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Numero do processo: 19985.722344/2016-31
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
DEDUÇÕES. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DESPESAS MÉDICAS. PREVIDÊNCIA SOCIAL.
Podem ser deduzidos os valores comprovados por documentação adequada, dentro dos limites e determinações legais.
Numero da decisão: 2001-001.177
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, aceitando a pensão alimentícia de R$ 68.819,30; previdência oficial de R$ 703,60; despesa médica própria, de R$ 550,00.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014 DEDUÇÕES. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DESPESAS MÉDICAS. PREVIDÊNCIA SOCIAL. Podem ser deduzidos os valores comprovados por documentação adequada, dentro dos limites e determinações legais.
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PENSÃO ALIMENTÍCIA. DESPESAS MÉDICAS. PREVIDÊNCIA SOCIAL. Podem ser deduzidos os valores comprovados por documentação adequada, dentro dos limites e determinações legais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, aceitando a pensão alimentícia de R$ 68.819,30; previdência oficial de R$ 703,60; despesa médica própria, de R$ 550,00. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal. Relatório Tratase de pedido de revisão de lançamento de imposto de renda pessoa física referente: (i) dedução indevida de previdência privada e FAPI, no valor de R$703,60; (ii) dedução indevida com despesa de instrução, no valor de R$3.375,83; (iii) dedução indevida de pensão alimentícia judicial, no valor de R$68.819,30; e (iv) dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$3.715,00. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 98 5. 72 23 44 /2 01 6- 31 Fl. 326DF CARF MF 2 O Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como os demais documentos do processo. Não se destacaram algumas dessas partes, pois tanto o presente acórdão como o inteiro processo ficam disponíveis a todos os julgadores durante a sessão. A ementa do acórdão de impugnação foi dispensada. Restou como parte litigiosa, conforme voto do acórdão da DRJ o seguinte: DA DEDUÇÃO INDEVIDA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA E FAPI No tocante à dedução indevida de previdência privada e Fapi, o impugnante afirma que cometeu erro na declaração de ajuste anual, e que o valor de R$703,60 se referiria a recolhimentos ao INSS como profissional autônomo, referentes às competências de 15/01/2014, 15/02/2014, 15/03/2014, 15/04/2014 e 15/05/2014. Analisandose os documentos trazidos pelo impugnante, observase que os comprovantes bancários de pagamentos de fls.40/44 se encontram completamente ilegíveis, cabendo destacar, inclusive, que o comprovante de fls.41 está totalmente rasurado. DA DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS DE INSTRUÇÃO O impugnante se insurge contra a glosa de despesas de instrução, declaradas como sendo referentes ao alimentando Guilherme Folquito Jorge Miziara, e pagas à Universidade Positivo, CNPJ 78.791.712/000163, no valor de R$3.375,83 (ficha “Pagamentos Efetuados”, às fls.139). Ocorre que, em sede de impugnação, o contribuinte apresentou os comprovantes de pagamentos de fls.66/75, efetuados a POSITIVO EDUCACIONAL LTDA 02.343.359/000197, que se trata de um curso pré vestibular, cujas despesas não são dedutíveis na apuração do imposto de renda, uma vez que a legislação prevê apenas a dedução das despesas com educação préescolar, ensino fundamental, ensino médio, educação superior, cursos de especialização e profissionalizantes. Sendo assim, deve ser mantida a glosa de despesas de instrução, no valor de R$3.375,83. DA DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL O contribuinte alega que deveria ser afastada a glosa de despesas a título de pensão alimentícia judicial, no valor de R$68.819,30. Conforme a sentença da Sexta Vara Especializada de Família e Sucessões de Cuiabá, às fls.103/104, o acordo Fl. 327DF CARF MF Processo nº 19985.722344/201631 Acórdão n.