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Numero do processo: 16707.003384/2005-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Devem ser acolhidos os embargos de declaração na parte em que a recorrente demonstra existir, no acórdão, lapso manifesto no tocante ao percentual da multa de ofício.
Numero da decisão: 1201-001.424
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em admitir os embargos apenas na parte que trata da qualificação da multa de ofício e, nesta parte, por unanimidade de votos, acordam em acolher os embargos opostos pela Fazenda Nacional. Vencida a Conselheira Ester Marques que admitia, também, a parte dos embargos que tratava da decadência e, nesta parte, acolhia os embargos da Fazenda.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otavio Oppermann Thome, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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Devem ser acolhidos os embargos de declaração na parte em que a recorrente demonstra existir, no acórdão, lapso manifesto no tocante ao percentual da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em admitir os embargos apenas na parte que trata da qualificação da multa de ofício e, nesta parte, por unanimidade de votos, acordam em acolher os embargos opostos pela Fazenda Nacional. Vencida a Conselheira Ester Marques que admitia, também, a parte dos embargos que tratava da decadência e, nesta parte, acolhia os embargos da Fazenda. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otavio Oppermann Thome, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Tratase de embargos declaratórios opostos pelo Delegado da Receita Federal em Natal RN, contra o acórdão nº 1201001.088, da lavra desta Turma. Os embargos foram opostos com base nos seguintes fundamentos: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 33 84 /2 00 5- 18 Fl. 2687DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16707.003384/200518 Acórdão n.º 1201001.424 S1C2T1 Fl. 3 2 a) existência de lapso manifesto na conclusão do voto condutor, no que toca à multa aplicável aos responsáveis tributários. Alega o embargante que, enquanto na ementa e na parte dispositiva do acórdão consta multa de 150% àquelas pessoas, na conclusão do voto condutor foi apontada multa de 75%; b) existência de erro na contagem do prazo decadencial. Alega a embargante que, tendo em vista a qualificação da multa de ofício e a inexistência de pagamentos, a contagem do prazo decadencial é regida pelo disposto no art. 173 do CTN. E conclui que, como o sujeito passivo foi cientificado do lançamento em 07/12/2005, a Turma equivocouse ao reconhecer a decadência dos créditos tributários do IRPJ e da CSLL do ano de 1999 e dos 1º, 2º e 3º trimestres de 2000, bem como dos créditos tributários do PIS e da Cofins relativos ao período de março de 1999 a novembro de 2000. Realizado o exame de sua admissibilidade, os embargos foram admitidos apenas em relação ao item "a" retro. Quanto ao item "b" entendeuse que suposto erro quanto à determinação da norma aplicável não pode ser sanado pela estreita via dos embargos, daí porque negouse seguimento a esta parte do recurso. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. Relativamente ao percentual da multa de ofício o Relator assim se pronunciou, tendo nesta parte sido acompanhado pela unanimidade dos membros da Turma: DA MULTA DE 225% Quanto à multa de 225%, a mesma está prevista na Lei nº 9.430/96, artigo 44, inciso II e § 2º, da Lei nº. 9430/96. Ademais, a aplicação da multa nesse patamar se deu em razão da identificação e comprovação da fraude (interposição de pessoas laranjas) na empresa autuada, sendo ouvidos os ex detentores das cotas, identificada por meio de perícias a falsidade de assinaturas de transferência de cotas, combinada com o recebimento de valores da Secretaria de Saúde do Estado, omitida pela autuada junto à Receita Federal. Notese que a fiscalização investigou profundamente e identificou o intuito fraudulento da autuada, que sequer apresentou documentos ou informações a respeito dos fatos imputados, seja na fase de fiscalização, seja na fase processual. Portanto, não que se falar em ilegalidade ou exagero da multa que tem previsão legal. Ademais, quanto à sua confiscatoriedade, alegada pelos solidários, cumpre informar que esse E. Tribunal não pode afastar multa por inconstitucionalidade, conforme Súmula nº 2 do CARF. Nestes termos, entendo como correta a aplicação da multa de 225%, apenas em relação à autuada, pois como já dito Fl. 2688DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16707.003384/200518 Acórdão n.º 1201001.424 S1C2T1 Fl. 4 3 anteriormente, pelo fato dos solidários não terem sido intimados à apresentar os documentos solicitados pela fiscalização, não podem ser enquadrados nesse descumprimento e nessa penalidade. Conforme se observa no trecho acima, entendeu a Turma que restou provado o evidente intuito de fraude por parte dos sujeitos passivos. Todavia, quanto aos responsáveis tributários constatou a Turma que não houve intimação para apresentação de documentos, daí porque é de se concluir que apenas em relação a estes afastouse o agravamento da multa, que portanto foi reduzida de 225% para 150%. Tendo em vista todo o exposto, voto por acolher os embargos opostos pela Fazenda Nacional a fim de que, em relação à multa aplicável aos responsáveis tributários, a conclusão do voto vencido do Acórdão nº 1201001.088, de 24/09/2014, a ementa e a respectiva parte dispositiva do acórdão passem a ter a seguinte redação, respectivamente: [Conclusão do voto vencido] Diante do exposto, dou PARCIAL provimento aos Recursos Voluntários, para reconhecer a decadência quanto ao IRPJ e CSLL relativo ao anocalendário de 1999 e os 1º, 2º e 3º trimestres de 2000, bem como em relação ao Pis e Cofins relativo ao período de março de 1999 a novembro de 2000, e para excluir a multa de 225% dos responsáveis solidários, mantendo a multa de 150%, e para reconhecer a não incidência dos juros sobre a multa. No mais, mantendo a incidência dos tributos e a solidariedade dos recorrentes. [Ementa ao acórdão] MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO E AGRAVAMENTO. REDUÇÃO DA MULTA DE 225% PARA 150% PARA OS SOLIDÁRIOS POR AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO NA FISCALIZAÇÃO. A multa qualificada e agravada decorre da existência de fraude e da omissão da contribuinte em não atender as intimações fiscais. A multa de 225% somente deve ser aplicada à autuada, não se estendendo aos solidários, por falta de notificação ou intimação fiscal quanto às informações e documentos exigidos. Em relação a estes a multa deve ser reduzida de 225% para 150%, tendo em vista o evidente intuito de fraude. [Parte dispositiva do acórdão] Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em DAR provimento parcial aos Recursos Voluntários, para: i) preliminarmente, por unanimidade de votos, RECONHECER a decadência quanto ao IRPJ e CSLL relativo ao anocalendário de 1999 e os 1º, 2º e 3º trimestres de 2000, bem como em relação ao Pis e Cofins relativo ao período de março de 1999 a novembro de 2000 e; ii) no mérito: a) por maioria de votos, MANTER a incidência dos Fl. 2689DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16707.003384/200518 Acórdão n.º 1201001.424 S1C2T1 Fl. 5 4 tributos e a solidariedade dos recorrentes, vencido o Conselheiro João Carlos de Lima Júnior que entende pela nulidade do Termo de Solidariedade Passiva, por ser competência da Procuradoria da Fazenda Nacional na fase de execução; b) por unanimidade de votos, REDUZIR a multa aplicável aos responsáveis tributários de 225% para 150% ; e c) por voto de qualidade, RECONHECER a incidência dos juros sobre a multa, vencidos o Relator e os Conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Lima Júnior, e designado para redigir o voto vencedor nessa parte o Conselheiro Marcelo Cuba Netto. (...) (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 2690DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 16832.000014/2010-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - CONTRIBUIÇÃO PARA O SAT/RAT - ATIVIDADE PREPONDERANTE - ENQUADRAMENTO
A atividade econômica principal exercida pelo contribuinte à época dos fatos geradores, conforme a classificação CNAE, deve ser considerada para a correta a apuração das alíquotas de contribuição a cargo da empresa para o financiamento do beneficio concedido em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho - GILRAT.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-003.153
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro EDUARDO DE OLIVEIRA, que negou provimento.
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado).
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - CONTRIBUIÇÃO PARA O SAT/RAT - ATIVIDADE PREPONDERANTE - ENQUADRAMENTO A atividade econômica principal exercida pelo contribuinte à época dos fatos geradores, conforme a classificação CNAE, deve ser considerada para a correta a apuração das alíquotas de contribuição a cargo da empresa para o financiamento do beneficio concedido em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho - GILRAT. Recurso Voluntário Provido
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Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 00 14 /2 01 0- 51 Fl. 239DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro EDUARDO DE OLIVEIRA, que negou provimento. Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Fl. 240DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16832.000014/201051 Acórdão n.º 2202003.153 S2C2T2 Fl. 240 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente contra Acórdão nº 1242.150 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro I RJ I que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.256.2930. O crédito previdenciário se refere a contribuições devidas à Seguridade Social, e não recolhidas, correspondentes a contribuição a cargo da empresa para o financiamento do beneficio concedido em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT. O Relatório Fiscal observa que as contribuições lançadas incidem sobre os valores das remunerações pagas aos segurados empregados e foram apuradas nas folhas de pagamento, sendo que o período do lançamento compreende a competência do décimoterceiro salário de 2005. Em relação ao cálculo da multa, informa o Relatório Fiscal, que foi realizado o comparativo de multas, conforme as alterações advindas da MP 449/2008 convertida na Lei 11.941/2009, com a incidência da mais benéfica ao contribuinte: 11. Em 3 de dezembro de 2008, foi editada a Medida Provisória de n°. 449, publicada no D.O.U. de 4 de dezembro de 2008, convertida na Lei n°. 11.941, de 27 de maio de 2009, publicada no D.O.U. de 28 de maio de 2009. Essa MP mudou a aplicação de multa de obrigação acessória para as contribuições previdenciárias ao alterar a lei 8.212/91. 12. Tendo em vista que .não cabe multa de obrigação acessória decorrente da competência 13/2005, pois a empresa nab era obrigada a entregar a GFIP (Guia para Pagamento do FGTS e .Informação à Previdência Social) para esta competência, utilizamos a multa de mora de 24% para esta competência. O Relatório Fiscal também informa acerca dos outros Autos de Infração lavrados no procedimento fiscal: Auto de infração — DE13CAD N° 37.256.2892 — contribuição previdenciária sobre remuneração dos segurados empregado e contribuinte individual — CONPROT n° 16832.000019/201083; Auto de infração — DEBCAD N'' 37.256.2906 — contribuição de segurado não descontada dos segurados empregado e contribuintes individuais — CONPROT n° 16832.000009/2010 48; Fl. 241DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 Auto de infração — DEBCAD N° 37.256.2914 — contribuição de outras entidades e fundos (terceiros) — CONPROT no 16832.000010/201072; Auto de infração — DEBCAD N° 37.256.2922 — contribuição de segurado descontada dos segurados empregado e contribuintes individuais — CONPROT n° 16832.000012/2010 61; Auto de infração DEBCAD N° 37.256.2930 — contribuição previdenciária sobre remuneração dos segurados empregado do décimo terceiro salário — CONPROT n° 16832.000014/2010 51; Auto de infração — DEBCAD N° 37.256.2949 CFL 30 deixou de elaborar folha de pagamento para •seus segurados contribuintes individuais — CONPROT n° 16832.000017/2010 94; Auto de infração DEBCAD N° 37.256.2957 — CFL 59 — deixou de descontar a contribuição de seus segurados contribuintes individuais e segurados empregados —CONPROT n° 16832.000018/201039; Auto de infração — DEBCAD N° 37.256.2965 — CFL 35 — deixou de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis — CONPROT n° 16832.000015/201003; Auto de infração — DEBCAD N° 37.232.4029 — CFL 78 — omissão de fato gerador na GFIP — legislação posterior a MP 449 — CONPROT n° 16832.000011/201017; Auto de infração — DEBCAD N° 37.265.5696 — CFL 23 — deixou de cumprir o prazo estabelecido pela RFB para apresentação de arquivos em meio magnético — CONPROT no 16832.000016/201040; Auto de infração — DEBCAD N° 37.265.5700 — contribuição previdenciária sobre nota fiscal de cooperativa de trabalho — CONPROT n° 16832.000013/201014; Representação Fiscal para Fins Penais — CONPROT n° 16832.000020/201016. Observase que foi feito o apensamento do presente processo ao processo n° 16832.000019/201083, conforme o Termo de Juntada de Processo às fls.33. O período objeto do auto de infração conforme o Relatório Fiscal é de 12/2005. A Recorrente teve ciência do auto de infração em 13.01.2010, às fls. 01. A Recorrente apresentou Impugnação, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: 2. A interessada interpôs impugnação, As fls. 34/80, alegando em suma que: Fl. 242DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16832.000014/201051 Acórdão n.º 2202003.153 S2C2T2 Fl. 241 5 2.1. a alíquota RAT devida é de 1% e não de 2%, já que sua atividade preponderante é a de Consultoria em Sistemas de Informática — CNAE 72.10.9, conforme demonstram os contratos celebrados com seus clientes bem como Ficha de Breve Relato expedida pela JUCERJA; 2.2. protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, além da juntada ulterior de documentos necessários. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 1242.150 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro I RJ I, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 DIFERENÇA DE RAT. devida a cobrança da diferença de alíquota da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, em razão da atividade econômica principal exercida pela empresa, conforme classificação na tabela CNAE vigente à época dos fatos geradores. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. 0 momento para a produção de provas, no processo administrativo, é juntamente com a impugnação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Vistos, relatados e discutidos, os autos do processo em epígrafe, ACORDAM, por unanimidade de votos, os membros dessa Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro — I, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, em manter o crédito tributário no valor de R$ 6.799,15, acrescidos de juros e multa de mora, a serem calculados no ato do pagamento. INTIMESE a interessada deste Acórdão, para recolher o crédito, no prazo de 30 (trinta) dias, a contar da ciência, ressalvado o direito de interpor recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no mesmo prazo. Inconformada com a decisão de 1ª instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde combate fundamentadamente a decisão de primeira instância e reitera as argumentações deduzidas em sede de Impugnação. (i) Do aferimento da alíquota RAT. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16832.000014/201051 Acórdão n.º 2202003.153 S2C2T2 Fl. 242 7 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES DA AUTUAÇÃO FISCAL Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente contra Acórdão nº 1242.150 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro I RJ I que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.256.2930. O crédito previdenciário se refere a contribuições devidas à Seguridade Social, e não recolhidas, correspondentes a contribuição a cargo da empresa para o financiamento do beneficio concedido em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT. O Relatório Fiscal observa que as contribuições lançadas incidem sobre os valores das remunerações pagas aos segurados empregados e foram apuradas nas folhas de pagamento, sendo que o período do lançamento compreende a competência do décimoterceiro salário de 2005. O Relatório Fiscal também informa, dentre outros Autos de Infração lavrados no procedimento fiscal, o conexo processo principal n° 16832.000019/201083: Auto de infração — DEBCAD N° 37.256.2892 — contribuição previdenciária sobre remuneração dos segurados empregado e contribuinte individual — CONPROT n° 16832.000019/201083; Anotese que a decisão de primeira instância reconheceu a conexão do presente processo com o conexo processo principal n° 16832.000019/201083, observando a necessidade de trâmite conjunto a fim de evitar decisões divergentes: Fl. 245DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 7. Cabe esclarecer que o presente Auto de Infração está sendo julgado em conjunto com o Auto de Infração n° 37.256.2892 (Empresa e SAT), por seus créditos estarem reciprocamente vinculados. Como se trata da primeira instância administrativa, o processo, se impetrado recurso pela empresa, será também apreciado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em conjunto, a fim de se evitar divergência de julgamento. Em consulta ao sistema MF/RFB/PGFN/CARF/eprocesso, em 24.11.2015, , temse que o processo nº 16832.000019/201083 encontrase na fase de distribuição do Recurso Especial no âmbito da 3ª Câmara da 2 ªSeção de Julgamento. DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA Desta forma, considerandose os princípios da celeridade, efetividade e segurança jurídica, surge a prejudicial de se determinar o resultado do julgamento do conexo processo principal, processo administrativo nº 16832.000019/201083, posto que tal processo produz efeitos diretamente no presente processo. DOS DEBATES ACERCA DA DILIGÊNCIA FISCAL Esta Colenda Turma de Julgamento considerou superar a necessidade de Diligência, posto que, em debate oral, o Colegiado deliberou pela continuação do julgamento com fundamento no princípio da celeridade processual. Portanto, em função dos debates ocorridos, passo a me filiar ao posicionamento da maioria. Desta forma, passemos ao exame do Mérito. DO MÉRITO (i) Do aferimento da alíquota RAT. Analisemos. Segundo o Relatório Fiscal, O crédito previdenciário se refere a contribuições devidas à Seguridade Social, e não recolhidas, correspondentes a contribuição a cargo da empresa para o financiamento do beneficio concedido em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT. A controvérsia está centrada na questão da atividade preponderante exercida pela empresa. Por um lado, a AuditoriaFiscal, às fls. 25 do Relatório Fiscal, considera que o objeto social da empresa, conforme o item II do Contrato Social, às fls. 45, é a prestação de serviços na informática: Da empresa Fl. 246DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16832.000014/201051 Acórdão n.º 2202003.153 S2C2T2 Fl. 243 9 5. A empresa, no item II do contrato social, estabelece como objeto social "a prestação de serviços na área de informática, desenvolvimento de sistemas personalizados, consultoria, análise, programação, treinamentos, manutenção de softwares e representação comercial por conta de terceiros e de equipamentos." Deste modo, a AuditoriaFiscal então procedeu ao enquadramento do contribuinte, conforme se depreende do Relatório Discriminativo do Débito DD às fls. 05, no Código CNAE 72.206 desenvolvimento de programas de informática cuja alíquota é de 2%, à época dos fatos geradores. Por outro lado, o contribuinte aduz que está sujeito ao Código CNAE 72.109 consultoria em sistemas de informática cuja alíquota correspondente é de 1%, à época dos fatos geradores. Para tal, o contribuinte juntou em sede de Impugnação cópias de contratos com clientes para fundamentar o enquadramento no Código CNAE 72.109 . Então resta definir qual a atividade preponderante do contribuinte. Entendo que o fundamento pela qual a AuditoriaFiscal utilizou para efetuar o enquadramento do contribuinte no Código CNAE 72.206 desenvolvimento de programas de informática, qual seja, o do objeto social no Contrato Social, também serve como fundamento para o contribuinte, em sentido contrário, afirmar que a sua atividade se amolda à consultoria em informática Código CNAE 72.109, pois o objeto social também relaciona a atividade de consultoria. Vejamos o item II do Contrato Social, às fls. 45: Da empresa 5. A empresa, no item II do contrato social, estabelece como objeto social "a prestação de serviços na área de informática, desenvolvimento de sistemas personalizados, consultoria, análise, programação, treinamentos, manutenção de softwares e representação comercial por conta de terceiros e de equipamentos." Ademais, o contribuinte apresentou cópias de contrato com a Prefeitura Municipal de Salvador (BA) às fls. 50 a 63, em 03.12.2003, na qual a descrição dos serviços às fls. 61, se amolda mais aos serviços de consultoria (Código CNAE 72.109) do que de desenvolvimento de programas (Código CNAE 72.206): Apêndice B Relatórios São exigidos os seguintes produtos: Estrutura 1. Introdução 2. Descrição do Sistema 2.1 Objetivos 2.2 Requisitos 2.3 Diagrama de Contexto 2.4 Diagrama de Classe preliminar 2.5 Modelo de Caso de uso Fl. 247DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 10 preliminar 2.6 Caso de negócio inicial 2.7 Lista prellminar de Risco 3. Proposta de Solução 3.1 Descrição (Diagramas, textos, tabelas que expliquem a solução proposta) 3.2 Modelo de Arquitetura 3.2.1 Integração entre os sistemas 3.2.2 Ambiente Operacional 3.2.3 Tecnologia 3.2.4 Requlsitos 3.3 Restrições 3.4 Benefícios 3.5 Impactos 3.6 Plano de Projeto 3.6.1 Estimativas de Prazos e Recursos 3.6.2 Cronograma do projeto. • Modelo de casos de uso; • Requisitos suplementares; • Caso de negócio revisado; • Protótipo aprovado; • Lista de Risco Revisada; • Diagrama de Estados; • Diagrama de Classe; • Diagrama de Seqüência; • Diagrama de Colaboração • Diagrama de Atividades; • Diagrama de Componentes; • Diagrama de Implantação; • Dicionário de Dados; • Plano de desenvolvimento aprovado; • Manuais do Usuário necessários; • Diagrama de componentes detalhado; • Plano de Implantação; • Cronograma; De mesma forma, o contribuinte apresentou cópias de contrato com a Unisys Brasil Ltda (de 03.07.2003) às fls. 64 a 70, na qual a descrição dos serviços às fls. 70, se amolda mais aos serviços de consultoria (Código CNAE 72.109) do que de desenvolvimento de programas (Código CNAE 72.206): —DESCRIÇÃO DOS SERVIÇOS A SEREM EXECUTADOS E PRAZOS SERVIÇOS DE SUPORTE TÉCNICO A USUÁRIOS E EQUIPAMENTOS DE INFORMÁTICA DA SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DO RIO DE JANEIRO, CONFORME MEMORIAL DESCRITIVO ANEXO A ESTE CONTRATO. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16832.000014/201051 Acórdão n.º 2202003.153 S2C2T2 Fl. 244 11 Outrossim, a AuditoriaFiscal deveria ter fundamentado o entendimento para a caracterização da atividade preponderante do contribuinte no Código CNAE 72.206 desenvolvimento de programas de informática em evidências que comprovassem de fato que esta seria a atividade preponderante. Portanto, entendo que o contribuinte conseguiu fundamentadamente, com base nos contratos de prestação de serviços apresentados em sede de Impugnação, afastar a presunção da AuditoriaFiscal de forma a demonstrar que a sua atividade preponderante se amolda à consultoria em informática Código CNAE 72.109. Demais argumentos. Em função do decidido nos tópicos acima, pelo provimento total ao recurso, por falta de objeto, não iremos apreciar os demais argumentos do Recurso Voluntário. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário para darlhe provimento, reconhecendo que a atividade preponderante do contribuinte se enquadra no Código CNAE 72.109, à época dos fatos geradores. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 249DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 16682.720152/2011-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008
AUSÊNCIA DE RETENÇÃO E/OU RECOLHIMENTO DE IRRF PELA FONTE PAGADORA. EXCLUSÃO DA MULTA PREVISTA PELO ART. 9º DA LEI Nº. 10.426/2002. ALTERAÇÃO PROMIDA PELA LEI Nº. 11.488/2007. A multa isolada prevista no art. 9º da Lei nº. 10.426/2002, com redação dada pela Lei nº. 11.488/2007, deixou de aplicar a multa isolada do inciso II do art. 44 da Lei nº. 9.430/96 aos casos de ausência de retenção de IRRF com posterior pagamento do tributo, por fazer menção expressa ao inciso I deste artigo, que trata somente da multa aplicada ao lançamento de ofício realizado nos casos de ausência de pagamento ou recolhimento, falta de declaração e declaração inexata.
AUSÊNCIA DE RETENÇÃO E/OU RECOLHIMENTO DE IRRF PELA FONTE PAGADORA. EXCLUSÃO DA MULTA PREVISTA PELO ART. 9º DA LEI Nº. 10.426/2002. FATOS GERADORES ANTERIORES À ALTERAÇÃO PROMIDA PELA LEI Nº. 11.488/2007. RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 106, II, a, DO CTN. Para os fatos geradores ocorridos anteriormente a alteração da redação do art. 9º da Lei nº. 10.426/2002, promovida pela Lei nº. 11.488/2007, aplica-se a retroatividade benigna prevista no art. 106, II, a, do Código Tributário Nacional, ante o fato de a referida alteração ter deixado de prever a aplicação da multa isolada do inciso II do art. 44 da Lei nº. 9.430/96.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. COMPETÊNCIA. Conforme Súmula CARF n. 02, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei.
DECADÊNCIA. No caso de lançamento sujeito a homologação, a não antecipação do imposto devido importa no prazo decadencial conforme o art. 173, I do CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-004.071
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos na votação os conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Arlindo da Costa e Silva e Miriam Denise Xavier Lazarini. Redação do voto vencedor a cargo do Conselheiro Carlos Alexandre Tortato.
