Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,079)
- Primeira Turma Ordinária (16,582)
- Primeira Turma Ordinária (16,499)
- Primeira Turma Ordinária (16,374)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,098)
- Segunda Turma Ordinária d (14,576)
- Primeira Turma Ordinária (13,128)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,567)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (86,067)
- Terceira Câmara (68,611)
- Segunda Câmara (57,558)
- Primeira Câmara (21,900)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,369)
- 1ª SEÇÃO (6,889)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (129,102)
- Segunda Seção de Julgamen (116,246)
- Primeira Seção de Julgame (78,191)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,150)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,426)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,618)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,281)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- HELCIO LAFETA REIS (3,929)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,938)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,877)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,802)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,962)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,925)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,676)
- 2010 (18,059)
- 2026 (17,170)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (21,392)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10580.721053/2009-84
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RECONHECIMENTO DE OFÍCIO DE VÍCIO MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial.
IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA.
Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora.
Precedentes do STF e do STJ.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se o regime de competência.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-004.055
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
EDITADO EM: 17/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201606
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RECONHECIMENTO DE OFÍCIO DE VÍCIO MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE. Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial. IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora. Precedentes do STF e do STJ. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se o regime de competência. Recurso especial provido em parte.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10580.721053/2009-84
anomes_publicacao_s : 201608
conteudo_id_s : 5626268
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Aug 27 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9202-004.055
nome_arquivo_s : Decisao_10580721053200984.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
nome_arquivo_pdf_s : 10580721053200984_5626268.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator EDITADO EM: 17/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
id : 6476842
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:51:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688823107584
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1647; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 22 1 21 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10580.721053/200984 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202004.055 – 2ª Turma Sessão de 21 de junho de 2016 Matéria IRPF Recorrente RITA DE CASSIA MACHADO MAGALHAES Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RECONHECIMENTO DE OFÍCIO DE VÍCIO MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE. Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial. IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora. Precedentes do STF e do STJ. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose o regime de competência. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 10 53 /2 00 9- 84 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.721053/200984 Acórdão n.º 9202004.055 CSRFT2 Fl. 23 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator EDITADO EM: 17/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10580.720254/200964. O presente Recurso Especial trata de pedido de Análise de Divergência motivado pelo Contribuinte, em face de Acórdão proferido em julgamento de recurso voluntário. Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios 2005, 2006 e 2007, anoscalendário 2004, 2005, e 2006, em razão de a autoridade fiscal ter classificado como rendimentos tributáveis, valores declarados como isentos ou não tributáveis tal como informado pela Fonte Pagadora Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Referidos rendimentos correspondem a diferença entre a transformação de Cruzeiros Reais para Unidade Real de Valor – URV, reconhecidas e pagas em 36 meses, de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Estadual nº 8.730/2003 do Estado da Bahia. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas Fl. 245DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.721053/200984 Acórdão n.º 9202004.055 CSRFT2 Fl. 24 3 quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, consequentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Foi interposta impugnação foi indeferida em sede de julgamento de primeira instância. O Contribuinte interpôs Recurso, ao qual foi dado parcial provimento ao recurso para tão somente excluir a multa de ofício. O Contribuinte apresentou Recurso Especial ao qual foi dado parcial seguimento, para reapreciação apenas da matéria questão da natureza indenizatória, ou não. Em reexame, o exame de admissibilidade foi confirmado pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Apresentadas contrarrazões pela Fazenda Nacional, vieram os autos conclusos. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.026, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10580.720254/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.026): Em primeiro lugar, não conheço da preliminar de nulidade do lançamento, por vício material, suscitada de ofício pela Sra. Conselheira relatora. Com efeito, esta matéria não tendo sido admitida em sede de recurso especial, não está em discussão e, portanto, dela não conheço. Além disso, apenas para fins de esclarecimento, registrese que não vejo qualquer nulidade no lançamento da forma que ele foi realizado. Com efeito, o lançamento foi realizado com base em dispositivo vigente, cuja interpretação não havia sido considerada à época inconstitucional. Portanto, não há que se falar em nulidade. Entrando, agora, no mérito propriamente dito, entendo que a verba recebida tem caráter remuneratório e, assim, deve ser tributada. Questão dessa natureza já foi trazida, em 03/03/2015, Fl. 246DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.721053/200984 Acórdão n.º 9202004.055 CSRFT2 Fl. 25 4 à 2ª Turma desta Câmara Superior, no acórdão 9202003.585. Naquela ocasião, acompanhei o voto do relator Alexandre Naoki Nishioka, entendendo tratarse de verba de natureza remuneratória, e por isso peço vênia para adotar aqui os mesmos argumentos como razão de decidir, assim transcrevendoos: (...) Conforme dispõe o art. 2º da referida Lei, tais valores são relativos a “diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV”. Da leitura do artigo, denotase que o pagamento de tais valores deveuse à necessidade de manutenção do valor real do salário, de forma a corrigir erros anteriores no cálculo da conversão da moeda nacional. A lei estadual acima citada não buscou, por meio do pagamento das diferenças, a recomposição de um prejuízo, ou dano material, sofrido pelo contribuinte, mas a compensação em razão da ausência de oportuna correção no valor nominal do salário, verificada quando da alteração da moeda. Portanto, tais valores integram a remuneração percebida pelo contribuinte, constituindo parte integrante de seus vencimentos. Estáse diante, pois, de acréscimo patrimonial tributável pelo Imposto de Renda, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional, entendimento que fora inclusive salientado pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA). Buscando reforçar o argumento, requereu o contribuinte a aplicação da Resolução n.º 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pelo contribuinte, ao contrário do que decidiu o acórdão recorrido. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2º e parágrafos da Lei n.º10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1º trouxe a forma de cálculo deste abono: “I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)”. A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde Fl. 247DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.721053/200984 Acórdão n.º 9202004.055 CSRFT2 Fl. 26 5 se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre o abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.º 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. Assim, com base na argumentação exposta, sendo verbas remuneratórias as diferenças de URV recebidas, sobre elas incide imposto de renda da pessoa física. Todavia, cumpre verificar o quantum devido. Entendo que o tributo devido deva ser calculado de acordo com as tabelas vigentes à época em que seriam devidas as diferenças recebidas. Sobre o tema, cabe referir a discussão travada no processo 11040.001165/200591, com voto vencedor da lavra do conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, cujos fundamentos, abaixo reproduzidos, acompanho. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.721053/200984 Acórdão n.º 9202004.055 CSRFT2 Fl. 27 6 Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome ao julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei nº 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.721053/200984 Acórdão n.º 9202004.055 CSRFT2 Fl. 28 7 Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do RE do contribuinte na matéria admitida, por darlhe provimento em parte, para determinar o cálculo do crédito tributário devido, considerando o regime de competência. Em face do acima exposto, voto no sentido de não conhecer da preliminar de nulidade por vício material suscitada, conheço do Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 250DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001656/00-71
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 1998
PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS (PERC). REGULARIDADE FISCAL. MOMENTO DA COMPROVAÇÃO.
Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (Perc), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72 (Súmula Carf nº 37).
PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS (PERC). DÉBITOS POSTERIORES À OPÇÃO PELO INCENTIVO.
É ilegal o indeferimento do Perc em razão de débitos posteriores ao exercício da opção pela aplicação nos Fundos de Investimento.
Numero da decisão: 1803-000.904
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, para afastar a preliminar de descumprimento do art. 60 da Lei nº 9.069/1995, devendo os autos retornarem à unidade de origem a fim de ser analisado o mérito
do pedido, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201105
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 1998 PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS (PERC). REGULARIDADE FISCAL. MOMENTO DA COMPROVAÇÃO. Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (Perc), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72 (Súmula Carf nº 37). PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS (PERC). DÉBITOS POSTERIORES À OPÇÃO PELO INCENTIVO. É ilegal o indeferimento do Perc em razão de débitos posteriores ao exercício da opção pela aplicação nos Fundos de Investimento.
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
numero_processo_s : 16327.001656/00-71
conteudo_id_s : 5622510
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 22 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1803-000.904
nome_arquivo_s : Decisao_163270016560071.pdf
nome_relator_s : Sérgio Rodrigues Mendes
nome_arquivo_pdf_s : 163270016560071_5622510.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a preliminar de descumprimento do art. 60 da Lei nº 9.069/1995, devendo os autos retornarem à unidade de origem a fim de ser analisado o mérito do pedido, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
id : 6468746
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:51:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688827301888
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1432; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 427 1 426 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.001656/0071 Recurso nº 152.018 Voluntário Acórdão nº 180300.904 – 3ª Turma Especial Sessão de 26 de maio de 2011 Matéria IRPJ PERC Recorrente BFB LEASING S/A. ARRENDAMENTO MERCANTIL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1998 PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS (PERC). REGULARIDADE FISCAL. MOMENTO DA COMPROVAÇÃO. Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (Perc), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72 (Súmula Carf nº 37). PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS (PERC). DÉBITOS POSTERIORES À OPÇÃO PELO INCENTIVO. É ilegal o indeferimento do Perc em razão de débitos posteriores ao exercício da opção pela aplicação nos Fundos de Investimento. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 16327.001656/0071 Acórdão n.º 180300.904 S1TE03 Fl. 428 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a preliminar de descumprimento do art. 60 da Lei nº 9.069/1995, devendo os autos retornarem à unidade de origem a fim de ser analisado o mérito do pedido, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Declarouse impedida de votar a Conselheira Selene Ferreira de Moraes. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 16327.001656/0071 Acórdão n.º 180300.904 S1TE03 Fl. 429 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 130): Trata o presente processo de Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais — PERC, relativo ao anocalendário de 1997, exercício de 1998, formulado em 24/08/2000, pela empresa acima identificada (fls. 01). Conforme dados constantes da ficha 10 — Aplicações em Incentivos Fiscais da declaração de rendimentos (fls. 25), a contribuinte destinou parcela do imposto de renda recolhido para aplicação no FINOR. A solicitação foi motivada por não haver ordem de emissão para o FINOR (fls. 03). O pedido de revisão de ordem de emissão adicional de incentivos fiscais foi indeferido, conforme despacho decisório de 17/06/2005 (fls. 91/94), nos seguintes termos: “(...) DECIDO: — INDEFERIR o pedido de revisão de ordem de emissão adicional de incentivos fiscais relativo ao IRPJ/98, formulado pelo interessado, em decorrência da vedação legal estabelecido pelo art. 60 da Lei 9.069/95”. A empresa apresenta manifestação de inconformidade, protocolizada em 25/07/2005 (fls. 98/101), alegando, em síntese, que: 1. Analisando os débitos envolvidos nas listagens fornecidas pela SRF e PGFN, verificase que todos eles foram devidamente justificados. 1.1. A Receita Federal exige o montante de R$ 15.974,60, sob a alegação de insuficiência de multa referente ao débito de IRPJ de maio/99. Conforme se verifica na documentação anexa, a manifestante enviou petição à DEINF, esclarecendo que o montante não é devido em razão da suspensão da exigibilidade do crédito (fls. 112/113). 1.2. Na listagem fornecida pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional constam 06 débitos em aberto. Todavia, a manifestante apresentou pedido de revisão de débitos inscritos em Dívida Ativa da União em face de todos eles (fls. 114/126). 2. Todos os débitos mencionados estão sendo analisados pelas autoridades competentes. Vale dizer, alguns desses supostos débitos estão com a exigibilidade suspensa e, portanto, até que a Procuradoria da Fazenda Nacional aprecie a documentação juntada pela recorrente, não há que se falar em débito de tributo ou contribuição que impeça o exercício dos direitos e o uso dos benefícios concedidos. 2.1. Do mesmo modo, até que haja manifestação da Receita Federal sobre os pedidos de revisão apresentados, devese considerar a suspensão da exigibilidade dos débitos. 2. A decisão da instância a quo foi assim fundamentada (fls. 131): Fl. 3DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 16327.001656/0071 Acórdão n.º 180300.904 S1TE03 Fl. 430 4 Primeiramente cumpre observar que a irregularidade fiscal da Manifestante ficou caracterizada em face da existência de: a) Débito em cobrança no Sistema PROFISC: fls. 72/73; b) Débitos em cobrança no Sistema SIEF: fls. 79; c) Processos inscritos na Dívida Ativa da União: fls. 72 e 82/88. Quanto aos pedidos de revisão formulados junto à Receita Federal, não merece acolhida a arguição da Impugnante de que os débitos estão suspensos até a apreciação dos pleitos pela autoridade administrativa competente, uma vez que não há amparo legal para tal alegação. Com efeito, o pedido de revisão não suspende a exigibilidade do crédito tributário, pois não é considerado recurso administrativo nos termos do art. 151, III, do Código Tributário Nacional. Em realidade, corresponde apenas a uma provocação de revisão de ofício pela Administração, que, com fundamento no poder de rever seus próprios atos, procederá a nova verificação de um crédito já devidamente constituído. 3. Cientificada da referida decisão em 23/03/2006 (fls. 134), a tempo, em 18/04/2006, apresenta a interessada Recurso de fls. 135 a 139, instruído com os documentos de fls. 140 a 150, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e aduzindo mais os seguintes: a) que a DRJ equivocouse ao desconsiderar a apresentação dos Pedidos de Revisão de Débitos Inscritos em Dívida Ativa da União, pois o contribuinte que está atuando em conformidade com a legislação e já apresentou as devidas comprovações de quitação dos débitos supostamente em aberto não podendo ser onerado pela demora da apreciação causada pela PGFN; b) que dispõe a Portaria Conjunta PGFN/SRF nº 01, de 2005 que: “Art. 1º Caberá a emissão de certidão quanto à Dívida Ativa da União (DAU), com os mesmos efeitos previstos no art. 205 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN) na hipótese em que, em relação aos débitos referentes a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal (SRF), exista pedido de revisão de débitos inscritos em DAU fundado em alegação de pagamento integral anterior à inscrição, pendente de apreciação há mais de 30 (trinta) dias”; c) que, diante do texto transcrito, verificase que, ao contribuinte, não deve ser negada a emissão de certidão negativa em razão da demora na apreciação de pedido de revisão, observandose que devem ser apresentadas as provas de quitação dos débitos inscritos; e d) que, se a certidão negativa pode ser emitida nessas condições, o mesmo deveria se aplicar ao presente caso, ou seja, o argumento utilizado pela DRJ para manter o indeferimento do Perc em análise não tem amparo legal, ignorando uma Portaria da própria Receita Federal. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 16327.001656/0071 Acórdão n.º 180300.904 S1TE03 Fl. 431 5 4. Consta, de fls. 152 a 157, Resolução nº 1051.318, da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, convertendo o julgamento do processo em diligência, cujo atendimento se deu de fls. 398 a 401, tendo a Recorrente ainda se manifestado de fls. 404 a 406. Em mesa para julgamento. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 16327.001656/0071 Acórdão n.º 180300.904 S1TE03 Fl. 432 6 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (Perc) 5. Tratandose de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (Perc), incide na espécie a Súmula Carf nº 37, de seguinte teor: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (Perc), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. 6. Assim, é ilegal o indeferimento do Perc em razão de débitos posteriores ao exercício da opção pela aplicação nos Fundos de Investimento. 7. No presente caso, com relação às irregularidades fiscais apontadas pela decisão de primeira instância, de fls. 131, cumpre destacar o seguinte: a) débito em cobrança no Sistema PROFISC (fls. 72/73): não há identificação de a que tributo corresponde nem a qual vencimento. Já a listagem de fls. 77 indica um “Não consta” para “Processo fiscal em Cobrança (Profisc)”; b) débitos em cobrança no Sistema SIEF (fls. 79): o débito, relativo ao IRPJ, referese ao período de apuração de maio de 1999; c) processos inscritos na Dívida Ativa da União (fls. 72 e 82/88): os correspondentes processos foram inscritos na Dívida Ativa da União em datas de 13/02/2004 (IRPJ), 30/11/1999 (IRPJ), 06/05/2003 (SPU), 13/02/2004 (Cofins), 03/02/2005 (Cofins), 03/02/2005 (CSLL) e 13/02/2004 (Pis). 8. Quanto a esse último item, somente o processo de fls. 83, de nº 10875.001943/9739, inscrito em 30/11/1999, é anterior à entrega da Declaração do exercício de 1998, correspondendo a um débito de IRPJ relativo ao exercício de 1996, anocalendário de 1995 (fls. 172). 9. Vêse, pois, que, quando da opção pelo incentivo fiscal, estava a Recorrente incursa na vedação prevista no art. 60 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 16327.001656/0071 Acórdão n.º 180300.904 S1TE03 Fl. 433 7 10. A Resolução nº 1051.318, da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, converteu o julgamento do processo em diligência com a seguinte finalidade (fls. 156 e 157): Assim, visando a disponibilização de dados que possam objetivamente existir na data da opção ou eventuais irregularidades fiscais na mesma data, ou seja, 30.04.1998, proponho a conversão do julgamento em diligência para que o processo retorne à repartição de jurisdição administrativa do recorrente e a autoridade administrativa local ateste em relatório detalhado, visando a possibilidade de revisão do PERC, acerca de: 1. Existência de irregularidade que possam impedir a expedição do certificado de aplicações em incentivos fiscais, referenciada a 30.04.1998; 2. Em caso positivo, informar o tributo envolvido, seu valor e fato gerador e vencimento, bem como, se for o caso, qualquer outra irregularidade impeditiva, detalhando as suas características; 3. Em caso positivo, informar se o crédito tributário se encontrava com exigibilidade suspensa no dia 30.04.1998. 11. Em resposta, a DRF de origem assim se manifestou (fls. 401 destaque do original): Conforme a solicitação do Conselho de Contribuintes, temos então a informar o seguinte: 1 Havia existência de irregularidade que impedia a emissão do Certificado de Aplicações em Incentivos Fiscais em 30/04/98 e em 20/07/2000. Nas duas datas o interessado encontravase irregular. 2 O tributo devido foi o IRPJ2390, com débito de R$ 4.919.807,67, período de apuração 12/95 e o vencimento em 29/03/96. 3 O crédito não estava com a exigibilidade suspensa, pois o depósito foi insuficiente para suspender a exigibilidade, daí a cobrança sobre a diferença. A exigibilidade do crédito foi suspensa em 04/04/2000, quando foi efetuado o depósito judicial de R$ 12.102.382,47, montante este que incluiu o principal de R$ 4.919.807,67, a multa de R$ 1.475.942,30 e R$ 5.706.632,50 de juros (fl. 256). Diante de tais fatos, fica comprovada a irregularidade fiscal do interessado em 30.04.98. 12. Não obstante, observase que, quando da tramitação do Perc, mais especificamente no período de 19/12/2001 a 19/06/2002, possuía a Recorrente Certidão Fl. 7DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 16327.001656/0071 Acórdão n.º 180300.904 S1TE03 Fl. 434 8 Negativa com Efeitos de Positiva da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e o débito inscrito em Dívida Ativa da União estava na situação de “não ajuizável” (fls. 75 e 282): Confirmação da Autenticidade de Certidões Resultado da Consulta Número do CNPJ : 43.425.008/000102 Número da Certidão : 5.123.722 Certidão Positiva com Efeitos de Negativa emitida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em 19/12/2001, válida até 19/06/2002. 13. Por conseguinte, admitida a prova da regularidade fiscal em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72, e de conformidade com a Súmula Carf nº 37, não é cabível o indeferimento do Perc com fundamento no art. 60 da Lei nº 9.069, de 1995. 14. Noticio que, relativamente aos exercícios de 2000 e 2002, já teve este Colegiado oportunidade de se manifestar em favor da ora Recorrente, por meio dos Acórdãos de nºs 180300.234 e 180300.236, ambos de 08 de dezembro de 2009: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2000 Fl. 8DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 16327.001656/0071 Acórdão n.º 180300.904 S1TE03 Fl. 435 9 Ementa: INCENTIVOS FISCAIS PERC. COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL. Comprovada a regularidade fiscal no curso do processo administrativo, deve ser afastada a preliminar de impossibilidade de deferimento do incentivo fiscal com fulcro no art. 60 da Lei nº 9.069/1995, devendo a repartição de origem prosseguir a análise do mérito do pedido. [...]. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2003 Ementa: INCENTIVOS FISCAIS PERC. COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL. Comprovada a regularidade fiscal no curso do processo administrativo, deve ser afastada a preliminar de impossibilidade de deferimento do incentivo fiscal com fulcro no art. 60 da Lei nº 9.069/1995, devendo a repartição de origem prosseguir a análise do mérito do pedido. 15. Também para o exercício de 1999, o entendimento da segunda instância lhe foi favorável, conforme Acórdão nº 10197.099, de 19 de dezembro de 2008, da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara desta Primeira Seção: INCENTIVOS FISCAIS. FINOR. PERC. O artigo 60 da Lei 9.069/95 condiciona a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal à comprovação da quitação de tributos e contribuições federais. Comprovada a regularidade fiscal da Recorrente quando do recolhimento do incentivo fiscal, em que efetuou a opção pela aplicação, ou da data em que entregou sua DIPJ, conforme previsto no artigo 601 do RIR, há que se reconhecer o incentivo fiscal pleiteado, nos termos do artigo 60 da Lei 9.069/95. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO, EM PARTE, AO RECURSO, para afastar a preliminar de descumprimento do art. 60 da Lei nº 9.069, de 1995, devendo a repartição de origem prosseguir a análise do mérito do pedido. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 9DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 16327.001656/0071 Acórdão n.º 180300.904 S1TE03 Fl. 436 10 Fl. 10DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10768.101877/2003-50
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: ANO-CALENDÁRIO: 2000
INCENTIVO FISCAL. REQUISITOS - ART. 60 DA LEI 9.069/1995.
PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS
FISCAIS - PERC.
A regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo fiscal, deve ser averiguada em relação a data da apresentação da DIPJ, momento em que o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos. Não havendo nos autos comprovação da existência de pendências fiscais nesta data, descabe o indeferimento do PERC.
Numero da decisão: 1802-000.359
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. O conselheiro Natanael Vieira dos Santos declarou-se impedido de votar.
Nome do relator: Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201001
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : ANO-CALENDÁRIO: 2000 INCENTIVO FISCAL. REQUISITOS - ART. 60 DA LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS - PERC. A regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo fiscal, deve ser averiguada em relação a data da apresentação da DIPJ, momento em que o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos. Não havendo nos autos comprovação da existência de pendências fiscais nesta data, descabe o indeferimento do PERC.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 10768.101877/2003-50
conteudo_id_s : 5640064
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1802-000.359
nome_arquivo_s : Decisao_10768101877200350.pdf
nome_relator_s : Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
nome_arquivo_pdf_s : 10768101877200350_5640064.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. O conselheiro Natanael Vieira dos Santos declarou-se impedido de votar.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2010
id : 6506574
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688830447616
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-03-30T22:53:52Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-03-30T22:53:52Z; Last-Modified: 2010-03-30T22:53:52Z; dcterms:modified: 2010-03-30T22:53:52Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-03-30T22:53:52Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-03-30T22:53:52Z; meta:save-date: 2010-03-30T22:53:52Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-03-30T22:53:52Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-03-30T22:53:52Z; created: 2010-03-30T22:53:52Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2010-03-30T22:53:52Z; pdf:charsPerPage: 1543; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-03-30T22:53:52Z | Conteúdo => SI-TE02 F1.1 MINISTÉRIO DA FAZENDA • ..• CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS.: PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10768.101877/2003-50 Recurso n° 156.772 Voluntário Acórdão n° 1802-00.359 - 2° Turma Especial Sessão de 26 de janeiro de 2010 Matéria IRPJ. , Recorrente Bradesco Seguros S.A. Recorrida 5' Turma/DRI - Rio de Janeiro/RJ., , ANO-CALENDÁRIO: 2000 INCENTIVO FISCAL. REQUISITOS - ART. 60 DA LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS - PERC. A regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo fiscal, deve ser averiguada em relação a data da apresentação da DIPJ, momento em que o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos. Não havendo nos autos comprovação da existência de pendências fiscais nesta data, descabe o indeferimento do PERC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do rela ()rio e voto que passam a integrar o presente julgado. O conselheiro Natanael Vieira doaSaÍífs declarou-se impedidosle votar-. - --7---- - - ---%---- — , , _,<-_----1---,------11::; 'CS-TEC- QUÊS- INS lb_ 1-4PLI,A -Pre 'dente I ai t 110"- EDWAL CASOU :s ERNANDES JUNIOR -Relator -.ioga; in,z EDITADO EM: 7 / é ! Participaram 6 sessão de julgamento os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa (Presidente da Turma), João Francisco Bianco (Vice-Presidente), José de Oliveira Ferraz Corrêa, Natanael Vieira dos Santos (Suplente convocado), Nelso Kichel (Suplente convocado) i , Processo n° 10768.101877/2003-50 51-TE02 Acórdão n.° 1802-00359 Fl. 2 e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Ausente justificadamente o conselheiro Leonardo Lobo de Almeida. Processo n° 10768.101877/2003-50 SI-TEM Acórdão tt° 1802-00359 Fl. 3 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela 5' Turma da DRJ do Rio de Janeiro/RJ. O feito versa acerca de Pedido de Revisão de Ordem de Incentivo Fiscal — PERC (fl. 01), sendo este indeferido nos termos do Despacho Decisório de folhas 153 — 154, constatando-se a não regularidade perante a Receita Federal e Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 142— 152), apontando assim, o óbice do artigo 60 da Lei n°. 9.069/95. Inconformada, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 158 — 160, alegando em síntese, que os apontados débitos não poderiam ser impeditivos do beneficio fiscal pleiteado, eis que se encontrariam quitados, requerendo assim o deferimento do PERC. A 5' Turma da DRJ do Rio de Janeiro/RJ, no entanto, indeferiu a solicitação (fls. 382 — 387) apontando a impossibilidade de deferimento do PERC por não ser possível satisfazer os requisitos do aludido artigo 60 da Lei °• 9.069/95. Cientificada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 393 — 403), alegando dispor de regularidade fiscal, bem como asseverando que a decisão recorrida extrapolou seus limites ao apontar o óbice de débitos que não foram considerados no primitivo indeferimento do PERC, requerendo ao fim o oportuno provimento. É o relatório. it*/3/ Processo n° 10768.101877/2003-50 SI -TE02 Acórdão n.° 1802-00359 Fl. 4 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Relator O recurso é tempestivo e congrega as condições de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Tratamos aqui de Pedido de Revisão de Incentivos Fiscais (PERC) formulado pelo recorrente tendo em conta a negativa de emissão da ordem de incentivos fiscais relativos ao ano calendário 2000, porquanto não se pode aferir a indispensável regularidade fiscal do contribuinte. No Despacho Decisório (fls. 153 - 154), o indeferimento do pedido pela autoridade administrativa apontou como óbice débitos perante a SFCF e situação irregular perante a PGFN, daí porque, o indeferimento se deu com base no artigo 60 da Lei n° 9.069/1995, verbis: Artigo 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa fisica jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. A decisão recorrida confirmou o indeferimento da emissão da ordem de incentivos fiscais, considerando que o critério temporal a ser utilizado para verificação da regularidade fiscal do contribuinte é o momento da entrega DIPJ, ou seu processamento, reafirmando que a existência de apenas um débito já bastaria para impedir o deferimento do PERC, fazendo minudente digressão acerca das pendências existentes em nome da recorrente, para ao fim concluir que de fato não se haveria de conceder-se o incentivo. Diante desse quadro fático/jurídico questão apresentada reclama num primeiro momento, seja verificado o instante em que a autoridade administrativa deve observar a regularidade fiscal do contribuinte. Tem razão a decisão recorrida ao afirmar que esse momento é correspondente ao da entrega da D1PJ na qual se opta pelo investimento em fundos regionais, anoto que de igual forma defende a recorrente, mas, milita em descompasso ao afirmar que a decisão recorrida deveria cingir-se aos débitos apontados no indeferimento primitivo. Com efeito, o processo administrativo é regido pelo princípio da verdade material, não estando a administração pública vinculada às provas produzidas no bojo do processo, pelo que correta a digressão da decisão recorrida ao observar toda a conjuntura da recorrente perante os órgãos competentes. Voltemos, entretanto, à análise do momento da aferição da regularidade, veja-se que entender de forma diversa da aqui sustentada, por exemplo, na data do processamento da declaração ou na data em que a autoridade administrativa proceda ao exame do pedido, impossibilitaria a defesa do sujeito passivo, pois a cada momento poderiam surgir novos débitos, numa ciranda de impossível controle. Processo n° 10768.101877/2003-50 SI-TEM Acórdão n.° 1802-00359 Fl. 5 O sentido da lei não é impedir que o contribuinte em débito usufrua o beneficio fiscal, mas sim, condicionar seu gozo à quitação do débito. Dessa forma, a comprovação da regularidade fiscal, visando o deferimento do PERC, deve recair sobre aqueles débitos existentes na data da entrega da declaração, o que poderá ser feito em qualquer fase do processo. Débitos surgidos posteriormente à data da entrega da declaração não influenciarão o pleito daquele ano calendário, podendo influenciar a concessão do beneficio em anos-calendário subsequentes. Veja-se a propósito disso, o recente entendimento adotado na 8' Turma do então Conselho de Contribuintes, em que foi relator o eminente Conselheiro José Carlos Teixeira da Fonseca, litteris: Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ - ANO-CALENDÁRIO: 2001 - PERC. REGULARIDADE FISCAL. MOMENTO DA COMPROVAÇÃO. Na apreciação do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de regularidade fiscal deve se ater à data da 0134-0 pelo incentivo questionado. Recurso Voluntário Provido. Número do Recurso: 160.002, Número do Processo: 16327.001281/2004-15. sessão realizada em 19/09/2008, Provimento por unanimidade. (Grifos meus) A posição do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes se consolidou no sentido de que a regularidade fiscal deve ser analisada em relação à data de apresentação da Declaração de Rendimentos, onde o contribuinte manifesta sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos. E nesse propósito, colho o fundamento para este entendimento no Acórdão ri° 101-96.204, proferido em 13/06/2007 pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes: "Para a solução da lide faz-se necessário identificar qual o momento em que o sujeito passivo deveria provar sua regularidade fiscal com o fito de aproveitar o beneficio fiscal para o qual fez a opção, sob pena de impossibilitar ao sujeito passivo efetuar a prova de tal regularidade. Diferentemente do defendido pela autoridade julgadora de primeira instância, entendo que o momento em que se deve venficar a regularidade fiscal do sujeito passivo, quanto à quitação de tributos e contribuições federais, é a data da opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos, na declaração de rendimentos, portanto na data da apresentação de sua DIRPJ. Processo na 10768.101877/2003-50 81-TE02 Acórdão o.° 1802-00359 Fl. 6 Entender de forma diferente, por exemplo na data do processamento da declaração ou na data em que a autoridade administrativa proceda ao exame do pedido, impossibilitaria a defesa do sujeito passivo, pois a cada momento poderiam surgir novos débitos, numa ciranda de impossível controle. O sentido da lei não é impedir que o contribuinte em débito usufrua o beneficio fiscal, mas sim, condicionar seu gozo à quitação do débito. Dessa forma, a comprovação da regularidade fiscal, visando o deferimento do PERC, deve recair sobre aqueles débitos existentes na data da entrega da declaração, o que poderá serfeito em qualquer fase do processo. Débitos surgidos posteriormente à data da entrega da declaração não influenciarão o pleito daquele ano-calendário, podendo influenciar a concessão do beneficio em anos calendários subseqüentes." Da mesma forma, há decisões de outras Câmaras do Primeiro Conselho, nesse mesmo sentido: Terceira Câmara, Acórdão 103-23515, de 27/06/2008 "Ementa: PERC - DEMONSTRAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL. Para obtenção de beneficio fiscal, o artigo 60 da Lei 9.069/95 prevê a demonstração da regularidade no cumprimento de obrigações tributárias em face da Fazenda Nacional. Em homenagem à decidibilidade e ao principio da segurança jurídica, o momento da aferição de regularidade deve se dar na data da opção do beneficio, entretanto, caso tal marco seja deslocado pela autoridade administrativa para o momento do exame do PERC, da mesma forma também seria cabível o deslocamento desse marco pelo contribuinte, que se daria pela regularização procedida enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao beneficio fiscal." Quinta Câmara, Acórdão 105-16164, de 09/11/2006 "Ementa-PERC. REGULARIDADE FISCAL. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. Descabe o indeferimento do PERC quando a alegada irregularidade fiscal não é contemporânea, mas posterior à opção pelo beneficio fiscaLRecurso provido." Sétbna Câmara, Ac. 107-0932, de 06/03/2008 "Ementa:-INCENTIVOS FISCAIS - PERC - REGULARIDADE FISCAL. MOMENTO DA COMPROVAÇÃO. CERTIDÃO DE REGULARIDADE FISCAL. - Não deve persistir o indeferimento do PERC quando o contribuinte comprova sua regularidade fiscal através de certidões negativas ou positivas com efeitos de negativa dentro do prazo de validade, no momento do despacho denegatório do seu pleito. Processo n° 10768.101877/2003-50 S1-TE02 Acórdão n.° 1802-00.359 Fl. 7 - É ilegal o indeferimento de PERC em razão de débitos posteriores ao exercício da opção pela aplicação nos Fundos de •Investimento.Recurso Provido." Assim sendo, imperioso verificar se a recorrente dispunha de regularidade fiscal no momento da opção pelo incentivo regional, ou seja, a entrega da DIPJ/2000. E nesse particular, constata-se pelo extrato de folha 223 e 224, e me limito a considerar apenas esse débito, que a Companhia de Seguros Tranquilidade (assumida pela recorrente) tinha débito com vencimento em 08/01/1997, cuja extinção se deu apenas em 02/01/2006. semelhantes situações podem ser aferidas pelos extratos de folhas 282 e 341 Traçado um panorama quanto à data da verificação de regularidade fiscal, e constatando ser aquela da opção pelo investimento regional, que como vimos refere-se ao Imposto de Renda do ano calendário 2000, a improcedência do Recurso Voluntário se impõe, • haja vista, que os extratos acostados dão conta que a recorrente tinha contra si apontadas situações de irregularidades na data da opção. Pelo exposto, conheço o Recurso Voluntário, mas nego-lhe provimento. Sala das Sess; - • , em 2 de janeiro de 2010. Edwal ; • - andes Junior 1 7
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001145/2006-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: RECURSO DE OFICIO. NULIDADE. É nula a decisão de primeira instância
que não examina o caráter probatório dos documentos apresentados na
impugnação.
Recurso de Oficio Negado.
