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Numero do processo: 16349.000291/2007-10
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.014
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência para que a unidade de origem aprecie a DCTF retificadora com relação ao crédito pleiteado, juntamente com o DACON e DIPJ e demais documentos da recorrente e, se for o caso, lhe confira liquidez e certeza para a realização da compensação requerida, vencido o conselheiro Orlando Rutigliani Berri, que entendeu não ser necessária a conversão em diligência.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila
Participaram da sessão de julgamento: Orlando Rutigliani Berri (presidente da turma), Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência para que a unidade de origem aprecie a DCTF retificadora com relação ao crédito pleiteado, juntamente com o DACON e DIPJ e demais documentos da recorrente e, se for o caso, lhe confira liquidez e certeza para a realização da compensação requerida, vencido o conselheiro Orlando Rutigliani Berri, que entendeu não ser necessária a conversão em diligência. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Participaram da sessão de julgamento: Orlando Rutigliani Berri (presidente da turma), Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo. Representação RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 49 .0 00 29 1/ 20 07 -1 0 Fl. 881DF CARF MF Processo nº 16349.000291/200710 Resolução nº 3001000.014 S3C0T1 Fl. 882 2 O presente processo teve origem com o processo administrativo de no 13804.003095/200280 que solicitou ressarcimento de crédito de IPI no montante de R$1.168.948,76, referente ao 3.º trimestre de 2001. O suposto crédito de IPI. decorreu da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem utilizados em seu processo de fabricação, por força do art. 11 da Lei 9779/99. Ocorre que ao verificar:Os livros fiscais ePlanilhas de cálculos apensados aos autos constatouse que o pretenso crédito de IPI se distribuientre várias filiais, O processo original, n.º 13804.003095/2002 80, foi desmembrado em 15 (quinze) processos de representação, para que o crédito de IPI fosse analisado pela Delegacia da Receita Federal de sua jurisdição, bem como a homologação das compensações vinculadas ao mesmo. Nestes e autos 16349.000291/200710, foi juntada vasta documentação, constando ainda, a ficalização 08.1.02.002007003800. Despacho Decisório O despacho decisório houve por bem ser julgado com a seguinte estrutura: REVISÃO FISCAL A Fazenda Pública tem o direito e o DEVER de efetuar todas as revisões necessárias ao reconhecimento de um direito creditório, enquanto não ocorrer a prescrição dos créditos, tributários decorrentes das operações a que se refiram. MOTIVAÇÃO DO ATO. Justificada a necessidade de reexame dos elementos materiais constitutivos do, crédito pleiteado, o ato de revisão fiscal se encontra motivado, não havendo que se falar em ofensa à segurança jurídica e, sim, em preservação do interesse público. GUARDA E CONSERVAÇÃO DE DOCUMENTOS. Enquanto hão prescritas as ações de cobrança dos créditos tributários a elé relacionados, a contribuinte DEVERA manter a guarda e a conservação dos documentos e livros comprobatórios do referido crédito fiscal, nos termos do art. 195, parágrafo único do CTN. A) INDEFERIR O PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE IPI, efetuado pela contribuinte Bracol Holding Ltda, CNPJ n° 01.597.168/001160, NÃO SE RECONHECENDO o direito creditório pleiteado contra a Fazenda Nacional, no valor de RS 3.309,95 relativo ao saldo credor apurado em sua eicrita fiscal, no período do 3° trimestre de 2001, com fundamento no art. 11 da Lei n° 9.779/99 e no art. 2°, § 2°, II da IN SRF n° 33/99; B) CONSIDERAR NÃO HOMOLOGADA A COMPENSAÇÃO do crédito fiscal de IPI, indeferido no item anterior, com parte do débito do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ (2362 — Demais PJ obrigadas ao Lucro Real/Estimativa Mensal), relativo ao período de apuração 0512003, com vencimento em 3010612003, no valor de R$ 3.309,95, cadastrado no processo administrativo n° 16349.000287/200751, cujo valor total (R$ 91.530,30) encontrase vinculado à declaração de compensação eletrônica, transmitida em 30/06/03, sob o n° 18971.57033.300603.1.3.015462, cópia às fls. 429 Fl. 882DF CARF MF Processo nº 16349.000291/200710 Resolução nº 3001000.014 S3C0T1 Fl. 883 3 a 432, baixada para tratamento manual no processo administrativo n° 13804.003095/200280. ÔNUS DA PROVA: Tratandose de pedido de ressarcimento, o ônus de provar a existência de créditos do imposto a ressarcir é da contribuinte, que deverá apresentar, além do Livro de Registro de Apuração do IPI, os documentos comprobatórios dos créditos alegados, sem os quais não há como á administração tributária concluir pela procedência do crédito. INCINERAÇÃO INDEVIDA NÃO APRESENTAÇÃO DOS ELEMENTOS SOLICITADOS NA AÇÃO FISCAL A não apresentação dos documentos e livros solicitados à interessada, no prazo fixado pela Administração, necessários à apreciação de pedido formulado, implicará no indeferimento do direito creditório invocado e na não homologação da compensação a ele vinculada. • COMPENSAÇÃO. Considerase não homologada a compensação do valor do débito vinculado ao crédito fiscal não reconhecido pela administração. Diante do despacho decisório prolatado, foi manejada manifestação de inconformidade. Manifestação de Inconformidade Em meio a sua defesa a recorrente mencionou a reconstrução fática dos acontecimentos, reportandose a maio de 2002, quando o estabelecimento matriz da Recorrente, protocolou Pedido de Ressarcimento de Crédito do IPI apurado no 3° Trimestre de 2001, nos termos do artigo 11 da Lei n°9.779, 19 de janeiro de 1999, no valor total de R$ 1.168.948,76, gerando a instauração do Processo Administrativo n° 13804.003095/200280 (doc. 02 da Manifestação). Apuração Centralizada Este Pedido de Ressarcimento foi interposto pelo estabelecimento matriz, segundo a Recorrente, por existir uma centralização na apuração do Crédito do IPI em tal localidade bem como por respeitar as determinações vigentes naquela época contidas na Instrução Normativa SRF n° 21, de 10 de março de 1997. Mereceu ser destacado pela recorrente, ser o regime jurídico da apuração dos créditos do IPI da IN SRF n° 21/1997 diferente do regime jurídico vigente na data da emissão do Despacho Decisório indicado neste Recurso e objeto da Manifestação de Inconformidade previsto na Instrução Normativa SRF n° 600/2005, porque enquanto naquela existia a possibilidade da apuração ser realizada pela matriz de forma centralizada, nesta última, por força do seu artigo 16, §2 0, a apuração é realizada por cada estabelecimento filial e somente o pedido de ressarcimento é realizado pelo estabelecimento matriz que atua em nome das filiais cujas operações deram origem ao crédito. No ano de 2004, como se depreende dos atos administrativos realizados nos autos do Processo Administrativo n° 13804.003095/200280, o mesmo foi encaminhado para a Divisão de Fiscalização — DIFIS da Delegacia da Receita Federal de Fiscalização Tributária Fl. 883DF CARF MF Processo nº 16349.000291/200710 Resolução nº 3001000.014 S3C0T1 Fl. 884 4 em São Paulo para serem realizados os procedimentos de diligência fiscal (doc. 03 da Manifestação). Termo de Intimação Fiscal DIFIS Posteriormente, no dia 14 de maio de 2004, a DIFIS/SP expediu o Termo de Intimação Fiscal ao estabelecimento matriz da Recorrente solicitando a apresentação de diversos documentos para apurar a existência do direito ao Crédito do IPI objeto do supracitado Pedido de Ressarcimento, bem como outros com a mesma natureza apurados entre o 1° Trimestre de 1999 até o 4° Trimestre de 2001. Como se depreende dos anexos documentos exemplificativos cujas cópias foram retiradas dos autos do Processo Administrativo n° 13804.0030951200280, em razão do supracitado Termo de ntimação Fiscal, o estabelecimento matriz da Recorrente apresentou à DIFIS/SP todos os documentos necessários para a apuração da existência do direito creditário (doc. 05 da Manifestação). Documentos Apresentados Em razão disto, no dia 28 de fevereiro de 2005, a DIFIS/SP expediu o Termo de Informação Fiscal contendo a lista dos documentos apresentados pelo estabelecimento matriz da Recorrente, a descrição dos procedimentos de verificação, as glosas realizadas e, ao final o reconhecimento do direito creditório no valor de R$ 1.086.954,44. Neste Termo de Informação Fiscal a DIFIS/SP declarou ter o estabelecimento matriz da Recorrente apresentado diversos documentos. comprobatórios do direito creditório, entre os quais: i) Formulário de Pedido de Ressarcimento; ii)Cópia do Livro Registro de Apuração do IPI (modelo 8), bem como das fls. relativa ao estorno do crédito pleiteado; III) Relação dos produtos fabricados e comercializados, imunes, isentos, tributados à aliquota zero ou não tributados pelo IPI; iv) Relação das Notas Fiscais de entrada de insumos, analisadas posteriormente pela fiscalização; e v) Planilha resumo do saldo credor do trimestre. 09. Considerando as conclusões realizadas pela DIFIS/SP no Termo de Verificação Fiscal, os autos do Processo Administrativo n° 13804.003095/200280 foram encaminhados à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo — DERAT/SP para serem adotadas as providências cabíveis em relação ao direito creditório reconhecido administrativamente (doc. 07 da Manifestação). 10. Posteriormente, tendo sido apurado serem muitos dos créditos apurados pelo estabelecimento matriz da Recorrente originados de aquisições efetuadas por seus estabelecimentos filiais, foi realizado o desmembramento do Processo Administrativo n° 13804.003095/2002 80, em tantos processos vinculados a cada filial de origem do crédito (doc. 08 da Manifestação). Fl. 884DF CARF MF Processo nº 16349.000291/200710 Resolução nº 3001000.014 S3C0T1 Fl. 885 5 11. Não obstante a adequada e completa fiscalização realizada pela DIFIS/SP, nesta Representação expedida pela SAORT da DRF/Araçatuba, com jurisdição no estabelecimento da Recorrente localizado no Município de Lins, Estado de São Paulo, o AFRF signatário defendeu a necessidade de reexame dos elementos materiais constitutivos do crédito pleiteado porque em tese não teriam sido analisados anteriormente. 12. Diante deste pedido de complementação das verificações fiscais, o Chefe da SAORT deferiu sua realização sem apresentar justificativas de não serem considerados válidos os procedimentos de fiscalização realizados pela DIFIS/SP realizados sobre todos os documentos geradores do direito creditório conforme demonstra o anexo documento. Termo de Início de Fiscalização No dia 26 de dezembro de 2007, a Recorrente foi intimada do Termo de Inicio de Fiscalização, no qual o AFRFB jurisdicionado na DRF/Araçatuba solicitou a apresentação, no curtissimo prazo de 20 dias, inúmeros documentos do período relacionado aos anos de 01/1999 a 06/2004, abrangendo muito mais do que os necessários para se apurar as circunstâncias descritas na supracitada Representação como se uma nova fiscalização fosse realizada em relação ao direito creditório e desconsiderada integralmente as diligências e procedimentos fiscais realizados pela DIFIS/SP citadas anteriormente. Suposta Incineração dos Documentos Em razão dos pedidos formulados no mencionado Termo de Início, por abrangerem período anteriormente já fiscalizado pela DIFIS/SP e anterior a 5 (cinco) anos da sua lavratura a Recorrente buscou no seu arquivo morto os mencionados documentos e apurou, naquele momento, conforme informações de um de seus colaboradores, que os documentos abrangendo o período de janeiro de 1999 a dezembro de 2002 haviam sido incinerados, tendo apresentado esta justificativa via petição (doc. 10 da Manifestação). Denegação do prazo para apresentação de documentos No dia 31 de janeiro de 2008, a Recorrente protocolou pedido direcionado ao AFRF solicitante dos supracitados documentos requerendo o prazo de 30 dias para reimprimir os documentos solicitados em razão de seu interesse em cumprir com a solicitação fiscal e da necessidade de busca no seu setor de informática dos eventuais backups dos arquivos passados tendo sido o pleito indeferido pelo AFRF sem apresentar nenhuma justificativa. DRJ/RPO A manifestação de inconformidade foi julgada com a seguinte ementa: Acórdão 1421.681 2o. Turma ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 APURAÇÃO DO IPI. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. MATRIZ E FILIAL. À luz do principio da autonomia dos estabelecimentos, insculpido no regulamento do imposto, cada um dos estabelecimentos de urna mesma empresa deve cumprir separadamente suas obrigações tributárias. Fl. 885DF CARF MF Processo nº 16349.000291/200710 Resolução nº 3001000.014 S3C0T1 Fl. 886 6 RESSARCIMENTO DE IPI. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. A decisão sobre o pedido de ressarcimento de créditos do IPI caberá ao titular da DRF, Derat ou IRFClasse Especial que, à data do reconhecimento do direito creditório, tenha jurisdição sobre o domicílio fiscal do estabelecimento da pessoa jurídica que apurou referidos créditos. RESSARCIMENTO DE 1PI. REQUISITOS. A concessão de qualquer ressarcimento ou compensação está subordinada ao preenchimento dos requisitos e condições determinados pela legislação • tributária de regência. RESSARCIMENTO DE IPI. COMPROVAÇÃO. Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará o indeferimento do pleito. RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação e não da data do pedido de ressarcimento ou restituição. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Solicitação Indeferida O relatório, por bem retratar a situação fática, merece ser transcrito para auxiliar na compreensão do caso em tela: Tratase de manifestação de inconformidade, apresentada pela empresa em epígrafe, ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil cru Araçatuba que não homologou as compensações solicitadas no presente processo administrativo. Consta nos autos que o crédito tributário que se pretendeu compensar referese ao saldo credor do IPI de que trata o artigo 11 da Lei n° 9.779/99, no montante de R$ 3.309,95, relativo ao 3° trimestre de 2001, a ser aproveitado na compensação declarada pela Dcomp n° 18971.57033.300603.1.3.015462, transmitida em 30/06/2008 (processo anexo n° 13804.003095/200280). Fl. 886DF CARF MF Processo nº 16349.000291/200710 Resolução nº 3001000.014 S3C0T1 Fl. 887 7 A Delegacia de origem, em 20106/2008, mediante despacho decisório, indeferiu o pedido de ressarcimento, sem análise do mérito, em razão de a contribuinte ter deixado de apresentar, embora intimada, os documentos solicitados com o fim de comprovar a certeza e liquidez do direito creditório requerido e não homologou as compensações relacionadas no processo de representação fiscal. Acrescentou que a empresa declarou que, nos anos de 2001 e 2002, creditouse de valores de IPI referente a créditoprêmio, por força de liminar em mandado de segurança c, que referida liminar foi revogada em 2005, com efeito "extunc", portanto tais valores não poderiam constar do saldo credor em questão. Regularmente cientificada, em 25/06/2008 (doe Il. 463), do indeferimento de seu pleito, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual, em resumo, fez as seguintes considerações: • O estabelecimento matriz solicitou o ressarcimento do saldo credor de IPI conjuntamente com todas as filiais por existir uma centralização na apuração do crédito • do 113 1 em tal localidade, respeitando as determinações vigentes à época contidas na IN SRF ri° 21/1997. O regime juridico de apuração dos créditos do IPI da IN n° 21/97 difere do atual regime previsto na IN n° 600/2005, porque enquanto naquele existia a possibilidade da apuração centralizada, nesta última, por força do artigo 16, § 2°, a apuração é realizada por cada estabelecimento filial e somente o pedido de ressarcimento é realizado pelo estabelecimento matriz, que atua em nome das filiais cujas operações deram origem ao crédito; • Em 14 de maio de 2004, a DIFIS/SP expediu Termo de Intimação Fiscal solicitando ao estabelecimento matriz da recorrente a apresentação de diversos documentos para apurar a existência do direito ao crédito do IPI objeto do supracitado pedido de ressarcimento. Em decorrência desta intimação, a matriz da recorrente apresentou todos os documentos necessários para a apuração da existência do direito creditório. Em razão deste fato, a DIFIS/SP expediu Termo de Informação Fiscal contendo lista dos documentos apresentados e ao final o reconhecimento do direito ereditório no valor de R$ 1.168.948,76. • Não obstante a adequada e completa fiscalização realizada pela DR : IS/SP, foi defendida a necessidade de reexame de alguns elementos materiais constitutivo do crédito pleiteado, sem justificativa, e a interessada foi intimada a apresentar, em curtíssimo prazo, inúmeros documentos, abrangendo muito mais do que os necessários para se apurar as circunstâncias descritas da representação fiscal Em busca de tais documentos, a requerente descobriu que estes (referentes ao período de janeiro de 1999 a dezembro de 2002) haviam sido incinerados, apresentando esta justificativa na petição. Em 31 dc janeiro de 2008 a empresa protocolou requerimento solicitando prazo de 30 dias para reimprimir os documentos solicitados, tendo o pleito sido indeferido pelo AFRF13 sem apresentar nenhuma justificativa; Fl. 887DF CARF MF Processo nº 16349.000291/200710 Resolução nº 3001000.014 S3C0T1 Fl. 888 8 • Considerando a apuração de forma centralizada pelo estabelecimento matriz, a autoridade competente para apreciar a solicitação é o Delegado da DERAT em Sã'o Paulo; • Para realizar nova fiscalização farseia necessário ter sido expedida uma Portaria pelo Delegado da Receita Federal que jurisdiciona a Recorrente; O despacho decisório merece ser cancelado porque a fiscalização realizada pelos servidores vinculados à DRF/Araçatuba foi totalmente irregular, por ir além do autorizado na Representação e porque desconsiderou ter a empresa apresentado à DIFIS/SP diversos documentos necessários para a apreciação do pedido de ressarcimento, desconsiderando, em conseqüência diversas provas e documentos relacionados ao pedido de ressarcimento; • A empresa não foi intimada a se manifestar sobre o fim da instrução processual conforme determina o artigo 44 da Lei n° 9.784/99; • Não existe legislação garantindo a possibilidade do indeferimento do pedido de ressarcimento pelo motivo descrito. De acordo com a IN 600/2005 depreende ser somente possível o indeferimento do pedido caso o contribuinte não possua efetivamente o direito ao ressarcimento do "crédito presumido do IPF'. A existência do direito creditório foi atestada por uma das mais experientes equipes de fiscalização da • Receita Federal do Brasil, a DIFIS/SP; • Erro e falta de motivação no despacho decisório por desconsiderar a existência de informação fiscal emitido pela DIFIS/SP e ter a recorrente apresentado os documentos comprobatórios do direito creditorio na época solicitados. Sendo assim, a fundamentação adotada está totalmente incorreta; • Cerceamento do direito de defesa, por não permitir a compreensão de como pode ter sido desconsiderada totalmente a fiscalização realizada anteriormente e não analisados os documentos que já haviam sido apresentados pela empresa como prova do direito creditorio pleiteado; • O despacho decisório deve ser reformado por ter o estabelecimento matriz apresentado diversos documentos, fato que gerou a análise favorável da DIFIS/SP no Termo de Informação Fiscal. Pelo princípio da verdade material, para decidir, a autoridade deve realizar todos os atos necessários para apurar de forma real e verdadeira as circunstâncias envolvendo o direito do contribuinte e analisar todos os argumentos comprobatórios disponíveis para verificação; • O procedimento fiscal realizado desconsideraram totalmente os documentos fornecidos pela recorrente e que estavam juntados ao processo administrativo n° 13804.003095/200280, bem como não foi solicitado nenhum esclarecimento sobre os trabalhos fiscais praticados no termo de informação fiscal original; • O despacho decisório também deve ser cancelado por ofender o principio da proporcionalidade e razoabilidade ao negar o direito de ressarcimento da recorrente, pois desconsiderou profunda análise Fl. 888DF CARF MF Processo nº 16349.000291/200710 Resolução nº 3001000.014 S3C0T1 Fl. 889 9 fiscal realizada anteriormente, e a solicitação para apresentação de documentos após 5anos da protocolização do pedido. • A empresa jamais teve a intenção de embaraçar os trabalhos fiscais, porque desde o início da fiscalização buscou cumprir com as solicitações fiscais, solicitando inclusive prorrogação de prazo para apresentação, o qual foi indeferido de forma injustificada; • Na hipótese de a fiscalização necessitar de verificar outros documentos ou atestar a o veracidade dos ora anexados a recorrente informa que localizou em seu arquivo diversas notas fiscais que estão à disposição da fiscalização ou de eventual perícia e diligência. Para os documentos que foram efetivamente incinerados, muitos possuem cópias simples, que foram analisadas pelos AFRFB, sua autenticidade foi verificada pela DIFIS/SP, não podendo ser desconsiderado; • Em relação à questão envolvendo o créditoprêmio de IPI, esta não merece ser considerada, por não possuir qualquer relação com o pedido de ressarcimento e ainda não