Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,060)
- Primeira Turma Ordinária (16,567)
- Primeira Turma Ordinária (16,459)
- Primeira Turma Ordinária (16,358)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,086)
- Segunda Turma Ordinária d (14,575)
- Primeira Turma Ordinária (13,128)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,554)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (85,999)
- Terceira Câmara (68,521)
- Segunda Câmara (57,460)
- Primeira Câmara (21,771)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,369)
- 1ª SEÇÃO (6,889)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,887)
- Segunda Seção de Julgamen (116,175)
- Primeira Seção de Julgame (78,015)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,150)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,430)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,612)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,232)
- HELCIO LAFETA REIS (3,928)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,937)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,875)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,791)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,961)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,925)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,674)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2026 (16,704)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,932)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13864.000534/2010-06
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas.
Numero da decisão: 9202-006.889
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 18 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13864.000534/2010-06
anomes_publicacao_s : 201806
conteudo_id_s : 5869632
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 18 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9202-006.889
nome_arquivo_s : Decisao_13864000534201006.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARIA HELENA COTTA CARDOZO
nome_arquivo_pdf_s : 13864000534201006_5869632.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
id : 7323914
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:20:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050308902387712
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1470; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 976 1 975 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13864.000534/201006 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.889 – 2ª Turma Sessão de 23 de maio de 2018 Matéria PAF NULIDADE NATUREZA DO VÍCIO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado TIVIT TERCEIRIZAÇÃO DE PROCESSOS, SERVIÇOS E TECNOLOGIA S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 05 34 /2 01 0- 06 Fl. 976DF CARF MF 2 Tratase de ação fiscal que originou os seguintes procedimentos: PROCESSO DEBCAD TIPO FASE 13864.000512/201038 37.291.7162 (AI 34) Obrig. Acessória Liquidado 13864.000509/201014 37.311.3722 (AI 68) Obrig. Acessória Recurso Especial 13864.000513/201082 37.311.3730 (Emp.) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000511/201093 37.311.3749 (AI 69) Obrig. Acessória Agravo 13864.000510/201049 37.311.3757 (AI 38) Obrig. Acessória Liquidado 13864.000508/201070 37.311.3765 (AI 22) Obrig. Acessória Recurso Especial 13864.000534/201006 37.311.3773 (Terceiros) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000525/201015 37.311.3781 (Terceiros) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000536/201097 37.311.3790 (Emp. e SAT) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000519/201050 37.311.3803 (Terceiros) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000522/201073 37.311.3811 (Seg.) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000520/201084 37.311.3820 (Emp. e SAT) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000518/201013 37.311.3838 (Seg.) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000517/201061 37.316.8195 (Terceiros) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000528/201041 37.316.8209 (Emp. e SAT) Obrig. Principal REsp do Cont. não admitido 13864.000527/201004 37.316.8217 (Seg.) Obrig. Principal Liquidado 13864.000526/201051 37.316.8225 (Terceiros) Obrig. Principal Liquidado 13864.000523/201018 37.316.8233 (Emp. e SAT) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000521/201029 37.316.8241 (Seg.) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000524/201062 37.316.8250 (Terceiros) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000516/201016 37.316.8268 (Emp. e SAT) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000515/201071 37.316.8276 (Seg.) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000514/201027 37.316.8284 (Terceiros) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000535/201042 37.318.2872 (Emp.) Obrig. Principal Recurso Especial Fl. 977DF CARF MF Processo nº 13864.000534/201006 Acórdão n.º 9202006.889 CSRFT2 Fl. 977 3 O presente processo trata do Debcad 37.311.3773, referente às Contribuições Sociais incidentes sobre os valores pagos aos segurados empregados, destinadas a Terceiros, relativas ao período de 01/2007 a 12/2007. Nos termos do Relatório Fiscal, a Contribuinte informou código FPAS Fundo de Previdência e Assistência Social 566, quando o correto seria 515. Em conseqüência, informou código de Terceiros 0099, quando o correto seria 0115, deixando de recolher valores a título de Contribuições Previdenciárias destinadas ao SENAC e SEBRAE. Em sessão plenária de 17/04/2013, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2301003.472 (efls. 780 a 786), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 NULIDADE DA AUTUAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO FATO GERADOR. É nulo o auto de infração carente de comprovação, pelo Fisco, da ocorrência do fato gerador, por incorrer em vício material." A decisão foi assim resumida: “ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em anular o lançamento pela existência de vício, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento ao recurso; b) em conceituar o vício como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal." O processo foi encaminhado à PGFN em 22/08/2013 (Despacho de Encaminhamento de efls. 787) e, em 23/09/2013, foi interposto o Recurso Especial de efls. 788 a 799 (Despacho de Encaminhamento de efls. 836). O apelo está fundamentado no arts. 67 e 68, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visava rediscutir os seguintes pontos: inexistência de nulidade no lançamento; se nulidade houve, tratase de vício formal e não material. Ao Recurso Especial foi dado seguimento parcial, unicamente em relação à questão da natureza do vício, conforme Despacho de Admissibilidade de 16/09/2015 (efls. 845 a 849), que foi mantido pelo Despacho de Reexame de efls. 850/851. Em seu apelo, quanto à matéria que obteve seguimento, a Fazenda Nacional alega: ao qualificar o lançamento como o “procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente”, o CTN exigiu que o lançamento, formalizado por meio de Auto de Infração, NFLD, dentre outros, exponha o fato Fl. 978DF CARF MF 4 gerador da obrigação correspondente, i. e., as circunstâncias fáticas que, subsumidas à legislação tributária, têm o condão de fazer surgir uma obrigação de pagar tributo ou penalidade pecuniária; não se pode negar, contudo, a distinção entre o fato que levou ao lançamento e a descrição desse mesmo fato pelo agente do Fisco; o primeiro, o fato em si, materialmente considerado, é o motivo do lançamento, é o pressuposto de fato que autoriza ou exige a prática do ato; é, pois, a situação do mundo empírico que deve ser tomada em conta para a prática do ato; o segundo, a descrição do motivo pelo agente, é o relato, em documento próprio, dos motivos que culminaram na autuação, e a essa descrição a doutrina chama de motivação (cita doutrina de Celso Antônio Bandeira de Mello, bem como jurisprudência do CARF); vêse, assim, que motivo e motivação, a despeito de estarem intimamente ligados, têm natureza diametralmente opostas: um (o motivo) tem natureza material, enquanto o outro (motivação) natureza formal; nesse passo, em se verificando que o motivo alegado não existe, ou que, à luz da legislação, não gera os efeitos pretendidos, terseá vício de ordem material; por outro lado, em se constatando deficiência na descrição dos fatos pelo fiscal, de modo a prejudicar a defesa do contribuinte ou a dificultar a adequada compreensão do ocorrido, terseá vício de ordem formal; verificase, que o problema apontado pelos julgadores para anular o auto de infração. por suposto vício material, diz respeito à suposta falta de elementos para enquadrar a atividade exercida pela contribuinte no código FPAS 515; em que pese se entenda desnecessária tal informação, em razão da presunção de veracidade dos atos públicos, resta claro que a apontada deficiência pode ser facilmente sanada com a baixa dos autos em diligência para esclarecimentos da fiscalização e coleta de documentos; o vício, portanto, se existente, diz respeito apenas à formalização do lançamento, plenamente passível de correção; evidente, pois, que o Colegiado a quo considerou deficitária a motivação do Auto de Infração, razão pela qual decidiu pela anulação do lançamento; à luz de todo o exposto, se o vício é relacionado à motivação, falase em vício formal, razão pela qual, se houver de ser declarada nulidade no caso em foco, isso deve ocorrer em face de vício formal, e não por vício material, resguardandose, assim, o teor do art. 173, II, do CTN. Ao final, a Fazenda Nacional requer, quanto à parte que teve seguimento, o conhecimento e o provimento do recurso, para que seja reconhecida a nulidade por vício formal. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento em 29/02/2016 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de efls. 862), a Contribuinte, em 15/03/2016, ofereceu as Contrarrazões de efls. 863 a 882 (protocolo de efls. 863), contendo os seguintes argumentos: Fl. 979DF CARF MF Processo nº 13864.000534/201006 Acórdão n.º 9202006.889 CSRFT2 Fl. 978 5 Da negativa de seguimento do Recurso Especial por falta de comprovação de requisito de admissibilidade quanto ao acórdão paradigma n° 20309.332, as informações nele presentes são insuficientes para identificar a situação fática discutida, dificultando, assim, a verificação da similitude entre o vício constatado no acórdão recorrido e no paradigma; ainda assim, a Contribuinte tentou identificar a suposta similitude da situação fática alegada pela recorrente e verificou que, no acórdão paradigma, não se discute a ausência de demonstração da ocorrência do fato gerador, como no presente caso, mas a ausência da indicação da norma a que está submetida a entidade sem fins lucrativos, quando da suspensão do benefício, para que dela seja exigido crédito tributário a título de Cofins; portanto a falta de vinculação da descrição dos fatos com a norma jurídica (ausência de tipificação do lançamento), verificada no Acórdão n° 20309.332, não guarda semelhança com a ausência de comprovação do fato gerador das contribuições destinadas a terceiros, como ocorreu no presente caso, e, por isso, não se pode considerar que o entendimento pela nulidade do lançamento, por vício formal, seria aplicável, indistintamente, a qualquer um dos dois casos; sendo assim, se o que se busca por meio do recurso em questão é definir, diante de dois entendimentos opostos sobre a mesma situação, qual é o "melhor" ou o "mais correto" a ser adotado, não pode ser admitido o apelo fazendário, justamente porque não há que se falar em entendimentos opostos, quando se compara casos distintos; nesse passo, embora o recurso especial interposto tenha sido admitido, é de rigor que seja revista a presença do requisito de admissibilidade, no que tange à necessária constatação de que o acórdão recorrido tenha dado interpretação à lei tributária diversa daquela dada por outra Câmara, Turma de Câmara, Turma Especial ou a própria CSRF, já que manifestamente ausente. Do Mérito a princípio, mister esclarecer que, no caso em tela, a recorrente pretende que a desconsideração, pela Autoridade Autuante, do enquadramento feito pela Contribuinte no código FPAS 566, com o novo enquadramento no Código FPAS 515, sem qualquer justificativa ou embasamento na legislação vigente à época, seja considerado mero vício formal do lançamento, passível de ser sanado; ora, limitouse a Autoridade Administrativa a enquadrar a Contribuinte no Código FPAS 515, que traz listadas inúmeras atividades econômicas, sem indicar em qual daquelas atividades enquadrarseia a Contribuinte; bem verdade que tal tarefa seria impossível, já que inexiste qualquer similitude ou aproximação entre a atividade de teleatendimento e qualquer daquelas listas sob esse código; aliás, a própria Autoridade Administrativa reconhece isso, ao afirmar que a Contribuinte deveria enquadrarse no código em cujo ramo estaria inserida a atividade por ela desenvolvida, qual seja, de Call Center e outras direcionadas ao auxílio no ramo empresarial Fl. 980DF CARF MF 6 em cobrança de seus créditos, propaganda e outros serviços, atividade essa não descrita no Código FPAS 515; nesse ponto, o Código Tributário Nacional é peremptório ao prescrever que a Administração Fiscal deve comprovar a ocorrência do fato gerador do tributo objeto de um lançamento fiscal, nos termos do que determina o artigo 142, do CTN; destarte, compete à Fiscalização efetuar o lançamento, e para tanto deve, obrigatoriamente, verificar e demonstrar a efetiva ocorrência da hipótese de incidência, inclusive com a descrição do fato que a realizaria e a apresentação de todos os elementos de prova para sua demonstração; a simples exigência fiscal, destituída desses elementos obrigatórios, leva à nulidade do lançamento pela ocorrência de vício material, o qual cerceia o direito de defesa do Contribuinte; assim, quando a descrição do fato não é capaz de identificar sua ocorrência, se está diante da falta de algum elemento material necessário para gerar a obrigação tributária e, portanto, o crédito dele decorrente é duvidoso, e isso é o que caracteriza a ocorrência de vício material (cita jurisprudência do CARF); portanto, é notório que, nos presentes autos, se está diante de vício material, haja vista que a Fiscalização sequer se deu ao trabalho de tentar enquadrar a atividade desenvolvida pela Contribuinte em alguma das atividades elencadas sob o Código 515 na Tabela de Códigos FPAS vigente no ano de 2007, não comprovando, assim, a ocorrência do fato gerador; e isso sequer poderia ser diferente, uma vez que a atividade de call center (ou teleatendimento) desenvolvida pela Contribuinte, repitase, jamais poderia ser enquadrada sob o referido Código FPAS 515, vigente para o exercício de 2007, que abarcava as seguintes atividades, dentre outras: Comércio Atacadista, Comércio Varejista, Agente Autônomo de Comércio, Comércio Armazenador, Comércio Transportador, Revendedor, Retalhista de Óleo Diesel, Óleo Combustível e Querosene, Empresa e Serviços de Processamento de Dados, Consórcio, AutoEscola, Partido Político, etc. Ao final, a Contribuinte pede o não conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, caso assim não se entenda, que lhe seja negado provimento. Distribuído o processo na Instância Especial, o julgamento foi convertido em diligência à Câmara recorrida, para análise do segundo paradigma indicado pela Fazenda Nacional para a matéria "b" natureza do vício, se formal ou material, Acórdão nº 206 01.026, conforme Resolução nº 9202000.176, de 13/12/2017 (efls. 955 a 964). Quando da análise complementar da admissibilidade do Recurso Especial, o segundo paradigma não foi considerado apto a demonstrar a alegada divergência (Despacho de Complemento de Admissibilidade de 14/03/2018, efls. 966 a 970). Cientificada do despacho, a Fazenda Nacional não apresentou Requerimento de Agravo. Voto Fl. 981DF CARF MF Processo nº 13864.000534/201006 Acórdão n.º 9202006.889 CSRFT2 Fl. 979 7 Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. O apelo visa rediscutir a natureza do vício de nulidade do lançamento. Tratase de Auto de Infração Debcad 37.311.3773, referente às Contribuições Sociais incidentes sobre os valores pagos aos segurados empregados, destinadas a Terceiros, relativas ao período de 01/2007 a 12/2007. Nos termos do Relatório Fiscal (fls. 318 a 322), a Contribuinte informou código FPAS Fundo de Previdência e Assistência Social 566, quando o correto seria 515. Em conseqüência, informou código de Terceiros 0099, quando o correto seria 0115, deixando de recolher valores a título de Contribuições Previdenciárias destinadas ao SENAC e SEBRAE. Em sede de Contrarrazões, a Contribuinte alega inexistência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma. A matéria que teve seguimento à Instância Especial diz respeito à natureza do vício, se formal ou material, sendo que a Fazenda Nacional indicou como paradigmas os Acórdãos nºs 20309.332 e 20601.026. Conforme o Despacho de Admissibilidade de Recurso Especial de fls. 845 a 849, o seguimento do apelo se deu mediante a análise apenas do primeiro deles. Confirase: "Neste caso, vislumbro a similitude das situações fáticas nos acórdãos recorrido e no primeiro paradigma (nº 20309.332), motivo pelo qual entendo que está configurada a divergência jurisprudencial apontada pela Fazenda Nacional. De fato, em ambas as situações verificase que houve insuficiência na descrição dos fatos, ocasionando incerteza quanto à sua ocorrência. Contudo, no acórdão recorrido decidiuse pela nulidade por vício material, enquanto no acórdão paradigma concluiuse pela nulidade por vício formal. Diante do exposto, com fundamento no artigo 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), proponho que seja DADO SEGUIMENTO ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, quanto à matéria: (b) nulidade por vício formal X nulidade por vício material." (destaques no original) No caso do acórdão recorrido, conforme o voto condutor, a Fiscalização teria atribuído à Contribuinte, cujo ramo de atividade é de teleatendimento, o código FPAS 515 para os períodos de 2007, aplicando a IN RFP nº 785, que somente entrou em vigor em janeiro de 2008. O código adotado pela empresa em 2007 foi o 566. Confirase: "Afirma a Recorrente que, em 2007, período de apuração do presente auto, o enquadramento no código FPAS era efetuado pela própria empresa, a qual, por sua vez,considerando a atividade exercida, escolheu o código 566. Aduz ainda que, apenas com versão da Tabela de Códigos FPAS trazida pela IN RFP nº 785/2007, houve alteração significativa na forma de enquadramento das empresas nos respectivos Códigos FPAS e, a Fl. 982DF CARF MF 8 partir de 02 de janeiro de 2008, a atividade de teleatendimento passou a ser expressamente listada na tabela de Códigos FPAS, seguindo o código 515. Ocorre que, à época, o enquadramento no FPAS era de fato designado à responsabilidade da empresa. Contudo, a Recorrente optou pelo código 566, código este que a excluía da obrigação de recolher determinadas contribuições, a exemplo das destinadas ao SENAC e SEBRAE. Ora, o FPAS tem como finalidade precípua a de indicar as obrigações tributárias das empresas, de modo que a informação ao Fisco do número correspondente já indica as diversas obrigações principais e acessórias a que a empresa está submetida, permitindo, inclusive, apurar o valor da contribuição devida. Ainda que coubesse à empresa escolher o FPAS, evidentemente que esse número não poderia ser aleatório, pois a empresa teria a seu favor um 'cheque em branco' para se submeter ao regime jurídico que bem entendesse. Nesse caso de inexistência de previsão expressa da atividade da empresa no rol dos FPAS, caberia a esta identificar aquele em que seu regime jurídico se enquadraria, o que, segundo o Fisco, foi feito pela empresa de forma equivocada, levandoa a ser autuada. Ocorre que, conforme se observa do procedimento fiscal, em momento algum se verifica a fundamentação da autoridade fiscal para o enquadramento da atividade da Recorrente no código 515, ao invés do código 566 adotado pela empresa." Quanto ao primeiro paradigma analisado para a matéria em tela Acórdão nº 20309.332 a Fazenda Nacional levou a cabo o seguinte cotejo: Acórdão recorrido “No caso do ato administrativo de lançamento, o autode infração com todos os seus relatórios e elementos extrínsecos é o instrumento de constituição do crédito tributário. E a sua lavratura se dá em razão da ocorrência do fato descrito pela regramatriz como gerador de obrigação tributária. Esse fato gerador, pertencente ao mundo fenomênico, constitui, mais do que sua validade, o núcleo de existência do lançamento. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. É o que a jurisprudência deste Conselho denomina de vício material (..)”(destaques da Recorrente) Paradigma Acórdão nº 20309.332 "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL IMUNIDADE NULIDADE POR VÍCIO FORMAL A imprecisa descrição dos fatos, pela falta de motivação do ato administrativo, impedindo a certeza e segurança jurídica, macula o Fl. 983DF CARF MF Processo nº 13864.000534/201006 Acórdão n.º 9202006.889 CSRFT2 Fl. 980 9 lançamento de vício insanável, tornando nula a respectiva constituição. Processo anulado ab initio." (destaques da Recorrente) O cotejo dos trechos acima não permite que se conheça os vícios que estão sendo cotejados, o que é de fundamental importância, quando se está tratando exatamente da natureza desses defeitos. Resta então perquirir, mediante a análise do inteiro teor do paradigma, se a situação nele tratada confirmaria ou inviabilizaria a possibilidade de comparação com o acórdão recorrido. Confirase: "Por se tratar de matéria envolvendo a imunidade da COFINS, há de se observar a independência deste processo em relação ao Processo de n° 13133.000025/9962 (Imposto de Renda e CSLL), o qual foi julgado em Sessão de 11 de junho de 2003, por meio do Acórdão n° 10707.197, de forma a dar provimento ao recurso voluntário para anular o Ato Declaratório n° 15, de 27 de março de 2002, que suspendera a imunidade. Reitero que a independência deste se justifica porque os tributos são essencialmente diferentes em sua materialidade e em seus pressupostos legais. Compulsando os autos, verifico que a fundamentação no artigo 32 da Lei n° 9.430/96 não diz respeito à COFINS, objeto do presente processo administrativo, ainda que a suspensão da imunidade, operada por ato administrativo, possa servir como subsidio para aplicabilidade do direito. (...) Em se tratando da COFINS, há de se observar que o comando legal inserido está originariamente no artigo 195, § 7°, da Constituição Federal. Em decorrência, reitero que o lançamento é um ato declaratório da obrigação tributária, devendose reportar à legislação específica do tributo em análise. Pela independência da COFINS, os atos praticados, ou faltas cometidas, devem, obrigatoriamente, ser descritos no auto específico da contribuição e regidos pela lei do tempo em que foram praticados. Estas considerações preliminares são importantes, sobretudo no tocante à prova, pois "a prova" regida pelo direito substantivo há de se ater aos fatos trazidos no processo e com estes ter dependência. Não há como tratar a COFINS como decorrente do IR porque assim não o quis o legislador. (...) Em verdade, o agente fiscal pode e deve efetuar o ato administrativo do lançamento de acordo com as razões de seu livre convencimento, todavia, deve explicitar as razões que o levaram a adotar este ou aquele procedimento, de maneira que seu procedimento não se configure em arbítrio; logo, imprescindível, indicar, na descrição dos fatos, os motivos que lhe formaram o convencimento, sem se reportar a outro procedimento fiscal como prova única de suas argumentações. Ressaltese que essa exigência tem implicação substancial e não Fl. 984DF CARF MF 10 meramente formal. No mais, em se tratando de pessoa jurídica de fins não lucrativos, não basta, portanto, a autoridade julgadora dizer que houve falta de pagamento e reportarse a artigos genéricos da lei, como se fosse uma pessoa jurídica comum, eis que necessário, sob pena de nulidade, a exteriorização da base fundamental do procedimento." (grifei) Destarte, constatase que o vício ocorrido, no caso do paradigma, foi a consideração, por parte da Fiscalização, de que um processo de exigência de Cofins seria decorrente de um outro processo de IRPJ, sem colacionarse os fundamentos e provas específicos do caso concreto (Cofins) mas sim adotandose os elementos do outro processo (IRPJ). Quanto ao acórdão recorrido, reiterase que o vício consistiria na ausência de fundamentação, na autuação, para a atribuição de código de FPAS que somente teria sido especificado pela Administração Tributária após a ocorrência do fato gerador. Ressaltese que esse ponto restou incontroverso, já que não se verificou a oposição de Embargos de Declaração por parte da Fazenda Nacional. Assim, os vícios relatados não possuem a necessária similitude, a ponto de estabelecerse divergência jurisprudencial, exatamente no que tange à natureza do defeito se formal ou material. Com efeito, não há como discutirse a natureza do vício, quando os defeitos em confronto não possuem similaridade. Destarte, esse primeiro paradigma não se presta a demonstrar a alegada divergência. Quanto ao segundo paradigma indicado pela Fazenda Nacional, Acórdão nº 20601.026, este não foi considerado apto a demonstrar a alegada divergência, conforme despacho complementar de 14/03/2018 (efls. 966 a 970), registrandose que não foi apresentado Requerimento de Agravo. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 985DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.912797/2009-88
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/01/2005
PIS SOBRE FOLHA DE PAGAMENTOS. COOPERATIVA DE CREDITO. VINCULAÇÃO DA SOLUÇÃO DE CONSULTA.
Não se aplica às cooperativas de crédito a incidência cumulativa do PIS sobre a Folha de Pagamentos e o PIS sobre as receitas auferidas, uma vez que as exclusões previstas no art. 15 da MP n" 2.15835/2001 não se referem à atividade dessa espécie de cooperativa.
Efeitos da Solução de Consulta n.° 412/2004, em que a Receita Federal reconheceu a impossibilidade de exigência da Contribuinte da Contribuição ao PIS com base na folha de salários, por ter sido expressamente excluída do rol de contribuintes do PIS folha enquadrados no artigo 13 da Medida Provisória n.° 2.158-35/2001, entendendo pela incidência exclusiva sobre o PIS Faturamento.