Maria Cleci Coti Martins - Presidente Substituta e Relatora
Carlos Alexandre Tortato - Redator designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 AUSÊNCIA DE RETENÇÃO E/OU RECOLHIMENTO DE IRRF PELA FONTE PAGADORA. EXCLUSÃO DA MULTA PREVISTA PELO ART. 9º DA LEI Nº. 10.426/2002. ALTERAÇÃO PROMIDA PELA LEI Nº. 11.488/2007. A multa isolada prevista no art. 9º da Lei nº. 10.426/2002, com redação dada pela Lei nº. 11.488/2007, deixou de aplicar a multa isolada do inciso II do art. 44 da Lei nº. 9.430/96 aos casos de ausência de retenção de IRRF com posterior pagamento do tributo, por fazer menção expressa ao inciso I deste artigo, que trata somente da multa aplicada ao lançamento de ofício realizado nos casos de ausência de pagamento ou recolhimento, falta de declaração e declaração inexata. AUSÊNCIA DE RETENÇÃO E/OU RECOLHIMENTO DE IRRF PELA FONTE PAGADORA. EXCLUSÃO DA MULTA PREVISTA PELO ART. 9º DA LEI Nº. 10.426/2002. FATOS GERADORES ANTERIORES À ALTERAÇÃO PROMIDA PELA LEI Nº. 11.488/2007. RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 106, II, a, DO CTN. Para os fatos geradores ocorridos anteriormente a alteração da redação do art. 9º da Lei nº. 10.426/2002, promovida pela Lei nº. 11.488/2007, aplica-se a retroatividade benigna prevista no art. 106, II, a, do Código Tributário Nacional, ante o fato de a referida alteração ter deixado de prever a aplicação da multa isolada do inciso II do art. 44 da Lei nº. 9.430/96. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. COMPETÊNCIA. Conforme Súmula CARF n. 02, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei. DECADÊNCIA. No caso de lançamento sujeito a homologação, a não antecipação do imposto devido importa no prazo decadencial conforme o art. 173, I do CTN. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos na votação os conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Arlindo da Costa e Silva e Miriam Denise Xavier Lazarini. Redação do voto vencedor a cargo do Conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Maria Cleci Coti Martins - Presidente Substituta e Relatora Carlos Alexandre Tortato - Redator designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
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EXCLUSÃO DA MULTA PREVISTA PELO ART. 9º DA LEI Nº. 10.426/2002. ALTERAÇÃO PROMIDA PELA LEI Nº. 11.488/2007. A multa isolada prevista no art. 9º da Lei nº. 10.426/2002, com redação dada pela Lei nº. 11.488/2007, deixou de aplicar a multa isolada do inciso II do art. 44 da Lei nº. 9.430/96 aos casos de ausência de retenção de IRRF com posterior pagamento do tributo, por fazer menção expressa ao inciso I deste artigo, que trata somente da multa aplicada ao lançamento de ofício realizado nos casos de ausência de pagamento ou recolhimento, falta de declaração e declaração inexata. AUSÊNCIA DE RETENÇÃO E/OU RECOLHIMENTO DE IRRF PELA FONTE PAGADORA. EXCLUSÃO DA MULTA PREVISTA PELO ART. 9º DA LEI Nº. 10.426/2002. FATOS GERADORES ANTERIORES À ALTERAÇÃO PROMIDA PELA LEI Nº. 11.488/2007. RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 106, II, a, DO CTN. Para os fatos geradores ocorridos anteriormente a alteração da redação do art. 9º da Lei nº. 10.426/2002, promovida pela Lei nº. 11.488/2007, aplicase a retroatividade benigna prevista no art. 106, II, a, do Código Tributário Nacional, ante o fato de a referida alteração ter deixado de prever a aplicação da multa isolada do inciso II do art. 44 da Lei nº. 9.430/96. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. COMPETÊNCIA. Conforme Súmula CARF n. 02, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei. DECADÊNCIA. No caso de lançamento sujeito a homologação, a não antecipação do imposto devido importa no prazo decadencial conforme o art. 173, I do CTN. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 01 52 /2 01 1- 00 Fl. 820DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos na votação os conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Arlindo da Costa e Silva e Miriam Denise Xavier Lazarini. Redação do voto vencedor a cargo do Conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Maria Cleci Coti Martins Presidente Substituta e Relatora Carlos Alexandre Tortato Redator designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 821DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO Processo nº 16682.720152/201100 Acórdão n.º 2401004.071 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O Recurso Voluntário visa modificar a decisão proferida no Acórdão 11 35.783, da 3a. Turma da DRJ/REC que julgou improcedente a impugnação do contribuinte para o crédito tributário lançado, objeto deste processo. O crédito tributário lançado referese a multa e juros de mora exigidos isoladamente tendo em vista a falta de retenção na fonte dos valores pagos a título de juros sobre capital próprio a acionistas, para os anoscalendário 2005 a 2008, no valor de R$ 11.972.925,00 (multa) e R$ 349.803,74 (juros de mora), totalizando R$ 12.322.728,74. A seguir estão as razões do recorrente: 1. Decadência do direito de constituição do crédito tributário. O IRRF é tributo submetido ao lançamento por homologação e, portanto, aplicase a norma contida no parágrafo 4. do art. 150 do CTN para efeitos de cálculo do prazo disponível para o fisco efetuar o lançamento de ofício. O termo inicial para a contagem do prazo decadencial de 5 anos darse ia na data da ocorrência de cada fato gerador. Por exemplo, o pagamento de juros sobre capital próprio ocorreu em dezembro de 2005, enquanto que a recorrente fora intimada do auto de infração em 11/02/2011 depois da data máxima permitida ao fisco para a constituição do crédito (dezembro/2010). Cita jurisprudência desta Casa. 2. No mérito falta de retenção e recolhimento do IRRF sobre a distribuição de juros sobre o capital próprio multa isolada à empresa controladora Neoenergia S/A. Argumenta que embora não tenha feito o recolhimento do tributo, a empresa Neoenergia (beneficiária) ofereceu tais rendimentos à tributação. Por esta razão, entende que inexiste a figura do não recolhimento da obrigação principal. Mais ainda, a recorrente efetuou o recolhimento da multa de mora devida em razão da falta de retenção e recolhimento do IR/Fonte. Por esse motivo, entende também que estaria beneficiado pela denúncia espontânea (art. 138 CTN), pois os tributos foram quitados espontaneamente, antes da instauração de qualquer procedimento fiscal. Cita doutrina e também decisões deste CARF sobre o assunto e também o Parecer Normativo CGT 1/2002. 3. A nova legislação que rege a matéria Lei 11.488/2007 extinguiu a multa de ofício da fonte pagadora dos rendimentos após o recolhimento do tributo pelo beneficiário. Entende que está revogado, pelo art. 14 da Medida Provisória 351/2007, o dispositivo legal relativo à hipótese de lançamento de multa isolada pelo não recolhimento de IRRF. A Turma julgadora do Acórdão guerreado deveria ter declarado a inconstitucionalidade do dispositivo legal ou verificar a afronta a princípios constitucionais. A Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda já se manifestou sobre o assunto, determinando que princípios constitucionais devem ser aplicados pelos membros dos órgãos administrativos de julgamento. 4. O art. 9o. da Lei 10.426/2002 somente poderia ser aplicado com imposição de multa de ofício, quando verificada a falta de recolhimento de IR, quando então deveria ser exigida a multa de ofício, juntamente com o principal e os juros moratórios. Contudo, conforme o parecer COSIT 01/02, a exigência do principal, multa de ofício e juros da fonte pagadora somente se aplica quando apurado o nãorecolhimento do IRRF sujeito à tributação Fl. 822DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO 4 definitiva, ou antes de encerrado o período de apuração do beneficiário dos rendimentos, no caso de IRRF considerado como antecipação do imposto por ele devido. 5. Em havendo dúvida quanto à capitulação legal do fato, ou à natureza da penalidade aplicável, ou a sua graduação, deve ser aplicado o disposto no art. 112 do CTN, que determina seja adotada a interpretação mais benéfica ao contribuinte. 6. Inexiste base de cálculo a sustentar a cobrança da referida multa. Afirma que após a Lei 11488/2007, as multas somente podem ser cobradas à razão de 50% do valor do imposto, no caso do recolhimento mensal/estimativa, e não 75% conforme o caso dos autos. Cita julgados desta casa, em sua maioria ocorridos no ano 2007. 7. Pelos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e da vedação ao confisco, argumenta que uma mera irregularidade formal deve ser relevada ante a ausência de lesão ao erário, pois não há interesse público que justifique a cobrança da multa pretendida. O Estado não poderia impor obrigações, vedações ou sansões aos administrados em medida superior ao necessário para atender o interesse público, segundo critério de razoável adequação dos meios aos fins constitucionalmente estabelecidos. Tal princípio está expresso na Lei 9784/99 que regula o processo administrativo federal. 8. Não é razoável a recorrente ser compelida ao pagamento de multa de mora calculada desde a data em que deveria ter sido efetuada a retenção do Imposto sobre a Renda. Isso causa o enriquecimento sem causa do Poder Público às custas do patrimônio da recorrente. Desta forma, foi ferido o princípio da razoabilidade. 9. Ilegalidade da utilização da taxa SELIC como juros de mora. A taxa SELIC foi criada pela Resolução 1.124/96 do Conselho Monetário Nacional e pela Resolução 2.868/99 do Banco Central do Brasil para remunerar o capital investido em títulos públicos da dívida pública federal. A referida taxa não foi criada por lei e, por isso, ofende o princípio da legalidade, conforme disposto no art. 161, par. 1o. do CTN. É o relatório. Fl. 823DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO Processo nº 16682.720152/201100 Acórdão n.º 2401004.071 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Vencido Conselheira Maria Cleci Coti Martins Relatora O lançamento decorre do não recolhimento da antecipação do imposto de renda da beneficiária. O valor lançado referese à multa isolada conforme art. 9o. da Lei 10.426/2002, a seguir transcrito, que continua vigente no direito brasileiro. Conforme mencionado no Acórdão de Impugnação, os valores devidos de Imposto de Renda não teriam sido pagos em moeda, mas compensados com saldo negativo de IRPJ. Art. 9o Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1o, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado. O artigo 44 da Lei 9430 foi alterado pelo art. 14 da Lei 11.488/2007, que passou a vigorar com a seguinte redação: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: ... § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Enfatizo que o comando legal relativo à multa pelo não recolhimento do tributo IRRF menciona apenas o inciso I do art. 44 da Lei 9430/96, da multa. O fato da lei não ter expressamente utilizado o termo "multa isolada", não significa que não exista. Pelo entendimento do contribuinte, a lei que penaliza a não retenção na fonte nunca deveria ser aplicada, o qual discordo. Se assim fosse, teríamos uma lei tributária inócua, que, se não cumprida dentro de um curto espaço de tempo (menor que um ano), não mais precisaria ser. Tal entendimento, se aplicado, seria nefasto para o fisco, pois dificilmente seria aplicada Fl. 824DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO 6 penalidade pelo descumprimento do comando legal. Uma afronta, inclusive, ao prazo legal para a decadência do direito do fisco fazer o lançamento tributário de ofício, de 5(cinco) anos. Observase que o citado PARECER COSIT 01/2002 (a seguir transcrito no que se refere ao mencionado pelo recorrente) referese à responsabilidade pelo recolhimento do IRRF. No caso dos autos, não foi lançado o tributo, mas a multa isolada pelo não recolhimento do mesmo. Nem teria sentido lançar o tributo, pois o contribuinte já havia feito a compensação do mesmo com o saldo negativo de IRPJ. IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. RESPONSABILIDADE. Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, e, no caso de pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual. (grifei) Na sequência, o Parecer esclarece o procedimento relativo ao não pagamento do IRRF pela fonte pagadora IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. Constatada a falta de retenção do imposto, que tiver a natureza de antecipação, antes da data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, e, antes da data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de ofício e os juros de mora. Verificada a falta de retenção após as datas referidas acima serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora isolados, calculados desde a data prevista para recolhimento do imposto que deveria ter sido retido até a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, até a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica; exigindose do contribuinte o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, caso este não tenha submetido os rendimentos à tributação.(grifei) Entendo que não assiste razão ao contribuinte, pois caso não houvesse penalidade, não haveria efetividade na cobrança do IRRF após o período de apuração do resultado (pessoa jurídica) ou da entrega da declaração anual (pessoa física) mencionado no Parecer CST 01/2002. O art. 150 da Lei 5172/66 estabelece o prazo limite para a fazenda lançar o tributo cujo lançamento é por homologação, conforme a seguir. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de Fl. 825DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO Processo nº 16682.720152/201100 Acórdão n.º 2401004.071 S2C4T1 Fl. 5 7 antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Observase, contudo, que não houve qualquer pagamento do tributo, o que nos remete ao art. 173 do mesmo diploma legal, conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, a seguir transcrita. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. ARTS. 150, § 4º, E 173 DO CTN. REEXAME DE FATOS E PROVAS. SÚMULA 7/STJ. 1. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que não ocorre pagamento antecipado, o prazo decadencial regese pelas disposições do art. 173, inciso I, do CTN, ou seja, será de 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. 2. Não cabe ao STJ a análise acerca da ocorrência de dolo ou fraude, pois tal apreciação requer, necessariamente, o reexame de fatos e provas, o que é vedado ao STJ, em recurso especial, por esbarrar no óbice da Súmula 7/STJ. Precedentes. Agravo regimental improvido. (AgRg no AREsp 616.398/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/02/2015, DJe 09/02/2015)(grifei) CTN, Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Fl. 826DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO 8 Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. O prazo decadencial para os fatos geradores relativos ao ano 2005 iniciase em 01/01/2006 e tem seu término em 31/12/2010. Desta forma, entendo que os lançamentos relativos aos fatos geradores do ano calendário 2005 encontramse fulminados pela decadência. A Súmula CARF n. 4, a seguir transcrita, sumariza o entendimento deste Conselho sobre a utilização da taxa SELIC como indexadora dos créditos tributários devidos. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Este Conselho não possui competência para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei, conforme entendimento já sumulado (Súmula CARF n. 02) O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dado o exposto, voto por afastar as preliminares e prover parcialmente o recurso para exonerar do crédito tributário os valores relativos aos fatos geradores ocorridos no ano 2005. Maria Cleci Coti Martins. Fl. 827DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO Processo nº 16682.720152/201100 Acórdão n.º 2401004.071 S2C4T1 Fl. 6 9 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alexandre Tortato – Redator Designado Em que pese os argumentos lançados pela ilustre relatora no presente voto, divirjo quanto à aplicação, no caso concreto, da multa aplicada pela autoridade fiscal, prevista no art. 9º da Lei nº. 10.426/2002. No presente processo, depreendese que a multa aplicada, isoladamente, se dá única e exclusivamente pela falta de retenção do IRRF, posto que como mencionado pela própria relatora, o tributo devido (IRPJ) foi compensado (via saldo negativo de IRPJ) pela empresa beneficiária dos pagamentos de juros sobre capital próprio realizados pela ora recorrente. Assim, não restando dúvidas quanto ao pagamento do tributo e, consequentemente, de que o presente lançamento se dá única e exclusivamente pela ausência de retenção do IRRF, vejamos o arcabouço legal que fundamenta o lançamento e sua inaplicabilidade do presente caso. Eis a redação do artigo 9º da Lei nº. 10.426, já com a alteração produzida pela MP nº. 351/2007, convertida na Lei nº. 11.488/2007: Art. 9o Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1o, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado. De dicção bastante clara, concluise que incide a referida penalidade nos casos em que a “fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição” deixe de assim proceder, sujeitandose “à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei nº. 9.430, de 27 de dezembro de 1996”. Vejase que a redação acima reproduzida do dispositivo aplicado à recorrente é dada pela Lei nº. 11.488, de 15 de junho de 2007. Os fatos geradores relacionados no presente processo administrativo fiscal remetemse aos anoscalendário de 2005 a 2008. O lançamento se concretizou em 11/02/2011. O mencionado artigo dispõe que, incorrendo o contribuinte na conduta de não realizar a retenção do imposto ou contribuição, será aplicada a multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei nº. 9.430/96. Fl. 828DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO 10 Quando da edição da redação do art. 9º acima reproduzido dada pela Lei nº. 11.488/2007, essa foi a redação dada ao inciso I do art. 44 da Lei nº. 9.430/96 (também alterada pela MP nº. 351/2007, posteriormente convertida na lei nº. 11.488/2007): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: Antes de promovida a referida alteração, esta era a redação do art. 44 da Lei nº. 9.430/96 a que se referia o art. 9º da Lei nº. 9.426/2002 antes da alteração já mencionada: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (Vide Medida Provisória nº 303, de 2006) I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; Em que pese a menção feita pelo art. 9º da Lei nº. 10.426/2002 ao artigo 44, inciso I, da Lei nº. 9.430/96, tratamse de multas de natureza absolutamente distintas, sendo totalmente inócua a aplicação deste (art. 44) mediante a conjugação dos dois artigos. Fl. 829DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO Processo nº 16682.720152/201100 Acórdão n.º 2401004.071 S2C4T1 Fl. 7 11 Qual é a multa que trata o inciso I do art. 44 da Lei nº. 9430/96? Tratase da multa de 75% (setenta e cinco por cento) nos casos de lançamento de ofício, sobre a totalidade ou diferença do imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Importante destacar que a redação do art. 9º da Lei nº. 10.426/2006 acima reproduzida é a verificada após a alteração introduzida pela Lei nº. 11.488/2007. Para que se entenda a alteração realizada, eis a redação original do art. 9º: Art. 9o Sujeitase às multas de que tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a fonte pagadora obrigada a reter tributo ou contribuição, no caso de falta de retenção ou recolhimento, ou recolhimento após o prazo fixado, sem o acréscimo de multa moratória, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (grifamos) À época desta redação, o artigo 44 da Lei nº. 9.430/96 previa a aplicação das multas de 75% (inciso I) e 150% (inciso II). Contudo, vieram as alterações promovidas pela Lei nº. 11.488/2007, tanto no artigo 9º da Lei nº. 10.426/2002, quanto no artigo 44 da Lei nº. 9.430/96. E, ora, ao se alterarem ambos os dispositivos legais ao mesmo tempo, com a nova redação do artigo 9º da Lei nº. 10.426/2002 ficou clara a revogação tácita da previsão de aplicação de multa de ofício na modalidade isolada, posto que o mencionado dispositivo fez menção somente ao inciso I do art. 44 da Lei nº. 9.430/96. Destacase que, como visto acima, a alteração promovida pela Lei nº. 11.488/2007 no artigo 44 da Lei nº. 9.430/96 previu, expressamente, a aplicação da multa isolada e no percentual de 50%, em seu inciso II. Porém, o artigo 9º da Lei nº. 9426/2007 não previu a incidência dessa multa (inciso II do art. 44 da Lei nº. 9.430/2007) nos casos de ausência de retenção ou recolhimento. Assim, somente cabe a aplicação do art. 9º da Lei nº. 9.426/2002 mediante a incidência da multa prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº. 9.430/96, se verificada na situação em concreto a ausência de recolhimento do imposto, na declaração da pessoa jurídica beneficiária dos juros sobre capital próprio, que deixou de ser retido pela recorrente. E, nos termos das informações da própria autoridade fiscal e da nobre relatora, houve o recolhimento via compensação de saldo negativo. Portanto, se não há imposto a ser exigido, inaplicável é o artigo 9º da Lei nº. 10.426/2002 que prevê a aplicação da multa de 75% do inciso I do art. 44 da Lei nº. 9.430/96, esta última aplicável aos casos em que verificada a ausência de recolhimento do tributo. As alegações de que o mencionado artigo 9º se tornaria letra morta ou de difícil aplicação, em prejuízo ao Fisco, não devem servir de fundamento para manutenção da autuação, posto que não há previsão legal que assim determine e, nitidamente, tratarse de afronta ao princípio da legalidade. Se o legislador “pecou” em mal redigir determinado dispositivo, ou mesmo sua “intenção” fosse diferente da disposta no ordenamento, que faça as Fl. 830DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO 12 alterações devidas via o devido processo legal, não podendo ser admitidas correções legais por meio de lançamentos realizados com base em legislação que não se aplique ao caso concreto. Utilizome, também, do artigo 112 do Código Tributário Nacional, que dispõe acerca da interpretação da lei tributária que comine infrações, nitidamente aplicável ao presente caso ante as disposições legais acima reproduzidas, : Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Portanto, para os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da MP nº. 351/2007 (22/01/2007) não há embasamento legal para a aplicação da multa prevista no art. 9º da Lei nº. 9.426/2002, conforme fundamentação acima. Para os fatos geradores anteriores à edição da MP nº. 351/2007, por se tratar de atos ainda não definitivamente julgados, aplicase a retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, assim, afastase o lançamento nos termos do inciso II, a, do referido artigo: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Assim, nos termos da fundamentação acima, divirjo das razões da nobre relatora para o fim de dar integral provimento ao recurso voluntário e julgar improcedente o lançamento das multas de ofício aplicadas isoladamente com fulcro no art. 9º da Lei nº. 10.426/2002 , com redação dada pela Lei nº. 11.488/2007. Carlos Alexandre Tortato. Fl. 831DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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Numero do processo: 10571.720030/2012-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 11/06/2007 a 22/02/2012
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. SANEAMENTO. SEM EFEITOS INFRINGENTES.
Configurada a contradição na decisão recorrida, acolhem-se os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para supri-la com a correspondente retificação do acórdão embargado.
Numero da decisão: 3402-003.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios, sem efeitos infringentes, somente para suprir a contradição apontada (inexatidão material), alterando o dispositivo da decisão, constante no Acórdão nº 3402-002.953.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 11/06/2007 a 22/02/2012 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. SANEAMENTO. SEM EFEITOS INFRINGENTES. Configurada a contradição na decisão recorrida, acolhemse os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para suprila com a correspondente retificação do acórdão embargado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios, sem efeitos infringentes, somente para suprir a contradição apontada (inexatidão material), alterando o dispositivo da decisão, constante no Acórdão nº 3402002.953. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 57 1. 72 00 30 /2 01 2- 67 Fl. 6466DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela FAZENDA NACIONAL, em 07/04/2016, em face do Acórdão de nº 3402002.953, de 15 de março de 2016, do qual é considerada cientificada 30 dias após a remessa dos autos à Procuradoria da Fazenda, que se deu em 22/03/2016, no termos do art. 7º, §5º, da Portaria MF nº 527/20101, cuja ementa segue abaixo: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 11/06/2007 a 22/02/2012 RECURSO DE OFICIO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO FORMAL NÃO CARACTERIZADO. O auto de Infração devese ter como premissa indelével a necessidade de atendimento aos requisitos mínimos de formação válida do ato administrativo fiscal, requisitos estes expressamente determinados pelo artigo 142 do Código Tributário Nacional e artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235, de 1972. Estando presente no auto de infração a origem e a motivação em auditoria realizada pelo Fisco, detalhada em relatório fiscal, e o sujeito passivo cientificado da exigência fiscal e apresentou impugnação que foi apreciada em julgamento realizado na primeira instância, não há que se falar em nulidade do lançamento. MATÉRIA IMPUGNADA E NÃO APRECIADA NO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NECESSIDADE DE NOVO JULGAMENTO. Não há que se falar em mácula do liame principal porque juntamente com ele não foi exercido o direito de impor a 1 Art. 7º Para fins de cumprimento dos §§ 8º e 9º do art. 23 do Decreto Nº 70.235, de 1972, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) poderá encaminhar à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) os autos do processo integralmente digitalizado ou do processo digital. § 1º A data de entrega do processo à PGFN e a data do retorno do processo ao CARF será atestada em documento de remessa e entrega do processo administrativo, devendo ser posteriormente digitalizado e anexado aos autos do eprocesso. § 2º O documento de remessa e entrega do processo administrativo poderá ter forma digital e ser anexado aos autos do eprocesso, desde que ateste, automaticamente, a data de entrega do processo à PGFN e a data do retorno do processo ao CARF. § 3º Os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões do CARF, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à PGFN na forma deste artigo. § 4º Os Procuradores da Fazenda Nacional deverão anexar as petições digitais que produzirem diretamente aos autos do eprocesso. § 5º O prazo para a interposição do recurso será contado a partir da data da intimação pessoal presumida ou em momento anterior, se o Procurador da Fazenda Nacional se der por intimado antes da data prevista no § 3º mediante assinatura no documento de remessa e entrega do processo administrativo. § 6º A data do retorno do processo ao CARF, atestada no documento de remessa e entrega do processo administrativo, será considerada para fins de aferição da tempestividade do recurso interposto ou da petição protocolada. Fl. 6467DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10571.720030/201267 Acórdão n.º 3402003.086 S3C4T2 Fl. 6.467 3 responsabilidade solidária a terceiros. Seguir adiante no julgamento no estado em que se encontra poderia, a depender do resultado, resultar em uma supressão de instância ou em ofensa ao devido processo legal e seus consectários lógicos (contraditório e ampla defesa). Recurso de Ofício Provido. A embargante sustenta que teria havido contradição no Acórdão e, portanto, nos termos do art. 66, do RICARF, requer a correção de inexatidão material no texto do acórdão, haja vista que ali ficou consignado que foi negado provimento ao recurso de ofício, quando a ementa e o voto condutor sinalizam em posição contrária, qual seja, no sentido de que foi dado provimento ao recurso de ofício. Os embargos foram, então, admitidos pelo Presidente desta 2ª Turma, conforme despacho de fl. 6.465. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015 – RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a Decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma, e poderão ser opostos, mediante petição fundamentada, no prazo de 5 (cinco) dias contados da ciência do acórdão. Os embargos atendem aos requisitos de admissibilidade e deles se toma conhecimento. Verificase que no Acórdão recorrido decidiuse por DAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, tanto na EMENTA como no VOTO condutor, nos seguintes termos: Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 11/06/2007 a 22/02/2012 RECURSO DE OFICIO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO FORMAL NÃO CARACTERIZADO. O auto de Infração devese ter como premissa indelével a necessidade de atendimento aos requisitos mínimos de formação válida do ato administrativo fiscal, requisitos estes expressamente determinados pelo artigo 142 do Código Tributário Nacional e artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235, de 1972. Estando presente no auto de infração a origem e a motivação em auditoria realizada pelo Fisco, detalhada em relatório fiscal, e o sujeito passivo cientificado da exigência fiscal e apresentou Fl. 6468DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 impugnação que foi apreciada em julgamento realizado na primeira instância, não há que se falar em nulidade do lançamento. MATÉRIA IMPUGNADA E NÃO APRECIADA NO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NECESSIDADE DE NOVO JULGAMENTO. Não há que se falar em mácula do liame principal porque juntamente com ele não foi exercido o direito de impor a responsabilidade solidária a terceiros. Seguir adiante no julgamento no estado em que se encontra poderia, a depender do resultado, resultar em uma supressão de instância ou em ofensa ao devido processo legal e seus consectários lógicos (contraditório e ampla defesa). Recurso de Ofício Provido. Voto Conclusão Ante o exposto acima, voto por considerar procedente o recurso de oficio, rejeitandose a nulidade do lançamento, por vício formal, e por conseguinte, determinandose o retorno do processo à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza (CE), a fim de que sejam julgados os argumentos de mérito trazidos na impugnação. Como se vê, assiste razão a alegação da embargante que houve a contradição, qual seja, inexatidão material no texto do Acórdão embargado. Vejase trecho reproduzido: "(...) Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício e negarlhe provimento, determinandose o retorno do processo à Delegacia de Julgamento de origem, a fim que sejam julgados os argumentos de mérito da impugnação, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado". Notase que ali ficou consignado que foi negado provimento ao recurso de ofício, enquanto que na Ementa e no Voto condutor sinalizam em sentido contrário, no sentido de que foi dado provimento ao recurso de ofício. O correto foi que a Turma julgadora concluiu pela reforma da decisão de piso, razão pela qual deuse provimento ao recurso de ofício, como restou consignado na ementa do julgado e no voto condutor. Assim, voto no sentido de acolher os embargos declaratórios, sem efeitos infringentes, para suprir a contradição apontada (inexatidão material), alterando o dispositivo da decisão, constante no Acórdão nº 3402002.953, para: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício e DARLHE provimento, determinandose o retorno do processo à Delegacia de Julgamento de origem, a fim que sejam julgados os argumentos de mérito da impugnação, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado". É como voto. (assinatura digital) Fl. 6469DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10571.720030/201267 Acórdão n.º 3402003.086 S3C4T2 Fl. 6.468 5 Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 6470DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 Fl. 6471DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.723499/2015-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
RECURSO VOLUNTÁRIO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA.
