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Numero do processo: 13702.000370/99-95
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. APLICABILIDADE.
Nos termos do art. 74, §5º da Lei nº 9.430/96, opera-se a homologação tácita da compensação declarada pelo sujeito passivo se decorridos 5 (cinco) anos da data da entrega da declaração de compensação sem ter havido manifestação da Autoridade Fazendária.
Aplica-se a homologação tácita também aos pedidos de compensação entregues em data anterior à 31 de outubro de 2003 e que se encontravam pendentes de apreciação à época, data da entrada em vigor da Medida Provisória nº 135/2003, posteriormente convertida na Lei nº 10.833/2003.
Numero da decisão: 9303-005.524
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado) e Rodrigo da Costa Pôssas.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. APLICABILIDADE. Nos termos do art. 74, §5º da Lei nº 9.430/96, operase a homologação tácita da compensação declarada pelo sujeito passivo se decorridos 5 (cinco) anos da data da entrega da declaração de compensação sem ter havido manifestação da Autoridade Fazendária. Aplicase a homologação tácita também aos pedidos de compensação entregues em data anterior à 31 de outubro de 2003 e que se encontravam pendentes de apreciação à época, data da entrada em vigor da Medida Provisória nº 135/2003, posteriormente convertida na Lei nº 10.833/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado) e Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 2. 00 03 70 /9 9- 95 Fl. 491DF CARF MF Processo nº 13702.000370/9995 Acórdão n.º 9303005.524 CSRFT3 Fl. 492 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (fls. 425 a 446) com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 3403001.830 (fls. 419 a 422) proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de julgamento, em 27/11/2012, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A autoridade administrativa tem cinco anos para homologar a compensação declarada pelo sujeito passivo, sob pena de que a homologação ocorra em face do fato extintivo previsto no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96. Recurso provido. O presente processo tem origem em pedidos de compensação diversos, todos convertidos em Declaração de Compensação (Per/Dcomp), consoante art. 49, §4º da Lei nº 10.637/2002, que deu nova redação ao art. 74 da Lei nº 9.430/96. O crédito utilizado nos pedidos de compensação originase da ação de repetição de indébito nº 88.00077463, por meio da qual a Contribuinte buscou ver reconhecida a atualização monetária de valores relativos ao IOF, restituídos à interessada em razão de demanda judicial anteriormente proposta. Não resignada com o despacho que não homologou a maior parte dos valores compensados (fls. 232 a 237), a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 238 a 256), a qual foi julgada improcedente nos termos do Acórdão nº 1224.711, de 19 Fl. 492DF CARF MF Processo nº 13702.000370/9995 Acórdão n.º 9303005.524 CSRFT3 Fl. 493 3 de junho de 2009, proferido pela 8ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro I (RJ) (fls. 375 a 382), cujos fundamentos foram sintetizados na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO , CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 1999 CRÉDITO. SENTENÇA JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. CONDIÇÕES PARA SUA UTILIZAÇÃO. COMPENSAÇÃO. Pedidos que não atendam às condições estabelecidas na IN SRF n° 21/1997, vigente à época da protocolização dos mesmos, no que tange à utilização de créditos decorrentes de sentença judicial transitada em julgado, não se constituem em Pedidos de Compensação desde o seu protocolo. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. A homologação tácita prevista no §5 0 do art. 74 da Lei n° 9.430/1996, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, somente se aplica aos Pedidos de Compensação convertidos em DCOMP. Solicitação Indeferida Contra referida decisão, o Sujeito Passivo apresentou recurso voluntário (fls. 392 a 417), ao qual foi dado provimento nos termos do Acórdão nº 3403001.830 (fls. 419 a 422) proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de julgamento, em 27/11/2012, ora recorrido, por ter entendido o Colegiado, em síntese, que houve a homologação tácita das compensações pelo transcurso do prazo de 5 (cinco) anos. Em face da referida decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fls. 433 a 443), alegando divergência jurisprudencial quanto à impossibilidade de aplicação retroativa do art. 74 da Lei nº 9.430/96, com as alterações produzidas pelas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, para reconhecimento da extinção dos créditos tributários em razão da homologação tácita dos pedidos de compensação. Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou como paradigma o acórdão nº 20311.648. Foi admitido o recurso especial da Fazenda Nacional por meio do despacho nº 3400000.352, de 25 de novembro de 2014 (fls. 447 a 448), proferido pelo ilustre Presidente da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época, por entender comprovada a divergência jurisprudencial. A Contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 458 a 472) postulando a negativa de provimento ao recurso especial. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Fl. 493DF CARF MF Processo nº 13702.000370/9995 Acórdão n.º 9303005.524 CSRFT3 Fl. 494 4 Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, vigente à época da interposição do recurso, devendo, portanto, ter prosseguimento. A controvérsia dos presentes autos centrase em definir se as compensações efetuadas pela Contribuinte encontravamse homologadas tacitamente à época da prolação do despacho decisório pela Autoridade Preparadora, pelo decurso do prazo de 5 (cinco) anos previsto no art. 74, §5º da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 17 da Medida Provisória nº 135, de 30/10/2003, convertida na Lei nº 10.833, de 29/12/2003. A possibilidade de compensação de tributos encontrase prevista no art. 170 do Código Tributário Nacional, segundo o qual "a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública". Para sua regulamentação, sobreveio a Lei nº 8.383/91, que inicialmente permitia a compensação entre tributos da mesma espécie. Posteriormente, com a edição da Lei nº 9.430/96, foi permitida a compensação entre quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, inicialmente, por meio de requerimento à Autoridade Fiscal e, após a Lei nº 10.637/02, por iniciativa do Contribuinte, mediante declaração de compensação, com o efeito de extinguir o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 494DF CARF MF Processo nº 13702.000370/9995 Acórdão n.º 9303005.524 CSRFT3 Fl. 495 5 § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) [...](grifouse) Portanto, depreendese da leitura do preceito legal dispor a Fazenda Pública do prazo de 5 (cinco) anos para homologação da compensação declarada pelo Sujeito Passivo, contados da data da entrega da declaração. A norma inserta no art. 74, §5º da Lei nº. 9.430/96, pela Medida Provisória nº 135/2003, posteriormente convertida na Lei nº 10.833/2003, tem caráter processual, aplicando se imediatamente aos pedidos de compensação que se encontravam em trâmite no âmbito da Secretaria da Receita Federal à época de sua entrada em vigor. Portanto, também devem ser regidos pelo prazo de 5 (cinco) anos para homologação aquelas declarações de compensação pendentes de apreciação em 30/10/2003, independente da data de entrega. No caso dos autos, o ato processual (despacho decisório), proferido em 10/10/2008 (fl. 232), já foi praticado sob a égide da lei nova; devendo ser observado o prazo de 5 (cinco) anos por ela estabelecido. Inequivocamente operouse a homologação tácita das compensações transmitidas pela Contribuinte no anocalendário de 1999, sendo que à época da análise dos pedidos pela Administração Pública já havia transcorrido o quinquênio legal. De outro lado, há de se considerar que a compensação encontrase prevista no Código Tributário Nacional como forma de extinção do crédito tributário (art. 156, inciso II), sujeita à sua ulterior homologação pelo Fisco, com observância do prazo de 5 (cinco) anos do art. 150, §4º do mesmo diploma legal, in verbis: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: [...] II a compensação; [...] Fl. 495DF CARF MF Processo nº 13702.000370/9995 Acórdão n.º 9303005.524 CSRFT3 Fl. 496 6 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Assim, a Medida Provisória nº 135/2003, convertida da Lei nº 10.833/2003, apenas tornou explícito na Lei nº 9.430/96, que rege as compensações perante a Administração Tributária Federal, prazo de 5 (cinco) anos para homologação já previsto no Código Tributário Nacional e ao qual se encontrava sujeito o Fisco. Para reforçar a argumentação aqui expendida, cumpre mencionar que em caso similar ao presente, decidiu o Superior Tribunal de Justiça por aplicar o prazo de 5 (cinco) anos para homologação de pedido de compensação apresentada em período anterior a 31/10/2003, sujeita, portanto, à redação original do art. 74 da Lei nº 9.430/96, cuja ementa segue abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO INFORMADA EM DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF E PRETENDIDA EM PEDIDO DE COMPENSAÇÃO ATRELADO A PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPRESCINDIBILIDADE DE LANÇAMENTO DOS DÉBITOS OBJETO DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA DECLARADA EM DCTF ENTREGUE ANTES DE 31.10.2003. CONVERSÃO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO PENDENTE EM 01.10.2002 EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO E EXTINÇÃO SOB CONDIÇÃO RESOLUTÓRIA. PRAZO DECADENCIAL PARA HOMOLOGAÇÃO. 1. Antes de 31.10.2003 havia a necessidade de lançamento de ofício para se cobrar a diferença do "débito apurado" em DCTF decorrente de compensação indevida. Interpretação do art. 5º do DecretoLei nº 2.124/84, art. 2º, da Instrução Normativa SRF n. 45, de 1998, art. 7º, da Instrução Normativa SRF n. 126, de 1998, art. 90, da Medida Provisória n. 2.15835, de 2001, art. 3º da Medida Provisória n. 75, de 2002, e art. 8º, da Instrução Normativa SRF n. 255, de 2002. 2. De 31.10.2003 em diante (eficácia do art. 18, da MP n. 135/2003, convertida na Lei n. 10.833/2003) o lançamento de ofício deixou de ser necessário para a hipótese, no entanto, o encaminhamento do "débito apurado" em DCTF decorrente de compensação indevida para inscrição em dívida ativa passou a ser precedido de notificação ao sujeito passivo para pagar ou apresentar manifestação de inconformidade, recurso este que Fl. 496DF CARF MF Processo nº 13702.000370/9995 Acórdão n.º 9303005.524 CSRFT3 Fl. 497 7 suspende a exigibilidade do crédito tributário na forma do art. 151, III, do CTN (art. 74, §11, da Lei n. 9.430/96). 3. Desse modo, no que diz respeito à DCTF apresentada em 25/05/1998, onde foi apontada compensação indevida, havia a necessidade de lançamento de ofício para ser cobrada a diferença do "débito apurado", a teor da jurisprudência deste STJ, o que não ocorreu, de modo que inevitável a decadência do crédito tributário, nessa primeira linha de pensar. 4. No entanto, no caso em apreço não houve apenas DCTF. Há também pedido de compensação formulado pelo contribuinte datado de 01.12.1997 (Pedido de Compensação n. 10305.001728/9701) atrelado a pedido de ressarcimento (Pedido de ressarcimento n. 13888.000209/9639) que recebeu julgamento em 27/09/2001. 5. Os Pedidos de Compensação pendentes em 01.10.2002 (vigência estabelecida pelo art. 63, I, da Medida Provisória n. 66/2002) foram convertidos em DCOMP, desde o seu protocolo, constituindo o crédito tributário definitivamente, em analogia com a Súmula n. 436/STJ ("A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco") e extinguindo esse mesmo crédito na data de sua entrega/protocolo, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pelo fisco, que poderia se dar no prazo decadencial de 5 (cinco) anos (art. 150, §4º, do CTN, e art. 74, §§ 2º, 4º e 5º, da Lei n. 9.430/96). 6. No caso concreto, o Pedido de Compensação n. 10305.001728/9701 estava pendente em 01.10.2002. Sendo assim, foi convertido em DCOMP desde o seu protocolo (01.12.1997). Da data desse protocolo a Secretaria da Receita Federal dispunha de 5 (cinco) anos para efetuar a homologação da compensação, coisa que fez somente em 23/06/2004, conforme a carta de cobrança constante das eSTJ fl. 79/81. Portanto, fora do lustro do prazo decadencial que se findaria em 01.12.2002. Irrelevante o julgamento do Pedido de ressarcimento n. 13888.000209/9639 em 27/09/2001, pois imprescindível a decisão nos autos do pedido de compensação. Nessa segunda linha de pensar, também inevitável a decadência do crédito tributário. 7. Recurso especial provido. (REsp 1240110/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/02/2012, DJe 27/06/2012) (grifouse) Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 497DF CARF MF Processo nº 13702.000370/9995 Acórdão n.º 9303005.524 CSRFT3 Fl. 498 8 Fl. 498DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004272/2009-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-001.080
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Acompanhou o julgamento a patrona do contribuinte, Drª Michelly Ciancetti Souza, OAB-SP 258.251, escritório Lima Júnior, Domene e Advogados Associados .
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Leonardo e Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Acompanhou o julgamento a patrona do contribuinte, Drª Michelly Ciancetti Souza, OABSP 258.251, escritório Lima Júnior, Domene e Advogados Associados . WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Leonardo e Vinicius Toledo de Andrade. Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 1640.986, proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo II (SP), que assim relatou o feito: Tratase de auto de infração (fls. 300/305 – a numeração de referência é sempre a da versão digital do processo) lavrado contra a contribuinte em epígrafe, relativo à falta/insuficiência de recolhimento da contribuição para o PIS/Pasep, nos períodos de apuração janeiro/2005 a março/2005, dezembro/2005 e janeiro/2006, no montante total de R$ 47.068,00. A auditorafiscal, no Termo de Verificação Fiscal (fls. 292/299), de início esclarece que a fiscalização seguiu em dois sentidos, quais sejam a análise dos créditos relativos à apuração da Cofins não cumulativa referente aos períodos de apuração de 2005 e a verificação da RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 04 27 2/ 20 09 -5 3 Fl. 633DF CARF MF Processo nº 19515.004272/200953 Resolução nº 3201001.080 S3C2T1 Fl. 634 2 correspondência entre os valores declarados e os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal nos períodos de apuração de janeiro/2005 a dezembro/2007. O auto de infração objeto deste processo administrativo é decorrente da segunda linha de fiscalização acima referida, tendo a autuante fundamentado o lançamento de ofício nos seguintes termos: Confrontamos os valores dos tributos e contribuições registrados na escrituração do sujeito passivo com os valores dos tributos e contribuições já declarados à RFB (DCTF), espontaneamente. Constatamos divergências entre os valores registrados na escrituração do contribuinte e os valores declarados em DCTF. O contribuinte foi intimado, por meio do Termo de Intimação Fiscal Nº 4, a apresentar eventuais esclarecimentos ou elementos justificadores das diferenças entre os valores declarados e os escriturados, constantes das planilhas anexas “Cotejo das Informações ContábilFiscais 2005, 2006 e 2007”. O contribuinte atendeu parcialmente a intimação em 12/08/09 e optou por primeiramente comprovar as diferenças de 2007. Todas as diferenças apontadas na intimação foram justificadas. Em 24/08/09, o contribuinte se manifestou mais uma vez com a finalidade de justificar as diferenças encontradas no procedimento de Verificações Obrigatórias em relação a 2006. Restou somente um valor não justificado de PIS, do mercado interno. Quanto a 2005, o contribuinte atendeu à intimação em 14/09/09. No entanto, neste atendimento, o contribuinte não logrou comprovar as diferenças encontradas a menos da citação de processos de compensação de IRPJ e CSLL não declarados em DCTF. Matéria Tributável Esta fiscalização elaborou uma planilha “P9 Valores a Lançar em 2005 e 2006” onde, para benefício do contribuinte em 2005, lançou somente os valores referentes às diferenças encontradas, diminuídos dos valores declarados a maior que a contabilidade, nos meses anteriores. Estes valores a lançar reduzidos pelas compensações dos meses anteriores encontramse assinalados com a Observação (1). A observação (2) referese aos processos de compensação assinalados pelo contribuinte. Cientificada do auto de infração em 16/10/2009, a contribuinte apresentou impugnação em 16/11/2009 (fls. 308/316), na qual alega que: • o auto de infração resultou de flagrante equívoco da autuante, que na sua análise comparou valores de provisões mensais com o valor do débito informado em DCTF. Como é sabido, o valor contábil a ser utilizado como parâmetro de comparação com as informações declaradas em DCTF é o valor da provisão devida diminuído das retenções correntes; • o procedimento adotado pela impugnante atendeu regularmente às normas vigentes, não havendo qualquer diferença a ser recolhida, o que se constata facilmente pela análise dos Fl. 634DF CARF MF Processo nº 19515.004272/200953 Resolução nº 3201001.080 S3C2T1 Fl. 635 3 números constantes de planilha anexada aos autos, que espelham os registros contábeis e as informações prestadas na respectiva DCTF do período; • a auditora fiscal deixou de considerar a compensação de PIS/Pasep retida no período no valor de R$ 18.055,46, mas não apontou os motivos, fazendonos deduzir que decorreu da divergência detectada entre as informações contábeis e fiscais, pois validou todas as outras compensações que totalizam R$ 37.009,38; • analisando todos os elementos da questão, deduzse que a glosa se deu apenas em virtude da compensação do PIS ter sido feita com crédito de COFINS conforme aponta o respectivo registro contábil. Tal procedimento da empresa foi equivocado, porém em nada comprometeu o recolhimento/compensação da aludida contribuição, pois a empresa possuía crédito de PIS retido no período em questão suficiente para fazer frente à tal compensação. Demonstrandose, assim, a total insubsistência da exigência fiscal; • a exigência não se sustenta visto que a impugnante faz prova de todas as retenções utilizadas, no período objeto da autuação, para quitar os débitos mensais de PIS/Pasep. Juntamse cópias dos informes de rendimentos, acompanhados de planilha com a descrição das informações pertinentes; • em virtude do procedimento inadequado realizado pela d. autoridade fiscal ao compor o valor objeto da autuação, apontouse como débito o valor correspondente à diferença do que não constou na DCTF, que nada mais era do que as retenções correntes de PIS utilizadas no período; • a auditora fiscal não poderia desconsiderar o crédito de retenção na fonte utilizado pelo contribuinte e informado ao Fisco; • é cristalino o direito da impugnante à compensação realizada, pois que tais valores, se não forem restituídos a ela via compensação lícita e tempestiva, consubstanciarão enriquecimento sem causa da Administração Pública, o que é vedado no ordenamento jurídico pátrio; • para a apreciação correta e justa dos fatos, ressaltase a importância da análise dos documentos juntados aos autos, pois eles comprovam que a contribuição encontrase quitada. Para tanto, invocase o princípio da verdade material, que rege os processos administrativos, consoante disposto no art. 3º, inciso III, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Ao final, a contribuinte além de requerer que seja julgada procedente a impugnação e cancelado o auto de infração, registra que, se for necessário, apresentará as vias originais dos documentos juntados aos autos, bem como protesta pela apresentação de novos documentos. Após exame da Impugnação apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005, 01/12/2005 a 31/01/2006 RETENÇÃO. POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Para que seja possível deduzir da contribuição devida o que tenha sido retido no recebimento por serviços prestados, deve antes ser comprovado que os valores que serviram para a retenção tenham sido Fl. 635DF CARF MF Processo nº 19515.004272/200953 Resolução nº 3201001.080 S3C2T1 Fl. 636 4 incluídos na formação da base de cálculo, bem como que tal retenção não tenha sido já aproveitada para deduções em outros períodos de apuração. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados. Após os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio. É o relatório. O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo e dele tomo conhecimento. A questão debatida nesse aspecto é essencialmente de fato, documental. Em 26/09/2017 a Recorrente trouxe aos autos petição por meio da qual aduziu que os mesmos valores que deixaram de ser reconhecidos nos presentes autos (PIS), foram acatados nos autos de autuação fiscal de CSLL decorrente dos mesmos fatos e relativos ao mesmo período (19515.004271/200917 Acórdão 0963.323 1ª Turma da DRJ/JFA). A Recorrente ainda aponta, de forma objetiva, a correspondência entre os documentos admitidos naqueles autos e nos presentes, que, segunda afirma, seriam exatamente os mesmos. Com efeito, não compete à esta Turma Julgadora o exame dos documentos apresentados, sendo tal revisão de competência da Delegacia da Receita Federal responsável pela autuação. Em que pese a intempestividade da sua apresentação aos autos, entendo que sua admissão é possível na condição de fato novo, visto que o Acórdão DRJ trazido aos autos foi proferido em 19 de maio de 2017. Ademais, há que se considerar que a Recorrente aduz a todo momento a ocorrência de erro material, portanto, passível de revisão em face de documentos hábeis. Há que se considerar, por fim, que, em que pese a independência dos julgadores, ou seja, a possibilidade de Delegacias de Julgamento efetuarem diferente valoração em face dos mesmo documentos, tenho que a hipótese dos autos indica forte indício da efetiva existência de documentos comprobatórios nos autos. Por todo o exposto, voto por CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que a Autoridade Preparadora se manifeste quanto à comprovação do direito alegado em face dos documentos apresentados por meio da referida petição, tendo em vista a decisão proferida no processo (19515.004271/200917 Acórdão 0963.323 1ª Turma da DRJ/JFA), verificando se a receita relativa a tais retenções foram tributadas, podendo solicitar demais documentos que entenda necessário. Após, retornem os autos para julgamento. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Fl. 636DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.724568/2014-95
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2012
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA.
A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais- DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. APLICAÇÃO DA SÚMULA N°. 02 DO CARF.
Súmula nº. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da Lei Tributária.
Numero da decisão: 1001-000.045
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2012 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais- DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. APLICAÇÃO DA SÚMULA N°. 02 DO CARF. Súmula nº. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da Lei Tributária.
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ATRASO NA ENTREGA DA DCTF Recorrente COMERCIAL GAÚCHA DE COMPONENTES PARA CALÇADOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2012 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. APLICAÇÃO DA SÚMULA N°. 02 DO CARF. Súmula nº. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da Lei Tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 45 68 /2 01 4- 95 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 11065.724568/201495 Acórdão n.º 1001000.045 S1C0T1 Fl. 62 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 15ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), mediante o Acórdão nº 1276.171, de 20 de maio de 2015 (efls. 41/43), objetivando a reforma do referido julgado. Contra a Recorrente acima identificada foi lavrada Notificação de Lançamento (efl. 07) com a exigência do crédito tributário no valor de R$ 14.897,51 a título de multa de ofício isolada por vinte e oito (28) meses de atraso na entrega, em 05/11/2014, da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, referente ao mês de junho de 2012, cujo prazo final era 21/08/2012. Cientificada da exigência fiscal, a interessada interpôs impugnação, argumentando, que sua aplicação, no montante acima discriminado, ofenderia os princípios constitucionais da razoabilidade e da proporcionalidade. Alternativamente, postulou a redução da penalidade para o valor mínimo de R$ 500,00. A DRJ analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2014 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2012 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O sujeito passivo que apresenta a DCTF fora do prazo fixado na legislação tributária, fica sujeito a multa de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002 (com redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). Ciente da decisão de primeira instância em 23 de junho de 2015, conforme Aviso de Recebimento à efl. 46, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 21 de julho de 2015 (efls. 48/53), conforme carimbo aposto à efl. 48. É o Relatório. Voto Fl. 62DF CARF MF Processo nº 11065.724568/201495 Acórdão n.º 1001000.045 S1C0T1 Fl. 63 3 Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade e dele conheço. Gira a lide sobre a multa por atraso na entrega da DCTF do mês de junho de 2012. A base legal do lançamento foi o art. 7º da Lei nº 10.426/2001, com a redação que lhe foi dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051/2004: Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3; [...] § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; [...] § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996; II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos Observo, inicialmente, que não há discussão quanto ao atraso ter efetivamente ocorrido. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 11065.724568/201495 Acórdão n.º 1001000.045 S1C0T1 Fl. 64 4 No recurso interposto, os argumentos da recorrente, a exemplo do que ocorreu em sede de primeira instância, são centrados em princípios legais e constitucionais, a saber, os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Alternativamente, a recorrente pede a aplicação da multa em seu valor mínimo, na forma do art. 7º, § 3º, da IN RFB nº 1.110/2010. Esses argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever o excerto, a seguir, do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, em cumprimento aos ditames do §1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999: Como se pode observar, a Interessada não contesta o fato de haver apresentado a declaração a destempo. Suas razões de inconformidade estão centradas, única e exclusivamente, no valor da multa aplicada, que, segundo seu entendimento, seria excessivo, violando os princípios constitucionais da razoabilidade e da proporcionalidade. Muito embora respeitáveis os argumentos de defesa, não há como acolher a pretensão da Impugnante. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional). Uma vez configurada a ocorrência do fato gerador da multa, é dever da autoridade fiscal aplicar a penalidade nos estritos termos do comando legal. Ao julgador administrativo, por seu turno, é vedado afastar a aplicação de lei validamente inserida no ordenamento jurídico, sob fundamento de inconstitucionalidade (art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). De observar que, no caso em apreço, a multa foi calculada exatamente de acordo com a regra do art. 7º, inciso II, da Lei nº 10.426, de 2002, não tendo cabida a aplicação da penalidade mínima de R$ 500,00, prevista no § 3º do referido dispositivo. Como acertadamente consignou a decisão recorrida em relação às supostas inconstitucionalidades alegadas, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula CARF nº. 02: Súmula CARF nº. 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. A autoridade administrativa é vinculada à legalidade estrita, seja nos termos da Lei 8.112 de 1990, em seu artigo 116, III, como bem assinalou a decisão recorrida, seja pelo artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. Assim, a partir do momento em que a norma é inserida em nosso sistema legislativo, é obrigação da autoridade administrativa a sua aplicação, não cabendo ao julgador administrativo expressar seu juízo de valor por eventuais injustiças que esta norma tenha causado, papel este incumbido aos tribunais competentes. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 11065.724568/201495 Acórdão n.º 1001000.045 S1C0T1 Fl. 65 5 A hipótese colocada, sem dúvida alguma, configura aquela a situação prevista na Súmula acima mencionada, desta forma, entendo que a decisão recorrida não merece ser reformada quanto aos pontos alegados pela recorrente. Por fim, em relação ao pedido de redução da penalidade para o valor mínimo de R$ 500,00, tenho a acrescentar que essa multa mínima corresponde àquela estatuída no § 3º do dispositivo legal anteriormente transcrito neste voto, e não há dúvidas de que é aplicável apenas quando a multa calculada na forma do inciso I for inferior aos valores mínimos, ou, ainda, nos casos de não haver qualquer valor informado na DCTF. Tais hipóteses não se aplicam ao caso vertente, pelo que igualmente inaplicável a multa mínima pretendida. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 65DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.720673/2008-59
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2001 COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO DE TRIBUTO. COMPROVAÇÃO. O documento hábil para comprovar a retenção de tributo sofrida pela fonte pagadora é o informe de rendimentos por esta fornecido. RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp - Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indefere-se o pedido e não homologa-se a compensação pretendida entre crédito e débitos tributários. RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. A autoridade administrativa tributária na verificação do indébito tributário, se foi efetivamente recolhido à Fazenda Pública, pode retroagir aos anos- calendários anteriores, até os recolhimentos/compensações de valores que compuseram o crédito pleiteado.