Numero da decisão: 9303-006.569
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2005 PIS SOBRE FOLHA DE PAGAMENTOS. COOPERATIVA DE CREDITO. VINCULAÇÃO DA SOLUÇÃO DE CONSULTA. Não se aplica às cooperativas de crédito a incidência cumulativa do PIS sobre a Folha de Pagamentos e o PIS sobre as receitas auferidas, uma vez que as exclusões previstas no art. 15 da MP n" 2.15835/2001 não se referem à atividade dessa espécie de cooperativa. Efeitos da Solução de Consulta n.° 412/2004, em que a Receita Federal reconheceu a impossibilidade de exigência da Contribuinte da Contribuição ao PIS com base na folha de salários, por ter sido expressamente excluída do rol de contribuintes do PIS folha enquadrados no artigo 13 da Medida Provisória n.° 2.158-35/2001, entendendo pela incidência exclusiva sobre o PIS Faturamento.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10680.912797/2009-88
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5863799
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-006.569
nome_arquivo_s : Decisao_10680912797200988.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
nome_arquivo_pdf_s : 10680912797200988_5863799.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
id : 7288847
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:18:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050308911824896
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1373; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 297 1 296 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10680.912797/200988 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303006.569 – 3ª Turma Sessão de 10 de abril de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FEDERACAO INTERFEDERATIVA DAS COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO DE MG ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2005 PIS SOBRE FOLHA DE PAGAMENTOS. COOPERATIVA DE CREDITO. VINCULAÇÃO DA SOLUÇÃO DE CONSULTA. Não se aplica às cooperativas de crédito a incidência cumulativa do PIS sobre a Folha de Pagamentos e o PIS sobre as receitas auferidas, uma vez que as exclusões previstas no art. 15 da MP n" 2.15835/2001 não se referem à atividade dessa espécie de cooperativa. Efeitos da Solução de Consulta n.° 412/2004, em que a Receita Federal reconheceu a impossibilidade de exigência da Contribuinte da Contribuição ao PIS com base na folha de salários, por ter sido expressamente excluída do rol de contribuintes do PIS folha enquadrados no artigo 13 da Medida Provisória n.° 2.15835/2001, entendendo pela incidência exclusiva sobre o PIS Faturamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 27 97 /2 00 9- 88 Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10680.912797/200988 Acórdão n.º 9303006.569 CSRFT3 Fl. 298 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 3403002.234, de 22 de maio de 2013 (fls. 158 a 162 do processo eletrônico), proferido Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, integrado pelo acórdão de n.º 3403002.504, de 26/09/2013, decisão que por unanimidade de votos, acolheu os embargos de declaração com efeito modificativo, para sanar a omissão na decisão embargada, e, no mérito, em deu provimento ao recurso voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem na DCOMP transmitida em 18/08/2008 para compensar valores pagos a maior ou indevidamente a título da Contribuição para o PIS/Pasep (R$ 2.082,56, recolhidos em 15/02/2005) com débitos de IRPJ de outubro de 2005 (no valor de R$ 2.082,56). Fl. 298DF CARF MF Processo nº 10680.912797/200988 Acórdão n.º 9303006.569 CSRFT3 Fl. 299 3 Conforme despacho decisório exarado, a compensação não foi homologada diante da inexistência do direito creditório, tendo em vista que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitação de débitos da empresa. O Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que “não requereu a utilização daquele crédito para quitação de qualquer outro débito, mas tãosomente daquele objeto do ora discutido PER/DCOMP, sendo perfeitamente suficiente para a compensação a ser realizada (documentação anexa)”. Em anexo, figuraram cópias da DCOMP, do Despacho Decisório e do Estatuto da recorrente. A 2ª Turma DRJ/BHE julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou recurso voluntário, o Colegiado por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário, conforme acórdão assim ementado in verbis ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. NÃO CABIMENTO. É incabível a compensação diante da ausência de comprovação da existência e da liquidez do crédito informado na DCOMP. O Contribuinte opôs embargos de declaração – fls. 169 a 176, estes foram acolhidos com efeitos modificativos para sanar a omissão na decisão embargada, e, no mérito, deu provimento ao recurso voluntário, conforme ementa do acordão, in verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EFEITOS DE CONSULTA. Produzindo a Solução de Consulta manifestação dúplice em parte favorecendo e em parte se opondo à argumentação da consulente, ambas as Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10680.912797/200988 Acórdão n.º 9303006.569 CSRFT3 Fl. 300 4 consequências devem ser tomadas em conta pelo aplicador (e pelo julgador), sendo incabível a não homologação de compensação com base em entendimento divergente daquele externado na solução de consulta, a menos que presente a situação descrita no art. 48, § 12 da Lei no 9.430/1996. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls.245 a 250) em face do acórdão nº 3403002.234, integrado pelo acórdão de nº 3403002.504, o Colegiado por unanimidade de votos, acolheu os embargos de declaração com efeito modificativo, para sanar a omissão na decisão embargada, e, no mérito, em deu provimento ao recurso voluntário, a divergência suscitada pela Fazenda Nacional diz respeito ao recolhimento do PIS/folha de salários, diante da Solução de Consulta nº 412/2004, que afasta o enquadramento do contribuinte no art. 13 da MP nº 2.15835/2001. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, a Fazenda Nacional apresentou como paradigma o acórdão de número 3301001.961. A comprovação do julgado firmouse pela juntada de cópia de inteiro teor do acórdão, documento de fls. 251 a 256. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 258 a 260. O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 266 a 294, manifestando pelo não provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional e que seja mantido o v. acórdão. É o relatório em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10680.912797/200988 Acórdão n.º 9303006.569 CSRFT3 Fl. 301 5 O Recurso Especial da Fazenda é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, dele conheço. Tratase pedido de compensação não homologado por despacho decisório que entendeu que o crédito declarado de PIS Folha seria inexistente, eis que já teria sido integralmente utilizado para a quitação de débitos da Contribuinte daquela mesma natureza. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, entendeu, de forma diferente da fiscalização em Despacho Decisório, que, enquanto Federação de Cooperativas, a Federação não estaria dispensada do recolhimento de PIS sobre a folha de salários, em razão do disposto no artigo 32, § 4o, do Decreto n.º 4.524/2002, que determina que a cooperativa que fizer uso de qualquer das exclusões da receita bruta previstas neste artigo contribuirá, cumulativamente, para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários. Em face de tal decisão o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, no qual foi demonstrado a existência da Solução de Consulta n.º 412/2004, na qual a própria Receita Federal a afasta do rol de contribuintes do PIS Folha. No entanto, foi negado provimento, mantendo o entendimento exarado pela 2a Turma de Julgamento da DRJ/BHE. Assim, o Contribuinte apresentou Embargos de Declaração. Em análise dos Embargos de Declaração a extinta 3a Turma Ordinária da 4a Câmara da 3a Seção de Julgamento acabou por reverter o entendimento anteriormente proferido no acórdão de análise do Recurso Voluntário, reconhecendo a impossibilidade de exigência da Contribuição para o PIS/PASEP com base na folha de salários, em decorrência dos efeitos da Solução de Consulta n.°412/2004 e o crédito pleiteado decorrente do recolhimento indevido da Contribuição ao PIS sobre a folha de salários. Transcrevo a seguir o trecho do Acórdão dos Embargos nº 3403002.504 de lavra do ilustre Conselheiro Rosaldo Trevisan, que adoto, in totum, seus fundamentos como razão de decidir no presente feito. Em relação à argumentação de que a Solução de Consulta apontada (com conclusão desfavorável à empresa) apresenta excerto (na fundamentação) no qual a “Receita Federal acabou por afastar o enquadramento da Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10680.912797/200988 Acórdão n.º 9303006.569 CSRFT3 Fl. 302 6 embargante como contribuinte do PIS/Folha”, há que se aprofundar a análise, na busca de eventual omissão ou obscuridade. O excerto a que se refere a embargante, que lhe asseguraria o direito a não recolher o “PIS/Folha”, é o seguinte (fls. 176/1771): “Pelos termos expostos na consulta, a interessada se julga enquadrada no inciso V do art. 13 da MP n. 2.15835, de 2001. Entretanto, ressaltase que “as federações e confederações” referidas no inciso V da Medida Provisória n. 2.15835, de 24 de agosto de 2001 se referem a federações e confederações de sindicatos. Portanto, ao contrário do que expõe da (sic) consulente, ela não está entre as entidades referidas no inciso V do art. 13 da MP n. 2.15835, de 2001.” Assim, o fato de não se enquadrar no disposto no art. 13 da referida Medida Provisória traria um efeito contrário à embargante (inexistência de isenção da Contribuição para o PIS/PASEP para receitas relativas a atividades próprias percebido pelo acórdão embargado) e outro favorável (ausência de exigência da Contribuição para o PIS/PASEP com base na folha de salários sobre o qual o acórdão teria sido omisso/obscuro). A Solução de Consulta, como destacado na decisão embargada, é no sentido de que a empresa “não preenche as condições para o tratamento fiscal previsto nos arts. 13 e 14 da MP no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, devendo ter o tratamento fiscal geral aplicável às pessoas jurídicas que não gozam de isenção ou imunidade”. A Solução de Consulta fulcra seus pressupostos na impossibilidade de utilização de “isenção/imunidade” pela embargante, afastandoa do art. 13 (e por consequência do art. 14, X) da Medida Provisória no 2.15835/ 2001. E é imperioso reconhecer que realmente tal exclusão ocasiona a impossibilidade de exigência da Contribuição para o PIS/PASEP com base Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10680.912797/200988 Acórdão n.º 9303006.569 CSRFT3 Fl. 303 7 na folha de salários, ao menos na forma estabelecida no art. 13 da referida MP. Se a empresa não preenche as condições para o tratamento fiscal do art. 13, e tal artigo dispõe que “a contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento”, em relação às entidades que contempla, indevida a contribuição paga sob tal fundamento. Acolhese, assim, a argumentação de omissão no acórdão embargado, reconhecendose que a decisão proferida na Solução de Consulta, em dezembro de 2004 (processo administrativo no 10680.013505/200418), implica, além dos efeitos reconhecidos em tal acórdão, a impossibilidade de exigência da Contribuição para o PIS/PASEP com base na folha de salários, ao menos na forma estabelecida no art. 13 da referida MP (desde que não exista alteração de entendimento comunicada à recorrente, na forma do art. 48, § 12 da Lei no 9.430/1996). Mister se faz, por consequência, analisar o impacto de tal acolhida na decisão inicialmente proferida. A Medida Provisória no 2.15835/ 2001, em seu art. 15 (que não foi objeto de análise na mencionada Solução de Consulta) estabelece exclusões que podem ser efetuadas pelas cooperativas na base de cálculo faturamento das contribuições (para o PIS/PASEP e COFINS), e que tais exclusões não impedem a exigência da Contribuição para o PIS/PASEP com base na folha de salários, na forma do art. 13 (comando materializado no § 4o do art. 32 do Decreto no 4.524/2002). Contudo, entendese não ser oponível tal comando ao presente caso, porque a Solução de Consulta expressamente excluiu a empresa do tratamento tributário do art. 13 (a empresa informa que ainda que Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10680.912797/200988 Acórdão n.º 9303006.569 CSRFT3 Fl. 304 8 houvesse a exigibilidade, continuaria inaplicável a ela, pois não promoveu nenhuma das exclusões referidas no art. 15). Restaria assim derradeiramente avaliar como o aqui exposto (não exigibilidade da Contribuição para o PIS/PASEP com base na folha de salários) afeta a questão probatória, presente nas decisões de primeira e segunda instâncias. A DCOMP transmitida em 18/08/2008 (fls. 9 a 14) objetivava compensar valores pagos a maior ou indevidamente a título da Contribuição para o PIS/PASEP sobre Folha de Salários código 8301 (R$ 2.082,56, recolhidos em 15/02/2005) com débitos de IRPJ de outubro de 2005 (no valor de R$ 2.082,56). Assim, após o exposto, e diante da verdade material, menor relevância passa a assumir a questão probatória. Tendo sido objeto da compensação um recolhimento comprovadamente efetuado no código 8301 (referente à Contribuição para o PIS/PASEP sobre Folha de Salários) e sendo indevida tal espécie de contribuição pela empresa, irrelevante seria a que título se deu o recolhimento, pois o tributo continuaria indevido. Temse, destarte, que a evidenciação de omissão no acórdão embargado provoca diametral modificação de rumo na decisão, devendo ser integralmente reconhecido o direito creditório da embargante, visto que o pagamento comprovado se refere a espécie de contribuição à qual a empresa não estava sujeita. Verificase que da analise da Solução de Consulta nº 412/2004, fls.88, a turma ordinária reconheceu a impossibilidade de exigência do Recorrido da Contribuição ao PIS com base na folha de salários, por ter sido expressamente excluída o Contribuinte do rol de contribuintes do PIS folha enquadrados no artigo 13 da Medida Provisória n.° 2.15835/2001, entendendo pela incidência exclusiva sobre o PIS Faturamento. Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10680.912797/200988 Acórdão n.º 9303006.569 CSRFT3 Fl. 305 9 Ou seja, a própria Receita Federal afastou o Contribuinte do rol de contribuintes deste tributo. Vale ressaltar que o Contribuinte quando realizou a Consulta fez o questionamento referente a sua sujeição ou não ao PIS/ Folha, decorrente do entendimento de que estaria enquadrada dentre as entidades que a lei enquadra como contribuintes daquele tributo, no caso o artigo 13 da Medida Provisória n.° 2.15835, quais seja, entidades imunes/isentas ao PIS Faturamento, senão vejamos: Relatório da Superintendência Regional da Receita Federal da 6a Região Fiscal: "Relatório 1. A interessada informa que é uma federação de cooperativas dedicadas à assistência médicohospitalar, na forma da Lei n.° 5.764/71 e de seu estatuto. Diz que, no desenvolvimento de suas atividades, presta serviços às cooperativas suas associadas, recebendo pagamentos mensais, a título de "taxas de manutenção", necessárias à sua sobrevivência e atuação, tratando se também de ato cooperativo, destinado a manter a sociedade cooperativa de segundo grau. 2. Cita o disposto no art. 13 da Medida provisória n" 2.15835, de 24 de agosto de 2001, ao qual faz menção aos sindicados, as federações e confederações, concluindo que são isentas da Cofins as receitas das atividades próprias dessas entidades, as quais contribuem para o PIS com base na folha de salários. 3. Aduz que, aplicandose à consulte tal dispositivo, combinado com o art. 60 da Lei n° 5.764/71, temse que ela está sujeita ao PIS com base unicamente na folha de salários. E, quanto à Cofins, a taxa de manutenção e demais ingressos destinados a garantir sua sobrevivência e atuação constituem receitas de suas atividades próprias, sendo, portanto, isentos dessa contribuição. Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10680.912797/200988 Acórdão n.º 9303006.569 CSRFT3 Fl. 306 10 4. Isso posto, pergunta se está correto o seu entendimento quanto à isenção da Cofins sobre as mencionadas receitas e o pagamento do PIS com base na folha de salários, como exposto na consulta." (destaques nossos). Fundamentos Legais (...) 9. No que diz respeito ao PIS e à Cofins, a Medida Provisória n. ° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, tem os seguintes comandos: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; VII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IXcondomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § lo da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971 (...) 10. E, por sua vez, o Decreto n." 4.524, de 17 de dezembro de 2002, que regulamentou as contribuições sociais para o PIS e a COFINS, dispõe: Fl. 306DF CARF MF Processo nº 10680.912797/200988 Acórdão n.º 9303006.569 CSRFT3 Fl. 307 11 Art. 9o São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, art. 13): I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei n°9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, cientifico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei n° 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VIserviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; VIII fundações de direito privado; X condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e IX Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e as organizações estaduais de cooperativas previstas no art. 105 e seu § I o da Lei n° 5.764, de 16 de dezembro de 1971. (...) Pelos termos expostos na consulta, a interessada se julga enquadrada no inciso V do art. 13 da MP n.° 2.15835, de 2001. Entretanto, ressaltese que as "federações e confederações" referidas no inciso V da Medida Provisória n." 2.15835, de 24 de agosto de 2001 se referem a federações e confederações de sindicatos. Portanto, ao contrário do que expõe da consultente, ela não está entre as entidades referidas no inciso V do art. 13 da MP n."2.15835, de 2001. (...) 14. Pode a consulente estar enquadrada, todavia, no inciso IV do mesmo art. 13 da MP n.° 2.15835, de 2001, que contempla as associações que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei n. ° 9.532/1997. 15. Entre esses requisitos, está o de não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados. Todavia, a transcrição da ata da Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10680.912797/200988 Acórdão n.º 9303006.569 CSRFT3 Fl. 308 12 assembleia geral ordinária da consulente, realizada em 08/03/2002 (...), informa que a mesma assembleia fixou o valor dos honorários para os membros da Diretoria Executiva, inclusive reajustando os referidos honorários." (destaques nossos). Ou seja, a resposta dada é que o Contribuinte não é contribuinte do PIS Folha, inclusive à luz do mencionado Decreto. Assim, diante da resposta acima o Contribuinte que havia recolhido indevidamente a contribuição, fez à sua compensação com débitos diversos, conforme determina a Lei n.° 9.430/96 e o Código Tributário Nacional. Portanto, a glosa da compensação do PIS/Folha recolhido indevidamente viola explicitamente seu próprio ato administrativo que entendeu pela sua não incidência. Por fim a Fazenda Nacional entende que o Contribuinte por se tratar de sociedade cooperativa, estaria sujeito ao recolhimento do PIS/folha de salário, nos termos do artigo 2o, § 1o, da Lei nº 9.715/98. Entendo que a previsão da contribuição sobre a folha de pagamento mensal das sociedades cooperativas, inicialmente prevista no § 1o, do artigo 2o da Lei nº 9.715/98, mencionada no Recurso Especial como fundamento para a glosa em discussão, perdeu seu fundamento desde a edição da Lei nº 9.718/98. Com o advento da Lei n.° 9.718/1998 o legislador determinou a exigência do PIS somente sobre faturamento/receita, revogando, portanto, a exigência do PIS/Folha. Essa alteração foi confirmada pela Medida Provisória n.° 1.8586, de 29 de junho de 1999, a exigência daquela contribuição em relação às entidades sem fins lucrativos que menciona ficou adstrita ao PIS apurado sobre o faturamento/receita bruta (no caso das sociedades cooperativas, decorrente da prática de atos não cooperativos), afastandose o recolhimento de uma mesma contribuição duplamente, e com duas bases de cálculo distintas (faturamento/receita e folha). Fl. 308DF CARF MF Processo nº 10680.912797/200988 Acórdão n.º 9303006.569 CSRFT3 Fl. 309 13 Vale ressaltar que as sociedades cooperativas são entidades sem fins lucrativos e por tal característica lhe era cobrado o PIS sobre a folha de salários, conforme anteriormente esclarecido. Notase que a MP n.° 1.8589, de 24 de setembro de 1999 (atual MP n.° 2.15835/01) determinou a incidência do PIS Folha apenas sobre as sociedades cooperativas especificamente relacionadas no inciso X do artigo 13 daquele instrumento, bem como sobre aquelas cooperativas que procedessem às deduções enumeradas no artigo 15 (claramente direcionadas às cooperativas de produção). Vejase: MP n.° 1.8589, de 24/09/99 até MP n.° 2.15835, de 24/08/01 Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. (...) Fl. 309DF CARF MF Processo nº 10680.912797/200988 Acórdão n.º 9303006.569 CSRFT3 Fl. 310 14 Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2° e 3° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. § 1 o Para os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. § 2o Relativamente às operações referidas nos incisos I a V do caput: I a contribuição para o PIS/PASEP será determinada, TAMBÉM, de conformidade com o disposto no art. 13; serão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas." Assim., pela leitura do dispositivo acima demonstra que as exclusões tratadas nos incisos I a V (art. 15 da MP n° 2.15835/2001) não se aplicam às cooperativas médicas de prestação de serviços. Tais exclusões referemse às cooperativas de produção (também chamadas cooperativas de produtores ou cooperativas de vendas em comum), uma vez que aquelas exceções decorrem de atividades típicas desse tipo de cooperativa. Assim, as sociedades cooperativas que não têm um tratamento específico estão impedidas de excluir da Fl. 310DF CARF MF Processo nº 10680.912797/200988 Acórdão n.º 9303006.569 CSRFT3 Fl. 311 15 base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofms os valores repassados aos associados a qualquer título. A exclusão prevista no art. 15, I, da MP n° 2.15835, de 2001, referese a produto (mercadoria) que pode ser entregue à cooperativa para ser comercializado, não abrangendo, portanto, serviços. Portanto, as exclusões e deduções específicas previstas no art. 15 da MP n° 2.15835/2001 (art. 32, incisos I a V, do Decreto nº 4.524/2002) não se aplicam às cooperativas de trabalho médico. As demais exclusões, previstas no art. 32 do Decreto n° 4.524/202 e no art. 3o, § 2o, da Lei nº 9.718/98, também não respaldam as exclusões pretendidas pela impugnante. Desta forma, a partir de 01/11/1999, a contribuição ao PIS e COFINS das sociedades cooperativas passou a incidir sobre o total da receita bruta, como definido na Lei 9.718/98, não se diferenciando os atos cooperativos dos nãocooperativos, ou seja, as sociedades cooperativas passaram à condição de contribuintes da COFINS e do PIS/FATURAMENTO também sobre as receitas oriundas de atos cooperativos, sendo admitidas, entretanto, além das exclusões comuns a todas as pessoas jurídicas, a exclusões expressas no artigo 15 da MP 18587/99 e suas reedições. Entretanto, as exclusões expressas no dispositivo legal acima citado não alcançam as atividades cooperativas em geral, tendo em vista que essas exclusões decorrem da atividades típicas das cooperativas de produção agropecuária. Logo tratandose o contribuinte em questão de uma sociedade cooperativa de trabalho médico, não fará jus às exclusões expressas no artigo 15 da MP 18587/99 e suas reedições." Assim que, nos termos da legislação retro transcrita, todas as demais cooperativas que não cooperativas de produção, incluídas as de trabalho médico, deveriam recolher, exclusivamente, o PIS sobre faturamento/receita. Confirase entendimento já exarado pelo CARF em situação semelhante: "Período de apuração: 2002, 2003, 2004, 2005 Fl. 311DF CARF MF Processo nº 10680.912797/200988 Acórdão n.º 9303006.569 CSRFT3 Fl. 312 16 PIS. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. BASE DE CÁLCULO A base de cálculo das Contribuições ao PIS das cooperativas de crédito, a partir da edição da Lei no. 10.637/2002, é a receita total auferida, excluindose as sobras, na forma do par. 2o do art. I o da Lei n° 10.676/2003. PIS SOBRE FOLHA DE PAGAMENTOS. COOPERATIVA DE CREDITO. Não se aplica às cooperativas de crédito a incidência cumulativa do PIS sobre a Folha de Pagamentos e o PIS sobre as receitas auferidas, uma vez que as exclusões previstas no art. 15 da MP n" 2.15835/2001 não se referem à atividade dessa espécie de cooperativa. Recurso Voluntário Provido em Parte." (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais 2a Turma Ordinária/ 3a Câmara/ 3a Seção Processo n.° 16327.000.833/200621 Acórdão n.° 330201.449 Relator Gileno Gurjão Barreto Sessão de 15/02/2012) Aliás, ressaltase que a atual Instrução Normativa n. 635/2006 da Secretaria da Receita Federal, ao contrário do que dispôs em relação aos outros ramos cooperativistas (de forma ilegal, digase), nada dispôs acerca da exigência do PISFolha para as cooperativas de trabalho médico. Confirase o disposto no artigo 17 da referida IN que, ao contrário das anteriores que a sucederam, nada dispõe acerca da obrigatoriedade das Cooperativas de Trabalho Médico em recolher o PIS Folha: Das exclusões e deduções da base de cálculo das cooperativas de médicos "Art. 17 A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, apurada pelas sociedades cooperativas de médicos que operem plano de assistência à saúde, pode ser ajustada, além do disposto nos arts. 9°e 10, pela: I exclusão dos valores glosados em faturas emitidas contra planos de saúde; II dedução dos valores das coresponsabilidades cedidas; III dedução das contraprestações pecuniárias destinadas à constituição de provisões técnicas; e IV dedução do valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. Fl. 312DF CARF MF Processo nº 10680.912797/200988 Acórdão n.º 9303006.569 CSRFT3 Fl. 313 17 §1° As glosas dos valores, de que trata o inciso I do caput, devem ser decorrentes de auditoria médica dos convênios e planos de saúde nas faturas, em razão da prestação de serviços e de fornecimento de materiais aos seus conveniados. §2" As disposições dos incisos II a IV do caput aplicamse aos fatos geradores ocorridos a partir de 1° de dezembro de 2001". Notese que nos capítulos em que se tratou das deduções específicas de cada ramo cooperativista, como do crédito ou do transporte rodoviário e de cargas, a referida IN/SRF 635/2006 cuidou de dispor que em face de tais deduções a cooperativa deveria recolher também o PIS/Folha (ilegalmente, reiterese). Vejase: Das exclusões e deduções da base de cálculo das cooperativas de crédito "Art. 15 A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, apurada pelas sociedades cooperativas de crédito, pode ser ajustada, além do disposto no art. 9o, pela: I dedução das despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; II dedução dos encargos com obrigações por refinanciamentos, empréstimos e repasses de recursos de órgãos e instituições oficiais ou de direito privado; III dedução das perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; IV dedução das perdas com ativos financeiros e mercadorias em operações de hedge; V exclusão dos ingressos decorrentes de ato cooperativo; e VI dedução das sobras líquidas apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social (Fates), previstos no art. 28 da Lei n°5.764, de 1971. (...) §4° A sociedade cooperativa de crédito, nos meses em que fizer uso de qualquer das exclusões ou deduções previstas nos incisos I a VI do caput, deverá, também, efetuar o pasamento da Contribuição para o PIS/Pasep Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10680.912797/200988 Acórdão n.º 9303006.569 CSRFT3 Fl. 314 18 incidente sobre a folha de salários, conforme disposto no art. 28". (destaques nossos). "Das exclusões e deduções da base de cálculo das cooperativas de transporte rodoviário de cargas Art. 16" A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, apurada pelas sociedades cooperativas de transporte rodoviário de cargas, pode ser ajustada, além do disposto no art. 9o, pela: I exclusão dos ingressos decorrentes de ato cooperativo; II exclusão das receitas de venda de bens a associados, vinculados às atividades destes; III exclusão das receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados aplicáveis na atividade de transporte rodoviário de cargas, relativos a assistência técnica, formação profissional e assemelhadas; IV exclusão das receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos contraídos junto a instituições financeiras, para a aquisição de bens vinculados à atividade de transporte rodoviário de cargas, até o limite dos encargos devidos às instituições financeiras; e V dedução das sobras líquidas apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social (Fates), previstos no art. 28 da Lei nº 5.764, de 1971. § 1º A sociedade cooperativa de transporte rodoviário de cargas, nos meses em que fizer uso de qualquer das exclusões ou deduções previstas nos incisos I a V do caput, deverá, também, efetuar o pasamento da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários, conforme disposto no art. 28. " Vejase, portanto, que manter a exigência do PIS/Folha para as sociedades cooperativas de trabalho médico pelo Decreto nº 4.524/2002 (reiterado pelas INS n°s 145/99, 247/2002) ofende a própria lógica estabelecida na atual IN n. 635/2006, a qual sequer impõe a exigência da referida contribuição para as cooperativas de trabalho médico. E isso além do flagrante desrespeito à lei. Fl. 314DF CARF MF Processo nº 10680.912797/200988 Acórdão n.º 9303006.569 CSRFT3 Fl. 315 19 Diante disto, nego provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 315DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13028.000069/2003-28
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
RECURSO ESPECIAL. MATÉRIAS PARA AS QUAIS NÃO SE DEMONSTRA A DIVERGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente, sendo que a divergência deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido (art. 67, caput, e §§ 1º e 8º, do RICARF).