ser possível ser efetuada qualquer glosa, considerando os efeitos da decadência, conforme o próprio parecer SAORT; • O despacho decisório deve ser reformado porque não homologou as compensações que já haviam sido homologadas tacitamente, nos termos do artigo 74, § 50 da Lei n° 9.430/1996; Por fim, solicitou a realização de diligência ou perícia, nomeando perito e elaborando quesitos; o reconhecimento da incidência da taxa selic sobre o valor dos créditos pleiteados e o julgamento em conjunto das manifestações apresentadas nos processos desmembrados do original. Requereu, ainda, a intimação da ciência dos autos ao advogado signatário da manifestação de inconformidade no endereço mencionado. A fim de melhor elucidar os temas trazidos à análise neste processo administrativo, utilizase transcrições selecionadas de trechos do voto: PRELIMINARES NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO Competência da Autoridade Administrativa. disposto nos artigos acima, concluise que, por determinação legal, cada estabelecimento da empresa é contribuinte autônomo do IPI e não a empresa como um todo, como defende a autuada. Sendo assim, a apuração do IPI deve ser feita por estabelecimento, sendo vedada a sua centralização, e cada estabelecimento precisa escriturar o seu próprio documentário. Observese que o artigo 11 da IN SRF n° 21/97, quando dispõe sobre a possibilidade de apuração centralizada está se referindo a crédito presumido, como ressarcimento das contribuições para o PIS/PASEP e COF1NS, e não a saldo credor de IPI, apurado em decorrência do princípio da nãocumulatividade do imposto: Fl. 889DF CARF MF Processo nº 16349.000291/200710 Resolução nº 3001000.014 S3C0T1 Fl. 890 10 Necessidade de Portaria do Delegado da Receita Federal que jurisdiciona a Recorrente; não se trata de revisão de lançamento ou de fiscalização já efetuada anteriormente e sim de nova verificação/diligência, agora por parte da autoridade, que jurisdiciona o estabelecimento filial, do crédito a favor da contribuinte, em substituição à verificação anterior, não há que se falar em necessidade de Portaria do Delegado • da RFB autorizando nova diligência, que pode ser efetuada a qualquer momento, inclusive durante a fase processual, para ajudar na convicção do julgador Irregularidade da Fiscalização Como se vê, o processo foi instruido com as cópias de todos os documentos apresentados no processo original referentes ao estabelecimento, inclusive da informação fiscal da DIFIS/SPO. No relatório do Parecer SAORT consta existência de tal verificação e que esta foi tida como sustentáculo da nova verificação e os argumentos da necessidade de se proceder esta nova verificação: inclusão de créditos de filiais, competência da OU da jurisdição dos estabelecimentos que apuraram o crédito, verificação por amostragem, não verificação de insumos utilizados na produção de produtos não tributados (não industrializados) constantes da relação apresentada pela empresa, inexistência de copia do Livro de Apuração do IPI e de listagem dos insumos utilizados na industrialização dos produtos para o crédito de R$ 3.309,95 indicado como sendo da filial 011, nem cópias de notas • fiscais de aquisição e vendas. Falta de intimação após a instrução processual, conforme determina o artigo 44 da Lei n° 9.784/99. O Processo Administrativo Fiscal — PAF não prevê qualquer intimação prévia ao contribuinte para ciência na fase procedimental. (...) ressaltar que no processo administrativo • fiscal a instrução processual se encerra com o despacho decisório, do qual a contribuinte foi devidamente cientificada. Falta de Embasamento Legal, Erro e Falta de Motivação. Cerceamento do Direito de Defesa Como já dito anteriormente, a autoridade administrativa não desconsiderou a informação fiscal dada pela DIFIS/SP, apenas consideroua insuficiente para a determinação da liquidez e certeza dos créditos solicitados pela contribuinte. Este fato restou claro pelos argumentos levantados pela autoridade administrativa no relatório de sua decisão, no qual consta existência da verificação anterior efetuada e os argumentos da necessidade de se proceder nova verificação, quais sejam: inclusão de créditos de filiais no pedido da matriz, competência da DRF da jurisdição dos estabelecimentos que apuraram o crédito, verificação por amostragem, não verificação de insumos utilizados na produção de produtos não tributados (não industrializados) constantes da relação apresentada pela empresa e falta de documentos que comprovem a existência do crédito. Foram esses motivos que levaram a não consideração 0.1 das conclusões da informação fiscal e não vejo como a contribuinte não pôde entendelos. Para que a autoridade administrativa se pronuncie a respeito da demanda do administrado se faz necessária a investigação não só do direito ao crédito, mas da correta apuração do deste e do cumprimento Fl. 890DF CARF MF Processo nº 16349.000291/200710 Resolução nº 3001000.014 S3C0T1 Fl. 891 11 das exigências legais pertinentes a cada caso, verificando sua certeza e liquidez. Assim, mesmo que já tenha havido uma investigação preliminar, se verificado que esta contém inconsistências ou erros, nada obsta a autoridade administrativa solicitar outra investigação, mais profunda, para que se determine de forma indiscutível o crédito a que a contribuinte tem a seu favor. Conclusão. MÉRITO PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. No caso em exame, considerase desnecessária a perícia solicitada pela impugnante, por entendêla dispensável para o deslinde do presente julgamento. A realização de perícia pressupõe que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador, o que não é o caso dos presentes autos. No que se refere à juntada de documentos, cabe esclarecer que o momento propício para ajuntada de prova é o da impugnação, não sendo permitida ajuntada posterior. INTIMAÇÃO AO ADVOGADO. Quanto ao pedido para que as intimações sejam efetuadas em nome e no endereço dos advogados, este deve ser indeferido, pois o Decreto n° 70.235, de 1972, art. 23, II, determina que, na atual fase do procedimento, elas sejam feitas por via postal, ou qualquer outra com prova de recebimento, e endereçadas ao domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS QUE DÃO SUPORTE AO PEDIDO DE RESSARCIMENTO Sendo o caso de pedido de ressarcimento de saldo credor do IPI, este deve G conter relação com a discriminação dos diversos insumos empregados na industrialização classificação fiscal e aliquota, cópia do Livro Registro de Apuração do IPI referente ao período de apuração, contendo inclusive o estorno do crédito correspondente ao valor solicitado, cópias de notas fiscais de aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais embalagens utilizados, relação dos produtos industrializados c a proporção do uso dos insumos quando utilizados na industrialização de produtos NT (nãotributados), relação dos produtos comercializados, etc., sendo inclusive passível de exame fiscal toda a escrituração da contribuinte Tais documentos são imprescindíveis para a verificação da correta apuração do crédito e para o conseqüente deferimento do crédito fiscal. Para a comprovação do saldo credor do IPI, a contribuinte apresentou folhas não autenticadas do livro de apuração do IPI do mês de março de 2002 que constam a escrituração do estorno de crédito pedido em ressarcimento, listagem de notas fiscais de aquisição sem identificação do insumo a que se refere e cópias das folhas do livro de apuração do 1PI de vários estabelecimentos industriais, mas não consta qualquer documento especifico para o estabelecimento em questão — 011" que comprove o crédito no montante de R$ 3.309,95, atribuído pela empresa ao estabelecimento chamado " Guaiçara". Como dito a Fl. 891DF CARF MF Processo nº 16349.000291/200710 Resolução nº 3001000.014 S3C0T1 Fl. 892 12 cima, essencial a apresentação dos livros fiscais e da documentação que embasou sua escrituração. Desta forma, não vejo como os documentos juntados aos autos pela contribuinte possam comprovar a certeza e a liquidez dos créditos ora solicitados. CRÉDITO PRÊMIO concordo com a interessada no argumento de que tais valores não possuem relação com o pedido de ressarcimento, pois s.mj. e de acordo com os documentos que constam do presente processo, estes valores estão escriturados a margem da apuração do saldo credor do período. No entanto, tal fato não altera em nada a decisão proferida pela Delegacia de Araçatuba, pois, independente deste fato, a empresa não conseguiu comprovar o crédito a seu favor, por não ter apresentado a documentação que ampare sua escrituração fiscal. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. Quanto à atualização do crédito pela taxa selim, se não há crédito liquido e certo a ser ressarcido, não há que se falar em atualização do mesmo. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DA COMPENSAÇÃO Da análise dos documentos juntados aos autos vêse que Declaração de Compensação — Dcomp n° 18971.57033.300603.1.3.015462, foi transmitida em 30/06/2003, portanto, a autoridade administrativa teria ate 29/06/2008 para apreciar a compensação declarada em tal instrumento, momento em que transcorreria o prazo do § 5° do artigo 74 da Lei n° 9.430/96. O despacho decisório foi proferido em 20/06/2008 e a contribuinte foi cientificada, em 25/06/2008, e, sendo assim, a decisão que não homologou a compensação foi proferida antes do transcurso do prazo de 5 anos e portanto, não ocorreu a homologação tácita, conforme fez crer a manifestante. Recurso Voluntário Julgada improcedente, a manifestação de inconformidade, pela DRJ/RPO, o acórdão foi trazido, em sede recursal, a fim de combater a decisão acima transcrita, com os seguintes argumentos. A Incompetência da DRF/Araçatuba e o indevido desmembramento do Processo de Ressarcimento originário Considerando ter sido o estabelecimento matriz da Recorrente que realizou a apuração do Crédito do IPI relacionado ao 2° Trimestre de 2001, após a finalização das diligências fiscais pela DIFIS/SP, inclusive com a lavratura do Termo de Informação Fiscal datado do dia 28 de fevereiro de 2005, o Pedido de Ressarcimento objeto do Processo Administrativo n° 13804.003095/200280 deveria ter sido encaminhado para o Delegado da Administração Tributária em São Paulo — DERAT/SP para emitir o Despacho Decisório analisando o pedido de ressarcimento. Esta, na visão da recorrente, seria a autoridade competente e com jurisdição sobre o estabelecimento que apurou o Crédito a ser ressarcido para, apreciar o pedido de ressarcimento como estabelece o artigo 43 da Instrução Normativa SRF n°460/2004, colacionando as seguintes decisões: Fl. 892DF CARF MF Processo nº 16349.000291/200710 Resolução nº 3001000.014 S3C0T1 Fl. 893 13 "EMENTA: PEDIDO DE RESSARCIMENTO DO CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. Por falta de competência, é nulo o despacho decisório sobre pedido de ressarcimento do crédito presumido do IPI , pleiteado de forma centralizada, pela matriz, quando o referido ato foi proferido pelo titular da unidade da SRF que jurisdiciona apenas um dos estabelecimentos filiais do requerente, englobados no pedido" (Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre. Acórdão n° 1011042, de 01 de • fevereiro de 2007). "EMENTA: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. CENTRALIZAÇÃO. A partir primeiro de janeiro de 1999, é obrigatória a apuração do crédito presumido de IPI centralizada no estabelecimento matriz, incluindo a movimentação de todos os est abelecimentos da pessoa jurídica. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. COMPETÊNCIA. A partir de janeiro de 1999, a autoridade competente para proferir despacho decisório em processos de ressarcimento de crédito presumido de IPI é aquela que jurisdiciona o estabelecimento matriz" (Delegacia dà Receita Federal de Julgamento em Recife. Acórdão n° 118983, de 06 de agosto de 2004) (g.n.). A Incompetência dos AFRFs que realizaram a fiscalização e do Chefe da SAORT para emitir o Despacho Decisório Seguindo adiante na defesa recursal, a recorrente baseia a sua fundamentação na fiscalização realizada pelos AFRFs vinculados à DRF/Araçatuba que realizaram as solicitações de documentos a Recorrente com fundamento na autorização expedida pelo Chefe da SAORT baseada no artigo 19 da IN SRF n°600/2005, assim redigido: "Art. 19. A autoridade da SRF competente para decidir sobre o pedido de ressarcimento de créditos do IPI poderá condicionar o reconhecimento do direito creditário à apresentação, pelo estabelecimento que escriturou referidos créditos, do livro Registro de Apuração do IPI correspondente aos períodos de apuração e de escrituração (ou cópia autenticada) e de outros documentos relativos aos créditos, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal no estabelecimento da pessoa jurídica a fim de que seja verificada a exatidão das informações prestadas" (g.n.). Todavia, como busca demonstrar a recorrente, esta autorização de nova fiscalização não foi expedida pela autoridade competente para decidir o pedido de ressarcimento tal seja: o Delegado da DERAT/SP, mas o Chefe da SAORT de Araçatuba, como pessoa incompetente para autorizar qualquer medida tendente a solicitação de documentos, realização de diligências e demais atos passíveis de serem praticados na forma do supracitado dispositivo. Sustenta a recorrente que o Chefe da SAORT jamais poderia ter emitido o Despacho Decisório, porque pelo artigo 43 da Instrução Normativa SRF n° 600/2005, somente o Delegado da DRF/Araçatuba teria competência para apreciar o pedido de ressarcimento. Neste sentido, o Despacho Decisório mereceria ser cancelado porque a fiscalização que lhe deu origem foi realizada sem a observância do artigo 19 da IN SRF Fl. 893DF CARF MF Processo nº 16349.000291/200710 Resolução nº 3001000.014 S3C0T1 Fl. 894 14 n°600/2005 e foi emitido por servidor incompetente, representado no Chefe da SAORT, não observando a determinação contida no artigo 43 da mesma Instrução Normativa. A Vinculação ao Termo de Informação Fiscal Faz parte da argumentação, que deveria ter sido tomado como base o Termo de Informação Fiscal elaborado pela DIFIS/SP, pois como está comprovado, a DIFIS/SP realizou a análise de todos os documentos da Recorrente comprobatórios do direito creditório pleiteado, não existindo motivos jurídicos para deixar de ser considerados como válidos e corretos os procedimentos fiscais realizados. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — REEXAME DE PERÍODOBASE JÁ FISCALIZADO — É cabível a fiscalização proceder ao reexame de um exercicio já fiscalizado, quando devidamente autorizado por portaria do Delegado da Receita Federal que jurisdiciona o contribuinte" (1° Câmara do C. 1° Conselho de 'Contribuintes. Processo n° 13603.002184/0013. Acórdão n° 101 94297. Relator Conselheiro Paulo Roberto Coitez. J. 13/08/2003) (g.n.). A recorrente atribui importância essencial a este documento, vez que traz a informação fiscal, lavrada pela DIFIS/SP, o qual concluiu pela existência do direito creditório objeto do Pedido de Ressarcimento. Concluiu a recorrente, que a falta da supracitada autorização publicada em Portaria do Delegado da DRF/Araçatuba, todo o procedimento fiscal realizado pelos servidores vinculados a esta Delegacia não poderia ser considerado, porque os procedimentos fiscais já haviam sido realizados pela DIFIS/SP e estes deveriam ter sido considerados na decisão pelos motivos descritos alhures. Nulidade da Fiscalização por não respeitar a Representação A fiscalização realizada pelos servidores vinculados à DRF/Araçatuba foi totalmente irregular por ir além do autorizado na Representação, vez que somente foi solicitada uma complementação das verificações fiscais quanto a alguns pontos da fiscalização realizada pela DIFIS/SP. Entretanto, a recorrente argüiu que os procedimentos fiscais realizados pelos AFRFs vinculados à DRF/Araçatuba, foi o mesmo que realizar uma nova fiscalização em todos os documentos da Recorrente, como demonstra o Termo de Início de Fiscalização lavrado no dia 26 de dezembro de 2007 contendo a solicitação de diversas informações, dados e documentos. A Falta de Análise dos Documentos Apresentados A recorrente alega que se desconsiderou ter apresentado a DIFIS/SP diversos documentos necessários para a apreciação do pedido de ressarcimento. Ainda, desconsiderou diversas provas e documentos relacionados ao Pedido de Ressarcimento que haviam sido apresentados à DIFIS/SP e estavam anexados nos autos do mencionado Pedido de Ressarcimento. A Falta da Intimação para o fim da Instrução A recorrente alega ter havido desrespeito ao artigo 44 da Lei 9.784, o qual prevê que, encerrada a instrução, o interessado terá o direito de manifestarse no prazo máximo de dez dias. Falta de Legislação garantindo o indeferimento DIF1S/SP atestou a existência do direito A recorrente argumento que também é nulo porque não existe legislação garantindo a possibilidade do indeferimento do Pedido de Ressarcimento pelo motivo descrito no seu Fl. 894DF CARF MF Processo nº 16349.000291/200710 Resolução nº 3001000.014 S3C0T1 Fl. 895 15 texto. Pela análise das disposições contidas na Instrução Normativa SRF n° 600/2005, se depreende ser somente possível o indeferimento do pedido caso o contribuinte não possua efetivamente o direito ao ressarcimento do crédito presumido do IPI. A Incorreta e Inexistente Motivação A recorrente alegou erro e falta de motivação necessária para a sua validade jurídica do ato guerreado. Isto porque .desconsiderou a existência de Termo de Informação Fiscal emitido pelo DIFIS/SP, e pelo fato de ter a Recorrente apresentado os documentos comprobatórios do direito creditório na época solicitados pela DIFIS/SP e, até, posteriormente, conforme se depreende da análise dos Termos lavrados pela fiscalização vinculada a DRF/Araçatuba e estarem juntados no Processo Administrativo diversos documentos. Alega que também deveria ter considerado os trabalhos fiscais realizados pela DIFIS/SP, especialmente quando se apura que pela Representação acima indicada somente foram solicitadas novas verificações. O Cerceamento do Direito de defesa Alegou a recorrente, que o Despacho Decisório em nada apreciou e motivou a glosa dos créditos, demonstrando flagrante vício no julgamento por cercear o direito de defesa da Recorrente por não possuir a motivação jurídica para a sua validade. Princípio da Verdade Material Sustenta em sua defesa que a autoridade deve realizar todos os atos necessários para apurar de forma real e verdadeira as circunstâncias envolvendo o direito do contribuinte e analisar todos os elementos comprobatórios disponíveis para verificação. realizadas, porque tanto os documentos iá apresentados pelo estabelecimento matriz da Recorrente, quanto as conclusões da DIFIS/SP, foram desconsideradas para fins de apreciação do pedido de ressarcimento. O Levantamento Fiscal precário Segundo a recorrente os procedimentos fiscais realizados desconsideraram totalmente os documentos fornecidos pela Recorrente e que estavam juntados no • Processo Administrativo n° 13804.0030951200280, bem como não foi realizada nenhuma solicitação de esclarecimentos para a DIFIS/SP sobre os trabalhos fiscais praticados geradores da emissão do Termo de Informação Fiscal. Foi pleiteado a concessão de 30 dias de prazo para buscar em seus arquivos as informações e dados solicitadas pela fiscalização considerando o grande período fiscalizado abrangendo períodos anteriores a 5 (cinco) anos, nos termos da anexa petição. Não obstante a razoabilidade do pedido e a patente demonstração do interesse da Recorrente em fornecer os documentos solicitados, os AFRFs vinculados à DRF/Araçatuba negaram a prorrogação, prejudicando o direito da empresa em buscar cumprir as solicitações fiscais Os Princípios da Proporcionalidade e Razoabilidade A recorrente sustenta que o Pedido de Ressarcimento originário foi protocolado pela Recorrente no ano de 2002, existiu uma profunda análise fiscal realizada pela DIFIS/SP com a apresentação de documentos pela empresa e somente após mais de 5 (cinco) anos de sua protocolização foi intimada de uma nova fiscalização. A Existência de Suporte Documental Inverdade da Conclusão A recorrente alega que o Despacho Decisório deve ser cancelado porque se baseou na afirmação da fiscalização de que não existe possibilidade material de dimensionar o direito creditário da Recorrente por absoluta inexistência de elementos de suporte documental. Fl. 895DF CARF MF Processo nº 16349.000291/200710 Resolução nº 3001000.014 S3C0T1 Fl. 896 16 Isto porque o suporte documental relacionado ao direito creditário já havia sido apresentado à DIFIS/SP e se encontra juntado no Processo Administrativo oriqinário sendo de conhecimento não apenas da fiscalização mas do próprio julgador que expediu o Despacho Decisório. Justificativa da Não Apresentação Curto Prazo e Indeferimento do Pedido de Prorrogação Apresentação de Documentos Sustenta a recorrente que jamais existiu embaraço a fiscalização por sua parte vez que somente não conseguiu cumprir com as solicitações da fiscalização pelo curto prazo concedido, grande volume de documentos solicitados e indeferimento de seus pedidos de prorrogação de prazo. Mérito O Direito ao Ressarcimento e a necessidade de análise conjunta com os demais Processos desmembrados A recorrente alega que o desmembramento foi realizado de forma irregular, porque considerado ter sido o estabelecimento matriz da Recorrente aquele que apurou o crédito do IPI de forma centralizada, portanto a divisão processual realizada não poderia ter sido praticada. Neste sentido, a Recorrente possui o direito ao ressarcimento do crédito do IPI pleiteado no Pedido de Ressarcimento objeto do Processo Administrativo n° 13804.003095/200280, e tal foi reconhecido o direito creditório na forma pleiteada pela Recorrente no Pedido protocolado no dia 17/05/2002. O Ressarcimento para Filial A recorrente alega que, caso a DRJ entenda ser possível apreciar o pedido de ressarcimento especifico para o estabelecimento filial ora Recorrente, seja plenamente considerando a validade do Termo de Informação Fiscal lavrado pela DIFIS/SP, como a prova realizada pela empresa e o cálculo objeto do Parecer SAORT. O Novo Julgamento pelo DERAT/ Alega a recorrente que, um vez promovida a junção dos Processos desmembrados originados do Processo Administrativo n° 13804.003095/200280, deveriam ser julgados pela DERAT. A Incineração, Demais Provas e CréditoPrêmio do IPI A Recorrente informou terem sido localizados no seu arquivo morto diversos materiais relacionados à apuração do direito creditório. Muitas das Notas Fiscais originais analisadas na época pela DIFIS/SP foram localizadas estando à disposição da fiscalização ou de eventual perícia e diligência. Para os documentos que foram efetivamente incinerados, muitos dos quais possuem cópias simples que foram analisadas pelos AFRFs vinculados à DRF/Araçatuba, cuja autenticidade já havia sido confirmada pela DIFIS/SP, não podendo ser desconsiderados para fins de verificação como defendido no Parecer SAORT. Em relação a manutenção de guarda dos documentos fiscais, a própria legislação demonstra somente ser necessário a sua manutenção dentro do prazo de decadência dos tributos o qual, considerando o prazo previsto no artigo 150 do CTN, é de 5 (cinco) anos implicando a improcedência do posicionamento adotado no Despacho Decisório. Em relação a questão envolvendo o crédito prêmio do IPI, esta não merece ser considerada por não possuir qualquer relação com o pedido de ressarcimento. Fl. 896DF CARF MF Processo nº 16349.000291/200710 Resolução nº 3001000.014 S3C0T1 Fl. 897 17 A Homologação Tácita das Compensações Entende a recorrente ter ultrapassado o prazo de 5 anos e a Dcomp deve ser homologada tacitamente nos termos do artigo 74, §5° da Lei n° 9.430. Diligência e Perícia Cerceamento de Defesa Sustenta a recorrente que a perícia e diligência se justificam para a análise dos documentos relacionados ao direito creditário e existentes no estabelecimento da Recorrente. Pedido. 