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Numero do processo: 10166.902204/2008-11
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2001
COMPENSAÇÃO. DIPJ.DCTF
A DIPJ desacompanhada de documentos contábeis não é instrumento hábil a desconstituir o débito informado em DCTF.
Numero da decisão: 1801-000.858
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Maria de Lourdes Ramirez;.Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Edgar Silva Vidal, Ana de Barros Fernandes,
Nome do relator: LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2001 COMPENSAÇÃO. DIPJ.DCTF A DIPJ desacompanhada de documentos contábeis não é instrumento hábil a desconstituir o débito informado em DCTF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes - Presidente (assinado digitalmente) Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Maria de Lourdes Ramirez;.Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Edgar Silva Vidal, Ana de Barros Fernandes,
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1518; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 2 1 1 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.902204/200811 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801000.858 – 1ª Turma Especial Sessão de 31 de janeiro de 2012 Matéria Compensação Recorrente Sarkis & Sarkis Ltda Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO. DIPJ.DCTF A DIPJ desacompanhada de documentos contábeis não é instrumento hábil a desconstituir o débito informado em DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Maria de Lourdes Ramirez;.Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Edgar Silva Vidal, Ana de Barros Fernandes, Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 22 04 /2 00 8- 11 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 19/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA 2 Transcrevo abaixo o relatótio da DRJ por bem narrar os atos e fatos processuais: “Tratase de Declaração de Compensação, transmitida pelo Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação PER/DCOMP, nº26134.94405.071204.1.3.042002, em 07/12/2004, de crédito relativo a pagamento a maior de CSLL referente ao P.A. 31/12/2000, no montante de R$4.757,80, visando compensar débitos tributários de Cofins referentes a abril e novembro de 2001. No Despacho Decisório emitido em 09/05/2008, a autoridade tributária homologou parcialmente a compensação declarada, sob a alegação de que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ou seja, o pagamento por meio de DARF de CSLL no montante principal de R$4.757,80, do qual informou a contribuinte ser a origem do crédito, já teria sido parcialmente utilizado para quitar o débito de CSLL PA 31/12/2000 no valor original de R$4.635,54, razão pela qual foi reconhecido apenas o crédito de R$122,26. Cientificada da decisão proferida pela DRF/Brasília, em 26/05/2008, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 01/03, em 12/06/2008 (carimbo de recepção à fl. 01), discorrendo, em síntese, que a contribuinte, submetida ao lucro real trimestral, informa na DIPJ/2001 a CSLL no primeiro trimestre no valor de R$4.423,17, no segundo de R$5.075,03, no terceiro de R$4.393,79 e no quarto de R$4.635,54, no montante total de R$18.527,53. Por outro lado, o extrato de pagamentos anexo demonstra que no exercício de 2001 foram recolhidos R$60.465,40, ou seja, restou o montante de R$41.937,87 de pagamentos indevidos. Nesse sentido, requer a homologação da compensação. A delegacia de julgamento negou provimento a manifestao de inconformidade. Regularmente cientificada a contribuinte interpos Recurso Voluntario repisando osmesmos argumentos. É o relatório. Voto Conselheiro Relator: Luiz Guilherme de Medeiros Ferrerira Primeiramente, afasto as alegações de nulidade contidas no Recurso Voluntario. A decisão recorrida encontrase bem fundamentada, tendo examinado todas as alegações da Recorrente. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 19/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Processo nº 10166.902204/200811 Acórdão n.º 1801000.858 S1TE01 Fl. 3 3 No mérito, a Recorrente pugna pelo reconhecimento do seu direito creditório de CSLL, referente ao P.A. 31/12/2000, no montante de R$ 4.757,80, visando compensar débitos tributário de COFINS referentes a abril e novembro de 2001. Não merecem prosperar as alegações da recorrente. Como bem apontado na decisao recorrida a Recorrente não trouxe aos autos prova de seu crédito, limitandose a anexar cópia da DIPJ do ano calendário de 2001, assim como as cópias de pagamentos de IRPJ daquele ano. Contudo a simples demonstração de DIPJ retificadora não é suficiente para fazerse reconhecer o crédito tributário da Recorrente. Com efeito, nos termos da IN 126/98 o documento fiscal pelo qual se constitui o crédito tributário é a DCTF e não a DIPJ. Isso é o que se depreende, principalmente do seu artigo 7, parágrafo 1: “Art. 7º Todos os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. § 1º Os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição, informados na DCTF, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União, imediatamente após a entrega da DCTF.” Ou seja, os valores declarados pelo contribuinte em DCTF constituem o crédito tributário, tornandoo exequivel após sua regular inscrição em dívida ativa. Neste sentido vejase decisao da Camara Superior de Recursos Fiscais: . “ACÓRDÃO 910100.453 Orgão Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF 1a. Turma da 1a. Câmara Decisão Processo n° 10280.003409/200474 Recurso n° 101147.224 Especial do Procurador Acórdão n° 9101 00.453 1' Turma Sessão de 04 de novembro de 2009 Mai Cria IRPJ E OUTROS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FLORAPAC INDUSTRIAL LTDA. DEPJ E DCTF . CONFISSÃO DE DÍVIDA. Nos termos da IN SRF 126/98, a Declaração integrada de Informações da Pessoa Jurídica DIPJ nos anos calendários de 2000 e 2001 não mais configurava confissão de dívida. Nos referidos anos, o instrumento hábil a constituição do crédito tributário é a DCTF , mais especificamente, o saldo a pagar. (...)Data da decisão: 04/11/2009 Dessa forma, a simples retificação da DIPJ, desacomopanhada de outros elementos de prova que confirmem o crédito reclamado é insuficiente para infirmar o crédito tributário constante na DCTF. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 19/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA 4 Conforme constou do despacho decisório, a DCTF da recorrente imputa o pagamento objeto da DARF, supostamente originaria do crédito, quase integralmente ao débito de CSLL do PA de 31/12/2000, restando somente o saldo de R$ 122,26. Dessa forma, o suposto crédito do contribuinte já está alocado ao pagamento de outro crédito tributário, regularmente constituído. A descontituição do crédito tributário constante na DCTF na fase contenciosa demanda outros elementos de prova, notadamente a escrita fiscal do contribuinte, demonstrandose a inexistência de crédito tributário para o período retificado na DIPJ. Tais elementos não foram trazidos aos autos pela Recorrente. Diante do exposto, voto por afastar as preliminares de nulidade e no mérito negar provimento ao Recurso Voluntario. Relator LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Fl. 111DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 19/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10315.000067/2011-15
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009
CERCEAMENTO DE DEFESA
Lançamento deve conter discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação para ser entendido pelo contribuinte.
TRIBUTO LANÇADO. ALEGAÇÃO GENÉRICA
Alegação genérica de não concordar com o valor lançado não tem como ser apreciada e não é acatada.
Numero da decisão: 2403-001.284
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda seção de julgamento, Por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro Ivacir Julio de Souza.]
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Jhonatas Ribeiro da Silva e Marcelo Magalhães Peixoto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 CERCEAMENTO DE DEFESA Lançamento deve conter discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação para ser entendido pelo contribuinte. TRIBUTO LANÇADO. ALEGAÇÃO GENÉRICA Alegação genérica de não concordar com o valor lançado não tem como ser apreciada e não é acatada.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda seção de julgamento, Por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro Ivacir Julio de Souza.] Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Jhonatas Ribeiro da Silva e Marcelo Magalhães Peixoto.
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TRIBUTO LANÇADO. ALEGAÇÃO GENÉRICA Alegação genérica de não concordar com o valor lançado não tem como ser apreciada e não é acatada. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, Por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro Ivacir Julio de Souza.] Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 00 00 67 /2 01 1- 15 Fl. 319DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Jhonatas Ribeiro da Silva e Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10315.000067/201115 Acórdão n.º 2403001.284 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza, Acórdão 0822.140 da 5ª Turma, que julgou improcedente a impugnação. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido: Tratase de crédito lançado pela fiscalização que, de acordo com o Relatório Fiscal de fl. 98/102 teve como objeto do lançamento contribuições previdenciárias devidas e não declaradas em GFIP. O montante do crédito apurado, composto por valor principal e acréscimos legais, assumiu a quantia de R$ 4.944.964,29, com data de consolidação em 20/01/2011. No presente Auto foram lançadas as diferenças de contribuições previdenciárias devidas e destinadas à Seguridade Social e à outras entidades e fundos (SEST/SENAT), não declaradas em GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social: 1. incidentes sobre os valores das remunerações pagas e ou creditadas a contribuintes individuais, correspondentes: a) a parte da empresa (quota patronal) na alíquota de 20%; b) a parte devida pelos segurados na alíquota de 11% até o limite máximo do salário de contribuição; 2. incidentes sobre os valores das remunerações pagas e ou creditadas a contribuintes individuais fretistas na alíquota de 2,5 % para todo o período. A base de cálculo para aplicação da referida alíquota foi de 20% sobre os valores pagos aos fretistas; 2. incidentes sobre os valores das remunerações pagas e ou creditadas a contribuintes individuais fretistas na alíquota de 2,5 % para todo o período. A base de cálculo para aplicação da referida alíquota foi de 20% sobre os valores pagos aos fretistas; 3. incidentes sobre os valores das remunerações pagas, devidas, ou creditadas a segurados empregados: eletivos, efetivos, contratados e comissionados da Prefeitura Municipal correspondentes: a) a parte da empresa (quota patronal), na alíquota de 20% para todo o período; b) ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente Fl. 321DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), na alíquota de 1% para as competências até 05/2007 e de 2% no período de 06/2007 a 13/2009; c) a parte devida pelos segurados; d) diferenças de GILRAT lançadas a menor na GFIP no período de 06/2007 a 13/2008; DAL — Diferença de acréscimos Legais, devido ao pagamento de GPS — Guia da Previdência Social fora do prazo sem os devidos acréscimos. 4. diferença de acréscimos legais (DAL), decorrente do pagamento de GPS — Guia de Previdência Social, fora do prazo, sem os devidos acréscimos; 5. glosa de salário família. Os valores que originaram a lavratura do presente AI, de acordo com o referido Relatório, foram extraídos da contabilidade (arquivos digitais), processos de pagamento e folhas de pagamento de segurados. Também foram examinadas as GFIPs – Guias de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social e as Guias da Previdência Social GPS e as folhas de pagamento. ... A auditoria procedeu à análise comparativa da aplicação da multa antes e depois da edição da MP 449. Demais critérios de lançamento estão minuciosamente explicados às fls. 99/100 (Relatório Fiscal). Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: · O material fornecido (Auto de Infração e Relatórios) é ininteligível. A recorrente não pode compreendêlo na maior parte de seu conteúdo. · Cerceamento de defesa. · Questiona o valor lançado. É o relatório. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10315.000067/201115 Acórdão n.º 2403001.284 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. CERCEAMENTO DE DEFESA A autuação tem a finalidade de registrar a ocorrência de infração à legislação previdenciária por descumprimento de obrigação principal, possibilitando a instauração do respectivo processo administrativo fiscal. A atividade administrativa de lavratura da autuação é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. A autoridade fiscal, no desempenho de suas atribuições, ao constatar a ocorrência de uma infração deve, obrigatoriamente, porque a lei não lhe dá discricionariedade, efetuar o lançamento. Pois bem, a legislação determina requisitos a serem exigidos para a lavratura da autuação. Decreto 3.048/1999: Art. 293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. Portanto, clareza, precisão, circunstâncias em que foi praticada a infração são requisitos que devem, por determinação legal, constar da lavratura da autuação. Claro é que esses requisitos são exigidos pela legislação para que se cumpra a determinação presente na Lei Magna de observação aos Princípios da Ampla Defesa e do Contraditório. CF/88: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à Fl. 323DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: ... LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Nesse sentido, verificando o processo, com destaque para o Relatório Fiscal RF, folhas 97 a 101 e seus anexos, constato a presença de todos elementos necessários ao entendimento do lançamento. Observo que o RF discrimina, com pormenores, quais os documentos compulsados pela Auditoria Fiscal e que serviram de base para a apuração dos fatos geradores, além de explicitar a forma de apuração do crédito. VALOR LANÇADO De forma genérica, a recorrente questiona o valor lançado. Julgao exagerado. O que se constata no processo é que a fiscalização identificou os fatos geradores, quantificou as bases de cálculo, as alíquotas aplicáveis e quantificou o tributo, tudo, com detalhes. Entendo improcedente a tese da recorrente pela total falta de especificidade. Alegação genérica não é acatada. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 324DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000465/2011-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. DÉBITO EM PARCELAMENTO. PETIÇÃO RECEBIDA COMO RECURSO.