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. ADMISSÃO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543-C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do RICARF).
Numero da decisão: 9303-006.279
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 RECURSO ESPECIAL. MATÉRIAS PARA AS QUAIS NÃO SE DEMONSTRA A DIVERGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente, sendo que a divergência deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido (art. 67, caput, e §§ 1º e 8º, do RICARF). Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. ADMISSÃO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543-C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do RICARF).
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13028.000069/2003-28
anomes_publicacao_s : 201806
conteudo_id_s : 5869896
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-006.279
nome_arquivo_s : Decisao_13028000069200328.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 13028000069200328_5869896.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
dt_sessao_tdt : Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
id : 7326431
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:20:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050308929650688
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1835; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 236 1 235 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13028.000069/200328 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303006.279 – 3ª Turma Sessão de 26 de janeiro de 2018 Matéria CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI Recorrente LUPO MINERAIS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 RECURSO ESPECIAL. MATÉRIAS PARA AS QUAIS NÃO SE DEMONSTRA A DIVERGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente, sendo que a divergência deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido (art. 67, caput, e §§ 1º e 8º, do RICARF). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. ADMISSÃO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do RICARF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 02 8. 00 00 69 /2 00 3- 28 Fl. 236DF CARF MF Processo nº 13028.000069/200328 Acórdão n.º 9303006.279 CSRFT3 Fl. 237 2 Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência (fls. 180 a 192), interposto pelo contribuinte, contra o Acórdão 2101000.097, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 170 a 176), sob a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Somente os insumos que se submeteram à incidência da contribuição na operação de aquisição pelo produtorexportador compõem a base de cálculo do incentivo, situação essa em que não se incluem as aquisições junto a pessoas físicas. Na sua peça recursal, o contribuinte contesta não somente a não inclusão na base de cálculo de aquisições de não contribuintes PIS/Cofins – mais especificamente, de pessoas físicas – mas, no seu bojo (*) trata ainda: Da não admissão de exportações de produtos simplesmente adquiridos de terceiros e de produtos “NT”; Da atualização do crédito reconhecido com base na Taxa Selic, desde a data do protocolo do pedido. (*) Mas, no seu requerimento final, não inclui as exportações, limitandose a pedir a reforma do acórdão para “(a) determinar a inclusão das aquisições de pessoas físicas na base de cálculo ... (b) ... reconhecer o direito ao crédito ... devidamente corrigido ... acrescer da Taxa Selic desde a protocolização do pedido”. Ao Recurso Especial foi dado seguimento parcial (fls. 221 a 223), “apenas em relação à matéria ... AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS”. A PGFN não apresentou Contrarrazões. É o Relatório. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 13028.000069/200328 Acórdão n.º 9303006.279 CSRFT3 Fl. 238 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O acórdão recorrido trata somente da inclusão ou não na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI das aquisições de pessoas físicas. E não só ele: a ementa da decisão da instância de piso, nele transcrita (fl. 171), só fala que geram direito ao crédito apenas as aquisições que sofrem a incidência de PIS/Cofins. Indo mais além na análise dos autos, ainda se vê, na descrição dos Fatos do Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal (fl. 113) que a glosa de créditos se deu unicamente pelo fato do Auditor ter constatado “que o contribuinte, para cálculo do Incentivo, incluiu na Base de Cálculo, as MatériasPrimas adquiridas de Pessoas Físicas ...”. Então, somente há que se falar em divergência em relação às aquisições de pessoas físicas, pelo que, a teor do disposto no RICARF, não conheço do Recurso Especial no que tange às demais matérias: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (...) § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. No que se refere às aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas, o tema não é mais passível do discussão no CARF, pois há decisão do STJ admitindo estes créditos, em Acórdão submetido ao regime do art 543C do Antigo CPC (Recursos Repetitivos), no RESp nº 993.164/MG, de Relatoria do Ministro Luiz Fux, publicado em 17/12/2010. Transcrevo excerto da Ementa do referido Acórdão, no que interessa à discussão: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À Fl. 238DF CARF MF Processo nº 13028.000069/200328 Acórdão n.º 9303006.279 CSRFT3 Fl. 239 4 TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. Por força regimental – Portaria MF nº 343/2015, art. 62, § 2º, a decisão deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda que: 1) Existe inclusive Súmula do STJ a respeito, publicada em 13/08/2012: Súmula 494: O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matériasprimas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP. 2) Antes disto, já havia sido editado o Ato Declaratório nº 14/2011 da PGFN, nos seguintes termos: A PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida ..., DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações e decisões judiciais que fixem o entendimento no sentido da ilegalidade da IN/SRF 23/1997, que, ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições relativamente aos produtos da atividade rural, de matériaprima e de insumos de pessoas físicas, extrapolou os limites do art. 1º da Lei n. 9.363/1996”. JURISPRUDÊNCIA: AGRESP 913433/ES, REsp 627.941/CE, REsp 840.056/CE RESP 995285/PE, RESP 1008021/CE, RESP 921397/CE, RESP 840056/CE, RESP 767617/CE, todas do STJ. 3) Na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, mas em razão da manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir: Fl. 239DF CARF MF Processo nº 13028.000069/200328 Acórdão n.º 9303006.279 CSRFT3 Fl. 240 5 NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.155/2012 (...) Em complementação à Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que delimitou a matéria decidida nos julgamentos submetidos à sistemática dos artigos 543B e 543C, do Código de Processo Civil, ... encaminhase a presente nota na qual se acrescenta o item 84 da lista do art. 1º, V, da Portaria PGFN nº 294/2010, correspondente ao Recurso Especial nº 993.164/MG, acrescentado a esta lista na sua última atualização realizada no dia 10 de agosto de 2012. 2. Em razão de o referido julgado ter repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, encaminhase o item relativo à delimitação do tema para fins de complementação do anexo da Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, com a seguinte redação: 84 – RESP 993.164/MG Relator: Min. Luiz Fux (...) Resumo: o tribunal julgou ilegal a IN RFB Nº 23/97, por ter ela extrapolado os limites da Lei 9.363/96, ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeitos à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. À vista do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte, na parte conhecida. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 240DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002207/2010-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1998 a 31/12/1998
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF.
A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento.
Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
Numero da decisão: 2201-004.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1998 a 31/12/1998 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 19515.002207/2010-27
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5861854
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2201-004.217
nome_arquivo_s : Decisao_19515002207201027.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 19515002207201027_5861854.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
id : 7281057
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:18:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050308933844992
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1576; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.002207/201027 Recurso nº 1 De Ofício Acórdão nº 2201004.217 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de março de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CONTAXMOBITEL S.A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1998 a 31/12/1998 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 22 07 /2 01 0- 27 Fl. 195DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 19515.002149/201031, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária "Tratase de recurso de ofício apresentado em face da decisão de primeiro grau, pela qual se deu integral provimento à impugnação do sujeito passivo ao auto de infração que constituiu crédito tributário relativo à contribuição a cargo da empresa e à contribuição para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho (SAT) apuradas com base nas remunerações paga aos segurados empregados de empresa prestadora de serviços. De acordo com o relatório da fiscalização, tratase de constituição de crédito tributário visando restabelecer a exigência realizada anteriormente através de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, referente a contribuições apuradas com base no instituto da solidariedade, que foi anulada por vício formal. A exigência foi impugnada pelo sujeito passivo, o que rendeu ensejo ao Acórdão recorrido, pelo qual se reconheceu a decadência do direito de lançar do fisco, uma vez que entre a data que declarou a nulidade por vício formal do lançamento anterior e aquela em que o novo crédito foi constituído transcorreuse prazo superior a cinco anos. Segundo a decisão recorrida, o valor total do crédito constituído na ação fiscal superou o limite de alçada previsto na Portaria MF nº 3, de 2008, de RS 1.000.000,00. Considerando esse somatório, foi apresentado recurso de ofício para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para esta conselheira. É o que havia para ser relatado." Fl. 196DF CARF MF Processo nº 19515.002207/201027 Acórdão n.º 2201004.217 S2C2T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018, proferido no julgamento do processo n° 19515.002149/201031, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018: Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Conforme se extrai do relatório, este processo compõe um conjunto de processos decorrentes da mesma ação fiscal e julgados na mesma sessão, com um total de crédito tributário afastado superior a R$ 1.000.000,00, limite previsto na Portaria MF nº 03, de 2008, o que justificou que a autoridade julgadora de primeira instância administrativa recorresse de ofício. Ocorre, porém, que a análise da admissibilidade do recurso de ofício deve ser realizada em vista do limite de alçada vigente na data em que ele é apreciado. É o que preceitua, sem embargo, o enunciado nº 103 da Súmula de jurisprudência deste CARF: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Os fundamentos das decisões que serviram de paradigma para este enunciado são bem explicitados pelo trecho que abaixo se transcreve do Acórdão nº 9202003.027, relator o Conselheiro Marcelo Oliveira: Em síntese, o cerne da questão versa sobre o conhecimento, ou não, de recurso de ofício quando há elevação do valor de alçada, entre o julgamento em primeira instância e o julgamento pelo CARF. Como é cediço, as normas processuais têm aplicação imediata, conforme determinação o Código de Processo Civil (CPC): CPC: “Art. 1.211. Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicarseão desde logo aos processos pendentes.” Fl. 197DF CARF MF 4 Para a recorrente, entretanto, a norma posterior não pode prejudicar seu direito ao recurso, pois, em síntese, cercearia seu direito à defesa. Com todo respeito, não concordamos com a recorrente. Há uma diferença, relevante, que não pode ser deixada de lado nesta análise: uma das partes (União) foi quem emitiu a norma posterior que fundamentou o não conhecimento do recurso de ofício. No processo civil as norma processuais não são de iniciativa das partes. Ao contrário, a eventual norma processual atinge ambas as partes, beneficiandoas ou as prejudicando, a depender da fase em que se encontre o processo, daí a necessidade de garantia de direitos. Já no processo administrativo fiscal a norma é conseqüência do poder que goza a Administração Pública, o que permite que esta enquanto sujeito processual representado pela Fazenda Nacional, possa criar normas abrindo mão de seus próprios direitos. Esse é o raciocínio presente em acórdãos já proferidos por este Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a qual, por tratarse norma processual, é aplicada imediatamente, em detrimento à legislação vigente à época da interposição do recurso, que estabelecia limite de alçada inferior ao hodierno. (Acórdão: 9202002.652 – CSRF. Relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira). ... ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO EQUIVOCADO NULIDADE. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 19515.002207/201027 Acórdão n.º 2201004.217 S2C2T1 Fl. 4 5 A verificação do limite de alçada, para efeitos de conhecimento do recurso de ofício pelo Colegiado ad quem, é levada a efeito com base nas normas jurídicas vigentes na data do julgamento desse recurso. Não tendo o Colegiado ad quem observado o novo limite de alçada para o recurso de ofício. Tal julgamento é nulo, de pleno direito, visto que, a competência do órgão julgador, no caso concreto, é conferida pela devolutividade do recurso. Processo Anulado. (Acórdão: 9303002.165 – CSRF. Relator: Henrique Pinheiro Torres). ... REEXAME NECESSÁRIO — LIMITE DE ALÇADA — AMPLIAÇÃO — CASOS PENDENTES Aplicase aos casos não definitivamente julgados o novo limite de alçada para reexame necessário, estabelecido pela Portaria MF n° 03, de 03/01/2008 (DOU de 07/01/2008). (Acórdão: CSRF/0400.965. Relatora: Maria Helena Cotta Cardozo) A criação e elevação do limite de alçada para recursos de ofício tem como um de seus objetivos dar celeridade à solução do processo no âmbito administrativo fiscal, pela diminuição de julgamentos pela segunda instância em processos em que a própria parte (União) demonstra ausência de interesse na continuidade do litígio. Atualmente, o limite de alçada se encontra fixado pelo art. 1º da Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Pelos parâmetros estabelecidos nesta Portaria, o recurso de ofício será cabível sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), valor este que deverá ser verificado por processo. Fl. 199DF CARF MF 6 O crédito tributário exonerado no processo em análise não atende a esses pressupostos, de forma que o recurso de ofício não preenche os requisitos necessários para que seja conhecido. Conclusão Com base no exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício. Dione Jesabel Wasilewski – Relatora" Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Fl. 200DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10820.720458/2011-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
IRPF. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL. ALIENAÇÃO APÓS 01.01.1997. IN 84/2001. COMPATIBILIDADE LEGAL SISTÊMICA.
A análise sistêmica das Leis 9.393/96, 7.713/88 e 8.023/90 conduz à conclusão da compatibilidade legal da IN 84/2001.
Assim, havendo o DIAT, a Fiscalização PODE dele se utilizar; por outro lado, caso não haja ou se identifique patente subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a fiscalização PODE se valer das informações do SIPT; Contudo, caso tenha disponível os documentos negociais, que retratem, concretamente, a operação, deles DEVE se valer.
Numero da decisão: 2402-006.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. Acordam, ainda, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mauricio Nogueira Righetti.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 IRPF. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL. ALIENAÇÃO APÓS 01.01.1997. IN 84/2001. COMPATIBILIDADE LEGAL SISTÊMICA. A análise sistêmica das Leis 9.393/96, 7.713/88 e 8.023/90 conduz à conclusão da compatibilidade legal da IN 84/2001. Assim, havendo o DIAT, a Fiscalização PODE dele se utilizar; por outro lado, caso não haja ou se identifique patente subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a fiscalização PODE se valer das informações do SIPT; Contudo, caso tenha disponível os documentos negociais, que retratem, concretamente, a operação, deles DEVE se valer.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10820.720458/2011-40
anomes_publicacao_s : 201806
conteudo_id_s : 5869875
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2402-006.150
nome_arquivo_s : Decisao_10820720458201140.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
nome_arquivo_pdf_s : 10820720458201140_5869875.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. Acordam, ainda, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mauricio Nogueira Righetti. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
dt_sessao_tdt : Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
id : 7326200
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:20:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050308962156544
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-05-30T19:41:59Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-05-30T19:41:59Z; Last-Modified: 2018-05-30T19:41:59Z; dcterms:modified: 2018-05-30T19:41:59Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:b333e11b-56f0-441d-81d5-185fdba7ca59; Last-Save-Date: 2018-05-30T19:41:59Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-05-30T19:41:59Z; meta:save-date: 2018-05-30T19:41:59Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-05-30T19:41:59Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-05-30T19:41:59Z; created: 2018-05-30T19:41:59Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; Creation-Date: 2018-05-30T19:41:59Z; pdf:charsPerPage: 1753; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-05-30T19:41:59Z | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10820.720458/201140 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2402006.150 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de maio de 2018 Matéria IRPF. GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS RURAIS. VTN Recorrentes REZEK NAMETALLA REZEK FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 IRPF. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL. ALIENAÇÃO APÓS 01.01.1997. IN 84/2001. COMPATIBILIDADE LEGAL SISTÊMICA. A análise sistêmica das Leis 9.393/96, 7.713/88 e 8.023/90 conduz à conclusão da compatibilidade legal da IN 84/2001. Assim, havendo o DIAT, a Fiscalização PODE dele se utilizar; por outro lado, caso não haja ou se identifique patente subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a fiscalização PODE se valer das informações do SIPT; Contudo, caso tenha disponível os documentos negociais, que retratem, concretamente, a operação, deles DEVE se valer. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. Acordam, ainda, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mauricio Nogueira Righetti. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 72 04 58 /2 01 1- 40 Fl. 619DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado Auto de Infração, anocalendário 2007, para a exigência de IRPF decorrente de: (a) omissão de rendimentos decorrentes de ganhos de capital na alienação de dois imóveis rurais. Também foram glosadas determinadas despesas da atividade rural, com redução do prejuízo a compensar no ano subsequente de 2008. Segundo se depreende do relatório da decisão recorrida, que ora se reproduz, eis um resumo dos demais acontecimentos deste processo: A ação fiscal encontrase minudenciada no "Termo de Constatação Fiscal TCF", [...]. No TCF, a autoridade lançadora expõe as motivações que cercaram o lançamento, envolvendo a alienação de duas propriedades rurais, e dele pode ser destacado [...] o seguinte fragmento: "Vejam que o sujeito passivo realmente era detentor das propriedades rurais de longa data. Entretanto, o fato dele, no ano de 1996, ter utilizado estas propriedades rurais para aumentar o capital na pessoa jurídica dele mesmo, já caracterizou por si só, uma operação de alienação. Se estivéssemos no ano de 1996 não haveria o que apurar de ganho de capital porque o valor utilizado para a incorporação foi o mesmo constante na Declaração de Bens e Direitos. [...]. No ano de 2007, quando as propriedades rurais, 'voltaram para o patrimônio da pessoa física', pelo mesmo valor da incorporação, também não há o que se falar em apuração de ganho na pessoa jurídica porque o valor da transação foi o mesmo da incorporação. [...]. [...] quando ocorreram as alienações, em 2007, por parte da pessoa física a terceiros compradores, em valores bem superiores aos constantes nas 'escrituras de desincorporação de imóveis', aí sim temos que apurar o ganho de capital, sendo que o valor da alienação a ser considerado deve ser o valor constante na escritura pública e o valor de aquisição a ser considerado deve ser o valor constante na 'escritura pública de desincorporação'. [...] Fl. 620DF CARF MF Processo nº 10820.720458/201140 Acórdão n.º 2402006.150 S2C4T2 Fl. 3 3 O autuado [...] apresentou a impugnação [...] contendo, em síntese, as alegações adiante delineadas por tópicos: Nulidade do lançamento fiscal Não utilização da base de cálculo prevista em Lei (fls. 493/511) [...] Da ausência de transferência da propriedade e o critério de apuração do ganho de capital (fls. 512/516) · o autuado sempre permaneceu na condição de proprietário dos imóveis desde as respectivas aquisições, tanto da Fazenda Santa Mônica, em 1969, quanto da Fazenda Santa Cecília, em 1978, contudo integralizou ambas as propriedades em favor da empresa Agropecuária Nametalla Rezek S/C em 1996, com redução de capital, em 2007; · deuse, assim, a mutação patrimonial, conforme entendimento, inclusive, do Poder Judiciário, não ocorrendo efetiva transferência de patrimônio que justificasse o ganho de capital; · essa medida confere ao autuado o direito de se submeter à apuração do ganho de capital considerando os efeitos da inflação, [...]; Da apuração do VTN na forma da IN 84/2001 (fls. 516/517) · a redação do art. 10 da indigitada IN deixa evidente que o ganho de capital está relacionado ao VTN e não ao total da operação; Da inaplicabilidade dos juros sobre a multa punitiva (fls. 517/519) A DRJ julgou a impugnação procedente em parte, conforme decisão assim ementada: GANHOS DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL. VALOR DA TERRA NUA. A ausência de discriminação entre benfeitorias e terra nua levou a Fiscalização a realizar a apuração dos ganhos de capital considerando os valores constantes nas escrituras, todavia os documentos atinentes à aquisição não mencionavam a existência de benfeitorias e os de alienação permitiam visualizar o VTN. INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL. POSTERIOR "DESINCORPORAÇÃO" DE IMÓVEIS. REDUÇÕES PARA APURAÇÃO GANHO DE CAPITAL. A partir do momento que a pessoa física integraliza capital por meio de transmissão de imóveis à pessoa jurídica deixa de ser a proprietária dos bens. Em retorno futuro desses bens para o patrimônio da pessoa física, esta não mais pode gozar de redução para efeito de cálculo de ganho de capital que teria direito se não os houvesse transmitido. Fl. 621DF CARF MF 4 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2008 CONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. EXAME. Foge da competência do julgado administrativo o exame da constitucionalidade de Lei ou da legalidade de atos administrativos. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2008 JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Considerando que a multa de ofício sé classifica como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, correta se faz a incidência dos juros de mora sobre os valores da multa de ofício não pagos, a partir de seu vencimento. Eis o conteúdo da decisão proferida: Acordam os membros da 4ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, desconhecer da nulidade suscitada e, no mérito, considerar procedente em parte a impugnação, para: I exigir do sujeito passivo o recolhimento da parcela do imposto correspondente a R$ 780.255,791 (setecentos e oitenta mil, duzentos e cinquenta e cinco reais e setenta e nove centavos), acrescido de multa proporcional (passível de redução) e dos juros de mora a serem atualizados na data do efetivo pagamento; II eximilo do pagamento do imposto restante de R$ 1.296.859,98 (um milhão, duzentos e noventa e seis mil, oitocentos e cinquenta e nove reais e noventa e oito centavos). A DRJ recorreu de ofício ao CARF. O sujeito passivo foi intimado da decisão em 18/02/2015 (fl. 576) e interpôs recurso voluntário em 16/03/2015 (fls. 587 e seguintes), no qual reafirmou apenas as teses relativas à (i) não utilização da base de cálculo prevista em lei e (ii) inaplicabilidade dos juros sobre a multa punitiva. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso de ofício não deve ser conhecido. Fl. 622DF CARF MF Processo nº 10820.720458/201140 Acórdão n.º 2402006.150 S2C4T2 Fl. 4 5 A Portaria MF 63/17 estabeleceu um novo limite para a sua interposição, ao prever que a DRJ recorrerá sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Vejase: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. A Súmula CARF 103 preleciona que o limite de alçada deve ser aferido na data de apreciação do recurso em segunda instância: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Neste caso, e conforme se observa no acórdão recorrido, o recorrente foi exonerado de tributo e encargos em montante total equivalente a R$ 2.269.504,97 (v. fl. 567 e transcrição abaixo), valor este inferior àquele estabelecido na citada Portaria. À DRF/ARAÇATUBA/SP/SACAT, intimar o interessado, ressalvado~lhe o direito de recurso voluntário a ser dirigido ao Conselho Administrativo Fiscal CARF, no tocante à parcela do crédito tributário mantida. Em relação à fração exonerada do lançamento, salientese que o presente Acórdão carece de decisão definitiva, cabendo o envio dos autos ao CARF, em razão de RECURSO DE OFÍCIO, por força do previsto no Art. 1º da Portaria MF n. 3, de 3 de janeiro de 2008, uma vez que o imposto e a multa exonerados atingem a monta de R$ 2.269.504,97. (destacouse) Por outro lado, o recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. 