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Numero do processo: 11060.000925/2009-17
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DECRETO LEI 1.510/76. ISENÇÃO POR PRAZO INDETERMINADO.
Sendo a isenção do art. 4º, 'd', do Decreto Lei nº 1.510/76 do tipo incondicionada, afasta-se a aplicação da exceção do art. 178 do CNT, não havendo que se falar em isenção do IRPF aos fatos geradores posteriores à Lei nº 7.713/88.
Numero da decisão: 9202-003.769
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Patrícia Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento ao recurso. A Conselheira Patrícia Silva apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI- Relatora.
EDITADO EM: 14/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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Decreto Lei 1.510/76 Recorrente Fazenda Nacional Interessado Alcindo Luiz Maffini ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DECRETO LEI 1.510/76. ISENÇÃO POR PRAZO INDETERMINADO. Sendo a isenção do art. 4º, 'd', do Decreto Lei nº 1.510/76 do tipo incondicionada, afastase a aplicação da exceção do art. 178 do CNT, não havendo que se falar em isenção do IRPF aos fatos geradores posteriores à Lei nº 7.713/88. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Patrícia Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento ao recurso. A Conselheira Patrícia Silva apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Relatora. EDITADO EM: 14/03/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 09 25 /2 00 9- 17 Fl. 247DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em razão de comprovada divergência jurisprudencial sobre o tema: aquisição de participação societária sob a égide do Decreto Lei 1.510/76 e alienação na vigência da Lei nº 7.713/88. Foi lavrado auto de infração para exigir do Recorrido Imposto de Renda supostamente devido em razão do ganho de capital decorrente da alienação de quotas societárias no ano de 2007. O fiscal responsável entendeu existir na conduta do contribuinte as seguintes infrações: 1. omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, decorrentes das parcelas recebidas nos termos do Termo de Cessão e Transferência de Quotas Sociais firmado com o Sr. Doreni Isaias Carmori; 2. falta de recolhimento do imposto incidente sobre os ganhos de capital referente à alienação da participação societária na empresa Expresso São Pedro Ltda, mediante Termo de Cessão e Transferência de Quotas Sociais firmado com o Sr. Doreni Isaias Carmori; 3. falta de recolhimento do imposto de renda pessoa física devido à titulo de recolhimento mensal obrigatório — carnê leão. Entendeu também que a omissão da receita configuraria fraude, justificando a aplicação da multa de oficio qualificada de 150% sobre o imposto referente ao ganho de capital apurado e aos rendimentos recebidos pela atualização das parcelas no ano calendário 2007, e ainda por ter sido caracterizado, em tese, crime contra a ordem tributária foi efetuada a representação fiscal para fins penais. Foi apresentada impugnação (fls. 66 a 74), com os seguintes argumentos: 1. Contribuinte detinha suas quotas desde a fundação da empresa, ocorrida em junho de 1972. A alienação da totalidade das quotas ocorreu em maio de 2007. 2. Não incide o Imposto de Renda sobre o ganho de capital decorrente da operação de alienação de quotas societárias, cumprido o prazo de cinco anos, por força da aplicação do art. 4º alínea ‘d’ do Decreto Lei 1.510/76, mesmo que tal alienação tenha ocorrido na vigência da Lei nº 7.713/88, que revogou o dispositivo. 3. Por se tratar o art. 4º alínea ‘d’ do Decreto Lei 1.510/76 de isenção condicionada deve ser respeitado o direito adquirido do contribuinte que cumpriu as exigências da norma. 4. Cita jurisprudência que reforça seu entendimento e destaca a Súmula 544 do STF cujo entendimento é no sentido de que “isenções tributárias concedidas, sob condição onerosa, não podem ser livremente suprimidas”. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11060.000925/200917 Acórdão n.º 9202003.769 CSRFT2 Fl. 3 3 5. Subsidiariamente pediu o afastamento da aplicação das multas impostas, haja vista restar demonstrado que não houve máfé, muito menos intenção de sonegar ou fraudar. Destaca ter pautado suas ações inclusive em decisões proferida por este Conselho Administrativo. Ao se manifestar, a DRJ de Santa Maria julgou a impugnação procedente em parte, lavrando o acórdão de nº 1811.493, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2007 GANHOS DE CAPITAL. ALIENAÇÃO. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. Incide o imposto de renda sobre o ganho de capital obtido na alienação de participação societária. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA GANHO DE CAPITAL. ISENÇÃO. Não efetivada a alienação, depois de decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação, na vigência da lei que outorgou a isenção, revogada esta, não há que se falar em direito adquirido. MULTA QUALIFICADA. Não restando provada a ocorrência da circunstância qualificadora, imprescindível para a aplicação da multa, deve a penalidade ser mantida em 75%. MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE. FALTA DE RECOLHIMENTO DO CARNE LEÃO. Submetese a exigência da multa isolada, a pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto que deixou de fazêlo. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas, não proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, sendo àquela objeto da decisão. Inconformado, o Contribuinte apresentou recurso voluntário a esse Conselho, reiterando o argumento de possuir direito adquirido à isenção aplicada sobre o ganho de capital decorrente da alienação do seu capital social, pois antes da respectiva revogação já havia preenchido as condições impostas pela norma. Após análise da peça recursal a Segunda Turma da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, deu provimento ao recurso do contribuinte, proferindo acórdão nº 2202002.269 cuja ementa possui a seguinte redação: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 IRPF PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS AQUISIÇÃO SOBRE OS EFEITOS DA HIPÓTESE DE NÃO INCIDÊNCIA Fl. 249DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO 4 PREVISTOS NO ART. 4°, ALÍNEA "d" DO DECRETOLEI 1510/76 DIREITO ADQUIRIDO A ALIENAÇÃO SEM TRIBUTAÇÃO MESMO NA VIGÊNCIA DE LEGISLAÇÃO POSTERIOR ESTABELECENDO A HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA (LEI 7713/88) Se a pessoa física titular da participação societária, sob a égide do art. 4°, "d", do Decreto Lei 1.510/76, subsequentemente ao período de 5 (cinco) anos da aquisição da participação, alienou a, ainda que legislação posterior ao decurso do prazo de 5 (cinco) anos tenha transformado a hipótese de não incidência em hipótese de incidência, não torna aquela alienação tributável, prevalecendo, sob o manto constitucional do direito adquirido o regime tributário completado na vigência da legislação anterior que afastava qualquer hipótese de tributação. Por sua vez a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou recurso especial de divergência sob o argumento de que o entendimento adotado por aquele Colegiado diverge frontalmente do consubstanciado no acórdão n.º 210201.124. Transcrevese a ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF GANHO DE CAPITAL. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. REVOGAÇÃO DA ISENÇÃO CONCEDIDA NO DECRETOLEI Nº 1.510, DE 1976. O ganho de capital apurado nas alienações de participações societárias efetuadas após 01/01/1989 está sujeito ao imposto de renda, ainda que, nesta data, a participação societária já contasse com mais de cinco anos no domínio do alienante. Recurso Voluntário Negado.” Citando seus paradigmas, a Procuradoria da Fazenda assim resume a divergência: “A divergência, destarte, entre acórdão recorrido e paradigma, afigurase clara. O primeiro (acórdão recorrido), analisando a questão da alienação de participação societária adquirida sob a égide do at. 4º, alínea “d”, do Decretolei nº 1.510, de 1976, após decorridos cinco anos da aquisição, assevera não constituir operação tributável, ainda que realizada sob a vigência de nova lei revogadora do benefício, sob o argumento de direito adquirido. Por sua vez, o último (acórdão paradigma), a respeito da mesma situação fática, afirma não haver direito à isenção, visto que esta pode ser modificada ou revogada, por lei, aplicandose a lei vigente na data da alienação, quando ocorre o fato gerador da obrigação tributária.” Requer a Fazenda Nacional seja conhecido e provido o recurso especial para reformar o acórdão exarado, restabelecendose a decisão proferida pela DRJ. Em contrarrazões o contribuinte defende sua tese de haver o direito adquirido, novamente cita decisões administrativas e judiciais que corroboram com sue entendimento e pleiteia a manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11060.000925/200917 Acórdão n.º 9202003.769 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheira RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Conforme despacho de admissibilidade, o recurso preenche todos os requisitos legais razão pela qual dele conheço. Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional com base nos artigos 67 e 68 do Regimento Interno deste órgão, haja vista comprovada divergência jurisprudencial no que tange a aplicação ou não da isenção, até então prevista no DecretoLei nº 1.510/76, quando ocorrido ganho de capital decorrente da alienação de participação societária ocorrida já sob a vigência da Lei nº 7.713/88. A discussão dos autos resumese em decidir se a revogação do alínea ‘d’ do art. 4º do citado Decreto lei pode ser imposta a contribuinte que cumpriu a condição exigida pela norma: alienação da participação societária após decorrido prazo mínimo de cinco anos da respectiva aquisição. Estaríamos diante de norma de isenção cujas características permitira a aplicação da exceção prevista no art. 178 do CTN? Vejamos como era a redação do extinto artigo: Art 4º Não incidirá o imposto de que trata o artigo 1º: a) nas negociações, realizadas em Bolsa de Valores, com ações de sociedades anônimas; b) nas doações feitas a ascendentes ou descendentes e nas transferências "mortis causa; c) nas alienações em virtude de desapropriação por órgãos públicos; d) nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação. (grifos nossos) Em que pese decisões em sentido contrário, compartilho do entendimento de que a isenção do extinto art. 4º, alínea 'd' do Decreto lei nº 1.510/76 não é espécie de isenção condicionada com prazo certo. Até entendo existir a condicionante (manutenção da titularidade da participação societária pelo período mínimo de cinco anos), entretanto, não vislumbro tratar se de isenção por prazo determinado. Diante disto adoto os ensinamentos do Jurista Roque Antônio Carrazza (Curso de Direito Constitucional Tributário 24ª edição) para o qual "sendo com prazo indeterminado a isenção, a pessoa política que a concede pode revogála, total ou parcialmente, a qualquer tempo, a seu inteiro alvedrio, desde que, naturalmente, o faço por meio de lei, respeitando, quando for o caso o princípio da anterioridade". E acrescenta: A revogação de isenção com prazo indeterminado, ainda que onerosa (condicional), não gera, para o contribuinte, nem direito de ser indenizado, nem, muito menos, o de continuar fruindo, pura e simplesmente, do benefício. O contribuinte tem, Fl. 251DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO 6 apenas, o direito de ver respeitado o princípio da anterioridade (em relação, obviamente, aos tributos sobre os quais ele incide). Inaplicável, portanto, ao caso, a exceção do artigo 178 do CTN. Independentemente de suas características, os fatos geradores (ganho de capital) ocorridos na vigência da Lei nº 7.713/88 estão sujeitos à incidência do Imposto de Renda, não havendo que se falar em direito adquirido, o qual só nasce se o ato jurídico se consumar em tempo hábil, ou seja, na vigência da norma instituidora. No presente caso, mesmo tendo as ações sido adquiridas no passado, há mais de cinco anos da data da respectiva alienação, essa somente ocorreu em maio de 2007, data em que a isenção instituída pelo DecretoLei 1.510/76 já havia sido revogada pelo artigo 58 da Lei 7.713/88. Percebese que para caracterização do direito adquirido, a meu ver, o fato jurídico alienação da participação societária deveria ter ocorrido até o dia 31.12.1988, data em que se encerrou a vigência da norma isentiva. Diante do exposto, dou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional para reformar o acórdão exarado, restabelecendose a decisão proferida pela DRJ. (assinado digitalmente) RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Relatora Fl. 252DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 16327.900240/2010-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF
Ano-calendário: 2006
CPMF. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. COMPENSAÇÃO.
O contribuinte faz jus ao direito de compensação, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96, quando comprovado em diligência o indébito tributário e a correspondente devolução, ao contribuinte de fato, da CPMF indevidamente retida e recolhida.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-002.964
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente e relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Francisco José Barroso Rios, Paulo Roberto Duarte Moreira, Valcir Gassen e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Francisco José Barroso Rios, Paulo Roberto Duarte Moreira, Valcir Gassen e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
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PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. COMPENSAÇÃO. O contribuinte faz jus ao direito de compensação, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96, quando comprovado em diligência o indébito tributário e a correspondente devolução, ao contribuinte de fato, da CPMF indevidamente retida e recolhida. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Francisco José Barroso Rios, Paulo Roberto Duarte Moreira, Valcir Gassen e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 02 40 /2 01 0- 43 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16327.900240/201043 Acórdão n.º 3301002.964 S3C3T1 Fl. 130 2 Relatório O presente processo retorna ao CARF após a realização de diligência. Por economia processual, adoto o relatório elaborado por ocasião da Resolução nº 3301000.125, de 10/11/2011, a qual converteu o julgamento em diligência, abaixo transcrito: BANCO ITAÚ S.A., devidamente qualificado nos autos, recorre a este Colegiado, através do recurso de fls. 46/51 contra o acórdão nº 0532.513, de 07/02/2011, prolatado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas SP, fls. 33/35, que não reconheceu o direito creditório alegado, não homologando a compensação declarada, por meio de PER/Dcomp transmitida em 14/12/2009 (fl. 13), conforme relatado pela instância a quo, nos seguintes termos: Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) com aproveitamento de suposto pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Cientificada do despacho decisório, a contribuinte alegou que o direito ao crédito decorrente do pagamento a maior não pode ser contestado por argumentos de índole formal, visto que o despacho decisório baseouse em informações desencontradas, erroneamente prestadas pela contribuinte. Entende que a não homologação da compensação teve como motivo a entrega da DCTF original com informações equivocadas. Informa que apresentou DCTF retificadora que já apresentaria o crédito em disputa. Uma vez corrigido o lapso que levou os sistemas de cruzamento da Administração Tributária a não admitir o aproveitamento do direito de crédito argumenta que deve ser homologada a compensação. Pleiteia a conjugação entre a realidade material e a realidade formal vertida na declaração de compensação, invoca direito constitucional ao aproveitamento do valor pago indevidamente e conclui, ao fim, pela necessidade de reforma do despacho decisório. A DRJ considerou a manifestação de inconformidade improcedente e não reconheceu o direito creditório. O acórdão restou assim ementado: Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2006 Direito Creditório. Prova. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16327.900240/201043 Acórdão n.º 3301002.964 S3C3T1 Fl. 131 3 O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Direito de Crédito. Regime de Retenção. Ônus Financeiro. Comprovação. Tratandose de crédito envolvendo tributo retido pela instituição financeira na qualidade de responsável, cabe a esta a comprovação de que alegado pagamento a maior foi por ela suportado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Tempestivamente, em 19/04/2011, a contribuinte protocolizou recurso voluntário de fls. 46/51, acrescido dos documentos de fls. 52/61, apresentando os seguintes argumentos: a) o crédito pleiteado tem origem em estorno de CPMF recolhida indevidamente de cliente imune. Vez que tal valor foi estornado para o cliente, resta claro que o ora Recorrente foi quem assumiu o encargo financeiro; b) a não homologação da compensação pleiteada no Per/Dcomp parece ter ocorrido pela entrega de DCTF original sem a contemplação do valor desse crédito, a qual já foi devidamente retificada; c) a verdade material deve ser privilegiada acolhendose as provas trazidas aos autos, afastandose, por conseguinte, a verdade formal, de modo a não exigir valor que não possua respaldo na legislação, em observância ao princípio da estrita legalidade do direito tributário. Por fim, requer seja julgada improcedente a decisão recorrida em razão da comprovada existência do crédito a compensar; o cancelamento da cobrança efetivada através do processo n° 16327.900577/201051 e, ainda, protesta pela juntada dos documentos em anexo. Em face da análise das razões constantes do citado recurso voluntário, essa turma ordinária, aprovou por unanimidade a conversão do julgamento em diligência. Transcrevo abaixo parte do voto condutor que justificou a realização da diligência. (...) Conforme relatado, a interessada transmitiu PER/Dcomp em 14/12/2009 (fl. 13), cuja compensação não foi homologada pois, na data da transmissão da declaração de compensação, o crédito indicado encontravase totalmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, inexistindo disponibilidade do valor declarado na Dcomp. Por sua vez a contribuinte alega ter havido erro no preenchimento da DCTF, posteriormente retificada e contemplando o crédito controvertido. Inicialmente há que se registrar que o Despacho Decisório eletrônico decorre da análise de consistência entre o Per/Dcomp, os pagamentos efetuados e as declarações elaboradas pelo sujeito passivo, dentre as quais podese destacar a Declaração da CPMF (mensal, trimestral, medidas judiciais e não incidência), DCTF e DIPJ. Vez que à época da transmissão do Per/Dcomp, a recorrente não havia apresentado as declarações retificadoras pertinentes, correto o despacho decisório, pois os pagamentos realizados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16327.900240/201043 Acórdão n.º 3301002.964 S3C3T1 Fl. 132 4 De se ressaltar que os procedimentos de restituição, ressarcimento e compensação são intensamente regrados de modo a evitar a saída indevida de valores dos cofres públicos, bem assim, a extinção do crédito tributário pela compensação irregular. Nessa toada cabe ao administrado a observância das regras impostas, e não à administração fazendária se sujeitar a análises casuísticas em contradição com o regramento. Em sua argumentação a interessada alega que o crédito pleiteado tem origem em estorno de CPMF recolhida indevidamente de cliente imune e, dado que tal valor foi estornado para o cliente, resta claro que o ora Recorrente foi quem assumiu o encargo financeiro. Consoante o art. 16 do Decreto nº 70.235/72, as alegações e provas devem ser apresentadas em primeira instância, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Por outro lado, o presente processo decorre de Despacho Decisório eletrônico, o qual tem origem nas declarações efetuadas pela interessada. Nessa toada, ainda que legítimo o procedimento do fisco efetuado na repartição, com os elementos necessários e suficientes para a caracterização da infração, sem a prévia intimação à contribuinte para prestar esclarecimentos, é de se relativizar a conclusão do fisco. No presente caso, ainda que os documentos tenham sido apresentados a destempo, estes consolidamse em razoáveis indícios de existência do crédito pleiteado e da pertinência das alegações da contribuinte. Assim sendo, em homenagem aos princípios da formalidade moderada e da verdade real, que devem nortear o processo administrativo fiscal e, ainda, de modo a evitar eventual enriquecimento sem causa por parte do fisco, proponho converter o julgamento do presente recurso em diligência a fim de que a DRF de origem analise os documentos acostados aos presentes autos e, caso entenda necessário, intime a contribuinte a comprovar a pertinência e veracidade das alegações supramencionadas, de modo a demonstrar e existência do indébito alegado. Posteriormente, o fiscal diligente deverá elaborar relatório, pormenorizado e conclusivo das análises levadas a efeito e do seu reflexo nas PER/Dcomp apresentadas. Na sequência a contribuinte deverá ser intimada para que, no prazo de trinta dias, caso entenda conveniente, apresente manifestação, somente quanto à matéria decorrente da diligência. Por fim, devolver os autos para este Conselho, para julgamento. O contribuinte foi intimado a apresentar uma série de documentos e comprovações e, por fim, foi elaborado o relatório de diligência de fl. 109, pelo qual a Divisão de Orientação e Análise Tributária da DEINF/SP manifestou parecer favorável ao reconhecimento da legitimidade do crédito tributário. É o relatório. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16327.900240/201043 Acórdão n.º 3301002.964 S3C3T1 Fl. 133 5 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal A admissibilidade do recurso voluntário já foi efetuada pela turma quando da aprovação da resolução para diligência. Como visto, tratase de valores recolhidos indevidamente a título de CPMF, tendo em vista que o recorrente, Banco Itaú S/A, reteve e recolheu a CPMF que seria devida pela Associação Brasileira de Educadores Lassalistas, CNPJ 60.916.731/000103, no valor de R$ 13.021,58, relativo ao recolhimento realizado em 21/12/2005, cuja devolução à citada associação deuse em 23/02/2006. Nos autos comprovouse que a Associação Brasileira de Educadores Lassalistas, CNPJ 60.916.731/000103, responsável pela movimentação financeira e contribuinte de fato da CPMF, era à época beneficiária da isenção da referida contribuição. Comprovouse também que a CPMF, embora indevida, foi retida e recolhida à Fazenda Nacional. Posteriormente o recorrente efetuou a devolução da CPMF à referida associação. Portanto está comprovado o indébito tributário em favor da recorrente a qual faz jus à sua repetição, podendo ser utilizado na compensação com tributos de sua responsabilidade nos termos dos art. 165, inc. I do CTN e art. 74 da Lei nº 9.430/96. Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; (...) Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) Fl. 133DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16327.900240/201043 Acórdão n.º 3301002.964 S3C3T1 Fl. 134 6 Diante do exposto, considerando que o valor original do crédito reconhecido no relatório de diligência, ora convalidado, foi no valor de R$ 13.021,58, e o valor do crédito solicitado no PER/DCOMP foi de R$ 13.028,82, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para homologar a compensação no limite do crédito reconhecido de R$ 13.021,58. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 134DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
score : 1.0
Numero do processo: 10530.004220/2008-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
AUXÍLIO-ALIMETAÇÃO PAGO EM PECÚNIA. INCIDÊNCIA PREVIDENCIÁRIA. ALINHAMENTO COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ.
Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de vale-alimentação em dinheiro e de forma habitual.
ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM PECÚNIA.
A não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação restringe-se ao seu fornecimento in natura ou à hipótese de inscrição no PAT. A alimentação fornecida em pecúnia sofre a incidência da contribuição previdenciária. Inteligência do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011.
RESPONSABILIDADE PELO PAGAMENTO DO TRIBUTO. ESTABELECIDA NO CTN.