Não deve ser recebida como recurso a petição apresentada pelo contribuinte, com o objetivo de informar que o débito decorrente do processo administrativo encontra-se em parcelamento, mormente quando não existe pedido de reforma da decisão proferida pela DRJ. Hipótese de um mal entendido causado pelo envio indevido de DARF para pagamento do débito, quando o mesmo encontra-se com exigibilidade suspensa por força de parcelamento.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 1401-000.867
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em não conhecer do recurso voluntário por desistência em face de adesão ao parcelamento da Lei nº 11.941/2009.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmm Teixeira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Karem Jureidini Dias
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. DÉBITO EM PARCELAMENTO. PETIÇÃO RECEBIDA COMO RECURSO. Não deve ser recebida como recurso a petição apresentada pelo contribuinte, com o objetivo de informar que o débito decorrente do processo administrativo encontra-se em parcelamento, mormente quando não existe pedido de reforma da decisão proferida pela DRJ. Hipótese de um mal entendido causado pelo envio indevido de DARF para pagamento do débito, quando o mesmo encontra-se com exigibilidade suspensa por força de parcelamento. Recurso voluntário não conhecido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. DÉBITO EM PARCELAMENTO. PETIÇÃO RECEBIDA COMO RECURSO. Não deve ser recebida como recurso a petição apresentada pelo contribuinte, com o objetivo de informar que o débito decorrente do processo administrativo encontrase em parcelamento, mormente quando não existe pedido de reforma da decisão proferida pela DRJ. Hipótese de um mal entendido causado pelo envio indevido de DARF para pagamento do débito, quando o mesmo encontrase com exigibilidade suspensa por força de parcelamento. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em não conhecer do recurso voluntário por desistência em face de adesão ao parcelamento da Lei nº 11.941/2009. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmm Teixeira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 04 65 /2 01 1- 50 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Karem Jureidini Dias Fl. 102DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.000465/201150 Acórdão n.º 1401000.867 S1‐C4T1 Fl. 3 3 Relatório Trata o presente feito de um grande mal entendido. O Contribuinte sofreu autuação fiscal de IRPJ e CSLL relativos ao dois primeiros trimestres do anocalendário 2006. Recebida a notificação de débito, o Contribuinte aderiu ao parcelamento da lei nº 11.941. Paralelamente, o Contribuinte apresentou “impugnação”, em que informou ter aderido ao parcelamento da dívida, razão pela qual o processo administrativo deveria ter baixado. Em julgamento perante a DRJ, ante a ausência de razões de impugnação e tendo em vista o parcelamento postulado pelo Contribuinte, a impugnação não foi conhecida.. Todavia, ao se dar ciência ao contribuinte acerca da decisão da DRJ, promoveuse, por automação, a juntada de DARF’s para pagamento do crédito, intimandoo ao pagamento da totalidade do crédito tributário no prazo de 30 dias. Contra essa exigência imediata e integral do crédito tributário, opôsse o contribuinte, por meio da petição inominada de fls. 96/98, que irreflexivamente foi juntada aos autos como se fosse recurso voluntário, encaminhandose todo o feito para julgamento perante este CARF. É o relatório. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 4 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmm Teixeira Verificase pela descrição fática supra apresentada, que foi formalmente registrado um recurso voluntário que não existisse. Isso porque o crédito tributário em questão, estando em parcelamento, não foi objeto de questionamento por parte do contribuinte. De fato, apesar de o documento de fls. 53/54 autointitularse impugnação, não traz em seu bojo qualquer questionamento acerca do crédito tributário parcelado, mas apenas informa a existência do parcelamento. Dada essa circunstância, a DRJ não conheceu da impugnação. Notificado o contribuinte de referida decisão, acostouse ao acórdão, como de praxe, os DARF’s para pagamento integral do crédito tributário, instando o contribuinte a pagar o valor integral no prazo de trinta dias.Todavia, tal demanda mostrouse complemente descabida, posto que o crédito tributário estava em parcelamento. Assim, o contribuinte apresentou a petição de fls. 96/98, questionando justamente a cobrança integral do crédito tributário. Referida petição suscitou dúvida quanto a sua natureza pelos Auditores Fiscais da SECAT em Presidente Prudente que, por prudência, encaminharam o processo para análise deste CARF. Todavia, referida petição apenas se opõe à carta de cobrança indevidamente enviada pela RFB, posto que o crédito estava com sua exigibilidade suspensa por força do parcelamento. Não se trata, pois, de recurso voluntário passível de julgamento por este Conselho. Registrese que este processo administrativo não possui litígio desde o seu nascedouro, razão pela qual não deverá surtir efeitos, inclusive, quanto à verificação dos requisitos para o parcelamento. Tratase de mera informação sobre parcelamento, e não de discussão sobre o débito lançado. Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário. Recomendo, por prudência, à douta Autoridade da RFB que, quando da comunicação do contribuinte acerca do presente acórdão, verifique a evolução do parcelamento e não promova a cobrança do crédito tributário que esteja com a sua exigibilidade suspensa, o que poderá gerar situação de insegurança jurídica ao contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 104DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.000465/201150 Acórdão n.º 1401000.867 S1‐C4T1 Fl. 4 5 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000983/2010-06
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
Se a matéria não é contestada em primeiro grau de julgamento, será considerada não impugnada, não podendo ser apreciada em recurso, salvo em casos justificados ou de clara nulidade, sob pena de supressão de instância.
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AUXÍLIO-EDUCAÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEI.
Integram o salário de contribuição, os valores pagos a segurados empregados a titulo de auxilio-educação, assistência médica e participação nos lucros e resultados, quando tais pagamentos não atenderem às exigências legais.
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE..
O auxílio-alimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT.
AUXÍLIO-SAÚDE.DEPENDENTES. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO
O art. 28, par. 9o., alinea q, da Lei n. 8.212/1991, não limita que o plano de saúde deva limitar-se apenas à pessoa funcionário ou dirigente da empresa, mas que deve ser oferecido a todos os seus colaboradores.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ART. 62, DO REGIMENTO INTERNO.
O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Recurso Voluntário Provido Em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-001.770
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para declarar a insubsistência e decretar o cancelamento do lançamento e respectivos créditos tributários com base em fornecimento de cestas básicas e vales alimentação (levantamentos AL e AL1) e em valores decorrentes de planos de assistência médíca-hospitalar e odontológica pagos a dependentes e filhos dos empregados (levantamentos MD e MD1). Quanto à rubrica auxílio educação o Conselheiro Amilcar Barca Teixeira Junior entende que deve ser provida.
Fez sustentação oral: CANEXUS QUIMICA BRASIL LTDA
Outros eventos ocorridos: Sustentação oral Advogado(a) Dr(a) Dyna Hoffmann Assi Guerra, OAB/ES nº 8.847.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Júnior, André Luis Marisco Lombardi, Paulo Roberto Lara dos Santos.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Se a matéria não é contestada em primeiro grau de julgamento, será considerada não impugnada, não podendo ser apreciada em recurso, salvo em casos justificados ou de clara nulidade, sob pena de supressão de instância. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AUXÍLIO-EDUCAÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEI. Integram o salário de contribuição, os valores pagos a segurados empregados a titulo de auxilio-educação, assistência médica e participação nos lucros e resultados, quando tais pagamentos não atenderem às exigências legais. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE.. O auxílio-alimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT. AUXÍLIO-SAÚDE.DEPENDENTES. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO O art. 28, par. 9o., alinea q, da Lei n. 8.212/1991, não limita que o plano de saúde deva limitar-se apenas à pessoa funcionário ou dirigente da empresa, mas que deve ser oferecido a todos os seus colaboradores. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ART. 62, DO REGIMENTO INTERNO. O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso Voluntário Provido Em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2189; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 321 1 320 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.000983/201006 Recurso nº 15.586.000983201006 Voluntário Acórdão nº 2803001.770 – 3ª Turma Especial Sessão de 16 de agosto de 2012 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente CANEXUS QUIMICA BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Se a matéria não é contestada em primeiro grau de julgamento, será considerada não impugnada, não podendo ser apreciada em recurso, salvo em casos justificados ou de clara nulidade, sob pena de supressão de instância. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEI. Integram o salário de contribuição, os valores pagos a segurados empregados a titulo de auxilioeducação, assistência médica e participação nos lucros e resultados, quando tais pagamentos não atenderem às exigências legais. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE.. O auxílioalimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. AUXÍLIOSAÚDE.DEPENDENTES. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO O art. 28, par. 9o., alinea q, da Lei n. 8.212/1991, não limita que o plano de saúde deva limitarse apenas à pessoa funcionário ou dirigente da empresa, mas que deve ser oferecido a todos os seus colaboradores. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ART. 62, DO REGIMENTO INTERNO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 09 83 /2 01 0- 06 Fl. 321DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000983/201006 Acórdão n.º 2803001.770 S2TE03 Fl. 322 2 O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para declarar a insubsistência e decretar o cancelamento do lançamento e respectivos créditos tributários com base em fornecimento de cestas básicas e vales alimentação (levantamentos AL e AL1) e em valores decorrentes de planos de assistência médícahospitalar e odontológica pagos a dependentes e filhos dos empregados (levantamentos MD e MD1). Quanto à rubrica auxílio educação o Conselheiro Amilcar Barca Teixeira Junior entende que deve ser provida. Fez sustentação oral: CANEXUS QUIMICA BRASIL LTDA Outros eventos ocorridos: Sustentação oral Advogado(a) Dr(a) Dyna Hoffmann Assi Guerra, OAB/ES nº 8.847. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Júnior, André Luis Marisco Lombardi, Paulo Roberto Lara dos Santos. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000983/201006 Acórdão n.º 2803001.770 S2TE03 Fl. 323 3 Relatório O presente Recurso Voluntário (fls.277 e seguintes) foi interposto contra decisão da DRJ(fls.257 e seguintes do processo digital), que manteve o crédito tributário referente às contribuições sociais, devidas e não recolhidas a Seguridade Social, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais no período de 01/2006 a 12/2007, referentes a parte dos segurados, não descontadas pela empresa. Os créditos foram constituídos quanto aos segurados empregados com base em diferenças entre a folha de pagamento e GFIP´s (EF e EF1), pagamentos a título de cestas básicas e vales alimentação (AL e AL1), valores decorrentes de planos de assistência médíca hospitalar e odontológica pago a dependentes dos empregados (MD e MD1), Segurdo de Vida em Grupo sem previsão em Acórdo Coletivo de Trabalho, no período de 10.2006 a 12.2007 (SV e SV1), aluguel de imóvel residencial ao empregado Charles Lussier entre 01.2006 e 06.2007 (ME e ME1), reenbolsos em folha de pagamento oriundos do Programa de Qualidade de Vida a funcionarios com gastos com atividades físicas (QV e QV1), abonos salariais anual conforme Acordo Coletivo de Trabalho (AA e AA1); auxílio educação a dependentes dos funcionários (AE e AE1), valores furtos de participação de lucros e resultados em desconformidade com a Lei n. 10.101/2000, sem regras e programs pactuados previamente e pagamentos sem a devida aferição para os cargos de gerência, coordena;áo, engenheiros, lideres, diretoria da empresa (PR, PR1, PL). No caso de segurados contribuintes individuais, levantaramse valores pagos a taxistas autônomos e contribuintes individuais (AF, AF1, F, FF1), valores pagos ao sócio administrador (Sr. Daren Lee Hunchak) não informado em GFIP na competência de 08.2007 (SF1), aluguel de imóvel residencial para o sócio administrador (Sr. Daren Lee Hunchak) de 04.2006 a 12.2007 (AC e AC1). A ciência do auto de infração inaugural foi em 10.09.2010 (fls. 142, dos autos digitais). Em impugnação a Recorrente requereu a improcedência do lançamento de forma específica: Diante de todo o exposto, REQUER, seja recebida, processada e provida a presente defesa, para decretar a insubsistência no Auto de Infração DEBCAD n° 37.258.4160, em face da exigência do recolhimento da contribuição social incidente sobre o Auxilioeducação e o plano de assistência médicohospitalar e odontológica para filhos de empregados e participação dos lucros e resultados, dos segurados empregados e contribuintes individuais. Em razão disso, somente essas matérias foram apreciadas em primeiro grau, pois as demais foram consideradas como não contestadas, portanto não impugnadas (art. 17, do Dec. 70.325/1972). Sendo improvida a impugnação, conforme acima relatado. Assim, o recurso veio à presente turma especial para seu julgamento, em que apresentou os seguintes argumentos resumidos: as verbas objetos de autuação têm natureza indenizatória ou de auxílio de custos, sem natureza remuneratória, a natureza indenizatória do Fl. 323DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000983/201006 Acórdão n.º 2803001.770 S2TE03 Fl. 324 4 fornecimento de alimentos a título de vales/tickets e cestas de alimentação independentemente de inscrição ao Programa de Alimentação do Trabalhador, do auxíliosaúde (pagamento de planos médicohospitalares e odontológicos) aos dependentes não tem natureza remuneratória, pagamento de seguro de vida e de acidentes pessoais, que o aluguel de imóvel residencial para Charles Lussier era para fins de habita;áo fornecidos pela empresa ao empregado para tabalhar em localidade distante da de sua residência, os valores referentes ao programa de qualidade não de natureza social e preventivos à própria saúde pública, que o abono pago em 1/2007 não integra o salário (art. 28, par. 9o., item 7, da Lei n. 8.212), que o auxílioeducação pagos aos dependentes dos funcionários não tem natureza remuneratória, equiparados a auxílio alimentação(art. 28, par. 9o., alinea t, da Lei n. 8.212), que a participação dos lucros e resultados está prevista em Acordo Coletivo, falta de clareza da autua;áo quanto aos pagamentos aos contribuintes individuais autônomos. Em sessão, fora realizada sustentação oral da patrona da Recorrente, Dra. Dyna Hoffmann Assi Guerra, OAB/ES nº 8.847. Esse é o relatório. