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Numero do processo: 11020.007201/2008-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA.
Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas consideradas nos acórdãos indicados como paradigmas são distintas da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos referenciados, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial.
Numero da decisão: 9303-007.353
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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DISSIMILITUDE FÁTICA. Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas consideradas nos acórdãos indicados como paradigmas são distintas da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos referenciados, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 72 01 /2 00 8- 81 Fl. 718DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo ao acórdão 330200.584, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 EMBALAGEM. SERVIÇO DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA PERSONALIZADA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. A impressão gráfica personalizada em embalagem plástica para acondicionamento de ovo, feita para atender necessidades específicas do cliente, tratase de prestação de serviço e não industrialização. Quem a exerce é estabelecimento prestador de serviço e não estabelecimento industrial. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. IMPORTADOR. SAÍDA DOS PRODUTOS IMPORTADOS. RESSARCIMENTO DO IPI PAGO NA IMPORTAÇÃO. DESCABIMENTO. O estabelecimento importador de produtos de procedência estrangeira equiparase a estabelecimento industrial, ao dar saída a esses produtos, com suspensão indevida do IPI, não tem direito ao ressarcimento do imposto pago no desembaraço aduaneiro.” Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que: · Inicialmente, impende salientar a evidente nulidade do acórdão recorrido, que modificou o fundamento utilizado no ato administrativo vinculado materializado na decisão de primeira instância, vez que no despacho decisório não homologatório das Fl. 719DF CARF MF Processo nº 11020.007201/200881 Acórdão n.º 9303007.353 CSRFT3 Fl. 565 3 compensações apresentadas, a fiscalização entendeu que o sujeito passivo não se caracterizaria como estabelecimento industrial, sob o fundamento de que a mesma atua no ramo de “importação e revenda de embalagens no mercado interno” e o acórdão recorrido julgou improcedente o recurso voluntário sob o fundamento de que a atividade de prestação de serviços não seria industrial; · Constatase que houve alteração na motivação da decisão administrativa indeferitória do pedido de compensação formulado, circunstância que macula de nulidade por completo o acórdão · Discutese o direito de o sujeito passivo compensar créditos escriturais de IPI pagos na importação de insumos para fabricação de embalagens de material plástico/papelão, tendo em vista que sua atividade se caracteriza como industrialização, nos termos do art. 4º do RIPI, na medida em que realiza correções de deformações, melhoria no acabamento e impressão gráfica nos estojos para ovos (beneficiamento); · O acórdão recorrido limitase a afirmar que a atividade exercida pelo sujeito passivo consiste na importação de embalagens plásticos/papelão para acondicionamento de ovos in natura e revenda no mercado interno, sendo que, para alguns clientes, realiza, sob encomenda, impressões gráficas, as quais não se caracterizam como processo de industrialização; · A atividade envolve complexo processo de industrialização: correção de deformações nas embalagens e impressões gráficas. Em Despacho às fls. 690 a 693, foi dado seguimento parcial ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo apenas em relação à questão do conceito de industrialização. Em Despacho de Reexame de Admissibilidade foi mantido na íntegra o despacho do Presidente da Câmara. Fl. 720DF CARF MF 4 Contrarrazões foram apresentadas pela Fazenda Nacional, que trouxe, entre outros, que aonde incidir ISS porque prepondera o serviço, não pode incidir o IPI, ainda que no serviço se realize algum tipo de transformação, beneficiamento, montagem ou afim. Pois, comporta apenas uma incidência. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do recurso especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que não devo conhecêlo na parte admitida em despacho, vez que não há similitude fática entre os arestos recorrido e os indicados como paradigma. Recordase que a lide versa sobre o direito ao ressarcimento de crédito de IPI para o sujeito passivo – que foi considerado pelo colegiado a quo como “equiparado a industrial”, vez que se alegou naquela ocasião que o sujeito passivo importa embalagem para acondicionamento de ovos e as revende no mercado, aplicando impressões gráficas para alguns casos. O sujeito passivo, por sua vez, argumenta que realiza o beneficiamento das embalagens e ainda efetua impressões gráficas tornandoa estabelecimento industrial. E que, sendo assim, teria direito à suspensão da incidência do IPI sobre a saída dos produtos que industrializa. O acórdão recorrido, então, ao definir que o estabelecimento do sujeito passivo era equiparado a industrial, e não industrial, não reconheceu o direito ao ressarcimento do IPI, consignando a seguinte ementa: “RESSARCIMENTO. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE A legislação tributária é taxativa em atribuir o direito ao ressarcimento do saldo credor do IPI, apurado na escrita fiscal, às aquisições de matériasprimas, insumos e produtos intermediários efetivamente utilizados na industrialização de produtos e não as suas revendas. ” Fl. 721DF CARF MF Processo nº 11020.007201/200881 Acórdão n.º 9303007.353 CSRFT3 Fl. 566 5 Traz como fundamento que o art. 11 da Lei 9.779/99 é taxativo ao atribuir o direito ao ressarcimento do saldo credor do IPI apurado na escrita fiscal às operações decorrentes de industrialização e não da revenda de produtos. Enquanto, temse que o acórdão indicado como paradigma de nº: · 20308.994: Trata de sujeito passivo que realiza montagem para a saída de produto – através da união de peças e partes ou unidade autônoma. O Colegiado entendeu que essa atividade seria industrial. Para melhor elucidar, transcrevo a ementa consignada: “IPI — IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — Para os efeitos de incidência do IPI, considerase industrializado o produto que tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou a finalidade ou o aperfeiçoe para o consumo (parágrafo único do art. 46 do CTN). Ao explicitar como se caracteriza a industrialização, para o mesmo efeito, o Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados RIPI/82 dispõe, em seu art. 3 0, inciso III, que constitui industrialização a montagem, consistente na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal. Nesse sentido definiu a operação que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento).” Vêse que não há similitude fática com o caso vertente, vez que não houve discussão de importação de produto, beneficiamento desse produto e revenda ou venda do produto “beneficiado” – embalagem – o que sabemos que poderia gerar a discussão acerca da caracterização como estabelecimento industrial ou equiparada a industrial. O que seria a lide principal do caso vertente. Fl. 722DF CARF MF 6 Além disso, não se discutiu o art. 11 da Lei 9.779/99. · 20219.344: Trata de sujeito passivo que efetivamente fabrica as próprias caixas. Tanto é assim, que essa turma ao apreciar recurso especial interposto pelo sujeito passivo, assim consolidou em acórdão 9303006.483: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/01/1999 a 20/01/2002 ATIVIDADE PREPONDERANTEMENTE INDUSTRIAL. NÃO INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 156 DO STJ. A atividade de confecção de caixas de papelão com logotipo, sob encomenda, para embalagem de mercadorias, prestada por empresa industrial, não constitui mera prestação de serviço de composição gráfica, devendo ser considerada, para efeitos fiscais, como atividade de industrialização. A inserção, no produto assim confeccionado, de impressões gráficas, contendo a identificação da mercadoria a ser embalada e o nome do seu fornecedor, é um elemento eventual, cuja importância pode ser mais ou menos significativa, mas é invariavelmente secundaria no conjunto da operação.” Ademais, naquele caso, estava se discutindo a incidência de IPI na industrialização de embalagens “personalizadas por encomenda”. Proveitoso trazer que naquele julgamento essa conselheira apresentou declaração de voto, trazendo fatores cruciais para concordar com o relator pelas conclusões, vez que percebeu que não se tratava de produtos feitos por encomenda. Diferentemente do caso vertente, onde se discute se o sujeito passivo seria estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, vez que realiza beneficiamento de embalagem importada. Para assim, se considerado estabelecimento industrial, reconhecer o direito à suspensão da incidência do IPI sobre a saída dos produtos que industrializa. Fl. 723DF CARF MF Processo nº 11020.007201/200881 Acórdão n.º 9303007.353 CSRFT3 Fl. 567 7 Em vista de todo o exposto, por não haver similitude fática entre os arestos recorrido e os indicados como paradigma, entendo que o recurso especial interposto pelo sujeito passivo não deva ser conhecido, em respeito ao art. 67 do RICARF – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. O que, por conseguinte, voto por não conhecer o Recurso Especial. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 724DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.990831/2009-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO COM EMPREGO DE MATERIAIS.
Demonstrada a legitimidade das retificações implementadas na DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%, uma vez que há nos autos elementos de prova, que permitiram verificar que efetivamente havia o emprego de materiais na atividade de construção civil.
Numero da decisão: 1401-002.873
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO COM EMPREGO DE MATERIAIS. Demonstrada a legitimidade das retificações implementadas na DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%, uma vez que há nos autos elementos de prova, que permitiram verificar que efetivamente havia o emprego de materiais na atividade de construção civil.
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PERCENTUAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO COM EMPREGO DE MATERIAIS. Demonstrada a legitimidade das retificações implementadas na DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%, uma vez que há nos autos elementos de prova, que permitiram verificar que efetivamente havia o emprego de materiais na atividade de construção civil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 99 08 31 /2 00 9- 07 Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10880.990831/200907 Acórdão n.º 1401002.873 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão da DRJ/SP1 que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por considerar não comprovado o valor confessado na DCTF não é o correto, mediante prova material da existência do direito pleiteado. Conforme despacho decisório mantido DERAT/DIORT/EQPIR/SPO não reconheceu o direito creditório pleiteado no valor de R$ 5.122,89 e, conseqüentemente, não homologou nesses autos o PER/DCOMP n° 09055.54330.300106.1.3.046043, uma vez que o pagamento discriminado como indébito, de Imposto de Renda sobre Lucro Presumido, no valor de R$ 6.830,54, código 2089, recolhido em 30/04/2002, encontravase integralmente utilizado para quitação de débito correspondente. Mesmo após a Manifestação de Inconformidade, restou mantido integralmente o Despacho Decisório. Inconformada, interpôs Recurso Voluntário reiterando os argumentos da manifestação de inconformidade com o objetivo de ver convalidadas as compensações realizadas. É o relatório do essencial. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10880.990831/200907 Acórdão n.º 1401002.873 S1C4T1 Fl. 4 3 Tabela do plano Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.851, de 16/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.693171/2009 19, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.851): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. Temos que o acórdão recorrido indeferiu o pleito da recorrente considerando que ela não apresentou esclarecimento ou justificativa para a retificação da DIPJ, porém analisando as declarações entregues, constatouse a retificação da DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%. De acordo com as declarações originais, a receita bruta da contribuinte auferida no período em questão seria oriunda unicamente de prestação de serviços, sem o emprego de materiais. A retificação implementada, assim, demonstra que a contribuinte passou a entender que aquelas mesmas atividades teriam incluído o emprego de materiais, visto que o percentual de 8% que passou a utilizar é aplicável para a prestação de serviços de construção com emprego de materiais. Na decisão de piso foi considerado que tão somente a discriminação do objeto social constante do Contrato Social da empresa construtora ("ramo da construção civil, reformas, execução de projetos e atividades afins") não é suficiente para identificar a(s) atividade(s) que originara auferidas no período alcançado pelas declarações retificadoras, posto que era necessária apresentação de documentos que pudessem demonstrar a natureza das atividades a que se referiram os rendimentos declarados e que poderia esclarecer qual(is) o(s) correto(s) percentual(is) aplicável(is), se de 8%, tal como pretendido, se de 32%, ou mesmo de percentuais diversificados, conforme § 2° do artigo 15 da Lei n° 9.249/95. Em sede de Voluntário, a Recorrente aduz ser sua faculdade a compensar crédito que possuía junto ao Fisco decorrente de pagamento a maior com débitos a recolher que autorizavam nos moldes previstos no art. 170 do CTN e que a necessidade de reforma do Despacho Decisório está justamente no fato de que não homologação da compensação se deu por conta da análise pela Secretaria da Receita Federal do Brasil das informações constantes da DIPJ e DCTF ORIGINAIS e não Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10880.990831/200907 Acórdão n.º 1401002.873 S1C4T1 Fl. 5 4 das informações constantes nas declarações RETIFICADORAS, tendo o breve entendimento de que o sistema do referido órgão não havia processado as informações retificadas. Esclarece a Recorrente que preocupouse em relatar que as informações relativas ao cálculo do IRPJ em questão foram retificadas, sem detalhar com precisão o cálculo utilizado por entender que não era o objeto questionado no Despacho Decisório, que digase de passagem foi processado de modo eletrônico. A DRJ, reconheceu que a justificativa da alteração do cálculo foi a verificação de que foi utilizado percentual INCORRETO de presunção de lucro, visto que, como a Recorrente emprega materiais em TODAS as obras que realiza, o percentual correto de presunção de lucro é de 8% em conformidade com o Ato Declaratório Normativo Cosit n.° 6 de 13 de janeiro de 1997 e não de 32% como efetuado anteriormente por contabilista que prestava serviços Recorrente na época, contudo indeferiu o crédito pleiteado, dada a ausência de comprovação por parte da Recorrente de que fazia jus ao percentual de presunção de lucro de 8%. Notase que a Recorrente só foi possível saber o real motivo do indeferimento da compensação do crédito pleiteado, após ciência do resultado do julgamento da DRJ, tendo apresentado Recurso Voluntário precisamente para demonstrar a legitimidade das retificações implementadas na DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%, trazendo para os autos os seguintes elementos de prova, que permitiram verifica que efetivamente havia o emprego de materiais na atividade de construção civil. Com base na análise dos documentos juntados, resta demonstrado que a Recorrente, atendeu ao critérios para que pudesse ter sua base de cálculo para o imposto de renda determinada pela aplicação do percentual de 8% sobre sua receita bruta, especificamente em relação ao ramo da construção civil, atendeu ao Ato Declaratório Normativo Cosit n° 6, de 13 de janeiro de 1997 e seus critérios: "I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou seja, sem o emprego de materiais." A retificação implementada, assim, demonstra que a contribuinte passou a entender que aquelas mesmas atividades teriam incluído o emprego de materiais, visto que o percentual de 8% que passou a utilizar é aplicável para a prestação de serviços de construção com emprego de materiais, razão pela qual lhe era possível refazer o cálculo do IRPJ levando em Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10880.990831/200907 Acórdão n.º 1401002.873 S1C4T1 Fl. 6 5 consideração a base de cálculo de presunção de 8%, bem como de compensar o valor do tributo recolhido a maior, adotando os procedimentos legais de retificação das obrigações acessórias e apresentação de PER/DCOMP. Por estas razões, dou provimento ao Recurso Voluntário. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 139DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.013890/2007-65
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
CONCOMITÂNCIA. PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula Carf nº 1).
