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Numero do processo: 10120.900995/2009-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
Ementa:
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO.
A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-004.036
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP invocando créditos referentes a pagamento indevido ou maior de CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Não tendo sido localizado tal pagamento nos sistemas da RFB, a empresa foi intimada a se manifestar, e, diante de seu silêncio, o crédito foi indeferido e a compensação não homologada, por Despacho Decisório Eletrônico, tendo a empresa apresentado Manifestação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 09 95 /2 00 9- 44 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10120.900995/200944 Acórdão n.º 3401004.036 S3C4T1 Fl. 3 2 de Inconformidade, na qual alegou, em síntese, que: (a) é inconstitucional a majoração de alíquota promovida pelos Decretos no 2.445/1988 e no 2.449/1998, já reconhecida pelo Poder Judiciário e declarada por ato do Senado (Resolução no 49, de 9/10/1995), e a aplicação retroativa (sistemática da semestralidade) do art. 18 da Lei no 9.715/1998 (conforme ADIn no 1.4170, publicada em 23/03/2011 e também reconhecida por ato do Senado – Resolução no 10, de 08/06/2005); e (b) o prazo para pedir a restituição é fixado a partir da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa / judicial / Resolução do Senado. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos. (a) a empresa não alegou nem comprovou o suposto pagamento a maior ou indevido que teria efetuado, a despeito de ter sido intimada para tanto; (b) em pesquisa aos sistemas da RFB, verificouse a existência de DARF de recolhimento com a data de arrecadação diversa da indicada no pedido, parecendo a empresa buscar com a data incorreta em seu pedido frustrar eventual extinção de prazo para pedir restituição, que ocorre após cinco anos do pagamento indevido, com vem decidindo o STJ na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 1.110.578/SP) e o CARF. Ciente da decisão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, basicamente repisando o argumento de que não poderia o artigo 18 da norma legal (hoje Lei no 9.715/1998) ter retroagido, como decidiu o STF na ADIn no 1.417 (e Resolução no 10/2005), e reconheceu a própria Receita Federal, na IN SRF no 6/2000; e acrescentando que a Lei no 9.715/1998 revogou a Lei Complementar no 7/70, e que a cobrança também estaria com prazo decaído. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.025, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.901000/200962, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.025): "O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Diante da imputação fiscal e das defesas apresentadas, há pouco a discutir no presente processo. Isso porque em nenhuma das peças de defesa a empresa informa, objetivamente, aquilo que foi intimada a esclarecer desde antes do início do contencioso: qual foi exatamente o recolhimento indevido e qual o motivo para que especificamente essa quantia seja considerada de fato indevida. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10120.900995/200944 Acórdão n.º 3401004.036 S3C4T1 Fl. 4 3 Enquanto a defesa se alonga em discussões de direito que, em geral, já estão pacificadas administrativa e judicialmente, não dedica uma linha sequer a informar como os valores que entende indevidos o são pela ocorrência, no caso concreto, de tais situações jurídicas genericamente descritas. Como bem destacou a instância de piso, a empresa jamais comprovou o suposto pagamento a maior ou indevido, mesmo tendo sido intimada a tanto, na fase précontenciosa. Persiste, assim, a ausência de liquidez e certeza sobre o débito, ainda antes de se iniciar a discussão jurídica, que deixa de ser relevante, por não se saber, de forma peremptória, se é relacionada ao caso concreto aqui narrado. Não se desincumbe, assim, a postulante ao crédito, de seu ônus probatório, acreditando que as alegações de direito genéricas socorrem sua demanda, sem realizar qualquer esforço para vincular tais discussões jurídicas ao caso em análise, dotando de certeza e de liquidez o crédito. Em relação a alegação de decadência para cobrança, cabe destacar que não se está aqui a analisar lançamento, mas pedido de restituição, cumulado com compensação. E, como destacou a DRJ, a existência de Resolução do Senado reconhecendo eventual inconstitucionalidade é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional (REsp no 1.110.578SP, julgado na sistemática dos recursos repetitivos). Poderseia agregar aos argumentos de defesa, de ofício, o tratamento reconhecido aos pedidos administrativos pelo STF (RE no 566.621/RS) e pelo CARF (Súmula CARF no 91). No entanto, como destacado de início, a discussão sobre haver ou não expirado o prazo para pedir restituição se afigura secundária, diante da ausência de liquidez e certeza do crédito. E a comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.003804/2010-54
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.977
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) que lhe negaram provimento. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pelo conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci na sessão anterior.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2006 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) que lhe negaram provimento. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pelo conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci na sessão anterior. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) que lhe AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 38 04 /2 01 0- 54 Fl. 408DF CARF MF 2 negaram provimento. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pelo conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci na sessão anterior. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2403002.116, proferido pela 3ª Turma Ordinária / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de crédito lançado pela fiscalização (DEBCAD nº 37.225.6503) relativo às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente à parte dos segurados empregados, não descontada pela empresa, referente às competências 06/2005 e 06/2006, no montante de R$ 208.609,03. Segundo Relatório Fiscal, o lançamento referese às contribuições devidas a Seguridade Social, destinamse aos Terceiros – SalárioEducação, INCRA, SESI, SENAI e SEBRAE, incidentes sobre as remunerações pagas e/ou creditadas a título de PLR Programa de Participação nos Lucros e Resultados pagos e/ou creditadas em desacordo com a Lei 10.101 de 19/12/2000. O fato gerador das contribuições sociais apuradas e lançadas foi o pagamento das verbas relativas ao Programa de Participação nos Lucros e ou Resultados PLR durante as competências 06/2005 e 06/2006, conforme planilha demonstrativa constante do Anexo I do Relatório Fiscal. O Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 52/81. A 12ª Turma da DRJRJ julgou parcialmente procedente, reconhecendo a extinção do crédito tributário da competência 06/2005, em função da decadência, mantendo, no entanto, o crédito tributário referente à competência 06/2006. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 299/330, atacando a decisão de primeira instância e reiterando os argumentos deduzidos em sede de Impugnação. Fl. 409DF CARF MF Processo nº 13888.003804/201054 Acórdão n.º 9202005.977 CSRFT2 Fl. 10 3 A 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 335/369, DEU PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, para se excluir, na competência 06/2006, o Código de levantamento PL PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS PLR. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO REGULARIDADE DO LANÇAMENTO INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram a autuação, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade da autuação. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO PLR REGRAS CLARAS E OBJETIVAS REQUISITOS PREVISTOS NA LEI 10.101/2000 LIBERDADE PARA FIXAÇÃO DE CRITÉRIOS E CONDIÇÕES POR MEIO DE NEGOCIAÇÕES A jurisprudência do CARF, nos dizeres de Elias Sampaio Freire (Freire, Elias Sampaio. A repercussão da adoção de programas de participação nos lucros ou resultados sobre a incidência de contribuições previdenciárias. In Contribuições previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Freire, Elias Sampaio. Peixoto, Marcelo Magalhães (coords). São Paulo: MP Ed., 2012. p. 9.) aponta no sentido de que a Lei 10.101/2000 não traz regras detalhadas, justamente porque privilegia a participação dos empregados, seja indiretamente por intermédio dos respectivos sindicatos, seja diretamente por intermédio de comissão escolhida por eles, dandolhes liberdade para fixarem critérios e condições por meio de negociação. Ademais, nem poderia a autoridade fiscal criar critérios subjetivos no caso concreto, sob pena de violação do Princípio da Legalidade, artigo 37, caput, da Constituição Federal. Fl. 410DF CARF MF 4 Recurso Voluntário Provido Às fls. 370/378, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, alegando divergência jurisprudencial em relação à seguinte matéria: aspecto temporal em que se considera cumprido o requisito da necessidade de acordo prévio e existência de regras previamente ajustadas, nos ditames da Lei 10.101/2000. No caso dos autos, o colegiado entendeu que a formalização do acordo pode ser posterior ao início do período de apuração do lucro. Já segundo o acórdão paradigma, deve se considerar como adimplido mencionado requisito quando observado anteriormente ao exercício de apuração do lucro ou resultado. Entender como no julgado proferido nos presentes autos é conceder à legislação de regência interpretação teratológica, pois distorce a mens legis presente na legislação da Participação dos Lucros e Resultados, já que se infere da norma a anterioridade das regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, nos termos do art. 2° da Lei 10.101/2000, descritas em convenção ou acordo coletivo, formalizado previamente ao exercício de aferição do lucro e resultado, para, ulteriormente, imunizar se o pagamento do benefício surgido pelo cumprimento dos dispositivos legais. Às fls. 390/392, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação à divergência sobre os requisitos legais para o pagamento a título de PLR diante da inexistência de acordo formalizado anteriormente ao período de apuração do lucro ou resultado. Devidamente citado, o Contribuinte, às fl. 397/404, apresentou contrarrazões, combatendo o mérito, reiterando os fundamentos já levantados anteriormente. Após, vieram os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de crédito lançado pela fiscalização (DEBCAD nº 37.225.6503) relativo às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente à parte dos segurados empregados, não descontada pela empresa, referente às competências 06/2005 e 06/2006, no montante de R$ 208.609,03. O Acórdão recorrido deu provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência sobre o aspecto temporal em que se considera cumprido o requisito da necessidade de acordo prévio e existência de regras previamente ajustadas, nos ditames da Lei 10.101/2000. PAGAMENTO DE LUCROS E RESULTADOS PLR Fl. 411DF CARF MF Processo nº 13888.003804/201054 Acórdão n.º 9202005.977 CSRFT2 Fl. 11 5 O pagamento da participação nos lucros e resultados para trabalhadores, empregados ou não de uma empresa, sem o recolhimento da contribuição previdenciária, está assegurado pelo artigo 7º, inciso XI, da CF. O dispositivo estabelece que são direitos dos trabalhadores urbanos e rurais participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa. Assim, se a participação dos lucros está excluída do conceito de remuneração, a contribuição incidirá apenas sobre os demais rendimentos, estes sim, de caráter remuneratório. I. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL – INCIDÊNCIA REGULAMENTADA POR LEI ABRANGE UNICAMENTE RENDIMENTOS ADVINDOS DO TRABALHO. O legislador ordinário foi muito zeloso ao instituir o a base legal de custeio previdenciário, o fazendo de modo expresso na Constituição Federal, em seu art. 195, I, “a”. Contudo, para melhor esclarecer detalhes de sua aplicabilidade tratou de disciplinar a aplicação do referido artigo, por meio da edição da Lei nº 8212/91, conhecida como Lei de Custeio da Previdência Social. Observando tanto o artigo 195 da CF/88, como a referida Lei de Custeio, depreendemos que a tributação previdenciária está claramente limitada a rendimentos do trabalho. A doutrina é maciça neste sentido, como podemos observar as pontuações de ZAMBITTE IBRAHIM: “Tanto histórica como normativamente, a contribuição previdenciária é delimitada a rendimentos do trabalho, tendo em vista o objetivo das prestações previdenciárias em substituir rendimentos habituais do trabalhador, os quais, por regra, são derivados da atividade laboral. Ou seja, a legislação vigente, de forma muito clara, delimita a incidência previdenciária, em qualquer hipótese, a rendimentos do trabalho.” (ZAMBITTE IBRAHIM, Fábio). Partindo da premissa que a contribuição previdenciária é devida tão somente sobre as parcelas recebidas a título de remuneração pelo trabalho, são incabíveis as alegações da Fazenda Nacional de que as parcelas advindas de Participação nos Lucros e Resultados – PLR, devam sofrer tal incidência. Isso por que a PLR tem relação intrínseca com remuneração do capital – lucro. Essa distinção é fundamental para que possa compreender o motivo da não incidência de contribuição previdenciária patronal sobre a Participação nos Lucros e Resultados – PLR, recebidas por empregados e administradores. Para melhor compreendermos, é preciso levar em conta que a participação referida – PLR, tem uma relação intrínseca com o resultado auferido, ela depende exclusivamente do êxito, enquanto que a remuneração advinda do trabalho independe do risco para ser adimplida, basta a contraprestação do trabalho. Professor Zambitte Ibrahim bem esclarece esta dicotomia entre as referidas verbas: “É também intuitivo, mesmo para o público leigo, que um conceito não se confunde com o outro. É natural e facilmente perceptível que o trabalho, de modo algum, Fl. 412DF CARF MF 6 possui liame imediato com o lucro. Não são incomuns as situações de empresários que, mesmo após longa dedicação ao seu mister, não alcançam qualquer proveito econômico e, não raramente, ainda observam relevante perda patrimonial. Já para trabalhadores, com ou sem vínculo empregatício, o rendimento do trabalho é assegurado pela lei, pois não cabe a eles o risco da atividade econômica, o qual, por natural, é assumido pelo empresário. Seus rendimentos traduzem mera contraprestação pela atividade profissional desempenhada”. O próprio ordenamento jurídico tratou de fazer esta distinção, quando elencou no Código Tributário Nacional, por meio do art. 43, os tipos de Rendimentos, que ensejam a aplicação do Imposto de Renda: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção” (grifei) Da leitura do artigo da lei, extraise que a renda tributável, para fins do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, é aquela decorrente do produto do capital e/ou trabalho. Contudo resta evidente que a lei tratou de classificar a renda como: produto do capital, produto do trabalho ou da combinação de ambos, ou seja, cada uma possui um conceito próprio. No caso em tela se estivéssemos discutindo a incidência de imposto de renda, não haveria qualquer dúvida que este seria aplicável sobre ambas. Ou seja, “se há incremento patrimonial – e este é o aspecto nuclear do imposto sobre a renda – proveniente de lucros da atividade econômica pelo empresário ou, cumulativamente, das retribuições pecuniárias pelos seus serviços, há, em qualquer hipótese, renda tributável. ” (ZAMBITTE IBRAHIM, Fábio). Isso por que a base de incidência do Imposto de renda engloba proventos de ambas as naturezas: trabalho e capital. Contudo, o mesmo não ocorre para fins previdenciários, pois a CF/88 mesmo após a EC nº 20/98, optou por tributar, somente os rendimentos do trabalho. Assim, “ao contrário do imposto sobre a renda, a incidência previdenciária é circunscrita aos rendimentos do trabalho, unicamente. A disposição é categórica e cristalina. Ainda que permita a inclusão de trabalhadores sem vínculo empregatício, somente valores derivados do trabalho podem sofrer a respectiva tributação. Como não poderia ser diferente, caminha no mesmo sentido a regulamentação infraconstitucional da matéria, em estrita observância do mandamento constitucional”. (ZAMBITTE IBRAHIM, Fábio). II. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL – LIMITAÇÕES LEGAIS DE INCIDÊNCIA Fl. 413DF CARF MF Processo nº 13888.003804/201054 Acórdão n.º 9202005.977 CSRFT2 Fl. 12 7 A EC nº 20/98, ampliou as possibilidades de incidência da cota patronal previdenciária, o que foi disciplinado posteriormente pela Lei nº 9.876/99, que deu nova redação ao art. 22, I da Lei nº 8.212/91, responsável pela previsão da cota patronal previdenciária: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (grifei). Observese que o legislador ordinário ao disciplinar as inovações trazidas pela Emenda Constitucional citada, alargou a incidência da cota patronal previdenciária, mas desta vez, com a competência tributária prévia devidamente estabelecida. No entanto, como se percebe do preceito reproduzido, a incidência é, ainda, restrita aos rendimentos do trabalho. Para melhor compreender esta alteração – ampliação da base de incidência da cota patronal é necessário mencionar que a alteração produzida pela nova lei foi unicamente no sentido de incluir outros segurados além da categoria dos empregados. Não por incluir valores outros além dos rendimentos do trabalho, mas, unicamente, pela inserção de remunerações pagas ou devidas a outros segurados, além de empregados. Mantendo, portanto, a mesma regra quanto ao tipo de rendimentos, qual seja, que este seja advindo do trabalho. Ainda citando Professor ZAMBITTE IBRAHIM: “Este sempre foi o real objetivo da alteração constitucional, aqui devidamente conquistado. Novamente, não há qualquer previsão na Lei nº 8.212/91 que albergue a incidência de contribuições previdenciárias sobre os lucros e resultados de diretores nãoempregados. Não é de imposto de renda que se trata, mas sim de contribuição previdenciária. Neste ponto, merece referência a Lei nº 8.212∕91, no art. 28, III, a qual prevê, como saláriodecontribuição de contribuintes individuais, a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria. O pagamento de lucros e resultados, como visto, não reflete remuneração, pois não se trata de rendimento do trabalho. Aqui, não há inclusão de tais valores na base previdenciária, seja do segurado ou da empresa. Como reconhece o próprio Regulamento da Previdência Social RPS, no art. 201, § 5º, somente na hipótese de ausência de discriminação entre a remuneração do capital e do trabalho, na precisa dicção do RPS, é que haverá a potencial incidência sobre o total pago ou creditado ao contribuinte individual, haja vista a comprovada fraude.” Diante da citação feita pelo doutrinador, mister se faz a leitura do dispositivo legal apontado, art. 201, § 5º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº Fl. 414DF CARF MF 8 3.048/99, em sintonia com a Constituição e a Lei nº 8.212/91, que expressamente reconhece a dualidade entre rendimentos do capital e trabalho, especialmente quando voltados a segurados contribuintes individuais: Art. 201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: (...) § 5º No caso de sociedade civil de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissões legalmente regulamentadas, a contribuição da empresa referente aos segurados a que se referem as alíneas "g" a "i" do inciso V do art. 9º, observado o disposto no art. 225 e legislação específica, será de vinte por cento sobre: I a remuneração paga ou creditada aos sócios em decorrência de seu trabalho, de acordo com a escrituração contábil da empresa; ou II os valores totais pagos ou creditados aos sócios, ainda que a título de antecipação de lucro da pessoa jurídica, quando não houver discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social ou tratarse de adiantamento de resultado ainda não apurado por meio de demonstração de resultado do exercício. (grifei) Com a reclassificação dos segurados da Previdência Social advinda da Lei nº 9.876/99, que criou o segurado contribuinte individual, mediante a unificação das categorias autônomo, equiparado a autônomo e empresário, houve uma rígida adequação de tais segurados ao mesmo regramento. A ideia geral é no sentido de que contribuintes individuais somente terão a respectiva incidência previdenciária sobre os valores que visarem retribuir o trabalho, e nunca o capital. O que deixa nítida a não incidência da Contribuição Previdenciária patronal sobre a PLR paga no caso concreto dos autos. III –LEI 10.101/2000 – FORMALIDADES PARA IMPLEMENTAÇÃO DA PLR. A Lei 10.101/2000 disciplina as formalidades necessárias para a caracterização de Participação nos Lucros e Resultados. Assim um conjunto de disposições esclarecem quando se trata ou não de parcela não remuneratória e isenta de contribuições previdenciárias. Isso se faz necessário, logicamente, para evitar que o instituto seja desvirtuado, ou que, verbas de natureza remuneratória sejam taxadas como pagamento de PLR., com o fim unicamente de burlar o sistema tributário e não pagar contribuições previdenciárias. Dentre estes requisitos formais, temos, a negociação entre empregadores e empregados, por meio de comissão, integrada também por um representante do sindicato da categoria ou de convenção/acordo coletivo. Assim como requisitos materiais com regras claras e objetivas quanto aos direitos substantivos e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição do seu cumprimento, periodicidade da distribuição, vigência e prazos de revisão. E o critério de pagamento pode ter por base, entre outros, índices de produtividade, qualidade ou lucratividade ou de programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Lei 10.101/2000 Fl. 415DF CARF MF Processo nº 13888.003804/201054 Acórdão n.º 9202005.977 CSRFT2 Fl. 13 9 Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I Comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II Convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I Índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II Programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. § 3º Não se equipara a empresa, para os fins desta Lei: I A pessoa física; II A entidade sem fins lucrativos que, cumulativamente: a) não distribua resultados, a qualquer título, ainda que indiretamente, a dirigentes, administradores ou empresas vinculadas; b) aplique integralmente os seus recursos em sua atividade institucional e no País; c) destine o seu patrimônio a entidade congênere ou ao poder público, em caso de encerramento de suas atividades; d) mantenha escrituração contábil capaz de comprovar a observância dos demais requisitos deste inciso, e das normas fiscais, comerciais e de direito econômico que lhe sejam aplicáveis. § 4º Quando forem considerados os critérios e condições definidos nos incisos I e II do § 1o deste artigo: I A empresa deverá prestar aos representantes dos trabalhadores na comissão paritária informações que colaborem para a negociação II Não se aplicam as metas referentes à saúde e segurança no trabalho. Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. O caso dos autos discute o possível descumprimento de uma destas formalidades, a inexistência de pacto prévio anterior ao pagamento da PLR. Neste Tribunal Administrativo existem várias correntes de pensamento a respeito do que seria a expressão ‘pacto prévio’ prevista em na Lei. Fl. 416DF CARF MF 10 Recentes estudos demonstram que a jurisprudência desta Corte, observada de 2010 até 2016, já se dividiu em quatro posicionamentos distintos a respeito do momento da assinatura do acordo (i) necessidade de assinatura antes do início do exercício relativo ao cumprimento das metas; (ii) possibilidade de assinatura no exercício seguinte ao cumprimento das metas, em razão de a Lei n. 10.101/00 não trazer “limite temporal para a celebração dos acordos” e, consequentemente, pela impossibilidade de assinatura no exercício seguinte em razão de não haver incentivo à produtividade, com precedente da CSRF; (iii) possibilidade de assinatura até período em que possa vislumbrar um incentivo à produtividade, mas não necessariamente até o fim do período a que se refere; e (iv) possibilidade até antes do pagamento da PLR, havendo também precedente da CSRF nesse sentido. Para a Fazenda Nacional vige o entendimento de que a data de assinatura do acordo – posterior ao início do período de apuração do PLR – retira da verba uma característica essencial à recompensa pelo esforço feito para alcance de metas. Contudo, discordo frontalmente deste entendimento, por compreender que ele desconfigura a real intenção do poder Legislativo na adoção da PLR. A relação globalizada entre os países, as trocas mercantis, a participação do Brasil nos mercados externos contribuiu para a adoção da PLR no Brasil, a fim de tornar o Brasil competitivo no mercado externo, bem como trazer um incentivo aos seus empregados e trabalhadores, a fim de que esta produtividade trouxesse lucro e participação para aqueles que se encontram na base da pirâmide, no plano da força de trabalho. Exigir algo que a Lei não exigiu consiste em criar regras mais gravosas que aquelas que foram elaboradas pelo Congresso, fugindo assim do real objetivo da norma legal. Hoje não se fala mais no positivismo exacerbado, mas a norma ainda é a matriz, o ponto de partida de onde se retira o Direito. Sendo assim, a meu ver a PLR pode ser assinada até a data do efetivo pagamento realizado aos trabalhadores, pois a Lei não impôs limite temporal para a celebração dos acordos, isso ocorre por que, é notório que um conjunto de fatores de ordem burocrática, são conjugados até a finalização destes acordos. Pensar diferente significaria criar um requisito temporal não existente na lei, o qual não poderia ser imposto ao Contribuinte, quanto menos poderia ele ser penalizado com base numa regra não positivada. O Contribuinte esclarece a fiscalização como se deram estes pagamentos e em quais documentos possuem esteio: Assim sendo, os valores distribuídos a título de participação nos resultados em junho de 2005 referemse ao programa de metas de abril de 2004 a março de 2005 (anobase 2004). Aqueles quitados em junho de 2006, por sua vez, decorrem dos resultados obtidos no período de abril de 2005 a março de 2006 (anobase 2005) e assim sucessivamente.Neste sentido, verificase dos instrumentos em anexo (docs. 18 e 19), os mesmos que foram entregues e examinados pela Autoridade Fiscal, ambos assinados em 30 de junho de 2006: a) que o doc. 18 corresponde ao Acordo válido para o período de abril de 2005 a março de 2006, anobase 2005, com pagamento da participação em junho de 2006; Fl. 417DF CARF MF Processo nº 13888.003804/201054 Acórdão n.º 9202005.977 CSRFT2 Fl. 14 11 b) que o doc. 19 corresponde ao Acordo válido para o período de abril de 2006 a março de 2007, anobase 2006, com pagamento da participação em junho de 2007. O pagamento feito em junho de 2005, a título de participação nos lucros ou resultados não é, portanto, justificado por qualquer desses documentos (assinados em junho de 2006), e sim pelo Acordo referente ao anobase 2004 (doc. 17), ora anexado, que foi assinado em junho de 2005. Quanto a alegação de que a falta de assinatura prévia corrompe a ideia de que o trabalhador deve ter conhecimento das regras que devem ser claras e objetivas, a respeito da PLR, não há qualquer razão de ser. Observese, que para saber se há conhecimento das regras, se estas são claras e objetivas, basta que se observe as negociações entre a empresa e seus empregados, as quais serão realizadas, ou por comissões paritárias, com participação de empregados e sindicato, ou ainda, por meio de convenções ou acordos coletivos, dentro das formalidades já conhecidas. Quando se chega a assinatura do acordo, este já foi deveras vezes debatido e negociado pelas partes, todos capazes, assim definidos pela Lei. Embora no mérito, quanto a tese, eu negue provimento ao recurso da Fazenda Nacional, não posso deixar de observar que a obrigação principal já restou mantida pelo colegiado nesta sessão de julgamento, e assim com base no procedimento por mim adotado regularmente, em se tratando de obrigação acessória cuja principal já restou mantida, deve esta ter o mesmo destino. Ressalto que este não é o entendimento da maioria do Colegiado, para os quais são devidas as contribuições previdenciárias em sua integralidade, sendo provido o Recurso da Fazenda Nacional desde a tese de mérito. Assim conheço e julgo procedente o Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 418DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.906164/2011-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.478
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Marco Rogério Borges e Evandro Correa Dias.
