo nº 10920.001676/201072 Acórdão n.º 3302003.724 S3C3T2 Fl. 638 17 Em suma, chegase a conclusão que, seja sob o aspecto material, seja sob o aspecto formal, as operações de importação realizadas pela recorrente, por presunção legal, foram realizadas por conta e ordem da responsável solidária Têxtil Fine. Assim, uma vez definida que, por presunção, as respectivas operações de importação foram realizadas por conta e ordem da responsável solidária Têxtil Fine, cabe analisar se a recorrente cumpriu os requisitos da modalidade de importação por conta e ordem de terceiros. Sabidamente, a operação de importação por conta e ordem de terceiros5 é aquela em que a pessoa jurídica contratante (adquirente da mercadoria) compra a mercadoria no exterior com recursos próprios, mas quem realiza o procedimento de despacho aduaneiro de importação da mercadoria é a pessoa jurídica contratada (importadora por conta e ordem de terceiro), que atua como mera prestadora de serviços de importação de mercadorias estrangeiras, podendo, eventualmente, prestar serviços de cotação de preços e intermediação comercial. Para que seja considerada regular, em consonância com a remissão estabelecida no art. 80 da Medida Provisória 2.15835/2001, essa modalidade de operação de importação deverá atender os requisitos e condições estabelecidos nos arts. 2º a 3º da Instrução Normativa SRF 225/2002, a seguir transcritos: Art. 2º A pessoa jurídica que contratar empresa para operar por sua conta e ordem deverá apresentar cópia do contrato firmado entre as partes para a prestação dos serviços, caracterizando a natureza de sua vinculação, à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF), de fiscalização aduaneira, com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz. Parágrafo único. O registro da Declaração de Importação (DI) pelo contratado ficará condicionado à sua prévia habilitação no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), para atuar como importador por conta e ordem do adquirente, pelo prazo previsto no contrato. Art. 3º O importador, pessoa jurídica contratada, devidamente identificado na DI, deverá indicar, em campo próprio desse documento, o número de inscrição do adquirente no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ). § 1º O conhecimento de carga correspondente deverá estar consignado ou endossado ao importador, configurando o direito à realização do despacho aduaneiro e à retirada das mercadorias do recinto alfandegado. § 2º A fatura comercial deverá identificar o adquirente da mercadoria, refletindo a transação efetivamente realizada com o vendedor ou transmitente das mercadorias" A propósito desses requisitos, cabe esclarecer que o disposto no Ato Declaratório Interpretativo SRF 7/2002 trata da definição das importações efetuadas por conta 5 Essa modalidade de importação foi introduzida no ordenamento jurídico do País por meio da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, vigente a partir de 27 de agosto de 2001, data da sua publicação. Os aspectos tributários, de responsabilidade tributária e por infração a legislação aduaneira e os requisitos formais da dita operação encontramse estabelecidos nos arts. 77 a 81 da referida MP. Fl. 560DF CARF MF 18 e ordem de terceiros, para fins definição da forma de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, e não dos requisitos da operação de importação por encomenda, como alegado pela recorrente. Por conseguinte, o disposto no referido Ato não se aplica ao caso em tela. Há que se ressaltar ainda que, uma vez descaracterizada, por presunção legal, a operação de importação por encomenda, em razão do descumprimento de requisitos formais e materiais, evidentemente, essa circunstância não pode ser relevada em razão de: (i) toda a documentação utilizada na instrução do despacho aduaneiro de importação indicar a responsável solidária Têxtil Fine como "encomendante" da mercadoria, (ii) constar do campo "Dados complementares" das DI a informação referente à identificação do encomendante e da própria modalidade de importação, (iii) o contrato de vinculação entre importador e encomendante, exigido no § 1º do art. 2º da Instrução Normativa SRF 634/2006, ter sido apresentado perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e (iv) a importadora e a encomendante estarem habilitadas a realizar operações de importação, ainda que o limite estabelecido para a encomendante realizar operações por conta própria ou por sua conta e ordem. Além disso, essas circunstâncias somente contribuíram para corroborar a boa fé da recorrente se ela não houvesse burlado a sistemática de controle do Siscomex e registrado a operação de importação sob a modalidade de importação por “conta própria” simulada ou importação por conta e ordem de terceiro dissimulada, mediante a ocultação do real comprador das mercadorias importadas nas respectivas DI. Do sopesamento de todas essas circunstâncias, resta a convicção de que a conduta atribuída à recorrente subsumese perfeitamente à infração por dano ao Erário, definida no art. 23, V, do Decretolei 1.455/1976, e sancionada com a pena de perdimento da mercadoria ou multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, nos termos do citado art. 23, §§ 1º e 3º, a seguir transcritos: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. [...] § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. [...] (grifos não originais) Assim, demonstrada que as operações de importação foram realizadas sob a modalidade de importação por conta própria simulada ou importação por conta de terceiro dissimulada, consequentemente, a conduta atribuída à recorrente também se enquadra na hipótese da infração descrita no art. 33 da Lei 11.488/2007, ou seja, de acordo com os Fl. 561DF CARF MF Processo nº 10920.001676/201072 Acórdão n.º 3302003.724 S3C3T2 Fl. 639 19 elementos coligidos aos autos também resta demonstrado que a recorrente cedeu seu nome, com vistas ao acobertamento da real compradora das mercadorias importadas, no caso, a responsável solidária Têxtil Fine. A recorrente alegou ainda que houve desrespeito ao princípio da legalidade e da ampla defesa, em razão do evidente erro/ausência de fundamentação legal da multa em apreço, pois tanto a descrição dos fatos como o enquadramento legal levavam a situação completamente estranha aos fatos. Sem razão a recorrente, pois, embora a fiscalização tenha citado, no enquadramento legal da infração (fl. 285), alguns preceitos regulamentares não relacionados diretamente com a tipificação da questionada infração, verificase que o art. 727 do RA/2009, bem como a sua matriz legal, o art. 33 da Lei 11.488/2007, foram expressamente consignados. Além disso, compulsando as robustas peças defensivas colacionadas aos autos verificase que, ao contrário do alegado, não restou evidenciado qualquer prejuízo ao direito de defesa da recorrente, uma vez que ela demonstrou perfeito conhecimento das imputações que lhe foram feitas e delas defendeuse adequadamente. Por fim, a recorrente alegou que, nos autos do processo nº 10920.005216/200980, proferido na data do acórdão recorrido, o Colegiado a quo, por meio do acórdão nº 0722.909, com base no voto da lavra do mesmo Relator, decidiu afastar a aplicação da multa em apreço, fixada no art. 33 da Lei 11.488/2007. Mais uma vez, não procede a alegação da recorrente. De fato, o referido julgado afastou a aplicação da multa em apreço, porém as circunstâncias fáticas nele retratadas foram distintas das que aqui foram apuradas e comprovadas pela fiscalização. Naquele processo, as declaradas operações de importação por encomenda não foram descaracterizadas pelo Colegiado julgador, porque, segundo o voto condutor do julgado, não houve comprovação de que os recursos nelas empregados tivessem provindo da adquirente das mercadorias. Com efeito, a única irregularidade apurada e comprovada no âmbito do citado processo foi a falta de indicação do número de inscrição no CNPJ da encomendante da mercadorias e essa circunstância foi relevada pelo Colegiado julgador de primeiro grau ante a demonstração dos fatos que infirmavam a ocultação do adquirente/comprador, mediante fraude ou simulação, conforme entendera a fiscalização. Para corroborar o asseverado, segue transcrito os excertos relevantes extraídos do voto condutor do citado julgado: Por outro lado, o simples fato de a identificação do encomendante não ter sido aposta no campo devido das Declarações de Importação, por si só, não caracteriza a infração prevista no inciso XXII do artigo 689 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 6.759/2009, pois no presente caso não se pode afirmar que houve ocultação do comprador ou adquirente das mercadorias. Os fatos que levam a essa conclusão são os seguintes: A informação referente à identificação do encomendante e da própria modalidade de importação foi devidamente registrada no campo de "Dados complementares" das Declarações de Importação; Fl. 562DF CARF MF 20 Os documentos que ampararam as importações trazem com clareza a identificação do adquirente das mercadorias, no caso o encomendante; As interessadas apresentaram, perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil, o contrato que firmaram para fins de vinculação do importador ao encomendante; A importadora e a encomendante estavam habilitadas a realizar operações de importação, ainda que o limite estabelecido para a encomendante realizar operações por conta própria ou por sua conta e ordem houvesse sido ultrapassado; e principalmente, As operações não foram descaracterizadas como tendo sido realizadas na modalidade de importação para revenda a encomendante predeterminado, pois não se comprovou que os recursos nelas empregados tenham provindo da adquirente das mercadorias. As impugnantes trazem ainda aos autos documentos que amparam sua alegação de que, em tempo muito anterior ao da efetivação das importações autuadas, foi solicitada a habilitação ordinária da empresa encomendante que, todavia, não foi processada a tempo pela unidade competente. Desse fato, aliado ao histórico de importações que a própria fiscalização demonstrou, se depreende que não houve intenção de ocultar a adquirente das mercadorias, mas sim necessidade de se alterar a modalidade de importação em razão do impedimento operacional. O que se conclui, portanto, é que não houve ocultação do adquirente/comprador, mediante fraude ou simulação, e portanto não restou caracterizada a infração imputada às interessadas e prevista no inciso XXII do artigo 689 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 6.759/2009, não sendo portanto aplicável a pena de perdimento ou sua conversão em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias. (grifos não originais) Ainda em relação ao referido processo, cabe ainda registrar que, de acordo relatório encartado no citado acórdão, a própria fiscalização asseverou que os "pagamentos pelas mercadorias foram realizadas pela 'Tecnoblu Importadora e Exportadora de Acessórios Têxteis Ltda' em datas posteriores à emissão das notas fiscais de saída da 'D & A Comércio Serviços Importação e Exportação Ltda'". Ou seja, sob o aspecto material, as operações importação atendiam as exigência legais estabelecidas para a modalidade de importação por encomenda. Por todas essas considerações, chegase a conclusão que, no caso em tela, a recorrente praticou a conduta concernente a cessão do nome com vista ao conbertamento do real comprador das mercadorias importadas, por conseguinte, devida a aplicação da multa de 10% (dez por cento) do valor da operação, conforme proposto pela fiscalização. Da multa de 1% (um por cento) por omissão de informação. Fl. 563DF CARF MF Processo nº 10920.001676/201072 Acórdão n.º 3302003.724 S3C3T2 Fl. 640 21 A fiscalização enquadrou a infração e a penalidade em apreço no art. 69, §§ 1º e 2º, I, da Lei 10.833/2003, combinado com o disposto no art. 84 da Medida Provisória 2.15835/2001, a seguir transcritos: Lei 10.833/2003: Art. 69. A multa prevista no art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, não poderá ser superior a 10% (dez por cento) do valor total das mercadorias constantes da declaração de importação. § 1º A multa a que se refere o caput aplicase também ao importador, exportador ou beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar deforma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. § 2º As informações referidas no § 1º, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo: I identificação completa e endereço das pessoas envolvidas na transação; importador/exportador; adquirente (comprador)/ fornecedor (vendedor), fabricante, agente de compra ou de venda e representante comercial; [...] (grifos não originais) Medida Provisória 2.15835/2001: Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou II quantificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. § 1º 0 valor da multa prevista neste artigo será de RS 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior. § 2º A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis. De acordo com a descrição dos fatos consignada no referido Termo de Verificação Fiscal (fl. 314), a não inclusão, no campo próprio das DI, do número do CNPJ da compradora da mercadoria configurava não prestação de informações de natureza Fl. 564DF CARF MF 22 administrativotributária ou comercial, estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil, necessária à determinação do procedimento aduaneiro apropriado. Por sua vez, a recorrente alegou que não descumprira a referida obrigação, estabelecida no parágrafo único do art. 3º da Instrução Normativa SRF 634/2006, uma vez que tomara todas as providências legais necessárias para a correta operacionalização da importação por encomenda, quais sejam: "verificou haver a habilitação no RADAR de ambas as empresas; formulou contrato de importação por encomenda com a TÊXTIL FINE; vinculou o referido contrato na Receita Federal deixando cristalina a operação que iria se realizar, e, por fim; Informou no campo 'Informações CompIementares' da DI se tratar de importação por encomenda". Sem a razão a recorrente. Como a prestação referida informação era de suma importância com vistas à determinação do apropriado procedimento de controle aduaneiro a ser adotado em relação as referidas operações de importação. No caso, como fora prestada a referida informação, o Siscomex qualificou as citadas operações como sendo de importação por conta própria, excluindoas dos controles inerentes à operação de importação por conta e ordem de terceiros ou por encomenda. Também não procede a alegação da recorrente de que a multa em questão era inaplicável, porque na suposta omissão não houve culpa e muito menos dolo, mas sim erro decorrente de falha operacional do Siscomex, posto que, sabidamente, a responsabilidade por infração à norma da legislação aduaneira independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estatuído no art. 946, § 2º, do Decretolei 37/1966. Com base nessas considerações, rejeitase às alegações da recorrente e mantémse a multa aplicada, uma vez que demonstrada que a prática da conduta imputada à recorrente enquadrase perfeitamente na hipótese da infração definida nos referidos preceitos legais. Da conclusão. Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento 6 "Art. 94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. § 1º O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato." Fl. 565DF CARF MF Processo nº 10920.001676/201072 Acórdão n.º 3302003.724 S3C3T2 Fl. 641 23 Fl. 566DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.722967/2009-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 01/12/2009
EXTENSÃO DOS EFEITOS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT.
A Solução de Consulta da COSIT tem efeito vinculante no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de sorte que o entendimento nela exarado deverá ser observado pela Administração Tributária, inclusive por seus órgãos julgadores quando da apreciação de litígios envolvendo a mesma matéria e o mesmo sujeito passivo, seja individualmente, seja vinculado a entidade representativa da categoria econômica ou profissional.
RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES TEMPESTIVAMENTE APRESENTADAS. HARMONIZAÇÃO COM AS BALIZAS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 2, DE 04/02/2016.
As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-003.637
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Dérouledè - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Dérouledè (Presidente Substituto), Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo, Hélcio Lafetá e Lenisa Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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A Solução de Consulta da COSIT tem efeito vinculante no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de sorte que o entendimento nela exarado deverá ser observado pela Administração Tributária, inclusive por seus órgãos julgadores quando da apreciação de litígios envolvendo a mesma matéria e o mesmo sujeito passivo, seja individualmente, seja vinculado a entidade representativa da categoria econômica ou profissional. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES TEMPESTIVAMENTE APRESENTADAS. HARMONIZAÇÃO COM AS BALIZAS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 2, DE 04/02/2016. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dérouledè Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Dérouledè (Presidente Substituto), Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo, Hélcio Lafetá e Lenisa Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 29 67 /2 00 9- 47 Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10280.722967/200947 Acórdão n.º 3302003.637 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra a ora Recorrente que formaliza a exigência de multa por atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada (multa regulamentar). Os fatos que ensejaram a cominação da pena foi a desídia da contribuinte agente de navegação, representando empresa operadora de embarcação em viagem internacional que prestou, fora do prazo estabelecido na legislação aduaneira, informação sobre veículo ou carga por ela transportada. Cientificada sobre o teor do auto de infração, a Contribuinte apresentou suas razões de defesa em impugnação, que foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, por intermédio do Acórdão 16070.488, cuja ementa se transcreve na parte de interesse: Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 01/12/2009 A empresa de transporte internacional deixou de prestar informações sobre carga transportada. Por expressa disposição legal, quaisquer pessoas, físicas ou jurídicas, que, de qualquer forma, contribuam para a prática do ilícito devem responder solidariamente. A retificação ocorreu após intimação da fiscalização, o que inibe a denúncia espontânea. Em momento algum a exigência ora discutida viola os princípios da legalidade e hierarquia de normas, pois não está calcada em Ato Declaratório Executivo, mas sim em artigo de Lei. Para legitimar a sanção, basta a certificação do fato infracional, independente da existência de culpa, demonstração de boafé e ocorrência de efetivo dano ao Erário. (...) Irresignada, a Recorrente apresentou recurso voluntário, motivo pelo qual os autos ascenderam a este Conselho É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Dérouledè, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.624, de 21 de fevereiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10280.721580/201198, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10280.722967/200947 Acórdão n.º 3302003.637 S3C3T2 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.624): "Tendo em vista se tratar de recurso voluntário tempestivo1 e que apresenta todos os requisitos formais para seu conhecimento, submetoo a julgamento por este colegiado. A ação fiscal sob julgamento referese à prestação extemporânea de informações retificadoras referentes ao Conhecimento Eletrônico n. 021105089493067 (importação, em 13/06/2011) vinculado à escala n. 11000182350 cuja atracação ocorreu em 30/05/2011 e desatracação em 31/05/2011. A autoridade fiscal considerou que a retificação foi extemporânea porque não ocorreu dentro das 48 horas antes da chegada da embarcação, que é o limite estabelecido pela legislação pertinente2, mais especificamente os arts. 22, II, "d" e art. 45 da Instrução Normativa n. 800/2007. A recorrente define suas funções da seguinte maneira: "(...) é uma reconhecida empresa que exerce a atividade de agenciamento marítimo para diversos armadores estrangeiros que necessitam de representantes no país para auxiliálos nas operações de carga e descarga; emissão de documentos; suporte técnico aos navios; abastecimento em geral; etc". E, por esse motivo, defende que o entendimento acolhido pelo colegiado que julgou improcedente a impugnação não merece prosperar, já que: "(...) não se confunde a figura do agente marítimo, que opera na modalidade 'NVOCC', na consolidação/desconsolidação documental, responsável pela unitização/desunitização de cargas, com a figura de transportador. (...) 13. Sendo a Recorrente mera mandatária do transportador no momento do registro das informações junto ao SISCOMEX, não é possível sua responsabilização por eventuais erros cometidos pelo transportador, tampouco a ele se equipara para fins de responsabilidade tributária para os efeitos do DecretoLei n. 37/66, o que demonstra que o entendimento mantido no acórdão ora recorrido resta equivocado". A recorrente destaca, ainda, que não há no auto de infração provas que a identifique como empresa transportadora ou responsável por prestar as informações ao Siscomex. 1 A contribuinte foi considerada intimada sobre o teor do acórdão recorrido em 28/12/2015, conforme certifica o Termo de Registro de Mensagem de Ato Oficial na Caixa Posta DTE à folha 97 dos autos eletrônicos. Por sua vez, o recurso voluntário foi protocolizado em 22/01/2016, conforme registrado no Termo de Análise de Solicitação de Juntada à folha 149 dos autos eletrônicos. 2 Art. 37 do DL 37/1966; Instrução Normativa RFB n. 800, de 27/12/2007, e; art. 673 do Decreto n. 6.759, de 05/02/2009. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10280.722967/200947 Acórdão n.º 3302003.637 S3C3T2 Fl. 5 4 Defende que a hipótese dos autos amoldase a denúncia espontânea prevista no art. 102 do DL 37/663, com a redação conferida pela Lei n. 12.350/2010, já que as informações mencionadas na autuação foram prestadas muito antes da lavratura do auto de infração e do início de qualquer procedimento fiscal. Afirma que o procedimento fiscal só ocorreu porque a própria recorrente retificou as informações já consignadas. Em 22/04/2016 a recorrente acosta petição aos autos, informando a superveniência de fato relevante, que foi a edição da Solução de Consulta COSIT n. 02, de 04/02/2016, que foi assim resumida: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. CONTROLE ADUANEIRO DAS IMPORTAÇÕES. INFRAÇÃO. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIA. A multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas e e f do Decreto Lei n. 37/1966, com a redação dada pela Lei n. 10.833/2003, é aplicável para cada informação não prestada ou prestada em desacordo com a forma ou prazo estabelecidos na Instrução Normativa RFB n.800, de 27/12/2007. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. Dispositivos legais: DecretoLei n.37, de 18 de novembro de 1966; Instrução Normativa RFB n. 800, de 27 de dezembro de 2007. Ressalta, ainda, que as Soluções de Consulta COSIT, por força do disposto no art. 9º da Instrução Normativa n. 1.396/2013, possuem efeito vinculante perante a Administração Tributária, razão pela qual o entendimento nelas consagrado deve ser observados pelas autoridades fiscais, e respaldo o sujeito passivo que o aplicar, independentemente de ser o consulente. Razão assiste a recorrente. Se depreende do precedente abaixo que a determinação consagrada pela COSIT vincula a todos no âmbito administrativo, inclusive os julgadores: Com efeito, a Solução de Consulta da COSIT tem efeito vinculante no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de sorte que o entendimento nela exarado deverá ser observado pela Administração Tributária, inclusive por seus órgãos julgadores quando da apreciação de litígios envolvendo a mesma matéria e o mesmo sujeito passivo, seja individualmente, seja vinculado a entidade representativa da categoria econômica ou profissional. (Acórdão n. 3301002.880, proferido em 15/03/2016 pela 1ª Turma da 3ª Seção de Julgamentos). Tendo em vista que a autuação fiscal ocorreu não pela extemporaneidade na apresentação de informações, mas sim pelo atraso na 3 Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 2º. A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10280.722967/200947 Acórdão n.º 3302003.637 S3C3T2 Fl. 6 5 retificação das informações já prestadas, é de rigor a exoneração da multa imposta, em conformidade com o que dita a Solução de Consulta COSIT n. 2, de 4 de fevereiro de 2016. Assim, pelas razões já esclarecidas, dou provimento ao recurso voluntário apresentado por CMA CGM do Brasil Agência Marítima Ltda." No que diz respeito à tempestividade, o recurso apresentado neste processo também é tempestivo (ciência do acórdão da DRJ em 28/12/2015, apresentação do RV em 20/01/2016). E, da mesma forma que no caso do paradigma, o motivo da exigência da penalidade nestes autos foi a retificação de informações prestadas anteriormente, retificação/alteração que o Fisco considerou como efetuada fora do prazo. Portanto, aplicável ao presente litígio, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, a Solução de Consulta COSIT nº 2, de 4 de fevereiro de 2016. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dérouledè Fl. 181DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.908444/2011-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL.
A resistência ilegítima, oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não-cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), sendo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009).
