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Numero do processo: 15940.000653/2009-92
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/10/2008
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 00 06 53 /2 00 9- 92 Fl. 2227DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2403002.429, proferido pela 3ª Turma Ordinária / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de Auto de Infração – AI (DEBCAD n° 37.068.2742), tendo como fundamento uma decisão expedida, em sede de tutela antecipada, pela Subseção judiciária de São Paulo – 1ª Vara Federal de Presidente Prudente, na Ação Civil Pública n. 2007.61.12.012319, movida pelo Ministério Público Federal e o Instituto Nacional do Seguro Social – INSS (fls. 255/300), que determinou que a União suspendesse o Certificado de Entidade Filantrópica concedido ao contribuinte, com efeito retroativo a 01/01/1995. Em cumprimento a essa decisão judicial, o Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, suspendeu o Certificado de Entidade Filantrópica – CEAS, referente ao período de 01/01/1995 até a data da lavratura do auto de infração. Em razão disso, foi lavrado o AI (Patronal e GILRAT) no valor original de R$ 120.714.592,69 (cento e vinte milhões setecentos e quatorze mil quinhentos e noventa e dois reais e sessenta e nove centavos), abarcando a autuação os períodos de 01/01/2004 a 31/10/2008. O Contribuinte contestou o presente Auto de Infração por meio do instrumento de fls. 1965/1990. A 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, DRJ/RPO, às fls. 2137/2139, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito. O Contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 2150/2180, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, alegando em suma que possui imunidade, independentemente dos fatos processuais ocorridos no judiciário. A 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 2186/2197, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, para, preliminarmente, reconhecer a decadência do período de 01/2004 a 11/2004, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do CTN e, no mérito, determinar o recálculo da multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09 (art. 61 da Lei 9.430/96). A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/10/2008 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA Fl. 2228DF CARF MF Processo nº 15940.000653/200992 Acórdão n.º 9202005.474 CSRFT2 Fl. 10 3 Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. ART. 55 DA LEI 8.212/91. CUMPRIMENTO DE SEUS REQUISITOS. VERIFICAÇÃO Á ÉPOCA DOS FATOS GERADORES. Os requisitos estabelecidos nos incisos do art. 55 da Lei 8.212/91, devem ser observados, á época dos fatos geradores de sua vigência, para o gozo da imunidade constante no art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Às fls. 2203/2213, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência, alegando divergência jurisprudencial em relação à seguinte matéria: retroatividade benigna. Observou, inicialmente, que os acórdãos indicados como paradigma, assim como o acórdão recorrido, foram proferidos após o advento da MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941 de 27/05/2009, e, portanto, a análise da matéria ocorreu à luz da alteração da redação do caput do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Consignou que a hipótese em análise nos acórdãos paradigma é idêntica ao caso concreto. Isso porque o que se encontrava em julgamento era exatamente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito de contribuições devidas à Seguridade Social e o contribuinte declarou em GFIP os dados relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias. Ocorre que também naqueles feitos, assim como no presente, travouse discussão acerca da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, do CTN, em virtude das alterações promovidas pela Lei nº 11.941/09 (fruto da conversão da MP nº 449/2008) no art. 35 da Lei nº 8.212/91. Contudo, embora diante de situações semelhantes, os órgãos julgadores prolatores do acórdão recorrido e dos paradigmas encamparam conclusões diversas acerca da aplicação e interpretação da norma jurídica, em especial do art. 35, caput (redação revogada e com a novel redação dada pela MP nº 449/2008 posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009) e do art. 35A da Lei nº 8.212/1991. O acórdão recorrido entendeu que deveria ser aplicada ao caso a retroatividade benigna, sob o fundamento de que o art. 35, caput, da Lei nº 8.212/1991 deveria ser observado e comparado com a atual redação emprestada pela Lei nº 11.941/2009. E como na atual redação, há remissão ao art. 61 da Lei nº 9.430/96, entendeu que o patamar da multa aplicada estaria limitado a 20% (§ 2º do art. 61). Ao revés, os paradigmas adotaram solução oposta: o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 deveria agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei nº 11.941/2009, qual seja, o art. 35A que, por sua vez, faz remissão ao art. 44, da Lei nº Fl. 2229DF CARF MF 4 9.430/96. Na ementa dos julgados paradigmas, a aplicação da retroatividade benigna na forma de aplicação do art. 61, § 2º, da Lei nº 9.430/1996 é rechaçada de forma expressa pelo órgão julgador. Às fls. 2216/2218, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso, para admitir a divergência arguida (cálculo da multa). Cientificado à fl. 2223, o Contribuinte mantevese inerte, vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de Auto de Infração – AI (DEBCAD n° 37.068.2742), tendo como fundamento uma decisão expedida, em sede de tutela antecipada, pela Subseção judiciária de São Paulo – 1ª Vara Federal de Presidente Prudente, na Ação Civil Pública n. 2007.61.12.012319, movida pelo Ministério Público Federal e o Instituto Nacional do Seguro Social – INSS (fls. 255/300), que determinou que a União suspendesse o Certificado de Entidade Filantrópica concedido ao contribuinte, com efeito retroativo a 01/01/1995. Em cumprimento a essa decisão judicial, o Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, suspendeu o Certificado de Entidade Filantrópica – CEAS, referente ao período de 01/01/1995 até a data da lavratura do auto de infração. Em razão disso, foi lavrado o AI (Patronal e GILRAT) no valor original de R$ 120.714.592,69 (cento e vinte milhões setecentos e quatorze mil quinhentos e noventa e dois reais e sessenta e nove centavos), abarcando a autuação os períodos de 01/01/2004 a 31/10/2008. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Voluntário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial sobre o cálculo da multa. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 2230DF CARF MF Processo nº 15940.000653/200992 Acórdão n.º 9202005.474 CSRFT2 Fl. 11 5 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Fl. 2231DF CARF MF 6 Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Fl. 2232DF CARF MF Processo nº 15940.000653/200992 Acórdão n.º 9202005.474 CSRFT2 Fl. 12 7 § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Fl. 2233DF CARF MF 8 Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 2234DF CARF MF Processo nº 15940.000653/200992 Acórdão n.º 9202005.474 CSRFT2 Fl. 13 9 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora Fl. 2235DF CARF MF 10 fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 2236DF CARF MF Processo nº 15940.000653/200992 Acórdão n.º 9202005.474 CSRFT2 Fl. 14 11 Fl. 2237DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.900344/2014-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 23/12/2011
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
Numero da decisão: 3401-003.717
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 03 44 /2 01 4- 38 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13888.900344/201438 Acórdão n.º 3401003.717 S3C4T1 Fl. 3 2 Versam os autos sobre PER/DCOMP cujo direito creditório alegado seria oriundo de recolhimento indevido do IPI, a ser compensado com débito de tributo administrado pela RFB. O despacho decisório não homologou a compensação em razão do recolhimento indevido já ter sido integralmente quitado com outros débitos do contribuinte. O contribuinte apresentou tempestivamente sua manifestação de inconformidade, arguindo várias nulidades, mormente que o aludido Despacho não teria fundamentação, teria se desviado de sua finalidade e lhe causado cerceamento de defesa. Sobreveio decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, na qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa possui o seguinte teor: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 23/12/2011 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte interpôs tempestivamente o seu recurso voluntário, asseverando que a decisão não levou em consideração, nas razões de decidir a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo que a Recorrente apresentasse defesa, bem como demonstrasse a existência do crédito, requerendo a nulidade da decisão, vez que não lhe foi oportunizado conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada. É o relatório. Voto Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13888.900344/201438 Acórdão n.º 3401003.717 S3C4T1 Fl. 4 3 Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.652, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.900243/201467, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.652): Como se viu do relatório, o presente recurso voluntário visa a nulidade da decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, entendendo que esta não restou motivada, implicando seu cerceamento de defesa. Não merece prosperar as alegações da Recorrente. A uma, disse o Despacho Decisório: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A duas, mencionou expressamente a decisão de piso que a Recorrente não trouxe qualquer prova (DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI), indício ou justificativa que permitisse comprovar o alegado recolhimento indevido. A propósito, merece destaque parte do voto do e. relator: Inicialmente vale verificar o que consta no Despacho Decisório, devidamente assinado pela autoridade competente: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ou seja, o alegado pagamento indevido não foi restituído porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Com efeito, se há erro nos arquivos da Receita, bastaria o interessado juntar a idônea e hábil documentação contraditória (DARF, DCTF e Livro de Apuração e Registro do IPI), até em homenagem o princípio da verdade material tanto invocado, sendo que, se tratam de declarações e livros cuja boa guarda e apresentação imediata estão legalmente determinadas. A manifestação do interessado não traz qualquer prova, indício ou mesmo justificativa que permita comprovar o alegado Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13888.900344/201438 Acórdão n.º 3401003.717 S3C4T1 Fl. 5 4 recolhimento indevido, limitandose, tão somente a colecionar julgados e doutrinas sobre nulidades. Considerando que nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, consta que os valores recolhidos no indigitado DARF já foram utilizados para quitar outros débitos e nada o contribuinte a isto contrapõe, não há o que reconsiderar ou anular, sendo que não se justifica a falta de apresentação de documentos que provassem seu direito creditório, na medida que a alegação de cerceamento da defesa não se sustenta. A três, vêse que a decisão fora motivada, embora cingiramse as assertivas da Recorrente apenas e tão somente na juntada da DCOMP, informando que detinha um crédito de IPI, oriundo de pagamento indevido, o qual seria compensado com débitos da COFINS. A quatro, temse que, sobrevindo a decisão da manifestação de inconformidade, deveria a Recorrente fazer prova deste suposto pagamento indevido ou a maior do IPI, conforme determinava o artigo 333 do CPC, vigente à época ademais, como ressalvada pela decisão da DRJ , porém, quedou silente a contribuinterecorrente. A quinto, o processo há de vir devidamente instruído para que o Colegiado possa apreciálo, de modo que, diante da ausência de qualquer prova, a conclusão que se chega é que a decisão de piso não merece reparos. Não maiores ilações a serem feitas e diante da ausência de provas, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.724037/2012-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 09 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2402-000.591
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos apontados pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Tulio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci e Jamed Abdul Nasser Feitoza.
RELATÓRIO
Trata-se de Recurso Voluntário (Fls. 952 a 956), contra Acórdão de nº 15034.439 7 ª Turma da DRJ/SDR (Fls. 796 a 824) que, por unanimidade, decidiram por manter a integralidade do crédito apurado nos Autos de Infração nºs 37.353.3616 e 37.353.3675, integrantes do processo nº 13603.724037/201221.
Lançamento realizado por descumprimento de obrigação tributária principal de natureza previdenciária, consolidados em 23/12/2012, por meio de ação fiscal autorizada por MPF nº 061.1000.2012.00483, código de acesso 91732816.
A atividade principal da empresa é a execução de obras e serviços de construção civil. Foram apuradas a existência de obrigações referentes a contribuições previdenciárias correspondentes ao período de janeiro/2008 a dezembro/2008, incluído o 13º salário de 2008 dando origem aos seguintes Autos de Infração:
AI Debica n° 37.353.3616
a) Incidentes sobre salários de contribuição pagos a segurados empregados, não declarados em Guia de Recolhimento do FGTS e GFIP;
b) Glosas de pagamentos indevidos de salário família;
c) Incidentes sobre retiradas pagas aos sócios administradores;
d) Incidentes sobre retiradas pagas aos sócios administradores e arbitradas pela fiscalização nas competências novembro e dezembro de 2008, por não haver em tais competências lançamentos das referidas verbas nas folhas de pagamento de salários e na contabilidade.
e) Incidentes sobre honorários de autônomos apurados mediante exame das folhas de pagamento de salários exibidas por meio de arquivo digital no formato MANAD e incluídos no levantamento AH;
AI Debcad n° 37.353.3675.
Refere-se às contribuições destinadas à Previdência Social, correspondentes à parte dos segurados empregados, descontadas pelo sujeito passivo e não recolhidas em época própria.
O agente fiscal entendeu existir grupo econômico em relação citadas na ação fiscal concluindo ainda pela solidariedade entre as mesmas.
Em razão desta conclusão foram apresentadas impugnações pelas empresas URB Topo Engenharia e Construções Ltda, Consórcio URB Topo Marins Ltda, URB Mix Concreto Ltda, Wir Feira Shopping Ltda ME, URBENG Engenharia e Incorporações Ltda e URB Trans Transportes Gerais Ltda (AI 37.353.3616 e AI 37.353.3675).
A empresa URB Topo Engenharia e Construções Ltda apresentou impugnação em 01 de fevereiro de 2013, e os sujeitos passivos solidários: Consórcio URB Topo Marins, URB Mix Concreto Ltda, WIR Feira Shopping Ltda ME, URBENG Engenharia e Incorporações Ltda, URB Trans Transportes Gerais Ltda, em 08 de fevereiro de 2013. Todas impugnações apresentadas, em face da discordância de lançamento constituído pelo AI 37.353.3616 e pelo AI 37.353.3675.
Na conclusão do Acórdão (fl 824) existe indicação de acolhimento das alegações de ilegitimidade passiva do Consórcio URB Topo Marins, situação não refletida na declaração de resultado do acórdão. Quanto as demais, nada tratou.
A conclusão registra ainda que "no momento do pagamento ou do parcelamento, quando o percentual da multa de mora se encontrará definido, com relação às competências de 01/2008 a 11/2008, insertas no AI 37.353.3616, deverá ser quantificada a multa mais benéfica para o contribuinte, considerando todos os processos conexos". Contudo, tal deliberação não foi registrada na declaração de resultado do Acórdão (Fl 798).
Tais omissões não permitem, com segurança, afirmar que o resultado do julgamento segue integralmente a conclusão do voto proferido pela Relatora, dando a entender que persistem as imputações de solidariedade quanto a todos os demais envolvidos.
No presente processo consta Recurso Voluntário interposto apenas pela recorrente em epígrafe, no entanto, esta segue argumentando pela ilegalidade da atribuição de responsabilidade solidária das demais empresas citadas nos autos de infração.
O mais, renova os argumentos impugnatórios, argumentando pelo cancelamento do lançamento em razão da não consideração do montante dos créditos retidos no faturamento da empresa, exigibilidade dos valores superiores àqueles realmente devidos e discrepância de valores apurados no confronto entre GFIP e DIRF.
Alega ainda ausência de indicação precisa das irregularidades que ensejaram as deduções de salário maternidade e salário família e cerceamento do direito de defesa.
Consta do processo, na folha 1034, petição apresentada pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional comunicando o ajuizamento da ação ordinária nº 32699-66.2016.4.601.3800, em curso na 13ª Vara da Justiça Federal em Minas Gerais, por parte do Recorrente URB TOPO ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES LTDA, tendo por objeto a obtenção de declaração de nulidade dos créditos tributários constituídos no presente processo administrativo tributário. Contudo, não foram juntadas as peças da referida ação.
É o relatório
VOTO
Conselheiro - Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Partindo da informação apresentada pela PGFN, consultamos o site da Justiça Federal de Minas Gerais - TRF1 e verificando a existência do citado processo.
A página de consulta indica que a demanda abrange os processos administrativos tributários de nº 13603724185201246, 13603724037201221, 13603724038201276, 13603724043201289, 13603724181201268, 13603724182201211, 13603724183201257, 13603724184201200, 13603724186201291.
Apesar de parecer verossímil a alegação de existência de concomitância informada pela PGFN, por não constar dos autos, deste processo administrativo, as cópias integrais do referido processo judicial ou mesmo da inicial, não é possível, com segurança, afirmar que exista identidade de objeto, causa de pedir e pedido, tendo por conseqüência a declaração de desistência da via administrativa.
Considerando que a demanda ora analisada não versa exclusivamente sobre os créditos em si, abrangendo também a questão de existência de solidariedade entre os participantes do grupo econômico, caso a discussão judicial verse apenas quanto aos créditos, sem tratar da discussão de solidariedade, está deverá ser objeto de analise por este colegiado.
