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Numero do processo: 13502.000927/2009-87
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2004 a 31/12/2005
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.740
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, JoãoVictor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 09 27 /2 00 9- 87 Fl. 2550DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, JoãoVictor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório A Fazenda Nacional insurgese contra o Acórdão 2402003.204, julgado em 21 de novembro de 2012, na parte em que foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário para determinar que a multa seja calculada de acordo com a legislação vigente à época do fato gerador, qual seja, a redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Eis a ementa do acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2004 a 31/12/2005 SALÁRIO INDIRETO AJUDA ALIMENTAÇÃO IN NATURA NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN FORNECIMENTO DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE EM DESCONFORMIDADE COM A LEGISLAÇÃO INTEGRA SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO Integram o salário de contribuição os valores de assistência médica fornecidos em desacordo com a alínea “q” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. A exigência de que o empregado cumpra uma carência para fazer jus ao benefício da assistência à saúde, exclui deste o direito que a lei determina ser para todos RETENÇÃO A MAIOR COMPENSAÇÃO INICIATIVA DA EMPRESA CUMPRIMENTO DE REQUISITOS Os créditos oriundos de retenções efetuadas a maior em determinada competência ou estabelecimento pode ser utilizados para efetuar compensações ou ser objeto de pedido de restituição. A iniciativa de efetuar compensações é do contribuinte de deve obedecer determinados requisitos estabelecidos pela legislação, como, declarar a compensação efetuada na competência em GFIP. Não cabe ao auditor fiscal no procedimento de fiscalização considerar efetuar compensações não realizadas pelo sujeito passivo MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reporta se à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora Fl. 2551DF CARF MF Processo nº 13502.000927/200987 Acórdão n.º 9202005.740 CSRFT2 Fl. 2.551 3 nos percentuais da época, limitada a 75% (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei nº 8.212/1991). Recurso Voluntário Provido em Parte Tratase de lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa e à destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 31/48), os fatos geradores observados pela auditoria fiscal são os seguintes: a) Valores apurados em decorrência da constatação de que parte dos créditos informados pela empresa nas GFIP (salário família e valores retidos) não correspondiam à realidade; b) Diferenças entre as bases de cálculo apuradas pela empresa na FOPAG (base empresa) e as confessadas em GFIP; c) Rubricas da FOPAG que a empresa equivocadamente não ofereceu à tributação; d) Benefícios usufruídos unicamente pelos sócios da empresa (previdência privada e seguro de vida); e) Benefícios oferecidos pela empresa a seus trabalhadores, mas pagos em desacordo com o que preceitua a legislação: alimentação "in natura" fornecida sem que a empresa possua inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT e assistência médica cuja cobertura não atende a totalidade de seus trabalhadores. Pelo Acórdão nº 1528454 (fls. 1052/1066) a 6ª Turma da DRJ/Salvador considerou a autuação procedente em parte em razão de haver constatado que, nas competências dezembro de 2004 e março a junho de 2005, os valores recolhidos pela impugnante não foram integralmente apropriados, restando uma diferença a apropriar, recurso este que restou ementado conforme supra. A Fazenda Nacional recorre com base em paradigmas existentes à época onde havia controvérsia sobre a aplicação da retroatividade benigna e traz o Acórdão nº 20601.782 para embasar sua divergência Para o contribuinte, que se manifesta por meio das contrarrazões, não há sequer controvérsia nos mencionados acórdãos, uma vez que de sua perspectiva, tratamse de questões fáticas diferentes. É o relatório. Voto Fl. 2552DF CARF MF 4 Conselheira Patrícia da Silva Relatora Entendo cumpridos os requisitos de admissibilidade motivo pelo qual conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional, pois presentes, àquela oportunidade controvérsia relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. Hoje, entretanto, esta Câmara Superior já pacificou o entendimento no sentido em que a solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É Fl. 2553DF CARF MF Processo nº 13502.000927/200987 Acórdão n.º 9202005.740 CSRFT2 Fl. 2.552 5 necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição Fl. 2554DF CARF MF 6 devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 2555DF CARF MF Processo nº 13502.000927/200987 Acórdão n.º 9202005.740 CSRFT2 Fl. 2.553 7 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Fl. 2556DF CARF MF 8 Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 2557DF CARF MF Processo nº 13502.000927/200987 Acórdão n.º 9202005.740 CSRFT2 Fl. 2.554 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo se encontrar em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multas de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso Fl. 2558DF CARF MF 10 resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Ante ao exposto, dou Provimento Parcial ao Recurso da Fazenda Nacional para que seja aplicada a multa de acordo com o constante da Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 2559DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.721452/2014-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012
AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO - DECADÊNCIA
O prazo decadencial para o lançamento decorrente de glosa de amortização de ágio é contado da data em que se dá a amortização e não da data em que o ágio é formado ou em que o contribuinte adquire o direito à amortização.
AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO - FUNDO DE COMÉRCIO E INTANGÍVEIS
Comprovado nos autos que o ágio teve como fundamento o valor do intangível, no caso representado pelas marcas de renome nacional adquiridas e o fundo de comércio envolvido na operação, aplicável a determinação contida no artigo 385, § 2º, III, do RIR/1999, pelo que descabe a sua amortização nos moldes realizados pela contribuinte, impondo-se a glosa de tais despesas.
GANHOS DE CAPITAL. OMISSÃO DE RECEITAS. ALIENAÇÃO DE BEM IMÓVEL. AUSÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. PLANEJAMENTO FISCAL ABUSIVO.
Comprovado nos autos que há ausência de propósito negocial na operação de alienação de bens imóveis realizada pelo contribuinte, merece prosperar a glosa fiscal, pois mesmo que tal ato seja lícito, rechaça-se seus efeitos diante do planejamento fiscal abusivo perpetrado pelo contribuinte.
COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. AUTUAÇÃO. PREJUÍZOS FISCAIS E BASE NEGATIVA DA CSSL.
Uma vez lavrada a autuação, deve a fiscalização proceder aos ajustes nos saldos de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativa da CSLL para garantir, ao final do processo administrativo, em caso de improcedência dos recursos do contribuinte, um saldo certo, tanto de prejuízos fiscais, como de base de negativa de CSLL, para a utilização anual pelo contribuinte.
Numero da decisão: 1402-002.720
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei que votaram por dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência referente à glosa de despesas com amortização de ágio. Designado o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella.
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO FUNDO DE COMÉRCIO E INTANGÍVEIS Comprovado nos autos que o ágio teve como fundamento o valor do intangível, no caso representado pelas marcas de renome nacional adquiridas e o fundo de comércio envolvido na operação, aplicável a determinação contida no artigo 385, § 2º, III, do RIR/1999, pelo que descabe a sua amortização nos moldes realizados pela contribuinte, impondose a glosa de tais despesas. GANHOS DE CAPITAL. OMISSÃO DE RECEITAS. ALIENAÇÃO DE BEM IMÓVEL. AUSÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. PLANEJAMENTO FISCAL ABUSIVO. Comprovado nos autos que há ausência de propósito negocial na operação de alienação de bens imóveis realizada pelo contribuinte, merece prosperar a glosa fiscal, pois mesmo que tal ato seja lícito, rechaçase seus efeitos diante do planejamento fiscal abusivo perpetrado pelo contribuinte. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. AUTUAÇÃO. PREJUÍZOS FISCAIS E BASE NEGATIVA DA CSSL. Uma vez lavrada a autuação, deve a fiscalização proceder aos ajustes nos saldos de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativa da CSLL para garantir, ao final do processo administrativo, em caso de improcedência dos recursos do contribuinte, um saldo certo, tanto de prejuízos fiscais, como de base de negativa de CSLL, para a utilização anual pelo contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 14 52 /2 01 4- 49 Fl. 4126DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei que votaram por dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência referente à glosa de despesas com amortização de ágio. Designado o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella. Fl. 4127DF CARF MF Processo nº 11516.721452/201449 Acórdão n.º 1402002.720 S1C4T2 Fl. 4.127 3 Relatório Adoto, em sua integralidade, o relatório do Acórdão de Impugnação nº 14 58.838, proferido em 28 de maio de 2015, pela 1ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP. Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima identificado foi apurada amortização indedutível de ágio nos anos de 2009, 2010, 2011 e 2012, além de falta de contabilização de ganho de capital apurado na alienação de bem do ativo permanente. Em conseqüência, foram lavrados os autos de infração de IRPJ (fls. 34923495) e de CSLL (fls. 35123515) para constituição dos créditos tributários, com imposição de multa de ofício de 75%. Conforme descrito no “Termo de Verificação Fiscal” de fls. 34383490, a AMC TÊXTIL LTDA (doravante apenas AMC) tem como atividade econômica preponderante a confecção de peças do vestuário, sendo titular de diversas marcas de renome, como MALHAS MENEGOTTI, COLCCI, SOMMER, CARMELITAS e COCA COLA CLOTHING LINE. Em 17/03/2008, a AMC comprou do Sr. Tufi Duek e de sua filha Sharon Duek, pelo valor de R$ 251.217.000,00, as empresas TF INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MODAS LTDA (doravante apenas TF), TF LICENCIAMENTOS DE MARCAS LTDA (com capital de R$ 101.000,00, em 18/03/2008, dos quais R$ 100.000,00 representam participação da TF), TRITON E FÓRUM PUBLICIDADE LTDA (com capital de R$ 101.000,00, em 18/03/2008, dos quais R$ 100.000,00 representam participação da TF) e FÓRUM USA INC. Do valor total da operação, o montante de R$ 230.202.915,81 foi contabilizado como ágio sobre investimentos, vinculado à TF. Por meio dessa aquisição, a AMC passou a ser titular das marcas FÓRUM, TRITON e TUFI DUEK. Em 30/09/2008, a AMC TÊXTIL incorporou a TF e passou a amortizar, para fins tributários, o ágio apurado na operação de compra desta empresa. O ágio amortizado foi de R$ 46.499.152,58 em 2009, R$ 46.957.758,50 em 2010, R$ 46.957.795,71 em 2011 e R$ 46.957.795,71 em 2012. Ressalta a autoridade autuante que a AMC se autodefine como “o maior gestor de marcas de moda da América do Sul”, sendo a aquisição das marcas TRITON, FÚRUM e TUFI DUEK parte da estratégia de ampliação de mercado do grupo AMC. Intimado a esclarecer o fundamento legal que orientou a amortização do ágio, o contribuinte informou que valeuse da faculdade conferida pelo art. 386, III, do RIR/1999, vale dizer, o contribuinte entende que o ágio contabilizado tem por fundamento a expectativa de rentabilidade futura das empresas adquiridas. Afirma a autoridade autuante que o contribuinte ignorou, de forma deliberada, a previsão contida no inciso III do § 2º do art. 385 do RIR, segundo o qual um dos fundamentos econômicos do ágio é o fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas, sendo que, nesse caso, segundo o art. 386, II, do RIR, o valor do ágio deve ser contabilizado em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização. O ágio Fl. 4128DF CARF MF 4 decorrente da aquisição de intangíveis, como marcas e fundos de comércio, somente é dedutível quando da alienação desses ativos, nos termos do art. 386, § 3º, I, do RIR. A autoridade autuante assevera que o contribuinte, unicamente para amortizar o ágio da operação, deixou de imputar esse ágio ao valor das marcas e dos pontos comerciais. O laudo por ele apresentado para cumprir a formalidade prevista no art. 385. § 3º,do RIR desconsiderou totalmente as marcas e os pontos comerciais adquiridos, tendo sido lavrado com a única finalidade de atribuir ao ágio a fundamentação econômica da expectativa de rentabilidade futura. Relata a autoridade autuante que a empresa contratada para elaboração do laudo foi a CAPITAL SOLUÇÕES S/S, sendo o laudo assinado pelo representante legal desta empresa, Sr. José Carlos Meinert, que também é representante/sócio do escritório de advocacia MARTINELLI ADVOCACIA EMPRESARIAL, sendo que este presta serviços regulares à AMC e a sua controladora AMC EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO S/A. A AMC e a CAPITAL SOLUÇÕES S/S foram intimadas a apresentar cópia do contrato de prestação de serviços relacionado à elaboração do laudo, bem como documentos fiscais emitidos referentes a esses serviços, mas não apresentaram os documentos. Conclui a autoridade autuante que a relação financeira prévia, entre a AMC e os avaliadores, compromete o resultado da avaliação, sendo este imprestável pelas seguintes razões (fl. 3455): Foi baseado apenas em números de Demonstrações Contábeis de credibilidade questionável pelo fato óbvio de não listar em contas de Ativo o principal patrimônio da empresa adquirida (TF): as marcas Os avaliadores, independentes e distantes da realidade, não tiveram acesso aos contratos de aquisição e, se tiveram, não foram minimamente competentes para perceberem que as lojas da TF, eram próprias, localizadas nos principais shoppings centers e logradouros comerciais do país; Ou mesmo tendo acesso e conscientes que a aquisição incluía o fundo de comércio e, principalmente, as marcas, não procedeu à valoração dos mesmos. Não lhes atribui qualquer valor, ou seja zero. (grifado no original) No tocante aos pontos comerciais, a autoridade autuante observa que a TF tinha, à época da operação, 57 filiais localizadas nos principais municípios brasileiros, situadas nos principais shoppings centers e instaladas em pontos comerciais próprios. O laudo de avaliação não atribui valores a esses pontos comerciais e, a partir da aquisição pela AMC, esta privilegia a instalação de novas lojas mediante o sistema de franquias para terceiros, sendo que as lojas próprias gradativamente são transferidas para franqueados e os antigos pontos comerciais são vendidos. Entre 2009 e 2010, parte desses pontos comerciais são vendidos e alcançam o montante de R$ 31.622.296,92. A autoridade autuante acrescenta que, em 31/10/2008, vale dizer, um mês após a incorporação da TF pela AMC, é criada a empresa TFL COMÉRCIO DE VESTUÁRIO LTDA (doravante apenas TFL), com capital social integralizado de R$ 20.000,00, sendo R$ 19.996,00 pela AMC e R$ 1,00 por cada um dos integrantes da família Menegotti (Ademar, Cecília, Margarete e Alexandre). A nova empresa tem 54 filiais, sendo 53 localizadas nos mesmos endereços das filiais incorporadas da TF. No contrato social da nova empresa, cada filial tinha o capital de R$ 100,00. As filiais da TF incorporadas pela AMC e com os mesmos endereços da nova empresa somente são extintas apenas em 20/12/2009 e os respectivos CNPJs são baixados somente em 26/03/2014, no curso da ação fiscal, após questionamento sobre o fato. Fl. 4129DF CARF MF Processo nº 11516.721452/201449 Acórdão n.º 1402002.720 S1C4T2 Fl. 4.128 5 Os pontos comerciais e direito de uso de lojas onde se encontravam as filiais da TF foram vendidos pela TFL. As vendas dos pontos comerciais foram contabilizada como receitas não operacionais, no valor de R$ 6.985.185,76 em 2009 e no valor de R$ 22.159.830,09 em 2010. As cessões de direito de uso de loja alcançam a soma de R$ 6.490.000,00. Ocorre que os valores foram efetivamente recebidos pela AMC, consoante a seguinte sistemática: 1 a TFL, em suas atividades operacionais, comercializa produtos fabricados com as marcas da AMC, sendo essas compras contabilizadas como Títulos a Pagar; 2 na AMC, os valores dessas vendas são contabilizados como Títulos a Receber; 3 na TFL, os direitos a receber em virtude das vendas dos pontos de comércio são deduzidos dos títulos devidos à AMC, enquanto na AMC os títulos a receber decorrentes das vendas de mercadorias para a TFL são trocados por títulos a receber derivados da venda dos pontos comerciais. Como resultado, as vendas dos pontos comerciais foram realizadas em nome da TFL, mas os valores foram recebidos pela AMC. O laudo, porém, não avalia esses ativos. A autoridade autuante pondera que o laudo de avaliação da TF foi elaborado com base em premissas demasiadamente otimistas. Projetouse evolução do faturamento de 25% para os anos de 2008 e 2009 e de 20% para os anos subseqüentes, sem qualquer justificativa objetiva e em descompasso com a série histórica pregressa da TF, na qual a evolução média havia sido de 13,56%. Não há no laudo qualquer indicação das estratégias a serem empregadas para a consecução do crescimento projetado. Intimado a apresentar a avaliação das marcas TRITON, FORUM e TUFI DUEK, o contribuinte afirmou que a TF foi avaliada considerando exclusivamente a expectativa de rentabilidade futura da empresa e não em decorrência dos possíveis valores de suas marcas. Em seguida, a autoridade autuante faz diversas ponderações acerca da importância das marcas, especialmente no segmento de vestuário e aponta cláusulas constantes do contrato de compra da TF pela AMC que evidenciam a importância, para a celebração do negócio, das marcas FORUM, TRITON e TUFI DUEK. Nesse sentido, a cláusula 6.3 impede o exercício, por Tufi Duek, das atividades de criação, estilo, desenvolvimento de produtos, marketing e promoções no segmento de moda por 5 anos, impondo, ainda, que entre o sexto e o nono ano não poderá ele usar a marca Tufi Duek e suas associações. A cláusula 6.4 veda a utilização pelos vendedores, sob qualquer forma, da marca TUFI DUEK e demais relacionadas no contrato. A cláusula 6.5 estabelece direito de preferência aos vendedores em caso de alienação da marca TUFI DUEK. Finalmente, a cláusula 2.15.1 prevê que os vendedores não detêm e não deterão, pessoalmente ou por meio de pessoas físicas ou jurídicas ligadas, quaisquer marcas ou direitos similares ou relacionados às marcas negociadas no contrato. A autoridade autuante prossegue tecendo considerações sobre a valoração das marcas, referindose a diversos métodos reconhecidos para a consecução dessa valoração, como método de valor de mercado, método de pagamento de royalties e métodos baseados na percepção dos clientes. Aponta que o laudo apresentado não contém qualquer tentativa de valoração das marcas TRITON, FORUM e TUFI DUEK, lacuna incompreensível, especialmente tratandose de empresa que atua no setor de moda, em que a relação dos consumidores com as marcas se dá mais pelo aspecto emocional. A fim de demonstrar a inconsistência do laudo apresentado pela AMC para fundamentar o ágio contabilizado na aquisição da TF, a autoridade autuante demonstrou que a empresa INBRANDS, que atua no mesmo ramo e publica as respectivas demonstrações Fl. 4130DF CARF MF 6 financeiras, avalia suas marcas pelo método do pagamento de royalties, que tem como base o incremento de fluxo de caixa derivado do fato de a empresa não ter que pagar royalties a terceiros pela utilização de determinada marca. Os laudos apresentados pela INBRANDS demonstram ser possível segregar o valor da marca do valor de outros ativos que participam da geração de caixa de uma empresa. A AMC foi, então, reintimada a apresentar laudo de avaliação ou documento hábil e idôneo equivalente contendo a avaliação dos intangíveis (marcas e fundos de comércio) pertencentes à TF, com a advertência de que a não apresentação de avaliação consistente impossibilitaria a identificação de possível parcela de ágio dedutível (não decorrente da avaliação de intangíveis) e, portanto, acarretaria a glosa total das despesas com amortização de ágio. Em resposta, a AMC reiterou que a avaliação da TF teve por fundamento a expectativa de rentabilidade futura, sendo o laudo apresentado suficiente à comprovação do ágio contabilizado. Diante disso, apresenta a autoridade autuante as seguintes conclusões: Por todos os aspectos narrados neste termo, sendo notório que o objeto central da aquisição em questão eram fundos de comércio e principalmente as marcas TRITON, FORUM e TUFI DUEK, e negandose a fiscalizada a apresentar avaliações que possibilitassem a identificação de valores, mesmo que residuais, não correspondentes à intangíveis, procedemos à glosa total das despesas com amortizações indevidas de ágio sobre intangíveis entre os anoscalendário 2009 a 2012. Em seguida, a autoridade autuante passa a descrever os fatos relacionados à infração consubstanciada na de falta de contabilização de ganho de capital apurado na alienação de bem do ativo permanente. Relata a autoridade autuante que a empresa CMA ADMINISTRAÇÃO DE BENS E PARTICIPAÇÕES LTDA (doravante apenas CMA) foi constituída com a integralização de bens imóveis do Sr. Ademar Menegotti, sua esposa e seus filhos, bem como do grupo econômico a eles pertencente, no qual se inclui a AMC. Nas 5ª, 6ª e 7ª Alterações Societárias, as participações do Sr. Ademar Menegotti e das pessoas jurídicas são totalmente transferidas para a esposa, Cecília Ana Rubini Menegotti, e para os filhos, Margarete Gioconda Menegotti e Alexandre Menegotti. Em 06/12/2010, foi firmado Instrumento Particular de Promessa de Venda e Compra de Bens Imóveis, tendo como partes a CMA (compromitente vendedora), a GOMES ADMINISTRAÇÃO E INCORPORAÇÃO DE IMÓVEIS LTDA (compromitente compradora) e a AMC (anuente). Os imóveis negociados no referido contrato foram aqueles relativos às matrículas 27.450, 27.454 e 26.742, sendo os dois primeiros de propriedade da CMA (integralização de capital em 11/03/2008) e o último de propriedade da AMC. Os imóveis foram negociados pelo valor total de R$ 25.000.000,00 e, a despeito de corresponderem a matrículas distintas, constituem um único terreno contínuo. Por meio do referido contrato, a AMC se comprometeu a realizar o desmembramento da matrícula 26.742 junto ao Cartório de Registro de Imóveis, anexando a parte desmembrada, correspondente a 144.126,57 metros quadrados, à matrícula 27.450. Fl. 4131DF CARF MF Processo nº 11516.721452/201449 Acórdão n.