Nos pedidos de ressarcimento para utilização em declaração de compensação, de forma diferente do que ocorre com pedidos de ressarcimento em espécie, não há que se falar em aplicação da taxa SELIC.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-003.365
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, sendo que os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida e Robson José Bayerl acompanharam pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. SELIC. Recorrente PROCOLOR QUÍMICA INDUSTRIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL. A resistência ilegítima, oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), sendo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009). Nos pedidos de ressarcimento para utilização em declaração de compensação, de forma diferente do que ocorre com pedidos de ressarcimento em espécie, não há que se falar em aplicação da taxa SELIC. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, sendo que os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida e Robson José Bayerl acompanharam pelas conclusões. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 84 44 /2 01 1- 21 Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10882.908444/201121 Acórdão n.º 3401003.365 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP cujo direito creditório utilizado na compensação é oriundo de saldo credor do IPI referente ao período de apuração de 01/04/2009 a 30/06/2009. Conforme despacho decisório exarado pelo Seort/DRF/Osasco, apesar de o crédito alegado pela Recorrente ter sido integralmente reconhecido (pelo valor original do saldo credor solicitado em ressarcimento PER), parte das compensações declaradas não foi homologada, pois o montante dos débitos informados para compensação, vinculados ao saldo credor do período de apuração sob análise, superou o valor do crédito solicitado e reconhecido. Após ser intimada, a ora Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto por intermédio do Acórdão 14053.022, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. JUROS SELIC. É incabível, por falta de previsão legal, a atualização monetária dos valores objeto de pedido de ressarcimento de créditos do IPI. Dessa decisão, a ora Recorrente foi intimada no dia 16/10/2014, apresentando tempestivo Recurso Voluntário no dia 14/11/2014, pelo qual requereu a reforma do acórdão recorrido, "para o fim de reconhecer e deferir o direito de correção monetária dos créditos de IPI, pois deixaram de ser escriturais, bem como aplicar a taxa SELIC, com a posterior homologação das compensações na integralidade", com base nos seguintes argumentos: (i) nulidade da decisão que não reconheceu o direito de crédito da Recorrente, por falta de fundamentação e por não ter intimado a Recorrente para esclarecer os motivos de ter pleiteado o ressarcimento; (ii) aplicação da correção monetária pela utilização da taxa SELIC em créditos objeto de pedidos de ressarcimento junto a Receita Federal. É o relatório. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10882.908444/201121 Acórdão n.º 3401003.365 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.340, de 25 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10882.908423/201114, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.340): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Como relatado, a interposição do Recurso Voluntário pelo contribuinte coloca duas matérias para exame desse Colegiado: (i) nulidade da decisão que não reconheceu o direito creditório da Recorrente; e (ii) aplicação da Taxa Selic para atualização de crédito básico de IPI em pedidos de ressarcimento. Nulidade O Recorrente defende a nulidade da decisão que não homologou as compensações declaradas e indeferiu o pedido de ressarcimento, alegando que a fundamentação da decisão não é adequada, pois não permite à Recorrente conhecer os seus motivos, e que não foi intimada para esclarecer aspectos do pedido de ressarcimento por ela realizado, o que seria determinado à autoridade fiscal pelo artigo 65 da Instrução Normativa nº 900/2008. Esse argumento foi rejeitado pela decisão recorrida, pelas seguintes razões: "De plano não constato qualquer irregularidade que possa acarretar a nulidade do Despacho Decisório, claramente foi demonstrado no Despacho Decisório (Divergências na Compensação) que o direito creditório oferecido e reconhecido era inferior ao montante de débitos que a interessada quer compensar. (...) Pois bem, atendendo ao princípio da eficiência, as PERDCOMPs são processadas eletronicamente visando atender ao contribuinte agilmente e, para atingir tal fim, a busca da certeza e liquidez do crédito se dá, num primeiro momento, pelo cruzamento das informações prestadas pelo próprio interessado à SRF, ou seja, confrontandose o direito creditório pedido com os dados fornecidos pelo interessado na PERDCOMP. Ou seja, a verificação da certeza e liquidez do direito creditório alegado pelo contribuinte, que nada mais é que o estrito cumprimento da lei e a obediência ao princípio da verdade material, baseiase nas obrigações acessórias realizadas pelo próprio". Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10882.908444/201121 Acórdão n.º 3401003.365 S3C4T1 Fl. 5 4 No que se refere à fundamentação inadequada do despacho decisório eletrônico que, segundo a Recorrente, não permitiria o pleno conhecimento dos motivos para o indeferimento total do seu pleito, com os prejuízos daí decorrentes para o exercício regular de sua defesa, não vejo como acompanhar a Recorrente. Apesar de o despacho decisório de fls. 75 ser bem objetivo, pelo seu exame, é possível a compreensão dos motivos que levaram à decisão: a Recorrente apurou determinado saldo credor de IPI em seus livros e pleiteou o ressarcimento, que foi deferido até o exato montante do crédito por ela apurado e solicitado, sendo indeferido pelo despacho decisório a compensação de débitos, assim como um pedido de ressarcimento, em montante superior ao crédito solicitado. Desse modo, estando devidamente fundamentada, não há que se falar em prejuízo à defesa da Recorrente que, conhecendo os motivos do indeferimento, apresentou defesa explicando que a divergência entre crédito e débito se deu pela não aplicação da taxa SELIC nos créditos básicos de IPI objeto de ressarcimento que, uma vez, aplicados, segundo a Recorrente, permitiriam a validação de todas as compensações vinculadas ao crédito de IPI. Não há, portanto, qualquer violação ao artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972, a ensejar a decretação de nulidade da decisão. Com relação à necessidade de intimação da Recorrente antes de qualquer decisão indeferindo o seu direito creditório, oportuno citar o dispositivo invocado pela Recorrente, que tem a seguinte redação: "Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas". (Instrução Normativa RFB nº 900/2008) Pela leitura do dispositivo, entendo que se trata de um direito da autoridade fiscal, que pode ser exercido ou não, não podendo ser encarado tal dispositivo como uma obrigação da autoridade fiscal de intimar o contribuinte antes de toda e qualquer análise de pedidos de reconhecimento de direito de crédito. A Receita Federal poderá, nas hipóteses em que entender cabível, intimar o contribuinte para apresentar esclarecimentos ou realizar diligências adicionais, para fim de confirmar a existência do direito de crédito pleiteado. Por conseguinte, a ausência de intimação da Recorrente antes do não reconhecimento de crédito por ela pleiteado não implica nulidade da decisão tomada nesse sentido, motivo pelo qual proponho ao Colegiado rejeitar a nulidade também por esse segundo fundamento. Aplicação da Taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de crédito de IPI A Recorrente alega que, se aplicada a correção monetária pela taxa SELIC no saldo credor, as compensações declaradas teriam sido homologadas, não havendo qualquer valor a ser cobrado pela Receita Federal. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10882.908444/201121 Acórdão n.º 3401003.365 S3C4T1 Fl. 6 5 Para tanto, invoca como fundamento o artigo 153, parágrafo 3º, inciso II, da Carta da República, artigo 49 do Código Tributário Nacional ("CTN"), artigo 11 da Lei nº 9.779/1999, afirmando que, na hipótese de ressarcimento e/ou compensação, "o crédito de IPI deixa de ser crédito escritural e passa a ser um crédito oponível à União Federal para restituição ou compensação, do qual deverá sofrer a incidência da correção monetária, como qualquer outro crédito passível de restituição/compensação". Além disso, defende a Recorrente que "será totalmente inócua a utilização de valores de créditos sem a cobertura do desgaste inflacionário, ou seja, a devida correção monetária entre o período em que houve o acúmulo do crédito até o momento da utilização, sob pena de enriquecimento ilícito por parte da União Federal", afirmando ser aplicável a taxa SELIC que é a mesma que é aplicada pelo Fisco na correção de seus créditos. A decisão recorrida rejeitou esse argumento da Recorrente, fazendo a distinção entre os casos de ressarcimento de IPI e restituição, conforme a seguir: "(...) a atualização monetária não é aplicável à hipótese vertente, isto é, de crédito escritural suscetível de ressarcimento, pois a norma do art. 66, § 3º da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, e alterações, conforme orientação interna transmitida pelo Boletim Central nº 46, de 25 de março de 1992, abarca tãosomente as hipóteses de atualização monetária referentes à restituição, nos casos em que menciona". Ademais, a decisão recorrida fundamenta a impossibilidade de correção monetária no ressarcimento de IPI, com base em normas infra legais como o artigo 38, § 2º, da IN SRF nº 210, de 2002; e artigo 51, § 5º, da IN SRF nº 460, de 2004, sucedida pelo artigo 52 da IN SRF nº 600, de 2005; artigo 72, § 5º, da IN RFB nº 900/2008 e alterações posteriores, manifestandose ainda pela impossibilidade de correção de créditos escriturais de IPI. Sobre o tema, pedido de atualização pela SELIC de valores objeto do pedido de ressarcimento de IPI, oportuno mencionar que já foi pacificado pelo e. Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial nº 1.035.847 RS, de relatoria do Ministro Luiz Fux, cujo acórdão foi submetido ao regime de recursos repetitivos do artigo 543C, do CPC. Essa decisão teve a seguinte ementa: "PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10882.908444/201121 Acórdão n.º 3401003.365 S3C4T1 Fl. 7 6 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008". (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) Em julgados mais recentes, o STJ deixou claro que (i) a atualização dos pedidos de ressarcimento de IPI aplicase também aos processos administrativos iniciados antes da vigência da Lei nº 11.457/2007, que estipula em seu artigo 24 que os pedidos administrativos deveriam ser apreciados dentro do prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias1; e (ii) o termo inicial para aplicação da SELIC, índice a ser adotado a partir de 1996, é a data de protocolo do pedido de ressarcimento. Nesse sentido, podese citar o precedente abaixo, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques: "TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESSARCIMENTO DOS CRÉDITOS DE IPI. CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMO INICIAL. PROTOCOLO DOS PEDIDOS ADMINISTRATIVOS DE RESSARCIMENTO. 1. Em que pese o julgamento do Recurso Representativo da Controvérsia REsp. n. 1.138.206/RS (Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 9.8.2010), onde se definiu que o art. 24 da Lei 11.457/2007 se aplica também para os feitos inaugurados antes de sua vigência, o prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias para o fim do procedimento de ressarcimento não pode ser confundindo com o termo inicial da correção monetária e juros SELIC. "Quanto ao termo inicial da correção monetária, este deve ser coincidente com o termo inicial da mora. Usualmente, tenho conferido o direito à correção monetária a partir da data em que os créditos poderiam ter sido aproveitados e não o foram em virtude da ilegalidade perpetrada pelo Fisco. Nesses casos, o termo inicial se dá com o protocolo dos pedidos administrativos de ressarcimento" (EAg nº 1.220.942/SP, 1 Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10882.908444/201121 Acórdão n.º 3401003.365 S3C4T1 Fl. 8 7 Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 10.04.2013). 2. Agravo regimental não provido". (AgRg no REsp 1554806/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/10/2015, DJe 05/11/2015) O assunto já foi, inclusive, apreciado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que, em recente julgado2, negou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, pois "especificamente no presente caso, verificase que houve oposição estatal, mas, ou seja, o pedido de ressarcimento de créditos escriturais de IPI foi expressamente rejeitado pela autoridade competente (despacho decisório de fls. 480 a 499), o que ocasionou, portanto, oposição injustificada a impedir o gozo do direito. Existindo oposição estatal injustificada, há incidência de atualização pela SELIC do crédito de IPI". Esse posicionamento decorre da distinção entre créditos escriturais de IPI e créditos não escriturais. Os créditos escriturais, ou seja, aqueles recebidos e inseridos na escrita fiscal da empresa em um período de apuração para efeito de dedução dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos industrializados em períodos de apuração subseqüentes, não são passíveis de atualização, por ausência de previsão legal. Situação distinta ocorre com os créditos escriturais que passam a ser objeto de pedido de ressarcimento, em razão da impossibilidade de serem utilizados na dedução de débitos de IPI, quando as saídas estão sujeitas à alíquota zero ou à isenção, ou quando a diferença entre o volume de créditos e débitos resulta na acumulação de saldo credor. Nessa hipótese, tais créditos deixam de ser escriturais e passam a ser um direito de crédito do contribuinte contra o Fisco, que deve ser atualizado, desde o protocolo do pedido, pois, caso contrário, haveria um enriquecimento sem causa do Fisco. É que, nessas hipóteses, em que há "pedido de ressarcimento de créditos de IPI, PIS/COFINS (em dinheiro ou via compensação com outros tributos) e esses créditos são reconhecidos pela Receita Federal com mora, essa demora no ressarcimento enseja a incidência de correção monetária, posto que caracteriza a chamada "resistência ilegítima" (REsp 1216129/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/03/2011, DJe 15/03/2011), a atrair a aplicação da Súmula STJ nº 411, com a seguinte redação: "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco". Oportuno destacar que a resistência ilegítima fica caracterizada pelo reconhecimento do pedido, com mora, porém, em valor histórico, o que gera uma defasagem no valor do crédito a ser recebido pelo contribuinte, não havendo que se esperar determinado lapso de tempo na apreciação do pedido para que a mora fique caracterizada. 2 Processo nº 13678.000141/0076; Acórdão nº 9303003.253; 3ª Turma; Sessão de 03 de fevereiro de 2015; Matéria TAXA SELIC; Recorrente FAZENDA NACIONAL. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10882.908444/201121 Acórdão n.º 3401003.365 S3C4T1 Fl. 9 8 A respeito, merece destaque a doutrina de Eduardo Domingos Bottallo3, ao tratar da correção monetária nos pedidos de restituição, mas que, pelos mesmos fundamentos, entendo se aplicar aos casos de pedidos de ressarcimento: "A ausência de correção monetária nas obrigações pecuniárias em geral, inclusive, as de índole tributária, acarreta enriquecimento ilícito do devedor, ao que se soma, quando se trata do Poder Público, verdadeiro confisco. Ao revés, sua incidência não configura aumento patrimonial, porém simples mecanismo tendente a retratar, em unidades monetárias atuais, o valor representado por uma quantia identificada no passado. Na antiga lição de Amílcar de Araújo Falcão, ela é a técnica pelo direito consagrada de traduziremse em termos de idêntico poder aquisitivo, quantias ou valores que, fixados pro tempore, se apresentam expressos em moeda sujeita à depreciação. (...) Portanto, se os débitos fiscais ficam sujeitos a atualização monetária a partir do momento que devem ser satisfeitos, o mesmo há de ocorrer com os créditos dos contribuintes, até por força da analogia (ubi eadem ratio, ibi eadem juris dipositio), e da própria regra de isonomia que deve orientar as ações do Poder Público em seu relacionamento com a sociedade: "mais do que ninguém, o administrador público tem o dever de probidade e de seriedade no trato com a coisa pública. Em conseqüência, não pode pensar em não pagar a correção monetária de seus débitos, sob pena de se beneficiar indevidamente com o atraso no pagamento". Como se verifica, se o contribuinte deixa de adimplir sua obrigação tributária dentro do prazo de vencimento está sujeito ao recolhimento do tributo com a aplicação da SELIC, correta a aplicação do mesmo índice para atualização do crédito detido pelo contribuinte contra a Fazenda, pago no âmbito de pedidos de ressarcimento de IPI. Ademais, o artigo 11, da Lei nº 9.779/1999 prevê que o saldo credor do IPI "poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996", que são as normas que tratam da compensação e restituição de tributos federais. Por sua vez, o artigo 39, § 4º, da Lei nº 9.250/1995, estabelece que "§ 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada". Desse modo, se a aplicação da SELIC aos pedidos de ressarcimento de IPI já não tivesse fundamento no princípio da isonomia e no que veda o enriquecimento sem causa, a própria remissão do artigo 11, da Lei nº 9.779/1999 às normas que tratam de restituição e compensação seria fundamento legal suficiente ao seu reconhecimento. 3 Bottalo, Eduardo Domingos. "Fundamentos do IPI". São Paulo. Editora Revista dos Tribunais. 2002. p. 136137. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10882.908444/201121 Acórdão n.º 3401003.365 S3C4T1 Fl. 10 9 Contudo, em que pese ter razão, em tese, o Recorrente quando defende a possibilidade de aplicação da taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento, em seu caso concreto, fixado o entendimento de que a taxa SELIC deve ser aplicada desde a data de protocolo do pedido até o efetivo pagamento do ressarcimento pela Receita Federal, o pedido do Recorrente não merece prosperar. É que no caso da Recorrente não se trata de pedido de ressarcimento em espécie, mas de pedido de ressarcimento para utilização em declarações de compensação contemporâneas ao pedido de ressarcimento. Ora, nesse caso, não há que se falar em oposição injustificada da Receita Federal, pois o valor objeto de ressarcimento é utilizado no exato momento da apresentação do pedido. Em conseqüência, não há qualquer justificativa para a aplicação da taxa SELIC. E, se a Recorrente pretendia a aplicação da taxa SELIC desde a data da escrituração dos créditos nos livros fiscais até a data de apresentação do pedido de ressarcimento, o que não se depreende da defesa apresentada, tratarseia, de qualquer modo, de aplicação da taxa SELIC sobre o crédito escritural de IPI, o que é vedado, por ausência de previsão legal, como já exposto nas linhas acima. Ante o exposto, embora tenha o entendimento pela aplicação da taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de crédito de IPI, penso que esse entendimento não se aplica ao caso concreto, que trata de declaração de compensação contemporânea ao pedido de ressarcimento, motivo pelo qual voto pelo não provimento do Recurso Voluntário." Deixase de transcrever a íntegra da declaração de voto apresentada pelo Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira por ter sido apresentada no Acórdão 3401003.340 (processo paradigma), e por não ser essencial à solução do presente litígio. Transcrevese, tão somente, o seguinte fragmento da declaração de voto, que resume o entendimento do Conselheiro sobre a questão: "Data vênia do entendimento esposado pelo ilustre relator, a jurisprudência que acomete a atualização SELIC para o ressarcimento do IPI é justificada pela resistência da administração em reconhecer o direito creditório e efetivar o ressarcimento. Mas ela não acolhe a SELIC para os casos em que não se configure essa resistência da administração fazendária. Vejamos trecho das ementas dos citados julgados: (...) Além disso, a contribuinte aproveitou o crédito do ressarcimento do IPI imediatamente por meio de declaração de compensação, não havendo oposição por parte da administração tributária para essa compensação, nem postergação do aproveitamento do crédito por parte da contribuinte. Não houve desrespeito ao prazo de 360 dias posto pela Lei 11.457 de 2007. Não há que se falar em resistência da administração ao caso de modo a se justificar aplicar o entendimento jurisprudencial. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10882.908444/201121 Acórdão n.º 3401003.365 S3C4T1 Fl. 11 10 O texto do artigo 24 da Lei n. 11.457, de 2007, invocado pela contribuinte, não a socorre. Além do fato que o prazo de 360 dias não foi desrespeitado, a simples leitura desse artigo afasta a proposição da contribuinte de que o descumprimento do prazo máximo para a autoridade administrativa decidir implicaria em reconhecimento do seu direito. Essa é uma interpretação equivocada. Basta ler o artigo citado para se ver, indubitavelmente, que esse texto não autoriza a aplicação da taxa SELIC aos casos de ressarcimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 137DF CARF MF
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Numero do processo: 10111.000803/2006-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 13/10/2006
OMISSÃO. EMBARGO. CABIMENTO.
Verificado vício de omissão nas decisões exaradas em segunda instância administrativa, cabíveis embargos de declaração, nos moldes do art. 65 do RICARF/2015.
MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. MATÉRIA NÃO DEDUZIDA EM IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. VERIFICAÇÃO.
Constatada a ausência de questionamento em impugnação, in casu, a modificação de critério jurídico do lançamento, considera-se incontroversa a matéria, a teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, não sendo admissível a renovação da altercação em sede recurso voluntário, por verificação da preclusão consumativa.
PRÁTICAS REITERADAS. INEXISTÊNCIA. EXCLUSÃO DE MULTA E JUROS. DESCABIMENTO.