Ainda, sem as peças não é possível nem mesmo afirmar que existe concomitância, eis que, a mera alegação da PGFN de que a matéria discutida refere-se ao cancelamento dos respectivos lançamentos desacompanhada de provas não é suficiente para formar o convencimento deste relator.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos apontados pelo Relator. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Tulio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci e Jamed Abdul Nasser Feitoza. RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário (Fls. 952 a 956), contra Acórdão de nº 15034.439 7 ª Turma da DRJ/SDR (Fls. 796 a 824) que, por unanimidade, decidiram por manter a integralidade do crédito apurado nos Autos de Infração nºs 37.353.3616 e 37.353.3675, integrantes do processo nº 13603.724037/201221. Lançamento realizado por descumprimento de obrigação tributária principal de natureza previdenciária, consolidados em 23/12/2012, por meio de ação fiscal autorizada por MPF nº 061.1000.2012.00483, código de acesso 91732816. A atividade principal da empresa é a execução de obras e serviços de construção civil. Foram apuradas a existência de obrigações referentes a contribuições previdenciárias correspondentes ao período de janeiro/2008 a dezembro/2008, incluído o 13º salário de 2008 dando origem aos seguintes Autos de Infração: AI Debica n° 37.353.3616 a) Incidentes sobre salários de contribuição pagos a segurados empregados, não declarados em Guia de Recolhimento do FGTS e GFIP; b) Glosas de pagamentos indevidos de salário família; c) Incidentes sobre retiradas pagas aos sócios administradores; d) Incidentes sobre retiradas pagas aos sócios administradores e arbitradas pela fiscalização nas competências novembro e dezembro de 2008, por não haver em tais competências lançamentos das referidas verbas nas folhas de pagamento de salários e na contabilidade. e) Incidentes sobre honorários de autônomos apurados mediante exame das folhas de pagamento de salários exibidas por meio de arquivo digital no formato MANAD e incluídos no levantamento AH; AI Debcad n° 37.353.3675. Refere-se às contribuições destinadas à Previdência Social, correspondentes à parte dos segurados empregados, descontadas pelo sujeito passivo e não recolhidas em época própria. O agente fiscal entendeu existir grupo econômico em relação citadas na ação fiscal concluindo ainda pela solidariedade entre as mesmas. Em razão desta conclusão foram apresentadas impugnações pelas empresas URB Topo Engenharia e Construções Ltda, Consórcio URB Topo Marins Ltda, URB Mix Concreto Ltda, Wir Feira Shopping Ltda ME, URBENG Engenharia e Incorporações Ltda e URB Trans Transportes Gerais Ltda (AI 37.353.3616 e AI 37.353.3675). A empresa URB Topo Engenharia e Construções Ltda apresentou impugnação em 01 de fevereiro de 2013, e os sujeitos passivos solidários: Consórcio URB Topo Marins, URB Mix Concreto Ltda, WIR Feira Shopping Ltda ME, URBENG Engenharia e Incorporações Ltda, URB Trans Transportes Gerais Ltda, em 08 de fevereiro de 2013. Todas impugnações apresentadas, em face da discordância de lançamento constituído pelo AI 37.353.3616 e pelo AI 37.353.3675. Na conclusão do Acórdão (fl 824) existe indicação de acolhimento das alegações de ilegitimidade passiva do Consórcio URB Topo Marins, situação não refletida na declaração de resultado do acórdão. Quanto as demais, nada tratou. A conclusão registra ainda que "no momento do pagamento ou do parcelamento, quando o percentual da multa de mora se encontrará definido, com relação às competências de 01/2008 a 11/2008, insertas no AI 37.353.3616, deverá ser quantificada a multa mais benéfica para o contribuinte, considerando todos os processos conexos". Contudo, tal deliberação não foi registrada na declaração de resultado do Acórdão (Fl 798). Tais omissões não permitem, com segurança, afirmar que o resultado do julgamento segue integralmente a conclusão do voto proferido pela Relatora, dando a entender que persistem as imputações de solidariedade quanto a todos os demais envolvidos. No presente processo consta Recurso Voluntário interposto apenas pela recorrente em epígrafe, no entanto, esta segue argumentando pela ilegalidade da atribuição de responsabilidade solidária das demais empresas citadas nos autos de infração. O mais, renova os argumentos impugnatórios, argumentando pelo cancelamento do lançamento em razão da não consideração do montante dos créditos retidos no faturamento da empresa, exigibilidade dos valores superiores àqueles realmente devidos e discrepância de valores apurados no confronto entre GFIP e DIRF. Alega ainda ausência de indicação precisa das irregularidades que ensejaram as deduções de salário maternidade e salário família e cerceamento do direito de defesa. Consta do processo, na folha 1034, petição apresentada pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional comunicando o ajuizamento da ação ordinária nº 32699-66.2016.4.601.3800, em curso na 13ª Vara da Justiça Federal em Minas Gerais, por parte do Recorrente URB TOPO ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES LTDA, tendo por objeto a obtenção de declaração de nulidade dos créditos tributários constituídos no presente processo administrativo tributário. Contudo, não foram juntadas as peças da referida ação. É o relatório VOTO Conselheiro - Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator Partindo da informação apresentada pela PGFN, consultamos o site da Justiça Federal de Minas Gerais - TRF1 e verificando a existência do citado processo. A página de consulta indica que a demanda abrange os processos administrativos tributários de nº 13603724185201246, 13603724037201221, 13603724038201276, 13603724043201289, 13603724181201268, 13603724182201211, 13603724183201257, 13603724184201200, 13603724186201291. 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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos apontados pelo Relator. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Tulio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci e Jamed Abdul Nasser Feitoza. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 03 .7 24 03 7/ 20 12 -2 1 Fl. 1036DF CARF MF Processo nº 13603.724037/201221 Resolução nº 2402000.591 S2C4T2 Fl. 1.036 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário (Fls. 952 a 956), contra Acórdão de nº 15034.439 7 ª Turma da DRJ/SDR (Fls. 796 a 824) que, por unanimidade, decidiram por manter a integralidade do crédito apurado nos Autos de Infração nºs 37.353.3616 e 37.353.3675, integrantes do processo nº 13603.724037/201221. Lançamento realizado por descumprimento de obrigação tributária principal de natureza previdenciária, consolidados em 23/12/2012, por meio de ação fiscal autorizada por MPF nº 061.1000.2012.00483, código de acesso 91732816. A atividade principal da empresa é a execução de obras e serviços de construção civil. Foram apuradas a existência de obrigações referentes a contribuições previdenciárias correspondentes ao período de janeiro/2008 a dezembro/2008, incluído o 13º salário de 2008 dando origem aos seguintes Autos de Infração: AI Debica n° 37.353.3616 a) Incidentes sobre salários de contribuição pagos a segurados empregados, não declarados em Guia de Recolhimento do FGTS e GFIP; b) Glosas de pagamentos indevidos de salário família; c) Incidentes sobre retiradas pagas aos sócios administradores; d) Incidentes sobre retiradas pagas aos sócios administradores e arbitradas pela fiscalização nas competências novembro e dezembro de 2008, por não haver em tais competências lançamentos das referidas verbas nas folhas de pagamento de salários e na contabilidade. e) Incidentes sobre honorários de autônomos apurados mediante exame das folhas de pagamento de salários exibidas por meio de arquivo digital no formato MANAD e incluídos no levantamento AH; AI Debcad n° 37.353.3675. Referese às contribuições destinadas à Previdência Social, correspondentes à parte dos segurados empregados, descontadas pelo sujeito passivo e não recolhidas em época própria. O agente fiscal entendeu existir grupo econômico em relação citadas na ação fiscal concluindo ainda pela solidariedade entre as mesmas. Em razão desta conclusão foram apresentadas impugnações pelas empresas URB Topo Engenharia e Construções Ltda, Consórcio URB Topo Marins Ltda, URB Mix Concreto Ltda, Wir Feira Shopping Ltda – ME, URBENG Engenharia e Incorporações Ltda e URB Trans Transportes Gerais Ltda (AI 37.353.3616 e AI 37.353.3675). Fl. 1037DF CARF MF Processo nº 13603.724037/201221 Resolução nº 2402000.591 S2C4T2 Fl. 1.037 3 A empresa URB Topo Engenharia e Construções Ltda apresentou impugnação em 01 de fevereiro de 2013, e os sujeitos passivos solidários: Consórcio URB Topo Marins, URB Mix Concreto Ltda, WIR Feira Shopping Ltda – ME, URBENG Engenharia e Incorporações Ltda, URB Trans Transportes Gerais Ltda, em 08 de fevereiro de 2013. Todas impugnações apresentadas, em face da discordância de lançamento constituído pelo AI 37.353.3616 e pelo AI 37.353.3675. Na conclusão do Acórdão (fl 824) existe indicação de acolhimento das alegações de ilegitimidade passiva do Consórcio URB Topo Marins, situação não refletida na declaração de resultado do acórdão. Quanto as demais, nada tratou. A conclusão registra ainda que "no momento do pagamento ou do parcelamento, quando o percentual da multa de mora se encontrará definido, com relação às competências de 01/2008 a 11/2008, insertas no AI 37.353.3616, deverá ser quantificada a multa mais benéfica para o contribuinte, considerando todos os processos conexos". Contudo, tal deliberação não foi registrada na declaração de resultado do Acórdão (Fl 798). Tais omissões não permitem, com segurança, afirmar que o resultado do julgamento segue integralmente a conclusão do voto proferido pela Relatora, dando a entender que persistem as imputações de solidariedade quanto a todos os demais envolvidos. No presente processo consta Recurso Voluntário interposto apenas pela recorrente em epígrafe, no entanto, esta segue argumentando pela ilegalidade da atribuição de responsabilidade solidária das demais empresas citadas nos autos de infração. O mais, renova os argumentos impugnatórios, argumentando pelo cancelamento do lançamento em razão da não consideração do montante dos créditos retidos no faturamento da empresa, exigibilidade dos valores superiores àqueles realmente devidos e discrepância de valores apurados no confronto entre GFIP e DIRF. Alega ainda ausência de indicação precisa das irregularidades que ensejaram as deduções de salário maternidade e salário família e cerceamento do direito de defesa. Consta do processo, na folha 1034, petição apresentada pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional comunicando o ajuizamento da ação ordinária nº 32699 66.2016.4.601.3800, em curso na 13ª Vara da Justiça Federal em Minas Gerais, por parte do Recorrente URB TOPO ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES LTDA, tendo por objeto a obtenção de declaração de nulidade dos créditos tributários constituídos no presente processo administrativo tributário. Contudo, não foram juntadas as peças da referida ação. É o relatório Fl. 1038DF CARF MF Processo nº 13603.724037/201221 Resolução nº 2402000.591 S2C4T2 Fl. 1.038 4 VOTO Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Partindo da informação apresentada pela PGFN, consultamos o site da Justiça Federal de Minas Gerais TRF1 e verificando a existência do citado processo. A página de consulta indica que a demanda abrange os processos administrativos tributários de nº 13603724185201246, 13603724037201221, 13603724038201276, 13603724043201289, 13603724181201268, 13603724182201211, 13603724183201257, 13603724184201200, 13603724186201291. Apesar de parecer verossímil a alegação de existência de concomitância informada pela PGFN, por não constar dos autos, deste processo administrativo, as cópias integrais do referido processo judicial ou mesmo da inicial, não é possível, com segurança, afirmar que exista identidade de objeto, causa de pedir e pedido, tendo por conseqüência a declaração de desistência da via administrativa. Considerando que a demanda ora analisada não versa exclusivamente sobre os créditos em si, abrangendo também a questão de existência de solidariedade entre os participantes do grupo econômico, caso a discussão judicial verse apenas quanto aos créditos, sem tratar da discussão de solidariedade, está deverá ser objeto de analise por este colegiado. Ainda, sem as peças não é possível nem mesmo afirmar que existe concomitância, eis que, a mera alegação da PGFN de que a matéria discutida referese ao cancelamento dos respectivos lançamentos desacompanhada de provas não é suficiente para formar o convencimento deste relator. Conclusão Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, a fim de determinar que sejam tomadas as providências necessárias para a juntada aos autos das peças da Ação Ordinária nº 3269966.2016.4.601.3800, em especial a sua petição inicial, a sentença, as eventuais peças recursais, bem como as decisões possivelmente proferidas em grau recursal., informando, ainda, se propôs qualquer outra ação cuja objeto possa coincidir com o objeto deste processo administrativo. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 1039DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13854.000341/2004-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004
ACOLHIMENTO DOS EMBARGOS. OMISSÕES NÃO IDENTIFICADAS.
Devem ser rejeitados os embargos de declaração, uma vez que não se verificaram as omissões indicadas.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 3301-003.912
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do relator.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1277; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 228 1 227 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13854.000341/200418 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3301003.912 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de junho de 2017 Matéria Créditos de PIS Embargante PITANGUEIRAS AÇÚCAR E ÁLCOOL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004 ACOLHIMENTO DOS EMBARGOS. OMISSÕES NÃO IDENTIFICADAS. Devem ser rejeitados os embargos de declaração, uma vez que não se verificaram as omissões indicadas. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do relator. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator. Participaram do julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 4. 00 03 41 /2 00 4- 18 Fl. 203DF CARF MF Processo nº 13854.000341/200418 Acórdão n.º 3301003.912 S3C3T1 Fl. 229 2 Relatório Foram opostos embargos de declaração em face do Acórdão n° 3801 004.615, datado de 11 de novembro de 2014, cujo relatório reproduzo, para fins de economia processual: "Adoto o relatório do acórdão recorrido, por retratar suficientemente a lide. 'A interessada pleiteia, por meio de Declaração de Compensação, o crédito relativo à Contribuição para o PIS/Pasep, não cumulativo, do mês de outubro de 2004, apurado de conformidade com o § 1º, do artigo 5°, da Lei n° 10.637/2002, que após a dedução devida, resultou, segundo entendimento da empresa, em um remanescente a compensar de R$3.542,77. O Serviço de Fiscalização, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto procedeu à fiscalização e por meio da Informação Fiscal (fls. 84/92), constatou créditos indevidos de bens que não foram utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; créditos indevidos de cana de açúcar adquirida de pessoa física; créditos indevidos de cana de açúcar adquirida de pessoa jurídica que exerce atividade agropecuária e despesas indevidas de depreciação de máquinas e equipamentos, com glosa total do valor solicitado. O Auditor fiscal juntou à informação fiscal, além da cópia do DACON entregue pele empresa via internet (fls. 54/58) e cópia parcial dos balancetes mensais analíticos contábil (fl. 59), os seguintes demonstrativos: I Demonstrativo de Apuração da Proporcionalidade entre as Vendas de Álcool para Fins Carburantes e as Receitas de Vendas no Mercado Interno e Externo (fl. 76); II Demonstrativo de Apuração do Crédito da Contribuição para o PIS não Cumulativa (fl. 77); III Demonstrativo de Apuração do Débito da Contribuição para o PIS não Cumulativa (fl. 78); IV Demonstrativo de Apuração da Contribuição Devida a Contribuição para o PIS não Cumulativa (fl. 79); V Demonstrativo de Receitas de Exportação de Produtos de Fabricação Própria (fl. 75); e VI Demonstrativo Mensal de Vendas Equiparadas à Exportação (fl. 74). Cientificada do Despacho Decisório de fls. 93/94, e inconformada, a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade, de fls. 114/127. Preliminarmente, disserta sobre a sistemática da não cumulatividade e alega cerceamento ao direito de defesa, tendo em vista que “referida informação fiscal faltalhe especificações fáticas, no sentido de demonstrar a conduta adotada pelo fiscal e de como se chegou aos resultados informados, faltandolhes substâncias.” Fl. 204DF CARF MF Processo nº 13854.000341/200418 Acórdão n.º 3301003.912 S3C3T1 Fl. 230 3 Na mesma esteira, alega “ausência de elementos substanciosos” na apuração das despesas de depreciação de máquinas e equipamentos, na glosa de insumos e na análise dos créditos relativos à cana de açúcar adquiridas de pessoas físicas e jurídicas. No mérito, a contribuinte afirma que tem direito ao regime não cumulativo quanto ao álcool comercializado no mercado interno e externo e tem direito ao crédito de todos os insumos, inclusive canadeaçúcar, por estarem inseridos no artigo 149 da Constituição Federal. Sustenta que os créditos de canadeaçúcar adquiridas de pessoa física e jurídica são devidos, e que as normas consideradas pelo Auditor fiscal, inclusive a IN/SRF nº 660/2006, são ilegais e inconstitucionais, por ferirem o “princípio da irretroatividade”. Por fim, pede o deferimento da manifestação de inconformidade.' A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão PretoDRJ/ RPO julgou improcedente a manifestação de inconformidade conforme ementa a seguir: 'Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. REGIME. A receita de venda de álcool para fins carburantes teve mantida sua forma de tributação, cumulativa, mesmo após a instituição do regime não cumulativo de apuração. CRÉDITOS. CRITÉRIO DE DETERMINAÇÃO. Inexistindo sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, a apropriação dos créditos deve ser feita por rateio proporcional. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 13854.000341/200418 Acórdão n.º 3301003.912 S3C3T1 Fl. 231 4 A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional.' Contra esta decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual repete as alegações da impugnação, com exceção da preliminar de nulidade da decisão da DRF, que não foi suscitada. É o relatório.' ' A 1° Turma Especial do CARF julgou negou provimento ao recurso voluntário. Assim foram redigidos os Acórdão n° 3801004.615 (fls. 167 a 183) e dispositivo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004 NÃO CUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, no valor da receita bruta total incluemse as receitas da vendas de bens e serviços e todas as demais receitas, inclusive as financeiras. ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. INCIDÊNCIA CUMULATIVA DA CONTRIBUIÇÃO. A receita de venda de álcool para fins carburantes não pode ser incluída no cálculo de receitas de exportação para apuração da relação percentual a ser aplicada à soma dos gastos que dão direito a crédito presumido mercado externo, porque se enquadra no regime não cumulativo de apuração. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Quem alega um direito deve provar os fatos em que ele se fundamenta. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 13854.000341/200418 Acórdão n.º 3301003.912 S3C3T1 Fl. 232 5 Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator." Foram opostos embargos de declaração (fls. 192 a 195), em face do acima colacionado Acórdão n° 3801004.615 (fls. 167 a 183), os quais foram admitidos pelo Presidente da 1° Turma Especial da 3° Seção do CARF (fls. 200 a 201), em razão de a turma do CARF ter supostamente deixado de apreciar documentos apresentados pelo contribuinte no curso da fiscalização, que legitimariam o registro de créditos de PIS de outubro de 2004, derivados de "bens e serviços utilizados como insumos". É o relatório. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 13854.000341/200418 Acórdão n.º 3301003.912 S3C3T1 Fl. 233 6 Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Foram opostos embargos de declaração (fls. 192 a 195), em face do Acórdão n° 3801004.615 (fls. 167 a 183), os quais foram admitidos pelo Presidente da 1° Turma Especial da 3° Seção do CARF. De acordo com o Despacho de Admissibilidade (fls. 200 e 201), a respectiva turma do CARF teria deixado de apreciar documentos apresentados pelo contribuinte no curso da fiscalização, que legitimariam o registro de créditos de PIS no mês de outubro de 2004, derivados de "bens e serviços utilizados como insumos". Nos embargos de declaração, o contribuinte apontou que as supostas omissões teriam ocorrido em relação à análise de dois tipos específicos de custo: compras de lubrificantes e depreciação de torre de bens. Como não obtivera êxito no recurso voluntário, justamente por não ter apresentado os valores dos custos que teriam sido glosados, nos embargos menciona os valores e os correspondentes documentos apresentados ao Fisco durante a fiscalização e que supostamente não teriam sido analisados pela autoridade julgadora de segunda instância, com indicação das respectivas folhas dos autos em que se encontram, a saber: a) "Relação de Notas Fiscais de Aquisição de Insumos e Serviços Pessoa Jurídica PISPASEP" (fls. 64 a 70). b) Nota fiscal n° 2.871 (fl. 72), referente à compra de Torre de Processamento de Massa da Planusi Equipamentos Industriais Ltda., datada de 19/05/2004, no valor de R$ 1.207.500,00. Este documento acompanha demonstrativo preparado pela embargante (fl. 71), onde indica que o crédito de PIS do mês de outubro de 2004, calculado sobre a respectiva quota mensal de depreciação do bem, seria de R$ 415,08. Os trabalhos das fiscalização e DRJ não merecem qualquer reparo. E não houve omissão alguma do colegiado do CARF. Na peça recursal, a Recorrente alegou que o Fisco ajustou as bases de cálculo dos créditos de PIS e COFINS, porém não indicou os insumos que nelas teriam sido indevidamente computados. Discorreu acerca da possibilidade de calcular créditos de PIS e COFINS sobre bens e serviços necessários ao desenvolvimento de suas atividades. E fez menção específica à imprescindibilidade dos custos com óleos e lubrificante, afirmando ter o Fisco afastadoos do conceito de insumos. Dispôs, de forma semelhante, acerca dos custos com depreciação de máquinas e equipamentos indispensáveis à produção do açúcar, dando como exemplos a torre Fl. 208DF CARF MF Processo nº 13854.000341/200418 Acórdão n.º 3301003.912 S3C3T1 Fl. 234 7 de processamento de açúcar e caldeiras. E consigna que a glosa deveuse ao fato de não se tratar de bens que sofressem desgaste durante o processo produtivo. O relator do voto condutor do Acórdão embargado, sob o ponto de vista conceitual, concordou com a então recorrente. Contudo, em razão de a então recorrente não ter mencionado os valores glosados pelo Fisco, assim concluiu: tópico "gastos com óleo diesel e lubrificantes" (fls 179 e 180): "(. . .) uma vez que a recorrente não apontou exclusões de gastos com aquisição destes bens, não há reparo a fazer na decisão administrativa". tópico ao "depreciação" (fl. 180): "(. . .) Também neste caso, não foi apontada nenhuma exclusão na apuração dos custos, despesas e encargos passíveis de gerarem crédito da contribuição social, motivo pelo qual não há que se alterar o despacho decisório (. . .)". Fui aos autos e compulsei os demonstrativos de cálculo e documentos apresentados pelo contribuinte no curso da fiscalização (fls. 53 a 61). E também os cálculos realizados pela fiscalização (fls 62 a 79). E depareime com o seguinte: não houve as glosas dos valores de óleos e lubrificantes e depreciação da torre de processamento de massa apontadas pela embargante, porém adoção de critérios para a apropriação destes créditos que divergiram dos adotados pela embargante. O Fisco, com base nos elementos providos pelo contribuinte, segregou as receitas da embargante em tributadas pelos regimes cumulativo e não cumulativo. Identificou os custos que não davam direito a créditos integrais, porém presumidos (35% da alíquota regular, art. 8° da Lei n° 10.925/04) bens adquiridos de pessoas físicas e jurídicas agroindústria pois estes, ainda que dessem origem a exportações, os excedentes de créditos à época não podiam ser objeto de ressarcimento ou compensação. Por fim, no âmbito das receitas tributadas sob o regime não cumulativo, identificou as relativas a vendas nos mercados interno e externo (neste último caso, o excedente de créditos podia ser objeto de ressarcimento ou compensação) e apurou as respectivas participações percentuais na receita total. E realizou os pertinentes rateios proporcionais dos custos que poderiam gerar créditos de PIS e COFINS e identificação dos saldos a serem ressarcidos ou compensados. Assim sendo, o Acórdão não foi omisso quanto à análise dos documentos indicados nos embargos como suportes de custos glosados, relativos a compras de lubrificantes e depreciação de torre de processamento. Se a totalidade dos valores daqueles custos não foi computada nos cálculos dos créditos passíveis de ressarcimento ou compensação, o motivo, definitivamente, não foi a falta de análise de documentos tempestivamente carreados aos autos. Foi, todavia, a divergência entre os critérios adotados pela fiscalização, detalhadamente descritos nos demonstrativos de cálculo e na Informação Fiscal, e pelo contribuinte. Dos recurso voluntário (fls. 147 a 162) e acórdão embargado (fls. 167 a 183), constatase que tais critérios foram contestados pelo contribuinte e os respectivos argumentos Fl. 209DF CARF MF Processo nº 13854.000341/200418 Acórdão n.º 3301003.912 S3C3T1 Fl. 235 8 devidamente enfrentados pelo colegiado do CARF. Contudo, não foram acatados. E, em sede de embargos, não há que se reabrir discussões já exauridas nos momentos processuais devidos. De todo o exposto, concluo, consignando meu voto no sentido de rejeitar os embargos de declaração, opostos em face do Acórdão CARF n° 3801004.615, uma vez que não ocorreram as omissões apontadas pela embargante. É como voto. Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 210DF CARF MF
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Numero do processo: 13116.722102/2011-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
IPI DESTACADO E RECEBIDO. RECOLHIMENTO SUSPENSO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. NÃO INCIDÊNCIA DO IPI. TRATAMENTO TRIBUTÁRIO DA RECEITA. COMPETÊNCIA.
Apesar de envolver apreciação do IPI destacado em nota fiscal e suas repercussões em relação ao PIS e à COFINS, a partir da decisão judicial transitada em julgado que afastou a incidência do IPI sobre as operações em análise, o objeto da lide refere-se ao tratamento contábil-fiscal dos valores destacados a título de IPI, o que influenciará diretamente na apreciação do cômputo ou não dessas receitas na apuração do IRPJ, CSLL PIS e COFINS.
No Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n°256/2009, a competência para julgamento do IRPJ e das situações conexas, como é o caso da tributação do PIS e da COFINS decorrentes, é da Primeira Seção do CARF.
