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Numero do processo: 13876.000520/2002-35
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001
RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. COMPROVAÇÃO. ADMISSIBILIDADE.
Não se pode ter como paradigma acórdão que se assente em fatos que não coincidem com os do acórdão objurgado.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-005.099
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos e Andrada Márcio Canuto Natal, que conheceram do recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. COMPROVAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Não se pode ter como paradigma acórdão que se assente em fatos que não coincidem com os do acórdão objurgado. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
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DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. COMPROVAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Não se pode ter como paradigma acórdão que se assente em fatos que não coincidem com os do acórdão objurgado. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos e Andrada Márcio Canuto Natal, que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Cuidase de Recurso Especial (fls. 555 a 5651) interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 340300.412, de 30 de junho de 2010 (fl. 549 a 552), com fulcro 1 A numeração das folhas reportase à atribuída nos autos digitais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 6. 00 05 20 /2 00 2- 35 Fl. 632DF CARF MF Processo nº 13876.000520/200235 Acórdão n.º 9303005.099 CSRFT3 Fl. 633 2 no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. O acórdão recorrido está assim ementado: Assunto: Ressarcimento de IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 CRÉDITO IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO. POSSIBILIDADE DE CRÉDITO. É permitida a utilização como crédito, do valor pago de IPI na aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados ou consumidos diretamente no processo produtivo. Em resumo, a decisão deu provimento parcial do recurso voluntário para que fossem considerados os créditos do IPI decorrente das aquisições dos produtos relacionados no relatório técnico do INT, na apuração do saldo credor de IPI do período. No recurso especial, a Fazenda Nacional suscita dissídio jurisprudencial quanto à subsunção ao conceito de insumos esposado pela legislação do IPI de partes, peças e acessórios de máquinas e equipamentos, mesmo se constatado o desgaste ou consumo. No mérito, argúi a nulidade da decisão, por afronta ao sistema de distribuição do ônus probatório adotado no Processo Administrativo Fiscal, ao determinar diligência para a produção de prova que tocaria à parte produzir. No mérito, contesta a subsunção no conceito de insumo das partes, peças e acessórios de máquinas e equipamentos, mesmo se constatado o desgaste ou consumo, haja vista fazerem parte do Ativo Permanente. Lembra que o art. 82 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, aprovado pelo Decreto nº 87.981, de 23 de dezembro de 1982 RIPI/82, cuja redação foi reproduzida pelo art. 147, inciso I, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, aprovado pelo Decreto nº 2.637, de 25 de Junho de 1998 RIPI/98, dispõe que se inclui entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles bens que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente, o que corroboraria a conclusão de que é incabível o ressarcimento dos valores pagos em partes e peças de máquinas ou equipamentos. Por meio do Despacho s/nº 4ª Câmara, de 5 de maio de 2015 (fls. 596 a 598), o Presidente da 4ª Câmara admitiu o apelo. O feito foi contrarrazoado (fls. 612 a 622). O interessado impugnou a admissibilidade do pleito por ausência de divergência. No mérito, em síntese, repetindo os fundamentos da decisão recorrida, argumenta que o efetivo desgaste dos produtos intermediários em decorrência do contato físico contínuo com o material em fabricação, atestado em laudo técnico do I.N.T., autoriza o creditamento do imposto na entrada desses bens. É o Relatório. Fl. 633DF CARF MF Processo nº 13876.000520/200235 Acórdão n.º 9303005.099 CSRFT3 Fl. 634 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Admissibilidade A Fazenda Nacional foi intimada do acórdão recorrido, em 14/03/2011 (cfe. Termo de Intimação pessoal do Procurador, fl. 553). O apelo formulado na mesma data (cfe. RM nº 10918, fl. 595) é tempestivo. Ademais, o instrumento recursal foi adequadamente instruído, mediante cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigma. Nada obstante, compulsando os acórdãos paragonados, pareceme impossível estabelecer base de comparação para a dedução do dissídio suscitado. Observese que o Acórdão nº 20180.424 (fls. 568) debruçouse sobre pedido de ressarcimento, formulado por estabelecimento industrial têxtil, de créditos básicos tomados sobre a entrada de componentes entendidos pela Fiscalização como formadores de peças e partes de máquinas, que não tinham contato direto com o produto fabricado, quais sejam: (i) os produtos químicos control, optisperse, inhibitor, percol, sidertex AE, praestol e zetag; (ii) os cartões jacquard; (iii) as correias e esteiras de transporte. O Acórdão nº 20311.519 (fl. 583), por sua vez, também analisando pleito de indústria têxtil, indeferiu a tomada de créditos básicos nas entradas de (i) Vibatex FPT (cola utilizada para fixar tapetes sobre os quais são colocadas as máquinas de estamparia); (ii) Esmalte poliuretano (verniz para acabamento de quadros para estamparia); (iii) Lockthome (verniz para acabamento de quadros para estamparia) e (iv) outras peças departes e peças de máquinas, inclusive correias, que não entravam em contato direto com o produto em fabricação. A decisão recorrida analisou caso de insumos empregados na fabricação de carbeto de silício e de óxido de alumínio, que, embora não se integravam ao produto final, segundo laudo técnico, sofriam desgaste ou perda das propriedades físicas ou químicas em contato com o produto em fabricação, E em se tratando de espécies díspares nos fatos embasadores da questão jurídica, não há como se estabelecer comparação e deduzir divergência. Neste sentido, o Acórdão no CSRF/010.956, de 27/11/89: “Caracterizase a divergência de julgados, e justificase o apelo extremo, quando o recorrente apresenta as circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados. Se a circunstância, fundamental na apreciação da divergência a nível do juízo de admissibilidade do recurso, é “tudo que modifica um fato em seu conceito sem lhe alterar a essência” ou que se “agrega a um fato sem alterálo substancialmente” (Magalhães Noronha, in Direito Penal, Saraiva, 1o vol., 1973, p. 248), não se toma conhecimento de recurso de divergência, quando no núcleo, a base, o centro nevrálgico da questão, dos acórdãos paradigmas, são díspares. Não se pode ter como acórdão paradigma enunciado geral, que somente confirma a legislação de regência, e assente em fatos que não coincidem com os do acórdão inquinado.” Fl. 634DF CARF MF Processo nº 13876.000520/200235 Acórdão n.º 9303005.099 CSRFT3 Fl. 635 4 Portanto, voto pelo não conhecimento do apelo. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 635DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10510.723523/2012-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO.
Os rendimentos provenientes de aposentadoria são isentos do imposto sobre a renda, desde que comprovada a moléstia grave, restrita às hipóteses previstas em lei, relativamente ao ano-calendário a que se refere os proventos, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Considera-se não impugnada a parte do lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte.
Matéria não discutida na peça impugnatória é atingida pela preclusão, não mais podendo ser debatida na fase recursal.
Numero da decisão: 2401-004.833
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, negar-lhe provimento. Ausente o conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Processo julgado em 12/05/17.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. Os rendimentos provenientes de aposentadoria são isentos do imposto sobre a renda, desde que comprovada a moléstia grave, restrita às hipóteses previstas em lei, relativamente ao ano-calendário a que se refere os proventos, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considera-se não impugnada a parte do lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Matéria não discutida na peça impugnatória é atingida pela preclusão, não mais podendo ser debatida na fase recursal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, negar-lhe provimento. Ausente o conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Processo julgado em 12/05/17. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
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ISENÇÃO. Recorrente JAIRTON OLIVEIRA SANTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. Os rendimentos provenientes de aposentadoria são isentos do imposto sobre a renda, desde que comprovada a moléstia grave, restrita às hipóteses previstas em lei, relativamente ao anocalendário a que se refere os proventos, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considerase não impugnada a parte do lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Matéria não discutida na peça impugnatória é atingida pela preclusão, não mais podendo ser debatida na fase recursal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 35 23 /2 01 2- 73 Fl. 124DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, negarlhe provimento. Ausente o conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Processo julgado em 12/05/17. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10510.723523/201273 Acórdão n.º 2401004.833 S2C4T1 Fl. 124 3 Relatório Tratase de notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física IRPF no valor de R$ 9.730,01, acrescido de multa de ofício e juros de mora (fls. 8/15), referente a omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 95.144,18, recebidos pelo titular de Sergipe Secretaria de Administração. Foram também glosados o valor de R$ 11.092,20, deduzido indevidamente a título de dependentes, e o valor de R$ 9.405, 70, deduzido indevidamente a título de despesas médicas, e o valor de R$ 12.403,30, deduzido indevidamente a título de despesas com instrução, todos por falta de comprovação. Em impugnação apresentada às fls. 58/60, o contribuinte alega, em síntese: · Que em 31/1/11 pediu isenção do pagamento de imposto de renda por ser portador de moléstia grave neoplasia maligna epitelial glandular desde 2003. Diz que apresentou documentos que comprovam a sua doença, demonstrando que se encontra inativo desde 5/12/2000, na situação de reserva remunerada, porém a Receita Federal não reconhece a isenção, entendendo que para obtêla seria a condição de reformado. · Que do Laudo de Inspeção de Saúde, de 9/11/09, emitido pela Secretaria de Estado da Administração do Estado de Sergipe, se extrai que o recorrente é isento do imposto de renda IR desde 18/8/03. · Que não está curado, sendo ainda portador de neoplasia maligna de próstata. · Que não se pode distinguir o inativo da reserva remunerada com o inativo reformado, pois ambos possuem status de inativo, nas mesmas condições. Cita decisão do STJ e decisão do então Conselho de Contribuintes. A DRJ/SDR, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário, conforme acórdão 1532.747 de fls. 77/85, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO DO IRPF. RESERVA REMUNERADA. O benefício da isenção prevista no Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR) não se estende aos proventos recebidos por militares transferidos para a reserva remunerada. DEDUÇÃO. INADMISSIBILIDADE. Fl. 126DF CARF MF 4 Todas as deduções da base de cálculo do imposto estão sujeitas à comprovação, a critério da autoridade lançadora. Admitida a dedução apenas quando comprovadas as exigências legais para a dedutibilidade. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Consta do voto do acórdão de impugnação: A documentação acostada aos autos atesta que o contribuinte foi transferido para a reserva remunerada através do Decreto Estadual de fl. 65, datado de 05 de dezembro de 2000. Por seu turno, a isenção prevista no art 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, bem como no art. 39, inciso XXXIII, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR), acima transcritos, não se estende aos proventos recebidos por militares transferidos para a reserva remunerada. Cumpre esclarecer, conforme acertadamente argumentado na decisão da Unidade Local, que a interpretação da legislação tributária quando da outorga de isenção deve ser literal, vedase qualquer entendimento que vise a estender o alcance do texto legal, a teor do disposto no artigo 111, II, da Lei n. 5.172/66 (Código tributário nacional – CTN). Destarte, não pode a isenção ser estendida aos proventos da reserva remunerada, como requer o impugnante. Ademais, no que tange ao fato de ser portador de moléstia grave, o Laudo Medico Pericial de fl. 72, emitido pela Secretaria de Estado da Administração, atesta que o impugnante é portador de moléstia tipificada no texto legal, mas somente a partir de 10 de outubro de 2008. Portanto, o período objeto da presente lide (anocalendário 2007) não está abrangido pela possível isenção. Consta ainda que o impugnante não trouxe aos autos os documentos que comprovassem as deduções com dependentes, despesas médicas e instrução, mantendose as glosas efetuadas. Cientificado do Acórdão em 23/7/13 (cópia de Aviso de Recebimento AR de fl. 86), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 20/8/13, fls. 88/, no qual apresenta novamente os argumentos apresentados na impugnação e acrescenta, em síntese: Alega que sendo portador de neoplasia maligna, e de acordo com a súmula 43 desse conselho, a cobrança já nasce morta, por ter o recorrente direito à isenção do IR, como também qualquer cobrança de IR não pago desde a data da comprovação da moléstia. Diz que se tem direito à isenção do IR, as deduções consideradas indevidas não têm legitimidade, já que o recorrente se enquadra na Súmula 43 deste conselho. Entende que os valores pagos a título de IR sobre o décimo terceiro salário em 2003, 2004 e 2005 devem lhe ser devolvidos. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10510.723523/201273 Acórdão n.º 2401004.833 S2C4T1 Fl. 125 5 Afirma que o Laudo de Inspeção de Saúde, emitido em 17/9/09, renova a isenção ao pagamento do IR por mais cinco anos, ou seja, até outubro/2013, quando o recorrente passará por uma nova avaliação médica. Cita a Lei 7.713/88, art. 6º, XIV, decisão do STJ e súmula CARF 43. Requer o reconhecimento da isenção do pagamento do IR do contribuinte a partir de 2003, com a devida devolução dos valores já pagos. É o relatório. Fl. 128DF CARF MF 6 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. ISENÇÃO Quanto a isenção, assim dispõe o CTN: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: [...] II outorga de isenção; [...] Sobre o gozo da isenção do imposto sobre a renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, a Lei 7.713/88 determina que: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; No mesmo sentido, o Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99), Decreto 3.000/99, assim dispõe: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: [...] XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10510.723523/201273 Acórdão n.º 2401004.833 S2C4T1 Fl. 126 7 conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 47); [...] XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); [...] § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. § 6º As isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII também se aplicam à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão. Sendo assim, verificase que para a fruição da isenção, exigese o preenchimento cumulativo de três requisitos: a) que o rendimento seja proveniente de aposentadoria, reforma ou pensão; b) que o rendimento seja recebido por portador de moléstia grave relacionada em lei; e Fl. 130DF CARF MF 8 c) que a moléstia seja comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Acrescentese a isso o enunciado da Súmula Carf nº 63, aprovada em 29/11/10: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. (destaque nosso) Dos documentos juntados aos autos, verificase no de fl. 22 que o contribuinte foi transferido para a reserva remunerada em 5/12/2000. Assim, nos termos da súmula Carf nº 63, se comprovado que o contribuinte é portador de moléstia grave, o rendimento percebido a partir de tal data seria isento. Resta então analisar se o contribuinte é, comprovadamente, portador de moléstia grave. Em relatório médico juntado à fl. 68 consta que o paciente, portador de neoplasia maligna de próstata, foi submetido à prostatectomia em 2003 e que evoluiu com recidiva da doença a partir de julho de 2008. O Laudo Médico Pericial de fl. 72, emitido pela Secretaria de Estado da Administração, atesta que o impugnante é portador de moléstia tipificada no texto legal, mas somente a partir de 10 de outubro de 2008. Portanto, como bem analisado na decisão de primeira instância, o período objeto da presente lide (anocalendário 2007) não está abrangido pela possível isenção. Não consta nos autos nenhum outro laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que ateste a moléstia grave do sujeito passivo para o anocalendário 2007. Diante do exposto, em que pese os rendimentos serem provenientes de reserva remunerada, não restou comprovado que o contribuinte era portador de moléstia grave relacionada em lei, requisito essencial para o gozo da isenção pleiteada. Quanto às despesas glosadas, mantémse a glosa, pois o sujeito passivo sequer impugnou referido lançamento, sendo considerada não impugnada a parte do lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte, ocorrendo a preclusão. Acrescentese que o presente processo se refere ao lançamento de imposto de renda do anocalendário 2007, estando fora do objeto de análise valores de outros anos calendário que o contribuinte entende que lhe devem ser restituídos. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10510.723523/201273 Acórdão n.º 2401004.833 S2C4T1 Fl. 127 9 CONCLUSÃO Voto por conhecer do recurso, NEGANDOLHE provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Fl. 132DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.720805/2014-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO.
Os rendimentos provenientes de aposentadoria são isentos do imposto sobre a renda, desde que comprovada a moléstia grave, restrita às hipóteses previstas em lei, relativamente ao ano-calendário a que se refere os proventos, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial.
Numero da decisão: 2401-004.823
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, dar-lhe provimento. Ausente o conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Processo julgado em 12/05/17.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI
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ISENÇÃO. Recorrente DILSON DE ARRUDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. Os rendimentos provenientes de aposentadoria são isentos do imposto sobre a renda, desde que comprovada a moléstia grave, restrita às hipóteses previstas em lei, relativamente ao anocalendário a que se refere os proventos, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, darlhe provimento. Ausente o conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Processo julgado em 12/05/17. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 08 05 /2 01 4- 36 Fl. 118DF CARF MF 2 Relatório Tratase de notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física IRPF no valor de R$ 1.010,86, acrescido de multa de ofício e juros de mora (fls. 24/27), referente a omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 230.283,42, recebidos pelo titular da Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil, indevidamente considerados como isentos, em razão do contribuinte não ter comprovado ser portador de moléstia grave ou da condição de aposentado. Consta da descrição dos fatos que atestado simples não cumpre os requisitos para ser considerado laudo médico oficial idôneo, pois não contém elementos descritivos que fundamentaram o diagnóstico da moléstia e o número de registro no órgão público do profissional de saúde que emitiu o atestado. Em impugnação apresentada às fls. 2/7, o contribuinte alega, em síntese: · Que junta prova da aposentadoria e laudo médico que reconheceu a neoplasia maligna de próstata, com início em 27/4/07, que já tinha sido apresentada à malha. · Que o laudo foi emitido pela Secretaria Municipal de Saúde que é Serviço Oficial de Saúde do Município de Campo Grande/MS e que já foi aceito pela fonte pagadora que suspendeu o desconto a partir de janeiro de 2014. · Que o fato de ser simples não invalida o laudo, pois nele constam as informações necessárias com o diagnóstico da doença (neoplasia maligna da próstata), fornecido pelo órgão Municipal de Saúde, onde consta o CRM do médico que é funcionário do Ministério da Saúde, cedido ao SUS de Campo Grande. Diz juntar cópia do contracheque do médico que prova ser funcionário do Ministério da Saúde, cedido ao SUS de Campo Grande. A DRJ/JFA, no acórdão de fls. 55/59, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário, conforme trechos a seguir transcritos: Nos autos, há comprovação de que o contribuinte é aposentado, conforme documentos de fls. 16/17 da lavra do INSS, contudo o teor da descrição dos fatos não contesta que os rendimentos declarados sejam oriundos da aposentadoria. O questionamento da autoridade revisora, manifesto à fl. 25, consistiu em não identificar no atestado oferecido pelo interessado os requisitos necessários para que ele fosse considerado Laudo Médico Oficial,pois nele não estavam insculpidos os elementos descritivos que fundamentaram o diagnóstico da doença e o número de registro no órgão público do profissional emitente. O documento em foco consta à fl. 11 dos autos. O formulário tratase de “receituário exclusivo para rede municipal de saúde”, visando ao atendimento de beneficiários do SUS, Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10140.720805/201436 Acórdão n.º 2401004.823 S2C4T1 Fl. 118 3 Secretaria Municipal de Saúde Pública da Prefeitura Municipal de Campo Grande. Salvo algum erro de transcrição, porquanto a letra do emitente não se comporta inteiramente legível, o teor do “atestado” expressa que: “Atesto para fim de isenção de imposto de renda e demais regalias previstas em lei que o Sr. Dílson de Arruda está em tratamento de CID C61, patologia esta constatada em 25/04/07 conforme documentação em poder do interessado.” Há a assinatura do “Dr. José Rondon Severo – Dermatologista – CRM 338”, datada, aparentemente, como 28/11/13. Destarte, pretendeu o contribuinte que o laudo médico pericial, emitido por serviço médico oficial, determinado pelo art. 39, § 4º, do RIR/1999, fosse substituído por aquele atestado de fl. 11, o que, repisese, a Fiscalização não concordou e, ratifiquese, a mesma discordância revela este julgador. Mesmo se descartássemos o fato de que o formulário utilizado não reúne apanágio de um laudo médico pericial, nele não se vislumbra qualquer delegação da Prefeitura Municipal de Campo Grande/MS para que o médico a representasse como serviço médico oficial. Não há como nutrir alguma verossimilhança de que, formalmente, a aludida Prefeitura chancelasse aquele atestado como se um laudo oficial fosse. Noutro vértice, embora o contribuinte visasse estabelecer liame entre o médico e o ente Municipal, nada fora apresentado, sendo que, mesmo insuficiente nesse aspecto, sequer houve a anexação de suposto contracheque do citado médico. Cientificado do Acórdão em 11/8/14 (cópia de Aviso de Recebimento AR de fl. 67), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 4/9/14, fls. 71/74, no qual apresenta novamente os argumentos apresentados na impugnação e acrescenta, em síntese: Diz discordar do excesso de formalismo, pois está provada a doença. Alega que agora junta aos autos cópia do contracheque do médico que prova ser ele funcionário do Ministério da Saúde, cedido ao SUS de Campo Grande que é vinculado à Secretaria Municipal de Saúde Pública Município de Campo Grande. Afirma juntar novamente o Laudo médico, laudo laboratorial, pesquisa do código CID C61 e prova de aposentadoria. Acrescenta que para ajudar na convicção do julgador e provar que a doença realmente existe desde 27/4/07, anexa laudo do médico urologista que o acompanha desde o início. Anexa também atestado do médico radioterapeuta com o qual faz tratamento radioterápico. Esclarece que em face da dúvida sobre o laudo, o contribuinte pediu ao INSS para submetêlo a perícia médica e o fornecimento do laudo para prova junto à Receita. O pedido resultou no processo nº 36750.000726/201411, estando aguardando a marcação da data Fl. 120DF CARF MF 4 da perícia. Em razão da demora, está pedindo também perícia em órgão oficial de saúde o Estado de Mato Grosso do Sul. Pede para apresentar posteriormente o resultado destas perícias e os laudos que delas resultar. Conclui que é aposentado recebendo proventos de previdência privada da PREVI, que é portador de neoplasia maligna da próstata desde 2007 e o laudo, mesmo simples, preenche os requisitos legais. Em documento apresentado posteriormente, juntado à fl. 98, datado de 19/2/15, da Prefeitura Municipal de Campo Grande centro referência a saúde do homem, assinado pelo médico urologista CRM/MS 2950, consta que o paciente apresenta quadro de neoplasia da próstata avançado desde abril de 2007 CID = C61, estando em acompanhamento oncológico e urológico. É o relatório. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10140.720805/201436 Acórdão n.º 2401004.823 S2C4T1 Fl. 119 5 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. ISENÇÃO Quanto a isenção, assim dispõe o CTN: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: [...] II outorga de isenção; [...] Sobre o gozo da isenção do imposto sobre a renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, a Lei 7.713/88 determina que: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; No mesmo sentido, o Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99), Decreto 3.000/99, assim dispõe: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: [...] XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença Fl. 122DF CARF MF 6 tenha sido contraída após a concessão da pensão (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 47); [...] XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); [...] § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. § 6º As isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII também se aplicam à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão. Sendo assim, verificase que para a fruição da isenção, exigese o preenchimento cumulativo de três requisitos: a) que o rendimento seja proveniente de aposentadoria, reforma ou pensão; b) que o rendimento seja recebido por portador de moléstia grave relacionada em lei; e c) que a moléstia seja comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10140.720805/201436 Acórdão n.º 2401004.823 S2C4T1 Fl. 120 7 Dos documentos juntados aos autos, restou claro que o rendimento decorre de aposentadoria. Resta então analisar se o contribuinte é, comprovadamente, portador de moléstia grave. A decisão de primeira instância julgou improcedente a impugnação por entender que não foi apresentado laudo médico oficial. Contudo, após apresentação do recurso voluntário, foi juntado aos autos o documento de fl. 98, datado de 19/2/15, da Prefeitura Municipal de Campo Grande centro referência a saúde do homem, assinado pelo médico urologista CRM/MS 2950, no qual consta que o paciente apresenta quadro de neoplasia da próstata avançado desde abril de 2007 CID = C61, estando em acompanhamento oncológico e urológico. Diante do exposto, entendo que restou comprovado que o contribuinte recebe proventos de aposentadoria e é portador de moléstia grave relacionada em lei, requisito essencial para o gozo da isenção pleiteada. CONCLUSÃO Voto por conhecer do recurso, DANDOLHE provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Fl. 124DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.907933/2012-36
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/08/2010
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA.