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000983/201006 Acórdão n.º 2803001.770 S2TE03 Fl. 325 5 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato Relator I O recurso é tempestivo, conforme supra relatado, dispensado do depósito prévio (Súmula Vinculante 21 do STF), assim deve o mesmo ser conhecido. II – Preliminarmente, em razão da não impugnação das matérias trazidas em recurso voluntário em primeiro grau de instância, sob pena de desobediência ao art. 17, do Dec. 70.235/1972, bem como supressão de instância não justificada (art. 1o. do Regimento Interno do CARF/MF), restaram prejudicados os questionamentos que não forem o auxílioeducação, plano de assistência médicohospitalar e odontológico para filhos e dependentes dos empregados e participação dos lucros e resultados, bem como aqueles com clara permissão de afastamento da aplicação da lei (auxílioalimentação) por dever de ofício. Ainda, quanto à suposta inconstitucionalidade dos fundamentos legais apontados nos outros pontos do recurso, não apreciados em razão de não terem sido contestados, é vedado aos Conselheiros do CARFMF afastarem a aplicação da lei ou decreto sob tal argumento, salvo nas exceções expressas dos artigos 62 e 62A do Regimento Interno do CARFMF III – Quanto à inconformidade da aplicação de contribuições previdenciárias com base nos valores pagos a título de auxílioeducação pagos aos dependentes. Devese anotar que a empresa não trouxe qualquer elemento probatório ou legal que demonstrase que a bolsa paga aos filhos e dependentes dos funcionários há qualquer vinculação com a atividade ou qualificação dos funcionários da mesma. Assim, não há demostração de sua desvinculação à remuneração, ou que o auxílio tem natureza indenizatória, representando aumento de renda. Assim, o disposto no art. 28, par. 9o., alinea t, da Lei n. 8.212/1991, é claro em que a natureza indenizatória do pagamento de auxílioeducação deve estar vinculda à qualificação dos funcionários da empresa. Nesse aspecto, não perece acolhimento o recurso. IV – Quanto às alegações de não incidência de contribuições previdenciárias sobre valores referentes à saúde plano de assistência médicohospitalar e odontológico aos filhos dos empregados, verificase que o art. 28, par. 9o., alinea q, da Lei n. 8.212/1991, não limita que o plano de saúde deva limitarse apenas à pessoa funcionário ou dirigente da empresa, mas que deve ser oferecido a todos os seus colaboradores. Fato esse é claro no art. 458, par. 2o., IV, da CLT, ao apontar que tais valores não configuram salários. O entendimento é acompanhado pela jurisprudência judicial e administrativa, como bem demonstrado no voto condutor da lavra do Conselheiro Elias Sampaio Freire, no Acórdão n. 240101.981, oriundo da 1a. Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento do CARF/MF, de 22.08.2011, abaixo citado : Fl. 325DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000983/201006 Acórdão n.º 2803001.770 S2TE03 Fl. 326 6 No presente caso, tenho a salientar que o denominado auxílioexcepcional é concedido aos empregados da recorrente, na forma de reembolso, para o tratamento de dependente portador de incapacidade congênita, conforme Relatório fiscal (fls. 113 a 119), in verbis: “Em análise aos diversos documentos e regulamentos internos da empresa, verificouse que o AuxílioExcepcional (também chamado de AuxílioDeficiente ou Auxílio a Portadores de Necessidades Especiais) tratase de benefício concedido pela Fundação aos seus empregados na forma de reembolso limitado de despesas com o tratamento de seu dependente que seja portador de incapacidade congênita que comprometa a sua educação e desenvolvimento.” Saliento que não integra a base de cálculo para fins de incidência de contribuições previdenciárias “o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou daquele a ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas médicohospitalares ou com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa” (art. 28, § 9º , alínea “q” da Lei nº 8.212, de 1991). Entendo que o auxílio excepcional a que se refere o presente lançamento, nada mais é do que um reembolso para tratamento médico de dependente portador de incapacidade congênita que comprometa a sua educação e desenvolvimento, que enquadra perfeitamente na hipótese prevista no art. 28, § 9º , alínea “q” da Lei nº 8.212, de 1991. Precedentes: TRF2 APELAÇÃO CIVEL: AC 200351010269501 RJ 2003.51.01.0269501, Relator(a): Juíza Federal Convocada SANDRA CHALU BARBOSA “TRIBUTÁRIO. AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIO AO FILHO EXCEPCIONAL. RECURSO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO. 1. Tratase de apelação de interposta contra a sentença que julgou improcedente o pedido da autora e a condenou ao pagamento de custas e honorários advocatícios na ordem de 10% sobre o valor da causa atualizado. 2. A autora alega em seu recurso que a NFLD em questão, que "diz respeito à pretensa cobrança de contribuição previdenciária sobre a verba denominada Fl. 326DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000983/201006 Acórdão n.º 2803001.770 S2TE03 Fl. 327 7 auxílioexcepcional", não deve ser cobrada porque o referido auxílio excepcional, ao contrário do que defendeu a sentença, não possui natureza remuneratória, mas sim retributivo e comutativo. 3. Inicialmente, é de se dizer que, como bem observou a sentença atacada, saláriodecontribuição, nos termos do "inciso I do art. 28 da Lei 8.212/91, (...) referese à totalidade dos rendimentos pagos ou creditados a qualquer título" ao empregado e que "o auxílio excepcional não se enquadra em qualquer das hipóteses de exclusão da contribuição previdenciária taxativamente previstas no § 9ºdo art . 28" (fls. 97/98) da aludida lei. 4. Por outro lado, devem ser excluídos da autuação fiscal em debate os valores pagos como auxílio à criança excepcional que, em sede de execução, correspondam, comprovadamente, a pagamentos de despesas médicas ou que tenham sido utilizados na educação básica do menor excepcional, nos termos do artigo 28, § 9º, alíneas "q" e "t", da Lei nº 8.121/91. 5. Nesse sentido é a deliberação contida no processo nº 97.02.446066, da relatoria do MM. Juiz Federal Convocado Luiz Norton Baptista de Mattos, e que fora julgada no dia 22/01/2008 pela 3ª Turma Especializada deste TRF, com a seguinte fundamentação: "o auxílio excepcional previsto em acordo coletivo firmado pela autora é pago ao empregado, na forma de reembolso mensal, enquanto perdurar o atendimento especializado e a condição de empregado. Não tendo cunho remuneratório, de contraprestação de serviço, não integra o saláriodecontribuição, sendo, porém, necessária prova da prestação do serviço especializado". 6. Recurso conhecido e parcialmente provido.” E ainda, a Solução de Consulta nº 26, de 31 de julho de 2009, da 5ª Região Fiscal, DOU de 31/08/2009, foi no sentido de que as verbas pagas a título de auxílioexcepcional não têm natureza remuneratória: “ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias EMENTA: As verbas pagas a título de AuxílioExcepcional, desde que atendidas as condições legalmente exigidas, têm natureza indenizatória, e não remuneratória, uma vez que o seu pagamento objetiva auxiliar o empregado nas despesas de educação e tratamento especializados despendidas. Deste modo, as referidas verbas não integram o Fl. 327DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000983/201006 Acórdão n.º 2803001.770 S2TE03 Fl. 328 8 saláriodecontribuição, não se sujeitando, portanto, à incidência de contribuição previdenciária.” Assim, nesse ponto merece acolhimento o recurso. V – Quanto à incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de participação de receita/lucros, verificase que realmente houve desobediência injustificada (atrasos em negociação) mas as regras para participação dos empregados nas receitas e lucros desobedeceram ao art. 2, par.1o,e b, da Lei n. 10.101/2000, não podendo serem as verbas excluídas da base de cálculo das contribuições previdenciárias (art. 28, §9ª, “j”, da Lei 8.212 – Ac. 2803001.503, da 3a. Turma Especial da 2a. Seção de Julgamento do CARF, Rel. Cons. Oseas Coimbra, sessão de 17.04.2012). E a principal falha ao caso é a falta de previsibilidade, pois os acordos não eram realizados de forma prévia, à distribuição. Tudo plenamente demonstrado pela decisão recorrida. Assim, não merece reforma a decisão nesse ponto. VI – Por se tratar de questão consolidada com a autorização da alínea a, o inciso II,parágrafo único do art. 62, do Regimento Interno do CARF, c/c o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, DOU de 24/11/2011, Ato Declaratório nº 03/2011, podendose apreciar a matéria de ofício, quanto no que tange fornecimento de alimentação in natura (vale/ticket alimentação e cestas básicas), em desconformidade com o Programa de Alimentação do Trabalhador, esse auxílioalimentação mantêm a sua natureza indenizatória. Tais verbas encontramse na lista daquelas que não integram o saláriode contribuição, nos moldes do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, desde que o contribuinte, observe os critérios que o próprio dispositivo legal estabelece. A inobservância dos critérios previstos em lei, certamente levará a autoridade administrativa incumbida do lançamento a cumprir seu dever legal, sob pena de responsabilidade funcional, conforme assevera o parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN. Realizado o lançamento, ao contribuinte será dada a oportunidade de se defender via impugnação e, sendo mantido o lançamento, via recurso voluntário à segunda instância administrativa, que na situação vertente é o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) do Ministério da Fazenda. Na hipótese de o contribuinte continuar vencido em suas argumentações também na segunda instância administrativa, observadas as regras previstas na legislação tributária vigente, o crédito, a partir do esgotamento de recursos nessa esfera, será objeto de cobrança pela via judicial, cobrança essa manejada pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Como o assunto diz respeito ao descumprimento de legislação federal, o rito processual será realizado na Justiça Federal, podendo a discussão chegar (e em regra chega) ao Superior Tribunal de Justiça – STJ. Toda essa movimentação, obviamente, trará para as partes despesas de vários matizes, tendo em vista que nada sai de graça na utilização da máquina do judiciário. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000983/201006 Acórdão n.º 2803001.770 S2TE03 Fl. 329 9 Partindo das premissas acima descritas e refletindo melhor sobre posicionamentos anteriores, percebo que algumas verbas, mesmo previstas em lei, e apesar da correção do lançamento levado a efeito pela autoridade administrativa, não serão alcançadas pelo fisco, tendo em vista que, ao fim e ao cabo, o Poder Judiciário, o STJ, em especial, a qualificará como não incidente de contribuição previdenciária, como é o caso do pagamento de auxilioalimentação sem o devido registro da empresa perante o Ministério do Trabalho e Emprego. Tais afirmativas encontram ressonância, por exemplo, na decisão proferida pelo STJ, no AgRg no AREsp 5810 / SC AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL 2011/00810687, publicado no DJe de 10/06/2011, cuja ementa transcrevo, verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. Caso em que se discute a incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas recebidas a título de auxílio alimentação in natura, quando a empresa não está inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. 2. A jurisprudência desta Corte pacificouse no sentido de que o auxílioalimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Precedentes: EREsp 603.509/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, DJ 8/11/2004; REsp 1.196.748/RJ, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28/9/2010; AgRg no REsp 1.119.787/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 29/6/2010. 3. Agravo regimental não provido. (grifouse e destacouse) Como se pode observar, tratase de jurisprudência pacificada no STJ, situação essa que a meu ver deve balizar os julgamentos nas esferas administrativas, motivo pelo qual passo, de agora em diante, a conduzir meus votos nesse sentido, considerando que a verba ora guerreada não possui natureza salarial, sendo, inclusive, desnecessária a inscrição ou não do empregador no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT. Ou seja, é um caso de nãoincidência, não de isenção, pois tais valores não se encontram no alcance e sentido do fato gerador e base de cálculo definidas no art. 28, I, da Lei n. 8.212/1991, que exige a natureza remuneratória (contraprestação pelo serviço) de tais pagamentos. Entendimento esse inclusive reconhecido pelo Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, DOU de 24/11/2011, Ato Declaratório nº 03/2011. Em razão dos argumentos acima expendidos excluo do lançamento a parcela in natura paga a título de alimentação (mesmo em vale/ticket alimentação, fornecimento de cestas básicas, ressarcimento de custos com restaurantes, restaurantes pagos pela empresa, pois Fl. 329DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000983/201006 Acórdão n.º 2803001.770 S2TE03 Fl. 330 10 somente pode ser utilizado para obtenção de alimentos pelo funcionário, mantendo sua característica), tendo em conta que ela não tem natureza salarial, bem como ser despiciendo o registro da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, do Ministério do Trabalho e Emprego. Neste caso, merece acolhimento o recurso. VII – Conclusão Isso posto, voto por conhecer o Recurso Voluntário, para, no mérito, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, no sentido de declarar a insubsistência e decretar o cancelamento do lançamento e respectivos créditos tributários com base em fornecimento de cestas básicas e vales alimentação (levantamentos AL e AL1) e em valores decorrentes de planos de assistência médícahospitalar e odontológica pagos a dependentes e filhos dos empregados (levantamentos MD e MD1). Sala de Sessões, 16 de agosto de 2012. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 330DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 15540.000484/2010-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2007
DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PIS E COFINS. Comprovado nos autos a existência de pagamento antecipado no período apurado, deve ser aplicado o prazo disposto no art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional, em observância ao posicionamento consolidado no STJ.
IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. A autuação não deve prosperar nos casos em que o contribuinte consegue comprovar a origem dos depósitos bancários, cujos valores foram considerados omissão de receitas.
Numero da decisão: 1202-000.917
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Nelson Lósso Filho- Presidente
(documento assinado digitalmente)
Geraldo Valentim Neto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Viviane Vidal Wagner, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2007 DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PIS E COFINS. Comprovado nos autos a existência de pagamento antecipado no período apurado, deve ser aplicado o prazo disposto no art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional, em observância ao posicionamento consolidado no STJ. IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. A autuação não deve prosperar nos casos em que o contribuinte consegue comprovar a origem dos depósitos bancários, cujos valores foram considerados omissão de receitas.
