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Numero do processo: 10880.729277/2011-74
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PRL60. LEGALIDADE DA IN SRF 243/2002.
A IN SRF nº 243/2002 conforma-se à disposição do artigo 18, da Lei nº 9.430/1996, com redação conferida pela Lei nº 9.959/2000, ao proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência.
Numero da decisão: 9101-003.417
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no me´rito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Lui´s Fla´vio Neto (relator), Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Flávio Neto - Relator
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre´ Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Arau´jo, Luis Fla´vio Neto, Fla´vio Franco Corre^a, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Re^go (Presidente).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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PRL60. LEGALIDADE DA IN SRF 243/2002. A IN SRF nº 243/2002 conformase à disposição do artigo 18, da Lei nº 9.430/1996, com redação conferida pela Lei nº 9.959/2000, ao proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 92 77 /2 01 1- 74 Fl. 3029DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Relator (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa – Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Correâ, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial interposto por SCHERING DO BRASIL QUÍMICA E FARMACÊUTICA LTDA (doravante “contribuinte” ou “recorrente”) em face do acórdão n. 1401001.527 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela então 1a Turma Ordinária, 4a Câmara, 1a Seção (doravante “Turma a quo”). O acórdão recorrido negou provimento ao recurso voluntário do contribuinte, considerando legítima a fórmula estabelecida pela IN 243/2002 para o cálculo dos ajustes de preços de transferência pelo chamado “método PRL60. A referida decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condicõ̧es à interessada de contestar o lanca̧mento, descabe a alegaçaõ de nulidade PERÍCIA. DESNECESSIDADE. É desnecessária a realização de perícia quando as explicações e elementos documentais juntados aos autos compõem instrução probatória suficiente para a formação do convencimento do julgador. MÉTODO PRL60. CÁLCULOS SEGUNDO INSTRUÇÃO NORMATIVA. ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE. DESCABIMENTO. AUSÊNCIA DE INCOMPATIBILIDADE ENTRE A LEI No. 9.959/2000 E A INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF No. 243/2002. A normatização do denominado método “PRL60”, empreendida no art. 12 da IN SRF no. 243/2002, se analisada sob o prisma de uma interpretação gramatical, lógica, finalística e sistemática se mostra em perfeita consonância com as normas veiculadas no art. 18 da Lei no. 9.430/97, com a redaçaõ estatuída pelo art. 2o da Lei no. 9.959/2000. MÉTODO PRL60. IN 243/2002. PONDERAÇAÕ DE CUSTOS. ISOLAMENTO. EFEITO BENÉFICO. A roupagem da fórmula adotada pela IN 243/2002 (PPn=%nPL 60%x(%nPL)) se modifica em relação à sua formulação genérica prevista na Fl. 3030DF CARF MF Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 9101003.417 CSRFT1 Fl. 3.030 3 literalidade da Lei (PP= PLV 60%PLV VA) ao incorporar a técnica da ponderação, contudo esse aspecto específico visto de forma isolada, ao contrário do apregoado diminui os ajustes se comparado com a sua formulação genérica, além do que essa nova “roupagem” também não macula sua essência que é provocar o surgimento do “preço parâmetro de comparação” a partir do expurgo do Valor Agregado e assim, manter a técnica do máximo isolamento para cada um dos insumos importados que fazem parte do produto final a ser revendido, o que não acontece na fórmula da IN 32/2001 (((PP= PLV 60%(PLV VA ) nem na formulaca̧õ genérica encontrada da literalidade Lei ((PP= PLV 60%PLV VA)). IMPORTAÇAÕ. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO. REGIME ESPECIAL DE CRÉDITO PRESUMIDO. PIS/PASEP. COFINS. INCIDÊNCIA. DEDUÇÃO DO PREÇO DE VENDA. É cabível a dedução dos valores correspondentes à contribuica̧õ para o PIS/Pasep e da Cofins da média aritmética ponderada dos preços de revenda praticados para fim de fixação do preço parâmetro apurado de acordo com o método do Preco̧ de Revenda menos Lucro (PRL), mesmo que a pessoa jurídica tenha aderido ao regime especial de crédito presumido estabelecido pela Lei n° 10.147/2000 ao importador ou fabricante de medicamentos nela previstos. O contribuinte opôs embargos de declaração em face do aludido acórdão (efls. 2819 e seg.), os quais foram rejeitados por despacho (efls. 2909 e seg.). O contribuinte interpôs, então, recurso especial, requerendo a reforma do acórdão a quo quanto à ilegalidade na fórmula prevista na IN 243 na apuração do preço parâmetro pelo método PRL 60, comparandose com o disposto no art. 18, II, item 1, da Lei no 9.430/96, com redaçaõ dada pela Lei n. 9.959/00 (efls. 2926 e seg.), o qual foi integralmente admitido por despacho (efls. 3001 e seg.). A PFN, então, apresentou contrarrazões, nas quais, embora não se oponha conhecimento do recurso especial do contribuinte, requer lhe seja negado provimento (efls. 3014 e seg.) Concluise, com isso, o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator Compreendo que o despacho de admissibilidade bem analisou os requisitos para a admissibilidade do recurso especial, razão pela qual não merece reparos. 1. A evolução legislativa do método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL). A legislação brasileira dos preços de transferência deve ser observada por pessoas jurídicas nacionais que realizem operações com pessoas jurídicas vinculadas residentes no exterior. Suas normas encontram fundamento especialmente nos princípios da igualdade e da capacidade contributiva, de forma a estabelecer, por meio de fórmulas prédeterminadas pelo legislador ordinário, um preço que seria praticado por partes independentes (“preço Fl. 3031DF CARF MF 4 parâmetro” ou “preço arm’s length”), de tal forma que operações realizadas entre partes vinculadas que destoem desse padrão, sejam tributadas como se houvessem praticado o preço parâmetro. Assim, por exemplo, se em uma operação de importação entre partes vinculadas o importador brasileiro realizar o pagamento de $25,00 por um bem cujo preço parâmetro seja de $10,00, a legislação dos preços transferência determinará um ajuste na base de cálculo do IRPJ e da CSL, de forma a se adicionar a parcela excedente ($15,00) e, assim, acrescer a base tributável e consequentemente aumentar o montante dos tributos devidos. O preço parâmetro, nesse exemplo, corresponde ao limite da dedutibilidade do custo do bem, serviço ou direito importado de parte vinculada. Por meio do controle dos preços de transferência, o sistema jurídico não procura majorar o percentual de tributos cobrados da sociedade, mas simplesmente garantir, nas operações internacionais, tratamento tributário isonômico, de forma que, independente de relações societárias mantidas entre as partes, todos que se encontrem em situação semelhante tenham a sua capacidade contributiva tributada de forma equivalente. A matriz legal da legislação brasileira dos preços de transferência é a Lei n. 9.430/96, com as sucessivas alterações que lhe foram realizadas. Nela estão contemplados os diferentes métodos de controle dos preços de transferência, que consistem em fórmulas e regras para a determinação se deve ou não ser realizado ajustes na base de cálculo do IRPJ e da CSL e, ainda, de quanto seria o referido ajuste. Entre os referidos métodos, interessa ao recurso especial em julgamento o Preço de Revenda menos Lucro (PRL). Em sua redação original, o art. 18. II, da Lei n. 9.430/96, previa apenas a margem de lucro de 20% para o cálculo do preço parâmetro conforme o método PRL (doravante “PRL20”): Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (…) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda; Em 1999, por meio da Medida Provisória nº 2.0134, convertida na Lei n. 9.959/2000, foi introduzida alteração na alínea “d” desse dispositivo, que passou a dispor quanto à possibilidade da adoção da margem de lucro de 60% para o cálculo do método PRL dos preços de transferência (PRL60), com especial destaque à parte em negrito: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do Fl. 3032DF CARF MF Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 9101003.417 CSRFT1 Fl. 3.031 5 lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (…) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. Na sequência, foi editada pela Secretaria da Receita Federal (doravante “SRF”) a IN 113/2000, que dispunha “sobre as hipóteses de utilização do Método do Preço de Revenda menos Lucro”. Em 2001, foi editada a IN 32, que incorporou os enunciados da IN 113/2000 ao indicar a adoção da seguinte fórmula para o cálculo do PRL 60, com especial destaque à parte em negrito: Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens; b) sessenta por cento, na hipótese de bens importados aplicados na produção. § 1º Os preços de revenda, a serem considerados, serão os praticados pela própria empresa importadora, em operações de venda a varejo e no atacado, com compradores, pessoas físicas ou jurídicas, que não sejam a ela vinculados. § 2º Os preços médios de aquisição e revenda serão ponderados em função das quantidades negociadas. § 3º Na determinação da média ponderada dos preços, serão computados os valores e as quantidades relativos aos estoques existentes no início do período de apuração. § 4º Para efeito desse método, a média aritmética ponderada do preço será determinada computandose as operações de revenda praticadas desde a data da aquisição até a data do encerramento do período de apuração. § 5º Se as operações consideradas para determinação do preço médio contiverem vendas à vista e a prazo, os preços relativos a estas últimas deverão ser escoimados dos juros neles incluídos, calculados à taxa praticada pela própria empresa, quando comprovada a sua aplicação em todas as vendas a prazo, durante o prazo concedido para o pagamento. § 6º Na hipótese do parágrafo anterior, não sendo comprovada a aplicação consistente de uma taxa, o ajuste será efetuado com base na taxa: I referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), para títulos federais, proporcionalizada para o intervalo, quando comprador e vendedor forem domiciliados no Brasil; Fl. 3033DF CARF MF 6 II Libor, para depósitos em dólares americanos pelo prazo de seis meses, acrescida de três por cento anuais a título de spread, proporcionalizada para o intervalo, quando uma das partes for domiciliada no exterior. § 7º Para efeito deste artigo, serão considerados como: I incondicionais, os descontos concedidos que não dependam de eventos futuros, ou seja, os que forem concedidos no ato de cada revenda e constar da respectiva nota fiscal; II impostos, contribuições e outros encargos cobrados pelo Poder Público, incidentes sobre vendas, aqueles integrantes do preço, tais como ICMS, ISS, Pis/Pasep e Cofins; III comissões e corretagens, os valores pagos e os que constituírem obrigação de pagar, a esse título, relativamente às vendas dos bens, serviços ou direitos objeto de análise. § 8º A margem de lucro a que se refere o inciso IV, alínea "a" do caput será aplicada sobre o preço de revenda, constante da nota fiscal, excluídos, exclusivamente, os descontos incondicionais concedidos. § 9º O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento somente será aplicado nas hipóteses em que não haja agregação de valor no País ao custo dos bens , serviços ou direitos importados, configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos bens, serviços ou direitos importados. § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens aplicados à produção. § 11. Na hipótese do parágrafo anterior, o preço a ser utilizado como parâmetro de comparação será a diferença entre o preço líquido de venda e a margem de lucro de sessenta por cento, considerandose, para este fim: I preço líquido de venda, a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II margem de lucro, o resultado da aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas, das comissões e corretagens pagas e do valor agregado ao bem produzido no País. Em 2002, embora não tenha sido realizada nenhuma reforma por meio de Lei, a IN 243 tornou público que a SRF conduziria uma ampla mudança na metodologia de cálculo do PRL60, com o abandono das fórmulas anteriormente adotadas na IN 113/2000 e na IN 32/2001. Esse é o cerne do recurso especial em análise. Os enunciados da IN 243/2002 relativos à matéria seguem transcritos, com destaque à parte em negrito: MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO (PRL) Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. Fl. 3034DF CARF MF Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 9101003.417 CSRFT1 Fl. 3.032 7 § 1º Os preços de revenda, a serem considerados, serão os praticados pela própria empresa importadora, em operações de venda a varejo e no atacado, com compradores, pessoas físicas ou jurídicas, que não sejam a ela vinculados. § 2º Os preços médios de aquisição e revenda serão ponderados em função das quantidades negociadas. § 3º Na determinação da média ponderada dos preços, serão computados os valores e as quantidades relativos aos estoques existentes no início do período de apuração. § 4º Para efeito desse método, a média aritmética ponderada do preço será determinada computandose as operações de revenda praticadas desde a data da aquisição até a data do encerramento do período de apuração. § 5º Se as operações consideradas para determinação do preço médio contiverem vendas à vista e a prazo, os preços relativos a estas últimas deverão ser escoimados dos juros neles incluídos, calculados à taxa praticada pela própria empresa, quando comprovada a sua aplicação em todas as vendas a prazo, durante o prazo concedido para o pagamento. § 6º Na hipótese do § 5º, não sendo comprovada a aplicação consistente de uma taxa, o ajuste será efetuado com base na taxa: I referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), para títulos federais, proporcionalizada para o intervalo, quando comprador e vendedor forem domiciliados no Brasil; II Libor, para depósitos em dólares americanos pelo prazo de seis meses, acrescida de três por cento anuais a título de spread, proporcionalizada para o intervalo, quando uma das partes for domiciliada no exterior. § 7º Para efeito deste artigo, serão considerados como: I incondicionais, os descontos concedidos que não dependam de eventos futuros, ou seja, os que forem concedidos no ato de cada revenda e constar da respectiva nota fiscal; II impostos, contribuições e outros encargos cobrados pelo Poder Público, incidentes sobre vendas, aqueles integrantes do preço, tais como ICMS, ISS, PIS/Pasep e Cofins; III comissões e corretagens, os valores pagos e os que constituírem obrigação a pagar, a esse título, relativamente às vendas dos bens, serviços ou direitos objeto de análise. § 8º A margem de lucro a que se refere a alínea "a" do inciso IV do caput será aplicada sobre o preço de revenda, constante da nota fiscal, excluídos, exclusivamente, os descontos incondicionais concedidos. § 9º O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento somente será aplicado nas hipóteses em que, no País, não haja agregação de valor ao custo dos bens, serviços ou direitos importados, configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos bens, serviços ou direitos importados. § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção. § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, Fl. 3035DF CARF MF 8 serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. Em 2012, por sua vez, por meio da Medida Provisória nº 563, convertida na Lei n. 12.715/2012, foram introduzidas amplas alterações na Lei n. 9.430/96, contemplando todo o inciso II desse dispositivo e tornandoo mais apto a fundar a fórmula indicada pela IN 243/02 para o cálculo do PRL60. Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (…) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética ponderada dos preços de venda, no País, dos bens, direitos ou serviços importados, em condições de pagamento semelhantes e calculados conforme a metodologia a seguir: a) preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem, direito ou serviço produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; b) percentual de participação dos bens, direitos ou serviços importados no custo total do bem, direito ou serviço vendido: a relação percentual entre o custo médio ponderado do bem, direito ou serviço importado e o custo total médio ponderado do bem, direito ou serviço vendido, calculado em conformidade com a planilha de custos da empresa; c) participação dos bens, direitos ou serviços importados no preço de venda do bem, direito ou serviço vendido: aplicação do percentual de participação do bem, direito ou serviço importado no custo total, apurada conforme a alínea b, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com a alínea a; d) margem de lucro: a aplicação dos percentuais previstos no § 12, conforme setor econômico da pessoa jurídica sujeita ao controle de preços de transferência, sobre a participação do bem, direito ou serviço importado no preço de venda do bem, direito ou serviço vendido, calculado de acordo com a alínea c; e 1. (revogado); 2. (revogado); e) preço parâmetro: a diferença entre o valor da participação do bem, direito ou serviço importado no preço de venda do bem, direito ou serviço vendido, calculado conforme a alínea c; e a "margem de lucro", calculada de acordo com a alínea d; e (…) Fl. 3036DF CARF MF Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 9101003.417 CSRFT1 Fl. 3.033 9 É evidente a distinção dos textos adotados, de um lado, pela IN 243/2002, e de outro lado, pela IN 32/2001 e especialmente pela Lei n. 9.430/96, com as alterações introduzidas pela Lei n. 9.959/2000. O quadro a seguir compara os dispositivos mais dessas três fontes do Direito mais relevantes à solução do presente caso concreto: FONTE PRIMÁRIA: Lei n. 9.430/96, com as alterações introduzidas pela Lei n. 9.959/2000 FONTE SECUNDÁRIA: IN 32/2001 FONTE SECUNDÁRIA: IN 243/2002 II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: (...) d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; § 11. Na hipótese do parágrafo anterior, o preço a ser utilizado como parâmetro de comparação será a diferença entre o preço líquido de venda e a margem de lucro de sessenta por cento, considerandose, para este fim: § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: (...) V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. As diferenças textuais em questão são relevantes para a solução do recurso especial em análise, conforme tópicos abaixo. 2. As fórmulas adotadas em cada etapa dessa evolução legislativa para o cálculo do PRL60. O inciso II do art. 18 da Lei n. 9.430/96, conforme a sua redação mantida entre 2000 e 2012 por força da Lei n. 9.959/2000, prescrevia de forma imediata a adoção da seguinte fórmula para o cálculo do preço parâmetro, para fins de possíveis ajustes no cálculo do IRPJ e da CSL: PP = PR – L L = 60% (PR − VA) Em que: PP à preço parâmetro, preço arm’s lenght. PR à preço de revenda líquido. VAà valor agregado na produção nacional L à lucro Considerando o conhecido valor líquido da operação de revenda (PR) e a margem de lucro (L) apurada conforme a fórmula legal, determinase o preço parâmetro (PP), Fl. 3037DF CARF MF 10 que será o valor limite para que o correspondente bem, serviço ou direito importado de parte vinculada seja dedutível da base de cálculo do IRPJ ou da CSL. Notese que cada um desses fatores possui uma função determinante na fórmula prescrita no art. 18. II, da Lei n. 9.430/96, o que evidencia a decisão consciente do legislador ordinário ao enunciar a Lei n. 9.959/2000, sendo relevante destacar que: quanto maior o valor agregado no Brasil (“VA”), menor será “L” (lucro). Como o lucro deverá ser subtraído do preço de revenda (“PR”) para a composição preço parâmetro (“PP”), quanto menor “L”, maior será “PP”. E , quanto maior “L” e, portanto, o lucro tributável, menor será o “PP”. para a composição de “L”, o percentual de 60%, adotado pelo legislador ordinário para o cálculo do PLR, deveria ser aplicado sobre a totalidade do preço de venda do bem ao qual tenha sido agregado o insumo importado e sujeito ao controle dos preços de transferência. Nesse seguir, quanto maior for o preço parâmetro (“PP”), mais liberdade terá o contribuinte para negociar com a empresa fornecedora (relacionada) sem o controle da administração tributária dos preços de transferência. Quanto maior for “PP”, menor serão as chances do contribuinte necessitar realizar ajustes nas bases de cálculo do IRPJ e da CSL para adicionar parcelas dos custos de bens, serviços e direitos que, por ultrapassar o preço parâmetro, passam a ser indedutíveis. Essa fórmula foi acatada pela administração fiscal na IN 113/2000 e na IN 32/2001, (vide tópico “1”, acima) e encontrou justificativas por diferentes perspectivas, a saber: Equilíbrio. A adoção de uma margem de lucro de elevada, de 60%, seria balanceada pela subtração do valor agregado no Brasil dessa base; Indução positiva. O legislador ordinário teria aliado o controle de preços de transferência com medidas indutoras de comportamento e de incentivo à produção nacional, de forma que: quanto maior for a agregação de valor no Brasil, maior será o preçoparâmetro e, consequentemente, menor será o ajuste na base de cálculo do IRPJ e da CSL. A referida fórmula estabelecida pela da Lei n. 9.959/2000 foi submetida a críticas, em especial por não considerar a proporção do insumo importado de parte vinculada aplicada ao bem produzido no Brasil. Como se evidenciou no tópico “1”, acima, o legislador ordinário apenas realizou uma reforma legal para incorporar essa “melhoria” em 2012, com a edição da Lei n. 12.715. Por sua vez, em 2002, a IN 243 indicou a necessidade da adoção de uma outra fórmula para o cálculo do PRL60, diferente daquela que até então se compreendia a correta decorrência da Lei n. 9.959/2000. Analiticamente, o “Estudo comparativo dos normativos da legislação brasileira para o cálculo do preço parâmetro de bem importado usado em produção”, elaborado por VLADIMIR BELITSKY, “Ph.D em Matemática Aplicada pelo Instituto Tecnológico de Israel, Professor Associado do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo, USP”, abstrai a seguinte fórmula da IN 243/2002: Fl. 3038DF CARF MF Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 9101003.417 CSRFT1 Fl. 3.034 11 PP =VDBI * 100% * PR – L60% * VDBI * 100% * PR) VDBI + VA VDBI + VA Em que: VDBI à valor declarado do bem importado PP à preço parâmetro, preço arm’s lenght. PR à preço de revenda líquido. VAà valor agregado na produção nacional L à lucro Como se pode observar, a fórmula indicada pela IN 243/2002 alterou fatores na fórmula abstraída dos enunciados prescritivos do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96 e pela IN 32/2001. Supõese que a intenção da SRF seria possibilitar a verificação da proporcionalidade do insumo importado agregado à produção nacional, pois isso não teria sido contemplado pelo legislador. A partir da publicação da IN 243/2002, sem que nenhuma alteração legal tenha sido realizada, a PFN também passou a sustentar que o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, possibilitaria a construção de uma segunda fórmula, diversa daquela que até então seria de aceitação geral: PP = PR − L − VA L = 60% PR A fórmula da IN 243/2002, conforme alegado, expressaria com maior clareza e, ainda, imprimiria melhorias a essa segunda fórmula que supostamente seria possível abstrair do texto do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96. Conforme a fórmula que se abstrai imediatamente da Lei n. 9.430/96, com as alterações introduzidas pela Lei n. 9.959/2000, na linha do que indicava a IN n. 32/2001, o percentual de 60% deve ser aplicado sobre a totalidade do preço de venda do bem ao qual o insumo importado tenha sido agregado. Já a “segunda fórmula”, que supostamente fundamentaria a IN 243/2002, estabeleceria que a margem de lucro de 60% deveria incidir apenas sobre a parte do preço líquido de venda do produto referente à participação do bem, serviço ou direito importados: o percentual legal em questão seria aplicável tão somente sobre a parcela do preço líquido de venda proporcional ao custo do bem importado. Conforme citado estudo elaborado pelo Prof. Dr. VLADIMIR BELITSKY, in verbis: “Constatação 4. O cálculo de PP segundo a fórmula da IN 243 pode ser visto como um procedimento de duas etapas consecutivas, sendo que: (i) a primeira etapa baseiase, plena e exclusivamente, no princípio da proporcionalidade em participação ao lucro; e Fl. 3039DF CARF MF 12 (ii) a segunda baseiase, plena e exclusivamente, no postulado de que a margem de lucro em cima de bem importado é de 60%”. O quadro a seguir procura sistematizar algumas características das normas, a fim de evidenciar a diferença entre elas: Primeira interpretação da Lei 9.430/96 e IN 32/01 Segunda interpretação da Lei 9.430/96 (IN 243/2002) Fórmula de cálculo do PRL60 ü PP = PR – L ü L = 60% (PR − VA) ü PP = PR − L − VA ü L = 60% * PR Analítico da fórmula para o cálculo da “margem de lucro” 60% sobre o valor integral do preço líquido de venda diminuído do valor agregado no Brasil. 60% apenas da parcela do preço líquido de venda do produto proporcional à participação dos bens, serviços ou direitos importados. Analítico da fórmula para o cálculo do “preço parâmetro” Totalidade do valor líquido de venda diminuído da margem de lucro de 60%. Percentual da parcela dos insumos importados no preço líquido de venda diminuído da margem de lucro de 60%. Um exemplo poderá tornar mais clara a distinção entre essas duas fórmulas. Para tanto, considerese que um determinado produto, produzido no Brasil a partir de insumos nacionais e outros importados de partes vinculadas, seja vendido por R$ 100,00 (ou seja, PR = 100,00) e que o valor agregado no Brasil seja de R$ 50,00 (ou seja, VA = 50,00). Aplicandose as duas fórmulas, chegaremos a resultados muito distintos: Primeira interpretação da Lei 9.430/96 e IN 32/01 Segunda interpretação da Lei 9.430/96 (IN 243/2002) Fórmula de cálculo do PRL 60: ü PP = PR – L ü L = 60% (PR − VA) ü PP = PR − L − VA ü L = 60% * PR Aplicação das fórmulas ao exemplo proposto: L = 60% (100,00 – 50,00) PP = 100,00 – 30,00 L = 60% * 100,00 PP = 100,00 – 60,00 – 50,00 RESULTADO 70,00 10,00 A função de tais fórmulas é determinar se deverá ser realizado ajuste na base de cálculo do IRPJ e da CSL. Se o custo do bem, serviço ou direito importado de parte vinculada for superior aos valores em questão, a parcela excedente deverá ser adicionada à base de cálculo do IRPJ e da CSL, pois não seria considerada dedutível. O exemplo demonstra que as referidas fórmulas conduzem a preços parâmetro muito distintos, de forma as operações consideradas arm’s length, conforme a primeira fórmula, seriam aquelas praticadas até o limite de “R$ 70,00”, enquanto que, para a segunda fórmula, possivelmente todas as importações estariam sujeitas a ajustes, pois o valor resultante como “PP” seria negativo, qual seja, “ R$ 10,00”, como se o importador pudesse, em condições de mercado, deixar de pagar pelos bens, serviços ou direitos e, ainda, receber troco. Fl. 3040DF CARF MF Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 9101003.417 CSRFT1 Fl. 3.035 13 A doutrina há tempos denuncia essa divergência entre a IN 243/2002 e a Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00, como se observa da análise de LUÍS EDUARDO SCHOUERI1, em obra de referência sobre o tema dos preços de transferência: “7.8.2.2. A diferença pode ser explicada pelos seguintes motivos: Cálculo da ‘margem de lucro’: a divergência dos resultados da Lei n. 9.959/00 e da IN n. 243/02 decorre, em parte, porque a Lei, ao prescrever a fórmula de cálculo da ‘margem de lucro’, determina que o percentual de 60% incida sobre o valor integral do preço líquido de venda do produto diminuído do valor agregado no país. Já a Instrução Normativa, para o cálculo da mesma ‘margem de lucro’, determina que o percentual de 60% seja calculado apenas sobre a parcela do preço líquido de venda do produto referente à participação dos bens, serviços ou direitos importados, atingindo um resultado invariavelmente menor. Atua assim a IN n. 243/02 de forma inovadora e em flagrante excesso à Lei. Cálculo do ‘preçoparâmetro’: a expressão ‘preçoparâmetro’ é utilizada na legislação dos preços de transferência para denominar o preço obtido através do cálculo de um dos métodos prescritos e com o qual se deverá comparar o preço efetivamente praticado entre as partes relacionadas, na transação denominada ‘controlada’. O ‘preçoparâmetro’ é obtido de forma diversa na Lei n. 9.959/00 e na IN n. 243/02. Enquanto na Lei o limite do preço é estabelecido tomandose por base a totalidade do preço líquido de venda, a Instrução Normativa pretende que o limite seja estabelecido a partir, apenas, do percentual da parcela dos insumos importados no preço líquido de venda, o que claramente acaba por restringir o resultado almejado pelo legislador.” Restando evidenciado que a IN 243/02 veicula fórmula diversa, supostamente vocacionada a “melhor” tratar do problema da proporcionalidade do insumo utilizado na produção do produto nacional, surge a questão crucial do presente recurso especial: a referida Instrução Normativa possui legitimidade para tanto e agiu nos lindes de sua competência regulamentar? É o que será analisado no tópico seguinte do deste voto. 3. As fontes formais do Direito tributário e o extravasamento das funções da IN 243/2002. O tema das fontes é fundamental ao Direito tributário pátrio. Nosso ordenamento apresenta peculiar complexidade, com elevado número de espécies normativas, cada qual com uma função própria, vocacionadas à impressão juridicidade, eficiência, segurança jurídica, inteligibilidade, coesão, coerência e completude ao sistema jurídico. Sob uma perspectiva formalística2, as referidas espécies normativas podem ser organizadas em fontes primárias3 e fontes secundárias4 do Direito tributário. A Lei n. 9.430/96 é fonte primária do Direito tributário. Em face do princípio da reserva legal, o legislador ordinário possui competência privativa para estabelecer o método de cálculo do preço parâmetro para possíveis ajustes à base de cálculo do IRPJ e da CSL, 1 SCHOUERI, Luís Eduardo. Preços de transferência no Direito tributário brasileiro. São Paulo : Dialética, 2006, p. 169. 