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Marco Rogério Borges e Evandro Correa Dias. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .9 06 16 4/ 20 11 -7 5 Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10840.906164/201175 Resolução nº 1402000.478 S1C4T2 Fl. 130 2 Relatório Tratase o presente processo de Pedido de Compensação (PER/DCOMP), com base em créditos do SIMPLES e débitos apurados pela sistemática do Lucro Presumido (PIS/PASEP e COFINS). O Despacho Decisório não homologou a pretensa compensação sob a justificativa da ausente apresentação de Declaração (obrigação acessória) relativa ao período correspondente ao crédito original informado na DCOMP, o que impossibilitou a confirmação sobre a existência do crédito pleiteado. Inconformada com a decisão acima resumida, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, apenas alegando que efetuou os pagamentos de tributos em 2003 e 2004 ainda como optante do SIMPLES, mas que efetuou a entrega de suas obrigações acessórias (DIPJ), pela apuração do Lucro Presumido. Em primeira instância o pedido da contribuinte foi julgado totalmente improcedente sob a fundamentação de não ter restado comprovado suficientemente nos autos a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado. Irresignada com tal decisão, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, repisando seus argumentos, mas também trazendo algumas inovações em suas alegações, as quais resumo a seguir: a) Explica que sua exclusão do SIMPLES ocorreu por ato de ofício, qual seja: Ato Declaratório Executivo nº 76, de 29/11/2005; b) Afirma que foi comunicada do supracitado ato por edital SACAT/DRF/POR nº 01/2006 em 02 de janeiro de 2006 e que os efeitos de tal exclusão retroagiram a 2002; c) Acrescenta que não pode juntar cópia de tal ato aos autos pelo fato de a comunicação ter ocorrido por edital; d) Alega que só entregou a DIPJ em momento posterior, devido a equívoco da contabilidade da empresa e que tal declaração possui os valores pelo presumido; Por fim, registrese, ainda, que junto de seu Recurso Voluntário a Recorrente anexa novos documentos: a) parte de um Termo de Encerramento de Ação Fiscal de outro processo que está registrado sob o MPF nº 08.1.09.002006009198 (efls. 9198); b) mais especificamente, cabe ainda relatar que no retromencionado Termo de Encerramento de Ação Fiscal, consta que no início da fiscalização a Recorrente não se encontrava no domicílio fiscal por ela indicado. Confirmam os auditores fiscais que no local operava a empresa Organização Educacional Barão de Mauá, CNPJ 56.001.480/000836. Além disso, os funcionários do local afirmaram desconhecer a empresa Liceu Leonardo da Vinci LTDA e, menos ainda, o representante desta, o Sr. João Ângelo Everaldo Mucke. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10840.906164/201175 Resolução nº 1402000.478 S1C4T2 Fl. 131 3 Os auditores localizaram, então, o endereço do escritório de contabilidade da fiscalizada. Lá, foram atendidos pelo Sr. Newton Figueira de Mello, proprietário da empresa, que entrou em contato com os sócios da fiscalizada, que compareceram no local tomando ciência do Termo de Início de Fiscalização e respectivo MPFF. c) apresenta um Demonstrativo de receitas elaborado pela fiscalização, cujos valores foram extraídos das notas fiscais de prestação de serviços do contribuinte; d) sob MPF nº 0810900/00910/06, há Autos de Infração de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS/PASEP, apurados pela sistemática do Lucro Arbitrado, haja vista a fiscalização ter considerado a escrituração da autuada como imprestável e ter entendido como configurada a infração de omissão de receita. Tal glosa pertencente ao processo administrativo sob o nº 15956.000077/200742, cujo acórdão de impugnação a Recorrente anexa logo em seguida, o que se deduz pela correlação evidente entre os fatos narrados em tal acórdão e os dados presentes em tais autos de infração. É o Relatório. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10840.906164/201175 Resolução nº 1402000.478 S1C4T2 Fl. 132 4 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. Consignase, ainda, que o Recurso Voluntário em questão é representativo de controvérsia e, desta forma, foi designado para ser julgado sob o regime de recursos repetitivos. Em síntese, o contribuinte transmitiu PER/DCOMP, no qual pretendia compensar um recolhimento feito para o SIMPLES, com débitos de PIS e COFINS, uma vez que teria sido excluído do SIMPLES, em janeiro/06, retroativamente ao ano de 2002. A DRF de origem, em despacho decisório, não reconheceu o direito creditório, uma vez que não tinha sido apresentada Declaração (obrigação acessória) relativa ao período correspondente ao crédito original e o contribuinte não tinha, mesmo intimado, sanado essa irregularidade. Apresentada manifestação de inconformidade, a DRJ competente consignou no v. acórdão recorrido que, como não confirmou a exclusão do contribuinte do SIMPLES, não tinha como corroborar a tese de que o pagamento realizado com código 6106 (regime de tributação do Simples) fosse indevido. Em recurso voluntário, o contribuinte reitera sua exclusão do Simples, afirma que não possui o ato de exclusão, uma vez que teria sido publicado em edital, mas anexa um Termo de Encerramento de Ação Fiscal no qual a fiscalização afirma que “sendo assim, o fiscalizado foi comunicado, conforme edital SACAT/DRF/POR/N. 01/2006, da exclusão do SIMPLES na data de 02/01/2006 e, consequentemente, procedeuse ao cancelamento das Declarações de Rendimento (DIPJ) referentes aos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004”. Como consequência, deuse a ação fiscal que, ao final, culminou com a lavratura de autos de infração de IRPJ, PIS, CSLL e COFINS. E, por fim, não foi admitido o pleito do contribuinte, formalizado em impugnação, de que os valores pagos, a título de SIMPLES, fossem abatidos dos créditos tributários constituídos antes da incidência de multa de ofício e juros, mantendose íntegros os lançamentos fiscais realizados de ofício. Não restando alternativa para a utilização dos recolhimentos feitos ao SIMPLES em razão de sua exclusão, optou o contribuinte, portanto, em apresentar PER/DCOMP para todos os pagamentos realizados. Antes de se adentrar ao mérito, importante salientar que a fiscalização, a partir do momento em que o contribuinte foi excluído do SIMPLES e, no mesmo período, efetuou a lavratura de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS sob outra sistemática, deveria, no momento da constituição do crédito tributário de ofício, ter considerado os pagamentos realizados pelo contribuinte para as mesmas competências, o que, como se denota da decisão, não lhe foi garantido, resultando em prejuízo ao contribuinte, na medida em que os valores constituídos ficaram maiores e, sobre tais valores, incidiu multa de ofício e juros de mora. Esse posicionamento está fundamentado em Solução de Consulta Interna nº 23, de 21 de dezembro de 2006, a qual é anterior aos autos de infração lavrados, uma vez que datados de março/2007, com ciência no mesmo mês. Pedese vênia para transcreverse, abaixo, excertos da referida Solução de Consulta, bem como sua conclusão: Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10840.906164/201175 Resolução nº 1402000.478 S1C4T2 Fl. 133 5 (...) 7. Para melhor solução, analisarseá a questão fazendo a seguinte divisão entre os créditos de IRPJ ou CSLL do sujeito passivo: créditos oriundos de antecipações de valores de imposto ou contribuição retidos na fonte ou pagos a título de estimativa mensal; valores de IRPJ e CSLL apurados e pagos pelo sujeito passivo, utilizando forma de tributação distinta daquela utilizada pela autoridade tributária no lançamento de ofício. (...) 11.Relativamente ao item 7.2 acima, na verdade esses valores não constituem créditos de IRPJ e CSLL. Tratamse de imposto e contribuição referentes ao período de apuração fiscalizado, apurados pelo sujeito passivo, mediante adoção de forma de tributação diversa daquela aplicada pela autoridade fiscal no curso da fiscalização. Nesse caso, a autoridade fiscal deve lançar apenas a diferença de imposto ou contribuição apurado, considerando os valores pagos anteriormente pelo contribuinte, independentemente da sua forma de apuração. 12.Igualmente deve ser o tratamento na hipótese de exclusão de ofício do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de pequeno Porte (Simples), deduzindo do valor apurado mediante a forma de tributação adotada pela fiscalização, as parcelas de IRPJ e CSLL recolhidas a título de Simples. (...)3. CONCLUSÃO 14.Por todo o exposto, concluise que na constituição de ofício do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devem ser considerados, para efeito de dedução do imposto ou da contribuição devida, os valores de IRPJ e de CSLL decorrentes de retenção na fonte ou de antecipação (estimativas) referentes às receitas compreendidas na apuração. 15.A autoridade fiscal deve considerar os valores de IRPJ e CSLL referentes ao período de apuração fiscalizado, apurados pelo sujeito passivo, mediante adoção de forma de tributação diversa daquela aplicada pela autoridade fiscal no curso da fiscalização, lançando apenas a diferença de imposto ou contribuição apurado. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10840.906164/201175 Resolução nº 1402000.478 S1C4T2 Fl. 134 6 16.Qualquer outro crédito do contribuinte somente poderá ser objeto de pedido de restituição ou compensação por iniciativa do contribuinte nos termos da legislação pertinente à matéria. Este, assunto, contudo, não é o objeto do presente processo administrativo, mas tem pertinência, na medida que garante a possibilidade de utilização de valores pagos a título de SIMPLES para fins de abatimento e, consequentemente, compensação, com outros tributos administrados pela Receita Federal, que é o pleito do contribuinte em seu Recurso Voluntário. Por inexistir preliminares, passo a análise de mérito. MÉRITO A decisão recorrida da DRJ, ao partir de uma premissa equivocada – não comprovação da exclusão do contribuinte do SIMPLES, chegou numa conclusão equivocada, qual seja, que o contribuinte não teria comprovado o seu direito creditório para fins de utilização na compensação declarada. Como já exposto alhures, não há dúvidas de que o contribuinte foi excluído do SIMPLES, via edital, pelo ato SACAT/DRF/POR/N. 01/2006, de 02/01/2006, bem como que teve canceladas suas Declarações de Rendimento (DIPJ) referentes aos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004 (p. 92). Ora, se o contribuinte foi excluído do SIMPLES, por ato da própria Receita Federal, em consequência, todos os recolhimentos que realizou, para o SIMPLES, são indevidos e, consequentemente, passíveis de compensação, nos termos da legislação tributária pertinente. O art. 74, da Lei 9.430/96, garante aos contribuintes que pagamentos realizados a maior ou pagamentos indevidos, são passíveis de compensação, indicando os meios adequados para que esse procedimento seja levado a efeito perante a Receita Federal. E, com a ressalva feita que os pagamentos realizados deveriam ter sido considerados já no momento da lavratura dos autos de infração, uma vez não utilizados os créditos, buscou o contribuinte a via adequada para realizar a compensação de seus créditos, conforme se denota na PER/DCOMP. A questão que se põe, a partir do momento em que se admite a legalidade do pedido de compensação, é qual o valor que é efetivamente compensável, uma vez que em um recolhimento para o SIMPLES o contribuinte fazia a quitação de diversos tributos numa mesma guia de recolhimento. Compulsando a Lei 9.317/96, que regia o SIMPLES na época dos fatos, observase, em seu art. 5º, inciso II, as faixas de faturamento e a alíquota respectiva. Vejase: Art. 5° O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10840.906164/201175 Resolução nº 1402000.478 S1C4T2 Fl. 135 7 determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais:(Vide Lei 10.034, de 2000) (...) II para a empresa de pequeno porte, em relação à receita bruta acumulada dentro do anocalendário: a) até R$ 240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais): 5,4% (cinco inteiros e quatro décimos por cento); b) de R$ 240.000,01 (duzentos e quarenta mil reais e um centavo) a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais): 5,8% (cinco inteiros e oito décimos por cento); c) de R$ 360.000,01 (trezentos e sessenta mil reais e um centavo) a R$ 480.000,00 (quatrocentos e oitenta mil reais): 6,2% (seis inteiros e dois décimos por cento); d) de R$ 480.000,01 (quatrocentos e oitenta mil reais e um centavo) a R$ 600.000,00 (seiscentos mil reais): 6,6% (seis inteiros e seis décimos por cento); e) de R$ 600.000,01 (seiscentos mil reais e um centavo) a R$ 720.000,00 (setecentos e vinte mil reais): 7% (sete por cento). (...) § 4° Caso o município em que esteja estabelecida a microempresa ou a empresa de pequeno porte tenha celebrado convênio com a União, nos termos do art. 4°, os percentuais referidos neste artigo serão acrescidos, a título de pagamento do ISS, observado o disposto no respectivo convênio: I em relação a microempresa contribuinte exclusivamente do ISS: de até 1 (um) ponto percentual; II em relação a microempresa contribuinte do ISS e do ICMS: de até 0,5 (meio) ponto percentual; III em relação a empresa de pequeno porte contribuinte exclusivamente do ISS: de até 2,5 (dois e meio) pontos percentuais; IV em relação a empresa de pequeno porte contribuinte do ISS e do ICMS: de até 0,5 (meio) ponto percentual. Observandose o destaque feito na letra b, do inciso II, do art. 5º acima transcrito, a alíquota aplicável ao contribuinte em determinados exercícios seria de 5,8%. No entanto, num exame mais detido na documentação relativa ao caso, neste mesmo período, percebese que o contribuinte recolheu alíquotas maiores do que as acima apontadas (no caso específico verificado, uma diferença de 2,9 pontos percentuais). A conclusão lógica é que está embutido na alíquota aplicada outro tributo além dos tributos federais e, no caso concreto, como a Recorrente é uma instituição de ensino, pressupõese que é prestadora de serviços e, portanto, contribuinte do ISS. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10840.906164/201175 Resolução nº 1402000.478 S1C4T2 Fl. 136 8 O contribuinte não teve o cuidado de especificar quais os tributos que estão contidos nos pagamentos de SIMPLES realizados, posto que as alíquotas utilizadas pelo contribuinte para calcular seu valor, para fins de recolhimento, são superiores àquelas previstas na legislação (acima transcrita), o que nos leva a crer que foram recolhidos valores não federais e ainda não compensáveis (INSS). Também não foi discriminado pelas instancias "a quo". Por essa razão, voto por converter o presente julgamento em diligência, para que: a) a autoridade preparadora, considerando que os pagamentos realizados a titulo de Simples são incontroversos neste processo, depure tais recolhimentos de acordo com a legislação do Simples vigente a época dos pagamentos informados, especificando quais os tributos e respectivos valores compõem cada recolhimento realizado pelo contribuinte, ou seja, depure cada um dos tributos e contribuições sociais que compõe o valor recolhido (IRPJ, PIS, INSS, ISS, etc). b) uma vez depurados, que seja apresentado em tabela, onde se possa identificálos por competência. c) uma vez identificados, elabore um ultimo demonstrativo apenas com os valores dos tributos federais compensáveis, ou seja, IRPJ, CSLL, PIS E COFINS, excluindose portanto eventuais recolhimentos a titulo de Contribuições Previdenciárias INSS ou tributos não federais (ISS, p. ex.). Ao final, que tais valores compensaveis sejam somados e o valor resultante seja destacado ao final do demonstrativo. d) Observase que as efolhas onde se encontram os valores apontados não estão sendo aqui especificados pois este julgamento segue o sistema de julgamento de recursos repetitivos. b) ao contribuinte seja dada a oportunidade de, cientificado da diligência, manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias (parágrafo único, do art. 35, do Decreto 7.574/2011) sobre o resultado da mesma. É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 136DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19985.724674/2016-61
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE (RRA).
O IRPF sobre rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência), STF, RE 614.406/RS, art. 543-B do CPC. (Acórdão 9202-003.695)
RETENÇÃO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO
A retenção de imposto de renda prova-se por meio da apresentação do comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora em nome do contribuinte.
Numero da decisão: 2002-000.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, apenas quanto ao cálculo do imposto sob o regime de competência, vencidos os Conselheiros Thiago Duca Amoni (Relator) e Virgílio Cansino Gil, que lhe deram provimento integral. Votou pelas conclusões a Conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator
(assinado digitalmente)
Fábia Marcília Ferreira Campêlo - Redatora designada
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE (RRA). O IRPF sobre rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência), STF, RE 614.406/RS, art. 543-B do CPC. (Acórdão 9202-003.695) RETENÇÃO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO A retenção de imposto de renda prova-se por meio da apresentação do comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora em nome do contribuinte.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. Recorrente MARIA GISELA SCHAFFER RODRIGUES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2013 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE (RRA). O IRPF sobre rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência), STF, RE 614.406/RS, art. 543B do CPC. (Acórdão 9202003.695) RETENÇÃO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO A retenção de imposto de renda provase por meio da apresentação do comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora em nome do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, apenas quanto ao cálculo do imposto sob o regime de competência, vencidos os Conselheiros Thiago Duca Amoni (Relator) e Virgílio Cansino Gil, que lhe deram provimento integral. Votou pelas conclusões a Conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 98 5. 72 46 74 /2 01 6- 61 Fl. 95DF CARF MF Processo nº 19985.724674/201661 Acórdão n.º 2002000.023 S2C0T2 Fl. 96 2 Fábia Marcília Ferreira Campêlo Redatora designada Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 31 a 36), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação de valores supostamente devidos por omissão de rendimentos do trabalho, omissão de rendimentos auferidos por recebimento de aluguéis de imóvel locado a pessoa jurídica e glosa de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. Tal omissão gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 11.027,41, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Cientificado o contribuinte em 07/10/16 (efl. 38). Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, em 07/11/2016, à efl. 03 a 09 dos autos. A impugnação foi apreciada na 4ª Turma da DRJ/CTA que, por unanimidade, em 28/03/2017, no acórdão 0658.205, às efls. 48 a 54, julgou a impugnação parcialmente procedente, afastando a omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa jurídica e mantendo o crédito tributário em relação a omissão de rendimentos de trabalho e glosa de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. Recurso voluntário Ainda inconformada, a contribuinte, em 07/04/2017, apresentou recurso voluntário, às efls. 61 a 64, no qual alega, em resumo, que: § Não deve prosperar o lançamento tributário quanto a omissão de rendimentos do trabalho, pois, como já é pessoa idosa, estava com o cadastro desatualizado na Paranaprevidencia, sua fonte pagadora, recebendo, desta forma, os proventos de aposentadoria concentrado em determinados meses, em detrimento ao pagamento mensal; § Afastar a glosa dos valores abatidos dos aluguéis recebidos por pessoa jurídica locatária de imóvel de sua propriedade quanto ao imposto de renda retido na fonte. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Fl. 96DF CARF MF Processo nº 19985.724674/201661 Acórdão n.º 2002000.023 S2C0T2 Fl. 97 3 Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que a contribuinte foi intimada do teor do acórdão da DRJ em 07/04/2017, efls. 58, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 08/05/2017, eflls. 61, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. O acórdão da DRJ afastou o lançamento relativo a omissão de rendimentos recebidos a título de aluguel de imóvel locado por pessoa jurídica, motivo pelo qual a matéria não será analisada em sede de Recurso Voluntário, como se vê: Constatase que não há informação de aluguéis relativos à Service Clean e que há o mesmo valor que a impugnante declarou como sendo dela (R$ 19.301,94, fl. 12 – quadro rendimentos recebidos de pessoa jurídica pelo titular) em nome da Facility. A corroborar o erro na identificação da fonte pagadora está o documento de fl. 09, de emissão da administradora do imóvel, onde, apesar de constar o inquilino como sendo a Service Clean, o CNPJ é o da Facility. Assim, é de se considerar que houve erro na identificação da fonte pagadora do aluguel de R$ 19.301,94, que foram declarados em nome da Service Clean, e não da Facility, afastando essa omissão de rendimentos. Conforme os autos, a Recorrente é funcionária pública estadual, recebendo da Paranaprevidência seus proventos de aposentadoria., conforme efls. 8 e 9. Em sede de Recurso Voluntário, informa que, por ser idosa, não atualizou o seu cadastro junto a instituição, fazendo com que sua remuneração, que seria mensal, tenha sido paga acumuladamente em alguns meses, fazendo com que o limite de isenção dos rendimentos provenientes de aposentadoria do maior de 65 anos, previsto no artigo 6º, inciso, XV, alínea 'g' na Lei nº 7.713/98 não tenha sido respeitado, por entender que deveria incidir sobre os valores recebidos anualmente, e não mensalmente, como prevê a legislação. Logo, há diferença dos valores apresentados em DIRF (efls. 45 e 46) , fornecido pela Paranaprevidência, e os valores que a Recorrente informou em sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), efls. 15 a 28, já que, como dito, a contribuinte considerou o limite da isenção sobre os rendimentos adquiridos no ano, e não mensalmente. Tratase de caso rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) e da divergência de interpretação do Fisco e dos contribuintes, referendados pelo Judiciário, em relação a redação do artigo 12 da Lei nº 7.713/98, recentemente sepultada pela decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito do RE 614.406/RS, já adotada na jurisprudência deste CARF: IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). (Acórdão nº 9202003.695 27/01/2016) Para a Receita Federal do Brasil (RFB), quando, por qualquer fato, determinada pessoa física auferia rendimentos acumuladamente, provenientes do trabalho e de benefícios previdenciários, dentre eles a aposentadoria, em detrimento ao pagamento mensal, maneira usual, para fins de incidência do IRPF, adotariase o regime de caixa, tributando o Fl. 97DF CARF MF Processo nº 19985.724674/201661 Acórdão n.º 2002000.023 S2C0T2 Fl. 98 4 montante global, independentemente da divisão do valor total pelos meses em que as parcelas seriam devidas. Por óbvio, os contribuintes insurgiramse em face de tal entendimento, acionando o Poder Judiciário que, à luz dos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, isonomia e da capacidade contributiva, a incidência do IRPF deve considerar as datas e alíquotas vigentes em que de fato a verba seria devida, respeitando o regime de competência, já que não se pode transferir o ônus tributário ao contribuinte pessoa física, por exemplo, por dificuldade financeira da fonte pagadora. Obviamente que tais decisões, até o RE 614.406/RS, sempre foram concedidas individualmente aos contribuintes, gerando efeito entre as partes, jamais erga omnes. Contudo, com a decisão da Suprema Corte, cabe a este CARF aplicar a ratio decidendi ali exposada. Sobre o tema, leciona Hiromi Higuchi: No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto na fonte incidirá sobre o total dos rendimentos pagos no mês, inclusive sua atualização monetária e juros (art. 640 do RIR/99). O valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização, poderá ser deduzido para apurar a base de cálculo do imposto. Além dos casos de pagamentos acumulados de salários de vários meses, por dificuldade financeira da fonte pagadora, esse fato ocorre nas revisões judiciais de aluguéis comerciais quando as diferenças mensais em litígio são depositadas à disposição da justiça. No caso de salários há injustiça porque a alíquota de 27,5% incidirá sobre salários que isoladamente pagos estariam isentos do imposto. Há injustiça até na dedução de dependentes. O STJ vem, reiteradamente, decidindo que no cálculo do imposto incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, nos termos previstos no art. 521 do RIR (Decreto nº 85.450/80). A aparente antinomia desse dispositivo com o art. 12 da Lei nº 7.713/88 se resolve pela seguinte exegese: este último disciplina o momento da incidência; o outro, o modo de calcular o imposto. (...) O STF declarou a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, no RE 614.406/RS em repercussão geral. (grifos nossos) A fundamentação do voto vencedor prolatado pelo Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, no processo 10830.720626/201340, é precisa: Com a devida vênia ao posicionamento esposado pela Relatora, ouso discordar no que diz respeito à existência de vício material no lançamento e/ou de utilização de critério jurídico equivocado, que levassem à necessidade de desconstituição integral do lançamento, na forma proposta pelo Colegiado Fl. 98DF CARF MF Processo nº 19985.724674/201661 Acórdão n.º 2002000.023 S2C0T2 Fl. 99 5 recorrido. Sem dúvida, reconhecese aqui, em linha com o recorrido, que a matéria sob litígio foi objeto de análise recente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2o. do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no. 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome a este último julgado vinculante, noto, porém, que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do TRF4 acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer, na forma ali determinada, a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, de se ressaltar aqui também que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei no. 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional, não se estando destarte, diante de utilização de critério jurídico equivocado ou vício material no lançamento efetuado. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento, constantes de efl. 21, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese,ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento esposado por alguns membros deste Conselho, entendo que, a esta altura, ao se defender a exoneração integral do lançamento, se estaria, Fl. 99DF CARF MF Processo nº 19985.724674/201661 Acórdão n.º 2002000.023 S2C0T2 Fl. 100 6 inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, note se, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Assim, diante de tais motivos, voto no sentido de dar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, no sentido de determinar a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação tanto das tabelas progressivas como das alíquotas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência. Ainda, considerando que a desconstitituição do lançamento propugnada pelo Colegiado a quo levou ao não exame de alegações constantes do Recurso Voluntário do Contribuinte (mais especificamente quanto à isenção alegadamente aplicável aos rendimentos recebidos), de se retornar o feito ao Colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do Recurso Voluntário Neste ponto, dou provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte para que se refaça os cálculos do lançamento mês a mês, sob regime de competência, levando em conta as parcelas isentas. Ainda, insurgese a Recorrente no cancelamento da glosa realizada pela fiscalização por compensação de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) no valor de R$ 1.955,66 decorrente do recebimento de aluguel de imóvel locado à pessoa jurídica. Na Declaração de Ajuste Anual (DAA) às efls. 12 consta o valor recebido da pessoa jurídica pelos aluguéis, bem como o valor do IRRF recolhido pela empresa, valor este idêntico ao que consta no recibo apresentado pela sociedade empresária à Recorrente, nas efls 9. Como se sabe, o IRRF sobre rendimentos pagos por pessoa jurídica a título de aluguel deve ser retido pela fonte pagadora, ou seja, a locatária. Logo, esta é responsável pela retenção e pagamento do imposto mediante DARF, também indicando o nome do beneficiário na DIRF. Logo, a DIRF é uma obrigação acessória imposta a empresa jurídica locatária do imóvel, e não ao contribuinte pessoa física, no caso a Recorrente. Ainda, na gênese da fiscalização houve erro na identificação das pessoas jurídicas SERVICE CLEAN e FACILITY, conforme aponta o acórdão da DRJ. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 19985.724674/201661 Acórdão n.º 2002000.023 S2C0T2 Fl. 101 7 Caberia ao Fisco solicitar a DIRF da locatária para comparação com a DAA da Recorrente, o que não ocorreu, já que como dito, é obrigação acessória que deve ser apresentada pela pessoa jurídica. Desta forma, dou provimento ao Recurso Voluntário interposto pela contribuinte para que se refaça os cálculos do lançamento do IRPF mês a mês, sob regime de competência, levando em conta as parcelas isentas, além de afastar a glosa de compensação de IRRF dos rendimentos a título de aluguel recebidos de pessoa jurídica. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Voto Vencedor Conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo Redatora designada Peço vênia para divergir do entendimento do ilustre conselheiro relator quanto à glosa de compensação de imposto de renda retido na fonte (IRRF). A contribuinte informou em sua Dirpf R$ 1.955,66 de retenção na fonte, supostamente efetuada pela Service Clean (fl. 12), empresa que, segundo a recorrente, foi incorporada pela Facility (fl. 3). Para fazer jus à compensação de IRRF, tais valores declarados devem estar respaldados no comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. É o que determina o art. 87, § 2º do Decreto 3.000/99 (RIR): Art.87. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 12): [...] §2º O imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, ressalvado o disposto nos arts. 7º, §§1º e 2º, e 8º, §1º (Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 55). Contudo, a recorrente não apresentou o comprovante que a norma exige, mas sim planilhas elaboradas em editor de texto (fls. 9 e 71) e um email do Gmail supostamente enviado à Facility Empreendimentos (fl. 70). Planilhas e emails não comprovam retenção de imposto, pois não se revestem de formalidades suficientes para tal. Logo, a recorrente não pode deduzir do seu imposto a pagar valores com base em documentos tão frágeis como esses. No mais, a recorrente alega que é de responsabilidade da Facility Empreendimentos elaborar e entregar à Receita Federal a Dirf. Sim, é bem verdade que a Fl. 101DF CARF MF Processo nº 19985.724674/201661 Acórdão n.º 2002000.023 S2C0T2 Fl. 102 8 entrega da Dirf é responsabilidade da fonte pagadora, no entanto, isso não exime a contribuinte de comprovar os valores constantes de sua declaração de imposto de renda, principalmente quando estes valores implicam redução de tributo. Neste caso, o ônus da prova é da declarante e não do Fisco, ou seja, para fazer jus à compensação de IRRF, a contribuinte precisa possuir o comprovante de retenção emitido pela fonte, conforme previsto pelo art. 87 supra. Destarte, a documentação apresentada pela recorrente é insuficiente para sustentar suas alegações e como alegar e não provar é o mesmo que não alegar, segundo o brocardo jurídico por demais conhecido, o fato alegado sem provas considerase inexistente. Ante o exposto, voto pela manutenção da glosa da compensação de IRRF no valor de R$ 1.955,66. (assinado digitalmente) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Fl. 102DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13708.002159/2008-17
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
ARGUMENTOS DESPROVIDOS DE PROVAS.