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MORADA INVESTIMENTOS S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2007 DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PIS E COFINS. Comprovado nos autos a existência de pagamento antecipado no período apurado, deve ser aplicado o prazo disposto no art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional, em observância ao posicionamento consolidado no STJ. IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. A autuação não deve prosperar nos casos em que o contribuinte consegue comprovar a origem dos depósitos bancários, cujos valores foram considerados omissão de receitas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Viviane Vidal Wagner, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 00 04 84 /2 01 0- 37 Fl. 2549DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 24/01/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO 2 Relatório Trata o presente processo de Autos de Infração (fls. 03/79) consubstanciados em lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, somados a multa de ofício qualificada e juros, referentes aos anos calendários de 2005 e 2007. Segundo consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 11/41) as infrações apuradas teriam sido as seguintes: (i) Omissão de receitas decorrentes de depósitos bancários contabilizados cujas origens não foram comprovadas; e (ii) Omissão de receitas decorrentes de recursos identificados nos Livros Diários do contribuinte de nº 39, 42 e 44. Com relação a esse último item, foi aplicado multa de ofício qualificada por suposta existência de documento adulterado. Cientificada da lavratura dos referidos Autos de Infração, a contribuinte, ora interessada, apresentou Impugnação (fls. 1241/1268), que foi levada a julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJRJ), a qual houve por bem julgála parcialmente procedente, nos seguintes termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial de cinco anos para a constituição do crédito tributário deve ser contado a partir da data de ocorrência do fato gerador, conforme determina o art. 150, §4º, do CTN. De observar, todavia, que a referida sistemática de lançamento pressupõe a existência de um pagamento antecipado pelo contribuinte. Inexistindo tal pagamento, não há simplesmente o que homologar; nesta hipótese, o prazo decadencial começa a correr, não na data de ocorrência do fato gerador, mas sim no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prevê o art. 173, inciso I, do CTN. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2005, 2007 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. VALORES A SEREM EXCLUÍDOS DA BASE TRIBUTÁVEL. Caracterizam receitas omitidas os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, regulamente intimado, não consiga comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para efeito de determinação da base tributável, não serão computados os créditos bancários decorrentes de transferências de outras contas do próprio titular. Fl. 2550DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 24/01/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 15540.000484/201037 Acórdão n.º 1202000.917 S1C2T2 Fl. 10 3 AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. DOCUMENTOS CONTENDO INFORMAÇÕES FALSAS. Uma vez comprovado que a pessoa jurídica se utilizou de informações falsas, constantes de extratos bancários emitidos por instituição financeira de que é a principal acionista, reputase correto o agravamento da multa de ofício. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2007 Ementa: PIS. COFINS. CSLL. Os lançamentos reflexivos colherão a mesma sorte daquele que lhes deu origem, uma vez que haja fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Tendo em vista a exoneração de parte do crédito tributário, no ato do julgamento o Presidente da Turma da Delegacia da Receita Federal (DRJRJ) recorreu de ofício da decisão, em obediência ao disposto no artigo 34, inciso I do Decreto 70.235/72, tendo em vista que o crédito tributário exonerado excedeu o limite de R$ 1.000.000,00, estabelecido pela Portaria MF nº 03, de 03/01/2008. Em contrapartida, a contribuinte, ora interessada, foi intimada a recolher o valor mantido (conforme demonstrativo de fls. 1682) ou apresentar Recurso Voluntário. Comprovase através das DARF juntadas aos autos (fls. 1683/1686) que a contribuinte recolheu os exatos valores que foram mantidos, deixando de apresentar o devido Recurso Voluntário. Oportunamente os autos foram encaminhados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator Conforme se observa do relatório acima foi quitada a parcela do montante do crédito tributário que havia sido mantida pela decisão da DRJ/RJ, não havendo mais o que se discutir em relação àquela matéria. Dessa forma, passo à análise do Recurso de Ofício interposto pela DRJ/RJ. A decisão de primeira instância foi parcialmente favorável à contribuinte, conforme Acórdão nº 1235.811 da 15ª Turma da DRJ/RJ, que exonerou parte do crédito tributário consubstanciado nos Autos de Infração. Assim, com vistas à exoneração de parte do crédito tributário, recorreu a DRJ/RJ, via Recurso de Ofício, que recebo nos moldes da Portaria MF nº 3/2008 e do artigo 2º do Regimento interno do CARF, abaixo transcritos: Fl. 2551DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 24/01/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO 4 “Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo’`. “Art. 2º À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL);” A parcela do crédito tributário excluída pela decisão recorrida foi a seguinte: (i) decadência no tocante às exigências do PIS e da COFINS relativas aos meses de janeiro, fevereiro e março de 2005 e; (ii) Omissão de receitas decorrentes de depósitos bancários cujas origens foram comprovadas e de recursos identificados nos Livros Diários do contribuinte. Passo, então, à análise da decisão recorrida. I – DECADÊNCIA DOS LANÇAMENTOS DE PIS E COFINS A decisão recorrida considerou terem decaídos os lançamentos de PIS e COFINS referentes aos meses de janeiro, fevereiro e março de 2005, afastando referida cobrança. Conforme se observa dos autos, a contribuinte tomou ciência de referidos lançamentos em 30.09.2010 (fls. 1237) ao passo que o período correspondente ao lançamento é de 31.01.2005; 28.02.2005 e 31.03.2005. No tocante ao prazo decadencial para lançamento dos créditos tributários nos casos de tributos cujo lançamento é feito por homologação, cumpre destacar que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça (STJ) já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “Recursos Repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do Fl. 2552DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 24/01/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 15540.000484/201037 Acórdão n.º 1202000.917 S1C2T2 Fl. 11 5 exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009).” Por meio de referido Acórdão acima transcrito restou consolidado pelo E. STJ o entendimento de que nos casos de tributos cujo lançamento é feito por homologação, via Fl. 2553DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 24/01/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO 6 de regra, o termo inicial do prazo decadencial quando há pagamento do tributo é aquele previsto no § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62 A: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” Verificase, assim, que a referida decisão do E. Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 2554DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 24/01/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 15540.000484/201037 Acórdão n.º 1202000.917 S1C2T2 Fl. 12 7 Levando em consideração a existência de pagamentos antecipados nesse período (fls. 1586/1593 e 1596/1613), a contagem do prazo decadencial é exatamente aquela contida no artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional. Assim, tendo em vista que a contribuinte tomou ciência de referidos lançamentos em 30.09.2010 (fls. 1237) os lançamentos de PIS e COFINS referentes a período anterior a 30.09.2005 estão fulminados pela decadência. Esse é o caso, portanto, dos lançamentos dos tributos em relação aos seguintes períodos: 31.01.2005; 28.02.2005 e 31.03.2005. Dessa forma, concordo com a decisão da DRJ/RJ no sentindo de cancelar os lançamentos de PIS e de COFINS do período de janeiro, fevereiro e março de 2005, por estarem fulminados pela decadência. II – OMISSÃO DE RECEITAS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJAS ORIGENS FORAM COMPROVADAS. A decisão recorrida reconheceu que a contribuinte conseguiu comprovar a origem dos depósitos bancários decorrentes de “pagamentos de encargos” e “compra hot Itaú”. Quanto ao “pagamento de encargos” no valor de R$ 148.872,62, a contribuinte alega que referido valor corresponde ao depósito interbancário realizado entre contascorrentes de titularidade da própria pessoa jurídica. Nesse sentido, informa que referida importância foi transferida de sua conta corrente mantida junto ao Banco Morada S/A para depósito em sua outra conta corrente mantida junto ao Banco Itaú S/A, já que essa conta representava saldo devedor. Através dos extratos bancários juntados pela contribuinte do Banco Itaú S/A (fls. 1368/1371) e do Banco Morada S/A (fls. 1372/1373), é possível confirmar que de fato ocorreu a saída do montante de R$ 148.872,62 da conta da contribuinte do Banco Morada S/A para o Banco Itaú S/A (fls. 1373 e 1369). Dessa forma, resta comprovado a origem dos depósitos bancários que saíram da conta bancária da contribuinte (Banco Morada S/A) que haviam sido considerados como de origem não comprovada pela fiscalização, os quais foram realizados com o fim de recomposição da conta corrente mantida junto ao Banco Itaú S/A que se encontrava com saldo devedor. Portanto, concordo com a decisão da DRJ/RJ no sentido de afastar a presunção de omissão de receitas em relação a esta parcela do lançamento. Em relação ao outro valor encontrado em sua conta corrente, o qual também foi considerado como omissão de receitas, qual seja, R$ 5.999.138,58, a contribuinte alega tratarse de depósitos efetuados em sua conta corrente do Banco Itaú S/A com recursos provenientes de sua conta corrente do Banco Morada S/A, com a finalidade de quitar os empréstimos obtidos juntos ao Banco Itaú. Fl. 2555DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 24/01/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO 8 A fim de comprovar a existência desses empréstimos, a contribuinte juntou o contrato de abertura de crédito (fls. 1375/1377) que comprovou a existência de linha de crédito entre o Banco Itaú S/A e a contribuinte. Ademais, foi possível observar através dos extratos bancários da contribuinte que no dia 21.10.2004, o Banco Itaú S/A era credor da contribuinte – Conta Hot Itaú – no exato valor de R$ 5.999.138,58, considerado pela fiscalização como omissão de receitas. Ora, resta claro que de fato houve (i) celebração de contrato de empréstimo entre a contribuinte e o Banco Itaú S/A (fls. 1375/1377) e que (ii) os depósitos encontrados em sua conta corrente referemse a valores retirados da conta corrente do Banco Morada S/A para quitação desse empréstimo. Portanto, estão devidamente comprovadas as origens dos depósitos bancários encontrados na conta corrente da contribuinte, de modo que a presunção de omissão de receitas não deve prosperar. Este E. Conselho já decidiu diversas vezes no sentido de afastar a presunção de omissão de receitas nos casos em que o contribuinte consegue comprovar através de documentos idôneos a origem dos depósitos encontrados em suas contas correntes. Vejamos: “OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. Comprovada a origem dos depósitos bancários dáse provimento ao recurso. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase o decidido em relação ao IRPJ, às contribuições decorrentes de tributação reflexa, em razão da estreita relação de causa e efeito.” (Primeiro Conselho de Contribuintes. 7ª Câmara. Turma Ordinária , Acórdão nº 10709256 do Processo 19647004239200332, Data: 06/12/2007). (não grifado no original) “IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMPROVAÇÃO DA ORIGEM E ENTREGA Uma vez comprovada a origem e a efetiva entrega com regular escrituração dos depósitos bancários, improcede a autuação. IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS DIFERENÇA DE ESTOQUE DE OURO MATÉRIA PRIMA Considerando que a matéria prima da empresa é o ouro e que houve incremento nas peças prontas, a redução do estoque de ouro não representa omissão de receita, sem comprovação da alienação presumida. IRPJ GLOSA DE CUSTOS OU DESPESAS COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE Restando comprovado pela interessada que as despesas ou custos foram contabilizados em conformidade com a legislação de regência, não há exigência fiscal. Recurso de ofício negado.” (Primeiro Conselho de Contribuintes. 8ª Câmara. Turma Ordinária , Acórdão nº 10806698 do Processo 107680017669781, Data: 16/10/2001). (não grifado no original) Portanto, concordo com a decisão da DRJ/RJ e afasto o lançamento de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS referentes às parcelas de R$ 148.872,62 e R$ 5.999.138,58 que eram consideradas como omissão de receitas. Por fim, quanto aos valores encontrados no Livro Diário nº 44 da contribuinte lançados como “emissão de debêntures”, a fiscalização entendeu, de forma equivocada, que não foi apresentada documentação hábil comprobatória de que tais operações foram efetivamente realizadas e que a contribuinte teria se valido das supostas emissões de debêntures a fim de ocultar receitas auferidas. Fl. 2556DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 24/01/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 15540.000484/201037 Acórdão n.º 1202000.917 S1C2T2 Fl. 13 9 Esta não é a realidade dos autos, razão pela qual concordo com a decisão recorrida no sentido de que não deve proceder o lançamento dos tributos em relação aos valores que correspondem a emissão de debêntures. Segundo consta dos documentos apresentados pela contribuinte em sua Impugnação, os montantes de R$ 2.210.000,00 e R$ 4.827.628,61 escriturados em seu Livro Diário correspondem ao produto da emissão de debêntures, estando todas as operações comprovadas (fls. 1507/1548). Não há que se falar diante desse cenário que na realidade não teria havido emissão das debêntures e, por isso, considerar os valores como omissão de receitas. O que se depreende das justificativas da fiscalização para autuar a contribuinte nesse ponto é que não houve uma análise profunda dos documentos apresentados, ou seja, a fiscalização apenas alegou que não se tratam de operação de emissão de debêntures e considerou tais como omissão de receitas. Restou devidamente comprovado, inclusive através das DIRFs apresentadas pelos beneficiários dos recebimentos das debêntures (conforme fls. 1614/1616), que as mesmas foram efetivamente emitidas, o que afasta de pronto a ocorrência de omissão de receita. Em decorrência de expressa previsão legal, a contribuinte está autorizada a não computar os valores auferidos com a emissão de debêntures na determinação do seu lucro real. No procedimento fiscalizatório as Autoridades Fiscais consideraram que a emissão de debêntures não havia sido comprovada e, por isso, caracterizou os valores como omissão de receitas. Ocorre que, ao contrário do que sustentado pela fiscalização, foi comprovada a emissão de debêntures conforme fls. 1507/1548. O procedimento adotado pela fiscalização não pode prosperar, conforme bem apontado pela decisão recorrida, devendo ser afastada a omissão de receitas sobre esses valores e cancelados os respectivos lançamentos. Tendo em vista todo o acima exposto, concordo com a decisão da DRJ/RJ e voto no sentido de negar provimento ao Recurso de Ofício. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Fl. 2557DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 24/01/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 11516.006483/2009-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/07/2007
EDUCAÇÃO SUPERIOR - PARCELA INTEGRANTE DO SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
O ganho habitual sob a forma de utilidade configura base de cálculo de contribuições previdenciárias. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia.
Numero da decisão: 2302-001.945
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Wilson Antonio Souza Correa que entenderam se tratar de verba não integrante do salário-de-contribuição.
Liege Lacroix Thomasi Relatora ad hoc e Presidente Substituta (à época da formalização do Acórdão)