O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido.
Recurso Especial do Contribuinte não conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.828
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente CONTINENTAL BRASIL INDÚSTRIA AUTOMOTIVA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2010 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3801003.827, de 23/07/2014, proferido pela 1ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 79 33 /2 01 2- 36 Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10875.907933/201236 Acórdão n.º 9303004.828 CSRFT3 Fl. 3 2 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2010 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente suscita divergência quanto ao entendimento adotado no acórdão recorrido de não acatar a compensação declarada por considerar que o ônus da prova do crédito alegado é do contribuinte, mesmo após a apresentação de DCTF retificadora. Alega divergência de entendimento em relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3302002.207 e 3302002.378. O exame de admissibilidade do Recurso Especial, do Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF, deu seguimento ao especial da Contribuinte. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.792, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 10875.907897/201219, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.792): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos, diferentemente do que exarado no seu exame, que o recurso especial não deve ser conhecido. É que se passa a demonstrar. No acórdão recorrido, afastouse a pretensão do contribuinte de compensar valores de PIS pago a maior, ao fundamento de que não restou demonstrada a liquidez e a certeza do crédito. É como constou do seu voto condutor: Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10875.907933/201236 Acórdão n.º 9303004.828 CSRFT3 Fl. 4 3 O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, devendo ser considerada a DCTF como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. (...) Portanto, mesmo que haja impedimento legal para a retificação da DCTF, isto não exclui o direito da recorrente à repetição do indébito. Caso o indébito exista tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN ou de pleitear a compensação dos créditos tributários. Não obstante, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No caso vertente o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tão somente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. (g.n.) Portanto, a alegação de erro no preenchimento da DCTF não foi acompanhada da sua necessária comprovação e da origem do crédito vindicado. O contribuinte não se desincumbiu de demonstrar o erro que suscitou ter cometido. A nosso juízo, este entendimento está repisado nos acórdãos paradigmas, consoante indicam as suas próprias ementas. Vejam: Acórdão nº 3302002.207: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2005 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10875.907933/201236 Acórdão n.º 9303004.828 CSRFT3 Fl. 5 4 Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas. Recurso parcialmente provido. Acórdão nº 3302002.378: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, o ordenamento jurídico permite sua retificação, razão pela qual as DCTFs retificadas não podem ser simplesmente ignoradas pelas autoridades fazendárias por prevalência do princípio da verdade material. Acatados os indícios, caberá ao contribuinte demonstrar que as informações constantes na DCTF retificada estão erradas, com a apresentação da documentação suporte necessária. Recurso Voluntário Parcialmente Deferido. No primeiro paradigma, dizse que, se o contribuinte demonstra que as informações que constam da DCTF retificada estão equivocadas, não pode a fiscalização ignorálas; no segundo, que, retificada a DCTF, caberá ao contribuinte demonstrar o erro que no seu preenchimento cometera. Em resumo: todos os acórdãos, recorrido e paradigmas, consolidam o mesmo entendimento: a retificação da DCTF deve ser acompanhada da comprovação do erro perpetrado na retificada, de modo que cabe ao contribuinte o ônus da prova do crédito reclamado, cuja compensação eventualmente requeira. Não há, pois, divergência, a viabilizar a admissibilidade do recurso. Ante o exposto, não conheço do recurso especial." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso especial do Contribuinte. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 163DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15868.002632/2009-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
OPERAÇÃO DE COMPRA DE INSUMOS DE COLIGADA. IRREGULARIDADE. NÃO DEMONSTRADA.
Sem uma demonstração cabal pela Fiscalização, há que se concluir que não houve qualquer ganho ilegal para o grupo econômico com a operação de compra e venda de insumos entre suas empresas, pois a criação de uma despesa na recorrente teve como contrapartida uma receita em uma coligada, sendo que as duas estavam sendo tributadas pelo lucro real.
OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA. DIPJ. DEMONSTRADA.
Deve ser cancelada a glosa do custo, quando o simples cotejo das DIPJs da compradora e da vendedora já é suficiente para demonstrar a improcedência quase total do lançamento, o que reflete a falta de aprofundamento da investigação.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL.
Numero da decisão: 1302-002.034
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a nulidade da decisão de primeiro grau por indeferimento do pedido de perícia/diligências e indeferir novo pedido; em REJEITAR a nulidade da decisão de primeiro grau por não apreciação de argumentos relevantes da defesa; e, no mérito, por maioria de votos, em DAR provimento aos recursos voluntários e em NEGAR provimento ao recurso de ofício. Vencidas as Conselheiras Talita Pimenta Felix (Relatora) e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Redator Ad Hoc.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: TALITA PIMENTA FELIX
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 OPERAÇÃO DE COMPRA DE INSUMOS DE COLIGADA. IRREGULARIDADE. NÃO DEMONSTRADA. Sem uma demonstração cabal pela Fiscalização, há que se concluir que não houve qualquer ganho ilegal para o grupo econômico com a operação de compra e venda de insumos entre suas empresas, pois a criação de uma despesa na recorrente teve como contrapartida uma receita em uma coligada, sendo que as duas estavam sendo tributadas pelo lucro real. OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA. DIPJ. DEMONSTRADA. Deve ser cancelada a glosa do custo, quando o simples cotejo das DIPJs da compradora e da vendedora já é suficiente para demonstrar a improcedência quase total do lançamento, o que reflete a falta de aprofundamento da investigação. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL.
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IRREGULARIDADE. NÃO DEMONSTRADA. Sem uma demonstração cabal pela Fiscalização, há que se concluir que não houve qualquer ganho ilegal para o grupo econômico com a operação de compra e venda de insumos entre suas empresas, pois a criação de uma despesa na recorrente teve como contrapartida uma receita em uma coligada, sendo que as duas estavam sendo tributadas pelo lucro real. OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA. DIPJ. DEMONSTRADA. Deve ser cancelada a glosa do custo, quando o simples cotejo das DIPJs da compradora e da vendedora já é suficiente para demonstrar a improcedência quase total do lançamento, o que reflete a falta de aprofundamento da investigação. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a nulidade da decisão de primeiro grau por indeferimento do pedido de perícia/diligências e indeferir novo pedido; em REJEITAR a nulidade da decisão de primeiro grau por não apreciação de argumentos relevantes da defesa; e, no mérito, por maioria de votos, em DAR provimento aos recursos voluntários e em NEGAR provimento ao recurso de ofício. Vencidas as Conselheiras Talita Pimenta Felix (Relatora) e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 00 26 32 /2 00 9- 21 Fl. 10242DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Redator Ad Hoc. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Relatório Designado como Redator Ad Hoc deste Acórdão, passo a transcrever o relatório proferido pela Relatora, Conselheira Talita Pimenta Félix, na Sessão de Julgamento de 14 de fevereiro de 2017. BRACOL HOLDING LTDA e OUTROS, recorrem do Acórdão nº. 14 28.812, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO) que, por unanimidade de votos, em sessão realizada em 06/05/2010, julgou improcedente as impugnações interpostas contra lançamentos de IRPJ e CSLL relativos à glosa de custos, de materialidades ocorridas no anocalendário de 2004. A ementa restou assim redigida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 LUCRO REAL. CUSTOS. ESCRITURAÇÃO. PAGAMENTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. GLOSA. Devem ser glosados os custos cuja regular escrituração e efetivos pagamentos não são comprovados com documentos hábeis e idôneos por contribuinte optante pelo lucro real. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 COMPETÊNCIA PARA LANÇAMENTO. É atribuição do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil constituir o crédito tributário mediante lançamento consubstanciado em auto de infração. PREVENÇÃO DE JURISDIÇÃO. O início do procedimento fiscal previne a jurisdição, na hipótese de competência concorrente entre as unidades administrativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. LOCAL DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. Perfeitamente legal a lavratura do auto de infração na repartição fiscal, uma vez que a lei prevê seja ele lavrado no local de verificação da falta e não obrigatoriamente no estabelecimento do contribuinte. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O mandado de procedimento fiscal é mero instrumento administrativo de controle e não invalida o lançamento, que é ato administrativo plenamente vinculado e obrigatório por parte da autoridade fiscal, sob pena de responsabilidade funcional. NULIDADE. Fl. 10243DF CARF MF Processo nº 15868.002632/200921 Acórdão n.º 1302002.034 S1C3T2 Fl. 10.243 3 Tratandose de auto de infração lavrado por pessoa competente, não tendo havido preterição do direito de defesa da contribuinte e não tendo sido feridos os artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, não cabe o acatamento da preliminar de nulidade. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. PERÍCIA. DILIGÊNCIA. Incabível a diligência e a perícia quanto à questão cuja elucidação dependa apenas de apresentação de documentos. INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL. ENDEREÇAMENTO. Dada a existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo no domicílio fiscal eleito por ele. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 DECADÊNCIA. PAGAMENTO. IRPJ. CSLL. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação extinguese no prazo de 5 (cinco) anos, contados do fato gerador, no caso de haver pagamento antecipado do tributo, caso contrário o prazo é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA AGRAVADA Deve a multa de ofício aplicada, majorada em 50%, ser reduzida ao percentual de 75%, quando não se encontram materializados nos autos, de forma inequívoca, os pressupostos previstos na legislação tributária para sua majoração. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. Caracteriza a solidariedade prevista no art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional, a existência de interesse comum entre o contribuinte e o responsável na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Em seu relatório, a decisão recorrida assim descreveu o caso: Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela empresa supra, segundo consta da descrição dos fatos, foi apurada, no ano calendário de 2004, apropriação indevida de custos no valor de R$ 113.006.809,32, correspondente à soma das quantias informadas na ficha 32 (remetentes de insumos/mercadorias) da DIPJ/2005 como insumos adquiridos da Agroindustrial Rena Ltda., CNPJ 03.352.718/000135. Foram lavrados os seguintes autos de infração: 1 – Imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ) – fls. 210 a 214. Imposto: R$ 28.251.702,32 Juros de mora: R$ 17.558.432,99 Multa Proporcional: R$ 31.783.165,11 Total: R$ 77.593.300,42 Enquadramento legal do imposto: Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR, de 1999), arts. 249, I, 251 e parágrafo único, 289, 290, I, 292 e 300. 2 – Contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) – fls. 215 a 219: Contribuição: R$ 10.170.612,83 Fl. 10244DF CARF MF 4 Juros de mora: R$ 6.321.035,87 Multa Proporcional: R$ 11.441.939,43 Total: R$ 27.933.588,13 Enquadramento legal da contribuição: Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, arts. 2° e §§; Lei nº 9.316, de 1996, art. 1º; Lei nº 9.430, de 1996, art. 28; Lei nº 10.637, de 2002, art. 37. Consta no processo que a contribuinte foi intimada, às fls. 130 a 132, e reintimada (fls. 140/141) a apresentar: 1) as notas fiscais, relacionadas às fls. 133/134, relativas às compras de matériaprima da fornecedora Agroindustrial Renal Ltda.; 2) cópia dos cheques (frente e verso) utilizados para realizar os pagamentos para a Agroindustrial Renal Ltda. registrados em todos os lançamentos contábeis discriminados nas planilhas de fls. 135/136; 3) todos os documentos comprobatórios que lastrearam os lançamentos contábeis registrados nas planilhas de fls. 137/138 (baixa de fornecedor com redução de investimento); 4) o razão da conta 21101068302 – Agroindustrial Rena Ltda., do período de 01/01/2004 a 31/12/2004. Comparecendo no estabelecimento matriz da contribuinte, os fiscais foram informados pelo seu procurador, o Sr. Vagner Aparecido da Cruz, que a empresa não possuía nenhum dos elementos exigidos pela fiscalização. Por não ter sido apresentado qualquer documento ou esclarecimento foi lavrado o Termo de Embaraço à Fiscalização de fls. 144/145, cientificandose o procurador da contribuinte. Relataram os autuantes que, em 11/07/2007, Fernando Antônio Bertin, Silmar Roberto Bertin e Reinaldo Bertin foram excluídos do quadro societário da empresa Agroindustrial Rena Ltda., tendo transferido suas quotas para José Banhara e Manoel Gersino Orzelin. José Banhara declarou para o Fisco que nunca foi sócio de qualquer empresa, que nunca ouviu falar da Agroindustrial Rena Ltda, que nunca residiu na Rua Fernão Dias, 264, Aptº 53, em São Paulo (endereço constante na Junta Comercial), que não conhece o Sr. Manoel Gersino Orzelin e que sempre trabalhou como empregado em propriedades rurais na cidade de Sabino e, posteriormente, na cidade de Lins, também como empregado do Frigorífico Bertin até aproximadamente o ano de 1994. A Sra. Maria José Rosa Orzelin, esposa de Manoel Gersino Orzelin já falecido em 13/05/2009, informou que ele nunca foi sócio de qualquer empresa, que trabalhou por 27 anos na fazenda de João Bertin, onde fazia serviços gerais e estava aposentado há quatro anos, que nunca residiu na R. Dr. Augusto de Miranda, 1107, aptº 123, em São Paulo (endereço constante na Junta Comercial) e que nunca ouviu falar na empresa Agroindustrial Rena Ltda. Além desses fatos, os autuantes constataram o que segue: apesar de não ser sócio da referida empresa desde 11/07/2007, consta na DIPJ/2008 como responsável pela empresa o Sr. Fernando Antônio Bertin e como responsável pelo preenchimento da declaração o Sr. Gilson Aparecido Teixeira que é empregado da família Bertin e tem como endereço eletrônico Gilson.Teixeira@Bertin. com.br. As DIPJ dos anoscalendário de 2007 e 2008 da contribuinte e da empresa Agroindustrial Rena Ltda. foram transmitidas pela internet pelo mesmo IP, ou seja, 200.210.214.135 e 200.210.214.220, respectivamente, ambos registrados em nome de Bertin Ltda., antiga denominação da Bracol Holding Ltda. (fls. 178/179). Fl. 10245DF CARF MF Processo nº 15868.002632/200921 Acórdão n.º 1302002.034 S1C3T2 Fl. 10.244 5 A empresa Agroindustrial Rena Ltda. informou na ficha 34 da DIPJ/2005 cinco destinatários de produtos, dentre eles três estabelecimentos filiais da Bracol e a soma dos valores a eles atribuídos representa 98,58% de R$ 117.844.383,20 (total das vendas). Na ficha 35 da mesma DIPJ a Agroindustrial Rena informou que deu saída de apenas três produtos (couro Wet Blue, aparas e sebo industrial) no valor total de R$ 117.844.383,20. Já a Bracol informou na ficha 32 da sua DIPJ/2005 que o seu estabelecimento de CNPJ 01.597.168/001160 adquiriu daquela empresa apenas dois produtos (raspas e cabeças tratadas branqueadas e ossos de raspa bovina) no valor total de R$ 20.812.600,05. Ou seja, uma vendeu couro e a outra comprou osso. Quem realmente reside no endereço dos sócios da Agroindustrial, José Banhara e Manoel Gersino Orzelin, constante na Junta Comercial, são os senhores Vagner Aparecido da Cruz (empregado da Bracol) e Reinaldo Ribeiro (que foi empregado da Bracol e é filho de Adelaide Bertin). Diante desses fatos, a fiscalização concluiu que Fernando Antônio Bertin, Silmar Roberto Bertin e Reinaldo Bertin constituíram legalmente a empresa Agroindustrial Rena Ltda. e a utilizaram para simular operações comerciais de venda de insumos à autuada, também de propriedade deles. Posteriormente, essas pessoas, para fugirem do cumprimento das obrigações fiscais da Agroindustrial Rena, simularam a transferência do controle societário da citada empresa para os senhores José Banhara e Manoel Gersino Orzelin. A empresa Agroindustrial Rena foi criada para dar contornos de legalidade às supostas “vendas” de insumos para a Bracol, com a respectiva emissão de notas fiscais, a fim de que esta majorasse artificialmente os custos, subtraindo parte de seus lucros à tributação e, ainda, considerasse os valores como base de cálculo para apuração de créditos da contribuição para o PIS e Cofins. Concluíram, assim, que Fernando Antônio Bertin, Silmar Roberto Bertin e Reinaldo Bertin tiveram interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias, sendo solidariamente obrigados ao pagamento dos tributos ou penalidade pecuniária, de acordo com os arts. 121 e 124, I, do Código Tributário Nacional (CTN), lavrando os Termos de Sujeição Passiva Solidária. Sendo notificada da autuação, a interessada ingressou com as impugnações de fls.253 a 277 (IRPJ) e fls. 9401 a 9427 (CSLL), subscritas pelo procurador Fernando Dantas Casillo Gonçalves (fls.279/293), alegando: · O auto de infração é nulo, nos termos do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), art. 59, I, porque os AFRF autuantes não possuem competência para constituir o crédito tributário do IRPJ, que é privativa de servidores vinculados à Derat/SP, por ser o IRPJ tributo cujas questões fiscais devem ser realizadas por fiscais com jurisdição no domicílio fiscal da empresa, ou seja, São Paulo, capital; · O auto de infração também é nulo porque a “Autorização para Reexame de Período já Fiscalizado” emitida pelo Superintendente e juntada à fl. 02 destes autos não transferiu a competência de fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Paulo e de servidores jurisdicionados no município de São Paulo, capital, para a DRF/Araçatuba e seus servidores; · Outra causa da nulidade do auto de infração reside no fato de que não se respeitou os termos do MPFF. Por esse documento o local indicado para a realização dos trabalhos fiscais foi somente o endereço da impugnante localizado no município de São Paulo, capital, jamais tendo sido permitida a realização de Fl. 10246DF CARF MF 6 atividades no município de Araçatuba, Estado de São Paulo, como pretenderam os supracitados AFRFB em total inobservância aos termos do MPFF. Além disso, não existiu válida delegação de competência da Derat/SP para a DRF/Araçatuba, porque isso também deveria estar escrito no MPFF, considerando a legislação aplicável, sendo mais um motivo para a nulidade de todos os trabalhos fiscais e do presente auto de infração; · Mesmo na hipótese do MPFF não estar viciado com as irregularidades apontadas anteriormente, persiste uma circunstância geradora da nulidade de todo o trabalho fiscal. O auto de infração é nulo, porque os trabalhos fiscais que lhe embasaram estão viciados por terem sido realizados com fundamento em MPFF sem validade jurídica, uma vez que foi emitido por autoridade incompetente, nos termos do art. 6º, § 4º da Portaria RFB nº 11.371, de 2007. A realização de trabalhos fiscais por outra unidade da RFB submetida a mesma Região Fiscal e diferente da unidade com jurisdição sobre o contribuinte ocasiona a necessidade do MPFF ser emitido exclusivamente pelo próprio Superintendente; · O auto de infração deve ser cancelado em razão da perda de eficácia do Termo de Início da Ação Fiscal, que tem validade de 60 (sessenta) dias, salvo se for prorrogado por ato escrito, nos termos do art. 7º, § 2º do PAF. Todos os procedimentos fiscais realizados a partir da emissão do citado termo o foram de forma irregular pela perda de sua validade; · A impugnação merece ser provida, porque a impugnante não foi intimada, nos termos da Lei nº 9.784, de 1999, art. 44, a se manifestar sobre o encerramento da fase de instrução dos trabalhos fiscais, que ao final culminaram na glosa de custos geradora do auto de infração; · Para a validade do lançamento seria imprescindível que o auto de infração contivesse os fundamentos jurídicos do lançamento, especialmente os dispositivos que estabelecem ser a impugnante sujeito passivo, bem como os relativos à base de cálculo e alíquotas utilizadas para a apuração do quantum debeatur supostamente devido aos cofres públicos. Deveriam ter sido citados os arts. 146, 147, I (que define como contribuinte a pessoa jurídica domiciliada no Brasil), 219 (que define o lucro real como base de cálculo para o caso da impugnante), 541 e 542 (que define a alíquota aplicável e adicional); · A fundamentação jurídica inadequada afronta a Constituição Federal (CF), arts. 5º, LV, 37, o princípio da publicidade, o Código Tributário Nacional (CTN), arts. 3º, 142 a 144, e o PAF, art. 10, IV; · Na presente autuação os motivos de direito não existem, pois a fiscalização não demonstrou juridicamente de forma adequada, precisa e clara, os dispositivos legais necessários para garantir a fundamentação jurídica do lançamento do IRPJ, não bastando, para garantir esse embasamento, dispositivos que apenas tratam de aspectos específicos e operacionais do tributo federal; · Houve cerceamento do direito de defesa por não terem sido demonstradas as razões jurídicas necessárias para o lançamento, as alíquotas aplicadas e todos os demais elementos necessários para a constituição do crédito tributário. Além disso, o Fisco não demonstrou como apurou a exigência, uma vez que os valores das operações não foram apropriadas como custo na DIPJ/2005, todas as operações foram escrituradas por seu fornecedor e a contribuinte efetuou o pagamento dos tributos federais devidos sobre essas mesmas bases de cálculo; · Houve ofensa ao art. 9º do PAF, uma vez que foi cientificada do auto de infração, mas não foram apresentados os seus anexos e todo o material que fundamentou a Fl. 10247DF CARF MF Processo nº 15868.002632/200921 Acórdão n.