Numero da decisão: 2002-000.263
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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CONCOMITÂNCIA. PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. Recorrente ARILDO OLIVA FRANCA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 CONCOMITÂNCIA. PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula Carf nº 1). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 01 38 90 /2 00 7- 65 Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10166.013890/200765 Acórdão n.º 2002000.263 S2C0T2 Fl. 134 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 3ª Turma da DRJ/BSA, que considerou procedente o lançamento, em decisão assim ementada (fls.48/56): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS. Sujeitamse à tributação sob a forma de recolhimento mensal obrigatório (carnêleão), sem prejuízo do ajuste anual, os rendimentos recebidos por residentes ou domiciliados no País decorrentes da prestação de serviços a Organismos Internacionais de que o Brasil faça parte. Em face do sujeito passivo foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 22/26, relativa ao anocalendário 2004, decorrente de procedimento de revisão de Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que a fiscalização apurou omissão de rendimentos recebidos do exterior, no valor de R$52.852,98. A Notificação de Lançamento alterou o resultado apurado de saldo de imposto a restituir declarado de R$1.028,99, para saldo de imposto a pagar de R$13.505,58. Cientificado da notificação em 15/10/2007 (fl.44), o contribuinte impugnou a exigência fiscal em 14/11/2007 (fls. 2/19). A defesa apresentada foi assim sintetizada no acórdão recorrido: Inicialmente, tece comentários a respeito da Organização das Nações Unidas ONU e dos trabalhos desenvolvidos com a finalidade de promover o desenvolvimento econômico e social dos povos. Explica que, visando à agilização e à maior integração com a comunidade alvo, a ONU contrata profissionais nacionais dos Países Membros. Tais profissionais podem ser contratados como servidores das equipesbase que mantém vinculo laboral permanente ou como prestadores de serviços autônomos, remunerados por tarefa ou hora trabalhada. Os servidores das equipesbase, como o impugnante, tem seus rendimentos pagos com recursos da ONU e estão sujeitos às normas e aos procedimentos estabelecidos pela ONU. O contribuinte e servidor do quadro do(a) Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD, conforme comprovantes de pagamentos em anexo, que demonstram o exercício de função específica junto ao Organismo. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10166.013890/200765 Acórdão n.º 2002000.263 S2C0T2 Fl. 135 3 A Constituição Federal (art. 5º, §2°) e o Código Tributário Nacional CTN (art.98) asseguram a vigência dos tratados e convenções internacionais dos quais o Brasil é signatário, bem como a supremacia dos mesmos em relação a legislação brasileira. Em relação aos servidores do(a) Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD, aplicamse os benefícios previstos na Convenção Sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto n“ 27.784, de 950). Tais benefícios incluem a isenção de impostos sobe salários c vencimentos pagos pelas agências especializadas (art. V da Seção 18). Já as relações entre o Brasil e o Organismo Internacional são reguladas pelo Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, aprovada pelo Decreto nº 59.303, de l966. O Acordo não estabelece distinções entre os diversos servidores do Organismo Internacional, estendendo os benefícios nele previstos para peritos, agentes e funcionários. No tocante à legislação interna, assevera que o direito à isenção é garantido pelo art. 22, II do RIR/1999, que tem como base legal o art. 5º da Lei nº 4.506, de 1964 e o art. 30 da Lei nº 7.713, de 1988. A seguir, aborda o disciplinamento da matéria por atos internos da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. As orientações emanadas pela RFB, por meio de Pareceres CST e no Manual “Perguntas e Respostas” são no sentido de que somente os rendimentos decorrentes de prestação de serviços remunerados por hora são tributados pelo Imposto de Renda. Cita especificamente os Pareceres CST nºs. 717, de 1.979 e 03, de l996. Entende não ser necessária, para gozar da isenção, que os funcionários sejam do quadro efetivo do Organismo, mas, de qualquer jeito, assegura que possui vinculo laboral com o(a) Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD. A relação jurídica celebrada implica na existência de vínculo jurídicolaboral, porquanto presentes os requisitos que caracterizam a existência de contrato de trabalho, tais como subordinação hierárquica, dependência econômica e a habitualidade da prestação dos serviços. Ressalta, ainda, algumas características específicas do contrato celebrado, com o(a) Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD. Como funcionário do Organismo, aufere salário e está sujeito as normas contratuais especificas, diversas da lei trabalhista brasileira e previdenciária. Conclui que, a vista das leis vigentes e das orientações emanadas da RFB, inclusive a publicação denominada “Perguntas e Respostas”, qualquer contribuinte nas condições Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10166.013890/200765 Acórdão n.º 2002000.263 S2C0T2 Fl. 136 4 do impugnante incluise na categoria de funcionários do Organismo. Desqualifica a obrigação de seu nome constar em lista prevista na IN SRF nº 208, de 2002, pois as normas que prevêem a isenção não podem ser afrontadas por obrigações acessórias constantes de instruções normativas. Segundo ele, há diversos precedentes jurisprudenciais do Conselho de Contribuintes favoráveis em casos análogos ao seu. Face ao exposto, requer a declaração de insubsistência da Notificação de Lançamento, com a finalidade de tornar inexigível o crédito tributário lançado. Intimado da decisão do colegiado de primeira instância em 15/1/2009 (fl. 60), o recorrente apresentou recurso voluntário em 12/2/2009 (fls. 61/79), em que reitera e aprofunda os argumentos da impugnação. Posteriormente, foram juntadas pelo SEDIS/SEGAP/CARF (fl. 82) as decisões e peças judiciais de fls. 83/132. Tratase de documentação atinente à Ação Ordinária nº 5593 73.2013.4.01.3400, ajuizada pelo recorrente em face da União (Fazenda Nacional). Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.57). Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10166.013890/200765 Acórdão n.º 2002000.263 S2C0T2 Fl. 137 5 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo, entretanto há nos autos questão preliminar que prejudica o conhecimento do recurso. A existência de ação judicial com o mesmo objeto obsta o curso do contencioso administrativo, a teor da Súmula CARF nº 1, de observância obrigatória por este Colegiado: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Da análise de fls. 83/132, constatase que o recorrente ajuizou ação que tem como objeto a Notificação de Lançamento objeto destes autos, além daquela relativa ao ano calendário 2002, tratada em outro processo administrativo. Seguem trechos da petição inicial e das decisões proferidas nos autos da ação ordinária nº 559373.2013.4.01.3400: Petição Inicial .... No que tange ao tributo incidente sobre os rendimentos auferidos no ano de 2004, este teve a sua validade impugnada pelo autor, o que motivou a instauração do processo administrativo fiscal n° 10166.013890/200765, de modo que a exigibilidade do referido imposto encontrase suspensa. Notese, que o total do imposto apurado naquele anocalendário é de R$ 28.347,05 (vinte e oito mil trezentos e quarenta e sete reais e cinco centavos) (doe. 08). Entretanto, como já ressaltado anteriormente, em relação a este débito, o autor não efetuou parcelamento. ... Ante o exposto, é a presente ação para requerer se digne Vossa Excelência a: a)deferir a antecipação de tutela, sem a oitiva da outra parte,para suspender os procedimentos atinentes à inscrição do autor no CADIN e nos demais órgãos de restrição de Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10166.013890/200765 Acórdão n.º 2002000.263 S2C0T2 Fl. 138 6 crédito,como o SERASA; e, a exigibilidade dos supostos créditos tributários incidentes sobre os rendimentos auferidos nos anos calendário 2002 e 2004, lançados nos autos de infração que integram os processos administrativos n°14041.000214/200527 e n° 10166.013890/200765.respectivamente; b)julgar procedente a presente ação para declarar a inexistência da relação jurídicoobrigacional que determine o recolhimento do imposto de renda pessoa física sobre os rendimentos pagos pelo PNUD/ONU ao autor, nos anos calendário de 2002 e 2004, uma vez que tais rendimentos estão alcançados pelo benefício da isenção; ... Decisão da 20ª Vara Federal Seção Judiciária do Distrito Federal ... Ante o exposto, JULGO PROCEDENTE O PEDIDO para anular os lançamentos realizados a título de imposto de renda sobre rendimentos auferidos pelo autor em razão da contratação por organismo internacional (PNUD) nos anoscalendário 2002 e 2004, bem como para condenar a ré na restituição dos valores pagos e dos valores indevidamente retidos a tal título, devidamente corrigidos pela Taxa Selic, que engloba juros e correção monetária Decisão do Tribunal Regional Federal da Primeira Região, na análise do Reexame Necessário ... Verificase, pela leitura das decisões acima transcritas, que os benefícios fiscais decorrentes da Convenção Sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, nos termos do Decreto n. 27.784/50, são extensivos a prestadores de serviços técnicos contratados, temporariamente, por organismo internacional vinculado à ONU, esteja o profissional a serviço do PNUD ou da UNESCO, sendo incabível, no caso, distinção cuja finalidade seja a de incidência da exação impugnada. Diante disso, não merece reparo a sentença por ter julgado procedente o pedido do autor para "anular os lançamentos realizados a título de imposto de renda sobre rendimentos auferidos pelo autor em razão da contratação por organismo internacional (PNUD) nos anoscalendário 2002 e 2004, bem como para condenar a ré na restituição dos valores pagos indevidamente retidos a tal título, devidamente corrigidos pela Taxa Selic. Evidenciase, dessa forma, a identidade da matéria discutida nos autos judiciais com a matéria do recurso voluntário objeto destes autos, qual seja, a incidência do Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10166.013890/200765 Acórdão n.º 2002000.263 S2C0T2 Fl. 139 7 imposto de renda sobre os rendimentos recebidos pelo interessado de organismo internacional no anocalendário 2004. Registrese que o pleito judicial é mais abrangente, uma vez que discute também a tributação dos valores recebidos no anocalendário 2002. Dessa feita, dada a opção do contribuinte pela discussão judicial, o recurso interposto não pode ser conhecido. Conclusão Pelo exposto, voto pelo não conhecimento do recurso, tendo em vista a opção pela discussão da matéria objeto destes autos na via judicial. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 139DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720153/2014-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2009 a 31/07/2009, 01/01/2010 a 31/01/2010, 01/07/2010 a 31/07/2010
PLR. DIRETORES ADMINISTRADORES CONTRATADOS SUPEDÂNEO NA CLT. NÃO EXIGÊNCIA COM BASE NO FUNDAMENTO APRESENTADO NO LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO
A função de administração não afasta o diretor, inexoramentente, da condição de empregado. Diretores contratados com vínculo empregatício, conforme declarações e documentos contábeis hígidos e não desconsiderados pela fiscalização (GFIP, DIRF DIPJ e contabilidade). Caberia ao fiscal demonstrar que não estariam presentes as características inerentes à relação de emprego (artigo 3º da CLT).
Não procede a exigência da contribuição previdenciária sobre os pagamentos efetuados a título de PLR com base no fundamento descrito no lançamento. Não é razoável a descaracterização da condição de empregado dos diretores, apenas pelo fato destes exercerem a função de administrador, embora o contribuinte os tenham contratado como empregados e todas as declarações apresentadas à fiscalização corroborem com essa condição. Deve ser declarada a improcedência do lançamento.
Numero da decisão: 2401-005.676
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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BOLSA DE VALORES, MERCADORIAS E FUTUROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2009 a 31/07/2009, 01/01/2010 a 31/01/2010, 01/07/2010 a 31/07/2010 PLR. DIRETORES ADMINISTRADORES CONTRATADOS SUPEDÂNEO NA CLT. NÃO EXIGÊNCIA COM BASE NO FUNDAMENTO APRESENTADO NO LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO A função de administração não afasta o diretor, inexoramentente, da condição de empregado. Diretores contratados com vínculo empregatício, conforme declarações e documentos contábeis hígidos e não desconsiderados pela fiscalização (GFIP, DIRF DIPJ e contabilidade). Caberia ao fiscal demonstrar que não estariam presentes as características inerentes à relação de emprego (artigo 3º da CLT). Não procede a exigência da contribuição previdenciária sobre os pagamentos efetuados a título de PLR com base no fundamento descrito no lançamento. Não é razoável a descaracterização da condição de empregado dos diretores, apenas pelo fato destes exercerem a função de administrador, embora o contribuinte os tenham contratado como empregados e todas as declarações apresentadas à fiscalização corroborem com essa condição. Deve ser declarada a improcedência do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 01 53 /2 01 4- 38 Fl. 452DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo SP (DRJ/SPO), que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE A IMPUGNAÇÃO, mantendo o crédito tributário exigido, conforme ementa do Acórdão nº 1660.743 (fls. 369/390): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2009 a 31/07/2009, 01/01/2010 a 31/01/2010, 01/07/2010 a 31/07/2010 AUTO DE INFRAÇÃO (AI). FORMALIDADES LEGAIS. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O Auto de Infração (AI) encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando, assim, adequada motivação jurídica e fática, bem como os pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigido nos termos da Lei. Tendo sido o procedimento fiscal realizado na forma prevista na legislação de regência, não há que se falar em qualquer ofensa ao princípio da verdade material. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. Sobre os débitos da União decorrentes de tributos e contribuições não pagos nos prazos previstos na legislação específica, incidirão juros de mora calculados à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no Fl. 453DF CARF MF Processo nº 16327.720153/201438 Acórdão n.º 2401005.676 S2C4T1 Fl. 3 3 mês de pagamento. Art. 61 § 3º c/c Art. 5º § 3º, ambos da Lei 9.430/96. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. FUNÇÃO. O Relatório de Vínculos não tem como escopo incluir os diretores da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, possam ser responsabilizadas na esfera judicial, nos termos do § 3o do art. 4o da Lei no 6.830/80. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação, ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, cujo reconhecimento encontrase na esfera de competência do Poder Judiciário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2009 a 31/07/2009, 01/01/2010 a 31/01/2010, 01/07/2010 a 31/07/2010 CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. DIRETOR NÃO EMPREGADO DE SOCIEDADE ANÔNIMA. São segurados obrigatórios do Regime Geral da Previdência Social (RGPS), na qualidade de contribuinte individual, o diretor não empregado de sociedade anônima. DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DE ADMINISTRADORES. Considerase saláriodecontribuição a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive sob a forma de utilidades. A participação nos lucros e resultados da Companhia, paga pela empresa aos administradores (diretores não empregados), integra o salário de contribuição, base de incidência das contribuições sociais previdenciárias, por caracterizar contraprestação aos serviços prestados, e por não se enquadrar em nenhuma hipótese de exclusão prevista em lei. CONTRIBUIÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 22, PARÁGRAFO 1º, DA LEI Nº 8.212/91. As Bolsas de Mercadorias e Futuros enquadramse no código FPAS 736, estando obrigadas ao recolhimento de contribuição adicional de 2,5% conforme o parágrafo 1º do artigo 22, da Lei Fl. 454DF CARF MF 4 nº 8.212/91, incidente sobre a base de cálculo estabelecida nos incisos I e III deste mesmo artigo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo trata de crédito tributário constituído em desfavor da BM&F BOVESPA S.A. BOLSA DE VALORES, MERCADORIAS E FUTUROS, por meio do Auto de Infração DEBCAD nº 51.011.1530 (fls. 282/287), consolidado em 27/02/2014, no montante lançado, incluindo juros e multa, de R$ 4.522.657,73, abrangendo as competências 07/2009, 01/2010 e 07/2010, relativo a contribuições devidas à Seguridade Social, da parte da empresa, incidentes sobre remunerações pagas a seus administradores a título de Participação nos Resultados, não recolhidas e não declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 251/266): 1. Está previsto no Estatuto Social do Contribuinte que a administração da Sociedade compete ao Conselho de Administração e à Diretoria; 2. Apesar da previsão estatutária, o Contribuinte considera seus Diretores como empregados, como se verifica nos documentos declaratórios Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF, e Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ; 3. Do ponto de vista fiscal este fato tem relevância, pois os pagamentos das participações atribuídas aos administradores não sofreram incidência de contribuições previdenciárias; 4. Independentemente da classificação nos documentos declaratórios, os Diretores são, de fato, Administradores da Sociedade, conforme se verifica nos documentos elaborados pelo próprio Contribuinte; 5. Os Membros do Conselho de Administração e os Diretores da BM&FBOVESPA S/A, Sociedade Anônima, regida pela Lei nº 6404/76, são os Administradores da sociedade; 6. O Contribuinte informa que todos os seus diretores são contratados pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho como efetivos empregados da Companhia, razão pela qual se incluem no Plano de Participação dos Lucros ou Resultados, firmado com base na Lei nº 10.101/2000; 7. Apesar do Contribuinte considerar os diretores como empregados e não como administradores, aplica o disposto nos artigos 249, 303, e 463 do Decreto nº 3000/99 – RIR 99, e considera como indedutíveis os valores das participações pagas aos diretores, enquadrandoos como administradores, adicionando os valores ao Lucro Líquido do Exercício para apurar o Lucro Real; 8. A lei que trata da participação nos lucros ou resultados da empresa, que prevê a isenção previdenciária, é apenas a Lei nº 10.101/00. Esta Fl. 455DF CARF MF Processo nº 16327.720153/201438 Acórdão n.