O art. 15 do Decreto 70.235/72, que rege o processo administrativo fiscal federal, dispõe que a impugnação deve estar instruída com os documentos em que se fundamentar.
Numero da decisão: 2001-000.170
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
1.0 = *:*
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O art. 15 do Decreto 70.235/72, que rege o processo administrativo fiscal federal, dispõe que a impugnação deve estar instruída com os documentos em que se fundamentar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 8. 00 21 59 /2 00 8- 17 Fl. 48DF CARF MF 2 Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2006, anocalendário de 2005, por meio do qual foram glosadas despesas médicas e dedução indevida com despesas com instrução devido a falta de comprovação, gerando um crédito tributário de imposto de renda suplementar de R$18.375,24. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que teria protocolado junto à DERAT/RIOCAC MEIER, em resposta à intimação, justificativa com documentação pertinente, dentro do prazo determinado. Contudo, verificou que tal procedimento teria sido em vão já que não foram consideradas as justificativas e os documentos apresentados, tendo em vista a notificação de lançamento, sem maiores informações. Pelos fatos expostos, sentindose prejudicado, requer a análise dos fatos. A DRJ Rio de Janeiro I, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de o contribuinte não logrou êxito em comprovar suas alegações, tampouco juntou qualquer prova para fundamentar seus argumentos. Em sede de Recurso Voluntário, alega o contribuinte apenas que seja considerada como tempestiva a impugnação e analisados os argumentos nela expostos. Não traz mais nenhum argumento adicional. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O entendimento desta julgadora segue a mesma linha daquela apresentada pela DRJ Rio de Janeiro I. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Assim, dele tomo conhecimento. Alega o Contribuinte em sede recursal, que, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal, protocolou, dentro do prazo de cinco dias úteis, justificativa acompanhada de documentação pertinente às despesas realizadas. Apesar de alegar que apresentou os documentos solicitados, não acostou aos autos qualquer documento que comprovasse sua alegação. De acordo com o art. 15 do Decreto 70.235/72, a impugnação deverá estar instruída com os documentos que embasem sua fundamentação. Vejamos: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência.” Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13708.002159/200817 Acórdão n.º 2001000.170 S2C0T1 Fl. 3 3 Como bem registrou a DRJ Rio de Janeiro I, as glosas das despesas com instrução, de Previdência Privada e Médicas foram apuradas devido à falta de comprovação por parte do Contribuinte. Também não foram apresentados pelo Contribuinte em sua impugnação quaisquer documentos comprobatórios referentes às despesas glosadas. Estabelece o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR – Regulamento do Imposto de Renda) no “caput” de seu art. 73, como segue. Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). Neste diapasão, o sujeito passivo está obrigado a comprovar, de forma inequívoca e mediante documentação hábil e idônea, a realização de todas as deduções informadas em sua Declaração de Ajuste Anual, conforme preceitua a legislação aplicável. Dessa forma, tendo em vista que o Contribuinte não comprovou a realização das despesas discriminadas na Declaração de Ajuste Anual, bem como a ausência de apresentação de documentos comprobatórios, entendo também por manter as glosas efetuadas. Por tudo o quanto exposto, voto pela IMPROCEDÊNCIA do Recurso Voluntário, mantendose o crédito tributário apurado. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 50DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.902275/2010-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS PROBATÓRIO DO INTERESSADO.
Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.078
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Sarah Maria L. de A. Paes de Souza que convertia o julgamento em diligência para apuração da base de cálculo devida.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS PROBATÓRIO DO INTERESSADO. Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Sarah Maria L. de A. Paes de Souza que convertia o julgamento em diligência para apuração da base de cálculo devida. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1358; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10950.902275/201084 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302005.078 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2018 Matéria DCOMP. PIS/COFINS Recorrente FERMENTOS BRASIL ESPANHA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS PROBATÓRIO DO INTERESSADO. Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Sarah Maria L. de A. Paes de Souza que convertia o julgamento em diligência para apuração da base de cálculo devida. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 22 75 /2 01 0- 84 Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10950.902275/201084 Acórdão n.º 3302005.078 S3C3T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação), cujo crédito provém de pagamento indevido ou a maior de Contribuição para o PIS/Pasep. De acordo com o Despacho Decisório emitido pela unidade de origem, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando que, após profícuo e extenuante estudo, constatou que desde o advento da Lei 10.925, de 23 de Julho de 2004, estava recolhendo PIS e COFINS em desacordo com o citado diploma legal, haja visto que a peticionária comercializa, dentre outros, o produto popularmente conhecido como "fermento lático" cuja classificação no código NCM é 3002.90.99, código este contemplado pela referida lei através do seu Art º com alíquota 0 para PIS e COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de vendas no mercado interno. Afirma ainda que após ser cientificada do DD, tentou retificar a DCTF sem êxito, haja vista o prazo já ter expirado. O contribuinte apresentou Solução de Consulta sobre classificação de mercadorias e notas fiscais (amostragem), requerendo a reavaliação do Despacho Decisório. Na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 02052.050. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa, após ser cientificada, apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.066, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10950.900108/201180, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.066): "PRELIMINARES Dos requisitos de admissibilidade Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10950.902275/201084 Acórdão n.º 3302005.078 S3C3T2 Fl. 4 3 O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Do pedido para juntada posterior de provas Protesta o Recorrente pela posterior juntada de novos documentos e provas que se fizerem necessárias ao deslinde do feito. Esclareçase que a juntada posterior ao momento impugnatório, de provas ao processo somente encontra amparo se comprovadas às condições impostas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo transcrito: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Observase no entanto, que não demonstrou o recorrente abrigarse na norma excepcional acima destacada. MÉRITO Da inexistência probatória Tendo em vista que a questão dos autos diz respeito ao instituto da compensação, forma de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156 do CTN, e disciplinada no art. 170 do referido diploma legal, há exigências fundamentais para que possa ser operacionalizada a compensação, no âmbito do Direito Tributário, sendo as principais: (1) a necessidade de lei que autorize a compensação; e (2) que os créditos de titularidade do sujeito passivo sejam líquidos e certos. Dizse assim que um crédito é certo quando não há dúvida relativa à sua existência e é líquido quando é conhecido seu exato valor, ou seja, a certeza diz respeito à existência do crédito e a liquidez diz respeito ao montante. Sendo líquido e certo o crédito do particular e existindo lei que preveja a compensação, procederseá ao encontro das dívidas. Nesse mister, a compensação está disciplinada nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, no caso em apreço, quanto à questão meritória, destaca o recorrente que desde o advento da Lei nº 10.925, de 23 de Julho de 2004, estava recolhendo PIS e COFINS em desacordo com o citado diploma legal, haja vista que comercializa, dentre outros, o produto popularmente conhecido como "fermento lático" cuja classificação no código NCM é 3002.90.99, código contemplado pela referida lei com alíquota zero para PIS e COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de vendas no mercado interno. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10950.902275/201084 Acórdão n.º 3302005.078 S3C3T2 Fl. 5 4 Em se tratando de direito creditório pleiteado é importante demonstrar em breve abordagem a questão do ônus probatório. Utilizandose subsidiariamente as regras do Código de Processo Civil, vigente à época da apresentação da manifestação de inconformidade, verifica se: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. Disciplina o processo administrativo fiscal, Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 9º que [a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito]. Já o art. 16, III, do citado diploma legal estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. Observese que a premissa para verificar a origem do crédito, que é a constatação do indébito, inexiste no presente caso, visto que restou demonstrado no citado despacho decisório que o suposto crédito estava totalmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, não restando, assim, crédito disponível para compensação pretendida. Ressaltese que, no presente caso, a regra acima quanto ao ônus probatório, se inverte, cabendo ao requerente de um suposto direito creditório demonstrar ao fisco, os livros e documentos exigidos pela legislação para a comprovação de seu direito. Nesse sentido, o recorrente teve a oportunidade processual, visto que lhe foram assegurados o contraditório e ampla defesa, quando da apresentação da manifestação de inconformidade de apresentar documentos/livros que demonstrem à Administração Tributária o suposto o crédito pleiteado. Com efeito, pela minudência da fundamentação, reproduzo parcialmente excertos da decisão de piso: Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta.(grifei). Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10950.902275/201084 Acórdão n.º 3302005.078 S3C3T2 Fl. 6 5 No caso concreto, o contribuinte declarou em DIPJ e confessou em DCTF o tributo recolhido por meio do Darf apresentado como crédito para a compensação. Transmitiu o PerDcomp (...), mas não efetuou a retificação de suas declarações. Ressaltese que (...) retificou as DCTF (....) contudo sem alterar os valores em discussão. A Solução de Consulta de classificação serve para amparar a classificação da mercadoria ali descrita. As notas fiscais apresentadas, de acordo com o contribuinte, por amostragem comprovam a venda da mercadoria indicada na Solução de Consulta. Entretanto, o valor pleiteado como crédito é igual a 96% do Darf. Significa dizer que o contribuinte , praticamente, só comercializa o produto objeto da Solução de Consulta, informação que não foi prestada nem comprovada na manifestação. As provas apresentadas por amostragem são insuficientes para comprovar os fatos relatados e para conferir certeza e liquidez ao crédito pleiteado.(grifei). Ante o exposto, VOTO POR REJEITAR A PRELIMINAR SUSCITADA E NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar os fatos relatados e conferir certeza e liquidez ao crédito pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 130DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.003802/2010-65
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2006
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. CELEBRAÇÃO DO ACORDO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE APURAÇÃO.
As regras para percepção da PLR devem constituir-se em incentivo à produtividade, devendo assim ser estabelecidas previamente ao período de aferição. Regras e/ou metas estabelecidas no decorrer do período de aferição não estimulam esforço adicional.
Numero da decisão: 9202-005.975
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Patrícia da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pelo conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci na sessão anterior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2006 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. CELEBRAÇÃO DO ACORDO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. As regras para percepção da PLR devem constituir-se em incentivo à produtividade, devendo assim ser estabelecidas previamente ao período de aferição. Regras e/ou metas estabelecidas no decorrer do período de aferição não estimulam esforço adicional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Patrícia da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pelo conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci na sessão anterior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
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CELEBRAÇÃO DO ACORDO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. As regras para percepção da PLR devem constituirse em incentivo à produtividade, devendo assim ser estabelecidas previamente ao período de aferição. Regras e/ou metas estabelecidas no decorrer do período de aferição não estimulam esforço adicional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Patrícia da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pelo conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci na sessão anterior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 38 02 /2 01 0- 65 Fl. 484DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2403002.114, proferido pela 3ª Turma Ordinária / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de crédito lançado pela fiscalização (DEBCAD nº 37.225.6490) relativo às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente à parte da empresa e à destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, do período de 06/2005 a 06/2006, no montante de R$ 884.240,28, retificado para R$ 401.484,38. Segundo Relatório Fiscal, o fato gerador foi apurado com base nas remunerações pagas a título de Participação nos Lucros e/ou Resultados, em desacordo com o que estatui a Lei 10.101/2000. Com relação aos valores pagos aos diretores não empregados, Srs. Wilio Massao Ura e Mitsuhiro Kishino, ressalta a fiscalização que o benefício da Lei 10.101/2000 se estende somente aos segurados empregados, não abrangendo contribuintes individuais, motivo pelo qual foi apurada a contribuição devida sobre tais importâncias. No que diz respeito aos segurados empregados, os dois acordos feitos pela empresa para fins de pagamento de participação nos lucros foram assinados somente em 30 de junho de 2006, embora se refiram aos pagamentos efetuados nas competências 06/2005 e 06/2006. Aduz, ainda, a autoridade autuante que a Cláusula Terceira dos acordos fixa como parâmetro para o pagamento do PLR o índice de absenteísmo atingido pelo empregado. No entanto, a finalidade da Lei 10.101/2000 não é assegurar a assiduidade do empregado, pois o seu absenteísmo não influenciará necessariamente nos lucros ou resultados do empregador. Pela omissão dos fatos geradores em GFIP, no caso das infrações cometidas antes de 04/12/2008, inicio da vigência da MP 449/2008, a fiscalização levou a efeito o cotejo da penalidade prevista no já revogado art. 32, § 5º, da Lei 8.212/91, com aquela aludida pelo art. 44, I, da Lei 9.430/96, a fim de aplicar a mais benéfica ao infrator, nos termos do art. 106, II, “c”, do CTN. A multa que se mostrou mais benéfica foi a prevista no art. 32 da Lei 8.212/91, que corresponde a 100% do valor da contribuição omitida em GFIP, conforme demonstrado no Anexo II, excetuada a contribuição destinada a terceiros (Incra, Sesi, Senai, Sebrae e Salário Educação). Fl. 485DF CARF MF Processo nº 13888.003802/201065 Acórdão n.º 9202005.975 CSRFT2 Fl. 484 3 O Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 52/81. A 12ª Turma da DRJRJ, às fls. 337/349, julgou parcialmente procedente, reconhecendo a extinção do crédito tributário da competência 06/2005, em função da decadência, mantendo, no entanto, o crédito tributário referente à competência 06/2006. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 357/393, atacando a decisão de primeira instância e reiterando os argumentos deduzidos em sede de Impugnação, para o fim de declarar extinto o crédito tributário alusivo à competência 06/2006 ou, sucessivamente, para que seja aplicada a alíquota SAT de 2% no débito que venha a substituir. A 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 398/369, DEU PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, para se excluir, na competência 06/2006, o Código de levantamento PL PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS PLR. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO REGULARIDADE DO LANÇAMENTO INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram a autuação, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade da autuação. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO PLR REGRAS CLARAS E OBJETIVAS REQUISITOS PREVISTOS NA LEI 10.101/2000 LIBERDADE PARA FIXAÇÃO DE CRITÉRIOS E CONDIÇÕES POR MEIO DE NEGOCIAÇÕES A jurisprudência do CARF, nos dizeres de Elias Sampaio Freire (Freire, Elias Sampaio. A repercussão da adoção de programas de participação nos lucros ou resultados sobre a incidência de contribuições previdenciárias. In Fl. 486DF CARF MF 4 Contribuições previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Freire, Elias Sampaio. Peixoto, Marcelo Magalhães (coords). São Paulo: MP Ed., 2012. p. 9.) aponta no sentido de que a Lei 10.101/2000 não traz regras detalhadas, justamente porque privilegia a participação dos empregados, seja indiretamente por intermédio dos respectivos sindicatos, seja diretamente por intermédio de comissão escolhida por eles, dandolhes liberdade para fixarem critérios e condições por meio de negociação. Ademais, nem poderia a autoridade fiscal criar critérios subjetivos no caso concreto, sob pena de violação do Princípio da Legalidade, artigo 37, caput, da Constituição Federal. Recurso Voluntário Provido Às fls. 438/446, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, alegando divergência jurisprudencial em relação à seguinte matéria: aspecto temporal em que se considera cumprido o requisito da necessidade de acordo prévio e existência de regras previamente ajustadas, nos ditames da Lei 10.101/2000. No caso dos autos, o colegiado entendeu que a formalização do acordo pode ser posterior ao início do período de apuração do lucro. Já segundo o acórdão paradigma, deve se considerar como adimplido mencionado requisito quando observado anteriormente ao exercício de apuração do lucro ou resultado. Entender como no julgado proferido nos presentes autos é conceder à legislação de regência interpretação teratológica, pois distorce a mens legis presente na legislação da Participação dos Lucros e Resultados, já que se infere da norma a anterioridade das regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, nos termos do art. 2° da Lei 10.101/2000, descritas em convenção ou acordo coletivo, formalizado previamente ao exercício de aferição do lucro e resultado, para, ulteriormente, imunizar se o pagamento do benefício surgido pelo cumprimento dos dispositivos legais. Às fls. 460/462, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação à divergência sobre os requisitos legais para o pagamento a título de PLR diante da inexistência de acordo formalizado anteriormente ao período de apuração do lucro ou resultado. Devidamente citado, o Contribuinte, às fl. 472/478, apresentou contrarrazões, combatendo o mérito, reiterando os fundamentos já levantados anteriormente. Após, vieram os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de crédito lançado pela fiscalização (DEBCAD nº 37.225.6490) relativo às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente à parte da empresa e à destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de Fl. 487DF CARF MF Processo nº 13888.003802/201065 Acórdão n.º 9202005.975 CSRFT2 Fl. 485 5 incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, do período de 06/2005 a 06/2006, no montante de R$ 884.240,28, retificado para R$ 401.484,38. O Acórdão recorrido deu provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência sobre o aspecto temporal em que se considera cumprido o requisito da necessidade de acordo prévio e existência de regras previamente ajustadas, nos ditames da Lei 10.101/2000. PAGAMENTO DE LUCROS E RESULTADOS PLR O pagamento da participação nos lucros e resultados para trabalhadores, empregados ou não de uma empresa, sem o recolhimento da contribuição previdenciária, está assegurado pelo artigo 7º, inciso XI, da CF. O dispositivo estabelece que são direitos dos trabalhadores urbanos e rurais participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa. Assim, se a participação dos lucros está excluída do conceito de remuneração, a contribuição incidirá apenas sobre os demais rendimentos, estes sim, de caráter remuneratório. I. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL – INCIDÊNCIA REGULAMENTADA POR LEI ABRANGE UNICAMENTE RENDIMENTOS ADVINDOS DO TRABALHO. O legislador ordinário foi muito zeloso ao instituir o a base legal de custeio previdenciário, o fazendo de modo expresso na Constituição Federal, em seu art. 195, I, “a”. Contudo, para melhor esclarecer detalhes de sua aplicabilidade tratou de disciplinar a aplicação do referido artigo, por meio da edição da Lei nº 8212/91, conhecida como Lei de Custeio da Previdência Social. Observando tanto o artigo 195 da CF/88, como a referida Lei de Custeio, depreendemos que a tributação previdenciária está claramente limitada a rendimentos do trabalho. A doutrina é maciça neste sentido, como podemos observar as pontuações de ZAMBITTE IBRAHIM: “Tanto histórica como normativamente, a contribuição previdenciária é delimitada a rendimentos do trabalho, tendo em vista o objetivo das prestações previdenciárias em substituir rendimentos habituais do trabalhador, os quais, por regra, são derivados da atividade laboral. Ou seja, a legislação vigente, de forma muito clara, delimita a incidência previdenciária, em qualquer hipótese, a rendimentos do trabalho.” (ZAMBITTE IBRAHIM, Fábio). Fl. 488DF CARF MF 6 Partindo da premissa que a contribuição previdenciária é devida tão somente sobre as parcelas recebidas a título de remuneração pelo trabalho, são incabíveis as alegações da Fazenda Nacional de que as parcelas advindas de Participação nos Lucros e Resultados – PLR, devam sofrer tal incidência. Isso por que a PLR tem relação intrínseca com remuneração do capital – lucro. Essa distinção é fundamental para que possa compreender o motivo da não incidência de contribuição previdenciária patronal sobre a Participação nos Lucros e Resultados – PLR, recebidas por empregados e administradores. Para melhor compreendermos, é preciso levar em conta que a participação referida – PLR, tem uma relação intrínseca com o resultado auferido, ela depende exclusivamente do êxito, enquanto que a remuneração advinda do trabalho independe do risco para ser adimplida, basta a contraprestação do trabalho. Professor Zambitte Ibrahim bem esclarece esta dicotomia entre as referidas verbas: “É também intuitivo, mesmo para o público leigo, que um conceito não se confunde com o outro. É natural e facilmente perceptível que o trabalho, de modo algum, possui liame imediato com o lucro. Não são incomuns as situações de empresários que, mesmo após longa dedicação ao seu mister, não alcançam qualquer proveito econômico e, não raramente, ainda observam relevante perda patrimonial. Já para trabalhadores, com ou sem vínculo empregatício, o rendimento do trabalho é assegurado pela lei, pois não cabe a eles o risco da atividade econômica, o qual, por natural, é assumido pelo empresário. Seus rendimentos traduzem mera contraprestação pela atividade profissional desempenhada”. O próprio ordenamento jurídico tratou de fazer esta distinção, quando elencou no Código Tributário Nacional, por meio do art. 43, os tipos de Rendimentos, que ensejam a aplicação do Imposto de Renda: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção” (grifei) Da leitura do artigo da lei, extraise que a renda tributável, para fins do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, é aquela decorrente do produto do capital e/ou trabalho. Contudo resta evidente que a lei tratou de classificar a renda como: produto do capital, produto do trabalho ou da combinação de ambos, ou seja, cada uma possui um conceito próprio. No caso em tela se estivéssemos discutindo a incidência de imposto de renda, não haveria qualquer dúvida que este seria aplicável sobre ambas. Ou seja, “se há incremento patrimonial – e este é o aspecto nuclear do imposto sobre a renda – proveniente de lucros da atividade econômica pelo empresário ou, cumulativamente, das retribuições pecuniárias pelos seus serviços, há, em qualquer hipótese, renda tributável.” (ZAMBITTE IBRAHIM, Fábio). Fl. 489DF CARF MF Processo nº 13888.003802/201065 Acórdão n.º 9202005.975 CSRFT2 Fl. 486 7 Isso por que a base de incidência do Imposto de renda engloba proventos de ambas as naturezas: trabalho e capital. Contudo, o mesmo não ocorre para fins previdenciários, pois a CF/88 mesmo após a EC nº 20/98, optou por tributar, somente os rendimentos do trabalho. Assim, “ao contrário do imposto sobre a renda, a incidência previdenciária é circunscrita aos rendimentos do trabalho, unicamente. A disposição é categórica e cristalina. Ainda que permita a inclusão de trabalhadores sem vínculo empregatício, somente valores derivados do trabalho podem sofrer a respectiva tributação. Como não poderia ser diferente, caminha no mesmo sentido a regulamentação infraconstitucional da matéria, em estrita observância do mandamento constitucional”. (ZAMBITTE IBRAHIM, Fábio). II. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL – LIMITAÇÕES LEGAIS DE INCIDÊNCIA A EC nº 20/98, ampliou as possibilidades de incidência da cota patronal previdenciária, o que foi disciplinado posteriormente pela Lei nº 9.876/99, que deu nova redação ao art. 22, I da Lei nº 8.212/91, responsável pela previsão da cota patronal previdenciária: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (grifei). Observese que o legislador ordinário ao disciplinar as inovações trazidas pela Emenda Constitucional citada, alargou a incidência da cota patronal previdenciária, mas desta vez, com a competência tributária prévia devidamente estabelecida. No entanto, como se percebe do preceito reproduzido, a incidência é, ainda, restrita aos rendimentos do trabalho. Para melhor compreender esta alteração – ampliação da base de incidência da cota patronal é necessário mencionar que a alteração produzida pela nova lei foi unicamente no sentido de incluir outros segurados além da categoria dos empregados. Não por incluir valores outros além dos rendimentos do trabalho, mas, unicamente, pela inserção de remunerações pagas ou devidas a outros segurados, além de empregados. Mantendo, portanto, a mesma regra quanto ao tipo de rendimentos, qual seja, que este seja advindo do trabalho. Ainda citando Professor ZAMBITTE IBRAHIM: Fl. 490DF CARF MF 8 “Este sempre foi o real objetivo da alteração constitucional, aqui devidamente conquistado. Novamente, não há qualquer previsão na Lei nº 8.212/91 que albergue a incidência de contribuições previdenciárias sobre os lucros e resultados de diretores nãoempregados. Não é de imposto de renda que se trata, mas sim de contribuição previdenciária. Neste ponto, merece referência a Lei nº 8.212∕91, no art. 28, III, a qual prevê, como saláriodecontribuição de contribuintes individuais, a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria. O pagamento de lucros e resultados, como visto, não reflete remuneração, pois não se trata de rendimento do trabalho. Aqui, não há inclusão de tais valores na base previdenciária, seja do segurado ou da empresa. Como reconhece o próprio Regulamento da Previdência Social RPS, no art. 201, § 5º, somente na hipótese de ausência de discriminação entre a remuneração do capital e do trabalho, na precisa dicção do RPS, é que haverá a potencial incidência sobre o total pago ou creditado ao contribuinte individual, haja vista a comprovada fraude.” Diante da citação feita pelo doutrinador, mister se faz a leitura do dispositivo legal apontado, art. 201, § 5º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, em sintonia com a Constituição e a Lei nº 8.212/91, que expressamente reconhece a dualidade entre rendimentos do capital e trabalho, especialmente quando voltados a segurados contribuintes individuais: Art. 201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: (...) § 5º No caso de sociedade civil de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissões legalmente regulamentadas, a contribuição da empresa referente aos segurados a que se referem as alíneas "g" a "i" do inciso V do art. 9º, observado o disposto no art. 225 e legislação específica, será de vinte por cento sobre: I a remuneração paga ou creditada aos sócios em decorrência de seu trabalho, de acordo com a escrituração contábil da empresa; ou II os valores totais pagos ou creditados aos sócios, ainda que a título de antecipação de lucro da pessoa jurídica, quando não houver discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social ou tratarse de adiantamento de resultado ainda não apurado por meio de demonstração de resultado do exercício. (grifei) Com a reclassificação dos segurados da Previdência Social advinda da Lei nº 9.876/99, que criou o segurado contribuinte individual, mediante a unificação das categorias autônomo, equiparado a autônomo e empresário, houve uma rígida adequação de tais segurados ao mesmo regramento. A ideia geral é no sentido de que contribuintes individuais somente terão a respectiva incidência previdenciária sobre os valores que visarem retribuir o trabalho, e nunca o capital. O que deixa nítida a não incidência da Contribuição Previdenciária patronal sobre a PLR paga no caso concreto dos autos. III –LEI 10.101/2000 – FORMALIDADES PARA IMPLEMENTAÇÃO DA PLR. A Lei 10.101/2000 disciplina as formalidades necessárias para a caracterização de Participação nos Lucros e Resultados. Assim um conjunto de disposições Fl. 491DF CARF MF Processo nº 13888.003802/201065 Acórdão n.º 9202005.975 CSRFT2 Fl. 487 9 esclarecem quando se trata ou não de parcela não remuneratória e isenta de contribuições previdenciárias. Isso se faz necessário, logicamente, para evitar que o instituto seja desvirtuado, ou que, verbas de natureza remuneratória sejam taxadas como pagamento de PLR., com o fim unicamente de burlar o sistema tributário e não pagar contribuições previdenciárias. Dentre estes requisitos formais, temos, a negociação entre empregadores e empregados, por meio de comissão, integrada também por um representante do sindicato da categoria ou de convenção/acordo coletivo. Assim como requisitos materiais com regras claras e objetivas quanto aos direitos substantivos e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição do seu cumprimento, periodicidade da distribuição, vigência e prazos de revisão. E o critério de pagamento pode ter por base, entre outros, índices de produtividade, qualidade ou lucratividade ou de programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Lei 10.101/2000 Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I Comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II Convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I Índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II Programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. § 3º Não se equipara a empresa, para os fins desta Lei: I A pessoa física; II A entidade sem fins lucrativos que, cumulativamente: a) não distribua resultados, a qualquer título, ainda que indiretamente, a dirigentes, administradores ou empresas vinculadas; b) aplique integralmente os seus recursos em sua atividade institucional e no País; c) destine o seu patrimônio a entidade congênere ou ao poder público, em caso de encerramento de suas atividades; Fl. 492DF CARF MF 10 d) mantenha escrituração contábil capaz de comprovar a observância dos demais requisitos deste inciso, e das normas fiscais, comerciais e de direito econômico que lhe sejam aplicáveis. § 4º Quando forem considerados os critérios e condições definidos nos incisos I e II do § 1o deste artigo: I A empresa deverá prestar aos representantes dos trabalhadores na comissão paritária informações que colaborem para a negociação II Não se aplicam as metas referentes à saúde e segurança no trabalho. Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. O caso dos autos discute o possível descumprimento de uma destas formalidades, a inexistência de pacto prévio anterior ao pagamento da PLR. Neste Tribunal Administrativo existem várias correntes de pensamento a respeito do que seria a expressão ‘pacto prévio’ prevista em na Lei. Recentes estudos demonstram que a jurisprudência desta Corte, observada de 2010 até 2016, já se dividiu em quatro posicionamentos distintos a respeito do momento da assinatura do acordo (i) necessidade de assinatura antes do início do exercício relativo ao cumprimento das metas; (ii) possibilidade de assinatura no exercício seguinte ao cumprimento das metas, em razão de a Lei n. 10.101/00 não trazer “limite temporal para a celebração dos acordos” e, consequentemente, pela impossibilidade de assinatura no exercício seguinte em razão de não haver incentivo à produtividade, com precedente da CSRF; (iii) possibilidade de assinatura até período em que possa vislumbrar um incentivo à produtividade, mas não necessariamente até o fim do período a que se refere; e (iv) possibilidade até antes do pagamento da PLR, havendo também precedente da CSRF nesse sentido. Para a Fazenda Nacional vige o entendimento de que a data de assinatura do acordo – posterior ao início do período de apuração do PLR – retira da verba uma característica essencial à recompensa pelo esforço feito para alcance de metas. Contudo, discordo frontalmente deste entendimento, por compreender que ele desconfigura a real intenção do poder Legislativo na adoção da PLR. A relação globalizada entre os países, as trocas mercantis, a participação do Brasil nos mercados externos contribuiu para a adoção da PLR no Brasil, a fim de tornar o Brasil competitivo no mercado externo, bem como trazer um incentivo aos seus empregados e trabalhadores, a fim de que esta produtividade trouxesse lucro e participação para aqueles que se encontram na base da pirâmide, no plano da força de trabalho. Exigir algo que a Lei não exigiu consiste em criar regras mais gravosas que aquelas que foram elaboradas pelo Congresso, fugindo assim do real objetivo da norma legal. Hoje não se fala mais no positivismo exacerbado, mas a norma ainda é a matriz, o ponto de partida de onde se retira o Direito. Sendo assim, a meu ver a PLR pode ser assinada até a data do efetivo pagamento realizado aos trabalhadores, pois a Lei não impôs limite temporal para a Fl. 493DF CARF MF Processo nº 13888.003802/201065 Acórdão n.º 9202005.975 CSRFT2 Fl. 488 11 celebração dos acordos, isso ocorre por que, é notório que um conjunto de fatores de ordem burocrática, são conjugados até a finalização destes acordos. Pensar diferente significaria criar um requisito temporal não existente na lei, o qual não poderia ser imposto ao Contribuinte, quanto menos poderia ele ser penalizado com base numa regra não positivada. O Contribuinte esclarece a fiscalização como se deram estes pagamentos e em quais documentos possuem esteio: Assim sendo, os valores distribuídos a título de participação nos resultados em junho de 2005 referemse ao programa de metas de abril de 2004 a março de 2005 (anobase 2004). Aqueles quitados em junho de 2006, por sua vez, decorrem dos resultados obtidos no período de abril de 2005 a março de 2006 (anobase 2005) e assim sucessivamente.Neste sentido, verificase dos instrumentos em anexo (docs. 18 e 19), os mesmos que foram entregues e examinados pela Autoridade Fiscal, ambos assinados em 30 de junho de 2006: a) que o doc. 18 corresponde ao Acordo válido para o período de abril de 2005 a março de 2006, anobase 2005, com pagamento da participação em junho de 2006; b) que o doc. 19 corresponde ao Acordo válido para o período de abril de 2006 a março de 2007, anobase 2006, com pagamento da participação em junho de 2007. O pagamento feito em junho de 2005, a título de participação nos lucros ou resultados não é, portanto, justificado por qualquer desses documentos (assinados em junho de 2006), e sim pelo Acordo referente ao anobase 2004 (doc. 17), ora anexado, que foi assinado em junho de 2005. Importa salientar ainda que as normas que se referem a isenção conforme artigo 111 do CTN, devem ser interpretadas literalmente. No caso em tela, os acordos eram repetidos anualmente, o que demonstra que as normas eram de conhecimento de todos e a pactuação prévia vinha sendo realizada ano após ano, com mesmo texto e mesmas regras. Quanto a alegação de que a falta de assinatura prévia corrompe a ideia de que o trabalhador deve ter conhecimento das regras que devem ser claras e objetivas, a respeito da PLR, não há qualquer razão de ser. Observese, que para saber se há conhecimento das regras, se estas são claras e objetivas, basta que se observe as negociações entre a empresa e seus empregados, as quais serão realizadas, ou por comissões paritárias, com participação de empregados e sindicato, ou ainda, por meio de convenções ou acordos coletivos, dentro das formalidades já conhecidas. Quando se chega a assinatura do acordo, este já foi deveras vezes debatido e negociado pelas partes, todos capazes, assim definidos pela Lei. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso da Fazenda Nacional para fins de manter o acórdão recorrido, devendo ser cancelados o autos de infração, pois não há juridicamente como se falar em contribuição previdenciária dos valores pagos pela recorrente a título de PLR objeto do lançamento. Fl. 494DF CARF MF 12 É como voto. (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a devida vênia ao entendimento esposado pela Relatora, ouso divergir quanto ao aspecto temporal em que se considera cumprido o requisito da necessidade de acordo prévio e existência de regras previamente ajustadas, nos ditames da Lei no. 10.101, de 2000. Inicialmente, de se reproduzir a base legal da exclusão do conceito de salário de contribuição da participação nos lucros ou resultados da empresa, contida no art. 28, §9o., caput e alínea "j", da Lei no 8.212, de 1991, verbis: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica;(grifei) Condicionada, assim, a exclusão do conceito de salário de contribuição dos valores pagos a título de PLR à observância dos requisitos previstos em lei específica, mais especificamente, in casu, na Lei no. 10.101, de 2000. De interesse, para o deslinde do presente litígio, os requisitos constantes daquele diploma legal em seu art. 2o., em especial o contido em seu § 1o., expressis verbis: Art.2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. §1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Fl. 495DF CARF MF Processo nº 13888.003802/201065 Acórdão n.º 9202005.975 CSRFT2 Fl. 489 13 I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. (grifei) §2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. §3o Não se equipara a empresa, para os fins desta Lei: I a pessoa física; II a entidade sem fins lucrativos que, cumulativamente: a) não distribua resultados, a qualquer título, ainda que indiretamente, a dirigentes, administradores ou empresas vinculadas; b) aplique integralmente os seus recursos em sua atividade institucional e no País; c) destine o seu patrimônio a entidade congênere ou ao poder público, em caso de encerramento de suas atividades; d) mantenha escrituração contábil capaz de comprovar a observância dos demais requisitos deste inciso, e das normas fiscais, comerciais e de direito econômico que lhe sejam aplicáveis. (...) A propósito, inicialmente, de se ressaltar que não vislumbro como associar a característica de necessário rendimento de capital à Participação de Lucros e Resultados auferida, uma vez que tal tese implicaria, em meu entendimento, quanto às rubricas em litígio, que se assumisse serem os empregados necessariamente participantes do capital social da empresa, qualidade reservada somente aos sócios do empreendimento. Ou seja, entendo que só se poderia fazer a construção de que há um necessário rendimento de capital (e não de trabalho) disponibilizado, para o caso de empregados que se revestissem da qualidade de acionistas ou quotistas da empresa e que, assim, houvessem subscrito e/ou integralizado capital no empreendimento, recebendo rendimentos decorrentes desta qualidade de sócios e não se confundindo, assim, com outros empregados, quando estes últimos, tal como no caso em questão, não restem caracterizados como detentores de ações ou quotas. Entendo, a propósito, que, neste caso (empregados ou trabalhadores não acionistas ou quotistas), o que os empregados estão, sim, a auferir, é uma remuneração decorrente de seu trabalho, ainda que de natureza variável, dependente de metas e regras vinculadas a critérios capazes de alterar o montante a ser recebido. Ou seja, com a devida vênia aos que esposam entendimento contrário, em meu entendimento reservase o conceito de necessário rendimento de capital auferido àqueles que efetivamente contribuíram com este fator de produção (capital) para fins de realização do ciclo empresarial, normalmente em detrimento da contribuição com o fator trabalho (como no caso dos empregados). Fl. 496DF CARF MF 14 Feita tal digressão inicial, entendo que a melhor interpretação a ser dada ao dispositivo (art. 2o. da Lei no 10.101, de 2000) deve ser no sentido de que se busca, a partir do texto legal, um binômio de aumento de produtividade e garantia de participação aos empregados, de forma a que seja atingido, pela empresa, um maior nível de competitividade e, consequentemente, pela economia nacional como um todo, sem que se abra mão, todavia, de que este aumento de competitividade (e consequente rentabilidade empresarial) seja revertido, em parte, aos empregados que colaboraram diretamente para tal aumento. Mais especificamente, em linha com o entendimento majoritário esposado por esta Turma, entendo só ser possível a consecução de tal binômio caso a formalização do instrumento de acordo se dê antes do período de aferição (exercício), de forma a que o empregado, com prévia ciência de metas e/ou regras claras e objetivas, devidamente formalizadas (visto não haver que se falar em obrigatoriedade legal de distribuição/pagamento sem um instrumento legal que a respalde formalmente), possa saber o esforço adicional a ser executado de forma a auferir rendimento financeiro adicional, conforme muito bem resumido no voto prolatado no âmbito do Acórdão 9202005.704, pelo Conselheiro Relator, Dr. Luiz Eduardo de Oliveira Santos e ao qual acedi integralmente, daí adotando o seguinte excerto do mesmo como razões de decidir, verbis: (...) Saliento ainda o entendimento expresso pela Dra. Elaine Cristina Monteiro e Silva Viera no voto condutor do acórdão paradigma nº 2401000.545, indicado no recurso especial de divergência da Fazenda: Como é sabido, o grande objetivo do pagamento de participação nos lucros e resultados e a participação do empregado no capital da empresa, de forma que esse se sinta estimulado a trabalhar em prol do empreendimento, tendo em vista que o seu engajamento, resultará em sua participação (na forma de distribuição dos lucros alcançados). Assim, como falar em engajamento do empregado na empresa, se o mesmo não tem conhecimento prévio do quanto a sua dedicação irá refletir em termos de participação. É nesse sentido, que entendo que a lei exigiu não apenas o acordo prévio ao trabalho do empregado, ou seja, no início do exercício, bem como o conhecimento por parte do trabalhador de quais as regas (ou mesmo metas) que deverá alcançar para fazer jus ao pagamento. Entendo que o acordo necessita ser assinado antes de iniciado o período a que se refere, porquanto a PLR tem por finalidade incentivar o trabalhador a incrementar sua produtividade, situandoa acima do que lhe é usual ou ordinário. Sem que o acordo se dê antes de iniciado o período, não haveria como o trabalhador saber, com precisão, em quanto deveria aumentar o seu esforço para alcançar metas e qual o possível efeito financeiro que isto lhe acarretaria. Ainda que se possa alegar que os acordos pouco mudaram relativamente a critérios que estavam estabelecidos anteriormente, nada disso seria garantia de que as regras não pudessem ser modificadas. O único instrumento constante da Lei nº 10.101/2000 que assegura ao trabalhador o direito à retribuição é o acordo firmado com a observância dos princípios Fl. 497DF CARF MF Processo nº 13888.003802/201065 Acórdão n.º 9202005.975 CSRFT2 Fl. 490 15 legais, sobretudo o da não surpresa e da livre negociação com a participação da representação sindical. A fim de que o trabalhador não fique ao talante do empregador, e, ao mesmo tempo, que o empregador tenha assegurado o necessário incremento de produtividade para justificar o compartilhamento do seu lucro, o acordo deve ser celebrado antes da vigência do período em que vigorará, de modo a que as partes iniciem esse tempo conhecedoras de todas as regras a cumprirem. (...) Ainda, faço notar que a literalidade do texto legal também suporta integralmente o entendimento acima adotado de necessidade, para fins de cumprimento aos requisitos legais, de formalização prévia do acordo empresatrabalhadores contendo metas e regras claras vinculadas a um aumento de produtividade (futuro), uma vez que estabelece: a) a sugestão de vinculação à índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; b) A condição de quando da utilização de programas de metas, resultados e prazos, estes serem pactuados previamente; c) A necessidade de arquivamento do instrumento de acordo na entidade sindical dos trabalhadores e d) A necessidade de previsão, no instrumento de acordo, de mecanismos de aferição aplicáveis e seu período de vigência (o que levaria a uma necessária aceitação de uma incomum vigência retroativa e aferição aplicável a competências passadas, caso se adotasse a tese de possibilidade de formalização após o início do período de aferição). Entendo que a previsão de tais elementos em conjunto, consoante o referido art. 2o. caput, §§1o. e §§2o. respalda a interpretação aqui adotada de forma integral, em detrimento da tese alternativa de inexistência de vedação legal expressa à formalização após o início do período de aferição (exercício) para fins de manutenção da não incidência. Assim, aplicandose tal entendimento ao caso sob análise, verifico que, na forma relatada, no presente caso (efl 17): "(...) 6.1 A empresa apresentou para a fiscalização dois Acordos para Fins de Participação nos Lucros e Resultados, que foram assinados pela empresa, pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Afins de Capivari, Rafard, Elias Fausto, Mombuca, Conchas, Pereiras, Laranjal Paulista e Cesário Lange e pela Comissão de Trabalhadores em 30 de junho de 2006, para justificar o pagamento do P.L.R para os anos de 2005 e 2006, (...). 6.2 Portanto não era possível que os empregados tivessem conhecimento prévio das metas e dos resultados a serem atingidos cujos recebimentos da participação ocorreram em Fl. 498DF CARF MF 16 06/2005, ou seja um ano antes da formalização do acordo e em 06/2006 no mesmo mês da ocorrência do acordo. (..)" Assim, uma vez formalizado somente após ou durante o período de aferição o instrumento de acordo, entendo como violados os requisitos legais estabelecidos pela Lei no. 10.101, de 2000, não havendo, assim, que se falar em possibilidade de exclusão da incidência das contribuições previdenciárias para os valores assim distribuídos a título de Participação nos Lucros e Resultados. Destarte, quanto ao aspecto temporal em que se considera cumprido o requisito da necessidade de acordo prévio e existência de regras previamente ajustadas, nos ditames da Lei 10.101, de 2000, voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, mantendose o crédito tributário na forma que lançado, a menos da decadência declarada pela autoridade julgadora de 1a. instância para a competência de 06/2005 e, agora, já objeto de trânsito em julgado administrativo. Assim, diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Declaração de Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri O direito do trabalhador à participação nos lucros e resultados da empresa está previsto no art. 7º, XI da Constituição Federal que expressamente afasta tais verbas do conceito de remuneração, condicionado no entanto tal classificação aos requisitos de lei específica. No entender do STF temos uma norma constitucional de eficácia limitada, e que nos casos de relação de emprego, somente a partir da Medida Provisória (MP) nº 794, de 29 de dezembro de 1994, convertida posteriormente na Lei nº 10.101/00, passouse a admitir exclusão de tais verbas do conceito de salário de contribuição nos termos do art. 28, §9º, j da Lei nº 8.212/91. Importante ter em mente que o objetivo primordial da PLR é a integração entre o capital e trabalho, permitindo que o empregado participe do resultado da atividade econômica da empresa. Tanto é assim que a Lei 10.101/00, nos dizeres de Alessandro Mendes Cardoso (2017: Estudos de Custeio Previdenciário, p. 22), "foi bastante sucinta ao regulamentar a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), no claro intuito de permitir que as partes, respeitados certos parâmetros, tenham liberdade de definir o plano mais compatível com sua realidade e os seus interesses". Essa liberdade negocial foi recentemente reconhecida com as alterações promovidas na CLT pela Reforma Trabalhista valendo citar a redação do art. 611A o qual prevê que a convenção coletiva e o acordo coletivo de trabalho têm prevalência Fl. 499DF CARF MF Processo nº 13888.003802/201065 Acórdão n.º 9202005.975 CSRFT2 Fl. 491 17 sobre a lei quando, entre outros, dispuserem sobre participação nos lucros ou resultados da empresa. Assim, partindose da premissa de que a PLR não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, somente nos casos em que restar demonstrado abuso que leve a sua descaracterização, será possível admitir a incidência da Contribuição Previdenciária. A Lei 10.101/00, no meu entender, possui como objetivo defender os interesses do empregado no que tange a negociação do plano de PLR, tanto é assim que em alguns casos trazem imposições que devem ser observadas. É o caso de o acordo ser celebrado com a presença de sindicado ou comissão eleita pelos empregados, vedando assim a instituição de regras unilaterais; o acordo deve trazer regras claras e objetivas de livre eleição pelas partes já que os incisos do §1º do art. 2º são meras sugestões. Considerando que o objeto da PLR é exatamente a integração entre capital e trabalho e considerando que para tanto sua função é incentivar os colaboradores a comprometerse cada vez mais com os objetivos da empresa gerando melhores resultados, é decorrência lógica o raciocínio de que as regras devem ser conhecidas previamente entre as partes. A Lei 10.101 não traz qual o prazo para fixação dessas regras. Entretanto, devemos lembrar que o citado §1º define que além das regras claras, os instrumentos decorrentes da negociação deverão trazer mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. Esse importante requisito material do Plano de PLR viabiliza que o empregado acompanhe a concretização do acordo e tenha condições de avaliar se terá direito à PLR e em qual montante. Diante disto, considerando a ausência de previsão normativa da lei regulamentadora quanto ao aspecto temporal, e para não restringir direito previsto constitucionalmente, nos parece razoável aceitar como válido plano assinado até a data do pagamento das respectivas parcelas, desde que haja nos autos comprovação do início das negociações e ainda que as regras eram de conhecimento das partes, ainda que não formalizadas como ocorre na repetição de planos padrões ao longo dos anos. Até o pagamento, nestas circunstâncias, o empregado poderá questionar os critérios eleitos e eventualmente solicitar a revisão do plano. (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 500DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.720442/2013-42
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2013
OPÇÃO. DEFERIMENTO. SOLICITAÇÃO DE INGRESSO SOMENTE NO ANO CALENDÁRIO SUBSEQUENTE AO DA OPÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Em face da legislação aplicável, inexiste a possibilidade de reconhecer o direito do contribuinte de ingressar no Simples Nacional somente a partir do ano calendário subsequente ao da sua opção.