º 1302002.034 S1C3T2 Fl. 10.245 7 sua elaboração. Prova desse fato é o Termo de Entrega de Cópia Integral do Processo Administrativo, lavrado em razão de pedido expresso realizado pela impugnante perante a DRF/Araçatuba e que demonstra que não recebeu junto com o auto de infração os documentos e folhas citados no mesmo. Tal fato prejudicou o seu direito de exercer a defesa no prazo de 30 (trinta) dias, conforme garantido pela legislação, uma vez que somente tomou conhecimento do inteiro teor dos documentos citados pelo AFRF no auto de infração no dia 15/12/2009, ou seja, uma semana depois da ciência da autuação. A perda desse prazo causou prejuízo à defesa, porque considerando terem os documentos relacionados ao caso sido emitidos há mais de cinco anos e, muitos deles, de titularidade de empresa na qual não mais participam a família “Bertim”, todo o prazo de trinta dias deveria ser aproveitado para a busca de todos os documentos. Assim, o auto de infração deve ser cancelado, porque não foi apresentado à impugnante juntamente com todos os seus anexos, ou, ao menos, ser cancelada a ciência da impugnante, com a reabertura de novo prazo para apresentação de impugnação; · O auto de infração deve ser cancelado, pois ocorreu a decadência relativamente aos custos abrangidos pelo período anterior a 08/12/2004, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN; · Não foi demonstrada e provada a prática, pela contribuinte, do fato gerador do tributo; · As conclusões fiscais contidas no Termo de Verificação de Infração Fiscal são absurdas, porque jamais a família “Bertin” constituiu a empresa Agroindustrial Rena Ltda. para os fins defendidos pelos AFRF; · A empresa Agroindustrial Rena Ltda. foi constituída em 22/07/1999 pelos seus ex sócios Fernando Antônio Bertin, Silmar Roberto Bertin, Reinaldo Bertin e Bertin Ltda., ora impugnante em sua antiga denominação social, conforme “Instrumento Particular de Constituição de Sociedade por Quotas de Responsabilidade Limitada” (doc.7). Posteriormente, foram feitas três alterações contratuais, nos dias 09/10/2003, 18/02/2005 e 25/03/2006, devidamente registrados na Junta Comercial de Rondônia, sendo que na última houve a transferência das quotas para José Banhara e Manoel Gersino Orzelin (doc.8); · Enquanto os membros da família “Bertin” foram sócios da citada empresa, ela operou normalmente no Estado de Rondônia, exercendo atividade empresarial e vendendo inúmeras mercadorias para a impugnante. Referida empresa não pode ser considerada de “fachada”, porque operou devidamente no Estado, construiu obras no seu estabelecimento e teve, no ano de 2004, mais de 500 empregados como comprovam os anexos documentos (doc. 9 e 10); · O único fato a ser considerado no presente processo é se as operações comerciais entre a Agroindustrial Rena e a impugnante efetivamente aconteceram em 2004. Referida empresa declarou naquele ano todas as operações comerciais praticadas com a impugnante para a Receita Federal do Brasil (RFB), como comprova a DIPJ. Nela foram declaradas receitas de venda no mercado interno de produção própria no valor de R$ 117.958.109,73, dos quais R$ 117.844.383,20 estão relacionados a vendas para as filiais da impugnante, conforme demonstra a ficha 34. Todo esse montante foi considerado por aquela empresa para apuração do IRPJ, CSLL, Cofins e PIS devidos no anocalendário de 2004, demonstrando que em um período em que a empresa tinha como sócios membros da família “Bertin”, promoveu Fl. 10248DF CARF MF 8 regularmente a declarações de suas operações à RFB, sem que disto pudesse resultar a alegação da prática de qualquer ato simulado; · Todas as operações foram devidamente escrituradas no livro Registro de Saída da Agroindústria Rena Ltda., relativamente ao ano de 2004, tendo os mesmos sido considerados na apuração do ICMS de Rondônia (doc. 12 a 14). Ademais, a efetividade as operações comerciais também se comprova pelas anexas notas fiscaisfatura emitidas pela Agroindustrial Rena Ltda., abrangendo a venda das mercadorias para os estabelecimentos da impugnante, contendo os carimbos das fiscalizações exercidas em vários Estados nas barreiras limítrofes estaduais que comprovam a passagem de tais mercadorias (doc. 15); · Todas as operações também foram devidamente registradas pelos estabelecimentos filiais da impugnante, como comprovam seus livros Registro de Entradas e a DIPJ/2005 da empresa, anexada na autuação (doc.16); · O pagamento das compras de mercadorias efetuadas da Agroindustrial Rena, em relação às transações abrangidas pela autuação, foi realizado mediante um procedimento normal praticado entre empresas, no qual a Agroindustrial Rena solicitou à impugnante pagar diretamente aos seus fornecedores, dando quitação posteriormente, não existindo nenhuma simulação; · Quanto às divergências apontadas pela fiscalização como existentes nas fichas da DIPJ da Agroindustrial e da impugnante, devese esclarecer que, na ficha 34 da Agroindustrial, foram preenchidos somente cinco destinatários com valores de maior relevância por atingirem 80% do total das saídas de insumos ou mercadorias da empresa, sendo que esse procedimento segue o Manual de Preenchimento da DIPJ; · No caso da ficha 35 da DIPJ da Agroindustrial, seguindo a mesma regra, somente foram informados os três produtos com valores de maior relevância, que viessem a corresponder a 80% do total das saídas de mercadorias. Nesta ficha somente ocorreu um equívoco da empresa, porque o valor descrito na ordem 002, Classificação Fiscal 4104.11.29, relacionado a Aparas, no montante de R$ 7.153.942,94, na realidade, se refere a Aparas no valor de R$ 1.668.592,89 e a Ossos de raspas bovinas no montante de R$ 5.485.350,05, com Classificação Fiscal 4205.00.00, conforme pode ser apurado nas notas fiscais de saída de produtos da Agroindustrial Rena. Tal irregularidade não gera a possibilidade de desconsideração das operações por representar apenas um erro formal irrelevante considerando que todas as saídas foram escrituradas nos livros fiscais federais e estadual da Agroindustrial; · Em relação à ficha 33 da DIPJ da impugnante não existe qualquer irregularidade, porque os produtos indicados estão de acordo com os documentos fiscais escriturados e a supracitada informação de ter existido um pequeno equívoco na ficha 35 da DIPJ/2005 da Agroindustrial; · A partir do momento em que a fiscalização exige IRPJ e CSLL da impugnante está tributando duas vezes o mesmo fato gerador, por já ter sido considerado pela Agroindustrial Rena na sua apuração de tributos federais devidos; · Conforme comprova a DIPJ/2005 da impugnante e demais documentos juntados ao processo na impugnação, os valores indicados nas fichas 32 de suas filiais, correspondentes às aquisições realizadas da Agroindustrial Rena, não foram apropriados como custo redutor da base de cálculo do IRPJ e da CSLL em relação ao anocalendário de 2004; Fl. 10249DF CARF MF Processo nº 15868.002632/200921 Acórdão n.º 1302002.034 S1C3T2 Fl. 10.246 9 · Quanto à multa agravada de 112,5%, não está presente nenhuma das hipóteses previstas na Lei nº 9.430, de 1996, art. 44, § 2º, ocasionando a nulidade da autuação, uma vez que não apresentou todos os documentos exigidos porque eles não se encontravam em seu poder e devido ao curto prazo concedido para o levantamento de todos os documentos que são relativos a período anterior a cinco anos; · Deve ser realizada perícia e diligência em seu estabelecimento, indicando como perito o Sr. Gilson Aparecido Teixeira, CRC nº 1SP146450/02, com escritório no Parque Industrial s/nº, Bairro Parque Industrial, Município de Lins, SP, CEP 16400033. Deverão ser respondidos os seguintes quesitos: 1) A impugnante adquiriu da Agroindustrial Rena Ltda. mercadorias relacionadas aos valores registrados na sua contabilidade e na DIPJ/2005? 2) Se positivo, qual foi o valor das aquisições e como foram pagas? 3) Tais quantias foram consideradas como custo na DIPJ/2005? 4) Prestar outros esclarecimentos necessários para demonstrar a regularidade dos procedimentos fiscais realizados pela impugnante. · Requereu que também seja intimado de todas as decisões proferidas nestes autos o advogado no seguinte endereço: Av. Brigadeiro Faria Lima, 3311, 6º andar, São Paulo, Capital. Foi apresentada, também, pelos sócios Silmar Roberto Bertin, Reinaldo Bertin e Fernando Antônio Bertin, impugnação (fls. 9452 a 9459) aos Termos de Sujeição Passiva Solidária de fls. 223 a 231, na qual alegouse: · Que os autos de infração devem ser cancelados pelas mesmas razões defendidas pela Bracol nas suas impugnações; · Os Termos de Sujeição Passiva Solidária são nulos porque a responsabilidade tributária dos impugnantes, mesmo na condição de solidários, deveria ter sido formalizada em autuação fiscal. Não existe na legislação a autorização para essa responsabilidade ser formalizada por mero Termo, ocasionando a nulidade dos mesmos por ofender o art. 142 do CTN; · Não existiu qualquer ato simulado como foi comprovado pela Bracol na sua impugnação apresentada contra o lançamento do IRPJ, com a juntada de inúmeros documentos, demonstrando que a Agroindustrial Rena Ltda., na época em que foi administrada pelos impugnantes, operou efetivamente, teve empregados, não era empresa de “fachada” e promoveu efetivamente a venda de mercadorias para a Bracol; · Os impugnantes não podem ser responsabilizados pelo débito tributário exigido no auto de infração por não estarem presentes as condições previstas no art. 135 do CTN, que apenas permite a responsabilização do sócio pelas dívidas tributárias da sociedade nos casos em que pratica atos de gestão com excesso de poder ou infração à lei, contrato social ou estatuto; · Conseqüentemente, não basta apenas a condição de sócio para ser responsabilizado pelas obrigações tributárias da empresa controlada, mas ter realizado ato de gestão e ter praticado atos com excesso de poder, infração à lei ou aos estatutos da empresa, circunstâncias que jamais foram provadas pela fiscalização e muito menos demonstradas nesses autos. Fl. 10250DF CARF MF 10 I) “O sujeito passivo não comprovou que as transações comerciais entre ele e a empresa Agroindustrial Rena Ltda, cujos verdadeiros sócios atuais também o são da Bracol Holding Ltda, tenham efetivamente ocorrido;” (fls. 211) II) “Apesar de intimado e reintimado, o sujeito passivo não apresentou nenhum documento comprobatório das suspostas compras por ele realizadas junto ao suposto Agroindustrial Rena Ltda, nem comprovou os efetivos pagamentos;” (fls. 211) II) “O sujeito passivo apropriou indevidamente como custo o valor de R$ 113.006.808,32. Este valor corresponde a soma dos valores informados na ficha 32 (Remetentes de Insumos/Mercadorias) da DIPJ 2005 como insumos adquiridos da Agroindustrial Rena Ltda – CNPJ 03.352.718/000135 pelos seus estabelecimentos filiais de CNPJ 01.597.168/000601 (R$ 107.132.624,60), CNPJ 01.597.168/0007 84 (R$ 450.584,67) e CNPJ 01.597.168/001160 (R$ 5.423.600,05);” (fls. 211) (negritos e sublinhados do original.) IV) “Os Senhores Silmar Roberto Bertin, Fernando Antônio Bertin e Reinaldo Bertin são responsáveis solidários pelo crédito tributário apurado.” (fls. 211) V) Ainda, com o intuito de evitar supostos atos de máfé dos sujeitos passivos, consistente em alegações de que os documentos foram apresentados e não apreciados, solicitaram 212 a juntada de demonstrativo (extratos) das transações bancárias entre as empresas Bracol Holding Ltda e Agroindustrial Rena Ltda (fls. 222); VI) Por derradeiro, lavraram dois autos de infração, um para o Imposto de Renda Pessoa Jurídica e, outro, referente à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, ambos tramitando nestes autos. Esse, portanto, é o teor do TVF. Inconformada, a Contribuinte apresentou impugnação (fls. 256/, oportunidade em que aduziu as seguintes teses preliminares: I) Que seriam os agentes constituidores do crédito, em Araçatuba, incompetentes, pois segundo a contribuinte, apenas a DERAT/SP, por se tratar do domicílio fiscal da Impugnante a Capital do estado de São Paulo (fls. 259); II) Complementando sua primeira tese, por entender o seguinte “O Auto de Infração é nulo porque a “Autorização para Reexame de Período já Fiscalizado”emitida pelo Superintendente e juntada às fls. 02 destes autos não transferiu a competência de fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Paulo e de servidores jurisdicionados no Município de São Paulo, Capital, para a DRF/Araçatuba e seus servidores.” (fls.260.); III) Em sua terceira tese preliminar, aduz que o auto de infração “deve ser cancelado” (fls. 260), por não ter respeitado os termos do MPFF. Dessa vez, assevera que não houve delegação de competência, não respeitando assim: “i) (...) o local indicado para a realização dos trabalhos fiscais; e ii) (...) indicação da realização dos trabalhos fiscais pela DRF/Araçatuba.” (fls. 261); III) Ainda preliminarmente, defende que o “MPFF deveria ter sido emitido pelo Superintendente” (fls. 262). Entende que as autoridades emitentes de MPFF, devem são servidores atuantes em decorrência de delegação de Delegado da Receita Federal do Brasil, e que, quando o trabalho for realizado em outra unidade, deve ser emitido “exclusivamente pelo próprio Superintendente” (sem grifos no original); Fl. 10251DF CARF MF Processo nº 15868.002632/200921 Acórdão n.º 1302002.034 S1C3T2 Fl. 10.247 11 IV) Sustentou a nulidade do auto em razão da perda de eficácia do Termo de Início, em decorrência de perda de prazo; V) Por falta intimação para a Impugnante se manifestar sobre o fim da instrução, citando o art. 44 da Lei n. 9.784/99; VI) Discorreu sobre suposta inexistência de fundamentação jurídica e motivos para o auto de infração; VII) Ainda aduziu que houve cerceamento do direito de defesa; e VIII) Complementando sua tese de cerceamento, citou que houve a “falta de apresentação de cópia integral do Auto de Infração e seus Anexos – Cerceamento do Direito de Defesa e prejuízos para a elaboração da impugnação. No que toca ao mérito: I) A decadência da glosa, pois teria ocorrido constituição de crédito tributário do IRPJ; II) Não ter ocorrido fato gerador; III) Sustentou que as relações comerciais entre as empresas de fato aconteceram; IV) Que não há divergência entre as Fichas da DIPJ; V) Que o TVF ocasionará em dupla tributação VI) Defendeu ainda que o valor das aquisições não foram lançados como custos redutores da base de cálculo do IRPJ e da CSLL; VII) Acerca da multa agravada, por entender que não estão preenchidos os requisitos do parágrafo 2º do art. 44 da Lei n. 9.430/96; Abriu tópico para justificar um pedido de diligência e, ao fim, pugnou pelo provimento da impugnação. As razões da Manifestação de Inconformidade, então, foram enviadas à DRJ/RPO. Para chegar às conclusões da supracitada ementa a DRJ/RPO se fundamentou da seguinte maneira: I) Inicialmente, se fundamentando no art. 6º da Lei nº 10.593, de 2002 (com redação dada pelo art. 9º da Lei nº 11.457, 2007), concluiu pela competência da autoridade autuante e pela validade do procedimento fiscal, também cita o parágrafo 2 do art. 9º do Decreto 70.235/72, que prorroga a competência da autoridade; II) Quanto ao Termo de Início da Ação Fiscal, assevera que o prazo é para o sujeito passivo readquirir a espontaneidade, que não é causa de nulidade; III) No que pertine à fundamentação e motivação, explica que ela foi a glosa de custos por falta de comprovação e que houve amplo direito de defesa; IV) Em relação à decadência, não seria aplicável o art. 150 do CTN, mas o 173, I, alterando o dies a quo; V) No mérito conclui que não existir comprovação de pagamento efetuado pela contribuinte à empresa Agroindustrial, decorrente das aquisições de mercadorias estampadas nas notas fiscais de venda apresentadas na impugnação; VI) Mantém, em parte, a multa alterandoa para de ofício; VII) Por fim, o pedido de perícia e diligência, indefereo, por entender entender dispensável para elucidação das questões suscitadas na impugnação. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente e os responsáveis tributários, com acréscimo de pleitos de nulidades, reiteram os pedidos formulados em suas Impugnações. A Procuradoria da Fazenda Nacional não apresentou contrarrazões, mas há Fl. 10252DF CARF MF 12 interposição de Recurso de Ofício, em razão da rejeição à aplicação da multa agravada. É como relato. Voto Vencido Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator Ad Hoc Designado como Redator Ad Hoc deste Acórdão, passo a transcrever o voto proferido pela Relatora, Conselheira Talita Pimenta Félix, na Sessão de Julgamento de 14 de fevereiro de 2017. 1. PRELIMINARMENTE 1.1 Da Tempestividade Conforme art. 33 do Decreto nº 70.235/72, o Recurso Voluntário, formalizado por escrito e instruído com os documentos em que se fundamentar, será apresentado no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Assim, considerando que a Recorrente foi intimada do Acórdão n. 16056.535, proferido pela 1a Turma da DRJ/SPI, em 14/04/2014, a apresentação de sua peça defensória em 13/04/2014 (fls. ), satisfaz o requisito da tempestividade, devendo, por esse motivo, ser conhecida e processada. 1.2 Do Pedido de Diligência A Turma da Julgadora rejeitou o pedido de realização de diligência da contribuinte sob os seguintes argumentos: Quanto ao pedido de perícia e diligência, indefiroo por entender dispensável para elucidação das questões suscitadas na impugnação, uma vez que constam nos autos todas as informações necessárias para formação de convicção. Ademais, não há matéria contestada no presente processo que necessite de opinião de perito para ser decidida, além do fato de que é perfeitamente viável e cabe à contribuinte a anexação ao processo de todas as provas das alegações feitas. (Sem grifos no original) Em recurso voluntário a contribuinte reitera seu pedido, aduzindo que: Não obstante os documentos ora apresentados, a Impugnante reitera a realização de perícia e diligências para serem constatados por este juízo a ocorrência das operações relacionadas ao lançamento e sua efetiva liquidação como garante o Princípio da Verdade Material Fl. 10253DF CARF MF Processo nº 15868.002632/200921 Acórdão n.º 1302002.034 S1C3T2 Fl. 10.248 13 Em conformidade com o artigo 16(...), a perícia e diligência se justificam para que este juízo retire eventuais dúvidas sobre a veracidade das informações prestadas pela Impugnante na presente defesa. A perícia deverá ser realizada em todos os documentos relacionados nesta defesa e outros eventualmente exigidos pelos peritos administrativos. No caso das diligências, essa deverá ser realizada no estabelecimento da Impugnante, para análise de qualquer outro documento de interesse a solução do pleito formulado nesses autos. Para a perícia a Impugnante nomeia (...) Demais disso, seguem os quesitos que devem ser respondidos mediante análise de toda a documentação apresentada e outras a serem verificadas caso exista necessidade, são os seguintes: 1 A Impugnante adquiriu da Agroindustrial Rena Ltda. mercadorias relacionadas aos valores registrados na sua contabilidade e na DIPJ 2005 ? Se positivo, qual foi o valor das aquisições e como foram pagas ? 3 Tais quantias foram consideradas como custo na DIPJ 2005 ? 4 Prestar outros esclarecimentos necessários para demonstrar a regularidade dos procedimentos fiscais realizados pela Impugnante ? Após transcrição das manifestações acima – nos termos em que formulado o pedido de realização de diligência por entender de modo semelhante ao acórdão recorrido, o rejeito. 1.2 Das nulidades oriundas da falta de apreciação de relevantes questões abordadas nas Impugnações Quanto às nulidades porventura existentes no AIIM (Auto de Infração e Imposição de Multa), em âmbito administrativo fiscal, o Decreto n. 70.235/72, enuncia que: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 10254DF CARF MF 14 A Recorrente aduz existir uma série de nulidades na decisão proferida pela DRJ, em razão da não apreciação de relevantes questões. Deste modo, cita 71 (sete) itens que entende não haverem sido apreciados, os quais seguem transcritos: i. Tópico II.1.4 da Impugnação: nulidade dos trabalhos fiscais e do Auto de Infração porque o MPF que lhe deu origem deveria ter sido emitido pela Superintendente da RFB conforme estabelece o artigo 6o, Parágrafo 4o da Portaria RFB n° 11.371/2007 e ser necessária a autorização prévia via MPF; ii) Tópico II.1.6 da Impugnação: Descumprimento pelos servidores autuantes do artigo 44 da Lei Ordinária n° 9.784/99 que exige a prévia intimação do contribuinte para se manifestar no prazo de 10 (dez) dias sob a instrução do processo fiscal antes do lançamento ser realizado; iii) Tópico II.1.9 da Impugnação: Nulidade dos trabalhos fiscais e do Al porque a Recorrente foi cientificada sem que os fiscais tivessem apresentado todos os anexos e material que fundamentou a autuação conforme exige o artigo 9o do Decreto n° 70.235/72; iv) Tópico II.2.2 da Impugnação: Nulidade do Al porque não foi demonstrada a prática de nenhum fato gerador pelos fiscais autuantes; v) Tópico II.2.3 da Impugnação: Inexistência de fraude ou simulação da Família Bertin em relação a empresa Agroindustrial Rena Ltda. e efetividade das transações comerciais com apresentação de várias provas realizadas em documentos fiscais oficiais de ambas as empresas, bem como não fez as devidas análises nos documentos apresentados; vi) Tópico II.2.5 da Impugnação: Nulidade do Al em razão da bitributação uma vez que a Agroindustrial Rena Ltda. considerou as receitas da venda das mercadorias para a Impugnante na apuração do seu IRPJ, CSLL, COFINS e PIS; e vii) Tópico II.2.6 da Impugnação: Nulidade do Al porque o valor das aquisições não foram lançadas como custos redutores da base de cálculo do IRPJ e CSLL. 1 Oito se considerarmos a alegação de nulidade sob a alegação de indevido indeferimento do pedido de perícia. No entanto, tal fato foi enfrentado no item 1.2 deste voto. Fl. 10255DF CARF MF Processo nº 15868.002632/200921 Acórdão n.