Numero da decisão: 1302-000.170
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de 1ª instância para que a nova decisão seja proferida em vista dos documentos apresentados pelo contribuinte, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Irineu Biachi
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201003
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : RECURSO DE OFICIO. NULIDADE. É nula a decisão de primeira instância que não examina o caráter probatório dos documentos apresentados na impugnação. Recurso de Oficio Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 18471.001145/2006-41
conteudo_id_s : 5632364
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 12 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1302-000.170
nome_arquivo_s : Decisao_18471001145200641.pdf
nome_relator_s : Irineu Biachi
nome_arquivo_pdf_s : 18471001145200641_5632364.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de 1ª instância para que a nova decisão seja proferida em vista dos documentos apresentados pelo contribuinte, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 11 00:00:00 UTC 2010
id : 6489619
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688855613440
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-07-13T13:51:31Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-07-13T13:51:31Z; Last-Modified: 2010-07-13T13:51:31Z; dcterms:modified: 2010-07-13T13:51:31Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:3eb81a65-dbec-4ddd-a327-62f3c1fe62ea; Last-Save-Date: 2010-07-13T13:51:31Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-07-13T13:51:31Z; meta:save-date: 2010-07-13T13:51:31Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-07-13T13:51:31Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-07-13T13:51:31Z; created: 2010-07-13T13:51:31Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2010-07-13T13:51:31Z; pdf:charsPerPage: 1238; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-07-13T13:51:31Z | Conteúdo => , SI-C3T2 Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA )116'( rdn...; CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 4, PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO —̀<"-----:-i_,--- 'r Processo n° 18471.001145/2006-41 Recurso n° 166.182 De Oficio Acórdão n° 1302-00.170 — 3' Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 11 de março de 2010 Matéria IRPJ E OUTROS . Recorrente 4" TURMA/DM-RIO DE JANEIRO/RJ I Interessado FEDERAÇÃO BRASILEIRA DE VELA-E-MOTOR RECURSO DE OFICIO. NULIDADE. É nula a decisão de primeira instância que não examina o caráter probatório dos documentos apresentados na impugnação. Recurso de Oficio Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de 1" instância para que a nova decisão seja proferida em vista dos documentos apresentados pelo contribuinte, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. ,.,- / QT,---,-'---,-.2._---k,..,_,..9,2, i MARCOS RODRIGUES DE MELLO - Presidente i IRINEU BIANCHI - Relator EDITADO EM: 2 : A 1 2010 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jacinto do Nascimento, Marcelo de Assis Guerra, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Eduardo de Andrade, Irineu Bianchi e Marcos Rodrigues de Mello. i Relatório FEDERAÇÃO BRASILEIRA DE VELA-E-MOTOR, pessoa jurídica devidamente qualificada nos autos, foi submetida a procedimento de fiscalização, com o objetivo de verificar o cumprimento das obrigações tributárias relativas ao imposto de renda. O Auditor-Fiscal responsável pelo procedimento de auditoria consignou a ocorrência das seguintes irregularidades: (I) inexistência de documentos ou esclarecimentos acerca da origem dos 1.178 (mil cento e setenta e oito) depósitos / créditos anteriormente relacionados, no valor total de R$ 32.110.280,03 (trinta e dois milhões, cento e dez mil, duzentos e oitenta reais e três centavos); e (2) inexistência de escrituração contóbil e fiscal dos referidos depósitos e/ou créditos. Por entender, ainda, que a Interessada deixou de cumprir os requisitos necessários para o gozo da isenção do imposto de renda, no ano-calendário de 2001, o Auditor- Fiscal responsável pelo procedimento de auditoria lavrou teimo específico, relatando os fatos capazes de deteiminar a suspensão do beneficio, abrindo prazo de 30 (trinta) dias para a entidade fiscalizada apresentar provas e alegações em contrário (fls. 91). Transcorrido o prazo legal sem a manifestação da interessada, foi emitido o Parecer Conclusivo de fls. 306, favorável à suspensão da isenção, o qual restou acolhido pelo Delegado-Adjunto da Delegacia da Receita Federal de Fiscalização no Rio de Janeiro — RJ, com a conseqüente decisão no sentido de suspender a isenção da entidade, relativamente ao imposto de renda da pessoa jurídica, no ano-calendário de 2001 (fls. 307). Seguiu-se a expedição do Ato Declaratório n° 04G (fls. 308). Efetivada a suspensão da isenção, o Auditor-Fiscal responsável pelo• procedimento de auditoria tributou como receitas omitidas os depósitos bancários cuja origem a Interessada não logrou comprovar, valendo-se, no caso, da regra de presunção criada pelo art. 42 da Lei n° 9.4301996, de 27/12/1996. Em conseqüência dos fatos acima apurados, foram lavrados contra a Interessada os seguintes autos de infração (fls. 916/943): IRPI, MULTA E JUROS — R$ 21.111.552,65 CSLL, MULTA E JUROS — R$ 7.623.021,51 PIS/PASEP, MULTA E JUROS — R$ 553.556,14 • COFINS, MULTA E JUROS — R$ 2.554.875,39 Cientificada dos termos do Ato Declaratório e dos lannientos concretizados via autos de infração, a interessada apresentou impugnações, contesta4do a suspensão da isenção tributária (fls„J.285/1294), assim como as exigências resultatites (f1S._1654/1696). .f._\ 2 Processo n° 18471.001145/2006-41 S1-C3T2 Acórdão n." 1302-00.170 Fl. 2 Tendo em vista as preliminares levantadas pela Interessada, e levando em conta, especialmente, a alegação de que a decisão referente ao afastamento da isenção .fora proferida com cerceamento do direito de defesa, foi o julgamento convertido em diligência, a fim de que a Delegacia -da Receita Federal do Brasil de Fiscalização no "Rio de Janeiro informasse se a petição mencionada pela impugnante, cuja cópia se encontra acostada às fls. 1320, havia sido, de fato, recebida por aquele órgão na data ali indicada, ou seja, em 06/11/2006 — cfr. Resolução DRJ/RJO-I n° 107, de 16/07/2007 (fls. 4535). A interessada tornou ciência dos termos da diligência realizada, vindo a manifestar-se sobre a mesma consoante a petição de fls. 4547/4549, reiterando o cerceamento • ao seu direito de defesa. A Quarta Turma Julgadora da DRJ/RJOI, por unanimidade, através do Acórdão n° 12-17.701, declarou a nulidade do processo, cujos fundamentos acham-se consubstanciados na respectiva ementa, in verbis: PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL PROCEDIMENTO DE SUSPENSÃO DE ISENÇÃO — DECISÃO QUE DEIXOU DE EXAMINAR AS ALEGAÇÕES E PROVAS APRESENTADAS PELA ENTIDADE FISCALIZADA — NULIDADE — O rito procedimental para suspensão das isenções condicionadas estabelece que, urna vez notificada das irregularidades capazes de determinar a suspensão do beneficio, a entidade fiscalizada terá trinta dias para apresentar provas e alegações em contrário, cabendo ao delegado ou Inspetor da Receita Federal do Brasil decidir a respeito da procedência das mesmas (art. 32, §§ 1° a 3 0, da Lei n°9.4301996). A decisão que deixa de apreciar as alegações e provas apresentadas tempestivamente pela entidade fiscalizada é nula, em virtude de cerceamento do direito de defesa (art. 59, inciso II, do Decreto • n" 70.235/1972). PROCEDIMENTO DE SUSPENSÃO DE ISENÇÃO — NULIDADE DO ATO DECLARA TÓRIO — CONSEQÜENTE NULIDADE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO LAVRADOS NA ESTEIRA DO REFERIDO ATO—A nulidade do ato declaratório de suspensão de isenção acarreta, por via de conseqüência, a nulidade dos autos de infração lavrados na esteira do referido ato (art. 59, § 2°, do decreto n° 70.2351972). Da referida decisão, a Turma Julgadora recorreu de,osfi\cio, de acordo com o artigo 34 do Decreto n° 70.235/1972 e alterações introduzidas pelas Lis n os 8.748/1993 e 9.532/97, e pela Portaria MF n° 375/2001, observando-se o disrostoina Portaria SRF n° 1.465/2003. É o Relatório. 3 Voto - Conselheiro IRINEU BIANCHI O recurso necessário deve ser conhecido à vista de a exoneração do crédito tributário ter sido superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Diante das peculiaridades do presente caso, antes de analisar a exoneração do crédito tributário propriamente dito, se faz necessário o exame da questão relacionada à suspensão da isenção tributária, tal como ocorreu com a decisão recorrida. • Com efeito, a Turma Julgadora a quo entendeu por bem em anular o Ato Declaratório que suspendeu a isenção tributária da interessada, mediante os seguintes fundamentos. I — DA IMPUGNAÇÃO DO ATO DECLARATORIO A Interessada argúi, em sede preliminar, a nulidade do ato declarató rio de suspensão de isenção, por conta de suposto cerceamento de direito de defesa. Alega, no caso em questão, que a Delegacia da Receita Federal de Fiscalização no Rio de Janeiro, ao decidir sobre a suspensão do beneficio, ignorou os esclarecimentos e os elementos de prova que lhe foram apresentados, relativamente às irregularidades apontadas na ação fiscal. Vejamos. O procedimento de suspensão das isenções condicionadas segue o rito estabelecido no art. 32 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996: LEI N° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (-.) Suspensão da Imunidade e da Isenção Art. 32. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade com o disposto neste artigo. § 1° Constatado que entidade beneficiária de imunidade de tributos federais de que trata a alínea 'c' do inciso VI- do art. 150 da Constituição Federal não está observando requisito ou condição previsto nos arts. 9 0, § 1°, e 14, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966— Código Tributário Nacional, a fiscalização tributária expedirá notificação fiscal, na qual relatará os fatos que determinam a suspensão do beneficio, indicando inclusive a data da ocorrência da infração. § 2 0 A entidade poderá, no prazo de trinta dias da ciência da notificação, apresentai- as alegações e provas que entender necessárias. § 3 0 O Delegado ou Inspetor da Receita Federalfdecidirá sobre a procedência das alegações, expedindo o áto cleclarató rio suspensivo do beneficio, no caso de improcedência, dando, de sua decisão, ciência à entidade. 4 • Processo n° 18471.001145/2006-41 S1-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.170 Fl. 3 § 40 Será igualmente expedido o ato suspensivo se decorrido o prazo previsto no § 2" sem qualquer manifestação da parte interessada. § 5"A suspensão da imunidade terá como -termo inicial a deita da prática da infração. § 6" Efetivada a suspensão da imunidade: • 1 — a entidade interessada poderá, no prazo de trinta dias da ciência, apresentar impugnação ao ato declarató rio, a qual será objeto de decisão pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento competente. II — a fiscalização de tributos federais lavrará auto de infração, se for o caso. § 7°A impugnação relativa à suspensão da imunidade obedecerá às demais normas reguladoras do processo administrativo fiscal. § 8' A impugnação e o recurso apresentados pela entidade não terão efeito suspensivo em relação ao ato declaratório contestado. § 9° Caso seja lavrado auto de infração, as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário serão reunidas em um único processo, para serem decididas simultaneamente. § 10. Os procedimentos estabelecidos neste artigo aplicam-se, também, às hipóteses de suspensão de isenção condicionadas, quando a entidade beneficiária estiver descumprindo as condições ou requisitos impostos pela legislação de regência. No caso em apreço, o primeiro ato de oficio que relatou a existência de irregularidades passíveis de determinar a suspensão da isenção da Interessada, no ano-calendário de 2001, e que concedeu prazo de trinta dias para a apresentação de provas e alegações em contrário, foi o Termo de Verificação e Constatação Fiscal lavrado em 11/10/2006 (fls. 91). Alguns dias depois, em 23/10/2006, foi lavrado outro ato de ofício, denominado Termo de Notificação (fls. 300), reiterando a existência das irregularidades já anteriormente apontadas e reabrindo o prazo de trinta dias para a entidade apreS entar suas razões de defesa. Independentemente da denominação que tenha sido utilizada pelo Auditor-Fiscal, o que importa observar, no presente caso, é que ambos os termos acima referidos, quer o de 11/10/2006, quer o de 23/10/2006, atendera à finalidade prevista no art. 32, §§ 1° e 2°, a Lei n° 9.430, de 27/12/1996, que era a de notificar a Interessada da existência de irregularidades que poderiam determinar a suspensão de sua isenção, concedendo-lhe prazo de trinta dias para apresentar provas e alegações em contrário. Diante do exposto, qualquer esclarecimento -ou documento apresentado pela Interessada, no período compf-e-àdido entre 11/10/2006 (dia da lavratura do primeiro temi()) e 22/11/2006 (trigésimo dia após a lavratura do segundo termo), desde que relacionado com os fato apurados na ação .fiScal, divaia ter 5 sido, obrigatoriamente, juntado aos autos para ser devidamente apreciado pelo Delegado da Delegacia da Receita Federal de Fiscalização no Rio de Janeiro, conforme determinação contida no art. 32, § 3°, da Lei n°9.430, de 27/12/1996. Pois bem. É fato incontroverso que, em 06/11/2006, a Interessada apresentou, perante a Delegacia da Receita Federal de Fiscalização no Rio de Janeiro, petição acompanhada de documentos relativos à conta bancária mantida por sua filial junto à agência 0134 do Banco Bradesco S/A, em São Paulo-SP, bem assim da escrituração contábil da empresa Horizonte Administração e Comércio Ltda (doc. fls. 4537). Ao menos para mim, não resta dúvida de que a documentação apresentada pela Interessada, em 06/11/2006, guarda plena relação com os fatos apurados na ação fiscal. Pode-se até questionar a sua eficácia probatória. O que não se pode admitir, todavia, é que o Auditor-Fiscal responsável pelo trabalho de auditoria formule, de sua livre iniciativa, um juízo negativo de admissibilidade, impedindo que os referidos documentos cheguem ao conhecimento da autoridade competente para apreciá-los, no caso em questão, o Delegado da Delegacia da Receita Federal de Fiscalização no Rio de Janeiro. À vista de tais circunstâncias, entendo que a decisão proferida, em 15/12/2006, pelo Delegado-Adjunto da Delegacia da Receita • Federal de Fiscalização no Rio de Janeiro, com fundamento na "ausência de manifestação da parte interessada", deve ser declarada nula, em virtude de flagrante cerceamento do direito de defesa (art. 59, H, do Decreto n° 70.2235, de 06/03/1972). Do mesmo modo, deve ser declarados nulos os atos processuais posteriores decorrentes da referida decisão, aí incluído o ato declaratório de suspensão de isenção (art. 59, § 2°, do Decreto n° 70.235, de 06/03/1972). Concluindo pela nulidade da decisão que suspendeu a isenção tributária da interessada, por via de conseqüência, a decisão recorrida declarou nulos os autos de infração decorrentes. Contudo, a decisão recorrida escusou-se de examinar os documentos apresentados pela interessada, deixando de examinar o seu alcance probatório, circunstância que autoriza decretar a sua nulidade. (DIANTE DO EXPOSTO, conheço do recurso ex officio e oriento meu voto para DAR-LHE( PROVIMENTO, anulando a decisão recorrida para que outra em seu lugar seja proferida à luz d\a análi:se dos documentos apresentados pela interessada. \ \ IRINEU BIANCHI - Relator 6
score : 1.0
Numero do processo: 10925.721088/2011-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
TRIBUTAÇÃO. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. PESSOA JURÍDICA DOMICILIADA NO PAÍS. IN SRF n. 213/200, ART. 1º, § 6º.
A tributação dos lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior pelas pessoas jurídicas domiciliadas no País encontrava-se, à época da ocorrência destes fatos, regulamentada pela IN SRF n. 213/2002. Nestes termos, para fins de determinação do valor do lucro auferido por controladas indiretas, domiciliadas no exterior, a ser computado na base de cálculo do IRPJ e da CSLL da pessoa jurídica brasileira, é necessário realizar uma prévia consolidação daqueles resultados no balanço da controlada direta estrangeira. Somente após, o resultado auferido pela controlada direta será adicionado computado ao lucro líquido da controladora brasileira.
CONTROLADAS E COLIGADAS. COMPENSAÇÃO. LUCROS. E PREJUÍZOS CONTÁBEIS. DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS. REQUISITOS. LIVRO RAZÃO versus LIVRO DIÁRIO.
A IN SRF n. 213/2002, art. 4o, permite a compensação de lucros e prejuízos apurados no exterior, desde que sejam da mesma controlada ou coligada. No entanto, para que seja valida e reconhecida a compensação, a contribuinte precisa comprovar a existência de prejuízo contábil passível de compensação, mediante a elaboração de demonstrações financeiras das controladas e coligadas. E tal fato deve ser comprovado de acordo com as normas comerciais do país, devendo ser transcritas ou copiadas no Livro Diário da contribuinte.
O Livro Razão não é hábil a substituir o Livro Diário, de modo a validar as demonstrações financeiras, com fins a permitir a compensação de prejuízos da controlada direta.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
Decorrendo o lançamento da CSLL dos mesmos elementos de prova constantes da exigência do IRPJ, a decisão proferida em relação aos fatos que levaram à manutenção deste impõe-se também à CSLL, naquilo que for cabível, em face do preceituado pelo art. 57 da Lei nº 8.981/1995, com a redação dada pela Lei nº 9.065/1965.
INCIDÊNCIA. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. PROCEDÊNCIA.
A incidência de juros sobre a multa de ofício esta amparada nas disposições do art. 61 da Lei n. 9.430/1996. Trata-se de débito para com a União Federal, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.