2 As fontes do Direito tributário podem também ser observada por uma perspectiva material, a qual não contribui imediatamente para o tema em análise. 3 Em especial: Constituição Federal, Lei Complementar, Lei Ordinária, Medida Provisória, Tratados Internacionais, Decreto legislativo, Decreto (casos especiais), Convênio, Resolução. 4 Em especial: Decreto regulamentar; Instruções Normativas; Portarias; Normas complementares. Fl. 3041DF CARF MF 14 adotando como diretriz fundamental a tributação da renda conforme o acréscimo patrimonial. Como a fórmula de cálculo do PRL60 irá influenciar na composição da base de cálculo desses tributos, com potencial de redução dos custos dedutíveis na apuração do acréscimo patrimonial tributável, tratase de matéria sob a competência privativa do legislador ordinário. É o que se depreende da Constituição Federal, art. 150, I, e do Código Tributário Nacional, art. 97. A IN 243/2002, por sua vez, é fonte secundária do Direito Tributário, cuja função subalterna é de aclarar ou atribuir maior operacionalidade à norma prescrita pela Lei n. 9.430/96, que é a fonte primária. Notese que nenhuma das partes discorda da função limitada e secundária das Instruções Normativas: essa é uma questão de direito incontroversa nesse processo administrativo. A questão que realmente desafia antagônicas posições neste processo administrativo é saber se a IN 243/02 extravasou os limites da Lei n. 9.430/96, descumprindo a sua função e restando despida de validade. De um lado, a administração fiscal atualmente argumenta que do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00, seria possível abstrair ao mesmo tempo duas diferentes fórmulas, ainda que estas possam conduzir a resultados muito diferentes: a primeira fórmula seria aquela admitida pela IN 32/2001 e, a segunda, que supostamente daria fundamento à IN 243/2002. De outro lado, o contribuinte argumenta que apenas a fórmula indicada pela IN 32/2001 seria compatível com o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00. Assim, nenhuma das partes discorda que as normas prescritas pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com as alterações da Lei n. 9.959/2000, comportam a fórmula indicada pela IN 32/2001 para o cálculo do preço parâmetro apurado pelo método PRL60. A discordância se dá apenas em relação à fórmula prevista pela IN 243/2002, que é diferente. A discordância em questão exige o enfrentamento das seguintes questões: O legislador ordinário poderia outorgar à administração fiscal a escolha de uma entre diversas fórmulas para o cumprimento do método PRL60 de controle de preços de transferência? Se a resposta à questão precedente for positiva, o legislador ordinário efetivamente conferiu à administração fiscal tal outorga na vigência da Lei n. 9.430/96 com as alterações que lhe foram introduzidas com a Lei n. 9.959/2000? Se a resposta à questão precedente for positiva, a IN 243/2001 teria ou não adotado uma das possíveis fórmulas matemáticas comportadas pelos enunciados prescritivos do 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00? 3.1. A (im)possibilidade da outorga de discricionariedade à administração para o preenchimento de regras legais e a Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00. O princípio da legalidade em matéria tributária não requer que todos e quaisquer elementos necessários à operacionalização de uma norma tributária estejam expressa e exaustivamente previstos em lei ordinária. A adoção de cláusulas gerais ou conceitos indeterminados não representa uma ofensa a priori a esse princípio, pois não se pode exigir do Fl. 3042DF CARF MF Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 9101003.417 CSRFT1 Fl. 3.036 15 legislador ordinário o fechamento da totalidade dos conceitos5. Também não se pode afastar, a priori, a possibilidade de o legislador ordinário outorgar à administração fiscal dispor sobre elementos que favoreçam a aplicação da norma tributária, com procedimentos que lhe tornem mais operacionais, palatáveis e socialmente mais eficazes. No entanto, não pode o Poder Legislativo delegar ao Poder Executivo a competência para a seleção dos elementos componentes da hipótese de incidência ou do consequente normativo (obrigação tributária). A indelegabilidade da competência tributária, norma constitucional tão bem delineada na obra de ROQUE ANTONIO CARRAZZA6, impede que o legislador ordinário transfira à administração fiscal a eleição dos critérios componentes da base de cálculo do tributo ou de outros elementos atinentes à ocorrência do fato gerador do tributo, à sua quantificação ou à identificação do sujeito passivo. Como a fórmula de cálculo do PRL60 irá tutelar o controle dos preços de transferência e influenciar na composição do lucro real (IRPJ) e da base de cálculo da CSL, apenas a lei ordinária é competente para prescrever os seus termos. Aceita essa premissa, qualquer divergência de uma instrução normativa em relação à lei deverá ser resolvida com a vitória da lei, pois o legislador ordinário possui a competência privativa e indelegável de decidir sobre o matéria. Logo, diante de uma divergência entre a IN 243/2002 e a Lei n. 9.430/96, esta última deveria ser aplicada sem questionamentos. Uma observação é necessária por dever de ofício: ainda que a assertiva do parágrafo anterior possa ser inconteste, caso o legislador ordinário descumpra o seu dever e delegue a sua competência à administração fiscal para a eleição dos elementos da base de cálculo do IRPJ e da CSL, em tese, os julgadores do CARF, por força regimental, poderiam vir a ser constrangidos ao acatamento dessa lei ordinária e ao cumprimento da norma infralegal, editada diretamente pelo fisco. Ocorre que o RICARF7 reserva ao Poder Judiciário reconhecer inconstitucionalidades. Ao aceitarse tal situação em tese, tornase imediatamente relevante ao julgador administrativo a análise do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, para verificar se, no caso concreto, há em seus enunciados a decisão clara do legislador ordinário de outorgar à administração fiscal a escolha da fórmula inerente ao método PRL60. No entanto, não há outorga expressa do legislador ordinário no art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00, para que a administração fiscal compusesse uma fórmula que “melhor” se prestasse ao controle dos preços de transferência. Pelo contrário, a referida fórmula foi expressamente prescrita pelo legislador ordinário no aludido dispositivo. Conforme evidenciado no tópico “2”, acima, o legislador ordinário conscientemente elegeu a função de cada um dos fatores componente da fórmula para o cálculo do PRL60, não deixando espaço de discricionariedade para a administração fiscal. 5 Nesse sentido, vide: SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. São Paulo : Saraiva, 2012, p. 290 e seg. 6 CARRAZZA, Roque Antonio. Curso de direito constitucional. São Paulo : Ed. Malheiros, 2003, p. 425. “As competências tributárias são indelegáveis. Cada pessoa política recebeu da Constituição a sua, mas não a pode renunciar, nem delegar a terceiros. É livre, até, para deixar de exercitala; não lhe é dado, porém, permitir, mesmo que por meio de lei, que terceira pessoa a encampe.” 7 RICARF, art. 62: “Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade” Fl. 3043DF CARF MF 16 As normas da Lei n. 9.430/96 que prescrevem a fórmula para o cálculo do PRL60 são autoaplicáveis, não tendo a sua eficácia condicionada a instruções normativas ou outros atos infralegais. Por consequência, a administração fiscal tem o dever observar a fórmula compreendida imediatamente da Lei n. 9.430/96 para o cálculo do PRL60. 3.1.1. A tese da pluralidade semântica da Lei 9.430/96 e do papel integrativo da IN 243/2002. Se não houve outorga expressa do legislador ordinário à SRF, o intérprete persistente poderia cogitar da adoção, pelo legislador ordinário, de termos dotados de indeterminação semântica que implicitamente conferiria à administração fiscal a prerrogativa de arquitetar uma nova forma de cálculo do PLR60. Naturalmente tal expediente poderia ser questionado mesmo no âmbito do CARF, pois coerentes argumentos poderiam colocar em dúvida uma delegação implícita de tal nível. Ainda assim, não me furto de expor essa investigação, pois o seu resultado corrobora com a conclusão do presente voto: os enunciados prescritivos da Lei n. 9.430/96 seriam eivados de dubiedade suficiente para comportar pluralidade de fórmulas matemáticas capazes de conduzir a resultados muito diferentes o método PRL60? Um único elemento de dúvida parece surgir dos enunciados prescritivos do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com as alterações que lhe foram introduzidas pela Lei n. 9.959/2000. Ocorre que o legislador ordinário acresceu ao artigo “o” a preposição “de”, no seguinte trecho abaixo sublinhado: “d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção;” Ao que tudo indica, tal fator não altera a conclusão de que a fórmula que decorre imediatamente do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com as alterações da Lei n. 9.959/2000, é aquela indicada pela IN 32/01. Tratase de mero erro de grafia do legislador, que não enseja pluralidade de sentidos quanto aos enunciados em questão. No entanto, a administração fiscal passou a suscitar que a preposição “de” teria o mérito de assegurar que a parcela do valor agregado fosse deduzida do próprio preço de venda e não da base de cálculo da margem de lucro. O passo seguinte a essa assunção seria a restruturação do enunciado prescritivo, para “melhorálo” e tornálo compatível com a fórmula adotada pela IN 243/2002. Notese que o acatamento desse argumento, para a legitimação da IN 243/2001, demanda que o intérprete reordene a forma como as alíneas foram dispostas pelo legislador ordinário no art. 18, II, da Lei n. 9430/96, de modo a excluir a participação de parte do texto do item 1 da alínea “d” e, assim, “criar” uma nova alínea “e”, inexistente no texto aprovado pelo Congresso Nacional. Ou seja, para que a fórmula proposta pela IN 243/2001 pudesse ser suportada pela Lei n. 9.430/96 vigente à época dos fatos, o seu art. 18, II, deveria ser visualizado como se possuísse a seguinte redação: Fl. 3044DF CARF MF Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 9101003.417 CSRFT1 Fl. 3.037 17 (…) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (…) e) do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; A referida tese não esconde a sua complexidade. Concluída essa restruturação do texto da art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, ainda não chegaria à fórmula da IN 243/2002, pois novas concessões ainda deveriam ser feitas para acomodar as inovações na fórmula indicada pela SRF. A IN 243/2002 não assumiria apenas a função que originalmente lhe seria rotineira, de imprimir maior operacionalidade, tornar palatável a sua compreensão aos agentes fiscais. Essa instrução normativa teria função mais sofisticada, de traduzir uma linguagem do legislador ordinário que a todos se apresenta como inteligível, de forma a expressar, de forma escorreita, a verdadeira mensagem que, embora de dificílima compreensão para a sociedade em geral, não teria passado desapercebida aos olhos da SRF. Tal como um oráculo, a IN 243/2002, então, conduz um rearranjo do art. 18, II, da Lei n. 9430/96, com a reconstrução estrutural do texto legal, uma série de novos fatores nas fórmulas “traduzidas” pela IN 243/2002. Em uma espiada muito brusca, o referido exercício pode aparentar tratarse de “interpretação” ou mesmo assumir o propósito de “integração”. Em teoria, no caso, o expediente da integração, tutelado pelo art. 108 do CTN, “pressupõe uma lacuna a ser preenchida, i.e., a falta de decisão do legislador acerca de determinada situação”8. Com isso, uma análise mais acurada evidencia que a IN 243/02 NÃO leva a cabo qualquer expediente de integração, mas realmente inova em matéria inserida no âmbito de competência privativa do legislador ordinário. Não há verdadeira lacuna no art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000. O legislador ordinário efetivamente manifestou decisão consciente quanto à formula a ser adotada para o cálculo do PRL60. A IN 243/02, em verdade, veicula uma segunda fórmula, capaz de alcançar resultados diversos da primeira e, com isso, desviase do plano normativo. Notese que um mero fator textual (acréscimo da preposição “de” ao objeto “o”), não é suficiente para se cogitar que esteja presente uma atribuição do legislador à SRF para que arquitetasse uma fórmula “melhor” ou de qualquer outra forma “diversa” daquela que 8 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. São Paulo : Saraiva, 2012, p. 675 e seg. Fl. 3045DF CARF MF 18 se pode construir imediatamente do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000. É relevante repetir que a referida construção argumentativa, que supostamente daria suporte à IN 243/2002, conduz a uma fórmula muito distinta, com resultados extremamente dispares. Merece destaque o seguinte trecho, do acima referido estudo elaborado por VLADIMIR BELITSKY, in verbis: “3. Quesito. A Procuradoria da Fazenda Nacional argumenta que a fórmula da Lei 9.430 é plurívoca e sugere que a IN 243 apenas decorre de uma das interpretações possíveis da Lei 9.430. Do ponto de vista da matemática, é possível afirmar que a IN 243 apenas interpreta a Lei 9.430? É possível deduzir a fórmula da IN 243 dos comandos contidos na Lei 9.430? Conforme já afirmamos na Constatação 3, não é verdade que a IN 243 é uma interpretação possível da Lei 9.430. Em sua defesa, a Fazenda Nacional emprega a fórmula em situações hipotéticas e dessas situações extrai conclusões genéricas. Essas conclusões são incorretas do ponto de vista matemático.” Na doutrina nacional, uma série de autores se opõe a essa (re)construção. Nesse sentido, LUÍS EDUARDO SCHOUERI9 leciona, in verbis: “7.8.3.5.1. De imediato, devese notar que tal entendimento contrariaria a própria literalidade do método. Afinal, o legislador da Lei n. 9.430/96, com a redação da Lei n. 9.959/00, não acrescentou um quarto método àqueles aceitos para a apuração dos preços de transferência. Ou seja: o artigo 18 da referida Lei continuou contemplando, em seus três incisos, apenas três métodos. Nesse sentido, o que se teve foi, apenas, um desdobramento de um mesmo método: o método denominado, pelo próprio legislador, ‘Preço de Revenda menos Lucro’. Assim, pressupõese, pela literalidade do método, que se apure o preço parâmetro pela fórmula ‘preço de revenda (líquido de tributos, descontos e comissões) menos margem de lucro’. Tivesse o legislador a intenção de modificar a fórmula, para passar a ser fórmula ‘preço de revenda (líquido de tributos, descontos e comissões) menos margem de lucro menos valor agregado’, então no mínimo deveria ele, por coerência, deixar de chamar o método de ‘Preço de Revenda menos Lucro’.” Assim, ainda que se considere possível abstrair mais do que uma fórmula do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, as seguintes constatações são suficientes para a desconsideração da fórmula indicada pela IN 243/2002: não há decisão expressa ou mesmo implícita do legislador ordinário para que a SRF procurasse arquitetar uma fórmula “melhor” do aquela que se compreende imediatamente do texto legal; a interpretação sustentada, que daria suporte à IN 243/2002, parte de uma construção argumentativa complexa, que por si só coloca em dúvida a sua correção; os limites da IN 243/2002 estão adstritos à regulamentação administrativa da aplicação do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, para tornálo mais operacional, possibilitar uma mais palatável 9 SCHOUERI, Luís Eduardo. Preços de transferência no Direito tributário brasileiro. São Paulo : Dialética, 2006, p. 169. Fl. 3046DF CARF MF Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 9101003.417 CSRFT1 Fl. 3.038 19 intelecção pelos agentes fiscais, esclarecer à sociedade interpretações específicas e, assim, dotar a norma legal de maior eficácia social. Qualquer previsão presente na IN 243/2002 que conduza ao incremento de ônus tributário, que não decorra da precedente decisão do legislador ordinário, devem ser desconsideradas. No subtópico seguinte, será analisada sob uma série de perspectivas a (in)compatibilidade da fórmula indicada pela IN 243/2002 com a norma do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96. 3.2. A (in)compatibilidade da fórmula indicada pela IN 243/2002 com a norma do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação da Lei n. 9.959/2000. A fórmula indicada pela IN 243/2002, para o cálculo do método PRL60, é considerada por alguns como uma “melhoria” ao texto veiculado pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96: supostamente, terseia uma fórmula “melhor” para regular a aplicação da legislação de preços de transferência. Tais “melhorias”, no caso, converteriam os “preços de revenda menos lucro” (“PRL”) em “PRLVA” (preço de revenda menos lucro menos valor agregado). Ainda que se considere, por hipótese, que o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, comporta mais do que uma fórmula matemática, seria preciso verificar se a IN 243/2002 teria adotado alguma destas (como sustenta a PFN) ou se teria extravasado os limites a que estaria adstrita (como sustenta o contribuinte). Os subtópicos seguintes apresentam fundamentos que conduzem à conclusão de que a fórmula indicada pela IN 243/96 para o cálculo dos preços de transferência é incompatível com a norma do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação da Lei n. 9.959/2000. 3.2.1. Incompatibilidades formais e a ofensa ao princípio da legalidade aferida por critérios objetivos. Não vem ao caso, nesse subtópico, saber se o comparativo de superioridade que adjetiva a fórmula indicada pela IN 243/02 seria “melhor” ou “pior”. Interessa, aqui, constatar que ambos os adjetivos comparativos pressupõem que a fórmula indicada pela IN 243/02 seja de algum modo ou grau diferente daquela estabelecida no art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000. É por si só relevante ou mesmo decisivo ao julgador aferir que a fórmula indicada pela IN 243/2002 é “diferente” daquela veiculada no art. 18, II, da Lei n. 9.430/96. Ocorre que a Instrução Normativa deveria assumir tão somente a função de tornar mais operacional a norma do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, possibilitar uma mais palatável intelecção pelos agentes fiscais e dotar a norma legal de maior eficácia social. Diante do monopólio reservado ao legislador ordinário para a decisão quanto à fórmula que deve ser adotada para o método PLR60, os pontos de distinção da IN 243/02 em relação à Lei 9.430/96 têm a validade fulminada de plano, reclamando desconsideração pelos aplicadores do Direito. Como se pôde observar no tópio “1”, acima, a Lei n. 9.430/96, com a redação dada pela Lei n. 9.959/2000, NÃO autoriza uma série de elementos constantes na IN 243/2001, em especial: Fl. 3047DF CARF MF 20 a exclusão do valor agregado no Brasil no cálculo do preço parâmetro. Conforme decisão do legislador ordinário, o valor agregado no País deveria ser subtraído do preço líquido de venda apenas para o cálculo da margem de lucro; atribuirse relevância ao percentual de participação dos bens importados no custo total do bem produzido e participação dos bens importados no preço de venda do produzido como fatores determinantes da margem de lucro e do preço parâmetro. Não obstante, por meio da IN 243/2002, a SRF não só tomou a decisão de eleger como fator determinante o percentual de participação dos bens importados no custo total do bem produzido na composição da fórmula de cálculo do PRL60, como também estipulou qual seria esse percentual de participação. Merece destaque o seguinte trecho, do já referido estudo elaborado por VLADIMIR BELITSKY, in verbis: “Constatação 3. A IN não pode seguir como uma direta interpretação da Lei 9.430/96; é inevitável o acréscimo de alguns postulados, pressupostos ou comandos à lei para que desta possa ser derivada a IN 243. Do ponto de vista da lógica matemática, esta constatação é a consequência da combinação de dois fatos já provados acima: de um lado, sabemos (cf. Constatação 2) que a fórmula da IN 243 é diferente da da Lei 9.430/96; de outro lado, sabemos (cf. Constatação 1 e sua demonstração) que cada fórmula é expressão algébrica, única e fiel, do respectivo normativo. Logo, nenhum dos normativos pode ser derivado do outro”. Como o tema em análise envolve fórmulas matemáticas, é contundente o parecer do referido Ph.D em Matemática Aplicada pelo Instituto Tecnológico de Israel e Professor Associado do Instituto de Matemática e Estatística da USP. Se os matemáticos derivam uma determinada fórmula do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, mas uma outra fórmula da IN 243/2002, bem como afirmam que, sob o ponto de vista matemático, “nenhum dos normativos pode ser derivado do outro”, há evidência eloquente de que a Instrução Normativa divergiu da Lei, extravasando o seu âmbito de competência e infringindo a reserva legal. A IN 243/2001, como fonte secundária, teria a função de apenas atribuir maior operacionalidade, clareza e, assim, executar com fidelidade a fonte primária, que é a Lei 9.430/96. No entanto, a IN 243/2002 claramente nega eficácia à decisão do legislador ordinário, que supostamente não teria sido técnico o suficiente e dado ensejo a desequilíbrios. Correta ou não, cabe ao Poder Legislativo o monopólio da decisão sobre como será o controle dos preços de transferência no Direito tributário brasileiro. Antes de 1996, precisamente por decisão do legislador ordinário, sequer havia, no Brasil, qualquer controle sobre os preços de transferência. A ele, legislador ordinário, cabe tratar privativamente sobre a tema em discussão. Fl. 3048DF CARF MF Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 9101003.417 CSRFT1 Fl. 3.039 21 Dessa forma, por obstaculizar que os agentes fiscais executem adequadamente a decisão do legislador ordinário, veiculada pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação dada pela Lei n. 9.959/2000, a IN 243/2001 merece imediata repulsa. Como julgador administrativo, não afastar a aplicação da IN 243/2001 redundaria igualmente em negar eficácia à decisão enunciada pelo único agente competente para prescrever a fórmula de cálculo do PRL60, que é o legislador ordinário. Recusome a isso. Não se trata de saber qual das fórmulas é “melhor”: tratase de respeitar o monopólio da decisão detido pelo legislador ordinário. Esse entendimento encontra fundamento na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, como se observa desse trecho do conhecido voto do Min. ALIOMAR BALEEIRO, no RE 69784, in verbis: “A justiça é uma idéiaforça, no sentido de FOUILLÉ, mas varia no tempo e no espaço, senão de indivíduo. Fixao o legislador e o juiz há de aceitála como um autômato. Inúmeros Acórdãos do Supremo Tribunal Federal, declaram que lhe não é lícito corrigir a justiça intrínseca na lei, substituindose as escolhas do legislador.” A IN 243/2002 realmente violou o princípio da legalidade. Ao adotar fórmula diversa daquela prevista pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96 e extravasar a sua função secundária e meramente regulamentar, a IN 243/2002 majorou tributos com o cerceamento da dedutibilidade do custo de bens, direitos e serviços importados de partes relacionadas e aplicados à produção em território brasileiro. Como a função precípua da CSRF é uniformizar entendimentos divergentes adotados pelas Turmas Ordinárias do CARF, insta observar que há uma série de decisões deste Tribunal que também concluíram ser ilegal a fórmula indicada pela IN 243/02 para o cálculo do método PLR60, como se observa das seguintes ementas: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004 Ementa: AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO DA MATÉRIA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo, implica na desistência de discutir essa matéria na esfera administrativa. Aplicação da Súmula CARF nº 1. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. DEFINITIVIDADE. Considerase definitiva, na esfera administrativa, matéria não expressamente contestada. CÁLCULO DO PREÇO PARÂMETRO. MÉTODO PRL60 PREVISTO EM INSTRUÇÃO NORMATIVA. INAPLICABILIDADE. A função da instrução normativa é de interpretar o dispositivo legal, encontrandose diretamente subordinada ao texto nele contido, não podendo inovar para exigir tributos não previstos em lei. Somente a lei pode estabelecer a incidência ou majoração de tributos. A IN SRF nº 243, de 2002, trouxe inovações na forma do cálculo do preço parâmetro segundo o método PRL60%, ao criar variáveis na composição da fórmula que a lei não previu, concorrendo para a apuração de valores que excederam ao valor do preço parâmetro estabelecido pelo texto legal, o que se conclui pela ilegalidade da respectiva forma de cálculo. (CARF, Acórdão 1202000.835, sessão de 07.08.2012) Fl. 3049DF CARF MF 22 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. LEI. NORMAS COMPLEMENTARES. As normas postas pelo executivo para operacionalizar ou interpretar lei devem estar dentro do que a lei propõe e ser com ela compatível. FÓRMULAS PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. PRL 60%. LEI N° 9.430. IN SRF N°32. IN SRF N°243. A IN SRF n° 32, de 2001, propõe fórmula idêntica a posta pela lei no 9.430, de 1996. A IN SRF n° 243, de 2002, desborda da lei, pois utiliza fórmula diferente da prevista na lei, inclusive mencionando variáveis não cogitadas pela lei. LANÇAMENTO. IN SRF N° 243. Os ajustes feitos com base na fórmula estabelecida na IN SRF n° 243, de 2002, que sejam maiores do que o determinado pela fórmula prevista na lei, não têm base legal e devem ser cancelados. (CARF, Acórdão 1101000.864, sessão de 07.03.2013) Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006 PESSOAS JURÍDICAS. EXTINÇÃO. RESULTADOS NEGATIVOS ACUMULADOS. COMPENSAÇÃO. LIMITE DE 30%. Os arts. 15 e 16 da Lei n° 9.065/95 autorizam a compensação de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas da CSLL acumulados em períodos anteriores, desde que o lucro líquido do período, ajustado pelas adições e exclusões previstas nas legislações daqueles tributos, não seja reduzido em mais de 30%. O limite à compensação aplicase, inclusive, ao período em que ocorrer a extinção da pessoa jurídica, haja vista a inexistência de norma, ainda que implícita, que o excepcione. Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2006 SUCESSÃO. MULTA DE OFÍCIO. IMPOSIÇÃO. Devese afastar a multa de ofício imposta por infração cometida pela sucedida, mas lançada somente após ocorrida a sucessão, quando o Fisco não demonstra que sucedida e sucessora estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. (CARF, Acórdão 1201000.803, sessão de 07.05.2013) Nesse mesmo sentido, há substancial consenso doutrinário quanto ao extravasamento da IN 243/2001 na regulamentação do PLR60. Citese, por exemplo, LUCIANA ROSANOVA GALHARDO e ANA CAROLINA MONGUILOD10, que suscitam, in verbis: “As disposições trazidas pela IN 243/02 têm implicações significativas, provocando um aumento substancial no valor dos ajustes tributáveis (...). Uma alteração na sistemática de cálculo do PRL implica mudança na determinação da base de cálculo do tributo e, consequentemente, do próprio montante tributável. A nosso ver, uma alteração de tal natureza só poderia ser implementada por lei, e não por meio de instrução normativa, sob pena de ofensa ao princípio da legalidade. As instruções normativas são normas secundárias cuja única função é esclarecer as disposições contidas em lei, não podendo nunca inoválas ou contrariálas. A IN 243/02 não poderia validamente alterar o critério legal de apuração do PRL ou contrariar as disposições da Lei n. 9.959/00, mas assim o fez” No mesmo seguir, assim se posiciona GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JR.11, in verbis: 10 GALHARDO, Luciana Rosanova; MONGUILOD, Ana Carolina. A ilegalidade do mecanismo de aplicação do método PRL sob a IN 243/02, in Manual dos Preços de Transferência – celebração dos 10 anos de vigência da lei. São Paulo : MP, 2007, p. 237. 11 MOREIRA JR., Gilberto de Castro. Método do preço de revenda menos lucro no caso de agregação de valor no país. Confronto entre a Lei n. 9.430/1996 e a Instrução Normativa n. 243/2002, in Tributos e Preços de Transferência – 3o Volume. São Paulo : Dialética, 2009, p. 105. Fl. 3050DF CARF MF Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 9101003.417 CSRFT1 Fl. 3.040 23 “Se compararmos as fórmulas acima, é possível verificar que a Instrução Normativa SRF 243/2002 reduziu consideravelmente o preço parâmetro que configura o limite de dedutibilidade para fins de IRPJ e CSLL, o que aumenta a base de cálculo das exações, sem qualquer fundamentação legal, ocasionando uma total incongruência com as disposições contidas na Lei n. 9.430/1996”. Por todos esses fundamentos já expostos, parece certo que a fórmula de cálculo do PRL60 indicada pela IN 243/2002 deve ser desconsiderada. 