DECLINADA COMPETÊNCIA À PRIMEIRA SEÇÃO
Numero da decisão: 3101-001.427
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso para declinar a competência de julgamento em favor da Primeira Seção de Julgamento.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Luiz Roberto Domingo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 IPI DESTACADO E RECEBIDO. RECOLHIMENTO SUSPENSO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. NÃO INCIDÊNCIA DO IPI. TRATAMENTO TRIBUTÁRIO DA RECEITA. COMPETÊNCIA. Apesar de envolver apreciação do IPI destacado em nota fiscal e suas repercussões em relação ao PIS e à COFINS, a partir da decisão judicial transitada em julgado que afastou a incidência do IPI sobre as operações em análise, o objeto da lide referese ao tratamento contábilfiscal dos valores destacados a título de IPI, o que influenciará diretamente na apreciação do cômputo ou não dessas receitas na apuração do IRPJ, CSLL PIS e COFINS. No Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n°256/2009, a competência para julgamento do IRPJ e das situações conexas, como é o caso da tributação do PIS e da COFINS decorrentes, é da Primeira Seção do CARF. DECLINADA COMPETÊNCIA À PRIMEIRA SEÇÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso para declinar a competência de julgamento em favor da Primeira Seção de Julgamento. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Luiz Roberto Domingo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 72 21 02 /2 01 1- 95 Fl. 2643DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos objeto da lide, adoto parte do relatório da decisão recorrida: “Contra a contribuinte em epígrafe, CAOA MONTADORA DE VEÍCULOS S/A, foram lavrados autos de infração no valor total de R$ 583.698.556,60, para exigência da contribuição para o PIS e da Cofins, relativas aos anos de 2007 a 2010. Integra os referidos autos de infração o Termo de Verificação Fiscal de fls. 157/166, ao qual me reporto para elaborar a seguinte síntese do trabalho da fiscalização. O procedimento fiscal foi instaurado para verificação do cumprimento das obrigações tributárias em decorrência de decisão judicial transitada em julgado favorável ao contribuinte, reconhecendoo como não contribuinte do IPI em relação à revenda de mercadorias importadas, chamado de IPI Complementar, afastando a incidência do art. 9º, I, do Decreto nº 2.637/98. O contribuinte impetrou mandado de segurança com pedido de liminar, tendo como pretensão o não recolhimento do IPI no momento da saída dos veículos importados de seu estabelecimento, tendo sido beneficiado com decisão em sede liminar em 22/09/2004. A sentença do juízo de primeiro grau denegou a segurança em 02/03/2007. O Tribunal Regional Federal da 1ª Região, por decisão unânime de sua 8ª Turma, em 11/12/2007, deu provimento à apelação interposta pelo contribuinte, conforme ementa: "Ementa : TRIBUTÁRIO.IPI.EMPRESA IMPORTADORA.FATO GERADOR DO IPI. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. 1. O IPI, nos termos do artigo 46 do CTN, ocorre de forma alternativa na saída do produto do estabelecimento, no desembaraço aduaneiro ou na arrematação em leilão. 2. Por se tratar de empresa importadora, o fato gerador ocorre no desembaraço aduaneiro, não sendo possível nova cobrança do IPI na saída do produto quando de sua comercialização, ante a proibição do fenômeno da bitributação. 3. Apelação da impetrante provida para deferir o seu direito." A União interpôs embargos de declaração, que foram rejeitados. A União interpôs recurso especial, que foi inadmitido. Essa decisão foi questionada por meio de agravo de instrumento. O referido agravo de instrumento não foi conhecido em 01/12/2009, tendo sido interposto agravo regimental dessa decisão, cujo provimento foi negado em 16/03/2010. O acórdão que negou provimento ao agravo regimental transitou em julgado em 28/04/2010. Durante todo o trâmite do processo judicial, o IPI continuava sendo destacado nas notas fiscais de revenda das mercadorias importadas, ônus arcado pelo adquirente da mercadoria, gerando ao contribuinte uma receita adicional não computada na Demonstração do Resultado do Exercício DRE. Fl. 2644DF CARF MF Processo nº 13116.722102/201195 Acórdão n.º 3101001.427 S3C1T1 Fl. 2.644 3 Também como conseqüência da decisão, o IPI pago no desembaraço aduaneiro (art. 46, I, do Código Tributário Nacional) integra o custo da mercadoria vendida (CMV), reduzindo o Lucro Bruto. O contribuinte foi cientificado em 19/09/2011 do Termo de Início do Procedimento Fiscal (fls. 304/305), para, no prazo de 20 (vinte) dias, apresentar diversos livros e documentos, bem como prestar esclarecimentos. O contribuinte não apresentou qualquer documento ou esclarecimento. Em 14/10/2011, a fiscalização expediu Termo de Reintimação, Intimação e Constatação Fiscal, fls. 301/303, ficando o contribuinte reintimado para, no prazo de 5 dias, apresentar os documentos e esclarecimentos já solicitados, e intimado a apresentar a Escrituração Contábil Digital SPED Contábil, referente ao ano calendário 2010, entre outros. O contribuinte também foi cientificado do Termo de Constatação, o qual analisa as conseqüências da aludida decisão judicial transitada em julgado, que atendeu a sua pretensão deduzida em Mandado de Segurança, reconhecendoo como não contribuinte do IPI em relação à revenda de mercadorias importadas, chamado de IPI complementar. Do referido Termo de Constatação, destacamse, litteris: • Tendo em vista o deslinde processual, a decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região transitou em julgado, de modo que a pretensão do contribuinte deduzida no Mandado de Segurança foi atendida. • Logo, o contribuinte está desobrigado do recolhimento do IPI no momento da saída dos veículos importados de seu estabelecimento. Em síntese, o contribuinte obteve sentença que lhe excluiu da qualidade de contribuinte do IPI em relação à revenda de mercadorias (veículos) importadas. • Porém, durante todo o trâmite do processo, o IPI continuava sendo destacado nas notas fiscais de revenda das mercadorias importadas, ônus arcado pelo adquirente da mercadoria, gerando ao contribuinte uma receita adicional não computada na Demonstração do Resultado do Exercício DRE, já que o IPI destacado não integra o preço de venda da mercadoria (excluído da Receita Bruta). • Como conseqüência da sentença, o IPI pago no desembaraço aduaneiro também passa a integrar o custo da mercadoria vendida (CMV), reduzindo o Lucro Bruto. • Assim, a diferença entre o IPI destacado em nota fiscal, que está informado no Livro de Apuração do IPI de cada um dos exercícios como crédito na Apuração do IPI com a descrição: “Estorno de Débitos em razão da desobrigação de recolhimento do IPI Complementar, cobrado com fundamento no art. 9º, I, Decreto nº 2.637/98, por força de D. J. Autos do M.S. nº 2004.35.00.0110772, 3ª Vara da Seção J. F. do Estado de Goiás”, e o IPI pago no desembaraço aduaneiro, que está informado no Livro de Apuração do IPI de cada um dos exercícios como Entradas no CFOP nº 3102 – Compra para Comercialização, constitui resultado operacional não computado, reduzindo indevidamente o IRPJ e a CSLL. • Há também reflexo no Pis/Pasep e na Cofins, pois, como já dito, o IPI destacado em nota converteuse em receita do contribuinte (faturamento), devendo ser adicionado à Dacon nas alíquotas diferenciadas para veículos. Fl. 2645DF CARF MF 4 Decorrido o prazo concedido no referido Termo de Reintimação, Intimação e Constatação Fiscal, o contribuinte novamente não apresentou qualquer documento ou esclarecimento. Somente em 31/10/2011, somente após expirado o prazo concedido pelo agente fiscal, a empresa CAOA Montadora de Veículos S/A, encaminhou CD com o arquivo do SPED Contábil do ano 2010 e informou que não conseguiu validálo, pois o tamanho do arquivo ficou superior a 1GB, e que os técnicos do sistema estariam trabalhando, com previsão de sua entrega até 04/11/2011. O contribuinte informou também estava trabalhando na documentação e nos documentos solicitados, e que no dia 31/10/2011 apresentaria uma boa parte do material. Como na citada data não foi apresentado qualquer documento/esclarecimento, a fiscalização utilizouse dos elementos e documentos que dispunha para proceder ao lançamento de ofício. No Livro de Registro de Apuração do IPIRAIPI o contribuinte realizou estornos dos valores dos débitos de IPI na revenda das mercadorias importadas, apurados no mesmo período, lançandoos no campo “Créditos do Imposto” do Livro RAIPI, com a seguinte descrição “Estorno de débitos em razão da desobrigação de recolhimento do IPI Complementar, cobrado com fundamento no artigo 9º, I, Decreto nº 2.637/98, por força de D. J. Autos do M.S. nº 2004.35.00.0110772, 3ª Vara da Seção J.F. do Estado de Goiás”. Com tal procedimento, o contribuinte deixou de apurar o IPI na revenda das mercadorias importadas, mas continuou escriturando os créditos de IPI referentes às entradas (compras para revenda), bem como continuou creditandose do Crédito Presumido IPI (32%), conforme art. 1º da Lei nº 9.826/1999. Na Escrituração Contábil Digital – SPED Contábil foram efetuados os seguintes registros: a) No anocalendário 2007, destacou o IPI nas notas fiscais de revenda das mercadorias com ônus do adquirente, debitando a conta IPI Veículos Novos (Cód. Conta 41300000000) e creditada a conta IPI a recolher (Cód. Conta 2114000054), conforme fls. 756. Em decorrência da ação judicial debitou a conta IPI a Recuperar (Cód Conta 1120300270) e creditou a conta Ação Judicial IPI Complementar (Cód. Conta 2220304790), conforme fl. 2.300/2.301. b) No anocalendário 2008, destacou o IPI nas notas fiscais de revenda das mercadorias com ônus do adquirente, debitando a conta IPI sobre Vendas (Cód. Conta 4020307000) e creditada a conta IPI a Pagar (Cód. Conta 2110504440), conforme fls. 759 a 762. Em decorrência da ação judicial debitou a conta IPI a Recuperar (Cód Conta 1120300270) e creditada a conta Ação Judicial IPI Complementar (Cód. Conta 2220304790) fls. 2.306/2.307. c) No anocalendário 2009, continuou destacando o IPI nas notas fiscais de revenda das mercadorias com ônus do adquirente, debitando a conta IPI sobre Vendas (Cód. Conta 4020307000) e creditada a conta IPI a Pagar (Cód. Conta 2110504440), conforme fls.2.308/2.315. Em decorrência da ação judicial debitou a conta IPI a Pagar (Cód. Conta 2110504440) e creditou a conta Ação Judicial IPI Complementar (Cód. Conta 220304790), conforme fls. 2.316. d) No anocalendário 2010, somente foi transmitido o SPED – Contábil referente a dezembro de 2010. Analisandose também o SPEDFiscal do anocalendário 2010, concluise que até agosto/2010 o contribuinte utilizouse do mesmo procedimento contábil do anocalendário anterior. Fl. 2646DF CARF MF Processo nº 13116.722102/201195 Acórdão n.º 3101001.427 S3C1T1 Fl. 2.645 5 A partir de setembro de 2010 deixou de efetuar os lançamentos relacionados com a conta Ação Judicial IPI Complementar (Cód. Conta 220304790) e efetuando somente os lançamentos como se fosse contribuinte do IPI na revenda de mercadorias importadas. (Debitando IPI sobre Vendas – cód. Conta nº 4020307000 e creditando IPI a pagar – cód. conta nº 2110504440), conforme fls. 2.317/2.319. Conforme fls. 2.320, em 31/12/2010 efetuou lançamentos contábeis relacionados com a conta Ação Judicial IPI Complementar (Cód. Conta 220304790) com o seguinte histórico: “Regularização IPI Efeitos Ação Judicial / Regularização IPI Liminar”. Verificase que o contribuinte efetuou lançamento em 31/12/2010 debitando a conta Ação Judicial IPI Complementar (Cód. Conta 220304790 do Passivo Exigível a Longo Prazo) no valor de R$ 1.739.424.386,73, e tendo como contrapartida um crédito na conta IPI a Recuperar no valor de R$ 1.741.897.208,66. No entanto, de acordo com a decisão judicial, não sendo contribuinte do IPI, não deveria escriturar o IPI (créditos e débitos) relacionado com a revenda das mercadorias importadas, e, conforme já destacado, o saldo da conta IPI a recuperar foi aumentado indevidamente no Livro de Registro e Apuração do IPI com a escrituração adotada pelo contribuinte (Estorno de débitos em razão da desobrigação de recolhimento do IPI Complementar, créditos de IPI das entradas e Crédito Presumido IPI (32%), conforme art. 1º da Lei nº 9.826/1999). Concluiu o agente fiscal que o referido lançamento em nenhuma hipótese regularizaria a situação do IPI decorrente da ação judicial. Em síntese, nos anoscalendário 2007, 2008, 2009 e 2010, o contribuinte não efetuou recolhimento do IPI sobre a revenda de mercadorias importadas (chamado de IPIcomplementar), conforme decisão judicial transitada em julgado que o reconheceu como não contribuinte do IPI com relação à revenda de veículos importados. No entanto, assevera a autoridade fiscal que o contribuinte também não computou no resultado de cada um dos exercícios fiscalizados os valores do IPI destacado nas notas fiscais de revenda de mercadorias importadas, com ônus do adquirente, que deveriam ter sido consideradas como receitas adicionais, não computadas na determinação do lucro real, e também sujeitas à apuração da contribuição para o PIS e da Cofins. O agente fiscal, então, promoveu o lançamento de ofício para exigir a contribuição para o PIS e a Cofins, dos períodos de apuração de janeiro de 2007 a agosto de 2010, com a imposição de multa de ofício agravada de 112,5%, com fundamento no art. 44, inciso I e § 2º, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007. Para tanto, considerou receita omitida a diferença entre o IPI destacado em nota fiscal, que está informado no Livro de Apuração do IPI de cada um dos exercícios como crédito na Apuração do IPI com a descrição: “Estorno de Débitos em razão da desobrigação de recolhimento do IPI Complementar, cobrado com fundamento no art. 9º, I, Decreto nº 2.637/98, por força de D. J. Autos do M.S. nº 2004.35.00.0110772, 3ª Vara da Seção J. F. do Estado de Goiás”, e o IPI pago no desembaraço aduaneiro, que está informado no Livro de Apuração do IPI de cada um dos exercícios como Entradas no CFOP nº 3102 – Compra para Comercialização. Fl. 2647DF CARF MF 6 Já para o lançamento pertinente aos períodos de apuração de setembro, outubro, novembro e dezembro do anocalendário 2010, o IPI destacado em Nota Fiscal, que constitui receita adicional não computada na Demonstração do Resultado do Exercício DRE, foi extraído do RAIPI do anocalendário 2010, que foi entregue pelo contribuinte através da Escrituração Fiscal Digital – SPED Fiscal, com Código CFOP nº 6403 Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros em operação com mercadoria sujeita ao regime de substituição tributária, na condição de contribuinte substituto, conforme relatório à fl. 2.278. Ainda, segundo o autor do feito fiscal, O sujeito passivo descontou em sua apuração os créditos da nãocumulatividade demonstrados no quadro Créditos Descontados Indevidamente pelo Sujeito Passivo do Auto de Infração, os quais foram utilizados de ofício em períodos anteriores, ocasionando contribuição a pagar relativamente aos períodos informados no Auto de Infração. Cientificada dos autos de infração em 08/12/2011, a contribuinte apresentou em 09/01/2012 a extensa peça de impugnação de fls. 2.338/2.379....” Entendo que o relatório acima é o que basta para apreciação nesta turma. É o Relatório. Voto Conselheiro LUIZ ROBERTO DOMINGO Como visto, tratase de lançamento de PIS e COFINS em decorrência de a Recorrente ter sido considerada como não contribuinte do IPI nas operações de importação e venda no mercado interno de veículos automotores, por decisão judicial transitada em julgado, sendo que, por conta do tratamento que conferiu aos valores desatacados em notas fiscais de venda a título de IPI, entendeu a fiscalização que deveria a Recorrente oferecer tais valores à tributação das contribuições sobre o faturamento/receita e do IRPJ e da CSLL, O relatório fiscal explica que “assim, a diferença entre o IPI destacado em nota fiscal, que está informado no Livro de Apuração do IPI de cada um dos exercícios como crédito na Apuração do IPI com a descrição: “Estorno de Débitos em razão da desobrigação de recolhimento do IPI Complementar, cobrado com fundamento no art. 9º, I, Decreto nº 2.637/98, por força de D. J. Autos do M.S. nº 2004.35.00.0110772, 3ª Vara da Seção J. F. do Estado de Goiás”, e o IPI pago no desembaraço aduaneiro, que está informado no Livro de Apuração do IPI de cada um dos exercícios como Entradas no CFOP nº 3102 – Compra para Comercialização, constitui resultado operacional não computado, reduzindo indevidamente o IRPJ e a CSLL” Portanto, o objeto da lide, apesar de envolver a natureza jurídica do valor destacado a título de IPI a partir da decisão judicial transitada em julgado, referese ao tratamento contábil fiscal desses valores que influenciará diretamente no cômputo da renda auferida, devendo o julgamento declinar sobre a natureza dessa receita e se deve ou não ser considerada para apuração do IRPJ, CSLL PIS e COFINS. Pelo que se observa do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF n°256/2009, a competência para Fl. 2648DF CARF MF Processo nº 13116.722102/201195 Acórdão n.º 3101001.427 S3C1T1 Fl. 2.646 7 julgamento da tributação reflexa às infrações à legislação do Imposto de Renda é da Primeira Seção, conforme art. 2°, inciso IV: Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; Assim, o presente auto de infração decorre do entendimento de que a Recorrente deveria oferecer à tributação do IRPJ e da CSLL e, por via de consequência, incluir nas bases de cálculo do PIS e da COFINS os valores recebidos a título de IPI. Com o fim de evitar a divergência de interpretação do fato e incidência da tributação do IRPJ/CSLL e do PIS/COFINS, é que o regimento unificou, nestes casos, a competência para julgamento na Primeira Seção. Diante do exposto, voto por declinar a competência à Primeira Seção. Luiz Roberto Domingo Relator Fl. 2649DF CARF MF
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Numero do processo: 10469.723555/2011-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.861
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente ESPACIAL AUTO PEÇAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 35 55 /2 01 1- 41 Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10469.723555/201141 Acórdão n.º 3302003.861 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.428. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10469.723555/201141 Acórdão n.º 3302003.861 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10469.723555/201141 Acórdão n.º 3302003.861 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10469.723555/201141 Acórdão n.º 3302003.861 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10469.723555/201141 Acórdão n.º 3302003.861 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 197DF CARF MF
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Numero do processo: 16095.720295/2012-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009
PIS E COFINS NÃO-CUMULATIVOS. DEDUÇÃO DE CRÉDITOS. INSUMOS.
Sob o regime de incidência não cumulativa e para fins de dedução de créditos, o termo insumo deve estar vinculado ao de "essencialidade" do bem ou serviço, no sentido de que determinado insumo deve ser essencial ao processo produtivo do contribuinte, conforme remansosa jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Sob essa moldura, deve ser tomado o processo produtivo em concreto de determinado contribuinte, para se analisar a subsunção ao conceito de "insumo" item a item.
PIS E COFINS NÃO-CUMULATIVOS. SEGURO DE CARGAS. INSUMO.
O seguro obrigatório pago pela transportadora de cargas é considerado insumo na prestação de serviços de transporte de cargas, para fins de apuração de crédito das contribuições.
PIS E COFINS NÃO-CUMULATIVOS. BASE DE CÁLCULO. AVARIAS INDENIZADAS.
As avarias indenizadas são concernentes à composição da base de cálculo das contribuições sociais.
PIS E COFINS NÃO-CUMULATIVOS. ÔNUS DA PROVA DO DIREITO AO CRÉDITO.
Na sistemática não-cumulativa das contribuições sociais, quem afirma ter direito ao crédito é o contribuinte, sendo dele o dever de provar, não se exaurindo o ônus com a juntada de enorme quantidade de documentos, sem que esse aponte de forma clara e inequívoca, como comprovam o fato jurídico, pois não se confunde a instância do contencioso administrativo, com a de auditoria.