º 1402002.720 S1C4T2 Fl. 4.129 7 Em 10/05/2011, a GOMES ADMINISTRAÇÃO E INCORPORAÇÃO DE IMÓVEIS LTDA transferiu os direitos do referido Instrumento de Compra e Venda à empresa MULTILOG S/A. Afirma a autoridade autuante que a AMC desejava vender seu imóvel, mas, a fim de escapar da tributação que incidiria sobre o ganho de capital, os seguintes eventos societários foram realizados na tentativa de que a tributação sobre a operação fosse transferida para a CMA, empresa optante pelo lucro presumido: 1 em 05/05/2011, a AMC reingressa como sócia da CMA, sendo suas quotas integralizadas por meio do terreno de 144.126,57 metros quadrados, já desmembrado em uma nova matrícula (32.269), pelo valor contábil de R$ 2.458.520,00; em 01/07/2011, a AMC cede e transfere a nova participação, resultante do reingresso, para os sócios pessoas físicas da CMA Do total de R$ 25.000.000,00 envolvidos na venda dos imóveis, o montante de R$ 1.000.000,00 foi pago à CMA a título de adiantamento e transferido por esta à AMC em 08/12/2010 (fl. 3018). Em 06/07/2011, a MULTILOG S/A efetuou o pagamento do saldo de R$ 24.000.000,00. A despeito de a venda ter sido formalizada em nome da CMA, os recursos dela provenientes retornaram à AMC, inclusive da parte do terreno que já se encontrava registrado em nome da CMA antes da contratação efetuada em 06/12/2010. Para dar aparência de regularidade à transferência de valores da CMA para a AMC, foram realizados pagamentos e distribuições de lucros exatamente no dia 06/07/2011. Esses valores, embora contabilizados numa conta intitulada “Adiantamentos a Fornecedores Diversos”, foram repassados diretamente para a AMC ou para os sócios pessoas físicas e pessoas jurídicas ligadas (e exquotistas” da CMA. Os repasses da CMA totalizaram R$ 22.317.500,00 e possibilitaram que R$ 21.912.687,32 fossem transferidos para a AMC exatamente no dia 06/07/2011. Conclui a autoridade autuante que a AMC deixou de reconhecer o ganho de capital decorrente da venda do imóvel que veio a ser identificado com a matrícula 32.269. A fim de apurar o ganho de capital, a autoridade autuante calculou a parcela do preço de venda que corresponde à parte vendida (144.126,57 metros quadrados) do imóvel pertencente à AMC, identificado com a matrícula 26.742. Esse cálculo foi feito de maneira proporcional às metragens dos terrenos envolvidos no negócio, resultando, para a parte do imóvel vendida pertencente à AMC o valor de R$ 11.563.586,20. Tendo em conta que a parte do imóvel vendida pertencente à AMC tinha o custo contábil de R$ 2.458.520,00, concluiu a autoridade autuante que o ganho de capital apurado foi de R$ 9.105.066,20. Em razão das infrações acima descritas foram lavrados os autos de infração de IRPJ (fls. 34923495) e de CSLL (fls. 35123515) para constituição dos créditos tributários, com imposição de multa de ofício de 75%. Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 35273570, na qual deduz as alegações a seguir resumidamente discriminadas. O ágio, no valor de R$ 230.202.915,81, decorrente da aquisição das empresas do Sr. Tufi Duek surgiu em 17/03/2008, e, em 30/09/2008, com a incorporação da TF pela AMC, nasceu o direito de deduzir os encargos de amortização do ágio para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Os autos de infração lavrados foram cientificados apenas em 29/05/2014. Portanto, quer se considere a data do evento que deu origem ao ágio ou a data do evento que possibilitou a dedutibilidade da respectiva amortização na apuração do Fl. 4132DF CARF MF 8 lucro real e da base de cálculo da CSLL, houve o transcurso do prazo decadencial de cinco anos, previsto no art. 150, § 4º, do CTN. Não pode o Fisco, após o transcurso do prazo decadencial, questionar a legalidade de fatos ocorridos, ainda que esses fatos tenham gerado efeitos em anos subseqüentes. Caso não houvesse a autorização, prevista na Lei nº 9.532/1997, para amortização do ágio na aquisição de ativos, após atos de incorporação, o ágio comporia o custo do ativo e, nesse caso, o Fisco não poderia glosar o custo do ativo para fins de apuração de ganho de capital decorrente de venda ocorrida após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da aquisição do ativo. O art. 20, § 2º, do Decretolei nº 1.598/1977 (reproduzido pelo art. 385 do RIR/1999), prescreve que o lançamento do ágio deverá indicar algum dos seguintes fundamentos econômicos: (I) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; (II) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; ou (III) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. Este dispositivo não estabelece a obrigatoriedade de consideração de todos os critérios nele previstos, mas ao menos um dentre eles. Tampouco há uma ordem lógica ou pressuposta para a atribuição desses fundamentos, já que o fundamento econômico para o pagamento de ágio é critério de decisão único e exclusivo do adquirente. Caso o adquirente tenha o objetivo de explorar o negócio, o ágio pago pode ser fundamentado na rentabilidade esperada. Por outro lado, caso sua intenção seja liquidar a empresa, poderá estar interessado na mais valia dos ativos subjacentes a serem vendidos. Não cabe ao Fisco estabelecer o fundamento que presume suportar o preço pago em determinada aquisição, pois isso representaria ofensa à liberdade de exercício da atividade econômica e à autonomia da vontade. A lei não impôs qualquer regra/ordem para determinação do fundamento do ágio, de modo que a autoridade administrativa, cuja atividade é vinculada à lei, não pode fazêlo. A expectativa de rentabilidade futura pode ser utilizada para apuração do valor de qualquer ativo da empresa, inclusive dos intangíveis. Os incisos I e III do § 2º do art. 385 do RIR/1999 trazem como fundamento para o ágio elementos do ativo da controlada ou coligada adquirida, enquanto o inciso II (expectativa de rentabilidade futura) traz uma forma de valoração de todos esses elementos. Não há como existir expectativa de rentabilidade futura de algo que não seja de um ou de um conjunto de bens de uma empresa ou da própria empresa, de modo que o tratamento tributário previsto no art. 385, § 2º, II, do RIR/1999 deve ser aplicado sempre que a aquisição com ágio estiver respaldada na expectativa de rentabilidade futura, independentemente de qual seja o elemento que sustente essa expectativa. A autoridade autuante equivocouse ao afirmar que a alienação de parte dos pontos de comércio pela TFL, nos anos de 2009 e 2010, totalizou o montante de R$ 31.622.296,92. Tal montante se refere à venda não só dos pontos de comércio, mas também de todos os demais ativos transferidos à TFL pela AMC, mediante sucessivos aumentos de capital realizados, e que, conjuntamente, formavam os respectivos estabelecimentos comerciais. Essas alienações envolveram, por exemplo, toda a estrutura imobiliária dos estabelecimentos comerciais, bem como eventuais estoques de mercadorias. Ademais, não poderia a AMC atribuir valor aos pontos comerciais quando da aquisição e incorporação da TF, pois esses pontos são de propriedade dos próprios shopping centers, sendo estes responsáveis por permitir a respectiva transferência a terceiros. Os laudos apresentados pela empresa INBRANDS, relativos à avaliação das empresas por ela adquiridas, foram elaborados em conformidade com os dispositivos do pronunciamento técnico do Comitê de Pronunciamentos Contábeis nº 15, aprovado apenas em 26/06/2009, vale dizer, após a aquisição da TF pela AMC e posterior incorporação, que ocorreram, respectivamente, em março e setembro de 2008. Ademais, esses documentos não permitem identificar qual o fundamento econômico atribuído ao ágio pela INBRANS para fins fiscais, mas apenas para fins contábeis. Fl. 4133DF CARF MF Processo nº 11516.721452/201449 Acórdão n.º 1402002.720 S1C4T2 Fl. 4.130 9 A autoridade autuante não produziu qualquer prova que demonstre que o ágio englobaria algum valor correspondente a fundo de comércio e a marcas adquiridos, tampouco qual seria a parcela do custo total de aquisição que corresponderia a esses elementos. A constituição do crédito tributário requer a prova pelo Fisco da ocorrência do fato gerador, sob pena de nulidade do lançamento. Cabe ao Fisco desconstituir as provas apresentadas pelo contribuinte para fundamentar a glosa de despesa. A legislação fiscal não traz qualquer exigência no sentido de que o laudo deve ser elaborado por parte independente e sequer obriga que seja elaborado especificamente um laudo, sendo possível inclusive a utilização de documento de lavra do próprio contribuinte para justificar o ágio. A CAPITAL SOLUÇÕES S/S é empresa com histórico e inserção no mercado irrepreensíveis. A autoridade autuante equivocouse ao afirmar que o laudo foi elaborado com base em premissas demasiadamente otimistas, pois o crescimento na geração de caixa da AMC após a incorporação da TF foi superior ao projetado. O legislador, ao regular a base de cálculo da CSLL, não elencou, como hipótese de adição ao lucro líquido, o valor correspondente à amortização do ágio na aquisição de investimentos avaliados pelo método da equivalência patrimonial. O ágio sempre foi amortizado na contabilidade societária, com base na Lei nº 6.404/1976 e anteriores. O art. 25 do Decretolei nº 1.598/1977 determinou que o ágio fosse indedutível para fins de apuração do lucro real. A Lei nº 7.689/1988, que instituiu a CSLL, estabeleceu como base de cálculo da exação o lucro líquido societário, no qual o ágio é amortizado, prevendo, ainda, adições e exclusões específicas, dentre as quais não se encontra a adição do ágio. A Lei nº 9.532/1997, em seu art. 7º, permitiu a amortização do ágio, na apuração do lucro real, quando a respectiva fundamentação fosse a rentabilidade futura. Com o advento da Lei nº 11.638/2007, alterouse o critério contábil vigente no Brasil e o ágio pago na aquisição de investimentos deixou de ser amortizado nas demonstrações contábeis. Contudo, tendo em vista o disposto nos arts. 15 e 16 da Lei nº 11.941/2009, e considerando que essa alteração contábil modifica critério de reconhecimento de despesas na apuração do lucro líquido, não pode ela ter efeitos fiscais para fins de apuração da CSLL, razão pela qual passa a ser necessária a exclusão dos valores de amortização na DIPJ, via ajuste do Regime Tributário de Transição. Em conclusão, a amortização do ágio é dedutível na apuração da base de cálculo da CSLL. Em 06/12/2010, foi firmado Instrumento Particular de Promessa de Venda e Compra de Bens Imóveis, que tinha por objeto a alienação dos imóveis de matrículas 27.450 e 27.454 e de parte do imóvel de matrícula 26.742. Neste contrato, a CMA figurou como compromitente vendedora, a GOMES ADMINISTRAÇÃO E INCORPORAÇÃO DE IMÓVEIS LTDA, posteriormente sucedida pela MULTILOG S/A, figurou como compromitente compradora, e a AMC figurou como anuente. A parcela do imóvel de matrícula 26.742 compromissada à venda foi integralizada pela AMC no capital social da CMA em 05/05/2011. Posteriormente, essa parcela foi alienada à MULTILOG S/A. Tendo em conta que apenas parte do imóvel de matrícula 26.742 seria alienada, foi necessário desmembrálo.Ocorre que o pedido de desmembramento foi negado, em decorrência de manifestação do Ministério Público de Santa Catarina, datada de 04/04/2011, pois dele resultaria formação de terreno com área encravada, sem vias de acesso. Como solução, a AMC declarou que a propriedade do terreno de matrícula 26.742 seria transferida para a CMA, que por sua vez anexaria a área ao terreno de matrícula 27.450, que faz divisa com o terreno objeto de controvérsia e que dispõe de saída própria. Porém, o Ministério Público entendeu que tal alternativa não conferiria a necessária segurança jurídica à situação, pois os terrenos eram de titularidade diversa, e a mera declaração de que ocorreria transferência a um mesmo titular, que procederia à unificação, não foi considerada garantia suficiente de que tal unificação ocorreria. Diante disso, a fim de Fl. 4134DF CARF MF 10 possibilitar o desmembramento do imóvel de matrícula 26.742, em 05/05/2011, a AMC integralizou esse imóvel no capital social da CMA. O Ministério Público, em manifestação datada de 12/05/2011, concluiu que “a problemática acima relatada [relativa à formação de terreno encravado, como conseqüência do desmembramento] será resolvida após a regularização do desmembramento, porquanto a área ‘A’ passará a pertencer à empresa CMA Administradora de Bens e Participações Ltda., e, posteriormente, será objeto de unificação com a matrícula 27.450 – área confrontante com a citada área encravada (...), de propriedade da empresa CMA”. Esses fatos demonstram o equívoco da autoridade autuante ao afirmar que a integralização do capital social da CMA feita pela AMC com o imóvel de matrícula 26.742 tinha o objetivo de reduzir a base tributável do IRPJ e da CSLL incidente sobre o resultada da alienação realizada. Os fatos demonstram que a integralização foi a maneira encontrada pela AMC para atender às exigências do Ministério Público, com o objetivo de levar a cabo a venda dos imóveis, havendo evidente propósito negocial nas transações realizadas, de modo que é descabido falarse em planejamento tributário ilícito. A autoridade autuante apontou lançamentos contábeis que não se relacionam com a alienação do imóvel, como aquele mencionado à fl. 49 do Termo de Verificação Fiscal, que trata de valores referentes à alienação de participação detida na Barra do Rio Exportação. A vontade das partes era de que os recursos obtidos com a venda da parte do imóvel de matrícula 26.742 fossem destinados à AMC, que era a titular do imóvel. No entanto, isso não ocorreu de maneira direta em razão das exigências do Ministério Público, razão pela qual não há ilegalidade no fato de o resultado da venda desse imóvel especificamente ser distribuído aos acionistas e à própria AMC. Tampouco há ilegalidade na integralização do capital social da CMA pela AMC com o imóvel de matrícula 26.742 avaliado pelo valor do registro contábil. É equivocada a apuração do valor de venda da parcela do imóvel de matrícula 26.742 a partir da metragem, pois tratase de imóvel encravado, sem acesso a vias públicas, que somente foi vendido após desmembramento condicionado á anexação a outro imóvel. A autoridade autuante deveria apresentar provas concretas que justifiquem o lançamento fiscal, e não meras presunções acerca do valor do imóvel. A glosa do valor de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL é descabida, pois é mero reflexo das demais infrações que, pelas razões já expostas, são improcedentes. Por fim, pede o cancelamento dos autos de infração lavrados. Caso assim não se entenda, pede o reconhecimento da impossibilidade de adição da despesa com a amortização de ágio à base de cálculo da CSLL. Passo, agora a complementar o relatório acima colacionado. A DRJ em Ribeirão Preto/SP julgou improcedente a Impugnação da Recorrente, razão pela qual ela agora interpõe o presente Recurso Voluntário repisando seus argumentos. Tal decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/10/2009, 31/10/2010, 31/10/2011, 31/10/2012 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO DECADÊNCIA O prazo decadencial para o lançamento decorrente de glosa de amortização de ágio é contado da data em que se dá a amortização e não da data em que o ágio é formado ou em que o contribuinte adquire o direito á amortização. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO FUNDAMENTO ECONÔMICO DO ÁGIO EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA FUNDO DE COMÉRCIO E INTANGÍVEIS Fl. 4135DF CARF MF Processo nº 11516.721452/201449 Acórdão n.º 1402002.720 S1C4T2 Fl. 4.131 11 A previsão contida no art. 386, III, do RIR/199, de amortização de ágio decorrente de investimento em sociedade coligada ou controlada avaliada pelo valor de patrimônio líquido que, posteriormente, foi absorvido em virtude de incorporação, somente é aplicável quando o fundamento econômico do ágio for a expectativa de rentabilidade futura do investimento. Deve o contribuinte, nesse caso, comprovar o fundamento econômico por meio de demonstração consistente com os fatos efetivamente ocorridos. A evidenciação de que o laudo apresentado é inconsistente com os fatos ocorridos é fundamento bastante para a glosa da despesa de amortização de ágio. GANHO DE CAPITAL ALIENAÇÃO DE IMÓVEL OPERAÇÃO SOCIETÁRIA PROPÓSITO NEGOCIAL Não há propósito negocial na integralização de capital social, por meio de imóvel, em empresa integrante do mesmo grupo econômico, tributada pelo lucro presumido, em operação desnecessária, cujo único fim foi a redução da carga tributária incidente sobre o ganho de capital decorrente da subseqüente venda do mesmo imóvel. O ganho de capital deve ser tributado no contribuinte que, de fato, efetuou a venda do imóvel e recebeu os recursos dessa venda. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/2009, 31/10/2010, 31/10/2011, 31/10/2012 AUTO REFLEXO Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, exceto para as alegações específicas no tocante ao auto reflexo. DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO DEDUTIBILIDADE Também para a CSLL, a dedutibilidade de despesas deve observar os requisitos da necessidade, da usualidade e da normalidade, não preenchendo tais requisitos o ágio decorrente da expectativa de rentabilidade futura de empresa controlada ou coligada que foi incorporada, máxime quando não comprovado o fundamento econômico do ágio escriturado. Há contrarrazões pela PGFN. Não há Recurso de Ofício. É o relatório. Fl. 4136DF CARF MF 12 Voto Vencido Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. Seguindo, na ordem, os argumentos dispostos pela Recorrente, passo à sua análise, nos tópicos que adiante seguem. 