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Numero do processo: 10120.723902/2014-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CONSELHO PARA PRONUNCIAR SOBRE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ATIVIDADE RURAL.
Verificada a omissão de rendimentos, será exigido, de ofício, o Imposto de Renda, com os acréscimos e as penalidades legais, considerando como base de cálculo o valor da renda omitida.
MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO.
Caracterizado o dolo da omissão de informação sobre rendimentos, com o fim de se eximir de pagar tributos, é cabível a aplicação da multa qualificada.
Numero da decisão: 2201-003.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar argüida, e no mérito negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
EDITADO EM: 17/10/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos do Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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INCOMPETÊNCIA DO CONSELHO PARA PRONUNCIAR SOBRE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ATIVIDADE RURAL. Verificada a omissão de rendimentos, será exigido, de ofício, o Imposto de Renda, com os acréscimos e as penalidades legais, considerando como base de cálculo o valor da renda omitida. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Caracterizado o dolo da omissão de informação sobre rendimentos, com o fim de se eximir de pagar tributos, é cabível a aplicação da multa qualificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar argüida, e no mérito negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. EDITADO EM: 17/10/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 39 02 /2 01 4- 19 Fl. 4295DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos do Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nesta oportunidade, utilizome do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: Tratase de Auto de Infração (fls. 03 a 29) lavrado em nome do contribuinte acima identificado, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2011, formalizando a exigência de crédito tributário assim discriminado: imposto suplementar (2904).........................R$ 4.217.827,86 multa proporcional (passível de redução).....R$ 6.326.741,79 juros de mora (calculados até 05/2014)........R$ 723.357,48 total...............................................................R$11.267.927,13 Do Procedimento Fiscal. O lançamento decorreu de omissão de rendimentos da atividade rural, no importe de R$15.337.555,85, na DIRPF do exercício 2012 do contribuinte. De acordo com o relato fiscal acostado às fls. 15 a 29, o contribuinte foi intimado, inicialmente, a apresentar o Livro Caixa da atividade rural exercida no ano de 2011, devidamente escriturado, com todos os documentos relativos aos seus registros. Deveria também apresentar relação com as datas de recebimento dos valores constantes em cada documento disponibilizado. Em atendimento a essa intimação o contribuinte apresentou o Livro Caixa e 09 (nove) notas fiscais comprobatórias do que seria a receita da atividade rural em 2011. A fiscalização entendeu ser necessária a coleta de informações junto a terceiros e intimou as empresas discriminadas à fl. 16 para fornecer cópia autenticada de notas fiscais de compra de mercadorias emitidas em nome do contribuinte, bem como fornecer os comprovantes de pagamentos dessas compras. De posse da documentação solicitada, a autoridade fiscal apurou quais os valores recebidos pelo contribuinte foram escriturados no Livro Caixa e declarados, elaborando o “Demonstrativo de Valores de Receitas da Atividade Rural Declarados – Ano de 2011”, e quais os valores recebidos, que Fl. 4296DF CARF MF Processo nº 10120.723902/201419 Acórdão n.º 2201003.343 S2C2T1 Fl. 3 3 não foram escriturados no Livro Caixa, e nem declarados, elaborando o “Demonstrativo de Omissões de Receitas da Atividade Rural – ano de 2011”, onde foram registrados os seguintes valores: Mês Receita Omitida (R$) Julho 26.200,00 Agosto 2.763.521,23 Setembro 3.428.846,84 Outubro 1.695.936,92 Novembro 3.253.768,92 Dezembro 5.189.019,91 Total 16.357.293,82 Relata a autoridade fiscal que o contribuinte, conforme DIRPF entregue em 30/04/2012, ND 01/31.487.843, optou, como forma de tributar o resultado da atividade rural, pela diferença entre a receita bruta total e as despesas de custeio e investimento, tendo apurado, em 2011, um saldo de prejuízo a compensar de R$1.019.737,97. A autoridade fiscal, então, a partir das receitas devidamente comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, que não foram informadas na DIRPF apresentada pelo contribuinte, apurou a omissão de rendimentos tributáveis no importe de R$15.337.555,85, resultante da diminuição do saldo de prejuízo não compensado de R$1.019.737,97 da receita bruta omitida de R$16.357.293,82. A autoridade fiscal considerou que o contribuinte, ao declarar como receita da atividade rural apenas a importância de R$629.543,70 (3,71% do total efetivamente recebido) e, ao ser intimado para apresentar documentos que comprovassem a receita total auferida em 2011, apresentou tão somente 9 (nove) notas fiscais, diante de um universo aproximado de 100 (cem) notas fiscais e receita de R$16.986.837,52, agiu com o intuito de omitir, retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. Em decorrência dessa conduta do contribuinte, nos termos do artigo 44, inciso I, § 1º da Lei n. 9.430, de 1996, foi aplicada a multa qualificada sobre o valor do imposto lançado. Os demais procedimentos fiscais adotados, bem como as verificações/análises/conclusões encontramse detalhadamente relatadas às fls. 94 a 95. Da Impugnação ao Lançamento Cientificado do lançamento em 19/05/2014 (fl. 13), o contribuinte apresentou, em 18/06/2014, por meio de procurador Fl. 4297DF CARF MF 4 constituído, a impugnação de fls. 705 a 726, acompanhada dos documentos constantes do volume I, fls. 729 a 1.548; volume II, fls. 1 a 1.981; e volume III, fls. 1 a 452. Depois de identificarse e fazer um relato dos fatos, o contribuinte alega que a atividade rural ocorrida no período de julho a dezembro de 2011, não foi exercida por ele, como pessoa física, e, sim, pela SCP Piratininga, estando a receita reconhecida e devidamente tributada em nome dessa Sociedade. Aduz que adquiriu, juntamente com a Sociedade Empresária MCLG Administração e Participações Ltda, em leilão judicial, no ano de 2010, a Fazenda Piratininga, situada na zona rural do município de São Miguel do Araguaia – GO, e todos os semoventes e equipamentos que lá se encontravam. Diz que, em 31/03/2011, ele, como cedente, e a Sociedade Empresária MCLG, por ele controlada, como anuente, firmaram um contrato de cessão de direitos e constituição de dívida e outras avenças com outras duas pessoas físicas, conforme informado ao Fisco em 30/09/2013. Esclarece que, no mesmo dia 31/03/2011, houve alteração societária na empresa MCLG Administração e Participações Ltda, bem como sua mudança de denominação para Nova Piratininga Empreendimentos, Participações e Incorporações Ltda e alteração de seu objeto social para exploração de atividade rural. Esclarece ainda que, também no dia 31/03/2011, realizou uma Sociedade em Conta de Participação (SCP) com a Nova Piratininga Empreendimentos, Participações e Incorporações Ltda. Assim, a Fazenda Piratininga, como unidade produtiva rural, passou a ser operada pela Nova Piratininga Empreendimentos, Participações e Incorporações Ltda, sócia ostensiva, detentora de 50% da propriedade, semoventes e equipamentos, e pela SCP Piratininga, detentora dos outros 50%, sócia participante. Diz que elaborou uma planilha denominada “Composição de Receitas de Vendas, recebidas em transferência de Marcelo Henrique Limirio Gonçalves” que é a fiel repetição do “Demonstrativo de Omissões de Receitas de Atividade Rural – Ano de 2011” feito pelo Fisco, onde fez referência à prova de que todos os recursos recebidos dos terceiros (frigoríficos) foram repassados a SCP Piratininga, pois que dela de direito, via transferências bancárias, cujos comprovantes acompanham a citada planilha, bem como os extratos bancários evidenciando o recebimento na SCP Piratininga. Salienta que não é crível imaginar que ele teria realizado transferências bancárias nos exatos montantes dos recebimentos advindos dos terceiros a SCP Piratininga, se não fosse a existência de obrigações assumidas na constituição da própria SPC Piratininga. Afirma que, na SCP Piratininga, os seus resultados foram apurados pelo sócio ostensivo (Nova Piratininga Empreendimentos, Participações e Incorporações Ltda), que Fl. 4298DF CARF MF Processo nº 10120.723902/201419 Acórdão n.º 2201003.343 S2C2T1 Fl. 4 5 também ficou responsável pela declaração de rendimentos e pelos recolhimentos dos tributos e contribuições devidos pela SCP Piratininga, conforme DIPJ e SPED contábil anexados. Esclarece que a escrituração das operações da SCP Piratininga foi efetuada nos mesmos livros do sócio ostensivo. O lucro real da SCP Piratininga, juntamente com o IRPJ e a CSLL, uma vez que esta não possui CNPJ, foram informados e tributados em campo próprio, na mesma declaração de rendimentos do sócio ostensivo, conforme DIPJ e SPED contábil do período, juntados a estes autos. Sustenta que ao Fisco só é dada uma única alternativa, diante do aqui descrito, que é respeitar o contrato de constituição da SCP Piratininga, em obediência ao disposto no artigo 110 do CTN, e reconhecer que o Autuado agiu corretamente, não havendo que se falar em omissão de receita de atividade rural. Alega, em respeito ao princípio da eventualidade, que se desconsiderada a existência e validade da SPC Piratininga, que dê validade aos artigos 57, 60, 63, 65, 66, 68 e 71 do RIR, de 1999, considerando as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade da Fazenda Piratininga realizada pelo Autuado. Ressalta que a autoridade fiscal poderia ter também coletado informações junto à SEFAZ/GO e às demais Secretarias da Fazenda do país, em nome do Autuado, e teria, certamente, informações que evidenciariam, por meio de notas fiscais de vendas, parte das despesas de custeio e os investimentos realizados na Fazenda Piratininga. Poderia também ter requerido ao Autuado a necessária explicação do porquê teria supostamente omitido a receita lançada. Diz o Impugnante que, apenas para facilitar o trabalho do Fisco, na hipótese de uma atividade rural exercida por ele na Fazenda Piratininga, produziu o Livro Caixa dessa Fazenda e, com sua documentação suporte, agregouo ao Livro Caixa daquilo que teria sido a atividade rural do Autuado, obtendo um resultado, nessa hipótese, correspondente a um prejuízo de R$1.158.122,58, jamais um resultado tributável no importe de R$15.337.555,85, conforme apurado pela fiscalização. Argumenta que, se a autoridade fiscal não arbitrou a base de cálculo (20% da receita bruta) então deveria ter considerado as despesas de custeio e de investimento, sob pena de ser gerada uma receita sem o necessário capital para tanto. Protesta pela realização de diligência, a fim de que seja averiguado o Livro Caixa do Autuado, reconstituído com as receitas e as despesas, juntamente com os documentos que o subsidiam, e que reflete o resultado acima apontado e demonstra a inexistência de IRPF a ser pago pelo Autuado. Pondera que a diligência se justifica porque a autoridade julgadora não pode suprir a autoridade lançadora e, havendo aspectos do Livro Caixa do autuado que, legalmente deveriam Fl. 4299DF CARF MF 6 ser considerados e não o foram, o trabalho de auditoria torna se imprestável e incorrigível pelo órgão julgador. Insurgese contra a aplicação da multa qualificada, advertindo que o percentual de 75% já possui caráter confiscatório. Quanto à sua qualificação, sem que haja comprovação do suposto intuito fraudulento do Autuado, diz que sua exigência é intolerável. Ao final, relaciona os documentos anexados à peça impugnatória e requer o deferimento do pedido de perícia, ou que seja declarado nulo o auto de infração e cancelado o débito fiscal reclamado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte MG julgou improcedente a impugnação, restando mantida a notificação de lançamento, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ATIVIDADE RURAL. Verificada a omissão de rendimentos, será exigido, de ofício, o Imposto de Renda, com os acréscimos e as penalidades legais, considerando como base de cálculo o valor da renda omitida. PROVA. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados quando comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Caracterizada a omissão intencional de informação sobre rendimentos, com o fim de se eximir de pagar tributos, é cabível a aplicação da multa qualificada. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. PEDIDO DE INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. INDEFERIMENTO. Fl. 4300DF CARF MF Processo nº 10120.723902/201419 Acórdão n.º 2201003.343 S2C2T1 Fl. 5 7 O domicílio tributário do sujeito passivo é o endereço, postal, eletrônico ou de fax fornecido pelo próprio contribuinte à Receita Federal do Brasil (RFB) para fins cadastrais. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual a contribuinte reitera, em síntese, os argumentos dispostos em sede de impugnação e sustenta a nulidade do acórdão proferido pela DRJ, em razão da inobservância de normas constitucionais (ausência de intimação referente à sessão de julgamento da Delegacia). É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. 1. Da inexistência de nulidade Aduz o recorrente a existência de nulidade do Acórdão recorrido, em razão da ausência de disponibilização prévia da pauta de julgamento da impugnação, bem como em razão da ausência de permissão da presença do contribuinte e de seus advogados na sessão de julgamento, a fim de permitir a entrega de memoriais, a realização de sustentação oral, a requisição de produção de provas e a participação em debates. No âmbito federal, o controle da legalidade do ato administrativo do lançamento tributário vem sendo instaurado e conduzido com fulcro no Decreto nº 70.235/72 que define as regras de estruturação dos órgãos de julgamento, a competência para realização de atos processuais e explicita os direitos e deveres das partes envolvidas no processo administrativotributário. Observase que o mencionado Decreto é silente quanto ao procedimento a ser adotado no julgamento de primeira instância. Sobre o processo administrativo no âmbito da Secretaria da Receita Federal, o Decreto 7.574/2011 limitase à atribuição de julgamento de primeira instância às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, também mantendose omisso quanto à questão da sessão de julgamento de análise da impugnação. Fl. 4301DF CARF MF 8 Sobre o tema, a Portaria MF n.º 341/2011 não permite a plena atuação do advogado na sessão de julgamento da Delegacia Regional. Nesse contexto, diante das alegações do contribuinte relativas à violação aos princípios constitucionais (contraditório e ampla defesa), cumpre esclarecer que o CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade, seja ela por ação ou omissão, consoante dispõe a Súmula n.º 2 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desse modo, afasto a preliminar de nulidade arguída. 2. Da omissão de rendimentos da atividade rural A fiscalização enumerou, no Demonstrativo de Valores de Receitas da Atividade Rural declarados ano de 2011, os valores provenientes da venda de produtos da atividade de pecuária exercida pelo contribuinte que foram escriturados no livro caixa e declarados. Excluindo os valores declarados, foi elaborado o Demonstrativo de Omissões de Receitas da Atividade Rural ano de 2011. Nele estão relacionados os valores recebidos dos contribuintes listados e que não foram escriturados no livro caixa e declarados. Foram, portanto, tributadas como rendimentos omitidos da atividade rural as receitas devidamente comprovadas, por meio de documentos hábeis e idôneos e que não foram informadas na DIRPF apresentada pelo contribuinte, conforme demonstrativo abaixo: APURAÇÃO DO RENDIMENTO TRIBUTÁVEL DA ATIVIDADE RURAL OMITIDO a) Receita bruta omitida R$ 16.357.293,82 b) Saldo de prejuízo (s) de exercício (s) anterior (es) ainda não compensado R$ 1.019.737,97; c= ab Resultado tributável da atividade rural R$ 15.337,555,85 Alega o recorrente que a atividade rural evidenciada na fiscalização, exercida de julho a dezembro de 2011, não é do autuado como pessoa física, e sim da SCP Piratininga, estando a receita lá reconhecida e devidamente tributada. Acrescenta que todos os recursos recebidos de terceiros (frigoríficos) foram repassados à SCP Piratininga, via transferências bancárias, conforme comprovantes. Ademais, o contribuinte assevera que, quanto aos resultados da SCP Piratininga, o sócio ostensivo (Nova Piratininga Empreendimentos, Participações e Incorporações Ltda) realizou a escrituração das operações da SCP nos mesmos livros utilizados para a escrituração da Nova Piratininga. Argumenta o recorrente que foi apresentado apenas o livro caixa da Fazenda Barreiro, pois realmente era o único local com atividade rural operada diretamente pelo autuado, sendo que o fluxo de operações de venda de produtos rurais oriundos da Fazenda Piratininga está incluído nas operações da SCP Piratininga. Assim, não tinha razão para o contribuinte apresentar o livro caixa da fazenda Piratininga, pois não era por ele operada. Fl. 4302DF CARF MF Processo nº 10120.723902/201419 Acórdão n.