Avenças particulares não podem ser opostas ao Fisco com o escopo de afastar a responsabilidade tributária prevista em lei.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-004.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
André Luís Mársico Lombardi Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (Vice-Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Maria Cleci Coti Martins e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUXÍLIO-ALIMETAÇÃO PAGO EM PECÚNIA. INCIDÊNCIA PREVIDENCIÁRIA. ALINHAMENTO COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de vale-alimentação em dinheiro e de forma habitual. ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM PECÚNIA. A não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação restringe-se ao seu fornecimento in natura ou à hipótese de inscrição no PAT. A alimentação fornecida em pecúnia sofre a incidência da contribuição previdenciária. Inteligência do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011. RESPONSABILIDADE PELO PAGAMENTO DO TRIBUTO. ESTABELECIDA NO CTN. Avenças particulares não podem ser opostas ao Fisco com o escopo de afastar a responsabilidade tributária prevista em lei. Recurso Voluntário Negado
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PAGO EM PECÚNIA Recorrente POSTO KALILÂNDIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUXÍLIOALIMETAÇÃO PAGO EM PECÚNIA. INCIDÊNCIA PREVIDENCIÁRIA. ALINHAMENTO COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de vale alimentação em dinheiro e de forma habitual. ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM PECÚNIA. A não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação restringe se ao seu fornecimento in natura ou à hipótese de inscrição no PAT. A alimentação fornecida em pecúnia sofre a incidência da contribuição previdenciária. Inteligência do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011. RESPONSABILIDADE PELO PAGAMENTO DO TRIBUTO. ESTABELECIDA NO CTN. Avenças particulares não podem ser opostas ao Fisco com o escopo de afastar a responsabilidade tributária prevista em lei. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 00 42 20 /2 00 8- 33 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 2 André Luís Mársico Lombardi – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (VicePresidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Maria Cleci Coti Martins e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10530.004220/200833 Acórdão n.º 2401004.206 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 26/11/2008 (fls. 01 e 67). Adotamos trechos do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 124/128), que bem resumem o quanto consta dos autos: “[...] 5. Aduz o Relatório Fiscal que, no decorrer da ação fiscal, ficou constatado que a empresa deixou de considerar, como base de cálculo de contribuição previdenciária, o valor pago em espécie a título de Ajuda Alimentação. Além do pagamento da Ajuda Alimentação ter sido feita em espécie, foi também constatado que a empresa não possui adesão ao PAT Programa de Alimentação do Trabalhador. Este valor, informado nos resumos de folhas de pagamentos, deixou de ser informado em GFIP, tendo sido também objeto de autuação pela não informação. 6. A comparação entre os valores devidos e recolhidos revelou que não foram integralmente recolhidas as contribuições sociais devidas, nas competências e valores especificados nos relatórios de débito em anexo, em especial nos relatórios denominados DAD Discriminativo Analítico do Débito, que demonstra a diferença apurada em valores históricos (não atualizados), e DSD Demonstrativo Sintético do Débito, que demonstra o valor total atualizado do débito apurado. (...) 11. Em impugnação interposta em 26/12/2008 (fls. 74/119), O contribuinte autuado, por intermédio de procurador legalmente nomeado para representálo, vem de contraporse ao presente lançamento fiscal, fazendoo, em síntese, nos moldes que, a seguir, serão delineados. 11.1. Alega a impugnação que a verba referente à Ajuda Alimentação, sobre a qual a Autoridade Fiscal afirma ter natureza de saláriocontribuição, consiste em obrigação, firmada em texto de Convenção Coletiva celebrada entre o Sindicato representante da categoria profissional dos trabalhadores em postos de combustíveis e o Sindicato representante da respectiva categoria patronal (cópias anexas). Fl. 160DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 4 Aduz que, na Cláusula 26.1 do aludido documento que vigorou entre 1° de maio de 2003 e 30 de abril de 2004, encontrase estipulado que “fica convencionado que esta ajuda, não tem natureza salarial, não se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos, não constitui base de incidência de contribuição previdenciária (...)”. Ainda, colacionando jurisprudência, que a previsão da natureza não remuneratória da verba em comento, nos aludidos instrumentos normativos, não enseja violação ao art. 458 da CLT, nem contraria a Súmula n° 241 do C. TST, eis que não se trata de direito irrenunciável, devendo prevalecer o quanto pactuado pelas categorias patronal e profissional a respeito, tendo em conta o disposto no art. 7°, XXVI, da Constituição Federal. Logo, que “essa verba não pode ser enquadrada como salário de contribuição previdenciária, de modo que a lavratura do AI em baila encontrase desprovida de fundamento legal, do que decorre a sua insubsistência”. 11.2. Acresce a peça impugnatória que importa aduzir, ainda, que “o AI em epígrafe encontrase viciado, haja vista que o Relatório Analítico não demonstra as contas referentes ao SCND, o que impossibilitou a apreciação e impugnação por parte da Autuada”, devendo, dessa forma, ser declarada a sua nulidade, por violação ao principio constitucional do contraditório e da ampla defesa. 11.3. Argui a impugnação, por derradeiro, que é absurda a Representação Fiscal para Fins Penais aplicada ao contribuinte, uma vez que colide, frontalmente, com o entendimento pacificado na doutrina e na jurisprudência pátrias, segundo o qual é vedado o desencadeamento de ação penal por crime fiscal, antes de se exaurir a via administrativa de discussão do lançamento. Colaciona, nesse sentido, decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). 11.4. Requer, ante o exposto, que seja julgado improcedente o AI em litígio. [...]” Como afirmado, a impugnação apresentada pela recorrente foi julgada improcedente, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, o recurso voluntário (fls. 131/137), no qual alega, em apertada síntese, que a ajuda alimentação possui natureza indenizatória, pois foi concedida no cumprimento da Convenção Coletiva celebrada entre o Sindicato representante da categoria profissional dos trabalhadores em postos de combustíveis e o Sindicato representante da respectiva categoria patronal (cópias anexas). É o relatório. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10530.004220/200833 Acórdão n.º 2401004.206 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro André Luís Mársico Lombardi, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Com relação aos valores apurados em decorrência da verba paga a título de auxílioalimentação (ajuda alimentação) em dinheiro, entendo que tal verba é salário de contribuição e, por consectário lógico, deverá ser submetida à incidência da contribuição social previdenciária. Constatase que não houve pagamento “in natura” de auxílioalimentação, sendo os valores incluídos diretamente na folha de pagamentos, e o pagamento efetuado em pecúnia durante todo o período fiscalizado. A empresa também não está inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), conforme informação por ela prestada no Relatório Anual de Informações Sociais (RAIS) relativo ao ano de 2004. Isso está consubstanciado no Relatório Fiscal (fls. 54/56) nos seguintes termos: “[...] 2. As contribuições previdenciárias lançadas neste documento referemse ao período de Janeiro a Dezembro de 2004, inclusive 13° salário, e tiveram os seus fatos geradores apurados de acordo com a declaração efetuada em GFIP Guia de recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social, através dos resumos de folhas de pagamentos, e através dos lançamentos contábeis efetuados nos livros Diário e Razão, conforme especificação dos lançamentos constante do relatório denominado Fatos Geradores. Todos os valores utilizados no cálculo das contribuições previdenciárias lançadas através destes documentos foram – extraídos exclusivamente dos documentos acima mencionados, todos elaborados e escriturados pela empresa fiscalizada. 3. No decorrer da ação fiscal ficou constatado que a empresa deixou de considerar como base de cálculo de contribuição previdenciária o valor pago em espécie a título de Ajuda Alimentação. Além do pagamento da Ajuda a Alimentação ter sido feita em espécie, foi também constado que a empresa não possui adesão ao PAT Programa de Alimentação do Trabalhador. [...]” Com isso, o auxílioalimentação (ajuda alimentação) pago em dinheiro deve ser considerado como integrante do salário de contribuição, nos termos do artigo 28, § 9o, alínea “c”, da Lei no 8.212/1991, in verbis: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: Fl. 162DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 6 I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. § 9° Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n° 6.321, de 14 de abril de 1976; Percebese, então, que o salário de contribuição é o total da remuneração auferida pelo segurado, a qualquer título, não o integrando somente as rubricas previstas no parágrafo 9° do art. 28, e entre elas, a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação do Trabalhador, nos termos da Lei 6.321/1976, que em seu art. 3° dispõe que não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura: “Art. 3°. Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do trabalho”, que não foi o caso dos autos ora analisado. Esse entendimento está consubstanciado em precedentes do Superior Tribunal de Justiça (STJ), nos seguintes termos: “REsp 895146 CE, Relator(a):Ministro JOSÉ DELGADO, Julgamento: 27/03/200, Órgão Julgador: T1 PRIMEIRA TURMA, Publicação:DJ 19/04/2007 p. 249 Ementa: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO. RECURSO ESPECIAL. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. PARCELAS PAGAS EM PECÚNIA, EM CARÁTER HABITUAL E REMUNERATÓRIO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. 1. Recurso especial interposto pelo INSS contra acórdão proferido pelo TRF da 5ª Região segundo o qual: "A ajuda alimentação, paga pelo Banco do Brasil, mediante crédito em contacorrente, aos seus empregados, não configura salário in natura, e sim, salário, sobre o qual incidirá desconto de contribuição previdenciária, nos temos do Regulamento do Custeio da Previdência Social." 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido de que o pagamento in natura do auxílioalimentação, isto é, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Com tal atitude, a empresa planeja, apenas, proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais. 3. Na espécie, as parcelas referentes à ajudaalimentação foram pagas em pecúnia, em Fl. 163DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10530.004220/200833 Acórdão n.º 2401004.206 S2C4T1 Fl. 5 7 caráter habitual e remuneratório, mediante depósito em conta corrente dos respectivos valores, integrando,assim, a base de cálculo da contribuição previdenciária. 4. Precedentes: REsp nº 433230/RS; REsp nº 447766/RS; REsp nº 330003/CE; REsp nº 320185/RS; REsp nº 180567/CE; REsp nº 163962/RS;REsp nº 199742/PR; REsp nº 112209/RS; REsp n º 85306/DF e EREsp603509/CE. 5. Recurso especial nãoprovido.” (g.n.) Outrissim, a adesão ao PAT não constitui mera formalidade. É através do conhecimento da existência do programa em determinada empresa que o Ministério do Trabalho e Emprego, por seu órgão de fiscalização, verificará o cumprimento do disposto no artigo 3° acima transcrito. Ao incentivo fiscal há uma contraprestação por parte da empresa: fornecimento de alimentação com teor nutritivo adequado em ambiente que atenda as condições aceitáveis de higiene. É preciso considerar ainda que o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda em Despacho de 24/11/2011, concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária. Assim, a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação restringese ao seu fornecimento in natura ou à hipótese de inscrição no PAT. A alimentação fornecida em pecúnia sem a devida inscrição no PAT sofre a incidência da contribuição previdenciária. No caso sob exame, além de a Recorrente não estar inscrita no PAT no período do lançamento, a alimentação foi fornecida em pecúnia (dinheiro) e de forma habitual, de sorte que a verba correspondente está sujeita à incidência de contribuições previdenciárias. Ainda cumpre esclarecer que os acordos celebrados entre a Recorrente e seus empregados não têm o condão de afastar o fato gerador da obrigação tributária nem a responsabilidade tributária prevista em lei, tendo em conta que seus efeitos operamse apenas entre as partes envolvidas na esfera civil. Não é vedado que alguém contrate com outrem a responsabilidade particular por determinado tributo. No âmbito tributário, entretanto, tem regra específica que dispõe sobre a inoponibilidade das convenções privadas contra a entidade lançadora do tributo, nos termos do art.123 do CTN. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Percebese, então, que as obrigações previstas na Convenção Coletiva – celebrada entre o Sindicato representante da categoria profissional dos trabalhadores em postos de combustíveis e o Sindicato representante da respectiva categoria patronal, abarcando Fl. 164DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 8 inclusive a Recorrente – somente possuem efeitos entre as partes, não podendo o Fisco ser compelido a respeitar os seus termos. Assim, a Recorrente é diretamente responsável, perante o Fisco, pelo pagamento dos tributos relativos aos segurados obrigatórios do RGPS que lhe prestaram serviços e não será acatada a alegação de que o mandamento previsto na Cláusula 26.1 da aludida Convenção1, que vigorou entre 1° de maio de 2003 e 30 de abril de 2004, vincularia o Fisco. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, pois o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. ((assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi Relator 1 Convenção Coletiva – Capítulo VI (celebrada entre Sindicato representante da categoria profissional dos trabalhadores em postos de combustíveis e o Sindicato representante da respectiva categoria patronal) “26.1 As empresas fornecerão a partir da assinatura da presente convenção, a todos os seus empregados, ajuda alimentação, no valor de R$ 30,00 (trinta reais) por mês, fica convencionado que esta ajuda, não tem natureza salarial, não se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos, não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e nem se configura como rendimento tributável do trabalhador”. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Numero do processo: 18470.722233/2011-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA Nº 63 DO CARF.
Cumpridos os requisitos referentes à natureza dos rendimentos (provenientes de aposentadoria, reforma, pensão ou reserva remunerada) e à comprovação do acometimento de moléstia grave, por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, o contribuinte faz jus à isenção do imposto de renda.
Numero da decisão: 2201-003.109
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente.
EDUARDO TADEU FARAH - Presidente.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
EDITADO EM: 13/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente. EDUARDO TADEU FARAH - Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora. EDITADO EM: 13/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ.
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MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA Nº 63 DO CARF. Cumpridos os requisitos referentes à natureza dos rendimentos (provenientes de aposentadoria, reforma, pensão ou reserva remunerada) e à comprovação do acometimento de moléstia grave, por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, o contribuinte faz jus à isenção do imposto de renda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente. EDUARDO TADEU FARAH Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. EDITADO EM: 13/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 22 33 /2 01 1- 57 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 17/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Em 28/02/2010, foi lavrada notificação de lançamento referente ao exercício 2010, anocalendário 2009, decorrente da omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva no valor de R$ 19.719,60 recebidos das fontes pagadoras Fundação Vale do Rio Doce de Seguridade Social e do Instituto Nacional do Seguro Social. Inconformada com a notificação apresentada, a contribuinte protocolizou impugnação, fls. 2/12, alegando, em síntese, sua condição de aposentada e de portadora de doença grave (neoplasia maligna), desde outubro/2009, fazendo jus à isenção do imposto sobre os aludidos valores recebidos do INSS (aposentadoria) e da VALIA (complementação de aposentadoria), de acordo com o art. 6º, XIV, da Lei n. 7.713/1988, e art. 39, inciso XXXIII e §§ 5º e 6º, do RIR/1999. Com o propósito de exercer o direito à isenção, a contribuinte retificou sua DAA/2010, excluindo dos rendimentos tributáveis os proventos alusivos aos meses de outubro a dezembro/2009, mais o 13º salário. Foi realizada revisão do lançamento, conforme Termo Circunstanciado de fls. 50/52, no qual foi mantido integralmente o lançamento. Manifestandose acerca do termo, a contribuinte apresentou cópia de laudo pericial emitido pelo médico Dr. André Luis de Almeida Triani, componente do serviço médico do Município do Rio de Janeiro, fls. 67/69; cópia do Exame Hispatológico emitido pelo laboratório LABS D'OR, fl. 66; relatório médico do Dr. João Luiz Schiavini; cópia do requerimento de isenção junto à fonte pagadora VALIA; e cópia do laudo médico, de 09/04/2010, firmado pelo Dr. Luiz Gonzaga Cavalcante dos Santos, médico perito do INSS, fl. 69. Destacou ainda a recorrente que "em outros processos administrativos em que a Impugnante discute a isenção do IRPF sobre proventos de aposentadoria nos anosbase 2008 e 2009, as impugnações já foram julgadas e em nenhuma delas laudo médico do SUS foi objeto de discussão a respeito de sua legitimidade". A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou improcedente a impugnação, restando mantida a notificação de lançamento, com as seguintes considerações: a) a interessada não anexou aos autos qualquer laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Os documentos oferecidos não reúnem apanágio do laudo requerido pela legislação; b) talvez o documento que mais se aproximasse da oficialidade indicada pela legislação consistisse na informação, conforme fl. 69, prestada pelo perito médico do INSS, datada de 09/04/2010, que se reporta a "laudo HISTOPATOLÓGICO, de 13/10/2009, que diz CARCINOMA RENAL". Na análise dos dizeres ali gravados, independentemente da forma usual em que o laudo Fl. 106DF CARF MF Impresso em 17/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 18470.722233/201157 Acórdão n.º 2201003.109 S2C2T1 Fl. 106 3 pericial se apresenta, observamse as seguintes ausências: da descrição precisa acerca da nomenclatura da doença de acordo com o rol estampado na legislação (neoplasia maligna?); da expressa data estimada para o início da doença, ratificandose ou não a do exame laboratorial; e da menção se a doença seria passível de controle ou não, com a fixação de validade em caso de possível controle. c) o anobase 2009 (exercício 2010) encontrase aqui em discussão; ao passo que para o anobase 2008 não se vislumbra pleito da interessada para a isenção de rendimentos, uma vez que os documentos oferecidos neste processo em análise sugeririam o início da doença em outubro/2009; d) quanto aos rendimentos correspondentes à gratificação natalina (13º salário), não poderia a interessada excluílos dos tributáveis levados ao ajuste anual, uma vez que sua tributação se dá de forma exclusiva. Não se afigura o caso em concreto, mas se a situação fosse pertinente, a solicitação da restituição do imposto retido a eles vinculado seguiria rito próprio, distinto da retificação da DAA. Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual o contribuinte aduz, em síntese, que: a) diferentemente do que decidiu a e. Delegacia de Julgamento, a recorrente cumpriu sim o encargo imposto pela legislação tributária, ao juntar à impugnação cópia de laudo pericial emitido pelo médico Dr. Luis de Almeida Triani, inscrito no Conselho Regional de Medicina sob o n.º 52.725412, em atendimento realizado no Hospital Municipal Paulino Werneck, componente do serviço médico oficial do Município do Rio de Janeiro; b) também foi anexada aos autos a cópia do exame Histopatológico emitido pelo laboratório LABS D'OR, e o Relatório médico do Dr. João Luiz Schiavini, bem como a última manifestação destes autos de uma cópia do requerimento de isenção junto à fonte pagadora (Valia); c) já contava dos autos a cópia de laudo médico emitido em 09/04/2010 pelo Dr. Luiz Gonzaga Cavalcante dos Santos, Médico Perito do INSS, inscrito no Conselho Regional de Medicina sob o n.º 18.3986; d) todas as documentações apresentadas pela recorrente demonstram sem dúvidas a veracidade das informações aduzidas ao longo do presente expediente, observando a legislação tributária; e) as informações necessárias ao reconhecimento da isenção se encontram presentes, inclusive com a data de início da doença, o respectivo nome da patologia (a própria autoridade julgadora afirmou o nome da doença, na simples leitura dos laudos), entre outros aspectos; Fl. 107DF CARF MF Impresso em 17/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 f) há vedação ao 'venire contra factum proprium', não sendo lícito a mesma pessoa jurídica possuir entendimentos diversos sobre o mesmo fato, considerando que o INSS reconheceu o direito à isenção e a Receita Federal vem negando o direito; g) o acolhimento do direito da recorrente não é caso de interpretação extensiva da legislação tributária. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Conforme relatado, o recurso da contribuinte tratou da sua insurgência quanto ao direito à isenção referente aos rendimentos pagos pelo INSS (aposentadoria) e pagos pela Valia (complementação de aposentadoria) por ser portadora de neoplasia maligna, desde 10/2009. A fim de comprovar o acometimento de moléstia grave, a recorrente anexou aos autos laudos médicos oficiais que demonstram a existência de neoplasia maligna do rim (carcinoma renal), desde 10/2009. Entretanto, a DRJ considerou que o documento mais próximo ao exigido pela legislação consiste na informação, conforme fl. 69, prestada pelo perito médico do INSS, datada de 09/04/2010, que se reporta a "laudo HISTOPATOLÓGICO, de 13/10/2009, que diz CARCINOMA RENAL". Da análise do referido laudo, a Delegacia de Julgamento entendeu como ausentes a descrição precisa acerca da nomenclatura da doença de acordo com o rol estampado na legislação (neoplasia maligna); a expressa data estimada para o início da doença, ratificandose ou não a do exame laboratorial; e a menção sobre o fato de a doença ser passível de controle ou não, com a fixação de validade em caso de possível controle. Cumpre esclarecer que é possível se inferir do laudo apresentado o tipo de doença específica (neoplaisa maligna) e a sua data de início 10/2009, não sendo destacado pelo perito o prazo de validade do laudo e a possibilidade ou não de cura. Desse modo, houve apresentação do laudo médico oficial indicando a existência de moléstia grave prevista em lei. Acerca da matéria, os incisos XIV e XXI, art. 6º, da Lei n.º 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelas Leis n.º 8.541, de 23 de dezembro de 1992, e n.º 11.052, de 29 de dezembro de 2004, assim determinam: Art. 6o Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: Fl. 108DF CARF MF Impresso em 17/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 18470.722233/201157 Acórdão n.º 2201003.109 S2C2T1 Fl. 107 5 (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Pagel (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. Por sua vez, o art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, passou a veicular a exigência de que a moléstia fosse comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, nos termos a seguir: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei n°8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose). Observase que a isenção por moléstia grave, quando estabelecida em 1988 pela Lei 7.713, não fazia referência quanto à forma de sua comprovação. Contudo, com a superveniência da Lei 9.250, em 1995, foi instituída forma específica para reconhecimento da moléstia pelas autoridades tributárias. A partir da edição da mencionada lei, tornouse indispensável a apresentação do laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Assim, a isenção sob análise requer a consideração do binômio: moléstia (grave) e natureza específica do rendimento (provenientes de aposentadoria, reforma ou Fl. 109DF CARF MF Impresso em 17/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 6 pensão), sendo o laudo pericial oficial requisito objetivo para a demonstração da moléstia grave. Inexistindo dúvida acerca existência da natureza dos rendimentos auferidos (proventos de aposentadoria e complementação de aposentadoria), fazse necessário apreciar a questão relativa a identificação da moléstia grave, por meio de laudo médico oficial, que foi a razão da autuação. Observase que o cerne da controvérsia do presente processo resumese à discussão acerca da possibilidade ou não de concessão da isenção com base em laudos médicos oficiais que reconhecem a patologia grave (neoplasia maligna), mas são omissos quanto à validade. Assim, considerando a apresentação de laudo oficial, bem como comprovada a natureza dos rendimentos recebidos, restam cumpridos os requisitos formais necessários ao reconhecimento da isenção, conforme o disposto no art. art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, bem como em consonância com o Enunciado de Súmula n.º 63 do CARF, abaixo transcrito: “Súmula nº 63 – Para gozo de isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.” Diante do exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 110DF CARF MF Impresso em 17/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 18471.000369/2004-73
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2001 a 20/12/2002
MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART. 18 DA
LEI 10.833/2003.