2 Da utilização de base de cálculo não prevista em lei Reafirmando os fundamentos de sua impugnação, o sujeito passivo assevera a impossibilidade de se apurar o ganho de capital de imóvel rural com base nos valores constantes das escrituras de desincorporação e venda dos imóveis, em relação aos bens adquiridos a partir de 1º de janeiro de 1997. É que, no entender do acórdão recorrido, como as duas propriedades foram adquiridas e vendidas antes da entrega do DIAT, seria cabível a seguinte conclusão (v. fl. 571): À falta de determinação do VTN por parte do interessado, a autoridade lançadora trabalhou com o que dispunha, consistente Fl. 623DF CARF MF 6 nos documentos de aquisição e de alienação dos imóveis em foco, nos moldes que permitem os dispositivos do art. 10 da IN n. 84/2001. Eis os critérios adotados pela decisão da DRJ para o cálculo do imposto: Nesse tocante, em que pese a inexistência de discriminação de valores em "benfeitorias e terra nua" quando da aquisição das propriedades, em face das "escrituras públicas de desincorporação" (Fazenda Santa Mônica, fls. 69/72, e Fazenda Santa Cecília, fls. 97/102), não há indicação de benfeitorias, permitindo se supor a integralidade dos valores como VTN, uma vez que nada fora dito para afastar tal compreensão. Forçoso reconhecer, ainda, que as escrituras pertinentes às alienações carregavam elementos que permitiam visualizar os respectivos VTN: R$ 3.394.197,33 da Fazenda Santa Mônica (fl. 549) e R$ 2.500.000,00 da Fazenda Santa Cecília (fls. 554/558, representado pelo somatório das parcelas de R$ 133.116,80, R$ 1.372.766,96 e R$ 994.116,24). Pois bem. A incidência do IRPF sobre ganhos de capital na alienação de bens ou direitos está fundamentada nos arts. 117 e seguintes do Regulamento do Imposto de Renda (RIR), com a redação da Lei 7713/88. Basicamente, o ganho de capital será determinado pela diferença positiva entre o valor de alienação e o custo de aquisição (art. 138) e estará sujeito ao pagamento do imposto à alíquota de quinze por cento (art. 142). O art. 40 da Lei 11196/05 ainda estabelece fatores de redução do ganho de capital por ocasião da alienação, a qualquer título, de bens imóveis realizada por pessoa física residente no País (FR1 e FR2), ao passo que, em relação aos imóveis adquiridos até 31 de dezembro de 1988, o Regulamento, em seu art. 139, estabelece um percentual fixo de redução sobre o ganho de capital, segundo o ano de aquisição ou incorporação do bem. A IN SRF 84/2001 regulamenta, no plano infralegal, a apuração e a tributação dos ganhos auferidos por pessoas físicas. Quanto aos imóveis rurais, a Lei 9393/96, que dispõe sobre o ITR, também regulamenta a apuração do ganho de capital a partir de 1º de janeiro de 1997, estipulando que se considera custo de aquisição e valor de venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8º, observado o disposto no art. 14, respectivamente, nos anos de sua aquisição e de sua alienação. Para que não pairem dúvidas, eis a redação do dispositivo: Art. 19. A partir do dia 1º de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, nos termos da legislação do imposto de renda, considerase custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8º, observado o disposto no art. 14, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação. Parágrafo único. Na apuração de ganho de capital correspondente a imóvel rural adquirido anteriormente à data a que se refere este artigo, será considerado custo de aquisição o Fl. 624DF CARF MF Processo nº 10820.720458/201140 Acórdão n.º 2402006.150 S2C4T2 Fl. 5 7 valor constante da escritura pública, observado o disposto noart. 17 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Com clareza cristalina, vêse que a regra legal acima expressamente determina que deve ser observado o disposto no art. 14. Tal artigo, por sua vez, cuida dos procedimentos de ofício aplicáveis nas hipóteses de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, casos em que a Receita Federal deverá proceder à determinação do VTN com base nas informações sobre preços de terras, constantes de sistema por ela instituído. Vejase: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. § 2º As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais. Logo, é indubitável que o art. 19 tem um regime especial para a apuração do ganho de capital na alienação de imóveis rurais a partir de 1º de janeiro de 1997, devendo serem considerados os VTNs declarados nos anos de sua aquisição e de sua alienação, e que, por força do próprio art. 19, é aplicável o art. 14, segundo o qual a falta de declaração dos VTNs implicará o seu arbitramento de conformidade com o sistema de preço de terras. Seguese, pois, que o § 2º do art. 10 da IN SRF 84/2001, ao prever como custo e valor de alienação os constantes nos respectivos documentos de aquisição e alienação, não se compatibiliza com as normas legais retro mencionadas, pois se apresenta em verdadeira situação de antinomia. Por força do princípio da legalidade, expresso no art. 37, caput, da CF, e considerandose que a Instrução Normativa, neste ponto, extrapolou seu mero caráter regulamentar, deveria o lançamento ter sido efetuado de acordo com a lei, que tem um regime próprio de apuração do ganho de capital na hipótese de não terem sido declarados os VTNs nos anos de aquisição e/ou alienação, como no caso in concreto, em que os imóveis foram adquiridos, por desincorporação, e vendidos antes da entrega das declarações correspondentes, em 2007. Não se pode conceber que o art. 19 da Lei tenha determinado a aplicação do seu art. 14 sem qualquer razão para tanto, senão para viabilizar que a autoridade fazendária pudesse proceder ao lançamento de ofício na hipótese sob comento, sob pena de se admitir que a lei possa conter palavras ou expressões inúteis. Fl. 625DF CARF MF 8 É iniludível que a determinação de observância do art. 14 foi justamente para propiciar o lançamento de ofício, não podendo ser aplicado o regime infralegal estatuído na Instrução encimada, sob pena de ofensa ao princípio da legalidade. Vejase, aliás, que não se está declarando a inconstitucionalidade do § 2º do art. 10 da IN SRF 84/2001, mas sim, diante do conflito de normas, utilizandose a norma legal em detrimento da norma infralegal, por aplicação do próprio princípio da legalidade. O inc. I do art. 100 do CTN preleciona que os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas são normas complementares das leis, de forma que não podem inovar em matéria sob reserva legal absoluta, inclusive no elemento valorizador (ou quantitativo) do fato gerador da obrigação tributária (que também pode ser denominado de critério quantitativo da regramatriz de incidência tributária). No âmbito do órgão do Judiciário, deve ser destacado o seguinte precedente: TRIBUTÁRIO. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL. LEI N.º 9.393/96. CUSTO DE AQUISIÇÃO E ALIENAÇÃO. SISTEMÁTICA DE APURAÇÃO. ART. 10, § 2.º, DA IN SRF N.º 84/01. ILEGALIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. MINORAÇÃO. 1. O parágrafo segundo, do art. 10 da Instrução Normativa n.º 84/2001, segundo a qual, na falta do DIAT, os custos de aquisição e alienação do imóvel rural devem ser equiparados ao valor constante dos respectivos instrumentos negociais, está em nítido descompasso com a legislação que lhe serve de sustentáculo. 2. Os custos de aquisição e de alienação de imóvel rural, estimados para fins de apuração de ganho de capital, deverão se pautar por aqueles valores da terra nua declarados pelo contribuinte, no DIAT apresentado nos respectivos anos. 3. No caso de não terem sido entregues tais documentos informativos, o art. 14 da Lei n.º 9.393/96 especifica os critérios que deverão ser levados em conta pela Receita Federal para apurar o imposto, entre eles o sistema de preço de terras. No caso dos autos, o antigo proprietário que efetivou a entrega da Declaração, não obstando a apuração do ganho de capital. 4. O valor da escritura pública considerado como custo de aquisição, conforme previsto na lei anterior, somente persiste quanto aos imóveis adquiridos antes de 1997, o que não é a hipótese dos autos. 5. Honorários advocatícios fixados no valor de R$ 1.000,00, nos termos do art. 20, §§ 3° e 4°, do CPC. (TRF4, APELREEX 2007.71.16.0005140, SEGUNDA TURMA, Relatora VÂNIA HACK DE ALMEIDA, D.E. 20/01/2010) Ante tudo o que foi exposto, concluise que o critério jurídico utilizado pela autoridade lançadora está equivocado, de forma que o lançamento deve ser cancelado. Vale lembrar, nesse contexto, que a modificação nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento, seja de ofício ou em consequência de decisão administrativa ou judicial, impede a revisão de um lançamento já efetuado, ex vi do art. 146 do CTN. Nesse ponto, a propósito, não há qualquer divergência nem mesmo no âmbito doutrinário, conforme ensina o prof. Luís Eduardo Schoueri1, subsistindo diferentes 1 Shoueri, Luís Eduardo. Direito tributário. 7. ed. São Paulo : Saraiva, 2017, p. 651. Fl. 626DF CARF MF Processo nº 10820.720458/201140 Acórdão n.º 2402006.150 S2C4T2 Fl. 6 9 posicionamentos apenas quanto aos fatos ocorridos posteriormente e ainda não albergados por outra fiscalização. Em resumo, o recurso deve ser provido, para que o lançamento seja integralmente cancelado. 3 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de: (i) não CONHECER do recurso de ofício; (ii) CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, a fim de cancelar o lançamento. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Voto Vencedor Mauricio Nogueira Righetti Redator designado. Não obstante o, como de praxe, muito bem articulado voto condutor, peço venia para dele dissentir. A controvérsia aqui, consoante delimitada pelo relator, reside quanto à utilização do valor retratado em escritura para fins de apuração do ganho de capital, relativamente a imóvel adquirido após 01.01.1997. Vejase o ementado pela DRJ: A ausência de discriminação entre benfeitorias e terra nua levou a Fiscalização a realizar a apuração dos ganhos de capital considerando os valores constantes nas escrituras, todavia os documentos atinentes à aquisição não mencionavam a existência de benfeitorias e os de alienação permitiam visualizar o VTN. Assim sendo, as escrituras foram utilizadas pelo fisco, sendo certo que o acórdão de piso houve por bem excluir do valor de alienação, aqueles lá discriminados como benfeitorias. Em síntese, a fiscalização deixou de se valer dos VTN supostamente indicados nos DIAC/DITR. Passemos, assim, a análise sistêmica dos dispositivos, inseridos no arcabouço normativo que trata da matéria. O artigo 153 da nossa Constituição Federal estabelece competir à União instituir impostos sobre a renda e proventos de qualquer natureza. Fl. 627DF CARF MF 10 Por sua vez, o artigo 43 do CTN define que renda é o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, ao passo que proventos, os acréscimos patrimoniais não compreendidos no conceito de renda. Nessa linha, o artigo 3º da Lei 7.713/88, em especial seu parágrafo 2º, como regra matriz para incidência do IR sobre o ganho de capital (GCAP), prescreve que integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de BENS OU DIREITOS DE QUALQUER NATUREZA. E mais, o § 3º, ao dispor sobre a alienação, é claro ao mencionar que serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos. Ou seja, o diploma legal acima, que não trata especificamente do imóvel rural, tampouco o excetua da sistemática, traz a regra geral para a exação. É dizer: todo a acréscimo patrimonial, seja sobre qual for o patrimônio, apurado quando de sua alienação, deve ser oferecido à tributação. E não se deve perder isto de vista. Por obvio, devem ser observadas as circunstâncias legais que autorizam a dedução ou soma dos valores, respectivamente, de alienação e do custo de aquisição, bem com aquelas que, à luz do artigo 97 do CTN, estabeleçam a isenção do imposto na operação. Tratemos, adiante, do GCAP na alienação de imóvel. Na concepção da Lei Civil, BEM IMÓVEL é o solo e tudo quanto se lhe incorporar natural (Imóvel por Natureza) ou artificialmente (Imóvel por Acessão Física) (art 79) Ainda assim, não perdem o caráter de imóveis: as edificações que, separadas do solo, mas conservando a sua unidade, forem removidas para outro local e os materiais provisoriamente separados de um prédio, para nele se reempregarem. Ou seja, pela Lei civil, tanto o solo quanto às construções e benfeitorias nele incorporadas, fazem parte do IMÓVEL. A lei 8.023/90, que trata da Atividade Rural e da apuração do seu ganho, tributável pelo IR no ajuste anual na DIRPF, não define o que vem a ser IMÓVEL RURAL, mas tão somente a atividade rural. Aquele diploma define a sistemática para a apuração do resultado da atividade rural, vale dizer, quando se pratica a atividade tal como prevista em seu artigo 2º. Em síntese: os investimentos pagos, dentre eles os que agregarão valor ao imóvel por acessão física, serão considerados despesas na apuração do resultado; e, quando de sua alienação, receita da mesma atividade. Note que o legislador possibilitou àquele que exercesse a atividade rural valerse dos investimentos em benfeitorias como despesa da atividade rural, sendo que, quando da venda do IMÓVEL, o valor a elas relacionado seria reconhecido como receita. Assim, caso houvesse algum ganho imobiliário nessas benfeitorias (imóvel por acessão), seria tratado no âmbito do ajuste anual, com as prerrogativas daquela sistemática de tributação favorecida, se fosse o caso (opção pelos 20% da receita como resultado). Em ouras palavras: quem exerce a atividade rural pode se valer dos gastos com benfeitorias como custo para essa atividade e quando vender o imóvel, reconhece a venda dessa parcela como receita. É uma oportunidade para quem exerce a atividade rural ter seu resultado afetado, imediatamente, pelos seus investimentos na produção, e não adicionado ao Fl. 628DF CARF MF Processo nº 10820.720458/201140 Acórdão n.º 2402006.150 S2C4T2 Fl. 7 11 custo do seu imóvel para um futuro e eventual aproveitamento na redução de seu ganho de capital. E por força do artigo 14: O prejuízo apurado pela pessoa física e pela pessoa jurídica poderá ser compensado com o resultado positivo obtido nos anosbase posteriores. Perceba que a tributação dos investimentos em benfeitorias (despesas/custo), bem assim o produto de sua alienação (receita) no âmbito da atividade rural é substancialmente menor do que caso optasse por apurar o ganho de capital em sua alienação. A depender dos valores envolvidos, da forma de pagamento, da opção pela tributação de apenas 20% da receita e das deduções na apuração do ajuste, pode ser que não resulte IR devido ao final do período, ainda que a alienação tenha se dado com expressivo ganho patrimonial. É um favor fiscal, em função da política tributária, àqueles que exercem a atividade rural e reconhecem, ambos, os investimos e alienações relacionados às benfeitorias na apuração do resultado daquela atividade. Nessa linha, não é dada ao contribuinte, extrapolando a benesse fiscal, a opção por adicionar as despesas com os investimentos em benfeitorias ao custo de aquisição do imóvel, reduzindo, ao final, o ganho de capital na alienação do imóvel; e reconhecer o produto da venda como receita da atividade rural, levando ao ajuste apenas 20% desse valor, sobre o qual ainda serão deduzidas as despesas lá permitidas (ou deduzir em 20%, a título de desconto simplificado, observado o limite legal). Definitivamente, tenho que esta não foi a intenção do legislador. Por sua vez, fez questão de esclarecer que o valor da terra nua, quando da alienação do imóvel, não integraria a apuração do resultado da atividade rural, mas sim, por meio da apuração de GCAP prevista no artigo 3º daquela regra matriz (L. 7.713/88). Assim, a pelo menos desde 04/1990, o valor das benfeitorias, seja como investimento pago (despesa), seja na venda como bem da produção (imóvel rural), é considerado na apuração do resultado da atividade rural e, a rigor, não integram os valores de aquisição e de alienação para fins de apuração do GCAP. Posta acima a sistemática legal para apuração do resultado da atividade rural, passemos, em consonância com a análise empreendida, aplicar a metodologia legal para a apuração do ganho de capital na alienação de imóvel rural (por natureza e por acessão). Sob a égide da Instrução Normativa SRF nº 39/1993, revogada pela de nº 84/2001, tínhamos: Art. 18. No caso de imóvel rural será considerado custo de aquisição o valor, em UFIR, relativo à terra nua. Parágrafo único. Considerase terra nua o imóvel rural despojado das construções, instalações e melhoramentos, das culturas permanentes, das árvores de florestas plantadas e das pastagens cultivadas ou melhoradas, que se classificam como investimentos (benfeitorias) da atividade rural. Art. 22. Considerase valor de alienação: Fl. 629DF CARF MF 12 § 4º Na alienação de imóvel rural com benfeitorias, será considerado apenas o valor da terra nua. Veja que os dispositivos acima tratavam, apenas, no valor da terra nua. Assim, considerado o normativo revogado, tínhamos a seguinte questão a responder: Na alienação do imóvel rural com benfeitorias, como tratar aqueles casos em que não se exerce a atividade rural ou, se a exerce, não levou tais valores para a apuração do resultado da atividade rural, uma vez que, em função da matriz legal, integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de BENS OU DIREITOS DE QUALQUER NATUREZA ? Note que a norma matriz instituiu a incidência tributária nos ganhos de capital de maneira suficientemente abrangente, de formar que, eventual tratamento que tendesse a excluir determinada operação, como por exemplo, a alienação das benfeitorias, deveria constar expressamente de norma isentiva, na forma do artigo 111, II, do CTN. Assim, a par dessa problemática, a IN 84/2001, ao reconhecer a inexistência de norma isentiva em face da regra geral (art 3º da Lei 7.713/88) e, por outro lado, ao reconhecer o permissivo legal para o aproveitamento dos gastos com benfeitorias na apuração do resultado da atividade rural, regulamentou, com fulcro no artigo 100 da CTN: Custo de aquisição = VTN Se as benfeitorias não tiverem sido computadas como investimentos na apuração do resultado da atividade rural, poderão integrar o valor do custo de aquisição e, quando da alienação do imóvel, também integrarão o valor de alienação. Se, por outro lado, tiverem sido computadas como custo/investimento na apuração do resultado da atividade rural, deverão ser reconhecidas como receita dessa atividade rural, quando da alienação do imóvel; caso não tenham sido reconhecidas como receita, o valor comporá o de alienação. Caso não exerça ou não tenha se valido da sistemática acima e por força da regra matriz (lei 7.713/88), essa tributação se dará no âmbito da apuração do GCAP, adicionandose, tanto ao custo, quanto no valor de alienação, a parcela identificada como sendo investimento em benfeitorias. Assim, a IN SRF 84/2001 procurou dar efetividade ao benefício instituído pela lei 8.023/90, em confronto com a previsão na lei 7.713/88. Com o advento da Lei 9.393/96, que em nada modificou a sistemática então delineada, surgiu a controvérsia com relação ao aproveitamento daquele valor de terra nua, por força do que constou em seu artigo 19. A Lei 9.393/96, de 19.12.1996 dispõe sobre o ITR e, para fins de sua apuração, estabeleceu o IMÓVEL RURAL como o IMÓVEL POR NATUREZA. Apenas solo, matas e florestas nativas. É o que se costuma chamar de Terra Nua. Em um único artigo que trata do GCAP, definiu que o ganho de capital, para os IMÓVEIS RURAIS, deveria considerar o Valor daquela Terra Nua como custo de aquisição e valor da venda. Fl. 630DF CARF MF Processo nº 10820.720458/201140 Acórdão n.º 2402006.150 S2C4T2 Fl. 8 13 Art. 19. A partir do dia 1º de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, nos termos da legislação do imposto de renda, considerase custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8º, observado o disposto no art. 14, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação. Note que o dispositivo acima não inovou quanto a considerar o VTN como custo de aquisição e como valor da venda do imóvel rural, eis que assim já tratava a legislação tributária antes de sua edição (IN SRF 39/1993). Consoante se extrai da exposição de motivos da Medida Provisória 1.528/96, convertida na Lei 9.393/96, pretendeu o legislador que, quando da alienação da terra nua, fosse adotado o valor declarado pelo contribuinte como base de cálculo do ITR. Não quis a lei, no entender deste Relator ao tratar da apuração do ganho de capital resumir todo o imóvel rural ao valor da terra nua, mas, sim, estabelecer que para a determinação do valor do imóvel por natureza, seria observado, tanto na aquisição, quanto na alienação, o valor da terra nua VTN, declarado pelo próprio contribuinte à RFB. A novidade foi que, com relação aos imóveis adquiridos após 01.01.1997, esse VTN seria extraído do DIAT apresentado pelo próprio contribuinte, quando da apuração do seu ITR, sendo certo que referido VTN decorreria de autoavaliação a preço de mercado no primeiro dia do ano. Tal disposição teve como razão de ser, a necessidade de legalmente instrumentalizar a administração tributária à obtenção daquele VTN, sobretudo nas situações em que o contribuinte tenha levado os valores relacionados às benfeitorias para a apuração do resultado da atividade rural (como custo e receita) e não disponha desses valores (VTN/benfeitorias) discriminados no instrumento da transação. Assim, se por um lado, o contribuinte precise demonstrar que "trabalhou" com as benfeitorias no âmbito da apuração do resultado da atividade rural, por outro, caso provado, o Fisco não pode mais se valer do instrumento da transação, quando não se especificou o que era VTN e o que eram benfeitorias. Usualmente o ônus dessa especificação era atribuído ao sujeito passivo. Nesse rumo, mais do que uma obrigação a que o fisco utilizasse daquele documento (DIAT), foi uma autorização para que a fiscalização se sentisse legalmente segura ao se valer de uma informação prestada pelo próprio sujeito passivo, sem que houvesse, a rigor, a necessidade de contraditála. Tanto o é, que na hipótese de o valor tiver sido subavaliado ou não houver a apresentação desse DIAT, a Fiscalização estará autorizada a valerse das informações que constam nos sistemas de preços de terras. Ou seja, aproveitarse de outra informação que, com alguma freqüência, pode não retratar o preço real praticado na operação em questão. Vejamos, novamente, o que diz a exposição de motivos, nesse ponto: Fl. 631DF CARF MF 14 Perceba que a intenção do legislador, ao mencionar a utilização do sistema de informação sobre preços de terras, foi a de que ele servisse de norte para a Fiscalização, não a de impor, a qualquer custo, sua utilização. Voltemos ao texto da lei, desta feita o do artigo 14: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Não é difícil notar que o dispositivo tem sua redação voltada, primordialmente, para a apuração do ITR, quando estabelece que o lançamento de ofício considerará a informações sobre preços de terras constantes dos sistemas da RFB. Em outras palavras, o lançamento de ofício lá previsto é aquele por meio do qual se constituirá o ITR. Diferentemente da apuração do GCAP, quando a determinação dos valores de alienação e custo de aquisição são, ou ao menos deveriam ser, fielmente retratados em um documento que consubstancia o negócio jurídico entabulado; na apuração do ITR não se tem um documento que, com periodicidade anual, estabeleça o valor da terra nua que servirá de base para sua determinação. Razoável, nesse contexto, que se autorize, legalmente, a utilização do valor constante naquele sistema de preços de terras, sob pena de se engessar a fiscalização daquele tributo. No que toca ao precitado sistemas de preços de terras SIPT instituído pela Portaria SRF 447/2002, de 04/2002 cumpre ressaltar que o mesmo é alimentado com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, e com os valores de terra nua da base de declarações do ITR. Tais informações sobre preços de terra deverão observar os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Fl. 632DF CARF MF Processo nº 10820.720458/201140 Acórdão n.º 2402006.150 S2C4T2 Fl. 9 15 O dispositivo acima, da Lei 8.629/93, que regulamente a reforma agrária, foi alterado em 2001. A redação original impunha os seguintes critérios para o SIPT: o VTN segundo a: 1 localização do imóvel; 2 capacidade potencial da terra; e 3 dimensão do imóvel. Todavia, a atual redação impõe os seguintes critérios: 1 localização do imóvel; 2 aptidão agrícola; 3 dimensão do imóvel; 4 área ocupada e ancianidade das posses; 5 funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. Percebese aqui nova autorização ao Fisco, que, em não havendo a apresentação do DIAT ou verificando a subavaliação do VTN, pode se nortear pelo valor de VTN no SIPT, como se aquele valor estimado correspondesse ao preço efetivamente praticado na operação, como numa espécie de "arbitramento". Note que tal documento, que traz valor do VTN proveniente de uma auto avaliação, não tem sua aplicação de forma absoluta, inconteste, conforme vimos acima (hipótese de subavaliação). Veja que esse dispositivo como dito acima visou, primordialmente, a que o Fisco contasse com certa instrumentalidade para a célere aferição da base de cálculo do ganho de capital, ainda que, num primeiro momento, ao valerse de uma informação prestada pelo próprio contribuinte, pudesse não corresponder a verdade dos fatos. Prestigiouse, nesse sentido, a celeridade e o incremento da presença fiscal. Indubitavelmente, por outro lado, trata de um dispositivo que ao agilizar o procedimento fiscal, pode, a depender do caso, não refletir a justa tributação. Podese chegar a um valor estimado, que pode ser que se aproxime ao do caso concreto, ou pode ser que não. Diferentemente da utilização dos instrumentos do negócio (escrituras e contratos, por exemplo), que, além de no mínimo obrigarem as partes envolvidas, devem observar, conforme o caso, as formalidades legais. Pois bem, esse é o cenário: Se há o DIAT, a Fiscalização PODE dele se utilizar; por outro lado, caso não haja ou se identifique patente subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a fiscalização PODE se valer das informações do SIPT; Contudo, caso tenha disponível os documentos negociais, que retratem, concretamente, a operação, deles DEVEM se valer. Fl. 633DF CARF MF 16 Destarte, observados os critérios acima e após a análise sistêmica dos artigos 14 e 19 da Lei 9.393/96, 3º da Lei 7.713/88 e do que dispõe a Lei 8.023/90, não vislumbro qualquer impropriedade na utilização dos valores que constaram dos instrumentos negociais. Não há que se falar, desta feita, em se criar tributo, base de cálculo ou mesmo alíquota por meio de Instrução Normativa, na medida em que norma infra legal nada mais fez do que conciliar a tributação privilegiada prevista na Lei 8.023/90, para aqueles que exercem atividade rural, com a norma matriz para a apuração e cobrança do ganho de capital na alienação de bens e direitos de qualquer natureza, além de propiciar ao contribuinte fosse utilizado o valor efetivo (documentos), em detrimento de um estimado (SIPT). Supor o contrário, seria admitir apurar o ganho de capital tributável levando se em conta valores estimados que poderiam, ao final, conduzir a um valor de ganho inferior ao que efetivamente se teve como acréscimo patrimonial, implicando o reconhecimento de isenção, à margem da lei, da parcela não contemplada no DIAT/SIPT. Forte nas considerações acima, VOTO no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 634DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13688.720073/2011-42
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há que se cogitar de nulidade de lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência).
Numero da decisão: 9202-006.696
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, para afastar a nulidade declarada, com retorno dos autos ao colegiado de origem para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade de lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência).