Numero da decisão: 3201-002.820
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: : Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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DEDUÇÃO DE CRÉDITOS. INSUMOS. Sob o regime de incidência não cumulativa e para fins de dedução de créditos, o termo “insumo” deve estar vinculado ao de "essencialidade" do bem ou serviço, no sentido de que determinado insumo deve ser essencial ao processo produtivo do contribuinte, conforme remansosa jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Sob essa moldura, deve ser tomado o processo produtivo em concreto de determinado contribuinte, para se analisar a subsunção ao conceito de "insumo" item a item. PIS E COFINS NÃOCUMULATIVOS. SEGURO DE CARGAS. INSUMO. O seguro obrigatório pago pela transportadora de cargas é considerado insumo na prestação de serviços de transporte de cargas, para fins de apuração de crédito das contribuições. PIS E COFINS NÃOCUMULATIVOS. BASE DE CÁLCULO. AVARIAS INDENIZADAS. As avarias indenizadas são concernentes à composição da base de cálculo das contribuições sociais. PIS E COFINS NÃOCUMULATIVOS. ÔNUS DA PROVA DO DIREITO AO CRÉDITO. Na sistemática nãocumulativa das contribuições sociais, quem afirma ter direito ao crédito é o contribuinte, sendo dele o dever de provar, não se exaurindo o ônus com a juntada de enorme quantidade de documentos, sem que esse aponte de forma clara e inequívoca, como comprovam o fato AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 02 95 /2 01 2- 12 Fl. 1563DF CARF MF 2 jurídico, pois não se confunde a instância do contencioso administrativo, com a de auditoria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: : Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Referese o presente processo a auto de infração para a cobrança de PIS e COFINS. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: No Termo de Constatação Fiscal a autoridade fiscal relata os procedimentos adotados na fiscalização e, ao fim, assim contextualiza o lançamento: Da análise das planilhas apresentadas x Dacon x Contabilidade (Sped – Escrituração Contábil Digital), concluímos serem indevidos os créditos informados pelo contribuinte no campo 13 do Dacon – Outras Operações com Direito a Crédito, (aquisições de mercadorias e/ou serviços), operações estas que não geram direito a crédito de PIS/COFINS, os quais serão objeto de GLOSA com conseqüente apuração de nova Base de Cálculo para determinação dos valores mensalmente para estas contribuições (...). Cientificada, a interessada apresentou Impugnação na qual, após abordar a sistemática de apuração não cumulativa, passa a tratar do conceito de insumo, concluindo que: somente os bens e serviços que forem utilizados direta ou indiretamente na fabricação de bens ou na prestação de serviços darão direito a crédito. Essa ressalva é muito importante, na Fl. 1564DF CARF MF Processo nº 16095.720295/201212 Acórdão n.º 3201002.820 S3C2T1 Fl. 94 3 medida em que a lei exige que os bens e serviços sejam efetivamente utilizados pela empresa para tais finalidades, e não simplesmente adquiridos ou consumidos em suas operações. Isso distingue os 'insumos' das despesas dedutíveis para efeitos de apuração da base de cálculo do IRPJ (...). Notese que, enquanto para a dedutibilidade das despesas o critério é que sejam necessárias, usuais e normais para as transações, operações e atividades da empresa, para os 'insumos' é imprescindível que os bens e serviços sejam 'utilizados' diretamente ou indiretamente como tal na prestação de serviços ou na fabricação de bens. Conceitualmente, entendo que a definição de 'despesas dedutíveis' é mais abrangente que a de 'insumos'. Portanto para fins de apuração do crédito de PIS e COFINS, em vez indagar até que ponto determinada despesa é necessária, usual ou normal para as atividades da empresa, devese verificar se aquele bem ou serviço foi utilizado, direta ou indiretamente, para fabricar o produto ou prestar o serviço. Vale ainda referir que, entendo que, o conceito de insumo não está limitado aos bens e serviços utilizados 'diretamente' nas atividades da empresa, pois, nessa hipótese, o crédito estaria limitado ás matériasprimas, materiais de embalagem e produtos intermediários (aqueles consumidos no processo produtivo). Além disso, as próprias Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03 prevêem, também, o crédito sobre combustíveis e lubrificantes, os quais, na maioria das vezes, são materiais auxiliares ou intermediários. Podemos observar que o critério adotado para a apuração dos créditos de PIS e da COFINS são diferentes aos critérios adotados para apuração dos créditos de ICMS e IPI, uma vez que no primeiro a tributação é sobre a receita, portanto a abrangência dos créditos é maior, e no segundo caso a tributação é sobre a mercadoria ou produto, sendo a abrangência do crédito um pouco mais restrita, e a própria legislação que rege a matéria assim determina. Portanto, em resumo, consideramos que os 'insumos' de que trata a lei não são, somente, as matérias primas, materiais de embalagens e produtos intermediários utilizados diretamente na produção de bens ou prestação de serviços, mas todos os bens e serviços, desde que utilizados na fabricação de bens ou na prestação de serviços. Inexiste um sentido técnico jurídico para "insumos" no campo legal de incidência do PIS e da COFINS. Desse modo, se as leis que instituíram essas contribuições não definiram o que são "insumos" nem obrigam ã utilização subsidiária de outras legislações para se extrair tal conceito, depreendese que o legislador quis utilizar o sentido comum desse vocábulo na linguagem, desde que em consonância com sua regra matriz de incidência tributária. Fl. 1565DF CARF MF 4 Apesar disso, a Receita Federal, ao "interpretar e aplicar" a legislação fiscal, editando os atos normativos e as instruções necessárias à sua execução, disciplinou ilegalmente sobre "insumos" nas Instruções Normativas n.247/2002 e n. 404/2004, porquanto extrapolou os limites de sua competência, ao fixar uma interpretação restritiva a esse termo. Diante do aqui proposto, temos que a definição do conceito de "insumos" aplicável à não cumulatividade do PIS / COFINS precisa levar em consideração as realidades operacionais de cada atividade, seja comercial, industrial ou de serviços, isto é, deve corresponder a todos os bens e serviços essenciais para que a atividade econômica possa ser concretizada. Isto Posto, Serão analisados individualmente os créditos Glosados, lançadas em DACON como "Outras Operações de Crédito", operações estas que não geram direito a créditos de PIS/COFINS na constatação fiscal, contestado exaustivamente e explicitado no Tópico Direito Preliminares, requer a manutenção dos créditos. Conta 3.2.1.1.0008 Alimentação Conta 3.3.1.. 10007 — Alimentação Ora, a questão que se apresenta neste processo é indubitável, pois o motorista profissional no exercício de sua Atividade tem como a Alimentação uma necessidade intrínseca a sua prestação de serviço, na Atividade fim do Transporte de Cargas. Tanto é que a Legislação viuse obrigada através de Leis, normalizar o transporte rodoviário de cargas e conceituar a atividade de motorista profissional. A Alimentação neste tópico não tem aquela observada no PAT Plano de Alimentação ao Trabalhador, com regras especificas, para todos trabalhadores da Empresa em geral. Tratase de um custo fixo mensal, normalizado aqui como "insumo", portanto deverá ser classificado como Despesa Operacional. ... 3.2.1.1.0009 Planos de Saúde ... Porque Plano de Saúde no Transporte Rodoviário de Cargas Entre os principais perigos e riscos físicos, contamse os seguintes: a exposição a vibrações e a longa permanência na posição de sentado (concepção do assento, da cabina e de outros equipamentos); a movimentação manual de cargas; a exposição ao ruído — nas operações de carga e descarga, e durante a condução de caminhões (motores, pneus, ventilador, etc); inalação de gases e vapores, e manipulação de substâncias perigosas (gases de escape, produtos químicos transportados, Fl. 1566DF CARF MF Processo nº 16095.720295/201212 Acórdão n.º 3201002.820 S3C2T1 Fl. 95 5 combustível, exposição ao pó da estrada nas operações de carga e descarga e nas pausas para descanso e para lavagem e preparação do veículo); condições climáticas (calor, frio, seca, chuva, etc); pouca margem para a adoção de condições de trabalho ergonômicas e estilos de vida saudáveis. ... Percebese, a toda evidencia, que nas Operações de Transporte Rodoviário de Cargas, em especial motorista profissional, a sua exposição a todos temperes de sua profissão altamente perigosa, com riscos diários de saúde, de sua vida, e de Terceiros. Entendemos que o SUS Serviço Único de Saúde, não atende na sua plenitude os riscos que o profissional na sua jornada diária fica exposto, e tem um Custo Alto para as Empresas através do SAT Seguro acidente trabalho cobrado compulsoriamente nas contribuições do Empregador, e uma das mais altas, devido aos riscos em suas atividades, Serviço esse prestado pela Operadora de Saúde. ... 3.2.1.2.0004 Vale Transporte ... A determinação do Vale Transporte como Despesa Operacional, tem no seu nascedouro a conceituação da sua natureza tributária, através da Lei nº 7418, de 16/12/1985, no seu Art. 3°, e Regulamentado pelo Decreto 95.247 de 17/11/1987, no seu art.31, pratica essa vigente. Nos artigos retro mencionados parágrafos únicos, alem da dedutibilidade como despesas operacionais, poderá deduzir como incentivo fiscal, o mesmo valor para pagamento do IRPJ (revogado pela Lei 9532/97). Portanto não se trata de uma Despesa Administrativa. ... Buscase, no princípio da isonomia (também conhecido como princípio da igualdade tributária), em Direito Tributário, prescreve que não poderá haver instituição e cobrança de tributos de forma desigual entre contribuintes que se encontra em condições de igualdade jurídica. E corolário do princípio constitucional de igualdade jurídica, encontrado no art. 5o, caput, da Constituição Federal. Portanto, já pacificado que o Vale Transporte é uma Despesa Operacional, apropriado ao Custo da Empresa, necessárias á atividade da empresa e a manutenção da respectiva fonte produtora. ... Fl. 1567DF CARF MF 6 3.2.1.3.0004 — Avarias Indenizadas STF reconhece a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS sobre as receitas. ... Portanto, tratase matéria já pacificada tanto no âmbito administrativo fiscal e judicial, e perante, a tudo aqui exemplificado solicitase, a manutenção do crédito com as receitas de Avarias Indenizadas, na Atividade do Transporte Rodoviário de Cargas. 3.2.1.3.0006 — Seguro de Cargas 3.2.1.3.0019 Seguro de Frota e Veículos Será objeto de analise as duas contas de maneira uniforme e simultâneas, tendo em vista tratarse de exigências' com base nos mesmos elementos de prova. Seguros no transporte rodoviário de cargas Tipos de Seguros Os seguros existentes no mercado de transporte de carga são três: um feito pelo embarcador e dois pelos transportadores (veja abaixo). O Seguro Transporte Nacional é para o dono da carga. E obrigatório. O RCTR/C (Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário de Carga), também obrigatório, deve ser feito pela empresa de transporte, mas cobre apenas prejuízos pelos quais o próprio transportador seja responsável, como colisão, capotamento e abalroamento. O terceiro, também feito pelas transportadoras, é opcional: RCFDC (Responsabilidade Civil — Desaparecimento de Carga). ... Cabe aqui um exemplo, uma Fabrica industrial se não pagar IPTU, imposto obrigatório, não verá a sua atividade industrial ser cerceada de suas atividades, pois a mesma não será obrigada parar pelo não pagamento, e a produção gerarão receitas que comporão seu faturamento. Entretanto, no veiculo se isso ocorrer, por falta de pagamento, o mesmo será recluso a um pátio, a espera de uma solução. Na nossa avaliação, não existe maior caracterização de Insumo nesta Prestação de serviços, pois objeto de receita da Empresa não existira se o mesmo não transitar livremente que são necessárias á atividade da empresa e a manutenção da respectiva fonte produtora. Portanto, a tudo aqui exemplificado, e buscando nas decisões administrativas da Receita Federal do Brasil, e nos processos judiciais, a manutenção do crédito do pagamento dos impostos, como IPVA, Licenciamento, Seguro Dpvat, etc. aqui classificados erroneamente como Serviços de Despachantes, na Atividade do Transporte Rodoviário de Cargas. Fl. 1568DF CARF MF Processo nº 16095.720295/201212 Acórdão n.º 3201002.820 S3C2T1 Fl. 96 7 3.3.1.3.0007 Água e Esgoto Portanto, a Água paga no Estabelecimento comercial é uma Prestação de Serviço, a água é um custo que compõe a tarifa. ... São considerados itens de Despesas variáveis: pneus; combustível; lubrificantes; lavagem; lubrificação, manutenção e pedágio. O pedágio não deve ser alocado de acordo com a quilometragem como os demais, devendo ser considerado de acordo com cada rota, já que o valor do pedágio normalmente não é proporcional ao tamanho da rota. (Guia do Transportador Rodoviário). Na composição do preço do Custo Frete, as despesas com Lavagens e Graxas, aqui classificadas como Custo Operacionais variáveis (Insumos) nas planilhas de composição de custo, essa despesa operacional, contribui com 10% (dez por cento), pois a lavação (manutenção) do veiculo é preponderante para execução das tarefas. ... 3.3.1.3.0009 — Despesas com Comunicação Definição de Logística no Transporte Rodoviário de Cargas Esta divisão compreende as atividades relacionadas com a movimentação e o armazenamento de cargas, antes ou depois de seu transporte, ou entre segmentos de traik distintas modalidades, as atividades auxiliares das diversas modalidades do Transporte envolvendo a operação da infra estrutura de suporte nas rodovias, Coordenação e desenvolvimento de Projetos logísticos para o transporte de cargas Ferrovia portos, pontes túneis, etc. e as atividades de agenciamentos porte(sic). ... Localizar em tempo real a posição da frota, fornecer ao cliente a posição geográfica da remessa ou calcular o tempo previsto para as entregas no ponto de destino são proposições dos sistemas operados pelos principais transportadores de cargas, seja no modal rodoviário, aéreo ou marítimo. Constituindo a base dos sistemas de rastreamento eletrônico de cargas, os sistemas GIS e GPS, originados de estudos desenvolvidos no campo da ciência da informação e telecomunicações, trouxeram um novo elenco de recursos técnicos e operacionais aplicados à logística, emprestando à criminalística ferramentas de apoio contra as crescentes perdas decorrentes de roubo e furto de cargas. ... Portanto, tratase matéria já pacificada tanto no âmbito administrativo fiscal e Judicial, e perante, a tudo aqui exemplificado solicitase, a manutenção do crédito com Fl. 1569DF CARF MF 8 Comunicação, na Atividade do Transporte Rodoviário de Cargas. ... 3.3.1.3.0015 — Despesas c/ Treinamento A própria Administração Publica, entende que Uniforme, Vale Transporte, Vale alimentação, Treinamentos/e ou Reciclagem de Pessoal, Seguros de Vida em grupo, tratamse de insumos. Entendimento esse órgão maior que é o Tribunal de Contas da União, Supremo Tribunal Federal em suas planilhas administrativas. Infelizmente, apenas com muito estudo como esse apresentado por parte da Empresa, bem como pelo Ministério Público, para pleitear esses créditos. Portanto, tratase matéria já pacificada tanto no âmbito administrativo fiscal e Judicial, e perante, a tudo aqui exemplificado solicitase, a manutenção do crédito com Despesas de treinamento, na Atividade do Transporte Rodoviário de Cargas. ... 3.3.1.3.0013 — Despesas c/Informática ... Manutenção de Software registra o valor das despesas com serviços, atualização e adaptação de software, suporte, manutenção, revisão, correção de problemas operacionais e manutenção de sustentação de software. Tratase das manutenções corretivas, preventivas e adaptativas. Não inclui os serviços que acrescentem novas funcionalidades ao programa. Manutenção de Software registra os pagamentos de serviços de modificação das características de um software através de modificação do seu código fonte, acrescentando a ele novas funcionalidades. Também chamada de manutenção evolutiva. A classificação de desenvolvimento de software como despesa corrente durante o período de transição na mudança. O registro deverá ser realizado em Manutenção de Melhoria de Equipamentos de Processamento de Dados, quando a alteração realizada aumente a vida útil do bem, incremente a sua capacidade produtiva ou diminua o custo operacional e que também signifique um aumento no valor contábil dos bens ativos. Quando não haja o aumento no valor contábil do bem, se tratará de Manutenção e Conservação de Equipamentos de Processamento de Dados. Locação de Software registra o valor das despesas com remuneração de serviços de aluguel de programas de processamento de dados Fl. 1570DF CARF MF Processo nº 16095.720295/201212 Acórdão n.º 3201002.820 S3C2T1 Fl. 97 9 — Locação de Equipamentos de Processamento de Dados e Periféricos registra o valor das despesas com remuneração de serviços de aluguel desses equipamentos. Comunicação de Dados registra o valor das despesas realizadas com serviços de comunicação de dados. Como exemplos desses serviços podem ser citados: locação de circuito de dados locais ou interurbanos para atendimento de nós de comutação; concentração e nós de acesso da rede de comunicação; serviços de rede privativa virtual. ... 3.3.1.3.0018 — Serviços de Terceiros Serviços prestados por Motoristas Profissionais É o livre o exercício da profissão de motorista profissional, atendidas as condições e qualificações profissionais. . Locação de Equipamentos para movimentação da carga . Movimentação e Transporte de Mercadorias Equipamentos são para transportar cargas, mas também colocá las em posição conveniente. Sua principal característica é a flexibilidade de percurso e de carga e descarga. São equipamentos destinados a mover cargas variadas para qualquer ponto dentro de uma área fixa, onde a função principal é transferir. Utilização de plataforma de madeira ou estrado destinado a suportar carga, fixada por meio de cintas, permitindo sua movimentação mecânica com o uso de garfos de empilhadeira ou guindastes mecânicos específicos para esse fim, obedecendo a padrões, onde permite que o guindaste movimente o pallet por dois lados ou por quatro lados com seus garfos, permitindo ainda que a carga seja paletizada. ... . Serviços de manutenções de Veículos Contratação de pessoa jurídica para a prestação dos serviços de manutenção preventiva e corretiva dos caminhões carretas etc, incluindo o fornecimento de peças e acessórios genuínos ou originais e de materiais necessários ao perfeito funcionamento dos veículos, lubrificantes, troca de óleos e filtros, lanternagem e pintura, geometria e balanceamento, assim como os serviços de assistência de socorro mecânico e guincho para veículos da frota oficial da Empresa. ... Fl. 1571DF CARF MF 10 3.3.1.3.0037Despesas com Publicidade e Propaganda ... De acordo com a legislação do imposto de renda somente serão admitidas como dedução as despesas de propaganda que estejam diretamente relacionadas com a atividade explorada pela empresa, registradas segundo o regime de competência, e que sejam relativas a gastos com (RIR/1999, art. 366): importâncias pagas ou creditadas a empresas jornalísticas, correspondentes a anúncios ou publicações; Importâncias pagas ou creditadas a empresas de radiodifusão ou televisão, correspondentes a anúncios, horas locadas ou programas; ... Como definido, a Empresa utiliza meios de propaganda e de publicidades, para sua atividade explorada pela Empresa, mantém escrituração contábil própria para estas despesas. 3.3.1.3.0038 Locação de Mão de Obra . Serviços prestados por Motoristas Profissionais Locação de Equipamentos para movimentação da carga Existem classificações contábeis destes serviços, também nesta conta. Em referencias a esses tópicos, vide analise na 3.3.1.3.0018 — Serviços de Carga e Descarga E locação de mão de obra o que se contrata são pessoas com intermediação da empresa locadora. ... Outra questão importante da prática do PAF está relacionada mais estreitamente com o Princípio da Legalidade, e, por conseguinte com o da Finalidade. Não raro, a Administração Tributária ao utilizarse de Instruções Normativas e de outros atos infra legais no sentido de regulamentar a Lei, extrapola os seus limites criando situações fáticas que, em alguns casos, até mesmo se contrapõe ao espírito do texto legal. A contribuinte cita jurisprudência administrativa e judicial para sustentar seus entendimentos a respeito da possibilidade de apuração de crédito. A Delegacia de Julgamento julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, em decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 Fl. 1572DF CARF MF Processo nº 16095.720295/201212 Acórdão n.