1.1 ser reformado o Acórdão recorrido com o cancelamento do r. Despacho Decisório, para este Conselho, baseada no Termo de Informação Fiscal da DIFIS/SP e nos documentos apresentados na presente, realize o julgamento conjunto de todos os Pedidos de Ressarcimento objeto deste Recurso originados do desmembramento do Processo Administrativo n° 13804.003095/200280, abrangendo o crédito do IPI do 3° Trimestre de 2001, e reconheça o direito creditório pleiteado pelo estabelecimento matriz da Recorrente nos termos do Pedido de Ressarcimento protocolado no dia 17/05/2002 no valor de R$ 1.168.948,76 (um milhão, cento e sessenta e oito reais, novecentos e quarenta e oito reais e setenta e seis centavos), ou, ao menos, sucessivamente, o valor com a glosa realizada conforme o Termo deInformação Fiscal da DIFIS/SP. ou, sucessivamente, caso este Conselho entenda somente ser possível reconhecer o direito creditório relativo ao estabelecimento filial, ora Recorrente, da empresa Bracol Holding Ltda., que ao menos reconheça com fundamento no Termo de Informação Fiscal da DIFIS/SP, nos documentos apresentados e no Parecer SAORT, o direito creditório desta filia. 124. Na hipótese deste Colendo Conselho entender não ser possível reconhecer o direito creditório do IPI conforme pleiteado nos itens fij e acima descritos, que ao menos cancele o r. Despacho Decisório e reforme o Acórdão recorrido diante dos vícios demonstrados neste Recurso para: fi) reconhecer a competência da autoridade fiscal com jurisdição sobre o estabelecimento matriz da Recorrente para apreciar o Pedido de Ressarcimento, com a conseqüente reunião de todos os Processos Administrativos originados do desmembramento do Processo Administrativo n° 13804.003095/200280, descritos neste Recurso, abrangendo o crédito do IPI do 3° Trimestre de 2001, para serem encaminhados para o DERAT/SP com o fim de ser proferido novo Despacho Decisório analisando o Pedido de Ressarcimento relacionado a este período e ao crédito originado de todos os estabelecimentos da empresa Bracol Holding Ltda. como pleiteado no Pedido de Ressarcimento protocolado no dia 17/05/2002; o sucessivamente, caso entenda ser competente para apreciar o Pedido de Ressarcimento a autoridade que emitiu o Despacho Decisório, que ao menos cancele esta decisão e determine a realização de novas verificações fiscais nos documentos apresentados pela empresa, nos anexados no Processo Administrativo n° 13804.003095/200280, no Termo de Informação Fiscal da DIFIS/SP e em outros a serem solicitados pela autoridade com a possibilidade de sua apresentação pela Recorrente, tudo para fins de emissão de um novo Despacho Decisório contendo todas as análises e os elementos cuja falta geraram Fl. 897DF CARF MF Processo nº 16349.000291/200710 Resolução nº 3001000.014 S3C0T1 Fl. 898 18 a sua nulidade nos termos da presente Manifestação de Inconformidade. v) E, ainda, sucessivamente, na hipótese deste Colendo Conselho também entender não ser possível conceder os pedidos formulados nos tópicos anteriores, ao menos dê provimento ao presente Recurso parg cancelar o Acórdão recorrido por ter negado o direito da Recorrente à realização de perícia e diligência cerceando seu direito de defesa, para que seja a decisão recorrida cancelada com o retorno dos autos para a primeira instância para a realização da perícia e diligência nos termos solicitados na Manifestação de Inconformidade. 125. Requer, também em relação a decisão não homologatória das compensações realizadas com o direito creditório a reforma do r. Acórdão e do Despacho Decisório para ser reconhecida a homologação das compensações declaradas a RFB no período igual ou superior a 5 (cinco) anos contados anteriormente a data da ciência do Despacho Decisório pela Recorrente, por ter ocorrido, em relação a tais casos, a homologação tácita e extinção definitiva do crédito tributário dos débitos compensados, nos termos do artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 31 de dezembro de 1996, e artigo 29, §2° da IN SRF n° 60012005, a homologação das compensações com os créditos eventualmente reconhecidos neste juízo administrativo e o reconhecimento da suspensão d exigibilidade dos débitos compensados até a publicação da decisão final neste contencioso administrativo. 126. Requer, outrossim, o reconhecimento da incidência da Taxa SELIC sobre o valor dos créditos do IPI pleiteados, bem como a homologação das compensações realizadas até o montante do crédito cujoressarcimento for reconhecido administrativamente. Requer, ainda, por serem causas conexas o julgamento • conjunto das Manifestações de Inconformidade apresentadas nos Processos Administrativos derivados do desmembramento do Processo Administrativo n° 13804.003095/200280. VOTO No presente caso, não se questiona o direito em si da contribuinte ao ressarcimento, mas se os documentos apresentados são suficientes para comprovar o valor solicitado, ou seja, discutese a liquidez e certeza do crédito que a empresa diz possuir contra a Fazenda Nacional. No curso do processo, houve manifestação da Fazenda a respeito da existência deste crédito, conforme se denota abaixo: TERMO DE INFORMAÇÃO FISCAL DOCUMENTOS APRESENTADOS PELA EMPRESA I Formulário de Pedido de Ressarcimento, preenchido com o valor total de R$ 1.168.948,76 (um milhão, cento e sessenta e oito mil, novecentos e quarenta e oito reais e setenta e seis centavos) lis. 1, decorrente do incentivo fiscal instituída pela Lei n.° 9779199 art. 11; 2 Cópias do Livro Registro de Apuração do IPI (mod. 8), relativas ao período em referência, às fis 48 a 278, bem como das fis. Relativas ao estorno do crédito pleiteado conforme fis. 02/16; Fl. 898DF CARF MF Processo nº 16349.000291/200710 Resolução nº 3001000.014 S3C0T1 Fl. 899 19 3 Cópia do Contrato Social da empresa, cartão do CNN, RG e CPF do representante legal lis. 17/35, 4 Declaração do representante da empresa de que a mesma não se encontra em processo judicial Quem procedimento fiscal de determinação e exigência de creria e 1, em razão de decisão que porventura altere o valor do crédito a rmsareir solicitado; fis 29 Relação dos produtos fabricados e comercializados, imunes, isentos, tributados a aliquota zero ou no tributados pelo IPI, com a respectiva classificação fiscal, referente ao período a , que se reporta o presente pedido; Anexado fls. 292 a 294; • 6 Relação das Notas Fiscais de entrada de matérias primas, produtos intermediários e material de •• embalagem, que deram origem aos créditos de 1PI, onde constam os seguintes dados: data de emissão, data de entrada, número da nota fiscal, natureza da operação, valor contábil, valor do IPI, Fornecedor e seu CNP', discriminadas por estabelecimento (filiais) lis. 48 a 278; 7 Planilha resumo do saldo credor do trimestre, compondo o valor do pedido de ressarcimento, discriminado por estabelecimento (filiais) e por valores mensais lis. 45 a 47 PROCEDIMENTOS DE VERIFICAÇÃO I Foram conferidas as somas dos valores do crédito do IPI no Livro Registro de Entradas,. referente ao período solicitado, tendo sido constatado que se encontram corretas; 2 Foram conferidas, por amostragem, as Notas Fiscais de Entrada com os Registros do Livro • registro de Entradas, sendo que, à guisa de exemplos, juntamos algumas copias de notas fiscais de compras fls. 279 a 290; 3 Foram conferidas as Notas Fiscais de Saídas, por amostragem, com o Livro Registro de Saídas, verificando serem os produtos, em sua grande parte isentos ou tributados à aliquota zero, conforme cópias juntadas as fls. 295 a303; 4 Foram verificadas as classificações fiscais dos produtos, estando de acordo com a TIPI; 5 Foi constatada a existência de saídas de produtos isentos, ou tributados à aliquota zero, no Livro Registro de Apuração do EPI, para o periodo solicitado, que justificam a existência de saldo credor; • 6 Os valores solicitados como ressarcimento de crédito de IPI, estão de acordo com os registrados no Livro Registro de Apuração do LP1, cujas cópias foram juntadas a este processo conforme • descrito no item 2 da relação I DOCUMENTOS APRESENTADOS PELA EMPRESA, inserta na • página 01 deste relatório; • 7 A contribuinte procedeu ao estorno do crédito solicitado, conforme cópias das folhas do Livro • de Apuração do IPI, cujas cópias foram juntadas a este processo conforme descrito ito item 2 da relação 1 DOCUMENTOS APRESENTADOS PELA EMPRESA, inserta na página 01 deste relatório III DÁS GLOSAS EFETUADAS: No decorrer das análises, foram verificados créditos não sujeitos a ressarcimentos, como os incidentes sobre compras de bens para o ativo Fl. 899DF CARF MF Processo nº 16349.000291/200710 Resolução nº 3001000.014 S3C0T1 Fl. 900 20 imobilizado e bens de consumo, itens estes não contemplados pela legislação regente da matéria. A relação encontrase ás fla. 304 do presente processo com total de glosa de R$ 81994,32. IV DO RECONHECIMEIVTO DO PEDIDO • • I Em face do exposto, opinamos pelo reconhecimento parcial do montante de créditos de IPI a ressarcir, em decorrência do crédito de IPI apurado no período em referência, decorrente do estimulo pela Lei n.9779/99 no VALOR REMANESCENTE DE R$ 1.086.954,44 (hum milhão, oitenta e seis mil, novecentos e cinqüenta e quatro reais e quarenta e quatro centavos) • conforme quadro: Da proposta de diligência Conforme observase, o interessado indicou como crédito a compensar, e, após longo procedimento, foi emitido o Termo de Intimação Fiscal acima mencionado, dando evidencia à existência do crédito. A farta documentação acostada aos autos, possibilita a verificação da legitimidade da compensação. Notadamente, em que pese as dificuldades em remontar a documentação no segundo procedimento fiscalizatório, este Colegiado vem demonstrando a viabilidade de deferir a compensação com todos os elementos hábeis a demonstrar o direito creditório pleiteado. Desta forma, entendo que os documentos acostados aos autos são suficientes para levar a efeito dos elementos de prova apresentados no âmbito do procedimento, sinalizando com a possibilidade de acerto quanto ao correto valor do indébito de IPI. Da conclusão Em face do exposto, , proponho converter o julgamento do presente recurso em diligência a fim de que a autoridade preparadora da unidade fiscal de origem analise os documentos acostados e, caso entenda necessário, intime o recorrente a comprovar a pertinência e veracidade das alegações mencionadas em suas peças de defesa, de modo a confirmar a existência do crédito pleiteado. Posteriormente, a autoridade incumbida da diligência deverá elaborar relatório, pormenorizado e conclusivo das análises levadas a efeito e do seu reflexo neste pleito, vez que o termo de intimação fiscal assegura o crédito de R$ 1.086.954,44. Na sequência o contribuinte deverá ser intimado para que, no prazo regulamentar, caso entenda conveniente, adite seu recurso voluntário, somente quanto à matéria decorrente da diligência. Por fim, devolva os autos para este CARF, para julgamento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 900DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001812/2004-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2000 a 30/12/2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO e CONTRADIÇÃO. INEXISTENTES.
Nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os Embargos de Declaração somente são oponíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
Comprovados nos autos fundamentos para a razão de decidir, afastados os vícios alegados.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 3201-003.409
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos.
Winderley Morais Pereira - Presidente.
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2000 a 30/12/2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO e CONTRADIÇÃO. INEXISTENTES. Nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os Embargos de Declaração somente são oponíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Comprovados nos autos fundamentos para a razão de decidir, afastados os vícios alegados. Embargos Rejeitados Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos. Winderley Morais Pereira Presidente. Paulo Roberto Duarte Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 18 12 /2 00 4- 32 Fl. 778DF CARF MF Processo nº 19515.001812/200432 Acórdão n.º 3201003.409 S3C2T1 Fl. 3 2 Trata o presente processo de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, em face do Acórdão 3201001.491, prolatado na sessão de 24/10/2013 por esta Turma. O acórdão embargado deu parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir do lançamento do PIS cumulativo os valores referentes aos períodos de apuração 06/2000 a 12/2000, e manter o do PIS não cumulativo referentes aos períodos de apuração 04/2003 a 09/2003, bem como da multa de ofício de 75% e dos juros de mora incidentes, cuja ementa foi assim redigida: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2000 a 30/12/2000, 01/04/2003 a 30/09/2003 DECISÃO JUDICIAL.TRÂNSITO EM JULGADO. AUTO DE INFRAÇÃO. O respeito à coisa julgada impõe a estrita observância do quanto decidido no Poder Judiciário, nos estreitos limites do seu cumprimento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2000 a 30/12/2000, 01/04/2003 a 30/09/2003 DCTF RETIFICADORA. APRESENTAÇÃO APÓS CIÊNCIA DO INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO. ESPONTANEIDADE. A apresentação de DCTF retificadora após o início do procedimento de fiscalização não concede o beneficio da denúncia espontânea. Cientificada da decisão, a PFN interpôs embargos de declaração, sustentando que a decisão recorrida contém vícios, assim sintetizados: 1. Alega a embargante ter havido omissão no acórdão recorrido, uma vez que, ao fundamentarse em decisão judicial favorável à contribuinte, que teria sido proferida nos autos do processo nº. 001266343210.403.6100, deixou de informar de onde vem a informação da existência desse processo, uma vez que não há nos autos elemento algum que dele dê notícia.; 2. Aduz também a contradição no acórdão, tendo em vista que a identidade de objeto, consignada tanto no auto de infração quanto no recurso voluntário apresentado pela contribuinte, diz respeito ao mandado de segurança nº. 1999.61.00.0138195, cuja decisão transitada em julgado foi favorável ao Fisco. No despacho de admissibilidade (fls. 750/752), atestouse a tempestividade da peça e, no mérito da análise, acolheu os embargos em sua integralidade. É o relatório. Fl. 779DF CARF MF Processo nº 19515.001812/200432 Acórdão n.º 3201003.409 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira Admitidos os embargos por decisão do Presidente da Turma, o processo foi a mim distribuído, o qual incluí em pauta de julgamento. Nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RICARF), cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma. A Procuradoria afirma que o acórdão embargado teve por fundamento da exoneração parcial da exigência relativa ao PIS cumulativo, períodos de apuração 06/2000 a 12/2000, decisão judicial favorável à contribuinte, no processo nº 001266343210.403.6100, da qual não se tem notícia nos autos, daí seu entendimento de omissão. Sem razão à embargante. O voto condutor do acórdão embargado teve por fundamento de sua razão de decidir, quanto à parcela do PIS exonerada, o trânsito em julgado na ação ordinária nº 001266343210.403.6100, conforme excerto (fl. 741): Em relação ao Mandado de Segurança n° 1999.61.00.0138195, consta a informação que a recorrente teve seu direito negado pelo Poder Judiciário, todavia a mesma ingressou com outra ação judicial questionando a ampliação da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep implementada pelo artigo 3º, I, da Lei nº 9.718/98, qual seja a Ação Ordinária nº 001266343210.403.6100. Constatase que a recorrente teve sucesso nesta ação, tendo sido declarada em primeira instância“a inexistência da relação jurídica que obrigue a autora ao recolhimento da contribuição para o PIS, no período de 03/1999 a 12/2002, e da Cofins, no período de 03/1999 a 02/2004, com base no alargamento da base de cálculo do artigo 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98, mantendose o critério de apuração das respectivas bases anteriormente vigentes, ou seja LC 70/91 e 07/70”. A decisão foi mantida pelo TRF da 3ª Região, em acórdão transitado em julgado em 21/09/2012. Desta forma, tendo em vista a existência de decisão judicial transitada em julgado que fulmina aos valores lançados, deve ser cancelada a exigência referente aos períodos de apuração 06/2000 a 12/2000. Pressuponho que a alegação da omissão tenha por fato a ausência no voto embargado da indicação dos documentos e folhas nos autos que motivou a decisão da Turma. Fl. 780DF CARF MF Processo nº 19515.001812/200432 Acórdão n.º 3201003.409 S3C2T1 Fl. 5 4 A contribuinte juntou aos autos, em 19/08/2013 anteriormente à data do julgamento de sue recurso voluntário, em 24/10/2013 documentos de folhas 589 a 735, na qual deu conhecimento da ação nº 001266343210.403.6100, conforme imagem (fl. 664) (grifei): O "doc. 6" é a petição inicial da ação ordinária nº 001266343210.403.6100 (fls. 724/594) assim numerado no eprocesso em razão da juntada em desacordo com a sequência das páginas do documento. O "doc.7" é um extrato da "Consulta da Movimentação Número: 28" (fls. 597/601) e cópia de "Certidão" emitida pela 2ª Vara federal Cível da Seção Judiciária do Estado de São Paulo (fls. 602/603). Constatase que a certidão corrobora as alegações da contribuinte no documento de folha 664. Como se vê, são esses documentos que embasaram o voto no acórdão embargado, comprovandose inexistência de omissão aos fatos que motivaram a exoneração do PIS no período de 06/2000 a 12/2000. Quanto à alegada contradição, à vista do ante exposto a comprovação da sentença transitada em julgado que exonerou a Contribuição para o PIS nos períodos de 06/2000 a 12/2000 não subsiste o vício suscitado em razão do sucesso ação nº 001266343 210.403.6100, conforme o excerto do voto no acórdão embargado, aqui já transcrito. Conclusão Por todo exposto, voto para conhecer dos embargos e, no mérito, REJEITA LO, em razão de inexistência dos vícios de omissão e contradição alegados, mantendose integralmente o decidido no acórdão nº 3201001.491. Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Fl. 781DF CARF MF Processo nº 19515.001812/200432 Acórdão n.º 3201003.409 S3C2T1 Fl. 6 5 Fl. 782DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35366.003270/2005-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1999, 01/01/2002 a 31/01/2002, 01/03/2002 a 31/03/2002, 01/12/2002 a 31/12/2002, 01/01/2003 a 01/05/2003
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO VERIFICADA. CORREÇÃO QUE SE IMPÕE. ACOLHIMENTO. Verificada contradição entre o Acórdão e a parte dispositiva do voto, a decisão embargada deve ser retificada de modo a eliminar a contradição. Embargos acolhidos.