º 1302002.034 S1C3T2 Fl. 10.249 15 Divergindo do entendimento da Recorrente, registro que os tópicos seguintes foram sim abordados pelo acórdão recorrido, os quais seguem transcritos: O “Tópico 11.1.4” foi devidamente enfrentado pela 3a Turma da DRJ/RPO, conforme se infere (fls. 12 do acórdão): Impugnação Acórdão Recorrido II.1.4 O MPFF deveria ter sido emitido pelo Superintendente (fls. 259 e seguintes) 23. Mesmo na hipótese do MPFF não estar viciado com as irregularidades apontadas no tópico anterior, persiste uma circunstância geradora da nulidade de todo o trabalho fiscal. 24. Isto porque, as autoridades emitentes do MPFF e suas alterações foram servidores atuando em delegação de competência relacionada a função de Delegado da Receita Federal do Brasil, como comprova a análise do documento. 25. Entretanto, data maxima venia, a realização de trabalhos fiscais por outra unidade da RFB submetida a mesma Região Fiscal e diferente da unidade com jurisdição sobre o contribuinte ocasiona a necessidade do MPFF ser emitido exclusivamente pelo próprio Superintendente, como demonstra o artigo 6º, § 4º da Portaria RFB nº 11.371/2007: "Art. 6º. O MPF será emitido, observadas suas respectivas atribuições regimentais, pelas autoridades: (...) § 4º Os procedimentos de fiscalização a serem realizados na jurisdição de outra unidade descentralizada, subordinada à mesma Região Fiscal, serão autorizados pelo respectivo Superintendente, ao qual caberá a Relatório Mesmo na hipótese do MPFF não estar viciado com as irregularidades apontadas anteriormente, persiste uma circunstância geradora da nulidade de todo o trabalho fiscal. O auto de infração é nulo, porque os trabalhos fiscais que lhe embasaram estão viciados por terem sido realizados com fundamento em MPFF sem validade jurídica, uma vez que foi emitido por autoridade incompetente, nos termos do art. 6º, § 4º da Portaria RFB nº 11.371, de 2007. A realização de trabalhos fiscais por outra unidade da RFB submetida a mesma Região Fiscal e diferente da unidade com jurisdição sobre o contribuinte ocasiona a necessidade do MPFF ser emitido exclusivamente pelo próprio Superintendente; (fl. 06 do acórdão) ... Voto Acrescentese que a ação fiscal em tela, executada por auditores fiscais lotados na DRF/Araçatuba, encontrase autorizada pelo MPFFiscalização nº 08.1.90.002009044565 (fl. 3) emitido pela Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 8ª Região, do Estado de São Paulo. Cabe esclarecer que o MPF, instituído pela Portaria SRF nº 1.265, de 22 de novembro de 1999, e atualmente regulado pela Portaria RFB nº 11.371, de 12 de dezembro de 2007, consiste em documento emitido em decorrência de normas administrativas que regulam a execução da atividade fiscal, determinando que os procedimentos fiscais relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) sejam levados a efeito de conformidade com uma ordem específica, a qual pressupõe formalização mediante MPF. Fl. 10256DF CARF MF 16 emissão do MPF." 26. Basta a análise do MPF para se apurar que este procedimento não foi cumprido, algo que merece ser observado por este juízo administrativo sob pena de fazer tabula rasa de uma portaria que deve ser respeitada por todas as Superintendências da RFB no Brasil. 27. Portanto, o Auto de Infração é nulo porque os trabalhos fiscais que lhe embasaram estão viciados por terem sido realizados com fundamento em MPFF sem validade jurídica por ter sido emitido por autoridade incompetente nos termos do art. 6º, § 4º da Portaria RFB nº 11.371/2007. O MPF constituise, assim, em instrumento de controle que se presta, tão somente, a possibilitar à RFB acompanhar o desenvolvimento das atividades realizadas pelos auditoresfiscais, de modo a verificar, por exemplo, se a fiscalização empreendida está sendo realizada adequadamente, de acordo com os critérios definidos por lei e pela Administração. Sendo assim, não cabe interpretar que qualquer irregularidade no MPF, instrumento instituído por norma infralegal (uma portaria), possa acarretar a nulidade do lançamento dele decorrente, sob pena de ofensa ao princípio constitucional da legalidade que rege a Administração Pública (CF, art.37), devidamente refletido no parágrafo único do art. 142 do CTN: A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Esse mesmo entendimento adota o Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), como se extrai da ementa a seguir reproduzida: PRELIMINAR – NULIDADE – MPF – É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. (...) (Acórdão 10612941, de 16.10.2002) (fl. 12) O “Tópico II.1.6” também foi enfrentado pela 3a Turma da DRJ/RPO, senão vejamos o cotejo analítico entre o alegado pela contribuinte na impugnação e o acórdão recorrido: Impugnação Acórdão Recorrido II.1.6 A falta de intimação para a Impugnante manifestarse sobre o fim da instrução Artigo 44 da Lei 9.784/99 (fl. 262) 32. A presente impugnação também merece ser provida porque a Impugnante não foi intimada previamente para se manifestar sobre o encerramento da fase instrutória Relatório A impugnação merece ser provida, porque a impugnante não foi intimada, nos termos da Lei nº 9.784, de 1999, art. 44, a se manifestar sobre o encerramento da fase de instrução dos trabalhos fiscais, que ao final culminaram na glosa de custos geradora do auto de infração; (fl. 06 do acórdão) ... Fl. 10257DF CARF MF Processo nº 15868.002632/200921 Acórdão n.º 1302002.034 S1C3T2 Fl. 10.250 17 (d)os trabalhos fiscais que ao final culminaram na glosa de custos geradora do presente Auto de Infração. 33. Este direito está previsto no artigo 44 da Lei nº 9.784/99, que exigem a intimação do interessado do fim da fase instrutória do processo fiscal para fins de exercer o seu direito de se manifestar sobre o mesmo no prazo de 10 (dez) dias, como demonstra este seguinte dispositivo legal: "Art. 44. Encerrada a instrução, o interessado terá o direito de manifestarse no prazo máximo de dez dias, salvo se outro prazo for legalmente fixado." Voto Ademais, segundo o art. 59 daquele decreto, somente são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, bem assim os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, o que aqui não se verificou. Assim, o cerceamento do direito de defesa somente ocorre nas decisões de primeira e segunda instância, quando são aplicáveis os princípios do contraditório e da ampla defesa. Antes da apresentação da impugnação, não há litígio, não há contraditório, o procedimento é levado a efeito, de ofício, pelo Fisco. O ato do lançamento é privativo da autoridade, e não uma atividade compartilhada com o sujeito passivo (CTN, art.142). É o que dispõe os arts. 14 e 15 do PAF: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Numa leitura atenta dos dispositivos acima transcritos, verificase que a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo e a sua apresentação tempestiva confirma ter sido respeitado o princípio do devido processo legal. (...) No presente caso, a contribuinte foi intimada antes do lançamento e não apresentou qualquer documento ... (fl. 14) O mesmo se verifica quanto ao “Tópico II.1.9”, também, abordado pela 3a Turma da DRJ/RPO, conforme se verifica: Impugnação Acórdão Recorrido Fl. 10258DF CARF MF 18 II.1.9 A falta de apresentação de cópia integral do Auto de Infração e seus Anexos Cerceamento do Direito de Defesa e prejuízos para a elaboração da impugnação (fl. 267) 53. O Auto de Infração também deve ser considerado nulo porque os AFRFs cientificaram a Impugnante do seu teor sem apresentarem seus anexos e todo o material que fundamentou a sua elaboração na data da intimação da empresa no dia 08 de dezembro de 2009. 54. Este procedimento ofendeu flagrantemente o artigo 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que estabelece: "Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimento, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito." 55. Como estabelece o supracitado dispositivo, os AFRPs possuem o dever legal de instruir o Auto de Infração com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova algo que não foi realizado no caso do Auto de Infração lavrado contra a lmpugnante no qual somente foram apresentadas as folhas de rosto da autuação fiscal. 56. Tal circunstância está comprovada pelos próprios AFRFs que lavraram o anexo "Termo de Entrega de Cópia Integral do Processo Administrativo" formulada em razão de pedido expresso realizado pela lmpugnante perante a DRF/Araçatuba (docs. 04 e 05). 57. No pedido formulado pela lmpugnante a mesma demonstra não ter recebido junto Relatório Houve ofensa ao art. 9º do PAF, uma vez que foi cientificada do auto de infração, mas não foram apresentados os seus anexos e todo o material que fundamentou a sua elaboração. Prova desse fato é o Termo de Entrega de Cópia Integral do Processo Administrativo, lavrado em razão de pedido expresso realizado pela impugnante perante a DRF/Araçatuba e que demonstra que não recebeu junto com o auto de infração os documentos e folhas citados no mesmo. Tal fato prejudicou o seu direito de exercer a defesa no prazo de 30 (trinta) dias, conforme garantido pela legislação, uma vez que somente tomou conhecimento do inteiro teor dos documentos citados pelo AFRF no auto de infração no dia 15/12/2009, ou seja, uma semana depois da ciência da autuação. A perda desse prazo causou prejuízo à defesa, porque considerando terem os documentos relacionados ao caso sido emitidos há mais de cinco anos e, muitos deles, de titularidade de empresa na qual não mais participam a família “Bertim”, todo o prazo de trinta dias deveria ser aproveitado para a busca de todos os documentos. Assim, o auto de infração deve ser cancelado, porque não foi apresentado à impugnante juntamente com todos os seus anexos, ou, ao menos, ser cancelada a ciência da impugnante, com a reabertura de novo prazo para apresentação de impugnação; (fl. 07 do acórdão) ... Voto No presente caso, a contribuinte foi intimada antes do lançamento e não apresentou qualquer documento e, depois da autuação, teve acesso aos documentos constantes dos autos, que se resumiam, além dos autos de infração e do termo de verificação de infração fiscal, à cópia da DIPJ/2005 da contribuinte, às intimações a ela endereçadas (fls. 130/143), ao termo de embaraço à fiscalização (fls. 144/145), à ficha cadastral e quadro societário da Agroindustrial Rena Ltda. (constantes do sistema CNPJ da Receita Federal), às declarações prestadas por José Banhara e Maria José Rosa Orzelin, às informações prestadas pela junta comercial de São Paulo a respeito da Agroindustrial Rena Ltda. (fls. 164, 182 a Fl. 10259DF CARF MF Processo nº 15868.002632/200921 Acórdão n.º 1302002.034 S1C3T2 Fl. 10.251 19 com o Auto de Infração documentos e folhas citados no mesmo por serem elementos essenciais para serem analisados para a elaboração de sua defesa. 58. Não obstante ter a lmpugnante solicitado as cópias no dia 11/12/2009 somente veio a recebêlas no dia 15/12/2009, conforme anexo A.R. e comprovante de recebimento dos Correios (doc. 06). 59. Tal circunstância e falha cometida pelos AFRFs demonstra nulidade do Auto de Infração por ofender o artigo 9°, caput do Decreto n° 70.235/72, porque conforme determina este dispositivo o Auto de Infração deve ser apresentado ao contribuinte com todos os seus anexos. 60. Por sua vez, tal fato também prejudicou o direito da Impugnante em exercer o seu direito de defesa no prazo de 30 (trinta) dias, conforme garantido pela legislação aplicável, uma vez que somente tomou conhecimento do inteiro teor dos documentos citados pelos AFRFs no Auto de Infração no dia 15/12/2009, ou seja, 1 (uma) semana posterior a sua cientificação da autuação. 61. A perda deste prazo causou prejuízo a defesa porque considerando serem os documentos relacionados ao caso sido emitidos há mais de 5 (cinco) anos e, muitos dos quais, de titularidade de empresa na qual não mais participam a família "Bertin" todo o prazo de 30 (trinta) dias deveria ser aproveitado para a busca de todos os documentos. 62. Portanto, o Auto de Infração merece ser cancelado porque não foi apresentado a lmpugnante juntamente com todos os seus anexos, ou, ao menos, ser cancelada a ciência da Impugnante com a reabertura de novo prazo para apresentação de Impugnação. 198) e às apurações feitas a respeito da elaboração de transmissão das DIPJ da contribuinte e da Agroindustrial (fls. 165 a 181). Dessa forma, a ciência desses documentos em 15/12/2009 não prejudicou a defesa da contribuinte, não se constatando qualquer empecilho relativo à produção de provas, como se percebe pelo teor, pela tempestividade de sua impugnação e pela quantidade de documentos anexados ao processo, que revelam que houve pleno conhecimento dos termos da autuação e da infração a ela imputada. (fls. 14/15) Fl. 10260DF CARF MF 20 O “Tópico II.2.2” que diz sobre a ausência de demonstração da ocorrência do fato gerador, também não merece respaldo, haja vista que todo o mérito – essência da autuação – diz sobre a não comprovação dos custos oriundos de aquisição de mercadorias/insumos da AGROINDUSTRIAL RENA LTDA, o que impossibilitaria a Recorrente de registrálo. Esse o “fato gerador” da autuação, a determinação do lucro real para fins de incidência do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS. Quanto a isso, não há dúvidas. O “Tópico II.2.3”, que a contribuinte nomina por inexistência de fraude ou simulação da Família Bertin, acrescida da efetividade das transações comerciais, respaldada por documentos relativo às duas empresas citadas nos autos, os quais aduz que não foram analisados. Em relação à fraude ou simulação, em não tendo ocorrido aplicação de multa qualificada, a qual demandaria atenção aos fatos alegados e provados, desnecessária averiguar se ocorreu, ou não. Assim, neste aspecto, notase que o mérito do acórdão recorrido gravita, justamente, sobre a efetividade de tais operações, conforme se verifica por alguns trecho: Com relação às notas fiscaisfatura emitidas pela Agroindustrial Rena Ltda. que contêm os carimbos da fiscalização do Estado de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e algumas do Estado de Goiás, verificase que são apenas cópias simples, sem qualquer autenticação, e apenas comprovam que as mercadorias passaram por aqueles Estados, mas não comprovam a sua entrada no Estado de São Paulo, onde se localizam as filiais da contribuinte, tampouco o seu efetivo ingresso nos citados estabelecimentos. (...) Esclareçase que, no caso em tela, seria necessária a apresentação do livro Diário, tempestivamente escriturado pela contribuinte, registrado e autenticado no Registro de Comércio, acompanhado de toda a documentação relativa às aquisições feitas da empresa Agroindustrial e, ainda, dos comprovantes de que as mercadorias adquiridas efetivamente ingressaram no estabelecimento da contribuinte, tais como comprovantes de transporte das mercadorias e do pagamento a ele relativo. Seria imprescindível, também, a comprovação, de forma inequívoca, do efetivo pagamento à empresa fornecedora (Agroindustrial), o que não ocorreu. Na impugnação, a contribuinte apenas alega que as aquisições de mercadorias da empresa Agroindustrial foram pagas diretamente aos fornecedores daquela empresa. Para comprovar tais pagamentos foram apresentados os seguintes documentos: Declaração de Quitação feita pela Agroindustrial Rena Ltda., listagem dos fornecedores da citada empresa, que se alega que foram pagos pela contribuinte (fls. 3426 a 4281), notas fiscais dos fornecedores da Agroindustrial e uma listagem do BankBoston de pagamentos feitos pela Bertin Ltda. Entretanto, tais documentos não são hábeis para comprovar o efetivo pagamento das aquisições feitas pela contribuinte à empresa Agroindustrial. Simples listagens, declarações ou as referidas notas fiscais dos fornecedores da citada empresa não se prestam a fazer qualquer comprovação. Não existe qualquer comprovante de pagamento efetuado pela contribuinte à empresa Agroindustrial, decorrente das aquisições de mercadorias estampadas nas notas fiscais de venda apresentadas na impugnação (fls. 1274 a 1733). Tampouco, qualquer registro contábil dos pagamentos alegados. O “Tópico II.2.5” também foi enfrentado pelo acórdão recorrido. Da leitura acima (fls. 16/17), depreendese restar consignado no acórdão que não houve a comprovação Fl. 10261DF CARF MF Processo nº 15868.002632/200921 Acórdão n.º 1302002.034 S1C3T2 Fl. 10.252 21 da efetiva entrega das mercadorias comercializadas pela empresa AGROINDUSTRIAL RENA LTDA, as quais supostamente foram direcionadas para a Impugnante. O acórdão também afirmou que não se comprovou nos autos o pagamento em relação a tais mercadorias. Assim, de uma forma implícita, mas bastante evidente, não houve omissão em relação a esse argumento. Impugnação Acórdão Recorrido II.2.5 A Bitributação Agroindustrial Rena Ltda, apurou o IRPJ, CSLL, COFINS e a Contribuição para o PIS/PASEP 98. Como restou demonstrado alhures, todas as mercadorias adquiridas pela Impugnante e geradoras do custo glosado pela fiscalização foram devidamente registradas pela Agroindustrial Rena Ltda. na apuração no IRPJ, da CSLL, da COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP relacionados ao anocalendário de 2004. 99. Em razão disto, a Agroindustrial Rena Ltda. ao considerar tais operações na apuração do IRPJ, CSLL, da COFINS e da Contribuição para o PIS efetuando o pagamento dos tributos eventualmente devidos de forma regular e inexistindo qualquer divida em relação a eles demonstra a impossibilidade dos AFRFs desconsiderarem a efetividade de tais operações. 100. Diante disto, a partir do momento que a fiscalização exige IRPJ e CSLL da lmpugnante está tributando por 2 (duas) vezes o mesmo fato gerador, por já terem sido os mesmos considerados pela Agroindustrial Rena Ltda. na sua apuração de tributos federais devidos algo inadmissível por implicar bitributação vedada pela legislação. 101. Este juízo também deve considerar, por outro lado, que a Agroindustrial Rena Ltda. Relatório A partir do momento em que a fiscalização exige IRPJ e CSLL da impugnante está tributando duas vezes o mesmo fato gerador, por já ter sido considerado pela Agroindustrial Rena na sua apuração de tributos federais devidos; (fl. 09 do acórdão) ... Voto Com relação às notas fiscaisfatura emitidas pela Agroindustrial Rena Ltda. que contêm os carimbos da fiscalização do Estado de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e algumas do Estado de Goiás, verificase que são apenas cópias simples, sem qualquer autenticação, e apenas comprovam que as mercadorias passaram por aqueles Estados, mas não comprovam a sua entrada no Estado de São Paulo, onde se localizam as filiais da contribuinte, tampouco o seu efetivo ingresso nos citados estabelecimentos. As cópias do livro Registro de Entrada das filiais da contribuinte, apresentadas na impugnação (fls. 1735 a 3425), não se prestam a comprovar as aquisições de mercadorias da empresa Agroindustrial, pois não se fizeram acompanhar dos documentos que provam a efetiva entrada das mercadorias nos estabelecimentos da autuada e o efetivo pagamento de tais compras, além do fato de que referidos livros não foram registrados no órgão de Registro de Comércio, como determina o RIR, de 1999, art. 260, § 2º. Fl. 10262DF CARF MF 22 registrou os valores provenientes das transações comerciais com a Impugnante como receitas de venda de produção própria, apurando os tributos federais devidos sobre tais quantias, justificando para a lmpugnante o registro de tais valores da forma realizada na sua contabilidade e gerando a impossibilidade de ser mantida a autuação porque, com isto, existiria uma nítida contradição praticada pela fiscalização federal. Na impugnação, a contribuinte apenas alega que as aquisições de mercadorias da empresa Agroindustrial foram pagas diretamente aos fornecedores daquela empresa. Para comprovar tais pagamentos foram apresentados os seguintes documentos: Declaração de Quitação feita pela Agroindustrial Rena Ltda., listagem dos fornecedores da citada empresa, que se alega que foram pagos pela contribuinte (fls. 3426 a 4281), notas fiscais dos fornecedores da Agroindustrial e uma listagem do BankBoston de pagamentos feitos pela Bertin Ltda. Entretanto, tais documentos não são hábeis para comprovar o efetivo pagamento das aquisições feitas pela contribuinte à empresa Agroindustrial. Simples listagens, declarações ou as referidas notas fiscais dos fornecedores da citada empresa não se prestam a fazer qualquer comprovação. Não existe qualquer comprovante de pagamento efetuado pela contribuinte à empresa Agroindustrial, decorrente das aquisições de mercadorias estampadas nas notas fiscais de venda apresentadas na impugnação (fls. 1274 a 1733). Tampouco, qualquer registro contábil dos pagamentos alegados. (fls. 16/17) Por fim, analisase a suposta omissão no acórdão recorrido, quanto ao “Tópico II.2.6”: Impugnação Acórdão Recorrido II.2.6 O valor das aquisições não foram lançados como custos redutores da base de cálculo do IRPJ e da CSLL 102. O Auto de Infração ainda merece ser cancelado porque conforme comprova a DIPJ 2005 da Impugnante juntado nestes autos e demais documentos contidos nesta Impugnação, os valores indicados nas Ficas 32 de suas filiais correspondentes as aquisições realizadas na Agroindustrial Relatório Conforme comprova a DIPJ/2005 da impugnante e demais documentos juntados ao processo na impugnação, os valores indicados nas fichas 32 de suas filiais, correspondentes às aquisições realizadas da Agroindustrial Rena, não foram apropriados como custo redutor da base de cálculo do IRPJ e da CSLL em relação ao ano calendário de 2004; (fl. 09 do acórdão) ... Fl. 10263DF CARF MF Processo nº 15868.002632/200921 Acórdão n.