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Numero do processo: 14033.000246/2007-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
O destino da compensação vincula-se ao decidido no processo cujo objeto é o lançamento do IPI que glosou os créditos que foram compensados refazendo a escrita do IPI e lançando eventual saldo devedor. Assim, invalidado o lançamento, que abarca o período de apuração do crédito compensado, por decisão do CARF, em decorrência restitui-se o crédito à escrita fiscal e homologa-se a compensação feita com arrimo naquele.
Recurso provido.
Numero da decisão: 3402-003.122
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente o Dr. Antônio Carlos Garcia de Souza, OAB/RJ 48.955.
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
Jorge Olmiro Lock Freire - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 O destino da compensação vincula-se ao decidido no processo cujo objeto é o lançamento do IPI que glosou os créditos que foram compensados refazendo a escrita do IPI e lançando eventual saldo devedor. Assim, invalidado o lançamento, que abarca o período de apuração do crédito compensado, por decisão do CARF, em decorrência restitui-se o crédito à escrita fiscal e homologa-se a compensação feita com arrimo naquele. Recurso provido.
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Assim, invalidado o lançamento, que abarca o período de apuração do crédito compensado, por decisão do CARF, em decorrência restituise o crédito à escrita fiscal e homologase a compensação feita com arrimo naquele. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente o Dr. Antônio Carlos Garcia de Souza, OAB/RJ 48.955. Antônio Carlos Atulim Presidente. Jorge Olmiro Lock Freire Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 03 3. 00 02 46 /2 00 7- 93 Fl. 885DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/06/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 14033.000246/200793 Acórdão n.º 3402003.122 S3C4T2 Fl. 885 2 Relatório Versam os autos pedido de compensação de crédito de IPI (fls. 3/4), referente ao período de apuração primeiro trimestre de 2005, com débitos de IRPJ e CSLL. O Termo de Verificação Fiscal (TVF fls. 230/236), de 27/11/2008, informa que a empresa creditouse (código 05 "outros créditos") de valores de IPI de insumos (2106.90.10 "preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas" concentrado) adquiridos da Zona Franca de Manaus (ZFM) em operações isentas, os quais, entendeu a fiscalização, são indevidos nos termos de reiteradas decisões do Conselho de Contribuintes e do STF, pelo que glosouos e estornou os débitos compensados, e após reconstituiu a escrita do IPI. Tal procedimento operouse, alem deste processo, em relação aos demais elencados no item 2 do TVF. Em decorrência da glosa dos créditos, e realizada a reconstituição da escrita desconsiderandoos, e sendo apurados saldos devedores, os mesmos foram objeto de cobrança no auto de infração formalizado no processo 10166.720116/200895. Com arrimo nessa conclusão da fiscalização, foi editado, em 05/04/2010, o Despacho Decisório/DRFB/BSA/Diort (fls. 240/247) não reconheceu o crédito de IPI e, em consequência, não homologou a compensação. Manifestada sua inconformidade (fls. 252/277) contra esse Despacho, a DRJ/JFA, em acórdão de 09/07/2010 (fls. 781/785), manteve o despacho da unidade local da RFB. Não resignada, contra a r. decisão a empresa interpôs recurso voluntário (fls. 793/819), no qual pugna pela insubsistência da decisão recorrida tendo em vista que: a) o art. 19 da IN/RFB nº 210/02 seria inaplicável porque não se trataria de mero ressarcimento, mas de compensação regida pelo art. 74 da Lei nº 9430/96, intentada anteriormente à lavratura do Auto de Infração que originou o Processo Administrativo nº 10166.720116/200895 relativo à suposta exigência do IPI, que foi julgado improcedente por decisão de 1ª instância (Acórdão nº 0924537 da 3ª Turma da DRJ de Juiz de Fora); b) como resulta da aludida decisão, o insumo que gerou o crédito de IPI em questão para a Recorrente não se sujeitava a alíquota zero, mas sim a alíquota de 27% e é isento do IPI, e, portanto, não poderia ter sido proferida decisão deixando de homologar as compensações realizadas, porque já havia sido proferida decisão favorável no AI MPF n° 0110100/00013/2007. Pediu o sobrestamento do presente julgado até que seja proferida decisão definitiva nos autos do processo em que se controverte o auto de infração onde há a exigência fiscal do IPI devido em função das glosas dos créditos e reconstituição da escrita; c) a recorrente tem direito aos créditos de IPI objeto do pedido de ressarcimento em questão, porque também há coisa julgada formada nos autos do Mandado de Segurança Coletivo (MSC) n° 91.00477834 assegurando o direito aos créditos relativos da aquisição de insumos isentos (por norma de isenção subjetiva regional), oriundos da Zona Franca de Manaus, por força do principio da nãocumulatividade e por força expressa da disposição do art. 6° do DecretoLei (DL) n° 1.435, de 16.12.1975; d) nos termos do art. 74 da Lei n° 9.430/96, a requerente tem direito de utilizar créditos de IPI para quitar, por compensação, quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF; Fl. 886DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/06/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 14033.000246/200793 Acórdão n.º 3402003.122 S3C4T2 Fl. 886 3 e) descabida a incidência da multa consoante a dicção do art. 76, II, a, da Lei 4.502/64. O julgamento foi convertido em diligência, consoante Resolução 3402 000.283, de 31/11/2011 (fls. 1022/1026), no sentido de que fosse aguardado o julgamento definitivo do processo 10166.720116/200895, no qual se controverte o auto de infração da exigência fiscal decorrente das glosas de créditos, dentre os quais aqueles objeto da compensação destes autos, e, em face do que viesse a ser julgado, fosse elaborada planilha demonstrativa do valor do crédito a ser restituído de acordo a decisão definitiva. Em 20/01/2015, despacho da unidade local (fl. 1030), propondo o retorno dos autos ao CARF e informando que não havia decisão definitiva naqueles autos, o que veio a ser feito. Em 17/03/2016, o processo veio à minha relatoria em redistribuição por sorteio. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, relator. Primeiramente rechaço a colocação de que os produtos isentos tenham alíquota de 27 %. Não é esta a motivação do lançamento no PA 10166.720116/200895, o qual não teve por fundamento a classificação fiscal dos produtos, mas exclusivamente o fato de estarem abrigados por operações isentas, o que, no entender do Fisco, afastaria qualquer direito a crédito. Aliás, por sua pífia motivação, foi o mesmo cancelado. Portanto, não conheço da alegação acerca da classificação fiscal dos produtos adquiridos por estranha ao fundamento da autuação. No que concerne ao referido processo de nº 10166.720116/200895, de fato o mesmo teve por objeto cobrança de IPI relativamente ao período de apuração 01/01/2003 a 31/12/2006. Portanto, os créditos objeto da compensação inserta nestes autos está abarcado no período objeto do lançamento de ofício. Entendo que se o lançamento de ofício que glosou os créditos escriturados (os quais, por sua vez, arrimaram compensações, como in casu), refazendo a escrita e apurando valor de IPI a pagar, for "derrubado" neste colegiado, em decorrência desta decisão vinculase o destino das compensações, uma vez que os créditos glosados retornam a seu status quo ante na escrita fiscal. Assim, tendo eu acompanhado o voto vencedor, de lavra do Dr. Antonio Carlos Atulim, no julgamento do recurso nos autos do processo 10166.720116/200895, julgado em sessão de 17 de maio de 2016, acórdão nº 3402003.067, o julgamento do objeto deste recurso terá o destino daquele, pelo seus próprios fundamento de decidir. Dessarte, com arrimo na decisão do voto vencedor no 3402003.067, que adoto como razões de decidir e que anexo a estes autos, resta homologada a compensação objeto do presente processo. Fl. 887DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/06/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 14033.000246/200793 Acórdão n.º 3402003.122 S3C4T2 Fl. 887 4 A decisão que cancelou o referido auto de infração (processo 10166.720116/200895) tornouse definitiva, uma vez que a PFN manifestouse naqueles autos (fl. 3707) que não interporia recurso à Câmara Superior de Recursos Fiscais. Ante o exposto, dou provimento ao recurso. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 888DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/06/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10580.005433/2007-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/1998 a 30/06/2002
DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. SÚMULA 99 DO CARF. RECOLHIMENTO PARCIAL. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, DO CTN.
Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
No caso de lançamento das contribuições sociais, em que para os fatos geradores efetuou-se antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra geral do art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4º, ambos do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-004.207
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER do Recurso Voluntário e DAR PROVIMENTO PARCIAL, para reconhecer que sejam excluídos, em razão da decadência, os valores apurados até a competência 11/2001, inclusive, mantendo-se o lançamento referente ao período de 12/2001 a 06/2002, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
André Luís Mársico Lombardi Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (Vice-Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Maria Cleci Coti Martins e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/1998 a 30/06/2002 DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. SÚMULA 99 DO CARF. RECOLHIMENTO PARCIAL. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, DO CTN. Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No caso de lançamento das contribuições sociais, em que para os fatos geradores efetuou-se antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra geral do art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4º, ambos do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte
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OBRIGAÇÃO PRINCIPAL Recorrente PRIMO SCHINCARIOL INDÚSTRIA DE CERVEJAS E REFRIGERANTES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/1998 a 30/06/2002 DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. SÚMULA 99 DO CARF. RECOLHIMENTO PARCIAL. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, DO CTN. Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No caso de lançamento das contribuições sociais, em que para os fatos geradores efetuouse antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra geral do art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4º, ambos do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER do Recurso Voluntário e DAR PROVIMENTO PARCIAL, para reconhecer que sejam excluídos, em razão da decadência, os valores apurados até a competência 11/2001, inclusive, mantendose o lançamento referente ao período de 12/2001 a 06/2002, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 54 33 /2 00 7- 14 Fl. 213DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 2 André Luís Mársico Lombardi – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (VicePresidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Maria Cleci Coti Martins e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10580.005433/200714 Acórdão n.º 2401004.207 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado. Adotamos trechos do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 140/144), que bem resumem o quanto consta dos autos: “[...] 1. Tratase de crédito lançado através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD n° 37.059.5378 contra PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERV E REFRIG DO NORDESTE S/A, referente às competências 11/99 a 01/02, 05/02 e 06/02 (...). 2. Em 25/01/2002, conforme Ata de Assembléia Geral Extraordinária, a empresa fiscalizada incorporou a sociedade ASA BRANCA MINERAL LTDA, CNPJ 03.095.118/000139, empresa localizada no Estado de Pernambuco, cujo início de atividade deuse em 10/03/1999. De acordo com a legislação vigente, infrações cometidas ou eventuais débitos provenientes da empresa incorporada devem ser apurados contra a empresa incorporadora. Esta NFLD destinase a apurar as contribuições devidas pela empresa incorporada, em razão de insuficiência de recolhimento constatada a partir do exame da documentação da Asa Branca Mineral. 3. De acordo com o Relatório da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, fls. 83/88, os valores que integram a presente Notificação referemse às contribuições dos segurados empregados, às contribuições patronais devidas pela empresa incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título aos segurados empregados e contribuintes individuais, mais a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laborativa, a destinada a outras entidades (terceiros), e a diferença de acréscimos legais sobre contribuições previdenciárias recolhidas em atraso, dos seguintes levantamentos: 4. ABC Asa Branca Contribuintes individuais sem Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP. Este levantamento, elaborado com base na escrituração contábil da Asa Branca, destinase à apuração das contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações de segurados contribuintes individuais, registradas nas Contas 4.2.02.03.011 (Manutenção e Conservação) e 4.2.02.03.0l8 (Serviços de Terceiros PF). 5. ABD Asa Branca DRTV Serviços. Este levantamento, elaborado com base na escrituração contábil da Asa Branca, destinase à apuração das contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações de segurados empregados, Fl. 215DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 4 registradas na Conta 1.l.02.07.008 (DRTV Serviços). A fim de identificar a real natureza dos lançamentos contábeis, foram solicitados à empresa, através do competente termo de intimação, os documentos que os embasaram. Como tais documentos não foram apresentados, sendo um dos motivos da lavratura do Auto de Infração DEBCAD n° 37.059.5327, a fiscalização considerou como remuneração de empregados os valores identificados no Relatório de Lançamentos RL, fls. 26/31. Para fins de cálculo das contribuições dos segurados empregados envolvidos neste levantamento, foi aplicada a alíquota mínima. 6. ABG Asa Branca folha com GFIP. Este levantamento destinase à apuração de diferenças de contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações de segurados empregados constantes das GFIP da Asa Branca. 7. ABN Asa Branca folha sem GFIP. Este levantamento, elaborado com base no comparativo entre as GFIP e as folhas de pagamento da Asa Branca, destinase à apuração de diferenças de contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações de segurados empregados, não declaradas em GFIP. (...) 9. Inconformado com a notificação, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva, em 11/01/2007, de fls. 116/138, alegando, em síntese, que: 10. O direito do Fisco de lançar o crédito tributário correspondente ao período de 10/96 a 11/01 achase acolhido pela decadência, conforme o Código Tributário Nacional, e por isso, o lançamento não prospera incólume. [...]” Como afirmado, a impugnação apresentada pela recorrente foi julgada improcedente, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, o recurso voluntário, no qual alega, em apertada síntese, a decadência dos valores apurados até a competência 11/2001, a teor no § 4º do art. 150 do CTN. É o relatório. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10580.005433/200714 Acórdão n.º 2401004.207 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro André Luis Marsico Lombardi, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. A Recorrente alega que a autuação é improcedente até a competência 11/2001, em decorrência da decadência qüinqüenal, a teor do art. 150, § 4º, do CTN. Pelos motivos a seguir delineados, tal alegação será acatada. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF1, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). Resta definir se é o caso de aplicação do art. 173, I, ou do art. 150, § 4°2, do referido codex. É cediço que o pagamento antecipadamente realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, § 4º, do CTN em relação aos fatos geradores para os quais houve o pagamento antecipado. Assim, se há recolhimento em uma determinada competência e não em outra, àquela competência seria aplicável a regra do artigo 150, § 4º, do CTN, mas não a esta, que seguiria o disposto no artigo 173, I, do CTN, quanto ao cálculo do prazo decadencial. Ocorre que, quanto às contribuições previdenciárias, temos ainda a particularidade de ela ser integrada por diversas rubricas ou levantamentos, que são as parcelas integrantes da totalidade da remuneração. Por tal especificidade, indagase, de forma recorrente, se o fato gerador, e consequentemente o pagamento, deve ser analisado por rubrica/levantamento ou pela totalidade da remuneração no mês. Antes, porém, é preciso justificar que a expressão fato gerador, está sendo utilizada aqui de forma equivalente à hipótese de incidência, indicando “tanto aquela figura conceptual e hipotética – consistente no enunciado descritivo do fato, contido na lei – como o 1 Súmula Vinculante no 8 do STF: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. 2 Lei 5.172/1966 Código Tributário Nacional (CTN): Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (g.n.) II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. ............................................................................................. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 6 próprio fato concreto que, na sua conformidade, se realiza, hic et nunc, no mundo fenomênico” (ATALIBA, Geraldo. Hipótese de incidência tributária. 6. ed. São Paulo: Malheiros, 2000, p. 54). Pois bem. O Código Tributário Nacional define o fato gerador como a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Então, voltando à questão tratada, perguntase: qual é esta situação necessária e suficiente para a configuração da ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária? Vejamos o quadro normativo para chegarmos a uma conclusão. O art. 195, I, “a”, da CF, estipula os limites da instituição de contribuições previdenciárias, estabelecendo, assim, o seu arquétipo constitucional. Sem especificação muito pormenorizada do fato gerador das aludidas contribuições, dispõe que são devidas pela empresa e que incidem sobre “a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados.” Subordinado a tais ditames e concretizando a hipótese de incidência/fato gerador, os incisos I, II e III do art. 22 da Lei 8.212/1991 são repetitivos ao estipularem que a contribuição previdenciária das empresas incide “sobre o total das remunerações” pagas ou creditadas a qualquer título “no decorrer” ou “durante o mês”. Do cotejamento dos referidos dispositivos, extraímos os elementos essenciais da hipótese de incidência/fato gerador, de sorte que podemos concluir que o legislador não atomizou o fato gerador da contribuição previdenciária tomando por base cada levantamento ou cada rubrica. Pelo menos não há menção expressa neste sentido. Da mesma forma ocorre com a contribuição do segurado. Vejamos a contribuição dos segurados empregados e avulsos, a qual leva em consideração o denominado salário de contribuição mensal (art. 20 da Lei 8.212/91), que está definido no inciso I do artigo 28 da Lei 8.212/91 com critérios semelhantes aos da contribuição da empresa, naquilo que nos interessa. Para o referido dispositivo legal, o salário de contribuição corresponde à “totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês”. Depreendese da análise atenta do dispositivo legal que, novamente, o legislador congrega todos os rendimentos daquela competência em um único instituto – salário de contribuição. É verdade que o salário de contribuição representa a base de cálculo, e não propriamente o fato gerador, todavia, o corte temporal (mensal) e quantitativo (totalidade) da descrição indica, novamente, que a situação necessária e suficiente para a ocorrência do fato gerador é o pagamento ou crédito da totalidade da remuneração, “no decorrer” ou “durante o mês”. Voltando para a contribuição da empresa, se consideramos que a Lei 8.212/91, ao estabelecer que a contribuição previdenciária incide “sobre o total das remunerações” pagas ou creditadas a qualquer título no “decorrer” ou “durante o mês” (art. 22, I, II e III, da Lei 8.212/1991) está definindo o seu fato gerador, podemos concluir que este fato gerador constituise da totalidade da remuneração no mês e não de cada parcela, rubrica ou levantamento isoladamente. Se a definição do fato gerador apóiase na totalidade da remuneração no decorrer do mês, consequentemente, todo e qualquer pagamento acaba por se referir à totalidade no mês, e não àquela rubrica ou levantamento específico – vejase novamente a definição da alíquota para segurados empregados e avulsos. Assim, havendo alguma antecipação de pagamento, atraise, para toda aquela competência, para todo aquele fato gerador, a aplicação do parágrafo 4º do art. 150 do CTN. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10580.005433/200714 Acórdão n.º 2401004.207 S2C4T1 Fl. 5 7 Destarte, estando comprovado que há recolhimentos a homologar, independentemente da rubrica ou levantamento a que se refira, nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies a quo do prazo decadencial é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º do CTN. Verificase que o lançamento fiscal em tela referese às competências 11/1999 a 06/2002 e foi efetuado em 27/12/2006, data da intimação e ciência do sujeito passivo (fls. 01/02). No caso em tela, tratase do lançamento de contribuições, cujos fatos geradores o Fisco já reconheceu que a Recorrente efetuou antecipação de pagamento parcial para outras rubricas da contribuição previdenciária, conforme Relatório Fiscal (fls. 83/88), Relatório de Documentos Apresentados (RDA), fls. 40/42, Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados (RADA), fls. 43/60, e Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal (TEPF), fls. 77/78. Esses documentos afirmam que houve o recolhimento parcial de contribuições devidas. Nesse sentido, a teor do enunciado da súmula 99 do CARF3, aplicase o art. 150, § 4º, do CTN, para considerar que os valores apurados até a competência 11/2001, inclusive, foram abrangidos pela decadência tributária. Com isso – como o crédito foi constituído com fundamento no direito potestativo do Fisco em lançar os valores das contribuições não recolhidas em época determinada pela legislação vigente –, a decadência será acatada em parte, excluindose os valores apurados nas competências 11/1999 a 11/2001, inclusive, já que o lançamento fiscal referese ao período de 11/1999 a 06/2002 e as competências posteriores a 11/2001 não foram abarcadas pela decadência tributária. Diante disso, reconhecese parcialmente a preliminar de decadência tributária, excluindo as contribuições apuradas até a competência 11/2001, inclusive, a teor do art. 150, § 4º, do CTN. E mantêmse as contribuições apuradas no período de 12/2001 a 06/2002. Em tempo, a Recorrente afirma que as contribuições não atingidas pela decadência (período de 12/2001 a 06/2002) já foram recolhidas por meio de guias de recolhimento (GPS), sendo assim cabe ao Fisco na liquidação e execução do lançamento fiscal averiguar tais recolhimentos sinalizados pela Recorrente e, se for o caso, extinguir o restante do lançamento mantido. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DAR PROVIMENTO PARCIAL, para reconhecer que sejam excluídos, em razão da decadência, os valores apurados 3 Súmula 99 do CARF: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 8 até a competência 11/2001, inclusive, mantendose o lançamento referente ao período de 12/2001 a 06/2002, nos termos do voto. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi Relator Fl. 220DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Numero do processo: 13971.001474/2005-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2005 a 31/03/2005
REGIME NÃO CUMULATIVO. CUSTOS DE AQUISIÇÃO DE BENS PARA REVENDA OU UTILIZADO COMO INSUMO DE PRODUÇÃO/INDUSTRIALIZAÇÃO. COMPROVAÇÃO PARCIAL. GLOSA PARCIAL DOS CRÉDITOS APROPRIADOS. CABIMENTO.
No âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep, a glosa do crédito deve ser parcialmente mantida se o contribuinte não logra comprovar, por meio de documento hábil e idôneo, parte do custo de aquisição dos bens para revenda ou utilizado como insumo de produção/industrialização de bens destinados à venda.
REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
No âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep , se no transporte de bens para revenda ou utilizado como insumos na produção/industrialização de bens de destinados à venda, o gasto com frete, suportado pelo comprador, somente propicia a dedução de crédito se incluído no custo de aquisição dos bens, logo, se não há previsão legal de apropriação de crédito sobre o custo de aquisição dos bens transportados, por falta de previsão legal, não há como ser apropriada a parcela do crédito calculada apenas sobre o valor do gasto com frete.
REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. REMESSA DE PRODUTOS ACABADOS PARA DEPÓSITO FECHADO OU ARMAZÉM GERAL. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é admitido o direito de apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os gastos com frete relativos à operação de transporte nas remessas de produtos acabados para depósito fechado ou armazém geral.
REGIME NÃO CUMULATIVO. DESPESAS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Na sistemática de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, por falta de previsão legal, não propicia a dedução de crédito as despesas com frete por serviços de transporte de produtos acabados realizados entre estabelecimentos do próprio contribuinte por transportador pessoa jurídica.