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Wilson Antônio de Souza Correa e Manoel Coelho Arruda Júnior.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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Recorrente PORTOBELLO SA Recorrida DRJ FLORIANOPOLIS SC ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/07/2007 EDUCAÇÃO SUPERIOR PARCELA INTEGRANTE DO SALÁRIODE CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O ganho habitual sob a forma de utilidade configura base de cálculo de contribuições previdenciárias. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Wilson Antonio Souza Correa que entenderam se tratar de verba não integrante do saláriodecontribuição. Liege Lacroix Thomasi – Relatora ad hoc e Presidente Substituta (à época da formalização do Acórdão) Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Wilson Antônio de Souza Correa e Manoel Coelho Arruda Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 64 83 /2 00 9- 17 Fl. 311DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa. O período do presente levantamento abrange as competências janeiro de 2005 a julho de 2007, fls. 35 a 38. Referese ao pagamento a segurados referentes a cursos de graduação e de pósgraduação. Não conformado com a notificação, foi apresentada defesa pela autuada, fls. 67 a 81. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento analisou os argumentos e proferiu decisão confirmando a procedência do lançamento fiscal, fls. 160 a 165. Não concordando com a decisão do órgão fazendário, foi interposto recurso, conforme fls. 220 a 242. Em síntese, alegou o seguinte: 1. o oferecimento de ajuda para o pagamento de cursos de graduação e pósgraduação, estavam diretamente relacionados à capacitação e qualificação profissionais do empregado; 2. devia ser observado o art. 458 da CLT; 3. o pagamento estava previsto em acordo coletivo; 4. não cabia a aplicação da alíquota SAT em 3%; 5. não podiam ser cobrados juros Selic; Não foram apresentadas contrarrazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.006483/200917 Acórdão n.º 2302001.945 S2C3T2 Fl. 312 3 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora ad hoc O recurso foi interposto tempestivamente, conforme fls. 309. Pressuposto de admissibilidade superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Existem parcelas que não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o Fl. 313DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção Fl. 314DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.006483/200917 Acórdão n.º 2302001.945 S2C3T2 Fl. 313 5 estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 315DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) A verba relativa ao ensino superior não está fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias, prevista no art. 28, § 9º, “t” da Lei n ° 8.212/1991, senão veja: O que não integra o salário de contribuição é o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Assim dispõe a referida lei, nestas palavras: Art. 21. A educação escolar compõese de: I educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio; II educação superior. Como se depreende da simples análise do art. 21 acima transcrito, a educação superior não se confunde com a básica. Dessa forma, curso de capacitação profissional também não se confunde com curso de nível superior, pois se assim não o fosse, não haveria necessidade de o legislador fazer distinção entre educação básica e superior para fins de incidência de contribuição previdenciária. Concluise portanto, que curso de capacitação profissional pode ser qualquer um relacionado às atividades da empresa que não envolvam um curso de nível superior. A interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo é literal. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre esse benefício fiscal, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I, nestas palavras: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. Desse modo, caso o legislador tivesse desejado excluir da incidência de contribuições previdenciárias a parcela referente ao plano de ensino superior teria feito remissão expressa na legislação previdenciária, o que não foi realizado. A Lei n ° 10.243/2001 alterou a CLT, mas não interferiu na legislação previdenciária, pois esta é específica. O art. 458 referese ao salário para efeitos trabalhistas, para incidência de contribuições previdenciárias há o conceito de saláriodecontribuição, com definição própria e possuindo parcelas integrantes e não integrantes. As parcelas não integrantes estão elencadas exaustivamente no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, conforme demonstrado. Apenas a título de argumento, mesmo que se entendesse de forma diferente, e fosse concluído que a Lei n ° 10.243 poderia excluir parcela do campo de incidência de contribuição previdenciária, esta lei não poderia retroagir. Caso prevaleça a tese de se conferir efeitos retroativos à Lei n ° 10.243/2001, iriam se ferir os princípios da isonomia e da legalidade, senão veja: o contribuinte que seguiu a norma então vigente, está em desvantagem Fl. 316DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.006483/200917 Acórdão n.º 2302001.945 S2C3T2 Fl. 314 7 em relação ao que nada pagou. E mais, a prevalecer o entendimento de retroação da interpretação, aquele que pagou contribuições previdenciárias possuiria direito à restituição. Ao contrário do que afirma a recorrente, a verba paga a título de educação superior possui natureza remuneratória. Tal ganho ingressou na expectativa dos segurados empregados em decorrência do contrato de trabalho e da prestação de serviços à recorrente, sendo portanto uma verba paga pelo trabalho e não para o trabalho. Como visto, é despicienda a análise de extensão a todos os segurados da empresa, pois a verba relativa a ensino superior integrará em qualquer hipótese o saláriode contribuição. Não cabe o argumento de que o art. 458 da CLT não exige que a parcela seja estendida a todos os segurados da empresa. Nesse mesmo artigo, há previsão para não integração ao salário da verba previdência privada, também sem qualquer ressalva. Este Colegiado nunca aceitou a não incidência de contribuição previdenciária se a verba previdência privada não fosse estendida a todos os segurados da empresa, em virtude de o art. 28, § 9º alínea “p” da Lei n ° 8.212/1991, exigir a extensão do benefício. Estando portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento para o período não decadente. Quanto ao argumento da ilegalidade da cobrança da contribuição devida em relação ao SAT – Seguro de Acidente de Trabalho e de que o STF entendia que a alíquota seria de 1%, não assiste razão à recorrente. O lançamento deve ser mantido de acordo com o previsto na legislação previdenciária. A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998, nestas palavras: Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11/12/98) a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; Fl. 317DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Regulamenta o dispositivo acima transcrito o art. 202 do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, com alterações posteriores, nestas palavras: Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § 1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5º O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o autoenquadramento em qualquer tempo. § 6º Verificado erro no autoenquadramento, o Instituto Nacional do Seguro Social adotará as medidas necessárias à sua correção, orientando o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procedendo à notificação dos valores devidos. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.006483/200917 Acórdão n.º 2302001.945 S2C3T2 Fl. 315 9 § 7º O disposto neste artigo não se aplica à pessoa física de que trata a alínea “a” do inciso V do caput do art. 9º. § 8º Quando se tratar de produtor rural pessoa jurídica que se dedique à produção rural e contribua nos moldes do inciso IV do caput do art. 201, a contribuição referida neste artigo corresponde a zero vírgula um por cento incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção. § 9º (Revogado pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) § 10. Será devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços específica para a atividade exercida pelo cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) Quanto ao Decreto 612/92 e posteriores alterações (Decretos 2.173/97 e 3.048/99), que, regulamentando a contribuição em causa, estabeleceram os conceitos de “atividade preponderante” e “grau de risco leve, médio ou grave”, repelese a arguição de contrariedade ao princípio da legalidade, uma vez que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para o regulamento a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma. Nesse sentido já decidiu o STF, no RE n ° 343.446SC, cujo relator foi o Min. Carlos Velloso, em 2032003, cuja ementa transcrevo: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. LEI 7.787/89, ARTS. 3º E 4º; LEI 8.212/91, ART. 22, II, REDAÇÃO DA LEI 9.732/98. DECRETOS 612/92, 2.173/97 E 3.048/99. C.F., ARTIGO 195, § 4º; ART. 154, II; ART. 5º, II; ART. 150, I. I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 II. O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido.” Assim, os conceitos de atividade preponderante, de risco de acidente de trabalho leve, médio ou grave, não precisariam estar definidos em lei. O Decreto é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que estes são complementares e não essenciais na definição da exação. Ao contrário do afirmado pela recorrente, não houve reenquadramento do SAT pela fiscalização. O lançamento foi realizado considerando a alíquota mínima de 1%. Desse modo, considerando ou não os empregados da atividade meio, a alíquota não poderia ser inferior a um por cento. Independentemente de qual grau de risco o ambiente da recorrente expõe os segurados, sempre será devida a alíquota do SAT que pode variar, em regra, entre 1 a 3%. Para atividades especiais, que sujeitam o segurado ao benefício da aposentadoria especial, além da alíquota de 1 a 3%, são devidos os adicionais previstos no art. 202, parágrafo 1o do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n º 3.048 de 1999, já transcrito. A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A Fl. 320DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.006483/200917 Acórdão n.º 2302001.945 S2C3T2 Fl. 316 11 averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Para lançamentos realizados após a entrada em vigor da Medida Provisória nº 449, convertida na Lei n º 11.941, aplicamse os juros moratórios na forma do art. 35 da Lei n º 8.212 com a nova redação. Quanto à inconstitucionalidade apontada pela recorrente, não cabe tal análise na esfera administrativa. Não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. De acordo com a Súmula n ° 2 aprovada pelo Conselho Pleno do 2º Conselho de Contribuintes não pode ser declarada a inconstitucionalidade de norma pela Administração. Súmula N ° 2 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de n 3, nestas palavras: Súmula N º 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais CONCLUSÃO: Fl. 321DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 Voto por CONHECER do recurso do autuado, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. Liege Lacroix Thomasi, Relatora ad hoc Fl. 322DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 15504.720830/2011-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. INCOMPATIBILIDADE COM A RETENÇÃO SOBRE FATURAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. As empresas optantes pelo SIMPLES não se submetem à retenção de contribuição previdenciária sobre faturas de prestação de serviço, uma vez que recolhem as contribuições conjuntamente com outros tributos, mediante alíquota incidente sobre o faturamento. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, está prevista pelos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-002.617
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para: a) que sejam retiradas da apuração as notas fiscais emitidas pelas empresas Andrada Lima MR Ltda. e da WE Instalações Elétricas Ltda, Levantamentos 1 e 2; b) sejam apropriadas as guias de recolhimento constantes no quadro apresentado no voto do relator; e c) para que sejam apropriados os valores recolhidos após a ação fiscal na parte remanescente do lançamento. II) por maioria de votos, manter a incidência de juros sobre a multa. Vencidos os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votaram pela não incidência de juros sobre a multa. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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INCOMPATIBILIDADE COM A RETENÇÃO SOBRE FATURAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. As empresas optantes pelo SIMPLES não se submetem à retenção de contribuição previdenciária sobre faturas de prestação de serviço, uma vez que recolhem as contribuições conjuntamente com outros tributos, mediante alíquota incidente sobre o faturamento. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, está prevista pelos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para: a) que sejam retiradas da apuração as notas fiscais emitidas pelas empresas Andrada Lima MR Ltda. e da WE Instalações Elétricas Ltda, Levantamentos 1 e 2; b) sejam apropriadas as guias de recolhimento constantes no quadro apresentado no voto do relator; e c) para que sejam apropriados os valores recolhidos após a ação fiscal na parte remanescente do lançamento. II) por maioria de votos, manter a incidência de juros sobre a multa. Vencidos os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votaram pela não incidência de juros sobre a multa. Elias Sampaio Freire Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 08 30 /2 01 1- 14 Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.720830/201114 Acórdão n.º 2401002.617 S2C4T1 Fl. 1.045 3 Relatório O processo em questão abrange duas lavraturas, quais sejam: a) Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP n.º 37.312.8622 (01/2008 a 12/2008) abrangendo as contribuições que empresa deveria ter retido e recolhido no percentual de 11% sobre as notas fiscais/faturas dos serviços que lhe foram prestados por cessão de mão de obra. b) Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA n.º 37.312.8630 (01/2008 a 12/2008) pelo descumprimento da obrigação de reter e recolher as contribuições relatadas no tópico acima. O Relatório Fiscal apresenta tabela indicando os prestadores de serviço que supostamente teriam sofrido retenção em descompasso com as normas de regência. Os serviços apontados são construção civil, montagem e produção de carvão vegetal. Afirma que em relação aos serviços de construção civil e montagem a empresa efetuou a retenção sobre 50% do valor da fatura, quando deveria ter retido pela totalidade do serviço, posto que os custos de material e equipamentos foram assumidos pela tomadora. Assevera que nos serviços rurais, algumas empresas eram optantes pelo SIMPLES, embora a legislação vedasse a opção por esse regime para empresas que tinham como objeto social a cessão de mão de obra. Sustenta que as retenções foram efetuadas a menor, posto que a tomadora não apresentou a comprovação da utilização de equipamentos em contratos ou notas fiscais, além do valor atribuído a mão de obra ser irrisório. Para definir o valor dos equipamentos contidos nos contratos foi executada diligência fiscal em dois dos prestadores de serviços rurais, tendo o fisco concluído que o valor dos equipamentos mais adequado para a realidade encontrada seria 26,17%, conforme demonstrativos acostados. Sobre a aplicação da multa, o fisco ponderou que foi aplicada a legislação anterior à edição da MP 449/2008, posto que mais favorável ao sujeito passivo. São apresentadas as notas fiscais para as quais não houve qualquer retenção, justificandose assim a aplicação da multa por descumprimento da obrigação acessória de reter e recolher o valor de 11% sobre os serviços prestados por cessão de mão de obra. A seguir, é apresentada a fundamentação legal e os critérios levados em conta para a fixação da pena administrativa. Ressaltase ainda que foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais, tendo em vista a ocorrência, em tese, do crime de sonegação de contribuições previdenciárias. Foram acostadas planilhas com demonstrativo do valor da retenção não efetuada para cada uma das empresas prestadoras. Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 A empresa ofertou impugnação parcial, na qual alegou em apertada síntese que: a) apesar de não concordar, efetuou o recolhimento da multa exigida no AI n.º 37.312.8630, com desconto de 50%, conforme documento acostado; b) também recolheu parte das contribuições exigidas no AI n.º 37.312.8622, relativamente aos serviços de produção de carvão vegetal; c) a parte litigiosa do lançamento resumese as diferenças de retenção relativas aos serviços de reforma e montagem e a parcela calculada sobre base de cálculo superior a 50% do valor bruto das notas fiscais, para os serviços de produção de carvão. d) é inexigível a obrigação de reter sobre faturas emitidas por empresas optantes do SIMPLES, como é o caso das empresas MR Ltda. e WE Instalações Elétricas Ltda; e) considerando que, para as empresas de trabalho rural, havia a previsão de fornecimento de materiais em contrato e que as notas fiscais foram segregadas em serviços e equipamentos, o fisco deveria ter considerado para fins de base de retenção o mínimo previsto na norma que seria de 50% do valor bruto da fatura; f) na definição do valor dos equipamentos, o fisco mediante a realização de diligência, fixou os percentuais de 1,08% para a empresa FBG e 26,17% para as demais. Tal discrepância indica que não há confiabilidade nos valores. O fisco, diante dessa constatação, deveria ter utilizado o percentual de 50%, conforme determina o art. 150, I e § 1.º da IN SRP n.º 03/2005; g) ao utilizar o resultado da diligência na empresa SANETO para apuração de contribuições em outras prestadoras de serviço, promoveu tributação por analogia, o que é terminantemente proibido pelo ordenamento pátrio; h) a própria jurisprudência administrativa vem repelindo a incidência de juros sobre a multa de ofício. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Belo Horizonte (MG) decidiu pela procedência parcial da impugnação, determinando a baixa do AI n.