CORREÇÃO DE ACORDÃO CONTRADITORIO. ALTERAÇAO DO TEXTO. QUE PASSA VIGORAR NOS SEGUINTES TERMOS: "Por maioria de votos, Acórdão os conselheiros, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para reconhecer a decadência das competências anteriores a Dezembro de 1999. Vencidos os conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Leôncio Nobre de Medeiros que davam provimento parcial para que afastasse a responsabilidade apenas do órgão público"
Numero da decisão: 2402-006.052
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, retificando o dispositivo da decisão e atribuindo-lhe a seguinte redação: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer a decadência para as competências anteriores a 12/1999."
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filh, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Fernanda Melo Leal (suplente convocada em substituição a conselheira Renata Toratti Cassini), Gregorio Rechmann, Mauricio Nogueira Righetti.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1999, 01/01/2002 a 31/01/2002, 01/03/2002 a 31/03/2002, 01/12/2002 a 31/12/2002, 01/01/2003 a 01/05/2003 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO VERIFICADA. CORREÇÃO QUE SE IMPÕE. ACOLHIMENTO. Verificada contradição entre o Acórdão e a parte dispositiva do voto, a decisão embargada deve ser retificada de modo a eliminar a contradição. Embargos acolhidos. CORREÇÃO DE ACORDÃO CONTRADITORIO. ALTERAÇAO DO TEXTO. QUE PASSA VIGORAR NOS SEGUINTES TERMOS: "Por maioria de votos, Acórdão os conselheiros, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para reconhecer a decadência das competências anteriores a Dezembro de 1999. Vencidos os conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Leôncio Nobre de Medeiros que davam provimento parcial para que afastasse a responsabilidade apenas do órgão público"
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, retificando o dispositivo da decisão e atribuindo-lhe a seguinte redação: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer a decadência para as competências anteriores a 12/1999." (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filh, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Fernanda Melo Leal (suplente convocada em substituição a conselheira Renata Toratti Cassini), Gregorio Rechmann, Mauricio Nogueira Righetti.
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CONTRADIÇÃO VERIFICADA. CORREÇÃO QUE SE IMPÕE. ACOLHIMENTO. Verificada contradição entre o Acórdão e a parte dispositiva do voto, a decisão embargada deve ser retificada de modo a eliminar a contradição. Embargos acolhidos. CORREÇÃO DE ACORDÃO CONTRADITORIO. ALTERAÇAO DO TEXTO. QUE PASSA VIGORAR NOS SEGUINTES TERMOS: "Por maioria de votos, Acórdão os conselheiros, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para reconhecer a decadência das competências anteriores a Dezembro de 1999. Vencidos os conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Leôncio Nobre de Medeiros que davam provimento parcial para que afastasse a responsabilidade apenas do órgão público" Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 36 6. 00 32 70 /2 00 5- 21 Fl. 1203DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, retificando o dispositivo da decisão e atribuindolhe a seguinte redação: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer a decadência para as competências anteriores a 12/1999." (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filh, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Fernanda Melo Leal (suplente convocada em substituição a conselheira Renata Toratti Cassini), Gregorio Rechmann, Mauricio Nogueira Righetti. Fl. 1204DF CARF MF Processo nº 35366.003270/200521 Acórdão n.º 2402006.052 S2C4T2 Fl. 1.203 3 Relatório Por bem retratar os elementos processuais que devem ser analisados em razão dos embargos opostos pela DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA EM SÃO PAULO, adotaremos o relatório e dispositivo apostos no despacho de admissibilidade de Fls 255/256: "Tratamse de embargos de declaração opostos pela r. DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA EM SÃO PAULO em face do Acórdão n. 230100.645, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção, deu provimento parcial para que afastasse apenas a responsabilidade do órgão público: "por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Vencidos os conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Leôncio Nobre de Medeiros que davam provimentoparcial para que afastasse a responsabilidade apenas do órgão público. A DERATSPO alegou, em síntese, a existência de contradição entre o dispositivo e o teor dos voto, pois, foram julgados 02 [dois] recursos voluntários – CIA do Metropolitano de São Paulo e PEM Engenharia Ltda. , no entanto, foi registrado apenas o julgamento do primeiro apelo, conforme se observa abaixo: [...] Conforme consta nos autos, as fls. 1023 a 1028, foi proferido Acórdão n.° 230100.645 pela 3.a Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tratandose de uma decisão que contém diversas imprecisões, por exemplo, ao contrário do resultado declarado no decisório da votação do colegiado do próprio acórdão, que foi por maioria de votos, o resultado contraria o voto do Sr. Relator. Por outro lado, a conclusão do voto do Sr. Relator também contém uma imprecisão e não se encontra compatível com todos os argumentos e a fundamentação contidos no próprio voto pois se estivesse compatível deveria concluir pelo provimento do recurso da Cia do Metropolitano de São Paulo e pelo provimento parcial do recurso da PEM Engenharia Ltda, ou seja, o resultado do decisório, da votação do colegiado, não deveria ser "nos termos do voto vencedor redigido por outro conselheiro designado. 2. Infelizmente, em seguida houve mais um equívoco, pois em 14/04/2010, cerca de seis meses e meio da data da sessão de julgamento que ocorreu em 29/09/2009, sendo emitido o termo de intimação pela Chefe da Secretaria dajanf14455 3 a Câmara do CARF e encaminhado o processo, foi assinada a ciência pela Procuradoria da Fazenda Nacional em 31/05/2010, com o resultado "Sem Recurso", ou seja, sem a apresentação do recurso que poderia corrigir o acórdão antes do retorno dos autos a esta Fl. 1205DF CARF MF 4 DERATSPO, sendo encaminhado posteriormente os autos em retorno para o cumprimento da decisão. É o relatório. Os embargos de declaração previstos no art. 65, do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes aprovado pela Portaria n.º 256,de 22/06/2009, é o recurso por meio do qual as partes se valem para pedir ao prolator de uma dada decisão que a esclareça, em seus pontos obscuros, ou a complete, quando omissa, ou, finalmente, que lhe repare ou elimine eventuais contradições que porventura contenha. Os embargos de declaração oferecem o exemplo mais rigoroso e completo de recurso apenas com efeito de retratação, sem qualquer devolução a algum órgão superior. No caso presente, vislumbro a partir da leitura do decisum recorrido, existir contradição entre o voto prolatado e o dispositivo do Acórdão. Nesse sentido, proponho o ACOLHIMENTO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, pelas razões de fato e de direito acima ofertadas, restituindo o processo à Secretaria para que sejam tomadas as providências cabíveis, após análise do ilustre Presidente, conforme previsão Regimental. É o Relatório. Fl. 1206DF CARF MF Processo nº 35366.003270/200521 Acórdão n.º 2402006.052 S2C4T2 Fl. 1.204 5 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Tratamse de embargos de declaração opostos pela r. DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA EM SÃO PAULO em face do Acórdão nº 230100.645, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção nos seguintes termos: "por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Vencidos os conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Leôncio Nobre de Medeiros que davam provimento parcial para que afastasse a responsabilidade apenas do órgão público." Já o voto do relator, diferente do registrado no Acórdão, apresenta um provimento parcial da questão, nos seguintes termos: "Ante ao exposto, conheço do recurso, para no mérito DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, a fim de reconhecer a decadência das competências anteriores a Dez/99." Quanto a manifestação dos Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Leôncio Nobre de Medeiros pelo parcial provimento não houve declaração de voto. Entretanto, o Acórdão deixa clara a posição dos mesmos. Há uma clara contradição entre o Acórdão e o dispositivo do voto que merece correção mas, não exatamente nas questões e termos indicadas pelo embargante como passaremos a expor. A DERATSPO alegou o seguinte: "[...] Conforme consta nos autos, as fls. 1023 a 1028, foi proferido Acórdão n.° 2301 00.645 pela 3.a Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tratandose de uma decisão que contém diversas imprecisões, por exemplo, ao contrário do resultado declarado no decisório da votação do colegiado do próprio acórdão, que foi por maioria de votos, o resultado contraria o voto do Sr. Relator. Por outro lado, a conclusão do voto do Sr. Relator também contém uma imprecisão e não se encontra compatível com todos os argumentos e a fundamentação contidos no próprio voto pois se estivesse compatível deveria concluir pelo provimento do recurso da Cia do Metropolitano de São Paulo e pelo provimento parcial do recurso da PEM Engenharia Ltda, ou seja, o resultado do decisório, da votação do colegiado, não deveria ser "nos termos do voto do relator" e sim: "vencido o relator" com a consequente Fl. 1207DF CARF MF 6 inclusão do voto vencedor redigido por outro conselheiro designado. 2. Infelizmente, em seguida houve mais um equívoco, pois em 14/04/2010, cerca de seis meses e meio da data da sessão de julgamento que ocorreu em 29/09/2009, sendo emitido o termo de intimação pela Chefe da Secretaria da 3 a Câmara do CARF e encaminhado o processo, foi assinada a ciência pela Procuradoria da Fazenda Nacional em 31/05/2010, com o resultado "Sem Recurso", ou seja, sem a apresentação do recurso que poderia corrigir o acórdão antes do retorno dos autos a esta DERATSPO, sendo encaminhado posteriormente os autos em retorno para o cumprimento da decisão." Ao contrário do que expôs a DERATSPO, o resultado do julgamento não seria "vencido o relator com a consequente inclusão do voto vencedor redigido por outro conselheiro designado". Todo o contexto processual e os elementos do Acórdão sob oposição indicam que, quanto ao resultado, o único equivoco ocorrido referese a falta de indicação de que a decisão seria por dar parcial provimento ao Recurso nos termos do voto do Relator. Quanto ao voto do Relator, este reconheceu a decadência das competências anteriores a Dez/99, mantidas as demais obrigações, incluindo as relativas a co responsabilidade. A divergência aberta pelos Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Leôncio Nobre de Medeiros, que restaram vencidos, encaminhava a questão no sentido de que se afastasse a responsabilidade apenas do órgão público. Pelo exposto, uma correção do Acórdão se faz necessária, este deveria assim estar prolatado: "por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Vencidos os conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Leôncio Nobre de Medeiros que davam provimento parcial para que afastasse a responsabilidade apenas do órgão público." O lançamento guerreado compreendeu as competências de 01/10/1997 a 31/12/1999, 01/01/2002 a 31/01/2002, 01/03/2002 a 31/03/2002, 01/12/2002 a 31/12/2002, 01/01/2003 a 01/05/2003. Na fundamentação o relator se posiciona pela decadência dos créditos originados no período compreendido entre 01/10/1997 e 31/12/1999, por consequência, ficam mantidas das demais obrigações lançadas. Quanto a responsabilidade solidária, votou por não afastála e quanto aos juros votou por reconhecer sua licitude em relação aos créditos não abrangidos pela decadência. Com tal ajuste, a única obrigação tributária objeto de alteração em razão do referido julgado seriam as ocorridas antes de Dez/99, restando mantidas todas as demais, inclusive a responsabilidade solidária da embargada CIA do Metropolitano de São Paulo. Fl. 1208DF CARF MF Processo nº 35366.003270/200521 Acórdão n.º 2402006.052 S2C4T2 Fl. 1.205 7 Conclusão Acolho os embargos com efeitos para, sanando a contradição apontada, alterar a decisão anterior em sua parte dispositiva que passaria a viger com a seguinte redação: "Por maioria de votos, Acórdão os conselheiros, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para reconhecer a decadência das competências anteriores a Dezembro de 1999. Vencidos os conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Leôncio Nobre de Medeiros que davam provimento parcial para que afastasse a responsabilidade apenas do órgão público." (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 1209DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.904666/2009-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO.
Constatado erro no preenchimento da declaração, que aponta pagamento indevido de estimativa quando na verdade se trata de crédito oriundo de saldo negativa, bem como comprovada a existência do aludido crédito tributário em sede de diligência, a homologação pretendida deve ser reconhecida, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo.
Numero da decisão: 1301-002.767
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório de R$ 1.700,57, homologando as compensações declaradas nos processos 10865.904662/2009-81, 10865.904663/2009-25, 10865.904664/2009-70, 10865.904665/2009-14 e 10865.904666/2009-69 até o limite do crédito reconhecido, vencido o Conselheiro Roberto Silva Junior que votou por negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. Constatado erro no preenchimento da declaração, que aponta pagamento indevido de estimativa quando na verdade se trata de crédito oriundo de saldo negativa, bem como comprovada a existência do aludido crédito tributário em sede de diligência, a homologação pretendida deve ser reconhecida, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório de R$ 1.700,57, homologando as compensações declaradas nos processos 10865.904662/2009-81, 10865.904663/2009-25, 10865.904664/2009-70, 10865.904665/2009-14 e 10865.904666/2009-69 até o limite do crédito reconhecido, vencido o Conselheiro Roberto Silva Junior que votou por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1764; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 666 1 665 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.904666/200969 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301002.767 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de fevereiro de 2018 Matéria ERRO DE PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO Recorrente AUTO POSTO EVOLUÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. Constatado erro no preenchimento da declaração, que aponta pagamento indevido de estimativa quando na verdade se trata de crédito oriundo de saldo negativa, bem como comprovada a existência do aludido crédito tributário em sede de diligência, a homologação pretendida deve ser reconhecida, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório de R$ 1.700,57, homologando as compensações declaradas nos processos 10865.904662/200981, 10865.904663/200925, 10865.904664/200970, 10865.904665/200914 e 10865.904666/200969 até o limite do crédito reconhecido, vencido o Conselheiro Roberto Silva Junior que votou por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 46 66 /2 00 9- 69 Fl. 666DF CARF MF Processo nº 10865.904666/200969 Acórdão n.º 1301002.767 S1C3T1 Fl. 667 2 Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão 1436.470, proferido pela 6ª Turma da DRJ/RPO, que, ao apreciar a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, entendeu, por unanimidade de votos, julgála improcedente, não reconhecendo o direito creditório. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório confeccionado por ocasião do julgamento de primeira instância: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 02/06, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de IRPJ (código de receita: 5993) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ: 5993). Por intermédio do despacho decisório de fl. 07, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte,“não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada, em 26/05/2009, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fl. 12, na qual alega, em síntese: a) no anocalendário de 2005, efetuou recolhimento por estimativa de IRPJ com base em balancete de redução; b) no fechamento do ano base de 2005, apurouse o IRPJ sobre lucro real, no valor de R$ 2.613,52, conforme página 11 da DIPJ/2006; c) ao apurar o IRPJ de janeiro/2006 e fevereiro/2006, com base em balancete de redução, utilizouse de parte do valor pago a maior no ano de 2005 para compensar os referidos débitos; d) ao transmitir a PER/Dcomp nº 38124.78900.051006.1.3.043957, em 05/10/2006, para compensar os débitos apurados conforme consta da letra “c”, por desconhecimento informou erroneamente como tipo de crédito: pagamento indevido ou a maior, quando o correto seria tipo de crédito: saldo negativo de IRPJ; e) ao analisar as PER/Dcomp acima, o Auditor Fiscal concluiu que o crédito constante da PER/Dcomp já tinha sido utilizado para quitação de débito do anocalendário de 2005, não se atentando que no referido ano foi apurado saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 2.613,52, valor esse que poderia ser compensado no ano seguinte. Ao final, solicita a homologação total da compensação declarada, uma vez que o contribuinte incorreu em erro ao elaborar a referida PER/Dcomp, mas não lesou o Fisco. Fl. 667DF CARF MF Processo nº 10865.904666/200969 Acórdão n.º 1301002.767 S1C3T1 Fl. 668 3 É o relatório. A 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, São Paulo, apreciando as razões trazidas pela contribuinte, decidiu, por meio do acórdão nº 1436.470, de 31 de janeiro de 2012, pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. O referido julgado restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 29/09/2005 RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. SALDO NEGATIVO. O reconhecimento de direito creditório a título de saldo negativo de IRPJ reclama efetividade no pagamento ou compensação das antecipações calculadas por estimativa ou das retenções na fonte pagadora, a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções e a comprovação contábil e fiscal do valor do tributo apurado no anocalendário. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. A DCOMP foi criada como instrumento essencial à eficácia jurídica da compensação tributária realizada por opção do contribuinte, tendo, além de óbvio efeito declaratório, efeito constitutivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 29/09/2005 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Diante do não acolhimento da pretensão deduzida na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte interpôs o recurso voluntário, por meio do qual renovou a argumentação expendida na peça impugnatória e juntou documentos. Em uma primeira apreciação, a 2ª Turma Especial desta Seção de Julgamento resolveu converter o julgamento em diligência para que seja verificada e informada a base de cálculo e o respectivo IRPJ para o anocalendário de 2005; o valor das estimativas recolhidas referentes a 2005, seja por meio de DARF, seja mediante quitação por compensação com outros créditos; e, no caso de haver quitação de estimativas por compensação, identificar os Fl. 668DF CARF MF Processo nº 10865.904666/200969 Acórdão n.º 1301002.767 S1C3T1 Fl. 669 4 respectivos PER/DCOMP, prestando informação sobre a condição atual dos mesmos; (Resolução nº 1802000.498, de 06 de maio de 2014). Em atendimento, a Delegacia da Receita Federal em Limeira, São Paulo, carreou ao processo o documento de fls. 645/646, em que, em apertada síntese, informa que "o valor do saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2005 corresponde à R$ 1.700,57 e que, não foi apurado débito de estimativa extinto por compensação.". Cientificada do resultado da diligência realizada, a contribuinte aportou ao processo o documento de fl. 650, por meio do qual contesta a conclusão esposada no relatório da diligência fiscal, aduzindo que o saldo negativo do ano base de 2005 foi composto por impostos pagos nos anos de 2002, 2003 e 2005 , ao passo que a diligência considerou apenas os valores atinentes ao ano de 2005, requerendo, por conseqüência, revisão. É o Relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais, portanto, dele conheço. DA ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO Consoante relatado, trata o presente processo de PER/DCOMP, por meio do qual o contribuinte pretende extinguir débitos de sua titularidade com crédito de R$ 308,11, oriundo de recolhimento indevido ou a maior de IRPJ no anocalendário de 2005, realizado em 29/09/2005 com o código 5993 (estimativa mensal), no exato valor de R$ 308,11. Em suas razões de recurso, a recorrente sustenta a legitimidade de seu crédito, aduzindo: que em 2005 efetuou recolhimentos de estimativas de IRPJ apuradas em Balanços de Suspensão/Redução, no montante de R$ 3.894,23; que para esse mesmo ano, a DIPJ e os registros contábeis demonstram apuração de IRPJ sobre lucro real no valor de R$ 2.193,66; e que do total do IRPJ recolhido nos anos de 2002, 2003, e 2005, no valor de R$ 11.339,25, descontando os valores devidos nos anos de 2002 a 2005, no valor de R$ 8.725,73, resulta um saldo negativo de R$ 2.613,52. Para comprovar suas alegações, o contribuinte apresenta cópias dos DARF recolhidos ao longo de 2005 e do Livro Diário de 2005 contendo: balancetes cumulativos de verificação; Balanço Patrimonial e Demonstração de Lucros/Prejuízos Acumulados; cópia da DIPJ do anocalendário de 2005; cópias dos DARF, balancetes cumulativos de verificação, Balanço Patrimonial e Demonstração de Lucros/Prejuízos Acumulados, relativamente aos anoscalendário de 2002 a 2004; cópias do LALUR contendo registros desde 2002 até 2005. Fl. 669DF CARF MF Processo nº 10865.904666/200969 Acórdão n.º 1301002.767 S1C3T1 Fl. 670 5 Ao analisar os argumentos declinados em recurso, o colegiado anterior resolveu converter o julgamento em diligência, para apuração da liquidez e certeza do direito creditório pretendido, acolhendo, por conseguinte, argumentação da recorrente, de que se trava os autos de mero erro formal do contribuinte indicar nos PER/DCOMPs os recolhimentos individuais em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas, admitindo o exame do crédito sob a ótica de saldo negativo. Ao realizar a diligência solicitada, a autoridade responsável realizou sua análise e concluiu que o valor do saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2005 corresponde à R$ 1.700,57, mas também afirmou que não foi não foi apurado débito de estimativa extinto por compensação." Ocorre que, ao ser cientificada do resultado da diligência, o contribuinte contesta sua conclusão, aduzindo que o saldo negativo do ano base de 2005 foi composto por impostos pagos nos anos de 2002, 2003 e 2005, ao passo que a diligência considerou apenas os valores atinentes ao ano de 2005, requerendo, por conseqüência, revisão. No particular, não há como admitir que na composição do saldo negativo relativo ao anocalendário de 2005 se incluam valores oriundos de saldo negativo de períodos anteriores, a não ser que os débitos de estimativas tivessem sido extintos por compensação com créditos de saldos negativos relativos a períodos anteriores, o que não é o caso, pois todos foram extintos por pagamentos realizados. Com efeito, as estimativas pagas são aproveitadas como “dedução” do tributo devido no ajuste anual do respectivo anocalendário, servindo para reduzir o seu montante, ou para a formação de saldo negativo, passível de ser restituído ou compensado em momento posterior por meio de PER/DCOMP noticiando que na composição do crédito pleiteado encontrase saldo negativo (ou parte dele) de um determinado período. Contudo, vêse que a diligência realizada concluiu que o interessado possui direito creditório oriundo de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2005 correspondente à R$ 1.700,57. Encontrando este valor disponível, deve ser reconhecido o direito do contribuinte de dispor do seu crédito. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório de R$ 1.700,57, homologando as compensações declaradas nos processos 10865.904662/200981, 10865.904663/200925, 10865.904664/200970, 10865.904665/200914 e 10865.904666/200969, até o limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 670DF CARF MF Processo nº 10865.904666/200969 Acórdão n.º 1301002.767 S1C3T1 Fl. 671 6 Fl. 671DF CARF MF
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Numero do processo: 10835.901236/2009-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO
À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão serviços hospitalares para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas, como clínicas.