REGIME NÃO CUMULATIVO. OPERAÇÕES DE DEVOLUÇÃO DE COMPRA E DE VENDA. DESPESA COM FRETE NO TRANSPORTE DO BEM DEVOLVIDO. DIREITO DE DEDUÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é passível de apropriação os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep calculados sobre as despesas com frete incorridas na operação de devolução de bem vendido ou comprado, ainda que tais despesas tenha sido suportadas pelo contribuinte.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/2005 a 31/03/2005
DÉBITO DECLARADO EM DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA E CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO FINAL PRAZO QUINQUENAL DE DECADÊNCIA. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA.
O débito declarado em Declaração de Compensação (Dcomp) tem natureza de confissão de dívida e se reveste de instrumento de hábil e idôneo de constituição do débito tributário compensado, o que dispensa a realização do lançamento de ofício e ainda põe termo à fluência do prazo quinquenal de decadência.
HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. DCOMP RETIFICADORA ADMITIDA. DATA DA APRESENTAÇÃO. NOVO TERMO INICIAL DO PRAZO QUINQUENAL DE DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE.
Se admitida a Dcomp retificadora, o termo inicial da contagem do prazo decadencial quinquenal para a homologação da compensação declarada passa a ser a data da apresentação da DComp retificadora, por conseguinte, não ocorre a homologação tácita se a ciência do contribuinte do despacho decisório não homologatório ou homologatório parcial da compensação efetiva-se antes de completado o quinquídio decadencial.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2005 a 31/03/2005
DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE ADEQUADA DAS RAZÕES DE DEFESA. DOCUMENTOS APRESENTADOS A DESTEMPO. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO EM FACE DA PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DIREITO DEFESA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade, por cerceamento ao direito de defesa, a decisão de primeiro grau em que houve pronunciamento claro e suficiente sobre todas as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória e em que não foram analisadas apenas documentos apresentados após o prazo da manifestação de inconformidade, alcançados pelo efeito da preclusão consumativa.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.218
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e não conhecer a homologação tácita da Declaração de Compensação, parcialmente vencida a Conselheira Lenisa Prado, que reconhecia a nulidade da decisão de primeira instância. Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, para manter a glosa de créditos calculados sobre aquisição de bens destinados à venda por falta de comprovação, vencidos a Conselheira Lenisa Prado e os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá e José Fernandes do Nascimento, Relator, que davam provimento ao Recurso. Designado para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar. Por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para restabelecer (i) o direito de crédito na aquisição do insumo acobertado pela NF nº 187744 (fl. 379) e (ii) os valores de R$ 46.202,77 e R$ 300,00, relativos à base de cálculo dos créditos estornados no mês de fevereiro de 2005. Fez sustentação oral: Dr. Arno Schmidt Júnior - OAB 6878 - SC.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
(assinado digitalmente)
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Redatora designada.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e não conhecer a homologação tácita da Declaração de Compensação, parcialmente vencida a Conselheira Lenisa Prado, que reconhecia a nulidade da decisão de primeira instância. Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, para manter a glosa de créditos calculados sobre aquisição de bens destinados à venda por falta de comprovação, vencidos a Conselheira Lenisa Prado e os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá e José Fernandes do Nascimento, Relator, que davam provimento ao Recurso. Designado para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar. Por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para restabelecer (i) o direito de crédito na aquisição do insumo acobertado pela NF nº 187744 (fl. 379) e (ii) os valores de R$ 46.202,77 e R$ 300,00, relativos à base de cálculo dos créditos estornados no mês de fevereiro de 2005. Fez sustentação oral: Dr. Arno Schmidt Júnior - OAB 6878 - SC. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. (assinado digitalmente) Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Redatora designada. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/2005 a 31/03/2005 REGIME NÃO CUMULATIVO. CUSTOS DE AQUISIÇÃO DE BENS PARA REVENDA OU UTILIZADO COMO INSUMO DE PRODUÇÃO/INDUSTRIALIZAÇÃO. COMPROVAÇÃO PARCIAL. GLOSA PARCIAL DOS CRÉDITOS APROPRIADOS. CABIMENTO. No âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep, a glosa do crédito deve ser parcialmente mantida se o contribuinte não logra comprovar, por meio de documento hábil e idôneo, parte do custo de aquisição dos bens para revenda ou utilizado como insumo de produção/industrialização de bens destinados à venda. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep , se no transporte de bens para revenda ou utilizado como insumos na produção/industrialização de bens de destinados à venda, o gasto com frete, suportado pelo comprador, somente propicia a dedução de crédito se incluído no custo de aquisição dos bens, logo, se não há previsão legal de apropriação de crédito sobre o custo de aquisição dos bens transportados, por falta de previsão legal, não há como ser apropriada a parcela do crédito calculada apenas sobre o valor do gasto com frete. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. REMESSA DE PRODUTOS ACABADOS PARA DEPÓSITO FECHADO OU ARMAZÉM GERAL. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é admitido o direito de apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os gastos com frete relativos à operação de transporte nas remessas de produtos acabados para depósito fechado ou armazém geral. REGIME NÃO CUMULATIVO. DESPESAS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Na sistemática de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, por falta de previsão legal, não propicia a dedução de crédito as despesas com frete por serviços de transporte de produtos acabados realizados entre estabelecimentos do próprio contribuinte por transportador pessoa jurídica. REGIME NÃO CUMULATIVO. OPERAÇÕES DE DEVOLUÇÃO DE COMPRA E DE VENDA. DESPESA COM FRETE NO TRANSPORTE DO BEM DEVOLVIDO. DIREITO DE DEDUÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é passível de apropriação os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep calculados sobre as despesas com frete incorridas na operação de devolução de bem vendido ou comprado, ainda que tais despesas tenha sido suportadas pelo contribuinte. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2005 a 31/03/2005 DÉBITO DECLARADO EM DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA E CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO FINAL PRAZO QUINQUENAL DE DECADÊNCIA. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. O débito declarado em Declaração de Compensação (Dcomp) tem natureza de confissão de dívida e se reveste de instrumento de hábil e idôneo de constituição do débito tributário compensado, o que dispensa a realização do lançamento de ofício e ainda põe termo à fluência do prazo quinquenal de decadência. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. DCOMP RETIFICADORA ADMITIDA. DATA DA APRESENTAÇÃO. NOVO TERMO INICIAL DO PRAZO QUINQUENAL DE DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. Se admitida a Dcomp retificadora, o termo inicial da contagem do prazo decadencial quinquenal para a homologação da compensação declarada passa a ser a data da apresentação da DComp retificadora, por conseguinte, não ocorre a homologação tácita se a ciência do contribuinte do despacho decisório não homologatório ou homologatório parcial da compensação efetiva-se antes de completado o quinquídio decadencial. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2005 a 31/03/2005 DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE ADEQUADA DAS RAZÕES DE DEFESA. DOCUMENTOS APRESENTADOS A DESTEMPO. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO EM FACE DA PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DIREITO DEFESA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade, por cerceamento ao direito de defesa, a decisão de primeiro grau em que houve pronunciamento claro e suficiente sobre todas as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória e em que não foram analisadas apenas documentos apresentados após o prazo da manifestação de inconformidade, alcançados pelo efeito da preclusão consumativa. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2005 a 31/03/2005 REGIME NÃO CUMULATIVO. CUSTOS DE AQUISIÇÃO DE BENS PARA REVENDA OU UTILIZADO COMO INSUMO DE PRODUÇÃO/INDUSTRIALIZAÇÃO. COMPROVAÇÃO PARCIAL. GLOSA PARCIAL DOS CRÉDITOS APROPRIADOS. CABIMENTO. No âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep, a glosa do crédito deve ser parcialmente mantida se o contribuinte não logra comprovar, por meio de documento hábil e idôneo, parte do custo de aquisição dos bens para revenda ou utilizado como insumo de produção/industrialização de bens destinados à venda. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep , se no transporte de bens para revenda ou utilizado como insumos na produção/industrialização de bens de destinados à venda, o gasto com frete, suportado pelo comprador, somente propicia a dedução de crédito se incluído no custo de aquisição dos bens, logo, se não há previsão legal de apropriação de crédito sobre o custo de aquisição dos bens transportados, por falta de previsão legal, não há como ser apropriada a parcela do crédito calculada apenas sobre o valor do gasto com frete. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. REMESSA DE PRODUTOS ACABADOS PARA DEPÓSITO FECHADO OU ARMAZÉM GERAL. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é admitido o direito de apropriação de créditos da Contribuição para o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 14 74 /2 00 5- 56 Fl. 747DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA 2 PIS/Pasep sobre os gastos com frete relativos à operação de transporte nas remessas de produtos acabados para depósito fechado ou armazém geral. REGIME NÃO CUMULATIVO. DESPESAS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Na sistemática de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, por falta de previsão legal, não propicia a dedução de crédito as despesas com frete por serviços de transporte de produtos acabados realizados entre estabelecimentos do próprio contribuinte por transportador pessoa jurídica. REGIME NÃO CUMULATIVO. OPERAÇÕES DE DEVOLUÇÃO DE COMPRA E DE VENDA. DESPESA COM FRETE NO TRANSPORTE DO BEM DEVOLVIDO. DIREITO DE DEDUÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é passível de apropriação os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep calculados sobre as despesas com frete incorridas na operação de devolução de bem vendido ou comprado, ainda que tais despesas tenha sido suportadas pelo contribuinte. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2005 a 31/03/2005 DÉBITO DECLARADO EM DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA E CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO FINAL PRAZO QUINQUENAL DE DECADÊNCIA. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. O débito declarado em Declaração de Compensação (Dcomp) tem natureza de confissão de dívida e se reveste de instrumento de hábil e idôneo de constituição do débito tributário compensado, o que dispensa a realização do lançamento de ofício e ainda põe termo à fluência do prazo quinquenal de decadência. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. DCOMP RETIFICADORA ADMITIDA. DATA DA APRESENTAÇÃO. NOVO TERMO INICIAL DO PRAZO QUINQUENAL DE DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. Se admitida a Dcomp retificadora, o termo inicial da contagem do prazo decadencial quinquenal para a homologação da compensação declarada passa a ser a data da apresentação da DComp retificadora, por conseguinte, não ocorre a homologação tácita se a ciência do contribuinte do despacho decisório não homologatório ou homologatório parcial da compensação efetivase antes de completado o quinquídio decadencial. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2005 a 31/03/2005 DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE ADEQUADA DAS RAZÕES DE DEFESA. DOCUMENTOS APRESENTADOS A DESTEMPO. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO EM FACE DA PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DIREITO DEFESA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 748DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13971.001474/200556 Acórdão n.º 3302003.218 S3C3T2 Fl. 748 3 Não é passível de nulidade, por cerceamento ao direito de defesa, a decisão de primeiro grau em que houve pronunciamento claro e suficiente sobre todas as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória e em que não foram analisadas apenas documentos apresentados após o prazo da manifestação de inconformidade, alcançados pelo efeito da preclusão consumativa. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e não conhecer a homologação tácita da Declaração de Compensação, parcialmente vencida a Conselheira Lenisa Prado, que reconhecia a nulidade da decisão de primeira instância. Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, para manter a glosa de créditos calculados sobre aquisição de bens destinados à venda por falta de comprovação, vencidos a Conselheira Lenisa Prado e os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá e José Fernandes do Nascimento, Relator, que davam provimento ao Recurso. Designado para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar. Por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para restabelecer (i) o direito de crédito na aquisição do insumo acobertado pela NF nº 187744 (fl. 379) e (ii) os valores de R$ 46.202,77 e R$ 300,00, relativos à base de cálculo dos créditos estornados no mês de fevereiro de 2005. Fez sustentação oral: Dr. Arno Schmidt Júnior OAB 6878 SC. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. (assinado digitalmente) Maria do Socorro Ferreira Aguiar Redatora designada. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o Relatório encartado na decisão de primeiro grau, que segue integralmente transcrito: Trata o presente processo de compensações (DCOMP) de débitos da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) com crédito do PIS/Pasep, vinculados às receitas de exportação, apurado nos meses de fevereiro e março de 2005. Fl. 749DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA 4 O Relatório de Auditoria Fiscal teve por escopo a aferição dos créditos utilizados pela contribuinte no período, incluindo as utilizações em desconto (desconto de valores de débitos apurados da própria contribuição nãocumulativa), bem como a apuração dos saldos de créditos ‘Exportação’ passíveis de utilização em compensação e/ou ressarcimento. Em seguida, a autoridade fiscal passa a discorrer sobre a instrução do processo, o rateio, o perfil da empresa, os fundamentos dos créditos do PIS/Pasep nãocumulativo; por fim, passa à análise e reconhecimento dos créditos, de acordo com o último Dacon retificador transmitido, o qual guarda correspondência com a última memória de cálculo apresentada. Desta análise, resultaram as seguintes glosas de créditos: LINHA 01 – Bens para revenda (Lei nº. 10.637/2002, art. 3º., inciso I): Glosa 1 – Falta de comprovação de diversas notas fiscais relacionadas no arquivo RVJ não apresentadas ao fisco (item 38 do relatório), embora tenham sido objeto de intimação. LINHA 02 – Bens utilizados como insumos (Lei nº. 10.637/2002, art. 3º., II): Glosa 1 – Complementos de Valor – Remessas sem crédito: A contribuinte efetua operações de compra, venda e industrialização de insumos (preponderância de soja) com preço a fixar, feitas de pessoas físicas e jurídicas. O fisco concentrou o foco da análise especificamente nas notas de Complemento de Valor (TNF 72), especificamente nas operações de aquisição de insumos com contratos de preços a fixar. Conforme o relatório fiscal, as glosas se fundamentaram, em síntese, no fato de que o direito ao crédito do PIS/Pasep apurado na modalidade nãocumulativa foi regulado respeitando o regime de competência. Não foram consideradas as complementações dos valores ocorridas no regime não cumulativo, em relação às remessas (aquisições) ocorridas no período da cumulatividade e foram consideradas parcialmente àquelas em que as remessas ocorreram nos dois períodos – cumulatividade e nãocumulatividade. Com base na análise do arquivo digital ‘COMP”, o fisco verificou existirem, para o mesmo contrato, remessas com fim específico de exportação (CFOP 1.501/2.501), sem direito a crédito (Remessas com FEX). A descrição dos registros relacionados a remessas sem créditos e respectivo valores se encontram detalhados nos itens 71 a 74 do relatório fiscal. Glosa 2 – Falta de Comprovação: relativa aos documentos solicitados e não apresentados (arquivo ‘INJ’, ‘INU’ e ‘INC’), listados nos demonstrativo do item 75 do relatório fiscal. LINHA 03 – Serviços utilizados como insumos (Lei nº. 10.637/2002, art. 3º., II: Fl. 750DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13971.001474/200556 Acórdão n.º 3302003.218 S3C3T2 Fl. 749 5 Glosa 1 – Falta de Comprovação: relacionada aos registros nos arquivos “SVT” e “SVFr”, em razão da falta de apresentação de notas fiscais relacionadas às operações de transporte (item 91 do relatório), no período de janeiro a março. Glosa 2 – Frete correspondente a grãos exportados: Referese aos custos de fretes efetuados por Pessoa Jurídica correspondentes (e proporcionais) às aquisições de produtores Pessoa Física (créditos presumidos) para revenda, insumos estes os quais foram objeto de estorno, conforme demonstrativo de estorno (EST_Rv). Dada a preponderância das aquisições de soja em grão de pessoas físicas, a glosa limitouse aos fretes relacionadas a este bem, tendo sido adotado um critério de apuração de proporcionalidade entre as aquisições totais de soja (de pessoa física), os valores estornados e os respectivos fretes. Glosa 3 – Frete na transferência de produto acabado (entre estabelecimentos): ocorrência verificada a partir da análise dos arquivos ‘SVFr’, com a identificação das operações com CFOP 2.152 (transferência para comercialização) e CFOP 5.152/6.152 (transferência de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros). Glosa 4 – Frete na aquisição de PF para revenda: ocorrência verificada a partir da análise dos arquivos ‘SVFr’, com a identificação das operações para as quais a participante remetente é pessoa física e o CFOP da nota fiscal relativa à mercadoria transportada é igual a ‘1.102’ ou ‘2102’ cuja descrição consta como ‘Compra para comercialização’. Glosa 5 – Frete na aquisição com FEX: relativo a aquisições com fim específico de exportação. As demais glosas, sob este item, foram identificadas a partir da análise do arquivo SVFr verificados através do CFOP das mercadorias transportadas. São elas: Glosa 6 – Frete em Devoluções; Glosa 7 – Fretes em operações com depósito fechado ou armazém geral; Glosa 8 – Frete em operações relativas a conserto/reparo; Glosa 9 – Frete de bens do imobilizado; e Glosa 10 – Frete de material uso/consumo. LINHA 05 – Despesas de aluguéis de prédios locados de Pessoas Jurídicas – Lei nº. 10.637/2002, art. 3º.,IV: Glosa 1 – Adiantamento a fornecedor: por não se caracterizarem como “incorridos no mês” a teor do art. 3º. , § 1º., II, da Lei nº. 10.833/2003. Glosa 2 – Falta de Comprovação: relativa a diversos registros cujos respectivos documentos, notas fiscais, contratos e comprovantes de pagamentos não foram apresentados (item 148 do relatório), conforme solicitados pelo fisco. LINHA 06 – Despesas de aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas – Lei nº. 10.637/2002, art. 3º.,IV: Fl. 751DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA 6 por não se caracterizarem como “incorridos no mês” a teor do art. 3º. , § 1º., II, da Lei nº. 10.637/2002. LINHA 07 – Despesas de Armazenagem de Mercadoria e Frete na Operação de Venda – Lei nº. 10.833/2003, art. 3º.,IX e 15,II: Glosa 1 – Falta de comprovação de operações constantes do arquivo ‘FrV’, em razão da falta de apresentação de parte dos documentos comprobatórios (relação no item 165 do relatório). LINHA 09 – Encargos de depreciação de bens do Ativo Imobilizado (Lei nº. 10.637/2002, art. 3º., VI): Glosa 1: Falta de informação do fornecedor do bem: efetuada a glosa em razão da falta de identificação do fornecedor do bem para o Ativo Imobilizado, imprescindível para respaldar o reconhecimentos dos créditos. LINHA 10 – Base de Cálculo de Créditos a Descontar Relativos a Bens do Ativo Imobilizado (Lei nº. 10.833/2003, art. 3º. §14): Glosa 1 – Falta de informação do fornecedor do bem: efetuada a glosa em razão da falta de identificação do fornecedor do bem, imprescindível para respaldar o reconhecimentos dos créditos. Glosa 2 – Informação inválida do fornecedor do bem: a informação de CNPJ constante do campo ‘Fornecedor’ corresponde a um código inexistente, sendo que a correta de identificação do fornecedor do bem para o Ativo Imobilizado e imprescindível para respaldar o reconhecimentos dos créditos. Glosa 3 – Falta de Comprovação: da documentação hábil relativa ao crédito, conforme planilha constante no item 182. LINHA 18 – Crédito Presumido – Atividades Agroindustriais (Lei nº.10.925/2004, art. 8º.): Glosa 1: Complemento de Valor – Remessas sem crédito: A contribuinte efetua operações de compra, venda e industrialização de insumos com preço a fixar, feitas de pessoas físicas e jurídicas, cujos registros das operações com pessoas físicas se encontram identificados nos arquivos ‘AGS – Aquisições de Soja de Pessoas Físicas residentes no País’ e ‘AGM – Aquisições de Milho de Pessoas Físicas residentes no País’ e ‘AGD – Aquisições de outros bens de Pessoas Físicas residentes no País’. As notas identificadas como ‘TNF 72’ referemse ao complemento do valor, pelas quais a contribuinte foi intimada a apresentar o arquivo digital ‘COMPL’, onde se constatou que terem ocorridos remessas sem direito a crédito: remessas havidas no período da cumulatividade e para comercialização (CFOP 1.102). Os fundamentos da glosa são os mesmos da glosa 1 – Linha 02 (itens 59/73). Fl. 752DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13971.001474/200556 Acórdão n.º 3302003.218 S3C3T2 Fl. 750 7 Glosa 2 – Falta de Comprovação: relativa aos registros de notas fiscais constantes dos arquivos “AGS”, “AGD” e “AGM” (AGS – demonstrativo 182). Glosa 3 – Frete correspondente a grãos exportados: as razões e critérios dessa glosa são os mesmos já expostos nos itens 94/101 do relatório fiscal (Glosa 2 da Linha 03). Glosa 4 – Frete na Transferência de Produto Acabado: (entre estabelecimentos): ocorrência verificada a partir da análise dos arquivos ‘AGFr’, com a identificação das operações com CFOP 1.152/2.152 (transferência para comercialização) e CFOP 5.152/6.152 (transferência de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros). Glosa 5 – Frete em devoluções de compras ou de vendas de mercadorias (arquivos AGFr), identificadas através do CFOP das mercadorias transportadas. Glosa 6 – Fretes em operações com depósito fechado ou armazém geral: identificadas a partir da análise do arquivo AGFr verificados através do CFOP das mercadorias transportadas. LINHA 31 () Ajustes Negativos de Créditos: Glosa 1 Estorno de bens sinistrados: Em vista da não apresentação do Demonstrativo “ESTEstornos relativos a Insumos para Industrialização”, a apuração do estorno foi feita com base dos dados constantes do livro Diário, constas nº. 1700 – Sinistros de matéria prima e nº. 1701 – Sinistros de produtos. Análise dos Créditos – Tabulação dos Resultados: Ao final do relatório,o fisco expõe a tabulação dos dados com os créditos passíveis de reconhecimento, procede ao rateio dos créditos relacionados ao mercado interno e externo, e apresenta as suas conclusões. Com base nas informações fiscais, é emitido o Parecer SAORT nº. 061/2010, e o respectivo Despacho Decisório de fl. 233. Manifestação de Inconformidade: Preliminarmente, a contribuinte alega que os créditos anteriores a 18/08/2010 foram atingidos pela decadência, cita doutrinas e alguns julgados, e termina por afirmar que há razão suficiente para extinguirse o crédito correspondente por transcurso do prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º. do CTN, notadamente porque o PIS/Cofins segue a sistemática do auto lançamento, visto que primeiro há o recolhimento e depois o envio do Dacon (em mês subseqüente). Fl. 753DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA 8 No mérito, seguindo a ordem ditada no Parecer que fundamentou o Despacho Decisório, a contribuinte assim se manifesta: LINHA 01 – Bens adquiridos para revenda (Lei nº. 10.637/2002, art. 3º., inciso I): Glosa 1 – relativa a diversas notas fiscais relacionadas no arquivo RVJ não apresentadas ao fisco, a contribuinte alega que foram localizadas e seguem em anexo. LINHA 02 – Bens utilizados como insumos (Lei nº. 10.637/2002, art. 3º., II): Glosa 1 – Complementos de Valor – Remessas sem crédito: A contribuinte tece considerações sobre o regime de caixa e competência, bem como as formas de comercialização da soja – compra e venda com preço fixado e a fixar, mercado futuro, etc. – e remete a vários artigos do Código Civil Brasileiro – artigos 246, 481, 482, 486, 487. Alega que os auditores se equivocam quando afirmam que a ‘tradição’ do soja em grão pelo produtor seria o marco temporal caracterizador da realização da receita ou ganho, de forma a aplicar o regime de competência; que o tipo de contrato que utiliza se completa pelas sucessivas entregas da mercadoria e complementações de valor decorrente da fixação futura do preço, ai sim respeitando o regime de competência; que não se está diante de compra e venda parcelada, onde o fato jurídico ‘aquisição’ se constituiria pela ‘tradição’, independente do recebimento do preço integral no mesmo momento; que nesta espécie de contrato, a ‘complementação’ do preço está sim inseparavelmente vinculada à aquisição, posto que faz parte do objeto do contrato que se está completando. Sustenta que, sob a égide da legislação que instituiu a não cumulatividade, há que se conferir o direito ao crédito correspondente ao valor do complemento por se estar diante de uma única relação jurídica a qual poderseia chamar de ‘complexiva’, lembrando a definição aplicada ao fato gerador do imposto de renda, na medida em que a aquisição não ocorre quando da entrega da mercadoria, mas além dela, quando o preço for totalmente formado pela fixação futura. Alega, ainda, que a Lei 10.637/2002 não tratou especificamente dessas modalidades de operações, que não estabeleceu os critérios comentados pelos auditores em seu parecer para justificarem as glosas dos créditos sobre o complemento da nota fiscal emitida por ocasião da fixação do preço definitivo, tendo estes criado uma interpretação atípica para retirar o direito aos créditos. Remete aos artigos 1º. 3º., e 4º. da Lei nº. 10.637/2002, e alega que inexiste os critérios e conceitos tal como postos pelos auditores fiscais, que não há qualquer referência à tradição dos bens móveis como regra para a nãocumulatividade; que a lei trata de aquisição e esta não necessariamente se completa pela entrega do bem naquele momento, muito menos se o bem será Fl. 754DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13971.001474/200556 Acórdão n.