Numero da decisão: 1801-001.443
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO DE TRIBUTO. COMPROVAÇÃO. O documento hábil para comprovar a retenção de tributo sofrida pela fonte pagadora é o informe de rendimentos por esta fornecido. RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débitos tributários. RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. A autoridade administrativa tributária na verificação do indébito tributário, se foi efetivamente recolhido à Fazenda Pública, pode retroagir aos anos calendários anteriores, até os recolhimentos/compensações de valores que compuseram o crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 06 73 /2 00 8- 59 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/05/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 1233.634/10 exarado pela Primeira Turma de Julgamento da DRJ no Rio de janeiro/RJ 1, fls. 50 a 57, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como não homologar as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) – fls. 03 a 21. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: “Versa o presente processo sobre as Declarações de Compensação apresentadas através dos PER/DCOMP 32739.67931.200504.1.3.020750, 20355.82387.301006.1.7.0332, 23362.71067.301006.1.7.022816 e 10585.13159.220607.1.3.020223 por meio dos quais a interessada pleiteia compensar crédito que alega possuir decorrente de saldo negativo de IRPJ referente ao anocalendário de 2001 no valor de R$ 645.959,28 com débitos neles declarados. De acordo com o Despacho Decisório n° 1597/2008 proferido pela DRF Piracicaba/SP (fl. 27/31), as compensações declaradas foram homologadas até o limite do direito creditório reconhecido no valor de R$ 34.295,88. Consta do referido Despacho que: Verificase que o saldo negativo de IRPJ exercício 2002, anocalendário 2001, tem origem exclusivamente na dedução de IRPJ, na apuração anual, com imposto de renda retido na fonte IRRF (fl. 23/24); Consultando o Sistema DIRF (fl. 25/26), constatase que o valor informado/deduzido pelo contribuinte a título de IRRF (R$ 645.959,28 fl. 23/24) não se confirma totalmente. Tal sistema da RFB reconhece somente o montante de R$ 34.295,88; Desta forma, o valor correto de saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário de 2001 é de R$ 34.295,88 e não os R$ 645.959,28 requerido pelo contribuinte nestas DCOMP e informado na DIPJ 2002 (fl. 24), conforme se demonstra: IRPJ apurado R$ 0,00 ()IRRF R$645.959,28 Glosa de IRRF devido não confirmação no sistema DIRF R$ 611.663,40 Saldo apurado R$ 34.295,88 [...] Fl. 113DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/05/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13888.720673/200859 Acórdão n.º 1801001.443 S1TE01 Fl. 3 3 Cientificada da decisão em 30/01/2009 (A.R. fl. 35), apresentou a interessada, em 27/02/2009, a manifestação de inconformidade de fl. 36/37, juntamente com os documentos de fl. 38/39, na qual alega, em síntese, que: A declaração de IRPJ, exercício 2002, anocalendário 2001, foi entregue originalmente em 27/06/2002 e foi apresentada retificadora em 14/03/2003, com saldo credor de IRPJ a ser restituído ou compensado com outros débitos na ordem de R$ 645.959,28, ocorrendo glosa pela DRF de Piracicaba na ordem de R$ 611.663,40; Ocorre que, dado o espaço físico de guarda de documentos, custo de sua manutenção, risco de incêndio, temos por norma mantêlos pelo prazo legal de 05 anos, e dessa forma estamos impossibilitados de apresentar comprovantes que suportam o crédito da maneira como apresentado na DIPJ; A Delegacia da Receita Federal não tem o direito de glosar os créditos se assim não procedeu no período legal (05 anos a contar da entrega da declaração) pois, ao fazer após o prazo decadencia! ou prescricional, retira do contribuinte os artifícios de sua defesa, uma vez que já não possui mais os documentos comprobatórios da legitimidade do crédito; Cita o art. 156, V, do CTN e o artigo 898 do RIR/1999; A vista do exposto, devidamente justificada a insubsistência e improcedência total da glosa do crédito apresentado conforme DIPJ, requer que seja acolhida a presente manifestação de inconformidade e a extinção total dos débitos apresentados. Ao presente P.A., encontramse juntados por apensação os Processos Administrativos n° 13888.720030/200996 e 10830.001554/200447. [...] VOTO [...] Inicialmente, cumpre esclarecer que a comprovação do direito à restituição, para que sejam homologadas as declarações de compensação, requer que o crédito seja líquido e certo, conforme prevê o artigo 170 do CTN, abaixo transcrito: [...] Deste modo, a fim de comprovar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, a interessada, obrigatoriamente, deve instruir sua manifestação de inconformidade com documentos que respaldem suas afirmações. Ressaltese, ainda, que de acordo com a norma constante do art. 923 do RIR/1999, a escrituração contábil somente faz prova a favor do sujeito passivo quando acompanhada dos elementos que a fundamentem. [...] Da legislação citada, depreendese que a compensação é efetuada mediante a entrega de declaração de compensação, na qual cabe ao declarante prestar as informações do crédito de que, comprovadamente, declara ser titular e, também, as informações do débito que, lastreado em documentos e registros idôneos, apurou. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/05/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 No caso dos autos, de acordo com o Despacho Decisório DRF/PCA n° 1597/2008 (fl. 27/31), foi reconhecido parcialmente o direito creditório pleiteado no valor de R$ 34.295,88 e foi homologada a compensação declarada até o limite do crédito reconhecido. Nos termos do Despacho Decisório recorrido, a parcela do saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 2001 que deixou de ser reconhecida no valor de R$ 611.663,40 referese a retenção de IRRF confirmada parcialmente (código de receita 3426 Aplicações Financeiras de Renda Fixa Pessoa Jurídica). Do total de R$ 645.959,28, informado na DIPJ 2002, foram ratificados apenas R$ 34.295,88. [...] Quanto à alegação de que para fins de averiguação da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado seria defeso à Fazenda Pública questionar ou retificar de ofício dados informados em declarações entregues há mais de cinco anos, cabem as seguintes considerações. Por oportuno, cumpre salientar que os institutos da decadência e da prescrição constituem institutos distintos. A decadência, em última análise, significa a perda do poder de lançar o crédito tributário, ao passo que a prescrição corresponde à perda do poder de obrigar o devedor a pagar o crédito tributário constituído. Logo, não são pertinentes ao caso dos autos as alegações relativas à prescrição. A decadência é uma dentre as modalidades de extinção do crédito tributário. Uma vez transcorrido o prazo máximo previsto em Lei, o fisco perde o direito de formalizar o lançamento relativo a eventuais diferenças. Esclareçase, porém, que se da decadência decorre a perda do direito de efetivar o lançamento tributário, dela não decorre, por falta de previsão legal, o efeito de consolidação de valores sabidamente inconsistentes, para fins de que, a partir dos referidos valores, em virtude da comunicação de resultados de períodos diversos, consolidemse como legítimos créditos sem lastro, meramente virtuais ou escriturais, referentes a períodos recentes. [...] O segundo aspecto é o de que, cabendo o ônus da prova a quem alega, na compensação tributária incumbe à interessada a demonstração da efetividade do crédito pleiteado, independentemente do ano de origem do mesmo, ou ainda, do fato de ter decorrido de compensações anteriores. Não há, portanto, que se aplicar a tal tarefa e a tal pessoa o prazo de que trata o art 150 do CTN, destinado unicamente ao fisco. O terceiro e último aspecto é o de que a tese de que o poder de investigação retroativa da origem do crédito, pelo fisco, sofreria limite cronológico, resultaria, por muitas vezes, na legitimação de direitos inexistentes, hipótese esta que, por ofender ao princípio da indisponibilidade dos bens públicos, ao princípio da razoabilidade, ao princípio que rejeita o enriquecimento ilícito e , até mesmo, ao senso comum de justiça, demonstra que aquela não é a melhor interpretação. [...] Quanto à conservação de livros e documentos de sua escrituração fiscal, cabe citar o art. 264 do RIR/1999: [...] Fl. 115DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/05/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13888.720673/200859 Acórdão n.º 1801001.443 S1TE01 Fl. 4 5 Depreendese da legislação anteriormente citada que não aproveita à interessada sua alegação quanto à impossibilidade de apresentação da documentação necessária à comprovação do direito creditório pleiteado. Somente para argumentar, sobre os documentos necessários à comprovação do IRRF a ser deduzido na DIPJ, reproduzemse os artigos 815,942 e 943 do RIR/99: [...] Deste modo, verificase que a apresentação do comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora é requisito exigido por lei para que o beneficiário dos rendimentos utilize o IRRF como antecipação do IRPJ devido ao final do período, trimestral ou anual, ainda mais quando há ausência do respectivo registro em DIRF. Conforme pesquisas aos arquivos eletrônicos da RFB, cujos extratos foram juntados às fl. 25/26, a DIRF entregue por aquela que teria sido a fonte pagadora da interessada Banco Mercantil de São Paulo S.A. CNPJ 61.065.421/000195 confirma retenções no total de R$ 34.295,88 e não o valor de R$ 645.959,28 informado na DIPJ e nos PER/DCOMP. [...] Ademais, citase o inciso III do art. 231 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3000, de 26/03/1999: [...] A regra é clara. Para que o IRRF devidamente retido e recolhido possa ser deduzido do imposto devido para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado pelo beneficiário que apura o lucro real, mister se faz que a receita correspondente tenha sido devidamente oferecida à tributação, ou seja, tenha sido computada na determinação do lucro real no referido anocalendário. [...]” A empresa interpôs tempestivamente (AR – 28/10/10, fls 59; Recurso – 18/11/10, fls. 60) o Recurso de fls. 60 e 61, reiterando os termos da defesa exordial, acima relatados. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. Em suma, a recorrente pleiteia o indébito tributário no valor de R$ 645.959,28, a título de saldo negativo de IRPJ, anocalendário, 2001, refletido pelo IRRF durante o período. A autoridade a quo confirmou a retenção de R$ 34.295,88 e deferiu este valor a ser restituído e compensado com débitos tributários. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/05/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Inconformada, a recorrente argumenta que “...Ocorre que, dado o espaço físico de guarda de documentos, custo de sua manutenção, risco de incêndio, temos por norma mantelos pelo prazo legal de 05 anos, e desta forma estamos impossibilitados de apresentar comprovantes que suportam o crédito da maneira como apresentado na DIPJ.” Aduz que a Administração Tributária, discorridos os cinco anos, não pode mais exigir tais comprovantes e que detectou em seus arquivos apenas um depósito judicial, código 6912, no valor de R$ 28.265,62, período de apuração 31/03/2005, vencimento 15/04/2005. Não assiste razão à recorrente. Consoante sobejamente explicitado no acórdão recorrido, o prazo para a Administração Tributária examinar o crédito requerido como indébito tributário é limitado pela composição deste mesmo crédito, não importando quantos anos haja que retroagir nesta verificação. Não aplicase ao caso os institutos de decadência (perda do direito de constituir crédito tributário pela Fazenda Nacional) ou prescrição (perda do direito de ação do contribuinte pleitear restituição de indébito tributário. A recorrente emitiu as Per/Dcomp em 20/05/2004, 30/10/2006 (02) e 22/06/07, aproveitandose do suposto saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001 (exercício 2002). A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 31/01/09 (fls. 35), o que afasta possível homologação tácita, não argüida, por ter sido a decisão emitida dentro do qüinqüídio legal. Se a recorrente requer IRRF de 2001 não pode alegar que está decaído o direito da Fazenda de checar estes valores ou de comprovar a sua efetiva liquidez. O que não pode, e não foi feito no presente caso, é exigirse tributo vencido fora do prazo qüinqüenal. A ausência de documentação comprobatória da efetiva retenção sofrida pelas fontes pagadoras, bem como a não comprovação de que rendimentos correlatos tenham sido oferecidos à tributação, impede o deferimento do pleito além do que já reconhecido pela autoridade a quo, não se admitindo a escusa trazida nas peças de defesa. Dispõe o artigo 264 do Regulamento do imposto de Renda vigente (Decreto nº 3.000/99 – RIR/99): Conservação de Livros e Comprovantes Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). § 1º Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 10). [...] (grifos não pertencem ao original) Fl. 117DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/05/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13888.720673/200859 Acórdão n.º 1801001.443 S1TE01 Fl. 5 7 E o ônus probatório da existência do crédito tributário no caso de pedido de repetição do indébito é da empresa. Este princípio é consagrado pelo art. 333, inciso I, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal – Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; [...] No mais, adoto as razões de decidir da turma julgadora de primeira instância por não confrontadas pontualmente pela recorrente. Por todo o exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 118DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/05/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10660.906079/2012-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 23/04/2010
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO.
Não tendo sido apresentadas nem alegações nem provas suficientes para demonstrar a liquidez e certeza do crédito apresentado, procedente o Despacho Decisório que constatou a sua insuficiência em montante suficiente para compensar a totalidade dos débitos.
Numero da decisão: 3401-004.178
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 23/04/2010 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. Não tendo sido apresentadas nem alegações nem provas suficientes para demonstrar a liquidez e certeza do crédito apresentado, procedente o Despacho Decisório que constatou a sua insuficiência em montante suficiente para compensar a totalidade dos débitos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida e Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP que pretendia obter o reconhecimento de direito creditório por suposto pagamento a maior. Tal pleito restou indeferido através de Despacho Decisório que integra os autos, face a vinculação do pagamento com débitos devidamente declarados em DCTF, inexistindo saldo a favor da recorrente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 60 79 /2 01 2- 14 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10660.906079/201214 Acórdão n.º 3401004.178 S3C4T1 Fl. 3 2 Intimada, a contribuinte manifestou sua irresignação, alegando que os créditos oriundos do pagamento indevido já se encontravam desvinculados das DCTFs respectivas. A decisão de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade em razão da falta de liquidez e certeza do crédito vindicado. A recorrente ingressou então com recurso voluntário alegando que houve falha de seu departamento fiscal, que não promoveu as retificações que demonstrariam a desvinculação dos pagamentos e a conseqüente existência do crédito. Em 25/01/2017, esta turma proferiu a Resolução CARF nº 3401000.975, por unanimidade de votos, para a finalidade de: "tendo em vista nem a administração tributária, nem a instância anterior, ter ido além do despacho decisório de processamento automático, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações" (seleção nossa). Em atenção à resolução determinada, a unidade preparadora produziu relatório de diligência fiscal, no qual concluiu pela indisponibilidade do crédito alegado pela recorrente. Intimada do conteúdo da diligência em referência, a recorrente requereu prazo suplementar de mais 30 dias para se manifestar. A DRF proferiu despacho que indeferiu o pedido da contribuinte, por inexistência de previsão legal para a prorrogação requerida, devolvendo os autos a este Conselho para reinclusão em pauta e prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.167, de Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10660.906079/201214 Acórdão n.º 3401004.178 S3C4T1 Fl. 4 3 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10660.906083/201274, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.167): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Recortase, a seguir, a integralidade da manifestação de inconformidade da contribuinte: Transcrevese, ainda, a íntegra das razões do recurso voluntário interposto: Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10660.906079/201214 Acórdão n.º 3401004.178 S3C4T1 Fl. 5 4 Inexiste, como se percebe, substantiva defesa realizada pela contribuinte, o que suscitaria debate a respeito do próprio conhecimento do recurso manejado, que se prestou unicamente a requerer prorrogação do prazo para o exercício do contraditório, curiosamente com base nos princípios da capacidade contributiva e da vedação ao confisco, sob pena de "insolvência econômica" (sic). Tendo, no entanto, a Resolução em referência considerado tempestivo o recurso, bem como sido atendidos os demais requisitos de admissibilidade, e considerando que o processo foi baixado em diligência, retornando agora a este Conselho com relatório conclusivo, entendo que menor prejuízo será causado ao interesse público ao se adentrar o mérito do que ao não fazê lo. Assim, transcrevese abaixo o resultado da diligência efetuada: Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10660.906079/201214 Acórdão n.º 3401004.178 S3C4T1 Fl. 6 5 Desta forma, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, acolhendo integralmente o resultado da diligência." Registrese que a diligência efetuada em relação ao presente processo registrou a mesma conclusão quanto a indisponibilidade do crédito alegado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 64DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.987792/2012-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
DIREITO DE DEFESA - AVALIAÇÃO CONCRETA
Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito.
Numero da decisão: 1401-001.974
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 DIREITO DE DEFESA - AVALIAÇÃO CONCRETA Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito.
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DIREITO DE DEFESA AVALIAÇÃO CONCRETA Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 98 77 92 /2 01 2- 58 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10880.987792/201258 Acórdão n.º 1401001.974 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento que indeferiu manifestação de inconformidade apresentada contra despacho não homologatório de compensação declarada. No referido recurso, o contribuinte alega que a decisão recorrida: 1) não considerou os princípios constitucionais da motivação e da ampla defesa, o que impediu o particular de apresentar defesa e de demonstrar a existência do crédito; 2) o princípio da motivação foi violado, uma vez que a autoridade indeferiu a homologação da compensação sob o fundamento de inexistência do crédito, sem qualquer outro esclarecimento, enquanto a decisão de primeiro grau aduziu que havia fundamentação fazendo menção genérica a artigos genéricos da legislação tributária; 3) essas decisões impediram a recorrente de apresentar uma defesa concreta. Com base nesses fundamentos, o recorrente pede a nulidade do despacho decisório e a homologação da compensação. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401001.937, de 22.06.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.658691/201272. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401001.937): Evidentemente, os princípios constitucionais concretizadores do devido processo legal, como a fundamentação dos atos e decisões, a ampla defesa e o contraditório, devem ser atendidos também nos processos administrativos. Os particulares devem ser capazes de identificar as razões que motivaram as prescrições veiculadas nas manifestações das autoridades administrativas que se refiram a seus direitos. Nesse sentido, diferentemente do alegado pela recorrente, tanto o despacho decisório, quanto à decisão de primeira instância ofereceram com especificidade os elementos aptos ao particular Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10880.987792/201258 Acórdão n.º 1401001.974 S1C4T1 Fl. 4 3 identificar com precisão as razões concretas para não ter a compensação homologada. Em primeiro lugar, a Delegacia de Julgamento não fundamenta a sua decisão com base em menção genérica a dispositivos legais. Pelo contrário, sua análise é fática e específica. A decisão recorrida aponta de forma minuciosa as razões de fato que ensejaram o despacho decisório denegatório da homologação, as quais, com efeito, constam do referido despacho. Para haver compensação, é necessário o reconhecimento do indébito tributário, o qual, uma vez indeferido, corresponde ao próprio fundamento da não homologação. Claro que o indeferimento do crédito ao qual o contribuinte considera fazer jus também deve ser motivado, mas foi e em quadro próprio que compõe o despacho decisório atacado. O despacho decisório são se restringiu, diferentemente do alegado pelo recorrente, a apontar genericamente a inexistência do indébito. Em quadro próprio, apresenta as razões fáticas para o não reconhecimento do crédito alegado. Já a Delegacia de Julgamento discorre com minúcias acerca dessas razões fáticas. Reiteramos: sua decisão acerca da motivação do despacho decisório não se restringiu a alegações genéricas calcadas em dispositivos da legislação tributário, como indevidamente o recorrente afirma em sua peça recursal. Tal estratégia é que pode ser imputada ao contribuinte, pois, ao revés de buscar demonstrar concretamente o seu direito creditório, apegase exclusivamente, tanto na manifestação de inconformidade, quanto no recurso voluntário, na tentativa de anular os atos decisórios administrativos e na esperança de que uma decisão desse jaez tivesse também a consequência de homologar as compensações declaradas. Claro que nem um, nem o outro pedido pode ser deferido. Não podemos deixar de consignar que cabe ao particular comprovar o seu direito de crédito contra o Fisco, o que poderia ter sido realizado, em face do princípio da eventualidade, até em sede recursal. Afinal, a nulidade da despacho decisório, diferentemente do pretendido pelo recorrente, não pode ter por efeitos imediatos o reconhecimento do indébito tributário. A consequência natural é a necessidade de refazer os atos nulos, o que pode ser superada com o provimento de mérito a favor do particular, nos termos do art. 59, § 3º, do Decreto nº 70.235/72: § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Nada obstante, o contribuinte postouse numa cômoda, mas absolutamente indevida, condição de tecer alegações genéricas Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10880.987792/201258 Acórdão n.º 1401001.974 S1C4T1 Fl. 5 4 contra o despacho decisório sem envidar qualquer esforço concreto para demonstrar, no mérito, o seu direito de crédito contra o Fazenda Pública. É importante reiterar. Ainda que considerássemos nulo o despacho decisório e, conseguintemente, a decisão da Delegacia de Julgamento, tal nulidade não acarretaria o reconhecimento de indébito tributário e, conseguintemente, a homologação da compensação pretendida. Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 62DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18050.006672/2009-45
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jan 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA SALARIAL.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte.
INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS.
Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, trata-se de juros tributáveis.
Numero da decisão: 9202-006.288
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa. Bacchieri, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada).