Numero da decisão: 1001-000.319
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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RICARDO DA SILVA COSMÉTICOS EPP. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2013 OPÇÃO. DEFERIMENTO. SOLICITAÇÃO DE INGRESSO SOMENTE NO ANO CALENDÁRIO SUBSEQUENTE AO DA OPÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Em face da legislação aplicável, inexiste a possibilidade de reconhecer o direito do contribuinte de ingressar no Simples Nacional somente a partir do ano calendário subsequente ao da sua opção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 72 04 42 /2 01 3- 42 Fl. 138DF CARF MF 2 Tratase de pedido de correção da data inicial de adesão ao Simples Nacional. O contribuinte teve deferido seu pedido de adesão ao Simples Nacional a partir de 01/01/2013, mas depois de ser intimado do resultado do deferimento de seu pedido, peticionou pedindo para que adesão se desse somente a partir de 01/01/2014. Por bem descrever os fatos até a decisão de primeira instância, peço vênia para reproduzir o relatório constante no acórdão recorrido: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em 20/11/2013 por intermédio de procurador regularmente constituído (instrumento de mandato de fl. 110), em face do Parecer SECAT Nº 588/2013 de fls. 89/100, lavrado em 01/11/2013 e cientificado em 18/11/2013 pelas Intimações SECAT nº 2.038/2013 e nº 2.039/2013 (AR de fl. 114), que deferiu a manifestação de inconformidade de fl. 4 interposta em virtude do indeferimento inicial constante do ‘Termo de Indeferimento de Opção pelo Simples Nacional do ano de 2013’ de fls. 02/03 que não acatou a solicitação de opção pelo Simples Nacional formalizado pelo contribuinte em 31/01/2013. Na contestação de fl. 107 o patrono do contribuinte litigante expõe que em virtude do indeferimento inicial ao ingresso no Simples Nacional a empresa fez toda a sua tributação do ano de 2013 com base no Lucro Presumido; motivo pelo qual requer que a inclusão da interessada no Simples Nacional se dê somente a partir de 01/01/2014. Solicita urgência na análise do pedido. É o relatório. Após tomar ciência do Parecer SECAT Nº 588/2013, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade repetindo os termos do pedido de inclusão somente a partir de 01/01/2014. A decisão de primeira instância (efls. 60/65) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que, conforme dispõe o art. 6º da Resolução CGSN nº 94, de 2011, a opção pelo Simples Nacional para o ano de 2013 manifestada pelo contribuinte em 31/01/2013, depois de deferida pela Delegacia de Jurisdição, tornouse irretratável para todo o ano calendário. Tal opção produziu seus efeitos a partir do 1º dia do ano da opção (no caso 01/01/2013) e, ficou impossibilitada de ser cancelada, uma vez que já encontrava vencido o prazo para fazer a opção. Cientificada da decisão de primeira instância em 29/10/2014 (efl. 128) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 28/11/2014 (efl. 135), em que aduz, em resumo, que, em razão da morosidade quanto ao seu pleito de inclusão no Simples, cumpriu suas obrigações fiscais para o ano calendário de 2013 como se do lucro presumido fosse e que o deferimento da sua tributação para o Simples nacional demandaria um volumoso e custoso trabalho fiscal e contábil. Alega também que não poderia ter deferido seu pedido de inclusão a partir de 01/01/2013 pois teria pago suas pendências somente em 02/01/2013, após o limite legal. . Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator Fl. 139DF CARF MF Processo nº 13884.720442/201342 Acórdão n.º 1001000.319 S1C0T1 Fl. 139 3 O recurso é tempestivo, portanto dele conheço. O art. 6º da Resolução CGSN nº 94, de 2011, preceitua que a opção pelo Simples Nacional é irretratável para todo o ano calendário. O § 2º, II, do mesmo artigo prescreve que enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá efetuar o cancelamento da solicitação de opção, salvo se o pedido já houver sido deferido. Ou seja, no presente caso o contribuinte não pode desistir da opção já manifestada, após 31/01/2013. Por concordar integralmente com o disposto no voto vencedor do acórdão recorrido peço vênia para reproduzir os termos que aqui acato: Em face da data da apresentação da contestação de fl. 107 em 20/11/2013 ao Parecer SECAT Nº 588/2013 de fls. 89/100, lavrado em 01/11/2013 e cientificado em 18/11/2013 temse que a manifestação de inconformidade é tempestiva. Como atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, dela tomo conhecimento. No caso em exame, a opção do contribuinte pelo Simples Nacional para o ano de 2013 foi inicialmente indeferida (Termo de Indeferimento de Opção pelo Simples Nacional de fls. 02/03), em virtude de existirem os débitos listados no termo, os quais não se encontravam com as exigibilidades suspensa; com fundamento no inciso V, artigo 17 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Cientificada dos débitos motivadores do indeferimento, a pessoa jurídica interessada interpôs em 13/03/2013 a manifestação de fl. 4 alegando, em síntese, que a multa da DACON foi objeto de regularização por compensação, que os débitos de IRPJ e CSLL foram pagos em 01/02/2013 e, que os débitos inscritos em Dívida Ativa da União já haviam sido pagos em 19/03/2009 e 22/04/2009 e, por isso, foram objetos de pedido de revisão. A questão posta nos autos foi então analisada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José dos Campos – SP que concluiu em 01/11/2013, por meio do Parecer SECAT Nº 588/2013, pelo deferimento da opção do contribuinte pelo Simples Nacional a partir de 01/01/2013. Após a empresa litigante ser cientificada desse deferimento apresentou nova manifestação, desta vez requerendo que os efeitos dessa decisão dessem somente a partir de 01/01/2014. Com efeito, não merece acolhida a pretensão requerida pela pessoa jurídica manifestante. No caso, conforme dispõe o art. 6º da Resolução CGSN nº 94, de 2011, a opção pelo Simples Nacional para o ano de 2013 manifestada pelo contribuinte em 31/01/2013 e deferida pela Delegacia de Jurisdição do contribuinte em 01/11/2013, tornou se irretratável para todo o ano calendário; produziu seus efeitos a partir do 1º dia do ano da opção (no caso 01/01/2013) e, ficou impossibilitada de ser cancelada, uma vez que já encontrava vencido o prazo para fazer a opção. Resolução CGSN nº 94/2011 Fl. 140DF CARF MF 4 Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) §1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no §5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º) §2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; II efetuar o cancelamento da solicitação de opção, salvo se o pedido já houver sido deferido. (...) (grifos acrescidos) Na prática, podese dizer que o pedido manifestado em 20/11/2013 pelo contribuinte na contestação de fl. 107 para que os efeitos da decisão que reconheceu o seu direito de ingressar no Simples Nacional se operasse apenas a partir do ano seguinte ao da opção (no caso a partir de 01/01/2014) equivale a um pedido para ingresso futuro na sistemática de tributação do Simples Nacional; possibilidade essa que a legislação que rege a matéria em hipótese alguma prevê. Conclusão Portanto, uma vez que não há amparo legal para reconhecer o direito do contribuinte de ingressar no Simples Nacional somente a partir do ano calendário subsequente ao da sua opção, voto pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada, ratificando a decisão da Delegacia de jurisdição da contribuinte. Quanto ao pedido para que se reverta a decisão que lhe foi favorável, por alegar ter efetuado pagamento fora do prazo legal, defendo que o CARF não pode apreciar tal pleito por atentar contra o princípio de que não cabe ao impetrante se opor a fato que ele próprio tenha dado causa (arts. 5° e 276 do CPC), proibição da venire contra factum proprium ou proibição de comportamentos contraditórios. Pelo exposto, voto para negar provimento ao recurso e confirmar a adesão ao Simples Nacional a partir de 01/01/2013. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 141DF CARF MF Processo nº 13884.720442/201342 Acórdão n.º 1001000.319 S1C0T1 Fl. 140 5 Fl. 142DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.900325/2012-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/10/2005
PER/ DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PROVA DOCUMENTAL. FALTA. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.207
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 14/10/2005 PER/ DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PROVA DOCUMENTAL. FALTA. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado
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PIS/COFINS. ÔNUS DA PROVA. Recorrente PH7AGROPECUARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/10/2005 PER/ DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PROVA DOCUMENTAL. FALTA. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição (PER), transmitido eletronicamente, que foi indeferido nos termos do despacho decisório emitido pela DRF de origem, pois o pagamento indicado para dar suporte ao crédito estava totalmente utilizado para extinção de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 03 25 /2 01 2- 10 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10865.900325/201210 Acórdão n.º 3301004.207 S3C3T1 Fl. 3 2 Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que não existem informações e documentação comprobatória a respeito de como, quando e de que forma tais créditos foram utilizados para quitar débitos. Nesse sentido, a contribuinte contesta o que qualifica como forma genérica de indeferimento, motivo pelo qual entende prejudicado o exercício do contraditório e da ampla defesa, vez que só poderá se defender plenamente na medida em que souber exatamente o que lhe está sendo imputado. Na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 14043.742. Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs recurso voluntário, alegando, em síntese: ofensa ao princípio da legalidade, extrapolandose o art. 74 de Lei 9.430/96 e o direito à retificação da DCTF. Ao final, pugna pela reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.199, de 31 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10865.900314/201230, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.199): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. O despacho decisório em comento (fl. 5) apontou o crédito pretendido, "DARF discriminado no PER/DCOMP" de R$307,33, recolhidos em 15/07/2004, sob o código 6912, como também a "UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS NO DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP: "Db: cód 6912 PA 30/06/2004". Então, pelo que consta da decisão, com dados extraídos dos sistemas informatizados da Receita Federal, a recorrente pagou R$307,33 por débito de "PIS NÃO CUMULATIVO", referente a junho de 2004, na quinzena do mês subsequente. Em seu recurso, a contribuinte aponta, incorretamente, tratarse de PIS e COFINS do anocalendário de 2004, sob o código "5856", mesma informação que registrou no PER/ DCOMP. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10865.900325/201210 Acórdão n.º 3301004.207 S3C3T1 Fl. 4 3 Assim, ao contrário do que indica a contribuinte, há informações, documentos o próprio DARF indicado pela contribuinte "a respeito de como, quando e de que forma tais créditos foram utilizados para quitar débitos"; além de motivação suficiente, clara e completa: "localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição", sem prejuízo ao contraditório e da ampla defesa. No PER/DCOMP que protocolou (fl. 02) a contribuinte alega, no campo "Tipo de Crédito:", pagamento indevido ou a maior, mas lá não juntou qualquer prova nesse sentido (por exemplo, documentos contábeis que demonstram erro na apuração da contribuição), nem os trouxe em sede de manifestação de inconformidade (fls 7 e seguintes), quando seria seu esse ônus, conforme bem discorre o acórdão recorrido. Em sede de recurso voluntário, traz explicação que até então não havia carreado aos autos: Assim, alega a recorrente, ofensa ao princípio da legalidade, por extrapolamento do art. 74 do Lei 9.430, posto que ela teria recolhido erroneamente as contribuições sobre as receitas advindas da venda de laranjas. Ora, não lhe fora vedado solicitar restituição, objeto do dito dispositivo legal, apenas não trouxe ela a devida comprovação do crédito advindo do pagamento tido como indevido ou a maior, em sede de impugnação. A recorrente trouxe, somente agora, em sede de recurso voluntário, explicação para a valor supostamente pago a maior, mas não juntou qualquer documento a demonstrar que vendeu as laranjas. Assim, o ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil e não cumpriu tal exigência a contribuinte. E mais, nessa toada, segue o processo respeitando o princípio da legalidade. Aduz que "a Secretaria Receita Federal apurou erroneamente, em seus sistemas, a existência do suposto débito, no anocalendário de 2004, também referente ao PIS e à COFINS, e compensou esse débito com o referido crédito". Não foi isso que aconteceu: o pagamento localizado pela Receita e de mesmo valor e data que o informado pela contribuinte no PER/ COMP, e não procedeu o Fisco à compensação, apenas disse que o pagamento fora integralmente utilizado "para quitação de débitos do contribuinte", aqueles que, como alegado pelo contribuinte, foram incorretamente apurados, "não restando crédito disponível para restituição". Diz o acórdão recorrido que: [...] De fato, tal constatação decorre diretamente do exame de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF apresentada originalmente pelo próprio contribuinte e na qual o Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10865.900325/201210 Acórdão n.º 3301004.207 S3C3T1 Fl. 5 4 pagamento apontado no PER/DCOMP é utilizado integralmente para a quitação do débito ali também declarado. A recorrente então discute sobre a possibilidade de retificação da DCTF e aduz a ilegalidade de exigência desta. De plano, o acórdão recorrido não fez tal exigência. Ademais, não demonstrando com documentos o seu direito e já transcorrido o prazo para fazêlo, essa discussão nada acrescenta ao presente julgamento. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.724292/2015-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/11/2010, 31/12/2010, 31/01/2011, 28/02/2011, 30/03/2011, 30/04/2011, 31/05/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 30/11/2011, 31/12/2011
CRÉDITO EXTEMPORÂNEO DE PIS/COFINS. APROVEITAMENTO. AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÕES RETIFICADORAS (DCTF E DACON), OU SEJA, DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA, NÃO PODE IMPEDIR A FRUIÇÃO DO DIREITO DE CRÉDITO. ARTIGOS 3º, PARÁGRAFO 4º, DAS LEIS Nº 10.637/2002 E LEI 10.833/2003.
As Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 prevêem a possibilidade de apropriação de créditos de PIS/COFINS em períodos diversos daqueles em que apurados, sem fazer qualquer ressalva ou restrição. Não existindo qualquer restrição de direito na Lei, não se pode admitir que tal restrição seja amparada por atos infra-legais nem que o descumprimento de obrigação acessória implique a negativa de direito de crédito.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. INSUMO. CONCEITO. ATIVIDADE DE INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS DE BORRACHA, COMO PNEUS (LINHAS CARGA, AGRO, OTR, PASSEIO, MOTO, BICICLETA E MOTOCICLETAS), PLACAS, PISOS, LENÇÓIS, ESTRADO E TIRA PROTETORA.
O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado), devendo observar um regime jurídico próprio, decorrente de sua legislação de regência. Há direito a crédito, para fins de desconto na apuração do PIS/COFINS, na aquisição de bens e serviços adquiridos pela pessoa jurídica que tenham uma relação de inerência/pertinência com a atividade econômica (produção, fabricação ou prestação de serviços), assim, sejam necessários para a realização da atividade, seja por serem nelas utilizados ou por viabilizarem a atividade, e cuja subtração implica a inexistência da atividade ou a perda de suas qualidades essenciais.
INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.
Em se tratando de serviços de frete na operação de venda, não existe direito a crédito para o frete de pallets e remessas em bonificação, doação ou brinde, assim como para o crédito acelerado para porta pallets e contêineres metálicos.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/11/2010, 31/12/2010, 31/01/2011, 28/02/2011, 30/03/2011, 30/04/2011, 31/05/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 30/11/2011, 31/12/2011
CRÉDITO EXTEMPORÂNEO DE PIS/COFINS. APROVEITAMENTO. AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÕES RETIFICADORAS (DCTF E DACON), OU SEJA, DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA, NÃO PODE IMPEDIR A FRUIÇÃO DO DIREITO DE CRÉDITO. ARTIGOS 3º, PARÁGRAFO 4º, DAS LEIS Nº 10.637/2002 E LEI 10.833/2003.
As Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 prevêem a possibilidade de apropriação de créditos de PIS/COFINS em períodos diversos daqueles em que apurados, sem fazer qualquer ressalva ou restrição. Não existindo qualquer restrição de direito na Lei, não se pode admitir que tal restrição seja amparada por atos infra-legais nem que o descumprimento de obrigação acessória implique a negativa de direito de crédito.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. INSUMO. CONCEITO. ATIVIDADE DE INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS DE BORRACHA, COMO PNEUS (LINHAS CARGA, AGRO, OTR, PASSEIO, MOTO, BICICLETA E MOTOCICLETAS), PLACAS, PISOS, LENÇÓIS, ESTRADO E TIRA PROTETORA.
O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado), devendo observar um regime jurídico próprio, decorrente de sua legislação de regência. Há direito a crédito, para fins de desconto na apuração do PIS/COFINS, na aquisição de bens e serviços adquiridos pela pessoa jurídica que tenham uma relação de inerência/pertinência com a atividade econômica (produção, fabricação ou prestação de serviços), assim, sejam necessários para a realização da atividade, seja por serem nelas utilizados ou por viabilizarem a atividade, e cuja subtração implica a inexistência da atividade ou a perda de suas qualidades essenciais.
INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.
Em se tratando de serviços de frete na operação de venda, não existe direito a crédito para o frete de pallets e remessas em bonificação, doação ou brinde, assim como para o crédito acelerado para porta pallets e contêineres metálicos.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/11/2010, 31/12/2010, 31/01/2011, 28/02/2011, 30/03/2011, 30/04/2011, 31/05/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 30/11/2011, 31/12/2011
JUROS MORATÓRIOS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
Nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96, após a formalização da multa de ofício através de instrumento de lançamento, auto de infração ou notificação de lançamento, o valor correspondente, isoladamente ou conjuntamente com o tributo devido, constitui-se em crédito tributário e, nessa condição, está sujeito à incidência dos juros moratórios.
Numero da decisão: 3401-004.362
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, para (a1) afastar as alegações de nulidade; (a2) cancelar o lançamento no que se refere às glosas de crédito extemporâneo de manutenção; crédito extemporâneo de edificação Prédio BVN; crédito extemporâneo sobre depreciação de instalações industriais; estorno decorrente de cancelamento de pedido de ressarcimento; e saldo de crédito de meses anteriores; e (a3) manter o lançamento no que se refere a fretes para os quais não se comprovou que representam operação de venda; notas fiscais de remessa para entrega futura; notas fiscais em duplicidade; valores divergentes das notas fiscais de aquisição; notas fiscais apropriadas em duplicidade; e gastos com edificações não relacionados à produção, e não destacados no item "b"; (b) por maioria de votos, para (b1) afastar o lançamento no que se refere a equipamento para tratamento de água, esgoto e efluentes, e gastos com edificações não relacionados à produção referentes a compostagem, central de resíduos, descarga de óleo e bombas, e estação de tratamento de efluentes, vencido o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida; e (b2) manter a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Renato Vieira de Ávila e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco; (c) por voto de qualidade, para manter a autuação no que se refere a frete de pallets e remessas em bonificação, doação ou brinde, assim como em relação a crédito acelerado para porta pallets e contêineres metálicos, vencidos o relator e os Conselheiros Tiago Guerra Machado, Renato Vieira de Ávila e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA - Relator.
MARA CRISTINA SIFUENTES - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA
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DIREITO DE CRÉDITO. INSUMO. CONCEITO. ATIVIDADE DE INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS DE BORRACHA, COMO PNEUS (LINHAS CARGA, AGRO, OTR, PASSEIO, MOTO, BICICLETA E MOTOCICLETAS), PLACAS, PISOS, LENÇÓIS, ESTRADO E TIRA PROTETORA. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado), devendo observar um regime jurídico próprio, decorrente de sua legislação de regência. Há direito a crédito, para fins de desconto na apuração do PIS/COFINS, na aquisição de bens e serviços adquiridos pela pessoa jurídica que tenham uma relação de inerência/pertinência com a atividade econômica (produção, fabricação ou prestação de serviços), assim, sejam necessários para a realização da atividade, seja por serem nelas utilizados ou por viabilizarem a atividade, e cuja subtração implica a inexistência da atividade ou a perda de suas qualidades essenciais. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Em se tratando de serviços de frete na operação de venda, não existe direito a crédito para o frete de pallets e remessas em bonificação, doação ou brinde, assim como para o crédito acelerado para porta pallets e contêineres metálicos. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/11/2010, 31/12/2010, 31/01/2011, 28/02/2011, 30/03/2011, 30/04/2011, 31/05/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 30/11/2011, 31/12/2011 CRÉDITO EXTEMPORÂNEO DE PIS/COFINS. APROVEITAMENTO. AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÕES RETIFICADORAS (DCTF E DACON), OU SEJA, DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA, NÃO PODE IMPEDIR A FRUIÇÃO DO DIREITO DE CRÉDITO. ARTIGOS 3º, PARÁGRAFO 4º, DAS LEIS Nº 10.637/2002 E LEI 10.833/2003. As Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 prevêem a possibilidade de apropriação de créditos de PIS/COFINS em períodos diversos daqueles em que apurados, sem fazer qualquer ressalva ou restrição. Não existindo qualquer restrição de direito na Lei, não se pode admitir que tal restrição seja amparada por atos infra-legais nem que o descumprimento de obrigação acessória implique a negativa de direito de crédito. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. INSUMO. CONCEITO. ATIVIDADE DE INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS DE BORRACHA, COMO PNEUS (LINHAS CARGA, AGRO, OTR, PASSEIO, MOTO, BICICLETA E MOTOCICLETAS), PLACAS, PISOS, LENÇÓIS, ESTRADO E TIRA PROTETORA. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado), devendo observar um regime jurídico próprio, decorrente de sua legislação de regência. Há direito a crédito, para fins de desconto na apuração do PIS/COFINS, na aquisição de bens e serviços adquiridos pela pessoa jurídica que tenham uma relação de inerência/pertinência com a atividade econômica (produção, fabricação ou prestação de serviços), assim, sejam necessários para a realização da atividade, seja por serem nelas utilizados ou por viabilizarem a atividade, e cuja subtração implica a inexistência da atividade ou a perda de suas qualidades essenciais. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Em se tratando de serviços de frete na operação de venda, não existe direito a crédito para o frete de pallets e remessas em bonificação, doação ou brinde, assim como para o crédito acelerado para porta pallets e contêineres metálicos. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/11/2010, 31/12/2010, 31/01/2011, 28/02/2011, 30/03/2011, 30/04/2011, 31/05/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 30/11/2011, 31/12/2011 JUROS MORATÓRIOS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96, após a formalização da multa de ofício através de instrumento de lançamento, auto de infração ou notificação de lançamento, o valor correspondente, isoladamente ou conjuntamente com o tributo devido, constitui-se em crédito tributário e, nessa condição, está sujeito à incidência dos juros moratórios.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 31; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2151; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 559 1 558 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10530.724292/201520 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401004.362 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 31 de janeiro de 2018 Matéria PIS/COFINS Recorrente BORRACHAS VIPAL NORDESTE S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/11/2010, 31/12/2010, 31/01/2011, 28/02/2011, 30/03/2011, 30/04/2011, 31/05/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 30/11/2011, 31/12/2011 CRÉDITO EXTEMPORÂNEO DE PIS/COFINS. APROVEITAMENTO. AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÕES RETIFICADORAS (DCTF E DACON), OU SEJA, DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA, NÃO PODE IMPEDIR A FRUIÇÃO DO DIREITO DE CRÉDITO. ARTIGOS 3º, PARÁGRAFO 4º, DAS LEIS Nº 10.637/2002 E LEI 10.833/2003. As Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 prevêem a possibilidade de apropriação de créditos de PIS/COFINS em períodos diversos daqueles em que apurados, sem fazer qualquer ressalva ou restrição. Não existindo qualquer restrição de direito na Lei, não se pode admitir que tal restrição seja amparada por atos infralegais nem que o descumprimento de obrigação acessória implique a negativa de direito de crédito. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. INSUMO. CONCEITO. ATIVIDADE DE INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS DE BORRACHA, COMO PNEUS (LINHAS CARGA, AGRO, OTR, PASSEIO, MOTO, BICICLETA E MOTOCICLETAS), PLACAS, PISOS, LENÇÓIS, ESTRADO E TIRA PROTETORA. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado), devendo observar um regime jurídico próprio, decorrente de sua legislação de regência. Há direito a crédito, para fins de desconto na apuração do PIS/COFINS, na aquisição de bens e serviços adquiridos pela pessoa jurídica que tenham uma relação de inerência/pertinência com a atividade AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 42 92 /2 01 5- 20 Fl. 591DF CARF MF 2 econômica (produção, fabricação ou prestação de serviços), assim, sejam necessários para a realização da atividade, seja por serem nelas utilizados ou por viabilizarem a atividade, e cuja subtração implica a inexistência da atividade ou a perda de suas qualidades essenciais. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Em se tratando de serviços de frete na operação de venda, não existe direito a crédito para o frete de pallets e remessas em bonificação, doação ou brinde, assim como para o crédito acelerado para porta pallets e contêineres metálicos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2010, 31/12/2010, 31/01/2011, 28/02/2011, 30/03/2011, 30/04/2011, 31/05/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 30/11/2011, 31/12/2011 CRÉDITO EXTEMPORÂNEO DE PIS/COFINS. APROVEITAMENTO. AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÕES RETIFICADORAS (DCTF E DACON), OU SEJA, DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA, NÃO PODE IMPEDIR A FRUIÇÃO DO DIREITO DE CRÉDITO. ARTIGOS 3º, PARÁGRAFO 4º, DAS LEIS Nº 10.637/2002 E LEI 10.833/2003. As Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 prevêem a possibilidade de apropriação de créditos de PIS/COFINS em períodos diversos daqueles em que apurados, sem fazer qualquer ressalva ou restrição. Não existindo qualquer restrição de direito na Lei, não se pode admitir que tal restrição seja amparada por atos infralegais nem que o descumprimento de obrigação acessória implique a negativa de direito de crédito. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. INSUMO. CONCEITO. ATIVIDADE DE INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS DE BORRACHA, COMO PNEUS (LINHAS CARGA, AGRO, OTR, PASSEIO, MOTO, BICICLETA E MOTOCICLETAS), PLACAS, PISOS, LENÇÓIS, ESTRADO E TIRA PROTETORA. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado), devendo observar um regime jurídico próprio, decorrente de sua legislação de regência. Há direito a crédito, para fins de desconto na apuração do PIS/COFINS, na aquisição de bens e serviços adquiridos pela pessoa jurídica que tenham uma relação de inerência/pertinência com a atividade econômica (produção, fabricação ou prestação de serviços), assim, sejam necessários para a realização da atividade, seja por serem nelas utilizados ou por viabilizarem a atividade, e cuja subtração implica a inexistência da atividade ou a perda de suas qualidades essenciais. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Em se tratando de serviços de frete na operação de venda, não existe direito a crédito para o frete de pallets e remessas em bonificação, doação ou brinde, Fl. 592DF CARF MF Processo nº 10530.724292/201520 Acórdão n.º 3401004.362 S3C4T1 Fl. 560 3 assim como para o crédito acelerado para porta pallets e contêineres metálicos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/11/2010, 31/12/2010, 31/01/2011, 28/02/2011, 30/03/2011, 30/04/2011, 31/05/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 30/11/2011, 31/12/2011 JUROS MORATÓRIOS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96, após a formalização da multa de ofício através de instrumento de lançamento, auto de infração ou notificação de lançamento, o valor correspondente, isoladamente ou conjuntamente com o tributo devido, constituise em crédito tributário e, nessa condição, está sujeito à incidência dos juros moratórios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, para (a1) afastar as alegações de nulidade; (a2) cancelar o lançamento no que se refere às glosas de crédito extemporâneo de manutenção; crédito extemporâneo de edificação “Prédio BVN”; crédito extemporâneo sobre depreciação de instalações industriais; estorno decorrente de cancelamento de pedido de ressarcimento; e saldo de crédito de meses anteriores; e (a3) manter o lançamento no que se refere a fretes para os quais não se comprovou que representam operação de venda; notas fiscais de remessa para entrega futura; notas fiscais em duplicidade; valores divergentes das notas fiscais de aquisição; notas fiscais apropriadas em duplicidade; e gastos com edificações não relacionados à produção, e não destacados no item "b"; (b) por maioria de votos, para (b1) afastar o lançamento no que se refere a equipamento para tratamento de água, esgoto e efluentes, e gastos com edificações não relacionados à produção referentes a compostagem, central de resíduos, descarga de óleo e bombas, e estação de tratamento de efluentes, vencido o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida; e (b2) manter a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Renato Vieira de Ávila e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco; (c) por voto de qualidade, para manter a autuação no que se refere a frete de pallets e remessas em bonificação, doação ou brinde, assim como em relação a crédito acelerado para porta pallets e contêineres metálicos, vencidos o relator e os Conselheiros Tiago Guerra Machado, Renato Vieira de Ávila e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. ROSALDO TREVISAN Presidente. AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA Relator. MARA CRISTINA SIFUENTES Redator designado. Fl. 593DF CARF MF 4 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Adoto inicialmente parte do relatório da decisão recorrida, que assim descreve as constatações da Fiscalização: "A auditoria consistiu em verificar a correta apuração das contribuições, mediante cotejamento das informações apresentadas nos arquivos digitais da escrituração fiscal digital da empresa com notas fiscais e memórias apresentadas. Mediante a análise descrita, a apuração dos valores informados nos Dacon foi realizada utilizando como base de cálculo o memorial apresentado pelo contribuinte, onde foram constatada a infração de aproveitamento de crédito em desacordo com a legislação. Após descrever o procedimento fiscal, a Autoridade Fiscal passa a identificar as glosas realizadas, da base de cálculo dos créditos de mercado interno, conforme as linhas do Dacon, como segue. 1 Bens utilizados como insumos – Linha 02 FICHAS 06A e 16A do Dacon Créditos extemporâneos Foram glosados valores de notas fiscais de aquisição de materiais de manutenção referente ao período de 01/07/2008 a 01/02/2011, computados na base de cálculo para apuração do crédito em março/2011, por não haver amparo legal na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins para aproveitamento extemporâneo de crédito da não cumulatividade. 2 Despesas de Frete na Operação de Venda– Linha 07 FICHAS 06A 16A do Dacon Por não estarem relacionados a operações de venda, conforme determina o IX. do art. 3° das Lei nº 10.833/2003, foram glosados todos os conhecimentos de frete relacionados à operações de remessa, devoluções e outras saídas, conforme demonstrado no anexo I. 3 Sobre Bens do ativo imobilizado (Base no valor de aquisição) – Linha 10 FICHAS 06A e 16A do Dacon A fiscalização informa que a interessada apropriou crédito sobre três grupos de aquisições, quais sejam, máquinas/equipamentos, benfeitorias e edificações, separando os cálculos em três subitens, denominados (1) crédito acelerado de máquinas e equipamentos, (2) crédito acelerado de edificações e (3) crédito sobre depreciação de instalações industriais. 3.1 Crédito acelerado na aquisição de máquinas e equipamentos Fl. 594DF CARF MF Processo nº 10530.724292/201520 Acórdão n.º 3401004.362 S3C4T1 Fl. 561 5 Mediante análise na planilha de detalhamento do crédito por nota fiscal, verificouse que o contribuinte computou indevidamente, por não atenderem aos requisitos estabelecidos na legislação para aproveitamento de crédito, na base de cálculo para apuração do crédito: a) aquisição de ativos imobilizados não relacionados à produção; b) notas fiscais de remessa para entrega futura; c) notas fiscais em duplicidade e d) valores divergentes das notas fiscais de aquisição. 3.2 Crédito acelerado de edificações Mediante análise na planilha de detalhamento do crédito por nota fiscal, verificouse que o contribuinte computou indevidamente na base de cálculo para apuração do crédito sobre edificações: a) notas fiscais apropriadas em duplicidade; b) gastos com edificações não relacionados à produção; c) créditos extemporâneos. 3.3 Crédito sobre depreciação de benfeitorias incorporadas ao ativo imobilizado Por não haver amparo legal na legislação de regência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins para aproveitamento extemporâneo de crédito da não cumulatividade, foram glosadas da base de cálculo do crédito de março/2011, as 20 parcelas, referentes ao período de Julho/09 a Fevereiro/01, que foram apropriadas de forma indevida. 4 Outros Créditos a Descontar – Linha 21 FICHA 16A do Dacon Consta que o valor de R$ 691.619,20 lançado em outubro de 2011 na linha 21 da ficha 16A do Dacon referiase a um cancelamento de pedido de ressarcimento de crédito, em 14/10/2011, referente ao 4° trimestre de 2008, cujo o valor foi descontado na apuração de fevereiro de 2009. Este aproveitamento de crédito solicitado pelo contribuinte foi glosado, tendo em vista que não há previsão legal para que estorno de crédito solicitado em pedido de ressarcimento seja reconhecido como aproveitamento de crédito nas aquisições do mercado interno, visto que não é um crédito proveniente de aquisições no mercado interno (Ficha 16 A do Dacon), mas sim, de estorno no pedido de ressarcimento. No caso de haver cancelamento no pedido de ressarcimento, o ajuste deve ser feito na ficha 24 do Dacon, com a retificação do Dacon. 5 Saldo de Crédito de Meses Anteriores – Linha 1 – FICHAS 14 E 24 do Dacon Por não haver amparo legal na legislação de regência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins para aproveitamento extemporâneo de crédito da não cumulatividade, foram glosados créditos extemporâneos de parcela do Ativo Imobilizado sobre máquinas e equipamentos não apropriados desde dezembro/2007". Fl. 595DF CARF MF 6 Contra esse lançamento, o contribuinte apresentou Impugnação, julgada totalmente improcedente pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis, Santa Catarina, na sessão de julgamento do dia 24/06/2016, em acórdão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2010, 31/12/2010, 31/01/2011, 28/02/2011, 31/03/2011, 30/04/2011, 31/05/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 30/11/2011, 31/12/2011 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Respeitados pela Administração Fazendária os princípios da motivação, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, é improcedente é alegação de cerceamento de defesa e nulidade do feito fiscal. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferida a perícia requerida para fins de produção de prova da existência e/ou procedência do crédito pleiteado pelo contribuinte. PIS/PASEP. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. APURAÇÃO DO CRÉDITO. DACON A apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, não cumulativas, é realizada pelo contribuinte por meio do Dacon, não cabendo a autoridade tributária, em sede do contencioso administrativo, assentir com a inclusão, na base de cálculo desses créditos, de custos e despesas não informados ou incorretamente informados neste demonstrativo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/11/2010, 31/12/2010, 31/01/2011, 28/02/2011, 31/03/2011, 30/04/2011, 31/05/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 30/11/2011, 31/12/2011 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CRÉDITO. APURAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. A adoção do regime de competência na apuração da Cofins e dos correspondentes créditos da não cumulatividade decorre da legislação tributária, sendo, portanto, de observação obrigatória pelo contribuinte. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Em se tratando de serviços de frete na operação de venda, em interpretação literal da legislação, somente dará direito a crédito o frete contratado pelo vendedor para o transporte do bem vendido, não gerando crédito, portanto, o frete relacionado ao mero deslocamento de insumos ou produtos entre estabelecimentos da empresa. Fl. 596DF CARF MF Processo nº 10530.724292/201520 Acórdão n.º 3401004.362 S3C4T1 Fl. 562 7 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. EDIFICAÇÕES E BENFEITORIAS. DEPRECIAÇÃO OU AMORTIZAÇÃO. CRÉDITO. APROPRIAÇÃO ACELERADA. As pessoas jurídicas poderão optar pelo desconto, no prazo de 24 (vinte e quatro) meses, dos créditos da Cofins decorrentes de despesas de depreciação ou amortização de edificações incorporadas ao ativo imobilizado, adquiridas ou construídas para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CRÉDITO. DEPRECIAÇÃO. MÁQUINAS EQUIPAMENTOS DO IMOBILIZADO Pode ser apurado crédito em relação à amortização e depreciação de maquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2010, 31/12/2010, 31/01/2011, 28/02/2011, 31/03/2011, 30/04/2011, 31/05/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 30/11/2011, 31/12/2011 (...)" Dessa decisão, o contribuinte, ora Recorrente, foi cientificado no dia 30/06/2016, conforme "Termo de Ciência por Abertura de Mensagem" de fls. 479, apresentando tempestivo Recurso Voluntário no dia 29/07/2016, conforme documento de fls. 480, pelo qual pediu a reforma do acórdão recorrido, com o cancelamento integral do crédito tributário constituído pelos autos de infração, com base nos argumentos a seguir: (i) nulidade da decisão recorrida por ausência de perícia; (ii) nulidade do lançamento em razão de erro na base de cálculo na glosa relacionada aos fretes de operações de remessa, devoluções e outras saídas; (iii) seriam legítimos os créditos extemporâneos de aquisições de materiais de manutenção; (iv) as operações de frete realizadas pela Recorrente dariam direito a crédito, "tanto porque indispensáveis ao processo produtivo como insumo, quanto por serem necessários às operações de venda"; nesse sentido, a Recorrente traz explicações a respeito das seguintes rubricas: frete para remessa e devolução de vasilhame ou sacaria, frete de devolução do ativo imobilizado, frete para remessa de mercadoria ou bem para conserto ou reparo, frete de remessa em bonificação, doação ou brinde, e frete de outra saída de mercadoria ou prestação de serviço; (v) com relação a bens do ativo imobilizado, seguindo a divisão em tópicos proposta no lançamento, a Recorrente defende item a item a legalidade do creditamento dos valores discutidos, pelas razões a serem analisadas no Voto; (vi) no que refere ao tópico "outros créditos a descontar", a Recorrente defende que o fato de "ter cancelado o pedido de ressarcimento não inviabiliza o aproveitamento do mesmo"; (vii) no tópico "saldo de crédito dos meses anteriores", a Recorrente novamente defende a legitimidade do direito ao crédito extemporâneo; (viii) a Recorrente pede o afastamento da SELIC sobre a multa de ofício; e, por fim, (ix) a Recorrente defende a necessidade de perícia, para que sejam esclarecidos pontos relativos aos "conhecimentos de transporte utilizados como parâmetros para considerar o frete nas operações de remessa, devolução e outras saídas (itens tratados em preliminar)". Em seguida, os autos foram remetidos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ("CARF"), sendo distribuídos à minha relatoria. Fl. 597DF CARF MF 8 Voto Vencido Conselheiro Augusto Fiel Jorge d' Oliveira O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos legais, de modo que dele tomo conhecimento. Para melhor compreensão das matérias em discussão nos autos deste processo, coloco a seguir cada uma delas, adotando a divisão em tópicos e subtópicos proposta pela Fiscalização, no Termo de Verificação Fiscal de fls. 17 e seguintes. Matérias em Discussão 1) Glosas de crédito extemporâneo de manutenção 2) Despesas de Frete que não representam operação de venda Linha 07 FICHAS 06A 16A do Dacon 3) Bens do ativo imobilizado 3.1) Crédito acelerado de máquinas e equipamentos; a) aquisição de ativos imobilizados não relacionados à produção; b) notas fiscais de remessa para entrega futura; c) notas fiscais em duplicidade; e d) valores divergentes das notas fiscais de aquisição. 3.2) Crédito acelerado de edificações; e a) notas fiscais apropriadas em duplicidade; b) gastos com edificações não relacionados à produção; e c) créditos extemporâneos. 3.3) Crédito sobre depreciação de instalações industriais. 4) Outros Créditos a Descontar – Linha 21 FICHA 16A do Dacon 5) Saldo de Crédito de Meses Anteriores – Linha 1 – FICHAS 14 E 24 do Dacon Em seguida, o exame de cada uma delas, após as preliminares de nulidade levantadas pela Recorrente. Nulidades A Recorrente inicialmente aponta questões que, na sua visão, seriam preliminares ao julgamento do mérito, defendendo a existência de nulidade tanto da decisão recorrida quanto no lançamento, pois teria ocorrido erro na base de cálculo na glosa relacionada aos fretes de operações de remessa, devoluções e outras saídas e por ter sido indeferido o pedido de perícia da Recorrente, que teria por objetivo justamente esclarecer esse ponto e ajustar a base de cálculo, de acordo com as notas fiscais vinculadas a cada frete. Explica a Recorrente que a Fiscalização realizou a glosa dos conhecimentos de frete, pelo seu valor total, sem atentar que cada conhecimento de frete, por vezes, poderia ser vinculado a mais de uma nota fiscal e que, dentre as notas fiscais vinculadas a conhecimentos de frete considerados na base de cálculo do lançamento havia aquelas que tratavam, por exemplo, de "produtos para revenda". Diante disso, afirma a Recorrente que a "autoridade fiscal considerou o valor total do conhecimento para glosa, quando em verdade deveria ter especificado o valor da nota fiscal objeto da glosa do suposto aproveitamento indevido de crédito, pois como se verifica na nota acima, os produtos ali destacados são destinados para revenda" e que "a glosa do Fisco Fl. 598DF CARF MF Processo nº 10530.724292/201520 Acórdão n.º 3401004.362 S3C4T1 Fl. 563 9 que se baseia em “conhecimento de frete, dos quais houve aproveitamento de crédito, que não estavam relacionados a operações de venda”, ocorreu de forma equivocada". De plano, verificase que não há que se falar em nulidade e não se trata de questão preliminar. Nos termos do artigo 59, incisos I e II, do Decreto nº 70.235/1972, "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa". No caso, não há qualquer ato praticado por autoridade incompetente nem com preterição ao direito de defesa da Recorrente. Na realidade, se determinada despesa com frete tem natureza de despesa com frete relacionada à operação de venda, à luz da legislação de regência das contribuições, essa não é uma questão preliminar ao mérito, mas uma questão de mérito, cabendo à Recorrente demonstrar a natureza das operações por ela praticadas, que a Fiscalização considerou operações que não poderia ter considerado, o montante de tais operações, dentre outras alegações, não incorrendo a decisão recorrida em nulidade, ao indeferir uma prova que poderia ser produzida pela Recorrente e, ao entender da autoridade julgadora de piso, não se mostrava necessária para a formação de sua convicção, como prevê o artigo 18, do Decreto nº 70.235/1972. Além disso, a Recorrente pede a produção de prova pericial, sem se preocupar com a exposição dos motivos que a justifique, com a formulação de quesitos e com a nomeação de assistente técnico, o que atrai a aplicação do artigo 16, inciso IV, combinado com parágrafo 1º, do Decreto nº 70.235/1972, que determina: “Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16”. Portanto, essa matéria será apreciada adiante, no exame da glosa das despesas de frete, andando bem a decisão recorrida quando rejeitou a nulidade suscitada, ao afirmar que "eventual erro de cálculo do crédito tributário lançado poderia, quando muito, causar a reforma do lançamento e não a sua nulidade". Pelo exposto, proponho ao Colegiado rejeitar as nulidades levantadas pela Recorrente. 1) Glosas de crédito extemporâneo de manutenção Nesse item da autuação, a Fiscalização expõe que "mediante análise na planilha de detalhamento do crédito por nota fiscal, verificouse que o contribuinte computou na base de cálculo para apuração do crédito, em março/2011, notas fiscais de aquisições de materiais de manutenção referentes ao período de 01/07/2008 a 01/02/2011, no valor de R$ 4.761.734,55, item por ele denominado “Crédito Extemporâneo de Manutenção”. Porém, segundo o entendimento da Fiscalização, por força do artigo 3º, parágrafo 1º, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, para fins de aproveitamento de crédito no regime não cumulativo, a regra seria a aplicação da alíquota do tributo sobre o valor dos bens adquiridos no mês, ou seja, o cálculo de créditos estaria restrito aos respectivos períodos de apuração, para que a análise da existência e natureza do crédito pudessem ser aferidas dentro do período específico do crédito. Fl. 599DF CARF MF 10 Assim, não haveria amparo legal na legislação de regência das contribuições para o aproveitamento extemporâneo de crédito da não cumulatividade, citando ainda a Fiscalização (i) a Solução de Consulta nº 73/2012, que exige a entrega de DACON e DCTF retificadoras, para reconhecimento do direito de crédito, na hipótese de aproveitamento extemporâneo das contribuições; e (i) decisão do CARF que iria nesse mesmo sentido (Acórdão nº 3403003.078, de 22/07/2014). Com isso, conclui a Fiscalização que não haveria como aceitar os créditos extemporâneos, pois "a empresa deveria apresentar DACON e DCTF retificador (s) referentes aos meses de julho de 2007 a fevereiro de 2011, que suportasse o aproveitamento desses créditos nos períodos de apuração correspondentes, ao invés de lançar gastos extemporaneamente". Por sua vez, a Recorrente defende a legitimidade dos créditos extemporâneos e que a legislação de regência permitiria a escrituração de crédito extemporâneo, destacando o artigo 3º, parágrafo 4º, das Leis nº 10.833/03 e nº 10.637/02. Além disso, a Recorrente afirma que as perguntas 59 e 60 das perguntas freqüentes do EFD, publicadas no sítio eletrônico da Receita Federal do Brasil, amparariam a possibilidade de adjudicação de créditos extemporâneos, mencionando ainda decisões do CARF, que seriam favoráveis a sua tese. Em primeira instância, os argumentos da ora Recorrente foram rejeitados, concluindo a autoridade julgadora que "inexistem as retificações das declarações, sequer há a indicação de que houve a escrituração de créditos extemporâneos, ou ainda, qualquer prova de que tais créditos não foram utilizados em períodos anteriores, restando prejudicado o seu pleito". A matéria a respeito da possibilidade de escrituração e aproveitamento de créditos extemporâneos de PIS/COFINS não é nova no CARF nem nessa Turma, que julgou, na sessão do dia 30/03/2017, processo de minha relatoria, na qual a matéria foi enfrentada (Resolução nº 3401001.140; Data: 30/03/2017; Relator: Augusto Fiel Jorge d'Oliveira). A questão que se coloca é se a retificação das declarações prestadas pelo contribuinte à Receita Federal, a respeito das contribuições, é condição para aproveitamento de crédito extemporâneo de PIS/COFINS. Na apreciação dessa matéria, há aqueles que entendem pela sua necessidade, reconhecendo que não existe lei que expressamente preveja a retificação como uma condição para o aproveitamento, mas que a retificação seria uma forma de demonstrar a certeza do crédito e permitir o aproveitamento do crédito. Nesse sentido, podese citar precedente unânime de lavra do Conselheiro Rosaldo Trevisan, abaixo transcrito: Ementa: "CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da não utilização". Trecho da Decisão: Fl. 600DF CARF MF Processo nº 10530.724292/201520 Acórdão n.º 3401004.362 S3C4T1 Fl. 564 11 "Em endosso à argumentação do julgamento de piso, salientese que as retificações (ou mesmo a prova inequívoca por outros meios, na ausência delas, que poderíamos acrescentar) são condição à acolhida dos créditos extemporâneos, não porque há lei específica o estabelecendo (embora a DRJ transcreva norma de hierarquia inferior e orientação nesse sentido), mas porque deturpam a certeza quanto ao regular aproveitamento do crédito. Em adição ao que a DRJ estabelece, agregamos somente a possibilidade de, na ausência das retificações, haver comprovação inequívoca do alegado por outros meios, o que não se visualiza no caso dos presentes autos. É de se reconhecer, contudo, que extremamente mais simples é a retificação das declarações". (Processo nº 10380.733020/201158; Acórdão nº 3403002.717; 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária; Sessão de 29 de janeiro de 2014; Relator: Conselheiro Rosaldo Trevisan; decisão unânime) Nessa mesma linha de entendimento, manifestaramse, recentemente, a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara e a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, conforme se verifica pelas ementas dos acórdãos a seguir: "CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização". (Processo nº 19515.722441/201317; Acórdão nº 3302003.155; 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária; Sessão de 27 de abril de 2016; Relator: Conselheiro Walker Araújo; decisão por maioria, vencido o Conselheiro Domingos de Sá) ***** "CRÉDITOS. REGIME DE RECONHECIMENTO. CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Os créditos da não cumulatividade devem ser reconhecidos no período de apuração em que for realizada aquisição do bem ou contratada a prestação do serviço. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização". (Processo nº 11516.722107/201180; Acórdão nº 3402003.148; 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária; Sessão de 20 de julho de 2016; Relator: Conselheiro Waldir Navarro Bezerra; decisão unânime nessa matéria) Contudo, esse entendimento, que é o mesmo da decisão recorrida, não se sustenta. Isso porque, os artigos 3º, parágrafo 4º, das Leis nº 10.637/2002 e Lei 10.833/2003, prevêem a possibilidade de apropriação de créditos de PIS/COFINS em períodos Fl. 601DF CARF MF 12 diversos daqueles em que apurados, sem fazer qualquer ressalva ou restrição, conforme a seguir: "Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes". Desse modo, não existindo qualquer restrição de direito na Lei, não se pode admitir que tal restrição seja amparada por atos infralegais, como pretendeu a decisão recorrida. Assim, não há como se condicionar o direito de crédito à apresentação de declarações retificadoras, pois se a Lei não fez esse tipo de ressalva, não cabe ao regulamento, muito menos ao intérprete fazêlo. Devese reconhecer que a retificação das declarações permite que a certeza do crédito seja aferida com muito mais facilidade. Por outro lado, não se pode transformar um descumprimento de obrigação acessória em cobrança de obrigação principal, em especial em casos como o presente, em que o contribuinte apresenta informações detalhadas quanto ao mês em que apurada cada tipo de despesa e não há qualquer questionamento quanto à utilização em duplicidade do crédito, sua origem e outras dúvidas a respeito do crédito, limitandose a Fiscalização a rejeitar o direito de crédito tão somente em razão do descumprimento de obrigação acessória pelo contribuinte. Além disso, devese lembrar que existe sanção específica no ordenamento para punir o descumprimento de obrigação acessória, certamente diferente da cobrança do valor da obrigação principal ou da rejeição do direito de crédito do contribuinte1. Seguindo essa linha, pela desnecessidade de retificação de declarações para fins de aproveitamento de crédito extemporâneo, oportuno trazer os dois julgados abaixo, também unânimes em relação a matéria ora analisada: Ementa: "CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Na forma do art. 3º, § 4o, da Lei nº 10.833/2003, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado não cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte ou da apresentação de PER único para cada trimestre. As Linhas 06/30 e 06/31 do DACON, denominadas respectivamente de “Ajustes Positivos de Créditos” e de “Ajustes Negativos de Créditos”, contemplam a hipótese de o contribuinte lançar ou subtrair outros créditos, além daqueles contemporâneos à declaração. Também a EFDPIS/Cofins, constante do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS nº 34/2010, prevê expressamente a possibilidade de lançar créditos extemporâneos, nos registros 1101/1102 (PIS) e 1501/1502 (COFINS). Precedente do CARF. 1 Artigo 7º da Lei nº 10.426/2002. Fl. 602DF CARF MF Processo nº 10530.724292/201520 Acórdão n.