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Numero do processo: 13984.000444/2001-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/1995 a 29/02/1996
DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. EFEITO.
A declaração de inconstitucionalidade "in abstracto", considerado o efeito repristinatório que lhe é inerente, importa em restauração das normas estatais revogadas pelo diploma objeto do processo de controle normativo abstrato.
Numero da decisão: 3201-004.354
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/1995 a 29/02/1996 DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. EFEITO. A declaração de inconstitucionalidade "in abstracto", considerado o efeito repristinatório que lhe é inerente, importa em restauração das normas estatais revogadas pelo diploma objeto do processo de controle normativo abstrato.
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RESTITUIÇÃO Recorrente SUPERMERCADOS MYATÃ LTDA.. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1995 a 29/02/1996 DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. EFEITO. A declaração de inconstitucionalidade "in abstracto", considerado o efeito repristinatório que lhe é inerente, importa em restauração das normas estatais revogadas pelo diploma objeto do processo de controle normativo abstrato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido de restituição de PIS, com origem no período de 01/10/1995 a 29/02/1996. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 00 04 44 /2 00 1- 50 Fl. 322DF CARF MF 2 Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Trata o presente processo de pedido de restituição, apresentado em 13/08/2001, de valores que teriam sido indevidamente recolhidos com base na Medida Provisória n.o 1.212/1995, a título de Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, nos períodos de apuração de outubro de 1995 a fevereiro de 1996. Como dos autos se infere, o referido pedido já havia indeferido em decisões administrativas anteriores (despacho decisório da DRF/Lages/SC e acórdãos da DRJ/Florianópolis/SC e do então Conselho de Contribuintes), por conta do transcurso do prazo decadencial previsto para a repetição do indébito (cinco anos contados da data dos recolhimentos pretensamente indevidos). Ocorre, porém, que posteriormente a contribuinte obteve decisão judicial, já transitada em julgado (Ação Ordinária n.o 2008.72.06.0003527), por meio da qual lhe foi reconhecido, especificamente em relação ao presente processo administrativo, que "o prazo de cinco anos previsto no art. 168, I, do CTN, tem início na data de homologação tácita do lançamento e não na data do pagamento do tributo considerado indevido pela autora" (folhas 187 a 189). Tal decisão definitiva foi comunicada pela Procuradoria da Fazenda Nacional à DRF/Lages/SC em 26/03/2015 (Ofício à folha 185) e, em razão disso, a DRF/Lages/SC lavrou novo despacho decisório, considerando o novo marco temporal estabelecido pelo Poder Judiciário para o pleito repetitório. Nesse novo despacho decisório, a DRF/Lages/SC declara tempestivo o pedido repetitório (em face do critério temporal adotado pelo Poder Judiciário), mas volta a se manifestar pelo indeferimento do pedido de restituição formulado pela contribuinte, fazendoo por via da alegação de que, apesar de ser mesmo indevida a exigência da Contribuição para o PIS com base na Medida Provisória n.º 1.212/1995 no período de outubro de 1995 a fevereiro de 1996 (em face da reconhecida inconstitucionalidade associada ao desrespeito ao princípio da anterioridade nonagesimal), a exação remanesceria exigível com base na Lei Complementar 07/1970, como expressamente posto no parágrafo único do artigo 1.º da Instrução Normativa SRF n.o 06, de 19/01/2000. Assim, como a contribuinte pleiteia a restituição integral do que recolheu, em face de entender não ser exigível qualquer valor em face do afastamento da MP n.o 1.212/1995 no período em questão (já que isso representaria uma indevida repristinação da LC n.º 07/1970), o pedido restou não acatado. Importa ressaltar que a DRF/Lages/SC, ao prolatar esse novo despacho decisório, o fez confrontando expressamente as bases de cálculo do PIS declaradas pela própria contribuinte com o valor devido com base na LC n.º 07/1970, tendo concluído, a partir dessa análise, que os recolhimentos efetuados pela contribuinte não se caracterizariam como indevidos. Fl. 323DF CARF MF Processo nº 13984.000444/200150 Acórdão n.º 3201004.354 S3C2T1 Fl. 323 3 Cientificada do novo despacho decisório, contra ele se insurgiu a contribuinte, alegando que efetuou os recolhimentos objeto do pedido repetitório com base na MP n.o 1.212/1995 e que, por conta do afastamento da aplicação dessa MP no período de outubro de 1995 a fevereiro de 1996, qualquer recolhimento se mostraria indevido. À evidência, ao não contestar especificamente a confrontação entre as bases de cálculo e valores recolhidos efetuada pela DRF/Lages/SC, parece que a contribuinte reitera o argumento, já posto em contestações referentes ao primeiro despacho decisório, de que com o afastamento da MP n.º 1.212/1995 no período de outubro de 1995 a fevereiro de 1996, não caberia a exigência com base na LC n.o 07/1970, dado que isso representaria repristinação não aceita em nossa ordem jurídica. (g.n.) É o relatório. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/FNS n.º 0739.941, de 21/06/2017 (fls. 292 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1995 a 29/02/1996 INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 15 DA MP N.o 1.212/1995. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL NO PERÍODO DE 01/10/1995 A 29/02/1996 Em face da declaração de inconstitucionalidade do artigo 15 da MP nº 1.212/1995, aos fatos geradores relativos à Contribuição para o PIS ocorridos no período compreendido entre 1º de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996 aplicase o disposto na Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, e nº 8, de 3 de dezembro de 1970. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 301 e ss., por meio do qual aduz: Efetuou recolhimentos título de PIS no indicado período, qual seja, novembro de 1995 a fevereiro de 1996, e o fez com base no disposto na MP nº 1.212/95. A citada MP trata do recolhimento das contribuições para o PIS/PASEP, determinando sujeito passivo, sujeito ativo, base de cálculo, alíquotas, fatos geradores, forma de recolhimento, entre outras disposições. O seu art. 15 dispunha que a mesma entraria em vigor na data de sua publicação, no caso em 28 de novembro de 1995, e aplicarseia a fatos geradores ocorridos a partir de 11 de outubro de 1995. Assim, feriu o princípio constitucional da anterioridade nonagesimal, insculpido no artigo 195, §6º, da Constituição Federal (cita decisão do STF); Fl. 324DF CARF MF 4 A Secretaria da Receita Federal já reconheceu a inexistência de relação jurídico tributária no período em comento, de 17 de outubro de 1995 a 28 de fevereiro de 1996, por meio da Instrução Normativa SRF nº 06/2000. Assim, se a própria Receita Federal reconhece que não podem ser constituídos créditos tributários com base nas alterações introduzidas pela Medida Provisória nº 1.212/95, por óbvio que os valores pagos com base no referido dispositivo legal devem ser restituídos à Recorrente; A decisão recorrida está fundamentada no entendimento de que a declaração de inconstitucionalidade da MP nº 1.212/1995 acarretaria a recomposição da ordem jurídica de forma que no período em questão deveria ser observado o disposto na Lei Complementar nº 07/1970. Esse entendimento está equivocado. Tem direito à restituição dos recolhimentos a maior nos períodos apontados em razão de dispositivo da MP nº 1.212/95 declarado inconstitucional. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou pedido de restituição de PIS, com origem no período de 01/10/1995 a 29/02/1996, que restou indeferido ao fundamento de que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 15 da MP nº 1.212/1995, aplicarseia, para o período reclamado, o disposto na Lei Complementar nº 07/1970, entendimento com o qual, como se viu do Relatório, discorda. Interposta manifestação de inconformidade, a DRJ julgoua improcedente, daí a interposição do recurso voluntário. Como se verá, a matéria não comporta maiores digressões. Com efeito, a declaração de lei acarreta a restauração da norma que, em face da edição daquela, deixara de ser aplicada. O entendimento é pacífico, como comprova a seguinte ementa de decisão do Supremo Tribunal Federal: FISCALIZAÇÃO NORMATIVA ABSTRATA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM TESE E EFEITO REPRISTINATÓRIO. A declaração de inconstitucionalidade "in abstracto", considerado o efeito repristinatório que lhe é inerente (RTJ 120/64 RTJ 194/504505 ADI 2.867/ES, v.g.), importa em restauração das normas estatais revogadas pelo diploma objeto do processo de controle normativo abstrato. É que a lei declarada inconstitucional, por incidir em absoluta desvalia jurídica (RTJ 146/461462), não pode gerar quaisquer efeitos no plano do direito, nem mesmo o de provocar a própria revogação dos diplomas normativos a ela anteriores. Lei inconstitucional, porque inválida (RTJ 102/671), sequer possui eficácia derrogatória. A decisão do Supremo Tribunal Federal que declara, em sede de fiscalização abstrata, a inconstitucionalidade de determinado diploma normativo tem o condão de provocar a repristinação dos atos estatais anteriores que foram revogados pela lei proclamada inconstitucional. Fl. 325DF CARF MF Processo nº 13984.000444/200150 Acórdão n.º 3201004.354 S3C2T1 Fl. 324 5 Doutrina. Precedentes (ADI 2.215MC/PE, Rel. Min. CELSO DE MELLO, "Informativo/STF" nº 224). Portanto, o pedido de restituição deveria ser analisado à luz da LC nº 07/1970. E foi o que fez a fiscalização, ao concluir, após o confronto das bases de cálculo do PIS declaradas com o valor devido com fundamento na LC n.º 07/1970, que nenhuma repetição seria devida, fato, aliás, não contestado pela Recorrente. Por derradeiro, cabe registrar que o que a RFB reconheceu foi a impossibilidade de constituir créditos tributários com base nas alterações introduzidas por meio da MP nº 1.212/95, mas não a sua constituição com fundamento na LC n.º 07/1970. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 326DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13433.000649/2010-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
CRÉDITO PRESUMIDO NA EXPORTAÇÃO. PRODUTO NÃO TRIBUTÁVEL (N/T). PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
De acordo com a Súmula CARF nº 124, a produção e a exportação de produtos classificados na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) como "não-tributados" não geram direito ao crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996.
Numero da decisão: 3201-004.359
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 CRÉDITO PRESUMIDO NA EXPORTAÇÃO. PRODUTO NÃO TRIBUTÁVEL (N/T). PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com a Súmula CARF nº 124, a produção e a exportação de produtos classificados na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) como "não-tributados" não geram direito ao crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996.
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CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO N/T. Recorrente A FERREIRA INDÚSTRIA COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 CRÉDITO PRESUMIDO NA EXPORTAÇÃO. PRODUTO NÃO TRIBUTÁVEL (N/T). PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com a Súmula CARF nº 124, a produção e a exportação de produtos classificados na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) como "não tributados" não geram direito ao crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 43 3. 00 06 49 /2 01 0- 62 Fl. 126DF CARF MF Processo nº 13433.000649/201062 Acórdão n.º 3201004.359 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face de decisão proferida pela DRJ/ Ribeirão Preto, que manteve o Despacho Decisório da DRF/Mossoró/RN e, consequentemente, não reconheceu o direito ao crédito presumido do IPI pleiteado. Como é de costume desta Turma de julgamento, transcrevese o relatório do Acórdão de primeira instância, para apreciação: "Trata o presente de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que não reconheceu o pedido de ressarcimento do crédito presumido, apurado pelo contribuinte no período em epígrafe, e, conseqüentemente, não homologou a compensação dos débitos declarados. Tempestivamente o interessado manifestou sua inconformidade alegando, em síntese, que, preliminarmente, com base no § 4º do artigo 150 do CTN, os créditos já estariam homologados e que, com base no art. 24 da Lei nº 11.457/2007, teria ocorrido a preclusão, portanto, a PERDCOMP estaria homologada. No mérito, argúi, segundo sua interpretação da legislação, doutrina e julgados que cita, ser absolutamente impróprio excluir do crédito presumido um produto como o seu, que é industrializado, inclusive com tecnologia de ponta, por ser classificado na TIPI como NT (não tributado), sendo que a referida Tabela seria imprestável para qualificar um produto como industrializado, na medida que insere no campo de incidência do imposto, ainda que com alíquota zero(0), lagostas vivas Ainda acrescenta que, a partir da EC 33/2001, que tornou absoluta a imunidade, quanto ao PIS/COFINS, dos produtos exportados, há de ser desonerado pelo crédito presumido todas as etapas anteriores à exportação. Encerrou citando julgado do STJ e afirmando que o CARF “começa a renderse também quanto à correção monetária dos créditos escriturais quando o obstáculo ao creditamento é colocado pelo Fisco, matéria já sumulada pelo STJ”." O Acórdão nº 14042.350, da DRJ/Ribeirão Preto, possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. Operação que resulta em produto nãotributável, não é considerada operação industrial, não fazendo jus ao crédito presumido de IPI. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Em seguida, os autos foram distribuídos e pautados nos moldes do regimento interno deste Conselho. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13433.000649/201062 Acórdão n.º 3201004.359 S3C2T1 Fl. 4 3 Relatório proferido. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.356, de 24/10/2018, proferido no julgamento do processo 13433.720230/201021, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.356): "Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais conforme Regimento Interno deste Conselho e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Pessoalmente entendo que é possível o creditamento nas operações do contribuinte, contudo, a matéria possui a recente Súmula n.º 124, que deve ser aplicada ao presente litígio administrativo fiscal, por ser obrigatória, em acordo com o regimento interno deste Conselho: "Súmula CARF nº 124 A produção e a exportação de produtos classificados na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) como "não tributados" não geram direito ao crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996." Não reconhecido o crédito, resta prejudicado o argumento do contribuinte a respeito da aplicação da taxa Selic. Diante do exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 128DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.004519/2008-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. CONTAGEM DO PRAZO. DECISÃO DO STF COM REPERCUSSÃO GERAL.
Para os pedidos formulados depois de 9 de junho de 2005, o prazo decadencial de cinco anos é contado da data do pagamento antecipado ou da retenção na fonte (STF, RE nº 566.621, com repercussão geral).
Numero da decisão: 2402-006.729
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. CONTAGEM DO PRAZO. DECISÃO DO STF COM REPERCUSSÃO GERAL. Para os pedidos formulados depois de 9 de junho de 2005, o prazo decadencial de cinco anos é contado da data do pagamento antecipado ou da retenção na fonte (STF, RE nº 566.621, com repercussão geral).
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MOLÉSTIA GRAVE. DECADÊNCIA Recorrente HAROLDO NELSON ANDRADE SERRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. CONTAGEM DO PRAZO. DECISÃO DO STF COM REPERCUSSÃO GERAL. Para os pedidos formulados depois de 9 de junho de 2005, o prazo decadencial de cinco anos é contado da data do pagamento antecipado ou da retenção na fonte (STF, RE nº 566.621, com repercussão geral). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente em Exercício (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 45 19 /2 00 8- 87 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10280.004519/200887 Acórdão n.º 2402006.729 S2C4T2 Fl. 85 2 Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de acórdão da DRJ, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, na qual o sujeito passivo pediu que fosse reconhecido o seu direito à isenção, em face da existência de moléstia grave. Segue abaixo a ementa da decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA O prazo para o contribuinte pleitear restituição de tributo pago a maior ou indevidamente é de cinco anos a partir do pagamento, data da extinção do crédito tributário. O direito de o contribuinte pleitear a restituição de imposto retido na fonte finda com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador, ou seja, 31 de dezembro do respectivo anocalendário. O sujeito passivo foi intimado da decisão em 21/05/2010 e interpôs seu recurso voluntário em 01/06/2010, no qual afirmou fazer jus ao benefício de restituição do imposto de renda pessoa física. Sem contrarrazões ou manifestação da Procuradoria. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Da decadência Cuidase de pedido de restituição referente ao IRPF, anocalendário 2002, sob o argumento de que o sujeito passivo teria moléstia grave. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10280.004519/200887 Acórdão n.º 2402006.729 S2C4T2 Fl. 86 3 A solicitação fora indeferida pela unidade de origem, ao argumento de que teria transcorrido o prazo de cinco anos para que o contribuinte pleiteasse a restituição. O acórdão de manifestação também entendeu ter havido a decadência. Pois bem. O art. 168, inc. I, do CTN, preleciona que o direito de pleitear a restituição de tributo indevidamente pago é de cinco anos, a contar da data da extinção do crédito tributário. Vejase: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário;(Vide art 3 da LCp nº 118, de 2005) No que se refere aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o art. 3° da LC nº 118/2005 conferiu efeito interpretativo àquele dispositivo, estabelecendo que a extinção do crédito tributário ocorre com o pagamento antecipado. O art. 4° da mesma LC prescreveu a aplicação retroativa do citado preceito com base no art. 106, inc. I, do CTN. Veja se: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4º Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Tal matéria foi objeto de declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em julgamento com repercussão geral. Reconheceuse a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4º da LC nº 118, pois, embora com alegado caráter interpretativo, ele inovou no mundo jurídico, devendo ser tido como lei nova. Consagrouse a tese de que o prazo de 5 anos, contado da data do pagamento, teria aplicação somente nas ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias da lei, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Para as ações ajuizadas anteriormente, mantevese o entendimento consolidado no STJ, que vinha reiteradamente reconhecendo a aplicabilidade da tese dos cinco mais cinco. Vejase: DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10280.004519/200887 Acórdão n.º 2402006.729 S2C4T2 Fl. 87 4 NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. [...] Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (STF RE nº 566621/RS, Relator(a): Min. Ellen Gracie, Tribunal Pleno, julgado em 04082011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011). Como sabido, este Conselho está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF com repercussão geral, conforme determina o art. 62A do seu Regimento Interno: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Neste caso, o requerimento administrativo foi apresentado em 04/09/2008, de tal forma que realmente havia ultrapassado o prazo para a restituição das parcelas pagas ou retidas em 2002, inclusive do imposto incidente sobre o 13º salário. É importante observar que, de acordo com o art. 66 da Lei 9784/99, e o art. 132, § 3º, do Código Civil, os prazos fixados em meses ou anos contamse de data a data, expirandose no dia de igual número ao de início. Vejase: Art. 66. Os prazos começam a correr a partir da data da cientificação oficial, excluindose da contagem o dia do começo e incluindose o do vencimento. § 1o Considerase prorrogado o prazo até o primeiro dia útil seguinte se o vencimento cair em dia em que não houver expediente ou este for encerrado antes da hora normal. § 2o Os prazos expressos em dias contamse de modo contínuo. § 3o Os prazos fixados em meses ou anos contamse de data a data. Se no mês do vencimento não houver o dia equivalente àquele do início do prazo, temse como termo o último dia do mês. Art. 132. Salvo disposição legal ou convencional em contrário, computamse os prazos, excluído o dia do começo, e incluído o do vencimento. § 1o Se o dia do vencimento cair em feriado, considerarseá prorrogado o prazo até o seguinte dia útil. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10280.004519/200887 Acórdão n.º 2402006.729 S2C4T2 Fl. 88 5 § 2o Meado considerase, em qualquer mês, o seu décimo quinto dia. § 3o Os prazos de meses e anos expiram no dia de igual número do de início, ou no imediato, se faltar exata correspondência. § 4o Os prazos fixados por hora contarseão de minuto a minuto. Logo, o recurso voluntário deve ser desprovido. 3 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.726244/2011-29
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas.
AUXÍLIO - ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM PECÚNIA.
Integram o salário-de-contribuição os pagamentos efetuados em pecúnia a título de auxílio-alimentação (assim também considerados os pagamentos via cartões ou tickets).
GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
As empresas integrantes de grupo econômico respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações tributárias para com a Seguridade Social.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS E ACESSÓRIAS. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. (Súmula CARF nº 119).