Numero da decisão: 1401-002.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2000 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão serviços hospitalares para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas, como clínicas.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 90 12 36 /2 00 9- 42 Fl. 333DF CARF MF Processo nº 10835.901236/200942 Acórdão n.º 1401002.222 S1C4T1 Fl. 0 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP apresentado pela empresa no qual solicita a compensação de pretensos créditos relativos a pagamento a maior de IRPJ/CSLL. A origem dos créditos, consoante informado pelo recorrente desde sua impugnação, baseiamse no entendimento que, sendo empresa prestadora de serviços de radiologia, estes seriam equivalentes aos serviços hospitalares prestados e, assim, ao invés de estar sujeito às alíquotas de lucro presumido no percentual de 32%, estaria submetida às alíquotas de 8% para o IRPJ e 12% para a CSLL. A compensação não foi homologada pela Delegacia de Origem com base na alegação constante no Despacho Decisório. Ou seja, os serviços prestados pela recorrente não seriam caracterizados como serviços hospitalares em função de a empresa não possuir estrutura permanente e de funcionamento ininterrupto para atendimento de casos de internação de pacientes para tratamento de saúde. Assim, os serviços por ela prestados não poderiam se submeter aos percentuais estabelecidos para os serviços hospitalares. Inconformada com a nãohomologação das compensações a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual argumenta que realizou consulta à SRRF, formulada sob o nº 10835.001313/200610, com vistas a esclarecer o seu enquadramento como prestadora de serviços hospitalares e argumentou que realizou a retificação de suas DIPJ, DCTF para que pudesse usufruir dos créditos. A delegacia de julgamento considerou improcedente a manifestação de inconformidade emitindo a seguinte decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Ou seja, a Delegacia de Julgamento entendeu que os créditos da empresa não estariam devidamente comprovados com a documentação apresentada pela recorrente. Inconformada com a decisão a empresa apresentou recurso voluntário no qual apresenta as seguintes alegações: Da apresentação de novos documentos. Alega que a decisão recorrida considerou que não foi comprovado que os serviços prestados referiamse apenas a serviços de Fl. 334DF CARF MF Processo nº 10835.901236/200942 Acórdão n.º 1401002.222 S1C4T1 Fl. 0 3 radiologia e radiodiagnóstico inseridos em seu objeto social. Mas que a documentação apresentada comprovaria o exercício destas atividades e, ainda, apresenta cópia do razão e declaração do contador da empresa, pelo que suscita que seja aceita a referida documentação como suficiente para caracterização dos serviços da empresa; Da realização de diligência. Entende que tendo em vista a apresentação dos novos documentos e que essa apresentação é possível em sede de recurso voluntário, haja vista que essa alegação somente foi trazida pela decisão da DRJ e, mais ainda, conforme farta jurisprudência que admite esta apresentação posterior. Do ônus da apresentação de prova impossível. Entende a empresa que a Delegacia de Julgamento pretende a formação de prova impossível visto que, mesmo que apresentasse todas as notas fiscais da empresa ainda assim não seria possível comprovar que somente realizou serviços indicados no seu objeto social. Nulidade por vícios formais. Entende que a decisão que considerou não homologadas as compensações padece de vícios, vez que indicou apenas o dispositivos que tratam da não homologação das compensações sem que exista dispositivo legal que constitua o crédito tributário. Do fato de a empresa não ser sociedade empresária e dos serviços realizados. Neste ponto apresenta farta jurisprudência deste CARF e do STJ, nos quais encontrase o entendimento de que a redução de alíquota decorre da efetiva prestação de serviços de natureza hospitalar e não do local em que se realizam, com exceção da realização de consultas. Com relação à natureza da sociedade entende que a decisão do STJ, relativa a sociedade simples e que este fato não foi impeditivo do direito, visto que a base para a sua concessão foi a natureza objetiva dos serviços realizados. Traz colações da doutrina no sentido de que a empresa se define mais pela verificação das atividades que desenvolve do que pelo seu simples registro formal. Assim eventual irregularidade seria apenas formal e não impeditiva do exercício do direito. Da natureza dos serviços prestados. Repisa os argumentos já trazidos para indicar que os serviços prestados pela sociedade são, efetivamente de radiologia e radiodiagnóstico. É o Relatório Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.211, de 22.02.2018, proferido no julgamento do processo nº 10835.901959/200941, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.211): A análise do presente processo prendese, em síntese, à verificação acerca de, em face de solução de consulta que reconheceu a possibilidade de a empresa tributar seus lucros pelas alíquotas equivalentes a 8%, poder a Receita Federal desconsiderar este direito em razão de alegar a não Fl. 335DF CARF MF Processo nº 10835.901236/200942 Acórdão n.º 1401002.222 S1C4T1 Fl. 0 4 comprovação da inscrição da empresa como sociedade empresária e do exercício de atividades que possam ser consideradas como hospitalares. Vejamos o que determina a norma relativa à aplicação das alíquotas de serviços hospitalares: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto no art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, sem prejuízo do disposto nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: ..... III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) ..... Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada Lei nº 10.684, de 2003) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 205) Base de cálculo da CSLL Estimativa e Presumido Art. 20. A base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal ou trimestral a que se referem os arts. 2º, 25 e 27 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, corresponderá a 12% (doze por cento) sobre a receita bruta definida pelo art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida no período, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual Fl. 336DF CARF MF Processo nº 10835.901236/200942 Acórdão n.º 1401002.222 S1C4T1 Fl. 0 5 corresponderá a 32% (trinta e dois por cento). (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Pelo que se depreende da norma acima, a redação da norma ao tempo dos fatos geradores dos pagamentos a maior realizados apenas estabelecia a aplicação da alíquota reduzida àqueles que realizassem o exercício de serviços hospitalares. A solução de consulta em que se baseou a empresa para a apuração dos seus créditos assim dispôs sobre os requisitos a serem atendidos para fins de fruição dos benefícios da alíquota reduzida. Em contraparida, verificase a existência de Recurso Repetitivo nº 217, do STJ que, tratando do assunto, assim dispôs sobre os serviços hospitalares sujeitos à alíquota reduzida do lucro presumido. Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10835.901236/200942 Acórdão n.º 1401002.222 S1C4T1 Fl. 0 6 Vejase que o critério apresentado pelo STJ, seguindo o critério da Lei nº 9.249/95, é simples e objetivo. São enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar. Inobstante, a Delegacia de Julgamento, ao analisar o caso do contribuinte baseou sua decisão nas diversas instruções normativas e atosdeclaratórios existentes a respeito da definição de serviços hospitalares para fins de aplicação da alíquota de presunção. Desta forma, fundamentou a improcedência na necessidade de o contribuinte atender a três requisitos, conforme abaixo apresentados: Ocorre, no entanto que não comungo do entendimento exposado pelo referido órgão julgador. A decisão proferida pelo STJ, aplicável ao caso dos autos, trata a norma redutora da alíquota de forma objetiva. Assim, o serviço que tenha natureza hospitalar, qual seja, diagnóstico, tratamento, internação, quer seja desenvolvido nos hospitais ou fora deles, com exceção apenas das simples consultas, devem ser considerados serviços hospitalares e, assim, estão sujeitos à alíquota reduzida estabelecida pela Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Comungam deste entendimento os seguintes julgados, inclusive desta mesma câmara em época anterior à entrada deste relator no colegiado. Acórdão nº 1401001.434 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015 Matéria Imposto de Renda Pessoa Jurídica Recorrente Instituto Guaçuano de Orrino laringologia S/S Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO Fl. 338DF CARF MF Processo nº 10835.901236/200942 Acórdão n.º 1401002.222 S1C4T1 Fl. 0 7 À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas, como clínicas. Acórdão nº 1401001.433 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015 Matéria Imposto de Renda Pessoa Jurídica Recorrentes Hemoclínica Serviços de Hemoterapia Ltda Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2006, 2007, 2008, 2009 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas em ambientes externos ou por outras pessoas, como hemoclínicas. Acórdão nº 9101001.559 – 1ª Turma Sessão de 23 de janeiro de 2013 Matéria IRPJ Exercícios 1999 a 2001 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CAMP IMAGEM NUCLEAR S/C LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000 SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS DE DIAGNÓSTICOS POR IMAGEM MEDICINA NUCLEAR. LUCRO PRESUMIDO. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE DE 8%. No julgamento do Recurso Especial nº 1.116.399/BA (2009/00064810), na sistemática dos recursos especiais repetitivos, o STJ decidiu que a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Do exposto, comungando do entendimento exposado pelo STJ no sentido de que a redução de alíquota tem caráter objetivo em razão do tipo de serviços prestados pela empresa. No caso dos autos, inobstante a argumentação da Decisão atacada de que não restou comprovado a prestação de serviços relacionados a hospitalares pelo contribuinte, havemos de esclarecer que a Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10835.901236/200942 Acórdão n.º 1401002.222 S1C4T1 Fl. 0 8 Decisão da DRJ não pode inovar nos fundamentos utilizados pela Delegacia de Origem para o não reconhecimento dos créditos. Vejase que na decisão original o não reconhecimento dos créditos deveuse ao fato de a autoridade administrativa entender que a recorrente não possuía estrutura hospitalar para internação e tratamento e não pelo fato de não ter comprovado as atividades, até mesmo porque sequer foi intimada para tanto. Mais ainda, a decisão emitida na solução de consulta, corroborada pela Decisão da Delegacia de Julgamento corroborou o entendimento de que o requisito de estrutura estaria suprido pela apresentação de laudo da vigilância sanitária da jurisdição da recorrente. Assim, verificandose que o contribuinte, exercer atividades exclusivamente de radiologia e diagnóstico por imagem, atividades essas que estão incluídas no conceito de serviços de atendimento à saúde, voto no sentido de dar provimento ao recurso para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 340DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.908973/2012-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.353
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que seja informado e providenciado o seguinte: (a) aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; (b) informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; (c) informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e (d) elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas.
(Assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente a Cons. Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que seja informado e providenciado o seguinte: (a) aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; (b) informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; (c) informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e (d) elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. (Assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente a Cons. Mara Cristina Sifuentes.
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(Assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente a Cons. Mara Cristina Sifuentes. Relatório Cuidase, na espécie, de despacho decisório eletrônico de não homologação de compensação, cujo fundamento é a integral vinculação do crédito indicado em outro(s) débito(s) de titularidade do sujeito passivo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 08 97 3/ 20 12 -6 7 Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10380.908973/201267 Resolução nº 3401001.353 S3C4T1 Fl. 4 2 Em manifestação de inconformidade o contribuinte esclareceu tratarse de recolhimento indevido de PIS e atribuiu a não homologação da compensação a erro no preenchimento na DCTF. Foram juntadas cópias do DARF, PERDCOMP, DCTF e DACON. A DRJ Brasília/DF julgou a manifestação improcedente, em decisão assim ementada: “APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente.” O recurso voluntário asseverou que o indébito tem origem em erro no recolhimento da contribuição, oportunidade que juntou planilhas de apuração, balancete e demonstrativos para comprovação da alegação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.352, de 20 de março de 2018, proferida no julgamento do processo 10380.908971/201278, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10380.908973/201267 Resolução nº 3401001.353 S3C4T1 Fl. 5 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.352 "O recurso protocolado é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Em exame da situação observei que o fundamento inicial da não homologação da compensação realizada se lastreou em uma suposta utilização do direito creditório para “quitação” de outros tributos, de forma tal que não haveria saldo disponível para a compensação realizada. Notei, também, que a Administração Tributária em momento algum contestou diretamente a existência do crédito vindicado, mas sim sua apropriação em outra finalidade. Na linha adotada pela decisão de primeira instância, o acolhimento da manifestação de inconformidade, em situações como estas, exigiria uma perfeita demonstração dos argumentos deduzidos, tudo devidamente acompanhado de elementos que os embasasse, especialmente documentos contábeis e fiscais. É certo que na primeira oportunidade processual o recorrente não produziu a prova necessária, limitandose a anexar cópias de declarações, que, por si só, nada demonstram, entretanto, no recurso voluntário, trouxe planilhas e demonstrativos, além de extrato do balancete, o que, a meu sentir, consubstancia um início razoável de prova a justificar o retorno dos autos à DRF de jurisdição para exame das alegações do recorrente. Poderseia, em princípio, indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, contudo, não se pode olvidar que o despacho decisório contestado é fruto de verificações automáticas de sistema, realizadas a partir de declarações prestadas pelo contribuinte, sem qualquer participação das autoridades administrativas, que sequer assinam o despacho decisório, pois validado por meio de chancela eletrônica. Nestas condições, é natural que os contribuintes, como no caso vertente, compreendam que a singela retificação da DCTF seja suficiente para a solução da “pendência”, restando claro que esta providência não soluciona o problema somente com a prolação da decisão de primeiro grau administrativo, o que, aliás, até justifica a juntada tardia de um acervo probatório mínimo a supedanear a demonstração dos valores recolhidos indevidamente. Não se deseja, aqui, ser refratário à modernidade ou às inovações tecnológicas, porém, não se pode perder de vista os princípios norteadores do processo administrativo fiscal, valendo registrar que esta Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem orientado sua jurisprudência no sentido que em situações como a deste processo, onde há um início razoável de prova, composto por documentos outros que não apenas declarações ou mesmo debates eminentemente retóricos, deve o julgamento ser convertido em diligência para análise da procedência do direito invocado. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10380.908973/201267 Resolução nº 3401001.353 S3C4T1 Fl. 6 4 Assim, considerando que o processo não se encontra em condições de julgamento, proponho sua conversão em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: · Aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; · Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; · Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, · Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que seja informado e providenciado o seguinte: · Aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; · Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; · Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 159DF CARF MF
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Numero do processo: 10314.001257/2007-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 13/12/2003
INFRAÇÃO ÀS MEDIDAS ESPECIAIS DE CONTROLE FISCAL. POSSE E CIRCULAÇÃO DE CIGARROS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA INTRODUZIDO CLANDESTINAMENTE NO PAÍS. APLICAÇÃO DA MULTA REGULAMENTAR. POSSIBILIDADE.
Caracteriza infração às medidas de controle fiscal a posse e circulação de fumo, charuto, cigarrilha e cigarro de procedência estrangeira, sem documentação comprobatória da importação regular, sendo irrelevante, para tipificar a infração, a propriedade da mercadoria (Súmula CARF nº 90).