º 3302003.218 S3C3T2 Fl. 751 9 entregue em uma ou mais ocasiões ou paga em uma ou mais vezes. Reitera que os incisos II e III do § 3º. do art. 3º. deixa evidente que, no contexto da nãocumulatividade, também está contemplada a questão dos “custos e despesas incorridos, pagos ou creditados, a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta lei”, independente da pretendida entrega física da mercadoria. Em suas palavras: Portanto, se parte ou a integralidade da mercadoria adquirida foi entregue no período cumulativo, os valores correspondentes as notas fiscais de remessa evidentemente não geraram crédito do PIS naquela época nem no momento da nota complementar de preço de forma retroativa. Esta última sim, como complemento do preço e da aquisição em si, cujo fato ocorreu sob a égide do período nãocumulativo confere à Impugnante o direito ao credito correspondente. Ora, conforme reconheceram os Srs. AFRFB, este fato jurídico dá origem à incidência do PIS mesmo não havendo a entrega física da mercadoria, e por outro lado, de forma contraditória e restritiva ao extremo, não confere o direito de crédito respectivo à impugnante. Data venia, não procede o argumento de que seriam situações distintas; são equivalentes sim e a lei não corrobora a interpretação trazido à baila no Parecer que sustentou o Despacho Decisório. Destaca que o crédito presumido é calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas. Ressalta, ainda, que a formação do preço dos cereais, a partir da Lei nº. 10.637/2002, foi majorada, incluindo o crédito presumido do PIS, repassado aos produtores. Glosa 2 – Falta de comprovação, relativa aos documentos não apresentados (arquivo ‘INJ”), a contribuinte diz que seguem anexos aos autos e alega estar providenciando as cópias dos documentos fiscais não entregues, os quais serão trazidos aos autos em 30 dias. LINHA 03 – Serviços utilizados como insumos (Lei nº. 10.637/2002, art. 3º., II: Inicialmente, ressalta que, em relação aos fretes das operações envolvendo exportações, traz à colação os Registros de Venda (RV) e as correspondentes cópias, contendo o respectivo nº. , data da venda, quantidade, período de embarque, data do embarque, país de destino, navio, produto e nº. do Registro de Exportação, de forma a demonstrar que toda movimentação já é resultado da venda realizada previamente. Glosa 1 – acerca da falta de comprovação através de documentos relacionados aos registros nos arquivos “SVT” e Fl. 755DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA 10 “SVFr”, alega que alguns dos documentos foram localizados e seguem em anexo, e que os documentos faltantes serão trazidos aos autos em 30 dias. Glosa 2 – Frete correspondente a grãos exportados: Sob este tópico, a interessada alega que não procede a presunção levada a efeito pelos auditores, posto que não houve a demonstração de quais fretes de mercadorias (posteriormente exportadas) deveriam ser estornados; que tais despesas de frete são relativas a mercadorias adquiridas para revenda, no caso, para exportação; e que, no caso específico, tais fretes foram apropriados pelas filiais transportes quando subcontrataram o serviço de outros transportadores, o que é considerado como o insumo na prestação de serviço, conforme disposto no inciso I c/c inciso IX do art. 3º. , II da lei nº. 10.833/2003. Sobre este último argumento, acrescenta que a teoria dos estabelecimentos restou plenamente recepcionada pela Lei Complementar 87/96, artigo 11, §3º., I e II., a qual prevê que cada estabelecimento deve ser considerado de maneira autônoma e que, na impossibilidade de determinálo, deverá ser considerado o local onde realiza as suas operações ou prestação de serviço, devendo cada estabelecimento apropriar seus créditos e tributar suas saídas de acordo com a operação que realiza. Glosa 3 – Frete na transferência de produto acabado: Esta glosa é impugnada sob o argumento de que a transferência do produto, em virtude do processo de logística de distribuição da empresa, já faz parte do processo de venda, apenas diferindo da venda direta ao destinatário final pela passagem pela filial receptora. Em segundo plano, cita o fato de que a transferência desses produtos é tributada pela Cofins, assim como o faturamento dos fretes que acompanham tais mercadorias. Por fim, destaca que a empresa possui diversos tipos de atuação no mercado, que cada filial possui uma atividade específica, umas de produção, outras de venda, outras de transportes; que, no caso específico, alguns dos fretes foram apropriados pelas filiais transportes quando subcontrataram o serviço de outros transportadores, o que é o insumo utilizado na prestação de serviço, conforme dispositivo da Lei nº. 10.637/2002, art. 3º., II. Cita A Solução de Consulta nº. 90 de 08/04/2008. Glosa 4 – Frete na aquisição de PF para revenda: alega que o fato de o fornecedor da mercadoria ter sido uma pessoa física, em tese, não desqualifica o serviço adquirido de terceiro pessoa jurídica. Cita a ementa do acórdão nº. 0714350 da DRJ/Florianópolis – onde a 4a. turma teria decidido acerca deste tema, condicionando o crédito tãosomente a estarem relacionados à aquisição de serviços relacionados às aquisições de bens para revenda, desde que contratados por pessoa jurídica. Glosa 5 – Frete na aquisição com FEX: Fl. 756DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13971.001474/200556 Acórdão n.º 3302003.218 S3C3T2 Fl. 752 11 Sob este título, destaca a contribuinte que a IN nº. 379/2003, em seu art 1º., § 2º., não poderia extrapolar as disposições legais correspondentes na Lei nº. 10.637/2002, ao dispor que é vedado à empresa comercial exportadora apurar crédito nas mercadorias adquiridas com fim específico de exportação. Argumenta, ainda, que tais despesas de frete são relativas a mercadorias para formação de loterevenda para exportação, conforme disposto no inciso I c/c inciso IX do art. 3º. da Lei nº. 10.833/2003; e, ainda, que a operação de exportação de grãos é complexa e demanda todo um esforço logístico, pelo que descreve as condições de armazenagem, portuárias, carregamento, etc., no sentido de alegar que toda a operação se refere à própria exportação, com direito ao crédito glosado. Cita também ementas de decisões da 4a. Turma da DRJ/Florianópolis. Por fim, alega que a transferência do produto ocorre quando o pedido é formalizado pelo cliente, e que junta documentos que comprovam que a transferência do produto ocorre quando o pedido é formalizado pelo cliente. Glosa 6 – Frete em Devoluções: Destaca, inicialmente, que, pelo que os auditores demonstram no relatório, não há qualquer correlação com devolução de compras, mas sim de vendas. Remete ao dispositivo do art. 3º., II, da Lei nº. 10.833/2003, a qual determina que o serviço de produto destinado à venda poderá ser passível de crédito de Cofins, para argumentar que a devolução do produto vendido é uma operação relacionada diretamente com a venda, que é uma despesa suportada pelo vendedor. Alega que a legislação prevê a possibilidade de tomada de créditos nos bens recebidos em devolução, cuja saída tenha sido tributada, de modo que a Cofins paga na contratação do frete na saída também é paga na contratação do frete em devolução da venda sendo, portanto, passível de crédito. Outro ponto a considerar, segundo a contribuinte, é que a empresa possui filiais dedicadas ao transporte de mercadorias, subcontratando o serviço de outros transportadores, o que é considerado como o insumo na prestação de serviços, conforme disposto na Lei nº. 10.833/2003, art. 3º. II. Reitera, ainda, a teoria da autonomia dos estabelecimentos, constante na Lei Complementar 87/96, art. 11, §3º, I e II. Glosa 7 – Frete em operações com depósito fechado ou armazém geral: a contribuinte apenas remete aos argumentos da Glosa 1 desta mesma linha. As demais glosas – glosa 8 (Frete em operações relativas a conserto/reparo de bens), glosa 9 (Frete de bens do imobilizado), e Glosa 10 – Frete de material uso/consumo, são acatadas pela contribuinte como procedentes. Fl. 757DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA 12 LINHA 05 – Despesas de aluguéis de prédios locados de Pessoas Jurídicas – Lei nº. 10.833/2003, art. 3º., IV: Glosa 1 – Adiantamento a Fornecedor: Sob este tópico, alega que a interpretação fiscal ao disposto no art. 3º., inciso IV, § 1º., inciso II da Lei nº. 10.637/2002 é por demais restritiva, visto que esta não contempla a hipótese de ocorrência do início propriamente dito da utilização do prédio locado. Sustenta que tal interpretação se contrapõe ao previsto no art. 1º., da mesma lei, já que este explicita que a contribuição para a Cofins com incidência nãocumulativa tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, posto que reitera que o fato da incidência da contribuição na etapa anterior (aluguel) é que legitima o direito ao correspondente crédito. Glosa 2 – Falta de Comprovação: Alega trazer à colação os documentos referentes à Moinho Jauense Indústria e Comércio de Alimentos Ltda, no valor de R$ 50.000,00. Aduz que os documentos faltantes estão sendo localizados e serão trazidos em até 30 dias. LINHA 06 – Despesas de aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas – Lei nº. 10.637/2002, art. 3º.,IV: apenas remete ao argumento jurídico apresentado na Linha 5 – Glosa 1. LINHA 07 – Despesas de Armazenagem de Mercadoria e Frete na Operação de Venda – Lei nº. 10.637/2002, art. 3º., IX e 15,II: alega estar providenciando as cópias dos documentos fiscais não entregues. LINHA 09 – Encargos de Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado (Lei nº. 10.637/2002, art. 3º., VI): Glosa 1: Falta de informação do fornecedor do bem: que a origem do bem pode ser identificada pelo código de operação fiscal (mercado interno ou externo) e que está concluindo a revisão geral de todas as informações relativamente a essa glosa, sendo que os arquivos digitais com as devidas retificações referente à falta de informações detectadas pelo Sr. AFRFB serão trazidos a esses autos em 30 dias. LINHA 10 – Base de Cálculo de Créditos a Descontar Relativos a Bens do Ativo Imobilizado (Lei nº. 10.833/2003, art. 3º. §14): Glosa 1 – Falta de informação do fornecedor do bem: que a origem do bem pode ser identificada pelo código de operação fiscal (mercado interno ou externo) e que está concluindo a revisão geral de todas as informações relativamente a essa glosa, sendo que os arquivos digitais com as devidas retificações referente à falta de informações detectadas pelo Sr. AFRFB serão trazidos a esses autos em 30 dias. Quanto às demais Glosa 2 (Informação inválida do fornecedor do bem) e Glosa 3 (Falta de Comprovação) apenas alega que Fl. 758DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13971.001474/200556 Acórdão n.º 3302003.218 S3C3T2 Fl. 753 13 está concluindo a revisão geral de todas as informações, de forma a comprovar o direito ao crédito pleiteado. LINHA 18 – Crédito Presumido – Atividades Agroindustriais (Lei nº.10.925/2004, art. 8º.): Glosa 1 Complemento de Valor – Remessas sem crédito: remete aos argumentos esposados na Linha 2 – Glosa 1; Glosa 2 – Falta de Comprovação: alega que está providenciando os documentos; Glosa 3 – Frete correspondente a grãos exportados: ratifica os argumentos de defesa relativos à Glosa 2 da Linha 3; Glosa 4 – Frete na Transferência de Produto Acabado: ratifica os argumentos esposados na Linha 3 – Glosa 3; Glosa 5 – Frete em Devoluções: ratifica os argumentos relativos à Linha 3 – Glosa 6; Glosa 6 – Fretes em operações com depósito fechado ou armazém geral: ratifica os argumentos esposados à Linha 3 Glosa 7. LINHA 31 – Ajustes Negativos de Créditos – Lei nº. 10.833/2003, art. 3º., §10º. Glosa 1 – Estorno de bens sinistrados: alega que, não obstante estarem registradas nas contas nº. 1700 e 1701 do Livro Diário, os itens descritos como ‘operações diversas, ICMS e títulos liquidados’ não podem ser considerados como sinistro, porque não se referem a despesas de sinistro, que o ICMS não foi base de cálculo de crédito dos sinistros e os título representam notas fiscais liquidadas pelo seguro, logo as contribuições foram debitadas pela emissão da nota fiscal correspondente. Na seqüência, a contribuinte apresenta uma planilha dos valores que entende serem passíveis de reconhecimento, observando inclusive a proporcionalidade das aquisições de insumos de PF (79,87%) e PJ (20,13%). Alega que esses valores devem prevalecer a título de ajustes negativos de créditos na Linha 31, suportados pela planilha do Demonstrativo 311 no CD anexo. Pedido: Por fim, requer o cancelamento da cobrança do valor referente à compensação não homologada face à ocorrência da decadência e, no mérito, reformar o Despacho Decisório impugnado e reconhecer o crédito pleiteado. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 591/622), em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada procedente em parte, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005 Fl. 759DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA 14 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO. Para fins de créditos na aquisição de insumos, a despesa é considerada incorrida quando ocorre o consumo do bem ou do serviço, de acordo com o regime de competência. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. SERVIÇOS. Para efeito da nãocumulatividade das contribuições, há de se entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelando o à necessidade na fabricação do produto e na consecução de sua atividadefim (conceito econômico), mas adstrito ao que determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando a caracterização do insumo à sua aplicação direta ao produto em fabricação. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Geram créditos os valores dos insumos adquiridos de pessoas físicas, desde que o produto final resultante da utilização desses bens ou serviços esteja relacionado no rol de produtos cujas classificações da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM relacionadas no art. 3º., §10 da Lei nº. 10.637/2002. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO RETIFICADORA. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. Admitida a retificação da Declaração de Compensação pela administração tributária, o marco inicial da contagem do prazo de cinco anos para homologação será a data da apresentação da declaração retificadora. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 11/11/2011, a interessada foi cientificada da referida decisão (fls. 623/627). Inconformada, em 7/12/2011, protocolou o recurso voluntário de fls. 628/677, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade e reapresentou os documentos desentranhados do processo, por decisão do Colegiado julgador de primeira instância. Fl. 760DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13971.001474/200556 Acórdão n.º 3302003.218 S3C3T2 Fl. 754 15 Em aditamento, a recorrente alegou nulidade da decisão de primeiro grau por cerceamento do direito de defesa, sob o argumento de que não fora apreciado os documentos colacionados aos autos, após a apresentação da manifestação de inconformidade e, com respaldo no art. 16, § 4º, do Decreto 70.235/1972, determinado o desentranhamento dos autos, por meio da Resolução de fls. 590. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Os presentes autos trata de compensação de débitos da CSLL do mês de maio de 2005, no valor de R$ 4.518.299,20, com créditos da Contribuição para o PIS/Pasep dos meses de fevereiro e março de 2005, respectivamente, nos valores de R$ 1.250.407,92 e R$ 3.267.891,28, vinculados às operações de exportação, conforme discriminado na DComp retificadora de fls. 9/11, apresentada em 22/9/2006. De acordo com despacho decisório de fls. 304/305, a compensação da parcela do débito da CSLL com o crédito da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de março de 2005 foi integralmente homologado, ao passo que a compensação da parcela do débito da CSLL com o crédito da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de fevereiro de 2005, foi parcialmente homologada, em face da inexistência da parcela do crédito no valor de R$ 71.909,64 (R$ 1.250.407,92 R$ 1.178.498,28). Em relação a esse ponto foi mantido integralmente o despacho decisório. Portanto, em relação ao procedimento de compensação, a controvérsia remanescente cingese a não homologação da parcela do débito da CSLL do mês de maio de 2005, no valor de R$ 71.909,64, por insuficiência do valor crédito relativo ao mês de fevereiro de 2005. Além do referido procedimento compensatório, ainda foi coligido aos presentes autos o pedido de ressarcimento do saldo de crédito remanescente da Contribuição para o PIS/Pasep do 1º trimestre de 2005, vinculado às operações de exportação, no valor de R$ 154.371,89, que corresponde a parcela do crédito remanescente da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de março de 2005, remanescente após a compensação do débito da CSLL do mês de maio do 2005, mencionada anteriormente. O referenciado pedido de ressarcimento foi formalizado por meio do PER/DCOMP de fls. 62/66, apresentado em 10/7/2009, que foi integralmente deferido pela autoridade julgadora da unidade da Receita Federal de origem, conforme explicitado no citado despacho decisório. Logo, em relação ao pedido de ressarcimento em referência inexiste controvérsia. Dessa forma, a controvérsia remanescente cingese apenas à homologação parcial do débito da CSLL do mês de maio de 2005, em face da inexistência da parcela do Fl. 761DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA 16 crédito da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de fevereiro de 2005, no valor de R$ 71.909,64. Especificamente, a controvérsia remanescente cingese a falta de comprovação da existência de crédito certo e líquido da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de fevereiro de 2005, no valor de R$ 71.909,64, motivada pela glosa, realizada pela autoridade fiscal, de parte dos valores dos créditos apropriados no referido mês. Assim, qualquer alegação sobre apuração e glosa de créditos referentes aos meses de janeiro e março de 2005 não tem qualquer implicação quanto ao desfecho da lide remanescente, uma vez que as parcelas dos créditos desses meses, utilizados nos procedimentos compensatório e de ressarcimento, foram integralmente reconhecidas pela autoridade fiscal julgadora da unidade da Receita Federal de origem, por meio do citado despacho decisório. Uma vez definido cerne da presente controvérsia, passase a analisar as questões preliminares, prejudiciais de mérito e de mérito suscitadas no recurso em apreço. 1) Da Preliminar de Nulidade da Decisão Recorrida. Em preliminar, a recorrente alegou nulidade da decisão de primeiro grau, por cerceamento do direito de defesa, sob o argumento de que o Colegiado de primeiro grau não teria apreciado os documentos colacionados aos autos, após a apresentação da manifestação de inconformidade e ainda teria determinado o desentranhamento dos autos dos citados documentos, por meio da Resolução de fl. 590. Sem razão a recorrente. A não apreciação das referidas provas e o indeferimento de sua juntada aos autos foram feitos com respaldo no art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto 70.235/1972, que tem o seguinte teor, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] Fl. 762DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13971.001474/200556 Acórdão n.º 3302003.218 S3C3T2 Fl. 755 17 A citada documentação foi reapresentada em anexo ao recuso em apreço e se encontra colacionada aos autos às fls. 678/736. Essencialmente, a referida documentação é composta de cópias de notas fiscais, algumas delas ilegíveis, emitidas no 1º semestre de 2005 e, portanto, encontravamse em poder da recorrente desde o ano de 2005, muito antes do prazo final de apresentação da manifestação de inconformidade. Dada essa circunstância, o Colegiado julgador a quo decidiu com acerto ao não admitir para análise a citada documentação, pois, como ela fora juntada aos autos após a apresentação da manifestação inconformidade, o seu acatamento somente era admissível se atendida uma das condições excepcionais estabelecidas no citado § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/1972, anteriormente transcrito, o que, evidentemente, não ocorreu no caso em tela. Por essas razões, rejeitase a preliminar de nulidade da decisão recorrida, uma vez que o motivo configurador do alegado cerceamento não restou demonstrado. Ao contrário, os elementos coligidos aos autos comprovam que o Colegiado julgador decidiu em perfeita consonância com o disposto na legislação vigente. 2) Da Prejudicial de Mérito por Alegada Decadência. A recorrente alegou que, como foi cientificada do questionado despacho decisório em 18/8/2010, os créditos tributários com fatos geradores anteriores a 18/8/2005 encontravamse atingidos pela decadência, não mais podendo ser exigidos, razão suficiente para extinguirse o crédito correspondente por ter transcorrido o prazo decadencial previsto no artigo 150, § 4°, do CTN, notadamente porque a Contribuição para o PIS/Pasep segue a sistemática do lançamento por homologação ou autolançamento. Sem razão a recorrente. De acordo com disposto no art. 74, § 6º, da Lei 9.430/1996, a “declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados.” Por força do referido preceito legal, diferentemente do alegado pela recorrente, na data entrega da Dcomp ocorreu confissão débito compensado da CSLL do mês de maio de 2005. Portanto, a partir da referida data, em relação ao valor do débito compensado e confessado, não há mais necessidade de lançamento de ofício por parte da autoridade fiscal. Sabidamente, esse regramento aplicase a todas as declarações que tenha natureza de confissão de dívida, a exemplo da DComp, DCTF etc. Nesse sentido o entendimento manifestado pelo e. STJ no julgado do Recurso Especial (REsp) nº 962.379/RS, em regime de curso repetitivo, estabelecido no art. 543C do CPC, de adoção obrigatória pelos membros deste Conselho, nos termos do art. 621, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF 343/2015. Para mais informações, transcrevese a seguir o enunciado da ementa do citado julgado: 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 763DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA 18 TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (REsp 962.379/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/10/2008, DJe 28/10/2008) Aliás, o aludido entendimento jurisprudencial culminou na edição da Súmula 436/STJ, verbis: “A entrega de declaração pelo contribuinte, reconhecendo o débito fiscal, constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco.” Cabe ainda ressaltar que, uma vez confessado o débito por meio DComp, nos termos do art. 742, § 5º, da Lei 9.430/1996, começa a fluir o prazo quinquenal para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, contado da entrega da respectiva declaração de compensação. No caso em tela, como houve apresentação de DComp retificadora admitida, que substituiu integralmente a DComp original, por razão óbvia, o citado prazo de homologação passou a fluir a partir da entrega da DComp retificadora, que ocorreu no dia 22/9/2006. Nesse sentido, dispõe o art. 913 da Instrução Normativa RFB 1300/2012, ainda vigente, a seguir transcrito: Art. 91. Admitida a retificação da Declaração de Compensação, o termo inicial da contagem do prazo previsto no § 2º do art. 44 será a data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora. Assim, fica demonstrado que, no caso em tela, não houve homologação tácita da compensação declarada, pois na data da conclusão do procedimento de compensação em apreço, ocorrida no dia 18/8/2010, com a ciência do despacho decisório em questão, ainda não 2 "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. [...]" 3 O mesmo teor encontrase reproduzido nos correspondentes artigos das Instruções Normativas anteriores que dispunham sobre o assunto. Fl. 764DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13971.001474/200556 Acórdão n.º 3302003.218 S3C3T2 Fl. 756 19 havia se consumado o citado prazo quinquenal de homologação tácita do procedimento compensatório. Com base nessas considerações, rejeitase a presente alegação de decadência, seja de constituição do crédito tributário, seja da homologação tácita do procedimento compensatório. 3) Da Análise das Questões de Mérito. No mérito, a presente controvérsia cingese à não homologação da parcela do débito da CSLL do mês de maio de 2005, no valor R$ 71.909,64, em razão da inexistência da parcela do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de fevereiro de 2005, de mesmo valor, em razão das glosados dos créditos desta última contribuição, realizada pela autoridade fiscal, consoante consignado no Relatório de Auditoria Fiscal de fls. 247/297. A seguir serão analisados apenas os créditos glosados pela autoridade fiscal e contestados pela recorrente. 3.1) Da glosa de créditos calculados sobre a aquisição de bens destinados à venda por falta de comprovação (Linha 1 do Dacon). Em relação ao mês de fevereiro de 2005, a controvérsia remanescente cinge se à manutenção da glosa dos créditos relativos aos bens para revenda adquiridos por meio da nota fiscal de nº 008228 (fl. 679). Da análise da referida nota fiscal, verificase que os dados nela apresentados coincidem com os da nota fiscal não acatada pela fiscalização. Assim, fica demonstrado que a referida nota fiscal revestese de condição adequada, para fim de comprovação da operação de aquisição do bens destinados revenda, no valor de R$ 257.757,72, cujo respectivo crédito deve ser restabelecido. 