3.2.2. Incompatibilidades formais e o princípio da anterioridade em matéria tributária. Com o reforma de 2012, empreendida pela Lei n. 12.715 (dez anos após a edição da IN 243/2002), o legislador ordinário finalmente adotou enunciados que claramente prescrevem a adoção de uma fórmula diversa daquela adotada com a Lei n. 9.959/2000, mais apta a lidar com a proporção do insumo importado aplicado na produção nacional. Desse modo, somente após 10 anos da publicação da IN 243/2002 é possível identificar maior respaldo à fórmula então indicada pela SRF. Conforme dispõe a Constituição Federal e o Código Tributário Nacional, alterações legislativas: Como regra, devem respeitar o princípio da irretroatividade sempre que houver agravamento de ônus fiscal (CF, art. 150, III, “a”); Como regra, devem respeitar o princípio da anterioridade sempre que houver agravamento de ônus fiscal (CF, art. 150, III, “b”); Excepcionalmente, podem ter eficácia retroativa “quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados” ou, ainda, quando forem benéficas ao contribuinte (CTN, art. 106). A Lei n. 12.715/2012 inaugurou uma nova sistemática de cálculo do método PLR, com a decisão consciente do legislador de inovar o regime até então vigente e com o assumido potencial de aumento da carga tributária. Diante desse cenário, a fórmula para o cálculo do PRL que se obtém da norma enunciada pelo legislador ordinário na Lei n. 12.715/2012 deverá se submeter a dois corolários básicos do princípio da segurança jurídica: os princípios da anterioridade e da irretroatividade. O art. 78, da Lei n. 12.715/2012, expressamente resguardou a vigência da novel fórmula de cálculo do PLR para o dia 01.01.2013, fazendo referência específica à alteração que introduzira por meio seu art. 48 ao art. 18 da Lei n. 9.430/1996. É o que se observa textualmente na Lei n. 12.715/2012: Art. 48. Os arts. 12, 18, 19 e 22 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a vigorar com a seguinte redação: (…) Fl. 3051DF CARF MF 24 Art. 78. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: (…) § 1. Os arts. 48 e 50 entram em vigor em 1 de janeiro de 2013. Caso a Lei n. 12.715/2012 apenas confirmasse a norma introduzida pela Lei n. 9.959/2000, ratificando os método PLR60 até então vigente sem qualquer incrementar a obrigação tributária, então não seria necessário observar o princípio da anterioridade. Além disso, referida norma poderia ser considerada interpretativa, com efeitos retroativos. Mas não é o caso: por tratarse de decisão consciente do legislador ordinário em alterar a metodologia do PLR com potencial de aumentar o ônus tributário imposto à sociedade, a referida deve respeitar a anterioridade e não pode ser aplicada retroatividade. A exposição de motivos da MP n. 563/2012, que foi convertida na aludida Lei n. 12.715/12, demonstra com nitidez a decisão do legislador em alterar a norma até então vigente para o cálculo do PLR e adotar vacatio legis em respeito ao princípio da anterioridade, de aplicação obrigatória na hipótese de majoração do ônus de IRPJ e CSL: “56. A medida proposta também visa a aperfeiçoar a legislação aplicável ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL no tocante a negócios transnacionais entre pessoas ligadas, visando a reduzir litígios tributários e a contemplar hipóteses e mecanismos não previstos quando da edição da norma, atualizandoa para o ambiente jurídico e de negócios atual. Destarte, a legislação relativa aos controles de preços de transferência aplicáveis a operações de importação, exportação ou de mútuo, empreendidas entre entidades vinculadas, ou entre entidades brasileiras e residentes ou domiciliadas em países ou dependências de tributação favorecida, ou ainda, que gozem de regimes fiscais privilegiados, restará atualizada e aperfeiçoada com as alterações propostas. (...) 61. Como fruto de toda a experiência até então angariada no que concerne à aplicação de referidos controles, com o intuito de minimizar a litigiosidade FiscoContribuinte até então observada, e objetivando alcançar maior efetividade dos controles em questão, propõese alterações na legislação de regência. (...) 63. Como algumas das alterações introduzidas pelos arts. 38 e 40 da Medida Provisória podem implicar em aumento do tributo, em atenção ao princípio da anterioridade, foi estabelecido que a produção de efeitos ocorreria em 2013. O art. 42 do Projeto Medida Provisória possibilita que a pessoa jurídica opte pela aplicação das disposições contidas nos arts. 38 e 40 na apuração das regras de preços de transferência relativas ao anocalendário de 2012. A opção implicará na obrigatoriedade de observância de todas as alterações introduzidas pelos arts. 38 e 40.” Assim, se a Lei n. 12.715/2012 apresenta alguma eficácia interpretativa, seria a de esclarecer que a fórmula adotada pela IN 243/2002 não encontrava fundamento de validade na vigência do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000, devendo ser mantida a incontroversa fórmula indicada pela IN 32/2001. Para o período relevante, é preciso reconhecer que a IN 243/2002 extravasou os limites a que estaria adstrita. É necessário aplicar diretamente a norma prescrita pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000, tal como interpretada pela IN 32/2001, que restou incontroversa. Fl. 3052DF CARF MF Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 9101003.417 CSRFT1 Fl. 3.041 25 3.2.3. Incompatibilidades materiais e a ofensa ao princípio da igualdade e da capacidade contributiva. Embora evidências matemáticas e demais constatações expostos nos subtópicos anteriores sejam suficientes para o afastamento da fórmula indicada pela IN 243/02 para o cálculo do PRL60, há ainda outras evidências jurídicas que justificam a desconsideração do ato infralegal. Tais evidências defluem de seu conteúdo, representando incompatibilidades materiais da IN 243/02 em face da Lei n. 9.430/96, com a redação dada pela Lei n. 9.959/2000. A administração fiscal deve agir nos estritos limites normativos atinentes à matéria dos preços de transferência, respeitando os princípios e regras consagrados pelo legislador ordinário. E há, no caso da legislação dos preços de transferência, princípios e regras que não podem ser ignorados, especialmente pertinente à igualdade tributária e à capacidade contributiva. Nesse ponto, é importante fazer referência à seguinte passagem do estudo de LUÍS EDUARDO SCHOUERI12, que bem sintetiza alguns dos elementos essenciais para a solução do recurso especial em análise, in verbis “1.3.9. É, pois, sob pena de caracterizar o arbítrio, que o legislador se vê obrigado a eleger princípios e, uma vez escolhidos, aplicálos conscientemente. 1.3.10. Especialmente em matéria tributária, surge como princípio parâmetro, escolhido pelo próprio constituinte, a capacidade contributiva. Nesse sentido, deve a tributação partir de uma comparação das capacidades econômicas dos potenciais contribuintes, exigindose tributo igual de contribuinte em equivalente situação. Por óbvio, tal princípio somente se concretiza quando é possível compararemse os contribuintes. 1.3.11. No caso de transações entre pessoas vinculadas, entretanto, as realidades econômicas comparadas são diversas, frustrandose qualquer comparação. 1.3.12. A diversidade acima apontada resulta da circunstância de as transações entre partes vinculadas não terem passado pelo mercado, como o fizeram as empresas independentes. 1.3.13. Assim, podese dizer que enquanto a moeda constante nas contas das empresas com transações controladas está expressa em unidades ‘reais de grupo’, empresas independentes têm seus resultados expressos em ‘reais de mercado’. 1.3.14. Nesta perspectiva, o papel da legislação de preços de transferência é apenas ‘converter’ valores expressos em ‘reais de grupo’ para ‘reais de mercado’, possibilitando, daí, uma efetiva comparação entre contribuintes com igual capacidade econômica. 1.3.15. Nesse sentido, verificase que a legislação de preços de transferência não distorce resultados da empresa. Apenas ‘converte’ para uma mesma unidade de referência (‘reais de mercado’) a mesma realidade expressa noutra unidade. 1.3.16. Nesse contexto, as disposições de controle de preços de transferência da Lei n. 9.430/96 somente se justificam caso corroborem essa conversão acima referida, o que se dá mediante a aplicação do princípio arm’s length, que será verificado mais profundamente nos capítulos posteriores. Vale dizer, caso a aplicação da lei ou de sua regulamentação em um caso 12 SCHOUERI, Luís Eduardo. Preços de transferência no Direito tributário brasileiro. São Paulo : Dialética, 2006, p. 1415. Fl. 3053DF CARF MF 26 concreto extrapole os limites dessa conversão, isso deverá ser considerado uma desobediência ao princípio constitucional da igualdade e da capacidade contributiva e, portanto, a aplicação nesse caso deverá ser corrigida ou até mesmo desconsiderada.” (negrito acrescido ao original) É fundamental para a matéria em análise, então, compreender que a legislação brasileira dos preços de transferência busca precisamente neutralizar a desigualdade nas operações entre partes vinculadas. Nos casos em que o método PLR60 seriam aplicáveis, a aludida norma se voltaria exclusivamente às operações de importação realizadas por empresas vinculadas e que, por meio de ajuste de preços de venda de bens, serviços ou direitos, apresentassem a potencialidade de transferir resultados ao exterior sem a correspondente tributação. Se era esse o objetivo do legislador ordinário, é de difícil aceitação que o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96 teria prescrito critérios de eliminação de desigualdades tão voláteis e indeterminados que possibilitassem à administração fiscal exigir ajustes a partir preços parâmetros compreendidos em um intervalo de “ R$10,00” a “R$ 70,00”. Ocorre que o princípio da igualdade vivificado pelo padrão arm’s length, pressupõe a eleição consciente, pelo legislador ordinário, de critérios de distinção aptos a tratar semelhantes de forma equivalente, com os ajustes que se façam necessários na base de cálculo do IRPJ e CSL para a corrigir diferenciações injustificadas. A tese de que, dos enunciados do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, seria possível abstrair duas fórmulas capazes de conduzir a preços parâmetros tão dispares (“10,00” ou “70,00”, por exemplo), conflita por si só com o princípio da igualdade, pois torna insustentável a sua concretização. Na verdade, o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, efetivamente elegeu expressamente os critérios de distinção que, conforme a sua decisão, seriam aptos para vivificar o princípio da igualdade e da capacidade contributiva. A “segunda fórmula” indicada pela IN 243/2002, então, enfraquece arbitrariamente o princípio da igualdade, pois nega eficácia jurídica ao critérios de distinção eleitos pelo legislador ordinário (art. 18, II, da Lei n. 9.430/96), a quem compete o monopólio da decisão quanto à fórmula que deve ser adotada para o método PLR60. Nesse seguir, ao advogar que a Lei n. 9.430/96 teria concedido tamanha discricionariedade à administração, a PFN pode estar suscitando a ocorrência de delegação de competência tributária, o que é vedado pela Constituição Federal (art. 150) e pelo CTN (art. 97). Se a lei tivesse permitido a adoção de fórmulas que tão dispares, possivelmente a constitucionalidade de tal lei poderia inclusive vir a ser questionada perante o Poder Judiciário. 3.2.4. Incompatibilidades materiais e a falácia dos “fins” que justificariam os “meios”. O julgamento do presente recurso especial pode dar ensejo a um deslize no processo de concretização do Estado de Direito: relativizar o princípio da legalidade (meio), para que o Brasil conte com uma norma de preço de transferência supostamente “melhor” e vocacionada a aferir adequadamente os preços de mercado, inclusive com a consideração proporcional dos insumos importados de partes vinculadas (fins). Como já se constatou acima, esse argumento de que “os fins justificam os meios” esbarra no princípio da estrita legalidade em matéria tributária. No entanto, tendo em vista a importância do tema, não se pode deixar de investigar se os referidos “fins” apregoados para a legitimação da IN 243/2002 realmente teriam potencial de concretização. Fl. 3054DF CARF MF Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 9101003.417 CSRFT1 Fl. 3.042 27 Sob a perspectiva matemática, o estudo desenvolvido pelo Prof. Dr. VLADIMIR BELITSKY, acima citado, apresentou as seguintes conclusões: “2. Quesito. A Fazenda Nacional alega que a fórmula da IN 243 corrige defeitos da Lei 9.430. Essa afirmação é correta do ponto de vista da matemática? Não. Essa manobra é parecida com os argumentos desvendados no quesito anterior, mas ela precisa ser tratada separadamente pois a derivação de sua conclusão é mais complexa. Na essência do método, mostrase que a fórmula da Lei 9.430 apresenta falhas as quais são corrigidas na fórmula da IN 243. A inadequação deste método como argumento em prol da eficácia da IN 243 está na omissão do fato de que a fórmula definida por esse normativo possui falhas semelhantes às da fórmula da Lei 9.430.” Também merece destaque o seguinte trecho, colhido da citada “Constatação 5” do mesmo estudo, in verbis: “(i) a fórmula da IN 243 resulta no valor de PP menor que o valor declarado do bem importado se e somente se a margem de lucro em cima de todos os insumos em conjunto for de 60%; (ii) a fórmula da IN 243 resulta no valor de PP igual ao valor declarado do bem importado se e somente se a margem de lucro em cima de todos os insumos em conjunto for menor que 60%; (iii) a fórmula da IN 243 resulta no valor de PP maior que o valor declarado do bem importado se e somente se a margem de lucro em cima de todos os insumos em conjunto for maior que 60%;” Notese, ainda, a conclusão do mesmo matemático em relação a esse outro quesito que lhe foi apresentado, in verbis: “1. Quesito. A Fazenda Nacional alega que a aplicação da IN 243 pode ser benéfica aos contribuintes. Essa afirmação tem sustentação matemática? A alegação da Fazenda Nacional de que ‘... a metodologia prevista na IN SRF n. 243/2002 pode ser considerada benéfica ao importador’ (...) está errada pois sabemos, conforme provado em minha Constatação 5, que a fórmula da IN 243 acarreta ajuste tributário e, consequentemente, tributação, toda vez que a lucratividade da produção for inferior a 60%. (...)” Conclui o matemático que “a fórmula da IN 243 falha em apurar o valor justo do Preço Parâmetro a partir de valores de produtos corretamente declarados pelo contribuinte quando a margem de lucro efetiva sobre o PLV for menor que 60%”. A evidência matemática, então, aclara que a fórmula indicada pela IN 243/2002 não soluciona problemas presentes na fórmula legal, imediatamente construída a partir do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação dada pela Lei n. 9.959/2000. Além disso, como evidenciou o matemático, a fórmula da IN 243/2002 tem o potencial de agravar o ônus fiscal sobre o contribuinte. Assim, se a IN 243/02 apresenta outros vícios, inclusive formais, que justificam a sua desconsideração para a apuração do PRL60, também é possível observar vícios materiais que a tornam imprópria para o controle dos preços de transferência. Fl. 3055DF CARF MF 28 4. Conclusões Por todo o exposto, há evidências mais do que suficientes para se afirmar que a fórmula indicada pela IN 243/2002 descumpre com o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000. Se há uma “segunda fórmula” alternativa àquela da IN 32/2001, que se adeque à moldura prescrita pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, não se trata da fórmula indicada pela IN 243/2002. Voto, assim, para DAR PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Voto Vencedor Conselheira Cristiane Silva Costa, Redatora designada Com a devida vênia ao voto do Relator, entendo pela improcedência do recurso especial. A definição de preços de transferência tem por finalidade minimizar a manipulação dos preços praticados entre pessoas vinculadas, que pudesse implicar na transferência de lucros para o exterior. A questão que se discute no recurso especial ora analisado é se a IN SRF 243/2002 ultrapassa a imposição tributaria estabelecida pela Lei nº 9430/1996, que definiu a forma de cálculo do método PRL (Preço de Revenda Menos Lucro). Destacase o teor do artigo 18 e seguintes da Lei nº 9.430/1996: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor Fl. 3056DF CARF MF Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 9101003.417 CSRFT1 Fl. 3.043 29 agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) (destaques nossos) Os contribuintes questionam a proporcionalização, explicitada pela Instrução Normativa SRF 243/2002, da forma seguinte: Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. § 1º Os preços de revenda, a serem considerados, serão os praticados pela própria empresa importadora, em operações de venda a varejo e no atacado, com compradores, pessoas físicas ou jurídicas, que não sejam a ela vinculados. § 2º Os preços médios de aquisição e revenda serão ponderados em função das quantidades negociadas. § 3º Na determinação da média ponderada dos preços, serão computados os valores e as quantidades relativos aos estoques existentes no início do período de apuração. § 4º Para efeito desse método, a média aritmética ponderada do preço será determinada computandose as operações de revenda praticadas desde a data da aquisição até a data do encerramento do período de apuração. (...) § 8º A margem de lucro a que se refere a alínea "a" do inciso IV do caput será aplicada sobre o preço de revenda, constante da nota fiscal, excluídos, exclusivamente, os descontos incondicionais concedidos. § 9º O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento somente será aplicado nas hipóteses em que, no País, não haja agregação de valor ao custo dos bens, serviços ou direitos importados, Fl. 3057DF CARF MF 30 configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos bens, serviços ou direitos importados. § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção. § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. A Instrução Normativa anterior (IN SRF 32/2001) atribuía interpretação distinta na definição do Preço Parâmetro, ao dispor: Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: Fl. 3058DF CARF MF Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 9101003.417 CSRFT1 Fl. 3.044 31 a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. (...) § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. Primeira consideração necessária é sobre a alteração interpretativa efetuada pelo IN SRF 243/2002, quando comparada com a interpretação consagrada pela IN SRF 32/2001. A alteração assegura aos contribuintes a aplicação da interpretação anterior aos fatos geradores ocorridos antes da edição da IN SRF 243/2002, nos termos do artigo 146, do Código Tributário Nacional. Não obstante isso, a interpretação da IN SRF 32/2001 não é a única e sequer a mais adequada, na interpretação da Lei nº 9.430/1996. Exatamente por isso é procedente a autuação fiscal, pautada nas disposições da IN SRF 243, que proporcionaliza o preço parâmetro ao bem importado aplicado à produção, em regramento conformado aos ditames da Lei nº 9.430/1996. Fl. 3059DF CARF MF 32 Nesse sentido, decidiu esta Turma da CSRF em diversos precedentes, como no acórdão nº 9101002.175, de relatoria do exConselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, cuja fundamentação adoto: Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência Colacionamos trecho do voto do exConselheiro pertinentes para explicitar o racional pela legalidade da IN 243: Com isto, vemos claro que margem de lucro não se confunde com valor agregado. A margem de lucro, em condições normais, está sujeita às condições de livre mercado. Agregar significa juntar com outro, reunir a algo existente. Agregar valor é acrescentar utilidade, qualidade ou mesmo aparência ou beleza a algo que já existe. O grau de utilidade, qualidade ou beleza é subjetivo e depende do interesse que a clientela tem no produto. E isto vai influenciar na margem de lucro, mas não no valor agregado. O valor agregado transforma um produto original e o custo desta transformação aumenta o seu custo original e, assim, deve ser mensurado economicamente para compor o preço, como acima definido. O direito tributário somente pode ser aplicado sobre hipóteses de incidência que prescrevam atividades econômicas objetivas. Assim, não se pode tributar a utilidade, a qualidade ou a beleza, mas sim os fatos econômicos decorrentes. E o IRPJ/CSLL é pautado pelo Lucro, ou seja, um instituto econômico objetivo. O lucro é composto de vendas menos custo, portanto, o valor agregado, no caso de tributação de IRPJ/CSLL pelo preço de transferência é um custo e não margem de lucro. (...) Vejase que a metodologia do Preço de Revenda menos Lucro (PRL) universalmente utilizada, indica que se deve ter como base o preço de revenda do bem importado, para se calcular o preço parâmetro, pois é a margem de lucro (de operações entre partes não relacionadas) que é tida como parâmetro para servir de comparação, mas se houver outros custos ou riscos (que corresponde ao valor agregado) isto deve ser considerado devidamente e segregado. Portanto, quando o bem importado sofre agregação de valor transformando num outro produto, o valor agregado deve ser diminuído ou deduzido do valor de venda do produto para se encontrar o valor de venda individual do bem importado, sobre o qual se aplica uma margem de lucro para se encontrar o valor que se deseja comparar com o custo do bem importado, conforme estipula a metodologia da IN 243/02 que, porém, usa margens fixas ao invés de usar margens de lucro comparadas, como é caso do Manual da OCDE. Esta metodologia é corroborada no Manual de Preços de Fl. 3060DF CARF MF Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 9101003.417 CSRFT1 Fl. 3.045 33 Transferência para Países em Desenvolvimento da ONU que, inclusive, traz especificamente a metodologia brasileira, com as margens fixas para o PRL.1 De lembrar que embora o Brasil não seja membro da OCDE, é membro da ONU. Vejase que se os outros custos não forem devidamente isolados no cálculo do preço parâmetro podese chegar a números absurdos (e esta segregação é feita por meio da proporcionalização do custo) (...) Se o bem importado teve valor agregado no país transformandoo num outro produto, tal valor deve ser diminuído ou deduzido do valor de venda do produto para se encontrar o valor de venda individual do bem importado, o que é feito pela proporcionalização de sua participação do custo do bem, sobre o qual se aplica uma margem de lucro (no caso definida em lei ordinária) para se encontrar o valor que se deseja comparar com o custo do bem importado. São também precisas considerações do exConselheiro Wilson Fernandes Guimarães, em voto proferido a respeito do tema, em um dos processos em julgamento na presente reunião: O que a legislação de preços de transferência objetiva, portanto, é identificar, por meio de métodos matemáticos, o custo (no caso da importação) efetivo de determinado bem, serviço ou direito, caso a operação não seja realizada com pessoa vinculada ou com pessoa situada em país ou dependência com tributação favorecida ou cuja legislação interna oponha sigilo à divulgação de informações referentes à sua constituição societária ou titularidade. Observase que, no método em debate (PRL 60), o legislador partiu do preço de revenda para chegar ao custo. Assim, me parece razoável que se possa buscar a expressão matemática do preço parâmetro por meio do caminho inverso, isto é, através dos elementos formadores do preço. Em elevada sintetização, a formação de preços consiste em um processo de acumulação de custos, acrescida de uma margem de lucro. Admitida uma liberdade terminológica, isto é, abandonado o rigor dos conceitos próprios da teoria econômica, podese afirmar que o preço praticado por determinado unidade produtiva resulta da soma dos custos totais incorridos no processo produtivo, incluídos aí a remuneração dos fatores de produção (valor agregado), acrescidos de uma margem de lucro. A grosso modo, o preço de venda (PV) de um determinado produto poderia ser assim determinado: PV = custo de importação dos insumos + custo incorrido no processo produtivo (remuneração de fatores = valor agregado) + impostos, descontos incondicionais, comissões, etc. (despesas fixas e variáveis) + margem de lucro. No caso da aplicação do método do Preço de Revenda menos Lucro a insumo importado utilizado no processo produtivo, o preço parâmetro representa o custo de importação livre dos Fl. 3061DF CARF MF 34 elementos previstos na lei como integrantes do preço de revenda. Daí que se considera esse preço de revenda diminuído dos descontos incondicionais; dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; das comissões e corretagens pagas; da margem de lucro fixada pela lei (60% sobre o preço de revenda após deduzidos os descontos incondicionais, os impostos e contribuições incidentes sobre as vendas e as comissões e corretagens pagas); e do valor agregado do país. Exprimindo matematicamente esta primeira análise, teríamos: PP = PR – C/D – ML (PR – C/D) – VA Onde: PP = Preço Parâmetro; C/D = Custos e Despesas previstos na lei; ML = Margem de Lucro VA = Valor Agregado Considerando “PR – C/D” como Preço Líquido de Revenda (PLV), teríamos: PP = PLV – ML (PLV) – VA Vêse, pois, que, na metodologia do PRL, a determinação do preço parâmetro parte do preço de revenda para, excluindo os elementos formadores deste mesmo preço (custos e despesas incorridos; margem de lucro; e valor agregado) chegar ao valor de comparação estipulado pela lei. Noutra vertente, utilizandose a mesma nomenclatura acima, o preço parâmetro sugerido pelas Instruções Normativas anteriores à edição da IN 243, na interpretação que tem sido emprestada em variadas teses de defesa, seria expresso da seguinte forma: PP = PLV – ML (PLV – VA) ou PP = PLV – ML (PLV) + ML (VA) Notese que, neste caso, o preço de comparação (preço parâmetro), que deveria representar o preço de revenda diminuído dos seus elementos formadores, passa a ser o preço de revenda diminuído dos custos e despesas incorridos e da margem de lucro incidente sobre ele, porém, acrescido da margem de lucro incidente sobre o valor agregado, o que, à evidência, revela artificialismo na sua determinação e desvio em relação ao pretendido pela lei. (...) Creio não restar dúvida que a Instrução Normativa 243/2002 revela interpretação distinta da que foi feita pela a que lhe antecedeu (Instrução Normativa SRF nº 32, de 2001), mas isso não autoriza a conclusão de que a interpretação anterior estava em conformidade com a lei e a atual representou inovação. Ao contrário, como anteriormente demonstrado a interpretação trazida pela Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, é a que Fl. 3062DF CARF MF Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 9101003.417 CSRFT1 Fl. 3.046 35 melhor traduz os comandos estampados no art. 18 da Lei nº 9.430/96, vez que revela com maior precisão o objetivo almejado pelo referido diploma legal. No que diz respeito à proporcionalização trazida pela IN 243, penso que a questão é de ordem puramente matemática (e não jurídica), que empresta maior exatidão na determinação do preço parâmetro. Tratandose de comparação de custos (CUSTO LEGAL/PREÇO PARÂMETRO X CUSTO APROPRIADO), resta evidente que eu não posso confrontar o custo do insumo (PARTE DO PRODUTO) com o custo total do produto. A proporcionalização em comento produz a exclusão in totum do valor agregado, permitindo, assim, a explicitação mais adequada do preço parâmetro. Releva notar que os efeitos econômicos decorrentes da aplicação do método PRL 60, residem, essencialmente, na fixação, pela lei, da margem de lucro de 60%, matéria em relação a qual, ao menos em seara administrativa, a autoridade julgadora não pode se desviar do estabelecido em lei. Esclareço que, aqui, não se está negando eventuais efeitos negativos, do ponto de vista econômico, da fórmula estampada na IN 243, mas, apenas, destacando que ela retrata de forma fiel o estabelecido pela lei de regência. (Processo Administrativo nº 16561.72006/201142, acórdão nº 1301001.983). Diante deste quadro, e adotando as razões acima reproduzidas, voto por negar provimento ao recurso especial. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 3063DF CARF MF
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Numero do processo: 16004.001027/2009-66
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL E NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. CABIMENTO.
A escrituração que contenha vícios e não reflita toda a movimentação da empresa implica o arbitramento do lucro, assim como a não apresentação, pela interessada, dos livros previstos pela legislação ou de qualquer outro documento para o qual tenha sido devidamente intimada, exige a adoção dos procedimentos previstos no artigo 530 do Decreto n. 3000/99.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006, 2007
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERESSE COMUM. ASPECTOS ECONÔMICO E JURÍDICO.
São solidariamente obrigadas aquelas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Pessoas atuando de maneira concorrente, valendo-se de construções artificiais e ardilosas para se esquivar de obrigações tributárias, são atraídas para o pólo passivo da obrigação tributária, vez que se caracteriza o interesse tanto econômico quanto jurídico, implicando na solidariedade prevista no art. 124, inciso I do CTN.
PIS E COFINS. FATO GERADOR. APURAÇÃO MENSAL.
O fato gerador do PIS e da COFINS é apurado mensalmente, sendo descabida a incidência dessas contribuições sobre o valor total da receita no fechamento do trimestre.