Numero da decisão: 1302-001.974
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento aos recursos de ofício e voluntário. O Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior votou pelas conclusões quanto ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Talita Pimenta Félix - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Caleiros Soleiro, Rogério Aparecido Gil, Ana Fernandes de Barros Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: TALITA PIMENTA FELIX
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 TRIBUTAÇÃO. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. PESSOA JURÍDICA DOMICILIADA NO PAÍS. IN SRF n. 213/200, ART. 1º, § 6º. A tributação dos lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior pelas pessoas jurídicas domiciliadas no País encontrava-se, à época da ocorrência destes fatos, regulamentada pela IN SRF n. 213/2002. Nestes termos, para fins de determinação do valor do lucro auferido por controladas indiretas, domiciliadas no exterior, a ser computado na base de cálculo do IRPJ e da CSLL da pessoa jurídica brasileira, é necessário realizar uma prévia consolidação daqueles resultados no balanço da controlada direta estrangeira. Somente após, o resultado auferido pela controlada direta será adicionado computado ao lucro líquido da controladora brasileira. CONTROLADAS E COLIGADAS. COMPENSAÇÃO. LUCROS. E PREJUÍZOS CONTÁBEIS. DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS. REQUISITOS. LIVRO RAZÃO versus LIVRO DIÁRIO. A IN SRF n. 213/2002, art. 4o, permite a compensação de lucros e prejuízos apurados no exterior, desde que sejam da mesma controlada ou coligada. No entanto, para que seja valida e reconhecida a compensação, a contribuinte precisa comprovar a existência de prejuízo contábil passível de compensação, mediante a elaboração de demonstrações financeiras das controladas e coligadas. E tal fato deve ser comprovado de acordo com as normas comerciais do país, devendo ser transcritas ou copiadas no Livro Diário da contribuinte. O Livro Razão não é hábil a substituir o Livro Diário, de modo a validar as demonstrações financeiras, com fins a permitir a compensação de prejuízos da controlada direta. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Decorrendo o lançamento da CSLL dos mesmos elementos de prova constantes da exigência do IRPJ, a decisão proferida em relação aos fatos que levaram à manutenção deste impõe-se também à CSLL, naquilo que for cabível, em face do preceituado pelo art. 57 da Lei nº 8.981/1995, com a redação dada pela Lei nº 9.065/1965. INCIDÊNCIA. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. PROCEDÊNCIA. A incidência de juros sobre a multa de ofício esta amparada nas disposições do art. 61 da Lei n. 9.430/1996. Trata-se de débito para com a União Federal, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10925.721088/2011-90
anomes_publicacao_s : 201701
conteudo_id_s : 5672684
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1302-001.974
nome_arquivo_s : Decisao_10925721088201190.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : TALITA PIMENTA FELIX
nome_arquivo_pdf_s : 10925721088201190_5672684.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento aos recursos de ofício e voluntário. O Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior votou pelas conclusões quanto ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Talita Pimenta Félix - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Caleiros Soleiro, Rogério Aparecido Gil, Ana Fernandes de Barros Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
id : 6614266
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:55:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688857710592
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2452; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 1.742 1 1.741 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.721088/201190 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1302001.974 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de setembro de 2016 Matéria Tributação de lucros no exterior IRPJ e CSLL Recorrentes BRASIL FOODS S/A (sucessora por incorporação da SADIA S/A) FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 TRIBUTAÇÃO. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. PESSOA JURÍDICA DOMICILIADA NO PAÍS. IN SRF n. 213/200, ART. 1º, § 6º. A tributação dos lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior pelas pessoas jurídicas domiciliadas no País encontravase, à época da ocorrência destes fatos, regulamentada pela IN SRF n. 213/2002. Nestes termos, para fins de determinação do valor do lucro auferido por controladas indiretas, domiciliadas no exterior, a ser computado na base de cálculo do IRPJ e da CSLL da pessoa jurídica brasileira, é necessário realizar uma prévia consolidação daqueles resultados no balanço da controlada direta estrangeira. Somente após, o resultado auferido pela controlada direta será adicionado computado ao lucro líquido da controladora brasileira. CONTROLADAS E COLIGADAS. COMPENSAÇÃO. LUCROS. E PREJUÍZOS CONTÁBEIS. DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS. REQUISITOS. LIVRO RAZÃO versus LIVRO DIÁRIO. A IN SRF n. 213/2002, art. 4o, permite a compensação de lucros e prejuízos apurados no exterior, desde que sejam da mesma controlada ou coligada. No entanto, para que seja valida e reconhecida a compensação, a contribuinte precisa comprovar a existência de prejuízo contábil passível de compensação, mediante a elaboração de demonstrações financeiras das controladas e coligadas. E tal fato deve ser comprovado de acordo com as normas comerciais do país, devendo ser transcritas ou copiadas no Livro Diário da contribuinte. O Livro Razão não é hábil a substituir o Livro Diário, de modo a validar as demonstrações financeiras, com fins a permitir a compensação de prejuízos da controlada direta. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Decorrendo o lançamento da CSLL dos mesmos elementos de prova constantes da exigência do IRPJ, a decisão proferida em relação aos fatos que levaram à manutenção deste impõese também à CSLL, naquilo que for AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 72 10 88 /2 01 1- 90 Fl. 1743DF CARF MF 2 cabível, em face do preceituado pelo art. 57 da Lei nº 8.981/1995, com a redação dada pela Lei nº 9.065/1965. INCIDÊNCIA. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. PROCEDÊNCIA. A incidência de juros sobre a multa de ofício esta amparada nas disposições do art. 61 da Lei n. 9.430/1996. Tratase de débito para com a União Federal, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento aos recursos de ofício e voluntário. O Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior votou pelas conclusões quanto ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Talita Pimenta Félix Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Caleiros Soleiro, Rogério Aparecido Gil, Ana Fernandes de Barros Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório BRASIL FOODS S/A (sucessora por incorporação da SADIA S/A, insurgese contra a cobrança de crédito tributário de IRPJ e CSLL, cujo crédito tributário totaliza o montante de R$147.069.584,52, calculado até 29/04/2011, de materialidade ocorrida no anocalendário 2006. A contribuinte recorre do Acórdão de Impugnação nº. 1656.535, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SP1), em sessão realizada em 27/03/2014, que, por unanimidade de votos, julgou PROCEDENTE EM PARTE a Impugnação, sendo interposto, neste caso, Recurso de Ofício. A ementa restou assim redigida: JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício decorrente de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal é considerada débito para com a União, sendo devidos juros de mora sobre o valor lançado inadimplido a partir de seu vencimento. (...) APLICAÇÕES FINANCEIRAS NO EXTERIOR. RENDIMENTOS. RESULTADO CONTÁBIL. PERDAS. ADIÇÕES. Os rendimentos gerados por aplicações Fl. 1744DF CARF MF Processo nº 10925.721088/201190 Acórdão n.º 1302001.974 S1C3T2 Fl. 1.743 3 financeiras efetuadas no exterior, por pessoa jurídica domiciliada no Brasil, devem ser reconhecidos em sua contabilidade, ao passo que eventuais perdas, se computadas no resultado contábil, são consideradas adições para fim de apuração do lucro real. LUCROS NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO. ADIÇÃO AO LUCRO LÍQUIDO. FILIAL E SUCURSAL. EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. A tributação dos lucros das filiais, sucursais, coligadas e controladas da pessoa jurídica domiciliadas no exterior é realizada mediante adição de seu resultado positivo ao lucro líquido da pessoa jurídica no Brasil, integralmente, quando se tratar de filial ou sucursal, ou proporcionalmente a sua participação no capital social, quando se tratar de controlada ou coligada, mediante o método da equivalência patrimonial. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA NO EXTERIOR. CONTROLE INDIRETO. LUCROS. CONSOLIDAÇÃO. Os resultados auferidos por intermédio de outra pessoa jurídica, na qual a filial, sucursal, controlada ou coligada, no exterior, mantenha qualquer tipo de participação societária, ainda que indiretamente, serão consolidados no balanço da filial, sucursal, controlada ou coligada para efeito de determinação do lucro real da beneficiária no Brasil, salvo a ocorrência de abuso ou fraude, hipóteses que autorizam a adição direta dos lucros das controladas indiretas ao resultado da pessoa jurídica no País. CONTROLADAS E COLIGADAS NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO CONTÁBIL. DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS. REQUISITOS. LIVRO DIÁRIO. TRANSCRIÇÃO. A transcrição ou cópia de demonstrações financeiras de controladas ou coligadas domiciliadas no exterior, em moeda e classificação contábil nacional, em livro Diário de pessoa jurídica no Brasil, constitui requisito essencial para que prejuízos contábeis apurados por cada uma daquelas sejam compensados com seus próprios lucros. Com a realização do julgamento pela 1a Turma da DRJ/SP1, restou afastada a tributação dos lucros auferidos no exterior pelas controladas indiretas SADIA FOODS GMBH e WELLAX FOOD LPAU LDA, às quais eram controladas diretas da SADIA GMBH. Isso porque a fiscalização havia incluído o resultado obtido pelas controladas indiretas na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL da contribuinte, sem observar o dever de consolidalos, primeiramente, na controlada direta, em cumprimento ao disposto no parágrafo 6o, art. 1o da IN SRF n. 213/2002. Esse o posicionamento da turma de primeira instância, conforme se infere: Em que pese a autoridade fiscal ter desenvolvido respeitosa tese para fundamentar os presentes lançamentos, a tributação dos lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior pelas pessoas jurídicas domiciliadas no País encontrase, atualmente, regulamentada pela Instrução Normativa SRF nº 213, de 07 de outubro de 2002, aplicável ao período sob fiscalização, cujo artigo 1º, § 6º dá outra interpretação sobre a forma de tributação das controladas indiretas da pessoa jurídica domiciliada no País: (...) Portanto, em regra, para fins de determinação do valor do lucro auferido por controladas indiretas domiciliadas no exterior a ser computado na base de cálculo do IRPJ e da CSLL da pessoa jurídica brasileira, é necessário realizar uma prévia consolidação daqueles resultados no balanço da controlada direta estrangeira. (...) Assim, entendo que a pretensão do autor do feito, em relação aos lucros das controladas indiretas, somente pode ser satisfeita por intermédio da consolidação Fl. 1745DF CARF MF 4 de seus resultados no balanço das controladas diretas da fiscalizada, conforme determinado pelo artigo 1º, § 6º da IN SRF nº 213/2002. (...) Considerando que o lucro passível de ser adicionado ao da pessoa jurídica domiciliada no Brasil seria o da SADIA GMBH, sua controlada direta, os lançamentos de ofício efetuados diretamente sobre os resultados de R$ 950.004,54 e R$ 184.300.491,83, respectivamente, de Sadia Foods GMBH e Wellax Food Lpau Lda, controladas indiretas da fiscalizada, devem ser cancelados. Porém, no que pertine aos lucros auferidos pela controlada direta SADIA TRADING CAYMAN, no montante de R$ 3.481.548,23, a infração foi mantida. Eis os argumentos da 1a Turma da DRJ/SP1 para mantêlo: Verificase que os lucros da controlada direta da fiscalizada SADIA TRADING CAYMAN LTD e de suas duas controladas indiretas também compuseram a base de cálculo dos presentes lançamentos de IRPJ e CSLL. A Impugnante aduz que os resultados de suas controladas indiretas foram reconhecidos nas demonstrações financeiras de suas controladas diretas, e, os resultados destas já compõem seu resultado, mediante a adoção do método de avaliação de investimentos por equivalência patrimonial (MEP), conforme previsto no art. 7º da IN SRF nº 213/2002: (...) Embora em sede de impugnação a contribuinte alegue que os resultados de suas controladas diretas tivessem sido tributados quando ela aplicou o MEP, constatase que, durante o curso do procedimento fiscal, ela própria havia informado ao autuante que havia excluído da apuração do lucro real o resultado positivo de equivalência de R$ 208.829.682,07, que inclusive, englobava os ganhos com SADIA TRADING CAYMAN LTD (SADIA INTERNATIONAL LTD) e SADIA GMBH. Confirase a resposta da fiscalizada juntada às fls. 80: (...) Portanto, não procede a alegação da impugnante de que já teria sido oferecido à tributação o lucro de SADIA TRADING CAYMAN LTD e, por via reflexa, de suas indiretas, mediante aplicação do MEP, uma vez que seu respectivo resultado positivo foi integralmente excluído pela contribuinte de suas bases de cálculo tributárias. Por outro lado, de acordo com o já comentado § 6º do art. 1º da IN SRF nº 213/2002, os lucros de Concordia Foods Ltd. e Sadia UK Ltd não poderiam ter sido adicionados diretamente ao lucro líquido da fiscalizada, tal como procedido pelo autuante, mas previamente consolidados no balanço de SADIA TRADING CAYMAN LTD, cujo resultado é que seria objeto de tributação pela investidora brasileira. Desta forma, entendo que, de acordo com os ditames da IN SRF nº 213/2002, deve ser mantida a tributação incidente sobre o lucro de SADIA TRADING CAYMAN LTD, correspondente a R$ 3.481.548,23, excluindose da base de cálculo tributável os resultados de R$ 950.004,54 e R$ 184.300.491,83, respectivamente, de Sadia Foods GMBH e Wellax Food Lpau Lda, controladas indiretas da fiscalizada. A impugnante também aduz que, apesar de sua controlada SADIA TRADING CAYMAN LTD ter apurado um lucro contábil de R$ 3.481.548,24 em 2006, estava dispensada de oferecêlo à tributação no País, porque ele seria compensável com um prejuízo contábil apurado pela controlada de “R$ 30.199 mil” em 2004, conforme indicado na cópia da demonstração do resultado do exercício juntado às fls. 1112. (Sem sublinhado no original) (...) A IN SRF nº 213/2002 permite a compensação de lucros e prejuízos apurados no exterior, desde que sejam da mesma controlada ou coligada, conforme previsto no artigo 4º da IN SRF nº 213/2002: (...) Fl. 1746DF CARF MF Processo nº 10925.721088/201190 Acórdão n.º 1302001.974 S1C3T2 Fl. 1.744 5 Portanto, a legislação tributária defere ao contribuinte a possibilidade de compensar lucros com prejuízos contábeis, estabelecendo, todavia, os requisitos necessários para o exercício desta faculdade. É preciso, inicialmente, deixar evidenciada a existência de prejuízo contábil passível de compensação, mediante a elaboração das demonstrações financeiras das controladas e coligadas, de acordo com as normas comerciais do país de seu domicílio. As contas e subcontas constantes das demonstrações financeiras elaboradas no exterior devem ser traduzidas em idioma nacional, seus valores convertidos em Reais, classificadas segundo as normas da legislação comercial brasileira e, por fim, devem ser transcritas ou copiadas no livro Diário da pessoa jurídica nacional. Um dos pontos a ser esclarecido pela diligência determinada por este órgão julgador foi confirmar se o demonstrativo financeiro do prejuízo contábil apurado em 2004 pela controlada nas Ilhas Cayman continha os requisitos exigidos pela legislação para que a contribuinte fizesse jus à pretendida compensação. O auditorfiscal lavrou termo de intimação em que, dentre outras providências dirigidas à contribuinte, requisitou a apresentação das cópias das folhas de seu Diário em que estivessem transcritas as demonstrações financeiras de sua controlada SADIA INTERNACIONAL LTDA (SADIA TRADING CAYMAN) relativas aos anoscalendário de 2004 a 2006 (item 3, fls. 1129), tendo obtido a seguinte resposta (fls. 1139): (...) É de se observar que, ao contrário do que aduz a impugnante, a autoridade fiscal não requisitou cópia integral de seu Livro Diário, o que talvez pudesse lhe trazer alguma dificuldade, mas apenas as cópias das folhas onde se encontrariam transcritas ou copiadas as demonstrações financeiras de suas filiais, sucursais, controladas e coligadas no exterior. (...) O registro e autenticação são formalidades que não são exigidas para o Razão. Por sua vez, essas formalidades extrínsecas do Diário buscam garantir ao máximo a fidedignidade das informações neles registradas, conferindolhe uma especial condição de elemento probante a favor do contribuinte, motivo pelo qual os livros não são cambiáveis entre si, conforme propõe a impugnante. Ademais, consoante disciplinado pelo § 6º do art. 258 do RIR/1999, se a contribuinte adotou o sistema de microfichas, estava também obrigada a inscrever o balanço patrimonial e as demais demonstrações financeiras em um livro próprio, que também deveria ser autenticado no órgão de registro competente. (...) Assim, seria razoável, ou melhor, seria impositivo, nos termos da legislação, que a contribuinte apresentasse as cópias de seu Diário, ou um livro próprio autenticado, com as mencionadas demonstrações financeiras transcritas ou copiadas, caso desejasse fruir da faculdade de compensar o lucro contábil de sua controlada de 2006 com o prejuízo, de mesma natureza, apurado em 2004. Ante o exposto, não é possível aceitar a pretendida compensação de prejuízo de sua controlada SADIA TRADING CAYMAN, devendo ser mantida a tributação do IRPJ e da CSLL sobre seu resultado. Notase, ante o exposto, que a discussão que permanece nestes autos limitase a saber se a contribuinte poderá aproveitar os saldos de prejuízo contábil da SADIA TRADING CAYMAN. E tal posicionamento, a favor ou contra a possibilidade dessa compensação, funda se no reconhecimento (ou não) da documentação apresentada pela contribuinte para validar ao prejuízo contábil supostamente existente nesta controlada direta. Fl. 1747DF CARF MF 6 Isto posto, a contribuinte tomou conhecimento do teor do Acórdão de Impugnação na data 14/04/2014, via Portal eCAC. O Termo de Ciência por Decurso de Prazo (fls. 1.380), atesta que foi dada ciência, à contribuinte, em 29/04/2014. Assim, interpôs Recurso Voluntário, protocolizado em 13/05/2014, tempestivamente, constando nos autos duas petições (fls. 1.382/1.432 fls. 1485/1592). Donde, em ambas, aduz que: (a) ao manter a tributação do lucro auferido pela controlada SADIA TRADING CAYMAN, todavia ajustada aos ditames da Instrução Normativa nº 213/02, a decisão ora recorrida excluiu da base de cálculo os resultados obtidos pelas controladas indiretas – Sadia Foods GMBH e Wellax Food Lpau Lda, restando, o valor de R$ 3.481.548,23, ao balanço consolidado daquela controlada; (b) a 1ª Turma da DRJ/SP1, mesmo diante de toda a documentação apresentada no momento da fiscalização e demais levadas aos autos em cumprimento da diligência fiscal determinada (fls. 1194/1200), concluiu, ao que se apresenta, de forma equivocada, que não seria possível admitir a compensação de prejuízo fiscal da referida empresa, uma vez que a Recorrente não teria apresentado os documentos comprobatórios do referido prejuízo; (c) ainda que, a defesa tenha levantado tal indagação e que diversas provas já tenham sido colacionadas, nada obsta que elementos adicionais sejam trazido, dado os fatos e a peculiaridade do caso, ao prestígio do princípio da verdade material ou verdade real, norteador do processo administrativo. Assim, anexa ao Recurso, cópia de seu Livro Diário, cujos resultados estão refletidos em seu Balanço Patrimonial e Demonstrações Financeiras. E, dessa forma, entende restar comprovado que a SADIA TRADING CAYMAN possui prejuízos contábeis acumulados, no valor de R$ 25.528.689,50, os quais absorveram o lucro do período autuado (anocalendário 2006); (d) além disso, em que pese seja mantida a suposta possibilidade de se manter a autuação ao montante averiguado, a cobrança de juros de mora sobre a multa (estabelecida em 75%), colide com a orientação fixada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Posteriormente, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 1.622/71), mencionando que a discussão, neste momento processual, limitase à: i. impossibilidade de compensar os lucros com os prejuízos auferidos no exterior ante a falta de documentação hábil a suprir os requisitos exigidos pela legislação para comprovar o fato alegado; ii. bem como, que há incidência de juros sobre a multa de ofício, utilizando se, para tanto, a taxa Selic, de forma que não se pode admitir, em hipótese alguma, a exclusão total dos juros por expressa afronta ao § 1º do art. 161 do CTN. Em síntese, é como relato. Fl. 1748DF CARF MF Processo nº 10925.721088/201190 Acórdão n.