Com a edição da MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, não cabe mais a imposição de multa de ofício, desde que não se trate das hipóteses descritas em seu art. 18.
Tal dispositivo seria aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP 135/03 em face da retroatividade benigna (art. 106, II, "c" do CTN).
Numero da decisão: 9303-003.826
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial.
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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E COM. E IMP. E EXPORTAÇÃO DE TABACOS LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2001 a 20/12/2002 MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART. 18 DA LEI 10.833/2003. Com a edição da MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, não cabe mais a imposição de multa de ofício, desde que não se trate das hipóteses descritas em seu art. 18. Tal dispositivo seria aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP 135/03 em face da retroatividade benigna (art. 106, II, "c" do CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial. Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente Tatiana Midori Migiyama – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 03 69 /2 00 4- 73 Fl. 395DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 20300.785, da 3ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso de ofício – sendo publicado acórdão com a seguinte ementa (Grifos meus): “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS I PI Período de apuração: 01/01/2001 a 20/12/2002 VALORES INCLUÍDOS NO PAES. LANÇAMENTO. RECURSO DE OFÍCIO O lançamento de oficio, por meio de auto de infração, de valores incluídos no PAES acordado com a Secretaria da Receita Federal em data anterior àquele, implica duplicidade de cobrança dos mesmos débitos. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DIFERENÇAS DE DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF NÃO INCLUÍDOS NO PAES As diferenças apuradas entre os valores dos débitos declarados em DCTF e os valores efetivamente incluídos no PAES estão sujeitas a lançamento de oficio, acrescidos de juros moratórios. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. SALDOS A PAGAR ZERO. CONFISSÃO DE DÍVIDA Somente as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) declarando débitos com saldos a pagar constituem confissão de dívida e instrumentos hábeis e suficientes A. exigência e/ ou a inscrição em dívida ativa da União Federal dos débitos declarados e nãopagos. MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. RETROATIVIDADE BENIGNA. EXCLUSÃO Aplicase retroativamente aos atos e fatos pretéritos não definitivamente julgados as normas legais que beneficiam o sujeito passivo, excluindose a multa no lançamento de oficio do crédito tributário constituído em face da não confirmação dos pagamentos informados em DCTFs.” Fl. 396DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 18471.000369/200473 Acórdão n.º 9303003.826 CSRFT3 Fl. 396 3 E, para melhor compreensão dos pontos apreciados naquele julgamento, importante trazer também a transcrição parcial do voto do relator naquele acórdão (Grifos meus): “[...] Quanto à multa de oficio sobre o credito tributário mantido, como se trata de lançamento de débitos reconhecidos pela interessadas e declarados em DCTF, efetuado nos termos da MP n°2.15835, de 2001, art. 90, em face do princípio da retroatividade benigna das leis, aquela deverá ser excluída do lançamento, aplicandose ao caso o disposto na Lei n° 10.833, de 29 de setembro de 2003, art. 18, c/co CTN, art. 106, II, c. "Art. 18. 0 lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n." 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá a imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n." 4.502, de 30 de novembro de 1964. [...]" Irresignada com essa decisão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, requerendo que seja admitido o recurso, dandolhe provimento para manter a multa de oficio, rejeitandose, por conseguinte, a aplicação do caput do art. 18 da Lei IV 10.833/2003 e a suposta retroatividade benigna. O apelo da Fazenda Nacional não foi admitido integralmente, nos termos do despacho de fls. 365/366 apreciado pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, que, entre outros, contempla: “Em sessão plenária de 07 de maio de 2008, a Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes julgou o recurso voluntário n° 151.808, oportunidade em que se decidiu, "por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator", conforme acórdão n° 20312.861 As fls. 318/324. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 4 Cientificada desse acórdão, inconformada, a Procuradora da Fazenda Nacional interpôs o recurso especial às fls. 328/336, requerendo a reforma do acórdão recorrido, a fim de que seja mantida a multa de oficio dispensada por meio da decisão recorrida. Analisando os pressupostos formais de admissibilidade do recurso especial, ditados pelo artigo 15 e seu parágrafo segundo do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25/06/2007, verifico que o recurso especial foi apresentado tempestivamente. Para fundamentar a admissão do recurso especial, a PFN alegou divergência com decisão deste Segundo Conselho de Contribuintes, anexando como paradigma o acórdão nº 20179.948, cópia As tls. 337/346. 0 Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25/06/2007, art.7°, assim dispõe, in verbis: "Art, 7". Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: (...) (..); II decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recurso Fiscais (...)” O acórdão recorrido determinou o cancelamento da multa de oficio que foi lançada com fundamento no art. 44, inciso I e § 1°, inciso I, da Lei no 9.430, de 1996. No entanto, a Recorrente citou, transcreveu e apresentou, como acórdão paradigma, a decisão sobre multa de oficio isolada cujo fundamento é o inciso II deste mesmo artigo, c/c o art. 18 da Lei no 10.833, de 2003, atualmente modificado pela Lei nº 11.196, de 2005, aplicada quando ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n°4.502, de 1964. No presente caso tratase de multa de oficio, infração diferente de multa de oficio isolada. Portanto, demonstrado que se trata de infrações diferentes com fundamentos legais diferentes, o acórdão paradigma citado e transcrito, As fls. 337/346, não serve para comprovar a alegada divergência. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 18471.000369/200473 Acórdão n.º 9303003.826 CSRFT3 Fl. 397 5 Em face do exposto, concluo que não ficou caracterizado o dissídio jurisprudencial, não cabendo, portanto, a admissão do recurso especial de divergência. À consideração superior. Brasília, 7 de abril de 2009. José Adão Vitorino de Morais Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil Com base na informação retro, que aprovo, e de acordo corn o disposto no §1º do art. 50 da Lei n° 9.784/99 e no art. 29, X, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (Portaria MF n° 147, de 25/06/2007), NEGO SEGUIMENTO ao Recurso Especial da Recorrente, conforme proposto. Cientifiquese a PGFN e demais providências Brasília, 16 de abril de 2009” Com a negativa de admissibilidade do recurso especial, a Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, agravo, a fim de que seja dado seguimento ao recurso especial, alegando, entre outros, a controvérsia cingiase ao reconhecimento da retroatividade benigna, para fins de exclusão da penalidade aplicada, é luz do disposto no artigo 18, da Lei n° 10.833/2003 e do lançamento realizado com base na MP n° 2.15835, de 2003. O que, a seu ver, não restariam dúvidas, de fato, acerca da perfeita caracterização da similitude fática entre os acórdãos confrontados, tampouco acerca da interpretação jurídica adotada e a formulação de conclusões distintas. Considerando a apresentação do agravo, houve reexame de admissibilidade do recurso em Despacho de fls. 385/387 – resultando no acolhimento desse agravo de reexame e seguimento ao recurso especial de divergência apresentado pela Fazenda Nacional – com a concordância do Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme transcrito parcialmente abaixo (Grifos meus): “[...] A Fazenda Nacional, em síntese, sustentou em sede de agravo que a divergência existe, pois nos julgados confrontados foi aplicada a multa de 75% prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96; nos dois casos o lançamento de ofício foi feito com base no art. 90 da Medida Provisória 2.15835, de 2001; e nos dois casos a controvérsia se resume em aplicar ou não o princípio da Fl. 399DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 6 retroatividade benigna ao art. 18 da Lei nº 10.833/2003. O acórdão recorrido aplicou a retroatividade benigna e o paradigma não. É o resumo do necessário. [...] Assim, em situações fáticas essencialmente semelhantes nas quais houve glosa de compensação; apresentação de DCTF; e autos de infração lavrados após o advento do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, o acórdão recorrido excluiu a multa de ofício lançada junto com o tributo e o paradigma manteve a multa de ofício isolada. Diante de dois casos onde houve glosa de compensação declarada em DCTF, o CARF decidiu de forma distinta. Em um deles o tributo indevidamente compensado será exigido sem a multa de ofício e no outro com a multa de ofício. O despacho agravado entendeu que as situações fáticas eram dessemelhantes, porque o caso concreto (multa de ofício), seria diferente do paradigma (multa isolada). E entendeu também que as situações jurídicas eram distintas porque a multa de ofício estaria prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, enquanto que a multa isolada estaria prevista no art. 44, II, da Lei nº 9.430/96. Não existe diferença entre "multa de ofício" e "multa isolada". Só existe multa de ofício, que pode ser lançada em conjunto com o tributo (inciso I) ou lançada isoladamente sem o tributo (inciso II). Além disso, tanto no paradigma quanto no acórdão recorrido a multa exigida foi a de 75%. É bem verdade que no caso concreto, por se tratar de lançamento de IPI, o embasamento legal foi o art. 45, da Lei nº 9.430/96, enquanto que no caso paradigma, por se tratar de contribuições, o embasamento foi o art. 44, I da Lei nº 9.430/96. Entretanto, essa diferença no enquadramento legal da multa de ofício não tem relevância para determinar a dessemelhança entre os casos concretos, pois a divergência alegada pela Procuradoria da Fazenda Nacional foi quanto à aplicabilidade do princípio da retroatividade benigna ao art. 18 da Lei nº 10.833/2003 para fins de excluir a multa de ofício, pouco importando o suporte legal dessa multa. A multa de ofício é a mesma tanto para o IPI, quanto para os demais tributos. Com esses fundamentos, opino no sentido de seja acolhido o agravo e que dê seguimento ao recurso especial apresentado pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Henrique Pinheiro Torres Relator Fl. 400DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 18471.000369/200473 Acórdão n.º 9303003.826 CSRFT3 Fl. 398 7 De acordo. Com base nos fundamentos acima, com os quais concordo, acolho o agravo de reexame e dou seguimento ao recurso especial de divergência apresentado pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Encaminhese à repartição de origem para dar ciência ao sujeito passivo, do acórdão recorrido, do recurso apresentado pela Fazenda Nacional e deste despacho, facultandolhe apresentar, no prazo regimental, recurso especial relativamente à parte em que sucumbiu, e contrarrazões ao recurso interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. CARLOS ALBERTO DE FREITAS BARRETO Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais” É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama. O Recurso é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso. O que concordo com a análise feita através do despacho de fls. 385/387. Sendo assim, passo a analisar o cerne da lide – se seria cabível ou não a multa de ofício ao caso em questão, qual seja, na ocorrência de glosa de compensação declarada em DCTF – conforme pedido da Fazenda Nacional: “[...] seja reconhecida a divergência jurisprudencial e a violação aos arts. 142 do CTN, 90 da MP n° 2.15835/2001 e 44, I, da Lei n° 9.430/96, dandose provimento ao presente recurso especial para manter a multa de oficio, porquanto se demonstrou estar a referida penalidade inteiramente amparada nos dispositivos legais apontados, rejeitandose, por conseguinte, a aplicação do caput do art. 18 da Lei 10.833/2003 e a suposta retroatividade benigna, por não se subsumir a hipótese dos autos ao referido dispositivo legal. [...]” Fl. 401DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 8 Para tanto, importante aprofundar as questões de direito antes de se direcionar o entendimento de que no caso em comento seria cabível a multa de ofício, em respeito à hipótese trazida pelo art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96 e art. 90 da MP 2.15835/01: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...]” “Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.” Eis que resta esclarecer se no lançamento de ofício seria aplicável a multa disposta no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96, quando ocorrer a não homologação da compensação – sem comprovação de falsidade da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo, considerando o preceito trazido no art. 18 da Lei 10.833/03. O art. 18 da MP n° 135/2003, que foi convertida na Lei 10.833/03, previu, a priori, que o lançamento de ofício decorrente de diferenças apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de compensação, seria cabível na hipótese em que as diferenças apuradas forem decorrentes de compensação indevida quando o crédito ou o débito não for passível de compensação por expressa disposição legal; o crédito for de natureza nãotributária e às demais hipóteses em que ficar caracterizada a prática de sonegação, fraude ou conluio – infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei 4.502/64. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 18471.000369/200473 Acórdão n.º 9303003.826 CSRFT3 Fl. 399 9 Tal como explicitou a exposição de motivos dessa MP: “15. O art. 18 limita a aplicação do lançamento de ofício, de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, à cobrança de multa isolada sobre o débito indevidamente compensado nas hipóteses em que as diferenças apuradas forem decorrentes de compensação indevida quando o crédito ou o débito não for passível de compensação por expressa disposição legal; o crédito for de natureza nãotributária e às demais hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964.” Sendo assim, com o advento da MP 135/03, a não homologação da compensação decorrente de crédito ou débito não passível de compensação por expressa disposição legal, ou com crédito de natureza não tributária (compensação não declarada), estava sujeita à multa prevista no art. 18 da MP, independentemente de ser ou não decorrente de prática de fraude ou conluio do sujeito passivo. Posteriormente, com o advento da Lei 11.488/07, que alterou o art. 18 da Lei 10.833/03 de conversão da MP 135/03, vêse que tal dispositivo sofreu alteração em sua redação – passando a estabelecer: “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitar seá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.” Foi suprimida, conforme exposto, da redação original as hipóteses em que as diferenças apuradas forem decorrentes de compensação indevida quando o crédito ou o débito não for passível de compensação por expressa disposição legal e o crédito for de natureza nãotributária – para a imputação da multa no lançamento de ofício. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 10 Dessa forma, a hipótese de lançamento de ofício e de aplicação da respectiva multa para autuações decorrentes de compensações indevidas, passou a ter aplicação ainda mais restrita, qual seja, apenas para os casos em que se comprovasse a falsidade da declaração do sujeito passivo, além das hipóteses de compensações "não declaradas". A restrição das hipóteses para a aplicação da multa nos lançamentos de ofício não as conduziu automaticamente à aplicação da multa tratada no art. 44 da Lei 9.430/96 – eis que esse dispositivo traz a regra geral – que não seria aplicável aos casos de compensação – como nunca foi. Com o advento da Lei 11.488/07, que alterou o art. 18 da Lei 10.833/03, houve apenas a restrição da aplicação da multa no lançamento de ofício para aqueles casos de não homologação de compensação sem comprovação de falsidade da declaração. Frisese tal entendimento, o acórdão da DRJSPOI que trouxe às fls. 149/150 dos autos, que (Grifos meus): "não cabe mais a imposição de multa de ofício fora dos casos mencionados, sendo tal norma aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP n° 135/2003, em face do princípio da retroatividade benigna, consagrado no art. 106, inc. II, "c" do CTN, havendo que se exonerar a multa de ofício aplicada". Continuando, importante lembrar que a MP 135/03 convertida na Lei 10.833/03, que trouxe novo regramento legal para as compensações, também, dispôs sobre a operacionalização a ser observada mediante entrega da "DComp", estabelecendo, inclusive em seu art. 17 – que, por sua vez, alterou o art. 74 da Lei 9.430/96 que tal declaração constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Dessa forma, vêse que com a constituição da DCOMP em confissão de dívida, perdeuse o sentido a aplicação da multa por descumprimento da obrigação tributária – por exemplo, entrega da DCTF com inexatidão quando identificada irregularidade na compensação sem comprovação de falsidade nas Fl. 404DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 18471.000369/200473 Acórdão n.º 9303003.826 CSRFT3 Fl. 400 11 informações. O que afastaria a aplicação da multa prevista no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96. Com efeito, é de se clarificar que o art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96 trata do lançamento de ofício – como regra geral, não alcançando as hipóteses de compensação referendadas no caput do art. 18 da Lei 10.833/03 que faz referência aos lançamentos de ofício de que trata o art. 90 da MP 2.15835/01. Ora, o art. 90 da MP trata especificamente do lançamento de ofício das "diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal". Em respeito ao princípio da especialidade – lex specialis derogat legi generali é de se aplicar o art. 18 da Lei 10.833/03 para os casos de lançamento de ofício de tributos declarados – tal como foi na DCTF. Eis que prevê processo administrativo próprio. Dessa forma, entendo ser plenamente aplicável o instituto da retroatividade benigna – tal como estabelece o art. 106 do Código Tributário Nacional: "Art. 106 . A lei aplica se a ato o u fato pretérito: 1 em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratando se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 405DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 12 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática ". O que, verificase a subsunção do caso concreto à norma referendada. Com a aplicação do instituto da retroatividade benigna, no caso vertente, há de ser afastada a aplicação da multa de ofício, para se adotar a multa de mora – considerando a redação do art. 18 da Lei 10.833/03 com a redação dada pela Lei 11.488/07. Assevera ainda a própria DRJ a aplicação desse entendimento. O que, para melhor elucidar, trago algumas ementas de outros acórdãos das delegacias de julgamento nesse sentido: “MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL 9 º TURMA ACÓRDÃO Nº 1653421 de 05 de Dezembro de 2013 ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART. 18 DA LEI Nº 10.833, DE 2003. Com a edição da Medida Provisória n.º 135, de 2003, convertida na Lei n.º 10.833, de 2003, não cabe mais imposição de multa, excetuandose os casos mencionados em seu art. 18. Sendo tal norma aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da Medida Provisória n.º 135, de 2003, em face da retroatividade benigna (ex vi alínea “c”, inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional), impõese o cancelamento da multa de ofício lançada. Período de apuração: : 01/09/1997 a 30/09/1997” MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM SÃO PAULO Fl. 406DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 18471.000369/200473 Acórdão n.º 9303003.826 CSRFT3 Fl. 401 13 6 º TURMA ACÓRDÃO Nº 1615182 de 23 de Outubro de 2007 ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário EMENTA: MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em razão da aplicação retroativa (retroatividade benigna) do art. 18 da Lei 10.833/03, com a redação dada pelo art. 25 da Lei 11.051/04, deve ser excluída a multa de ofício imposta. Período de apuração: : 01/02/2002 a 31/05/2002, 01/08/2002 a 30/04/2003 “MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL 9 º TURMA ACÓRDÃO Nº 1644304 de 28 de Fevereiro de 2013 ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: MULTA DE OFÍCIO RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART. 18 DA LEI Nº 10.833/2003. Com a edição da MP nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, não cabe mais imposição de multa excetuandose os casos mencionados em seu art. 18. Sendo tal norma aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP nº 135/2003 em face da retroatividade benigna (art. 106, II, “c” do CTN), impõese o cancelamento da multa de ofício lançada. Período de apuração: : 01/12/1998 a 31/12/1998” MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM FORTALEZA 4 º TURMA ACÓRDÃO Nº 0823210 de 10 de Abril de 2012 Fl. 407DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 14 ASSUNTO: Normas de Administração Tributária EMENTA: MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tendo em conta a nova redação dada pelo art. 25 da Lei 11.051, de 2004, ao art. 18 da Lei 10.833, de 2003, em combinação com o art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, cancelase a multa de ofício aplicada. Anocalendário: : 01/01/1997 a 31/12/1997” Proveitoso também trazer no mesmo sentido parte da ementa da Solução de Consulta Cosit Interna nº 3, de 08 de janeiro de 2004: “Nos julgamentos dos processos pendentes, cujo crédito tributário tenha sido constituído com base no art. 90 da MP nº 2.15835, as multas de ofício exigidas juntamente com as diferenças lançadas devem ser exoneradas pela aplicação retroativa do caput do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, desde que essas penalidades não tenham sido fundamentadas nas hipóteses versadas no “caput” desse artigo”. Em vista de todo o exposto, nego provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. Tatiana Midori Migiyama Relatora Fl. 408DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO
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Numero do processo: 13971.002399/2010-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2401-000.489
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF F, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, até que se conclua, no âmbito administrativo, o julgamento da demanda objeto do PAF nº 13971.000454/200649, referente à exclusão da recorrente do SIMPLES NACIONAL mediante o Ato Declaratório Executivo nº 62, de 07/05/2009.