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(Assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz
EDITADO EM: 20/12/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa Cruz.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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NATUREZA SALARIAL. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS. Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, tratase de juros tributáveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa. Bacchieri, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada). (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora (Assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 66 72 /2 00 9- 45 Fl. 460DF CARF MF 2 EDITADO EM: 20/12/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa Cruz. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pelo Contribuinte face ao acórdão 280101.643, proferido pela 1ª Turma Especial / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de auto de infração, às fls. 02/10, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF correspondente aos exercícios 2005, 2006, 2007, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 114.064,13, incluída a multa de ofício e juros de mora, decorrente de omissão de rendimentos recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 08 de setembro de 2003. A exigência fiscal decorreu da revisão efetuada nas declarações de ajuste anual apresentadas pelo contribuinte. Asseverou a autoridade fiscal que o autuado classificou indevidamente, nestas declarações, rendimentos tributáveis como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. O Contribuinte apresentou impugnação, fls. 40/114, alegando, em síntese: que as verbas recebidas não representaram qualquer acréscimo patrimonial, mas sim o ressarcimento por erro cometido pela fonte pagadora no cálculo da remuneração paga no período de 1° de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001; que o acordo para o pagamento das diferenças de URV se deu através da Lei Estadual Complementar n° 20, de 08 de setembro de 2003, tendo o impugnante recebido tais valores ao longo dos anos de 2004, 2005 e 2006; que havia um evidente caráter compensatório da URV desde sua gênese, e as diferenças recebidas representaram uma reparação por danos, tendo clara natureza de indenização, e não de salário. Dessa maneira, por não caracterizar aumento patrimonial, a verba recebida não subsume nos conceitos de renda e proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; que o STF, através da Resolução n° 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos magistrados federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo está isento da contribuição previdenciária e do imposto de renda; que o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do imposto ao estabelecer no art. 3° da Lei Estadual Complementar n° 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga. Implementou todos os pagamentos sem qualquer retenção de IR e informou aos beneficiários dos rendimentos a natureza desta parcela como indenizatória; que o lançamento fiscal tributou isoladamente os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar os rendimentos e deduções já declarados, conforme determina o art. 837 do RIR/1999. Caso fosse mantida a tributação das verbas recebidas, caberia sujeitalas ao ajuste anual, o que resultaria em um imposto devido menor; os juros de mora constantes no cálculo da diferença de URV representam um indenização pelos danos emergentes do não uso do patrimônio. Assim, os juros de mora têm natureza distinta da originária do principal ao qual incidiu acessoriamente, porque não se constituíram em aquisição de disponibilidade de renda, produto do trabalho remunerado pelo Estado da Bahia. Fl. 461DF CARF MF Processo nº 18050.006672/200945 Acórdão n.º 9202006.288 CSRFT2 Fl. 10 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou improcedente a impugnação, mantendo, assim, a exigência do crédito tributário. O Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, fls. 175/263, reiterando os argumentos feitos em sua impugnação. A 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 277/288, NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Ordinário. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 NULIDADE. OMISSÃO PELO ÓRGÃO JULGADOR. INOCORRÊNCIA. O órgão julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos apresentados pelo contribuinte, devendo demonstrar, ao motivar a sua decisão, que o lançamento questionado encontrase em conformidade com as disposições legais aplicáveis. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃOINCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas por membros de Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pelas Leis nºs 10.474 e 10.477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. Correto o lançamento efetuado após a entrega da Declaração de Ajuste Anual do beneficiário dos rendimentos, sendo a responsabilidade pelo pagamento do tributo atribuída a este, a quem cabe oferecelos à tributação do imposto de renda por ocasião do ajuste anual, ainda que não tenha havido a tributação destes rendimentos na fonte. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. Em regra, a responsabilidade por infrações tributárias é objetiva, sendo irrelevante a intenção do agente, nos termos do art. 136 do Código Tributário Nacional (CTN). ACRÉSCIMOS LEGAIS. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. Constatada a infração à legislação tributária, o imposto deve ser exigido com a multa do lançamento de ofício e com a aplicação dos juros de mora, expressamente previstos na legislação de regência. Fl. 462DF CARF MF 4 Preliminares Rejeitadas. Recurso Negado. O Contribuinte apresentou Embargos de Declaração, às fls. 294/318, os quais restaram rejeitados, às fls. 348/351, pela 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento. À fl. 356, o Contribuinte foi intimado e, às fls. 358/395, interpôs Recurso Especial de Divergência, alegando divergência jurisprudencial em relação incidência de Imposto de Renda sobre a verba de abono variável recebidas pelo membros do Ministério Público Estadual – natureza da verba. De um lado, o acórdão recorrido entendeu que sobre abono variável pago aos membros do Ministério Público baiano incide Imposto de Renda Pessoa Física, haja vista a vedação a extensão com base em analogia em sede de incidência tributária. Já o acórdão paradigma considerou que sobre o abono variável previsto pela Lei 10.447 de 2002 pagos aos membros do Ministério Público do Estado da Bahia não incide o Imposto de Renda Pessoa Física em razão de uma interpretação extensiva de decisão do STF que considerou isenta tais verbas pagas aos membros da magistratura federal. Sucessivamente, na hipótese do Conselho de Recursos entender de forma diversa daquela apontada pelo primeiro paradigma apresentado, apresentou uma segunda divergência relativa à exclusão da incidência de IRPF dos juros moratórios, pois, enquanto o acórdão recorrido manteve integralmente a autuação, o segundo acórdão paradigma defendeu a exclusão da multa de ofício, bem como dos juros moratórios. Às fls. 440/443, a 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, DANDO PARCIAL SEGUIMENTO ao recurso em relação APENAS à isenção sobre a verba de abono variável recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual – natureza da verba, tendo em vista não ter restado demonstrada a divergência jurisprudencial em relação à segunda matéria arguida. Às fls. 444/445, a Câmara Superior de Recursos Fiscais realizou o Reexame de Admissibilidade do Recurso Especial do Contribuinte, mantendo integralmente o despacho anterior. Às fls. 447/450, a Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões, tendo rebatido apenas matéria de mérito, requerendo a manutenção do Acórdão na parte recorrida. O Contribuinte foi cientificado da parcial admissibilidade do seu recurso, fls 451 e 452, os autos vieram conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de auto de infração, às fls. 02/10, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF correspondente aos exercícios 2005, 2006, 2007, para exigência de Fl. 463DF CARF MF Processo nº 18050.006672/200945 Acórdão n.º 9202006.288 CSRFT2 Fl. 11 5 crédito tributário, no valor de R$ 114.064,13, incluída a multa de ofício e juros de mora, decorrente de omissão de rendimentos recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 08 de setembro de 2003. O Acórdão recorrido negou provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pelo Contribuinte trouxe para análise a divergência jurisprudencial em relação incidência de Imposto de Renda sobre a verba de abono variável recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual – natureza da verba. IMPOSTO SOBRE A RENDA E INDENIZAÇÕES Pois bem, como dito a problemática consiste na questão da natureza atribuída a verba recebida pelo contribuinte, e para melhor deslinde da questão mister se faz analisar o enquadramento das indenizações perante a legislação do imposto sobre a renda. A interpretação dada pela Fazenda Nacional é a de que na medida em que a legislação federal, prevê expressamente a isenção ou nãotributação de certas verbas indenizatórias (como as contempladas nos incisos IV e V do artigo 6° da Lei federal n. 7.713/88 ), então só estariam excluídas da incidência estas verbas; e por consequência, todas as demais verbas de caráter indenizatório não expressamente contempladas estariam sujeitas à tributação pelo imposto sobre a renda. Para os doutrinadores esta afirmação é incompatível com os dispositivos constitucionais e também as disposições do Código Tributário Nacional. Para Aliomar Baleeiro, " a renda se destaca da fonte sem empobrecêla", e Marco Aurélio Greco complementa: "indenizar é tornar" sem dano" aquele patrimônio; não é acrescêlo, é recompôlo ao que era antes do evento. Portanto, nestes casos, a indenização não é produto do capital e/ou do trabalho, nem acréscimo patrimonial, razão pela. qual está fora do âmbito de incidência do imposto sobre a renda". Isto significa que o fato de não haver na legislação federal regra expressa prevendo a não incidência de determinada indenização (com o perfil acima) não implica na sua tributação. Ao contrário, não há necessidade de regra neste sentido, pela singela razão de esta indenização não estar alcançada pela norma constitucional (art. 153, Ill). Por definição, está fora do âmbito material de incidência; logo, não precisa haver previsão neste sentido e as que existirem terão caráter explicitador, por vezes, resultantes de dúvidas surgidas quanto à natureza jurídica de determinada verba. O jurista citado ainda ensina que, "indenização que implique recomposição de patrimônio passado economicamente identificável (ou seja, sem haver acréscimo patrimonial), não configura hipótese de incidência do imposto sobre a renda. A verba paga é evento do mundo dos fatos que pode receber mais de uma qualificação jurídica a depender das circunstâncias que a cercam". A questão primordial a ser debatida aqui é saber a quem cabe afirmar a natureza jurídica de determinada verba para fins de enquadramento na legislação do imposto sobre a renda. Fl. 464DF CARF MF 6 Três situações podem ser identificadas: a) partes privadas (contratualmente ou por outro instrumento) qualificam determinada verba como de caráter indenizatório; b) o Poder Judiciário, no bojo da prestação jurisdicional, qualifica a verba como indenizatória; e c) a Lei qualifica a verba como indenizatória. Na medida em que a natureza jurídica é que determina a incidência ou não do imposto sobre a renda, importante compreender em quais hipóteses o Fisco Federal pode recusar a qualificação oriunda de qualquer das situações acima e afirmar a natureza não indenizatória da verba, de modo a deflagrar a incidência das regras do imposto. A terceira hipótese é a que nos importa no caso em tela, uma vez que o contribuinte em questão teve a natureza de sua verba declarada como indenizatória por meio de Lei Estadual. É de se destacar o fato de a qualificação indenizatória dada a verba foi editada pelo legislador através de uma lei específica. Toda lei goza de presunção de constitucionalidade. Caso se tratasse de uma lei federal, o Fisco também federal, não teria competência para afastar sua aplicabilidade, pois não lhe é dado substituirse ao legislador, nem tem competência para declarar a inconstitucionalidade de uma norma. Tratandose de lei estadual abrese o debate, pois a qualificação jurídica por ela veiculada tem o efeito de atribuir ao fato subjacente uma qualidade que por decorrência e em função do caráter de Direito de superposição de que se reveste o Direito Tributário repercute na aplicação da lei tributária federal, ao afastáIa no caso de indenizações (que não impliquem acréscimo patrimonial). Daí a pergunta, que responde toda a problemática aqui veiculada,: pode a lei estadual interferir com a interpretação e aplicação da lei tributária federal? Embora pareça questão de fácil resolução, e a resposta pareça ser a simples alegação realizada pelo Fisco, de que não cabe a Lei estadual interferir nas hipóteses de incidência|(fato gerador) de tributo federal, penso que a questão envolve outros institutos jurídicos e concepções tributárias. Para alguns juristas, nos quais novamente cito Marco Aurélio Greco, a pergunta envolve um falso problema. Pois a questão efetiva não é esta, obviamente os Estados não têm competência para legislar sobre imposto sobre a renda. A questão legítima aqui discutida é, se o Fisco Federal pode afastar a qualificação jurídica de determinada verba que tenha sido atribuída por lei estadual válida no ordenamento jurídico. E aqui neste ponto, sem dúvida a resposta é não, por força da presunção de constitucionalidade de que se reveste toda lei. Portanto, enquanto subsistir o preceito normativo, o Fisco federal não possui competência para afastar a qualificação jurídica ali contida. Para afastála é preciso, previamente, buscar a declaração da sua inconstitucionalidade, o que não pode ser realizado pelo Poder Executivo, sem a chancela do Poder Judiciário. Ainda que a alegação do fisco fosse de que o preceito nela contido é manifestamente inconstitucional. por dispor sobre matéria que não cabe ao Estado regular ou se seu conteúdo contiver disciplina inequivocamente conflitante com o ordenamento, a ponto de Fl. 465DF CARF MF Processo nº 18050.006672/200945 Acórdão n.º 9202006.288 CSRFT2 Fl. 12 7 configurar aquilo que a jurisprudência denomina de "ato teratológico", não é o que ocorre no caso em tela, pois a disposição sobre a verba submetida ao regime estatutário é de plena competência do ente estadual. Assim, não há que se falar que a Lei Complementar n. 20/2003 ou a Lei n. 8.730/2003, possua qualificação jurídica teratológica que possa afastar de plano sua aplicabilidade. Assim, além da presunção de constitucionalidade de que se revestem as leis em referência, elas dispõem sobre matéria que compete aos Estados regular, por dizer respeito ao funcionamento das respectivas Instituições. Portanto, não é estranho que seja a lei a reconhecer a natureza jurídica de determinada verba, à luz do contexto do respectivo regime estatutário, conforme previsão expressa do § 11 do artigo 37, CF, que é explícito ao prever que: “Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (...) XI a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicandose como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsídio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos; (...) § 11. Não serão computadas, para efeito dos limites remuneratórios de que trata o inciso XI do caput deste artigo, as parcelas de caráter indenizatório previstas em lei." (grifo nosso) Ou seja, podem existir pagamentos a agentes públicos que tenham caráter indenizatório, desde que as respectivas parcelas estejam previstas em lei. Ora, se tais parcelas podem existir, a própria lei também pode afirmar esse caráter, "especialmente" em relação a verba submetida ao regime estatutário. Ad argumentandum tantum, ainda há que se salientar que, sendo da competência dos Estados definir a natureza de tais verbas, ainda é também de sua competência a responsabilidade pela retenção do imposto na fonte e consequentemente é de sua titularidade o direito de cobrála. Contudo até o presente momento não vemos no Estado da Bahia nenhuma menção neste sentido. Assevera, Marco Aurélio Grecco, que a CF/88, a titularidade não é sobre o resultado material da atividade de reter, mas é sobre todo aquele imposto que de acordo com a legislação pertinente deva ser submetido ao regime de retenção na fonte. Esta titularidade é atribuída em caráter exclusivo ao Estado o que afasta qualquer interesse ou pretensão por parte da União. Vale dizer, se determinada verba, pela sua Fl. 466DF CARF MF 8 natureza, deve submeterse à retenção, o simples fato de esta ser a respectiva qualificação, afasta por si só a titularidade da União. Ou seja, a União não tem titularidade sobre a parcela do imposto sobre a renda na fonte que incidir (juridicamente) na fonte. A circunstância de haver ou não no plano fático a retenção não modifica esta qualificação jurídica da titularidade sobre esse montante, posto que a qualificação advém diretamente da CF/88 e a eventual inação do Estado em reter não configura transferência de titularidade à União; nem doação a seu favor de verba que pertence ao Estado, Daí a conclusão de que, em relação ao imposto incidente na fonte, a relação jurídica que se instaura é entre o contribuinte e Estado, diretamente, sem qualquer mediação da União. A União editou a lei que dispõe sobre o tratamento tributário das diversas verbas que o contribuinte pode auferir. Mas, em relação àquelas que, por sua natureza, devam se submeter à retenção na fonte, o respectivo imposto pertence integral e exclusivamente ao Estado. Por fim o julgamento do caso em tela implica na aplicação de princípio basilar do Direito Administrativo, qual seja o respeito a legalidade. Assim, enquanto a Administração Pública só pode fazer o que está previsto em lei, ao Administrado, no caso em tela Contribuinte, é possível fazer tudo aquilo que não é proibido. Ainda, para Hely Lopes Meirelles: Na Administração Pública não há liberdade nem vontade pessoal. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe, na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza” (MIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 30. Ed. São Paulo: Malheiros, 2005). A Legalidade é intrínseca a ideia de Estado de Direito, pensamento este que faz que ele próprio se submeta ao direito, fruto de sua criação, portanto esse é o motivo desse princípio ser tão importante, um dos pilares do ordenamento. É na legalidade que cada indivíduo encontra o fundamento das suas prerrogativas, assim como a fonte de seus deveres. A administração não tem fins próprios, mas busca na lei, assim como, em regra não tem liberdade, escrava que é do ordenamento. O Princípio da Legalidade é uma das maiores garantias para os gestores frente o Poder Público. Ele representa total subordinação do Poder Público à previsão legal, visto que, os agentes da Administração Pública devem atuar sempre conforme a lei. Assim, o administrador público não pode, mediante mero ato administrativo, conceder direitos, estabelecer obrigações ou impor proibições aos cidadãos. A criação de um novo tributo, por exemplo, dependerá de lei. Do mesmo modo, a limitação de direitos não poderá ser feita por via de interpretação mais gravosa que aquela propriamente estabelecida na norma. Na fiscalização, o Princípio da Legalidade possui atividade totalmente vinculada, ou seja, a falta de liberdade para a autoridade administrativa. A lei define as condições da atuação dos Agentes Administrativos, determinando as tarefas e impondo condições excludentes de escolhas pessoais ou subjetivas. Por fim, esse princípio é vital para o bom andamento da Administração Pública, sendo que ele coíbe a possibilidade do gestor público agir por conta própria, tendo sua eficácia através da execução jurídica dos atos de improbidade, evitando a falta de vinculação à norma e, principalmente, a corrupção no sistema. Essa preocupação se faz constante para que seja atingido o objetivo maior para o país, o interesse público, através da ordem e da justiça. No caso em tela, entendo que não houve por parte do Estado da Bahia uma intromissão quanto ao tributo federal de competência da União imposto de renda pessoa física. Fl. 467DF CARF MF Processo nº 18050.006672/200945 Acórdão n.º 9202006.288 CSRFT2 Fl. 13 9 Mas que houve sim, uma natureza indenizatória dada a verbas oriundas do regime estatutário daquele Estado, as quais são de competência exclusiva do mesmo, responsável por gerir e organizar seu Regime Próprio de Trabalho e Previdência. A existência destas leis legitimou o agir do contribuinte, que exerceu direito que lhe foi conferido por lei. Lei esta emitida por Ente participante da Administração Pública, face ao pacto federativo constitucionalmente imposto. Desse modo, por melhor que seja a construção jurídica utilizada pela Receita Federal, afastar a legalidade ou a constitucionalidade de norma válida no ordenamento jurídico prescinde de um conjunto de medidas dispostas na Constituição Federal, as quais não contemplam a possibilidade do Fisco, ou até mesmo do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, negar validade ou aplicabilidade. Observo que o controle de constitucionalidade pode ser realizado de modo preventivo (antes de a lei entrar em vigor) pelo Poder Legislativo ou de modo repressivo (a lei já está em vigência e deve ser expulsa do ordenamento), em regra, no Brasil, é jurisdicional, logo pelo Poder Judiciário na modalidade concentrado ou difuso. Assim resume Zeno Veloso: (...) O controle jurisdicional da constitucionalidade, no Brasil, utiliza o método concentrado, sendo o controle abstrato, em tese, através de ação direta, a ser julgada pelo Supremo Tribunal Federa, tendo por objeto leis e atos normativos federais e estaduais, em confronto com a Constituição Federal, que nos Estadosmembros, compete aos Tribunais de Justiça, tendo por objeto leis e atos normativos estaduais e municipais, em face da Constituição estadual. Servimonos, também, do controle difuso, concreto, incidenter tantum, exercido por qualquer órgão, singular ou coletivo, do Poder Judiciário.(VELOSO, Zeno. p. 35) Assim, resta evidente que no caso em apreço, ainda que fosse caso de não aplicar a natureza jurídica dada a verba por lei, esta seria de exclusiva competência do Poder Judiciário, pois por uma questão de competência constitucional, legal e regimental, este Tribunal Administrativo não pode afastar a constitucionalidade de Lei. Ressaltese aqui, a clara diferenciação entre o poder dever dos julgadores no âmbito judicial e administrativo. Enquanto o juiz é dotado de equidade, o conselheiro do Tribunal Administrativo é dotado de obediência ao princípio da legalidade. Contudo, compreendo que a melhor solução da questão não prescinde de Juízos de constitucionalidade, vez que conforme explanado acima, a natureza das verbas percebidas pelo contribuinte foram legitimamente declaradas indenizatórias por força de lei estadual, sendo que conforme previsão constitucional é da competência do Ente Federado responsável pelo Regime estatutário fazêlo, não usurpando assim competência da União para declarar as hipóteses de incidência do imposto de renda pessoa física, a quem coube determinar que o imposto era devido sobre verbas remuneratórias, excluindo as indenizatórias, sem no entanto, ser responsável por determinar quais verbas são de uma natureza ou de outra. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte para afastar a incidência do imposto de renda sobre as parcelas pagas a Agentes Públicos Estaduais a Título de Diferença de URV, as quais tem natureza claramente indenizatória. Fl. 468DF CARF MF 10 É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Voto Vencedor Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Redatora Designada Em que pese o brilhantismo e a logicidade do voto da ilustre Relatora, ouso dela divergir, com a máxima vênia, quanto à incidência do imposto de renda sobre o valor recebido a título de diferenças da Unidade Real de Valor (URV) e dos respectivos juros de mora. Argumenta a Recorrente a não incidência do imposto de renda sobre a diferença de URV e sobre os juros de mora, considerando a natureza indenizatória da verba principal, bem como dos juros de mora, por conseqüência (o acessório segue o principal). Assim, a primeira apreciação a ser feita referese à natureza das verbas sob análise. E o segundo ponto a ser analisado é sobre a existência ou não de isenção relativa à URV. Ao meu ver, embora seja menos relevante a natureza indenizatória da verba para a análise da incidência do imposto de renda, entendo que os valores recebidos pelos contribuintes decorrem da compensação pela falta de correção no valor nominal do salário, oportunamente, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. Não obstante o meu entendimento anteriormente destacado acerca da natureza salarial da diferença de URV, cabe ressaltar que, no caso do Ministério Público da Bahia, foi publicada uma Lei Estadual (LC 20/2003) que dispôs de modo diverso, tratando a verba como indenização. Tendo em vista que o imposto de renda é regido por legislação federal, tal dispositivo não possui efeito tributário para a análise do tributo em questão. Assim, estando a mencionada lei em plena vigência, prestase apenas ao fim por ela almejado, qual seja o pagamento de precatório, de forma especial. Cabe destacar que a inaplicabilidade da LC 20/2003 não decorre de um juízo de inconstitucionalidade, mas sim de uma interpretação sistemática das normas, em observância do princípio da legalidade, tendo em vista a ausência de lei isentiva, no presente caso. Sobre a aplicação da Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) 245/2002 pugnada pelos recorrentes, notase que foi conferida natureza jurídica indenizatória ao abono variável concedido à Magistratura Federal e ao Ministério Público da União, não se confundindo com as diferenças decorrentes de URV, ora analisadas. Fl. 469DF CARF MF Processo nº 18050.006672/200945 Acórdão n.º 9202006.288 CSRFT2 Fl. 14 11 Desse modo, deve ser considerada a natureza salarial das diferenças sob apreciação. Ainda que fosse caracterizada como indenizatória a verba sob análise, ressaltase que a incidência do imposto de renda independe da denominação do rendimento, pois as indenizações não gozam de isenção indistintamente, mas tão somente as previstas em lei específica concessiva de isenção. Havendo, notadamente, acréscimo patrimonial, sob a forma de diferenças de vencimentos recebidos a destempo, resta evidente a incidência do imposto de renda, não havendo lei concessiva de isenção apta a afastar a tributação, nesse caso. No que se referem aos juros de mora, aplico o posicionamento da Primeira Seção do STJ no sentido da incidência do imposto de renda sobre tais juros, em regra, não incidindo, excepcionalmente, quando decorrentes da rescisão do contrato de trabalho ou quando a verba principal for isenta ou fora do campo de incidência do IR. Portanto, como a verba principal não é isenta, bem como não é oriunda de rescisão do contrato de trabalho, há incidência do imposto de renda sobre os juros de mora. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Fl. 470DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.003093/2009-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. DESPESAS. EMBALAGENS/ETIQUETAS. TRANSPORTE. PRODUTOS ACABADOS. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.
A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição das embalagens e das etiquetas utilizadas para transporte de produtos acabados.
COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. DESPESAS. INSUMOS. FRETES. PRODUTOS INACABADOS. TRANSPORTE ENTRE ESTABELECIMENTOS PRÓPRIOS/PRODUTORES RURAIS PARCEIROS. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.
Os fretes para transporte de insumos e produtos inacabados entre os estabelecimentos do sujeito passivo e entre estes e os dos produtores parceiros não constituem insumos do processo de produção do contribuinte nem estão elencados, na legislação da contribuição, dentre as despesas que geram créditos.
CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de contribuição para o PIS, não são passiveis de ressarcimento/compensação.