º 1302002.034 S1C3T2 Fl. 10.253 23 Rena Ltda, não foram apropriados como custo redutor da base de cálculo do IRPJ e da CSLL em relação ao anocalendário de 2004. 103. Não obstante isto, os AFRFs constituíram crédito tributário do IRPJ e da CSLL desconsiderando tal fato e ainda calcularam juros de mora como se tivesse existido tributo devido desde o período abrangido pela competência de 2004. 104. Tal fato implica nulidade do Auto de Infração por ter constituído crédito tributário sem qualquer fundamentação legal e motivação fática existente (fl. 275). De fato, o acórdão recorrido não manifestase, pontualmente, sobre esse argumento (Item II.2.6). Todavia, basta uma simples leitura dos aspectos meritórios para que se perceba que o assunto foi abordado, haja vista ser essa a essência da autuação. Antes de finalizar a análise das preliminares, ressalvo que, no início destes apontamentos a Recorrente aduz que o acórdão merece ser cancelado por ter indeferido indevidamente o pedido de perícia e diligência formulados, segue esclarecendo que: Como demonstrado na Impugnação, estão presentes todas as razões para que tais providências fossem realizadas antes do julgamento da manifestação, mormente pela quantidade de documentos envolvidos e pela disponibilidade dos mesmos no estabelecimento da Recorrente" (fls. 04 do RV). Sem maiores delongas, por total ausência de fundamento legal, rejeito o pedido de cancelamento dos autos em razão de a DRJ ter indeferido o pedido de perícia e diligência. Ante todo o exposto, de acordo com o registro realizado em linhas pretéritas, não vislumbro a existência de qualquer nulidade no acórdão proferido pela 3a Turma da DRJ/RPO, motivo pelo qual as rejeito, todas. DO MÉRITO O presente processo administrativo diz respeito à glosa de custos de IRPJ e CSLL, de BRACOL HOLDING LTDA (atual TINTO HOLDING LTDA), no valor de R$ 113.006.809,32, acrescidos de juros de mora agravada, relativo ao exercício de 2004. Fl. 10264DF CARF MF 24 1. Da Decadência (ou não) do Direito de o Fisco Constituir Crédito em Desfavor da Contribuinte Conforme se depreende dos autos, afirma a contribuinte que o prazo para lançar eventuais débitos de IRPJ e CSLL, decorrentes de glosa de custos de aquisição de mercadorias, deve ser o prescrito no artigo 150, § 4º do CTN, Neste quesito, toda a argumentação da Recorrente baseiase no texto abaixo reproduzido: 64. A fiscalização constituiu crédito tributário do IRPJ ao ter glosado custos de aquisição de mercadorias provenientes de operações realizadas no ano de 2004. 65. Entretanto, jamais poderia ter realizado este procedimento em relação as custos relacionados a operações realizadas antes do dia 08 de dezembro de 2004 porque, quanto ao seu suposto aproveitamento, já incidiu o prazo decadencial aplicado na forma do artigo 150, §4° do CTN. 66. Como se não bastasse isto, a Autuação também não poderia ter constituído o crédito tributário do IRPJ quanto aos custos abrangidos pelo supracitado período por também estar abrangido pela decadência nos termos do artigo 150, §4° do CTN. 67. Portanto, o Auto de Infração merece ser cancelado em razão dos efeitos da decadência. Divergindo da argumentação da Recorrente, a 3a Turma da DRJ/RPO, assim se manifestou: A contribuinte alega que decaiu o direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento relativamente aos custos abrangidos pelo período anterior a 08/12/2004. Há que se asseverar, de plano, que se está diante do lançamento dito por homologação, nos termos do art. 150 do CTN, uma vez que a lei atribuiu à pessoa jurídica o dever de antecipar o pagamento do imposto de renda sem prévio exame da autoridade tributária, apurando e recolhendo o quantum devido, antecipandose a qualquer procedimento da repartição fiscal. Tal modalidade de lançamento operase pelo ato em que a autoridade administrativa, tomando conhecimento da atividade de pagamento exercida pelo sujeito passivo, expressamente a homologa. Nesse caso, segundo disposição do § 4º do mesmo artigo, a decadência operase em cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, se a autoridade administrativa não homologar o lançamento antes de decorrido o qüinqüênio, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Por conseguinte, efetuado o pagamento antecipado do imposto a que se refere o art. 150 do CTN, sem dolo, fraude ou simulação, e a Fazenda Pública não vier, dentro do prazo de 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, expressamente homologar o lançamento, este será considerado tacitamente homologado, e definitivo e bom o pagamento antecipado. Entretanto, uma vez apurada inexistência de pagamento antecipado do imposto devido, não há que se falar em homologação, nem tampouco aplicação do § 4º do art. 150 do CTN. Nesse caso, o lançamento passa a ser direto ou de ofício, o que desloca a forma de contagem do prazo decadencial para a regra prevista no art. 173, I, do CTN, cuja data inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 10265DF CARF MF Processo nº 15868.002632/200921 Acórdão n.º 1302002.034 S1C3T2 Fl. 10.254 25 No presente caso, relativamente ao IRPJ e CSLL, verificase que a contribuinte optou pela apuração anual dos citados tributos, ocorrendo o fato gerador em 31 de dezembro de 2004, e não houve pagamento antecipado dos citados tributos. Dessa forma, considerandose que o fato gerador ocorreu em 31/12/2004 e a ciência do auto de infração em 08/12/2009, concluise, tendo em vista o disposto no CTN, art. 173, I, que não houve decadência relativamente àqueles tributos. Dentro dos padrões que o ordenamento elenca como hábeis a validar o início da contagem do prazo decadencial do direito do Fisco de constituir o crédito tributário em desfavor da contribuinte, no que ora interessa aos limites dos autos e, neste caso, concordo com os argumentos realizados pela DRJ. Termos em que rejeito a aplicação do art. 150, parágrafo 4o do CTN, cuja consequência é o afastamento do pleito decadencial pretendido pela parte. Antes de abordar a situação fáticojurídica, cabem breves esclarecimentos sobre o instituto jurídico ora debatido: a glosa de custos. 2 Do direito aplicável à “Glosa de Custos” A autuação ocorreu em virtude de a fiscalização entender que a contribuinte apropriouse indevidamente de custos por ausência de adequada comprovação na aquisição das matérias primas que deram origem à sua dedutibilidade. Assim, em razão da falta de registros contábeis hábeis a validar tais aquisições, a fiscalização os glosou. Os dispositivos legais que regulamentam a glosa de custos estão enunciados nos arts. 249, inciso I, 289, 290, inciso I, 292 e 300 do RIR/99, abaixo descritos: Art. 249. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração: I – os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; (...) Art. 289. O custo de aquisição das mercadorias revendidas e das matériasprimas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração: § 1o O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação. § 2o Os gastos com desembaraço aduaneiro integram o custo de aquisição. § 3o Não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal. Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente: I – o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; (...) Art. 292. Ao final de cada período de apuração do imposto, a pessoa jurídica deverá promover o levantamento e avaliação dos seus estoques. (...) Fl. 10266DF CARF MF 26 Art. 300. Aplicamse aos custos e despesas operacionais as disposições sobre dedutibilidade de rendimentos pagos a terceiros. Custo, segundo José Carlos Marion2 pode ser compreendido como “todo sacrifício (gasto) relativo a bens ou a serviços que serão utilizados na produção de outros bens ou serviços”. Pois bem, de acordo com os dispositivos legais acima transcritos, inferese que o custo é um elemento contábilfiscal de extrema relevância para a apuração do lucro líquido do período, consequentemente, do lucro real. Os custos dedutíveis, por reduzirem a base tributável, devem ser escriturados com fins a comprovar a sua efetiva aquisição, sob pena de invalidar sua exclusão, operacionalizando o que se convencionou denominar “glosa de custos”. 2.1 Da autuação: análise do caso concreto A questão central fundase na compreensão, pela fiscalização, de que as supostas operações de compra e venda realizadas entre a AGROINDUSTRIAL RENA LTDA (vendedora) e a BRACOL HOLDING (Recorrente/compradora) não acorreram de fato, apenas de direito. Materializadas mediante o lançamento de registros contábeis, que as simularam, com o intuito de que esta majorasse artificialmente seus custos, reduzindo a base tributável do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS. Ao ser solicitada a apresentar as notas fiscais (fls. 11/13), cópias dos cheques (registrados nos lançamentos contábeis, fls. 137/138), o razão da conta 21101068302 e os documentos que lastreiam os lançamentos contábeis relativos à baixa de fornecedor com redução de investimento (fls. 135/136), o procurador da contribuinte informou que não os possuía, razão pela qual foi lavrado Termo de Embaraço à Fiscalização (fls. 144/145). Importa ressaltar que à época da ocorrência dos fatos, ano de 2004, as pessoas físicas FERNANDO ANTÔNIO BERTIN, SILMAR ROBERTO BERTIN E REINALDO BERTIN eram sócios das duas empresas em foco, compradora e vendedora. Porém, em 11/07/2007 retiraramse do quadro societário da AGROINDUSTRIAL RENA LTDA, transferindo suas quotas para JOSÉ BANHARA e MANOEL GERSINO ORZELIN. Ocorre que, segundo consta no Termo de Verificação Fiscal, os novos sócios, ao serem questionados pela fiscalização sobre tal sociedade, disseram desconhecer a empresa Recorrente. O primeiro disse que trabalhou em propriedades rurais como empregado do Frigorífico Bertin, aproximadamente, até o ano de 1994. Quanto ao segundo, falecido em 13/05/2009, por intermédio de sua esposa, apurouse que trabalhou por 27 anos na fazenda de JOÃO BERTIN. Segundo a Recorrente, no ano fiscalizado, a AGROINDUSTRIAL RENA LTDA obteve receita de venda no mercado interno de produção própria no valor de R$ 117.958.109,73, dos quais R$ 117.844.383,20 estão relacionados a vendas para as filiais da Recorrente, segundo consta na ficha 34 da DIPJ 2005 da vendedora. Quanto à forma de quitação dos insumos, parece existir divergência nos autos, uma vez que a fiscalização afirma que foram realizadas via pagamento em cheques, e a Recorrente alega que quitou débitos da AGROINDUSTRIAL RENA LTDA com terceiros, sem que tais valores passassem por sua contabilidade. 2 MARION, José Carlos. Contabilidade Básica. 11 ed. São Paulo: Atlas, 2015, p. 94. Fl. 10267DF CARF MF Processo nº 15868.002632/200921 Acórdão n.º 1302002.034 S1C3T2 Fl. 10.255 27 A operação, no que pertine à remessa de produtos e seus valores, da AGROINDUSTRIAL RENA LTDA para a BRACOL HOLDING, apresenta os seguintes dados, todos extraídos das DIPJs anexadas aos autos, que pode ser ser ilustrada da seguinte forma: Nestes termos, sob a perspectiva desta Conselheria, tem se que o mérito da lide restringese ao acolhimento, ou não, dos documentos apresentados pela Recorrente, com o intuito de declarar comprovadas as operações comerciais referenciadas, de modo a validar a dedução dos custos das matérias primas adquiridas pela Recorrente da AGROINDUSTRIAL RENA LTDA. Ou seja, a discussão possui cunho, essencialmente, probatório. O resultado final Fl. 10268DF CARF MF 28 desta decisão será consequência da forma como o intérprete do direito apreende as provas e, constrói uma ideia que represente, em sua mente, o evento que ocorreu no mundo fenomênico, e a partir deste – utilizando a linguagem das provas – constitua o fato jurídico tributário. 2.2 Das operações de aquisição de insumos glosadas pela fiscalização A discordância entre as partes, fiscalização e contribuinte, reside nos argumentos a seguir delineados. Neste tom, seguem os fundamentos alegados pela contribuinte para pretender afastar a autuação: (i) escrituração das operações no Livro de Registro de Saída da AGROINDUSTRIAL RENA LTDA; (ii) emissão de notas fiscais de fatura por esta; (iii) carimbo das fiscalizações por alguns Estados, comprovando a passagem das mercadorias; (iv) lançamento dos fatos contábeis nos livros de Registro de Entrada e na DIPJ/2005 da Recorrente; e, (v) existência de pagamento, comprovado pelos seguintes documentos: (vi.1) declaração de quitação (assinado pela vendedora), (vi.2) listagem dos fornecedores (da vendedora) que foram pagos pela contribuinte, (vi.3) notas fiscais dos fornecedores (da vendedora) e (vi.4) uma listagem do BankBoston de pagamentos feitos pela BERTIN LTDA (fls. 3.426/4.281). Já, para a fiscalização: (i) como o Livro Diário da AGROINDUSTRIAL RENA LTDA não foi autenticado no órgão competente do Registro de Comércio, não se presta à comprovação desejada. Os demais livros, por dispensarem registro, podendo ser escriturado a qualquer tempo, não podem ser tidos como prova; (ii) as cópias do Livro Registro de Entrada das filias da contribuinte não foram registrados no órgão de Registro de Comércio, conforme determina o § 2º, do art. 260, do RIR/99, não sendo admitidos como prova; (iii) as notas fiscaisfatura, emitidas pela vendedora, são cópias simples, sem qualquer autenticação, e apenas comprovam a passagem das mercadorias pelos Estados, mas não sua entrada no Estado de São Paulo; (iv) não houve a efetiva comprovação de entrada das mercadorias nos estabelecimentos da Recorrente, tal como, comprovantes de transporte; (v) não houve a apresentação do Livro Diário, tempestivamente escriturado pela contribuinte, registrado e autenticado no Registro de Comércio; e, (vi) não há qualquer registro de pagamento, uma vez que simples listagens, declarações sem qualquer respaldo legal, ou as referidas notas fiscais dos fornecedores da citada empresa não se prestam a fazer qualquer comprovação. Tampouco, a validar o registro contábil dos pagamentos alegados. Pois bem, descrita a situação fática trazida aos autos pelas partes, fisco e contribuinte, segue análise de seus argumentos em face às provas carreadas. Depreendese dos autos que a contribuinte informa que acordou com a AGROINDUSTRIAL RENA LTDA (vendedora) que o pagamento pelas mercadorias se daria de modo indireto, ou seja, a Recorrente quitaria fornecedores da vendedora, não repassandolhe diretamente os valores devidos pelas aquisições de insumos. Situação que aduz ser comum nas relações comerciais. São suas as seguintes palavras (fls. 9.574): 95. Em relação ao "pagamento" devido pela compra das mercadorias devido pela Impugnante para a Agroindustrial Rena Ltda. em relação as transações abrangidas pela autuação, o mesmo foi realizado mediante um procedimento normal praticado entre empresas, no qual a Agroindustrial Rena Ltda. solicitou a Impugnante pagar diretamente aos seus fornecedores os valores correspondentes as mercadorias adquiridas pela Bracol Holding Ltda. Posteriormente a este pagamento, a Agroindustrial Rena Ltda deu quitação a Bracol Holding Ltda. nas suas vendas de mercadorias do valor correspondente ao pagamento realizados por esta para fornecedores a pedido daquela. Fl. 10269DF CARF MF Processo nº 15868.002632/200921 Acórdão n.º 1302002.034 S1C3T2 Fl. 10.256 29 Deste modo, com a pretensão de validar suas alegações, anexa os documentos relativos às (i) declarações de quitação da AGROINDUSTRIAL RENA LTDA para si, a (ii) lista dos fornecedores pagos e o (iii) faturamento de venda própria para a BRACOL HOLDING (fls. 3.449/3.501). E para melhor compreensão, por sua relevância, colaciono os documentos relativos ao mês de janeiro de 2004, segue: Nos moldes desta declaração de quitação, a Recorrente anexa outras 11 (onze), todas relativas ao anocalendário de 2004, mês a mês, cada qual com quitação da AGROINDUSTRIAL RENA LTDA para a BERTIN LTDA (Recorrente). Porém, conforme se infere, não há qualquer registro oficial hábil a validar tais documentos. E ainda que aqui não exista qualquer dispositivo legal que faça esta exigência, o cerne da questão é a grau de autenticidade que pode ser atribuído aos documentos apresentados. Pois, conforme bem pondera Fabiana Del Padre Tomé3: Provar um fato é estabelecer sua existência (ou inexistência, na hipótese de pretenderse desconstituir o fato). Nessa medida, a tarefa daquele que produz a prova jurídica é semelhante à do historiador: ambos se propõem a estabelecer fatos representativos de acontecimentos pretéritos, por meio de rastros, vestígios ou sinais deixados por referidos eventos e utilizandose de processos lógico presuntivos que permitam a constituição ou desconstituição de determinado fato. Esse é o fim da prova: a fixação dos fatos no mundo jurídico. No caso dos documentos em questão, não há dúvidas de que o grau de confiabilidade é extremamente baixo. E aqui, ressalvo, pauto me pelo critério de avaliação das provas conhecido por livre convencimento motivado, segundo o qual, de acordo com a jurista citada4, “o julgador fica adstrito aos fatos alegados e provados, devendo decidir com base nas 3 TOMÉ, Fabiana Del Padre. A Prova no Direito Tributário. 3 ed. São Paulo: Noeses, 2011/2012, p. 201. 4 TOMÉ, Fabiana Del Padre. A Prova no Direito Tributário. 3 ed. São Paulo: Noeses, 2011/2012, p. 208. Fl. 10270DF CARF MF 30 provas que lhe são apresentadas, podendo sopesálas de acordo com sua livre convicção para construir, a partir delas, o fato jurídico em sentido estrito”. Ainda, tendo em vista que durante todos os meses do exercício de 2004, segundo a contribuinte, esta realizou o pagamento de diversos fornecedores da AGROINDUSTRIAL RENA LTDA, neste tom, inferese não ser plausível que não tenha sido anexada nenhum documento que reproduza a solicitação destes pagamentos, envios (via e mail) dos boletos/faturas a serem pagos, ou seja, não há qualquer indício da comunicação realizada entre ambas. É o que ensina Tércio Sampaio Ferraz Jr.5: No sentido etimológico do termo – probatio advém de probus, que deu, em português, prova e probo – provar não significa apenas uma constatação demonstrada de um fato ocorrido – sentido objetivo – mas também aprovar ou fazer aprovar – sentido subjetivo. Fazer aprovar significa a produção de uma espécie de simpatia, capaz de sugerir confiança, bem como a possibilidade de garantir, por critérios de relevância, o entendimento dos fatos num sentido favorável (o que envolve questões de justiça, equidade, bem comum etc). Na mesma linha, segue abaixo a lista de fornecedores pagos pela Recorrente, bem como, a lista de faturamento de venda própria da vendedora para a compradora, ora autuada (relativa a janeiro de 2004). Registro que parte da premissa de que cada planilha apresentada induz à interpretação de que se referem aos meses de janeiro a dezembro de 2004, consecutivamente, segue: Vale ressalvar que em todos os meses, do ano calendário 2004, no início de cada uma das planilhas em que a Recorrente alega haver pago despesas da AGROINDUSTRIAL RENA, há um despesa denominada “caixa”, que no mês em apreço, 5 FERRAZ JÚNIOR, Tércio Sampaio. Introdução ao estudo do direito: técnica, decisão, dominação. São Paulo: Atlas, 1993, p. 291. Fl. 10271DF CARF MF Processo nº 15868.002632/200921 Acórdão n.º 1302002.034 S1C3T2 Fl. 10.257 31 referese ao montante de, quase, R$ 4.800.000,00 mil. Questiono: qual a origem desta “despesa”? Por intermédio destes dados notase uma quantidade muito grande de pagamentos supostamente realizados pela Recorrente, mês a mês, em nome da AGROINDUSTRIAL RENA LTDA, de modo que não pareceria difícil fazer prova de tais pagamentos, bem como, e eventualmente, a existência de documentos eletrônicos (troca de e mails, por exemplo) com informações sobre o pagamento dos fornecedores da vendedora. Porém, nenhuma prova nesse sentido foi colacionada pela Recorrente. Não há uma troca de correspondência que valide o acordo quanto aos pagamentos que deveriam ser efetuados por esta. Vale registrar que as empresas localizamse em regiões geográficas distantes do país (São Paulo e Rondônia), tal fato nos permite entender, sem maiores dificuldades, que o trânsito desse numerário deve ter sido realizado via transferência bancária, ou mesmo, que tais operações demandaram uma troca constante de informações, dados que não parecem demandar grande dificuldade probatória, porém, tal fato não foi realizado pela Recorrente. As planilhas colacionadas aos autos em nada auxiliam sua defesa, posto retratarem muito mais uma espécie de confusão patrimonial, do que uma relação comercial. E registrese que em nenhum momento me posiciono de modo a invalidar operações comerciais cujo pagamento seja quitado de forma indireta, ou seja, por intermédio do pagamento de obrigações da vendedora. Não é disso que se trata. Quanto às declarações de quitação, datadas do dia 01 de cada mês, notase que não há correspondência, em nenhum dos meses, entre o recibo de quitação e as faturas de vendas (coluna da direita). Voltando ao exemplo de janeiro de 2004, temse que a quitação registra o montante de R$ 9.914.853,13, enquanto a planilha de faturamento de venda, da AGROINDUSTRIAL RENA LTDA para a BRACOL HOLDING foi de R$ 12.471.510,80, o que se repete em todos os meses, segundo planilha abaixo: Meses/ 2004 Valor Declarado na Certidão de Quitação Valor dos Títulos Pagos a Terceiros Diferença Janeiro R$ 9.914.853,13 R$ 12.471.510,80 Fevereiro R$ 3.626.599,54 R$ 5.949.919,74 Março R$ 18.553.277,50 R$ 18.553.277,50 Abril R$ 12.511.259,08 R$ 12.732.764,26 Maio R$ 6.600.316,09 R$ 9.606.472,93 Junho R$ 11.614.733,31 R$ 7.502.811,21 Julho R$ 6.655.503,11 R$ 9.400.115,81 Agosto R$ 10.359.130,09 R$ 8.119.850,99 Setembro R$ 9.271.567,09 R$ 9.014.751,91 Outubro R$ 7.078.719,59 R$ 6.898.183,60 Novembro R$ 7.982.837,20 R$ 7.804.957,64 Dezembro R$ 10.137.633,25 R$ 12.425.606,47 Notase, no mês de janeiro a Recorrente quitou débitos da vendedora no valor de R$ 12.471.510,80, representando supostos fornecimentos de insumos. Ora, o que foi feito dessa diferença? A contribuinte supostamente recebeu 12,4 milhões de reais em insumos e supostamente pagou apenas 9,9 milhões de reais? Tal divergência sequer é mencionada, e o mesmo se repete em todos os meses do período autuado, o exercício de 2004. Fl. 10272DF CARF MF 32 Inferese que os documentos denominados de Declaração de Quitação de Pagamento feito pela AGROINDUSTRIAL RENA LTDA à Recorrente, mês a mês, não condizem com os valores apresentados nas planilhas de pagamento de fornecedores anexas. Porém, essa incongruência não é explicada pela contribuinte. Outra informação de difícil compreensão diz respeito a um dos itens pagos, em todos os meses, pela Recorrente à vendedora, a despesa caixa. Melhor elucidando, em todas as planilhas de pagamento de fornecedores consta, em primeiro lugar, uma valor chamado caixa. E aqui questiono, o que representa este item numa planilha de pagamento? Seria um repasse feito, mensalmente, da compradora para a vendedora, em dinheiro? Ou seja, em janeiro de 2004 a Recorrente sacou e repassou à AGROINDUSTRIAL RENA LTDA o valor de R$ 4.756.711,34? Ou, respectivo valor foi repassado por transferência bancaria? Se sim, aonde estão tais provas? Não parece ser essa a realidade fática. 