Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,060)
- Primeira Turma Ordinária (16,567)
- Primeira Turma Ordinária (16,459)
- Primeira Turma Ordinária (16,358)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,086)
- Segunda Turma Ordinária d (14,575)
- Primeira Turma Ordinária (13,128)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,554)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (85,999)
- Terceira Câmara (68,521)
- Segunda Câmara (57,460)
- Primeira Câmara (21,771)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,369)
- 1ª SEÇÃO (6,889)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,887)
- Segunda Seção de Julgamen (116,175)
- Primeira Seção de Julgame (78,015)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,150)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,430)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,612)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,232)
- HELCIO LAFETA REIS (3,928)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,937)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,875)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,791)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,961)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,925)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,674)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2026 (16,704)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,932)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10410.900048/2006-45
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO.
Não se homologa a compensação arrimada em crédito inexistente.
DIPJ. CONFISSÃO.
A DIPJ tem caráter meramente informativo, não constituindo por si instrumento de confissão de divida.
Numero da decisão: 1001-000.647
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Não se homologa a compensação arrimada em crédito inexistente. DIPJ. CONFISSÃO. A DIPJ tem caráter meramente informativo, não constituindo por si instrumento de confissão de divida.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10410.900048/2006-45
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5885596
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1001-000.647
nome_arquivo_s : Decisao_10410900048200645.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : EDUARDO MORGADO RODRIGUES
nome_arquivo_pdf_s : 10410900048200645_5885596.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
id : 7372817
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585301778432
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1088; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 2 1 1 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10410.900048/200645 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.647 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 03 de julho de 2018 Matéria DCOMP Recorrente SEGMENTO ENGENHARIA INFORMATICA E REPRESENTAÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Não se homologa a compensação arrimada em crédito inexistente. DIPJ. CONFISSÃO. A DIPJ tem caráter meramente informativo, não constituindo por si instrumento de confissão de divida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 90 00 48 /2 00 6- 45 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10410.900048/200645 Acórdão n.º 1001000.647 S1C0T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 34 a 38) interposto contra o Acórdão nº 1125.521, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife/PE (fls. 30 a 32), que, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Não se homologa a compensação arrimada em crédito inexistente. DIPJ. CONFISSÃO. A DIPJ tem caráter meramente informativo, não constituindo instrumento de confissão de divida. Solicitação Indeferida" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação de fls. 09/14, por meio da qual compensou crédito do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ com débitos de sua responsabilidade. O crédito informado, no valor de R$ 1.938,44, seria decorrente de pagamento indevido ou a maior relativo ao período de apuração trimestral encerrado em 31/12/2002. 2. Por meio do Despacho Decisório de fl. 03, o Delegado da Receita Federal do Brasil em Maceió, considerando a indisponibilidade do crédito apontado pela interessada, resolveu não homologar a compensação. 3. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 01/02), alegando que, conforme declarou em DIPJ, o imposto devido no 4° trimestre de 2002 seria de R$ 2.484,42, ao passo que o valor recolhido importou em R$ 4.422,86. Requer, assim, o reconhecimento do crédito relativo à diferença supostamente paga a maior, com consequente homologação da compensação declarada." Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10410.900048/200645 Acórdão n.º 1001000.647 S1C0T1 Fl. 4 3 Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário sustentando a vedação ao suposto enriquecimento ilícito do Fisco como fundamento para a reversão da decisão, sem juntar qualquer elemento documental novo ao processo. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues Inicialmente insta dizer que, de acordo com o AR de fl. 33, a ciência da decisão de primeira instância se deu na data de 14/04/2009, e não em 09/04/2009 conforme citado pela própria Recorrente. Assim, tendo o Recurso sido protocolado na data de 12/05/2009, conforme timbre protocolar (fl 34), o mesmo se reputa tempestivo. E, por atender aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, a Recorrente torna a asseverar o suposto pagamento a maior realizado que fundamentaria o credito pleiteado e argumenta que o não reconhecimento de seu direito creditório ensejaria enriquecimento sem causa do Fisco, o que seria vedado pelo ordenamento jurídico. Ora, não há qualquer dúvida quanto à antijuricidade do enriquecimento sem causa por parte do Fisco. No mesmo esteio, o próprio princípio da legalidade tributária impede a exação de tributo além do tanto estritamente amparado em lei. Contudo, tal cobrança em demasia, ou enriquecimento sem causa do Fisco, só se verifica na medida que se comprova que o valor recolhido aos cofres públicos é efetivamente maior do que o legalmente devido. Neste ponto, falha a Recorrente em demonstrar seu direito. Em que pese tenha apresentado a DIPJ informando como devido a título de IRPJ do período o valor que reputa ser correto, é inegável que tal informação está em desacordo com a DCTF constante dos autos (fl. 29). Ainda, resta considerar que a Contribuinte não trouxe qualquer retificação à DCTF supracitada, ou, pelo menos, qualquer outro documento contábil que pudesse caracterizar patente equívoco na mesma. Desta forma, não há como se atestar o pagamento a maior realizado pelo contribuinte e, conseqüentemente, o direito creditório que alega ter. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10410.900048/200645 Acórdão n.º 1001000.647 S1C0T1 Fl. 5 4 Isto posto, por economia processual, peço licença para adotar e transcrever os fundamentos já exarados na decisão de primeira instância: "(...) 5. A contribuinte informou, em sua Declaração de Informações DIPJ do ano calendário 2002, haver apurado, no 3° trimestre, imposto a pagar no valor de R$ 20,92 (fl. 19). Como efetuou pagamento no valor de R$ 654,37 (fl. 20), postula o direito creditório da diferença de R$ 633,45, cuja utilização é pretendida para compensar débitos do PIS e da Cofins. 6. Ocorre que a interessada apresentou Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF (fl. 28), por meio da qual informou, relativamente ao 3° trimestre de 2002, a apuração de imposto no valor de R$ 654,37, vinculando esse débito a pagamento via DARF de mesmo valor. 7. Como se sabe, os débitos informados em DCTF traduzem confissão de divida, diversamente da DIPJ, que tern natureza meramente informativa. Nesse sentido, assim dispõem os atos tributários e normativos abaixo: "instrução Normativa SRF n° 14, de 14 de fevereiro de 2000 Art. 1°. O art. 1°. da Instrução Normativa SRF te 077, de 24 de julho de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: 'Art. 1° . Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas fisicas e da declaração do 1TR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição coma Dívida Ativa da União. ' (gm.) Solução de Consulta Interna Cosit n°48, de 30 de setembro de 2008 53. Verificando a legislação, em especial o art. 1e' da IN SRF n 9 77, de 1998, e o § 4 9 do art. 1 9, da IN RFB nº 9.767, de 2007, dispositivos acima colacionados, os documentos tidos como de declaração de crédito tributário, para efeito de inscrição do saldo a pagar corno dívida ativa, são: a Declaração de Rendimentos das Pessoas Físicas, Declaração do 1TR, a DCTF, a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica (DSPJ) e a Gfip. Alin, desses documentos típicos, existem outros para confissão de divida tributário, estabelecidos expressamente no s7 4 9do art. 26 da IN SRF n 9 600, de 2005, e art. 636 da IN MPS n 9 3, de 2005. Porém, a Dip] e o Dacon não estão incluidos nestes dispositivos, pelo que possuem natureza informativa, de forma que apenas podem ensejar eventual lançamento de oficio. (g.n) 8. Assim é que, conforme destacado pela autoridade a quo em seu despacho decisório, o pagamento em questão já foi integralmente utilizado para a quitação do débito confessado pela contribuinte, inexistindo, em consequência, saldo de crédito para a aspirada. compensação. (...)" Assim, com base nos argumentos supra colacionados, provenientes da DRJ de origem, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10410.900048/200645 Acórdão n.º 1001000.647 S1C0T1 Fl. 6 5 Desta forma, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.961838/2008-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
IRPJ. Lucro Presumido. Coeficiente de Presunção. Serviço de Empreitada com Fornecimento de Materiais.
É de 8% o coeficiente de presunção aplicável às receitas oriundas da execução de contratos de empreitada com fornecimento de materiais.
Numero da decisão: 1301-003.157
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à aplicação do coeficiente de presunção de lucro de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rotschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 IRPJ. Lucro Presumido. Coeficiente de Presunção. Serviço de Empreitada com Fornecimento de Materiais. É de 8% o coeficiente de presunção aplicável às receitas oriundas da execução de contratos de empreitada com fornecimento de materiais.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.961838/2008-22
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5891717
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-003.157
nome_arquivo_s : Decisao_10880961838200822.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
nome_arquivo_pdf_s : 10880961838200822_5891717.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à aplicação do coeficiente de presunção de lucro de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rotschild.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7390868
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585309118464
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1676; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.961838/200822 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1301003.157 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de junho de 2018 Matéria IRPJ COEFICIENTE DE PRESUNÇÃO Recorrente MENG ENGENHARIA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE PRESUNÇÃO. SERVIÇO DE EMPREITADA COM FORNECIMENTO DE MATERIAIS. É de 8% o coeficiente de presunção aplicável às receitas oriundas da execução de contratos de empreitada com fornecimento de materiais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à aplicação do coeficiente de presunção de lucro de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rotschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 96 18 38 /2 00 8- 22 Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10880.961838/200822 Acórdão n.º 1301003.157 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto por MENG ENGENHARIA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA., já qualificada nos autos, contra a decisão da DRJ que, negando provimento à manifestação de inconformidade apresentada pela recorrente, manteve o despacho decisório da DeratSP, em que a autoridade administrativa não reconhecia o direito creditório pleiteado e, assim, deixou de homologar a compensação formalizada em declaração compensação dcomp. A recorrente alega ser empresa do ramo de construção civil. Grande parte de suas receitas advém de contratos com a Administração Pública. Por força de tais contratos, se obrigou, juntamente com a prestação de serviços, a fornecer materiais. O mesmo se deu em relação aos serviços prestados a particulares. No período em questão, a recorrente apurou o IRPJ com base no lucro presumido, adotando 32% como coeficiente de presunção. Mais tarde, tomou conhecimento de que, respondendo a diversas consultas, a Receita Federal do Brasil RFB havia manifestado entendimento no sentido da aplicação do coeficiente de 8%, quando o serviço de empreitada fosse prestado com fornecimento de materiais. Diante disso, a recorrente recalculou o IRPJ devido, retificou a DIPJ e apresentou declaração de compensação dcomp. A Derat, embora acusando a existência do pagamento indicado como indevido, assinalou que parte dele já havia sido utilizada para quitação de débitos da contribuinte, e assim homologou parcialmente a compensação. MENG ENGENHARIA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. se insurgiu contra o despacho decisório em manifestação de inconformidade, à qual a DRJ negou provimento, por falta de prova dos fatos alegados, já que não teriam sido apresentadas a escrita comercial e a fiscal do período, nem os livros Diário e Razão, além da movimentação comercial, contratos de prestação de serviços e todas as notas fiscais emitidas, a fim de que se pudesse verificar se foram auferidas receitas sujeitas ao coeficiente de 8%. Foi interposto recurso. A recorrente, em preliminar, arguiu homologação tácita do crédito, porquanto o Fisco, dentro do prazo legal, não examinou os recolhimentos e as informações prestadas nas declarações. No mérito, afirmou ter consultado formalmente a RFB sobre a matéria, obtendo resposta por meio da Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT nº 186, cuja ementa tinha a seguinte dicção: Para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda apurado com base no lucro presumido, aplicase o percentual de oito por cento sobre a receita bruta decorrente tão somente da prestação de serviços de construção civil por empreitada com fornecimento de materiais. Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10880.961838/200822 Acórdão n.º 1301003.157 S1C3T1 Fl. 4 3 Disse que a DRJ, em respeito ao princípio da verdade material, deveria ter determinado o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que fosse realizada diligência, dando oportunidade à recorrente de comprovar, mediante a apresentação de documentos, o direito pleiteado. Aduziu que, ao prestar os serviços de construção civil, fornecera materiais, especialmente na execução dos contratos com a Administração Pública. Por isso, faria jus ao coeficiente de 8% na apuração do lucro presumido. Afirmou ter juntado laudo, produzido por peritos por ela contratados, com a finalidade de comprovar o fornecimento de materiais. Ao final, pediu a realização de perícia, formulando desde logo os quesitos e indicando o perito. Com essas alegações, pugnou pelo reconhecimento do direito e a subsequente homologação das compensações. É o relatório. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10880.961838/200822 Acórdão n.º 1301003.157 S1C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.124, de 12/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.904015/2008 08, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.124): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. De início, cumpre rejeitar a preliminar de homologação tácita e de decadência. No caso, não ocorreu decadência, porque esta extingue o direito de constituir crédito tributário, mas não impede a verificação de fatos de que decorra direito creditório pleiteado pelo contribuinte. Da mesma forma, não ocorreu homologação tácita, uma vez que a homologação tácita se dá com o decurso do prazo de cinco da transmissão da dcomp, tornando definitiva a compensação declarada. No caso em exame, porém, o despacho decisório foi proferido dentro do prazo legal. No mérito, a questão gira em torno de saber qual o coeficiente aplicável às receitas auferidas pela recorrente, na apuração do lucro presumido, se 8% ou 32%. Para tanto, é necessário verificar se os serviços de empreitada prestados pela recorrente envolviam fornecimento de materiais, bem como verificar qual a participação dessas receitas na receita bruta total auferida no período. No Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de 13 de janeiro de 1997, a Receita Federal já havia se posicionado acerca do coeficiente de presunção aplicável aos casos de empreitada com fornecimento de materiais. Confirase: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 147, inciso III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 606, de 03 de setembro de 1992, e tendo em vista o disposto no art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e no art. 3º da IN SRF nº 11, de 21 de fevereiro de 1996, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10880.961838/200822 Acórdão n.º 1301003.157 S1C3T1 Fl. 6 5 I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; (g.n.) b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão de obra, ou seja, sem o emprego de materiais.(g.n.) II As pessoas jurídicas enquadradas no inciso I, letra "a", deste Ato Normativo, não poderão optar pela tributação com base no lucro presumido. O entendimento, quanto à aplicação do coeficiente de 8%, foi ratificado pela recente Instrução Normativa RFB nº 1.700/2017: Art. 33. A base de cálculo do IRPJ, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta definida pelo art. 26, auferida na atividade, deduzida das devoluções, das vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos. § 1º Nas seguintes atividades o percentual de determinação da base de cálculo do IRPJ de que trata o caput será de: I 1,6% (um inteiro e seis décimos por cento) sobre a receita bruta auferida na revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; II 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida: a) na prestação de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, fisioterapia e terapia ocupacional, fonoaudiologia, patologia clínica, imagenologia, radiologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, exames por métodos gráficos, procedimentos endoscópicos, radioterapia, quimioterapia, diálise e oxigenoterapia hiperbárica, desde que a prestadora desses serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa); b) na prestação de serviços de transporte de carga; c) nas atividades imobiliárias relativas a desmembramento ou loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda e a venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda; e Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10880.961838/200822 Acórdão n.º 1301003.157 S1C3T1 Fl. 7 6 d) na atividade de construção por empreitada com emprego de todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra; (g.n.) (...) Art. 215. O lucro presumido será determinado mediante aplicação dos percentuais de que tratam o caput e os §§ 1º e 2º do art. 33 sobre a receita bruta definida pelo art. 26, relativa a cada atividade, auferida em cada período de apuração trimestral, deduzida das devoluções e vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos.http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/ anexoOutros.action?idArquivoBinario=0 Portanto, diante da interpretação adotada pela RFB, deve ser reconhecido à recorrente o direito de aplicação do percentual de 8% na apuração do lucro presumido, limitandose às receitas oriundas da execução de contratos de empreitada pelos quais a recorrente se obrigou a fornecer materiais em qualquer quantidade, já que esse era o entendimento da Receita Federal ao tempo dos fatos. As receitas oriundas dos demais serviços ficam sujeitas ao coeficiente de 32%. Por último, cumpre ressaltar que a Solução de Consulta Cosit nº 8/2014 deixa claro que, até 2004, o entendimento oficial era no sentido de que o coeficiente de 8% aplicavase às receitas de construção por empreitada, com emprego de materiais em qualquer quantidade. Embora a Receita Federal tenha modificado o entendimento, a nova interpretação não tem aplicação retroativa, como deixa claro o inciso XIII, do parágrafo único do art. 2º da Lei nº 9.784/1999: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. (g.n.) Conclusão Pelo exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito ao coeficiente de presunção de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais. Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10880.961838/200822 Acórdão n.º 1301003.157 S1C3T1 Fl. 8 7 Os autos devem retornar à unidade de origem para retomar a análise do direito creditório, observando o disposto no art. 15, § 2º, da Lei nº 9.249/1995. À unidade de origem cabe realizar a verificação das receitas que se enquadrem nessa condição, observando, como limite máximo para o direito creditório, o valor informado na dcomp. Definido o valor do crédito, devem ser homologadas as compensações até esse limite. Na verificação, a autoridade fiscal poderá adotar os métodos usualmente empregados na fiscalização, inclusive a verificação por amostragem, se entender cabível." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à aplicação do coeficiente de presunção de lucro de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 306DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.002305/2008-48
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2002 a 30/11/2005
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.735
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11242.000598/2009-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2002 a 30/11/2005 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10380.002305/2008-48
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5881550
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9202-006.735
nome_arquivo_s : Decisao_10380002305200848.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARIA HELENA COTTA CARDOZO
nome_arquivo_pdf_s : 10380002305200848_5881550.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11242.000598/2009-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
id : 7366584
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585325895680
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-07-05T11:10:56Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-07-05T11:10:56Z; Last-Modified: 2018-07-05T11:10:56Z; dcterms:modified: 2018-07-05T11:10:56Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:467069ce-6c46-446b-a1a9-1628106d1d0d; Last-Save-Date: 2018-07-05T11:10:56Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-07-05T11:10:56Z; meta:save-date: 2018-07-05T11:10:56Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-07-05T11:10:56Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-07-05T11:10:56Z; created: 2018-07-05T11:10:56Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2018-07-05T11:10:56Z; pdf:charsPerPage: 1862; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-07-05T11:10:56Z | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10380.002305/200848 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.735 – 2ª Turma Sessão de 19 de abril de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FORMATEC COMERCIO E SERVICOS DE CONSTRUCAO LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2002 a 30/11/2005 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 23 05 /2 00 8- 48 Fl. 338DF CARF MF Processo nº 10380.002305/200848 Acórdão n.º 9202006.735 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.733, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.733): "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10380.002305/200848 Acórdão n.º 9202006.735 CSRFT2 Fl. 4 3 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão n. 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento Fl. 340DF CARF MF Processo nº 10380.002305/200848 Acórdão n.º 9202006.735 CSRFT2 Fl. 5 4 e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da Fl. 341DF CARF MF Processo nº 10380.002305/200848 Acórdão n.º 9202006.735 CSRFT2 Fl. 6 5 declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para Fl. 342DF CARF MF Processo nº 10380.002305/200848 Acórdão n.º 9202006.735 CSRFT2 Fl. 7 6 as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas Fl. 343DF CARF MF Processo nº 10380.002305/200848 Acórdão n.º 9202006.735 CSRFT2 Fl. 8 7 competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 344DF CARF MF Processo nº 10380.002305/200848 Acórdão n.º 9202006.735 CSRFT2 Fl. 9 8 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Fl. 345DF CARF MF Processo nº 10380.002305/200848 Acórdão n.º 9202006.735 CSRFT2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 346DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.721708/2015-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.061
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade fiscal competente proceda à análise e ao cotejo de todos os documentos trazidos tanto pela Contribuinte (fls. 04-06 e 35-37), quanto pela Fiscalização (fls 20-22), bem como adote as diligências cabíveis junto à PGFN, e elabore relatório circunstanciado esclarecendo se o recolhimento realizado por meio da DAS de fl. 06 dos autos foi válido e suficiente para a quitação integral do débito de inscrição nº 70414021618-61.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 18470.721708/2015-11
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5894107
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1001-000.061
nome_arquivo_s : Decisao_18470721708201511.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : EDUARDO MORGADO RODRIGUES
nome_arquivo_pdf_s : 18470721708201511_5894107.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade fiscal competente proceda à análise e ao cotejo de todos os documentos trazidos tanto pela Contribuinte (fls. 04-06 e 35-37), quanto pela Fiscalização (fls 20-22), bem como adote as diligências cabíveis junto à PGFN, e elabore relatório circunstanciado esclarecendo se o recolhimento realizado por meio da DAS de fl. 06 dos autos foi válido e suficiente para a quitação integral do débito de inscrição nº 70414021618-61. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
id : 7401069
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585336381440
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1392; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 2 1 1 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18470.721708/201511 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1001000.061 – 1ª Turma Extraordinária Data 06 de junho de 2018 Assunto SIMPLES NACIONAL Recorrente MARCENARIA MAXSOL INDUSTRIA DE MOVEIS LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade fiscal competente proceda à análise e ao cotejo de todos os documentos trazidos tanto pela Contribuinte (fls. 0406 e 3537), quanto pela Fiscalização (fls 2022), bem como adote as diligências cabíveis junto à PGFN, e elabore relatório circunstanciado esclarecendo se o recolhimento realizado por meio da DAS de fl. 06 dos autos foi válido e suficiente para a quitação integral do débito de inscrição nº 7041402161861. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 70 .7 21 70 8/ 20 15 -1 1 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 18470.721708/201511 Resolução nº 1001000.061 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 32 a 52) interposto contra o Acórdão nº 03 70.146, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF (fls. 23 a 26), que, por unanimidade, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2015 OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS. INDEFERIMENTO. É cabível o indeferimento da opção pelo Simples Nacional formulado pelas pessoas jurídicas que tenham débitos, sem exigibilidades suspensas, junto ao INSS ou, junto às Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, na data limite estipulada para formular a opção. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio " Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "Trata o presente processo de manifestação de inconformidade em face do indeferimento, constante do “Termo de Indeferimento de Opção pelo Simples Nacional” de fl. 03 (data de registro em 19/02/2015), que não acatou a solicitação de opção pelo Simples Nacional formalizado pelo contribuinte em 29/01/2015. A opção foi indeferida em virtude de existir o débito inscrito em Dívida Ativa da União (ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional – PGFN) a título de SIMPLES NACIONAL (código 1507) nº de inscrição 7041402161861 (processo nº 18470.512045/2014 65); o qual não se encontrava com a exigibilidade suspensa, com fundamento no inciso V, artigo 17 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Cientificada dessa pendência a pessoa jurídica interessada apresentou em 05/03/2015 a manifestação de inconformidade de fl. 02 protestando que o débito foi quitado em 29/09/2014. Apresenta documentos visando fazer prova do que alega e, solicita o seu enquadramento no Simples Nacional. " Inconformada com a decisão de primeiro grau, que julgou improcedente a sua manifestação de inconformidade, a Recorrente apresentou o presente Recurso alegando, novamente, que todos os seus débitos se encontravam quitados antes do termo final do prazo para a opção. É o relatório. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 18470.721708/201511 Resolução nº 1001000.061 S1C0T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme narrado, a opção da Recorrente pelo Simples, referente ao ano calendário de 2015, foi obstada pela suposta existência de um único débito sem exigibilidade suspensa no termo final do prazo para a realização da opção, qual seja o de inscrição nº 7041402161861, conforme Termo de fl. 03. A contribuinte busca comprovar seu direito trazendo aos autos a tela da Consulta de Inscrição junto a PGFN de fls. 04 e 05 e a guia de pagamento DAS de fl. 06, que demonstra a quitação do valor em aberto, na data de 10/09/2014, com o acréscimo de juros e multa. Em que pese a documentação trazida pela Recorrente demonstrando o recolhimento dos valores referentes ao débito em questão alguns meses antes do fim do prazo para a Opção pretendida, a decisão de primeira instância se limitou a dizer que: " pelas telas de fls. 20 a 22, retiradas dos sistemas internos da PGFN (consulta em 15/05/2015), constatase que, na data limite de 06/02/2015 permitida pela legislação que rege o Simples Nacional para o contribuinte regularizar as pendências que impediram a sua inclusão nesse regime de apuração a partir do ano de 2015, o débito de SIMPLES NACIONAL (código 1507 nº de inscrição 7041402161861 (processo nº 18470.512045/201465), relacionado no “Termo de Indeferimento de Opção pelo Simples Nacional” de fl. 03, encontrava se como devedor (em aberto) na situação de “ATIVA NÃO AJUIZÁVEL EM RAZÃO DO VALOR”." Notese que a decisão de piso não ofereceu qualquer argumento ou buscou qualquer justificativa para desconsiderar a validade do pagamento demonstrado pela Recorrente nas fls. 06. Destarte, se por um lado temos a documentação oferecida pela Recorrente demonstrando a tempestiva regularização do débito em comento, acrescido de multa e juros, nos valores extraídos do próprio sistema de consultas da PGFN, por outro temse uma tela extraída deste mesmo sistema, em data posterior ao prazo para a Opção, indicando que o mesmo débito estaria em aberto ainda. Quer isto dizer que se faz imprescindível para o bom deslinde do presente caso obter a confirmação de qual das duas informações é a correta e qual está equivocada. Desta forma, pelo exposto, VOTO por CONVERTER o presente julgamento em diligência para que a autoridade fiscal competente proceda à análise e ao cotejo de todos os documentos trazidos tanto pela Contribuinte (fls. 0406 e 3537), quanto pela Fiscalização (fls 2022), bem como adote as diligências cabíveis junto à PGFN, e elabore relatório circunstanciado esclarecendo se o recolhimento realizado por meio da DAS de fl. 06 dos autos foi válido e suficiente para a quitação integral do débito de inscrição nº 7041402161861. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 18470.721708/201511 Resolução nº 1001000.061 S1C0T1 Fl. 5 4 Após, a Recorrente deve ser cientificada, com reabertura de prazo de 30 dias para complementar as suas razões do recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 58DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13855.722352/2011-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 14/09/2011
AUTO DE INFRAÇÃO. ACÓRDÃO DRJ. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72.