º 2201003.343 S2C2T1 Fl. 6 9 Sobre a Fazenda Santa Fé, dispõe o recorrente que esta não é uma fazenda de sua propriedade e também não é por ele operada, salientando que o fluxo intenso de operações de venda de produtos rurais supostamente oriundos da Fazenda Santa Fé decorrem da transferência de bovinos da SCP Piratininga para engorda no confinamento MARFRIG e de lá eram vendidos para a unidade de abate da MARFRIG. Desse modo, o gado sempre foi de propriedade da SCP, não existindo atividade rural do autuado na Fazenda Santa Fé. Em análise ao disposto, em conjunto com as provas carreadas aos autos, observase que a sócia ostensiva da Sociedade em Conta de Participação, que tem por objeto a exploração da fazenda Piratininga, é a Nova Piratininga Empreendimentos, Participações e Incorporações Ltda, e o sócio oculto é o contribuinte. Restou claro, conforme dispôs o acórdão recorrido, que a atividade rural do contribuinte não se limitava tão somente à Fazenda Piratininga, mas também a Fazenda Barreiro e Santa Fé, pois, como demonstram as notas fiscais, fls. 94/636, o contribuinte mantinha um fluxo intenso de operações de venda de produtos rurais oriundos, principalmente, da Fazenda Santa Fé e da Fazenda Barreiro, nos termos seguintes: Outro aspecto que merece destacar é o fato de que, intimado pela autoridade lançadora a apresentar informações e documentos relativos à sua atividade rural, o contribuinte, embora em sua peça impugnatória, alegue que toda a atividade rural foi exercida pela SCP Piratininga, e não por ele pessoa física, apresentou para exame apenas o Livro Caixa da Fazenda Barreiro, documento acostado às fls. 50 a 73, cuja exploração não seria feita pela SCP Piratininga. Por outro lado, em decorrência de intimações efetuadas, diversas notas fiscais de aquisição de produtos rurais foram disponibilizadas à fiscalização por empresas clientes do contribuinte e demonstraram que a atividade rural do fiscalizado correspondia a uma realidade bem distinta daquela que ele pretendia que fosse objeto da verificação fiscal, pois não se restringia, como já indicado, à exploração da Fazenda Piratininga, por intermédio da SCP Piratiniga. Constatase pela análise dessas notas fiscais (fls. 94/636) que o contribuinte, como pessoa física, manteve com as empresas informantes, no ano de 2011, um fluxo intenso de operações de venda de produtos rurais oriundos, principalmente, da Fazenda Santa Fé e da Fazenda Barreiro. Dentre essas notas fiscais, as operações envolvendo produtos da Fazenda Piratininga foram realizadas em menor número. Por sua vez, a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ do exercício 2012 da Nova Piratininga Empreendimentos, Participações e Incorporações Ltda (fls. 834/871), que é a sócia ostensiva da SCP Piratininga, não trouxe registro de qualquer dado relativos à então alegada exploração da atividade rural pela Sociedade. Observase que os campos destinados a registrar dados da SCP encontramse zerados. Fl. 4303DF CARF MF 10 Também, não foi trazido aos autos nenhum documento que demonstre a escrituração de operações da SCP, em separado da sócia ostensiva, como uma possibilidade prevista na legislação. Logo, a constatação descrita fragiliza a alegação de que as receitas foram reconhecidas e tributadas na SCP Piratininga. Além do exposto, observase que o livro razão escriturado da Nova Piratininga Empreendimentos, Participações e Incorporações Ltda, fls. 872/878 registrou apenas as suas vendas, não escriturando todos os fatos econômicos e jurídicos que corresponderam à realidade empresarial e tributária, o que inviabiliza a desconstituição do feito fiscal. Como bem ponderou o acórdão combatido, a atividade constitutiva do objeto social de uma SCP deve ser exercida unicamente pelo sócio ostensivo; não constam dos autos documentos que demonstre que a atividade rural foi exercida pela sócia ostensiva; e os valores transferidos pelo contribuinte à sócia ostensiva não correspondem aos apontados pela fiscalização como omitidos. Desse modo, não assiste razão ao recorrente, pois os seus argumentos e provas não foram aptos à infirmar o disposto pela fiscalização. Acerca das provas apresentadas na fase de impugnação e analisadas pela DRJ, o contribuinte dispõe que não foram analisados corretamente os documentos anexos aos autos e, por exemplo, menciona (fl. 3884 do recurso): Observase que as fls. 94, 97 e 100 não se referem ao livro caixa, mas sim às notas fiscais. E também a indicação do livro caixa, fl. 880, referese, na verdade, à planilha produzida na fase de impugnação denominada de Composição de Receitas de Vendas recebidas em transferência de Marcelo Henrique Limirio Gonçalves, conforme consta da fl. 713: Com relação à indicação da fl. 872 do livro razão, também verificase que não há correspondência da data e do número da nota fiscal referente a valor similar. Fl. 4304DF CARF MF Processo nº 10120.723902/201419 Acórdão n.º 2201003.343 S2C2T1 Fl. 7 11 Dessa forma, não merece guarida as insurgências do recorrente quanto à efetiva comprovação do alegado. 3. Do exercício da atividade pelo sócio ostensivo e pelo sócio oculto Aduz o contribuinte que o Código Civil não proíbe que o sócio oculto se envolva na atividade constitutiva do objeto social da SCP, não sendo o caso do fisco desconsiderar a SCP. Sobre a Sociedade em conta de participação, fazse importante esclarecer os seguintes pontos: Assim dispõe o Código Civil sobre as sociedades em conta de participação SCPs: Art. 991. Na sociedade em conta de participação, a atividade constitutiva do objeto social é exercida unicamente pelo sócio ostensivo, em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade, participando os demais dos resultados correspondentes. Parágrafo único. Obrigase perante terceiro tão somente o sócio ostensivo; e, exclusivamente perante este, o sócio participante, nos termos do contrato social. [...] Art. 993. O contrato social produz efeito somente entre os sócios, e a eventual inscrição de seu instrumento em qualquer registro não confere personalidade jurídica à sociedade. Parágrafo único. Sem prejuízo do direito de fiscalizar a gestão dos negócios sociais, o sócio participante não pode tomar parte nas relações do sócio ostensivo com terceiros, sob pena de responder solidariamente com este pelas obrigações em que intervier. Art. 994. A contribuição do sócio participante constitui, com a do sócio ostensivo, patrimônio especial, objeto da conta de participação relativa aos negócios sociais. § 1o A especialização patrimonial somente produz efeitos em relação aos sócios. [...] A sociedade em conta de participação é um dos dois tipos de sociedade não personificada e advém de um simples contrato entre o sócio ostensivo e o sócio oculto. O sócio ostensivo é aquele que aparece nos negócios com terceiros, assumindo as atividades societárias, em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade. O sócio oculto, por sua vez, não aparece nos negócios com terceiros e sua responsabilidade é somente perante o sócio ostensivo, nos termos pactuados entre ambos. Essa sociedade não existe perante terceiros. Fl. 4305DF CARF MF 12 Nesse tipo de sociedade, a regra é que o sócio ostensivo é quem assume obrigações com terceiros realizadas em decorrência da sociedade. O sócio oculto não poderá tomar parte nas relações do sócio ostensivo com terceiros e, se o fizer, indevidamente, responderá solidariamente nas obrigações em que intervier. O capital do sócio participante (oculto) é distinto e separado do capital do sócio ostensivo e não faz parte do capital da sociedade aportado pelo ostensivo, para efeito das obrigações com terceiros. As contribuições do sócio oculto e do sócio ostensivo constituem um patrimônio especial que não pertence à sociedade, mas somente aos sócios em condomínio. Diante do exposto, é inconteste que, na sociedade em conta de participação, a atividade constitutiva do objeto social é exercida unicamente pelo sócio ostensivo, de modo que não merece prosperar a alegação do recorrente. 4. Da questão relativa à intimação e a coleta de documentos A respeito da alegação de que a fiscalização teria que intimar especificamente o contribuinte para a explicação da movimentação de gado informadas pelas empresas notificadas, cabe esclarecer que ao contribuinte foi oportunizada impugnação e, posteriormente, o recurso voluntário para a apresentação das argumentações e provas aptas a afastar a exigência. Assim, o fato de a fiscalização não emitir a referida intimação específica não é capaz de trazer prejuízo ao contribuinte. 5. Da multa qualificada Entendo que deve ser mantida a qualificação da multa de ofício, visto que o Contribuinte, de forma intencional (dolosa), procurou ocultar do Fisco o recebimento dos valores referentes a serviços por ele prestados, consoante descreveu a autoridade fiscal, fls. 22 e 23. O art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, prevê: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de Fl. 4306DF CARF MF Processo nº 10120.723902/201419 Acórdão n.º 2201003.343 S2C2T1 Fl. 8 13 ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Cumpre esclarecer que de acordo com o artigo 44, § 2º da Lei nº 9.430, de 1996 e alterações a multa de cento e cinqüenta por cento é aplicada nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independente de outras penalidades administrativas cabíveis. Assim, para sua aplicação deve ser observada a existência do que foi definido nos citados dispositivos da Lei nº 4.502, de 1964, ora transcritos: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente; Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Portanto, deve ser mantida a multa qualificada, pois está plenamente evidenciado nos autos que o contribuinte intencionalmente não declarou rendimentos, tendo dolosamente omitido informações à Fazenda Pública com o fito de eximirse de pagar tributo. Fl. 4307DF CARF MF 14 6. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 4308DF CARF MF
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Numero do processo: 11610.004252/2007-21
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DECISÃO DO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica-a (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente.
Numero da decisão: 1803-001.030
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Selene Ferreira de Moraes
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DECISÃO DO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Relatório Fl. 106DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11610.004252/200721 Acórdão n.º 180301.030 S1TE03 Fl. 95 2 Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Tratase de impugnação a autuação eletrônica decorrente de auditoria interna em DCTF, de acordo com IN SRF n°s 45/98 e 77/98, que constatou pagamentos de; IRPJ, código 2362, referentes aos períodos de apuração 02/2004 e 03/2004, após o vencimento, desacompanhados da respectiva multa de mora conforme auto de infração de fls. 1625, no qual se exige o recolhimento de crédito tributário (multa) no valor de R$28.663,09, com base na capitulação legal descrita no campo 10 do auto de infração, a saber: Crédito Tributário Enquadramento Legal Valor (RS) Multa Art.160 da Lei n° 5.172/66; art. 43 e 61, e §§1° e 2°, da Lei n° 9.430/96; art. 9° e parágrafo único da Lei n° 10.426/2002. 28.663,09 TOTAL 28.663,09 DA IMPUGNAÇÃO Inconformada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 0108, acompanhada dos documentos de fls. 0925, em síntese alegando que: 1. 0 auto de infração em discussão foi lavrado em virtude do não recolhimento de multa de mora supostamente devida em função da retificação da DCTF. 2. A contribuinte efetuou o recolhimento das diferenças de tributos então devidas de forma espontânea, sem que as Autoridades Fiscais houvessem iniciado qualquer procedimento tendente à sua cobrança. Tal procedimento é denominado denúncia espontânea, previsto no art.138 do CTN. 3. Com a denúncia espontânea, o contribuinte paga o tributo devido acrescido de juros, sendo excluída sua responsabilidade por infrações. Não há penalidade, somente juros moratórios e correção monetária. 4. A multa moratória não possui caráter indenizatório, sua natureza é exclusivamente punitiva e não de ressarcimento. 5. O STF, no RE 79.625, assentou que, a partir da vigência do CTN, não há distinção entre multa moratória e administrativa, sendo a mora indenizada com juros e correção monetária. 6. 0 Fisco se beneficia da regra do art.138 do CTN, pois é mais vantajoso o contribuinte denunciar seu débito espontaneamente, ainda que haja isenção do pagamento de multa moratória, do que seu total inadimplemento. Fl. 107DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11610.004252/200721 Acórdão n.º 180301.030 S1TE03 Fl. 96 3 7. Requer o acolhimento de sua impugnação e o cancelamento e extinção dos débitos fiscais reclamados no auto de infração. A Derat, ao receber a impugnação do contribuinte, manifestou se no despacho decisório de 03/03/2008 (fls. 2729) no sentido de que não pode ser excluída a multa moratória ante a denúncia espontânea. A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente, em decisão assim ementada: “IMPUGNAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. Anulase o despacho decisório proferido pela autoridade preparadora, pois, instaurado o litígio, o julgamento da impugnação da contribuinte compete às Delegacias de Julgamento da Secretaria da Receita Federal do Brasil. NULIDADE. CANCELAMENTO. Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo decreto, não há que se falar em anulação ou cancelamento da autuação. FALTA DE RECOLHIMENTO DA MULTA DE MORA. DESCABIMENTO DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea não afasta o recolhimento da multa de mora, que em caso de recolhimento de tributo ou contribuição a destempo, exceto quando lançada multa de ofício, é sempre devida.” Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que reitera as alegações contidas na impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 14/06/2010 (AR de fls. 42). O recurso foi protocolado em 13/07/2010, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. O cerne da questão a ser analisada no presente recurso gira em torno do art. 138 do CTN: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito Fl. 108DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11610.004252/200721 Acórdão n.º 180301.030 S1TE03 Fl. 97 4 da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” O Superior Tribunal de Justiça proferiu acórdão submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, fixando o seguinte entendimento: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. Fl. 109DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11610.004252/200721 Acórdão n.º 180301.030 S1TE03 Fl. 98 5 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Por sua vez, o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria n° 256, de 22 de junho de 2009, assim dispõe: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Assim, restanos apurar se no caso concreto ficou caracterizada a hipótese de denúncia espontânea, de acordo com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça. O contribuinte efetuou dois pagamentos em 09/12/2004 (fls. 21/22), sem o acréscimo da multa de mora, tendo recolhido apenas os juros legais. Entregou a DCTF retificadora em 28/12/2004 (fls. 19). Ou seja, antes do início do procedimento fiscal, efetuou o pagamento integral do débito, acompanhado dos juros de mora, tendo, posteriormente, retificado a declaração, noticiando a existência do débito. Por conseguinte restou configurada a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. Ante todo o exposto, dou provimento ao recurso. Fl. 110DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11610.004252/200721 Acórdão n.º 180301.030 S1TE03 Fl. 99 6 (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 111DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915906/2008-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/12/2000
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.960
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente SPECTRUM BRANDS BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO DE BENS DE CONSUMO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/12/2000 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 06 /2 00 8- 81 Fl. 252DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915906/200881 Acórdão n.º 9303003.960 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3801003.844, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 253DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915906/200881 Acórdão n.º 9303003.960 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915906/200881 Acórdão n.º 9303003.960 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915906/200881 Acórdão n.º 9303003.960 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 256DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915906/200881 Acórdão n.º 9303003.960 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915906/200881 Acórdão n.º 9303003.960 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915906/200881 Acórdão n.º 9303003.960 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 259DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10108.721108/2011-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 01/06/2009 a 31/05/2011
Ementa:
DANO AO ERÁRIO. PERDIMENTO. DISPOSIÇÃO LEGAL.