1. Decadência da possibilidade do fisco questionar a legalidade de atos societários que deram origem ao ágio Para o contribuinte, a presente exigência fiscal referese a valores de tributos decorrentes de operações ocorridas no períodobase de 2008, de forma que “ocorreu, no presente caso, a decadência do direito do Fisco de questionar a legalidade dos atos societários que originaram o ágio em 2008 e, como consequência, o direito ao seu aproveitamento, ainda que em momento subsequente (amortização realizada nos anosbase de 2009 a 2012)”. Há um equívoco do contribuinte ao avaliar os fatos à luz da legislação que regulamenta a decadência em matéria tributária. Em verdade, apenas nos anoscalendário de 2009 a 2012 é que as despesas decorrentes das operações societárias ocorridas em 2008 afetaram a apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, reduzindo o montante de tributo pago pelo contribuinte. A fiscalização possui o prazo decadencial de 5 (cinco) anos para constituir o crédito tributário, contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido realizado (art. 173, I, do CTN). Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, declarado o tributo e efetuado o pagamento antecipado, considerando a situação típica do IRPJ e CSLL, cujo fato gerador ocorre, efetivamente, ao término do ano fiscal, a homologação tácita, a teor do § 4º, do art. 150, do CTN, ocorre com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos a contar do pagamento. Seja num ou noutro caso, como a fiscalização intimou o contribuinte da lavratura dos autos de infração em 29.05.2014, fato confirmado pelo próprio contribuinte, o aparente recolhimento a menor de tributos, por parte do contribuinte, nos anos calendário de 2009 e 2012, passível de fiscalização pelos fiscais da Receita Federal do Brasil, não estava decaído, nem o eventual pagamento realizado estava definitivamente homologado. Neste sentido tem julgado o CARF, seja por meio desta Turma Ordinária bem como a 1a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (por exemplo, Acórdão nº 9101.002.387). Desta forma, afasto a preliminar de decadência suscitada pelo contribuinte. 2. Amortização do Ágio – Rentabilidade futura como fundamento econômico do Ágio Fl. 4137DF CARF MF Processo nº 11516.721452/201449 Acórdão n.º 1402002.720 S1C4T2 Fl. 4.132 13 O próprio contribuinte, contextualizando as operações societárias realizadas em 2008, que geraram o ágio amortizado em 2009 a 2012, glosado pela fiscalização, informa que “o lançamento do ágio deverá indicar algum dos seguintes fundamentos econômicos”, a teor do disposto no art. 20, do DL nº 1.598/77, reproduzido no art. 385, do RIR/99: “(i) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; (ii) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; ou (iii) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas.” Defende que não há obrigatoriedade de fundamentar o ágio em todos os critérios, mas ao menos um dentre eles e que não cabe ao Fisco apontar que intenção motivou o comprador a realizar a aquisição e qual seria a sua vontade naquele negócio, concluindo que o TVF e o acórdão recorrido não respeitaram a vontade e as razões econômicas que motivaram o comprador, no caso concreto, a pagar o ágio pela aquisição realizada. Para o contribuinte, isso implica ferir princípios constitucionais como a liberdade contratual, a liberdade de exercício da atividade econômica e a autonomia de vontade das partes contratantes. Citando Eliseu Martins, a Recorrente afirma que “a expectativa de rentabilidade futura, que nada mais é que a determinação dos possíveis resultados futuros de um dado ‘bem’, pode ser usada para se obter o valor (preço) de qualquer ativo da empresa”; para concluir, em seguida, que “os incisos I e III, do §2º, do art. 385, do RIR/99 trazem como fundamento para o ágio elementos do ativo da controlada ou coligada adquirida, enquanto o inciso II traz não um elemento do ativo, mas uma forma de valoração de todos esses elementos” e, desta forma, “pretendeu o legislador que para se justificar e conferir o devido tratamento ao ágio em determinada operação, ora pode ser importante analisar os ativos, ora o fundamento que justificou a valoração da aquisição”. No caso, insiste a Recorrente que o ágio pago decorreu, exclusivamente, da expectativa de rentabilidade futura que se tinha em razão do desenvolvimento daquele negócio. Em seguida, em tópicos afins, passa a Recorrente a desqualificar a atribuição de valor aos pontos de comércio feita pela fiscalização, justificando, em seguida, a impossibilidade de precificação dos pontos de comércio pela própria Recorrente, quando da aquisição e incorporação da TF, uma vez que os mesmos são de propriedade dos próprios shopping centers, bem como a invalidade dos argumentos em relação à valoração das marcas, uma vez que o parâmetro utilizado pela fiscalização (Demonstrações da INBRANDS) foram fundamentados no CPC 15, que só foi aprovado em junho/09, não servindo, portanto, de parâmetro com o caso concreto. Passa a Recorrente, então, a defender a validade do laudo de avaliação que fundamenta as deduções das despesas com ágio realizadas pela Recorrente no período de 2009 a 2012, declarando que “a Fiscalização e a DRJ/RPO tão somente afirmaram, com base em presunções e de forma genérica, que o ágio estaria vinculado ao fundo de comércio e marcas, sem produzir, contudo, qualquer prova para referendar tal alegação, suficientes a desqualificar a análise técnica contida no laudo de avaliação apresentado pela Recorrente”, ressaltando, ainda, que “a validade do laudo elaborado foi questionada por motivos completamente inaplicáveis e irrelevantes para fins de precificação de um negócio”. Para corroborar o seu entendimento em precedentes do CARF, a Recorrente apresentou excerto do Acórdão 1402001.925, de lavra do e. Cons. Moisés Giacomelli, julgado Fl. 4138DF CARF MF 14 pela 2ª Turma da 4ª Câmara em 03 de março de 2015, no qual, por maioria (vencido o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar), a Turma decidiu que: "Ementa: ÁGIO. CONTROVÉRSIA RELACIONADA À EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA VERSUS AQUISIÇÃO DE CARTEIRA DE CLIENTES E FUNDO DE COMÉRCIO. AVALIAÇÃO DA PROVA NO CASO CONCRETO. Da análise da prova depreendese que, no caso concreto, não foram adquiridos os bens individualmente ou o conjunto de bens (fundo de comércio) das sociedades Citifundos e Citiportfolios, mas sim as próprias sociedades. (...)" "Voto: (...) A autoridade fiscal concluiu que o valor indicado nos referidos laudos correspondem ao fundo de comércio e não a expectativa de rentabilidade futura. Neste cenário, imprescindível que se avalie o laudo como um todo, extraindo dele sua real essência, situação que não se atinge quando se fica preso a um único parágrafo. (...) As causas acima analisadas, cujos valores atribuídos foram elaborados prevendo expectativa de resultados futuros, estão a demonstrar que a importância paga não estava a remunerar a aquisição de uma carteira de clientes ou fundo de comércio, como entendeu a autoridade fiscal, mas sim expectativa de rentabilidade futura, sendo o ágio, nestas condições, passíveis de amortização, conforme previsto no artigo 20, §2º, b, do DecretoLei 1.598, de 1977, combinado com os artigos 7º, III e 8º, b, da Lei nº 9.532, de 1997, com a redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998. Em resumo, a autoridade fiscal não impugnou os elementos indicados no laudo contábil que apurou a expectativa de rentabilidade futura. Limitouse a presumir, sem elementos de prova, que a autuada estava adquirindo a carteira de clientes e o fundo de comércio. No entanto, quando se examinam os elementos e premissas contidas no laudo verifica se que os valores indicados por estes e pagos pela empresa autuada dizem respeito à expectativa de rentabilidade futura e não à aquisição de carteira de clientes ou fundo de comércio." Às fls. 3829, a Recorrente apresenta quadro com os seus resultados no período de 2007 a 2012, fundamentado, de acordo com a Recorrente, em “demonstrações financeiras auditadas por empresa de auditoria independente”, no qual aponta a evolução do EBTDA da Recorrente após a incorporação da TF, de forma a justificar as projeções feitas no laudo de avaliação para a “expectativa de rentabilidade futura”, ressaltando, na sequência de seu recurso voluntário, o dever da fiscalização em fazer prova acerca dos fundamentos do laudo que desconsiderou, não se justificando a desconsideração do referido documento por meio de presunções. Vejase o quadro apresentado nas demonstrações financeiras auditadas: Fl. 4139DF CARF MF Processo nº 11516.721452/201449 Acórdão n.º 1402002.720 S1C4T2 Fl. 4.133 15 Vejase agora o quadro de determinação do valor extraído do laudo de rentabilidade. A avaliação apresentou três cálculos: o conservador, o objetivo e o otimista. Abaixo apresento o quadro "otimista" que, mesmo não utilizado pela empresa como referencia na aquisição, foi a que apresentou o melhor resultado, como o nome já indica. Vejase que os números otimistas são ainda menores que aqueles que efetivamente foram realizados: Na decisão recorrida, a DRJ/RPO, de forma objetiva, apontou que “a questão central para a avaliação da legalidade dos autos de infração lavrados é: o ágio pago pela AMC na aquisição da TF teve por fundamento intangíveis (marcas e pontos comerciais) ou a expectativa de rentabilidade futura do investimento adquirido?” Fl. 4140DF CARF MF 16 A resposta a essa pergunta não é tão simples como transparece numa primeira leitura. Se a AMC estivesse adquirindo, tão somente as marcas ou mesmo apenas os pontos comerciais, não haveria dúvidas que qualquer ágio que viesse a ser pago se referiria a esses intangíveis. No entanto, quando se avalia um negócio como um todo, notadamente o fluxo de caixa que o negócio pode gerar ao adquirente, inclusive pela sinergia que a aquisição pode trazer com os negócios próprios, já existentes, exige um método que, em verdade, extrapola avaliações estanques, de itens, tratando o negócio como um todo, medindo, pelos resultados passados, os possíveis resultados futuros e, ao final, trazendo tais resultados esperados a valor presente, como ocorreu no presente caso, pelo uso do método do Fluxo de Caixa Descontado, aceito no mercado como válido para precificar um negócio (como é o caso do laudo de fls. 3889 a 3986). No caso, o ágio é objetivo, na medida em que havia um valor de custo contabilizado e toda a diferença paga pelo comprador, no caso, a Recorrente, além do custo, é ágio. A questão é o que motivou a Recorrente a pagar essa mais valia. Não se pode afirmar, de forma taxativa, que a Recorrente considerou apenas as marcas, ou apenas o fundo de comércio ou os dois para desqualificar o laudo produzido, como defendeu a fiscalização. Nem apontar otimismo na projeção, sem trazer elementos de prova que a desqualifiquem. A fiscalização, de fato, não conseguiu fazer prova de que esses ativos (marca e fundo de comércio) foram preponderantes na avaliação de todo o negócio, mesmo tendo sido importantes. Como esclarecido acima, ao adquirente, mais do que o valor dos ativos, o que interessa na aquisição de um negócio é a lucratividade que se espera pelo ganho de escala ou pela sinergia com os negócios próprios. Ademais, comparando o “demonstrativo de resultados” apresentado às fls. 3980 dos autos, no laudo de avaliação, com o quadro posto em recurso voluntário da Recorrente, que apresenta os valores reais obtidos após a aquisição da TF pela Recorrente, observase que o EBITDA projetado no laudo foi menor do que o aferido de fato nos anos 2007 a 2012. Da mesma forma, o resultado antes do Imposto de Renda (LAIR) está muito próximo entre o projetado e o alcançado, corroborando que o laudo de avaliação fez uma projeção adequada para a precificação do negócio realizado pela Recorrente. Desta forma, tendo por parâmetro o precedente desta Turma, colacionado pela Recorrente em seu Recurso Voluntário, materializado no Acórdão 1402001.925, concluo que a fiscalização não logrou êxito em afastar o fundamento do ágio amortizado pela Recorrente, com base em laudo de avaliação fundado na expectativa de rentabilidade futura do empreendimento, de tal forma que, à vista do efetivo pagamento do ágio e da legislação que rege a sua dedutibilidade para a situação concreta, dou provimento ao recurso voluntário do contribuinte neste ponto, afastando a glosa realizada pela fiscalização e mantida pela DRJ. Fica prejudicado o item de defesa acerca da inexistência de previsão legal para a adição, na base de cálculo da CSLL, da despesa com amortização de ágio, uma vez que este Relator está reconhecendo a sua dedutibilidade no caso concreto, estendendoa para a CSLL. 3. Omissão de receitas com ganho de capital A questão é posta de forma objetiva pela Recorrente: CMA Administradora de Bens e Participações Ltda., empresa pertencente ao grupo empresarial da Recorrente, alienou três imóveis para a Multilog S/A, pelo valor de R$ 25.000.000,00. Fl. 4141DF CARF MF Processo nº 11516.721452/201449 Acórdão n.º 1402002.720 S1C4T2 Fl. 4.134 17 Desses imóveis, dois pertenciam a CMA desde 2008 e não são objeto de controvérsia. O terceiro, relacionado com a matrícula 26.742, é que gerou controvérsia e a autuação por parte da fiscalização em relação aos ganhos de capital gerados com a sua venda. Defende a Recorrente que em dezembro/2010 foi firmado um Instrumento Particular de Promessa de Venda e Compra de Bens Imóveis, que tinha por objeto a alienação dos três mencionados imóveis. A CMA era a promitente vendedora e a Recorrente era anuente nesse Instrumento. O imóvel de matrícula 26.742, para dar sequência na operação de venda, por pertencer à Recorrente, teria que ser desmembrado e a parte que seria vendida, foi integralizada no capital social da CMA pela Recorrente, de tal forma a lhe transmitir a propriedade, sendo que, posteriormente, a CMA, então detentora dos três imóveis, poderia vendêlos ao Comprador, no caso, a empresa Multilog. O ponto controvertido foi a integralização do imóvel pela Recorrente no capital social da CMA. Ao requerer o desmembramento, informa a Recorrente que teve o seu pedido negado pelo Ministério Público do Estado de Santa Catarina, uma vez que o desmembramento, segundo o MP, implicaria na formação de terreno com área encravada, afrontando o art. 2º, §2º, da Lei 6.766/79, o que a Recorrente confirma. Como solução, a Recorrente informou ao MP que a área em questão seria transferida para a CMA, que a anexaria à área do terreno de matrícula 27.450, desaparecendo o Fl. 4142DF CARF MF 18 problema do encravamento da área. Essa solução não foi aceita pelo MP, pois não conferia a necessária segurança jurídica à situação. A Recorrente, nesse ponto, defende que o MP inviabilizou o negócio pretendido. Mas, ao mesmo tempo, indicou teria indicado a saída, qual seja, que o mesmo dono dispusesse de efetivo direito sobre ambos os terrenos. Para cumprir essa “exigência”, a Recorrente integralizou o mencionado imóvel na CMA. Com essa providência, o MP aceitou a operação e autorizou o desmembramento. A fiscalização e a DRJ entenderam que o aval do MP não dependia dessa operação de integralização do terreno no capital social da CMA. Bastaria que a CMA e a Recorrente firmassem o compromisso da venda simultânea dos terrenos ao terceiro interessado, faltando, com isso, propósito negocial na integralização realizada. A finalidade da operação, segundo a fiscalização, seria apenas para redução da carga tributária na futura alienação. A Recorrente, em contraposição a esse entendimento, afirma que se não fosse feita essa integralização, não seria possível a venda conjunta, pela necessidade prévia do desmembramento. A situação, contudo, como disposto no acórdão recorrido, não é exatamente como apresentado pela Recorrente em seu recurso. Inicialmente, o processo de desmembramento da área da Recorrente já estava em trâmite antes do pronunciamento do MP, conforme disposto no Instrumento Particular de Promessa de Venda e Compra de Bens Imóveis (cláusula 1.1.1 e cláusula 1.1.2) e o objetivo das partes era a Recorrente transferir o imóvel para a CMA, para que esta fizesse a venda ao terceiro. O MP entendeu que não bastava uma declaração de futura ocorrência. Seria necessário um compromisso de compra e venda da área a ser desmembrada. Neste ponto, divergem a Recorrente e a Fiscalização, pois este entendeu que a venda simultânea pela Recorrente e a CMA a um terceiro resolveria a questão e a Recorrente defendeu que não. Em verdade, a unificação de toda a área em questão poderia ser feita pela vendedora, o que ocorreu através da integralização da parte desmembrada da matrícula 26.742 no capital social da CMA, que já era detentora dos imóveis contínuos de matrículas 27.450 e 27.454, bem como poderia ser feito pelo comprador, quando estivesse de posse de todo o terreno comprado. Ao ver deste Relator, quando a Recorrente declara, em seu recurso, que a venda não foi feita diretamente pela própria Recorrente “em razão das exigências de registro público e do próprio MP”, ela terceiriza o problema para justificar algo que fez, dentre outros motivos (como unificar os imóveis antes da venda ao terceiro), para obter vantagens tributárias na venda do imóvel, na medida que a CMA teria uma tributação mais vantajosa em razão de seu objeto social e modalidade de tributação (lucro presumido) em face de uma tributação pelo lucro real na Recorrente. Ninguém é obrigado a seguir a via mais gravosa, em termos tributários, quando existem outros caminhos lícitos que podem ser seguidos para o atingimento dos mesmos objetivos. Contudo, a terceirização da decisão no posicionamento do MP demonstra Fl. 4143DF CARF MF Processo nº 11516.721452/201449 Acórdão n.º 1402002.720 S1C4T2 Fl. 4.135 19 que a Recorrente não tinha qualquer argumento negocial para a venda que realizou, indiretamente, através da CMA. É realmente lamentável, reconheço, constatar que a legislação tributária brasileira não contém critérios objetivos para permitir ou proibir expressamente operações dessa natureza (comumente denominadas Planejamento Fiscal Abusivo), gerando evidente insegurança jurídica nos contribuintes. Mas, o fato é que, a teoria do abuso de direito e dos negócios jurídicos indiretos não é apenas uma forte tendência na aplicação do direito tributário no Brasil e a meu ver irreversível , mas em todo o mundo. A inclusão do parágrafo único do artigo 116 do CTN em 2001, por exemplo, mesmo inaplicável, por aguardar até hoje regulamentação, causou evidente ruptura no sistema tributário brasileiro. A partir das discussões surgidas em torno de seu sentido e alcance, a aplicação da legislação tributária em relação aos planejamentos tributários sofreu mudança radical, a ponto de vislumbrar a discussão sobre o conteúdo subjetivo da conduta do contribuinte, inimaginável até então. Diante desse cenário é preciso, na medida do possível, ordenar situações semelhantes e decidir de maneira relativamente uniforme, justamente para por outro caminho voltar a proporcionar segurança jurídica aos contribuintes, transparência e coerência nas decisões envolvendo condutas, por meio de estruturas contratuais mais complexas que a necessária, com a única finalidade de pagar menos tributo. Tratando as situações iguais de forma igual, obviamente observando as desigualdades peculiares a cada caso, além de segurança e previsibilidade, garantimos justiça fiscal. Diante do exposto, neste ponto, nego provimento ao recurso voluntário. 4. Glosa de prejuízos fiscais e base negativa de CSLL Não procede a insurgência da Recorrente. Uma vez lavrada a autuação, deve a fiscalização proceder aos ajustes nos saldos de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativa da CSLL para garantir, ao final do processo administrativo, em caso de improcedência dos recursos do contribuinte, um saldo certo, tanto de prejuízos fiscais, como de base de negativa de CSLL, para a utilização anual pelo contribuinte. Ao término do processo administrativo, tendo o contribuinte logrado êxito, ainda que parcial em seus recursos, o ajuste será proporcional à decisão administrativa final. Desta forma, correta a atuação da fiscalização, não se verificando o prejuízo apontado pelo contribuinte a justificar a intervenção deste Conselho. 