º 37.312.8630, que foi quitado, a apropriação do pagamento parcial efetuado para o AI n.º 37.312.8622 e a retificação da parte remanescente, conforme veremos. O órgão recorrido não acolheu a alegação de improcedência da retenção sobre empresas optantes pelo SIMPLES, justificando que a recorrente já efetuava retenção tomando como base o patamar de 50% do valor das notas fiscais, além de, no período do lançamento, o art. 142 da IN SRP n.º 03/2005, prevê a incidência de retenção para as empresas com opção pelo regime simplificado de pagamento de tributos. Alega ainda que as empresas prestadoras de serviço mediante cessão de mão de obra não poderiam aderir ao SIMPLES. Com relação à redução do percentual de incidência da retenção para 50% do valor das notas nos contratos de prestação de serviço rural, a DRJ concordou com o sujeito passivo e determinou a retificação do crédito. Irresignado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, no qual alega que, na apropriação dos valores recolhidos, o órgão que liquidou a decisão de primeira instância quitou parcelas litigiosas, posto que foi adotado o critério de associar o pagamento às competências mais antigas. Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.720830/201114 Acórdão n.º 2401002.617 S2C4T1 Fl. 1.046 5 Por esse motivo, praticamente foram quitadas as contribuições apuradas em relação às empresas Andrada Lima MR Ltda. e da WE Instalações Elétricas Ltda, as quais contêm a parte contestada do AI n.º 37.312.8620. Por outro lado, aponta valores de retenção, conforme guias acostadas, que foram lançadas a menor na apuração, provocando uma errônea majoração da contribuição devida. Depois, alega inexigibilidade da obrigação de reter sobre as faturas emitidas por empresas optantes do SIMPLES. Ao final, protesta contra a exigência de juros SELIC sobre multa de ofício. É o relatório. Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Inexigibilidade de retenção sobre faturas emitidas por empresas optantes pelo SIMPLES Insurgiuse a recorrente contra a inclusão no levantamento de empresas optantes pelo regime tributário do SIMPLES, quais sejam Andrada Lima MR Ltda. e da WE Instalações Elétricas Ltda Quanto a essa questão, assim dispunha o art. 151 da IN n.º 100/2003: Art. 151. A empresa optante pelo SIMPLES que prestar serviços mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, está sujeita à retenção sobre o valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços emitido. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica no período de 1º de janeiro de 2000 a 31 de agosto de 2002. Vêse que embora não tenha havido alteração na Lei n.º 8.212/1991, a interpretação da Administração Tributária quanto ao tema sofreu alterações ao longo do tempo. Tal normativo levou o órgão recorrido a não acatar a tese da empresa. Esse é uma celeuma antiga, que somente foi superada quando o Egrégio Superior Tribunal de Justiça firmou posicionamento sobre a questão. A matéria foi submetida ao rito dos recursos repetitivos (art. 543C do Código de Processo Civil), tendo o STJ concluído pela não incidência de retenção para as empresas optantes pelo SIMPLES. Eis a ementa do Acórdão relativo ao Resp n.º 1142462/RS (Segunda Turma, Rel. Ministro Castro Meira, DJe 29/04/2010): TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO OPTANTES PELO SIMPLES. RETENÇÃO DE 11% SOBRE FATURAS. ILEGITIMIDADE DA EXIGÊNCIA. JULGAMENTO DA MATÉRIA EM RECURSO ESPECIAL SOB O RITO DOS REPETITIVOS. 1. A Primeira Seção, no julgamento dos Embargos de Divergência 511.001/MG, Relator o Ministro Teori Zavascki, DJU de 11.04.05, concluiu que as empresas prestadoras de serviço optantes pelo Simples não estão sujeitas à retenção do percentual de 11% prevista no art. 31 da Lei nº 8.212/91, com redação conferida pela Lei nº 9.711/98. 2. O sistema de arrecadação destinado às empresas optantes pelo Simples é incompatível com o regime de substituição Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.720830/201114 Acórdão n.º 2401002.617 S2C4T1 Fl. 1.047 7 tributária previsto no art. 31 da Lei nº 8.212/91. A retenção, pelo tomador de serviços, do percentual de 11% sobre o valor da fatura implica supressão do benefício de pagamento unificado destinado às microempresas e empresas de pequeno porte. 3. A matéria foi submetida ao rito dos recursos repetitivos, de acordo com o artigo 543C do CPC e com a Resolução 08/08 do STJ, nos autos do recurso especial nº 1.112.467/DF, de relatoria do Min.Teori Albino Zavascki, no qual restou assente o entendimento acima afirmado. 4. Recurso especial não provido. A referida decisão tem efeito vinculante perante os órgãos do CARF, por força do art. 62A do Regimento Interno do Conselho (Portaria MF n.º 256/2009), cuja redação foi acrescentada pela Portaria MF n.º 586/2010. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Incabível, portanto, a exigência de retenção sobre os serviços executados mediante empreitada ou cessão de mãodeobra por empresas optantes pelo sistema simplificado de recolhimento de tributos, cabendose retirar da apuração as notas fiscais emitidas pelas empresas Andrada Lima MR Ltda. e da WE Instalações Elétricas Ltda, Levantamentos 1 e 2, respectivamente. Erro na apuração dos valores retidos A recorrente, mediante apresentação de guias específicas recolhidas, demonstrou que o fisco na sua apuração considerou alguns valores retidos a menor e apontou os equívocos cometidos. De fato, a luz das provas colacionadas, há de se retificar o crédito para descontar o complemento não considerado, conforme a seguinte tabela: COMP LEVANTAM RETENÇÃO LANÇADA RETENÇÃO COMPROVADA DIFERENÇA A CONSIDERAR 04/2008 L3 (Saneto) 10.838,74 14.221,33 3.382,62 04/2008 L8 (FBG) 4.405,68 5.522,54 1.116,86 07/2008 L5 (César) 2.081,29 3.040,51 959,22 07/2008 L7 (K e Silva) 2.275,78 2.600,47 324,69 Após a correção do equívoco na apuração, representado pela apropriação de retenções a menor, há de se efetuar a dedução do valor recolhido após a lavratura, conforme determinou a DRJ. Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 As guias recolhidas pela empresa, portanto, devem ser apropriadas à parte remanescente do crédito. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO Considerando que o procedimento de apropriação dos recolhimentos efetuados pode não quitar integralmente a parte remanescente do lançamento, cabenos apreciar a alegação da impossibilidade de aplicação de juros SELIC sobre a multa de ofício. A incidência de juros de mora sobre a multa de lançamento de ofício encontra fundamento legal nos art. 43 e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. É que no lançamento de ofício o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa. Portanto, sobre a multa por lançamento de ofício há a incidência de juros SELIC. Esse posicionamento é adotado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que entendeu pela aplicabilidade da Taxa de Juros SELIC sobre as multas de ofícios decorrentes de Autos de Infração, correção essa que passa a incidir a partir da lavratura desses. É o que se pode ver do acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário:1997 JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE .O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região. Recurso Especial Negado. Conclusão Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para que sejam retiradas da apuração as notas fiscais emitidas pelas empresas Andrada Lima MR Ltda. e da WE Instalações Elétricas Ltda, Levantamentos 1 e 2; para que sejam apropriados os recolhimentos constantes no quadro acima apresentado; e para que sejam apropriados os valores recolhidos, após a ação fiscal, na parte remanescente do lançamento. . Kleber Ferreira de Araújo Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.720830/201114 Acórdão n.º 2401002.617 S2C4T1 Fl. 1.048 9 Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10909.000758/2008-33
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO
É ônus da autoridade lançadora comprovar a ocorrência do fato em que se baseou para caracterizar a infração.Recurso Provido
Numero da decisão: 2802-001.491
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora
EDITADO EM:22/11/2012
Participaram, do presente julgamento os Conselheiros:Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Lucia Reiko Sakae, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora EDITADO EM:22/11/2012 Participaram, do presente julgamento os Conselheiros:Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Lucia Reiko Sakae, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano
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COMPROVAÇÃO É ônus da autoridade lançadora comprovar a ocorrência do fato em que se baseou para caracterizar a infração.Recurso Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso –Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora EDITADO EM:22/11/2012 Participaram, do presente julgamento os Conselheiros:Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Lucia Reiko Sakae, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 07 58 /2 00 8- 33 Fl. 37DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Tratase de Recurso Voluntário de fls. 30/35, interposto contra acórdão proferido na Primeira instância administrativa, pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis (SC), que considerou improcedente, a impugnação apresentada, contra o lançamento de offício nos termos do Decreto 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda — RIR/99, tendo em vista a dedução indevida do valor de R$ 371.884,75 informado a título de Despesas de Livro Caixa, em razão de o contribuinte ter declarado apenas Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica com vínculo empregatício. A Quinta Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis (SC), ao examinar o pleito, proferiu o acórdão n° 0723.832, de 08 de abril de 2011, que se encontra às fls. 21/26, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA I R PF Anocalendário: 2004 LIVRO CAIXA. PERMISSÃO PARA DEDUÇÃO. Somente é permitida a dedução das despesas escrituradas em livrocaixa ao contribuinte que receber rendimentos do trabalho nãoassalariado, ao titular de serviços notariais e de registro e ao leiloeiro. INSTRUÇÃO DO PROCESSO. PROVA. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar as alegações nela apresentada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A ciência de tal julgado se deu por via postal em 03/05/2011, consoante o AR – Aviso de Recebimento –. (fls. 29). À vista da decisão, foi protocolizado, em 02/06/2011, recurso voluntário dirigido a este colegiado, fls. 30/35 no qual o pólo passivo, com vistas a obter a reforma do julgado, reitera as razões apresentadas em primeira instancia. e ainda: a) assevera que não possui nada que possa comprovar a falta de vínculo empregatício e que cabe ao fisco o ônus da prova.;b) pugna pela nulidade decisão recorrida, alegando cerceamento do direito de defesa É o relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. O recorrente apresenta como único argumento, as seguintes informações: Fl. 38DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10909.000758/200833 Acórdão n.º 2802001.491 S2TE02 Fl. 597 3 a) que prestava serviços somente de natureza não assalariado; b) que recebeu rendimentos apenas do trabalho não assalariado; c) que não possuía vínculo empregatício com a empresa o qual fez constar da declaração de imposto de renda ano calendário 2004 exercício 2005 como FONTE PAGADORA. A decisão recorrida, por sua vez, considerou que o interessado por dois momentos teve a oportunidade de comprovar os fatos por ele contestado, qual seja, se os rendimentos percebidos são ou não assalariados, e não fez. Argumentou o relator do acórdão recorrido que o interessado não comprova o desempenho de uma atividade relativa à prestação de serviços sem vínculo empregatício; se obteve receitas desta atividade, sequer trouxe documento capaz de elucidar a relação existente com a fonte pagadora dos rendimentos por ele declarados. Logo, no caso dos autos, por total ausência de comprovação de que o contribuinte preenchia os requisitos para ter direito à dedução, deve ser mantida a glosa dos valores deduzidos a título de livro caixa. Ressalvese que o que se discute no presente processo é se o contribuinte tem ou não vínculo empregatício com a fonte pagadora Entende este colegiado que é ônus do lançador a comprovação de que os rendimentos, em questão, são fruto de vínculo empregatício.. Na DIRPF não contém essa informação e não houve investigação para comprovar a existência de vínculo. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Dou provimento ao recurso É como voto, (assinado digitalmente) Dayse Fernandes LeiteRelatora Fl. 39DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 13977.000054/00-35
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995
RESTITUIÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. INCONFORMIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
Incabível a restituição de créditos pretendidos pelo contribuinte quando estes tiverem sido apurados em desacordo com a decisão judicial transitada em julgado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.863
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 27/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995 RESTITUIÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. INCONFORMIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Incabível a restituição de créditos pretendidos pelo contribuinte quando estes tiverem sido apurados em desacordo com a decisão judicial transitada em julgado. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator. EDITADO EM: 27/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
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DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. INCONFORMIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Incabível a restituição de créditos pretendidos pelo contribuinte quando estes tiverem sido apurados em desacordo com a decisão judicial transitada em julgado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 27/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 7. 00 00 54 /0 0- 35 Fl. 373DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13977.000054/0035 Acórdão n.º 3302001.863 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório No dia 25/05/2000 a empresa INDÚSTRIA DE RELÓGIOS HERWEG S/A, já qualificada, ingressou com o pedido de restituição de contribuição para o PIS, reconhecido por sentença judicial transitada em julgado (Ação Declaratória no 96.20.0110612 – TRF4 no 1999.04.01.0406407 e Mandado de Segurança no 99.20033200 – TRF4 no 2000.04.0968532) em 13/03/2000, para a ação declaratória, e 05/03/2001, para o Mandado de Segurança. Nestas ações foi discutido a constitucionalidade dos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88, a decadência do direito de pleitear a restituição e a semestralidade da base de cálculo do PIS. A DRF em Blumenau SC indeferiu o pedido da recorrente, sob a alegação que na execução da sentença judicial não foi apurado crédito a favor da recorrente porque no Mandado de Segurança foi reconhecido a semestralidade, com correção, da base de cálculo do PIS, prevista na Lei Complementar nº 07/70. Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com a manifestação de inconformidade de fls. 90/95, cujos argumentos de defesa estão sintetizados no Relatório do Acórdão recorrido (fls. 150/151). A 1a Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora MG indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 0916.394, de 06/06/2007 – flse. 153/156. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 27/06/2007, conforme AR de fle. 157, e, discordando da mesma, impetrou, no dia 27/07/2007, o recurso voluntário de fls. 159/161, no qual alega que: 1 a questão da semestralidade da base de cálculo do PIS, desde sua criação pelo art. 6o, parágrafo único, da Lei Complementar no 7/70, permaneceu a mesma inalterada até a edição da MP no 1.212/95, não incidindo correção monetária sobre a mesma. Cita jurisprudência do STJ. 2 nos cálculos do Fisco não foi levando em consideração os valores pagos pela recorrente no parcelamento (processo no 13977.000070/9633), objeto do Mandado de Segurança no 99.20033200. Na sessão do dia 05/08/2008, acolhendo proposta da Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, o julgamento foi convertido em diligência à repartição da RFB de origem, nos termos da Resolução nº 20100.761, para as seguintes providências: (a) o contribuinte seja intimado a, no prazo de 30 dias: esclarecer a razão da existência de 3 processos judiciais tratando do mesmo assunto; bem como esclarecer o objeto de cada um destes processos judiciais; apresentar as cópias principais de cada processo (inicial/liminar/sentença/acórdão/trânsito em julgado) e qualquer outra que julgue necessária, de forma ordenada e individualizada por processo (um jogo das peças do primeiro Fl. 374DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13977.000054/0035 Acórdão n.