Numero da decisão: 9303-005.553
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
(Assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama - Relatora (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. DESPESAS. EMBALAGENS/ETIQUETAS. TRANSPORTE. PRODUTOS ACABADOS. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição das embalagens e das etiquetas utilizadas para transporte de produtos acabados. COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. DESPESAS. INSUMOS. FRETES. PRODUTOS INACABADOS. TRANSPORTE ENTRE ESTABELECIMENTOS PRÓPRIOS/PRODUTORES RURAIS PARCEIROS. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Os fretes para transporte de insumos e produtos inacabados entre os estabelecimentos do sujeito passivo e entre estes e os dos produtores parceiros não constituem insumos do processo de produção do contribuinte nem estão elencados, na legislação da contribuição, dentre as despesas que geram créditos. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de contribuição para o PIS, não são passiveis de ressarcimento/compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 30 93 /2 00 9- 01 Fl. 965DF CARF MF Processo nº 10925.003093/200901 Acórdão n.º 9303005.553 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratamse de recursos interpostos pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3403002.509, da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário a fim de reconhecer à recorrente o direito ao creditamento sobre: · A aquisição de embalagens e etiquetas empregadas no transporte dos produtos acabados; · O custo incorrido com o frete de insumos e produtos inacabados entre unidades do próprio sujeito passivo ou entre seus estabelecimentos e os de seus parceiros rurais; · As despesas de armazenamento de produtos acabados; · O custo de aquisição do químico “lisina”. Fl. 966DF CARF MF Processo nº 10925.003093/200901 Acórdão n.º 9303005.553 CSRFT3 Fl. 4 3 Restou, assim, consignado acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 Ementa: PIS E COFINS. APURAÇÃO NÃOCUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. EMBALAGENS EXTERNAS. Dada a natureza das mercadorias a cuja fabricação a empresa se dedica alimentos congelados para consumo humano as embalagens (mesmo constituindo invólucro externo para acondicionamento de embalagens menores) cumprem função relevante na conservação da qualidade do produto, no que se refere seja à sua higiene, seja à temperatura com que deve ser mantido. PIS E COFINS. APURAÇÃO NÃOCUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. FRETE. O frete em que o sujeito passivo incorre para transportar matéria prima e outros insumos desde seus próprios estabelecimentos até as instalações onde etapas intermediárias da atividade são concluídas constitui serviço material e temporalmente envolvido com a produção, razão pela qual confere direito ao creditamento. PIS E COFINS. APURAÇÃO NÃOCUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. ARMAZENAMENTO. É autorizado o creditamento sobre os dispêndios do sujeito passivo com o armazenamento de produtos acabados porque, neste particular, a norma que dá fundamento ao direito não distingue entre a armazenagem de matérias primas, de produtos em fabricação ou de artigos já prontos para Comercialização. Artigo 3o, inciso IX, Lei no 10.833/03. PIS E COFINS. APURAÇÃO NÃOCUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. “LISINA”. Em se tratando de item empregado na preparação de ração animal insumo a atividade a que a recorrente se dedica a “lisina” dá direito ao crédito da apuração não cumulativa da COFINS e da Contribuição ao PIS, tendo em vista não se enquadrar dentre os químicos alcançados pela tributação à alíquota 0%, conforme o Anexo I ao Decreto no 5.821/06.” Fl. 967DF CARF MF Processo nº 10925.003093/200901 Acórdão n.º 9303005.553 CSRFT3 Fl. 5 4 Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, requerendo a reforma do acórdão atacado e restabelecer as glosas efetuadas pela DRF, trazendo, entre outros, que: · A formalização do conceito de insumo já foi firmada por meio da I N SRF 247/2002 e da IN SRF 404/2004; · Tais INs estabeleceram, de forma explícita, que se deve ter por insumos aqueles bens “que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado”. Em Despacho às. fls. 788 a 791, foi dado seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, trazendo à baila, nos termos do r. Despacho, discussão acerca da constituição do direito de crédito das contribuições não cumulativas. Contrarrazões ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional foram apresentadas pelo sujeito passivo, trazendo, entre outros, que: · O recurso fazendário é apenas parcial, eis que não impugna todas as questões decididas em favor do sujeito passivo; · Quanto ao mérito, não merece prosperar a aplicação da legislação do IPI ou qualquer outro conceito restritivo da não cumulatividade das contribuições; · Os itens em discussão integram o processo de produção e são imprescindíveis para a consecução de suas atividades – o que resta o direito de se constituir créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins. Irresignado, o sujeito passivo interpôs também Recurso Especial contra o r. acórdão, eis que entendeu que o direito não foi aplicado corretamente em relação ao ressarcimento dos créditos presumidos da agroindústria. Traz, entre outros, que: Fl. 968DF CARF MF Processo nº 10925.003093/200901 Acórdão n.º 9303005.553 CSRFT3 Fl. 6 5 · Com a edição da Lei 12.350/1, reeditada pela Lei 12.431/11, restou expressa a possibilidade de ressarcimento/compensação do saldo do crédito presumido em favor das agroindústrias; · Ressaltase a retroatividade dos efeitos da legislação, eis que essa limitação temporal existente no art. 56A visou atingir o período decadencial do direito de crédito, de modo que não se pode negar aplicabilidade retroativa, dado seu caráter interpretativo. Requer, assim, o reconhecimento e a compensação dos créditos presumidos agrícolas previstos no art. 8º da Lei 10.925/04, não devendo o aproveitamento desses créditos ser restrito ao abatimento das contribuições devidas nos períodos das respectivas aquisições. Em Despacho às fls. 928 a 932, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Contrarrazões ao Recurso Especial do sujeito passivo foram apresentadas pela Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise dos recursos interpostos pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlos. O que concordo com os exames de admissibilidade presentes nos Despachos. Relativamente ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, ainda que não tenha impugnado sobre todas as questões decididas como favoráveis ao sujeito passivo, vêse que essa turma, após várias discussões, se tem declinado em conhecer do recurso que traz entendimentos divergentes em relação ao conceito de insumo, inclusive quando se tratar de frete de insumos, produtos inacabados e Fl. 969DF CARF MF Processo nº 10925.003093/200901 Acórdão n.º 9303005.553 CSRFT3 Fl. 7 6 acabados. O que, por conseguinte, essa Conselheira se curvou a esse entendimento, em respeito à segurança jurídica. Sendo assim, considerando que o Recurso Especial é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso interposto pela Fazenda Nacional – que, por sua vez, ressuscitou a discussão acerca da constituição de crédito sobre: · A aquisição de embalagens e etiquetas empregadas no transporte dos produtos acabados; · O custo incorrido com o frete de insumos e produtos inacabados entre unidades do próprio sujeito passivo ou entre seus estabelecimentos e os de seus parceiros rurais. No que tange ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, eis que tempestivo e atendidos os pressupostos constantes do art. 67 do RICARF/2015 – com alterações posteriores. Recordase que a divergência suscitada pelo sujeito passivo diz respeito à possibilidade de aproveitamento do crédito presumido das contribuições sociais não cumulativas em ressarcimento e compensação. A decisão recorrida assentou que o crédito presumido do art. 8° da Lei 10.925/04, tem aplicação restrita para dedução das contribuições incidentes sobre as receitas da agroindústria no mesmo período em que se derem as aquisições, de forma que não haveria direito ao aproveitamento do benefício em períodos subsequentes ou, ainda, ao ressarcimento e à compensação. Enquanto no acórdão indicado como paradigma 3402002.187 entendeuse que, diante da falta de vedação expressa, a indústria produtora que acumule créditos de PIS e COFINS em virtude de operações de exportação, tem o direito de proceder a compensação ou o ressarcimento do crédito presumido da agroindústria, na forma dos arts. 5°, da Lei 10.637/02, e art. 6° da Lei 10.833/03, não podendo referido direito ser vedado pelo art. 8°, da IN SRF 660/06. Fl. 970DF CARF MF Processo nº 10925.003093/200901 Acórdão n.º 9303005.553 CSRFT3 Fl. 8 7 Sendo assim, conheço do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Ventiladas tais considerações passo a analisar as lides postas em recursos. As contrarrazões devem ser consideradas, pois tempestivas. Ventiladas tais considerações, passo a discorrer sobre as questões trazidas em Recurso Especial da Fazenda Nacional Primeiramente, sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito do PIS e da Cofins trazida pela Lei 10637/02 e Lei 10.833/03, não é demais enfatizar que se trata de matéria controvérsia. Vêse que a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, concluo que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante elucidar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Fl. 971DF CARF MF Processo nº 10925.003093/200901 Acórdão n.º 9303005.553 CSRFT3 Fl. 9 8 Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo. Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. Fl. 972DF CARF MF Processo nº 10925.003093/200901 Acórdão n.º 9303005.553 CSRFT3 Fl. 10 9 É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Fl. 973DF CARF MF Processo nº 10925.003093/200901 Acórdão n.º 9303005.553 CSRFT3 Fl. 11 10 Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas. ” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Fl. 974DF CARF MF Processo nº 10925.003093/200901 Acórdão n.º 9303005.553 CSRFT3 Fl. 12 11 Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Fl. 975DF CARF MF Processo nº 10925.003093/200901 Acórdão n.º 9303005.553 CSRFT3 Fl. 13 12 Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído) I Utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído) [...]” Fl. 976DF CARF MF Processo nº 10925.003093/200901 Acórdão n.º 9303005.553 CSRFT3 Fl. 14 13 · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Fl. 977DF CARF MF Processo nº 10925.003093/200901 Acórdão n.º 9303005.553 CSRFT3 Fl. 15 14 Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam Fl. 978DF CARF MF Processo nº 10925.003093/200901 Acórdão n.º 9303005.553 CSRFT3 Fl. 16 15 estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. Fl. 979DF CARF MF Processo nº 10925.003093/200901 Acórdão n.º 9303005.553 CSRFT3 Fl. 17 16 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene Fl. 980DF CARF MF Processo nº 10925.003093/200901 Acórdão n.º 9303005.553 CSRFT3 Fl. 18 17 e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõe se considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: “COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. Fl. 981DF CARF MF Processo nº 10925.003093/200901 Acórdão n.º 9303005.553 CSRFT3 Fl. 19 18 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Passadas tais considerações, ressurgindo ao caso vertente, vêse que insurge a Fazenda Nacional a discussão acerca da constituição de crédito das contribuições relativas: · À aquisição de embalagens e etiquetas empregadas no transporte dos produtos acabados; · Ao custo incorrido com o frete de insumos e produtos inacabados entre unidades do próprio sujeito passivo ou entre seus estabelecimentos e os de seus parceiros rurais; Nesse ínterim e sem mais delongas, entendo que não assiste razão à Fazenda Nacional, pois todos os itens acima elencados são inerentes à atividade/produção do sujeito passivo e ademais, alguns, tem sua constituição de crédito prevista explicitamente em norma legal. Ora, quanto: Fl. 982DF CARF MF Processo nº 10925.003093/200901 Acórdão n.º 9303005.553 CSRFT3 Fl. 20 19 · À aquisição de embalagens e etiquetas empregadas no transporte de produtos acabados, vêse serem essenciais à atividade do sujeito passivo, eis que: ü Considerando a atividade do sujeito passivo – comércio de alimentos congelados para consumo humano, tais embalagens e etiquetas, mesmo constituindo invólucro externo para acondicionamento de embalagens menores, cumprem função relevante na conservação da qualidade do produto – inerente à higiene e à manutenção da temperatura para a conservação do produto; ü Não se trata apenas de invólucro específico dos alimentos; ü O acondicionamento do produto nestes recipientes externos demonstra a etapa do próprio ciclo produtivo da atividade desempenhada pelo sujeito passivo, na medida em que a preservação das propriedades do alimento constitui utilidade adicional e complementar à mera função de transporte do conteúdo. Sendo assim, resta demonstrada a vinculação à atividade do sujeito passivo – sendo inegável sua essencialidade, e, portanto, deve ser passível de constituição de crédito de PIS e Cofins, nos termos do inciso II, do artigo 3º, da Lei 10.637/02 e Lei 10.833/03. · Ao custo incorrido com o frete de insumos e produtos inacabados entre unidades do próprio sujeito passivo ou entre seus estabelecimentos e os de seus parceiros rurais, vê se serem essenciais à atividade do sujeito passivo, eis que: ü O contrato de fls. 676/683 dos autos 10925.003093/200901 juntado com o respectivo recurso voluntário evidencia a existência de Fl. 983DF CARF MF Processo nº 10925.003093/200901 Acórdão n.º 9303005.553 CSRFT3 Fl. 21 20 parcerias rurais entre o sujeito passivo e terceiros, por meio das quais compete à primeira fornecer aos últimos pintos de um dia de vida, vacinas, medicamentos, rações adequadas às diversas faixas etárias das aves em criação etc., enquanto a estes cabem a criação dos animais até a fase de abate, incluindo a disponibilização das instalações de suas granjas; ü O frete em comento é aquele em que o sujeito passivo incorre justamente para transportar a matéria prima e os demais insumos acima desde seus próprios estabelecimentos até as granjas onde a criação se realiza; ü O que, por conseguinte, inegável se tratar de serviço material e temporalmente envolvido com a etapa produtiva da atividade. Sendo assim, resta demonstrada a vinculação à atividade do sujeito passivo – sendo inegável sua essencialidade, e, portanto, deve ser passível de constituição de crédito de PIS e Cofins, nos termos do inciso II, do artigo 3º, da Lei 10.637/02 e Lei 10.833/03. Em vista de todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e negarlhe provimento ao seu recurso. No que tange ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, recordase que o cerne da lide diz respeito à possibilidade de aproveitamento do crédito presumido das contribuições sociais não cumulativas em ressarcimento e compensação relativo ao final do 1º trimestre de 2008. Primeiramente, importante trazer que a Lei 12.058/09 permitiu o ressarcimento e a compensação dos créditos presumidos apurados na forma do §3º do art. 8º da Lei 10.925/04. Fl. 984DF CARF MF Processo nº 10925.003093/200901 Acórdão n.º 9303005.553 CSRFT3 Fl. 22 21 Não obstante, para melhor compreensão da lide, relativamente à possibilidade de se pedir ressarcimento dos créditos presumidos do art. 8º, § 3º, da Lei 10.925/04, tornase necessário elucidar as modificações impostas nessa Lei ao regime da não cumulatividade das contribuições. Para tanto, importante, a priori, transcrever o que traz a Lei 10.637/02 com a redação trazida pela Lei 10.684/03 (Grifos meus): “Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). [...] Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...] § 10. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão Fl. 985DF CARF MF Processo nº 10925.003093/200901 Acórdão n.º 9303005.553 CSRFT3 Fl. 23 22 deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. § 11. Relativamente ao crédito presumido referido no § 10: I seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a setenta por cento daquela constante do art. 2º ; II o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem ou serviço, pela Secretaria da Receita Federal.” “Art. 5º.............. §1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. [...]” Nos termos dos dispositivos descritos acima, é de se constatar que, com o advento da Lei 10.684/03 – que, por sua vez, trouxe a redação dos §§ 10 e 11 do art. 3º da Lei 10.637/02, passou a agroindústria a fruir da possibilidade de se aproveitar os créditos presumidos para a dedução do valor a recolher das contribuições resultante de operações lá definidas, compensar com débitos próprios Fl. 986DF CARF MF Processo nº 10925.003093/200901 Acórdão n.º 9303005.553 CSRFT3 Fl. 24 23 de tributos administrados pela RFB ou pleitear seu ressarcimento, se até o final de cada trimestre do ano civil não conseguir utilizar o referido crédito. Porém, verificase que, posteriormente, os §§ 10 e 11 do art. 3º da Lei 10.637/02 foram revogados pela Medida Provisória 183/04, publicada no DOU Extra de 30.4.04, in verbis: “Art. 5º Ficam revogados os §§ 10 e 11 do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e os §§ 5º, 6º, 11 e 12 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Quanto à produção dos efeitos dessa revogação, a MP 183/04 dispôs que: “Art. 3º Os efeitos do disposto nos arts. 1º e 5º darseão a partir do quarto mês subsequente ao de publicação desta Medida Provisória” O que, por conseguinte, considerando a data da publicação da MP, a rigor, observando apenas a norma a ser observada até esse momento, temse que somente a partir de agosto de 2004 houve efetivamente a revogação dos créditos presumidos da agroindústria. Não obstante, em seguida, é de se considerar que a MP 183/04 foi convertida na Lei 10.925/04, publicada em 26.7.04, que, por sua vez, ressuscitou os créditos presumidos da agroindústria com outras regras, conforme conferido no art. 8º, in verbis (Grifos meus): “Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos Capítulos 2 a 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 09.01, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da Fl. 987DF CARF MF Processo nº 10925.003093/200901 Acórdão n.º 9303005.553 CSRFT3 Fl. 25 24 COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física.” Dessa forma, é de se transparecer que a Lei 10.925/04 estabeleceu a possibilidade da pessoa jurídica deduzir da contribuição para o PIS e para a Cofins, devidas em cada período de apuração, o crédito presumido calculado sobre o valor dos bens referidos nos inciso II do caput do art. 3º da Lei 10.637/02 e 10.833/03 – quando adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Essa Lei ainda revela em seu art. 17, entre outros (Grifos meus): “Art. 17. Produz efeitos: [...] III a partir de 1º de agosto de 2004, o disposto nos arts. 8º e 9º desta Lei; [...]” A Lei 10.925/04, então, com efeito, reinstituiu novas hipóteses de créditos presumidos – art. 8º com aplicação dessas novas regras a partir de 1.8.04. É de se trazer ainda que a Lei 10.925/04 manteve, assim como a MP 183/03, a revogação dos §§ 10 e 11 do art. 3º da Lei 10.637/02 e §§ 11 e 12 do art. 3º, da Lei 10.833/03. O que, por conseguinte, constatase, depreendendo da análise da legislação até esse momento, que não haverseia que se falar, a rigor, em possibilidade de se efetuar a compensação ou pedido de ressarcimento em dinheiro em relação aos créditos ora em discussão. Fl. 988DF CARF MF Processo nº 10925.003093/200901 Acórdão n.º 9303005.553 CSRFT3 Fl. 26 25 Em respeito às mesmas argumentações, não seriam também possível a compensação e o ressarcimento em relação aos créditos estabelecidos pelo art. 8º da Lei 10.925/04, pois à época não havia previsão legal para tanto. Ou seja, com a Lei 10.925/04, não houve alterações nas formas de aproveitamento para dedução, compensação e ressarcimento previstas nas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que contemplavam apenas os créditos apurados “na forma do art. 3º” dessas Leis, tampouco houve previsão legal permitindo tal feito aos créditos reinstituídos pelo art. 8º da Lei 10.925/04. Eis a lembrança da redação do art. 5º da Lei 10.637/02 e art. 6º da Lei 10.833/03 – que não foi alterada até aquele momento (Grifos meus): “Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...] § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria” “Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...] § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; Fl. 989DF CARF MF Processo nº 10925.003093/200901 Acórdão n.º 9303005.553 CSRFT3 Fl. 27 26 II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria.” § 3º O disposto nos §§ 1º e 2º aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º. § 4º O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1º não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação.” Dando seguimento, temse que, em 30.12.05, foi publicada a IN 600/05 que trouxe em seu art. 21 (Grifos meus): “Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: [...]” Portanto, é de se notar que a RFB não havia apreciado outra forma de aproveitamento desse crédito presumido que não a dedução da própria contribuição em cada período. No entanto, em 19.5.05, foi publicada a Lei 11.116/05, que trouxe em seu art. 16, in verbis (Grifos meus): “Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de Fl. 990DF CARF MF Processo nº 10925.003093/200901 Acórdão n.º 9303005.553 CSRFT3 Fl. 28 27 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. “ Em vista desse dispositivo, vêse que o legislador possibilitou o pedido de ressarcimento do crédito presumido apurado na forma do art. 3º da Lei 10.637/02 e art. 3º da Lei 10.833/03 – e de forma retroativa, conforme comando esposado no parágrafo único do art. 16 da Lei 11.116/05. Ademais, é de se trazer que, em 14.10.09, foi publicada a Lei 12.058/09, que trouxe, entre outros, o art. 36 (Grifos Meus): “Art. 36. O saldo de créditos presumidos apurados na forma do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, relativo aos bens classificados nos códigos 01.02, 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29 da NCM, existentes na data de publicação desta Lei, poderá: (Produção de efeito) I ser compensado com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; II ser ressarcido em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 1º O pedido de ressarcimento ou de compensação dos créditos presumidos de que trata o caput deste artigo somente poderá ser efetuado: Fl. 991DF CARF MF Processo nº 10925.003093/200901 Acórdão n.º 9303005.553 CSRFT3 Fl. 29 28 I relativamente aos créditos apurados nos anoscalendário de 2004 a 2007, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao de publicação desta Lei; II relativamente aos créditos apurados no anocalendário de 2008 e no período compreendido entre janeiro de 2009 e o mês de publicação desta Lei, a partir de 1º de janeiro de 2010. § 2º O disposto neste artigo aplicase aos créditos presumidos que tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.” Com o advento da Lei 12.058/09, houve expressamente, relativamente ao crédito presumido reinstituído com novas regras dispostas no art. 8º da Lei 10.925/04: · Permissão de se compensar o saldo dos créditos presumidos com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB; · Autorização de se pedir o ressarcimento em dinheiro sob a ressalva de que o pedido somente poderia ser efetuado: (i) para créditos apurados nos anoscalendários de 2004 a 2007, a partir do mês subsequente ao da publicação da Lei; (ii) para créditos apurados no anocalendário de 2008 e no período compreendido entre 1/2009 e o mês de aplicação dessa Lei, a partir de 1.1.2010; O que, por conseguinte, ratificou também o legislador os direitos concedidos pela Lei 12.058/09, permitindo o ressarcimento e a compensação dos créditos presumidos apurados na forma do art. 8º, § 3º, da Lei 10.925/04. Continuando, ainda foi publicada em 21.12.10 a Lei 12.350/10 – que dispôs em seu art. 55, in verbis (Grifos Meus): Fl. 992DF CARF MF Processo nº 10925.003093/200901 Acórdão n.º 9303005.553 CSRFT3 Fl. 30 29 “Art. 55. As pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias classificadas nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM, destinadas a exportação, poderão descontar da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas em cada período de apuração crédito presumido, calculado sobre: I – o valor dos bens classificados nas posições 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e nas posições 12.01, 23.04 e 23.06 da NCM, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física; (Vide Lei nº 12.865, de 2013) (Vigência) II – o valor das preparações dos tipos utilizados na alimentação de animais vivos classificados nas posições 01.03 e 01.05, classificadas no código 2309.90 da NCM, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física; III – o valor dos bens classificados nas posições 01.03 e 01.05 da NCM, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto nos incisos I a III do caput deste artigo aplicase também às aquisições de pessoa jurídica. § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3º da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no § 4o do art. 3º da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3º O montante do crédito a que se referem os incisos I e II do caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de percentual correspondente a 30% (trinta por cento) das alíquotas previstas no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 993DF CARF MF Processo nº 10925.003093/200901 Acórdão n.º 9303005.553 CSRFT3 Fl. 31 30 § 4o O montante do crédito a que se referem o inciso III do caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação sobre o valor das mencionadas aquisições de percentual correspondente a 30% (trinta por cento) das alíquotas previstas no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 5o É vedado às pessoas jurídicas de que trata o § 1o deste artigo o aproveitamento: I – do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II – de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo, exceto em relação às receitas auferidas com vendas dos produtos classificados nas posições 23.04 e 23.06 da NCM. (Redação dada pela Lei nº 12.431, de 2011). § 6o O crédito apurado na forma do caput deste artigo deverá ser utilizado para desconto do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno. § 7º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre calendário, não conseguir utilizar o crédito na forma prevista no § 6o deste artigo poderá: I – efetuar sua compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; II – solicitar seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 8º O disposto no § 7o deste artigo aplicase somente à parcela dos créditos presumidos determinada com base no resultado da aplicação, sobre o valor da aquisição de bens Fl. 994DF CARF MF Processo nº 10925.003093/200901 Acórdão n.º 9303005.553 CSRFT3 Fl. 32 31 relacionados nos incisos do caput deste artigo, da relação percentual existente entre a receita de exportação e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9º O disposto neste artigo aplicase também no caso de vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 10. O crédito presumido de que trata este artigo aplicarse á nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.” Sendo assim, resta claro que: · As Leis 12.058/09 e 12.350/10 conferiu o direito de compensação ou ressarcimento do crédito presumido apurados na forma do art. 8º, § 3º, da Lei 10.925/04; · O legislador possibilitou o pedido de ressarcimento do crédito presumido apurado na forma do art. 3º da Lei 10.637/02 e art. 3º da Lei 10.833/03 – e de forma retroativa, conforme comando parágrafo único do art. 16 da Lei 11.116/05. Não há que se falar, portanto, em impossibilidade de se aproveitar o crédito presumido do art. 8º, § 3º, da Lei 10.925/04 para o período relativo ao 1º trimestre de 2008 por meio de pedido de ressarcimento. Não obstante, quanto à sua aplicação, nos resta somente discorrer sobre quando o pedido de ressarcimento desses créditos poderia ser efetuado, eis que a Lei 12.058/09 expressamente trouxe tal possibilidade quando o pedido fosse efetuado somente a partir de 1.1.2010. Nessa parte, independentemente do que rege essa Lei e de entender que, com a Lei 12.350/10, não há que se falar em obstáculo para a fruição desse crédito por meio de pedido de ressarcimento, ainda que efetuado em qualquer Fl. 995DF CARF MF Processo nº 10925.003093/200901 Acórdão n.º 9303005.553 CSRFT3 Fl. 33 32 momento que não aquele engessado pela Lei 12.058/09, é de se lembrar a inteligência do art. 106 do CTN. Ora, as Leis 12.058/09 e 12.350/10 trouxe o direito à compensação e ao ressarcimento – já previsto pela Lei 10.637/02 e Lei 10.833/03 – e direcionou a correta interpretação à Lei 10.925/04 – no que se refere ao direito de aproveitamento de crédito presumido de PIS e Cofins não cumulativo da agroindústria. Sendo assim, em respeito à inteligência do art. 106 do CTN, não obstante essa julgadora já entender pela aplicação da regra posta pelas Leis, eis que o direito se manteve no tempo, considerando a intenção do legislador, devese aplicar retroativamente as referidas normas sem qualquer obstáculo a fruição dos créditos em questão por meio de pedido de ressarcimento. Com tais considerações, retornando aos autos, vêse que o ressarcimento pretendido pelo sujeito passivo deve prosperar. Em vista de todo o exposto, conheço dos recursos interpostos: · Pela Fazenda Nacional, negandolhe provimento; · Pelo sujeito passivo, dandolhe provimento. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado. Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões. Em relação ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, a discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento da Cofins no regime da não Fl. 996DF CARF MF Processo nº 10925.003093/200901 Acórdão n.º 9303005.553 CSRFT3 Fl. 34 33 cumulatividade previsto na Lei 10.833/2003. Como visto a relatora aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. O objeto de discussão no recurso especial da Fazenda Nacional é quanto a possibilidade de manutenção de créditos da não cumulatividade da Cofins sobre: I) os custos/despesas com aquisições de embalagens e etiquetas utilizadas no transporte de produtos acabados; e II) despesas com fretes para transporte de insumos e produtos inacabados entre os estabelecimentos do sujeito passivo e entre estes e os dos produtores rurais seus parceiros. Quanto ao Recurso Especial do Sujeito Passivo, a lide se restringe ao direito ao ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral dos créditos presumidos da agroindústria decorrentes de aquisições de insumos não tributadas pela Cofins. O acórdão recorrido entendeu pela possibilidade de tal creditamento, afirmando que tais itens integram o conceito de insumos utilizados na produção dos bens produzidos e vendidos pelo produtor/vendedor. A Fazenda Nacional insurgese contra esta possibilidade argumentando em apertada síntese pela falta de previsão legal para a concessão dos créditos nesta hipótese. Porém, como já dito, adoto um conceito de insumos bem mais restritivo do que o conceito da essencialidade, adotados pelo acórdão recorrido e pelo relatora do voto vencido. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º da Lei nº 10.833/2003, que trata das possibilidades de creditamento da Cofins: Fl. 997DF CARF MF Processo nº 10925.003093/200901 Acórdão n.º 9303005.553 CSRFT3 Fl. 35 34 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. [...]. Fl. 998DF CARF MF Processo nº 10925.003093/200901 Acórdão n.º 9303005.553 CSRFT3 Fl. 36 35 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. [...]. Ora, segundo este dispositivo legal, somente geram créditos da contribuição os custos com bens e serviços utilizados como insumo na fabricação dos bens destinados a venda ou outros expressamente elencados na referida lei. Note que o dispositivo legal descreve de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita não necessitaria ter sido elaborado desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não necessitaria ter descido a tantos detalhes. No presente caso é incontroverso que as embalagens e etiquetas que se discute foram utilizadas no transporte de produtos acabados e não como insumos na produção dos produtos industrializados e vendidos. Por sua vez, as despesas com fretes para transporte de insumos e produtos inacabados entre os estabelecimentos do sujeito passivo e entre estes e os dos produtores rurais seus parceiros também não foram incorridas com a industrialização dos produtos vendidos. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que os gastos com aqueles bens e serviços são necessários à produção dos produtos fabricados e vendidos pelo contribuinte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda e na prestação de serviços e àqueles expressamente elencados nas Leis nº 10.637, de 2002, e nº Fl. 999DF CARF MF Processo nº 10925.003093/200901 Acórdão n.º 9303005.553 CSRFT3 Fl. 37 36 10.833, de 2003, respectivamente. Portanto, considerando que tais gastos não se enquadram no conceito de insumos nem foram utilizados diretamente na fabricação dos produtos não é possível tal creditamento, a não ser nas hipóteses expressamente previstas na legislação. Assim, por se tratar de despesas com bens e serviços que não foram utilizados no processo de produção dos bens produzidos/vendidos, mas outros departamentos da empresa, assim como não estão elencadas dentre aquelas expressamente previstas nas referidas leis, as glosas dos créditos da contribuição, efetuadas pela autoridade administrativa, devem ser mantidas. O Sujeito Passivo entendeu que o direito não foi aplicado corretamente em relação ao ressarcimento dos créditos presumidos da agroindústria, alegando que a legislação permite o ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. O crédito presumido do PIS agroindústria, apurado sobre custos com aquisições de insumos de pessoas físicas residentes no País, foi inicialmente instituído pela Lei nº 10.684, de 30/05/2003, art. 15, que incluiu os §§ 10 e 11 no art. 3º da Lei nº 10.637, de 30/12/2002, que passou a ter a seguinte redação: “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]. § 10. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) § 11. Relativamente ao crédito presumido referido no § 10: (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) I seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a Fl. 1000DF CARF MF Processo nº 10925.003093/200901 Acórdão n.º 9303005.553 CSRFT3 Fl. 38 37 setenta por cento daquela constante do art. 2o ; (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) II o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem ou serviço, pela Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) Posteriormente, os §§ 10 e 11 do art. 3º, da Lei nº 10.637, foram revogados pela Lei nº 10.925, de 23/07/2004, art. 16, convertida da MP nº 183, de 30/4/2004, literalmente: “Art. 16. Ficam revogados: I a partir do 1º (primeiro) dia do 4º (quarto) mês subseqüente ao da publicação da Medida Provisória no 183, de 30 de abril de 2004: a) os §§ 10 e 11 do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002; e [...].” Contudo, esta mesma Lei restaurou o crédito presumido da Cofins e do PIS, para as agroindústrias, assim dispondo: “Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) (Vide Lei nº 12.350, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 545, de 2011) (Vide Lei nº 12.599, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 582, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013 (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013 (Vide Lei nº 12.839, de 2013) (Vide Lei nº 12.865, de 2013) […]. Fl. 1001DF CARF MF Processo nº 10925.003093/200901 Acórdão n.º 9303005.553 CSRFT3 Fl. 39 38 § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. II 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (Revogado pela Lei nº 12.865, de 2013) III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) "Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (destaque não original) [...]." Ora, segundo o disposto nos art. 8º e 15, citados e transcritos acima, o crédito presumido da agroindústria somente pode ser utilizado para a dedução da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, inexistindo previsão legal para o ressarcimento/compensação. Fl. 1002DF CARF MF Processo nº 10925.003093/200901 Acórdão n.º 9303005.553 CSRFT3 Fl. 40 39 Com efeito, não é despiciendo reiterar que a compensação e o ressarcimento admitidos pelo art. 5º da Lei n° 10.637, de 2003, contemplam somente os créditos apurados na forma do art. 3º desta lei, assim dispondo: Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Neste diapasão, a IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, dispõe em seu art. 21: "Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637. de 30 de dezembro de 2002. e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: (destaque não original) [...]." Segundo estes dispositivos legais, apenas os créditos apurados na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, podem ser objetos de pedido de ressarcimento/compensação, ou seja, os créditos sobre insumos adquiridos com incidência da contribuição cujo ônus do pagamento efetivo é do adquirente. Os créditos presumidos da agroindústria não são apurados na forma daquele artigo, mas sim nos termos do art. 8º, § 3º da Lei nº 10.925, de 23/07/2004. Já suas utilizações estão previstas nos arts. 8º e 15, desta mesma lei, citados e transcritos anteriormente, ou seja, Fl. 1003DF CARF MF Processo nº 10925.003093/200901 Acórdão n.º 9303005.553 CSRFT3 Fl. 41 40 podem ser utilizados apenas e tão somente para deduzir da contribuição devida em cada período de apuração. Assim, não há que se falar em ressarcimento/compensação do saldo credor dos créditos presumidos da agroindústria decorrentes de aquisições de insumos não tributados pela contribuição para o PIS. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e negar provimento ao recurso especial do Sujeito Passivo. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 1004DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.723538/2015-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Quando não constatado qualquer pagamento, no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação e com regime de apuração mensal, aplica-se o prazo decadencial de cinco anos, contados a partir da data do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
DECADÊNCIA. DOLO COMPROVADO. IRPJ. CSLL.