Numero da decisão: 9101-003.379
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte, apenas em relação à matéria arbitramento do lucro, nos termos do despacho de agravo e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial dos responsáveis solidários, Srs. Ernesto Lúcio Calegare, Walter Lúcio Calegare, Otávio Hernandez Juliato e Hélio Lúcio Roveri, apenas em relação à responsabilidade tributária com fundamento no art. 124, I do CTN, nos termos do despacho de agravo e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Em relação ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, acordam, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Rafael Vidal de Araújo, que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego Presidente
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL E NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. CABIMENTO. A escrituração que contenha vícios e não reflita toda a movimentação da empresa implica o arbitramento do lucro, assim como a não apresentação, pela interessada, dos livros previstos pela legislação ou de qualquer outro documento para o qual tenha sido devidamente intimada, exige a adoção dos procedimentos previstos no artigo 530 do Decreto n. 3000/99. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERESSE COMUM. ASPECTOS ECONÔMICO E JURÍDICO. São solidariamente obrigadas aquelas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Pessoas atuando de maneira concorrente, valendose de construções artificiais e ardilosas para se esquivar de obrigações tributárias, são atraídas para o pólo passivo da obrigação tributária, vez que se caracteriza o interesse tanto econômico quanto jurídico, implicando na solidariedade prevista no art. 124, inciso I do CTN. PIS E COFINS. FATO GERADOR. APURAÇÃO MENSAL. O fato gerador do PIS e da COFINS é apurado mensalmente, sendo descabida a incidência dessas contribuições sobre o valor total da receita no fechamento do trimestre. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 10 27 /2 00 9- 66 Fl. 5366DF CARF MF Processo nº 16004.001027/200966 Acórdão n.º 9101003.379 CSRFT1 Fl. 5.367 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte, apenas em relação à matéria arbitramento do lucro, nos termos do despacho de agravo e, no mérito, em negarlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial dos responsáveis solidários, Srs. Ernesto Lúcio Calegare, Walter Lúcio Calegare, Otávio Hernandez Juliato e Hélio Lúcio Roveri, apenas em relação à responsabilidade tributária com fundamento no art. 124, I do CTN, nos termos do despacho de agravo e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Em relação ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, acordam, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Rafael Vidal de Araújo, que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego – Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo. Relatório São Recursos Especiais interpostos por (i) Cinco Estrelas Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda. ("Contribuinte"), na qualidade de sujeito passivo direto (efls. 4873/4882), (ii) Ernesto Lúcio Calegare, Walter Lúcio Calegare, Otavio Hernandez Juliato e Hélio Lúcio Roveri, na qualidade de sujeitos passivos indiretos (efls. 5005/5016), e (iii) pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ("PGFN") (efls. 4836 e segs.), em face da decisão proferida no Acórdão nº 1401001.541 (efls. 4.810 e segs.), pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 10/12/15, no qual foi negado provimento ao recurso de ofício e mantida a exclusão dos lançamentos de PIS e COFINS efetuados sob o período de apuração trimestral, e dado parcial provimento aos recursos voluntários para desqualificar a multa de ofício para a infração relativa a receitas já declaradas. Resumo Processual A autuação fiscal (efls. 693/764) teve como origem a Operação "Grandes Lagos” e promoveu o arbitramento do lucro considerando a omissão de receita com base em depósitos bancários não comprovados e a receita da atividade originalmente declarada, com a correspondente aplicação de multas qualificadas (150%). Foram apurados IRPJ, CSLL, PIS e Fl. 5367DF CARF MF Processo nº 16004.001027/200966 Acórdão n.º 9101003.379 CSRFT1 Fl. 5.368 3 Cofins correspondentes aos anoscalendário de 2006 e 2007. Foram atribuídas responsabilidades solidárias às pessoas físicas ERNESTO LÚCIO CALEGARE, WALTER LÚCIO CALEGARE, OTÁVIO HERNANDEZ JULIATO e HÉLIO LÚCIO ROVERI, bem como à pessoa jurídica FRIGOPOTI FRIGORÍFICO POTI LTDA. Foram apresentadas impugnações pela Contribuinte e os sujeitos passivos indiretos FRIGOPOTI, HÉLIO LUCIO ROVERI, OTÁVIO HERNANDEZ JULIATO, ERNESTO LÚCIO CALEGARE E WALTER LÚCIO CALEGARE. A decisão de primeira instância (efls. 4606/4626) julgou procedente em parte as impugnações para excluir o PIS e a COFINS lançados sob regime de apuração trimestral. Foi efetuada remessa necessária (recurso de ofício) em razão do crédito tributário exonerado. Foram interpostos recursos voluntários pela Contribuinte e sujeitos passivos indiretos. A 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção do CARF (efls. 4.810/4834) negou provimento ao recurso de ofício e deu provimento parcial ao recurso voluntário para desqualificar a multa de ofício em relação à infração de receitas declaradas. Foi interposto recurso especial pela PGFN (efls. 4836 e segs) para a matéria PIS e COFINS sob apuração trimestral, que foi admitido por despacho de exame de admissibilidade (efls. 4845/4850). Foram apresentadas contrarrazões pela Contribuinte (efls. 4866/4867). Foram interpostos recursos especiais pela (i) Contribuinte, efls. 4873/4882; (ii) pelos sujeitos passivos indiretos pessoas físicas ERNESTO LÚCIO CALEGARE, WALTER LÚCIO CALEGARE, OTÁVIO HERNANDEZ JULIATO e HÉLIO LÚCIO ROVERI (efls. 5005/5016) e (iii) pelo sujeito passivo indireto pessoa jurídica FRIGOPOTI FRIGORÍFICO POTI LTDA (efls. 4954/4962). Os despachos de exame de admissibilidade de efls. 5061/5087 negaram seguimento aos recursos. Foram apresentados agravos pelas partes. O despacho de exame de agravo (efls. 5298/5312) rejeitou o agravo da FRIGOPOTI FRIGORÍFICO POTI LTDA, e acolheu parcialmente os agravos da Contribuinte para devolver a matéria "arbitramento do lucro em caso de movimentação financeira não escriturada" e de ERNESTO LÚCIO CALEGARE, WALTER LÚCIO CALEGARE, OTÁVIO HERNANDEZ JULIATO e HÉLIO LÚCIO ROVERI para devolver a matéria "responsabilidade tributária com fundamento no art. 124, I do CTN". A PGFN apresentou contrarrazões (efls. 5314/5321). Foram opostos embargos de declaração pela FRIGOPOTI FRIGORÍFICO POTI LTDA que não foram conhecidos pela Presidência do CARF (efls. 5357/5359). Na sequência, maiores detalhes sobre a autuação fiscal. Da Autuação Fiscal O Termo de Verificação Fiscal discorre sobre as infrações nos seguintes termos: Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima identificado, constatou a autoridade que a escrituração por ele mantida é imprestável para determinação do lucro real, em Fl. 5368DF CARF MF Processo nº 16004.001027/200966 Acórdão n.º 9101003.379 CSRFT1 Fl. 5.369 4 virtude de erros e falhas, razão pela qual seu lucro foi arbitrado. Apurou, ainda, omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Em conseqüência, foram lavrados autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. (...) Conforme esclarece o “Termo de Constatação e Descrição dos Fatos” de fls. 703/715, a CINCO ESTRELAS DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS LTDA (doravante apenas CINCO ESTRELAS) foi constituída em 01/05/2005, tendo como sócios a empresa LUNAR TRADING INC (90% das quotas do capital social), sediada no Panamá, e o Sr. Hélio Lúcio Roveri. A CINCO ESTRELAS foi constituída por sucessão da empresa individual HÉLIO LÚCIO ROVERI ME. Em 22/06/2006, o Sr. Miguel Pizza Junior, ingressou na CINCO ESTRELAS, adquirindo, por R$ 18.000,00, as quotas da LUNAR TRADING INC. Quando dessa alteração no quadro social, a CINCO ESTRELAS faturava mais de R$ 2.000.000,00 ao mês. O Sr. Miguel é gerente do FRIGOPOTI – FRIGORÍFICO POTI LTDA (doravante apenas FRIGOPOTI), empresa proprietária das instalações e equipamentos utilizados pela CINCO ESTRELAS, tendo recebido salário mensal de R$ 2.650,00 no ano de 2008. Ele não possui bens móveis e imóveis registrados em seu nome e não recebeu rendimento tributável ou distribuição de lucros da CINCO ESTRELAS. Além disso, o Sr. Miguel reside em imóvel alugado em Potirendaba/SP, cujo fiador é o Sr. Ernesto Lúcio Calegare, sócio do FRIGOPOTI. Diante de todas essas evidências, conclui a autoridade autuante que o Sr. Miguel Pizza Junior é sócio “laranja” da CINCO ESTRELAS. O Sr. Hélio Lúcio Roveri, titular de 10% das quotas do capital social da CINCO ESTRELAS, é cunhado do Sr. Ernesto Lúcio Calegare, sócio principal do FRIGOPOTI. Os rendimentos declarados pelo Sr. Hélio são inferiores a R$ 10.000,00 anuais. Ele é titular de um único imóvel e não possui veículos registrados em seu nome ou no do cônjuge. A CINCO ESTRELAS está instalada em uma sala, no centro de Catanduva/SP, locada para o Sr. Hélio Roveri, e o telefone da empresa pertence à HÉLIO LUCIO ROVERI – ME. Nos anos de 2006 e 2007, a CINCO ESTRELAS faturou, respectivamente, R$ 30.222.113,89 e R$ 39.892.298,38, mas não informou débitos nas DCTFs apresentadas e não consta recolhimento de tributos, com exceção de pequenos valores de IRRF. Fl. 5369DF CARF MF Processo nº 16004.001027/200966 Acórdão n.º 9101003.379 CSRFT1 Fl. 5.370 5 A CINCO ESTRELAS apresentou um contrato de arrendamento, firmado com o FRIGOPOTI, datado de 19/03/2006, por meio do qual aquela pagaria a esta o conjunto de barrigada branca e vermelha e os resíduos para fabricação de farinha de carne. A propósito da execução desses pagamentos, foram lavrados diversos autos de infrações pela Sefaz/SP, em virtude da falta de documentos de transferências dos produtos que supostamente serviriam para pagamento do arrendamento das instalações, além de outras irregularidades como falta de notas fiscais de venda de mercadorias. Constatou a autoridade autuante que a CINCO ESTRELAS efetuou diversas vendas de couro para a empresa COUROADA COMERCIAL E REPRESENTAÇÕES LTDA (doravante apenas COUROADA), mas os pagamentos foram destinados ao FRIGOPOTI. Há, também, pagamentos da CINCO ESTRELAS para o Sr. Ernesto Lucio Calegare, sócio do FRIGOPOTI, e para a DISCAR DISTRIBUIDORA DE CARNES CATANDUVA LTDA (doravante apenas DISCAR), na qual o Sr. Ernesto também é sócio. Da mesma forma, há pagamentos do FRIGOPOTI e da DISCAR para a CINCO ESTRELAS. Diante desses fatos, conclui a autoridade que havia intenso fluxo financeiro entre essas empresas e que os caixas eram comuns. O contribuinte foi intimado a apresentar a escrituração e os documentos que serviram de suporte para ela. Constatou a autoridade que os valores contabilizados eram ínfimos em comparação aos constantes dos sistemas internos, razão pela qual os extratos bancários foram solicitados diretamente junto ás instituições financeiras. A partir dos extratos bancários, o contribuinte foi intimado a comprovar a origem dos recursos que ingressaram em suas contas bancárias nos anos de 2006 e 2007. Em sua resposta, o contribuinte afirmou que “... pelos nossos levantamentos, a comprovação solicitada encontrase nos documentos componentes da contabilidade da empresa, contabilidade essa que já se encontra em poder deste órgão federal, por força da fiscalização em processamento”. Em seguida, o contribuinte foi intimado a justificar a resposta apresentada à intimação anterior, tendo em vista que nos livros apresentados estava contabilizada apenas a conta corrente nº 31054, mantida junto ao Banco Bradesco. Também foi solicitada a apresentação de nova escrituração contábil, com toda a movimentação financeira. Após solicitar prorrogação de prazo, o contribuinte apresentou resposta nos seguintes termos: “Referimonos ao termo de intimação fiscal nº 05, com data de 20.10.2009, para reiterar Fl. 5370DF CARF MF Processo nº 16004.001027/200966 Acórdão n.º 9101003.379 CSRFT1 Fl. 5.371 6 que a comprovação solicitada encontrase nos documentos componentes da contabilidade da empresa, contabilidade essa que já se encontra em poder deste órgão federal, por força da fiscalização em processamento”. Diante das respostas apresentadas, concluiu a autoridade autuante não ser possível identificar as origens e os destinos dos recursos movimentados em suas contas bancárias, de modo que não restou outra alternativa senão o arbitramento do lucro com base na receita bruta conhecida, tendo em vista o disposto no art. 530, II, “a” e “b”, do RIR/1999. No cálculo da receita bruta conhecida, a autoridade computou as receitas omitidas, apuradas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, e as receitas declaradas em DIPJ, já que não é possível verificar se os depósitos bancários foram incluídos nas receitas declaradas. Sobre os créditos tributários lançados foi aplicada multa qualificada (150%), tendo em vista que o contribuinte tem patrimônio declarado inferior a R$ 6.000,00, é constituído por sócios sem condições econômicofinanceiras e foi utilizado, para fins fraudulentos, pelo grupo econômico que controla o FRIGOPOTI para abate de animais e venda de produtos e subprodutos sem pagamento dos tributos devidos, de modo que ficou caracterizado o evidente intuito de fraudar a Fazenda Pública Federal. Foi atribuída responsabilidade solidária, por interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal (art. 124, I, do CTN), aos senhores Ernesto Lúcio Calegare, Walter Lúcio Calegare, Otavio Hernandez Juliato e Hélio Lúcio Roveri, bem como ao FRIGOPOTI, pois a CINCO ESTRELAS pertence de fato a este grupo. Afirma a autoridade autuante que o FRIGOPOTI e seus sócios de direito e de fato foram os principais beneficiários das fraudes perpetradas pela CINCO ESTRELAS, já que o frigorífico efetuou abate de gado e venda de produtos e subprodutos sem pagamento dos tributos devidos. Além disso, anteriormente à utilização da CINCO ESTRELAS, o grupo econômico que controla o FRIGOPOTI utilizava notas fiscais de entrada de bovinos e saída de produtos e subprodutos decorrentes do abate desses animais emitidas pela FRINORTE COMÉRCIO E DISTRIBUIDORA DE CARNES LTDA, empresa esta declarada inapta pelo Ato Declaratório Executivo nº 68, de 29/07/2008, sendo os documentos por ela emitidos declarados inidôneos desde sua constituição. (Grifei) Da Fase Contenciosa O contribuinte e os sujeitos passivos indiretos apresentaram impugnações aos autos de infração, com os respectivos argumentos de defesa. Na sessão de 27 de agosto de 2012, a 1ª Turma da DRJ/RPO, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte as impugnações, para excluir os créditos tributários de PIS e de COFINS lançados sobre as receitas dos dois primeiros meses de cada um dos trimestres dos anos de 2006 e 2007, tendo em vista que o fato gerador dessas exações é mensal. O restante das autuações e as imputações Fl. 5371DF CARF MF Processo nº 16004.001027/200966 Acórdão n.º 9101003.379 CSRFT1 Fl. 5.372 7 de responsabilidade solidária foram mantidos. Da decisão houve recurso de ofício, por força do limite de alçada. A decisão de primeira instância foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006, 31/03/2007, 30/06/2007, 30/09/2007, 31/12/2007 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. LUCRO ARBITRADO. MULTA QUALIFICADA. Presumese que correspondem a receitas omitidas os depósitos bancários de origem não comprovada. Arbitrase o lucro quando a escrituração mantida pelo contribuinte não permitir a identificação da efetiva movimentação financeira, inclusive bancária e contiver vícios que a tornem imprestável para a determinação do lucro real. No cômputo das receitas conhecidas que servirão de base para a apuração do lucro arbitrado incluemse as receitas omitidas. A manutenção, por dois anos seguidos, de contas bancárias não escrituradas, nas quais foram movimentados recursos vultosos e a constituição da empresa por interpostas pessoas, a fim de que não sejam pagos os tributos devidos em decorrência de suas operações dão fundamento à exasperação da multa de ofício. É descabida a imposição de multa qualificada sobre os créditos tributários apurados a partir de receitas espontaneamente declaradas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006, 31/03/2007, 30/06/2007, 30/09/2007, 31/12/2007 AUTO REFLEXO. Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006, 31/01/2007, 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 31/05/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 AUTO REFLEXO FATO GERADOR MENSAL. Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as Fl. 5372DF CARF MF Processo nº 16004.001027/200966 Acórdão n.º 9101003.379 CSRFT1 Fl. 5.373 8 mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. O fato gerador do PISCumulativo é mensal, sendo descabida a incidência dessa exação sobre o total da receita trimestral no mês de fechamento do trimestre. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006, 31/01/2007, 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 31/05/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 AUTO REFLEXO FATO GERADOR MENSAL. Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. O fato gerador da CofinsCumulativa é mensal, sendo descabida a incidência dessa exação sobre o total da receita trimestral no mês de fechamento do trimestre. Foram apresentados recursos voluntários pela Contribuinte e os sujeitos passivos indiretos. A 1a Turma da 4a Câmara, por meio do Acórdão nº 1401001.541, na sessão de 10/12/2015, assim decidiu: Acordam os membros do colegiado: 1) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício; 2) em relação ao recurso voluntário, dar provimento parcial, nos seguintes termos: a) por unanimidade de votos, dar provimento parcial para desqualificar a multa de ofício, nos termos do voto do relator; b) por maioria de votos, negar provimento em relação à responsabilidade tributária das quatro pessoas físicas, vencidos os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregório (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Lívia De Carli Germano que cancelavam os termos de sujeição passiva solidária das quatro pessoas físicas, designado o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes para redigir o voto vencedor; c) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso quanto às demais matérias. A decisão teve a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 Fl. 5373DF CARF MF Processo nº 16004.001027/200966 Acórdão n.º 9101003.379 CSRFT1 Fl. 5.374 9 ARBITRAMENTO. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. ESCRITURAÇÃO INADEQUADA. O arbitramento é medida que se impõe, por determinação legal, diante da constatação de que uma relevante movimentação financeira não foi adequadamente escriturada. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS. PRESUNÇÃO. A presunção contida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96 autoriza que o fato indiciário (depósitos bancários de origem não comprovada) seja equiparado ao fato presumido (omissão de receitas). Uma vez caracterizado o fato indiciário, a sua equiparação com o fato presumido é uma determinação legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007 MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. CONLUIO. Caracteriza sonegação e conluio a interposição de pessoas no quadro social da empresa autuada, a utilização da estrutura legal desta última com o fim de comercializar produtos de terceiros, bem como a prática reiterada de não escriturar a movimentação financeira. MULTA QUALIFICADA. RECEITAS DECLARADAS. É descabida a imposição de multa qualificada sobre os créditos tributários apurados a partir de receitas espontaneamente declaradas. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. CONFUSÃO PATRIMONIAL. Caracteriza a confusão patrimonial de esferas pessoais típica do interesse comum previsto no artigo 124, I, do CTN, com a consequente responsabilização solidária, beneficiarse pela utilização da estrutura legal da empresa contribuinte com o fim de comercializar seus produtos. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Aqueles que intencionalmente contribuíram para a consecução de ilícito tributário de ocultar do Fisco a realização do fato gerador ou qualquer dos critérios essenciais da obrigação tributária, como os sujeitos passivos tributários, demonstram possuírem interesse comum na situação que constitui o fato gerador, como dispõe o art. 124, I, do Código Tributário Nacional. Desse modo, devem responder solidariamente pelo crédito tributário daí decorrente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 5374DF CARF MF Processo nº 16004.001027/200966 Acórdão n.º 9101003.379 CSRFT1 Fl. 5.375 10 Anocalendário: 2006, 2007 FATO GERADOR. ASPECTO TEMPORAL. O fato gerador do PIS é mensal, sendo descabida a incidência dessa exação sobre o total da receita trimestral no mês de fechamento do trimestre. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006, 2007 FATO GERADOR. ASPECTO TEMPORAL. O fato gerador da COFINS é mensal, sendo descabida a incidência dessa exação sobre o total da receita trimestral no mês de fechamento do trimestre. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial no qual questiona apenas o cancelamento parcial dos lançamentos relativos ao PIS e à COFINS, nos dois primeiros meses de cada trimestre. O recurso especial da PGFN foi admitido por despacho de exame de admissibilidade. O Contribuinte ofereceu contrarrazões, aduzindo que os acórdãos paradigmas seriam convergentes com a decisão recorrida e por isso o recurso não poderia ser conhecido. O contribuinte interpôs recurso especial. Os sujeitos passivos indiretos ERNESTO LÚCIO CALEGARE, WALTER LÚCIO CALEGARE, OTÁVIO HERNANDEZ JULIATO e HÉLIO LÚCIO ROVERI interpuseram recurso especial em conjunto. O sujeito passivo indireto pessoa jurídica FRIGOPOTI FRIGORÍFICO POTI LTDA também interpôs recurso especial. Despachos de exame de admissibilidade negaram seguimento aos recursos especiais. Todos os sujeitos passivos indiretos apresentaram agravo contra os despachos de exame de admissibilidade. Os agravos foram apreciados pela Presidência do CARF, nos termos do artigo 71 do Anexo do Regimento, que decidiu: a) REJEITAR o agravo de Frigorífico Poti Ltda. e confirmar a negativa de seguimento ao recurso especial nesta parte. b) ACOLHER PARCIALMENTE os agravos de: - Cinco Estrelas Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda, para DAR seguimento ao recurso especial relativamente à matéria "arbitramento do lucro em caso de movimentação financeira não escriturada", mas apenas em relação ao paradigma nº 10196.160; - Otávio Hernandes Juliato, Walter Lucio Calegari e Helio Lucio Roveri e Ernesto Lucio Calegare, para dar seguimento ao recurso especial relativamente à matéria "responsabilidade tributária com fundamento no art. 124, I do CTN", mas apenas em relação ao paradigma nº 1402 001.999; Fl. 5375DF CARF MF Processo nº 16004.001027/200966 Acórdão n.º 9101003.379 CSRFT1 Fl. 5.376 11 A Fazenda Nacional tomou ciência da decisão e apresentou contrarrazões aos recursos parcialmente admitidos. O responsável solidário Frigorífico Poti Ltda., intimado da decisão que negou seguimento ao seu recurso especial, opôs embargos de declaração de efls. 5.338 e seguintes. Despacho da Presidência da CSRF não conheceu dos embargos. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Em razão da pluralidade de recursos especiais e a necessidade de delimitação das matérias que foram admitidas como divergentes, o presente voto apreciará cada um dos recursos especiais em tópico específico. I. DO RECURSO DA CINCO ESTRELAS DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS LTDA Adoto as razões do despacho de agravo para conhecer parcialmente do recurso especial da Contribuinte, em relação à matéria o arbitramento do lucro. Passo ao exame do mérito. Discorre a recorrente: Apenas a título de argumentação, ainda que omissão de receitas houvesse, não havia razão para arbitrar o lucro da recorrente vez que ausente de dúvidas o regime de tributação adotado pela empresa: lucro real trimestral, segundo suas DIPJ apresentadas. Deflui disso que a apuração dos tributos, no lançamento ora impugnado, foi efetuada de maneira irreparavelmente equivocada, porque baseada em indevido arbitramento de lucro. É de se notar, ainda, que o item 002 do Auto de Infração não tem por base nenhuma infração, mas, apenas o próprio arbitramento indevido, incidindo sobre receitas já levadas à tributação com base no lucro real. Assim, no entendimento da Contribuinte, caberia ao Fisco tributar a pessoa jurídica com base no artigo 288 do RIR/99, vale dizer, no regime de lucro real trimestral. Ocorre que o fundamento para o arbitramento foi a imprestabilidade da contabilidade da interessada, acrescida às sucessivas negativas de apresentação dos livros e registros contábeis, mediante regular intimação. Com efeito, a autoridade fiscal informou: Fl. 5376DF CARF MF Processo nº 16004.001027/200966 Acórdão n.º 9101003.379 CSRFT1 Fl. 5.377 12 O contribuinte foi intimado a apresentar a escrituração e os documentos que serviram de suporte para ela. Constatou a autoridade que os valores contabilizados eram ínfimos em comparação aos constantes dos sistemas internos, razão pela qual os extratos bancários foram solicitados diretamente junto ás instituições financeiras. A partir dos extratos bancários, o contribuinte foi intimado a comprovar a origem dos recursos que ingressaram em suas contas bancárias nos anos de 2006 e 2007. Em sua resposta, o contribuinte afirmou que “... pelos nossos levantamentos, a comprovação solicitada encontrase nos documentos componentes da contabilidade da empresa, contabilidade essa que já se encontra em poder deste órgão federal, por força da fiscalização em processamento”. Em seguida, o contribuinte foi intimado a justificar a resposta apresentada à intimação anterior, tendo em vista que nos livros apresentados estava contabilizada apenas a conta corrente nº 31054, mantida junto ao Banco Bradesco. Também foi solicitada a apresentação de nova escrituração contábil, com toda a movimentação financeira. Após solicitar prorrogação de prazo, o contribuinte apresentou resposta nos seguintes termos: “Referimonos ao termo de intimação fiscal nº 05, com data de 20.10.2009, para reiterar que a comprovação solicitada encontrase nos documentos componentes da contabilidade da empresa, contabilidade essa que já se encontra em poder deste órgão federal, por força da fiscalização em processamento”. Diante das respostas apresentadas, concluiu a autoridade autuante não ser possível identificar as origens e os destinos dos recursos movimentados em suas contas bancárias, de modo que não restou outra alternativa senão o arbitramento do lucro com base na receita bruta conhecida, tendo em vista o disposto no art. 530, II, “a” e “b”, do RIR/1999. (Grifei) Ora, conforme atestado pela autoridade lançadora, a escrituração irregular e a não apresentação dos livros previstos pela legislação exige a adoção dos procedimentos previstos no artigo 530, do Decreto n. 3000/99, que trata das hipóteses de arbitramento: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I – o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; (grifamos) II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: Fl. 5377DF CARF MF Processo nº 16004.001027/200966 Acórdão n.º 9101003.379 CSRFT1 Fl. 5.378 13 a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; (grifamos) III – o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; (Grifei) De se notar que os lançamentos com base no lucro arbitrado, efetuados pela autoridade fiscal, decorrem de comando normativo expresso, que se amolda perfeitamente aos fatos narrados nos autos. Na hipótese, resta afastada a aplicação do artigo 288 do RIR/99, evocado pela interessada, pois este dispositivo se refere a forma de tributação baseada em registros contábeis hígidos e aptos a demonstrar a base legal dos tributos. Como não foi possível identificar as origens e os destinos dos recursos movimentados em suas contas bancárias e a empresa em nenhum momento colaborou com a prestação das informações intimadas, não restou alternativa à fiscalização senão arbitrar o lucro e calcular os tributos devidos com base na receita bruta conhecida, que levou em consideração os depósitos de origem não comprovada e as receitas declaradas em DIPJ. Ante a perfeita subsunção dos fatos à diretriz normativa, não há reparos a fazer no procedimento fiscal. Assim, voto no sentido de conhecer parcialmente do recurso da Contribuinte em relação à matéria arbitramento do lucro nos termos do despacho de agravo e na parte devolvida negarlhe provimento. II. DO RECURSO DOS SUJEITOS PASSIVOS INDIRETOS ERNESTO LÚCIO CALEGARE, WALTER LÚCIO CALEGARE, OTAVIO HERNANDEZ JULIATO E HÉLIO LÚCIO ROVERI Adoto as razões do despacho de agravo para conhecer parcialmente do recurso especial da Contribuinte, em relação à matéria responsabilidade tributária com fundamento no art. 124, I do CTN. Passo ao exame do mérito. O recurso especial questiona a responsabilidade baseada no artigo 124, I, do CTN, nos seguintes termos: Além do que já dito, ainda que se recorresse, além do art 124, I, do CTN, também ao artigo 135 do CTN, certo é que o Termo de Verificação Fiscal, no caso dos autos, não faz qualquer menção à prática de atos infracionais ou excesso de poderes pelos Solidários. Em outras palavras, diante do que consta do TVF, é possível confirmar que não há uma única linha atribuindo qualquer ato ou infração, ficando claro que alguns foram considerados solidários pelo simples fato de constarem como sócios, outros Fl. 5378DF CARF MF Processo nº 16004.001027/200966 Acórdão n.º 9101003.379 CSRFT1 Fl. 5.379 14 por parentesco, outros por manterem relação locatícia ou de fiança, além da acusação genérica de formarem com a empresa Frigopoti um grupo econômico, de modo que a imputação se deu de forma subjetiva e sem qualquer relação com o fato gerador da obrigação. Concluindo, além das anteriores colocações, a permanência das pessoas físicas como "Solidárias" juntamente com a empresa Frigopoti, também consideradas "Solidária", das quais são sócias, se estaria diante de uma segunda Solidariedade, o que é inadmissível e torna imperativo o acolhimento do Recurso Especial. Ao contrário do que alega a defesa, os fatos que demonstram o efetivo interesse comum dos solidários na situação que ensejou a autuação fiscal são sobejamente demonstrados nos autos. É fato que a expressão "interesse comum" disposta no art. 124, inciso I do CTN deve ser analisada com bastante prudência: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Não se pode ignorar que o interesse econômico, por si só, não se mostra suficiente para a inclusão das pessoas físicas dos presentes autos no pólo passivo da relação obrigacional tributária. Também há que restar demonstrado o vínculo jurídico, consubstanciado na atuação em conjunto, concorrente, que se amolda à hipótese de incidência prevista na norma tributária. E a atuação em conjunto pode se materializar de diversas maneiras, dentre as quais no caso tratado nos presentes autos, no qual se demonstra claramente que os sócios de fato valeramse de artifícios para se esquivar das obrigações tributárias, com utilização de elementos fictícios e ardilosos. O interesse jurídico resta caracterizado na medida em que a situação de fato revela que os Srs. ERNESTO LÚCIO CALEGARE, WALTER LÚCIO CALEGARE, OTAVIO HERNANDEZ JULIATO E HÉLIO LÚCIO ROVERI, em atuação coletiva, empreenderam atos que se subsumiram à norma. Restou comprovada nos autos, para além de qualquer dúvida, a participação ativa, individual e concatenada dos quatro responsáveis solidários na prática dos ilícitos tributários que foram descobertos no escopo da rumorosa operação "Grandes Lagos", que desbaratou um esquema de sonegação de bilhões de reais e que envolveu dezenas de empresas relacionadas à atividade frigorífica. De forma sintética, a fiscalização atestou que o Sr. Hélio constituiu a empresa autuada (Cinco Estrelas), por sucessão da sua empresa individual “Hélio Lúcio Roveri”, mediante sociedade com empresa sediada no Panamá. Esse mesmo senhor é cunhado do sócio da Frigopoti, Sr. Ernesto Lúcio Calegare e locatário da sala utilizada para a instalação da Cinco Estrelas. Fl. 5379DF CARF MF Processo nº 16004.001027/200966 Acórdão n.º 9101003.379 CSRFT1 Fl. 5.380 15 O Sr. Otávio, que figurou como testemunha do contrato de arrendamento entre a Frigopoti e a Cinco Estrelas, é um dos proprietários da Frigopoti e também genro de Walter. O Sr. Ernesto é o outro sócio da Frigopoti e também é titular de transferências com a Cinco Estrelas. Por fim, o Sr. Walter (que é genro do Sr. Otávio), é sócio proprietário da Frigopoti e de outra empresa (Discar), que participou de diversos fluxos financeiros com a Cinco Estrelas. Todos, mediante articulação dolosa, concorreram para promover o ilícito tributário, como bem concluiu a autoridade lançadora: Conforme exaustivamente comprovado neste termo, a empresa Cinco Estrelas Distribuidora de Carnes Ltda pertence, DE FATO, ao Grupo que comanda o Frigopoti Frigorifico Poti Ltda., tendo como proprietários Srs. Ernesto Lúcio Calegare, Walter Lúcio Calegare, Otavio Hernandez Juliato (genro do Sr. Walter Lúcio Calegare) e Hélio Lúcio Roveri, não obstante o fato de as referidas empresa terem sido abertas em nome de alguns deles ou de pessoas interpostas (laranjas). Também ficou cabalmente demonstrado que o Frigopoti e os seus sócios de direito e de fato foram os principais beneficiários das fraudes perpetradas pela fiscalizada, já que o frigorífico efetuou abate de gado e venda de produtos e subprodutos sem pagamentos dos tributos devidos. Verificase que anteriormente a utilização da empresa Cinco Estrela Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda, o Grupo Econômico que controla o Frigopoti — Frigorífico Poti Ltda utilizava Notas Fiscais, de entradas de bovinos e saídas de produtos e subprodutos decorrentes do abate de animas, emitidas pela FriNorte Comércio e Distribuidora de Carnes Ltda (antiga Norte Riopretense Distribuidora Ltda), empresa esta já declarada inapta através do ADE n. 68, de 29.07.2008, sendo os documentos por ela emitidos declarados inidôneos desde sua constituição. Concluise, portanto, que o Frigopoti — Frigorífico Poti Ltda e seus sócios de direito e de fato Srs. Ernesto Lúcio Calegare, Walter Lúcio Calegare, Otavio Hernandez Juliato e Hélio Lúcio Raven, têm interesses comuns nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias tratadas no presente termo, sendo, portanto, solidariamente obrigados ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, de acordo com os artigos 121 e 124, inciso I, do CTN. (Grifei) Vale reproduzir a clássica lição de Rubens Gomes de Souza, autor do anteprojeto do CTN1: 1 Compêndio de Legislação Tributária, Edições Financeiras, 3.ª ed, p 67. Fl. 5380DF CARF MF Processo nº 16004.001027/200966 Acórdão n.º 9101003.379 CSRFT1 Fl. 5.381 16 “É solidária a pessoa que realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui fato gerador, ou que, em comum com outras, esteja em relação econômica com o ato, fato ou negócio que dá origem à tributação; por outras palavras, (...) pessoa que tira uma vantagem econômica do ato, fato ou negócio tributado”. A descrição dos fatos e a análise das provas colacionadas pela fiscalização parecemme mais do que suficientes para reconhecer o interesse jurídico dos responsáveis solidários nos atos que ensejaram a obrigação tributária, apto a atrair a solidariedade prevista no artigo 124, I, do CTN. Ademais, está comprovado que o estratagema ilícito utilizado trouxelhes vantagens econômicas decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada, sendo irrelevante, na espécie, o fato de que os valores sonegados não circularam por contas de sua titularidade, quando restou comprovado que os negócios eram por eles praticados e também os tinham como beneficiários. Enfim, não há que se falar que seria necessária a aplicação do art. 135, inciso III do CTN, caso em que a responsabilidade dirigese a diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, ou seja, pessoas com poder de gestão dentro da autuada. O art. 124, inciso I do CTN já se mostra suficiente, por si só, para a manutenção no pólo passivo das pessoas físicas alocadas nas empresas envolvidas na construção deliberadamente concebida para enganar o Fisco. Assim, voto no sentido de conhecer parcialmente do recurso dos sujeitos passivos indiretos em relação à matéria responsabilidade tributária com fundamento no art. 124, I do CTN nos termos do despacho de agravo e na parte devolvida negarlhe provimento. III. DO RECURSO DA FAZENDA NACIONAL Adoto as razões do despacho de exame de admissibilidade para conhecer do recurso especial da PGFN. Passo ao exame do mérito. Questionase o cancelamento dos lançamentos relativos ao PIS e à COFINS nos dois primeiros meses de cada trimestre, providência adotada pela DRJ e ratificada pela câmara baixa do CARF sob o argumento de que os lançamentos foram apurados em bases trimestrais, quando o correto seria considerar o faturamento mensal. Aduz a PGFN que (grifos no original): Porém, não agiram corretamente a DRJ e a Egrégia Turma, pois tal lançamento é válido e exigível. Nos termos do art. 142 do CTN, a autoridade administrativa deve, na constituição do crédito tributário, verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e aplicar a penalidade cabível, sendo que a atividade é plenamente vinculada e obrigatória. (...) Fl. 5381DF CARF MF Processo nº 16004.001027/200966 Acórdão n.º 9101003.379 CSRFT1 Fl. 5.382 17 Por outro lado, o art. 145, I, do CTN afirma que o lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de [a] impugnação do sujeito passivo; [b] recurso de ofício; ou [c] iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. Observese bem: o lançamento deverá ser alterado em virtude impugnação do sujeito passivo. É claro que o CTN deu preferência à revisão do lançamento, quando esta puder ser validamente efetuada. Por outro lado, afirma o art. 60 do Decreto nº 70.235/72, que “As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior [auto de infração lavrado por autoridade incompetente ou decisão administrativa proferida por autoridade incompetente ou com preterição ao direito de defesa] não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” Mais uma vez a legislação preferiu a revisão do lançamento à anulação. E essa escolha está de acordo com o princípio da indisponibilidade do interesse público. Desse modo, o órgão julgador somente deve preferir a anulação do lançamento à sua revisão caso esta seja impossível no mundo dos fatos ou em virtude de óbice jurídico intransponível, o que não parece ser o caso dos autos. Portanto, desnecessária e ilegal o cancelamento de todo o lançamento tributário nos dois primeiros meses, bastando sua revisão pela autoridade julgadora. Essa exclusão, inclusive, pode ser feita até mesmo em sede de execução do julgado, para sanar eventuais equívocos na determinação da matéria tributável, não havendo necessidade lógica em se excluir todo o lançamento nesses meses. Admitido o recurso fazendário, passo à análise. A despeito dos argumentos da PGFN, pareceme inequívoco que os fatos geradores do PIS e da COFINS são mensais, pois a autoridade fiscal, ao aplicar o regime de tributação mediante arbitramento, corretamente utilizou em relação a essas contribuições a sistemática cumulativa, como determinam os artigos 8º, II, da Lei nº 10.637/02 e 10, II, da Lei nº 10.833/03. Contudo, houve equívoco no cálculo das contribuições, pois a fiscalização entendeu como fato gerador o final de cada trimestre relativo a 2006 e 2007 e considerou como valores tributáveis o total das receitas declaradas em cada um desses períodos, razão pela qual a decisão da DRJ cancelou os créditos tributários lançados incorretamente sobre as receitas declaradas nos dois primeiros meses de cada trimestre desses anoscalendário. Acompanho, neste ponto, a opinião das instâncias de julgamento anteriores, no sentido de que se trata, na hipótese, de cancelamento dos lançamentos, por erro de direito, e não de revisão, como alega a douta PGFN. Fl. 5382DF CARF MF Processo nº 16004.001027/200966 Acórdão n.º 9101003.379 CSRFT1 Fl. 5.383 18 Assim, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso especial da PGFN. IV. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de (i) conhecer parcialmente do recurso especial da Contribuinte em relação à matéria arbitramento do lucro nos termos do despacho de agravo e na parte devolvida negarlhe provimento; (ii) conhecer parcialmente do recurso especial dos responsáveis solidários Srs. ERNESTO LÚCIO CALEGARE, WALTER LÚCIO CALEGARE, OTAVIO HERNANDEZ JULIATO E HÉLIO LÚCIO ROVERI em relação à matéria responsabilidade tributária com fundamento no art. 124, I do CTN nos termos do despacho de agravo e na parte devolvida negarlhe provimento; e (iii) conhecer e negar provimento ao recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 5383DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10073.720010/2011-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
MULTA ISOLADA. AUDITORIA DIGITAL. NÃO APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS. LIVROS DE APURAÇÃO DO IPI.