Nos artigos 23 e 24 do Decreto-Lei no 1.455/1976 enumeram-se as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento das mercadorias. É inócua, assim, a discussão sobre a existência de dano ao Erário nos dispositivos citados, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria lei.
PERDIMENTO. MULTA SUBSTITUTIVA. INAPLICABILIDADE NA EXPORTAÇÃO ANTES DA MP 497/2010.
A multa substitutiva do perdimento, prevista no § 3o do artigo 23 do Decreto-Lei no 1.455/1976, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002, é inaplicável à exportação, por trazer base imponível relacionada estritamente à importação (valor aduaneiro). A multa substitutiva do perdimento passa a ser devida, na exportação, somente a partir de 28/07/2010, inclusive, data de publicação da Medida Provisória no 497/2010, posteriormente convertida na Lei no 12.350/2010, que dá nova redação ao citado § 3o.
OCULTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. EXPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE.
A ocultação mediante interposição fraudulenta, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. Na exportação, a interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está exportando não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (artigo 23, § 2o do Decreto-Lei no 1.455/1976), configura-se a interposição e aplica-se o perdimento (ou a multa que o substitui - § 3o). Segue-se, então, a declaração de inaptidão da empresa, com base no artigo 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. Não sendo identificado o ocultado, na operação, a penalidade é aplicada ao ocultante, responsável pela operação.
MULTA LEGALMENTE ESTABELECIDA. CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE ADMINISTRATIVA.
Com fulcro na Súmula CARF no 2, este tribunal administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei (no caso, do artigo 23, § 2o do Decreto-Lei no 1.455/1976).
Numero da decisão: 3401-003.243
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, para excluir a multa correspondente às notas fiscais emitidas no período de 01/06/2009 a 27/07/2010. Vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Rodolfo Tsuboi, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que davam provimento em maior extensão para excluir, também, as vendas que não ultrapassassem o limite de US$ 2.000,00 (dois mil dólares americanos). Sustentou pela recorrente o advogado Bruno Padovan, OAB/DF no 28.460, na reunião de abril/2016.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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PERDIMENTO. DISPOSIÇÃO LEGAL. Nos artigos 23 e 24 do DecretoLei no 1.455/1976 enumeramse as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento das mercadorias. É inócua, assim, a discussão sobre a existência de dano ao Erário nos dispositivos citados, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria lei. PERDIMENTO. MULTA SUBSTITUTIVA. INAPLICABILIDADE NA EXPORTAÇÃO ANTES DA MP 497/2010. A multa substitutiva do perdimento, prevista no § 3o do artigo 23 do Decreto Lei no 1.455/1976, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002, é inaplicável à exportação, por trazer base imponível relacionada estritamente à importação (valor aduaneiro). A multa substitutiva do perdimento passa a ser devida, na exportação, somente a partir de 28/07/2010, inclusive, data de publicação da Medida Provisória no 497/2010, posteriormente convertida na Lei no 12.350/2010, que dá nova redação ao citado § 3o. OCULTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. EXPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE. A ocultação mediante interposição fraudulenta, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. Na exportação, a interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está exportando não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (artigo 23, § 2o do DecretoLei no 1.455/1976), configurase a interposição e aplicase o perdimento (ou a multa que o substitui § 3o). Seguese, então, a declaração de inaptidão da empresa, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 10 8. 72 11 08 /2 01 1- 56 Fl. 675DF CARF MF 2 com base no artigo 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. Não sendo identificado o ocultado, na operação, a penalidade é aplicada ao ocultante, responsável pela operação. MULTA LEGALMENTE ESTABELECIDA. CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE ADMINISTRATIVA. Com fulcro na Súmula CARF no 2, este tribunal administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei (no caso, do artigo 23, § 2o do DecretoLei no 1.455/1976). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, para excluir a multa correspondente às notas fiscais emitidas no período de 01/06/2009 a 27/07/2010. Vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Rodolfo Tsuboi, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que davam provimento em maior extensão para excluir, também, as vendas que não ultrapassassem o limite de US$ 2.000,00 (dois mil dólares americanos). Sustentou pela recorrente o advogado Bruno Padovan, OAB/DF no 28.460, na reunião de abril/2016. ROBSON JOSÉ BAYERL Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre o Auto de Infração de fls. 4 a 751, com ciência ao sujeito passivo em 22/03/2012 (fl. 5), para exigência de multa substitutiva do perdimento, no valor original de R$ 8.700.936,00, pela falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e efetiva transferência dos recursos utilizados nas operações de comércio exterior, e da própria integralização de capital social, com fundamento no inciso IV e no § 2o do artigo 23 do DecretoLei no 1.455/1976. A multa substitutiva se aplica em função de a mercadoria sujeita a perdimento não ser localizada, ou ter sido consumida ou revendida, conforme § 3o do artigo 23 do DecretoLei no 1.455/1976. No Relatório Fiscal de fls. 76 a 182, narra a fiscalização que: (a) após procedimento fiscal anterior realizado na fronteira com a Bolívia, foi detectado volume constante e significativo de vendas de frios com destino àquele país, amparandose as 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 676DF CARF MF Processo nº 10108.721108/201156 Acórdão n.º 3401003.243 S3C4T1 Fl. 676 3 operações apenas em notas fiscais, sem os correspondentes despachos de exportação, selecionandose para procedimento especial de controle aduaneiro a recorrente, em 14/06/2011, devido a indícios de incompatibilidade entre capacidade financeira e volume transacionado; (b) a empresa entregava as mercadorias (produtos frigorificados) na Bolívia, com base unicamente na nota fiscal, alegando fundamento na Instrução Normativa no 118/1992 (que não acoberta mercadorias em valor total acima de US$ 2.000,00, nem mercadorias sujeitas a controle específico de outros órgãos da Administração, como o MAPA Ministério da Agricultura, Pecuárias e Abastecimento), fugindo aos parâmetros de risco e seletividade do SISCOMEX, além dos controles do MAPA, mantendo suas operações de exportação fora da base de dados da RFB; (c) os compradores das mercadorias são sempre as mesmas empresas bolivianas e existem várias notas fiscais emitidas no mesmo dia e, às vezes, com o mesmo produto, para os mesmos compradores, comprovando o fracionamento de carga para exportação irregular (v.g., lista de fls. 94/96); (d) a responsável pela empresa, Sra. Ferial Mali da Silva, contraiu, nos anos de 2009 e 2010, empréstimos no valor total de R$ 1.055.000, tendo saldado apenas R$ 435.000,00 destes, e não possui rendimentos e bens para tomar emprestado tais montantes; (e) intimada a comprovar a origem dos recursos, a empresa respondeu que a Sra. Ferial Mali "é a titular da empresa fiscalizada e quando necessário realizava o empréstimo de valores a empresa, sem que houvesse formalização através de contrato mútuo" (sic), não havendo ainda comprovação da integralização do capital social da empresa, nem lastro suficiente de recursos à Sra. Ferial Mali para que esta efetuasse empréstimos à empresa; (f) a empresa, até 2009, apresentava lucros contábeis e vendia para o mercado interno e para o mercado externo (por meio de DSE Declaração Simplificada de Exportação, e mediante fracionamento, com utilização de nota fiscal), mas, diante da dificuldade em obter autorização do MAPA, conforme reconhece a responsável pela empresa, passou a exportar exclusivamente por meios irregulares, tendo recorrentes prejuízos contábeis (tabela à fl. 108); (g) intimada a apresentar contratos de câmbio das exportações, a empresa alegou que não firmava contratos de câmbio, visto que as vendas eram em reais, em espécie, nunca tendo sido feitas transferências nem depósitos de terceiros na conta da empresa, cabendo destacar que 99% das vendas da empresa são para a Bolívia; (h) entre as exportações com nota fiscal, há várias que superam o limite permitido para tal (US$ 2.000,00), conforme exemplos listados à fl. 92; (i) os pagamentos a fornecedores efetuados pela empresa, em sua grande maioria, eram feitos em dinheiro "na boca do caixa"; (j) a movimentação bancária da empresa de 2006 a 2009 (R$ 2.550.000,00) é substancialmente inferior à receita bruta (R$ 20.960.000,00), havendo forte indício de recebimento em contas de terceiros; (k) o capital social da empresa é de R$ 20.000,00, que a Sra. Ferial Mali alega ter sido integralizado com "economias pessoais", sem maiores esclarecimentos; (l) há confusão patrimonial entre pessoa física e jurídica, comprovada por despesas de cartão de crédito e aquisição de veículo; (m) há ainda fortes indícios de venda de mercadoria sem emissão de nota fiscal; e (n) caracterizada a interposição fraudulenta, pela não comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações listadas às fls. 118 a 178, foi lavrada a autuação, proposta a declaração de inaptidão do CNPJ da empresa, e representado para a fiscalização de tributos internos, e para fins penais, tendo ainda sido efetuado arrolamento de bens. A empresa apresenta Impugnação em 10/04/2012 (fls. 489 a 526), argumentando, em síntese, que: (a) há iliquidez no montante lançado, pois foi computado pelo fisco o valor das notas fiscais, enquanto que o enquadramento da infração determina que seja utilizado o valor aduaneiro, havendo ainda inconsistência entre o relatório fiscal e o demonstrativo; (b) há ilegitimidade passiva da autuada, pois ela vende para compradores bolivianos, que comparecem pessoalmente na empresa, em Corumbá, e fazem as compras, sendo o caso de subsidiariedade, e não de solidariedade; (c) tratandose de firma individual, o Fl. 677DF CARF MF 4 patrimônio serve tanto à pessoa física quanto à jurídica, não havendo razão para existir contrato de mútuo entre ambas; (d) não houve simulação ou interposição, e não há qualquer prova nesse sentido, nem de máfé; (e) há preclusão da possibilidade de o fisco questionar a integralização do capital social havida em 27/06/2001, 12 anos depois da integralização; (f) a empresa está autorizada a fazer venda interna de mercadorias, ainda que a bolivianos, sem que haja necessidade de fechamento de contrato de câmbio; (g) houve interpretação arbitrária da Instrução Normativa no 118/1992, e não há provas de que a empresa é que levava as mercadorias à Bolívia, tendo havido venda no mercado interno, e não exportação; (h) não há venda fracionada, mas vendas regulares, pois a mercadoria comercializada é perecível; (i) somente poderia ser tomado em conta o valor da nota fiscal, na exportação, a partir da Medida Provisória no 497, de 27/07/2010, que perdeu sua eficácia antes da conversão na Lei no 12.350/2010; (j) a interposição fraudulenta exige como pressuposto um ilícito antecedente; e (k) a multa aplicada é confiscatória. Em 03/12/2014 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 593 a 612), no qual se decide unanimemente pela improcedência da impugnação, sob os seguintes fundamentos: (a) o cálculo foi efetuado com base na nota fiscal, e não no valor aduaneiro, sendo líquido; (b) não há que se falar nem em solidariedade nem em subsidiariedade, no caso; (c) resta claro que a empresa, diante de problemas com autorização do MAPA, passou a deixar de realizar exportações formais; (d) notas fiscais confirmam diferentes vendas para as mesmas empresas bolivianas, em um único dia, caracterizando o fracionamento; (e) também a falta de lastro para os empréstimos representa mais um elemento de prova de que a empresa não escriturava nem justificava a origem de seus recursos financeiros; (f) a nova redação do artigo 23, § 3o do artigo 23 do DecretoLei no 1.455/1976 se aplica de imediato, conforme artigo 144, § 1o do Código Tributário Nacional ; e (g) não compete a análise de constitucionalidade a tribunais administrativos, conforme Súmula CARF no 2. Cientificada do acórdão da DRJ em 09/12/2014 (AR à fl. 636), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 05/01/2015 (fls. 638 a 672), basicamente reiterando as alegações expostas em sua impugnação. Em 09/12/2015 o processo foi distribuído a este relator, por sorteio (fl. 674). O processo foi pautado para as sessões de abril de 2016, tendo sido solicitada vista pelo Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. O processo foi novamente pautado para as sessões de maio de 2016, sendo retirado de pauta por motivo de falta de tempo para julgamento. Em junho, houve pedido de vista do Cons. Júlio Cesar Alves Ramos, após o voto do relator, pelo provimento parcial, para excluir a multa para fatos geradores compreendidos entre 01/06/2009 e 27/10/2010, acompanhado pelos Cons. Robson José Bayerl e Augusto Fiel Jorge D'Oliveira. Os Cons. Eloy Eros da Silva Nogueira e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco votaram pelo provimento também das vendas que não ultrapassassem o limite da IN SRF no 118/1992. Nos meses de julho e agosto, o processo foi retirado de pauta por motivo de falta de tempo para julgamento. É o relatório. Fl. 678DF CARF MF Processo nº 10108.721108/201156 Acórdão n.º 3401003.243 S3C4T1 Fl. 677 5 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Da multa substitutiva do perdimento e sua base de cálculo, na exportação No presente processo, discutese o cabimento da aplicação de multa de "conversão"/substituição da pena de perdimento, pela impossibilidade de apreensão de mercadoria exportada irregularmente entre junho de 2009 e maio de 2011, com enquadramento no artigo 23, V e §§ 1o a § 3o do DecretoLei no 1.455/1976: “Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (...) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias.(Incluído pela Lei n o 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. (Incluído pela Lei no 10.637, de 30.12.2002, na redação vigente à data da prática de parte das infrações) Tendo em vista alteração posterior efetuada no § 3o do artigo 23 do Decreto Lei no 1.455/1976, pela Lei no 12.350/2010, cabe indagar de início se tal questão eventualmente afeta o presente processo. Fl. 679DF CARF MF 6 A previsão de multa, como "conversão" da pena de perdimento, no caso de impossibilidade de aplicação de tal pena, surgiu, no Brasil, na Medida Provisória no 66, de 29/08/2002, convertida na Lei no 10.637/2002.2 A leitura das alterações promovidas pela Lei no 10.637/2002 ao art. 23 do DecretoLei no 1.455/1976 deixa clara sua inserção em um contexto de combate à interposição fraudulenta. Contudo, o texto da redação dada ao § 3o do DecretoLei no 1.455/1976 apresentou algumas imperfeições, materiais e processuais. As imperfeições processuais acabaram sanadas tanto no artigo 73 da Lei no 10.833/2003 quanto no artigo 41 da Lei no 12.350/2010, dirimindo dúvidas acerca do rito e da competência para apreciação dos processos referentes à matéria. A imperfeição material, que apresenta impacto direto no presente processo, também foi sanada no artigo 41 da Lei no 12.350/2010, e se refere à base de cálculo da multa, que, por certo, nada tem de processual ou formal. Vejase que o texto do § 3o dispõe que a pena de perdimento se converte em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada. A expressão “valor aduaneiro” tem um significado próprio na legislação aduaneira (nacional e internacional). Internacionalmente, corresponde à base de cálculo do imposto de importação, conforme acordado no Acordo para Implementação do Artigo VII do GATT conhecido como “Acordo de Valoração Aduaneira do GATT AVA/GATT”, resultante da Rodada Uruguai do GATT. Tal acordo foi incorporado a nosso ordenamento jurídico mediante aprovação pelo Decreto Legislativo no 30, de 15/12/1994, e promulgação pelo Decreto no 1.355, de 30/12/1994. No Brasil, igualmente, a expressão “valor aduaneiro” se refere à base de cálculo do imposto de importação, conforme se extrai do artigo 2o, II do DecretoLei no 37/1966, e dos artigos 75 a 89 do Regulamento Aduaneiro (Decreto no 6.759/2009).3 Quando se está a tratar de exportação, incabível falar em “valor aduaneiro”, sendo a base de cálculo do imposto de exportação “o preço normal que o produto, ou seu similar, alcançaria, ao tempo da exportação, em uma venda em condições de livre concorrência no mercado internacional, observadas as normas expedidas pelo Poder Executivo, mediante ato da CAMEX” (conforme artigo 2o do DecretoLei no 1.578/1977, com a redação dada pela MP no 2.15835/2001). Vejase que o próprio Regulamento Aduaneiro, ao classificar multas incidentes sobre o “valor aduaneiro”, as insere no Capítulo de “Multas na Importação” (artigos 702 a 717), não havendo nenhuma multa que tenha por base o "valor aduaneiro" no capítulos referentes a "Multas na Exportação" (artigos 718 a 724) e a "Multas Comuns à Importação e à Exportação" (artigos 725 a 731). Endossando tudo o que foi aqui exposto, o legislador alterou o § 3o do DecretoLei no 1.455/1976, em 2010, abolindo o termo “conversão”, e possibilitando a aplicação da multa às exportações. O texto originalmente constante do art. 19 da Medida 2 Em verdade, cabe ressaltar que o que surgiu foi o nome ("conversão"), pois já havia a possibilidade de aplicação de multa equivalente ao valor comercial da mercadoria no caso de consumo ou entrega a consumo, de produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente (art. 83, I da Lei n. 4.502/1964). A mesma lei, em seu art. 87, previa a perda da mercadoria, em tal hipótese. Assim, o art. 83, I acabou constituindo a multa cabível na impossibilidade de aplicação da perda. 