5. Cobrança de juros sobre multa A respeito do tema, embora entenda relevantes os argumentos dispostos pela Recorrente, curvome ao entendimento consagrado pela Câmara Superior de Recursos Ficais Fl. 4144DF CARF MF 20 deste Conselho, e refletido no acórdão n° 910100539, de 11/03/2010, de lavra da Conselheira Viviane Vidal Wagner, in verbis: O conceito de crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto tributo quanto penalidade pecuniária. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito". Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." A obrigação tributária principal referente à multa de ofício, a partir do lançamento, convertese em crédito tributário, consoante previsão do art. 113, §1°, do CTN: Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. (destacouse) A obrigação principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária Fl. 4145DF CARF MF Processo nº 11516.721452/201449 Acórdão n.º 1402002.720 S1C4T2 Fl. 4.136 21 decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional. A multa de ofício é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago''" (§1°). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61). §1°A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61, §1°). §2°O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei n°9.430, de 1996, art. 61, §2°). §3°A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício. Fl. 4146DF CARF MF 22 A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Cabe referir, ainda, a Súmula CARF n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei n° 9.065, de 1995. No âmbito do Poder Judiciário, a jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, como se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL 2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tãosomente rediscutir as razões do julgado. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07). No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi Fl. 4147DF CARF MF Processo nº 11516.721452/201449 Acórdão n.º 1402002.720 S1C4T2 Fl. 4.137 23 pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, de observância obrigatória pelo colegiado, por força de norma regimental (art. 72 do RICARF), nos seguintes termos: Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. No mesmo sentido, aliás, tem decidido o Superior Tribunal de Justiça, conforme ementa abaixo reproduzida: DIREITO TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA FISCAL PUNITIVA. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. Precedentes citados: REsp 1.129.990 PR, DJe 14/9/2009, e REsp 834.681MG, DJe 2/6/2010. AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012. Por esta razão, afasto a alegação da Recorrente de que não haveria incidência de juros sobre a multa de ofício, ressaltando que tal fato não decorre da autuação, mas decorrerá do vencimento da multa, por ocasião do não pagamento voluntário do valor resultante deste auto de infração, no seu respectivo vencimento, momento em que se iniciará o computo de juros sobre a multa. Por todo o exposto, dou provimento parcial do Recurso Voluntário para afastar a glosa de despesas com ágio realizada pela fiscalização, uma vez que, no presente caso, restou demonstrado que o contribuinte atende a todos os requisitos legais para a dedutibilidade, nos termos dos artigos 385 e 386 do RIR/99, mantendo a autuação quanto aos demais pontos, nos termos da fundamentação. É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 4148DF CARF MF 24 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Mateus Ciccone – Redator Designado Peço vênia para divergir do voto do I. Conselheiro Relator Demetrius Nichele Macei unicamente em relação ao tema “glosa de despesas – amortização de ágio”, por fazer leitura diferente da matéria. Segundo consta dos autos, em 17/03/2008, a AMC comprou do Sr. Tufi Duek e de sua filha Sharon Duek, pelo valor de R$ 251.217.000,00, as empresas TF INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MODAS LTDA (doravante apenas TF), TF LICENCIAMENTOS DE MARCAS LTDA (com capital de R$ 101.000,00, em 18/03/2008, dos quais R$ 100.000,00 representam participação da TF), TRITON E FÓRUM PUBLICIDADE LTDA (com capital de R$ 101.000,00, em 18/03/2008, dos quais R$ 100.000,00 representam participação da TF) e FÓRUM USA INC. Do valor total da operação, o montante de R$ 230.202.915,81 foi contabilizado como ágio sobre investimentos, vinculado à TF. Por meio dessa aquisição, a AMC passou a ser titular das marcas FÓRUM, TRITON e TUFI DUEK. Sequencialmente, em 30/09/2008, a AMC TÊXTIL incorporou a TF e passou a amortizar, para fins tributários, o ágio apurado na operação de compra desta empresa. O ágio amortizado foi de R$ 46.499.152,58 em 2009, R$ 46.957.758,50 em 2010, R$ 46.957.795,71 em 2011 e R$ 46.957.795,71 em 2012. No entender da recorrente esta amortização seria permitida pelo fato de a operação enquadrarse nos parâmetros do artigo 386, III, do RIR/1999, enquanto que o Fisco perfilou diferentemente, pontuando que o regime correto seria com substância no artigo 385, § 2º, inciso III, do mesmo diploma regulamentar. Para melhor fixação, os dispositivos que tratam da matéria: Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º). § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; Fl. 4149DF CARF MF Processo nº 11516.721452/201449 Acórdão n.º 1402002.720 S1C4T2 Fl. 4.138 25 II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 3º). Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso I do § 2º do artigo anterior, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso III do § 2º do artigo anterior, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 1º). § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 2º): I o ágio em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; II o deságio em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 3º): Fl. 4150DF CARF MF 26 I será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; II poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese do inciso II do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos ou contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 4º). § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 5º). § 6º O disposto neste artigo aplicase, inclusive, quando (Lei nº 9.532, de 1997, art. 8º): I o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor do patrimônio líquido; II a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. § 7º Sem prejuízo do disposto nos incisos III e IV, a pessoa jurídica sucessora poderá classificar, no patrimônio líquido, alternativamente ao disposto no § 2º deste artigo, a conta que registrar o ágio ou deságio nele mencionado (Lei nº 9.718, de 1998, art. 11). Na linha de raciocínio da recorrente, seu procedimento teria respaldo no fato de o ágio ser apurado a partir do “valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros” (inciso II, do § 2º, do artigo 385), comando determinado pelo artigo 386, III do RIR/19991; já para a Autoridade Fiscal, o dispositivo correto a ser observado seria o mesmo artigo e parágrafo, PORÉM em seu inciso III (“O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: (...) III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas”). Pois bem, o marco separatista entre as duas correntes, como bem observado pela decisão de 1º Instância, exige, na medida do possível, uma resposta objetiva à pergunta: o ágio (mais valia) pago pela recorrente na aquisição da TF (da ordem de R$ 230.202.915,81) 1 Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; Fl. 4151DF CARF MF Processo nº 11516.721452/201449 Acórdão n.º 1402002.720 S1C4T2 Fl. 4.139 27 originouse, teve fundamento, teve motivação comercial a aquisição de “intangíveis”, no caso, marcas e pontos comerciais (posição fiscal), ou, “a expectativa de rentabilidade futura do investimento adquirido”, como quer a recorrente? A resposta, data vênia ao pensamento do I. Relator que entendeu não ser “tão simples como transparece numa primeira leitura”, me parece bastante clara: as marcas citadas nos autos e que são de amplo conhecimento no mercado de roupas, confecções e vestuário representam, dentre elas a “FÓRUM”, além de inúmeros pontos comerciais, notadamente em shopping centers, muitos deles tradicionais, evidentemente tudo isso tem um custo e foi certamente a alavanca que impulsionou o interesse da recorrente no negócio e, por reflexo, gerou o montante do “plus” cobrado pelo alienante. Certo que existem nos autos documentos apontando para uma “expectativa de rentabilidade futura”, inclusive laudo com cálculo pelo sistema EBITDA. Mas, embora essas projeções tenham o condão de permitir ao comprador, a partir de dados pretéritos e utilizando se métodos científicos, visualizar, ao menos como “expectativa”, o que poderá ser possível de ocorrer futuramente, me parece indiscutível que este não foi o ponto principal que motivou a operação de compra e venda, mas, certamente, o chamativo das marcas incluídas no negócio, que viriam – como de fato vieram (bastando ver as peças publicitárias que envolvem as marcas detidas pela recorrente, incluindo modelos famosas internacionalmente como divulgadoras) – juntarse às demais sob domínio da contribuinte, compondo um rol de marcas altamente reconhecidas no mercado. Diria mais, com a devida licença e sem nenhum cunho pejorativo, ao contrário, como elogio, a aquisição das marcas da TF permitiu à recorrente possuir um verdadeiro monopólio de produtos de alta qualidade e “puxadores” de venda, como Colcci, CocaCola Jeans e outras, às quais se juntariam Fórum, Triton, etc. Muito a propósito e corroborando o raciocínio aqui assumido, vejase a notícia exibida no “site” Globo.com de 17/03/2008 (ou seja, exatamente a data do negócio entre as partes), que mostra, na visão dos interessados e para fins de divulgação ao “mercado”, que a compra/venda teve como carrochefe e motivador da operação as “marcas” da TF. Confirase: Fl. 4152DF CARF MF 28 Texto que segue a mesma linha no “site” “Jornal da Orla”, de Santa Catarina, 18/03/2008, com o título: FORUM MUDA DE DONO A marca Forum não é mais de Tufi Duek (Na foto, a modelo Izabel Goulart abrindo o último desfile da marca, em janeiro de 2008). Uma das grifes nacionais mais conhecidas agora pertence ao grupo AMC Têxtil. O novo proprietário é Alexandre Menegotti, que já possui Colcci, Sommer, CocaCola Clothing e Carmelitas. Nesse contexto, não vejo como a “expectativa de resultado futuro“ (embora importante sob a ótica empresarial), possa suplantar o grande fato motivador da operação e que Fl. 4153DF CARF MF Processo nº 11516.721452/201449 Acórdão n.º 1402002.720 S1C4T2 Fl. 4.140 29 gerou certamente o ágio: a possibilidade da A.M.C passar a deter mais algumas das famosas marcas de mercado, antes pertencente à TF; e, subsidiariamente, mas não menos relevantes, seus pontos comerciais, tudo convergindo para a linha determinada no artigo 385, § 2º, inciso III, do RIR/1999: Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. Em suma, divirjo da posição do I. Relator por entender que o recurso voluntário não pode prosperar. Por fim, antes de concluir, destaco ter deixado de fazer comentários sobre o Laudo emitido pela empresa contratada para sua elaboração (CAPITAL SOLUÇÕES S/S) e o fato de o mesmo ter sido assinado pelo representante legal desta empresa, Sr. José Carlos Meinert, que também é representante/sócio do escritório de advocacia MARTINELLI ADVOCACIA EMPRESARIAL, sendo que este presta serviços regulares à AMC e a sua controladora AMC EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO S/A. A AMC e a CAPITAL SOLUÇÕES S/S, isso porque, pelo que já se expôs neste voto, o que levou ao surgimento do ágio não foi a “expectativa de resultados futuros”, determinada no Laudo, mas a aquisição do intangível da TF. Com estas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e manter a decisão recorrida. Sobre os lançamentos de CSLL, por se suportarem nos mesmos elementos fáticos e jurídicos, igualmente são mantidos. É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 4154DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.987767/2012-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
DIREITO DE DEFESA - AVALIAÇÃO CONCRETA
Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito.
Numero da decisão: 1401-001.950
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 DIREITO DE DEFESA - AVALIAÇÃO CONCRETA Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito.
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 DIREITO DE DEFESA AVALIAÇÃO CONCRETA Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 98 77 67 /2 01 2- 74 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10880.987767/201274 Acórdão n.º 1401001.950 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento que indeferiu manifestação de inconformidade apresentada contra despacho não homologatório de compensação declarada. No referido recurso, o contribuinte alega que a decisão recorrida: 1) não considerou os princípios constitucionais da motivação e da ampla defesa, o que impediu o particular de apresentar defesa e de demonstrar a existência do crédito; 2) o princípio da motivação foi violado, uma vez que a autoridade indeferiu a homologação da compensação sob o fundamento de inexistência do crédito, sem qualquer outro esclarecimento, enquanto a decisão de primeiro grau aduziu que havia fundamentação fazendo menção genérica a artigos genéricos da legislação tributária; 3) essas decisões impediram a recorrente de apresentar uma defesa concreta. Com base nesses fundamentos, o recorrente pede a nulidade do despacho decisório e a homologação da compensação. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401001.937, de 22.06.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.658691/201272. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401001.937): Evidentemente, os princípios constitucionais concretizadores do devido processo legal, como a fundamentação dos atos e decisões, a ampla defesa e o contraditório, devem ser atendidos também nos processos administrativos. Os particulares devem ser capazes de identificar as razões que motivaram as prescrições veiculadas nas manifestações das autoridades administrativas que se refiram a seus direitos. Nesse sentido, diferentemente do alegado pela recorrente, tanto o despacho decisório, quanto à decisão de primeira instância ofereceram com especificidade os elementos aptos ao particular Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10880.987767/201274 Acórdão n.º 1401001.950 S1C4T1 Fl. 4 3 identificar com precisão as razões concretas para não ter a compensação homologada. Em primeiro lugar, a Delegacia de Julgamento não fundamenta a sua decisão com base em menção genérica a dispositivos legais. Pelo contrário, sua análise é fática e específica. A decisão recorrida aponta de forma minuciosa as razões de fato que ensejaram o despacho decisório denegatório da homologação, as quais, com efeito, constam do referido despacho. Para haver compensação, é necessário o reconhecimento do indébito tributário, o qual, uma vez indeferido, corresponde ao próprio fundamento da não homologação. Claro que o indeferimento do crédito ao qual o contribuinte considera fazer jus também deve ser motivado, mas foi e em quadro próprio que compõe o despacho decisório atacado. O despacho decisório são se restringiu, diferentemente do alegado pelo recorrente, a apontar genericamente a inexistência do indébito. Em quadro próprio, apresenta as razões fáticas para o não reconhecimento do crédito alegado. Já a Delegacia de Julgamento discorre com minúcias acerca dessas razões fáticas. Reiteramos: sua decisão acerca da motivação do despacho decisório não se restringiu a alegações genéricas calcadas em dispositivos da legislação tributário, como indevidamente o recorrente afirma em sua peça recursal. Tal estratégia é que pode ser imputada ao contribuinte, pois, ao revés de buscar demonstrar concretamente o seu direito creditório, apegase exclusivamente, tanto na manifestação de inconformidade, quanto no recurso voluntário, na tentativa de anular os atos decisórios administrativos e na esperança de que uma decisão desse jaez tivesse também a consequência de homologar as compensações declaradas. Claro que nem um, nem o outro pedido pode ser deferido. Não podemos deixar de consignar que cabe ao particular comprovar o seu direito de crédito contra o Fisco, o que poderia ter sido realizado, em face do princípio da eventualidade, até em sede recursal. Afinal, a nulidade da despacho decisório, diferentemente do pretendido pelo recorrente, não pode ter por efeitos imediatos o reconhecimento do indébito tributário. A consequência natural é a necessidade de refazer os atos nulos, o que pode ser superada com o provimento de mérito a favor do particular, nos termos do art. 59, § 3º, do Decreto nº 70.235/72: § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Nada obstante, o contribuinte postouse numa cômoda, mas absolutamente indevida, condição de tecer alegações genéricas Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10880.987767/201274 Acórdão n.º 1401001.950 S1C4T1 Fl. 5 4 contra o despacho decisório sem envidar qualquer esforço concreto para demonstrar, no mérito, o seu direito de crédito contra o Fazenda Pública. É importante reiterar. Ainda que considerássemos nulo o despacho decisório e, conseguintemente, a decisão da Delegacia de Julgamento, tal nulidade não acarretaria o reconhecimento de indébito tributário e, conseguintemente, a homologação da compensação pretendida. Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13510.000257/2008-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 25/10/2006
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65.
Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
Numero da decisão: 2202-004.244
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 25/10/2006 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
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RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 51 0. 00 02 57 /2 00 8- 19 Fl. 232DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 19515.001700/200813. "Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a cobrança do crédito tributário. O Auto de Infração foi lavrado por descumprimento de obrigação acessória verificada durante ação fiscal realizada em órgão público. A autuação ocorreu em nome do sujeito passivo, na condição de dirigente de órgão público, por força do disposto no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, vigente à época dos fatos geradores. O recorrente tomou ciência do lançamento e apresentou defesa, entretanto, a primeira instância de julgamento manteve a autuação. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, onde alega a improcedência da autuação. É o relatório." Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 2202004.158, de 03/10/2017, proferido no julgamento do processo 19515.001700/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 2202004.158): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O lançamento em questão foi efetuado contra o dirigente do órgão público com base no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que, à época dos fatos geradores, estabelecia: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 13510.000257/200819 Acórdão n.º 2202004.244 S2C2T2 Fl. 3 3 Contudo, o dispositivo transcrito foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, não mais se aplicando, contra dirigente de órgão público, a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Sobre a matéria, a Súmula CARF nº 65 dispõe o seguinte: Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige. Em função disso, aplicase ao caso, a retroatividade benigna de que trata a alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifei) Portanto, o lançamento em questão deve ser cancelado. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relator" Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 234DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.001537/2008-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS. AUTO DE INFRAÇÃO
DECORRENTE. Comprovada parcialmente a compensação de tributos em
outro processo é de se manter também parcialmente o auto de infração lançado em decorrência dessa compensação originalmente indevida.
Numero da decisão: 1401-000.598
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento o valor de R$ 29.166,31, apurado no processo nº 10768.906570/2006-91, corrigido nos termos da legislação de regência.