º 2401005.676 S2C4T1 Fl. 4 5 norma desvinculou da remuneração a participação nos lucros ou resultados recebidos somente pelos segurados empregados; 9. Sobre a participação paga aos administradores, segurados contribuintes individuais, incide contribuição previdenciária não importando para tal fim se tais pagamentos tiveram como fundamento a Lei nº 6.404/76 ou a Lei nº 10.101/2000; 10. Uma vez que os fatos geradores lançados se encontram devidamente registrados na contabilidade da empresa, não foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais. Em 28/02/2014 o sujeito passivo tomou ciência pessoal do Auto de Infração lavrado (fl. 282) e, em 01/04/2014, tempestivamente, apresentou sua Impugnação de fls. 318 a 333, instruída com os documentos nas fls. 336 a 364. Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à DRJ/SPO para julgamento, onde, em 26/08/2014 a 14ª Turma da DRJ/SPO, através do Acórdão nº 16 60.743, votou por considerar a IMPUGNAÇÃO IMPROCEDENTE, MANTENDO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXIGIDO. Em 04/09/2014 o Contribuinte tomou ciência do Acórdão (AR fl. 393) e, em 03/10/2014, inconformado com a decisão tomada interpôs o RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 395 a 418, instruída com os documentos nas fls. 419 a 445. Por ocasião do RV, o contribuinte faz um breve resumo dos fatos ocorridos (fls. 396/397) e apresenta os seguintes argumentos para fundamentar as suas razões recursais: 1. Assevera que a única motivação utilizada pelo agente fiscal para a cobrança das contribuições previdenciárias no presente caso se relaciona ao entendimento de que os diretores seriam administradores; 2. Afirma ser indevida tributação dos valores de PLR pagos aos Diretores Empregados pois, conforme premissa adotada pelo próprio fiscal, a CF/88 desvinculou da remuneração a PLR paga aos empregados, sendo que a fiscalização constatou, pelos documentos constantes nos autos, que os diretores são efetivamente regidos pela CLT (fls. 398/399); 3. Discorre sobre a indevida desconsideração indireta dos Contratos de Trabalho dos Diretores, tendo em vista que, conforme demonstrado durante a fiscalização, os diretores atendem a todos os requisitos contidos no art. 3º da CLT, não trazendo a fiscalização qualquer prova ou fundamentação de que não existe subordinação (fls. 399/407); 4. Ad argumentandum, aduz sobre a possibilidade de pagamento de PLR a diretores não empregados, por força da Lei nº 6.404/76 que seria a mais específica para regulamentar a matéria (fls. 407/413); Fl. 456DF CARF MF 6 5. afirma ser descabida a cobrança do adicional de 2,5% da alíquota sobre os valores pagos a título de PLR aos seus Diretores Empregados (fls. 413/416); 6. Assevera acerca da ilegalidade da incidência de juros sobre o valor da multa (fls. 416/417); 7. Aduz a impertinência da listagem denominada “Relatório de Vínculos” com a inclusão de nomes de Diretores e membros do Conselho de Administração do Contribuinte, sem tecer quaisquer comentários sobre os motivos que levaram a escolha das pessoas ali arroladas (fls. 417/418). Conclui o RV requerendo a improcedência do Auto de Infração e, alternativamente, na hipótese de não acolhimento do pleito inicial: 1. A exclusão dos juros sobre a multa; 2. A exclusão dos adicionais de 2,5% da alíquota; 3. A suspensão dos nomes dos Diretores e membros do Conselho Administrativo do Relatório de Vínculos. É o relatório. Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito Insurgese a Recorrente contra a exigência da contribuição previdenciária sobre o PLR pago aos diretores e, para tanto, defende a qualidade de empregados dos referidos diretores e afirma que a conduta da fiscalização de desconsiderar a contratação sob a égide da CLT, para o fim exclusivo de cobrança de contribuição previdenciária, configura nulidade, pois pautada apenas em excertos do seu estatuto social, o que não tem o condão de invalidar os contratos de trabalho celebrados. Segundo a Recorrente, não existiria motivo plausível para simular um vínculo empregatício, arcar com todos os encargos dele decorrentes, apenas para não pagar as contribuições previdenciárias sobre PLR. Fl. 457DF CARF MF Processo nº 16327.720153/201438 Acórdão n.º 2401005.676 S2C4T1 Fl. 5 7 Discorre argumentação no sentido de que, ainda que se admitisse o pagamento de PLR aos administradores não empregados com fundamento no art. 152 da Lei nº 6.404/76, não haveria que se falar na incidência da contribuição previdenciária, pois estariam sendo pagos de acordo com a lei específica. Pois bem. O Termo de Verificação Fiscal traz a transcrição de diversos capítulos do estatuto social que discorrem sobre as funções dos membros do conselho de administração e dos diretores, além da qualificação destes como administradores da sociedade. Afirma que o contribuinte os considera empregados, sendo verificada essa condição nas declarações apresentadas, tais como, GFIP declarados na Categoria 1 como Empregado, DIRF – declarado no código de retenção 0561 e DIPJ, qualificados como diretores com vínculo empregatício. Assevera que, do ponto de vista fiscal, tem relevância a caracterização dos administradores como empregados, uma vez que os pagamentos das participações que lhes são atribuídas não sofreriam incidência das contribuições previdenciárias. Disserta que, independentemente da classificação dada pelo contribuinte aos seus diretores, eles são, de fato, administradores da sociedade. Traz vários trechos do estatuto social da empresa, cita o artigo 138 da Lei nº 6.404/76, para concluir que os diretores são administradores da sociedade. Assim, segundo a fiscalização, como o contribuinte pagou participação nos lucros, e como foi constatado que os diretores exercem a função de administradores, não poderiam ser considerados empregados. Dessa forma, entendeu que os valores pagos a título de PLR não estariam desvinculados da remuneração e, portanto, deveriam sofrer a incidência de contribuição previdenciária. Como se constata, a motivação carreada ao lançamento pelo fiscal, para concluir pela incidência da contribuição previdenciária sobre o pagamento da participação dos lucros, foi tão somente pelo fato do pagamento ter sido efetuado aos administradores. Ocorre que existe uma falha no lançamento fiscal quanto a motivação relativa à incidência tributária no pagamento do PLR. O fiscal partiu do pressuposto de que o diretor administrador não poderia ser empregado, no entanto, não explicita, em linguagem clara e objetiva, qual o impedimento existente para a conclusão disposta na autuação. No TVF o Auditor Fiscal discorre, ainda, sobre o seu entendimento de que a única lei a regular essa matéria seria a Lei 10.101/2000 e que, por tratar apenas do pagamento de PLR a empregados, exonera apenas os trabalhadores que laboram sob a proteção da CLT. No entanto não traz as razões de onde está a proibição de que diretores administradores não poderiam ser empregados. Diante da autuação efetuada, verificase que o ponto principal a ser analisado é se a função de administrador traria impedimento legal para trabalhar sob o regime da CLT. No entendimento da fiscalização, esse fato em si já conferiria o impedimento, conforme se destaca do trecho do TVF (fl. 263) quando trata a situação jurídica da seguinte maneira: Fl. 458DF CARF MF 8 Dessa forma, o pagamento de participação nos lucros somente estará desvinculado da remuneração e, consequentemente, fora do campo de incidência da contribuição previdenciária, quando pago aos empregados e de acordo com os termos e requisitos da MP nº 794/94 convertida na Lei nº 10.101/2000. Logo, a participação nos lucros paga aos Diretores da Cia. (administradores) integra o salário de contribuição, ficando, pois, sujeita à incidência de contribuição previdenciária. No entanto, observase que o próprio agente fiscal reconheceu que os diretores foram contratados sob o regime da CLT quando explica que, em todas as declarações apresentadas pelo contribuinte, os pagamentos aos diretores estão registrados junto com os pagamentos efetuados aos empregados: Apesar da previsão estatutária de que a Administração da sociedade compete ao Conselho de Administração e à Diretoria, conforme descrito no item 5 anterior, o contribuinte considera seus Diretores como empregados da sociedade, conforme se verifica nos documentos declaratórios (i) GFIP – Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social, (ii) DIRF – Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte e (iii) DIPJ – Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica. Na GFIP, são declarados na Categoria 1 – Empregado; na DIRF, no código de retenção 0561 – Rendimento do Trabalho Assalariado; e na DIPJ, como Diretores com Vínculo Empregatício. Os pagamentos efetuados a título de Participação nos Lucros aos Administradores foram detectados através da DIPJ – Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, dos Registros Contábeis e dos Resumos Mensais das Folhas de Pagamento, todos referentes aos anoscalendário 2009 e 2010. (...) os valores referentes à Participação nos Lucros dos Administradores foram contabilizados em conjunto com a Participação nos Lucros ou Resultados dos Empregados (...) Da análise das Folhas de Pagamento apresentadas pelo contribuinte no formato MANAD, verificouse que os valores referentes à Participação nos Lucros dos Administradores foram registrados em conjunto com a Participação nos Lucros dos Empregados Cumpre esclarecer que a empresa contratou os diretores como empregados, tanto que são enquadrados como tal em todas as declarações apresentadas e na contabilidade da empresa, não cabendo, discricionariamente ao agente autuante, retirar a condição de empregado pelo fato de constar no estatuto social que o diretor tem a função de administração, sem que exista sequer razões de impedimento para o exercício da administração sob a égide da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, ou mesmo, sem especificar qual o requisito do artigo 3º da CLT não está presente, sem trazer a motivação adequada e essencial para essa conclusão. Como visto, para a configuração da incidência tributária a autoridade autuante traz no bojo da verificação fiscal, uma diferença entre diretor empregado e diretor administrador, quando a diferença a ser verificada seria aquela entre o diretor empregado e o Fl. 459DF CARF MF Processo nº 16327.720153/201438 Acórdão n.º 2401005.676 S2C4T1 Fl. 6 9 diretor não empregado. O fato de exercer a função de administração não o afasta, inexoramentente, da condição de empregado. Vejamos como dispõe o Regulamento da Previdência Social (Decreto 3.048/1999) a esse respeito: Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; V como contribuinte individual: f) o diretor não empregado e o membro de conselho de administração na sociedade anônima; § 2º Considerase diretor empregado aquele que, participando ou não do risco econômico do empreendimento, seja contratado ou promovido para cargo de direção das sociedades anônimas, mantendo as características inerentes à relação de emprego. § 3º Considerase diretor não empregado aquele que, participando ou não do risco econômico do empreendimento, seja eleito, por assembléia geral dos acionistas, para cargo de direção das sociedades anônimas, não mantendo as características inerentes à relação de emprego. § 4º Entendese por serviço prestado em caráter não eventual aquele relacionado direta ou indiretamente com as atividades normais da empresa. (Grifamos). Com efeito, diante da norma acima colacionada e tendo em vista a situação fática encontrada na empresa através da qual resta constatado que os diretores foram contratados com vínculo empregatício, de acordo com as declarações e documentos contábeis hígidos e não desconsiderados pela fiscalização (GFIP, DIRF DIPJ e contabilidade), caberia à autoridade autuante demonstrar que não estariam presentes as características inerentes à relação de emprego (artigo 3º da CLT), até porque, conforme disposto no § 2º do Decreto 3.048/1999, considerase diretor empregado aquele que, participando ou não do risco econômico do empreendimento, seja contratado ou promovido para cargo de direção das sociedades anônimas, mantendo as características inerentes à relação de emprego. Fl. 460DF CARF MF 10 Não vejo como razoável a descaracterização da condição de empregado dos diretores, apenas pelo fato destes exercerem a função de administrador, embora o contribuinte os tenham contratado como empregados e todas as declarações apresentadas à fiscalização corroborem com essa condição. Não há lógica jurídica, dentro dos fatos narrados pelo próprio Auditor Fiscal, o desfazimento do contrato sob a forma da CLT, sem a indicação clara e precisa de que inexiste subordinação jurídica inerente à relação de emprego. Não foi comprovado que os diretores não prestaram os serviços de forma pessoal, de maneira não eventual, com subordinação e mediante pagamento de salário. O próprio estatuto social da empresa, citado tantas vezes pelo fiscal (fls. 24 e seguintes), de forma alguma afasta o contrato de trabalho de diretores com vínculo empregatício, ao contrário, o corrobora. Segue alguns trechos do estatuto social: Seção III – Diretoria Artigo 31. A Diretoria é o órgão de representação da Companhia, competindolhe praticar todos os atos de gestão dos negócios sociais. Compete aos Diretores: (i) cumprir e fazer cumprir este Estatuto, as deliberações do Conselho de Administração e da Assembléia Geral; (ii) praticar, dentro das suas atribuições, todos os atos necessários ao funcionamento regular da Companhia e à consecução do objeto social; e (iii) coordenar as atividades das sociedades controladas da Companhia. Artigo 33. Os Diretores devem ter dedicação profissional exclusiva para com a Companhia e não podem, durante o tempo em que permanecerem no exercício de seus cargos, manter vínculo, conforme definido no Parágrafo 9º do Artigo 22, com: (i) titulares de Autorizações de Acesso, (ii) com acionistas ou Grupos de Acionistas titulares de 5% ou mais do capital votante da Companhia, (iii) com instituição que faça parte de sistema de distribuição de valores mobiliários no Brasil ou no exterior, (iv) com companhias abertas; (v) com instituição que atue na administração de carteira de valores mobiliários; (vi) com Investidores Institucionais. Artigo 21. Os membros do Conselho de Administração e da Diretoria serão investidos em seus respectivos cargos mediante assinatura, nos 30 dias seguintes à respectiva eleição, de termo de posse no livro próprio e do Termo de Anuência dos Administradores a que alude o Regulamento de Listagem do Novo Mercado, e permanecerão em seus cargos até a investidura dos novos administradores eleitos. Parágrafo Único. Os administradores da Companhia deverão aderir ao Manual de Divulgação e Uso de Informações e Política de Negociação de Valores Mobiliários de Emissão da Companhia, mediante assinatura do Termo respectivo. Se a empresa quis contratar diretores sob o regime da CLT não pode a fiscalização simplesmente afirmar que esses diretores administradores não são empregados e, por essa razão, proceder a exigência da contribuição previdenciária sobre os pagamentos efetuados a título de PLR com base no fundamento descrito no lançamento. Fl. 461DF CARF MF Processo nº 16327.720153/201438 Acórdão n.º 2401005.676 S2C4T1 Fl. 7 11 Nesse contexto, é dever do Fisco, investigar e verificar a ocorrência do fato jurídicotributário, cabendo demonstrar a ocorrência dos fatos que servem de suporte à exigência fiscal. Diante do exposto, entendo que deve ser declarada a improcedência do lançamento. Em face do entendimento supra, tenho por prejudicado o pleito recursal pertinente a possibilidade de pagamento de PLR aos administradores não empregados com fundamento na lei específica (Lei nº 6.404/76); ao adicional de 2,5%; a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício; o relatório de vínculos. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário e DOULHE PROVIMENTO, para julgar improcedente o lançamento. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 462DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10630.901696/2011-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA INCIDENTE SOBRE RENDIMENTOS AUFERIDOS NAS APLICAÇÕES EM FUNDOS DE INVESTIMENTO. IMUNIDADE RECÍPROCA. EXTENSÃO ÀS AUTARQUIAS. POSSIBILIDADE.
Basta a comprovação, mediante prova normativa, de que a entidade é autarquia municipal criada, para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998, para que sejam restituídas as retenções de fonte efetuadas sobre as aplicações financeiras.