º 3201002.820 S3C2T1 Fl. 98 11 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. REQUISITOS Para efeito do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2003, o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente aqueles bens ou serviços intrínsecos à atividade, adquiridos de pessoa jurídica e aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Na decisão ora recorrida entendeuse, em síntese, pela aplicação da Solução de Divergência Cosit nº 24, de 30/05/2008, a qual conceitua insumos nos seguintes termos: Para efeito do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2003, o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente aqueles bens ou serviços intrínsecos à atividade, adquiridos de pessoa jurídica e aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado. Assim, entendeuse que em vista do disposto nas Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, em seus artigos 3º, é possível afastar liminarmente a possibilidade de apuração de créditos de: despesas c/ publicidade, despesas c/ despachantes, avarias indenizadas, pois não integram os serviços por ela prestados, não se constituírem em insumo da atividade e não existe qualquer previsão expressa que permita a apuração de créditos a partir de tais dispêndios; despesas com alimentação e vale transporte – a Solução de Divergência nº 33, de 2008, emitida pela Coordenação Geral do Sistema de Tributação – COSIT expressamente veda o creditamento; gastos com seguros de cargas e frota, comunicação destinada ao gerenciamento logístico Solução de Divergência nº 18, de 2008 emitida pela Coordenação Geral do Sistema de Tributação – COSIT expressamente veda o creditamento; gastos com planos de saúde dos funcionários não têm natureza capaz de permitir a apuração de créditos por não se constituírem em insumo no serviço prestado, ademais, o fato de o gasto ser regular e considerado como dedutível no Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas não lhe confere a capacidade de gerar créditos da sistemática de apuração não cumulativa. gastos de água e esgoto não se amoldam ao conceito de serviço utilizado como insumo na prestação de seus próprios serviços, pois em nada a lavagem de veículos se incorpora aos serviços de transporte prestados, ainda nada há nos autos que permita a distinção entre os gastos com a lavagem da frota e outros usos da água e do esgoto; Fl. 1573DF CARF MF 12 despesas de informática não integram ou se consomem na prestação do serviço de transporte rodoviário de carga ou de serraria. gastos com serviços de terceiros (incluem serviços de motoristas profissionais) o parágrafo segundo do artigo terceiro da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, veta a apuração de créditos a partir do pagamento de mão de obra de pessoa física; gastos com serviços de terceiros serviços de manutenção de veículos na medida em que a Recorrente optou por lançar seus gastos em um título genérico, “Serviços de Terceiros’, incluído em um grupo também genérico “Outras Operações com Direito a Crédito”, o acatamento de sua apuração requer um conjunto probatório mais robusto do que foi apresentado no decorrer da auditoria fiscal e por ocasião da impugnação ao lançamento. Observouse que a Recorrente foi intimada a comprovar seus créditos antes da autuação, sem obter sucesso. locação de equipamentos para movimentação de cargas e mercadorias dentro de uma área fixa serviços internos da interessada direcionados para sua organização e carregamento, não sendo serviços consumidos no ato da prestação do serviço de transporte de cargas, não podendo ser caracterizados como insumos. locação de mão de obra Serviços de Carga e Descarga contratação de pessoas com intermediação da empresa locadora entendeuse que apenas o trabalho executado pelo empregado temporário é que pode ser considerado como consumido ou aplicado no processo produtivo e nunca os serviços prestados pela empresa de trabalho temporário, a qual atua na função de intermediária na contratação e na seleção dos mesmos, conforme Lei nº 6.019, de 1974, art. 2º e 4o. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente reitera os argumentos de defesa, salientando a natureza casuística da natureza do conceito de “insumos” no âmbito da não – cumulatividade do PIS e da COFINS e citando a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e do Judiciário. A Turma converteu o julgamento em diligência, em resolução pela qual se buscou os seguintes esclarecimentos: O serviço prestado pela Recorrente, segundo consta dos autos, seus objetos sociais são: o transporte rodoviário de carga, exceto produtos perigosos e mudanças; locação de outros meios de transporte não especificados anteriormente, sem condutor; carga e descarga. Nesse contexto e, de acordo com essas premissas, ao se analisar cada um dos itens submetidos à decisão recorrida, alguns deles não ficaram totalmente esclarecidos, para formar a convicção do juízo. Assim, fazse necessária diligência, para que : i. haja o detalhamento da atividade da Recorrente, de maneira a poder se delimitar o seu processo produtivo; ii. quanto às avarias indenizadas – especifiquese do que se trata e quem incorre no custo, como está lançada na contabilidade Fl. 1574DF CARF MF Processo nº 16095.720295/201212 Acórdão n.º 3201002.820 S3C2T1 Fl. 99 13 iii.com relação às despesas de informática, consta dos autos, que foram glosados créditos com atualização e adaptação de software, suporte, manutenção, revisão, correção de problemas operacionais e manutenção de sustentação de software, pagamentos de serviços de modificação das características de um software através de modificação do seu código fonte, acrescentando a ele novas funcionalidades, o valor das despesas com remuneração de serviços de aluguel de programas de processamento de dados.Especificar como esses itens relacionamse ao processo produtivo da empresa. iv. despesas c/ despachantes – natureza da despesa e a que título é a prestação de serviços; v.locação de mão de obra serviços de carga e descarga contratação de pessoas com intermediação da empresa locadora – explicitar natureza dos pagamentos decorrentes de carga e descarga ; vi. gastos com serviços de terceiros serviços de manutenção de veículos na medida em que a Recorrente optou por lançar seus gastos em um título genérico, “Serviços de Terceiros’, incluído em um grupo também genérico “Outras Operações com Direito a Crédito”, o acatamento de sua apuração requer um conjunto probatório mais robusto do que foi apresentado , de maneira que deve trazer provas aos autos para corroborar suas afirmações; vii.gastos com seguros de cargas e frota, comunicação destinada ao gerenciamento logístico verificar se são cobrado dos do cliente. Ademais, requerse sejam explicitadas todas as despesas no plano de contas da Recorrente. Após, deve ser dada ciência à Procuradoria da Fazenda Nacional, para que, querendo, manifestese, devendo retornar os autos a esta Turma Julgadora, para que se prossiga ao julgamento do recurso. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Preambularmente, relevante se faz discorrer sobre as peculiaridades da técnica da nãocumulatividade, aplicada às contribuições sociais ao PIS e à Cofins. Fl. 1575DF CARF MF 14 Em consonância com as Leis n° 10.637/02 e n° 10.833/03, no procedimento de apuração de créditos, devese localizar valores passíveis de creditamento dentre as aquisições do contribuinte, aplicandose a alíquota das contribuições sociais, sendo o resultado subtraído do saldo a pagar. Observese que o critério material dessas contribuições referese à apuração de receitas do contribuinte, o que desde logo lhes confere um raio de abrangência muito maior que a do IPI, que se restringe aos produtos industrializados, considerandose que as contribuições, da mesma forma, incidem sobre receitas decorrentes de comercialização, financeiras e de serviços. Vale, da mesma forma, observar que a técnica da nãocumulatividade atinge contornos distintos mesmo se comparada à aplicada ao ICMS e ao IPI, pois, embora ambos adotem a sistemática para apuração de créditos de "imposto contra imposto", no caso do ICMS, a legislação permite a eliminação da cumulatividade residual da cadeia, em grau muito maior, como por exemplo, permitindo o creditamento sobre bens de capital, o que torna o imposto estadual o modelo brasileiro que mais se aproxima do IVA europeu. A técnica da nãocumulatividade aplicada ao PIS e à Cofins, é bastante distinta dos demais tributos indiretos, a começar pelo fato de que sua apuração ser de "base contra base", além de que, ao levar em consideração em seu cálculo a grandeza "receita", ora se assemelha a um tributo sobre a renda, ora, sobre o dispêndio da renda, ou, o seu consumo. Essas ponderações são ponto de partida para a discussão sobre o conceito de “insumos” para efeitos de creditamento das contribuições, cujo alcance semântico é, ainda hoje, definido pelo Fisco, com fulcro na legislação do IPI, que o vincula a matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Destarte, dentre as hipóteses de creditamento das contribuições, o inciso II do artigo 3º das Leis nº 10.637/02 e n° 10.833/03 admitese o desconto de créditos sobre as aquisições de insumos empregados na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Por força da edição de diversos atos normativos, especialmente as Instruções Normativas SRF nº 247/02 e nº 404/04, amesquinhouse o conteúdo semântico de “insumo”, para restringilo àquelas matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem, e aos serviços prestados, aplicados e/ou consumidos na produção, e quaisquer outros bens, desde que não contabilizados pelo contribuinte no ativo permanente, e que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, ou por ele diretamente sofrida, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. replicando os vetores veiculados no Parecer Normativo COSIT n° 65/79, que trata de IPI. Logo, insurgiramse os contribuintes contra tal apropriação da legislação do IPI, para efeitos de creditamento de PIS e da Cofins, cuja racionalidade é distinta do imposto federal sobre produtos industrializados, não havendo qualquer remissão na legislação das contribuições, que fundamentem a restrição das regras, nesse sentido. Ainda que o regime jurídico da nãocumulatividade do PIS e da Cofins, surgido com as alterações pela Emenda Constitucional n° 20/98 e pela Emenda Constitucional n° 42/03, em seu artigo 195, § 12, da Constituição Federal, tenha delegado a sua disciplina à lei infraconstitucional e que o legislador, por sua vez, tenha instituído um regime que peca em sua sistematização, abrangendo alguns setores de atividade econômica, restringindo as despesas que dão direito ao crédito, dentre muitas outras incongruência que tornam esse regime jurídico Fl. 1576DF CARF MF Processo nº 16095.720295/201212 Acórdão n.º 3201002.820 S3C2T1 Fl. 100 15 casuístico e assistemático, o fato é que, sendo a incidência do PIS e da Cofins sobre as receitas e recaindo o IPI sobre o consumo, restrito à etapa de industrialização do produto, desde sempre, os critérios para disciplina de cada qual, caminharão por sendas diversas, pois são marcados por racionalidades distintas. Por essa razão, a jurisprudência administrativa, invariavelmente, tem afastado o entendimento restritivo atribuído à matéria, rechaçando o tratamento tributário dado ao IPI, para ampliálo, ora alargando o conceito para aproximálo ao regime jurídico de deduções do imposto sobre a renda, ora intentando encontrar um caminho intermédio. Nesse sentido, trilha a jurisprudência administrativa para, a partir do processo produtivo de determinado contribuinte, depreender as atividades essenciais e insumos necessários à sua realização, determinar quais estariam vinculadas os custos e despesas que possibilitariam a utilização do crédito. Da mesma forma, segue a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça que estabeleceu que o conceito de “insumo” para fins de tributação pelo PIS e pela Cofins seria atrelado à “essencialidade”, não se vinculando nem à legislação do IPI, nem a o IRPJ, conforme se noticiou do julgamento do RESP 1246317/MG, da relatoria do Ministro Campbell Marques, que afastaria a possibilidade de interpretação do conceito de insumo para fins de aproveitamento de créditos de PIS e da Cofins com base em conceitos extraídos da legislação do IPI e do IRPJ, adotando o critério da essencialidade, no sentido de que o insumo deve ser essencial para o processo produtivo ou para a prestação de serviços. O julgado é assim ementado ( com grifos nossos): PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. Fl. 1577DF CARF MF 16 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317 / MG, Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma) No voto do relator, alguns pontos são merecedores de destaque, especialmente por convergirem com o entendimento ora expendido: Por sua vez, a nãocumulatividade da contribuição ao Pis e da Cofins instituída pelas Leis 10.637 e 10.833 ainda que a expressão utilizada pelo legislador seja idêntica apresenta perfil totalmente diverso daquela pertinente ao IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Como se verifica, na técnica de arrecadação dessas contribuições, não há propriamente um mecanismo nãocumulativo, decorrente do creditamento de valores das entradas de bens que sofrerão nova incidência em etapa posterior da cadeia produtiva, nos moldes do que existe para aquele imposto (IPI). Considerase, ainda, que a hipótese Fl. 1578DF CARF MF Processo nº 16095.720295/201212 Acórdão n.º 3201002.820 S3C2T1 Fl. 101 17 de incidência dessas contribuições leva em consideração "o faturamento mensal, assim entendido como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil " (artigos 1º das Leis ns. 10.637/02 e 10.833/03). Ou seja, esses tributos não têm sua materialidade restrita apenas aos bens produzidos, mas sim à aferição de receitas, cuja amplitude torna inviável a sua vinculação ao valor exato da tributação incidente em cada etapa anterior do ciclo produtivo. [...]Não se trata, portanto, de desonerar a cadeia produtiva, mas sim o processo produtivo de um determinado produtor ou a atividadefim de determinado prestador de serviço. Sendo assim, o que se extrai de nuclear da definição de “insumos” para efeito do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002 PIS e mesmo artigo da Lei n. 10.833/2003 COFINS é que: 1º O bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos (pertinência ao processo produtivo); 2º A produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição (essencialidade ao processo produtivo); e 3º Não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto (possibilidade de emprego indireto no processo produtivo) Não se deve olvidar que o tema debatido no presente recurso especial, qual seja, o "conceito de insumo tal como empregado nas Leis 10.637/02 e 10.833/03 para o fim de definir o direito (ou não) ao crédito de PIS e COFINS do valores incorridos na aquisição" está submetido ao rito do art. 543C, do CPC, nos autos do REsp nº 1.221.170, de relatoria do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, sob o número 780 da lista de recursos especiais repetitivos, em como é objeto de repercussão geral, da mesma forma pendente de apreciação pelo STF, Não obstante, o extenso e brilhante voto em referência, além das razões já expostas, discorre sobre diversos aspectos da própria legislação do regime nãocumulativo para as contribuições sociais, para demonstrar o seu maior escopo em relação ao IPI, a começar pela inclusão dos serviços, além de expressamente, a legislação mencionar expressamente a possibilidade de creditamento relativo a insumos que não se agregam ao produto ou são consumidos na sua produção, como o caso de combustíveis. Em síntese, valeuse desse extenso intróito para fixar a premissa que deve nortear a análise do direito creditório, que discrepa da orientação do Fisco, e, por conseguinte, da decisão recorrida, além de implicar na conclusão inexorável de que o conceito de insumos no universo da não cumulatividade do PIS e da Cofins, por levar em conta o conceito aberto de "essencialidade", determinará que na análise do direito creditório debrucese sobre a especificidade do processo produtivo de cada contribuinte. Finalmente, não é demais se frisar que os demais vetores que devem permear os processos administrativos de análise do direito creditório, com a inversão do ônus da provas para os contribuintes, mantêmse incólumes na não cumulatividade do PIS e da Cofins. Fl. 1579DF CARF MF 18 Assim, passase a analisar o caso concreto. De acordo com os esclarecimentos prestados pela Recorrente, a sua atividade é descrita como: A Recorrente pleiteia o direito aos créditos referentes ao regime não cumulativo de PIS e Cofins, referente às despesas a seguir referidas. Na decisão recorrida afirmase que são, de plano, glosados os créditos lançados a título de avarias indenizadas, por não se subsumirem ao conceito de "insumos" no regime de PIS e Cofins, não cumulativos. Fl. 1580DF CARF MF Processo nº 16095.720295/201212 Acórdão n.º 3201002.820 S3C2T1 Fl. 102 19 Destarte, embora essa rubrica tenha sido lançado como crédito, o fato a ser ora analisado, é se esses valores compõem ou não, a base de cálculo das contribuições sociais, isto é, se tais avarias podem ser consideradas receita bruta da Recorrente. No pedido de esclarecimentos prestados pela Recorrente, temse que: Nesse caso, tratase de recomposição patrimonial, ou seja, de exclusão dos valores da base de cálculo das contribuições. Por conseguinte, não há que se falar em direito ao crédito em relação a esses valores. De acordo com a decisão recorrida, despesas com seguros de cargas e frota, não teriam natureza capaz de permitir a apuração de créditos por não se constituírem em insumo no serviço prestado, ademais, o fato de o gasto ser regular e considerado como dedutível no Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas não lhe conferiria a capacidade de gerar créditos. Entretanto, tais despesas devem ser consideradas inerentes ao processo produtivo da empresa, quando considerado concretamente. Nesse sentido, o acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Acórdão 9303003.309: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2001 a 31/07/2004 COFINS. SEGURO DE CARGAS. INSUMO. O seguro obrigatório pago pela transportadora de cargas é considerado insumo na prestação de serviços de transporte de cargas, para fins de apuração de crédito da Cofins. Recurso Especial do Procurador Negado Conforme a decisão recorrida despesas com água e esgoto não se amoldariam ao conceito de serviço utilizado como insumo na prestação de seus próprios serviços, não haveria nos autos algo que permitisse a distinção entre os gastos com a lavagem da frota e outros usos da água e do esgoto. Despesas com publicidade, alimentação e vale transporte, planos de saúde dos funcionários, gastos com serviços de terceiros, em função do conceito de insumos que ora se empregam, não estão vinculadas ao processo produtivo da empresa propriamente dito, Fl. 1581DF CARF MF 20 embora se reconheça que não se pode conceber a sobrevivência de uma empresa, atualmente, que não incorra em despesas tais como as de publicidade. Não obstante, embora algumas despesas relacionemse ao desenvolvimento do objeto social de um empresa, concebido de forma lata, apenas de forma oblíqua relacionam se ao processo produtivo. Ademais, sob a rubrica "gastos de serviços com terceiros", na qual se incluem serviços de motoristas profissionais, conforme aponta a decisão recorrida, o parágrafo segundo do artigo terceiro da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, veta a apuração de créditos a partir do pagamento de mão de obra de pessoa física. Com relação às demais glosas, devem ser mantidas, pois conforme já alertado em sede de resolução, é ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza dos créditos que pretende compensar, nos termos do art.170 do CTN, é de ser denegado o direito creditório. Embora não se trate propriamente de um processo de restituição ou compensação, nas questões que envolvem a sistemática nãocumulativa das contribuições sociais, quem afirma ter direito ao crédito é o contribuinte, sendo dele o dever de provar. E esse ônus não se exaure com a juntada de enorme quantidade de documentos, sem que esse aponte de forma clara e inequívoca, como comprovam o fato jurídico, pois não se confunde a instância do contencioso administrativo, com a de auditoria. É dizer, aos julgadores do CARF não cabe fazer a auditoria de documentos, mas sim valorar a sua condição de reconstituir o fato jurídico objeto da causa. Ademais, as provas indiciárias devem ser suficientes para a comprovação da alegação. Assim, por exemplo, os serviços de escolta de cargas de alto valor e de monitoramento de motoristas, mencionados nos esclarecimentos do Recorrente, devem dar direito a crédito, por serem inerentes ao seu processo produtivo. Contudo, desde que sejam devidamente comprovados pela Recorrente, através de todas as notas fiscais pertinentes, bem como, que o custo por tais serviços, foram por ela incorridos, considerandose que na prestação de esclarecimentos da interessada, mencionase a juntada dessas provas.. Nos mesmos moldes, as notas fiscais relativas a serviços de guincho, e de peças de reposição da frota. Em face do exposto, dou parcial provimento ao recurso voluntário, apenas para considerar os créditos relativos a seguros de carga e frota, nos termos da fundamentação. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 1582DF CARF MF Processo nº 16095.720295/201212 Acórdão n.º 3201002.820 S3C2T1 Fl. 103 21 Fl. 1583DF CARF MF
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Numero do processo: 13854.000008/2005-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004
ACOLHIMENTO DOS EMBARGOS. OMISSÕES NÃO IDENTIFICADAS.