É da competência da Terceira Seção do CARF o julgamento de recurso em face de lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória relativa ao IPI.
Numero da decisão: 1302-001.957
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em declinar da competência para julgar o recurso voluntário em tela e por remeter os autos para a Terceira Seção do CARF.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator.
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix
Nome do relator: Alberto Pinto Souza Junior
1.0 = *:*
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AUDITORIA DIGITAL. NÃO APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS. LIVROS DE APURAÇÃO DO IPI. É da competência da Terceira Seção do CARF o julgamento de recurso em face de lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória relativa ao IPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em declinar da competência para julgar o recurso voluntário em tela e por remeter os autos para a Terceira Seção do CARF. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Relator. LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 00 10 /2 01 1- 26 Fl. 413DF CARF MF 2 Versa o presente processo sobre recurso de voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 1253.174 da 5ª Turma da DRJ/RJ1, cuja ementa assim dispõe: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 MULTA ISOLADA. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. MULTA ISOLADA. AUDITORIA DIGITAL. NÃO APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS OU INOBSERVÂNCIA AO PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. A não apresentação de arquivos digitais, ou a inobservância ao prazo em que devem ser apresentados, acarreta a imposição de multa de dois centesimos por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica do anocalendário a que se referem os arquivos exigidos, por dia de atraso, limitados ao percentual de um por cento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido”. A recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 03/05/2013 – sextafeira (cf. Termo a fls. 350) e interpôs recurso voluntário em 04/06/2013 (cf. Termos a fls. 351 e 368), no qual alega, em apertada síntese, as seguintes razões de defesa: a) que o castigo da multa regulamentar passível de redução fora aplicado à Recorrente em virtude de suposto não fornecimento no prazo estabelecido das informações solicitadas no curso do procedimento fiscal, através dos termos de intimação fiscais de 14/04/2009 e 14/08/2009; b) que restou fixado a Contribuinte a multa regulamentar de 1% da receita bruta do período relacionado, indicado como o anocalendário de 2007, no importe de R$ 4.036.386,51 (quatro milhões e trinta e seis mil e trezentos e oitenta e seis reais e cinqüenta e um centavos); c) que a Recorrente havia cumprido com as solicitações formuladas pelo Auditor Fiscal no curso do procedimento fiscal, entregando, tempestivamente os arquivos com informações contábeis dos períodos requeridos, conforme comprova a documentação carreada aos autos; d) que há descrição no Auto de mais de um dispositivo legal punitivo e, num mesmo dispositivo, de mais de uma capitulação com idêntica penalização, impedindo assim a tipificação da infração administrativa e a especificação do comando legal em debate e promovendo o cerceamento da defesa da Contribuinte Recorrente, tornando o Auto nulo; e) que dentre todas as diferentes bases legais invocadas pelo Sr. Fiscal deveria ter sido aplicada a mais benéfica ao contribuinte, o que não ocorreu; f) que, à parte as discussões fáticas e de nulidade, é declarado que não há vínculo entre as bases de cálculos eleitas às penalidades e os desvalores a serem repelidos, mostrandose inconstitucionais os dispositivos atacados; g) que o Sr. Fiscal se furtou a especificar qual a capitulação da penalidade imposta, seja ao indicar mais de um artigo de lei punitiva, seja ao indicar artigo com mais de uma capitulação em seu bojo; h) que, em um parágrafo, o Agente Autuador indica que a punição aplicada é de 1% (um por cento) da receita bruta do anocalendário de 2007 e no Fl. 414DF CARF MF Processo nº 10073.720010/201126 Acórdão n.º 1302001.957 S1C3T2 Fl. 414 3 seguinte, quando descreve o enquadramento legal, apregoa um sem fim de capitulações, sendo de R$ 5.000,00 de multa por mês de descumprimento, quantum descrito no art. 57 da MP 215835/01, à punições em percentuais que variam de 0,2% a 5%, determinadas pelo art. 12º da Lei Federal n.º 8.218/1991 e com bases de cálculo diferenciadas entre si; i) que, mesmo que se diga que o deslize do Auditor Fiscal não foi capaz de causar prejuízo ao direito fundamental de ampla defesa da Recorrente porque esta indicou o quantum percentual da penalidade aplicada, de 1% (um por cento), implicando a aplicabilidade do art. 12 da Lei Federal n.º 8.218/1991, outro fator deve ser considerado, qual seja, que o mencionado artigo contém mais de um inciso com a indicação de mesmo percentual, porém ambos contendo bases de cálculo distintas: uma, calculada sobre os dias de atraso; outra, imputável sobre o valor da operação; j) que a deficiência na tipificação do ilícito administrativo cometido escancara a deficiência material do auto e promove o cerceamento da defesa da Recorrente, justificando a declaração de nulidade do Auto de Infração e Imposição de Multa atacado; k) que é manifesto que os documentos foram entregues ao Sr. Auditor no decorrer do procedimento fiscalizador, permitindo o escopo da averiguação pretendida; l) que, 11 de maio de 2009, a Recorrente tempestivamente entregou à fiscalização quase todos os arquivos com informações contábeis dos períodos requeridos, conforme comprova a documentação carreada aos autos, respeitando o prazo regulamentar de 20 dias, faltando apenas a validação de alguns deles; m) que, em 03/09/2009 a Recorrente, após requerer duas dilações de prazo, apresentou os arquivos faltantes; n) que, porém, parte dos arquivos, apesar de gerados, formatados e transmitidos, não haviam sido validados pelo programa da Receita Federal criado para tal em função de incompatibilidades técnicas; o) que, em virtude desta situação, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento concluiu pela manutenção do auto de infração, alegando que os arquivos seriam imprestáveis, e, portanto, considerados não entregues; p) que, no escopo do § 3.º do art. 11 da Lei Federal n.º 8.218/1991, a própria regulamentação da forma e do prazo em que os arquivos digitais e os sistemas de processamento eletrônico de dados contábeis e fiscais deveriam ser apresentados é maleável, de forma a permitir a apresentação em formato diverso daquele definido em normativo infralegal, pois é o que determina, por exemplo, o § 2.º do art. 3.º da IN SRF n.º 86/2001 e o art. 2.º do Ato Declaratório Executivo COFIS n.º 15/2001; q) que fosse superada a ausência de suporte fático a penalidade aplicada, é necessário que se diga que padecem de inconstitucionalidade as bases de cálculo possíveis, já que indeterminada, para mensurar a punição imposta; r) que o art. 57 da Medida Provisória n.º 2.15833, também relatado pelo Agente Autuador no enquadramento legal da penalidade, apregoa multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário àqueles que não fornecerem tempestivamente informações ou esclarecimentos necessários, logo, a multa deveria ser mensurada no montante de R$ Fl. 415DF CARF MF 4 45.000,00 (quarenta e cinco mil reais), equivalente aos meses de janeiro a setembro de 2007, cujos arquivos relacionados não teriam sido entregues no prazo exigido, e não na quantia de mais de quatro milhões de reais, absurdo valor exigido; s) que a própria Delegacia de Julgamento ratificou o entendimento do Sr. Fiscal de que a autuação teria estes diversos fundamentos; t) que havendo qualquer tipo de dúvida no enquadramento legal da penalidade, deve ser aplicada aquela mais benéfica; u) que, caso não se entenda aplicável a penalidade prevista no artigo 57, I, da MP 215835/01, temos que no bojo do artigo 12 da Lei 8.218/91 existem três tipos de penalidade, sendo que os fatos narrados pelo Sr. Fiscal não apontam para a multa aplicada; v) que interpretação dos três incisos acima citados, evidenciase que os fatos narrados pelo Sr. Fiscal e pela Delegacia de Julgamento, apontam para a infração prevista no inciso I, isto é: “aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos”, pois de tudo que consta nos autos verificase que a Recorrente apresentou os arquivos magnéticos solicitados, no entanto, parte deles não estavam validados pelo sistema da Receita Federal; w) caso se entenda que a Recorrente praticou algum tipo de infração, seria esta quanto à forma de entrega dos arquivos, não podendo ser desconsideradas as informações prestadas no curso da fiscalização e, sendo este o caso, a multa deveria ser de 0,5% da receita bruta anual, e não 1% como aplicado no presente. Na sessão de 12/03/2014, esta Turma, por meio da Resolução nº 1302000.288 (a fls. 370), converteu o julgamento em diligência, vencido este Relator, sendo à época designado Redator do voto vencedor o Conselheiro Frizzo, que assim se manifestou: “Notase dos autos que a impugnação foi assinada pela Dra. Nathália Guedes Brum (fl.241), cuja procuração encontrase juntada aos autos (fl. 249), enquanto o recurso voluntário foi assinado pela Dra. Marli Emiko Ferrari Okasako, cujo nome não consta na procuração juntada aos autos (fls. 249) e nem há procuração anexada ao recurso voluntário. Em tempo, o protocolo do recurso voluntário foi realizado por meio do portal eCac, o que indica a existência de procuração em seu favor. Todavia, em consulta realizada durante a sessão, foi verificada a ausência de poderes para apresentar recurso voluntário. Dessa forma, considerando o princípio da instrumentalidade, segundo o qual o processo não é um fim em si mesmo, mas um instrumento para realização do direito material, e aplicando subsidiariamente o art. 13 do Código de Processo Civil, esta Turma, por maioria, entendeu necessário converter o julgamento em diligência, a fim intimar a parte para regularizar a representação processual em 30 (trinta) dias, sob as penas legais. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto.” Devidamente intimada a recorrente a regularizar a representação processual (Termo a fls. 382), a Sra. Marli Emiko Ferrari Okasako peticiona nos autos (doc. a fls. 384) nos seguintes termos: Fl. 416DF CARF MF Processo nº 10073.720010/201126 Acórdão n.º 1302001.957 S1C3T2 Fl. 415 5 “A empresa BR METALS FUNDIÇÕES LTDA, já devidamente qualificada nos autos de processo em epígrafe, por intermédio de sua procuradora legalmente constituída que a presente subscreve, vem, respeitosamente à presença de V. Senhoria expor e requerer o quanto segue. A Requerente foi intimada a regularizar sua representação processual, uma vez que a advogada subscritora do recurso interposto nos autos, Dra. Marli Emiko Ferrai Okasako, não possuiria poderes para apresentar recurso voluntário. No entanto, não há representação processual a ser regularizada, pois a subscritora do recurso voluntário sempre possuiu procuração eletrônica válida, à época do recurso e atualmente, que lhe dá poderes para representar a Requerente em qualquer processo fiscal digital. Com efeito, verificase da tela de consulta às procurações eletrônicas outorgadas à advogada que a presente subscreve, que ela detinha procuração eletrônica válida de 02/05/2013 à 31/12/2013, que dentre outros, lhe dava poderes para atuar em “Processos Digitais”. Atualmente, esta advogada possuí procuração eletrônica válida até 31/12/2014, que também lhe dá poderes para atuação em processos digitais. O fato é que não existe poder específico para “interposição de recurso voluntário”. Uma vez outorgada procuração eletrônica com o poder “processos digitais”, o procurador passa a poder atuar em qualquer processo digital, apresentando impugnações, recursos, e quaisquer petições no interesse do contribuinte outorgante. Não obstante, caso Vossa Senhoria tenha outro entendimento, a Requerente anexa à presente cópia de procuração e substabelecimento físicos conferindo poderes para a advogada signatária do Recurso Voluntário. Desta forma, demonstrada a regular representação processual da Requerente, requer seja dado regular processamento ao Recurso Voluntário interposto.”. Foi também juntado, a fls. 402 e segs., cópia de Procuração Pública, datada de 18/09/2012, na qual a recorrente outorga poderes de representação, inclusive da cláusula ad juditia et extra, para as seguintes pessoas: Fábio Silveira Bueno Bianco; Nathália Guedes Brum; Carla Cristina Moreira Araújo; Priscilla Folgosi Castanha; Fábio Bernado; Ângelo Francisco Barrinuevo Ambrizzi. Já a fls. 406, consta o substabelcimento dos poderes conferidos ao Sr. Fábio Bernado para a Sra. Marli Emiko Ferrari Okasako. Fl. 417DF CARF MF 6 É o relatório. Voto Não obstante estes autos já tivessem sido objeto de diligência determinada por esta Turma de Julgamento, ao compulsálo nesta oportunidade, verifico que a competência para seu julgamento é da 3ª Seção do CARF, pois tratase de auto de infração para constituição de multa isolada por falta de apresentação de livros de apuração de IPI, conforme se constata do teor das intimações a fls. 3 e 52 e da descrição dos fatos do auto de infração a fls. 214 e segs., in verbis: O art. 4º do Anexo II do atual Ricarf (Portaria MF 343/15) assim dispõe: Art. 4º À 3ª (terceira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação referente a: (...) III Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); (...) Fl. 418DF CARF MF Processo nº 10073.720010/201126 Acórdão n.º 1302001.957 S1C3T2 Fl. 416 7 XXI penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas físicas e jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo. Da mesma forma, dispunha o art. 4º, III e XXI, do Anexo II da revogada Portaria MF 256/09 (antigo RICARF). Fica claro assim, que falece competência a esta Primeira Seção para conhecer do recurso voluntário da recorrente. Em face do exposto, voto por declinar da competência para julgar o recurso voluntário em tela e por remeter os autos para a Terceira Seção do CARF. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 419DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11042.000631/2008-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/07/2008
CONCORRÊNCIA DE PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL COM O MESMO OBJETO. CONCOMITÂNCIA. CONFIGURAÇÃO.
A propositura pelo contribuinte de ação judicial onde se alterca a mesma matéria veiculada em processo administrativo, a qualquer tempo, antes ou após a inauguração da fase litigiosa administrativa, conforme o caso, importa em renúncia ao direito de recorrer ou desistência do recurso interposto.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3401-004.434
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário apresentado, por concomitância de objeto com ação judicial.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente a Cons. Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/07/2008 CONCORRÊNCIA DE PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL COM O MESMO OBJETO. CONCOMITÂNCIA. CONFIGURAÇÃO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial onde se alterca a mesma matéria veiculada em processo administrativo, a qualquer tempo, antes ou após a inauguração da fase litigiosa administrativa, conforme o caso, importa em renúncia ao direito de recorrer ou desistência do recurso interposto. Recurso voluntário não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário apresentado, por concomitância de objeto com ação judicial. Rosaldo Trevisan Presidente Robson José Bayerl Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente a Cons. Mara Cristina Sifuentes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1582; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 10 1 9 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11042.000631/200814 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401004.434 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de março de 2018 Matéria CLASSIFICAÇÃO FISCAL Recorrente VERGARA & RIBA EDITORAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/07/2008 CONCORRÊNCIA DE PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL COM O MESMO OBJETO. CONCOMITÂNCIA. CONFIGURAÇÃO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial onde se alterca a mesma matéria veiculada em processo administrativo, a qualquer tempo, antes ou após a inauguração da fase litigiosa administrativa, conforme o caso, importa em renúncia ao direito de recorrer ou desistência do recurso interposto. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário apresentado, por concomitância de objeto com ação judicial. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente a Cons. Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 2. 00 06 31 /2 00 8- 14Fl. 316DF CARF MF 2 Relatório Cuidase de lançamento para exigência de multa por falta de licença de importação (art. 169, I, “b” e § 6º do DL 37/66, na redação dada pela Lei nº 6.562/78), referente à DI 08/10661009, de 15/07/2008, decorrente da reclassificação da mercadoria descrita como “livros interativos”, do código NCM 4901.99.00 (Outros livros, brochuras e impressos semelhantes) para 9503.00.39 (Outros brinquedos que representem animais ou seres não humanos). Em impugnação o contribuinte sustentou a nulidade do lançamento; que a classificação fiscal adotada estaria correta, à luz das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado RGI/SH; que as soluções de consulta da RFB amparariam o enquadramento tarifário por ele indicado; que houve erro na certificação do produto, pelo órgão responsável (INMETRO), como brinquedo; e, que a retenção da mercadoria seria medida injustificável. A DRJ São Paulo/SP manteve o lançamento: “Importação de Livros Interativos com Classificação Fiscal no código NCM 4901.99.00. A totalidade das páginas dos produtos são composta por moldes a serem recortados ou de orientações para recorte, montagem e colagem. A Nota Explicativa do Sistema Harmonizado da Posição 4903 é taxativa em remeter para o Capítulo 95, se mais de metade das páginas (incluída a capa) se destinam a ser recortadas, no todo ou em parte. As Soluções de Consulta transcritas pela impugnação não se referem a publicações que se destinam a ser recortadas, no todo ou em parte.” O recurso voluntário noticiou a impetração do Mandado de Segurança nº 500083308.2011.4.04.7110, em 17/03/2011, Tribunal Regional Federal – 4ª Região, e em seguida alegou, em sede preliminar, a existência de coisa julgada decorrente de decisão judicial e extinção do crédito tributário e, no mérito, reforçou a correção da classificação fiscal adotada. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso é tempestivo, porém, não atende a todos os requisitos de admissibilidade, ao passo que se verificou a concomitância de discussões no âmbito administrativo e judicial a configurar causa extintiva do direito de recorrer, como adiante se demonstrará. Na lição de Luiz Guilherme Marinoni e Sérgio Cruz Arenhart1, certas circunstâncias, quando presentes no processo, tomam caráter de verdadeiro “negócio processual”, alterando os direitos processuais conferidos aos sujeitos do processo, tal é o que 1 Manual do Processo de Conhecimento. 4ª edição, revista, atualizada e ampliada. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2005. pág. 516 e 518. Fl. 317DF CARF MF Processo nº 11042.000631/200814 Acórdão n.º 3401004.434 S3C4T1 Fl. 11 3 ocorre na renúncia ao direito de recorrer e na desistência do recurso interposto, diferindo uma do outra na medida em que esta última se opera posteriormente ao oferecimento do recurso, enquanto aqueloutra antecede à sua apresentação. A questão em debate está assentada na correta classificação fiscal do produto tratado como “livro interativo” e, por via reflexa, o cabimento de multa por falta de licença de importação, em decorrência de sua reclassificação tarifária do código NCM 4901.99.00 para 9503.00.39. Essa mesma matéria foi submetida à apreciação do Poder Judiciário através do MS 500083308.2011.4.04.7110, Tribunal Regional Federal 4ª Região, com decisão concessiva da segurança transitada em julgado na data de 11/01/2012, conforme consulta processual ao sítio virtual do tribunal respectivo (www.trf.jus.br), em 20/11/2017, de maneira que resta prejudicado o seu conhecimento na seara administrativa, por força do princípio constitucional da unidade de jurisdição, importando desistência do recurso administrativo sub examine, como se extrai do art. 1º, § 2º do DecretoLei nº 1.737/79, in verbis: “Art 1º Serão obrigatoriamente efetuados na Caixa Econômica Federal, em dinheiro ou em Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional ORTN, ao portador, os depósitos: I relacionados com feitos de competência da Justiça Federal; II em garantia de execução fiscal proposta pela Fazenda Nacional; III em garantia de crédito da Fazenda Nacional, vinculado à propositura de ação anulatória ou declaratória de nulidade do débito; IV em garantia, na licitação perante órgão da administração pública federal direta ou autárquica ou em garantia da execução de contrato celebrado com tais órgãos. § 1º O depósito a que se refere o inciso III, do artigo 1º, suspende a exigibilidade do crédito da Fazenda Nacional e elide a respectiva inscrição de Dívida Ativa. § 2º A propositura, pelo contribuinte, de ação anulatória ou declaratória da nulidade do crédito da Fazenda Nacional importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto.” (destacado) Não discrepa, quanto a substância, o teor do art. 38, parágrafo único da Lei nº 6.830/80: “Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Fl. 318DF CARF MF 4 Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto.” (destacado) Vale mencionar, ainda, o verbete da súmula CARF nº 1 (Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial) e o art. 78, § 2º, in fine, Anexo II, do seu Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/15, que ora se reproduz: “Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. (...) § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. (...)” (destacado) Da leitura dos excertos coligidos, inferese sem maiores dificuldades que a legislação de regência não admite a possibilidade de discussão paralela de assunto submetido tanto à Administração Tributária quanto ao Poder Judiciário, pouco importando que a opção pela via judicial seja anterior à inauguração do contencioso administrativo, quando ocorreria a renúncia a essa instância, ou posterior, quando se configuraria a desistência do recurso interposto, como se apresenta no caso vertente. Com essas considerações, voto por não conhecer do recurso voluntário manobrado. Robson José Bayerl Fl. 319DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.903600/2008-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
DCOMP. COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO.
Diligência fiscal que constatou ausência de créditos remanescentes, à compensar débitos deste processo.
DCOMP. COMPENSAÇÃO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA DEVIDA.
O afastamento da multa moratória, em face do benefício da denúncia espontânea, do art. 138, do CTN, exige o atendimento dos requisitos de existência de pagamento do tributo com os respectivos juros de mora e da inexistência de procedimento fiscal anterior ao pagamento.
A compensação é forma distinta de extinção do crédito tributário, sujeita à condição resolutória da sua homologação, estando restrito ao pagamento o gozo do benefício conferido pelo sobredito art. 138, do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3401-004.319
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, aplicando-se integralmente a informação fiscal, resultado da diligencia fiscal, com a conseqüente homologação parcial da compensação declarada.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (Suplente), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. Diligência fiscal que constatou ausência de créditos remanescentes, à compensar débitos deste processo. DCOMP. COMPENSAÇÃO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA DEVIDA. O afastamento da multa moratória, em face do benefício da denúncia espontânea, do art. 138, do CTN, exige o atendimento dos requisitos de existência de pagamento do tributo com os respectivos juros de mora e da inexistência de procedimento fiscal anterior ao pagamento. A compensação é forma distinta de extinção do crédito tributário, sujeita à condição resolutória da sua homologação, estando restrito ao pagamento o gozo do benefício conferido pelo sobredito art. 138, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, aplicandose integralmente a informação fiscal, resultado da diligencia fiscal, com a conseqüente homologação parcial da compensação declarada. ROSALDO TREVISAN Presidente. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 36 00 /2 00 8- 54 Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10980.903600/200854 Acórdão n.º 3401004.319 S3C4T1 Fl. 179 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (Suplente), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto os relatórios das Resoluções que converteram os feitos em diligências, os quais, por economia, reservome o direito de não transcrever. Considerando que o processo não se encontrava em condições de julgamento, foi resolvida sua conversão em diligência para que fosse apurado o valor que é devido em cada um dos códigos, o valor que fora efetivamente pago e, sendo assim, se a contribuinte possui direito creditório em caso de pagamento a maior. A informação fiscal proferida confirmou a homologação parcial da compensação declarada, "...isto porque o contribuinte não compensou a multa de mora a que o débito estava sujeito, dado que compensado quando já se encontrava vencido." Após ciência sobre a informação fiscal, apresentase manifestação, contestando as conclusões alcançadas pela diligência fiscal, em essência, alegando estar amparada pelo art. 138, da Lei n° 5.172/66 (CTN), que excluiria a responsabilidade pela denúncia espontânea, quanto à multa de mora. Voto O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como visto do relatório, tratase de DCOMP, transmitida para a compensação de créditos tributários relativos às contribuições sociais para o PIS. Notar que, inicialmente, o despacho decisório eletrônico de não homologação das compensações declaradas, deuse pelo fato de que o DARF discriminado na DCOMP estava integralmente utilizado. Na manifestação de inconformidade, passa o interessado a justificar que o crédito pleiteado tem origem no recálculo da contribuição em razão da redução à alíquota a zero (%) por centro para o PIS no período. Em resposta, concluiu o acórdão DRJ, não ter sido trazido aos autos a comprovação da existência do direito creditório alegado. Diante destas razões, posteriormente trazidas, via decisão recorrida, contrapõe a recorrente, por meio do recurso voluntário, provas documentais, em planilhas e cópias de razões analíticos. Presente a hipótese prevista na alínea "c", §4º, art. 16, do PAF, no caso em discussão, os autos foram e retornaram de diligência com a confirmação da homologação parcial da compensação declarada, restando saldo devedor, em razão da não compensação da multa de mora a que o débito estava sujeito, dado que compensado quando já se encontrava vencido. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10980.903600/200854 Acórdão n.º 3401004.319 S3C4T1 Fl. 180 3 Entendo, no mesmo sentido da decisão recorrida, que o art. 138, da Lei n° 5.172/66, exclui a responsabilidade pela denúncia espontânea, mas, quando acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora. Pagamento. Não compensação como é o caso. Aplicase ao caso, o teor do julgamento do REsp 1.149.022/SP, submetido ao rito dos recursos repetitivos, do art. 543C, do CPC/1973, determinandose que a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente; decisão judicial de reprodução obrigatória pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do §2º, do art. 62, do RICARF/2015 (Portaria MF nº 343, de 09/06/15). PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10980.903600/200854 Acórdão n.º 3401004.319 S3C4T1 Fl. 181 4 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. SÚMULA STJ nº. 360 O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Aplicando o instituto da denuncia espontânea, à caso concreto semelhante, sob o aspecto da existência de compensação, ao invés de pagamento, o voto vencedor da Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, no Acórdão nº 3302002.772, de 13/11/2014, abaixo transcrito, adotadas suas razões de decidir para o presente processo: "Denúncia Espontânea O CTN somente excluiu, em seu art. 138, a responsabilidade tributária em razão de denúncia espontânea quando esta for acompanhada do pagamento do tributo devido com os respectivos juros moratórios. O comando do art. 138, do CTN, visa incentivar a regularização fiscal e o incremento da arrecadação, por meio da concessão de incentivo (qual seja, a exclusão da responsabilidade por infração) pelo pagamento de tributos em atraso espontaneamente denunciados. E como a compensação seja aos moldes pretéritos (em que era objeto de pedido e era passível de eventual Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10980.903600/200854 Acórdão n.º 3401004.319 S3C4T1 Fl. 182 5 posterior indeferimento), seja aos moldes atuais (em que é declarada e está sujeita, dentro do prazo de 5 anos, a ser fortuitamente não homologada na forma do art. 74, §1º, da Lei nº 9.430/96) –, trata de forma precária (não definitiva) da extinção do crédito tributário, não goza do benefício conferido por sobredito art. 138. O entendimento acima se afina com a jurisprudência do STJ a respeito desta questão peculiar, conforme patenteia a ementa do acórdão, recentemente publicado no DJE de 26/08/2010, proferido AgRg no Agravo de Instrumento nº 1.303.103/RS, no qual foi Relatora a Exma. Sra. Ministra Eliana Calmon: “TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL DENÚNCIA ESPONTÂNEA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO DO PRINCIPAL E DOS JUROS DE MORA DEVIDOS NÃO CONFIGURAÇÃO. 1. A configuração da denúncia espontânea pressupõe o pagamento do principal da dívida acompanhado dos juros de mora devidos antes de qualquer procedimento fiscal, o que não ocorreu na espécie, na qual houve mero pedido de compensação. 2. Agravo regimental não provido.” (g.n.) De se ver que a jurisprudência colacionada pela contribuinte em suas peças de defesa atestam como requisitos para a não incidência de multa moratória em face da denúncia espontânea o atendimento de dois requisitos: a existência de pagamento do tributo com os respectivos juros de mora e a inexistência de procedimento fiscal anterior ao pagamento. A contribuinte não atendeu ao primeiro dos requisitos mencionados. (grifei/sublinhei) No mesmo sentido, o voto condutor do Conselheiro Luiz Roberto Domingo, no Acórdão nº 3101001.631, de 27/03/2014, abaixo transcrito, por unanimidade, entendo não ser cabível a exclusão da penalidade, nos termos do art. 138 do CTN, no casos de mera compensação: "É pacífica a jurisprudência, inclusive com diversos precedentes do E. STJ, no sentido de que é possível ao contribuinte sanar o inadimplemento de crédito tributário, ainda que a destempo, sem que haja aplicação da sanção legal, desde que mediante PAGAMENTO. Está assim pacificada a jurisprudência no âmbito do STJ: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. PRETENSÃO QUE ENCONTRA ÓBICE NA SÚMULA N. 7 DO STJ. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. 1. A revisão da conclusão do acórdão recorrido, no sentido da ausência de direito líquido e certo a ser amparado pelo mandamus, importaria em novo exame do conjunto fáticoprobatório dos autos. Precedentes: AgRg no AREsp 144.012/MA, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 15/05/2012; AgRg no AREsp 98.066/MG, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 23/04/2012; REsp 1206178/DF, Rel. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10980.903600/200854 Acórdão n.º 3401004.319 S3C4T1 Fl. 183 6 Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17/11/2011; AgRg no Ag 1378589/DF, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 13/09/2011. 2. A extinção do crédito tributário por meio de compensação está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, temse por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência, de consequência, dos encargos moratórios. Nessa linha, sendo que a compensação ainda depende de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 174.514, Rel. Min. Benedito Gonçalves, 1A T, julg. 04/09/2012) Como no presente caso, diferentemente dos demais que foram por mim analisado, a Recorrente realizou a compensação dos débitos liquidados em atraso, conforme se verifica da planilha transcrita no relatório acima, entendo não ser cabível a exclusão da penalidade nos termos do art. 138 do CTN." (grifei) Portanto, no presente caso, inaplicável o instituto da denuncia espontânea, nos termos do art. 138, do CTN, e indevida a exclusão da penalidade da multa de mora. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, aplicandose integralmente a informação fiscal, resultado da diligencia fiscal, com a conseqüente homologação parcial da compensação declarada. Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 183DF CARF MF
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Numero do processo: 10630.720364/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. EXCLUSÃO. Deve ser excluída a responsabilidade tributária de procurador que é empregado de pessoa jurídica que ganhava pequena quantia mensal para fins de assinar cheques, sem ter real poder de administração.