Nome do relator: Antonio Bezerra Neto
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AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE. Comprovada parcialmente a compensação de tributos em outro processo é de se manter também parcialmente o auto de infração lançado em decorrência dessa compensação originalmente indevida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento o valor de R$ 29.166,31, apurado no processo nº 10768.906570/200691, corrigido nos termos da legislação de regência. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sergio Luiz Bezerra Presta, Karem Jureidini Dias e Viviane Vidal Wagner. Fl. 102DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/07/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/07/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15374.001537/200881 Acórdão n.º 1401000.598 S1C4T1 Fl. 89 2 Relatório Versa este processo sobre o Auto de Infração de fls. 38/44 (que tem como parte integrante o Termo de Verificação e Constatação Fiscal), lavrado pela DEFIC/RJO, com ciência em 07/10/2008, para exigência de crédito tributário de CSLL, no valor de R$3.184.776,33, acrescido de multa dc 75% e de juros de mora. O lançamento foi efetuado por ter a fiscalização apurado: 1 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO OU DECLARAÇÃO. Insuficiência apurada conforme Termo de Verificação e Constatação Fiscal. No Termo, a fiscalização aponta que o interessado solicitou compensação de débito de CSLL, que foi indeferida (processo 10768.906570/200691), e que o valor não foi localizado em DCTF. O enquadramento legal se encontra no Auto de Infração. O interessado apresentou, em 05/11/2008, a impugnação de fls. 48/51. Alega, em síntese, que: a origem do crédito é o saldo negativo de IRPJ apurado na DIPJ 200), anobase 2000; apresentou manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório n° 236/2008, proferido no processo 10768.906570/200691. E o relatório. A DRJ, por unanimidade de votos, MANTEVE o lançamento, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO OU DECLARAÇÃO. A insuficiência de recolhimento ou declaração enseja lançamento de ofício. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. É o relatório. Fl. 103DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/07/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/07/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15374.001537/200881 Acórdão n.º 1401000.598 S1C4T1 Fl. 90 3 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso reúne as condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Antes de avançarmos no mérito cabe aqui ser colocada uma questão prejudicial de suma importância. É que a situação fática relevante do presente processo é inteiramente comum ao processo nº 10768.906570/200691, que ora se julga em conjunto com o presente processo, pois este depende daquele. Conforme relatado, o lançamento foi efetuado como conseqüência de a fiscalização ter apurado insuficiência de recolhimento ou declaração da CSLL em 2003. No Termo de Verificação e Constatação Fiscal, a fiscalização aponta que o interessado solicitou compensação de débito de CSLL, que foi indeferida (processo 10768.906570/200691), e que o valor não foi localizado em DCTF e que, portanto, não fora declarado. Na impugnação, o interessado indica a origem do crédito e informa ter apresentado manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório n° 236/2008. O Despacho Decisório Parecer n° 236/2008 foi mantido, conforme cópia do Acórdão da DRJ proferido no processo 10768.906570/200691 (fls. 68/70). Por outro lado, a interessada manejou recurso voluntário ao CARF, que foi julgado procedente em parte, em julgamento feito em conjunto com o presente processo cujo resultado, por conseqüência, deve aqui ser levando em conta. Segue então abaixo Decisão deste Colegiado em que se DEU provimento PARCIAL ao recurso apenas para desfazer a glosa no valor de R$ 29.166,31 referente ao saldo negativo do anocalendário de 2000 e homologar as compensações no limite desse crédito atualizado pela legislação de regência. Dessa forma tal resultado por se refletir diretamente nos presentes autos deve ser considerado no presente julgamento por decorrer diretamente daquele por haver entre eles uma relação de causa e efeito. VOTO O Recurso Voluntário é tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. A glosa do saldo negativo do ano 2000 se deu em parte na demonstração das retenções efetuadas, que não foram confirmadas em DIRF, bem assim pela glosa do valor de R$ 1.251.079,07 em relação às estimativas pagas ou compensadas, conforme tabela abaixo: Tributo DIPJ entregue Fisco Diferença Fl. 104DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/07/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/07/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15374.001537/200881 Acórdão n.º 1401000.598 S1C4T1 Fl. 91 4 IRRF . R$ 125.063,96 R$ 95.897,65 R$ 29.166,31 IRPJ . R$7.219.733,80 R$ 5.968.654,73 R$ 1.251.079,07 TOTAL R$7.344.797,76 R$6.064.552,38 R$ 1.280.245,38 Trataremos cada uma dessas glosas em tópicos distintos. I) Glosa do IRRF Os valores glosados pela DRF estão destacados na planilha abaixo. Segundo a Recorrente o valor de R$ 125.063,96, informado na Ficha 12 A linha 13 da DIPJ 2001, ano base 2000, foi demonstrado na Planilha III comprovando que a suposta diferença de R$ 29.166,31 não existe. Com razão a Recorrente, pois conforme se demonstra na tabela abaixo, ela logra comprovar as retenções glosadas através da juntada aos autos de documentos legais que comprovariam as retenções declaradas (Informe de Rendimentos e Darfs de retenções do imposto): PLANILHA IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE R$ Prova trazida aos autos Doc. anexo 65.55 Informe de Rendimentos em anexo Fl.55 – Declarante: Telecomunicações de São Paulo 3,561.33 Sem divergência 19,595.93 Aceito apenas R$ 17.174,81 Diferença glosada (R$ 2.421,12) DARFs em anexo 21,971.92 DARFs em anexo (Sem divergência) 1,387.32 Sem divergência 7,608.62 Informe de Rendimentos em anexo Fls. 195 (R$ 2.981,46) e 196 (4.627,16)– Cia Brasileira de Petróleo Ipiranga 51,066.23 DARFs em anexo (Sem divergência) (5) 8,811.31 Informe de Rendimentos em anexo Fls. 213 a 216 – Valores diversos – Texaco Brasil S/A 5,666.74 Informe de Rendimentos em anexo Fls. 217 e 218 (Shell Brasil S/A) 3,361.22 Informe de Rendimentos em anexo Fls. 219 – Petrobras Distribuidora S/A 630.95 Informe de Rendimentos em anexo Fls. 220 – Telecomunicações de São Paulo S/A 736.04 Sem divergência 600.80 Comprovante de retenção em anexo Fls. 221 – Agip Distribuidora S/A 125,063.96 Linha 13 Ficha 12A da DIPJ 2001 Fl. 105DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/07/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/07/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15374.001537/200881 Acórdão n.º 1401000.598 S1C4T1 Fl. 92 5 Portanto, dou provimento ao recurso para desfazer a glosa no valor de R$ 29.166,31 referente ao saldo negativo do anocalendário de 2000. Glosa do IRPJ por estimativas É sabido que o direito à restituição seguido ou não de compensação requer que o crédito seja líquido e certo, conforme reza o artigo 170 do CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. (grifei) Por óbvio que o ônus da comprovação da certeza e liquidez do suposto crédito cabe ao interessada e não à Fazenda Nacional ou aos Órgãos julgadores, como muito bem fez a Recorrente no item anterior. Porém, quanto a este item deixou a Recorrente muito a desejar no quesito “prova”, senão vejamos. A DRF de forma muito minuciosa e precisa desconstituiu passo a passo a certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado. Daí porque o trabalho da DRJ ficou sobremaneira facilitado, limitandose praticamente emitir voto de concordância com os fundamentos da DRF. Nesse ponto, nem se queira alegar que a fundamentação a partir de concordância da decisão da DRF cause cerceamento do direito de defesa, uma vez que tal procedimento é inclusive permitido no art.50 da Lei n 9.784/99, subsidiária ao PAF, não precisando nem serem transcritos, mas bastando tãosomente a simples menção de concordância para integrarem automaticamente o ato decisório. Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato.(destaquei) Cabe a Recorrente por sua vez infirmar os fundamentos da DRF, que como já se disse, os construiu de forma muito minuciosa e articulada. De outra banda, a Recorrente limitase a proferir meras alegações genéricas, inócuas e vazias destituídas de qualquer conteúdo probatório.Papéis e documentos carreados aos autos não são prova, a prova corresponde à precisa articulação entre tais elementos. Conforme jurisprudência deste Conselho a prova deve estar perfeitamente articulada com o seu pedido, descortinandose a partir dela de forma sucinta e objetiva todas as conexões existentes com o seu pedido e aquilo que o obstaculariza. Esse ônus não é do julgador, mas sim da interessada. Como já se disse, apesar de a DRF ter muito bem fundamentado os motivos pelos quais o seu pedido foi considerado sem liquidez e certeza, com o respaldo da DRJ, a recorrente faz ouvido de mercador a esses sólidos argumentos e em sede recursal contentase em repisar as mesmas justificativas que foram reportadas à DRJ. Fl. 106DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/07/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/07/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15374.001537/200881 Acórdão n.º 1401000.598 S1C4T1 Fl. 93 6 Os princípios da ampla defesa e do contraditório garantem ao defendente o direito de tomar conhecimento de tudo o que consta nos autos e de se manifestar a respeito, trazendo para o processo todos os elementos tendentes a esclarecer a verdade. Apesar desses princípios se caracterizarem como direitos dos contribuintes, estão implícitos nos mesmos, também deveres, de forma a regulamentar o processo para que chegue a um fim. Nesse passo, é inerente ao princípio do contraditório que o processo deva caminhar através de um caráter dialético que perpassa, se for o caso, as duas instâncias do Processo Administrativo Fiscal. Dessa forma, é imperioso, em acontecendo de a lide atingir a segunda instância, que se ofereçam razões ou contraargumentações claras e específicas contra não o despacho de indeferimento da DRF, mormente em se tratando de matéria probatória, como é o caso. Isso porque as contradições ou erros ainda por ventura existentes por ocasião da decisão de primeira instância devem ser apontadas especificamente para que a instância ad quem, tome conhecimento, e se for o caso, corrijaos e supereos pela sua atividade sintetizadora de órgão revisor. Mas, nada disso foi feito pela recorrente. No que concerne aos valores de IRPJ por estimativa, como pontuado pela DRJ, a DRF só não aceitou parte do débito de. RPJ por estimativa referente a fevereiro, no valor, de R$1.251.079,07, informada como compensada com saldo negativo de IRPJ relativo ao ano calendário de 1998, conforme fl, 62. Eis aí o litígio. A Derat apresentou análise do referido saldo (fls. 52/153), demonstrando categoricamente que o saldo do ano calendário de 1998 decorre da dedução de estimativas no valor de R$71.072.190,95 (fl. 93): R$49.296.369,87 recolhido por Darf, conforme fls. 94 e 104, e R$21.775.821,08 compensado com saldo negativo de períodos anteriores, conforme telas de fls. 95/103. Analisa então, minuciosamente esses períodos anteriores e demonstra categoricamente que não existem créditos que dêem respaldo às compensações pleiteadas. Tudo isso lastreado em dados objetivos oriundos da DIPJ, DCTF e nas consultas ao sistema SINAL. Alguns dos óbices encontrados pela DRF que foram determinantes para a desconstituição do saldos negativos de períodos anteriores e não infirmados e nem ao menos mencionados pela Recorrente foram, por exemplo: a DRF analisando o saldo negativo de 1998, constatou que a interessada efetuou compensação sem DARF para apagamento de todos os débitos de IRPJ por estimativa relativos ao AC 1997, utilizando saldo negativo de IRPJ referente a períodos anteriores, no total de R$ 9.449.675,82. (Esse fato não foi infirmado pela defesa, presumese então correto); a DRF passa então a averiguar se os anos anteriores suportariam aquela compensação. Nesse passo aduz que no anocalendário de 1996 foi apurado saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 603.426,57 (fl. 75/76). Todavia esse saldo negativo foi alterado, por meio de lançamento suplementar, para IRPJ a pagar no valor de R$ 91.467,95, conforme telas de fl. 73/74, não havendo, portanto, saldo negativo de IRPJ relativamente a este período. (fato também não desconstituído e nem ao menos mencionado em toda o recurso) ; Fl. 107DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/07/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/07/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15374.001537/200881 Acórdão n.º 1401000.598 S1C4T1 Fl. 94 7 no AC 1995 (única DIRPJ n° 8961962) a interessada apurou IRPJ a pagar no valor de R$ 11.038.618,68, conforme telas de fl. 71/72. (fato não infirmado) ; da mesma forma nos anoscalendário de 1993 e 1994 a interessada apurou IRPJ a pagar nos valores de 19.751.342,40 UFIR diária e 21.480.892,59 UFIR, que se encontram informados nas DIRPJ AC 93 n° 1021803 (fl. 69) e AC 1994 n° 0010705 (fl. 70), respectivamente. (fato também não desconstituído e nem ao menos mencionado em toda o recurso) ; no AC 1992 também houve lançamento suplementar relativamente ao informado na DIRPJ AC 92 n° 1019902 (fl. 67/68). (fato também não desconstituído e nem ao menos mencionado em toda o recurso). Por sua vez os seus argumentos de defesa limitamse em relação à glosa do saldo negativo de IRPJ, no montante de R$1.251.079,07, a afirmar que tal valor teve origem em saldo negativo de 1998 e que “ foi utilizado em março/2000 para compensação de CSLL, apurada no mês de competência fevereiro/2000, entretanto, no encerramento do anobase de 2000 a Requerente apurou prejuízo fiscal (Ficha 12A Doc.5) e, consequentemente, os valores pagos/compensados no referido ano base geraram saldo negativo de IRPJ, para ser compensado em exercícios futuros, compensação esta que foi requerida através da PER/DCOMP n° 14150.37760.290503.1.3.024806, ora em exame.” A única prova trazidas aos autos a esse respeito, foi o doc.09 (fl.222) indicando apenas a Ficha 13 da DIPJ/99 onde consta o saldo negativo de R$ 1.002.868,99 que corrigido pela Selic alcançaria o montante de R$ 1.251.079,07. Ora, é justamente a composição desse saldo que foi questionada pela DRF nos termos já colocados acima. O que se vê é que a Recorrente apegase nessa “prova” e se recusa a discutir os fatos que estariam a infirmála. Dessa forma, em vista das explicações escorreitas do despacho da DRF e do que se colocou nos parágrafos anteriores, complemento as minhas razões de decidir adotando também os fundamentos utilizados por esse Despacho, que abaixo transcrevo naquilo apenas que considero relevante: (...) Contudo, parte do débito de IRPJ por estimativa referente a fevereiro, no valor de R$ 1.251.079,07, foi informada como compensada com saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 1998, conforme fl. 62. Analisandose a DIPJ AC 1998 n° 0816351, única nesse AC, conforme tela de fl. 37/38, verificase que a interessada apurou R$ 1.002.868,79 a título de saldo negativo do AC 1998, decorrente da dedução do valor de R$ 71.072.190,95, que corresponde ao total de IRPJ por estimativa pago no AC 1998 (fl. 92/93). Verificamos que R$ 49.296.369,87 desse total foi efetivamente recolhido por meio de DARF, conforme tela do SINAL07 anexada à fl. 94. O restante, R$ 21.775.821.,08, foi compensado com saldo negativo de períodos anteriores, conforme telas de fl. 95/103:' Passando à análise do saldo negativo IRPJ AC 1997 (única DIPJ AC 1997 n° 3124276), verificamos que a interessada informou R$ 2.015.047,10 como saldo Fl. 108DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/07/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/07/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15374.001537/200881 Acórdão n.º 1401000.598 S1C4T1 Fl. 95 8 negativo IRPJ AC 1997 (fl. 78/79), decorrente da dedução de R$ 9.449.675,82, que corresponde ao total de IRPJ por estimativa pago no AC 1997. Consoante tela de fl. 80 não há registro de pagamento sob o código 2362 no período compreendido entre 01/02/1997 a 01/02/1998. Examinandose as telas de fl. 81/91 constatase que a interessada efetuou compensação sem DARF para apagamento de todos os débitos de IRPJ por estimativa relativos ao AC 1997, utilizando saldo negativo de IRPJ referente a períodos anteriores, no total de R$ 9.449.675,82. Somente foi entregue uma única DIRPJ relativamente ao AC 1996, conforme tela de fl. 37/38, processada pela SRFB sob o n° 8024170, na qual foi apurado saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 603.426,57 (fl. 75/76). Todavia esse saldo negativo foi alterado, por meio de lançamento suplementar, para IRPJ a pagar no valor de R$ 91.467,95, conforme telas de fl. 73/74, não havendo, portanto, saldo negativo de IRPJ relativamente a este período. No AC 1995 (única DIRPJ n° 8961962) a interessada apurou IRRJ a pagar no valor de R$ 11.038.618,68, conforme telas de fl. 71/72. Da mesma forma nos anoscalendário de 1993 e 1994 a interessada apurou IRPJ a pagar nos valores de 19.751.342,40 UFIR diária e 21.480.892,59 UFIR, que se encontram informados nas DIRPJ AC 93 n° 1021803 (fl. 69) e AC 1994 n° 0010705 (fl. 70), respectivamente. No AC 1992 também houve lançamento suplementar relativamente ao informado na DIRPJ AC 92 n° 1019902 (fl. 67/68). Assim, a ficha 12A da DIPJ AC 2002 n° 0508032, cuja tela foi anexada à fl. 39/40, deve ser retificada na forma do quadro abaixo. Item Discriminação Valor (R$) 01 IRPJ à 15% 0,00 03 Adicional 0,00 (13) IRRFonte ( R$ 95.897,65) (16) (IRPJ por estimativa) (5.968.654,73) 18 (IRPJ a pagar) (6.064.552,38) (...)” Portanto, mantenho a glosa em relação a este item. Por todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso apenas para desfazer a glosa no valor de R$ 29.166,31 referente ao saldo negativo do anocalendário de 2000 e homologar as compensações no limite desse crédito atualizado pela legislação de regência. Antonio Bezerra Neto – Relator Fl. 109DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/07/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/07/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15374.001537/200881 Acórdão n.º 1401000.598 S1C4T1 Fl. 96 9 Portanto, dou provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento o valor de R$ 29.166,31 corrigido nos termos da legislação de regência nos termos do processo 10768.906570/200691. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 110DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/07/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/07/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10630.000166/2005-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/1999 a 29/02/2000, 01/04/2000 a 30/04/2000, 01/07/2000 a 31/10/2000, 01/11/2001 a 30/11/2001, 01/02/2002 a 28/02/2002, 01/04/2002 a 31/07/2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE NOVA ANÁLISE DE MÉRITO.
A legislação do Processo Administrativo Fiscal não autoriza, sob o pretexto de omissão do acórdão recorrido, nova análise de mérito em sede de embargos de declaração.
Omissão é a falta de manifestação expressa sobre algum ponto (fundamento de fato ou de direito) ventilado na causa e, sobre o qual deveria manifestar-se o colegiado, o que, igualmente, também não se evidenciou perante a decisão embargada.
Numero da decisão: 3201-003.193
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os Embargos de Declaração.
Winderley Morais Pereira - Presidente.