André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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RESOLVEM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF F, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, até que se conclua, no âmbito administrativo, o julgamento da demanda objeto do PAF nº 13971.000454/200649, referente à exclusão da recorrente do SIMPLES NACIONAL mediante o Ato Declaratório Executivo nº 62, de 07/05/2009. André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .0 02 39 9/ 20 10 -1 6 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13971.002399/201016 Resolução nº 2401000.489 S2C4T1 Fl. 135 2 1. RELATÓRIO Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2006 Data de lavratura do Auto de Infração: 18/05/2010. Data da ciência do Auto de Infração: 21/05/2010. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC, que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.253.9831, CFL 78, lavrado em decorrência do descumprimento de obrigações acessórias previstas no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, lavrado em desfavor do Recorrente, em virtude da entrega de Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social contendo incorreções no campo referente à opção pelo SIMPLES, conforme descrito no Relatório Fiscal, a fls. 63/67. CFL 78 Apresentar a empresa a declaração a que se refere a Lei nº 8.212, de 24/07/1991, art. 32, IV, acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997, com a redação da MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, com incorreções ou omissões. De acordo com a Resenha Fiscal, a Autuada foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES), mediante o Ato Declaratório Executivo nº 062, de 07/05/2009, a fl. 68, com efeito retroativo a 01/01/1997, lavrado nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 13971.000454/200649. Consta dos autos que a Autuado ofereceu Manifestação de Inconformidade em face do Ato Declaratório Executivo nº 62, de 07/05/2009, nos autos do PAF nº 13971.000454/200649, o qual foi julgado improcedente pela 6ª Turma da DRJ/FNS, nos termos do Acórdão nº 0718.157 – 6ª Turma da DRJ/FNS, sendo mantida a exclusão da empresa CARISMA COMERCIO DE MALHAS LTDA da sistemática do SIMPLES. Consta, também, que em face do Acórdão nº 0718.157 – 6ª Turma da DRJ/FNS, suso citado, que a CARISMA COMERCIO DE MALHAS LTDA interpôs Recurso Voluntário, cujo julgamento em grau de 2ª Instância Administrativa não consta dos autos. Da análise das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP, apresentadas antes do inicio da Ação Fiscal e conforme o Ato Declaratório Executivo nº 062, de 07/05/2009, que excluiu a autuada do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, com efeito retroativo a 01/01/1997, a Fiscalização constatou a inexatidão da informação do código referente à opção pelo Sistema Integrado de Fl. 135DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13971.002399/201016 Resolução nº 2401000.489 S2C4T1 Fl. 136 3 Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) nas competências: 10/2006; 11/2006 e 01/2007. Nestes casos, foi informado código 2 (optante), quando deveria ser informado código 1 (não optante) Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Sujeito Passivo ofereceu impugnação administrativa, a fls. 103/106. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0730.788 6ª Turma da DRJ/FNS, a fls. 118/124, julgando procedente o lançamento tributário, e mantendo crédito lançado em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi intimado da Decisão de 1ª Instância no dia 04/04/2013, conforme Aviso de Recebimento a fl. 126. Inconformados com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o Sujeito Passivo principal interpôs Recurso Voluntário a fls. 128/131, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Que o ADE nº 062/2009 somente foi lavrado em 2009, e as declarações foram prestadas em 2006; · Que, quanto à GFIP relativa à competência 01/2007, a empresa procedeu à retificação da GFIP tão logo tomou conhecimento da irregularidade, devendo a multa ser relevada, conforme art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. 3.048/99; · Que as intimações sejam encaminhadas aos advogados da Recorrente; Ao fim, requer que o procedimento fiscal seja julgado nulo. 2. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 2.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi valida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 04/04/2013. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 03/05/2013, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. 3. DAS PRELIMINARES 3.1. DEPENDÊNCIA DE JULGAMENTO DE AUTO DE INFRAÇÃO CONEXO Fl. 136DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13971.002399/201016 Resolução nº 2401000.489 S2C4T1 Fl. 137 4 O Recorrente argumenta que o processo relativo à exclusão do SIMPLES ainda se encontrava em trâmite por ocasião da lavratura do Auto de Infração que deu origem ao presente processo; A vexata quaestio sobre a qual se funda a lide em debate reside na confirmação ou não da efetiva exclusão da empresa autuada do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte. De acordo com a Resenha Fiscal, os lançamentos são resultantes da EXCLUSÃO da autuada do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES), com efeito retroativo a 01/01/1997, conforme o Ato Declaratório Executivo nº 062, de 07/05/2009, lavrado nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 13971.000454/200649. Consta dos autos que a Autuado ofereceu Manifestação de Inconformidade em face do Ato Declaratório Executivo nº 62, de 07/05/2009, nos autos do PAF nº 13971.000454/200649, o qual foi julgado improcedente pela 6ª Turma da DRJ/FNS, nos termos do Acórdão nº 0718.157 – 6ª Turma da DRJ/FNS, sendo mantida a exclusão da empresa CARISMA COMERCIO DE MALHAS LTDA da sistemática do SIMPLES. Consta, também, que em face do Acórdão nº 0718.157 – 6ª Turma da DRJ/FNS, suso citado, que a CARISMA COMERCIO DE MALHAS LTDA interpôs Recurso Voluntário, cujo julgamento em grau de 2ª Instância Administrativa não consta dos autos. Avulta das circunstâncias do presente caso que o veredictum a ser proferido no vertente Processo Administrativo Fiscal depende visceralmente do desfecho definitivo a que alcançar o julgamento PAF nº 13971.000454/200649, no qual se debate a manutenção da empresa em tela na sistemática do SIMPLES. Por tais razões, como medida de reconhecida prudência, pugnamos pela conversão do julgamento do presente feito em diligência fiscal, para que se aguarde o Trânsito em Julgado do Processo Administrativo Fiscal nº 13971.000454/200649, suso citado, devendo a diligência ora requestada ser concluída com a juntada aos presentes autos de cópia da decisão definitiva proferida no PAF acima mencionado. PARA QUE NÃO RESTEM DÚVIDAS, A PRESENTE DILIGÊNCIA FISCAL DEVE SER CONCLUÍDA SOMENTE APÓS O TRÂNSITO EM JULGADO DO RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO PELO AUTUADO EM FACE DO ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO Nº 062/2009, E OS PRESENTES AUTOS RETORNADOS A ESTE COLEGIADO, TÃO SOMENTE, COM A JUNTADA AO VERTENTE PROCESSO DE CÓPIA DA DECISÃO DEFINITIVA PROFERIDA NOS AUTOS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Nº 13971.000454/200649. Além disso, antes de os autos retornarem a este Colegiado, deve ser promovida a ciência do Contribuinte a respeito do conteúdo e resultado da diligência Fl. 137DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13971.002399/201016 Resolução nº 2401000.489 S2C4T1 Fl. 138 5 fiscal ora requestada, sendolhe concedido o prazo normativo para que, desejando, possa se manifestar nos autos do processo. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto pela CONVERSÃO do julgamento em DILIGÊNCIA, até que se conclua, no âmbito administrativo, o julgamento da demanda objeto do PAF nº 13971.000454/200649, devendo ser acostada aos presentes autos cópia da decisão definitiva em apreço. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
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Numero do processo: 10314.725050/2014-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009, 2010
DECADÊNCIA. IMPOSTO DE RENDA. APURAÇÃO ANUAL.
O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010
ÁGIO CONSTITUÍDO ENTRE PARTES RELACIONADAS, SEM FUNDAMENTO ECONÔMICO. GLOSA.
As operações entre partes relacionadas devem ser testadas sob o princípio do arm´s length, de tal sorte que os preços e as demais condições da aquisição sejam compatíveis com aqueles que seriam normalmente utilizados no mercado, a partir de princípios econômicos como a livre concorrência e a livre manifestação da vontade. A ausência de fundamento econômico na operação enseja a glosa dos valores artificialmente constituídos.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
Tratando-se de tributação reflexa de irregularidade descrita e analisada no lançamento do IRPJ, constante do mesmo processo, aplica-se o mesmo entendimento à CSLL, pela natural relação de causa e efeito.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO.
Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, sempre que restar demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 72 da Lei nº 4.502/64.
Numero da decisão: 1201-001.456
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento aos Recursos Voluntário e de Ofício. Os conselheiros João Figueiredo e Ronaldo Apelbaum acompanharam o Relator pelas conclusões.
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Ronaldo Apelbaum e Lizandro Rodrigues de Sousa.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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"EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL" FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009, 2010 DECADÊNCIA. IMPOSTO DE RENDA. APURAÇÃO ANUAL. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 ÁGIO CONSTITUÍDO ENTRE PARTES RELACIONADAS, SEM FUNDAMENTO ECONÔMICO. GLOSA. As operações entre partes relacionadas devem ser testadas sob o princípio do arm´s length, de tal sorte que os preços e as demais condições da aquisição sejam compatíveis com aqueles que seriam normalmente utilizados no mercado, a partir de princípios econômicos como a livre concorrência e a livre manifestação da vontade. A ausência de fundamento econômico na operação enseja a glosa dos valores artificialmente constituídos. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratandose de tributação reflexa de irregularidade descrita e analisada no lançamento do IRPJ, constante do mesmo processo, aplicase o mesmo entendimento à CSLL, pela natural relação de causa e efeito. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, sempre que restar demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 72 da Lei nº 4.502/64. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 50 50 /2 01 4- 27 Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10314.725050/201427 Acórdão n.º 1201001.456 S1C2T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento aos Recursos Voluntário e de Ofício. Os conselheiros João Figueiredo e Ronaldo Apelbaum acompanharam o Relator pelas conclusões. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Ronaldo Apelbaum e Lizandro Rodrigues de Sousa. Relatório Tratase de Autos de Infração de IRPJ e CSLL lavrados contra a empresa em epígrafe, relativos a glosa com despesas de ágio e exclusões indevidas, nos anoscalendário de 2009 e 2010. Reproduzimos, a seguir, trechos do Termo de Verificação Fiscal e da decisão de primeira instância, que bem descrevem as autuações e argumentos de defesa da interessada: Contra a contribuinte acima qualificada foram lavrados os autos de infração de fls. 699 a 714, para exigência de crédito tributário no montante de R$ 26.570.812,84, assim discriminado: De acordo com a “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal/Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica”, a fls. 700, foi imputada à interessada a seguinte infração: 0001 EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL – EXCLUSÕES INDEVIDAS Valor excluído indevidamente do Lucro Líquido do período, na determinação do Lucro Real, conforme relatório fiscal em anexo. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10314.725050/201427 Acórdão n.º 1201001.456 S1C2T1 Fl. 4 3 31/12/2009 15.038.624,80 225,00 31/12/2010 4.755.671,16 75,00 31/12/2010 3.759.656,28 225,00 Os fundamentos da autuação são apresentados no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 686 e seguintes: Da Amortização do Ágio exclusão indevida do lucro real 3.1.1. Em análise a este item, efetuamos as glosas dos ágios, excluídos pela empresa na apuração do lucro real, nos período de 2009 e 2010, no montante de R$ 18.798.281,08, conforme expomos nos itens a seguir: ANO VALOR SALDO 31/12/2009 Amortização 15.038.624,80 3.759.656,28 31/12/2010 Amortização 3.759.656,28 (0,00) 3.1.2. Para melhor compreensão da engenharia societária realizada pelas empresas do grupo, descrevemos as operações que originaram o ágio, objeto desta análise: 3.1.2.1. Dados das Pessoas Jurídicas Envolvidas Razão social CNPJ Data da Constituição / Transformação Data da Extinção Enterpa Ambiental S.A 02.592.658/000165 17/06/1998 Qualix Serviços Ambientais Ltda (alteração nome) 02.592.658/000165 16/12/2002 Sustentare Serviços ambientais S.A (alteração nome) 02.592.658/000165 16/08/2010 SIWA Serviços Ambientais e Participações Ltda 02.640.426/000135 16/07/1998 21/03/2005 CIVILIA Enqenharia Ltda 60.699.667/000156 02/10/1992 01/05/2007 SIDECO Brasil Ltda 00.280.334/000166 20/10/1994 PARTSERAM Participações e Serviços ambientais Ltda 03.475.160/000185 29/10/1999 28/01/2000 GDASPE empreendimentos e Participações Ltda 07.083.466/000147 21/09/2004 21/03/2005 3.1.2.2) Relato das operações realizadas (a) Enterpa Ambiental S.A (atual Sustentare) constituída em 17/06/98, com início da atividade em 28/02/98. Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10314.725050/201427 Acórdão n.º 1201001.456 S1C2T1 Fl. 5 4 (b) Ágio I (28/07/1998) A empresa SIWA Serviços Ambientais e Participações S/A adquiriu 80% das ações da ENTERPA com o registro de um ágio (como reserva especial) de R$ 83.616.000,00. (c) Ágio II (01/10/1999) A empresa SIWA constitui a empresa PARTSERAM e integraliza o capital dessa nova pessoa jurídica com a participação societária que detém da ENTERPA com o registro de ágio no valor de R$ 136.306.233,08. Neste montante está incluído o saldo remanescente do ágio anteriormente registrado na SIWA quando da aquisição da ENTERPA (transferência do saldo do Ágio I R$ 57.137.600,00) e o novo ágio cobrado pela própria SIWA (Ágio II R$ 79.168.633,08). (d) Em 28/01/2000 a empresa ENTERPA incorpora a empresa PARTSERAM e absorve para si o ágio de R$ 136.306.233,08, passando a amortizar a despesa na apuração do imposto de renda e da CSLL. Duração da Atividade da PARTSERAM: 01/10/1999 a 28/01/2000. De acordo com a empresa em resposta ao Termo de Intimação n° 007, no período de existência da PARTSERAM, não houve Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10314.725050/201427 Acórdão n.º 1201001.456 S1C2T1 Fl. 6 5 contratação de empregados ou auferição de rendimentos nas atividades vinculadas ao objeto da empresa. As empresas SIDECO e CIVILIA detêm cada uma apenas 1 quota na composição da sociedade, enquanto que a SIWA detém 140.555.116 quotas, porém, as duas primeiras controlam esta última. (e) Em 16/12/2002, alteração do nome empresarial de ENTERPA para QUALIX. Nesta ocasião as sócias da QUALIX são: SIWA, CIVILIA e SIDECO com as seguintes distribuições de quotas. (f) Em 21/09/2004 ocorre a criação da empresa GDASPE Empreendimentos e Participações Ltda, cujo objeto social é HOLDINGS DE INSTITUIÇÕES NÃOFINANCEIRAS. (g) Ágio III (01/03/2005) A empresa SIWA transfere para suas controladoras SIDECO e CIVILIA as quotas que possui da empresa QUALIX com a cobrança de ágio no valor de R$ 75.193.124,00 (Ágio III) e retirase da sociedade. Conforme a 6o alteração contratual da Qualix em "Contrato Social e alterações". ÁGIO III GDASPE A QUALIX tem a seguinte composição societária: CIVILIA, SIDECO e GDASPE. (h) Em 03/03/2005 (7o alteração contratual da QUALIX ) as empresas SIDECO e CIVILIA adquirem a empresa GDASPE e, no mesmo dia, aumentam e integralizam o capital desta PJ com as cotas da QUALIX juntamente com o ágio anteriormente pago, ou seja, transfere o ágio III para GDASPE. Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10314.725050/201427 Acórdão n.º 1201001.456 S1C2T1 Fl. 7 6 A QUALIX tem a seguinte composição societária: CIVILIA, SIDECO e GDASPE. (i) Em 21/03/2005 (8a alteração contratual da QUALIX) a empresa QUALIX incorpora as empresas GDASPE e SIWA e absorve para si o ágio de R$ 75.193.124,00 (valor transferido do ágio III), passando a amortizar a despesa na apuração do imposto de renda e CSLL. Duração da empresa GDASPE (21/09/2004 a 21/03/2005): 6 meses. De acordo com a empresa em resposta ao Termo de Intimação n° 007, no período de existência da GDASPE, não houve contratação de empregados ou auferição de rendimentos através de atividades vinculadas ao objeto da empresa. Após essa operação a QUALIX tem como sócias a CIVILIA e SIDECO. (j) (...) (k) Em 08/10/2010 (AGE) ocorre a alteração do nome empresarial da QUALIX para SUSTENTARE ENGENHARIA AMBIENTAL S.A e em 25/11/2010 (AGE) alteração do nome empresarial para SUSTENTARE SERVIÇOS AMBIENTAIS S.A "EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL". Apresentamos a seguir o quadro societário da QUALIX a título de demonstrar a composição societária e seus dirigentes, obtidas da quarta à oitava alteração do contrato social para demonstrar a vinculação, entre os atos praticados pelos sócios e administradores, e a simulação ou fraude, em tese, praticada desde a criação do ágio até a utilização através da amortização indevida no período fiscalizado. CONTRATO SOCIAL SÓCIOS NOMES DIRIGENTES CPF 4o Alteração (19/04/2004) SIWA Roberto Medeiros Joaquim Luiz Bolas Neves 519.580.07820 578.619.86853 CIVILIA Mariano Macri Ivan Santos de Nadai 227.778.29802 227.437.28884 SIDECO Mariano Macri Manuel Bastos Lima Júnior 227.778.29802 037.635.60734 5o Alteração (11/01/2005) SIWA Roberto Medeiros Newton Rodrigues de Albuquerque Filho 519.580.07820 370.121.18768 CIVILIA Mariano Macri Mabel Nicolau 227.778.29802 231.089.97807 SIDECO Mariano Macri Mabel Nicolau 227.778.29802 231.089.97807 6o Alteração (01/03//2005) A empresa SIWA cede e transfere às demais sóclasquotistas o total de suas quotas e retirase da sociedade. Nesta operação ocorre o Ágio III no valor de R$ 75.193.124,00 (ver LALUR) SIWA Roberto Medeiros Joaquim Luiz Bolas Neves 519.580.07820 Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10314.725050/201427 Acórdão n.º 1201001.456 S1C2T1 Fl. 8 7 CIVILIA Mariano Macri Mabel Nicolau 227.778.29802 231.089.97807 SIDECO Mariano Macri Mabel Nicolau 227.778.29802 231.089.97807 7° Alteração (03/03//2005) As sócias CIVILIA e SIDECO adquirem a empresa GDASPE e aumentam e integralizam o capital social com o ágio anteriormente paqo a SIWA. CIVILIA Mariano Macri Mabel Nicolau 227.778.29802 231.089.97807 SIDECO Mariano Macri Mabel Nicolau 227.778.29802 231.089.97807 GDASPE Mariano Macri 227.778.29802 8o Alteração (21/03/2005) Ocorre a incorporação da GDASPE praticamente na mesma data em que a SIWA transfere as suas quotas com ágio para a CIVILIA e SIDECO e em que ocorre a aquisição da GDASPE. CIVILIA Mariano Macri Mabel Nicolau 227.778.29802 231.089.97807 SIDECO Mariano Macri Mabel Nicolau 227.778.29802 231.089.97807 3.1.3 Das respostas obtidas mediante termos de intimação fiscal: (a) A empresa ao ser intimada, através do Termo n° 002, item 1.5, a apresentar comprovação dos pagamentos do ágio realizados em 2009 e 2010 e respondeu que não houve disponibilidade de recursos. Em resposta ao Termo n° 007, a empresa informa que houve movimentação financeira, porém, da análise concluise que as movimentações foram realizadas através de transferências de ações em todas as transações em que houve a ocorrência do ágio, ou seja, não houve efetivo desembolso financeiro em moeda. (b) A empresa informou, mediante intimação fiscal (TIF007), que o fundamento econômico do ágio em cada operação acima mencionada foi em função da rentabilidade futura. Ao ser intimada a apresentar o Laudo de Rentabilidade Futura, Termo de Intimação n° 010, na incorporação das empresas PARTSERAM e GDASPE, foram apresentados os Laudos de Avaliação ou seja, não foram apresentados estudos mercadológicos que lastreiem a fundamentação alegada para a existência do ágio. 3.1.4 Dos Argumentos de Ocorrência de Simulação ou Fraude A empresa Sustentare esclareceu, em resposta ao termo de intimação n° 007, que o propósito da constituição da empresa Partseram pela SIWA, em 01/10/1999, era ampliar a conquista de grandes negócios, entre elas, as explorações de concessões públicas, que vislumbrava ser promissor na época (sic), o que levou a sua criação com ocorrência de ágio, mas que se mostrou Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10314.725050/201427 Acórdão n.