O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, extingue-se no prazo de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
São solidariamente obrigados os dirigentes que comprovadamente atuaram, com infração à lei, na administração da sociedade.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU PAGAMENTO EFETUADO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA.
Sujeita-se à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, o pagamento efetuado por pessoas jurídicas a beneficiário não identificado ou quando não for comprovada a operação que lhe deu causa, sem prejuízo da glosa das despesas que resultaram em redução indevida do lucro líquido do período.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO.
Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/96, quando comprovado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se, em tese, nas hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64.
Numero da decisão: 1201-001.902
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Luis Fabiano, Luis Toselli, Rafael Gasparello e Gisele Bossa, que davam parcial provimento ao Recurso, apenas para afastar a multa isolada.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Quando não constatado qualquer pagamento, no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação e com regime de apuração mensal, aplica-se o prazo decadencial de cinco anos, contados a partir da data do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DECADÊNCIA. DOLO COMPROVADO. IRPJ. CSLL. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, extingue-se no prazo de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. São solidariamente obrigados os dirigentes que comprovadamente atuaram, com infração à lei, na administração da sociedade. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU PAGAMENTO EFETUADO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA. Sujeita-se à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, o pagamento efetuado por pessoas jurídicas a beneficiário não identificado ou quando não for comprovada a operação que lhe deu causa, sem prejuízo da glosa das despesas que resultaram em redução indevida do lucro líquido do período. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/96, quando comprovado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se, em tese, nas hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64.
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Quando não constatado qualquer pagamento, no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação e com regime de apuração mensal, aplicase o prazo decadencial de cinco anos, contados a partir da data do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DECADÊNCIA. DOLO COMPROVADO. IRPJ. CSLL. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, extinguese no prazo de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. São solidariamente obrigados os dirigentes que comprovadamente atuaram, com infração à lei, na administração da sociedade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU PAGAMENTO EFETUADO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA. Sujeitase à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, o pagamento efetuado por pessoas jurídicas a beneficiário não identificado ou quando não for comprovada a operação que lhe deu causa, sem prejuízo da glosa das despesas que resultaram em redução indevida do lucro líquido do período. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 35 38 /2 01 5- 95 Fl. 5857DF CARF MF Processo nº 13896.723538/201595 Acórdão n.º 1201001.902 S1C2T1 Fl. 3 2 Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/96, quando comprovado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase, em tese, nas hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Luis Fabiano, Luis Toselli, Rafael Gasparello e Gisele Bossa, que davam parcial provimento ao Recurso, apenas para afastar a multa isolada. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. Relatório Como os fatos e a matéria jurídica foram bem relatados pela decisão de primeira instância, reproduzoa a seguir (destacaremos): Tratamse de autos de infração em face da pessoa jurídica PEM ENGENHARIA LTDA (doravante denominada de PEM Engenharia), referentes aos anos de 2010 e 2011, para a exigência de IRPJ, CSLL e IRRF, além de multas isoladas e multa qualificada, no montante de R$ R$ 65.292.097,09 (sessenta e cinco milhões duzentos e noventa e dois mil e noventa e sete reais e nove centavos). Foi também incluído no polo passivo da obrigação tributária, na condição de responsável solidário, nos termos do art. 135, III, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, denominada Código Tributário Nacional CTN, o Senhor AUGUSTO RIBEIRO DE MENDONÇA NETO – CPF nº 695.037.70882, sócio e responsável pela gerência da PEM Engenharia, como dispõe o art. 8º do Contrato Social da empresa, consolidado na data de 20/08/08. I – BREVE INTRODUÇÃO Fl. 5858DF CARF MF Processo nº 13896.723538/201595 Acórdão n.º 1201001.902 S1C2T1 Fl. 4 3 O início da fiscalização foi motivado pelo fato de a empresa PEM Engenharia estar envolvida na operação denominada “Lava Jato”, deflagrada pela Receita Federal do Brasil (RFB), Ministério Público Federal (MPF) e Polícia Federal (PF), que desbaratou um esquema de corrupção na Petrobrás, envolvendo as maiores empreiteiras do país e que nas palavras do MPF, “é a maior investigação de corrupção e lavagem de dinheiro que o Brasil já teve.” A PEM Engenharia, administrada por Augusto Mendonça, seu principal executivo e do grupo de empresas controladas por membros da família Ribeiro de Mendonça, como relatado no subitem 2.6 do TVF (fls. 5386 a 5393), o qual estaria agindo de forma consciente, deliberada, organizada, meticulosa e reiterada, para que suas empresas, direta ou indiretamente, participassem da estrutura montada para o pagamento de propinas, ou eufemisticamente, “vantagens indevidas”, a agentes públicos em licitações promovidas pela Petrobrás e, desse modo, contribuiu para fraudálas. Informa a fiscalização que: Parte dessas ações fraudulentas e criminosas foi reconhecida por Augusto Mendonça nos Termos de Colaboração Premiada firmados perante o MPF e nos Acordos de Leniência celebrados com o MPF e o CADE, subscritos por Augusto Mendonça, por ex e atuais executivos de algumas das empresas de seu grupo empresarial e pelas próprias empresas. Assim, no desenvolvimento da fiscalização da PEM Engenharia, sem aparente vínculo imediato com a Lava Jato, a fiscalização teria se defrontado com outra série de pagamentos sem a respectiva prestação de serviços, vejamos o relato fiscal: ... pagamentos efetuados pela empresa, sem aparente vínculo imediato com o pagamento de propinas a agentes públicos, mas também vinculados a notas fiscais de prestação de serviços cuja efetividade não foi comprovada. Destacase que todas as empresas que receberam os pagamentos realizados pela PEM Engenharia pertencem a Augusto Mendonça, sócio quotista da Pem Engenharia, ou a familiares de Augusto Mendonça e Roberto Ribeiro de Mendonça, o outro sócio da PEM Engenharia. É o caso dos pagamentos efetuados à Energex, Yellowwood, Pataccas, Sinergia, MSML e KMX. A partir desta constatação iniciouse o procedimento fiscal, quando, segundo a fiscalização, ao final, restaria demonstrado que os pagamentos realizados não decorreram de quaisquer serviços efetivamente prestados: “...embora intimadas a comprovar a efetiva prestação dos serviços, tanto a PEM Engenharia, na condição de tomadora, como as empresas prestadoras, não lograram fazêlo”. II. DO PROCEDIMENTO FISCAL Fl. 5859DF CARF MF Processo nº 13896.723538/201595 Acórdão n.º 1201001.902 S1C2T1 Fl. 5 4 DAS GLOSAS DE CUSTOS E/OU DESPESAS Da Auditoria Tributária realizada na empresa a fiscalização teria constatado a existência de diversos pagamentos realizados, lançados como custos e/ou despesas, contudo, INDEVIDAMENTE deduzidos na apuração do lucro real, de conformidade com o TERMO DE VERIFICAÇÃO DA AÇÃO FISCAL – PARCIAL (fls. 5360 a 5462). Entre janeiro e dezembro de 2010 foram glosados os custos e/ou despesas incorridas com as empresas: Energex Group Representação e Consultoria Ltda, Pataccas Participações e Consultoria Ltda, MSML Participações e Consultoria Ltda – EPP e KMX Participações S.A. Entre janeiro e dezembro de 2011 foram glosados os custos e/ou despesas incorridas com as empresas: Energex Group Representação e Consultoria Ltda, Yellowwood Consultoria Ltda, Pataccas Participações e Consultoria Ltda, Sinergia Consultoria e Representação Ltda – EPP, MSML Participações e Consultoria Ltda – EPP e KMX Participações S.A. Passaremos a analisar detidamente cada das glosas processadas. 1) Despesas com Energex Group Representação e Consultoria Ltda. Não teria sido apresentado nenhum contrato de prestação de serviços celebrado entre a PEM Engenharia e a Energex aos quais estivessem vinculadas as notas fiscais apresentadas relativas à prestação de serviços de assessoria e consultoria em engenharia. O sujeito passivo reiteradamente intimado a comprovar a efetiva prestação de serviços que lhe teriam sido prestados no período pela Energex, assim como a fornecer documentação identificando os técnicos que realizaram os trabalhos, conforme itens 4 e 5 do TIF nº 01 e itens 4 e 5 do TIF nº 03, nada apresentou a esse respeito. A Energex também foi reiteradamente intimada a comprovar a efetiva prestação de serviços à PEM Engenharia, assim como a identidade e qualificação dos profissionais que executaram os serviços, nada apresentando a esse respeito. Nesta seara, a fiscalização teria demonstrado que as notas fiscais de prestação de serviços de assessoria e consultoria em engenharia emitidas pela Energex para a PEM Engenharia referemse a serviços fictícios, cuja efetividade não foi comprovada, destinandose a dar guarida documental à retirada de recursos da empresa para transferilos a pessoa jurídica controlada pelo mesmo grupo familiar que controla a PEM Engenharia. Fl. 5860DF CARF MF Processo nº 13896.723538/201595 Acórdão n.º 1201001.902 S1C2T1 Fl. 6 5 Simultaneamente, essas notas fiscais foram utilizadas para dar suporte à contabilização dos respectivos valores como custo e/ou despesas dedutíveis, reduzindo dolosamente eventuais valores do IRPJ e da CSLL a pagar. 2) Despesas com Yellowwood Consultoria Ltda. Neste caso, a auditoria também teria se deparado com a ausência de contrato e nenhum esclarecimento quanto aos serviços prestados, que, de acordo com as notas fiscais apresentadas, emitidas pela Yellowwood, se referiam à prestação de serviços de assessoria e consultoria em engenharia. O sujeito passivo reiteradamente intimado a comprovar a efetiva prestação de serviços que lhe teriam sido prestados no período sob fiscalização pela Yellowwood, assim como a fornecer documentação identificando os técnicos que realizaram os trabalhos, conforme itens 4 e 5 do TIF nº 01 e itens 4 e 5 do TIF nº 03, nada apresentou a esse respeito. A Yellowwood também foi reiteradamente intimada a comprovar a efetiva prestação de serviços à PEM Engenharia, assim como a identidade e qualificação dos profissionais que executaram os serviços, nada apresentando a esse respeito. Nesta seara, a fiscalização teria demonstrado que as notas fiscais de prestação de serviços de assessoria e consultoria em engenharia emitidas pela Yellowwood para a PEM Engenharia referemse a serviços fictícios, cuja efetividade não foi comprovada, destinandose a dar guarida documental à retirada de recursos da empresa para transferilos a pessoa jurídica controlada pelo mesmo grupo familiar que controla a PEM Engenharia. Simultaneamente, essas notas fiscais foram utilizadas para dar suporte à contabilização dos respectivos valores como custo e/ou despesas dedutíveis, reduzindo dolosamente eventuais valores do IRPJ e da CSLL a pagar. 3) Despesas com Pataccas Participações e Consultoria Ltda. Neste caso, a auditoria também teria se deparado com a ausência de contrato e nenhum esclarecimento quanto aos serviços prestados, que, de acordo com as notas fiscais apresentadas, emitidas pela Pataccas, se referiam à prestação de serviços de consultoria. O sujeito passivo reiteradamente intimado a comprovar a efetiva prestação de serviços que lhe teriam sido prestados no período sob fiscalização pela Pataccas, assim como a fornecer documentação identificando os técnicos que realizaram os trabalhos, conforme itens 4 e 5 do TIF nº 01 e itens 4 e 5 do TIF nº 03, nada apresentou a esse respeito. A Pataccas também foi reiteradamente intimada a comprovar a efetiva prestação de serviços à PEM Engenharia, assim como a Fl. 5861DF CARF MF Processo nº 13896.723538/201595 Acórdão n.º 1201001.902 S1C2T1 Fl. 7 6 identidade e qualificação dos profissionais que executaram os serviços, nada apresentando a esse respeito. Nesta seara, a fiscalização teria demonstrado que as notas fiscais de prestação de serviços de assessoria e consultoria em engenharia emitidas pela Pataccas para a PEM Engenharia referemse a serviços fictícios, cuja efetividade não foi comprovada, destinandose a dar guarida documental à retirada de recursos da empresa para transferilos a pessoa jurídica controlada pelo mesmo grupo familiar que controla a PEM Engenharia. Simultaneamente, essas notas fiscais foram utilizadas para dar suporte à contabilização dos respectivos valores como custo e/ou despesas dedutíveis, reduzindo dolosamente eventuais valores do IRPJ e da CSLL a pagar. 4) Despesas com Sinergia Consultoria e Representação Ltda. EPP Neste caso, a auditoria também teria se deparado com a ausência de contrato e nenhum esclarecimento quanto aos serviços prestados, que, de acordo com as notas fiscais apresentadas, emitidas pela Sinergia, se referiam à prestação de serviços de consultoria ou assessoria e consultoria. O sujeito passivo reiteradamente intimado a comprovar a efetiva prestação de serviços que lhe teriam sido prestados, no período sob fiscalização, pela Sinergia, assim como a fornecer documentação identificando os técnicos que realizaram os trabalhos, conforme itens 4 e 5 do TIF nº 01 e itens 4 e 5 do TIF nº 03, nada apresentou a esse respeito. A Sinergia também foi reiteradamente intimada a comprovar a efetiva prestação de serviços à PEM Engenharia, assim como a identidade e qualificação dos profissionais que executaram os serviços, nada apresentando a esse respeito. Nesta seara, a fiscalização teria demonstrado que as notas fiscais de prestação de serviços de assessoria e consultoria em engenharia emitidas pela Sinergia para a PEM Engenharia referemse a serviços fictícios, cuja efetividade não foi comprovada, destinandose a dar guarida documental à retirada de recursos da empresa para transferilos a pessoa jurídica controlada pelo mesmo grupo familiar que controla a PEM Engenharia. Simultaneamente, essas notas fiscais foram utilizadas para dar suporte à contabilização dos respectivos valores como custo e/ou despesas dedutíveis, reduzindo dolosamente eventuais valores do IRPJ e da CSLL a pagar. 5) Despesas com MSML Participações e Consultoria Ltda. EPP Fl. 5862DF CARF MF Processo nº 13896.723538/201595 Acórdão n.º 1201001.902 S1C2T1 Fl. 8 7 Neste caso, a auditoria também teria se deparado com a ausência de contrato e nenhum esclarecimento quanto aos serviços prestados, que, de acordo com as notas fiscais apresentadas, emitidas pela MSML, se referiam à prestação de serviços de consultoria ou assessoria e consultoria. O sujeito passivo reiteradamente intimado a comprovar a efetiva prestação de serviços que lhe teriam sido prestados, no período sob fiscalização, pela MSML, assim como a fornecer documentação identificando os técnicos que realizaram os trabalhos, conforme itens 4 e 5 do TIF nº 01 e itens 4 e 5 do TIF nº 03, nada apresentou a esse respeito. A MSML também foi reiteradamente intimada a comprovar a efetiva prestação de serviços à PEM Engenharia, assim como a identidade e qualificação dos profissionais que executaram os serviços, nada apresentando a esse respeito. Nesta seara, a fiscalização teria demonstrado que as notas fiscais de prestação de serviços de assessoria e consultoria em engenharia emitidas pela MSML para a PEM Engenharia referemse a serviços fictícios, cuja efetividade não foi comprovada, destinandose a dar guarida documental à retirada de recursos da empresa para transferilos a pessoa jurídica controlada pelo mesmo grupo familiar que controla a PEM Engenharia. Simultaneamente, essas notas fiscais foram utilizadas para dar suporte à contabilização dos respectivos valores como custo e/ou despesas dedutíveis, reduzindo dolosamente eventuais valores do IRPJ e da CSLL a pagar. 6) Despesas com KMX Participações S.A. Neste caso as notas fiscais apresentadas, emitidas pela KMX para a PEM Engenharia no período sob fiscalização, não discriminavam os serviços prestados. Contudo, a PEM teria apresentado uma declaração dando conta de quais serviços teriam sido prestados: levantamento e catalogação das documentações técnicas e administrativas para envio ao arquivo morto, inventário e preparação da mudança física do escritório e organização da documentação da obra da Eletronorte. Entretanto, a PEM intimada por meio do item 4 do TIF nº 01 a apresentar a documentação comprobatória da efetiva prestação dos serviços pela KMX nada forneceu. Por seu turno, a KMX também teria apresentado uma declaração dando conta de quais serviços teriam sido prestados: levantamento e catalogação das documentações técnicas e administrativas para envio ao arquivo morto, inventário e preparação da mudança física do escritório e organização da documentação da obra da Eletronorte. Sem, contudo, Fl. 5863DF CARF MF Processo nº 13896.723538/201595 Acórdão n.º 1201001.902 S1C2T1 Fl. 9 8 apresentar qualquer documentação comprobatória da efetiva prestação dos serviços. DA FALTA DE RECOLHIMENTO DE IRPJ / CSLL SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA Considerandose que os custos e despesas contabilizados a título de serviços prestados foram deduzidos indevidamente na apuração, com base em balanços ou balancetes de suspensão ou redução, do Imposto de Renda mensal por Estimativa e da CSLL Contribuição Social sobre o Lucro Líquido mensal por Estimativa nos anos calendário de 2010 e 2011, as bases de cálculo mensal do IRPJ e da CSLL estimativa foram recompostas, com as glosas de custos e despesas indevidas, levando a fiscalização a proceder, quando cabível, ao lançamento da multa prevista na alínea “b”, inciso II, do artigo 44 da Lei 9.430/1996, sobre as parcelas dos pagamentos mensais a título de IRPJ e CSLL estimativa que deixaram de ser efetuados. DO IRRF SOBRE PAGAMENTOS SEM CAUSA OU OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA Destacou a fiscalização que, no caso em tela, os pagamentos efetuados pela PEM Engenharia à Energex, Yellowwood, Pataccas, Sinergia, MSML e KMX não teriam tido a contrapartida de qualquer prestação de serviços pelas empresas emitentes das notas fiscais, referindose a operações não comprovadas e/ou inexistentes, sem fruição pelo sujeito passivo de qualquer serviço prestado, circunstâncias que caracterizam o pagamento sem causa. Concluiu a fiscalização que uma vez comprovada a inidoneidade do documento apresentado como comprovante, e havendo o pagamento da obrigação, quer por caixa, quer por banco ou outra forma, também haverá a incidência do imposto de renda na fonte de que trata o artigo 61 da Lei nº 8.981/95. Nesta seara, a fiscalização teria demonstrado que as notas fiscais de prestação de serviços de consultoria emitidas pela KMX para a PEM Engenharia referemse a serviços fictícios, cuja efetividade não foi comprovada, destinandose a dar guarida documental à retirada de recursos da empresa para transferilos a pessoa jurídica controlada pelo mesmo grupo familiar que controla a PEM Engenharia. Simultaneamente, essas notas fiscais foram utilizadas para dar suporte à contabilização dos respectivos valores como custo e/ou despesas dedutíveis, reduzindo dolosamente eventuais valores do IRPJ e da CSLL a pagar. DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO Relata a fiscalização que, conforme fartamente esclarecido, a PEM Engenharia realizara uma série de pagamentos vinculados a notas fiscais de prestação de serviços cuja efetividade não foi comprovada. Fl. 5864DF CARF MF Processo nº 13896.723538/201595 Acórdão n.º 1201001.902 S1C2T1 Fl. 10 9 A fiscalização teria ainda demonstrado que todas as empresas que receberam os pagamentos realizados pela PEM Engenharia pertencem a Augusto Mendonça, sócio quotista da PEM Engenharia, ou a familiares de Augusto Mendonça e Roberto Ribeiro de Mendonça, o outro sócio da PEM Engenharia. É o caso dos pagamentos efetuados à Energex, Yellowwood, Pataccas, Sinergia, MSML e KMX. Destarte, relata a fiscalização que, embora intimadas a comprovar a efetiva prestação dos serviços, tanto a PEM Engenharia, na condição de tomadora, como as empresas prestadoras, não lograram fazêlo. Assim, os fatos relatados comprovariam cabalmente que as ações da PEM Engenharia foram intencionais e deliberadas. Fruto de planejamento, organização e execução metódica com a finalidade de drenar recursos da PEM Engenharia para transferilos às empresas de propriedade de Augusto Mendonça e de seus familiares. As condutas descritas se enquadrariam perfeitamente nas definições legais de sonegação, fraude e conluio como dispõem os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, pois, o sujeito passivo teria agido de forma a impedir que a autoridade fazendária tivesse conhecimento dos fatos geradores dos tributos apurados, caracterizando a sonegação, ao intencionalmente contabilizar como custos e despesas dedutíveis valores sabidamente correspondentes a serviços que não foram prestados e ao pagamento de vantagens ilícitas e sem causa. Teria, ainda, o sujeito passivo tentado modificar as características essenciais dos fatos geradores ao tratar os custos e despesas contabilizados e os pagamentos efetuados como legítimos e necessários, com causa e em retribuição a operações comprovadas. Todavia, como demonstramos, as operações que originaram os pagamentos não foram comprovadas e os documentos de suporte apresentados eram ideologicamente falsos. Os contratos, nessa ordem de grandeza, teriam se referido a serviços fictícios. O sujeito passivo contabilizou as despesas e custos associados a esses pagamentos como dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL a pagar. Em consequência reduziu dolosamente o montante devido desses tributos e, dessa forma, cometeu fraude. As fraudes, por sua vez, teriam sido praticadas mediante ajuste doloso com uma grande diversidade de contrapartes, configurando o conluio. Essas contrapartes, representadas pelas empresas emitentes das notas fiscais de prestação de serviços inidôneas, pois os serviços eram fictícios e nunca foram prestados, colaboraram de forma consciente com o sujeito passivo para viabilizar a execução das fraudes descritas. As ações praticadas pelo sujeito passivo teriam a natureza dolosa, uma vez que realizadas de forma intencional e Fl. 5865DF CARF MF Processo nº 13896.723538/201595 Acórdão n.º 1201001.902 S1C2T1 Fl. 11 10 planejada. As condutas relatadas teriam sido praticadas extensivamente, envolveriam valores vultosos e teriam sido reiteradas. Em face do exposto justificariase plenamente a imposição da multa de ofício qualificada sobre o valor de principal dos tributos apurados pela fiscalização. DA RESPONSABILIDADE PASSIVA SOLIDÁRIA Tendo em vista as ações ilícitas, detalhadamente descritas, praticadas pelo sujeito passivo, a fiscalização constituiu, nos termos do art. 135, inciso III, do Código Tributário Nacional – CTN, a sujeição passiva solidária contra AUGUSTO RIBEIRO DE MENDONÇA NETO, CPF nº 695.037.70882, sócio do sujeito passivo responsável pela gerência da PEM Engenharia. III. DA IMPUGNAÇÃO O contribuinte foi cientificado do lançamento por via postal, em 02/12/2015 (Aviso de Recebimento – AR à fl. 5537). O Responsável Solidário foi cientificado do lançamento por via postal, em 02/12/2015 (Aviso de Recebimento – AR à fl. 5530). Ambos, contribuinte e responsável solidário, apresentaram, em 28/12/2015, Impugnação Conjunta de fls. 5541/5566, com as seguintes alegações: DO ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DOS SUJEITOS PASSIVOS Defendem que Augusto Ribeiro de Mendonça Neto não deve remanescer como responsável nos três autos de infração, pois, o Mesmo não teve participação nos atos específicos que redundaram na autuação, não tendo a Fiscalização comprovado o contrário. Alegam erro na identificação do sujeito passivo a manutenção da empresa PEM no polo passivo da autuação, pois a responsabilidade imposta a Augusto Ribeiro de Mendonça Neto fundada no art. 135, do CTN, é pessoal e exclusiva pelos créditos correspondentes às obrigações tributárias decorrentes dos atos que teria praticado com excesso de poderes, infração à lei e ao estatuto social. Argumentam que a imputação da prática de atos maliciosos contra a própria pessoa jurídica (contribuinte) afasta a solidariedade prevista no art. 134 do CTN (hipóteses de responsabilidade advindas da mera culpa do responsável), de modo que o indivíduo que atuou com dolo assume então com exclusividade a responsabilidade pessoal pela dívida tributária. Asseveram que a prevalecer a responsabilização apontada pela fiscalização, há erro manifesto na identificação do sujeito passivo, eis que a pessoa jurídica aqui autuada não pode ser exigida a pagar obrigação que a lei (art. 135 do CTN) impõe Fl. 5866DF CARF MF Processo nº 13896.723538/201595 Acórdão n.º 1201001.902 S1C2T1 Fl. 12 11 apenas ao responsável. Reproduz parcial aresto de julgado do Eg. Superior Tribunal de Justiça. Alegam que no caso em baila há de prevalecer apenas uma das seguintes situações: (a) ou bem houve dolo da parte do responsável Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, de modo que a pessoa jurídica deve ser excluída do polo passivo da autuação (por força do art. 135 do CTN); (b) ou não houve dolo, e neste caso o anocalendário 2010 não poderia ser atingido pela autuação por força da regra decadencial do art. 150, § 4º, do CTN. Asseveram que os atos dolosos não podem ser atribuídos à pessoa jurídica, que é incapaz de agir maliciosamente por conta própria. E, se houve dolo só pode ter sido do terceiro apontado como responsável, nomeadamente quando adotado para fundamento da acusação o art. 135 do CTN. Neste caso, só o terceiro responde pelo ato doloso, eis que o contribuinte (pessoa jurídica) não o praticou nem poderia ter praticado. Defendem a exclusão da PEM Engenharia do polo passivo desta ação fiscal, ao menos no que se refere aos autos de infração onde a responsabilidade por dolo (art.135 do CTN) tenha prevalecido em relação ao responsável pessoa física sob pena de nulidade dos lançamentos por erro na identificação do sujeito passivo (CTN, art. 142). Em outra linha de raciocínio defendem que o Sr. Augusto Ribeiro de Mendonça Neto não pode figurar como responsável neste feito, haja vista que a responsabilidade prevista no art. 135 do CTN não autoriza, de per si, que a responsabilidade em matéria tributária seja imputada aos diretores e sócios da pessoa jurídica. Também não basta que tenha poderes para exercer a administração do negócio, porquanto não se trata de responsabilidade objetiva, e a exceção à regra é aplicável somente aos sócios da empresa no caso de dissolução irregular, o que em nada se assemelha ao caso em tela. É imprescindível que a Fiscalização comprove a sua participação nos atos que redundaram na constituição do crédito tributário (CTN, art. 142). Argumentam que as declarações prestadas pelo Sr. Augusto Ribeiro de Mendonça Neto no termo de colaboração premiada e no acordo de leniência não se constituem em provas do ilícito tributário. Defendem que as supostas irregularidades praticadas no âmbito dos contratos celebrados entre as empresas do grupo familiar do Sr. Augusto Ribeiro de Mendonça Neto não se confundem com aqueles ilícitos tributários previstos nos artigos 71 (sonegação), 72 (fraude) e 73 (conluio) da Lei 4.502/1964. Concluem, ao final, que acaso subsista o entendimento fiscal quanto ao dolo, fraude ou a simulação por parte do representante da empresa, o lançamento é nulo em razão do erro na identificação do sujeito passivo (CTN, art. 142). Fl. 5867DF CARF MF Processo nº 13896.723538/201595 Acórdão n.