Numero da decisão: 9202-007.434
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte, apenas quanto ao auxílio-alimentação e a retroatividade benigna e, no mérito, na parte conhecida, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial, para aplicar a retroatividade benigna em conformidade com a Súmula CARF nº 119.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas. AUXÍLIO - ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM PECÚNIA. Integram o salário-de-contribuição os pagamentos efetuados em pecúnia a título de auxílio-alimentação (assim também considerados os pagamentos via cartões ou tickets). GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As empresas integrantes de grupo econômico respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações tributárias para com a Seguridade Social. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS E ACESSÓRIAS. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. (Súmula CARF nº 119).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte, apenas quanto ao auxílio-alimentação e a retroatividade benigna e, no mérito, na parte conhecida, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial, para aplicar a retroatividade benigna em conformidade com a Súmula CARF nº 119. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM PECÚNIA. Integram o saláriodecontribuição os pagamentos efetuados em pecúnia a título de auxílioalimentação (assim também considerados os pagamentos via cartões ou tickets). GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As empresas integrantes de grupo econômico respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações tributárias para com a Seguridade Social. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS E ACESSÓRIAS. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. (Súmula CARF nº 119). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 62 44 /2 01 1- 29 Fl. 4453DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte, apenas quanto ao auxílioalimentação e a retroatividade benigna e, no mérito, na parte conhecida, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial, para aplicar a retroatividade benigna em conformidade com a Súmula CARF nº 119. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de ação fiscal que originou os seguintes procedimentos: PROCESSO DEBCAD TIPO FASE 10680.726244/201129 37.339.4012 (Emp. e SAT) Obrig. Principal Recurso Especial 10680.726245/201173 37.339.4020 (Terceiros) Obrig. Principal Acórdão de Recurso Especial nº 9202 007.287 10680.726246/201118 37.339.4039 (AI 68) Obrig. Acessória Dívida Ativa No presente processo, encontrase em julgamento o Debcad 37.339.4012, referente às Contribuições Previdenciárias, parte patronal e a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho RAT, incidentes nos valores pagos a segurados empregados a título de auxílioeducação, alimentação sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT e Participação nos Lucros (em desacordo com a lei), não declarados em GFIP, no período de 01/2007 a 12/2008, conforme Relatório Fiscal de fls. 1.309 a 1.323. Em 23/01/2013, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG proferiu o Acórdão nº 0242.211 (fls. 3.785 a .3796), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 4454DF CARF MF Processo nº 10680.726244/201129 Acórdão n.º 9202007.434 CSRFT2 Fl. 4.453 3 Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. EMPREGADOS. A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com a lei específica, integra o salário de contribuição. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. O valor relativo a plano educacional, apenas não integra o salário de contribuição, quando visa à educação básica e cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa e se disponível à totalidade dos empregados e dirigentes. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. Não há incidência de contribuição social sobre o pagamento de alimentação in natura. MULTA. As contribuições sociais pagas com atraso ficam sujeitas a multa de caráter irrelevável. SOLIDARIEDADE. GRUPO ECONÔMICO. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes de lei. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros da 8ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente em parte a impugnação, mantendo em parte o crédito constituído por meio do Auto de Infração – DEBCAD 37.339.4012, devendo ser excluído o levantamento AL, conforme relatório e voto que integram este Acórdão. (...) Recorrese de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de acordo com o Decreto 70.235/72, artigo 34, inciso I, pois o valor exonerado é superior ao previsto no artigo 1º da Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008." A motivação do Recurso de Ofício foi a exoneração do valor correspondente ao AuxílioAlimentação, nos seguintes termos: Fl. 4455DF CARF MF 4 "Assim, uma vez que o fato gerador de que trata o lançamento é relativo a contribuições que incidiriam sobre alimentação in natura fornecida pelo impugnante e tendo em vista que conforme atos normativos citados tais contribuições não são mais exigíveis, deve ser excluído do presente processo o levantamento AL – Alimentação sem PAT." Contra a decisão de Primeira Instância foram interpostos Recursos de Ofício e Voluntário, julgados em sessão plenária de 14/05/2014, prolatandose o Acórdão nº 2302 003.181 (fls. 3.911 a 4.005), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 ALIMENTAÇÃO. PARCELA FORNECIDA NA FORMA DE TICKET, VALE ALIMENTAÇÃO OU EM PECÚNIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os valores despendidos pelo empregador em dinheiro ou na forma de ticket/vale alimentação fornecidos ao trabalhador integram o conceito de remuneração, na forma de benefícios, compondo assim o Salário de Contribuição dos segurados favorecidos para os específicos fins de incidência de contribuições previdenciárias, eis que não encampadas expressamente nas hipóteses de não incidência tributária elencadas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS. O texto constitucional condiciona a desvinculação da parcela paga a título de PLR da remuneração aos termos da lei. O plano de PLR que não atende aos requisitos da Lei n° 10.101/2000 não goza da isenção previdenciária. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PACTUAÇÃO PRÉVIA. A Lei n° 10.101/00 exige que haja negociação entre empresa e trabalhadores, da qual deverão resultar regras claras e objetiva e os índices, as metas, os resultados e os prazos devem ser estabelecidos previamente, sendo que o instrumento será arquivado na entidade sindical. A negociação e o estabelecimento das regras dela resultantes (índices, metas, resultados e prazos) somente têm sentido se concluídos previamente ao fim do período a que se referem os lucros ou resultados. Em que pese a vagueza do texto normativo, tal imprecisão não pode significar a impossibilidade de atuação do intérprete na complementação da norma, sob pena de se reconhecer que lacunas inviabilizam a decisão do caso concreto e que todas os textos incompletos ou ambíguos serão, potencialmente, ineficazes. Também não se trata de relativizar o princípio da legalidade, mas de identificar onde e quando o Direito atribui ao aplicador a tarefa de definir os critérios diante do caso concreto, como, no caso, a definição da anterioridade da negociação, da Fl. 4456DF CARF MF Processo nº 10680.726244/201129 Acórdão n.º 9202007.434 CSRFT2 Fl. 4.454 5 pactuação e do arquivamento do instrumento na entidade sindical. A negociação, a pactuação e o arquivamento do instrumento na entidade sindical devem ocorrer antes da conclusão das metas e/ou resultados estabelecidos e em data distante do término do período a que se referem os lucros ou resultados, sob pena de se inviabilizar o próprio sentido de incentivo à produtividade. A análise do caso concreto deve levar em consideração fatores como o tipo de meta ou resultado estabelecido, a comprovação da anterioridade das negociações, o ajuste de PLR, em anos anteriores, com características semelhantes (o que por si só gera expectativa no trabalhador, de sorte a já incentivar a produtividade e, portanto, não desnaturar o pagamento), dentre outras peculiaridades que mereçam ser sopesadas. AUXÍLIOEDUCAÇÃO A verba paga a título de educação em desacordo com a legislação, em desconformidade com o disposto no art. 28, §9º, letra”t” da Lei n.º 8;212/91, possui natureza remuneratória. Tal ganho ingressou na expectativa dos segurados empregados em decorrência do contrato de trabalho e da prestação de serviços à Recorrente, sendo portanto uma verba paga pelo trabalho e não para o trabalho. SOLIDARIEDADE. GRUPO ECONÔMICO. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes de lei. A solidariedade tal como disposta na lei, não deve ser aplicada discricionariamente. Para tanto, deve o auditor demonstrar os interesses em comum das empresas (exemplificativamente: confusão patrimonial ou concentração administrativa) ou a situação de fato que implique a responsabilização solidária. O dever de motivar é inerente a própria atividade administrativa. O art. 50, inciso I da Lei nº 9.784/99 determina que os atos administrativos devem ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos quando neguem, limitem ou afetem direito ou interesses. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá Fl. 4457DF CARF MF 6 ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. Recurso de Ofício Provido. Recurso Voluntário Provido em Parte." A decisão foi assim resumida: "Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso de Ofício para manter o lançamento quanto à rubrica alimentação fornecida em tíckets, sem a inscrição no PAT, vencida a Conselheira Relatora e os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral e Leonardo Henrique Pires Lopes por entenderem que a verba não integra o salário de contribuição. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente vencedor. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário para manter a incidência da contribuição previdenciária sobre a rubrica AuxílioEducação, vencidos os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral e Leonardo Henrique Pires Lopes por entenderem que a verba não integra o salário de contribuição. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, quanto à verba Participação nos Lucros e Resultados, vencida a Conselheira Relatora e o Conselheiro Leo Meirelles do Amaral por entenderem que a verba não integra o salário de contribuição. O Conselheiro André Luiz Mársico Lombardi fará o voto divergente vencedor. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva apresentará Declaração de Voto. Por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449/2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Vencida na votação a Conselheira Relatora e os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP nº 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96). O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente vencedor. Por maioria de votos em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário quanto à responsabilidade solidária, por não restar demonstrado nos autos a existência de grupo econômico. Vencido na votação o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva." O processo foi encaminhado à PGFN em 25/08/2014 (Despacho de Encaminhamento de fls. 4.006) e, em 24/09/2014 (Despacho de Encaminhamento de fls. 4.009), a Fazenda Nacional opôs os Embargos de Declaração de fls. 4.007/4.008, rejeitados conforme Despacho nº 2302051, de 19/03/2015 (fls. 4.011 a 4.015). Fl. 4458DF CARF MF Processo nº 10680.726244/201129 Acórdão n.º 9202007.434 CSRFT2 Fl. 4.455 7 Foi o processo novamente encaminhado à PGFN em 19/03/2015 (Despacho de Encaminhamento de fls. 4.016) e, em 23/03/2015, foi interposto o Recurso Especial de fls. 4.017 a 4.030 (Despacho de Encaminhamento de fls. 4.031), com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Regimento interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir as seguintes matérias: responsabilidade solidária nos casos em que existe grupo econômico; e aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2300 281/2015, de 10/04/2015 (fls. 4.033 a 4.042). Relativamente à primeira matéria, a Fazenda Nacional apresenta os seguintes argumentos: se a própria contribuinte reconhece a existência de grupo econômico, não há razão legal para a exclusão da responsabilidade, vez que o art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212, de 1991, determina a solidariedade nesse caso; a contribuinte reconhece em trecho do recurso voluntário a existência de grupo econômico; assim, não há que se falar de falta de motivação no lançamento, já que a lei expressa e objetivamente determina a solidariedade nos casos onde existe grupo econômico, fato incontroverso nos autos; registrese que o afastamento do citado art. 30 corresponde a verdadeira declaração indireta de inconstitucionalidade, o que é vedado ao CARF. No que tange à segunda matéria aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009 a Fazenda Nacional pede que se verifique, na execução do julgado, qual a norma mais benéfica: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; ou b) multa aplicada de ofício, nos termos do art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. Cientificado do acórdão, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento em 29/04/2015 (AR Aviso de Recebimento de fls. 4.084/4.085), o Contribuinte, em 01/05/2015, opôs os Embargos de Declaração de fls. 4.048 a 4.062, rejeitados conforme despacho de 27/06/2017 (fls. 4.095 a 4.099), e, em 14/05/2015, ofereceu as Contrarrazões de fls. 4.069 a 4.083, contendo os seguintes argumentos: Fl. 4459DF CARF MF 8 Da inexistência de divergência quanto à questão da multa de mora o acórdão recorrido enfrentou a questão da aplicação retroativa da matéria penal prevista na Lei n° 11.941, de 2009, de forma bem diversa da que foi analisada nos acórdãos paradigmas, motivo pelo qual a identidade necessária para comprovar a divergência não está presente, o que impede o conhecimento do Recurso Especial no que diz respeito à multa de mora; nos acórdãos paradigmas, a ideia central é no sentido de que se deve cotejar a soma por inadimplemento da obrigação principal (art. 35 da Lei n° 8.212, de 1991) e da multa por descumprimento da obrigação acessória (§ 5o do art. 32 da Lei n° 8.212, de 1991) com a atual multa de ofício (art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991), prevalecendo a que seja mais favorável ao contribuinte; o acórdão recorrido não trata, em nenhum momento, desse critério "conjugado" de aplicação da lei penal tributária; o voto vencedor apenas busca refutar os argumentos da relatora, para dizer que não se aplica ao caso a multa de 20%, prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996; como o acórdão recorrido não enfrentou o debate que foi travado nos acórdãos paradigmas, não há identidade necessária para legitimar o conhecimento do Recurso Especial; podese verificar que não houve divergência de interpretação, uma vez que os acórdãos paradigmas não analisaram as mesmas questões discutidas no acórdão recorrido, motivo pelo qual o recurso especial não deve ser conhecido. Da inexistência de responsabilidade solidária para o Fisco, se duas ou mais empresas fazem parte de um grupo econômico, automaticamente elas são responsáveis solidárias; essa interpretação dada pelo Fisco ao art. 30, IX, da Lei nº 8.212, de 1991, é bastante literal e singela, pois desconsidera completamente o sistema normativo previsto no CTN, que trata de responsabilidade tributária; mesmo que haja uma holding e outra empresa que exerça atividade conexa à contribuinte, para validar a atribuição de responsabilidade no presente caso é necessário verificar se as empresas indicadas como responsáveis solidárias participaram e realizaram conjuntamente o fato gerador do tributo, sendo essa a orientação consolidada pelo Superior Tribunal de Justiça; o Fisco não indicou qualquer motivo ou prova no sentido de demonstrar que as empresas Cemig Geração e Transmissão e Companhia Energética de Minas Gerais tinham real participação na realização do fato gerador dos tributos; o lançamento de ofício abrangeu parcelas pagas exclusivamente aos empregados da Cemig Distribuição, sem qualquer ligação ou interesse das demais solidárias; a jurisprudência do CARF, em vários precedentes, afasta a tese defendida pela Fazenda Nacional no Recurso Especial. Da multa aplicada Fl. 4460DF CARF MF Processo nº 10680.726244/201129 Acórdão n.º 9202007.434 CSRFT2 Fl. 4.456 9 não é possível comparar penalidades aplicáveis a ilícitos distintos, afinal a multa pelo descumprimento de obrigação principal não se iguala nem é equiparada à multa por descumprimento de obrigação acessória; assim, não há motivos para se somar o valor das penalidades aplicadas, mas simplesmente comparar o valor da multa de mora (inadimplemento) conforme a legislação vigente em 2007 até novembro de 2008 e a nova multa estipulada pela Lei nº 11.941, de 2009; merece destaque o Acórdão n° 2401003.881, no qual se entendeu por bem aplicar o artigo 106, II, "c", do CTN e impor o cálculo da multa com base no artigo 61, da Lei nº 9.430, de 1996, para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 1991 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica, aplicandose o percentual de 20%. Ao final, o Contribuinte pede o não conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, no tocante à multa de mora e, caso assim não se entenda, que lhe seja negado provimento. Intimado da rejeição de seus Embargos em 02/08/2017 (AR Aviso de Recebimento de fls. 4.104/4.105), o Contribuinte interpôs, em 17/08/2017 (Termo de Solicitação de Juntada de fls. 4.110), o Recurso Especial de fls. 4.113 a 4.169, com fundamento no art. 68 e seguintes, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, suscitando diversas matérias. Ao Recurso Especial do Contribuinte foi dado seguimento parcial, apenas em relação às matérias a seguir especificadas, conforme Despacho de Admissibilidade de 03/10/2017 (fls. 4.363 a 4.380): auxílioalimentação; auxílioeducação; e aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009 Cientificado do Despacho de Admissibilidade em 14/11/2017 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fls. 4.391), o Contribuinte apresentou, em 20/11/2017 (Termo de Solicitação de Juntada de fls. 4.394), o Requerimento de Agravo de fls. 4.396 a 4.403, rejeitado conforme despacho de 27/04/2018 (fls. 4.407 a 4.421). Em seu apelo, quanto às matérias que obtiveram seguimento, o Contribuinte apresenta as seguintes alegações: Do auxílioalimentação no caso, as recorrentes foram autuadas em razão de não estarem inscritas no PAT e por não fornecerem o auxílioalimentação in natura, mas por meio de cartão ou tickets de refeição; Fl. 4461DF CARF MF 10 conforme destacado nos acórdãos paradigmas, não há que se falar em incidência de contribuição previdenciária quando o pagamento do auxílioalimentação se dá por meio de tickets alimentação; os valores recebidos em ticketalimentação (eletrônico/cartão ou vale) são destinados para o trabalho e não pelo trabalho; é meio de favorecer e auxiliar o empregado no exercício de suas atividades, não possui componente remuneratório e parte é descontada dos empregados; ao contrário do que consta do voto vencedor (até porque amparado em precedente antigo, de 2003), o STJ, a partir do entendimento proferido pelo STF a respeito do valetransporte, entende que o auxílioalimentação pago em ticket ou cartão não deve sofrer a tributação em discussão; além disso, tratase de benefício previsto em Convenção Coletiva (acordos de 2006/2007 e 2007/2008), nas quais a CEMIG concede tíqueterefeição e tíquetelanche a seus empregados; o Tribunal Superior do Trabalho, em decisões proferidas no ano de 2010, também reconheceu que acordo coletivo pode retirar a natureza salarial do auxílioalimentação (RR13774007.2003.5.13.0002); em outro precedente, a 6ª Turma do TST afirmou que a parcela do auxílio alimentação perderá o caráter salarial se for instrumental à prestação do serviço, ou se for obrigação derivada de Contrato Coletivo de Trabalho ou Acordo Coletivo de Trabalho, cuja regra instituidora elimine sua natureza remuneratória (RR13020007.2005.02.0443, rel. Min. Maurício Godinho, j. 27.10.2010). Do auxílioeducação de acordo com o voto vencedor, a verba paga a título de educação em desacordo com o disposto no art. 28 § 9º, letra “t”, da Lei nº 8.212, de 1991, possui natureza remuneratória; conforme destacado nos acórdãos paradigmas, o auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado; cumpre observar a ausência da natureza salarial de referida verba paga aos empregados da empresa, visto que se trata de um incentivo, investimento feito pela Cemig Distribuição S/A em seus funcionários, não havendo habitualidade e obrigatoriedade no pagamento de tal beneficio; destarte, conforme destacado no próprio relatório fiscal, a Ajuda de Custo Para Formação – Auxílio Educação foi instituída por meio da cláusula décima sétima dos Acordos Coletivos de Trabalho, ou seja, tratase de um acordo firmado entre as partes, no qual a Contribuinte incentiva seus funcionários, por meio de uma ajuda de custo vinculada ao cumprimento de requisitos também acordados, a estudarem; não se trata de um pagamento ou contraprestação de um serviço prestado, mas sim de um incentivo; Fl. 4462DF CARF MF Processo nº 10680.726244/201129 Acórdão n.