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13688.720073/2011-42
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5861954
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9202-006.696
nome_arquivo_s : Decisao_13688720073201142.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13688720073201142_5861954.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, para afastar a nulidade declarada, com retorno dos autos ao colegiado de origem para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
id : 7281686
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:18:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050308983128064
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1234; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13688.720073/201142 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.696 – 2ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IRPF RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado AURELIO WALMIR CAIXETA DE CASTRO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade de lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 68 8. 72 00 73 /2 01 1- 42 Fl. 196DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, para afastar a nulidade declarada, com retorno dos autos ao colegiado de origem para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (fls. 23/28), relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa FísicaIRPF, exercício 2009, anocalendário 2008, que resultou em crédito total apurado de R$ 173.045,60, sendo R$ 90.971,30 de IRPF Suplementar. Motivou o lançamento de ofício a constatação de omissão de rendimentos recebidos da fonte pagadora Banco do Brasil, no valor de R$ 376.055,71, com imposto de renda retido na fonte – IRRF de R$ 11.805,00, e a constatação de omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa física, no valor de R$ 7.464,80, informado em Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias – Dimob pela administradora de imóveis Coelho da Fonseca Empreendimentos Imobiliários Ltda. O autuado apresentou impugnação, tendo Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG julgado a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário em sua totalidade. Apresentado Recurso Voluntário pelo autuado, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 16/02/2016, foi dado provimento ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2402004.989 (fls. 151), com o seguinte Fl. 197DF CARF MF Processo nº 13688.720073/201142 Acórdão n.º 9202006.696 CSRFT2 Fl. 3 3 resultado: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NA FASE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. São definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário, o que importa não conhecimento da matéria não impugnada. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Precedentes do STF e do STJ na sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA REFAZER O LANÇAMENTO. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. COMPETÊNCIA PRIVATIVA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA.CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. O lançamento adotou critério jurídico equivocado e dissonante da jurisprudência do STF e do STJ, impactando a identificação da base de cálculo, das alíquotas vigentes e, consequentemente, o cálculo do tributo devido. Não compete ao CARF refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas apenas cancelar a exigência. Recurso Voluntário Provido. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 11/03/2016 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 13/04/2016, o Recurso Especial (fls.161/178). Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº da 4ª Câmara, de 30/06/2016, em análise aos paradigmas 2201002.588, ( fls. 181). Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido a fim de que a autuação seja mantida, determinando o colegiado o retorno dos autos à DRJ apenas para a retificação contábil relativa à alíquota incidente sobre os rendimentos recebidos a destempo. § Afirma que tal alteração não acarreta qualquer prejuízo ao contribuinte ou mácula ao lançamento, na medida em que impõe tão somente o recálculo do montante devido, sem majoração da exigência tributária. Fl. 198DF CARF MF 4 § Ressalta que segundo o disciplinado nos arts. 59 c/c 60 do Decreto n.º 70.235/72, a notificação e demais termos do processo administrativo fiscal somente serão declarados nulos na ocorrência de uma das seguintes hipóteses: a) quando se tratar de ato/decisão lavrado ou proferido por pessoa incompetente; b) resultar em inequívoco cerceamento de defesa à parte; e que no presente caso não se verifica hipótese legal de nulidade, pois a autuação foi lavrada por autoridade competente, sem preterição do direito de defesa. § Salienta que, até mesmo em relação a erro no enquadramento legal, vício mais relevante que a inconsistência ora discutida, é pacífico o entendimento deste Colegiado no sentido de que o mero erro no enquadramento legal não é suficiente para inquinar o auto de infração quando os fatos estão suficientemente bem descritos, permitindo plenamente o livre exercício do direito de defesa, como efetivamente aconteceu. § Apresenta farta jurisprudência da CSRF firmando orientação no sentido que que “Não existe prejuízo à defesa quando os fatos narrados e fartamente documentados nos autos amoldamse perfeitamente às infrações imputadas à empresa fiscalizada. Não há nulidade sem prejuízo”. § Diz que em todos os momentos processuais foi dada oportunidade ao autuado para se manifestar, e que deste modo, mostrouse cumprida a garantia do exercício da ampla defesa e do contraditório, não havendo razão para anular o lançamento. § Argumenta que no presente caso devese prevalecer os princípios da instrumentalidade e economia processual em lugar do rigor das formas; e que, afastadas as hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do Decreto 70.235/1972, as incorreções verificadas devem ser sanadas na forma do art. 60 do mesmo diploma legal: “Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” § Conclui que o acórdão recorrido mostrase equivocado ao afirmar que o erro na aplicação da alíquota sem observância do regime de competência constitui vício material, porquanto, se vício existe no lançamento, este é de natureza formal visto que relacionado a elemento de exteriorização do ato administrativo. § Acrescenta que tratandose de vício relacionado à motivação, requisito, como visto, atinente à forma do ato administrativo fiscal, revelase correto dizer que referido vício poder ser perfeitamente convalidado inclusive com base no que preceitua o art. 55 da Lei nº 9.784/99, verbis: Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos Fl. 199DF CARF MF Processo nº 13688.720073/201142 Acórdão n.º 9202006.696 CSRFT2 Fl. 4 5 que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração. Cientificado do Acórdão nº 2402004.989, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 24/08/2016, o contribuinte apresentou, em 08/09/2016, portanto, tempestivamente, contrarrazões (fls. 188). · Em suas contrarrazões, o contribuinte salienta que o CARF, no exame de recurso interposto pelo Requerente, acolheu parcialmente sua pretensão e determinou o cancelamento do lançamento feito, decorrente da forma de apuração do imposto de renda, eis que se trata de valores recebidos acumuladamente por decisão judicial · Explica que o Requerente fazia jus ao pagamento de complementação de aposentadora, devida mês a mês, mas a Secretaria da Receita Federal efetuou lançamento e cobrança de imposto sobre a totalidade dos valores pagos de única parcela, contrariando as normas legais que estabelecem a apuração sob regime de competência, o que não foi observado pelo órgão competente. · Afirma que o lançamento foi realizado de forma contrária ao entendimento jurisprudencial do STJ e STF, que dispõe sobre a matéria, motivo pelo qual não poderia prevalecer os valores cobrados. · Argumenta que não cabe ao CARF a retificação de eventuais valores devidos, e que, portanto, temse como nulo o lançamento feito pela SRF, adotandose o que dispõe o art. 62, §2º do RICARF, diante do exposto no artigo 543 do CPC. · Por fim, requer seja mantido o acórdão recorrido proferido, por medida de direito. É o relatório. Fl. 200DF CARF MF 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 181. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do Mérito Em face dos pontos trazidos no Recurso especial da Fazenda Nacional e do conteúdo do acórdão recorrido entendo que a apreciação do presente recurso cingise a discussão em relação a nulidade do lançamento, frente a suposta inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, o qual foi submetido à sistemática da repercussão geral prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, bem como a decisão do STJ na sistemática de recurso repetitivo sobre rendimentos recebidos acumuladamente. Para afastar a pretensão do recorrente o sujeito passivo, traz em sede de contrarrazões, os seguintes argumentos: · Em suas contrarrazões, o contribuinte salienta que o CARF, no exame de recurso interposto pelo Requerente, acolheu parcialmente sua pretensão e determinou o cancelamento do lançamento feito, decorrente da forma de apuração do imposto de renda, eis que se trata de valores recebidos acumuladamente por decisão judicial · Explica que o Requerente fazia jus ao pagamento de complementação de aposentadora, devida mês a mês, mas a Secretaria da Receita Federal efetuou lançamento e cobrança de imposto sobre a totalidade dos valores pagos de única parcela, contrariando as normas legais que estabelecem a apuração sob regime de competência, o que não foi observado pelo órgão competente. · Afirma que o lançamento foi realizado de forma contrária ao entendimento jurisprudencial do STJ e STF, que dispõe sobre a matéria, motivo pelo qual não poderia prevalecer os valores cobrados. · Argumenta que não cabe ao CARF a retificação de eventuais valores devidos, e que, portanto, temse como nulo o lançamento feito pela SRF, adotandose o que dispõe o art. 62, §2º do RICARF, diante do exposto no artigo 543 do CPC. Embora o sujeito passivo entenda restar correta a interpretação adotada pelo acórdão recorrido, entendo que razão não lhe assiste. Na verdade, não há nulidade a ser declarada, mas tratase de ajustar o valor lançado aos patamares decididos pela sistemática adotada pelas decisões do STF e STJ. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 13688.720073/201142 Acórdão n.º 9202006.696 CSRFT2 Fl. 5 7 Um questão importante que ajudanos a delimitar o alcance da lide, referese ao fato de o relator do acórdão da Câmara a quo descrever em seu voto, mesmo que implicitamente, que o fundamento da declaração de nulidade diz respeito a inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, porém em momento algum deixa de reconhecer a incidência do tributo, nem faz qualquer referência ao caráter salarial ou indenizatório da verba. Podemos chegar a essa conclusão ao lermos os termos do voto abaixo transcrito: Da matéria não contestada Vale lembrar que, tanto na impugnação, quanto no recurso, não foi contestada a omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa física, no valor de R$ 7.464,80, informado em Dimob pela administradora de imóveis, de tal forma que permanece a omissão apurada pela fiscalização, ex vi dos arts. 17 e 42, parágrafo único, do Decreto nº 70.235/1972. Da omissão de rendimentos O § 2º do art. 62 do RICARF estabelece que as decisões de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Até pelo uso do verbo (deverão), vêse que se trata de norma cogente, de aplicação obrigatória por parte deste Conselho. É sabido, ademais, que a tradição jurídica brasileira adotou a tese da nulidade absoluta do ato inconstitucional. Isto é, prevalece o entendimento segundo o qual são absolutamente nulos os atos normativos contrários à lei fundamental, pois tais atos são repudiados pela necessidade de se preservar o princípio da supremacia da Constituição e, consequentemente, a unidade da ordem jurídica nacional. Tomandose de empréstimo a assertiva do Min. Celso de Mello (STF, ADI 652), "esse postulado fundamental de nosso ordenamento normativo impõe que preceitos revestidos de menor grau de positividade jurídica guardem, necessariamente, relação de conformidade vertical com as regras inscritas na Carta Política, sob pena de sua ineficácia e de sua completa inaplicabilidade". Daí porque, nas palavras do citado Ministro: [...] Nessa toada, considerandose a nulidade absoluta do ato inconstitucional, e considerandose que a declaração de inconstitucionalidade alcança atos pretéritos praticados com base na lei destituída de carga de eficácia jurídica, devese conhecer de ofício da matéria que se passa a analisar e julgar logo abaixo. No caso concreto, vêse que os rendimentos cuja omissão foi apurada pela fiscalização são atinentes a uma reclamatória trabalhista movida em face do Banco ABN Amro Real S/A. Os valores a ela atinentes são de anoscalendário pretéritos e foram pagos de forma acumulada em 2001 e 2008, o que levou a DRJ a Fl. 202DF CARF MF 8 decidir pela aplicação do art. 56 do RIR, segundo o qual os RRA são totalmente tributados no mês do recebimento. Essa matéria, reiteradamente debatida no Judiciário e neste Conselho, foi solucionada definitivamente pelo STF por ocasião do julgamento do RE 614.406, com repercussão geral e trânsito em julgado, Rel. Min. Rosa Weber, tema 368, redigido nos seguintes termos: [...] Como se vê, o citado tema trata exatamente da incidência do IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, hipótese esta idêntica a dos autos, na qual os rendimentos acumuladamente percebidos pela recorrente foram objeto de lançamento de ofício que se baseou na premissa de que eles deveriam ser tributados no mês do seu recebimento (regime de caixa), e não de acordo com a época em que eles deveriam ter sido efetivamente pagos (regime de competência). A análise do tema, da ementa e do acórdão do recurso extraordinário demonstram que o caso julgado sob o regime da repercussão geral é idêntico ao dos autos. Mas não é só, pois a Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), sob a sistemática de que trata o art. 543C do CPC, já havia decidido que "o imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." [...] Noutro giro verbal, o imposto deve ser apurado com base nas tabelas e nas alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, e não no mês do seu recebimento. Ocorre que o lançamento em apreço, ao determinar a tributação do imposto de renda no mês do recebimento, adotou critério jurídico totalmente equivocado e dissonante da jurisprudência do STF e do STJ. Esse critério equivocado impactou a identificação da base de cálculo e das alíquotas vigentes, impactando, por conseguinte, o cálculo do tributo devido, ex vi do art. 142 do CTN. [...] Não pode passar despercebido, também, o fato de que a distribuição dos valores mês a mês certamente atingiria exercícios pretéritos ao exercício objeto do recurso, o que demonstra que seria necessário outro lançamento de ofício, e não mera retificação do lançamento anteriormente efetuado. Cumpre lembrar que lançamento é justamente o procedimento administrativo (ou ato administrativo) tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo Fl. 203DF CARF MF Processo nº 13688.720073/201142 Acórdão n.º 9202006.696 CSRFT2 Fl. 6 9 devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, na dicção do art. 142 do CTN. No caso, repitase, houve incorreta identificação da base de cálculo, da alíquota e, por consequência, do montante do tributo devido. Nesse contexto, e como não compete a este Conselho refazer o lançamento com base em outros critérios jurídicos, mormente porque tal procedimento é da competência privativa da autoridade administrativa, deve ser cancelada a exigência. A base do fundamento do acórdão recorrido encontrase na própria ementa do acórdão, fls. 151 e seguintes, assim descrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NA FASE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. São definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário, o que importa não conhecimento da matéria não impugnada. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Precedentes do STF e do STJ na sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA REFAZER O LANÇAMENTO. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. COMPETÊNCIA PRIVATIVA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA.CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. O lançamento adotou critério jurídico equivocado e dissonante da jurisprudência do STF e do STJ, impactando a identificação da base de cálculo, das alíquotas vigentes e, consequentemente, o cálculo do tributo devido. Não compete ao CARF refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas apenas cancelar a exigência. Recurso Voluntário Provido. Ou seja, o cerne da questão referese ao questionamento se a decisão do STJ e posteriormente a do STF que declarou a inconstitucionalidade parcial do art. 12 da 7.713/1988, em sede de repercussão geral, seria capaz de eivar de vício material o lançamento? Entendo que não! Ao apreciarmos o inteiro teor da decisão do STF, e mais, baseado na decisão do STJ, que ensejou o pronunciamento daquela corte máxima, observamos que toda a Fl. 204DF CARF MF 10 discussão cingee sobre o regime de tributação aplicável aos RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE RRA, se regime de caixa (como originalmente lançado no dispositivo legal), ou o regime de competência (forma adotada posteriormente pela própria Receita Federal calcada em pareceres, decisões do STJ que ensejaram inclusive alteração legislativa art. 12A da 12.530/2010. Entendo que a decisão do STJ descrita no Resp 1.118.429/SP, se coaduna com a do caso ora apreciado já que, em ambas, discutise a sistemática de cálculo aplicável na apuração do imposto devido: caixa ou competência. Dessa forma, entendo que a aplicação do repetitivo se amolda a questão trazida nos autos, já que a mesma apresentase em estrita consonância com a matéria objeto de repercussão geral no RE 614.406/RS. Na verdade a posição do STF, nada mais fez do que pacificar a questão que já vinha sendo observada pelo STJ em seus julgados e pela própria Receita Federal e PGFN, por meio de seus pareceres. Vale destacar que no âmbito deste Conselho não é a primeira vez que essa questão é enfrentada por essa Câmara Superior. No Recurso Especial da PGFN processo nº 11040.001165/200561, julgado na 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, encontramos situação similar, cujo voto vencedor, do ilustre Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior trata da matéria ora sob apreciação. Vejamos a ementa do acórdão nº 9202003.695: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade de lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Ainda, como o objetivo de esclarecer a tese esposada no referido acórdão, transcrevo a parte do voto vencedor na parte pertinente ao tema: Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome ao julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto Fl. 205DF CARF MF Processo nº 13688.720073/201142 Acórdão n.º 9202006.696 CSRFT2 Fl. 7 11 de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei nº 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Fl. 206DF CARF MF 12 Com base nas questões levantadas pelo ilustre conselheiro Heitor de Souza Lima Junior aqui transcritas, e as quais uso como fundamento de razões para decidir, entendo que a posição tanto do STJ no REsp nº 1.118.429/SP como do STF no RE 614.406/RS não foi no sentido de inexistência ou inconstitucionalidade do dispositivo que definia os valores dos rendimentos recebidos acumuladamente como fato gerador de IR, mas tão somente no sentido de que a apuração da base de cálculo do imposto devido não seria pelo regime de caixa (na forma como descrito originalmente na lei, art. 12 da Lei 7783/88) já que conferiria tratamento diferenciado e prejudicial ao contribuinte, já definindo o novo regime a ser aplicável para apuração do montante devido. Não se trata de alteração de critério jurídico aplicado pela fiscalização, mas de aplicação dos termos de lei, que posteriormente por decisão judicial deixa claro qual a melhor interpretação acerca do regime aplicável. Dessa forma, considerando os termos do acórdão proferido, bem como a delimitação da lide objeto deste Recurso Especial ser tão somente sobre a nulidade do lançamento, encaminho pelo provimento do Resp da Fazenda Nacional, para afastar a nulidade, determinando o retorno dos autos à turma a quo para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte, considerando que no próprio acórdão recorrido descreve o relator que abstevese de julgar as demais questões, senão vejamos: Sobreleva ressaltar que os fundamentos acima são suficientes para embasar a decisão, não sendo necessário enfrentar, um a um, os argumentos da parte recorrente. Isto é, a prestação jurisdicional foi dada na medida exata da pretensão deduzida, sendo inútil e desnecessário analisar os demais fundamentos recursais. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para no mérito DARLHE PROVIMENTO para afastar a nulidade declarada, com retorno dos autos à turma a quo, para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 207DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13984.901374/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO EM DILIGÊNCIA.
Cabe a homologação da compensação quando o direito creditório restar comprovado por meio de diligência fiscal.
Numero da decisão: 1201-002.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2005 COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO EM DILIGÊNCIA. Cabe a homologação da compensação quando o direito creditório restar comprovado por meio de diligência fiscal.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13984.901374/2009-14
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5863343
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1201-002.067
nome_arquivo_s : Decisao_13984901374200914.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 13984901374200914_5863343.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
dt_sessao_tdt : Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
id : 7287239
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:18:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050308988370944
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1251; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13984.901374/200914 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1201002.067 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de fevereiro de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente ALMIR RODRIGUES & CIA LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO EM DILIGÊNCIA. Cabe a homologação da compensação quando o direito creditório restar comprovado por meio de diligência fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 90 13 74 /2 00 9- 14 Fl. 272DF CARF MF Processo nº 13984.901374/200914 Acórdão n.º 1201002.067 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório A Recorrente transmitiu DCOMP, pleiteando a compensação de créditos de tributos recolhidos no SIMPLES com determinados débitos de sua responsabilidade. O Despacho Decisório não homologou o pleito do contribuinte, sob a alegação de insuficiência de saldo credor. A contribuinte, então, apresentou Manifestação de Inconformidade, sustentando que houve retificação da DSPJ em face de ter adotados alíquotas superiores a devida em 50%. A DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, uma vez que entendeu que o referido crédito não teria sido comprovado. Cientificada da decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, instruído com documentação que, no seu entender, definitivamente comprovaria o direito creditório. O julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência, pois, segundo o I. Relator, os esclarecimentos e documentos juntados pelo contribuinte deveriam ser confrontados com os sistemas da fiscalização. Em atendimento à diligência, a autoridade fiscal se manifestou por meio de Relatório Fiscal específico, do qual a contribuinte não foi chamada a se manifestar. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201 002.057, de 23.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 13984.901377/200940, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Nos presentes autos o contribuinte solicita a restituição do pagamento a maior de SIMPLES no AC 2005. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.057): "O recurso é tempestivo e cumpre os requisitos legais, razão pela qual dele tomo conhecimento. Fl. 273DF CARF MF Processo nº 13984.901374/200914 Acórdão n.º 1201002.067 S1C2T1 Fl. 4 3 A presente discussão diz respeito à legitimidade ou não de créditos de tributos supostamente recolhidos a maior no âmbito do SIMPLES no AC de [...]. Por ocasião da diligência que foi determinada pelo CARF, o relatório fiscal atesta a legitimidade do direito creditório, merecendo destaque a seguinte passagem: Consultando o histórico do CNPJ quanto ao porte, constatase que a empresa estava enquadrada como microempresa nos anos 2004 e 2005, tendo alterado o enquadramento para empresa de pequeno porte a partir do ano 2006: [...] O CNAE que consta nas Declarações Simplificadas apresentadas é 64114/02 Atividades do Correio Nacional executadas por franchising. Consultando as declarações relativas aos anos de 2003 a 2005, verificase a evolução do faturamento da seguinte forma: EVOLUÇÃO DO FATURAMENTO ano receita auferida 2003 42.484,37 2004 112.927,51 2005 132.270,87 Portanto, possível o enquadramento como microempresa nos anos 2004 e 2005. LEGISLAÇÃO As franqueadas dos Correios passaram a poder optar pelo Simples com a publicação da Lei 10.684/2003, que alterou a Lei 10.034/2000. A Lei 10.684/2003 determinava ainda que essas empresas estariam sujeitas aos percentuais majorados em 50%. A IN SRF 355/2003 dispunha, à época, sobre o Simples nos seguintes termos: "PERCENTUAIS DIFERENCIADOS Art. 8° No caso de estabelecimentos de ensino fundamental, de centros de formação de condutores de veículos automotores de transporte terrestre de passageiros e de carga, de agências lotéricas, de agências terceirizadas de correios e de pessoas jurídicas que aufiram receita bruta acumulada decorrente da prestação de serviços em montante igual ou superior a 30% (trinta por cento) da receita bruta total acumulada, inscritas no Simples na condição de microempresas, o valor devido mensalmente será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: I até R$ 60.000,00 (sessenta mil reais): 4,5% (quatro inteiros e cinco décimos por cento); II de R$ 60.000,01 (sessenta mil reais e um centavo) a R$ 90.000,00 (noventa mil reais): 6% (seis por cento); III de R$ 90.000,01 (noventa mil reais e um centavo) a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais): 7,5% (sete inteiros e cinco décimos por cento). Fl. 274DF CARF MF Processo nº 13984.901374/200914 Acórdão n.º 1201002.067 S1C2T1 Fl. 5 4 § 1° O percentual a ser aplicado em cada mês, na forma deste artigo, será o correspondente à receita bruta acumulada, dentro do ano calendário, até o próprio mês.(...)" (grifouse) Com o advento da Lei 10.833/2003, que também alterou a Lei 10.034/2000, as franqueadas dos Correios deixaram de estar sujeitas aos percentuais majorados em 50% e a instrução normativa acima passou a vigorar com o seguinte teor: "PERCENTUAIS DIFERENCIADOS Art. 8° No caso de estabelecimentos de ensino fundamental, de centros de formação de condutores de veículos automotores de transporte terrestre de passageiros e de carga, de agências lotéricas e de pessoas jurídicas que aufiram receita bruta acumulada decorrente da prestação de serviços em montante igual ou superior a 30% (trinta por cento) da receita bruta total acumulada, inscritas no Simples na condição de microempresas, o valor devido mensalmente será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF n° 391, de 30 de janeiro de 2004) I até R$ 60.000,00 (sessenta mil reais): 4,5% (quatro inteiros e cinco décimos por cento); II de R$ 60.000,01 (sessenta mil reais e um centavo) a R$ 90.000,00 (noventa mil reais): 6% (seis por cento); III de R$ 90.000,01 (noventa mil reais e um centavo) a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais): 7,5% (sete inteiros e cinco décimos por cento). § 1° O percentual a ser aplicado em cada mês, na forma deste artigo, será o correspondente à receita bruta acumulada, dentro do ano calendário, até o próprio mês. (...) § 6° O disposto no caput também se aplica às agências terceirizadas de correios no período de 31 de maio a 30 de novembro de 2003." Portanto, as franqueadas dos Correios estiveram sujeitas a percentuais diferenciados, majorados em 50%, no período de 31/05 a 30/11/2013 e, para os períodos posteriores, sujeitaram se às alíquotas normais. ALÍQUOTAS APLICÁVEIS NO CASO CONCRETO Estes processos tratam de Simples dos anos 2004 e 2005, portanto, os valores devem ser apurados com alíquotas normais, aplicáveis às microempresas, previstas no art. 7° da instrução normativa: "Das Microempresas Optantes pelo Simples Percentuais aplicáveis Art. 7° O valor devido mensalmente pelas microempresas, inscritas no Simples nessa condição, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: I até R$ 60.000,00 (sessenta mil reais): 3% (três por cento); Fl. 275DF CARF MF Processo nº 13984.901374/200914 Acórdão n.º 1201002.067 S1C2T1 Fl. 6 5 II de R$ 60.000,01 (sessenta mil reais e um centavo) a R$ 90.000,00 (noventa mil reais): 4% (quatro por cento); III de R$ 90.000,01 (noventa mil reais e um centavo) a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais): 5% (cinco por cento). § 1° O percentual a ser aplicado em cada mês, na forma deste artigo, será o correspondente à receita bruta acumulada, dentro do ano calendário, até o próprio mês." O contribuinte foi intimado a apresentar os Livros Contábeis e as notas fiscais relativas aos anos 2004 e 2005. Com base na documentação apresentada, foram confeccionadas as planilhas abaixo, que contêm a receita, a receita acumulada e a alíquota de Simples aplicável a cada período de apuração. ALMIR RODRIGUES ‐ Simples ‐ 2004 MÊS RECEITA RECEITA ALÍQUOTA ACUMULADA 01/04 7.316,75 7.316,75 3% 02/04 7.595,37 14.912,12 3% 03/04 9.473,60 24.385,72 3% 04/04 8.594,39 32.980,11 3% 05/04 8.407,44 41.387,55 3% 06/04 9.510,98 50.898,53 3% 07/04 9.075,25 59.973,78 3% 08/04 9.195,16 69.168,94 4% 09/04 8.809,84 77.978,78 4% 10/04 9.485,46 87.464,24 4% 11/04 11.169,36 98.633,60 5% 12/04 13.293,91 111.927,51 5% ALMIR RODRIGUES ‐ Simples ‐ 2005 MÊS RECEITA RECEITA ALÍQUOTA ACUMULADA 01/05 10.119,01 10.119,01 3% 02/05 10.524,11 20.643,12 3% 03/05 12.160,20 32.803,32 3% 04/05 12.089,40 44.892,72 3% 05/05 10.857,54 55.750,26 3% 06/05 10.745,30 66.495,56 4% 07/05 10.087,06 76.582,62 4% 08/05 11.123,58 87.706,20 4% 09/05 10.096,33 97.802,53 5% 10/05 10.633,29 108.435,82 5% 11/05 10.996,57 119.432,39 5% 12/05* 12.838,48 132.270,87 567,61 5% 12.270,87 5,4% Analisando os pagamentos, observase que foram feitos considerando percentuais diferenciados (alíquotas majoradas em 50%). Fl. 276DF CARF MF Processo nº 13984.901374/200914 Acórdão n.º 1201002.067 S1C2T1 Fl. 7 6 Como se percebe, restou demonstrado pela diligência que o contribuinte utilizou alíquota superior a devida (em 50%), razão pela qual o crédito ora pleiteado é líquido e certo. Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 277DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10073.901508/2008-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA. PAGAMENTO ATRASADO.