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 13/12/2003
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11)
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.242
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Raphael Madeira Abad, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 13/12/2003 INFRAÇÃO ÀS MEDIDAS ESPECIAIS DE CONTROLE FISCAL. POSSE E CIRCULAÇÃO DE CIGARROS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA INTRODUZIDO CLANDESTINAMENTE NO PAÍS. APLICAÇÃO DA MULTA REGULAMENTAR. POSSIBILIDADE. Caracteriza infração às medidas de controle fiscal a posse e circulação de fumo, charuto, cigarrilha e cigarro de procedência estrangeira, sem documentação comprobatória da importação regular, sendo irrelevante, para tipificar a infração, a propriedade da mercadoria (Súmula CARF nº 90). Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 13/12/2003 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11) Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Raphael Madeira Abad, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
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POSSE E CIRCULAÇÃO DE CIGARROS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA INTRODUZIDO CLANDESTINAMENTE NO PAÍS. APLICAÇÃO DA MULTA REGULAMENTAR. POSSIBILIDADE. Caracteriza infração às medidas de controle fiscal a posse e circulação de fumo, charuto, cigarrilha e cigarro de procedência estrangeira, sem documentação comprobatória da importação regular, sendo irrelevante, para tipificar a infração, a propriedade da mercadoria (Súmula CARF nº 90). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 13/12/2003 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11) Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 12 57 /2 00 7- 83 Fl. 62DF CARF MF 2 José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Raphael Madeira Abad, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório que integra o acórdão recorrido, que segue integralmente transcrito: Neste processo tratase do lançamento da Multa Regulamentar no valor de R$ 95.012,00, lavrada contra VALDOMIRO MENDONÇA DE SANTANA, [...]. Em meio à ação de controle fiscal de fumo, cigarro e charuto de procedência estrangeira, foram constadas infrações que levam, além da aplicação da pena de perdimento, também à exigência de multa regulamentar, com o enquadramento legal descrito às fls.2 no auto de infração (AI). Houve apreensão, em 13/12/2003, de 47.506 maços de cigarro de marcas diversas, de procedência estrangeira, conforme descrito às fls. 25, desacompanhados de documentação comprobatória de sua introdução regular no país. As mercadorias foram apreendidas pela Delegacia de Prevenção e Repressão a Crimes Fazendários, da Superintendência Regional em São Paulo, do Departamento de Policia Federal, referente ao Inquérito Policial nº 23318/ 03, e remetidos ao Depósito de Mercadorias Apreendidas de GuarulhosSP, da Secretaria da Receita Federal. A referida mercadoria, de procedência estrangeira, foi apreendida em poder do autuado acima qualificado. Além da pena de perdimento dos cigarros apreendidos, aplicada por meio do Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal (AITAGF) nº 081550001442/06, no âmbito do processo nº 10314.001259/200772, a fiscalização aplicou também a multa de R$ 2,00/maço de cigarro, com base no art. 632 do Decreto 4.543/02 c/c o art. 3º, parágrafo único, do DecretoLei nº 399/68, com a redação dada pelo art. 78 da Lei n°10.833/03, razão do Auto de Infração (AI) que é o objeto do presente processo. Consta no Auto de Infração que as mercadorias apreendidas ficaram sob a guarda fiscal como medida acautelatória dos interesses fazendários, nos termos do art. 25 do Dl 1.455/76. O AI foi cientificado ao interessado, por meio de AR, em 30/11/2007 (fls.33), e em 02/01/2008 protocolou perante ARF/Itabaiana/SE, conforme se vê às fls.36, a impugnação apresentada às mesmas fls.36, com as seguintes razões essenciais de contestação: (i) está impossibilitado de responder pela ação fiscal, que sua única ocupação é de motorista de transporte alternativo (VAN), como empregado do Sr. Jocelino Pereira Lima ME, [...]; (ii) seu salário mensal é de R$ 464,36, utilizado para amparo de esposa e três filhos, seus dependentes e Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10314.001257/200783 Acórdão n.º 3302005.242 S3C3T2 Fl. 63 3 que não trabalham, morando de aluguel; (ii) que não possuindo bens, fica impossibilitado de pagar a dívida ou assumir qualquer parcelamento; (iv) que esses fatos podem ser comprovados pelos documentos anexados. Nesses termos, pede que seja cancelado o débito fiscal. O presente processo foi encaminhado para julgamento pela DRJ/REC em face do disposto na Portaria RFB nº 453/2013 e no art.2º da Portaria RFB nº 1.006/2013. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 43/48), em que, por unanimidade de votos, a impugnação foi julgada improcedente e o crédito tributário integralmente mantido, com base no fundamento resumido no enunciado da ementa que segue transcrito: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 13/12/2003 CIGARROS APREENDIDOS. TRANSPORTE DE MERCADORIA INTRODUZIDA CLANDESTINAMENTE NO PAÍS. MULTA ADMINISTRATIVA. Aquele que esteja na posse, ainda que temporária, de cigarros de procedência estrangeira sem amparo da documentação fiscal exigida, introduzidos clandestinamente no país, e/ou realizando seu transporte, também está sujeito à multa prevista no Dl nº 399/68, art.3º, com a redação dada pelo art.78 da Lei 10.833/2003, independentemente de quem seja o real proprietário dessas mercadorias ou do veículo transportador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em 27/9/2013, o recorrente foi cientificado da decisão. Inconformado, em 22/10/2013, protocolou o recurso voluntário de fls. 52/57, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória. Em aditamento, o recorrente alegou prescrição intercorrente da pretensão de cobrança da multa aplicada, uma vez que a decisão foi prolatada após 10 (dez) anos, o que representava quase o dobro do prazo prescricional, fixado no art. 174 do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso foi apresentado tempestivamente, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Fl. 64DF CARF MF 4 A controvérsia envolve questões preliminares e de mérito. Em preliminar, o recorrente alegou prescrição intercorrente e vício material de nulidade da autuação, por ausência de suporte fático e ilegitimidade passiva. Para a recorrente o procedimento fora extinto por prescrição intercorrente, baseada no argumento de que o processo permanecera paralisado, pendente de julgamento e/ou decisão, por prazo superior a 3 (três) anos. E essa paralisação excedente ao prazo trienal havia extinto a ação punitiva da Fazenda Pública, conforme expressamente previsto no art. 1º, § 1º, da Lei 9.873/1999, a seguir transcrito: Art. 1º Prescreve em cinco anos a ação punitiva da Administração Pública Federal, direta e indireta, no exercício do poder de polícia, objetivando apurar infração à legislação em vigor, contados da data da prática do ato ou, no caso de infração permanente ou continuada, do dia em que tiver cessado. § 1º Incide a prescrição no procedimento administrativo paralisado por mais de três anos, pendente de julgamento ou despacho, cujos autos serão arquivados de ofício ou mediante requerimento da parte interessada, sem prejuízo da apuração da responsabilidade funcional decorrente da paralisação, se for o caso. [...] (grifos não originais) A prescrição intercorrente, prevista no referido preceito legal, aplicase apenas as ações de caráter punitivo da Administração Pública Federal decorrentes, direta ou indiretamente, do exercício do poder de polícia destinado a apurar infração à legislação vigente em geral. Ela não se aplica em relação às infrações a legislações específicas, a exemplo da legislação tributária e aduaneira, que têm regramento próprio, respectivamente, estabelecido no art. 174 do CTN e no art. 139 do Decretolei 37/1966. Da mesma forma, o processo de julgamento das penalidades pecuniárias decorrentes da apuração das referidas infrações também é regido por normas específicas estabelecidas no Decreto 70.235/1972, com as alterações posteriores, e no âmbito deste diploma legal, não há previsão de prescrição intercorrente resultante da mora no julgamento dos processos correspondentes. Dessa forma, resta evidenciado que o disposto no art. 1º, § 1º, da Lei 9.873/1999, não se aplica aos procedimentos e processos administrativos fiscais, que têm regime processual próprio, veiculado pelo Decreto 70.235/1972. Aliás, o art. 5º da própria Lei 9.873/1999, expressamente, excepciona o processo administrativo fiscal do regime por ela estabelecido, nos termos a seguir reproduzidos: Art. 5º O disposto nesta Lei não se aplica às infrações de natureza funcional e aos processos e procedimentos de natureza tributária. Em conformidade com essas disposições legais, no âmbito deste Conselho, a matéria foi objeto da súmula CARF nº 11, cujo enunciado tem seguinte teor: “Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.” Assim, demonstrada a inaplicabilidade da prescrição suscitada ao caso em tela, passase analisar a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, por ausência de suporte fático e ilegitimidade passiva do autuado. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10314.001257/200783 Acórdão n.º 3302005.242 S3C3T2 Fl. 64 5 No mérito, não há dissenso quanto a materialização da infração. O cerne da controvérsia cingese à autoria do fato infracional, ou seja, à legitimidade do recorrente para integrar o polo passivo da presente autuação. De acordo com a descrição dos fatos que integra o presente auto de infração, o motivo da inclusão do recorrente no polo passivo da presente autuação foi o fato dele ter a posse dos cigarros de procedência estrangeira sem documentos da regular importação. Nesse sentido, leiase o elucidativo excerto que segue transcrito: A referida mercadoria, de procedência estrangeira, foi apreendida em poder de VALDOMIRO MENDONÇA DE SANTANA, CPF/MF nº 089.458.66884, e se encontrava desprovida de documentação comprobatória de sua introdução regular no Pais. Em relação ao mérito, sucintamente, o recorrente alegou que sua única ocupação profissional era de motorista de transporte alternativo (VAN), exercida como empregado da empresa Jocelino Pereira Lima ME. Para comprovar o que alegara, na fase impugnatória, o recorrente apresentou cópias, sem autenticação, de três contracheques dos meses de outubro a novembro de 2007 e dois contratos de trabalho, registrado na Carteira de Trabalho, sendo um assinado com Erivaldo Neves, no dia 1/7/2003, e outro assinado com a empresa Jocelino Pereira Lima ME no dia 26/11/2004. Os referidos documentos não servem de prova do fato alegado pelo recorrente, haja vista que a apreensão dos cigarros ocorreu no dia 13/12/2003, enquanto que os contracheques são dos meses de outubro a novembro de 2007 e o contrato de trabalho com a empresa Jocelino Pereira Lima ME foi assinado no dia 26/11/2004, ou seja, os documentos apresentados foram emitidos e registram fatos ocorridos após a ocorrência da infração. Assim, na ausência de prova do alegado, os elementos coligidos aos autos comprovam que o recorrente era o detentor e transportador dos cigarros apreendidos. Cabe ainda consignar que, para configuração da infração em apreço, não é necessário que o detentor, possuidor ou transportador da mercadoria seja o proprietário do cigarro introduzido clandestinamente no País. Nesse sentido, consolidouse a jurisprudência deste Conselho, por meio da Súmula CARF n.º 90, cujo enunciado segue transcrito: Caracteriza infração às medidas de controle fiscal a posse e circulação de fumo, charuto, cigarrilha e cigarro de procedência estrangeira, sem documentação comprobatória da importação regular, sendo irrelevante, para tipificar a infração, a propriedade da mercadoria. Por todas essas razões, resta demonstrado que o recorrente é o autor da infração capitulada no art. 3º do Decretolei 399/1968, com a redação dada pelo art. 78 da Lei 10.833/2003, logo, deve responder pela multa regulamentar fixada no citado preceito legal. Por todo o exposto, votase por negar provimento ao recurso, para manter na íntegra a decisão recorrida. Fl. 66DF CARF MF 6 (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 67DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.904183/2009-94
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS NA ÁREA DA RADIOLOGIA. LUCRO PRESUMIDO. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE DE 8%.
A contribuinte que executa serviços na área da radiologia (diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante, tomografia, radioterapia, etc.), conforme restou confirmado nos autos, está sujeita ao coeficiente de 8% para a determinação do lucro presumido. Aplicação do entendimento exarado pelo STJ no REsp nº 1.116.399-BA.
Numero da decisão: 9101-003.319
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado C P A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS RADIOLÓGICOS LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS NA ÁREA DA RADIOLOGIA. LUCRO PRESUMIDO. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE DE 8%. A contribuinte que executa serviços na área da radiologia (diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante, tomografia, radioterapia, etc.), conforme restou confirmado nos autos, está sujeita ao coeficiente de 8% para a determinação do lucro presumido. Aplicação do entendimento exarado pelo STJ no REsp nº 1.116.399BA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 41 83 /2 00 9- 94 Fl. 405DF CARF MF Processo nº 13888.904183/200994 Acórdão n.º 9101003.319 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial quanto ao que foi decidido sobre o coeficiente para cálculo do lucro presumido no caso de empresa que presta serviços de radiologia. A recorrente insurgise contra Acórdão que reconhece que os serviços na área da radiologia (diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante, tomografia, radioterapia, etc.) estavam submetidos ao coeficiente de 8% para cálculo do lucro presumido, o que implicou no reconhecimento do direito creditório pleiteado pela contribuinte em razão de pagamento a maior (pagamento feito com base no coeficiente de 32%), e na homologação da compensação com base nesse direito creditório. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente, relativamente à matéria acima mencionada, da que tem sido dada em outros processos, segundo os quais os serviços de diagnóstico e radiologia são serviços médicos especializados, que não se enquadram no conceito de prestadoras de serviços hospitalares, mesmo quando os serviços são executados dentro do ambiente físico de um hospital, casa de saúde ou prontosocorro. Afirma a recorrente que o acórdão recorrido determinou a aplicação do percentual 8% para cálculo do Imposto de Renda, equiparando o contribuinte, clínica de radiologia, a hospital. Entretanto, deixou de observar a jurisprudência preponderante deste Eg. CARF, no sentido de que as atividades prestadas por clínicas de tal natureza não se equiparam com serviços hospitalares. Sustenta que a decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp 1116399 não menciona os serviços de radiologia, equiparandoos a serviços hospitalares. Tal julgado tão somente discorre acerca da interpretação objetiva da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei 9.429/95, deixando claro que não se pode exigir internação e assistência médica integral para o enquadramento. Alega que o acórdão destaca expressamente que é relevante para tanto apenas analisar a natureza do serviço prestado. Neste aspecto que se pauta o presente recurso: as unidades de radiologia são prestadoras de serviços médicos especializados, que não se enquadram no conceito de prestadoras de serviços hospitalares. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente de Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho fundamentado deu seguimento ao recurso. É o relatório. Fl. 406DF CARF MF Processo nº 13888.904183/200994 Acórdão n.º 9101003.319 CSRFT1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo tem por objeto declaração de compensação em que a contribuinte utiliza direito creditório referente a pagamento a maior de IRPJ. De acordo com a contribuinte, esse pagamento a maior foi ocasionado por apuração equivocada da base de cálculo do IRPJ pelo lucro presumido, com a utilização do coeficiente de 32% (trinta e dois por cento), quando os serviços por ela prestados se enquadravam como serviços hospitalares, sujeitos ao coeficiente de 8% (oito por cento), em vez de 32%. A controvérsia que remanesce nessa fase de recurso especial em relação à declaração de compensação diz respeito exatamente à definição do coeficiente para apuração do lucro presumido. Em resumo, o acórdão recorrido entendeu que o coeficiente correto era de 8%, o que implicou no reconhecimento do direito creditório e na homologação da compensação. Com seu recurso especial, a PGFN busca reverter essa decisão, defendendo que o lucro presumido deveria ser mesmo apurado com o coeficiente de 32%, o que afastaria o reconhecimento do direito creditório e resultaria na negativa da compensação. A tributação dos serviços hospitalares na modalidade do lucro presumido já suscitou muitas controvérsias. A Lei 9.249/1995, em sua redação original, definiu o coeficiente de 8% para os serviços hospitalares nos seguintes termos: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I – (...) II – (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; Fl. 407DF CARF MF Processo nº 13888.904183/200994 Acórdão n.º 9101003.319 CSRFT1 Fl. 5 4 Havia muita polêmica sobre quais atividades poderiam ser enquadradas como “serviço hospitalar”, e quais os requisitos que os contribuintes deveriam atender para que fosse aplicado o coeficiente de 8%. A Lei nº 11.727/2008, então, promoveu uma alteração na alínea “a” acima transcrita, que passou a conter a seguinte redação: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Os fatos debatidos nesse processo são anteriores a esta alteração legislativa. Interpretando a redação original da Lei 9.249/1995, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, ao julgar um Recurso Especial representativo de controvérsia, que foi submetido ao regime do artigo 543C do CPC, consolidou o entendimento de que “a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde)”: RECURSO ESPECIAL Nº 1.116.399 BA (2009/00064810) EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO “SERVIÇOS HOSPITALARES”. INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de “serviços hospitalares” apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão “serviços hospitalares”, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os Fl. 408DF CARF MF Processo nº 13888.904183/200994 Acórdão n.º 9101003.319 CSRFT1 Fl. 6 5 contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que “a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares”. 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares “aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde”, de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos”. 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (grifos acrescidos) O STJ vinha interpretando o referido dispositivo legal de maneira bem restritiva, e a mudança neste posicionamento se deu no julgamento do RESP 951.251PR, conforme o destaque feito na transcrição acima. Também é interessante transcrever a ementa dessa decisão: RECURSO ESPECIAL Nº 951.251 PR (2007/01102360) EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO PRESUMIDO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO. ARTS. 15, § 1º, III, “A”, E 20 DA LEI Nº 9.249/95. SERVIÇO HOSPITALAR.. INTERNAÇÃO. NÃOOBRIGATORIEDADE. INTERPRETAÇÃO TELEOLÓGICA DA NORMA. FINALIDADE EXTRAFISCAL DA Fl. 409DF CARF MF Processo nº 13888.904183/200994 Acórdão n.º 9101003.319 CSRFT1 Fl. 7 6 TRIBUTAÇÃO. POSICIONAMENTO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO DA UNIÃO. CONTRADIÇÃO. NÃOPROVIMENTO. 1. Acórdão proferido antes do advento das alterações introduzidas pela Lei nº 11.727, de 2008. O art. 15, § 1º, III, “a”, da Lei nº 9.249/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não no contribuinte que os executa. 2. Independentemente da forma de interpretação aplicada, ao intérprete não é dado alterar a mens legis. Assim, a pretexto de adotar uma interpretação restritiva do dispositivo legal, não se pode alterar sua natureza para transmudar o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo. 3. A redução do tributo, nos termos da lei, não teve em conta os custos arcados pelo contribuinte, mas, sim, a natureza do serviço, essencial à população por estar ligado à garantia do direito fundamental à saúde, nos termos do art. 6º da Constituição Federal. 4. Qualquer imposto, direto ou indireto, pode, em maior ou menor grau, ser utilizado para atingir fim que não se resuma à arrecadação de recursos para o cofre do Estado. Ainda que o Imposto de Renda se caracterize como um tributo direto, com objetivo preponderantemente fiscal, pode o legislador dele se utilizar para a obtenção de uma finalidade extrafiscal. 5. Devese entender como “serviços hospitalares” aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. 6. Duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de sua atividade, possua custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes. 7. Orientações da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e da Secretaria da Receita Federal contraditórias. 8. Recurso especial não provido. (grifos acrescidos) O voto que orientou o julgamento do RESP 951.251PR esclarece bem o que significa interpretar a norma em questão sob a ótica de seu conteúdo objetivo: Entretanto, não se deve perder de vista que o art. 15, § 1º, III, "a", da Lei nº 9.274/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não na pessoa do contribuinte que executa a “prestação de serviços hospitalares”. Doutro modo, seria alterar a própria natureza da norma legal, transmudandose o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo, a fim de concedêlo apenas aos estabelecimentos hospitalares. (...) Fl. 410DF CARF MF Processo nº 13888.904183/200994 Acórdão n.º 9101003.319 CSRFT1 Fl. 8 7 Se a intenção do legislador – que, não se deve esquecer, representa a vontade popular – fosse beneficiar determinados contribuintes em face de suas características particulares, concedendo, assim, uma isenção subjetiva, a regra deveria referirse a esses sujeitos, e não ao serviço por eles prestado. Dessa forma, não se deve restringir o benefício aos hospitais, até mesmo porque, se esse fosse o propósito da lei, caberia explicitarse que a concessão estaria dirigida apenas a esses estabelecimentos, pois nada o impediria de ter assim procedido. (...) A Receita Federal tem reconhecido o direito à base de cálculo reduzida do IRPJ a prestadores de serviços hospitalares, mesmo que esses não possuam estrutura física para realizar internação de pacientes. (...) Em conclusão, por serviços hospitalares compreendemse aqueles que estão relacionados às atividades desenvolvidas nos hospitais, ligados diretamente à promoção da saúde, podendo ser prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas não havendo esta obrigatoriedade. Deve se, por certo, excluir do benefício simples prestações de serviços realizadas por profissionais liberais consubstanciadas em consultas médicas, já que essa atividade não se identifica com as atividades prestadas no âmbito hospitalar, mas, sim, nos consultórios médicos. (grifos acrescidos) Este mesmo voto fornece ainda outros parâmetros para a compreensão do que seriam serviços hospitalares, especialmente no sentido de diferenciálos da “simples prestação de atendimento médico”: (...) Com esta exegese, não está excluído por completo o aspecto referente aos custos dos contribuintes, uma vez que, para que esses efetivamente prestem serviços hospitalares, necessitam possuir um suporte material e humano específico – instrumentos necessários à elaboração de diagnósticos e intervenções cirúrgicas, bem como profissionais especializados para sua utilização, sendo tal aparato diverso e mais oneroso do que aquele relacionado com a simples prestação de consultas médicas. Dessa forma, duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por contribuinte que no desenvolvimento de sua atividade possua custos diferenciados da simples prestação de atendimento médico, sem, contudo, decorrerem esses custos necessariamente da internação de pacientes. (grifos acrescidos) Retomando o conteúdo destes autos, vêse que a atividade da contribuinte não consiste em simples prestação de consultas médicas. Fl. 411DF CARF MF Processo nº 13888.904183/200994 Acórdão n.