º 9202007.434 CSRFT2 Fl. 4.457 11 por fim, cumpre ainda salientar a alteração legislativa havida em 2011, quando a Lei nº 12.513, de 2011, alterou a redação do art. 28, § 9º, da Lei nº 8.212, de 1991, extinguindo os requisitos observados como fundamento para a autuação, ou seja, suprimiuse a previsão de que a bolsa de estudos deveria ser estendida a todos os funcionários da empresa. Da multa aplicada assiste razão ao disposto nos acórdãos paradigmas, uma vez que não há motivos para se somar o valor das penalidades aplicadas, mas simplesmente comparar o valor da multa de mora (inadimplemento), conforme a legislação vigente em 2007 até novembro de 2008 e a nova multa de mora, estipulada pela MP 449/2008; nessa linha, comparandose os valores descritos no anexo VIII, comprova se que, ao não ser feita a soma das penalidades, a multa de mora calculada conforme a legislação anterior (24%) é bem mais benéfica que a atual (75%); não há motivos para se aplicar a multa de 75%, porque, com a edição da Lei nº 11.941, de 2009, os incisos e alíneas do art. 35, da Lei nº 8.212, de 1991, que previam as multas de mora foram revogados e o caput do referido artigo 35 foi alterado para prever que a penalidade pela mora seria a prevista no artigo 61, da Lei nº 9.430, de 1996 (limitada a 20%). Ao final, o Contribuinte pede o conhecimento e provimento do Recurso Especial, anulandose o lançamento fiscal. O processo foi encaminhado à PGFN em 18/06/2018 (Despacho de Encaminhamento de fls. 4.435) e, em 20/06/2018 (Despacho de Encaminhamento de fls. 4.447), foram oferecidas as Contrarrazões de fls. 4.436 a 4.446, contendo os seguintes argumentos: Da inadmissibilidade do Recurso Especial inicialmente, convém registrar que o item 6 do Recurso Especial (Auxílio Alimentação) não deve ser conhecido, pois não preencheu o requisito previsto no art. 67, §1º do novo RICARF, de 15/02/2016; pela análise do recurso interposto em 17/08/2017, não se verifica a indicação dos dispositivos legais que foram interpretados de modo divergente pelo acórdão recorrido, motivo pelo qual requer o não conhecimento desse item. Do auxílioalimentação de fato, conforme disposto na alínea “c”, do § 9º, do art. 28, da Lei nº 8.212, de 1991, o legislador ordinário expressamente excluiu, do saláriodecontribuição, a parcela in natura recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321; portanto, para a não incidência da Contribuição Previdenciária, é imprescindível que o pagamento seja feito in natura, o que não abrange ticket ou ressarcimento de custos; Fl. 4463DF CARF MF 12 o Programa de Alimentação do Trabalhador não admite o fornecimento do auxílioalimentação em pecúnia, consoante se depreende do art. 4º, do Decreto nº 5, de 1991, que regulamenta o programa; a isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e dessa forma, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre esse benefício fiscal, conforme prevê o CTN. em seu artigo 111, I; caso o legislador tivesse desejado excluir da incidência de Contribuições Previdenciárias a parcela paga em pecúnia referente ao auxílioalimentação teria feito menção expressa na legislação previdenciária, mas, ao contrário, fez menção expressa de que apenas a parcela paga in natura não integra o saláriodecontribuição; o art. 458 da CLT referese ao salário para efeitos trabalhistas, para incidência de contribuições previdenciárias há o conceito de saláriodecontribuição, com definição própria, parcelas integrantes e não integrantes e estas estão elencadas exaustivamente no art. 28, § 9º, da Lei nº 8.212, de 1991; a prova mais robusta de que a verba para efeito previdenciário não coincide com a verba para incidência de direitos trabalhistas, é fornecida pela própria Constituição Federal, no art. 195, § 11, que dispõe que os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei; desse modo, pela singela leitura do texto constitucional é possível afirmar que para efeitos previdenciários foi alargado o conceito de salário. Do auxílioeducação a Fazenda Nacional adota como razões, nesse item, a fundamentação apresentada pelo acórdão recorrido. Da retroatividade da multa o artigo 35, da Lei nº 8.212, de 1991, na nova redação conferida pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, não pode ser entendido de forma isolada do contexto legislativo no qual está inserido, sobretudo de forma totalmente dissociada das alterações introduzidas pela MP nº 449 à legislação previdenciária; nesse contexto, impende considerar que a Lei nº 11.941, de 2009 (fruto da conversão da MP nº 449, de 2008), ao mesmo tempo em que alterou a redação do artigo 35, introduziu na Lei de Organização da Previdência Social o artigo 35A, a fim de instituir uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários previdenciários e respectivos acréscimos legais de forma similar à sistemática aplicável para os demais tributos federais; a redação do art. 35A é clara: efetuado o lançamento de ofício das Contribuições Previdenciárias indicadas no artigo 35, da Lei nº 8.212, de 1991, deverá ser aplicada a multa de ofício prevista no artigo 44, da Lei nº 9.430, de 1996; por outro lado, como sói ocorrer com os demais tributos federais, a incidência da multa de mora ocorrerá naqueles casos expressos no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, ou seja, nas hipóteses em que o contribuinte incorreu na mora e efetuou o recolhimento em atraso, de forma espontânea, independente do lançamento de ofício, efetuado com esteio no art. 149, do CTN; Fl. 4464DF CARF MF Processo nº 10680.726244/201129 Acórdão n.º 9202007.434 CSRFT2 Fl. 4.458 13 a tese defendida pela Contribuinte, no sentido de que há retroatividade benigna em razão do advento da MP nº 449, de 2008 (convertida na Lei nº 11.941, de 2009) que conferiu nova redação ao art. 35, da Lei nº 8.212, de 1991, portanto, não merece prevalecer, pois a forma de cálculo ali defendida somente pode ser utilizada no caso em que o contribuinte incorreu na mora e efetuou o recolhimento em atraso espontaneamente; na espécie, não houve recolhimento espontâneo do tributo devido, houve isto sim lançamento de ofício, logo, inarredável a aplicação das disposições específicas da legislação previdenciária. Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja negado conhecimento quanto ao auxílioalimentação e negado provimento às demais matérias do Recurso Especial do Contribuinte. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Em julgamento Recursos Especiais interpostos pela Fazenda Nacional e pela Contribuinte. Tratase do Debcad 37.339.4012, referente às Contribuições Previdenciárias, parte patronal e a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho RAT, incidentes nos valores pagos a segurados empregados a título de auxílio educação, auxílioalimentação sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT e Participação nos Lucros, no período de 01/2007 a 12/2008, conforme Relatório Fiscal de fls. 1.309 a 1.323. O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional visa rediscutir as seguintes matérias: responsabilidade solidária nos casos em que existe grupo econômico; e aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. O Recurso Especial da Contribuinte, por sua vez, na parte em que teve seguimento, visa rediscutir: tributação do auxílioalimentação; tributação do auxílioeducação; e aplicação da retroatividade benigna. O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Fl. 4465DF CARF MF 14 Em sede de Contrarrazões, a Contribuinte pede o não conhecimento do apelo, no tocante à aplicação da retroatividade benigna, alegando que não houve divergência, uma vez que os acórdãos paradigmas não analisaram as mesmas questões discutidas no acórdão recorrido. Esclareçase que tanto o acórdão recorrido como os paradigmas tratam de aplicação das multas previdenciárias, relativas a obrigação principal e acessória, sendo irrelevante se as exigências são apresentadas no mesmo processo ou em processos distintos. E a legislação que cada um deles aplica é exatamente a divergência arguida: enquanto no recorrido a retroatividade benigna seria aplicada mediante a adoção do art. 35, da Lei nº 8.212, de 1991, observado o limite máximo de 75%, nos paradigmas dita retroatividade passaria pela comparação entre o somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, com a multa aplicada de ofício, nos termos do art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e passo a analisarlhe o mérito. Quanto à primeira matéria responsabilidade solidária nos casos em que existe grupo econômico conforme se depreende da legislação tributária, existe expressa previsão legal no âmbito previdenciário para que, em existindo grupo econômico, deverseá atribuir a todas as empresas do grupo a responsabilidade pelas obrigações principais e acessórias. Registrese a Contribuinte não questiona a existência do grupo econômico, alegando tão somente que isso não seria suficiente para a imputação da solidariedade. O artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212, de 1991, não deixa dúvida quanto à matéria, ensejando a possibilidade de indicação de várias empresas pelo montante do débito: “ Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei;” No mesmo sentido, reportase a legislação trabalhista em seu § 2º, do art. 2º da CLT, ao tratar da matéria: “Art. 2º Considerase empregador a empresa individual ou coletiva, que, assumindo os riscos de atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços. (...) § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente Fl. 4466DF CARF MF Processo nº 10680.726244/201129 Acórdão n.º 9202007.434 CSRFT2 Fl. 4.459 15 responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas.” Acrescentese os artigos 121, 124 e 128 do Código Tributário Nacional, que assim prescrevem: "Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Assim, havendo expressa previsão legal, incabível a alegação apresentada pela Contribuinte, no sentido de que o Fisco não teria demonstrado que as empresas Cemig Geração e Transmissão e Companhia Energética de Minas Gerais tinham real participação na realização do fato gerador das Contribuições. Destarte, havendo expressa previsão legal que ampare a solidariedade descrita no lançamento, forçoso concluir pelo provimento do recurso, nesta parte. Quanto à segunda matéria retroatividade benigna, conforme o quadro demonstrativo constante do relatório, no mesmo procedimento fiscal foi exigida a presente multa por descumprimento de obrigação principal, bem como multa por descumprimento de obrigação acessória por falta de declaração em GFIP, portanto a retroatividade benigna deve ser aplicada em conformidade com a Portaria Conjunta RFB/PGFN nº 14, de 2009, e a Súmula CARF nº 119: "Súmula CARF nº 119: No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores Fl. 4467DF CARF MF 16 anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996." Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, também nesta parte, determinando que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Súmula CARF nº 119. Quanto ao Recurso Especial do Contribuinte, este é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Em sede de Contrarrazões, a Fazenda Nacional pede o não conhecimento do apelo, no tocante à matéria auxílioalimentação, alegando que não houve a indicação dos dispositivos legais que foram interpretados de modo divergente pelo acórdão recorrido. Em face de tal alegação, esclareçase que a legislação que está sendo interpretada de forma diversa não tem de estar necessariamente expressa no apelo, desde que nele se demonstre, sem sombra de dúvida, qual o arcabouço jurídiconormativo que está sendo tratado, evitandose a indicação de decisões divergentes em face de legislação estranha à lide objeto do recurso. Destarte, se no Recurso Especial, a despeito de não estar expressa a legislação objeto da divergência jurisprudencial, essa informação é facilmente deduzida da própria demonstração dos pontos de divergência indicados nos paradigmas, considerase atendido o comando do art. 67, §1º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Com efeito, quanto à matéria do auxílioalimentação, verificase pelos paradigmas indicados que a legislação objeto da divergência é o art. 28, § 9º, alínea "c", da Lei nº 8.212, de 1991, razão pela qual o recurso deve ser conhecido nesta parte. Entretanto, quanto à matéria auxílioeducação, verificase que a situação fática do acórdão recorrido não se assemelha à dos paradigmas, de sorte que a divergência jurisprudencial não restou demonstrada, conforme será demonstrado. No caso do acórdão recorrido, o fundamento do Auto de Infração para a tributação da verba paga a título de auxílioalimentação, mantida no acórdão recorrido, cinge se ao descumprimento da regra constante na alínea “t”, do § 9º, do art. 28, da Lei 8.212, de 1991, no que concerne à exigência de que o benefício seja extensível a todos os empregados. Confirase os respectivos trechos do acórdão recorrido: "De acordo com o relatório fiscal a Recorrente conferia a alguns empregados o direito de receber auxílio educação. Conforme cláusula 17ª do ACT 2007/2008 e cláusula 26ª do ACT 2008/2009, foi acordada a concessão, por parte do empregador, de ajuda de custo para formação dos empregados matriculados em cursos técnicos e de graduação. Por tais instrumentos ficou estabelecido que o auxílio educação só seria concedido aos empregados que recebessem saláriobase máximo de R$ 3.990,00 (três mil novecentos e noventa reais) – ACT 2007/2008 e R$ 4.279,67 (quatro mil duzentos e setenta e nove reais e sessenta e sete centavos) – ACT 2008/2009. Fl. 4468DF CARF MF Processo nº 10680.726244/201129 Acórdão n.º 9202007.434 CSRFT2 Fl. 4.460 17 Diante da limitação à participação global dos funcionários, tornandoo inacessível a todos os empregados e dirigentes da empresa, concluiu o auditor que os valores referentes às despesas realizadas pela empresa sob o título de Auxílio Educação, por não estarem em conformidade com os requisitos estabelecidos no art. 28, § 9º, alínea “t” da Lei nº 8.212/91 c/c art. 214, §9º, item XIX, do RPS, seriam considerados como base de cálculo de contribuições previdenciárias: (...) A legislação ordinária impõe como requisito para a caracterização da verba educacional o fato do benefício ser estendido a todos os funcionários. No entanto, os acordos coletivos de trabalho aqui analisados dispõem que a verba auxiliar seria concedida apenas para alguns funcionários que recebessem determinado valor. Como se vê, o limite exposto pela empresa contraria a norma incentiva de modo a configurar como verba salarial o recebimento da respectiva "ajuda de custo". Notese que como norma incentiva a sua interpretação deve ser literal. Assim estabelece o art. 111, inciso I do Código Tributário Nacional: (...) A verba paga a título de educação em desacordo com a legislação (art. 28, §9º, letra”t” da Lei n.º 8;212/91) possui natureza remuneratória. Tal ganho ingressou na expectativa dos segurados empregados em decorrência do contrato de trabalho e da prestação de serviços à Recorrente. (...) Desse modo, estando no campo de incidência do conceito de remuneração e não estando adequada à dispensa legal, as parcelas pagas a título de auxílio educação para alguns funcionários deve integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias." ( grifei) Nesse contexto, o paradigma apto a demonstrar a alegada divergência seria representado por julgado em que, diante de situação fática similar auxílioeducação pago apenas a uma parcela dos empregados ainda assim se considerasse que referida verba não integraria o saláriodecontribuição. Entretanto, como paradigmas a Contribuinte indica os Acórdãos nºs 2301 003.541 e 2803003.688, que em momento algum tratam do descumprimento de tal requisito específico da cobertura do auxílioeducação. Confirase: Paradigma Acórdão nº 2301003.541 Ementa AUXÍLIO EDUCAÇÃO AOS FUNCIONÁRIOS Fl. 4469DF CARF MF 18 Não podem ser considerados como salário in natura os valores pagos pela empresa diretamente à instituição de ensino, com a finalidade de prestar auxílio escolar a seus empregados, porquanto não retribuem o trabalho efetivo. Desse modo, em relação a tal verba não deve incidir contribuição previdenciária, pois não integra a remuneração. Voto Diz a Fiscalização que há contribuição social, conforme art. 22, incisos I e II, da lei n° 8.212/91, incidentes sobre os valores das bolsas de estudos dado pela Recorrente a seus funcionários, filhos, cônjuges, para cursos de graduação oferecidos pela UCSal. Segundo ela os pressupostos básicos para a não incidência de contribuição previdenciária da alínea "t" do §9º do art. 28 da Lei 8.212/91 são necessariamente os seguintes: a) que o plano educacional vise à educação básica ou o curso de capacitação e qualificação profissional se vincule às atividades desenvolvidas pela empresa; e b) todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao plano educacional básico ou ao curso de capacitação e qualificação vinculado às atividades desenvolvidas pela empresa. Conclui que a educação superior não está protegida da incidência da contribuição previdenciária, pois, caso o legislador quisesse excluir do conceito de saláriode contribuição o valor destinado ao pagamento do custeio da educação superior de empregados, utilizaria a expressão EDUCAÇÃO ESCOLAR, a qual engloba a educação básica e a educação superior. Todavia, como muito já tenho me manifestado nesta Turma, penso que a bolsa de estudo não incide contribuição social, pois, não se trata de salário e por isto mesmo não tem caráter remuneratório. Tratase de incentivo de cunho social. Paradigma Acórdão nº 2803003.688 Voto No concernente à concessão de bolsa de ensino aos empregados (reembolso faculdade), sem razão a autoridade administrativa (lançadora e julgadora de primeira instância). In casu, entendo que o contribuinte está com a razão, como se pode verificar da jurisprudência pacífica do STJ: Processo AgRg no AREsp 182495 / RJ AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL 2012/01083566 Relator(a) Ministro HERMAN BENJAMIN (1132) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 26/02/2013 Data da Publicação/Fonte DJe 07/03/2013 Ementa PREVIDENCIÁRIO. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE Fl. 4470DF CARF MF Processo nº 10680.726244/201129 Acórdão n.º 9202007.434 CSRFT2 Fl. 4.461 19 BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. O STJ tem pacífica jurisprudência no sentido de que o auxílio educação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba utilizada para o trabalho, e não pelo trabalho. 2. In casu, a bolsa de estudos é paga pela empresa para fins de cursos de idiomas e pósgraduação. 3. Agravo Regimental não provido. De acordo com o item 5.2.1 do Relatório Fiscal (fls. 127) foi detectada a ocorrência de pagamentos sob o título de Reembolso Faculdade no período de janeiro a dezembro que, segundo a autuada tratavase de bolsa de estudos extensiva a todos os colaboradores para cursos técnicos, de 3º grau e pósgraduação. Constatouse pelos documentos apresentados (fls. 166/180), que tais reembolsos diziam respeito a cursos de graduação e MBA. Vêse, portanto, conforme precedente do STJ tratarse de verba utilizada para o trabalho e não pelo trabalho, situação que afasta a hipótese de incidência perseguida pela autoridade administrativa incumbida da constituição do crédito tributário." (grifei) Destarte, compulsando o inteiro dos paradigmas, constatase que as situações neles tratadas em nada se assemelham à do recorrido. O cerne da discussão, nesses paradigmas, foi o fato de integrar ou não o conceito legal de saláriodecontribuição, o auxílioeducação concedido aos empregados para o custeio de cursos de nível superior, eis que dita hipótese não se enquadraria em nenhuma hipótese de renúncia de receita disposta taxativamente no art. 28, § 9° da Lei n° 8.212, de 1991. No acórdão recorrido, entretanto, o que se discutiu foi a questão do auxílioeducação pago apenas a uma parcela dos empregados. Com efeito, não se pode afirmar que os Colegiados paradigmáticos, que entenderam que o custeio de curso superior atenderia à legislação de regência, adotariam a mesma conclusão em face do fato de a verba em questão não ser paga à totalidade dos empregados. Assim, ausente a similitude fática entre o julgado guerreado e os paradigmas, não restou demonstrado o alegado dissídio interpretativo, razão pela qual não conheço do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, quanto à matéria auxílioeducação. Diante do exposto, conheço parcialmente do Recurso Especial interposto pela Contribuinte, somente em relação ao auxílioalimentação e à retroatividade benigna. No mérito, quanto ao auxílioalimentação, o art. 28, § 9º, da Lei n ° 8.212, de 1991, assim estabelece: "Art. 28 (...) Fl. 4471DF CARF MF 20 § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; " Ademais, o Decreto nº 05, de 1991, que regulamentou a Lei nº 6.321, de 1976, assim define o fornecimento de alimentação: "Art. 4° Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador a pessoa jurídica beneficiária pode manter serviço próprio de refeições, distribuir alimentos e firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis e sociedades cooperativas. (Redação dada pelo Decreto nº 2.101, de 1996)" No presente caso, conforme consta do Relatório Fiscal da Infração (fls. 1.309 a 1.323) e de acordo com a própria argumentação do Contribuinte, o auxílioalimentação era fornecido em pecúnia, por meio de ticket refeição, e a empresa não comprovou sua inscrição em PAT Programa de Alimentação do Trabalhador. Assim, constatase que o auxílioalimentação ora tratado não satisfaz a nenhuma das modalidades legais que autorizariam sua exclusão do saláriodecontribuição, razão pela qual nego provimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. Quanto à segunda matéria retroatividade benigna conforme já assentado no presente voto, devem ser aplicadas a Portaria Conjunta RFB/PGFN nº 14, de 2009, e a Súmula CARF nº 119, razão pela qual nego provimento ao Recurso Especial da Contribuinte, também nesta parte. Em síntese, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento para restabelecer a responsabilidade solidária do grupo econômico e determinar que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Súmula CARF nº 119. Quanto ao Recurso Especial interposto pela Contribuinte, dele conheço parcialmente, somente em relação ao auxílioalimentação e à retroatividade benigna, e, no mérito, na parte conhecida, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 4472DF CARF MF Processo nº 10680.726244/201129 Acórdão n.º 9202007.434 CSRFT2 Fl. 4.462 21 Fl. 4473DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.003542/2008-80
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 06/03/2008
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VÍCIO MATERIAL.
A inexistência de correlação clara e congruente entre o fato narrado e o fundamento jurídico da autuação representa lacuna intransponível de motivação do auto de infração, levando ao necessário reconhecimento da sua nulidade, por vício material.