Numero da decisão: 1201-002.416
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA INCIDENTE SOBRE RENDIMENTOS AUFERIDOS NAS APLICAÇÕES EM FUNDOS DE INVESTIMENTO. IMUNIDADE RECÍPROCA. EXTENSÃO ÀS AUTARQUIAS. POSSIBILIDADE. Basta a comprovação, mediante prova normativa, de que a entidade é autarquia municipal criada, para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998, para que sejam restituídas as retenções de fonte efetuadas sobre as aplicações financeiras.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
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RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA INCIDENTE SOBRE RENDIMENTOS AUFERIDOS NAS APLICAÇÕES EM FUNDOS DE INVESTIMENTO. IMUNIDADE RECÍPROCA. EXTENSÃO ÀS AUTARQUIAS. POSSIBILIDADE. Basta a comprovação, mediante prova normativa, de que a entidade é autarquia municipal criada, para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998, para que sejam restituídas as retenções de fonte efetuadas sobre as aplicações financeiras. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 90 16 96 /2 01 1- 91 Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10630.901696/201191 Acórdão n.º 1201002.416 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP que julgou improcedente a manifestação de inconformidade para indeferir o pedido de restituição. O crédito trazido no PER/DCOMP teria origem em pagamento indevido a título de imposto de renda incidente sobre rendimentos auferidos sobre aplicação em fundos de investimento. Pelo Despacho Decisório, o crédito não foi reconhecido e a restituição foi indeferida em face de que "não foi confirmada a existência do crédito pleiteado, pois o DARF a seguir, discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil." Protocolada a Manifestação de Inconformidade, foi julgada improcedente tendo como principal fundamento: "apenas mediante a condução de robusto conjunto probatório tendente à demonstração ampla e transparente do cumprimento dos preceitos estipulados nos §§2º e 3º do art. 150 da nossa Carta Política se revelaria verossímil corroborar com a incidência, de plano, da imunidade recíproca em favor da entidade autárquica, o que não é o caso dos presentes autos." Foi manejado o Recurso Voluntário em que é alegado: o recorrente mesmo sendo uma autarquia municipal instituto de previdência dos servidores públicos municipais de Águas Formosas (Lei nº 1.204/2007), tendo feito aplicações em fundos de investimento através da conta de investimentos nº 9.000x, mantida no Banco do Brasil, suportou descontos em virtude de retenções a título de imposto de renda no biênio 2003/2004; o entendimento que resultou na decisão de improcedência da manifestação de inconformidade apresentando como esteio a sustentação de ausência dos diplomas legais alusivos à criação do INPREMAF, contemplando a pormenorização de seus objetivos e finalidades, não deve permanecer carecendo ser reformada a aludida decisão; com efeito, a respeitável decisão está estribada na necessidade de comprovação da existência de lei municipal, hipótese em que deverá ser aplicado, supletivamente, os preceitos expressos no CPC, onde o artigo 337, dispondo sobre as normas gerais das provas, preceitua que o teor e a vigência de norma municipal será exigida como prova quando o julgador assim o determinar; temse ainda que no artigo 399 do mesmo diploma legal, está consignado que o julgador "requisitará às repartições públicas em qualquer tempo ou grau de jurisdição as certidões necessárias à prova das alegações das partes"; Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10630.901696/201191 Acórdão n.º 1201002.416 S1C2T1 Fl. 4 3 ademais, nos dados inseridos no CNPJ, consta que a recorrente tem como atividade econômica principal a arrecadação proveniente da "seguridade social obrigatória"; destarte, no que pertine ao entendimento da necessidade da comprovação de tais diplomas legais, deveria ter sido solicitado ao recorrente, à Câmara Municipal ou ao Executivo Municipal, antes do julgamento final, os diplomas legais ausentes nos autos e entendidos como imprescindíveis para o deferimento da pretensão do recorrente. Portanto, a apresentação dos documentos ora acostados não é intempestiva; de outro lado, não deverá ser mantido o entendimento quanto à necessidade de comprovação da existência de elementos comprobatórios no sentido de que os recursos financeiros aplicados no fundo de investimento "vinculamse efetivamente as atividades ou serviços de prestação obrigatória e exclusiva do Estado"; não é prudente indeferir o pedido da restituição das retenções efetivadas ao arrepio da Constituição Federal exigindo prova da inexistência do desvio de finalidade na atuação do recorrente, quando esta, como bem salientou a relatora Maria Lucia Aguilera, compete à fiscalização tributária, conforme legislação vigente. com o fito de sanar a prova documental entendida como necessária, anexa aos autos cópia da legislação pertinente à Recorrente e dos balancetes resumidos das receitas relativas aos exercícios financeiros de 2003/2004. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.399, de 17/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10630.900675/2011 59, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.399): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Assim, dele conheço. O crédito pleiteado pela Contribuinte se refere às retenções de fonte efetuadas sobre as aplicações financeiras em virtude de ser uma autarquia municipal criada para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10630.901696/201191 Acórdão n.º 1201002.416 S1C2T1 Fl. 5 4 A declaração de voto da ilustre julgadora Maria Lucia Aguilera na decisão de primeira instância, a meu ver, irretocável, cujos trechos trago a colação, contém todos os elementos necessários para se proferir a decisão: (...) A imunidade recíproca tem previsão no art.150, VI, “a”, §§2ºe 3º da Constituição Federal – CF, verbis: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; (...) § 2º A vedação do inciso VI, “a”, é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. § 3º As vedações do inciso VI, “a”, e do parágrafo anterior não se aplicam ao patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário, nem exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel (...) Quanto às pessoas alcançadas pela imunidade recíproca, a própria Constituição Federal – CF expressamente consignou a proteção ao entes que compõem a Federação – União, Estados, Distrito Federal e Municípios, os quais gozam de autonomia uns em relação aos outros, nos termos dos arts. 1ºe 18 da CF. Aos entes políticos, formadores da Federação, a Constituição Federal – CF atribuiu patrimônio e competências executivas, que não podem ser afetados pela tributação. Assim, o patrimônio, os serviços prestados e a renda auferida pelos entes da Federação estão protegidos pela imunidade recíproca. Além dos entes da Federação, a imunidade recíproca alcança as autarquias e fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público (art. 150, §2º da CF). A definição de autarquia se encontra no art. 5º, inciso I, DecretoLei nº 200, de 25 de fevereiro de 1967, in verbis: Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10630.901696/201191 Acórdão n.º 1201002.416 S1C2T1 Fl. 6 5 Art. 5º Para os fins desta lei, considerase: I Autarquia o serviço autônomo, criado por lei, com personalidade jurídica, patrimônio e receita próprios, para executar atividades típicas da Administração Pública, que requeiram, para seu melhor funcionamento, gestão administrativa e financeira descentralizada. (...) A característica mais marcante, que determina a natureza jurídica autárquica, é a atividade ser típica da Administração Pública e exercida pela entidade, por atribuição legal. Nos termos do art. 6º da Constituição Federal – CF, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 64, de 2010, a previdência social se inclui entre os direitos sociais. (...) No presente caso, invoca a defesa ser a requerente uma autarquia criada por Lei editada pelo Município de Águas Formosas/MG, para instituir Regime Próprio de Previdência Social, de acordo com os preceitos do art. 40 da CF: Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003). Para a implementação deste regime de previdência próprio do funcionalismo público, a competência exclusiva da União, para a instituição da contribuição previdenciária, no caso dos servidores públicos, foi transferida aos Estados, Distrito Federal e Municípios, instituidores do regime previdenciário em favor de seus servidores. É o que dispõe, verbis: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 1º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão contribuição, cobrada de seus servidores, para Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10630.901696/201191 Acórdão n.º 1201002.416 S1C2T1 Fl. 7 6 o custeio, em benefício destes, do regime previdenciário de que trata o art. 40, cuja alíquota não será inferior à da contribuição dos servidores titulares de cargos efetivos da União (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003). De fato, a regulamentação da instituição e funcionamento dos regimes próprios veio a ocorrer somente após dez anos da sua promulgação, com a edição da Lei Federal nº 9.717/98 de 28 de novembro de 1998, seguida da Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998, e da Emenda Constitucional nº 41, de 19 de dezembro de 2003. (...) Por sua vez, art. 40, caput, da CF, assegurou aos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, um regime de previdência próprio, de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas. Assim, foi criada a possibilidade de o ente público deixar de verter as contribuições previdenciárias ao RGPS e adotar sistema próprio de previdência social para os seus servidores, que em decorrência do chamado pacto federativo, representado pela autonomia política e administrativa de cada ente federativo, a eles foi facultado legislar concorrentemente sobre a organização e funcionamento, princípio aplicado também sobre os seus sistemas de previdência, desde que obedecidos os limites constitucionais e regras gerais. (...) E nos termos do art. 5º da Lei nº 9.717, de 1998, os regimes próprios de previdência social dos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos militares dos Estados e do Distrito Federal não poderão conceder benefícios distintos dos previstos no Regime Geral de Previdência Social, de que trata a Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, salvo disposição em contrário da Constituição Federal. Diante desse quadro jurídico, em se tratando de autarquia, instituída por Lei Municipal, para gerir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, de filiação compulsória, em substituição ao regime geral de previdência social, e por isso de caráter público, e não privado, a imunidade recíproca, prevista no art. 150, VI, “a”, §§2º e 3º da CF, deve se estender aos seus rendimentos de aplicações financeiras, vinculados a suas finalidades essenciais. (...) Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10630.901696/201191 Acórdão n.º 1201002.416 S1C2T1 Fl. 8 7 Comprovado o status de autarquia municipal criada, para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998, não há que se falar também em exploração de atividade econômica, porque se trata de entidade dedicada a regime público de previdência, conforme acima já explicado. Com relação à impossibilidade de contraprestação pelo usuário, registrese, por oportuno, que, nos termos do art. 40 da CF, as fontes de “receita” da autarquia são as contribuições do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, vinculadas ao custeio, em benefício destes, do regime previdenciário próprio, o que configura “contribuição”, mas não “contraprestação” do usuário. Apesar de tudo, cumpre aquiescer com o Relator que, no caso dos presentes autos, não é possível deferir os pedidos de restituição, porque o Instituto de Previdência do Município de Águas Formosas/MG – INPREMAF não trouxe aos autos a legislação municipal (leis, decretos e outros instrumentos) comprobatória de que a Requerente é autarquia municipal criada, para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998. Cumpre deixar claro a divergência em relação ao voto proferido pelo Exmo. Relator, no que diz respeito à extensão da prova requerida, para o deferimento do pedidos de restituição. Para esta Relatora, basta a comprovação, mediante prova normativa, de que a entidade é autarquia municipal criada, para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998, para que sejam restituídas as retenções de fonte efetuadas sobre as aplicações financeiras. A prova aqui requerida é de que a Lei Municipal e os atos normativos dela decorrentes, que instituíram e regulamentaram o regime próprio de previdência social dos servidores públicos municipais, observaram os requisitos constitucionais e os previstos na Lei nº 9.717, de 1998. No âmbito do presente processo, descabe imputar à entidade o ônus da prova de regularidade de atuação ou de observância das normas instituidoras do referido regime previdenciário, mediante a apresentação da competente escrituração. O ônus da prova de qualquer desvio de finalidade compete à fiscalização tributária, mediante os procedimentos de suspensão da imunidade, previstos no art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996. Para comprovar que se trata de uma autarquia municipal criada para instituir regime de previdência próprio dos Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10630.901696/201191 Acórdão n.º 1201002.416 S1C2T1 Fl. 9 8 servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998 a recorrente trouxe aos autos, na fase recursal, a cópia dos atos normativos abaixo relacionados: 1) Lei nº 1.095/2002 dispõe sobre a criação do Regime próprio Previdenciário dos Servidores Públicos do Município de Águas Formosas, cria o instituto de Previdência do Município de Águas Formosas INPREMAF, e regulamenta o Fundo Municipal d Previdência dos Servidores Públicos de Águas Formosas PREVAF, e dá outras providências (doc. de fls. 67/100) e Certidão de Publicação expedida pela Prefeitura Municipal de Águas Formosas (doc. de fls. 101); 2) Lei Complementar nº 1.204, de 23 de abril de 2007 dispõe sobre a reestruturação do Plano de Benefícios do Instituto de Previdência do Município de Águas Formosas INPREMAF e dá outras providências correlatas, visando a adequação às emendas constitucionais 41/2003 e 47/2005 (doc. de fls. 102/147); 3) Lei nº 1.239, de 14 de fevereiro de 2008 altera dispositivos da Lei nº 1.204, de 23 de abril de 2007 que "Dispõe sobre a reestruturação do Plano de Benefícios do Instituto de Previdência do Município de Águas Formosas INPREMAF e dá outras providências correlatas, visando a adequação às emendas constitucionais 41/2003 e 47/2005." (doc. de fls. 148/149); 4) Lei nº 1.240, de 14 de fevereiro de 2008 altera dispositivos da Lei nº 1.204, de 23 de abril de 2007 que "Dispõe sobre a reestruturação do Plano de Benefícios do Instituto de Previdência do Município de Águas Formosas INPREMAF e dá outras providências correlatas, visando a adequação às emendas constitucionais 41/2003 e 47/2005." (doc. de fls. 150/151); 5) Lei nº 1.418, de 27 de maio de 2013 altera dispositivos da Lei nº 1.204, de 23 de abril de 2007 que "Dispõe sobre a reestruturação do Plano de Benefícios do Instituto de Previdência do Município de Águas Formosas INPREMAF e dá outras providências correlatas, visando a adequação às emendas constitucionais 41/2003 e 47/2005", alterada pela Lei nº 1.240/2008. (doc. de fls. 152/153). Também anexou os balancetes resumidos das receitas relativas aos exercícios financeiros de 2003/2004 (doc. de fls. 65/66). Assim, entendo, na esteira da declaração de voto proferido pela eminente relatora, que a recorrente apresentou prova normativa de que a Lei Municipal e os atos normativos dela decorrentes, que instituíram e regulamentaram o regime próprio de previdência social dos servidores públicos municipais, observaram os requisitos constitucionais e os previstos na Lei nº 9.717, de 1998. Ademais, descabe imputar à entidade o ônus da prova de regularidade de atuação ou de observância das normas Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10630.901696/201191 Acórdão n.º 1201002.416 S1C2T1 Fl. 10 9 instituidoras do referido regime previdenciário, mediante a apresentação da competente escrituração. O ônus da prova de qualquer desvio de finalidade compete à fiscalização tributária, mediante os procedimentos de suspensão da imunidade, previstos no art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996. Diante de todo o exposto, a recorrente faz jus a imunidade recíproca e teria direito a restituição das retenções de fonte efetuadas sobre as suas aplicações financeiras. Assim, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário no sentido de deferir o pedido de restituição." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 153DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.000743/2008-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2007
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 636.941/RS.
As entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos legais são imunes à Contribuição ao PIS/Pasep, inclusive quando incidente sobre a folha de salários, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE nº 636.941/RS, no rito do art. 543-B da revogada Lei nº 5.869/1973 - antigo Código de Processo Civil, a qual deve ser reproduzida nos julgamentos deste Conselho, a teor do §2º do artigo 62 do Anexo II do RICARF.
Numero da decisão: 3302-005.928
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Vinícius Guimaraes (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 636.941/RS. As entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos legais são imunes à Contribuição ao PIS/Pasep, inclusive quando incidente sobre a folha de salários, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE nº 636.941/RS, no rito do art. 543-B da revogada Lei nº 5.869/1973 - antigo Código de Processo Civil, a qual deve ser reproduzida nos julgamentos deste Conselho, a teor do §2º do artigo 62 do Anexo II do RICARF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Vinícius Guimaraes (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
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ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 636.941/RS. As entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos legais são imunes à Contribuição ao PIS/Pasep, inclusive quando incidente sobre a folha de salários, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE nº 636.941/RS, no rito do art. 543B da revogada Lei nº 5.869/1973 antigo Código de Processo Civil, a qual deve ser reproduzida nos julgamentos deste Conselho, a teor do §2º do artigo 62 do Anexo II do RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Vinícius Guimaraes (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 07 43 /2 00 8- 64 Fl. 532DF CARF MF Processo nº 18471.000743/200864 Acórdão n.º 3302005.928 S3C3T2 Fl. 532 2 Trata o presente processo de Autos de Infração para constituição de créditos tributários relativos ao PIS/Pasep sobre a folha de salários, no período de dezembro de 2004 a dezembro de 2007, em razão de a recorrente considerarse indevidamente isenta sobre esta contribuição, a partir da vigência da isenção estabelecida no inciso IV do artigo 8º da Lei 11.196/2005 (PROUNI), conforme Termo de Verificação Fiscal TVF de efls. 374 a 380. Em impugnação, a recorrente aduziu que, tendo em vista as cláusulas pétreas da Constituição Federal e por ser entidade fundacional, não é passível de tributação em suas rendas, patrimônio e serviços desenvolvidos, tendo a autoridade fiscal ocultado estas informações. Acrescentou que sua adesão ao PROUNI a isentou dos recolhimentos de PIS tanto sobre o faturamento quanto sobre a folha de salários. Subsidiariamente, se devida a contribuição, deveria recair apenas sobre a folha de salários das faculdades e da mantenedora. A Décima Sexta Turma da DRJ/RJ1 proferiu o Acórdão nº 1250.543, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2007 PIS ISENÇÃO VINCULADA À ADESÃO AO PROUNI ALCANCE A isenção do PIS vinculada à adesão ao PROUNI alcança especificamente a receita auferida pela instituição de educação decorrente da realização de atividades de ensino superior, aplicandose à contribuição apurada com base no faturamento, não se estendendo àquela incidente sobre a folha de salários. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, aduzindo que a fundação é uma entidade beneficente de assistência social, sem fins lucrativos, possuindo certificado do CNAS, com cumprimento de todas as exigências do artigo 195, §7º da Constituição Federal e que os requisitos quanto à imunidade constitucional estão preconizados no artigo 14 do CTN. Reforçou que, mesmo que a adesão ao PROUNI não se estenda à toda área de autuação da fundação, a referida possui os certificados CEBAS com validade até 2010 (renovações no DOU anexadas ao recurso voluntário). A recorrente informou ainda a existência de embargos à execução fiscal, onde restou reconhecida sua isenção tributária. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. Fl. 533DF CARF MF Processo nº 18471.000743/200864 Acórdão n.º 3302005.928 S3C3T2 Fl. 533 3 O recurso voluntário foi protocolado no dia 25/10/2013, sendo que esta data como dia de ciência do acórdão de primeira instância, uma vez que não há nos autos informação ou documento da ciência efetiva de tal documento, conforme exposto no despacho de efl. 524. Salientase, outrossim, que a peça recursal foi protocolada sem a devida representação processual, que, todavia, foi anexada no pedido de cópia de processo, à efls. 530. Destarte, o recurso interposto atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O recurso voluntário restringe sua alegação no sentido de que a fundação é entidade beneficente de assistência social, possuidora de certificado CEBAS no período e que tal condição lhe confere imunidade tributária das contribuições, inclusive sobre a folha de salários. A fiscalização afirmou que a fundação é entidade beneficiada pela imunidade de que trata o arti. 150, VI (informou equivocadamente IV no TVF), "c" da CF c/c art. 9º, IV, "c" do CTN e artigo 12 da Lei nº 9.532/1997, sendo regida pelos incisos III e IV do artigo 13 da MP nº 2.15835/2001 e sujeita à incidência do PIS sobre folha de salários, conforme excerto abaixo: Os dispositivos referidos são os seguintes: Constituição Federal: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre: [...] c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; Código Tributário Nacional: Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] Fl. 534DF CARF MF Processo nº 18471.000743/200864 Acórdão n.