O recurso voluntário deve atacar as razões da decisão recorrida. Isenção ou remissão do crédito tributário só podem ser concedidas por lei nos termos dos artigos 172 e 178 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 2202-003.324
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por ausência de questionamento da decisão de primeira instância
(Assinado digitalmente)
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO - Relatora.
EDITADO EM: 20/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), MARTIN DA SILVA GESTO, JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, DILSON JATAHY FONSECA NETO, MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA (Suplente convocada), JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 RECURSO VOLUNTÁRIO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. O recurso voluntário deve atacar as razões da decisão recorrida. Isenção ou remissão do crédito tributário só podem ser concedidas por lei nos termos dos artigos 172 e 178 do Código Tributário Nacional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por ausência de questionamento da decisão de primeira instância (Assinado digitalmente) MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente. (Assinado digitalmente) JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO - Relatora. EDITADO EM: 20/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), MARTIN DA SILVA GESTO, JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, DILSON JATAHY FONSECA NETO, MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA (Suplente convocada), JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. O recurso voluntário deve atacar as razões da decisão recorrida. Isenção ou remissão do crédito tributário só podem ser concedidas por lei nos termos dos artigos 172 e 178 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por ausência de questionamento da decisão de primeira instância (Assinado digitalmente) MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente. (Assinado digitalmente) JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Relatora. EDITADO EM: 20/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), MARTIN DA SILVA GESTO, JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, DILSON JATAHY FONSECA NETO, MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA (Suplente convocada), JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 34 99 /2 01 5- 95 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 0/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 2 convocado), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba: Tratase de impugnação (fls. 23) à Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF) N 2011/346846482828430 (fls. 4 15), decorrente de revisão da Declaração de Ajuste Anual (DAA) exercício 2011, anocalendário 2010, que apurou R$ 4.449,54 de Imposto de Renda Pessoa Física (Cód. DARF 0211), R$ 889,90 de multa de mora, R$ 1.638,76 de juros de mora calculados até 31/03/2015, totalizando crédito tributário no valor de R$ 6.978,20, em virtude de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente (RRAs) Tributação Exclusiva e glosa de compensação de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre RRAs. 2. Segundo o relatório de fls. 710, após análise da declaração apresentada pela contribuinte, foram constatadas as seguintes ocorrências: a) Omissão de RRAs Tributação Exclusiva (fls. 78), no valor de R$ 32.013,50, resultado da diferença entre o rendimento recebido (R$ 268.383,69) e o rendimento declarado (R$ 236.370,19). A autoridade fiscal afirma que conforme extrato do Sistema de Informações do Banco do Brasil (SISBB), o rendimento líquido levantado em 13/04/2010 foi de R$ 268.383,69. Não foram apresentados Recibos de Honorários para dedução. b) Compensação indevida de IRRF sobre RRAs Tributação Exclusiva (fls. 910), no valor de R$ 7.310,42, referente à fonte pagadora Banco do Brasil SA, CNPJ nº 254.444.09020. A autoridade fiscal afirma que conforme extrato do Sistema de Informações do Banco do Brasil (SISBB), não houve retenção de IR no recebimento do rendimento. Total do nº de meses: 134, referente ao período de 10/97 a 13/2007 (incluídos os 13ºs). 3. Cientificada do lançamento em 17/03/2015, conforme documento AR Digital de fl. 59, a interessada apresentou impugnação em 14/04/2015 (fls. 23), alegando, em litteris, que: [...] vem por meio deste requerimento, solicitar a prioridade com base no Estatuto do Idoso e também solicitar a Impugnação do valor de R$ 6.978,20 (seis mil novecentos e setenta e oito reais e vinte centavos), conforme notificação 2011/346846482828430 da Receita Federal referente ao documento anexo. 4. Finaliza a Impugnante solicitando, novamente, prioridade na análise da impugnação, em conformidade com a previsão contida no art. 71 da Lei nº 10.471, de 01/10/2003 (Estatuto do Idoso) Fl. 91DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 0/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.723499/201595 Acórdão n.º 2202003.324 S2C2T2 Fl. 91 3 Em face dos fatos acima descritos, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento concluiu pelo não conhecimento da Impugnação, uma vez que, de acordo com os artigo 57, inciso III e 58 Decreto nº 7.574/2011, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal no âmbito da RFB, a impugnação deverá mencionar "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir", sob pena de ser considerada não impugnada (art. 58). O acórdão recebeu a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 INADMISSIBILIDADE DA NEGAÇÃO GERAL E DA MERA ALEGAÇÃO. As alegações de defesa devem vir acompanhadas de fundamentos de fato e de direito, inadmitindose no processo administrativo fiscal a negação geral e as alegações desprovidas de fundamentos. Irresignada, a Impugnante, ora Recorrente, apresenta o Recurso Voluntário de fls. 77, no qual se limita a fazer as seguintes alegações: Não foi por omissão, o erro ocorrido em minha Declaração de Imposto de Renda em 2011, e sim por falta de entendimento, pois a pessoa que fez não entendia e eu sou uma senhora aposentada e não tenho recursos para pagar a vista, e nem parcelado, esta Darf o valor principal é de R$ 4.449,54 (quatro mil quatrocentos e quarenta e nove reais e cinquenta e quatro centavos) mais multa e juros ficando um valor de R$ 7.110,80 (sete mil cento e dez reais e oitenta centavos), ficou maior ainda a dívida, por isso estou pedindo ajuda para a isenção desse pagamento. Peço, por favor, que considere ao meu pedido para exclusão dessa DARF. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Júnia Roberta Gouveia Sampaio Embora tempestivo, o Recurso Voluntário não deve ser conhecido. Isso porque, conforme visto no Relatório, a Recorrente não ataca os fundamentos da decisão recorrida se limitando a solicitar o cancelamento da exigência fiscal por não possuir condições financeiras de arcar com o débito. Embora o Decreto nº 70.235/73 não traga dispositivo legal sobre os requisitos do recurso voluntário, não deve ser conhecido o recurso interposto com base em negativa geral. O novo Código de Processo Civil, estabelece, em seu artigo 15º que "na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente" (grifamos) Fl. 92DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 0/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 4 Sendo assim, aplicase aos requisitos do Recurso Voluntário as normas relativas aos requisitos do Recurso de Apelação. De acordo com o artigo 1010 do CPC/2015, são os seguintes os pressupostos do Recurso de Apelação: "Art. 1.010. A apelação, interposta por petição dirigida ao juízo de primeiro grau, conterá: I os nomes e a qualificação das partes; II a exposição do fato e do direito; III as razões do pedido de reforma ou de decretação de nulidade; IV o pedido de nova decisão".(grifamos) Dessa forma, é indispensável que o contribuinte traga a exposição do fato e do direito, bem como as razões do pedido de reforma ou de anulação da decisão recorrida, sob pena de não conhecimento. Além disso, de acordo com os artigos 172 e 178 do Código Tributário Nacional, tanto a remissão quanto a isenção só podem ser concedidas se precedidas de lei específica que as autorize. Sendo assim, não compete a esse órgão julgador a análise dos mencionados de pedidos como os formulados no presente recurso. Em face do exposto, não conheço do Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 93DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 0/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10882.900920/2008-61
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-004.005
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente SHERWINWILLIAMS DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 09 20 /2 00 8- 61 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900920/200861 Acórdão n.º 9303004.005 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3801004.971, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 169DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900920/200861 Acórdão n.º 9303004.005 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900920/200861 Acórdão n.º 9303004.005 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900920/200861 Acórdão n.º 9303004.005 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 172DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900920/200861 Acórdão n.º 9303004.005 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900920/200861 Acórdão n.º 9303004.005 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900920/200861 Acórdão n.º 9303004.005 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 175DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 19985.721302/2013-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
AJUSTE. GLOSA. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. CHEQUES COMPENSADOS NOMINATIVOS A TERCEIROS.
A comprovação do pagamento ao profissional de saúde mediante cheques compensados nominados a terceiros, por si só, é motivo insuficiente para legitimar a glosa das despesas médicas declaradas pelo contribuinte, cabendo a avaliação do conjunto probatório como um todo disponível no caso concreto.
Possível a aceitação quando os recibos de pagamento e a declaração complementar emitidos pelo profissional contêm os requisitos formais previstos na legislação tributária e confirmam a prestação de serviço e o pagamento com a utilização dos cheques nos valores neles indicados.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-004.383
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, por maioria, dar-lhe provimento. Vencidos os conselheiros Arlindo da Costa e Silva e Mirian Denise Xavier Lazarini. Declaração de voto da Conselheira Maria Cleci Coti Martins.
Maria Cleci Coti Martins - Presidente Substituta
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Miriam Denise Xavier Lazarini.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS Recorrente MARIA LÚCIA REGNIER GUIMARÃES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 AJUSTE. GLOSA. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. CHEQUES COMPENSADOS NOMINATIVOS A TERCEIROS. A comprovação do pagamento ao profissional de saúde mediante cheques compensados nominados a terceiros, por si só, é motivo insuficiente para legitimar a glosa das despesas médicas declaradas pelo contribuinte, cabendo a avaliação do conjunto probatório como um todo disponível no caso concreto. Possível a aceitação quando os recibos de pagamento e a declaração complementar emitidos pelo profissional contêm os requisitos formais previstos na legislação tributária e confirmam a prestação de serviço e o pagamento com a utilização dos cheques nos valores neles indicados. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, por maioria, darlhe provimento. Vencidos os conselheiros Arlindo da Costa e Silva e Mirian Denise Xavier Lazarini. Declaração de voto da Conselheira Maria Cleci Coti Martins. Maria Cleci Coti Martins Presidente Substituta Cleberson Alex Friess Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 98 5. 72 13 02 /2 01 3- 30 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 19985.721302/201330 Acórdão n.º 2401004.383 S2C4T1 Fl. 58 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Miriam Denise Xavier Lazarini. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 19985.721302/201330 Acórdão n.º 2401004.383 S2C4T1 Fl. 59 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), cujo dispositivo tratou de considerar improcedente a impugnação, mantendo a alteração efetuada na declaração do contribuinte. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 0252.651 (fls. 43/46): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 PREVIDÊNCIA PRIVADA. GLOSA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Não será objeto de análise deste julgamento administrativo a matéria em relação a qual a contribuinte reconhece o acerto do lançamento fiscal. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. Mantida a glosa de despesas médicas visto que o direito à sua dedução condicionase à comprovação da efetividade dos serviços prestados à contribuinte, bem como dos correspondentes pagamentos. Impugnação Improcedente 2. Em face do contribuinte foi emitida a Notificação de Lançamento nº 2010/935584992043496, relativa ao anocalendário 2009, decorrente de procedimento de revisão de Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que foram apuradas as seguintes infrações (fls. 8/14): i) dedução indevida de Previdência Privada; e ii) deduções indevidas de despesas médicas no valor de R$ 9.460,00. 2.1 A Notificação de Lançamento alterou o resultado de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), reduzindo o valor do imposto a restituir. 3. Cientificado da notificação por via postal em 27/11/2013, às fls. 38, o contribuinte impugnou parcialmente a exigência fiscal, apenas relativamente à glosa das despesas médicas (fls. 2/5). 4. Intimada em 17/3/2014, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 47/48, a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 17/4/2014 (fls. 50/51). Fl. 59DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 19985.721302/201330 Acórdão n.º 2401004.383 S2C4T1 Fl. 60 4 4.1 Expõe, inicialmente, que foi intimada a apresentar os comprovantes dos efetivos desembolsos compatíveis em datas e valores efetuados ao prestador de serviço Halina Massignan Berejuk. 4.2 Discorda que os recibos e declarações apresentados não façam prova legítima da execução dos serviços prestados, tendo em vista o disposto no inciso III do § 1º do art. 80 do Regulamento do Imposto sobre a Renda, veiculado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99). 4.3 Do valor total das despesas médicas declaradas relativamente ao profissional, equivalente a R$ 19.570,00, a maior parte dos pagamentos, isto é, R$ 10.110,00, restou aceita pela autoridade fiscal. De maneira que não se justifica a glosa do restante pelo fato de os cheques dados em pagamento ao prestador de serviço não se apresentarem a ele nominados. 4.4 Como prova complementar, junta aos autos ficha clínica fornecida pelo prestador dos serviços. É o relatório. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 19985.721302/201330 Acórdão n.º 2401004.383 S2C4T1 Fl. 61 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Juízo de admissibilidade 5. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito 6. A respeito das deduções de despesas médicas, prescreve o RIR/99: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). (...) Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) Fl. 61DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 19985.721302/201330 Acórdão n.º 2401004.383 S2C4T1 Fl. 62 6 7. O direito à dedução das despesas médicas restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, e estão sujeitas à comprovação a juízo da autoridade lançadora. 8. Caso a autoridade fiscal não fique convencida da efetividade da prestação dos serviços ou do pagamento correlato, poderá solicitar ao declarante documentos e informações adicionais com vistas à demonstração da legalidade das deduções médicas pleiteadas. 9. Nesse passo, a recorrente foi intimada pela fiscalização a comprovar o efetivo pagamento pelos serviços odontológicos prestados por Halina Massignan Berejuk. 9.1 Entretanto, ao avaliar os documentos apresentados, a autoridade lançadora entendeu que o contribuinte não se desincumbiu integralmente do ônus probatório e glosou parcialmente as despesas médicas, no importe de R$ 9.460,00, devido à apresentação de cheques compensados nominados a terceiros, nos valores de R$ 3.460,00, R$ 2.000,00, R$ 2.000,00 e R$ 2.000,00 (fls. 11/12). 10. Pois bem. Quanto aos pagamentos realizados, para os quais pretendese a dedução para fins do imposto sobre a renda, é indubitável afirmar que o contribuinte deve acautelarse para a eventualidade de comprovação dos fatos perante as autoridades fiscais. 10.1 Inadvertidamente, todavia, o declarante não raro efetua o pagamento ao prestador do serviço com cheque ao portador, e não nominal, situação em que o beneficiário acaba muitas vezes repassando o cheque para terceiros, compensandose em nome de pessoa distinta do prestador do serviço. A aceitação dessa prova depende da avaliação do conjunto probatório disponível no caso concreto. 11. Na situação em apreço, penso possível suavizar a rigidez da análise efetuada em primeira instância, que manteve o ponto de vista da autoridade lançadora. 12. Com efeito, no que tange aos aspectos formais, contêm os recibos comprobatórios dos pagamentos os requisitos arrolados no inciso III do § 1º do art. 80 do RIR/99, acima reproduzido, tais como nome, endereço e número de inscrição do odontólogo no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF). 13. A ficha clínica do paciente, ora recorrente, foi juntada com a finalidade de demonstrar os procedimentos odontológicos de colocação de coroas dentárias. Contudo, o documento confeccionado a partir da utilização de software odontológico não contém a assinatura da Dra. Halina Massignan Berejuk, o que lhe acaba enfraquecendo, é verdade, a sua força probatória (fls. 53). 13.1 Nada obstante, a efetiva prestação de serviços pelo profissional não é fato controvertido, visto que a autoridade fiscal acatou na fase investigatória uma parcela das deduções efetuadas com o tratamento odontológico, com base nos documentos apresentados pelo contribuinte. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 19985.721302/201330 Acórdão n.º 2401004.383 S2C4T1 Fl. 63 7 14. Essa aceitação de parte das deduções declaradas pelo contribuinte recomenda uma avaliação mais detalhada dos cheques ora apontados como destinados ao pagamento parcial do tratamento, não me parecendo razoável desconsiderálos como prova da efetividade do desembolso financeiro pelo só fato de constarem nominativos, quando da compensação, a pessoas distintas do profissional que prestou os serviços de odontologia. 15. Até porque, quanto aos recibos e às cópias de cheques, a fiscalização não contestou a idoneidade desses documentos, apenas entendeu insuficientes para comprovar as despesas odontológicas, por não permitirem a verificação imediata e inequívoca do nexo entre recibos apresentados e os pagamentos correlatos. No entanto, longe da realização de uma valoração de prova de forma isolada, devese ponderála no contexto do conjunto probatório como um todo disponível nos autos. 16. Os documentos de quitação fazem expressa menção aos números e aos valores dos cheques recebidos em pagamento, havendo correspondência entre eles (fls. 16/22). Tais informações foram corroboradas por declaração do prestador acostada às fls. 15. 17. Além disso, em ao menos um dos quatro cheques é possível identificar a compensação em nome de outro cirurgiãodentista, Aridio Costa Júnior, CRO 1033, o que reforça a probabilidade de repasse dos cheques inicialmente recebidos pela Dra. Halina Massignan Berejuk a título de pagamentos pelos serviços prestados à recorrente (fls. 18). 18. De mais a mais, os valores pagos, no montante total de R$ 19.570,00, são compatíveis com os rendimentos tributáveis declarados pelo contribuinte, representando dez por cento, não se podendo falar em deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados (fls. 25 e 27). 19. Reconheço que infelizmente em nosso país não constitui uma prática incomum beneficiarse de deduções indevidas e utilizarse de recibos e de outros documentos fraudulentos para a comprovação perante as autoridades fiscais. Conduta que exige atuação firme do Poder Público no sentido de coibir e punila. 20. Por outro, lado, mesmo que as declarações e os recibos emitidos pelo prestador dos serviços não impliquem prova absoluta da legalidade das deduções, podendo a fiscalização questionar os documentos, a falta da sua aceitação sem motivos plausíveis, distante da linguagem de provas, resulta certamente em suposições indevidas e prejudiciais aos profissionais envolvidos, o que não se coaduna com o princípio geral de direito, aceito universalmente, que a boafé deve ser presumida, ao passo que a máfé provada pelo interessado. 21. Em conclusão, tendo em vista os requisitos previstos na legislação tributária, sintome confortável em afirmar que o conjunto probatório existente nos autos é hábil e satisfatório para comprovar a regularidade das deduções e afastar, por consequência, a imputação da irregularidade apontada pela fiscalização. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 19985.721302/201330 Acórdão n.º 2401004.383 S2C4T1 Fl. 64 8 Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO para restabelecer as deduções a título de despesas médicas no importe de R$ 9.460,00 (nove mil quatrocentos e sessenta reais), relativamente ao anocalendário 2009. É como voto. Cleberson Alex Friess Fl. 64DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS
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Numero do processo: 11762.720020/2014-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 16/03/2008 a 09/12/2011
RECURSO DE OFÍCIO. MULTA REGULAMENTAR. ERRO NA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. OMISSÃO DE AJUSTE DO VALOR ADUANEIRO. DESCABIMENTO.
A aplicação da multa regulamentar por erro ou omissão de informação de natureza administrativo-tributária, cambial ou comercial necessária à determinação do valor aduaneiro restringe-se às hipóteses previstas na Lei ou em ato do Secretário da Receita Federal, dentre as quais, até o momento, não se inclui a omissão de despesa a ser acrescida ao valor aduaneiro da mercadoria.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP-IMPORTAÇÃO. COFINS-IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. VALOR ADUANEIRO. DESPESAS COM CARGA, DESCARGA, E MANUSEIO. MERCOSUL. BRASIL. INCLUSÃO. CONTEÚDO DA EXPRESSÃO "ATÉ O PORTO OU LOCAL DE IMPORTAÇÃO".
O Acordo de Valoração Aduaneira (AVA-GATT) estabelece, em seu Artigo 8, parágrafo 2, que os membros poderão prever a inclusão ou exclusão, no valor aduaneiro, no todo ou em parte, dos gastos relativos à carga, descarga e manuseio associados ao transporte das mercadorias importadas "até o porto ou local de importação". No MERCOSUL (Decisão CMC no 13/2007, Artigo 5), e no Brasil (Regulamento Aduaneiro, artigo 77, II), tais gastos foram incluídos no valor aduaneiro. A expressão "até o porto ou local de importação" inclui as despesas com descarga no país importador, necessárias para que a mercadoria efetivamente saia da embarcação e chegue ao porto. A chegada da mercadoria ao porto não se confunde com a chegada da embarcação ao porto.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP-IMPORTAÇÃO. COFINS-IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DA PARTE FINAL DO INCISO I DO ARTIGO 7o DA LEI No 10.865/2004. RE 559.607/SC-RG.
O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário no 559.007, ao qual foi aplicado o regime da repercussão geral, declarou, em decisão definitiva, a inconstitucionalidade da parte final do inciso I do artigo 7o da Lei no 10.865, de 30/04/2004, tendo afastado da norma, consequentemente, o alargamento do conceito de valor aduaneiro, devendo, portanto, tal decisão ser reproduzida por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em prestígio ao quanto disposto no § 2o do art. 62 de seu Regimento Interno, excluindo-se da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP-importação e da COFINS-importação as parcelas referentes ao ICMS e ao valor das próprias contribuições.
Numero da decisão: 3401-003.216
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, julgado em sessão do mês maio/2016, não tendo participado o Conselheiro Rodolfo Tsuboi. Quanto ao recurso voluntário, julgado em sessão do mês de agosto/2016, por maioria de votos, deu-se parcial provimento para excluir o ICMS e as próprias contribuições da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep-Importação e da Cofins-Importação, vencidos os Conselheiros Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira e Rodolfo Tsuboi, que davam provimento integral ao recurso. Designado o Conselheiro Rosaldo Trevisan para redigir o voto vencedor. O Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira apresentou declaração de voto. Os Conselheiros Waltamir Barreiros e Elias Eufrásio não participaram do julgamento do recurso voluntário. Fez sustentação oral, pela recorrente, Susy Gomes Hoffman, OAB-SP no 103.145.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente.
LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO - Relator.