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE NOVA ANÁLISE DE MÉRITO. A legislação do Processo Administrativo Fiscal não autoriza, sob o pretexto de omissão do acórdão recorrido, nova análise de mérito em sede de embargos de declaração. Omissão é a falta de manifestação expressa sobre algum ‘ponto’ (fundamento de fato ou de direito) ventilado na causa e, sobre o qual deveria manifestarse o colegiado, o que, igualmente, também não se evidenciou perante a decisão embargada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os Embargos de Declaração. Winderley Morais Pereira Presidente. Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 00 01 66 /2 00 5- 86 Fl. 284DF CARF MF 2 Relatório Tratamse de tempestivos Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional, em que, em breve síntese, aponta no seu entendimento, ter havido omissões no julgado embargado. A R. decisão embargada (Acórdão 3803002.060 3ª Turma Especial) de relatoria do Conselheiro Belchior Melo de Sousa apresenta a seguinte ementa: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/1999 a 29/02/2000, 01/04/2000 a 30/04/2000, 01/07/2000 a 31/10/2000, 01/04/2000 a 30/04/2000, 01/11/2001 a 30/11/2001, 01/02/2002 a 28/02/2002, 01/04/2002 a 31/07/2002, 28/02/2003 a 31/03/2003. FALTA DE RECOLHIMENTO. BASE DE CÁLCULO. CONCESSIONÁRIAS DE VEÍCULOS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. PROVA. Ante evidências nos autos da não ocorrência da substituição tributária envolvendo as operações sob exigência, deve ser mantido o lançamento pela falta de apresentação da documentação comprobatória para sustento das alegações da Defesa. STF. DECISÕES DEFINITIVAS. REPRODUÇÃO PELO CARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (RE 585.235QO). Assunto: Programa de Integração Social PIS Período de apuração: 01/12/1999 a 29/02/2000, 01/04/2000 a 30/04/2000, 01/07/2000 a 31/10/2000, 01/04/2000 a 30/04/2000, 01/11/2001 a 30/11/2001, 01/02/2002 a 28/02/2002, 01/04/2002 a 31/07/2002, 28/02/2003 a 31/03/2003. FALTA DE RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Constatada a falta de recolhimento de contribuição apurada a partir dos registros fiscais e documentos mantidos pela contribuinte, mas não declarada/paga, legitimo é o lançamento de oficio, não se tendo configurado estar a contribuinte sujeita ao regime de substituição tributária. RECEITAS QUE NÃO CONFIGUREM O CONCEITO DE FATURAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. É inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou a base de cálculo da Cofins (RE 585.235QO, Min. Cezar Peluso)." Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10630.000166/200586 Acórdão n.º 3201003.193 S3C2T1 Fl. 3 3 Os embargos de declaração apontam a seguinte suposta omissão: "A 3ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARE deu provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento, as receitas de aluguel, por força da inconstitucionalidadc do art. 3°, §1° da Lei n° 9.718/98. Ocorre que não consta nos autos, o contrato social da empresa. Portanto, não há como saber se a locação do imóvel faz parte do seu objeto social. Caso faça parte do objeto social, as receitas de aluguel farão parte do faturamento, vez que serão ingressos patrimoniais oriundos de atividade empresarial típica. Desse modo, para apontar concretamente que forma de receita pode ser classificada como receita operacional, é preciso terse em vista qual a atividade social da empresa. Como não há nos autos, o contrato social não há como ter certeza da exclusão promovida pela e. Turma. Em face do exposto, requer a União (Fazenda Nacional) o conhecimento e o provimento do presente recurso para que, sanando essa omissão, seja analisada a receita de aluguel à luz do objeto social da empresa, na medida em que tal rubrica pode estar incluída no conceito de faturamento, se a locação de imóvel fizer parte do rol de atividades típicas da empresa." Os embargos foram devidamente conhecidos pelo Sr. Conselheiro Presidente da 3ª Turma Especial da 3ªSeção deste colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Com relação à suposta omissão apontada, entendo que não assiste razão a embargante. A alegação posta pela embargante não é possível de apreciação pela estrita via dos embargos de declaração, por constituir rediscussão do mérito, sendo a via processual adequada o Recurso Especial. Como sabido, os embargos de declaração não se prestam ao reexame de provas, à correção de eventual erro de aplicação da lei ou do direito. De igual modo, os embargos declaratórios não podem ser adotados como remédio jurídico recursal para fins da rediscussão da matéria objeto do processo, nem a alterar o julgamento, não obstante tal efeito (modificativo/infringente) possa ocorrer com a eliminação de um vício. Fl. 286DF CARF MF 4 Ademais, tal questão em nenhum momento foi alegada durante o transcurso processual. Não obstante, em consulta ao sítio eletrônico da Receita Federal, constatase que a empresa não possui como atividade econômica a locação de bens imóveis, conforme a seguir: Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10630.000166/200586 Acórdão n.º 3201003.193 S3C2T1 Fl. 4 5 Perfilho o entendimento que a questão levantada pela Fazenda Nacional não pode ser apreciada em sede de embargos de declaração, podendo a embargante, socorrerse do Recurso Especial. Neste sentido, cito os seguintes precedentes jurisprudenciais: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 NULIDADE DE ACÓRDÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. VIA INADEQUADA. Os embargos de declaração constituem via inadequada para requererse a nulidade do acórdão embargado. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE NOVA ANÁLISE DE MÉRITO. A legislação do Processo Administrativo Fiscal não autoriza, sob o pretexto de omissão do acórdão recorrido, nova análise de mérito em sede de embargos de declaração." (Processo 10805.720025/200534; Acórdão 1202001.236; 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária; Sessão de 05 de março de 2015; Relator Conselheiro Plínio Rodrigues Lima) "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OMISSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE REEXAME DE MATÉRIA JÁ DECIDIDA. Os embargos de declaração visam ao saneamento de vícios existentes no voto, sendo inviável qualquer análise de mérito já realizada anteriormente. Omissão é a falta de manifestação expressa sobre algum ‘ponto’ (fundamento de fato ou de direito) ventilado na causa e, sobre o qual deveria manifestarse o colegiado, o que, igualmente, também não se evidenciou perante a decisão embargada. Embargos de Declaração rejeitados." (Processo 19515.000042/200591; Acórdão 3402002.892 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária; Conselheiro Diego Diniz Ribeiro; Sessão de 28 de janeiro de 2016) Diante do exposto, voto em conhecer os embargos de declaração interpostos, para no mérito, negarlhes provimento. Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 288DF CARF MF 6 Fl. 289DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.002375/2007-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
IRRF. RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA. PROVAS APRESENTADAS.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Tendo o contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser afastada a glosa.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-004.317
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, afastando-se a omissão de rendimentos no valor de R$ 9.408,09.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, afastando-se a omissão de rendimentos no valor de R$ 9.408,09. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
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RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA. PROVAS APRESENTADAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Tendo o contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser afastada a glosa. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, afastandose a omissão de rendimentos no valor de R$ 9.408,09. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 23 75 /2 00 7- 03 Fl. 93DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 11516.002375/200703, em face do acórdão nº 0721.441, julgado em 19/12/2013, pela 5ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (DRJ/FNS), no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem, que assim os relatou: “DO LANÇAMENTO Tratase de Notificação de Lançamentos (NL), na qual se alterou o imposto de renda a restituir declarado de RS 1.997,37 para RS 429,43, por força da revisão da Declaração de Ajuste do Anual referente ao anocalendário 2004, conforme fls. 04 a 07. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal que a autoridade fiscal, após analisar as informações e documentos apresentados pelo contribuinte e em consulta aos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatou omissão de rendimentos a título de aluguel de pessoa física, informado na Declaração de Informações Sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB), percebido de Alcides Vertorazzi, no valor de R$ 10.452,91. DA IMPUGNAÇÃO O contribuinte tempestivamente apresentou impugnação parcial de fl. 01. Alega que os rendimentos de aluguel foram declarados no CPF 033.632.60920, de sua esposa Maria Eligia Beiler Zavarise, conforme cópia que junta e que, não obstante constar 0 recebimento no CPF 223.822.75987, a legislação permite que pode ser declarado no CPF do cônjuge. Junta aos autos cópia da Declaração de Ajuste Anual do ano calendário 2004, de sua esposa (fls. 0913), bem como Comprovante dos aluguéis percebidos, para fins do Imposto de Renda (fls. 14), em nome do impugnante, no qual consta o mesmo valor omitido objeto do lançamento. É o relatório." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte. Inconformado com a improcedência de sua impugnação, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, às fls. 46/47, onde são reiterados os argumentos lançados na impugnação, bem como anexados documentos às fls. 48/96. É o relatório. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 11516.002375/200703 Acórdão n.º 2202004.317 S2C2T2 Fl. 94 3 Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Delimitação da lide. Sustenta o contribuinte em recurso voluntário que a declaração de rendimentos fornecida pela administradora consta um valor liquido de R$ 10.452,91. No entanto, foi declarado como recebido de pessoa física na declaração do cônjuge, conforme legislação vigente, o valor de R$ 9.408,09, gerando uma diferença de R$ 1.044,82. Diante disso, refere o contribuinte que esta diferença (R$ 1.044,82) é o valor a ser tributado. Por tanto, temse que o contribuinte manifesta expressamente sua concordância com o lançamento, por omissão de rendimentos, no valor de R$ 1.044,82. Portanto, resta em litígio o valor restante lançado como rendimentos omitidos (R$ 9.408,09). Assim, delimitase a lide em relação a estes valores. Documentos juntados em fase recusal. Em relação aos documentos juntados em anexo ao recurso voluntário, por força do princípio da verdade material e do formalismo moderado, receboos nesta fase processual. Omissão de rendimentos de aluguéis. Por oportuno, transcrevese trechos do voto do acórdão da DRJ quanto ao mérito do recurso: "[...] Com efeito a legislação do imposto de renda permite que os rendimentos percebidos pelos bens comuns sejam tributados em separado ou conjuntamente. É o que prevê o Regulamento do Imposto de Renda e Proventos de Qualquer Natureza, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99): [...] Ocorre que, diversamente do informado pelo impugnante, os valores que diz estarem declarados pelo cônjuge diferem dos rendimentos percebidos de aluguel, apurados na omissão de rendimentos, bem como no Comprovante de Rendimentos fornecido pela administradora, apresentados na impugnação. Os rendimentos percebidos tido por omitidos corresponde a R$ 10.452,91, e os que constam na Declaração de Ajuste Anual de Fl. 95DF CARF MF 4 sua esposa, informados como percebidos de pessoa física, corresponde a R$ 9.408,09. Não obstante serem valores diferentes, não trouxe aos autos documentos que demonstrem que tais rendimentos decorrem somente da percepção de aluguel e, pelo que consta da Notificação de Lançamento, foram apreciados os documentos pela autoridade lançadora, restando comprovado por esta a omissão dos rendimentos. O Comprovante de Rendimentos para fins de imposto de renda, fornecido pela administradora (fl. 14), indica que o aluguel se refere ao Apartamento 801, Box 82/83, situado na Rua Marechal Deodoro, 105. Compulsandose os bens e direitos arrolados nas Declarações de Ajuste Anual do impugnante e de sua esposa, não há registro de tal imóvel. Desta feita, não é possível inferir que o aluguel é rendimento produzido por bem comum, uma vez que sequer consta em qualquer declaração, tal como determina o § 3°, art. 7°, do RIR/99. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de considerar improcedente a impugnação, mantendose a alteração do imposto de renda a restituir objeto do lançamento fiscal. É como voto" Primeiramente, importa referir que a legislação do imposto de renda permite que os rendimentos percebidos pelos bens comuns sejam tributados em separado ou conjuntamente, conforme disposto no RIR/99, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, vejamos: Seção II Rendimentos na Constância da Sociedade Conjugal Art. 6º Na constância da sociedade conjugal, cada cônjuge terá seus rendimentos tributados na proporção de (Constituição, art. 226, § 5º): I cem por cento dos que lhes forem próprios; II cinqüenta por cento dos produzidos pelos bens comuns. Parágrafo único. Opcionalmente, os rendimentos produzidos pelos bens comuns poderão ser tributados, em sua totalidade, em nome de um dos cônjuges. Declaração em Separado Art. 7º Cada cônjuge deverá incluir, em sua declaração, a totalidade dos rendimentos próprios e a metade dos rendimentos produzidos pelos bens comuns. § 1º O imposto pago ou retido na fonte sobre os rendimentos produzidos pelos bens comuns deverá ser compensado na declaração, na proporção de cinqüenta por cento para cada um Fl. 96DF CARF MF Processo nº 11516.002375/200703 Acórdão n.º 2202004.317 S2C2T2 Fl. 95 5 dos cônjuges, independentemente de qual deles tenha sofrido a retenção ou efetuado o recolhimento. § 2º Na hipótese prevista no parágrafo único do artigo anterior, o imposto pago ou retido na fonte será compensado na declaração, em sua totalidade, pelo cônjuge que declarar os rendimentos, independentemente de qual deles tenha sofrido a retenção ou efetuado o recolhimento. § 3º Os bens comuns deverão ser relacionados somente por um dos cônjuges, se ambos estiverem obrigados à apresentação da declaração, ou, obrigatoriamente, pelo cônjuge que estiver apresentando a declaração, quando o outro estiver desobrigado de apresentála. Declaração em Conjunto Art. 8º Os cônjuges poderão optar pela tributação em conjunto de seus rendimentos, inclusive quando provenientes de bens gravados com cláusula de incomunicabilidade ou inalienabilidade, da atividade rural e das pensões de que tiverem gozo privativo. § 1º O imposto pago ou retido na fonte sobre os rendimentos do outro cônjuge, incluídos na declaração, poderá ser compensado pelo declarante. § 2º Os bens, inclusive os gravados com cláusula de incomunicabilidade ou inalienabilidade, deverão ser relacionados na declaração de bens do cônjuge declarante. § 3º O cônjuge declarante poderá pleitear a dedução do valor a título de dependente relativo ao outro cônjuge Assim, sendo permitido aos rendimentos produzidos pelos bens comuns serem tributados, em sua totalidade, em nome de um dos cônjuge, passase a análise das razões de reforma do acórdão da DRJ. O acórdão da DRJ de origem foi no sentido de que "os valores que diz estarem declarados pelo cônjuge diferem dos rendimentos percebidos de aluguel, apurados na omissão de rendimentos, bem como no Comprovante de Rendimentos fornecido pela administradora, apresentados na impugnação. Os rendimentos percebidos tido por omitidos corresponde a R$ 10.452,91, e os que constam na Declaração de Ajuste Anual de sua esposa, informados como percebidos de pessoa física, corresponde a R$ 9.408,09". Quanto a tal ponto, o contribuinte em recurso voluntário já esclareceu que a diferença apurada (R$ 1.044,82) deve ser tributada. Pelo documento de fl. 15 (juntado novamente à fl 79), emitido pela imobiliária, é possível inclusive entender a possível razão desta diferença. O aludido documento possui o seguinte quadro: Fl. 97DF CARF MF 6 Percebese, portanto, que o valor líquido recebido pelo contribuinte, de fevereiro a outubro do referido ano calendário é a diferença entre o valor do aluguel (R$ 1.166,15) e o valor de comissão (R$ 121,33). O valor desta diferença é R$ 1.044,82. Assim, ao que tudo indica, ao declarar os rendimentos, o cônjuge do contribuinte olvidouse de declarar o valor recebido em um mês. Conforme já referido pela DRJ, "o Comprovante de Rendimentos para fins de imposto de renda, fornecido pela administradora (fl. 14), indica que o aluguel se refere ao Apartamento 801, Box 82/83, situado na Rua Marechal Deodoro, 105", localizado em Joinville/SC. No entanto, compreenderam os julgadores de primeira instância que "compulsandose os bens e direitos arrolados nas Declarações de Ajuste Anual do impugnante e de sua esposa, não há registro de tal imóvel.". Todavia, tal informação é incorreta. Ocorre que havia nos autos, quando do julgamento pela DRJ, a DIRPF do contribuinte, à fl. 19, onde o primeiro bem declarado é o referido apartamento, cumprindo assim também o disposto o que determina o § 3°, art. 7°, do RIR/99. Vejamos o que consta à fl. 19 dos autos: Embora na declaração de bens e direitos não esteja claro que o "apto em Joinville", de valor de R$ 120.000,00, seja o imóvel objeto da locação, não é possível dizer que esta informação não constava no processo. Contudo, para não haver dúvidas quanto a propriedade do bem, o contribuinte anexa ao recurso voluntário o documento de fls. 80/82, que tratase de escritura pública de compra e venda, onde verificase que o Apartamento 801, Box 82/83, situado na Rua Marechal Deodoro, 105, em Joinville/SC, foi adquirido pelo contribuinte, em 19/09/1997. Ainda, há as matrículas dos imóveis (apartamento,2 box garagem 1 depósito privativo) às fls. 83/86. Destacase que consta na escritura pública (80/82), bem como nas matrículas dos imóveis (83/86), que o contribuinte é casado em comunhão parcial de bens, na vigência da Lei 6.515/77, com Maria Eligia Beiler Zavarise. Assim, pelo demonstrado pela prova dos autos, não há razões para manter a omissão de rendimentos no valor lançado (R$ 10.452,91), devendo ser mantido o lançamento tão somente quanto ao valor admitido pelo contribuinte em recurso voluntário (R$ 1.044,82) e, portanto, afastado o valor restante (R$ 9.408,09), pois devidamente comprovado pelo contribuinte que o imóvel é seu, tendo recebido a título de aluguéis no referido anocalendário Fl. 98DF CARF MF Processo nº 11516.002375/200703 Acórdão n.º 2202004.317 S2C2T2 Fl. 96 7 o valor de R$ 9.408,09, sendo tal valor já oferecido à tributação na DIRPF do cônjuge do contribuinte. Conclusão. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, afastandose a omissão de rendimentos no valor de R$ 9.408,09. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 99DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.910745/2011-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 14/05/2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.593
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Data do fato gerador: 14/05/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 14/05/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 07 45 /2 01 1- 05 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 16327.910745/201105 Acórdão n.º 3402004.593 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2005. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14061.325, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 14/05/2005 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 90DF CARF MF Processo nº 16327.910745/201105 Acórdão n.º 3402004.593 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 91DF CARF MF Processo nº 16327.910745/201105 Acórdão n.º 3402004.593 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 92DF CARF MF Processo nº 16327.910745/201105 Acórdão n.º 3402004.593 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35206.000327/2007-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2000 a 31/03/2004
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65.
Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
Numero da decisão: 2202-004.287
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2000 a 31/03/2004 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
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RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 20 6. 00 03 27 /2 00 7- 34 Fl. 103DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 19515.001700/200813. "Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a cobrança do crédito tributário. O Auto de Infração foi lavrado por descumprimento de obrigação acessória verificada durante ação fiscal realizada em órgão público. A autuação ocorreu em nome do sujeito passivo, na condição de dirigente de órgão público, por força do disposto no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, vigente à época dos fatos geradores. O recorrente tomou ciência do lançamento e apresentou defesa, entretanto, a primeira instância de julgamento manteve a autuação. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, onde alega a improcedência da autuação. É o relatório." Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 2202004.158, de 03/10/2017, proferido no julgamento do processo 19515.001700/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 2202004.158): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O lançamento em questão foi efetuado contra o dirigente do órgão público com base no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que, à época dos fatos geradores, estabelecia: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 35206.000327/200734 Acórdão n.º 2202004.287 S2C2T2 Fl. 3 3 Contudo, o dispositivo transcrito foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, não mais se aplicando, contra dirigente de órgão público, a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Sobre a matéria, a Súmula CARF nº 65 dispõe o seguinte: Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige. Em função disso, aplicase ao caso, a retroatividade benigna de que trata a alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifei) Portanto, o lançamento em questão deve ser cancelado. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relator" Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 105DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.000836/00-15
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
REQUISITOS OBRIGATÓRIOS AO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL.