3 Artigos 75 a 89. também no Regulamento Aduaneiro anterior (Decreto n. 4.543/2002). Fl. 680DF CARF MF Processo nº 10108.721108/201156 Acórdão n.º 3401003.243 S3C4T1 Fl. 678 7 Provisória no 497, de 27/07/2010, hoje consta na lei de conversão, Lei no 12.350/2010, em seu art. 41: “Art. 41. Os arts. 23, 28, 29 e 30 do DecretoLei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, passam a vigorar com a seguinte redação: " Art. 23. (...) (...) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (...)” (NR)(grifo nosso) Assim, a partir de 28/07/2010, data de publicação da Medida Provisória no 497/2010, posteriormente convertida na Lei no 12.350/2010, passou a ser possível exigir, na impossibilidade de apreensão da mercadoria sujeita à pena de perdimento, na exportação, uma multa equivalente ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente. A recorrente alega ainda que a Medida Provisória no 497/2010 perdeu sua eficácia desde a edição, porque o Ato do Presidente da Mesa do Congresso Nacional no 31/2012, que a prorrogou por sessenta dias, em 24/09/2010, produziu efeitos até 24/11/2010, tendo a conversão ocorrido somente em 21/12/2010, data de publicação da Lei no 12.350. De fato, a prorrogação efetuada pelo Ato do Presidente da Mesa do Congresso Nacional no 31/2012, por sessenta dias, não implica contagem a partir da data do próprio ato, mas da que se encerrou o período inicial de vigência da MP. Assim, a prorrogação foi de 01/10/2010 a 29/11/2010, devendo ser corrigido o entendimento da defesa. Nos sítios "web" da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, onde é possível verificar cada passo do trâmite legislativo, atestase que, depois de não ter sido apreciada por cancelamento da ordem do dia, em 05/10/2010, por falta de quorum, em 03/11/2010, e por acordo de líderes, em 09/11/2010 e 10/10/2010, a MP foi aprovada na Câmara dos Deputados em 17/11/2010, e enviada ao Senado, onde foi aprovada com emenda de redação, em 24/11/2010, seguindo para sanção presidencial. A aprovação foi publicada no Diário do Senado, de 25/11/2010, p. 52307 a 52335, sem qualquer emenda ao artigo aqui em discussão. Não evidenciei, assim, mácula no processo legislativo que pudesse levar à perda da eficácia da Medida Provisória, que foi apreciada pelo parlamento no prazo constitucionalmente estabelecido, havendo tão somente envio posterior a sanção presidencial, que se deu em 21/12/2010, com veto parcial, também a dispositivo diverso do aqui analisado. Ademais, ainda que houvesse a situação descrita no § 3o do artigo 62 da Constituição, com a redação dada pela Emenda Constitucional no 32/2001, como defende a recorrente, a ausência de edição de decreto legislativo provocaria a consequência descrita no § 11 do mesmo artigo 62: "as relações jurídicas constituídas e decorrentes de atos praticados durante a sua vigência" conservarseiam "por ela regidas". Fl. 681DF CARF MF 8 Retomando a conclusão sobre a aplicação da multa que aqui se analisa, temos que só é aplicável, na exportação, a partir de 28/07/2010, inclusive, data de publicação da Medida Provisória no 497/2010, posteriormente convertida na Lei no 12.350/2010. A alegação de iliquidez, para o período de 01/06/2009 a 27/07/2010, é, então procedente, visto que a autuação utiliza base de cálculo em desacordo com a legislação vigente à época dos fatos. Entender que a multa seria aplicável a tal período é retroagir in pejus, o que é condenado em praticamente todos os ordenamentos jurídicos do mundo, inclusive o nosso. E a matéria, repitase, está longe de ser meramente processual, como pareceu sustentar a DRJ. Tratase de base de cálculo de penalidade. Pelo exposto, devem ser afastados do lançamento os valores referentes a notas fiscais do período de 01/06/2009 a 27/07/2010. Da multa substitutiva do perdimento e sua aplicação, na exportação Em relação às notas fiscais do período restante, de 28/07/2010 a 31/05/2011, não há que se falar em iliquidez, pois os valores respeitam o comando da redação dada ao § 3o do artigo 23 do DecretoLei no 1.455/1976. Não há dúvidas, também, de que o teor do inciso V ou o § 2o do artigo 23 do DecretoLei no 1.455/1976 sejam aplicáveis à exportação, pois tal aplicação decorre de expressa disposição, no texto legal. Se uma mercadoria nacional for exportada mediante ocultação, inclusive a interposição fraudulenta, cabível a multa, sendo que a interposição fraudulenta é presumida pela nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de comércio exterior. A única questão que comportaria alguma discussão jurídica, na aplicação da presunção estabelecida no § 2o, é se os recursos para a compra, no mercado interno, da mercadoria a ser exportada, seriam efetivamente "recursos empregados na operação de comércio exterior", devendo ser comprovada sua origem, disponibilidade e transferência. Na importação, a empresa que alega ser a efetiva importadora deve demonstrar que possui recursos para efetuar o pagamento das mercadorias e dos tributos devidos, recursos esse que são, indubitavelmente "empregados na operação de comércio exterior". Entendo que na exportação, do mesmo modo, a empresa que alega ser a efetiva exportadora deveria demonstrar que possui recursos para adquirir (ou mesmo capacidade operacional para produzir) a mercadoria que está a exportar, ou demonstrar, de alguma forma, está simplesmente operando em consignação, ou coisa do gênero. E seguir entendimento contrário acabaria por esvaziar o conteúdo da multa, na exportação, negando a possibilidade legalmente prevista. Ademais, soaria absurdo exigir que uma empresa comprove que tem recursos para realizar uma operação pela qual receberá, ao invés de pagar (tanto do ponto de vista da compra e venda, quanto do ponto de vista tributário, por haver créditos decorrentes de exportação). Assim, entendo pela possibilidade de aplicação da penalidade na exportação, por ausência de comprovação dos recursos empregados na compra da mercadoria a ser exportada, o que redunda na própria possibilidade de ser o exportador o efetivo proprietário da Fl. 682DF CARF MF Processo nº 10108.721108/201156 Acórdão n.º 3401003.243 S3C4T1 Fl. 679 9 mercadoria que está a exportar. Em ambas as concepções, haverá simulação, pois é cediço que ninguém vende o que sequer possui, ou no que não comprova possuir. Ainda no plano jurídico, é de se adicionar que a conduta imputada não pressupõe um ilícito no antecedente, nem a prova de dano ao Erário. Não se está a imputar, na autuação, nada além do que estabelece o inciso V e os §§ 1o a § 3o do artigo 23 do DecretoLei no 1.455/1976, aqui já transcritos no início do voto. É cristalino que o texto (essencialmente no caput e no § 1o) não está a dizer que só quando ocasionarem dano ao Erário as infrações ali referidas serão punidas com o perdimento. Ele está, sim, trazendo claramente duas afirmações: (a) as infrações ali relacionadas consideramse dano ao Erário; e (b) o dano ao Erário é punido com o perdimento. Disso, silogisticamente, podese afirmar que as infrações ali relacionadas são punidas com o perdimento. Não há margem para discussão se houve ou não dano ao Erário, no caso concreto. Seria improdutivo discutir, v.g., o dano ao Erário no caso de abandono de mercadorias pelos importadores (conduta tipificada no inciso II do art. 23). Aliás, as disposições do DecretoLei surgem exatamente para regulamentar dispositivo constitucional (art. 150, § 11 da Constituição de 1967): “Não haverá pena de morte, de prisão perpétua, de banimento, ou confisco, salvo nos casos de guerra externa psicológica adversa, ou revolucionária ou subversiva nos termos que a lei determinar. Esta disporá também, sobre o perdimento de bens por danos causados ao Erário, ou no caso de enriquecimento ilícito no exercício de cargo, função ou emprego na Administração Pública, Direta ou Indireta”, como se depreende de sua Exposição de Motivos (item 17): “17. Nos artigos 23 e 24, com fulcro no artigo 153 da Lei Magna, enumeramse as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento dos bens. De fato, todas as hipóteses arroladas, quase todas já existentes em legislação anterior, representam um comprometimento a dano de nossas reservas cambiais e uma inadimplência de obrigações tributárias essenciais.”(grifo nosso) Assim, é inócua a discussão sobre a existência de dano ao Erário nos dispositivos citados, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria lei (em verdade, decretolei, com força de lei). E por mais que se sustentasse eventual inconstitucionalidade da norma, careceria este tribunal de competência para avaliar a matéria, em face da Súmula CARF no 2. Nesse sentido tenho votado em diversos processos recentes, sempre com acolhida unânime do colegiado.4 E nesse sentido decidiu unanimemente esta turma recentemente, já em sua composição atual.5 Sobre a necessidade de existência de ilícito antecedente, recordese que a penalidade aplicada foi em função da presunção de interposição pela não comprovação da 4 Acórdão n. 3403002.255, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, Sessão de 23.mai.2013; Acórdão n. 3403 002.435, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, Sessão de 24.set.2013; Acórdão n. 3403002.746, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, Sessão de 30.jan.2014; Acórdão n. 3403002.842, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, Sessão de 25.mar.2014; Acórdão n. 3403002.865, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, Sessão de 26.mar.2014; e Acórdão n. 3403003.188, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, Sessão de 20.ago.2014. 5 Acórdão n. 3401003.092, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânimeem relação à matéria, Sessão de 23.fev.2016. Fl. 683DF CARF MF 10 origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de comércio exterior. Não havendo a comprovação, a interposição fraudulenta é presumida, por disposição legal, sem qualquer demanda probatória adicional, visto que a empresa sequer conseguiu comprovar que tem condições de adquirir a mercadoria que exporta. Assim, improcedentes as alegações da recorrente sobre a necessidade de identificação de ilícito antecedente ou dano ao Erário. Das peculiaridades do caso concreto aspectos fáticos Seguindo para o plano fático, é de se reconhecer que, no caso em análise, são fartas as demonstrações de que a empresa não tem condição financeira de realizar as operações que realiza, de aquisições de mercadoria para exportação. A inexistência de capacidade financeira resta indubitavelmente comprovada, e chega a ser, a nosso ver, inconteste. A empresa não consegue justificar a contento as inconsistências identificadas pela fiscalização, sobre empréstimos não pagos nem comprovados; ausência absoluta de rendimentos que permitam contrair ou saldar os empréstimos não comprovados; incompatibilidade entre volume de vendas e movimentação financeira; ou pagamentos a fornecedores efetuados pela empresa, em sua grande maioria, em dinheiro "na boca do caixa". Como atesta o fisco, a própria empresa, em resposta a intimação, afirma que "as transações comerciais eram feitas em Real (R$ moeda corrente) que o produto comercializado era pago na própria sede em espécie, nunca foi feito transferência e nem depósito de terceiros em conta da empresa". Sobre o fato de se tratar de uma exportação, e de ser inaplicável a IN SRF no 118/1992 ao caso, também se recorre a declaração da própria empresa autuada, de que parou de realizar exportações registradas formalmente por conta de "de exigências feitas pelo Ministério da Agricultura para emissão de licenças para exportação”. Não resta dúvidas de que a empresa, que vende 99% de seus produtos para bolivianos, não só tinha conhecimento de que a operação é de exportação, mas sabia que na forma prevista na legislação não conseguiria realizála. Ainda que houvesse o fracionamento, para adaptarse à citada IN SRF no 118/1992, esbarraria a operação na vedação constante do inciso II do artigo 1o da norma, por estar a mercadoria sujeita a controle por parte do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Assim, as alegações de defesa de que houve interpretação arbitrária da Instrução Normativa no 118/1992, de que seria necessária prova de que a empresa efetivamente cruzava a fronteira portando as mercadorias, e de que ocorria uma venda no mercado interno, não fracionada, são avessas às provas presentes nos autos. E as alegações (de que, tratandose de firma individual, o patrimônio serve tanto à pessoa física quanto à jurídica, não havendo razão para existir contrato de mútuo entre ambas, e de que há preclusão da possibilidade de o fisco questionar a integralização do capital social) sobre a falta de comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de comércio exterior, que, digase, persiste, estão longe de elidir a presunção legalmente estabelecida. Ainda que inexistente o mútuo e relevada a questão da integralização, continua inconciliável o volume transacionado com a comprovação dos recursos correspondentes. Mais eficaz seria a defesa se a empresa, ao invés de tais alegações, Fl. 684DF CARF MF Processo nº 10108.721108/201156 Acórdão n.º 3401003.243 S3C4T1 Fl. 680 11 que fogem ao cerne da questão, comprovasse o fluxo financeiro correspondente às operações, cronologicamente, indicando as origens dos recursos, elidindo a presunção. No mérito, assim, deve ser mantida a autuação. Da responsabilidade de da alegação de confisco Sendo a empresa a ocultante, na operação de comércio exterior, em decorrência de interposição fraudulenta presumida, clara a sua responsabilização, pelo próprio texto do artigo 23 do DecretoLei no 1.455/1976. Vejase que não se está, no presente processo, a discutir responsabilidade de sócios ou de terceiros. Quem pratica a conduta é a própria autuada. Como já dispusemos em julgamento anterior, com acolhida unânime da turma, embora se tratasse de importação o que, como aqui exposto, não altera a conclusão: A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. (...) A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2o do DecretoLei no 1.455/1976), configurase a interposição e aplicase o perdimento. Seguese, então, a declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. A interposição comprovada é caracterizada por um acobertamento no qual se sabe quem é o acobertante e quem é o acobertado. A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (em que pese possa a responsabilidade ser conjunta, conforme o art. 95 do DecretoLei no 37/1966), embora a multa por acobertamento (Lei no 11.488/2007) afete somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar”. (grifo nosso) (Acórdão no 3403 002.865, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 26.mar.2014) No caso em análise, evidenciouse a interposição fraudulenta presumida na operação de exportação, pelo exposto no tópico anterior deste voto. Na exportação, a interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está exportando não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2o do DecretoLei no 1.455/1976), configurase a interposição e aplica se o perdimento (ou a multa que o substitui § 3o). Seguese, então, a declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. Não sendo identificado o ocultado, na operação, a penalidade é aplicada ao ocultante, responsável pela operação. Fl. 685DF CARF MF 12 Sequer se está tratando, assim, de solidariedade ou subsidiariedade, sendo improcedentes as alegações da recorrente.. Por fim, no que se refere à alegação de que a mula aplicada é confiscatória, cabe advertir: (a) que o princípio da vedação ao confisco, constitucionalmente estabelecido (artigo 150, IV), se refere a tributos; e (b) que este tribunal não detém competência para a análise de constitucionalidade de lei vigente, em face da Súmula CARF no 2: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” E a multa aplicada, como se expôs de início, encontra expressa previsão no artigo 23, § 3o do DecretoLei no 1.455/1976. Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, para afastar do lançamento as multas correspondentes às notas fiscais do período de 01/06/2009 a 27/07/2010. Rosaldo Trevisan Fl. 686DF CARF MF