º 3302005.928 S3C3T2 Fl. 534 4 IV cobrar imposto sobre: [...] c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capítulo; Lei nº 9.532/1997: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) (Vide ADI 1802) Portanto, não há litígio quanto à recorrente ser entidade beneficente de assistência social, o que resta confirmado pela juntada de cópias do DOU, nas quais consta a Resolução nº 3/2009 do Conselho Nacional de Assistência Social que publicou os deferimentos dos pedidos de renovação do CEBAS para diversas entidades, constando os da recorrente às e fls. 500 a 502, abrangendo o período autuado. No que tange à isenção do PROUNI alcançar todas as atividades da recorrente, a recorrente não deduziu mais tal consequência em sua peça recursal, mas concentrou a defesa no aspecto da imunidade constitucional concedida às entidades beneficentes de assistência social. A respeito da matéria, o STF, em um primeiro momento, examinou a imunidade das entidades beneficentes de educação e de assistência social de que o §7º do artigo 195 da CF/88, no RE nº 636.941/RS, com repercussão geral reconhecida e trânsito em julgado em 22/04/2014, no qual restou decidido que as referidas entidades quando fazem jus à imunidade do §7º do artigo 195 da Constituição Federal não são sujeitas ao PIS sobre a folha de salários, conforme ementa abaixo: TRIBUTÁRIO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. REPERCUSSÃO GERAL CONEXA. RE 566.622. IMUNIDADE AOS IMPOSTOS. ART. 150, VI, C, CF/88. IMUNIDADE ÀS CONTRIBUIÇÕES. ART. 195, § 7º, CF/88. O PIS É CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL (ART. 239 C/C ART. 195, I, CF/88). A CONCEITUAÇÃO E O REGIME JURÍDICO DA EXPRESSÃO “INSTITUIÇÕES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL E EDUCAÇÃO” (ART. 150, VI, C, CF/88) APLICASE POR ANALOGIA À EXPRESSÃO “ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL” (ART. 195, § 7º, CF/88). AS LIMITAÇÕES CONSTITUCIONAIS AO PODER DE TRIBUTAR SÃO O CONJUNTO DE PRINCÍPIOS E IMUNIDADES TRIBUTÁRIAS (ART. 146, II, CF/88). A EXPRESSÃO “ISENÇÃO” UTILIZADA NO ART. 195, § 7º, CF/88, TEM O Fl. 535DF CARF MF Processo nº 18471.000743/200864 Acórdão n.º 3302005.928 S3C3T2 Fl. 535 5 CONTEÚDO DE VERDADEIRA IMUNIDADE. O ART. 195, § 7º, CF/88, REPORTASE À LEI Nº 8.212/91, EM SUA REDAÇÃO ORIGINAL (MI 616/SP, Rel. Min. Nélson Jobim, Pleno, DJ 25/10/2002). O ART. 1º, DA LEI Nº 9.738/98, FOI SUSPENSO PELA CORTE SUPREMA (ADI 2.028 MC/DF, Rel. Moreira Alves, Pleno, DJ 16062000). A SUPREMA CORTE INDICIA QUE SOMENTE SE EXIGE LEI COMPLEMENTAR PARA A DEFINIÇÃO DOS SEUS LIMITES OBJETIVOS (MATERIAIS), E NÃO PARA A FIXAÇÃO DAS NORMAS DE CONSTITUIÇÃO E DE FUNCIONAMENTO DAS ENTIDADES IMUNES (ASPECTOS FORMAIS OU SUBJETIVOS), OS QUAIS PODEM SER VEICULADOS POR LEI ORDINÁRIA (ART. 55, DA LEI Nº 8.212/91). AS ENTIDADES QUE PROMOVEM A ASSISTÊNCIA SOCIAL BENEFICENTE (ART. 195, § 7º, CF/88) SOMENTE FAZEM JUS À IMUNIDADE SE PREENCHEREM CUMULATIVAMENTE OS REQUISITOS DE QUE TRATA O ART. 55, DA LEI Nº 8.212/91, NA SUA REDAÇÃO ORIGINAL, E AQUELES PREVISTOS NOS ARTIGOS 9º E 14, DO CTN. AUSÊNCIA DE CAPACIDADE CONTRIBUTIVA OU APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA SOLIDARIEDADE SOCIAL DE FORMA INVERSA (ADI 2.028 MC/DF, Rel. Moreira Alves, Pleno, DJ 16062000). INAPLICABILIDADE DO ART. 2º, II, DA LEI Nº 9.715/98, E DO ART. 13, IV, DA MP Nº 2.158 35/2001, ÀS ENTIDADES QUE PREENCHEMOS REQUISITOS DO ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91, E LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE, A QUAL NÃO DECORRE DO VÍCIO DE INCONSTITUCIONALIDADE DESTES DISPOSITIVOS LEGAIS, MAS DA IMUNIDADE EM RELAÇÃO À CONTRIBUIÇÃO AO PIS COMO TÉCNICA DE INTERPRETAÇÃO CONFORME À CONSTITUIÇÃO. EX POSITIS, CONHEÇO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO, MAS NEGOLHE PROVIMENTO CONFERINDO EFICÁCIA ERGA OMNES E EX TUNC. [...] 24. A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do § 7º, do art. 195, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADI 2.028 MC/DF, Rel. Moreira Alves, Pleno, DJ 16062000. 25. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.158 35/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. Fl. 536DF CARF MF Processo nº 18471.000743/200864 Acórdão n.º 3302005.928 S3C3T2 Fl. 536 6 26. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. (grifos não originais) 27. Ex positis, conheço do recurso extraordinário, mas negolhe provimento conferindo à tese assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc. Precedentes. RE 93.770/RJ, Rel. Min. Soares Muñoz, 1ª Turma, DJ 03/04/1981. RE 428.815 AgR/AM, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, 1ª Turma, DJ 24/06/2005. ADI 1.802MC/DF, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, Pleno, DJ 13022004. ADI 2.028 MC/DF, Rel. Moreira Alves, Pleno, DJ 16062000. Tal decisão deve ser refletida nos julgamentos deste Conselho, a teor do §2º do artigo 62 do Anexo II do RICARF, abaixo transcrito: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou do s arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Assim, embora a autoridade fiscal não tenha se referido à imunidade do artigo 195, §7º da CF, assentou que se tratava de entidades beneficentes de assistência social de que trata o artigo 12 da Lei nº 9.532/1997, o que aliado à apresentação das cópias do DOU informando o deferimento dos pedidos de renovação dos certificados CEBAS, permite inferir que a recorrente faz jus à imunidade prevista no artigo 195, §7º da CF, tendo como consequência a não sujeição da recorrente ao PIS/Pasep sobre a folha de salários. A RFB acatou o posicionamento do STF, mediante a publicação da Solução de Consulta Cosit nº 173/2017, cuja ementa assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 636.941/RS. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o recurso extraordinário nº 636.941/RS, no rito do art. 543B da revogada Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 antigo Código de Processo Civil, decidiu que são imunes à Contribuição ao PIS/Pasep, inclusive quando incidente sobre a folha de salários, as entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos legais, quais sejam, aqueles previstos nos artigos 9º e 14 do CTN, bem como no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991 (atualmente, art. 29 da Lei nº 12.101, de 2009). Fl. 537DF CARF MF Processo nº 18471.000743/200864 Acórdão n.º 3302005.928 S3C3T2 Fl. 537 7 Em razão do disposto no art. 19 da Lei nº 10.522, de 2002, na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1, de 2014, e na Nota PGFN/CASTF/Nº 637/2014, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) encontrase vinculada ao referido entendimento. Dispositivos Legais: Lei nº 10.522, de 2002, art. 19; Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1, de 2014, Nota PGFN/CASTF/Nº 637/2014. Diante do exposto, voto para dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 538DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720870/2011-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO DE CRÉDITO/ DEPENDÊNCIA DE AUTUAÇÃO FISCAL JULGADA PROCEDENTE/ VINCULAÇÃO
É de se reconhecer a decisão proferida por Turma do CARF que aplicou a Súmula nº 20 para decidir pela procedência da autuação fiscal que glosou os créditos do IPI nas aquisições de insumos empregados na fabricação de produto NT na TIPI.
Não se homologa compensação, além do limite do crédito em despacho decisório, quando o credito pleiteado revelase indevido após auditoria fiscal em processo formalizado para sua verificação, uma vez que a procedência do auto de infração para cobrança das glosas dos créditos vincula o resultado do processo de declaração de compensação/ressarcimento
Numero da decisão: 3201-004.006
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em negar provimento ao Recurso Voluntário.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
Nome do relator: LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO DE CRÉDITO/ DEPENDÊNCIA DE AUTUAÇÃO FISCAL JULGADA PROCEDENTE/ VINCULAÇÃO É de se reconhecer a decisão proferida por Turma do CARF que aplicou a Súmula nº 20 para decidir pela procedência da autuação fiscal que glosou os créditos do IPI nas aquisições de insumos empregados na fabricação de produto NT na TIPI. Não se homologa compensação, além do limite do crédito em despacho decisório, quando o credito pleiteado revelase indevido após auditoria fiscal em processo formalizado para sua verificação, uma vez que a procedência do auto de infração para cobrança das glosas dos créditos vincula o resultado do processo de declaração de compensação/ressarcimento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em negar provimento ao Recurso Voluntário. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente. LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
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Não se homologa compensação, além do limite do crédito em despacho decisório, quando o credito pleiteado revelase indevido após auditoria fiscal em processo formalizado para sua verificação, uma vez que a procedência do auto de infração para cobrança das glosas dos créditos vincula o resultado do processo de declaração de compensação/ressarcimento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em negar provimento ao Recurso Voluntário. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 08 70 /2 01 1- 78 Fl. 3455DF CARF MF 2 Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente) Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão proferido pela DRJ, que assim relatou o feito: (...)Tratase de Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes – DEMAC/RJO, que não reconheceu direito de crédito relativo ao 1º trimestre de 2008, pleiteado com fundamento no art. 11 da Lei 9.779, de 1999, através do Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) nº 28748.86782.140610.1.5.010046, transmitido em 14/06/2010, no valor de RS 2.702.265,94 e não homologou as compensações vinculadas. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, que integra o Despacho Decisório, foi realizada auditoria para análise conjunta de PER/DCOMP relativos a créditos do 3º trimestre de 2007 ao 1º trimestre de 2008, protocolizados pela Companhia Brasileira de Petróleo Ipiranga – CBPI – tendo por objeto créditos apurados pela filial inscrita no CNPJ sob nº 33.069.766/000343, a qual, com a incorporação pela empresa IPIRANGA PRODUTOS DE PETRÓLEO S/A –IPP, foi sucedida pela filial da IPP inscrita no CNPJ sob n° 33.337.122/014187. No curso da auditoria foram detectadas dois tipos de infrações, a saber: erro na classificação fiscal de produtos, resultando em falta de lançamento de imposto e aproveitamento de crédito básico indevido. O motivo da glosa de créditos foi em síntese, o fato de decorrerem de aquisições de matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME) empregados em “óleos lubrificantes”, produtos nãotributados (“NT”) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados aprovada pelo Decreto n° 6.006/2006 – TIPI/2007, o que não foi aceito, conforme fundamentação exposta no citado TVF. Também foram glosados créditos extemporâneos cujo aproveitamento não observou a legislação de regência. A reconstituição da escrita resultou na apuração de saldos devedores em todos os períodos de apuração relativos aos pedidos analisados, indicando a falta de liquidez e certeza do crédito pleiteado, o que levou ao seu indeferimento, dada a inexistência de saldo credor a ressarcir. Também foi lavrado auto de infração objeto do processo administrativo 16682.720900/201227. Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade tempestiva, assinada por procuradores habilitados, na qual alega, em síntese: que industrializa e comercializa óleos lubrificantes, os quais são derivados de petróleo, imunes por força do art. 155, §3º, da Fl. 3456DF CARF MF Processo nº 16682.720870/201178 Acórdão n.º 3201004.006 S3C2T1 Fl. 615 3 Constituição Federal de 1988 e que lançou os créditos decorrentes de insumos neles empregados com base em resposta favorável obtida através na Solução de Consulta SRRF/7ª RF/DISIT 248/2000; a definição dos referidos óleos como derivados de petróleo teria fundamento no art. 6o, inciso III, da Lei n°. 9.478/1997 Lei do Petróleo bem como nas definições da Portaria n° 17/2009 da Agência Nacional do Petróleo ANP, órgão regulador das atividades que integram a indústria do petróleo e gás natural e a dos biocombustíveis no Brasil e que o autuante estaria equivocado ao insistir que seriam derivados de petróleo apenas as Fl. 3303 RS PORTO ALEGRE DRJ Processo 16682.720870/2011 78 Acórdão n.º 1053.395 DRJ/POA Fls. 3 3 substâncias que decorrem do refino; ou seja, da operação física ou química diretamente realizada sobre o petróleo para a sua decomposição; a TIPI/2007 não faz distinção entre os óleos lubrificantes obtidos imediatamente após o refino (sem aditivos) ou em etapas subsequentes (com aditivos), sendo todos classificados no item 2710.1 e que os óleos lubrificantes produzidos são compostos por mais de 70% de óleos de petróleo, conforme documentação que anexa; não teria sido intimada da revogação da Solução de Consulta SRRF/7ª RF/ DISIT nº. 248/2000, e que a mudança repentina e injustificada do entendimento fazendário teria violado a segurança jurídica; questiona a possibilidade de um ato infralegal, como o ADI nº 05/2006 sobreporse ao Decreto n° 4.544/ 2002 – Regulamento do IPI, norma hierarquicamente superior; a vedação ao aproveitamento de créditos em relação às aquisições de insumos aplicados em produtos NT seria cabível apenas nos casos de não incidência em sentido estrito, onde não há processo de industrialização; é questionável a aplicação da Súmula 20 do CARF, pois nenhum de seus precedentes decorreria de hipóteses de imunidade ou isenção, mas tão somente de não incidência em sentido estrito, sendo que nem mesmo as súmulas vinculantes, aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, poderiam ser aplicadas a situações distintas de seus precedentes; relaciona decisões favoráveis proferidas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, reconhecendo a imunidade de seus produtos e manutenção dos efeitos da antes citada Solução de Consulta. Finalizando solicita a reforma do Despacho Decisório e a homologação da compensação vinculada.(...) Seguindo a marcha processual normal, irresignado com a r. decisão, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, querendo reforma, sob a seguinte argumentação: Fl. 3457DF CARF MF 4 · Preliminarmente – inexistência de decadência parcial; cerceamento de defesa; · Mérito: possibilidade de usufruir os créditos; não poderia existir interpretação restritiva pelas Autoridades Fazendárias; inaplicabilidade da súmula 20/CARF; aplicação da NT aos produtos Recorrentes; aplicabilidade de consulta fiscal – SRRF/ 7ª. RF/DIST, no. 248/00; aplicação da decisão TRF 1ª. Região – 000632620.2014.4.01.0000/DF; É o relatório. Voto Conselheiro Relator Laércio Cruz Uliana Junior O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Em relação ao pedido preliminar para que se oportunize a ampla defesa, não merece prosperar tal pleito, uma vez, que foi oportunizado a ampla, ao mais, não foi demonstrado qual prejuízo sofreu ou qual produção de prova foi cerceada. Já em razão da decadência faço analise com o mérito, pois, o resultado é dependente da conclusão do Julgado. O Recorrente busca a compensação de crédito por meio de PER/DCOMP relativo ao IPI nas aquisições de insumo na fabricação de produtos NT na TIPI. Contudo, é de ressaltar que tal matéria já teve o assunto enfrentado por essa Turma com Relatoria do Conselheiro Paulo Roberto Moreira, vejamos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuracã̧o: 01/07/2009 a 31/07/2009 COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO DE CRÉDITO. DEPENDÊNCIA DE AUTUAÇÃO FISCAL JULGADA PROCEDENTE. VINCULAÇAÕ. É de se reconhecer a decisão proferida por Turma do CARF que aplicou a Súmula no 20 para decidir pela procedência da autuação fiscal que glosou os créditos do IPI nas aquisicõ̧es de insumos empregados na fabricação de produto NT na TIPI. Não se homologa compensação, além do limite do crédito reconhecido em despacho decisório, quando o credito pleiteado revelase indevido após auditoria fiscal em Fl. 3458DF CARF MF Processo nº 16682.720870/201178 Acórdão n.º 3201004.006 S3C2T1 Fl. 616 5 processo formalizado para sua verificação, uma vez que a procedência do auto de infração para cobrança das glosas dos créditos vincula o resultado do processo de declaração de compensacã̧o/ressarcimento. Recurso Voluntário Negado Direito crédito não reconhecido (J.25/04/17) Ainda em recentes julgados neste Conselho adotou o mesmo o mesmo posicionamento, vejamos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 NORMAS PROCESSUAIS. OBSERVÂNCIA DE SÚMULA. Nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, é obrigatória a observância pelos Conselheiros membros deste Órgão das Súmulas aprovadas pelo seu Pleno bem como daquelas baixadas pelos antigos Conselhos de Contribuintes. IPI. CREDITAMENTO. PRODUTOS NT. IMPOSSIBILIDADE, SÚMULAS 13 DO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES E 20 DO CARF. Nos termos da Súmula nº 13 do antigo Segundo Conselho de Contribuintes ratificada pelo Pleno do CARF como Súmula nº 20: “Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT”. Acórdão: 9303006.520 Número do Processo: 13710.000165/200378 Data de Publicação: 23/05/2018 Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2003 DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO. IPI. PRESUNÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO. A presunção de pagamento antecipado prevista no art. 124, parágrafo único, III, do RIPI/2002, somente opera em Fl. 3459DF CARF MF 6 relação a créditos admitidos pelo regulamento. Sendo ilegítimos os créditos glosados e tendo os saldos credores da escrita fiscal dado lugar a saldos devedores que não foram objeto de pagamento antes do exame efetuado pela autoridade administrativa, o prazo de decadência deve ser contato pela regra do art. 173, I, do CTN. IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. FALTA DE LEGITIMIDADE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS PARA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS COM SAÍDA NÃO TRIBUTADA. Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. IPI. SUSPENSÃO. CONDIÇÃO. Somente se faz autorizada a saída de produtos do estabelecimento industrial com a suspensão do IPI quando observadas as disposições normativas estabelecidas para a espécie, cuja inobservância implica a exigência do tributo devido na operação. Recurso negado. Número do Processo: 10882.002150/200627 Data de Publicação: 02/04/2018 Contribuinte: IPIRANGA PRODUTOS DE PETROLEO S.A. Relator(a): JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2008 PRODUTO NÃO TRIBUTADO (“NT”). APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO DO IPI. IMPOSSIBILIDADE. Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT (Súmula CARF nº 20). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2008 DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. TERMO INICIAL DO PRAZO DE DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DA REGRA DO ART. 173, I, DO CTN. OBRIGATORIEDADE. Nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado, o dies a quo do prazo quinquenal de decadência regese pelo disposto no art. 173, I, do CTN, sendo certo que o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde, inequivocamente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato gerador, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a exemplo do IPI (Adoção da jurisprudência do STJ, por Fl. 3460DF CARF MF Processo nº 16682.720870/201178 Acórdão n.º 3201004.006 S3C2T1 Fl. 617 7 força do disposto no art. 62, § 2º, do Anexo II do RICARF/2015) GLOSA DE CRÉDITOS DO IPI. INEXISTÊNCIA DE PRAZO DECADENCIAL. APLICAÇÃO DOS ARTIGOS 150, § 4º, E 173 DO CTN. Os prazos decadenciais previstos nos artigos 150, §4º e 173 do CTN aplicamse somente ao direito de constituir o crédito tributário e não ao direito de glosar o crédito do IPI escriturado, para o qual não existe determinação legal a respeito da matéria. Recurso Voluntário Negado. Número do Processo: 16682.720900/201227 Data de Publicação: 15/03/2018 Contribuinte: IPIRANGA PRODUTOS DE PETROLEO S.A. Relator(a): JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Diante desse fato, ̧ reconhecese o acerto do procedimento da fiscalizaçaõ que apontou o aproveitamento indevido de créditos informado na PER/DCOMP, objeto de compensação neste processo , além da falta de recolhimento do IPI devido conforme restou decidido. Assim, no curso da auditoria fiscal promovida em decorren̂cia da compensação declarada, foram os créditos glosados, pois que se revelaram indevidos após a reconstituiçaõ da escrita fiscal. Correta a decisão da DRJ/Porto Alegre, pois o crédito levado à compensação e submetido a julgamento naquela instância naõ gozava dos requisitos de liquidez e certeza necessária à homologação da compensação, nos termos do art. 170 do CTN. Ademais, no presente caso não se vislumbra fatos necessários para o afastamento da Súmula 20 do CARF, devendo ser aplicada ao caso conforme ementada: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Ademais a mais, deve ser afastada a prescrição, uma vez, da transmissão da PER/DCOMP ao despacho decisório, e da ciência do, com isso não decorrendo os 5 (cinco) anos para reconhecimento da homologação tácita (prescrição) nos termos doa art. 74, §5º da Lei 9430/96. Com isso, o voto é no sentido de conhecer do Recurso, e negar provimento. Relator Laércio Cruz Uliana Junior Relator (assinado digitalmente) Fl. 3461DF CARF MF 8 Fl. 3462DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19311.720058/2015-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
SUPERAÇÃO DAS MATÉRIAS EM RAZÃO DA APLICAÇÃO DO § 3º DO ART. 59 DO DECRETO Nº 70.235/1972.Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta.