NECESSIDADE DE COTEJO ANALÍTICO EFETIVO.
Compreende-se a flexibilidade que é dada ao cotejo analítico quando, de um lado, não se vê prejuízo à demonstração da divergência e, enfim, à compreensão do julgador. De outro lado, porém, não se pensa estar diante de um mero formalismo, o ponto é que não se pode ignorar uma regra que, por alguma razão, foi incluída no Regimento Interno deste Órgão e deve ser aplicada, estando diretamente atrelada à própria função do recurso especial de não devolver ao julgamento a necessidade de retorno a todo o processo ou nova abordagem fática, mas de se apresentar ao julgador dois entendimentos conflitantes, para que sejam dirimidos nesta instância, e não a ele transferi-lo essa função, o que se configura em razão da falta de analiticidade. Isso porque não exigiu o regimento um simples cotejo, mas este foi qualificado como "analítico", o que requer mais do que a simples afirmativa de que a decisão recorrida decidiu de uma forma, e o paradigma de forma contrária, a não ser em casos em que o seja suficiente.
NECESSIDADE DE INTERPRETAÇÃO DIVERGENTE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Muito embora o Regimento Interno do CARF tenha sido alterado para que a redação antiga do parágrafo primeiro do seu artigo 67 (§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar de forma objetiva qual a legislação que está sendo interpretada de forma divergente.) tenha ganhado nova redação a partir Portaria MF nº 39, de 2016 (§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente) isso não significa que o recorrente não deva demonstrar o que foi interpretado diversamente.
NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA DIVERGÊNCIA E SIMILITUDE FÁTICA.
A demonstração da divergência não resta configurada, certamente, quando verificada a convergência entre os entendimentos dos acórdãos contrapostos caso colocados diante de situações fáticas semelhantes, daí a necessidade dessa aproximação para se poder avaliar o credenciamento do paradigma como tal, ou mesmo quando o que se pretende é a reanálise ou valoração de provas na via do recurso especial.
Numero da decisão: 9101-003.057
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Daniele Souto Rodrigues Amadio - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Leonardo de Andrade Couto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 REQUISITOS OBRIGATÓRIOS AO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. NECESSIDADE DE COTEJO ANALÍTICO EFETIVO. Compreende-se a flexibilidade que é dada ao cotejo analítico quando, de um lado, não se vê prejuízo à demonstração da divergência e, enfim, à compreensão do julgador. De outro lado, porém, não se pensa estar diante de um mero formalismo, o ponto é que não se pode ignorar uma regra que, por alguma razão, foi incluída no Regimento Interno deste Órgão e deve ser aplicada, estando diretamente atrelada à própria função do recurso especial de não devolver ao julgamento a necessidade de retorno a todo o processo ou nova abordagem fática, mas de se apresentar ao julgador dois entendimentos conflitantes, para que sejam dirimidos nesta instância, e não a ele transferi-lo essa função, o que se configura em razão da falta de analiticidade. Isso porque não exigiu o regimento um simples cotejo, mas este foi qualificado como "analítico", o que requer mais do que a simples afirmativa de que a decisão recorrida decidiu de uma forma, e o paradigma de forma contrária, a não ser em casos em que o seja suficiente. NECESSIDADE DE INTERPRETAÇÃO DIVERGENTE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Muito embora o Regimento Interno do CARF tenha sido alterado para que a redação antiga do parágrafo primeiro do seu artigo 67 (§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar de forma objetiva qual a legislação que está sendo interpretada de forma divergente.) tenha ganhado nova redação a partir Portaria MF nº 39, de 2016 (§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente) isso não significa que o recorrente não deva demonstrar o que foi interpretado diversamente. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA DIVERGÊNCIA E SIMILITUDE FÁTICA. A demonstração da divergência não resta configurada, certamente, quando verificada a convergência entre os entendimentos dos acórdãos contrapostos caso colocados diante de situações fáticas semelhantes, daí a necessidade dessa aproximação para se poder avaliar o credenciamento do paradigma como tal, ou mesmo quando o que se pretende é a reanálise ou valoração de provas na via do recurso especial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Leonardo de Andrade Couto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra.
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado RIO DE JANEIRO REFRESCOS LTDA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 REQUISITOS OBRIGATÓRIOS AO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. NECESSIDADE DE COTEJO ANALÍTICO EFETIVO. Compreendese a flexibilidade que é dada ao cotejo analítico quando, de um lado, não se vê prejuízo à demonstração da divergência e, enfim, à compreensão do julgador. De outro lado, porém, não se pensa estar diante de um mero formalismo, o ponto é que não se pode ignorar uma regra que, por alguma razão, foi incluída no Regimento Interno deste Órgão e deve ser aplicada, estando diretamente atrelada à própria função do recurso especial de não devolver ao julgamento a necessidade de retorno a todo o processo ou nova abordagem fática, mas de se apresentar ao julgador dois entendimentos conflitantes, para que sejam dirimidos nesta instância, e não a ele transferilo essa função, o que se configura em razão da falta de analiticidade. Isso porque não exigiu o regimento um simples cotejo, mas este foi qualificado como "analítico", o que requer mais do que a simples afirmativa de que a decisão recorrida decidiu de uma forma, e o paradigma de forma contrária, a não ser em casos em que o seja suficiente. NECESSIDADE DE INTERPRETAÇÃO DIVERGENTE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Muito embora o Regimento Interno do CARF tenha sido alterado para que a redação antiga do parágrafo primeiro do seu artigo 67 (§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar de forma objetiva qual a legislação que está sendo interpretada de forma divergente.) tenha ganhado nova redação a partir Portaria MF nº 39, de 2016 (§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente) isso não significa que o recorrente não deva demonstrar o que foi interpretado diversamente. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA DIVERGÊNCIA E SIMILITUDE FÁTICA. A demonstração da divergência não resta configurada, certamente, quando verificada a convergência entre os entendimentos dos acórdãos contrapostos caso AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 08 36 /0 0- 15 Fl. 1862DF CARF MF Processo nº 15374.000836/0015 Acórdão n.º 9101003.057 CSRFT1 Fl. 3 2 colocados diante de situações fáticas semelhantes, daí a necessidade dessa aproximação para se poder avaliar o credenciamento do paradigma como tal, ou mesmo quando o que se pretende é a reanálise ou valoração de provas na via do recurso especial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Leonardo de Andrade Couto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratamse de Autos de Infração (Efls. 323 ss.), cientificados à contribuinte em 29.03.2000, para a exigência de créditos de IRPJ e CSLL, multa proporcional e juros de mora, relativos ao ano calendário de 1996, sob a acusação fiscal de indedutibilidade das seguintes despesas: "001 — CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS Glosa efetuada pelo fato do contribuinte não ter comprovado a totalidade das despesas referentes a conta 56*0.819900 — Outras Despesas Operacionais. Justificase o agravamento da multa pelo fato do contribuinte embora intimado reiteradamente a comprovar tais despesas não apresentou quaisquer justificativas e/ou documentos. (.) Enquadramento Legal Arts. 195, inciso I, 197 e parágrafo único, 243 e 247, do RIR/94. 002 — AMORTIZAÇÃO — VALORES NÃO AMORTIZÁVEIS Valor apurado conforme descrição constante do Termo de Verificaçdo anexo ao presente Auto de Infração as fls (.) Enquadramento Legal Art. 195, inciso I, 197 e parágrafo único, 242, 265, § 2° e 266, do RIR/94; Art. 13, inciso III, da Lei n° 9.249/95. 003 — DESPESAS INDEDUTIVEIS Valor apurado referente as despesas de água e esgoto contabilizadas nas sub contas... Água e esgoto que foram objeto de depósitos judiciais face a ação judicial Fl. 1863DF CARF MF Processo nº 15374.000836/0015 Acórdão n.º 9101003.057 CSRFT1 Fl. 4 3 impetrada pelo contribuinte contra a Companhia Estadual de Águas e Esgotos — CEDAE empresa pública titular do direito de cobrança das tarifas públicas (água e esgoto). As despesas em questão foram demonstradas, as fls….. pelo contribuinte, em atendimento aos Termos de 08/12/99 e 27/12/99. Pelo exposto resta claro que o contribuinte imputou ao resultado despesas de água e esgoto, no ano de 1996, embora questionasse judicialmente as cobranças das tarifas administradas pela CEDAE, justificando, assim, a glosa ora efetuada. Enquadramento Legal Arts. 193, 195, inciso I, 197, parágrafo único, e 242, do RIR/94. 004 — EXCLUSÕES / COMPENSAÇÕES — EXCLUSÕES INDEVIDAS Redução, indevida, do Lucro Real em virtude das exclusões efetuadas nos valores de R$ 2.584.017,61 e R$ 2.553.154,55 referentes a Provisão MAI e Amortização do ágio, respectivamente, e conforme consta as fls 49 do LALUR no 01, anexado por cópia ao presente as fls . As citadas exclusões formam objeto dos Termos de 26/10/99; 09/11/99; 17/11/99; 24/11/99; 08/12/99; 15/12/99; 20/12/99; 27/12/99; 03/01/2000; 10/01/2000; 18/01/2000; e 17/01/2000, sem que nos fosse apresentado qualquer justificativa quanto às exclusões efetuadas, justificandose assim não só a glosa ora efetuada, como também a majoração da multa de oficio. () Enquadramento Legal Arts. 193, 196, inciso I, e 197, parágrafo único, do RIR/94." A Impugnação (Efls. 340 ss.) apresentada pela contribuinte foi parcialmente mantida por decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (Efls. 1085 ss.), que acatou a defesa com relação aos itens "002 Amortização de valores não amortizáveis" e "003 Despesas indedutiveis". No que se referia ao item "004 Exclusões / Compensações indevidas" do Auto de Infração, apenas a parte relativa à exclusão da amortização do ágio foi considerada improcedente, sendo mantida a glosa relativa à exclusão da "Provisão MAI" para fins de apuração do IRPJ. Por fim, a suposta infração à legislação do IRPJ e da CSLL, sob a rubrica "Custos ou Despesas Não Comprovados" (item 001 do Auto de Infração) foi mantida, restando assim ementada: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1996 Ementa: DESPESAS NÃO COMPROVADAS. EXCLUSÃO AO LUCRO REAL NÃO COMPROVADO. DEDUTIBILIDADE. Somente são dedutiveis, na apuração do lucro real, as despesas necessárias às atividades da empresa, bem como se comprovadas, mediante documentação hábil e idônea, a efetividade de suas prestações. Despesas comuns a grupos de empresas devem estar acompanhadas dos demonstrativos dos valores rateados ou apropriados, indicação dos serviços executados, cópia dos documentos que originaram os valores (notas fiscais, folha de pagamento, requisições de materiais, relatórios de medições etc). PERDA DE CAPITAL. INCORPORAÇÃO. CONTRATO PERSONALÍSSIMO. AVALIAÇÃO. Contrato intuitu personae não está sujeito à avaliação a preço de mercado, para efeitos de incorporação e apuração do ganho ou perda de capital, se foi convencionado que só o contratado execute a prestação. PARTICIPAÇÃO EXTINTA. INCORPORAÇÃO. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. DEDUTIBILIDADE. Na incorporação de sociedade com extinção de ações ou quotas de capital, o ágio apurado anteriormente com base em rentabilidade futura, Fl. 1864DF CARF MF Processo nº 15374.000836/0015 Acórdão n.º 9101003.057 CSRFT1 Fl. 5 4 poderá ser amortizado em até dez anos, se o acervo liquido foi avaliado a preços de mercado. A dedutibilidade na apuração do lucro real independe de a amortização ter sido feita na escrituração comercial do contribuinte. TARIFA DE AGUA E ESGOTO. DEPÓSITO JUDICIAL. DEDUTIBILIDADE. São dedutiveis na apuração do lucro real os valores de tarifas de água e esgoto cobrados por empresa pública, ainda que depositados judicialmente. Inaplicável a vedação imposta pelo §1°, do art. 41, da Lei n° 8.981/1995. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL Anocalendário: 1996 Ementa: LANÇAMENTO DECORRENTE. Inexistindo fatos novos a serem apreciados, estendese ao lançamento decorrente os efeitos da decisão prolatada no lançamento matriz. Lançamento Procedente em Parte Vistos, relatados e discutidos, na Sessão de 29/10/2002, os autos do processo em epígrafe, ACORDAM, por unanimidade de votos, os membros da 2 Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro — I, JULGAR PROCEDENTE EM PARTE, o lançamento efetuado, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, para considerar devida a redução no prejuízo fiscal — IRPJ, do anocalendário de 1996, no valor de R$ 5.876.211,23, bem como a redução da base de cálculo negativa da CSLL, no mesmo período, no valor de R$ 3.292.193,62. O Presidente da Turma Recorre de oficio ao Primeiro Conselho de Contribuintes." Do julgamento do recurso voluntário (Efls. 1142 ss.) e de ofício resultou o Acórdão n. 10809.040 (Efls. 1627 ss.), em que se acordou, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao segundo e, quanto ao primeiro, DAR provimento PARCIAL para exonerar das bases de cálculo do IRPJ e da CSL o valor de custos não comprovados correspondentes aos ajustes de preço de concentrado, no valor de R$ 2.298.628,01, bem como exonerar da base de cálculo do IRPJ o valor lançado como exclusão indevida referente à provisão do projeto "MAI" no valor de R$ 2.584.017,61, com a seguinte ementa: "IRPJ E CSL – COMPROVAÇÃO DE CUSTOS E DESPESAS – DEDUTIBILIDADE – São dedutíveis, na apuração das bases imponíveis dos tributos, os custos e despesas inerentes à atividade da empresa e comprovados por documentação hábil e idônea. IRPJ – EXCLUSÃO NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL – DEDUTIBILIDADE – É dedutível, na apuração do lucro real, a exclusão de valores adicionados em anos anteriores, quando da baixa de provisão correspondente a despesas efetivamente incorridas. CSL – FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO – PLEITO DE NULIDADE – Não padece de nulidade o lançamento em que os fatos tipificados como infração estão claramente descritos, corretamente enquadrados e fartamente documentados. Recurso de ofício negado. Recurso voluntário parcialmente provido." Em face do referido acórdão, a Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração (Efls. 1641 ss.) alegando omissão diante da falta de fundamentação quanto ao que decidido sobre o recurso de ofício, que foram acolhidos pelo acórdão n. 10809.676 (Efls. 1648 ss.) para sanála, sem mudança no julgamento que lhe negou provimento, Fl. 1865DF CARF MF Processo nº 15374.000836/0015 Acórdão n.º 9101003.057 CSRFT1 Fl. 6 5 externando como razão de decidir a motivação adotada pelo juízo de primeiro grau. A Fazenda Nacional então interpôs Recurso Especial (Efls. 1673 ss.) tratando de duas matérias e apontando um paradigma para cada uma delas: (i) com relação ao "Projeto MAI", defende que "a questão nuclear é a comprovação dos valores e, conseqüentemente, de sua necessidade" (Acórdão n. 10319619), (ii) enquanto a segunda matéria diz respeito à "possibilidade de dedução de despesa que está sendo discutida em juízo" (Acórdão n. 10707954), cuidando juntamente da divergência e suas razões para discordar do entendimento tomado pela decisão recorrida. O Despacho de Admissibilidade (Efls. 1708 ss.) negou seguimento na parte do recurso designada "Projeto MAI" por considerar que a Fazenda Nacional não teria indicado qual a lei teria sido interpretada diferentemente pelas duas câmaras, estandose, na realidade, diante de matéria fática. Em face disso, a Fazenda Nacional interpôs Agravo (Efls. 1713 ss.) salientando que por não se tratar de recurso por contrariedade à lei não seria necessário indicar a legislação interpretada diversamente, buscando demonstrar que a divergência jurisprudencial teria restado devidamente caracterizada, com argumentos que se retomará com maiores detalhes na análise do conhecimento do recurso mais adiante. O pedido de reexame de admissibilidade formulado no agravo pela Fazenda Nacional foi acolhido, por decisão (Efls. 1768 ss.) em que se entendeu que restaria plenamente configurada a divergência jurisprudencial apontada pela agravante, basicamente nos seguintes termos: “Observese a divergência já havia sido indicada no recurso especial. Examinando o acórdão paradigma verificase que o mesmo traz o entendimento de que para se comprovar uma despesa, de modo a tornála dedutível, face a legislação do imposto de renda, não basta alegar que a mesma foi assumida e paga, sendo indispensável, principalmente, comprovar que o dispêndio corresponde a contrapartida de algo recebido e que, por isso mesmo, torna o pagamento devido. O acórdão recorrido, por seu turno, vem considerer que comprovou tratarse da baixa de provisão correspondente a despesas efetivamente incorridas e anteriormente adicionadas. Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse discordantes, restando plenamente configurada a divergência jurisprudencial apontada pela PGFN. Do exame dos requisitos de admissibilidade estabelecidos no art. 17 do Anexo II do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, vigente à época, verificase que o agravo deve ser admitido, pois existe a divergência jurisprudencial indicada. Assim, o pedido de reexame de admissibilidade do recurso especial consubstanciado no agravo da Procuradoria da Fazenda Nacional deve ser acolhido.” Na sequência, a contribuinte ofereceu contrarrazões (Efls. 1732 ss.) Fl. 1866DF CARF MF Processo nº 15374.000836/0015 Acórdão n.º 9101003.057 CSRFT1 Fl. 7 6 suscitando algumas questões quanto aos paradigmas apresentados pela recorrente – que serão abordadas oportunamente na análise de conhecimento – e defendendo a dedutibilidade das despesas com o Projeto MAI e a dedutibilidade das tarifas de água e esgoto, que não guardariam natureza tributária. Passase, assim, à apreciação do recurso especial da Fazenda Nacional. Voto Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora CONHECIMENTO O conhecimento do Recurso Especial condicionase ao preenchimento de requisitos enumerados pelo artigo 67 do Regimento Interno deste Conselho, que exigem analiticamente a demonstração, no prazo regulamentar do recurso de 15 dias, de (1) existência de interpretação divergente dada à legislação tributária por diferentes câmaras, turma de câmaras, turma especial ou a própria CSRF; (2) legislação interpretada de forma divergente; (3) prequestionamento da matéria, com indicação precisa das peças processuais; (4) duas decisões divergentes por matéria, sendo considerados apenas os dois primeiros paradigmas no caso de apresentação de um número maior, descartandose os demais; (5) pontos específicos dos paradigmas que divirjam daqueles presentes no acórdão recorrido; além da (6) juntada de cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas, da publicação em que tenha sido divulgado ou de publicação de até 2 ementas, impressas diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União quando retirados da internet, podendo tais ementas, alternativamente, serem reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. Observase que a norma ainda determina a imprestabilidade do acórdão utilizado como paradigma que, na data da admissibilidade do recurso especial, contrarie (1) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal (art. 103A da Constituição Federal); (2) decisão judicial transitada em julgado (arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil; e (3) Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Voltandose então ao caso sob exame, adiantouse que a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial tratando de duas matérias e apontando um paradigma para cada uma delas: (i) com relação ao "Projeto MAI", defendeu que "a questão nuclear é a comprovação dos valores e, conseqüentemente, de sua necessidade" (Acórdão n. 103 19619), (ii) enquanto a segunda matéria disse respeito à "possibilidade de dedução de despesa que está sendo discutida em juízo" (Acórdão n. 10707954), cuidando juntamente Fl. 1867DF CARF MF Processo nº 15374.000836/0015 Acórdão n.