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Numero do processo: 16004.720419/2011-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2007 a 30/11/2008
PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR.
No caso de plano de previdência complementar em regime aberto, não poderá a empresa eleger um único beneficiário por critérios pessoais, pois flagrantemente o caracterizaria como uma gratificação. A contribuição previdenciária incide sobre os aportes realizados pela empresa e não sobre o resgate.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-004.841
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
João Bellini Junior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, ANDREA BROSE ADOLFO, FABIO PIOVESAN BOZZA e GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1348; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 536 1 535 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16004.720419/201142 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.841 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de setembro de 2016 Matéria PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR PRIVADA Recorrente RODORIB RIO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2007 a 30/11/2008 PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. No caso de plano de previdência complementar em regime aberto, não poderá a empresa eleger um único beneficiário por critérios pessoais, pois flagrantemente o caracterizaria como uma gratificação. A contribuição previdenciária incide sobre os aportes realizados pela empresa e não sobre o resgate. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. João Bellini Junior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, ANDREA BROSE ADOLFO, FABIO PIOVESAN BOZZA e GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 04 19 /2 01 1- 42 Fl. 547DF CARF MF 2 Relatório Reproduzo aqui o relatório da Resolução nº 2403000.158 da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, fls. 482: Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto SP, que entendeu por manter a autuação constante do DEBCAD n. 37.357.1976, referente à quota patronal sobre valores pagados a título de previdência complementar privada, no importe de R$ 386.213,75 (trezentos e oitenta e seis mil duzentos e treze reais e setenta e cinco centavos), consolidado em 14/09/2011, referente ao período de 01/03/2007 a 30/11/2008. Os fatos foram narrados no relatório fiscal, fls. 166/173: 2 DO FATO GERADOR: 2.1 Configuram fatos geradores os valores pagos pela empresa ao plano de previdência privada denominado VGBL Empresarial da instituição financeira Bradesco Vida e Previdência. Observamos que a sigla VGBL significa Vida Gerador de Benefícios Livres, tendo como beneficiária o Sr Sérgio Altair Stringuetta, sócio administrador. São planos previdenciários que permitem o acúmulo de recursos por um prazo contratado, durante este período o dinheiro depositado é investido e rentabilizado pela seguradora. Dentre outras vantagens, este benefício complementa a remuneração do segurado em sua aposentadoria. O pagamento efetuado pela empresa constitui acréscimo indireto à remuneração, compondo assim a base de cálculo da remuneração para fins de incidência de contribuição previdenciária. Os valores foram pagos pela empresa constando inclusive em sua escrituração contábil e extratos bancários. O fato da empresa pagar plano de previdência privada para o segurado empresário representa acréscimo salarial, pois caso contrário, o próprio segurado teria que arcar com estes pagamentos, ou seja, desembolsálos dos valores por ele recebidos, o que acarretaria redução de seus ganhos, consequentemente, não restam dúvidas que esta vantagem pecuniária deve integrar o salário de contribuição. Dizse salário indireto pelo fato de que, se não fosse pago pela empresa, teria que ser adquirido no mercado com a remuneração recebida. (...) Ressaltamos que, embora intimado, o contribuinte declarou que o plano em referência não era extensivo aos segurados empregados. Não foram apresentados documentos hábeis que demonstrassem de forma nítida as regras para pagamento do Fl. 548DF CARF MF Processo nº 16004.720419/201142 Acórdão n.º 2301004.841 S2C3T1 Fl. 537 3 citado plano, nem documentação que comprovasse de forma inequívoca a extensão do benefício a todos empregados. Outrossim frisamos que não foi apresentado acordo, convenção coletiva de trabalho ou cartilha de benefícios da empresa para se verificar as regras estipuladas para o recebimento do benefício, o qual se reveste de caráter espontâneo. (...) DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento efetuado, a empresa contestou a autuação fiscal por meio do instrumento de fls. 180/208. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, prolatou o Acórdão n. 1439.228, fls. 386/393, mantendo o lançamento, conforme ementa que abaixo segue transcrita, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2007 a 30/11/2008 SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. PROGRAMA DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR PRIVADA. O valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar privada, aberta ou fechada, integra o saláriodecontribuição, quando não disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes. PRODUÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO PROCESSUAL. PRECLUSÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL OU TESTEMUNHAL. DESNECESSIDADE. Quando a comprovação dos fatos puder ser feita apenas pela prova documental, é desnecessária a realização de prova pericial ou testemunhal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte DO RECURSO Inconformado, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 397/421, requerendo a reforma do Acórdão, com os seguintes argumentos, em suma: Fl. 549DF CARF MF 4 Agiu de boafé e que os investimentos em VGBL foram feitos pelo gerente da agência bancária do Banco Bradesco, à revelia da empresa, que não sabia se tratar de plano de previdência e que este tem relação com a pessoa jurídica e não com o sócio, pessoa física; Todos os valores que saíram da sua conta corrente para aplicação financeira no VGBL Empresarial foram devidamente resgatados pela empresa, juntamente com todo o rendimento gerado, retornando para sua conta os valores aplicados, num curto intervalo de tempo, sem nenhuma perda pelo resgate, contrariando a lógica de uma previdência privada; Os depósitos feitos pela empresa Recorrente no "VGBL Empresarial" nos períodos de março de 2007 a novembro de 2008, não podem ser considerados remunerações ou salários indiretos em favor da pessoa física do Sr. Sérgio Altair Stringuetta, pois referidos depósitos foram feitos como se fossem de fato uma aplicação financeira para pessoa jurídica em favor apenas da empresa impugnante, e depois todos esses valores foram regatados pela empresa, com todo o rendimento gerado; Deve ser aplicado o princípio da verdade material. O julgamento foi convertido em diligência nos seguintes termos: Do exposto, voto por baixar os autos em diligência para que a Receita Federal do Brasil intime o contribuinte a apresentar cópia dos extratos bancários da empresa Rodorib Rio Brasil LTDA, com a respectiva comprovação da transferência dos recursos da previdência privada, depositadas na conta do Sr. Sergio Altair Stringhetta, bem como para que a autoridade competente se manifeste conclusivamente, com relação a esses documentos. Considerou o relator que uma vez comprovado que os resgates realizados pelo sócio Sr. Sergio Altair Stringhetta foram integralmente transferidos para a recorrente então não haveria fato gerador da contribuição previdenciária. Em resposta, foram trazidos documentos que comprovam a transferência integral de todos os resgates para a recorrente, fls. 493 e s. Fato comprovado em posterior análise feita pela fiscalização, fls. 529; porém, ressaltou que não altera o a ocorrência do fato imponível: 1 Em atendimento a Resolução nº 2403000.158 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária fls. 482 á 487 efetuamos diligencia no contribuinte em questão conforme Termo de Intimação Fiscal de fls. 489/490. Da análise da documentação de fls.493 a 528 concluímos que a comprovação documental da transferência dos recursos para a empresa RODORIB RIO BRASIL LTDA não altera o fato imponível em pauta que trata da incidência de contribuições previdenciárias sobre remuneração percebida pelo Sr. Sérgio Altair Stringheta sócio administrador da empresa. 2 A Sra Supervisora propondo que seja encaminhado a SACAT. É o Relatório. Fl. 550DF CARF MF Processo nº 16004.720419/201142 Acórdão n.º 2301004.841 S2C3T1 Fl. 538 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Previdência Complementar Privada O benefício tem previsão constitucional no artigo 202, com a redação trazida pela Emenda Constitucional n° 20, de 15/12/98; portanto, tratase de imunidade de contribuição previdenciária: Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, e regulado por lei complementar. ... § 2° As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes, nos termos da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998). ... Em destaque nas transcrições acima, temse que, atendidos os requisitos da lei, as contribuições vertidas pelo empregador não integram a remuneração e, conseqüentemente, sobre as quais não incidem contribuições previdenciárias. De fato, outra não poderia ser a interpretação. Isto porque somente se pode falar em Previdência Complementar quando suas características estão presentes. Aliás, qualquer que seja o benefício oferecido, são justamente as características que evidenciam sua natureza. E não é diferente com a Previdência Complementar Privada. Para que assim seja considerada e daí não incidirem contribuições previdenciárias devem estar presentes as características exigidas pela Lei Complementar n° 109, de 29/05/2001 que regulou o artigo 202 da Constituição Federal e revogou a Lei n° 6.435, de 15/07/1977. Quanto ao artigo 28, §9°, alínea p, parte final, da Lei n° 8.212, de 24/07/91, incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997, portanto anterior mesmo à EC n° 20/98, não tenho dúvida que se houver incompatibilidade com os artigos 68 e 69, §1° da Lei Complementar n° 109, de 29/05/2001, que passaram a regular o artigo 202, §2° da Constituição Federal, restará derrogado, pois além desta última veicular norma tributária especial é posterior àquela: Art. 28 (...) §9° (...) Fl. 551DF CARF MF 6 p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes. Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1o Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. Vêse que a incidência ou não ocorre sobre as contribuições vertidas pelo empregador para a entidade de previdência complementar e não sobre o resgate dessas contribuições em momento posterior. Conforme dispõe os artigos 142 e 144 da CTN, a data de sua ocorrência é o elemento temporal do fato gerador que não se modifica inclusive pela alteração da legislação tributária aplicável: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. ... Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Assim, entendo que a opção realizada pelo beneficiário da previdência complementar em transferir o numerário resgatado para a própria empresa em nada altera a ocorrência do fato gerador e o nascimento da obrigação tributária. O tributo em questão não incide sobre a efetiva disponibilidade financeira, mas sobre sua condição de beneficiário de uma conta de previdenciária complementar a qual eram aportados regularmente pela recorrente os valores que compunham um montante a disposição do segurado. Como conseqüência, tenho que o resultado da diligência não é suficiente para a exclusão do crédito tributário. Considerando, então que, de fato, tratase de previdência complementar oferecida pela empresa em benefício de seu segurado, passo ao exame do cumprimento ou não dos requisitos legais, em especial o fato de não ser extensivo a todos os segurados, mas apenas a um dos sócios da recorrente. Fl. 552DF CARF MF Processo nº 16004.720419/201142 Acórdão n.º 2301004.841 S2C3T1 Fl. 539 7 Retomando ao exame da LC n° 109/2001, selecionamos as principais disposições para este estudo: Lei Complementar nº 109, de 29 de Maio de 2001 Art. 1o O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, é facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício, nos termos do caput do art. 202 da Constituição Federal, observado o disposto nesta Lei Complementar. Art. 4o As entidades de previdência complementar são classificadas em fechadas e abertas, conforme definido nesta Lei Complementar. Seção II Dos Planos de Benefícios de Entidades Fechadas ... Art. 16. Os planos de benefícios devem ser, obrigatoriamente, oferecidos a todos os empregados dos patrocinadores ou associados dos instituidores. § 1o Para os efeitos desta Lei Complementar, são equiparáveis aos empregados e associados a que se refere o caput os gerentes, diretores, conselheiros ocupantes de cargo eletivo e outros dirigentes de patrocinadores e instituidores. ... Seção III Dos Planos de Benefícios de Entidades Abertas Art. 26. Os planos de benefícios instituídos por entidades abertas poderão ser: I individuais, quando acessíveis a quaisquer pessoas físicas; ou II coletivos, quando tenham por objetivo garantir benefícios previdenciários a pessoas físicas vinculadas, direta ou indiretamente, a uma pessoa jurídica contratante. § 1o O plano coletivo poderá ser contratado por uma ou várias pessoas jurídicas. § 2o O vínculo indireto de que trata o inciso II deste artigo referese aos casos em que uma entidade representativa de pessoas jurídicas contrate plano previdenciário coletivo para grupos de pessoas físicas vinculadas a suas filiadas. § 3o Os grupos de pessoas de que trata o parágrafo anterior poderão ser constituídos por uma ou mais categorias específicas de empregados de um mesmo empregador, podendo Fl. 553DF CARF MF 8 abranger empresas coligadas, controladas ou subsidiárias, e por membros de associações legalmente constituídas, de caráter profissional ou classista, e seus cônjuges ou companheiros e dependentes econômicos. § 4o Para efeito do disposto no parágrafo anterior, são equiparáveis aos empregados e associados os diretores, conselheiros ocupantes de cargos eletivos e outros dirigentes ou gerentes da pessoa jurídica contratante. ... CAPÍTULO VIII DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes. ... Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1o Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. § 2o Sobre a portabilidade de recursos de reservas técnicas, fundos e provisões entre planos de benefícios de entidades de previdência complementar, titulados pelo mesmo participante, não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. Apenas para que não fiquem espaços vazios na linha de desenvolvimento deste trabalho, lembrase que os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 68 e 69 são apenas partes do estatuto da previdência complementar, veiculado pela LC n° 109/2001. Inicialmente, dispõe a lei que os programas podem ser abertos ou fechados, de acordo com a natureza da entidade de previdência complementar. Após, trata de cada um nas seções que se seguem: na Seção II os programas em regime fechado e na Seção III, regime aberto. Para o primeiro, através de seu artigo 16, é exigido, obrigatoriamente, que o benefício seja oferecido à totalidade dos empregados, tal como no artigo 28, § 9º, “p” da Lei n° 8.212, de 24/07/1991: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ... p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus Fl. 554DF CARF MF Processo nº 16004.720419/201142 Acórdão n.