º 1302001.974 S1C3T2 Fl. 1.745 7 Voto Conselheira Talita Pimenta Félix PRELIMINARMENTE Da Tempestividade Conforme art. 33 do Decreto nº 70.235/72, o Recurso Voluntário, formalizado por escrito e instruído com os documentos em que se fundamentar, será apresentado no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Considerando que a Recorrente foi intimada do Acórdão n. 16056.535 da 1a Turma da DRJ/SPI, em 14/04/2014, a apresentação de sua peça defensória satisfaz o requisito primordial da tempestividade, devendo, por esse motivo, ser conhecida e processada. MÉRITO Cronologia normativa As normas que regulamentam a tributação dos lucros auferidos no exterior por empresas brasileiras surgiu com a disciplina enunciada pelo art. 25 da Lei n. 9.249/95, que determinou que os “lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano”. Um ano após, a IN SRF n. 38/1996 disciplinou o conceito de disponibilidade de renda do CTN, estabelecendo o critério temporal e a materialidade em que os lucros auferidos no exterior seriam passíveis de incidência. Em 1997 foi publicada a Lei n° 9.532, que, em relação às filiais e sucursais no exterior, estabeleceu como momento de tributação de seus lucros a data do balanço no qual tiverem sido apurados e, quanto às controladas e coligadas, as mesmas situações anteriormente elencadas na IN SRF n° 38/1996. Temse, assim, que na vigência das Leis n° 9.249/1995 e nº 9.532/1997, os lucros auferidos pelas empresas domiciliadas no Brasil por intermédio de coligadas e controladas sediadas no exterior estavam sujeitas à incidência do imposto de renda no momento da ocorrência do pagamento ou crédito, conforme disciplinado pelos §§1o e 2o do artigo 2° da IN SRF n° 38/1996 e §2º do artigo 1º da Lei 9.532/1997. Com o advento do artigo 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001, introduzido originariamente no ordenamento jurídico pela MP nº 2.15834/2001, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior passaram a ser considerados disponibilizados na data do balanço em que fossem apurados. Fl. 1749DF CARF MF 8 Percebese que o legislador ordinário conferiu aos lucros advindos de controladas e coligadas no exterior o mesmo tratamento dado àqueles oriundos de filiais e sucursais, tendo tal alteração sido introduzida no esteio da Lei Complementar nº 104, de 10/01/2001, que incluiu dois parágrafos ao artigo 43 da Lei nº 5.172. Da análise do caso concreto A situação fática retratada nos autos, no que ora interessa, diz respeito à discordância da fiscalização com o procedimento adotado pela contribuinte, ao realizar a consolidação dos lucros de suas controladas indiretas, no balanço de suas controladas diretas, para somente após, serem adicionados ao lucro da controladora brasileira, conforme dispõe o parágrafo 6o, art. 1o, da IN 213/2002. Noutro giro, a fiscalização entendeu que as controladas da Recorrente, sediadas no exterior, estariam obrigadas a tributar o IRPJ e a CSLL diretamente, sem que lhes fosse autorizado realizar a consolidação na sua controlada direta. Ocorre que, em regra, para fins de determinação do valor do lucro auferido por controladas indiretas domiciliadas no exterior a ser computado na base de cálculo do IRPJ e da CSLL da pessoa jurídica brasileira, é necessário realizar uma prévia consolidação daqueles resultados no balanço da controlada direta estrangeira. A interpretação conferida pela fiscalização, pautase na premissa legal enunciada pelo art. 74 da MP n. 2.15835/01, conjugada com o conceito de sociedade controlada dado pelo art. 243, parágrafo 2o, da Lei n. 6.404/74 (fls. 28). Nesta tônica, a fiscalização compreendeu que a tributação das controladas diretas e indiretas deveria ocorrer, de forma individualizada, e diretamente no balanço da controladora brasileira. Sendo vedada a consolidação, ainda que localizadas em um mesmo país, não distinguindo a metodologia entre controlada direta e indireta. Noutro giro, a DRJ afastou a base legal e a construção jurídica adotada pela fiscalização, rejeitandoa e concordando com o procedimento adotado à época da ocorrência desta materialidade. Assim, entendeu que a Recorrente deveria sim ter procedido à consolidação vertical. Esta metodologia vai de encontro ao procedimento adotado pela Recorrente, qual seja, de proceder à consolidação do resultado de suas controladas indiretas no balanço das controladas diretas (da ora Recorrente) para, somente após, transportalos para a controladora brasileira. Os fundamentos para tal raciocínio partem da IN n. 213/2002. E neste sentido, a IN n. 213/02 distingue duas situações: a primeira, referese ao lucros das controladas diretas que, à época da ocorrência fática (debatida nestes autos), deveria ser computado diretamente na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, de forma individualizada, vedada a consolidação dos valores. Esta perspectiva jurídica pode ser compreendida como uma abordagem horizontal da tributação), consoante enunciado no parágrafo 5, art. 1, da IN 213/02. Ao passo que a segunda, representada pelos lucros das controladas indiretas, deve ser consolidado no balanço da controlada direta, para somente após ser refletido na apuração da controladora brasileira (Recorrente), e "possivelmente tributado". Pois bem, esta foi a primeira, e grande, divergência existente entre a compreensão da fiscalização e da contribuinte. Nesta tônica, as controladas diretas e indiretas são representadas pela: (i) Sadia GMBHÁustria (controlada direta) e Wellax FoodsIlha da Madeira e Sadia Fooods Alemanha (controladas indiretas), bem como, (ii) a Sadia InternationalCayman (controlada direta) e QualyReino Unido e Concordia FoodsReino Unido (controladas indiretas). Valendo Fl. 1750DF CARF MF Processo nº 10925.721088/201190 Acórdão n.º 1302001.974 S1C3T2 Fl. 1.746 9 me de organograma apresentado pela contribuinte, seguem as controladas diretas e indiretas relacionadas ao caso em tela: Como consequência deste posicionamento, a Turma Julgadora, afastou a tributação da controlada direta (Sadia GMBH) e das duas indiretas, envolvidas nestes autos, cujo montante autuado representava a quase totalidade das autuações, aproximadamente, R$ 180 milhões. No que toca à controlada direta (Sadia Trading Cayman) e suas duas indiretas (Qualy UK e Concordia Foods, localizadas no Reino Unido), a decisão de Primeira Instância a manteve, cujo montante é de, aproximadamente, R$ 3.5 milhões. Assim, realizada esta distinção, temse que a Recorrente utilizou a consolidação vertical, donde primeiro levou os resultados das indiretas para a direta, depois, para a controladora brasileira, ora Recorrente. Com isto, diz que os resultados de suas controladas indiretas foram reconhecidos nas demonstrações financeiras de suas controladas diretas, e, os resultados destas já compunham seu resultado, através da adoção do método de avaliação de investimentos por equivalência patrimonial, de acordo com o art. 7o da IN n. 213/2002. O acórdão recorrido consignou que a fiscalização adotou comportamento contrário à lei, ao pretender exigir da Recorrente que suas controladas indiretas adicionassem seus resultados diretamente no balanço da controladora brasileira, em oposição à realização da consolidação de seus resultados nas controladas diretas (GMBH e SADIA TRADING CAYMAN), para somente após serem adicionados ao lucro líquido da contribuinte, nos termos do parágrafo 6o, art. 1o, da IN 213/2002. Nas palavras do acórdão proferido pela DRJ: Por sua vez, os lucros auferidos pelas controladas de SADIA GMBH, Sadia Foods GMBH e Wellax Food Lpau Lda, domiciliadas, respectivamente, na Alemanha e nas Ilhas Madeira, foram adicionados, pelo autuante, diretamente ao resultado da fiscalizada, em contrariedade ao disposto na Instrução Normativa. Portanto, deveria ter sido prestigiada a regra de consolidação vertical veiculada pelo artigo 1º, § 6º da IN SRF nº 213/2002, de maneira que os resultados de Sadia Foods GMBH e Wellax Food Lpau Lda, juntamente com aqueles apurados pelas demais controladas de SADIA GMBH, estivessem refletidos no balanço desta. Ou seja, é o lucro consolidado no balanço da controlada direta da pessoa jurídica domiciliada no País é que poderia vir a compor seu lucro real e a base de cálculo Fl. 1751DF CARF MF 10 da CSLL, mas não os lucros tomados individualmente de cada uma de suas controladas indiretas. Considerando que o lucro passível de ser adicionado ao da pessoa jurídica domiciliada no Brasil seria o da SADIA GMBH, sua controlada direta, os lançamentos de ofício efetuados diretamente sobre os resultados de R$ 950.004,54 e R$ 184.300.491,83, respectivamente, de Sadia Foods GMBH e Wellax Food Lpau Lda, controladas indiretas da fiscalizada, devem ser cancelados. A fiscalizada também atuava no exterior por intermédio de sua subsidiária SADIA TRADING CAYMAN LTD, domiciliada nas Ilhas Cayman, que, por seu turno, controlava integralmente Concordia Foods Ltd. e Sadia U.K. Ltd., ambas situadas no Reino Unido. Verificase que os lucros da controlada direta da fiscalizada SADIA TRADING CAYMAN LTD e de suas duas controladas indiretas também compuseram a base de cálculo dos presentes lançamentos de IRPJ e CSLL. Embora em sede de impugnação a contribuinte alegue que os resultados de suas controladas diretas tivessem sido tributados quando ela aplicou o MEP, constatase que, durante o curso do procedimento fiscal, ela própria havia informado ao autuante que havia excluído da apuração do lucro real o resultado positivo de equivalência de R$ 208.829.682,07, que inclusive, englobava os ganhos com SADIA TRADING CAYMAN LTD (SADIA INTERNATIONAL LTD) e SADIA GMBH. Confirase a resposta da fiscalizada juntada às fls. 80: (...) Portanto, não procede a alegação da impugnante de que já teria sido oferecido à tributação o lucro de SADIA TRADING CAYMAN LTD e, por via reflexa, de suas indiretas, mediante aplicação do MEP, uma vez que seu respectivo resultado positivo foi integralmente excluído pela contribuinte de suas bases de cálculo tributárias. Por outro lado, de acordo com o já comentado § 6º do art. 1º da IN SRF nº 213/2002, os lucros de Concordia Foods Ltd. e Sadia UK Ltd não poderiam ter sido adicionados diretamente ao lucro líquido da fiscalizada, tal como procedido pelo autuante, mas previamente consolidados no balanço de SADIA TRADING CAYMAN LTD, cujo resultado é que seria objeto de tributação pela investidora brasileira. Desta forma, entendo que, de acordo com os ditames da IN SRF nº 213/2002, deve ser mantida a tributação incidente sobre o lucro de SADIA TRADING CAYMAN LTD, correspondente a R$ 3.481.548,23, excluindose da base de cálculo tributável os resultados de R$ 950.004,54 e R$ 184.300.491,83, respectivamente, de Sadia Foods GMBH e Wellax Food Lpau Lda, controladas indiretas da fiscalizada. Ou seja, de acordo com o posicionamento da 1a Turma da DRJ/SP1, a Recorrente cumpriu o disposto na legislação em vigor à época da ocorrência dos fatos, porém, a fiscalização lhe imputou o dever de seguir comportamento que somente foi disciplinado pela Lei n. 12.973/14. Em afronta à legislação em vigor à época da ocorrência dos fatos, uma vez que os mesmos ocorreram em 2006, aproximadamente, 08 (oito) anos antes da entrada em vigor deste comando legal. E por ausência de previsão legal que respalde a autuação fiscal, o acórdão recorrido o rejeitou. No entanto, o fez apenas em relação à controlada direta GMBH, mantendoa quanto à controlada direta CAYMAN. E tal ato se deu, por entender que a Recorrente não refletiu em seu balanço os lucros apurados por esta última (CAYMAN), no montante de R$ 3.481.548,33. Cumpre mencionar que respectivo valor representa o montante já consolidado, de suas controladas diretas (Qualy e Concordia Foods, ambas, situadas no Reino Unido). Fl. 1752DF CARF MF Processo nº 10925.721088/201190 Acórdão n.º 1302001.974 S1C3T2 Fl. 1.747 11 Nesta tônica, a contribuinte se defende alegando possuir um prejuízo acumulado de, aproximadamente, 34 milhões, o que supriria em muito, o lucro apurado no ano autuado. De acordo com o Acórdão n. 1656.535: A impugnante também aduz que, apesar de sua controlada SADIA TRADING CAYMAN LTD ter apurado um lucro contábil de R$ 3.481.548,24 em 2006, estava dispensada de oferecêlo à tributação no País, porque ele seria compensável com um prejuízo contábil apurado pela controlada de “R$ 30.199 mil” em 2004, conforme indicado na cópia da demonstração do resultado do exercício juntado às fls. 1112. Este é o ponto em que nos encontramos. A premissa jurídica adotada pela fiscalização foi rejeitada pela 1a Turma da DRJ/SP1, no que foi seguida pela Procuradoria da Fazenda Nacional, porém, no que pertine ao reconhecimento do lucro acumulado pela Recorrente, durante os anos de 2004 e 2005, o qual lhe permitiria não levar à tributação o crédito tributário mantido pelo acórdão recorrido, as provas apresentamse insuficientes. Verificase que a decisão proferida pela 1a Turma da DRJ/SP1, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o pedido da contribuinte, mantendo apenas este ponto da autuação, conforme se extrai do Acórdão n. 16056.535: CONTROLADAS E COLIGADAS NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO CONTÁBIL. DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS. REQUISITOS. LIVRO DIÁRIO. TRANSCRIÇÃO. A transcrição ou cópia de demonstrações financeiras de controladas ou coligadas domiciliadas no exterior, em moeda e classificação contábil nacional, em livro Diário de pessoa jurídica no Brasil, constitui requisito essencial para que prejuízos contábeis apurados por cada uma daquelas sejam compensados com seus próprios lucros. E de acordo com o art. 4a da IN SRF n. 213/2002, a compensação de lucros e prejuízos apurados no exterior é permitida desde que sejam da mesma controlada ou coligada. Para tanto, é necessário que sejam evidenciados pela escrituração e pelas demonstrações financeiras, nos termos do art. 6o desta mesma Instrução Normativa. Momento oportuno para trazer ao conhecimento deste colegiado os acontecimentos registrados nos autos, relativos à tal comprovação. Melhor elucidando. Durante a fiscalização, a Recorrente foi intimada a apresentar cópia das folhas do Livro Diário, as quais registrariam as demonstrações relativas aos anos de 2004 a 2006. Deste modo, a contribuinte anexa cópia do Livro Razão, o qual, sob sua perspectiva, ofereceria as mesmas informações solicitadas pela fiscalização, pois alegou impossibilidade de obter respectivas cópias, em razão de o mesmo (i) ser mantido em microfichas e (i) por se apresentar em um elevado volume. Em relação a tal menção, a I. Procuradoria da Fazenda Nacional defende que a Recorrente (i) descumpriu a legislação ao não apresentar o documento exigido, já que o Livro Diário conferiria maior credibilidade do que o Livro Razão, e que, portanto, (ii) a Turma Julgadora teria adotado a decisão mais adequada, pautouse na legalidade, (iii) postura mais adequada ao reconhecimento de um benefício ao contribuinte. Assim, seguindo posicionamento da 1a Turma da DRJ/SP1, e em razão da clareza de seus argumentos, o transcrevo: Fl. 1753DF CARF MF 12 A IN SRF nº 213/2002 permite a compensação de lucros e prejuízos apurados no exterior, desde que sejam da mesma controlada ou coligada, conforme previsto no artigo 4º da IN SRF nº 213/2002: (...) Por sua vez, os lucros e prejuízos são evidenciados pela escrituração e pelas demonstrações financeiras, cuja elaboração é disciplinado pelo artigo 6º da mencionada Instrução Normativa: (...) Portanto, a legislação tributária defere ao contribuinte a possibilidade de compensar lucros com prejuízos contábeis, estabelecendo, todavia, os requisitos necessários para o exercício desta faculdade. É preciso, inicialmente, deixar evidenciada a existência de prejuízo contábil passível de compensação, mediante a elaboração das demonstrações financeiras das controladas e coligadas, de acordo com as normas comerciais do país de seu domicílio. As contas e subcontas constantes das demonstrações financeiras elaboradas no exterior devem ser traduzidas em idioma nacional, seus valores convertidos em Reais, classificadas segundo as normas da legislação comercial brasileira e, por fim, devem ser transcritas ou copiadas no livro Diário da pessoa jurídica nacional. Um dos pontos a ser esclarecido pela diligência determinada por este órgão julgador foi confirmar se o demonstrativo financeiro do prejuízo contábil apurado em 2004 pela controlada nas Ilhas Cayman continha os requisitos exigidos pela legislação para que a contribuinte fizesse jus à pretendida compensação. O auditorfiscal lavrou termo de intimação em que, dentre outras providências dirigidas à contribuinte, requisitou a apresentação das cópias das folhas de seu Diário em que estivessem transcritas as demonstrações financeiras de sua controlada SADIA INTERNACIONAL LTDA (SADIA TRADING CAYMAN) relativas aos anoscalendário de 2004 a 2006 (item 3, fls. 1129), tendo obtido a seguinte resposta (fls. 1139): É importante ressaltar que o Livro Diário da empresa é mantido em micro fichas e, tendo em vista o volume dos registros, seria inviável providenciar a impressão desses documentos. Assim, visado, atender à fiscalização da melhor forma, a Requerente acosta cópia do Livro Razão que possui as mesmas informações relativas às demonstrações dos anoscalendário 2004, 2005 e 2006 para o cumprimento do item 3 da referida intimação. É de se observar que, ao contrário do que aduz a impugnante, a autoridade fiscal não requisitou cópia integral de seu Livro Diário, o que talvez pudesse lhe trazer alguma dificuldade, mas apenas as cópias das folhas onde se encontrariam transcritas ou copiadas as demonstrações financeiras de suas filiais, sucursais, controladas e coligadas no exterior. Percebese que a diligenciada não se desincumbiu do ônus de apresentar suas demonstrações financeiras em conformidade com os ditames da Instrução Normativa, e o fato de eventualmente o Livro Razão trazer informações que espelhariam dados das demonstrações financeiras não exime a contribuinte de cumprir essa exigência da legislação tributária. A contribuinte apura o imposto de renda pela sistemática do Lucro Real e, desta forma, o uso do Livro Diário é obrigatório, devendo ser encadernado com folhas numeradas em sequência, nas quais serão escriturados, dia a dia, os atos ou operações de sua atividade, conforme previsto no caput do artigo 258 do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda): (...) Além dessas formalidades, é necessário lavrar, respectivamente, na primeira e última página do Diário, termos de abertura e de encerramento, devendo ainda o livro ser registrado e autenticado pelas Juntas Comerciais ou repartições encarregadas do Registro do Comércio, nos termos do § 4º do dispositivo transcrito. Fl. 1754DF CARF MF Processo nº 10925.721088/201190 Acórdão n.