Devem ser rejeitados os embargos de declaração, uma vez que não se verificaram as omissões indicadas.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 3301-003.905
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do relator.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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OMISSÕES NÃO IDENTIFICADAS. Devem ser rejeitados os embargos de declaração, uma vez que não se verificaram as omissões indicadas. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do relator. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator. Participaram do julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 4. 00 00 08 /2 00 5- 90 Fl. 239DF CARF MF Processo nº 13854.000008/200590 Acórdão n.º 3301003.905 S3C3T1 Fl. 240 2 Relatório Foram opostos embargos de declaração em face do Acórdão n° 3801 004.607, datado de 11 de novembro de 2014, cujo relatório reproduzo, para fins de economia processual: "Adoto o relatório do acórdão recorrido, por retratar suficientemente a lide. 'A interessada pleiteia, por meio de Declaração de Compensação, o crédito relativo à contribuição da COFINS, mercado externo, do mês de dezembro de 2004, apurado de conformidade com o art. 6° da Lei n° 10.833/2003, que após a dedução com a COFINS devida, nos termos do art. 6°, §1°, Inciso I da mesma Lei, resultou, segundo entendimento da empresa, em um remanescente a compensar de R$ 136.310,36. O Serviço de Fiscalização, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto procedeu à fiscalização e por meio da Informação Fiscal (fls. 96/103), constatou créditos indevidos de bens que não foram utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; despesas indevidas de depreciação de máquinas e equipamentos; apuração incorreta do crédito presumido relativo aos estoques de abertura; inclusão indevida na base de cálculo de receita de álcool para fins carburante; créditos quanto à aquisição de canadeaçúcar em desacordo com a legislação de contribuinte pessoa física e jurídica e receita de variação cambial. O Auditorfiscal juntou à informação fiscal, além da cópia do DACON entregue pele empresa via internet (fls. 56/60) e cópia parcial dos balancetes mensais analíticos contábil (fl. 61), os seguintes demonstrativos: I Demonstrativo de Apuração da Proporcionalidade entre as Vendas de Álcool para Fins Carburantes e as Receitas de Vendas no Mercado Interno e Externo (fl. 88); II Demonstrativo de Apuração do Crédito da Contribuição para a COFINS não Cumulativa (fl. 89); III Demonstrativo de Apuração do Débito da Contribuição para a COFINS não Cumulativa (fl. 90); IV Demonstrativo de Apuração da Contribuição Devida a COFINS não Cumulativa (fl. 91); V Demonstrativo Mensal de Vendas Equiparadas à Exportação (fls.86/87). VI – Demonstrativo da Variação Cambial e Cópia, por amostragem, de Notas Fiscais de Complemento de Preço – Variação Cambial (fls. 62/64 e 86/87). Por fim, foi reconhecido o crédito de R$ 7.135,40, para compensação, conforme a legislação vigente. Cientificada do Despacho Decisório de fls. 104/105, e inconformada, a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade, de fls. 121/141. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 13854.000008/200590 Acórdão n.º 3301003.905 S3C3T1 Fl. 241 3 Preliminarmente, disserta sobre a sistemática da não cumulatividade e alega cerceamento ao direito de defesa, tendo em vista que “referida informação fiscal faltalhe especificações fáticas, no sentido de demonstrar a conduta adotada pelo fiscal e de como se chegou aos resultados informados, faltandolhes substâncias.” Na mesma esteira, alega “ausência de elementos substanciosos” na apuração das despesas de depreciação de máquinas e equipamentos. No mérito, a contribuinte afirma que tem direito ao regime não cumulativo quanto ao álcool comercializado no mercado interno e externo e tem direito ao crédito de todos os insumos, inclusive canadeaçúcar, por estarem inseridos no artigo 149 da Constituição Federal. Defende o direto à totalidade do crédito dos estoques de abertura de bens destinados à venda e de bens e serviços utilizados como insumos. Por fim, alega inconstitucionalidade na aplicação das normas que tratam da variação cambial, defendendo que “o legislador infraconstitucional extrapolou a sua competência para instituir PIS/COFINS, equiparando e incluindo na base de cálculo o evento – variação cambial que não possui, essencialmente, natureza de “receita” ao qual se refere a Constituição Federal.” e pede o deferimento da manifestação de inconformidade.' A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto DRJ/RPO julgou improcedente a manifestação de inconformidade conforme ementa a seguir: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos da Cofins não cumulativa, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. ESTOQUE DE ABERTURA. Na determinação da Cofins não cumulativa, a pessoa jurídica tem direito a desconto de crédito correspondente ao estoque de abertura dos bens referidos nos incisos I e II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, existentes na data de início da incidência da Cofins não cumulativa, calculado na forma prevista no art. 12 da citada Lei. ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. REGIME. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 13854.000008/200590 Acórdão n.º 3301003.905 S3C3T1 Fl. 242 4 A receita de venda de álcool para fins carburantes teve mantida sua forma de tributação, cumulativa, mesmo após a instituição do regime não cumulativo de apuração. CRÉDITOS. CRITÉRIO DE DETERMINAÇÃO. Inexistindo sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, a apropriação dos créditos deve ser feita por rateio proporcional. VARIAÇÃO CAMBIAL RECEITA FINANCEIRA. As variações monetárias ativas dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, são consideradas receitas financeiras. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional.” Contra esta decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual repete as alegações da impugnação, com exceção da preliminar de nulidade da decisão da DRF e da questão sobre os estoques de abertura, que não foram abordadas. É o relatório." A 1° Turma Especial do CARF julgou o recurso voluntário parcialmente procedente. Assim foram redigidos os Acórdão n° 3801004.607 (fls. 175 a 192) e dispositivo: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 NÃO CUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, no valor da receita bruta total incluemse as Fl. 242DF CARF MF Processo nº 13854.000008/200590 Acórdão n.º 3301003.905 S3C3T1 Fl. 243 5 receitas da vendas de bens e serviços e todas as demais receitas, inclusive as financeiras. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO DA DECISÃO DO STF. A reprodução de decisão do STF em julgamento na sistemática do recurso repetitivo, que baseouse no entendimento de que a receita originada da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos é considerada receita decorrente de exportação, implica considerar tal receita como receita de mercado externo, devendo ser incluída, no cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, como receita de exportação e como receita bruta total, acrescendo tanto o numerador quanto o denominador da rateio. ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. INCIDÊNCIA CUMULATIVA DA CONTRIBUIÇÃO. A receita de venda de álcool para fins carburantes não pode ser incluída no cálculo de receitas de exportação para apuração da relação percentual a ser aplicada à soma dos gastos que dão direito a crédito presumido mercado externo, porque se enquadra no regime não cumulativo de apuração. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Quem alega um direito deve provar os fatos em que ele se fundamenta. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para incluir os valores das variações cambiais decorrentes de operações de exportação como receita de mercado externo e, no cálculo do rateio proporcional, no numerador e no denominador; II) Pelo voto de qualidade, negar provimento em relação as demais matérias. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso em face das demais matérias. (assinado digitalmente) Fl. 243DF CARF MF Processo nº 13854.000008/200590 Acórdão n.º 3301003.905 S3C3T1 Fl. 244 6 Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator." Foram opostos embargos de declaração (fls. 260 a 263), em face do acima colacionado Acórdão n° 3801004.607 (fls. 221 a 240), os quais foram admitidos pelo Presidente da 1° Turma Especial da 3° Seção do CARF (fls. 272 e 273), em razão de a turma do CARF ter supostamente deixado de apreciar documentos apresentados pelo contribuinte no curso da fiscalização, que legitimariam o registro de créditos de COFINS no mês de dezembro de 2004, derivados de "bens e serviços utilizados como insumos". É o relatório. Fl. 244DF CARF MF Processo nº 13854.000008/200590 Acórdão n.º 3301003.905 S3C3T1 Fl. 245 7 Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Foram opostos embargos de declaração (fls. 260 a 263), em face do Acórdão n° 3801004.607 (fls. 221 a 240), os quais foram admitidos pelo Presidente da 1° Turma Especial da 3° Seção do CARF. De acordo com o Despacho de Admissibilidade (fls. 272 a 273), a respectiva turma do CARF teria deixado de apreciar documentos apresentados pelo contribuinte no curso da fiscalização, que legitimariam o registro de créditos de COFINS no mês de dezembro de 2004, derivados de "bens e serviços utilizados como insumos". Nos embargos de declaração, o contribuinte aponta que as supostas omissões teriam ocorrido em relação à análise de dois tipos específicos de custo: compras de lubrificantes e depreciação de torre de processamento de massa. Como não obtivera êxito no recurso voluntário, justamente por não ter apresentado os valores dos custos que teriam sido glosados, nos embargos, menciona os valores e os correspondentes documentos apresentados ao Fisco durante a fiscalização e que supostamente não teriam sido analisados pela autoridade julgadora de segunda instância: a) Nota fiscal n° 415.684, referente à compra de óleo da Cia Brasileira de Petróleo Ipiranga, datada de 02/12/2004, no valor de R$ 2.979,00. Referência a esta nota fiscal encontrase na "Relação de Notas Fiscais de Aquisição de Insumos e Serviços Pessoa Jurídica PISPASEP" (fl. 80), preparada pela embargante e revisada pelo agente fiscal. b) Nota fiscal n° 2.871, referente à compra de Torre de Processamento de Massa da Planusi Equipamentos Industriais Ltda. (fl. 82), datada de 19/05/2004, no valor de R$ 1.207.500,00. Este documento acompanha demonstrativo preparado pela embargante (fl. 81), onde indica que o crédito de PIS do mês de dezembro de 2004, calculado sobre a respectiva quota mensal de depreciação do bem, seria de R$ 415,08. Os trabalhos das fiscalização e DRJ não merecem qualquer reparo. E não houve omissão alguma do colegiado do CARF. Na peça recursal, a Recorrente discorreu acerca da possibilidade de calcular créditos de PIS e COFINS sobre bens e serviços necessários ao desenvolvimento de suas atividades, dentre os quais, óleos e lubrificantes, aplicados nas etapas de corte e transporte da matériaprima . Contudo, não indicou os respectivos valores, supostamente glosados pelo Fisco. Dispõe, de forma semelhante, acerca dos custos com depreciação de máquinas e equipamentos indispensáveis à produção do açúcar., dando como exemplos a torre de processamento de açúcar, a caldeiras etc.. Mais uma vez, não indentificou os valores dos custos, cujos créditos teriam sido negados. Fl. 245DF CARF MF Processo nº 13854.000008/200590 Acórdão n.º 3301003.905 S3C3T1 Fl. 246 8 O relator do voto condutor do Acórdão embargado, sob o ponto de vista conceitual, concordou com a então recorrente. Contudo, em razão de a então recorrente não ter mencionado os valores glosados pelo Fisco, assim concluiu: tópico "gastos com óleo diesel e lubrificantes" (fls 234 e 235): "(. . .) uma vez que no caso em discussão a recorrente não apontou exclusões de gastos com aquisição destes bens, não há reparo a fazer na decisão administrativa". tópico ao "depreciação" (fl. 235): "(. . .) Também neste caso, não foi apontada nenhuma exclusão na apuração dos custos, despesas e encargos passíveis de gerarem crédito da contribuição social, motivo pelo qual não há que se alterar o despacho decisório (. . .)". Fui aos autos e compulsei os demonstrativos de cálculo e documentos apresentados pelo contribuinte no curso da fiscalização (fls. 58 a 88). E também os cálculos realizados pela fiscalização (fls 89 a 95). E depareime com o seguinte: não houve glosa dos valores de lubrificantes e depreciação de torre de processamento apontados pela embargante, porém adoção de critérios para a apropriação destes créditos que divergiram dos adotados pela embargante. O Fisco, com base nos elementos providos pelo contribuinte, segregou as receitas da embargante em tributadas pelos regimes cumulativo e não cumulativo. Identificou os custos que não davam direito a créditos integrais, porém presumidos (35% da alíquota regular, art. 8° da Lei n° 10.925/04) compras de canadeaçúcar de pessoas físicas e jurídicas pois estes, ainda que dessem origem a exportações, os excedentes de créditos à época não podiam ser objeto de ressarcimento ou compensação. Por fim, no âmbito das receitas tributadas sob o regime não cumulativo, identificou as relativas a vendas nos mercados interno e externo (neste último caso, o excedente de créditos podia ser objeto de ressarcimento ou compensação) e apurou as respectivas participações percentuais na receita total. E realizou os pertinentes rateios proporcionais dos custos que poderiam gerar créditos de PIS e COFINS e identificação dos saldos a serem ressarcidos ou compensados. Com efeito, vale mencionar, inclusive, que a decisão embargada alterou o cálculo do referido rateio, de forma favorável ao contribuinte, promovendo a inclusão das variações cambiais como receita no mercado externo. Tratase de evidência de que o julgador de segunda instância revisou os cálculos da fiscalização. Assim sendo, o Acórdão não foi omisso quanto à análise dos documentos indicados nos embargos como suportes de custos glosados, relativos a compras de lubrificantes e depreciação de torre de processamento. Se a totalidade dos valores daqueles custos não foram computados nos cálculos dos créditos passíveis de ressarcimento ou compensação, o motivo, definitivamente, não foi a falta de análise de documentos tempestivamente carreados aos autos. Foi, todavia, a divergência entre os critérios adotados pela fiscalização, detalhadamente descritos nos demonstrativos de cálculo e na Informação Fiscal, e pelo contribuinte. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 13854.000008/200590 Acórdão n.º 3301003.905 S3C3T1 Fl. 247 9 Dos recurso voluntário (fls. 175 a 192) e acórdão embargado (fls. 221 a 240), constatase que tais critérios foram contestados pelo contribuinte e os respectivos argumentos devidamente enfrentados pelo colegiado do CARF. Contudo, não foram acatados. E, em sede de embargos, não há que se reabrir discussões já exauridas nos momentos processuais devidos. De todo o exposto, concluo, consignando meu voto no sentido de rejeitar os embargos de declaração, opostos em face do Acórdão CARF n° 3801004.621, uma vez que não ocorreram as omissões apontadas pela embargante. É como voto. Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 247DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721463/2013-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. PROVAS. AFASTADA.
Quando a parte fiscalizada em várias oportunidades é intimada para apresentar documentos probatórios de suas alegações e não o faz, apropriada a negativa de perícia técnica e diligências por parte do Fisco, pois, não cabe à autoridade administrativa, mesmo em respeito à verdade material, produzir provas em favor do contribuinte.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
ACRÉSCIMOS LEGAIS SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. PROVISÕES. INDEDUTIBILIDADE.
Tanto os impostos como as contribuições com a exigibilidade suspensa são indedutíveis na apuração do lucro real, por se caracterizarem como meras provisões e, os juros de mora, quando deduzidos na apuração do lucro contábil da pessoa jurídica, de acordo com o regime de competência, devem seguir a mesma regra, sendo adicionados para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL.
EXCLUSÃO INDEVIDA. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA CORRELAÇÃO ENTRE A PROVISÃO ANTERIORMENTE ADICIONADA E SUA POSTERIOR REVERSÃO.
A mera reversão de uma provisão, adicionada anteriormente, não é motivo de questionamento quanto aos ajustes na base de cálculo do IRPJ e CSLL por sua exclusão, ainda que parcial. No entanto, deve ser demonstrada a correlação entre a provisão inicial e a reversão posterior. Trata-se de discussão sobre os lançamentos contábeis realizados pela fiscalizada, os quais devem ser comprovados por esta e não pelo Fisco.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
Em se tratando de exigências reflexas de contribuições que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes.
Numero da decisão: 1402-002.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella e Demetrius Nichele Macei.
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. PROVAS. AFASTADA. Quando a parte fiscalizada em várias oportunidades é intimada para apresentar documentos probatórios de suas alegações e não o faz, apropriada a negativa de perícia técnica e diligências por parte do Fisco, pois, não cabe à autoridade administrativa, mesmo em respeito à verdade material, produzir provas em favor do contribuinte. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 ACRÉSCIMOS LEGAIS SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. PROVISÕES. INDEDUTIBILIDADE. Tanto os impostos como as contribuições com a exigibilidade suspensa são indedutíveis na apuração do lucro real, por se caracterizarem como meras provisões e, os juros de mora, quando deduzidos na apuração do lucro contábil da pessoa jurídica, de acordo com o regime de competência, devem seguir a mesma regra, sendo adicionados para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. EXCLUSÃO INDEVIDA. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA CORRELAÇÃO ENTRE A PROVISÃO ANTERIORMENTE ADICIONADA E SUA POSTERIOR REVERSÃO. A mera reversão de uma provisão, adicionada anteriormente, não é motivo de questionamento quanto aos ajustes na base de cálculo do IRPJ e CSLL por sua exclusão, ainda que parcial. No entanto, deve ser demonstrada a correlação entre a provisão inicial e a reversão posterior. Tratase de discussão sobre os lançamentos contábeis realizados pela fiscalizada, os quais devem ser comprovados por esta e não pelo Fisco. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 14 63 /2 01 3- 40 Fl. 603DF CARF MF 2 Em se tratando de exigências reflexas de contribuições que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella e Demetrius Nichele Macei. Fl. 604DF CARF MF Processo nº 16682.721463/201340 Acórdão n.º 1402002.514 S1C4T2 Fl. 604 3 Relatório Adoto, em sua integralidade, o relatório do Acórdão de Impugnação nº 1266.290, proferido pela 2ª Turma da DRJ/RJ1, transcrito abaixo. "Do lançamento: 0 presente processo tem origem nos autos de infração, lavrados pela DEMAC/Rio de Janeiro em 19/12/2013, de Imposto sobre a Renda de Pessoa JurídicaIRPJ, no valor de R$ 8.271.643,60 e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, no valor de R$ 2.986.431,70, acrescidos da multa de ofício, no percentual de 75%, e demais acréscimos moratórios. A autuação, conforme a descrição dos fatos dos autos de infração e o Termo de Verificação Fiscal de fls. 255/272, decorre das seguintes irregularidades apuradas no exercício de 2009, anocalendário 2008: 0001 Ajustes do Lucro Líquido do exercício. Adições não computadas na apuração do lucro real (item 03 e 06 do TVF): Falta de adição ao Lucro Líquido para apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL de provisão indedutível, no valor de R$ 30.577.171,19, referente a atualização monetária e juros sobre depósitos judiciais de tributos (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços ICMS e Fundo de Universalização dos Serviços de TelecomunicaçõesFUST) com exigibilidade suspensa. A autuação teve como enquadramento legal, para o IRPJ, o art. 3° da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e arts 247 e 249 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999; e para a CSLL, art. 2° e 3° da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com as alterações do art. 2° das Lei n° 8.034, 12 de abril de 1990 e art. 17 da Lei n° 11.727 de 23 de junho de 2008, art 57 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995, art. 1° da Lei n° 9.316, de 22 de novembro de 1996, art. 28 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2° e 13 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 37 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002. 0002 Exclusões/Compensações não autorizadas na apuração do Lucro Real. Exclusões indevidas (itens 4 e 6 do TVF). Glosa da exclusão do valor de R$ 2.605.403,20, uma vez que a interessada, intimada e reintimada, restringiuse a afirmar que tal exclusão estaria interligada com a adição temporária do valor de R$ 5.512.150,48 no anocalendário de 2004, proveniente de tributos pagos indevidamente, sem apresentar documentação comprobatória de suas alegações. O TVF destaca que o único indício dessa possível interligação seria o histórico do lançamento de exclusão na parte A do Lalur de 2008, "tributos pagos em duplicidade realização parcial adição em set/2004", mas que na parte B do mesmo Lalur não consta saldo inicial relativo a Fl. 605DF CARF MF 4 ficha "Tributos pagos em Duplicidade", contrariando o alegado pela interessada, face à inexistência de saldos anteriores passíveis de exclusão. A autuação teve como enquadramento legal, para o IRPJ, o art. 3° da Lei n° 9.249/1995 e arts 247 e 250 do RIR/1999; e para a CSLL, art. 2° e 3° da Lei n° 7.689/1988, com as alterações do art. 2° das Lei n° 8.034/1990 e art. 17 da Lei n° 11.727/2008, art 57 da Lei n° 8.981/1995, com as alterações da Lei n° 9.065/1995, art. 1° da Lei n° 9.316/1996, art. 28 da Lei n° 9.430/1996, arts. 2° da Lei n° 9.249/1995 e art. 37 da Lei n° 10.637/2002. Da impugnação: Inconformada com o lançamento, a interessada apresentou, em 21/01/2014, a impugnação de fls. 326/341, onde descreve a autuação, argui a tempestividade e alega, em síntese: Com relação à falta de adição dos juros sobre tributos com exigibilidade suspensa, que inexiste norma que impeça a dedutibilidade dos mesmos e que tais juros de mora não seriam acessórios do principal "tributo" mas sim obrigação principal (art. 113 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário NacionalCTN), possuindo fato gerador próprio independente do fato gerador dos tributos, conforme art 161 do CTN, podendo, inclusive, serem exigidos isoladamente (art. 43 da Lei n° 9.430/1996), não alterando a suspensão da exigibilidade em nada a incidência dos juros, bem como a extinção do principal não extingue os juros. Os juros se caracterizariam em despesa financeira, sendo, portanto, dedutíveis à luz do Parecer Normativo CST n° 174/1974. Que os tributos com exigibilidade suspensa não seriam meras provisões, uma vez que se trataria de uma obrigação "líquida e certa" e que não teria prazo ou valor incertos, o que caracteriza uma provisão, que é uma expectativa de obrigação, diferente dos tributos, mesmo com exigibilidade suspensa, que nasceriam com a ocorrência do fato gerador e nenhuma medida judicial ou administrativa proposta pelo contribuinte afetaria suas características para transformálo em expectativa de obrigação. Assim, estaria comprometida a base no qual se sustentou a fiscalização para a autuação, uma vez que não existe norma que determine a não dedutibilidade dos juros de mora sobre tributos com exigibilidade suspensa, devendo sobre os mesmos ser observada as regras gerais de dedutibilidade, qual seja, o princípio de competência. Transcreve ementas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da FazendaCARF. Quanto à autuação de exclusão indevida, junta Lalur do anocalendário de 2004, demonstrando a adição de "Demais impostos e taxas" na parte A, e controlado na parte B, e que tal valor mantevese incólume até o final do ano de 2007, que seria o mesmo saldo no início do ano autuado de 2008, estando demonstrado que tal provisão não foi revertida, mesmo porque só verificada ao longo do ano de 2008, com a exclusão parcial. Alega que, comprovado que não houve qualquer exclusão da provisão adicionada em 2004, até o final do ano de 2007, bem como diante da informação que o saldo excluído representa exclusão parcial da provisão constituída, não há como argumentar que não existe correlação entre os ajustes. Encerra pugnando pela realização de diligência ou perícia, indicando seu perito e os quesitos, e pedindo seja julgada procedente a impugnação e cancelados os autos de infração." Fl. 606DF CARF MF Processo nº 16682.721463/201340 Acórdão n.