º 2301004.841 S2C3T1 Fl. 540 9 empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Portanto, um suposto programa de previdência complementar em regime fechado não oferecido à totalidade dos empregados não pode ser considerado como tal e as contribuições vertidas devem ser tributadas normalmente, eis que carecem de característica essencial. As entidades fechadas são instituídas para o conjunto de empregados da patrocinadora e não para grupos de categorias específicas de empregados de um mesmo empregador, faculdade somente possível quando a opção é pelo regime aberto, conforme artigo 26, §3° da lei. Vêse que para o regime fechado, considerando a unidade da lei, não há incompatibilidade com a Lei n° 8.212/1991, apenas que nesta as regras de incidência e abrangência estão em um mesmo dispositivo legal. Agora, como já sinalizado acima, para o regime aberto a lei faculta que, direta ou indiretamente através da entidade, a empresa contrate em benefício de grupos específicos de categorias de empregados plano de previdência complementar, artigo 26, §2° e 3° da lei. Então, neste caso não incidem contribuições previdenciárias ainda que o benefício não seja oferecido à totalidade dos empregados. Mas, sem precipitações, a interpretação será mais segura quando considerado o todo da lei. No caso dos programas em regime aberto, embora não seja necessário estendê lo à totalidade dos empregados e dirigentes, os grupos selecionados são de categorias de empregados, sem discriminações dentro de um mesmo grupo. A escolha recai sobre determinada categoria não como incentivo à produtividade ou outras finalidades relacionadas ao trabalho, mas em razão de necessidades específicas. Em síntese, temos que para a não incidência de contribuições previdenciárias: a) até o advento da LC n° 109/2001, em quaisquer casos, a empresa tinha que oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes; b) a partir da LC n° 109/2001, somente no regime fechado, a empresa deverá oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados, diretores, conselheiros ocupantes de cargo eletivo e outros dirigentes de patrocinadores e instituidores. Caso adotado o regime aberto, poderá oferecer o benefício a grupos de empregados ou dirigentes pertencentes a determinada categoria, mas não como instrumento de incentivo ao trabalho, eis que flagrantemente o caracterizaria como um prêmio e, portanto, gratificação. No presente caso sob exame, os fatos geradores ocorreram após à LC n° 109/2001. Tratandose da modalidade de previdência complementar em regime aberto, de acordo com a tese aqui desenvolvida, não haveria necessidade de disponibilização dos planos de previdência complementar à totalidade dos dirigentes e empregados, desde que a restrição ao benefício seja de forma genérica e impessoal. O que não é o caso. O benefício foi concedido exclusivamente a um sócio da recorrente. Portanto, entendo que não assiste razão ao recorrente. Em razão do exposto, voto negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 555DF CARF MF 10 É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 556DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.900895/2008-15
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2001 a 31/07/2001
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-004.000
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente SHERWINWILLIAMS DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2001 a 31/07/2001 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 08 95 /2 00 8- 15 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900895/200815 Acórdão n.º 9303004.000 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3801004.966, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 183DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900895/200815 Acórdão n.º 9303004.000 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900895/200815 Acórdão n.º 9303004.000 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900895/200815 Acórdão n.º 9303004.000 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 186DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900895/200815 Acórdão n.º 9303004.000 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900895/200815 Acórdão n.º 9303004.000 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900895/200815 Acórdão n.º 9303004.000 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 189DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 13975.000171/00-82
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Nov 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1997
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS ANTES DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR.
Para ser possível a dedução da área de reserva legal da base de cálculo do ITR, basta sua averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, antes da ocorrência do fato gerador do tributo, sendo dispensável a apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental - ADA. No caso, a averbação ocorreu após a ocorrência do fato gerador. Assim, é de se manter a glosa.
Numero da decisão: 9202-004.259
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Ana Paula Fernandes (relatora), Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. Ausente momentaneamente a conselheira Patrícia da Silva.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(Assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Júnior Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: Relator
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1997 ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS ANTES DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Para ser possível a dedução da área de reserva legal da base de cálculo do ITR, basta sua averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, antes da ocorrência do fato gerador do tributo, sendo dispensável a apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental ADA. No caso, a averbação ocorreu após a ocorrência do fato gerador. Assim, é de se manter a glosa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Ana Paula Fernandes (relatora), Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. Ausente momentaneamente a conselheira Patrícia da Silva. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 5. 00 01 71 /0 0- 82 Fl. 426DF CARF MF Processo nº 13975.000171/0082 Acórdão n.º 9202004.259 CSRFT2 Fl. 427 2 Ana Paula Fernandes – Relatora (Assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Júnior – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de Análise de Divergência motivado pela Contribuinte, EMER ROZZA MADEIREIRAS, face ao Acórdão 30237.808, proferido pela 2º Câmara/3ª Conselho de Contribuintes/CARF. O processo teve início através dos Autos de Infração e demonstrativos (fls. 25/32) por meio do qual se exigiu o pagamento de diferença do Imposto Territorial Rural — ITR do Exercício 1997, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, totalizando um crédito tributário de R$ 276.000,46, relativo ao imóvel rural denominado "Fazenda São Rafael", cadastrado na Receita Federal sob n° 2.556.1898 com o CNPJ 85.937.431/000131, localizado no Município de Apiána/SC. A fiscalização verificou que a exigência originouse de falta de recolhimento de ITR, decorrente a glosa total da área de 1.929 hectares, informada como de utilização limitada em função da sua comprovação por meio dos documentos apresentados pelo contribuinte, em atendimento à intimação expedida para tal fim. Informou, ainda, a autoridade lançadora que a área de preservação permanente foi alterada de 223,3 hectares para 683,8 hectares em função de sua comprovação por meio de Laudo Técnico apresentado. Em consequência, a área declarada como de reserva legal foi considerada tributável, modificando a base de cálculo e o valor devido do tributo. Inconformada com o lançamento, a contribuinte interpôs impugnação (fls. 35/62), argumentando, em resumo, a existência de uma área de reserva legal de 438,47 hectares averbada desde 10/07/81. Alega que, por falta de previsão legal, não há necessidade de averbação das áreas de reserva legal. A impugnante aduz em sua defesa, ainda, que o valor da multa e dos juros de mora apresentam flagrante desrespeito aos princípios da capacidade contributiva e da vedação ao confisco. Solicita, ao final de sua impugnação, a realização de perícia para evidenciar a exatidão das informações veiculadas em sua Declaração. O lançamento impugnado foi julgado procedente em parte, nos termos do ACORDAO DRJ/CGE N° 3.854, de 11 de junho de 2004 (fls. 152/159), mantendo a exigência do imposto no valor de R$ 83.826,80, acrescido de multa de ofício e dos juros de mora nos mesmo percentuais apurados no Auto de Infração. Fl. 427DF CARF MF Processo nº 13975.000171/0082 Acórdão n.º 9202004.259 CSRFT2 Fl. 428 3 Após a ciência do acórdão em 08/04/2011, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário às fls. 163/203 (numeração manual). Em análise do Recurso Voluntário, a 2ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, fls. 208/214, deu parcial provimento ao recurso para excluir da tributação as áreas de preservação permanente, mantendo tributável a área de reserva legal averbada em data posterior ao fato gerador. Cientificada do acórdão, a contribuinte opôs os Embargos de Declaração de fls. 239 a 248 (225/234, numeração manual), restando rejeitados, conforme o Acórdão 30239.720 (fls. 238 a 240). Após ciência do acórdão que rejeitara os Embargos, a contribuinte opôs novos Embargos de Declaração às fls. 247 a 249, que foram acolhidos, prolatandose o Acórdão 220101.509 (fls. 279/286) o qual decidiu, em síntese: “Para ser excluída da base de cálculo do ITR a área de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas devem ser assim reconhecida por ato específico do Poder Público Federal ou Estadual”. Determinou, em conclusão, a retificação do acórdão nº 30237.808 e, sanando a omissão apontada, manteve o resultado da decisão que deu parcial provimento ao recurso para excluir as áreas de reserva legal e de preservação permanente. Cientificada, a contribuinte interpôs Recurso Especial de fls. 320 a 352, visando a reapreciação das seguintes matérias: a) indeferimento de pedido de realização de perícia; e b) necessidade de averbação da área de Reserva Legal antes da ocorrência do fato gerador, para fins de exclusão da área tributável do ITR. No exame de admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, a Presidência da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 399/402, deu seguimento ao recurso, em virtude de ter sido constatada a alegada divergência: enquanto no acórdão recorrido exigiuse a averbação da área de Reserva Legal previamente ao fato gerador, nos paradigmas trazidos pelo Recorrente tal exigência não foi mantida. A Fazenda Nacional, fls. 404/408, apresentou contrarrazões. Às fls. 412/415, foi realizado complemento do exame de admissibilidade, devido a anterior omissão quanto ao exame de admissibilidade da primeira matéria suscitada pela recorrente (indeferimento de pedido de realização de perícia), tendo a Presidência da 2ª Câmara da 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais negado o seguimento do recurso nessa parte, em virtude de que o Recorrente não indicou acórdãos paradigmas proferidos pelos Conselhos de Contribuintes ou pelo CARF, não satisfazendo o requisito essencial para interposição de Recurso Especial de Divergência, previsto no dispositivo regimental. Assim, consolidandose os resultados dos dois exames de admissibilidade citados, foi dado SEGUIMENTO PARCIAL ao Recurso Especial interposto pela Contribuinte, para ser rediscutida apenas a matéria constante do item “b” – necessidade de averbação da área de Reserva Legal antes da ocorrência do fato gerador, para fins de exclusão da área Fl. 428DF CARF MF Processo nº 13975.000171/0082 Acórdão n.º 9202004.259 CSRFT2 Fl. 429 4 tributável do ITR. O exame de admissibilidade ainda foi ratificado pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, às fls. 416/417. Após devidamente cientificado, o Recorrente mantevese inerte, vindo os autos conclusos. Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes, Relatora. O Recurso Especial interposto pela Contribuinte é tempestivo e atende aos pressupostos de admissibilidade em relação a uma das matérias das quais a Recorrente visava a reapreciação, motivo pelo qual deve ser admitido. Tratase de Auto de Infração e demonstrativos (fls. 25/32) por meio do qual se exigiu o pagamento de diferença do Imposto Territorial Rural — ITR do Exercício 1997, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, totalizando um crédito tributário de R$ 276.000,46, relativo ao imóvel rural denominado "Fazenda São Rafael", cadastrado na Receita Federal sob n° 2.556.1898 com o CNPJ 85.937.431/000131, localizado no Município de Apiána/SC. Na decisão recorrida, deuse parcial provimento ao recurso voluntário para excluir da tributação as áreas de preservação permanente, mantendo tributável a área de reserva legal averbada em data posterior ao fato gerador. O Recurso Especial, apresentado pela Contribuinte, trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante à necessidade de averbação da área de Reserva Legal antes da ocorrência do fato gerador, para fins de exclusão da área tributável do ITR. No que diz respeito ao pedido de realização de perícia o tema não subiu para análise. A questão controvertida diz respeito à exigência da averbação da área de reserva legal a época dos fatos geradores para fins de isenção do ITR. Para se dirimir a controvérsia, é importante destacar, do Imposto Territorial Rural ITR, tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, a sistemática relativa à sua apuração e pagamento, e para isso adoto as razões do acórdão 9202.02146, proferido pela Composição anterior da 2ª Turma da Câmara Superior, Conselheiro Elias Sampaio Freire. Para tanto, devemos analisar a legislação aplicável ao tema e para isso ressalto os trechos que interessam do art. 10 da Lei nº 9.393/96: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; Fl. 429DF CARF MF Processo nº 13975.000171/0082 Acórdão n.º 9202004.259 CSRFT2 Fl. 430 5 c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Incluída pela Lei nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluída pela Lei nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluída pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) (...) § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Da transcrição acima, destacase que, quando da apuração do imposto devido, excluise da área tributável as áreas de preservação permanente e de reserva legal, além daquelas de interesse ecológico, das imprestáveis para qualquer exploração agrícola, das submetidas a regime de servidão florestal ou ambiental, das cobertas por florestas e as alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas. Como se percebe da leitura do citado artigo, a área de reserva legal é isenta de ITR, e como este é um imposto sujeito a lançamento por homologação o contribuinte deverá declarar a área isenta sem a necessidade de comprovação, sujeito a sanções caso reste comprovada posteriormente a falsidade das declarações. A Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989 (Código Florestal Brasileiro, prevê a obrigatoriedade de averbação da área de reserva legal no registro de imóveis competente, nos seguintes termos: Art. 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 2° e 3° desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições: § 2º A reserva legal, assim entendida a área de , no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989). Art. 44. Na região Norte e na parte Norte da região CentroOeste enquanto não for estabelecido o decreto de que trata o artigo 15, a exploração a corte razo só é permissível desde que permaneça com cobertura arbórea, pelo menos 50% da área de cada propriedade. Parágrafo único. A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 50% (cinquenta por cento), de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei nº 7.803, de 18.7.1989) Fl. 430DF CARF MF Processo nº 13975.000171/0082 Acórdão n.