º 1302001.974 S1C3T2 Fl. 1.748 13 O registro e autenticação são formalidades que não são exigidas para o Razão. Por sua vez, essas formalidades extrínsecas do Diário buscam garantir ao máximo a fidedignidade das informações neles registradas, conferindolhe uma especial condição de elemento probante a favor do contribuinte, motivo pelo qual os livros não são cambiáveis entre si, conforme propõe a impugnante. Ademais, consoante disciplinado pelo § 6º do art. 258 do RIR/1999, se a contribuinte adotou o sistema de microfichas, estava também obrigada a inscrever o balanço patrimonial e as demais demonstrações financeiras em um livro próprio, que também deveria ser autenticado no órgão de registro competente. Portanto, apenas a título de argumentação, mesmo que se admitisse ser inviável a apresentação das microfichas do Diário, não poderia a contribuinte atribuir a mesma dificuldade instransponível para carrear aos autos o livro exclusivamente mantido para inscrever suas demonstrações financeiras. Assim, seria razoável, ou melhor, seria impositivo, nos termos da legislação, que a contribuinte apresentasse as cópias de seu Diário, ou um livro próprio autenticado, com as mencionadas demonstrações financeiras transcritas ou copiadas, caso desejasse fruir da faculdade de compensar o lucro contábil de sua controlada de 2006 com o prejuízo, de mesma natureza, apurado em 2004. Ante o exposto, não é possível aceitar a pretendida compensação de prejuízo de sua controlada SADIA TRADING CAYMAN, devendo ser mantida a tributação do IRPJ e da CSLL sobre seu resultado. Em razão da ausência de adequação comprobatória às normas prescritas para a validação da compensação de prejuízo de sua controlada SADIA TRADING CAYMAN, voto por manter a tributação do IRPJ e da CSLL sobre seu resultado. Da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício A Recorrente contesta a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício, sob o argumento de que tal exigência não encontraria amparo legal, pois a seu ver, a legislação que rege a matéria autorizaria a incidência desses consectários somente sobre o valor do tributo ou contribuição. Esclarece o acórdão recorrido que: (...) no lançamento em discussão, não foram exigidos juros moratórios sobre a penalidade aplicada, uma vez que passam a ser devidos somente depois do prazo de vencimento do pagamento da exigência fiscal, observado depois de trinta dias da ciência do auto de infração. Assim, uma vez que a fiscalizada optou por impugnar o lançamento, os juros incidentes sobre o crédito tributário lançado a título de multa serão calculados e atualizados até a data do efetivo pagamento, na fase de execução do acórdão e de cobrança do crédito tributário mantido, após se tornar definitiva a decisão administrativa que confirme o lançamento impugnado. Apesar disso, registrese que a incidência de juros sobre a multa de ofício está amparada nas disposições do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Tendo em conta que a multa de ofício é débito para com a União decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, configurase regular a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento. Esse entendimento está de acordo com o Parecer MF/SRF/COSIT/COOPE/SENOG nº 28, de 02 de abril de 1998. Portanto, a incidência de juros Fl. 1755DF CARF MF 14 moratórios sobre a multa de ofício está prevista em lei, visto que se trata de débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Assim, configurase regular a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento. Tributação reflexa Decorrendo o lançamento da CSLL dos mesmos elementos de prova constantes da exigência do IRPJ, a decisão proferida em relação aos fatos que levaram à manutenção deste impõese também à CSLL, naquilo que for cabível, em face do preceituado pelo art. 57 da Lei nº 8.981/1995, com a redação dada pela Lei nº 9.065/1965. Do Recurso de Ofício Em razão da procedência parcial da decisão proferida pela 1a Turma da DRJ/SPO, nos termos do art. 34 do Decreto n. 70.235/72, passo à análise do Recurso de Ofício no que pertine à matéria em que a contribuinte obteve êxito, sendo ela: 1. Dos lucros auferidos no exterior pelas controladas da SADIA GMBH Seguindo as premissas estabelecidas neste voto, e, neste aspecto, por entender de modo semelhante à manifestação proferida pela 1a Turma da DRJ/SPO, reproduzo trecho do acórdão de impugnação: (...) os lucros auferidos pelas controladas de SADIA GMBH, Sadia Foods GMBH e Wellax Food Lpau Lda, domiciliadas, respectivamente, na Alemanha e nas Ilhas Madeira, foram adicionados, pelo autuante, diretamente ao resultado da fiscalizada, em contrariedade ao disposto na Instrução Normativa. Portanto, deveria ter sido prestigiada a regra de consolidação vertical veiculada pelo artigo 1º, § 6º da IN SRF nº 213/2002, de maneira que os resultados de Sadia Foods GMBH e Wellax Food Lpau Lda, juntamente com aqueles apurados pelas demais controladas de SADIA GMBH, estivessem refletidos no balanço desta. Ou seja, é o lucro consolidado no balanço da controlada direta da pessoa jurídica domiciliada no País é que poderia vir a compor seu lucro real e a base de cálculo da CSLL, mas não os lucros tomados individualmente de cada uma de suas controladas indiretas. Considerando que o lucro passível de ser adicionado ao da pessoa jurídica domiciliada no Brasil seria o da SADIA GMBH, sua controlada direta, os lançamentos de ofício efetuados diretamente sobre os resultados de R$ 950.004,54 e R$ 184.300.491,83, respectivamente, de Sadia Foods GMBH e Wellax Food Lpau Lda, controladas indiretas da fiscalizada, devem ser cancelados. [...] Desta forma, entendo que, de acordo com os ditames da IN SRF nº 213/2002, deve ser mantida a tributação incidente sobre o lucro de SADIA TRADING CAYMAN LTD, correspondente a R$ 3.481.548,23, excluindose da base de cálculo tributável os resultados de R$ 950.004,54 e R$ 184.300.491,83, respectivamente, de Sadia Foods GMBH e Wellax Food Lpau Lda, controladas indiretas da fiscalizada. (Sem grifo no original) Fl. 1756DF CARF MF Processo nº 10925.721088/201190 Acórdão n.º 1302001.974 S1C3T2 Fl. 1.749 15 Nestes termos, conheço o Recurso de Ofício, e negolhe provimento no que pertine à autuação dos lucros auferidos pelas controladas de SADIA GMBH. 2. Dos rendimentos de aplicações financeiras realizadas no exterior Os rendimentos oriundos de aplicações financeiras realizadas no exterior, pelo FUNDO TAURUS e FUNDO CLASSE A, foram objeto de autuação por não terem sido declarados na DIPJ, ano calendário de 2006. A divergência centrase na aplicação do parágrafo 7o ou 8o e 9o, todos do art. 1o, da IN SRF n. 213/2002. Para melhor explicar tal fato, colaciono o voto da 1a Turma da DRJ/SPO: A impugnante juntou documentos que sugeriam ser demonstrativos dos rendimentos gerados por “Fundo Taurus” e “Fundo Classe A”, bem como um extrato (fls. 1117/1118) de uma conta de resultado (“3656586 Receitas s/Aplic. Fundos de InvestimentosME”) em que, aparentemente, teriam sido registrados os juros oriundos das mencionadas aplicações financeiras. O diretório de ajuda do programa gerador da DIPJ 2007, anocalendário 2006, traz a seguinte orientação de preenchimento da Linha 06 da Ficha 090A: Linha 09A/06 Rendimentos e Ganhos de Capital Auferidos no Exterior Indicar, nesta linha, os rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, os quais devem ser considerados pelos seus valores antes de descontado o tributo pago no país de origem (IN SRF nº 213, de 07 de outubro de 2002, art. 1º, § 7º). Notase que a instrução de preenchimento faz referência ao § 7º do art. 1º da IN SRF nº 213/2002, que determina que os lucros, rendimentos e ganhos de capital de que trata este artigo a serem computados na determinação do lucro real e da base de cálculo de CSLL, serão considerados pelos seus valores antes de descontado o tributo pago no país de origem. Poderseia concluir, num primeiro contato com essa orientação, que os rendimentos de aplicações financeiras realizadas no exterior estariam abrangidos por esta rubrica e, ainda, que não seriam reconhecidos no resultado contábil da pessoa jurídica, sugerindo que a Linha 09A/06 da DIPJ se prestaria a garantir a adição de tal valor ao lucro líquido do exercício, para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL do período. Entretanto, essa conclusão é apenas aparente, uma vez que o § 8º do art. 1º da própria instrução normativa traz regra específica acerca do tratamento desses rendimentos, determinando que os rendimentos e os ganhos de capital, decorrentes de aplicações ou operações efetuadas no exterior, integrarão os resultados da pessoa jurídica domiciliada no Brasil, e as perdas reconhecidas nesses resultados são indedutíveis e devem ser adicionadas para determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Fl. 1757DF CARF MF 16 O tratamento específico dado às aplicações realizadas no exterior é novamente explicitado na dicção do art. 9º da instrução normativa : Os rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, decorrentes de aplicações ou operações efetuadas diretamente pela pessoa jurídica domiciliada no Brasil, serão computados nos resultados correspondentes ao balanço levantado em 31 de dezembro do ano calendário em que auferidos. (...) Concluise, portanto, que na determinação do lucro real, a adição relativa à Linha 09A/06 da DIPJ 2007, compreende os rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior que não sejam oriundos de aplicações ou operações financeiras, pois estes devem ser reconhecidos diretamente na apuração do resultado contábil da pessoa jurídica. (...) Portanto, devem ser cancelados os lançamentos do IRPJ e da CSLL, realizados com fundamento na falta de adição de R$ 7.907.054,41, relativos aos rendimentos gerados pelas aplicações financeiras no exterior, denominadas “Fundo Taurus” e “Fundo Classe A”. Nesta tônica, conheço o Recurso de Ofício e negolhe provimento, afastando a tributação dos rendimentos de aplicações financeiras realizadas no exterior pelo FUNDO TAURUS e FUNDO CLASSE A. Conclusão Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário e o Recurso de Ofício, por tempestivos, porém os julgo improcedentes, mantendo o crédito tributário exigido da controlada direta SADIA TRADING CAYMAN, com incidência de juros de mora sobre a multa de ofício à taxa Selic. É como voto. Talita Pimenta Félix Relatora Fl. 1758DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10711.008641/2010-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 25/11/2008
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO.
É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto-Lei nº 37/66.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-003.416
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 25/11/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto-Lei nº 37/66. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10711.008641/2010-20
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5650599
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3302-003.416
nome_arquivo_s : Decisao_10711008641201020.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : RICARDO PAULO ROSA
nome_arquivo_pdf_s : 10711008641201020_5650599.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
id : 6547517
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:53:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688865050624
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1887; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10711.008641/201020 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302003.416 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de setembro de 2016 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 25/11/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitarse à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37/66. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo, no que for relevante, o relatório da decisão de piso proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 86 41 /2 01 0- 20 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.008641/201020 Acórdão n.º 3302003.416 S3C3T2 Fl. 3 2 O presente processo é referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O lançamento, que totalizou R$ 5.000,00 à época de sua formalização, foi contestado pela empresa autuada. Da Autuação Antes de adentrar na descrição dos fatos que ensejaram a autuação, a autoridade lançadora fez longa explanação acerca do comércio marítimo internacional, na qual esclarece quem são os intervenientes nessa atividade, a documentação utilizada, as informações a serem prestadas e seus respectivos prazos e a sistemática de utilização delas. Foram apresentados tópicos específicos sobre a obrigatoriedade de prestar informação pelo transportador e sobre a importância, para o controle aduaneiro, de os dados exigidos serem prestados correta e tempestivamente. A fiscalização expôs detalhadamente quais as informações que devem ser prestadas e os respectivos prazos estabelecidos na legislação regente. Em seguida apresentou dispositivo legal que trata da denúncia espontânea esclarecendo que, depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior, esse instituto não é mais aplicável para infrações imputadas ao transportador, por força de expressa disposição do Regulamento Aduaneiro (art. 683, § 3°). Foi também comentado sobre os danos causados ao controle aduaneiro pelo descumprimento das normas referentes à prestação de informações pelos intervenientes no transporte internacional de cargas. Na sequência, a fiscalização discorreu sobre o tipo de infração verificada, inclusive no tocante a sua penalização. Depois, passou a demonstrar a irregularidade apurada que, de acordo com o relatado no tópico Dos Fatos, consistiu na prestação de informação intempestiva referente ao conhecimento eletrônico (CE) ali identificado. De acordo com a autoridade fiscal, a autuada deixou de atender ao prazo estabelecido no parágrafo único, inciso II, do art. 50 da Instrução Normativa RFB n° 800, de 27/12/2007. Assim, a fiscalização considerou caracterizada a infração tipificada no art. 107, IV, "e", do DecretoLei n° 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, e aplicou a multa ali prescrita, que entende ser cabível para cada CE incluído ou retificado após o prazo para prestar informações. Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação e, apresentou impugnação na qual aduz os seguintes argumentos. Inobservância do art. 50 da IN RFB 800/2007. Conforme disposto no caput do art. 50 da IN RFB n° 800/2007, os prazos de antecedência para prestação de informações a Receita Federal entraram em vigor apenas em 1° de abril de 2009, estando a impugnante dispensada de tal obrigação por ocasião do fato que deu ensejo ao Auto de Infração. Tratandose de dispensa do cumprimento de obrigação acessória, a lei tributaria deve ser interpretada literalmente, consoante dispõe o art. 111 do Código Tributário Nacional. Duplicidade de multa para o mesmo navio/viagem. O Auto de Infração tem objeto idêntico ao dos processos indicados, em que também é exigida multa pelo atraso na entrega de informação referente a carga transportada na mesma Fl. 104DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.008641/201020 Acórdão n.º 3302003.416 S3C3T2 Fl. 4 3 embarcação a que se refere este processo, não podendo subsistir mais de uma penalidade para o mesmo fato, conforme estabelece a legislação de regência. Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez, consoante já decidiu a própria Receita Federal na Solução de Consulta Interna (SCI) n° 8, de 14/2/2008. Ao final a impugnante requer que seja cancelado o lançamento. A Turma Julgadora "a quo", por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela Recorrente, mantendo integralmente o crédito constituído. Inconformada com o resultado do julgamento, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, reproduzindo os mesmos argumentos apresentados em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.395, de 28 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10711.006561/201030, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.395): 1. Tempestividade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. 2. Preliminar 2.1 Duplicidade: Cobrança de múltiplas multas decorrente do mesmo fato gerador Em síntese apartada, alega a Recorrente que" O Auto de Infração tem objeto idêntico ao dos processos indicados em seu recurso voluntário, em que também é exigida multa pelo atraso na entrega de informação referente a carga transportada na mesma embarcação a que se refere este processo, não podendo subsistir mais de uma penalidade para o mesmo fato, conforme estabelece a legislação de regência. Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez, consoante já decidiu a própria Receita Federal na Solução de Consulta Interna (SCI) n° 8, de 14/2/20081." 1 Trecho destacada no voto: Ora, o transportador que deixou de informar os dados de embarque de uma declaração de exportação e o que deixou de informar os dados de embarque sobre todas as declarações de exportação cometeram a mesma infração, ou seja, deixaram de cumpri a obrigação acessória de informar os dados de embarque. Nestes termos, a multa deve ser aplicada uma única vez por veículo transportador, pela omissão de não prestar as informações exigidas na forma e no prazo estipulados. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.008641/201020 Acórdão n.º 3302003.416 S3C3T2 Fl. 5 4 Em relação ao primeiro ponto suscitado pela Recorrente, na parte em que ela afirma ser impossível existir mais de uma penalidade para o mesmo fato, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento decidiu da seguinte forma: "No caso sob análise não houve uma infração. Examinandose as ocorrências citadas pela fiscalização, verificase que as multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas a fatos distintos. Sendo assim, não se pode afirmar sequer que as infrações são idênticas, uma vez que são diferente seus objetos materiais." Já em relação ao segundo ponto (aplicação da solução de consulta interna Cosit nº 8/2008), a fiscalização justificou seu afastamento com base nos seguintes argumentos. "Todavia, esse entendimento não é aplicável ao caso sob exame. As informações cujos atrasos na prestação deram ensejo ao lançamento são referentes a importação de mercadorias, enquanto a citada decisão soluciona consulta relativa à exportação. Cada um desses tipos de operações envolve peculiaridades próprias, especialmente no tocante ao controle administrativo, as quais se refletem na legislação regente e não podem ser desprezadas. O caso ora apreciado diz respeito à importação de cargas consolidadas, as quais são acobertadas por documentação própria, cujos dados devem ser informados de forma individualizada para a geração dos correspondentes conhecimentos eletrônicos (CE). Esses registros devem representar fielmente as correspondentes mercadorias, a fim de possibilitar à Aduana definir previamente o tratamento a ser adotado a cada caso, de forma a racionalizar procedimentos e agilizar o despacho aduaneiro. Nesses casos, não é viável estender a conclusão trazida na citada SCI, conforme se passa a demonstrar. Pois bem. Em que pese os argumentos explicitados pela Recorrente, fato é que não houve comprovação da existência de duplicidade de cobrança por parte da fiscalização, tampouco argumentos capazes de infirmar o lançamento fiscal ou contradizer os argumentos utilizados pela turma de origem que afirmou " que as multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas a fatos distintos". Sequer um demonstrativo analítico, com os registros relativos as operações tratadas em cada processo apontado no recurso foram produzidas pela Recorrente, em total desrespeito ao artigo 16, inciso III e §4º, do inciso V , do Decreto nº 70.235/72, bem como do artigo 373, inciso II, do Código de Processo Civil. Nestes termos, considerando que a Recorrente deixou inexplicavelmente de comprovar suas alegações, não há como acolher o pedido de nulidade do lançamento suscitado pela contribuinte, restando, assim, prejudicado a análise dos demais argumentos por ela suscitado. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.008641/201020 Acórdão n.º 3302003.416 S3C3T2 Fl. 6 5 3. Mérito 3.1. Ilegalidade do Auto de Infração O presente processo administrativo diz respeito a exigência de multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, pelo fato da Recorrente ter prestado informações sobre a desconsolidação da carga fora do preceitos e prazos previstos nos artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007. Em sede Recursal a Recorrente alegou que "Conforme disposto no caput do art. 50 da IN RFB n° 800/2007, os prazos de antecedência para prestação de informações a Receita Federal entraram em vigor apenas em 1° de abril de 2009, estando a impugnante dispensada de tal obrigação por ocasião do fato que deu ensejo ao Auto de Infração. Tratandose de dispensa do cumprimento de obrigação acessória, a lei tributaria deve ser interpretada literalmente, consoante dispõe o art. 111 do Código Tributário Nacional". Como se vê, a multa sob análise foi aplicada com fundamento no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, que assim disciplina: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaa porta, ou ao agente de carga; Do que se extrai do artigo 77 alhures, é que sua finalidade visa penalizar os contribuintes que descumprirem as obrigações acessórias, na forma e nos prazos instituídos pelo legislador e/ou pela Receita Federal, com aplicação de multa. Além disso, a obrigação do agente de carga de prestar as informações à Receita Federal do Brasil está prevista no artigo 37, §1º, do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo artigo 77, da Lei nº 10.833/2003, a saber: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Fl. 107DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.008641/201020 Acórdão n.º 3302003.416 S3C3T2 Fl. 7 6 § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Já no que tange ao prazo e forma para prestar informações à fiscalização, os artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007, assim dispõem: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: a) dezoito horas antes da saída da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com carregamento em porto nacional, exceto quando se tratar de granel; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) b) cinco horas antes da saída da embarcação, para manifestos de cargas estrangeiras com carregamento em porto nacional, quando toda a carga for granel; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) c) cinco (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1621, de 24 de fevereiro de 2016) d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com descarregamento em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1o Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. § 2º As rotas de exceção e os correspondentes prazos para a prestação das informações sobre o veículo e suas cargas serão registrados no Siscomex Carga pela Coordenação Geral de Administração Aduaneira (Coana), a pedido da unidade da RFB com jurisdição sobre o porto de atracação, de forma a garantir a proporcionalidade do prazo em relação à proximidade do porto de procedência. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.008641/201020 Acórdão n.