A multa moratória não é afastada pelo instituto da denuncia espontânea em razão de recolhimento atrasado e, por conseguinte, seu pagamento não representa indébito.
Numero da decisão: 1301-002.885
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2002 COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA. PAGAMENTO ATRASADO. A multa moratória não é afastada pelo instituto da denuncia espontânea em razão de recolhimento atrasado e, por conseguinte, seu pagamento não representa indébito.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10073.901508/2008-92
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5861540
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-002.885
nome_arquivo_s : Decisao_10073901508200892.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
nome_arquivo_pdf_s : 10073901508200892_5861540.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Bianca Felícia Rothschild.
dt_sessao_tdt : Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
id : 7279515
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:18:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050308990468096
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-05-11T18:24:21Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-05-11T18:24:21Z; Last-Modified: 2018-05-11T18:24:21Z; dcterms:modified: 2018-05-11T18:24:21Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:58aab813-a659-4af0-ac43-05bca34f8750; Last-Save-Date: 2018-05-11T18:24:21Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-05-11T18:24:21Z; meta:save-date: 2018-05-11T18:24:21Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-05-11T18:24:21Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-05-11T18:24:21Z; created: 2018-05-11T18:24:21Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2018-05-11T18:24:21Z; pdf:charsPerPage: 772; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-05-11T18:24:21Z | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10073.901508/200892 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1301002.885 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de março de 2018 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente HOTEL DO FRADE S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA. PAGAMENTO ATRASADO. A multa moratória não é afastada pelo instituto da denuncia espontânea em razão de recolhimento atrasado e, por conseguinte, seu pagamento não representa indébito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 15 08 /2 00 8- 92 Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10073.901508/200892 Acórdão n.º 1301002.885 S1C3T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Bianca Felícia Rothschild. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10073.901508/200892 Acórdão n.º 1301002.885 S1C3T1 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de acórdão de primeira instancia que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte para manter na íntegra o Despacho Decisório que não homologou as compensações pleiteadas em razão da inexistência de crédito para quitação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em sua Manifestação de Inconformidade a contribuinte afirma que o reconhecimento do débito, bem como, dos juros de mora foram efetuados voluntariamente, o que torna indiscutível a aplicação do instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, e exime o contribuinte da responsabilidade pelo pagamento da multa de mora, pois a efetivação das compensações se deu antes de qualquer procedimento de fiscalização. O Acórdão recorrido entendeu pela inaplicabilidade da denúncia espontânea ao caso concreto, fundamentando sua decisão no argumento de que não se pode confundir pagamento atrasado com denúncia espontânea, pois o art. 138 do CTN, que trata da denúncia espontânea, não eliminou a figura da multa de mora, a que o Código também faz referência (art. 134, parágrafo único). No Recurso Voluntário apresentado a recorrente repisa seus argumentos de defesa levantados em sede de recurso voluntário. É o relatório. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10073.901508/200892 Acórdão n.º 1301002.885 S1C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301002.880, de 16.03.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10983.900843/201025, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301002.880): O recurso voluntário é TEMPESTIVO e uma vez atendidos também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. Compensação Conforme o parágrafo 3º do art. 57 do Regulamento do CARF, o relator pode, para fundamentar seu voto, adotar os argumentos da decisão de primeira instância e transcrever respectivo trecho de tal decisão se verificar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação do adotado pela decisão recorrida. Neste sentido, transcrevese trecho da decisão de primeira instancia que retrata o convencimento do relator [...]): O interessado pretendeu compensar valor pago a titulo de multa de mora, invocando o art. 138 do CTN. Não se pode confundir pagamento atrasado com denúncia espontânea, art. 138 do CTN, que trata da denúncia espontânea, não eliminou a figura da multa de mora, a que o Código também faz referência (art. 134, parágrafo único). A iniciativa do sujeito passivo, promovida com a observância do art. 138, tem a virtude de evitar a aplicação de penas de natureza punitiva, porém não afasta os juros de mora e a chamada multa de mora, de índole indenizatória e destituída do caráter de punição. A multa de mora não é afastada em razão de recolhimento espontâneo e, por conseguinte; seu pagamento não representa indébito. O Despacho Decisório recorrido deve, então, ser mantido, por não ter restado configurada a existência de crédito. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10073.901508/200892 Acórdão n.º 1301002.885 S1C3T1 Fl. 6 5 Resssaltase que o pagamento atrasado, uma vez formalizada a declaração e sem apresentação de procedimento específico relacionado a denúncia espontânea não se enquadra no art. 138 do CTN. Conclusão Diante de todo o acima exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 119DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001086/2008-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006
Incabível o lançamento para constituição de imposto de renda pelo Lucro Presumido se a opção da forma de apuração trimestral se deu pelo Lucro Real, conforme Declaração de Informações da Pessoa Jurídica.
LANÇAMENTO - COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA - DÉBITO NÃO CONFESSADO
CSLL, PIS, e Cofins
Os tributos objeto de compensação considerada "não declarada", quando não exigíveis a partir de DCTF, ensejam o lançamento de ofício.
LANÇAMENTO - COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA - DÉBITO CONFESSADO. Não cabe a constituição de crédito tributário por meio de lançamento quando confessado em DCTF.
MULTA ISOLADA. DUPLICIDADE.
Lançada a multa de ofício isolada por compensação considerada não declarada descabe a multa regulamentar de igual valor e sob o mesmo fundamento legal.
Numero da decisão: 1201-002.127
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, e, NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José Carlos de Assis Guimarães, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente convocado para substituir o conselheiro Rafael Gasparello Lima). Ausente justificadamente o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006 Incabível o lançamento para constituição de imposto de renda pelo Lucro Presumido se a opção da forma de apuração trimestral se deu pelo Lucro Real, conforme Declaração de Informações da Pessoa Jurídica. LANÇAMENTO - COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA - DÉBITO NÃO CONFESSADO CSLL, PIS, e Cofins Os tributos objeto de compensação considerada "não declarada", quando não exigíveis a partir de DCTF, ensejam o lançamento de ofício. LANÇAMENTO - COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA - DÉBITO CONFESSADO. Não cabe a constituição de crédito tributário por meio de lançamento quando confessado em DCTF. MULTA ISOLADA. DUPLICIDADE. Lançada a multa de ofício isolada por compensação considerada não declarada descabe a multa regulamentar de igual valor e sob o mesmo fundamento legal.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 18471.001086/2008-72
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5861488
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1201-002.127
nome_arquivo_s : Decisao_18471001086200872.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 18471001086200872_5861488.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, e, NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José Carlos de Assis Guimarães, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente convocado para substituir o conselheiro Rafael Gasparello Lima). Ausente justificadamente o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7279332
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:17:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050308996759552
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1652; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.001086/200872 Recurso nº 000.001 De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1201002.127 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de abril de 2018 Matéria Autos de Infração Compensação não declarada. PERDCOMP Recorrentes PROL CENTRAL DE SERVIÇOS LTDA (razão social anterior VIGO CENTRAL DE SERVIÇOS LTDA) FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 Incabível o lançamento para constituição de imposto de renda pelo Lucro Presumido se a opção da forma de apuração trimestral se deu pelo Lucro Real, conforme Declaração de Informações da Pessoa Jurídica. LANÇAMENTO COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA DÉBITO NÃO CONFESSADO CSLL, PIS, e Cofins Os tributos objeto de compensação considerada "não declarada", quando não exigíveis a partir de DCTF, ensejam o lançamento de ofício. LANÇAMENTO COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA DÉBITO CONFESSADO. Não cabe a constituição de crédito tributário por meio de lançamento quando confessado em DCTF. MULTA ISOLADA. DUPLICIDADE. Lançada a multa de ofício isolada por compensação considerada não declarada descabe a multa regulamentar de igual valor e sob o mesmo fundamento legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, e, NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 10 86 /2 00 8- 72 Fl. 593DF CARF MF 2 Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José Carlos de Assis Guimarães, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente convocado para substituir o conselheiro Rafael Gasparello Lima). Ausente justificadamente o conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório Por economia processual e considerar pertinente adoto o Relatório da decisão recorrida que transcrevo a seguir: Trata o processo do auto de infração, com ciência em 19/08/2008, referente ao anoscalendário de 2005 e 2006, através do qual é exigido da interessada os seguintes créditos tributários: Principal Multa Regulamentar Fls do processo Multa Isolada 510.568,16 fls. 30/32 IRPJ 717.227,14 fls. 33/37 CSLL 1.043,61 234.813,27 fls. 38/44 PIS 382.212,55 23.348,01 fls. 45/51 Cofins 1.593.828,53 252.406,88 fls. 52/58 Os valores dos tributos (IRPJ, CSLL, PIS e Cofins) estão lançados com multa de oficio de 75% e juros de mora. A presente autuação decorre do resultado do julgamento das DCOMP de n°s 10897.34696.160905.1.3.04 7333,03702.65632.131205.1.3.042863, 14530.36246.310106.1.3.041410, 30702.65084.150206.1.3.04 4525, 16032.04794.100306.1.3.04 3469,04110.73880.130406.1.3.041751, 34759.20958.180506.1.3.049532 e 28970.35342.180906.1.3.04 8940, tratadas no processo de n° 15374.000653/200701. De acordo com a decisão acostada aos autos às fls. 11/15, as COMPENSAÇÕES foram consideradas NÃO DECLARADAS por terem aproveitado suposto crédito do processo de n° 10070.001093/200532, fisicamente inexistente, possuindo tão somente protocolo. Dos débitos compensados, constatouse que alguns não foram declarados em DCTF, cabendo a sua constituição por meio de lançamento. Para os demais, cabe a cobrança da multa de isolada de 75%, nos termos do artigo 18 da Lei n° 10.833/2003, incidente sobre os valores declarados em DCTF. Abaixo, tabela com os valores compensados indevidamente: Códig o PA Valor DCOMP Valor DCTF Lançamento de Ofício Multa Isolada* IRPJ 2089 2o Trim/2005 717.227,14 0,00 717.227,14 Fl. 594DF CARF MF Processo nº 18471.001086/200872 Acórdão n.º 1201002.127 S1C2T1 Fl. 3 3 CSLL 6012 2o Trim/2005 314.127,97 313.084,36 1.043,61 234.813,27 PIS 6912 mai/05 179.789,40 31.130,39 148.659,01 23.347,79 6912 abr/06 106.544,37 106.544,37 6912 ago/06 127.009,47 127.009,47 Total PIS 382.212,85 COFINS 5856 jul/05 855.016,49 336.542,51 518.473,98 252.406,88 5856 abr/06 239.240,20 239.240,20 5856 abr/06 251.336,26 251.336,26 5856 ago/06 584.778,09 584.778,09 Total COFINS 1.593.828,53 *Multa Isolada: R$ 234.813,27 + R$ 23.347,79 + R$ 252.406,88 = R$ 510.568,16 Enquadramento Legal consta nos autos. Inconformada, a interessada ingressou com a impugnação, em 17/09/2008, fls. 77/84, alegando: • Alega a tempestividade. • Após as compensações dos débitos, percebeu a impossibilidade de tal procedimento, e antes do inicio de qualquer procedimento fiscal, efetuou o parcelamento de todos os valores através do processo n° 15469.001016/200794. • Não informou na DCTF os valores devidos a titulo de IRPJ (código 2089) e CSLL (código 6012), pois são relativos ao lucro presumido. • Ocorre que no anocalendário de 2005 apurou o imposto com base no lucro real, conforme evidencia a DIPJ/2006, • A COFINS devida do mês de julho de 2005 é de R$ 407.568,25, conforme Livro Razão, que descontado o valor das retenções pela fontes, de R$ 71.025,74, perfaz R$ 336.542,51, valor informado na DCTF. • 0 valor de R$ 855.016,49, apontado na DCOMP, não tem relação com o valor devido, sendo o lançamento da diferença, de R$ 518.473,98, improcedente. • 0 mesmo ocorre com o PIS do mês de maio de 2005, sendo o valor devido de R$ 31.130,69 (R$ 57.196,70 descontado o valor retido na fonte de R$ 26.066,01). • 0 valor de R$ 179.789,40, apontado na DCOMP, não tem relação com o valor devido, sendo o lançamento da diferença, de R$ 148.658,71, improcedente. • Os valores devidos a titulo de COFINS e PIS, dos meses de abril e agosto de 2006, constavam das DCTF entregue tempestivamente, assim como integram o parcelamento do processo de n° 15469.001016/200734. Fl. 595DF CARF MF 4 • Ha cobrança duplicada da multa isolada no valor de R$ 510.568,16, que é a soma das multas aplicadas nos autos de infração de CSLL, PIS e COFINS (R$ 234.813,27 + R$ 23.347,79 + R$ 252.406,88). • A autoridade lançadora entendeu que cabia a multa isolada, prevista no artigo 18 da Lei n° 10.833/2003 e alterações, pelo fato de que as DCOMP apresentadas não se referirem a tributos e contribuições administradas pela RFB. • Entretanto, quando a decisão reconheceu a compensação como não declarada, as mesmas já não existiam, pois já haviam sido canceladas em virtude de desistência, bem como os débitos nela contidos, naquela data, eram objeto de parcelamento. • Logo, a multa isolada é descabida. A 7ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro por maioria de votos deu parcial provimento a impugnação mantendo a multa isolada (R$ 510.568,16) a CSLL do 2º trim/2005 (R$ 1.043,61), o PIS de maio/2005 (R$ 148.659,01) e COFINS de julho/2005 (R$ 518.473,98). Dessa decisão a DRJ recorreu de ofício, uma vez que o crédito exonerado, IRPJ 2º Trim/2005 (R$ 717.227,14), Multa CSLL 2º Trim/2005 (R$ 234.813,27), PIS abr/2006 (R$106.544,37) e ago/2006 (R$127.009,47), Multa PIS (R$23.347,79), Cofins abr/2005 (R$239.240,20), abr/2006 (R$ 251.336,26), ago/2006 (R$ 584.778,09) e a Multa da Cofins (R$ 252.406,88), extrapolou o limite imposto pela legislação. Foi promovida ainda para cobrança relativa ao PIS do mês de abril/2006 (R$ 106.544,37) confessado na DCTF nº 1002.006.2006.1840007372, nos seguintes termos: Encaminhese o presente ao DICAT/DERAT RJ, para que: 1) Se digne cientificar a interessada do inteiro teor deste acórdão, intimandoa ao recolhimento do crédito tributário mantido, no prazo de trinta dias, com a ressalva de que cabe interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no mesmo prazo, conforme artigo 33 do Decreto n°70.235, de 1972, alterado pela Lei n° 8.748, de 1993. 2) Promova a cobrança do débito de PIS relativo ao mês de abril de 2006, no valor de R$ 106.544,37, devidamente confessado na DCTF de n° 1002.006.2006.1840007372, considerando o item 3.a do voto. No voto condutor da decisão da DRJ, foram analisados os argumentos da defesa, de modo que restaram mantidos os seguintes lançamentos: ... Logo, meu voto é pela procedência em parte do lançamento, devendo ser mantida as seguintes cobranças: PA Valor Mantido Multa Isolada 510.568,16 CSLL 2°Trim/2005 1.043,61 PIS mai/05 148.659,01 COFINS jul/05 518.473,98 Fl. 596DF CARF MF Processo nº 18471.001086/200872 Acórdão n.º 1201002.127 S1C2T1 Fl. 4 5 Intimado em 10/06/2010 a recorrente apresentou recurso voluntário tempestivo em 09/07/2010, reiterando o alegado em sede de impugnação nos seguintes termos: que é uma empresa dedicada ao fornecimento de serviços e têm entre seus principais clientes, entes públicos das três esferas de poder. Por conta deste fato, não raro se vê na posição de pagar funcionários, fornecedores e tributos incidentes sobre faturamento e aguardar atrasos de meses na liquidação de seus créditos pelos entes públicos. em período particular, efetuou uma série de compensações de débitos seus com créditos, que com base em pareceres e análise de "consultores" contábeis e legais, seriam hábeis ao procedimento previsto na legislação de regência. Cabia inclusive, por força de contratos, aos consultores, o preenchimento e formalização da DCOMP. apesar de ter realizado o pagamento dos supostos "créditos", assim como, pelos serviços prestados, descobriu a Recorrente que os mesmo não poderiam ser objeto de compensação por não terem natureza de tributos. Tratavase, de precatório judicial, com poder liberatório para pagamento de tributos federais. Posteriormente verificouse tratar de precatório falso, com valores em desacordo com a realidade e com informações incorretas. Ao perceber o “equívoco” entrou com parcelamento de todos os valores objeto da malsinada compensação. procedimento feito em 26 de setembro de 2007, através do Processo nº 15469001.016/ 200794, ou seja, antes do inicio da analise das compensações não reconhecidas. quando da fiscalização os valores objeto das compensações já haviam sido parcelados, tanto que não foram objeto do lançamento. a DCOMP apresentada é a única que difere das outras três declarações apresentadas a Receita Federal, com valor maior. entende que o parcelamento e a apresentação das DCTF'S antes do inicio da qualquer procedimento fiscal elidiu a multa de oficio isolada, pois antes de qualquer procedimento não havia mais qualquer compensação a ser apreciada (art. 138 do CTN). A 2ª Turma Ordinária / 3ª Câmara do Carf, com a composição de 09/05/2012, com o intuito de esclarecer os fatos, mediante a Resolução nº 1302000.166, de 09/05/2012, e fls.293/301, decidiu pela conversão do julgamento em diligência. A Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes – Demac/RJO, elaborou a Informação Fiscal, efls.578/581, conclusiva para a análise, da qual foi cientificado o interessado em 30/03/2016, conforme o Termo de Ciência, efls.584. Apesar de cientificado o interessado não apresentou qualquer manifestação. Despacho de fl.8.799. Fl. 597DF CARF MF 6 Tendo em vista que o relator da Resolução não mais pertence ao Carf, o presente processo foi novamente sorteado cujo sorteio recaiu a esta relatora, quando conselheira na 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção do Carf. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora RECURSO DE OFÍCIO Conforme relatado, foi interposto recurso de ofício pelo colegiado a quo, diante da exoneração parcial do crédito pelo acórdão recorrido. No caso em análise,conforme o demonstrativo constante do relatório o montante exonerado importou em valor superior ao limite fixado pela Portaria MF nº 63, de 09/02/2017 (R$ 2.500.000,00). Registrese que, nos termos da Súmula CARF nº 103, "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância". Assim, conheço do Recurso de Ofício, pois o crédito exonerado é superior ao limite vigente nesta data, conforme constam do acórdão recorrido (fls.222/223) os seguintes demonstrativos e respectivos fundamentos para tal exoneração, e que passo a analisar: PA Lançamento Multa Regulamentar Valor Exonerado Valor Mantido Multa Isolada 510.568,16 0,00 0,00 510.568,16 IRPJ 2°Trim/2005 717.227,14 0,00 717.227,14 0,00 CSLL 2º Trim/2005 1.043,61 1.043,61 234.813,27 234.813,27 0,00 PIS mai/05 148.659,01 0,00 148.659,01 abr/06 106.544,37 106.544,37 0,00 ago/06 127.009,47 127.009,47 0,00 23.347,79 23.347,79 0,00 COFINS jul/05 518.473,98 518.473,98 abr/06 239.240,20 239.240,20 0,00 abr/06 251.336,26 251.336,26 0,00 ago/06 584.778,09 584.778,09 0,00 252.406,88 252.406,88 0,00 IRPJ do anocalendário de 2005 A autuada afirma que os débitos informados na DCOMP referemse ao lucro presumido, enquanto apresentou DIPJ/2006 optando pelo lucro real, apuração trimestral. Assiste razão à autuada quanto ao lançamento do IRPJ, código 2089 IRPJ LUCRO PRESUMIDO. Verificase que a DIPJ/2006 foi apresentada calculando o imposto de renda com base no lucro real, apuração trimestral, fls. 184/186. Na DCTF, Fl. 598DF CARF MF Processo nº 18471.001086/200872 Acórdão n.º 1201002.127 S1C2T1 Fl. 5 7 em consonância com a DIPJ/2006, foi declarado imposto devido para o 2° trimestre/2005, no valor de R$ 655.780,54, código 0220 IRPJ PJ OBRIGADAS AO LUCRO REAL ENTIDADES NÃO FINANCEIRAS BALANÇO TRIMESTRAL, fls. 187/188. Este débito é objeto de compensação da DCOMP n°33000.82474.040708.1.3.020031, fls. 189. Logo, em que pese o fato de a própria autuada ter informado na DCOMP que teria um débito de IRPJ do 2° trimestre de 2005, no valor de R$ 717.227,14, código 2089, apuração pelo lucro presumido, não cabe a lavratura de auto de infração para constituição de crédito tributário, cuja forma de apuração do imposto diverge da escolhida pela autuada, que seria pelo lucro real. Pelo exposto, voto pela improcedência do lançamento do IRPJ. Concordo com a decisão recorrida, em exonerar o débito de IRPJ do 2° trimestre de 2005, no valor de R$ 717.227,14, código 2089, uma vez que a DIPJ/2006 foi apresentada com base no lucro real e diante da DCTF em que foi declarado imposto devido para o 2° trimestre/2005 de R$ 655.780,54, em consonância com a DIPJ/2006, não há razão para o lançamento de ofício em comento realizado erroneamente com base na DCOMP. PIS e COFINS do anocalendário de 2006 Quanto à cobrança das contribuições no anocalendário de 2006, meses de abril e agosto, afirma que os valores lançados estariam declarados em DCTF. Tem razão a autuada. De fato, os valores estão devidamente declarados em DCTF do 2° e 3° trimestres, apresentadas em 17/12/2007, antes do inicio do procedimento fiscal, fls. 191/202. Cumpre esclarecer que, a despeito de informado que os valores seriam parcelados, não constam estes débitos no processo n° 15469.001016/200794, conforme extrato as fls. 203/208. No entanto, em pesquisas aos sistemas da Receita Federal do Brasil, verificase que: a) Fls. 209/210 a cobrança do débito de PIS relativo ao mês de abril/2006, no valor de R$ 106.554,37, estaria suspensa, sendo controlado pelo processo 15374.001990/200715; no entanto, este processo foi excluído já que a cobrança estaria sendo controlada por meio do presente processo (18471.001086/2000872). b) Fls. 211/213 — a cobrança do débito do PIS relativo ao mês de agosto/2006, e COFINS dos meses de abril e agosto de 2006, está controlada no processo n° 15471.000048/200995. De todo modo, entendo que não tem cabimento o presente lançamento para constituir débitos já confessados. Portanto, voto pela improcedência dos lançamentos da COFINS e do PIS, relativo ao anocalendário de 2006. Fl. 599DF CARF MF 8 Cabe ressaltar que caberá à Administração providenciar a cobrança do débito de PIS do mês de abril/2006, já que foi confessado e não compensado, e seu lançamento considerado improcedente. (GRIFEI) Não merece reparo à decisão da DRJ ao concluir que não tem cabimento ao lançamento para constituir débitos já confessados, e sim, proceder a cobrança os débitos que foram confessados e não compensados como acima discriminados. Multa Isolada com base no artigo 18 da Lei n° 10.833/2003 A autuada se defende afirmando que há cobrança em duplicidade da multa de oficio isolada, e que seu lançamento é improcedente, já que teria desistido das compensações pela apresentação de pedido de parcelamento dos débitos. A multa de oficio isolada foi calculada aplicando o percentual de 75% sobre o valores declarados em DCTF, e objeto da compensação considerada não declarada. Abaixo tabela com os valores lançados, conforme auto de infração de fls. 31/32: Tributo Código PA Valor DCOMP Valor DCTF Valor lançado Multa Isolada CSLL 6012 2°Trim/2005 314.127,97 313.084,36 1.043,61 234.813,27 PIS 6912 mai/05 179.789,40 31.130,39 148.659,01 23.347,79 COFINS 5856 jul/05 855.016,49 336.542,51 518.473,98 252.406,88 Total 510.567,95 * Multa Isolada =75 % do valor declarado em DCTF Tem razão a autuada quando alega que há duplicidade na cobrança da multa de oficio isolada. Juntamente com o valor principal de cada contribuição (CSLL, PIS e COFINS), foi lançado, a titulo de MULTA REGULAMENTAR, nos seguintes valores: Tributo Principal Multa Regulamentar Fls do processo CSLL 1.043,61 234.813,27 fls. 38/44 PIS 382.212,55 23.348,01 fls. 45/51 COFINS 1.593.828,53 252.406,88 fls. 52/58 Total 510.567,95 Das tabelas acima, verificase que houve, de fato, lançamento em duplicidade. Voto, portanto, por cancelar a cobrança da multa regulamentar, constante nos lançamentos das contribuições (CSLL, PIS e COFINS). De fato, lançada a multa de ofício isolada/regulamentar (R$ 510.568,16), fls.31/32 descabe a multa regulamentar de igual valor ( R$ 234.813,27 + R$ 23.348,01 + R$ 252.406,88 = R$ 510.567,95) constante nos lançamentos das contribuições (CSLL, PIS e Cofins). Caracterizada a duplicidade na cobrança da multa de oficio isolada, correta a decisão da DRJ que exonerou a multa regulamentar, fls.38/58, mantendose apenas a multa isolada lançada de ofício (fls.31/32). Isto posto, nego provimento ao recurso de ofício. Fl. 600DF CARF MF Processo nº 18471.001086/200872 Acórdão n.