º 9101003.319 CSRFT1 Fl. 9 8 Em seu recurso, a PGFN argumenta que a decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.116.399 não menciona os serviços de radiologia, equiparandoos a serviços hospitalares; que tal julgado tãosomente discorre acerca da interpretação objetiva da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei 9.429/95, deixando claro que não se pode exigir internação e assistência médica integral para o enquadramento. De fato, a referida decisão do STJ não tratou especificamente de serviços de radiologia, mas tudo o que foi dito naquela decisão sobre a questão em torno da tributação dos serviços hospitalares deve ser aplicado para as várias atividades ligadas à promoção da saúde. Com efeito, o STJ, ao proferir a citada decisão na sistemática dos recursos repetitivos, não restringiu sua análise aos serviços médicos laboratoriais (situação específica daquele REsp). Por outro lado, embora a PGFN reconheça que o STJ deixou claro que não se pode exigir internação e assistência médica integral para o enquadramento no coeficiente de 8%, ela acabou buscando fundamento nas antigas instruções normativas da Receita Federal que defendiam justamente essa linha de interpretação. As decisões invocadas pela PGFN, tanto do antigo Conselho de Contribuintes (2001), quanto do STJ (2006), realmente trazem um entendimento superado, alterado em 2009 pelo próprio STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, conforme já mencionado. Em relação à atividade da contribuinte, o acórdão recorrido traz as seguintes informações: A farta documentação apresentada com o recurso voluntário já indicava que a Contribuinte possuía o direito à aplicação do coeficiente de 8% para a apuração do lucro presumido, como já havíamos registrado na elaboração da Resolução nº 1802000.397. E a diligência fiscal não trouxe nenhum dado que pudesse apontar para uma conclusão diferente. Os documentos apresentados juntamente com o recurso voluntário, e que estão expressamente citados no relatório que antecede este voto, indicam que a Contribuinte presta efetivamente serviços na área da radiologia (diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante, tomografia, radioterapia, etc.), que estão submetidos ao coeficiente de 8%, nos termos da jurisprudência do STJ, acima transcrita. Esta Câmara Superior de Recursos Fiscais já se posicionou em outras oportunidades sobre situações semelhantes à destes autos, reconhecendo a aplicação do coeficiente de 8% para entidades que também não são hospitais, mas que se encaixam na referida interpretação do STJ manifestada em sede de recursos repetitivos, e que foi considerada pela CSRF como de observância obrigatória, em razão do art. 62A do RICARF Anexo II: Acórdão nº 9101001.870 Sessão de 30 de janeiro de 2014 Recorrente: LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS DE SOROCABA LTDA Interessado: FAZENDA NACIONAL Fl. 412DF CARF MF Processo nº 13888.904183/200994 Acórdão n.º 9101003.319 CSRFT1 Fl. 10 9 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício:1999,2000,2001,2002 Ementa: LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS. SERVIÇOS HOSPITALARES. PERÍODO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI N° 11.727/08. COEFICIENTES DISTINTOS PARA DETERMINAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. As empresas laboratoriais de análises clínicas que optaram pelo Lucro Presumido, antes da vigência da Lei n° 11.727/08, devem utilizar o coeficiente de 8% para determinar o referido lucro. Aplicação do entendimento exarado no RESp nº 1.116.399BA, conforme art. 62A do RICARFAnexo II. [...] Voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão O recurso preenche os pressupostos e dele conheço. A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior referese ao enquadramento de prestadora de serviços de análises clinicas na mesma categoria das atividades de serviços hospitalares, para efeito de tributação pelo lucro presumido. Os outros temas levantados no especial do Contribuinte não foram admitidos. O recurso especial foi apresentado pelo Contribuinte em 30 de junho de 2009 (fls. 366), ocorre que em 08/11/2010, transitou em julgado o RESp nº 1.116.399BA, Primeira Seção, Rel. Min. Benedito Gonçalves (decidido em 28 de outubro de 2009), objeto de julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça, pelo regime instituído no art. 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), em que foi negado provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Isto posto, conheço do recurso especial. O RESp nº 1.116.399BA tem a seguinte ementa: [...] A ementa do julgado evidencia que estão excluídas do conceito tributário de atividades hospitalares as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. E, decidindo especificamente a matéria tratada nestes autos, o Superior Tribunal de Justiça estabeleceu que o coeficiente de presunção de lucros estabelecido na Lei nº 9.249/95 deve ser de 8%, para fins de apuração do IRPJ, e de 12%, para fins de apuração da CSLL, relativamente à parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, naquele caso também empresa prestadora de serviços médicos laboratoriais, atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas. Vejase que o julgado afastou qualquer aplicação retroativa da Lei nº 11.727/2008, e fixou a interpretação em referência para os fatos geradores anteriores à sua edição, ou seja, anteriormente ao anocalendário 2008 (caso dos presentes autos). Fl. 413DF CARF MF Processo nº 13888.904183/200994 Acórdão n.º 9101003.319 CSRFT1 Fl. 11 10 Assim, há que se aplicar ao caso o art. 62A do RICARFAnexo II, devendo se observada mandatoriamente a decisão do STJ acima mencionada. Neste sentido, há que se dar provimento parcial ao recurso especial (que pede a nulidade do auto de infração), apenas para submeter a receita bruta ao coeficiente de 8% para o cálculo do IRPJ, e não para afastar integralmente a exigência. Isto porque as receitas não operacionais devem ser adicionadas ao lucro presumido e não se submetem à aplicação do coeficiente de presunção, como fez o Contribuinte. Em conclusão, voto por conhecer e dar provimento parcial ao recurso especial do Contribuinte. Acórdão nº 9101001.559 Sessão de 23 de janeiro de 2013 Recorrente: FAZENDA NACIONAL Interessado: CAMP IMAGEM NUCLEAR S/C LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000 SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS DE DIAGNÓSTICOS POR IMAGEMMEDICINA NUCLEAR. LUCRO PRESUMIDO. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE DE 8%. No julgamento do Recurso Especial nº 1.116.399/BA (2009/00064810), na sistemática dos recursos especiais repetitivos, o STJ decidiu que a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). [...] Voto Conselheiro Plínio Rodrigues Lima. [...] Quanto ao mérito, a discussão gravita em torno do percentual aplicado na apuração do lucro presumido às sociedades prestadoras de serviços médicos na área de medicina nuclear nos anos calendários de 1998, 1999 e 2000, dependendo do conceito de serviços hospitalares. Sobre a legislação aplicável ao assunto, diz a Lei n° 9.249/95, em sua redação original: [...] Fl. 414DF CARF MF Processo nº 13888.904183/200994 Acórdão n.º 9101003.319 CSRFT1 Fl. 12 11 Com o advento da Lei n° 11.277/2008, não restam dúvidas, que, a partir de janeiro de 2009, os serviços prestados pela interessada enquadramse no conceito de serviços hospitalares, desde que cumpridos os requisitos a seguir dispostos: [...] Antes da vigência da Lei n° 11.727/2008, em caso semelhante, a 1ª Turma da CSRF, entendera que serviços médicos e ambulatoriais enquadramse na categoria de serviços gerais em acórdão assim ementado: [...] Porém, em 28/10/2009, o Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial n° 1.116.399 – BA, relator Ministro Benedito Gonçalves, proferiu decisão na mesma linha de raciocínio da decisão do acórdão ora recorrido: [...] Referido julgado enquadrouse na sistemática dos recursos especiais repetitivos a que se refere o art. 543–C do Código de Processo Civil (CPC). Devese, em decorrência, aplicar a Portaria MF n° 586, de 22 de dezembro de 2010, que introduziu o art. 62A ao Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, com a seguinte redação: [...] Portanto, devemse considerar os serviços específicos prestados pela interessada como enquadrados no conceito de serviços hospitalares, cuja receita bruta auferida recebe o percentual de 8% na apuração do IRPJ pelo lucro presumido. No presente processo, cabe adotar o mesmo posicionamento das referidas decisões desta 1ª Turma da CSRF (acima transcritas). Desse modo, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 415DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.900725/2013-75
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.046
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que aprecie os documentos apresentados pela recorrente no Recurso Voluntário, para que a autoridade fiscal da repartição de origem analise as Dacon's, bem como intime o recorrente para apresentar a respectiva escrita contábil e fiscal e os documentos a ela inerentes e, a critério da fiscalização, outros elementos de prova e/ou esclarecimentos que entenda necessários para comprovar a pertinência das informações contidas na Dacon e DCTF retificadora.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que aprecie os documentos apresentados pela recorrente no Recurso Voluntário, para que a autoridade fiscal da repartição de origem analise as Dacon's, bem como intime o recorrente para apresentar a respectiva escrita contábil e fiscal e os documentos a ela inerentes e, a critério da fiscalização, outros elementos de prova e/ou esclarecimentos que entenda necessários para comprovar a pertinência das informações contidas na Dacon e DCTF retificadora. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto com o fim de guerrear a decisão de piso cujo enredo a ser tratado, cingese à manutenção de negativa de homologação de compensação sob fundamento de ausência de entrega de DCTF retificadora anteriormente à entrega da DCOMP. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 00 72 5/ 20 13 -7 5 Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10850.900725/201375 Resolução nº 3001000.046 S3C0T1 Fl. 141 2 Despacho Decisório Em decisão sobre pedido de Compensação efetuado em Per/Dcomp na qual, houve reconhecimento de direito creditório que foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual foi homologado parcialmente a compensação declarada não havendo valor a ser restituído/ressarcido. Manifestação de Inconformidade A recorrente, em breve síntese, alega ter ocorrido pagamento a maior de Cofins, motivo pelo qual compensou com débito posterior. Em sua defesa, socorrese ao argumento de haver enviado DCTF retificadora, inserindo, portanto, a informação sobre a operação tributária efetuada, ressaltando, ter sido entregue anteriormente à emissão do Despacho Decisório. DRJ/FNS A manifestação de inconformidade teve a seguinte ementa: Acórdão 0737.347 4ª Turma COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O relatório, por bem retratar a formação probatória nos autos, e, de maneira fidedigna, reproduzir o narrado, merece ser reproduzido em íntegra: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (Dcomp) eletrônica nº 28512.44809.070313.1.3.040152, transmitida em 07 de março de 2013, por meio da qual a contribuinte solicita compensação de débito com crédito, no valor de R$ 4.316,83, que teria sido indevidamente recolhido a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, mediante Darf código 2172, em 23 de abril de 2010, no valor de R$ 44.517,99, relativo ao período de apuração de 31 de março de 2010. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto SP pela homologação parcial da compensação declarada, mediante Despacho Decisório, à folha 7, emitido em 04 de abril de 2013, reconhecendo somente o valor de R$ 17,23, uma vez que o valor recolhido já havia sido parcialmente utilizado para extinção de (a) débito relativo ao período de apuração a que se referia, no valor de R$ 41.789,07, e (b) no PER/Dcomp nº 08187.99631.070313.1.7.040300, restando crédito disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados na Dcomp. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10850.900725/201375 Resolução nº 3001000.046 S3C0T1 Fl. 142 3 Inconformada com a homologação parcial da compensação, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade na qual alega, em síntese, que transmitiu a Dcomp em 07 de março de 2013 e a DCTF retificadora, com o valor correto do débito de Cofins, relativo ao período de apuração de 31 de março de 2010, em 28 de março de 2013. Ressalta a interessada que a transmissão da Dcomp e da DCTF retificadora ocorreram antes da emissão do Despacho Decisório, em 04 de abril de 2013. Após as necessárias informações fáticas, buscase nas razões de voto, a argumentação tecida para destacar o cerne discutido nestes autos e motivos de decisão, transcritos a seguir: No caso concreto que aqui se tem, a contribuinte, na data de apresentação da Dcomp (em 07 de março de 2013), não havia retificado a DCTF, documento no qual, como é sabido, são declarados, com força de confissão de dívida, os valores dos tributos devidos. Assim, não se pode dizer que, naquele momento, tivesse existência jurídica o crédito contra a Fazenda Nacional alegado pela contribuinte, motivo pelo qual a não homologação promovida pela DRF foi correta. Ainda que a contribuinte, posteriormente à entrega da Dcomp, tenha tratado de retificar formalmente a DCTF (em 28 de março de 2013), esta não teria o efeito de validar retroativamente a compensação instrumentada por Dcomp Recurso Voluntário O que se afirma, e isto sim, é que só a partir da retificação da DCTF é que a contribuinte passa a ter crédito contra a Fazenda devidamente conformado na forma da lei. Assim, a retificação efetuada pode produzir efeitos em relação a Dcomp apresentada posteriormente a esta retificação, mas não para validar compensações anteriores. Recurso Voluntário Em sede de seu peça recursal, a recorrente narra o histórico processual destacando tratarse o tema, de compensação de pagamento a maior de Cofins, cuja decisão de piso considerou legítima, sob o argumento: só se pode homologar a compensação, independentemente de outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da Dcomp, retifica regularmente a DCTF. Neste sentido, contrapõe a decisão sob vergasta sob o fundamento de ter efetivado retificação de DCTF, posteriormente à Dcomp, mas anteriormente ao Despacho Decisório. DCTF Retificadora Alega a recorrente que, mesmo tendo ocorrido a mencionada retificação, mediante transmissão da DCTF retificadora, alega não ter sido reconhecido pelo sistema da Receita Federal, incitando, em seu favor, a IN 1.110/2010, cujo parágrafo primeiro traz conteúdo normativo autorizando à retificadora, ter a mesma natureza da declaração enviada. Traz jurisprudência desta casa em seu benefício. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10850.900725/201375 Resolução nº 3001000.046 S3C0T1 Fl. 143 4 É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tratase de Recurso Voluntário no qual foram satisfeitos todos os pressupostos de admissibilidade, dele, portanto, tomo conhecimento. O cerne discutido relacionase com o tema da possibilidade de alterarse a DCTF, para fins de corrigir o montante apurado, mediante transmissão de retificadora, após a prolação do despacho decisório. Ainda, de entenderse como legítimos os valores lançados anteriormente em DACON. Com o brilhantismo que lhe é peculiar, o presidente desta Turma Extraordinária vem sustentando corrente, na qual compreende em profundidade, a necessária oportunização, ao contribuinte, de momentos adequados à formação probatória, nos casos em que, consistentemente, descreveu na proposta de Resolução 3001000.043: Da justificativa para a proposta de diligência Como relatado, o caso sob exame referese ao inconformismo do contribuinte, em razão da decisão contida em despacho decisório que deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento da contribuição pleiteada com a apresentação do Per/Dcomp, homologando em parte a compensação nele declarada, ao argumento de o crédito apurado ser inferior ao requerido, consequentemente o montante reconhecido pela autoridade fiscal ser insuficiente para extinguir a totalidade do débito declarado pelo interessado. O contribuinte, desde a sua manifestação de inconformidade, sustenta que equivocouse quando do preenchimento do demonstrativo anexo ao Per/Dcomp em questão, posto que indicou que o crédito solicitado seria oriundo de aquisições no mercado interno vinculadas a receitas não tributadas no mercado interno, quando, em verdade, parcela deste crédito decorreria de receitas de exportação; bem assim quando preencheu o respectivo Dacon, pois deixou de segregar os valores dos créditos vinculados às receitas internas daqueles originários das vendas para o mercado externo. Entretanto, o acórdão vergastado manteve o indeferimento do pedido de compensação. Tal indeferimento do pleito está fundamentado em duas premissas. A primeira, porque o colegiado a quo entendeu que o Per/Dcomp não é instrumento adequado para pleitear créditos de natureza distintas. A segunda, porque a decisão recorrida concluiu que o interessado não apresentou prova hábil suficiente para demonstrar a efetiva existência do crédito adicional, a fim de comprovar os alegados erros cometidos quando do preenchimento do Dacon e do Per/Dcomp, como, por exemplo, os demonstrativos contábeis, conferindo liquidez e certeza do crédito informado na declaração de compensação. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10850.900725/201375 Resolução nº 3001000.046 S3C0T1 Fl. 144 5 Portanto, em síntese, o fundamento que norteou a conclusão da decisão recorrida foi a falta de apresentação de documentação probante satisfatória, como, por exemplo, a escrituração contábilfiscal que corroborasse as informações apresentadas, notadamente, no Dacon retificador. O interessado, quando da apresentação do recurso voluntário, reafirma o cometimento dos equívocos apontados já na sua manifestação de inconformidade, qual seja erro no preenchimento dos respectivos Dacon e Per/Dcomp, razão pela qual apresentou o Dacon, referente ao mês de janeiro de 2006, em substituição do Dacon original, referente ao terceiro trimestre de 2005, salientando que na "Ficha 28B" consta a informação, de forma segregada, do crédito da contribuições ao PIS vinculado a receita nãotributada no mercado interno e proveniente de exportação e, no seu entender, seria suficiente para a solução do litígio uma vez que o fundamento do despacho decisório é a insuficiência de crédito reconhecido para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo. Como o acórdão recorrido proferido pela 4ª Turma da DRJ/FOR indeferiu sua manifestação de inconformidade, agora pela falta de apresentação de documentação probante que demonstrasse o seu direito, o recorrente reapresentou os elementos de prova que entendeu ser suficiente para a comprovar a compensação declarada no Per/Dcomp 27809.10301.300508.1.3.118906, no Per/Dcomp 29057.71509.300508.1.3.117985, no Per/Dcomp 19492.01379.130809.1.7.116941 e no Per/Dcomp 11873.46918.120809.1.7.118359. Pois bem, creio que estarmos diante de um fato jurídico cuja aferição é direta e imediata, haja vista o que expressam as Dacon's em apreço referente ao mês de janeiro de 2006 e ao terceiro trimestre de 2005, dada a singeleza do pedido aliada à objetividade das informações coligidas aos presentes autos, para, neste sentido, considerar que existe dúvida razoável quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Por fim, arremata no sentido de haver a possibilidade de o contribuinte instruir os autos nesta fase recursal: É certo que é condição indispensável à compensação de tributos, a liquidez e certeza do crédito declarado, nos termos do que dispõe o art. 170A da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), o que impõe sua efetiva comprovação, mediante o oferecimento da pertinente escrita contábil fiscal do interessado. Deste modo, com vista a propiciar ao recorrente a oportunidade de comprovar os fatos alegados, em atendimento aos princípios Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10850.900725/201375 Resolução nº 3001000.046 S3C0T1 Fl. 145 6 da verdade material, da ampla defesa e do contraditório, firmo a necessidade de o presente julgamento ser convertido em diligência. Da conclusão Do exposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235 de 1972, proponho a realização de diligência para que a autoridade fiscal da repartição de origem analise as Dacon's referentes ao mês de janeiro de 2006 e ao terceiro trimestre de 2005, bem como intime o recorrente para apresentar a respectiva escrita contábilfiscal e os documentos a ela inerente e, a critério da fiscalização, outros elementos de prova e/ou esclarecimentos que entenda necessários para comprovar a pertinência das informações contidas na Dacon retificadora. Tal entendimento, exposto pelo ilustre conselheiro Orlando Rutigliani, encontra larga aceitação na jurisprudência desta Conselho, a exemplo, do acórdão abaixo transcrito, ao qual acato e cuja ementa espelha caso análogo: Acórdão 380201.111 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). CRÉDITO PASSÍVEL DE RESTITUIÇÃO NA DATA DA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ APENAS NA FASE RECURSAL. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Homologase a compensação declarada quando, na fase recursal, forem comprovados os requisitos da certeza e liquidez do crédito utilizado no respectivo procedimento compensatório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2002 PROVA DOCUMENTAL. APRESENTAÇÃO NA FASE RECURSAL. CONTRAPOSIÇÃO DE ARGUMENTO NOVO SUSCITADO NA DECISÃO RECORRIDA. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. Nos termos do art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235, de 1972, não está alcançada pela preclusão, a prova documental apresentada na fase recursal, destinada a contrapor argumento novo suscitado somente na decisão recorrida. PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS A EMISSÃO E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. COMPROVAÇÃO DA REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. ORIGEM DO CRÉDITO COMPENSADO. ADMISSIBILIDADE. No âmbito do processo de compensação, inaugurado com a prolação do Despacho Decisório, uma vez comprovada, com documentação adequada, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do citado Despacho, a parcela do Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10850.900725/201375 Resolução nº 3001000.046 S3C0T1 Fl. 146 7 débito reduzida deve ser Conclusão Diante do exposto, alinhado aos princípios da ampla defesa e do contraditório, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar o despacho decisório por vício material. Conclusão Do exposto, proponho a realização de diligência para que a autoridade fiscal da repartição de origem analise as Dacon's, bem como intime o recorrente para apresentar a respectiva escrita contábilfiscal e os documentos a ela inerente e, a critério da fiscalização, outros elementos de prova e/ou esclarecimentos que entenda necessários para comprovar a pertinência das informações contidas na Dacon e DCTF retificadora. Desta forma, os autos devem retornar para a unidade de origem. Ao término dos trabalhos, a autoridade fiscal diligenciante deverá elaborar relatório conclusivo sobre os fatos apurados na diligência, inclusive manifestandose sobre a existência de crédito líquido e certo suscetível de ser utilizado pelo recorrente. Encerrada a instrução processual o recorrente deverá ser intimado para, em assim desejando, manifestarse quanto aos novos elementos carreados aos presentes autos, no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para este CARF, para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 146DF CARF MF
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Numero do processo: 10640.900521/2006-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-002.797