Numero da decisão: 1201-001.877
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos da Fazenda Nacional, sem efeitos infringentes, para que o acórdão seja integrado para suprir a omissão de fundamento apontada.
Nome do relator: Paulo Cezar Fernandes de Aguiar
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. EXCLUSÃO. Deve ser excluída a responsabilidade tributária de procurador que é empregado de pessoa jurídica que ganhava pequena quantia mensal para fins de assinar cheques, sem ter real poder de administração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos da Fazenda Nacional, sem efeitos infringentes, para que o acórdão seja integrado para suprir a omissão de fundamento apontada. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 72 03 64 /2 00 8- 11 Fl. 1811DF CARF MF Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.15092.Y7AZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. Relatório Tratase de Embargos de Declaração (fls. 1.792 a 1.796) opostos em 18 de setembro de 2015 pela Fazenda Nacional, em face da alegada existência de omissão no acórdão nº 1103000.449 (fls. 1.764 a 1.790), proferido pela então Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara desta 1ª Seção do CARF, em 24 de maio de 2011. Dispõe o artigo 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. § 1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão: I por conselheiro do colegiado, inclusive pelo próprio relator; II pelo contribuinte, responsável ou preposto; III pelo Procurador da Fazenda Nacional; IV pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de suas decisões; ou V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão. § 2º O presidente da Turma poderá designar o relator ou redator do voto vencedor objeto dos embargos para se pronunciar sobre a admissibilidade dos embargos de declaração. § 3º O Presidente não conhecerá os embargos intempestivos e os rejeitará, em caráter definitivo, nos casos em que não for apontada, objetivamente, omissão, contradição ou obscuridade. O exame de admissibilidade foi efetuado por meio do despacho de fls. 1.800 a 1.803. O processo foi redistribuído por sorteio em face da reformulação ocorrida no CARF com a extinção da Turma que proferiu o acórdão. No Despacho de Admissibilidade ficou assentado: Notificada da referida decisão em 11.09.2015, a PGFN opôs embargos de declaração em 18.09.2015 (§ 9º do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972), suscitando que: Fl. 1812DF CARF MF Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.15092.Y7AZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10630.720364/200811 Acórdão n.º 1201001.877 S1C2T1 Fl. 3 3 Ocorre que o acórdão embargado foi omisso sobre os fundamentos que ensejaram o provimento do Recurso Voluntário, conforme transcrição do voto vencedor, [...] Como visto, o ilustre Relator ad hoc designado, [...], não apontou fundamento algum que respalde a conclusão do julgado, ensejando afronta ao art. 93, inciso IX, da Constituição Federal, que expressamente dispõe [...]. Logicamente que tais determinações se aplicam também a decisões administrativas, considerando os princípios do Estado Democrático de Direito que se encontram inseridos na referida norma. Destaquese, inclusive, que o princípio da informalidade que norteia o contencioso tributário não isenta os conselheiros do CARF do imperioso dever que a Constituição Federal impõe a todos os órgãos jurisdicionados de fundamentar suas decisões, de modo a possibilitar o adequado exercício das funções institucionais que lhes foram incumbidas. Ainda acerca das normas que respaldam a exigência de fundamentação das decisões, cumpre observar que o Código de Processo Civil explicita este dever do julgador e garantia das partes, consoante os artigos a seguir transcritos: [...] Por sua vez, o artigo 458, ao qual o artigo 165 remete, dispõe detidamente sobre a forma que deve ser obedecida nas sentenças e nos acórdãos: [...] Portanto, o CPC determina que a fundamentação deve ser analítica nos casos de sentenças e acórdãos, podendo ser concisa nos demais casos. Esclareçase que a fundamentação pode ser concisa, mas deve ser sempre suficiente para legitimar a conclusão final. Na hipótese em análise, sequer concisa foi a fundamentação do Acórdão nº 1103000.449, na medida em que o Relator ad hoc designado limitouse a reproduzir a conclusão constante da ata da respectiva sessão de julgamento, impossibilitando às partes terem ciência dos argumentos que ensejaram o provimento do pedido da contribuinte. [...] Portanto, resta evidente a violação ao direito das partes de terem conhecimento das razões que fundamentaram a conclusão do referido julgado, o que enseja grave cerceamento de defesa e afronta ao Estado Democrático de Direito. Tal conduta possibilita a decretação de nulidade da decisão. [...] Com a abordagem realizada acerca da motivação das decisões judiciais e administrativas, concluise que para se ter uma decisão adequada, os julgadores devem respeitar as garantias elencadas no ordenamento jurídico pátrio. A falta da motivação das decisões importa, sem dúvida alguma, em nulidade, pois o processo deixou de atingir seu desiderato, Fl. 1813DF CARF MF Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.15092.Y7AZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 afrontando garantias constitucionais e processuais das partes. [...] Ante o exposto, requer a União (Fazenda Nacional) sejam conhecidos e providos os presentes embargos de declaração com efeitos infringentes, com a consequente indicação das razões que levaram à exclusão do sr. Sr. Ademilton Medeiros de Oliveira do auto de infração; ou, então, caso não seja possível a adoção desse procedimento, com a consequente anulação do julgamento inicial, em atenção aos princípios resguardados no ordenamento jurídico pátrio. Os embargos de declaração têm como requisito de admissibilidade a indicação de algum dos vícios de obscuridade ou contradição no julgado ou omissão de algum ponto sobre o qual deveria pronunciarse o colegiado não se prestando, portanto, ao rejulgamento da matéria posta nos autos. Eles estão regulamentados no art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF) e foram opostos no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão e atendem aos pressupostos de tempestividade e legitimidade. Passase a apreciar a admissibilidade. Tem cabimento transcrever excertos do acórdão embargado: Assim, o entendimento consubstanciado neste voto vencedor, que se restringe à exclusão da responsabilidade tributária do recorrente Sr. Ademilton Medeiros de Oliveira, tem por base os elementos constantes da ata da Sessão de Julgamento, realizada pela 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, em 24/05/2011, à partir das quatorze horas e trinta minutos, e não exprime qualquer juízo de valor deste redator. Em que pese o bem elaborado e fundamentado voto do ilustre Relator, durante as discussões ocorridas por ocasião do julgamento do presente litígio surgiu divergência que levou a conclusão diversa com relação à responsabilidade tributária imputada, em caráter pessoal ao recorrente Sr. Ademilton Medeiros de Oliveira. Desta feita, entendeu o colegiado que não restou configurada a responsabilidade tributária do referido recorrente. Pelo exposto, a decisão do colegiado foi no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo Sr. Ademilton Medeiros de Oliveira, para excluílo do pólo passivo da obrigação constituída mediante o lançamento formalizado no presente processo. A PGFN argúi que houve omissão em relação ao fato de que no acórdão embargado excluiu do pólo passivo o Sr. Ademilton Medeiros de Oliveira. Porém, não ficou identificada a motivação desta circunstância. A situação de omissão está apontada objetivamente. Registrese que não houve expressa manifestação do julgado sobre ponto em que se impunha o seu pronunciamento de forma obrigatória, dentro dos ditames da causa de pedir em relação a motivação da exclusão do pólo passivo o Sr. Ademilton Medeiros de Oliveira. Por todo o exposto, ADMITO os embargos de declaração interpostos. Fl. 1814DF CARF MF Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.15092.Y7AZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10630.720364/200811 Acórdão n.º 1201001.877 S1C2T1 Fl. 4 5 Transcrevese abaixo o relatório da decisão embargada: Tratase de recurso voluntário, a respeito da decisão da DRJ de Juiz de Fora que julgou procedente o lançamento. Foi lavrado o auto de infração para exigência do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), apurado pelo lucro arbitrado em razão do contribuinte ter deixado de apresentar os livros e documentos de sua escrituração, períodos de apuração dos anoscalendário de 2003 e 2004, e os consectários PIS, CSLL e COFINS, totalizando o valor exigido R$46.680.970,49, incluídos o principal, a multa de ofício e os juros de mora devidos até a data da lavratura (fls. 01/46). As irregularidades encontramse assim descritas nos respectivos autos de infração lavrados e no Relatório de Auditoria Fiscal (RAF) de fls. 47/74, parte integrante da peça acusatória: (...) 13. A empresa COMERCIAL AGRÍCOLA CARVALHO, CNPJ 01.755.600/000122, apresentou declarações optando pelo Lucro Presumido para os anoscalendário 2003 e 2004, onde inseriu R$ 0,00 (zero) de receitas. Neste período a fiscalizada teve um elevadíssimo movimento de mercadorias e também um elevadíssimo movimento financeiro conforme descrito nos próximos parágrafos. 14. A referida empresa declarou para Secretaria de Estado da Fazenda de Minas Gerais (SEFMG) ter realizado R$ 207.304.761,43 (duzentos e sete milhões, trezentos e quatro mil, setecentos e sessenta e um reais e quarenta e três centavos) em operações de saída de café para Minas Gerais e outros estados, em 2003 e 2004, conforme descrito nas tabelas abaixo: Fl. 1815DF CARF MF Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.15092.Y7AZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 15. Os arquivos da SRF apontam que a referida empresa teve movimentação financeira de R$89.998.572,98 em 2003 e R$ 96.425.083,80 em 2004, sem nenhum tributo declarado ou recolhido aos cofres da União. ARBITRAMENTO DO LUCRO 55. A empresa COMERCIAL AGRÍCOLA CARVALHO, CNPJ 01.755.600/000122, apresentou declarações optando pelo Lucro Presumido para os anoscalendário 2003 e 2004, porém sem nenhuma receita. 56. A auditada foi intimada, através de seu suposto sócio gerente, em 24/04/2007 a apresentar os documentos descritos abaixo: a) Livros Fiscais (Registro de Entradas, Registro de Saídas, Apuração do ICMS, Apuração do Lucro Real, Registro de Utilização de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrência); b) Livros Contábeis (Diário e Razão, ou Caixa); c) Contrato/ Estatuto Social e suas alterações; d)Extratos de contas bancárias e de aplicações financeiras, bem como documentos da movimentação financeira; e) Originais, ou cópias autenticadas, das Notas Fiscais de Entrada e Saída. 57. O Sr. SEBASTIÃO, suposto sóciogerente, se declarou “laranja” e não estar com a documentação. 58. O Sr. ADEMILTON MEDEIROS DE OLIVEIRA, procurador da fiscalizada, foi intimado a apresentar os mesmos documentos, porém informou que não é mais o representante legal da mesma. 59. O responsável pelo preenchimento das declarações da fiscalizada nos anoscalendário 2003 e 2004, o Sr. HENRIQUE CESAR DE OLIVEIRA, declarou que não sabe onde estão os livros e documentos da fiscalizada, presumindo que estão com o Sr. SEBASTIAO FERANDES BARBOSA. 60. Esta fiscalização esteve com a Sra. MÁRCIA MOREIRA PACHECO, apontada como uma das pessoas responsáveis pela contabilidade da fiscalizada, e esta informou não estar com os livros fiscais da COMERCIAL AGRICOLA CARVALHO e prestou os seguintes esclarecimentos sobre a abertura e o funcionamento da empresa: “(..) foi a declarante quem legalizou a abertura da empresa COMERCIAL AGRÍCOLA CARVALHO, tudo a mando de seu cunhado HERACLITO PACHECO, de quem recebeu os honorários para fazêlo; QUE a declarante não conheceu nenhuma das pessoas que constou como sócias da empresa, sendo tudo feito por intermédio de HERACLITO PACHECO, QUE, para a depoente, o dono da empresa era o Sr. HERACLITO PACHECO, inclusive lhe pagando os honorários em dinheiro (..) QUE o Sr. HERACLITO Fl. 1816DF CARF MF Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.15092.Y7AZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10630.720364/200811 Acórdão n.º 1201001.877 S1C2T1 Fl. 5 7 PACHECO atua no ramo de café, na área de MATIPÓ, tendo como o relacionamento o GRUPO GARDINGO QUE não sabe de outros relacionamentos do Sr. Heráclito com outros grupos além do Grupo Gardingo; (..) QUE atribui a movimentação de compra e venda de café da COMERCIAL PONTO FORTE e COMERCIAL AGRÍCOLA CARVALHO ao Sr. HERACLITO, não sabendo se outras pessoas utilizaram os talonárioS de notas fiscais das empresas citadas; QUE as notas fiscais de venda eram emitidas em Matipó, e que lhe eram entregues pelo Sr. Heráclito, que nunca lhe disse sobre outras pessoas que pudessem estar por trás das vendas de café em nome das empresas”. (...) 62. Com base nos esclarecimentos da Sra. MÁRCIA PACHECO, esta fiscalização esteve com o Sr. CLEYDSON MENDES BAIA em busca da documentação da fiscalizada. Este aparentando bastante cautela para não identificar pessoas ligada à fiscalizada prestou esclarecimentos que indicam o envolvimento do GRUPO GARDINGO com a mesma, conforme abaixo: (...) “Declara sob as penas da lei que não está consigo nem em seu escritório nem com seu sócio Roberto a documentação das empresas citadas, nem tem idéia de onde esteja”. “Questionado se veio a seu escritório pessoas ligadas ao Grupo Gardingo trazer ou levar papéis da PONTO FORTE ou da COMERCIAL AGRÍCOLA CARVALHO, informa que SIM, identificando supostamente caminhoneiros da GARDINGO que tenha feito isso, mas informa também que muitos emissários tiveram essa incumbência” 63. Tendo em vista os esclarecimentos da Sra. MÁRCIA PACHECO, esta fiscalização também esteve com o Sr. JOÃO KLEINPAUL em busca da documentação da fiscalizada, porém este também informou não estar com a mesma. 64. A contínua falta de apresentação de documentos por parte da fiscalizada configurase de forma inequívoca, a hipótese prevista no art. 47 da Lei 8.981/95, a qual transcrevese abaixo: “Art. 47 O lucro da pessoa jurídica será arbitrado, quando: (...) III — o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de que trata o art. 45, parágrafo único.” 65. O art. 845, inciso III, do R1R/99, ao tratar das bases para o “Lançamento de Oficio” a ser efetuado pela autoridade competente, assim determina: “Art. 845. Farseá o lançamento de oficio, inclusive: Fl. 1817DF CARF MF Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.15092.Y7AZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 (...) III computandose as importâncias não declaradas, ou arbitrando o rendimento tributável de acordo com os elementos de que se dispuser, nos casos de declaração inexata.” 66. Tendo em vista que a Receita Bruta dos anoscalendário 2003 e 2004 deste contribuinte é conhecida, estes valores serão utilizados para arbitramento do lucro nos termos dos artigos 16 da Lei 9.249/95 e 1° da Lei 9.430/96. Estes valores foram apurados conforme descrito anteriormente. DO DOLO 67. A COMERCIAL AGRÍCOLA CARVALHO tem em seu quadro societário pessoas com a condição financeira e padrão de vida totalmente incompatíveis com a propriedade de fato de uma empresa com a movimentação financeira superior a R$ 185.000.000,00 (cento e oitenta e cinco milhões de reais) entre 2003 e 2004. Os supostos sócios também não possuem conhecimento e experiência compatíveis com a propriedade de fato da empresa. Estes sócios admitiram ser “laranjas” e que a empresa funciona para encobrir negócios ligados ao Sr. HERACLITO PACHECO e ao GRUPO GARDINGO. 68. A fiscalizada, através dos responsabilizados neste lançamento, omitiu significantes receitas tributáveis. Está claro que, ao ocultar tamanha renda tributável à Administração Tributária Federal, tinha os responsabilizados a consciência de que a conduta levaria ao resultado ilícito. Não são pequenos valores que pudessem ser atribuídos a falhas de controle. Foi apurada uma receita bruta de R$ 207.304.761,43 em 2003 e 2004 que pode ser atribuída às operações da auditada, feitas sob a direção dos responsabilizados 69. A fiscalizada comprava café de produtores rurais e vendia para exportadoras. A legislação tributária permite que as exportadoras ou comercial tradings pleiteiem ressarcimento de PIS e COFINS das compras para exportação. Desse modo, os milhões de reais em vendas com a utilização das NFs da COMERCIAL AGRICOLA CARVALHO gerarão grandes restituições de PIS e COFINS para seus clientes, o que causa duplo prejuízo ao erário: Perdese com a sonegação e com a restituição de créditos que nem mesmo foram recolhidos. A grande beneficiária com os créditos gerados pelas vendas da fiscalizada é a empresa GARDINGO TRADE. 70. O Sr. SEBASTIÃO FERNANDES BARBOSA forneceu procuração para que o Sr. ADEMILTON MEDEIROS DE OLIVEIRA pudesse administrar e representar a empresa, realizando a movimentação financeira e todos os atos de gestão. O Sr. ADEMILTON é funcionário de confiança do GRUPO GARDINGO. Ele fazia serviços bancários para o ARMAZÉNS GERAIS SÃO JOAO, e os donos desta empresa, os Srs. JOÃO GARDINGO, ANTONIO GARDINGO e SEBASTIÃO GARDINGO foram apontados como os reais detentores dos recursos transitados pela conta bancária. Além de todas as informações bancárias apontarem para o GRUPO GARDINGO como responsável pela fiscalizada, o relacionamento estreito da COMERCIAL AGRICOLA CARVALHO com empresas do grupo Fl. 1818DF CARF MF Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.15092.Y7AZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10630.720364/200811 Acórdão n.º 1201001.877 S1C2T1 Fl. 6 9 e as declarações dos supostos sócios e pessoas envolvidas com a empresa reforçam esta tese. 71. Os Srs. JOÃO BATISTA GARDINGO, ANTÔNIO FÁBIO GARDINGO, SEBASTIÃO GARD1NGO e CARLOS HENRIQUE GARDINGO foram beneficiários de várias transferências bancárias feitas pela fiscalizada. 72. Sem a participação do GRUPO GARDINGO, a fiscalizada e seus suposto sócios não teriam condições de garantir o pagamento aos produtores de café e nem de realizar a grande quantidade operações de compra e venda de café. Os supostos sócios não tinham o mínimo conhecimento das operações da empresa, mas mesmo assim a empresa em seu nome faturou mais de R$ 200.000.000,00 (duzentos milhões de reais) em 2003 e 2004. DA MULTA DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO 73. Assim determina a Lei 9430/96 em seu art. 44, inciso 1 e § 1°: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso 1 do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. 74. A Lei 4.502/64, por sua vez, assim estabelece nos artigos supracitados “Art. 71 Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 Fraude é toda a ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 1819DF CARF MF Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.15092.Y7AZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 10 Art. 73 Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no art. 71 e 72.” 75. Quis o legislador estabelecer a atitude dolosa como pressuposto dos tipos penais definidos nos arts. 71, 72 e 73, anteriormente transcritos, os quais, uma vez caracterizados, implicam a majoração da multa de oficio prevista na legislação tributária. O conceito de dolo, para fins de tipificação dos delitos em apreço, encontrase no inciso 1, do art. 18 do Código Penal, ou seja, crime doloso é aquele em que o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA 1. SEBASTIÃO FERNANDES BARBOSA, CPF 001.694.07683, residente à Rua Mendes Faria, 104, Distrito de Realeza, Manhuaçu/MG. Pessoalmente Responsável ( Art. 135, III c/c Art. 124, I da Lei 5.172/66 CTN); 2. JOSÉ ALVES, CPF 596.579.52700, residente à Av. Vitória Minas, n° 121, Distrito de Realeza, Manhuaçu/MG. Pessoalmente Responsável ( Art. 135, III c/c Art. 124, I da Lei 5.172/66 CTN); 3. ADEMILTON MEDEIROS DE OLIVEIRA, CPF 036.178.44650, com endereço profissional à Av. São João, 106, Centro, Matipó/MG. Pessoalmente Responsável ( Art. 135, III c/c Art. 124, I da Lei 5.172/66 CTN); 4. JOÃO BATISTA GARDINGO, CPF 202.461.96653, com endereço à Av. São João, 106, Ap. 202, Centro, Matipó/MG — Pessoalmente Responsável ( Art. 135, III c/c Art. 124, I e 137, I da Lei 5.172/66 CTN); 5. ANTÔNIO FÁBIO GARDINGO, CPF 200.665.03604, com endereço à Av. São João, 106, Centro, Matipó/MG. Pessoalmente Responsável ( Art. 135, III c/c Art. 124, I e 137, I da Lei 5.172/66 CTN); 6. SEBASTIÃO GARDINGO, CPF 153.207.90600, com endereço à Av. São João, 106, Ap.101, Centro, Matipó/MG. Pessoalmente Responsável ( Art. 135, III etc Art. 124, I e 137, I da Lei 5.172/66 CTN); 7. HERACLITO PACHECO, CPF 072.717.36697, com endereço à Rua Afonso Senna,395, Bairro Vale Verde, Ponte Nova/MG. Pessoalmente Responsável ( Art. 135, III c/c Art. 124, I e 137, I da Lei 5.172/66 CTN); 8. CARLOS HENRIQUE GARDINGO, CPF 215.365.62653, com endereço à Av. São João, 106, Centro, Matipó/MG. Pessoalmente Responsável — (Art. 135, III c/c Art. 124, 1 e 137, I da Lei 5.172/66 — CTN); 9. ARMAZÉNS GERAIS SÃO JOÃO LTDA, CNPJ22.394.696/000110, localizada à Rodovia Fernão Dias, KM 700, Três Corações/MG Responsável Solidário ( Art. 124, I c/c 134, III da Lei 5.172/66 CTN); Fl. 1820DF CARF MF Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.15092.Y7AZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10630.720364/200811 Acórdão n.º 1201001.877 S1C2T1 Fl. 7 11 10. GARDINGO TRADE IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, CNPJ 00.681.184/000100, localizada à Av. São João, 106, Sala 05, Centro, Matipó/MG Responsável Solidário ( Art. 124, I c/c 134, III da Lei 5.172/66 CTN); 11. CAFEEIRA SÃO JOÃO LTDA, CNPJ 16.812.331/000166, localizada à Rua João Moreira Bastos, 148, Loja A, Centro, Matipó/MG Responsável Solidário (Art. 124, I c/c Art 134, III da Lei 5.172/66 CTN). O índice de documentos que compõe o presente processo encontrase à fl. 75. A ação fiscal gerou o processo de representação para fins penais n° 10630.720365/200857, tramitando separadamente, conforme Termo de Desapensação de fls. 1136. À fl. 1137, constam as informações processuais quanto às datas das ciências dos autos de infração e das respectivas defesas apresentadas pelos arrolados como responsáveis pelo crédito tributário. Dada a identidade de algumas das peças impugnatórias apresentadas, serão reunidas, a seguir, as coincidentes. As empresas, Gardingo Trade Importação e Exportação Ltda., Armazéns Gerais São João Ltda. e Cafeeira São João Ltda., arroladas como responsáveis solidárias pelo crédito tributário, nos termos do artigo 124, I c/c 134, III da Lei 5.172/66 CTN, e as pessoas físicas, João Batista Gardingo, Antônio Fábio Gardingo, Sebastião Gardingo e Carlos Henrique Gardingo, arroladas como pessoalmente responsáveis (art. 135, III c/c 124, I e 137, I da Lei 5.172/66 CTN), nas defesas de fls. 795/807, 857/869, 916/928, 974/986, 1033/1045 alegam, em síntese, que: no tocante responsabilização imputada às empresas impugnantes, que "os negócios firmados entre as empresas impugnantes e o contribuinte autuado eram lícitos e previstos no objeto social das impugnantes. Desta forma, não caberia às impugnantes fiscalizar a empresa Comercial Agrícola Carvalho quanto ao cumprimento de suas obrigações tributárias. Mesmo porque lhes faltariam_prerrogativas e instrumentos_para tal_fiscalização."(sic); nenhuma das meras alegações, contidas no Relatório em questão, podem comprovar que as impugnantes têm algum vínculo com o contribuinte autuado além das relações comerciais; a responsabilização dos ora impugnantes foi feita com base somente em alegações e depoimentos pessoais dos sócios da empresa autuada, sendo que em momento algum foram intimados a prestar informações os ora impugnantes. afirma que a responsabilização de terceiros por créditos tributários somente pode ser feita mediante comprovação inequívoca do fato, através do devido processo legal que comprove o dolo necessário para caracterização das situações previstas nos arts. 134 e 135, do CTN, suscitados pela Fiscalização, sendo que, no caso presente, inferese que não restou comprovada nenhuma atitude desta natureza; o IRPJ, PIS, COFINS e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, são tributos sujeitos à homologação do pagamento, razão pela qual o lançamento é regido pela disposição prevista no artigo 150, parágrafo 4° do CTN. Assim, no caso sob exame, tendo em vista que as impugnantes foram intimadas do lançamento em Fl. 1821DF CARF MF Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.15092.Y7AZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 12 questão em dezembro, os geradores ocorridos no ano de 2003 encontramse decaídos; a autuação sob crivo revelase nula, tendo em vista que a exigência formalizada depois do transcurso do prazo decadencial de parte do Auto de Infração autoriza a declaração de nulidade do feito fiscal, conforme as notas explicativas do art. 59, § 3° do Decreto n° 70.235/2002; a multa lançada afirmando é indevida, não só por conta dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, do Código do Consumidor, que não admite multa superior a 10% do valor da obrigação, nos termos de seu parágrafo 1°, do seu artigo 52, mas também porque possui um caráter manifestamente confiscatório; a utilização da taxa SELIC, para determinação dos juros moratórios, é inconstitucional e ilegal consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça. Diante das razões apresentadas as impugnantes requerem: 50. Pelo exposto, confiam e esperam os impugnantes seja acolhida a presente defesa para, reconhecendo os argumentos ora aduzidos, declarar a inexistência de responsabilidade para com o crédito tributário exigido no Auto de Infração impugnando. 51. Ad argumentandum, ainda que não se entenda pela procedência da presente impugnação, o que se admite apenas em atenção ao princípio da eventualidade, requerem os impugnantes o cancelamento do Auto de Infração ora impugnado, tendo em vista a decadência do crédito tributário exigido. 52. Requerem também os impugnantes, em razão do princípio da eventualidade, seja reduzida a multa isolada aplicada em pelo menos 50% de seu valor, posto que a mesma afigurase confiscatória, bem como a substituição da Taxa Selic, posto que inadequada à atualização de débitos tributários. 53. Protesta pela produção de prova documental, bem como apresentação de novos documentos, nos termos do art. 6°, § 1° da Portaria MPAS n° 357, de 17 de abril de 2002. O procurador da empresa autuada, Ademilton Medeiros de Oliveira, devidamente notificado na condição de pessoalmente pelos créditos tributários, não se conformando com o procedimento fiscal, apresentou, tempestivamente, as suas razões de defesa, às fls. 1097/1099, nas quais requer o cancelamento do Auto de infração ora impugnado, alegando em síntese o seguinte: A decadência dos débitos exigidos nos Autos de Infração nos termos do artigo 173 do CTN, que dispõe que o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (anos), isso porque o impugnante somente foi intimado dos autos de infração pela Fiscalização em novembro de 2008 e esses autos estão exigindo tributos referentes ao ano de 2003; Não tem nenhuma responsabilidade pelos débitos em questão, sendo apenas mero prestador de serviços do contribuinte autuado; A multa de 150% revelase extremamente onerosa, nos termos do Código do Consumidor, que impossibilita a multa superior a 10% do valor da obrigação, os termos de seu parágrafo 1°, do seu artigo 52; Fl. 1822DF CARF MF Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.15092.Y7AZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10630.720364/200811 Acórdão n.º 1201001.877 S1C2T1 Fl. 8 13 Por fim, requer o afastamento da aplicação da taxa SELIC sobre esses débitos, uma vez que esta não é índice juridicamente válido para ser aplicado a título de juros moratórios. Em 31/12/2008, a Comercial Agrícola Carvalho Ltda., autuada, apresentou a impugnação de fls.1102/1104, pugnando pelo cancelamento da exigência tendo em vista a decadência de parte do lançamento, relativamente a fatos geradores ocorridos em 2003. Da mesma forma, em 31/12/2008, José Alves e Sebastião Fernandes Barbosa, na qualidade de pessoalmente responsáveis pelo crédito tributário, apresentaram a sua defesa de fls. 1116/1123. A DRJ decidiu (ementa): "DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE. Comprovado o evidente intuito de fraude o prazo decadencial deslocase da regra do parágrafo 4° do artigo 150 para a do inciso I do artigo 173, ambos do CTN. RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Nos termos da legislação em vigor, os juros serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. Aplicase às exigências, ditas reflexas, o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas." Segue Recurso Voluntário no processo administrativo em referência, das seguintes pessoas jurídicas e físicas: Gardingo Trade Importação,e Exportação Ltda; Fl. 1823DF CARF MF Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.15092.Y7AZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 14 Armazéns Gerais São João Ltda; Cafeeira, São João Ltda; João Batista Gardingo; Antônio Fábio, Gardingo; Sebastião Gardingo, Ademilton Medeiros de Oliveira e Carlos Henrique Gardingo: DA AUSÊNCIA DE DOCUMENTOS, ESSENCIAIS NO PROCESSO Não obstante, as supostas declarações prestadas à SEFMG sequer, foram trazidas aos autos do PTA. Não constam tais declarações do, procedimento fiscal, pelo que os valores apontados pela Fazenda não passam de meras alegações desprovidas de comprovação. Verifiquese, nesse sentido, o sumário do Relatório citado, em que não há qualquer menção às declarações invocadas. Com isso, além de se impedira comprovação de que os valores suscitados como receitas da devedora são realmente aqueles constantes das declarações, tornou se impossível a eventual verificação de seu teor, impedindo os recorrentes de impugnar tais valores, em mais uma violação frontal ao seus direitos fundamentais à ampla defesa e contraditório; DA RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A empresa Comercial Agrícola Carvalho Ltda., devedora do débito em comento, é sociedade completamente distinta das empresas ora Recorrentes, com quadro societário também inteiramente diverso, conforme comprovado pela própria Fiscalização. A empresa Comercial Agrícola Carvalho Ltda e as Recorrentes apenas realizavam negociações no mercado de café, sendo essas últimas meras prestadoras de serviços do contribuinte autuado. Ora, os negócios firmados entre as empresas Recorrentes e o contribuinte autuado eram lícitos e previstos no objeto social das Recorrentes. Desta forma, não caberia a essas fiscalizar a empresa Comercial Agrícola Carvalho Ltda quanto ao cumprimento de suas obrigações tributárias. Mesmo porque lhes faltariam prerrogativas e instrumentos para tal fiscalização. A responsabilização dos ora recorrentes foi feita com base somente em alegações e depoimentos pessoais dos sócios da empresa autuada, sendo que em momento algum foram intimados a prestar informações os ora Recorrente. Passandose ao cotejamento de cada uma das hipóteses de responsabilização previstas no CTN, em especial os arts. 134, 135 e 137, pretensos fundamentos da Fazenda pára responsabilização dos recorrentes in casu, temse quanto ao art.134, que o caso dos autos não se subsume à qualquer das hipóteses descritas no artigo, mormente ao inciso "III", que trata dos administradores de bens de terceiros, quanto ao art. 135, a ausência de subsunção é ainda mais clara, visto que nenhum dos recorrentes é mandatário, gerente, preposto, empregado, sócio ou representante da Comercial Agrícola Carvalho Ltda. Por fim, quanto ao art. 137, temse que tal dispositivo determina que a imputação da responsabilidade da conduta a ensejar a autuação seja pessoal. Nesta esteira, restringese sua aplicação Fl. 1824DF CARF MF Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.15092.Y7AZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10630.720364/200811 Acórdão n.º 1201001.877 S1C2T1 Fl. 9 15 somente aos protagonistas das infrações. O artigo sob comento, portanto, dispõe em sentido diametralmente oposto ao, levado a cabo pela i, fiscalização, não podendo ser aplicado ao caso sub examine. Resta patente, portanto, a ilegitimidade passiva dos recorrentes para figurarem como coobrigados pela infração ora combatida, e assim responder pelo débito existente em nome da empresa Comercial Agrícola Carvalho Ltda, uma vez que esta é empresa completamente distinta dos Recorrentes, com quem estes, mantinham mera relação comercial. DO LANÇAMENTO BASEADO EM PRESUNÇÃO Para fins de lavratura do auto de infração ora discutido, percebese que foi utilizada mera presunção baseada somente nos depoimentos pessoais dos procuradores e sócios da empresa autuada DA IMPOSSIBILIDADE DE EXTENSÃO DA RESPONSABILIDADE POR MULTAS AOS DEMAIS COOBRIGADOS PRINCÍPIO DA PESSOALIDADE Em atenção. ao princípio da pessoalidade, sanções somente podem ser impingidas em razão da conduta pessoal de determinado agente, devendo, ainda, ser graduadas considerandose esta mesma conduta. O dolo, pois, l integra a culpabilidade, enquanto elemento subjetivo do injusto. Considerandose que a imposição da multa, ora questionada considera tãosomente a conduta dos Recorrentes, mostrase impossível estenderse a sanção aplicada a terceiros que não o próprio agente, o que configuraria responsabilidade objetiva, instituto este abominado no ordenamento pátrio. Forçoso concluir, pois, que, na eventualidade de apurarse valores efetivamente devidos, não e possível que multas aplicadas sejam cobradas dos pretensos responsáveis, posto inexistir dolo ou culpa a justificar a imposição da sanção. DA DECADÊNCIA Ressaltese que os tributos apontados estão sujeitos a homologação do pagamento. Assim, o termo inicial para lançamento do crédito tributário, nos termos do art 150, parágrafo 4° do CTN, ocorre no momento da ocorrência do fato gerador. Cumpre salientar que os recorrentes somente foram intimados da existência de ação fiscal quando da intimação do Auto de Infração ora recorrido. Assim, no caso sob exame, tendo em vista que os Recorrentes só foram intimados do lançamento em questão em novembro de 2008, encontrase decaído os créditos exigidos cujo vencimento ocorreu até novembro de 2003, bem como os demais consectários legais. Fl. 1825DF CARF MF Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. 