ROSALDO TREVISAN - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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MULTA REGULAMENTAR. ERRO NA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. OMISSÃO DE AJUSTE DO VALOR ADUANEIRO. DESCABIMENTO. A aplicação da multa regulamentar por erro ou omissão de informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do valor aduaneiro restringese às hipóteses previstas na Lei ou em ato do Secretário da Receita Federal, dentre as quais, até o momento, não se inclui a omissão de despesa a ser acrescida ao valor aduaneiro da mercadoria. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEPIMPORTAÇÃO. COFINS IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. VALOR ADUANEIRO. DESPESAS COM CARGA, DESCARGA, E MANUSEIO. MERCOSUL. BRASIL. INCLUSÃO. CONTEÚDO DA EXPRESSÃO "ATÉ O PORTO OU LOCAL DE IMPORTAÇÃO". O Acordo de Valoração Aduaneira (AVAGATT) estabelece, em seu Artigo 8, parágrafo 2, que os membros poderão prever a inclusão ou exclusão, no valor aduaneiro, no todo ou em parte, dos gastos relativos à carga, descarga e manuseio associados ao transporte das mercadorias importadas "até o porto ou local de importação". No MERCOSUL (Decisão CMC no 13/2007, Artigo 5), e no Brasil (Regulamento Aduaneiro, artigo 77, II), tais gastos foram incluídos no valor aduaneiro. A expressão "até o porto ou local de importação" inclui as despesas com descarga no país importador, necessárias para que a mercadoria efetivamente saia da embarcação e chegue ao porto. A chegada da mercadoria ao porto não se confunde com a chegada da embarcação ao porto. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEPIMPORTAÇÃO. COFINS IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 76 2. 72 00 20 /2 01 4- 17 Fl. 1309DF CARF MF 2 DA PARTE FINAL DO INCISO I DO ARTIGO 7o DA LEI No 10.865/2004. RE 559.607/SCRG. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário no 559.007, ao qual foi aplicado o regime da repercussão geral, declarou, em decisão definitiva, a inconstitucionalidade da parte final do inciso I do artigo 7o da Lei no 10.865, de 30/04/2004, tendo afastado da norma, consequentemente, o alargamento do conceito de valor aduaneiro, devendo, portanto, tal decisão ser reproduzida por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em prestígio ao quanto disposto no § 2o do art. 62 de seu Regimento Interno, excluindose da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEPimportação e da COFINSimportação as parcelas referentes ao ICMS e ao valor das próprias contribuições. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, julgado em sessão do mês maio/2016, não tendo participado o Conselheiro Rodolfo Tsuboi. Quanto ao recurso voluntário, julgado em sessão do mês de agosto/2016, por maioria de votos, deuse parcial provimento para excluir o ICMS e as próprias contribuições da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da CofinsImportação, vencidos os Conselheiros Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira e Rodolfo Tsuboi, que davam provimento integral ao recurso. Designado o Conselheiro Rosaldo Trevisan para redigir o voto vencedor. O Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira apresentou declaração de voto. Os Conselheiros Waltamir Barreiros e Elias Eufrásio não participaram do julgamento do recurso voluntário. Fez sustentação oral, pela recorrente, Susy Gomes Hoffman, OABSP no 103.145. ROBSON JOSÉ BAYERL Presidente. LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO Relator. ROSALDO TREVISAN Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Fl. 1310DF CARF MF Processo nº 11762.720020/201417 Acórdão n.º 3401003.216 S3C4T1 Fl. 1.291 3 Relatório A) AUTO DE INFRAÇÃO 1. Tratase de Auto de Infração objeto do Processo Administrativo nº 11762.720020/201417, situado às fls. 04 e seguintes, lavrado com a finalidade de exigir o pagamento das contribuições para o PIS/Pasep e para a Cofins, acrescidas de multa de ofício e juros de mora e multa regulamentar de 1% do valor aduaneiro, totalizando crédito tributário no valor histórico de R$ 35.712.522,22. 2. Em conformidade com o Relatório de Fiscalização, situado às fls. 10601080 do presente processo administrativo, a recorrente realizou diversas importações sem adicionar ao valor aduaneiro dos bens importados os gastos relativos à descarga e ao manuseio (capatazia) associados ao transporte até o porto de descarga, o que afetou diretamente o cálculo do valor aduaneiro e resultou, por decorrência, em recolhimento a menor dos tributos incidentes na etapa da importação. 3. Assim, foi realizado o lançamento de ofício (i) do crédito tributário correspondente à diferença dos tributos devidos, acrescido (ii) da multa de ofício de 75% prevista no art. 725, inciso I do Decreto nº 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro), conforme Lei n° 9.430, de 1996, art. 44, inciso I, e § 1°, com a redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007, art. 14, e (iii) da multa regulamentar de 1% em razão de informação inexata por conta da ausência da prestação de informação relativa a acréscimos ao valor aduaneiro previstos na legislação, conforme previsão do art. 711, inciso III, parágrafo 1º, do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759/2009), com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835/2001, art. 84, caput e Lei nº 10.833/2003, art. 69, parágrafo 1º. B) IMPUGNAÇÃO 4. A contribuinte apresentou impugnação, situada às fls. 7076, alegando, em síntese, que: (i) atua no ramo siderúrgico e importa carvão mineral, matéria prima para produção do aço; (ii) é arrendatária do Porto de Itaguaí, operando cargas de diversas companhias de navegação, prestando serviços de disponibilização de berços de atracação, recebimento, armazenagem, conferência, estufagem, movimentação, embarque e desembarque de carga, veículos e outras cargas; (iii) a entrada das mercadorias objeto das declarações de importação fiscalizadas derase pelo Porto de Itaguaí, sob operação da autuada e, logo os serviços de capatazia mencionados pela fiscalização teriam sido prestados pela própria impugnante (por intermédio de empresa filial), em terminal portuário privativo, não configurando despesas, mas sim custos operacionais; (iv) os dispêndios informados pela autuada na planilha encaminhada à autoridade fiscal em resposta a intimação, e adotada integralmente para fins de ajuste do valor aduaneiro declarado, corresponderiam a gastos com o pagamento de funcionários, estando, portanto, relacionados ao desenvolvimento normal de sua atividade ligada ao segmento de exportação/importação do carvão, não integrando o valor da transação comercial; (v) ainda que o serviço de capatazia questionado tivesse sido prestado por terceiros, a interpretação da autoridade fiscal estaria equivocada, pois a legislação determina a Fl. 1311DF CARF MF 4 inclusão das despesas com a movimentação da mercadoria até a chegada da carga ao porto, não havendo, portanto, como incluir na base de cálculo dos impostos e contribuições os gastos incorridos após a atracação do navio no porto de destino; (vi) existência de contradição entre o § 3º do art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 327, de 2003, o inciso II do mesmo artigo, o art. 8 do AVA e o art. 77 do RA, vez que o § 3º determina que devem ser consideradas as despesas incorridas no Território Nacional enquanto que os demais dispositivos determinam a adição das despesas até a chegada no local onde se dará a importação; (vii) nos termos do art. 100 do CTN, os atos normativos expedidos por autoridades administrativas são normas complementares, que não podem, sob pena de violação ao princípio da legalidade, extrapolar os limites impostos por normas de hierarquia superior e cita acórdão do TRF da 4ª Região em que se teria enfrentado matéria semelhante à que se debate nos autos e jurisprudência dos extintos Conselhos de Contribuintes; (viii) há vício na fundamentação da multa regulamentar de 1%: confronta o campo “Enquadramento Legal” do auto de infração com a fundamentação da infração no corpo do relatório, alegando que sua defesa fora dificultada, em razão dos vários dispositivos legais citados, o que conduz à nulidade do auto de infração; (ix) nos termos do § 2º do artigo 69 (base para legal do inciso III do art. 711) do Regulamento Aduaneiro, todas as informações exigidas pela norma foram sido exaustivamente atendidas nas declarações de importação objeto de autuação, caracterizando inexistência de tipicidade na conduta infracional atribuída à impugnante pela autoridade fiscal; (x) o lançamento é nulo, em razão de erro na apuração da base de cálculo das contribuições, em conforme com o quanto decidido no Recurso Extraordinário nº 559.937/RS, em que o Supremo Tribunal Federal declarara inconstitucional a expressão “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições", constante do inciso I do artigo 7o da Lei 10.865/2004, que ultrapassou os limites do conceito de valor aduaneiro definido pelo GATT e, neste sentido, a Receita Federal editou a IN RFB nº 1.401/13, revogando expressamente a IN SRF nº 572/05, para excluir da base de cálculo dos impostos e contribuições incidentes sobre o comércio exterior o valor do ICMS e das próprias contribuições; (xi) no lançamento debatido no presente processo, realizado em 24/03/2014, não foram observadas as disposições da IN RFB nº 1.401/13, o que resultou em exigência maior que a devida. Por estas razões, acima resumidas, requereu o cancelamento do auto de infração lavrado em seu desfavor. C) ACÓRDÃO DE 1ª INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA (DRJ) 5. A Delegacia Regional de Julgamento em São Paulo/SP, em 10/07/2014, entendeu pela procedência parcial da impugnação para a finalidade de exonerar a parcela correspondente à multa regulamentar de 1% do valor aduaneiro, correspondente ao montante de R$ 32.056.486,30, conforme ementa abaixo transcrita do Acórdão DRJ nº 11 046.960 proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal em Recife (PE), de fls. 201 209: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/06/2008 a 09/12/2011 COFINS IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. VALOR ADUANEIRO. ACRÉSCIMOS. Fl. 1312DF CARF MF Processo nº 11762.720020/201417 Acórdão n.º 3401003.216 S3C4T1 Fl. 1.292 5 Incluemse na determinação do valor aduaneiro das mercadorias importadas, e, conseqüentemente, na determinação da base de cálculo da Cofins incidente sobre a importação, os gastos relativos à descarga e ao manuseio de mercadorias importadas, associados ao transporte internacional, independentemente da responsabilidade pelo ônus financeiro e da denominação adotada. INCONSTITUCIONALIDADE DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. APLICAÇÃO DE PRECEDENTE JUDICIAL. SUBORDINAÇÃO AO ENTENDIMENTO DA PGFN. A aplicação, no âmbito da Receita Federal, de precedente judicial relativo a matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, fica condicionada à prévia manifestação da PGFN. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 30/06/2008 a 09/12/2011 PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. VALOR ADUANEIRO. ACRÉSCIMOS. Incluemse na determinação do valor aduaneiro das mercadorias importadas, e conseqüentemente, na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a importação, os gastos relativos à descarga e ao manuseio de mercadorias importadas, associados ao transporte internacional, independentemente da responsabilidade pelo ônus financeiro e da denominação adotada. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 30/06/2008 a 09/12/2011 MULTA REGULAMENTAR. ERRO NA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. OMISSÃO DE AJUSTE DO VALOR ADUANEIRO. DESCABIMENTO. A aplicação da multa regulamentar por erro ou omissão de informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do valor aduaneiro restringese às hipóteses previstas na Lei ou em ato do Secretário da Receita Federal, dentre as quais, até o momento, não se inclui a omissão de despesa a ser acrescida ao valor aduaneiro da mercadoria". Fl. 1313DF CARF MF 6 6. Diante do provimento parcial, recorreuse de ofício nos termos do art. 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, com alterações introduzidas pela Lei nº 9.532/97, e de acordo com o art. 1º da Portaria do Ministro da Fazenda nº 3, de 03/01/2008. D) RECURSO VOLUNTÁRIO 7. Em 10/10/2014, a contribuinte interpôs recurso voluntário, situado às fls. 12101242, no qual reiterou os argumentos de sua impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator I. DO RECURSO DE OFÍCIO I. 1. Descabimento da multa regulamentar de 1% 8. A autoridade fiscal aplicou a multa regulamentar de 1% com fundamento no § 1º, inciso III do art. 711 do Decreto 6.759/09 (Regulamento Aduaneiro de 2009), cujas matrizes legais seriam, ainda segundo o auto de infração em comento, a Medida Provisória nº 215835, art. 84, caput e a Lei nº 10.833/03, art. 69, § 1º pelo fato de a contribuinte deixar de incluir as despesas com capatazia no campo "acréscimos" das declarações de importação. 9. A contribuinte sustentou que tal conduta infracional não estaria devidamente tipificada na legislação, uma vez que todas as informações apontadas pelo art. 711 do RA/2009 teriam sido prestadas. Aduz, ademais, que sequer seria possível a informação de tais acréscimos porque, em seu entendimento, tais despesas não comporiam a base de cálculo das contribuições incidentes sobre a importação. 10. Deixandose de lado, por um momento, a alegação quanto ao mérito naquilo que se refere à formação da base de cálculo de tais tributos, constatamos, a partir da leitura do art. 711, em seu inciso III, que será aplicada a multa de 1% do valor aduaneiro ao importador que "omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado". 11. Em seguida, o § 1º do dispositivo delimita aquelas informações que ensejam a aplicação da penalidade: além daquelas expressamente definidas pelo Secretário, as informações que "(...) compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo aquelas enumeradas nos incisos I a V". 12. Prosseguimos com o raciocínio do próprio acórdão recorrido: Fl. 1314DF CARF MF Processo nº 11762.720020/201417 Acórdão n.º 3401003.216 S3C4T1 Fl. 1.293 7 "(...) o uso da expressão incluindo poderia resultar em dúvida quanto a tratarse de lista exaustiva ou meramente exemplificativa. Nesse último caso, poderseia interpretar que, além daquelas expressamente mencionadas, toda e qualquer informação erroneamente prestada ou omitida na declaração de importação suscitaria a imposição daquela penalidade. Todavia, a meu ver, a leitura atenta daquele dispositivo revela que se trata de enumeração exaustiva, sendo que a extensão da aplicação da penalidade a outras informações exigidas no âmbito da declaração de importação demandaria ato do Secretário. Com efeito, os incisos I a V tratam de dados que fazem parte da declaração de importação, apenas reforçando, como no caso do inciso III (descrição detalhada da mercadoria), elementos considerados essenciais para completude da informação e que não teriam sido objetivamente tratados na DI. No entanto, verificase, nos casos dos incisos II, IV e V (destinação da mercadoria, país de procedência, origem e aquisição, porto de embarque e desembarque), que nenhum detalhe foi acrescido às informações objetivamente requeridas na DI. Assim, pareceme evidenciado que o legislador considerou que, dentre os dados prestados na declaração, aqueles especificamente enumerados seriam de tal forma relevantes para o exercício do controle aduaneiro que sua omissão ou informação inexata ensejaria a aplicação de penalidade. Houvesse a intenção de penalizar todo e qualquer erro, teria o legislador estabelecido diretamente que a omissão ou prestação equivocada de qualquer dado da declaração seria penalizada com a multa em análise. Por outro lado, entendo que a previsão de que apenas o Secretário poderia incluir outras informações no rol daquelas puníveis com a referida multa reforça a convicção de que não se admite a interpretação discricionária, pela autoridade administrativa, de que um ou outro dado da DI, que não aqueles expressamente enumerados, poderia ser considerado relevante para a determinação do procedimento de controle apropriado e, desse modo, ensejar a aplicação de multa em caso de omissão" (seleção e grifos nossos). 13. Por outro lado, a partir da leitura do art. 711, em seu inciso III, há de se recordar que será aplicada a multa de 1% do valor aduaneiro ao importador que "omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado". 14. Em nosso entendimento, o fato de a contribuinte ter deixado de incluir as despesas de capatazia no valor aduaneiro dos produtos importados não configura a previsão do dispositivo, pois não representa "(...) informação de natureza administrativo tributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado", pois a necessidade de prestação da informação sobre os valores referentes às despesas com capatazia na declaração de importação, em conformidade com o Fl. 1315DF CARF MF 8 subitem 44.2 o do Anexo I da Instrução Normativa SRF nº 680/2006, não implica que tal dado seja necessário para a determinação do procedimento controle aduaneiro. 15. Na verdade, os dados e informações necessários para a determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado da mercadoria importada podem ser encontrados no art. 20 da Instrução Normativa SRF nº 69, de 10/12/1996 que disciplina o despacho aduaneiro de importação: Instrução Normativa SRF nº 69, de 10/12/1996 Art. 19. Após a recepção dos documentos, a declaração será selecionada para um dos seguintes canais de conferência aduaneira (...). (...) Art. 20. A seleção da declaração a que se refere o artigo anterior será efetuada por intermédio do SISCOMEX, de acordo com limites e critérios estabelecidos pela CoordenaçãoGeral do Sistema Aduaneiro COANA, que deverá levar em consideração, entre outros, os seguintes elementos: I regularidade fiscal do importador; II habitualidade do importador; III natureza, volume ou valor da importação; IV valor dos impostos incidentes ou que incidiriam na importação; V origem, procedência e destinação da mercadoria; VI tratamento administrativo e tributário; e VII características da mercadoria. 16. Neste sentido, o voto vencedor do Acórdão CARF nº 3302003.197, prolatado em sessão de 17/05/2016 pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara, de cujo voto vencedor, de lavra do Conselheiro José Fernandes do Nascimento, redator designado, extraise o seguinte trecho: "Da simples leitura dos referidos preceitos regulamentares, verificase que o valor aduaneiro e os seus ajustes/acréscimos não constituem elemento ou informação necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado da mercadoria importada. Além disso, não há notícia que exista outro ato normativo que determine que a informação ou a inclusão dos valores das despesas com descarga e manuseio da carga importada seja necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro da operação de importação. Assim, diferente do entendimento do i. Relator, temse que o simples fato de ser obrigatória a prestação da informação sobre os valores das despesas com capatazia na DI, conforme determinado no subitem 44.2 da Instrução Normativa SRF 680/2006, não significa que a dita informação seja necessária à determinação do procedimento controle aduaneiro. Fl. 1316DF CARF MF Processo nº 11762.720020/201417 Acórdão n.º 3401003.216 S3C4T1 Fl. 1.294 9 No caso, para que seja configurada a infração, além de obrigatória, a informação ainda precisa ser necessária à determinação do procedimento controle aduaneiro. Sem essa condição, por certo, toda e qualquer informação omitida ou prestada de forma incorreta ou inexata na DI configuraria a prática da referida infração, o que não representa o real alcance da norma em comento, conforme demonstrado precedentemente. Para esse fim, é necessário que ato normativo editado pela RFB explicite que determinada informação ou elemento seja necessário à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado, o que ainda não ocorreu com o valor aduaneiro ou com os seus ajustes/acréscimos. Em relação ao valor aduaneiro, cabe consignar que a partir da vigência da Instrução Normativa SRF 327/2003, que instituiu um novo modelo de controle administrativo do valor aduaneiro, os procedimentos fiscais para verificação da conformidade do valor aduaneiro declarado às regras e disposições estabelecidas na legislação passaram a ser realizados após o despacho de importação e não mais no curso do referido despacho. Os novos procedimentos foram estabelecidos no art. 31 da referida Instrução Normativa, a seguir reproduzido: 'Art. 31. Os procedimentos fiscais para verificação da conformidade do valor aduaneiro declarado às regras e disposições estabelecidas na legislação serão realizados após o despacho aduaneiro de importação, sob a responsabilidade da unidade da SRF com jurisdição sobre o domicílio fiscal do importador e que possua atribuição regimental para executar a fiscalização aduaneira'. Em decorrência desse nova forma de procedimento, foram extintos os critérios de seleção do despacho aduaneiro no Siscomex para análise do referido valor e a Administração redirecionou seus esforços para as atividades de auditorias pós despacho aduaneiro. Assim, a rotina de exame conclusivo do valor aduaneiro foi absorvida pelos procedimentos de uma auditoria de zona secundária. A apresentação da Declaração de Valor Aduaneiro (DVA), inclusive, deixou de ser obrigatória no momento do despacho, podendo ser exigida relativa à mercadoria objeto de valoração, conforme o método aplicado. Em face dessa forma procedimental, no curso da fase de conferência aduaneira do despacho, a informação sobre o valor aduaneiro, incluindo os ajustes, deixou de ser necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. Com base nessas considerações, chegase à conclusão que a conduta imputada a autuada não se subsume a hipótese da infração definida no art. 711, III, do RA/2009" (seleção e grifos nossos). Fl. 1317DF CARF MF 10 17. Com base nos próprios fundamentos da decisão recorrida, aos quais acrescemos os nossos, acima expostos, portanto, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso de ofício, mantendo a decisão prolatada no Acórdão nº 11046.960 proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal em Recife (PE) neste particular. II. DO RECURSO VOLUNTÁRIO 18. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. II. 1. Da inclusão das despesas com capatazia na base de cálculo do PIS/PASEPImportação e da CofinsImportação ("valor aduaneiro") 19. Em percuciente estudo, merecedor de encômios, realizado pelo Conselheiro Relator Rosaldo Trevisan no Acórdão CARF nº 3401003.137, em sessão de 17/03/2016, na qual votei vencido, chegou o relator à conclusão, depois de longo e pertinente arrazoado, de que "(...) não há óbice internacional à inclusão das despesas com operações de carga, descarga e manuseio realizadas no porto ou local de importação como decorrência de (ou associadas a) um transporte internacional", sendo possível à legislação nacional limitar tal inclusão. 20. Realizou o conselheiro relator do acórdão em referência, em seguida, a análise da legislação brasileira a respeito do tema, de maneira a reconstruir o histórico normativo que norteou a discussão, partindo (i) da edição do Decreto no 2.498/1998 como marco inicial da disciplina da matéria na era pósOMC;1 seguida (ii) da Instrução Normativa SRF no 16/1998;2 (iii) do Ato Declaratório da CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira nº 3/2000, que inclui expressamente os gastos de descarga e manuseio no valor aduaneiro;3 (iv) dos artigos 77 e 79 do Regulamento Aduaneiro de 2002 (Decreto no 4.543/2002);4 os arts. 4º e 1 Decreto no 2.498/1998 Art. 17. No valor aduaneiro, independentemente do método de valoração utilizado, serão incluídos (parágrafo 2 do artigo 8 do Acordo de Valoração Aduaneira): I o custo de transporte das mercadorias importadas até o porto ou local de importação; II os gastos relativos a carga, descarga e manuseio, associados ao transporte das mercadorias importadas até o porto ou local de importação; e III o custo do seguro nas operações referidas nos incisos I e II". 2 IN SRF nº 16/1988 Art. 2º Na apuração do valor aduaneiro, qualquer que seja a condição de entrega da mercadoria negociada entre o importador e o exportador, bem como o método de valoração utilizado, serão incluídos os seguintes elementos: I o custo de transporte da mercadoria importada até o porto ou aeroporto alfandegado de descarga ou o ponto de fronteira alfandegado onde devam ser cumpridas as formalidades de entrada no território aduaneiro; II os gastos relativos a carga, descarga e manuseio, associados ao transporte da mercadoria até a chegada aos locais referidos no inciso anterior; e III o custo do seguro da mercadoria durante as operações indicadas nos incisos anteriores (...). Art. 3º O valor aduaneiro não abrangerá os seguintes encargos ou custos, desde que estejam destacados do preço efetivamente pago ou a pagar pela mercadoria importada, na respectiva documentação comprobatória: I custos de transporte e seguro, bem como os gastos associados a esse transporte, incorridos no território aduaneiro, a partir dos locais referidos no inciso I do artigo anterior; e II encargos relativos a construção, instalação, montagem, manutenção ou assistência técnica da mercadoria importada, executados após a importação. 3 Ato Declaratório da CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (AD COANA) nº 3/2000: "Os gastos relativos à descarga e ao manuseio de mercadorias importadas, associados ao transporte internacional, integram o valor aduaneiro, independentemente da responsabilidade pelo ônus financeiro e da denominação adotada". 