3.2) Da glosa de créditos calculados sobre aquisição de insumos por complementação de valor e por falta de comprovação (Linha 2 do Dacon). A glosa dos créditos calculados sobre o valor de aquisição dos insumos por complementação de valor da operação de aquisição sem direito a crédito referese às aquisições de grãos (soja e outras commodities) (i) de pessoas físicas para revenda e (ii) de pessoas jurídicas com fim especifico de exportação, operações que propiciam direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa. De acordo com o referido Relatório de Auditoria Fiscal, os grãos adquiridos pela recorrente, que dependiam da fixação do preço definitivo a posteriori (modalidade de compra a “preço a fixar”), em que a entrega era feita em várias remessas, com preço unitário provisório e preço definitivo somente era definido no final. Dada essas características, normalmente, havia complementação do valor a ser pago pela adquirente, se o preço final fosse superior aos praticados nas remessas com preços provisórios. Caso contrário, ou seja, se o preço das remessas resultasse superior ao preço definitivo, havia a devolução simbólica de certa quantidade do bem e o acerto financeiro da diferença apurada. Segundo a fiscalização, a recorrente adquiriu parte das mercadorias (soja e outras commodities) com direito a crédito e outra parte sem direito a crédito da Contribuição Fl. 765DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA 20 para o PIS/Pasep não cumulativa, porém apropriou créditos sobre os valores integrais dos complementos de preço, isto é, sem excluir a parcela dos créditos referente às mercadorias adquiridas sem direito a crédito. No mês de fevereiro de 2005, a recorrente apropriou créditos sobre valores de complementos de preços relativos à aquisição de grãos de pessoas físicas e de pessoas jurídicas com fim específico de exportação, operação sem direito a crédito. Assim, se não havia amparo legal para apropriar crédito sobre o valor da aquisição desse tipo operação, por óbvio, o valor complementar do preço da correspondente operação também não propicia direito a crédito da referida contribuição. Na falta de argumentos consistentes sobre a falta de previsão legal para apropriação desse tipo de crédito, a recorrente apresentou extensa exposição sobre as modalidade de operações de comercialização dos grãos, especialmente, da soja; acerca do regime de incidência das contribuições (caixa ou competência); sobre o regramento que rege os contratos na seara do direito civil; e sobre o crédito presumidos agroindustrial, que se não se aplica ao caso revenda de produto no mesmo estado em que adquirido. Também não se aplica ao caso em tela as alegações aduzidas pela recorrente sobre os valores de complementos de preços relativos às aquisições anteriores a data início do regime da não cumulatividade, por se tratar de matéria estranha à glosa em apreço, que trata somente de complementação de preços de operações de aquisição com fim específico de exportação ocorridas na vigência do regime da não cumulatividade. Em suma, os assuntos suscitados pela recorrente nada esclarece sobre o direito de a recorrente se apropriar de créditos sobre o valor complementar do preço relativo as operações de aquisição de grãos com fim específico de exportação. Por essas razões, deve ser mantida integralmente a glosa do valor informado pela fiscalização. Em relação a glosa dos créditos calculados sobre o valor de aquisição dos insumos por falta de comprovação, em vez de corrigir as graves irregularidades contidas nas três notas fiscais de fls. 379/381, apontadas pela Relatora do voto condutor do julgado, a recorrente limitouse em alegar que a citada Relatora não acatou os citados documentos, por suposta dificuldade de identificação dos números das notas fiscais ou da descrição do produto adquirido, sem ao menos lhe comunicar tais falhas, para fim de sanálas. Com efeito, os números das cópias das duas primeiras notas fiscais são de difícil identificação, porém, na primeira nota fiscal (fl. 379) é possível visualizar a data da emissão (25/02/2005), o número do CNPJ (46.025.722/0001) e o valor da operação (R$ 188.740,40), que são coincidentes com os dados de uma das notas fiscais não acatada pela fiscalização e objeto da glosa em apreço. A segunda nota fiscal (fl. 380), embora seja possível visualizar a data da emissão (25/02/2005), o número do CNPJ (84.046.101/0370) e o valor da operação (R$ 114.876,23) tais dados não coincidem com os dados de qualquer nota fiscal relacionada pela autoridade fiscal no demonstrativo de glosa. Em relação à cópia da terceira da nota (fl. 381), embora contenha o valor da operação de R$ 115.000,00, não contém a descrição do produto adquirido, a quantidade etc., e foi emitida no mês de março de 2005, período em relação ao qual não houve insuficiência de crédito a compensar ou a ressarcir, portanto fora da controvérsia. Com base nessas considerações, deve ser restabelecido o direito de a recorrente, no mês de fevereiro de 2005, apropriarse dos créditos calculados sobre o valor de Fl. 766DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13971.001474/200556 Acórdão n.º 3302003.218 S3C3T2 Fl. 757 21 R$ 188.740,40, referente à operação de aquisição de insumos, acobertada pela nota fiscal de nº 187744 (fl. 379), cujo valor do crédito glosado deve ser integralmente restabelecido. 3.3) Da glosa dos créditos calculados sobre os gastos com serviços utilizados como insumos (Linha 3 do Dacon). De acordo com o referido Relatório de Auditoria Fiscal, os gastos com serviços utilizados como insumos referemse a: a) serviços de industrialização por encomenda prestados no 1º trimestre de 2005; b) serviços não comprovados; e c) serviços de transportes (fretes) contratados de pessoas jurídicas domiciliadas no Pais. Em relação a glosa dos serviços de industrialização por encomenda e por falta de comprovação, a recorrente não apresentou contestação, o que dispensa qualquer análise a respeito. 3.3.1) Da glosa dos créditos calculados sobre gastos com frete. No que tange às glosas dos créditos calculados sobre o valor dos gastos com frete, antes de analisar os pontos controvertidos da lide, entendese oportuno apresentar uma breve digressão a respeito do fundamento jurídico do direito de apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os variadas formas como se efetivam os gastos com a prestação de serviços de transporte a pessoas jurídicas que desenvolvem atividades comercial e industrial ou de produção. Em consonância com a legislação vigente, há fundamento jurídico para a apropriação de créditos sobre o valor do frete sob a forma de custo de aquisição, custo de produção e despesa de venda, conforme demonstrado a seguir. No âmbito da atividade comercial (revenda de bens), embora não exista expressa previsão legal, a partir da interpretação combinada do art. 3°, I e § 1°, I, das Leis 10.637/2002 e 10.833/20034, com o art. 289 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda de 1999 RIR/1999), é possível extrair o fundamento jurídico para a apropriação dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins calculados sobre o valor dos gastos com os serviços de transporte de bens para revenda, conforme se infere dos trechos relevantes dos referidos preceitos normativos, a seguir transcritos: Lei 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, [...]; [...] § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: 4 Por haver simetria entre os textos dos referidos diplomas lgais, aqui será reproduzido apenas os preceitos da Lei 10.833/2003, por ser mais completa e, em relação aos dispositivos específicos, haver remissão expressa no seu art. 15 de que eles também se aplicam à Contribuição para o PIS/Pasep disciplinada na Lei 10.637/2002. Fl. 767DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA 22 I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...] (grifos não originais) RIR/1999: Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matérias primas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). §1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). [...] (grifos não originais) Com base no teor dos referidos preceitos legais, podese afirmar que o valor do frete, relativo ao transporte de bens para revenda, integra o custo de aquisição dos referidos bens e somente nesta condição compõe a base cálculo dos créditos das mencionadas contribuições. Assim, somente se o custo de aquisição dos bens para revenda propiciar a apropriação dos referidos créditos, o valor do frete no transporte dos correspondentes bens, sob a forma de custo de aquisição, também integrará a base de cálculo dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas. Em contraposição, se sobre o valor do custo de aquisição dos bens para revenda não for permitida a dedução dos créditos das citadas contribuições (bens adquiridos de pessoas físicas ou com fim específico de exportação, por exemplo), por ausência de base cálculo, também sobre o valor do frete integrante do custo de aquisição desses bens não é permitida a apropriação dos citados créditos. Neste caso, apropriação de créditos sobre o valor do frete somente seria permitida se houvesse expressa previsão legal que autorizasse a dedução de créditos sobre o valor do frete na operação de compra de bens para revenda, o que, sabidamente, não existe. Em relação à atividade industrial, embora também não haja expressa previsão legal, a partir da interpretação combinada do art. 3°, II e § 1°, I, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, com o art. 290 do RIR/1999, é possível extrair o fundamento jurídico para a apropriação dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre o valor do frete relativo ao serviço de transporte: a) de bens de produção (matériasprimas, produtos intermediários e material e embalagem) a serem utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e b) bens em fase de produção ou fabricação (produtos em fabricação) entre estabelecimentos fabris do contribuinte ou não. Senão, veja a redação dos trechos relevantes dos citados preceitos legais, in verbis: Lei 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] Fl. 768DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13971.001474/200556 Acórdão n.º 3302003.218 S3C3T2 Fl. 758 23 II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, [...]; [...] [...] § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2ª desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...] (grifos não originais) Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, §1º): I o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; [...] (grifos não originais) De acordo com os referidos preceitos legais, inferese que a parcela do valor do frete, relativo ao transporte de bens a serem utilizados como insumos de produção ou fabricação de bens destinados à venda, integra o custo de aquisição dos referidos bens e somente nesta condição compõe a base cálculo dos créditos das mencionadas contribuições, enquanto que o valor do frete referente ao transporte dos bens em produção ou fabricação entre estabelecimentos fabris integra o custo produção na condição de serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de bens destinados à venda. Com a ressalva de que, pela razões anteriormente aduzidas, há direito de direito de apropriação de crédito sobre o valor do frete no transporte de bens utilizados como insumos, somente se o valor de aquisição destes bens gerar direito a apropriação de créditos das referidas contribuições. No âmbito da atividade de produção ou fabricação, os insumos representam os meios materiais e imateriais (bens e serviços) utilizados em todas as etapas do ciclo de produção ou fabricação, que se inicia com o ingresso dos bens de produção (matériasprimas ou produtos intermediários) e termina com a conclusão do produto a ser comercializado. Se a pessoa jurídica tem algumas operações do processo produtivo realizadas em unidades produtoras ou industriais situadas em diferentes localidades, certamente, durante o ciclo de produção ou fabricação haverá necessidade de transferência dos produtos em produção ou fabricação para os outros estabelecimentos produtores ou fabris, que demandará a prestação de serviços de transporte. Assim, em relação à atividade industrial ou de produção, a apropriação dos créditos calculados sobre o valor do frete, normalmente, darseá de duas formas diferentes, a saber: a) sob forma de custo de aquisição, integrado ao custo de aquisição do bem de produção (matériasprimas, produtos intermediários ou material de embalagem); e b) sob a forma de custo de produção, correspondente ao valor do frete referente ao serviço do transporte dos produtos em fabricação nas operações de transferências entre estabelecimentos industriais. Fl. 769DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA 24 Com o fim do ciclo de produção ou industrialização, há permissão de apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre o valor do frete no transporte dos produtos acabados na operação de venda, desde que o ônus seja suportado pelo vendedor, conforme expressamente previsto no art. 3º, IX, e § 1º, II, da Lei 10.833/2003, que seguem reproduzidos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2oa pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. [...] § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2ª desta Lei sobre o valor: [...] II dos itens mencionados nos incisos IV, V e IX do caput, incorridos no mês; [...] (grifos não originais) Cabe ainda ressaltar que, em todas as hipóteses de creditamento, o direito de apropriação dos referidos créditos está condicionado ao atendimento das condições instituídas no art. 3º, § 3°, da Lei 10.637/2002, a seguir transcrito: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. Dessa forma, somente o valor do gasto com frete incorrido no mês (regime de competência), pago ou creditado a pessoa jurídica domiciliada no País, gera direito à apropriação de créditos das referidas contribuições. Em suma, chegase a conclusão que o direito de dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre valor dos gastos com frete, são assegurados somente para os serviços de transporte: a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos sob forma de custo de aquisição dos bens transportados (art. 3º, I, da Lei 10;637/2002, c/c art. 289 do RIR/1999); Fl. 770DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13971.001474/200556 Acórdão n.º 3302003.218 S3C3T2 Fl. 759 25 b) de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens destinados à venda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos como custo de aquisição dos insumos transportados (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999); c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou fabricação de bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002); e d) de bens ou produtos acabados, com ônus suportado do vendedor, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como despesa de venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002). Enfim, cabe esclarecer que, por falta de previsão legal, o valor do frete no transporte dos produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica (entre matriz e filiais, ou entre filiais, por exemplo), não geram direito a apropriação de crédito das referidas contribuições, porque tais operações de transferências (i) não se enquadra como serviço de transporte utilizado como insumo de produção ou fabricação de bens destinados à venda, uma vez que foram realizadas após o término do ciclo de produção ou fabricação do bem transportado, e (ii) nem como operação de venda, mas mera operação de movimentação dos produtos acabados entre estabelecimentos, com intuito de facilitar a futura comercialização e a logística de entrega dos bens aos futuros compradores. O mesmo entendimento, também se aplica às transferência dos produtos acabados para depósitos fechados ou armazéns gerais. Será com base nesse entendimento que serão analisadas as glosas dos créditos apropriados sobre gastos com fretes objeto da presente controvérsia. Inicialmente, cabe esclarecer que, segundo o citado Relatório de Auditoria Fiscal, a recorrente incluiu neste item (na Linha 3 do Dacon) os serviços de transporte de bens para revenda, de insumos, previstos nos incisos I e II do art. 3° da Lei 10.637/2002, quando o correto seria inclusão na Linha 1 e 2 do Dacon, respectivamente, como custo de aquisição de bens para venda e de insumos, conforme entendimento explicitado precedentemente nas alíneas “a” e “b”.Nesta Linha deveria ter constado apenas os gastos com fretes relativos ao transporte de insumos ou de produtos em elaboração realizado entre estabelecimentos industriais da própria recorrente. Entretanto, apesar do equívoco, devido a dificuldade de realocação dos respectivos valores aos correspondentes itens de custo, a autoridade fiscal aceitou o procedimento adotado pela recorrente e procedeu todos os ajuste neste item (na Linha 3 do Dacon). Em relação aos créditos calculados sobre os gastos com fretes nas operações de vendas (letra “d” acima) os valores foram corretamente registrados na Linha 07 do Dacon (Despesas de Armazenagem de Mercadoria e Frete na Operação de Venda) e serão analisados a parte, em próprio, a seguir. De acordo com o citado Relatório da Auditoria Fiscal, as glosas dos créditos calculados sobre os gastos com fretes, analisadas neste item, foram motivadas por falta de comprovação, por falta de estorno e por falta de amparo legal. Fl. 771DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA 26 a) Da glosa motivada por falta de comprovação Para contraditar a glosa por falta de comprovação, a recorrente apresentou os dois conhecimentos de transporte de nºs. 025451 e 025453 (fls. 383/384), emitidos em 28/12/2004, cujos valores foram registrados como gastos com frete no mês de janeiro de 2005. Assim, como não se trata de gasto com frete do mês de fevereiro de 2005, não tem qualquer relevância para o deslinde da presente controvérsia. Por essa razão, deve ser mantida integralmente a glosa realizada no mês de fevereiro de 2005, a título de gastos com fretes não comprovados. b) Da glosa motivada por falta de estorno (“frete correspondente a grãos exportados”) A glosa motivada por falta de estorno da parcela dos créditos presumidos agroindustriais, calculados sobre os gastos com frete referente ao transporte de grãos de soja, adquiridos de pessoas físicas para serem utilizados como insumo na produção de mercadorias de origem vegetal, posteriormente revendidos/exportados sem ser submetidos a qualquer tipo de processo de produção/industrialização. Em relação a esses grãos adquiridos de pessoas físicas, revendidos/exportados no mesmo estado em que adquiridos, a recorrente estornou apenas a parcela do valor dos créditos presumidos agroindustriais, previstos no art. 8º da Lei 10.925/2004, calculada sobre os custos de aquisição dos grãos revendidos/exportados, registrados como insumos de produção/industrialização, porém, não estornou a parcela do valor do crédito calculada sobre os gastos com frete vinculados ao transporte dos referidos grãos exportados, que foram registrados como gastos de serviços de transporte utilizados como insumos de produção/industrialização de produtos de origem vegetal. E consoante entendimento aqui esposado, o gasto com frete no transporte do bem para revenda ou insumo deve ser incluído no custo de aquisição do respectivo bem, uma vez que somente nesta condição há previsão legal de apropriação do crédito sobre valor desse gasto com esse tipo de frete. E esse procedimento também se aplica à apropriação do crédito presumido agroindustrial. Assim, se há vedação de apropriação do crédito presumido agroindustrial sobre o valor do custo de aquisição do bem, ao qual incluise o valor do gasto com frete, certamente, o mesmo tratamento se aplica à parcela do valor do frete integrante do custo de aquisição do respectivo bem. Dessa forma, se o gasto com frete estiver integrado ao custo de aquisição do bem, consoante previsão legal, o estorno da parcela do crédito calculada sobre o custo de aquisição do bem resultará no concomitante estorno da parcela do crédito calculada sobre o valor dos gastos com frete. Porém, conforme já mencionado, esse não foi o procedimento adotado pela recorrente. De fato, no caso em tela, informou a autoridade fiscal que a recorrente não incorporou os gastos com frete ao custo de aquisição dos bens, inclusive dos grãos exportados no mesmo estado. De forma errônea e não consentânea com a previsão legal, tais gastos foram registrados em separado, como gastos com serviços de transporte, a ser utilizado como insumo na produção/industrialização de produtos destinados à venda (e informado na Linha 3 do Dacon). Em decorrência desse equívoco, ao estornar o valor do crédito presumido agroindustrial calculado sobre o custo de aquisição do bem sem a inclusão do valor do frete, de Fl. 772DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13971.001474/200556 Acórdão n.º 3302003.218 S3C3T2 Fl. 760 27 acordo com entendimento aqui esposado, a recorrente teria que, simultaneamente, ter estornado o valor da parcela do crédito calculada sobre os correspondentes gastos com frete, registrados como serviços de transporte utilizado como insumo de produção, o que não feito pela recorrente. Por essa razão, para corrigir a manutenção indevida dessa parcela dos créditos, a fiscalização agiu com acerto ao proceder a glosa da parcela do referido crédito, o que foi feito com base no critério de rateio utilizado pela própria recorrente no estorno do valor dos créditos apropriados sobre o custo de aquisição dos grãos, sem o valor do frete. No recurso em apreço, a recorrente alegou que a fiscalização havia se utilizado de presunção para proceder a glosa do crédito em apreço, o que não é verdade. Com efeito, segundo o citado Relatório de Auditoria Fiscal, a fiscalização utilizou os mesmos valores extraídos dos demonstrativos apresentados pela recorrente e determinou o percentual de rateio com base no valor total dos créditos estornados pela recorrente, referente ao custo de aquisição dos grãos exportados. Além disso, a recorrente não dignou apresentar qualquer dado ou informação que demonstrasse que o critério ou percentual de rateiro utilizado pela recorrente estava equivocado. Com base nessas considerações, deve ser mantida integralmente a glosa do valor crédito em apreço. c) Da glosa por falta de amparo legal As glosas por falta de amparo legal, contestadas pela recorrente, foram realizadas em relação aos créditos apropriados sobre os gastos com fretes relativos às operações de: a) transferência de produto acabado; b) aquisições de pessoas físicas de bens para revenda; c) aquisições de mercadorias com fim específico de exportação; d) devoluções de vendas e de compras de mercadorias; e e) operações de remessas para armazéns gerais. c.1) Dos créditos calculados sobre gastos com frete na transferência de produto acabado entre estabelecimentos. Consoante entendimento anteriormente apresentado, a apropriação de créditos sobre gastos com frete relativo ao serviço de transporte de bens para revenda ou de produtos acabados somente é admitida na operação de venda e desde que o ônus do gasto seja suportado pelo vendedor, caso em que o gasto com frete integra o valor das despesas com venda (art. 3º, IX, da Lei 10.833/2003). A glosa em apreço referese a créditos calculados sobre despesas com frete relativo ao serviço de transporte utilizado na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da própria recorrente, que não configura operação de venda, mas mera operação de deslocamento dos produtos acabados entre estabelecimentos, com intuito de facilitar a logística de entrega dos produtos aos futuros compradores. A recorrente alegou que, em virtude do seu processo de logística de distribuição, as vendas são realizadas tanto pelo estabelecimento produtor, como pelos centros de distribuição, o que significava que as transferências do produto acabado já fazia parte do processo de venda, apenas diferindo da venda direta ao destinatário final pela passagem da mercadoria pela filial receptora. Fl. 773DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA 28 Sem razão a recorrente. Em qualquer hipótese, a transferência de produto entre estabelecimentos, ainda que para centro de distribuição, não se equipara a operação de venda e, por não atender essa condição, inexiste previsão legal para apropriação de crédito sobre os gastos com frete referentes ao serviço transporte prestado na transferência dos referidos produtos. Assim, por falta de amparo legal, mantémse a glosa do valor integral do crédito, conforme determinado pela fiscalização. c.2) Dos créditos calculados sobre gastos com frete vinculados às aquisições de pessoas físicas de bens para revenda. Segundo a fiscalização, se não há direito a créditos nas aquisições de mercadorias para revenda de produtor pessoa física, por conseguinte, também não havia que se falar em créditos relativos aos fretes relacionados a essas aquisições, visto que os mesmos constituemse em parte do custo de aquisição. Assiste razão à fiscalização. Os bens adquiridos para revenda de pessoas físicas não asseguram direito ao crédito da Contribuição para o PIS/Pasep, segundo determina o art. 3º, § 3º, I, da Lei 10.637/2002, a seguir transcrito: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, [...]; [...] § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; [...] (grifos não originais) Dessa forma, se os gastos com frete vinculados ao transporte de bens adquiridos para revenda admitem apropriação de crédito somente sob forma de custos agregados aos referidos bens, conforme anteriormente demonstrado, como não há direito a apropriação de crédito sobre aquisição de produtos adquiridos para revenda de pessoas físicas, por conseguinte, também não existe permissão para dedução de créditos sobre os gastos de frete com transporte de tais bens. Assim, fica demonstrada a improcedência da alegação da recorrente de que o fato de o fornecedor da mercadoria ter sido uma pessoa física, em tese, não desqualifica o serviço adquirido de terceiro pessoa jurídica. Com base nessas considerações, mantémse integralmente a glosa realizada pela fiscalização. c.3) Dos créditos calculados sobre gastos com frete vinculados às aquisições com fim específico de exportação. Há expressa vedação à empresa comercial exportadora de apropriarse de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre as aquisições de mercadorias com o fim específico de exportação, nos termos determinada no art. 6º, § 4º, combinado com o disposto no art. 15, III, da Lei 10.833/2003, que seguem transcritos: Fl. 774DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13971.001474/200556 Acórdão n.º 3302003.218 S3C3T2 Fl. 761 29 Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...] III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. [...] § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. [...] § 4o O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1o não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. [...] Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] III nos §§ 3o e 4o do art. 6o desta Lei; [...]