º 3401004.362 S3C4T1 Fl. 565 13 Tendo a DRF e a DRJ se recusado a apreciar o mérito dos créditos extemporâneos, devem ser anuladas ambas as decisões para evitar supressão de instância e permitir que seja proferido novo despacho decisório". (Processo nº 19515.720869/201244; Acórdão nº 3202001.617; 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária; Sessão de 19 de março de 2014; Relator: Thiago Moura de Albuquerque Alves; Redator ad hoc: Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza; decisão unânime) ***** "PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. Quando o contribuinte verifica que tinha direito a crédito de PIS/Cofins não cumulativo em período anterior, o qual não foi aproveitado na época própria, pode proceder de duas formas: a primeira consiste em fazer o aproveitamento no mês em que o crédito foi gerado, promovendo a retificação do DACON daquele período de apuração e dos períodos subseqüentes, bem como da DCTF para, então, promover a compensação por meio de DCOMP, utilizando como crédito o valor que recolheu a maior, inclusive com atualização; a segunda consiste em aproveita o crédito no período de apuração corrente, incluindoo na DACON, sem precisar retificar nenhuma declaração em relação ao passado, mas aproveitando o crédito pelo seu valor nominal, sem atualização (art. 13 da Lei nº 10.833/2003). Qualquer das duas formas de aproveitamento é legítima". (Processo nº 16682.720330/201275; Acórdão nº 3403002.420; 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária; Sessão de 21 de agosto de 2013; Relator: Conselheiro Ivan Allegretti; decisão unânime) No primeiro julgado citado, de relatoria do Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, destaco a menção à possibilidade de se registrar créditos que não são contemporâneos à declaração no DACON e que há previsão expressa de o contribuinte lançar créditos extemporâneos, nos registros 1101/1102 (PIS) e 1501/1502 (COFINS), no “Manual de Orientação do Leiaute da Escrituração Fiscal Digital da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) – (EFDPIS/ Cofins)”, constante do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS nº 34/2010. Portanto, não havendo determinação na Lei de condições ao registro e apropriação de crédito extemporâneo e sendo ainda perfeitamente possível a sua inclusão nas declarações prestadas à Receita Federal, o que é abalizado pelas orientações da administração tributária, penso que a ausência de retificação não pode ser óbice ao aproveitamento do crédito. Ademais, como expõe o relator do processo em comento, "é dever da fiscalização apurar os créditos e os débitos nos tributos não cumulativos, refazendo se for o caso cálculos efetuados pelo contribuinte, na forma da legislação tributária. Não pode a fiscalização indeferir o ressarcimento ou glosar os créditos não cumulativos, por alegado vício formal no preenchimento das obrigações acessórias, sem sequer intimar o contribuinte para retificar os supostos equívocos nem examinar se os créditos procedem ou não, deixando indevidamente de corrigir, de ofício, os erros eventualmente cometidos pelo contribuinte". Fl. 603DF CARF MF 14 Por último, é de se notar que o entendimento exposto aqui e na Resolução nº 3401001.140, acima citada, apesar de ser o mesmo, gera conseqüências diversas. Isso porque aquele processo versava sobre pedido de ressarcimento de PIS/COFINS, ao passo que o presente processo decorre de Auto de Infração. No primeiro, uma vez ultrapassado o impedimento inicial vislumbrado pela Fiscalização, que ainda naquela ocasião indicou problemas quanto à liquidez e certeza do direito de crédito, a providência foi a conversão do julgamento em diligência, para verificação quanto a esse último aspecto. No presente processo, que decorre de Auto de Infração, cabe à autoridade lançadora demonstrar a ocorrência do fato gerador, produzindo as provas que entender necessárias para tanto, nos termos do artigo 142, do CTN. Não tendo a autoridade lançadora apresentado razões adicionais para a constituição do crédito tributário, não há como o Colegiado requerer diligências para inovar a fundamentação do lançamento, devendo assumir que aquele ausência de DACON e DCTF retificadoras era o único óbice à escrituração e aproveitamento do crédito das contribuições, não havendo outro caminho a seguir que não seja determinar o seu cancelamento do crédito tributário, nessa parte. Pelo exposto, entendo que a não retificação das declarações não pode ser motivo para que se rejeite o direito à apropriação de crédito extemporâneo, motivo pelo qual dou provimento ao Recurso Voluntário para cancelar o crédito tributário correspondente, tendo em vista que esse foi o único fundamento apontado pela Fiscalização para constituição do crédito tributário, não existindo qualquer oposição a respeito da liquidez e certeza do crédito extemporâneo escriturado e descontado. 2) Despesas de Frete que não representam operação de venda Linha 07 FICHAS 06A 16A do Dacon Nesse item, a autuação é realizada, com base no artigo 3º, inciso IX, das Leis nº 10.833/03 e nº 10.637/02, que estabelece: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor". De acordo com a Fiscalização: "Mediante análise das informações prestadas pelo contribuinte, conjuntamente com as informações das notas fiscais da sua EFDICMS/IPI, foi identificado que haviam conhecimento de frete, dos quais houve aproveitamento de crédito, que não estavam relacionados a operações de venda, conforme determina o IX. do art. 3°,das Leis nº 10.833/2003, ou seja, não passíveis de creditamento. Portanto, serão considerados aproveitamento indevido de crédito, todos os conhecimentos de frete relacionados à operações de remessa, devoluções e outras saídas, conforme demonstrado no anexo I". O Anexo I do Termo de Verificação Fiscal, denominado "conhecimentos de frete relacionados a NF de remessa, devolução e outras saídas" consta às fls. 45 e seguintes dos autos e lista os conhecimento de frete que entendeu a Fiscalização não corresponder a hipótese de direito de desconto de crédito, prevista no artigo 3º, inciso IX, das Leis nº Fl. 604DF CARF MF Processo nº 10530.724292/201520 Acórdão n.º 3401004.362 S3C4T1 Fl. 566 15 10.833/03 e nº 10.637/02, indicando mês, número de nota fiscal de saída, Código CFOP, descrição CFOP, transportadora, número de conhecimento de frete e valor total consolidado. Em sua defesa, a Recorrente afirma que "a aquisição de crédito nas operações de frete de remessa, devoluções e outras saídas, envolvendo “remessa de vasilhame ou sacaria”; “devolução de vasilhame ou sacaria”; “devolução do bem do ativo imobilizado de terceiros”; “remessa de mercadoria ou bem para conserto ou reparo”; “remessa em bonificação, doação ou brinde” e; “outra saída de mercadoria ou prestação de serviço”, são operações de fretes que geram direito, ao crédito tanto porque indispensáveis ao processo produtivo como insumo, quanto por serem necessários às operações de venda (cujas notas fiscais e conhecimentos de transporte seguem anexos por amostragem) e, portanto, geram direito creditório". Em seguida, passa a Recorrente a defender os motivos pelos quais entende que o direito de crédito tem amparo na legislação em cada uma das "descrições CFOP" indicadas. Ao se realizar o cotejo entre os itens objeto de lançamento no Anexo I e os itens que foram impugnados pela Recorrente, verificase que a impugnação não é total, para ilustrar, não há impugnação em relação aos conhecimentos de frete que tratam de "Devolução de compra para industrialização ou produção rural" ou " Devolução de compra de material de uso ou consumo". Desse modo, devese reconhecer a preclusão de qualquer discussão em relação aos itens não impugnados especificamente pela Recorrente, nos termos do artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972. De notar ainda que a discussão em determinados itens não se restringirá apenas à subsunção do direito de crédito previsto no artigo 3º, inciso IX, das Leis nº 10.833/03 e nº 10.637/02, mas também à hipótese prevista no artigo 3º, inciso II, das Leis nº 10.833/03, sendo, portanto, oportuno fixar o conceito de insumo que será adotado, ainda que o façamos de forma bem objetiva, tendo em vista a ausência de divergência sobre a matéria na Turma. Em linha com a jurisprudência firmada no CARF e manifestação do e. Superior Tribunal de Justiça ("STJ"), há que se concordar que o conceito utilizado pela Receita Federal é restritivo demais e não guarda sintonia com as próprias normas que emanam da legislação de regência do PIS e da COFINS. Por outro lado, a partir da leitura dessa mesma legislação, constatase que “é necessário que essa utilização se dê na qualidade de "insumo" ("utilizados como insumo"). Isto significa que a qualidade de "insumo" é algo a mais que a mera utilização na produção ou fabricação, o que também afasta a utilização dos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" inerentes ao IR. Não basta, portanto, que o bem ou serviço seja necessário ao processo produtivo, é preciso algo a mais, algo mais específico e íntimo ao processo produtivo”. (REsp 1246317/MG, Trecho do Voto Vencedor do Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES) Assim, reconhecendo que o conceito de insumo deve observar um regime jurídico próprio, extraído da interpretação de sua legislação de regência, podese entender que há direito a crédito, para fins de desconto na apuração do PIS/COFINS, na aquisição de bens e serviços adquiridos pela pessoa jurídica que tenham uma relação de inerência/pertinência com a atividade econômica (produção, fabricação ou prestação de serviços), assim, sejam necessários para a realização da atividade, seja por serem nelas utilizados ou por viabilizarem a Fl. 605DF CARF MF 16 atividade, e cuja subtração implica a inexistência da atividade ou a perda de suas qualidades essenciais. Esse, portanto, o conceito de insumo a ser adotado. Ademais, antes de proceder a análise de cada item, para a devida contextualização das operações descritas pela Recorrente, importante expor que a Recorrente, nos termos do artigo 4º de seu Estatuto Social, tem por objeto: "a) industrialização, comércio, importação e exportação de reparos a frio, vulcanizantes e autovulcanizantes, para pneus e câmaras de ar, inclusive matériasprimas; b) industrialização, comércio e prestação de serviços em borracha, seus artefatos, maquinários e equipamentos em geral, para os ramos automotivo, esportivo e industrial, adesivos, colas e produtos de limpeza em geral; c) a administração de negócios e de outras sociedades; e d) a participação em outras sociedades". (fls. 73) No sítio eletrônico da Recorrente, há maiores informação sobre as atividades da Recorrente, que consistem na (i) prestação de serviços de reparo de pneus das linhas carga, agro, OTR, passeio, moto e bicicleta, na produção e venda de pneus de motocicletas; (ii) na produção de produtos a serem utilizados na atividade de reparo e manutenção, como catalizador, removedor de graxa, tiras de conserto e cimento linha industrial; (iii) na produção e venda de produtos de borracha, como placas, pisos, lençóis, estrado e tira protetora; (iv) e atuação em modelos de fornecimento de compostos de borracha, segmento que, segundo o sítio eletrônico da Recorrente, "utiliza a borracha para oferecer soluções a indústrias ou a outros fabricantes que também têm essa matériaprima como elemento fundamental". Com relação ao frete vinculado a "remessa de vasilhame ou sacaria” e “devolução de vasilhame ou sacaria”, a Recorrente defende que se referem a remessa de pallets onde são transportados os produtos destinados à venda e que são entregues a diversas unidades da Recorrente acopladas no pallet. Em seguida, afirma que após a entrega da mercadoria, é emitida uma nota fiscal de devolução do pallet com o respectivo conhecimento de transporte. Na sessão do dia 27/07/2017, em processo de minha relatoria, a Turma, por voto de qualidade, decidiu que: "O serviço de frete, no transporte de produtos acabados, entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, por não poder ser enquadrado como insumo e por falta de previsão legal, não gera direito ao crédito da nãocumulatividade". (Acórdão nº 3401003.902; Data: 27/07/2017; Relator: Augusto Fiel Jorge d' Oliveira; Redator Designado: Fenelon Moscoso de Almeida) Naquela oportunidade, manifestei entendimento que acabou não prevalecendo, no sentido que há direito de crédito em relação às despesas de frete de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, com fundamento no inciso IX, do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003, pois tais remessas se qualificam como uma etapa essencial da operação de venda da mercadoria, que permite o avanço da mercadoria na cadeia indústriacomércio, do produtor em direção ao consumidor final. Isso porque, "se o crédito é assegurado na hipótese em que o industrial realiza uma operação de venda e remete a mercadoria diretamente para o seu cliente final, não poderia ser restringido quando, por um questão de logística, o industrial remete a mercadoria para um outro estabelecimento ou para um centro de distribuição, para fracionar o transporte entre diversas modalidades, pois há no caso apenas um desdobramento da operação de venda, que deve ser realizada em mais de uma etapa". O mesmo raciocínio ali desenvolvido em relação às transferências de mercadorias vale para as transferências dos pallets. Fl. 606DF CARF MF Processo nº 10530.724292/201520 Acórdão n.º 3401004.362 S3C4T1 Fl. 567 17 À luz do que o artigo 3º, inciso IX, das Leis de regência das contribuições, as despesas com frete de remessa de uma mercadoria vendida acompanhada do pallet, do fabricantevendedor em direção ao cliente, geram direito de desconto de crédito. Além dessas despesas, a meu ver, o frete arcado pelo vendedor para promover o retorno dos pallets, do cliente em direção ao fabricantevendedor, também gera direito de desconto de crédito, pois o retorno ou devolução dos pallets está inserida, faz parte, da operação de venda, não podendo o aplicador da Lei restringir o sentido de "frete na operação de venda" apenas para a viagem de ida, por exemplo, pois, onde o legislador não restringiu, não cabe ao aplicador fazêlo. Logo, fixado o entendimento de que o retorno dos pallets deve gerar direito de crédito na operação mais tradicional de venda que se realiza diretamente entre fabricante vendedor e cliente e fixado o entendimento de que há direito de crédito no frete de produtos acabados entre estabelecimentos do mesmo contribuinte, em decorrência, na hipótese em que a venda não é realizada diretamente para o cliente, havendo remessas de mercadorias acabadas entre os estabelecimentos da Recorrente, e há remessa das mercadorias com pallets e sua posterior devolução, penso que seja possível o direito de desconto de crédito, com fundamento no artigo 3º, inciso IX, das leis de regência. Por esse motivo, proponho ao Colegiado cancelar o crédito tributário correspondente a esse item. No que se refere ao item “devolução do bem do ativo imobilizado de terceiros”, a Recorrente afirma que, na verdade, deveria ter classificado tal frete como "retorno de equipamento utilizado por empréstimo", esclarecendo que os bens transportados são "“matrizes” para a fabricação das bandas de rodagem, ou seja, como a forma para preenchimento da matériaprima e demais insumos que irão compor a banda de rodagem" e que "as matrizes são de propriedade da Borrachas Vipal S.A. e a mesma cede em mútuo gratuito para a Borrachas Vipal Nordeste S.A., ora Recorrente, para a fabricação de determinada banda de rodagem que foi objeto do pedido de encomenda de seus clientes, após a finalização da produção desse item, a determinada matriz é devolvida à sua origem". Em geral, o aluguel de bens utilizados nas atividades da empresa gera direito de crédito, com fundamento no inciso IV, do artigo 3º, das leis de regência. No caso específico, o aluguel do equipamento sequer gera direito de crédito, pois, como informado pela Recorrente, o proprietário das matrizes é empresa a ela ligada, que ajustou um empréstimo gratuito dos moldes. Então, tratamse de despesas com transporte de um equipamento utilizado na atividade da empresa e que não gera direito de crédito. Apesar de a matéria não ser pacífica, o CARF já decidiu que "é possível o creditamento em relação a serviços sujeitos a tributação (transporte, carga e descarga) efetuados em/com bens não sujeitos a tributação pela contribuição" (Acórdão nº 3403001.937; Data: 19/03/2013; Relator: Conselheiro Rosaldo Trevisan; por maioria, vencido o Conselheiro Robson José Bayerl). Na realidade, embora não exista pagamento das contribuições em relação ao bem transportado, há pagamento de contribuições sobre as receitas do serviço de transporte, o que permitiria a aferição do direito de crédito. Ocorre que o fundamento legal apontado pela Recorrente é manifestamente inaplicável ao caso, pois não se trata de frete na operação de venda, como reconhece a própria Recorrente, ao afirmar que se trata de frete de equipamento alugado para uso na atividade da Fl. 607DF CARF MF 18 empresa. Além disso, diante da não aceitação de tal fundamento legal pela Fiscalização, a Recorrente simplesmente não aponta um fundamento legal alternativo que justificasse o direito de crédito, motivo pelo qual entendo que essa parte da autuação deve ser mantida, por carência de demonstração do seu direito pela Recorrente. Com relação ao item "remessa de mercadoria ou bem para conserto ou reparo”, a Recorrente esclarece que se trata de "despesa de frete (...) suportada pela ora Recorrente, com o propósito de enviar as peças e partes de peças das máquinas da linha de produção, que, tenham sofrido danos que necessitam conserto ou reparo", pedindo o reconhecimento do direito de crédito, com fundamento no artigo 3º, inciso II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Nesse item, a própria Recorrente reconhece que a adoção do artigo 3º, inciso IX, das Leis de regência das contribuições, como fundamento legal do direito de desconto de crédito, não é o adequado, ao defender que as despesas de frete deveriam se enquadrar como insumo, portanto, com força no artigo 3º, inciso II, das leis de regência. De acordo com a Solução COSIT nº 99.013/2017, "os serviços de manutenção de máquinas que são utilizadas diretamente na fabricação de produtos, bem como as aquisições de partes e peças de reposição dessas máquinas permitem a apuração de créditos da Cofins na modalidade aquisição de insumos, desde que não promovam aumento de vida útil da máquina superior a um ano". Assim, como os fretes de remessa das partes e peças integra o custo de aquisição do próprio serviço de manutenção das máquinas utilizadas no processo produtivo, acredito que, em tese, tais fretes geram direito de crédito, com fundamento no inciso II ou no inciso VI, do artigo 3º, das leis de regência, a depender da vida útil do bem objeto de manutenção. Porém, no presente caso, não há qualquer indicação de quais são as máquinas objeto de manutenção, em que parte do processo produtivo elas se inseririam, a vida útil das máquinas e, em manifestação posterior, o próprio Recorrente adota explicação completamente contraditória, no sentido de que tais remessas teriam relação novamente com operação de venda de mercadoria, seriam remessas de mercadorias consertadas ou reparadas aos seus clientes, no âmbito da cláusula de garantia oferecida pela Recorrente a eles. Portanto, parece que nem a Recorrente sabe ao certo a natureza de tais remessas, motivo pelo qual entendo que esse item do lançamento merece ser mantido, por carência de demonstração do seu direito pela Recorrente. No que se refere ao item “remessa em bonificação, doação ou brinde”, a Recorrente afirma que "a bonificação, a doação ou brinde é desdobramento da venda de determinado bem, em que o vendedor realiza como forma de desconto ao cliente, a fim de tornar seu produto competitivo no mercado e atrair fidelização de bons clientes", pedindo o reconhecimento do direito de desconto de crédito, com fundamento no inciso IX, do artigo 3º, das leis de regência. Nesse item, há que se concordar com a Recorrente. As remessas de mercadorias a título de bonificação, a meu ver, são uma operação intimamente relacionada a uma operação de venda. O vendedor remete determinada quantidade de mercadorias em bonificação porque o cliente comprou uma quantia determinada de mercadorias, o que se traduz em verdadeiro desconto ou redução do preço da compra e venda, considerando ambas as remessas como integrantes de uma mesma relação jurídica de compra e venda de mercadoria. Fl. 608DF CARF MF Processo nº 10530.724292/201520 Acórdão n.º 3401004.362 S3C4T1 Fl. 568 19 Por esses motivos, entendo que as remessas realizadas a esse título geram direito de crédito, nos termos do inciso IX, do artigo 3º, das leis de regência, motivo pelo qual proponho ao Colegiado afastar o crédito tributário relacionado a esse item. Com relação ao item “outra saída de mercadoria ou prestação de serviço”, a Recorrente defende o direito de crédito, com fundamento no inciso II, do artigo 3º, das leis de regência, ao afirmar que "são referentes a devolução de papelão para caixa de embalagem, fios de aço como matériaprima da banda de rodagem, entre outros itens de insumos que são devolvidos por não terem sido consumidos em determinados produtos encomendados pelos seus clientes, seja pela quantidade remanescente que não foi aproveitada, seja pela qualidade não observada em determinados itens". Pela descrição da Recorrente, sem o oferecimento de contratos, laudos e/ou demais informações, não há como se aferir, com segurança, a natureza jurídica da relação existente entre ela, a Recorrente, e seu cliente, que dá amparo à devolução desses materiais, ou seja, não há demonstração pela Recorrente da efetiva natureza das despesas de frete registradas nas notas fiscais como “outra saída de mercadoria ou prestação de serviço”, sendo, inclusive, contraditório o registro como saída de materiais que, segundo a Recorrente, deram entrada em seu estabelecimento. Desse modo, proponho ao Colegiado manter o lançamento nessa parte. 3) Bens do ativo imobilizado Como inicialmente mencionado, esse item da autuação se desmembra nos três itens a seguir: (i) crédito acelerado de máquinas e equipamentos; (ii) crédito acelerado de edificações; e (iii) crédito sobre depreciação de instalações industriais. O primeiro item a ser examinado, "crédito acelerado de máquinas e equipamentos", ainda se desdobra em mais quatro itens, a saber: a) aquisição de ativos imobilizados não relacionados à produção; b) notas fiscais de remessa para entrega futura; c) notas fiscais em duplicidade; e d) valores divergentes das notas fiscais de aquisição. Já o segundo item a ser examinado "crédito acelerado de edificações", por sua vez, é dividido em três itens: a) notas fiscais apropriadas em duplicidade; b) gastos com edificações não relacionados à produção; e c) créditos extemporâneos. A seguir, passaremos a análise de cada um deles. 3.1) Crédito acelerado de máquinas e equipamentos Esse item tem relação com a forma ordinária e opcional de cálculo de crédito a descontar na aquisição de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, previstas no artigo 3º, inciso VI, parágrafos 1º, inciso III, e parágrafo 14º, das leis de regência, nos termos a seguir: "Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para Fl. 609DF CARF MF 20 utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (...) § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (...) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; (....) § 14. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1o deste artigo, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal". (grifos nossos) Segundo a Fiscalização, a Recorrente apura os créditos sobre máquinas e equipamentos com base na apropriação mensal do custo de aquisição do bem, conforme determina § 14 , do artigo 3°, da Lei nº 10.833/2003, porém, teria computado indevidamente na base de cálculo das contribuições a) aquisição de ativos imobilizados não relacionados à produção; b) notas fiscais de remessa para entrega futura; c) notas fiscais em duplicidade; e d) valores divergentes das notas fiscais de aquisição. Com relação a "aquisição de ativos imobilizados não relacionados à produção", a Fiscalização afirma que "o contribuinte utilizou indevidamente na base de cálculo aquisições de ativos imobilizados não relacionados a produção de bens destinados à venda, tais como Porta Pallets, Container Metálicos e Equipamento para tratamento de água, esgoto e efluentes", ressaltando o seu entendimento, no sentido de que "os ativos utilizados na produção são aqueles utilizados especificamente em razão da produção, não abrangendo máquinas e equipamentos utilizados antes de iniciado o processo produtivo ou depois que ele tenha acabado". Contra essa acusação, a Recorrente expõe que os porta pallets e o container metálico servem para armazenagem dos produtos acabados no estabelecimento da Recorrente, com o objetivo de guarda para posterior remessa para venda aos seus clientes. A Recorrente explica que o porta pallet consiste em prateleiras metálicas, em que os “pallets contendo os produtos destinados à venda são colocados”, para que “os produtos destinados a venda sejam armazenados de forma organizada, segura e eficaz”. Já no que diz respeito aos containers metálicos, a Recorrente informa que eles têm a mesma função, porém, esclarece a Recorrente que não deu sequência à utilização deste material, defendendo o direito de crédito, com base nos artigos 3º, inciso IX, e artigo 15, inciso II, da Lei nº 10.833/03. Em relação ao equipamento para tratamento de água, esgoto e efluentes, a Recorrente afirma que a “água é um dos insumos de maior quantidade na produção dos produtos derivados de borracha produzidos pela ora Recorrente razão pela qual, verificase a sua subsunção ao conceito de insumo, pelo art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.833/03 e 10.637/02”. Além disso, aduz que “embora não sejam despesas para a produção do bem industrializado, são necessárias para cumprir a legislação ambiental, que prevê penas pelo descumprimento deste procedimento que vão desde a multas pecuniárias, como sanções administrativas de suspensão das atividades da ora Recorrente”. Fl. 610DF CARF MF Processo nº 10530.724292/201520 Acórdão n.