º 9202004.259 CSRFT2 Fl. 431 6 Conforme apontado anteriormente, cingese a controvérsia acerca da necessidade de prévia averbação da reserva legal para fins de nãoincidência do Imposto Territorial Rural ITR. No caso dos autos, observo que a averbação foi realizada mesmo que a destempo. A meu ver, portanto, não é necessário que esta averbação seja realizada antes do fato gerador, pois se a área tinha condições de ser considerada isenta, e o foi posteriormente, é o que importa para consagração do Direito do Contribuinte, em virtude da aplicação da Verdade Material, privilegiada nos Processos Administrativos Federais por força da Lei 9784/99. A área de reserva legal é isenta do ITR, consoante o disposto no art. 10, § 1º, II, "a", da Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, por isso considero equivocado o condicionamento do reconhecimento do referido benefício à prévia averbação dessa área no Registro de Imóveis, posto que a averbação na matrícula do imóvel não é ato constitutivo do direito de isenção, mas meramente declaratório ante a proteção legal que tal área recebe. A averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965. Reconhecese o direito à subtração do limite mínimo de 20% da área do imóvel, estabelecido pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965, relativo à área de reserva legal, porquanto, mesmo antes da respectiva averbação, que não é fato constitutivo, mas meramente declaratório, já havia a proteção legal sobre tal área. Assim entendo deva ser reformado o acórdão recorrido, por entender que a averbação da área de reserva legal feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo à concessão de isenção de ITR. Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso especial do contribuinte e darlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Fl. 431DF CARF MF Processo nº 13975.000171/0082 Acórdão n.º 9202004.259 CSRFT2 Fl. 432 7 Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior Com a devida vênia ao entendimento esposado pela relatora, alinhome aos que entendem que deve a Reserva Legal estar averbada até a data do fato gerador, por possuir tal averbação natureza constitutiva, para fins de isenção do ITR. Adoto aqui as razões de decidir quanto ao tema do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos (voto vencido), às quais acedi integralmente, na qualidade de redator Ad Hoc do voto vencedor, no âmbito do Acórdão 9.202003.624, de 04 de março de 2015 e de lavra desta mesma 2a. Turma da CSRF, verbis: "(...) Por sua vez, sobre o tema da reserva legal, esclareçase que essa tem por requisito formal, ou seja, condição para sua consideração tributária, a existência dos seguintes procedimentos: (a) como já citado, a apresentação tempestiva de requerimento ao IBAMA de Ato Declaratório Ambiental (ADA), no qual é informada a metragem da área destinada à reserva legal que, de acordo com a localização, corresponde a um percentual da área do imóvel; e (b) a averbação dessa área na matrícula da propriedade rural no Registro de Imóveis antes da ocorrência do fato gerador, em 1o de janeiro do anocalendário. Salientese que o ADA somente passou a ser requisito com o advento da Lei no 10.165, de 27 de dezembro de 2000, e a averbação, com o advento da Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989. O acórdão recorrido dispensou a obrigação de apresentação do ADA, considerando que tal reserva ficou documentada como existente, a partir de sua averbação no registro competente. A propósito, também julgo que a averbação tempestiva da área na matrícula do imóvel, por constituir a área de reserva legal, é comprovação suficiente do fato, mesmo se desacompanhada de ADA. Quanto à tal averbação, na 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais existem posicionamentos diversos que defendem: a) a desnecessidade da averbação, por se tratar de exigência da lei ambiental, sem consequências na esfera fiscal; b) a necessidade da averbação antes da ocorrência do fato gerador; c) a necessidade da averbação antes do início do procedimento fiscal. (...) Do meu ponto de vista, para fins de dedução da base de cálculo do ITR, a área de reserva legal deve estar averbada às margens Fl. 432DF CARF MF Processo nº 13975.000171/0082 Acórdão n.º 9202004.259 CSRFT2 Fl. 433 8 da inscrição do registro de imóvel antes da ocorrência do fato gerador. Isso porque o art. 10, §1º, inciso II, alínea “a”, da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, permite a exclusão, da área tributável do ITR, das áreas de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989. E a Lei nº 4.771, de 1965, em seu art. 16, §2o, na redação vigente por ocasião da ocorrência do fato gerador, determinava que a reserva legal deveria ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. Observese que, após as alterações da Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, essa exigência passou para o §8o do mesmo artigo. Ressaltese que a obrigatoriedade de averbação foi trazida ao ordenamento jurídico em 1989, muito antes dos fatos geradores sob análise. Considero inaceitáveis os argumentos de que essa exigência foi feita na lei ambiental, não surtindo efeitos na esfera tributária. Isso porque, ao permitir a exclusão da base de cálculo do ITR, a lei tributária fez expressa menção às áreas de reserva legal e de preservação permanente nos termos da lei ambiental, sendo evidente que se deve buscar suas características e requisitos no escopo do ato legal indicado. Do mesmo modo, não concordo com a alegação de que nem a lei tributária, nem a lei ambiental, definiram prazo para a averbação dessa área, sendo possível admitila em momento posterior ao fato gerador. Penso que a averbação é requisito formal de existência da área de reserva legal, não sendo possível se falar nesse instituto antes do ato cartorial, nem muito menos se pleitear sua dedução tributária. (...) No presente caso, o fato gerador do ITR em questão ocorreu em 01/1997, sendo que a averbação da área de Reserva Legal adicional, única que permanece sob litígio a esta altura, só de deu em 10/2000 (efls. 131/132). Assim, intempestiva a averbação, não se podendo excluir a área em litígio da base tributável do ITR. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso da contribuinte para, no mérito, negarlhe provimento. Fl. 433DF CARF MF Processo nº 13975.000171/0082 Acórdão n.º 9202004.259 CSRFT2 Fl. 434 9 Fl. 434DF CARF MF
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Numero do processo: 13851.000278/99-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. SALDO DEVEDOR DO IRPJ.
Deve ser aceito o pedido de compensação do saldo devedor do IRPJ obtido a partir do imposto de renda retido na fonte sobre aplicações financeiras, quando demonstrada a apropriação das receitas que geraram a retenção.
Numero da decisão: 1401-000.526
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso voluntário.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Antonio Bezerra Neto
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E JOHNSTON REPRESENTAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S.A (sucessora) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. SALDO DEVEDOR DO IRPJ. Deve ser aceito o pedido de compensação do saldo devedor do IRPJ obtido a partir do imposto de renda retido na fonte sobre aplicações financeiras, quando demonstrada a apropriação das receitas que geraram a retenção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Viviane Vidal Wagner. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 10/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13851.000278/9930 Acórdão n.º 140100.526 S1C4T1 Fl. 532 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 10.062, da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão PretoSP. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Em 30/03/1999 a interessada aviou pedido de restituição do valor de R$ 674.835,83 ao motivo de pagamento a maior de Imposto de RendaPessoa Jurídica (IRPJ) relativo ao anocalendário de 1996, o qual se fez acompanhado de cópia da declaração de rendimentos (DIRPJ/97) de fls. 18/44 que exprime prejuízo fiscal na linha 27 da ficha 07 na importância de R$ 2.366.571,22 e indica na ficha 08 o saldo negativo de imposto de renda (linha 19) e imposto de renda retido na fonte (linha 15), ambos no valor de R$ 2.459.479,82, fls 18/44, do que se infere, inclusive porque consta à fl. 01, que a interessada já fez compensações à ordem de R$ 1.784.643,99. Declarou, ainda, que valor remanescente peticionado não foi compensado e nem seria objeto de novo pedido de restituição ou compensação automática, fl. 45. A partir de 01/12/1999 passou a instruir os autos com sucessivos pedidos de compensação, ora com dívidas próprias, ora de terceiros, fls. 47/54. Em agosto de 2004 a Delegacia da Receita Federal em Araraquara intimou a peticionária para apresentar cópias de documentos e de partes da escrituração contábil e fiscal, fl. 84, vindo aos autos a resposta e documentos de fls. 85/2^15, complementados às fls. 221/236 em face de nova intimação para tanto à fl. 219/220. Em dezembro de 2004 nova intimação da unidade fiscal, fl. 241, desta vez para que a interessada apresentasse demonstrativo, apoiado na escrituração contábil, que pudesse comprovar a apropriação das receitas financeiras pelo regime de competência, sendo juntada a resposta e documentos de fls. 242/334. Adveio o despacho decisório de fls. 341/346 indeferindo o pedido da contribuinte, declarando a homologação tácita das compensações de fls. 47, 49 e 51 e não homologando as compensações de fls. 48, 50, 53 e 54, sendo as três primeiras pelo fato dos débitos serem de terceiros e a última, embora relativa a débitos próprios, por não ter decorrido o prazo qüinqüenal entre o pedido e a apreciação administrativa. Referida decisão traz como fundamento, em síntese, que a interessada não logrou comprovar que as receitas financeiras correspondentes ao imposto retido foram oferecidas à tributação, nada obstante terse aprofundado a análise da contabilidade do ano anterior em face da alegada contabilização de receitas naquele ano, em face do regime contábil de competência, restando prejudicada a liquidez e certeza do alegado crédito. Cientificada dessa decisão, a interessada ingressou com a tempestiva peça recursal de fls. 370/375, acompanhada dos documentos de fls. 376/383, por meio da qual pede a reforma do despacho decisório e o deferimento do seu pedido de restituição, seguindose a conseqüente homologação das compensações correspondentes. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 10/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13851.000278/9930 Acórdão n.º 140100.526 S1C4T1 Fl. 533 3 Argumenta, em síntese, que os rendimentos produzidos pelas aplicações financeiras realizadas em determinado anocalendário e resgatadas em anos seguintes não são reconhecidos integralmente no mesmo período em que ocorre a retenção do imposto na fonte em face do regime de competência e do estatuído no artigo 317 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/94), motivo pelo qual os valores constantes no Sistema IRF Consulta não conferem com aqueles reconhecidos mensalmente como receita financeira. Realça que a discussão travada nos autos diz respeito tão somente à comprovação de que parte dos rendimentos com aplicações financeiras resgatadas em 1996 já havia sido tributada em períodos anteriores, especificamente nos meses de junho a setembro de 1995, embora incluídas no demonstrativo de fls. 338, o que é feito nesse momento, com a juntada de cópias dos registros contábeis, entendendo, ao final, que existe comprovação no sentido de que as receitas financeiras foram computadas na apuração do lucro real. Por fim, protestou pela juntada de documentos e pela realização de diligências A DRJ, por unanimidade de votos, INDEFERIU a solicitação, nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1996 Ementa: Reclama contabilidade regular a restituição do saldo negativo de imposto de renda constante na declaração de rendimentos da pessoa jurídica submetida ao regime do lucro real, cuja origem repousa em ganhos advindos de aplicações financeiras com retenções levadas a efeito por fontes pagadoras, de sorte a restar sobejamente comprovado que ditas receitas compuseram a base de cálculo do IRPJ e que possa, como efeito, transmudar a receita pública na situação de indébito fiscal. O recurso voluntário repisou as razões trazidas na impugnação (manifestação de inconformidade), pediu a validação das provas trazidas aos autos, declarou e tentou demonstrar a regularidade de sua contabilidade, pediu a aplicação do artigo 112 do CTN que representa a interpretação mais favorável ao contribuinte, que apoiou em jurisprudência, e encerrou solicitando o provimento ao seu pedido. A então Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes baixou o julgamento em diligência para verificar o alegado pela Recorrente, ou seja, verificar se parte dos rendimentos com aplicações financeiras resgatadas em 1996 já havia sido tributada em períodos anteriores, especificamente nos meses de junho a setembro de 1995. Às fls. 497/499 consta Relatório Final de Diligência. Às fls. 502/504, consta manifestação favorável da Recorrente ao resultado constante do Relatório Final de Diligência, repisando os argumentos já tecidos no recurso voluntário. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 10/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13851.000278/9930 Acórdão n.º 140100.526 S1C4T1 Fl. 534 4 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A controvérsia toda cingese sobre a total tributação dos rendimentos de aplicação financeira, bem como se as afirmações do contribuinte de que parte dos rendimentos que diz respeito às retenções do anocalendário de 1996 foi, de fato, tributada em períodos anteriores é verdadeira. A não comprovação desse fato levou ao indeferimento das compensações pleiteadas por falta de liquidez e certeza do saldo negativo de 1996. Diante disso, em sede impugnatória, a requerente elaborou demonstrativos ainda procurando comprovar que todos os valores indicados nos informes de rendimentos foram realmente oferecidos à tributação, mas a DRJ não considerou essas provas suficientes para deferir o pleito. Diante disso, em sede de recurso voluntário, a requerente elaborou novos demonstrativos ainda mais detalhados tentando comprovar de forma inequívoca, o oferecimento à tributação daquelas receitas. A então Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes em função das provas já trazida aos autos e das peculiaridades do caso no que diz respeito ao regime de competência, resolveu baixar o julgamento em diligência para verificar o alegado pela Recorrente, ou seja, verificar se parte dos rendimentos com aplicações financeiras resgatadas em 1996 já havia sido mesmo tributada em períodos anteriores, especificamente nos meses de junho a setembro de 1995 Após a análise de toda a documentação, a fiscalização deu razão à Recorrente: "Da comparação do demonstrativo juntado pelo interessado às fls. 438/445, bem como da verificação da escrituração juntada posteriormente às fls. 448/486, observase que, s.m.j, as alegações do interessado de que as receitas financeiras sobres as quais incidiu o imposto de renda retido na fonte que constou da declaração de rendimentos, de fato, foram contabilizadas e tributadas. Há informações nos demonstrativos (com suporte nos Razões contábeis) referentes à: valores de resgate, datas destes, operações realizadas, valores de aplicações, datas destas, e resgates de IRRF. Ademais, os valores mobiliários informados pelo interessado no início e fim do período (ficha 17, fl. 447) coincidem com os valores retirados da contabilidade e dos demonstrativos juntados. (...)" Fl. 4DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 10/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13851.000278/9930 Acórdão n.º 140100.526 S1C4T1 Fl. 535 5 Desse modo, não resta mais qualquer dúvida sobre certeza e liquidez do direito creditório pleiteado pela requerente, uma vez provado nestes autos que as receitas financeiras que ensejaram as retenções na fonte em questão foram efetivamente oferecidas à tributação. Por todo o exposto, dou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 5DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 10/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER
score : 1.0
Numero do processo: 10540.001086/2006-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2004
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR AFASTADO INFERIOR AO LIMITE DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício interposto em face de decisão de primeira instância que exonerou o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa em total inferior ao limite de alçada estabelecido em Portaria Ministerial.