PRODUÇÃO DE PROVAS. PRESSUPOSTOS. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
O Decreto nº 70.235/72 é claro quanto ao tratamento da prova no curso do processo administrativo fiscal. O contribuinte deve observar os pressupostos constantes do artigo 16, incisos III e IV e §1º, do referido diploma.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO EXIBIÇÃO DE DOCUMENTO OU LIVRO.
Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa, após regularmente intimada a tanto, de exibir documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei nº 8.212/91.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, invocando o princípio do não-confisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de ofício). Aplicável o teor da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1201-002.236
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli e Paulo Cezar Fernandes de Aguiar que votaram para declinar da competência para a 2ª Seção de Julgamento do CARF.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gisele Barra Bossa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: GISELE BARRA BOSSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 14/09/2011 AUTO DE INFRAÇÃO. ACÓRDÃO DRJ. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72. PRODUÇÃO DE PROVAS. PRESSUPOSTOS. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O Decreto nº 70.235/72 é claro quanto ao tratamento da prova no curso do processo administrativo fiscal. O contribuinte deve observar os pressupostos constantes do artigo 16, incisos III e IV e §1º, do referido diploma. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO EXIBIÇÃO DE DOCUMENTO OU LIVRO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa, após regularmente intimada a tanto, de exibir documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei nº 8.212/91. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, invocando o princípio do não-confisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de ofício). Aplicável o teor da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13855.722352/2011-71
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5878646
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1201-002.236
nome_arquivo_s : Decisao_13855722352201171.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : GISELE BARRA BOSSA
nome_arquivo_pdf_s : 13855722352201171_5878646.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli e Paulo Cezar Fernandes de Aguiar que votaram para declinar da competência para a 2ª Seção de Julgamento do CARF. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
dt_sessao_tdt : Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
id : 7360057
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585352110080
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-06-28T23:07:11Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-06-28T23:07:11Z; Last-Modified: 2018-06-28T23:07:11Z; dcterms:modified: 2018-06-28T23:07:11Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2018-06-28T23:07:11Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-06-28T23:07:11Z; meta:save-date: 2018-06-28T23:07:11Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-06-28T23:07:11Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-06-28T23:07:11Z; created: 2018-06-28T23:07:11Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2018-06-28T23:07:11Z; pdf:charsPerPage: 2003; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-06-28T23:07:11Z | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13855.722352/201171 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201002.236 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de junho de 2018 Matéria Contribuições Previdenciárias Descumprimento de Obrigação Acessória Recorrente ESPERANCA ARTIGOS PARA ESCRITORIO ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 14/09/2011 AUTO DE INFRAÇÃO. ACÓRDÃO DRJ. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72. PRODUÇÃO DE PROVAS. PRESSUPOSTOS. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O Decreto nº 70.235/72 é claro quanto ao tratamento da prova no curso do processo administrativo fiscal. O contribuinte deve observar os pressupostos constantes do artigo 16, incisos III e IV e §1º, do referido diploma. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO EXIBIÇÃO DE DOCUMENTO OU LIVRO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa, após regularmente intimada a tanto, de exibir documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei nº 8.212/91. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, invocando o princípio do nãoconfisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de ofício). Aplicável o teor da Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 72 23 52 /2 01 1- 71 Fl. 102DF CARF MF Processo nº 13855.722352/201171 Acórdão n.º 1201002.236 S1C2T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli e Paulo Cezar Fernandes de Aguiar que votaram para declinar da competência para a 2ª Seção de Julgamento do CARF. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório 1. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância: “O presente processo (DEBCAD 51.005.7560) referese ao Auto de infração lavrado pelo descumprimento da obrigação tributária acessória prevista no artigo 33, §§ 2º e 3º da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Medida Provisória 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, combinado com o parágrafo único do artigo 233 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, pelo qual constitui infração deixar a empresa de apresentar, quando regularmente intimada a assim proceder, documento ou livro relacionado com as contribuições previdenciárias. Relatou a autoridade lançadora os documentos não apresentados pela autuada: livros diário/razão ou livro caixa, notas fiscais de entradas de mercadorias, registro de inventário, relação de tomadores de serviços, notas fiscais faturas e ou recibos de mãodeobra de serviços prestados, extratos bancários, todas folhas de pagamentos de salários devidamente formalizadas e todos os recibos de pagamentos de salário individuais. Ante a constatação da infração, foi aplicada a multa no valor de R$ 15.244,14 (quinze mil duzentos e quarenta e quatro reais e quatorze centavos), embasada nos artigos 92 e 102 da Lei 8.212/91, artigos 283, II, “j” e 373 do RPS, com a atualização dada pela Portaria Interministerial MF/MPS 407, de 14/07/2011 (publicada no DOU de 15/07/2011). Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13855.722352/201171 Acórdão n.º 1201002.236 S1C2T1 Fl. 4 3 Informa ainda, que não houve a ocorrência de circunstâncias agravantes, inclusive não constando a lavratura de AI em ações fiscais anteriores. Regularmente cientificada, a autuada apresentou Impugnação em relação ao ato declaratório em questão. A manifestação de inconformidade também foi interposta pela Sra. Vanessa Marília Vieira, sócia da empresa. Alegando, em síntese, que: Inicialmente, requer a suspensão de qualquer medida judicial e todos os atos posteriores ao presente auto até o julgamento definitivo do processo administrativo, com fundamento no artigo 151, III do Código Tributário Nacional (CTN). A multa aplicada é desprovida de fundamento de fato ou parâmetro legal. A empresa jamais deixou de atender a qualquer requerimento da autoridade fiscal, entregando em tempo hábil a documentação que possuía. No entanto, por ser microempresa, possui exigência contábil menos aquilatada que as demais empresas. Discorre acerca do tratamento favorecido, diferenciado e simplificado assegurado à microempresa pela Constituição Federal. Discorre acerca da Lei Complementar 123/2006, taxando de inconstitucionais as hipóteses de vedação à opção pelo Simples Nacional previstas na citada lei. Afirma que a não apresentação de documentos não pode justificar sua exclusão do Simples, cabendo no máximo, a multa correspondente a esta infração. A impugnante não se enquadra na tipificação legal adotada pela fiscalização. Questiona em qual conduta do artigo 283, II, “j” do RPS a empresa foi enquadrada? Além disso, a multa foi arbitrada de forma ilegal, locupletatória e confiscatória, sendo a lei clara que deveria ser aplicada por seu valor mínimo. Acrescenta que o decreto não possui validade legal ao atribuir multa com caráter fiscal. Impugna os documentos constantes da relação anexada ao Termo de Verificação Fiscal, pugna pelo acolhimento de suas razões e pela produção de todas as provas e diligências que se fizerem necessárias.” 2. Em sessão de 21 de dezembro de 2011, a 9ª Turma da DRJ/RPO, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, nos termos do voto relator, Acórdão nº 1436.215 (fls. 59/64), cuja ementa recebeu o seguinte descritivo, verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do Fato Gerador: 14/09/2011 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO EXIBIÇÃO DE DOCUMENTO OU LIVRO. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13855.722352/201171 Acórdão n.º 1201002.236 S1C2T1 Fl. 5 4 Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa, após regularmente intimada a tanto, de exibir documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei 8.212/91. PRODUÇÃO DE PROVAS. NECESSIDADE. A produção de provas desenvolverseá de acordo com a necessidade à formação da convicção da autoridade julgadora, a quem cabe indeferilas quando se mostrarem desnecessárias. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. AFASTAMENTO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. A instância administrativa é incompetente para afastar a aplicação da legislação vigente em decorrência da arguição de sua inconstitucionalidade ou ilegalidade. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido”. 3. A DRJ/RPO não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos: (i) a interposição de impugnação tempestiva suspende automaticamente a exigibilidade do crédito tributário; (ii) a produção de outros elementos de prova é desnecessária em razão de constarem nos autos informações suficientes para a prolação do voto; (iii) as alegações referentes à exclusão do Simples serão enfrentadas em processo distinto, visto que os presentes lançamento tem por objeto o descumprimento de obrigação acessória; (iv) o tratamento que a Constituição Federal garante às microempresas não pode ser invocado para eximir a empresa do cumprimento de obrigações legais; (v) é possível verificar nos autos os dispositivos que embasaram o lançamento, bem como a conduta caracterizadora da infração; e (vi) que não cabe à Administração Pública afastar a aplicação de legislação vigente em razão de alegada inconstitucionalidade. 4. Cientificada da decisão (AR de 19/03/2012, de fl. 67), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 71/ 92) em 10/04/2012, reiterando as razões já expostas em sua impugnação (fls. 39/50) e acrescentando o pedido de nulidade do r. acórdão de fls. 59/64 proferido pela DRJ/RPO, em razão de suposta incompetência da autoridade subscritora e cerceamento do seu direito de defesa por não ver enfrentadas muitas das alegações por ela formuladas. É o relatório. Voto Conselheira Gisele Barra Bossa, Relatora 5. O recurso é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Da Competência da 1ª Seção do CARF Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13855.722352/201171 Acórdão n.º 1201002.236 S1C2T1 Fl. 6 5 6. Inicialmente, vale registrar que o presente processo administrativo se encontrava apenso aos processos de nºs 13855.721574/201177 (exclusão do Simples Federal) e 13855.721586/201100 (lançamento de contribuições previdenciárias decorrentes da exclusão), por terem sido formalizados com base nos mesmos elementos de provas. 7. Para fins do Regimento Interno do CARF, esse processo é considerado vinculado por decorrência, nos termos do artigo 6º, § 1º, inciso II, do Anexo II do RICARF, vejase: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1.º Os processos podem ser vinculados por: I (...) II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e (...) 8. Assim sendo, considerando que o processo em questão é vinculado por decorrência ao Processo de Exclusão do Simples Federal (Processo nº 13855.721574/201177) e, adicionalmente, foi formalizado com base nos mesmos elementos de prova, aplicável o teor do artigo 2º, incisos IV e V, do Anexo II do RICARF, que dispõe: "Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...) IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (Simples Nacional); 9. Diante do exposto, a conclusão é que o próprio RICARF trata esta matéria como assunto conexo a ser cuidado por "prevenção" para que ocorra o julgamento do processo de exclusão do Simples junto com os lançamentos decorrentes. Neste sentido, considero competente a Primeira Seção para processar e julgar o presente feito e passo a apreciar as questões aqui suscitadas. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13855.722352/201171 Acórdão n.º 1201002.236 S1C2T1 Fl. 7 6 I. Da Ausência de Nulidades nos AIIMs e no Acórdão da DRJ 10. Cumpre consignar que, em seus instrumentos de defesa, a ora Recorrente traz diversas alegações atreladas à suposto cerceamento do seu direito à ampla defesa e ao contraditório, bem como supostas inconsistências genéricas quando da lavratura do auto de infração por descumprimento de obrigação acessória. Contudo, não junta aos autos quaisquer provas hábeis a sustentar processualmente e/ou tecnicamente suas alegações. 11. Adicionalmente, verifico que, no curso do procedimento fiscal e do processo administrativo, foi respeitado do direito de defesa da contribuinte e foram analisadas pontualmente as alegações trazidas pela Recorrente. 12. O Relatório Fiscal de fls. 13/16 traz todos os detalhes da autuação, sua motivação e enquadramento legal de forma clara e precisa. 13. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72, o que não se verifica in casu. 14. Do ponto de vista do processo administrativo fiscal federal, o Decreto nº 70.235/72 indica os casos de nulidade nos artigos 10º e 59, verbis: “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.” “ Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13855.722352/201171 Acórdão n.º 1201002.236 S1C2T1 Fl. 8 7 § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.” 15. No presente caso, não verifico qualquer nulidade formal ocasionada pela inobservância do disposto nos artigos 10 e 59, tampouco dos requisitos constantes do artigo 5º, incisos V e XXXIII, da Constituição Federal e artigo 142 do Código Tributário Nacional. Não evidencio qualquer indício de cerceamento do direito de defesa da ora Recorrente. 16. O acórdão da DRJ foi proferido pelo colegiado da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Pedro/SP, com relatoria do Presidente Rogério Antônio Malini. Logo, não há que se falar em incompetência da autoridade julgadora, tampouco do órgão de julgamento para apreciar as questões aqui ventiladas. 17. No mais, a contribuinte notoriamente compreendeu a imputação que lhe foi imposta e as autoridades fiscal e julgadora cumpriram as exigências legais para a lavratura e manutenção do autos de infração em análise. 18. Quanto aos pedidos genéricos de produção de provas e realização de diligências, a ora Recorrente não especifica nos autos quais seriam essas provas, não traz a respectiva motivação e nem junta aos autos provas documentais hábeis materializar seus argumentos de defesa. 19. O Decreto nº 70.235/72 é claro quanto ao tratamento da prova no curso do processo administrativo fiscal, verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (...) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13855.722352/201171 Acórdão n.º 1201002.236 S1C2T1 Fl. 9 8 b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (...) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine."(grifos nossos) 20. Nessa linha, diante da inércia clara da Recorrente, como pode o julgador apreciar prova que não existe? Deferir diligência e/ou prova pericial sem os pressupostos do artigo 16, inciso I, do Decreto nº 70.235/72? 21. Portanto, não merecem ser acatados quaisquer dos argumentos trazidos para anular os autos de infração e/ou a r. decisão da DRJ. 22. Cumpre registrar que, com a interposição do Recurso Voluntário, o crédito tributário está suspenso, conforme determina o artigo 151, III, do CTN. II. Da Exclusão do Simples Federal 23. O presente processo referese à autuação pelo descumprimento da obrigação tributária acessória de apresentar à fiscalização, quando regularmente intimada, documentos e livros relacionados às contribuições previstas na Lei nº 8.212/91. 24. Não é demais consignar que, nos termos da Súmula CARF nº 77: "A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão". 25. A exclusão da ora Recorrente do Simples Federal é objeto do Processo Administrativo nº 13855.721574/201177 e, por conseguinte, as questões relacionadas ao tema (exclusão) inclusive no que se refere ao período alcançado pelos seus efeitos, não são analisadas por esta relatoria no presente feito, mas nos autos do processo mencionado. 26. A presente análise limitase, portanto, à infração verificada e à multa aplicada. Aliás, a própria impugnante defende que a não apresentação de documentos poderia implicar apenas na multa correspondente a esta infração. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13855.722352/201171 Acórdão n.º 1201002.236 S1C2T1 Fl. 10 9 III. Da Infração e da Multa Aplicada 27. A Recorrente afirma que a multa aplicada é desprovida de fundamento de fato ou parâmetro legal. 28. Razão não lhe assiste, pois os elementos constantes nos autos permitem identificar com clareza os dispositivos legais que embasaram a autuação e a multa aplicada, a conduta em tese caracterizadora da infração e no caso concreto, a infração cometida, não restando dúvidas quanto ao seu enquadramento na conduta tipificada nos dispositivos legais atinentes. 29. Quanto ao argumento de que o Decreto não tem validade legal para atribuir multa com caráter fiscal, deve se registrar que a conduta necessária à caracterização da infração tem previsão na Lei nº 8.212/91, conforme §§ 2º e 3º do artigo 33: §2º A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. 30. Além disso, o valor da multa encontrase previsto no artigo 92 da Lei nº 8.212/91, e o próprio texto legal remete à regulamentação da matéria: Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. 31. Portanto, não existe qualquer irregularidade quanto ao fundamento legal. 32. A alegação de que sempre entregou a documentação que possuía em tempo hábil não leva à desconstituição da autuação lavrada, pois, não importa para a caracterização da infração ter apresentado toda a documentação que possuía. Determinante sim, é o fato de não ter apresentado inúmeros elementos obrigatórios por lei constantes da intimação fiscal, sendo irrelevante se não os apresentou por não possuir tais elementos ou por outro motivo. 33. É importante registrar que o tratamento favorecido às microempresas, garantido pela Constituição Federal, não pode ser invocado para eximir a empresa do cumprimento das obrigações legais. Este preceito não autoriza a empresa a deixar de apresentar à fiscalização os documentos necessários à verificação do cumprimento de suas obrigações tributárias e cuja exigência encontrase amparada no ordenamento jurídico vigente. 34. Em outros termos, o tratamento favorecido das microempresas não pode ser utilizado pela Recorrente como justificativa, de acordo com sua conveniência, quando descumpridas suas obrigações legais. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 13855.722352/201171 Acórdão n.º 1201002.236 S1C2T1 Fl. 11 10 35. Por fim, quanto ao valor da multa aplicada, este corresponde ao valor mínimo (artigo 92 da Lei nº 8.212/91 e artigo 283, inciso II, alínea “j” do RPS), reajustado conforme previsto em Lei (artigo 102 da Lei nº 8.212/91), nos termos da Portaria Interministerial MF/MPS nº 407, de 14/07/2011, redigida nos seguintes termos: “Art. 8º A partir de 1º de janeiro de 2011: (...) o valor da multa indicada no inciso II do art. 283 do RPS é de R$ 15.244,14 (quinze mil duzentos e quarenta e quatro reais e catorze centavos);” 36. Corroborando esta afirmação, verificase que a multa recebeu a gradação legal prevista no artigo 292, I do RPS: “Art.292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: I na ausência de agravantes, serão aplicadas nos valores mínimos estabelecidos nos incisos I e II e no §3º do art. 283 e nos arts. 286 e 288, conforme o caso;” 37. Por fim, no que se refere à alegação da Recorrente de que a multa possui natureza confiscatória, tal argumento caracteriza a arguição da inconstitucionalidade dos dispositivos legais que dão suporte à penalidade aplicada e, a respeito, não cabe à Administração Pública afastar a legislação vigente. 38. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de ofício). Ora, como é cediço, somente os órgãos judiciais têm esse poder. 39. Essa é a diretriz da Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". 40. Assim, considerando que o lançamento encontrase respaldado na legislação vigente, a análise de sua inconstitucionalidade esbarra na impossibilidade deste órgão julgador administrativo apreciar questões desta índole. Conclusão 41. Diante do exposto, VOTO no sentido de CONHECER do presente RECURSO VOLUNTÁRIO, e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Fl. 111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19311.000081/2010-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO/CONTRADIÇÃO.
Acolhem-se os embargos declaratórios para sanar a omissão/contradição apontada com atribuição de efeitos infringentes.