2.3 Questionamentos quanto à base de cálculo A contribuinte aborda dois distintos elementos de defesa com o intuito de desconstituir a base tributável: (i) as aquisições de insumos como custos redutores da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, e, (ii) a bitributação – Agroindustrial Rena Ltda apurou o IRPJ, CSLL, COFINS e a Contribuição para o PIS/PASEP. Em relação a tais alegações, segue trecho completo de sua tese (fls. 9.758): O Auto de Infração ainda merece ser cancelado porque conforme comprova a DIPJ 2005 da Impugnante juntado nestes autos e demais documentos contidos nesta Impugnação, os valores indicados nas Fichas 32 de suas filiais correspondentes as aquisições realizadas da Agroindustrial Rena Ltda não foram apropriadas como custo redutor da base de cálculo do IRPJ e da CSLL em relação ao anocalendário de 2004. Não obstante isto, os AFRs constituíram crédito tributário do IRPJ e da CSLL desconsiderando tal fato e ainda calcularam juros de mora como se tivesse existido tributo devido desde o período abrangido pela competência de 2004. Tal fato implica nulidade do Auto de Infração, por ter constituído crédito tributário sem qualquer fundamentação legal e motivação fática existente. (...) (...) a paritr do momento que a fiscalização exige IRPJ e CSLL da Impugnante esta tributando por 2 (duas) vezes o mesmo fato gerador, por já terem sido os mesmos considerados pela Agroindustrial Rena Ltda. na sua apuração de tributos federais devidos algo inadmissível por implicar bitributação vedada pela legislação. Este juízo também deve considerar, por outro lado, que a Agroindustrial Rena Ltda registrou os valores provenientes das transações comerciais com a Impugnante como receitas de venda de produção própria, apurando os tributos federais devidos sobre tais quantias, justificando para a Impugante o registro de tais valores da forma realizada na sua contabilidade e gerando a impossibilidade de ser mantida a autuação porque, com isto, existiria uma nítida contradição praticada pela fiscalização federal. Defende a Recorrente que em razão de as mercadorias adquiridas terem tido seu custo glosado pela fiscalização, a tributação haveria ocorrido em duplicidade, em razão de os mesmos terem sido registrados pela AGROINDUSTRIAL RENA na apuração de seus tributos. Em breves palavras, nenhuma das duas alegações deve prosperar, a primeira, porque Fl. 10273DF CARF MF Processo nº 15868.002632/200921 Acórdão n.º 1302002.034 S1C3T2 Fl. 10.258 33 seus custos foram sim apropriados como custos redutores da base de cálculo; quanto à segunda, em apertada síntese, a tributação das operações realizadas pela contribuinte e a tributação das operações empreendidas pela AGROINDUSTRIAL RENA, não tratamse de mesmo fato gerador, cada uma foi tributada pela operação que deu causa, são empresas distintas, pessoas jurídicas independentes, nos termos dos documentos anexados, ou seja, não há que se falar em bitributação. De modo que rejeito tais argumentos. 2.4 Dos livros contábeis Por concordar com as conclusões constantes do acórdão proferido pela 3a Turma da DRJ/RPO, no que pertine aos livros contábeis apresentados pela parte, a transcrevo: "Verificase que o livro Diário apresentado não atendeu à exigência fixada no Decretolei nº 486, de 1969, art.5º, § 2º, ou seja, não foi submetido ao registro e à autenticação no órgão competente do Registro de Comércio, não se prestando para fazer a comprovação desejada. Os demais livros por não precisarem de registro no competente órgão de registro de comércio, podem ser escriturados a qualquer tempo, o que os torna insuficientes como prova no presente caso. (...) As cópias do livro Registro de Entrada das filiais da contribuinte, apresentadas na impugnação (fls. 1735 a 3425), não se prestam a comprovar as aquisições de mercadorias da empresa Agroindustrial, pois não se fizeram acompanhar dos documentos que provam a efetiva entrada das mercadorias nos estabelecimentos da autuada e o efetivo pagamento de tais compras, além do fato de que referidos livros não foram registrados no órgão de Registro de Comércio, como determina o RIR, de 1999, art. 260, § 2º. Esclareçase que, no caso em tela, seria necessária a apresentação do livro Diário, tempestivamente escriturado pela contribuinte, registrado e autenticado no Registro de Comércio, acompanhado de toda a documentação relativa às aquisições feitas da empresa Agroindustrial e, ainda, dos comprovantes de que as mercadorias adquiridas efetivamente ingressaram no estabelecimento da contribuinte, tais como comprovantes de transporte das mercadorias e do pagamento a ele relativo. Seria imprescindível, também, a comprovação, de forma inequívoca, do efetivo pagamento à empresa fornecedora (Agroindustrial), o que não ocorreu." (sem destaque no original) Assim, todos os documentos apresentados pela contribuinte foram produzidos de forma unilateral, e sem controle quanto ao tempo de sua expedição, razão pela qual são imprestáveis para comprovar a entrada dos insumos nos estabelecimentos da Recorrente. Ainda nos termos do acórdão recorrido: "Não existe qualquer comprovante de pagamento efetuado pela contribuinte à empresa Agroindustrial, decorrente das aquisições de mercadorias estampadas nas notas fiscais de venda apresentadas na impugnação (fls. 1274 a 1733). Tampouco, qualquer registro contábil dos pagamentos alegados. Dispõe o RIR, de 1999, a respeito da escrituração: Art.251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 7º). Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no Fl. 10274DF CARF MF 34 exterior (Lei nº 2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 25). Art.258. Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de Livro Diário, encadernado com folhas numeradas seguidamente, em que serão lançados, dia a dia, diretamente ou por reprodução, os atos ou operações da atividade, ou que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial da pessoa jurídica (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º). Art.259. A pessoa jurídica tributada com base no lucro real deverá manter, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário, mantidas as demais exigências e condições previstas na legislação (Lei nº 8.218, de 1991, art. 14, e Lei nº 8.383, de 1991, art. 62). E a respeito da prova dos fatos registrados na contabilidade, dispõe o art. 923 daquele Regulamento: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). (ressaltei) Assim, tendo sido glosados, por falta de comprovação, os custos relativos às aquisições feitas da empresa ligada à contribuinte, caberia a ela comprovar a efetividade (do pagamento inclusive) dos custos considerados na apuração do lucro tributável, escriturando todas as suas operações e mantendo todos os comprovantes que embasam esta escrituração. O que não ocorreu no presente caso." Em relação à farta documentação apresentada pela parte, possivelmente pretendeu fazer prova quanto à real existência da empresa vendedora, declarandoa atuante, operacional. No entanto, é válido lembrar que o objeto de investigação destes autos é a BRACOL HOLDING, e não a AGROINDUSTRIAL RENA LTDA, afirmase tal fato uma vez que buscase a aferição de uma relação de compra e venda entre ambas, ou seja, provas que diga sobre a veracidade da operação. Neste tom, pretendeu a contribuinte, com a apresentação de determinadas provas (relativas à saída de mercadoria do estabelecimento da vendedora, o carimbo de travessia em alguns Estados, a emissão de documentos fiscais, entre outros) comprovar a validade das operações questionadas. Ocorre que tais provas não alcançaram o objetivo pretendido. Pois bem, dentre 9.500 documentos juntados pelo sujeito passivo, não consigo respaldar a veracidade das alegações apontadas pela contribuinte, seja pela inaptidão da documentação trazida, ou pela ausência de clareza na condução de raciocínio a que se pretendeu com a juntada da referida documentação, ou mesmo porque, 90% destes documentos não referemse à Recorrente. Nesses termos, nego provimento ao pedido da contribuinte no sentido de que seja reconhecida a operação comercial de aquisição de insumos/mercadorias da AGROINDUSTRIAL RENAL no ano de 2004. De tal modo, mantenho a glosa realizada pela fiscalização. 3. Da Responsabilidade Tributária: interesse comum Fl. 10275DF CARF MF Processo nº 15868.002632/200921 Acórdão n.º 1302002.034 S1C3T2 Fl. 10.259 35 No que pertine à responsabilidade tributária, vale transcrição de parte da perspectiva constituída pela Autoridade Fiscalizadora, no Termo de Verificação Fiscal, em razão do procedimento investigatório, segue: Por que, o sujeito passivo, apesar de intimado e reintimado, não quer apresentar os elementos exigidos pela fiscalização? Não quer apresentar porque os Senhores Fernando Antônio Bertin, Silmar Roberto Bertin e Reinando Bertin constituíram ilegalmente a empresa Agroindustrial Rena Ltda (...) e a utilizaram para simular operações comerciais de venda de insumos ao sujeito passivo ora fiscalizado (Bracol Holding Ltda), também de propriedade deles. Posteriormente, os Senhores Fernando, Antônio e Silmar, para fugirem do cumprimento das obrigações fiscais da Agroindustrial Rena Ltda, simularam a transferência do controle societário da mesma para os senhores José Banhara e Manoel Gersino Orzelin. Em outras palavras a empresa Agroindustrial Rena Ltda foi criada por pessoas da família "Bertin" para dar contornos de legalidade às supostas "vendas" de insumos para a Bracol Holding Ltda, com a respectiva emissão de notas fiscais, a fim de que esta majorasse artificialmente os custos, subtraindo parte de seus lucros à tributação e, ainda, considerasse os valores como base de cálculo para apuração de créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Para comprovar o que afirmamos no parágrafo anterior vamos aos fatos. Naquele momento consultamos os sistemas da Receita Federal e verificamos que os sócios atuais da referida empresa eram pessoas de patrimônio irrisório, residentes em Lins e Sabino (SP), e que muito provavelmente seriam "laranjas". Mais adiante verificaremos que esta suspeita da fiscalização se confirmou. (...) Dentre os elementos exigidos solicitamos inclusive a cópia dos cheques utilizados para realizar os pagamentos para a Agroindustrial Rena Ltda. Mais uma vez nenhum documento foi apresentado. Como tinhamos certeza de que os sócios de direito da empresa Agroindustrial Rena Ltda eram “laranjas" e os seus verdadeiros sócios (sócios de fato) eram também sócios de direito da empresa Bracol Holding Ltda (...) Em vez disso, resolvemos diligenciar junto às pessoas que constam nos sistemas da Receita Federal como sendo os sócios de direito da empresa Agroindustrial Rena Ltda, senhores José Banhara e Manoel Gersino Orzelin, residentes em Lins e Sabino (SP), respectivamente. (...) Já de imediato verificamos que os endereços dos senhores José Banhara e Manoel Gersino Orzelin informados para a Junta Comercial divergiam dos que constam nos cadastros existentes nos sistemas da Receita Federal do Brasil. Em 30/10/2009, nos dirigimos até Lins e Sabino (SP), nos endereços constantes nos cadastros dos sistemas da Receita Federal do Brasil como sendo dos Senhores José Banhara e Manoel Gersino Orzelin, para deles obtermos esclarecimentos. O Sr. José Banhara prestou declarações, que foram registradas no Termo de Declaração, de 30/10/2009, cuja cópia integra o processo às fls. 159 e 160. No quadro abaixo reproduzimos as declarações por ele prestadas: Declarou que: 1. Nunca em sua vida foi sócio de quaisquer empresas; Fl. 10276DF CARF MF 36 2. Nunca ouviu falar da empresa Agroindustrial Rena Ltda CNPJ 03.352.718/000135; 3. Faz 27 anos que reside na Rua Regente Feijó, n° 140 em Lins (SP); 4. Nunca residiu na Rua Fernão Dias, 264 Apto 53 em São Paulo (SP); 5. Não conhece o Sr. Manoel Gersino Orzelin, que consta como sócio da empresa Agroindustrial Rena Ltda; e Ltda; e 6. Em toda a sua vida trabalhou como empregado em propriedades rurais na cidade de Sabino e, posteriormente, na cidade de Lins (SP), também como empregado do Frigorífico Bertin até aproximadamente o ano de 1994 A Sra. Maria José Rosa Orzelin, esposa do Sr. Manoel José Orzelim, já falecido, prestou declarações, que foram registradas no Termo de Declaração, de 30/10/2009, cuja cópia integra o processo às fis. 162 e 163. No quadro abaixo reproduzimos as declarações por ela prestadas: (...) 1. Eis aí então a comprovação de que os sócios de direito da empresa Agroindustrial Rena Ltda continuam sendo os senhores Fernando Antônio Bertin, Silmar Roberto Bertin e Reinaldo Bertin e que estes, para fugirem do cumprimento das obrigações fiscais da Agroindustrial Rena Ltda, simularam a transferência do controle societário da mesma para os senhores José Banhara e Manoel Gersino Orzelin. Em razão disso será formalizada representação fiscal para fins penais, bem como representação para a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Osasco (SP) declarar a nulidade da referida transferência societária e regularizar as informações constantes dos sistemas da Receita Federal. Não há duvidas que os Senhores José Banhara e Manoel Gersino Orzelin, comprovadamente pessoas de origem humilde, que foram empregados da família "Bertin", não teriam a menor condição de se tornarem sócios da Agroindustrial Rena Ltda. E notório que estas pessoas tiveram seus nomes utilizados pelos Senhores Fernando Antônio Bertin, Silmar Roberto Bertin e Reinaldo Bertin. Outros fatos comprobatórios tanto da simulação da transferência societária como da simulação das transações comerciais merecem ser destacados. Eilos: 1. Consultamos os sistemas da Receita Federal do Brasil e verificamos que neles consta a informação de que os sócios Fernando Antônio Bertin, Silmar Roberto Bertin e Reinaldo Bertin foram excluídos do quadro societário da empresa Agroindustrial Rena Ltda em 11/07/2007. Apesar disso, verificamos que na DIPJ/2008, entregue em 30/06/2008, consta como representante da pessoa jurídica o Sr. Fernando Antônio Bertin e como responsável pelo preenchimento o contador Sr. Gilson Aparecido Teixeira, com endereço eletrônico: (...) que é empregado da família "Bertin". (...) 2. Verificamos que a entrega das DIPJ 2008 tanto da Agroindustrial Rena Ltda como Bracol Holding Ltda foi realizada em 30/06/2008 tendo sido as transmissões pela internet originadas através do mesmo IP (200.210.214.135). (...) 3. Verificamos que a entrega da DIPJ 2009 da Bracol Holding Ltda e a Declaração PJ Inativas 2009 da Agroindustrial Rena Ltda foi realizada em 15/10/2009 e 08/10/2009, respectivamente, tendo sido as transmissões pela internet originadas através do mesmo IP (...) 4. Pesquisamos no site registro de domínios para a internet do Brasil os IP 200.21.0.214.135 e 200.210.214.220 e verificamos que ambos estão registrados em nome de Bertin Ltda, antiga denominação da atual Bracol Holding Ltda. As consultas foram juntadas às fls. 178 e 179. Fl. 10277DF CARF MF Processo nº 15868.002632/200921 Acórdão n.º 1302002.034 S1C3T2 Fl. 10.260 37 5. Se pessoas da família "Bertin" não são mais sócios da Agroindustrial Rena Ltda desde 11/07/2007, por qual razão continuaram entregando as declarações da mesma em 2008 e 2009? Ora, fica claro que os seus sócios continuam sendo os Senhores Fernando Antônio Bertin, Silmar Roberto Bertin e Reinaldo Bertin. (...) Diante dos fatos já expostos configurase também a existência da responsabilidade solidária dos sócios administradores da Agroindustrial Rena Ltda (Senhores Silmar Roberto Bertin, Fernando Antônio Bertin e Reinaldo Bertin) que também são sócios de forma direta ou indireta da empresa Bracol Holding Ltdal Vejamos o que dispõem os artigos 121 e 124 doCTN. (...) Por que devem ser solidários? Aqui convém repetirmos o que já dissemos anteriormente. Os Senhores Fernando Antônio Bertin, Silmar Roberto Bertin e Reinando Bertin constituíram legalmente a empresa Agroindustrial Rena Ltda CNPJ 03.352.718/000135 e a utilizaram para simular operações comerciais de venda de insumos ao sujeito passivo ora fiscalizado (Bracol Holding Ltda), também de propriedade deles. Posteriormente, os Senhores Fernando, Antônio e Silmar, para fugirem do cumprimento das obrigações fiscais da Agroindustrial Rena Ltda, simularam a transferência do controle societário da mesma para os senhores José Banhara e Manoel Gersino Orzelin. Em outras palavras a empresa Agroindustrial Rena Ltda foi criada para dar contornos de legalidade às supostas "vendas" de insumos para a Bracol Holding Ltda, com a respectiva emissão de notas fiscais, a fim de que esta majorasse artificialmente os custos, subtraindo parte de seus lucros à tributação e, ainda, considerasse os valores como base de cálculo para apuração de créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Concluise então que os Senhores Silmar Roberto Bertin, Fernando Antônio Bertin e Reinaldo Bertin tiveram interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias tratadas no presente termo, sendo, portanto, solidariamente obrigados ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, de acordo com os artigos 121 e 124 do CTN. (...) Finalmente, deve ser registrado que no decorrer da ação fiscal é procedimento rotineiro do sujeito passivo não apresentar nenhum elemento exigido pela fiscalização, e, posteriormente, nas impugnações, dentre as inúmeras alegações, alegar que os documentos foram apresentados e que os Auditores deveriam têlos analisado. Este procedimento caracteriza máfé do sujeito passivo. Mas, já que os sócios administradores da Agroindustrial Rena Ltda são também sócios da Bracol Holding Ltda, se realmente desejam comprovar a existência das operações comerciais entre Bracol Holding Ltda e Agroindustrial Rena Ltda, que apresentem, ainda que na impugnação, os extratos bancários em nome da empresa. A Turma Julgadora manteve os responsáveis tributários na lide sob os seguintes argumentos: Os autuantes caracterizaram a sujeição passiva solidária nos termos do citado art. 124, I, do CTN, em relação aos sócios da fiscalizada (que também são sócios da Agroindustrial Rena Ltda.), tendo em vista que não se comprovou a efetividade das operações comerciais que se diz realizadas entre as duas empresas. A contribuinte, apesar de intimada e reintimada, não apresentou nenhum documento que comprovasse as supostas aquisições realizadas junto à Agroindustrial Rena Ltda. e os respectivos pagamentos, tendo apropriado indevidamente custos no valor de R$ 113.006.809,32, majorandoos artificialmente, subtraindo parte de seus lucros à tributação. Constam, no processo, as provas de que, apesar de terem simulado a transferência do controle societário da empresa Agroindustrial Rena Ltda. para Fl. 10278DF CARF MF 38 José Banhara e Manoel Gersino Orzelin, os sócios Fernando, Antônio e Silmar continuaram a atuar naquela empresa. O art. 124 do CTN prescreve que as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, são solidariamente obrigadas, situação esta em que se inserem os sóciosadministradores da Bracol, por deterem poder de mando na sociedade empresária e por terem apropriado indevidamente os custos, reduzindo o lucro, relativamente ao anocalendário de 2004, o que resultou em ganho para eles, dado que os tributos devidos não foram carreados aos cofres públicos. A extensão transcrição justificase para permitir o maior detalhamento possível dos argumentos utilizados pela fiscalização para imputar responsabilidade às pessoas físicas. Pois bem. Nos trechos acima colacionados, três situações fáticas chamam a atenção: (i) o inconformismo da fiscalização com o não atendimento da Recorrente às suas intimações, (ii) a conclusão a que chegou de que a AGROINDUSTRIAL RENA foi constituída, legalmente, com fins a simular operações comerciais para beneficiar a contribuinte e, (iii) o fato de que os sócios administradores, ora responsáveis tributários, deixaram os quadros societários da empresa e colocam “laranjas” em seu lugar. No presente caso, conforme se depreende do TVF, a fiscalização imputa aos contribuintes a responsabilidade solidaria por interesse comum. Com efeito, devo dizer, segundo lições de Andréa Medrado Darzé, que não é qualquer interesse comum que será considerado suficiente para imputar solidariedade, mas sim interesse na “relação jurídica que constitui o antecedente da regramatriz de incidência tributária”, ou seja: O mero interesse social, moral ou econômico no pressuposto fáctico do tributo não autoriza a aplicação do artigo 124, I, do CTN. Deve haver interesse jurídico comum, que surge a partir da existência de direitos e deveres idênticos, entre pessoas situadas no mesmo polo da relação jurídica de direito privado tomada pelo legislador como suporte factual da incidência do tributo, ou mais de uma pessoa realizando o verbo eleito como critério material do tributo, quando esta representar uma situação jurídica. (DARZÉ, Andréa M. Responsabilidade tributária: solidariedade e subsidiariedade. São Paulo: Noeses, 2010, fls. 231) Estabelecido esse raciocínio, retomo a argumentação utilizada pela fiscalização, segundo a qual os solidários utilizaram a sociedade empresária AGROINDUSTRIAL RENA para simular a criação de despesas, objeto das glosas. Neste aspecto, no entanto, a parte as alegações e conclusões da fiscalização, a Recorrente anexa uma quantidade enorme de documentos com fins à comprovar a existência, de fato e de direito da AGROINDUSTRIAL RENA LTDA. No que pertine à documentação colacionada aos autos pela contribuinte, vale registrar que este processo administrativo contém, até o presente momento, pouco mais de 10.000 folhas, divididos em mais de 50 (cinquenta) volumes, dos quais, aproximadamente, 9.500 folhas dizem respeito à documentação relativa à informações da vendedora. Noutro giro, a Recorrente anexa inúmeros documentos, inclusive, comprovante de conta telefônica da AGROINDUSTRIAL RENA LTDA (volume 42, primeira parte, fls. 8.306/8.473 e 9.136/9.142). Apresenta RAIS onde consta, aproximadamente, 500 empregados. Ante o exposto, e sem maiores delongas, reconheço a existência desta empresa. Fl. 10279DF CARF MF Processo nº 15868.002632/200921 Acórdão n.