Numero da decisão: 3002-000.456
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo do argumento de excesso de exação, em acatar a preliminar suscitada e, na parte conhecida, em dar provimento ao Recurso Voluntário para decretar a nulidade do auto de infração combatido, por vício material.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 06/03/2008 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VÍCIO MATERIAL. A inexistência de correlação clara e congruente entre o fato narrado e o fundamento jurídico da autuação representa lacuna intransponível de motivação do auto de infração, levando ao necessário reconhecimento da sua nulidade, por vício material.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo do argumento de excesso de exação, em acatar a preliminar suscitada e, na parte conhecida, em dar provimento ao Recurso Voluntário para decretar a nulidade do auto de infração combatido, por vício material. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
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VÍCIO MATERIAL. A inexistência de correlação clara e congruente entre o fato narrado e o fundamento jurídico da autuação representa lacuna intransponível de motivação do auto de infração, levando ao necessário reconhecimento da sua nulidade, por vício material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo do argumento de excesso de exação, em acatar a preliminar suscitada e, na parte conhecida, em dar provimento ao Recurso Voluntário para decretar a nulidade do auto de infração combatido, por vício material. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 35 42 /2 00 8- 80 Fl. 259DF CARF MF Processo nº 11128.003542/200880 Acórdão n.º 3002000.456 S3C0T2 Fl. 259,5 2 Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 239/240 dos autos: Trata o presente processo de auto de infração pelo não comparecimento do representante do consolidador de carga (NVOCC) à Vistoria Aduaneira, após intimação da Alfândega do Porto de Santos. Nesses termos foi aplicada a multa prevista no art. 107, IV, alínea “c” do Decretolei nº 37/66 com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/03, no valor de R$ 5.000,00. Intimada do Auto de Infração em 21/05/2008 (fl. 182), a interessada apresentou impugnação e documentos em 19/06/2009, juntados às folhas 193 e seguintes, alegando em síntese: 1. Alega preliminarmente a falta de justa causa da autuação. Cita o art. 5°, II da CF. Alega que a impugnante não violou os dispositivos legais que fundamentam o auto de infração. 2. Alega que o representante da empresa esteve de fato presente no local da Vistoria Aduaneira. Alega que tal fato não foi considerado por desentendimentos e picuinhas pessoais do Auditor Fiscal. 3. Alega que o pequeno atraso do representante da empresa não configura a infração tipificada. Reafirma que a autuação ocorreu por dissabores pessoais. Cita doutrina sobre o auto de infração. 4. Alega que seria necessária a instauração de processo administrativo para apurar as atitudes suspeitas do fiscal. 5. Cita doutrina sobre o lançamento tributário. Cita o art. 112 do CTN. 6. Alega que ocorreu excesso de exação. Cita doutrina sobre o tema. 7. Afirma que tem o direito de levar a discussão à apreciação do Poder Judiciário. 8. Requer, por fim, que sejam acolhidas as alegações da impugnante e que seja julgado improcedente o presente auto de infração. Requer ainda a instauração de processo administrativo próprio para apreciar a conduta ilícita do fiscal. Juntou, com a impugnação, atos constitutivos da empresa e procuração (fls. 204/210). Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 06/03/2008 VISTORIA ADUANEIRA. INTIMAÇÃO. NÃO COMPARECIMENTO. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. O não comparecimento à Vistoria Aduaneira, após regular intimação, deixando de prestar esclarecimentos, configura hipótese de embaraço à Fl. 260DF CARF MF Processo nº 11128.003542/200880 Acórdão n.º 3002000.456 S3C0T2 Fl. 260 3 fiscalização nos termos do art. 107, IV, alínea “c” do Decretolei nº 37/66 com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/03. FÉ PÚBLICA, ÔNUS DA PROVA. É um dos aspectos da fé pública a presunção de veracidade dos fatos declarados pela autoridade administrativa, cabendo ao impugnante o ônus de provar o contrário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seus fundamentos, o acórdão (fls. 238/244) afastou a alegação de inexistência de justa causa afirmando que ela se encontra, justamente, na ausência injustificada do representante do consolidador de carga ao procedimento de vistoria. Entendeu que tal fato causou embaraço à ação fiscal. Desconsiderou a afirmação do contribuinte de que compareceu à vistoria, por contradizer a narrativa da fiscalização, que possui presunção de veracidade. Tal presunção poderia ter sido afastada por provas, mas o contribuinte não apresentou qualquer elemento probatório. A decisão afastou a aplicação do artigo 112 do CTN, por considerar não haver dúvidas sobre o caso. Não vislumbrou elementos para acolher o argumento de excesso de exação, considerando correto o enquadramento legal da conduta. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 19/05/2015 (vide AR à fl. 251 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs Recurso Voluntário em 18/06/2015 (vide termo de juntada de arquivo não paginável à fl. 254 e o correspondente arquivo, bem como termo de análise de solicitação de juntada à fl. 255 e extrato do processo à fl. 256). Consta dos autos, ainda, à fl. 257, despacho de encaminhamento em que restou atestada a tempestividade do recurso voluntário interposto. Em seu recurso, o contribuinte arguiu a mesma preliminar de nulidade do auto de infração por inexistência de causa para o lançamento e de conduta a ensejar a exação fiscal. No mérito, alegou que o presente auto de infração apresenta uma série de atos obscuros, confusos, tumultuados e desordenados, ferindo o direito de defesa insculpido no artigo 5º, LV, e levando a um enriquecimento indevido da Receita Federal. Repetiu as alegações de que compareceu ao ato de vistoria e de que a autuação foi fruto de desentendimentos pessoais do auditor fiscal responsável. Também repetiu que há excesso de exação, e que deve ser aplicado o artigo 112 do CTN ao caso. Pediu, ao fim, a reforma do acórdão e o cancelamento do débito fiscal. Apresentou, com o recurso, os documentos de representação da empresa, documentos relativos ao procedimento fiscal, e ata de presença da vistoria em comento. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. Voto Fl. 261DF CARF MF Processo nº 11128.003542/200880 Acórdão n.º 3002000.456 S3C0T2 Fl. 260,5 4 Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 1. Da nulidade do auto de infração combatido Preliminarmente, insistiu o contribuinte no argumento de nulidade do auto de infração, sob o fundamento de inexistência de causa para o lançamento e de conduta a ensejar a exação fiscal. Em resumo, alega que não teria cometido qualquer ilicitude que pudesse dar azo à presente autuação. Entendo que assiste razão ao contribuinte em seus fundamentos. É o que será devidamente analisado em sucessivo. O auto de infração lavrado restou assim fundamentado: 001 EMBARAÇO OU IMPEDIMENTO A AÇA0 DA FISCALIZAÇÃO, INCLUSIVE NÃO ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO No ato de vistoria aduaneira, realizada a 06/03/2008„no terminal TRANSBRASA, o representante do consolidador de carga (NVOCC), União Cargo Ltda., apesar de cientificado por escrito em termo de 04/03/2008, e convocado por via telefonica, inicialmente recusouse a comparecer, pois segundo o representante nomeado, não o deixaram tirar cópia reprográfico do Aviso de Vistoria, numa atitude esdrúxula, pois a cópia é apenas uma referencia que fornecemos ao participe, e não uma vinculado obrigatório. Este deve agendar e comparecer na data aprazada. Ao chegar, quase ao final da vistoria, utilizou de expediente escuso para assinar como presente totalmente ao rito de vistoria, o que levoume a expedir outro Termo de Comparecimento e através deste Auto, expressar minha condenação à atitude do representante do NVOCC. Em razão dos fatos acima descritos, foi aplicada a multa prevista no art. 102, IV, alínea "c" do Decretolei nº 37/1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/03, que assim dispõe: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...). IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; Fl. 262DF CARF MF Processo nº 11128.003542/200880 Acórdão n.º 3002000.456 S3C0T2 Fl. 261 5 Da análise dos autos, é possível extrair uma conclusão que se apresenta incontroversa: o representante da empresa compareceu, embora com atraso, à vistoria agendada para o dia 06/03/2008. Tanto a fiscalização quanto o contribuinte concordam neste ponto. O que há de se verificar, então, é se os fatos descritos pela fiscalização na passagem acima transcrita levam à conclusão de que o contribuinte teria, com tal ato, embaraçado, dificultado ou impedido ação de fiscalização aduaneira, para fins de aplicação do disposto no art. 102, IV, alínea "c" do Decretolei nº 37/1966. Entendo que não. Consoante se extrai do documento de fl. 124, a impugnante foi intimada em 04/03/2008 a comparecer ao procedimento de vistoria aduaneira, o qual seria realizado em 06/03/2008, às 9h e 30min. Nesta data, o representante do contribuinte compareceu ao local indicado, embora tendo se apresentado com atraso (este fato é incontroverso nos autos). O fato do representante da empresa ter se apresentado por atraso, por si só, não leva à conclusão de que teria havido embaraço à fiscalização, para fins de aplicação do referido dispositivo legal. Acontece que a fiscalização não trouxe na fundamentação do auto de infração lavrado qualquer elemento apto a ensejar a aplicação deste dispositivo legal. Além da informação sobre o comparecimento com atraso, apontou a fiscalização que o contribuinte teria, em contato telefônico mantido, recusadose a comparecer. Ora, ainda que o tenha feito, isso tampouco representaria embaraço à fiscalização. Até porque, como é cediço, a convocação por via telefônica não é o meio oficial/legal de intimação sobre os atos realizados no curso da fiscalização aduaneira. Nesse contexto, caso esta recusa informal tenha efetivamente ocorrido, bastaria ao auditor intimar por escrito o representante da empresa para comparecer, como fez por meio da intimação datada de 04/03/2008. Por fim, indicou a fiscalização que o representante teria se utilizado de expediente escuso para fins de assinar como presente totalmente ao rito de vistoria, o que a teria levado a expedir outro Termo de Comparecimento e, através deste Auto, expressado a sua condenação à atitude do representante do NVOCC. Deste relato, extraise apenas que foi necessária a expedição de novo termo de comparecimento para fins de esclarecer que o representante da empresa não esteve presente durante todo o rito da vistoria, visto que chegou com atraso. Novamente, não há qualquer indicação de que este atraso tenha resultado em embaraço à ação de fiscalização aduaneira. Nesse contexto, entendo que a descrição fática constante do auto de infração não leva à aplicação do dispositivo legal tido como infringido pela fiscalização. Há, portanto, no meu entender, uma grave falha na motivação do auto de infração que o torna nulo de pleno direito. E, como é cediço, a motivação é requisito essencial à validade de ato administrativo. Sobre o assunto, trazse à colação ensinamento do Conselheiro Diego Diniz Ribeiro sobre a necessidade de motivação do ato administrativo: "Assim, quando se fala em motivação do ato administrativo, o que se tem é uma garantia do administrado e, em contrapartida, Fl. 263DF CARF MF Processo nº 11128.003542/200880 Acórdão n.º 3002000.456 S3C0T2 Fl. 261,5 6 um dever do agente público, dever esse que consiste em (i) delimitar a circunstância fática para o qual o ato administrativo se dirige; (ii) identificar, com precisão, os fundamentos jurídicos que fundamentam o ato administrativo, e, ainda (iii) concatenar, de forma explícita, clara e congruente a relação entre o fato e o fundamento jurídico que subsidia o ato administrativo. Neste mesmo diapasão são as lições do professor Celso Antônio Bandeira de Mello: Dito princípio implica para a Administração o dever de justificar seus atos, apontandolhes os fundamentos de direito e de fato, assim como a correlação lógica entre os eventos e situações que deu por existentes e a providência tomada, nos casos em que este último aclaramento seja necessário para aferirse a consonância da conduta administrativa com a lei que lhe serviu de arrimo. Dar este tratamento à motivação do ato administrativo, em última análise, significa promover uma identificação das ações da Administração Pública sob o prisma de que o Direito Pública precisa ser, antes de tudo, o Direito nãoautoritário, dialógico e, concomitantemente, promotor da concretização (mais homogênea possível) do núcleo essencial dos direitos fundamentais, acima e além de interpretativismos estritos". No caso concreto aqui analisado, face à inexistência de correlação clara e congruente entre o fato narrado e o fundamento jurídico da autuação, deverá ser decretada a nulidade do auto de infração combatido, por vício material, cancelandose, por consequência, a exigência fiscal por meio dele realizada. 2. Do mérito Uma vez acatada a preliminar de nulidade alegada pelo contribuinte, tornase, por consequência, prejudicada a análise do mérito da presente contenda. 3. Do excesso de exação Por fim, defende o contribuinte que teria havido excesso de exação, nos moldes do que preconiza o art. 316, parágrafo 1º, do Código Penal. É certo, contudo, que este Conselho não possui competência para apreciar este argumento levantado pelo contribuinte, face à sua natureza penal. Por essa razão, deixo de conhecer deste argumento apresentado pelo contribuinte. 4. Da conclusão Voto, portanto, no sentido de conhecer em parte dos fundamentos constantes do Recurso Voluntário interposto, não conhecendo do argumento de exação, e, quanto à parte conhecida, voto no sentido de, acatando a preliminar suscitada, dar provimento ao Recurso Voluntário para fins decretar a nulidade do auto de infração combatido, por vício material. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 264DF CARF MF Processo nº 11128.003542/200880 Acórdão n.º 3002000.456 S3C0T2 Fl. 262 7 Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 265DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.003026/2003-97
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO - RETIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO — PRESSUPOSTOS - As obscuridades, dúvidas, omissões ou contradições contidas no acórdão podem ser saneadas por meio de Embargos de Declaração, previstos no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Embargos Acolhidos em Parte
Numero da decisão: 1202-000.339
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher
parcialmente os embargos opostos para suprir a omissão apontada sem, contudo, alterar a decisão consubstanciaria no Acórdão n° 108-09477, da sessão de 08/11/2007, nos termos do relatório e voto
que integram o presente julgado.
Nome do relator: NELSON LOSSO FILHO
1.0 = *:*
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO - RETIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO — PRESSUPOSTOS - As obscuridades, dúvidas, omissões ou contradições contidas no acórdão podem ser saneadas por meio de Embargos de Declaração, previstos no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Embargos Acolhidos em Parte
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(responsabilizados tributariamente Alexandre Gontijo Guerra, Celmo Emany Araujo e Alberto Alves de Sousa) 2" TURMA ORDINÁRIA DA 2" CÂMARA DA l n SEÇÃO DO CARF (ANTIGA OITAVA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO - RETIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO — PRESSUPOSTOS - As obscuridades, dúvidas, omissões ou contradições contidas no acórdão podem ser saneadas por meio de Embargos de Declaração, previstos no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Embargos Acolhidos em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os embargos opostos para suprir a omissão apontada sem, contudo, alterar a decisão consubstanciaria no Acórdão n° 108-09477, da sessão de 08/11/2007, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. elson Loss ilhd—NPresidente e Relator EDITADO EM: 11 NOV 2oin Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson •Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Valéria Cabral Géo Verçoza, Darei Mendes de Carvalho Filho, Nereida de Miranda Finamore Horta e Orlando Jose Gonçalves Bueno. Relatório Após o despacho da Presidente desta Colenda Câmara, retornam os autos para exame do pedido formulado pelo embargante, com base no art. 57 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria 1VIF IV 147/2007, denominado de "Embargos de Declaração", por entender o peticionário existir omissão e contradição no Acórdão n° 108-09.477, prolatado na sessão de 08 de novembro de 2007, apresentando em seu arrazoado de fls. 628/643 o seguinte: "Alexandre Gontijo Guerra, Celmo Ernany Araujo e Alberto Alves de Sousa, litisconsortes passivos na relação jurídico- tributária com a Fazenda Nacional nos autos, vem interpor embargos de declaração Já na porta de entrada, quando o i. onselheiro-Relator sessão de julgamento, ao fazer um apertado resumo da quizila fiscal, asseverou que embora os recorrentes tenham levado a efeito vários expedientes a serem juntados aos autos do processo — aduzindo razões e documentos ao recurso voluntário — tão- somente iria apreciar- o primeiro, uma vez que os demais excediam ao normal. Todos os expedientes juntados em momento algum estavam em desacordo com o RICC e a Lei n" 9.784/99, porquanto foram protocolados antes da publicação da pauta de julgamento, logo, os autos ainda estavam em poder do Conselheiro-Relator. O RICC então vigente não fazia qualquer limitação à quantidade de razões aditivas ao recurso poderiam ser oferecidas antes do recurso voluntário constar de julgamento, logo, nada de anormal ou contrário à lei aconteceu, como entendeu o i. Conselheiro- Relator. Em todas as oportunidades que se apresentaram aos embargantes, de forma exaustiva foi sustentado que o Sr, Masil Torres Pessoa sempre esteve à gerência da empresa — no período de janeiro/1988 a dezembro/2002 — e que o mesmo, sem qualquer exceção, assinou todos os documentos (Públicos e particulares) que comprovam sua ampla, geral e irrestrita gestão àfiente dos negócios. Em apertado resumo dos excertos do Relatório transcritos, a matéria posta sob os presentes declaratórios restringe-se, na primeira parte, à constituição de provas trazidas pelos apelantes — omitidas no v, aresto embargado ou com conclusões contraditórias elll si mesmo consideradas — que nitidamente prejudicaram os interesses dos litisconsortes. Acontece que o julgador não pode omitir a existência — no minimo no Relatório do aresto — quais as provas (documentais, diretas, testemunhais, indiretas, etc.) trazidas pelas duas partes, por respeito ao equilíbrio processual. O destinatário da prova não são as partes ou o julgador, mas sim processo.. Aliais, as provas (Materiais e testemunhais) trazidas pela Fazenda 2 Processo n" I 0380 003026/2003-97 S1-C2T2 Aer.:ado o 1202-00339 El 2 Impositiva não só constam do Relatório e Voto, como foram utilizados como elementos de convicção do i, Conselheiro- Relator. Consoante o Relatório do v. aresta embargado, destaca-se: 'Após a interposição do recurso, foram juntados aos autos aditamentos, que trazem mais .fundamentos a respeito da negativa da responsabilidade imputada às pessoas físicas e anexados documentos,' Estes anexados documentos foram provas materiais, objetivas, documentais, que comprovam de forma irrespondível que o Sr. Masil Torres Pessoa sempre esteve à frente dos negócios da sociedade — como sócio majoritário com 95% do capital social -, mas infelizmente não foram sequer mencionadas no v. aresto embargado_ É consabido que matéria de prova não está sujeita à revisão por instância superior, como também se sabe que não pode ser omitida sua existência, no mínimo, no relato da decisão embargaria. À evidência, o v. aresto embargado ao omitir tais provas cerceou o direito de defesa dos enzbargantes, uma vez que não deu conhecimento ao Colegiado que nos autos as mesmas existiam — e contra provas não há argumentos, desde que não sejam inquinadas de ilegítimas, o que não ocorreu no caso — que demonstram de forma irrespondível que o Sr Masil Torres Pessoa durante todo período sob exigência fiscal nunca se ausentou de Fortaleza; como fez questão de afirmar; ao contrário, a autoridade lançadora, a autoridade julgadora e o i. Conselho-Relator Quanto aos instrumentos públicos de procuração, o v, aresta embargado também omitiu — embora mencionando como prova da gerência de todos os embargantes nos negócios da pessoa jurídica durante o período sob ação fiscal, que tão-somente o Sr, Alberto Alves de Sousa detinha procuração em 1998 e, aquelas outorgadas em 1.3/12/01 foram às três pessoas: Quer-se dizer; as procurações, se fosse o caso, poderiam produzir feitos a partir da data da outorga e se isto fosse dado conhecimento ao Colegiada seguramente a conclusão seria de que os Srs, Alexandre Gontijo Guerra e Cehno Ernazzy Araújo, não poderiam, jamais, responder pelos fatos geradores ocorridos antes de tal data. Neste mesmo rumo aconteceu quanto às fichas de autógrafos dos Bancos — 'os Cartões de Assinatura Procurador de fls. 146, 147, 166 e 167' — as quais o v. aresto embargado diz que as mesmas fazem prova de que os três embargante.s, de/ato, administravam os negócios financeiros da pessoa jurídica. O voto condutor do v aresto embargado também omitiu .fato importante: Que o Sr. Alberto Alves de Sousa e Cehno Ernazzy Ara4jo assinaram z as mesmas em dezembro/2001 e, quanto ao Sr. Alexandre Gontijo Guerra sequer existe tal documento bancário, 3 logo, os dois primeiros até poderiam movimentar .