Numero da decisão: 2401-005.489
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e, no mérito, acolhê-los, com efeitos infringentes, para excluir da base de cálculo o valor adicional de R$ 51.344,00, relativo às despesas da obra do Sr. João Aloysio Mommensohn.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO/CONTRADIÇÃO. Acolhem-se os embargos declaratórios para sanar a omissão/contradição apontada com atribuição de efeitos infringentes.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 19311.000081/2010-42
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5876275
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2401-005.489
nome_arquivo_s : Decisao_19311000081201042.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
nome_arquivo_pdf_s : 19311000081201042_5876275.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e, no mérito, acolhê-los, com efeitos infringentes, para excluir da base de cálculo o valor adicional de R$ 51.344,00, relativo às despesas da obra do Sr. João Aloysio Mommensohn. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
dt_sessao_tdt : Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
id : 7354341
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585356304384
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1154; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19311.000081/201042 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2401005.489 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 9 de maio de 2018 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Embargante ARY CANDIDO DA SILVA JUNIOR Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO/CONTRADIÇÃO. Acolhemse os embargos declaratórios para sanar a omissão/contradição apontada com atribuição de efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e, no mérito, acolhêlos, com efeitos infringentes, para excluir da base de cálculo o valor adicional de R$ 51.344,00, relativo às despesas da obra do Sr. João Aloysio Mommensohn. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 00 00 81 /2 01 0- 42 Fl. 349DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos pelo contribuinte (fls. 313/315), em face de decisão prolatada no Acórdão nº 2101002.242 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), da lavra do Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka (fls. 298/303), em sessão de julgamento realizada em 17 de julho de 2013, que possui a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal constituise em elemento de controle da atividade fiscal, sendo que eventual irregularidade na sua expedição ou renovação não gera nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. O artigo 42 da Lei n. 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituíla. A comprovação da origem dos depósitos deve ser feita pelo contribuinte de forma individualizada e que, sendo o caso, permita estabelecer um vínculo claro entre cada depósito e a correspondente prestação de serviço. Hipótese em que o Recorrente desconstituiu em parte a presunção. Recurso provido em parte. O Embargante aduz que a autuação considerou os que os depósitos em conta corrente representaram renda omitida. Esclarece que no curso da fiscalização indicou os motivos dos depósitos no período questionado e que a decisão do colegiado reconheceu a comprovação da origem dos depósitos realizados por alguns tomadores de serviços. No entanto, entende que o Acórdão embargado incorreu em contradição ao reconhecer como depósitos efetuados pelo Sr. João Aloysio, os valores que serviram para pagamentos de materiais e serviços utilizados na obra de acesso ao Km 84,5 da Rodovia Pedro I (SP), deixando de aplicar o resultado do entendimento manifestado nas razões de decidir no que tange aos valores concernentes ao pagamento de fornecedores de equipamentos necessários à consecução da mesma obra. Fl. 350DF CARF MF Processo nº 19311.000081/201042 Acórdão n.º 2401005.489 S2C4T1 Fl. 3 3 Assevera que, não obstante o reconhecimento da origem, o Acórdão exonerou da autuação somente o valor de R$ 18.358,73, referente a materiais adquiridos junto à empresa Concrelix, deixando de consignar a exoneração de outros valores devidamente comprovados, contrariando as próprias razões de decidir. Em despacho de admissibilidade de fls. 347/348, constatouse a existência de obscuridade no Acórdão embargado. O processo foi redistribuído para a inclusão em pauta para julgamento. É o relatório Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Juízo de admissibilidade Conheço dos embargos declaratórios, pois presentes os requisitos de admissibilidade. Mérito Ab initio, mister se faz esclarecer que os embargos de declaração devem ser analisados dentro dos limites dos fundamentos estabelecidos no julgado. Conforme se constata na decisão embargada, foi considerado como de origem comprovada os depósitos efetuados pelo Sr. João Aloysio Mommensohn, proprietário da obra de abertura de acesso de Rodovia, os valores relacionados aos pagamentos de prestadores de serviços e fornecedores de materiais para a citada obra, administrada pelo contribuinte ora Embargante. Nas explicações deduzidas no Voto do Relator (fls. 302/303), extraise que a comprovação da origem dos depósitos foi concluída a partir da análise das provas juntadas aos autos. Cita a declaração assinada pela senhora Cristina Maria Mommensohn, filha do falecido João Aloysio Mommensohn (fls. 147/148), em que confirma que durante o ano de 2006 o Embargante prestou serviços de administração da obra de abertura de acesso e prolongamento da Marginal Sul da Rodovia Dom Pedro I (SP) na altura do km 84 ao km 85. Aduz que foram juntadas aos autos as notas fiscais da empresa Concrelix, emitidas em nome de João Aloysio, entre o período de setembro a outubro de 2006, da quantia de R$ 16.810,00, e que no mesmo período foi depositado na conta do Recorrente o montante de R$ 18.358,73, razão porque considerou referido valor como comprovação de depósito feito pelo Sr. João Aloysio, relativo à citada obra. Fl. 351DF CARF MF 4 Afirma que à folha 98 dos autos, encontrase a proposta de orçamento referente aos pagamentos dos insumos necessários à obra. Nessa proposta constam as condições para o Embargante administrar e gerenciar os pagamentos aos fornecedores e gastos utilizados com mão de obra e locação de equipamentos, consignando que os custos com a empreitada devem ser depositados na conta do administrador da obra, ora Embargante, para os respectivos pagamentos dos gastos na execução dos serviços. Indica ainda como acervo probatório os recibos dos serviços e fornecimento de equipamentos nos quais indicam a execução da obra de acesso ao Km 84,5 da Rodovia Pedro I (fls. 173/181). No entanto o Acórdão restou contraditório, na medida em que não reconheceu como de origem comprovada os demais valores que possuem a mesma origem reconhecida como depósitos efetuados pelo dono da obra, o Senhor João Aloysio, na medida em que serviram para pagamentos de fornecedores de equipamentos utilizados na consecução da obra. Com efeito, verifico que no período da obra foi depositado na conta corrente do contribuinte o valor de R$ 113.795,46 (fls. 15, 93, 99), ao mesmo tempo e no mesmo período, constam nos autos os documentos relativos aos comprovantes dos serviços e fornecimento de equipamentos para a consecução da obra em questão. Assim, dentro dos limites do julgado e tomando como base os documentos adunados aos autos e já referidos e considerados no Acórdão embargado, deve ser acatado os aclaratórios, para sanar a contradição apontada e considerar como comprovado o montante R$ 51.344,00, como depósitos também efetuados pelo Senhor João Aloysio. Conclusão Ante o exposto, conheço dos Embargos de Declaração e DOULHES PROVIMENTO, com atribuição de efeitos modificativos com relação ao quantum exonerado da base de cálculo. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 352DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10803.000011/2011-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS. DESPESAS DEDUTÍVEIS. COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. PROVIMENTO DO RECURSO.
Comprovada a remuneração paga por meio de cartões de incentivo ou de premiação e tratando-se de despesa necessária à manutenção da fonte produtora, é de se prover o recurso e cancelar a autuação.
Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2006
IDENTIFICAÇÃO DOS BENEFICIÁRIOS E CAUSA. PROVIMENTO DO RECURSO.
Trazidos aos autos a identificação dos beneficiários e a causa dos pagamentos de valores constantes das notas fiscais, exonera-se o lançamento do IRRF.
Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2006
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO.
A tributação reflexa é matéria consagrada na jurisprudência administrativa e amparada pela legislação de regência, devendo o entendimento adotado em relação aos respectivos Autos de Infração acompanharem o do principal em virtude da íntima relação de causa e efeito.
Numero da decisão: 1201-002.252
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Carlos de Assis Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS. DESPESAS DEDUTÍVEIS. COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. PROVIMENTO DO RECURSO. Comprovada a remuneração paga por meio de cartões de incentivo ou de premiação e tratando-se de despesa necessária à manutenção da fonte produtora, é de se prover o recurso e cancelar a autuação. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2006 IDENTIFICAÇÃO DOS BENEFICIÁRIOS E CAUSA. PROVIMENTO DO RECURSO. Trazidos aos autos a identificação dos beneficiários e a causa dos pagamentos de valores constantes das notas fiscais, exonera-se o lançamento do IRRF. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2006 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. A tributação reflexa é matéria consagrada na jurisprudência administrativa e amparada pela legislação de regência, devendo o entendimento adotado em relação aos respectivos Autos de Infração acompanharem o do principal em virtude da íntima relação de causa e efeito.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10803.000011/2011-69
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5875325
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1201-002.252
nome_arquivo_s : Decisao_10803000011201169.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES
nome_arquivo_pdf_s : 10803000011201169_5875325.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7352890
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585388810240
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1622; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 1.307 1 1.306 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10803.000011/201169 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201002.252 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de junho de 2018 Matéria Autos de Infração de IRPJ e reflexos Recorrente GEP INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS. DESPESAS DEDUTÍVEIS. COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. PROVIMENTO DO RECURSO. Comprovada a remuneração paga por meio de cartões de incentivo ou de premiação e tratandose de despesa necessária à manutenção da fonte produtora, é de se prover o recurso e cancelar a autuação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2006 IDENTIFICAÇÃO DOS BENEFICIÁRIOS E CAUSA. PROVIMENTO DO RECURSO. Trazidos aos autos a identificação dos beneficiários e a causa dos pagamentos de valores constantes das notas fiscais, exonerase o lançamento do IRRF. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2006 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. A tributação reflexa é matéria consagrada na jurisprudência administrativa e amparada pela legislação de regência, devendo o entendimento adotado em relação aos respectivos Autos de Infração acompanharem o do principal em virtude da íntima relação de causa e efeito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 00 00 11 /2 01 1- 69 Fl. 1307DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório GEP INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA recorre a este Conselho com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 04 26.465, de 08/11/2011, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande (MS), que julgou improcedente a impugnação apresentada. O CARF, por intermédio da extinta 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento converteu o julgamento em diligência, por meio da Resolução nº 1102 000.156, de 11 de junho de 2013. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da Resolução ao norte mencionada, completandoo ao final: Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Segunda Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Campo Grande (MS) assim ementado, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 DESPESAS OPERACIONAIS. Os pagamentos efetuados a pessoas físicas somente poderão ser deduzidos do imposto de renda da pessoa jurídica como despesas operacionais quando devidamente comprovada a necessidade dessas despesas à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, devendo tais pagamentos ter os beneficiários perfeitamente identificados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: Fl. 1308DF CARF MF Processo nº 10803.000011/201169 Acórdão n.º 1201002.252 S1C2T1 Fl. 1.308 3 “Foram lavrados autos de infração de IRPJ, CSLL e IRRF do ano calendário de 2006 no valor total de R$ 7.975.832,45, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 03 a 38. A autoridade fiscal efetuou o lançamento de ofício em face de o contribuinte ter utilizado valores contabilizados como despesas, sem identificação dos beneficiários, dos pagamentos nem a comprovação da necessidade desses dispêndios, na forma do artigo 299 e parágrafos do regulamento do imposto de renda aprovado pelo decreto 3000/99. Além desses fatos, a autoridade fiscal por um lado compensou R$ 1.236.686,22 a título de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de períodos anteriores e de outro incluiu na constituição do crédito tributário os valores relativos à compensação indevida de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL como demonstrado em fls. 240 a 250. Em conseqüência da não identificação dos beneficiários dos pagamentos e causa desses pagamentos, os respectivos valores foram devidamente reajustados e sujeitos à incidência do Imposto sobre a renda na fonte na forma do artigo 674 e parágrafos do regulamento do imposto de renda conforme tabela de fls. 37. O contribuinte apresentou sua impugnação com um prévio relato dos fatos e fundamentos do lançamento de ofício, e, alegando em síntese que: a) Preliminarmente a decadência do direito de a fazenda pública efetuar o lançamento de ofício relativamente aos meses de janeiro e fevereiro de 2006 do IRPJ, CSLL e IRRF em razão do § 4º do artigo 150 do CTN que prevê o prazo decadencial de cinco anos contados do fato gerador quando a lei não estabeleça prazo para tal ocorrência; b) Foi instaurada diligência para coleta de informações destinada a subsidiar procedimento de fiscalização junto à empresa EDR Comunicação Total Ltda. que causou a extensão da fiscalização junto à impugnante, em especial quanto às operações efetivadas com a empresa EDR, que prestava serviços de marketing de relacionamento, incentivo, fidelização e gerenciamento de premiação. O termo de início de procedimento fiscal objetivava a identificação dos beneficiários dos valores pagos pela impugnante discriminados como não tributados pelo ISS, bem como sua contabilização e cômputo na determinação do lucro real e base de cálculo da CSLL, culminando com a conclusão precipitada da autoridade fiscal no sentido de que, não identificados os beneficiários dos pagamentos efetuados através da EDR correspondentes aos valores descritos nas notas fiscais acostadas aos autos, fls 135 a 212, bem como incomprovadas as razões dos pagamentos suficientes para demonstrar a necessidade dos dispêndios para a atividade da empresa e manutenção da respectiva fonte produtora, nos temos do artigo 299 e §§ do regulamento do imposto de renda, Fl. 1309DF CARF MF 4 impondo a glosa desses valores na determinação da base de cálculo do IRPJ e CSLL no montante de R$ 4.122.287,42; c) Quanto à identificação dos beneficiários dos pagamentos sempre foi possível, pois, o próprio contrato firmado com a EDR previa essa obrigação a cargo da impugnante que deveria fornecer a lista dos beneficiários à contratada. Portanto, a relação dos beneficiários poderia ser obtida tanto numa como noutra parte do contrato, que, só não foi apresentada pela empresa na fase de fiscalização pela artimanha da autoridade fiscal que precipitou a lavratura dos autos de infração mediante a exigência da declaração negativa do procurador como condição para o protocolo da petição de 17.01.2011 em que se solicitava prazo para esse atendimento. A impugnante, portanto, junta agora a relação completa dos beneficiários dos pagamentos que receberam os prêmios de incentivo no período fiscalizado; d) Em relação à causa dos pagamentos está explicitada no contrato de prestação de serviços firmado entre a impugnante e a empresa EDR, fls 131 a 133, qual seja, a idealização e gerenciamento de programa para viabilizar a distribuição de prêmios de incentivo aos seus colaboradores, ficando afastada a acusação de desnecessidade do dispêndio, porquanto, se demonstra que a assunção desses custos tem relação direta com a necessidade, usualidade e normalidade que são imperativos para assegurar a dedutibilidade desses efetivos encargos; e) Ressalta que essas premiações não eram habituais, de forma que os funcionários premiados não recebiam o valor em razão da retribuição de qualquer trabalho realizado, mas, em razão do atingimento de metas e avaliação de desempenho, excluindose, portanto, do conceito de remuneração do trabalho ou de participação dos lucros, da mesma forma que não se enquadra no conceito de prêmio distribuído sob a forma de bens e serviços em virtude de concursos ou sorteios a que se refere o artigo 63 da lei 8981/95 e artigo 677 do regulamento do imposto de renda; f) O parágrafo 3º do artigo 299 do regulamento do imposto de renda dispõe que o artigo se aplica também às gratificações pagas aos empregados seja qual for a designação que tiverem; g) Os argumentos relativos ao Imposto de Renda são igualmente pertinentes à CSLL, mas, no entanto, a despeito dessa estreita relação de causa e efeito, quer a impugnante registrar que o fundamento da glosa adotado pela fiscalização como despesa não necessária só encontra previsão legal na legislação do imposto de renda, mais precisamente no artigo 6º do DL 1598/77, matriz legal do artigo 249 do RIR/99, transcrevendo ementas de decisões do conselho de contribuinte com o objetivo de trazer para o seu caso específico os entendimentos ali esposados no sentido de distinguir as bases de cálculo do IRPJ da CSLL em virtude de falta de previsão legal para a inclusão de despesas não necessárias à base de cálculo da CSLL; h) Entende contraditórias as razões para o lançamento do IRPJ e CSLL considerando que a empresa efetuou pagamentos sem causa a beneficiários não identificados, quando simultaneamente Fl. 1310DF CARF MF Processo nº 10803.000011/201169 Acórdão n.