Não consubstanciam práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas a adoção de entendimentos exarados por atos administrativos baixados pela RFB, quando obedecida a sua vigência e a aplicação contemporânea aos casos concretos submetidos, não havendo razão para exoneração de multa e juros, com base no art. 100 do Código Tributário Nacional.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3401-003.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, reconhecendo-se as omissões, que foram supridas pelo colegiado, sendo rejeitada a demanda pela aplicação, ao caso, do artigo 100 do Código Tributário Nacional (CTN), e não conhecida a alegação de aplicação do artigo 146 da mesma codificação, por preclusão. Os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos votaram pelas conclusões, porque analisavam a alegação referente ao artigo 146 do CTN, e a rejeitavam, no mérito.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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EMBARGO. CABIMENTO. Verificado vício de omissão nas decisões exaradas em segunda instância administrativa, cabíveis embargos de declaração, nos moldes do art. 65 do RICARF/2015. MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. MATÉRIA NÃO DEDUZIDA EM IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. VERIFICAÇÃO. Constatada a ausência de questionamento em impugnação, in casu, a modificação de critério jurídico do lançamento, considerase incontroversa a matéria, a teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, não sendo admissível a renovação da altercação em sede recurso voluntário, por verificação da preclusão consumativa. PRÁTICAS REITERADAS. INEXISTÊNCIA. EXCLUSÃO DE MULTA E JUROS. DESCABIMENTO. Não consubstanciam práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas a adoção de entendimentos exarados por atos administrativos baixados pela RFB, quando obedecida a sua vigência e a aplicação contemporânea aos casos concretos submetidos, não havendo razão para exoneração de multa e juros, com base no art. 100 do Código Tributário Nacional. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, reconhecendose as omissões, que foram supridas pelo colegiado, sendo rejeitada a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 00 08 03 /2 00 6- 64Fl. 1180DF CARF MF 2 demanda pela aplicação, ao caso, do artigo 100 do Código Tributário Nacional (CTN), e não conhecida a alegação de aplicação do artigo 146 da mesma codificação, por preclusão. Os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos votaram pelas conclusões, porque analisavam a alegação referente ao artigo 146 do CTN, e a rejeitavam, no mérito. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Tratase de auto de infração de classificação fiscal relativo a mercadoria constante da DI 06/12364040, abrangendo multa por erro de classificação e diferenças de tributos. A impugnação argumentou a nulidade do lançamento, por inépcia; discorreu sobre o equipamento importado; defendeu a classificação fiscal adotada, com fulcro em laudo técnico; deduziu razões de ordem econômica para improcedência da autuação; e, aduziu o descabimento das multas e dos juros de mora, com fulcro no art. 100, III, parágrafo único do Código Tributário Nacional. O julgamento foi convertido em diligência para juntada de cópias de processos judiciais atinentes à questão (MS 2004.34.00.0066088 e AO 0053926 61.2010.4.01.3400) Uma vez cumprida a diligência determinada, a DRJ Fortaleza/CE manteve o lançamento em decisão assim ementada: “INÉPCIA DO LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INOCORRÊNCIA. É válido o lançamento cuja descrição das ocorrências e enquadramento legal permitam a perfeita compreensão dos fatos pelo autuado, mormente quando a realização de diligência oportuniza dirimir eventuais dúvidas. DILIGÊNCIA. JUNTADA DE DOCUMENTOS ANTERIORES AO LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. Quando da realização de diligência, é admissível que a fiscalização junte novos documentos para esclarecer os fatos em causa, ainda que tenham sido produzidos antes do lançamento. Fl. 1181DF CARF MF Processo nº 10111.000803/200664 Acórdão n.º 3401003.514 S3C4T1 Fl. 11 3 DOCUMENTO GRAFADO EM IDIOMA ESTRANGEIRO. AUSÊNCIA DE TRADUÇÃO JURAMENTADA. ADMISSIBILIDADE. A ausência de tradução juramentada de documento grafado em idioma estrangeiro não impede sua utilização nos autos, desde que fique demonstrada a ausência de prejuízo para as partes envolvidas. TERMINAL MÓVEL DE COMUNICAÇÃO DO SISTEMA OMNISAT. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. O Terminal Móvel de Comunicação do Sistema OmniSAT se enquadra no código 8526.91.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul, pois se trata de uma combinação de máquinas cuja função principal é desempenhada pelo receptor GPS nele inserido, que fornece as informações necessárias para a supervisão do deslocamento do veículo em que ele é instalado. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTO IMPORTADO. MULTA ESPECÍFICA. DIFERENÇAS DE TRIBUTOS. O erro na classificação fiscal de mercadoria importada configura infração punível com multa específica, sem prejuízo da cobrança de ofício das diferenças de tributos eventualmente apuradas, com os acréscimos legais. COSTUME ADMINISTRATIVO. PUBLICAÇÃO DE ATO FIXANDO O ENTENDIMENTO DA ADMINISTRAÇÃO. FATOS POSTERIORES. Diante da publicação de ato que fixe entendimento diferente do que vinha sendo aceito pela Administração anteriormente, não há falar em costume administrativo em relação aos fatos posteriores a esse ato.” Em recurso voluntário o contribuinte, como preliminar, argüiu a impossibilidade de juntada de documentos e esclarecimentos pela autoridade preparadora e a invalidade de documentos em língua estrangeira. No mérito, teceu considerações sobre suas atividades e o equipamento importado; defendeu a inaplicabilidade da classificação adotada para aparelhos de radionavegação; citou precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e soluções de consulta de aparelhos similares; abordou os laudos técnicos apresentados; e, rechaçou a possibilidade de alteração do critério jurídico e também o cabimento das multas e dos juros respectivos. Alicerçada na informação de opção pela via judicial, consubstanciada na Ação Ordinária nº 004787847.2014.4.01.3400, Seção Judiciária do Distrito Federal, Tribunal Regional Federal da 1ª Região, a 1ª Turma Especial, através do Acórdão 3801004.301, de 17/09/2014, declarou a concomitância das discussões e não conheceu do recurso voluntário. Cientificado da decisão, o contribuinte interpôs embargo de declaração alegando omissão do julgado quanto à impossibilidade de modificação de critério jurídico e a inaplicabilidade das multas e juros moratórios, matérias não deduzidas perante o Poder Judiciário. Os embargos foram admitidos pelo presidente do colegiado argüido e, posteriormente, redistribuídos por sorteio, em função de reorganização do órgão, promovida pela Portaria MF 343/2015. É o relatório. Fl. 1182DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Os embargos de declaração manobrados preenchem os requisitos formais de admissibilidade. Preamburlamente, cabe examinar o objeto da demanda judicial instalada e a sua coincidência com as questões postas no contencioso administrativo, bem assim os efeitos processuais daí decorrentes, para então verificar a existência da ventilada omissão. Consoante petição inicial juntada aos autos, o pedido do recorrente, na esfera judicial, no que tange ao mérito, consistiu na i) declaração de inexistência de relação jurídico tributária que autorizasse a União a exigir a classificação na posição 8526.91.00 da NCM, ii) o reconhecimento do direito de classificar o produto importado na posição 8517.62.71 e, ainda, iii) a determinação da anulação dos autos de infração que cita, dentre eles, o albergado pelo presente processo. Em 26/06/2015 foi proferida sentença julgando procedente o pedido formulado, estando o dispositivo vazado nos seguintes termos: “Ante o exposto, JULGO PROCEDENTE O PEDIDO para: a) DECLARAR a inexistência de relação jurídico tributária oriunda da classificação fiscal do MCT como aparelho de radionavegação, atualmente enquadrado na posição 8526.91.00 da NCM; b) DECLARAR o direito da autora de classificar o MCT na posição reservada a aparelhos de comunicação; c) ANULAR os créditos tributários constituídos contra a autora, em razão da não classificação fiscal do MCT como aparelho de radionavegação (posição 8526.91.00), determinandose, ainda, o cancelamento dos autos de infração descritos no itens b.3 e b.4; d) AFASTAR as penalidades aplicadas e, em especial, a multa do IPI; Condeno a União ao pagamento das custas em ressarcimento e honorários advocatícios sucumbenciais, que fixo em R$10.000,00 (dez mil reais), já observado o disposto no art. 20, §4º, do CPC.” (sublinhado) Atualmente o processo judicial aguarda julgamento de apelação pelo TRF 1ª Região. Como se vê, há pedido expresso, devidamente acolhido, ainda que pendente de recurso, para declarar o cancelamento do lançamento abrigado neste processo administrativo. É certo que, em âmbito judicial, o recorrente não expôs a impossibilidade de modificação de critério jurídico, em sede de revisão aduaneira, tampouco o cabimento das multas e juros, com lastro no art. 100 do Código Tributário Nacional, como fundamento de seu pedido; todavia, o pedido formalizado, tanto administrativa como judicialmente, é idêntico, Fl. 1183DF CARF MF Processo nº 10111.000803/200664 Acórdão n.º 3401003.514 S3C4T1 Fl. 12 5 qual seja, a declaração de improcedência da autuação, de modo que, sob esse ângulo, a concomitância é patente. Dessarte, a delimitação da lide é feita pelo pedido apresentado, que sobre ele deverá se manifestar e decidir a autoridade julgadora correspondente, sendo a parte dispositiva dessa decisão aquela que oferecerá a resposta ao pleito, sendo essa a parte sujeita ao trânsito em julgado e, por via de conseqüência, à imutabilidade típica da coisa julgada. Como existe decisão de mérito no processo judicial, a formação da coisa julgada é inexorável, incidindo na espécie a inteligência do art. 508 do Código de Processo Civil, segundo o qual, transitada em julgado a decisão, considerarseão deduzidas e repelidas todas as alegações e as defesas que a parte poderia opor, tanto ao acolhimento quanto à rejeição do pedido. De qualquer modo, entendo que, mesmo omisso o acórdão arguido, no mérito, não merece acolhida o aclaratório manobrado, haja vista que, em relação à impossibilidade de modificação do critério jurídico, verificouse a preclusão consumativa da matéria, a teor dos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, porquanto não integrante da impugnação protocolada. Respeitante ao descabimento das penalidades e juros moratórios, com lastro no art. 100, III e parágrafo único do CTN, pela pretensa observância das práticas reiteradas adotadas pelas autoridades administrativas, temse que a aceitação da classificação fiscal empregada pelo contribuinte nas declarações de importação que cita, por parte da fiscalização, é anterior à edição do ADI SRF nº 22, de 20/08/2004, que modificou o entendimento oficial acerca da classificação fiscal da mercadoria importada, como anotado pela decisão recorrida, verbis: “Em sede de pedido alternativo, a impugnante solicita a dispensa dos juros e multas, com base no disposto no art. 100, inciso III e parágrafo único, do CTN. Suscita que desde o início de suas operações vinha promovendo a importação do equipamento em foco, sem que houvesse nenhuma contestação por parte dos fiscais alfandegários. Assim, estaria caracterizada a ocorrência de prática reiteradamente observada pela autoridade administrativa, o que elidiria a cobrança de penalidades e de juros na exação sob exame. Também em relação a esse aspecto não assiste razão à defesa. Com a edição do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 14/2003, publicado no DOU de 4/9/2003, a Receita Federal oficializou seu entendimento quanto à classificação fiscal dos equipamentos ali indicados, em cuja descrição se enquadrava o caso MCT, conforme se demonstra: (...) Assim, ainda que em períodos anteriores ao referido ADI o MCT viesse sendo desembaraçado em código distinto, Fl. 1184DF CARF MF 6 como alega a defesa, não há falar em costume administrativo em relação a operações posteriores à publicação desse Ato, realizadas em desconformidade com a orientação nele formalizada. O ADI 14/2003 supriu eventual necessidade de norma complementar para definir a classificação fiscal dos equipamentos nele indicados. As operações contrárias a ele, na realidade, passaram a ser frontalmente ilegais. A partir da vigência desse Ato, embora o mesmo tenha sido revogado pelo ADI SRF nº 22/2004, verificase que a fiscalização aduaneira continuou a classificar o MCT no mesmo código anteriormente definido (8526.91.00). Como o importador insistiu em utilizar classificação fiscal diferente, as importações desse equipamento passaram a ser objeto de autuação, e só foram desembaraçadas sem a correção do enquadramento tarifário por determinação judicial.” Ou seja, não se identifica qualquer “prática reiterada”, por parte das autoridades fiscais, contemporânea ao registro da declaração de importação lançada, no sentido de acatar a classificação reclamada pelo contribuinte. Portanto, não há qualquer ressalva a ser feita à decisão embargada, que, mesmo não fazendo remissão específica às teses expostas e ora apontadas como omissas, reconheceu acertadamente a concomitância das discussões e a renúncia à discussão administrativa, não havendo qualquer vício de declaração que a conspurque. Com estas considerações, voto por conhecer dos embargos quanto às omissões apontadas e, no mérito, negar provimento ao recurso. Robson José Bayerl Fl. 1185DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.913792/2011-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.043
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 13 79 2/ 20 11 -4 3 Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10480.913792/201143 Resolução nº 3401001.043 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.537. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10480.913792/201143 Resolução nº 3401001.043 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10480.913792/201143 Resolução nº 3401001.043 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 214DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720009/2009-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO.
O incentivo fiscal de restituição do ICMS, quando não atrelado ao investimento na aquisição de bens ou de direitos referentes à implantação ou expansão do empreendimento projetado, é estímulo fiscal que se reveste das características próprias das subvenções para custeio, não se confundindo com as subvenções para investimento, e deve ser computado no lucro operacional das pessoas jurídicas, sujeitando-se, portanto, à incidência do imposto sobre a renda.
CSLL . LANÇAMENTO REFLEXO.
A decisão de mérito prolatada no lançamento do IRPJ aplica-se à CSLL, pois se trata de exigência reflexa, apoiada nos mesmos fatos que ensejaram o lançamento daquele.
Numero da decisão: 1201-001.556
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos o Relator e os Conselheiros Luiz Paulo e Luis Henrique, que lhe davam provimento. Declarou-se impedido o Conselheiro José Roberto Adelino. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Carlos.
(assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIS FABIANO ALVES PENTEADO- Relator.
(assinado digitalmente)
JOSÉ CARLOS DE ASSIS GUIMARÃES - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes, José Carlos de Assis Guimarães e José Roberto Adelino da Silva (Suplente).
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. O incentivo fiscal de restituição do ICMS, quando não atrelado ao investimento na aquisição de bens ou de direitos referentes à implantação ou expansão do empreendimento projetado, é estímulo fiscal que se reveste das características próprias das subvenções para custeio, não se confundindo com as subvenções para investimento, e deve ser computado no lucro operacional das pessoas jurídicas, sujeitando-se, portanto, à incidência do imposto sobre a renda. CSLL . LANÇAMENTO REFLEXO. A decisão de mérito prolatada no lançamento do IRPJ aplica-se à CSLL, pois se trata de exigência reflexa, apoiada nos mesmos fatos que ensejaram o lançamento daquele.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos o Relator e os Conselheiros Luiz Paulo e Luis Henrique, que lhe davam provimento. Declarou-se impedido o Conselheiro José Roberto Adelino. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Carlos. (assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO- Relator. (assinado digitalmente) JOSÉ CARLOS DE ASSIS GUIMARÃES - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes, José Carlos de Assis Guimarães e José Roberto Adelino da Silva (Suplente).
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INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. O incentivo fiscal de restituição do ICMS, quando não atrelado ao investimento na aquisição de bens ou de direitos referentes à implantação ou expansão do empreendimento projetado, é estímulo fiscal que se reveste das características próprias das subvenções para custeio, não se confundindo com as subvenções para investimento, e deve ser computado no lucro operacional das pessoas jurídicas, sujeitandose, portanto, à incidência do imposto sobre a renda. CSLL . LANÇAMENTO REFLEXO. A decisão de mérito prolatada no lançamento do IRPJ aplicase à CSLL, pois se trata de exigência reflexa, apoiada nos mesmos fatos que ensejaram o lançamento daquele. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos o Relator e os Conselheiros Luiz Paulo e Luis Henrique, que lhe davam provimento. Declarouse impedido o Conselheiro José Roberto Adelino. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Carlos. (assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 00 09 /2 00 9- 10 Fl. 302DF CARF MF 2 LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator. (assinado digitalmente) JOSÉ CARLOS DE ASSIS GUIMARÃES Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes, José Carlos de Assis Guimarães e José Roberto Adelino da Silva (Suplente). Relatório Versa o presente processo sobre os Autos de Infração em fls. 27 a 38 relativos ao Imposto de Renda Pessoa JurídicaIRPJ e Contribuição Social Sobre o Lucro LíquidoCSLL, anocalendário de 2003, com crédito total apurado no valor de R$ 22.775.803,74, incluindo o principal, a multa de ofício e os juros de mora, atualizados até 28/11/2008. De acordo com a Descrição dos Fatos do Auto de Infração, o sujeito passivo incorreu na seguinte infração: Contabilização indevida de subvenções para investimento. A infração tem origem no fato do contribuinte não ter apresentado à fiscalização os documentos comprobatórios da efetiva aplicação desses recursos em investimentos na implantação ou expansão do empreendimento econômico da empresa, conforme interpretação dada pelo Parecer Normativo CST n° 112/78. Sobre a exigência principal foi aplicada a multa de ofício 75 %. Impugnação Da impugnação apresentada pela ora recorrente, merecem destaque e a reprodução de alguns pontos específicos elencados no v. acórdão recorrido, quais sejam: “(...) Da ilegalidade da PN 112 1. Nos termos do art. 38, 2°, da Lei n° 1.598/77, as subvenções para investimentos e as doações feitas pelo poder público não são computadas na apuração do lucro real, desde que registradas na conta de reserva de capital e não distribuídas aos sócios da beneficiária; 2. Dessa forma, o texto legal condiciona a neutralidade do tratamento tributário das subvenções para investimento concedidos como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos unicamente a esse dois requisitos; 3. A exigência imposta pelo PN 112, a fim de tomar obrigatória a destinação dos recursos das subvenções para investimento em contas de ativo permanente e ilegal. Isto porque a implantação ou expansão de uma planta industrial necessita de outros investimentos, tais como despesas de projetos, financiamentos, Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10283.720009/200910 Acórdão n.º 1201001.556 S1C2T1 Fl. 302 3 energia, transporte, matériaprima, estoques, mercadorias, capital de giro, recursos humanos, etc.; 4. Nesse sentido caminha a jurisprudência administrativa do CSRF e do Conselho de Contribuintes; Da interpretação equivocada do PN 112 5. Que além disso, a autoridade lançadora interpreta equivocadamente o PN 112 ao exigir a concomitância entre a percepção da subvenção e a aplicação na aquisição de bens do ativo fixo. Isto porque é notória a impossibilidade de vinculação do recebimento do incentivo à instalação ou ampliação da planta. Nesse sentido o acórdão CSRF 0l04.475 de 2003; Da comprovação do investimento 6. Pela análise dos documentos de concessão do incentivo fiscal (Laudos de Inspeção e Decretos Concessivos doc 4) com a movimentação do saldo do ativo permanente (doc 5), resta claro que o recurso do benefício do ICMS foi aplicado na expansão da planta da impugnante; 7. Ao longo dos anos de 2002 e 2005 foram investidos R$ l89.426.282,47 em aquisições para bens do ativo permanente; 8. Somente no ano de 2003 essas aquisições foram de R$36.385.009,30; 9. É descabida a exigência de que os recursos recebidos (como subvenção) sejam aplicados em aquisições e investimentos no mesmo anocalendário do gozo do benefício; 10. Caso se entenda que a impugnante não comprovou a aplicação integral dos recursos percebidos, requer a redução proporcional da autuação; Da impossibilidade de tributação de qualquer subvenção 11. As subvenções para investimento equiparamse às doações realizadas pelo poder público, não estando portando sujeitas à tributação na forma do art. 38, §2°, do DecretoLei n° 1.598/77. Nesse sentido o Acórdão CC l0706.266, de 2001; Da taxa SELIC 12. Requer o afastamento da aplicação da Taxa SELIC sobre os débitos do processo; Da provas 13. Requer a ajustada posterior de provas.(...)” Acórdão nº 0117.391 – 1ª Turma da DRJ/BEL Das decisões administrativas Fl. 304DF CARF MF 4 De início firmouse o entendimento de que seriam improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, ora recorrente, uma vez que tais decisões, mesmo que proferidas por órgãos colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia normativa, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Ainda neste sentido, esclareceuse que mesmo o CARF decidindo reiteradas vezes sobre determinada questão, pode a autoridade administrativa da Delegacia de Julgamento ter outro raciocínio/posicionamento acerca da mesma, salvo na hipótese de edição de súmula administrativa, na forma do artigo 26A do Decreto 70.235/I972, incluído pela Lei n° 1l.l96/2005. Da apreciação de ilegalidade de atos normativos Elucidouse que, no caso específico da administração tributária federal, o art. 7º da Portaria MF nº 58/2006 determina que a autoridade julgadora de 1ª instância deve observar o conteúdo das disposições legais, bem como o entendimento da Receita Federal expresso em atos tributários, como é o caso do Parecer Normativo. Decidiu, então, a autoridade julgadora, pela falta de competência para apreciar a arguição de ilegalidade do Parecer Normativo observado no procedimento fiscal. Da caracterização da subvenção Entendeuse que pela leitura dos arts. 443 e 545 do RIR/99, certo é que a subvenção para investimento está condicionada a não distribuição (dos recursos) aos sócios e ao registro como reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para o aumento de capital ou amortização de prejuízo. Todavia, quedouse obvio que uma subvenção para investimento deve ter o destino a que se propõe, qual seja, o dispêndio com investimentos na empresa. Explanouse que, do contrário, esta receita perderia sua finalidade e característica peculiar, a subvenção para investimento, para se amoldar ao fim a que fora de fato destinado. Prosseguiuse esclarecendo que o recurso financeiro, decorrente da isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, deve ser, efetiva e necessariamente, aplicado na implantação ou expansão da estrutura econômica da empresa, sem o que perde seu caráter de subvenção para investimento e, consequentemente, o benefício fiscal (isenção do IRPJ e da CSLL). Por fim evidenciouse que não é o caso de deixar de registrar o recurso (da subvenção de investimento) na conta reserva de capital para destinalo às contas do ativo permanente, como quis fazer crer a recorrente. Mas, sim, de destinar o recurso ao efetivo acréscimo da estrutura produtiva da empresa, registrandoo nas contas de investimento do ativo, em contrapartida à conta de reserva de capital. Da interpretação do Parecer Normativo 112/78 Como razão para decidir, a autoridade julgadora aduz que segundo a fiscalização “o contribuinte não apresentou os documentos comprobatórios da efetiva aplicação desses recursos, decorrentes dos incentivos fiscais concedidos pela legislação do ICMS, em investimentos na implantação ou expansão do empreendimento econômico da empresa, indicando as contas contábeis do Ativo Permanente ‘em que foram contabilizados’ esses investimentos.” Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10283.720009/200910 Acórdão n.º 1201001.556 S1C2T1 Fl. 303 5 Entendeuse que a mera indicação das contas contábeis em que foram destinados os recursos percebidos não comprova a destinação destes. A uma porque não há identifica os fatos contábeis relacionados à aplicação destes recursos. A duas, não comprova a veracidade destes fatos contábeis. Firmouse que deveria o contribuinte ter indicado os registros contábeis que retratam a aplicação dos recursos ao investimento e, ainda, apresentado os documentos de suporte destes lançamentos contábeis. Da comprovação do investimento Evidenciouse que os Laudos de Inspeção e Decretos Concessivos, a que se refere a recorrente (fls. 2229 do Anexo I), concedem o benefício fiscal como incentivo à produção de determinados produtos. Nestes termos, a subvenção proporcionada pela legislação do ICMS do estado do Amazonas à recorrente revelouse como natureza de incentivo fiscal de custeio da produção, e, não, de investimento, pois não faria nenhuma referência à implantação ou ampliação do parque produtivo da recorrente. Concluiuse que os recursos derivados dessa subvenção deveriam integrar a receita bruta operacional da pessoa jurídica, nos termos do art. 392, inciso I, do RIR/99. Da tributação da subvenção Expôs a autoridade julgadora que o impugnante se assenta na tese de que o art. 38, §2°, do DecretoLei n° 1.598/77, haveria revogado o art. 44, IV, da Lei nº 4.506/64. Entendeuse, no entanto, que o argumento não tem razão de ser, pois, quisesse o legislador isentar a subvenção para custeio e produção teria sido expresso ao incluí la no texto permissivo (art. 38, §2°, DecretoLei n° 1.598/77), em consonância com o art. 111, inciso II, do CTN. Acrescentouse que o poder executivo interpretou que o art. 44, IV, da Lei nº 4.506/64 continua vigente quando o inseriu dentre as disposições do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (art. 392, inciso l, Decreto n° 3.000/99), não podendo a autoridade administrativa deixar de aplicálo, nos termos do art. 116, Ill, da Lei n° 8.112/90. Da taxa SELIC Desconhecerase o pedido uma vez não demonstrada a causa petendi. Do pedido de apresentação extemporânea de provas Por fim, a recorrente pede a ajustada posterior de provas. Não obstante as disposições do §4° do art. 15 do Decreto n° 70.235/72, considerouse que o pedido perdeu seu objeto ante o julgamento da lide. Conclusão A Turma da DRJ julgou IMPROCEDENTE a Impugnação da Contribuinte. Recurso Voluntário O recurso voluntário se mantém em idênticos termos aos argumentos trazidos em sede de impugnação. Ressalvase que o ora recorrente não se manifesta quanto a aplicação Fl. 306DF CARF MF 6 da taxa SELIC e tampouco protesta pela juntada posterior de quaisquer documentos que se façam necessários para efetiva demonstração e comprovação das alegações de fato e direito efetuadas, em estrita observância ao Princípio da Verdade Material. Mesmo assim, cabe destaque e reprodução de alguns pontos importantes expostos no Recurso: “(...) 21. Do exposto, verificase que as (i) subvenções para investimento, inclusive concedidas mediante isenção ou redução de impostos, como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos; e (ii) as doações feitas pelo Poder Público terão tratamento fiscal neutro, desde que REGISTRADAS EM CONTA DE RESERVA DE CAPITAL, NÃO PASSÍVEL DE DISTRIBUIÇÃO AOS SÓCIOS DA BENEEICIÁRIA. (...) 27. Contudo, é certo que o próprio PN 112 demonstra, nos termos acima ressaltados, que a ausência de observância dos requisitos do artigo 38, do DecretoLei nº 1.598/77, não modifica a natureza da subvenção, mas apenas demonstra não ter sido destinada à instalação ou expansão de empreendimentos econômicos, ficando, destarte, impedida de fruir do regime tributário previsto no artigo 38, do DecretoLei 1.598/77, nos termos de seu item 2.14 acima referido. (...) 32. Vale aqui notar que a I. Autoridade Fiscal, em nenhum momento, opôs dúvida sobre o atendimento de tal requisito pela Recorrente, reconhecendo que as contrapartidas do benefício de redução de ICMS percebido do Estado do Amazonas foram registradas e mantidas em conta de reserva de capital. (...) 36. Nesse sentido, não obstante a clareza do artigo 38, acima referido, a Receita Federal do Brasil editou o PN 112, no qual estipula requisitos que não guardam amparo na redação do artigo 38, do DecretoLei n° 1.598/77 para que seja verificada a destinação das subvenções para investimento à implantação e expansão de empreendimentos. 37. De fato, pretende tal normativo instituir que a subvenção para investimento apenas terá sido aplicada na implantação ou expansão do empreendimento econômico se houver comprovação documental de utilização dos recursos concedidos pelo Poder Público na aquisição de mercadorias e direitos destinados à instalação ou expansão de empreendimento econômico, ou seja, em bens do ativo permanente. 38. Como visto, tal requisito é descabido e inconsistente ao mecanismo adotado pelo artigo 38, do DecretoLei 1.598/77. 39. Isso porque o Poder Público, ao conceder a subvenção para investimento com o propósito de auxiliar a implantação ou Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10283.720009/200910 Acórdão n.º 1201001.556 S1C2T1 Fl. 304 7 expansão do empreendimento econômico, não imagina que o beneficiário irá aplicar os recursos apenas na aquisição de bens do ativo permanente, visto que a execução de projeto de tal monta não depende apenas de tais bens, como se pode facilmente imaginar. 40. Uma planta industrial necessita, por óbvio, de bens do ativo permanente, mas também de infraestrutura (fornecimento de energia, água, telefonia, etc.), pessoal treinado e habilitado a operar as máquinas de produção, tecnologia, matériaprima, dentre outros itens. 41. Carece de sentido lógico exigir a comprovação da totalidade da aplicação dos recursos decorrentes da subvenção para investimento na aquisição de ativo permanente. Como poderia uma planta industrial funcionar apenas com máquinas, sem funcionários, energia, matériaprima, etc?!! 42. Visto que é impossível ao Poder Público condicionar a aplicação dos recursos a apenas uma espécie de bens para que se verifique sua aplicação na respectiva instalação/expansão, dada a multiplicidade de itens necessários para o funcionamento de empreendimento econômico, é que o artigo 38, do Decreto Lei 1.598/77, buscou mecanismo que permita assegurar a manutenção dos recursos no patrimônio líquido da pessoa jurídica, garantindo sua utilização no financiamento do empreendimento econômico. 43. Não fosse tal conclusão decorrer da lógica da atividade negocial, é forçosa também em vista do texto do artigo 38, do DecretoLei 1.598/77, dado não haver em sua redação QUALQUER REQUISITO EM SENTIDO DIVERSO, SENDO NECESSÁRIO CONCLUIR PELA ILECALIDADE Do RACIOCÍNIO CONSTRUÍDO PELO PN 112 E ADOTADO PELA I. AUTORIDADE FISCAL AUTUANTE! (...) 45. O doutrinador, em linha com o raciocínio ora sustentado, demonstra que o termo “investimento”, qualificador das subvenções para investimento a que se aplica o artigo 38, do DecretoLei 1.598/77, deve ser adequadamente interpretado a fim de abranger quaisquer formas de aplicação dos recursos advindos do Poder Público. (...) 51. O que não se pode pretender é que a empresa condicione o cronograma de investimentos à percepção do benefício, visto que a execução de obras, contratação e treinamento de funcionários e a aquisição de maquinário de alto valor agregado não podem ser realizadas sem planejamento financeiro e negocial adequado, o qual não poderá ficar completamente vinculado à natural flutuação do montante do Fl. 308DF CARF MF 8 benefício fiscal percebido em cada mês, visto que o ICMS incide sobre as vendas. (...) 64. Especificamente no que tange à Recorrente, da análise dos documentos acostados aos Autos (mormente os Laudos de Inspeção e Decretos Concessivos) (doc. 4 da Impugnação) verificase que, desde o início da concessão dos incentivos fiscais, teve aprovados diversos projetos de implantação e diversificação de linhas de produção no Estado, sendo editados os competentes Decretos Governamentais para a concessão das subvenções de ICMS, bem como emitidos diversos Laudos de Inspeção pela SIC, seguidamente renovados por aquela Secretaria, considerando o constante adimplemento pela Recorrente das condições para a implantação do benefício. (...) 67. De fato, caso a fiscalização tivesse analisado, em mais detalhes os registros contábeis da Recorrente (doc. 5 da Impugnação), teria facilmente constatado, mediante exame do Razão Contábil da conta de ativo permanente, que as aquisições de bens para o ativo, ao longo dos anos de 2002 a 2005, foram de ordem de R$ 189.426.282,47! (...) 69. Especificamente no que tange ao anocalendário de 2003, objeto da autuação, a análise do Razão Contábil demonstra aquisições de bens para a composição do ativo no montante de R$ 36.385.009,30. (...) 72. Ora, ao se analisar as disposições de todo e qualquer projeto técnico de implantação e/ ou diversificação de uma planta ou linha de produção, notase a existência de um rígido cronograma de investimentos, o qual sempre é objeto de estudos de viabilidade econômica, com o intuito de assegurar a exeqüibilidade dos projetos. 73. É absurdo imaginar_ que companhias do porte da Recorrente poderiam, simplesmente, gastar os recursos recebidos do Poder Público, sem qualquer critério, na medida em que esses sejam percebidos. 74. Certo é que para a correta e oportuna aplicação dos recursos é necessária a elaboração de um planejamento a médio e longo prazo, de forma a permitir que os investimentos realizados apresentem os níveis de eficiência, funcionalidade e rentabilidade pretendidos. (...) 76. Por todo o exposto, tendo a Recorrente comprovado a aplicação dos recursos oriundos do incentivo percebido do Estado do Amazonas na aquisição de bens do ativo permanente, restam atendidos os requisitos do PN 112, merecendo, também sob esse prisma, ser cancelada a presente autuação. Fl. 309DF CARF MF Processo nº 10283.720009/200910 Acórdão n.º 1201001.556 S1C2T1 Fl. 305 9 (...) 78. Por fim, a Recorrente esclarece que, ainda que prevaleça o absurdo enquadramento das subvenções por ela percebidas no conceito de “subvenções correntes” ou mesmo no conceito de “subvenções para investimento não concedidas como estímulo à implantação/expansão de empreendimentos econômicos”, é de se aplicar o regime tributário neutro introduzido pelo artigo 38, do DecretoLei 1.598/77. (...) 83. Ora, na medida em que as subvenções são tidas como uma forma de doação e as doações realizadas pelo Poder Público estão sujeitas ao regime tributário do artigo 38, do DecretoLei 1.598/77, é de se concluir que, desde a edição do normativo em questão, quaisquer transferências de recursos pelo Poder Público mantidas em reserva de capital no patrimônio líquido da pessoa jurídica não estarão sujeitas ao IRPJ e à CSLL, encontrandose derrogado o art. 44 da Lei 4.506/64, anteriormente transcrito, dada sua incompatibilidade com o disposto no artigo 38 ora mencionado! (...)” É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Admissibilidade O recurso interposto é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais cabíveis merecendo ser apreciado. Mérito Definição de Subvenção Em suma, o cerne da discussão atinge a tributação de recursos oriundos do benefício fiscal de restituição do ICMS, conferidos pelo Estado do Amazonas ao recorrente como subvenção para investimentos. A grande controvérsia daí decorrente insurgese da destinação destes recursos e do devido permissivo legal que a respalda, delimitando seu alcance e abrangência. Tratase, a subvenção, de um auxílio, uma ajuda pecuniária, dada a alguma instituição, com o claro intuito de que realize ou cumpra seus objetivos. É um instrumento comumente utilizado pelo Poder Público, dirigido às instituições que de alguma forma contribuem para a consecução de interesses públicos. Fl. 310DF CARF MF 10 Em suma, a relação que se estabelece é de reciprocidade, na qual a instituição particular está fazendo às vezes do Estado indiretamente, simplesmente através da realização de seu objeto social, e o Poder Público, em contrapartida, a socorre na otimização de sua finalidade operacional a partir do momento em que esta norteia um interesse da coletividade. A subvenção pode ter destinações distintas. São duas as possibilidades: i) subvenções para investimentos, que, em linhas gerais, devem ser destinadas a criação de bens de produção e de aplicação financeira ou, de outro modo, a implantação ou expansão de determinados empreendimentos econômicos; ii) subvenções correntes, para custeio ou operação, que estão ligadas ao suporte direto dos gastos ligados à atividade da empresa, fazendo frente aos seus custos e despesas operacionais. Afirmando tais definições, cumpre colacionar os ensinamentos brilhantemente apontados por Reinaldo Pizolio: “(...) No que tange à sua conceituação, a palavra subvenção encontra sua origem etimológica no latim, em subventio, de subvenire, que significa socorrer, ajudar, auxiliar. (...) a subvenção não apresenta nada de extraordinário, constituindose, antes, em relevante instrumento à disposição do Poder Público, para que este possa estimular determinadas atividades, operações e empreendimentos que encontram sua razão de ser na satisfação de determinados interesses públicos. Dessa forma, a subvenção, na qualidade de instrumento viabilizador de interesses públicos, submetese a regime jurídico próprio e pode comportar variados critérios de eleição para sua efetivação, sem que isto implique o desvirtuamento do instituto jurídico. Com efeito, a subvenção, que pode ser concedida pela União, pelos Estados e pelos Municípios, atende à necessidade de se fomentar o desenvolvimento de determinados setores econômicos ou regiões nos quais haja o interesse público especial. As subvenções correntes, que a lei tributária trata como direcionadas para o custeio ou para a operação, são aquelas concedidas à pessoa jurídica para que esta possa fazer frente aos seus custos, por assim dizer, comuns ordinários, como, por exemplo, necessidades de caixa ou determinados déficits operacionais. As subvenções para investimentos, por sua vez, caracterizamse pela destinação dos recursos à empresa para que sejam aplicados em sua expansão, em alocação de valores para implementação de seu parque industrial, ou ainda, por exemplo, para que desenvolva novas atividades econômicas. (...)” (Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Subvenções para Investimento. Artigo in Revista Dialética de Direito Tributário, v. 52. São Paulo: Dialética, 2002, p. 149.) Fl. 311DF CARF MF Processo nº 10283.720009/200910 Acórdão n.º 1201001.556 S1C2T1 Fl. 306 11 Ressaltese, neste momento, que a posição do presente julgador se afasta completamente da aproximação ordinariamente feita por parte da doutrina e jurisprudência entre o conceito de subvenção e o de doação. Enquanto este último perfaz um contrato de gratuidade/liberalidade, em que se pesa a inexistência de qualquer ônus ou encargo por parte do donatário, e, assim, a prevalência de uma vontade unilateral, o primeiro pressupõe uma contraprestação por parte do subvencionado (beneficiário), que em reação aos recursos a ele destinados, deve minimamente se comprometer a otimizar a concretização de seu objeto social. Por óbvio, a subvenção instala um regime jurídico específico, que, desta forma, guarda certas particularidades, o distanciando de um contrato bilateral típico, em que há um acordo de vontades entre as partes regido por certa proporcionalidade. O que se vê é uma obrigação prevalecente, a consecução do interesse público, e por isso a necessidade de que ambas as partes a esta se submetam, ainda que em graus diferentes de comprometimento. Em suma, o interesse público tem a força de ditar a vontade das partes, afastandoo da caracterização tanto de um contrato unilateral de doação, quanto o de um contrato bilateral ordinário. Vigora intocável o princípio da supremacia do interesse público sobre o interesse privado neste caso. No entanto é possível firmarse o entendimento inequívoco de que existem duas vontades e obrigações no contrato de subscrição, uma por parte do Poder Público, a fonte dos recursos e veículo de seu interesse, e outra por parte do subvencionado, o receptor dos recursos e o concretizador do mesmo interesse público. O Estado encontrou no objeto social de certas instituições privadas a materialização fática de seus interesses maiores. Há, então, na figura do beneficiário a responsabilidade de concretização do interesse público, sob pena de perda do auxílio do Estado via subvenção. Adiantouse anteriormente que rege o caso em tela uma suposta subvenção para investimento, cujos recursos são oriundos da redução de ICMS (benefício fiscal) concedida como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Da forma como este contrato se estabelece, por exemplo, se confundem as repercussões econômicas da subscrição, da contraprestação do subvencionado e da atividade deste último, entre as vontades e obrigações das duas partes contratantes. Firmase uma relação cíclica que evidencia tal confusão: quanto melhor o desempenho operacional da instituição (quanto mais vendas), maior a monta proveniente da redução de ICMS, maior os recursos da subvenção para investimento, maior o estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, maior o fluxo de benefícios econômicos futuros e, assim, finalmente, melhor o desempenho operacional para os próximos períodos. E assim sucessivamente. O benefício está, portanto, condicionado às vendas e, assim, à otimização das vendas indiretamente. Neste contexto, quanto melhor o desempenho da entidade, maior o atendimento ao interesse público e a sociedade. Ambas as partes visam o mesmo fim e colhem Fl. 312DF CARF MF 12 dos mesmos frutos, sendo que a idealização e surgimento partem do Poder Público e os meios cabem a instituição privada. Tornase cristalino que há uma certa complexidade na forma como este contrato se constrói, em que se dificulta a separação exata entre a esfera pública e a esfera privada e o atendimento específico dos interesses de cada uma. Deve, conquanto, restar demonstrado de forma irretorquível que existem duas vontades e duas obrigações, o que de pronto descaracteriza um contrato de doação. Esperase uma reação do contribuinte no sentido de ao menos visar benefícios econômicos futuros (subvenção para investimento) ou otimizar seus resultados (subvenção corrente), sob pena de comprometer de maneira direta sua própria atividade, e consequentemente, seu dever de atendimento ao interesse público. Tratamento legal Superado este ponto, passase a analisar o tratamento legal expresso conferido a cada espécie de subvenção, especialmente no que concerne ao seu reconhecimento contábil e, consequentemente, ao cômputo ou não dos recursos na determinação do lucro real. Quanto a subvenção para investimento, a redação do art. 443 do RIR/99 e do §2º do art. 38 do DecretoLei nº 1598/77 tornam patente a obrigatoriedade de exclusão desta do lucro real, para fins de incidência do IRPJ e da CSLL: “Art. 443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, desde que (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 38. §2º e DecretoLei nº 1. 730, de 1979, art. 1º, inciso VIII): I registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no art. 545 e seus parágrafos; ou II feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. (...) Art. 545. O valor do imposto que deixar de ser pago em virtude das isenções e reduções de que tratam os arts. 546, 547, 551, 554, 555, 559, 564 e 567 não poderá ser distribuído aos sócios e constituirá reserva de capital da pessoa jurídica, que somente poderá ser utilizada para absorção de prejuízos ou aumento do capital social (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 19, § 3º, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso I ). § 1º Consideramse distribuição do valor do imposto (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 19, § 4º, e DecretoLei nº 1.825, de 22 de dezembro de 1980, art. 2º, § 3º ): I a restituição de capital aos sócios, em casos de redução do capital social, até o montante do aumento com incorporação da reserva; Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10283.720009/200910 Acórdão n.