º 3302001.863 S3C3T2 Fl. 4 3 processo, outro jogo com as peças do segundo processo), para fim de evitar confusão entre as decisões. (b) Após apresentados os esclarecimentos e documentos, deverá a autoridade administrativa competente analisar o que foi trazido e elaborar parecer, indicando as seguintes conclusões: qual é a decisão válida/vigente/eficaz e que efetivamente interessa a este julgamento; por meio desta decisão, a interpretação desta decisão, enseja a existência do crédito pleiteado? (c) o contribuinte deverá ser intimado para se manifestar acerca do parecer elaborado pela fiscalização no prazo de 30 dias, a qual será juntada aos autos para envio a este Egrégio Conselho de Contribuintes Atendendo ao solicitado na diligência, foi coletado as informações e emitido o Parecer Fiscal/BLU/EAC1 nº 276/2011, com as seguintes respostas aos quesitos formulados: Resposta ao item “a” da Resolução: Cientificada então a pessoa jurídica do referido ato expedido pela autoridade julgadora, por intermédio de intimação recebida, promoveu a entrega dos documentos requeridos, apresentando os esclarecimentos pertinentes as ações judiciais questionadas, fls. 170171, e cópias documentais das principais peças dos autos, contidos às fls. 172199 (Volume I) e fls. 202 249 (Volume II). Resposta ao item “b” da Resolução: A decisão válida que efetivamente interessa este julgamento está adstrita ao provimento judicial concedido no mandado de segurança n° 99.20.033200, com trânsito em julgado em 05/03/2001, onde foi determinado que, na apuração da contribuição PIS pela Lei Complementar n° 7/70, em substituição aos DecretosLeis n°s 2.445/88 e 2.449/88, tornados inconstitucionais, a partir da base de cálculo representada pelo faturamento do sexto mês anterior, caberia a correção monetária dos valores devidos, desde sua ocorrência até seu vencimento; Diante da decisão proferida em juízo nos autos n° 99.20.03320 0, os cálculos de apuração de eventual direito creditório foram aqueles implementados pelo fisco nesta DRF, através dos demonstrativos e análise realizada em 04/12/2001, de acordo com os documentos de fls. n°s 4383, demonstrando a existência de débitos da contribuição PIS em períodos que o contribuinte pleiteou créditos, e portanto, não sendo determinado quaisquer saldos de pagamentos remanescentes Resposta ao item “c” da Resolução: Fl. 375DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13977.000054/0035 Acórdão n.º 3302001.863 S3C3T2 Fl. 5 4 À Recorrente foi dado ciência do parecer supracitado e manifestouse às fls e. 356/360, defendo a existência do crédito pleiteado. Merece destaque, ainda, a seguinte conclusão da diligência: Das conclusões estabelecidas, para atender as indagações propostas pelo Conselho de Contribuintes perante a Resolução nº 20100.761, fl. 163, no que diz respeito aos autos judiciais sob diligência, conforme abordado, esclarecemos ter o fisco procedido corretamente na análise pretérita do direito creditório do interessado, em 04/12/2001, fls. 4383, constatando a inexistência de saldos de pagamentos, tendo em vista a ineficácia do provimento judicial na apuração de crédito, considerando a ausência de discussão do indébito do PIS baseado no regime da semestralidade através da ação ordinária n° 96.20.010612, e a decisão transitada em julgado no mandado de segurança n° 99.20.033200, a partir de 05/03/2001, que apesar de tornar aplicável a utilização da base de cálculo relativa ao faturamento do sexto mês anterior, na determinação da contribuição PIS pela Lei Complementar n° 7/70, estabeleceu a correção monetária do valor devido, desde sua ocorrência até seu vencimento, não resultando assim em recolhimentos realizados a maior pelos DecretosLeis n°s 2.445/88 e 2.449/88. Há ainda que se ponderar o fato do pedido de restituição já ter sido apreciado no âmbito administrativo, por intermédio do processo n° 13977.000148/9891, segundo anteriormente relatado, encontrandose indeferido em todas as instâncias administrativas de julgamento, fls. 252267, em atenção ao provimento estabelecido com o trânsito em julgado do mandado de segurança n° 99.20.033200. (grifei). O processo retornou ao CARF e, no dia 12/03/2012, foi movimentado para a Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas tomar ciência do resultado da diligência e, no dia 11/06/2012, foi distribuído ao Conselheiro Walber José da Silva, para relatar. É o Relatório do essencial. Voto Conselheiro Walber José da Silva, Relator. O julgamento do recurso voluntário teve início na sessão do dia 05/08/2008, quando foi convertido em diligência, nos termos da Resolução nº 20100.761. Como relatado, a empresa está pleiteando a execução de duas sentenças judiciais com trânsito em julgado que declararam a inconstitucionalidade dos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88 e reconhecera o direito de a recorrente haver o que pagou a maior. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13977.000054/0035 Acórdão n.º 3302001.863 S3C3T2 Fl. 6 5 Na Ação Declaratória no 96.20.0110612 (TRF4 no 1999.04.01.0406407), cujo trânsito em julgado ocorreu em 13/03/2000, foi negado a semestralidade da base de cálculo do PIS, determinando o tribunal que o valor devido deveria ser calculado de acordo com a Lei no 7.691/88. Mandado de Segurança no 99.20033200 (TRF4 no 2000.04.0968532), cujo trânsito em julgado correu em 05/03/2001, foi reconhecido a semestralidade da base de cálculo do PIS, porém corrigida monetariamente a partir da Lei no 7.691/88. Antes de adentrar no mérito da lide, merece destaque um fato desconhecido deste Conselheiro Relator, trazido no Parecer Fiscal da diligência. Refirome ao fato da matéria objeto do litígio já ter sido apreciada e decidida por este Colegiado ao julgar o Recurso Voluntário do Processo nº 13977.000148/9891, cujo relator foi o eminente Conselheiro Gileno Gurjão Barreto, tendo o Colegiado, por unanimidade de votos, negado provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão nº 20180.192, de 28/03/2007, acostado aos autos às fls. 271/277, cuja menta abaixo se transcreve: PIS/PASEP. COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE. A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. Recurso negado Quando do julgamento do referido recurso, acompanhei o voto do Ilustre Conselheiro Relator. No presente recurso, cuja matéria litigiosa é a mesma, não pode ser outra a decisão do Colegiado, razão pela qual adoto integralmente o voto condutor do referido Acórdão nº 20180.192, da lavra do Ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto, que peço licença para reproduzir integralmente. E o faço a seguir. Quanto aos pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário, temse que a pretensão recursal é tempestiva e que não se faz necessário o arrolamento de bens. Assim, por ser admissível, passo a apreciar o recurso voluntário. De pronto, vejo que não merece reforma a decisão recorrida, pelas razões que a seguir serão expostas. Além disso, como a recorrente repetiu, no seu recurso voluntário, a íntegra de sua manifestação de inconformidade, não vejo objeção em reprisar a quase totalidade das palavras e dos argumentos apresentados pela decisão da DRJ, visto que estão fundamentadas e de acordo com o meu entendimento acerca dos fatos evidenciados nos autos. Senão vejamos. A contribuinte defende a não incidência de correção monetária no período compreendido entre a data do faturamento (base de cálculo) e a data da ocorrência do fato. gerador (sexto mês após o mês da base de cálculo). Explica que a sentença decorrente do pedido inicial no Mandado de Segurança nº 99020033200 é inaplicável por ser extra perita. Expõe que o pedido inicial tem como único objeto a compensação do saldo devedor existente no parcelamento de débitos de PIS (Processo Administrativo nº Fl. 377DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13977.000054/0035 Acórdão n.º 3302001.863 S3C3T2 Fl. 7 6 13977.000000/9633) com eventual crédito da mesma contribuição, resultante da aplicação da sentença proferida no Processo Judicial nº 96.01061122, em virtude da inconstitucionalidade dos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88. Primeiramente, verificase que a contribuinte não traz aos autos qualquer documento relacionado com o Processo Judicial nº 96.01061122, do qual alega tratar da inconstitucionalidade dos DecretosLeis nºs 2.445188 e 2.449188 e, portanto, da apuração de eventual crédito de PIS a favor da contribuinte. Assim, importante esclarecer que pouco pode este Conselho se pronunciar em relação à afirmação da contribuinte. Se o Acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, às folhas 23/32, extrapolou os limites da petição inicial do mandado de segurança, competia à contribuinte recorrer do referido Acórdão, mediante embargos de declaração ou mesmo de recurso à instância superior, a fim de demonstrar que a sentença se mostrou extra petita ou que em favor da contribuinte havia outra decisão judicial sobre o mesmo assunto, em outra ação ajuizada (o tal Processo nº 96010061122). A reforma do Acórdão somente poderia ser promovida pela própria contribuinte, em juízo. Em sede administrativa, nada se pode fazer. O fato é que nos autos existe inequivocamente uma decisão judicial transitada em julgado que se pronuncia acerca da forma de apuração do crédito de PIS. E não há dúvidas de que as decisões judiciais têm força de lei entre as partes envolvidas. Neste sentido o pedido da interessada contraria a própria decisão judicial, exatamente no tocante à correção monetária da base de cálculo, como se vê pelo trecho do voto da relatora (fls. 28/29): "g) Da Correção Monetária da Base de Cálculo do PIS [...] a 1° Seção desta Corte firmou entendimento de que é cabível a correção monetária da base de cálculo do PIS a partir da Lei n° 7.691/88. [...]". A Fiscalização, portanto, procedeu corretamente ao corrigir a base de cálculo do PIS, conforme planilhas de folhas 34/37, para fins de apuração de eventual crédito a favor da contribuinte, em atendimento à decisão judicial. Da mesma forma, mostrase equivocada a argumentação da interessada acerca da incorreta correção da base de cálculo por um período superior a cinco meses ou da duplicidade de indexação da contribuição ao PIS. Tais matérias foram definitivamente apreciadas no voto proferido no acórdão judicial. Não prevalece também a argumentação de que a mudança da base de cálculo não provoca alteração no valor total do PIS. Isso porque, ao alterar a base de cálculo de qualquer tributo, alterase, ou para mais ou para menos, o valor do tributo devido. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13977.000054/0035 Acórdão n.º 3302001.863 S3C3T2 Fl. 8 7 Além disso, ao longo de seu recurso voluntário, a contribuinte se insurge contra a suposta constituição de crédito a favor da Fazenda Pública, decorrente da apuração efetuada pela autoridade fiscal, às folhas 38/72, ao apreciar os pedidos de restituição/compensação. Entretanto, não há nos autos qualquer menção da autoridade fiscal a lançamento ou constituição de crédito tributário a favor da Fazenda Pública. A simples afirmativa de que os "relatórios e demonstrativos do aplicativo CAD demonstram a existência de débitos do PIS no período em que o contribuinte pleiteia créditos" (fl. 73) não tem força, por si só, para constituir o crédito tributário. Se fosse o caso, caberia à Fiscalização formalizar o crédito tributário mediante lançamento, em processo administrativo próprio (como afirma a interessada). Deste modo, qualquer argumentação acerca de possível constituição de crédito tributário, tais como, decadência e prescrição, utilização da TRD ou taxa Selic para corrigir débitos fiscais ou, forma de correção dos débitos, está fora dos limites deste processo administrativo. A argumentação da contribuinte de que o demonstrativo preparado pela Fiscalização é ininteligível não procede. Tal demonstrativo de atualização de base de cálculo do PIS (LC 7/70): base de cálculo de 06 (seis) meses anteriores com correção monetária, ás fls. 34/37 tem como finalidade adequar as bases de cálculo apresentadas pela contribuinte às folhas 12/13 à decisão judicial. No Demonstrativo de Apuração do Débito de PIS, às fls. 38/40, resta claro que a autoridade fiscal procedeu à apuração dos débitos de PIS, no período de março de 1989 a fevereiro de 1996, de acordo com as bases de cálculo apuradas nas planilhas de fls. 34/37. Da mesma forma, evidente está que a Listagem de Débitos, às folhas 41/44, apenas repetem os valores dos débitos anteriormente apurados no Demonstrativo de Apuração do Débito de PIS (fls. 38/40). A Listagem de Pagamentos, às fls. 45/47, relaciona os pagamentos efetuados pela contribuinte entre junho de 1989 e junho de 1995. Por, conseguinte, verificase que no Demonstrativo de Imputação Débitos Apurados x Pagamentos a autoridade lançadora efetua a imputação dos débitos apurados com os pagamentos, ou seja, atribui a cada débito apurado o respectivo pagamento e, restando débito em aberto, atribui a ele os pagamentos a maior efetuados. Deste procedimento de imputação poderia restar pagamentos a maior, configurando crédito a favor da contribuinte ou, como no caso presente, débitos em aberto, em virtude de os pagamentos efetuados terem sido a menor. Ademais, mesmo que a contribuinte desconhecesse a metodologia da compensação, assim mesmo poderia apresentar os seus próprios cálculos, de acordo com a decisão judicial Fl. 379DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13977.000054/0035 Acórdão n.º 3302001.863 S3C3T2 Fl. 9 8 proferida, anexando seus cálculos para que se pudesse efetivamente instaurar litígio entre os valores apresentados pelo Fisco e os por ele apresentados, o que não foi feito. Preferiu simplesmente afirmar a incompreensão do demonstrativo. Outro ponto levantado pela recorrente referese à afirmativa da autoridade fiscal, à fl. 73, que tem como objetivo o ajuste do parcelamento de acordo com os débitos apurados. Ora, justamente porque a apuração realizada pela autoridade fiscal, às fls. 34/72, abrange períodos objetos de parcelamento é que a autoridade a quo indica o encaminhamento do resultado da apuração ao processo de parcelamento, a fim de se verificar a existência ou não de débitos naquele processo. Em atendimento à decisão judicial, a utilização da base de cálculo do sexto mês anterior, com correção monetária, apesar de não resultar em crédito de PIS a favor da contribuinte, poderia ter diminuído o montante dos débitos de PIS que foram objeto do parcelamento. Esta foi claramente a intenção da autoridade fiscal e não, como deduz equivocadamente a contribuinte, a cobrança de débitos de PIS não parcelados. Por fim, a contribuinte afirma que a sentença judicial não determinou que se apurasse eventual diferença por conta da exclusão do ICMS em algumas bases de cálculo, não podendo a autoridade fiscal fazêlo. Além disso, afirma que as parcelas pagas a menor pela exclusão do ICMS da base de cálculo não poderiam elevar significativamente o crédito tributário. Em análise ao procedimento fiscal de verificação de eventual crédito tributário, verificase que, diferente do que afirma a contribuinte, não há qualquer menção da autoridade fiscal acerca da inclusão do ICMS não considerado pela interessada na base de cálculo do PIS, no período de apuração de março de 1989 a fevereiro de 1996. Na confecção da planilha de atualização de base de cálculo do PIS, elaborada de acordo com determinação judicial, a autoridade fiscal tãosomente utilizou as bases de cálculo informadas no demonstrativo, às fls. 12/13, apresentadas pela própria contribuinte, quando do pedido de restituição/compensação. Adicionalmente aos fundamentos acima, devo acrescentar que os documentos da Ação Ordinária nº 96.20010612, acostados aos autos, serviram para corroborar o voto do Ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto, acima reproduzido, posto que provam que na referida ação não foi reconhecido o direito à chamada semestralidade da base de cálculo do PIS, sem correção, prevalecendo, quando a esta matéria (semestralidade) o que foi decidido no Mandado de Segurança nº 9920033200, como bem disse a autoridade responsável pela realização da diligência, em resposta ao quesito formulado. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13977.000054/0035 Acórdão n.º 3302001.863 S3C3T2 Fl. 10 9 No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10384.722640/2011-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2007 a 31/01/2011
PEDIDO JUDICIAL DE COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA SENTENÇA QUE CONCEDEU O DIREITO AO SUJEITO PASSIVO.
O sujeito passivo somente pode se compensar de créditos concedidos em sentença judicial, após o trânsito em julgado desta.
SENTENÇA JUDICIAL RECORRÍVEL AFASTANDO A EXIGÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOBRE DETERMINADAS PARCELAS. IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA DE CONTRIBUIÇÕES APENAS SOBRE A PARCELAS TIDAS PELO JUDICIÁRIO COMO ILEGAIS. POSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO DE VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE.
Estando o fisco diante de decisão judicial que afastou a incidência de tributária sobre determinadas verbas, não pode cobrar as contribuições tidas como ilegais pelo Judiciário, no entanto, tem a Fazenda a possibilidade de lançar contribuições indevidamente compensadas.
COMPENSAÇÃO. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO AO CONTRIBUINTE. PRERROGATIVA DO FISCO DE VERIFICAR A REGULARIDADE DO PROCEDIMENTO. LANÇAMENTO DE VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE.
Os contribuintes têm a prerrogativa de efetuarem a compensação de valores indevidamente recolhidos, independentemente de autorização, todavia, o fisco deve verificar a correção do procedimento e lançar os valores que tenham sido compensados irregularmente.
MULTA ISOLADA. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DE FRAUDE NO PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE.