4 Decreto no 4.543/2002 (Regulamento Aduaneiro) Art. 77. Integram o valor aduaneiro, independentemente do método de valoração utilizado (...): I o custo de transporte da mercadoria importada até o porto ou o aeroporto alfandegado de descarga ou o ponto de fronteira alfandegado onde devam ser cumpridas as formalidades de entrada no território aduaneiro; II os gastos relativos à carga, à descarga e ao manuseio, associados ao transporte da mercadoria importada, até a chegada aos locais referidos no inciso I; e Fl. 1318DF CARF MF Processo nº 11762.720020/201417 Acórdão n.º 3401003.216 S3C4T1 Fl. 1.295 11 5º da Instrução Normativa SRF no 327/2003;5 e, por fim, (v) os arts. 77 e 79 do Regulamento Aduaneiro de 2009 (Decreto no 6.759/2009).6 21. Parecenos, mediante a análise do recorte normativo em referência, perfeitamente possível que o Brasil inclua as despesas de capatazia na base de cálculo das contribuições incidentes sobre a importação. Não deve prosperar, de fato, neste sentido, o vetor que fundamentou o voto vencedor do Recurso Especial nº 1.239.625/SC no sentido de que a Instrução Normativa nº 327/2003 desrespeitaria o Acordo de Valoração Aduaneira assim não nos parece e, logo, endossamos o seguinte entendimento externado pelo conselheiro relator do Acórdão CARF nº 3401003.137 em trecho de seu minucioso voto: "(...) na análise internacional (...) não há qualquer comando em tratado internacional vigente que obrigue expressamente nem a inclusão nem a exclusão das despesas com operações de carga, descarga e manuseio realizadas no porto ou local de importação como decorrência de (ou associadas a) um transporte internacional".7 22. Ainda assim, há de se reconhecer que o Superior Tribunal de Justiça tem declarado a ilegalidade da Instrução Normativa nº 327/2003 via decisões monocráticas denegatórias de seguimento de recursos especiais, como se tem notícia, v.g., a partir da III o custo do seguro da mercadoria durante as operações referidas nos incisos I e II (...). Art. 79. Não integram o valor aduaneiro, segundo o método do valor de transação, desde que estejam destacados do preço efetivamente pago ou a pagar pela mercadoria importada, na respectiva documentação comprobatória (...): I os encargos relativos à construção, à instalação, à montagem, à manutenção ou à assistência técnica, relacionados com a mercadoria importada, executados após a importação; e II os custos de transporte e seguro, bem assim os gastos associados ao transporte, incorridos no território aduaneiro, a partir dos locais referidos no inciso I do art. 77. 5 Instrução Normativa SRF no 327/2003 Art. 4º Na determinação do valor aduaneiro, independentemente do método de valoração aduaneira utilizado, serão incluídos os seguintes elementos: I o custo de transporte das mercadorias importadas até o porto ou aeroporto alfandegado de descarga ou o ponto de fronteira alfandegado onde devam ser cumpridas as formalidades de entrada no território aduaneiro; II os gastos relativos a carga, descarga e manuseio, associados ao transporte das mercadorias importadas, até a chegada aos locais referidos no inciso anterior; e III o custo do seguro das mercadorias durante as operações referidas nos incisos I e II (...) § 3o Para os efeitos do inciso II, os gastos relativos à descarga da mercadoria do veículo de transporte internacional no território nacional serão incluídos no valor aduaneiro, independentemente da responsabilidade pelo ônus financeiro e da denominação adotada (...). Art. 5º No valor aduaneiro não serão incluídos os seguintes encargos ou custos, desde que estejam destacados do preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas, na respectiva documentação comprobatória: I custos de transporte e seguro, bem assim os gastos associados a esse transporte, incorridos no território aduaneiro, a partir dos locais referidos no inciso I do artigo anterior; e II encargos relativos a construção, instalação, montagem, manutenção ou assistência técnica da mercadoria importada, executadas após a importação. 6 Decreto no 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro) Art. 77. Integram o valor aduaneiro, independentemente do método de valoração utilizado (...): I o custo de transporte da mercadoria importada até o porto ou o aeroporto alfandegado de descarga ou o ponto de fronteira alfandegado onde devam ser cumpridas as formalidades de entrada no território aduaneiro; II os gastos relativos à carga, à descarga e ao manuseio, associados ao transporte da mercadoria importada, até a chegada aos locais referidos no inciso I; e III o custo do seguro da mercadoria durante as operações referidas nos incisos I e II (...) Art. 79. Não integram o valor aduaneiro, segundo o método do valor de transação, desde que estejam destacados do preço efetivamente pago ou a pagar pela mercadoria importada, na respectiva documentação comprobatória (...): I os encargos relativos à construção, à instalação, à montagem, à manutenção ou à assistência técnica, relacionados com a mercadoria importada, executados após a importação; e II os custos de transporte e seguro, bem como os gastos associados ao transporte, incorridos no território aduaneiro, a partir dos locais referidos no inciso I do art. 77. 7 Acórdão CARF nº 3401003.137 Conselheiro Relator Rosaldo Trevisan, sessão de 17/03/2016. Fl. 1319DF CARF MF 12 Decisão Monocrática no Recurso Especial nº 1.577.547, de 10/03/2016, proferida pela Ministra Relatora Regina Helena Costa, que, em suas razões, aponta que o acórdão recorrido teria adotado "(...) entendimento pacificado" na Corte Superior. 23. Em idêntico sentido, o Tribunal Regional da 4ª Região pacificou a matéria, de maneira que, em 05/09/2016, editou a súmula abaixo transcrita: TRF4 Súmula nº 92, de 05/09/2016 "O custo dos serviços de capatazia não integra o 'valor aduaneiro' para fins de composição da base de cálculo do imposto de importação". 24. Colhese, a partir do Recurso nº 505194507.2015.4.04.7100/RS, que tramitou na 1ª Turma do Tribunal Regional da 4ª Região sob relatoria do Desembargador Federal Jorge Antonio Maurique, apontado como precedente para a edição da súmula, a seguinte ementa: "A expressão 'até o porto', contida no Regulamento Aduaneiro, não inclui despesas ocorridas após a chegada do navio a o porto. A Instrução Normativa SRF nº 327/2003, extrapolou o contido no art. 8º do Acordo de Valoração Aduaneira e art. 77 do Decreto nº 4.543, de 2002. Considerando que a capatazia é a atividade de movimentação de mercadorias nas instalações dentro do porto, logo, o que se dá após a chegada na mercadoria no porto, não pode ser considerada na composição do valor aduaneiro para fins de incidência do Imposto de Importação" (seleção e grifos nossos). 25. Observamos, por outro lado, que a amplitude da base de cálculo, ainda que consentânea com o desenho da competência atribuído pelo constituinte, e ainda que em perfeita harmonia com os acordos internacionais dos quais o Brasil participe, apenas se aperfeiçoará caso atendido o requisito da legalidade, o que nos motiva a revisitar o recorte normativo em referência a partir de diversa perspectiva. 26. Ao se analisar com o devido cuidado o estudo realizado pelo conselheiro relator do Acórdão CARF nº 3401003.137, notase o seguinte raciocínio: tanto o o teor do Ato Declaratório COANA no 3/2000, como a Instrução Normativa SRF no 327/2003, neste particular, em absolutamente nada destoam do Acordo de Valoração Aduaneira, e buscam, a bem da verdade, fazer "(...) parte de uma mesma contextualização nacional do AVA", de forma a entre tais instrumentos normativos não se encontrar dissonância, mas harmonia. 27. A ressalva que deve ser feita, com a devida vênia ao açodado voto proferido pelo conselheiro, é no sentido de que, ainda que os instrumentos infralegais sejam consentâneos com os acordos internacionais, de nada valem caso não atendido o pressuposto intransponível da legalidade. 28. Assim, da mesma maneira que ao tratado internacional não cabe criar ou majorar tributos, mas apenas traçar os limites da jurisdição de cada ente soberano,8 ocluindo 8 Conforme a didática metáfora da "máscara" ou gabarito de Klaus Vogel por cujas lacunas é permitido vazar o conteúdo eficacial dos fatos geradores instituídos pelo direito interno, ou seja, o livre e pleno exercício da pretensão tributária do Estado, e fora destes limites não. Fl. 1320DF CARF MF Processo nº 11762.720020/201417 Acórdão n.º 3401003.216 S3C4T1 Fl. 1.296 13 fatos geradores, sem, no entanto, criálos, ao texto infralegal cabe o dever de regulamentar, e não de definir a extensão e o alcance da base de cálculo. 29. Como se sabe, a Lei no 10.865/2004, ao versar sobre a base de cálculo das contribuições em análise, remeteu ao "valor aduaneiro"; não obstante, as normas infralegais que serviram para regulamentar a dicção legal se voltaram ao adjunto adverbial de lugar "até o porto" ou "até a chegada aos locais" para demonstrar a extensão de fatos econômicos que estariam compreendidos na base de cálculo do PIS/PASEPImportação e da CofinsImportação. 30. Observese que o próprio histórico realizado no voto em referência admite a polissemia e a ambigüidade do termo "até o porto", a ponto de sentir necessidade de ler a expressão em todos os idiomas em que se apresenta o texto autêntico do AVA: inglês ("to the port"), francês ("jusqu'au port") e espanhol ("hasta el puerto"). A conclusão do conselheiro, depois de sua análise, é a seguinte, e estas são as suas palavras: "(...) em todas as versões parece surgir uma ambiguidade, derivada usualmente do termo "até" (inclusive na versão inglesa, com variante do termo), sempre que o complemento seja uma coordenada de tempo (que não se consubstancie imediatamente) ou espaço (que se revele uma área, e não um ponto)" (seleção e grifos nossos). 31. Segundo seu voto, e também segundo as nossas convicções, em nenhuma das versões, ou seja, em nenhum dos idiomas em que o texto autêntico do AVA é vertido, cessa a incerteza. 32. Em seguida, o voto passou a realizar a análise internacional do tema e, ato contínuo, noticiou que a ambigüidade da expressão teria sido resolvida, no Brasil, no plano infralegal. Contudo, cabe se apontar para o fato de que a Lei no 10.865/2004, apesar de ser posterior ao Ato COANA nº 03/2000, ao Regulamento Aduaneiro de 2002, e à Instrução Normativa nº 327/2003, que incluíram na base de cálculo as despesas em análise, determinou apenas que "a base de cálculo será o valor aduaneiro" (art. 7º, inciso I). 33. Uma inflexão deve ser feita neste ponto antes de prosseguir no raciocínio: a mudança de posicionamento acerca da composição da base de cálculo por parte da própria Receita Federal entre os anos de 1998 e 2003 merece reprovação, ainda que a posição nova eventualmente melhor se harmonize com a prática internacional. Isto porque a Instrução Normativa SRF no 16/1998 nada previa quanto à inclusão das despesas de capatazia na base de cálculo das contribuições e, sem qualquer alteração legislativa, a Instrução Normativa nº 327/2003 passou a incluílas em deferência ao conteúdo de ato declaratório editado pela própria Receita Federal. É dizer: ao largo de qualquer previsão legal, e de disposição expressa do Código Tributário Nacional, conforme se desenvolverá a seguir, ato meramente regulamentar passou a incluir na base de cálculo fenômeno econômico que antes ali não estava. 34. Somente no ano de 2004 foi editada pelo Congresso Nacional e sancionada pela Presidência da República a Lei 10.865/2004. Mesmo diante do novo posicionamento da Receita Federal, pelo alargamento da base de cálculo, que passou a contemplar as despesas em debate, preferiu o legislador ordinário não demonstrar o que deveria Fl. 1321DF CARF MF 14 ser considerado na composição do valor aduaneiro, em conformidade com o inciso I do seu art. 7º, relegando a expressão "até o porto", portanto, à interpretação dos aplicadores da norma. 35. Neste sentido, ao se realizar o controle de legalidade dos atos administrativos, neste caso o lançamento tributário, ato plenamente vinculado, entendemos que a autoridade fiscal apenas pode fazer aquilo que lhe faculta a lei, e em nenhum momento encontramos este permissivo ao traçarmos, de nossa perspectiva, a moldura normativa oferecida pelo texto da Lei nº 10.865/2004. 36. A omissão do legislador, parecenos, não pode ser considerada como silêncio eloqüente, seja (i) para afirmar que endossou a interpretação administrativa exposta pela Instrução Normativa SRF no 327/2003, seja (ii) para infirmar a despesa de capatazia do valor aduaneiro. 37. A polissemia dos textos se concretiza para a contribuinte como insegurança e incerteza e, ao jurisdicionado, como deriva normativa, restandolhe aguardar, no decurso do mar tormentoso dos anos, o sabor da decisão das cortes administrativas e judiciais: "Nossa ênfase tem recaído sobre a tarefa de legislar em matéria tributária (leis e até mesmo regulamentos) de forma a atender aos requisitos de certeza, transparência, simplicidade e modicidade na relação tributária. Ou seja, não estamos a tratar da busca da praticabilidade no ato de interpretar, mas no de legislar. Uma lei tributária que imponha novo tributo – ou alteração de tributo já existente – deve evitar potenciais dificuldades de interpretação que gerem verdadeiros obstáculos ao atendimento por parte dos contribuintes, o que configuraria falta de previsibilidade e, em sua dimensão jurídica, insegurança"9 (seleção e grifos nossos). 38. Neste sentido, em atenção ao art. 59 da Constituição Federal de 1988, foi editada a Lei Complementar nº 95, de 26/02/1998, que parece ser por vezes deixada de lado no campo tributário ao determinar que as disposições normativas devem ser redigidas com clareza, precisão e ordem lógica, como no caso presente.10 39. Ocorre, contudo, que, para além da previsão da legalidade como propriedade indissociável do Estado de Direito, garantia do cidadão contra os abusos do poder, conforme se denota a partir da leitura do inciso II do art. 5ª da Constituição Federal de 1988,11 o inciso I do art. 150 veda à União Federal, como limitação ao poder de tributar, exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça, corolário do "(...) direito de concordar com a tributação e controlar o modo como os recursos arrecadados são empregados".12 Assim, em 9 ANDRADE, José Maria Arruda de. Legislador tributário precisa de mais clareza para criar segurança jurídica. Revista Consultor Jurídico, 15 de maio de 2016, 9h05 10 Lei Complementar nº 95, de 26/02/1998 Art. 11. As disposições normativas serão redigidas com clareza, precisão e ordem lógica, observadas, para esse propósito, as seguintes normas: I para a obtenção de clareza: a) usar as palavras e as expressões em seu sentido comum, salvo quando a norma versar sobre assunto técnico, hipótese em que se empregará a nomenclatura própria da área em que se esteja legislando; (...) c) construir as orações na ordem direta, evitando preciosismo, neologismo e adjetivações dispensáveis; II para a obtenção de precisão: a) articular a linguagem, técnica ou comum, de modo a ensejar perfeita compreensão do objetivo da lei e a permitir que seu texto evidencie com clareza o conteúdo e o alcance que o legislador pretende dar à norma; (...) c) evitar o emprego de expressão ou palavra que confira duplo sentido ao texto; d) escolher termos que tenham o mesmo sentido e significado na maior parte do território nacional (...). 11 Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 Art. 5º (...). II ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei 12 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. São Paulo: Editora Saraiva, 5ª edição, 2015, p. 285. Fl. 1322DF CARF MF Processo nº 11762.720020/201417 Acórdão n.º 3401003.216 S3C4T1 Fl. 1.297 15 matéria tributária, um comportamento não deve ser apenas exigido em virtude da lei, mas existe o comando expresso para que a obrigação esteja descrita, prevista, corporificada na lei. Em poucas palavras, tratamos, aqui, da chamada reserva de lei: "(...) ao legislador cumpre definir o antecedente e o conseqüente da norma tributária"13 conseqüente do qual participa, em posição privilegiada, a base de cálculo. "Chamase reserva de lei a característica, que decorre da comparação do artigo 150 com o artigo 5º: enquanto este tolera a delegação, a reserva de lei implica que somente a lei (ela mesma) é que institui ou majora tributo" (seleção e grifos nossos). 40. Partese, então, à questão sobre o que seria instituir ou majorar um tributo, o que ganha prumo a partir da análise do art. 146, II, da Constituição Federal ao dispor que cabe à lei complementar "regular as limitações ao poder de tributar". 41. No ordenamento pátrio, a matéria tributária é regida pelo Código Tributário Nacional que, em geral, cumpre a função prevista pelo inciso II do art. 146 da Constituição. Em seu art. 97 explicita em suas minúcias o conteúdo e a expressão da legalidade, o que serve de norte magnético para o intérprete que se volta ao estudo da base de cálculo: Código Tributário Nacional Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. § 1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. § 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. 42. Todos os momentos da hipótese da relação jurídicotributária devem estar previstos em lei. Em especial, somente a lei pode estabelecer a base de cálculo do tributo. Por outro lado, para que não restem dúvidas, prevê expressamente o § 1º do art. 97 do CTN que a modificação da base de cálculo do tributo se equipara à sua majoração. Em outras palavras: "(...) não se contenta o legislador complementar em exigir que o tributo seja genericamente previsto na lei; tampouco lhe basta a definição da hipótese tributária na lei: também o consequente normativo, isto é o an e o quantum 13 Idem, p. 296. Fl. 1323DF CARF MF 16 debeatur, representados pela definição do sujeito passivo, da base de cálculo e da alíquota, todos devem ser previstos na própria lei".14 43. Não há possibilidade de se prever extensão da base de cálculo de um determinado tributo, portanto, por meio de atos infralegais, salvo naqueles casos expressamente discriminados pela própria norma de regência. Dito de outro modo, o regulamento não é instrumento hábil para a criação ou para a majoração de tributos, e tampouco para a modificação da base de cálculo do tributo que se equipara, ex lege, à sua majoração. Não se concebe que, sem lei, ou, diante da ambiguidade da lei, busquese uma extensão interpretativa unicamente porque este é o valor defendido pelo aplicador. 44. Sem o lastro positivo, o argumento formulado assume feição contramajoritária. Sem o fundamento legal expresso, a decisão cujas razões se apóiam unicamente em construtos doutrinários, sejam nacionais ou internacionais, é inválida. Isto porque a liberdade puramente subjetiva de estabelecer valores “conduz a uma luta eterna de valores e de ideologias, a uma guerra de todos contra todos (...). O que para um é o diabo, para outro é Deus”;15 os valores valem para algo e para alguém – sua dimensão incontida pela falta de deferência ao direito posto apenas conduz à tiranização dos demais elementos que compõem a decisão, e o que resta, a bem da verdade, é a vontade do aplicador manifestada sob um discurso legitimador que ora se vale da doutrina (nacional e internacional), de princípios, de postulados, de interpretações que flertam com a reconstrução histórica de uma pretensa mens legislatoris, e de outros expedientes retóricoracionais.16 O que não se pode obviar, contudo, é a determinação expressa de que, salvo em casos pontuais, a base de cálculo deve estar definida em lei ordinária, por dicção do art. 97 do Código Tributário Nacional. 45. Observese, ademais, a importância da base de cálculo entre todos os elementos constitutivos da obrigação tributária. 46. Recortase do recurso voluntário da contribuinte que os valores acrescidos à base de cálculo alargada das contribuições incidentes sobre a importação correspondem aos custos operacionais com a remuneração de empregados, relacionados ao desenvolvimento de sua atividade precípua (exportação e importação de carvão), e não integrariam, por este motivo, o valor da transação comercial. Do que decorre a questão sobre quais despesas devem ou não ser consideradas “despesas de capatazia”, extensão esta que, à revelia de lei que o defina, fica a cargo da discricionariedade do aplicador, a quem caberá dizer, no caso concreto por exemplo, se o custo pode ou não ser tido como despesa, e, se em caso positivo, em que medida. 47. A questão, portanto, não parece se voltar à indeterminação, pois tal raciocínio redundaria na falácia corporificada na expressão latina de que "in claris cessat interpretatio": "(...) Ao contrário do que muitas vezes aparece na doutrina, não se trata 14 Idem, p. 299. 15 SCHMITT, Carl. “La tiranía de los valores”, In: Revista de Estudios Politicos nº 115, Madrid: Instituto de Estudios Políticos, Enero/Febrero de 1961, p. 75: “(...) ao final da luta entre valorizadores e desvalorizadores se ouvirá em ambos os bandos um horrível pereat mundus”. 16 Supremo Tribunal Federal – ADPF nº 101/DF (24/06/2009) – Trecho do voto do Ministro Eros Grau“(...) quem estabelece os valores? Ora, os valores não são, existem apenas enquanto dotados de validez. Valem para algo ou para alguém. Em outros termos, existem somente enquanto valem para alguém; ou, por outra, não existem (...) A submissão de todos nós a essa tirania é tanto mais grave quanto se perceba que os juristas em especial os juízes quando operam a ponderação entre princípios fazemno, repito, para impor os seus valores, no exercício de pura discricionariedade” Fl. 1324DF CARF MF Processo nº 11762.720020/201417 Acórdão n.º 3401003.216 S3C4T1 Fl. 1.298 17 simplesmente do uso ou não de 'conceitos indeterminados' ou de 'termos vagos'". Nas palavras de José Maria Arruda de Andrade, em texto recémpublicado: "Os conceitos são, todos eles, indeterminados. Aprendemos a reagir a comandos e não a acessar essências objetivamente existentes; a linguagem nos serve como instrumentos e ferramentas de interação. Ainda assim, quando pugnamos pela necessidade de se evitar leis obscuras e desnecessariamente complexas, pensamos justamente nos ecletismos, obscurantismos e na falta ou excesso de regulamentação infralegal, sempre potencialmente marcados pela sombra nefasta do consequencialismo interpretativo (aqui, representado na figura da interpretação fazendária que busca entre as possíveis alternativas de sentido apenas a que permita a maior arrecadação)" (seleção e grifos nossos).17 48. Observese que mesmo diante da crítica a tal conclusão, no sentido de que também o contribuinte buscará, entre as possíveis alternativas de sentido, apenas a que permita a menor arrecadação, assentese que se está diante de uma tensão, de interesses em disputa e, por isso mesmo, a nenhuma das pontas da relação (recordese: obrigacional, jurídico tributária, e não de poder ou império) deve ser permitido o acesso à interpretação autêntica naquelas matérias que são reservadas, ratione materiae, à lei, tal como ocorre com relação à base de cálculo ora em debate. 49. Assim, com base nos fundamentos acima expostos, voto pelo provimento do recurso voluntário neste particular para a finalidade de excluir as despesas de capatazia da base de cálculo do PIS/PASEPImportação e da CofinsImportação. II. 2. Da inconstitucionalidade da parte final do inciso I do art. 7º da Lei nº 10.865/2004 50. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário n° 559.007, ao qual foi aplicado o regime da repercussão geral, declarou a inconstitucionalidade da parte final do inciso I do artigo 7° da Lei n° 10.865, de 30/04/2004, tendo afastado da norma, conseqüentemente, o alargamento do conceito de valor aduaneiro decorrente da expressão "acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições". 51. Em consonância com aludida decisão, transitada em julgado em 24/10/2014, a redação atual do dispositivo em comento, a base de cálculo do PIS/Pasep importação e da COFINSImportação sobre "a entrada de bens estrangeiros no território nacional" (inciso I do caput do artigo 3°) deverá ser "o valor aduaneiro", redação dada, ademais, pelo artigo 26 da Lei n° 12.865, de 09/10/2013. 17 ANDRADE, José Maria Arruda de. Legislador tributário precisa de mais clareza para criar segurança jurídica. Revista Consultor Jurídico, 15 de maio de 2016, 9h05 Fl. 1325DF CARF MF 18 52. Em atenção ao art. 62, § 2o do Anexo II do Regimento Interno do CARF, deve este Conselho reproduzir a decisão definitiva de mérito proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal pela sistemática da repercussão geral, prevista no art. 543B do Código de Processo Civil. 53. Assim, como tem reconhecido este colegiado mesmo de ofício, em escorreito cumprimento ao regimento em vigor, devem ser excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEPimportação e da COFINSimportação, nas autuações, as parcelas referentes ao ICMS e às próprias contribuições. Com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, (a) negar provimento ao recurso de ofício, mantendo a decisão de primeira instância administrativa que afastou a multa regulamentar de 1%; e (b) dar provimento integral ao recurso voluntário interposto, excluindose da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEPimportação e da COFINSimportação as parcelas referentes às (b.1) despesas de capatazia, (b.2) ao ICMS e ao valor das próprias contribuições. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Fl. 1326DF CARF MF Processo nº 11762.720020/201417 Acórdão n.