º 1201001.556 S1C2T1 Fl. 307 13 II a partilha do acervo líquido da sociedade dissolvida, até o valor do saldo da reserva de capital. § 2º A inobservância do disposto neste artigo importa perda da isenção e obrigação de recolher, com relação à importância distribuída, o imposto que a pessoa jurídica tiver deixado de pagar, sem prejuízo da incidência do imposto sobre o lucro distribuído, quando for o caso, como rendimento do beneficiário, e das penalidades cabíveis (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 19, § 5º, DecretoLei nº 1.825, de 1980, art. 2º, § 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 10 ). § 3º O valor da isenção ou redução, lançado em contrapartida à conta de reserva de capital nos termos deste artigo, não será dedutível na determinação do lucro real. (...)” “Art 38 Não serão computadas na determinação do lucro real as importâncias, creditadas a reservas de capital, que o contribuinte com a forma de companhia receber dos subscritores de valores mobiliários de sua emissão a título de: (...) § 2º As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedida como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e as doações não serão computadas na determinação do lucro real, desde que: a) registradas como reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no artigo 36 e seus parágrafos; ou b) feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. (...)” De modo oposto, as subvenções correntes são computadas no lucro real, integrando a receita bruta operacional, de acordo com inciso IV, do art. 44 da Lei nº 4506/64 e inciso I, do art. 392 do RIR/99, in verbis: “Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I – O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II – O resultado auferido nas operações de conta alheia; III – As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; Fl. 314DF CARF MF 14 IV – As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais.” “Art. 392. Serão computadas na determinação do lucro operacional: I as subvenções correntes para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, inciso IV ); Há nitidamente uma diferenciação quanto ao tratamento fiscal conferido as duas espécies de subvenção, que acabam por refletir a destinação específica conferida aos recursos na entidade e o consequente reconhecimento contábil exigido pelo legislador. Inversamente, a relação que se impõe, então, é no sentido de que a destinação dos recursos dentro da entidade ditará o tratamento contábil e, assim, o fim tributário dado a cada subvenção. O legislador claramente condiciona o cômputo ou não no lucro real a uma contabilização específica. Tratamento contábil Analisando as exigências e condicionantes do legislador no que concerne a seara contábil, escancarase a mens legis, a verdadeira essência de uma subvenção: sua natureza de auxílio e uma contraprestação direta ao interesse público. Devese deixar claro, incialmente, que a subvenção para investimento não enseja uma isenção fiscal, mas seu reconhecimento contábil é que naturalmente exclui os recursos do cômputo no lucro real. Ora, isenção fiscal pressupõe a ocorrência do fato gerador, o nascimento da obrigação tributária e somente depois a dispensa legalmente estabelecida do pagamento do tributo. No caso da sistemática que permeia a subvenção para investimento sequer ocorre o fato gerador, os recursos devem ser contabilizados em conta de reserva de capital e não devem transitar pelo resultado. Há uma transferência de capital. À título elucidativo, professora Eliseu Martins acerca da definição da conta em que devem ser alocados os referidos recursos: “As reservas de capital são constituídas de valores recebidos pela companhia e que não transitam pelo resultado como receitas, por se referirem a valores destinados a reforço de seu capital, sem terem como contrapartidas qualquer esforço da empresa em termos de entrega de bens ou prestação de serviços. (...)” (Manual de Contabilidade Societária. São Paulo: Atlas, 2010. P. 349). Veja que tratase de um reconhecimento que necessariamente não está atrelado diretamente a atividade operacional da empresa. Sua contrapartida, portanto, não deve ter qualquer relação direta com a atividade core da empresa, mas sim com a estrutura econômica e financeira que garantirá o fluxo de benefícios econômicos futuros. De outro modo, o reconhecimento contábil do débito correspondente deve ser alocado em um ativo que não impactará no resultado naquele momento, vedando qualquer possibilidade de caracterizálo como uma receita operacional. Fl. 315DF CARF MF Processo nº 10283.720009/200910 Acórdão n.º 1201001.556 S1C2T1 Fl. 308 15 As definições contidas no CPC 00 são essenciais neste contexto. O ativo é um recurso controlado pela entidade como resultado de eventos passados e do qual se espera que fluam futuros benefícios econômicos para a entidade. As receitas, por sua vez, são aumentos nos benefícios econômicos durante o período contábil, sob a forma da entrada de recursos ou do aumento de ativos ou diminuição de passivos, que resultam em aumentos do patrimônio líquido. A assertiva que se atinge é no sentido de que os recursos da subvenção para investimento devem ser creditados em conta do patrimônio líquido específica, qual seja, reserva de capital, e assim debitados em conta do ativo, de modo que este último não reflita diretamente qualquer aumento de benefícios econômicos no período contábil equivalente, ou seja, não provoque qualquer impacto no resultado da empresa. Veja que o reconhecimento contábil estabelecido pela lei naturalmente impossibilita o trânsito dos recursos da subvenção do investimento pelo resultado, o que automaticamente excluios do cômputo no lucro real e, assim, da incidência do IRPJ e CSLL. O que o legislador fez foi exatamente adequar as melhores práticas contábeis à finalidade essencial que intentava. O próprio signo “investimento”, definindo uma destinação específica à subvenção, já daria conta de conduzir e compulsionar tal reconhecimento contábil. Mas o legislador foi além, para minar as possibilidades de uma destinação diversa, ao firmar a necessidade de contabilização em conta de reserva de capital, que, como visto, não pode ter como contrapartida qualquer esforço visando a otimização da atividade operacional da entidade. Portanto não há como se supor uma isenção fiscal, mas apenas uma adequação das práticas contábeis a destinação conferida pelo legislador, que naturalmente impactam na não incidência tributária. Neste sentido, cumpre colacionar passagem do Acórdão nº 1101000.901 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, do Ilustre relator José Ricardo da Silva: “(...) Com efeito, Souto Maior Borges (...) salienta que: "A subvenção é um ato translativo de domínio, que implica sempre um "dare", enquanto a isenção não implica aquisição alguma, implicando, ao contrário, um "non dare" (ob. cit.). Subsequentemente, explica: "Nesse ponto da exposição, a análise jurídica adentrase na radical distinção entre isenção tributária e subvenção financeira. Com efeito, enquanto a isenção tributária opera dentro do campo material do princípio de legalidade tributária.... explicitado pelo Código Tributário Nacional (art. 97, VI, e 175, II), a subvenção financeira está claramente excluída desse âmbito. Tanto que dela não cogita o Código Tributário Nacional" 4142/4454).(...)” A lei ainda impõe alguns condicionantes para o tratamento contábil a ser conferido, uma vez registradas como reserva de capital: i) não distribuição aos sócios; ii) utilização para absorção de prejuízos ou incorporação ao capital social; iii) absorção de superveniências passivas ou insuficiências ativas. Fl. 316DF CARF MF 16 Quanto a subvenção corrente, o cenário contábil é diametralmente oposto. O legislador é certeiro ao estabelecer que a destinação dos recursos impactará diretamente no resultado da empresa e, assim, deve ser reconhecido como receita bruta operacional. Há a imposição legal de reconhecimento contábil destas subvenções como receita operacional. O confrontamento é dirigido aos custos e despesas operacionais e, portanto, guarda relação frontal com a atividade da entidade. Em suma, os recursos públicos são destinados a financiar a otimização dos resultados da instituição privada. Perfazem aumentos nos benefícios econômicos durante o período contábil, sob a forma da entrada de recursos. Nítida se torna, então, uma transferência de renda. Desta forma, a subvenção corrente deve ser reconhecida como receita ao longo do período, confrontada com as despesas e custos operacionais que intenta compensar. Assim, é fundamental, pelo regime de competência, que a receita seja reconhecida em bases sistemáticas e racionais, no decorrer do período contábil e confrontando com as despesas correspondentes. Logicamente estas receitas serão computadas no lucro real e são passíveis de incidência do IRPJ e da CSLL. De todo o exposto, resta claro e evidente que o legislador apenas confirma o tratamento contábil que aos recursos seria logicamente conferido diante da específica destinação que a estes fora atribuída. O reconhecimento contábil imposto pelo legislador evidencia e reforça a destinação que este buscava no momento de criação da lei. Positiva, portanto, a mens legis. O tratamento fiscal é uma mera consequência lógica à destinação específica da subvenção e a definição das melhores práticas contábeis. Há perfeita harmonia e sincronia entre as searas tributária e contábil na concretização da mens legis e nos efeitos da lei na sociedade, tendo como norte o interesse público, conforme se verá em tópico imediatamente posterior deste voto. A lógica do sistema A análise do caso concreto em muito nos auxiliará no entendimento acerca da intenção essencial do legislador e na lógica sistemática por este construída no afã de atingila de modo integral. A origem dos recursos da subvenção de investimentos advém de um benefício fiscal concedido à ora recorrente, respaldado pelas Leis Estaduais n°s 1.939/89 e 2.390/96. A Lei nº 1939/89 regulamenta a política de incentivos fiscais e extrafiscais nos termos da Constituição do Estado do Amazonas. O art. 2º, § 1º e §2º c/c o art. 6º, caput e § 1º, do referido normativo dispõem especificamente sobre a possibilidade de gozo da restituição do ICMS à empresas industriais, condicionando a concessão do incentivo ao pressuposto de essencialidade da empresa no desenvolvimento do Estado e a certos princípios como a reciprocidade (contrapartida a ser oferecida pela beneficiária) e a transitoriedade (prazo certo). Cabe ressaltar a aplicação do art. 8º, parágrafo único, que impõe a exigência de apresentação de requerimento por parte da instituição privada, respaldado por projeto de viabilidade técnicoeconômico, para o aproveitamento do benefício fiscal. Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10283.720009/200910 Acórdão n.º 1201001.556 S1C2T1 Fl. 309 17 Já a Lei nº 2.390/96 institui regimes especiais de tributação como mecanismos para interiorizar o desenvolvimento, incrementar as atividades industriais e revitalizar o comércio. Complementa o disposto na lei nº 1939/89 ressalvando a necessidade de atendimento a certos requisitos para o gozo do benefício: “Art. 6º As empresas industriais instaladas na Zona Franca de Manaus, fabricantes dos produtos atualmente incentivados com restituição do ICMS poderão requerer a aprovação de projeto especial de expansão ou diversificação, observados, cumulativamente aos previstos na Lei nº 1.939, de 27 de dezembro de 1989, os seguintes requisitos: I – geração de novos empregos diretos ou indiretos e investimentos em ativo fixo, compatíveis com as atividades objeto da diversificação ou implantação; II – estabelecimento de níveis de remuneração idênticos aos das linhas de produção existentes, para projetos técnicoeconômicos de diversificação, conforme dispuser o regulamento; III – recolhimento, durante todo o período de fruição dos incentivos, em favor da Universidade do Estado do Amazonas – UEA, na forma e prazo estabelecidos em regulamento, de contribuição financeira em importância correspondente a dez por cento sobre o crédito presumido de que trata o inciso V, do artigo 7o desta Lei.” Sem dúvidas estáse diante de uma medida extrafiscal adotada por parte do Estado do Amazonas: deixase de arrecadar para estimularse uma determinada área de maneira indireta, de modo que a auto regulação desta poupará a defasagem econômica sentida. Segundo Geraldo Ataliba “consiste a extrafiscalidade no uso de instrumentos tributários para a obtenção de finalidades não arrecadatórias, mas estimulantes, indutoras ou coibidoras de comportamentos, tendo em vista outros fins, a realização de outros valores constitucionais consagrados.” (ATALIBA, Geraldo. IPTUProgressividade. Revista de Direito Público (RPD) 93/233). Quanto à concretude aqui analisada, o Estado do Amazonas visa especificamente o estímulo a ampliação da planta da ora recorrente para a manufatura de telefones celulares, telefones fixos e disjuntores naquela região. Buscase a concretização do interesse público, manifestado na intenção de promoção de direitos sociais, através do particular, que possui a eficiência, knowhow e expertise suficientes para atender tal demanda. Em contrapartida, a restituição de ICMS significa desonerar o contribuinte em certa medida para que este possa otimizar sua produção e assim favorecer a coletividade/sociedade gradativamente. Conquanto surge, neste contexto, mas não especificamente neste caso, a iminência de ferimento a certos preceitos basilares do ordenamento jurídico, especialmente o princípio da livre concorrência e o princípio da livre iniciativa. Criase, de pronto, um cenário de desequilíbrio em que a empresa favorecida pelo incentivo fiscal parte de uma situação de favorecimento em relação a outras do mesmo segmento de mercado. Fl. 318DF CARF MF 18 A competição tornase desleal e a livre inciativa é relativizada quando parte se do pressuposto de que as empresas do mesmo nicho mercadológico não terão direito a restituição de ICMS (se assim não requererem, ou se seu requerimento for indeferido). Veja, a livre concorrência possibilita a descentralização do mercado e a apropriação privada dos bens de produção. É uma forma de garantir oportunidades iguais a todos, impossibilitando, pois, o monopólio do poder e buscando a defesa de uma sociedade mais equilibrada. A livre iniciativa é uma manifestação dos direitos fundamentais que efetiva a afirmação de que o homem não pode realizarse plenamente enquanto não lhe for dado o direito de projetarse através de uma realização transpessoal. Aqui a liberdade de iniciativa tem conotação econômica. Equivale ao direito de que todos têm de lançaremse ao mercado da produção de bens e serviços por sua conta e risco. O incentivo fiscal implementado garante e efetiva parte dos direitos consagrados na Carta Magna de 88, no mesmo passo em que mitiga e relativiza tantos outros. O interesse público é atendido e ferido em um mesmo ato do Estado. A esfera pública invade a esfera privada ofendendo princípios constitucionais. Devese deixar claro, no entanto, que os efeitos percebidos consideram o benefício fiscal analisado de forma isolada. A situação muda, no entanto, quando o legislador caracteriza esta restituição de ICMS como uma subvenção de investimento, dando uma conotação diferente a este benefício fiscal, agora sob um novo regime jurídico. A destinação específica que o legislador atribui aos recursos advindos destes benefícios e o tratamento contábil e tributário consequentes, eliminam tais ferimentos e positivam a neutralidade e equilíbrio da medida perante a sociedade, se levarmos em conta os efeitos pretendidos. As leis instituidoras do benefício notadamente adotam como premissa para a concessão do benefício a realização de projetos de expansão ou diversificação. Inclusive há referência direta a geração de novos empregos diretos ou indiretos e investimentos em ativo fixo como requisitos para a efetivação concreta destes projetos. Neste momento é essencial que se estabeleça o preenchimento exato do art. 38, § 2º, caracterizando esta restituição de ICMS como uma subvenção para investimento diretamente destinada a ora recorrente. A condição para existência do benefício fiscal e, assim, para a concretização do interesse público, é a implementação de projetos de expansão ou diversificação, estando em total alinho com a condição de existência de uma subvenção para investimento, qual seja, o estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. O restabelecimento da situação de desequilíbrio gerado pela concessão do benefício fiscal perante as demais instituições privadas, se dá no momento de caracterização dos recursos dali advindos como uma subvenção para investimento. A partir daí estabelecese a relação em que o beneficiário deve se aliar ao Estado de maneira direta na busca pelo interesse público. A relação jurídica que se inaugura coloca o beneficiário em situação diversa da do mercado, com ônus de ter que cumprir com o interesse público, quando o restante das empresas privadas não o tem. Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10283.720009/200910 Acórdão n.º 1201001.556 S1C2T1 Fl. 310 19 Portanto, os benefícios fiscais exclusivamente concedidos são confrontados com a obrigação também exclusiva de concretizar o interesse público. Estabelecese aí situação em que não há vantagem alguma por parte do beneficiário (subvencionado) em relação a outras empresas do mesmo nicho mercadológico. No entanto, a subvenção (auxílio), no caso como ora se delineia (para investimento), não pode ser diretamente vinculada a atividade da empresa, o que cria um novo desequilíbrio. O retorno que o Estado espera na concretização de sua medida extrafiscal deve provir de um reflexo direto da atividade operacional da empresa; mas o primeiro (Estado) não pode fornecer recursos que impactem diretamente nos resultados da última (a empresa beneficiária), sob pena de ofensa à livre concorrência e a livre inciativa. Ora o Estado estaria contribuindo diretamente com a lucratividade de uma empresa privada, de modo individualizado. Como o Estado espera uma melhora na atividade operacional, mas não pode atuar diretamente sobre esta, atua indiretamente, através dos investimentos. Mas isso acaba por gerar um desequilíbrio financeiro/econômico para o contribuinte, que recebe recursos somente para a implementação de seu ativo permanente, mas deve necessariamente apresentar resultados bons, ou seja otimizar a sua atividade operacional, para fazer sentido o benefício e a intenção do legislador na busca pelo atendimento ao interesse público. O que irá mitigar este desequilíbrio prejudicial ao contribuinte, então, será o reconhecimento contábil e o consequente tratamento tributário conferido às subvenções para investimento, que notadamente desoneram o contribuinte através do não pagamento de IRPJ e CSLL. Restabelecese assim o equilíbrio e suavizase o impacto da vigência plena do princípio da supremacia do interesse público sobre o interesse privado. Desta feita, o que o legislador busca, ao determinar a contabilização como reserva de capital, é reforçar a obrigatoriedade de uma contrapartida que não esteja diretamente vinculada a atividade operacional da empresa, para não impactar no resultado da empresa e assim desonerar o contribuinte de pagar os impostos que incidem sobre o lucro. Somente desta forma a mens legis será efetivada concretamente, ou seja, se estabelecerá o equilíbrio entre as partes envolvidas na incumbência de atender os interesses da coletividade. De outro modo, quando estamos a falar das subvenções correntes, o auxílio é direto na atividade da empresa, o que contribui para a formação de seus resultados e de seu lucro. Aquela situação de desequilíbrio que coloca em xeque o princípio da livre inciativa e da livre concorrência volta à tona. O Estado está contribuindo diretamente para o resultado de um particular, o que revela uma desigualdade de tratamento e assim a ofensa a referidos princípios. Para tanto, novamente o reconhecimento contábil e consequentemente o tratamento fiscal garantem o restabelecimento do equilíbrio. Desta forma a subvenção corrente deve ser contabilizada no resultado, pois confrontará diretamente custos e despesas que estão diretamente ligados a atividade da empresa. O que trará de volta o equilíbrio financeiro, então, será a oneração do contribuinte no pagamento dos impostos sobre o lucro. Veja, são caminhos opostos, mas ambos contam com o cuidado do legislador em atender sua intenção essencial: sem onerar excessivamente nenhuma das partes. Fl. 320DF CARF MF 20 Engessando a arbitrariedade da destinação das receitas a belprazer do beneficiário; e visando o atendimento ao interesse público alicerçado pela harmonia entre as melhores práticas contábeis e o ordenamento jurídico com um todo. Desenhase um sistema de maneira sincrônica e perfeita para consagrar preceitos constitucionais instrumentalizadores da justiça, paz e bemestar social. Qualquer interferência neste sistema gera um desequilíbrio que o desnatura por completo. O PN CST nº 112/78 e o caso concreto O Parecer Normativo CST nº 112/78 visa tão somente elucidar a harmonia deste sistema, evidenciando especificamente a aresta contábil e desta extraindo o melhor entendimento quanto ao reconhecimento dos recursos destinados ao contribuinte sob o pressuposto de aplicação destes em finalidade previamente delimitada. Tal normativo institui que a subvenção para investimento apenas terá sido aplicada na implantação ou expansão do empreendimento econômico se houver comprovação documental de utilização dos recursos concedidos pelo Poder Público na aquisição de mercadorias e direitos destinados à instalação ou expansão de empreendimento econômico, ou seja, em bens do ativo permanente. A conta de ativo permanente representa bens e direitos que dificilmente serão transformados em dinheiro, que não serão vendidos, mas serão utilizados como meio de consecução indireta dos objetivos operacionais da empresa. Tratamse, portanto, de ativos realizáveis a longo prazo, recursos aplicados em todos os bens ou direitos de permanência duradoura, destinados ao funcionamento normal da sociedade e do seu empreendimento. O Ativo Permanente era composto de subgrupos: Investimentos, Imobilizado, Intangível e Diferido. A partir de 04.12.2008 tal terminologia foi extinta pela MP 449/2008, passando a integrar o Ativo Não Circulante. Ora, diante de todo o exposto em parte precedente deste voto, o parecer normativo apenas busca determinar expressamente um reconhecimento contábil iminente e óbvio. Quando tratamos de subvenção para investimento há a necessidade de um lançamento em reserva de capital e, assim, como contrapartida a inequívoca destinação a conta do ativo que não impacte diretamente no resultado da empresa naquele período contábil. O signo que demarca a espécie de subvenção em tela, “investimento”, e sua destinação específica delimitada apenas reforçam um dever inconteste de contabilização dos recursos na Conta do Ativo Permanente. Ainda há que se mencionar a própria essência do benefício em tela, que expressamente traz como requisito para a concessão e gozo, a remessa dos valores equivalentes a restituição do ICMS para projetos de expansão ou diversificação, concretizados por investimentos em ativo fixo. Portanto as delimitações do Parecer Normativo e da própria legislação veiculadora do benefício fiscal engessam parte dos recursos recebidos pelo beneficiário ao destino especifico que o legislador a estes conferiu, para fazer valer o interesse público e o bemestar da sociedade. Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10283.720009/200910 Acórdão n.