LUCRO PRESUMIDO. REGIME DE COMPETÊNCIA. RECEITAS DA ATIVIDADE DE INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA. MOMENTO DE RECONHECIMENTO.
A pessoa jurídica incorporadora de imóveis, optante pela tributação do imposto de renda com base no lucro presumido segundo o regime de competência, reconhecerá a receita de venda de unidades imobiliárias no momento da efetivação do contrato da operação de compra e venda, ainda que mediante instrumento de promessa, carta de reserva com princípio de pagamento ou qualquer outro documento representativo de compromisso
Numero da decisão: 1401-002.830
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, superar as preliminares e no mérito, dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 SUPERAÇÃO DAS MATÉRIAS EM RAZÃO DA APLICAÇÃO DO § 3º DO ART. 59 DO DECRETO Nº 70.235/1972.Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. LUCRO PRESUMIDO. REGIME DE COMPETÊNCIA. RECEITAS DA ATIVIDADE DE INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA. MOMENTO DE RECONHECIMENTO. A pessoa jurídica incorporadora de imóveis, optante pela tributação do imposto de renda com base no lucro presumido segundo o regime de competência, reconhecerá a receita de venda de unidades imobiliárias no momento da efetivação do contrato da operação de compra e venda, ainda que mediante instrumento de promessa, carta de reserva com princípio de pagamento ou qualquer outro documento representativo de compromisso
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RReeccoorrrriiddaa FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 SUPERAÇÃO DAS MATÉRIAS EM RAZÃO DA APLICAÇÃO DO § 3º DO ART. 59 DO DECRETO Nº 70.235/1972.Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. LUCRO PRESUMIDO. REGIME DE COMPETÊNCIA. RECEITAS DA ATIVIDADE DE INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA. MOMENTO DE RECONHECIMENTO. A pessoa jurídica incorporadora de imóveis, optante pela tributação do imposto de renda com base no lucro presumido segundo o regime de competência, reconhecerá a receita de venda de unidades imobiliárias no momento da efetivação do contrato da operação de compra e venda, ainda que mediante instrumento de promessa, carta de reserva com princípio de pagamento ou qualquer outro documento representativo de compromisso Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, superar as preliminares e no mérito, dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 00 58 /2 01 5- 82 Fl. 700DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Fl. 701DF CARF MF Processo nº 19311.720058/201582 Acórdão n.º 1401002.830 S1C4T1 Fl. 701 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 1679.957 4ª Turma da DRJ/SPO, que por unanimidade de votos julgou procedente o lançamento e manteve integralmente o crédito tributário lançado. Conforme Relatório Fiscal os fatos que motivaram a autuação são: 2.1 A Auditoria Fiscal, iniciada em 24/03/2015, conforme atesta o Aviso de Recebimento (AR) do Termo de Início de Procedimento Fiscal. O contribuinte foi intimado a apresentar: a) Livro Diário do ano de 2010 que deveria estar escriturado, assinado pelo contador e pelo responsável e registrado no órgão especifico; b) Esclarecimento dos motivos por que não declarou a receita da venda dos imóveis c) Cópia das escrituras de compra e de venda dos referidos imóveis. Ao contribuinte foi dado o prazo legalmente previsto de 05 (cinco) dias úteis, conforme previsto no art. 19, § 1º da Lei n° 3.470, de 1958, com a redação dada pela Medida Provisória n° 2.15835, de 24/8/2001. Tendo em vista o pedido de prorrogação solicitado pelo contribuinte, foi concedida uma prorrogação de prazo de 48 horas, uma vez que, nos termos do §1° do art. 19 da Lei n° 3.470/1958, nas situações em que as informações e documentos solicitados digam respeito a fatos que devam estar registrados na escrituração contábil ou fiscal do sujeito passivo, o prazo é de 05 (cinco) dias úteis. O contribuinte não apresentou os documentos e, a análise restou restrita às informações contidas em DIRPJ Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais e na escritura de venda dos imóveis fornecidas pelo 9º Tabelião de Notas de São Paulo. 2.2 Conforme verificação das informações contidas nas DIRPJ, o contribuinte não declarou as vendas de imóveis realizadas, e nas DCTF não informou os tributos devidos sobre a vendas dos respectivos imóveis. Contudo, importante acrescentar que com base nos documentos constantes nos autos, temos a seguinte cronologia não considerada pelo Termo de Constatação: 13.03.2015 Termo de Intimação de Procedimento Fiscal (fl. 35) 16.03.2015 Intimação do Contribuinte AR (fl. 167) 20.03.2015 Solicitação de Prorrogação de prazo pelo contribuinte protocolizada na ARF Bragança Paulista SP (fl. 39) 23.03.2015 Termo de Reintimação Fiscal pela ARF Jundiaí SP (fl. 52) 24.03.2015 Intimação ao Contribuinte AR (fl. 165) 26.03.2015 Esclarecimentos e documentos contábeis e contratos apresentados pelo contribuinte protocolizados na ARF Bragança Paulista SP (fls. 55/133) 27.03.2015 Lavratura dos Autos de Infração (fls. 137/142) Fl. 702DF CARF MF 4 31.03.2015 Ciência da autuação (fls.166) 01.04.2015 Esclarecimentos adicionais protocolizados na ARF Bragança Paulista SP (fl. 168/197) 10.04.2015 Informação fiscal declarando a extemporaneidade dos documentos apresentados pela Contribuinte (fl. 299) Feita essa digressão, temos que o interessado foi autuado, em 31/03/2015, no IRPJ e reflexos, por omissão de receita no anocalendário de 2010, quando havia optado pelo lucro presumido, mantendo escrituração (regime de competência). Foi exigido o total de R$ R$ 21.941.779,50, incluindo imposto, contribuições, multas de 225% e juros de mora calculados até 03/2015 (fls. 1 a 166), posto que a fiscalização entendeu ser aplicável aos lançamentos ora combatidos as multas previstas na Lei nº 9.430/96, sendo a primeira multa qualificada, de 150%, prevista no artigo 44, § 1º, e multa agravada, com fundamento no artigo 44, § 2º, decorrente do não atendimento, pela Recorrente, às intimações fiscais emitidas no curso da fiscalização. Irresignada com o lançamento de ofício constituído pelas autoridades fiscais, a Recorrente tratou, então, de apresentar sua Impugnação ao lançamento, alegando, em síntese: (A) que os Autos de Infração estavam pautados em uma premissa completamente equivocada, o que, em última análise, comprometeu a motivação do lançamento; (B) que o crédito tributário lançado de ofício já havia sido atingido pela decadência, nos termos do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN); (C) que não caberia a qualificação da multa, nem tampouco a imposição de multa Agravada. Apreciada a impugnação, o lançamento foi mantido por considerar que embora a contribuinte sustente ser tributada pelo lucro presumido, com opção pelo regime de competência, sua atividade, em razão da natureza do negócio, deveria ser tributada pelo regime de caixa, de modo que a data do fato gerador a ser considerada não seria aquela em que foi firmado o instrumento de promessa de compra e venda (18/12/2009 regime de competência), mas sim a apontada pela fiscalização: Lavratura da Escritura de Compra e Venda com previsão para pagamento à vista (26/02/2010 regime de caixa), aduzindo não ser o caso de aplicação da Solução de Divergência COSIT n. 37/13. Razão pela qual, a DRJ somente se considerou válido o negócio jurídico a partir da data da lavratura da escritura pública, ou seja, a partir de 26/02/2010, razão pela qual esta é a data do fato gerador, a ser levada para a apuração do lucro presumido do 1º trimestre de 2010, para fins de IRPJ e CSLL, e fevereiro para PIS e COFINS. Pelo mesmo motivo, a DRJ afastou também a decadência, considerando que a venda se consumou no 1º trimestre de 2010 e o lançamento se deu no 1º trimestre de 2015. Para manutenção da multa qualificada, fundamentou que: "o interessado de CNAE 41.107/00, referente a incorporação de empreendimentos imobiliários , é praticamente uma empresa sem vendas, como mostram as suas DIPJ que constam nos sistemas da SRFB. Portanto, não é crível que uma empresa nesse ramo de atividade realize uma venda de grande porte e simplesmente esqueça de recolher o imposto devido e de efetuar a declaração pelo regime de competência a que se obrigou. Foi, portanto, uma omissão deliberada, vale dizer, dolosa". Assim uma vez comprovado o dolo com tentativa deliberada de sonegação, correta a manutenção da multa. Enquanto que para a manutenção da multa agravada a DRJ considerou maliciosa a conduta do interessado, no sentido de entregar a documentação solicitada na ARF de Bragança Paulista em 26/03/2015, ao passo que a Notificação Fiscal determinava que os Fl. 703DF CARF MF Processo nº 19311.720058/201582 Acórdão n.º 1401002.830 S1C4T1 Fl. 702 5 documentos deveriam ser entregues à DRF Jundiai, onde somente foram autenticados em 01/04/2015, após o encerramento da ação fiscal, tendo por esse motivo sido desconsiderados. Contra essa decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário arguindo a) vício de motivação no lançamento ante a aplicação do regime de competência conforme Solução de Divergência COSIT n. 37/13; b) reconhecimento da decadência com nos termos do art. 150, parág. 4o. considerando como data do fato gerador dezembro de 2009, e/ou aplicação do Repetitivo do STJ (Resp. n. 973.733/SC) em razão da ocorrência de pagamento antecipado, mediante retenção efetuada pela fonte pagadora JS Administração de Recursos S/A (CNPJ 43.826.833/000119) sob Código de Receita 6800; c) desqualificação da multa pela ausência de prova do dolo específico de sonegação; d) inaplicabilidade da multa agravada por ter a Recorrente atendido tempestivamente tanto ao Termo de Início de Procedimento Fiscal como ao Termo de Reintimação Fiscal n. 001 e; e) inaplicabilidade dos juros sobre as multas. Na véspera do julgamento o Recorrente peticionou nos autos para requerer a aplicação do artigo 24 da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB) no julgamento do Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo, tendo em vista que, conforme amplamente explorado em seu apelo, à lançamento de ofício desrespeitou o comando expresso da Solução de Divergência nº 37/2013, acarretando a nulidade dos Autos de Infração combatidos. É o relatório do essencial. Fl. 704DF CARF MF 6 Tabela do plano Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. O recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. Em preliminar, reclama o Recorrente a aplicação do artigo 24 da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB) no julgamento do Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo, tendo em vista que, conforme amplamente explorado em seu apelo, à lançamento de ofício desrespeitou o comando expresso da Solução de Divergência nº 37/2013, acarretando a nulidade dos Autos de Infração combatidos, bem como que o crédito tributário em discussão estaria extinto pela decadência. Quanto à alegação da nulidade da autuação, entendo ser possível superar as matérias em razão da aplicação do § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, que disciplina que quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. No que diz respeito à decadência, conforme aduz a Recorrente, o lançamento foi formalizado em 31/03/2015, considerando o fato gerador ocorrido no mês de dezembro de 2009, de acordo com Instrumento Particular de Promessa de Veda e Compra de Bens Imóveis, anexado aos esclarecimentos de fls. 168 e s.s. , contudo ao prevalecer como correta a apuração pelo regime de competência eleita pelo contribuinte, a regra de decadência aplicável seria deslocada par o artigo 150, § 4º, do CTN, de modo que eventual lançamento de ofício somente poderia ocorrer até o dia 31/12/2014, ou seja, no prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador. A Recorrente acrescenta o argumento de que no presente caso, conforme demonstra a Ficha 57, da DIPJ 2010 (ano base 2009 (vide Doc. 06 da Impugnação) HOUVE PAGAMENTO ANTECIPADO, mediante retenção efetuada pela fonte pagadora JS Administração de Recursos S/A (CNPJ nº 43.826.833/000119), sob o Código de Receita 6800. A referida retenção é comprovada, também, por meio do respectivo comprovante de retenção, obtido pela Recorrente por meio do eCAC (vide Doc. 11 da Impugnação). Isto porque, a retenção de imposto na fonte corresponde, por disposição legal, justamente a antecipação do imposto devido pela pessoa jurídica. Portanto, não se pode olvidar que a retenção de imposto na fonte já seria suficiente para atrair a regra de decadência fixada pelo artigo 150, § 4º, do CTN, principalmente ao considerarmos o critério fixado pelo STJ, desde o julgamento do REsp 973.733/SC, o CARF têm reconhecido que a retenção na fonte deve ser considerada como antecipação do imposto devido, para fins de contagem do prazo decadencial. Diante disso, entendo assistir razão a Recorrente no que diz respeito à decadência, contudo entendo ser perfeitamente possível conceder o mérito a favor da Recorrente, dada a existência de erro na acusação fiscal, conforme por ela pleiteado. Fl. 705DF CARF MF Processo nº 19311.720058/201582 Acórdão n.