º 9101003.057 CSRFT1 Fl. 8 7 da divergência e suas razões para discordar do entendimento tomado pela decisão recorrida. Diferentes, contudo, são as razões que de plano indicam a impossibilidade de seu conhecimento. Antes de se apontálas, porém, entendese válido, com o perdão da transcrição, reproduzir integralmente a parte do recurso especial que diz respeito à demonstração das duas divergências enumeradas e às razões de defesa, que se confundem e é o que resta depois do relato dos fatos e atos processuais no recurso. Vejase: "II— DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NO TOCANTE AO TEMA ´EXCLUSÃO — PROJETO MAI´ (PARADIGMA ORA INVOCADO É O MESMO JÁ INVOCADO NA R. DECISÃO DE lA INSTANCIA às FLS. 1.051) 9. De uma leitura dos autos, observamos que o motivo da autuação foi a falta de explicações e documentação para a exclusão do valor na apuração do valor real. A contribuinte alega que a provisão tratase de despesas realizadas pela CocaCola Indústrias Ltda., em programas de investimentos em atividades de mercado, as quais são repassadas aos fabricantes em face de seus benefícios. 10. Neste contexto, a questão nuclear é a comprovação dos valores e, conseqüentemente, de sua necessidade. O interessa junta cópias do Lalur (fls. 639 e 642), razão (fls. 643/648), balancete (fls. 649) e documentos de pagamento (fls. 650 a 664). 11. Ora, para ser dedutível não basta pagar, precisar ser comprovada a efetiva prestação do serviço no interesse do contribuinte. Pelo que é pago (ou vai ser pago) deve corresponder a uma contrapartida de serviço realizado. No caso, a comprovação deve ter o demonstrativo dos valores rateados ou apropriados ao interessado, indicação dos serviços executados, cópias dos documentos que originaram os valores (notas fiscais, folha de pagamento, contratos de serviços, materiais utilizados, relatórios de medição, etc.). Só o pagamento não é suficiente. 12. Com efeito, não tendo a contribuinte trazido em seu arrazoado nenhuma prova que pudesse elidir a autuação, correta foi a conduta da fiscalização. Porém, o v. Acórdão ora recorrido entendeu de forma diversa. 13. Diante disso, temos que tal julgado acabou por malferir o paradigma de no. 10319619 da Colenda 3a Câmara do lo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda (Recurso 116.434), que se coaduna perfeitamente com a presente autuação, litteris: IRPJ — DESPESAS OPERACIONAIS — PRESTAÇÃO DE SER 'I Somente são dedutíveis as despesas necessárias, usuais ou normais a atividade da empresa e à manutenção da fonte produtora. Para se comprovar uma despesa, de modo a tornála dedutível, face i legislação do imposto de renda, não basta alegar que a mesma foi assumida e paga. t indispensável, principalmente, comprovar que o dispêndio corresponde à contrapartida de algo recebido e que, por isso mesmo, torna o pagamento devido.' ( Recurso 116.434) 14. Atentese que a divergência jurisprudencial tornase ainda mais claro, quando de uma leitura do v. Acórdão ora recorrido, observamos que o voto condutor determinou a exclusão da tributação neste ponto (PROJETO MAI), sem indicar em que provas se baseou para tanto e em fundamentação de um único parágrafo, litteris: Compulsando os documentos juntados aos autos verifico que assiste razão à recorrente, de vez que comprovou tratarse da baixa de provisão correspondente a despesas efetivamente incorridas e anteriormente adicionadas.' (FLS. 1.366) 15. Assim sendo, merece ser provido o Recurso Especial neste ponto. Fl. 1868DF CARF MF Processo nº 15374.000836/0015 Acórdão n.º 9101003.057 CSRFT1 Fl. 9 8 III DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NO TOCANTE A POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO DE DESPESA QUE ESTA SENDO DISCUTIDA EM JUÍZO 16. Neste ponto da autuação, a questão versa sobre a possibilidade de deduzir na apuração do lucro real os valores de despesas, as quais foram depositadas judicialmente. 17. Com efeito, o v. Acórdão ora recorrido entendeu ser DEDUTÍVEIS tais despesas. 18. Porém, divergindo deste entendimento, trazemos o seguinte paradigma oriundo da Colenda 7a Câmara do Egrégio lo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, litteris: CSLL.OBRIGAÇOES E PROVISÃO. DUALISMO. DISCUSSÃO JUDICIAL. A discussão judicial com o conseqüente risco da não realização do ganho (despesa não devida) há de exigir da empresa o reconhecimento do que se discute quando a decisão judicial final produzir os seus efeitos, o que ocorre, normalmente, após a publicação no Diário Oficial. Isso significa dizer que não se tratará mais de um ganho contingente e sim de um direito da contribuinte. O reconhecimento contábil prévio da despesa impõe a que, pela via do LALUR, se proceda à adição ao lucro do exercício. CSLL. PROVISÃO. DISCUSSÃO JUDICIAL.INDEDUTIBILIDADE. INCONFORMIDADE RECURSAL. IMPROCEDÊNCIA DO ALEGADO. Se a busca da tutela judicial se prende ao inconformismo da própria lei, por julgála inconstitucional, não pode o ilegal ou o inconstitucional — na outra ponta ser usado como redutor do lucro liquido a teor de despesa. O ilegal não pode reduzir a base legal do tributo ou da contribuição social. Se a lei é inconstitucional, inconstitucional também será a despesa que ela encerra. CSLL — TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES — DEDUTIBILIDADE — Sob a égide da Lei no 8.541/92, os tributos e contribuições não pagos e suas atualizações, somente eram indedutiveis na apuração do lucro real. (Acórdão n.°: 10707.954, doc. 2) 19. Ora, entendemos devidamente evidenciada a divergência jurisprudencial, considerando que o paradigma sustenta não se justifica o reconhecimento contábil prévio da despesa antes do desfecho judicial. 20. O valor apurado referente as despesas de água e esgoto contabilizados nas sub contas 783.120 — água e esgoto que foram objeto de depósitos judiciais face a ação judicial proposta contra a Companhia Estadual de Águas e Esgotos — CEDAE Resta claro que o contribuinte imputou indevidamente ao resultado despesas de água e esgoto, no ano de 199, embora questionase judicialmente ainda as cobranças das tarifas administradas pela CEDAE, justificando, assim, a glosa efetuada. 21. Ex positis, a União (Fazenda Nacional) requer seja conhecido e provido o presente Recurso Especial apresentado, a fim de reformar o v. acórdão ora recorrido, restaurandose a r. Decisão de la instancia. Nestes termos, pede deferimento. Brasilia/DF, O de novembro de 2008." Feita essa transcrição da "integralidade" do recurso, excluindose o tópico das descrição do fatos, passase então à análise de seu conhecimento, versandose sobre cada ponto que se entende impedilo no presente processo. 1. Necessidade de cotejo analítico efetivo Fl. 1869DF CARF MF Processo nº 15374.000836/0015 Acórdão n.º 9101003.057 CSRFT1 Fl. 10 9 Uma questão que vem chamando a atenção nos julgamentos é o atendimento ao requisito da necessidade de cotejo analítico entre o acórdão recorrido e paradigmas apresentados e a flexibilidade que lhe é dada, em maior ou menor grau. Compreendese a questão, quando de um lado não se vê prejuízo à demonstração da divergência e, enfim, à compreensão do julgador. De outro lado, porém, não se pensa estar diante de um mero formalismo, o ponto é que não se pode ignorar uma regra que, por alguma razão, foi incluída no Regimento Interno deste Órgão e deve ser aplicada. No meu entendimento, está diretamente atrelada à própria função do recurso especial de não devolver ao julgamento a necessidade de retorno a todo o processo ou nova abordagem fática, mas de se apresentar ao julgador dois entendimentos conflitantes, para que sejam dirimidos nesta instância. Daí porque se permite a juntada de ementas, mas desde que sejam suficientes a essa demonstração, que pode ser complementada, quando necessário, pela anexação do inteiro teor dos paradigmas, função esta que não deve acabar ao encargo do julgador. Daí porque, não exigiu o regimento um simples cotejo, mas este foi qualificado como "analítico". E isso, em minha opinião, requer mais do que a simples afirmativa que a decisão recorrida decidiu de uma forma, e o paradigma de forma contrária, a não ser em casos em que o seja suficiente. Na presente situação, porém, e por isso se fez questão de transcrever o acórdão e grifar todos os trechos que efetivamente se tratam de uma contraposição, não se considera suficiente o cotejo realizado, prova disso é que o recurso não me possibilitaria, por si só, decidir entre um ou outro entendimento. Como está, demanda inclusive que se busque o acórdão recorrido para que se verifique se o que foi dito foi o que realmente fora decidido, se não há convergência de posicionamentos, se há similitude fática entre as situações julgadas, dentre outros, o que em meu entender ocorre pela ausência de analiticidade do presente cotejo. 2. Necessidade de interpretação diferente da legislação tributária Muito embora o Regimento Interno do CARF tenha sido alterado para que a redação antiga do parágrafo primeiro do seu artigo 67 (§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar de forma objetiva qual a legislação que está sendo interpretada de forma divergente.) tenha ganhado nova redação a partir Portaria MF nº 39, de 2016 (§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente) – inclusive posterior à interposição deste recurso – pensase que isso não significa que não se deva demonstrar o que foi interpretado diversamente. Fl. 1870DF CARF MF Processo nº 15374.000836/0015 Acórdão n.º 9101003.057 CSRFT1 Fl. 11 10 No presente recurso, porém, não se indica qualquer legislação. Justamente esse foi o fundamento, aliás, do despacho de admissibilidade que negou o seu seguimento no que se refere ao primeiro ponto, pouco se pronunciando quanto ao segundo. Leiase: Já no agravo interposto em face desse despacho a Fazenda Nacional sustenta a desnecessidade dessa indicação porque não estaria interpondo o recurso especial fundamentado em contrariedade à lei. Ora, não me parece que isso seja justificativa, uma vez que não vislumbro no regimento essa diferenciação, exigindo a demonstração de interpretação divergente da legislação do recurso especial em questão, afinal, como demonstrar divergência se não tenho o objeto da comparação? 3. Necessidade de demonstração de divergência e similitude fática Na linha do que pontuado, entendese não só que não demonstrada a divergência, mas também que inexistente a divergência caso se vá buscála nos acórdão recorrido e paradigmas. Com relação ao primeiro tema, verificase que se tratam de decisões que utilizaram critérios distintos para situações subjacentes igualmente distintas. Vejase a ementa do acórdão n. 10319619, trazido como paradigma do primeiro tema: "Ementa: IRPJ — DESPESAS OPERACIONAIS — PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS — Somente são dedutiveis as despesas necessárias, usuais ou normais à atividade da empresa e à manutenção da fonte produtora. Para se comprovar uma despesa, de modo a tornála dedutivel, face à legislação do imposto de renda, não Fl. 1871DF CARF MF Processo nº 15374.000836/0015 Acórdão n.º 9101003.057 CSRFT1 Fl. 12 11 basta alegar que a mesma foi assumida e paga. E indispensável, principalmente, comprovar que o dispêndio corresponde à contrapartida de algo recebido e que por isso mesmo, torna o pagamento devido." Já o acórdão recorrido, trata da comprovação de baixa de provisão correspondente a despesas efetivamente incorridas, não de prova da despesas em si. Leiase o pequeno trecho sobre o "Projeto Mai", que é o que foi devolvido a julgamento, e não os outros trechos sobre despesas comprovadas: " 2) Exclusão — Projeto MAI: Como relatado a recorrente alega que excluiu no ano de 1996 valores adicionados em anos anteriores, por considerar incorridas despesa correspondentes a valores anteriormente provisionados. Compulsando os documentos juntados aos autos verifico que assiste razão à recorrente, de vez que comprovou tratarse da baixa de provisão correspondente a despesas efetivamente incorridas e anteriormente adicionadas. Isto posto, entendo que deva ser exonerada a exigência correspondente." Numa segunda possibilidade, caso se partisse do pressuposto de que a divergência diria respeito tão somente à necessidade de provas para a dedutibilidade de despesas, inferese que há convergência de entendimentos entre os acórdãos recorrido e paradigma, aliás, considerarseia até difícil se localizar uma decisão que dissesse desnecessária a comprovação para esse fim. E não é o caso do acórdão recorrido. Mais ainda, supondose que a Recorrente teria pretendido analisar a suficiência das provas verificadas pela turma a quo, aí se teria como obstáculo, primeiro, a impossibilidade de reanálise ou valoração das provas na via do recurso especial de divergência, e além disso a situação requereria aproximação fática entre as circunstâncias subjacentes à cada julgamento, para que se dissesse que teriam recebido tratamentos diferentes, o que também não se verifica. No que se refere ao segundo tema, observase que a razão de decidir do acórdão recorrido, integrado pelo acórdão que julgou os Embargos de Declaração, o qual incorpora trecho da decisão da DRJ, toma como critério para autorizar a dedutibilidade das despesas o fato de se tratar de tarifa, que decorreria de obrigação contratual e não possuiria natureza de tributo, no caso com exigibilidade suspensa. Vejase: "III Indedutibilidade das despesas de água e esgoto 9Nessa autuação a questão versa sobre a possibilidade de deduzir na apuração do lucro real os valores das contas do fornecimento de água e do serviço de coleta de esgoto, os quais foram depositados judicialmente. 9.10 §1°, do art. 41, da Lei n° 8.981/1995, veda a dedução dos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II (o depósito do seu montante integral), III (as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo) e IV (a concessão de medida Fl. 1872DF CARF MF Processo nº 15374.000836/0015 Acórdão n.º 9101003.057 CSRFT1 Fl. 13 12 liminar em mandado de segurança), do art. 151, da Lei n°5.172/1966 (Código Tributário Nacional CTN). 9.2 A CEDAE, pelo fornecimento de água e pelo serviço da coleta de esgoto, cobra uma tarifa em função do consumo. Tarifa de serviços públicos está prevista no art. 175, parágrafo único, inciso III, do Capitulo I (Dos Princípios Gerais da Atividade Econômica), do Titulo VII (Da Ordem Econômica e Financeira), da Constituição Federal — CF. A cobrança de tarifa pelo fornecimento de água e serviço de esgoto por uma empresa pública, tem natureza contratual, sendo regida pelo Código Civil e Código de Proteção e Defesa do Consumidor — CDC (Lei n°8078/1990). 9.3Tarifa não se confunde com taxa, a qual é uma espécie de tributo. Tributo está inserido no art. 145, da Seção I (Dos Princípios Gerais), do Capitulo I (Do Sistema Tributário Nacional), do Titulo VI (Da Tributação e do Orçamento), da CF, a qual está regida pelo CTN e respectiva legislação. 9.4Portanto, feitas as distinções, concluo que a interposição de ação judicial questionando a cobrança de parte da tarifa do serviço de coleta de esgoto não se encontra na vedação imposta pelo §1`.!,TIo art. 41, da Lei n° 8.981/1995. 9.5A capitulação legal indicada no auto de infração, arts. 193 (conceito de lucro real); 195, inciso I (adições ao lucro liquido); 197, parágrafo único (escrituração); 242 (despesas necessárias), do RIR/1994, não veda a dedutibilidade do respectivo valor questionado judicialmente. 9.60 art. 197 do RIR/1994 determina que a escrituração deverá observar as leis comerciais e fiscais. O art. 177 da Lei n° 6.404/1976 (Lei das sociedades por ações) veio consagrar o regime de competência nos lançamentos das mutações patrimoniais. Portanto, não há qualquer vedação ao procedimento adotado pelo interessado, pelo contrário, a legislação permite que os valores das tarifas do serviço de esgoto, pagas ou não, ou até mesmo questionados judicialmente possam ser considerados dedutiveis na apuração do lucro real. Diante do exposto, a infração deve ser exonerada. IVReduções indevidas na apuração do lucro real" 6. paradigma reformado Por outro lado, o acórdão paradigma n. 10707.954 trata de ações judiciais para o não recolhimento de Contribuição ao PIS, isto é, tributo. Leiase trecho da decisão: " Tais fatos foram: a NOPEN impetrou medidas judiciais para não recolher a contribuição para o PIS, apurada de acordo com os Decretoslei n°. 2.445 de 1988 e 2.449 de 1988; a NOPEN constituiu provisões para o PIS apurado pelos Decretoslei, não efetuando os respectivos recolhimentos, pois estava amparada por medidas judiciais; tais provisões e suas respectivas atualizações monetárias foram tratadas como dedutiveis na apuração da base de cálculo da CSLL. Em decorrência, com base nos valores das provisões e atualizações monetárias constantes no Livro de Apuração do Lucro Real — LALUR, os autuantes recalcularam as bases de cálculo da CSLL de janeiro de 1993 a dezembro de 1994, gerando, para determinados meses, contribuição a recolher e, para outros, modificação da base negativa sujeita 6 compensação. Ressaltou a Fiscalização que os valores glosados nos meses de abril e maio de 1993 referemse a valores excluídos indevidamente, intitulados de imposto de renda diferido." Como se observa, justamente o critério de decidir do acórdão recorrido foi o de que a despesa relativa a esgoto e água se trataria de tarifa e não possuiria natureza Fl. 1873DF CARF MF Processo nº 15374.000836/0015 Acórdão n.º 9101003.057 CSRFT1 Fl. 14 13 tributária, enquanto no acórdão paradigma cuidavase justamente de Contribuição ao PIS. Não se pode dizer, portanto, que se tem situações fáticas aproximadas ou ainda que distintas se prestariam a uma comparação comum, porque também não se pode afirmar que, diante daquela situação do paradigma, o acórdão recorrido decidiria de forma diferente. Por fim, registrase apenas que com relação ao argumento da contribuinte em suas contrarrazões de que o paradigma haveria sido reformado pela decisão n. 9101 001.036, entendese que isso não interfere na análise do conhecimento – ao não ser eventualmente com relação ao convencimento de algum julgador – haja vista ter sido publicada em 27.06.2011, posteriormente à interposição do recurso especial. Por todas essas razões, votase por NÃO CONHECER O RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL. (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Fl. 1874DF CARF MF
score : 1.0