º 1201001.556 S1C2T1 Fl. 311 21 Como dito, a desarmonia entre a destinação e o reconhecimento contábil desta iria desnaturar o benefício. Ocorre que, a par de algumas interpretações a meu ver equivocadas delineadas pelo ora recorrente, não houve, por parte do mesmo, qualquer ato que colocasse em xeque tal sincronicidade do sistema. Pelo contrário, a autuação apoiouse, em parte, por definições do PN nº 112/78 que me parecem descabidas se analisarmos a sua aplicação fática e concreta. Neste ato a fiscalização desafiou a harmonia perpetrada pelo legislador quanto a sistemática de uma subvenção para investimento. A exigência de concomitância entre a percepção da subvenção e a aquisição de bens do ativo fixo é o propulsor da controvérsia. O entendimento, então, do presente julgador, é o de que não soa harmônico exigir a concomitância, mas apenas uma vinculação total e absoluta entre o montante recebido (restituição de ICMS – subvenção para investimento) e o montante destinado a expansão e diversificação do empreendimento econômico (Conta de Ativo Permanente – investimentos de fato) ao final do prazo de concessão do benefício. Vinculação esta não dos recursos recebidos propriamente ditos, mas do dever do beneficiário em investir em projetos de implantação ou expansão de empreendimentos econômicos em idêntica medida aos benefícios a ele concedidos. O objetivo do benefício fiscal é exatamente o de proporcionar o atendimento ao interesse público e, neste caso específico, de interiorizar o desenvolvimento, incrementar as atividades industriais e revitalizar o comércio no Estado do Amazonas. O beneficiário, subvencionado, está, então, vinculado a este interesse do Estado e da coletividade, representado, em valores monetários, pelo montante de ICMS a este restituído. O que deve se exigir do contribuinte é que este destine recursos ao ativo imobilizado e a expansão de sua planta exatamente nos limites dos recursos recebidos. A tredestinação dos valores individualmente restituídos de ICMS não o faz perder o benefício, mas sim a ausência de atendimento a finalidade do legislador, qual seja, a não concretização do interesse público uma vez estando a este vinculado. Em outras palavras, a origem dos recursos destinados a expansão do empreendimento pode ser diversa da subvenção para investimento, da mesma forma que os recursos da subvenção para investimento podem ser destinados a outra finalidade na entidade. O que se impõe, indiscutivelmente, é a necessidade de alimentação do ativo permanente exatamente no montante referente ao valor recebido de subvenção para investimento, independente da origem desta alimentação. A harmonia do sistema restará mantida se, ao final do prazo de concessão do benefício a conta de subvenção para investimentos bater com a conta do ativo permanente. A intenção do legislador será concretizada. Até a data limite de aplicação dessas verbas, não há como imputar qualquer tipo de responsabilidade sobre o contribuinte, uma vez devidamente cumpridos os requisitos legais. Fl. 322DF CARF MF 22 Esse prazo é concedido e deve ser respeitado justamente pelo fato de que seria impossível realizar qualquer tipo de investimento fazendose o confrontamento de contas imediato e individualizado entre os créditos da subvenção recebidos e eventuais investimentos. De fato, seja qual for o destino a ser dado nas verbas decorrente do benefício, é necessário passar por um período de “acumulação” dos benefícios decorrentes das subvenções para que se possa levantar recursos para fazer qualquer tipo de ampliação ou investimento na indústria. O contribuinte comprovou em fls. 16 a 19 a devida aplicação dos recursos advindos da restituição de ICMS em conta de reserva de capital (especificamente através do RAZÃO DA CONTA 3270200000 RESERVA DE SUBVENCOES). Também comprova a aplicação de recursos no ativo imobilizado através dos razões da conta dos anos de 2002 a 2005. Há de fato uma discrepância entre o valor relativo a restituição do ICMS (subvenção para investimento) recebido em 2003 (R$ 116.911.471,48) e o total de recursos dispendidos na constituição do ativo imobilizado no mesmo anocalendário (R$ 36.385.009,30). No entanto, tal fato, que inclusive permeou a presente autuação, não é suficiente para evidenciar o desvio de finalidade das subvenções, que podem ter sido utilizadas no financiamento do ativo imobilizado em anos subsequentes. De fato o contribuinte comprovou que as aquisições de bens para o ativo permanente, entre 2002 e 2005, atingiram o valor de R$189.426.282,47. É óbvio que no ano seguinte a 2003 houve outra injeção dos valores restituídos de ICMS e assim se deu e se dará até o final do prazo do benefício desde que o contribuinte vá dando sinais de que de fato está investindo em projetos de expansão e diversificação, sob pena de perda da concessão do benefício. É necessário, então, que haja um controle dos recursos recebidos e dos valores dispendidos no ativo imobilizado, para se apurar ao final do prazo de concessão do benefício se as contas batem. Logicamente o contribuinte não pode acumular todos os valores recebidos para somente ao final do prazo de concessão do benefício resolver realizar os investimentos. No entanto deve haver uma proporcionalidade temporal e material regida sempre pelas diretrizes da mens legis. Explicase. A intenção essencial do legislador é o interesse público, manifestado especialmente no desenvolvimento socioeconômico do Estado do Amazonas neste caso. Deste modo, se o contribuinte está minimamente garantindo o desenvolvimento a cada ano e comprovadamente está desenvolvendo projetos e dispendendo recursos na implantação de seu imobilizado a mens legis está sendo atendida, ou seja, o legislador vê a concretização fática de sua intenção. A exigência que se faz, reafirmase, é que ao final do prazo concessivo a conta de reserva de capital (subvenção para investimentos) não seja de forma alguma mais expressiva do que a conta do ativo permanente. A recíproca pode ser verdadeira, mas não interessa para a presente discussão. Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10283.720009/200910 Acórdão n.º 1201001.556 S1C2T1 Fl. 312 23 O CARF vem decidindo neste sentido em julgados recentes: SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. ACUSAÇÃO FISCAL DEFICIENTE. No presente caso, ao invés de aprofundar a investigação sobre a ação do subvencionado, a fiscalização preferiu desqualificar a natureza do incentivo fiscal apenas com base na sua configuração legal. Contudo, a lei estadual promotora do incentivo sob análise foi textual na sua intenção de ampliação e/ou modernização de parque industrial incentivado numa etapa anterior do programa de incentivos. Portanto, o requisito da intenção do subvencionador foi cumprido. Faltou verificar o requisito da ação do subordinado. Não é necessário o casamento entre o momento da aplicação do recurso e o gozo do benefício, ou seja, o dinheiro não precisa ser carimbado. Entretanto, algum controle precisa ser feito porque se ao final do prazo concedido ficar comprovado que nem todo o montante recebido foi aplicado em investimento destinado à consecução do objetivo final do programa, ficará caracterizada a natureza de subvenção para custeio do excesso não utilizado e, neste momento, ficará consubstanciada a disponibilidade da renda para efeitos da sua tributação. Destarte, é possível que a empresa autuada não esteja mesmo fazendo o devido controle dos recursos obtidos. Mas, isso não foi devidamente investigado nem se configurou como o objeto da acusação fiscal. (Acórdão nº 1102001.203 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária – Sessão de 24 de setembro de 2014) e (Acórdão nº 1102001.318 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária – Sessão de 24 de março de 2015) Apenas como reforço ao posicionamento defendido, segue trecho do acórdão nº 1102001.203: “(...) Os recursos transferidos podem até, num primeiro momento, oxigenar o capital de giro da empresa. Contudo, em algum momento futuro, o investimento para a implantação ou expansão dos empreendimentos econômicos terá que ser efetuado.(...)” A flexibilidade e proporcionalidade que se espera da destinação dos recursos, voltando o olhar especialmente ao prisma do contribuinte, está ligada a estruturação e planejamento de investimentos a longo prazo. O que se visa com esse planejamento é a otimização do atendimento à intenção do legislador. As palavras do contribuinte são pontuais neste albor: “(...) 72. Ora, ao se analisar as disposições de todo e qualquer projeto técnico de implantação e/ ou diversificação de uma planta ou Fl. 324DF CARF MF 24 linha de produção, notase a existência de um rígido cronograma de investimentos, o qual sempre é objeto de estudos de viabilidade econômica, com o intuito de assegurar a exequibilidade dos projetos. 73. É absurdo imaginar que companhias do porte da Recorrente poderiam, simplesmente, gastar os recursos recebidos do Poder Público, sem qualquer critério, na medida em que esses sejam percebidos. 74. Certo é que para a correta e oportuna aplicação dos recursos é necessária a elaboração de um planejamento a médio e longo prazo, de forma a permitir que os investimentos realizados apresentem os níveis de eficiência, funcionalidade e rentabilidade pretendidos. 75. Sem uma política séria nesse sentido, correrseia o risco da realização de investimentos que não trariam qualquer benefício/retorno tanto ao contribuinte quanto, o que é muito pior, ao próprio Estado, impedindo de plano a concretização dos objetivos que cercam a concessão de incentivos fiscais. (...)” Não é possível, portanto, atribuir ao período de 2003 a ausência de atendimento a mens legis a ponto de descaracterizar a subvenção para investimento para aloca la como uma subvenção corrente, e a partir disto autuar o contribuinte sobre a ausência de pagamento de IRPJ e CSLL. Tal autuação não guarda a referida proporcionalidade. Houve uma contraprestação do contribuinte no sentido de atender ao interesse público. Cumpriu com todos os requisitos legais para caracterizar a restituição do ICMS como uma subvenção para investimento e assim afirmar a impossibilidade de incidência dos impostos incidentes sobre o lucro, quais sejam, IRPJ e CSLL. Enquanto não comprovado o contrário ou finalizado o prazo legal para aplicação da subvenção, não é possível a autuação do contribuinte, uma vez que ainda estão devidamente cumpridos os requisitos legalmente estabelecidos. Em raciocínio inverso, uma autuação de IRPJ e CSLL neste contexto deve pressupor ou a perda do benefício durante o seu gozo ou uma análise em fase final da concessão do benefício, notadamente quando houver uma discrepância entre todos os valores recebidos e os valores destinados pela entidade privada. O enfoque em um ano específico não é suficiente para embasar a autuação e eivála de veracidade e certeza. Conclusão Diante de todo o exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para, no MÉRITO, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO – Relator Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10283.720009/200910 Acórdão n.º 1201001.556 S1C2T1 Fl. 313 25 Voto Vencedor Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, redator designado. Inobstantes as valiosas considerações do ilustre conselheiro relator, o colegiado, por maioria de votos, divergiu do entendimento de que os recursos oriundos do benefício fiscal da restituição de ICMS contabilizados na conta de reserva de subvenções caracterizaria subvenções para investimento. Para o relator, a recorrente cumpriu com todos os requisitos legais para caracterizar a restituição do ICMS como uma subvenção para investimento. Não foi essa, contudo, a conclusão a que chegou esta Turma Ordinária. Com efeito, predominou o entendimento de que a contribuinte não se desincumbiu do mister de comprovar por meios hábeis e idôneos a vinculação efetiva e necessária dos recursos da subvenção ao investimento realizado ou a se realizar, conforme definido pelo órgão concessor do benefício, prevalecendo a tese de que os benefícios fiscais recebidos não se enquadram como subvenções para investimento, como abaixo conduzo o meu voto. A subvenção em apreço foi concedida à recorrente sob a modalidade de incentivo fiscal de restituição de ICMS, com fundamento no Decreto nº 16.259, de 04 de outubro de 1994, do Governador do Estado do Amazonas (efls. 224). Esse Decreto como o Decreto nº 18.554, de 10 de fevereiro de 1998 (efls. 227) e os Laudos de Inspeção (efls. 225/231) são atos que concedem o benefício fiscal como incentivo à produção de determinados produtos. Sobre o tema das subvenções, em 1978, o então Coordenação do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal editou o Parecer Normativo CST nº 112, de 29 de dezembro de 1978, visando consolidar entendimento acerca do tratamento a ser dado às subvenções recebidas por pessoas jurídicas para os fins de tributação do imposto sobre a renda. O citado parecer caracterizou as subvenções como sendo um auxílio que não importa qualquer exigibilidade para o seu recebedor. Ou seja, o patrimônio da empresa beneficiária é enriquecido com recursos vindos de fora sem que isto importe na assunção de uma dívida ou obrigação. O mesmo parecer estabelece a diferenciação entre as subvenções para custeio ou operação e as subvenções para investimento. Enquanto as primeiras referemse a transferências de recursos com a finalidade de auxiliar a empresa a fazer face ao seu conjunto de despesas ou na consecução de seus objetivos sociais, as últimas se destinam à aplicação específica em bens ou direitos. Além disso, as subvenções de investimento apresentam “características bem marcantes”, quais sejam: (a) ser o beneficiário da subvenção sempre aquele que vai suportar o ônus de implantar ou expandir o empreendimento econômico; e (b) a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, em bens ou direitos específicos para implantar ou expandir empreendimento econômico, havendo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Fl. 326DF CARF MF 26 Transcrevemse trechos relevantes do retrocitado Parecer Normativo CST nº 112, de 29 de dezembro de 1978, verbis (grifado): 2.11 – Uma das fontes para se pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo CST nº 2/78 (DOU de 16.01.78). No item 5.1 do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a SUBVENÇÃO para INVESTIMENTO seria a destinada à aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subentendese um confronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específicas. Já o Parecer Normativo CST nº 143/73 (DOU de 16.10.73), sempre que se refere a investimento complementa o com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliá la, não nas suas despesas, mas sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Essa concepção está inteiramente de acordo com o próprio § 2º do art. 38 do DL 1.598/77. 2.12 – Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o “animus” de subvencionar para investimento. Impõese, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimento não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. (...) 3.6 Há, também, uma modalidade de redução do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias (ICM), utilizada por vários Estados da Federação como incentivo fiscal, que preenche todos os requisitos para ser considerada como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. A mecânica do benefício fiscal consiste no depósito, em conta vinculada, de parte do ICM devido em cada mês. Os depósitos mensais, obedecidas as condições estabelecidas, retornam à empresa para serem aplicados na implantação ou expansão de empreendimento econômico. Em alguns casos que tivemos oportunidade de examinar, esse tipo de subvenção é sempre previsto em lei, da qual consta expressamente a sua destinação para o investimento; o retorno das parcelas depositadas só se efetiva após comprovadas as aplicações no empreendimento econômico; e o titular do empreendimento é o beneficiário da subvenção. (...) I – As SUBVENÇÕES CORRENTES PARA CUSTEIO OU OPERAÇÃO integram o resultado operacional da pessoa jurídica; as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, o resultado não operacional. Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10283.720009/200910 Acórdão n.º 1201001.556 S1C2T1 Fl. 314 27 Podese afirmar, portanto, que as subvenções têm natureza de receita e são tributáveis pelo IRPJ, tanto que foram classificadas pela legislação deste imposto como "Outros Resultados Operacionais", na modalidade “subvenções correntes para custeio ou operação” (art. 392, inciso I, do RIR/1999), ou como "Resultados não Operacionais", na modalidade “subvenção para investimento”. No que se refere à ultima modalidade, no entanto, o art. 443 do RIR/1999 estabeleceu a possibilidade de retirar as subvenções para investimento do alcance do IRPJ, desde que cumpridas as condições que fixa. Vejase que esse dispositivo faz referência expressa à apuração do IRPJ pelo lucro real, como é o caso da fiscalizada. Com base no que foi até aqui exposto, temse que para que uma subvenção possa ser considerada como de investimento no que se refere à legislação do IRPJ deve apresentar as características elencadas no Parecer Normativo CST nº 112, de 1978. Passando à análise do caso concreto, vejome forçado a concluir que não se vislumbram nos referidos dispositivos da legislação do estado do Amazonas a vinculação e a estrita correspondência entre os benefícios financeiros concedidos e o destino desses recursos. Ao contrário, os decretos concessivos concedem o benefício fiscal como incentivo á produção de determinados produtos e não faz referência à implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. A comprovação de aquisição de bens do ativo permanente no anocalendário de 2003 não são suficientes para caracterizar a subvenção recebida como de investimento à luz da legislação do IRPJ, haja vista que a subvenção aqui tratada tem natureza de custeio. Sobre o tema, posicionouse com muita clareza a decisão de piso, fls. 164: 2.3 DA COMPROVAÇÃO DO INVESTIMENTO Nesse contexto, a recorrente alega que, pela análise dos documentos de concessão do incentivo fiscal (Laudos de Inspeção e Decretos Concessivos doc 4) com a movimentação do saldo do ativo permanente (doc 5), resta claro que os recursos do benefício do ICMS foram aplicados na expansão da planta da impugnante. Ocorre que os Laudos de Inspeção e Decretos Concessivos, a que se refere a recorrente (fls. 2229 do Anexo I), concedem o benefício fiscal como incentivo á produção de determinados produtos. Nestes termos, a subvenção proporcionada pela legislação do ICMS do estado do Amazonas à recorrente revela se ter natureza de incentivo fiscal de custeio da produção, e, não, de investimento, pois não faz nenhuma referência á implantação ou ampliação do parque produtivo da recorrente. Logo, os recursos derivados dessa subvenção devem integrar a receita bruta operacional da pessoa jurídica, nos termos do art. 392, inciso I, do RIR/99. Art. 392. Serão computadas na determinação do lucro operacional: Fl. 328DF CARF MF 28 Ias subvenções correntes para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado. ou de pessoas naturais (Lei nº 4.506, de1964. art. 14. inciso IV); Outrossim, como já assinalado anteriormente, o mero incremento das contas do ativo permanente não assegura a vinculação desses recursos à subvenção fiscal. O que é até despiciendo, no caso concreto, visto que a subvenção aqui tratada tem natureza de custeio de produção. Considerando que a contribuinte, em sua peça recursal, não trouxe quaisquer elementos de prova adicionais, considero plenamente válida a conclusão constante da decisão de piso, no sentido de que as subvenções recebidas pela contribuinte constituem subvenções para custeio e, como tal, devem se sujeitar à tributação pelo IRPJ e CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Os mesmos fundamentos aqui expostos aplicamse no tocante ao auto de infração da CSLL que consta do presente processo administrativo, tendo em vista que a referida infração também é reflexa dos mesmos fatos. Por todo o exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Redator designado Fl. 329DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18239.002848/2008-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
RECURSO VOLUNTÁRIO. PEDIDO NÃO CONHECIDO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. Tendo sido declarado não conhecido o pedido feito na impugnação em vista da concomitância com a ação judicial, não há que se conhecer do recurso voluntário.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2401-004.561
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente
Maria Cleci Coti Martins - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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PEDIDO NÃO CONHECIDO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. Tendo sido declarado não conhecido o pedido feito na impugnação em vista da concomitância com a ação judicial, não há que se conhecer do recurso voluntário. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 23 9. 00 28 48 /2 00 8- 19 Fl. 204DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente Maria Cleci Coti Martins Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 18239.002848/200819 Acórdão n.º 2401004.561 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Recurso voluntário interposto em 08/05/2013, em face do acórdão 1246.366 19a. Turma da DRJ/RJI, do qual teve conhecimento em 10/04/2013. O processo administrativo referese ao lançamento de ofício do imposto sobre a renda da pessoa física para o anocalendário 2003. A decisão a quo está assim ementada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 IRPF. AÇÃO JUDICIAL. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. RENÚNCIA. UNIDADE DE JURISDIÇÃO. A propositura de ação judicial pelo contribuinte com o mesmo objeto de pleito administrativo importa renúncia deste, em razão do princípio constitucional da unidade da jurisdição. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. Uma vez comprovadas as deduções informadas pelo contribuinte na declaração de rendimentos, conforme previsão contida na legislação pertinente, há de se restabelecer os respectivos valores. O recorrente aduz as seguintes razões. A Receita Federal lançou de ofício os rendimentos recebidos da Fundação Petrobrás de Seguridade Social PETROS. Considera que tais rendimentos são isentos de tributação desde 1995. Entende que, mesmo em 2003, tais valores não poderiam ser considerados como rendimentos tributáveis, sobretudo porque estariam abrangidos pela decisão judicial já transitada em julgado e que lhe garantiu a isenção tributária para tais rendimentos. Informa que a decisão a quo não conheceu dessa parte do recurso por entender que haveria concomitância com o processo judicial, o qual o recorrente discorda. Afirma que, como entende que não há identidade de objetos entre a ação judicial e o processo administrativo, a impugnação deveria ter sido conhecida e julgada normalmente. Reforça que o objeto do recurso voluntário deste processo administrativo é o reconhecimento da validade da decisão judicial transitada em julgado sobre o imposto de renda indevidamente recolhido sobre parte dos rendimentos auferidos pelo contribuinte da PETROS, no ano calendário 2003. Pretende com este recurso que a Receita Federal dê cumprimento à decisão judicial transitada em julgado e reconheça a natureza de benefício isento e não tributável. É o relatório. Fl. 206DF CARF MF 4 Voto Conselheira Maria Cleci Coti Martins Relatora O recurso foi interposto no prazo e passo a analisar. A decisão a quo não conheceu da parte do recurso relativo à incidência de imposto de renda sobre as prestações de complementação de aposentadoria, tendo em vista ter entendido haver concomitância com a ação judicial processo nº 2000.51.01.0127810, da Justiça Federal do Rio de Janeiro, já transitada em julgado. Correto o entendimento da primeira instância quanto à concomitância de ação judicial, pois ficou claro na decisão da Justiça Federal que a União fora condenada a devolver os valores recolhidos a título de imposto de renda, a partir dos cinco anos anteriores à propositura da ação, ocorrida em 29/05/2000(efl. 38). Assim, judicialmente ficou reconhecida a exoneração de imposto de renda sobre os rendimentos da aposentadoria a partir de 29/05/1995. No caso dos autos estáse cobrando crédito tributário relativo ao ano calendário 2003, exercício 2004, abrangido, portanto, pela decisão judicial do processo 2000.51.01.0127810 da Justiça Federal do Rio de Janeiro. O contribuinte pretende fazer a execução da decisão judicial através deste processo administrativo. Entendo que são procedimentos diferenciados e que não se confundem. A execução da decisão judicial deve ser peticionada junto ao cartório da jurisdição em que foi proferida a referida sentença. Voto por não conhecer do recurso voluntário, vez que já não fora conhecido na primeira instância, tendo em vista a concomitância entre os processos administrativo e judicial. (assinado digitalmente) Maria Cleci Coti Martins. Fl. 207DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11052.720033/2014-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
Ementa:
RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO.
O recurso deve ser conhecido apenas em relação a parte que tratou da tempestividade. Como restou comprovado nos autos sua intempestividade; nego provimento.
Numero da decisão: 1402-002.398
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso apenas na parte que se refere à tempestividade e negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Goncalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009, 2010, 2011 Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. O recurso deve ser conhecido apenas em relação a parte que tratou da tempestividade. Como restou comprovado nos autos sua intempestividade; nego provimento.