º 1302002.034 S1C3T2 Fl. 10.261 39 Neste termos, parece desproporcional a conclusão a que chegou a Autoridade Fiscal de que a AGROINDUSTRIAL RENA seria uma empresa “fictícia”, constituída com o simples intuito de criar despesas para outras empresas do mesmo grupo econômico. Vide a enormidade de documentos existente, desta empresa, nos autos. Ademais, retomando a premissa do que entendese por interesse comum, não parece adequado estender a responsabilidade tributária, via solidariedade, aos sócios pelo simples fato de serem administradores, pois, se assim o fosse, não haveria razão de existir o art. 134 do CTN. Veja bem, superficialmente, por mais tentadora que possa parecer a aplicação da solidariedade pelo interesse comum da entidade com o sócio adminstrador, uma análise mais detida levará a compreender o contrário, tendo em vista que ao assim fazer, praticamente em todo e qualquer ato praticado pela empresa, seriam os sócios responsabilizados pelo simples fato de serem “sócios administradores. Se assim o fosse, não existiria coerência alguma quanto à distinção entre pessoas físicas e jurídicas. Como é sabido o direito cria suas próprias realidades, como exemplo, para o direito o navio é um bem móvel, mas todos nós o vemos se mover. Quanto ao fato de os responsáveis tributários haverem saído da empresa com fins a se eximir de suas responsabilidades com o Fisco, tal argumento deve ser analisado mediante análise ampla de todo o contexto em que realizada tal fiscalização. Melhor elucidando. A materialidade autuada ocorreu em 2004, a fiscalização ocorreu em 2009, os sócios administradores saíram dos quadros da empresa em 2007, e, entre sua saída da sociedade e o início da fiscalização, a Recorrente passou por denso e notório processo de incorporação pelo Grupo JBS. Em outras linhas, cabe ressalvar que durante a fiscalização, o grupo que respondeu à Autoridade Fiscal não era o grupo presente à época da ocorrência da materialidade. Nestes termos, não coaduno com o entendimento da fiscalização, porquanto, por mais que sócios administradores tenham poder de decisão, entendo que interesse comum não se confunde com interesse econômico. Isso posto, afasto a responsabilidade tributária dos sócios administradores SILMAR ROBERTO BERTIN, FERNANDO ANTÔNIO ROBERTO BERTIN, e REINALDO BERTIN. 4. Da Multa de Ofício Agravada No que pertine à multa de ofício agravada, dispõe o Termo de Verificação Fiscal (fls. 204/212): Em razão do sujeito, depois de intimado e reintimado não ter apresentado nenhum dos elementos exigidos pela fiscalização, nem mesmo a escrituração contábil e fiscal, a exigência tributária será feita com a multa de ofício agravada para cento e doze e meio por cento. (Sem sublinhados no original.) Por sua vez, colaciono os fundamentos utilizados pela 3a Turma da DRJ/RPO para afastala: Fl. 10280DF CARF MF 40 Quanto à multa de ofício de 112,5%, cabe citar o disposto na Lei nº 9.430, de 1996, art. 44, I e § 2º, na qual foi baseada a sua aplicação, com a redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997: (...) Excluídas as hipóteses previstas nas alíneas b e c, que não alcançam o caso em questão, resta analisar se ocorreu o fato previsto na alínea a do citado parágrafo 2º. Considerando que “esclarecer” significa explicar, elucidar, deslindar, no sentido de tornar claro, inteligível, dando compreensão ao que é esclarecido (segundo Novo Dicionário Eletrônico Aurélio versão 5.11 e Dicionário Houaiss de Sinônimos e Antônimos), reputase que a não apresentação dos documentos solicitados não pode ser justificativa para a majoração da multa em 50%. Acreditase que, se fosse essa a intenção do legislador, teria expressamente previsto que a não apresentação de documentação ensejaria a majoração da multa em 50%, não somente a falta de esclarecimentos. Da análise dos autos constatase, com relação à questão da multa, que a contribuinte foi intimada (fls. 130/132 e 140/141) a apresentar documentos e o razão da conta 21101068302, não tendo atendido às solicitações. Foramlhe solicitados documentos, não esclarecimentos, o que afasta a aplicação da citada norma. Dessa forma, cabe reduzir a multa de ofício de 112,5% para 75%. Em sua peça recursal a contribuinte sustenta que: 105. 0 Auto de Infração também deve ser reformado por ter aplicado contra a empresa a multa agravada de 112,50% (cento e doz inteiros e cinquenta centésimos por cento). 106. Não está presente nenhuma das hipóteses previstas no parágrafo 2°, do artigo 44 da Lei Ordinária n° 9.430, de 30 de dezembr de 1996, ocasionando a nulidade da autuação fiscal, porque a Impugnante somente não apresentou todos os documentos fiscais exigidos porque os mesmos não encontravamse em seu poder e diante do curto praz concedido para o levantamento de todos os documentos por serem de período superior a 5 (cinco) anos. 107. Tal circunstância está comprovada nestes autos e, em nenhum momento, a fiscalização prestou qualquer justificativa relacionada a supracitada alegação demonstrando não ser possível aplicar a multa agravada contra a empresa. (Sem grifo no original) Pois bem, à discussão delineada acrescentase o teor da Súmula n. 96 do CARF, que retrata as autuações federais que trazem em seu bojo a imputação de multa agravada, em razão da não apresentação, quando intimado a fazêlo, de documentos fiscais e comerciais, que prescreve: A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de ofício, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. Com base neste enunciado observase que a súmula CARF exige a presença de dois requisitos à sua aplicação, o primeiro, que a contribuinte não apresente os documentos exigidos pelo Fisco; segundo, que além deste fato, ocorra algo mais. Noutros termos, o enunciado revela que a imputação da penalidade será devida quando coexistir o descumprimento da entrega de documentos acrescido de outro fato. Isso porque a súmula fala Fl. 10281DF CARF MF Processo nº 15868.002632/200921 Acórdão n.º 1302002.034 S1C3T2 Fl. 10.262 41 que a falta de apresentação, ‘por si só’, não enseja a incidência da multa, ou seja, tal dado é insuficiente para validar o agravamento da pena, sendo necessário a ocorrência de outro fato, assim, conjugados os dois fatores, cabível será o agravamento. Esse desdobramento (duas premissas), imprescindível à aplicação da súmula, chama a atenção para os aspectos que podem permear os dois fundamentos. Vejamos os separadamente. No caso da primeira premissa, cujo critério é a não apresentação dos documentos exigidos pelo Fisco, há que se estabelecer os limites dessa ausência cometida pela contribuinte. Isso porque, nos julgamentos realizados no CARF, há divergência entre os conselheiros sobre os limites dessa não apresentação, ou seja, neste caso devese entender como não apresentação dos documentos, (i) a não entrega de nada, o silêncio e omissão total da contribuinte, de modo a retardar o trabalho da fiscalização no tempo, (ii) ou, a apresentação de algo, ainda que de modo incompleto, podendose entender como um comportamento positivo, a resposta da contribuinte à fiscalização, diferentemente do comportamento negativo, do primeiro caso. Quanto à segunda premissa, a ocorrência de algo mais. Para isso, é necessário que ocorra algo mais, e o que seria isso? Quais elementos, que conjugados à não entrega dos documentos, permitiriam a aplicação da multa agravada pelo Fisco, e sua manutenção pelo CARF? Em análise aos precedentes da referida súmula6, com o intuito de tentar aclarar a extensão e limites do enunciado da referida norma, não foi possível compreender o real fundamento de validade e os direitos por ela tutelado. Uma vez que, vêse, basicamente, que quatro são os posicionamentos basilares das decisões supracitadas. Passo a explicálos: a) que a circunstância que caracteriza um fato típico, não pode ser, ao mesmo tempo, a pena e o respectivo caso de aumento de pena, considerando a previsão de apenas um fato típico para ambos (Acórdão nº 1402001.416, 10707.922); b) que o motivo originador do agravamento não pode ser a não entrega do livro contábil e/ou documentos fiscais, considerando que o lucro adotado será o arbitrado, conforme a legislação específica, que em nada interferirá no procedimento fiscal, considerando que a base de cálculo e os valores dela decorrentes se constituirão a partir de tal mecanismo. Assim, não haveria que se falar em embaraço no procedimento fiscal, haja vista a ausência de prejuízo na apuração dos valores devidos pela contribuinte (Acórdão nº 9101 001.468, 10195.544, 1202000990, 1401000.788 e 9101000766); c) que somente poderá ser aplicada a multa agravada se ocorrer o completo desatendimento às intimações, isto é, se não for cumprida nenhuma delas (Acórdão nº 1301001.22), e; 6 Quais sejam, os acórdãos nº 9101001.468, de 16/08/2012; nº 9101000.766, de 13/12/2010; nº 10197.110, de 04/02/2009; nº 10707.922, de 27/01/2005; nº 1202000.990, de 12/06/2013; nº 1301001.202, de 07/05/2013; nº 1301001.233, de 12/06/2013; nº 1302000.993, de 03/10/2012; nº 1302000.393, de 10/11/2010; nº 1401 000.788, de 09/05/2012; nº 1402001.416, de 10/07/2013; nº 10323.005, de 26/04/2007; nº 10708.642, de 26/7/2006; nº 10195.544, de 24/05/2006; nº 10194.147, de 19/3/2003. Fl. 10282DF CARF MF 42 d) que determinada hipótese de incidência não pode implicar em mais de um consequente dentro de mesma esfera, considerando a impossibilidade de ocorrência do bis in idem no direito pátrio (Acórdão nº 1302000.003, 101 97.110, 103230.05, 107– 08.642 e 10194.147). Realizada tal digressão, colaciono, inclusive, retrato de trecho do Termo de Verificação Fiscal (fls. 02), oportunidade em que a própria fiscalização reconheceu ter a contribuinte apresentado prova escrita. Senão veja: Nesses termos, levando em consideração que a contribuinte colaborou, ainda que de forma divergente do que pretendia a fiscalização, afasto a aplicação da multa agravada, e sigo o posicionamento da DRJ/RPO ao rejeitar a aplicação da multa de ofício agravada. 5. Do Lançamento Reflexo Quanto ao lançamento reflexo da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, são essas as palavras da DRJ: Relativamente ao auto de infração reflexo (CSLL), sendo decorrente da mesma infração tributária que motivou a autuação relativa ao IRPJ, deverá ser aplicada idêntica solução, em face da estreita relação de causa e efeito. Em breves linhas, adoto mesmo procedimento, o qual é pacífico neste Conselho Administrativo, entendendo que a ocorrência de eventos que representem, ao mesmo tempo, materialidade de vários tributos, no caso dos autos, também, conduzem à obrigatoriedade de constituição dos respectivos créditos tributários. CONCLUSÃO Ante todo exposto, conheço os Recursos Voluntário e de Ofício, e, concluo meu voto no sentido de: Fl. 10283DF CARF MF Processo nº 15868.002632/200921 Acórdão n.º 1302002.034 S1C3T2 Fl. 10.263 43 i) rejeitar o pedido de diligência, nos termos em que formulado em peça defensória; ii) rejeitar o pleito de reconhecimento de todas as preliminares arguidas pela parte; iii) rejeitar o reconhecimento da decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário em desfavor da contribuinte, com fundamento no art. 150, parágrafo 4o, do CTN; iv) manter a glosa de insumos/matérias primas adquiridos da AGROINDUSTRIAL RENA LTDA, no exercício de 2004; v) excluir do polo passivo da lide todos os responsáveis tributários pessoas físicas; vi) por fim, assim como no Acórdão n. 1428.812 proferido pela 3a Turma da DRJ/SPO, rejeitar a aplicação da multa de ofício agravada. Esse foi o voto da Conselheira Talita Pimenta Félix. (assinado digitalmente) Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado. Voto Vencedor Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior Redator Designado. Peço vênia a I. Relatora, para divergir de seu voto no tocante apenas a questão de mérito, pois o acompanho integralmente no que tange às preliminares suscitadas. Vejamos, então, as razões pelas quais divirjo, no mérito, do voto da I. Relatora. É patente que os sócios da Bracol constituíram laranjas para transferirem suas participações na Rena: seja pela falta capacidade econômica dos laranjas para figurarem como compradores da participação na Rena; seja porque declararam como local de residência o endereço de empregado da família Bertin; seja porque a DIPJ da Rena continuou a ser elaborada e apresentada por Fernando Bertin com a ajuda de seu empregado, inclusive enviada por computador da Bertin, conforme provou a fiscalização com a verificação do IP. Ocorre que tal simulação só teria relevância para fins fiscais se restasse comprovado alguma redução do ônus tributário. Ou seja, a simulação é relevante para fins tributário, quando o fato simulado tornase tributariamente menos oneroso do que o fato dissimulado (omitido). Assim, há que se perquirir qual a vantagem tributária gerada para as partes envolvidas com a transferência simulada da participação na Rena? Prima facie, poderíamos dizer que houve uma tentativa de afastar a responsabilidade pessoal e solidária dos Fl. 10284DF CARF MF 44 verdadeiros sócios da Rena, por eventuais atos praticados. Contudo, isso só teria relevo se demonstrado que houve redução indevida das bases tributáveis. Assim, há que se salientar que a alegação de que foi criada receita na Rena para que fosse criado custo na Bracol não faz sentido, se as duas estavam submetidas ao lucro real. Ou seja, de que adiantaria a criação de despesa na recorrente, se a receita criada na Rena geraria tributo no mesmo montante. Notese que o autuante não demonstra, aliás sequer tenta demonstrar tal vantagem auferida pela recorrente. Noutro giro, poderia ser sustentado que a Rena estivesse formando passivos tributários para nunca serem pagos, o que encontraria indício no fato de que houve a transferência de participação para laranjas. Entretanto, os autuantes também não afirmam isso expressamente, nem sequer apontam a existência de dívidas tributárias da Rena. A acusação fiscal, em verdade, reside na afirmação de que restaria demonstrado que não houve a venda de insumos pela Rena para a recorrente, se não vejamos o seguinte parágrafo do TVF: 6. A empresa Agroindustrial Rena Ltda informou na ficha 34 da DIPJ 2005 cinco destinatários de produtos. Dentre estes destinatários há três estabelecimentos filiais da Bracol Holding Ltda e a soma dos valores a eles atribuídos representa 98,58% de R$ 117.844.383,20 (total das vendas). Na ficha 35 da mesma DIPJ a empresa Agroindustrial Rena Ltda informou que deu saída de apenas três produtos (couro wet blue, aparas e sebo industrial) no valor, total de R$ 117.844.383,20. Já a empresa Bracol Holding Ltda informou na ficha 32 da DIPJ 2005 que o seu estabelecimento de CNPJ 01.597.168/0011/60 adquiriu da Agroindustrial Rena Ltda apenas dois produtos (raspas e cabeças tratadas branqueadas e ossos de raspa bovina) no valor total de R$ 20.812.600,05. Uma vendeu couro e a outra comprou osso? Ora, fica claro para esta fiscalização que as operações comerciais não existiram. As consultas foram juntadas As fls. 106 e 165 a 168. Ao se compulsar as DIPJs da Rena e da recorrente, verificamos que as informações acima são um pouco diferentes, se não vejamos: Na DIPJ da Rena (a fls. 572), consta que ele vendeu R$ 117.844.383,20 das seguintes mercadorias: CNPJ 03.352.718/000135 Ficha 35 Saídas de Produtos/Mercadorias/Insumos CNPJ do Estabelecimento: 03.352.718/000135 Ordem Classif. Fiscal Ex Insumos/Mercadorias Valor Subst. Tribut. 001 4104.11.14 …….COURO WET BLUE …….109.959.634,26 002 4104.11.29 …….APARAS……………………..7.153.942,94 003 1502.00.12 …….SEBO INDUSTRIAL…………. 730.806,00 TOTAL…………………………………………… 117.844.383,20 Tendo como compradores as seguintes pessoas (a fls. 571): 001… 01.597.168/000601…… 110.239.855,59 002… 01.597.168/001160……... 5.485.350,05 Fl. 10285DF CARF MF Processo nº 15868.002632/200921 Acórdão n.º 1302002.034 S1C3T2 Fl. 10.264 45 003… 03.324.147/000125 ………1.401.520,23 004… 01.597.168/000784 ………..450.584,67 005… 06:538.082/000109 ………..267.072,66 ___________________________________________ Total …………………………...117.844.383,20 Apenas os compradores 003 e 005 não são estabelecimentos da recorrente, assim, a Rena declarou que vendeu um total de R$ 116.175.790,00 a recorrente. Por sua vez, ao compulsarmos a DIPJ da recorrente (a fls. 6 e segs.), verificamos que: A) Filial 01.597.168/000601 A.1) A fls. 85, na Ficha 32, a recorrente declarou que comprou da Rena (03.352.718/000135), por meio da sua filial (01.597.168/000601), o seguinte valor: 013……… 03.352.718/000135…… 107.132.624,60 A fls. 86 (ficha 33), a recorrente declarou que os insumos comprado por esta filial referemse a: 1502.00.12…….. PRODUTO QUIMICO RETANAL…….. 4.797.785,64 1502.00.19…….. SEBO BOVINO………………………… 204.930.684,02 2815.12:00……. SODA CAUSTICA ………………………..12.903.484,76 2833.23.00……. PRODUTO QUIMICO CROMO ……………8.090.644,12 3202.10.00……..PRODUTO QUIMICO BASYNTAN…… 17.598.660,18 4101.50.10……. COURO VERDE………………………….. 65.351.682,60 4104.11.24……..COURO WET BLUE……………………… 235.155.739,72 4107.12.20 …….COURO ………………………………………50.452.496,47 Por esse item, não há qualquer descompasso com a Dipj da Rena, pois o R$ 107.132.624,60 poderiam se tratar de sebo ou couro wet blue. A.2) A fls. 87, na Ficha 34, a recorrente declarou que comprou da Rena (03.352.718/000135), por meio da sua filial 01.597.168/000601, o seguintes valor: 014…………. 03.352.718/000135………. 2.476.237,25 A fls. 87, a recorrente declarou que os insumos comprado por esta filial referemse a: 1502.00.19 ……….SEBO BOVINO ………….23.326:737,96 3401.20.90………. SABAO …………….…….73.693.600,11 3402.20.00 ……….SABAO EM PO ……….…….835.567,94 3402.90.39 ……….DETERGENTE ……………..289.584,78 3808.40.10 ……….DESINFETANTE ……………83.024,12 3809.91.90 ……….AMACIANTE ………………..93.992,05 4104.11.24 ……….COURO WET BLUE ….284.337.752,58 4107.12.20……….COURO ………………...174.271.525,78 Nesse item também não há qualquer descompasso com a Dipj da Rena, pois o R$ 2.476.237,25 poderiam se tratar de sebo, couro ou couro wet blue. Fl. 10286DF CARF MF 46 B) FILIAL 01.597.168/000784 A fls. 96, na Ficha 32, a recorrente declarou que comprou da Rena (03.352.718/000135), por meio da sua filial 01.597.168/000784, o seguinte valor: 004………………. 03.352.718/000135………………450.584,67 A fls. 97, a recorrente declarou que os insumos comprado por esta filial referemse, entre os itens, a: COUROS BOVINOS VERDES…………………15.505.957,40 COUROS BOVINOS……………………………19.077.600,09 COUROS BOVINOS SEMI ACABADO……………475.487,24 Aqui poderíamos entender que há um certo descompasso com a Dipj da Rena, pois os R$ 450.584,67 não se referem a Couro Wet Blue, único tipo de couro que foi declarado pela Rena como vendido à recorrente. Todavia, o autuante não apontou tal questão no TVF. C) FILIAL 01.597.168/001160 A fls. 107, na Ficha 32, a recorrente declarou que comprou da Rena (03.352.718/000135), por meio da sua filial 01.597.168/0001160, o seguintes valor: 003…………. 03.352.718/000135………. 5.423.600,05 A fls. 108, a recorrente declarou que os insumos comprado por esta filial referemse a: RASPAS E CABECAS TRATADAS BRANQUEADAS...…4.228.181,10 OSSOS DE RASPA BOVINA ……………………........;.….16.583.999,10 Neste ponto, há um descompasso entre o declarado pela Rena e o declarado pela recorrente, mas será que esse mero indício seria suficiente para levar a conclusão de que as compras eram todas fruto de uma fraude? Veja que, no TVF, o autuante justifica a sua conclusão apenas no fato de que as compras no valor de R$ 5.423.600,05 estarem declaradas pela recorrente como compra de raspas e cabeças ou ossos de raspa bovina e tais insumos não estarem entre os declarados pela Rena como vendido à recorrente. Ora, será que tal indício seria justificativa para a recorrente glosar despesas no valor de R$ 113.006.809,32? Vejamos o seguinte trecho do TVF: "C) 0 sujeito passivo apropriou indevidamente como custo o valor de R$ 113.006.809,32. Este valor corresponde a soma dos valores informados na ficha 32 (Remetentes de Insumos/Mercadorias) da DIPJ 2005 como insumos adquiridos da Agroindustrial Rena Ltda — CNPJ 03.352.718/000135 pelos seus estabelecimentos filiais de CNPJ 01.597.168/000601 (R$ 107.132.624,60), CNPJ 01.597.168/000784 (R$ 450.584,67) e CNPJ 01.597.168/001160 (R$ 5.423.600,05);" Dos valores glosados pelo autuante, pareceme tranquilo que não se pode glosar R$ 107.132.624,60, pois, conforme antes abordado, não há qualquer descompasso entre as DIPjs da Rena e da recorrente. Fl. 10287DF CARF MF Processo nº 15868.002632/200921 Acórdão n.º 1302002.034 S1C3T2 Fl. 10.265 47 Agora, ainda com relação as glosas nos valores de R$ 450.584,67 e R$ 5.423.600,05, não me parece que os descompassos retro apontados fossem suficientes para a manutenção da glosa mesmo desses valores, mas, sim, que cabia ao autuante aprofundar a fiscalização. Notese que a Fiscalização foi tão superficial que houve uma compra no valor de R$ 2.476.237,25 de insumos, tendo como vendedor a RENA (item A.2 acima), que o autuante não glosou nem justificou o porquê de não glosála. Por esses motivos, voto por dar provimento ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Fl. 10288DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.908907/2012-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN.