º 1201002.252 S1C2T1 Fl. 1.309 5 o auditor fiscal se contradiz ao descrever no auto a infração como “valores pagos a EDR3 Comunicação Total Ltda. no ano calendário de 2006, para aquisição de cartão BB a ser distribuído a beneficiários indicados pelo sujeito passivo, na forma do contrato”. É notória a contradição, pois, o auditor fiscal indica que o pagamento foi efetuado pela empresa EDR3, portanto, destinatária identificada, e, além disso, a “causa” do pagamento está ali indicada na própria descrição da suposta infração, na medida em que o próprio Auditor fiscal escreveu que o pagamento destinavase para “aquisição de cartão BB a ser distribuído a beneficiários indicados pelo sujeito passivo, na forma estipulada em contrato. Outra contradição diz respeito às acusações simultâneas feitas nos autos de infração do IRPJ e CSLL (despesas não necessárias/indedutíveis), que não podem ser cumuladas com a noticiada existência de outro auto de infração que estaria sendo lavrado e ainda não noticiado à impugnante para exigência de Contribuição previdenciária sobre os pagamentos efetivados a título de premiação motivacional, considerando, à evidência, esses pagamentos como” remuneração indireta “única forma de se exigir as contribuições previdenciárias. A terceira contradição diz respeito ao critério para fixar o montante dos valores pagos à empresa EDR3 onde se constata que o auditor glosou apenas parte dos valores pagos à mencionada empresa, tendo glosado apenas os valores não tributáveis, deixando de tributar o valor dos serviços da empresa constante da coluna não tributável da nota fiscal. Ora, com esse procedimento está atestando e convalidando a atividade prestada pela empresa EDR3, tanto que manteve a dedutibilidade da parcela do valor pago e destacado na nota fiscal de R$ 8.325,52, e, com isso, reconhecendo a existência dos serviços por ela prestados e como válido o contrato firmado com a referida empresa, e, dessa forma, atestando que os serviços contratados são despesas operacionais e necessárias”; i) Na remota hipótese de serem superadas as objeções anteriores, ainda em relação aos simultâneos lançamentos de IRPJ e CSLL, um último ponto merece destaque e diz respeito à dedutibilidade da CSLL na determinação do lucro real, base de cálculo do IRPJ, quando o próprio RIR/99 em seu artigo 344 determina que os tributos e contribuições são dedutíveis, observando o regime de competência, e, considerando que a CSLL é uma contribuição social incidente sobre o lucro líquido, sua dedutibilidade na determinação do lucro real, base de cálculo do IRPJ, é necessária. O recolhimento da CSLL representa subtração de valores das receitas havidas pela impugnante e não admitir sua dedutibilidade significa considerar como renda algo que não trouxe acréscimo patrimonial, citando doutrina nesse sentido; j) O fisco também glosou as compensações de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL feitas pela impugnante nos anos calendário de 2008 e 2009, como registrado no termo de verificação fiscal, sendo reflexadas infrações apuradas no ano calendário de 2006. Todavia, como sobejamente demonstrado Fl. 1311DF CARF MF 6 nos itens precedentes, os gastos com plano de incentivo motivacional efetuados pela impugnante no ano calendário de 2006 são dedutíveis, e, conseqüentemente as glosas de compensações de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL devem ser restabelecidas; k) A tributação dos valores pagos a beneficiários não identificados à alíquota de 35% na forma do artigo 674 do RIR/99 fica afastada pelo fato de que o próprio fisco identificou o beneficiário do pagamento EDR3, além da obrigação contratual que lhe deu causa legítima, ainda que pudesse argumentar que esse pagamento pressupunha repasse a outros destinatários, esses beneficiários estão todos identificados e constam da relação que acompanha a impugnação; l) No entanto, para alimentar o debate de cunho acadêmico vale registrar que a norma prevista no artigo 61 da lei 8981/95 tem caráter de penalidade, e, sendo assim é preciso fincar limites e condições para sua aplicação citando autor doutrinário e afirmando que o auditor fiscal não observou com a devida acuidade essa regra e lavrou o auto de infração sem esgotar as verificações elementares, sem identificar o beneficiário e a causa dos pagamentos, o que torna o lançamento totalmente improcedente, voltando a afirmar que o beneficiário do pagamento está perfeitamente identificado, sendo a EDR3; m) Afirma ainda o caráter de penalidade do artigo 61 da lei 8981/95 calculada mediante aplicação da alíquota de 35% sobre os rendimentos pagos a beneficiários não identificados, não tem cunho tributário, tendo nítido caráter penal, tanto que só é exigível por meio de lançamento de ofício, não podendo ser cumprida de forma voluntária pelo contribuinte. Revelado o caráter sancionatório da exigência, cumpre registrar que sobre a penalidade lançada não pode incidir outra penalidade como pretende o fisco ao aplicar sobre o valor exigido a multa de 75%; n) Sempre com a advertência da remota hipótese de serem superadas as objeções antecedentes, é preciso registrar a impropriedade na eleição do sujeito passivo para a formalização do lançamento tributário, e, por conseqüência o inadequado reajustamento da base de cálculo na hipótese sob exame. A impugnante fez pagamentos à EDR3 e esta por sua vez repassou os recursos aos colaboradores da autuada a título de prêmio de incentivo, e, portanto, se a autuação decorre desses pagamentos, a autuação somente poderia recair sobre a empresa EDR que titularizou as transferências aos beneficiários. Mais ainda se a aventada natureza de “remuneração indireta” é o pressuposto da exigência do IRFonte, novo equívoco em relação ao sujeito passivo de tributo que somente poderia ser exigido do efetivo beneficiário da “renda indireta” jamais da empresa que incorre em custo, e, portanto, não aufere qualquer renda, não havendo que se falar ainda em reajustamento da base de cálculo; o) Na remota hipótese de remanescer exigências tributárias após decisão, protesta o impugnante pela impossibilidade da incidência da SELIC sobre a multa de ofício, pela impropriedade dessa imposição, assim como ausência de fundamento legal, Fl. 1312DF CARF MF Processo nº 10803.000011/201169 Acórdão n.º 1201002.252 S1C2T1 Fl. 1.310 7 relembrando que a SELIC tem o objetivo de remunerar diante de atraso receita sempre esperada pelo fisco, daí sua vocação para incidir unicamente sobre o tributo e não sobre a multa nunca é esperada.” Em síntese, o acórdão recorrido rejeitou a preliminar de decadência do IRPJ, CSLL e IRRF e, no mérito, julgou improcedente a impugnação da Contribuinte. Entendeu o acórdão, preliminarmente, que não haveria decadência do direito do Fisco constituir créditos de IRPJ e CSLL cujos fatos geradores ocorreram em 31.12.2006, já que a ciência do lançamento ocorreu em 14.02.2011. Quanto aos créditos de IRFonte, afirma o acórdão que não teria ocorrido repasses de valores pela EDR3 a beneficiários escolhidos pela Contribuinte em períodos anteriores ao mês de janeiro de 2006, período limite para o reconhecimento da alegada decadência. No mérito, em síntese, o acórdão recorrido atesta que a Contribuinte não teria feito prova da relação jurídica entre ela (Contribuinte) e os beneficiários não empregados que justificasse a necessidade dos pagamentos para a respectiva fonte produtiva, como também não teria comprovado o efetivo pagamento (repasse de valores) aos beneficiários empregados indicados na relação acostada na impugnação. Segundo o acórdão, a ausência de tributação dos valores em referência por contribuições previdenciárias, de retenção do imposto de renda e de informação prestada em DIRF seriam indicativos seguros de que os valores em referência não teriam sido pagos às pessoas mencionadas na referida relação. E conclui: “o fato de os pagamentos não serem habituais não descaracterizariam a remuneração se assim comprovados, pois, querendo a impugnante que tais pagamentos se caracterizassem como gratificações estariam sujeitas a todas as implicações fiscais, e, como se observa, não houve retenção na fonte nem contribuições previdenciárias nem em relação a terceiros nem a empregados, sendo inverossímeis as indicações feitas por simples relação com valores compatíveis com os pagamentos repassados à EDR3, mas, pelo contrário verificase a total ausência de informações de pagamentos através de DIRF desses pagamentos”. Ainda em sede de mérito, por fim, o acórdão recorrido afasta as alegações da Contribuinte no sentido de que (a) inexistiria base legal para a indedutibilidade de despesas em relação à CSLL, ante o disposto no art. 57 da lei 8.981/95; (b) haveria contradição entre os lançamentos de IRPJ, IRFonte e contribuições previdenciárias, pois, quanto ao IRFonte, a EDR3 seria mera repassadora dos recursos aos destinatários dos pagamentos, e quanto às contribuições previdenciárias, pelo fato de não ser possível examinar o tema ante a ausência de informação neste processo; (c) a CSLL deveria ser deduzida da base de cálculo do IRPJ, por ausência de respaldo legal; (d) o IRFonte lançado sob acusação de pagamento a beneficiário não identificado teria natureza de penalidade, ante a natureza de “imposto de renda” do tributo prevista na legislação; (e) Fl. 1313DF CARF MF 8 haveria erro de identificação do sujeito passivo em relação ao lançamento de IRFonte, pois a EDR3 é mera repassadora de pagamentos por conta e ordem da impugnante que teriam de ser tributados pelo imposto de renda na modalidade de retenção; (f) a ilegitimidade da taxa SELIC, ante a imposição legal nesse sentido. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente reproduz suas razões de impugnação, alegandose, em síntese: (i) a indevida exigência de IRPJ e CSLL face à natureza dos dispêndios, que confirmam a necessidade, normalidade e usualidade das despesas, garantindo sua dedutibilidade; (ii) a dedutibilidade das despesas asseguradas pelo art. 299 do RIR/99; (iii) contradição entre a acusação simultânea de (a) despesas desnecessárias/não usuais/não habituais por meio do auto de infração que deu origem a esse PA e (b) falta de recolhimento de contribuições previdenciárias sobre remuneração indireta por trabalhos prestados pelos respectivos beneficiários, que deu origem ao PA n° 10880.726893/201173 –(iv) critério adotado pela Fiscalização para fixar o montante da glosa dos valores pela Recorrente à EDR3 Comunicação Total Ltda. tornam imprestáveis os Autos de Infração lavrados para a exigência de IRPJ e CSLL; (v) a indevida glosa das despesas na apuração da base de cálculo da CSLL, pela ausência de base legal; (vi) dedutibilidade da CSLL da base de cálculo do IRPJ; (vii) decadência dos Autos de Infração de IRPJ e CSLL referentes aos meses de competência de janeiro e fevereiro de 2006; (viii) da indevida glosa da compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL; (ix) indevida exigência do IRRF à alíquota de 35% com base no art. 61 da Lei n° 8.981/95; (x) erro na identificação do sujeito passivo e impróprio reajustamento da base de cálculo do IRRF; (xi) impossibilidade de aplicação de duas penalidades sobre os mesmos fatos: multa de ofício de 75% cumulada com multa de 35% do art. 61 da Lei n° 8.981/95; (xii) decadência do IRRF para as operações ocorridas nos meses de janeiro e fevereiro de 2006; e (xiii) impossibilidade de aplicação dos Taxa Selic sobre a multa de ofício. A então 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, por meio da Resolução citada no início deste Relatório, determinou que seja adotada pela Delegacia da Receita Federal da jurisdição da recorrente as seguintes providências: (i) sejam juntados aos autos cópia integral do Processo Administrativo n. PA n. 10880.726893/201173, cujo traslado deverá fazer especial destaque aos documentos que serviram de base para a RFB constituir créditos de contribuições previdenciárias; (ii) seja intimada a Contribuinte e a EDR3 para que esta informe a relação discriminada de todos os beneficiários aos quais foram entregues os Cartões BB de que trata o contrato de prestação de serviços objeto desse processo administrativo, com (a) identificação de nome, CPF e endereço; (b) indicação de datas e valores, acompanhada dos respectivos comprovantes de entrega ou qualquer outro elemento de prova que comprove tal entrega e (c) indicação do vínculo respectivo do beneficiário com a Contribuinte. Caso os cartões sejam entregues diretamente à Contribuinte para repasse aos beneficiários, intimar a Fl. 1314DF CARF MF Processo nº 10803.000011/201169 Acórdão n.º 1201002.252 S1C2T1 Fl. 1.311 9 Contribuinte para que forneça os comprovantes de entrega dos cartões aos beneficiários ou qualquer outro documento que lhes faça as vezes; (iii) verificar e atestar, de forma conclusiva e fundamentada, em diligência perante a Contribuinte, EDR3 e, a critério da Fiscalização, os beneficiários, (a) a correção dos dados informados pela Contribuinte na planilha de que trata o item (ii) supra; e (b) quais beneficiários possuem vínculo de trabalho (com vínculo de emprego ou não) com a Contribuinte, indicando especificamente em relação a cada um deles a natureza do respectivo vínculo, as datas e os valores por eles recebidos por força dos Cartões BB, cotejando as informações com as notas fiscais emitidas pela EDR3. (iv) Para a providência solicitada no item (iii) supra pedese sejam verificados também extratos dos cartões e outros documentos bancários que possam comprovar as informações constantes da planilha referida no item (ii) e a efetiva fruição dos valores pelo respectivo beneficiário. Em relação a todas as verificações efetuadas deverá ser lavrado Relatório de Diligência circunstanciado e dele ser dada ciência ao contribuinte para sobre ele se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias, querendo. Cumprida a diligência requerida, foi lavrado pela DEFIS/SÃO PAULO/SP, o Termo de Verificação Fiscal de fls. 1.284/1.287, com a seguinte conclusão: Fl. 1315DF CARF MF 10 O sujeito passivo foi intimado pessoalmente do Termo de Verificação Fiscal, ao norte mencionado, em 24/08/2015, e não apresentou qualquer contestação. Na seqüência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Inicialmente, do exame do Termo de Verificação, verificase na descrição dos fatos pela Autoridade Fiscal, que não há comprovação de fraude no caso concreto, pois os pagamentos realizada à EDR 3 Comunicação Total Ltda, CNPJ 06.198.779/000188, foram contabilizados, os contratos e as notas fiscais apresentados não foram considerados inválidos e os valores foram tributados por falta de identificação dos beneficiários dos pagamentos efetuados a EDR3, correspondentes aos valores descritos, nas notas fiscais de fls. 133 a 210, como "NÃO TRIBUTADOS ISS", bem como incomprovada as razões dos pagamentos, suficientes a comprovar a necessidade dos dispêndios a atividade da empresa e a manutenção da respectiva fonte produtora, nos termos do Artigo 299 e §§ do RIR/99Decreto n° 3000/99. Mérito Dedutibilidade das despesas para fins de IRPJ e CSLL Conforme consta do Termo de Verificação Fiscal do processo nº 10803.000011/201169, anexado às fls. 1.090/1.098, em função da diligência solicitada por este Colegiado, os pagamentos em referência, constantes das notas fiscais emitidas pela EDR3 e apontados nas mesmas como "NÃO TRIBUTADOS ISS" referemse a remuneração de empregados, tanto que assim foram devidamente contabilizados a débito de "salários e ordenados" e "prêmios" e a crédito de "fornecedores", tendo por histórico "compra de mercadorias e serviço". Transcrevese abaixo, em razão da matéria fática ser idêntica ao caso concreto, trecho do Acórdão nº 2402005.900 da 2ª Turma Ordinária 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento proferido no processo 10803.720154/201271, sessão de 04 de julho de 2017: "2.2 DA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO E DA LEGALIDADE DO CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO A discussão acerca da existência de remuneração paga por meio de cartões de incentivo ou de premiação é recorrente neste Conselho, tendo se firmado o entendimento já pacificado, inclusive na Câmara Superior de Recursos Fiscais, pela incidência das contribuições devidas à seguridade social. Este Colegiado, ademais, já julgou os demais Autos de Infração lavrados em face do sujeito passivo, por descumprimento de obrigação acessória (CFL 78, 30 e 34), decorrentes exatamente Fl. 1316DF CARF MF Processo nº 10803.000011/201169 Acórdão n.º 1201002.252 S1C2T1 Fl. 1.312 11 dos mesmos fatos apurados na fiscalização ora combatida, PAF 10803.720155/201216. Ali se decidiu, por unanimidade, que os pagamentos efetuados por meio de cartões de premiação se constituem em remuneração tributável. Eis a ementa do decisão, no ponto em questão: REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. Integram a base de cálculo de contribuições previdenciárias os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter de retribuição pelo serviço, ou seja, contraprestação de serviço prestado. [...] (PAF 10803.720155/201216, Relator Ronaldo de Lima Macedo, Acórdão 2402004.781, Sessão de 09/12/2015). Para evitar tautologia, devem ser adotados como razões de decidir os seguintes fundamentos: Considerando o Relatório Fiscal (fls. 35/42) e o contrato firmado entre a empresa Expertise Comunicação Total S/C Ltda e a Recorrente, constatase que era fornecido cartão de premiação aos segurados empregados, destinado a programa de estímulo ao aumento de produtividade e, portanto, relacionado ao alcance de metas de desempenho, conforme registro no contrato de prestação de serviço, que tem como objeto "Prestação de serviços de marketing de relacionamento, incentivo e fidelização e gerenciamento de premiação, mediante a utilização do cartão eletrônico denominado Exclusive Card", no qual foi estabelecido: [...] Assim, os referidos "colaboradores" são escolhidos e indicados pela própria empresa contratante como beneficiários dos prêmios, pela razão mais óbvia possível, são subordinados à Recorrente. E importante esclarecer que os contratos firmados entre a Recorrente e a referida empresa Expertise Comunicação Total S/C Ltda não têm o condão de afastar a incidência da lei, pois, pouco importa que nestes contratos esteja previsto expressamente que os prêmios não configuram salários nem remunerações. Isso está em consonância com o art. 126 do Código Tributário Nacional (CTN)Lei 5.172/1966, in verbis: [...] Fl. 1317DF CARF MF 12 Os valores pagos por meio de cartão de incentivo são considerados prêmios e prêmio é um salário vinculado a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como a produção, a eficiência, dentre outros fatores de produção. Caracterizase pelo seu aspecto condicional; uma vez atingida a condição prevista por parte do trabalhador, este faz jus ao mesmo. Portanto, por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação do serviço prestado e, por conseqüência, possui natureza jurídica salarial. [...] A meu ver, a habitualidade não fica caracterizada apenas pelo pagamento em tempo certo, de forma mensal, bimestral, semestral, ou anual, mas pela garantia do recebimento a cada implemento de condição por parte do trabalhador. [...] O pagamento de prêmios por cumprimento de condição leva tais valores a aderirem ao contrato de trabalho, cuja eventual supressão pode caracterizar alteração prejudicial do contrato de trabalho, o que é vedado pelo art. 468 da Consolidação das Leis do Trabalho, que dispõe neste sentido: Portanto, e também por força do art. 126 retro mencionado, é desnecessária qualquer análise acerca da legalidade dos contratos, bastando que se apure, como apurou a fiscalização, a existência do fato gerador das contribuições lançadas (art. 142 do CTN). Prevalecido no caso concreto que os pagamentos efetuados por meio de cartões de premiação se constituem em remuneração tributável, corroborado, inclusive, na diligência efetuada pela autoridade fiscal, de que foram verificadas e atestadas as planilhas contendo os beneficiários dos cartões, os quais possuem vínculo empregatício com o contribuinte, não estaria caracterizado a despesa desnecessária, possibilitando a sua dedutibilidade para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, nos termos do Art. 299 do RIR/99. Identificação dos beneficiários/causa dos pagamentos Preliminarmente, cumpre ressaltar que o fato de a recorrente ter apresentado a lista completa dos beneficiários com relação ao período autuado (2006) não seria suficiente para afastar a aplicação dos arts. 674 e 675 do RIR/99, e, conseqüentemente para cancelar a exigência do IRRF, pois também se faz necessário a identificação da causa dos pagamentos. A constatação anteriormente descrita corrobora que os valores distribuídos aos seus colaboradores por meio dos cartões eletrônicos teriam natureza jurídica de "remuneração". Conjugando o entendimento de que os pagamentos efetuados por meio de cartões de premiação se constituem em remuneração tributável com a apresentação da lista estariam identificados os beneficiários e a causa dos pagamentos. Não caberia a imputação à recorrente da tributação do IRRF, na forma dos artigo 674 e 675 do RIR/99. Glosa da compensação de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL Fl. 1318DF CARF MF Processo nº 10803.000011/201169 Acórdão n.º 1201002.252 S1C2T1 Fl. 1.313 13 A fiscalização também glosou as compensações de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL feitas pela recorrente nos anoscalendário de 2008 e 2009, como registrado no Termo de Verificação Fiscal às fls. 36. Ressaltese que essa glosa é reflexa das infrações apuradas no anocalendário de 2006, uma vez que a insuficiência de saldo de prejuízos fiscais e base negativa da CSLL, evidenciada nos demonstrativos SAPLI, às fls. 237/250, só foi apurada após computadas na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL as infrações (glosa de despesas indedutíveis) relativas ao anocalendário de 2006. Assim, como as despesas foram consideradas dedutíveis, deverá ser restabelecida as compensações de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativa da CSLL efetuadas pela contribuinte nos anoscalendário de 2008 e 2009. Decadência Requer a recorrente a decadência do IRRF relativamente às operações dos meses de janeiro e fevereiro de 2006 ao teor da regra estampada no artigo 150, § 4º, do CTN. A análise dessa matéria ficou prejudicada em função da decisão de mérito em favor do sujeito passivo. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator Fl. 1319DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10735.720716/2014-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2011
NULIDADE ACÓRDÃO DRJ. FALTA DE ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS SOBRE A MESMA MATÉRIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. DESNECESSIDADE. INOCORRÊNCIA.
A decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da parte recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado.
NULIDADE DO LANÇAMENTO. DEFICIÊNCIA NA IDENTIFICAÇÃO DA INFRAÇÃO. CLAREZA DE FUNDAMENTOS NO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL. PROVAS NOS AUTOS. INOCORRÊNCIA.
A alegação de nulidade do lançamento de ofício, sob o argumento de cerceamento de defesa e violação ao art. 142 do CTN, diante da suposta carência de investigação e esforços da Fiscalização na identificação da infração, não se sustenta quando verificada a adequada confecção da Autuação, constando no TVF a conclusão de sua analise técnica, fundamentação jurídica clara e documentos que suportam a constatação da infração.
Quando alegado, o prejuízo à defesa do contribuinte precisa ser objetivamente demonstrado para implicar em nulidade do lançamento procedido.
OMISSÃO DE RECEITAS. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE CONJUNTO PROBATÓRIO HÁBIL. MANUTENÇÃO DA EXIGÊNCIA.
Diante da legítima constatação de omissão de receitas tributáveis, cabe ao contribuinte o ônus da prova da insubsistência da infração. As alegações do contribuinte devem ser cabalmente comprovadas através de meio hábil para elidir a acusação fiscal, contando com documentos idôneos, juridicamente válidos e diretamente relacionados aos créditos constituídos.