º 3401003.216 S3C4T1 Fl. 1.299 19 Voto Vencedor Conselheiro Rosaldo Trevisan, redator designado, Manifesto por meio do presente voto divergência em relação ao posicionamento externado pelo relator no que se refere à inclusão de despesas de carga, descarga e manuseio na base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEPimportação e da COFINSimportação, divergência essa que acabou majoritariamente prevalecendo no seio do colegiado, na apreciação da lide. No entanto, agrego a este voto, sem o caráter vencedor, o esclarecimento de que a acordância com o posicionamento externado pelo relator (e, por consequência, pela DRJ), em relação à matéria sujeita a recurso de ofício, não é total, em que pese isso não afetar o resultado do julgamento, nem de meu voto, na sessão de maio de 2016. Faço a ressalva por entender que a enumeração constante do § 1o do artigo 711 do Regulamento Aduaneiro não é exaustiva, mas exemplificativa. No que se refere à inclusão na base de cálculo das contribuições, a divergência tem por fundamento posicionamento que venho externando neste colegiado recorrentemente (v.g., nos Acórdãos no 3401003.137 e 3401003.138), à luz de análise internacional e nacional do tema. Análise internacional (AVAGATT e as despesas com carga, descarga e manuseio) Como a disciplina aduaneira, desde a metade do século passado, sofre um crescente processo de internacionalização, tornase primordial, a nosso ver, focar inicialmente na legislação internacional.18 Apesar de estarmos analisando, no presente processo, a base de cálculo de tributos nacionais (Contribuição para o PIS/PASEPimportação e COFINSimportação), a Lei Lei no 10.865/2004, ao versar sobre a base de cálculo das contribuições, remeteu ao "valor aduaneiro", termo internacionalmente disciplinado e utilizado como base de cálculo do imposto de importação. Assim, qualquer discussão sobre o conteúdo do "valor aduaneiro" deve iniciar com a análise do acordo internacional que regula a matéria. A base de cálculo do imposto de importação é, hoje, determinada, em regra, segundo o Acordo de Valoração Aduaneira (AVA), resultante da Rodada Uruguai do GATT (Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio), que, no Brasil, foi regularmente incorporado ao ordenamento jurídico nacional, tendo sido aprovado pelo Decreto Legislativo no 30/1994 e 18 Sobre o processo de internacionalização, já tratamos em "Direito Aduaneiro no Brasil: a Hora e a Vez da Internacionalização", In: TREVISAN, Rosaldo. Temas Atuais de Direito Aduaneiro II. São Paulo: LEX, 2015, p. 1160. Fl. 1327DF CARF MF 20 promulgado pelo Decreto no 1.355/1994. E as discussões sobre estar o Brasil (ou outro país participante) ou não cumprindo tal acordo podem ser suscitadas junto à Organização Mundial do Comércio (OMC), desde sua criação, em 1995, no bojo do Mecanismo de Soluções de Controvérsias da OMC, aprovado na mesma Rodada Uruguai. E o AVA prevê que a base de cálculo do imposto de importação será o "valor aduaneiro", estabelecido segundo seis métodos sequenciais e sucessivos, consagrandose o primado do valor da transação, com os ajustes (obrigatórios e facultativos) previstos no acordo. Um dos ajustes facultativos está previsto no Artigo 8,2 do Acordo:19 "(...) 2. Ao elaborar sua legislação, cada Membro deverá prever a inclusão ou a exclusão, no valor aduaneiro, no todo ou em parte, dos seguintes elementos: (a) o custo de transporte das mercadorias importadas até o porto ou local de importação; (b) os gastos relativos ao carregamento descarregamento e manuseio associados ao transporte das mercadorias importadas até o porto ou local de importação; e (...)." (grifo nosso) Entretanto, o texto autêntico do AVA, conforme o Acordo Constitutivo da OMC, foi concluído nos idiomas inglês, francês e espanhol. Assim, a versão em língua portuguesa, no que destoar da constante dos textos autênticos, não prevalece, nas discussões no âmbito da OMC. No caso em análise, não parecem existir divergências na tradução que afetem a compreensão do Artigo 8,2, como se vê nos textos do AVA em inglês, francês e espanhol: Inglês: "2. In framing its legislation, each Member shall provide for the inclusion in or the exclusion from the customs value, in whole or in part, of the following: (a) the cost of transport of the imported goods to the port or place of importation; (b) loading, unloading and handling charges associated with the transport of the imported goods to the port or place of importation; and (...)" (grifo nosso) Francês: "2. Lors de l'élaboration de sa législation, chaque Membre prendra des dispositions pour inclure dans la valeur en douane, ou en exclure, en totalité ou en partie, les éléments suivants: a) frais de transport des marchandises importées jusqu'au port ou lieu d'importation, b) frais de chargement, de déchargement et de manutention connexes au transport des marchandises importées jusqu'au port ou lieu d'importation, et (...)"(grifo nosso) Espanhol: "2. En la elaboración de su legislación cada Miembro dispondrá que se incluya en el valor en aduana, o se excluya del mismo, la totalidad o una parte de los elementos siguientes: 19 Texto em língua portuguesa retirado do Decreto n. 1.355/1994. Fl. 1328DF CARF MF Processo nº 11762.720020/201417 Acórdão n.º 3401003.216 S3C4T1 Fl. 1.300 21 a) los gastos de transporte de las mercancías importadas hasta el puerto o lugar de importación; b) los gastos de carga, descarga y manipulación ocasionados por el transporte de las mercancías importadas hasta el puerto o lugar de importaci ón; y (...)" (grifo nosso) Contudo, em todas as versões parece surgir uma ambiguidade, derivada usualmente do termo "até" (inclusive na versão inglesa, com variante do termo), sempre que o complemento seja uma coordenada de tempo (que não se consubstancie imediatamente) ou espaço (que se revele uma área, e não um ponto). Quando dizemos que um seguro é vigente até o dia "X" (por exemplo, 14 de fevereiro de 2016), estamos, incluindo ou excluindo o dia 14 de fevereiro de 2016? A meu ver, estamos incluindo, mas isso poderia ser objeto de controvérsia interpretativa. Daí os contratos de seguro estabelecerem, em regra, que a cobertura cessa a um horário determinado (horas, minutos e segundos) do dia "X", para tornar inequívoca a acepção, estabelecendo coordenada de tempo que se consubstancia imediatamente. No caso, uma alternativa à solução da ambiguidade seria simplesmente esclarecer, no contrato, que "o seguro já não estará vigente no dia 15 de fevereiro de 2016, e daí para diante". Da mesma forma, quando dizemos que podem (a critério dos países membros) ser incluídos custos de transporte, e de carga (ou carregamento), descarga (ou descarregamento) e manuseio a ele associados, "até o porto", que é uma área, e não um ponto (aliás isso resta claro no art. 3o, I "a" do Regulamento Aduaneiro brasileiro Decreto no 6.759/2009), estamos nos referindo inclusive a gastos incorridos no porto, como a descarga? E uso, na pergunta, a descarga (ao invés da carga e do manuseio), propositalmente, porque é pouco provável que venha a existir descarga no porto de embarque, no exterior. Estaria o legislador internacional disciplinando, v.g., com o termo "descarga", presente em todos os idiomas do AVA, somente os casos em que a mercadoria sofresse a operação em ponto intermediário do transporte? Entendemos que não, e estamos, com tal visão, na companhia de um dos maiores especialistas do mundo em valoração aduaneira, o argentino Daniel ZOLEZZI, que foi presidente do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira da Organização Mundial das Aduanas (Conselho de Cooperação Aduaneira), e, em sua conhecida obra sobre o tema, revelou: "Los gastos de descarga, por lo general, sólo tienen lugar en el puerto o lugar de importación, hecho que los redactores del Acuerdo conocían bien. Si hubieran pensado incluir en la base de valoración únicamente a los gastos de descarga en los que se incurre en puertos o lugares intermedios, la redacción del Artículo 8 del Acuerdo hubiera sido otra".20 E a forma de incorporação das disposições do AVA por alguns blocos econômicos/regionais endossa as considerações que fizemos sobre a "descarga", com apoio em ZOLEZZI. Vejase como a Comunidade Andina (CAN) disciplinou a faculdade concedida pelo Artigo 8,2 do AVA, na Decisão no 378/1995: 20 ZOLEZZI, Daniel. Valor en Aduana (Código Universal de la OMC). Buenos Aires: La Ley, 2003, p. 198. Fl. 1329DF CARF MF 22 "Art. 5. Todos los elementos descritos en el numeral 2 del artículo 8 del Acuerdo del Valor del GATT de 1994 formarán parte del valor en aduana, excepto los gastos de descarga y manipulación en el puerto o lugar de importación, siempre que se distingan de los gastos totales de transporte. (...) Art. 6. A los efectos del artículo 8, numeral 2 del Acuerdo del Valor del GATT de 1994, se entenderá por "lugar de importación" la primera oficina aduanera del territorio del País Miembro en la que la mercancía deba ser sometida a formalidades aduaneras." Não teve dúvida o legislador andino de que o Artigo 8,2 do AVA regulou a descarga no país importador. Caso contrário, não haveria sequer de cogitar a exclusão dos custos com descarga no porto ou local de importação. Também a União Europeia, em suas três codificações, tratou do tema, cabendo aqui mencionar a última Regulamento UE no 952/2013, especificamente em seu artigo 71, 1, "e", que considera, no valor aduaneiro: "e) As seguintes despesas, até ao local onde as mercadorias são introduzidas no território aduaneiro da União: i) as despesas de transporte e de seguro das mercadorias importadas, e ii) as despesas de carga e de manutenção conexas com o transporte das mercadorias importadas." Ausente, também aí, a "descarga". Entretanto, patente a restrição ao Art. 8,2 do AVA, com a menção a "introdução no território aduaneiro da União". O MERCOSUL, por seu turno, resolveu simplesmente transformar a faculdade outorgada no Art. 8,2 do AVA em obrigatoriedade, como resta claro do Artigo 5o da "Norma de Aplicação sobre a Valoração Aduaneira de Mercadorias", Anexa à Decisão do Conselho do Mercado Comum (CMC) no 13/2007 (incorporada ao ordenamento jurídico brasileiro pelo Decreto no 6.780/2009): "Artigo 5. Ao valor aduaneiro serão incluídos os seguintes elementos: a) os gastos de transporte das mercadorias importadas até o porto ou lugar de importação; b) os gastos com carga, descarga e manuseio, ocasionados pelo transporte das mercadorias importadas até o porto ou lugar de importação; c) o custo do seguro das mercadorias." (grifo nosso) A referida Decisão CMC até tentou, em seu artigo 6o, seguir a linha adotada na União Europeia, de que "o porto ou lugar de importação" seria o ponto de introdução das mercadorias no território aduaneiro do bloco, mas teve que recuar, no art. 27, em função da inexistência, até a aprovação do Código Aduaneiro do MERCOSUL, de precisa identificação do que seja efetivamente o "território aduaneiro do MERCOSUL". Em síntese, o MERCOSUL fez exatamente o que o Brasil já havia feito ao incorporar o acordo de valoração aduaneira resultante da Rodada Tóquio do GATT, basicamente com as mesmas disposições, no Decreto no 92.930/1986 (art. 2o). No mesmo sentido, a Argentina editou o Decreto no 1.026/1987 (com a inclusão no art. 5o). Fl. 1330DF CARF MF Processo nº 11762.720020/201417 Acórdão n.º 3401003.216 S3C4T1 Fl. 1.301 23 Há que se destacar, assim, na análise internacional, que não há qualquer comando em tratado internacional vigente que obrigue expressamente nem a inclusão nem a exclusão das despesas com operações de carga, descarga e manuseio realizadas no porto ou local de importação como decorrência de (ou associadas a) um transporte internacional. No acervo de contenciosos da OMC,21 não consta que o tema aqui em análise tenha sido discutido. Dos 17 contenciosos sobre o AVA, a maioria se refere a tratamento aplicável a mercadorias específicas, e os dois que envolvem o Brasil (DS183 e DS197, ambos em fase de consultas) tratam de "preços mínimos". Assim, não há vestígio de regulação específica da matéria na organização internacional que administra o AVA, nem em seu Comitê de Valoração Aduaneira (CVA), nem no Comitê Técnico de Valoração Aduaneira (CTVA) da Organização Mundial de Aduanas (OMA), também expressamente mencionado como competente para o tratamento do tema no próprio AVA. 22 Incorreto, assim, afirmarse que a vedação à inclusão das despesas com operações de carga, descarga e manuseio realizadas no porto ou local de importação como decorrência de (ou associadas a) um transporte internacional encontra expressa vedação no AVA. E tal afirmação incorreta está presente, inclusive, em julgamento efetuado pela Primeira Turma do STJ, ainda que por voto de desempate da Min. Regina Helena Costa, no RESp no 1.239.625/SC: 23 "TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. VALOR ADUANEIRO. DESPESAS DE CAPATAZIA. INCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 4º, § 3º, DA IN SRF 327/2003. ILEGALIDADE. 1. Cingese a controvérsia em saber se o valor pago pela recorrida ao Porto de Itajaí, referente às despesas incorridas após a chegada do navio, tais como descarregamento e manuseio da mercadoria (capatazia), deve ou não integrar o conceito de "Valor Aduaneiro", para fins de composição da base de cálculo do Imposto de Importação. 2. Nos termos do artigo 40, § 1º, inciso I, da atual Lei dos Portos (Lei 12.815/2013), o trabalho portuário de capatazia é definido como "atividade de movimentação de mercadorias nas instalações dentro do porto, compreendendo o recebimento, conferência, transporte interno, abertura de volumes para a conferência aduaneira, manipulação, arrumação e entrega, bem como o carregamento e descarga de embarcações, quando efetuados por aparelhamento portuário". 3. O Acordo de Valoração Aduaneiro e o Decreto 6.759/09, ao mencionar os gastos a serem computados no valor 21 Disponível em: https://www.wto.org/english/tratop_e/dispu_e/dispu_agreements_index_e.htm?id=A27. Acesso em: 08.fev.2016. 22 O CTVA da OMA já emitiu 7 Decisões, e diversas opiniões consultivas, comentários e notas explicativas, trazendo ainda o sítio web da organização (http://www.wcoomd.org/en/topics/valuation/instrumentsand tools/decisions_of_the_wto_committee_on_customs_valuation.aspx) alguns estudos de caso. 23 Após o votovista do Sr. Ministro Ari Pargendler conhecendo do recurso especial, mas negandolhe provimento, acompanhando o voto do Sr. Ministro Relator, e o voto do Sr. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho acompanhando o voto divergente do Sr. Ministro Sérgio Kukina, verificouse o empate, suspendendose o julgamento do feito até a composição do "quorum". Prosseguindo o julgamento, após o votodesempate da Sra. Ministra Regina Helena Costa, a Turma, por maioria, vencidos os Srs. Ministros Sérgio Kukina e Napoleão Nunes Maia Filho, negou provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Fl. 1331DF CARF MF 24 aduaneiro, referemse à despesas com carga, descarga e manuseio das mercadorias importadas até o porto alfandegado. A Instrução Normativa 327/2003, por seu turno, referese a valores relativos à descarga das mercadorias importadas, já no território nacional. 4. A Instrução Normativa 327/03 da SRF, ao permitir, em seu artigo 4º, § 3º, que se computem os gastos com descarga da mercadoria no território nacional, no valor aduaneiro, desrespeita os limites impostos pelo Acordo de Valoração Aduaneira e pelo Decreto 6.759/09, tendo em vista que a realização de tais procedimentos de movimentação de mercadorias ocorre apenas após a chegada da embarcação, ou seja, após a sua chegada ao porto alfandegado. 5. Recurso especial não provido" (grifo nosso) A nosso ver, o tribunal superior realizou uma análise eminentemente nacional (à luz da legislação nacional e da acepção nacional de termos, conforme se depreende do item 2 da ementa) de um tratado internacional, deturpando o teor internacionalmente consagrado dos termos do acordo. Confundese, na decisão da corte, por exemplo, chegada da mercadoria com atracação do navio (conforme se depreende do item 1 da ementa). Por certo que chegada da embarcação é algo que não se confunde com chegada da mercadoria. Uma mercadoria chega ao porto quando nele toca em solo, ou é descarregada em caminhões, esteiras, silos, tanques etc., enquanto que uma embarcação chega ao porto simplesmente quando nele atraca.24 Analisar um acordo internacional com base no entendimento nacional sobre seus termos é, basicamente, descumprir o acordo, o que inclusive permite a discussão em foros internacionais competentes. Por isso, vemos com preocupação a decisão do STJ, reiterese, tomada por desempate, deficiente na análise internacional do tema, o que acabou por distorcer a discussão, e, por consequência, a conclusão alcançada. Acrescentese ainda, nesta análise internacional, que a faculdade outorgada pelo Art. 8,2 do AVA é uma faculdade de adotar bases "FOB" (Free on Board) ou "CIF" (Cost, Insurance and Freight) nas operações. A própria OMC, em seu sítio web, em tópico relativo a informações técnicas sobre valoração aduaneira, esclarece que a faculdade concedida no Art. 8, 2 é pertinente no caso de a países que adotam a valoração em base CIF (Cost, Insurance and Freight).25 No Brasil, é usual dizermos que adotamos bases "CIF" de valoração na importação, e bases "FOB" na importação. Os termos "FOB" e "CIF" são internacionalmente consagrados, e representam dois dos onze INCOTERMS®, termos internacionais de comércio ("international comercial terms") surgidos em 1936, e que, após revisões em 1953, 1967, 1976, 1980, 1990 e 2000, chegaram à versão de 2010, veiculada na Publicação no 715/2010, da CCI (Câmara Internacional de Comércio), e reconhecidos, no Brasil, pela Resolução CAMEX no 21/2011, que assim designa os INCOTERMS "FOB" E "CIF": "FOB FREE ON BOARD (named port of shipment) LIVRE A BORDO (porto de embarque nomeado) O vendedor encerra suas obrigações e responsabilidades quando a mercadoria, desembaraçada para a exportação, é entregue, arrumada, a bordo do navio no porto de embarque, ambos indicados pelo 24 A única hipótese em que uma atracação corresponderia a uma chegada de mercadoria ao porto seria se a própria embarcação fosse a mercadoria importada, transportada por "meios próprios" (v.g., no caso de importação, por empresa brasileira, de navio que chega ao país navegando, e não carregado em um outro navio). 25 Disponível em: https://www.wto.org/english/tratop_e/cusval_e/cusval_info_e.htm. Acesso em 08.fev.2016. Fl. 1332DF CARF MF Processo nº 11762.720020/201417 Acórdão n.º 3401003.216 S3C4T1 Fl. 1.302 25 comprador, na data ou dentro do período acordado. Utilizável exclusivamente no transporte aquaviário (marítimo ou hidroviário interior). CIF COST, INSURANCE AND FREIGHT (named port of destination) CUSTO, SEGURO E FRETE (porto de destino nomeado) Além de arcar com obrigações e riscos previstos para o termo FOB, o vendedor contrata e paga frete, custos e seguro relativos ao transporte da mercadoria até o porto de destino combinado. Utilizável exclusivamente no transporte aquaviário (marítimo ou hidroviário interior)" (grifo nosso) Não é preciso muito esforço para concluir que o Brasil adotou base mais próxima do CIF (com seguro e frete) nas importações, ao incluir os ajustes que o AVA considerou facultativos (Art. 8,2).26 Mas o que buscamos é destacar que também aí, no INCOTERM "CIF", está presente a expressão "até o porto de destino". Vejamos, então, como é entendida, na única tradução efetuada no Brasil, por especialista em publicações da CCI: "O vendedor deve pagar todas as despesas relativas às mercadorias, até que tenham sido entregues ao transportador, a bordo do navio, mais o frete o outros custos para enviar a mercadoria até o local de destino, incluindo as despesas de descarregamento".27 Dito isso, e verificado, por diversos meios, em com variados exemplos, que não há óbice internacional à inclusão das despesas com operações de carga, descarga e manuseio realizadas no porto ou local de importação como decorrência de (ou associadas a) um transporte internacional, passase à análise da legislação brasileira, pois, como nos exemplos trazidos na discussão internacional, a própria legislação nacional (ou mesmo regional, no caso de blocos econômicos) pode limitar tal inclusão, tendo em conta que o Art. 8,2 do AVA estabelece tão somente uma faculdade. Análise nacional, no Brasil (AVAGATT e as despesas com carga, descarga e manuseio) A análise nacional, no Brasil, inicia com o Decreto no 2.498/1998, primeira disciplina brasileira da matéria na era pósOMC, que se limitou a copiar o texto do Art. 8,2 do AVA em seu artigo 17:28 "Art. 17. No valor aduaneiro, independentemente do método de valoração utilizado, serão incluídos (parágrafo 2 do artigo 8 do Acordo de Valoração Aduaneira): 26 É nesse sentido o voto da Ministra Ellen Gracie no RE n.559.937/RGRS: "Cabe observar que o valor aduaneiro compreende também os custos de transporte, de carga, descarga e manuseio e de seguro, de modo que corresponda ao valor do produto posto no país importador, ou seja, ao preço CIF (cost, insurance and freight) e não ao simples preço FOB (free on board)." 27 LUNARDI, Angelo Luiz. Condições Internacionais de Compra e Venda INCOTERMS 2010. 4. ed. São Paulo: Aduaneiras, 2014, p.137. 28 Já havia disciplina anterior em relação ao acordo de valoração aduaneira celebrado na Rodada Tóquio do GATT, em 1979, e promulgado pelo Decreto n. 92.930/1986, que, como já exposto, tornou, em seu art. 2o, obrigatória a inclusão dos elementos relacionados no Art. 8,2 (que não foi alterado na substância). Tal decreto era disciplinado pela IN SRF n. 39/1994. Fl. 1333DF CARF MF 26 I o custo de transporte das mercadorias importadas até o porto ou local de importação; II os gastos relativos a carga, descarga e manuseio, associados ao transporte das mercadorias importadas até o porto ou local de importação; e III o custo do seguro nas operações referidas nos incisos I e II". Em relação à disciplina procedimental, a primeira norma da era pósOMC a tratar da matéria, no Brasil, foi a Instrução Normativa SRF no 16/1998, em seus arts. 2o e 3o: "Art. 2o Na apuração do valor aduaneiro, qualquer que seja a condição de entrega da mercadoria negociada entre o importador e o exportador, bem como o método de valoração utilizado, serão incluídos os seguintes elementos: I o custo de transporte da mercadoria importada até o porto ou aeroporto alfandegado de descarga ou o ponto de fronteira alfandegado onde devam ser cumpridas as formalidades de entrada no território aduaneiro; II os gastos relativos a carga, descarga e manuseio, associados ao transporte da mercadoria até a chegada aos locais referidos no inciso anterior; e III o custo do seguro da mercadoria durante as operações indicadas nos incisos anteriores." "Art. 3o O valor aduaneiro não abrangerá os seguintes encargos ou custos, desde que estejam destacados do preço efetivamente pago ou a pagar pela mercadoria importada, na respectiva documentação comprobatória: I custos de transporte e seguro, bem como os gastos associados a esse transporte, incorridos no território aduaneiro, a partir dos locais referidos no inciso I do artigo anterior; e II encargos relativos a construção, instalação, montagem, manutenção ou assistência técnica da mercadoria importada, executados após a importação." Veja que a norma trabalha com as expressões "até a chegada aos locais" (ao se referir ao excerto do AVA que usa "até o porto ou local" Art. 8,2) e "a partir dos locais" (ao se referir ao excerto do AVA que faz menção a custos de transporte "após a importação" Nota Interpretativa ao Artigo 1,3). Busca, assim, resolver o aparente conflito interpretativo a partir de uma fórmula parecida com a que adotamos no exemplo do seguro do automóvel, no tópico anterior deste voto ("o seguro já não estará vigente no dia 15 de fevereiro de 2016, e daí para diante"). No Brasil, somente nos portos, aeroportos e pontos de fronteira alfandegados (conhecidos como locais de "zona primária") poderá efetuarse a entrada ou a saída de mercadorias procedentes do exterior ou a ele destinadas (art. 8o do Regulamento Aduaneiro). Assim, objetivou a Instrução Normativa esclarecer que ficava vedada a inclusão, no valor aduaneiro, de qualquer custo incorrido "do portão para fora" do porto, por exemplo. Fl. 1334DF CARF MF Processo nº 11762.720020/201417 Acórdão n.