º 1201001.456 S1C2T1 Fl. 9 8 ser inviável economicamente, após três meses de existência, e decidiuse pela extinção da referida empresa. Embora o contribuinte tenha declarado que os ágios por ele amortizados decorriam de uma verdadeira aquisição de investimentos, pela análise efetuada, ficou evidente que não houve investimento nenhum, os ágios foram criados artificialmente com o único intuito de auferir um benefício indevido. Este fato é corroborado pela inexistência de aquisição de investimentos e pela inexistência de contratos negociais e de contratação de empregados, tanto pela PARTSERAM como pela GDASPE, para justificar a existência dos ágios com fundamento em rentabilidade futura. A empresa SUSTENTARE alega que os ágios registrados decorreram de uma efetiva contrapartida financeira, porém, a empresa não comprovou essa movimentação financeira em forma de pagamento, o que ficou demonstrado é que os ágios pautados no fundamento econômico de rentabilidade futura, como nos ágios II e III, decorreram de transações através de transferências de quotas tão somente. De fato, a ausência de propósito negocial e de substrato econômico, da mesma forma que impedem a existência material do ágio, atestam a simulação praticada pelo contribuinte. A simulação caracterizada pelo lançamento, em que pese se referir ao aumento de capital da PARTSERAM e da GDASPE com as participações societárias da ENTERPA e da QUALIX, fora materializada com as posteriores incorporações realizadas. A criação do ágio fictício e a transferência do ágio pago por outra pessoa jurídica foi iniciada com a aquisição do investimento pela PARTSERAM e pela GDASPE e concluído com a incorporação dessas sociedades pela ENTERPA e pela QUALIX, respectivamente. O evidente intuito doloso do contribuinte nos ilícitos tributários cometidos pelo contribuinte resta caracterizado pelo fato de ele saber desde o início que a PARTSERAM e a GDASPE seriam posteriormente incorporadas por ele. O evidente intuito de fraude do contribuinte fica ainda mais claro quando se vê que ele, por meio de laudos de avaliação da ENTERPA e da QUALIX, procurou dar uma aparência de legalidade a uma operação não prevista na legislação. Analisando as operações realizadas pelo grupo econômico, relatadas no item 3.4.2.2, observase que a PARTSERAM e a GDASPE foram utilizadas como empresas veículos, ou seja, o aumento do capital dessas empresas visou unicamente a criação artificial do ágio e à transferências dos ágios em operações anteriores. Tendo em vista o curto lapso de tempo entre a data da aquisição das participações societárias pelas empresas citadas e a incorporação pela ENTERPA e pela QUALIX, é inegável que o aumento de capital realizado não se revestia da natureza de investimento. Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10314.725050/201427 Acórdão n.º 1201001.456 S1C2T1 Fl. 10 9 3.1.5 Conclusão De acordo com o expostos nos itens anteriores, concluímos que ambas as empresas incorporadas (PARTSERAM e GDASPE) foram apenas instrumentos para aproveitamento do ágio na apuração do imposto de renda e CSLL. Estes ágios foram absorvidos pelas transferências de ações/quotas e aumento de capital entre as empresas QUALIX, SIWA, SIDECO e CIVILIA que simularam as ocorrências de ágios nas transações. Este tipo de operação é chamado de "ágio intragrupo" ou "ágio interno" que é aquele gerado por operações sucessivas de reorganização societária destinadas a gerálo e transferilo a uma terceira empresa sem que, efetivamente, haja mudança de controle societário. Analisando as operações no aspecto formal e material, concluímos que as transações têm como objetivo somente obter a economia tributária, o que ocorreu foram as sucessivas transferências de ágio, nas constituições e incorporações entre as empresas envolvidas, que como descrevemos acima, são todas pertencentes ao mesmo grupo econômico, sem desembolso financeiro, visto que eles não foram comprovados pela empresa. Dessa forma, fica caracterizada a simulação cometida pelo contribuinte o que resulta em qualificação da multa de ofício. Serão efetuados os lançamentos dos valores amortizados em 2009 e 2010, conforme consta do LALUR. 3.2 Do IRPJ e CSLL Diferidos 3.2.1 Exclusão Indevida do Lucro Líquido CSLL Diferida Em análise à DIPJ2011, verificamos que a CSLL diferida, no valor de R$ 1.257.265,90, foi excluída do cálculo da apuração do lucro líquido do período na DIPJ2011, ficha 07A Demonstração do resultado linha 70, e também houve a exclusão na Ficha 09A Demonstração do Lucro Real Linha 78 Outras Exclusões, conforme demonstrativo da composição da linha 78 apresentado pela empresa. Imposto de Renda Diferido O Imposto de Renda Diferido, no valor de R$ 3.498.405,26, foi excluído do cálculo da apuração do lucro líquido do período na DIPJ/2011, ficha 07A Demonstração do resultado linha 72. Ficha 07A Demonstração do Resultado 69.LUCRO LÍQUIDO ANTES DA CSLL 1.379.100,30 70.()Contribuição Social sobre o Lucro Líquido 1.257.265,90 71.LUCRO LÍQUIDO ANTES DO IRPJ 121.834,40 72.()Provisão para o Imposto de Renda 3.498.405,26 Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10314.725050/201427 Acórdão n.º 1201001.456 S1C2T1 Fl. 11 10 73. LUCRO LÍQUIDO DO PERÍODO DE APURAÇÃO 3.376.570,86 Como podemos verificar, nos valores das linhas acima extraídas da DIPJ/2011, a exclusão da CSLL e do Imposto de Renda diferidos resultou em um lucro líquido que irá influenciar no capital, reservas ou distribuição de dividendos. Ficha 38A Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados LUCROS/PREJUÍZOS 01.Saldo de Lucros Acumulados 23.625.040,43 02.Ajustes Credores de Períodos de Apuração Anteriores 0,00 03. Reversão de Reservas 0,00 04.Outros Recursos 0,00 05.Lucro Líquido do Ano 3.376.570,86 O valor da receita de crédito do imposto de renda diferido foi desconsiderado na apuração do lucro real o que irá influenciar no valor oferecido à tributação. Com relação ao CSLL, a receita de crédito da CSLL diferida integrou o valor do lucro líquido antes da IRPJ, demonstrado na linha 01 da ficha 09, porém, foi excluída nesta mesma ficha, na linha 78 Outras Exclusões. A fim de elucidar o assunto visando corroborar o posicionamento desta fiscalização, de que as receitas de IRPJ e de CSLL diferidos devem integrar a base de tributação, mencionamos recente Acórdão do CARF n° 180200.604, publicado no DOU de 26/04/2011, conforme anexo, em que a empresa/contribuinte ao apurar a base negativa de CSLL, constituiu crédito tributário para dedução futura, com débito em conta contábil do Ativo e crédito em conta do Resultado, e também, a exclusão do valor no LALUR. O CARF decidiu que a exclusão foi indevida e manteve a tributação lançada pela fiscalização. De acordo com o art. 250 do Decreto n° 3.000/99 (RIR/99), somente poderá ser feita a exclusão de receitas quando da apuração do lucro real, mediante lei que a autorize. No caso em questão não há previsão legal para a exclusão das receitas de créditos fiscais de IRPJ e CSLL Diferidos, quando da apuração do lucro real, base de tributação da empresa pelo IRPJ e CSLL. Mesmo que tais créditos fiscais fossem contabilizados diretamente a crédito de conta de Patrimônio Líquido, também seria tributável em razão do art. 249, do RIR/99, ainda que destinada a capital, reservas ou distribuição como dividendos. Portanto, em razão do exposto, será efetuado o lançamento nos valores do IRPJ e CSLL Diferidos de R$ 3.498.405,26 e R$ 1.257.265,90, respectivamente. Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10314.725050/201427 Acórdão n.º 1201001.456 S1C2T1 Fl. 12 11 Impugnação Ciente dos lançamentos em 28 de agosto de 2014 (fls. 717), a interessada apresentou, em 29 de setembro de 2014 (fls. 721 a 723 e 789), impugnação a fls. 724 a 761. Alega, fundamentalmente, o seguinte: Segundo o artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, o termo inicial da contagem do prazo decadencial dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação se dá na ocorrência do fato gerador. As únicas exceções, as quais deslocariam a contagem do prazo decadencial para o art. 173, I, do CTN, consistem na comprovação de dolo, fraude ou simulação, hipóteses estas que não se verificam in casu. As operações que embasaram o ágio com fundamento em resultado de exercícios futuros amortizado fiscalmente pela ora Impugnante são legítimas, porquanto realizadas nos estritos ditames legais, não havendo que se falar, portanto, em simulação. Todos os valores relativos a fatos geradores ocorridos há mais de cinco anos contados regressivamente à data em que se materialize a ciência do lançamento de ofício (que no caso deu se em 29/08/2014) já teriam sido alcançados pela decadência, ficando defeso à administração efetuar seu lançamento e, com isto, os valores supostamente devidos de IRPJ e CSLL no período de apuração de janeiro de 2009 a agosto de 2009 são exigíveis. O escopo do § único do artigo 116 não é permitir a tributação por ficção e o texto da lei é expresso quanto à necessidade da estipulação de procedimento específico nas hipóteses de desconsideração de atos ou negócios jurídicos. A autuação fundamenta a suposta simulação, basicamente na equivocada alegação de que o ágio teria resultado de operações estruturadas em sequência, sem que houvesse o efetivo desembolso na aquisição de participações societárias e que "empresas de passagem" teriam sido criadas exclusivamente para que a Impugnante pudesse aproveitar o ágio fiscalmente. Ocorre que conforme amplamente comprovado nos autos, as operações não foram realizadas com o intuito de ocultar a prática de outro ato que lhe é subjacente, porque (i) o ágio tem como fundamento a expectativa de rentabilidade futura e encontrase amparado em laudo de avaliação, tendo sido devidamente comprovado nos autos mediante documentos que demonstram a efetiva contrapartida financeira; e (ii) a constituição das empresas, consideradas equivocadamente como empresas veículos, teve conforme demonstrado nos autos propósito negocial, visando a segregação das atividades das empresas do grupo. Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10314.725050/201427 Acórdão n.º 1201001.456 S1C2T1 Fl. 13 12 Da análise do trabalho fiscal descortinamse três ágios distintos, todos baseados em previsão de resultados em exercícios futuros: (i) o ágio inicial que compunha o valor do investimento da SIWA Serviços Ambientais e Participações Ltda. ("SIWA") na Enterpa Participações e Serviços Ambientais Ltda. ("Enterpa"), decorrente da aquisição desta por aquela; (ii) o ágio componente do valor da aquisição do investimento na Enterpa Ambiental pela Partseram Participações e Serviços Ambientais Ltda. ("Partseram"); e (iii) o ágio registrado na venda, da SIWA SIDECO Brasil e à Civilia Engenharia ("Civilia"), desse investimento na Enterpa, então já denominada Qualix, o qual foi posteriormente transferido à GDASPE Empreendimentos e Participações Ltda. ("GDASPE"). A análise dos fatos autuados e da legislação correlata, artigo 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, e artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, demonstra, sem sombra de dúvidas, que a Recorrente pautou sua conduta nos exatos termos da legislação vigente, aproveitandose do benefício por ela concedido. Tomando em primeiro lugar o ágio denominado inicial, o qual compôs o valor pelo qual foi registrado o investimento na Enterpa pela SIWA no ano de 1998, esclareçase que as ações da SIWA eram detidas pelas sócias Civilia e Waste Management International ("Waste"), na proporção de 60% e 40%, respectivamente, e a Civilia, por sua vez, tinha como controladora a SIDECO Brasil. Baseado em competente laudo de avaliação, o real ágio ora em apreço estava calcado em previsão de resultados em exercícios futuros, sendo certo que houve a efetiva contrapartida financeira, uma vez que visando efetuar investimento na Enterpa para adquirir 80% de seu capital, a Civilia firmou, em 26/06/1998, Contrato de Investimento com Conrado de Carvalho Alves e Abacon Participações e Empreendimentos, então controladores da Enterpa Ambiental (EASA), e, por força desse contrato, cuja cópia encontrase acostada aos autos, a Civilia deveria (i) aportar US$ 68.000.000,00 na Enterpa, (ii) comprometerse com dívida em favor da Enterpa de mais US$ 20.000.000,00 formalizada em cinco notas promissórias avalizadas pela SIDECO e, ainda, (iii) com outra dívida em nota promissória de R$ 8.920.000,00 vencível em três anos. Em 27/08/1998, foi firmado o Aditivo n° 1, por força do qual, considerando a constituição da SIWA pelas sócias Civilia e Waste, na respectiva proporção de 60% e 40%, à SIWA foram transferidos pela Civilia todos os direitos e obrigações constantes do Contrato original, permanecendo tais sócias como garantidoras da operação, tornandose a Waste garantidora de 40% das obrigações assumidas no aludido Contrato de Investimento, cabendo à Civilia os restantes 60% de tais montantes. A planilha anexa ao aditamento da impugnação demonstra a exata participação da Civilia e da Waste na SIWA e suas respectivas obrigações para capitalização desta a fim de Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10314.725050/201427 Acórdão n.º 1201001.456 S1C2T1 Fl. 14 13 viabilizar a aquisição da Enterpa pelo montante de R$ 111.000.000,00. Considerando que o patrimônio líquido da Enterpa era, na época, de R$ 34.230.000,00 e que a pretendida aquisição de 80% desse PL representada R$ 27.384.000,00, o montante do ágio correspondia a R$ 83.616.000,00 e por esse exato valor foi registrado pela SIWA. Desta mesma planilha constam que os 60% atinentes à Civilia e inicialmente aportados na Enterpa pela SIWA equivaliam a R$ 47.328.000,00, ao que se somam os valores das dívidas por ela proporcionalmente assumidas do total das Notas Promissórias de US$ 20.000.000,00 e da Nota Promissória de R$ 8.920.000,00. Sendo a Civilia controlada pela SIDECO Brasil e esta, pela SIDECO USA, vejase que, em julho de 1998, a SIDECO USA fez um aporte de capital na SIDECO Brasil no montante de R$ 47.744.500,00, conforme denotam a folha do diário desta última em que registrado tal aporte e os respectivos contratos de câmbio. A SIDECO Brasil, por sua vez, transferiu esse montante à Civilia, que, em 30 de julho de 1998, fez um aporte de capital na SIWA no valor de R$ 47.328.000,00 por meio de quatro depósitos no valor de R$ 11.832.000,00 cada, consoante se infere da respectiva folha do Livro Diário da Civilia. No que diz respeito à Waste, então detentora de 40% da SIWA, a aludida planilha mostra o aporte que aquela primeira fez, no montante de R$ 31.552.000,00 na SIWA e sua parcela das obrigações assumidas em favor da Enterpa Ambiental. Todavia, tendo em vista que Waste excluise desse investimento no ano 2000, os documentos comprobatórios do pagamento de parte do aporte e de sua parcela das dívidas não podem ser carreados aos presentes autos pela ora Impugnante, eis que não os possui. De outro lado, porém, a prova do pagamento do aporte efetuado pela SIWA no que diz respeito à responsabilidade da Civilia (60%) é translúcida, haja vista o que acima já dito e provado por meio do registro do aporte feito pela SIDECO USA na SIDECO Brasil e especialmente do respectivo contrato de câmbio, bem como do posterior aporte feito pela Civilia na SIWA após ter sido recebida tal quantia de sua controladora SIDECO Brasil. Mostrase, pois, devidamente comprovada a efetiva movimentação financeira embasada em registros contábeis e contratos de câmbio, do montante de 60% do aporte inicial na Enterpa previsto no aludido contrato, o qual cabia à Civilia por intermédio de sua controlada a SIWA. Resta ainda a demonstração do pagamento dos correspondentes 60% das dívidas assumidas pela SIWA em favor da Enterpa, os quais igualmente cabiam Civilia, como garantidora que era. E essa demonstração mostrase igualmente da dívida de US$ 20.000.000,00 cabia a Civilia arcar com US$ 12.000.000,00 (60%), mais juros de 9,70% ao ano, conforme imposição contratual, a qual elevou essa quantia para US$ Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10314.725050/201427 Acórdão n.º 1201001.456 S1C2T1 Fl. 15 14 13.500.000,00. A planilha elaborada pela Impugnante, já juntada, demonstra que esses US$ 13.500.000,00 foram pagos por meio de dois mútuos firmados pela SIDECO USA/BVI, nos valores de US$ 4.500.000,00 e USS 9.000.000,00, consoante os contratos de câmbio anteriormente apresentados, e as respectivas transferências à SIDECO Brasil, sendo certo que, em 19/07/99 e 29/07/99, esses valores foram transferidos diretamente pela SIDECO Brasil ao antigo acionista da Enterpa, Sr. Conrado de Carvalho Alves, nos termos do Razão Analítico e, especialmente, dos respectivos comprovantes de transferência bancária. Por fim, a última parcela do investimento compromissado no contrato em foco, no valor de R$ 8.920.000,00 consubstanciada em Nota Promissória vencível em 3 anos e posteriormente pago por meio da cessão de títulos contra a Prefeitura do Município de São Paulo. Em 1999, foi constituída a Partseram, cujas quotas eram detidas pela SIWA e foram integralizadas pelo investimento que esta possuía na Enterpa, acrescido de novo ágio igualmente baseado em incensurável laudo, o qual representa o segundo ágio questionado pela fiscalização. A constituição da Partseram está fundada na decisão da SIWA de segregar atividades até então concentradas na Enterpa, visando a otimização de resultados. Com efeito, a Enterpa, indiretamente controlada pela SIWA, concentraria em si os serviços de limpeza pública, entre eles principalmente o serviço prestado ao Município de São Paulo, ao passo que a Partseram, diretamente controlada pela SIWA, concentraria as atividades relacionadas às concessões públicas (estradas, pedágios, obras etc), muito em voga àquela época. Todavia, a tal decisão negocial seguiuse longa inadimplência por parte da Prefeitura Municipal de São Paulo, conforme atesta Ação de Cobrança própria, sendo certo que tal Prefeitura representava a maior parte das receitas da Enterpa. Por conseqüência, acaso mantida a segregação de atividades inicialmente pretendida, a Enterpa ficaria praticamente sem receitas, o que representaria a sua falência. Desse modo, o propósito econômico da posterior incorporação da Partseram reside na necessidade de regresso à anterior concentração de atividades na Enterpa, que, em decorrência disso, passou a fazer jus também às receitas que passariam a ser percebidas por aquela, com base no que conseguiu manterse a despeito da sobredita inadimplência. A respeito do terceiro ágio questionado pela fiscalização, em 10 de março de 2005, a SIWA, que voltara a controlar diretamente a Qualix após a sobredita incorporação da Partseram, entendeu por bem alienálo à SIDECO e a Civilia, sendo certo que tal investimento, à época, fora novamente avaliado, consoante irrefutável laudo apresentado pela Recorrente quando do Aditamento à Impugnação, tendo alcançado a monta de R$ 269.000.000,00 entre o valor do negócio, calculado em 193 milhões de reais, e ágio baseado em Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10314.725050/201427 Acórdão n.º 1201001.456 S1C2T1 Fl. 16 15 previsão de resultados em exercícios futuros estimado em R$ 76.000.000,00. Tal valor foi pago por meio da transferência de dívida da SIWA à SIDECO, na importância de R$ 142.000.000,00 em contrapartida da transferência a ela de 53% das quotas da Enterpa, bem como por meio de transferência do restante à Civilia e a SIDECO na respectiva proporção de 60% e 40% das quotas restantes, totalizando l00% das quotas da Enterpa. SIDECO e a Civilia detinham então 100% do investimento denominado "Qualix". Acrescentese que, a partir do final de 2004, a administração pública iniciou um sistema de concessão para atendimento da limpeza urbana da Cidade de São Paulo, o qual deixou de contemplar a Qualix, que historicamente atendia a região sul da cidade até então e, consequentemente, a Qualix viuse mais uma vez diante de extremas dificuldades financeiras em razão de nova perda de sua principal receita. Diante disso, os então controladores da Qualix (SIDECO e Civilia), no intento de possuírem um competidor naquele mercado sem dívidas com vistas ao atendimento dos requisitos vinculados a índices financeiros necessários à obtenção de Concessões e de Parcerias PúblicoPrivadas (PPP), constituíram, em 03 de março de 2005, a GDASPE, nela integralizando o total do investimento que detinham na Qualix. Portanto, o mesmo investimento antes registrado na SIDECO e na Civilia, o qual contemplava o ágio avaliado no momento da venda da Qualix pela SIWA, foi transferido à GDASPE, que igualmente registrou tal ágio calcado em previsão de resultados em exercícios futuros. Porém, em 21 de março de 2005, ainda sem sucesso na obtenção de concessões ou de PPPs, a Qualix, necessitando se fortalecer diante das narradas alterações ocorridas no setor de limpeza urbana e novamente respeitando a necessidade de manutenção, no mercado, da empresa com nome mais forte, incorporou a GDASPE e a SIWA, eliminando, assim, empresas com objetos sociais semelhantes e reduzindo a geração de custos administrativos e operacionais. Quanto ao IRPJ e à CSLL diferidos, ao calcular sua receita bruta, utilizouse da permissão prevista no artigo 30, parágrafo 1º da Medida Provisória nº 2.158/2001, reproduzido no artigo 13 da Instrução Normativa nº 247/02, pelo que se considera respaldado pelo artigo 250 do RIR. A multa imputada de 225% do imposto tem evidente caráter confiscatório, vedado pela Carta Maior. Ainda que se afaste a multa qualificada de 225% em face da ausência da prova da conduta dolosa, não há como ser mantida a multa isolada, porquanto em evidente descompasso com os ditames legais e a jurisprudência do CARF. Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10314.725050/201427 Acórdão n.º 1201001.456 S1C2T1 Fl. 17 16 Em sessão de 15 janeiro de 2015 a 4a Turma da Delegacia de Julgamento de Belo Horizonte, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a impugnação, para: exonerar a interessada do crédito tributário referente ao IRPJ do fato gerador de 31/12/2010 no valor principal de R$ 1.188.917,79; exonerar a interessada do crédito tributário referente à CSLL do fato gerador de 31/12/2010 no valor principal de R$ 428.010,40; em relação ao crédito tributário mantido, reduzir a multa de ofício aplicada no percentual de 225% para 150%. Com a decisão foi apresentado Recurso de Ofício. Por seu turno, a interessada interpôs Recurso Voluntário, no qual repetiu, basicamente, os argumentos da impugnação. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. Preliminarmente, repete a interessada o argumento de que teria ocorrido decadência para os períodos compreendidos entre janeiro e agosto de 2009. Contudo, tendo em vista a opção do contribuinte pela apuração do imposto de renda na periodicidade anual, para o anocalendário de 2009, e o fato de que a ciência dos lançamentos ocorreu em 28 de agosto de 2014, não há de se falar em decadência, pois as autuações foram efetivadas dentro do prazo de cinco anos, contado do exercício seguinte àquele em que os lançamentos poderiam ser efetuados. Assim, afasto a preliminar de decadência, sem prejuízo de que, na espécie, houve ainda a qualificação da multa, o que, por si só, já deslocaria o termo inicial de contagem do prazo, nos termos do artigo 173, I, do CTN. Quanto ao mérito, a questão central do debate se refere à amortização dos ágios constituídos ao longo das diversas reorganizações societárias descritas no relatório fiscal. A fiscalização considerou indevidas as exclusões relativas à amortização dos ágios, por entender que as sucessivas operações não possuíam fundamento econômico, vale dizer, que foram realizadas mediante simulação e através de empresasveículo, com o único objetivo de obter vantagens tributárias indevidas e artificialmente apuradas. Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10314.725050/201427 Acórdão n.º 1201001.456 S1C2T1 Fl. 18 17 Por seu turno, entende a Recorrente que as operações têm respaldo na legislação e estão baseadas em laudos de avaliação, que comprovariam a expectativa de rentabilidade futura das empresas incorporadas. A matéria encontrase disciplinada nos artigos 7o e 8o da Lei n. 9.532/97, que dispõem sobre o registro e a amortização do ágio gerado em investimentos avaliados pelo patrimônio líquido: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do §2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10314.725050/201427 Acórdão n.º 1201001.456 S1C2T1 Fl. 19 18 a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Já a sistemática de apuração do ágio deve seguir o disposto no artigo 20 do DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977: Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1° O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2° O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10314.725050/201427 Acórdão n.º 1201001.456 S1C2T1 Fl. 20 19 c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3° O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2° deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. À luz da legislação de regência, percebese que o ágio corresponde à diferença entre o custo de aquisição de um investimento e o seu valor patrimonial. Isso significa que a figura do ágio decorre do fato de uma das partes se comprometer a pagar à outra, pela aquisição do investimento, um valor superior àquele registrado no patrimônio líquido. A expressão “pagar” pode ser entendida em sentido amplo, contemplando diversas modalidades, desde que todas impliquem algum tipo de desembolso ou ônus para o adquirente. Existe grande discussão acerca da possibilidade de aproveitamento do chamado ágio entre partes relacionadas, comumente denominado ágio interno. Em tese, entendo ser possível a ocorrência de ágio nessas operações, entre partes relacionadas, pelo fato de que, até o advento da Lei n. 12.973/2014, inexistia no direito positivo brasileiro vedação expressa à sua configuração. Convém ressaltar que na esfera contábil o chamado ágio interno é normalmente rechaçado, a exemplo de pronunciamentos do CFC e da CVM, elaborados antes mesmo da nova disposição legal. Entretanto, pelo menos em termos fáticos, pareceme possível que uma empresa do mesmo grupo econômico venha a adquirir de outra algo por valor superior àquele contabilizado. E, no contexto da legislação anterior, seria possível considerar a operação como legítima, desde que praticada sob condições normais de mercado. Claro que todas as operações internas exigem, justamente em razão de sua peculiaridade, uma análise mais profunda, pois nem sempre as operações entre partes relacionadas refletem a realidade dos fatos, tal qual ocorreria se o negócio jurídico fosse realizado com terceiros independentes. Assim, deve o intérprete atentar para as circunstâncias fáticas e jurídicas da operação, que incluem, entre outras, o propósito negocial, o efetivo pagamento ou desembolso pela aquisição, a sequência cronológica das operações, a adequada avaliação da rentabilidade futura e, sobretudo, a análise entre as posições inicial e final de cada interveniente. Tudo isso implica dizer que as operações entre partes relacionadas devem ser testadas sob o princípio do arm´s length, de tal sorte que os preços e as demais condições da aquisição sejam compatíveis com aqueles que seriam normalmente utilizados no mercado, a partir de princípios econômicos como a livre concorrência e a livre manifestação da vontade. No caso dos autos cuidase de três ágios sucessivos, cuja autuação foi justificada pela fiscalização, a título de conclusão, nos seguintes termos: De acordo com o exposto nos itens anteriores, concluímos que ambas as empresas incorporadas (PARTSERAM e GDASPE) foram apenas instrumentos para aproveitamento do ágio na apuração do imposto de renda e CSLL. Estes ágios foram absorvidos pelas transferências de ações/quotas e aumento de capital entre as empresas QUALIX, SIWA, SIDECO e CIVILIA que simularam as ocorrências de ágios nas transações. Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10314.725050/201427 Acórdão n.º 1201001.456 S1C2T1 Fl. 21 20 Este tipo de operação é chamado de "ágio intragrupo" ou "ágio interno" que é aquele gerado por operações sucessivas de reorganização societária destinadas a gerálo e transferilo a uma terceira empresa sem que, efetivamente, haja mudança de controle societário. Analisando as operações no aspecto formal e material, concluímos que as transações têm como objetivo somente obter a economia tributária, o que ocorreu foram sucessivas transferências de ágio, nas constituições e incorporações entre as empresas envolvidas, que como descrevemos acima, são todas pertencentes ao mesmo grupo econômico, sem desembolso financeiro, visto que eles não foram improvados pela empresa. Dessa forma, fica caracterizada a simulação cometida pelo contribuinte o que resulta em qualificação da multa de ofício. A sequência dos fatos e respectivas alterações societárias, que ensejaram a formação dos ágios e a posterior glosa pela fiscalização já foram expostas no relatório deste voto. Entretanto, como as operações e argumentos de defesa foram bem sintetizados pela decisão recorrida, reproduzimos, a seguir, o seguinte excerto, para melhor compreensão dos fatos e das etapas em litígio (grifaremos): Como descreve a autora do feito, em 17 de junho de 1998, foi constituída a empresa ENTERPA AMBIENTAL S/A, tendo CONRADO DE CARVALHO ALVES e ABACON PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS como controladores. Em 28 de julho de 1998, a empresa CIVILIA ENGENHARIA LTDA., controlada pela SIDECO S/A, integralizou o aumento do capital social da empresa SIWA SERVIÇOS AMBIENTAIS e PARTICIPAÇÕES S/A com 80% das ações da ENTERPA AMBIENTAL S/A com o registro de um ágio (como reserva especial) no valor de R$ 83.616.000,00 (Ágio I). Observese que a ENTERPA foi posteriormente transformada na QUALIX SERVIÇOS AMBIENTAIS LTDA., atual SUSTENTARE SERVIÇOS AMBIENTAIS S/A, empresa autuada. Em 29 de outubro de 1999, a empresa SIWA constituiu a empresa PARTSERAM PARTICIPAÇÕES E SERVIÇOS AMBIENTAIS LTDA. e integralizou o capital social dessa nova pessoa jurídica com a participação societária que detinha na ENTERPA com o registro de ágio no valor de R$ 136.306.233,08. Nesse montante estava incluído o saldo remanescente do ágio anteriormente registrado na SIWA quando da aquisição da ENTERPA (transferência do saldo do Ágio I – R$ 57.137.600,00) e o novo ágio cobrado pela própria SIWA (Ágio II – R$ 79.168.633,08). Em 28 de janeiro de 2000, a empresa ENTERPA incorporou a empresa PARTSERAM e absorveu para si o ágio de R$ 136.306.233,08, passando a amortizar a despesa com a sua dedução na apuração do imposto de renda e da CSLL. Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10314.725050/201427 Acórdão n.º 1201001.456 S1C2T1 Fl. 22 21 Em 21 de setembro de 2004, foi criada a empresa GDASPE EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. Em 1o de março de 2005, a empresa SIWA transferiu as suas controladoras SIDECO e CIVILIA as quotas que possuía da empresa QUALIX com a cobrança de um ágio no valor de R$ 75.193.124,00 (Ágio III). Em 3 de março de 2005, as empresas SIDECO e CIVILIA adquiriram a empresa GDASPE e, no mesmo dia, aumentaram e integralizaram o capital dessa pessoa jurídica com as cotas da empresa QUALIX juntamente com o ágio anteriormente pago, transferindo o Ágio III para a GDASPE. Em 21 de março de 2005, a empresa QUALIX incorporou a empresa GDASPE e SIWA e absorveu para si o ágio de R$ 75.193.124,00 (valor transferido do Ágio III), passando a amortizar a despesa com a sua dedução na apuração de seus tributos. Quanto ao denominado Ágio I, aduz a impugnante que, visando efetuar investimento na ENTERPA para adquirir 80% de seu capital, a CIVILIA firmou, em 26/06/1998, Contrato de Investimento com CONRADO DE CARVALHO ALVES e ABACON PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS e, por força desse contrato, cuja cópia afirma encontrarse acostada aos autos, a CIVILIA deveria (i) aportar US$ 68.000.000,00 na ENTERPA, (ii) comprometerse com dívida em favor da ENTERPA de mais US$ 20.000.000,00 formalizada em cinco notas promissórias avalizadas pela SIDECO e, ainda, (iii) com outra dívida em nota promissória de R$ 8.920.000,00 vencível em três anos. Esclarece que as ações da SIWA eram detidas pelas sócias CIVILIA e WASTE, enquanto a CIVILIA, por sua vez, era controlada pela SIDECO BRASIL e esta pela SIDECO USA. Afirma que o ágio estava calcado em laudo de avaliação com previsão de resultados em exercícios futuros. Relata que em 27 de agosto de 1998, foi firmado o Aditivo n° 1, por força do qual, considerando a constituição da SIWA pelas sócias CIVILIA e WASTE, na respectiva proporção de 60% e 40%, à SIWA foram transferidos pela CIVILIA todos os direitos e obrigações constantes do contrato original, permanecendo tais sócias como garantidoras da operação, tornandose a WASTE garantidora de 40% das obrigações assumidas no aludido Contrato de Investimento, cabendo à CIVILIA os restantes 60% de tais montantes. Sustenta que “planilha anexa ao aditamento5 impugnação” demonstra as obrigações da CIVILIA e da WASTE na SIWA e que, no que diz respeito à CIVILIA (60%), a prova do pagamento é translúcida, pelo registro do aporte feito pela SIDECO USA na SIDECO BRASIL e, especialmente, do respectivo contrato de câmbio, bem com pelo posterior aporte feito pela CIVILIA na SIWA. Afirma que as dívidas assumidas pela SIWA em favor da ENTERPA foram pagas por meio de mútuos firmados pela SIDECO USA e que a parcela de R$ 8.920.000,00 pela cessão de títulos contra a Prefeitura do Município de São Paulo. Quanto à WASTE (40%), alega que não Fl. 1144DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10314.725050/201427 Acórdão n.º 1201001.456 S1C2T1 Fl. 23 22 possui as provas dos pagamentos, em virtude da exclusão de tal empresa do investimento em 2000. No que diz respeito ao ágio II, argumenta que a constituição da PARTSERAM estava fundada na decisão da SIWA de segregar atividades até então concentradas na ENTERPA, visando à otimização de resultados. Com relação ao ágio III, afirma que seu pagamento se deu por meio de transferência de dívida da SIWA à SIDECO, em contrapartida da transferência a ela de 53% das quotas da ENTERPA, cabendo o restante à CIVILIA e à SIDECO. O conjunto das operações, a despeito das alegações da Recorrente, nos leva a concluir que em nenhum momento houve efetivo pagamento entre as empresas, sendo certo que a análise "do filme, como um todo" demonstra que as incorporações, inclusive às avessas, tiveram como único objetivo a criação de um suposto ágio, com a dedução de valores artificialmente gerados e justamente por isso glosados pela fiscalização. A documentação acostada aos autos, até a fase de impugnação, simplesmente não tem o condão de corroborar os argumentos da Recorrente, no sentido de que haveria propósito negocial e substrato econômico nas operações, circunstância que foi um dos fundamentos da decisão de primeira instância: Indedutibilidade do Ágio I Quanto às alegações apresentadas pela impugnante, deve ser observado, em primeiro lugar, que elas não se encontram comprovadas nos autos. Examinandose as folhas do processo, verificase que nele não se encontra o laudo de rentabilidade futura do ágio pago pela empresa CIVILIA quando da aquisição da ENTERPA de terceiros em 28 de julho de 1998. Tampouco foram juntados os elementos que permitam comprovar os alegados pagamentos. De qualquer modo, observase que o Ágio I, nos termos em que foi descrito tanto pela autora do feito quanto pela impugnante, não preenche os requisitos previstos no artigo 386 do RIR/99, que, como dito, são basicamente dois. Primeiro, o custo efetivo de um ágio na aquisição duma participação societária, em virtude da expectativa de resultados futuros. Segundo, deve haver a reunião, numa só entidade, do patrimônio que adquiriu o ágio e daquele que vai gerar os resultados futuros, de modo que a despesa incorrida na obtenção desse potencial de resultados futuros possa ser diretamente confrontada com esses resultados. No presente caso, o Ágio I, afirma a impugnante, teria sido pago pela SIDECO e pela CIVILIA, na aquisição das ações da ENTERPA. Ou seja, o ágio não foi suportado nem pela empresa incorporadora, nem pela incorporada, PARTSERAM e ENTERPA. E, como demonstrado, o direito de amortização do ágio deve ser produto de negócio ou operação pelo qual a participação acionária se incorpora ao patrimônio da pessoa jurídica investidora, não sendo o ágio algo que se possa alienar ou transferir sem que ocorra a reunião dos patrimônios da investida e da investidora. Fl. 1145DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10314.725050/201427 Acórdão n.º 1201001.456 S1C2T1 Fl. 24 23 Igual raciocínio foi aplicado aos supostos ágios observados nas etapas posteriores: Indedutibilidade dos Ágios II e III Após a aquisição da SIWA pela CIVILIA em 1998, todas as operações societárias posteriores que culminaram na incorporação da PARTSERAM e da GDASPE pela ENTERPA e pela QUALIX, respectivamente, envolveram empresas que pertenciam ao grupo formado pelas empresas SIDECO e CIVILIA. Assim, os denominados Ágios II e III se caracterizam claramente como “ágios internos”, e sua amortização, como demonstrado, não pode ser admitida, uma vez que não houve evidentemente qualquer custo efetivo na aquisição das participações societárias em questão. Portanto, ainda que se admitisse a dedutibilidade nos casos de ágio interno, anteriores à expressa vedação legal, deve ser ressaltado que, nessas hipóteses, é imperiosa a cabal comprovação da operação, do efetivo pagamento do ágio e da existência de laudos (ou análises equivalentes) aptos e idôneos a justificar a expectativa de rentabilidade futura. Ou seja, nos raros casos em que o negócio for celebrado a partir de reais condições de mercado, cabe aos interessados comprovar, para além de qualquer dúvida, a existência de todos os requisitos legais, circunstância que nem de longe se observa nos autos. Em relação aos documentos de avaliação apresentados como anexos ao Recurso Voluntário, simplesmente não há como aceitálos, primeiro porque trazidos aos autos em momento inadequado, pois deveriam constar da impugnação, como determina o artigo 16 do Decreto n. 70235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que:(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (grifamos) Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10314.725050/201427 Acórdão n.º 1201001.456 S1C2T1 Fl. 25 24 Constatase que nenhuma das hipóteses veiculadas pelo § 4º do artigo 16 se faz presente no caso dos autos. Ainda que fosse superada tal situação, em homenagem ao princípio da verdade material (sem olvidar que tais documentos remontam ao longínquo ano de 1998 e deveriam ter sido apresentados há muito tempo), ainda assim não há como reconhecê los, visto que estão em idioma estrangeiro e não atendem, portanto, aos requisitos legais. Como se isso não bastasse, no documento que seria o laudo de avaliação (fls. 883 e seguintes) não consta qualquer assinatura, identificação ou qualificação do responsável pela elaboração, tornandoo imprestável a qualquer tipo de comprovação. No mesmo sentido, os contratos de câmbio juntados aos autos apenas indicam transferências financeiras entre a SIDECO Argentina e a SIDECO Brasil, mas não nos permite concluir sobre o destino dos investimentos ou o custo de aquisição das empresas com efetivo pagamento de ágio. E mais: nas páginas do Diário (fls. 1545, por exemplo) curiosamente o nome da empresa está riscado, de forma que não se consegue sequer identificar a quem pertenceriam (imaginamos que houve a tentativa de grifar, para destaque, o nome, mas isso impossibilitou a leitura da cópia). Também não constam desses documentos qualquer assinatura do profissional responsável nem as demais formalidades exigidas em lei. Igual circunstância se observa nos documentos relativos aos lançamentos, o que nos leva a concluir, na esteira do que restou decidido em primeira instância, que a documentação acostada aos autos, ainda que aceita, não é hábil ou suficiente para comprovar as alegações da Recorrente. No que tange à multa, que na decisão de piso foi reduzida de 225% para 150%, pareceme que não há reparos a fazer. Restou evidente a falta de propósito negocial e consequente simulação das operações que envolveram a produção dos ágios. A Recorrente não conseguiu comprovar a substância econômica que poderia justificar as diversas reorganizações societárias, cujo único objetivo realmente foi o de conferir uma aparência de normalidade, que permitisse a amortização dos supostos ágios. Como bem destacado pela decisão de primeira instância: De fato, não houve nenhuma aquisição de investimento pela PARTSERAM e pela GDASPE, restando claro que o único objetivo foi a redução dos impostos a serem pagos pelo grupo econômico. Vêse que a PARTSERAM e a GDASPE foram utilizadas como empresas veículos, com o único propósito de criação artificial do ágio e de transferência dos ágios gerados em operações anteriores. De fato, a curta duração das empresas PARTSERAM e da GDASPE (três e seis meses, respectivamente), demonstra que o aumento de capital realizado não se revestia da natureza de investimento. Assim, considerando que as reestruturações societárias tiveram como única motivação criar condições artificiais para possibilitar a amortização indevida do ágio e, em consequência, Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10314.725050/201427 Acórdão n.º 1201001.456 S1C2T1 Fl. 26 25 impedir dolosamente a ocorrência de parte do fato gerador da obrigação tributária principal, de modo a reduzir o montante do imposto devido, está caracterizada a situação tipificada no artigo 72 da Lei nº 4.502, de 1964: Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Nesse contexto, é de rigor a aplicação do disposto no artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei n. 9.430/96, com a redação dada pela Lei n. 11.488/2007, em vigor ao tempos dos fatos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Correta, portanto, a qualificação da multa, conforme autuada e mantida pela decisão de piso. Entretanto, realmente não há espaço para o agravamento da infração, cujo fundamento seria o não atendimento às intimações formuladas durante os trabalhos de auditoria. Não se vislumbra, nos autos, a configuração da espécie, de sorte que entendo adequada a redução do percentual lançado, de 225% para 150%, nos exatos moldes do que decidiu a Delegacia de Julgamento de Belo Horizonte. Descabe, ainda, a análise por este Conselho de qualquer argumento de caráter constitucional, posto que é vedada qualquer manifestação acerca de norma vigente e eficaz, conforme determina a Súmula n. 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por fim, também em razão do Recurso de Ofício, que afastou as infrações relativas ao diferimento do IRPJ e CSLL, convém reproduzir os fundamentos da decisão: Vêse, pois, que o acórdão mencionado pela fiscalização não corrobora sua tese de que o IRPJ e a CSLL diferidos devem ser Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10314.725050/201427 Acórdão n.º 1201001.456 S1C2T1 Fl. 27 26 considerados na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Naquele caso, a contribuinte havia contabilizado como ativo a constituição de um crédito correspondente a 18% da base de cálculo negativa da CSLL apurada ao final do período, tendo como contrapartida “outras rendas operacionais/contribuição social a restituir”. Esta receita foi excluída pela contribuinte da base de cálculo da CSLL e da apuração do lucro real, por não ter sido considerada “receita de fato”. Contudo, após sua liquidação, a contribuinte deixou de adicionála à base de cálculo da CSLL, sendo esta a infração que lhe foi imputada. O procedimento contábil adotado pela contribuinte foi condenado pelas autoridades julgadoras de 1a e 2 a instâncias e entendeuse que ele acabou por produzir efeitos fiscais, justificando a exigência fiscal, porém, em momento algum, afirmouse que a CSLL diferida deveria compor a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. No presente caso, não restaram comprovados os efeitos fiscais da contabilização de tais créditos, que não podem, por si sós, ser considerados como sujeitos à tributação pelo IRPJ e pela CSLL. Portanto, o lançamento, no que se refere a tal infração, deve ser cancelado. Entendo, na esteira do que foi decidido, que realmente não se comprovou a existência de impacto fiscal na contabilização dos créditos, razão pela qual não há base legal para os lançamentos. Correto, pois, o entendimento de primeira instância, que acolho neste voto, até porque o fundamento para a autuação baseouse em paradigma diverso do caso concreto. Ante o exposto CONHEÇO do Recurso Voluntário e, no mérito, voto por NEGARLHE provimento, assim como voto por NEGAR provimento ao Recurso de Ofício. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Numero do processo: 10380.731894/2011-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
AI. NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa.
AGROINDÚSTRIA DO RAMO DA AVICULTURA. LANÇAMENTO. BASE DE CÁLCULO. FOLHA DE PAGAMENTOS. Em observância ao disposto no §4o do art. 22-A, da Lei 8.212/91, bem como ao que preconiza o art. 174 da IN 971/09, da SRFB, mesmo que determinada pessoa jurídica seja considerada como agroindústria do ramo da avicultura, a base de cálculo para o lançamento deve ser considerada como a folha de pagamentos, e não o faturamento da comercialização de produção própria e/ou de terceiros. Lançamento improcedente.