º 3302003.416 S3C3T2 Fl. 8 7 (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 3o Os prazos e rotas de exceção em cada porto nacional poderão ser consultados pelo transportador. § 4º O prazo previsto no inciso I do caput reduzse a cinco horas, no caso de embarcação que não esteja transportando mercadoria sujeita a manifesto ou arribada. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 5º Os CE de serviço informados até a atracação ou registro do passe de saída serão dispensados dos prazos de antecedência previstos nesta Instrução Normativa. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 6º Para os manifestos de cargas nacionais, as informações a que se refere o inciso II do caput devem ser prestadas antes da solicitação do passe de saída. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1621, de 24 de fevereiro de 2016) *** Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Com todo respeito aos argumentos tecidos pela Recorrente, entendo que razão não lhe assiste. Com efeito, os prazos mínimos de prestação de informações à Receita Federal do Brasil (vide artigo 22, da IN 800/2007 e IN 899/2008), passaram a ser obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009, exceção feita as hipóteses dos incisos do artigo 50, a saber: (i) sobre a escala; e (ii) sobre as cargas transportadas, que permaneceram válidas e vigentes, produzindo seus efeitos legais e jurídicos. Ou seja, embora o prazo previsto no artigo 22 não se aplique a fatos ocorridos em data anterior a 1º de abril de 2009, a Recorrente deveria ter observado as demais obrigações previstas no parágrafo único do artigo 50, sob pena de ensejar a aplicação da multa em comento. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.008641/201020 Acórdão n.º 3302003.416 S3C3T2 Fl. 9 8 Assim, considerando que a obrigação do agente de cargas de apresentar as informações antes da atracação da embarcação era obrigatória, entendo legítima a penalidade imposto à Recorrente. No mais, destacase que o artigo 37, §1º, do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo artigo 77, da Lei nº 10.833/2003 define, igualmente ao previsto no artigo 2º, da IN 800/20072, o agente de carga como sendo " qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos". Ou seja, referido dispositivo equipara o agente de carga ao transportar para efeitos de aplicação da multa em comento. Este destaque se faz necessário na medida em que a Recorrente suscitou a aplicação do artigo 110, do Código Tributário Nacional, arguindo que a fiscalização ao equiparar o agente de cargas ao transportador, para efeito da obrigação tributária acessória em apreço que no seu texto normativo prevê a obrigação somente ao transportar distorce conceitos de direito privado, o que é expressamente vedado pelo referido artigo. Cita a definição de "transportar" e "agente de cargas" do Dicionário Aurélio como fonte de direito privado. O artigo 110 do CTN prevê: A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e forma de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou do Municípios, para definir ou limitar competências tributária. Ao contrário do que explicitou a Recorrente, suas razões não merecem respaldo. A uma porque a definição de "transportar" e "agente de cargas" extraída do Dicionário Aurélio não é fonte de direito privado e, a duas porque a definição de "transportar" e "agente de cargas" não estão previstas na Constituição Federal, nas Constituições dos Estados, ou nas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou do Municípios. Portanto, considerando que o Decreto 37/66 e a IN 800/2007 não alteraram definição prevista nos diplomas legais citados no artigo 110, do CTN, fica afastada a alegação da Recorrente neste ponto. Por fim, não vejo que o artigo 150, inciso III, da Constituição Federal tenha aplicabilidade ao presente caso, posto que referido dispositivo impede a cobrança de tributo antes da vigência da lei que os instituiu, ao que passo que no presente a discussão corresponde a aplicação de multa administrativa por descumprimento de obrigação acessória, institutos estes totalmente distintos e que não se confundem. O artigo 3º, do Código Tributário Nacional é claro ao definir tributo como sendo "toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituído em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada." 2 Art. 2o Para os efeitos desta Instrução Normativa definese como: § 1o Para os fins de que trata esta Instrução Normativa: IV o transportador classificase em: e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; Fl. 110DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.008641/201020 Acórdão n.º 3302003.416 S3C3T2 Fl. 10 9 Como se vê, o legislador ao estabelecer que tributo não constitui sanção de ato ilícito, faz a diferenciação fundamental entre tributo e multa, deixando cristalino que um não se confunde com o outro. Isso porque, tributo somente pode ter, por fato gerador, situação lícita, fato lícito, ao contrário da sanção, que por excelência tem o fato gerador proveniente de ato ilícito. Por todo exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, rejeitase a preliminar de nulidade e, no mérito, negase provimento ao recurso voluntário. Ricardo Paulo Rosa Fl. 111DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 13005.720743/2010-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 12 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3402-000.815
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Relatório
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201608
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 12 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13005.720743/2010-81
anomes_publicacao_s : 201609
conteudo_id_s : 5633010
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3402-000.815
nome_arquivo_s : Decisao_13005720743201081.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
nome_arquivo_pdf_s : 13005720743201081_5633010.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório
dt_sessao_tdt : Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
id : 6491129
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688871342080
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1925; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 1.699 1 1.698 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13005.720743/201081 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402000.815 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 24 de agosto de 2016 Assunto Diligência Recorrente DOUX FRANGOSUL S/A AGRO AVÍCOLA INDUSTRIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Os processos administrativos 13005.720742/201037, 13005.720743/201081, 13005.720027/201185, 13005.720025/201196, 13005.720038/201165, 13005.72041/2011 89, 13005.720363/201128 e 13005.720364/201172, a mim sorteados e em julgamento na presente sessão, referemse, respectivamente, a pedidos de ressarcimento, cumulado com DCOMP no processo 13005.720363/201128, de saldos credores de exportação de COFINS 2Trimestre/2010, PIS 2T 2010, COFINS 3T 2010, PIS 3T 2010, COFINS 1T/2010, PIS 1T/2010, COFINS 4T 2010 e PIS 4T 2010. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 05 .7 20 74 3/ 20 10 -8 1 Fl. 1700DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13005.720743/201081 Resolução nº 3402000.815 S3C4T2 Fl. 1.700 2 Encaminhados os referidos pleitos à SAFIS/DRF em Santa Cruz do Sul/RS, esta, em todos esses processos, propôs glosa de valores nos seguintes termos, (transcrevo como exemplo o que consta no PA 13005.720742/201037), o que foi acatado pelo correspondente despacho decisório: Do transcrito, observase que o agente fiscal ao fundar a glosa fez referência ao processo do auto de infração, sem transcrevêla nos processos de ressarcimento/compensação. Nas manifestações de inconformidade opostas aos despachos decisórios nos referidos PA, a requerente adentrou no mérito das glosas conforme consta do processo do auto de infração, de nº 13005.721311/201179, a que alude as informações fiscais, e que abrange os períodos objetos dos pedidos de ressarcimento de PIS/COFINS sob análise. Isto porque, como dito, o relatório fiscal que motivou o lançamento e as glosas nos processos em análise não foram anexadas aos mesmos. E justamente por essa omissão foi que a DRJ/POA baixou os processos em diligência para, dentre outras questões, determinar que fosse anexado a esses processos "uma cópia daquele relatório que amparou o referido Auto de Infração", o que veio a ser feito. A DRJ/POA, em 29/04/2014, manteve (fls. 499/531) a glosa em seus termos originais. Não resignada, a empresa recorreu dessa decisão. O Acórdão 3202000.367, de 19/03/2015, converteu o julgamento em diligência para que a recorrente fosse intimada a apresentar laudo técnico que descrevesse detalhadamente seu processo produtivo, o que foi feito, conforme acostado aos autos. O órgão local replicou o laudo, em suma concluindo "que fosse a intenção do legislador que o conceito de insumo alcançasse todas as despesas necessárias ao desenvolvimento da atividade econômica, como pretende o contribuinte, não haveria necessidade de elencar uma a uma as hipóteses de creditamento". É o relatório. Fl. 1701DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13005.720743/201081 Resolução nº 3402000.815 S3C4T2 Fl. 1.701 3 VOTO Emerge do relato que todos os períodos de apuração dos processos da recorrente por mim pautados para esta sessão de julgamento, arrolados no relatório, estão abarcados pelo auto de infração constante do processo 13005.721311/201179. E o entendimento desta Turma Ordinária é que o destino dos processos de ressarcimento/compensação quando a análise dos mesmo der azo a glosas e que em função dessas tenha havido lançamento de ofício, estarão aqueles vinculados ao decidido neste. Com efeito, julgado o lançamento, a própria unidade local da RFB pode liquidar os processos de ressarcimento/compensação aos termos do que se tornar julgado em definitivo naquele. Por isso, entendo que os processos em questão deveriam estar apensados aos autos do processo de lançamento. Ou, em outros termos, entendese haver prejudicialidade da análise dos processos administrativos de PER/DCOMP em relação ao decidido no processo do auto de infração. Deveras, a decisão nos autos do processo administrativo onde esteja encartada a exigência fiscal vinculará a decisão nos processos de PER/DCOMP dos períodos e tributos abrangidos pelo período da autuação. Justamente por esta causa que esses processos deveriam "correr" apensados ao processo de cobrança de crédito tributário, assim vinculados ao decidido neste. Mas não foi isso que ocorreu in casu, pois embora absolutamente conexos, tiveram seu iter processual apartado, o que, a meu juízo, não faz o menor sentido. No presente caso ocorreu o inverso, pois o julgamento do recurso voluntário no processo do auto de infração a que aludi, examinandoo no eprocesso, nos termos da Resolução 3403000.464, de 27/06/2013, foi convertido em diligência para que "...os autos retornem ao órgão preparador, onde deverão aguardar a solução definitiva dos processos administrativofiscais em que se debate a existência e a extensão do direito ao ressarcimento (autos cujos números estão relacionados às fls. 2.183/4). Tão logo a cópia da decisão última de cada um deles seja trasladada para estes autos, a autoridade de origem encarregada da diligência deverá elaborar quadro demonstrativo, a fim de identificar a porção do crédito definitivamente reconhecida à recorrente e, eventualmente, a parcela que lhe foi recusada". E em cumprimento à essa diligência, o processo 13005.721311/201179 (AI) encontrase na repartição local de origem, na ARF Montenegro/RS. Sem embargo, o que vimos entendendo é que o julgamento do auto de infração é que é prejudicial, vinculando os processos de PER/DCOMP dos mesmos períodos de apuração ao que nele for decidido. Nesse rumo foram julgados os acórdãos 3402003.120, 3402003.121 e 3402003.122, em 23/06/2015, ementados nos seguintes termos: COMPENSAÇÃO VINCULAÇÃO AO LANÇAMENTO O destino da compensação vinculase ao decidido no processo cujo objeto é o lançamento do IPI que glosou os créditos que foram compensados refazendo a escrita do IPI e lançando eventual saldo devedor. Assim, invalidado o lançamento, que abarca o período de apuração do crédito compensado, por decisão do CARF, em decorrência restituise o crédito à escrita fiscal e homologase a compensação feita com arrimo naquele. E nosso entendimento não destoa do da Administração Tributária, pois vai ao encontro do que consigna a Portaria RFB nº 354, de 11/03/2016 (DOU 14/03/2016), que Fl. 1702DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13005.720743/201081 Resolução nº 3402000.815 S3C4T2 Fl. 1.702 4 "dispõe sobre a formalização de processos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal (RFB)". Estatui seu artigo 3º: Art. 3° Os autos serão juntados por apensação nos seguintes casos: I recurso hierárquico relativo à compensação considerada não declarada e ao lançamento de ofício de crédito tributário, inclusive da multa isolada, dela decorrente; II autos de exigências de crédito tributário relativo a infrações apuradas no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) que tiverem dado origem à exclusão do sujeito passivo dessa forma de pagamento simplificada, autos de exclusão do Simples e os possíveis autos de lançamentos de ofício de crédito tributário decorrente dessa exclusão em anoscalendário subsequentes que sejam constituídos contemporaneamente e pela mesma unidade administrativa; e III indeferimento de pedido de ressarcimento ou não homologação de DCOMP e o lançamento de ofício deles decorrentes. § 1° No caso de que trata o inciso III do caput, o processo principal ao qual devem ser apensados os demais será: I o que contiver os autos de infração, se houver; ou II o de reconhecimento de direito creditório mais antigo, não existindo autuação. § 2° A apensação, na hipótese a que se refere o inciso III do caput, deve ser efetuada: I depois do decurso do prazo de contestação dos autos de infração e dos despachos decisórios e envolverá todos os processos para os quais tenham sido apresentadas impugnações e manifestações de inconformidade, observado o disposto no § 18 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996; e ... Portanto, forte nessa norma administrativa, decido converter o presente julgamento em diligência para determinar que este e os demais processos (13005.720742/2010 37, 13005.720743/201081, 13005.720027/201185, 13005.720025/201196, 13005.720038/201165, 13005.72041/201189, 13005.720363/201128 e 13005.720364/2011 72) retornem à repartição de origem (ARF Montenegro/RS), devendo ser todos apensados ao processo 13005.721311/201179, no qual se controverte o auto de infração, anexando nele (processo do auto de infração) todas as decisões dos processos em referência, acima listados, e ora em julgamento. Feito isso, deve o processo 13005.721311/201179 regressar a esta Terceira Seção do CARF para novo sorteio e posterior julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 1703DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13005.720743/201081 Resolução nº 3402000.815 S3C4T2 Fl. 1.703 5 Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 1704DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 13603.000142/2005-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/11/1998 a 10/12/1998
RECURSO DE OFÍCIO. LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE. Comprovado nos autos que os débitos objeto do presente lançamento foram objeto de outro lançamento anterior (coincidência de períodos e valores), restou caracterizada a duplicidade. Não merece reparo a decisão de primeira instância que cancelou integralmente o presente lançamento, realizado em duplicidade.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3402-003.308
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto da Relatora. Sustentou pela recorrente o Dr. Tiago Conde Teixeira, OAB/DF Nº 24.359.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/11/1998 a 10/12/1998 RECURSO DE OFÍCIO. LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE. Comprovado nos autos que os débitos objeto do presente lançamento foram objeto de outro lançamento anterior (coincidência de períodos e valores), restou caracterizada a duplicidade. Não merece reparo a decisão de primeira instância que cancelou integralmente o presente lançamento, realizado em duplicidade. Recurso de Ofício Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13603.000142/2005-42
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5644484
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 07 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3402-003.308
nome_arquivo_s : Decisao_13603000142200542.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
nome_arquivo_pdf_s : 13603000142200542_5644484.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto da Relatora. Sustentou pela recorrente o Dr. Tiago Conde Teixeira, OAB/DF Nº 24.359. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (Assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
id : 6515871
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:53:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688874487808
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1771; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 152 1 151 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13603.000142/200542 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 3402003.308 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de setembro de 2016 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO IPI Recorrente DRJ/JFA Interessado MAGNESITA SA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/11/1998 a 10/12/1998 RECURSO DE OFÍCIO. LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE. Comprovado nos autos que os débitos objeto do presente lançamento foram objeto de outro lançamento anterior (coincidência de períodos e valores), restou caracterizada a duplicidade. Não merece reparo a decisão de primeira instância que cancelou integralmente o presente lançamento, realizado em duplicidade. Recurso de Ofício Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto da Relatora. Sustentou pela recorrente o Dr. Tiago Conde Teixeira, OAB/DF Nº 24.359. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. (Assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 01 42 /2 00 5- 42 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 04 /10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 2 Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Por trazer uma clara síntese do processo até o julgamento da impugnação, peço vênia para transcrever o relatório da decisão de primeira instância recorrida: "Trata o presente processo do Auto de Infração de fls. 51 a 56, que exige do contribuinte o recolhimento do IPI no valor de R$ 1.024.862,55, mais multa de oficio e juros de mora correspondentes. O lançamento é fruto de auditoria interna de DCTF, e resultou de não ter sido localizado, no sistema Profisc, o processo que a empresa informou como origem dos créditos utilizados na compensação, segundo Demonstrativo dos Créditos Vinculados não Confirmados, fl. 53. O processo que o contribuinte informou na DCTF é o de número 13553.000033/96 14, que foi encaminhado a esta DRJ juntamente com o presente processo. Tratase, aquele, de pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI efetuado por outro estabelecimento da empresa (CNPJ 19.791.268/000540 filial Brmnado). O ressarcimento foi indeferido em razão do crédito pleiteado ter sido objeto de transferência para o estabelecimento 19.791.268/003485 (objeto da presente autuação filial Contagem), segundo cópia do Relatório de Diligência Fiscal extraído daquele processo, fls. 67/68. O contribuinte foi cientificado do mencionado relatório, não apresentando contestação. A autuada apresentou a Impugnação de fls. 01/02 discordando do lançamento. Alega, em síntese, que os valores do Auto de Infração impugnado foram exigidos, também, em lançamento consubstanciado em Auto de Infração anteriormente lavrado pela fiscalização, que originou o processo 13603000514/0037, o que comprova a duplicidade da exigência fiscal." (fl. 84) A Impugnação apresentada foi julgada integralmente procedente, com o integral cancelamento da exigência fiscal constantes destes autos em razão do reconhecimento da duplicidade com o Auto de Infração objeto do PTA 13603.000514/0037. A decisão recorrida foi ementada nos seguintes termos: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/11/1998 a 10/12/1998 LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE. Comprovado nos autos, mediante coincidência de períodos e valores, que o lançamento posto em exame foi objeto de exigência de oficio efetuada anteriormente, resta caracterizada a duplicidade, pelo que não há como prosperar o lançamento posterior. Lançamento Improcedente" (fl. 83) Em seguida, o processo foi remetido para esse Conselho para análise do recurso de ofício interposto com fulcro no art. 34, do Decreto n.º 70.235/72. É o relatório. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 04 /10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 13603.000142/200542 Acórdão n.º 3402003.308 S3C4T2 Fl. 153 3 Voto Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne Com fulcro no art. 34, I, do Decreto n.º 70.235/72 e presentes os pressupostos de admissibilidade, vez que o valor exonerado ultrapassa o valor de alçada previsto na Portaria n.