Numero da decisão: 1402-003.251
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2011 NULIDADE ACÓRDÃO DRJ. FALTA DE ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS SOBRE A MESMA MATÉRIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. DESNECESSIDADE. INOCORRÊNCIA. A decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da parte recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. NULIDADE DO LANÇAMENTO. DEFICIÊNCIA NA IDENTIFICAÇÃO DA INFRAÇÃO. CLAREZA DE FUNDAMENTOS NO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL. PROVAS NOS AUTOS. INOCORRÊNCIA. A alegação de nulidade do lançamento de ofício, sob o argumento de cerceamento de defesa e violação ao art. 142 do CTN, diante da suposta carência de investigação e esforços da Fiscalização na identificação da infração, não se sustenta quando verificada a adequada confecção da Autuação, constando no TVF a conclusão de sua analise técnica, fundamentação jurídica clara e documentos que suportam a constatação da infração. Quando alegado, o prejuízo à defesa do contribuinte precisa ser objetivamente demonstrado para implicar em nulidade do lançamento procedido. OMISSÃO DE RECEITAS. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE CONJUNTO PROBATÓRIO HÁBIL. MANUTENÇÃO DA EXIGÊNCIA. Diante da legítima constatação de omissão de receitas tributáveis, cabe ao contribuinte o ônus da prova da insubsistência da infração. As alegações do contribuinte devem ser cabalmente comprovadas através de meio hábil para elidir a acusação fiscal, contando com documentos idôneos, juridicamente válidos e diretamente relacionados aos créditos constituídos.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10735.720716/2014-08
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5894147
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-003.251
nome_arquivo_s : Decisao_10735720716201408.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CAIO CESAR NADER QUINTELLA
nome_arquivo_pdf_s : 10735720716201408_5894147.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar provimento. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
dt_sessao_tdt : Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
id : 7401220
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585411878912
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2008; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 438 1 437 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10735.720716/201408 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402003.251 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de junho de 2018 Matéria OMISSÃO DE RECEITAS Recorrente UNIDOX INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE GASES LTDA. EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2011 NULIDADE ACÓRDÃO DRJ. FALTA DE ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS SOBRE A MESMA MATÉRIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. DESNECESSIDADE. INOCORRÊNCIA. A decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da parte recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. NULIDADE DO LANÇAMENTO. DEFICIÊNCIA NA IDENTIFICAÇÃO DA INFRAÇÃO. CLAREZA DE FUNDAMENTOS NO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL. PROVAS NOS AUTOS. INOCORRÊNCIA. A alegação de nulidade do lançamento de ofício, sob o argumento de cerceamento de defesa e violação ao art. 142 do CTN, diante da suposta carência de investigação e esforços da Fiscalização na identificação da infração, não se sustenta quando verificada a adequada confecção da Autuação, constando no TVF a conclusão de sua analise técnica, fundamentação jurídica clara e documentos que suportam a constatação da infração. Quando alegado, o prejuízo à defesa do contribuinte precisa ser objetivamente demonstrado para implicar em nulidade do lançamento procedido. OMISSÃO DE RECEITAS. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE CONJUNTO PROBATÓRIO HÁBIL. MANUTENÇÃO DA EXIGÊNCIA. Diante da legítima constatação de omissão de receitas tributáveis, cabe ao contribuinte o ônus da prova da insubsistência da infração. As alegações do contribuinte devem ser cabalmente comprovadas através de meio hábil para AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 72 07 16 /2 01 4- 08 Fl. 438DF CARF MF 2 elidir a acusação fiscal, contando com documentos idôneos, juridicamente válidos e diretamente relacionados aos créditos constituídos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar provimento. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Fl. 439DF CARF MF Processo nº 10735.720716/201408 Acórdão n.º 1402003.251 S1C4T2 Fl. 439 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 407 a 436) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campo Grande/MS (fls. 372 a 378) que negou provimento à Impugnação apresentada (fls. 329 a 355), mantendo integralmente as Autuações sofridas pela Recorrente (fls. 205 a 325). A Contribuinte era optante pelo SIMPLES Nacional, exigindose no presente feito créditos de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, Contribuição Patronal Previdenciária, ICMS e ISS, referentes ao anocalendário de 2011, acrescidos de multa de ofício na monta de 75%, sob a acusação fiscal de omissão de receitas, em face da constatação da ausência de declaração e não oferecimento a tributação de parte de valores referentes a revenda de mercadorias promovidas no período colhido, inicialmente constatada pela Fiscalização em face dos valores das Notas Fiscais emitidas, posteriormente confirmada pelos registros contábeis do Livro Razão. Após a lavratura dos Autos de Infração, por meio do Ato Declaratório Executivo nº 29/2014, a ora Recorrente foi excluída do SIMPLES Nacional. Contudo, tal ato da Administração Tributária é objeto do processo nº 15563.720072/201482, que está sendo processado separadamente do presente feito (atualmente, aguarda sorteio e distribuição no âmbito deste E. CARF1). Por bem resumir a contenda, adotase a seguir trechos do preciso relatório elaborado pela DRJ a quo: Tratase de impugnação apresentada contra lançamento que, apurando omissão de receita por empresa enquadrada no regime do Simples Nacional, formalizou a exigência de crédito tributário relativo a IRPJ, CSLL, Cofins, PIS, CPP, ICMS e ISS, acrescido de multa e juros, totalizando o montante de R$ 1.011.030,45, tendo por fundamento legal o art. 33 da Lei Complementar nº 123/2006 e demais dispositivos indicados no auto de infração e notificação fiscal de fls. 66 e 211 a 310, bem como no Termo de Verificação Fiscal (fls. 205 210). A infração foi apurada pela diferença entre as receitas registradas no livro Razão, com base em Notas Fiscais Eletrônicas, e as declaradas em DASN, no total de R$ 3.759.391,52 (fls. 208), tendo sido calculados os tributos 1 http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarInformacoesProcessuais/exibirProcesso.jsf;jsessionid=5E 3CEEDF7B7FC775AD0C9B2D1BC7A7E7 Fl. 440DF CARF MF 4 devidos; bem como foi apurada uma segunda infração decorrente de insuficiência de recolhimento (fls. 209). Notificada no próprio Auto de Infração em 26/03/2014 (fls. 212 e 310), a contribuinte apresentou Impugnação em 24/04/2014 (fls. 329 a 342), alegando, em síntese, após historiar os fatos: a) precariedade da ação fiscal, pois a cobrança está fundamentada em mera presunção, tendo a Fiscalização confrontado o valor da receita bruta indicada em suas DASN do anocalendário 2011 com o valor resultante da soma de todas as notas fiscais eletrônicas emitidas no mesmo período e assim presumiu haver omissão de receitas da diferença encontrada, no valor de R$ 3.610.641,42, sobre a qual foram calculados os tributos incidentes e ainda declarada sua exclusão do Simples Nacional; b) que somente por meio de provas juridicamente válidas é que se poderá comprovar a ocorrência do evento legalmente eleito como ensejador da relação jurídicotributária, discorrendo sobre os conceitos de presunção no direito para concluir que, não obstante aceitas em outros ramos do direito, doutrina e jurisprudência têm entendido que apenas a presunção legal pode ser validamente aplicada em matéria tributária; c) desta forma, além de violar os princípio da legalidade e tipicidade cerrada, aceitar como válida a aplicação de presunção simples em matéria tributária implicaria reconhecer a possibilidade de se afastarem os princípios constitucionais de segurança e certeza, travas mestras de todo o ordenamento jurídico e violar, em caráter primário, o artigo 142 do Código Tributário Nacional, que exige prova da materialidade da infração; e tal vício é tão grave que por si só acarreta a ilegitimidade do ato de lançamento; d) reafirmou que em momento algum a fiscalização se dispôs a averiguar se a diferença encontrada seria a receita bruta auferida. Não houve a devida checagem do estoque, análise da movimentação financeira, verificação da efetiva concretização das operações etc. O fato é que a empresa atua em um mercado bastante arriscado. A simples emissão de notas fiscais em hipótese alguma significa afirmar que aquelas operações efetivamente ocorreram. No processo produtivo industrial há uma considerável ocorrência de cancelamentos, devoluções, furto e roubo de mercadorias, recusa no recebimento/pagamento das mercadorias por clientes, sendo que a mera emissão de nota fiscal não pode ser tomada como certeza de que o valor nela indicado ingressará como receita bruta, conforme seu conceito existente no sítio da Receita Federal. Dessa maneira, a receita bruta no anocalendário 2011 foi justamente aquela indicada em sua DASN, de R$ 1.423.086,31, sendo certo que toda e qualquer diferença entre esse montante e o encontrado na soma das notas fiscais eletrônicas emitidas, por diversos motivos, jamais representou efetiva receita bruta da empresa; e) continuou, afirmando que tanto isso é verdade que em momento algum logrou a fiscalização comprovar que esses valores foram efetivamente auferidos e consoante já decidiu o Fl. 441DF CARF MF Processo nº 10735.720716/201408 Acórdão n.º 1402003.251 S1C4T2 Fl. 440 5 CARF, cujo acórdão transcreveu, sendo que não há como alegar que o simples fato de a empresa, por um equívoco, não ter cancelado notas fiscais relativas a negócios que não se concretizaram (perda, roubo, furto, devolução, cancelamento etc), seria suficiente para justificar a cobrança, vez que, tivesse o Fisco apurado a realidade e verificado a inocorrência das operações, teria lavrado auto de infração, mas, jamais exigiria todos os tributos sobre a diferença encontrada em mero exercício matemático de soma e diminuição, acrescida de juros e multa de 75%, uma vez que qualquer diferença entre o que está declarado e o que seria devido deve ser cabalmente provada pela fiscalização; f) argüiu que na remota hipótese de se manter o Ato Declaratório a exclusão do Simples Nacional não pode retroceder aos idos de 2012. Afinal, ao ser incluída no Simples Nacional possuía, como sempre possuiu, todas as condições para tanto, o que resulta em total afronta ao ato jurídico perfeito, ao direito adquirido e à segurança jurídica, invocando os ensinamentos doutrinários sobre o ato administrativo. Concluiu que esse ato exclusório não deve prosperar por infringir “cláusula pétrea” e, caso seja mantida a exclusão retroativa, estará sendo violada a segurança jurídica no que tange à legalidade dos atos anteriormente praticados por ambas as partes (Receita Federal e contribuinte), e considerandose o princípio da boafé, pois recolheu espontaneamente em períodos passados seus tributos na sistemática do Simples Nacional; g) a esse respeito, tanto a jurisprudência quanto a doutrina têm se firmado no sentido de que ainda que determinado ato administrativo pudesse ser objeto de anulação, hipótese que teria a aplicação da Súmula 473 do STF, estaria afastada em razão da segurança jurídica e da boafé. Transcreveu o voto do Ministro Humberto Gomes de Barros, nos autos do Recurso em Mandado de Segurança nº 407 do STJ, para concluir que é o seu caso, pois é absolutamente impossível refazer toda uma escrita fiscal pretérita, apurada e recolhida pelo Simples Nacional, em tempo e modos próprios, com base na sistemática regular; Por fim, requereu seja julgada procedente a impugnação, cancelandose a cobrança que lhe foi imputada, bem como o Ato Declaratório Executivo nº 29/2014. Juntou os documentos de fls. 343 e seguintes. É o relatório. Processada a Defesa, foi proferido pela 2ª Turma da DRJ/CGE o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento às razões apresentadas, mantendo integralmente o lançamento de ofício procedido: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 442DF CARF MF 6 ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2011 OMISSÃO DE RECEITAS. CONFRONTO ENTRE A DECLARAÇÃO APRESENTADA AO FISCO E O LIVRO RAZÃO. A divergência entre as receitas declaradas ao Fisco e as receitas registradas no livro Razão com base em notas fiscais eletrônicas é suficiente para caracterizar omissão de receitas, cabendo à contribuinte a prova de que os valores contabilizados não correspondem às receitas do período. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Diante de tal revés, foi oposto o Recurso Voluntário, trazendo as mesmas alegações de Impugnação, repisando as supostas nulidades no lançamento, bem como as razões de improcedência das exações. A apresentação original do Apelo deu por meio digital, via PGS com a assinatura digital do representante da Contribuinte, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Contudo, como demonstra a Recorrente em petição de fls. 386 e 387, por aparente falha do sistema da Receita Federal do Brasil, tal documento não teria sido aceito, não ocorrendo sua anexação aos autos. Diante disse, a Contribuinte protocolou suas razões por meio físico, garantindo a sua juntada aos autos. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 443DF CARF MF Processo nº 10735.720716/201408 Acórdão n.º 1402003.251 S1C4T2 Fl. 441 7 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator No que tange ao conhecimento do Recurso Voluntário, temos que às fls. 381 a Contribuinte tomou ciência do v. Acórdão da DRJ a quo em 23/05/2016 e, como esclarecido na petição de fls. 386 e 387, teria tentado promover a apresentação de seu Apelo pela forma eletrônica, em 22/06/2016, não obtendo sucesso, como atestaria o documento de fls. 406. Contudo, primeiro observase que o número do processo na sua Petição de fls. 386 e 387 e no próprio Recurso Voluntário (fls. fls. 407 a 436) é o 15563.720072/201482, que trata do Ato Declaratório de exclusão do SIMPLES Nacional. Mais do que isso, a tela de sistema (fls. 406) que atesta a tentativa (e negativa) de juntada do Recurso Voluntário também aponta que os autos ali em referência são do Processo Administrativo nº 15563.720072/201482. Assim, de um ponto de vista meramente objetivo e instrumental, não houve o protocolo tempestivo do Recurso Voluntário nestes autos (vindo a ser fisicamente acostado apenas em 11/08/2016, como item anexo da Petição de fls. 386 e 387). Não obstante, devese considerar que o próprio v. Acórdão, ao seu final determina que com relação ao pedido de reunião dos processos, será efetuado oportunamente quando este processo baixar à DRF de origem, que deverá adotar as providências cabíveis (destacamos). E tanto assim foi que às fls. 383 a Autoridade Fiscal da Unidade Local assim registra: Prezado Afonso, Verificamos que o contribuinte Unidox Industria e Comércio de Gases, CNPJ 04.394125/000102, protocolizou recurso voluntário, na presente data, nesta DRF. O referido recurso voluntário abrange os processos 15563720072/201482 e 10735720716/201408 (processos conexos). Fl. 444DF CARF MF 8 Desta forma, solicitamos o envio do processo 10735720716/201408 a este Secat para que possamos dar prosseguimento conjunto com o processo 15563720722/201482 Atenciosamente Claudio de Araujo Lima Chefe do Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário Delegacia da Receita Federal em Nova Iguaçu/RJ Superintendência da Receita Federal na 7ª Região Fiscal (21) 37598155 / claudio.lima@receita.fazenda.gov.br E na sequência, também foi determinado o seguinte (fls. 384): Prezado chefe, trata o presente processo de AUTO DE INFRAÇÃO SIMPLES NACIONAL.Tendo em vista solicitação anexa à fls. 383, proponho encaminhamento dos autos ao SECAT/DRF NOVA IGUAÇU/RJ. Tendo vista a notória e já reconhecida conexão processual, a determinação de reunião dos feitos da DRJ a quo no v. Acórdão recorrido, o pronunciamento da SECAT local (que induziram a Contribuinte a acreditar que após tal r. decisão que julgou sua Impugnação, os processos iriam tramitar conjuntamente) e principalmente que, apesar de todo o ocorrido, os autos não foram ainda efetivamente reunidos, agora, em caráter excepcional, à luz do princípio da instrumentalidade das formas, insculpido no art. 277 do Código de Processo Civil de 2015, e na informalidade, racionalidade e razoabilidade que orienta o processo administrativo fiscal brasileiro, considerarseá eficaz em relação a esta demanda o ato processual praticado no Processo Administrativo nº 15563.720072/201482, em 22/06/2018. Em face disso, conhecese do Recurso Voluntário. Ainda, entende este Conselheiro que, mesmo diante de clara conexão processual, o julgamento da presente contenda, que versa sobre a procedência dos Autos de Infração sofridos pela Recorrente, em relação ao anocalendário do 2011, antes da sua exclusão do SIMPLES Nacional, não depende da reunião com o Processo Administrativo nº 15563.720072/201482, devendose apenas, posteriormente, observar e transpor os seus efeitos e consequências deste Julgado no julgamento daquele outro expediente. Analisando o Recurso Voluntário, verificase entre os argumentos trazidos a alegação de que o v. Acórdão Recorrido, ao não conhecer parte das alegações do tópico da Impugnação denominado Cobrança Fundamentada em Mera Presunção, arrimadas nos Fl. 445DF CARF MF Processo nº 10735.720716/201408 Acórdão n.º 1402003.251 S1C4T2 Fl. 442 9 princípios da legalidade, da tipicidade cerrada, segurança e certeza entendendo os N. Julgadores da DRJ a quo que tratavase de matéria constitucional, atraindo a vedação do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 teria incorrido em carência de fundamentação, o que pode inclusive resultar no reconhecimento de sua nulidade. Ainda que não haja propriamente a alegação efetiva de ocorrência de nulidade do v. Acórdão recorrido (apenas a indicação de sua possibilidade), ao final da peça recursal existe pedido sucessivo pela decretação de nulidade da r. decisão recorrida. Tratarse á, então, tal afirmação como tema preliminar. Primeiramente, mesmo que, agora, em sede de Recurso Voluntário a Contribuinte afirme, expressamente, que tais princípios são, também, matéria legal, vez que literalmente constante do art. 2º2 da Lei nº 9.784/99, é fato que na Impugnação tais regras abstratas do Direito nacional, constitucionalmente prestigiadas, foram invocadas como argumento direto para o cancelamento da atuação. Dessa forma, a interpretação adotada pelo v. Acórdão a quo, pela subsunção à vedação do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 (replicada na Súmula CARF nº 02), não pode implicar em sua nulidade, havendo forte razão e motivação para tal conclusão jurisdicional. Não obstante, independentemente do corolário de tais princípios estar ou não abarcado em matéria legal, sendo estes ou não fundamentos tecnicamente legítimos para o afastamento de normas aplicadas pela Autoridade Fiscal ou para o cancelamento de exações no contencioso administrativos, é certo que houve o enfrentamento no v. Acórdão recorrido da matéria de defesa sobre a carência de fundamentação do lançamento. Nesse sentido, a DRJ a quo deixou claro que a Autoridade Fiscal procedeu à analise da contabilidade da Recorrente, encontrando no Livro Razão igual discrepância que culminou na constatação (e não presunção) de omissão de receitas, endossando objetivamente a correção do lançamento de ofício o que também combate a alegação de inadequação das Autuações em relação às prescrições do art. 142 do CTN. A decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da parte recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. 2 Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Fl. 446DF CARF MF 10 Posto isso, irretocável o v. Acórdão quanto ao seus fundamentos e clareza, não havendo em se falar de nulidade, prejuízo à defesa ou violações do direito ao contraditório. Aproveitando tal explanação e conclusões sobre a matéria preliminar arguida, passase à analise das razões meritórias. Pois bem, as alegações da Contribuinte resumemse a terem sido as Autuações sofridas fundamentadas apenas em presunção da Autoridade Fiscal que as discrepâncias encontradas no cruzamento das suas Declarações com as Notas Fiscais emitidas pela própria Recorrente tratavase de omissão de receitas, devendo terse procedido a maior investigações empíricas, às luz do conceito de receita bruta, averiguando se não houve outros motivos que justificassem tal desencontro. Afirma que a simples emissão de notas fiscais em hipótese alguma significa afirmar que aquelas operações efetivamente ocorreram e também que o simples fato de a Recorrente, por um equívoco, não ter cancelado notas fiscais relativas a negócios que não se concretizaram (seja por perda, roubo, furto, devolução, cancelamento, etc.), seria suficiente para justificar a cobrança. Em nenhuma passagem de suas defesas a Contribuinte menciona ou considera para suas alegações a presença destaa mesmas divergências de receitas auferidas no seu próprio Livro Razão. Digase que tal fato contamina a premissa de seus argumentos, ao passo que não apresentamse baseados no verdadeiro (ou no completo) contexto fático probatório envolvido na contenda desde a sua origem. Como constante do TVF e registrado nos autos, a discrepância entre valores constante de Notas Fiscais e a DANS, apenas justificou o início da ação fiscal sofrida pela Recorrente, na qual, por meio de trabalho investigativo, concluiuse que a própria escrita contábil da Contribuinte apresentava o registro de receita bruta superior àquela declarada e ofertada a tributação (e com base em tal Livro quantificouse as exações sob análise). Os trechos do Livro Razão com tais informações da Contribuinte foram acostados aos autos (vide fls. 156 a 202). E confirase a clareza do TFV sobre a matéria tributável apurada (fls. 208): Fl. 447DF CARF MF Processo nº 10735.720716/201408 Acórdão n.º 1402003.251 S1C4T2 Fl. 443 11 Assim, diante de divergências sobre valor da receita tributável auferida, tanto constante em documento fiscal, como em lançamento de contabilidade, não tendo sido apresentado qualquer elemento de prova que contradissesse as informações registradas em tais documentos, corretamente, constatouse a infração de omissão de receitas, procedendose ao lançamento de ofício. Ora, não deve a Fiscalização presumir falsos os registros contábeis dos contribuintes muito pelo contrário, na verdade. De fato, existe uma imensa gama de ocorrências e motivos que justificariam a existência de tal divergência de valores, que poderiam não implicar em infração tributária. Porém, diante de acusação fiscal baseada em documentos idôneos, confeccionados pelo próprio Contribuinte, cabelhe a produção de provas, demonstrações e apresentação de elementos hábeis para desconstruir o teor da documentação colhida pelo Fisco ou comprovar, de forma eficaz, a existência de erro na emissão de Notas Fiscais e/ou nos registros contábeis apresentados. Fl. 448DF CARF MF 12 A mera alegação postulatória em defesa da existência de equívoco ou da possibilidade de ocorrência de circunstâncias que não permitiram a concretização dos negócios relacionados às receitas colhidas, não combate a infração apurada e comprovada. Posto isso, afastadas as alegações da Recorrente e estando devidamente atendidos os requisitos da formalização do crédito tributário sob exigência, devese manter o lançamento de ofício. Em relação as alegações referentes à Exclusão da Recorrente do Simples Nacional, temse que tal matéria se relaciona ao Ato Declaratório Executivo nº 29/2014, que não consta destes autos, sendo objeto exclusivo do Processo Administrativo nº 15563.720072/201482, o qual não foi reunido com o presente. Dessa forma, não se conhecerá de tal matéria. Porém, como garantia de higidez e racionalidade processual, é do melhor interesse que aquele outro feito administrativo também seja julgado por este mesmo Conselheiro e esta C. Turma Ordinária. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose integralmente o v. Acórdão recorrido. Oportunamente, deverá o Processo Administrativo nº 15563.720072/201482, que trata da exclusão da Contribuinte do SIMPLES Nacional, ser distribuído a este Conselheiro. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 449DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.928045/2009-82
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/12/2003
DILIGÊNCIA. PEDIDO. INDEFERIMENTO.
Indefere-se pedido de diligência quando sua realização revele-se prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora.
INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONOS DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO.
O processo administrativo fiscal federal não prevê a possibilidade de a intimação dar-se na pessoa do patrono do contribuinte, tampouco o Ricarf apresenta regramento nesse sentido.
SUSTENTAÇÃO ORAL. TURMAS EXTRAORDINÁRIAS. REGRAMENTO PRÓPRIO. REQUISITOS. NÃO CUMPRIMENTO.
Se o contribuinte deixa de atentar para os requisitos inerentes ao pedido de sustentação oral, resta impossibilitada a hipótese de atendimento do pleito formulado às Turmas Extraordinárias do Carf.
DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. DCTF.
Embora tenha o contribuinte deixado de tratar em seu recurso voluntário sobre a decadência em face a homologação tácita do crédito tributário declarado em DCTF, esta matéria poderá ser reapreciada pelo Carf, visto tratar-se de matéria de ordem pública.
RECURSO VOLUNTÁRIO. ADOÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA REPRODUÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO.
Registrando o relator que as partes não apresentaram novas razões de mérito perante o Carf e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, é facultado a transcrição dos termos da decisão de primeira instância, como fundamento para decidir a controvérsia.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/COFINS. EXTINÇÃO.
O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário.
PER/DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. DCTF RETIFICADORA. HIPÓTESE. TRANSMITIDA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E DO PRAZO DE 5 ANOS DO FATO GERADOR.
Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais -DCTF- retificadora transmitida após a ciência do Despacho Decisório, com objetivo de reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente alocado e depois de transcorrido cinco anos para pleito da restituição não gera efeitos jurídicos para a compensação pleiteada por meio da apresentação de Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação -Per/Dcomp-, em face da decadência do referido direito.
Constatando-se, conforme evidencia a documentação acostada, inclusive, no recurso voluntário, que sequer tem-se notícia que o contribuinte apresentou, ainda que a destempo, DCTF retificadora para tal finalidade, resta impossibilitada a restituição do crédito que alega possuir quando da apresentação de Per/Dcomp.