º 1402002.514 S1C4T2 Fl. 605 5 Passo, agora, a complementar o presente relatório. A impugnação apresentada pela recorrente foi declarada improcedente e o crédito tributário foi mantido. Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, no qual não houve inovação em seus argumentos ou pedidos. Vejase a ementa da decisão combatida: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A impugnação deve vir acompanhada de todos os elementos hábeis e incontestáveis de prova necessários à confirmação das alegações da interessada contidas em seu arrazoado, na podendo ser deferida diligência ou perícia para suprir tal falta. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2008 ACRÉSCIMOS LEGAIS SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. INDEDUTIBILIDADE. Segundo a legislação de regência, são indedutíveis na apuração do lucro real os tributos e contribuições que estejam com exigibilidade suspensa. Por constituírem acessórios dos tributos e contribuições, os acréscimos legais seguem a mesma norma de indedutibilidade. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS MOTIVOS DE EXCLUSÃO. AUTUAÇÃO MANTIDA. Mantêmse a autuação quando continuar sem a devida demonstração e comprovação, por documentação hábil e idônea, os motivos que levaram a exclusão ao lucro líquido para cálculo do lucro real. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 LANÇAMENTO COM SUPORTE FÁTICO COMUM. Aplicase ao lançamento de CSLL o decidido sobre o lançamento de IRPJ, por terem suporte fático comum. Quanto ao restante do trâmite processual, registrase que não foram apresentadas Contrarrazões pela PGFN e que não há Recurso de Ofício a ser examinado. É o relatório. Fl. 607DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. Em síntese, as questões preliminar e de mérito postas pelo contribuinte em seu recurso voluntário cingemse à (i) preterição do direito de defesa (negativa de perícia técnica e diligências); (ii) ilegalidade da adição, à base de cálculo do IRPJ e CSLL de juros sobre tributos com exigibilidade suspensa por inexistência de norma; e, (iii) inexistência de exclusão indevida relacionada a reversão de provisão adicionada em outro período. Antes de adentrar ao mérito propriamente dito, seguindo, na ordem, os argumentos dispostos pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário, passo à análise da preliminar suscitada, conforme segue. 1 Nulidade decisão: preterição do direito de defesa da Recorrente A questão de nulidade, arguida pelo contribuinte, cingese a um item específico da autuação, qual seja, “a exclusão indevida, da base de cálculo do IRPJ e CSLL de valores a título de tributos pagos em duplicidade” – item 4. Do Termo de Verificação Fiscal, p. 268 dos autos. A fiscalização, através de Termo de Intimação Fiscal nº 1, solicitou que o contribuinte esclarecesse a origem, motivos e fundamentação legal da exclusão realizada, bem como a comprovação da adição temporária da provisão anteriormente realizada. Em resposta, o contribuinte informou que “o valor de R$ 2.605.403,20 é originado em função do pagamento de tributos sobre receitas diferidas, cuja adição ocorreu em outubro/2004”, citando a parte A e B do LALUR para justificar a informação. A fiscalização, em nova intimação, solicitou que o contribuinte apresentasse o lançamento contábil que motivou a exclusão, no ano base de 2008, do referido valor, acompanhado de cópia dos documentos comprobatórios, assim como os fatos que ensejaram o referido lançamento contábil e a correlação com a adição ao lucro real registrada em outubro/2004. Em resposta, o contribuinte informou que “em relação a este quesito, esclarecemos que até o momento conseguimos identificar que a exclusão realizada no ano calendário 2008, no valor de R$ 2.605.403,20, está interligada com a adição temporária do valor de R$ 5.512.150,48, proveniente de tributos pagos indevidamente, ao Lucro Real e a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido no ano calendário 2004, conforme constou da escrituração do LALUR apresentado anteriormente, cuja elaboração ocorreu antes da entrada dos atuais acionistas no controle societário da Brasil Telecom S/A”, reiterando tal resposta em face de nova intimação encaminhada pela fiscalização. Fl. 608DF CARF MF Processo nº 16682.721463/201340 Acórdão n.º 1402002.514 S1C4T2 Fl. 606 7 Por fim, ao ser reintimado para a apresentação de documentos, o contribuinte esclareceu que “até o momento conseguimos identificar que a exclusão realizada no ano calendário 2008, no valor de R$ 2.605.403,20, está interligada com a adição temporária do valor de R$ 5.512.150,48, proveniente de tributos pagos indevidamente, ao Lucro Real e a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido no ano calendário 2004, conforme constou da escrituração do LALUR apresentado anteriormente, cuja elaboração ocorreu antes da entrada dos atuais acionistas no controle societário da Brasil Telecom S/A.” A fiscalização, tendo em mãos o LALUR do contribuinte, constatou que “o único indício existente dessa possível correlação é encontrado no histórico do lançamento de exclusão na parte A do LALUR de 2008 (p. 38): “Tributos pagos em duplicidade – Realização Parcial. Adição em set/2004”. Entretanto, na parte B do LALUR, não se encontra saldo inicial relativo à ficha “Tributos pagos em Duplicidade” (p. 69), o que indica, contrariamente ao alegado pelo contribuinte, a inexistência de saldos anteriores passíveis de exclusão. Em suma, correto o posicionamento da r. decisão recorrida, uma vez que o contribuinte, mesmo sendo intimado em mais de uma oportunidade, não apresentou documentos comprobatórios de suas alegações e, de fato, não cabe à autoridade administrativa, mesmo em respeito à verdade material, produzir provas em favor do contribuinte. Desta forma, afasto a preliminar, ante a inexistência da nulidade suscitada. 2. Do mérito 2.1 Da ilegalidade da ação à base de cálculo do IRPJ e CSLL de juros sobre tributos com exigibilidade suspensa. Falta de norma. Em síntese, o contribuinte afirma que não há legislação que o impeça de deduzir da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, juros de mora incidentes sobre tributos com exigibilidade suspensa. Combate o posicionamento adotado pela fiscalização, mantido pela DRJ, de que os tributos com a exigibilidade suspensa não são dedutíveis por se caracterizarem como meras provisões e os juros de mora, por serem acessórios, seguem a sorte do principal. Aponta, como equívoco da fiscalização, a conclusão de que os juros de mora seriam acessórios, uma vez que, a teor do contido no art. 113, do CTN, é obrigação principal, podendo, inclusive, serem exigidos isoladamente (art. 43, Lei 9.430/96), finalizando que, conforme explicita o art. 953, § 3º, do RIR/99, “os juros de mora são devidos, inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial”. Afirma ainda, em sua defesa, que os juros de mora qualificamse como despesas financeiras (art. 353, do RIR/99) e que, como tal, são dedutíveis. Como segundo equívoco, aponta que tributos com exigibilidade suspensa não são provisões e que nada mais equivocado do que tratar uma obrigação legal líquida e certa como se fosse uma provisão, uma vez que “provisão é uma mera expectativa de uma obrigação”. Fl. 609DF CARF MF 8 Esclarece que “com a ocorrência do fato gerador temse de forma infalível e imediata a relação jurídica de natureza pessoal, isto é, a relação obrigacional tributária, que obriga o sujeito passivo (devedor) a pagar ao sujeito ativo (credor) o tributo, e confere a este, em caso de inadimplemento, o poder de exigir daquele o pagamento mediante invasão de seu patrimônio”, para concluir que “a obrigação tributária e os juros constituem uma obrigação legal e, por conta disso, devem ser reconhecidos como uma efetiva despesa e não uma provisão”. Destaca, por fim, que o ponto fundamental é que não há no ordenamento jurídico pátrio norma que determine a não dedutibilidade dos juros de mora sobre tributos com exigibilidade suspensa, ressalvando, contudo, a norma contida no art. 8º, da Lei 8.541/92, exclusivamente para fins do IRPJ, que limitou a dedutibilidade de atualização monetária e dos juros para o momento do efetivo pagamento, o qual, segundo o contribuinte, foi revogado pelo art. 41, da Lei 8.981/95, não existindo, desde então, norma restringindo a dedutibilidade. Cita decisões do CARF, do ano de 2008, para corroborar o seu entendimento. Não merece guarida a irresignação do contribuinte. Como bem destacou a decisão recorrida, o art. 41, § 1º, da Lei 8.981/95 determina, de forma direta, a indedutibilidade de tributos e contribuições que estejam com a exigibilidade suspensa nos termos dos incisos II a IV do art. 151, do CTN. Ainda que não mencione juros de mora, é fato que um tributo ou contribuição com a exigibilidade suspensa, nos termos do citado art. 151, do CTN, também tem suspensa a cobrança dos juros de mora respectivos, ainda que, contabilmente, o contribuinte faça as atualizações periodicamente desse montante, pelo decurso do tempo. Mesmo admitindo que os juros sejam também obrigação tributária principal, como defende o contribuinte, fato é que a suspensão do tributo e/ou contribuição respectivo aos juros de mora se estende, notadamente nos casos dos incisos II a IV do art. 151, do CTN, pois o depósito do montante integral, a existência de reclamação ou recurso administrativo e a concessão de medida liminar em mandado de segurança pressupõe que o contribuinte está discutindo o valor exigido a título de tributo ou contribuição, no intuito de reduzir ou mesmo obter a total desoneração da obrigação tributária constituída, o que afetaria, por conseguinte, o valor dos juros de mora que seriam cobrados. É uma decorrência lógica: menor valor principal (por redução ou desoneração do tributo/contribuição devidos), menor o valor dos juros respectivos sobre esse tributo/contribuição. Ou seja, se o tributo/contribuição objeto da obrigação tributária está com a sua exigibilidade suspensa, tal suspensão estendese aos juros de mora respectivos e, desta forma, o tratamento fiscal de um e de outro deve ser o mesmo, independentemente das características dessa suspensão se assemelharem a uma provisão contábil, a vista da incerteza do montante que efetivamente será recolhido no momento que a obrigação tributária se tornar exigível. Esse tratamento, para fins de CSLL, está amparado no art. 2º, § 1º, letra c, da Lei 7.689/88, com redação dada pelo art. 2º da Lei nº 8.034/90. Posteriormente, no art. 13, I, da Lei 9.249/95, como bem detalhou a r. decisão recorrida. Desta forma, correta a r. decisão recorrida quando afirma que os juros de mora, quando deduzidos na apuração do lucro contábil da pessoa jurídica, de acordo com o regime de competência, devem ser adicionados para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Fl. 610DF CARF MF Processo nº 16682.721463/201340 Acórdão n.º 1402002.514 S1C4T2 Fl. 607 9 2.2 Da inexistência de exclusão indevida, relacionada à provisão adicionada em período anterior. O contribuinte apresenta, em seu recurso voluntário, cópias da parte A e B do LALUR, nas páginas que interessam ao presente processo, informando que a provisão realizada em 2004, com a adição do valor de R$ 5.512.150,48 – “Demais Impostos e Taxas”, foi parcialmente revertida em 2008, no importe de R$ 2.605.403,20 – “Tributos Pagos em Duplicidade – Realização Parcial”. Não há dúvidas que a mera reversão de uma provisão, adicionada anteriormente, não é motivo de questionamento quanto aos ajustes na base de cálculo do IRPJ e CSLL por sua exclusão, ainda que parcial. A questão posta pela fiscalização e não respondida pelo contribuinte é a demonstração da correlação entre a provisão inicial e a reversão posterior. Não se está discutindo a existência da escrituração contábil no LALUR, mas os lançamentos contábeis realizados pelo contribuinte, em sua contabilidade, que suportaram a escrituração no LALUR, seja em 2004, seja em 2008 e, consequentemente, a sua correlação. Entendese a dificuldade do contribuinte em prestar os esclarecimentos, uma vez que se trata de uma empresa incorporada e que teve alterações em sua composição acionária. Contudo, não se pode declinar para a fiscalização, ou mesmo para os órgãos julgadores, a pretexto de se atender o princípio da verdade material, a incumbência de se comprovar a origem da escrituração do LALUR a partir da contabilidade do próprio contribuinte. Como já disposto no item 1 acima, o contribuinte teve todas as oportunidades, ainda na fase de fiscalização, para esclarecer a dita correlação, fato que, à vista dos documentos anexados e das respostas dadas às intimações da fiscalização, não ocorreu, razão pela qual, também mantenho a decisão recorrida neste ponto. Por todo o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário, mantendo íntegros os créditos tributários constituídos a título de IRPJ e CSLL. É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 611DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.722605/2009-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2301-000.651
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, em decorrência da juntada de novas provas ao processo, vencida a relatora, que votou pelo prosseguimento do julgamento, por preclusão temporal para a apresentação de provas no processo. Designado redator do voto vencedor o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes.
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Presidente em Exercício e Relatora.
(assinado digitalmente)
Julio Cesar Vieira Gomes - Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente em Exercício e Relatora), Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Julio Cesar Vieira Gomes e Maria Anselma Coscrato dos Santos (suplente convocada).
Relatório
Nome do relator: ANDREA BROSE ADOLFO
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, em decorrência da juntada de novas provas ao processo, vencida a relatora, que votou pelo prosseguimento do julgamento, por preclusão temporal para a apresentação de provas no processo. Designado redator do voto vencedor o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Presidente em Exercício e Relatora. (assinado digitalmente) Julio Cesar Vieira Gomes Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente em Exercício e Relatora), Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Julio Cesar Vieira Gomes e Maria Anselma Coscrato dos Santos (suplente convocada). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .7 22 60 5/ 20 09 -0 8 Fl. 488DF CARF MF Processo nº 10480.722605/200908 Resolução nº 2301000.651 S2C3T1 Fl. 476 2 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória, DEBCAD nº 37.200.309 5, lavrado pela fiscalização contra a empresa em epígrafe, no montante R$ 239.252,40 (duzentos e trinta e nove mil, duzentos e cinquenta e dois reais e quarenta centavos).consolidado em 28/12/2009, por apresentar GFIP – Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informação à Previdência Social, nas competências de 01/2004 a 12/2006, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, correspondentes às seguintes bases de cálculo, conforme Relatório Fiscal da Infração (efls. 19/20). O Relatório Fiscal de Aplicação da Multa (efls. 21/27) demonstra que, em conseqüência das alterações provocadas pela edição da Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, conversão da Medida Provisória 449/2008, foi feita a comparação entre a penalidade aplicada conforme legislação à época da infração cometida (art.32, inciso IV e §. 5º. da Lei 8212/91 na redação anterior à MP 449/2008, convertida na Lei 11.941 de 27 de maio de 2009), somada da multa previdenciária do artigo 35, II da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, com a penalidade aplicada de acordo com o artigo 35A da Lei 8.212/91, incluído pela MP 449/08, convertida na Lei 11.941/2009, tendo como base o valor das contribuições devidas; ou seja, foi calculada a multa de 24%, que foi somada aos valores das multas correspondentes do AI CFL 68 e comparada à multa de ofício de 75%. Em decorrência da situação descrita no parágrafo anterior, foi aplicada a legislação da época da ocorrência dos fatos geradores por ser mais benéfica ao contribuinte para o período de 10/2004, 12/2004, 02/2005 a 12/2005, 13/2005, 01/2006, 03/2006 e 12/2006; e a multa de oficio de 75% capitulada no art. 44, §2º da Lei nº 9.430/96, para as competências 01/2004 a 09/2004, 11/2004, 01/2005, 02/2006 e 04/2006 a 11/2006, e 13/2006, em respeito ao artigo 106, II, c, do CTN. O resumo dos valores não declarados em Gfip, encontrase discriminado na planilha que constitui o Anexo I e os montantes das contribuições não declaradas estão explicitados na planilha do anexo II deste Auto de Infração. Cientificada em 04/01/2010, a autuada apresentou impugnação de efls. 258/269, com juntada de documentos de efls. 270/317, onde traz as alegações à seguir sintetizadas, nos termos do relatório do acórdão atacado: DA DUPLA PENALIDADE SOBRE UM MESMO FATO 3.1. Em relação ao período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, a autoridade lançadora apurou supostas infrações à legislação previdenciária, que culminaram na lavratura dos autos de infração por descumprimento de obrigação principal, parte segurados, empresa e terceiros. 3.2. A motivação dos lançamentos em questão seria a falta da indicação, em GFIP, de parte dos profissionais (empregados e contribuintes individuais) que prestaram serviço em seu favor, no período fiscalizado. Às contribuições previdenciárias em referência foi aplicada a penalidade de ofício de que trata o artigo 44 da Lei n° 9.430/96; em adição aos seguintes autos de infração: Fl. 489DF CARF MF Processo nº 10480.722605/200908 Resolução nº 2301000.651 S2C3T1 Fl. 477 3 370572416 Contribuições da Empresa + MULTA 371835747 Contribuições Sociais para Outras Entidades + MULTA 371835739 Contribuição Previdenciária dos Empregados + MULTA 3.3. Não obstante a exigência da penalidade de ofício em face da insuficiência do recolhimento das contribuições sociais, a Fiscalização efetuou o presente lançamento, para a cobrança de multa isolada, com fundamento no artigo 32, § 5º, da Lei n° 8.212/91 e artigo 284, II, do Decreto n° 3.048/99. 3.4. Ocorre que o §5º do artigo 32 da Lei n° 8.212/91 foi expressamente revogado pela Lei n° 11.941/2009, não servindo como fundamento legal ao presente lançamento. Isto porque, de acordo com o artigo 106 do CTN, tratandose de ato não definitivamente julgado, a lei retroage quando deixa de definilo como infração. A época do lançamento, o referido dispositivo legal, que serviu de base ao lançamento, já havia sido revogado, não podendo ser invocado pela autoridade fiscal como fundamento legal do presente lançamento, razão por que a análise do presente recurso se restringirá à aplicação ou não do disposto no artigo 284 do Decreto n° 3.048/99 ao presente caso. 3.5. Sobre ao cancelamento de exigência em face da retroatividade benigna, traz ementas de decisões proferidas pelo CARF. 3.6. O artigo 284 do Decreto n° 3.048/99, também invocado como fundamento legal da presente autuação, prevê a aplicação de penalidade administrativa nos casos de omissão de informações em GFIP, de 100% do valor da contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I daquele mesmo artigo. 3.7. Ocorre que, com a Medida Provisória n° 449/2008 (convertida na Lei n° 11.941/2009), aos lançamentos de ofício de contribuição previdenciária, passou a ser aplicada a penalidade de ofício de que trata o artigo 44 da Lei n° 9.430/96. 3.8. Da análise do dispositivo em referência, temse que a penalidade será cobrada juntamente com o tributo, nos casos (i) de falta de pagamento ou recolhimento; (ii) de falta de declaração; e (iii) de declaração inexata. No caso de pessoa jurídica, somente há previsão para sua cobrança de forma isolada nos casos de falta de pagamento de estimativas mensais, hipótese diversa daquela contemplada no presente lançamento. 3.9. Dita previsão legal decorre da impossibilidade de aplicação de dupla penalidade sobre uma mesmo fato, ambas incidentes sobre a mesma base de cálculo, o valor da contribuição que deixou de ser recolhida, sob pena de bis in idem. 3.10. Em decorrência, diante da ausência de previsão, no artigo 44 da Lei n° 9.430/96, para a aplicação da penalidade isolada nos casos de declaração inexata (mas, tão somente, a sua cobrança juntamente com o tributo devido), deve ser cancelada a exigência fiscal, em conformidade com o que dispõe o artigo 106 do CTN. • DO ERRO NA CONSTRUÇÃO DO LANÇAMENTO: IMPROCEDÊNCIA DOS VALORES LANÇADOS. Fl. 490DF CARF MF Processo nº 10480.722605/200908 Resolução nº 2301000.651 S2C3T1 Fl. 478 4 3.11. No caso em questão, conforme previsto no artigo 22 da Lei nº 8.212/91, a base de cálculo da contribuição em referência é o valor das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que prestem serviços à empresa. 3.12. No período fiscalizado, a IMPUGNANTE realizou pagamentos à ICATU HARTFORD (CNPJ n° 42.283.770/000139) e à VERA CRUZ SEGURADORA S/A (CNPJ 54.484.753/000149), a título de previdência privada, os quais foram considerados como salários indiretos. 