Em processos que decorrem da não-homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN).
MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão.
Numero da decisão: 3401-003.560
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. O Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira votou pelas conclusões, por entender que o pedido não era certo e determinado, e lhe faltava fundamento.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl , Augusto Fiel Jorge dOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2010 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da não-homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão.
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PAGAMENTO INDEVIDO OUA MAIOR COFINS Recorrente GRG COMERCIO IMPORTADORA E EXPORTADORA DE EQUIPAMENTOS REPROGRAFICOS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da nãohomologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 89 07 /2 01 2- 41 Fl. 77DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. O Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira votou pelas conclusões, por entender que o pedido não era certo e determinado, e lhe faltava fundamento. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl , Augusto Fiel Jorge d’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco. Relatório O processo administrativo ora em análise trata de PER/DCOMP, cujo crédito teria origem em recolhimento da Cofins efetuado a maior. Conforme despacho decisório, a compensação declarada não foi homologada, pelos seguintes motivos: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Ou seja, como a contribuinte declarou dever o exato montante do valor do DARF pago, o despacho decisório não identificou qualquer pagamento a maior ou indevido a justificar o direito de crédito alegado, indeferindo o pedido. Após ser intimada, a ora Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte ("DRJ"), por decisão que possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Anocalendário: 2010 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo”. Intimada dessa decisão, a ora Recorrente apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário, pelo qual requereu a reforma do acórdão recorrido, com base nos seguintes argumentos: (i) nulidade da decisão recorrida, pois estaria impondo condições ao direito de compensar da Recorrente e por utilizar fundamento para nãohomologação que não encontraria amparo na Lei; (ii) haveria falta de amparo legal e regulamentar no fundamento utilizado para a nãohomologação da compensação, pois não haveria obrigação de retificar a DCTF do período em que se verificou o crédito; (iii) não haveria como se reconhecer válida a emissão de despacho decisório eletrônico; (iv) o crédito seria legítimo; e (v) não teria ocorrido preclusão na produção de provas. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10830.908907/201241 Acórdão n.º 3401003.560 S3C4T1 Fl. 3 3 Em seguida, os autos foram remetidos à Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.542, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.902391/201311, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3401003.542): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. A questão a ser decidida pelo Colegiado no processo ora em julgamento diz respeito ao direito probatório em pedido de restituição com declaração de compensação. Como regra, o artigo 373 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A respeito, comenta a doutrina: "compete, em regra, a cada uma das partes o ônus de fornecer os elementos de prova das alegações de fato que fizer. A parte que alega deve buscar os meios necessários para convencer o juiz da veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão/exceção, afinal é a maior interessada no seu reconhecimento e acolhimento".1 Nessa linha, a Lei nº 9.784/1999, que regula os processos administrativos federais, determina: "Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei". (grifos nossos) Assim, como esse Colegiado já teve a oportunidade de decidir, "o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário, no qual cabe ao Fisco provar a ocorrência do fato gerador, e em processos relativos a pedidos de ressarcimento e compensação, em que cabe ao contribuinte provar o seu direito de crédito". (Acórdão nº 3401 003.204; Data da Sessão: 23/08/2016: Relator: Augusto Fiel Jorge d'Oliveira) 1 Curso de Direito Processual Civil. Vol. 02. Fredie Didier Jr., Paula Braga, Rafael de Oliveira. Edição 2013. Editora Juspodivm. p. 8185. Fl. 79DF CARF MF 4 Quanto ao momento de produção de prova, seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. Dessa maneira, no presente processo, que trata de declaração de compensação, o ônus da prova cabe à Recorrente, sendo que o momento adequado para a apresentação das razões de fato e de direito, com amparo em toda prova necessária para tanto, se dá por ocasião do protocolo de sua Manifestação de Inconformidade ao despacho eletrônico que não homologou a compensação. O fundamento para a negativa do pedido foi a não retificação da DCTF pela Recorrente, o que implicou uma coincidência entre valores devidos e pagos a título de COFINS. Assim, não identificou a Administração Tributária qualquer pagamento a maior ou indébito a ser restituído ou compensado. Na linha do que vem decidindo o CARF, a retificação de DCTF não é condição para a homologação de compensação, sendo, na realidade, necessário que o indébito esteja devidamente provado. Assim, uma vez não homologada a compensação da Recorrente, caberia a ela, na apresentação de sua Manifestação de Inconformidade, demonstrar o indébito, o que poderia ser feito, inicialmente, com a exposição do valor que foi pago e do que, a seu entender deveria ter sido pago, a gerar a diferença. Segundo, as razões de fato ou de direito que levam a conclusão de que os valores efetivamente pagos o foram de forma indevida. Terceiro, a juntada da documentação comprovando a ocorrência do indébito, o que, a depender do caso, exigiria documentos contábeis, notas fiscais etc. Porém, em sua Manifestação de Inconformidade, para sustentar o seu direito de crédito, a Recorrente alega apenas o seguinte: A Impugnante, ao calcular o quantum debeatur da exação, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôlo. Para tanto, utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10830.908907/201241 Acórdão n.º 3401003.560 S3C4T1 Fl. 4 5 aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, etc. Por esta razão é que postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior desta exação. Como se verifica, a Recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o seu direito de crédito. Muito embora não tenha citado qualquer fundamento legal ou os precedentes nos quais teriam sido apreciadas a tese jurídica que ampararia o seu direito de crédito, a Recorrente parece estar se referindo à declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235, pelo Supremo Tribunal Federal (“STF”), que depois reconheceu a repercussão geral da questão constitucional nos RE nº 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG. Sem adentrar na ausência de exposição pela Recorrente do fundamento legal e regulamentar que autorizaria a aplicação de tal entendimento ao seu caso concreto, a possibilitar a apresentação de sua declaração de compensação, haja vista que nem toda declaração de inconstitucionalidade pelo STF permitirá a compensação tributária (artigo 43, parágrafo 3º, alínea f, da Instrução Normativa nº 900/2008), percebese que a Recorrente não se preocupa em conferir liquidez e certeza ao direito de crédito alegado. Ainda que se admita que o fundamento do direito de crédito seja a inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998 e que tal fundamento seja aplicável à Recorrente, essa alegação, por si só, não justifica o direito de crédito. A Recorrente deveria demonstrar que efetivamente realizou o recolhimento de COFINS a maior, sobre uma receita que não poderia se sujeitar à tributação, pela apresentação de demonstrativo das receitas apuradas naquele mês, identificação das receitas que foram incluídas indevidamente, com o suporte contábil e documentação fiscal correspondente. Contudo, nada disso foi apresentado, nem o valor que foi pago a maior e outros elementos, ainda que incompletos, que pudessem servir de princípio de prova. Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente procura desenvolver aquilo que havia afirmado na Manifestação de Inconformidade, dessa vez, citando o dispositivo declarado inconstitucional e identificando os precedentes, e inova, em contrariedade ao que antes havia informado sobre a origem do crédito. O direito de crédito não mais seria em razão da inconstitucionalidade de dispositivo da Lei nº 9.718/1998, mas também em razão da exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS, argumento que já nem poderia ser conhecido, em razão dos efeitos da preclusão (artigo 17 do Decreto nº 70.235/1972). Fl. 81DF CARF MF 6 De qualquer maneira, novamente, a Recorrente se limita a indicar a tese jurídica de forma geral, sem expor, no seu caso concreto, a origem do crédito, que operações realizou, em que valor, o que foi indevidamente incluído na base de cálculo, e também não apresenta qualquer documentação que pudesse dar suporte ao direito de crédito alegado. Portanto, a declaração de compensação apresentada pela Recorrente, sem qualquer prova da origem do crédito, não pode prosperar, estando correta a decisão recorrida na manutenção da nãohomologação, em perfeita harmonia com o disposto nos artigos 170 do CTN, e 74 da Lei nº 9.430/1996, que prevêem como requisito para a compensação tributária a existência de crédito líquido e certo. Por fim, quanto à questão prejudicial levantada pela Recorrente, de nulidade do despacho decisório, penso que deve ser rejeitada. A Recorrente alega que sua fundamentação não seria adequada e não permitiria conhecer os motivos da não homologação. Porém, apesar de o despacho ser objetivo, o mesmo permite a compreensão dos motivos para a não homologação, não se verificando qualquer prejuízo à defesa da Recorrente. Assim, considerando válido o despacho decisório que gerou o presente processo, devidamente enfrentada a questão essencial para o julgamento da lide, quanto à prova do direito de crédito, e não sendo as demais alegações levantadas pela Recorrente capazes de superar a ausência de prova do direito de crédito e a afastar a decisão que manteve a nãohomologação da compensação, proponho ao Colegiado negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente. Rosaldo Trevisan Relator Fl. 82DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.720169/2011-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.798
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente RENAUTO AUTOMÓVEIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 01 69 /2 01 1- 38 Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10120.720169/201138 Acórdão n.º 3302003.798 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.313. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10120.720169/201138 Acórdão n.º 3302003.798 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10120.720169/201138 Acórdão n.º 3302003.798 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10120.720169/201138 Acórdão n.º 3302003.798 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10120.720169/201138 Acórdão n.º 3302003.798 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 134DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13558.901079/2009-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/11/2006
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.646
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/11/2006 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado
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PRECLUSÃO. Considerase preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 90 10 79 /2 00 9- 80 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13558.901079/200980 Acórdão n.º 3201002.646 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório PORTO SEGURO VEICULOS LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, a contribuinte alegou, em síntese, que parte do pagamento declarado era indevido. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 1522.408. A DRJ fundamentou sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário a Recorrente alega, em resumo, que a legislação não se encontra autorizada a alterar conceitos adotados na Constituição Federal, não sendo possível, por conseguinte, a ampliação da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e Cofins), uma vez que, no período de apuração sob comento, a base de cálculo se restringia ao faturamento, ou seja, ao resultado das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, dada a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições promovido pela Lei 9.718/1998. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.640, de 30/03/2017, proferido no julgamento do processo 13558.901073/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.640): O Recurso Voluntário é tempestivo, e não verificando outros óbices, tomo conhecimento dele. A recorrente alega que a parcela do Darf que considera indevida seria referente à ampliação da base de cálculo da Cofins, promovida pela Lei 9.718/98. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13558.901079/200980 Acórdão n.º 3201002.646 S3C2T1 Fl. 4 3 Dois obstáculos impedem o provimento solicitado. O primeiro é que toda a argumentação quanto à base de cálculo da Cofins não foi feita na Manifestação de Inconformidade, e por isso, tal matéria encontrase atingida por preclusão, conforme art. 17 do PAF – Decreto 70.235/721, combinado com art. 74, §§ 9º, 10 e 11 da Lei 9.430/962. O segundo obstáculo é que o crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Cofins, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/993, art. 373,I do CPC4). Sem tais elementos, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído. Também considero inaplicável o pedido de diligência. Com efeito, a recorrente já teve duas oportunidades para demonstrar seu direito material: 1 – após a ciência do Despacho Decisório, e 2 – após a ciência do Acórdão de manifestação de inconformidade. Permitir agora uma terceira oportunidade malfere o art. 16, § 4º do PAF Decreto 70.235/72: §4º – A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 2 § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13558.901079/200980 Acórdão n.º 3201002.646 S3C2T1 Fl. 5 4 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Não se verificando nenhuma dessas exceções, não pode agora o processo ser submetido a nova fase probatória, nas quais se mostrariam necessárias verificações fiscais, batimentos, etc, que não tiveram lugar no tempo próprio. Desse modo, e ainda por homenagem aos princípios da preclusão probatória, do ônus probatório, da impulsão oficial do processo e da celeridade, não vislumbro espaço para determinação de diligência. Assim, o crédito solicitado não pode ser deferido, em vista dos dois fundamentos expostos, cada um per se suficiente para o desprovimento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12269.002970/2008-43
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/07/2003
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.501
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento..
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/07/2003 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1592; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 9 1 8 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 12269.002970/200843 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202005.501 – 2ª Turma Sessão de 24 de maio de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado VM PLANEJAMENTO E CONSTRUÇÕES LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/07/2003 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento.. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 9. 00 29 70 /2 00 8- 43 Fl. 275DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2403001.766, proferido pela 3ª Turma Ordinária / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase do Auto de Infração de Obrigação Principal 37.146.4749, no valor de R$ 3.210,71, referente às contribuições sociais previdenciárias descontadas dos segurados empregados no período de 01/2003 a 07/2003, não declaradas em GFIP e relativa ao CEI 39.000.02919/73. Do Relatório Fiscal, fls. 25/27, consta que foram lançados os seguintes créditos: 37.188.6082 Contribuições dos segurados empregados; 37.188.6090 Contribuições de Terceiros; 37.188.6104 GFIP incompleta; e 37.188.6112 Distribuição de Lucro. A empresa contestou o presente Auto de Infração por meio do instrumento de fls. 32/34. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG, às fls. 92/97, julgou improcedente a impugnação, para manter o crédito tributário previdenciário. A empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 102/104, requerendo a reforma do Acórdão, com os seguintes argumentos, em suma: (i) mantém na íntegra a defesa feita em sede de Impugnação; (ii) Diante dos fatos, a requerente constatou que no relatório do referido acórdão, os membros da 5ª Turma, não levaram em consideração a data da entrega das GFIP/SEFIP's das competências 01/2003 à 07/2003 com informações no CEI 39.000.02919/73, em data de 23/05/2007, data esta anterior a fiscalização. Bem como reconhecimento da quitação das referidas GPS's. (iii) Questiona o período 01/2003 a 07/2003. A fiscal notificante, na ocasião da fiscalização, tomou conhecimento das recolhidas conforme RDA Relatório de Documentos Apresentados às folhas 1 e 2 referente as competências 01 a 07/2003 nos valores de R$ 723,81; R$ 638,69; R$ 1.017,48; R$ 1.148,21; R$ 1.023,37; R$ 1.143,74 e R$ 2.669,55 (referemse ao pagamento integral da contribuição, incluindo desconto dos empregados, parte patronal e outras entidades). Mesmo com o conhecimento de pagamento das referidas GPS's, a fiscal não apropriouas conforme demonstrado no RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentado à folha 1. A requerente anexa a presente cópia das GFIP's das competências 01 a 07/2003 enviadas em 23/05/2007, onde são informados os dados dos empregados com seus respectivos salários, coincidindo com a cópia das folhas de pagamento autenticadas pela agente fiscal, onde consta inclusive, o número da matrícula CEI 39.000.02919/73 e GPS's respectivas. A requerente acredita, que foi mal interpretada a sua defesa primitiva por haver débitos do período de janeiro a julho de 2003 com referência a matricula CEI 39.000.02919/73, fato esteja demonstrado que a quitação das referidas competências deuse no CNPJ da empresa, e não na matricula CEI. Fl. 276DF CARF MF Processo nº 12269.002970/200843 Acórdão n.º 9202005.501 CSRFT2 Fl. 10 3 A 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 171/183, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, para se reconhecer a decadência até a competência 08/2003, com base no art. 150, § 4º, CTN e determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/07/2003 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO – NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte. No presente caso, o fato gerador ocorreu entre as competências 01/2003 a 07/2003 e 02/2006 a 12/2006, a ciência do AIOP ocorreu em 01.09.2008, dessa forma, já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 08/2003, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Às fls. 184/201, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência, alegando divergência jurisprudencial em relação às seguintes matérias: decadência: enquanto o colegiado a quo aplicou o art. 150, § 4º do CTN, a decisão ora invocada como paradigma, acórdão 240100249, aplica o art. 173, I, do CTN, tendo em vista a configuração de dolo pela constatação de conduta que se enquadra no tipo penal de apropriação indébita tributária; multa mais benéfica ao contribuinte: observou, inicialmente, que os acórdãos indicados como paradigma, assim como o acórdão recorrido, foram proferidos após o advento da MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941 de 27/05/2009, e, portanto, a análise da matéria ocorreu à luz da alteração da redação do caput do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Consignou que a hipótese em análise nos acórdãos paradigma é idêntica ao caso Fl. 277DF CARF MF 4 concreto. Isso porque o que se encontrava em julgamento era exatamente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito de contribuições devidas à Seguridade Social e o contribuinte declarou em GFIP os dados relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias. Ocorre que também naqueles feitos, assim como no presente, travouse discussão acerca da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, do CTN, em virtude das alterações promovidas pela Lei nº 11.941/09 (fruto da conversão da MP nº 449/2008) no art. 35 da Lei nº 8.212/91. Contudo, embora diante de situações semelhantes, os órgãos julgadores prolatores do acórdão recorrido e dos paradigmas encamparam conclusões diversas acerca da aplicação e interpretação da norma jurídica, em especial do art. 35, caput (redação revogada e com a novel redação dada pela MP nº 449/2008 posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009) e do art. 35A da Lei nº 8.212/1991. O acórdão recorrido entendeu que deveria ser aplicada ao caso a retroatividade benigna, sob o fundamento de que o art. 35, caput, da Lei nº 8.212/1991 deveria ser observado e comparado com a atual redação emprestada pela Lei nº 11.941/2009. E como na atual redação, há remissão ao art. 61 da Lei nº 9.430/96, entendeu que o patamar da multa aplicada estaria limitado a 20% (§ 2º do art. 61). Ao revés, os paradigmas adotaram solução oposta: o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 deveria agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei nº 11.941/2009, qual seja, o art. 35A que, por sua vez, faz remissão ao art. 44, da Lei nº 9.430/96. Na ementa dos julgados paradigmas, a aplicação da retroatividade benigna na forma de aplicação do art. 61, § 2º, da Lei nº 9.430/1996 é rechaçada de forma expressa pelo órgão julgador. Às fls. 249/254, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO PARCIAL SEGUIMENTO ao recurso em relação à segunda divergência (cálculo da multa), e NEGANDO em relação à divergência alegada sobre decadência, posto entender que as decisões confrontadas apresentavam situações fáticas distintas. Em sede de Reexame de Admissibilidade, à fl. 255, a Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF manteve integralmente o despacho do Presidente da Câmara, que negou seguimento de parte do recurso especial de divergência interposto, no que diz respeito à divergência arguida sobre decadência, posto que o acórdão paradigma não se prestou para a comprovação da divergência de tese em relação àquela adotada no acórdão recorrido, por não haver semelhança fática entre essas decisões. O Contribuinte foi devidamente citado às fls. 260, apresentando Contrarrazões, às fls. 263/266, reforçando os fundamentos da sentença. Vieram os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase do Auto de Infração de Obrigação Principal 37.146.4749, no valor de R$ 3.210,71, referente às contribuições sociais previdenciárias descontadas dos segurados empregados no período de 01/2003 a 07/2003, não declaradas em GFIP e relativa ao CEI 39.000.02919/73. Do Relatório Fiscal, fls. 25/27, consta que foram lançados os seguintes Fl. 278DF CARF MF Processo nº 12269.002970/200843 Acórdão n.º 9202005.501 CSRFT2 Fl. 11 5 créditos: 37.188.6082 Contribuições dos segurados empregados; 37.188.6090 Contribuições de Terceiros; 37.188.6104 GFIP incompleta; e 37.188.6112 Distribuição de Lucro. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial sobre o cálculo da multa. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. Fl. 279DF CARF MF 6 AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Fl. 280DF CARF MF Processo nº 12269.002970/200843 Acórdão n.º 9202005.501 CSRFT2 Fl. 12 7 Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: Fl. 281DF CARF MF 8 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Fl. 282DF CARF MF Processo nº 12269.002970/200843 Acórdão n.º 9202005.501 CSRFT2 Fl. 13 9 Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" Fl. 283DF CARF MF 10 do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso Fl. 284DF CARF MF Processo nº 12269.002970/200843 Acórdão n.º 9202005.501 CSRFT2 Fl. 14 11 resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 285DF CARF MF
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Numero do processo: 13830.900608/2012-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.141
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 06 08 /2 01 2- 57 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.900608/201257 Acórdão n.º 1302002.141 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.900608/201257 Acórdão n.º 1302002.141 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13830.900608/201257 Acórdão n.º 1302002.141 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 78DF CARF MF
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