Numero da decisão: 3001-000.476
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a diligência suscitada e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/12/2003 DILIGÊNCIA. PEDIDO. INDEFERIMENTO. Indefere-se pedido de diligência quando sua realização revele-se prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONOS DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. O processo administrativo fiscal federal não prevê a possibilidade de a intimação dar-se na pessoa do patrono do contribuinte, tampouco o Ricarf apresenta regramento nesse sentido. SUSTENTAÇÃO ORAL. TURMAS EXTRAORDINÁRIAS. REGRAMENTO PRÓPRIO. REQUISITOS. NÃO CUMPRIMENTO. Se o contribuinte deixa de atentar para os requisitos inerentes ao pedido de sustentação oral, resta impossibilitada a hipótese de atendimento do pleito formulado às Turmas Extraordinárias do Carf. DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. DCTF. Embora tenha o contribuinte deixado de tratar em seu recurso voluntário sobre a decadência em face a homologação tácita do crédito tributário declarado em DCTF, esta matéria poderá ser reapreciada pelo Carf, visto tratar-se de matéria de ordem pública. RECURSO VOLUNTÁRIO. ADOÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA REPRODUÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO. Registrando o relator que as partes não apresentaram novas razões de mérito perante o Carf e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, é facultado a transcrição dos termos da decisão de primeira instância, como fundamento para decidir a controvérsia. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/COFINS. EXTINÇÃO. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário. PER/DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. DCTF RETIFICADORA. HIPÓTESE. TRANSMITIDA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E DO PRAZO DE 5 ANOS DO FATO GERADOR. Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais -DCTF- retificadora transmitida após a ciência do Despacho Decisório, com objetivo de reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente alocado e depois de transcorrido cinco anos para pleito da restituição não gera efeitos jurídicos para a compensação pleiteada por meio da apresentação de Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação -Per/Dcomp-, em face da decadência do referido direito. Constatando-se, conforme evidencia a documentação acostada, inclusive, no recurso voluntário, que sequer tem-se notícia que o contribuinte apresentou, ainda que a destempo, DCTF retificadora para tal finalidade, resta impossibilitada a restituição do crédito que alega possuir quando da apresentação de Per/Dcomp.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.928045/2009-82
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5897554
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3001-000.476
nome_arquivo_s : Decisao_10880928045200982.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
nome_arquivo_pdf_s : 10880928045200982_5897554.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a diligência suscitada e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
id : 7409310
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585416073216
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1841; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 199 1 198 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.928045/200982 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3001000.476 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 15 de agosto de 2018 Matéria COFINS RESTITUIÇÃO ELETRÔNICO PAGAMENTO A MAIOR Recorrente KNORRBREMSE SISTEMAS PARA VEÍCULOS COMERCIAIS BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/12/2003 DILIGÊNCIA. PEDIDO. INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de diligência quando sua realização revelese prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONOS DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. O processo administrativo fiscal federal não prevê a possibilidade de a intimação darse na pessoa do patrono do contribuinte, tampouco o Ricarf apresenta regramento nesse sentido. SUSTENTAÇÃO ORAL. TURMAS EXTRAORDINÁRIAS. REGRAMENTO PRÓPRIO. REQUISITOS. NÃO CUMPRIMENTO. Se o contribuinte deixa de atentar para os requisitos inerentes ao pedido de sustentação oral, resta impossibilitada a hipótese de atendimento do pleito formulado às Turmas Extraordinárias do Carf. DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. DCTF. Embora tenha o contribuinte deixado de tratar em seu recurso voluntário sobre a decadência em face a homologação tácita do crédito tributário declarado em DCTF, esta matéria poderá ser reapreciada pelo Carf, visto tratarse de matéria de ordem pública. RECURSO VOLUNTÁRIO. ADOÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA REPRODUÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO. Registrando o relator que as partes não apresentaram novas razões de mérito perante o Carf e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, é AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 80 45 /2 00 9- 82 Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10880.928045/200982 Acórdão n.º 3001000.476 S3C0T1 Fl. 200 2 facultado a transcrição dos termos da decisão de primeira instância, como fundamento para decidir a controvérsia. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/COFINS. EXTINÇÃO. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário. PER/DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. DCTF RETIFICADORA. HIPÓTESE. TRANSMITIDA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E DO PRAZO DE 5 ANOS DO FATO GERADOR. Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF retificadora transmitida após a ciência do Despacho Decisório, com objetivo de reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente alocado e depois de transcorrido cinco anos para pleito da restituição não gera efeitos jurídicos para a compensação pleiteada por meio da apresentação de Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação Per/Dcomp, em face da decadência do referido direito. Constatandose, conforme evidencia a documentação acostada, inclusive, no recurso voluntário, que sequer temse notícia que o contribuinte apresentou, ainda que a destempo, DCTF retificadora para tal finalidade, resta impossibilitada a restituição do crédito que alega possuir quando da apresentação de Per/Dcomp. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a diligência suscitada e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 1635.270, da 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 1 DRJ/SP1 que, em sessão de julgamento realizada no dia 12.12.2011, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório pleiteado no Per/Dcomp 08662.19701.070705.1.3.041905. Da síntese dos fatos Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10880.928045/200982 Acórdão n.º 3001000.476 S3C0T1 Fl. 201 3 Por bem sintetizar os fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido (efls. 42 a 50), verbis: Relatório 1. Trata o presente processo de Declaração de Compensação apresentada pelo Contribuinte em meio eletrônico (PER/DCOMP nº 08662.19701.070705.1.3.041905), na data de 07/07/05 (página 1 PER/DCOMP), pela qual pretende quitar os débitos de COFINS 58561, referente à competência de jun 05, com supostos créditos decorrentes de recolhimento indevido realizado por meio do DARF de 15/12/2003, no valor de R$ 10.445,53 (código de receita: 6912). 2. Apreciando o pedido formulado, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo (DERAT/SPO) emitiu o Despacho Decisório de fls. 9, datado de 20/04/09, no qual pronunciouse pela NÃO HOMOLOGAÇÃO, por inexistência de crédito da compensação declarada. 3. Cientificada, em 28/04/09, da solução dada à declaração de compensação apresentada, conforme informação constante às fls. 10, a Insurgente, por intermédio de representante constituído, interpôs a Manifestação de Inconformidade de fls. 11 a 13, tempestivamente, conforme fls. 41, com a juntada de documentos de fls. 14 a 40, apresentando, resumidamente, as seguintes alegações: 3.1. O valor do crédito compensado existe, é legítimo e válido, uma vez que deriva de apuração constante no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), referente ao ano calendário 2003/4º trimestre (nov). 3.2. Ademais, informa que, por lapso, deixou de apresentar a devida retificação da DCTF respectiva, para proceder a alteração do campo débito apurado do valor informado de R$ 17.346,69, para o quanto entendido correto, correspondente a R$ 6.901,16. 3.3. Diante do quanto alegado, no intuito de regularizar o crédito defendido, comprometese a retificar a DCTF em questão requerendo, para tanto, o prazo de 45 dias úteis. É o relatório. Da ementa da decisão recorrida A 13ª Turma da DRJ/SP1, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou o citado acórdão de manifestação de inconformidade, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/12/2003 Ementa: Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10880.928045/200982 Acórdão n.º 3001000.476 S3C0T1 Fl. 202 4 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação não homologada a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos cabais de prova quanto aos motivos determinantes das alterações nos débitos confessados originalmente por intermédio da DCTF, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. DCOMP. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi totalmente utilizado para quitar outro débito do Contribuinte, a compensação não poderá ser homologada. ALTERAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO HOMOLOGADO TACITAMENTE. IMPOSSIBILIDADE. Crédito tributário definitivamente constituído e extinto pelo pagamento em virtude do transcurso do lustro previsto no § 4º, art. 150 do CTN, não é passível de alteração pelo Contribuinte e nem pela Administração Tributária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Da ciência O contribuinte, conforme depreendese da "INTIMAÇÃO Nº 139/2012" (efl. 51) e do Aviso de Recebimento AR (efl. 52), conheceu do teor do acórdão vergastado em 26.01.2012, razão pela qual, irresignado com a decisão recorrida, em 24.02.2012, protocola, perante a Derat/SP, o presente recurso voluntário, acompanhados de demais documentos, é o que demonstra o carimbo constante em sua "Folha de Rosto" (efls. 53 a 195). Do recurso voluntário Sintetizo os argumentos de defesa apresentado no recurso voluntário, identificando, também, os documentos nele juntados. Depois de historicizar os fatos inerentes ao seu pedido de restituição da contribuição ao PIS, cumulado com o de compensação e sua negativa por parte do colegiado a quo, o recorrente argumenta em sua defesa, que: 1 desde o ano de 2003, está sujeito à incidência da contribuição ao PIS determinada sobre a sistemática não cumulativa, conforme prevê a Lei 10.637 de 2002, estando obrigado, portanto, à apuração mensal de débitos e créditos relativamente a tal contribuição; Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10880.928045/200982 Acórdão n.º 3001000.476 S3C0T1 Fl. 203 5 2 apesar de o regime não cumulativo do PIS ter sido estabelecido a partir de dezembro de 2002, foi somente no ano de 2004 que passouse, segundo a IN SRF 387 de 2004, a exigir a entrega do Dacon relativamente aos quatro trimestres do ano de 2003; 3 somente após revisar seus procedimentos para entrega do Dacon respectivo é que constatou que valor do PIS devido para o período era inferior àquele originalmente declarado em DCTF; 4 por equívoco não retificou a respectiva DCTF, de modo que o valor pago indevidamente naquele período constaria nas bases de dados da RFB como devido; 5 na Ficha 04 da mencionada Dacon, declarou a composição da base de cálculo dos créditos que apurou, os quais se lastrearam na aquisição de bens utilizados como insumos, nas despesas com energia elétrica, com aluguéis de prédios locados de pessoas jurídicas e com financiamentos de empréstimos, além dos encargos com depreciação; 6 os mencionados créditos decorrentes das aquisições de insumos referiam se às compras de produtos para industrialização, industrializações efetuadas por encomenda para si e aquisições de material de uso consumo realizadas no período, conforme consta das notas fiscais selecionadas por amostragem, ora anexadas, do Resumo de CFOP do Livro Registro de Entrada e do arquivo do Sintegra do período (Docs. 09, 10 e 11); 7 referidos documentos comprovam a legitimidade dos créditos que apurou, pois que os bens adquiridos foram e aplicados em seu processo produtivo, enquadrandose no conceito de insumo, à exceção dos materiais de uso e consumo, que optou por efetuar o pagamento com a inclusão da multa e dos juros, conforme Darf (Doc. 12); 8 quanto às despesas com energia elétrica, na época apropriava apenas os créditos relativos à produção, conforme razão contábil, pagas conforme o valor constante na respectiva nota fiscal e escrituradas no LRE (Docs. 13/14); 9 quanto às despesas com aluguéis, tais valores são também legítimos, líquidos e certos por decorrerem de pagamento a pessoa jurídica, pela locação do prédio no qual desempenha suas atividades, conforme demonstra o respectivo contrato, bem como sua contabilidade (Docs. 15/16); 10 os créditos de despesas de financiamento se encontram devidamente comprovados pelos documentos que à época deram azo às operações de arrendamento mercantil, conforme se depreende do razão contábil da conta relacionada (Doc. 17); 11 os créditos com os encargos de depreciação do ativo imobilizado foram calculados e regularmente contabilizados (Docs. 18/19); 12 os documentos ora juntados não se tratam de novas provas, pois tratamse de meros detalhamentos do crédito já demonstrado na manifestação de inconformidade, com a apresentação do Dacon. Não obstante, mencionese que o Carf já se manifestou pela possibilidade de juntada de provas em fase recursal, por aplicação do principio da verdade material, ao qual o processo administrativo está intrinsecamente subsumido; 13 a jurisprudência no âmbito administrativo garante que o crédito pago indevidamente pelo contribuinte seja compensado. Cita legislação e jurisprudência; Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10880.928045/200982 Acórdão n.º 3001000.476 S3C0T1 Fl. 204 6 14 o mero erro formal, consubstanciado na não retificação da DCTF à época não descaracterizar o direito material legalmente atribuído, devendolhe ser garantida a recuperação, mediante compensação, dos valores pagos a maior em virtude do não cômputo dos créditos legais; 15 as declarações a que está obrigada a apresentar, como, por exemplo, a DCTF, DIPJ, etc., nada mais são do que obrigações acessórias mediante as quais o contribuinte declara as suas informações econômicofiscais. Assim, a falta ou a incorreção do preenchimento do formulário não tem o condão de criar ou extinguir direitos, já que tal nada mais é que um meio para o Fisco "agilizar" o procedimento fiscalizatório; 16 é pacifica a jurisprudência do Carf em admitir que a verdade material deve prevalecer em detrimento da formal quando há erro de preenchimento em DCTF, ainda mais que referido equívoco não causou prejuízo ao Erário Público. 17 acaso necessário, solicita a conversão do julgamento em diligência para que se comprove a existência da totalidade do crédito pleiteado. Formula quesitos a serem respondidos pelas autoridades fiscais; 18 seja intimada, na pessoa de seu procurador/patrono, para fins de realizar sustentação oral. Diante do alegado, requer o provimento do recurso e consequente deferimento do direito creditório pleiteado, homologandose a compensação realizada extinguindo respectivo crédito tributário. Juntamente com a presente peça recursal, o contribuinte apresenta: DOC. 01 Cópia autenticada do Contrato Social e alterações posteriores; DOC. 02 Cópia autenticada do instrumento de procuração pública; DOC. 03 Cópia autenticada do documento do Representante Legal; DOC. 04 DARF de recolhimento da Contribuição para o PIS (8109); DOC. 05 Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF); DOC. 06 Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON); DOC. 07 PERD/DCOMP; DOC. 08 Memória de cálculo do crédito de PIS; DOC. 09 Notas fiscais de aquisição de insumos; DOC. 10 Resumo de CFOP do Livro Registro de Entradas (LRE); DOC. 11 Arquivo do SINTEGRA relativo As entradas de insumos; DOC. 12 DARF de recolhimento do valor inconteste; DOC. 13 Razão contábil da conta de despesas com energia elétrica; DOC. 14 Nota fiscal de aquisição de energia elétrica; DOC. 15 Contrato de locação de bem imóvel firmado com pessoa jurídica; DOC. 16 Razão contábil da conta de despesas com aluguel; DOC. 17 Razão contábil da conta de arrendamento mercantil; DOC. 18 Memória de cálculo de encargos de depreciação; e DOC. 19 Razões contábeis das contas de encargos de depreciação. Do encaminhamento Em razão disso, os autos ascenderam ao Carf em 06.01.2014 (efl. 197), que, na forma regimental, foi distribuído e sorteado para manifestação deste colegiado extraordinário da 3ª Seção, cabendo a este conselheiro o processamento do presente feito. É o relatório. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10880.928045/200982 Acórdão n.º 3001000.476 S3C0T1 Fl. 205 7 Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da competência para julgamento do feito Observo que, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF 343 de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Ricarf, com redação da Portaria MF 329 de 2017, este colegiado é competente para apreciar o presente feito. Da tempestividade O recurso voluntário foi juntado aos autos em 24.02.2012, depois da ciência ocorrida em 26.01.2012; portanto, a petição é tempestiva e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dela conheço. Do pedido de diligência Quanto ao pedido de diligência efetuado pelo recorrente, para melhor apuração do crédito tributário informado e, por consequência, sua habilitação para a compensação pleiteada, entendo que todos os elementos necessários à formação da convicção deste julgador se encontram presentes nos autos. Destarte, aplicase o artigo 18 do Decreto 70.235 de 06.03.1972, que dispõe que a "autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis". Embora o comando legal inserido na norma em referência esteja direcionado ao julgador administrativo de primeira instância, entendo também aplicável a esta instância recursal diante de eventual necessidade de esclarecimento de fatos necessários ao julgamento da lide, o que não ocorre no presente caso. Neste sentido, indefiro pleito. Da intimação ao patrono Registrese que é demandada a ciência dos patronos do contribuinte para fins de sustentação oral. Todavia, para fins de esclarecimento, os incisos I a III do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 estabelece que as intimações no decorrer do contencioso administrativo tributário federal serão realizadas pessoalmente ao sujeito passivo, não a seu advogado, inexistindo tampouco permissivo para tanto no Ricarf. Razão pela qual, nego a solicitação. Da sustentação oral Quanto a sustentação oral pretendida perante as turmas extraordinárias convém esclarecer que o artigo 61A do Anexo II do Ricarf, inserido pela Portaria MF 329 de Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10880.928045/200982 Acórdão n.º 3001000.476 S3C0T1 Fl. 206 8 04.07.2017, dispõe que referido pleito seja realizado dentro de um prazo regulamentar e mediante apresentação de requerimento próprio, cuja aceitação "implica a retirada do processo para inclusão em pauta de sessão não virtual". Logo, inexistindo, nos autos referido requerimento, resta descumprido o regramento estatuído pela norma de regência. Razão pela qual não provejo o pedido. Da matéria de ordem pública Embora o contribuinte não tenha contestado em seu recurso voluntário os fundamentos da decisão recorrida no que concerne ao instituto da decadência, por conta da ocorrência da homologação tácita do crédito tributário constituído pela apresentação de DCTF, por tratarse de matéria de ordem pública, portanto, cognoscível de ofício, conforme consagrado por sedimentada jurisprudência judicial e deste Conselho, na medida em que tem competência para reapreciar a matéria nesta oportunidade, ainda que seja para confirmar o que decidiu o colegiado a quo. Da fundamentação Da adoção, como razão de decidir, da decisão recorrida Dispõe o parágrafo 3º do artigo 57 do Anexo II do Ricarf, verbis: § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Em análise do pleito, nada há que deva ser acrescentado por este juízo administrativo aquilo que já foi minuciosamente explicitado pela 13ª Turma da DRJ/SP1, quando da prolação do acórdão recorrido. Com efeito, andou bem o colegiado a quo ao assentar a vinculação estrita das autoridades administrativas às determinações contidas de forma literal em lei. Assim, só cabe aqui reafirmarse aquilo que de forma expressa consta da legislação tributária: o prazo para repetição do indébito é de cinco anos, contados da extinção do crédito tributário (inciso I do artigo 168 do CTN), sendo que o pagamento antecipado, efetuado no âmbito do lançamento por homologação, conformase como uma das hipóteses de extinção, mesmo que pendente a sua homologação (parágrafo 1º do artigo 150 do CTN). De tal sorte, do ponto de vista estritamente legal, o pedido de restituição tem de ser efetuado no período de cinco anos que sucede o eventual recolhimento indevido ou a maior. Desta feita, em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte argumenta que o valor do crédito compensado deriva de apuração constante no Dacon, mas que, por lapso, deixou de apresentar a DCTF retificadora respectiva para alterar o valor incorretamente informado no campo débito, uma vez que o correto correspondente a uma importância menor que aquela; tanto que, embora não o fazendo, comprometeuse a retificar a DCTF em questão no intuito de regularizar o crédito indicado no Per/Dcomp. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10880.928045/200982 Acórdão n.º 3001000.476 S3C0T1 Fl. 207 9 Por sua vez, o colegiado a quo, não acolhe o pleito do contribuinte, tendo em vista que o crédito tributário pleiteado em questão está definitivamente constituído e extinto pelo pagamento em virtude do transcurso do prazo previsto no parágrafo 4º do artigo 150 do CTN, não sendo, portanto, passível de alteração pelo contribuinte ou pela Administração Tributária. Desta forma, com amparo no permissivo regimental reproduzido, por concordar com seus fundamentos, adoto como razão de decidir os termos do voto condutor da decisão recorrida, notadamente no que respeita ao tema "Do Crédito em Análise", que reproduzo, verbis: Voto (...) 5. Ademais, cumpre suscitar o quanto previsto pelo artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 10.637/02: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. 5.1. Nesses termos, a compensação deve ser implementada pelo Sujeito Passivo com a entrega da declaração correspondente, na qual constam informações relativas aos pretensos créditos (líquidos e certos) a serem utilizados para liquidação de débitos existentes. O efeito da declaração é a extinção do crédito tributário, ainda que sob condição resolutória de sua ulterior homologação. 5.2. Destarte, a Declaração de Compensação, por intermédio do PER/DCOMP, se presta a formalizar a compensação e, por consequência, a extinção dos débitos compensados, sob condição resolutória de sua posterior homologação pela Administração Fiscal. Assim, as informações sobre a origem do direto de crédito e do débito compensado, de inteira responsabilidade do Contribuinte, devem estar conformes, sob o risco de o declarante ver seu procedimento não homologado. 6. No caso concreto, o Contribuinte declarou débitos de COFINS 58561, competência jun05, e apontou o documento de arrecadação (DARF) como origem do suposto pagamento Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10880.928045/200982 Acórdão n.º 3001000.476 S3C0T1 Fl. 208 10 indevido e, por conseguinte, do reclamado crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela Insurgente foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. 6.1. O ato hostilizado aponta como causa da não homologação o fato de que não foi localizado crédito disponível em favor da Manifestante atinente ao indigitado DARF, vez que integralmente utilizado para quitar o débito correspondente, declarado por intermédio da DCTF, conforme apontado no próprio Despacho Decisório. 6.2. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria Interessada à Administração Tributária revelaram a inexistência do pretenso crédito declarado e requerido para compensação. 6.3. Em suma, os motivos da não homologação residiram nas próprias declarações e documentos produzidos pela Insurgente. Estes foram, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo. 7. Destaquese, ademais, que as matérias não expressamente questionadas presumemse legítimas e não deverão ser objeto de análise, vez que não se tornaram controvertidas nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 9.532/97. Do Crédito em Análise 8. O Contribuinte contesta o Despacho Decisório DD que não homologou a compensação afirmando possuir crédito líquido e certo contra a Fazenda Pública. Para sustentar tal afirmação acostou aos autos cópias de DACON que suportaria o crédito que alega possuir e, ainda, solicita prazo para entrega da DCTF Retificadora. 8.1. Primeiramente, é de ser ressaltado que não é suficiente, para os fins pretendidos pela Requerente, a apresentação de DACON Retificador, nos casos em que as informações de débitos restaram inferiores àqueles confessados em DCTF. Permanece a necessidade de o Contribuinte comprovar, por meio de documentos contábeisfiscais idôneos, a origem dos valores declarados e a composição da base de cálculo dos tributos em questão. 