º 1201001.902 S1C2T1 Fl. 13 12 DA DECADÊNCIA EM RELAÇÃO AO ANOCALENDÁRIO 2010 Defendem que a fiscalização deixou de comprovar o dolo, abstendose de demonstrar (como lhe cabia) os atos em específico que teriam contribuído para eventual redução ilícita dos tributos devidos, e que, como se sabe, a acusação de dolo sempre deve vir acompanhada da prova do ilícito. Argumentam que, no processo, o ônus da prova é de quem alega ou acusa, não sendo possível aceitar a mera imputação de dolo desacompanhada da respectiva demonstração. O dolo, no caso concreto, há de ser comprovado à luz de uma (pretendida) redução ilícita de tributos devidos não sendo viável alegar singelamente que o dolo existiu porque, por exemplo, houve pagamentos de vantagens ilícitas a agentes investigados na operação LAVAJATO, sendo que tais pagamentos não foram efetuados pela PEM. Defendem que houve pagamentos de vantagens ilícitas nos episódios investigados naquela operação, mas não se pode a partir dessa constatação considerar que, automaticamente, também houve dolo no sentido fiscal, a ensejar a aplicação das penalidades majoradas ou a responsabilização pessoal de Augusto Ribeiro de Mendonça Neto. Alegam que pode ter havido dolo no pagamento de vantagens ilícitas a agentes investigados naquela operação, mas não há relação lógica de vinculação com o dolo fiscal propriamente dito e, por essa razão, se pode concluir que é inaplicável ao caso concreto a parte final do art. 150, § 4º, do CTN, que excetua da regra decadencial ali prevista a hipótese de dolo, fraude ou simulação. Defendem, assim, que o anocalendário de 2010 já se encontrava atingido pela regra de homologação tácita por decurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, de modo que não poderia ter sido objeto da autuação aqui guerreada. Segundo os Impugnantes não é por ter sido exigida multa majorada que automaticamente está permitida uma acusação de dolo, pois a acusação e a própria multa dependem da demonstração de que seu fundamento (o dolo) efetivamente ocorreu no caso concreto (prova a cargo da fiscalização, de quem parte o libelo). Os pagamentos realizados e as despesas incorridas no âmbito dos contratos de prestação de serviços celebrados entre a requerente (PEM) e as empresas ENERGEX, YELLOWWOOD, PATACCAS, SINERGIA, MSML e KMX não tiveram como finalidade ocultar a ocorrência do fato gerador tanto é assim que a própria fiscalização constatou o recolhimento de tributos federais e municipais naqueles pagamentos ao cotejar o valor das notas fiscais com os valores creditados. Quem age com dolo Fl. 5868DF CARF MF Processo nº 13896.723538/201595 Acórdão n.º 1201001.902 S1C2T1 Fl. 14 13 em relação ao fisco não se dá ao trabalho de recolher impostos, tanto na fonte quanto na pessoa jurídica beneficiária. Ressaltam que se submeteu aos tributos incidentes na fonte sobre suas receitas, conforme se pode constar do exame da DIPJ do ano calendário de 2010 e dos informes de rendimento o que pode ser constatado também a partir do confronto entre os valores das notas fiscais de serviços e o montante dos pagamentos rea1izados afastandose assim qualquer dúvida quanto à aplicação do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional no presente caso. Ao final, concluem que não havendo dolo (intenção de lesar o fisco), ainda que os pagamentos decorram de ilícitos outros (formação de cartel ou vantagens indevidas), é certo que cabe ao fisco provar especificamente o dolo em matéria tributária, de modo que a singela acusação fazendária, desprovida da prova do referido dolo, não pode por si só autorizar o deslocamento da regra de contagem do prazo decadencial (art. 150, § 4°, do CTN). DA NECESSIDADE DE ARBITRAMENTO DO LUCRO Argumentam que como houve a desconsideração da maior parte das despesas impõemse a aplicação do art. 530, II, b, do RIR, segundo o qual o imposto será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando a sua escrituração relevar vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro real. Colaciona julgados do antigo Conselho de Contribuintes e do CARF. DA EXIGÊNCIA CONCOMITANTE DO IRF POR PAGAMENTO SEM CAUSA E IRPJ EM RAZÃO DA GLOSA DE DESPESAS Asseveram que a tributação de fonte com reajuste da base de cálculo, como prevista no art. 61 da Lei n. 8.981/95, é incompatível com exigência simultânea de IRPJ e CSL pela glosa da respectiva despesa. Colaciona entendimento do E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Defendem que a glosa das despesas, cujas contrapartidas são os pagamentos considerados sem causa, não permite a exigência do IRF com fulcro no art. 61 da Lei nº 8.981/95, pois, tratase de um “bis in idem”. Alegam que tal lançamento penaliza duplamente a pessoa jurídica: (a) uma vez, na condição de contribuinte do IR e da CSL (posto que a glosa conduz a uma exigência daqueles tributos à alíquota conjunta de 34% e, no caso concreto, com a multa majorada de 150%); e (b) outra vez, na condição de fonte pagadora (situação em que o IRF é exigido à alíquota de 35%, com recomposição da base de cálculo e com a multa igualmente majorada). Fl. 5869DF CARF MF Processo nº 13896.723538/201595 Acórdão n.º 1201001.902 S1C2T1 Fl. 15 14 Defendem que a fiscalização sequer comprovara o dolo na autuação aqui guerreada (limitouse a alegar o comportamento ilícito, sem demonstrar a ilicitude fiscal propriamente dita), mas a bem da verdade todos os pagamentos foram tecnicamente necessários à manutenção da fonte produtiva. DA IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO DA MULTA ISOLADA Defendem que a sistemática de apuração e recolhimento do IRPJ e da CSL se dá em bases correntes, com a antecipação mensal do quantum devido no encerramento do anocalendário, o que significa que o recolhimento estimado periodicamente está contido no recolhimento final. Assim, a multa de lançamento de oficio do tributo não recolhido no encerramento do período de apuração anual constituiria penalidade que engloba a falta de recolhimentos estimados, caracterizando uma dupla penalização do contribuinte. Aduzem que o recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de recolher o imposto no fim do ano e, pelo princípio da absorção, a conduta meio é absorvida pela conduta principal, pelo que deve ser afastada a cominação de multa isolada exigida pelo suposto descumprimento da conduta meramente intermediária. Defendem ainda que tanto a multa de lançamento de ofício, cuja previsão legal reside no art. 44, I, da Lei n.° 9.430/96, quanto a multa isolada, prevista no art. 44, II, da Lei n.° 9.430/96, incidem sobre a mesma base de cálculo, qual seja, a diferença de valores entre o contido na declaração e aquele obtido após a auditoria com a adição de exclusões indevidamente efetuadas na base de cálculo e essa dupla incidência da norma tributária sobre a mesma base de cálculo configura o “bis in idem”, que é vedado pelo ordenamento jurídico brasileiro. Desta forma, não pode ser mantida a aplicação cumulativa da multa de oficio com a multa isolada. A Câmara Superior de Recursos Fiscais já teria pacificado o tema, restando vedada a cominação concomitante da multa de ofício com a multa isolada relativa à ausência de recolhimento por estimativa. Como se isto não bastasse, o órgão máximo do Conselho já decidiu que a multa isolada somente poderá ser aplicável em eventual fiscalização durante o anocalendário em que ausente o recolhimento por estimativa. Colaciona julgado. DA DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS PARA FINS DE CSL Argumentam que para fins de CSLL não prevalecem as mesmas regras existentes para o IRPJ no tocante à dedutibilidade de despesas. Para fins de IRPJ, com efeito, as regras sempre foram muito mais detalhadas e os limites de dedutibilidade para fins de CSL são diferentes. Fl. 5870DF CARF MF Processo nº 13896.723538/201595 Acórdão n.º 1201001.902 S1C2T1 Fl. 16 15 Asseveram que nenhum dos gastos glosados nos presentes autos estão afeitos às novas limitações criadas pela Lei 9.249/96, pelo que a glosa levada a efeito se reporta a gastos que passam ao largo daquele diploma cujo art. 13, aliás, sequer foi citado como fundamento legal do lançamento pela autoridade fazendária. Segundo os Impugnantes, no que se refere à CSLL não cabe examinar a necessidade das despesas para fins de manutenção da fonte ou a usualidade das mesmas na atividade da empresa, já que tais critérios seriam aplicáveis unicamente ao IRPJ. Aduzem que desde que as despesas tenham sido escrituradas e sejam comprovadas por qualquer forma admitida pelo direito, e não estando enquadradas no art. 13 da Lei 9.249/95, as despesas são perfeitamente dedutíveis para fins de CSLL. Colaciona julgados do CARF. Concluem que nenhum dos gastos glosados nos presentes autos se enquadra nos tipos legais de indedutibilidade. Portanto, ainda que prevaleça, no caso destes autos, a indedutibilidade de gastos ou dispêndios para fins de IRPJ, mesmo assim não prevalecerá a indedutibilidade para fins de CSL, cujas regras são específicas e, portanto, não estão adstritas aos critérios do art. 299 do RIR. DA NÃO EXIGÊNCIA DO IRRF COM AMPARO EM CAUSA MERAMENTE ILÍCITA Defendem que o art. 61 da Lei n° 8.981/95 não contempla a incidência do imposto na fonte em face de pagamentos com causa ilícita pois o fundamento da exigência reside apenas na ausência de causa (“pagamentos sem causa”). O art. 299 do RIR não exige que a despesa esteja amparada somente em atos lícitos para que seja dedutível da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A exigência é de que a despesa seja necessária. Da mesma forma, entende o CARF, que o IRRF por pagamento sem causa é inexigível se houver uma causa, embora ilícita, que dê suporte ao desembolso efetuado no caso concreto. DA IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DO IRRF SOBRE PAGAMENTO EFETUADO POR TERCEIROS Segundo os Impugnantes a legislação determina que serão tributados os pagamentos efetuados por pessoa jurídica a beneficiários não identificados ou quando não for identificada a causa destes pagamentos. Ou seja, o sujeito passivo do imposto de renda retido na fonte nesta situação seria a pessoa jurídica que realiza estes pagamentos. Contudo, no presente caso os pagamentos supostamente sem causa foram efetuados por pessoa jurídica distinta da requerente, quais sejam, a PROJETEC e a TIPUANA, não havendo qualquer pagamento realizado diretamente pela requerente (PEM Engenharia), informação corroborada pela própria Fiscalização (itens 4.3 e seguintes do Termo de Fl. 5871DF CARF MF Processo nº 13896.723538/201595 Acórdão n.º 1201001.902 S1C2T1 Fl. 17 16 Verificação da Ação Fiscal), conforme os quadros sintetizando os detalhes de cada pagamento entendido como sem causa (data, valor e empresa pagadora). Entendem que não é possível imputarlhe o ônus da retenção do IR sobre tais pagamentos, ainda que efetuados à sua conta e ordem, pois o legislador optou pela responsabilidade objetiva da pessoa jurídica que efetivamente creditou os valores aos beneficiários. Colaciona julgados do CARF. Segundo os Impugnantes a Receita Federal do Brasil teria dado interpretação restritiva ao art. 717 do RIR quando se trata de pagamentos efetuados a conta e ordem de terceiros, por meio da Solução de Consulta n° 360 de 16 de Setembro de 2009. Defendem, portanto, que quem efetivamente credita um valor ao beneficiário é que deve reter o imposto de renda na condição de responsável, figurando como fonte pagadora, desde que, por óbvio, haja previsão para a sua retenção na fonte. Não negam que a PEM Engenharia celebrou contratos de prestação de serviços de administração de contas a pagar e contas a receber com a TIPUANA e a PROJETEC, e não se pretende invalidar o negócio jurídico ali firmado. Mas os contratos celebrados não têm o condão de modificar o sujeito passivo da obrigação tributária, conforme determina o art. 123 do Código Tributário Nacional. Tratariase, portanto, de nítido erro na identificação do sujeito passivo, vez que somente as empresas TIPUANA e PROJETEC poderiam ser autuadas pela ausência de retenção do IR sobre os pagamentos mencionados no Termo de Verificação da Ação Fiscal, sendo nulo o lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. DA DEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS Defendem, quanto às despesas glosadas, que as acusações fiscais são lacônicas, não há razões de ordem lógica para que se reputem ideologicamente falsos os documentos apresentados pelo contribuinte com amparo unicamente na relação de parentesco entre os titulares das empresas. O fato de haver prestação de serviços entre empresas pertencentes a parentes não é, por si só, fundamento para a acusação de que há falsidade ideológica, sobretudo quando a receita decorrente desses serviços foi integralmente tributada na empresa beneficiária. Alegam ausência de falsidade ideológica com o propósito de pagar impostos, já que sob a ótica fiscal nenhum benefício decorreria desse procedimento. Asseveram que o dever de demonstrar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária é, privativamente, da autoridade fiscal. Ausente qualquer materialidade do ilícito praticado, deve prevalecer a validade dos negócios com respaldo nas notas fiscais de serviço emitidas e a comprovação Fl. 5872DF CARF MF Processo nº 13896.723538/201595 Acórdão n.º 1201001.902 S1C2T1 Fl. 18 17 dos pagamentos líquidos já descontados os tributos incidentes na fonte (PIS, COFINS, IRE e CSL), bem como o pagamento do imposto sobre serviços (ISS). No que se refere especificamente aos negócios celebrados com a empresa KMX PARTICIPAÇÕES, além dos comprovantes de pagamento e notas fiscais, tanto a requerente (PEM Engenharia) quanto a contratada apresentaram declaração discriminativa dos serviços prestados, consistentes no levantamento e catalogação de documentação técnica e administrativa para envio ao arquivo morto, bem como organização da documentação de obra contratada com a Eletronorte. Pelas mesmas razões adotadas nos tópicos anteriores, seria descabida a multa qualificada prevista no § 1º do art. 44 da Lei 9.430/96, em face da ausência de qualquer das condutas ali tipificadas: sonegação, fraude ou conluio no intuito (dolo específico) de camuflar os fatos geradores das obrigações tributárias. Em sessão de 29 de junho de 2016, a 2a Turma da Delegacia de Julgamento de Brasília, por unanimidade de votos, rejeitou as questões preliminares de decadência e de erro na identificação dos sujeitos passivos e, no mérito, por maioria de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo incólume o crédito tributário exigido, bem como a responsabilidade solidária do Sr. Augusto Ribeiro de Mendonça Neto. Na oportunidade, foi vencido o Julgador Plínio Rodrigues Lima, que votou pela procedência parcial da impugnação, apenas para afastar as exigências de multas isoladas. Com a ciência da decisão, a empresa e o responsável solidário apresentaram Recurso Voluntário conjunto (p. 5.758 e seguintes) em que repetem, basicamente, os argumentos da impugnação. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. Como a Recorrente e o responsável solidário questionaram diversos itens relativos à autuação, faremos a análise tópica de todos os pontos controvertidos. a) Do erro na identificação dos sujeitos passivos Fl. 5873DF CARF MF Processo nº 13896.723538/201595 Acórdão n.º 1201001.902 S1C2T1 Fl. 19 18 Neste tópico, entende a defesa que o Sr. Augusto Ribeiro de Mendonça Neto figura ilegalmente como sujeito passivo da obrigação tributária, dado que ele não teria tido participação nos atos que redundaram nas autuações. Aduz, ainda, que as declarações prestadas nos termos de colaboração premiada e nos acordos de leniência da Operação Lava Jato não se confundem com os ilícitos tributários previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64. Curiosamente, a defesa também alega que é incorreta a manutenção da empresa no polo passivo da autuação, pois segundo seu entendimento (grifos no original): Com efeito, a responsabilidade imposta a terceiros pelo art. 135 do CTN é de natureza pessoal e implica na exclusão do contribuinte do polo passivo da obrigação tributária. A imputação da prática de atos maliciosos contra a própria pessoa jurídica (contribuinte) afasta a solidariedade prevista no art. 134 do CTN (hipóteses de responsabilidade advindas da mera culpa do responsável), de modo que o indivíduo que atuou com dolo assume então com exclusividade a responsabilidade pessoal pela dívida tributária. Em síntese, na visão da defesa houve duplo erro na imputação das autuações ou, como ela própria sugere: Mas é certo que no caso destes autos de infração há de prevalecer apenas uma das seguintes situações: (a) ou bem houve dolo da parte do responsável Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, de modo que a pessoa jurídica deve ser excluída do polo passivo da autuação (por força do art. 135 do CTN); (b) ou não houve dolo, e neste caso o anocalendário 2010 não poderia ser atingido pela autuação por força da regra decadencial do art. 150, § 4º, do CTN. O argumento não prospera, posto que não há base jurídica ou decorrência lógica para as duas possibilidades aventadas e, nesse contexto, apenas revela a tentativa de transferir toda a responsabilidade para a pessoa do Sr. Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, isentando a empresa PEM dos atos por ele praticados. Com efeito, confundese a defesa na interpretação dos institutos veiculados pelo Código Tributário Nacional. No caso dos autos, é induvidoso e carece de maiores digressões o fato de que a PEM figura como contribuinte dos tributos e infrações autuados, assim como não exige esforço perceber que o Sr. Augusto Ribeiro, titular e administrador da empresa, foi incluído como responsável solidário por força dos atos ilícitos que reiteradamente praticou. É cediço que a responsabilidade prevista no artigo 135, III, do CTN não exclui a obrigação a cargo do sujeito passivo original, que é definida em outro artigo e capítulo do Código. Esse ponto é absolutamente pacífico e incontroverso no âmbito deste Colegiado, ante o entendimento de que a responsabilidade solidária não afeta, prejudica ou mitiga o ônus do contribuinte. A matéria já foi apreciada dezenas de vezes e em nenhuma delas restou prejudicada a possibilidade de exigência dos créditos da pessoa jurídica. Fl. 5874DF CARF MF Processo nº 13896.723538/201595 Acórdão n.º 1201001.902 S1C2T1 Fl. 20 19 Inexiste no CTN qualquer previsão nesse sentido. Ao atribuir responsabilidade pessoal ao administrador que agiu com excesso de poderes ou infração à lei, este se posiciona como solidário em relação à empresa, que é a titular da obrigação tributária e a efetiva contribuinte do IRPJ e da CSLL. Afasto, portanto, a preliminar de erro na imputação dos sujeitos passivos, por entender que não merece reparos a qualificação promovida pela autoridade fiscal. b) Da preliminar de decadência Aduz a Recorrente que não houve a comprovação de dolo, fraude ou simulação e que, por força disso, deveria ser aplicável aos lançamentos a regra do artigo 150, § 4o, do CTN, de forma que não poderiam ser alcançados os fatos relativos ao anocalendário de 2010, especialmente no caso do IRRF. Pois bem. A ciência dos autos de infração ocorreu em 2 de dezembro de 2015 e o contribuinte optou pelo regime anual de apuração para o anocalendário de 2010. Diante desses fatos, tornase irrelevante a análise sobre a regra aplicável para a contagem do prazo de decadência (ao menos para o IRPJ e para a CSLL), pois em qualquer hipótese constatase, à evidência, que esta não se materializou. Os dispositivos legais que regem a matéria são bastante conhecidos: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” e Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...). Como visto, a ciência dos lançamentos ocorreu em dezembro de 2015, dentro do prazo conferido à autoridade fiscal para apreciar e autuar fatos relativos ao ano de 2010. Fl. 5875DF CARF MF Processo nº 13896.723538/201595 Acórdão n.º 1201001.902 S1C2T1 Fl. 21 20 Com a publicação do Recurso Especial n. 973.733/SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, que teve como relator o Ministro Luiz Fux, a matéria encontrase definida no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e deve, portanto, ser seguida neste Colegiado, nos seguintes termos: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Fl. 5876DF CARF MF Processo nº 13896.723538/201595 Acórdão n.º 1201001.902 S1C2T1 Fl. 22 21 Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Na hipótese dos autos, restou comprovada a conduta dolosa dos responsáveis pela empresa, como será demonstrado mais adiante, razão pela qual também se aplica ao IRRF a contagem do prazo prevista no artigo 173, I, do CTN. Afasta, portanto, a preliminar de decadência suscitada pela defesa. c) Do mérito sobre a necessidade de arbitramento Entende a defesa que em razão de grande parte das despesas terem sido glosadas seria obrigatória a adoção do arbitramento do lucro, ante a imprestabilidade da escrituração para determinar o lucro real. Como se sabe, a matriz legal do arbitramento é o artigo 530 do Regulamento do Imposto de Renda, a seguir reproduzido na parte que interessa ao presente julgado: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: (...) b) determinar o lucro real; A imprestabilidade reclamada pelo inciso II, b, diz respeito à impossibilidade de determinação do lucro real, o que efetivamente não ocorreu no caso em tela. O que a fiscalização promoveu foi a glosa de boa parte das despesas incorridas pela empresa, devidamente comprovada como inexistentes e/ou sem causa, visto que os serviços contratados com empresas de familiares do seu titular jamais foi prestado. É interessante notar que os registros contábeis refletiram, ainda que de forma imprópria, as despesas relativas aos contratos. O vício não está propriamente na falsidade dos registros, mas na conduta dolosa de celebrar contratos com partes tecnicamente incapazes de prestar os serviços contratados ou, ainda, com a absoluta certeza de que estes jamais foram o objeto das negociações, que serviram apenas para transferir, de modo ilícito, recursos para empresas relacionadas. Fl. 5877DF CARF MF Processo nº 13896.723538/201595 Acórdão n.º 1201001.902 S1C2T1 Fl. 23 22 O argumento de defesa é conhecido, por ser sempre o mesmo: quando a autoridade apura o lucro real clamase pelo arbitramento e quando se arbitra pugnase pela possibilidade de apuração do lucro real. É fácil perceber que ao longo de toda a fiscalização, em que foram lavrados dezenas de termos de intimação, em nenhum momento as empresas informaram que os seus registros contábeis eram imprestáveis ou apresentavam vícios; pelo contrário, sempre se manifestaram no sentido de que toda a escrituração atendia aos requisitos legais. Agora, apenas em sede de impugnação, clamam pela imprestabilidade de tudo o que consideravam legítimo e idôneo. No caso dos autos verificase que a autoridade simplesmente glosou as despesas comprovadamente indedutíveis, por inexistentes ou não justificadas, e mediante tal procedimento logrou êxito em apurar, de forma precisa, o lucro real dos períodos, recompondo a base que deveria ser oferecida à tributação e aplicando, nos termos da lei, os acréscimos pertinentes. O procedimento adotado não merece reparos, razão pela qual entendo que não podem prosperar os argumentos dos recorrentes. d) Da exigência simultânea do IRRF com as glosas relativas à apuração do IRPJ e da CSLL Neste ponto, entende a defesa que se houve a glosa, para fins de IRPJ e CSLL, de despesas cuja contrapartida foram os pagamentos considerados sem causa, não poderia ser exigido o IRRF com fulcro no artigo 61 da Lei n. 8.981/95, por se tratar de bis in idem que não pode ser acolhido. Como visto, a matriz jurídica para o IRRF é o artigo 61 da Lei n. 8.981/85: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o§ 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. Verificase que a incidência do IRRF na hipótese decorre da entrega de valores a terceiros sem a comprovação da operação que lhes deu causa. Fl. 5878DF CARF MF Processo nº 13896.723538/201595 Acórdão n.º 1201001.902 S1C2T1 Fl. 24 23 Tratase de incidência autônoma e com base de cálculo específica, sem qualquer relação com a apuração do IRPJ e da CSLL devidos no ajuste anual. No caso dos autos não podemos olvidar que é induvidoso o fato de que as despesas glosadas se referiam a operações fraudulentas, cuja origem não foi comprovada ou sequer existiu. A interpretação dos dispositivos do artigo 61, da Lei n. 8.981/95, nos leva a concluir que o fato jurídico que enseja o IRRF decorre de pagamentos sem causa (§ 1º) e a base de cálculo é fixada depois do reajustamento do rendimento bruto (§ 3º). A hipótese se amolda ao caso em tela porque restou provado que as despesas contabilizadas pela recorrente com as empresas do grupo familiar, que apenas emitiam notas fiscais, eram inidôneas e inexistentes, razão pela qual deve ser aplicado o comando legal. Contudo, alega a Recorrente precedentes do CARF que suportariam a sua pretensão, no sentido de que só caberia a incidência de IRRF se as despesas não fossem glosadas. Embora existam posições divergentes no Conselho, filiome à corrente que não vê obstáculos à exigência em paralelo do IRRF (sobre pagamentos sem causa ou a beneficiário não comprovado) com o IRPJ e a CSLL, devidos ante a glosa de despesas comprovadamente fictícias. Aliás, há julgados bastante recentes que corroboram esse entendimento, conforme decisão a seguir reproduzida: Acórdão 1402002.210 Sessão de 08/06/2016 Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – IRRF CONCOMITÂNCIA DE INCIDÊNCIA DE IRPJ/CSLL PELA GLOSA DE DESPESAS E DE IRRF SOBRE PAGAMENTOS SEM CAUSA. Quando não for comprovada a causa do pagamento, incide o IRRF. Por outro lado, uma despesa fictícia deve ser glosada, para que IRPJ e CSLL incidam sobre as bases de cálculo corretas. Consequentemente, se um contribuinte efetua pagamento por serviço e o deduz na apuração dos lucros tributáveis, mas não prova a efetiva prestação, incidem IRPJ/CSLL pela glosa da despesa e IRRF devido à ausência de causa para o pagamento. É incorreto afirmar que o reajustamento da base de cálculo do IRRF só deve ser feito quando a fonte pagadora assume o ônus do imposto, pois essa é apenas uma das hipóteses. O art. 674 do RIR/99 prevê outras: pagamento a beneficiário não identificado, ou falta de comprovação da operação ou de sua causa. Com a devida vênia àqueles que pensam de forma diferente, a questão é relativamente simples: se as despesas não existiram a glosa deve ser efetuada, por expressa Fl. 5879DF CARF MF Processo nº 13896.723538/201595 Acórdão n.