3.13. Contudo, em sua análise, em relação à rubrica Previdência Privada, a Fiscalização considerou, erroneamente, a realização de pagamentos àquelas empresas no valor de R$ 3.958.476,32, quando, na verdade, o valor efetivamente pago foi R$ 2.673.967,03, sendo à R$ 2.235.114,26 à ICATU HARTFORD; e R$ 438.852,77 à VERA CRUZ SEGURADORA S/A. 3.14. O erro na apuração da base de calculo decorre da incorreta interpretação dos lançamentos para apuração proporcional das despesas, de acordo com respectivo centro de custos, tendo os "Lançamentos para Reversão" sido computados como novos pagamentos às empresas ICATU HARTFORD e VERA CRUZ SEGURADORA S/A. 3.15. Como decorrência, em face da adição de "Lançamentos de Reversão" aos pagamentos realizados às empresas de previdência privada, a base de cálculo da contribuição previdenciária foi majorada em R$ 1.284.509,29, gerando um ônus excessivo à Impugnante, ante a imposição da cobrança da exação sobre valores decorrentes de mero ajuste contábil e que, portanto, não compõem a base de cálculo da contribuição. 3.16. Para comprovar o alegado, a defesa apresenta Declaração da empresa VERA CRUZ SEGURADORA S/A, e da ICATU HARTFORD, com a indicação dos valores recebidos da IMPUGNANTE, a título de previdência complementar, no período fiscalizado. 3.17. Por todo exposto, ao considerar meros ajustes contábeis como base de cálculo da contribuição previdenciária, houve erro na construção do lançamento, eivandoo de vício material insanável, razão pela qual deve ser cancelado o auto de infração. De acordo com o artigo 142 do CTN, a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação e a determinação da matéria tributável são, entre outros, elementos essenciais e intrínsecos do lançamento, conforme entendimento do CARF, o qual cita ementa. 3.18. Portanto, apesar de a Fiscalização ter considerado documentos de caráter gerencial, a autoridade fiscal não compreendeu a existência de dois lançamentos para um mesmo fato contábil um após o outro (mas, o mesmo fato) sendo o segundo lançamento realizado unicamente para obedecer ao critério de rateio por centro de custos (divisão gerencial, apenas). Assim, na composição da base de cálculo da contribuição previdenciária, em relação aos pagamentos de previdência privada, foram computados valores que não correspondem Fl. 491DF CARF MF Processo nº 10480.722605/200908 Resolução nº 2301000.651 S2C3T1 Fl. 479 5 aos efetivamente incorridos pela IMPUGNANTE, posto que decorriam de uma mesma obrigação (e não de duas, como interpretou a Fiscalização). • DA IMPROCEDÊNCIA DA PENALIDADE AGRAVADA: 3.19. A autoridade fiscal aplicou, ao presente caso, a penalidade de ofício agravada, no percentual de 112,5%, sob o fundamento de que a Impugnante apresentou, fora do prazo, as informações relativas à folha de pagamento em meio digital; e deixou de apresentar a relação dos valores pagos, por segurado e competência, relativos às notas previdência privada, por nota fiscal, indicando os valores dos prêmios e descontos, relativos às empresas ICATU HARTFORD E VERA CRUZ SEGURADORA. 3.20. Com relação ao atraso na entrega de informações em meio digital este decorreu do exíguo prazo 3 dias estipulado pela Fiscalização. Tão logo dispôs dos referidos documentos, estes foram apresentados à fiscalização. Quanto aos relatórios citados, não foi possível atender à solicitação, por não dispor a IMPUGNANTE dos documentos solicitados. 3.21. Frisese que não restou configurado qualquer propósito protelatório da IMPUGNANTE, com a intenção de dificultar a fiscalização. A falta de apresentação de documentos, por si só, não enseja a aplicação da penalidade agravada. A jurisprudência do CARF afasta o agravamento da multa de ofício "quando a conduta do contribuinte não causa embaraço ou dificuldade ao trabalho da autoridade autuante, consubstanciado na posse pela autoridade de todos os elementos para concretizar o lançamento" (Recurso n° 159003, de 05 de fevereiro de 2009). Como exemplo, vejamos a decisão a seguir: 3.22. Desse modo, inexistindo qualquer embaraço à Fiscalização, tendo o lançamento, inclusive, se baseado na documentação fornecida pela RECORRENTE, a penalidade de ofício deve ser reduzida ao percentual de 75%. • DO PEDIDO 3.23. Ante o exposto, a impugnante requer seja dado provimento a presente impugnação, para que seja reconhecida a improcedência do presente lançamento, em razão do erro na construção do lançamento, em afronta ao artigo 142 do CTN; e, caso seja mantida a exigência tributária, a improcedência da penalidade agravada, devendo o percentual da multa de ofício ser reduzido para 75%. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba DRJ/CTA, em sessão de 20/09/2013, julgou procedente em parte a impugnação, excluindo a competência 10/2004, em virtude da decadência, alterando o valor originário de R$ 239.252,40 para R$ 225.960,60, nos termos do Acórdão nº 0643.863, assim redigido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP Constitui infração a empresa deixar de informar mensalmente por meio de GFIP Fl. 492DF CARF MF Processo nº 10480.722605/200908 Resolução nº 2301000.651 S2C3T1 Fl. 480 6 todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Art. 32, inciso IV da Lei 8.212/91. MULTA MAIS BENÉFICA. RETROAÇÃO. De acordo com o expresso no art. 106, II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional CTN, em Auto de Infração lavrado contra o contribuinte por descumprimento de obrigação tributária previdenciária, devem ser confrontadas as penalidades apuradas conforme a legislação de regência do fato gerador com a multa determinada pela norma superveniente, aplicandose a que lhe for menos severa. O valor da multa aplicada está em consonância com o disposto no artigo 32, §5o da Lei 8.212/91 e com o art. 284, II do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99.. DECADÊNCIA PARCIAL. OCORRÊNCIA Após a publicação da Súmula Vinculante nº 8 do STF, o prazo decadencial para a constituição e cobrança dos créditos tributários previdenciários passa a ser regida pelo Código Tributário Nacional, aplicandose para os autos de infração de obrigação acessória o artigo 173, inciso I. ÔNUS DA PROVA. Ao contestar situações apuradas pela fiscalização em documentos apresentados pelo próprio contribuinte, cabe a este último o ônus da prova de suas alegações, nos termos do artigo 333, inciso II do Código de Processo Civil. PRECLUSÃO TEMPORAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe, acordam os membros da 5ª Turma de Julgamento, por maioria de votos, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, considerar a IMPUGNAÇÃO PROCEDENTE EM PARTE, MANTENDO EM PARTE O CREDITO TRIBUTÁRIO, com exclusão da competência 10/2004, em virtude da decadência, alterando o valor originário de R$ 239.252,40 para R$ 225.960,60. Sendo a impugnação parcial, o órgão preparador, se entender cabível, deve adotar as providências de sua alçada (Decreto nº 70235/72, artigo 21, caput e §1º). Vencido o julgador José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro apenas na prejudicial de mérito, por considerar que o prazo do art. 173, I, da Lei n° 5.172, de 1966, foi interrompido, quando da cientificação do Termo de Início de Procedimento Fiscal, por força do parágrafo único do art. 173 da Lei n° 5.172, de 1966 (REsp 766.05/PR e REsp 973.733/SC). Cientificada da decisão em 15/10/2013 (efls. 357/358), apresentou Recurso Voluntário em 13/11/2013 (efls. 367/383), repisando as alegações da impugnação. Fl. 493DF CARF MF Processo nº 10480.722605/200908 Resolução nº 2301000.651 S2C3T1 Fl. 481 7 Em 06/11/2014, resolveram os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento converter o julgamento em diligência, nos termos da Resolução nº 2302000.366 (efls. 421/425), para que a Fiscalização se manifeste acerca da base de cálculo utilizada para obterse o montante do crédito tributário lançado. Em 10/05/2016 a autoridade autuante anexou Informação Fiscal de efls. 427/430 na qual ratifica as bases de cálculo utilizada no Auto de Infração, conforme abaixo transcrito: 7.1. Incialmente cabe destacar que o auto de infração (DEBCAD 37.200.3095), em questão, foi lavrado por infringência ao art. 32, inciso IV, § 5° da Lei n° 8.212/91 (CFL 68), com redação dada pela Lei n° 9528/97. A empresa deixou de informar nas suas GFIP os seguintes fatos geradores de contribuições previdenciárias: ... 7.2.As bases de cálculo das contribuições não declaradas em GFIP, objeto do presente questionamento (Previdência Privada), estão demonstradas nos seguintes anexos: PP2004 Previdência Privada Contabilização 2004 (fls. 35 a 37); Anexo PP2005 Contabilização: Previdência Privada (2005) Icatu Hartford (fls. 38 a 56); Anexo PP2006 Previdência Privada 2006 Icatu Hartford/Vera Cruz (fls. 57 a 71); Anexo PPCSI Relação dos Beneficiários de Previdência Privada 2004 (fls. 79 a 82); Anexo PPCSII Cálculo das Contribuições dos Segurados 2005 (fls. 83 a 108); Anexo PPCSIII Cálculo das Contribuições dos Segurados 2006 (fls. 109 a 111); Anexo FPW2005 Cálculo das Contribuições dos Segurados 2005 (fls. 112 a 125); Anexo FPW2006 Cálculo das Contribuições dos Segurados 2006 (fls. 126 a 132); 7.3.Nesses anexos constam todas as informações necessárias para identificação do fato gerador, a saber: número, data e histórico do lançamento; código e descrição da conta contábil; valor lançado (débito / crédito); número do boleto; número da nota fiscal, bem como quadro resumo, detalhado, por conta e por mês, os valores dos pagamentos a título de previdência privada não declarada e não recolhida, objeto do lançamento. 7.4.Importante frisar que os valores dos prêmios (previdência privada) considerados como integrante do saláriodecontribuição (base de cálculo), bem como a origem contábil indicados nas planilhas (anexos) demonstram que não houve ocorrência de mais de um lançamento para o mesmo fato. 7.5.Por outro lado, compulsando os autos, também não identificamos nenhum documento ou cópia da escrituração contábil que comprovassem a argumentação de que os "lançamentos de reversão" foram adicionados indevidamente a base de cálculo. Ao contrário, as planilhas elaboradas (fls. 35 a 132) comprovam que não existem lançamentos em duplicidade, tampouco de lançamentos de reversão que a empresa alega que foram considerados na base de cálculo. 7.6.Verificamos que a recorrente, por sua vez apresenta as mesmas alegações quando da impugnação dos AIOP DEBCAD 37.057.2416, Fl. 494DF CARF MF Processo nº 10480.722605/200908 Resolução nº 2301000.651 S2C3T1 Fl. 482 8 37.183.5739 e 37.183.5747, quanto ao erro na apuração da base de cálculo do lançamento relativo aos pagamentos efetuados aos seus empregados a título de previdência privada. Nesse aspecto, importante destacar que os Acórdãos n° 0643.861, n° 0643.862 e n° 0643.860, respectivamente, proferidos pela 5a Turma de Julgamento em Curitiba (PR) afastaram estas mesmas argumentações, ora questionadas neste auto, de modo que não restam dúvidas à procedência do lançamento do crédito, e, portanto, a necessidade de sua declaração em GFIP. Assim sendo, as alegações apresentadas na peça recursal não são suficientes para afastar o procedimento adotado que teve como base a escrituração contábil da recorrente. ... 7.13.Ante o acima exposto, improcede a argumentação da recorrente de erro na base de cálculo. Portanto, não havendo retificação a ser feita na base de cálculo o crédito tributário lançado no Auto de infração DEBCAD n° 37.200.3095 deve ser mantido integralmente. A recorrente apresentou nova manifestação (efls. 434/441) alegando que a informação fiscal juntada "não atende ao solicitado na decisão do CARF, não informa a correta base de cálculo das contribuições previdenciárias ou a forma como foi realizada a sua apuração". Também que "a diligência não aprofundou a análise da contabilidade da CONTRIBUINTE, mesmo com a apresentação de documentos que esclarecem os lançamentos efetuados e tampouco explicou como foi realizada a apuração da base de cálculo, a ponto de demonstrar que os valores contabilizados como "reversão" não foram considerados nos cálculos." É o relatório. Fl. 495DF CARF MF Processo nº 10480.722605/200908 Resolução nº 2301000.651 S2C3T1 Fl. 483 9 Voto Vencido Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora Admissibilidade Verificados os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto e passo a sua análise. Preliminares Decadência Alega a recorrente que, por força da aplicação do art. 150, §4º, do CTN, estaria decaída também a competência 12/2004, além das já reconhecidas pela DRJ/Curitiba. No caso de lançamento de obrigação acessória a regra decadencial a ser aplicada é a do art. 173, I do CTN. Assim, a contagem do prazo decadencial da competência 12/2004 iniciase no primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia ter sido efetuado o lançamento. Como o lançamento da competência 12/2004 só poderia ser feito em 01/2005, o prazo começa a fluir em 01/01/2006, encerrandose em 31/12/2010. Portanto, sem razão a recorrente. Inaplicabilidade da penalidade prevista no art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/91. Da dupla tributação sobre o mesmo fato. Sobre a alegação de "bis in idem", não assiste razão à recorrente. No caso dos autos, por força do disposto no art. 106, II, c, do CTN, a autoridade fiscal verificou qual a penalidade mais benéfica: se a da legislação anterior (soma dos artigos 35, II e 32, IV e § 5º, ambos da Lei nº 8.212/91), ou se a lei nova (art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Tal procedimento (de verificação da multa mais benéfica) está previsto na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009: Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme oart. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaLei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaLei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma doart. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pelaLei nº 11.941, de 2009. Assim, por ser mais benéfica ao contribuinte, nas competências 10/2004, 12/2004, 02/2005 a 12/2005, 13/2005, 01/2006, 03/2006 e 12/2006, foi aplicada a legislação da época da ocorrência dos fatos geradores (100% da contribuição não declarada, art. 35, IV, §5º), e nos autos de infração de obrigação principal Debcads nº 37.057.2416 (parte patronal), Fl. 496DF CARF MF Processo nº 10480.722605/200908 Resolução nº 2301000.651 S2C3T1 Fl. 484 10 37.183.5739 (segurados) e 37.183.5747 (terceiros), foi aplicada a multa previdenciária do art.35, II, ambos da Lei nº 8.212/1991. Por sua vez nas demais competências não foi aplicada a multa por descumprimento de obrigação acessória, e nos autos de infração de obrigação principal Debcads nº 37.057.2416 (parte patronal), 37.183.5739 (segurados) e 37.183.5747 (terceiros), foi aplicada a multa do artigo 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP 449/08, convertida na Lei nº 11.941/2009 (75%). Portanto não houve cobrança em duplicidade em nenhuma competência, devendo ser mantida a multa aplicada. Pelo exposto, nego provimento ao recurso neste ponto. Nulidade da autuação por erro na construção do lançamento Improcedência de valores lançados. A recorrente sustenta que o auto de infração encontrase eivado de nulidade por vício material, uma vez que a base de cálculo das contribuições previdenciárias referente à Previdência Privada estaria incorreta porque foram considerados "valores decorrentes de mero ajuste contábil, que não compõem a remuneração efetivamente paga/devida aos empregados e prestadores de serviços". Apresenta a seguinte tabela: Traz ainda as seguintes considerações: 32.1. Em sua análise, em relação à rubrica "previdência privada", a fiscalização considerou, erroneamente, a realização de pagamentos àquelas empresas no valor total de R$ 3.958.476,32, quando, na verdade, o valor efetivamente pago foi R$ 2.673.967,02, sendo R$ 2.235.114,26 à ICATU HARTFORD, e R$ 438.852,77 à VERA CRUZ SEGURADORA S.A. 32.2.O erro na apuração da base de cálculo decorreu da incorreta interpretação dos lançamentos para apuração proporcional das despesas, de acordo com respectivo centro de custos, tendo os "Lançamentos para Reversão" sido computados como novos pagamentos às empresas ICATU HARTFORD e VERA CRUZ SEGURADORA S/A. 32.3.Assim, em face da adição de "Lançamentos de Reversão" aos pagamentos realizados às empresas de previdência privada, a base de Fl. 497DF CARF MF Processo nº 10480.722605/200908 Resolução nº 2301000.651 S2C3T1 Fl. 485 11 cálculo da contribuição previdenciária foi majorada em R$ 1.284.509,29, gerando um ônus excessivo à RECORRENTE, ante a imposição da cobrança da exação sobre valores decorrentes de mero ajuste contábil e que, portanto, não compõem a base de cálculo das contribuições previdenciárias. 33.Para comprovar o alegado, a RECORRENTE apresentou, juntamente à sua impugnação, planilhas esclarecendo os lançamentos efetuados em sua contabilidade e declarações das próprias empresas VERA CRUZ SEGURADORA S/A e ICATU HARTFORD (fls. 3085 a 3091 dos autos), com a indicação dos valores recebidos da RECORRENTE, a título de previdência privada, no período fiscalizado. 34.Dessa feita, restando demonstrado o erro na construção do lançamento, em virtude da incorreta identificação da matéria tributável, é de se decretar a nulidade do auto de infração lavrado em face da RECORRENTE por vício insanável, em consonância com o art. 142 do CTN e com o entendimento adotado por este Conselho, que se extrai dos seguintes julgados: (...) Por sua vez, a autoridade fiscal instada a se manifestar sobre a base de cálculo do lançamento por meio da Resolução nº 2302000.340 (efls. 3216/3220), ratifica os valores lançados, e esclarece que: 7.2.As bases de cálculo das contribuições das contribuições lançadas, objeto do presente questionamento, estão demonstradas nos seguintes anexos: Anexo PP2004 Previdência Privada Contabilização 2004 (fls. 232 a 234); Anexo PP2005 Contabilização: Previdência Privada (2005) Icatu Hartford (fls. 235 a 253); Anexo II Contabilização Previdência Privada 2005 (Resumo fls. 254); Anexo PP2006 Previdência Privada 2006 Icatu Hartford/Vera Cruz (fls. 255 a 269); Anexo PP2006 Contabilidade Previdência Privada (2006) Icatu Hartford / Vera Cruz (fls. 270); 7.3.Nesses anexos constam todas as informações necessárias para identificação do fato gerador, a saber: número, data e histórico do lançamento; código e descrição da conta contábil; valor lançado (débito / crédito); número do boleto; número da nota fiscal, bem como quadro resumo, detalhado, por conta e por mês, os valores dos pagamentos a título de previdência privada não declarada e não recolhida, objeto do lançamento. 7.4.Importante frisar que os valores dos prêmios (previdência privada) considerados como integrante do saláriodecontribuição (base de cálculo), bem como a origem contábil indicados nas planilhas (anexos) demonstram que não houve ocorrência de mais de um lançamento para o mesmo fato. 7.5.Por outro lado, compulsando os autos, também não identificamos nenhum documento ou cópia da escrituração contábil que comprovassem a argumentação de que os "lançamentos de reversão" foram adicionados indevidamente a base de cálculo. Ao contrário, as planilhas elaboradas (fls. 232 a 270) comprovam que não existem lançamentos em duplicidade, tampouco de lançamentos de reversão Fl. 498DF CARF MF Processo nº 10480.722605/200908 Resolução nº 2301000.651 S2C3T1 Fl. 486 12 que a empresa alega que foram considerados na base de cálculo. (grifo nosso) Analisando as planilhas apresentadas pela recorrente (efls. 3085/3091) verifica se que constam apenas os totais das contas contábeis utilizadas no lançamento, sem a demonstração da composição dos alegados lançamentos de reversão ( Ano 2005 R$ 735.311,46; Ano 2006 R$ 536.370,00). Por sua vez, a autoridade fiscal nos Anexos PP2004, PP2005, PP2006 e anexos (efls. 232/270) demonstra todos os lançamentos contábeis que foram considerados na base de cálculo para fins de constituição do crédito tributário e não há nenhum lançamento que possa ser identificado como de reversão a fim de justificar o alegado pela recorrente. Nesse ponto, importante salientar que o ônus da prova incumbe a quem alega. Assim, a autoridade fiscal, no curso do procedimento fiscal tem o dever de instruir corretamente o processo trazendo aos autos todas as provas que possui para conferir robustez ao lançamento fiscal; por outro lado, após a emissão do auto de infração, o ônus da prova invertese. Agora quem tem que provar a inveracidade do documento público constituído é o sujeito passivo, no caso, a recorrente. Entretanto simples alegações não se sustentam se não houver uma prova trazida aos autos da incorreção apontada. E aqui, peca a recorrente, pois alega sem fazer prova de suas alegações. Ademais, tanto na peça impugnatória quanto na recursal, a alegação é apenas refutando o lançamento por incorreção na apuração da base de cálculo, sem adentrar no seu mérito. Portanto, entendo que não assiste razão à recorrente, uma vez que esta não se desincumbiu do ônus de demonstrar quais os lançamentos que teriam integrado incorretamente a base de cálculo do levantamento Previdência Privada no auto de infração em análise. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. É como voto. Andrea Brose Adolfo Relatora Fl. 499DF CARF MF Processo nº 10480.722605/200908 Resolução nº 2301000.651 S2C3T1 Fl. 487 13 Voto Vencedor Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes Redator A divergência cingese à possibilidade de conhecimento dos documentos juntados pelo recorrente já na fase de julgamento pelo CARF. Quanto a preclusão temporal, a matéria tem disciplina no Decreto nº 7.574/2011: Art.57. A impugnação mencionará (Decreto no 70.235, de 1972, art. 16, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o, e pela Lei no 11.196, de 2005, art. 113): ... §4o A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: I fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; II refirase a fato ou a direito superveniente; ou III destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. No presente caso, os documentos levados ao conhecimento do colegiado têm relação direta com o fato gerador da obrigação principal e, de fato, vêm complementar as demais provas já juntadas aos autos quando da impugnação. Tendo a decisão recorrida rejeitado todas as alegações na impugnação com vasta fundamentação, o recorrente buscou elucidar os pontos mais relevantes e, naturalmente, trouxe aos autos documentos que entende melhor ajudam na compreensão. Entendo escusável a juntadas de provas após a impugnação desde que pelos fundamentos da decisão recorrida sejam mais oportunas à época do recurso voluntário e pela sua relevância sejam hábeis para a solução do caso. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que as provas juntadas sejam examinadas pela fiscalização e, após, seja oportunizado ao recorrente o direito de manifestação no prazo de 30 dias. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 500DF CARF MF
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