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Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO. Ausência de certeza e liquidez do crédito relativo ao saldo negativo que pretendia compensar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, acórdão os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 40 .9 00 52 1/ 20 06 -8 1 Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10640.900521/200681 Resolução nº 1402002.797 S1C4T2 Fl. 288 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário , interpostos contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento que negou provimento à Manifestação de Inconformidade do Contribuinte. O r. Despacho Decisório reconheceu parcialmente o crédito e homologou as compensações até o limite do crédito reconhecido. Do valor de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2002, no montante de R$ 148.126,86 declarados pela Recorrente em sua DIPJ e PERD/COMP, apenas R$ 78.434,75 foi reconhecido. O Despacho Decisório não reconheceu parcialmente o saldo negativo do ano calendário de 2001, que compôs o saldo negativo do anocalendário de 2002 indicado no PERD/COMP para compensar com débito de IPRJ, agora em análise. A matéria dos autos é relativa a divergência entre o valor de saldo negativo de períodos anteriores informado pela Recorrente, com o constante nos arquivos do Fisco. Este saldo negativo tem origem em pagamentos de estimativas com saldo negativos de períodos anteriores, que nasceu com o pagamento com estimativas do ano calendário de 1998, declaradas extintas pelo saldo negativo do exercício de 1998, que foram pagas por meio de DARFs. Assim, o crédito em ora em discussão se refere ao montante . Para evitar repetições, utilizo o relatório do v. acórdão recorrido, completandoo ao final caso seja necessário. O interessado transmitiu as Dcomps nº 15209.48079.400908.1.7.036156, 00716.26117.060409.1.7.035195, 19035.27856.240908.1.7.032490 e 12718.12392.240908.0.7.030048, visando compensar os débitos nelas declarados com crédito oriundo de saldo negativo do anocalendário 2002; A DRF Juiz de Fora/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico no qual não homologa as compensações pleiteadas sob o argumento de que não foram confirmados valores de estimativas compensadas; A empresa apresenta manifestação de inconformidade às fls. 01/03 na qual alega, em síntese, que: 1) o Despacho Decisório é nulo visto que “a absoluta falta de motivação do Despacho Decisório acarreta irremediável ilegalidade. Para que o dever de motivação restasse cumprido, deveria a Autoridade Fiscal competente indicar, analiticamente, a evolução do crédito de CSLL da Manifestante, explicando as razões e motivos da não confirmação dos valores declarados”; 2) “a Fazenda Nacional não pode, em absoluto, questionar a validade da extinção das estimativas deste período, formadoras dos Saldos Negativos Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10640.900521/200681 Resolução nº 1402002.797 S1C4T2 Fl. 289 3 utilizados, isto porque, no caso, já teria ocorrido a homologação tácita dos mesmos pelo decurso do prazo decadencial previsto no Código Tributário Nacional”; Em seguida, a DRJ decidiu não prover a impugnação com os seguintes fundamentos: A alegação de nulidade não pode prosperar tendo em vista que o Despacho Decisório esclarece que “para informações sobre a análise de crédito, consultar o endereço www.receita.fazenda.gov.br, menu ‘Onde Encontro’, opção ‘PERDCOMP’, item ‘PER/DCOMP Despacho Decisório’”, onde se encontram as informações que a empresa alega faltar ao ato administrativo. Quanto a alegação de homologação das compensações anteriores, cumpre esclarecer que a Autoridade Fiscal pode e deve verificar a origem, o valor e a certeza do crédito pleiteado pelo Contribuinte, tendo o poder e o direito de negar a totalidade ou parte da restituição pleiteada e de não homologar as compensações ou homologálas parcialmente quando constatada a inexistência ou a insuficiência do crédito. Registrese, que o exame de livros e documentos não é afetado, na sua retroação temporal, ao qüinqüênio decadencial. O Fisco não está impedido de examinar livros e documentos para verificar a regularidade (legitimidade) de créditos (saldos negativos de IRPJ e CSLL) que decorram de período de apuração do tributo atingido pela decadência, como previsto no art. 195 do CTN: Art. 195. Para os efeitos da legislação Tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos Tributários decorrentes das operações a que se refiram. Também o art. 37 da Lei nº 9.430/96 estabelece: Art. 37. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Saldos negativos de IRPJ e de CSLL, porventura apurados incorretamente pelo contribuinte nas DIPJs apresentadas há mais de cinco anos da data da análise do crédito, devem ser ajustados, pois não é possível que se ‘crie’ créditos por decurso do prazo homologatório. A Autoridade Fiscal deve verificálos, e se for o caso, ajustálos, não se aplicando o instituto da decadência e não ocorrendo a homologação tácita defendida pelo contribuinte. Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10640.900521/200681 Resolução nº 1402002.797 S1C4T2 Fl. 290 4 É evidente que não merece prosperar a alegação calcada na impossibilidade de análise dos valores devidos pelo contribuinte com base nas declarações apresentadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil, especialmente em relação aos períodos de apuração supostamente fulminados pela decadência prevista no art. 150, §4º, do CTN. Cabe à análise da “certeza e liquidez” dos saldos negativos de IRPJ e CSLL relativos a períodos anteriores para se apurar o efetivo direito creditório do contribuinte. Ressaltese que a empresa não comprova ser detentora dos créditos utilizados nas compensações das estimativas não validadas no Despacho Decisório, se limitando a discutir sobre a possibilidade da autoridade analisar ou não a sua existência. Pelo exposto, voto pela improcedência da manifestação de inconformidade e pela não homologação das compensações pleiteadas, nos termos do Despacho Decisório. Inconformada com o v. acórdão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário repisando as mesmas alegações feitas na impugnação. Ao analisar o recurso da suplicante, a 3ª Turma Especial deste E. CARF/MF decidiu converter o julgamento em diligência fundamentando e requisitando para a Unidade de Origem os seguintes esclarecimentos: Trata o presente processo de análise de PER/DCOMP contendo direito creditório decorrente de saldo negativo de CSLL do ano calendário 2002, cujas compensações não foram homologadas pelo despacho decisório fl. 14. Alega a recorrente em síntese: a) Que o despacho decisório que denegou a homologação das compensações é nulo considerando a ausência de motivação e inexistência de qualquer fundamentação para que a contribuinte possa exercer seu direito de defesa; b) Que não poderia a Administração Tributária analisar e apreciar os saldos negativos de exercícios anteriores já atingidos pela decadência. Assiste parcial razão à interessada. Com efeito, a deficiente motivação e fundamentação do ato administrativo (fl. 14) deixa sérias indagações acerca da não validação das estimativas do ano calendário 2002, conforme o precário detalhamento contido no documento denominado “detalhamento da compensação” fls. 18/20 juntado pela recorrente por ocasião da manifestação de inconformidade. Tanto o despacho decisório, como o “detalhamento da compensação” indicam apenas que parte do saldo negativo do ano calendário 2002 não foi validado, pois parte das estimativas compensadas no período não teriam sido confirmadas. Não há qualquer detalhamento ou motivação para a não confirmação das estimativas que foram extintas segundo o PER/DCOMP (fls. 75/85) através de compensação com o saldo negativo do ano calendário 2001. Não há uma linha sequer motivando ou descrevendo os fatos que ensejaram a glosa de parte do saldo negativo do ano calendário 2001 ou ainda, Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10640.900521/200681 Resolução nº 1402002.797 S1C4T2 Fl. 291 5 fundamentação fática do procedimento adotado pela autoridade fiscal que teria apreciado a PER/DCOMP. No entanto, considerando que a autoridade fiscal que apreciou o pedido tenha motivadas razões para a glosa parcial do saldo negativo do ano calendário 2001 utilizado para extinção das estimativas de 2002, o julgamento deve ser convertido em diligência. Destarte, deve a unidade de origem realizar diligência fiscal no sentido de colher documentos e informações conforme segue: a) Cópias das DIPJ dos anos calendários 2001 e 2002; b) Esclarecer a origem das glosas do saldo negativo de 2001 e apresentar a análise do direito creditório de 2002, motivando e fundamentando os valores apurados. Após a conclusão dos trabalhos seu resultado deve ser submetido à ciência da contribuinte para que se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias querendo, restituindose em seguida os autos ao CARF para prosseguimento. Em resposta a diligência solicitada, vaio a manifestação (com nome de despacho) da unidade de origem de fls. 245/248 dos autos, informando e demonstrando que a recorrente não tinha mais saldo negativo para compensar o valor residual que fora mantido no Despacho Decisório e confirmado pela DRJ em seu acórdão recorrido. A Recorrente se manifesta sobra a resposta da diligência alegando que ocorreram erros na apuração feita pela unidade de origem. (a manifestação da Recorrente consta nos autos com o nome de Recurso Especial fls.254/260) É o Relatório Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10640.900521/200681 Resolução nº 1402002.797 S1C4T2 Fl. 292 6 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator O Recursos Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse E. Colegiado, devendo ser admitido. Inicialmente em relação a alegação de nulidade do r. Despacho Decisório e do v. acórdão por falta de fundamentação, entendo que a Resolução proferida pela Terceira Turma deste E. CARF superou este ponto, ao determinar esclarecimentos mais aprofundados sobre a apuração do crédito. Ademias, ao proceder a leitura da manifestação de inconformidade, pode se verificar que e o v. acórdão recorrido analisou as principais (senão todas) alegações da Recorrente. Mesmo porque, em relação à suposta necessidade de se refutar todos os argumentos de defesa, nem mesmo o § 1º do art. 489 do CPC/2015 agasalha tal entendimento. Tal exegese foi confirmada por unanimidade por todos os Ministros da Primeira Seção do STJ no julgamento dos Embargos de Declaração no Mandado de Segurança nº 21.315DF, cuja parte de interesse da ementa reproduzse a seguir: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA ORIGINÁRIO. INDEFERIMENTO DA INICIAL. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE, ERRO MATERIAL. AUSÊNCIA. 1. Os embargos de declaração, conforme dispõe o art. 1.022 do CPC, destinamse a suprir omissão, afastar obscuridade, eliminar contradição ou corrigir erro material existente no julgado, o que não ocorre na hipótese em apreço. 2. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. [...] 4. Percebese, pois, que o embargante maneja os presentes aclaratórios em virtude, tão somente, de seu inconformismo com a decisão ora atacada, não se divisando, na hipótese, quaisquer dos vícios previstos no art. 1.022 do Código de Processo Civil, a inquinar tal decisum. 5. Embargos de declaração rejeitados. Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10640.900521/200681 Resolução nº 1402002.797 S1C4T2 Fl. 293 7 Desta forma, afasta a alegações de nulidade do r. Despacho Decisório e do v. acórdão recorrido. Em relação a alegação da Recorrente de impossibilidade de a Fiscalização analisar os créditos e documentação de períodos antigos, de cinco anos da data do primeiro ato da administração publica (no caso Despacho Decisório), ocorrendo homologação tácita ou decadência, entendo que não deve ser provida. A fiscalização não está impedida de analisar créditos de períodos antigos, com mais de cinco anos, relativos a compensação de estimativas que compuseram o saldo negativo de 2002, eis que a homologação tácita e a decadência impedem a desconstituição da homologação da compensação, mas não geram o reconhecimento do crédito indevido para outras futuras compensações. No caso de homologação tácita e decadência, a Fiscalização fica impedida de não homologar a compensação e de lançar de ofício o crédito. Os saldos negativos de IRPJ e de CSLL, porventura apurados incorretamente pelo contribuinte nas DIPJs apresentadas há mais de cinco anos da data da análise daquele crédito antigo declarado, devem ser ajustados quando compõe/somamse ao crédito recente que se pretende o reconhecimento e sua compensação, pois não é possível que se ‘crie’ créditos por decurso do prazo homologatório e decadêncial. A Autoridade Fiscal deve verificálos, e se for o caso, ajustálos, não se aplicando o instituto da decadência e não ocorrendo a homologação tácita defendida pelo Recorrente, pois alteram o crédito presente que se requer seja reconhecido e compensado. É evidente que não merece prosperar a alegação calcada na impossibilidade de análise dos valores devidos pela Recorrente com base nas declarações apresentadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil, especialmente em relação aos períodos de apuração supostamente fulminados pela decadência prevista no art. 150, §4º, do CTN. Cabe à análise da “certeza e liquidez” dos saldos negativos de IRPJ e CSLL relativos a períodos anteriores para se apurar o efetivo direito creditório presente do contribuinte. Quanto ao mérito propriamente dito, a resposta a diligência refez a apuração dos períodos anteriores e demonstrou que a Recorrente não tinha o crédito de saldo negativo de 2001, que compôs o crédito de 2002 ora em discussão que se pretende compensar, conforme Demonstrativo de Analítico de Compensação de fls. 229/240 e Planilha de Estimativa Extinta com transferência de crédito IPI com a União . Vejamos o teor da resposta, a qual concordo com seus fundamentos para não reconhecer o crédito e não homologar a compensação. Por meio da Resolução 1803000.085, de 12/03/2014, doc. de fls. 127 130, os membros da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF), por maioria de votos, acordaram em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do conselheiro Walter Adolfo Maresch, que busca obter cópias das DIPJ dos anos calendários 2001 a 2002 e informações esclarecedoras da Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10640.900521/200681 Resolução nº 1402002.797 S1C4T2 Fl. 294 8 origem das glosas do saldo negativo (SN) de 2001, com a apresentação da análise do direito creditório de 2002, motivando e fundamentando os valores apurados. No período de 01/01/92 até 30/09/2002 a compensação entre tributos, receitas da mesma espécie, era possível de ser efetivada contabilmente, por conta e risco da contribuinte, de acordo com o artigo 66, § 1° e o art. 97 da Lei n. 8.383, de 1991. Nesse caso havia apenas a obrigação acessória da confissão constitutiva dos débitos, por meio da DCTF, com a identificação da forma (ex. compensação) em que foram extintos (se foram) ou o motivo da suspensão da cobrança (ex. ação judicial). Após esta data tornouse exigível a compensação por meio de Declaração de Compensação (DCOMP), art. 49 e 63 da MP 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (art.s 49 e 68). Os débitos dos períodos de apuração (PAs) abr a dez/98, jan a ago/99, jan a set/2000, jan a ago/2001 e jan a 30/09/2002 referentes à Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL), com vencimento no último dia útil do mês seguinte ao da apuração (PA), foram constituídos por DCTFs (doc. de fls. 132201) com a informação da extinção, no todo ou em parte, por compensação efetivada contabilmente com crédito de saldo negativo (SN) de CSLL dos exercícios anteriores (mesma espécie). Desta forma, parte das estimativas (CSLL) do anocalendário (AC) 2002 foram declaradas extintas por SN (CSLL) do exercício (EX) 2002, composto pelas estimativas (CSLL) do AC 2001, que foram parcialmente declaradas extintas pelo SN do EX 2001, gerado pelas estimativas do AC 2000, que, por sua vez, foram declaradas extintas pelo SN do EX 2000; esta situação se repete até as estimativas do AC 1998 declaradas extintas pelo SN do EX 1998, formado por estimativas extintas exclusivamente por pagamentos (DARFs). Os débitos de estimativas de CSLL dos PAs 08, 09 e 11/2001 e 09/2002, foram vinculadas no todo ou em parte – por Pedidos de Compensações – a créditos de IPI, analisados em processos administrativo, sendo a estimativa do PA 09/2001 extinta totalmente e as dos demais PAs extintas parcialmente, doc. de fls. 202205, conforme o quadro a seguir. [...] O SN de CSLL mais remoto, demonstrado por DIRPJ/DIPJ (doc. de fls. 206212) e utilizado pela contribuinte para compensar estimativas dos exercícios seguintes, foi o apurado para o exercício de 1998 – AC 1997, que é proveniente de estimativas de CSLL pagas por DARFs, o quadro a seguir registra esses pagamentos e outros efetivados pela contribuinte até 31/01/2003 (doc. de fls. 213224). [...] Confirmadas as transferências de créditos de IPI e de pagamentos à União – por meio das telas do sistema SIEF, doc. de fls. 202205, relativas aos processos relacionados no primeiro quadro (IPI), e aos DARFs (doc. de fls. 213224), identificados no quadro anterior – faltava apurar os efetivos créditos de SNs que a contribuinte transferiu Fl. 306DF CARF MF Processo nº 10640.900521/200681 Resolução nº 1402002.797 S1C4T2 Fl. 295 9 à União, assim, com esse objetivo elaborouse as planilhas “Estimativas de CSLL extintas com efetiva transferência de crédito à União”, doc. de fls. 241244, contendo os valores desses quadros anteriores na composição dos SNs, que, acrescidos de SELIC, foram utilizados nas compensações das estimativas dos ACs seguintes, formando novos SNs. Os cálculos dessas compensações foram realizados no sistema SAPO (Demonstrativo Analítico de Compensação, doc. de fls. 229240). A soma das estimativas do AC 1997, totalmente extintas por DARF, é igual a R$ 87.505,40, este valor apurado na citada planilha é maior do que o informado (R$ 82.331,53) pela contribuinte na DIRPJ n. 317157620, doc. de fl. 207. Consequentemente resultou em um maior SN do EX 98, no valor de R$ 77.903,27, que foi utilizado acrescido da SELIC na quitação das estimativas dos AC seguintes. Como a SELIC é devida a partir do mês seguinte ao pagamento a maior, o SN foi dividido em dois valores: um resultante da soma das estimativas vencidas e quitadas até 31/12/97 (R$ 55.773,35) e o outro correspondente à estimativa ( PA: Dez) vendida e quitada em jan/98 (R$ 22.129,92). A divisão do SN só ocorrerá quando houver a constituição e quitação da estimativa do PA dezembro, cujo vencimento é em janeiro do ano seguinte (art. 73 da Lei n. 9.532/97 e IN/SRF n.146 de 18/03/02). As compensações – com crédito de SN (SAPO) e com créditos de IPI (processos supracitados) – foram realizadas nas datas de vencimentos das estimativas confessadas por DCTFs ou , a partir de 01/10/2002 , na data de transmissão das DCOMP. Os cálculos das compensações, elaborados no sistema SAPO (doc. de fls. 229 240), identificaram os índices de atualizações dos créditos de SNs (CSLL), dos exercícios de 1998 a 2002, ou os índices de deflação dos débitos a esses SNs vinculados. Os cálculos (SAPO) são referentes às estimativas de CSLL vencidas entre 29/05/98 (AC 98) a 31/07/2002 (AC 2002), extintas nos limites dos créditos de SNs comprovadamente transferido à União. Os índices acumulados são referentes às taxas SELIC ocorridas nos períodos das compensações com SNs, compostos por estimativas pagas ou comprovadamente compensadas e evidenciadas nas planilhas “Estimativas de CSLL extintas com efetiva transferência de crédito à União”, doc. de fls. 241244. Essas planilhas, foram elaboradas para determinar os corretos SNs (CSLL) e permitir uma melhor visualização dos créditos efetivamente transferidos à União: 1) O crédito de SN EX 98 informado na DIRPJ n. 317157620, R$ 72.729,40, inferior ao valor composto por estimativas pagas e utilizado no cálculo da planilha, R$ 77.903,27, dividido em R$ 55.773,35 e R$ 22.429,92 para efeito de atualização, é suficiente para quitar as estimativas constituídas por DCTFs e a ele vinculadas por compensações, as do AC 98 (totalmente) e as do AC 99 (parcialmente). 2) O crédito de SN do EX 99 constante da DIRPJ n. 126155452, R$ 62.861,29 – derivado de estimativas não constituídas (R$ 15.489,02) e de estimativas constituídas por DCTFs e quitadas ( com transferências Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10640.900521/200681 Resolução nº 1402002.797 S1C4T2 Fl. 296 10 de créditos à União, R$ 82.934,24), no valor total de R$ 98.423,26 – é superior ao SN no valor de R$ 47.372,27 (dividido em R$ 42.693,68 e R$ 4.678,59 para efeito de atualização) comprovado e utilizado nos cálculos da planilha, quitando as estimativas constituídas por DCTFs e a ele vinculadas por compensações, as do AC 99 (os valores remanescentes das compensações com SN EX 98) e as do AC 2000 (parcialmente). 3) O crédito de SN EX 2000 constante da DIRPJ n. 119941359, R$ 59.965,69 – originário de estimativas constituídas por DCTFs e extintas por créditos efetivamente transferidos à União – é igual ao SN comprovado e utilizado nos cálculos da planilha, suficiente para quitar as estimativas constituídas por DCTFs e a ele vinculadas por compensações, as do AC 2000 (os valores remanescentes das compensações com SN EX 99) e as do AC 2001 (parcialmente). A CSLL devida na DIPJ do EX 2000 foi integralmente deduzida, observando o limite estabelecido pelo art. 8° da Lei n. 9.718/98 relativo ao 1/3 da COFINS efetivamente extinta por compensação analisada no processo n. 10640002.316/9968, conforme extrato (doc. de fls. 225228). Assim, o SN (CSLL) EX 2000 é correspondente às estimativas (CSLL) quitadas no AC 1999. 4) O crédito de SN do EX 2001 constante da DIRPJ n. 119531703, R$ 46.041,99 – derivado de estimativas não constituídas (no valor de R$ 24.876,78) e de estimativas constituídas por DCTFs e quitadas ( com transferências de créditos à União, R$ 87.864,25) no valor total de R$ 112.609,53,– é superior ao SN de R$ 21.309,24 comprovado e utilizado nos cálculos da planilha, quitando as estimativas constituídas por DCTFs e a ele vinculadas por compensações, as do AC 2001 (quitou parte dos valores remanescentes das compensações realizadas com SN EX 2000). 5) O crédito de SN do EX 2002 constante da DIRPJ n. 119381701, R$ 89.963,96 – resultante das estimativas não constituídas (R$ 10.000,00), das constituídas por DCTF e não quitadas (sem crédito transferido à União, R$ 22.013,33) e das constituídas por DCTF e quitadas (com créditos efetivamente transferidos à União, R$ 83.164,59) no total de R$ 115.178,22,– é superior ao SN de R$ 67.950,25 comprovado e utilizado nos cálculos da planilha, quitando as estimativas constituídas por DCTFs e a ele vinculadas por compensações, as do AC 2002 (quitas parcialmente). 6) O crédito de SN do EX 2003 constante da DIRPJ n. 128117272, R$ 58.484,74 – resultante das estimativas não constituídas (R$ 70,00), das constituídas por DCTF e não quitadas (sem crédito transferido à União R$ 24.603,89), e das constituídas por DCTF e quitadas (com créditos efetivamente transferidos à União, R$ 123.452,97) no total de R$ 148.126,86 – é superior ao SN de R$ 33.810,85 comprovado pelos cálculos da planilha. Para conclusão do requerido na Resolução 1803000.085,, doc. de fls. 127130, proponho o encaminhamento ao setor operacional para ciência da interessada, por cópia deste relatório, acompanhada de cópias das planilhas “Estimativas de CSLL extintas com efetiva transferência de crédito à União”, doc. de fls. 241244, e dos Fl. 308DF CARF MF Processo nº 10640.900521/200681 Resolução nº 1402002.797 S1C4T2 Fl. 297 11 Demonstrativos Analíticos de Compensações (doc. de fls. 229240), cientificandoa da reabertura do prazo de 30 dias, para, caso lhe convenha, manifestarse. Em relação a alegação de que a Fiscalização não verificou que a Recorrente tinha retificado as PERD/COMPs, e por isso teria errado na apuração do créditos quando respondeu a diligência, insta esclarecer que também não deve ser provida. As PERD/COMPs foram retificadas em 2008, antes do r. Despacho Decisório ter sido proferido em 2011. Assim a analise dos documentos constantes nos autos já foi feito com base nos PERD/COMPs retificados. Alias, tal fato, comprova que não ocorreu a homologação tácita no presente processo. Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço do Recurso Voluntário e nego provimento. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves. Fl. 309DF CARF MF
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