º 3401003.216 S3C4T1 Fl. 1.303 27 E tal fórmula se repetiu em normas posteriores, chegando aos Regulamentos Aduaneiros de 2002 e 2009. E dela decorre o Ato Declaratório da CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (AD COANA) no 3/2000: "Os gastos relativos à descarga e ao manuseio de mercadorias importadas, associados ao transporte internacional, integram o valor aduaneiro, independentemente da responsabilidade pelo ônus financeiro e da denominação adotada". No Regulamento Aduaneiro de 2002 (Decreto no 4.543/2002), a matéria foi disciplinada nos artigos 77 e 79: "Art. 77. Integram o valor aduaneiro, independentemente do método de valoração utilizado (Acordo de Valoração Aduaneira, Artigo 8, parágrafos 1 e 2, aprovado pelo Decreto Legislativo no30, de 1994, e promulgado pelo Decreto no1.355, de 1994):(Redação dada pelo Decreto nº 4.765, de 24.6.2003) I o custo de transporte da mercadoria importada até o porto ou o aeroporto alfandegado de descarga ou o ponto de fronteira alfandegado onde devam ser cumpridas as formalidades de entrada no território aduaneiro; II os gastos relativos à carga, à descarga e ao manuseio, associados ao transporte da mercadoria importada, até a chegada aos locais referidos no inciso I; e III o custo do seguro da mercadoria durante as operações referidas nos incisos I e II." (grifo nosso) "Art. 79. Não integram o valor aduaneiro, segundo o método do valor de transação, desde que estejam destacados do preço efetivamente pago ou a pagar pela mercadoria importada, na respectiva documentação comprobatória (Acordo de Valoração Aduaneira, Artigo 8, parágrafo 2, aprovado pelo Decreto Legislativo no 30, de 1994, e promulgado pelo Decreto no1.355, de 1994): I os encargos relativos à construção, à instalação, à montagem, à manutenção ou à assistência técnica, relacionados com a mercadoria importada, executados após a importação; e II os custos de transporte e seguro, bem assim os gastos associados ao transporte, incorridos no território aduaneiro, a partir dos locais referidos no inciso I do art. 77." (grifo nosso) E, disciplinando o disposto no Regulamento Aduaneiro de 2002, que, em seu art. 731, XX, expressamente revogou o Decreto no 2.498/1998, foi editada a Instrução Normativa SRF no 327/2003, hoje vigente, que tratou do tema em seus arts. 4o e 5o, incorporando, no § 3o do art. 4o, grosso modo, o conteúdo do AD COANA no 3/2000: "Art. 4o Na determinação do valor aduaneiro, independentemente do método de valoração aduaneira utilizado, serão incluídos os seguintes elementos: Fl. 1335DF CARF MF 28 I o custo de transporte das mercadorias importadas até o porto ou aeroporto alfandegado de descarga ou o ponto de fronteira alfandegado onde devam ser cumpridas as formalidades de entrada no território aduaneiro; II os gastos relativos a carga, descarga e manuseio, associados ao transporte das mercadorias importadas, até a chegada aos locais referidos no inciso anterior; e III o custo do seguro das mercadorias durante as operações referidas nos incisos I e II. (...) § 3o Para os efeitos do inciso II, os gastos relativos à descarga da mercadoria do veículo de transporte internacional no território nacional serão incluídos no valor aduaneiro, independentemente da responsabilidade pelo ônus financeiro e da denominação adotada." (grifo nosso) "Art. 5o No valor aduaneiro não serão incluídos os seguintes encargos ou custos, desde que estejam destacados do preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas, na respectiva documentação comprobatória: I custos de transporte e seguro, bem assim os gastos associados a esse transporte, incorridos no território aduaneiro, a partir dos locais referidos no inciso I do artigo anterior; e II encargos relativos a construção, instalação, montagem, manutenção ou assistência técnica da mercadoria importada, executadas após a importação." (grifo nosso) Por fim, o Regulamento Aduaneiro vigente (Decreto no 6.759/2009), em seus arts. 77 e 79, mantém a linha adotada no anterior, em relação ao tema: "Art. 77. Integram o valor aduaneiro, independentemente do método de valoração utilizado (Acordo de Valoração Aduaneira, Artigo 8, parágrafos 1 e 2, aprovado pelo Decreto Legislativo no30, de 1994, e promulgado pelo Decreto no1.355, de 1994; e Norma de Aplicação sobre a Valoração Aduaneira de Mercadorias, Artigo 7o, aprovado pela Decisão CMC no13, de 2007, internalizada pelo Decreto no6.870, de 4 de junho de 2009):(Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 2010). I o custo de transporte da mercadoria importada até o porto ou o aeroporto alfandegado de descarga ou o ponto de fronteira alfandegado onde devam ser cumpridas as formalidades de entrada no território aduaneiro; II os gastos relativos à carga, à descarga e ao manuseio, associados ao transporte da mercadoria importada, até a chegada aos locais referidos no inciso I; e III o custo do seguro da mercadoria durante as operações referidas nos incisos I e II." (grifo nosso) "Art. 79. Não integram o valor aduaneiro, segundo o método do valor de transação, desde que estejam destacados do preço Fl. 1336DF CARF MF Processo nº 11762.720020/201417 Acórdão n.º 3401003.216 S3C4T1 Fl. 1.304 29 efetivamente pago ou a pagar pela mercadoria importada, na respectiva documentação comprobatória (Acordo de Valoração Aduaneira, Artigo 8, parágrafo 2, aprovado pelo Decreto Legislativo no30, de 1994, e promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 1994): I os encargos relativos à construção, à instalação, à montagem, à manutenção ou à assistência técnica, relacionados com a mercadoria importada, executados após a importação; e II os custos de transporte e seguro, bem como os gastos associados ao transporte, incorridos no território aduaneiro, a partir dos locais referidos no inciso I do art. 77." (grifo nosso) Não se vê, pelos textos aqui transcritos, nenhuma incompatibilidade entre os dispositivos normativos apontados. A utilização da expressão "até a chegada ao" (presente, v.g., no art. 77, II do Regulamento Aduaneiro e no art. 4o, II da Instrução Normativa SRF no 327/2003) não é incompatível com o teor do Ato Declaratório COANA no 3/2000, ou com o § 3o do art. 4o da Instrução Normativa SRF no 327/2003, visto que todos fazem parte de uma mesma contextualização nacional do AVA, historicamente construída, dentro da faculdade outorgada no âmbito do acordo. Da análise nacional do tema, então, não brota dissonância interna, nem em relação ao AVA. Podese até discordar da decisão do país em optar por incluir as despesas com descarga no valor aduaneiro, ou afirmar que a maioria dos países do mundo segue linha diversa, mas não há fundamento, com a legislação hoje vigente, para dizer que isso afronte o AVA, internacionalmente, ou mesmo o Regulamento Aduaneiro brasileiro. Pelo exposto, entendo que deve prosperar o entendimento da fiscalização no que se refere à inclusão das despesas com carga, descarga e manuseio na base de cálculo das contribuições incidentes na importação, sendo irrelevante se quem presta tais serviços é um terceiro ou uma filial da empresa recorrente, cabendo ainda adicionar que as manifestações jurisprudenciais apresentadas, a nosso ver, restam alheias às considerações que externamos sobre o caráter internacional da matéria. Conselheiro Rosaldo Trevisan Fl. 1337DF CARF MF 30 Declaração de Voto Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira Declaração de Voto: Apresento declaração de voto apenas em relação à base de cálculo do PIS/COFINS importação, notadamente se inclui “os gastos relativos à descarga/manuseio associados ao transporte dos bens importados” (capatazia), após oportuno exame das considerações do Conselheiro Rosaldo Trevisan, que foram expostas em processo de sua relatoria, cuja decisão foi formalizada no Acórdão CARF nº 3401003.137 (Processo nº 12466.721968/201316; Data da Sessão: 16/03/2016), em conjunto com a manifestação do Conselheiro Leonardo Branco, na relatoria deste processo, que me trouxeram novas luzes a respeito do tema. A PIS/COFINS importação foi instituída pela Lei nº 10.865/2004, que prevê, na entrada de bens estrangeiros no território nacional, que a base de cálculo das contribuições será o valor aduaneiro, conforme artigos 3º, inciso I, e artigo 7º, inciso I, abaixo transcritos: "Art. 3º O fato gerador será: I a entrada de bens estrangeiros no território nacional; (...) Art. 7º A base de cálculo será: I o valor aduaneiro, na hipótese do inciso I do caput do art. 3º desta Lei;" Com isso, levando em consideração que a lei instituidora dessas contribuições adotou como base de cálculo o conceito de valor aduaneiro, sem explicitar o seu conteúdo nem dispor expressamente sobre o que estaria incluído e excluído nesse conceito, na mesma linha do que já previa a legislação de regência do Imposto de Importação29, revelase essencial para se determinar a base de cálculo das contribuições a correta compreensão do significado de valor aduaneiro. Ao longo dos últimos anos, a Receita Federal editou uma série de atos, pelos quais se manifestou pela inclusão dos “gastos relativos ao carregamento descarregamento e manuseio associados ao transporte das mercadorias importadas até o porto ou local de importação” no conceito de valor aduaneiro, como se verifica pela análise da Instrução Normativa SRF no 16/1998 (artigos 2º e 3º), do Ato Declaratório da CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (AD COANA) no 3/200030, do Regulamento Aduaneiro de 2002, Decreto no 4.543/2002 (artigos 77 e 79), da Instrução Normativa SRF no 327/2003 (artigos 4º e 5º) e do Regulamento Aduaneiro atualmente vigente, Decreto no 6.759/2009 (artigos 77 e 79). Tratamse, todos, de atos infralegais, de caráter regulamentar, que, como se sabe, não se destinam a criar, restringir ou extinguir direitos, mas detalhar, pormenorizar os 29 DecretoLei nº 37/1966: "Art.2º A base de cálculo do imposto é: (...) II quando a alíquota for "ad valorem", o valor aduaneiro apurado segundo as normas do art.7º do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio GATT". 30 Ato Declaratório da CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (AD COANA) no 3/2000: "Os gastos relativos à descarga e ao manuseio de mercadorias importadas, associados ao transporte internacional, integram o valor aduaneiro, independentemente da responsabilidade pelo ônus financeiro e da denominação adotada". Fl. 1338DF CARF MF Processo nº 11762.720020/201417 Acórdão n.º 3401003.216 S3C4T1 Fl. 1.305 31 direitos previstos em Lei, o que se reflete, no campo do direito tributário, na limitação ao poder de tributar consistente na proibição de instituir ou aumentar tributos por atos dessa natureza, o que só é permitido à Lei, em obediência ao princípio da legalidade, previsto na Carta da República em seu artigo 150, inciso I31, e no Código Tributário Nacional, em seus artigos 3º e 9732. Portanto, tais atos devem ter fundamento de validade em uma Lei que inclua a parcela analisada na base de cálculo das contribuições. Do exame do artigo 77 do Regulamento Aduaneiro atual, Decreto no 6.759/2009, percebese que tais atos infralegais não buscam fundamento de validade nem no artigo 7º, inciso I, da Lei nº 10.865/2004 nem em dispositivos que tratam da base de cálculo do Imposto de Importação, que, como visto acima, apenas determinam que a base de cálculo será o valor aduaneiro, mas apontam como fundamento legal 2 (dois) diplomas que decorrem do plano internacional e tratam justamente do conceito de valor aduaneiro: (i) o Acordo de Valoração Aduaneira ("AVA"), Artigo 8, parágrafos 1 e 2; e (ii) a Norma de Aplicação sobre a Valoração Aduaneira de Mercadorias, Artigo 7º, aprovado pela Decisão Conselho do Mercado Comum (“CMC”) nº 13/2007. Nesse ponto, importante destacar que a Carta da República outorga ao Presidente da República competência privativa para "celebrar tratados, convenções e atos internacionais, sujeitos a referendo do Congresso Nacional", que, assim, possui competência exclusiva para "resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional" (artigos 49, inciso I, e 84, inciso VIII, da Carta da República). À luz dessas competências constitucionais, a jurisprudência que se firmou no e. Supremo Tribunal Federal é no sentido de que os tratados internacionais em geral e os acordos celebrados pelo Brasil no âmbito do Mercosul não têm aplicabilidade imediata no plano do direito positivo interno, dependendo, para tanto, de uma série de atos de caráter políticojurídico, que foram bem descritos e definidos no julgamento do CR 8.279AgR, de relatoria do Min. Celso de Mello: "A recepção dos tratados internacionais em geral e dos acordos celebrados pelo Brasil no âmbito do Mercosul depende, para efeito de sua ulterior execução no plano interno, de uma sucessão causal e ordenada de atos revestidos de caráter políticojurídico, assim definidos: (a) aprovação, pelo Congresso Nacional, mediante decreto legislativo, de tais convenções; (b) 31 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; 32 Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. (...) Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. § 1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. § 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. Fl. 1339DF CARF MF 32 ratificação desses atos internacionais, pelo chefe de Estado, mediante depósito do respectivo instrumento; (c) promulgação de tais acordos ou tratados, pelo presidente da República, mediante decreto, em ordem a viabilizar a produção dos seguintes efeitos básicos, essenciais à sua vigência doméstica: (1) publicação oficial do texto do tratado e (2) executoriedade do ato de direito internacional público, que passa, então – e somente então – a vincular e a obrigar no plano do direito positivo interno. Precedentes. O sistema constitucional brasileiro não consagra o princípio do efeito direto e nem o postulado da aplicabilidade imediata dos tratados ou convenções internacionais." (CR 8.279AgR, Rel. Min. Presidente Celso de Mello, julgamento em 1761998, Plenário) Com relação ao AVA, esse acordo foi devidamente aprovado pelo Decreto Legislativo nº 30/1994 e, após, promulgado pelo Decreto Presidencial nº 1.355/1994, de modo que, uma vez que seguiu os trâmites necessários para sua internalização no ordenamento jurídico nacional, pode, em tese, ser admitido o seu status de Lei, para fins de definição de base de cálculo. Contudo, mesmo admitido o seu status de Lei, a norma que se extrai do AVA não tem o condão de amparar os atos infralegais da Receita Federal, simplesmente porque não determinou a inclusão de "gastos relativos à descarga da mercadoria do veículo de transporte internacional no território nacional" no conceito de valor aduaneiro, outorgando apenas a faculdade de incluir ou não tais gastos aos Estados Contratantes. É ler: "Artigo 8 1. Na determinação do valor aduaneiro, segundo as disposições do Artigo 1, deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas: (...) 2. Ao elaborar sua legislação, cada Membro deverá prever a inclusão ou a exclusão, no valor aduaneiro, no todo ou em parte, dos seguintes elementos: (a) o custo de transporte das mercadorias importadas até o porto ou local de importação; (b) os gastos relativos ao carregamento descarregamento e manuseio associados ao transporte das mercadorias importadas até o porto ou local de importação; e (c) o custo do seguro" Dessa maneira, se, de um lado, o AVA contemplou as parcelas a serem consideradas pelos Estados Contratantes na determinação do valor aduaneiro, de outro lado, facultou a inclusão ou exclusão de determinadas parcelas, entre as quais se incluem os "gastos relativos à descarga da mercadoria do veículo de transporte internacional no território nacional". Assim, a meu ver, fica demonstrada a impossibilidade de o AVA, por si só, justificar a inclusão dos "gastos relativos à descarga da mercadoria do veículo de transporte internacional no território nacional" no conceito de valor aduaneiro, por manifesta ausência de norma dispondo nesse sentido, o que só veio a ocorrer, no plano internacional, em relação ao Brasil, com a "Norma de Aplicação sobre a Valoração Aduaneira de Mercadorias", Fl. 1340DF CARF MF Processo nº 11762.720020/201417 Acórdão n.º 3401003.216 S3C4T1 Fl. 1.306 33 aprovada pela Decisão CMC nº 13/2007, cujo anexo da Decisão CMC nº 13/2007 prevê o seguinte: "ARTIGO 1 A base de cálculo do Imposto de Importação será o valor aduaneiro das mercadorias importadas, determinado conforme as normas do Acordo sobre a implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio 1994 (GATT), assim como as demais disposições relacionadas com o mesmo e procedentes do ordenamento jurídico do MERCOSUL. CAPÍTULO 2 DETERMINAÇÃO DO VALOR ADUANEIRO ARTIGO 5 Ao valor aduaneiro serão incluídos os seguintes elementos: a) os gastos de transporte das mercadorias importadas até o porto ou lugar de importação; b) os gastos com carga, descarga e manuseio, ocasionados pelo transporte das mercadorias importadas até o porto ou lugar de importação; c) o custo do seguro das mercadorias". Essa segunda norma foi internalizada pelo Decreto nº 6.870/2009, que foi publicado em 04/06/2009. Pelo exposto até aqui, já poderseia concluir, tendo em conta ainda a aplicação da anterioridade nonagesimal prevista no art. 195, parágrafo 6º, da Carta República, ao PIS/COFINSimportação, como reconhecido pelo jurisprudência33, que para os fatos geradores ocorridos antes de 04/09/2009, não há como se majorar a base de cálculo da PIS/COFINSimportação com os "gastos relativos à descarga da mercadoria do veículo de transporte internacional no território nacional", por inexistência de qualquer Lei nesse sentido. 33 TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS IMPORTAÇÃO. LEI Nº 10.865/04. CONSTITUCIONALIDADE. PRECEDENTES DO COLENDO STJ E DESTA CORTE. 1. Apelação contra sentença que julgou improcedente mandado de segurança preventivo em que se discute a constitucionalidade da sistemática de recolhimento das contribuições para o PIS e para a COFINS sobre o valor das importações realizadas, nos termos da Lei nº 10.865/2004, a qual alargou o conceito de valor aduaneiro. 2. Os tratados internacionais incorporamse ao ordenamento jurídico brasileiro com status de lei ordinária, motivo pelo qual não se faz necessária a observância pelo art. 7º da Lei nº. 10.865/04 do conceito de 'valor aduaneiro' fornecido pelo GATT. 3. Desnecessidade de lei complementar para a instituição do PISimportação e COFINSimportação, tendo em vista que a Emenda Constitucional nº 42/2003, acrescentou nova fonte de custeio para a seguridade social, com o inciso IV do art. 195 da Carta Constitucional. 4. As contribuições sociais previstas no art. 195 da Constituição Federal não se sujeitam ao postulado da anterioridade geral (art. 150, III, "b"), e sim o da anterioridade nonagesimal, conforme literal disposição do parágrafo 6º do art. 195 da Lei Maior. 5. Precedentes do colendo STJ e desta Corte Regional. 6. Apelação não provida. (AMS 200481000220773, Desembargador Federal Bruno Leonardo Câmara Carrá, TRF5 Terceira Turma, DJE Data::07/07/2011 Página::824.) Fl. 1341DF CARF MF 34 Mas não é só. Para o período posterior, nem mesmo a edição do Decreto nº 6.870/2009 é capaz de justificar a inclusão das despesas de capatazia no valor aduaneiro. Isso porque o Decreto nº 6.870/2009 é um Decreto Presidencial, não tendo havido a necessária e anterior aprovação pelo Congresso Nacional, ao contrário do que ocorreu com o AVA. Conseqüência disso, levando em consideração que o "sistema constitucional brasileiro não consagra o princípio do efeito direto e nem o postulado da aplicabilidade imediata dos tratados ou convenções internacionais"34, é que não há como se reconhecer qualquer status de Lei às disposições dessa norma, que também não pode ser utilizada pela Receita Federal para dar fundamento a supostas regulamentações que acabam por majorar a base de cálculo do PIS/COFINSImportação, em relação ao período posterior a 04/09/2009. Por conseguinte, em prestígio e observação ao princípio da legalidade (Carta da República, artigo 150, inciso I; CTN, artigos 3º e 97), penso que descabe a inclusão dos "gastos relativos à descarga da mercadoria do veículo de transporte internacional no território nacional" no conceito de valor aduaneiro. Essa conclusão, além de consentânea com a legislação de regência do PIS/COFINSImportação e com as limitações ao poder de tributar previstas na Carta da República, está em linha com a jurisprudência de ambas as Turmas de Direito Público do e. Superior Tribunal de Justiça que a ela conclusão chegou, porém, por razões diferentes (REsp 1.239.625/SC, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 4.11.2014; e AgRg no REsp 1434650/CE, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 30/06/2015). Pelo exposto, feitas essas breves considerações, acompanho o voto do ilustre Relator. É como voto. Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira 34 CR 8.279AgR, Rel. Min. Presidente Celso de Mello, julgamento em 1761998, Plenário. Fl. 1342DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.934836/2009-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98.
A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.764
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a juridicidade do crédito vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente BRASILSAT HARALD S A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a juridicidade do crédito vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 48 36 /2 00 9- 13 Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10980.934836/200913 Acórdão n.º 3402003.764 S3C4T2 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Tratase de processo administrativo decorrente da apresentação de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que não homologou compensação declarada pelo contribuinte. 2. Segundo consta dos autos, o contribuinte alega possuir um crédito tributário decorrente do pagamento a maior de PIS, nos termos exigidos pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, o qual foi julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, por intermédio do RE n. 357.950, afetado por repercussão geral. 3. Referida manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJCuritiba nos termos do que se depreende da ementa abaixo transcrita, na parte de interesse ao presente julgamento: ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. 4. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs recurso voluntário alegando, em suma, o que segue: (i) nulidade da decisão atacada, uma vez que ao pretexto de não poder analisar constitucionalidade de norma, a decisão vergastada deixou de analisar outros fundamentos jurídicos desenvolvidos pelo recorrente e que seriam autônomos e suficientes para a procedência do seu pleito; e, ainda (ii) que o crédito vindicado pelo contribuinte seria legítimo, nos termos da já citada decisão Pretoriana, a qual apresentaria caráter vinculativo para este CARF, conforme previsto no então vigente art. 62A do RICARF. 5. É o relatório. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10980.934836/200913 Acórdão n.º 3402003.764 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.723, de 24 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.933424/200966, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.723): "6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. Da nulidade da decisão atacada 7. Não há nulidade da decisão atacada. Conforme se observa da própria manifestação de inconformidade do contribuinte, o pano de fundo a originar seu crédito para a contribuição em apreço é a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, reconhecida pelo STF. É o que se observa do seguinte trecho da sua manifestação: O contribuinte extinguiu o débito da COFINS, apurada conforme acima e declarada em DCTF, com DARF, período de apuração 28/02/2003, código de receita 2172, recolhido em 14/03/2003. Posteriormente, com a Declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/98 surgiu para o contribuinte o crédito tributário oponível ao Fisco referente a COFINS incidente sobre as receitas financeiras no valor de R$ 18.459,40. 8. A decisão recorrida, por sua vez, partiu do pressuposto que a questão em apreço tocava a análise quanto à (in)constitucionalidade de normas, o que não seria passível de apreciação na instância administrativa, nos exatos termos da Súmula CARF no 2. 9. Assim, uma vez reconhecida a sua incompetência para a questão de fundo e cuja análise seria essencial para o deslinde da questão debatida, a DRJ não poderia seguir adiante na análise da manifestação de inconformidade proposta pelo contribuinte. 10. Todavia, ainda que se considere que a decisão recorrida apresenta uma mácula, o que se afirma aqui a título de obiter dicta, mesmo assim tal fato não seria impediente para a análise do recurso voluntário interposto, haja vista o disposto no art. 59, Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10980.934836/200913 Acórdão n.º 3402003.764 S3C4T2 Fl. 0 4 §3º do Decreto m. 70.235/721, motivo pelo qual passo a análise de mérito do presente recurso. II. Do mérito da compensação perpetrada 11. Superada a questão preliminar, não há dúvida que, nos mérito, a juridicidade do crédito do contribuinte deve ser reconhecida, haja vista que a origem do citado crédito decorre da reconhecida inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, assim reconhecida pelo STF quando do julgamento do RE nº 357.950, afetado por repercussão geral, e que restou assim ementado: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF; RE 390840, Relator: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15082006 PP 00025 EMENT VOL0224203 PP00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214215) 1 "Art. 59. São nulos: (...). § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (...)." Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10980.934836/200913 Acórdão n.º 3402003.764 S3C4T2 Fl. 0 5 12. Referida decisão vincula este órgão julgador, nos termos art. 62, § 2º, do RICARF, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) 13. Assim, o crédito do contribuinte é juridicamente válido, cabendo à fiscalização tão somente apurar se o montante aproveitado pelo contribuinte efetivamente retrata o aludido crédito. Dispositivo 14. Diante do exposto voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, reconhecendo o direito ao crédito por ele vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do quantum compensado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a juridicidade do crédito por ele vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do quantum compensado. assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Fl. 120DF CARF MF
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Numero do processo: 10845.000611/2004-10
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003
IMPOSTO DE RENDA. ROYALTIES. LIMITES PARA PAGAMENTO A
DOMICILADOS NO PAÍS.
O art. 71 da Lei n° 4.506/64, embora haja estabelecido modificações, no que concerne a dedutibilidade de despesas de royalties, não revogou o art. 74 da Lei n° 3.470/58, tendo apenas delimitado o seu alcance.