º 03/2008, conheço do Recurso de Ofício, passando à análise do mérito. Como relatado, o cancelamento da exigência tributária objeto do presente processo foi realizada pela decisão de primeira instância em razão do reconhecimento da duplicidade. Assim, entendeu a autoridade julgadora a quo que o presente lançamento seria referente aos mesmos débitos já objeto de autuação no PTA 13603000514/0037. Em análise dos documentos acostados aos autos, entendo que não merece reparo essa decisão, a qual peço vênia para integralmente adotar seus fundamentos: "A compreensão do presente lançamento é facilitada pelos dados que constam do processo 13553000033/9614, que foi desarquivado e encaminhado a esta DRJ pela unidade de origem. Foram extraídas, daquele processo, as cópias juntadas às fls. 62/68. Os débitos do IPI declarados pela empresa em DCTF (fl. 53) são relativos ao IPI do estabelecimento 0034 (filial de Contagem), referente aos três decêndios de novembro e ao primeiro de dezembro de 1998. Embora a empresa tenha informado que a origem dos créditos utilizados na compensação (em DCTF) foi o processo 13553000033/9614, em verdade, os créditos são originários de crédito presumido recebido em transferência do estabelecimento 0005 (filial Brumado). Ou seja, o que a empresa fez, de fato, foi a compensação escritural do crédito presumido recebido em transferência. Ao que tudo indica sua DCTF foi apresentada com erro de informação. Vejase, por exemplo, que após escriturando o crédito presumido, recebido em transferência, no RAIPI da filial de Contagem, o saldo do IPI apurado no 1° decêndio de novembro de 1998 foi igual a zero (fls. 65/66), do que resulta indevida a compensação informada na DCTF para esse decêndio (fl. 53). E foram exatamente os montantes do crédito presumido recebidos em transferência, escriturados pela filial de Contagem, que foram objeto do lançamento de oficio formalizado por intermédio do processo de n° 13603.000514/0037. É o que resta comprovado do confronto dos valores discriminados à fl. 06 (infração 002 PAs 1 11 a 1/12/98) com os valores objeto do lançamento eletrônico (fls. 53/54). Ou seja, o lançamento objeto do processo citado corresponde, exatamente, aos mesmos valores e aos mesmos períodos daqueles informados na DCTF (fl. 53), e que originaram o lançamento eletrônico ora em julgamento. Portanto, é de se concluir que, de fato, ocorreu duplicidade de exigência, pelo que deve ser julgada, esta, improcedente. Registrese, por oportuno, que o processo 13603000514/0037 já foi objeto de decisão definitiva na esfera administrativa, conforme consulta ao sítio dos conselhos de contribuintes na intemet (fls. 70/71). O lançamento relativo às transferências do crédito presumido escrituradas pela filial de Contagem foi julgado procedente naquele processo, segundo cópia do Acórdão 20177655/2004, fls. 73/82." (fls. 8586) Fl. 155DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 04 /10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 4 Somente para facilitar a visualização da duplicidade incorrida no caso em tela, trazse abaixo as imagens dos valores em exigência no presente AI (n.º 1335 fl. 53) e aquele lavrado anteriormente, com os mesmos débitos (AI objeto do PTA n.º 13603.000514/0037 fl. 06): Auto de Infração divergência DCTF, objeto deste PTA (fl. 53): Auto de Infração objeto do PTA n.º 13603.000514/0037 (fl. 06): Assim, visualizase com clareza que os débitos objeto deste PTA já foram objeto de Auto de Infração anterior, com a coincidência do tributo (IPI), período de apuração (11/1998 e 12/1998) e dos valores autuados. O cancelamento do Auto de Infração posterior realizado em duplicidade é amplamente reconhecida por este CARF, conforme se depreende, de forma exemplificativa, dos julgados abaixo: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ. Anocalendário: 2006. LANÇAMENTO. DUPLICIDADE. CANCELAMENTO. Constatado que o lançamento foi realizado em duplicidade, cancelase a exigência formalizada posteriormente. Recurso Voluntário Provido." (Processo n.º 19515.722090/201182. Relator Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Acórdão 1402002.112) "(...) Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2001, 01/01/2004 a 31/01/2004. RECURSO DE OFÍCIO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSTITUÍDO EM DUPLICIDADE. LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Mostrase improcedente o lançamento para constituição de crédito tributário relativo a fatos geradores para os quais o contribuinte comprovadamente efetuou o recolhimento, na forma da lei, Fl. 156DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 04 /10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 13603.000142/200542 Acórdão n.º 3402003.308 S3C4T2 Fl. 154 5 sob pena de indevida cobrança em duplicidade, razão pela qual devese negar provimento à decisão reexaminanda, objeto de recurso de ofício, confirmandoa. Recurso de ofício negado e recurso voluntário provido em parte." (Processo n.º 10882.003049/200421 Sessão: 14/10/2014 Relator Robson Jose Bayerl Acórdão n.º 3401002.733) Diante do exposto e que foi acostado aos autos, nego provimento ao recurso de ofício, mantendo integralmente a decisão recorrida. É como voto Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora Fl. 157DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 04 /10/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10580.726306/2009-14
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RECONHECIMENTO DE OFÍCIO DE VÍCIO MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial.
IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA.
Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora.
Precedentes do STF e do STJ.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se o regime de competência.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-004.078
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
EDITADO EM: 17/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201606
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RECONHECIMENTO DE OFÍCIO DE VÍCIO MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE. Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial. IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora. Precedentes do STF e do STJ. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se o regime de competência. Recurso especial provido em parte.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10580.726306/2009-14
anomes_publicacao_s : 201608
conteudo_id_s : 5626291
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Aug 27 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9202-004.078
nome_arquivo_s : Decisao_10580726306200914.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
nome_arquivo_pdf_s : 10580726306200914_5626291.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator EDITADO EM: 17/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
id : 6476889
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:51:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688904896512
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1636; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 22 1 21 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10580.726306/200914 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202004.078 – 2ª Turma Sessão de 21 de junho de 2016 Matéria IRPF Recorrente JOSE DE ALMEIDA RAMOS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RECONHECIMENTO DE OFÍCIO DE VÍCIO MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE. Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial. IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora. Precedentes do STF e do STJ. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose o regime de competência. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 63 06 /2 00 9- 14 Fl. 263DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726306/200914 Acórdão n.º 9202004.078 CSRFT2 Fl. 23 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator EDITADO EM: 17/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10580.720254/200964. O presente Recurso Especial trata de pedido de Análise de Divergência motivado pelo Contribuinte, em face de Acórdão proferido em julgamento de recurso voluntário. Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios 2005, 2006 e 2007, anoscalendário 2004, 2005, e 2006, em razão de a autoridade fiscal ter classificado como rendimentos tributáveis, valores declarados como isentos ou não tributáveis tal como informado pela Fonte Pagadora Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Referidos rendimentos correspondem a diferença entre a transformação de Cruzeiros Reais para Unidade Real de Valor – URV, reconhecidas e pagas em 36 meses, de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Estadual nº 8.730/2003 do Estado da Bahia. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas Fl. 264DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726306/200914 Acórdão n.º 9202004.078 CSRFT2 Fl. 24 3 quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, consequentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Foi interposta impugnação foi indeferida em sede de julgamento de primeira instância. O Contribuinte interpôs Recurso, ao qual foi dado parcial provimento ao recurso para tão somente excluir a multa de ofício. O Contribuinte apresentou Recurso Especial ao qual foi dado parcial seguimento, para reapreciação apenas da matéria questão da natureza indenizatória, ou não. Em reexame, o exame de admissibilidade foi confirmado pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Apresentadas contrarrazões pela Fazenda Nacional, vieram os autos conclusos. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.026, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10580.720254/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.026): Em primeiro lugar, não conheço da preliminar de nulidade do lançamento, por vício material, suscitada de ofício pela Sra. Conselheira relatora. Com efeito, esta matéria não tendo sido admitida em sede de recurso especial, não está em discussão e, portanto, dela não conheço. Além disso, apenas para fins de esclarecimento, registrese que não vejo qualquer nulidade no lançamento da forma que ele foi realizado. Com efeito, o lançamento foi realizado com base em dispositivo vigente, cuja interpretação não havia sido considerada à época inconstitucional. Portanto, não há que se falar em nulidade. Entrando, agora, no mérito propriamente dito, entendo que a verba recebida tem caráter remuneratório e, assim, deve ser tributada. Questão dessa natureza já foi trazida, em 03/03/2015, Fl. 265DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726306/200914 Acórdão n.º 9202004.078 CSRFT2 Fl. 25 4 à 2ª Turma desta Câmara Superior, no acórdão 9202003.585. Naquela ocasião, acompanhei o voto do relator Alexandre Naoki Nishioka, entendendo tratarse de verba de natureza remuneratória, e por isso peço vênia para adotar aqui os mesmos argumentos como razão de decidir, assim transcrevendoos: (...) Conforme dispõe o art. 2º da referida Lei, tais valores são relativos a “diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV”. Da leitura do artigo, denotase que o pagamento de tais valores deveuse à necessidade de manutenção do valor real do salário, de forma a corrigir erros anteriores no cálculo da conversão da moeda nacional. A lei estadual acima citada não buscou, por meio do pagamento das diferenças, a recomposição de um prejuízo, ou dano material, sofrido pelo contribuinte, mas a compensação em razão da ausência de oportuna correção no valor nominal do salário, verificada quando da alteração da moeda. Portanto, tais valores integram a remuneração percebida pelo contribuinte, constituindo parte integrante de seus vencimentos. Estáse diante, pois, de acréscimo patrimonial tributável pelo Imposto de Renda, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional, entendimento que fora inclusive salientado pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA). Buscando reforçar o argumento, requereu o contribuinte a aplicação da Resolução n.º 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pelo contribuinte, ao contrário do que decidiu o acórdão recorrido. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2º e parágrafos da Lei n.º10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1º trouxe a forma de cálculo deste abono: “I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)”. A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde Fl. 266DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726306/200914 Acórdão n.º 9202004.078 CSRFT2 Fl. 26 5 se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre o abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.º 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. Assim, com base na argumentação exposta, sendo verbas remuneratórias as diferenças de URV recebidas, sobre elas incide imposto de renda da pessoa física. Todavia, cumpre verificar o quantum devido. Entendo que o tributo devido deva ser calculado de acordo com as tabelas vigentes à época em que seriam devidas as diferenças recebidas. Sobre o tema, cabe referir a discussão travada no processo 11040.001165/200591, com voto vencedor da lavra do conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, cujos fundamentos, abaixo reproduzidos, acompanho. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726306/200914 Acórdão n.º 9202004.078 CSRFT2 Fl. 27 6 Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome ao julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei nº 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726306/200914 Acórdão n.º 9202004.078 CSRFT2 Fl. 28 7 Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do RE do contribuinte na matéria admitida, por darlhe provimento em parte, para determinar o cálculo do crédito tributário devido, considerando o regime de competência. Em face do acima exposto, voto no sentido de não conhecer da preliminar de nulidade por vício material suscitada, conheço do Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 269DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 13617.720368/2015-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
REQUERIMENTO DE RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA NO RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO.
É precluso o direito de apresentar, por ocasião do recurso voluntário, demandas não suscitadas na impugnação. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 16, inciso III.
Recurso Voluntário não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-005.528
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci, Ronnie Soares Anderson, Theodoro Vicente Agostinho, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2014 REQUERIMENTO DE RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA NO RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. É precluso o direito de apresentar, por ocasião do recurso voluntário, demandas não suscitadas na impugnação. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 16, inciso III. Recurso Voluntário não Conhecido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13617.720368/2015-86
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5645791
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 11 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2402-005.528
nome_arquivo_s : Decisao_13617720368201586.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 13617720368201586_5645791.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci, Ronnie Soares Anderson, Theodoro Vicente Agostinho, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Amilcar Barca Teixeira Júnior.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 22 00:00:00 UTC 2016
id : 6522736
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:53:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048688916430848
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1266; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 81 1 80 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13617.720368/201586 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402005.528 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de setembro de 2016 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente ANTONIO MOREIRA DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2014 REQUERIMENTO DE RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA NO RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. É precluso o direito de apresentar, por ocasião do recurso voluntário, demandas não suscitadas na impugnação. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 16, inciso III. Recurso Voluntário não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 61 7. 72 03 68 /2 01 5- 86 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci, Ronnie Soares Anderson, Theodoro Vicente Agostinho, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO Processo nº 13617.720368/201586 Acórdão n.º 2402005.528 S2C4T2 Fl. 82 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Braília – DRJ/BSB, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF (fls. 18/22), relativa ao ano calendário 2013 / exercício 2014, que resultou em imposto suplementar no valor de R$ 1.752,47 (um mil, setecentos e cinquenta e dois reais e quarenta e sete centavos). O crédito foi constituído em razão da glosa de despesas a título de Contribuição à Previdência Complementar Fechada – FAPI, R$ 11.570,92 (onze mil, quinhentos e setenta reais e noventa e dois centavos), por inadequação à legislação correlata. Segundo a autoridade autuante: Os pagamentos efetuados a CAIXA de PECÚLIOS não são dedutivels na apuração da base de cálculo do imposto, uma vez que não se trata de plano destinado a custear benefícios complementares assemelhados aos da previdência oficial, mas de seguro que tem por finalidade oferecer pecúlio por morte e invalidez pago de uma única vez ao participante ou a beneficiário(s) por ele indicado(s). O contribuinte contestou o lançamento por meio da impugnação de fls. 2/3, alegando que: O valor contestado referese a pagamento de contribuição à Previdência Privada ou Fapi efetuado pelo contribuinte em benefício próprio e o montante deduzido a este título não ultrapassa 12% dos rendimentos tributáveis declarados. O contribuinte também efetuou recolhimento, em seu nome, de contribuições para o regime geral de previdência social ou para regime próprio de previdência social dos servidores titulares de cargo efetivo da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios; e As seguradoras inseridas como abatimento da declaração, são referentes a aposentadoria complementar e seguro de vida. A DRJ/BSB julgou a impugnação improcedente (Acórdão de Impugnação de fls. 33/38), por entender que “embora os pagamentos dos valores declarados pelo contribuinte tenham sido comprovados [...], não constam nos autos informações que autorizem a conclusão de que se referem a plano de previdência passível de dedução nos termos da legislação supracitada (destinado a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social)” Por ocasião do recurso voluntário, o Recorrente diz concordar com a glosa dos pagamentos feitos a título de previdência privada, porém, solicita à Receita Federal do Brasil que, em razão de sua condição de portador de moléstia grave, retifique, de ofício, sua DIRPF do exercício 2014, retirando da ficha rendimentos tributáveis recebidos de pessoa Fl. 83DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO 4 jurídica e colocando na ficha de rendimentos isentos, os valores de aposentadoria recebidos em 2013, conforme consta na retificadora anexa (não transmitida). Solicita ainda que o débito seja revisto e cancelado, uma vez que, após a retificação, mesmo considerando a glosa, o contribuinte terá direito à restituição. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO Processo nº 13617.720368/201586 Acórdão n.º 2402005.528 S2C4T2 Fl. 83 5 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Embora seja tempestivo, o recurso não atende a condição essencial para sua admissibilidade. De acordo com o inciso III do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta o litígio, bem assim os pontos de discordância e as razões e provas em favor do contribuinte devem ser mencionados na impugnação. Vejamos: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Por outro lado, o caput do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, estabelece que o recurso voluntário será interposto contra a decisão de primeira instância: SEÇÃO VI Do Julgamento em Primeira Instância [...] Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Assim, tendo em vista que a questão relativa à retificação de ofício da Declaração de Imposto de Renda do Recorrente não foi suscitada por ocasião da impugnação, tampouco abordada na decisão a quo, entendo precluso o direito de o sujeito passivo fazêlo por ocasião do recurso voluntário. Ademais, na esteira do disposto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72, a retificação de ofício de declaração não está entre as competências atribuídas a esse Colegiado. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO 6 Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO
score : 1.0