. (grifos não originais) Assim, se é vedada a apropriação de créditos em relação às aquisições de mercadorias com fim especifico de exportação, pela mesma razão, também é proibida a apropriação de créditos relativos aos gastos com frete aplicados no transporte da referidas mercadorias. Não se pode olvidar que a vedação de dedução de crédito em destaque tem por objetivo evitar a apropriação de crédito em duplicidade, isto é, apropriação de crédito tanto pela pessoa jurídica vendedora, quanto pela pessoa jurídica compradora e exportadora. Ademais, por se tratar norma legal vigente, por força do disposto no caput do art. 26A do Decreto 70.235/1972, não cabe a este Colegiado afastar aplicação a referida norma sob argumento de que ela fere preceito de ordem constitucional, em especial, princípio da não cumulatividade das referidas contribuições. Fl. 775DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA 30 Em relação ao ponto, a recorrente alegou que os gastos com frete eram relativos ao transporte de mercadorias para formação de loterevenda para exportação, o que, obviamente, não descaracteriza a natureza da operação com fim específico de exportação. Por todas essas razões, em razão da expressa vedação legal, mantémse a glosa integral dos créditos apropriados sobre o valor dos gastos com frete vinculados às operações de venda com fim específico de exportação. c.4) Dos créditos calculados sobre os gastos com frete no transporte de mercadorias devolvidas nas operações de venda e de compra. Segundo a fiscalização, a presente glosa referese a créditos calculados sobre despesas com frete no transporte de mercadorias devolvidas tanto nas operações de devolução de compras quanto nas operações de devolução de vendas. Em relação à operação de devolução de venda, há permissão apenas para o estorno do valor do débito da contribuição calculado sobre o valor da receita da venda do bem devolvido, conforme se extrai do disposto no art. 3º, VIII, e § 1º, IV, da Lei 10.637/2002, a seguir transcrito: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. [...] § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2odesta Lei sobre o valor: [...] IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. [...] (grifos não originais) Já no que tange à operação de devolução de compra, não há previsão de legal de apropriação de crédito, mas determinação para o estorno do valor do crédito calculado sobre custo de aquisição do bem devolvido. Assim, independentemente do tipo de operação de devolução, não existe amparo legal para a apropriação de crédito da contribuição calculado sobre os gastos com frete no transporte de bens devolvidos tanto nas operações de devolução de vendas5 quanto nas operações de devolução de compras. 5 Cabe esclarecer que nas assentadas anteriores, com base na análise isolada do art. 3º, VIII, da Lei 10.637/2002, este Relator apresentou entendimento de que, em relação à operação de devolução de venda, era assegurado o direito de apropriação de crédito calculado sobre a despesa com frete no transporte dos bens devolvidos. Porém, após análise combinada do disposto no inciso VIII com o disposto no § 1º, IV, ambos do art. 3º da Lei 10.637/2002, este Relator rever o o entendimento anterior e passa a admitir que também em relação à operação de devolução de venda também não existe amparo legal para apropriação de crédito sobre o valor da despesa com frete relativa a esta operação. Fl. 776DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13971.001474/200556 Acórdão n.º 3302003.218 S3C3T2 Fl. 762 31 Dessa forma, uma vez demonstrado que há amparo legal para apropriação do crédito objeto da presente glosa, para o deslinde da presente controvérsia não tem qualquer relevância as provas apresentadas pela recorrente, que, no concernente ao mês de fevereiro de 2005, referese apenas a gasto com frete relativo à operação de devolução de compra para industrialização (CFOP 5.201), conforme se verifica no demonstrativo do item 119 do citado Relatório de Auditoria Fiscal. Com base nessas considerações, deve ser integralmente mantida a presente glosa determinada pela fiscalização. c.5) Dos créditos calculados sobre gastos com frete vinculados às operações de remessas para depósito fechado ou armazém geral. Segundo a fiscalização, a presente glosa referese a créditos calculados pela contribuinte sobre despesas com fretes em operações relacionadas a remessas de mercadorias para depósito fechado ou armazém geral. Assim como os gastos de frete no transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da pessoa jurídica, também não há previsão legal para a apropriação de créditos sobre os gastos com frete no transporte de produtos acabados remetidos para depósito fechado ou armazém geral. A recorrente alegou que os questionados gastos com frete eram relativos ao transporte de mercadorias para formação de loterevenda para exportação, o que, obviamente, não descaracteriza a natureza da operação de remessa para depósito fechado ou armazém geral, para a qual inexiste previsão legal de apropriação de créditos da referida contribuição. Com base nesse entendimento, deve ser integralmente mantida a glosa em questão. 3.4) Da glosa dos créditos calculados sobre as despesas de aluguéis de prédios locados de pessoas jurídicas (Linha 5 do Dacon) A previsão legal da apropriação de créditos sobre gastos com aluguéis de prédios pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, encontrase previsto no art. 3º, IV, da Lei 10.637/2002, e deve atender a condição determinada no inciso II do § 1º do citado artigo, que seguem transcritos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2oa pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; [...] § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: [...] Fl. 777DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA 32 II dos itens mencionados nos incisos IV, V e IX do caput, incorridos no mês; [...] (grifos não originais) De acordo com os referidos preceitos legais, somente as despesas com aluguéis de prédios locados de pessoa jurídica e incorridos no mês, propiciam a dedução do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep. Em outras palavras, a apropriação do tipo de crédito em comento deve ser feita de acordo com o regime competência. No caso em apreço, a fiscalização procedeu a glosa dos valores dos créditos calculados sobre gastos com aluguéis de prédios (i) não incorridos no mês (contabilizados como “adiantamento a fornecedor”) e (ii) não comprovados. Em relação à primeira glosa, a fiscalização agiu acertadamente, pois, segundo o principio da competência, os valores de adiantamentos realizados pela recorrente representam direito da empresa perante o locador e, nesta condição, deve ser contabilizado no Ativo Circulante da locadora, como fora corretamente feito na contabilidade. O registro contábil como custo ou despesa de aluguéis (incorridos) somente efetivarseá na proporção em que for sendo usados os prédios locados nos meses seguinte, mediante transferência da respectiva conta do Ativo Circulante do valor apropriado ou incorrido no mês. No que tange a referida glosa, a recorrente limitouse em alegar que o mencionado adiantamento representava o efetivo pagamento da locação contratada, que era o fato gerador do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep. Em outras palavras, ao contrário do que determina o citado preceito legal, a recorrente defende a aplicação do regime de caixa, para fim de apropriação do crédito em comento, o que, evidentemente, não tem o menor sentido. Em relação à segunda glosa, especificamente no que concerne ao mês de fevereiro de 2005, foco da presente análise, a recorrente não apresentou qualquer documento ou qualquer outro elemento probatório adequado no sentido infirmar que o documento rejeitado pela realizada atendia os requisitos legais, para fim de comprovação do gasto em apreço. As cópias do contrato de locação, celebrado entre a recorrente e a pessoa jurídica Moinho Jauense Indústria e Comércio de Alimentos Ltda. e dos lançamentos contábeis dos pagamentos realizados a referida pessoa jurídica, que a recorrente trouxe à colação dos autos (fls. 582/586), além de não se constituir no documento hábil e idôneo, para fim de comprovação dos gastos em apreço, referese à despesa glosada do mês de janeiro de 2005, que não faz parte da presente controvérsia. Com base nessas considerações, mantémse na íntegra a glosa realizada pela fiscalização. 3.5) Da glosa dos créditos calculados sobre despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas (Linha 6 do Dacon) Com base nos mesmos fundamentos jurídicos aduzidos no tópico anterior, somente as despesas com aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica e incorridos no mês, propiciam a dedução do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep. Em outras palavras, a apropriação do tipo de crédito em comento deve ser feita de acordo com regime competência. Fl. 778DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13971.001474/200556 Acórdão n.º 3302003.218 S3C3T2 Fl. 763 33 Segundo a fiscalização, os valores pagos a titulo de adiantamento ou outras indicações equivalentes, não se caracterizavam como “incorridos no mês”, ou seja, não atendia o regime de competência, para fins de apropriação dos créditos utilizados, implicando a glosa dos correspondentes valores registrados como crédito. Em relação a esse ponto, a recorrente limitouse em reiterar os argumentos de defesa apresentados no tópico anterior, ou seja, que os créditos deveriam ser apropriados pelo regime de caixa, o que contraria o disposto no art. 3º, § 1º, II, da Lei 10.637/2002. Assim, pelas razões anteriormente aduzidas, mantémse a presente glosa, conforme determinado pela fiscalização. 3.6) Da glosa dos créditos calculados sobre despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda (Linha 7 do Dacon). Segundo a fiscalização, o motivo da glosa em apreço foi a falta de apresentação dos documentos comprobatórios das despesas utilizadas como base de cálculo dos créditos objeto da presente glosa. No recurso em apreço, a recorrente limitouse em apresentar as duas notas fiscais de fls. 735/736, que, além de apresentadas a destempo, foram emitidas no mês maio de 2005. Portanto, não pertinente ao período de apuração da glosa em apreço. Assim, por falta de prova, mantémse a glosa integral dos valores dos créditos, conforme determinado pela fiscalização. 3.7) Da glosa créditos a descontar relativos a bens do ativo imobilizado (Linhas 9 e 10 do Dacon) Segundo a fiscalização, a correta informação do fornecedor do bem era condição imprescindível para respaldar o reconhecimento do crédito em questão. Como a recorrente foi intimada e não apresentou essa informação, a fiscalização procedeu a glosa dos créditos calculados sobre os encargos de depreciação dos correspondentes bens. O direito aos créditos calculados sobre os encargos de depreciação está condicionado ao atendimento, dentre outros, do requisito de que o bem tenha sido adquirido de pessoa jurídica domiciliada no País, conforme exige o disposto no art. 3º, § 3º, I, da Lei 10.637/2002, a seguir transcrito: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. [...] § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2odesta Lei sobre o valor: Fl. 779DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA 34 [...] III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; [...] § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. [...] (grifos não originais) No recurso em apreço, a recorrente apenas alegou que a origem do bem podia ser identificada pelo código de operação fiscal (CFOP), relativo ao mercado interno ou externo, o que não é verdade, pois, tal informação não representa elemento seguro para tal inferência. Daí vem a justificativa da necessidade da apresentação da informação do fornecedor do bem, corroborada com documentação adequada. Por essas razões, a fiscalização agiu com acerto ao proceder a glosa dos créditos calculados sobre os correspondentes encargos de depreciação. 3.8) Da glosa do crédito presumido da atividade agroindustrial (Linha 18 do Dacon). As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, nos termos e segundo os percentuais definidos no art. 8º da Lei 10.925/2004, foram autorizadas a se apropriar de crédito presumido, calculado sobre o valor dos produtos agropecuários, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física, a serem utilizados como insumos na produção de determinadas mercadorias de origem animal ou vegetal, destinadas à alimentação humana ou animal. Este tipo de crédito é denominado de crédito presumido agroindustrial. Segundo a fiscalização, na base de cálculo dos créditos presumidos agroindustriais a recorrente incluiu os valores dos insumos adquiridos e os valores dos gastos com frete no transporte dos correspondentes insumos, contratados perante transportadores pessoa física. No item em apreço, a fiscalização procedeu a glosa dos créditos referentes a: a) complementos de valor referentes a remessas sem crédito; b) falta de comprovação; e c) fretes por serviços de transporte (i) prestados por transportadores pessoas físicas, (ii) de grãos exportados, (iii) utilizados nas operações de transferência de produto acabado, (iv) utilizados nas operações de remessa para depósito fechado ou armazém geral e (v) utilizados nas operações de devoluções de venda de mercadorias. As mencionadas glosas foram realizadas com base nos mesmos fundamentos apresentados para justificar a glosa dos créditos básicos, anteriormente analisadas. Fl. 780DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13971.001474/200556 Acórdão n.º 3302003.218 S3C3T2 Fl. 764 35 E para não incorrer em duplicidade, em relação a essas glosas, a recorrente limitouse em reiterar os argumentos aduzidos em relação aos mesmos tipos de glosas, concernentes aos créditos normais. Da mesma forma, para evitar duplicidade, este Relator reitera os mesmos fundamentos que foram apresentados anteriormente, uma vez que eles aplicamse perfeitamente às glosas atinentes aos créditos presumidos agroindustriais objeto deste tópico. Dessa forma, pelas mesmas razões aduzidas nos itens correlatos anteriores, todas as glosas deste tópico devem ser integralmente mantidas. 3.9) Da glosa referente a ajustes negativos de créditos (Linha 31 do Dacon) Nesta linha são informado os ajustes negativos de crédito não contemplados nas linhas anteriores do Dacon, dentre outros, o valor dos créditos estornados relativos: a) a bens adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, para revenda ou para utilização como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, que tenham sido roubados, inutilizados ou deteriorados, destruídos em sinistro ou, ainda, empregados em produtos que tenham tido a mesma destinação; e b) às devoluções de compras que efetuou no período de apuração. Segundo a fiscalização, o estorno em comento referese a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep relativo a bens sinistrados, adquiridos para revenda ou utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, conforme determinado no art. 3º, § 136, da Lei 10.833/2003, a seguir reproduzido: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2oa pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] § 13. Deverá ser estornado o crédito da COFINS relativo a bens adquiridos para revenda ou utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, que tenham sido furtados ou roubados, inutilizados ou deteriorados, destruídos em sinistro ou, ainda, empregados em outros produtos que tenham tido a mesma destinação. [...] (grifos não originais) De acordo com a fiscalização, embora intimada a apresentar o Demonstrativo “EST – Estornos relativos a Insumos para Industrialização”, a recorrente não lhe apresentou. E por falta do citado Demonstrativo, a apuração do valor do estorno em apreço foi feita com base nos registros das contas nº. 1700 Sinistros de matéria prima, e nº. 1701 Sinistros de produtos, ambas do Livro Diário. 6 Aplicável à Contribuição para o PIS/Pasep de acordo com o que detemina o art 15, inciso II, da Lei 10.833/2003. Fl. 781DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA 36 A recorrente não contestou a legalidade do referido ajuste, no entanto questionou os valores da base de cálculo dos estornos de crédito apurados pela fiscalização. Segundo a recorrente, não obstante estarem registradas nas citadas contas do Livro Diário, “os itens descritos como ‘operações diversas, ICMS e títulos liquidados’ não podem ser considerados como sinistro, porque não se referem a despesas de sinistro, que o ICMS não foi base de cálculo de crédito dos sinistros e os títulos representam notas fiscais liquidadas pelo seguro, logo as contribuições foram debitadas pela emissão da nota fiscal correspondente.” Para a recorrente, tendo a proporcionalidade das aquisições de insumos de PF (79,87%) e de PJ (20,13%), em relação ao mês de fevereiro de 2005, os valores dos créditos a serem estornados relativos ao mercado interno e à exportação seriam, respectivamente, de R$ 395.758,60 e R$ 45.025,37. Por falta de explicações convincentes, não há como acatar os referidos valores. Com efeito, além de a recorrente não ter demonstrado como tais valores foram obtidos, o critério de rateio por ela apresentado não representa com fidelidade a natureza dos dados registrados nas referidas contas, que, em consonância com o próprio título, referese a sinistros com a matériaprima (insumos) e com os produtos acabados, decorrentes do processo de industrialização dos referidos insumos. E noticiam os autos que tais insumos, adquiridos de pessoas físicas e de pessoa jurídica, deram origem a créditos normais ou a créditos presumidos agroindustriais, e tanto uns quantos os outros deveriam ser estornados, por expressa determinação legal. Da mesma forma, os valores de R$ 46.202,77 e R$ 300,00, registrados nas referidas contas, no mês de fevereiro de 2005, respectivamente, a título de “ICMS S/PERDA POR SINISTRO” e “CONS. 000141 GASPEM SEGURANCA LTD”, reproduzidos nos demonstrativos do item 255 do citado Relatório de Auditoria Fiscal, em relação aos quais a fiscalização não apresentou nenhuma explicação sobre a natureza deles (recuperação de custos, receita de indenização de sinistro etc.), também não há como serem admitidos como custo de aquisição de bens sinistrados. Até porque, sabidamente o valor do ICMS, por ser imposto recuperável através de créditos na escrita fiscal, em consonância com o disposto no art. 289, § 3º, do RIR/1999, anteriormente transcrito, não integra o custo de aquisição de bens para revenda ou utilizados como insumo de produção/fabricação de bens destinados à venda. De outra parte, os valores lançados nas referidas contas a título de “APROP CUSTO SINISTRO FEV 05”, nos valores de R$ 1.593.138,43 e R$ 797.634,84, respectivamente registrados nas contas de nºs. 1700 e 1701, sem qualquer prova em contrário, revelam ser representativos de custo de aquisição de bens utilizados como insumos e sobre os quais foram apropriados créditos normais ou presumidos agroindustriais. Com base nessas considerações, propõese a exclusão dos valores de R$ 46.202,77 e R$ 300,00, relativos à base de cálculo dos créditos estornados no mês de fevereiro de 2005, respectivamente, registrados com a denominação de “ICMS S/PERDA POR SINISTRO” e “CONS. 000141 GASPEM SEGURANCA LTD”. 4) Da Conclusão. Por todo o exposto, votase pela rejeição da preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau e da prejudicial de mérito por decadência; no mérito, pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso, para, em relação ao mês de fevereiro de 2005, determinar o cancelamento: Fl. 782DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13971.001474/200556 Acórdão n.º 3302003.218 S3C3T2 Fl. 765 37 a) da glosa dos valores dos créditos calculados sobre (i) o custo de aquisição dos bens destinados revenda (Linha 1 do Dacon), por falta de comprovação, no valor de R$ 257.757,72, acobertado pela nota fiscal de nº 008228 (fl. 679) e (ii) o custo de aquisição de insumos utilizados na produção/industrialização de bens destinados à venda (Linha 2 do Dacon), no valor de R$ 188.740,40, acobertado pela nota fiscal de nº 187744 (fl. 379); e b) do estorno dos créditos calculados sobre os valores de R$ 46.202,77 e R$ 300,00, relativos a ajustes negativos de créditos (Linha 31 do Dacon), registrados nos demonstrativos do item 255 do Relatório de Auditoria Fiscal (fl. 290), respectivamente, com a denominação de “ICMS S/PERDA POR SINISTRO” e “CONS. 000141 GASPEM SEGURANCA LTD”. Após tais ajustes, deverá ser reconhecido em favor da recorrente os respectivos valores dos créditos glosados pela fiscalização e homologada a compensação até o limite do valor do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Voto Vencedor Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Redatora designada. Inicialmente cabe esclarecer com a devida vênia, que a divergência a seguir explicitada cingese ao subitem do voto do ilustre Relator José Fernandes " 3.1) Da glosa de créditos calculados sobre a aquisição de bens destinados à venda por falta de comprovação (Linha 1 do Dacon)", referente ao restabelecimento dos créditos relativos aos bens para revenda adquiridos por meio da Nota Fiscal de nº 008228, fl.679, no mês de fevereiro de 2005. Rememorando os fatos verificase pelo Termo de Intimação Fiscal Nº 01, fl.17, a solicitação pela fiscalização dos seguintes documentos: Conforme Relatório de Auditoria, fl.247/301, precisamente à fl.253, constata se a não apresentação do documento listado a seguir: Fl. 783DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA 38 Através da Manifestação de Inconformidade, o interessado apresenta o documento de fl.377 que seria uma cópia da Nota Fiscal de nº 008228, no entanto a decisão de piso rejeitou o citado documento, conforme fundamentos a seguir transcritos: 3.2. Do Mérito: LINHA 01 — Bens adquiridos para revenda (Lei n°. 10.637/2002, art. 3°. inciso I): Glosa 1 — relativa a diversas notas fiscais relacionadas no arquivo RVJ não apresentadas ao fisco,(...) Trouxe, ainda, uma cópia de suposto documento à fl. 304, que se encontra ininteligível, portanto, não será considerado.(grifei). Em sede recursal o recorrente apresenta o documento à fl.679 visando a comprovação do referido crédito. Tratandose de direito creditório pleiteado é importante demonstrar em breve abordagem a questão do ônus probatório. Utilizandose subsidiariamente as regras do Código de Processo Civil, verificase: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. Disciplina o processo administrativo fiscal, Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 9º que [a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito]. Já o art. 16, III, do citado diploma legal estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. No presente caso, a regra acima quanto ao ônus probatório, se inverte, incumbindo ao autor a prova quanto ao fato constitutivo do seu direito. No caso em exame, a interessada declarou à Administração Tributária possuir um montante de crédito, utilizado para extinguir os débitos compensados. Nesses termos, cabe à interessada a prova da existência de seu direito, demonstrando a liquidez e certeza dos créditos alegados, utilizados para extinção do crédito tributário sob condição resolutória, através da apresentação ao fisco, quando Fl. 784DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13971.001474/200556 Acórdão n.º 3302003.218 S3C3T2 Fl. 766 39 solicitado, dos livros e documentos estabelecidos pela legislação para a comprovação da exatidão de suas informações. Nesse sentido disciplina a Instrução Normativa RFB nº 900, de 30/12/2008, DOU de 31/12/2008, vigente à época da emissão do Despacho Decisório: Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas.(grifei). Observase que há vários comandos legais insertos na legislação tributária quanto à forma, emissão, prazo para guarda dos documentos, além dos requisitos indispensáveis aos referidos documentos fiscais para que tenham força probatória, notadamente aos que servem de base à escrituração dos livros fiscais quanto às operações que visam comprovar. Tratandose de emissão/utilização de nota fiscal, dispõe igualmente a legislação tributária sobre os requisitos indispensáveis para que referido documento se revista de força probatória quanto à operação registrada. No presente caso, como já demonstrado, o contribuinte deixou de apresentar quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, documento comprobatório quanto aos créditos calculados sobre a aquisição de bens destinados à revenda "Linha 1 do Dacon)", referente ao mês de fevereiro de 2005, uma vez que o documento apresentado à fl. 377 não se revestiu dos requisitos necessários para comprovar a operação pretendida. Quanto ao ato de provar pondera 7Fabiana: Mediante a atividade probatória compõese a prova, entendida como fato jurídico em sentido amplo, que é o relato em linguagem competente de evento supostamente acontecido no passado, para que, mediante a decisão do julgador, constituase o fato jurídico em sentido estrito, desencadeando os correspondentes efeitos. (...) Iso não significa, contudo, que para provar algo basta simplesmente juntar um documento aos autos. É preciso estabelecer relação de implicação entre esse documento e o fato que se pretende provar. A prova decorre exatamente do vínculo entre o documento e o fato probando.(grifei). Reiterese que, no caso em espécie o documento em referência não foi apresentado a fiscalização e deixou de ser apresentado em sede de primeira instância revestido de força probatória. 7 Tomé, Fabiana Del Padre, A prova no Direito Tributário, São Paulo:Noeses, 2005, págs:177/178. Fl. 785DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA 40 Nesse mister, o documento apresentado somente em sede recursal, (fl. 679) visando comprovar referida operação não encontra respaldo nas disposições excepcionais previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações respectivas: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4.º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a)fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b)refirase a fato ou a direito superveniente; c)destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Todo o parágrafo 4.o incluído pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) § 5.º. A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) § 6.º. Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997).(grifei). Com efeito, constatase das normas acima dispostas quanto ao ônus probatório e o momento processual de apresentação da prova, que os documentos que respaldam a origem dos créditos pleiteados devem ser apresentados ao fisco quando solicitados, porém revestidos dos requisitos necessários a comprovar efetivamente a operação retratada. Assim a apresentação extemporânea do documento (fl. 679) não encontra respaldo nas disposições excepcionais acima destacadas, notadamente tratandose de nota fiscal emitida em 2005, cujo contribuinte tem o dever legal de boa guarda para apresentação ao fisco quando solicitado. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo a glosa dos créditos calculados sobre a aquisição de bens destinados à revenda (Linha 1 do Dacon), relativa ao mês de fevereiro de 2005. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 786DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13971.001474/200556 Acórdão n.º 3302003.218 S3C3T2 Fl. 767 41 Fl. 787DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 11080.001747/2003-18
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/03/1997 a 31/12/2001
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS
É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusão díspares. Sendo distinta a legislação analisada pela recorrida em confronto com aquela versada nos pretendidos paradigmas, ou opostas as situações fáticas, não se admite o recurso apresentado.