RELATÓRIO DE VÍNCULOS. SÚMULA 88 DO CARF. A indicação dos responsáveis legais da empresa no REPLEG não enseja o reconhecimento da responsabilidade solidária dos mesmos quanto ao lançamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.973
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para a exclusão de valores apurados no levantamento PR nos autos de Infração AI 37.324.024-4 (Patronal) e AI 37.324.026-0 (Terceiros), bem como para determinar a exclusão da multa aplicada nos AI 37.324.021-0 e AI 37.324.023-6.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 AI. NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa. AGROINDÚSTRIA DO RAMO DA AVICULTURA. LANÇAMENTO. BASE DE CÁLCULO. FOLHA DE PAGAMENTOS. Em observância ao disposto no §4o do art. 22-A, da Lei 8.212/91, bem como ao que preconiza o art. 174 da IN 971/09, da SRFB, mesmo que determinada pessoa jurídica seja considerada como agroindústria do ramo da avicultura, a base de cálculo para o lançamento deve ser considerada como a folha de pagamentos, e não o faturamento da comercialização de produção própria e/ou de terceiros. Lançamento improcedente. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. SÚMULA 88 DO CARF. A indicação dos responsáveis legais da empresa no REPLEG não enseja o reconhecimento da responsabilidade solidária dos mesmos quanto ao lançamento. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrente REGINA AGROINDUSTRIAL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 AI. NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa. AGROINDÚSTRIA DO RAMO DA AVICULTURA. LANÇAMENTO. BASE DE CÁLCULO. FOLHA DE PAGAMENTOS. Em observância ao disposto no §4o do art. 22A, da Lei 8.212/91, bem como ao que preconiza o art. 174 da IN 971/09, da SRFB, mesmo que determinada pessoa jurídica seja considerada como agroindústria do ramo da avicultura, a base de cálculo para o lançamento deve ser considerada como a folha de pagamentos, e não o faturamento da comercialização de produção própria e/ou de terceiros. Lançamento improcedente. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. SÚMULA 88 DO CARF. A indicação dos responsáveis legais da empresa no REPLEG não enseja o reconhecimento da responsabilidade solidária dos mesmos quanto ao lançamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 73 18 94 /2 01 1- 71 Fl. 821DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para a exclusão de valores apurados no levantamento PR nos autos de Infração AI 37.324.0244 (Patronal) e AI 37.324.0260 (Terceiros), bem como para determinar a exclusão da multa aplicada nos AI 37.324.0210 e AI 37.324.0236. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 822DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10380.731894/201171 Acórdão n.º 2402004.973 S2C4T2 Fl. 137 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por REGINA AGROINDUSTRIAL S/A, em face acórdão que manteve integralmente os lançamentos efetuados nos seguintes Autos de Infração: OBRIGAÇÃO PRINCIPAL 1) AI 37.324.0228: tem como objeto as contribuições descontadas das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados (Matriz e filiais), nas competências de 01/2007 a 12/2008, inclusive 13o salário do período. Tais valores foram extraídos dos Resumos de Folha de Pagamento fornecidos pela empresa e encontramse demonstrados no anexo “Resumo Folha de Pagamento Matriz/Filiais – Levantamento “FP”. 2) AI 37.324.0252 lavrado para a cobrança de contribuições dos segurados não descontadas (Contribuintes individuais e empregados). o objeto do lançamento são as contribuições que deveriam ter sido descontadas das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados (remuneração extra folha), contribuintes individuais e transportadores autônomos. Por tratarse de levantamento realizado por aferição indireta, as bases de cálculo utilizadas foram os salários de contribuição apurados conforme planilhas constantes dos autos – Levantamento FC. 3) AI 37.324.0244 o crédito referese às contribuições previdenciárias da parte da empresa sobre as remunerações pagas a contribuintes individuais e transportadores autônomos, bem como as incidentes sobre as notas fiscais de cooperativas de trabalho contratadas e sobre o valor da comercialização da produção rural, e do produto rural adquirido de produtor rural pessoa física, por subrogação Levantamentos CI, FA, PR e RA. 4) AI 37.324.0260 lavrado para a cobrança de Contribuições de Terceiros, referente ao pagamento ou credito das remunerações dos segurados empregados, o pagamento a transportadores autônomos, a comercialização do produto rural de produção própria e o valor do produto rural adquirido do produtor rural pessoa física. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA 5) AI 37.324.0210 lavrado para a cobrança de multa por ter a recorrente apresentado GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. 6) AI 37.324.0236 lavrado para a cobrança de multa por ter a recorrente apresentado GFIP com informações incompletas, inexatas ou omissas, no caso a informação do campo “código terceiros”, pois deveria ter informado o código 0003 – Produtor Rural Pessoa Jurídica, quando, ao revés informou o código 0000 – Agroindústria. Fl. 823DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 Os lançamentos compreendem as competências de 01/2007 a 12/2008, tendo sido o contribuinte cientificado em 09.12.2011. Antes do julgamento de primeira instância foi determinada a realização de diligência por parte da DRJ nos seguintes termos: "No entendimento da defesa, houve indevida aplicação do dispositivo legal, art. 25 da Lei 8.212/91, posto que a impugnante situase entre as exceções listadas no art. 250, II, “a” da IN SRP 03/2005, consistindo a sua atividade na industrialização da própria produção avicultora através das operações de: beneficiamento, classificação e acondicionamento do produto. A análise do argumento mencionado no relato acima, em confronto com as informações constantes dos documentos que formalizaram os Autos de Infração, não nos permite formar convicção suficiente para realização do julgamento dos Autos de Infração, em que pese os mesmos estarem constituídos de todos os componentes determinados pela legislação. Assim, diante do exposto, visando à formação de elementos que fortaleçam a convicção para o exercício do julgamento, proponho a conversão deste em diligência, com a remessa dos presentes autos à unidade preparadora para que sejam tomadas as seguintes providências: I Sejam prestados esclarecimentos pela fiscalização, preferencialmente com a inclusão de documentos comprobatórios, do porquê não haver enquadrado o sujeito passivo entre as exceções elencadas pela Instrução Normativa 971, de 13 de novembro de 2009, em seu art. 174, na atividade de avicultura, uma vez que o seu Estatuto, fl. 449, a apresenta como sociedade dedicada a exploração, em bases industriais desta atividade, fato este que foi desconsiderado pela fiscalização. II Caso a resposta à Diligência traga novos fundamentos para a lavratura dos Autos de Infração, diversos dos tratados no Relatório Fiscal original, elaborar um Relatório Fiscal complementar. III Dar ciência do presente despacho e do resultado da diligência ao sujeito passivo, bem como conceder novo prazo para impugnação (30 dias) para que o mesmo, querendo, possa aditar a sua defesa, no que toca à matéria objeto da diligência aqui tratada". Apresentada resposta, a recorrente fora devidamente intimada do resultado da diligência, tendo apresentada nova defesa com relação a imputação de não poder ser enquadrada como agroindústria. Devidamente intimado do julgamento da DRJ em primeira instância, a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF deveria ter sido executado até o dia 14 de julho de 2010. O MPF foi Fl. 824DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10380.731894/201171 Acórdão n.º 2402004.973 S2C4T2 Fl. 138 5 prorrogado por diversas vezes pelo prazo de 60 (sessenta) dias, nos termos da Portaria RFB nº 11.371/07, entretanto, a ciência do lançamento (09/12/2011) ocorreu fora do prazo de validade do mencionado Mandado de Procedimento Fiscal, o que culmina na nulidade do Auto de Infração. 2. houve desconforto com intimações recebidas por autoridades distintas do mesmo órgão, mas com interesses contrários, o que acarretou violação aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. 3. aduz ser indevida a vinculação da empresa Regina Alimentos S/A em seu anexo VÍNCULOS – RELAÇÃO DE VÍNCULOS, cuja desvinculação já houvera sido informada à Receita Federal do Brasil quando da impugnação a outro processo administrativo fiscal. 4. alega ser indevida a cobrança do crédito apurado sobre o valor da produção rural adquirida de produtor rural pessoa física por subrogação, no montante de R$ 1.841.432,55, considerada pelo Supremo Tribunal Federal como inconstitucional 5. alega que o processo deve ser extinto sem resolução do mérito ante a ausência clara de fundamentação dos fatos relatados na peça impugnatória no item 90; 6. requer cancelamento do débito fiscal reclamado. Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório Fl. 825DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 6 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. PRELIMINARMENTE Nulidade do lançamento Alega a Recorrente que o procedimento fiscal foi prorrogado por várias vezes e a ciência do lançamento se deu fora do prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal, fato que eiva o lançamento de nulidade. Sobre o assunto, de início, tenho que ao analisar a mesma preliminar, a DRJ apontou o seguinte, senão vejamos: “O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, devendo o sujeito passivo ser cientificado deste no início da Fiscalização. Inexiste previsão legal para ciência prévia do sujeito passivo relativamente às prorrogações e complementações do Mandado de Procedimento Fiscal inicial, podendo esta ser feita quando do primeiro ato de ofício praticado após cada alteração, nos termos do que dispõe o art. 9º, parágrafo único, da Portaria RFB nº 11.371, de 12 de dezembro de 2007”. Por corolário, é cediço que eventuais vícios constantes do Mandado de Procedimento Fiscal não invalidam o lançamento fiscal. Este é o entendimento da jurisprudência deste CARF, a seguir: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO DOS ATOS PRATICADOS PELOS AGENTES FISCAIS. VÍCIOS RELACIONADOS À NOTIFICAÇÃO OU PRORROGAÇÃO. QUESTÕES QUE NÃO CAUSAM NULIDADE DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, é instrumento de controle criado pela Administração com o objetivo de assegurar ao sujeito passivo que o fiscal identificado está autorizado a fiscalizálo. Se ocorrerem problemas com a emissão, ciência ou prorrogação do MPF, não são invalidados os trabalhos de fiscalização desenvolvidos. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. (Acórdão 1301001.316, Rel. Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes)" Cito, ainda, o seguinte precedente, que se amolda perfeitamente ao caso em análise: "Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1997 a 31/08/2005 Fl. 826DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10380.731894/201171 Acórdão n.º 2402004.973 S2C4T2 Fl. 139 7 MPF. VÍCIO FORMAL. INEXISTÊNCIA A ciência ao sujeito passivo da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito após a expiração do Mandado de Procedimento Fiscal não acarreta a nulidade do lançamento. Enunciado nº 25 do Conselho de Recursos da Previdência Social, de 23/02/2006. CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DO SAT E DO RAT É legítimo o estabelecimento, por Decreto, do grau de risco, com base na atividade preponderante da empresa. Questão há muito pacificada do STJ. [..] (Acórdão 2302003.505, Rel. André Luiz Marisco Lombardi, Sessão de 02/12/2014)" Logo, não reconheço a nulidade suscitada. Ademais, nada mais fez a fiscalização do que aplicar ao caso em concreto a legislação pertinente, atribuindo à recorrente, a responsabilidade pelas contribuições previdenciárias por ela devidas e não adimplidas, levando a efeito simplesmente aquilo que determinado pela Lei 8.212/91. Assim, uma vez que não houve qualquer transgressão a norma legal em vigor, não há que se reconhecer a nulidade do lançamento. Logo, ao que se depreende do relatório fiscal, verificase ter sido observado o que disposto no art. 142 do CTN a seguir: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional". Da análise do relatório fiscal de cada um dos Autos de Infração, verificase que estes vieram devidamente acompanhados de todos os anexos do Auto de Infração, sendo deles parte integrante, quando se percebe que todos foram concebidos em total observância às disposições do art. 142 do CTN e 37 da Lei n. 8.212/91, na medida em que todos os fundamentos de fato e de direito que ensejaram a lavratura do Auto e a imposição fiscal restaram devida e precisamente demonstrados esclarecidos, o que proporcionou e garantiu ao contribuinte a clara e inequívoca ciência e materialização da ocorrência do fato gerador e dos valores não recolhidos das contribuições sociais não informadas, conforme também restou decidido pelo acórdão de primeira instância. O fato de ter recebido intimações de distintas de autoridades do mesmo órgão, em nada macula o lançamento, mas demonstra o cumprimento das atribuições da fiscalização. Não vejo, pois, como acolher o pedido de nulidade formulado sobre tais aspectos. Rejeito as preliminares. Fl. 827DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 8 Passo ao mérito. Inicialmente, aponto que a recorrente, seja em sua impugnação ou mesmo em seu recurso voluntário, não impugnou os lançamentos constantes dos seguintes AI´s: 1) AI 37.324.0228: tem como objeto as contribuições descontadas das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados (Matriz e filiais), nas competências de 01/2007 a 12/2008, inclusive 13o salário do período. Tais valores foram extraídos dos Resumos de Folha de Pagamento fornecidos pela empresa e encontramse demonstrados no anexo “Resumo Folha de Pagamento Matriz/Filiais – Levantamento “FP”. 2) AI 37.324.0252 lavrado para a cobrança de contribuições dos segurados não descontadas (Contribuintes individuais e empregados). o objeto do lançamento são as contribuições que deveriam ter sido descontadas das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados (remuneração extra folha), contribuintes individuais e transportadores autônomos. Por tratarse de levantamento realizado por aferição indireta, as bases de cálculo utilizadas foram os salários de contribuição apurados conforme planilhas constantes dos autos – Levantamento FC. 5) AI 37.324.0210 lavrado para a cobrança de multa por ter a recorrente apresentado GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. 6) AI 37.324.0236 lavrado para a cobrança de multa por ter a recorrente apresentado GFIP com informações incompletas, inexatas ou omissas. Desse modo, quanto a tais lançamentos, os tenho por incontroversos, da forma como veio a ser apontado pelo julgamento de primeira instância, não havendo que se falar, também, em qualquer nulidade em razão de assim terem sido considerados, a teor do disposto no art. 17 do Decreto 70.235/72. Do enquadramento como agroindústria Sobre o assunto, a recorrente pugna pela desconstituição do lançamento, sob o argumento de que em sendo reconhecida como agroindústria do ramo da avicultura, o lançamento deveria se dar sobre a sua folha de pagamentos, o que não ocorreu no presente caso. Sobre o assunto, tenho que a tese, quando debatida no julgamento de primeira instância, que digase de passagem analisou todas as provas e alegações trazidas aos autos, seja pela parte, seja pela fiscalização, entendeu que a recorrente não fazia jus ao reconhecimento de agroindústria. E tal conclusão se deu em razão de que, no resultado da diligência restou claro que: (i) esta não comercializa produção própria; (ii) em 2007 não houve faturamento de produto industrializado e em 2008 o faturamento de produto industrializado (cerca de 1%) referese a produtos processados e embalados pela Pole Alimentos Ltda; (iii) não haviam folhas de pagamento específicas para um setor industrial, o Auditor Fiscal não detectou nas folhas existentes nenhum cargo compatível com o abate e industrialização de frango No entanto, ao analisar detidamente os autos, verifico do DAD que o lançamento sobre esta rubrica deuse na alíquota de 2,5% (Rural) e 0,1% (SAT), em observância ao disposto no art. 22A da Lei 8.212/91, a seguir: Fl. 828DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10380.731894/201171 Acórdão n.º 2402004.973 S2C4T2 Fl. 140 9 "Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de:(Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). I dois vírgula cinco por cento destinados à Seguridade Social;(Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). II zero vírgula um por cento para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade.(Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001)". No entanto, em se tratando de agroindústria que atua na área de avicultura, o disposto no art. 22A, supra, não é aplicável, em conformidade com o que determina o seu §4o, a seguir: "§ 4oO disposto neste artigo não se aplica às sociedades cooperativas e às agroindústrias de piscicultura, carcinicultura, suinocultura e avicultura.(Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001)". Assim, tenho que o lançamento não poderia ser efetuado com base no faturamento, já que, mesmo em sendo considerada como agroindústria da área da avicultura, a cobrança das contribuições previdenciárias deveria darse sobre a folha de pagamentos, a teor do disposto, inclusive no art. 174 da IN 971/09: "Art. 174. A base de cálculo das contribuições das agroindústrias de piscicultura, carcinicultura, suinocultura e avicultura e das sociedades cooperativas, independentemente de terem ou não outra atividade comercial ou industrial, é a remuneração contida na folha de pagamento dos segurados a seu serviço. Parágrafo único. Em relação às cooperativas, o disposto no caput aplicase inclusive aos fatos geradores ocorridos no período de 15 de julho de 2005, data de publicação da Instrução Normativa MPS/SRP nº3, de 14 de julho de 2005, a 15 de janeiro de 2007, véspera da publicação da Instrução Normativa MPS/SRP nº20, de 11 de janeiro de 2007, excluídas a imposição de penalidades e a cobrança de juros de mora nesse período". Logo, ao analisar o presente lançamento, seja considerando a recorrente como agroindústria da área de avicultura, seja mesmo como produtora rural dessa área, o lançamento deveria tomar como base a folha de pagamentos, e não o faturamento, na forma como indica o DAD e, de forma muito superficial, o próprio relatório fiscal. Neste particular, tenho que o voto vencido do julgamento de primeira instância deve prosperar. Ora, se para o caso da recorrente, por qualquer lado que se a enquadre na qualidade de contribuinte das contribuições previstas na Lei 8.212/91, o lançamento deve ser considerada a folha de pagamentos, não vejo como possível, que este tenha sido realizado com base no faturamento, Fl. 829DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 10 sobretudo com a aplicação das alíquotas de 2,5% e 0,1%, as quais, a toda evidência, são absolutamente inaplicáveis ao presente caso. Tal equívoco, a meu ver, atinge aquilo o que disposto no art. 142 do CTN, já transcrito no presente voto, tendo em vista que não fora corretamente definida a “matéria tributária” e “cálculo do montante devido”, já que adotada base de cálculo e mesmo as alíquotas não aplicáveis para o caso. Assim, julgo como improcedente o lançamento do levantamento PR. Aquisição de Produção Rural Sobre o assunto, esclareço que o presente lançamento referese a competências dos anos de 2007 e 2008, de modo que, a declaração de inconstitucionalidade da redação original do art. 25 da Lei 8.212/91, não se aplica o presente caso, tendo em vista que os fatos geradores ora sob discussão referemse a período já abarcado pela Emenda Constitucional n. 20/98. A propósito, e em se tratando de matéria já analisada por esta Eg. Turma, cito o seguinte precedente, que demonstra tal entendimento. Vejamos: "Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 CONTRIBUIÇÃO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE. A empresa adquirente fica subrogada nas obrigações do produtor rural pessoa física com empregados e do segurado especial, relativas ao recolhimento da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural estabelecida no art. 25 da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. A inconstitucionalidade declarada pelo STF no Recurso Extraordinário nº 363.852 não produz efeitos aos lançamentos de fatos geradores ocorridos após a Emenda Constitucional nº 20/98. Recurso de Oficio Provido. (Acórdão 2402003.557, Rel. Thiago Taborda Simões, Sessão de 14/05/2003)". Logo, nada a prover. Do Relatório de Vínculos Tratase de assunto já pacificado pelo CARF, com a edição da Súmula nº 88, senão vejamos: "Súmula CARF nº 88: “A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa”. Assim verificase que a aludida Relação de Vínculos tem condão meramente informativo, não tendo a finalidade de atribuir sujeição passiva ou responsabilidade solidária às pessoas físicas ou jurídicas ali apontadas, tampouco comportam discussão no âmbito do Fl. 830DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10380.731894/201171 Acórdão n.º 2402004.973 S2C4T2 Fl. 141 11 contencioso administrativo tributário federal, razão pela qual desfalece a alegação da Recorrente. Por fim, ressalto que não subistem outras matérias a serem abordadas no presente julgamento, quanto ao lançamento dos Autos de Infração AI 37.324.0228, AI 37.324.0252, AI 37.324.0210, AI 37.324.0236, pelos motivos já explicitados nos autos, senão a necessidade de aplicação aos autos de infração de obrigações acessórias AI 37.324.0210, AI 37.324.0236, dos efeitos da exclusão do lançamento principal do levantamento PR. Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso, para (i) julgar improcedente o levantamento PR nos autos de Infração AI 37.324.0244 (Patronal) e AI 37.324.0260 (Terceiros), bem como para (ii) determinar a exclusão do montante da multa aplicada pela não informação de tais fatos geradores em GFIP (AI 37.324.0210 3), e, (iii) por fim, para julgar improcedente o auto de infração pela indicação incorreta do código de terceiros (AI 37.324.0236) É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 831DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
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Numero do processo: 15504.000964/2008-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional.
Havendo recolhimentos aplica-se a regra do § 4º do artigo 150 do CTN.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2201-003.022
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso reconhecendo a decadência do crédito tributário, vencido o conselheiro Carlos Henrique de Oliveira de negava provimento ao recurso. Fará declaração de voto o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira.