- as conta bancárias a partir daquela data e o último, jamais Quanto à outorga das procurações, públicas são atos que exigem .forma prescrita em lei — é um documento jure et de jure — o Masil Torres Pessoa esteve perante o tabelião do Cartório de Registro de Títulos e Documentos da Comarca de Fortaleza/CE em dezembro de 2001; como também suas assinaturas que constam das fichas de autógrafos bancárias são de 2001 e 2002, logo sempre esteve administrando os negócios da pessoa jurídica Por fim, na medida em que o voto condutor do v, atesto embargado louvou-se exclusivamente no Termo de Apuração de Responsabilidade Solidária — quando assevera que o património do embargante Alexandre Gontijo Guerra 'é incompatível com seu patrimônio declarado, nada desprezível, constando de sua declaração de bens, imóvel considerado de ótimo padrão na cidade de Fortaleza', incorreu em contradição no confronto da prova com a conclusão. Então, fazendo as contas, do total das fontes (R$378.433,49) subtraindo-se o total dos usos (R$373, 681,91), restou ainda um saldo positivo (disponível) de R$4.751,58.. Acresce-se que, os dois veículos trazidos como património do embargante Alexandre Gontijo Guerra — conforme relatório do Renavam à fl. 136- constam em nome de sua esposa (que declara em separado) e são do ano de fabricação de 1998 e 2000, logo, não se prestam para conduzir ao juízo que foram adquiridos no ano-calendário de 2001, o qual está sob exame nos presentes autos. O apartamento que a denúncia fiscal afirma ser de ótimo padrão foi adquirido com . financiamento do SFR — como constata da DIPF -- e por isto não é de propriedade do Sr Alexandre Gontijo Guerra. Nesta ordem, inexiste a malsinada incompatibilidade entre OS rendimentos e os gastos no ano-calendário de 2001 e, ao adota,. esta conclusão, o v. ares-to embargado se contradisse no confronto da asseveração fiscal que . foi tomada como verdade absoluta, com os números insertos nos documentos trazidos pela própria fiscalização (DIPF 2002/2002)." No julgamento do mérito, deliberou a extinta Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes: "Iniciado o julgamento em 14/06/2007, participaram da votação da preliminar de conhecimento dos recursos interpostos por pessoas físicas quanto à responsabilidade tributária os Conselheiros Nelson Lósso Filho (Relatar), Karem Jureidini Dias, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Margil Mourão Gil Nunes, Orlando José Gonçalves Bueno, José Carlos Teixeira da Fonseca, José Henrique Longo e Mário Sérgio Fernandes Barroso, deliberando, pela maioria dos votos, CONHECER dos recursos interpostos. Vencidos os Conselheiros Nelson Lasso Filho (Relator), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro e Mário Sérgio Fernandes Barroso. Designado o Conselheiro Margil Mourão Gil Nunes para redigir o voto vencedor, Prosseguiu o julgamento do mérito em 08/11/2007, com a participação dos Conselheiros Nelson Lósso Filho, Margil Mourão Gil Nunes, Amaud da Silva (Suplente Convocado), Orlando José Gonçalves Buena, Mariam Seif, Cândido Rodrigues Neuber, Karem 4 Processo n" 10380 003026/2003-97 S1-C2T2 Acórdão n " 1202-00.339 El 3 •ureidini Dias e Mário Sérgio Fernandes Barroso, que proferiram a seguinte decisão: por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário. Quanto à imputação da responsabilidade tributária, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias e Orlando José Gonçalves Buena Fará declaração de voto o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno, Ausente, justificadamente, o Conselheiro José Carlos Teixeira da Fonseca.", como consta registrado naquela ata de julgamento, traduzida na folha de rosto do acórdão embargado, 580/581. É o Relatório, 6 Voto Conselheiro Relator, Nelson Lósso Filho Vieram-me os autos em atendimento ao despacho da Presidente da 2 Câmara da 1" Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para que seja examinado o pedido manifestado pelo embargante às fls. 628/643, que vislumbrou ter ocorrido omissão e contradição no voto, conforme consta do Relatório.. Acolho em parte os embargos opostos em virtude de restar configurada a omissão apontada.. Não considero como contradição o que os embargantes indicaram existir no acórdão, a comparação entre a capacidade financeira dos sócios de direito e de fato. Pretenderam eles contrapor os fundamentos expostos na decisão prolatada pela extinta Oitava Câmara, objetivando rediscutir questão de mérito. Os embargos de declaração não são o remédio adequado para tal situação. Caso não concordasse com o mérito do julgamento e constatasse divergência com decisão proferida por outra Câmara, tinha a Embargante à sua disposição a possibilidade de submissão da controvérsia ao exame da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em conformidade com o Processo Administrativo Fiscal. Deve a =bargante orbitar dentro dos limites determinados para a interposição de Embargos de Declaração, sua admissibilidade jamais poderá implicar em revisão do decidido no julgamento de recurso por este Colegiada. Trago à colação, por pertinente, julgado da 1" Turma do Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial 15.774-0-SP-Edcl, em que foi relator o Min, Humberto Gomes de Barros: "Não pode ser conhecido recurso que, sob o rótulo de embargos declaratórios, pretende substituir a decisão recorrida por outra.. Os embargos declaratórios são apelos de integração - não de substituição." (DJU de 22/12/93, pag 24.895) Não cabe ao julgador em seu voto esgotar a análise de todos os parágrafos apresentados no recurso, principalmente aqueles de caráter condicional, se já formada a sua livre convicção, O Professor Cândido Rangel Dinamarco, ao discorrer sobre o Principio da Persuasão Racional do Juiz, confirma a livre formação da convicção do julgador: "Tal principio regula a apreciação e a avaliação das provas existentes nos autos, indicando que o juiz deve formar livremente sua convicção." (i11 "Teoria Geral do Processo", Ed. Malheiros, 14' Edição, 1998, p. 67) Da mesma forma entendem nossos Tribunais Superiores, como pode ser observado pelas ementas dos julgados a seguir: i") Processo n" 10380 003026/2003-97 Acórdão o" 1202-00,339 Si-C2T2 FI 4 "PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAçÃo. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO NO ACÓRDÃO. REEXAME DE PROVA. SÚMULA N" 7/ST1 (0111I.S.51.5") 3. O não acatamento das argumentações deduzidas no recurso, não implica em cerceamento de defesa, posto que, ao julgador, cumpre apreciam- o tema de acordo com o que reputar atinente à lide. 4 Não está obrigado o magistrado a julgar a questão posta a seu exame de acordo com o pleiteado pelas partes, mas sim, com o seu livre convencinzento (ar t. 131, do CPC), utilizando-se dos fatos, provas, jurisprudência, aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entendem- aplicável ao caso concreto (Omissis) (STJ— Primeira Turma — Rel. Min. José Delgado — Embargos de Declaração em Agravo Regimental em Agravo de Instrumento n" 304. 7.54/MG DI 1.2. 02 ,2001)" "PROCESSUAL CIVIL. ACÓRDÃO OMISSO SOBRE QUESTÕES INVOCADAS NO RECURSO DE APELAÇÃO, EMBARGOS DE DECLARA çila VICIO INEXISTENTE COMPLEMENTAÇÃO DA APOSENTADORIA, TETO SALARIAL AFASTADO POR DECISÃO IRRECORRIDA, PRECLUSÃO 1. o Juiz deve se pronunciar sobre todos os temas controvertidos da causa; não está obrigado, entretanto, a responder ponto a ponto, todas as alegações das partes, que se irrelevantes podem ser repelidas implicitamente. Ofensa ao CPC, art. 53.5, II, que não se caracteriza. (Omis,sis) (STJ — Quinta Turma —Rei. Min, Edson Vidigal Recurso Especial mi" 260.803/SP — Dili .12 .2000)" Cristalino que no direito processual brasileiro vigora o sistema do livre convencimento do julgador, não ficando ele adstrito a nenhum formalismo para decidir. Vejo que o posicionamento adotado na decisão do acórdão embargado foi resumido pela seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário 1998, 1999, .2000, 2001, 200.2 Ementa,- NULIDADE DO LANÇAMENTO - INOCORRÊNCIA — MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL — O MPF constitui- se em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo .fiscal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — NULIDADE DO LANÇAMENTO — CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - Rejeita-se preliminar de nulidade quando não configurado vicio ou omissão de que possa ter decorrido o cerceamento do direito de defesa. SUJEITO PASSIVO - RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA — SOLIDARIEDADE — São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado Respondem pelo crédito tributário os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertadas por terceiras pessoas que apenas emprestavam o nome para que eles. realizassem operações em nome da pessoa . jurídica, da qual tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas. contas-correntes bancárias. IRPJ— OMISSÃO DE RECEITAS — CONFRONTO ENTRE DADOS DAS GIMS E A CONTABILIDADE - Caracteriza a ocorrência de omissão 110 registro de receitas a constatação de diferenças entre o total das receitas informadas nas Guias de Informações Mensais (GIMIGIAN) à Secretaria de Fazenda Estadual emn confronto com aquele escriturado e lançado nas DIPJ apresentadas ao Fisco Federal, mormente quando elas não são contestadas pela autuada, IRPJ - LUCRO ARBITRADO - FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS - A falta de apresentação pela fiscalizada de livros e documentos contábeis e .fiscais impossibilita a apuração do lucro real, restando como única fbi ma de tributação o arbitramento do lucro tributável. IRPJ - APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA — A conduta da contribuinte de não informar a totalidade de suas receitas nas declarações de rendimentos entregues ao Fisco durante anos consecutivos, indicando valores ínfimos nas suas DIPJs, e de ser administrada de . fito por terceiros não vinculados a ela oficialmente, denota o elemento subjetivo da prática dolosa e enseja a aplicação de multa qualificada pela ocorrência de .fi .atide prevista no art 72 da Lei n°4 502/1964 CSL LANÇAMENTO DECORRENTE - O decidido no julgamento do lançamento principal do Imposto de Renda Pessoa Jurídica faz coisa julgada no lançamento dele decorrente, no mesmo grau de .jurisdição, ante a íntima relação de causa e efeito entre eles existente. Preliminar de nulidade rejeitada. Recurso Voluntário Negado." No corpo do voto os fundamentos apresentados estão assim descritos: "A exigência fiscal foi dirigida à contribuinte Cometa Distribuidora de Alimentos Ltda., que teve seu lucro arbitrado, gerando lançamentos tributários A responsabilidade solidária Processo if 10380.003026/2003-97 S1-C2-1-2 Acóicião n.° 1202-00.339 Fl 5 .foi atribuída aos Srs. Alexandre Gontijo Guerra, Cehno Ernany Araújo e Alberto Alves de Sousa, h-resignados com essa imputação, alegam não ter relação alguma com a autuada, não sendo responsável pelos tributos por ela devidos. O trabalho fiscal inc convenceu do contrário. Os elementos levantados e juntados aos autos convergem para um mesmo ponto comum: a empresa autuada operava por ordem das pessoas indicadas como responsáveis. Estes elementos são as Declarações e o Termo de diligência fiscal delis. 110 a 130, os Cartões de Assinaturas Procurador de fls. 146, 147, 166 e 167 e as Procurações delis. 152 e verso, 153 e verso, 154 e verso e 163, 164 e 171 e verso, que demonstram a simulação perpetrada pelas pessoas fisicas indicadas como responsáveis com o objetivo de omitir receitas tributáveis, pela constituição de pessoa jurídica na qual os sócios de direito são interpostas pessoas.. A .fiscalização levantou provas convincentes da vinculação das pessoas físicas indicadas. São elas: 1- declarações dos sócios constantes no contrato social de que os srs. Alexandre Gontijo Guerra, Cehno Emany Araújo e Alberto Alves de Sousa eram de . fato os administradores e dirigentes da empresa; 2- procurações públicas outorgadas pelo Sr. Masil Torres Pessoa, sócio de direito da pessoa jurídica, às três pessoas físicas para gerir a empresa, inclusive sua movimentação bancária, conforme procurações e cartões de assinatura bancária juntadas aos autos, no ano de 1998 e no ano de 2001; 3- a falta de motivação para que os sócios de direito da empresa outorgassem poderes para as pessoas responsabilizadas gerissem os negócios da autuada; 4- outros indícios, pela comparação da capacidade .financeira entre os sócios de fato e de direito da empresa. Por pertinente, transcrevo informações do Termo de Apuração da Responsabilidade Solidária de fls. 4.2/57, que bem fundamentam a caracterização da administração da autuada pelos responsabilizados: "Diante de tudo o que foi apurado, para nós resta claro que as pessoas que figuram como sócios no contrato social da empresa fiscalizada são seus sócios apenas de direito, mas não o são de fato. Estes senhores ao que tudo indica apenas emprestaram ou alugaram seus nomes para .figurarem como .sócias no contrato social da empresa .fiscalizada, visando com isto encobrirem aqueles que são de fato seus verdadeiros sócios e que usufruem de seu resultado econômico e .financeiro, (..). Os "sócios de fato" atuam em geral mediante procurações públicas outorgadas 9 pelos "sócios formais", através das quais lhe são conferidos os mais amplos, gerais e ilimitados poderes para gerir e administrar a empresa. (,.. ) In casa, todas as evidências conduzem à conclusão de que a empresa . fiscalizada, na verdade, era dirigida pelos senhores Alexandre Gontijo Guerra, Calmo Ernany Araújo e Alberto Alves de Sousa, Com afeito, estes senhoras detêm os mais amplos, gerais e ilimitados poderes para gerir e administrar a ..fiscalizada, por força das procurações públicas outorgadas pelo Sr, Masil Tones Pessoa, através das quais o mesmo, na qualidade de sócio oficial da empresa, outorga poderes inclusive para movimentação de contas bancárias (docs. fls. 152/154, 163 e 171). Curioso é que estes senhores, em seus depoimentos, embora admitam atuarem na gerência ou na parte financeira da empresa, tentam fazei- crer atuarem na condição de meros empregados ou prestadores de serviços, não justificando entretanto por que detinham aquelas procurações com tão amplos poderes e nem porque, se era o Sr Masil o sócio gerente da empresa, não estava ele mesmo à frente dos negócios. Os procuradores Alberto e Celmo possuem inclusive cartões de autógrafo (doc. fis. 146/148 e 166) nos Bancos Bradesco e Sudameris onde a .fiscalizada mantém conta corrente_ O Sr. Alexandre, vale frisar, disse em seu depoimento que antes de entrar para a Cometa já atuava no ramo de comércio atacadista de açúcar, na Rua Governador Sampaio, como proprietário de uma firma de nome Organização Esperança, mas que de uns tempos para cá não mais quis ser proprietário de empresa, devido aos inúmeros encargos que teria de assumir, preferindo atuar como simples empregado. Admite entretanto que gerencia a empresa e reconhece a importância de seu trabalho quando afirma que a empresa só . funciona graças aos serviços de corretagem realizados por ele. A afirmativa de que é mero empregado com salário de mil reais, é incompatível com seu patrimônio declarado, nada desprezível, constando de sua declaração de bens, imóvel considerado de ótimo padrão cidade de Fortaleza. Consultando o sistema RENA VAM verificamos constar em nome da esposa do Sr Alexandre dois veículos importados, um automóvel da marca SUZUKI VI TARA e uma cainionete TROLLER/SPORT O Sr Masil, que figura como sócio majoritário da empresa em seu contrato social tem o perfil clássico dos escolhidos para .figurar como "sócio formal". Com efeito, referido senhor é homem simples do interior, de poucas posses, cujo patrimônio se resume a um fitsca velho. Apesar de não negar que seja proprietário da fiscalizada, o Sr. Masil reconhece que desde dezembro de 1998 se encontra totalmente alheio aos negócios da empresa, e indica textualmente o nome do Sr Alexandre Gontijo como sendo a pessoa que toma conta do empreendimento, juntamente com o Sr. Alberto Alves de Souza, que lhe paga uma importância mensal (RS 1.000,00) para seu sustento, uma vez que se encontra desempregado, Com afeito, é o próprio SrMasil, no depoimento prestado aos agentes da SRF, que afirma desconhecer os negócios realizados pela fiscalizada, não 10 Processo tf 10380.00:3026/2003-97 Acórdão n " 1202-00339 S1-C2T2 Fi 6 sabendo sequer informar o volume de seu ,faturamento nos últimos três anos, nem como é .feita a prestação de contas de seu movimento financeiro, o que, convenhamos, desqualifica o seu papel de sócio-gerente e proprietário da empresa, detentor de 95% de seu capital, tal como oficialmente indicado no Contrato Social (doc. 66/72), com a agravante que essa pessoa, há mais de 4 anos, reside no interior de Minas Gerais, como um pobre desempregado, não obstante a empresa da qual se diz dono, tenha faturado apenas no ano de 200.2 o montante de R$ .57 892,035,34 (vide doc..fis. 40). Não é de são consciência que se conceba que o sr. Masil, dito como sócio majoritário da Cometa tenha abandonado sua administração no auge de seu .faturamento, para .ficar desempregado, vivendo às expensas de uma mesada de R$ 1.000,00 a título de aluguel desse dito negócio, com certeza muito lucrativo, . _O Sr. Masil, na sua inocência, até porque não deve ter sido "bem preparado" para prestar as declarações da conveniência dos interessados, uma vez que os agentes do Fisco . foram diretamente ao local de sua residência, no seu depoimento, .foi bastante claro ao reconhecer que, por ter cedido seu nome para ,figurar como sócio majoritário da Cometa recebe como recompensa a quantia de R$ 1.000,00 mensalmente, e mais identificando claramente a pessoa que, dispondo daquele empreendimento comercial, lhe .faz tal pagamento, no caso o Sr. Alexandre Gontijo Guerra. As evidências são claras de que, o Sr. Masil, foi usado por pessoas de sua amizade, e conterrâneos atuantes no ramo de comércio, para essa aventura aqui no Ceará, tendo, após cumprir com sua obrigação, ou seja, após abrir as empresas Cometa Distribuidora de Alimentos Ltda. e a M, T. Pessoa (objeto de outro procedimento fiscal), retornado para seu local de origem, deixando os negócios rolarem sob a tutela do seu nome, mas produzindo resultados .financeiros em beneficio dos terceiros mentores do empreendimento. Por isso é que, conivente com a situação, até porque recebe para isso uma compensação ,financeira, o Sr Masil não nega que seja sócio da Cometa. No entanto, se trai ao confessar que desde dezembro de 1998 se encontra totalmente alheio aos negócios dessa empresa, citando textualmente o nome do Sr. Alexandre Gontijo como sendo a pessoa que toma conta do empreendimento, .juntamente com os Srs. Alberto Alves Souza e Celmo Ernany Araújo. O mesmo perfil tem o Sr. Lorival de Jesus que também emprestou seu nome para figurar como sócio no contrato social da empresa .fiscalizada. De fato o Sr. Lourival, como pudemos constatar, é pessoa pobre, de pouca instrução, que reside 1111111C1 casa simples construída em regime de mutirão pela associação de bairro da qual .faz parte e que ainda sequer fbi totalmente concluída. Sua condição ,financeira é totalmente incompatível, com a de alguém que participa de um empreendimento comercial, cujo .faturamento só no ano de .2002, atingiu a importância, como já dito, de R$ 57.892.035,34 Além do que nada sabe a respeito do dito empreendimento. 1! É interessante ainda destacarmos o fato de que, logo após iniciada essa ação . fiscal, foi rapidamente providenciada procuração particular ao Sr. Rui Nas Amorim Marques Gontijo, para representar a empresa perante a Receita Federal Essa providência era totalmente desnecessária haja vista que os Srs. Alexandre, Cehno e Alberto tinham poderes bastante para essa representação, pois como já dito, possuíam procurações públicas da empresa para representá-la em todos os fóruns e repartições inclusive perante a Receita Federal. O surpreendente é que foi escolhida uma pessoa totalmente alheia aos assuntos administrativos da empresa, pois não sabia se a mesma possuía contabilidade, onde .ficavam os livros/documentos fiscais ou mesmo o nome do seu contador, com a agravante de que o suposto outorgante — Sr Masil, no seu depoimento, nega que tenha passado tal procuração Transpareceu nesse procedimento o objetivo de afastar de nosso contato os verdadeiros. responsáveis pelas atividades da fiscalizada. Por todo o exposto, a conclusão a que somos conduzidos é que, realmente o Sr. Masil Torres Pessoa e o Sr Lourival de Jesus foram usados, emprestando/alugando seus nomes para que .figurassem no Contrato Social da empresa fiscalizada, na qualidade de sócios cotistas, com a .finalidade escusa de encobrir a verdadeira identidade daqueles que realmente conduziam a empresa, praticando todos os atos de sua administração e dispondo, conseqüentemente, do resultado financeiro de suas atividades comerciais e que, de igual modo, deveriam também arear com as obrigações inerentes ao negócio. Logo, é de se considerar como sócios co-responsáveis pelas obrigações contraídas cai nome da pessoa .jurídica citada, o Sr Alexandre Gontijo Guerra, CPF 485.681..716-72, Calmo Ernany Araújo, CPF 480.067856-00 e Alberto Alves de Sousa, CPF 757 648.498-53 nos termos como disposto nos arh 124, 1 e 135, 11 e III do Código Tributário Nacional," Quanto à definição legal para responsabilização tributária indicada pelos autuantes no Termo de Apuração de Responsabilidade Tributária de fls. 42/57, artigos 124 e 135 do CIN, que a recorrente questiona, vejo que independente do enquadramento legal está perfeitamente caracterizada nos autos a participação das pessoas .físicas como responsáveis solidários nos Mos geradores dos tributos lançados. (anis sis) Assim, após a análise de todos os elementos juntados aos autos e do relato do Termo de Apuração da Responsabilidade Solidária, ,fica claro que a empresa Cometa Distribuidora de Alimentos Lida operou durante os anos fiscalizados por ordem de terceiros não vinculados ao seu contrato social, deixando de recolher os tributos devidos, sendo administrada de fato pelos senhores Alexandre Gontijo Guerra, Cehno Ernany Araújo e Alberto Alves de Sousa, devendo estas pessoas .físicas ser responsabilizadas pelos tributos exigidos. Após analisar as argumentações apresentadas e confrontá-las com o acórdão embargado, concluo que restou provada omissão no voto proferido que deixou de se manifestar a respeito das provas que pretendiam indicar que o sócio de direito da autuada, Sr. Masil Torres 12 13 Processo n 0380 00.3026/2003-97 S1 -C2T2 Acórdão n " 1202-00339 El 7 Pessoa, exerceu suas funções de gerente da empresa no período de janeiro/1998 a dezembro de 2002, não tendo se ausentado da sede da pessoa jurídica em Fortaleza, Ceará, e que durante todo período fiscalizado só o Sr, Alberto Alves de Sousa detinha procuração do Sr. Masil, sendo que a procuração em conjunto para as três pessoas fisicas responsabilizadas só aconteceu em 13/12/2001. As procurações passadas pelo Sr, Masil Tones Pessoa dando amplos poderes às pessoas físicas, bem corno os cartões de assinatura bancárias, aconteceram nas seguintes datas: 1- Sr. Alberto Alves de Sousa: - Procuração em 18/12/1998, fls, 154 e 163/164, além de outra em 13/12/2001, fls. 152, - Cartão de assinatura do Banco Bradesco, em 21/06/2001, fls 166/167. - Cartão de assinatura do Bamerindus, em 24/12/2001, fls. 146. 2- Sr. Celmo Ernany Araújo: - Procuração em 13/12/2001, fls. 153. - Cartão de assinatura do Banco Sudameris, em 24/12/2001, fls. 147. 3- Sr. Alexandre Gontijo Guerra: - Procuração em 13/12/2001, fls. 171. Os documentos trazidos aos autos como aditamento, após a entrega do recurso, para comprovar o exercício regular da gerência pelo sócio de direito Sr, Masil Soares Pessoa, foram juntados às fls. 526 a 533, sendo repetidos às fls. 568/575, são os a seguir indicados: Fls. 526 em 22/06/1998 — Intimação da Secretaria de Fazenda; Fls. 527 em 14/08/1998 — Solicitação de mudança de endereço; Fls, 530 em 22/09/1998 — Autorização de AIDF Única; Fls. 528 em 06/12/2000 — Autorização de AIDF Única; Fls. 529 em 13/07/2000 — Termo de depósito; Fls. 531 em 12/02/2001 — Autorização para Celmo Emany Araújo receber cheques devolvidos. Fls. 5.32 em 06/08/2001 — Junta Comercial Els,. 53.3 em .31/08/2001 — Pedido de Autorização de Impressão de Documentos Fiscais. No voto do acórdão embargado a manutenção da responsabilização tributária às pessoas fisicas Alberto Alves de Sousa, Alexandre Gontijo Guerra e Celmo Ernany Araújo, levou em conta um conjunto de fatos que convergiram para uma mesma conclusão. Esses elementos são as declarações tornadas a Termo, a diligência realizada, os Cartões de assinatura em bancos, a falta de motivação para esses procedimentos e a função de gerente e administrador exercida pelas três pessoas responsabilizadas tributariamente, com os sócios de direito figurando apenas como meras pessoas simbólicas,. Portanto, as procurações dando pleno poderes em 1998 ao Sr. Alberto Alves de Sousa e em 2001 a todos os três responsabilizados e os cartões de assinatura bancária em 2001 para Sr Alberto Alves de Sousa e Sr. Celmo Ernany Araújo, são provas que devem ser encaradas como coadjuvantes para convalidar as declarações do sócio de direito, informando que as pessoas fisicas responsabilizadas eram de fato quem geriam a pessoa jurídica autuada. Os documentos juntados aos autos pelos recorrentes às fls. 526/533, para comprovar que a gerência era exercida pelo sócio de direito, Sr. Masil TOMS Pessoa, nos anos de 1998 a 2002 e não pelas pessoas físicas responsabilizadas, nada provam por si só, pois não representam o universo da administração de uma empresa que faturou milhões de reais nos períodos autuados. São eles em número de três documentos em 1998, nenhum em 1999, dois em 2000 e três em 2001. Só no ano de 2002 o faturamento da pessoa jurídica chegou ao montante de R$57.892..035,34, o que, com certeza, geraria uma quantidade considerável de provas do exercício da gerência pelo Sr. Masil, tais como: movimentações bancárias, cheques emitidos, registro de empregados, pedidos de clientes e fornecedores, petições, declarações etc., que deveriam ter sido assinados, caso fosse ele o gerente e administrador, pelo Sr. Masil Torres Pessoa, o que não restou demonstrado nos autos. Assim, por falta de comprovação em sentido diverso, não consegue o recurso ilidir a constatação da fiscalização de que os três responsabilizados tributariamente exerciam a gerência e a administração da empresa autuada, como interpostas pessoas. Pelos fundamentos expostos, voto no sentido de acolher em parte dos embargos opostos para suprir a omissão apontada, sem, contudo, alterar a decisão consubstanciada no acórdão IV 108-09,477, da sessão de 08/11/2007. 14 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA - PRIMEIRA SEÇÃO PROCESSO : 10380.003026/2003-97 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada nos despachos supra, nos termos do art. 81, § 3 0 , do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n" 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, 12 de novembro de 2010. Maria Concèição de Sousa Rodrigues Secretária da Câmara Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: []apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração..
score : 1.0
Numero do processo: 10830.720148/2009-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 21/12/2006
PRELIMINAR. NULIDADE DA GLOSA E DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade da glosa perpetrada nem da decisão atacada quando ambas são claras em precisar as circunstâncias fáticas e os fundamentos jurídicos que motivaram tais manifestações.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PIS E COFINS. PLANILHA COM VÁRIAS GLOSAS DE DIFERENTES PERÍODOS. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA.
Não há prejuízo à defesa se, diante de vários pedidos de compensação, a glosa é feita com base em um único documento que englobe todas as glosas, desde que o contribuinte possa, em cada processo individual, precisar qual o período do crédito em discussão e que deverá ser objeto de específica impugnação, exatamente como ocorre no presente caso.