º 1201001.902 S1C2T1 Fl. 25 24 determinação legal, até porque o lucro foi indevidamente reduzido e precisa ser recomposto e a diferença oferecida à tributação. Por outro lado, há dispositivo expresso que determina a incidência do IRRF quando não houver causa para o pagamento. Não há de se falar em concomitância ou bis in idem porque são fatos jurídicos distintos (despesas inexistentes e pagamento sem causa), com matrizes e fundamentos legais também diferentes. Notese que se não houvesse o pagamento, ainda assim a glosa deveria ser efetuada e o IRPJ e a CSLL seriam devidos, embora, nesta situação, não seria exigível o IRRF. O pagamento de uma despesa fraudulenta não se confunde com a escrituração indevida, até porque tratamos de matrizes jurídicas diferentes, razão pela qual não se verifica dupla penalização (tributos não se prestam a isso, como se sabe) ou bis in idem sobre único fato, como alega a Recorrente. Ademais, ainda que se possa pensar de forma distinta, com base numa interpretação econômica das regras tributárias, convém ressaltar que é vedado a este Conselho negar eficácia a norma tributária vigente e válida: Súmula CARF n. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, concluise que não há vedação para a exigência em paralelo de IRRF (sobre o pagamento sem causa) e do IRPJ e da CSLL (pela glosa de despesas fictícias); tratase de fatos distintos que devem ser apurados e autuados, sem margem para discricionariedade, como determina o artigo 142 do Código Tributário Nacional. O tema foi enfrentado em detalhes pela decisão recorrida, nos seguintes termos, que acolhemos e ratificamos: No caso concreto, os Impugnantes não negam a ocorrência dos aludidos pagamentos, contudo, não comprovam a operação, e, por se tratar de um mesmo grupo familiar de empresa, é de se aplicar o dispositivo legal de tributação exclusiva de fonte (art. 674 do RIR/99), ante a presunção de envio de rendimentos a pessoas ligadas à empresa. Ademais, como defendido em linhas passadas, os documentos trazidos aos autos (notas fiscais de serviço) embora emitidos por pessoa jurídica não considerada ou declarada inapta, são, para efeitos tributários, inidôneos. Ou seja, a exigência do IRRF, por alegado pagamento sem causa, merece ser mantida, ante a ausência de elementos seguros que demonstrem a causa dos pagamentos efetuados às citadas empresas. Notase que os documentos juntados pela Contribuinte, quando muito, demonstrariam a assunção da despesa ou custo, mas não a causa do pagamento realizado e as Notas Fiscais juntadas aos Fl. 5880DF CARF MF Processo nº 13896.723538/201595 Acórdão n.º 1201001.902 S1C2T1 Fl. 26 25 autos, por si só também não são documentos hábeis para a comprovação do serviço. Exigese, no caso, a comprovação, pelo contribuinte, da efetiva prestação pelo terceiro dos serviços contratados. Seria indispensável a apresentação de relatórios dos serviços prestados, detalhamento expresso dos serviços executados, de propostas técnicas firmadas entre as partes, papéis de trabalho, relatórios de consultoria, laudos, pareceres conclusivos com avaliação dos serviços pactuados e resultados finais do serviço, mormente se considerado o fato de que os pagamentos realizados foram de grande vulto para a Contribuinte. Assim, caracterizado o efetivo pagamento e não comprovada a operação (nota fiscal ideologicamente inidônea) é devido o lançamento do IRRF concomitante com a glosa da despesa no IRPJ, tema já estudado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB e externado na Solução de Consulta Interna nº 11 Cosit, de 8 de maio de 2013, assim ementada (grifei): Ementa: O registro contábil de despesa amparado em nota fiscal inidônea não autoriza, por si só, além da exigência do IRPJ (em face da glosa da despesa inexistente ou não comprovada), a cobrança pelo Fisco do IRRF por pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. A glosa de custo ou despesa, baseada em nota fiscal inidônea é compatível com o lançamento reflexo do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF) motivado pelo pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, desde que haja a comprovação por parte da autoridade fiscal do efetivo pagamento. Nessa toada, no presente caso, portanto, há duas incidências distintas: 1) o IRRF exigido da autuada na condição de responsável (fonte pagadora de rendimentos) que não se desincumbiu de seu dever de identificar a causa do pagamento e, por conseqüência, permitir ao Fisco confirmar a regular tributação de eventual rendimento auferido por este beneficiário, e 2) o IRPJ exigido da autuada na condição de contribuinte que deixou de auferir lucro, em razão da dedução de custos e/ou despesas que não foram regularmente provadas. Ademais, não pode prosperar a tese de "aproveitamento" dos tributos retidos, porventura pagos pelas pessoas jurídicas supostamente contratadas, pela ausência de identidade entre os sujeitos passivos, à luz do que estabelece o artigo 166 do CTN. e) Da multa de ofício cumulada com a multa isolada Sobre o tema, aduz a defesa que: Os autos de infração ora impugnados também merecem revisão no que diz respeito à cominação da multa de ofício, em razão da ausência de pagamento do IRPJ e CSL (Lei n.º 9.430/96, art. 44, I), exigida indevidamente em conjunto com a multa isolada por Fl. 5881DF CARF MF Processo nº 13896.723538/201595 Acórdão n.º 1201001.902 S1C2T1 Fl. 27 26 falta de recolhimento dos referidos tributos no regime de estimativa mensal (idem, II, a e b). Esta Turma tem decidido, a exemplo de outros colegiados do CARF, no sentido de que a multa isolada, na anterior redação do artigo 44 da Lei n. 9.430/96, deve ser afastada em observância ao princípio da consunção. Como se sabe, o princípio da consunção (também denominado princípio da absorção) aplicase quando há uma sucessão de condutas tipificadas que, em razão de um nexo de dependência intrínseco, permite que a infração mais grave absorva aquelas de menor intensidade, em razão do brocardo lex consumens derogat lex consumptae, o que equivale a dizer que o crimefim absorve o crimemeio. Essa teoria encontra suas raízes na famosa double jeopardy clause, preceito fixado pela 5a Emenda à Constituição dos Estados Unidos, que determina que ninguém poderá ser por duas vezes ameaçado em sua vida ou saúde pelo mesmo crime, o que se constitui, há tempos, na aplicação da clássica regra que veda a dupla punição em razão do mesmo fato, tal como garantida pelo princípio ne bis in idem, conforme a inteligência da Súmula 105 deste Conselho: Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Contudo, o papel precípuo do julgador é o de analisar o conjunto normativo vigente e aplicável ao tempo dos fatos. Assim, na hipótese dos autos, convém destacar que houve alteração no comando original do artigo 44, oriunda da redação que lhe foi dada pela Lei n. 11.488/2007, fruto da conversão da Medida Provisória n. 351/2007. Penso que a alteração buscou afastar a dubiedade e a imprecisão do comando anterior, circunstâncias que levaram à elaboração da Súmula 105 deste Conselho, que conferiu, à luz do artigo 112, I, do CTN, interpretação jurídica mais favorável ao contribuinte. Ocorre que a partir da nova redação inexiste dúvida, vale dizer, não se vislumbra mais qualquer impedimento jurídico para a aplicação concomitante das multas previstas nos incisos I e II, "b", do artigo 44: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) Fl. 5882DF CARF MF Processo nº 13896.723538/201595 Acórdão n.º 1201001.902 S1C2T1 Fl. 28 27 b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Como no caso dos autos as multas isoladas se referem à falta de pagamento de estimativas mensais posteriores à vigência da nova redação do artigo 44 entendo como jurídica e obrigatória a aplicação das multas nele previstas. f) Da dedutibilidade das despesas em relação à CSLL A defesa pugna que para fins de CSLL não prevalecem as mesmas regras existentes para o IRPJ no tocante à dedutibilidade de despesas. Para fins de IRPJ, com efeito, as regras sempre foram muito mais detalhadas e os limites de dedutibilidade para fins de CSLL são diferentes. Já nos manifestamos em diversos outros julgados pela possibilidade de aplicação do conceito de despesas necessárias, veiculado pelo artigo 299 do RIR, à apuração da base de cálculo da CSLL. Com efeito, sabese que a indedutibilidade de despesas para fins de IRPJ não se aplica, em todos os casos, para fins de CSLL. O discrímen, segundo penso, está na legitimidade das despesas analisadas. Na hipótese dos autos, resta evidente a ilicitude das despesas contraídas, que são produto do ajuste doloso perpetrado entre as empresas do grupo familiar capitaneado pela Recorrente. Não se pode olvidar que as despesas em questão, além de não serem dedutíveis de acordo com a legislação do imposto de renda, efetivamente se referem a operações não comprovadas e/ou inexistentes, sem qualquer benefício para a Recorrente, posto que os serviços jamais foram prestados. Aqui não se cuida do conceito jurídico de dedutibilidade, mas do fato que despesas fraudulentas não podem ser opostas a direito público indisponível, consubstanciado na correta apuração da base de cálculo dos tributos devidos. Penso que não existe margem para discussão, pois não se pode aceitar que despesas inexistentes e fraudulentas reduzam o valor devido pela pessoa que dolosa e artificialmente delas se valeu; admitir tese em contrário seria reconhecer o aproveitamento de uma vantagem ilícita, indevida e descabida, situação que não encontra amparo no ordenamento. g) Da possibilidade de se exigir IRRF sobre pagamentos sem causa "meramente ilícitos" Neste tópico, a defesa busca apresentar a tese de que a "mera ilicitude" não justifica a incidência do IRRF, nos seguintes termos (destacaremos): Independente da devolução do numerário e ainda que o IRF por pagamento sem causa seja incobrável, no caso concreto (na medida daquela devolução), certo é que o art. 61 da Lei n° Fl. 5883DF CARF MF Processo nº 13896.723538/201595 Acórdão n.º 1201001.902 S1C2T1 Fl. 29 28 8.981/95 não contempla a incidência do imposto na fonte em face de pagamentos com causa ilícita – pois o fundamento da exigência reside apenas na ausência de causa (“pagamentos sem causa”). É importante notar, também, que o art. 299 do RIR não exige que a despesa esteja amparada somente em atos lícitos para que seja dedutível da base de cálculo do IRPJ e da CSL. A exigência é de que a despesa seja necessária. Da mesma forma, o IRF por pagamento sem causa é inexigível se houver uma causa, embora ilícita, que dê suporte ao desembolso efetuado no caso concreto. Penso que a noção de ilicitude jamais pode ser acompanhada, na mesma frase e contexto, do advérbio "meramente" (simplesmente, apenas), como se isso pudesse produzir benefícios ao infrator. O argumento da Recorrente parece contrariar a máxima de que "ninguém pode se beneficiar da própria torpeza" (Nemo auditur propriam turpitudinem allegans), ao defender que uma causa ilícita não preenche o requisito de "ausência de causa" mencionado pela lei. Confesso que não consigo distinguir a ausência de causa da chamada causa ilícita; é evidente que ao se referir a pagamento sem causa quis o legislador cuidar das hipóteses em que não há motivo ou contrapartida para a realização do pagamento. O campo da ilicitude não está expressamente previsto na norma justamente porque se enquadra, automática e inexoravelmente, no conjunto anterior. Explicamos: ou algo é lícito (fundamentado, justificado, com causa) ou é ilícito (ilegal, ilegítimo, sem causa); não há outra opção, pois isso implicaria ofensa ao princípio do terceiro excluído. Portanto, abstraindo do jogo de palavras, entendo que as condutas ilícitas, materializadas pelo pagamento de despesas inexistentes e/ou não comprovadas ensejam a incidência do IRRF à alíquota de 35%. Ademais, não podemos olvidar o comando veiculado pelo artigo 118 do CTN, que vaticina: Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Verificase, portanto, que na espécie houve a ocorrência do fato jurídico previsto no artigo 61 da Lei n. 8.981/95, razão pela qual julgo corretos os lançamentos efetuados. h) Do suposto erro na identificação do sujeito passivo Fl. 5884DF CARF MF Processo nº 13896.723538/201595 Acórdão n.º 1201001.902 S1C2T1 Fl. 30 29 Defende a interessada que não lhe pode ser imputado o ônus da retenção do IR sobre os pagamentos sem causa, ainda que efetuados à sua conta e ordem, pois o legislador estabeleceu a responsabilidade objetiva da pessoa jurídica que efetivamente creditou os valores aos beneficiários. Assim, quem credita um valor ao beneficiário é que deve reter o imposto de renda na condição de responsável, figurando como fonte pagadora, desde que, por óbvio, haja previsão para a retenção na fonte. Aduz que como os pagamentos foram efetuados por pessoas jurídicas distintas, PROJETEC e TIPUANA, a estas deveria ser imputada eventual infração. Acerca da matéria, que foi detidamente analisada pela decisão recorrida, reproduzo e acolho, integralmente, os fundamentos lá esposados: Em que pese a sua argumentação não lhe assiste razão, pois, como se demonstrará a Impugnante (PEM Engenharia) é o substituto legal tributário. Vejamos que a obrigação tributária nasce por efeito da incidência da norma jurídica originária e diretamente contra o contribuinte ou contra o substituto legal tributário; a sujeição passiva é de um ou de outro, e, quando escolhido o substituto legal tributário, só ele, ninguém mais, está obrigado a pagar o tributo. No caso em tela, tratase de retenção exclusiva na fonte, onde o imposto devido é retido pela fonte pagadora que entrega o valor já líquido ao beneficiário, eis a dicção legal (RIR/99): Art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). § 1º A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). § 2º Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 2º). § 3º O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 3º). Nesse regime, a fonte pagadora substitui o contribuinte desde logo, no momento em que surge a obrigação tributária. A sujeição passiva é exclusiva da fonte pagadora. A fonte pagadora, por expressa determinação legal, lastreada no parágrafo único do art. 45 do CTN, substitui o contribuinte em relação ao recolhimento do tributo, cuja retenção está obrigada a fazer, caracterizandose como responsável tributário. Fl. 5885DF CARF MF Processo nº 13896.723538/201595 Acórdão n.º 1201001.902 S1C2T1 Fl. 31 30 Nos termos do art. 128 do CTN, a lei, ao atribuir a responsabilidade pelo pagamento do tributo à terceira pessoa vinculada ao fato gerador da obrigação tributária, tanto pode excluir a responsabilidade do contribuinte como atribuir a este a responsabilidade em caráter supletivo. Assim, em se tratando de retenção exclusiva na fonte, a fonte pagadora é a terceira pessoa vinculada ao fato gerador do imposto de renda, a quem a lei atribui a responsabilidade de reter e recolher o tributo. No caso concreto, a terceira pessoa vinculada ao fato gerador do imposto é a PEM Engenharia, portanto, FONTE PAGADORA, porquanto é ela (PEM) a verdadeira tomadora dos serviços, é quem operacionaliza todo o trâmite visando à contratação de serviços de seu interesse; as notas fiscais de prestação de serviços são emitidas em seu nome; os custos são por ela suportados, contabilizados e levados a resultado. Porém, numa relação contratual, os pagamentos aos prestadores de serviços são efetuados pelas empresas TIPUANA e PROJETEC. Tratase de caso típico de pagamento por conta e ordem de terceiros. Contudo, os contratos de prestação de serviços de administração de contas a pagar e contas a receber com a TIPUANA e a PROJETEC, não tem o condão de modificar o substituto tributário da obrigação tributária (no caso a PEM Engenharia), conforme determina o art. 123 do CTN. Neste diapasão, não se pode conjecturar que um acordo entre as partes possa afastar o verdadeiro substituto legal tributário, do contrário seria admitir uma forma excepcional e não prevista em lei de isentarlhe da exação lhe imposta, frontalmente repelido pelo nosso ordenamento jurídico tributário, na medida em que tal matéria está adstrita ao campo da reserva legal, onde só a Lei, esta entendida em seu sentido estrito, pode sobre ela dispor (art. 150, § 6° da CF, e art. 176 do CTN). Logo, devemos concluir que o acordo feito entre a PEM Engenharia e as empresas TIPUANA e PROJETEC (que possuem a natureza de convenção particular e cujos efeitos não podem ser opostos à Fazenda Pública, consoante o disposto no art. 123 do CTN) não pode afastar a incidência da tributação na PEM Engenharia: verdadeira responsável pela retenção dos tributos na fonte. Entendo correto o raciocínio, pois não se cogita que a interposição de terceiros na efetivação do pagamento tenha o condão de alterar a natureza jurídica da responsabilidade das partes. Como visto, o pagamento por conta e ordem não altera o status original das partes envolvidas na operação e, no caso concreto, em que os recursos e o suposto destino dos serviços teriam como titular a PEM, devemos concluir que não houve erro na indicação do sujeito passivo. Fl. 5886DF CARF MF Processo nº 13896.723538/201595 Acórdão n.º 1201001.902 S1C2T1 Fl. 32 31 i) Da multa qualificada A defesa se insurge contra a qualificação das multas, por entender que não restaram comprovadas as condutas previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4502/64. O argumento não procede, pois veremos que apesar do acesso aos elementos probatórios e documentos produzidos pela Polícia Federal e pelo MPF, na Operação Lava Jato, conforme autorização de compartilhamento de informações assinada pelo Juiz Federal Dr. Sergio Moro, a autoridade lançadora realizou completo levantamento das operações da Recorrente, diligenciando nas empresas supostamente contratadas e dando à Recorrente plena oportunidade de comprovar a regularidade e a origem dos pagamentos efetuados. Os mencionados dispositivos estabelecem: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Entendo que as figuras foram expressa e objetivamente demonstradas pela autoridade fiscal, de modo que as condutas da recorrente se amoldam perfeitamente às hipóteses legais. A fraude e o intuito doloso de sonegar tributos são incontroversos e foram plenamente comprovados, como noticia o extenso Termo de Verificação lavrado pela autoridade fiscal (99 páginas), do qual reproduzimos os seguintes excertos: O sujeito passivo procurou modificar as características essenciais dos fatos geradores ao tratar os custos e despesas contabilizados e os pagamentos efetuados como legítimos e necessários, com causa e em retribuição a operações comprovadas. Todavia, como demonstramos, as operações que originaram os pagamentos não foram comprovadas e os documentos de suporte apresentados eram ideologicamente falsos. Os contratos se referiam a serviços fictícios. O sujeito passivo contabilizou as despesas e custos associados a esses pagamentos como dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL a Fl. 5887DF CARF MF Processo nº 13896.723538/201595 Acórdão n.º 1201001.902 S1C2T1 Fl. 33 32 pagar. Em consequência reduziu dolosamente o montante devido desses tributos e, dessa forma, cometeu fraude. (...) As fraudes foram praticadas mediante ajuste doloso com uma grande diversidade de contrapartes, configurando o conluio. Essas contrapartes, representadas pelas empresas emitentes das notas fiscais de prestação de serviços inidôneas, pois os serviços eram fictícios e nunca foram prestados, colaboraram de forma consciente com o sujeito passivo para viabilizar a execução das fraudes descritas. Devese concluir que os contratos celebrados entre a PEM e as empresas do grupo familiar são ideologicamente falsos e, portanto, fraudulentos, posto que os serviços supostamente pactuados jamais foram prestados. Tal circunstância enseja não apenas a glosa das despesas, mas a efetiva qualificação das multas correspondentes, em observância ao que estabelece a legislação, pois a contratação dolosa e consciente de serviços que jamais foram prestados revela a tentativa da Recorrente em reduzir, de forma indevida e mediante despesas fictícias, a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, assim como o pagamento sem causa justifica a majoração das infrações relativas ao IRRF. Ressaltese que em todos os casos foi dada oportunidade para que a Recorrente comprovasse, mediante documentos e registros idôneos, a origem e a efetividade dos contratos e pagamentos realizados, sendo que, invariavelmente, tal prova jamais foi produzida. A título de argumentação, há processos que chegam ao CARF em que existe dúvida sobre a efetiva ocorrência de dolo ou fraude, pois, às vezes, a autoridade fiscal não logra êxito em demonstrar, para as autoridades julgadoras, os elementos necessários para a qualificação da conduta. No caso dos autos a situação é completamente diferente: salta aos olhos todo o ardil intencionalmente orquestrado pela Recorrente e as empresas do grupo familiar com as quais celebrava contratos, que tinham como único objetivo conferir aparente regularidade a operações inexistentes. O dolo dos agentes envolvidos, a fraude nas condutas e o objetivo de sonegar tributos foram amplamente demonstrados pela autoridade fiscal, sendo de rigor aplicar à hipótese a qualificação das multas, nos exatos termos do artigo 44, § 1o, da Lei n. 9.430/1996, com a redação vigente à época dos fatos. j) Da responsabilidade solidária Já nos manifestamos, em preliminar, sobre a correta imputação das autuações ao sócio administrador Sr. Augusto Ribeiro de Mendonça Neto. Cabe inclusive ressaltar que a defesa, em certo momento, parece "reconhecer" a responsabilidade de seu sócio como alternativa e fundamento para a exclusão da Fl. 5888DF CARF MF Processo nº 13896.723538/201595 Acórdão n.º 1201001.902 S1C2T1 Fl. 34 33 própria contribuinte do polo passivo da obrigação, como já demonstramos, apesar de também pugnar que o responsável solidário jamais agiu com excesso de poderes ou infração à lei. Lembramos que a responsabilização tem como fundamento o artigo 135, inciso III, do CTN, especificamente em relação a atos praticados com infração à lei: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Para a aplicação do mencionado dispositivo compete à autoridade fiscal a comprovação, para além de qualquer dúvida, de que os administradores agiram com excesso de poderes ou infração à lei. Os fundamentos para a responsabilidade solidária do Sr. Augusto constam do Termo de Verificação Fiscal e foram assim sintetizados na decisão recorrida: No caso sob exame, conforme já destacado linhas atrás neste voto, a Fiscalização da Receita Federal, muito embora de posse de fartos elementos produzidos pela Polícia Federal e pelo Ministério Público no âmbito da denominada operação Lava Jato, como são exemplos os depoimentos, as denúncias e mesmo as chamadas colaborações premiadas dos diversos atores, logrou produzir o seu próprio conjunto probatório, que indubitavelmente deu lastro para a apuração de irregularidades cometidas pela contribuinte PEM Engenharia no âmbito da legislação tributária federal. Esse mesmo escopo probatório permite, indubitavelmente, concluir que os aludidos atos praticados pela contribuinte PEM Engenharia, o foram com a participação ou consentimento de seus administradores. Com efeito, não é crível que o Senhor Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, não tivesse pleno conhecimento que os supostos prestadores de serviço eram empresas que não possuíam capacidade técnica, operacional ou expertise para a prestação dos serviços contratados, mormente algumas eram empresas do mesmo núcleo familiar do Sr. Augusto Ribeiro de Mendonça Neto (conforme atesta organograma de fl. 5459). Afinal, é inadmissível cogitar que os fatos narrados no presente caso, que retrata pagamentos de inúmeras despesas a diversas pessoas jurídicas, envolvendo valores significativos, pudessem passar à margem do conhecimento de seu dirigente. Fl. 5889DF CARF MF Processo nº 13896.723538/201595 Acórdão n.º 1201001.902 S1C2T1 Fl. 35 34 Destarte, como restou demonstrado as operações realizadas entre a PEM Engenharia (com conhecimento do Sr. Augusto Ribeiro de Mendonça Neto) e as prestadoras de serviço (Energex, Yellowwood, Pataccas, Sinergia, MSML e KMX) todas pertencentes ao mesmo grupo familiar, buscavam tão somente a devida redução de tributos, via de consequência, inválidas na substância e na forma e cujos efeitos não podem ser admitidos pelo Fisco, tratandose de verdadeira evasão fiscal. Portanto, agiu o Senhor Sr. Augusto Ribeiro de Mendonça Neto com infração à lei, na medida em que autorizava ou concordava com a apropriação, pela contribuinte PEM Engenharia, de despesas não necessárias para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL e/ou despesas sabidamente fictícias, acobertadas por documentos ideologicamente falsos. A leitura dos autos e do enorme volume de documentos colacionados nos leva a concluir que o Sr. Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, ao assinar os diversos contratos de prestação de serviços tinha plena consciência de que os contratantes eram empresas de papel ou inexistentes, do seu grupo familiar, sem qualquer condição de atender aos objetos pactuados. E, ainda que tal conhecimento não fosse a priori, ou seja, ao tempo da celebração dos contratos (o que mencionamos apenas por força de argumentação) resta evidente que havia total condição de se verificar, ante a não prestação dos serviços, que as empresas eram inidôneas e, como consequência, adotar as medidas cabíveis. A ausência de qualquer contestação ou questionamento, aliada à recorrência dos pagamentos sem causa, por serviços que jamais foram prestados, nos permite afirmar, sem qualquer margem para dúvidas, que o responsável solidário tinha plena ciência e consciência da fraude que perpetrou. Não podemos olvidar que a Recorrente é uma empresa de porte, que participou de obras e projetos de grande envergadura, individualmente ou mediante consórcio, o que simplesmente afasta qualquer possibilidade de que os contratos e acordos foram celebrados mediante simples erro ou culpa, sem conhecimento dos dirigentes. Ao contrário: restou comprovado que os contratos serviam apenas para acobertar o esquema ilícito de transferência de recursos a terceiros, sob o disfarce de uma suposta prestação de serviços, que jamais ocorreu. Os montantes pactuados foram significativos e os pagamentos recorrentes, assim como era patente a incapacidade dos contratantes, como bem demonstrou a autoridade fiscal (trazendo aos autos, inclusive, fotos dos supostos estabelecimentos das empresas "noteiras"). Por fim, também não há como acolher o argumento de que algumas despesas, relativas aos contratos com as empresas ENERGEX, YELLOWOOD, PATACCAS, SINERGIA, MSML e KMX, não poderiam ser glosadas apenas pelo fato de que pertencem ao grupo familiar do Sr. Augusto. Em verdade e como já apreciado, o argumento nunca foi esse, mas sim o fato de que não houve comprovação, por meio de documentos idôneos, da efetiva prestação dos serviços. Conquanto a KMX, por exemplo, tenha apresentado declaração no sentido de que os Fl. 5890DF CARF MF Processo nº 13896.723538/201595 Acórdão n.º 1201001.902 S1C2T1 Fl. 36 35 serviços foram prestados, isso não se mostra suficiente, pois há todo um conjunto de informações necessárias para a comprovação da prestação. Embora intimadas a prestar esclarecimentos, entendo que as partes não lograram êxito em comprovar as operações. Em síntese, entendo que não merece reparos o excelente trabalho realizado pela autoridade fiscal, que demonstrou de forma cabal e inequívoca a materialidade dos fatos imputados à Recorrente e aos responsáveis solidários. Ante o exposto CONHEÇO do Recurso Voluntário e, no mérito, voto por NEGARLHE provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 5891DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.720467/2015-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010
EXCLUSÃO DO CONCEITO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. RECAPAGEM, RESTAURAÇÃO OU RECONDICIONAMENTO DE PNEUS USADOS. INOCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO IPI.