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D'outra margem, ainda que se reduza a penalidade aplicada à razão de 50%, a sanção ainda se mostra exacerbada, desrespeitando Princípios constitucionais de garanta do contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Relator. Admissibilidade. Uma vez que os pressupostos de admissibilidade já foram avaliados no despacho próprio, passase à análise do vício apontado. Omissão. A embargante alega ter havido omissão no acórdão proferido pela então 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara deste CARF, em 24 de maio de 2011, em face de não ter sido apontado o fundamento para a exclusão da responsabilidade tributária do senhor Ademilton Medeiros de Oliveira. Pugna pela "indicação das razões que levaram à exclusão do Sr. Ademilton Medeiros de Oliveira do auto de infração; ou, então, caso não seja possível a adoção desse procedimento, com a consequente anulação do julgamento inicial". Não se está defronte a caso de anulação de julgamento, uma vez esse ter ocorrido em data pretérita, com a indicação clara da decisão tomada, havendo consonância entre o constante na ata da sessão com o dispositivo do acórdão. Necessária, portanto, a indicação do fundamento ou, como se referiu a embargante, "das razões que levaram à exclusão do Sr. Ademilton Medeiros de Oliveira do auto de infração". Relativamente à responsabilidade tributária do senhor Ademilton Medeiros de Oliveira, consta do voto vencido (fls. 1.787 e 1.788): Fl. 1826DF CARF MF Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.15092.Y7AZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10630.720364/200811 Acórdão n.º 1201001.877 S1C2T1 Fl. 10 17 Ademilton Medeiros de Oliveira, arrolado na condição de pessoalmente responsável pelos créditos tributários, nos termos dos artigos 135, III, 124, I, refuta a responsabilização sob argumento de que é mero prestador de serviços da fiscalizada. Na condição de pessoa de confiança do Grupo Gardingo, como afirma o próprio Ademilton Medeiros de Oliveira, ele trabalha para o Grupo Gardingo desde 1999 fls. 55). Recebeu procuração, cópia às fls. 380 e 380v, de Sebastião Fernandes Barbosa para administrar e representar a fiscalizada, realizando a movimentação financeira e todos os atos de gestão. Para assinar como procurador da autuada recebia um salário mínimo de Heráclito Pacheco, que conforme consta dos autos era mediador entre os sócios da COMERCIAL AGRÍCOLA CARVALHO e o GRUPO GARDINGO (fls. 49/52). Conforme seu depoimento de fls. 55, Ademilton representava a empresa perante bancos assinando em seu nome os cheques trazidos pelo Heráclito Pacheco. Por fim, era de seu conhecimento que os sócios da fiscalizada não eram os donos de fato da empresa, restando configurada a condição de pessoalmente responsável pelos créditos ora exigidos. [...] Assim, não resta dúvida que a responsabilidade pelo total dos créditos tributários é devida pelos responsáveis apontados, haja vista, que a empresa em questão era constituída por "laranjas" e os verdadeiros donos eram as pessoas (físicas e jurídicas) apontadas pela fiscalização. Ocorre que o relator foi vencido e o voto vencedor foi no sentido da exclusão do senhor Ademilton do polo passivo da obrigação tributária. O acórdão está assim redigido: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir do pólo passivo o Sr. Ademilton Medeiros de Oliveira, ... No entanto, em face de o conselheiro designado para redigir o voto vencedor não ter oficializado tal voto, este foi redigido pelo redator ad hoc que, segundo os embargos opostos, não indicou o fundamento para a exclusão da responsabilidade tributária como explanado supra. Assim, necessária a integração do referido voto vencedor, acrescentandolhe os seguintes termos: Apesar de o senhor Ademilton Medeiros de Oliveira ter sido arrolado na condição de pessoalmente responsável pelos créditos tributários, nos termos dos artigos 135, inciso III e 124, inciso I, do Código Tributário Nacional, ele não passava de mero empregado de uma das empresas do Grupo Gardingo, conforme declaração à fl. 57 (eprocesso). O seu cargo era de auxiliar de contabilidade e ganhava um salário mínimo apenas para assinar cheques de titularidade da Comercial Agrícola Carvalho, muito embora detivesse procuração com amplos poderes de administração. Inaplicável, pois, ao caso o artigo 124, inciso I, do CTN, uma vez não haver interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação. Quanto à capitulação segundo o artigo 135, III, do CTN, embora o senhor Ademilton fosse procurador da autuada principal, não havia, de fato, um "poder" de representação, uma vez a condição já apontada de empregado de uma das empresas do Grupo Gardingo. A representação/administração resumiase à assinatura de Fl. 1827DF CARF MF Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.15092.Y7AZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 18 cheques de emissão da Comercial Agrícola Carvalho. Para exercer essa atividade (assinatura de cheques) recebia um salário mínimo por mês. Ademais, não consta dos autos que ele, efetivamente, exercia qualquer outro ato de administração da empresa. Conclusão. Por todo o exposto, ACOLHO os embargos, sem efeitos infringentes, para que o acórdão seja integrado conforme acima indicado. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 1828DF CARF MF Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.15092.Y7AZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR em 26/09/2017 21:59:00. Documento autenticado digitalmente por PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR em 26/09/2017. Documento assinado digitalmente por: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA em 25/10/2017 e PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR em 26/09/2017. Esta cópia / impressão foi realizada por VALERIA JOSE VIEIRA DA COSTA em 27/03/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP27.0318.15092.Y7AZ Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: 6E2C1C52D496F6B5EB5E668B385043B209F36551E320E851B52F96AE42F2107E Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10630.720364/2008-11. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 11516.721418/2014-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012
EMBARGOS INOMINADOS. CONSELHEIROS PARTICIPANTES. LAPSO MANIFESTO. CORREÇÃO.
Verificada inexatidão material devida a lapso manifesto no acórdão embargado, especificamente no que diz respeito à indicação dos conselheiros participantes do julgamento, acolhem-se os embargos inominados para que seja sanado o vício apontado.
Numero da decisão: 1302-002.679
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os embargos inominados e acolhê-los, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto do relator. Declarou-se impedido o Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (suplente convocado), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 EMBARGOS INOMINADOS. CONSELHEIROS PARTICIPANTES. LAPSO MANIFESTO. CORREÇÃO. Verificada inexatidão material devida a lapso manifesto no acórdão embargado, especificamente no que diz respeito à indicação dos conselheiros participantes do julgamento, acolhem-se os embargos inominados para que seja sanado o vício apontado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os embargos inominados e acolhê-los, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto do relator. Declarou-se impedido o Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (suplente convocado), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 EMBARGOS INOMINADOS. CONSELHEIROS PARTICIPANTES. LAPSO MANIFESTO. CORREÇÃO. Verificada inexatidão material devida a lapso manifesto no acórdão embargado, especificamente no que diz respeito à indicação dos conselheiros participantes do julgamento, acolhemse os embargos inominados para que seja sanado o vício apontado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os embargos inominados e acolhêlos, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto do relator. Declarouse impedido o Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (suplente convocado), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 14 18 /2 01 4- 74 Fl. 5943DF CARF MF Processo nº 11516.721418/201474 Acórdão n.º 1302002.679 S1C3T2 Fl. 5.944 2 Relatório Em 24 de janeiro de 2017, esta turma proferiu, em relação a estes autos, o Acórdão nº 1302002.011 (fls. 5.581 a 5.603), por meio do qual deu provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo, nos seguintes termos: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 REGRA DE SUBCAPITALIZAÇÃO. INAPLICÁVEL AO CASO. Mesmo para uma holding pura, é equivocado afirmar que ela não exerce atividade econômica substantiva apenas porque tem por objeto a participação no capital de outras sociedades, com o fim de obter rendas decorrentes da distribuição de lucro e do ganho de capital. Uma holding desenvolve atividade econômica substantiva quando possui, na jurisdição de seu domicílio, capacidade operacional compatível para exercer a gestão do grupo econômico, especialmente para tomar decisões relativas à administração de seus ativos e de suas participacõ̧es societárias. A capacidade operacional é mensurada pela existência de instalações físicas e de número de empregados qualificados para exercer a administração do grupo de forma compatível com a complexidade das funções exercidas. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. DESPESA COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. DEDUTÍVEL. A norma não prevê uma forma para a demonstração da suposta rentabilidade futura e não dispõe expressamente sob contemporaneidade com a incorporação. Não havendo capital aplicado na aquisição de direito de exploração de subconcessão imprópria de serviço público no momento da assinatura do contrato, não há também, à luz do art. 325, I, do RIR/99, que ser feito qualquer registro no ativo a título de intangível neste momento A metodologia do fluxo de caixa descontado (FCD) é amplamente aceita, inclusive é um dos métodos de avaliação aceitos pela CVM, conforme expressamente dispõe o § 4º do art. 4º da Lei 6.404/76. O ROIC calculado sobre valores projetados altera totalmente a inteligência de tal índice, além do que falta autorização legal para que seja utilizado como referencial de análise da qualidade de avaliações de empresas pelo FCD. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL." Fl. 5944DF CARF MF Processo nº 11516.721418/201474 Acórdão n.º 1302002.679 S1C3T2 Fl. 5.945 3 Após a Fazenda Nacional interpor Recurso Especial, contrarrazoado pelo sujeito passivo, este apresentou a petição de fls. 5.932/5.933, admitidas como Embargos Inominados, por meio do Despacho de fls. 5.938 a 5.940. O objetivo do documento é tãosomente retificar o Acórdão nº 1302002.011, para corrigir erro material na decisão consistente na menção à participação, no julgamento, do Conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, quando, na verdade, este teria se declarado impedido e deixado de participar da discussão. Como o relator da decisão embargada não mais pertence ao colegiado, os autos foram redistribuídos por sorteio a este Conselheiro, atendendo ao art. 49, §5º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator Os Embargos foram regularmente admitidos, na forma do art. 66 do RI/CARF: "Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão." Efetivamente, o cotejo entre a parte final da decisão constante do Acórdão e a ata da sessão de julgamento, retificada na sessão de maio de 2017, não deixa dúvidas do equívoco suscitado pelo Embargante: "Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Julio Lima Souza Martins (Suplente Convocado) Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix." (Destacouse) "Aos dezoito dias do mês de maio do ano de dois mil e dezessete, às quatorze horas, Setor Comercial Sul, Quadra 01, Bloco J, Ed. Alvorada, Brasília/DF, reuniramse os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Sejul deste Conselho, estando presentes os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogerio Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), e eu, Osmarina Cardoso Santos, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Fl. 5945DF CARF MF Processo nº 11516.721418/201474 Acórdão n.º 1302002.679 S1C3T2 Fl. 5.946 4 Iniciada a sessão de julgamento, o presidente submeteu ao colegiado proposta de retificação da Ata da Reunião do mês de Janeiro de 2017, com relação aos seguintes itens da pauta: Item 10: por ter deixado de constar a declaração de impedimento do Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, passando a constar da ata, nestes termos: 10 Processo nº 11516.721418/201474 Recorrente: APM TERMINALS ITAJAI S/A e Recorrida: FAZENDA NACIONAL Decisão: Por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau, e, no mérito, por unanimidade, em DAR provimento ao recurso voluntário quanto a glosa de despesas de juros (subcapitalização); e em REJEITAR a preliminar de decadência com relação à glosa de amortização de ágio; e, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso para cancelar a glosa amortização de ágio. Vencido o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, que solicitou a apresentação de declaração de voto. Declarouse impedido o Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e não participou do julgamento. Fez sustentação oral, pela parte recorrente, o advogado Fernando Tonanni, OAB. 174.305/SP. ACÓRDÃO Nº 1302002.011" Isto posto, voto pelo conhecimento e acolhimento dos Embargos Inominados, para alterando o Acórdão nº 1302002.011, retificar a decisão para os seguintes termos: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau, e, no mérito, por unanimidade, em DAR provimento ao recurso voluntário quanto à glosa de despesas de juros (subcapitalização); e em REJEITAR a preliminar de decadência com relação à glosa de amortização de ágio; e, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso para cancelar a glosa amortização de ágio. Vencido o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, que solicitou a apresentação de declaração de voto. Declarouse impedido de participar do julgamento o Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa." E a relação dos participantes, para o seguinte teor: "Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Julio Lima Souza Martins (Suplente Convocado) Alberto Pinto Souza Júnior, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix." (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 5946DF CARF MF Processo nº 11516.721418/201474 Acórdão n.º 1302002.679 S1C3T2 Fl. 5.947 5 Fl. 5947DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12689.000180/2006-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 18/02/2003, 19/05/2003, 20/05/2003
DRAWBACK SUSPENSÃO. ATO CONCESSÓRIO. REGISTRO DE EXPORTAÇÃO. VINCULAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
Conforme disposição regulamentar, para fins de comprovação do adimplemento das condições exigidas para exoneração tributária decorrente da concessão do Regime Aduaneiro Especial de Drawback, é obrigatória a anotação do número do Ato Concessório no Registro de Exportação.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3302-005.371
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Diego Weis Jr.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 18/02/2003, 19/05/2003, 20/05/2003 DRAWBACK SUSPENSÃO. ATO CONCESSÓRIO. REGISTRO DE EXPORTAÇÃO. VINCULAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Conforme disposição regulamentar, para fins de comprovação do adimplemento das condições exigidas para exoneração tributária decorrente da concessão do Regime Aduaneiro Especial de Drawback, é obrigatória a anotação do número do Ato Concessório no Registro de Exportação. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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ATO CONCESSÓRIO. REGISTRO DE EXPORTAÇÃO. VINCULAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Conforme disposição regulamentar, para fins de comprovação do adimplemento das condições exigidas para exoneração tributária decorrente da concessão do Regime Aduaneiro Especial de Drawback, é obrigatória a anotação do número do Ato Concessório no Registro de Exportação. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Diego Weis Jr. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 68 9. 00 01 80 /2 00 6- 11 Fl. 362DF CARF MF Processo nº 12689.000180/200611 Acórdão n.º 3302005.371 S3C3T2 Fl. 363 2 Tratamse de Autos de Infração de Imposto de Importação II e Imposto sobre Produtos Industrialziados IPI, no período de 2003, por falta do compromisso de exportar, em descumprimento do princípio da vinculação física em relação ao Ato Concessório AC 2003/0018790 e por falta de vinculação do RE 04/1065021001 ao AC 2003/0062527. Em impugnação, a recorrente alegou que: 1. Em relação ao AC 2003/0018790, as 26 peças não exportadas referiamse ao resíduo do processo produtivo no percentual de 5%, devendo ser desprezado para efeito de cumprimento do regime, nos termos do artigo 353 do RA/2002; 2. Em relação ao AC 2003/0062527, a falta de vinculação é apenas uma formalidade, mas que, de fato, houve a exportação da quantidade tida pela fiscalização como descumprida, devendo ser considerado adimplido o compromisso em observância do princípio da verdade material. Apreciando a defesa da empresa, a Décima Primeira Turma da DRJ em São Paulo julgou improcedente a impugnação, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 18/02/2003, 19/05/2003, 20/05/2003 DRAWBACK SUSPENSÃO. INADIMPLEMENTO DO COMPROMISSO DE EXPORTAR. O descumprimento das condições estabelecidas em Atos Concessórios e na legislação de regência enseja a cobrança de tributos relativos às mercadorias importadas sob o regime aduaneiro especial de Drawback suspensão, acrescidos dos encargos previstos em lei. DRAWBACK SUSPENSÃO. COMPROVAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. Para comprovação de adimplemento de compromisso assumido em Regime de Drawback, somente serão consideradas exportações que foram devidamente vinculadas ao Ato Concessório na ocasião oportuna, ou seja, na efetivação da exportação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, reiterando as razões aduzias em impugnação. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Fl. 363DF CARF MF Processo nº 12689.000180/200611 Acórdão n.º 3302005.371 S3C3T2 Fl. 364 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A primeira infração diz respeito ao AC 2003/0018790, no qual foram importados 518 blocos de carbono verde e exportados 444 blocos de produto final acabado, sendo que a recorrente comunicou ao DECEX o cumprimento parcial do compromisso assumido, informando ter nacionalizado 48 peças, com o consequente recolhimento dos tributos devidos. Sobre a diferença de 26 unidades de blocos acabados detectadas pela fiscalização, alega que se tratam de resíduos no percentual de 5% que devem ser desprezados nos termos do artigo 353 do Decreto nº 4.543/2002 (RA/2002). Referido artigo vigente à época dispunha que: Art. 353. Na concessão do regime serão desprezados os subprodutos e os resíduos não exportados, quando seu montante não exceder de cinco por cento do valor do produto importado. No laudo juntado aos autos, bem como nas peças recursais, restou evidente que a recorrente importa blocos que, após o processo produtivo, resultam na mesma quantidade de blocos exportados, mas com dimensões e pesos inferiores às unidades importadas, justamente devido à eliminação de resíduos, que segundo o laudo, referemse aos resíduos do processo de cozimento voláteis de piche, liberados para a atmosfera e aos resíduos do processo de usinagem pós de grafite, que são coletados e acondicionados em bigbags. Constatase, de fato, que o argumento da recorrente não procede. Não há que se confundir subprodutos e resíduos de que tratava o artigo 353 do RA/2002 com o próprio produto fabricado, ou seja, o processo produtivo da recorrente resulta em um bloco para cada bloco importado, já considerados os resíduos que, obviamente, reduzem o peso do bloco, mas não o fazem desaparecer, como quer a recorrente. Ademais, segundo o laudo de efls. 43/49, no estágio de cozimento, a perda em peso é da ordem de 7 a 8%, enquanto a perda no processo de usinagem é da ordem de 30 a 35%. A tabela final da efl. 49 demonstra que a perda por tipo de bloco varia de 32 a 54% do peso inicial. As perdas por resíduos são consideradas no peso, razão pela qual já foram consideradas pela fiscalização ao se fazer a análise comparando as unidades de blocos e não seus pesos. Constatase, por exemplo, que o peso exportado no AC 2002/017589, considerado adimplido, é 40% inferior ao peso importado, enquanto do AC 2002/0175817 é da ordem de 43% e do AC 2002/0188803, da ordem de 50%, compatíveis com a tabela da efl. 49, demonstrando que a análise por unidades de blocos já considera os resíduos do processo produtivo. Concernente à necessidade de vinculação do RE ao ato concessório para efeito de comprovação do adimplemento do compromisso, destacase que a Portaria SECEX nº 4/1997 assim dispunha em seu artigo 37, inserido dentro da item VII COMPROVAÇÃO: Fl. 364DF CARF MF Processo nº 12689.000180/200611 Acórdão n.º 3302005.371 S3C3T2 Fl. 365 4 Art. 37 – Somente poderão ser aceitos para comprovação do Regime de Drawback, modalidade suspensão, Registro de Exportação (RE) devidamente vinculado a Ato Concessório de Drawback, na forma da legislação em vigor. Do mesmo modo, o Comunicado DECEX nº 21/1997 dispunha em seu Capítulo V COMPROVAÇÕES: CAPÍTULO V COMPROVAÇÕES TÍTULO 19 MODALIDADE SUSPENSÃO 19.1. Para comprovação do Regime de Drawback, modalidade suspensão, os documentos utilizados na importação e na exportação deverão abranger apenas um Ato Concessório de Drawback, bem como não poderão estar vinculados à comprovação de outros Regimes Aduaneiros ou incentivos à exportação. [...] 19.3. Somente serão aceitos Declaração de Importação e Registro de Exportação (RE) devidamente vinculados ao Ato Concessório de Drawback. Salientase que, por se tratar de suspensão de crédito tributário que se resolve em isenção (ou isenção condicionada), os dispositivos legais sobre Drawbacksuspensão devem ser interpretados literalmente, a teor do artigo 1111 do CTN. Ademais, a vinculação do RE ao AC permite à autoridade aduaneira conhecer que se trata de uma exportação destinada à cumprir um regime de benefício fiscal isentivo, permitindo a adoção de medidas de controle aduaneiro adequadas, de modo a possibilitar eventual controle do emprego e destinação dos bens objeto do regime de Drawback. Ressalta se, ainda, que a falta de vinculação de um RE a um AC possibilita sua utilização em diversos atos, impossibilitando o controle aduaneiro efetivo. Neste sentido, citase Acórdão nº 9303000.544, proferido pela CSRF, cuja ementa segue abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Exercício: 1993, 1994 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO II. DRAWBACKSUSPENSÃO. Registros de exportação não vinculados ao ato concessório não são aceitos pela Receita Federal do Brasil, para fins de comprovação do regime de drawback. 1 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Fl. 365DF CARF MF Processo nº 12689.000180/200611 Acórdão n.º 3302005.371 S3C3T2 Fl. 366 5 A vinculação de registros de exportação ao ato concessório após o início do procedimento fiscal, momento em que se encontra excluída a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores, não pode ser considerada para fins de descaracterização de infrações já consumadas. Recurso Especial da Fazenda provido. Recurso Especial do Contribuinte negado. Diante do exposto voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 366DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.690284/2009-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 20/02/2008
DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação.
CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÓNEA.
Considera-se confissão de divida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos.
Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantém-se a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito credit6rio, com a conseqüente não-homologação das compensações pleiteadas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.196
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
PAULO GUILHERME DÉROULÈDE - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 20/02/2008 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÓNEA. Considerase confissão de divida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito credit6rio, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) PAULO GUILHERME DÉROULÈDE Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 69 02 84 /2 00 9- 54 Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10880.690284/200954 Acórdão n.º 3302005.196 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela DRJ/SP1, que manteve a não homologação da DCOMP, apresentada pela contribuinte recorrente, tendo em vista a constatação de não existência do crédito alegado. Cientificado, o Contribuinte, por seu representante legal, interpôs, tempestivamente Manifestação de Inconformidade, apresentando, resumidamente, as seguintes alegações: De acordo com o principio da verdade material que rege o procedimento administrativo, a Administração deve buscar o que é realmente a verdade, não ficando adstrita apenas às provas e aos documentos apresentados pelas partes no de processo administrativo. A Autoridade Fiscal, ao decidir pela nãohomologação do direito creditório da Requerente, fundamentou de forma singela o DespachoDecisório, deixando de se aprofundar sobre a questão da inexistência desse direito. Também, o despacho decisório deve ser reformado em razão do crédito compensado ser liquido e certo, conforme se depreende da leitura da DCTF retificadora, enviada para correção de erro de fato, e demais demonstrativos anexados à Manifestação de Inconformidade. Nesses termos, requer o cancelamento do despacho decisório e a homologação da compensação e a conseqüente extinção do crédito tributário. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 1629.433. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que a mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. Valendose do direito que lhe é facultado pelo art. 33 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, a contribuinte manejou Recurso Voluntário, onde repisou os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10880.690284/200954 Acórdão n.º 3302005.196 S3C3T2 Fl. 4 3 junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.192, de 1 de fevereiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.690280/200976, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.192): " O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Não há indicação de questões preliminares, razão pela qual passase diretamente ao mérito. I Do Crédito do Contribuinte Sustenta, invocando o princípio da verdade material, que os créditos lançados no DCOMP, estariam demonstrado nos documentos acostados aos autos. Segundo seu entendimento, a correção de informações apresentadas em DCTF, digase, após o recebimento da intimação do despacho decisório que não reconheceu o direito pleiteado, observese: "Sendo assim, a correção das informações anteriormente dispostas na DCTF, que são decorrentes de erros no preenchimento, que resultaram num indevido indeferimento da compensação pretendida, traduzemse como a maneira mais adequada de coroar o principio da verdade material, e refletir a realidade dos fatos, como forma evidenciar a existência dos créditos declarados e, negar provimento a Manifestação fundamentada na correção das informações, caracterizase como afronta a um dos princípios que norteiam o processo administrativo federal." No que tange a possibilidade de se realizar a retificação da DCTF, temos que tal fato é permitido pelas normas tributárias que disciplinam o assunto, destacando os dispositivos trazidos pela IN RFB nº 1.110/2010, donde destacamos o seguinte: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10880.690284/200954 Acórdão n.º 3302005.196 S3C3T2 Fl. 5 4 a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU;ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.177, de 25 de julho de 2011) § 4º Na hipótese do inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 7º. § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. [...] (grifos não originais) Assim, conforme podemos observar, tanto a Administração Tributária, neste caso de ofício, quanto o próprio contribuinte podem retificar os valores informados na DCTF, desde que seguidos os parâmetros estabelecidos na norma mencionada. Pois bem. No que tange à possibilidade de compensação espontânea realizada diretamente pelo contribuinte, temos que há a necessidade de se promover tal procedimento, obedecendose o disposto no art. 170, do CTN, bem como o que esta disciplinado pelo art. 74, da Lei nº 9.430/96. Observemos os dispositivos indicados: Art. 170 CTN Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10880.690284/200954 Acórdão n.º 3302005.196 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 74, Lei nº 9.430/76 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Nesse sentido, quando originário de pagamento de tributo indevido ou maior que o devido, além do cumprimento dos requisitos formais determinados na legislação específica, o contribuinte deve comprovar, com documentação adequada, que o alegado indébito é decorrente de alguma das causas especificadas no incisos I a III do art. 165 do CTN. Vale lembrar ainda que por se tratar de pedido de compensação de créditos por parte do próprio contribuinte, a este cabe a prova de seu direito, nos exatos termos do que disciplina o art. 373 do Código de Processo Civil: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; (...) No caso em tela, mesmo entendendo a possibilidade de retificação da DCTF após o recebimento da notificação do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação, não foram trazidos aos autos os documentos que comprovariam as informações apresentadas na DCTF retificadora. Conforme se verifica dos autos do processo, a contribuinte recorrente teve a oportunidade de juntar tais documentos e não o fez. Não há que se falar em ferimento ao direito ao contraditório e à ampla defesa, vez que, foram garantidos à contribuinte recorrente, como o fez, a oportunidade de se manifestar por meio de peças de defesa para a comprovação de seu direito, momento em que poderia requerer a juntada de todos os documentos que entenderia pertinentes a comprovação de suas alegações. Certo está que, em que pese a possibilidade de carrear aos autos os documentos que lhe garantiriam o direito à compensação, não o fez, bastouse a fazer alegações genéricas, tentando imputar a falta de apresentação de documentos ao fisco, o que, como demonstrado pela legislação acima mencionada, não se faz aceitável. Dessa forma, a falta de apresentação de documentos que comprovariam o erro na confecção da DCTF, alegado pela recorrente, fato esse que Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10880.690284/200954 Acórdão n.º 3302005.196 S3C3T2 Fl. 7 6 embasaria a confecção da retificadora, não pode ser considerada a compensação pleiteada. II Conclusão Por todo o exposto, voto por reconhecer o Recurso Voluntário interposto pela contribuinte, no entanto, negarlhe provimento, mantendose em sua totalidade a decisão de piso." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar as informações apresentadas na DCTF retificadora, que embasariam o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 133DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.011013/2002-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2000 COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO SALDO NEGATIVO. A compensação em matéria tributária pressupõe a demonstração de existência de crédito em favor do contribuinte. Apresentado pedido de compensação a autoridade fiscal tem a prerrogativa de exigir a comprovação da existência do crédito. Tal procedimento não se confunde com a impossibilidade de rever fatos ocorridos em períodos já atingidos pela decadência. Decorrido prazo que caracteriza decadência a autoridade administrativa não pode, de forma direta ou indireta, levar a efeito procedimento fiscal para glosar despesas ou valor de imposto retido na fonte, sob o argumento de que os rendimentos não foram oferecidos à tributação. Tal procedimento implicaria, por via transversa, fiscalizar período já atingido pela decadência. Contudo, apesar de não poder afastar imposto de renda retido na fonte, pode a autoridade fiscal, a qualquer tempo, exigir que o contribuinte demonstre a existência da retenção dos valores que serão utilizados para efeito de compensação. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 1402-000.861
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, vencido o Conselheiro Carlos Pelá, que dava provimento ao recurso.