º 1401002.830 S1C4T1 Fl. 703 7 Erro na acusação fiscal vício de motivação caracterizado pela inobservância do regime de competência. De início, a Recorrente levanta preliminar sobre a existência de vício no lançamento mediante o argumento de que a ocorrência do fato gerador dos tributos autuados não foi adequadamente apurada, compreendida e demonstrada pelas autoridades fiscais. Isso porque, de acordo com o que ficou consignado no Relatório Fiscal que acompanhou os Autos de Infração ora combatidos, a premissa adotada pelo ilustre auditor fiscal foi a de que a Recorrente teria, em 26/02/2010, alienado os bens imóveis indicados na DOI consultada pela fiscalização. De modo que a partir da fixação dessa premissa, o nobre auditor fiscal verificou que a Recorrente não indicou a receita proveniente dessa alienação em sua DIPJ 2011 (ano base 2010), nem apurou os respectivos tributos nas DCTFs do ano base 2010, concluindo, inadvertidamente, pela omissão de receitas auferidas em 2010. Isto porque, segundo ela, diferentemente do que constou na acusação fiscal, a alienação dos mencionados imóveis não ocorreu em 26/02/2010, mas, sim, em 18/12/2009, quando a Recorrente celebrou o respectivo Instrumento Particular de Promessa de Compra e Venda de Bens Imóveis (vide Doc. 03 da Impugnação) e recebeu, inclusive, o pagamento do "sinal" (ou "arras", na definição estabelecida pelo artigo 417, do Código Civil), no valor de R$ 4.285.050,00 (vide Doc. 04 da Impugnação). Naturalmente, portanto, a receita proveniente das vendas da mencionadas unidades imobiliárias não estavam (e nem poderiam estar) declaradas na DIPJ 2011. Ainda em oposição à premissa da fiscalização, a Recorrente salienta que optou, em sua DIPJ 2010 (ano base 2009) (vide Ficha 67B, Linha 14, na página 14) (vide Doc. 06 da Impugnação), por apurar suas receitas segundo o REGIME DE COMPETÊNCIA. Por isso, a DRF/JUN jamais poderia simplesmente entender que a ela deveria computar a receita proveniente da venda das unidades imobiliárias na DIPJ 2011 (ano base 2010) e, com base nessa construção, efetuar os lançamentos ora em discussão. Em Voluntário, a Recorrente registra ainda que a receita proveniente da alienação das unidades imobiliárias foi devidamente registrada na contabilidade do ano de 2009, a saber: registro nos livros Diário (vide Doc. 08 da Impugnação) e Razão (vide Doc. 09 da Impugnação) do valor da alienação na data da celebração do Instrumento Particular de Promessa de Compra e Venda de Bens Imóveis (isto é, 18/12/2009). Sistemática esta de reconhecimento de receitas, que aliás segundo ela, estaria em estrita consonância com o entendimento firmado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRF) 05/12/2013, por meio da Solução de Divergência nº 37/2013, que pondera, em síntese, que (i) as pessoas jurídicas sujeitas ao regime de tributação com base no lucro presumido que optaram por apurar suas receitas com base no regime de competência (tal como a Recorrente) devem reconhecer eventual receita de venda de bens imóveis no momento da celebração do compromisso de compra e venda; ao passo que (ii) as que optaram por apurar suas receitas com base no regime de caixa devem reconhecer a eventual receita de venda de bens imóveis quando do efetivo ingresso da respectiva receita. SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA COSIT Nº 37, DE 05 DE DEZEMBRO DE 2013: ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Fl. 706DF CARF MF 8 EMENTA: LUCRO PRESUMIDO. REGIME DE COMPETÊNCIA. RECEITAS DA ATIVIDADE DE INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA. MOMENTO DE RECONHECIMENTO. A pessoa jurídica incorporadora de imóveis, optante pela tributação do imposto de renda com base no lucro presumido segundo o regime de competência, reconhecerá a receita de venda de unidades imobiliárias no momento da efetivação do contrato da operação de compra e venda, ainda que mediante instrumento de promessa, carta de reserva com princípio de pagamento ou qualquer outro documento representativo de compromisso. DISPOSITIVOS LEGAIS: arts. 27 a 29 do DecretoLei nº 1.598, de 1977; itens nº 2 e nº 10 a 14 da Instrução Normativa SRF nº 84, de 1979 e alterações; art. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 1995; art. 15 da Lei nº 9.249, de 1995; art. 25 da Lei nº 9.430, de 1996; arts. 13, 14, 17 e 18 Lei nº 9.718, de 1998; arts. 117, § 4º e 154 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99); art.16 da Instrução Normativa SRF nº 247, de 2002. EMENTA: LUCRO PRESUMIDO. REGIME DE CAIXA. RECEITAS DA ATIVIDADE DE INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA. MOMENTO DE RECONHECIMENTO. A pessoa jurídica incorporadora de imóveis, optante pela tributação do imposto de renda com base no lucro presumido segundo o regime de caixa, reconhecerá a receita de venda de unidades imobiliárias na medida do seu recebimento, independentemente da conclusão ou entrega da unidade. DISPOSITIVOS LEGAIS: arts. 27 a 29 do DecretoLei nº 1.598, de 1977; itens nº 2 e nº 10 a 14 da Instrução Normativa SRF nº 84, de 1979 e alterações; art. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 1995; art. 15 da Lei nº 9.249, de 1995; art. 25 da Lei nº 9.430, de 1996; arts. 13, 14, 17 e 18 Lei nº 9.718, de 1998; arts. 117, § 4º e 154 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99); art.16 da Instrução Normativa SRF nº 247, de 2002. ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL EMENTA: LUCRO PRESUMIDO. REGIME DE COMPETÊNCIA. RECEITAS DA ATIVIDADE DE INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA. MOMENTO DE RECONHECIMENTO. A pessoa jurídica incorporadora de imóveis, optante pela tributação do imposto de renda com base no lucro presumido segundo o regime de competência, reconhecerá a receita de venda de unidades imobiliárias no momento da efetivação do contrato da operação de compra e venda, ainda que mediante instrumento de promessa, carta de reserva com princípio de pagamento ou qualquer outro documento representativo de compromisso. DISPOSITIVOS LEGAIS: arts. 27 a 29 do DecretoLei nº 1.598, de 1977; itens nº 2 e nº 10 a 14 da Instrução Normativa SRF nº 84, de 1979 e alterações; art. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 1995; art. 15 da Lei nº 9.249, de 1995; art. 25 da Lei nº 9.430, de 1996; arts. 13, 14, 17 e 18 Lei nº 9.718, de 1998; arts. 117, § 4º e 154 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99); art. 20 da Medida Fl. 707DF CARF MF Processo nº 19311.720058/201582 Acórdão n.º 1401002.830 S1C4T1 Fl. 704 9 Provisória nº 215835, de 2001; art.16 da Instrução Normativa SRF nº 247, de 2002. EMENTA: LUCRO PRESUMIDO. REGIME DE CAIXA. RECEITAS DA ATIVIDADE DE INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA. MOMENTO DE RECONHECIMENTO. Na apuração da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), a pessoa jurídica incorporadora de imóveis, optante pela tributação do imposto de renda com base no lucro presumido segundo o regime de caixa, reconhecerá a receita de venda de unidades imobiliárias na medida do seu recebimento, independentemente da conclusão ou entrega da unidade. DISPOSITIVOS LEGAIS: arts. 27 a 29 do DecretoLei nº 1.598, de 1977; itens nº 2 e nº 10 a 14 da Instrução Normativa SRF nº 84, de 1979 e alterações; art. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 1995; art. 15 da Lei nº 9.249, de 1995; art. 25 da Lei nº 9.430, de 1996; arts. 13, 14, 17 e 18 Lei nº 9.718, de 1998; arts. 117, § 4º e 154 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99); art. 20 da Medida Provisória nº 215835, de 2001; art.16 da Instrução Normativa SRF nº 247, de 2002. Por sua vez a DRJ não acatou os argumentos da Recorrente, na apreciação da impugnação, ao consignar que a Solução de Divergência seria inaplicável ao caso em discussão posto que este trata de vendas à vista, enquanto que o objeto de análise na Solução de divergência dizia respeito a casos de vendas a prazo, deixando consignado que: "A documentação apresentada pelo impugnante (Instrumento Particular de Promessa de Compra e Venda de Bens Imóveis, seu Anexo e recibo de sinal, às fls. 342 a 363) deixa claro que o pagamento é a vista (cláusula terceira do referido contrato). Além disso, das cinco unidades imobiliárias vendidas, apenas uma estava ainda em fase de edificação: o Ed. Fernando Pessoa". A Escritura de Venda e Compra, datada de 26/02//2010, mostra às fls. 382 a 384, que: “2.DO PREÇO E RETENÇÕES PARA CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES DA OUTORGANTE: 2.1. O preço certo, fixo, irreajustável e combinado desta venda e compra é de R$ 88.673.381,03 (...). 2.1.1. Deste valor total já foram pagos: R$ 4.285.050,00 (...) através do instrumento de promessa de venda e compra na data de 18 de dezembro de 2009, cujo valor a OUTORGANTE dá quitação plena, geral e irrevogável; 2.2. O saldo total do preço no valor de R$ 84.388.331,03, fixo e irreajustável, será:pago pela OUTORGADA à OUTORGANTE da seguinte maneira: 2.2.1. uma parcela ... de R$ 4.319.973,27 (...) pago neste ato, por meio de TED, emitido em favor da OUTORGANTE conta corrente n° 4731 de sua titularidade e mantida perante o Banco Safra S/A (422), Agência 0164, valor que a OUTORGANTE dá plena, rasa, geral e irrevogável quitação, após confirmação da transferência para nada mais reclamar, seja a que título for; 2.2.2. uma parcela no valor de R$ 41.735.6,42,88 (...) a ser pago na data de 29.03.2010, por meio de TED, emitido em favor da OUTORGANTE conta corrente n° 4731 de sua titularidade e mantida perante o Banco Safra S/A (422), Agência 0164, que dará plena e irrevogável quitação do valor recebido, após a confirmação da transferência, para nada mais reclamar, seja a que título for; 2.2.3. Fl. 708DF CARF MF 10 Uma parcela no valor de R$ 24.081.848,71 (...) a ser após a comprovação da conclusão da construção do Edifício Fernando Pessoa mediante apresentação do habitese CND/INSS, averbação das construções, formalização do aceite,do locatário través do termo de recebimento do edifício Fernando Pessoa sem ressalvas e comprovação da locação de 100% (cem por cento) do Edifício Fernando Pessoa. 2.2.4. Uma parcela no valor de R$ 8.339.512,09 (...), a ser pago após a apresentação da totalidade dos contratos de locação assinados referente ao Edifício Mozart; 2.2.5. A OUTORGANTE e a OUTORGADA ajustam que o saldo final do preço, no valor de R$ 5.851.354,08 (...) será retido pela OUTORGADA, até o trânsito em julgado nos autos da falência e de todos os eventuais recursos da empresa Brasicon Indústria Brasileira de Concreto Ltda, número 048.91.2002.006749 da 2ª Vara Cível da Comarca de AtibaiaSP. 2.2.5.1. Este valor retido será mantido no caixa da OUTORGADA, ficando desde já a OUTORGADA autorizada fazer uso do valor retido a fim de elidir qualquer ameaça à sua posse ou propriedade sobre o IMÓVEL, incluindo, mas não se limitando ao pagamento de credores e/ou débitos da falência da Brasicon Indústria Brasileira de Concreto Ltda.; 2.2.5.2.(...)” (negritei) Ou seja: a compra e venda em tela envolve algum parcelamento, mas sua característica não é a de venda a prazo ou a prestações. Em resumo: descabe aplicar a Solução de Divergência n° 37/2013, pois esta trata exclusivamente de vendas a prazo ou a prestações de unidades imobiliárias não concluídas; ou, em outras palavras: trata exclusivamente de vendas na planta” e de unidades imobiliárias ainda em fase de construção. A venda em questão tem características muito mais próximas de venda a vista de unidades imobiliárias já concluídas. Além disso, o valor do negócio imobiliário em tela supera em muito o valor de trinta vezes o maior salário mínimo vigente no País e, portanto, neste caso, a validade do negócio frente a terceiros só se dá com lavratura da Escritura de Venda e Compra, nos moldes do Código Civil de 2002: “Art. 108. Não dispondo a lei em contrário, a escritura pública é essencial à validade dos negócios jurídicos que visem à constituição, transferência, modificação ou renúncia de direitos reais sobre imóveis de valor superior a trinta vezes o maior salário mínimo vigente no País.” Assim, somente se considera válido o negócio jurídico a partir da data da lavratura da escritura pública, ou seja, a partir de 26/02/2010, razão pela qual esta é a data do fato gerador, a ser levada para a apuração do lucro presumido do 1º trimestre de 2010, para fins de IRPJ e CSLL, e fevereiro para PIS e COFINS. Preliminar indeferida. Considerados os fundamentos da decisão recorrida, verifico que eles não se sustentam, uma vez que realmente, nas vendas de unidades imobiliárias realizadas por pessoa jurídica incorporadora de imóveis, optante pela tributação do imposto sobre a renda com base no lucro presumido, apurado sob o regime de competência, considerase realizada a receita na data de efetivação do respectivo contrato de compra e venda, ainda que este se opere por instrumento de promessa, carta de reserva com princípio de pagamento ou por qualquer outro documento compromissivo. Contudo a acusação de omissão de receitas apurada em 2011, tem como causa justamente a eleição do regime de competência para apuração do lucro presumido, ao passo que a autoridade autuante entendia como correto o regime de caixa, a solução da controvérsia diz respeito a própria procedência ou improcedência da autuação, confundindose com o mérito em análise, razão pela qual, como questão de mérito será tratada, uma vez que em sendo verificado erro no lançamento, há que se votar pela sua improcedência e não nulidade. Fl. 709DF CARF MF Processo nº 19311.720058/201582 Acórdão n.º 1401002.830 S1C4T1 Fl. 705 11 Diante disso, entendo que assiste razão à Recorrente quando sustenta a necessidade de reforma da decisão recorrida, mas no sentido de se reconhecer a improcedencia da autuação Ante o exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário para cancelar a autuação. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Fl. 710DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16624.000615/2008-02
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei.
Há de ser afastada a glosa, quando o contribuinte apresenta, no processo, documentação suficiente para sua aceitação.
Numero da decisão: 2001-000.408
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
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score : 1.0
Numero do processo: 10830.721965/2011-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2007
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. Aplicação das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado/RGI 1ª (texto da posição 3925) e 6ª (texto da subposição 3925.20, 3925.30 e 3925.90), e Regra Geral Complementar (RGC-1). O texto da subposição 3925.20 deve ser interpretado de modo a alcançar não somente para os itens previstos literalmente, mas os demais que possuam a mesma natureza, constituição e utilização, guardados os limites impostos pela própria Seção e posição.
MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO, COM COBERTURA DE CRÉDITO. CONFISCO. Não cabe ao Colegiado afastar a aplicação de norma legal vigente em razão de argumentação de confisco (artigo 150, da CF/88). Aplicação mandatória da Súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 3401-005.152
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso apenas para manter o enquadramento dado pelo contribuinte na TIPI referente aos produtos: arco, caixa acústica, folha, maxiar, pinázio, quadro fixo e trilhos, devendo ser reduzida a penalidade proporcionalmente às saídas de tais itens no período autuado.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN Presidente
(assinado digitalmente)
TIAGO GUERRA MACHADO - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Cássio Schappo, Lázaro Antonio Souza Soares e Tiago Guerra Machado. Ausente justificadamente o conselheiro André Henrique Lemos.
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2007 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. Aplicação das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado/RGI 1ª (texto da posição 3925) e 6ª (texto da subposição 3925.20, 3925.30 e 3925.90), e Regra Geral Complementar (RGC-1). O texto da subposição 3925.20 deve ser interpretado de modo a alcançar não somente para os itens previstos literalmente, mas os demais que possuam a mesma natureza, constituição e utilização, guardados os limites impostos pela própria Seção e posição. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO, COM COBERTURA DE CRÉDITO. CONFISCO. Não cabe ao Colegiado afastar a aplicação de norma legal vigente em razão de argumentação de confisco (artigo 150, da CF/88). Aplicação mandatória da Súmula CARF nº 2.