º 3401004.362 S3C4T1 Fl. 569 21 No mesmo sentido é a alegação da Recorrente em relação ao tratamento de esgoto e efluentes, que, segundo a Recorrente, “a utilização do referido material decorre da legislação ambiental, se tratando de matérias utilizados pela Recorrente conforme determinação das regras ambientalistas, haja vista que a água utilizada no processo produtivo, conforme determina a legislação, deve ser tratada antes de ser descartada”. Nesse item, entendo que assiste razão à Recorrente. As despesas com armazenamento das mercadorias, seja com a aquisição de porta pallets ou containers metálicos são necessárias por viabilizarem a atividade produtiva da Recorrente, pois, de nada adiantaria realizar a produção de bens, se não dispusesse de estrutura em ativo imobilizado para armazenálos com segurança e longe de riscos quanto a qualidade do material produzido, entre o momento em que encerrada a produção e a remessa aos clientes da Recorrente. Como tais bens estão registrados no ativo imobilizado, o direito de desconto de crédito deve se dar, com fundamento no artigo 3º, inciso VI, parágrafos 1º, inciso III, e parágrafo 14º, das leis de regência, e não nos artigos 3º, inciso IX, e artigo 15, inciso II, da Lei nº 10.833/03, como defendido pela Recorrente. Já com relação ao equipamento de tratamento de água, esgoto e efluentes, o mesmo ocorre. Além de necessário à atividade produtiva da Recorrente, é obrigatório, por força de cumprimento às leis ambientais, como já teve esse Colegiado a oportunidade de decidir em hipóteses semelhantes, podendose citar o Acórdão nº 3401003.787; Data: 23/05/2017; Relator: Conselheiro Rosaldo Trevisan. Já no que se refere ao item “notas fiscais de remessa para entrega futura”, a Fiscalização afirma que a Recorrente utilizou de desconto de crédito de notas fiscais de remessa, decorrentes de compras para recebimento futuro (CFOP 6116), quando a legislação estabelece como requisito para o aproveitamento de crédito que o bem esteja incorporado ao ativo imobilizado, conforme artigo 3º, inciso VI, das leis de regência, o que seria ratificado pela previsão legal, no sentido de que o cálculo do crédito ocorre apenas em bens já passiveis de depreciação e amortização, portanto, bens em operação/utilização, nos termos do artigo 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 10.833/2003. A Recorrente, por sua vez, afirma que a aquisição do crédito ocorre com a emissão da primeira nota fiscal, momento em que seriam destacados o PIS e a COFINS incidentes sobre o bem adquirido. A decisão recorrida manteve a autuação nesse item, nos seguintes termos: “Bem, a hipótese de crédito de que aqui se trata é a prevista no inciso VI e § 14, do art. 3°, da Lei nº 10.833/2003. Em relação a estes dispositivos, como bem coloca a Autoridade Fiscal, temse que o inciso IV é taxativo ao estabelecer como requisito para o aproveitamento de crédito que o bem esteja incorporados ao ativo imobilizado. Também cabe razão quando afirma corroborar este entendimento o fato de o inciso III do § 1º, do art. 3°, da Lei nº 10.833/2003 estabelece que o crédito ocorre sobre os encargos de depreciação dos bens mencionados, assim, portanto, ocorre apenas em bens já passiveis de depreciação e amortização, ou seja, bens em operação/utilização. Fl. 611DF CARF MF 22 Destarte, para fins de creditamento, não há que se falar em custo de depreciação de bem que não esteja incorporado ao ativo imobilizado e não há que se falar em depreciação pelo desgaste de bem que não esteja em funcionamento. Portanto, o direito ao crédito, por expressa previsão legal, está condicionado a que o bem já esteja imobilizado e em operação. O argumento de defesa em nada altera o entendimento que se extrai da legislação mencionada”. Dessa maneira, concordando com as razões da decisão de primeiro piso e não trazendo a Recorrente nenhuma alegação adicional contra o que fora ali entendido, proponho ao Colegiado manter a autuação nesse item. Com relação ao item “notas fiscais em duplicidade”, a Fiscalização expõe que a Recorrente, em determinadas notas fiscais, utilizouse duas vezes do direito de desconto de crédito a elas referente, quando afirma que “os itens, após serem totalmente apropriados a uma taxa de 12 meses, retornaram a planilha de cálculo em setembro/2011 com uma taxa de apropriação de 48 meses”. Nesse item, a Recorrente reconhece ter cometido um equívoco, mas defende não ter utilizado o crédito e, portanto, não ter havido prejuízo ao Fisco, ao afirmar que “embora tenha ocorrido o erro de preenchimento de fazer constar estas mesmas notas 22676, 22036, 22100, 22118 e 36, as mesmas não foram objeto de apropriação de crédito, pois, na verificação da DACON do mês de setembro de 2011, conforme documento anexo, é possível perceber o crédito de R$ 19.120,00 não utilizado na dedução do PIS e da COFINS a pagar”. Entretanto, esse argumento por si só não é capaz de afastar as conclusões a que chegou a Fiscalização para a constituição do crédito tributário, pois a Fiscalização partiu de planilhas apresentadas pela própria Recorrente, o crédito não teria sido utilizado somente no mês de setembro de 2011 e, além disso, não há nos autos o documento indicado pela Recorrente. Por oportuno, merece destaque o exame do item realizado pela decisão de primeiro piso, para rejeitar as explicações da Recorrente: “A presente duplicidade foi verificada através da análise da planilha “Demonstrativo de crédito de imobilizado final”. Nesta, os valores das tais notas constam em janeiro de 2011 como totalmente apropriados, à taxa de doze meses, e na planilha de setembro de 2011 retornam para serem apropriadas à taxa de 48 meses. A glosa se deu nos meses de setembro, outubro, novembro e dezembro, no valor de R$ 18.432,02 ao mês. (...) primeiro, não se localizou nos autos o mencionado “documento anexo” e, segundo, mesmo que restasse demonstrado a existência do alegado crédito disponível não utilizado, isso não seria suficiente para demonstrar que este se referiria às tais notas fiscais. Ademais, como visto: a glosa ocorreu nos últimos quatro meses de 2011 e não somente no mês de setembro; o valor mensal glosado foi de R$18.432,02 e não R$19.120,00 como arguido pela interessada”. Por conseguinte, mantenho a autuação em relação a esse item. Fl. 612DF CARF MF Processo nº 10530.724292/201520 Acórdão n.º 3401004.362 S3C4T1 Fl. 570 23 Com relação ao item “valores divergentes das notas fiscais de aquisição”, a Fiscalização realizou o lançamento, tendo em conta a divergência entre os valores apropriados para fins de direito de crédito e os valores constantes em nota fiscal, lançando a diferença. Em sua defesa, a Recorrente se limita a afirmar que a divergência se deu, em razão da forma pela qual realizou o preenchimento do sistema, onde todos os valores foram colocados em uma mesma nota fiscal, afirmando que “as notas fiscais 7950, 15313 e 107, nada mais são, do que notas de entradas de crédito que contemplam outras notas fiscais de aquisição de insumos”. Contudo, as alegações da Recorrente não se prestam a infirmar a divergência constatada a partir de planilha e notas fiscais por ela apresentadas à Fiscalização no curso da ação fiscal. E, como bem apontado pela decisão recorrida, “a alegação trazida não afasta o fato de que na nota fiscal nº 7950 consta o valor de R$ 1.310,60 e na base de cálculo foi incluído, referente a esta mesma nota, o valor de R$ 152.400,66. Assim também em relação às notas 15313 e 107”. Logo, merece ser mantida a autuação também em relação a esse item. 3.2) Crédito acelerado de edificações Nesse item, a fiscalização é desdobrada em 3 (três) subitens: a) notas fiscais apropriadas em duplicidade; b) gastos com edificações não relacionados à produção; e c) créditos extemporâneos. A seguir, a análise de cada um deles. a) notas fiscais apropriadas em duplicidade Nesse item, a Fiscalização aponta que “mediante análise da planilha “Demonstrativo de crédito de imobilizado final”, detalhamento do crédito por nota fiscal, foi identificada a ocorrência de apropriação em duplicidade das notas fiscais n° 284 e n° 293 do fornecedor Construtora Queiroz Galvão S.A”. Ou seja, a Fiscalização constatou que a Recorrente utilizou duas vezes créditos relacionado a uma mesma nota fiscal e glosou a segunda apropriação do crédito, lançando o respectivo crédito tributário. Em sua defesa, a Recorrente afirma que “na verdade, se tratam dos mesmos números de notas fiscais, mas emitidas por outro fornecedor chamado ORMEC ENGENHARIA e com outras bases de cálculo”, apresentando cópia de tela que parece ser de um sistema interno da Recorrente, no qual consta a indicação de que haveria notas fiscais emitidas por esse fornecedor com o mesmo número das notas fiscais emitidas pela Construtora Queiroz Galvão S.A., quais seja, notas fiscais de nº 284 e 293. Como se verifica, partindo da premissa que há realmente as notas fiscais de mesmo número indicadas na cópia da tela de sistema interno da Recorrente – isso porque, a Recorrente sequer apresenta tais notas fiscais , a alegação da Recorrente permite apenas concluir que fornecedores distintos seus emitiram nota fiscal com o mesmo número. Fl. 613DF CARF MF 24 Não há qualquer informação ou documentação adicional. Nem mesmo os valores das notas fiscais de emissão da ORMEC ENGENHARIA foram informados. Dessa maneira, entendo que a Recorrente não se desincumbiu do ônus de provar que não se creditou em duplicidade em relação às notas fiscais emitidas pela Construtora Queiroz Galvão S.A., motivo pelo qual proponho ao Colegiado manter esse item da autuação. b) gastos com edificações não relacionados à produção Na sistemática do PIS/COFINS não cumulativo, o contribuinte pode optar por duas formas para exercer o direito de desconto de crédito com gastos com edificações. Na primeira forma, que podemos aqui denominar de “forma ordinária de desconto de crédito”, o contribuinte poderá descontar créditos com gastos em edificações e benfeitorias utilizados nas atividades da empresa e o crédito é determinado mediante aplicação da alíquota sobre o valor dos encargos de depreciação, nos termos dos artigos 3°, das Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002, in verbis: “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; (...) § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (...) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; (....)” Na segunda forma, que podemos denominar de “forma acelerada de desconto de crédito”, o contribuinte poderá se apropriar mais rapidamente dos créditos de edificações, porém tais edificações não se destinam a ser utilizadas nas atividades da empresa como um todo, mas devem ser utilizadas na produção de bens ou na prestação de serviços, como prevê o artigo 6°, da Lei nº 11.488/2007, abaixo transcrito: “Art. 6º As pessoas jurídicas poderão optar pelo desconto, no prazo de 24 (vinte e quatro) meses, dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que tratam o inciso VII do caput do art. 3º da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e o inciso VII do caput do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, na hipótese de edificações incorporadas ao ativo imobilizado, adquiridas ou construídas para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. § 1o Os créditos de que trata o caput deste artigo serão apurados mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, ou do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, conforme o caso, sobre o valor correspondente a 1/24 (um vinte e quatro avos) do custo de aquisição ou de construção da edificação. Fl. 614DF CARF MF Processo nº 10530.724292/201520 Acórdão n.º 3401004.362 S3C4T1 Fl. 571 25 § 2o Para efeito do disposto no § 1o deste artigo, no custo de aquisição ou construção da edificação não se inclui o valor: I de terrenos; II de mãodeobra paga a pessoa física; e III da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições previstas no caput deste artigo em decorrência de imunidade, não incidência, suspensão ou alíquota 0 (zero) da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. (...)” A partir dessas regras, nesse item da autuação, a Fiscalização verificou que a Recorrente se apropriou de créditos relativos a investimento chamado por ela de “prédio BVNE”, na forma do artigo 6°, da Lei nº 11.488/2007, pedindo informações à Recorrente a respeito, para fins de aferição do cumprimento dos requisitos para a fruição do crédito acelerado pela Recorrente. Com bases nas informações prestadas pela Recorrente, a Fiscalização constatou que “o contribuinte apurou indevidamente créditos sobre os gastos com edificações de áreas não relacionadas a produção”, pois, além de edificações relacionadas à produção, estavam incluídos na rubrica “prédio BVNE” e, portanto, sujeitos ao crédito acelerado, despesas com as seguintes edificações, tais como registradas na matrícula do Registro Geral de Imóveis e reproduzidas na tabela de fls. 31: Prédio administrativo, Casa do caminhoneiro, Central de resíduos, Guarita e recepção, Refeitório, Vestiário Geral, Estação de tratamento de efluentes, Compostagem, Centro de distribuição, Cobertura de motos, Cobertura de bicicletas e Descarga de óleo e bombas. Em sua defesa, a Recorrente afirma que “o aproveitamento do crédito da Recorrente não ocorreu de forma individualizada e sim do complexo produtivo como um todo”, argumentando que todos os itens são essenciais e garantidos pelo artigo 3º, inciso VII, da Lei nº 10.833/03. Como se verifica, a própria Recorrente reconhece que não realizou a apropriação do crédito acelerado de forma individualizada, levando em consideração se as despesas com edificações estavam ou não vinculadas à produção. Além disso, afirma que tais créditos estariam garantidos pelo artigo 3º, inciso VII, da Lei nº 10.833/03, quando não se discute a apropriação de edificações vinculadas meramente às atividades da empresa, mas sim o crédito acelerado previsto no artigo 6°, da Lei nº 11.488/2007. Impende ressaltar ainda que não há, por parte da Recorrente, qualquer impugnação específica em relação aos itens não admitidos pela Fiscalização como vinculados à produção. Ou seja, a Recorrente não demonstra porque determinada edificação deveria ser considerada como vinculada à produção e, portanto, merecedora de ser incluída na sistemática do crédito acelerado. Diante disso, a decisão de primeira instância manteve a autuação nesse item, afirmando que “a própria impugnante admite que a apropriação de crédito não foi somente em relação às edificações de áreas relacionadas a produção, mas de todas as edificações da empresa”. Fl. 615DF CARF MF 26 Dentre os itens glosados, existem itens que claramente não se vinculam à produção, como o item prédio administrativo ou cobertura de motos e cobertura de bicicletas, existindo outros itens que demandariam prova que não foi feita, no sentido de evidenciar a sua natureza e a relação com o processo produtivo. Entretanto, com relação de aos itens compostagem, central de resíduos, descarga de óleo e bombas, estação de tratamento de efluentes, parte já examinada em outro item da autuação, entendo que as despesas com a sua edificação têm relação com o processo produtivo, por ser essencial e obrigatória, em razão de imposição do Poder Público, sendo possível rejeitar o lançamento quanto a esse item. Pelo exposto, seja por ser improcedente a apropriação de crédito acelerado seja por carência probatória por parte da Recorrente, proponho ao Colegiado manter o lançamento em relação a esse item, com exceção dos subitens compostagem, central de resíduos, descarga de óleo e bombas e estação de tratamento de efluentes. c) créditos extemporâneos Nesse item da autuação, a Fiscalização afirma que “mediante análise na planilha “Demonstrativo de crédito de imobilizado final”, verificouse que o contribuinte computou na base de cálculo para apuração do crédito, em março/2011, 21 parcelas mensais do custo de construção da edificação “Prédio BVN”, 20 parcelas referentes ao período de Julho/09 a Fevereiro/01, no valor de R$ 47.020.065,74, e uma parcela referente ao próprio mês de março, no valor de R$ 2.474.740, 30”. Aqui, novamente a Fiscalização rejeita a possibilidade de apropriação de créditos extemporâneos sem que sejam apresentadas DACON e DCTF retificadores. A matéria já foi analisada neste Voto no item “1) Glosas de crédito extemporâneo de manutenção” e, da mesma forma que exposto naquele item, entendo que a exigência de retificação de DCTF e DACON não pode ser empecilho ao aproveitamento do crédito. Assim, sendo esse o único motivo para a realização do lançamento do crédito tributário nesse item, proponho ao Colegiado o seu cancelamento, observados os item anterior. 3.3) Crédito sobre depreciação de instalações industriais Esse item também trata de não aceitação pela Fiscalização de apropriação de crédito extemporâneo, por ausência de DCTF e DACON retificadores. Segundo a Fiscalização, “mediante análise na planilha “Demonstrativo de crédito de imobilizado final”, verificouse que o contribuinte computou indevidamente na base de cálculo para apuração do crédito sobre instalações industriais créditos extemporâneos. O valor apurado de R$ 15.239.630,32 foi apropriado em 300 parcelas mensais ( taxa de depreciação 4% a.a, apropriação 25 anos), tendo sido computado em março/2011, 21 parcelas mensais do custo das instalações industriais, 20 parcelas referentes ao período de Julho/09 a Fevereiro/01, no valor de R$ 1.015.975,36, e uma parcela referente ao próprio mês de março, no valor de R$ 50.798,77”. Com isso, pelas mesmas razões já expostas nesta Voto no “1) Glosas de crédito extemporâneo de manutenção”, reitero entendimento no sentido de que a exigência de retificação de DCTF e DACON não pode ser empecilho ao aproveitamento do crédito, de modo que, sendo esse o único motivo para a realização do lançamento do crédito tributário nesse item e não tendo sido levantada oposição concreta quanto à liquidez e certeza do direito de crédito, proponho ao Colegiado o seu cancelamento. Fl. 616DF CARF MF Processo nº 10530.724292/201520 Acórdão n.º 3401004.362 S3C4T1 Fl. 572 27 4) Outros Créditos a Descontar – Linha 21 FICHA 16A do Dacon Nesse item da autuação, a Fiscalização explica que não aceitou um estorno de crédito solicitado pela Recorrente, que decorre de cancelamento de pedido de ressarcimento, por ter a Recorrente informado tal crédito na ficha 16ª do DACON, quando o correto seria na ficha 24 do DACON. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal: “Foi solicitado ao contribuinte, mediante Intimação n° 5, que apresentasse memorial de cálculo do referido valor. Em resposta à intimação o contribuinte respondeu que o valor de R$ 691.619,20, lançado em outubro de 2011, na linha 21 da ficha 16A do Dacon referiase a um cancelamento de pedido de ressarcimento de crédito, em 14/10/2011, referente ao 4° trimestre de 2008, cujo o valor foi descontado na apuração de fevereiro de 2009. Este aproveitamento de crédito solicitado pelo contribuinte foi glosado, tendo em vista que não há previsão legal para que estono de crédito solicitado em pedido de ressarcimento seja reconhecido como aproveitamento de crédito nas aquisições do mercado interno, visto que não é um crédito proveniente de aquisições no mercado interno (Ficha 16 A do Dacon), mas sim, de estorno no pedido de ressarcimento. No caso de haver cancelamento no pedido de ressarcimento, o ajuste deve ser feito na ficha 24 do Dacon, com a retificação do Dacon”. Como se observa, a Fiscalização não contesta que o pedido de ressarcimento tenha sido cancelado nem aponta que a Recorrente teria utilizado duas vezes um mesmo crédito, um via pedido de ressarcimento, outra pelo estorno do crédito via DACON. A acusação é unicamente de que o campo da DACON utilizado estaria incorreto, pois o estorno de pedido de ressarcimento cancelado não se equipara a crédito proveniente de aquisições no mercado interno. Nessas condições, ainda que se pudesse entender que o crédito decorrente de um cancelamento de pedido de ressarcimento perderia sua natureza de crédito proveniente de aquisições no mercado interno, não me parece que o preenchimento equivocado da DACON, uma obrigação acessória, possa ser falha suficiente para impedir o direito de desconto de crédito da Recorrente, quando, à luz da legislação de regência, o crédito é legítimo e não há óbice à sua fruição. Por essa razão, proponho ao Colegiado cancelar o crédito tributário nesse item. 5) Saldo de Crédito de Meses Anteriores – Linha 1 – FICHAS 14 E 24 do Dacon Nesse último item, novamente vem à baila a discussão sobre apropriação de créditos extemporâneos. Segundo a fiscalização: “Tendo em vista que o contribuinte utilizou saldo credor apurado em novembro/2010 para descontar débitos apurados em 2011, esta fiscalização Fl. 617DF CARF MF 28 procurou validar os valores ao quais originaram o saldo credor. Em análise dos Dacons apresentados pelo contribuinte em 2010, foi identificado valores atípicos apropriados no mês de Novembro/2010, R$ 9.059.838,57 (Cofins ) e R$ 1.966.938,64 (Pis ), na linha 21, outros créditos a descontar, das fichas 6A e 16A do Dacon. O contribuinte foi intimado, Intimação n° 5, a apresentar memorial de cálculo do referido crédito. Em resposta à Intimação o contribuinte declarou que se tratavam de créditos extemporâneos de parcela do Ativo Imobilizado sobre máquinas e equipamentos não apropriados desde dezembro/2007. Referente a este item apresentou uma planilha eletrônica “Rateio Imobilizado” com a demonstração do cálculo destes créditos. Tendo em vista que a planilha eletrônica apresentada apenas o valor e critério de apropriação dos créditos extemporâneos, foi solicitado em 30/09/2015, termo de Intimação n° 6, relação de notas fiscais de aquisição dos ativos imobilizados que compuseram o crédito extemporâneo sobre máquinas e equipamento contabilizado em novembro/2010. Por motivos expostos em parágrafos anteriores, não há amparo legal na legislação de regência do PIS/PASEP e Cofins para aproveitamento extemporâneo de crédito da não cumulatividade, portanto os créditos apropriados referentes ao período de Dezembro/07 a Maio/10, foram feitos de forma indevida”. Pelas mesmas razões já expostas nesta Voto no “1) Glosas de crédito extemporâneo de manutenção”, manifesto novamente entendimento no sentido de que a exigência de retificação de DCTF e DACON não pode ser empecilho ao aproveitamento do crédito, de modo que, sendo esse o único motivo para a realização do lançamento do crédito tributário nesse item e não tendo sido levantada oposição concreta quanto à liquidez e certeza do direito de crédito, proponho ao Colegiado o seu cancelamento. SELIC sobre multa de ofício Por fim, a Recorrente pede o afastamento da SELIC sobre a multa de ofício. Com relação a essa matéria, mantenho o entendimento que venho expondo em outros julgados, no sentido de que é incabível a aplicação de SELIC sobre a multa de ofício, por dois motivos: (i) pela ausência de previsão legal; e (ii) pela própria natureza da multa de ofício, desprovida de caráter compensatório. Nesse sentido, decidiu o Colegiado, ainda que por maioria de votos, em processo de minha relatoria, que possui a seguinte ementa: "JUROS MORATÓRIOS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. NÃO CABIMENTO. É incabível a aplicação da taxa SELIC sobre a multa de ofício, por ausência de previsão legal (artigo 61 da Lei nº 9.430/1996), não possuindo a multa de ofício caráter indenizatório, o que afasta a sua majoração, em função do tempo de atraso, com juros compensatórios da mora". (Acórdão nº 3401003.852; Relator: Augusto Fiel Jorge d' Oliveira; Data: 24/07/2017) Pelo exposto, proponho ao Colegiado afastar a aplicação da SELIC sobre a multa de ofício. Fl. 618DF CARF MF Processo nº 10530.724292/201520 Acórdão n.º 3401004.362 S3C4T1 Fl. 573 29 Conclusão Ante o exposto, proponho ao Colegiado conhecer e dar parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto, para cancelar o crédito tributário relativo a apropriação de crédito extemporâneo: itens 1) Glosas de crédito extemporâneo de manutenção; 3) Bens do ativo imobilizado / 3.2) Crédito acelerado de edificações / c) créditos extemporâneos; e 5) Saldo de Crédito de Meses Anteriores – Linha 1 – FICHAS 14 E 24 do Dacon; "remessa de vasilhame ou sacaria” e “devolução de vasilhame ou sacaria” e “remessa em bonificação, doação ou brinde”, examinados no item 2) Despesas de Frete que não representam operação de venda Linha 07 FICHAS 06A 16A do Dacon; aquisição de ativos imobilizados não relacionados à produção do item 3.1) Crédito acelerado de máquinas e equipamentos; itens compostagem, central de resíduos, descarga de óleo e bombas, estação de tratamento de efluentes, discutidos no item 3) Bens do ativo imobilizado / 3.2) Crédito acelerado de edificações / b) gastos com edificações não relacionados à produção; e item 4) Outros Créditos a Descontar – Linha 21 FICHA 16A do Dacon; ficando mantido o restante do crédito tributário lançado. É como voto. Augusto Fiel Jorge d' Oliveira Relator Fl. 619DF CARF MF 30 Voto Vencedor Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Redatora Designada Em que pese o bem relatado voto proferido pelo eminente Conselheiro Augusto Fiel Jorge d´Oliveira, a quem presto minhas homenagens, ouso discordar quanto a sua posição de excluir a parte da autuação que trata do frete de pallets e remessas em bonificação, doação ou brinde, assim como em relação a crédito acelerado para porta pallets e contêineres metálicos. A autuação foi efetuada com base no artigo 3º, inciso IX, das Leis nº 10.833/03 e nº 10.637/02. E de acordo com o termo da fiscalização: "Mediante análise das informações prestadas pelo contribuinte, conjuntamente com as informações das notas fiscais da sua EFDICMS/IPI, foi identificado que haviam conhecimento de frete, dos quais houve aproveitamento de crédito, que não estavam relacionados a operações de venda, conforme determina o IX. do art. 3°,das Leis nº 10.833/2003, ou seja, não passíveis de creditamento. Portanto, serão considerados aproveitamento indevido de crédito, todos os conhecimentos de frete relacionados à operações de remessa, devoluções e outras saídas, conforme demonstrado no anexo I". A Recorrente alega que: "a aquisição de crédito nas operações de frete de remessa, devoluções e outras saídas, envolvendo “remessa de vasilhame ou sacaria”; “devolução de vasilhame ou sacaria”; “devolução do bem do ativo imobilizado de terceiros”; “remessa de mercadoria ou bem para conserto ou reparo”; “remessa em bonificação, doação ou brinde” e; “outra saída de mercadoria ou prestação de serviço”, são operações de fretes que geram direito, ao crédito tanto porque indispensáveis ao processo produtivo como insumo, quanto por serem necessários às operações de venda (cujas notas fiscais e conhecimentos de transporte seguem anexos por amostragem) e, portanto, geram direito creditório". No voto vencido o ilustre relator realiza o cotejo entre os itens objeto de lançamento no Anexo I e os itens que foram impugnados pela Recorrente, e verificou que a impugnação não foi relativa a todos os itens, reconhecendo a preclusão em relação aos itens não impugnados, no que foi acompanhado pelo colegiado. Sem entrar no mérito da discussão do conceito de insumo, conforme já esclarecido pelo relator do voto vencido e ser assunto onde não há divergência nesse colegiado, podemos passar a análise específica dos itens glosados pela fiscalização. Com relação ao frete vinculado a “frete de pallets”, apesar dos argumentos apresentados pela Recorrente que se trata de remessas e devoluções vinculadas às vendas, já há algum tempo essa turma vem decidindo, de forma não unânime, que o frete de produtos acabados não gera direito de crédito: "O serviço de frete, no transporte de produtos acabados, entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, por não poder ser enquadrado como insumo e por falta de previsão legal, não gera direito ao crédito da não cumulatividade". (Acórdão nº 3401003.902; Data: 27/07/2017; Relator: Fl. 620DF CARF MF Processo nº 10530.724292/201520 Acórdão n.º 3401004.362 S3C4T1 Fl. 574 31 Augusto Fiel Jorge d' Oliveira; Redator Designado: Fenelon Moscoso de Almeida) E se não gera direito de crédito para produtos acabados, muito menos poderá gerar para vasilhame ou sacaria, quando esses vasilhames estiverem sendo transportados vazios entre os estabelecimentos, conforme o caso analisado. Esse tipo de serviço ocorre após o termino da produção, não podendo ser considerado um serviço aplicado na produção e muito menos fazendo parte da operação de venda. No que se refere ao item “remessa em bonificação, doação ou brinde”, a Recorrente afirma que "a bonificação, a doação ou brinde é desdobramento da venda de determinado bem, em que o vendedor realiza como forma de desconto ao cliente, a fim de tornar seu produto competitivo no mercado e atrair fidelização de bons clientes", pedindo o reconhecimento do direito de desconto de crédito, com fundamento no inciso IX, do artigo 3º, das leis de regência. Também não merecer prosperar o afastamento dessa glosa de créditos. Conforme bem esclarecido no voto do acórdão recorrido não é qualquer frete que dá direito a crédito, mas somente nas hipóteses previstas em lei, ou seja o frete contratado relacionado a uma operação de venda, que não é o caso de remessa em bonificação, doação ou brinde. Por não consistirem de máquina e equipamento destinados ao ativo imobilizado utilizados na fabricação de produtos destinados à venda ou a prestação de serviço foram glosados da base de cálculo do crédito valões referentes a porta pallets e contêineres metálicos. Ouso nesse ponto divergir do relator do voto para acompanhar o posicionamento externado no acórdão recorrido. Os ativos utilizados na produção são aqueles utilizados especificamente em razão da produção, não abrangendo máquinas e equipamentos utilizados antes de iniciado o processo produtivo ou depois que ele tenha acabado. Desse modo, proponho ao Colegiado manter o lançamento conforme relatado. Mara Cristina Sifuentes – Redatora Designada Fl. 621DF CARF MF
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