Numero da decisão: 9303-003.544
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES. Presidente.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
EDITADO EM: 22/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen (Substituto convocado), Charles Mayer de Castro Souza (Substituto convocado), Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto).
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/03/1997 a 31/12/2001 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusão díspares. Sendo distinta a legislação analisada pela recorrida em confronto com aquela versada nos pretendidos paradigmas, ou opostas as situações fáticas, não se admite o recurso apresentado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso. HENRIQUE PINHEIRO TORRES. Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator. EDITADO EM: 22/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen (Substituto convocado), Charles Mayer de Castro Souza (Substituto convocado), Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto).
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REQUISITOS É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusão díspares. Sendo distinta a legislação analisada pela recorrida em confronto com aquela versada nos pretendidos paradigmas, ou opostas as situações fáticas, não se admite o recurso apresentado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso. HENRIQUE PINHEIRO TORRES. Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. EDITADO EM: 22/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen (Substituto convocado), Charles Mayer de Castro Souza (Substituto convocado), Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 17 47 /2 00 3- 18 Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/04/2 016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório A Fazenda Nacional pretende seja revista a decisão da Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara desta Seção do CARF no ponto em que repeliu a tributação na forma definida no § 1º do art. 3º da Lei 9.718, dando aplicação às reiteradas decisões do STF que o declararam inconstitucional. Fundamenta a divergência de entendimentos por meio do acórdão nº 204 01.643, proferido, em 21/8/2006, pela então Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, que, avocando a disposição expressa do Decreto 2.346/97, entendeu não ser possível aos conselheiros estender aquelas decisões, antes de algum dos atos ali previstos, a contribuintes outros que não tenham feito parte da lide específica. O especial ora sob exame foi apresentado em 2008 e pugna, primeiro, pela inaplicabilidade daquelas decisões na exata linha do paradigma, para, depois, buscar demonstrar a constitucionalidade do dispositivo. Admitido o recurso por meio do despacho de fls. 266/267, sobrevieram contrarrazões que pedem, primeiramente, a não admissibilidade do recurso. Segundo a recorrida, porque a legislação que a Fazenda pretende tenha sido contrariada não é tributária, requisito do art. 67 do RICARF. No mérito, pela manutenção do decidido, com os mesmos argumentos da decisão. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Embora por motivo diverso do apontado em contrarrazões, entendo que o recurso não deve mesmo ser admitido. É que a decisão guerreada foi proferida em 23 de setembro de 2008, ocasião em que vigia o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes baixado por meio da Portaria Ministerial 147, em 25 de junho de 2007, cujo art. 49, inovando as disposições regimentais anteriores, trouxe expressa autorização aos conselheiros para que dessem aplicação a decisões definitivas do Pleno do STF. Vejase: Artigo 49. No julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/04/2 016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11080.001747/200318 Acórdão n.º 9303003.544 CSRFT3 Fl. 1.052 3 a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de junho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do Artigo 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do Artigo 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. Antes dessa inovação, prevalecia a restrição contida no art. 22A da Portaria MF 55/98, que regulava a atuação dos conselheiros quando proferida a decisão pretendida como divergente e que enunciava: Art. 22A. No julgamento de recurso voluntário, de ofício ou especial, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação, em virtude de inconstitucionalidade, de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo em vigor. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta, após a publicação da decisão, ou pela via incidental, após a publicação da resolução do Senado Federal que suspender a execução do ato; II – objeto de decisão proferida em caso concreto cuja extensão dos efeitos jurídicos tenha sido autorizada pelo Presidente da República; III – que embasem a exigência do crédito tributário: a) cuja constituição tenha sido dispensada por ato do Secretário da Receita Federal; ou b) objeto de determinação, pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, de desistência de ação de execução fiscal. (Artigo incluído pelo art. 5º da Portaria MF nº 103, de 23/04/2002) Como claramente se vê, as condições que vigiam em 2006, quando prolatada a decisão divergente, eram absolutamente diversas daquelas prevalecentes em 2008. A redação regimental de fato impedia a extensão de efeitos de decisões, ainda que proferidas pelo Pleno do STF, a menos que objeto de Resolução do Senado Federal ou de ato do Presidente da República. Tais disposições se mostram em total concordância com aquelas previstas no Decreto 2.346/97, daí porque, em seu voto, o douto Conselheiro Jorge Freire as aplica. Dada essa impossibilidade regimental, vêse que as situações não são, sequer, asssemelhadas, impedindo a aceitação do pretendido paradigma, único arrolado pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Com essas considerações, voto por não conhecer do recurso. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/04/2 016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/04/2 016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 11020.001992/2006-74
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jul 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 10/07/2001 a 31/12/2004
RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL.
Não se deve conhecer do recurso especial quando, diante de situações fáticas e jurídicas distintas, não restar caracterizada divergência de interpretação da legislação tributária.
Recurso Especial da PGFN não Conhecido
Numero da decisão: 9303-003.389
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional, por falta de divergência.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 10/07/2001 a 31/12/2004 RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. Não se deve conhecer do recurso especial quando, diante de situações fáticas e jurídicas distintas, não restar caracterizada divergência de interpretação da legislação tributária. Recurso Especial da PGFN não Conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional, por falta de divergência. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 10/07/2001 a 31/12/2004 RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. Não se deve conhecer do recurso especial quando, diante de situações fáticas e jurídicas distintas, não restar caracterizada divergência de interpretação da legislação tributária. Recurso Especial da PGFN não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional, por falta de divergência. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 19 92 /2 00 6- 74 Fl. 3125DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 15/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 11020.001992/200674 Acórdão n.º 9303003.389 CSRFT3 Fl. 3.126 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão proferido pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF que deu provimento parcial ao recurso voluntário, para, dentre outros itens, acolher os créditos decorrentes de devolução que puderem ser apurados a partir do Livro de Registro de Entradas acostado aos autos em sede de recurso voluntário. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), no recurso especial ao qual o Presidente da Câmara deu seguimento, alega que o momento para juntada de documentos foi inadequado, pois o contribuinte deveria ter apresentado todas as provas que fundamentavam a defesa junto com a impugnação, inclusive especificando as diligências ou perícias que pretendesse produzir. Ainda de acordo com a PGFN, a apresentação de documento em fase posterior é excepcional, e depende da comprovação de uma situação superveniente ou motivo de força maior, conforme previsto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Cientificado do recurso especial da PGFN, o contribuinte não se manifestou. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas O recurso não deve ser conhecido por falta de divergência dos acórdãos paradigmas conforme demonstrarei abaixo. O Acórdão recorrido acolheu a fundamentação da possibilidade de os créditos decorrentes de devolução que poderem ser apurados a partir do Livro de Registro de Entradas acostado aos autos em sede de recurso voluntário. Eis a ementa do acórdão recorrido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/07/2001 a 31/12/2004 (...) CRÉDITOS DECORRENTES DE DEVOLUÇÃO Demonstrado que o sujeito passivo deu saída a produtos tributados e que parte desses produtos foi alvo de devolução, legítimo é o creditamento, de acordo com as alíquotas que o Fisco entende devidas. Fl. 3126DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 15/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 11020.001992/200674 Acórdão n.º 9303003.389 CSRFT3 Fl. 3.127 3 (...) Recurso Voluntário Parcialmente Provido e Recurso de Ofício Negado. A divergência foi suscitada pela Fazenda Nacional em razão da decisão recorrida ter acolhido créditos decorrentes de devolução que só puderam ser apurados a partir do Livro de Registro de Entradas que foi acostado aos autos apenas em sede de recurso voluntário. A Fazenda nacional apresentou os seguintes paradigmas: Acórdão nº 10516.003 PRECLUSÃO A luz das disposições contidas no parágrafo 4° do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, tratandose de prova documental e ressalvados os casos ali previstos, a sua apresentação deve ser feita por ocasião da interposição da peça impugnatória, precluindo o direito de a interessada fazêlo em outro momento processual. Recurso negado. Enquanto o acórdão recorrido não trata diretamente, como razão de decidir o momento para apresentação das provas no processo administrativo, o paradigma tem exatamente esse fundamento como razão de decidir do voto ora colacionado. Em se tendo fundamentações jurídicas que não se assemelham o suficientemente para caracterizar a divergência, o recurso deve ter o seu seguimento negado pelo presente colegiado. Nesse contexto, voto por não conhecer do ao recurso especial da PGFN. É como voto. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 3127DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 15/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 11020.001992/200674 Acórdão n.º 9303003.389 CSRFT3 Fl. 3.128 4 Fl. 3128DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 15/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS
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Numero do processo: 11080.725790/2013-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2301-000.610
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
João Bellini Junior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, ANDREA BROSE ADOLFO, FABIO PIOVESAN BOZZA, IVACIR JULIO DE SOUZA, GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES e AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. João Bellini Junior - Presidente Julio Cesar Vieira Gomes - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, ANDREA BROSE ADOLFO, FABIO PIOVESAN BOZZA, IVACIR JULIO DE SOUZA, GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES e AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. João Bellini Junior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, ANDREA BROSE ADOLFO, FABIO PIOVESAN BOZZA, IVACIR JULIO DE SOUZA, GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES e AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 25 79 0/ 20 13 -3 6 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11080.725790/201336 Resolução nº 2301000.610 S2C3T1 Fl. 63 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal efetuado por meio da Notificação de Lançamento para apuração de imposto de renda da pessoa física decorrente de supostas omissões de rendimentos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 RENDIMENTOS AUFERIDOS DE PESSOA JURÍDICA DECORRENTES DE TRABALHO ASSALARIADO. Estando demonstrada a omissão de rendimentos na declaração de ajuste anual, devidamente confirmada através de informação prestada em DIRF pela fonte pagadora, deve ser mantido o lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido... Mediante Notificação de Lançamento, de fls. 05/08, exigese do contribuinte acima qualificado o recolhimento do imposto de renda pessoa física, acrescido de multa de ofício e juros de mora, totalizando R$ 6.504,16, calculados até 30/04/2013, em virtude da constatação de irregularidades na declaração de ajuste anual referente ao exercício de 2010, anocalendário de 2009. ... O contribuinte apresentou impugnação de fls. 02 alegando não ter auferido rendimentos da fonte pagadora CNPJ 00.755.762/000106. Concordou com a omissão de rendimentos relativos a fonte pagadora CNPJ 03.848.688/000152. ... Perante a Receita Federal do Brasil deve prevalecer a informação prestada pela fonte pagadora por meio da DIRF. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, quando trouxe a comprovação de vínculo empregatício no período correspondente ao anocalendário em outra empresa localizada em outro município distante aproximadamente 300 km. A suposta fonte pagadora está localizada em Angra dos Reis/RJ e a empresa para a qual trabalhara em Macaé/RJ. Atualmente o recorrente tem domicílio em Tramandaí/RS, distante aproximadamente 1.500 Km de Angra dos Reis/RJ e por essa razão não teria como se deslocar até lá para solicitar a retificação da DIRF. É o Relatório. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11080.725790/201336 Resolução nº 2301000.610 S2C3T1 Fl. 64 3 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator As questões principais no presente processo se voltam para o ônus probatório do recorrente na obtenção da retificação da DIRF junto à fonte pagadora e o convencimento sobre a ausência do rendimento com base nos documentos juntados ao recurso. Durante o anocalendário o recorrente mantinha vínculo com a empresa Serviços Marítimos Continental S.A na cidade de Macaé/RJ, fls. 48, distante mais de 300 km da suposta fonte pagadora e um deslocamento aproximado de 5h (consulta no site www.distanciacidades.com). De fato, considerada a atividade profissional, a prestação do serviço a justificar a remuneração somente seria possível com o deslocamento do recorrente entre Macaé/RJ e Angra dos Reis/RJ. E também se justifica a dificuldade do recorrente em obtenção de documentos da suposta fonte pagadora para a comprovação da incorreção na DIRF. Assim, diante desses indícios a favor do recorrente, tornase necessária e oportuna diligência por parte da SRFB para a confirmação de movimentação financeira realizada pela empresa Ponta Leste de Angra Atividades Subaquáticas Ltda em favor do recorrente. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para as providências solicitadas e seja oportunizado ao recorrente o direito de manifestação sobre esta decisão no prazo de 30 dias. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 64DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 10509.000135/2009-54
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2004
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
Recurso Especial Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.564
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2004 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte.
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ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2004 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 50 9. 00 01 35 /2 00 9- 54 Fl. 295DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10509.000135/200954 Acórdão n.º 9303003.564 CSRF‐T3 Fl. 296 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801005.241, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa em comento. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.551, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.004458/201015, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.551): "O recurso é tempestivo e, ao contrário do alegado pelo sujeito passivo em suas contrarrazões, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser admitido. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10509.000135/200954 Acórdão n.º 9303003.564 CSRF‐T3 Fl. 297 3 De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, como dito anteriormente, são, exatamente, as mesmas, a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima, que não faz qualquer distinção se o transporte é marítimo ou aéreo. O dispositivo legal interpretado é, absolutamente, idêntico, mas os resultados dos julgamentos foram distintos. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese ainda que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Importante frisar que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Atendido, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10509.000135/200954 Acórdão n.º 9303003.564 CSRF‐T3 Fl. 298 4 Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10509.000135/200954 Acórdão n.º 9303003.564 CSRF‐T3 Fl. 299 5 Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 299DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10509.000135/200954 Acórdão n.º 9303003.564 CSRF‐T3 Fl. 300 6 natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10509.000135/200954 Acórdão n.º 9303003.564 CSRF‐T3 Fl. 301 7 De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10509.000135/200954 Acórdão n.º 9303003.564 CSRF‐T3 Fl. 302 8 Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10509.000135/200954 Acórdão n.º 9303003.564 CSRF‐T3 Fl. 303 9 Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 303DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 16643.000090/2009-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
NULIDADES. INOCORRÊNCIA.
A nulidade do lançamento somente se dá nos casos previstos no PAF, quando houver prejuízo à defesa ou ocorrer intervenção de servidor ou autoridade sem competência legal para praticar ato ou proferir decisão. Não se configurando qualquer dessas hipóteses, rechaçam-se as alegações do sujeito passivo.
AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial cujo objeto seja idêntico ao do processo administrativo.