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TUBOS E CONEXÕES. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2007 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. Aplicação das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado/RGI 1ª (texto da posição 3925) e 6ª (texto da subposição 3925.20, 3925.30 e 3925.90), e Regra Geral Complementar (RGC1). O texto da subposição 3925.20 deve ser interpretado de modo a alcançar não somente para os itens previstos literalmente, mas os demais que possuam a mesma natureza, constituição e utilização, guardados os limites impostos pela própria Seção e posição. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO, COM COBERTURA DE CRÉDITO. CONFISCO. Não cabe ao Colegiado afastar a aplicação de norma legal vigente em razão de argumentação de confisco (artigo 150, da CF/88). Aplicação mandatória da Súmula CARF nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso apenas para manter o enquadramento dado pelo contribuinte na TIPI referente aos produtos: arco, caixa acústica, folha, maxiar, pinázio, quadro fixo e trilhos, devendo ser reduzida a penalidade proporcionalmente às saídas de tais itens no período autuado. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN – Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 19 65 /2 01 1- 81 Fl. 470DF CARF MF 2 TIAGO GUERRA MACHADO Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Cássio Schappo, Lázaro Antonio Souza Soares e Tiago Guerra Machado. Ausente justificadamente o conselheiro André Henrique Lemos. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 443 e seguintes) contra decisão da 12ª Turma, DRJ/RPO, que considerou improcedentes, em parte, as razões da Recorrente sobre a nulidade de Auto de Infração, exarado pela DRF Campinas, em 17.06.2011, com ciência pela Contribuinte na mesma data (fl. 433), referente a título de multa de IPI não lançado com cobertura de crédito, em virtude da falta de lançamento do imposto por ter o estabelecimento industrial promovido a saída de produtos tributados de sua fabricação com falta de lançamento de imposto, por erro de classificação fiscal e de alíquota, período de 31.07.2006 a 31.12.2007. Do Lançamento (fls. 362 e seguintes) Naquela ocasião, a Fiscalização lançou multa isolada referente ao IPI não lançado com cobertura de crédito (saldo credor), em dito tributário de IPI (fls. 362 e seguintes), totalizando a exigência em R$ 254.057,35 (duzentos e cinquenta e quatro mil, cinquenta e sete reais e trinta e cinco centavos), em virtude da falta de lançamento do imposto em razão de o contribuinte ter efetuado a saída de produtos tributados, por erro de classificação fiscal, com alíquota inferior à devida. No respectivo Termo de Verificação Fiscal de fls. 358/361, a fiscalizada promoveu a saída de produtos de matéria plástica – PVC (arco, arremate, caixa acústica, canto, estruturas geométricas, folha, guarda corpo, janelas, marco, maximar, módulos, perfis, pinázio, portas, quadro fixo, trilhos e veneziana), adotando para todos os produtos a classificação fiscal 3925.20.00 da TIPI, tributados à alíquota 0%. Contudo, segundo a fiscalização, baseada na TIPI/2007, os produtos relacionados se enquadrariam nas seguintes classificações fiscais: Perfil: 3916.90.90 – outros (policloreto de vinila) – alíquota 10%; Portas e janelas: 3925.20.00 – alíquota 0%; Venezianas (persianas): 3925.30.00 – alíquota 5%; Demais produtos: 3925.90.00 – outros – alíquota 5%. Como resultado dessa reclassificação, a autoridade fazendária veio a lançar penalidade em decorrência da falta de lançamento de IPI nas notas fiscais de saídas do estabelecimento, não havendo imposto a recolher em razão de a contribuinte possuir saldo credor suficiente para ilidir o recolhimento à época dos fatos geradores. Fl. 471DF CARF MF Processo nº 10830.721965/201181 Acórdão n.º 3401005.152 S3C4T1 Fl. 471 3 Da Impugnação A Contribuinte tomou ciência do Auto de Infração, em 17.06.2011 (fl.433), e interpôs impugnação, em 15.07.2011 (fls.385 e seguintes ), alegando, em síntese, o seguinte: (a) Sobre os cálculos elaborados pela Fiscalização: "(...) constatouse que os montantes considerados mês a mês referente ao produto 'perfil' estão divergentes daqueles valores originários do arquivo magnético de NFs de Saídas de Jul/2006 a Dez/2007, como pode ser verificado na planilha constante desse mesmo arquivo, com o nome 'Cálculo Perfil I Revisado'. Cabível, então, uma revisão desses valores apurados e tabulados erroneamente, procedendose à respectiva correção"; (b) Sobre a incorreta indicação de NCM para os "demais produtos": requer a correção da indicação do código NCM 3925.90.00 como classificação fiscal do item de produtos “outros”, uma vez que referido código não existe na TIPI; (c) Sobre o pedido de "perícia": Parecendo desconhecer o caráter jurídico do procedimento de classificação fiscal de mercadorias, pediu "perícia técnica", nomeando o Instituto Nacional de Tecnologia do Ministério de Ciência e Tecnologia, formulando os quesitos da fl. 389 e nomeando peritoassistente; (d) Sobre o mérito da classificação fiscal: "Relativamente aos produtos reclassificados, aduz que não são vendidos de forma isolada ou individualmente. Ao contrário, a comercialização sempre é feita pelo conjunto de itens que compõem cada projeto e/ou orçamento, até por uma razão muito simples: sem essa aquisição e instalação conjunta dos itens de produtos que compõem cada projeto, este não tem funcionalidade. Tratase, portanto, de uma série de itens de produtos que não tem função isolada, própria, ou específica, mas que se complementam numa única função, seja de porta, janela ou esquadria, devendo, por conseguinte, serem objeto de classificação fiscal nessa condição. Portanto, o que efetivamente prevalece para fins de classificação fiscal do produto que não é autônomo, na sua essência, é a sua destinação. No caso, nenhuma dúvida persiste que os componentes se destinam a formar um conjunto específico, e como tal deve haver o respectivo enquadramento, exatamente como efetuado pela impugnante."; (e) Aduz sobre a impossibilidade de aplicação de multa por ausência de dano ao Erário, bem como sobre o caráter "manifestamente confiscatório". Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio Acordão1450.065, exarado pela 12ª Turma, da DRJ/RPO, em 29.04.2014, com ciência em 22.05.2014 (fl. 440), através do qual foi mantido, em parte, o crédito tributário lançado nos seguintes termos: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2007 Fl. 472DF CARF MF 4 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. Segundo a TIPI/2007, produtos fabricados com matéria plástica (PVC), tais como: perfis, venezianas (persianas) e artefatos para apetrechamento de construções, são classificados nos códigos 3916.90.90, 3925.30.00 e 3925.90.90, respectivamente. Aplicação das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado/RGI 1ª (texto da posição 3916 e 3925) e 6ª (texto da subposição 3916.90, 3925.30 e 3925.90), e Regra Geral Complementar (RGC1). APLICAÇÃO DE ALÍQUOTA MENOR QUE A DEVIDA. Aplicação de alíquota do imposto, menor do que a devida, por erro de alíquota/classificação fiscal dos produtos, justifica o lançamento de ofício da diferença, com os respectivos acréscimos legais. IPI. AUTO DE INFRAÇÃO. ERRO NO LANÇAMENTO. Em face da comprovação de erro no lançamento de ofício, cabível a revisão dos valores lançados a maior. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO, COM COBERTURA DE CRÉDITO. É lícita a imposição de multa de ofício, proporcional ao valor do imposto que deixou de ser destacado na nota fiscal de saída, mesmo havendo saldo credor na escrita fiscal do sujeito passivo. JUNTADA DE PROVAS. MOMENTO PROCESSUAL. Sob pena de preclusão temporal, o momento processual para o oferecimento da impugnação é o marco para apresentação de prova documental. A juntada posterior de documentação só é possível em casos especificados na lei. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Dessa decisão, importante destacar os seguintes enxertos: Sobre a classificação fiscal dos "demais itens" e do cálculo impugnado pela Impugnante ora Recorrente: A impugnante requer uma revisão dos valores lançados referente ao produto “perfil” e a correção da indicação do código NCM 3925.90.00 como classificação fiscal do item de produtos “outros”, uma vez que referido código não existe na TIPI. Diante das alegações de revisão, cumpre notar que não se verifica nesses autos qualquer das hipóteses previstas no art 59 do Decreto nº 70.235/72, de 6 de março de 1972, verbis: (...) No que diz respeito ao código NCM 3925.90.00, classificação fiscal do item de produtos “outros”, referido código estava presente na TIPI aprovada pelo Decreto nº 4.542, de 26 de dezembro de 2002. A partir de 1º de janeiro de 2007, entra em vigor o Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006, alterandoo para NCM 3925.90.90. Fl. 473DF CARF MF Processo nº 10830.721965/201181 Acórdão n.º 3401005.152 S3C4T1 Fl. 472 5 No presente caso, eventual falha no enquadramento do NCM, para os períodos a partir de 1º de janeiro de 2007, não deixa dúvidas acerca da imputação. Assim, afastada o cerceamento a ampla defesa da interessada, a conclusão é de que, apesar de alguma imperfeição do enquadramento, o lançamento é válido e eficaz. Quanto à revisão dos valores lançados a maior, nos termos do Relatório Fiscal de fls. 415/417, a autoridade fiscal elaborou a planilha “Apuração da Divergência no Somatório dos valores das Notas Fiscais de Saídas”, no qual se posiciona pela existência de divergências na apuração referente ao produto “perfil”, no valor total de R$ 4.412,27. Referida correção é calculada ao final do presente voto. (...) Sobre a classificação fiscal dos produtos: portas, janelas, persianas e perfis Versa a lide sobre a correta classificação das seguintes mercadorias: arco, arremate, caixa acústica, canto, estruturas geométricas, folha, guardacorpo, janelas, marco, maximar, módulos, perfis, pinázio, portas, quadro fixo, trilhos e venezianas. Todos os produtos são fabricados com matéria plástica (PVC). A contribuinte adotou para todos os produtos a classificação fiscal 3925.20.00, tributados à alíquota de 0%. No entanto, a fiscalização considerou as seguintes classificações fiscais: Perfil: 3916.90.90 – outros (policloreto de vinila) – alíquota 10%; Portas e janelas: 3925.20.00 – alíquota 0%; Venezianas (persianas): 3925.30.00 – alíquota 5%; Demais produtos: 3925.90.00 – outros – alíquota 5%. É mister afirmar, prévia e didaticamente, que a operação de enquadramento de produto em código de classificação fiscal não tem caráter técnico e sim estritamente tributário, nos termos do PAF, art. 30, § 1º, cabendo ao Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil executar o referido enquadramento à luz da legislação tributária aplicável: consoante o RIPI/2002, arts. 15 a 17 (RIPI/2010, arts. 15 a 17), a classificação fiscal de mercadorias deve ser feita de acordo com as Regras Gerais para Interpretação (RGI), Regras Gerais Complementares (RGC) e Notas Complementares, todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM); as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), e suas alterações, além das Notas de Seção, Capítulo, posições e de subposições da NCM, prestamse como elementos subsidiários fundamentais para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições da NCM. Assim dispõem as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI): “1. Os títulos das seções, capítulos e subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes. (...) Fl. 474DF CARF MF 6 6. A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de subposição respectivas, bem como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Na acepção da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário”. Vale dizer, são os textos das posições, das subposições, dos itens, subitens e dos destaques “Ex”, que determinam a classificação fiscal de um produto. As regras de 2 a 5 somente são aplicadas se os textos ou as notas não forem suficientes para o devido enquadramento. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), sendo fonte subsidiária de interpretação, é, por essa razão, instrumento hábil, embora não suficiente, para o enquadramento correto de classificação fiscal de mercadorias. Em sua defesa, a contribuinte aduz que os produtos reclassificados não são vendidos de forma isolada ou individualmente. Ao contrário, a comercialização sempre é feita pelo conjunto de itens que compõem cada projeto e/ou orçamento. Tratase, portanto, de uma série de itens de produtos que não tem função isolada, própria, ou específica, mas que se complementam numa única função, seja de porta, janela ou esquadria, devendo, por conseguinte, serem objeto de classificação fiscal nessa condição. Portanto, o que efetivamente prevalece para fins de classificação fiscal do produto que não é autônomo, na sua essência, é a sua destinação. (...) No entanto, compulsando os autos, extraise que os produtos fabricados pela contribuinte são de matéria plástica e suas obras, enquadradas no Capítulo 39 da TIPI, tendo como principal atividade a fabricação de portas, janelas, seus caixilhos e alisares. Portanto, de acordo com os fatos apresentados, nem todas as saídas são de portas ou janelas, e sim de seus acessórios, com vendas separadas, daí resultando em classificações independentes. A Nota Explicativa, relativamente à Seção VII, relativo a “PLÁSTICOS E SUAS OBRAS; BORRACHA E SUAS OBRAS”, invocada pela impugnante, dispõe: Notas de Seção. 1. Os produtos apresentados em sortidos formados por vários elementos constitutivos distintos, incluídos, na totalidade ou em parte, na presente Seção, e que se reconheçam como destinados, após mistura, a constituir um produto das Seções VI ou VII, devem classificarse na posição correspondente a este último produto, desde que tais elementos constitutivos sejam: a) em face do seu modo de acondicionamento claramente reconhecíveis como destinados a utilização conjunta sem prévio reacondicionamento; b) apresentados ao mesmo tempo; c) reconhecíveis, dadas a sua natureza ou respectivas quantidades, como complementares uns dos outros. É imprescindível que as situações “a”, “b” e “c” estejam presentes para de fato os produtos reclassificados sejam considerados e classificados como portas ou janelas, ou seja, no NCM 3925.20.00. Caso contrário, serão classificados de forma autônoma, exatamente como procedeu a fiscalização na reclassificação efetuada. Também corrobora com a situação a própria Solução de Consulta nº 9, de 22 de fevereiro de 2001, igualmente invocada pela contribuinte, na qual especifica que a mercadoria classificada no NCM 3925.20.00 tratase de “porta desmontada, Fl. 475DF CARF MF Processo nº 10830.721965/201181 Acórdão n.º 3401005.152 S3C4T1 Fl. 473 7 constituída por elementos de plástico rígido (PVC)”. Em nenhum momento, sequer cita a possibilidade de classificar no NCM 3925.20.00 as partes em que compõe a porta ou janela. No caso em tela, estamos diante de saídas de acessórios para portas ou janelas, e não saídas de portas ou janelas desmontadas. Face ao exposto, verificamse infrutíferas as alegações da requerente no sentido de que os produtos por ela fabricados deveriam ser classificados como portas ou janelas NCM 3925.20.00. Neste sentido, com base nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado/RGI 1ª (texto da posição 3916 e 3925) e 6ª (texto da subposição 3916.90, 3925.30 e 3925.90), e Regra Geral Complementar (RGC1), concluo que as classificações adotadas pela fiscalização estão corretas. (...) Sobre aplicação da multa de ofício. A recorrente contesta o que entendeu “ser excessivo o valor da referida penalidade aplicada, pois nenhum pretenso imposto deixou de ser recolhido”. No entanto, o autuante aplicou somente a multa de ofício de 75%, a qual está fundamentada no art. 80, inciso II, da Lei n° 4.502/64, com a redação dada pelo art. 45 da Lei n° 9.430/96, e alterações posteriores: (...) Valores divergentes apurados em diligência. Nos termos do Relatório Fiscal de fls. 415/417, a autoridade fiscal elaborou a planilha “Apuração da Divergência no Somatório dos valores das Notas Fiscais de Saídas”, no qual se posiciona pela existência de divergências na apuração referente ao produto “perfil”, no valor total de R$ 4.412,27. Nesse sentido, devese cancelar o lançamento das diferenças de IPI apuradas no relatório fiscal. O demonstrativo abaixo demonstra o novo valor de IPI apurado (...). Do Recurso Voluntário Irresignado, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação e apresentar, ainda, os seguintes: Fl. 476DF CARF MF 8 (...) Fl. 477DF CARF MF Processo nº 10830.721965/201181 Acórdão n.º 3401005.152 S3C4T1 Fl. 474 9 É o relatório. Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, de modo que admito seu conhecimento. Da Preliminar de Nulidade Fl. 478DF CARF MF 10 A recorrente aduz que o erro, durante o lançamento, na reclassificação fiscal para código NCM inexistente representaria óbice à suficiente instrução da sua defesa, devendo ser, per si, anulado o auto de infração, com fulcro no artigo 59, do Decreto Federal 70.235/1972. Ora, não reside razão a tal assertiva da contribuinte. A reclassificação para um código NCM inexistente, no presente caso, não a inibiu de apresentar sua defesa, mesmo porque está foi calcada na possibilidade técnica no enquadramento no código NCM ora impugnado. Além disso, considerando que a Fiscalização atribuiu os produtos ao código NCM genérico então vigente ("Outros"), e de mesma posição, é possível inferir que o erro em imputar o código NCM inexistente 3925.90.00 ao invés do código NCM 3925.90.90 é absolutamente sanável, inexistindo portanto hipótese da nulidade prevista no artigo 59, supramencionado, aplicável ao presente lançamento. Do Mérito Da Classificação Fiscal Sobre a classificação fiscal das mercadorias, não vejo necessidade de qualquer emenda ao embasamento jurídico da decisão de primeiro piso. Todavia, há de se ressaltar que, a meu ver, não houve suficiente esmero da decisão em analisar faticamente os produtos que foram reenquadrados em código NCM distinto do que a contribuinte considera como corretos. Analisando os catálogos comerciais disponíveis no site da Recorrente (https://www.tigre.com.br/claris/produtos), verificase que alguns dos itens foram erroneamente enquadrados no lançamento, uma vez que por sua descrição, natureza e utilização deveriam ser relacionados em código NCM específico, a saber: Arco 3925.20.00 Portas, janelas, e seus caixilhos, alizares e soleiras Caixa acústica 3925.20.00 Portas, janelas, e seus caixilhos, alizares e soleiras Folha 3925.20.00 Portas, janelas, e seus caixilhos, alizares e soleiras Maxiar 3925.20.00 Portas, janelas, e seus caixilhos, alizares e soleiras Pinázio 3925.20.00 Portas, janelas, e seus caixilhos, alizares e soleiras Quadro fixo 3925.20.00 Portas, janelas, e seus caixilhos, alizares e soleiras Trilhos 3925.20.00 Portas, janelas, e seus caixilhos, alizares e soleiras Explico. O arco e o pinázio são formas de acabamento que integram a folha da janela, que nada mais é do que estrutura que abriga o vidro, não podendo se distinguir dela própria. A caixa acústica é a estrutura componente da janela que envolve a(s) folha(s). Maxiar nada mais é do que um modelo específico de janela oferecido pela Recorrente, do tipo basculante; da mesma forma que o "quadro fixo", nada mais que uma janela sem qualquer modo de abertura. Por fim, os trilhos são estruturas que compõem as janelas que possuem folhas que não possuem dobradiças ou básculas (ou seja, são janelas "de correr"). Fl. 479DF CARF MF Processo nº 10830.721965/201181 Acórdão n.º 3401005.152 S3C4T1 Fl. 475 11 Veja que a subposição 3925.20.00 trata das janelas e seus caixilhos, alizares e soleiras; nessa linha, pareceme claro que a intenção é de se classificar nessa subposição todos os itens essenciais à estrutura das portas e janelas de todos os tipos e não só o produto consolidado. Não por coincidência, a subposição seguinte (3925.30.00) é que alberga venezianas e estores, que por mais que possam ser integradas às janelas e portas, não são essenciais a sua estrutura, não cabendo reforma da decisão ora recorrida no que tange às venezianas. Os seguintes itens não merecem tampouco reforma, adotando as razões apontadas no entendimento exarado pela DRJ pelo fato de não ter sido trazido pela Recorrente, em nenhum momento da lide, qualquer elemento que pudessem convencer que seriam componentes essenciais à estrutura da janela, e não apenas decorativos: "arremate", "canto", "estruturas geométricas", "marco", "módulos", "perfis". Por fim, quanto ao item "guardacorpo", vêse indistintamente que não se trata de porta ou janela. É um guardacorpo; portanto reputo correta a classificação fiscal nos termos do lançamento original, eis que não há correlação nas subposições anteriores, devendo manterse classificado como 3925.90.90. Da Alegação de Impossibilidade de Lavratura de Penalidade quando não há dano ao Erário sob pena de efeito de confisco Diante dos argumentos de ordem constitucional apresentados pelo contribuinte para afastamento da aplicação de multa pecuniária (“manifestamente confiscatória”), ressalto que esse colegiado está limitado a discussão de matéria infraconstitucional, de modo que o pretenso afastamento da norma legal vigente se encontra impossibilidade pela obediência à Súmula CARF nº 2. Tal fato implica na inadmissão do pedido expresso na peça recursal. Por todo o exposto, conheço do Recurso, porém doulhe parcial provimento apenas para manter o enquadramento dado pelo contribuinte na TIPI/2007 refere aos produtos: arco, caixa acústica, folha, maxiar, pinázio, quadro fixo e trilhos, devendo ser reduzida a penalidade proporcionalmente as saídas de tais itens no período autuado. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator Fl. 480DF CARF MF 12 Fl. 481DF CARF MF
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