Numero da decisão: 1802-000.426
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, João Francisco Bianco e Gilberto Baptista. Designado o Conselheiro Nelso Kichel para redigir o voto
vencedor, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
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Recorrente RENO COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA Recorrida ia TURMA/DRJ - BELÉM/PA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003 IMPOSTO DE RENDA. ROYALTIES. LIMITES PARA PAGAMENTO A DOMICILADOS NO PAÍS. O art. 71 da Lei n° 4.506/64, embora haja estabelecido modificações, no que concerne a dedutibilidade de despesas de royalties, não revogou o art. 74 da Lei n° 3.470/58, tendo apenas delimitado o seu alcance. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, João Francisco Bianco e Gilberto Baptista. Designado o Conselheiro Nelso Kichel para redigir o voto vencedor, nos termos do relatório e votos que.,integram o presente julgado. ,_-------------------:__---- _ _,.. - — ------ :-__;-,,--.-:-."--:--̀--:--...------_,-'-- -::---:-----2---- - - er Ma iirqe-s-f.,---ilis de Sousante. , • Edwal Casoni d 41 P- • . les Júnior- Relator.0.10 ....0001111111,1111 . NELSO rCHEL edator Desi ado. ,, 1 EDITADO EM: 8 JUL 2010 Participaram da Sessão de Julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gilberto Baptista (Suplente Convocado), Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e João Francisco Bianco (Vice Presidente). Ausente justificadamente o conselheiro Leonardo Lobo de Almeida. Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário apresentado pela contribuinte Reno Comércio de Alimentos Ltda., por meio do qual pretende ver refoiniada decisão proferida pela i a Turma da DRJ de Belém/PA. Versa o processo em análise acerca de auto de infração (fls. 04 — 05) lavrado em desfavor da recorrente para ajustar a base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas atinente aos anos calendário 1999, 2000, 2001 e 2002. Depreende-se do Termo de Verificação Fiscal encartado às folhas 10 a 13, resumidamente, que a recorrente não teria observado os limites máximos de dedução com despesas de royalties na base de cálculo do IRPJ, tendo em conta o disposto nos artigos 74 da Lei no. 3.470/58 e 12 da Lei IV. 4.131/62 combinado com as portarias MF 436/58, 113/59, 314/70 e 60/94. A par disso, de bom alvitre registrar singelamente os fatos narrados no aludido Termo de Verificação Fiscal. Lá consignou-se que a recorrente é empresa subfranqueada do sistema "MCDonald's, e nessa condição fez constar nas DIPJ's pertinentes aos anos calendários 1999 a 2002, na linha referente a despesas com royalties no país, valores que desconsideraram o limite legal de 4% para dedutibilidade. Em decorrência disso, relembrou a autoridade administrativa, que o artigo 352 do RIR199 admite a dedução de despesas com royalties quando esta for necessária para que o contribuinte mantenha a posse ou fruição do bem ou direito que produz o rendimento. Nessa ordem de ideias, e relembrando a disposição do artigo 355 do RIR/99, aduziu-se que os coeficientes percentuais máximos para as deduções previstas no dito artigo foram estabelecidos pelo Ministro da Fazenda nas Portarias 436/58, 113/59, 314/70 e 60/64. Em análise do panorama normativo que segundo a Fiscalização impunha à recorrente o limite de 4%, constatou-se que os valores deduzidos como despesas operacionais foram superiores consoante quadro demonstrativo de folha 12. - Os valores não dedutíveis, portanto, foram objeto do auto de infração para os fins de ajustar a base de cálculo do IRPJ, porquanto existiam prejuízos fiscais no período. Ciente do lançamento (fl. 04) a recorrente apresentou Impugnação (fls. 279 — 292). De início teceu esclarecimentos acerca do regime de contratação das franquias "McDonald's, concluindo por afirmar que além da licença de uso de marca, há uma série de obrigações entre as partes, porquanto se dispõe colaboração mútua nos termos contratualmente estipulados, contrato que a seu turno, obriga a franqueadora a prestar assessoria periódica, comunicando os conhecimentos especializados, novos desenvolvimentos, técnicas e aperfeiçoamento nas áreas de projeto e construção dos restaurantes, fabricação de equipamentos, gerenciamento, preparação de alimentos e serviços de atendimento pertinentes às operações do restaurante. A contraprestação, por óbvio, é consistente no pagamento dos royalties. 22, Processo n° 10845.000611/2004-10 Sl-TE02 Acórdão n.° 1802-00.426 Fl. 2 Com essas notações propedêuticas, a recorrente passou a arrazoar acerca da dedutibilidade das tais despesas (royalties), afirmando, destarte, que o entendimento da Fiscalização decorreria de interpretação equivocada do quadro normativo vigente, tendo em conta a nova disciplina jurídica dos contratos de franquia estabelecida pela Lei n°. 8.955/94, que a seu turno utilizaria a expressão royalties em acepção diversa daquela adotada pela legislação tributária editada nos idos de 1958 (na qual se funda a autuação), devendo-se ser observado o conceito elastecido pela lei inovadora. A par dessas considerações, afirmou a recorrente que as limitações à dedutibilidade de despesas com royalties não mais poderiam ser aplicadas indistintamente a todas as relações de franquia celebradas entre particulares, devendo excluir-se dessa limitação aquelas cujo objeto seja muito mais amplo e complexo do que a mera licença de uso de marca e serviços de assistência. Isso se justificaria por dois motivos. Primeiro deles se deveria porque o artigo 74 da Lei n°. 3.470/58, teria sido revogado tacitamente pela Lei n°• 4.506/64, nos moldes do artigo 2° da Lei de Introdução ao Código Civil, porquanto a matéria foi inteiramente disciplinada por lei ulterior. Segundo ponto a reafirmar o entendimento da recorrente se deveria à amplitude do conceito trazido pela Lei de Franquia Empresarial. Não bastasse isso, as limitações à dedutibilidade de royalties não encontrariam fundamento de validade no direito positivo, posto que a apuração da renda tributável exige a consideração de todas as despesas necessárias incorridas pela pessoa jurídica, nos termos do artigo 153 da Constituição da República. Conheceu da Impugnação a P Turma da DRJ de Belém/PA, que nos termos do acórdão e voto de folhas 321 a 325 julgou o lançamento procedente, fundamentando para tanto, que as deduções com royalties obedecem os limites máximos estabelecidos no artigo 74 da Lei n°. 3.470/58, ocorrendo que o artigo 71 da Lei n°. 4.506/64, ao estabelecer modificações em relação à dedutibilidade não o revogou, apenas delimitou seu alcance. Afirmou-se de igual forma, não prosperar o entendimento da recorrente de que por ser mais amplo, o sentido de royalties a ser utilizado para fins de dedutibilidade seria aquele descrito na Lei n°. 9.955/94, assim entendeu a ilustrada Turma faltar qualquer amparo legal que sustentasse esse entendimento, além do que, em razão da vinculação da atividade da administração pública, ficaria vedado que o julgador administrativo afastar a aplicação de dispositivo legal vigente. Igual fundamento utilizou a decisão recorrida ao enfrentar o argumento da recorrente de que as limitações à dedutibilidade de royalties não encontram fundamento de validade no direito positivo, posto que a renda tributável exige a consideração de todos as despesas necessárias incorridas pela pessoa jurídica, na forma do artigo 153, III da Constituição da República, reafirmando-se não ser aquela sede acertada para discutir-se a negação de vigência e eficácia dos preceitos e normas postas, e de mais a mais, as leis vigentes gozariam de presunção de legalidade e constitucionalidade. Quanto ao acúmulo de coeficientes de dedutibilidade estabelecidos pela Portaria MF n'.. 436/58, entendeu-se pela não aplicação ao caso concreto, conquanto, a recorrente apresenta às folhas 188 a 221, um único contrato de franquia com bjeto a aqui ição do direito de explorar um Restaurante McDonald's, que a seu turno, prevê um único tipo de royalties de acordo com a divisão estabelecida pela aludida Portaria. O dito tipo de royalties seria aquele previsto no item 2 (produtos alimentares) do 2° grupo o qual estabelece coeficiente máximo de dedução de 4%, isso porque nos termos do inciso II da citada Portaria, a utilização do coeficiente de 1%, pelo uso da marca industrial ou nome de comércio, só é possível quando o uso da marca ou nome não seja decorrente da utilização da patente, processo ou foimula de fabricação, o que não seria o caso dos autos Diante disso, concluiu-se que a recorrente de fato empregou erroneamente o percentual de 5%, como se fosse resultante da soma entre os coeficientes de 4%, para os royalties de uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricação, e 1% para os royalties de uso de marca, sendo por tudo, procedente o ajuste efetuado na base de cálculo do Imposto de Renda. Cientificada do lançamento (fl. 327), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 328 — 345), invocando como razões de recorrer o conceito de franquia e de royalties e a ausência de fundamentação legal do lançamento tributário, e novamente insistindo na revogação tácita do artigo 74 da Lei no. 3.470/58, ou alternativamente a aplicação cumulativa dos coeficientes percentuais da Portaria MF 436/58, pugnando ao fim por provimento. É relatório. _ Processo n° 10845.000611/2004-10 81-TE02 Acórdão n.° 1802-00.426 Fl. 3 Voto Vencido Conselheiro EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Como visto alhures, a autuação decorre de utilização incorreta do coeficiente percentual de dedutibilidade das despesas com royalties. Antes de tudo, sem prejuízo da decisão recorrida haver se cercado do mesmo cuidado, de bom alvitre reproduzir o quadro normativo invocado no auto de infração, versando acerca da dedutibilidade dos royalties, cita-se nesse mister o artigo 74 da Lei n°. 3.470/58, in verbis: Artigo 74. Para os fins da determinação do lucro real das pessoas jurídicas como o define a legislação do imposto de renda, somente poderão ser deduzidas do lucro bruto a soma das quantias devidas a título de "royalties" pela exploração de marcas de indústria e de comércio e patentes de invenção, por assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes até o limite máximo de 5% (cinco por cento) da receita bruta do produto fabricado ou vendido. § 1. Serão estabelecidos e revistos periodicamente mediante ato do Ministro da Fazenda, os coeficientes percentuais admitidos para as deduções de que trata este artigo, considerados os tipos de produção ou atividades, reunidos em grupos, segundo o grau de essencialidade. (.) (meus os destaques e as supressões) Veja-se, diante disso, que pelos artigos referidos se faculta deduzir os gastos com royalties na apuração do tributo devido ao patamar de 5% da receita bruta oriunda do produto fabricado ou vendido. Até aí não haveria óbice algum ao procedimento empreendido pela recorrente, tendo em vista que não se deduziu coeficiente superior a 5%. A questão, contudo, reside na disposição entabulada pelo supracitado § I° do artigo da 74 da Lei n°. 3.470/58, o qual afirmou que os coeficientes percentuais admitidos para as deduções de que se trata serão estabelecidos e revistos pelo Ministro da Fazenda, e serão separados em grupos, segundo o grau de essencialidade. Em um quadro geral e abstrato o que se teve no auto de infração e na decisão recorrida, portanto, foi a consideração de um coeficiente máximo de 5%, podendo haver oscilações dentro dessa linha limítrofe, e precisamente sobre essa permissividade da lei, que vigoraria a Portaria MF n°. 436/58, que estabelece os coeficientes percentuais máximos para as mencionadas deduções, considerando os tipos de produção ou atividade, segundo o grau de essencialidade, observe-se, litteris: O Ministro de Estados e Negócios da Fazenda, no uso das suas atribuições legais e tendo em vista o disposto no art. 74. e ,sç 5S. 1° e 2°, da Lei n" 3.470, de 28 de novembro de 1958, relativamente à dedução de "royalties", pela exploração de marcas e patentes, de despesas de assistência técnica, cientifica, administrativa ou semelhante, bem como de quotas para amortização do valor de patentes, na determinação do lucro real das pessoas jurídicas, resolve: a) Estabelecer os seguintes coeficientes percentuais máximos para as mencionadas deduções, considerados os tipos de produção ou atividade, segundo o grau de essencialidade: I - "royalties", pelo uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricação, despesas de assistência técnica, cientifica, administrativa ou semelhantes: 1° GRUPO - INDÚSTRIAS DE BASE (omissis) 2" GRUPO - INDÚSTRIAS DE TRANSFORMAÇÃO — ESSENCIAIS Tipos de produção - Percentagens . • 2 - Produtos alimentares - 4% (-) 13- OUTRAS INDÚSTRIAS DE TRANSFORMAÇÃO -1% (-) II - "Royalties", pelo uso de marcas de indústria e comércio ou nome comercial, em qualquer tipo de produção ou atividade, quando o uso da marca ou nome não seja decorrente da utilização de patente, processo ou fórmula de fabricação. Feito o cotejo básico da legislação de regência invocada na decisão recorrida, necessário se faz, advertir-se que o enfrentamento das questões colocadas, reclama sejam as razões da recorrente segregadas e estratificadas, pois repousam sobre premissas diversas, muito embora em todos os argumentos procure demonstrar a regularidade da dedução. Cuide-se num primeiro momento de apreciar-se, na ordem colocada pela própria recorrente, o conceito de franquia e royalties, pois segundo a-filmou-se em sede de Recurso Voluntário um conceito mais abrangente, por si só, seria capaz de infirmar a autuação, visto que o contrato de franquia de que dispõe e complexo e dotado de um abrangência que transcende os conceitos da lei que limita a dedutibilidade. Processo n° 10845.000611/2004-10 S1-TE02 Acórdão n.° 1802-00.426 Fl. 4 Nesse aspecto, não assiste razão à recorrente. Sistematicamente não há interpretação capaz - salvo a inaceitável tergiversação - tampouco permissivo legal, que autorize não aplicar dispositivo apenas porque se sugere um conceito mais abrangente do que a tutela dada pela lei. Ademais, não se pode confundir o tratamento geral conferido pela Lei n°. 8.955/94, com a especificidade da dedutibilidade de despesas com royalties para fins de apuração do lucro real e, por conseguinte, do imposto devido. Ainda que os conceitos da lei superveniente tenham elastecido a conceituação de franquias e até mesmo dos royalties, tenha este a definição que tiver, sua dedutibilidade estará condicionada aos moldes especificamente fixados, salvo, se houver modificação quanto ao coeficiente ou regramento especifico no campo da dedutibilidade (o que se verá nas linhas seguintes), o que não ocorre como sugerido pela recorrente. Vale dizer, portanto, que pouco importa qual a dimensão do instituto, sua dedutibilidade é condicionada. Se a legislação é obsoleta, arcaica e seus conceitos não acompanharam as inovações da sociedade, é celeuma que se reserva para discussão em outro palco, que não a estreita via de apreciação das autoridades administrativas, a quem compete tão somente zelar pelo cumprimento da estrita legalidade, razão pela qual, não há falar em inaplicabilidade da limitação por verificado elastecimento no conceito de royalties dado por lei superveniente. Outro aspecto sustentado pela recorrente refere-se à suposta revogação tácita do artigo 74 da Lei n°. 3.470/58, e nesse aspecto, melhor sorte lhe socorre, visto que de fato o artigo 71 da Lei n° 4.560/64, ulteriormente à Lei que embasa a autuação disciplinou inteiramente a matéria relativa à dedutibilidade dos royalties sem, contudo, manter em seus dispositivos a limitação percentual, operando-se, destarte, a revogação tácita da legislação anterior, consoante entabula o artigo 2°, § 1° da Lei de Introdução ao Código Civil, e corrobora a sedimentada Jurisprudência Administrativa uniformizada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais por meio do Ac. CSRF/01-04.046/2002, cuja ementa é abaixo transcrita, litteris: ACÓRDÃO CSRF/01-04.046 Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF - Primeira Turma / ACÓRDA0 CSRF/01-04.046 em 19.08.2002 IRPJ IRPJ - IMPOSTO DE RENDA - ROYALTIES - LEI N°3.470/58 - LEI N° 4.506/64 - O art. 71 da Lei n°4.560/64 deu nova redação ao art. 74 da Lei n° 3.470/58, operando-se a revogação tácita (LICC, art. 2°, § 1°) (AC 95.04.49769-1TRF 4" Região e REO 91.02.05879-0 TRF 2" Região, Ac. 1° CC, 101-88.802 e 107- 04.228). Recurso especial do contribuinte conhecido e provido. Por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Cândido Rodrigues Neuber, Verinaldo Henrique da Silva e Zuelton Furtado. EDISON PEREIRA RODRIGUES - PRESIDENTE Publicado no DOU em: 05.08.2003 Relator: JOSÉ CARLOS PASSUELLO Recorrente: PETRALCO COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA. Recorrida: TERCEIRA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Interessado: FAZENDA NACIONAL Publicação: 05.08.2003 (meus os destaques) tDiante disso, resta rejudicada a fundamentação que suporta a autuação, razão pela qual, conheço do Recurso luntário ra os fins de dar-lhe provimento. e Edwal Casoni de au . - ande Junior nIlliglit .\ 8 ----------Ç , Processo n° 10845.000611/2004-10 SI-TE02 Acórdão n.° 1802-00.426 Fl. 5 Voto Vencedor Conselheiro NELSO KICHEL, Redator Designado Não obstante as razões de decidir do eminente relator, peço vênia para dele divergir no ponto que trata da revogação tácita do artigo 74 da Lei n° 3.470/58 pelo artigo 71 da Lei n° 4.506/64. Diversamente do entendimento perfilhado pelo relator, o art. 71 da Lei n° 4.506/64, embora tenha estabelecido modificações no que concerne a dedutibilidade de despesas a título de royalties, não revogou o art. 74 da Lei n° 3.470/58, tendo apenas delimitado o seu alcance. Nesse sentido, a jurisprudência do Pretório Excelso e do Superior Tribunal de Justiça posta-se sólida e tranqüila em reconhecer que o art. 71 da Lei n. 4.506/64 não revogou o art. 74 da Lei n. 3.470/58, tendo apenas delimitado o seu alcance, como veremos mais adiante. Neste âmbito administrativo, a Câmara Superior de Recursos Fiscais — CSRF em duas oportunidades, pelo menos, já se manifestou acerca dessa matéria. Na Sessão de 25/10/1985, conforme Acórdão CSRF/01-0586, ficou decidido, por unanimidade de votos, que o art. 71 da Lei n° 4.506/64 não revogou as disposições contidas no art. 74 da Lei n° 3.470/58, pois as disposições deste diploma legal são mais abrangentes em relação àquele. A propósito, consta textualmente do voto condutor do relator, in verbis: (-) Da análise feita até aqui neste voto, dos fatos de que tratam os presentes autos e da legislação aplicável, podem ser tiradas, com toda segurança, as seguintes conclusões: 1' ) o artigo 74, da Lei n° 3.470, de 28/11/58, que não faz distinção quanto ao domicílio dos beneficiários dos pagamentos de "royalties" ou de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, não foi revogado pelos artigos 12 e 13, da Lei n°4.131, de 03/09/62, e 52 e 71, da Lei n°4.506, de 30/11/64, que trataram de despesas dessa natureza, quando os beneficiários são domiciliados no exterior; 2") (..) 39 (.) 1 Diante de todo o exposto, e de tudo o mais que dos autos consta, ( voto no sentido de se negar provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. 9 (.) Após essa decisão da CSRF, o Supremo Tribunal Federal — STF, por intermédio da l a Turma, em 17/06/88, em sede de Recurso Extraordinário n° 104.368-7/SP, DJ. 28/02/1992, relator Ministro Néri da Silveira, prolatou decisão no mesmo sentido da CSRF, ou seja, pela vigência do art. 74 da Lei n° 3.470/58, nos seguintes termos: 'Recurso Extraordinário. Imposto de Renda. 'Royalties'. Deduções por pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil, em montante superior ao limite estabelecido no art. 74, da Lei n. 3.470, de 1958. Lei n. 4.506, de 30/1271964, art. 71 e seu paragrafo único. R.I.R. de 1966, arts. 232, 233 e 234. A Lei n. 4.50611964, embora haja estabelecido modificações, no que concerne a declutibilidade de despesas como 'royalties', não revogou o art. 74, da Lei n. 3.470/1958. RIR. de 1966, arts. 174 e 175. Acórdão que negou vigência ao art. 74, da Lei n. 3.4701958, devidamente prequestionado, e ao art. 175, do RIR de 1966. Recurso extraordinário conhecido e provido, para restabelecer a sentença". Entretanto, curiosamente — muito tempo depois — a CSRF em 19/08/2002, além de mudar o seu entendimento quanto à matéria, desconsiderou o citado precedente jurisprudencial do Supremo Tribunal Federal, pois dicidiu que o art. 74 da Lei n° 3.470/58 foi revogado tacitamente pelo art. 71 da Lei n° 4.506/64, conforme Acórdão n° CSRF/01-04046, cuja ementa foi redigida nos seguintes termos: (-) IRPJ - IMPOSTO DE RENDA ROYALTIES. LEI N° 3.470/58. LEI N° 4.506/64.. O art. 71 da Lei n°4.560/64 deu nova redação ao art. 74 da Lei n° 3.470/58, operando-se a revogação tácita (LICC, art., 2°, ,55' 1°) (AC 95 04 49769-1 TI?? 4a Região e REO 91 02 05879-0 TRF 2a Região, Ac. 1° CC, 101-88.802 e 107- 04.228). Recurso especial do contribuinte conhecido e provido. (-) No voto do relator dessa decisão da CSRF, consta ainda que a decisão do STF, em sede de Recurso Extraordinário n° 104368-7/SP, não poderia ser considerada jurisprudência; que tal decisão de tuinia do STF, em que participaram apenas três Ministros, foi prolatada quando a matéria infraconstirucional competia ainda ao STF; que, porém, a partir da vigência da Constituição Federal/88 essa matéria foi transferida para o Superior Tribunal de Justiça - STJ; que, por conseguinte, — para formar jurisprudência no âmbito judicial —, seriam necessárias outras decisões, agora do STJ. De sorte que o STJ — Côrte Superior de uniformização de interpretação da legislação infraconstitucional —, depois dessa decisão da CSRF, já enfrentou, de forma reiterada essa questão, cuja jurisprudência é mansa e pacifica, reconhecendo plena vigência ao art. 74 da Lei n° 3.470/58, mormente quanto a pagamentos e limites de despesas com royalties a residentes no Pais. A propósito, convém transcrever as seguintes ementas de decisões do STJ, em sede de Recurso Especial : Processo n° 10845.000611/2004-10 S1-TE02 Acórdão n.° 1802-00.426 Fl. 6 1) - REsp. 778.575/RS, de 21/02/2006. Relator Ministro João Otávio de Noronha. Publicação — DJ: 29/03/2006, p. 132: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. MARCAS E PATENTES. DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS. ROYALTIES. ART. 74 DA LEI N. 3.470/58. REVOGAÇÃO PELA LEI N. 4.506/64. NÃO- OCORRÊNCIA. PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS. I. O art. 71 da Lei n. 4.506/64, ao estabelecer modificações em relação à dedutibilidade de despesas com royalties, não revogou o art. 74 da Lei n. 3.470/58, tendo apenas delimitado o seu alcance. 2. Precedentes: STF, RE n. 104.368-7-SP, relator Ministro NÉRI DA SILVEIRA, DJ de 28.2.1992. STJ, REsp n. 204.696-RJ, relator Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ de 22.8.2005; REsp n. 260.513-RS, relator Ministro CASTRO MEIRA, DJ de 24.10.2005. 3. Recurso especial provido. 2) - REsp. n° 260.513/RS. Julgamento 06/10/2005. Relator Ministro Castro Meira. Publicação DJ:24/10/2005.p. 227: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. ROYALTIES. LEIS N'S 4.506/64 (ART. 71)E 3.470/58 (ART. 74). I. O artigo 71 da Lei n°4.506/64 não revogou o artigo 74 da Lei n°3.470/58, tendo apenas delimitado seu alcance. 2. Recurso especial provido. 3) — REsp. n° 204.696-RJ, DJ de 22/08/2005, relator Ministro João Otávio de Noronha: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. MARCAS E PATENTES. DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS. ROYALTLES. ARTS. 122 DO CÓDIGO COMERCIAL E 129 DO CÓDIGO CIVIL. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULAS N. 282 E 356 DO STF. ART. 74 DA LEI 1V. 3.470/58. REVOGAÇÃO PELA LEI N. 4.506/64. NÃO-OCORRÊNCIA. ARTS. 174 E 175 DO REGULAMENTO DO IR. RECURSO ESPECIAL IMPRO VIDO. I. Ressente-se o recurso do indispensável prequestionamento, se os dispositivos infraconstitucionais apontados como violados não foram objeto de específico exame na instância ordinária. (Súmulas n. 282 e 356/STF) 2. 'A Lei n. 4.506/1964, embora haja estabelecido modificações, no que concerne a dedutibilidade de despesas como 'royalties', não revogou o art. 74, da Lei n. 3.470/1958. R.I.R. de 1966, arts. 174 e 175" (STF, RE n. 104.368-7-SP, Primeira Turma, Rel. Min. NÉRI DA SILVEIRA). noida 3. Recurso especial a que se nega provimento". Portanto, em relação às despesas com royalties — pagamentos a domiciliados no Pais — persitem os limites de dedutibilidade do art. 74 da Lei n° 3.470/58 e respectivas Portarias. Quanto ao acúmulo de coeficientes de dedutibilidade estabelecidos pela Portaria MF n°. 436/58, inaplicável ao caso concreto, conquanto, a recorrente apresentou às folhas 188 a 221, um único contrato de franquia com objeto a aquisição do direito de explorar um Restaurante McDonald's, que a seu turno, prevê um único tipo de royalties de acordo com a divisão estabelecida pela aludida Portaria. O dito tipo de royalties é aquele previsto no item 2 (produtos alimentares) do 2° grupo o qual estabelece coeficiente máximo de dedução de 4%, isso porque nos termos do inciso II da citada Portaria, a utilização do coeficiente de 1%, pelo uso da marca industrial ou nome de comércio, só é possível quando o uso da marca ou nome não seja decorrente da utilização da patente, processo ou fórmula de fabricação, o que não é o caso dos autos. Diante disso, concluiu-se que a recorrente de fato empregou erroneamente o percentual de 5%, como se fosse resultante da soma entre os coeficientes de 4%, para os royalties de uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricação, e 1% para os royalties de uso de marca, sendo por tudo, procedente o ajuste efetuado na base de cálculo do Imposto de Renda. Portanto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. 7.1 - elso Kicli--N ---"-- \ 2 .\
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