Numero da decisão: 1402-002.109
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as arguições de nulidade do lançamento por duplicidade de cobrança, formalização da exigência na vigência de liminar e inadequação da fundamentação. Por maioria de votos, não conhecer da arguição de nulidade por mudança de critério jurídico de lançamento por ser questão de mérito abrangido pela concomitância. Vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Demetrius Nichele Macei que votaram pela apreciação da matéria. No mérito, por unanimidade de votos não conhecer do recurso pela concomitância com ação judicial.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, DEMETRIUS NICHELE MACEI, PAULO MATEUS CICCONE, LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES e FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 NULIDADES. INOCORRÊNCIA. A nulidade do lançamento somente se dá nos casos previstos no PAF, quando houver prejuízo à defesa ou ocorrer intervenção de servidor ou autoridade sem competência legal para praticar ato ou proferir decisão. Não se configurando qualquer dessas hipóteses, rechaçam-se as alegações do sujeito passivo. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial cujo objeto seja idêntico ao do processo administrativo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 NULIDADES. INOCORRÊNCIA. A nulidade do lançamento somente se dá nos casos previstos no PAF, quando houver prejuízo à defesa ou ocorrer intervenção de servidor ou autoridade sem competência legal para praticar ato ou proferir decisão. Não se configurando qualquer dessas hipóteses, rechaçamse as alegações do sujeito passivo. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial cujo objeto seja idêntico ao do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as arguições de nulidade do lançamento por duplicidade de cobrança, formalização da exigência na vigência de liminar e inadequação da fundamentação. Por maioria de votos, não conhecer da arguição de nulidade por mudança de critério jurídico de lançamento por ser questão de mérito abrangido pela concomitância. Vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Demetrius Nichele Macei que votaram pela apreciação da matéria. No mérito, por unanimidade de votos não conhecer do recurso pela concomitância com ação judicial. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 00 90 /2 00 9- 50 Fl. 725DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000090/200950 Acórdão n.º 1402002.109 S1C4T2 Fl. 726 2 FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, DEMETRIUS NICHELE MACEI, PAULO MATEUS CICCONE, LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES e FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR. Fl. 726DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000090/200950 Acórdão n.º 1402002.109 S1C4T2 Fl. 727 3 Relatório Votorantim Participações S.A. recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 5ª Turma da DRJ São Paulo01/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 08.1.71.002009 000341 e prorrogações (fls.1) a Fiscalização, apurou, relativamente à contribuinte acima identificada, os seguintes fatos, conforme o Termo de Verificação Fiscal (fls. 377 a 403): 2 O presente auto se originou de equivoco ocorrido quando da fiscalização dos lucros apurados em 2006 pela empresa Azben Holding GmbH, residente na Áustria, que foram atribuídos unicamente à empresa Cazben Participações do Brasil Ltda (controlada pela fiscalizada), quando essa empresa austríaca e controlada diretamente tanto pela fiscalizada (40%) como pela empresa Cazben Participações do Brasil Ltda (60%). 3 O processo de n º 16561.000209/200813, relativo a empresa Cazben foi julgado pela 5ª Turma de Julgamento de São Paulo I SPO que corretamente exonerou 40% da matéria tributável, atribuída agora ao sujeito passivo do presente procedimento (fls. 286). 4 A empresa Cazben foi constituída em 2002 e, atualmente os sócios da empresa são as empresas Votorantim Participações S/A com noventa e nove cotas e Votorantim Investimentos Internacionais S/A, com apenas uma cota. 5 Junto com a alteração de sócios ocorrida em 19 de dezembro de 2002, foi aumentado o capital da empresa de R$ 1000, 00 para R$ 146.222.944, mediante a emissão de 146.221.944 quotas de R$ 1,00 cada uma, integralizadas da seguinte forma: 146.221.243 cotas pela Votorantim Participações S/A, sendo R$ 89.374.943,00, mediante conferencia de 60% de sua participação societária no capital social da Votorantim International Holding NV, empresa situada em Curaçao e R$ 58.848.000,00 em nota promissória “Pro Soluto” emitida pela investidora Votorantim Participações S/A e 1 cota de R$ 1,00 pela cotistas Votorantim Investimentos Internacionais S/A. 6 Em 23 de dezembro de 2002, a Cazben adquire participação de 60 % na empresa Azben, situada na Áustria, através de entrega dos bens: 60% da participação societária na empresa Votorantim International Holding N.V e da nota promissória “Pro soluto” emitida pela sua controladora Votorantim Participações S/A. 7 Relativamente a Votorantim Participações S/A (VPar) empresa fiscalizada no presente processo, no mesmo dia 23 de dezembro de 2002, a fiscalizada adquire participação de 40 % na empresa Azben, situada na Áustria, através de entrega dos bens constituídos por 40% da participação societária na empresa Votorantim International Holding N.V , sediada nas Antilhas Holandesas. Fl. 727DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000090/200950 Acórdão n.º 1402002.109 S1C4T2 Fl. 728 4 8 Ainda nessa mesma data, a Azben tem autorização para aquisição de todas as ações da Votorantim International North América Inc. situada nos Estados Unidos, com uma capital de US$ 1.000.000,00. 9 O auditor ressalta que durante o curso da fiscalização não foi constatada a existência da atividades informadas pela contribuinte, relativas a empresa Azben, tendo sido verificada tão somente a existência de registros de resultados oriundos de participações em outras empresas sediadas em paraísos fiscais, afirmação que é corroborada pela própria empresa Cazben, em informação prestada no processo nº 16561.000209/200813, relatando que as atividades efetivamente exercidas pela empresa Azben, são as descritas no documento de sua constituição, ou seja a aquisição e administração de participações em sociedades de todo o tipo e o investimento em bens de capital e todas as atividades oportunas e/ou necessárias, com exceção de transações bancárias, para o alcance dos objetivos previstos. 10 A empresa Azben apresentou entre 2003 e 2006 os seguintes resultados em dólares: Anocalendário Resultado da empresa Azben (US$) 2003 6.795.000,00 2004 4.726.000,00 2005 16.889.000,00 2006 99.162.000,00 11 O auditor efetuou a compensação dos prejuízos dos anoscalendário 2003 e 2005 e obteve o saldo de lucro de US$ 80.204.000,00, que converteu à taxa de câmbio do dólar do dia 29/12/2006, obtendo a base de cálculo de R$ 171.476.152,00. Considerando que a Vpar detém 40% das cotas da Azben, obteve a base de cálculo de R$ 68.590.460,80. 12 Em seguida, o auditor fiscal cita a legislação que utilizou como fundamento legal e apresenta longa exposição do que seria o planejamento tributário visando a elidir o recolhimento de impostos no Brasil, através da criação de empresas em paraísos fiscais ou beneficiadas com tratados para evitar a dupla tributação, discorrendo ainda sobre os conceitos de Treaty Shopping que entende que não pode ser permitido e que acredita poder ser catalogado como evasão fiscal. 13 Cita o casoexemplo de uma empresa americana cuja controladora situada nas Bahamas, que também detinha controle integral de outra empresa situada no Equador. A controladora enviou empréstimo de valor significativo a controlada americana. Nesse ínterim, a empresa no Equador, constituiu subsidiária em Honduras. Ao efetuar o pagamento do empréstimo, a empresa americana evitou pagar o imposto que teria que recolher se remetesse o dinheiro diretamente a Bahamas, utilizando o artifício de enviar o dinheiro para Honduras, sem imposto, por força de tratado firmado entre os Estados Unidos e Honduras. 14 Essa operação foi desclassificada pela corte americana alegando que a beneficiária não era a sociedade de Honduras, servindo apenas de veiculo para transferir o valor para a controladora nas Bahamas, sem o recolhimento de impostos. 15 O Auditor Fiscal entende haver similaridade desse caso, a situação da fiscalizada, alegando que a Azben serviria apenas de anteparo que os lucros auferidos com as vendas no exterior não fossem tributados. 16 Cita também as medidas tomadas pela OCDE para evitar abusos na utilização de tratados internacionais e ainda o trabalho de Agostinho Toffoli Tavolaro que não Fl. 728DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000090/200950 Acórdão n.º 1402002.109 S1C4T2 Fl. 729 5 considera estabelecimento permanente, de acordo com os modelos de tratado, variando, no entanto de um para outro, a utilização de instalações unicamente para fins armazenagem, exposição e entrega de bens, a manutenção de estoques para fins de transformação por outras empresas, a manutenção de uma instalação fixa unicamente para compra de bens ou mercadorias ou obtenção de informações para a empresa ou para fins de publicidade, fornecimento de informações, pesquisas científicas ou atividades de caráter preparatório ou auxiliar para empresa. 17 Considera, por outro lado, que uma pessoa, que atue em um dos estados contratantes, por conta de uma empresa do outro estado contratante, desde que não seja um agente independente, será considerado um estabelecimento permanente se esta pessoa tiver e, habitualmente exercer, autoridade para concluir contratos em nome da empresa, excluídos os de compra e venda de bens ou mercadorias para a empresa. 18 Conclui que o simples controle de uma sociedade residente em um estado contratante, por outra residente em outro estado contratante não é suficiente para a caracterização de estabelecimento permanente e que seriam estáveis as instalações que adquirem ou realizam diretamente um lucro , tendo caráter imediatamente produtivo. 19 O Auditor Fiscal cita também entendimento do autor sobre onde deveriam ser tributados os lucros e dividendos, auferidos por empresas situadas em países distintos, participantes de tratados para evitar a dupla tributação. 20 Discorre também a respeito do termo “beneficial owner” para designar aquele que realmente se beneficiaria das vantagens decorrentes de tratados, no caso de interposição de terceira pessoa, ou seja no treaty shopping é aquele que por interposta pessoa aufere as vantagens do TDT, sem nele aparecer e que, segundo Vogel deve preencher dois requisitos: possua direito de decidir se seu investimento (capital e ativo) deve ou não produzir rendimentos e possua o direito de dispor livremente sobre esse rendimento. 21 Desse modo, o Auditor Fiscal conclui que devem ser tributados na fiscalizada os lucros auferidos pela empresa Votorantin International Trading/Curação, por ser a fiscalizada, a beneficiária efetiva de tais resultados, considerando que “...a equivalência patrimonial positiva obtida por via empresa estabelecida no exterior, difere da equivalência patrimonial positiva auferida via controladas situadas no Brasil, exatamente porque estas ultimas ao apurarem seus resultados sofrem a devida tributação. . 22 O Auditor Fiscal esclarece que não contesta o ato jurídico praticado mas a verdadeira repercussão econômica dos fatos subjacentes. 23 O auditor Fiscal relata a existência de Mandado de Segurança interposto pela fiscalizada em 29/01/2003, junto a 24ª Vara Civil, visando não computar o resultado positivo da equivalência patrimonial nem os lucros não efetivamente disponibilizados. A segurança foi concedida em 15/10/2009 determinando que a autoridade coatora se abstenha de qualquer ato tendente à exigência de crédito tributário relativo ao IRPJ e CSLL incidentes sobre o lucro e a renda das impetrantes, decorrentes dos resultados de equivalência patrimonial, com exceção, no entanto, se o resultado corresponder aos lucros de coligadas ou controladas no exterior auferidos nos períodosbase de 2002 em diante, que pode ser legitimamente exigido a partir de sua disponibilidade econômica ou jurídica, não exigível a financeira. Fl. 729DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000090/200950 Acórdão n.º 1402002.109 S1C4T2 Fl. 730 6 24 Embora a decisão tenha reconhecido a inconstitucionalidade do parágrafo único do art. 74 da MP nº 2.15835/01 e ilegalidade parcial do inciso primeiro do art. 7º da IN nº 213/2002, esta apenas relativa no que é incompatível com o caput do art. 74, foi decidido que “...a Fazenda Nacional pode exigir IRPJ e CSLL sobre o resultado da equivalência patrimonial no que corresponde ao lucros de coligadas e controladas no exterior auferidos no períodosbase de 2002 em diante, ai, evidentemente, inseridos os resultados oriundos de paises com os quais o Brasil celebrou Acordo Internacional para Evitar Dupla Tributação de Renda, tendo em conta a inexistência de qualquer ressalva no dispositivo e o exposto na fundamentação “ (sic) 25 Desse modo, em 21/12/2009, foram efetuados os seguintes lançamentos: – Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ (fls. 365 a 368): Total do crédito tributário, R$ 35.233.550,63, incluídos o tributo e juros de mora, calculados até 29/08/2008. Fundamento legal: Embasamento legal: artigo 74 , caput e parágrafo único da MP nº 2.158/352001, artigos 25, §§ 2º e 3º, da Lei nº 9.249/1995; artigo 16 da Lei nº 9.430/96; arts. 249, inciso II, e.394 do RIR/99 , art. 3º da Lei nº 9.959/2000 e arts 1, art. 43 do CTNº e 4º da IN SRF nº 213/2002 – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fls. 371 a 373): Total do crédito tributário, R$ 12.701.855,88, incluídos o tributo e juros de mora, calculados até 29/08/2008. Fundamento legal: artigo 2º, e §§, da Lei nº 7.689/88, artigo 1º da Lei nº 9.316/96; artigo 28 da Lei nº 9.430/96; e artigo 37 da Lei nº 10.637/2002. 26 Inconformada com o lançamento do qual foi cientificada na mesma data do lançamento, a contribuinte protocolizou em 20/01/2010, a impugnação (fls. 420 a 489), relativa ao lançamento fiscal, apresentando suas razões, em apertada síntese, a seguir: 26.1 Alega que é controladora direta da empresa Azben, constituída e situada na Áustria que, por sua vez, teria participações societárias em várias empresas, sediadas em outros países, inclusive na Votorantin International Holding NV (VIH), situada nas Antilhas Holandesas. 26.2 Alega que a Azben contabilizou seu investimento na VIH mas não apurou a equivalência patrimonial que não seria obrigatória na Áustria mas, para fins societários, a impugnante aplicou o método de equivalência patrimonial para avaliação de suas participações em Azben e VIH. 26.3 Alega que a VIH jamais distribuiu dividendos à Azben e esta, por sua vez, nunca distribuiu lucros ou dividendos à impugnante. 26.4 Alega que os autos de infração abstraem a existência e da personalidade jurídica da Azben e exigem IRPJ e CSLL da impugnante como esta fosse controladora direta da VIH. 26.5 Alega que os autos de infração também afastam a aplicação do Tratado para Evitar a Dupla Tributação firmado entre o Brasil e a Áustria em 1975 que está em vigor até a data presente. 26.6 Alega que impetrou Mandado de Segurança preventivo questionando a constitucionalidade do art. 74 da MP nº 215835/2001 e da IN SRF nº 213/2002 e a interpretação e aplicação da Convenção ao presente caso, e alega que a impugnante Fl. 730DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000090/200950 Acórdão n.º 1402002.109 S1C4T2 Fl. 731 7 não teria especificado qual acordo internacional estava se referindo, argumentando ter tratado o assunto em abstrato, sem vinculação a qualquer pais. 26.7 Nessa impugnação, portanto, pretende discutir a interpretação da Convenção, aplicandoa ao caso concreto. 26.8 Alega que seria possível o proferimento de decisão favorável a contribuinte na esfera administrativa e de uma decisão desfavorável judicialmente e viceversa, alegando que há algumas particularidades na Convenção que a distingue das outras convenções para evitar a dupla tributação. 26.9 Alega não renunciou ao seu direito de questionar administrativamente os termos da Convenção e cita acórdãos do Conselho de Contribuintes que embasariam o que alega. 26.10 Faz breve relato do procedimento fiscal e alega nulidade do auto de infração, afirmando que foram tributados resultados que já haviam sido tributados no processo administrativo nº 16561.000194/200711, caracterizando tributação em duplicidade. 26.11 Alega que está se pretendendo tributar o mesmo resultado do mesmo sujeito passivo com relação ao mesmo período objeto dos autos de infração do processo administrativo nº 16561.000194/200711, com critério jurídico distinto daquele utilizado na primeira autuação , o que, em sua opinião, contrariaria o art. 146 do Código Tributário Nacional – CTN. 26.12 Alega que os autos foram lançados com a aplicação de multa de 75%, enquanto o crédito tributário está com a exigibilidade suspensa, contrariando o art. 63 da Lei nº 9.430/96. 26.13 Discorre sobre a tributação em duplicidade que alega ter ocorrido no presente processo. 26.14 Alega ofensa ao art. 146 do CNT por reexame da primeira autuação, alegando ainda que não foram esclarecidos quais equívocos que motivaram o reexame, causando cerceamento de defesa e que a tributação foi feita por motivos diferentes, no processo administrativo nº 16561.000194/200711 e no presente processo, citando ainda doutrinadores a respeito e acórdãos do CARF. 26.15 Conclui que, pelos motivos apresentados os autos são nulo. 26.16 Alega que impetrou Medida Cautelar Incidental nº 2009.03.00.039733 8/SP com o objetivo de suspender a exigibilidade do crédito tributário relativo ao IRPJ e a CSLL, informando que em 10/11/2009 foi concedida liminar na referida medida cautelar suspendendo a exigência do crédito tributário em questão, alegando que por esse motivo também os autos são nulos. 26.17 Alega que as imprecisões na aferição da base legal já são suficientes para decretar a nulidade dos autos, uma vez que não se sabe exatamente quais normas legais foram infringidas e porque. 26.18 Alega que os autos de infração de IRPJ e CSLL invocam imprecisa e aleatoriamente todas as normas baixadas sobre a tributação em bases universais no Brasil, sem contudo especificar quais seriam seus dispositivos pertinentes. Fl. 731DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000090/200950 Acórdão n.º 1402002.109 S1C4T2 Fl. 732 8 26.19 Discorre sobre a legislação de tributação em bases universais e sobre a convenção da OCDE, para demonstrar que os lucros da Azben somente poderiam ser tributados na Áustria, argumentando que a CSLL , tratandose de tributo essencialmente semelhante ao IRPJ não poderia ser cobrando nem sobre os lucros da Azben nem sobre os dividendos que ela distribuísse à impugnante. 26.20 Alega que a criação da Azben deveuse a inúmeras razões empresariais sólidas tais como centralização o recebimento das demais empresas estrangeiras e redistribuílos também no exterior, servir de captadora de recursos no exterior e mesmo empréstimos, além do fato que a Áustria participa da União Européia e tem estabilidade monetária e institucional. 26.21 Aponta como razões para a criação da empresa no exterior , a instabilidade da economia brasileira e inconstância das leis fiscais e cambiais brasileiras, argumentando que nada impede que o legislador resolva tributar pis e cofins sobre os dividendos proveniente do exterior. 26.22 Alega que os dividendos provenientes da Áustria não são tributados no Brasil por expresso acordo firmado entre os dois países, no tratado para evitar a bi tributação, e não poderia o auditor fiscal simplesmente desconsiderálo. 26.23 Alega que a Azben, ao contrário do que alega o auditor fiscal, é e sempre foi uma plataforma para os investimentos externos do grupo controlador e desde a sua criação aumentou seus investimentos no exterior e nunca distribuiu dividendos à impugnante. 26.24 Discorre sobre a Convenção de Viena, sobre a atuação da OCDE e sobre os modelos de convenção que foram ou não adotados pelo Brasil. 26.25 Discorre sobre os termos invocados pelo Termo de Verificação Fiscal para justificar o lançamento, tais como abuso de direito, fraude à lei, falta de propósito negocial, falta de isonomia e capacidade contributiva, visando demonstrar a improcedência dos argumentos do auditor fiscal que desconsideraram a empresa Azben, comentando o art. 116 do CTN e sua regulamentação, a mudança de entendimento sobre o caso na jurisprudência a americana e citando ainda juristas que embasariam o que alega. 26.26 Alega que a desconsideração da empresa Azben feita pelo auditor fiscal ferem diversos dispositivos legais que enumera às fls. 484 e 485. 26.27 Alega erro no cálculo do valor tributável, argumentando que o auditor fiscal efetuou todos os cálculos em dólares e somente converteu para moeda nacional em 31/12/2006, e cita o art.25. §4º da Lei nº 9.249/1995 que contrariaria o procedimento fiscal. 26.28 Investe contra o que chama de exigência de juros de mora sobre a multa de ofício e discorre a respeito. 26.29 Alega ilegalidade da exigência de juros calculados sobre a taxa Selic. 26.30 Por fim, requer que, se forem desconsideradas as alegações da nulidade e da improcedência integral dos autos de infração , que seja reduzido o valor exigido considerando os valores das taxas de cambio das datas de encerramento de cada um dos exercícios, seja declarada a impossibilidade do uso da taxa SELIC e seja vedada exigência de juros sobre a multa de oficio lançada. Fl. 732DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000090/200950 Acórdão n.º 1402002.109 S1C4T2 Fl. 733 9 27 É o relatório.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 16 25.215 (fls. 511539) de 05/05/2010, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006 DESCLASSIFICAÇÃO DE EMPRESA SITUADA NO EXTERIOR. Aceitase a desclassificação de empresa situada no exterior com o fito de alcançar lucros produzidos por controlada dessa quando há indícios veementes que a empresa controladora situada em país com tratado para evitar a dupla tributação, sem qualquer propósito negocial, é mera repassadora dos lucros auferidos por empresas anteriormente controladas pela empresa fiscalizada, com o fito exclusivo de evitar a tributação no Brasil DESCONSIDERAÇÃO DE NEGÓCIOS. O planejamento tributário que é feito com abuso de direito, embora siga as normas legais, configura as chamadas operações sem propósito negocial, podendo ser desconsiderado quando visa exclusivamente a evasão de tributos legitimamente devidos. TAXA SELIC. Cobramse juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), por expressa previsão legal, não competindo à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 05/08/2010 (A.R. de fl. 542) a interessada interpôs recurso voluntário em 03/09/2010 (fls. 546567) onde repisa os argumentos apresentados em sua impugnação. É o relatório. Fl. 733DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000090/200950 Acórdão n.º 1402002.109 S1C4T2 Fl. 734 10 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. A questão nos autos consiste em avaliar a tributação no Brasil, de lucros obtidos no exterior quando o resultado foi auferido por empresa sediada em local com o qual o Brasil não possui tratado para evitar a dupla tributação, mas controlada por empresa situada na Áustria, país com tratado nesse sentido formalizado com o Estado brasileiro. Em outras palavras, não se discute aqui a aplicação do Tratado de Dupla Tributação (TDT) pactuado com a Áustria aos lucros apurados em território austríaco o que representaria, no presente caso, aqueles decorrentes das atividades próprias da Azben. O lançamento foi feito contra a contribuinte, exigindo os tributos relativos aos lucros apurados pela empresa Votorantin International Holding NV (VIH), situada nas Antilhas Holandesas, empresa controlada pela empresa Azben, situada na Áustria que, por sua vez é controlada em parte pela fiscalizada (40%) e em parte (60%) pela empresa Cazben Participações do Brasil Ltda, CNPJ 05.322.792/000134, que por sua vez é controlada pela própria fiscalizada. No entendimento do sujeito passivo, os resultados apurados pela VIH estariam fora do alcance da legislação brasileira por pertencerem à Azben e, nesses termos, sob a guarida do TDT formalizado entre o Brasil e a Áustria. Quanto ao lançamento relativo à Cazben Participações do Brasil Ltda (60%), houve o lançamento consubstanciado no processo 16561.000209/200813, julgado por esta Turma no Acórdão 1402001.236, de 06/11/2012. Das preliminares de nulidade dos lançamentos suscitadas Alega a recorrente, preliminarmente, a nulidade dos lançamentos pelos motivos a seguir elencados. · em razão da tributação em duplicidade, uma vez que o suposto crédito tributário que os AI pretendem exigir já foi objeto de autuações anteriores, as quais originaram o Processo Administrativo n° 16561.000194/200711; · em razão de ofensa ao art. 146 do CTN, pois os AI adotam critério jurídico diverso (desconsideração da personalidade jurídica de empresa estrangeira) daquele adotado no Processo Administrativo n° 16561.000194/200711 (tributação de ganhos de equivalência patrimonial), sem justificar a mudança no critério; Fl. 734DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000090/200950 Acórdão n.º 1402002.109 S1C4T2 Fl. 735 11 · em virtude de os AI terem sido lavrados enquanto suspensa a exigibilidade do crédito tributário; e · por inadequação na fundamentação dos AI. Não vislumbro as preliminares de nulidade suscitadas. Visitando os autos do processo administrativo nº 16561.000194/200711 observase, no termo de verificação fiscal, fls. 1.019, que os valores lançados, contemplam os decorrentes de lucros não disponibilizados pela Azben no anocalendário de 2006. Vejase os excertos do TVF. Às fl. 1.028 daquele processo encontrase o demonstrativo de apuração do auto de infração IRPJ. Fl. 735DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000090/200950 Acórdão n.