Numero da decisão: 1301-002.148
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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VALOR AFASTADO INFERIOR AO LIMITE DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício interposto em face de decisão de primeira instância que exonerou o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa em total inferior ao limite de alçada estabelecido em Portaria Ministerial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 00 10 86 /2 00 6- 38 Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10540.001086/200638 Acórdão n.º 1301002.148 S1C3T1 Fl. 1.035 2 MAFRIP FRIGORÍFICO RIO PARDO S/A, já qualificada nestes autos, foi autuada e intimada a recolher crédito tributário no valor total de R$ 844.408,66, discriminado no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, à fl. 5. Peço vênia para transcrever o excerto que segue, extraído do relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, que entendo será suficiente para os fins do presente julgamento. Tratase de autos de infração (fls. 04 a 25), lavrados em 28/11/2006, em nome do contribuinte acima identificado, para a exigência de créditos tributários, referentes ao anocalendário de 2003, relativos ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), no valor de R$ 195.711,17 (cento e noventa e cinco mil, setecentos e onze reais e dezessete centavos), à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), no valor de R$ 24.840,12 (vinte e quatro mil oitocentos e quarenta reais e doze centavos), à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS), no valor de R$ 45.163,86 (quarenta e cinco mil cento e sessenta e três reais e oitenta e seis centavos) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), no valor de R$ 114.686,11 (cento e quatorze mil seiscentos e oitenta e seis reais e onze centavos), consoante discriminado na folha 03 do presente processo. De acordo com a descrição dos fatos constante no auto de infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (fl. 07), os lançamentos (anocalendário de 2003) foram efetuados em razão da fiscalização ter apontado as seguintes infrações: a) Omissão de receitas (Passivo Fictício) – “Omissão de receita caracterizada pela manutenção, no passivo, de obrigação já paga e/ou incomprovada, conforme Relatório Fiscal em anexo”; b) Custo ou despesas não comprovadas (Glosa de despesas) – “Valor apurado conforme Relatório Fiscal em anexo”. Em decorrência dos mesmos pressupostos fáticos, foram lavrados também os autos de infração referentes ao PIS (fls 10 a 13), à COFINS (fls. 14 a 17), e à CSLL (fls. 18 a 23), utilizando como enquadramento legal os dispositivos constantes nos respectivos autos. O procedimento fiscal está detalhado no Relatório Fiscal (fls. 24 e 25). Cientificada através de Aviso de Recebimento (AR) da autuação em 22/11/2006 (fl. 198), a interessada protocolizou no dia 22/01/2007 a sua impugnação (fls. 202 a 946), alegando, em síntese, que: [...] A 1ª Turma da DRJ em Salvador/BA analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1521.876, de 03/12/2009 (fls. 1000/1020), considerou improcedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2003 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10540.001086/200638 Acórdão n.º 1301002.148 S1C3T1 Fl. 1.036 3 Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de impugnar o lançamento, descabe a alegação de nulidade Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. Cabe a pessoa jurídica comprovar ao Fisco a exigibilidade dos passivos registrados em sua contabilidade sob pena de se configurar a hipótese de omissão de receitas, porém, uma vez comprovado que referida conta abriga efetivas transações assumidas com terceiros, diferenças porventura detectadas não poderão ser concebidas como passivo fictício, se o Fisco não faz prova documental desta ocorrência. DESPESAS DE VARIAÇÃO MONETÁRIA PASSIVA. COMPROVAÇÃO. Em se tratando de despesas de variação monetária passiva incorridas mas não pagas, as planilhas de memória de cálculo conjuntamente com os contratos, são elementos hábeis de comprovação, cabendo ao Fisco a crítica qualitativa sobre seu conteúdo em face do contrato. Contribuição para o PIS Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento aos relativos à Contribuição para o PIS, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e à COFINS, em razão da relação de causa e efeito existente entre as matérias. A Turma Julgadora recorreu de ofício a este Colegiado, conforme consta à fl. 1001. À época, esse procedimento era disciplinado pelo art. 34 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.532/1997, e, ainda, pela Portaria MF nº 3/2008. É o Relatório. Voto Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10540.001086/200638 Acórdão n.º 1301002.148 S1C3T1 Fl. 1.037 4 Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator Cuidam os presentes autos de autos de infração para constituição de créditos tributários de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Os lançamentos foram integralmente afastados em primeira instância, e o Presidente da Turma Julgadora recorreu de ofício daquela decisão, nos seguintes termos (fl. 1001): Submetase o presente acórdão a apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, de acordo com o art. 34 do PAF e Portaria MF nº 3, de 03 de janeiro de 2008 (DOU de 07/01/2008), por força do recurso necessário. Eis o teor da mencionada Portaria MF nº 3, de 03/01/2008, publicada no DOU de 07/01/2008: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). No caso em tela, o próprio relatório do acórdão recorrido confirma que o lançamento se deu nos exatos valores especificados no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, à fl. 5. Extraindo daquele demonstrativo os valores de principal e multas lançados para cada tributo, temos: Principal Multa IRPJ 195.711,17 146.783,37 PIS 24.840,12 18.630,09 CSLL 114.686,11 86.014,58 COFINS 45.163,86 33.872,90 TOTAL 380.401,26 285.300,94 O total de tributo e encargos de multas lançado corresponde, então, a exatos R$ 665.702,20. Afastada integralmente a exigência, como o foi, esse é o montante do qual o sujeito passivo foi exonerado, valor inferior ao limite de alçada de R$ 1.000,000, já em vigor quando exarada a decisão a quo. Não se compreende, pois, os motivos que levaram o julgador em primeira instância à interposição do presente recurso de ofício. Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício, por descabido, visto que o sujeito passivo foi exonerado de pagamento de tributo e encargos de multa em valor inferior ao limite de alçada. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10540.001086/200638 Acórdão n.º 1301002.148 S1C3T1 Fl. 1.038 5 Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA
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Numero do processo: 10314.011835/2010-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Dec 27 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3402-000.844
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. A Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne votou pelas conclusões. Esteve presente ao julgamento o Dr. Vinícius Valentin Caccavali, OAB/SP 330.079.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. A Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne votou pelas conclusões. Esteve presente ao julgamento o Dr. Vinícius Valentin Caccavali, OAB/SP 330.079. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. RELATÓRIO Tratase de auto de infração contra as empresas SOSECAL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. ("SOSECAL") e COMEXPORT COMPANHIA DE COMÉRICO EXTERIOR ("COMEXPORT"), com fundamento na infração capitulada no art. 23, V, do Decretolei 1.455/1976, o que determinaria a aplicação da pena de perdimento às mercadorias. A penalidade foi convertida em multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro, nos termos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 14 .0 11 83 5/ 20 10 -9 5 Fl. 1133DF CARF MF Processo nº 10314.011835/201095 Resolução nº 3402000.844 S3C4T2 Fl. 3 2 previstos pelo artigo 23, § 3º, do Decretolei 1.455/76, ficando ambos os contribuintes solidariamente responsáveis pelo débito tributário. Frisese que a multa prevista pelo artigo 33 da Lei 11.488/07 (sanção pela cessão de nome para fins de interposição fraudulenta) foi imposta à COMEXPORT no processo nº 10314.012229/201097, apartado dos presentes autos. Fundouse a autuação na suspeita da prática de interposição por parte da SOSECAL, que atuaria como real adquirente ocultada pela COMEXPORT, que faria as importação de produtos da marca MIRAGE (cuja marca é atualmente detida pela SOSECAL) e seria posteriormente revendida para aquela. Ambas as empresas apresentaram impugnações tempestivas, rechaçando os fundamentos da autuação fiscal, as quais foram julgadas improcedentes em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 01/01/2006 Decadência. Contagem do prazo. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que o contribuinte incorre em dolo, fraude ou simulação. Descumprimento das normas relativas à importação por conta e ordem de terceiro. Dano ao Erário. Pena de perdimento. Multa substitutiva. Restando comprovada na declaração de importação a ausência de informação sobre a real adquirente da carga, além da presença de recursos de terceiros na operação, incontroverso o entendimento da fiscalização de ocorrência da infração prevista pelo artigo 23, inciso V, do Decretolei 1.455/76, considerada dano ao Erário, punida com a pena de perdimento das mercadorias, nos termos do § 1.º, do artigo 23, do Decretolei 1.455/76, que é convertida em multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro, no caso das mercadorias não serem localizadas ou que tenham sido consumidas, conforme § 3º, do artigo 23, do Decretolei 1.455/76, com a redação dada pela Lei 10.637/02. Solidariedade Passiva. Respondem pela infração quem quer que concorra para a sua prática, ou dela se beneficie, inclusive o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, nos termos do artigo 95, incisos I e V, do Decretolei 37/66, sendo solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato Fl. 1134DF CARF MF Processo nº 10314.011835/201095 Resolução nº 3402000.844 S3C4T2 Fl. 4 3 gerador da obrigação principal, seja tributo ou multa, conforme disposto pelos artigos 121 e 124, I, do Código Tributário Nacional CTN. Pedido de conversão do julgamento em diligência. Dispensável a conversão do julgamento em diligência ou perícia quando os elementos que integram os autos revelamse suficientes para formação da convicção e consequente julgamento do feito, nos termos do artigo 18 do Decreto nº 70.235/72. Ausência de reflexo do artigo 33 da Lei 11.488/07 sobre o inciso V, do artigo 23, do Decretolei 1.455/76. O artigo 33 da Lei 11.488/77 não trouxe nenhum reflexo sobre a imposição da pena de perdimento ou multa substitutiva à hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. A pena pecuniária prevista no artigo 33 da Lei 11.488/07 veio apenas substituir a pena não pecuniária de declaração de inaptidão, prevista pelo artigo 81 da Lei 9.430/96, e não a pena de perdimento. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido Inconformada, a COMEXPORT apresentou Recurso Voluntário, enquanto a SOSECAL deixou transcorrer in albis o prazo para recurso, conforme termo de perempção de fl. 1129. É o relatório, em síntese. VOTO O Recurso Voluntário foi interposto em 27/06/2014 pela COMEXPORT. Todavia, o mesmo apresentou vício na identificação da procuradora, Sra. Mirela Righetti Mourão, razão pela qual o mesmo foi intimado a apresentar documento para conferência da assinatura, o que foi sanado tempestivamente pelo contribuinte. Diante disso, entendemos que algumas providências devem ser cumpridas pelo órgão de origem para garantir uma análise adequada do feito. Listoas abaixo. Primeiramente, não localizamos nos autos documento que ateste a ciência inequívoca do contribuinte do teor do Acórdão da DRJ. O único documento que há é o de fl. 1118, relativo ao "rastreamento" dos Correios todavia, tal documento traz expressa ressalva quanto ao seus dados, no sentido dos mesmos não serem indicativos do momento de ocorrência da situação retratada, mas apenas do momento de recebimento dos dados pelo sistema. Desse modo, por uma questão de cautela com a admissibilidade do Recurso Voluntário do Contribuinte, é necessário que a Administração junte o documento comprobatório da ciência da COMEXPORT, seja ele "Aviso de Recebimento", "Termo de Abertura de Comunicado Virtual" ou o que o valha. Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 10314.011835/201095 Resolução nº 3402000.844 S3C4T2 Fl. 5 4 Em segundo lugar, causou espécie a este relator a separação dos processos relativos à cobrança da multa decorrente da conversão da pena de perdimento por interposição fraudulenta de terceiros na importação, aplicável a ambos, e a multa do art. 33 da Lei 11.488/07, decorrente da cessão de nome, imputada exclusivamente à COMEXPORT, visto que tais imputações são usualmente cobradas em um mesmo processo administrativo, sobretudo por serem dependentes de um mesmo fato a ocorrência de interposição fraudulenta comprovada. Verificouse no COMPROT que processo nº 10314.012229/201097 encontrase pendente de distribuição junto à DRJ de Ribeirão Preto. Desse modo, o processo deve ser remetido à unidade de origem para aguardar o processamento do referido processo e após resultado e eventual recurso, ser apensado aos presentes autos para serem julgados conjuntamente por este Colegiado. Em terceiro lugar, a autuação se baseia no relatório de fiscalização aduaneira de fls. 31 e seguintes, que foi elaborado a partir da análise, entre outras coisas, de diversas DIs da COMEXPORT, sem que as mesmas tenham sido juntadas ao processo. Verificase também que a autuação se funda, em larga medida, em indício apurado à partir da coincidência de alguns pagamentos feitos pela SOSECAL à COMEXPORT nas datas de liquidação dos contratos de câmbio das importações sem que, todavia, em qualquer momento fosse apontado, por exemplo, a data dos registros das DIs. Uma das Recorrentes junta algumas DIs, por amostragem, e alega que as importações ocorreram vários dias antes da liquidação dos contratos de câmbio. Em razão disso, solicitase que sejam juntados ao processo todas as DIs que fundamentam a presente autuação fiscal. Ante o exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência para que a unidade de origem cumpra o seguinte: i) junte documento comprobatório da ciência da COMEXPORT acerca da decisão de 1ª instância. ii) remeta o presente processo à unidade de origem para aguardar o desfecho do processo nº 10314.012229/201097 junto à DRJRibeirão Preto. Após decisão daquele órgão e eventual recurso, apensese o mesmo a este processo e retorne a este colegiado para julgamento. iii) sejam anexadas ao processo as DIs que fundamentam a presente autuação fiscal. É como voto. Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 1136DF CARF MF
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