º 1201002.127 S1C2T1 Fl. 6 9 RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. Conforme relatado, os autos de infração decorrem do resultado do julgamento das DCOMP de n°s 10897.34696.160905.1.3.04 7333,03702.65632.131205.1.3.042863, 14530.36246.310106.1.3.041410, 30702.65084.150206.1.3.044525, 16032.04794.100306.1.3.04 3469,04110.73880.130406.1.3.041751, 34759.20958.180506.1.3.049532 e 28970.35342.180906.1.3.048940, tratadas no processo de n° 15374.000653/200701. De acordo com a decisão acostada aos autos às fls. 11/15, as COMPENSAÇÕES foram consideradas NÃO DECLARADAS por terem aproveitado suposto crédito do processo de n° 10070.001093/200532, "fisicamente inexistente, possuindo tão somente protocolo". Dos débitos compensados, constatouse que alguns não foram declarados em DCTF, cabendo a sua constituição por meio de lançamento. Para os demais, cabe a cobrança da multa de isolada de 75%, nos termos do artigo 18 da Lei n° 10.833/2003, incidente sobre os valores declarados em DCTF. Após o julgamento em sede de primeira instância e análise do recurso de ofício, restaram mantidos os seguintes lançamentos: PA Valor Mantido Multa Isolada 510.568,16 CSLL 2°Trim/2005 1.043,61 PIS mai/05 148.659,01 COFINS jul/05 518.473,98 No recurso voluntário a pessoa jurídica autuada reconhece que não há crédito a ser reconhecido (não contesta o Despacho Decisório exarado no processo nº 15374.000653/200771 que considerou não declaradas as compensações realizadas mediante os PER/DCOMPs, acima descritas), mas se insurge quanto à exigência dos débitos, em síntese, mais especificamente em relação à multa isolada: ... apesar de ter realizado o pagamento dos supostos "créditos", assim como, pelos serviços prestados, descobriu a Recorrente que os mesmo não poderiam ser objeto de compensação por não terem natureza de tributos. Tratavase, de precatório judicial, com poder liberatório para pagamento de tributos federais. Posteriormente verificouse tratar de precatório falso, com valores em desacordo com a realidade e com informações incorretas. Ao perceber o “equívoco” entrou com parcelamento de todos os valores objeto da malsinada compensação. procedimento feito em 26 de setembro de 2007, através do Processo nº 15469001.016/ 200794, ou seja, antes do inicio da analise das compensações não reconhecidas. quando da fiscalização os valores objeto das compensações já haviam sido parcelados, tanto que não foram objeto do lançamento. Fl. 601DF CARF MF 10 a DCOMP apresentada é a única que difere das outras três declarações apresentadas a Receita Federal, com valor maior. entende que o parcelamento e a apresentação das DCTF'S antes do inicio da qualquer procedimento fiscal elidiu a multa de oficio isolada, pois antes de qualquer procedimento não havia mais qualquer compensação a ser apreciada (art. 138 do CTN). A 2ª Turma Ordinária / 3ª Câmara do Carf, com a composição de 09/05/2012, mediante a Resolução nº 1302000.166, de 09/05/2012, efls.293/301, decidiu pela conversão do julgamento em diligência, com o intuito de esclarecer os fatos. A Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes – Demac/RJO, elaborou a Informação Fiscal, efls.578/581, conclusiva para a análise, da qual foi cientificado o interessado em 30/03/2016, conforme o Termo de Ciência, efls.584. Apesar de cientificado o interessado não apresentou qualquer manifestação. Despacho de fl.8.799. Vale reproduzir excertos da Informação Fiscal (efls.578/581): Tendo em conta a diligência requerida pelo CARF, a fiscalização desta delegacia especializada elaborou vários Termos de Intimação a fim de que a contribuinte apresentasse a documentação necessária ao deslinde da questão. Na primeira intimação, em 13/10/2014, o Fisco solicitou os documentos de representação, arquivos contábeis validados e autenticados, cópias do Lalur e do Demonstrativo da base de cálculo da CSLL e Demonstrativos de apuração do PIS e da Cofins. Em sua resposta, a empresa informou que não teve tempo hábil para localizar os documentos solicitados. Após ser reintimada, Termo de Intimação n.º 2, de 27/11/2014, a contribuinte apresentou somente Contrato Social e suas alterações e Laudos de Avaliação do Patrimônio da Sociedade. Nos Termos n.º 3, 4 e 5 o sujeito passivo foi intimado e reentimado mais duas vezes a apresentar: contabilidade em meio magnético; Lalur; Demonstrativos de CSLL, PIS e Cofins; planilhas mensais com débitos e créditos de PIS/Cofins e demais informações necessárias para a apuração das mencionadas contribuições; balancetes analíticos mensais; cópias em excel ou PDF do Livro Diário e do Livro Razão; Plano de contas; DRE; cópias de DARF; eventuais ações judiciais; planilha com os valores solicitados em PER/DCOMP e informados em DCTF e DIPJ. A contribuinte respondeu ao fisco somente em abril de 2015, solicitando nova dilação de prazo. Informou ainda que em relação às cópias dos livros Diário e Razão, tendo em vista que para os períodos solicitados não havia obrigatoriedade de registros em meios digitais, a empresa possui estes itens somente em meio físico, cuja digitalização provocaria danos a estes documentos e violaria normas de manutenção do referido conteúdo. Tendo em vista o exposto, a contribuinte solicitou a análise física dos livros Diário e Razão em seu estabelecimento. Em 15/06/2015, a empresa foi cientificada do Termo de Intimação n.º 6 que novamente solicitou a apresentação dos Fl. 602DF CARF MF Processo nº 18471.001086/200872 Acórdão n.º 1201002.127 S1C2T1 Fl. 7 11 documentos necessários para a verificação dos tributos apurados no anoscalendário 2005. Entretanto, até a presente data, a contribuinte não acostou aos autos qualquer documento ou informação solicitada nesta diligência fiscal. ... Como visto, restaram mantidos pela DRJ os montantes devidos a título de CSLL do 2º trimestre de 2005, PIS de maio de 2005 e Cofins de julho de 2005. A discussão gira em torno da diferença, entre os valores constantes em DCOMP “nãodeclaradas” e nas DCTF, lançada de ofício. O CARF converteu o julgamento em diligência com o intuito de que a Fiscalização apurasse de ofício os montantes devidos, uma vez que as informações contidas nas DCOMP consideradas não declaradas não seriam suficientes para dirimir o litígio. A fim de efetuar as verificações pretendidas pelo CARF, a Fiscalização intimou várias vezes a contribuinte. Entretanto, como transcrito acima, a empresa não atendeu as solicitações elaboradas pela autoridade administrativa e não apresentou qualquer documentação. Desta forma, como expresso na informação fiscal, após inúmeras intimações, ficou evidente a inércia da contribuinte, a qual apresentou apenas argumentos evasivos para não apresentar o seu Livro Diário e seu Livro Razão, deixando sem qualquer justificativa o não atendimento aos demais itens requeridos pelo Fisco, tais como: Lalur, demonstrativos de CSLL, PIS e Cofins, planilhas mensais com débitos e créditos de PIS e Cofins, balancetes analíticos mensais, cópias de DARF, eventuais ações judiciais etc. No caso, a contribuinte afirma que se equivocou na última atividade, informando à Fazenda valores distintos na DCTF e na DCOMP. Assim, a contribuinte poderia facilmente demonstrar os erros contidos em suas declarações simplesmente apresentando a documentação que serviu de esteio para o cálculo dos correspondentes montantes. Sobre a CSLL do 2º Trim/2005 R$ 1.043,61, a autuação decorre da diferença entre o valor informado no PER/DCOMP considerado "não declarado" e o valor confessado em DCTF (a menor). Apesar de intimada reiteradamente, a empresa autuada não conduziu aos autos provas a demonstrar que houve erro na informação da CSLL na compensação considerada "não declarada", razão pela qual deve ser mantido o predito débito constituído mediante o auto de infração. Quanto ao PIS e Cofins de 2005, abaixo discriminados, transcrevo excertos do voto condutor da decisão da DRJ, cujos fundamentos também adoto como razão de decidir: PIS mai/05 148.659,01 COFINS jul/05 518.473,98 A autuada alega que os valores informados na DCOMP, para a COFINS do mês de julho/2005, e o PIS do mês de maio/2005, não correspondem ao devido, trazendo o Livro Razão para comprovação, fls. 156/161. Fl. 603DF CARF MF 12 A apresentação dos livros fiscais e contábeis, sem a documentação que lastreie os valores neles lançados, não fazem prova daquilo que a autuada alega. Cumpre ainda destacar que o valor informado na DACON do 3° trimestre de 2005, a titulo de valor devido de COFINS para o mês de julho, é de R$ 505.127,23, fls. 190, divergente do que afirma na impugnação, que seria de R$ 407.568,25. Logo, como não foram trazidas aos autos provas que comprovassem que os valores compensados são indevidos, voto por manter a cobrança da COFINS do mês julho/2005 e do PIS do mês de maio/2005. Do mesmo modo que em relação à CSLL, a recorrente apesar de intimada reiteradamente, não conduziu aos autos provas a demonstrar que houve erro na informação do PIS e Cofins na compensação considerada "não declarada", razão pela qual devem ser mantidos os mencionados débitos constituídos mediante os autos de infração. Quanto à Multa Isolada, a autuação tem como fundamento legal o artigo 18 da Lei n° 10.833/2003, com redação dada pela Lei no 11.051/04. Com efeito, a Lei no 11.051/04 vigente ao tempo dos fatos ocorridos em 2005 (Auto de Infração (fls.31/32) assim dispõe: Lei nº 11.051, de 29/12/2004 Art. 4o. O art. 74 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação:(Vide Decreto nº 7.212, de 2010) "Art. 74. ............................................................................ ............................................................................ § 3o............................................................................ ............................................................................ IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. ............................................................................ § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: I previstas no § 3º deste artigo; II em que o crédito: Fl. 604DF CARF MF Processo nº 18471.001086/200872 Acórdão n.º 1201002.127 S1C2T1 Fl. 8 13 a) seja de terceiros; b)refirase a "crédito prêmio" instituído pelo art. 1o do Decreto Lei no 491, de 5 de março de 1969; c) refirase a título público; d)seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. (...) Art. 25. Os arts. 10, 18, 51 e 58 da Lei no10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redação: (...) "Art. 18.O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964. ................................................................... § 2o A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2º do art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. ............................................................................ § 4o A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996." (NR) (Grifei) De acordo com a prescrição legal, será exigida multa isolada sobre o valor total do débito cuja compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. É o caso dos presente autos, pois, conforme consta do Auto de Infração (fls.31/32) a aplicação da multa isolada de 75% (setenta e cinco por cento) se deu sobre os débitos compensados mediante PER/DCOMP apresentadas, consideradas não declaradas, já que não se refere a tributos e contribuições administrados pela RFB. A autuada defendese afirmando, em síntese, que o lançamento é improcedente, já que teria desistido das compensações pela apresentação de pedido de parcelamento dos débitos. Fl. 605DF CARF MF 14 A pretensão da recorrente não tem amparo na legislação tributária. Ora, apresentadas as declarações de compensação pelo contribuinte, e, no caso de desistência dessas, deveria o interessado ter apresentado pedido à Receita Federal para o cancelamento, tal como previsto na IN SRF n° 600/2005, vigente à época da transmissão das compensações. Vejamos: Art. 62. A desistência do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF do Pedido de Cancelamento gerado a partir do Programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário (papel), mediante a apresentação de requerimento a SRF, o qual somente será deferido caso o Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa a data da apresentação do Pedido de Cancelamento ou do requerimento. Parágrafo único. 0 pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. Como se vê, o cancelamento de DCOMP pressupõe um pedido expresso do contribuinte e o deferimento da Administração. Não consta dos autos o pedido de cancelamento, e, as compensações julgadas não declaradas não foram canceladas pelo pedido de parcelamento dos débitos. Assim, deve ser mantida a exigência da multa de oficio isolada, nos termos do artigo 18 da Lei n° 10.833/2003, já que afastada a duplicidade no exame do recurso de ofício. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso de ofício, e , NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 606DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.724003/2011-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO DO JULGADO. CABIMENTO.
São cabíveis embargos de declaração para suprir omissão de acórdão. Os embargos são acolhidos para integrar os fundamentos eivados de omissão. Quando as omissões constatadas não tiverem o condão alterar a decisão embargada, não serão concedidos efeitos infringentes; mas, ao contrário, tais efeitos deverão ser concedidos.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
GANHO DE CAPITAL. ALTERAÇÃO NA BASE DE CÁLCULO. DIMINUIÇÃO SIMULTÂNEA DO VALOR DE VENDA E DO CUSTO CONTÁBIL. ERRO DE FATO QUE OCASIONOU ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DE PARTE DO LANÇAMENTO.
A diminuição do valor de venda de um investimento, para fins de apuração do ganho de capital, efetuada pela DRJ, não requer a necessidade de outro lançamento fiscal, pois trata-se de correção de erro de fato em que a empresa é a beneficiária do ajuste. Por outro lado, a diminuição do custo contábil do mesmo investimento efetuada pela DRJ corresponde a alterar o critério jurídico do lançamento, e independe de que a diminuição do valor de venda tenha "compensado" a redução do valor contábil. Desta feita, impende-se restabelecer o valor do custo contábil utilizado pela fiscalização no lançamento fiscal.
LUCROS NO EXTERIOR. EMPRESA SITUADA NO URUGUAI. ART. 74 DA MP Nº 2.158-35/2001. ADI 2.588/DF.
Nos termos do art. 74 da MP nº 2.158-35/2001, cuja constitucionalidade foi confirmada pelo STF por meio da ADI nº 2.588/DF, o lucro de empresa controlada considera-se disponibilizado na data da apuração do balanço da controlada no exterior. No mesmo átimo, a empresa controladora situada no Brasil deve adicionar tal lucro do exterior na base de cálculo do IRPJ a ser tributado internamente.
Numero da decisão: 1401-002.353
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os presentes embargos para suprir as omissões destacadas, com efeitos infringentes em relação ao ganho de capital e sem efeitos infringentes em relação à omissão de lucros apurados por controlada no exterior, nos termos do voto do Relator. Ausente momentaneamente a Conselheira Livia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à Conselheira Livia De Carli Germano), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO DO JULGADO. CABIMENTO. São cabíveis embargos de declaração para suprir omissão de acórdão. Os embargos são acolhidos para integrar os fundamentos eivados de omissão. Quando as omissões constatadas não tiverem o condão alterar a decisão embargada, não serão concedidos efeitos infringentes; mas, ao contrário, tais efeitos deverão ser concedidos. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 GANHO DE CAPITAL. ALTERAÇÃO NA BASE DE CÁLCULO. DIMINUIÇÃO SIMULTÂNEA DO VALOR DE VENDA E DO CUSTO CONTÁBIL. ERRO DE FATO QUE OCASIONOU ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DE PARTE DO LANÇAMENTO. A diminuição do valor de venda de um investimento, para fins de apuração do ganho de capital, efetuada pela DRJ, não requer a necessidade de outro lançamento fiscal, pois trata-se de correção de erro de fato em que a empresa é a beneficiária do ajuste. Por outro lado, a diminuição do custo contábil do mesmo investimento efetuada pela DRJ corresponde a alterar o critério jurídico do lançamento, e independe de que a diminuição do valor de venda tenha "compensado" a redução do valor contábil. Desta feita, impende-se restabelecer o valor do custo contábil utilizado pela fiscalização no lançamento fiscal. LUCROS NO EXTERIOR. EMPRESA SITUADA NO URUGUAI. ART. 74 DA MP Nº 2.158-35/2001. ADI 2.588/DF. Nos termos do art. 74 da MP nº 2.158-35/2001, cuja constitucionalidade foi confirmada pelo STF por meio da ADI nº 2.588/DF, o lucro de empresa controlada considera-se disponibilizado na data da apuração do balanço da controlada no exterior. No mesmo átimo, a empresa controladora situada no Brasil deve adicionar tal lucro do exterior na base de cálculo do IRPJ a ser tributado internamente.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10980.724003/2011-61
anomes_publicacao_s : 201806
conteudo_id_s : 5866788
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-002.353
nome_arquivo_s : Decisao_10980724003201161.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
nome_arquivo_pdf_s : 10980724003201161_5866788.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os presentes embargos para suprir as omissões destacadas, com efeitos infringentes em relação ao ganho de capital e sem efeitos infringentes em relação à omissão de lucros apurados por controlada no exterior, nos termos do voto do Relator. Ausente momentaneamente a Conselheira Livia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à Conselheira Livia De Carli Germano), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
id : 7308144
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:19:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050309002002432
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1949; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 1.891 1 1.890 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.724003/201161 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1401002.353 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de abril de 2018 Matéria GANHOS DE CAPITAL / LUCROS NO EXTERIOR Embargante RUMO S/A, NOVA DENOMINAÇÃO DE ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007, 2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO DO JULGADO. CABIMENTO. São cabíveis embargos de declaração para suprir omissão de acórdão. Os embargos são acolhidos para integrar os fundamentos eivados de omissão. Quando as omissões constatadas não tiverem o condão alterar a decisão embargada, não serão concedidos efeitos infringentes; mas, ao contrário, tais efeitos deverão ser concedidos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 GANHO DE CAPITAL. ALTERAÇÃO NA BASE DE CÁLCULO. DIMINUIÇÃO SIMULTÂNEA DO VALOR DE VENDA E DO CUSTO CONTÁBIL. ERRO DE FATO QUE OCASIONOU ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DE PARTE DO LANÇAMENTO. A diminuição do valor de venda de um investimento, para fins de apuração do ganho de capital, efetuada pela DRJ, não requer a necessidade de outro lançamento fiscal, pois tratase de correção de erro de fato em que a empresa é a beneficiária do ajuste. Por outro lado, a diminuição do custo contábil do mesmo investimento efetuada pela DRJ corresponde a alterar o critério jurídico do lançamento, e independe de que a diminuição do valor de venda tenha "compensado" a redução do valor contábil. Desta feita, impendese restabelecer o valor do custo contábil utilizado pela fiscalização no lançamento fiscal. LUCROS NO EXTERIOR. EMPRESA SITUADA NO URUGUAI. ART. 74 DA MP Nº 2.15835/2001. ADI 2.588/DF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 40 03 /2 01 1- 61 Fl. 1891DF CARF MF 2 Nos termos do art. 74 da MP nº 2.15835/2001, cuja constitucionalidade foi confirmada pelo STF por meio da ADI nº 2.588/DF, o lucro de empresa controlada considerase disponibilizado na data da apuração do balanço da controlada no exterior. No mesmo átimo, a empresa controladora situada no Brasil deve adicionar tal lucro do exterior na base de cálculo do IRPJ a ser tributado internamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os presentes embargos para suprir as omissões destacadas, com efeitos infringentes em relação ao ganho de capital e sem efeitos infringentes em relação à omissão de lucros apurados por controlada no exterior, nos termos do voto do Relator. Ausente momentaneamente a Conselheira Livia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à Conselheira Livia De Carli Germano), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Embargos de Declaração promovidos pela empresa Rumo S/A, por omissões e obscuridade contidas no acórdão nº 1401001.396, de 4 de março de 2015, proferido por esta turma ordinária. A empresa embargante alega a existência das seguintes omissões e obscuridades, conforme consta no despacho que admitiu parte dos Embargos: a) omissão quanto à inexistência de ganho de capital na alienação da BF e da NOVOESTE – impossibilidade de inovação do critério jurídico pela DRJ; 1 1 "Contudo, em nenhum momento foram discutidas as alegações da Embargante a respeito da impossibilidade de alteração de critério jurídico pela DRJ na consideração das parcelas valor de alienação e custo de aquisição que servem de base ao cálculo do alegado ganho de capital." (efls. 1.673) Fl. 1892DF CARF MF Processo nº 10980.724003/201161 Acórdão n.º 1401002.353 S1C4T1 Fl. 1.892 3 b) omissão quanto à fundamentação da decisão embargada; 2 c) omissão quanto aos lucros apurados por controlada no Uruguai; 3 d) omissão quanto à ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa; e e) obscuridade quanto ao ganho de capital. 4 Os Embargos foram aceitos em relação às seguintes omissões apontadas: (a) omissão quanto à inexistência de ganho de capital na alienação da BF e da NOVOESTE impossibilidade de inovação do critério jurídico pela DRJ. Quanto a este item, foi consignado no despacho de admissibilidade dos Embargos que a decisão embargada não abordou os seguintes tópicos do Recurso Voluntário (efls. 1.219 a 1.225): 2.1.1 Reconhecimento do equívoco na apuração da base de cálculo pela DRJ – novos argumentos para tentar “salvar” os lançamentos e Da impossibilidade de inovação do critério jurídico efetuada pela DRJ (c) omissão quanto aos lucros apurados por controlada no Uruguai Quanto a este item, foi consignado no despacho de admissibilidade dos Embargos que a decisão embargada não abordou os seguintes tópicos do Recurso Voluntário (efls. 1.336 a 1.349): 2.5.2 – Da inconstitucionalidade e ilegalidade da tributação automática dos lucro auferidos por empresas coligadas ou controladas no exterior – impossibilidade de tributação dos lucros auferidos pela controlada uruguaia da Recorrente 2.5.2.1 – Da evolução legislativa quanto à tributação de lucros auferidos por empresas coligadas ou controladas no exterior 2.5.2.2 – Da inconstitucionalidade do artigo 74 da Medida Provisória nº 2.15835/01 – violação aos conceitos de renda e lucro 2.5.2.3 – Da ficção de disponibilização dos lucros – ofensa aos princípios da capacidade contributiva e efeito confiscatório 2 "Tratase, à toda evidência, de clara omissão a ser suprida por este E. CARF, na medida em que o Conselheiro Relator deixou de analisar e fundamentar o caso colocado sob seu julgamento, para simplesmente transcrever o arrazoado utilizado pela instância inferior, sob pena de nulidade do julgado." (efls. 1.674) 3 "Após esse parágrafo introdutório, os lucros auferidos pela Boswell, controlada uruguaia da Embargante, não voltam a ser mencionados, o que representa, novamente, hialina omissão que não pode ser admitida." (efls. 1.677) 4 "Tratase, a toda prova, de obscuridade constante do acórdão embargado, na medida em que não estão claras as razões pelas quais o Conselheiro Relator considerou que o argumento da Embargante, no que diz respeito à inexistência de ganho de capital, não poderia ser aceito." (efls. 1.681) Fl. 1893DF CARF MF 4 Quanto aos demais itens do auto de infração, no despacho de admissibilidade dos Embargos entendeuse que não houve omissões ou obscuridade no acórdão embargado. Pois bem. Como relação às duas infrações, que serão objeto destes Embargos, convém reproduzir os argumentos trazidos pela ora embargante em sua peça recursal: INFRAÇÃO "A" GANHO DE CAPITAL (BASE DE CÁLCULO) 2.1.1 Reconhecimento do equívoco na apuração da base de cálculo pela DRJ – novos argumentos para tentar “salvar” os lançamentos No recurso voluntário, a ora embargante reproduz trecho de Termo de Verificação Fiscal e apresenta seus argumentos quanto ao fundamento utilizado pela DRJ (efl. 1.220 a 1.224): e.5) Da apuração do Ganho de Capital 180. Conforme demonstrado no item 157, quando da operação de compra da BF e da Novoeste em junho de 2006, o valor do custo de aquisição (ágio) apurado e registrado na contabilidade da ALL foi de R$ 2.109.010.167,04. 