Não caracteriza operação de industrialização para fins de incidência do IPI a recapagem ou atividade assemelhada de restauração ou recondicionamento realizada em pneus usados para atender encomenda de terceiro não comerciante do produto. Exclusão do conceito de industrialização por força do art. 5º, XI, do RIPI/2010.
Não há direito ao ressarcimento de que trata o art. 11 da Lei nº 9.779/99, tendo em vista tratar-se de pedidos formulados por pessoa jurídica não contribuinte desse imposto quanto à atividade de recapagem de pneus usados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.218
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 EXCLUSÃO DO CONCEITO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. RECAPAGEM, RESTAURAÇÃO OU RECONDICIONAMENTO DE PNEUS USADOS. INOCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO IPI. Não caracteriza operação de industrialização para fins de incidência do IPI a recapagem ou atividade assemelhada de restauração ou recondicionamento realizada em pneus usados para atender encomenda de terceiro não comerciante do produto. Exclusão do conceito de industrialização por força do art. 5º, XI, do RIPI/2010. Não há direito ao ressarcimento de que trata o art. 11 da Lei nº 9.779/99, tendo em vista tratarse de pedidos formulados por pessoa jurídica não contribuinte desse imposto quanto à atividade de recapagem de pneus usados. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 04 67 /2 01 5- 48 Fl. 314DF CARF MF Processo nº 10865.720467/201548 Acórdão n.º 3201003.218 S3C2T1 Fl. 3 2 CONCAP RECUPERAÇÃO COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE PNEUS CONCHAL LTDA. transmitiu PER/DCOMP alegando indébito do IPI. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório, revisor de ofício do despacho anteriormente emitido, não reconhecendo o direito creditório pleiteado e, consequentemente, não homologando as compensações declaradas, pelo fato de ter sido constatado, em ação fiscal, que o estabelecimento não se caracterizava como industrial ou a ele equiparado. De acordo com a Fiscalização, pelo fato de as operações de restauração de pneus usados serem executadas por encomenda de terceiros não estabelecidos com o comércio de tais produtos, as operações do Recorrente enquadravamse nas exclusões do conceito de industrialização previstas no art. 5º, inciso XI, do RIPI/2010 (Lei nº 4.502/1964, art. 3º, parágrafo único, inciso I), conforme ilustrado pela Solução de Consulta nº 62/2009SRRF/6ª RF/DISIT, tendo em vista que o artigo 254, inciso I, alínea “e’, do Regulamento citado determina que deve ser estornado o crédito decorrente das aquisições tributadas pelo IPI que forem empregadas nas operações de conserto, restauração, recondicionamento ou reparo previstas no inciso XI. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante requereu a homologação das compensações, a suspensão da exigibilidade/devolução do numerário e o direito de provar o alegado por todos meios de prova admitidos em direito, alegando o seguinte: a) preliminarmente, a existência de divergência entre a Solução de Consulta nº 62/2009SRRF/6ª RF/DISIT, utilizada pela Fiscalização, e as Soluções de Consulta nº 188/2008, 242/2007 e 245/2007, que consideram como industrializadas as operações encomendadas ao contribuinte, na medida que tais atividades não se realizam no âmbito da residência do preparador ou em oficina, conforme o art. 5º, inciso V, conjugado com o art. 7º, inciso II, alíneas “a” e “b”, todos do RIPI/2002; b) a Administração deveria ter apresentado consulta à Cosit para sanar a divergência de interpretação da norma, por se tratar de ato vinculado, sem o que não se tem por fundamentado o Despacho Decisório, uma vez que a Receita Federal reconhecera que o fato de o serviço em questão ser tributado pelo ISS é irrelevante para determinar a incidência do IPI; c) o Despacho Decisório Revisor fere os princípios constitucionais da segurança jurídica, da irretroatividade tributária e do direito adquirido, pois a primeira Declaração de Compensação apresentada havia sido devidamente fiscalizada e as compensações expressamente homologadas; d) a Fiscalização distorceu a aplicação da legislação, bem como das Soluções de Consulta, ao descaracterizar a industrialização exercida sobre produto usado, deteriorado ou inutilizado, a ser renovado ou restaurado, pois, somente se descaracterizaria a industrialização se o interessado estivesse consertando pneus que ainda possuíssem vida útil, como numa borracharia, pois há diferenças técnicas entre pneu recauchutado e, sobretudo, remoldado, conforme classificação na TIPI; d) a sua atividade é de indústria, sendo assim caracterizada na escrituração fiscal e reconhecida pelo Ibama, Cetesb, Coama, Receita Federal, Secretaria de Estado da Fl. 315DF CARF MF Processo nº 10865.720467/201548 Acórdão n.º 3201003.218 S3C2T1 Fl. 4 3 Fazenda e pelas diversas bandas de pneus, na medida em que a recapagem altera significativamente o uso do pneu, aperfeiçoandoo para consumo; e) quanto à exclusão do conceito de industrialização previsto no art. 5º, inciso V, conjugado com o art. 7º, inciso II, alíneas “a” e “b”, todos do RIPI/2002, afirma que não se enquadra na definição legal de oficina, tanto pela quantidade de empregados, como pelo alto consumo de energia elétrica, conforme documentos que junta. Nos termos do Acórdão nº 14058.680, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão no direito de a Administração revisar seus próprios atos, observado o prazo decadencial de cinco anos, e no fato de não se caracterizar como industrialização a atividade de recauchutagem ou regeneração de pneus efetuada exclusivamente para consumo final do destinatário encomendante, o que afasta o direito ao ressarcimento nos termos previstos no art. 11 da Lei nº 9.779/1999. Em seu recurso voluntário, o Recorrente repisa os mesmos argumentos da peça impugnatória exceto a legitimidade do procedimento de revisão de ofício do despacho decisório original , destacandose, ainda, o seguinte: 1. irrelevância do destinatário do produto para a incidência do IPI nos casos de recauchutagem; 2. a regramatriz de incidência tributária do imposto sobre produtos industrializados; 3. o reconhecimento da atividade industrial da recorrente por outros órgãos governamentais; 4. princípio da isonomia: as diferenças técnicas entre o pneu recauchutado e e o remoldado; 5. divergência entre as Soluções de Consulta da RFB: 38/2009, 22/2009, 188/2008. 242/2007 e 245/2007; 6. a industrialização por encomenda por usuário final. Consultas no âmbito da Fazenda Paulista: 562/2010 e 395/2009; 7. a atividade vinculada no âmbito da RFB e a necessidade de edição de Solução de Divergência; 8. o reconhecimento da RFB que recapagem é industrialização mesmo que encomendada por usuário final: Solução de Consulta Disit/SRRF 08 nº 14/2013; 9. o reconhecimento como indústria de recapagem independente de figurar na Lei Complementar n° 116: Parecer n° 18/2013; 10. homologação expressa do PER/DCOMPs n°s 21075.74956.231209.1.1.018760 e 25529.47001.290811.1.5.019293. É o relatório. Fl. 316DF CARF MF Processo nº 10865.720467/201548 Acórdão n.º 3201003.218 S3C2T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, aplicandoselhe, portanto, o decidido no Acórdão 3201003.217, de 26/10/2017, proferido no julgamento do processo nº 10865.720478/201528, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.217): O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Ressaltase que questão versada na manifestação de inconformidade e decidida no acórdão recorrido não fora repisada neste recurso recaindolhe, portanto, a preclusão, a saber: a legitimidade do procedimento de revisão de ofício que resultou no cancelamento da restituição indevida realizada no Pedido de Ressarcimento o Despacho Decisório do presente processo. De outra banda, matéria não questionada na manifestação de inconformidade e suscitada no recurso voluntário, à luz do que dispõe o art. 17 do Decreto nº 70.23572 (PAF), não será enfrentada, a saber, a irrelevância da natureza do encomendante da recapagem, se consumidor final ou usuário, para a incidência do IPI Em que pese a recorrente aduzir novas razões de defesa em sua peça recursal, a matéria cujo contraditório fora instaurado na manifestação de inconformidade cingese tãosomente decidir quanto à adequação ao conceito de industrialização, para fins de tributação de IPI, e o corresponde direito ao crédito de que trata o art. 11 da lei nº 9.779/99, a atividade de recapagem de pneus usados, encomendados por pessoas jurídicas não comerciantes do produto. O ponto de divergência entre Fisco e contribuinte reside na fundamentação legal e em soluções de consulta no âmbito da RFB para afirmar ou infirmar a subsunção da atividade de recapagem de pneus usados ao conceito de industrialização. A legislação em que recai a discórdia é a Lei nº 4.502/1964, regulamentada à época dos fatos pelo Decreto nº 7.212/2010 RIPI/2010: Art.5o Não se considera industrialização: (...) V o preparo de produto, por encomenda direta do consumidor ou usuário, na residência do preparador ou em oficina, desde que, em qualquer caso, seja preponderante o trabalho profissional; (...) Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10865.720467/201548 Acórdão n.º 3201003.218 S3C2T1 Fl. 6 5 XI o conserto, a restauração e o recondicionamento de produtos usados, nos casos em que se destinem ao uso da própria empresa executora ou quando essas operações sejam executadas por encomenda de terceiros não estabelecidos com o comércio de tais produtos, bem como o preparo, pelo consertador, restaurador ou recondicionador, de partes ou peças empregadas exclusiva e especificamente naquelas operações(Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, inciso I); (...) Art. 7º Para os efeitos do art. 5º: (...) II nos casos dos seus incisos IV e V: a) oficina é o estabelecimento que empregar, no máximo, cinco operários e, caso utilize força motriz, não dispuser de potência superior a cinco quilowatts; e b) trabalho preponderante é o que contribuir no preparo do produto, para formação de seu valor, a título de mãodeobra, no mínimo com sessenta por cento. O Fisco que não se fundamenta na Solução de Consulta nº 62 SRRF/6ª Região, pois afirma que os argumentos nela expostos apenas corroboram os seus entende que a atividade exercida pela contribuinte encontrase fora do alcance da incidência do IPI por expressa exclusão do conceito prescrita no art. 3º, parágrafo único, inciso I da Lei nº 4.502/1964, reproduzido no art. 5º, inciso XI do Decreto nº 7.212/2010 RIPI/2010. Importa salientar que a fiscalização não afirmou que a atividade não se trata de industrialização, somente que a legislação do IPI não a considera para efeitos de sua tributação. Transcrevo o excerto que dirige o raciocínio da autoridade fiscal: 5 Em tese, se a atividade descrita em “4” se amoldasse puramente ao conceito de industrialização, o contribuinte estaria apto ao pedido de ressarcimento. Ocorre que há exceções à regra, e o contribuinte se enquadra perfeitamente a essas exceções (excludentes do conceito de “industrialização”) existentes na legislação que regulamenta o IPI, como veremos a seguir. 6 A solução de consulta nº 62/2009, da DISIT SRRF/6ª RF, cuja ementa, a seguir copiamos, vem corroborar nosso entendimento (...) A recorrente assevera que sua atividade exercida sobre os pneus usados é uma industrialização assim considerada à luz de toda a legislação do IPI, com supedâneo na Constituição Federal, transitando pelo CTN e Regulamentos e, inclusive, nas Soluções de Consultas da Receita Federal que menciona. No tocante às exclusões previstas nos incisos do art. 5º do RIPI, aduz que a descrição das características da operação preconizada no inciso V a faz permanecer compulsoriamente no campo de incidência do Imposto, pois que somente se aplica se cumulativamente atender ao disposto nas alíneas "a" e "b" do inciso II do art. 7º do RIPI/2010, o que não é o seu caso. Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10865.720467/201548 Acórdão n.º 3201003.218 S3C2T1 Fl. 7 6 Infrutífera toda a argumentação da recorrente no sentido de incluir sua operação no conceito de industrialização por entender que não atende aos requisitos de exclusão do conceito pertinente à situação descrita no inciso V do art. 5º do RIPI, exclusivamente em relação à segunda parte, que dispõe o local e quem realizará a atividade. A interpretação da recorrente é equivocada. Primeiro, porque parte da premissa errônea de que a recapagem de pneus usados, e as atividades assemelhadas de recuperação ou remoldagem, é operação de industrialização a ser tributada pelo IPI e, segundo, por conceber que é tributada em razão de não reunir duas das condições de exclusão do conceito de industrialização, quais sejam, seu trabalho não é preponderantemente profissional nem realizado em oficina, como entende requerer a literalidade do inciso II do art. 7º do RIPI/2010. A operação de recapagem para encomendante consumidor ou usuário não se enquadra na exclusão do inciso V e o motivo não se deve ao local de realização residência ou oficina nem à inexistência de preponderância de trabalho profissional. Em verdade, o motivo primeiro e suficiente à referida exclusão devese à atividade de recapagem não se constituir um "preparo de produto", expressão que se encontra fora da materialidade do fato gerador do IPI. Conforme o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa1, preparo é o mesmo que preparação, esta definida como "medida ou ação preliminar para a efetuação de qualquer coisa". Em síntese, a primeira parte do inciso V do art. 5º do RIPI "o preparo de produto, por encomenda direta do consumidor ou usuário ..." caracterizase uma atividade preliminar efetuada em qualquer produto constituindose uma etapa antecedente à outra, posterior, que será executada (esta possivelmente tributada pelo IPI). Optou o legislador pela não incidência do IPI nesta etapa antecedente (o preparo), servindose de um inciso/artigo isolado na legislação o V do 5º do RIPI para discipliná la. Não por coincidência, impende analisar a aparição do termo "preparo" na legislação do IPI, em especial no trato das hipóteses de incidência e nãoincidência. Constatase que "preparo" não é utilizado em qualquer das ações/operações consideradas industrialização no RIPI (art. 4º e incisos), mas que exsurge em 05 (cinco) ocorrências do termo no art. 5º que trata de atividades ou situações que estão fora do alcance da incidência, por exclusiva vontade do legislador: nos incisos I, II, III, V e XI (restrita a utilização em partes e peças) do art. 5º do RIPI. Firmado nesses fundamentos entendo que a recapagem de pneus usados encomendada por consumidor ou usuário final, à luz do art. 5º, incisos V do RIPI/2010, não se insere no campo de incidência do IPI. Contudo, e também corretamente aplicado pela fiscalização à situação dos autos, o dispositivo legal que retira a operação praticada pelo contribuinte da incidência do IPI é o inciso XI, do art. 5º do RIPI, em razão de sua especificidade e alcançar mais precisamente a atividade 1 HOUAISS, Antônio. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, 1ª ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p. 2.289. Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10865.720467/201548 Acórdão n.º 3201003.218 S3C2T1 Fl. 8 7 (restauração e o recondicionamento), o produto (pneu usado), a aplicação (destinado ao uso) e o beneficiário da operação (encomendante é terceiro que não comercializa o pneu usado). Neste mesmo sentido tenho por consolidada a posição deste Conselho acerca a exclusão do conceito de industrialização das operações que visam a recuperação de pneus usados por encomenda de consumidor final, não comerciante do produto. Eis os acórdãos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 OPERAÇÃO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. RECONDICIONAMENTO OU RENOVAÇÃO DE PRODUTOS USADOS. INOCORRÊNCIA. Na caracteriza operação de industrialização para fins de incidência do IPI, o recondicionamento ou a renovação de produtos usados, quando não se destinem à revenda pelo encomendante. INCIDÊNCIA DO IPI. RECAUCHUTAGEM DE PNEUS USADOS SOB ENCOMENDA POR CONSUMIDOR FINAL. IMPOSSIBILIDADE. A atividade de recauchutagem ou recapagem de pneus usados quando efetuada por encomenda direta do proprietário, na condição de consumidor final, não se enquadra na definição de operação de industrialização, o que a exclui do conceito de operação de industrialização e do campo de incidência do IPI. DIREITO DE CRÉDITO. ESTABELECIMENTO NÃO CONTRIBUINTE DO IPI. IMPOSSIBILIDADE. O estabelecimento não contribuinte do IPI, por não realizar operação de industrialização, não faz jus a crédito do imposto pago na aquisição de insumo tributado aplicado na industrialização de produto isento ou tributado à alíquota zero. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. CABIMENTO. A não comprovação da existência do crédito utilizado na compensação constitui motivo suficiente para não homologação do respectivo procedimento compensatório. Recurso Voluntário Negado. (Acórdão 3102002.240. Processo nº 13609.000614/200345. Sessão de 24/07/2014, decisão unânime. Rel. Cons. José Fernandes do Nascimento) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10865.720467/201548 Acórdão n.º 3201003.218 S3C2T1 Fl. 9 8 RECAUCHUTAGEM OU RECAPAGEM DE PNEUS PARA CONSUMO DE DESTINATÁRIO ENCOMENDANTE. EXCLUSÃO DO CONCEITO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IPI. Atividade de recauchutagem ou recapagem de pneus quando efetuada exclusivamente para consumo final do destinatário encomendante, temse como excludente do conceito de industrialização, inteligência do art. 5º, inciso XI, do RIPI/1998 ou do RIPI/2002. Logo, não há direito ao ressarcimento de que trata o art. 11 da Lei nº 9.779/99, tendo em vista tratarse de pedidos formulados por pessoa jurídica não contribuinte desse imposto. O regime da nãocumulatividade do IPI permite o creditamento referente ao tributo incidente sobre as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem que integram o produto ou sejam consumidos no processo de industrialização, o que não é o caso. Recurso Voluntário ao qual se nega. (Acórdão 3802002.878. Processo nº 13609.000536/200389. Sessão de 23/04/2014, decisão unânime. Rel. Cons. Mércia Helena Trajano D´Amorim) Consoante os argumentos ante expostos, percebese inócua a discussão sobre a prevalência de uma solução de consulta sobre outra, vez que as respostas aos consulentes têm fundamentos diferentes, umas com base no inciso V, outras no XI, ambos do art. 5º do RIPI/2010. Ainda em relação às soluções de consultas no âmbito da RFB nenhum efeito é produzido e conferido à recorrente pois não foi a consulente. As consultas no âmbito do fisco Estadual tratam do ICMS, matéria estranha à presente lide e, igualmente, não produz qualquer efeito na esfera dos tributos federais. As discussões atinentes à legislação do ISS que confrontam as materialidades do tributo municipal com as do IPI são periféricas e não resolvem a presente lide. Também despiciendos todos os demais argumentos de discussão para considerar tributadas pelo IPI a atividade realizada pela recorrente, pois assentada alhures os fundamentos para a sua exclusão do conceito de industrialização nos termos do art. 5º, inciso XI do RIPI/2010. Conclusão Por fim, se a recorrente não era contribuinte do IPI na operação, certamente, ela não podia se creditar do valor imposto pago na aquisição de insumos utilizados na atividade de recapagem de pneus usados com base no art. 11 da Lei 9.779/99, que se aplica apenas aos estabelecimento industriais ou equiparados que praticam fatos geradores do IPI, o que não era o seu caso. Por essas razões, acertada a decisão do Fisco em cancelar o ressarcimento do valor pago (...). Diante do exposto, voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10865.720467/201548 Acórdão n.º 3201003.218 S3C2T1 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 322DF CARF MF
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