8.2. À guisa de complementação, deve ser observado que há grande distinção, mormente no tocante aos efeitos jurídicos, entre as informações prestadas por intermédio da DCTF e do DACON, vez que, enquanto a primeira, consoante predito, revelase como instrumento de constituição de crédito tributário, o segundo desempenha papel meramente informativo, cujo intuito é o de corroborar ou complementar informações de interesse da Administração Tributária. 8.2.1. Ademais, a própria legislação tributária prevê a necessidade de o Contribuinte apresentar DCTF retificadora Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10880.928045/200982 Acórdão n.º 3001000.476 S3C0T1 Fl. 209 11 sempre que eventual retificação do DACON acarretar na modificação dos valores declarados em DCTF anterior. É o que se verifica desde a publicação da Instrução Normativa SRF nº 590, de 22/12/2005, que assim dispôs: Art. 11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no Dacon serão formalizados por meio de Dacon retificador, mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. ... § 4º A pessoa jurídica que entregar o Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados em DCTF, deverá apresentar, também, DCTF retificadora. (destaques não constam do original) 8.2.2. Tal comando normativo permanece vigente até o momento, tendo sido convalido nas instruções normativas posteriores. 8.3. Insta mencionar, neste ponto, tomandose por base as previsões estampadas nos atos normativos que regulam o procedimento de retificação de declarações, conforme o atualmente disposto no inciso II, do § 2º, do art. 9º, da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24/12/2010, que seria ineficaz qualquer retificação de DCTF após a ciência de início de procedimento administrativo, consubstanciado na não homologação da compensação expressa pelo combatido DD, nos moldes da previsão constante no art. 142 do CTN, especialmente no tocante à matéria tributável e ao cálculo do montante do tributo devido. Transcrevese os termos da citada instrução normativa: § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: [...] II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (original sem destaques) 8.4. De outro giro, deve ser observado que a análise em apreço, mormente quanto ao alegado crédito da Manifestante, perpassa questão que envolve lançamento na modalidade por homologação, vez que a Insurgente apurou o montante devido e declarou a ocorrência e quantificação dos fatos geradores verificados por intermédio da DCTF, consoante previsto no art. 150, caput, do CTN. 8.5. Neste ponto, mencionase o que entende a doutrina pátria acerca da modalidade de lançamento em tela, mormente quanto ao seu objeto. Assim, conforme ensina Hugo de Brito Machado1, in verbis: Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10880.928045/200982 Acórdão n.º 3001000.476 S3C0T1 Fl. 210 12 Lançamento por homologação, é aquele aplicável aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, no que concerne a sua determinação. (...) Objeto da homologação não é o pagamento, como alguns tem afirmado. É a apuração do montante devido, de sorte que é possível a homologação mesmo que não tenha havido pagamento. (...) O que caracteriza essa modalidade de lançamento é a exigência legal de pagamento antecipado. Não o efetivo pagamento antecipado. 8.6. Por outro lado, cumpre transcrever o que leciona Luciano Amaro2, que traduz a linha de raciocínio também sustentada por Aliomar Baleeiro3 e Eduardo Sabbag4. Na prática, o “dever de antecipar o pagamento” significa que o sujeito passivo tem o encargo de valorizar os fatos à vista da norma aplicável, determinar a matéria tributável, identificarse como sujeito passivo, calcular o montante do tributo e pagálo, sem que a autoridade precise tomar qualquer providência. E o lançamento? Este diz o Código Tributário Nacional operase por meio do ato da autoridade que, tomando conhecimento da atividade exercida pelo devedor, nos termos do dispositivo, homologaa. A atividade aí referida outra não é senão a de pagamento, já que esta é a única providência do sujeito passivo tratada no texto. Melhor seria falarse em “homologação do pagamento”, ... . 8.7. Notese que a homologação, que segundo Celso Antonio Bandeira de Melo5, “é o ato vinculado pelo qual a administração concorda com ato jurídico já praticado, uma vez verificada a consonância dele com os requisitos legais condicionadores de sua válida emissão”, tem por efeito dar ao ato homologado a eficácia que até então não se lhe atribuía. Homologar, portanto, pressupõe não apenas concordar com o ato praticado, mas também, conferirlhe validade ou eficácia que antes não sustentava. É somente diante desta ótica que se pode aceitar a idéia de “autolançamento”, como muitos doutrinadores intitulam esta modalidade, sem entender ferido o art. 142 do CTN. 8.8. Assim, tendo havido apuração do montante devido e a correspondente informação ao Fisco (declaração em DCTF), corroborada pelo pagamento dos tributos reputados devidos, há de ser considerado efetuado o “autolançamento” no caso em tela. Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10880.928045/200982 Acórdão n.º 3001000.476 S3C0T1 Fl. 211 13 8.9. Em adição e reforço, é cediço que a DCTF (criada com base no artigo 5º do DecretoLei nº 2.124/84), quando regularmente apresentada, tem o condão de formalizar o crédito tributário, viabilizando a inscrição em dívida ativa do débito denunciado pelo Contribuinte, caso não pago, consoante pacífico entendimento das mais altas cortes do país. Desta sorte, o indigitado documento encerra instrumento de confissão de dívida e constituição do crédito tributário. 8.10. Em decorrência do predito, de acordo com o vaticinado no § 1º, do referido art. 150 do CTN, o pagamento do tributo apurado conforme tal modalidade de lançamento extingue o crédito tributário sob condição resolutória da ulterior homologação daquele. 8.11. Em complemento, o § 4º do mesmo artigo do Código Tributário determina que caso a lei não fixe prazo à homologação, será ele de 05 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, em não havendo pronunciamento da Fazenda Pública dentro de tal interstício, considerandose homologado, tacitamente, o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário dele decorrente. 8.12. Neste ponto, não é despiciendo relembrar que o Direito não socorre àquele que, por largo espaço de tempo, permanece inerte quanto ao exercício de determinado direito/faculdade que lhe possa assistir (“dormientibus non succurrit jus”). 8.13. No caso vertente há de ser ressaltado que se aprecia tributo referente ao período de apuração findado em 31/11/03, sendo considerada esta data, ainda que por ficção legal, a da ocorrência do respectivo fato gerador. 8.14. Assim, não tendo a Administração Fazendária se pronunciado durante o lustro legalmente previsto, cujo termo final se deu em 31/11/08, o crédito tributário em testilha foi, de forma inafastável, definitivamente constituído e extinto pelo pagamento nessa data. Tratase de prazo decadencial a pesar contra a Fazenda e contado a partir do fato imponível. 8.15. Ademais, emerge do quanto articulado que houve a homologação dos tributos com relação aos quais, e na exata medida em que, o contribuinte, por intermédio da DCTF em epígrafe, dimensionou e informou a ocorrência do fato gerador tendo efetuado, inclusive, o correspondente pagamento. 8.16. Assim, tendose operado a homologação tácita (constituição definitiva do crédito tributário), a partir de tal advento resta defeso à Fazenda questionar ou rever o ato comissivo do Contribuinte alcançado por tal instituto jurídico, consubstanciado na apuração e respectiva quitação dos tributos reputados devidos. 8.17. Em adição a tudo quanto articulado, apenas ad argumentandum, fossem superadas as questões já enfrentadas, Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10880.928045/200982 Acórdão n.º 3001000.476 S3C0T1 Fl. 212 14 insta mencionar que é lícito ao Contribuinte retificar as informações prestadas ao Fisco, ao menos enquanto não iniciado qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, sempre se resguardando à Administração Tributária o direito de analisar e revisar as informações declaradas, consoante vaticina o art. 149 do CTN, enquanto não verificada a decadência tributária. 8.18. Contudo, no caso vertente, o Contribuinte quedouse inerte, não apresentando DCTF Retificadora dentro do prazo legal em que esta surtiria efeito (antes da ocorrência da homologação tácita), razão pela qual se revelou apático quanto ao direito creditício que ora sustenta deter em face da Fazenda Pública. 8.19. Tão logo teve conhecimento dos fatos capazes de alterar a apuração do tributo que ora alega ter pagado indevidamente, a Manifestante tinha por obrigação dar conhecimento da nova apuração, fatos constitutivos do direito creditório que erige deter, à Administração Tributária pelos meios próprios existentes para tanto DCTF Retificadora. 8.20. Em não o fazendo, frente à relação jurídicotributária, deixou de “retificar” o “autolançamento” e, por via transversa, não formalizou a existência do crédito que pretendeu utilizar por intermédio da DCOMP em apreço. 8.21. No presente caso, mutatis mutandis, tratase da decadência do direito de o Contribuinte modificar fato gerador, ou um de seus aspectos, como o valorativo, de crédito/obrigação tributária já extinta, que se consubstanciaria na gênese do alegado direito de crédito. 8.22. A inércia da Insurgente, aliada ao transcurso temporal, culminou na imutabilidade da situação jurídica sub examine extinção do crédito tributário autolançado declarado por intermédio da DCTF. 8.23. Consoante o sistema jurídico pátrio, as obrigações nasceram para serem extintas. Ocorrida a extinção, cogitarse da possibilidade de reversão de seus efeitos traria grande instabilidade jurídicosocial e, ademais, conspiraria contra os princípios gerais de direito. (...) Da questão material, em complemento aos termos da decisão recorrida Conforme reafirmado, o despacho decisório cerne da peça recursal declarou a inexistência do direito creditório pleiteado pelo recorrente, em razão do pagamento indicado encontrarse totalmente utilizado, vinculado a débito de mesmo valor. Irresignado, o recorrente alega que apresentou o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon informando os supostos verdadeiros débitos correspondentes ao exercício em questão, mas que, por lapso, deixou de apresentar a devida DCTF retificadora. Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10880.928045/200982 Acórdão n.º 3001000.476 S3C0T1 Fl. 213 15 Em análise aos elementos constantes nos autos, no período pertinente ao tributo em discussão no presente processo, foi apresentada a DCTF original, no prazo legal para tanto. Igualmente, no seu prazo devido, foi apresentado o Dacon original, referente ao período de apuração do tributo em questão. Percebese que o pagamento efetuado pelo contribuinte mostrase incompatível o que fora declarado no referido Dacon. Destarte, em algum tempo depois, considerando o débito que consta informado no Dacon original, e sem ter retificado a DCTF original, o recorrente apresentou o Per/Dcomp pleiteando, em face do suposto saldo credor, a compensação em exame, que não foi homologada pela autoridade fiscal. Porém, mesmo após ter sido cientificada do despacho decisório, o recorrente, frisese, embora tenha manifestado a intenção de retificar a DCTF original, a fim de semelhar as informações contidas no Dacon, pelo que depreendese destes autos, tal intento não se concretizou. Logo, no caso que se examina, não há dúvidas que o recorrente não retificou sua DCTF original. Aqui, há que se atentar que é por meio da DCTF, e não pelo Dacon, que o débito do sujeito passivo considerase juridicamente constituído, pois, assim como a DIPJ, o Dacon tem caráter meramente informativo, distinto da DCTF, que tem caráter declaratório/constitutivo, significando uma confissão de débitos apurados pela pessoa jurídica. Destarte, por óbvio, pelo que depreendese destes autos, na data da apresentação do Per/Dcomp em apreço, não homologada pela autoridade fiscal, a DCTF original ainda não tinha sido objeto de retificação, significando que o crédito utilizado pelo recorrente em sua compensação, juridicamente, era e é ainda inexistente. Neste caso, não haveria que se falar, juridicamente, no alegado pagamento a maior, o que retiraria do crédito pretendido a liquidez e certeza que a lei impõe para que este possa ser objeto de repetição, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Portanto, ainda que o recorrente pretendesse efetuar a retificação da DCTF original, resta evidente o transcurso do prazo de cinco anos contado da data de ocorrência do fato gerador do débito nela declarado, nos termos do caput do artigo 168 do CTN, de forma que a referida retificação não produziria quaisquer efeitos tributários, o que tornase dispensável a análise fática do direito material do suposto crédito tributário perseguido pelo recorrente, em face da sua peremptoriedade jurídica. Da conclusão Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10880.928045/200982 Acórdão n.º 3001000.476 S3C0T1 Fl. 214 16 Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para rejeitar os pedidos de diligência, de intimação dos patronos e de sustentação oral e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 214DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15165.000471/2011-73
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 15/12/2008 a 26/10/2009
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MICROPROCESSAMENTO COM DISSIPADOR DE CALOR. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA. POSSIBILIDADE.
Placas de microprocessamento ou processador com dissipador de calor classificam- se no código NCM 8473.30.43.
Aplica-se multa de 1 % por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente, nos termos do artigo 84, I, da Medida Provisória 2.15835/2001.
Numero da decisão: 9303-006.331
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 15/12/2008 a 26/10/2009 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MICROPROCESSAMENTO COM DISSIPADOR DE CALOR. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA. POSSIBILIDADE. Placas de microprocessamento ou processador com dissipador de calor classificam- se no código NCM 8473.30.43. Aplica-se multa de 1 % por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente, nos termos do artigo 84, I, da Medida Provisória 2.15835/2001.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15165.000471/2011-73
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5891896
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-006.331
nome_arquivo_s : Decisao_15165000471201173.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DEMES BRITO
nome_arquivo_pdf_s : 15165000471201173_5891896.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado). (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7391047
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585422364672
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1721; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 562 1 561 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15165.000471/201173 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9303006.331 – 3ª Turma Sessão de 21 de fevereiro de 2018 Matéria II Classificação de Mercadorias Recorrentes FAZENDA NACIONAL VISUM SISTEMAS ELETRÔNICOS S/A. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 15/12/2008 a 26/10/2009 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MICROPROCESSAMENTO COM DISSIPADOR DE CALOR. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA. POSSIBILIDADE. Placas de microprocessamento ou processador com dissipador de calor classificam se no código NCM 8473.30.43. Aplicase multa de 1 % por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente, nos termos do artigo 84, I, da Medida Provisória 2.15835/2001. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negarlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto qualidade, em dar lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado). (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 00 04 71 /2 01 1- 73 Fl. 562DF CARF MF Processo nº 15165.000471/201173 Acórdão n.º 9303006.331 CSRFT3 Fl. 563 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional e Contribuinte com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra o acórdão nº 3302002.930, proferido pela 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária da 3ª Seção de julgamento, que decidiu em dar provimento ao Recurso Voluntário, por entender que, caso existindo dúvida razoável quanto à precisa identificação técnica do produto importado com relação a sua característica principal, visto que prejudicada a perfeita identificação desta pela ausência de laudo técnico, dado o grau de especificidade técnica do referido produto importando, impossibilitando inclusive a análise comparativa com o laudo técnico produzido pelo contribuinte, aplicase a interpretação benigna autorizada pelo art. 112, II do CTN, para exonerar o crédito referente à multa por classificação fiscal incorreta. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Tratase de Autos de Infração (fls. 5/102), em que formalizada a cobrança de crédito tributário no valor total de R$ 8.317.673,23, compreendendo o somatório do Imposto sobre a Importação (II), do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), da Contribuição para o PIS/Pasep Importação e da Cofins Importação, acrescidos de multa de ofício, juros de mora, e multa regulamentar por erro de classificação fiscal. De acordo com Termo de Verificação Fiscal de fls. 103/113, o motivo da presente autuação foi a constatação de que a autuada havia cometido erro na classificação fiscal das mercadorias importadas, ao enquadrálas no código NCM 8542.31.90 (Outros processadores e controladores), com alíquotas do II de 0% e do IPI de 2,0%, em vez de no código NCM 8473.30.49 (Outros circuitos impressos com componentes elétricos ou eletrônicos montados), com alíquotas do II de 12,0% e do IPI de 15,0%, por se tratar de placas de microprocessamento ou processador sem dissipador de calor. Segundo a fiscalização, o código NCM utilizado pela autuada aplicase apenas ao microprocessador isolado (placa de silício minúscula), ainda não montada numa placa de microprocessamento, ao passo que o produto efetivamente importado eram placas de microprocessamento montadas, com diversos componentes (substrato, capacitores, processador, dissipador de calor IHS e interface térmica TIM), que, portanto, incluía o microprocessador. O acórdão recorrido restou assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Fl. 563DF CARF MF Processo nº 15165.000471/201173 Acórdão n.º 9303006.331 CSRFT3 Fl. 564 3 Período de apuração: 15/12/2008 a 26/10/2009 NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). PLACAS DE MICROPROCESSAMENTO COM DISSIPADOR DE CALOR. CÓDIGO NCM. As placas de microprocessamento com dispositivo de dissipação de calor e de proteção do processador (placa de metal IHS Integrated Heat Spreader), especialmente concebida para utilização em uma máquina automática de processamento de dados, classificamse no código NCM 8473.30.43. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL DO CONTRIBUINTE E DA FISCALIZAÇÃO. TERCEIRO CÓDIGO NCM CONTENDO AS MESMAS ALÍQUOTAS DO CÓDIGO INFORMADO PELO CONTRIBUINTE. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO DOS TRIBUTOS E CONSECTÁRIOS LEGAIS. CABIMENTO. Se autuação foi fundamentada em código NCM não pertencente ao produto importado, cujo código NCM contém as mesmas alíquotas do código NCM errado declarado pelo contribuinte, inexiste diferença de tributos e respectivos consectários legais (juros moratórios e multa de ofício), por ausência da diferença de alíquotas que fundamentava o lançamento. ERRO NA FUNDAMENTAÇÃO FÁTICA DA AUTUAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA DA COBRANÇA DOS TRIBUTOS E CONSECTÁRIOS LEGAIS LANÇADOS. POSSIBILIDADE. Se código NCM correto do produto importado não corresponde ao código NCM declarado pelo importador nem ao utilizado na autuação pela fiscalização, por erro na fundamentação da autuação, não procede a cobrança dos tributos e consectários legais lançados. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA. DESCABIMENTO. AUSÊNCIA DE LAUDO TÉCNICO PARA A PERFEITA IDENTIFICAÇÃO DA MERCADORIA NA AUTUAÇÃO. INTERPRETAÇÃO BENIGNA AUTORIZADA PELO ARTIGO 112 DO CTN. Restando demonstrado nos autos que a fiscalização não se utilizou de assistência técnica para identificar a mercadoria importada na autuação, requisito indispensável no caso da espécie dos autos pela especificidade técnica, aplicase a interpretação benigna autorizada pelo artigo 112 do CTN. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado". Fl. 564DF CARF MF Processo nº 15165.000471/201173 Acórdão n.º 9303006.331 CSRFT3 Fl. 565 4 Devidamente Cientificada, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso Especial, suscitou divergência contra o entendimento adotado pela decisão recorrida, relativamente à exoneração da multa de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente na NCM. Visando comprovar o dissenso foi apontado, como paradigma, o Acórdão nº 3102002.198. Em seguida, o Presidente da 3º Seção do CARF, deu seguimento ao Recurso, por entender que foi comprovada a divergência, conforme se extrai do despacho de admissibilidade, fls. 445/447. Em que pese ter obtido o provimento total do Recurso, a Contribuinte também interpõe Recurso Especial, suscita divergência quanto à correta classificação fiscal da mercadoria em foco. Para comprovar o dissenso foi colacionado, como paradigma, o Acórdão nº 3403002.595. O Presidente da 3º Seção do CARF, deu seguimento ao Recurso, por entender que foi comprovada a divergência, conforme se extrai do despacho de admissibilidade, fls. 514/516. Cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, às fls.518/527. É o relatório. Voto Demes Brito Conselheiro Relator Os Recursos foram apresentados com observância do prazo previsto, atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deles tomo conhecimento, nos termos dos respectivos despachos de admissibilidade. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamado de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Fl. 565DF CARF MF Processo nº 15165.000471/201173 Acórdão n.º 9303006.331 CSRFT3 Fl. 566 5 Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos, não tendo espaço para questões fáticas, que já ficaram devidamente julgadas no Recurso Voluntário. Passo ao julgamento. Com efeito, os Recursos serão julgados em conjunto, tendo em vista o Recurso Especial da Contribuinte que, embora, tenha sido provido totalmente, ela traz a divergência e dúvida quanto a devida classificação fiscal de sua mercadoria, em que pese o acórdão recorrido ter decidido a lide adotando a classificação fiscal com bem entendeu. Já quanto ao Recurso da Fazenda Nacional, a discussão diz respeito ao entendimento adotado pela decisão recorrida, relativamente à exoneração da multa de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente na NCM. Compulsando aos autos, verifico que a decisão recorrida deu provimento ao Recurso Voluntário, com o seguinte fundamento: "Restando demonstrado nos autos que a fiscalização não se utilizou de assistência técnica para identificar a mercadoria importada na autuação, requisito indispensável no caso da espécie dos autos pela especificidade técnica, aplicase a interpretação benigna autorizada pelo artigo 112 do CTN. Conforme se demonstrou acima, a fundamentação do auto de infração não se fez acompanhar de assistência técnica para a perfeita identificação da mercadoria importada, balizamento imprescindível neste caso para possibilitar a correta análise classificatória. Assim a ausência de laudo técnico por parte da fiscalização, impossibilitando inclusive a análise comparativa com o laudo técnico produzido pela recorrente justifica a exoneração da multa por classificação fiscal incorreta, estabelecida no art. 84, I, da Medida Provisória 2.15835/ 2001, com escopo no artigo 112 do Código Tributário Nacional CTN. Ressaltese que a interpretação benigna autorizada pelo art. 112 do CTN norteiase pelo que dispõem seus incisos [Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.. No presente caso existindo dúvida razoável quanto à precisa identificação técnica do produto importado com relação a sua característica principal, visto que prejudicada a perfeita identificação desta pela ausência de laudo técnico, dado o grau de especificidade técnica do referido produto importando, impossibilitando inclusive a análise comparativa com o laudo técnico produzido pelo contribuinte, aplicase a interpretação benigna autorizada pelo art. 112, II do Fl. 566DF CARF MF Processo nº 15165.000471/201173 Acórdão n.