Nome do relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva
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RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO Recorrente GAPLAN CAMINHOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO SALDO NEGATIVO. A compensação em matéria tributária pressupõe a demonstração de existência de crédito em favor do contribuinte. Apresentado pedido de compensação a autoridade fiscal tem a prerrogativa de exigir a comprovação da existência do crédito. Tal procedimento não se confunde com a impossibilidade de rever fatos ocorridos em períodos já atingidos pela decadência. Decorrido prazo que caracteriza decadência a autoridade administrativa não pode, de forma direta ou indireta, levar a efeito procedimento fiscal para glosar despesas ou valor de imposto retido na fonte, sob o argumento de que os rendimentos não foram oferecidos à tributação. Tal procedimento implicaria, por via transversa, fiscalizar período já atingido pela decadência. Contudo, apesar de não poder afastar imposto de renda retido na fonte, pode a autoridade fiscal, a qualquer tempo, exigir que o contribuinte demonstre a existência da retenção dos valores que serão utilizados para efeito de compensação. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, vencido o Conselheiro Carlos Pelá, que dava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente Fl. 1DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.011013/200265 Acórdão n.º 140200.861 S1C4T2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Albertina Silva Santos de Lima. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.011013/200265 Acórdão n.º 140200.861 S1C4T2 Fl. 0 3 Relatório GAPLAN CAMINHOES LTDA, já qualificada nos autos, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre da decisão de primeira instância, que julgou improcedente seu pleito. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Trata o presente processo de Declarações de Compensação (fls. 01/02, 139/140 e 239/240) e DCOMPs eletrônicas (fls. 273 a 280 e 293 a 300), pelas quais a interessada solicita a homologação de compensação de diversos débitos de tributos federais, indicando como direito creditório a amparar referidas compensações os saldos negativos de IRPJ e de CSLL dos anoscalendário 2000 e 2001. A requerente formalizou um processo para cada Declaração de Compensação em formulário, sendo que os dois posteriores foram juntados, por apensação, ao presente, e os débitos atinentes a cada um deles, transferidos para controle nestes autos. As DCOMPs eletrônicas foram baixadas para tratamento manual junto ao presente processo e os débitos a elas relativos foram cadastrados no PROFISC. Sintetizando, são estes os pedidos formulados: (...) A requerente foi intimada a prestar esclarecimentos sobre os pedidos formulados, conforme cópia da intimação nº 762/2007 emitida pelo SEORT da DRF em Campinas /SP, às fls. 314 e verso, tendo sido cientificada da solicitação em 21/05/2007, conforme original do A.R. à fl. 315. Em 15/06/2007 foram apresentadas as explicações constantes da petição de fls. 316 a 318, acompanhadas dos elementos acostados às fls. 319 a 473. Pelo Despacho Decisório de fls. 503 a 505, verso, a autoridade administrativa da DRF em Campinas/SP homologou em parte as compensações declaradas, até o limite do direito creditório reconhecido. Na análise da determinação do IRPJ e da CSLL do anocalendário 2000 a autoridade verificou que a interessada apurou prejuízo fiscal de R$ 30.609,91, tendo determinado IRPJ devido mensalmente com base em balancete de suspensão/redução, cujos valores teriam sido compensados com IRRF dos anoscalendário 1993 a 1998, conforme informado pela própria solicitante à fl. 317. E consignou: “Observese que o imposto de renda retido na fonte só pode ser deduzido do imposto devido no período, se as receitas que lhe deram origem forem computadas na base de cálculo do imposto. Portanto as retenções efetuadas nos anos de 1993 e 1998 deveriam ter sido deduzidas dos impostos devidos nas respectivas declarações dos exercícios de 1994 e 1999. Caso não fosse uti l izado, o imposto de renda retido na fonte comporia o saldo negativo de IRPJ do exercício , podendo, a cri tério da interessada, à época, ser objeto de pedido de resti tuição ou compensação. Portanto, não serão considerados na apuração do saldo negativo os valores deduzidos a t í tulo de estimativas, restando desta forma comprovado o saldo Fl. 3DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.011013/200265 Acórdão n.º 140200.861 S1C4T2 Fl. 0 4 negativo de IRPJ do anocalendário de 2000, no valor de R$ 19.975,12”, observando, ainda, que as estimativas de IRPJ devidas no ano calendário 2000 não foram declaradas em DCTF. O valor do IRRF – R$ 19.975,12 deduzido na apuração do IRPJ do anocalendário 2000 foi confirmado pela autoridade, assim como o saldo negativo de CSLL de 2000 apurado pela interessada, no valor de R$ 19.098,93. No que respeita à determinação do resultado referente ao anocalendário 2001 observou a auditoria que também nesse período foi apurado prejuízo fiscal da ordem de R$ 119.387,94. O valor do IRRF de R$ 24.542,98, deduzido do IRPJ devido, foi confirmado, assim como o saldo negativo apurado de R$ 24.542,98, gerado unicamente pela dedução do IRRF. Também em relação à CSLL foi confirmado o saldo negativo apurado pela contribuinte, no valor de R$ 496,54, gerado pela dedução de CSLL devida por antecipação, uma vez que a base de cálculo da CSLL do período foi negativa. Confirmados os saldos negativos de IRPJ dos anoscalendário 2000 e 2001, nos respectivos valores de R$ 19.975,12 e R$ 24.542,98, e de CSLL dos anoscalendário 2000 e 2001, nos respectivos valores de R$ 19.098,93 e R$ 496,54, a autoridade administrativa passou a analisar o seu posterior aproveitamento pela contribuinte e detectou que foram efetuadas compensações de recolhimentos mensais de IRPJ devidos em 01/2002, 08/2002 e 09/2002, com saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2000. Depois de calculadas as compensações (fls. 482/484), haveria, ainda, um saldo negativo de IRPJ referente ao anocalendário 2000, passível de utilização, no montante de R$ 7.083,18. O mesmo procedimento teria sido adotado pela solicitante em relação à CSLL, já que foram efetuadas compensações de recolhimentos mensais devidos em 01/2001 e 01 a 06/2002, com saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário 2000. Efetuados os cálculos de compensação (fls. 485/488), teria restado um saldo negativo de CSLL ainda passível de aproveitamento pela interessada de R$ 7.228,18. A autoridade apurou, ainda, que o recolhimento mensal de IRPJ relativo a 06/2002, no valor de R$ 12.583,97, foi compensado com saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2001 e que os cálculos, às fls. 489/491, demonstram um saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001 remanescente de R$ 13.037,11. Assim a autoridade da DRF em Campinas/SP reconheceu o direito creditório referente aos seguintes saldos negativos: AnoCalendário IRPJ (R$) CSLL (R$) 2000 7.083,18 7.228,18 2001 13.037,11 496,54 Com base nesses fundamentos as compensações pleiteadas foram homologadas até o limite dos valores acima reconhecidos. Cientificada do conteúdo do Despacho Decisório e da Carta de Cobrança dos débitos não compensados, em 20/07/2007, conforme original do A.R. à fl. 515, a contribuinte protocolizou, em 17/08/2007, sua manifestação de inconformidade, anexada às fls. 516 a 525. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.011013/200265 Acórdão n.º 140200.861 S1C4T2 Fl. 0 5 Protesta, inicialmente, pela reforma integral da decisão, na medida em que teria sido perfeitamente regular o aproveitamento de créditos de IRRF dos anoscalendário 1993 a 1998, no anobase 2000, assunto que sequer guardaria relação com as Declarações de Compensação apresentadas. Afirma que caso pudesse ser considerado inválido o aproveitamento, no ano calendário 2000, de créditos de IRRF relativos aos anoscalendário 1993 e 1998, tal constatação deveria, necessariamente, ser objeto de procedimento específico de fiscalização e respectivo lançamento de ofício, desde que respeitado o prazo decadencial aplicável. Nesse contexto, seja pelo fato de que já teria sofrido os efeitos da decadência a glosa de créditos de IRRF, seja ainda por não ser vedado o aproveitamento desses mesmos créditos em exercícios subseqüentes àqueles em que foram gerados, não poderia prevalecer a decisão. No mérito alega a nulidade do ato de cobrança dos débitos na medida em que a autoridade administrativa, na apreciação das Declarações de Compensação, teria extrapolado os limites dos pleitos formulados, o que teria ocorrido em virtude da tentativa de, burlando a necessidade de formalização de lançamento de ofício, reputar inválido o aproveitamento dos créditos de IRRF dos anos de 1993 a 1998 e, a partir disso, reduzir os valores dos indébitos gerados em 2000 e 2001, consignados nas Declarações de Compensação, exigindo assim, por via transversa, tributos tidos como compensados em excesso. E prossegue: “Ora, é evidente que o procedimento adotado pela D. Auditora Fiscal não é válido, seja porque não encontra amparo na Instrução Normativa SRF nº 600/05, seja pelo fato de que deveria ter observado as disposições da Portaria SRF nº 1.265/99” e lembra que as compensações com créditos de IRRF teriam ocorrido em 2000, ou seja, anteriormente à edição da IN SRF nº 600/05. Insiste na afirmação de que a compensação, no anocalendário 2000, de estimativas de IRPJ com créditos de IRRF relativos aos anosbase compreendidos entre 1993 e 1998 não guarda qualquer relação com as Declarações de Compensação formalizadas, o que revelaria que a decisão atacada teria extrapolado os limites de sua competência, o que ensejaria a sua nulidade. Argúi que, à luz do disposto no parágrafo 4º do artigo 150 do CTN, teria decaído o direito da Fazenda em glosar os créditos de IRRF utilizados para compensar as estimativas de IRPJ de 2000, na medida em que já transcorridos mais de cinco anos da ocorrência dos respectivos fatos geradores das estimativas de IRPJ, operandose, por conseqüência, a homologação tácita dos seus respectivos lançamentos. Cita doutrina e jurisprudência ilustrando seu posicionamento. Abordando ainda a questão do aproveitamento de IRRF para quitação de estimativas, transcreve o artigo 2º da lei nº 9.430/96 que, no seu entendimento, permitiria essa possibilidade, já que o comando normativo não faria qualquer restrição à compensação de estimativas com créditos de IRRF de períodos anteriores. Observa ser irrelevante o fato de não ter consignado, em DCTF, as estimativas de IRPJ devidas no anocalendário 2000, já que teriam sido devidamente declaradas em DIPJ e transcreve decisão da Superintendência Regional da 7ª Região Fiscal com a seguinte ementa: Fl. 5DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.011013/200265 Acórdão n.º 140200.861 S1C4T2 Fl. 0 6 “COMPENSAÇÃO. DÉBITOS DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE E CRÉDITOS DO IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. EFICÁCIA DE ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO”. E, prossegue: “É essencial perceber, por outro lado, que os créditos de IRRF poderiam ser aproveitados nos respectivos exercícios, o que geraria saldo menor a pagar a título de IRPJ, ou saldo negativo a ser aproveitado nos anosbase subseqüentes. A rigor, o efeito da compensação no mesmo exercício ou em exercícios posteriores seria o mesmo, sendo desnecessário, à época em que a Requerente adotou tal procedimento, a formalização de pedido de compensação específico ou a respectiva indicação em DCTF. É perfeitamente válido, portanto, o aproveitamento dos créditos de IRRF de outros exercícios, para compensar com débitos de IRPJ (estimativas) do ano de 2000”. Conclui que a decisão não teria apontado qualquer irregularidade nas compensações declaradas, razão pela qual deve ser reformada e declarada a homologação integral das compensações formalizadas nas Declarações de Compensação nºs. 10830.011013/200265, 10830.000894/200370 e 10830.002867/200331, e nas DCOMP eletrônicas nºs. 23973.35042.240105.1.3.025093, 09027.87271.240105.1.3.034100, 12484.03462.100305.1.3.032079, 35426.04868.270405.1.3.032021, 39206.78542.040607.1.7.027098 e 26374.87325.040607.1.7.025939. A decisão recorrida está assim ementada: ESTIMATIVAS MENSAIS COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO PROVA DA EXTINÇÃO NECESSIDADE. Até o mês de setembro de 2002 a compensação, entre tributos de mesma espécie, prescindia de autorização administrativa e poderia ser efetuada apenas na contabilidade das empresas. Isto, no entanto, não implica reconhecer a veracidade das compensações informadas, mormente quando se verifica que os registros contábeis pertinentes a demonstrar a sua veracidade, prova minimamente necessária a validálas, não foram trazidos aos autos. Não podem ser computados, na apuração final do IRPJ, os valores de estimativas cuja extinção, por compensação, não tenha sido comprovada. Compensação não Homologada No voto condutor da aludida decisão da lavra da ilustre julgadora Maria de Lourdes Ramirez, destacamse os seguintes fundamentos finais: No entanto, ainda que seja esse o entendimento expresso nas normas legais e infralegais destinadas à interpretação da legislação tributária, como o são as instruções normativas, é possível que a interessada, ainda que erroneamente, tenha, efetivamente, compensado o IRRF de períodos anteriores com as estimativas de IRPJ devidas no anocalendário 2000. Isto, no entanto, somente poderia ser admitido caso a interessada tivesse apresentado sua escrituração fiscal demonstrando as compensações efetuadas. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.011013/200265 Acórdão n.º 140200.861 S1C4T2 Fl. 0 7 Nos termos da legislação em vigor, o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333 do Código de Processo Civil). In casu, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o alegado pagamento indevido ou maior que o devido. Decorre, daí, que o pedido de restituição/compensação deve estar necessariamente instruído com as provas do indébito tributário no qual se fundamenta, sob pena de pronto indeferimento. Ademais, os procedimentos relativos à restituição/compensação de créditos/débitos de tributos federais do sujeito passivo junto à Fazenda Pública devem, necessariamente, observar as normas disciplinadoras expedidas pela Secretaria da Receita Federal. Há que se reconhecer que no mencionado período – anocalendário 2000 a compensação, entre tributos de mesma espécie, prescindia de autorização administrativa e poderia ser efetuada apenas na contabilidade das empresas. Mas isto não leva, necessariamente, a reconhecer a sua validade, mormente quando se verifica que os registros contábeis pertinentes a demonstrar a veracidade dessas compensações, prova minimamente necessária a atribuirlhes validade, não foram trazidos ao presente processo. Como bem ressaltou a autoridade da DRF em Campinas/SP, as alegadas compensações sequer foram informadas em DCTF. Como se verifica da tela extraída dos sistemas internos da RFB, a contribuinte não apresentou DCTF no anocalendário 2000 (fls. 261), o que apenas vem reforçar a falta de comprovação da quitação dessas estimativas. Dessa forma, o que torna inválida a dedução das estimativas de IRPJ na apuração final do anocalendário 2000 é a falta de comprovação de suas extinções. Não tendo havido nenhum outro questionamento por parte da recorrente, esta autoridade valida o direito creditório apurado pela autoridade administrativa da DRF em Campinas/SP, e já utilizado na compensação de débitos implementada naquela decisão. Conclusão Em face do exposto na fundamentação e com base nos critérios legais enunciados, VOTO no sentido de NÃO HOMOLOGAR as compensações constantes do presente processo e manter integralmente a cobrança dos débitos indevidamente compensados. Cientificada da aludida decisão em 15/12/2008, AR de fl. 568, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 12/01/2009, fl. 569 e seguintes , no qual contesta as alegações dos julgadores de 1a. Instância nos seguintes termos: (...) Do litígio Inicialmente, cumpre destacar que a Auditoria Fiscal só não homologou as compensações efetuada porque glosou a compensação das estimativas do ano calendário de 2000 que deram origem ao crédito aproveitado pela recorrente. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.011013/200265 Acórdão n.º 140200.861 S1C4T2 Fl. 0 8 Sendo assim, a afirmação feita pela DRJ, de que a Recorrente não instaurou qualquer litígio ou discussão em relação ao saldo negativo de CSLL dos anos calendário de 2000 e 2001 nem do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001 por ter se limitado a questionar a glosa das estimativas compensadas no ano calendário de 2000, mostrase, no mínimo, falaciosa e incoerente. Isso porque o saldo negativo apurado nos períodos acima indicados e originado em razão da existência das respectivas estimativas que foram desconsideradas pela fiscalização. Ou seja, a Recorrente está questionando algo que foi incorretamente. suscitado pela decisão que não homologou integralmente ás suas compensações. Há, sim, a caracterização do litígio administrativo. Portanto, sendo evidente a instauração de litígio em relação aos respectivos saldos negativos, a afirmação feita pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento carece de qualquer fundamento e até pode induzir o leitor ao erro, pelo que deve ser completamente descoásiderada. II.2. A nulidade da cobrança formalizada na decisão ora questionada Conforme se verifica a partir da leitura da decisão ora atacada, os tributos supostamente devidos foram lançados em virtude de ter a D. Julgadora concluído pelo suposto excesso de compensação, não em virtude dos créditos contemplados nos Pedidos e Declarações de Compensação apresentados pela Recorrente, mas em decorrência de glosa de créditos de IRRF relativos aos anosbase compreendidos entre 1993 e 1998, e aproveitados em 2000. Notase, portanto, que não houve qualquer irregularidade das compensações objeto dos Pedidos e Declarações de Compensação formulados pela Recorrente. (...) a Recorrente esclareceu que tais estimativas de IRPJ foram objeto de compensação, nos periodos de 01 a 03 e 07/2000, com créditos de IRRF dos anos base compreendidos entre 1993 e 1998. Curiosamente, fora do escovo de análise das compensacões especificamente contempladas nos Pedidos e Declarações de Compensação em epígrafe, a D. Auditora Fiscal, reputando como inválido o aproveitamento dos créditos de IRRF pela Recorrente, e na tentativa de burlar a necessidade de efetuar um lançamento de ofício (auto de infração), optou por reduzir os valores dos créditos consignados nos referidos Pedidos e Declarações de Compensação, e, por via transversa, exigir tributos que teriam sido "compensados em • excesso". Ora, e evidente que o procedimento adotado pela D. Auditora Fiscal não e válido, seja porque não encontra amparo na Instrução Normativa SRF n° 600/05, seja pelo fato de que deveria ter observado as disposições da Portaria SRF n° 1.265/99. É importante perceber que o aproveitamento de créditos de IRRF, pela Recorrente, e a sua compensação com estimativas de IRPJ, ocorreu em 20001 ou seja, anteriormente à edição da Instrução Normativa SRF n° 600/05. Além disso, a própria D. Auditora Fiscal consignou na decisão que "as estimativas não foram declaradas em DCTF", de tal forma que a exigência, por via transversa, sem lançamento de ofício (auto de infração), de tributos decorrentes de uma suposta "compensação em excesso ou a maior", não pode de forma alguma prosperar. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.011013/200265 Acórdão n.º 140200.861 S1C4T2 Fl. 0 9 Insistase: a compensação, no anobase de 2000, de estimativas de IRPJ com créditos de IRRF relativos aos anosbase compreendidos entre 1993 e 1998 NÃO tem qualquer relação com os Pedidos e as Declarações de Compensação formalizados pela Recorrente, o que revela que a decisão ora atacada extrapolou os limites que lhe competiam. Ou seja, não é permitido às Autoridades Fiscais, na apreciação para homologação dos Pedidos e Declarações de Compensação, extrapolar os limites desses pleitos formulados pelos contribuintes. O princípio da supremacia do interesse público e da indisponibilidade do crédito tributário não podem ser utilizados como amparo para justificar os excessos cometidos pela Administração Pública, tampouco para fazer letra morta das regras que balizam o lançamento tributário de oficio, em especial aquelas relativas à decadência. É certo que a fiscalização deve ser o mais ampla possível, mas sempre em respeito e total observância aos limites impostos pela lei. A partir do momento em que tais limites são ultrapassados, começam a surgir as arbitrariedades. No presente caso, a Auditora Fiscal pretendeu questionar uma outra compensação totalmente alheia às que foram feitas nos Pedidos de Compensação mencionados e que deveriam ser objeto da sua análise, desviandose completamente de seu escopo. Quaisquer eventuais irregularidades que não dizem respeito especificamente aos Pedidos e Declarações de Compensação devem ser objeto de processo de fiscalização, respaldado em Mandado de Procedimento Fiscal. De se concluir que e nula a exigência de tributos, por via transversa, em decorrência de compensação que não e objeto dos Pedidos e Declarações de Compensação sob análise. É evidente, portanto, que a decisão ora atacada deve ser reformada, de modo a serem integralmente homologadas as compensações efetuadas pela Recorrente. II.3 A decadência do direito de efetuar o lançamento de ofício em decorrência de glosa de créditos de IRRF compensados em 2000 (...) Em outras palavras, a exigência dos tributos (em razão da alegada "compensação em excesso") é claramente ilegal, na medida em que, à luz do disposto no artigo 150, §4°, do Código Tributário Nacional — CTN, operouse a decadência do direito de efetuar a cobrança em tela. Isso porque, já se passaram mais de cinco anos do momento em que ocorreram os fatos geradores (01 a 03 e 07/2000) de IRPJ (estimativas) que foram objeto de compensação com créditos de IRRF. A compensação desses créditos de IRRF, respaldada na Lei n° 8.383/91 e no artigo 2% §4°, III, da Lei n° 9.430/96, sofreu os efeitos da decadência, não podendo prevalecer a cobrança decorrente da glosa da compensação realizada em 2000. Vejamos o que dispõe o artigo 156 do Código Tributário Nacional: (...) Fl. 9DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.011013/200265 Acórdão n.º 140200.861 S1C4T2 Fl. 0 10 Portanto, é evidente que a decadência envolve muito mais do que a perda do direito de o Fisco efetuar o lançamento, já que o Código Tributário Nacional lhe atribui o status de causa de extinção do crédito tributário. Sendo assim, tornase de rigor a homologação das compensações efetuadas pela Recorrente. (...) II.4. O aproveitamento de créditos de IRRF em exercício seguinte àqueles em que foram gerados (...) A rigor, o efeito da compensação no mesmo exercício ou em exercícios posteriores seria o mesmo, sendo desnecessário, à época em que a Recorrente adotou tal procedimento, a formalização de pedido de compensação específico ou a respectiva indicação em DCTF. É perfeitamente válido, portanto, o aproveitamento dos créditos de IRRF de outros exercícios, para compensar com débitos de IRPJ (estimativas) do ano de 2000. II.5. A validade das compensações efetuadas pela Recorrente A decisão recorrida não apontou qualquer irregularidade nas compensações que são objeto dos Pedidos e Declarações de Compensação efetuados pela Recorrente, de tal forma que, uma vez acatados os argumentos anteriormente apresentados, a única conclusão possível e a de que devem ser as aludidas compensações homologadas integralmente. III Pedido Diante do exposto, requerse que seja dado provimento ao presente Recurso Voluntário, com a reforma da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, de modo a serem homologadas integralmente as compensações formalizadas nos Pedidos de Compensação n°s 10830.011013/200265, 10830.000894/200370, 10830.002867/200331 e 10830.002867/200331, e nas Declarações de Compensação DCOMP É o relatório. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.011013/200265 Acórdão n.º 140200.861 S1C4T2 Fl. 0 11 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. Em litígio o não reconhecimento do direito creditório referente ao Saldo Negativo de Recolhimentos do IRPJ do anocalendário de 2000, conforme abaixo demonstrado: AnoCalendário Saldo Negativo Valor Pleiteado Valor Deferido DRF Valores Não Deferidos 2000 IRPJ 46.600,83 7.083,18 39.517,65 De início, rejeito a alegação de decadência, isso porque, é certo que a Fazenda Pública pode fiscalizar a formação dos saldos negativos de recolhimentos de IRPJ e CSLL no prazo de 5 anos contados do aproveitamento desse pelo contribuinte. O art. 264 do RIR/1999 preceitua que a pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem os livros, documentos e papéis relativos à sua atividade, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes. Ou seja: o direito creditório pleiteado pelo contribuinte deve ser declarado líquido e certo pela autoridade administrativa e, para tanto, ela pode e deve, no prazo de 5 anos contatados do pedido, investigar a origem do alegado crédito, qualquer que seja o tempo decorrido de sua formação, cabendo ao contribuinte manter em boa ordem a documentação pertinente. Portanto, considerando que o pleito foi interposto em dezembro de 2002, em 2007 a administração tributária poderia verificar a efetividade das retenções em fonte, bem como os recolhimentos por estimativas daquele período (anocalendário 2000). Cumpre aqui registrar o entendimento majoritário deste Colegiado quanto à matéria, expresso dentre outros no acórdão 140200.454, de 25/02/2011, cuja ementa elucida: RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. REVISÃO DO SALDO NEGATIVO DE RECOLHIMENTOS DO IRPJ/CSLL. A Fazenda Pública pode fiscalizar a formação dos saldos negativos de recolhimentos de IRPJ e CSLL no prazo de 5 anos contados do aproveitamento pelo contribuinte. Essa revisão deve partir do lucro real declarado/apurado pelo contribuinte e pode contemplar a verificação da efetividade dos recolhimentos, das retenções do IRFonte, transposição de saldos de um período para outro, compensações, enfim a própria formação do saldo. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.011013/200265 Acórdão n.º 140200.861 S1C4T2 Fl. 0 12 No mérito, consoante destacado na decisão de 1a. instância (trecho transcrito no relatório deste acórdão), não haveria vedação para a contribuinte compensar (aproveitar) no ano de 2000 as retenções da fonte de anos anteriores, desde que faça prova da efetividade dessa retenção, bem como comprove a regular contabilização dos valores retidos. Todavia, ao invés de fazer essa prova no recurso voluntário, apresentando os livros e documentos contábeis que deveria manter em boa guarda, a contribuinte optou por alegações de decadência e nulidade. Registrese que a própria decisão de 1a. instância já afastou o fundamento do despacho decisório no sentido de que o contribuinte deveria fazer prova da efetiva tributação dos rendimentos de que tratam as retenções em fonte. A prova exigida no julgamento diz respeito apenas a efetividade da retenção de IRFonte, bem com a contabilização e aproveitamento dos créditos mediante apresentação dos livros contábeis. Em resumo, a compensação em matéria tributária pressupõe a demonstração da existência de crédito em favor do contribuinte. Apresentado pedido de compensação a autoridade fiscal tem a prerrogativa de exigir a comprovação da existência do crédito. Tal procedimento não se confunde com a impossibilidade de rever fatos ocorridos em períodos já atingidos pela decadência. Decorrido prazo que caracteriza a decadência a autoridade administrativa não pode, de forma direta ou indireta, levar a efeito procedimento fiscal para glosar valor de imposto retido na fonte, sob o argumento de que os rendimentos não foram oferecidos à tributação ou em virtude de glosa de despesas. Tal procedimento implicaria, por via transversa, fiscalizar período já atingido pela decadência. Contudo, apesar de não poder afastar imposto de renda retido na fonte, pode a autoridade fiscal, a qualquer tempo, exigir que o contribuinte demonstre a existência da retenção e da efetiva escrituração dos valores que serão utilizados para efeito de compensação. Assim, a decisão de primeira instância não merece reparos, pelo que acato os fundamentos transcritos no relatório deste voto com razões adicionais de decidir. ISSO POSTO, voto no sentido de rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 12DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA
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