Numero da decisão: 3402-005.827
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 21/12/2006 PRELIMINAR. NULIDADE DA GLOSA E DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade da glosa perpetrada nem da decisão atacada quando ambas são claras em precisar as circunstâncias fáticas e os fundamentos jurídicos que motivaram tais manifestações. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PIS E COFINS. PLANILHA COM VÁRIAS GLOSAS DE DIFERENTES PERÍODOS. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA. Não há prejuízo à defesa se, diante de vários pedidos de compensação, a glosa é feita com base em um único documento que englobe todas as glosas, desde que o contribuinte possa, em cada processo individual, precisar qual o período do crédito em discussão e que deverá ser objeto de específica impugnação, exatamente como ocorre no presente caso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, no mérito, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 01 48 /2 00 9- 91 Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10830.720148/200991 Acórdão n.º 3402005.827 S3C4T2 Fl. 3 2 Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). Relatório A interessada transmitiu PER visando ressarcimento de crédito de contribuição não cumulativa na exportação, em razão de pagamento indevido ou a maior. Posteriormente apresentou DCOMP para compensar o crédito pleiteado com débitos próprios. A unidade de origem reconheceu parcialmente o crédito e homologou as compensações até o limite reconhecido. Diante da homologação parcial da compensação perpetrada, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, oportunidade em que alegou o que segue: (i) nulidade do procedimento administrativo; (ii) direito à compensação do crédito extemporâneo; e (iii) direito à apropriação do crédito sobre valores de aquisição de combustíveis (querosene) no período compreendido entre 10/2008 a 12/2008. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, conforme acórdão nº 09056.344. Diante deste quadro o contribuinte interpôs o recurso voluntário, oportunidade em que repisou as alegações desenvolvidas em sua manifestação de inconformidade, além de vindicar a nulidade da decisão proferida pela instância a quo. É o relatório. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10830.720148/200991 Acórdão n.º 3402005.827 S3C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.825, de 25 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 10830.720143/200969, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.825): "I. Dos pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário 6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche parcialmente os demais pressupostos de admissibilidade, haja vista a sua falta de interesse de agir. 7. Isso porque o contribuinte se insurge contra a glosa aqui realizada fundamentandose nos seguintes termos: (i) direito a crédito na compra de combustível para aviação anteriores a lei n. 11.787/2008 e (ii) direito de usar créditos, ainda que extemporâneos. 8. Acontece que, no presente caso em particular, as glosas perpetradas não tocam tais questões. Aliás, no que tange à discussão dos créditos extemporâneos, assim se manifestou a decisão atacada: (...). Destaquese que, no tocante ao mérito, a contribuinte discute tão somente a glosa de crédito extemporâneo, específica para o período de apuração 03/2007, e a apropriação de crédito sobre valores de aquisição de combustíveis no período de 10/2008 à 12/2008. Assim, as glosas realizadas para períodos de apuração diferentes dos acima mencionados não foram contestadas, no tocante ao mérito. Como o período de apuração do crédito informado no PER aqui analisado se reporta ao 2º tri/2005 não houve, quanto ao mérito, instauração de litígio. (...). 9. O mesmo vale para a questão quanto à discussão de uma pretensa glosa de crédito na compra de combustível para aviação anteriores a lei n. 11.787/2008, o que demonstra a Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10830.720148/200991 Acórdão n.º 3402005.827 S3C4T2 Fl. 5 4 ausência de interesse recursal do contribuinte nos específicos tópicos aqui destacados. 10. Neste diapasão, deixo de conhecer parte do recurso voluntário interposto, mais precisamente o item III das suas razões recursais. II. Da pretensa nulidade parcial da decisão recorrida 11. Conforme se observa do recurso voluntário, um dos fundamentos trazidos pelo contribuinte em sua peça recursal é a nulidade parcial da decisão proferida pela instância a quo. 12. Antes, todavia, de tratar da sobredita preliminar processual, mister se faz, neste instante, detalhar ainda mais as circunstâncias fáticas que gravitam em torno do presente caso. 13. Nesse sentido, ao se observar os documentos de fls. 03/14, é possível observar que, no presente caso decidendo, o contribuinte alegou possuir um saldo credor de PIS e COFINS, nos termos do art. 16, parágrafo único da lei 11.116/051, o que o motivou a pedir o ressarcimento de tal crédito, ulteriormente convertido em compensação com débitos de agosto e setembro de 2006. 14. Ao glosar tais créditos, a fiscalização deixa clara a fundamentação para tanto, qual seja, a divergência entre as informações fiscais prestadas pelo contribuinte, conforme se observa do seguinte trecho da manifestação de fl. 22: Frisese que os valores divergentes estão de acordo com aqueles informados pelo contribuinte nos DACON's de 01/2005 a 12/2008. Esclarecemos que é facultado ao contribuinte, nos termos da lei, creditarse de valor de contribuições incidentes sobre bens e serviços adquiridos. Ressaltamos que, no período de 01/2006 a 12/2006, não houve informação de créditos de insumos nos DACON's. 15. Ressaltese, todavia, que além do presente pedido de ressarcimento convertido em compensação, a contribuinte apresentou outros inúmeros pedidos no mesmo diapasão, tanto que o presente caso em julgamento é paradigma de outros a ele vinculados e que tramitam neste Tribunal. Essa é a razão, portanto, de a fiscalização trazer as fls. 23/26 uma tabela com a discriminação não só da glosa para o período aqui debatido, mas também para outros períodos que, provavelmente, são 1 " Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: (...). Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestre calendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei." Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10830.720148/200991 Acórdão n.º 3402005.827 S3C4T2 Fl. 6 5 discutidos nos demais pedidos de ressarcimento/compensação apresentados pelo contribuinte. 16. A metodologia alhures indicada não prejudica em precisar quais foram os créditos glosados no presente processo administrativo (2o trimestre de 2005), bem como o motivo de tal glosa, o que afasta uma pretensa nulidade do trabalho fiscal, bem como da decisão atacada. Dispositivo 17. Diante do exposto, deixo de conhecer parte do recurso voluntário interposto e, na parte conhecida, voto por negarlhe provimento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, no mérito, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 146DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.722615/2013-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CABIMENTO.
Às declarações de compensação (PER/DCOMP) não se aplica a benesse da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN.
No art. 156 do CTN são descritas formas distintas de extinção do crédito tributário, sendo, prerrogativa somente do legislador, em situações expressamente especificadas, eventualmente conferir o mesmo tratamento jurídico a tais institutos. Contudo, esse não é o caso do art. 138 do CTN, no qual a referência tão somente ao termo "pagamento" quer dizer que a denúncia espontânea não se aplica às demais modalidades de extinção do crédito tributário.
COMPENSAÇÃO. TRANSMISSÃO. APÓS VENCIMENTO. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA.
Na compensação, a extinção do crédito tributário sob condição resolutória dá-se somente a partir da transmissão ou entrega da correspondente declaração, nos termos do art. 74, §§1º e 2º da Lei nº 9.430/96.
Não tendo sido os débitos fiscais pagos, nem compensados, antes do vencimento do tributo, estão sujeitos à multa de mora.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-005.986
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Cynthia Elena de Campos, que davam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CABIMENTO. Às declarações de compensação (PER/DCOMP) não se aplica a benesse da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN. No art. 156 do CTN são descritas formas distintas de extinção do crédito tributário, sendo, prerrogativa somente do legislador, em situações expressamente especificadas, eventualmente conferir o mesmo tratamento jurídico a tais institutos. Contudo, esse não é o caso do art. 138 do CTN, no qual a referência tão somente ao termo "pagamento" quer dizer que a denúncia espontânea não se aplica às demais modalidades de extinção do crédito tributário. COMPENSAÇÃO. TRANSMISSÃO. APÓS VENCIMENTO. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA. Na compensação, a extinção do crédito tributário sob condição resolutória dá-se somente a partir da transmissão ou entrega da correspondente declaração, nos termos do art. 74, §§1º e 2º da Lei nº 9.430/96. Não tendo sido os débitos fiscais pagos, nem compensados, antes do vencimento do tributo, estão sujeitos à multa de mora. Recurso Voluntário negado
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Cynthia Elena de Campos, que davam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1801; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.722615/201397 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.986 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de novembro de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente HOSPITAL DE CLINICAS DE PORTO ALEGRE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CABIMENTO. Às declarações de compensação (PER/DCOMP) não se aplica a benesse da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN. No art. 156 do CTN são descritas formas distintas de extinção do crédito tributário, sendo, prerrogativa somente do legislador, em situações expressamente especificadas, eventualmente conferir o mesmo tratamento jurídico a tais institutos. Contudo, esse não é o caso do art. 138 do CTN, no qual a referência tão somente ao termo "pagamento" quer dizer que a denúncia espontânea não se aplica às demais modalidades de extinção do crédito tributário. COMPENSAÇÃO. TRANSMISSÃO. APÓS VENCIMENTO. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA. Na compensação, a extinção do crédito tributário sob condição resolutória dá se somente a partir da transmissão ou entrega da correspondente declaração, nos termos do art. 74, §§1º e 2º da Lei nº 9.430/96. Não tendo sido os débitos fiscais pagos, nem compensados, antes do vencimento do tributo, estão sujeitos à multa de mora. Recurso Voluntário negado Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Cynthia Elena de Campos, que davam provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 26 15 /2 01 3- 97 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 11080.722615/201397 Acórdão n.º 3402005.986 S3C4T2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão nº 08033.739 da Delegacia de Julgamento em Fortaleza que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versam os autos sobre declaração de compensação, que objetiva compensar pagamento a maior de PIS/Pasep. O despacho decisório reconheceu a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, mas homologou apenas parcialmente a compensação declarada por entender que o direito creditório reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese: a) descabimento da aplicação da multa moratória em face da denúncia espontânea; e b) ausência de extemporaneidade no pagamento vez que o crédito e o débito objeto de compensação possuem mesmo vencimento e período de apuração. A Delegacia de Julgamento não acolheu os argumentos da manifestante, sob os seguintes fundamentos: O contribuinte teria até o dia do vencimento do tributo para pagar o tributo ou apresentar a devida declaração de compensação sem nenhuma penalidade. Na espécie, o administrado, optando pela compensação, ingressou com o PER/DCOMP após o vencimento do tributo, pelo que incorreu em multa moratória e juros Selic. O pagamento e a compensação são espécies de extinção do crédito tributário. O art. 138 do CTN dispõe que a denúncia espontânea deve ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido. No caso, o contribuinte informou o débito fiscal, mas não o pagou, tendo apenas compensadoo, o que não contempla o benefício da denúncia espontânea. A compensação só ocorre mediante a entrega da correspondente declaração pelo sujeito passivo, sendo que, antes disso, a parcela do pagamento ainda não alocada a débito físcal permanece indisponível ao Fisco. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 11080.722615/201397 Acórdão n.º 3402005.986 S3C4T2 Fl. 0 3 Cientificada, a interessada interpôs tempestivamente o recurso voluntário ora em apreço, repisando as alegações da manifestação de inconformidade acerca do cabimento da denúncia espontânea e da não incidência da multa de mora. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.981, de 29 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 11080.720383/201332, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402005.981) 1: "Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Nos termos do art. 156 do CTN, o pagamento (inciso I) e a compensação (inciso II) são modalidades de extinção do crédito tributário, sendo que, no caso da compensação, nos termos do art. 74, §2º da Lei nº 9.430/96, a extinção se dá sob condição resolutória da ulterior homologação da compensação declarada. Na hipótese de não ocorrer a homologação (tácita ou expressa) da compensação declarada, não há que se falar mais em extinção do crédito tributário, sendo cabível a cobrança dos débitos confessados. Na hipótese de lançamento por homologação, tratada separadamente no inciso VII do art. 156 do CTN, o pagamento antecipado somente extinguirá o crédito tributário se for acompanhado da homologação tácita ou expressa da norma individual e concreta posta pelo contribuinte. O Professor Paulo de Barros Carvalho2 bem diferencia o "pagamento" a que se refere o inciso I do art. 156 do CTN do "pagamento antecipado" de que trata o inciso VII, nos seguintes termos: Não obstante o pagamento antecipado seja uma forma de pagamento, a legislação aplicável requer que ele se conjugue ao ato homologatório a ser realizado (comissiva ou omissivamente) pela Administração Pública. Apenas 1 No processo paradigma houve apresentação de Declaração de Voto por parte da Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. Como o entendimento esposada nesta declaração foi vencido, deixase de transcrevêlo nos presentes autos, que trazem apenas o entendimento que prevaleceu na decisão colegiada. Íntegra da declaração de voto pode ser consultada no processo paradimga nº 11080.720383/201332. 2 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 16. ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 490. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 11080.722615/201397 Acórdão n.º 3402005.986 S3C4T2 Fl. 0 4 dessa maneira darseá por dissolvido o vínculo, diferentemente do que ocorre nos casos de pagamento de débito tributário constituído por lançamento, em que a conduta prestacional do devedor tem o condão de por fim, desde logo, à obrigação tributária. No denominado "lançamento por homologação", quando ainda não ocorrida a homologação tácita ou expressa da norma individual e concreta posta pelo contribuinte, constatando o Fisco a inexatidão da atividade prévia por ele exercida, deverá apurar o montante suplementar do tributo devido e constituir o crédito tributário por lançamento de ofício supletivo, nos termos do art. 149 do CTN. Nessa hipótese, obviamente, a parcela do crédito tributário objeto do pagamento antecipado é considerada extinta por pagamento (parcial), vez que excluída do lançamento de ofício supletivo. Dessa maneira, nos incisos I, II e VII do art. 156 do CTN, são descritas três formas distintas de extinção do crédito tributário, sendo, prerrogativa somente do legislador, em situações expressamente especificadas, conferir eventualmente o mesmo tratamento jurídico a tais institutos. Contudo, esse não é o caso do art. 138 do CTN, no qual a referência tão somente ao termo "pagamento" está a dizer que a denúncia espontânea não se aplica às demais modalidades de extinção do crédito tributário. Nessa mesma linha, no voto vencedor do Redator Designado Fernando Brasil de Oliveira Pinto, no Acórdão nº 1402002.309 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 15 de setembro de 2016, restou esclarecido que às declarações de compensação (PER/DCOMP) não se aplica a benesse da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN, uma vez que a extinção do crédito tributário por pagamento (art. 156, I, do CTN) não se confunde com a extinção por meio de compensação (art. 156, II do CTN): (...) Portanto, embora pagamento e compensação extingam o crédito tributário, cada um o faz com suas características e consequências peculiares: enquanto no pagamento não mais se discute a extinção do crédito tributário, na compensação extinguese o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (art. 74, § 2º, da Lei nº 9.430/96), ou seja, a declaração de compensação pode ter seus efeitos revertidos pela autoridade administrativa. O art. 138 do CTN, ao dispor que a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, a meu ver, limitou a possibilidade de sua aplicação a uma das modalidades de extinção do crédito tributário, qual seja, o pagamento. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 11080.722615/201397 Acórdão n.º 3402005.986 S3C4T2 Fl. 0 5 Quisesse o legislador que outras hipóteses de extinção fossem aplicáveis para fins de denúncia espontânea, assim o teria feito expressamente. Conforme abordado pelo i. Conselheiro Relator, a posição do STJ sobre o tema não é unânime. Tanto assim que, posteriormente ao entendimento firmado no julgamento nos EDcl no AgRg no REsp 1375380/SP, sessão de 20/08/2015, citado no r. voto do i. Conselheiro Relator, a mesma Segunda Turma julgadora do STJ julgadora decidiu de modo divergente na apreciação do AgRg no REsp 1461757 / RS em sessão realizada no mês seguinte, dia 03/09/2015. Vejase sua ementa: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2014/01481347 Relator(a) Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES (1141) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 03/09/2015 Data da Publicação/Fonte DJe 17/09/2015 Ementa: (...) 3. "A extinção do crédito tributário por meio de compensação está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, temse por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência, de consequência, dos encargos moratórios. Nessa linha, sendo que a compensação ainda depende de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN". (AgRg no AREsp 174.514/CE, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/09/2012, DJe 10/09/2012) 4. Agravo regimental não provido. (...) No mesmo sentido, pronunciouse a Câmara Superior de Recursos Fiscais, no Acórdão nº 9303006.011– 3ª Turma, de 29 de novembro de 2017, sob voto condutor do Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, nestes termos: (...) Fl. 70DF CARF MF Processo nº 11080.722615/201397 Acórdão n.º 3402005.986 S3C4T2 Fl. 0 6 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito, Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (...) VOTO (...) A matéria a ser decidida neste julgamento, como já dito, é somente se compensação (via Declaração de Compensação) equivale ou não a pagamento, para fins de cabimento ou não da cobrança da multa moratória nos casos de transmissão da DCOMP a destempo, mas antes do início do procedimento fiscal. Para o pagamento, o tema não é mais passível de discussão no CARF (a teor do § 2º do art. 62 do seu Regimento Interno), haja vista que o Superior Tribunal de Justiça já decidiu a questão posta, no RE nº 1.149.022/SP (isto se o pagamento for realizado antes ou concomitantemente à confissão da dívida, conforme Súmula nº 360, também do STJ), em Acórdão submetido à sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do artigo 543C da Lei nº 5.869, de 11/01/73, antigo Código de Processo Civil. Já para a compensação, não existe decisão judicial ou súmula que vincule este Colegiado. Como bem colocou a PGFN, pagamento e compensação são formas distintas de extinção do crédito tributário, conforme estabelece o Código Tributário Nacional (art. 156, I e II, já transcritos), recepcionado como lei complementar, a única capaz de estabelecer normas gerais sobre crédito tributário, como reza a nossa Constituição Federal (grifei): (...) Alega o contribuinte, em suas Contrarrazões, que o pagamento, no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação – como a própria denominação desta forma de constituição diz – também está sujeito à condição de sua ulterior homologação. Mas o CTN diz algo mais a respeito (grifei): Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio Fl. 71DF CARF MF Processo nº 11080.722615/201397 Acórdão n.º 3402005.986 S3C4T2 Fl. 0 7 exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. Assim, na compensação, é o valor confessado em DCOMP está sob condição resolutória de ulterior homologação, enquanto no pagamento, na realidade, é o que não foi quitado. Isto está claro na lei. O § 1º do art. 150 do CTN fala “sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento”, enquanto o § 2º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 fala em “sua ulterior homologação” Em termos simples: “pagou está pago”; se compensou, há cinco anos para a Administração decidir em que dimensão o crédito está extinto, até o limite compensado. Não se pode equiparar, então, homologação do lançamento com homologação da Declaração de Compensação. (...) São formas de extinção distintas, com conseqüências distintas. Não há dúvida. Assim, não se pode aplicar a mesma jurisprudência de uma para a outra – ainda que o STJ já tenha feito isto, mas em decisão não vinculante (Resp nº 1.136.372/RS, citado pelo contribuinte). (...) Ex positis, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (...) Melhor sorte não assiste à recorrente quanto ao argumento de que não teria ocorrido a "extemporaneidade no pagamento" do tributo devido, vez que os débitos e créditos Fl. 72DF CARF MF Processo nº 11080.722615/201397 Acórdão n.º 3402005.986 S3C4T2 Fl. 0 8 objeto de compensação referemse a tributos atinentes ao mesmo período de apuração e mesma data de vencimento. Ocorre que, na hipótese de compensação, a extinção do crédito tributário sob condição resolutória, dáse somente a partir da transmissão ou entrega da correspondente declaração, nos termos do art. 74, §§1º e 2º da Lei nº 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pela sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (...) Dessa forma, não tendo sido os débitos pagos no prazo da legislação específica, nem tampouco sido considerados extintos antes do vencimento do tributo pela transmissão da declaração de compensação tempestiva, estão sujeitos à multa de mora, nos termos do art. 61 e 74, §§1º, 2º e 14 da Lei nº 9.430/96 e do art. 28 da Instrução Normativa SRF nº 460/2004: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 51 e 52 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, Fl. 73DF CARF MF Processo nº 11080.722615/201397 Acórdão n.º 3402005.986 S3C4T2 Fl. 0 9 na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo ou contribuição administrados pela SRF será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 74DF CARF MF
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Numero do processo: 13963.000248/2005-57
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2002
CISÃO/DESMEMBRAMENTO DE PESSOA JURÍDICA. VEDAÇÃO AO SIMPLES.
É vedada a opção pelo SIMPLES à empresa resultante de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento de outra pessoa jurídica.
EFEITOS DA EXCLUSÃO. DECISÃO ADMINISTRATIVA IRRECORRÍVEL. IMPOSSIBILIDADE.
Os efeitos da exclusão do sistema SIMPLES, quando constatada a vedação legal decorrente de cisão ou desmembramento, tendo a opção ocorrido até 27/07/2001, dá-se a partir de 1 2 de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002.
Não há guarida na legislação para a adoção de efeitos a partir da data da ciência do trânsito em julgado da decisão administrativa.