º 9303006.331 CSRFT3 Fl. 567 6 CTN, para exonerar o crédito referente à multa por classificação fiscal incorreta". Causa espanto, os fundamentos do voto vencedor, sequer fundamentou qual classificação fiscal deve ser adotada, simplesmente alega que: "a ausência de laudo técnico por parte da fiscalização, impossibilitando inclusive a análise comparativa com o laudo técnico produzido pela recorrente justifica a exoneração da multa por classificação fiscal incorreta". Como visto, a decisão recorrida não empreendeu a melhor solução para lide, neste sentido, adoto como fundamento em minha razões de decidir os fundamentos e conclusões do Voto irretocável da lavra do Ilustre Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que passa a fazer parte integrante desse voto. Vejamos: "Assim, uma vez identificado o tipo de produto, inexiste controvérsia quanto ao enquadramento dele na NCM. Em outras palavras, não há dissenso quanto ao enquadramento do circuito integrado eletrônico na posição 85.42 da NCM e da placa de microprocessaemento na posição 84.73 da NCM. Nesse sentido, o enunciado da posição 84.73 das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), afasta qualquer dúvida respeito, ao determinar que: “Excluemse também desta posição: [...] e) Os circuitos integrados (posição 85.42). De acordo com o texto da referida nota, ao excluir o circuito integrado da posição 84.73, que compreende “Partes e acessórios (exceto estojos, capas e semelhantes) reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinados às máquinas ou aparelhos das posições 84.69 a 84.72”, e enquadrálo na posição 85.42, que compreende “Circuitos integrados eletrônicos”, ficou claramente definido que a classificação fiscal dos “circuitos integrados eletrônicos” é determinada pela sua natureza intrínseca e não pela sua aplicação ou destinação. Assim, embora destinado, exclusiva ou principalmente, à montagem de máquinas automáticas para processamento de dados, pertencentes à posição 84.71 da NCM, se a parte ou acessório tiver natureza de “circuito integrado eletrônico” ele se classifica na posição 85.42 da NCM e não na posição 84.73 da NCM. Portanto, a classificação fiscal dos circuitos integrados é determinada pela sua natureza intrínseca e não em função da sua aplicação ou destinação. Dessa forma, para o deslinde da controvérsia, a questão relevante passa a ser a precisa identificação do componente eletrônico importado pela recorrente, que, segundo o Termo de Verificação Fiscal (fl. 106), tem a seguinte estrutura e composição: a) Package substrate; b) Capacitors; c) Processor core (die); d) IHS (Integrate Heat Spreader); e e) TIM (Thermal Interface Material), conforme ilustrado na figura a seguir reproduzida: Fl. 567DF CARF MF Processo nº 15165.000471/201173 Acórdão n.º 9303006.331 CSRFT3 Fl. 568 7 A figura acima mostra um esboço dos componentes do pacote do processador e como eles são montados na placa do sistema (system board) e no soquete (socket). No centro, encontrase o núcleo do processador (processor core, die), o processador propriamente dito. Na base se pode visualizar a presença de capacitores, componentes eletrônicos passivos, com a função de filtrar e estabilizar a corrente. Na parte superior do conjunto, uma cobertura de alta condutividade térmica, o IHS (Integrated Heat Spreader ou Difusor de Calor Integrado), cuja função é difundir o calor interno gerado pelo funcionamento do chip. Ainda entre o processador e IHS existe uma interface de material térmico, o TIM (Thermal Interface Material ou Material de Interface Térmica). Também com base na referida figura, a fiscalização apresentou a seguinte descrição do produto importado, in verbis: No “substrate” estão montados o processador, os capacitores e o IHS. Temos, então, um circuito impresso com elementos eletrônicos (ativo e passivos), além do IHS. Os capacitores são considerados componentes eletrônicos passivos, que são simplesmente condutores de sinais elétricos; o processador, por sua vez, componente eletrônico ativo, suscetível de produzir, retificar, detectar, modular ou amplificar sinais elétricos. Observase também que os componentes eletrônicos passivos (capacitores) estão dispostos de forma não discreta no substrato. Cabe ainda ressaltar que, em relação a estrutura e composição do produto importado inexiste controvérsia, uma vez que a recorrente baseiase nos Fl. 568DF CARF MF Processo nº 15165.000471/201173 Acórdão n.º 9303006.331 CSRFT3 Fl. 569 8 mesmos elementos para apresentar a sua discordância em torno da conclusão apresentada pela fiscalização. Feito esses breves relevantes esclarecimentos, passase a analisar o ponto fulcral da controvérsia. Para esse fim, iniciase com a transcrição do texto da Nota 8 b) do Capitulo 85, que apresenta as características intrínsecas do circuito integrado, tais como os elementos de composição e os tipos de fabricação, com os seguintes dizeres, in verbis: 8.Na acepção das posições 85.41 e 85.42, consideramse: a) “Diodos, transistores e dispositivos semicondutores semelhantes”, os dispositivos cujo funcionamento se baseie na variação da resistividade sob a influência de um campo elétrico; b) Circuitos integrados: 1º) Os circuitos integrados monolíticos em que os elementos do circuito (diodos, transistores, resistências, condensadores, indutâncias, etc.) são criados essencialmente na massa e à superfície de um material semicondutor (por exemplo, silício impurificado (dopado), arsenieto de gálio, silíciogermânio, fosfeto (fosforeto*) de índio), formando um todo indissociável; 2º) Os circuitos integrados híbridos que reúnam de maneira praticamente indissociável, por interconexões ou cabos de ligação, sobre um mesmo substrato isolante (vidro, cerâmica, etc.) elementos passivos (resistências, condensadores, indutâncias, etc.) obtidos pela tecnologia dos circuitos de camada fina ou espessa e elementos ativos (diodos, transistores, circuitos integrados monolíticos, etc.), obtidos pela tecnologia dos semicondutores. Estes circuitos podem incluir também componentes discretos; 3º) Os circuitos integrados de múltiplos chips, constituídos por dois ou mais circuitos integrados monolíticos interconectados, combinados de maneira praticamente indissociável, dispostos ou não sobre um ou mais substratos isolantes, mesmo com elementos de conexão, mas sem outros elementos de circuito ativos ou passivos. Na classificação dos artefatos definidos na presente Nota, as posições 85.41 e 85.42 têm prioridade sobre qualquer outra posição da Nomenclatura, exceto a posição 85.23, suscetível de os incluir, em particular, em razão de sua função. (grifos não originais) Da simples leitura do texto transcrito, verificase que (i) a classificação do circuito integrado é definida pela sua natureza intrínseca e não em função da sua destinação, conforme ressaltada anteriormente, e (ii) que, de acordo com o tipo de processo de fabricação, existem três tipos de circuitos integrados: circuitos integrados monolíticos, circuitos integrados híbridos e circuitos integrados de múltiplos chips. Fl. 569DF CARF MF Processo nº 15165.000471/201173 Acórdão n.º 9303006.331 CSRFT3 Fl. 570 9 Nos autos, há consenso de que o produto importado pela recorrente não atende as características do circuito integrado monolítico nem do circuito integrado de múltiplos chips. O dissenso reside em relação à identificação do produto como circuito integrado híbrido, da posição 85.42 da NCM, ou placa microprocessamento, da posição 84.73 da NCM, como já mencionado. Assim, com vista ao deslinde da controvérsia, iniciase a análise pelas características do tipo de circuito integrado eletrônico1 que se enquadra na posição 85.42 da NCM, que, segundo a recorrente é onde se enquadra o produto importado. Para esse fim, passase a analisar as pertinentes explicações apresentadas na nota da posição 85.42 das NESH sobre as características definidoras do referido produto, que seguem transcritas: Os artefatos da presente posição são definidos na Nota 8 b) do presente Capítulo. Esta posição compreende um conjunto de dispositivos eletrônicos, com uma densidade elevada de elementos ou componentes passivos e ativos, considerados como constituindo uma unidade (ver, no que diz respeito aos elementos ou componentes “passivos” ou “ativos”, a Nota Explicativa da posição 85.34, primeiro parágrafo). Pelo contrário, os circuitos eletrônicos compostos unicamente de elementos passivos são excluídos da presente posição. Diversamente dos circuitos integrados eletrônicos, os componentes discretos podem ter uma só função elétrica ativa (dispositivos semicondutores definidos na Nota 8 a) do Capítulo 85), ou uma só função elétrica passiva (resistências, capacidades, indutâncias, etc.). Os componentes discretos são indivisíveis e são os componentes eletrônicos básicos na construção de um sistema. Não se consideram, todavia, como componentes discretos os constituídos por vários elementos de um circuito elétrico, e com várias funções elétricas, tais como os circuitos integrados. Os circuitos integrados eletrônicos compreendem as memórias DRAM (memória de acesso aleatório dinâmica), SRAM (memória de acesso aleatório estática), EPROM (memória programável, apagável, apenas de leitura), EEPRO ou E2PROM (memória programável, eletricamente apagável, apenas de leitura), microcontroladores, circuitos de comando, circuitos lógicos, circuitos de redes de portas programadas gate arrays”, circuitos de interface, etc. Os circuitos integrados eletrônicos compreendem: [...] II. Os circuitos integrados híbridos. Os circuitos integrados híbridos são microestruturas eletrônicas construídas sobre um substrato isolante no qual um circuito de camada fina ou espessa foi formado. A formação deste circuito permite obter, simultaneamente, alguns Fl. 570DF CARF MF Processo nº 15165.000471/201173 Acórdão n.º 9303006.331 CSRFT3 Fl. 571 10 elementos passivos (resistências, capacitâncias, indutâncias, por exemplo). Contudo, para constituir um circuito integrado híbrido da presente posição, elementos semicondutores devem ser incorporados, quer sob a forma de microplaquetas (chips), encapsuladas ou não, quer sob a forma de semicondutores previamente encapsulados, por exemplo, dentro de invólucros miniaturas especialmente concebidos para esse fim. Os circuitos integrados híbridos podem também possuir elementos passivos obtidos individualmente e colocados no circuito da camada de base, da mesma maneira que os semicondutores. Tratase geralmente de componentes, tais como condensadores, resistências ou bobinas, sob a forma de microplaquetas (chips). Os substratos compostos de várias camadas (geralmente de cerâmica), reunidos por cozedura de maneira a formar um conjunto compacto, devem considerarse como constituindo um mesmo substrato na acepção da Nota 8 b) 2) do presente Capítulo. Os componentes que formam um circuito integrado híbrido devem estar reunidos de maneira praticamente indissociável, isto é, a retirada ou a substituição de alguns elementos é possível teoricamente, mas tal só pode ser feito mediante operações minuciosas e delicadas que, em condições normais de produção, não seriam economicamente rentáveis. Exceto as combinações (praticamente indissociáveis) referidas nas partes II) e III), acima, relativas aos circuitos integrados híbridos, excluemse também desta posição os conjuntos obtidos por: a) Montagem de um ou mais componentes discretos num suporte formado, por exemplo, por um circuito impresso; 2º) Os outros conjuntos, de conformidade com as disposições que regem a classificação das partes de máquinas (Notas 2 b) e 2 c) da Seção XVI, em particular). Com base nas explicações anteriormente apresentadas e demais informações coligidas aos autos, depreendese que os produtos importados pela recorrente tratase de um conjunto obtido pela montagem, na placa do sistema (system board) e no soquete (socket), do processador, propriamente dito, dos capacitores e do dissipador integrado de calor (IHS). Ademais, verificase os capacitores, componentes eletrônicos passivos, estão dispostos de forma não discreta no substrato, mas montados na parte inferior da placa do sistema. Dessa forma, os produtos importados pela recorrente não pertencem a posição 85.42 da NCM, pois, não atende as característica dos circuitos integrados da referida posição, pois, o sistema contém alguns componentes eletrônicos passivos (capacitores) que não foram criados na massa ou à Fl. 571DF CARF MF Processo nº 15165.000471/201173 Acórdão n.º 9303006.331 CSRFT3 Fl. 572 11 superfície do circuito integrado, mas montados na parte inferior da placa do circuito impresso, portanto, não formam um todo indissociável. Em outras palavras, para que o produto importado pela recorrente fosse considerado um circuito integrado híbrido era necessário que os componentes que o formam estivessem reunidos de maneira praticamente indissociável, de modo que a retirada ou a substituição de alguns elementos fosse possível teoricamente, mas tal só poderia ser feito mediante operações minuciosas e delicadas que, em condições normais de produção, não seriam economicamente viáveis. Não é o que ocorre com o tipo e característica dos microprocessadores importados pela recorrente, pois, conforme demonstrado, os seus componentes passivos e ativos estão dispostos na placa do sistema e no soquete, de forma que podem ser removidos normalmente. Ademais, os componentes passivos (os capacitores), não foram criados em circuito de camada fina ou espessa, condição necessária para caracterizar o componente eletrônico como circuito integrado híbrido. Assim, chegase a conclusão que o produto importado pela recorrente não se trata de um circuito integrado híbrido da posição 85.42 da NCM. Com base nessa conclusão, resta analisar se o produto importado pela recorrente tratase de placa de microprocessamento da posição do 84.73 da NCM, conforme enquadramento atribuído pela fiscalização. Para essa finalidade, recorrese ao disposto na nota 2 b da Seção XVI da NCM, que trata das partes de máquinas dos capítulos da referida Seção, que tem a seguinte redação: b) Quando se possam identificar como exclusiva ou principalmente destinadas a uma máquina determinada ou a várias máquinas compreendidas numa mesma posição (mesmo nas posições 84.79 ou 85.43), as partes que não sejam as consideradas na alínea a) anterior, classificamse na posição correspondente a esta ou a estas máquinas ou, conforme o caso, nas posições 84.09, 84.31, 84.48, 84.66, 84.73, 85.03, 85.22, 85.29 ou 85.38; todavia, as partes destinadas principalmente tanto aos artefatos da posição 85.17 como aos das posições 85.25 a 85.28, classificamse na posição 85.17; Como as placas de microprocessamento, sabidamente, são partes das máquina da posição 84.71 da NCM, não resta qualquer dúvida que, no âmbito da posição 84.73, tais placas se enquadram na subposição 8473.30, que compreende as “Partes e acessórios das máquinas da posição 84.71”. E em nível da subposição 8473.30, não há qualquer dificuldade em enquadrar as citadas placas no item 8473.30.4, que compreende os “Circuitos impressos com componentes elétricos ou eletrônicos, montados”. Este item desdobrase em quatro subitens, que, na época dos fatos, tinha a seguinte redação2, ipsis litteris: 8473.30.41 Placasmãe ("mother boards") Fl. 572DF CARF MF Processo nº 15165.000471/201173 Acórdão n.º 9303006.331 CSRFT3 Fl. 573 12 8473.30.42 Placas (módulos) de memória com uma superfície inferior ou igual a 50cm2 8473.30.43 Placas de microprocessamento com dispositivo de dissipação de calor, inclusive em cartuchos 8473.30.49 Outros (grifos não originais) Diante da descrição anteriormente apresentada, fica evidenciado que os produtos importados pela recorrente se enquadram no subitem 8473.30.43, relativo as “Placas de microprocessamento com dispositivo de dissipação de calor, inclusive em cartuchos”. Porém, este não foi o código da NCM atribuído ao produto nas presentes autuações. Para a fiscalização, os produtos importados pela recorrente classificarseiam no código NCM 8473.30.49, que compreende os “Outros” “Circuitos impressos com componentes elétricos ou eletrônicos, montados”. Os argumentos apresentados para adoção dessa classificação foram os seguintes (fls. 108/109) CLASSIFICAÇÕES FISCAIS ADOTADAS Em relação à classificação fiscal, o sujeito passivo considerou a classificação de processadores na NCM: 8542.31.90. Considerando que foram importadas Placas de microprocessamento sem a menção ao cooler ou especificamente sem cooler a classificação fiscal correta será 8473.30.49 Com a devida vênia, a conclusão apresentada pela fiscalização contém duas contradições insuperável. A primeira, ao afirmar que, por gerarem grande quantidade de calor, os processadores requerem dissipadores de calor ativos, ou seja, dissipadores de calor com ventoinhas (cooler). A segunda, ao afirmar que, por não ter feito menção à existência a dispositivo de ventilação ativo, ou a existência de cooler, a conclusão seria de que os processadores não continham dispositivo dissipador de calor. Além disso, o microprocessador ou placa de microprocessamento com dispositivo de calor é compatível com o sistema de resfriamento ativo, com a utilização de cooller, conforme, o entendimento esposado nos enunciados de ementas extraídos das Soluções de Consulta proferidas pela Divisão Administração Aduaneira (Diana) da Superintendência da Receita Federal do Brasil da 6ª Região Fiscal (SRRF06), a seguir transcritas: Solução de Consulta SRRF06/Diana nº 33 de 12 de Abril de 2011 EMENTA: Código TEC Mercadoria 8473.30.43 Placa de microprocessador com dispositivo de dissipação de calor, especialmente concebida para utilização em uma máquina automática de processamento de dados, comercialmente denominada Processador Intel Pentium DualCore Fl. 573DF CARF MF Processo nº 15165.000471/201173 Acórdão n.º 9303006.331 CSRFT3 Fl. 574 13 E5400, apresentada isoladamente em bandeja (tray) ou acondicionada para venda a retalho em caixa de papelão com o sistema de solução térmica (dispositivo auxiliar de dissipação de calor com cooler). Solução de Consulta SRRF06/Diana nº 43 de 15 de Abril de 2011 EMENTA: Código TEC Mercadoria 8473.30.43 Placa de microprocessador Intel®, dotada de dispositivo para dissipação de calor e proteção do processador (placa de metal IHS Integrated Heat Spreader), especialmente concebida para utilização em uma máquina automática de processamento de dados, comercialmente denominada “Processador Intel Celeron 430”, apresentada isoladamente em bandeja (tray) ou acondicionada em caixa de papelão com o sistema de solução térmica (dispositivo auxiliar de dissipação de calor com cooler). Com base nessas considerações, fica demonstrado que os produtos importados pela recorrente, objeto das presente autuações, classificamse no código NCM 8473.30.43, por se tratar de placas de microprocessamento com dispositivo de dissipação de calor, que, na época dos fatos geradores, tinham alíquota do II de 0% e do IPI de 2%, que era as mesmas alíquotas dos outros circuitos integrados eletrônicos classificados no código NCM 8542.31.90, que foi a classificação fiscal adotada pela recorrente nas respectivas DI. Dessa forma, inexiste diferença de alíquota do II e do IPI a ser cobrada da recorrente, bem como as diferenças de Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins lançadas, decorrentes do lançamento das referidas diferenças de alíquotas, e das multas de ofício lançadas. No caso, cabe ressaltar ainda que, se houvesse diferença positiva de alíquotas dos citados impostos, o crédito tributário lançado e os respectivos acréscimos legais (juros moratórios e multa de ofício), inequivocamente, também deveriam ser cancelados, por fundamentação equivocada do lançamento, caracterizado pelo enquadramento do produto em código NCM errado. Entretanto, esse equívoco por parte da fiscalização, não justifica o cancelamento da multa por classificação fiscal incorreta, estabelecida no art. 84, I, da Medida Provisória 2.15835/ 2001, a seguir transcrita: Art. 84 Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou [...] Fl. 574DF CARF MF Processo nº 15165.000471/201173 Acórdão n.º 9303006.331 CSRFT3 Fl. 575 14 A referida multa deve ser mantida, porque ficou comprovado nos autos que a recorrente classificou incorretamente os produtos importados (placas de microprocessamento com dispositivo de dissipação de calor), ao atribuilos o código NCM 8542.31.90, ao invés do código NCM 8473.30.43". Por derradeiro, por esta E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, julgar apenas conflitos jurisprudências, utilizo subsidiariamente em minhas razões de decidir, a regra contida no artigo 489, § 1º, IV, do CPC/2015, que passa fazer parte integrante do presente voto. Vejamos: "O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Assim, mesmo após a vigência do CPC, não cabem embargos de declaração contra a decisão que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada. STJ. 1ª Seção. EDcl no MS 21.315DF, Rel. Min. Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3ª Região), julgado em 8/6/2016 (Info 585)". Por derradeiro, por esta E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, julgar apenas conflitos jurisprudências, utilizo subsidiariamente em minhas razões de decidir, a regra contida no artigo 489, § 1º, IV, do CPC/2015, que passa fazer parte integrante do presente voto. Vejamos: Com essas considerações, reformo a decisão recorrida, dou provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, para que seja mantida a multa de 1% ( um por cento) sobre o valor aduaneiro, em razão de estar comprovado junto aos autos que a Contribuinte classificou incorretamente os produtos importados (placas de microprocessamento com dispositivo de dissipação de calor), ao atribuílos o código NCM 8542.31.90, ao invés do código NCM 8473.30.43, e Nego provimento ao Recurso da Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Fl. 575DF CARF MF Processo nº 15165.000471/201173 Acórdão n.º 9303006.331 CSRFT3 Fl. 576 15 Fl. 576DF CARF MF Processo nº 15165.000471/201173 Acórdão n.º 9303006.331 CSRFT3 Fl. 577 16 Declaração de Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza No presente caso, segundo o acórdão recorrido, o Fisco, no ato lançamento, e a contribuinte, quando da importação, igualmente equivocaramse ao promover a classificação fiscal do produto importado. Donde a integral exoneração dos valores lançados, inclusive da multa de um por cento em face do erro de classificação fiscal, entendimento contra a qual, especificamente quanto ao cancelamento desta última, insurgiuse a Recorrente, a douta Procuradoria da Fazenda Nacional. Consoante o mesmo acórdão recorrido, a exoneração da multa aplicada, decorrente do erro de classificação, deveuse ao fato de o lançamento não estar bem fundamentado ("ausência de laudo técnico por parte da fiscalização, impossibilitando inclusive a análise comparativa com o laudo técnico produzido pela recorrente justifica a exoneração da multa por classificação fiscal incorreta"). Já para o il. relator, bastaria, para a aplicação da mesma penalidade isolada, ser necessário apenas comprovar a errônea classificação fiscal do produto importado, sendo absolutamente irrelevante o fato de o Fisco também ter se equivocado em sua classificação fiscal, porque, acredita, o erro de classificação persistiu, bem como as consequências deste erro decorrentes. Discordamos. Primeiro, o fato de o erro de classificação fiscal persistir, ou seja, o fato de a classificação fiscal correta não ser a adotada pela contribuinte (classificação "A"), tampouco ser a indicada pelo Fisco (classificação "B"), mas, sim, uma terceira classificação (classificação "C"), não autoriza, só por isso, a manutenção da multa isolada. Se assim fosse, também se deveria manter a exigência do crédito tributário lançado, no caso em que, não obstante o erro de classificação da contribuinte e do Fisco, a terceira classificação fiscal, a classificação "C", se apresentasse com as mesmas alíquotas de II e de IPI vinculado que aquela indicada pelo Fisco no lançamento, a classificação "B". Afinal, neste caso, também continuaria a haver a falta de recolhimento de tributos na importação, assim como, é o que se defende, o erro de classificação ("Onde há a mesma razão, há de se aplicar o mesmo direito"). Segundo, porque, para apontar um erro de classificação fiscal, o Fisco deve indicar as regras de classificação não observadas e a classificação fiscal correta. E assim é porque, não fosse pelo caráter norteador das Regras de Interpretação do Sistema Harmonizado – as quais se direcionam a apontar como chegar à correta classificação fiscal do produto importado, não à errada! –, a Administração Tributária deve informar ao administrado (no caso, o importador) não apenas o erro que cometera, mas, também, como deveria ter agido, a fim de que o erro não venha a se repetir, com todas as consequências daí advindas (o art. 2º, parágrafo único, da Lei nº 9.784, de 1999, impõe que, nos processos administrativos, a atuação da Administração Pública se dê segundo padrões éticos de probidade, decoro e boafé). Não se pode afirmar errada uma classificação, senão indicando a correta e apontando as regras que autorizam esta nova classificação. Terceiro, o lançamento tributário, como se sabe, é um ato administrativo e, como tal, como outros de mesma natureza, apresenta requisitos cuja não observância enseja a declaração de sua nulidade. Um desses requisitos é a motivação, consistente no relato, em linguagem adequada, do motivo do ato – o fato do mundo fenomênico que autoriza o Fl. 577DF CARF MF Processo nº 15165.000471/201173 Acórdão n.º 9303006.331 CSRFT3 Fl. 578 17 lançamento. Noutras palavras, é a exposição, por escrito e em forma inteligível, de que os seus pressupostos de fato realmente ocorreram. Segundo o il. Conselheiro LUÍS EDUARDO BARBIERI, a "autoridade fiscal, ao efetuar o lançamento, deve demonstrar e comprovar que a situação fática (fato jurídico relatado) se enquadrou perfeitamente no pressuposto de direito (dispositivo legal). Devese, portanto, demonstrar a subsunção entre o evento, ocorrido no mundo fenomênico e relatado na linguagem competente – fato jurídico, à hipótese de incidência tributária" (BARBIERI, Luís Eduardo Gorrossino, Lançamento tributário: vícios e seus defeitos, São Paulo: Novas Edições Acadêmicas, 2015, p. 226). Um dos equívocos apontados, na mesma obra, quanto à motivação do lançamento, e com a qual concordamos, é a ausência, insuficiência ou o erro na descrição dos fatos do auto de infração (p. 227), erro como o que ora constatamos no presente lançamento, uma vez que, na sua motivação, a autoridade fiscal deveria ter demonstrado, como antes defendemos, o equívoco em que laborou a contribuinte, mediante a análise das regras de interpretação que seriam aplicáveis ao caso e a indicação, em face dessas mesmas regras, da classificação correta. A nosso juízo, portanto, a autoridade fiscal cometeu um vício de motivação no lançamento, do qual resulta, pura e simplesmente, a sua nulidade por vício material. Ainda que persista o erro de classificação – e isso não está em discussão –, há um defeito no ato administrativo que não admite convalidação. Ante o exposto, somos por negar provimento ao recurso especial da PFN. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 578DF CARF MF
score : 1.0