181. De acordo com o exposto nos itens 170 e 171, uma vez que a venda das companhias BF e Novoeste deuse pelo valor contábil, o valor da alienação foi de R$ 2.512.083.079,53. 182. Desta forma, a ALL obteve na venda da BF e da Novoeste, um ganho de capital no valor de R$ 403.072.912,49, o qual não foi adicionado na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL no anocalendário de 2007, como previsto nos arts. 249, inciso II, 251, parágrafo único, 418 e 426 do RIR/99. Conforme se verifica dos trechos acima transcritos, o Sr. Agente Fiscal entendeu que o ganho de capital (R$ 403.072.912,49) seria apurado a partir da diferença entre o custo de aquisição (R$ 2.109.010.167,04) e o valor de alienação (R$ 2.512.083.079,53). Confirase: Valor de Alienação R$ 2.512.083.079,53 Custo Contábil () R$ 2.109.010.167,04 Suposto Ganho de Capital R$ 403.072.912,49 Ao analisar a composição do suposto ganho de capital, verificou a DRJ o evidente equívoco cometido pelo Sr. Agente Fiscal ao lavrar os presentes autos de infração. Contudo, ao invés de cancelar os autos de infração em função desse vício na apuração da base de cálculo dos tributos supostamente devidos, a DRJ entendeu por bem "corrigir" os lançamentos, para mantêlos, conforme se verifica dos trechos abaixo transcritos: 137. Da Análise dos autos chegase à conclusão de que procede em parte o lançamento fiscal da infração em análise. (...) 163. Dessa forma, voto por manter parcialmente a exigência, reduzindo para R$ 394.901.618 o ganho de capital (considerando R$ 2.186.474.845,00 como valor de alienação e R$ 1.791.573.226,85 como custo contábil) apurado na alienação das Fl. 1894DF CARF MF Processo nº 10980.724003/201161 Acórdão n.º 1401002.353 S1C4T1 Fl. 1.893 5 participações societárias das controladas Brasil Ferrovias S/A e Novoeste Brasil S/A (fls. 1.186). Comparandose os valores apurados pelo Sr. Agente Fiscal e os valores apurados (recalculados) pela DRJ, por meio do acórdão ora recorrido, verificase o reconhecimento do evidente equívoco cometido quando da lavratura dos autos de infração, os quais passaram a ser "corrigidos" pela decisão ora recorrida: Fiscalização DRJ Valor de Alienação R$ 2.512.083.079,53 R$ 2.186.474.845,00 Custo Contábil () R$ 2.109.010.167,04 () R$ 1.791.573.226,85 Suposto Ganho de Capital R$ 403.072.912,49 R$ 394.901.618,15 De fato, verificase que a DRJ entendeu que o valor de alienação não foi o apurado corretamente pelo Sr. Agente Fiscl, pois não se considerou a retificação do valor de integralização realizada pela Recorrente: "146. Assim, entendo que cabe razão à impugnante no que se refere ao valor de alienação dessas participações societárias, pois deve ser considerada a integralização de R$ 2.186.474.845,00 para o aumento de capital da JPESPE Empreendimentos e Participações Ltda. constante da 2ª Alteração do Contrato Social desta (fls. 324336), de 07/02/2008, porquanto o valor de integralização informado na 1ª alteração contratual (R$ 2.512.083.080,00) foi retificado e não corresponde à operação realizada em 03/12/2007." (g.n.) Ocorre que, de forma totalmente inusitada, a DRJ realiza nova interpretação dos dispositivos legais que fundamentaram a lavratura dos presentes autos de infração para "recompor" o custo contábil dos investimentos que foram alienados pela Recorrente. Confira se: 161. Por conseguinte, para fins de determinação do ganho de capital, o valor contábil dos investimentos, em 03/12/2007, nas controladas Brasil Ferrovias e Novoeste Brasil é R$ 1.791.573.226,85, correspondente à soma algébrica dos saldos das contas representativas do patrimônio líquido pelo qual o investimento foi registrado (contas 22.42.108 e 22.42.109) com os ágios apurados na aquisição desses investimentos (saldo ajustado das contas 13.10.325 e 13.10.326): VALOR CONTÁBIL EM 03/12/2007 (R$) DISCRIMINAÇÃO Provisão Passivo a Descoberto Ágio Total Brasil Ferrovias S/A 236.196.669,85 1.999.201.152,83 1.763.004.482,98 Novoeste Brasil S/A 89.412.065,50 117.980.809,37 28.568.743,87 Total 325.608.735,35 2.117.181.962,20 1.791.573.226,85 Ante o exposto, verificase que os créditos utilizados pela DRJ para a "apuração" da nova base de cálculo dos tributos supostamente devidos pela Recorrente são completamente distintos dos critérios utilizados pelo Sr. Agente Fiscal, o que demonstra a evidente "iliquidez e incerteza" aos autos de infração lavrados. Fl. 1895DF CARF MF 6 Contudo, inobstante o reconhecimento do equívoco cometido pelo Sr. Agente Fiscal, decide a DRJ "recompor" a base de cálculo dos tributos supostamente devidos, sob novos argumentos que não foram utilizados para a lavratura dos autos de infração. Tratase de evidente tentativa de "salvar" os presentes lançamentos, que não pode ser acolhida por esse E. Conselho. De fato, verificase que a "fórmula" encontrada pelos Srs. Julgadores, na tentativa de salvar os autos de infração, foi a de realizar nova interpretação do artigo 426 do RIR/99, para desconstituir o custo contábil do investimento registrado pela Recorrente. Confirase a redação do dispositivo: Art. 425. O ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento será determinado com base no valor contábil (art. 418, par. 1º) (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 31, par. 3º). (...) Art. 426. O valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor A de patrimônio líquido (art. 384), será a soma algébrica dos seguintes valores (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 33, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso V): B I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que C tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real; Segundo esse entendimento, conforme demonstrado, o custo de aquisição deveria ter sido deduzido do valor provisão para passivo a descoberto (no valor total de R$ 325.608.735,35), por ser supostamente o valor contábil (A) para efeito de apuração do ganho de capital, nos termos do artigo 426 do RIR/99. No entanto, esta interpretação não merece prosperar, pois apuração do valor contábil do investimento (A) corresponde apenas ao valor do ágio registrado pela Recorrente (C), pois o ativo investimento não possuía valor de patrimônio líquido registrado na contabilidade (B). Dessa forma, é patente o equívoco cometido pela Turma Julgadora na decisão ora recorrida, pois pretende qualificar como "valor de patrimônio líquido do investimento" (conta de ativo) o "valor da provisão passivo a descoberto" (conta de passivo), o que demonstra a total insubsistência do novo argumento aduzido. Contudo, mesmo que fossem corretos os novos argumentos levantados pela DRJ para tentar "salvar" os autos de infração lavrados, o que se admite apenas a título argumentativo, não merece prosperar o procedimento realizado na decisão ora recorrida, devendo ser reformada por esse E. Conselho. Da Impossibilidade de Inovação do Critério Jurídico Efetuada pela DRJ De fato, uma vez constituído o crédito tributário baseado em determinado critério jurídico, cabe à Autoridade Julgadora, além de determinar a realização de eventuais diligências e perícias, apenas a declaração: (i) da total improcedência do lançamento; ou (ii) da sua procedência. Fl. 1896DF CARF MF Processo nº 10980.724003/201161 Acórdão n.º 1401002.353 S1C4T1 Fl. 1.894 7 Efetivamente, a Turma Julgadora não tem competência para alterar os fundamentos jurídicos utilizados pela Fiscalização (como ocorreu no presente caso), já que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, conforme preceitua os artigos 142 e 149 do CTN, bem como representa ato formal, dotado de requisitos próprios. Em razão dessa previsão e das formalidades que são atribuídas ao lançamento, verificase que a Turma Julgadora jamais poderia ter inovado no critério jurídico e nas fundamentações utilizadas pela Fiscalização para apurar o suposto ganho de capital auferido pela Recorrente, por ser absolutamente incompetente para tanto. Dessa forma, o que ocorreu no presente caso foi a evidente usurpação da competência outorgada à autoridade lançadora, uma vez que apenas os Auditores Fiscais podem realizar o lançamento tributário. Logo, o aperfeiçoamento e a correção, pela Turma Julgadora, dos lançamentos primitivos, devem ser rechaçados de plano, conforme já se posicionou, reiteradas vezes, o antigo E. Conselho de Contribuintes, verbis: (...) A empresa alega em conclusão o seguinte: Portanto, em razão da impossibilidade de a Turma Julgadora inovar o critério jurídico do lançamento, com a alteração da fundamentação legal com base em supostos vícios que foram manifestamente afastados pela fiscalização, aguarda a Recorrente que esse E. CARF reforme (parcialmente) a decisão ora recorrida para cancelar integralmente os créditos tributários exigidos por meio do presente processo administrativo. INFRAÇÃO "C" LUCROS DO EXTERIOR (URUGUAI) A outrora recorrente traça histórico legislativo da tributação de lucros no exterior, pedindo pela aplicação de princípios que norteiam a tributação, como capacidade contributiva e não confisco, por entender que o art. 74 da MP nº 2.15835/2001 seria inconstitucional. Alega ainda que o art. 74 criou uma ficção jurídica de disponibilização de lucros, reforçando que há ofensa aos princípios da capacidade contributiva e do não confisco, o que deveria ser rechaçado pelo CARF. Tendo em vista que o STF ainda não havia exarado decisão sobre a Ação Declaratória de Inconstitucionalidade nº 2.588/DF, e uma vez que havia previsão no Regimento do CARF par tanto, este processo foi sobrestado até a decisão da ADI nº 2.588/DF, ocasião em que o processo retornou para ser julgado. No julgamento, a turma deixou de enfrentar a questão postulada pela outrora recorrente. Na análises destes Embargos, porém, fui sorteado para ser o Relator, uma vez que o conselheiro que foi relator no acórdão de recurso de ofício e voluntário teve seu mandato expirado. É o Relatório. Fl. 1897DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Os Embargos são tempestivos e atendem aos requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecidos. INFRAÇÃO "A" GANHO DE CAPITAL (BASE DE CÁLCULO) Delimitação da Lide O que deve ser tratado em relação a esta infração é se a DRJ alterou o critério jurídico do lançamento fiscal e/ou se houve equívoco na apuração da base de cálculo do tributo que foi mantido pela DRJ. Isto porque no acórdão nº 1401001.396, de 04 de março de 2015, exarado por esta turma ordinária, em outra composição, não foram enfrentadas tais questões, apesar de terem sido trazidas pela ora embargante em sua peça recursal. Entretanto, concluiuse que o acórdão da DRJ representou o entendimento desta turma ordinária, manifestada em razão da análise do recurso de ofício. Quer dizer, o CARF percebeu que estaria correta a apuração da base de cálculo do ganho de capital apurada pela DRJ. Desta forma, o que se deve avaliar é, partindo do entendimento firmado pela DRJ e convalidado por esta turma do CARF e comparandoo com os fundamentos do lançamento fiscal, se houve alteração no critério jurídico do lançamento e/ou houve equívoco na apuração da base de cálculo do tributo que foi mantido pela DRJ. Comparativo de Base de Cálculo Fisco x DRJ/CARF Esse é o quadro que resume os valores da alienação e o custo contábil apresentados pela fiscalização e pela DRJ: Fiscalização DRJ Valor de Alienação R$ 2.512.083.079,53 R$ 2.186.474.845,00 Custo Contábil () R$ 2.109.010.167,04 () R$ 1.791.573.226,85 Suposto Ganho de Capital R$ 403.072.912,49 R$ 394.901.618,15 Se olharmos somente para o ganho de capital, podemos constatar que a DRJ reduziu o valor do lançamento fiscal, o que aproveitaria à ora embargante. De outra monta, se avaliarmos como o fisco e a DRJ chegaram na referida base de cálculo, vêse a relevante discrepância entre os critérios adotados. Fl. 1898DF CARF MF Processo nº 10980.724003/201161 Acórdão n.º 1401002.353 S1C4T1 Fl. 1.895 9 Na operação de reorganização societária, a formalização dos instrumentos contratuais deve ser contemporânea aos atos praticados. Não obstante esta regra, sabese que na prática nem sempre isso ocorre. Daí a necessidade de se avaliarem outras questões, para que se confirme a essência do negócio jurídico. No caso concreto, a fiscalização não aceitou os ajustes efetuados após a aquisição das ações da Brasil Ferrovias e da Novoeste, por entender que os laudos que os suportavam também foram firmados em data posterior à operação societária. Cálculos conforme fiscalização Em relação ao valor de venda, a fiscalização considerou o montante de R$ 2.512.083.079,53, que se refere ao aumento de capital da JPESPE com integralização das ações da Brasil Ferrovias e Novoeste Brasil. Como valor contábil para ser deduzido do valor de venda, considerou o valor correspondente ao custo inicial do investimento, ou seja, R$ 2.109.010.167,04 (formado pelo custo inicial + ágio (que comporta também o PL negativo)). Capital Integralizado Corrigiu em 18/08/06, sendo 1.403.888.213,32 PL negativo ágio ÁGIO BRASIL 1.312.945.976,61 677.704.514,81 1.990.650.491,42 ÁGIO NOVOESTE 90.942.236,71 27.417.438,41 118.359.675,12 Valor Contábil (Fisco) 2.109.010.166,54 Cálculos conforme DRJ A DRJ, por sua vez, considera como valor da venda o montante de R$ 2.186.474.845,00, que é resultado do valor da subtração de R$ 2.512.083.079,53 por R$ 325.608.735,35, sendo que o valor de R$ 325.608.735,35 se refere à provisão para passivo a descoberto que foi trazido após a operação de aquisição das empresas por meio de integralização de capital, e não foi aceito pela fiscalização. Quanto ao custo, a DRJ também considera os custos trazidos após a operação de aquisição das empresas por meio de integralização de capital. Desta forma, para o cálculo do seu valor de venda e de seu custo servese do valor de R$ 325.608.735,35, que é justamente o valor da Provisão para Passivo a Descoberto, que não havia sido anteriormente contabilizada, para o cálculo do valor a ser tributado, veja: VALOR CONTÁBIL EM 03/12/2007 (R$) DISCRIMINAÇÃO Provisão Passivo a Descoberto Ágio Total Brasil Ferrovias S/A 236.196.669,85 1.999.201.152,83 1.763.004.482,98 Novoeste Brasil S/A 89.412.065,50 117.980.809,37 28.568.743,87 Total 325.608.735,35 2.117.181.962,20 1.791.573.226,85 Repare que a DRJ excluiu tanto do valor de venda como do custo o montante referente ao passivo a descoberto decorrente de provisão que não havia sido constituída em época própria, qual seja, R$ 325.608.735,35. Fl. 1899DF CARF MF 10 Quanto à redução do valor de venda do investimento, entendo correto o procedimento da DRJ e do CARF, pois apenas corrigiuse o valor da base de tributação. Entretanto, quanto à redução do custo contábil, entendo que a DRJ inovou no critério jurídico, aumentando o valor da base de tributação mesmo que o saldo final da tributação tenha sido reduzido e fazendo as vezes de autoridade lançadora. Situação análoga seria se a DRJ entendesse que o investimento fora alienado por valor maior que o que constatou a fiscalização, e resolvesse "corrigir" a eventual falha no julgamento da impugnação. Desta forma, reduzir o custo contábil ou majorar o valor da alienação do investimento, é de competência exclusiva da autoridade fiscal, e foge totalmente do conceito de correção de erro material. Por outro lado, não se pode considerar o valor de venda conforme apurado pelo fisco, pois o valor foi consignado incorretamente, conforme reconheceu a DRJ e o CARF. Diante do exposto, voto por acolher os embargos e atribuir, quanto a este ponto, efeitos infringentes, para considerar no ganho de capital o valor de custo apurado pela fiscalização e o valor de venda apurado pela DRJ. Desta forma, o ganho de capital da referida operação será o seguinte: R$ 2.186.474.845,00 R$ 2.109.010.167,04 R$ 77.464.677,96 INFRAÇÃO "A" OMISSÃO DE LUCROS APURADOS POR CONTROLADA NO URUGUAI A embargante alega que a turma do CARF não se manifestou sobre a tributação dos lucros apurados por sua controlada no Uruguai, empresa Boswell, no montante de R$ 8.667,10. No voto da DRJ, houve o devido enfrentamento da matéria. Assim, por concordar com seus fundamentos, reproduzo trecho da decisão a quo e adotoo como razão de decidir (efls. 1.170 e 1.173): (início da transcrição do voto da DRJ) 105. Com relação à tributação dos lucros auferidos pela controlada uruguaia, discorre acerca do princípio da tributação em bases universais, em substituição ao princípio da territorialidade, antes vigente; que a Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, tributa os lucros não disponibilizados pelas sociedades controladas ou coligadas sediadas no exterior; que a mera apuração do lucro líquido pela empresa coligada ou controlada sediada no exterior não acarreta, obviamente, a imediata possibilidade, para a empresa coligada ou controladora situada no Brasil, de dispor da renda (ou do lucro) de forma efetiva e atual; que a disponibilidade econômica ou jurídica ocorre, por exemplo, nas hipóteses previstas na Lei n° 9.532, de 1997 (pagamento ou crédito), mas nunca pela mera apuração do lucro líquido. 115. Por conseguinte, cabe manter a exigência relativa ao lucro disponibilizado de R$ 8.667,10 no anocalendário de 2006 pela controlada Boswells, localizada no Uruguai. Fl. 1900DF CARF MF Processo nº 10980.724003/201161 Acórdão n.º 1401002.353 S1C4T1 Fl. 1.896 11 (término da transcrição do voto da DRJ) Além do exposto, tenho a acrescentar que o art. 25 da Lei 9.249/1995 determina que os lucros das controladas no exterior deverão ser adicionados ao lucro líquido da controladora: Lei nº 9.249, de 1995 Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. (...) § 2º Os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, no exterior, de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte: I as filiais, sucursais e controladas deverão demonstrar a apuração dos lucros que auferirem em cada um de seus exercícios fiscais, segundo as normas da legislação brasileira; II os lucros a que se refere o inciso I serão adicionados ao lucro líquido da matriz ou controladora, na proporção de sua participação acionária, para apuração do lucro real;(...) (destaquei). O art. 74 da MP 2.15835/2001, por sua vez, trata do momento da tributação dos lucros no exterior, veja: Art. 74. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. Parágrafo único. Os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor. Em razão da celeuma surgida com a inauguração do referido art. 74, mormente pelo indicação do momento da disponibilização dos lucros, o STF foi acionado para se manifestar acerca da constitucionalidade do referido art. 74. Sem querer adentrar na discussão emergida com a referida ordem judicial, o STF definiu o caso conforme o que segue5: 5 extraído, no dia 11/09/2017, do seguinte endereço eletrônico: http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=630053 Fl. 1901DF CARF MF 12 2. Orientada pelos pontos comuns às opiniões majoritárias, a composição do resultado reconhece: 2.1. A inaplicabilidade do art. 74 da MP 2.15835 às empresas nacionais coligadas a pessoas jurídicas sediadas em países sem tributação favorecida, ou que não sejam “paraísos fiscais”; 2.2. A aplicabilidade do art. 74 da MP 2.15835 às empresas nacionais controladoras de pessoas jurídicas sediadas em países de tributação favorecida, ou desprovidos de controles societários e fiscais adequados (“paraísos fiscais”, assim definidos em lei); (...) Quanto às controladas sediadas em países sem tributação favorecida e as coligadas situadas em países com tributação favorecida, o STF não se manifestou na referida ADI 2.588/DF, deixando uma lacuna jurisprudencial no tratamento dispensado a estas empresas. Após isso, no julgamento dos recursos extraordinários RE 541.090/SC (que analisou a situação de uma controlada residente em país sem tributação favorecida) e RE 611.586/PR (que analisou a situação de uma controlada residente em país com tributação favorecida "paraíso fiscal") o STF se manifestou pela possibilidade de aplicação do art. 74 da MP 2.15835/2001 a controladas sediadas em país sem tributação favorecida. Vejase a ementa dos dois precedentes: Ementa: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCROS PROVENIENTES DE INVESTIMENTOS EM EMPRESAS COLIGADAS E CONTROLADAS SEDIADAS NO EXTERIOR. ART. 74 DA MEDIDA PROVISÓRIA 2.15835/2001. 1. No julgamento da ADI 2.588/DF, o STF reconheceu, de modo definitivo, (a) que é legítima a aplicação do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 relativamente a lucros auferidos por empresas controladas localizadas em países com tributação favorecida (= países considerados “paraísos fiscais”); e (b) que não é legítima a sua aplicação relativamente a lucros auferidos por empresas coligadas sediadas em países sem tributação favorecida (= não considerados “paraísos fiscais”). Quanto às demais situações (lucros auferidos por empresas controladas sediadas fora de paraísos fiscais e por empresas coligadas sediadas em paraísos fiscais), não tendo sido obtida maioria absoluta dos votos, o Tribunal considerou constitucional a norma questionada, sem, todavia, conferir eficácia erga omnes e efeitos vinculantes a essa deliberação. 2. Confirmase, no presente caso, a constitucionalidade da aplicação do caput do art. 74 da referida Medida Provisória relativamente a lucros auferidos por empresa controlada sediada em país que não tem tratamento fiscal favorecido. Todavia, por ofensa aos princípios constitucionais da anterioridade e da irretroatividade, afirmase a inconstitucionalidade do seu parágrafo único, que trata dos lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2002. 3. Recurso extraordinário provido, em parte. Ementa: TRIBUTÁRIO. INTERNACIONAL. IMPOSTO DE RENDA E PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA. PARTICIPAÇÃO DE EMPRESA CONTROLADORA OU COLIGADA NACIONAL NOS LUCROS AUFERIDOS POR PESSOA JURÍDICA CONTROLADA OU COLIGADA SEDIADA NO EXTERIOR. LEGISLAÇÃO QUE Fl. 1902DF CARF MF Processo nº 10980.724003/201161 Acórdão n.º 1401002.353 S1C4T1 Fl. 1.897 13 CONSIDERA DISPONIBILIZADOS OS LUCROS NA DATA DO BALANÇO EM QUE TIVEREM SIDO APURADOS (“31 DE DEZEMBRO DE CADA ANO”). ALEGADA VIOLAÇÃO DO CONCEITO CONSTITUCIONAL DE RENDA (ART. 143, III DA CONSTITUIÇÃO). EMPRESA CONTROLADA SEDIADA EM PAÍS DE TRIBUTAÇÃO FAVORECIDA OU CLASSIFICADO COMO “PARAÍSO FISCAL”. MP 2.15835/2001, ART. 74. LEI 5.720/1966, ART. 43, § 2º (LC 104/2000). 1. Ao examinar a constitucionalidade do art. 43, § 2º do CTN e do art. 74 da MP 2.158/2001, o Plenário desta Suprema Corte se dividiu em quatro resultados: 1.1. Inconstitucionalidade incondicional, já que o dia 31 de dezembro de cada ano está dissociado de qualquer ato jurídico ou econômico necessário ao pagamento de participação nos lucros; 1.2. Constitucionalidade incondicional, seja em razão do caráter antielisivo (impedir “planejamento tributário”) ou antievasivo (impedir sonegação) da normatização, ou devido à submissão obrigatória das empresas nacionais investidoras ao Método de Equivalência Patrimonial – MEP, previsto na Lei das Sociedades por Ações (Lei 6.404/1976, art. 248); 1.3. Inconstitucionalidade condicional, afastada a aplicabilidade dos textos impugnados apenas em relação às empresas coligadas, porquanto as empresas nacionais controladoras teriam plena disponibilidade jurídica e econômica dos lucros auferidos pela empresa estrangeira controlada; 1.4. Inconstitucionalidade condicional, afastada a aplicabilidade do texto impugnado para as empresas controladas ou coligadas sediadas em países de tributação normal, com o objetivo de preservar a função antievasiva da normatização. 2. Orientada pelos pontos comuns às opiniões majoritárias, a composição do resultado reconhece: 2.1. A inaplicabilidade do art. 74 da MP 2.15835 às empresas nacionais coligadas a pessoas jurídicas sediadas em países sem tributação favorecida, ou que não sejam “paraísos fiscais”; 2.2. A aplicabilidade do art. 74 da MP 2.15835 às empresas nacionais controladoras de pessoas jurídicas sediadas em países de tributação favorecida, ou desprovidos de controles societários e fiscais adequados (“paraísos fiscais”, assim definidos em lei); 2.3. A inconstitucionalidade do art. 74 par. ún., da MP 2.15835/2001, de modo que o texto impugnado não pode ser aplicado em relação aos lucros apurados até 31 de dezembro de 2001. 3. No caso em exame, a empresa controlada está sediada em país inequivocamente classificado como “paraíso fiscal”. Recurso extraordinário conhecido, mas ao qual se nega provimento. Do resultado do julgamento, consignouse a constitucionalidade do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001. A única ressalva encontrase no entendimento estabelecido pelo STF no julgamento da ADI 2.588/DF, e diz respeito às coligadas residentes em países sem tributação favorecida. Contudo, essa última hipótese não se aplica ao caso dos autos. Desta forma, voto por acolher os embargos e não atribuir efeitos infringentes quanto a este ponto. Fl. 1903DF CARF MF 14 Conclusão Diante do exposto, ACOLHO os presentes embargos para suprir as omissões destacadas, COM efeitos infringentes em relação ao ganho de capital, cuja base de lançamento (valor de alienação [menos] custo) para a tributação do ganho de capital deve ser de R$ 77.464.677,96, e SEM efeitos infringentes em relação à omissão de lucros apurados por controlada no exterior, mantendo, quanto aos demais pontos, a decisão exarada no acórdão nº 1401001.396, de 04 de março de 2015, desta turma ordinária. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 1904DF CARF MF
score : 1.0