assinado digitalmente
Carlos Alberto Mees Stringari
Relator
assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira
Declaração de Voto
assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah
Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Havendo recolhimentos aplicase a regra do § 4º do artigo 150 do CTN. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso reconhecendo a decadência do crédito tributário, vencido o conselheiro Carlos Henrique de Oliveira de negava provimento ao recurso. Fará declaração de voto o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 09 64 /2 00 8- 10 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Declaração de Voto assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.000964/200810 Acórdão n.º 2201003.022 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Gerência Executiva do INSS em Belo Horizonte, Decisão Notificação nº 11.401.4/0162/2004 que julgou o lançamento procedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: DO LANÇAMENTO Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada, na condição de responsável solidária, e a empresa prestadora de serviços HARPA ENGENHARIA DE MONTAGENS LTDA, no valor de R$4.567,86 (quatro mil quinhentos e sessenta e sete reais e oitenta e seis centavos), consolidado em 19/12/03, relativo a contribuições incidentes sobre a remuneração paga à mãodeobra incluída em notas fiscais de serviços de construção civil, no período de 01/98 a 12/98. DA IMPUGNAÇÃO Da empresa responsável solidária 2. A responsável solidária. notificada, inconformada. apresentou defesa tempestiva com a notificação fiscal, impugnando o, lançamento, consoante documentos de fls. 36/52, alegando em síntese o que segue. 2.1. Preliminarmente,._alega, que decaiu o. direito. do fisco. lançar o pleiteado crédito previdenciário, pois, entre a data da ocorrência do fato gerador e a notificação _.do lançamento, fluiu,prazo superior a. 5 anos,.que. é.o. prazo decadencial estabelecido. pelo CTN para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação (art. 150 e seu § 4°). 2.2 invocando. o. artigo 146, inciso. III, alinea "b" da. Constituição Federal de 1988, alega que uma simples lei ordinária não pode estabelecer prazo para decadência do direito de. lançar contribuições. previdenciárias,sendo. totalmente. insubsistente. qualquer argumento no sentido de que para a constituição dos créditos previdenciários o prazo decadencial seria. de 10. (dez).anos,contados do. primeiro. dia do. exercício. seguinte. àquele. em que o crédito previdenciário poderia ter sido lançado, nos termos do artigo 45 da Lei 8.212/9.1. Cita julgados.emanados pelo. Primeiro _Conselho. de. Contribuintes. do Ministério. da. Fazenda. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 2.3 Em seguida, requer a posterior juntada aos autos dos documentos 'que comprovam. o efetivo. recolhimento das contribuições. previdenciárias. exigidas. na. NFLD, pela empresa por ela contratada. Argumenta que se encontra impossibilitada de juntar..tais documentos. aos autos. visto. que,, "por tratar.se. de..instituição de ensino, encontra.se. em período de férias, não possuindo meios de providenciar os documentos que poderão comprovar a. exigência bis in. idem que.lhe está. sendo imposta, o. que,.inclusive implica. em autêntico cerceamento de seu direito de defesa, já que; mesmo tendo o autuante o longo prazo de. dez. anos. para. notificar o. contribuinte. acerca. de. seu débito, preferiu. fazêlo. justamente. em época que, é cediço, seria impossível a uma instituição de ensino, em período de férias, fazer todo. o. levantamento. da documentação capaz. de provar sua. situação regular perante esta autarquia”. 2.4 Ressalta que. exigir; da. impugnante. que. prove. o. recolhimento. das contribuições previdenciárias pela prestadora dos serviços que tomou é totalmente desarrazoado, além. de. ilegal por infringir não só. a legislação. processual. em vigor,, como também a própria legislação tributária, já que o ônus da prova da ocorrência do fato gerador.do tributo ê. da. Fazenda. Pública, e. não do. contribuinte. 2.5 invocando o princípio da legalidade, argumenta que para que se tome exigível. a. exação é. indispensável. que. a. Administração _Pública. prove a. ocorrência. do fato gerador que, no caso, se daria tão somente através da comprovação do não recolhimento das contribuições. previdenciárias. devidas pela. prestadora. de. serviços. apontada. 'na. NFLD em questão. 2.6 Transcrevendo. o. inciso. Vl. do. artigo 30. da. Lei. 8.2.12/91. contesta. a. respeito da inaplicabilidade do benefício de ordem alegando que sendo solidária a responsabilidade da contribuinte, “somente 'nos_ casos. de. impossibilidade dè. exigência do; cumprimento. da obrigaçãoprincipal (recolhimento da contribuição previdenciária) por parte do contribuinte de direito, é. que o. INSS. poderia imputarlhe. tal. obrigação.. A solidariedade. prevista. noz invocado dispositivo legal pressupõe a impossibilidade econômica do contribuinte satisfazer seu débito”. 2.7 O INSS. sequer chegou. a.fiscalizar a empresa. prestadora. dos. serviços tendo a fiscalização presumido que a referida empresa deixou de recolher as contribuições 21.8. previdenciárias. em. questão, "não. tendo logrado. provar a inadimplência e. a. impossibilidade recolhimento dos de créditos tributários em questão pela prestadora de serviços, o que poderia fundamentar a. exigência. da. ora impugnante invoca o. artigo. 134 do.CIN.e.o. enunciado da Súmula 126 do Tribunal Federal de Recursos. 2.8 Ressalta que nem. mesmo o Tribunal. Superior do. Trabalho. tem entendido que os valores devidos pelo empregador podem ser exigidos do contratante dos serviços, nas hipóteses em. que. o. terceirizado. não exerce a mesma atividade do. tomador. “ Assim;. no. caso presente, em que se trata de uma Fl. 151DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.000964/200810 Acórdão n.º 2201003.022 S2C2T1 Fl. 4 5 instituição de ensino contratando empresa de construção civil, não. há.que. se. falar na.malfadada solidariedade”. 2.9 Invocando os artigos 121, 128 e o § 1° do artigo 113 do CTN alega, ainda, que. não. podeo INSS.exigir, através do instituto da solidariedade, os valores das contribuições devidas em razão de fato gerador (folha de pagamento) cuja ocorrência recai, exclusivamente, sobre as referidas empresas, ou. seja, a impugnante. não está vinculada ao fato. gerador da respectiva obrigação principal, não podendo, pois, sofrer as suas consequências tributárias. 2.10 Argumenta que. não. pode a impugnante verificar se o. prestador de serviços cumpriu todas as obrigações tributárias dele exigíveis, pois, a competência para o exercício do poder de policia. é própria do órgão de. fiscalização do INSS, por expressa vinculação legal. invocando o inciso ll do artigo 5° da CF argumenta que não possui delegação legal. para fiscalizar os procedimentos. fiscais. adotados pelo. prestador de. serviços. e. este. nâo. está obrigado a demonstrarlhe a liquidação de tributos ou de outras obrigações tributárias , por imposição de senão lei.. Conclui que a legislação previdenciária. cria. obrigação para o. adquirente dos serviços mas, não lhe concede meios indispensáveis à sua execução, tomandoa impossível. 2.11. A. exigência da. contribuição. para financiamento do Seguro. de. Acidentes de Trabalho (SAT) configurase manifestamente inconstitucional e ilegal, uma vez que a regra estampada. no. artigo. 22,_ inciso. II, da. Lei. 8.212/91,_ não. se. encontra. munida de eficácia, não gerando quaisquer efeitos jurídicos enquanto os termos “atividade preponderante” e riscos médio, leve e.grave. não tiverem. a. necessária. regulamentação em texto de lei. Invoca doutrina e jurisprudência para reforçar sua argumentação. 2.12 Citando. doutrina e jurisprudência contesta a aplicação da.taxa.SELIC. para o cálculo dos juros, sendo estes, em síntese, os seus argumentos: a. A. taxa SELIC. não. tem. por vista. a indenização do INSS. pelo pagamento intempestivo. dos tributos, mas sim, absurda remuneração dos cofres públicos, o que impossibilita a exigência de taL monta dos contribuintes. b Os. juros. moratórios. cobrados. dos. contribuintes. deveriam. visar tão somente. à. restituição ao caixa do INSS das despesas incorridas em razão do atraso nos pagamentos oportunos dos tributos. e. não lhe gerar qualquer forma de rendimento, o que ocorre. no caso presente. c Da forma como é apurada, a taxa SELIC pode ser manipulada pela União, delineando o acento. de. remuneração. e. não de.juros.de mora. d invocando o art. 161 do Código Tributário Nacional e o seu parágrafo 1° , não constituindo argumenta que a Taxa. SELIC Fl. 152DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 6 juros. moratórios, mas sim remuneratórios, sua cobrança. não encontra respaldo no referido dispositivo legal , razão por que, atendendose ao ali estatuído, não havendo lei. dispondo. em. contrário, os.jurosmoratórios. hão. de ser calculados. à. razão de 1% ao mês . 2.13 Finalmente, requer seja acolhida a defesa apresentada para, em preliminar, reconhecer a decadência do direito do INSS de lançar o pretendido crédito previdenciário. No tocante ao mérito espera seja julgada improcedente a NFLD, reconhecendo a ilegitimidade do lançamento fiscal em tela ou, se dessa forma não se entender, seja retificado o débito, dele decotando os valores efetivamente recolhidos pela construtora ( o que será provado posteriormente, como já pleiteado) e aqueles relativos à aplicação de juros apurados com esteio na taxa SELIC, com sua substituição por encargo moratório calculado à razão de 1% (um por cento) ao mês. Da empresa prestadora de serviços 2.14 Nos termos descritos no Relatório Fiscal, a terceira via desta NFLD foi remetida à empresa HARPA ENGENHARIA DE MONTAGENS LTDA., prestadora de serviços, que a recebeu em 02/01/04 (documento de fls. 32). 2.15 Entretanto, no prazo legal, a referida empresa não apresentou impugnação, nem recolheu o valor do crédito lançado. Inconformada com a decisão, a recorrente (FUMEC) apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · decadência; · necessidade de comprovação da falta de recolhimento da contribuição previdenciária pelo contribuinte de direito; · desvinculação da recorrente dos fatos geradores da contribuição previdenciária pretendida; · da apreciação dos argumentos relativos a inconstitucionalidade da exigência impugnada; · ilegitimidade da exigência da contribuição para financiamento do seguro de acidentes de trabalho (SAT); · ilegitimidade da exigência de juros apurados com base na taxa “SELIC”. É o relatório. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.000964/200810 Acórdão n.º 2201003.022 S2C2T1 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. DECADÊNCIA Por ser matéria de análise obrigatória, verificarei também a decadência para ao devedor principal (Harpa Engenharia). Está pacificada a questão da decadência qüinqüenal, segundo o CTN. Para casos com recolhimento antecipado, ainda que parcial, aplicase a regra do artigo 150, § 4°, do CTN, conforme súmula CARF 99. Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 8 O processo, no Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal TEAF, folha 25, registra que foram examinados comprovantes de recolhimento. O período do lançamento é de 01, 02 e 12/1998. A ciência do lançamento para o devedor principal (Harpa Engenharia) ocorreu em 02/01/2004 e para o devedor solidário em 30/12/2003(FUMEC). Considerando que para ao devedor principal o intervalo de tempo entre os fatos geradores e a notificação foi maior que 5 anos, considerase o lançamento totalmente atingido pela decadência. Por estar o crédito tributário extinto para o devedor principal, o mesmo tratamento deve ser dado ao devedor solidário. CONCLUSÃO Voto por dar provimento ao recurso, reconhecendo a decadência do crédito tributário com base na regra do artigo 150, § 4º do CTN. Carlos Alberto Mees Stringari Declaração de Voto Em que pese o costumeiro acerto do ilustre Conselheiro Relator, ouso, com a máxima vênia discordar quanto ao prazo decadencial aplicável ao caso concreto. Como bem relatado tratase de crédito lançado contra a Recorrente em razão da inocorrência do afastamento da responsabilidade solidária entre a contratante e a empresa prestadora de serviços de construção civil HARPA ENGENHARIA DE MONTAGENS LTDA. Transcrevo, pela clareza e concisão, a parte do voto que trata do tema: "O período do lançamento é de 01, 02 e 12/1998. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.000964/200810 Acórdão n.º 2201003.022 S2C2T1 Fl. 6 9 A ciência do lançamento para o devedor principal (Harpa Engenharia) ocorreu em 02/01/2004 e para o devedor solidário em 30/12/2003(FUMEC). Considerando que para ao devedor principal o intervalo de tempo entre os fatos geradores e a notificação foi maior que 5 anos, considerase o lançamento totalmente atingido pela decadência. Para o devedor solidário, retrocedendo 5 anos da ciência do lançamento, vamos a 30/12/1998. Ainda não haviam se completado os fatos geradores da competência 12/2008. Para as competências 1 e 2/1998, o intervalo de tempo supera os 5 anos. Entendo para o devedor solidário (FUMEC) decadentes as competências 1 e 2/1998." (negritos originais) O insigne Relator acertadamente afirma que, por serem as contribuições previdenciárias espécie de tributo sujeito ao lançamento por homologação, a contagem do prazo decadencial deve ser feita nos moldes do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Ressalta ainda, que tal situação se aplica nos casos em que existe pagamento, mesmo que parcial, dos valores devidos relativos ao tributo em análise. Ao constatar que no Termo de Encerramento de Ação Fiscal, TEAF, anexado às folhas 25, a Autoridade Lançadora ressalva ter examinado comprovantes de recolhimento, podese inferir que houve pagamento no mínimo parcial dos valores devidos a título de contribuições previdenciárias. Esse o ponto de minha divergência. Explico. Versa o lançamento aqui analisado sobre a responsabilidade solidária prevista no artigo 30, VI da Lei nº 8.212/91, com sua redação original, não elidida. Impende recordar que a elisão da responsabilidade solidária pelo contratante de obra de construção civil, segundo disposição expressa do Regulamento da Previdencia Social, RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, artigo 220, § 3º, inciso I, se dá "pela comprovação, na forma do parágrafo anterior, do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal ou fatura, quando corroborada por escrituração contábil" O parágrafo 2º do artigo 220, acima mencionado, "determina que o executor de obra deverá elaborar distintamente para cada estabelecimento ou obra de construção civil, da empresa contratante, folha de pagamento, GFIP e GPS", cujas cópias deverão ser exigidas pela empresa contratante quando do quitação da nota fiscal ou fatura. Da transcrição do RPS acima, podemos inferir que não houve por parte da Recorrente a exigência das guias de recolhimento, acompanhadas das respectivas GFIPs e folhas de pagamento, do prestador dos serviços de construção civil, pois se houvesse, por óbvio, que o lançamento tributário em análise, não teria ocorrido, ou no mínimo, seria parcial. Com essa simples inferência já podemos afastar a contagem do prazo decadencial pela regra esculpida no artigo 150, § 4º, em razão da não comprovação da Fl. 156DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 10 existência do pagamento por parte da prestadora de serviços, aqui a devedora principal, Harpa Engenharia de Montagens Ltda. Sabese que a contagem do prazo decadencial para que o Fisco constitua seu direito de crédito está prescrita no artigo 173, inciso I, do CTN e deve ser contada a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido lançado. Tal regra é aplicável toda vez que não há pagamento antecipado pelo contribuinte, ou no caso de se constatar a existência de fraude, dolo ou simulação, segundo a disposição do artigo 150, § 4º. Ou seja, a contagem segundo a prescrição do artigo 173 é a regra geral aplicável para a decadência do direito de lançamento de ofício. Não obstante todo o exposto, outro argumento merece ser apresentado. O lançamento em questão, como dito e repetido, foi realizado com base na solidariedade entre o proprietário, dono de obra, ou incorporador e o executor desta. Nesse sentido, diferentemente de um lançamento decorrente da verificação da obrigação tributária principal de um tributo lançado por homologação onde o pagamento é inerente a essa modalidade de recolhimento da maioria dos tributos no caso de um lançamento por descumprimento do dever da elisão da responsabilidade tributária, onde nitidamente não há obrigação do responsável pelo pagamento direto, o prazo disponível ao Fisco para que constitua seu direito de crédito deve ser contado pela regra geral, ou seja, pelas disposições do artigo 173, I, do CTN. Assim, podemos concluir que, sendo aplicável ao caso a contagem do prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (01/01/1999), e constatandose que não houve elisão da responsabilidade solidária nas competência 01/98, 02/98 e 12/98; e mais que o lançamento se aperfeiçoou com a ciência do devedor solidário, aqui recorrente, em 30/12/2003, não se verifica a decadência arguida. É como voto. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Fl. 157DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 16327.001276/2010-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/10/2007
EMBARGOS.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado, correto o manejo dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS.
Não integra o salário de contribuição a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2201-003.065
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração e, sanando a omissão apontada no Acórdão nº 2403-002.665, de 12/08/2014, ratificar a decisão no sentido de "ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminares: Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência da competência 01/2005, com base no art.150, § 4º do CTN. No mérito: Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a tributação da PLR das competências 10/2005 e 01/2006. Por maioria de votos afastar a tributação das competências 10/2006 e 01/2007, vencido o relator Carlos Alberto Mees Stringari. Por unanimidade de votos, em manter a tributação da competência 10/2007. Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao art. 35 da Lei 8.212/91 prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza".
assinado digitalmente
Carlos Alberto Mees Stringari
Relator
assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah
Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/10/2007 EMBARGOS. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado, correto o manejo dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Não integra o salário de contribuição a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração e, sanando a omissão apontada no Acórdão nº 2403002.665, de 12/08/2014, ratificar a decisão no sentido de "ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminares: Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência da competência 01/2005, com base no art.150, § 4º do CTN. No mérito: Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a tributação da PLR das competências 10/2005 e 01/2006. Por maioria de votos afastar a tributação das competências 10/2006 e 01/2007, vencido o relator Carlos Alberto Mees Stringari. Por unanimidade de votos, em manter a tributação da competência 10/2007. Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao art. 35 da Lei 8.212/91 prevalecendo o valor mais AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 12 76 /2 01 0- 42 Fl. 388DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 2 benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza". assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Relator assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 16327.001276/201042 Acórdão n.º 2201003.065 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Com fulcro no Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, interpôs embargos de declaração contra o Acórdão nº 2403 002.665 de lavra da Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF. A decisão do julgamento foi, nas preliminares, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência da competência de 01/2005, com base no art.150, § 4º do CTN. No mérito: a) Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a tributação da PLR das competências de 10/2005 e 01/2006. b) Por maioria de votos afastar a tributação das competências de 10/2006 e 01/2007, vencido o relator Carlos Alberto Mees Stringari. c) Por unanimidade de votos, em manter a tributação da competência de 10/2007. d) Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao art. 35 da Lei 8.212/91 prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza. O fundamento do embargo é que o acórdão embargado incide em omissão quanto aos fundamentos para considerar cumpridos os requisitos legais para a PLR das competências 10/2005 e 01/2006, mais especificamente quanto às regras claras e objetivas. Com a devida venia, o i. Relator não obstante ter fundamentado a negativa de reconhecimento das verbas pagas a título de PLR para as competências de 10/2006 e 01/2007, não o fez com relação à parte que deu provimento (competências 10/2005 e 01/2006), que somente consignou: “Acordo de Participação em Lucros ou Resultados 2005, folhas 30 a 38, assinado em 07/04/2005. Entendo que cumpre os requisitos legais e, portanto, não deve ser tributado (adiantamento pago em 10/2005 e a PLR pago na competência 01/2006)”. Assim, verificase a omissão quanto aos fundamentos de fato e de direito que o levaram à convicção de conter o Acordo analisado regras claras e objetivas, afastando a natureza salarial das verbas pagas nas competências de 10/2005 e 01/2006, ao arrepio do constatado pela fiscalização, conforme relatório fiscal a seguir: Fl. 390DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 4 Efetivamente, o Relatório de Auto de Infração Termo de Verificação Fiscal apresenta como um dos fundamentos para a autuação a ausência de regras claras e objetivas para o pagamento da PLR. 9. O Acordo de Participação em Lucros ou Resultados 2005 e seu anexo, assinado em 10/02/2005, apenas demonstram a forma de aferição e cálculo do valor a ser distribuído para cada empregado. Na cláusula terceira, parágrafo primeiro do anexo 1 temse os elementos relevantes na avaliação, mas sem nenhuma objetividade: "São considerados elementos relevantes na avaliação dos empregados aspectos subjetivos como atitude, potencial de crescimento, etc, mas principalmente aspectos objetivos, variando conforme a posição dos empregados, tais como contribuição para os resultados da empresa, cumprimento de normas regulamentares e procedimentos internos, assiduidade, compromisso com objetivos departamentais e globais da empresa, etc. " 10. Em momento algum existem objetivos claros a serem atingidos. A lei prevê em seu art. 2 o § l e que dos instrumentos de negociação deverão constar regras claras e exemplifica critérios que poderão ser utilizados, tais como índices de produtividade, programa de metas, entre outros: § Ia Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Foi reconhecida a omissão. É o relatório. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 16327.001276/201042 Acórdão n.º 2201003.065 S2C2T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator Observo que o que se discute aqui é exclusivamente a questão das regras para o pagamento da PLR nas competências 10/2005 e 01/2006, regidos pelo Acordo de Participação em Lucros ou Resultados 2005. Conforme apresentado acima, a contradição foi reconhecida e o vício deve ser sanado. O voto deve ser complementado com a análise acerca das regras para o pagamento da PLR. ANÁLISE ACERCA DAS REGRAS PARA O PAGAMENTO DA PLR. Para o pagamento da PLR, os instrumentos decorrentes da negociação, deverão conter regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. Entendo que o acordo de Participação nos Lucros e Resultados continha regras que harmonizavam o praticado pela empresa com os requisitos da Lei 10.101/2000, já apresentados no voto original. O "Acordo de Participação em Lucros ou Resultados 2005", folhas 30 a 38, prevê critérios para o acompanhamento, revisão e avaliação das metas, para a avaliação dos empregados, para a participação e nos lucros da empresa, etc, em conformidade com o estabelecido na Lei 10.101/2000, conforme abaixo: Acordo de Participação em Lucros ou Resultados 2005 ... CLAUSULA SEGUNDA DA ESTRUTURA DO SISTEMA DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS As partes estabelecem sistema de participação nos lucros ou resultados, nos termos do Anexo I, que integra o presente para todos os efeitos, Fl. 392DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 6 ... CLÁUSULA QUINTA REVISÃO O presente acordo poderá ser revisto, através de negociação entre as partes signatárias. PARAGRAFO PRIMEIRO Eventuais alterações somente poderão ser feitas por mútuo acordo, sendo vedada qualquer modificação unilateral. PARÁGRAFO SEGUNDO Os valores, critérios e formas de distribuir participação em lucros ou resultados aos empregados não regulamentados no presente instrumento deverão ser acordados entre as partes, na ocorrência dos seguintes fatos relevantes: venda ou transferência do controle acionário, por qualquer motivo. ... CLAUSULA SEXTA ACOMPANHAMENTO Serão realizadas reuniões semestrais para avaliação, até 15 (quinze) dias após a publicação do balanço, para acompanhamento e avaliação das metas. PARAGRAFO PRIMEIRO Todos os empregados terão acesso às informações relativas às premissas e aos resultados previstos neste acordo, através dos meios internos de comunicação. PARAGRAFO SEGUNDO As Empresas encaminharão aos empregados e ao Sindicato os relatórios para acompanhamento em 05 (cinco) dias úteis após a solicitação neste sentido. PARAGRAFO TERCEIRO São instrumentos de aferição do presente acordo os seguintes documentos, como seguem: • Balanços semestrais publicados e auditados; • Dados relativos ao pagamento de valores a título de Programas de Participação nos Resultados PPR's e/ou Participação nos Lucros e Resultados PLRs, discriminando os seguintes itens: datas de pagamento, montantes pagos, funcionários abrangidos, valores referentes ao cumprimento da Convenção Coletiva de Trabalho, base de composição de cálculo dos valores pagos e a ocorrência de pessoas não abrangidas no pagamento; • Demonstrativo resumo do enquadramento dos funcionários por categoria/faixa de avaliação previsto no Anexo I Fl. 393DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 16327.001276/201042 Acórdão n.º 2201003.065 S2C2T1 Fl. 5 7 ANEXO I CONFORME CLÁUSULA 2a , DO ACORDO PLANO DE PARTICIPAÇÃO EM LUCROS OU RESULTADOS DO CREDIT SUISSE FIRST BOSTON S/A CTVM E DO CREDIT SUISSE FIRST BOSTON DTVM S/A 2005 ... CLAUSULA TERCEIRA AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO Anualmente será efetuada a avaliação de cada empregado, considerando aspectos subjetivos e objetivos de performance, dentre os quais o desempenho do empregado em relação a metas estabelecidas para o empregado individualmente, para a sua área e para toda a empresa. PARÁGRAFO PRIMEIRO São considerados elementos relevantes na avaliação dos empregados aspectos subjetivos como atitude, potencial de crescimento, etc, mas principalmente aspectos objetivos, variando conforme a posição dos empregados, tais como contribuição para os resultados da empresa, cumprimento de normas regulamentares e procedimentos internos, assiduidade, compromisso com objetivos departamentais e globais da empresa, etc. PARÁGRAFO SEGUNDO De acordo com a avaliação de desempenho, os empregados serão classificados em níveis de performance, numa escala de 1 a 20 (1 a 15 para / Cargos de Apoio), sendo 1 o de menor avaliação, conforme explicitado abaixo: Os documentos "My Performance System", folhas 208 a 226 e "Performance Review", folhas 229 a 249 comprovam a avaliação individual prevista. CONCLUSÃO Voto por acatar os embargos e para sanar a omissão, determinar o ajuste no voto do acórdão 2403002.665, conforme proposto, sem alteração da conclusão. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 394DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 8 Fl. 395DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH
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