Numero da decisão: 1001-000.872
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2002 CISÃO/DESMEMBRAMENTO DE PESSOA JURÍDICA. VEDAÇÃO AO SIMPLES. É vedada a opção pelo SIMPLES à empresa resultante de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento de outra pessoa jurídica. EFEITOS DA EXCLUSÃO. DECISÃO ADMINISTRATIVA IRRECORRÍVEL. IMPOSSIBILIDADE. Os efeitos da exclusão do sistema SIMPLES, quando constatada a vedação legal decorrente de cisão ou desmembramento, tendo a opção ocorrido até 27/07/2001, dá-se a partir de 1 2 de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002. Não há guarida na legislação para a adoção de efeitos a partir da data da ciência do trânsito em julgado da decisão administrativa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
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VEDAÇÃO AO SIMPLES. É vedada a opção pelo SIMPLES à empresa resultante de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento de outra pessoa jurídica. EFEITOS DA EXCLUSÃO. DECISÃO ADMINISTRATIVA IRRECORRÍVEL. IMPOSSIBILIDADE. Os efeitos da exclusão do sistema SIMPLES, quando constatada a vedação legal decorrente de cisão ou desmembramento, tendo a opção ocorrido até 27/07/2001, dáse a partir de 1 2 de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002. Não há guarida na legislação para a adoção de efeitos a partir da data da ciência do trânsito em julgado da decisão administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 3. 00 02 48 /2 00 5- 57 Fl. 153DF CARF MF Processo nº 13963.000248/200557 Acórdão n.º 1001000.872 S1C0T1 Fl. 3 2 EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fl. 141 a 147) interposto contra o Acórdão nº 0715.470, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC (fls. 130 a 138), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 CISÃO/DESMEMBRAMENTO DE PESSOA JURÍDICA. VEDAÇÃO AO SIMPLES. É vedada a opção pelo SIMPLES à empresa resultante de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento de outra pessoa jurídica. EFEITOS DA EXCLUSÃO. DECISÃO ADMINISTRATIVA IRRECORRÍVEL. IMPOSSIBILIDADE. Os efeitos da exclusão do sistema SIMPLES, quando constatada a vedação legal decorrente de cisão ou desmembramento, tendo a opção ocorrido até 27/07/2001, dáse a partir de 1 2 de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002. Não há guarida na legislação para a adoção de efeitos a partir da data da ciência do trânsito em julgado da decisão administrativa. Solicitação Indeferida" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "Tratase de manifestação de inconformidade contra exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples, por ser a empresa resultante de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento, conforme Ato Declaratório Executivo Fl. 154DF CARF MF Processo nº 13963.000248/200557 Acórdão n.º 1001000.872 S1C0T1 Fl. 4 3 DRF/FNS n° 49, de 30 de março de 2006, embasado no art. 9°, inciso XVII, da Lei n° da Lei n° 9.316. (fls. 104). Consta que a exclusão decorreu de representação administrativa recebida do Instituto Nacional do Seguro Social, comunicando a ocorrência de sucessão de fato entre as empresas Silca Indústria de Artefatos de Cimento Ltda (CNPJ 82.849.050/000102) e Gabrielle Cadorin EPP, consoante fls. 01 a 99. Inconformado o sujeito passivo se manifestou às fls. 110 a 116, discordando do entendimento que levou à exclusão. Cita que inexiste a sucessão, tal como afirmado pelo INSS, uma vez que não ocorreu a transferência da titularidade e solução de continuidade dos serviços, conforme doutrina que cita e art. 448 da Consolidação da Leis do Trabalho. Fala que a empresa Silca não deixou de exercer suas atividades no período em que se pretende afirmar ter havido a sucessão, cada qual com seus clientes, o que demonstra não ter havido transferência do fundo de comércio. Diz que o fundo de comércio tem sentido abrangente, representando todo o ativo e passivo, desde bens a clientes, fornecedores, funcionários, marcas, registros comerciais e industriais, não tendo ocorrido tal situação, uma vez que atuavam concomitantemente. Aduz que, com a inatividade da empresa Silca locou alguns equipamentos para melhor exercer suas atividades, o que não significa transferência de fundo de comércio. Argumenta que não houve interrupção dos serviços prestados pela Silca, sendo distintos para as empresas. Relata que foi desrespeitado o princípio da legalidade, já que o ato que fundamenta a exclusão não se refere a sucessão, conforme representação do INSS, mas cisão, e que são institutos distintos, não tendo havido o desmembramento, não se configurando o caso previsto no inciso XVII, art. 9° da Lei n° 9.317/96. Narra que, na eventualidade do reconhecimento da sucessão, que os efeitos da exclusão se dêem a partir do trânsito em julgado da decisão. Requer, por fim, a anulação do ato declaratório, a inexistência da sucessão ou, alternativamente, a exclusão somente a partir do trânsito em julgado do recurso." Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou o recurso sob análise com base na mesmas alegações já aventadas em primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues Fl. 155DF CARF MF Processo nº 13963.000248/200557 Acórdão n.º 1001000.872 S1C0T1 Fl. 5 4 O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF, e por concordar com seu teor, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: " (...) DA MOTIVAÇÃO DO ATO DE EXCLUSÃO Pretende, com o inconformismo, a revisão do ato de exclusão do Sistema SIMPLES, ao argumento que não houve a sucessão, que não se trata de cisão e, alternativamente, que os efeitos somente se operem após o trânsito em julgado da decisão administrativa. Vêse que a exclusão está fundamentada no fato de a empresa ser resultante de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento, vedada sua opção no SIMPLES, conforme Lei n° 9.317/96, que assim dispõe: Art. 90 Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (..) XVII que seja resultante de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento da pessoa jurídica, salvo em relação aos eventos ocorridos antes da vigência desta Lei; (...) A leitura do Relatório Fiscal (anexo da Representação do INSS), mostra em minúcias o histórico das empresas Silca e Gabrielle Cadorin, como se vê: "2. CONFIGURAÇÃO DAS EMPRESAS. (...) 2.2. De acordo com os atos constitutivos e alterações (cópias anexas) levadas a registro na Junta Comercial do Estado, observase a seguinte evolução contratual da Silca Indústria de Artefatos de Cimento Ltda: 2.2.1. Constituída em 19/01/1973 na Rua Esperança, 425, Centro em Morro da Fumaça/SC, com objetivo de "indústria de artefatos de cimento em geral", tendo por sóciogerente Orlani Norberto Cadorin. 2.2.2. Em 10/03/1982, através da 4° alteração contratual, é criada a filial na Rod. SC 446, Km 20, Linha Rio Maior em Urussanga/SC. 2.2.3. Em 01/07/1985, conforme a 5" alteração, ingressa a sócia Solange Maccari Cadorin, compondo com seu marido Orlani Norberto Cadorin a totalidade do quadro societário. 2.3. De outro lado, de acordo com os atos constitutivos e alterações (cópias anexas) levadas ao registro na Junta Comercial do Estado, observase a seguinte evolução contratual da Gabrielle Cadorin EPP: Fl. 156DF CARF MF Processo nº 13963.000248/200557 Acórdão n.º 1001000.872 S1C0T1 Fl. 6 5 2.3.1. Constituída em 01/05/1997, Rod. SC 446, Km 20, Linha Rio Maior em Urussanga/SC, com o objetivo de "Fabricação de Artefatos de Cimento, galpões prémoldados e Comércio Varejista de Materiais para Construção", tendo por titular Gabrielle Cadorin, filha de Orlani Cadorin e Solange Maccari Cadorin (sócios da Silca). (...) 3. FUNCIONAMENTO DAS EMPRESAS — ANÁLISE CONTÁBIL 3.1. Desde o ano de 1992 a SILCA desenvolve suas atividades apenas no estabelecimento filial em Urussanga/SC, sendo que a matriz localizada em Morro da Fumaça paralisou suas atividades, de fato, naquele ano. Conforme explicitado anteriormente, o endereço da Gabrielle Cadorin EPP coincide com o endereço da filial da SILCA, ou seja, Rod. SC 446, Km 20, Linha Maior, Urussanga/SC. Esta fiscalização comprovou este fato através de visita "in loco", todas as atividades de ambas as empresas são realizadas apenas neste endereço. O imóvel ali localizado é composto de um terreno localizado em área rural com 20.000 m2, com uma edificação onde fica o escritório administrativo e dois galpões sem paredes laterais onde são fabricadas as estruturas de cimento e metálicas para galpões. Este imóvel é de propriedade de Silca, conforme registrado no Livro n° 2, matrícula 16.928 no Cartório de Registro de Imóveis de Urussanga, em anexo. 3.2. Com a criação da Gabrielle Cadorin EPP em 1997, as atividades da SILCA foram paulatinamente sendo transferidas para esta empresa, com visível deslocamento da mãodeobra e faturamento entre as empresas (...) 3.4. Conforme revela a escrituração contábil e as declarações do Imposto de Renda exibidas à fiscalização, a SILCA registrou faturamento até a competência agosto de 2001, sendo que a partir daí registra somente despesas/custos em sua contabilidade. (...) 3.5. Existe uma confusão patrimonial entre as empresas, a Gabrielle Cadorin EPP utiliza gratuitamente as instalações, máquinas e equipamentos de propriedade da SILCA. A compra de insumos utilizados para a fabricação dos produtos foi feita apenas pela empresa Gabrielle Cadorin desde o ano de 2002. 4.1. Na realidade, atualmente existe apenas uma empresa que atua na atividade de fabricação de artefatos de cimento, denominada Gabrielle Cadorin EPP. Esta sucedeu de fato, as atividades da SILCA Indústria de Artefatos de Cimento Ltda desde a competência setembro de 2001. Isto está bastante claro, haja vista os documentos apresentados e descritos anteriormente. 4.2. A empresa Gabrielle Cadorin EPP é administrada, através de procuração, por Oderi Cadorin e Arilton de Araújo, ambos seus empregados e que foram transferidos da Silca. A empresa sempre se apresentou aos seus clientes com a marca SILCA, inclusive é o que consta nos seus catálogos de propaganda, cuja cópia segue em anexo. No período de 1998 a 2000, a empresa Gabrielle Cadorin EPP assinalava a marca SILCA no corpo das notas fiscais emitidas, conforme cópias anexadas. (...) 4.5. SILCA e Gabrielle Cadorin EPP realizam suas atividades no mesmo endereço e ambas atuam no mesmo ramo de atividade. Não há nenhuma indicação Fl. 157DF CARF MF Processo nº 13963.000248/200557 Acórdão n.º 1001000.872 S1C0T1 Fl. 7 6 nas instalações, máquinas, equipamentos e empregados que distingam as empresas. De fato, as empresas funcionam com se fossem um único estabelecimento, com administração, processo fabril e patrimônio únicos. (...) 5. CONCLUSÃO DO FISCO PREVIDENCIÁRIO 5.1. Diante de todo o exposto, é forçoso concluir que a empresa Gabrielle Cadorin EPP sucedeu, de fato, a empresa SILCA Indústria de Artefatos de Cimento Ltda. (...) Os fatos relatados na peça de representação e seus anexos mostram, com clareza hialina, que de fato ocorreu a sucessão empresarial. Como haveria de se justificar, sob a ótica do mercado empresarial concorrência, que determinado empreendimento se estabelecesse no mesmo endereço, utilizandose do mesmo estabelecimento, do mesmo parque fabril, do mesmo objeto social? A isto só se pode chamar de cisão ou desmembramento, que ao final restou totalmente absorvido pela recorrente, tanto que houve um esvaziamento de empregados, redução gradual de faturamento e ao final inexistente na sucedida e, em contrapartida, a ascensão na sucessora, conforme se verifica na planilha do item 3.2 do Relatório Fiscal integrante da representação (fls. 05). A evolução cronológica dos fatos apontados na representação mostra o sintomático momento da criação da empresa Gabrielle Cadorin, criada pela filha dos sócios de SILCA no ano de 1997. Neste ano a matriz da empresa SILCA já estava paralisada, em funcionamento somente a filial na Rodovia SC 446, Km 20, Linha Maior, Urussanga/SC. Esta empresa já possuía débitos para com a Previdência Social, o que a impedia de aderir à novel legislação do tratamento tributário diferenciado. As dívidas previdenciárias continuaram num crescendo, que apenas para lembrar vêse que em 22/05/1997 existia a Confissão de Dívida Fiscal n° 55.647.7634 (débito originário n° 32.364.8797), tal como consta da representação às fls. 98, bem como do extrato do Sistema de Cobrança que ora se junta (fls. 121 a 123). Os débitos totais correspondiam, na data da representação, ao valor de R$ 959.876,64. (fls. 98). Em 01/05/1997 é criada a empresa Gabrielle Cadorin EPP, naquele mesmo endereço, tendo aderido ao Sistema Simples em 20/05/1997. Assim, temse um estabelecimento com dívidas, e no mesmo local, um estabelecimento com o mesmo objeto social, mesmas atividades, mesmo parque fabril, sem dívidas e inserido na novel legislação com tratamento tributário diferenciado, constituído em nome da filha dos sócios da primeira. A partir daí tem início a transferência do fundo de comércio, representado em seus direitos e obrigações, como bem disse o recorrente, ou seja, o seu cabedal passa a ter outro rumo — a sucessora. A SILCA paulatinamente diminui suas atividades, enquanto GABRIELLE CADORIN as absorve, tendo por marco o mês de setembro de 2001, quando deixa Fl. 158DF CARF MF Processo nº 13963.000248/200557 Acórdão n.º 1001000.872 S1C0T1 Fl. 8 7 de ter faturamento, o que se pode chamar de cisão por absorção total, em que há o que se pode dizer de incorporação. Nesse sentido vejamos o que dispõe a Lei n° 6.404/76: Art. 227. A incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. (...) Art. 229. A cisão é a operação pela qual a companhia transfere parcelas do seu patrimônio para uma ou mais sociedades, constituídas para esse fim ou já existentes, extinguindose a companhia cindida, se houver versão de todo o seu patrimônio, ou dividindose o seu capital, se parcial a versão. Vejamos o que ensina a doutrina: Depreendese dessa definição que a cisão é igualmente um processo de sucessão, mas um tanto quanto mais complexo. Tal operação não implica, necessariamente, a extinção da sucedida, eis que poderá transmitir apenas parcialmente seu patrimônio. Assim, constatase que a cisão poderá constituir um processo de sucessão a título universal ou parcial, dependendo de a sociedade cindida verter ou não a totalidade de seu patrimônio líquido. A cisão igualmente difere do processo de fusão ou incorporação pelo fato de que poderá haver um único sucessor, ou vários sucessores, na medida em que a sociedade cindida transfira patrimônio para tão somente uma sociedade (nessa hipótese, a transferência do patrimônio deveria se necessariamente parcial, sob pena de se caracterizar uma incorporação ou fusão), ou para várias sociedades. Nesse caso, a transferência de patrimônio poderá ser parcial (hipótese em que a sociedade cindida sobreviverá ao processo de reorganização societária) ou total, extinguindose em conseqüência. (MUNIZ, Ian; BRANCO, Adriano Castello. Fusões e aquisições: aspectos fiscais e societários. São Paulo: Quartier Latin, 2007, p. 62). Ao regular a hipótese de exclusão do SIMPLES, quis o legislador se referir ao evento cisão, em seu contexto amplo, contemplando "qualquer forma de desmembramento da pessoa jurídica". Deve o intérprete, portanto, averiguar a finalidade da norma, para que a cláusula geral "qualquer outra forma de desmembramento da pessoa jurídica" possa ser aplicada de maneira adequada. Pretendeu o legislador, por meio desta regra, impedir que o contribuinte burlasse a lei, para possibilitar sua permanência ou ingresso. No caso dos autos, o que se verifica, pelo histórico, é uma empresa endividada, que estaria impedida de aderir ao SIMPLES, e compartilhamento do mesmo ramo comercial e mesmo endereço com empresa nova criada, esta isenta de dívidas e optante ao sistema diferenciado tributário, o que demonstra de fato a origem desta — cisão/desmembramento. Os fatos afastam quaisquer dúvidas de que a recorrente é resultante de cisão ou de qualquer outra forma de desmembramento, cujo resultado final foi a transferência do plexo denominado fundo de comércio, em sua extensão ampla de direitos e obrigações, tendo de fato ocorrido a sucessão empresarial, não em seu aspecto formal, mas de fato, consoante demonstrado. Caracterizada sucessão, a legislação prevê a responsabilidade tributária do sucessor, como se vê: Fl. 159DF CARF MF Processo nº 13963.000248/200557 Acórdão n.º 1001000.872 S1C0T1 Fl. 9 8 Código Tributário Nacional (CTN): Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual. Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: 1 integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; (..). No que pertine à alegação de não se tratar de sucessão, por não preencher os requisitos do art. 448 da CLT, melhor sorte não lhe assiste. O que a legislação trabalhista deixa claro é que a sucessora assume as obrigações trabalhistas, em havendo a mudança da propriedade ou estrutura jurídica da empresa, tal como o ora verificado, em que os empregados, dantes da sucedida, passam à sucessora. DOS EFEITOS DO ATO DE EXCLUSÃO Requer o interessado que os efeitos da exclusão se dêem somente a partir da data do trânsito definitivo administrativo. Tenho que a legislação não permite tal conclusão ou guarida. Vejamos. Lei n° 9.317/96: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: (...) II a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIX do art. 9°; . (Redação dada pela Medida Provisória n°215835, de 2001). (...) A Instrução Normativa SRF n° 608, de 9 de janeiro de 2006, estabeleceu para a situação em comento os critérios de seu art. 24, citado no Ato Declaratório, nestes termos: Art. 20. Não poderá optar pelo Simples, a pessoa jurídica: (...) Fl. 160DF CARF MF Processo nº 13963.000248/200557 Acórdão n.º 1001000.872 S1C0T1 Fl. 10 9 XVI que seja resultante de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento da pessoa jurídica, salvo em relação aos eventos ocorridos antes da vigência da Lei n2 9.317, de 1996; (...) Art. 24. A exclusão do Simples nas condições de que tratam os arts. 22 e 23 surtirá efeito: (...) § 12 Para as pessoas jurídicas enquadradas nas hipóteses dos incisos III a XIII e XVI a XVII do art. 20, que tenham optado pelo Simples até 27 de julho de 2001, o efeito da exclusão darseá a partir: I do mês seguinte àquele em que se proceder a exclusão, quando efetuada em 2001; II de 12 de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002. Assim, o pedido do contribuinte para que a exclusão tenha efeitos somente a partir da data do trânsito em julgado da decisão administrativa não pode ser acolhido por absoluta falta de amparo legal. (...)" Assim, com base nos argumentos supra colacionados, provenientes da DRJ de origem, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Desta forma, VOTO por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 161DF CARF MF Processo nº 13963.000248/200557 Acórdão n.º 1001000.872 S1C0T1 Fl. 11 10 Fl. 162DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13984.901737/2009-11
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIAS NÃO CONSTANTES NA IMPUGNAÇÃO/MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE.
Matéria que não tenha sido indicada ao debate via impugnação ou manifestação de inconformidade, excetuada a de ordem pública, representa inovação recursal e considera-se preclusa, não se admitindo apreciação em grau de recurso, nos termos do art. 17 do Decreto n.º 70.235/72. Verifica-se a preclusão consumativa, com efeitos que incluem a preservação das instâncias do processo administrativo fiscal, evitando-se a supressão de alguma destas.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior.
Numero da decisão: 1002-000.439
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER das preliminares de decadência e cerceamento de defesa, por preclusão, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Angelo Abrantes Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: ANGELO ABRANTES NUNES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIAS NÃO CONSTANTES NA IMPUGNAÇÃO/MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. Matéria que não tenha sido indicada ao debate via impugnação ou manifestação de inconformidade, excetuada a de ordem pública, representa inovação recursal e considera-se preclusa, não se admitindo apreciação em grau de recurso, nos termos do art. 17 do Decreto n.º 70.235/72. Verifica-se a preclusão consumativa, com efeitos que incluem a preservação das instâncias do processo administrativo fiscal, evitando-se a supressão de alguma destas. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior.