Inaplicável a multa isolada de 150% nos casos em que o fisco fundamente a sua imposição apenas na incorreta declaração da GFIP, mormente quando o sujeito passivo detinha decisão judicial que autorizava a compensação após o seu trânsito em julgado.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-002.866
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) afastar as preliminares de nulidade; e II) mérito, dar provimento parcial ao recurso para que seja excluída a multa isolada.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2007 a 31/01/2011 PEDIDO JUDICIAL DE COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA SENTENÇA QUE CONCEDEU O DIREITO AO SUJEITO PASSIVO. O sujeito passivo somente pode se compensar de créditos concedidos em sentença judicial, após o trânsito em julgado desta. SENTENÇA JUDICIAL RECORRÍVEL AFASTANDO A EXIGÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOBRE DETERMINADAS PARCELAS. IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA DE CONTRIBUIÇÕES APENAS SOBRE A PARCELAS TIDAS PELO JUDICIÁRIO COMO ILEGAIS. POSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO DE VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. Estando o fisco diante de decisão judicial que afastou a incidência de tributária sobre determinadas verbas, não pode cobrar as contribuições tidas como ilegais pelo Judiciário, no entanto, tem a Fazenda a possibilidade de lançar contribuições indevidamente compensadas. COMPENSAÇÃO. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO AO CONTRIBUINTE. PRERROGATIVA DO FISCO DE VERIFICAR A REGULARIDADE DO PROCEDIMENTO. LANÇAMENTO DE VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. Os contribuintes têm a prerrogativa de efetuarem a compensação de valores indevidamente recolhidos, independentemente de autorização, todavia, o fisco deve verificar a correção do procedimento e lançar os valores que tenham sido compensados irregularmente. MULTA ISOLADA. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DE FRAUDE NO PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE. Inaplicável a multa isolada de 150% nos casos em que o fisco fundamente a sua imposição apenas na incorreta declaração da GFIP, mormente quando o sujeito passivo detinha decisão judicial que autorizava a compensação após o seu trânsito em julgado. Recurso Voluntário Provido em Parte
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FALTA DE CUMPRIMENTO DAS EXIGÊNCIAS LEGAIS. INDEFERIMENTO. Será indeferido o pedido de perícia formulado sem que sejam mencionados os quesitos acerca da matéria controvertida e indicado o perito. JUNTADA DE DOCUMENTOS APÓS O PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE HIPÓTESES PREVISTAS NA LEGISLAÇÃO. INDEFERIMENTO. Serão indeferidos os pedidos para apresentação de provas após o prazo para impugnação, quando não comprovada a ocorrência de hipótese normativa que faculte tal permissão. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2007 a 31/01/2011 PEDIDO JUDICIAL DE COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA SENTENÇA QUE CONCEDEU O DIREITO AO SUJEITO PASSIVO. O sujeito passivo somente pode se compensar de créditos concedidos em sentença judicial, após o trânsito em julgado desta. SENTENÇA JUDICIAL RECORRÍVEL AFASTANDO A EXIGÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOBRE DETERMINADAS PARCELAS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 72 26 40 /2 01 1- 21 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA DE CONTRIBUIÇÕES APENAS SOBRE A PARCELAS TIDAS PELO JUDICIÁRIO COMO ILEGAIS. POSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO DE VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. Estando o fisco diante de decisão judicial que afastou a incidência de tributária sobre determinadas verbas, não pode cobrar as contribuições tidas como ilegais pelo Judiciário, no entanto, tem a Fazenda a possibilidade de lançar contribuições indevidamente compensadas. COMPENSAÇÃO. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO AO CONTRIBUINTE. PRERROGATIVA DO FISCO DE VERIFICAR A REGULARIDADE DO PROCEDIMENTO. LANÇAMENTO DE VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. Os contribuintes têm a prerrogativa de efetuarem a compensação de valores indevidamente recolhidos, independentemente de autorização, todavia, o fisco deve verificar a correção do procedimento e lançar os valores que tenham sido compensados irregularmente. MULTA ISOLADA. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DE FRAUDE NO PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE. Inaplicável a multa isolada de 150% nos casos em que o fisco fundamente a sua imposição apenas na incorreta declaração da GFIP, mormente quando o sujeito passivo detinha decisão judicial que autorizava a compensação após o seu trânsito em julgado. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) afastar as preliminares de nulidade; e II) mérito, dar provimento parcial ao recurso para que seja excluída a multa isolada. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10384.722640/201121 Acórdão n.º 2401002.866 S2C4T1 Fl. 177 3 Relatório Insurgiuse o sujeito passivo contra o Acórdão n.º 0823.325 de lavra da 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil – DRJ em Fortaleza (CE), que julgou improcedente a impugnação apresentada contra o Auto de Infração – AI n.º 51.010.0244. O crédito em questão decorreu de glosas de valores que, segundo o fisco, foram indevidamente compensados, os quais foram declarados na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP. A Autoridade Fiscal afirmou que o sujeito passivo impetrou, em 01/10/2009, o Mandado de Segurança – MS n.º 2009.40.00.0065457, com pedido de compensação das contribuições previdenciárias recolhidas nos dez anos anteriores, incidentes sobre salário maternidade; férias gozadas, remuneração nos primeiros quinze dias de afastamento do empregado por motivo de doença ou acidente, bem como requerendo a declaração de inexigibilidade das contribuições. Afirmase ainda que a decisão de primeira instância no referido MS, proferida em 15/10/2010, acatou em parte o pedido do sujeito passivo, reconhecendo a ilegalidade da exigência de contribuições sobre os primeiros quinze dias do afastamento por motivo de doença e sobre o terço constitucional de férias, todavia, determinou que a compensação dos valores indevidamente recolhidos somente poderia se dar após o trânsito em julgado da sentença. Conclui o fisco que o procedimento compensatório foi irregular, posto que desobedeceu os termos da sentença acima referida, devendo ser aplicada, além dos acréscimos sobre o crédito originário, multa isolada no patamar de 150%, conforme preceitua o § 10 do art. 89 da Lei n.º 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP n.º 449/2008, posteriormente convertido na Lei n.º 11.941/2009. Foi lavrada representação fiscal para fins penais, segundo o fisco, pelo fato da empresa intencionalmente não haver retificado as suas guias declaratórias, mesmo tendo conhecimento da sentença exarada no MS por ela impetrado. Em seu recurso a autuada, em apertada síntese, alegou que: a) o indeferimento do pedido de produção de prova pericial pelo órgão recorrido, sem a devida motivação, atropelou seu direito de defesa, por isso a decisão da DRJ deve ser anulada; b) não pode a administração tributária proibir o recorrente de apresentar, em qualquer fase do processo administrativo, documentos supervenientes à apresentação da defesa, sob pena de ferir a garantia constitucional à ampla defesa e ao contraditório; c) tendo o judiciário reconhecido a inexigibilidade das contribuições incidentes sobre o terço de férias e sobre a remuneração nos quinze dias de afastamento por motivo de doença, a empresa não necessitaria de autorização judicial ou administrativa para se Fl. 178DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 compensar dos valores indevidamente recolhidos, com fulcro no art. 66 da Lei n.º 8.383/1991 c/c o art. 74 da Lei n.º 9.430/1996; d) recorreu ao judiciário não para obter autorização para se compensar, mas para não sofrer retaliações por parte da Fazenda Pública; e) apresenta texto doutrinário e decisão judicial que acolhem o entendimento de que não deve se condicionar a compensação ao trânsito em julgado da decisão judicial que reconhece os créditos do contribuinte; f) conforme o CTN, os créditos lançados encontramse com a exigibilidade suspensa, posto que a empresa possui decisão favorável em mandado de segurança; g) são ilegais e inconstitucionais as exigências de contribuições sobre parcelas que não representam contraprestação pelo trabalho, como é o caso do salário maternidade, férias gozadas e seu adicional e remuneração nos primeiros quinze dias de afastamento do empregado por motivo de doença; h) considerando que foi reaberta no STJ a discussão sobre incidência de contribuições previdenciárias patronais sobre férias gozadas, devese suspender a exigibilidade das referidas contribuições até que o STJ se pronuncie definitivamente sobre o tema; i) a imposição de multa isolada no patamar de 150% fere os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, além de que não se comprovou a ocorrência de fraude do contribuinte, devendo ser excluída essa parcela do crédito tributário. Ao final, pede a reforma da decisão recorrida, com declaração de improcedência do lançamento. É o relatório. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10384.722640/201121 Acórdão n.º 2401002.866 S2C4T1 Fl. 178 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Indeferimento da perícia A recorrente acusa cerceamento ao seu direito de defesa, ocasionado pela negativa de produção de prova pericial pela DRJ, supostamente sem a devida motivação. Não deve ser acatada essa alegação. É que o órgão de primeira instância justificou o indeferimento da perícia requerida pela empresa na falta de cumprimento de requisitos legais, conforme se vê de excerto do voto condutor do acórdão: “Quanto ao pedido de perícia, para seu deferimento, devem estar presentes os requisitos previstos no Decreto 70.235/72: Art. 16. (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993). Impossível o acolhimento do pedido de perícia, uma vez que não satisfeitos os requisitos previstos no art. 16 do Decreto 70.235/72, quais sejam, a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados e a indicação do nome, endereço e qualificação profissional do seu perito.” Como se vê o órgão recorrido não deixou sem resposta o pedido de perícia formulado pelo sujeito passivo, motivando a sua negativa em falta de cumprimento de requisito legal, o qual foi transcrito na decisão. Afastase, assim essa causa de nulidade do acórdão recorrido. Juntada posterior de documentos Conforme o art. 15 do Decreto n.º 70.235/1972, somente é admitida a juntada de provas após a impugnação quando reste comprovada alguma das hipóteses listadas nas alíneas do seu § 4.º . Vejamos o dispositivo: Fl. 180DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Obedecendo aos comandos acima, a DRJ manifestouse contrariamente à produção de provas após a defesa, posto que, naquele momento, a recorrente não apresentou qualquer justificativa para seu pleito. Mas tal questão não ficou fechada, uma vez que dispondo a empresa de documento novo que se enquadrasse nas hipóteses normativas acima transcritas, a juntada posterior seria obrigatoriamente deferida. Portanto, o alegado cerceamento ao direito de defesa do sujeito passivo não ocorreu, afastandose mais essa preliminar de nulidade. Compensação A motivação exposta pelo fisco para glosar os valores compensados pelo sujeito passivo relativos à contribuições sobre saláriomaternidade, remuneração nos primeiros quinze dias de afastamento por motivo de doença, férias e o terço constitucional de férias foi o fato da sentença proferida no bojo do MS n.º 2009.40.00.0065457, malgrado tenha reconhecido a inexigibilidade da exigência sobre a parcela paga pela empresa durante o afastamento por doença e sobre o terço de férias, condicionou a compensação dos valores ao trânsito em julgado da sentença. Vêse que a decisão inicial do judiciário está em total consonância com os ditames do art. 170A do Código Tributário Nacional, assim redigido: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.(Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Como se percebe, não pode ser acatado o argumento de que havia decisão judicial autorizando a compensação das mencionadas quantias, descabendo assim a alegação da Fl. 181DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10384.722640/201121 Acórdão n.º 2401002.866 S2C4T1 Fl. 179 7 empresa de que o fisco teria desconsiderado determinação do Poder Judiciário, haja vista que este não concedeu o direito à compensação de imediado. A recorrente afirma ainda que o fisco não poderia lançar os créditos, posto que a sua exigibilidade estaria suspensa por força da sentença proferida em sede de mandado de segurança. Essa afirmação também não merece acolhida. É que embora o Judiciário tenha reconhecido a inexigibilidade das contribuições incidentes sobre os primeiros quinze dias de afastamento e sobre o terço de férias, o crédito não foi constituído sobre essas parcelas, mas sobre valores compensados indevidamente, conforme demonstrado acima, os quais não se referiam apenas a contribuições sobre as verbas acima, mas também sobre saláriomaternidade e férias gozadas. De se concluir que o fisco, a partir da sentença proferida pelo Judiciário parcialmente em favor da recorrente, não poderia exigir contribuições sobre as parcelas tidas como ilegais, todavia, não estaria impedido de exigir parcelas indevidamente compensadas pela empresa. Outra questão trazida pelo sujeito passivo é que buscou a tutela do Judiciário não para efetuar a compensação, mas para evitar que o fisco viesse a aplicarlhe sanção pelo fato de ter se compensado de valores recolhidos indevidamente. Afirma que a legislação não exige autorização administrativa ou judicial para que os contribuintes efetuem encontro de contas com a Fazenda. Advoga que não poderia o fisco efetuar as glosas, uma vez que a empresa se compensou dos valores indevidos que recolheu, com amparo art. 66 da lei nº 8.383/1991, c/c art. 74 da Lei nº 9.430/1996. De fato, os contribuintes, tendo efetuado recolhido contribuições indevidas, têm a faculdade de se compensarem destes valores com tributos de mesma natureza, vencidos e vincendos. Todavia, para os tributos submetidos à sistemática do lançamento por homologação, tem o fisco a prerrogativa de, no prazo decadencial, analisar o procedimento compensatório e efetuar a homologação, caso conclua pela sua justeza, ou exigir os tributos que tenham sido compensados ao arrepio da lei. No caso sob enfoque, o fisco, ao verificar que o contribuinte utilizou para compensação créditos decorrentes de sentença judicial sem caráter de definitividade, em afronta ao que determinava a própria decisão, glosou os valores e está a exigir a quantia compensada indevidamente. Assim, embora a norma faculte ao sujeito passivo a possibilidade de compensação, cabe ao fisco verificar se esta se deu nos moldes autorizados pela legislação. Utilizou o fisco exatamente do seu poderdever de analisar o procedimento compensatório e, ao se deparar com o irregular encontro de contas, lançou os valores incorretamente compensados. Concluise, assim, que a glosa dos valores compensados indevidamente está em sintonia com as normas que regem a matéria, sendo descabido o inconformismo da recorrente. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Multa isolada Sobre a aplicação da multa isolada, no patamar de 150%, assim se pronunciou a Autoridade Fiscal: “7. A aplicação da multa isolada em dobro tem por fundamento a falsidade das informações das compensações declaradas em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, considerando como competência para o lançamento o mês de envio das mesmas, vez que ao contribuinte, em nenhum momento, foi assegurado o direito a efetuar referidas compensações antes do trânsito em julgado da sentença”. Alega a empresa que a multa isolada é exorbitante, ferindo os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, além de que somente poderia ser aplicada caso o fisco comprovasse a ocorrência de fraude, o que não ocorreu. Vejamos o dispositivo da Lei n.º 8.212/1991 em que se baseou o fisco para aplicação da multa isolada: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Observase que a aplicação da multa isolada é condicionada a comprovação de falsidade na declaração prestada pelo contribuinte. Na situação sob análise, não há como negar que o sujeito passivo declarou valores a compensar que, embora tivessem sido reconhecidos em sentença judicial, não poderiam ser objeto de procedimento compensatório até o transito em julgado da decisão do Judiciário. Verificase, assim, que o processo não trata de compensação de créditos inexistentes ou mesmo objeto de fraude, mas de valores que, até o implemento de determinada condição, não poderiam ser utilizados para encontro de contas com a Fazenda. Para que restasse caracterizada a falsidade mencionada no § 10 do art. 89, entendo que deveria ser comprovada a fraude, conceituada no art. 72 da Lei n.º 4.502/1964, verbis: Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10384.722640/201121 Acórdão n.º 2401002.866 S2C4T1 Fl. 180 9 O fisco tenta caracterizar a fraude sob a alegação de que a empresa, mesmo tomando ciência do teor da decisão que condicionava a compensação ao seu trânsito em julgado, utilizou os créditos. Entendemos, todavia, que a compensação com base em sentença judicial sem caráter de definitividade deve ser punida com a imposição dos acréscimos legais, jamais ser tratada como falsificação, com aplicação de multa isolada no patamar de 150%. Diante do exposto, entendo que deva ser afastada a multa isolada, por falta de caracterização de conduta fraudulenta. Discussão judicial – renúncia às instâncias administrativas Sobre da incidência de contribuições sobre férias, terço constitucional de férias, saláriomaternidade e remuneração nos primeiros quinze dias de afastamento abstenho me de lançar pronunciamento, uma vez que é matéria que já está sendo discutida no âmbito do Poder Judiciário no bojo do mesmo MS em que se pleiteia a compensação. Adoto esse proceder com esteio na súmula n.º 1 do CARF, verbis: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Portanto, ao ingressar no judiciário para discutir as mencionadas matérias, o sujeito passivo renunciou ao direito de vêlas apreciadas nas instâncias administrativas. Conclusão Voto por afastar as preliminares de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para que seja excluída a multa isolada. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 184DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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