º 1402002.109 S1C4T2 Fl. 736 12 A base tributável considerada no presente processo encontrase no extrato de fl. 363. Fl. 736DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000090/200950 Acórdão n.º 1402002.109 S1C4T2 Fl. 737 13 Em que pese a diferença entre as bases tributáveis, haveria aparente tributação em duplicidade a ser esclarecida. Nessa esteira, esta Turma resolveu converter o julgamento em diligência. A autoridade lançadora assim se pronunciou. "... Em 2007, foi lavrado Auto de Infração, tendo como sujeito passivo a Votorantim Participações S.A., conforme processo 16.561.000194/200711. Entretanto, por engano da Autoridade Autuante, foi determinada base de cálculo incorreta, tendo como origem o resultado da equivalência patrimonial e não dos lucros, conforme preconizava o art. 74 da MP n° 2.158/2001, no valor de R$ 32.009.994,42 (Fls. 1.011 daquele processo), não obstante os valores dos lucros dos anoscalendário de 2.003 a 2.006 estivessem consignados às fls. 433, 449, 445 e 441 do mesmo processo; Em se constatando tal equívoco, optouse por abrir MPF 08.1.71.002009 000341 em reexame conforme relatado por mim, no item 1.3 da TVF da presente autuação (fls. 378): 1.3. Em razão de equívoco ocorrido quando da fiscalização mencionada no item 1.1, na determinação da base de cálculo referente aos lucros auferidos em 2006 pela AZBEN Holding GmbH. (AZBEN), residente na Áustria, foi emitido o presente MPF com autorização de reexame; que foi a mim atribuído em virtude do falecimento da Autoridade Autuante original, como forma de sanear o lançamento. Tal autuação, levando em conta os valores referentes aos lucros auferidos pela Azben Áustria de 2004 a 2006 (fls. 344, 338, 327 e 322) e não os resultados de equivalência patrimonial, foi consignada no presente processo. Ressaltese que os montantes dos lucros auferidos pela Azben, utilizados no presente processo, foram obtidos em documentos apresentados pela autuada em virtude de intimação (fls. 004 a 006); Quanto ao processo que contem a autuação em que figura como sujeito passivo a Cazben (16.561.000209/200813), controlada da Votorantim Participações S.A., e detentora de 60% de participação da AzbenÁustria, autuada como se tivesse participação de 100% na sociedade austríaca, informo que tal equívoco já foi sanado conforme informação abaixo, extraída da própria resolução que determinou a presente diligência, conforme abaixo: O processo de n ° 16561.000209/200813, relativo a empresa Cazben foi julgado pela 5ª Turma de Julgamento de São Paulo SPO que corretamente exonerou 40% da matéria tributável, atribuída agora ao sujeito passivo do presente procedimento (fls.286). E ainda, conforme consignado no Termo de Verificação Fiscal do presente processo em seu item 1.4: 1.4 Em 30 de setembro de 2009, ou seja, estando a presente fiscalização em andamento, recebi Fl. 737DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000090/200950 Acórdão n.º 1402002.109 S1C4T2 Fl. 738 14 representação do Sr. Presidente da 5a Turma da DRJ I/SPO dando conta da necessidade de se efetuar o presente auto de infração tendo em vista que a Cazben S.A. Participações do Brasil Ltda., controlada pela Vpar e detentora de 60% das quotas da AzbenÁustria, havia sido equivocadamente autuada como se tivesse participação de 100%, tendo sido, portanto, corretamente exonerada em 40% da matéria tributável, atribuída, agora, ao sujeito passivo do presente procedimento fiscal (fls. 286); Portanto, o processo n° 16.561.000209/200813 não influi absolutamente nada no presente lançamento, por ter sido saneado no curso do contencioso fiscal instaurado; ..." Com efeito, de acordo com o relatório de diligência acima transcrito, não há duplicidade de lançamento, mas sim reexame para corrigir engano cometido no processo 16.561.000194/200711. Não vislumbro a nulidade suscitada do lançamento ora discutido. Também não vejo nulidade em virtude de os autos de infração terem sido lavrados enquanto suspensa a exigibilidade do crédito tributário. Com efeito, a lavratura do auto de infração é ato para a constituição do lançamento, não se confundindo com a cobrança do crédito tributário dele resultante. Por fim, também não há que se falar em nulidade por inadequação na fundamentação dos autos de infração. O enquadramento legal dos lançamentos, transcrito no relatório acima, se coaduna com os fatos apurados. Rejeito, pois, as preliminares suscitadas. Da matéria submetida ao crivo do poder judiciário De se consignar, inicialmente, que a recorrente impetrou mandado de segurança nº 2003.61.00.0036860 junto à 24ª Vara da Justiça Federal de São Paulo com o objetivo de suspender a exigibilidade do crédito tributário relativo ao IRPJ e a CSLL. Vejase o teor do pedido à fl. 472, e decisão judicial às fls. 494 e seguintes: ... pretendem obter o reconhecimento do direito liquido e certo de não serem compelidas ao pagamento do Imposto de Renda (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) calculados na forma do art. 74 da Medida Provisória n° 2.15835/01 e do art. 7° da Instrução Normativa n° 213/02, dada a demonstrada inconstitucionalidade, e conseqüente ineficácia da citada regramatriz. Relatório na decisão judicial, fl. 494: I VOTORANTIM PARTICIPAÇÕES S/A. ajuíza a presente Medida Cautelar.Incidental, objetivando, em síntese e liminarmente, suspender a exigibilidade do crédito tributário Fl. 738DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000090/200950 Acórdão n.º 1402002.109 S1C4T2 Fl. 739 15 relativo ao IRPJ e á CSLL, calculados na forma do art. 74 da MP n° 2.15834101 e do art. 7° da IN nº 213/02, até decisão finai a ser proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 2003.61.00.0036860. Vêse que a ação judicial atinge diretamente as questões aqui sob análise. Sob esse prisma, entendo que falece competência ao Órgão julgador administrativo para manifestarse sobre matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário. A Súmula CARF nº 1 não dá margem a dúvida: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial” Estando a questão submetida ao judiciário, não pode este Conselho pronunciarse sobre a possibilidade ou impossibilidade da exigência fiscal. Deixo, portanto, de conhecer do recurso por ter sido a matéria ora discutida submetida ao crivo do Poder Judiciário. Conclusão Por todo o exposto, VOTO por rejeitar as arguições de nulidade do lançamento e, no mérito, por não conhecer do recurso por concomitância com ação judicial. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 739DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 12466.001851/2010-61
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 28/02/2005 a 26/01/2006
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não restam demonstrados os alegados dissídios jurisprudenciais, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas.
Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 9303-003.527
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de divergência jurisprudencial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente)
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 28/02/2005 a 26/01/2006 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não restam demonstrados os alegados dissídios jurisprudenciais, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de divergência jurisprudencial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 18 51 /2 01 0- 61 Fl. 902DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 27.941.424,93 referente à aplicação da multa cominada no artigo 23, § 3º, do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. O litígio foi instaurado e posteriormente foi objeto de julgamento pela 1ª Turma da DRJ/FNS, por meio do Acórdão nº 0724.405 de 13 de maio de 2011, em julgado assim ementado (fl. 742): Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 28/02/2005 a 26/01/2006 PENALIDADE. PROVAS. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. É ônus da fiscalização instruir o lançamento com todos os elementos de prova dos fatos constituintes do direito da Fazenda. A caracterização da infração depende da subsunção dos fatos à norma legal, sem o que é impossibilitada a aplicação de penalidade. Referida decisão foi objeto de Recurso de Ofício, tendo sido então prolatado, pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Terceira Seção de Julgamento, o Acórdão nº 3401002.919 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, que, por voto de qualidade, deu provimento ao recurso de ofício, restando consignada a seguinte ementa (fl. 777): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 28/02/2005 a 26/01/2006 Ementa PROVA EMPRESTADA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CABIMENTO. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. É válido no processo administrativo o instituto da “prova emprestada”, desde que garantido às partes o contraditório e a ampla defesa, mostrandose válido o lançamento que carreia aos autos elementos de prova suficientes demonstrar a ocorrência de fatos jurídicos semelhantes àqueles verificados em outro procedimento administrativo, ainda que envolva partes distintas. AUSÊNCIA DE PROVA. ACOLHIMENTO. RECURSO DE OFÍCIO. PROVIMENTO. MÉRITO. ENFRENTAMENTO. Revista, em sede de recurso de ofício, a decisão de primeira instância administrativa que acolhe argumento de ausência de prova do ilícito administrativo, necessária se faz a devolução do julgamento para enfrentamento da questão meritória remanescente, a fim de que não haja indevida supressão de instância. A Fazenda Nacional tomou ciência da citada decisão à folhas 817 na data de 15/03/2015, restando consignado que não faria interposição de recurso à Câmara Superior de Recursos Fiscais. Regularmente intimada do Acórdão nº 3401002.929, fls. 825, Cotia Trading SA interpôs então o recurso especial de fls. 833 a 859, aventando dissídio jurisprudencial Fl. 903DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12466.001851/201061 Acórdão n.º 9303003.527 CSRFT3 Fl. 903 3 quanto à legitimidade do aproveitamento de prova emprestada no processo administrativo fiscal. O recurso especial foi formalmente admitido à CSRF por meio do despacho de fls. 891 e 892. A fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 894 a 899. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator Admissibilidade O apelo foi apresentado tempestivamente, a matéria foi prequestionada e o instrumento recursal foi apropriadamente formado. Portanto, do ponto de vista formal, os pressupostos de admissibilidade foram plenamente satisfeitos. Contudo, a meu sentir, o despacho de admissibilidade de fls. 891 e 892 incorreu em equívoco, porquanto se ateve unicamente ao conteúdo formal do caso em espécie, quando, na verdade, o dissídio jurisprudencial revelase no conteúdo material, ou seja, o dissídio jurisprudencial consiste na interpretação divergente da mesma norma aplicada a fatos iguais ou semelhantes, o que implica a adoção de posicionamento distinto para a mesma matéria versada em hipóteses semelhantes na configuração dos fatos embasadores da questão jurídica. A decisão recorrida laborou em processo de determinação e exigência de crédito tributário, decorrente de infração considerada como dano ao Erário, capitulada no artigo 23, incisos IV e V, do DL nº 1.455, de 1976. Com vistas a bem descrever a infração detectada, a Fiscalização trouxe aos autos provas emprestadas do processo administrativo fiscal nº 12466.002687/200976, que demonstrariam que (1) a pessoa jurídica ocultada utilizou outro interveniente com vistas a realizar operação de importação de mercadorias, (2) os necessários ajustes pelo fabricante no exterior para que as mercadorias se adequassem às especificações determinadas pela real adquirente, e (3) que três dos quatro exportadores do presente processo são os mesmos exportadores identificados naquele processo. Apreciando tal conjunto probatório, a decisão recorrida chamou a atenção para a validade da prova emprestada, eis que colhida de procedimento administrativo aviado pela própria unidade de jurisdição onde realizado o procedimento fiscal sub examine, sendo que um dos contribuintes listados no pólo passivo desta exigência fiscal também figurava como interveniente nos processos administrativos em que extraídas as provas aqui utilizadas. Dá ainda especial relevo ao fato de que, à ora recorrente, ainda que não compondo, em qualquer condição, os processos originários dos elementos de prova aqui empregados, foi franqueado amplo acesso a esses documentos e ao presente processo, bem como, oportunizado o pleno contraditório, como corolário da ampla defesa, mediante o procedimento contencioso administrativo, com todas as faculdades, ônus e efeitos daí decorrentes, principalmente, a interposição dos recursos cabíveis. Concluiu então que, nesse contexto o transplante de provas Fl. 904DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 de um processo para outro é plenamente admissível, já que foi observado o princípio da ampla defesa, mormente o contraditório em relação a estes elementos de convicção. O voto condutor do Acórdão nº 30128.378, indicado como paradigma, a despeito da sua ementa, totalmente disparatada dos fatos processuais e da matéria controvertida, não deixa dúvidas quanto à sua imprestabilidade como representativo de divergência jurisprudencial a respeito da validade da prova emprestada. Confirase o inteiro teor do voto: MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO Nº: 117.210 ACÓRDÃO N° : 30128.378 VOTO O não atendimento do pedido de análise técnica pela autoridade que julgou a ação fiscal, a impossibilidade de realizála, atendendo Resolução do Conselho, pela inexistência de contra prova, bem como o argumento de se usar prova emprestada, caracterizam perfeitamente o cerceamento do amplo direito de defesa, que devese embasar em provas irrefutáveis e não em presunção Deixo pois de apreciar o mérito, para acolher a preliminar de Nulidade da presente ação final. Sala das Sessões, em 21 de maio de 1997 MOACYR ELOY DE MEDEIROS – RELATOR Como se vê, a precariedade do voto proferido impede que se estabeleça base de comparação entre as circunstâncias fáticas e que se deduza que o acórdão indicado rejeita peremptoriamente, em qualquer condição, a adoção de prova emprestada. O outro acórdão indicado, nº 3101001.749, não terá melhor sorte, pois o julgado pende do exame de embargos de declaração desde 10/12/2014 (antes, portanto, da impetração do recurso especial ora em análise). Tratandose de decisão precária, sem que se tenha esgotado definitivamente a “jurisdição”, o Acórdão também é imprestável como paradigma. Ainda que assim não fosse, o Acórdão indicado como paradigma nº 3010 001.749, ao contrário de divergir, está em franca sintonia com o acórdão recorrido, ao assentar que, no procedimento de fiscalização tendente à lavratura de auto de infração, o Fisco não está impedido de recorrer a prova emprestada de outros procedimentos instaurados para investigar os mesmos fatos, desde que individualize a conduta e o fato para fazer incidir a norma jurídica impositiva, em respeito ao art. 9° do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, sob pena de cerceamento do direito de defesa, tal e qual vaticinou o recorrido Acórdão nº 3401002.919. Se houve divergência de provimento entre os arestos confrontados, ela resultou, não da interpretação da norma tributária, mas dos fatos que subjaziam à sua incidência. Assim, por falta de comprovação material do dissídio, o apelo especial não merece conhecimento. Fl. 905DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12466.001851/201061 Acórdão n.º 9303003.527 CSRFT3 Fl. 904 5 Incidentalmente, não posso deixar de mencionar que o aproveitamento de provas emprestadas de outros processos, nos exatos termos em que admitiu a decisão recorrida, com sua validade condicionada ao respeito ao contraditório e ampla defesa do contribuinte, está em linha com a jurisprudência desta 3ª Turma da CSRF, ilustrada pelo Acórdão nº 9303 001.097 (Rel. Cons. Rodrigo Cardozo Miranda): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador:27/09/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA EMPRESTADA. POSSIBILIDADE. § 3º DO ARTIGO 30 DO DECRETO Nº 70.235/72. Não vicia o lançamento tributário a fundamentação da nova classificação fiscal calcarse em laudo feito em outro processo administrativo, que trata do mesmo produto, desde que não esteja em pauta a discussão sobre o produto em si, mas apenas sobre a sua classificação fiscal. São eficazes os laudos técnicos sobre produtos, exarados em outros processos administrativos, quando forem originários do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação. Recurso Especial do Procurador Provido Conclusão Forte nestes argumentos, não conheço do recurso especial do contribuinte. Sala de sessões, em 16 de março de 2016 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 906DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 11020.003245/2004-17
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
COMBUSTÍVEL E LUBRIFICANTES USADOS NA PRODUÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO.
Considerando que, no caso vertente, os combustíveis e os lubrificantes, inclusive GLP, são utilizados no processo produtivo - há que se considerá-los como geradores de crédito da Cofins na sistemática não cumulativa, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03.
Numero da decisão: 9303-003.542
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Torres e Charles Mayer de Castro Souza, que davam provimento. O Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho votou pelas conclusões.
Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Charles Mayer de Castro Souza (substituto convocado), Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto).
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 COMBUSTÍVEL E LUBRIFICANTES USADOS NA PRODUÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO. Considerando que, no caso vertente, os combustíveis e os lubrificantes, inclusive GLP, são utilizados no processo produtivo - há que se considerá-los como geradores de crédito da Cofins na sistemática não cumulativa, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Torres e Charles Mayer de Castro Souza, que davam provimento. O Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho votou pelas conclusões. Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto Tatiana Midori Migiyama - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Charles Mayer de Castro Souza (substituto convocado), Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto).
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DIREITO AO CRÉDITO. Considerando que, no caso vertente, os combustíveis e os lubrificantes, inclusive GLP, são utilizados no processo produtivo há que se considerálos como geradores de crédito da Cofins na sistemática não cumulativa, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Torres e Charles Mayer de Castro Souza, que davam provimento. O Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho votou pelas conclusões. Henrique Pinheiro Torres – Presidente Substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 32 45 /2 00 4- 17 Fl. 3193DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Charles Mayer de Castro Souza (substituto convocado), Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 159.555, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial para reconhecer o direito ao crédito nas aquisições de GLP e lubrificantes para máquinas industriais. Em vista da decisão, foi consignado, então, no acórdão recorrido a seguinte ementa (Grifos Meus): “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO. OUTRAS DESPESAS. Por falta de previsão legal, não geram direito ao crédito do PIS/Cofins as despesas realizadas ou incorridas que não se enquadrem no conceito de insumo, exceto as previstas na legislação. Também não geram direito a crédito as despesas que não forem comprovadas por meio de documentação hábil e idônea. COMBUSTÍVEL E LUBRIFICANTES USADO NA PRODUÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO. As despesas com a aquisição de combustíveis, inclusive o GLP, e os lubrificantes usados no processo produtivo da adquirente dão direito ao crédito do PIS/Cofins nãocumulativos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.” Fl. 3194DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11020.003245/200417 Acórdão n.º 9303003.542 CSRFT3 Fl. 3.194 3 Irresignada, após apreciação da matéria pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial requerendo que seja reformada a decisão recorrida na parte desfavorável à Fazenda Nacional, mantendose a glosa dos insumos indevidamente incluídos no cálculo do crédito do pedido de ressarcimento, em razão da divergência apontada e por ofensa ao disposto na Lei 10.833/03, IN SRF 247/02 e art. 111 do CTN. Insurge, para tanto, em síntese, que: · No caso concreto, parte dos insumos glosados pela autoridade a quo, como é o caso da aquisição de gás em empilhadeira e do lubrificante para máquinas, embora não sejam bens do ativo permanente e tenham sido consumidos ou gastos para que se dê o processo industrial, não tiveram contato físico direto, nem exerceram na condição de insumo, tampouco podem ser aproveitados como crédito da contribuição; · Não é qualquer gasto com combustível, lubrificante ou simplesmente qualquer custo, despesa ou encargo vinculado à receita de exportação que deve ser descontado da base de cálculo da Cofins, ao contrário, os descontos possíveis estão determinados na Lei 10.833/2002, regulamentada pela IN SRF 247/2002, e seus preceitos devem ser observados pelo aplicador do Direito. O apelo da Fazenda Nacional foi admitido integralmente, nos termos do Despacho de fls. 1 apreciado pelo Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção em exercício à época. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Fl. 3195DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 O Recurso Especial é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso interposto pela Fazenda Nacional, eis que caracterizado o dissídio jurisprudencial, pois na análise dos julgados confrontados quanto à divergência suscitada, efetivamente se constatou. Ventiladas tais considerações, passo a discorrer sobre o cerne da lide, qual seja, primeiramente, sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito de PIS e Cofins trazida pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03. Em relação ao conceito de insumo, para fins de fruição do crédito de PIS e da COFINS não cumulativos, não é demais enfatizar que se trata de matéria controvérsia. Vêse que a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, concluo que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante elucidar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Fl. 3196DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11020.003245/200417 Acórdão n.º 9303003.542 CSRFT3 Fl. 3.195 5 Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo. Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] Fl. 3197DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] Fl. 3198DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11020.003245/200417 Acórdão n.º 9303003.542 CSRFT3 Fl. 3.196 7 §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. Fl. 3199DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, pra tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): Fl. 3200DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11020.003245/200417 Acórdão n.º 9303003.542 CSRFT3 Fl. 3.197 9 “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) a. matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) b. os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) [...]” · O art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: Fl. 3201DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; Fl. 3202DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11020.003245/200417 Acórdão n.º 9303003.542 CSRFT3 Fl. 3.198 11 f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; Fl. 3203DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 12 · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos Fl. 3204DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11020.003245/200417 Acórdão n.º 9303003.542 CSRFT3 Fl. 3.199 13 de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõe se considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como Fl. 3205DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 14 os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Fl. 3206DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11020.003245/200417 Acórdão n.º 9303003.542 CSRFT3 Fl. 3.200 15 Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Importante considerar que, no caso vertente, o gás (GLP) usado em empilhadeira e o lubrificante para máquinas são usados na produção de artefatos de madeira. Ademais a empilhadeira é usada para a movimentação de matéria prima e de produtos acabados dentro da empresa – o que se torna essencial para a sua atividade. Não se pode, ainda, desconsiderar o disposto no art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 com alterações posteriores, in verbis (Grifos Meus): “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...]” Nesse ínterim, considerando que os combustíveis e os lubrificantes, inclusive GLP, são utilizados no processo produtivo – há que se considerálos como geradores de crédito da Cofins na sistemática não cumulativa – enfatizando ainda que a própria Lei 10.833/03 esclareceu que são geradores os combustíveis e lubrificantes utilizados na produção. Fl. 3207DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 16 Em vista de todo o exposto, voto por admitir o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e negarlhe provimento ao seu recurso. Tatiana Midori Migiyama Relatora Fl. 3208DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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