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PRECLUSÃO. MATÉRIAS NÃO CONSTANTES NA IMPUGNAÇÃO/MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. Matéria que não tenha sido indicada ao debate via impugnação ou manifestação de inconformidade, excetuada a de ordem pública, representa inovação recursal e considerase preclusa, não se admitindo apreciação em grau de recurso, nos termos do art. 17 do Decreto n.º 70.235/72. Verificase a preclusão consumativa, com efeitos que incluem a preservação das instâncias do processo administrativo fiscal, evitandose a supressão de alguma destas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER das preliminares de decadência e cerceamento de defesa, por preclusão, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 90 17 37 /2 00 9- 11 Fl. 222DF CARF MF Processo nº 13984.901737/200911 Acórdão n.º 1002000.439 S1C0T2 Fl. 223 2 (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão proferida pela 1.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba PR (DRJ/CTA) mediante o Acórdão n.º 0645.146, de 14/02/2014 (efls. 192 a 197). O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância sintetiza bem o ocorrido, pelo que peço licença para transcrevêlo a seguir, complementandoo ao final. [...] Trata o presente processo das declarações de compensação apresentadas com utilização de direito creditório oriundo do saldo negativo de R$ 69.884,19 de IRPJ do anocalendário de 2003: . PER/DCOMP nº 22177.19721.300404.1.3.029170 (fls. 144151), relativo à compensação dos débitos de estimativa de IRPJ dos meses de janeiro (R$ 5.359,09), fevereiro (R$ 5.519,86) e março/2004 (R$ 7.360,03), com utilização da parcela de R$ 17.415,24 do direito creditório; . PER/DCOMP nº 13208.64713.250504.1.3.020044 (fls. 140143), relativo à compensação do débito de R$ 8.611,64 de estimativa de IRPJ do mês de abril/2004, com utilização da parcela de R$ 8.131,09 do direito creditório; . PER/DCOMP nº 25683.63879.300604.1.7.029174 (fls. 136139), retificador do PER/DCOMP nº 38651.82131.300604.1.3.020626, relativo à compensação do débito de R$ 4.576,15 de estimativa de IRPJ do mês de maio/2004, com utilização da parcela de R$ 4.320,79 do direito creditório; . PER/DCOMP nº 36040.90158.270704.1.3.021491 (fls. 120123), relativo à compensação do débito de R$ 6.884,86 de estimativa de IRPJ do mês de junho/2004, com utilização da parcela de R$ 6.428,44 do direito creditório; Fl. 223DF CARF MF Processo nº 13984.901737/200911 Acórdão n.º 1002000.439 S1C0T2 Fl. 224 3 . PER/DCOMP nº 15530.75248.260804.1.3.022655 (fls. 132135), relativo à compensação do débito de R$ 7.073,80 de estimativa de IRPJ do mês de julho/2004, com utilização da parcela de R$ 6.526,25 do direito creditório; . PER/DCOMP nº 21746.96743.220904.1.3.020423 (fls. 116119), relativo à compensação do débito de R$ 6.762,19 de estimativa de IRPJ do mês de agosto/2004, com utilização da parcela de R$ 6.165,38 do direito creditório; . PER/DCOMP nº 42223.60363.201004.1.3.020443 (fls. 128131), relativo à compensação do débito de R$ 7.584,44 de estimativa de IRPJ do mês de setembro/2004, com utilização da parcela de R$ 6.837,14 do direito creditório; . PER/DCOMP nº 14582.76531.261104.1.3.025120 (fls. 112115), relativo à compensação do débito de R$ 7.279,75 de estimativa de IRPJ do mês de outubro/2004, com utilização da parcela de R$ 6.491,66 do direito creditório; . PER/DCOMP nº 17140.36782.050105.1.3.023722 (fls. 124127), relativo à compensação do débito de R$ 7.339,10 de estimativa de IRPJ do mês de novembro/2004, com utilização da parcela de R$ 6.472,44 do direito creditório; . PER/DCOMP nº 03820.18951.290105.1.3.025820 (fls. 108111), relativo à compensação do débito de R$ 1.036,47 de estimativa de IRPJ do mês de dezembro/2004, com utilização da parcela de R$ 902,30 do direito creditório. 2. A DRF/Lages, por meio do Despacho Decisório proferido em 11/08/2009, rastreamento 844665575 (fls. 1015), reconheceu apenas o direito creditório de R$ 25.721,70 porquanto considerou não confirmada a parcela de composição do crédito relativa às estimativas compensadas com saldo negativo de período anterior (DCOMP’s não homologadas): 3. Em consequência, o crédito reconhecido foi suficiente para homologar integralmente a compensação declarada no PER/DCOMP nº 22177.19721.300404.1.3.029170 e parcialmente a do PER/DCOMP nº 13208.64713.250504.1.3.020044, restando não homologadas as demais compensações. 4. Regularmente cientificada por via postal em 19/08/2009 (fl. 152), a reclamante apresentou, em 17/09/2009, a tempestiva manifestação de inconformidade de fls. 0209, instruída com os documentos de fls. 10151, cujo teor é sintetizado a seguir: a) argui que optou pela tributação com base no lucro real e o lucro reajustado nos exercícios de 2003 a 2008 nunca ultrapassou 3% da receita bruta operacional; b) exemplifica o cálculo dos valores devidos por estimativas com base na receita bruta e acréscimos e em balanço ou balancete de suspensão ou redução; Fl. 224DF CARF MF Processo nº 13984.901737/200911 Acórdão n.º 1002000.439 S1C0T2 Fl. 225 4 c) afirma que as estimativas de IRPJ do anocalendário de 2003 foram devidamente contabilizadas, conforme cópia dos livros Diário nºs 17 e 18; que tais estimativas foram apuradas com base na receita bruta e acréscimos, tendo as relativas aos meses de janeiro a agosto e parte de setembro/2003 sido compensadas com saldo negativo de exercício anterior, enquanto parte da estimativa de setembro e o valor integral dos meses de outubro a dezembro/2003 foram pagas com Darf; d) que não possui capacidade contributiva para pagar os débitos no montante de R$ 50.172,33, acrescidos de multa e juros de mora, cuja compensação não foi homologada; que houve talvez a inexistência de um procedimento legal eficiente o bastante para dirimir quaisquer dúvidas do entre tributário para que o processo de apuração do saldo negativo de IRPJ transcorresse de forma transparente e rápido; e) aduz que diante da cópia dos livros da escrituração contábil e da DIPJ, não há como se negar a homologação de um direito creditório reconhecidamente legítimo da impugnante, sob pena de a União estar fazendo uma injustiça fiscal irreparável; que a Administração, além de guardar relação com os aparatos da lei, deve também se nortear pela responsabilidade que tem perante os contribuintes; f) agindo como no caso presente, sob o argumento de não existir créditos, torna no mínimo temerária a atuação fiscal, que deve sempre buscar o equilíbrio social, sob pena de transfigurarse em ente que tem apenas o fim de buscar vantagens econômicas, sem levar em conta os demais dados que norteiam a relação tributária; g) que o presente processo contou com praticamente quase cinco anos de trâmite, fato que acaba por criar um sério problema para a impugnante; por ineficiência e inoperância do Sistema Tributário, em especial da Receita Federal do Brasil, ficará sujeita a todos os encargos deste período, por uma inércia que não é sua; h) ao final requer a reforma do despacho decisório, para reconhecer o direito aos créditos citados, nos termos das razões apresentadas. [...] Inconformado com a decisão da DRJ/CTA, que considerou improcedente a manifestação de inconformidade, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 19/03/2014, no qual, além de indicar no pedido, de forma geral, a reiteração das razões expostas na manifestação de inconformidade, alega, em síntese, a) ter havido decadência tributária, b) cerceamento de defesa, c) estar provada a liquidez e certeza do crédito alegado na PER/DCOMP, e d) ônus probatório da Fazenda Pública quanto à existência de quitação das parcelas utilizadas por ele para compensar seus débitos. Traz no corpo do recurso trechos de doutrina e jurisprudência. É o relatório. Voto Fl. 225DF CARF MF Processo nº 13984.901737/200911 Acórdão n.º 1002000.439 S1C0T2 Fl. 226 5 Conselheiro Angelo Abrantes Nunes, Relator. O presente recurso voluntário é tempestivo e obedece aos demais requisitos de admissibilidade, exceto quanto ao atendimento ao art. 17 do Decreto n.º 70.235/72, como será visto. Passamos à análise dos fundamentos indicados para a reforma da decisão recorrida. 1. Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. No entanto, o recurso não atende a todos os pressupostos de admissibilidade intrínsecos. O recurso é cabível, há interesse recursal observandose efetiva sucumbência do contribuinte, o recorrente detém legitimidade, inexiste fato impeditivo ou modificativo do poder de recorrer, mas, em contrafluxo, existe fato extintivo relativo à preclusão consumativa que se operou quanto a matérias não apresentadas na primeira oportunidade, isto é, na manifestação de inconformidade e que foram trazidas pela primeira vez para discussão por ocasião do recurso voluntário, quais sejam, as alegações de decadência e de cerceamento de defesa. Tais matérias constituem inovação aposta no recurso voluntário. A possibilidade de conhecimento e apreciação de novas alegações e novos documentos deve ser avaliada à luz das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal, instituído pelo Decreto n.º 70.235, de 1972, o qual dispõe: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4.º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); Fl. 226DF CARF MF Processo nº 13984.901737/200911 Acórdão n.º 1002000.439 S1C0T2 Fl. 227 6 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Desta forma, nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto n.º 70.235/72, acima transcritos, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade ou a impugnação, contendo as matérias que delimitam expressamente os limites da lide, sendo elas submetidas à primeira instância (DRJ) para apreciação e decisão, tornando possível a veiculação de recurso voluntário para o CARF (segunda instância) em caso de inconformismo, não se admitindo conhecer de inovação recursal. Antes de analisar as matérias devolvidas para reexame na segunda instância de julgamento, tem cabimento verificar se foi observado o princípio recursal da dialeticidade, que determina que o recurso deve conter os fundamentos de fato e de direito que deram causa ao inconformismo com a decisão de primeira instância de julgamento. A legislação processual determina que a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento devendo ser formalizada por escrito e com o detalhamento dos motivos de fato e de direito em que se basear, devendo os pontos de discordância e as razões estarem expostas de forma minuciosa, sob pena de serem considerados não refutadas. De modo geral, a peça de defesa deve estar instruída com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. O recurso voluntário é o meio idôneo a ensejar o reexame das questões decididas em primeira instância de julgamento com a finalidade de obter um pronunciamento mais favorável relativamente à sucumbência. Com exceção da avaliação de uma ⃰objeção, por ser matéria de ordem pública que pode ser conhecida a requerimento da parte ou de ofício, a qualquer tempo e em qualquer instância de julgamento, em regra o efeito devolutivo, inerente ao mecanismo recursal, promove o restabelecimento do poder de apreciar a mesma questão em segunda instância de julgamento. As razões recursais que se fundarem em inovação à lide não se contrapõem aos termos previstos no ato de deliberação que se pretende reformar, ficando evidente a violação princípio da dialeticidade 1, e caracterizada a supressão de instância. Na peça impugnatória, constam somente argumentos ligados à construção do Saldo Negativo apurado pelo contribuinte ao final do ano calendário 2002, aos registros contábeis correspondentes, e à capacidade contributiva do sujeito passivo. Diferentemente, na fase recursal foram apresentadas contestações pertinentes a decadência e a cerceamento do direito de defesa. Por esta razão, exceto as *objeções, não se toma conhecimento das demais questões alegadas pela primeira vez em sede de recurso voluntário, porque foram alcançadas pela preclusão. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial", de forma que não se aprecia a matéria não 1 Fundamentação legal: art. 14, art. 15, art. 16, art. 17, art. 27, art. 37 e art. 42 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 13984.901737/200911 Acórdão n.º 1002000.439 S1C0T2 Fl. 228 7 impugnada ou não recorrida. Se não foi impugnada ocorreu a preclusão consumativa, tornando inviável aventála em sede de recurso voluntário como uma inovação. O CARF não pode apreciar matéria não deliberada pela DRJ, caso contrário, estaríamos diante de evidente supressão de instância. O efeito translativo que permite ao juízo ad quem apreciar matérias de ordem pública deve ser dimensionado com prudência, a fim de que se evite a lesão prática à razoável duração do processo — e, simultaneamente, ao devido processo legal —, restringindose sua amplitude efetivamente aos recursos nos quais se possa constatar inegavelmente contextualizadas as matérias de ordem pública, não se prestando para, sem que haja qualquer evidência de existência destas, justificar e qualificar como obrigatória a apreciação de arrazoados e alegações sem conteúdo cujo caráter seja incontestável/inequívoco, aos quais a defesa pretenda atribuir interesse público — adstrito ao regular andamento processual, que ultrapasse o interesse das partes. Noutro ângulo, refutemse as críticas que se baseiam no entendimento de que o duplo grau de jurisdição é garantia inserida na Carta Constitucional, e seria desrespeitado caso não admitidas em recurso voluntário as alegações às quais sejam associadas matérias de ordem pública. Primeiro, é preciso dizer que tal condição não existe expressamente no texto constitucional, e a análise conjunta dos dispositivos constitucionais aponta para um previsão de duplo grau de jurisdição, e não para uma garantia taxativa. Segundo, tratase de comando dirigido ao Poder Judiciário, com impacto na organização judiciária e na elaboração de sua estrutura através de seus regimentos, não dirigido originalmente aos órgãos julgadores administrativos — embora não haja impeditivo para este fim. O duplo grau é de jurisdição. Terceiro, Havendo no processo administrativo tributário impugnação e recurso voluntário à disposição do contribuinte, fica configurada a oportunidade para que seja a defesa exercida em duas esferas decisórias. Nesse sentido, o Egrégio CARF tem decidido por não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, a teor do Acórdão n.º 9303004.566 (3.ª Turma/CSRF), bem como de precedentes desta Colenda 2.ª Turma Extraordinária da Primeira Seção de Julgamentos: Acórdãos ns.º 1002000.101, 1002000.102, 1002000.103 e 1002000.084. Já suficiente e definida a razão de decidir na qual me amparo, acima, para não conhecer do recurso voluntário no tocante às arguições de decadência e cerceamento de defesa, com caráter meramente ilustrativo seguem considerações a respeito, ainda que pareça contraditório comentar tais considerações neste voto, uma vez que nos parágrafos anteriores já se demonstrou que as matérias não devem ser conhecidas, por preclusão. Explico: tratase de enfrentar com respeito e deferência o esforço argumentativo da defesa, repetindose, entretanto, que o fundamento deste voto, no tocante às argumentações de decadência e cerceamento de defesa, relacionase rigorosamente apenas com o que foi analisado até aqui, e atrelase à conclusão pelo não conhecimento desses temas. Ainda que conhecido fosse o recurso voluntário sob o aspecto de ter havido decadência tributária e cerceamento de defesa, não haveria razão a ser observada para sustentar a pretensão do recorrente. Vejamse os motivos a seguir. Não há decadência a ser apreciada no presente PAF. Vale destacar alguns trechos do recurso voluntário, abaixo: Fl. 228DF CARF MF Processo nº 13984.901737/200911 Acórdão n.º 1002000.439 S1C0T2 Fl. 229 8 [...] A exigência do suposto crédito tributário de CSLL, está relacionado com a compensação realizada no período de outubro, novembro e dezembro, oriundo de saldo negativo apurado no anocalendário de 2003, cuja cientificação só ocorreu em maio de 2009. (sic). No transcorrer da instrução processual, se demonstrou que o crédito tributário só foi constituído na data da cientificação do despacho administrativo que negou o direito a compensação, que ocorreu somente em agosto de 2009. (sic). [...] Ora, se a autoridade fiscal, no exercício de seu mister, não homologa a atividade apuratória da compensação no prazo estabelecido (decurso de tempo) ato de lançamento forçoso é concluir que a partir daí oportuniza o advento do prazo decadencial, levando à extinção do crédito tributário, após o decurso do prazo estabelecido no artigo 150, §4° do CTN. [...] O texto do recurso voluntário trata a verificação acerca da existência ou não do seu direito creditório, pela RFB, como sendo revisão de lançamento, o qual se sujeita à homologação tácita disposta no § 4.º do art. 150 do CTN. O recorrente confunde o prazo para homologação da compensação, previsto no art. 74, § 5.º, da Lei n.º 9.430/96, com o prazo para homologação do lançamento de que trata o § 4.º do art. 150 do CTN. O prazo para homologação da compensação se inicia na data da entrega da declaração de compensação, original ou última retificadora. Transcorridos 5 anos dessa entrega, a compensação se dá de pleno direito, homologada tacitamente. Ou seja, o crédito tributário relativo ao tributo que era devido e que se pretendia quitar com crédito do contribuinte considerase, a partir daí, inexigível, extinto por compensação. Em nenhum momento o art. 74 da Lei n.º 9.430/96 veda a investigação da composição do direito creditório que o contribuinte pretenda usar para compensar seus débitos, ou lhe atribui submissão a qualquer prazo derrogatório. Muito ao contrário, dada a relevância da constatação da efetividade e da exatidão do crédito com o qual se pretende compensar débitos tributários, a lei privilegia as verificações necessárias para sua comprovação: Lei n.º 5.172/66 (CTN): (...) Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) (grifei). Fl. 229DF CARF MF Processo nº 13984.901737/200911 Acórdão n.º 1002000.439 S1C0T2 Fl. 230 9 Logo, se somente é possível compensar débitos tributários com créditos líquidos e certos, a averiguação dessa certeza e liquidez sofre limitação temporal apenas pela observação do art. 74, § 5.º, da Lei n.º 9.430/96, uma vez que decorridos os cinco anos a partir da data de entrega da declaração de compensação (PER/DCOMP original ou último retificador) não mais é possível ao Fisco verificar o crédito alegado, pois a compensação já teria sido homologada. O prazo decadencial a que se refere o § 4.º do art. 150 do CTN é dispositivo alienígena relativamente ao caso concreto tratado nestes autos. Quanto ao cerceamento de defesa, a interessada argui também que fora impossibilitada de apresentar as provas de pagamento das estimativas porque teriam transcorrido seis anos entre o pedido de compensação e a decisão da DRJ/CTA. Acrescenta que teria solicitado à DRF em Lages/SC tais provas dos pagamentos efetuados, sem contundo, trazer qualquer comprovação de que ocorreram formalmente estes pedidos. Alega cerceamento de seu direito de defesa. Da análise dos autos verificase que na data de 19/08/2009 o recorrente havia sido cientificado do Despacho Decisório n.º de rastreamento 844665575. Tal situação disponibilizou ao interessado a oportunidade de apresentar documentos e provas relacionados à sua pretensão consubstanciada na Declaração de Compensação 22177.19721.400404.1.3.029170, cuja análise dependia da julgamento do PER/DCOMP n.º 17561.90932.160704.1.3.020504, transmitido em 16/07/04, e retificado pelo PER/DCOMP n.º 40282.24552.270906.1.7.028407 (efls. 176 a 187), transmitido em 27/09/06. Logo, houve uma retificação providenciada pelo recorrente em 2006, que repercutia nos exames do PER/DCOMP 22177.19721.400404.1.3.029170, matéria de interesse para a emissão do Despacho Decisório em 11/08/2009. Ou seja, três ano após o envio eletrônico do PER/DCOMP retificador, de análise indispensável, foi examinado o direito creditório pleiteado, não cabendo falarse nos seis anos de hiato alardeados no recurso voluntário. De outra parte, verificase que a decisão denegatória da compensação pretendida, às efls. 10 a 15, foi devidamente fundamentada, constando claramente os fundamentos de fato e de direito, bem como o enquadramento legal. A matéria, assim como o motivo para o não reconhecimento do direito creditório, estão identificados, não existindo portanto qualquer violação ao princípio do contraditório. A defesa interposta em 17/09/2009 (efls. 2 a 9) demonstra pleno conhecimento das razões da decisão denegatória. Concluise portanto, que os fatos que motivaram a autuação fiscal estão descritos na peça vestibular, e permitiram à impugnante uma farta e robusta defesa quanto às irregularidades a ela imputadas. A exposição das razões para negar as compensações pretendidas foi feita de modo a demonstrar com clareza os motivos em que se fundaram, e o enquadramento legal está apontado. A completude da peça impugnatória (manifestação de inconformidade), a qual busca elidir inequívoca e criteriosamente todos os pontos do Despacho Decisório, afasta de vez a possibilidade de ter havido prejuízo ao direito de defesa. A última PER/DCOMP retificadora foi transmitida em 2006, e o Despacho Decisório que não acolheu a compensação foi lavrado em 2009 (mesmo ano em que houve a manifestação de inconformidade), logo, o hiato de 6 anos bradado no recurso voluntário como elemento que caracterizaria responsabilização do próprio Fisco pela dificuldade do contribuinte em buscar as provas de que necessita, não existiu. Fl. 230DF CARF MF Processo nº 13984.901737/200911 Acórdão n.º 1002000.439 S1C0T2 Fl. 231 10 Dado que somente a partir da ciência do Despacho Decisório é que se pode instaurar ou não o litígio entre fisco e contribuinte, inexiste cerceamento do direito de defesa quando, na fase de manifestação de inconformidade, foi concedida oportunidade ao contribuinte de apresentar documentos e esclarecimentos. Logo, conheço apenas parcialmente do recurso voluntário. 2. Mérito. 2.1. Prova da liquidez e certeza do crédito pleiteado. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01/10/2002 a compensação passou a ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Os pedidos de compensação de que trata este processo encontramse em efls. 108 a 143, e 144 a 151. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior2. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais3. A legislação prevê que no regime de tributação com base no lucro real a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o IR ou a CSLL pagos como estimativas sobre as receitas brutas mensais. Para tanto, as pessoas jurídicas são obrigadas a prestar aos órgãos da RFB, no prazo legal, informações sobre os pagamentos ou quitações de outra espécie que efetuaram no anocalendário anterior. O pedido de compensação pressupõe que o contribuinte disponha do material que faça prova de seu direito creditório. Não se trata de imposição acusatória do Fisco contra a qual o pleiteante à compensação possa se defender alegando ausência de provas, pois estas são de produção obrigatória deste, contribuinte pleiteante, indispensáveis para a determinação da certeza e liquidez do crédito alegado. E o que se vê no presente processo é que tais provas não foram apresentadas, aliás, as de interesse, provavelmente, se o foram, isso ocorreu no curso do processo n.º 13984.000610/200380, em relação ao qual o Acórdão CARF n.º 1803000.706 negou provimento ao recurso voluntário, por falta de provas suficientes. E teria sido a parcela não homologada nesse processo que repercutiu no reconhecimento, aqui, somente da parcela de R$ 25.721,70 como direito creditório referente a saldo negativo de IRPJ no ano calendário 2003. Vejase a ementa do Acórdão n.º 1803000.706, de 11/11/2010: 2 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 3 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º e art. 9º, § 3.º, do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 231DF CARF MF Processo nº 13984.901737/200911 Acórdão n.º 1002000.439 S1C0T2 Fl. 232 11 “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO: As alegações de fato devem estar lastreadas em provas hábeis a firmar a convicção do julgador sob pena de ser consideradas apenas protelatórias e inconsistentes.” Vale reiterar que cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações4. Por fim, deve restar consignado que a jurisprudência colacionada no recurso voluntário referese a contexto fático diverso do que se discute nestes autos, e que não se identifica com as decisões de observância obrigatória pelo CARF de que trata o § 2.º do art. 62, do Anexo II, da Potaria MF N.º 343/2015 (RICARF). Mencionese ainda o impedimento legal de apreciação pelas instâncias julgadoras administrativas da possibilidade ou não da capacidade contributiva/econômica do contribuinte para quitar os débitos que efetivamente confessou, dada a vinculação à lei a que se submete a atividade julgadora em sede administrativa. Por tudo analisado, voto por pelo conhecimento parcial do recurso, não conhecimento das prejudiciais de decadência e cerceamento de defesa, por preclusão, e, no mérito, pelo não provimento do recurso voluntário, posicionandome pela manutenção integral da decisão da DRJ/CTA. É como voto. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. 4 Fundamentação legal: § 1.º do art. 147 do Código Tributário Nacional e art. 16 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 232DF CARF MF
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