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Recorrida FAZENDA PÚBLICA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009, 2010, 2011 Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. O recurso deve ser conhecido apenas em relação a parte que tratou da tempestividade. Como restou comprovado nos autos sua intempestividade; nego provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso apenas na parte que se refere à tempestividade e negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Goncalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 72 00 33 /2 01 4- 94 Fl. 8157DF CARF MF Processo nº 11052.720033/201494 Acórdão n.º 1402002.398 S1C4T2 Fl. 8.158 2 Relatório Adoto o relatório do v. acórdão recorrido, abaixo colacionado. Tratase da impugnação apresentada contra autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o PIS/Pasep (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), os quais impõem uma exigência fiscal, calculada até novembro de 2014, no montante de R$ 21.575.535,90. As autuações se referem a fatos geradores ocorridos no anocalendário 2011, período para o qual a contribuinte havia optado pela tributação do IRPJ e CSLL com base no lucro real anual, com apuração de estimativas mensais. As contribuições para o PIS e Cofins foram realizadas pelo regime não cumulativo. A fiscalizada deixou de apresentar os livros da escrituração comercial ou fiscal que lhe foram demandados pelos auditoresfiscais, mesmo tendo sido intimada por diversas vezes, em um período de oito meses. Tal omissão ensejou o arbitramento do lucro, conforme o art. 530, III, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). O cálculo da exigência valeuse da receita bruta de vendas extraída do Sped, deduzida dos impostos não cumulativos cobrados, dos quais a contribuinte seria mera depositária (art. 279, parágrafo único, do RIR/99). A fiscalização desclassificou o enquadramento das contribuições sociais relativas ao PIS e à Cofins no regime não cumulativo, realizado pela contribuinte. De acordo com o art. 10, II, da Lei 10.833/03 e o art. 8º, II, da Lei 10.637/03, as pessoas jurídicas tributadas no imposto de renda pelo lucro arbitrado somente podem valerse da tributação de PIS e Cofins pelo regime cumulativo. Os autuantes registram que o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) de 2011 somente demonstrou valores relativamente ao mês de dezembro, e ainda assim com o saldo de crédito igual ao saldo de débito. A interessada foi cientificada dos autos de infração em 26/11/14 e apresentou impugnação em 19/12/14. A impugnante diz que não se furtou de apresentar os documentos solicitados pelo fisco – tão somente seu representante não teve o cuidado de formalizar diversas solicitações de prazo. Para ela, a autuação foi uma surpresa, já que o levantamento das informações solicitadas, que ora seguem anexas, estaria em fase final de produção. A impugnante requer, em preliminar, a anulação dos autos de infração por vício formal, já que a tributação de IRPJ e CSLL pelo lucro arbitrado se deu ao arrepio da lei e, por conseguinte, a aplicação do regime cumulativo para PIS e Cofins estaria em desacordo com o sistema jurídico. Detalha que o mandado de procedimento fiscal (MPF) estaria jungido exclusivamente às contribuições de PIS e Cofins e que o IRPJ foi inserido no MPF apenas seis dias antes da lavratura do auto de infração, sem que fosse solicitado, nesse período, qualquer Fl. 8158DF CARF MF Processo nº 11052.720033/201494 Acórdão n.º 1402002.398 S1C4T2 Fl. 8.159 3 documento relativo à tributação sobre a renda ou questionada a escrituração ofertada via Sped. Acrescenta ser insanável o vício da motivação. No mérito, a contribuinte pede a improcedência dos autos de IRPJ e CSLL, tendo em vista a ausência dos requisitos para o arbitramento, já que a fiscalização tinha em mãos toda sua escrituração (Sped contábil), a qual não foi declarada imprestável para a apuração do lucro real. A improcedência também deveria ser aplicável aos autos de PIS e Cofins, uma vez que essas contribuições não poderiam ser quantificadas pela sistemática cumulativa: o arbitramento, dado ao arrepio da lei, foi a única motivação para a mudança do regime das contribuições – o agente fiscal tinha elementos suficientes à quantificação de PIS e Cofins sem alterar o regime. A defendente acentua que os documentos não apresentados referiamse exclusivamente à fiscalização jungida a PIS e Cofins e que o fisco não fez solicitação de documentos ligados aos tributos que oneram o lucro/renda; portanto, não seria cabível a autuação de IRPJ e CSLL. Diz que a intimação de 4/9/14, em vez de reiterar a solicitação de documentos genéricos, substituiu as anteriores, fazendo exigências exclusivas de PIS e Cofins. Além do mais, somente a indicação de vícios, falhas, omissões ou inidoneidade de informações da escrita poderiam justificar o arbitramento do lucro. A impugnante insiste na inexistência de omissão documental para constituição dos autos de IRPJ e CSLL. Afirma que o agente lançador confundiu o instituto do “lançamento via arbitramento” com o do “arbitramento do lucro”, os quais são independentes: o primeiro ocorre nas condições do art. 148 do CTN e o segundo, nas do art. 530 do RIR/99. Subsidiariamente, a contribuinte pede que sejam acolhidos e utilizados os documentos que anexa para adequar os tributos exigidos, em homenagem ao princípio da verdade material. Eles respaldariam o existente na escrituração contábil (Sped). Supletivamente, solicita que seja adequado o cálculo da CSLL, eis que não foram consideradas, em nenhum dos meses, as deduções da contribuição retidas pelas fontes pagadoras, cujo ocorrência era do conhecimento do autuante, já que as informações constavam da DIPJ. A impugnante pede ainda que a autoridade julgadora não se pronuncie, não mande repetir ou suprir a falta de ato se for decidido o mérito em seu favor (art. 59, § 3º, do Decreto 70.235/72). Protesta, por fim, pela produção de todos os meios de prova, oitiva de testemunhas, depoimentos pessoais, perícias e outros. O v. acórdão (fls. 8096/8104) decidiu manter parcialmente as exigências perpetradas nos Autos de Infração, excluindo apenas a parte da CSLL cuja exigência resulta da dedução das retenções efetivadas pelas fontes pagadoras, conforme tabela de folhas 9 do acórdão, registrando a seguinte ementa. Fl. 8159DF CARF MF Processo nº 11052.720033/201494 Acórdão n.º 1402002.398 S1C4T2 Fl. 8.160 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. A nulidade do auto de infração somente se justifica diante de atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou de despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O mandado de procedimento fiscal é instrumento de planejamento, controle interno da atividade de fiscalização e informação ao contribuinte fiscalizado. Suas eventuais omissões ou incorreções não dão causa à nulidade do auto de infração. ARBITRAMENTO DO LUCRO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS DA ESCRITA COMERCIAL E FISCAL. CONTRIBUINTE INTIMADO. A pessoa jurídica optante pela sistemática do lucro real que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal fica sujeito ao arbitramento do lucro. CSLL. COMPENSAÇÃO DE RETENÇÕES NA FONTE. O lançamento deve considerar os valores retidos pelas fontes pagadoras cujo direito de compensar a contribuinte exerceu na DIPJ. PIS E COFINS. INCIDÊNCIA CUMULATIVA. As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro arbitrado estão sujeitas à incidência cumulativa das contribuições de PIS e Cofins. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL, PIS E COFINS. A decisão adotada para a imposição principal estendese às demais, relativamente às mesmas causas. Impugnação Procedente em Parte Em seguida, a Recorrente foi notificada por meio de seu domicílio eletrônico em 19/11/2015 (fls. 8117) e interpôs Recurso Voluntário em 12/02/2016. (fls. 8119 e 8145). É o relatório. Fl. 8160DF CARF MF Processo nº 11052.720033/201494 Acórdão n.º 1402002.398 S1C4T2 Fl. 8.161 5 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Conheço do Recurso Voluntário, apenas na parte relativa a tempestividade recursal. Conforme acima relatado, o contribuinte tomou ciência por meio de seu domicílio eletrônico em 19/11/2015 (fls. 8117) e interpôs Recurso Voluntário em 12/02/2016 (fls. 8119). Insta esclarecer que a intimação do v. acórdão foi encaminhada para o Domicilio Eletrônico da Recorrente me 17/11/2015. (fl.8116). A Recorrente alega que esta aguardando a ciência do v. acórdão por meio de carta com aviso de recebimento, o que não ocorreu. Alegou também que tomou ciência do acórdão recorrido apenas em 05/02/2016, e por isso o recurso seria tempestivo. Ao compulsar os autos, entendo que não assiste razão a Recorrente. Vejamos. Primeiramente, a partir do momento em que a contribuinte é incluída no Domicílio Eletrônico, está só poderá receber intimações das decisão do processo, por meio eletrônico. Em segundo, a Recorrente não tomou ciência do v. acórdão em 05/02/2016, conforme pode se verificar do Termo de Ciência de Abertura da Mensagem de fls. 8117, com o seguinte teor: TERMO DE CIÊNCIA POR ABERTURA DE MENSAGEM O destinatário teve ciência dos documentos relacionados abaixo por meio de sua Caixa Postal, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) perante a RFB, ciência esta realizada por seu representante legal 082.309.87882 MARCELO MORAES DA CUNHA BUENO, na data de 19/11/2015 16:22:48, data em que se considera feita a intimação nos termos do art. 23, § 2º, inciso III, alínea 'b' do Decreto nº 70.235/72. Data do registro do documento na Caixa Postal: 17/11/2015 09:55:06 Intimação de Resultado de Julgamento Documentos Diversos Outros Demonstrativo de Débito Darf Acórdão de Impugnação Fl. 8161DF CARF MF Processo nº 11052.720033/201494 Acórdão n.º 1402002.398 S1C4T2 Fl. 8.162 6 E mesmo na hipótese alegada pela Recorrente, de ter aberto a mensagem eletrônica em 05/02/2016, tal ato não teria efeitos para alterar a intempestividade do recurso, eis que o artigo 23, parágrafo segundo e seus incisos I e II, determinam que a data da ciência, para fins de prazos processuais, será a data em que o destinatário efetuar consulta à mensagem na sua Caixa Postal ou, não o fazendo, o 15º (décimo quinto) dia após a data de entrega acima informada. Assim, como a mensagem foi entregue na Caixa Postal Eletrônica da Recorrente em 17/11/2015, na hipótese de não ter sido consultada, o prazo começaria a contar quinze dias após o recebimento, ou seja, em 02/12/2015. A Recorrente interpôs o Recurso Voluntário em 12/02/2016, muito tempo depois de ter expirado o prazo recursal de 30 dias, restando assim, intempestivo. Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço parcialmente do Recurso Voluntário e nego provimento por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Fl. 8162DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13864.000522/2010-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
PRECLUSÃO. NORMAS PROCESSUAIS. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO APRESENTAÇÃO. APÓS IMPUGNAÇÃO. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE E VERDADE MATERIAL.
O artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, estabelece como regra geral para efeito de preclusão que a prova documental deverá ser apresentada juntamente à impugnação do contribuinte, não impedindo, porém, que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando se prestam a corroborar tese aventada em sede de primeira instância e contemplada pelo Acórdão recorrido.
ILEGITIMIDADE PASSIVA PARA RESPONDER POR EVENTUAIS MULTAS DEVIDAS PELA SUCEDIDA.
É oportuno esclarecer que o STJ decidiu, no Resp 923.012/MG, submetido à sistemática dos Recursos Repetitivos do art. 543-C do Código de Processo Civil (CPC), que A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão.
Dessa forma, considerando o disposto no art. 62-A, do Regimento Interno do CARF, e do conteúdo do Resp 923.012/MG, transitado em julgado em 04/06/2013, entendo que a sucessora deve suportar as multas, moratórias ou punitivas, relativas a fatos geradores ocorridos antes da sucessão.
Ademais, cumpre informar que tal matéria é objeto da súmula CARF 47, transcrita a seguir:
Súmula CARF nº 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico.
CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS
Toda empresa está obrigada a reter e recolher a contribuição dos segurados empregados a seu serviço, quando do pagamento de sua remuneração
REMUNERAÇÃO - CONCEITO
Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo trabalhador pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS
Para ocorrer a isenção fiscal sobre os valores pagos aos trabalhadores a título de participação nos lucros ou resultados, a empresa deverá observar a legislação específica sobre a matéria.
Ao ocorrer o descumprimento da Lei 10.101/2000, as quantias creditadas pela empresa aos empregados passa a ter natureza de remuneração, sujeitas, portanto, à incidência da contribuição previdenciária.
O PRL pago em desacordo com o mencionado diploma legal integra o salário de contribuição.
INDENIZAÇÃO
As rubricas intituladas Indenização e Indenização Especial, pagas em desacordo com a legislação previdenciária e sem a comprovação de que se referem a verbas indenizatórias, integram o salário de contribuição por possuírem natureza salarial
ABONO - NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os abonos únicos, previstos em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 16/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional - PGFN
RESPONSABILIDADE DA EMPRESA SUCESSORA PELOS TRIBUTOS E MULTAS MORATÓRIAS/PUNITIVAS.
A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão
Numero da decisão: 2301-003.740
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão da ilegitimidade passiva na responsabilidade sobre multas, nos termos do voto da Relatora; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, na questão do chamado abono indenizatório, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; b) em conhecer da questão sobre ilegitimidade passiva na responsabilidade sobre multas, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em não conhecer do recurso nesta questão; III) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, na questão da Participação dos Lucros e Resultados, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antônio de Souza Correa e Manoel Coelho Arruda Júnior, que davam provimento ao recurso nesta questão; b) em não conhecer da questão sobre a retificação da multa, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Manoel Coelho Arruda Júnior, que conheciam da questão
João Bellini Júnior Presidente e redator ad hoc na data de formalização do acórdão.
Andréa Brose Adolfo redatora ad hoc para o voto vencedor na data de formalização do acórdão.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Junior
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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NORMAS PROCESSUAIS. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO APRESENTAÇÃO. APÓS IMPUGNAÇÃO. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE E VERDADE MATERIAL. O artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, estabelece como regra geral para efeito de preclusão que a prova documental deverá ser apresentada juntamente à impugnação do contribuinte, não impedindo, porém, que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando se prestam a corroborar tese aventada em sede de primeira instância e contemplada pelo Acórdão recorrido. ILEGITIMIDADE PASSIVA PARA RESPONDER POR EVENTUAIS MULTAS DEVIDAS PELA SUCEDIDA. É oportuno esclarecer que o STJ decidiu, no Resp 923.012/MG, submetido à sistemática dos Recursos Repetitivos do art. 543C do Código de Processo Civil (CPC), que “A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão”. Dessa forma, considerando o disposto no art. 62A, do Regimento Interno do CARF, e do conteúdo do Resp 923.012/MG, transitado em julgado em 04/06/2013, entendo que a sucessora deve suportar as multas, moratórias ou punitivas, relativas a fatos geradores ocorridos antes da sucessão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 05 22 /2 01 0- 73 Fl. 344DF CARF MF 2 Ademais, cumpre informar que tal matéria é objeto da súmula CARF 47, transcrita a seguir: Súmula CARF nº 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS Toda empresa está obrigada a reter e recolher a contribuição dos segurados empregados a seu serviço, quando do pagamento de sua remuneração REMUNERAÇÃO CONCEITO Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo trabalhador pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS Para ocorrer a isenção fiscal sobre os valores pagos aos trabalhadores a título de participação nos lucros ou resultados, a empresa deverá observar a legislação específica sobre a matéria. Ao ocorrer o descumprimento da Lei 10.101/2000, as quantias creditadas pela empresa aos empregados passa a ter natureza de remuneração, sujeitas, portanto, à incidência da contribuição previdenciária. O PRL pago em desacordo com o mencionado diploma legal integra o salário de contribuição. INDENIZAÇÃO As rubricas intituladas “Indenização” e “Indenização Especial”, pagas em desacordo com a legislação previdenciária e sem a comprovação de que se referem a verbas indenizatórias, integram o salário de contribuição por possuírem natureza salarial ABONO NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os abonos únicos, previstos em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 16/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN RESPONSABILIDADE DA EMPRESA SUCESSORA PELOS TRIBUTOS E MULTAS MORATÓRIAS/PUNITIVAS. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão da ilegitimidade passiva na responsabilidade sobre multas, nos termos do voto da Relatora; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, na questão do chamado abono indenizatório, nos termos do voto da Fl. 345DF CARF MF Processo nº 13864.000522/201073 Acórdão n.º 2301003.740 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatora. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; b) em conhecer da questão sobre ilegitimidade passiva na responsabilidade sobre multas, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em não conhecer do recurso nesta questão; III) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, na questão da Participação dos Lucros e Resultados, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antônio de Souza Correa e Manoel Coelho Arruda Júnior, que davam provimento ao recurso nesta questão; b) em não conhecer da questão sobre a retificação da multa, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Manoel Coelho Arruda Júnior, que conheciam da questão João Bellini Júnior – Presidente e redator ad hoc na data de formalização do acórdão. Andréa Brose Adolfo – redatora ad hoc para o voto vencedor na data de formalização do acórdão. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 346DF CARF MF 4 Relatório Conselheiro João Bellini Júnior Para registro e esclarecimento, consigno que, pelo fato da conselheira Bernadete de Oliveira Barros, relatora original, ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado ad hoc para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo o relatório e voto deixado pela conselheira nos sistemas internos do CARF, com o qual não necessariamente concordo. Feito o registro. Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte dos segurados, não arrecadadas pela empresa e não recolhidas.. Conforme Relatório Fiscal (fls. 57), o fato gerador das contribuições lançadas é o pagamento, pela empresa a seus empregados, de verbas intituladas “Indenizações” e “Indenização Especial” (levantamentos I1, P e P1), “Abono Indenizatório” (lev H), “PLR” (lev T) e “Insuficiência de Saldo” (levantamentos C eC1). Integram ainda o AI as contribuições dos segurados incidentes sobre pagamentos realizados a pessoas físicas enquadradas como empregados pela fiscalização (levantamentos E e E1). O agente autuante informa que a empresa pagou valores a título de PLR em desacordo com a Lei 10.101/2000, pois inexistiram regras claras e objetivas, mecanismos de aferição, periodicidade e período de vigência, entre outros listados. A autoridade autuante explica que, em respeito ao art 106, inciso II, alínea"c" do CTN, da confrontação da aplicação da legislação da época dos fatos geradores com as alterações sofridas através da MP 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, verificouse que a legislação vigente à época é mais benéfica à empresa nos meses de 05/2007 e 11/2007, tendo sido lavrado AI 68 e, para as demais competências, aplicouse a multa atual, mais benéfica, de 75%. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0533.968, da 7a Turma da DRJ/CPS (fls. 917, vol. V, do processo 13864.000536/201097), julgou a impugnação procedente em parte, mantendo, em parte, o crédito tributário, excluindo os levantamentos C, C1, por entender tratarse de parcelas isentas, e levantamentos E e E1, ao argumento de que não restou caracterizado o vínculo empregatício entre a empresa e os seguranças que lhe prestaram serviços. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 1.307, vol. XXI do processo 13864.000536/201097), alegando, em apertada síntese, o que se segue. Fl. 347DF CARF MF Processo nº 13864.000522/201073 Acórdão n.º 2301003.740 S2C3T1 Fl. 4 5 Preliminarmente, requer o julgamento conjunto de todos os Autos de Infração lavrados contra a recorrente na mesma ação fiscal, para se evitar decisões divergentes sobre o mesmo objeto e a mesma causa de pedir. No mérito, faz breve síntese da legislação que rege a matéria, frisando que nem todo valor pago ao trabalhador integra a base de cálculo do tributo, mas apenas as remunerações destinadas a retribuir o trabalho, não se constituindo em remuneração valores pagos pela empresa que ostentem natureza indenizatória, ou verbas que apresentem um caráter assistencial. Sustenta que qualquer importância recebida pelo trabalhador que não encontre uma vinculação direta com o trabalho prestado não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Entende que a NFLD é nula em razão da não comprovação da efetiva ocorrência dos fatos geradores da contribuição, e que a decisão recorrida pretendeu justificar a ação ilegal em dispositivos não aplicáveis ao caso, que não justificam a inversão pretendida de ônus da prova. Assevera que a simples identificação de rubricas em folha de pagamento como “férias indenizadas” e “abono indenizatório” não justifica a imposição tributária , sendo o lançamento discutido temerário e desprovido de fundamento legal, e lista princípios jurídicos envolvidos na matéria procedimental administrativa. Aduz que a Auditora Fiscal buscou constituir o crédito pelo critério arbitrário da exclusão, presumindo simplesmente que como os valores não foram lançados sob a rubrica “Férias Indenizadas” então teriam natureza salarial, e insiste na assertiva de que caberia à autoridade autuante o exame da natureza dos lançamentos efetuados, sendo descabida a presunção de que todos os pagamentos efetuados aos empregados listados nas planilhas “Indenização” e “Indenização Especial” corresponderiam à remuneração.. Entende que caberia à fiscalização comprovar a ocorrência do fato gerador, mediante demonstração clara e objetiva de que tais verbas se enquadram no conceito de salário de contribuição, caracterizada pela habitualidade do seu pagamento, destacando que não há qualquer indício de habitualidade na concessão dos valores pagos pela recorrente, sendo que os pagamentos em tela configuramse em verdadeiras gratificações/indenizações eventuais dos seus beneficiários. Conclui que, não havendo previsão contratual e/ou habitualidade no pagamento de determinado valor ou na concessão de determinada utilidade ao empregado, não restará configurada a natureza salarial dessa prestação, e transcreve o item “7”, da alínea “d”, do § 9o, do art. 28, da Lei 8.212/91, para tentar demonstrar a não incidência de contribuições sobre verbas recebidas a título de gratificações não eventuais. Insiste na ausência de caráter remuneratório da PLR, e reitera que as determinações legais foram regulamente atendidas pela recorrente, firmando em acordo coletivo os critérios, valores e forma de pagamento, com a devida participação do sindicato, e que a decisão recorrida inova quanto aos requisitos de dedutibilidade de PLR, indo além do quanto previsto na Lei 10.101/2000. Fl. 348DF CARF MF 6 Alega natureza indenizatória do abono pago aos empregados, que foi concedido como compensação pela alteração nos critérios de concessão de outros benefícios, em uma única parcela, em um valor fixo indiscriminadamente a todos os empregados. Inova em relação à defesa, alegando a ilegitimidade da recorrente para responder por eventuais multas devidas pela sucedida, destacando a inocorrência de preclusão e a necessária avaliação do tema, diante do princípio da verdade material que rege o processo administrativo. Finaliza requerendo que sejam acolhidas as suas razões, para dar integral provimento ao recurso voluntário, a fim de que seja cancelado integralmente o Auto de Infração que originou o presente processo. É o relatório. O processo foi distribuído para este redator ad hoc em 15/03/2017. Fl. 349DF CARF MF Processo nº 13864.000522/201073 Acórdão n.º 2301003.740 S2C3T1 Fl. 5 7 Voto Vencido Conselheiro João Bellini Júnior, redator ad hoc na data de formalização do acórdão. Para registro e esclarecimento, consigno que, pelo fato da conselheira Bernadete de Oliveira Barros, relatora original, ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado ad hoc para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo o relatório e voto deixado pela conselheira nos sistemas internos do CARF, com o qual não necessariamente concordo. Feito o registro. O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Preliminarmente, a autuada requer o julgamento conjunto de todos os Autos de Infração listados, a fim de se evitar decisões divergentes sobre o mesmo objeto e a mesma causa de pedir. Porém, os autos cujos objetos tratam de matérias conexas foram apensados, e serão julgados conjuntamente. Contudo, os processos que tratam de matéria cuja análise independe da apreciação do mérito do presente recurso, podem ser julgados em separado, pois o resultado de um não interfere no outro. É o caso, por exemplo, dos lançamentos da retenção de 11% sobre as notas fiscais de prestação de serviços, ou da contribuição incidente sobre fretes e serviços prestados por contribuintes individuais. Tais matérias não tem relação com os presentes autos, que tratam de contribuição incidente sobre verbas pagas pela empresa a segurados empregados, consideradas remuneratórias pela fiscalização. Portanto, apenas as matérias conexas serão analisadas em conjunto. Dessa forma, passo à análise do mérito, registrando o que se segue. Verificase que a recorrente não nega que tenha realizado os pagamentos apontados pela fiscalização. Ela apenas tenta demonstrar que as verbas pagas não possuem natureza salarial e não integram o salário de contribuição. Porém, a condição de se tratar ou não de salário não está vinculada ao interesse da fonte pagadora em, com aquele pagamento, assalariar ou não seu empregado. Fl. 350DF CARF MF 8 Ou seja, não é o nome do pagamento ou a vontade da empresa em si que vai determinar sua natureza jurídica. O que irá afastar as verbas pagas da incidência tributária é a estreita observância à legislação específica que trata da matéria. Cumpre observar que o conceito de salário de contribuição expresso no art. 28 inciso I da Lei 8.212/91 é “...a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês...” (grifei). A própria Constituição Federal, preceitua, no § 4º do art. 201, renumerado para o § 11, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98, o seguinte: § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüentemente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (grifei) Nem toda utilidade fornecida ao trabalhador tem caráter contraprestacional, sendo necessário distinguir a utilidade fornecida como retribuição pelo trabalho, que se caracteriza “salárioutilidade” e que deve ser incluída na base de cálculo da contribuição previdenciária, daquela fornecida como instrumento de trabalho, ou para o trabalho, que não se caracteriza salárioutilidade, eis que meramente instrumental para o desempenho das funções do trabalhador. Na doutrina, há várias correntes; porém, a que tem maior aplicação determina que a regra geral é que, se o trabalhador paga pela utilidade, essa não constitui salário. Se, por outro lado, aumentar seu patrimônio ou for fornecida gratuitamente, então integrará o salário para todos os efeitos legais. A CF menciona “os ganhos habituais”, ou seja, todos os ganhos de cunho remuneratório, sejam eles em dinheiro ou utilidades. E a CLT discrimina as parcelas que compõem a remuneração do empregado, conforme seu art. 457: Art. 457. Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1º Integram o salário, não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagem e abonos pagos pelo empregador. Portanto, as gratificações e comissões, que podem ser eventuais, integram a remuneração do empregado por expressa previsão legal. A fiscalização constatou o pagamento de verbas denominadas “Indenização” e “Indenização Especial”. Apesar de intimada por meio de TIF, a recorrente não esclareceu a origem de tais pagamentos, se limitando a informar que tratamse de férias indenizadas. Fl. 351DF CARF MF Processo nº 13864.000522/201073 Acórdão n.º 2301003.740 S2C3T1 Fl. 6 9 Ocorre que a autoridade lançadora verificou, e comprovou nos autos, que as férias indenizadas são pagas em título próprio, sob rubrica de mesmo nome, constante das folhas de pagamento. Ademais, a empresa não comprovou suas afirmações. Não apresentou, à fiscalização, elementos que demonstrassem que os pagamentos em comento se referiam a férias indenizadas. Assim, constatase que a empresa paga verbas intituladas “Indenização” e “Indenização Especial”, não esclarece a que se refere tais pagamentos, e defende que cabe à fiscalização comprovar que tais verbas não seriam indenizatórias. Porém, entendo que cabe à recorrente, e não à fiscalização, comprovar suas alegações, ou seja, que as rubricas em tela são de cunho indenizatório. Contudo, não o fez, insistindo em afirmar apenas que não há habitualidade no pagamento, e que esses pagamentos se configuram em gratificações/indenizações. Todavia, conforme exposto acima, gratificação é remuneração, e deve integrar o salário de contribuição. Cumpre ressaltar que o conceito de indenização pressupõe a reparação de um dano sofrido pelo trabalhador. No caso em tela, a recorrente não comprovou a existência desse dano. Assim, resta claro que o pagamento feito pela recorrente a título de “Indenização” e “Indenização Especial” em favor dos seus segurados empregados não se trata de reparação de um dano, ou de fornecimento de meio para que esses trabalhadores possam exercer suas funções, e sim uma vantagem que representa um acréscimo indireto à sua remuneração, devendo, portanto, sofrer incidência de contribuição previdenciária. É inegável, no caso presente, o acréscimo patrimonial do segurado ao receber tais quantias. Em que pese o esforço argumentativo da recorrente, verificase que os pagamentos em tela realmente se a amoldam ao figurino legal que delimita a basedecálculo da contribuição previdenciária, como bem entendeu a fiscalização e os julgadores de primeira instância. A recorrente cita o art 28, § 9o, “e”, “7”, para tentar demonstrar que tais valores não podem integrar a base cálculo da contribuição previdenciária, por serem pagamentos eventuais. Contudo, constatase que a recorrente não comprovou que estamos diante de um pagamento eventual, já que não esclareceu a origem desses pagamentos. Ela precisaria demonstrar a que se referem essas rubricas, uma vez que o ganho habitual passível de exação não é necessariamente aquele valor auferido mês a mês, trimestralmente ou mesmo bimestralmente etc. Há verbas pagas no decorrer do contrato de trabalho, ainda que não sejam auferidas nessas condições, e que não podem ser vistas como meramente eventuais. Fl. 352DF CARF MF 10 Por todo o exposto, e como a recorrente não comprovou tratarse de ganho eventual, entendo que tais rubricas devam integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária. Quanto ao PLR, a recorrente tenta demonstrar ausência de caráter remuneratório da referida verba, alegando que as determinações legais foram regulamente atendidas pela recorrente, firmando em acordo coletivo os critérios, valores e forma de pagamento, com a devida participação do sindicato, e que a decisão recorrida inova quanto aos requisitos de dedutibilidade de PLR, indo além do quanto previsto na Lei 10.101/2000. Porém, a fiscalização verificou que o PLR da empresa não estabelece critérios a serem cumpridos, como também observou a ausência de regras claras e objetivas na fixação dos direitos da participação. De fato, da leitura do acordo coletivo (fls. 558), verificase que não há estabelecimento de critérios ou metas a serem cumpridas, sendo que os valores pagos a título de PLR foram previamente estabelecidos. A Lei 10.101/00 estabelece que: Art.2º (...) § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente . (grifei) Dessa forma, a empresa descumpriu o disposto no parágrafo primeiro do citado dispositivo legal, ao deixar de fazer constar, no acordo pactuado, regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação, bem como os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. Portanto, ao contrário do que afirma a recorrente, a decisão recorrida não inovou quanto aos critérios estabelecidos na lei, pois o Relator do acórdão combatido deixou claro que o débito seria mantido pois a empresa não observou o § 1º, transcrito acima. Por tudo que foi exposto acima, concluo que a verba intitulada Participação nos Resultados foi paga em desconformidade com a legislação que rege a matéria. E, como a alínea “j”, do § 9º, do art. 28 da Lei 8.212/91, isenta de contribuição previdenciária apenas a participação nos lucros ou resultados da empresa quando paga ou creditada de acordo com a lei específica, no caso a Lei nº 10.101/99, a referida verba, paga pela autuada em desacordo com o mencionado diploma legal, integra o salário de contribuição. A recorrente alega, ainda, natureza indenizatória do abono pago aos empregados, que foi concedido como compensação pela alteração nos critérios de concessão de Fl. 353DF CARF MF Processo nº 13864.000522/201073 Acórdão n.º 2301003.740 S2C3T1 Fl. 7 11 outros benefícios, em uma única parcela, em um valor fixo indiscriminadamente a todos os empregados. Em relação a essa matéria, é oportuno observar que a ProcuradoriaGeral da Fazenda NacionalPGFN emitiu o Ato Declaratório nº 16/2011, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2114 /2011, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 09/12/2011, autorizando a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária”, Assim, como o pagamento em tela se enquadra no conceito de abono único, pois era pago apenas uma vez, e estava previsto em acordo coletivo, entendo que devam ser excluídos do débito, por provimento, a contribuição lançada incidente sobre o pagamento da verba intitulada “Abono Indenizatório”, por não integrar o salário de contribuição, uma vez que foi pago sem habitualidade. Diante do citado Ato, e considerando que o Decreto 70.235/72 estabelece que o disposto no caput do art. 26A não se aplica aos casos de lei ou ato normativo que fundamente crédito tributário objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, e que a Lei 10.522/2002, citada no art. 26A, determina que os créditos tributários já constituídos relativos à matéria de que trata o seu artigo 19 devem ser revistos de ofício pela autoridade lançadora, entendo que deva ser dado provimento ao recurso, pelo fato de o Seguro de Vida em Grupo não integrar o salário de contribuição. A recorrente inova em relação à defesa, alegando a ilegitimidade da recorrente para responder por eventuais multas devidas pela sucedida, destacando a inocorrência de preclusão e a necessária avaliação do tema, diante do princípio da verdade material que rege o processo administrativo. Contudo, tal questionamento não foi trazido perante a primeira instância administrativa, tendo sido feito somente em sede recursal. O Decreto 70.235/72 é claro ao estabelecer que “Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante” E a recorrente não comprovou a ocorrência das hipóteses contidas no § 4º, do art. 16, do mesmo normativo legal, que determina que: Art. 16 (...) § 4o A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente Fl. 354DF CARF MF 12 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Dessa forma, considerando que encontrase precluído o direito à discussão de matéria trazida de forma inovadora na segunda instância administrativa, em razão do que dispõe o art. 17 do referido Decreto, transcrito acima, entendo que não deva ser conhecida a parte do recurso que trata de tal matéria. Porém, caso assim não entenda a maioria do colegiado, e ainda que não se considere ocorrida a preclusão, é oportuno esclarecer que o STJ decidiu, no Resp 923.012/MG, submetido à sistemática dos Recursos Repetitivos do art. 543C do Código de Processo Civil (CPC), que “A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão”. Dessa forma, considerando o disposto no art. 62A, do Regimento Interno do CARF, e do conteúdo do Resp 923.012/MG, transitado em julgado em 04/06/2013, entendo que a sucessora deve suportar as multas, moratórias ou punitivas, relativas a fatos geradores ocorridos antes da sucessão. Ademais, cumpre informar que tal matéria é objeto da súmula CARF 47, transcrita a seguir: Súmula CARF nº 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. Com relação à multa, esta Relatora não desconhece que a maioria dos membros deste Colegiado retroagem a norma para aplicar a multa de mora mais benéfica, observando o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Contudo, tal matéria não foi trazida no recurso voluntário e, por entender que não se trata de matéria de ordem pública, não há que conhecêla de ofício. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; VOTO por CONHECER PARCIALMENTE DO RECURSO e, na parte conhecida, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, no mérito, para excluir do débito, por improcedência, os valores relativos ao ABONO INDENIZATÓRIO. É como voto. ASSIM VOTOU A CONSELHEIRA NA SESSÃO DE JULGAMENTO. João Bellini Júnior Redator ad hoc na data da formalização do acórdão. Fl. 355DF CARF MF Processo nº 13864.000522/201073 Acórdão n.º 2301003.740 S2C3T1 Fl. 8 13 Voto Vencedor Andréa Brose Adolfo – redatora ad hoc para o voto vencedor na data de formalização do acórdão. Para registro e esclarecimento, consigno que, pelo fato do conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, redator original para o voto vencedor, ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designada ad hoc para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo o voto deixado pelo conselheiro nos sistemas internos do CARF, com o qual não necessariamente concordo. Feito o registro. Peço vênia a i. Conselheira Relatora, mas divirjo quanto ao não conhecimento da matéria suscitada pela Recorrente, qual seja, ilegitimidade da recorrente para responder por eventuais multas devidas pela sucedida. Em contraponto ao decidido pela i. Relatora, entendo que o artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, estabelece como regra geral para efeito de preclusão que a prova documental deverá ser apresentada juntamente à impugnação do contribuinte, não impedindo, porém, que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando se prestam a corroborar tese aventada em sede de primeira instância e contemplada pelo Acórdão recorrido. Dito isso, conheço da matéria suscitada. Quanto ao mérito da questão, acompanho o entendimento da i. Relatora: [...] Porém, caso assim não entenda a maioria do colegiado, e ainda que não se considere ocorrida a preclusão, é oportuno esclarecer que o STJ decidiu, no Resp 923.012/MG, submetido à sistemática dos Recursos Repetitivos do art. 543C do Código de Processo Civil (CPC), que “A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão”. Dessa forma, considerando o disposto no art. 62A, do Regimento Interno do CARF, e do conteúdo do Resp 923.012/MG, transitado em julgado em 04/06/2013, entendo que a sucessora deve suportar as multas, moratórias ou punitivas, relativas a fatos geradores ocorridos antes da sucessão. Ademais, cumpre informar que tal matéria é objeto da súmula CARF 47, transcrita a seguir: Fl. 356DF CARF MF 14 Súmula CARF nº 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. É como voto. ASSIM VOTOU O CONSELHEIRO NA SESSÃO DE JULGAMENTO. Andréa Brose Adolfo – redatora ad hoc para o voto vencedor na data de formalização do acórdão. Fl. 357DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.905509/2009-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 19/11/2003
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS
Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido.
Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 19/11/2003
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. VIDROS DE SEGURANÇA APLICADOS EM VEÍCULOS AUTOMÓVEIS.
O produto denominado vidros de segurança não emoldurados utilizados como pára-brisas e nas janelas dos veículos automóveis, classifica-se na posição 7007 da TIPI.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 19/11/2003
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA
Não padece de nulidade o despacho decisório, proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.185
Decisão:
ACORDAM os membros da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 19/11/2003 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido. Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 19/11/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. VIDROS DE SEGURANÇA APLICADOS EM VEÍCULOS AUTOMÓVEIS. O produto denominado vidros de segurança não emoldurados utilizados como pára-brisas e nas janelas dos veículos automóveis, classifica-se na posição 7007 da TIPI. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 19/11/2003 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA Não padece de nulidade o despacho decisório, proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : ACORDAM os membros da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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COMPENSAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Recorrente VITROTEC VIDROS DE SEGURANÇA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 19/11/2003 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 19/11/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. VIDROS DE SEGURANÇA APLICADOS EM VEÍCULOS AUTOMÓVEIS. O produto denominado vidros de segurança não emoldurados utilizados como párabrisas e nas janelas dos veículos automóveis, classificase na posição 7007 da TIPI. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 19/11/2003 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA Não padece de nulidade o despacho decisório, proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 55 09 /2 00 9- 86 Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13839.905509/200986 Acórdão n.º 3301003.185 S3C3T1 Fl. 3 2 ACORDAM os membros da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário contra o Acórdão 1429.663, exarado pela 2ª Turma da DRJ/RPO em face de Despacho Decisório que denegou restituição pleiteada e, conseqüentemente, não homologou as compensações declaradas. A recorrente formalizou PER/DComp objetivando a compensação de pretensa diferença recolhida a maior relativa ao IPI. A fiscalização, a partir das características do DARF discriminado no PER/DComp, constatou que o crédito alegado como indevidamente pago foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação pretendida. O interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva, onde alegou, em sede preliminar, que a fundamentação legal genérica do Despacho Decisório implicou cerceamento do seu direito de defesa. No mérito, sustentou que o direito à restituição decorre de recolhimento a maior de IPI face a erro de classificação de seus produtos (vidros não emoldurados destinados exclusivamente para serem utilizados no párabrisas e nas janelas dos veículos automotores das posições 8701 a 8705). Os mesmos foram classificados na posição 7007 (Vidros de Segurança), com alíquota de 15% de IPI, quando o correto, segundo motivos, julgados e princípio da seletividade, deveria ser na posição 8708 da TIPI (partes e acessórios dos veículos automóveis das posições 8701 a 8705), com alíquota de 5%. Ao analisar a Manifestação de Inconformidade, a DRJ/RPO julgoua IMPROCEDENTE, nos termos do Acórdão 1429.663, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 19/11/2003 NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. Somente são nulos os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com comprovada preterição do direito de defesa. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13839.905509/200986 Acórdão n.º 3301003.185 S3C3T1 Fl. 4 3 RESTITUIÇÃO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. VIDROS DE SEGURANÇA APLICADOS EM VEÍCULOS AUTOMÓVEIS. Inexiste erro de classificação fiscal se contribuinte lançou nos documentos fiscais e recolheu com a respectiva alíquota os vidros, utilizados como pára brisas e nas janelas dos veículos automóveis, classificados na posição 7007 da TIPI. Conseqüentemente, inexiste recolhimento indevido ou maior que o devido que se enquadre como crédito líquido e certo contra a Fazenda Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado o contribuinte apresentou Recurso Voluntário replicando as alegações da Manifestação de Inconformidade. É o relatório, em sua essência. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.171, de 20 de fevereiro de 2017, proferido no julgamento do processo 13839.904308/200961, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.171): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. As indicações de folhas no presente voto, não havendo informação contrária, referemse à numeração constante no eprocesso. 1 Da Preliminar de Nulidade A recorrente alega que houve preterição do direito de defesa, ensejando a nulidade do despacho Decisório, por indicação inespecífica de dispositivo legal, nos seguintes termos: No despacho decisório que não homologou a compensação em tela constam como enquadramento legal: "Artigo 165 e 170, da Lei n°5.172 (CTN); Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. " Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13839.905509/200986 Acórdão n.º 3301003.185 S3C3T1 Fl. 5 4 Ocorre que os artigos contém parágrafos e incisos QUE NÃO FORAM DEVIDAMENTE ESPECIFICADOS, o que resultou na impossibilidade de a recorrente identificar qual deles fundamenta a decisão não homologatória da compensação, ou seja, EVIDENCIASE INDICAÇÃO INESPECÍFICA QUE CARACTERIZA FORMALIZAÇÃO INCORRETA, em flagrante contrariedade ao que dispõe a legislação que rege a matéria e que prevê a indicação clara e precisa dos dispositivos legais supostamente infringidos , o que não ocorreu no caso. Tal fato resulta em flagrante prejuízo à defesa do contribuinte, resultando em vício insanável que enseja a nulidade do despacho decisório". Não vislumbro nos autos qualquer preterição do direito de defesa. O Acórdão recorrido não merece reparos, nesse pormenor. O despacho Decisório encontrase suficientemente fundamentado e o enquadramento legal está adequado aos fatos apurados. Não há, na espécie, motivo para que a autoridade fiscal indicasse os incisos ou alíneas em que se subdividiam os artigos elencados. Andou bem o julgador de primeira instância, vejamos parte dos fundamentos de seu voto que: [...] "Contudo, o que constato é que, para um pedido genérico lastreado num DARF, regularmente utilizado, para a integral quitação de débitos, mormente por inexistir qualquer retificação do DARF e da DCTF, nenhuma outra capitulação legal seria possível, aliás, creio que foi até exaustiva no caso, pois, bastaria citar o artigo 171 do CTN, ou seja, que a compensação só se faz com créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional." [...] O excerto acima transcrito é suficientemente didático. Não há coerência lógica nos argumentos trazidos pela recorrente, senão o intuito de dar sobrevida ao litígio. Com o exposto, não se verifica qualquer cerceamento do direito de defesa, tampouco algum ato ou fato que ampare, ainda que de longe, a nulidade do Despacho Decisório. 2 Do Mérito O cerne do litígio está centrado da [in]existência do crédito disponível para restituição, submetido à PER/DComp, i.é., [in]existência de pagamento a maior de IPI por parte do contribuinte. A fiscalização, em procedimento de análise de PER/DComp, detectou que o crédito alegado como indevidamente pago fora integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação pretendida. O recorrente, por sua vez, alega que efetuou recolhimento de IPI a maior em face de equívoco na classificação fiscal de vidros não emoldurados destinados para uso nos párabrisas e janelas de veículos automotores das posições 8701 a 8705 da Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13839.905509/200986 Acórdão n.º 3301003.185 S3C3T1 Fl. 6 5 TIPI. Originariamente efetuou os recolhimento do IPI com base na posição da TIPI 7007, alíquota de 15%, conquanto, no seu entender, deveria ter recolhido com base na posição 8708, alíquota de 5%. Sustenta que tem o direito de classificar os vidros não emoldurados nas subposições 8708.29.19 ou 8708.29.99 da TIPI. Tece comentários sobre a metodologia do sistema de classificação fiscal e procura demonstrar a correção da classificação utilizada. Adentra em comentários acerca do princípio da seletividade do IPI sustentando que os princípios constitucionais devem ser considerados prioritariamente para fim de classificar um produto na TIPI, em detrimento às regras do Sistema harmonizado. Em resumo temos que o recorrente sustenta que cometeu erro na classificação de vidros não emoldurados destinados para uso nos párabrisas e janelas de veículos automotores, de sua fabricação e, como conseqüência, recolheu IPI a maior. É nessa matéria, classificação fiscal, que se limita a peça recursal. Outrossim, a exigência fiscal emerge da constatação por parte da fiscalização de que o crédito alegado como indevidamente pago fora integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação pretendida. Essa é a matéria posta originariamente pela fiscalização. Sobre ela nada falou o recorrente. Apressome a afirmar: ainda que o recorrente tenha êxito quanto a classificação por ele pretendida, fazse necessária a comprovação de que eventual pagamento a maior do IPI fora devidamente escriturado, bem assim que as obrigações acessórias tenham sido alteradas para contemplar os valores efetivamente devido do tributo, tornadoo liquido e certo. Portanto temos dois pontos a serem apreciados: (i) a liquidez e certeza do crédito alegadamente pago a maior e (ii) a correta classificação do produto. 2.1 A LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ALEGADAMENTE PAGO A MAIOR É notoriamente sabido que, nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido. Essa é a dicção do art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 373 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; [...] Disso não se desincumbiu o contribuinte. Do compulsar dos autos não se vislumbra nenhum elemento apresentado pela recorrente que tenha o condão de afastar as alegações da fiscalização que alicerçaram a negativa relativa ao pedido de restituição. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13839.905509/200986 Acórdão n.º 3301003.185 S3C3T1 Fl. 7 6 Noutra esteira, a fiscalização demonstrou que, relativamente ao crédito que se pretende ser indevido, há débitos a ele originariamente vinculados, portanto não disponíveis para restituição e, conseqüentemente, não servindo para custear compensação. Dessarte, depreendese que os valores de IPI que o recorrente pretende considerar indevidamente recolhidos para fins de fruição de restituição não se encontram devidamente comprovados, portanto não revestidos de certeza e liquidez. 2.2 A CORRETA CLASSIFICAÇÃO DO PRODUTO Passo a apreciar a classificação fiscal adotada pelo contribuinte para o produto vidro não emoldurados destinados para uso nos párabrisas e janelas de veículos automotores. Ressaltese que a classificação fiscal, no caso concreto, não influenciará diretamente na decisão quanto ao direito à restituição, posto que, isoladamente, eventual erro na classificação não é suficiente para dotar de liquidez e certeza o crédito pago a maior,. O recorrente sustenta que tem o direito de classificar os vidros não emoldurados nas subposições 8708.29.19 ou 8708.29.99 da TIPI. Tece comentários sobre a metodologia do sistema de classificação fiscal e procura demonstrar a correção da classificação utilizada. Adentra em comentários acerca do princípio da seletividade do IPI sustentando que os princípios constitucionais devem ser considerados prioritariamente para fim de classificar um produto na TIPI, em detrimento às regras do Sistema harmonizado. O Julgador a quo, em seu voto, constante do Acórdão recorrido, fundamenta exaustivamente as razões para descaracterizar a pretensa classificação dos vidros na posição 8708 e a necessária e correta classificação na posição 7007. vejamos excerto do voto: [...] Quanto ao mérito, nenhuma razão assiste ao interessado, sendo que a classificação fiscal do produto em questão já é pacificada na Receita Federal do Brasil desde 1998, quando, mediante o DEC SRRF 8ª RF nº 155/98, publicado no DOU em 06/08/98, classificou na posição 7007 da TIPI os vidros a serem utilizados como párabrisas e nas janelas dos veículos automóveis. [...] Não vislumbro razão para o aprofundamento da análise da presente matéria, a uma, pelo brilhante voto constante do Acórdão recorrido, não merecendo reparos, a duas, em face da publicação da Solução de Consulta do Centro de Classificação de Mercadorias da RFB, SC 56/2014, 1ª Turma, com a qual concordo e a utilizo como fundamento de minha decisão. Sua ementa é suficientemente esclarecedora: 7007.21.00 Vidro de segurança não emoldurado, formado por folhas contracoladas (vidro laminado), de espessuras que variam de 1 mm até mais de 6,5 mm, acompanhado de guarnição de borracha para vedação, destinado a uso como parabrisa de automóveis SC 296/2015 1ª Turma Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13839.905509/200986 Acórdão n.º 3301003.185 S3C3T1 Fl. 8 7 Como se vê o produto denominado vidro de segurança não emoldurado, destinado a uso como parabrisa de automóveis tem definida e consolidada sua classificação fiscal na posição 7007. Dispositivo Ante o exposto, considerando que (i) os créditos de IPI que se pretende considerar indevidamente recolhidos para fins de fruição de restituição, não se encontram devidamente comprovados, portanto não revestidos de certeza e liquidez e que (ii) o produto denominado vidro de segurança não emoldurado, destinado a uso como parabrisa de automóveis deve ser classificado fiscal na posição 7007, da TIPI, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 63DF CARF MF
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