º 2001001.177 S2C0T1 Fl. 3 3 feito pelo interessado e homologado judicialmente em 29/06/2012, dispôs que: Ficou acordado entre as partes: a) pensão fica responsável que o varão (Alexandre) arcará com os pagamentos de todas as despesas referentes a escola, alimentação, moradia/aluguel, condomínio, telefone, luz, água, tv a cabo, vestuário, entretenimento, viagens, atividades e cursos extracurriculares, remédios, assistência odontológica, de todos os filhos do casal e da varoa (Ludmila), ficando responsável o varão (Alexandre) pelo pagamento direto a cada um dos prestadores de serviços ou credores. Da leitura do excerto do acordo judicial acima reproduzido, observase que não houve nenhum previsão de pagamento de pensão alimentícia diretamente aos alimentandos, mas sim que o interessado deveria efetuar pagamentos diretamente a cada um dos prestadores de serviços ou credores. Por conseguinte, as declarações acostadas pelo impugnante às fls.77/81, nas quais os alimentandos afirmam terem recebido, diretamente do interessado, quantias para custear despesas com alimentação, não possuem qualquer força comprobatória, já que, nos exatos termos do acordo judicial, o interessado deveria ter apresentado comprovantes dos eventuais pagamentos efetuados diretamente aos prestadores de serviços ou credores. Além disso, as referidas declarações dos alimentados não foram acompanhadas por nenhum comprovante bancário, extrato, cheque, ou prova da efetiva transferência das quantias declaradas. Portanto, não subsiste a alegação de que houve o pagamento de despesas a título de pensão alimentícia judicial, no valor de R$68.819,30. DA DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS O impugnante contesta a glosa de despesas médicas, no valor de R$3.715,00. À luz do disposto na decisão judicial, e compulsandose os comprovantes apresentados pelo contribuinte em sede de impugnação, observase que: i) Despesa médica de R$500,00, declarada como referente a LEITE PS CONSULTORIA MEDICA LTDA, CNPJ: 08.303.597/000155: o recibo médico acostado às fls.109 não pode ser aceito, pois não indica qual o beneficiário do tratamento, nem traz o endereço do emitente. i.1) Por sua vez, as notas fiscais de fls.25 e 31 foram emitidas, respectivamente, em 20/05/2014 e 11/09/2014. Confrontando as datas em questão com os apontamentos do contribuinte, às fls.26 e 30, observase que a beneficiária do tratamento foi Silmara Fl. 328DF CARF MF 4 Leite, logo, tratase de despesa indedutível, por ausência de previsão no acordo judicial. ii) Despesa médica de R$1.200,00, declarada com referente a CLÍNICA ODONTOLÓGICA JARDIM S/S LTDA ME, CNPJ: 10.342.128/000197: o interessado não apresentou nenhum comprovante de pagamento da despesa em questão, como recibos, notas fiscais, cheques, ou extratos bancários, se limitando a apresentar a declaração da alimentanda, às fls.111, que faz menção a despesas médicas, as quais, por extrapolarem os termos do acordo judicial, são indedutíveis. Ademais, nem a declaração da alimentanda, nem os canhotos de cheques de fls.112, que vieram desacompanhados das respectivas cópias de cheques, fazem menção ao prestador CLÍNICA ODONTOLÓGICA JARDIM S/S LTDA ME. iii) Despesa médica de R$350,00, declarada como referente a ASK NUTRICIONAL SERVIÇOS DE INFORMÁTICA LTDA – ME, CNPJ 07.982.3351000100: a declaração de fls.114 informa se tratar de despesas relativas a nutricionista, que são indedutíveis, de acordo com a legislação do imposto de renda. iv) Despesa médica de R$1.415,00, declarada como referente a DENT PLUS CLÍNICA ODONTOLÓGICA LTDA, CNPJ 01.710.197/000115: os apontamentos do interessado e os recibos de fls.22/24, que fazem menção ao valor total de despesas de R$1.415,00, não possuem nenhuma pertinência com o caso ora em análise, pois são referentes ao anocalendário de 2012. iv.1) Por sua vez, os recibos de fls.106/107 não apresentam assinatura, não especificam o beneficiário do tratamento, e, somados, totalizam somente R$504,68, um valor totalmente divergente da despesa deduzida pelo impugnante, no montante de R$1.415,00. v) Despesa médica de R$250,00, declarada como referente a ALEXANDRE LEAL LAUX, CPF 029.700.05948: a declaração de fls.119 faz menção a despesa médica de alimentanda, que é indedutível, por extrapolar os termos do acordo judicial. Além disso, o recibo de fls.120 não informa o beneficiário da consulta. O contribuinte reitera as alegações feitas na impugnação e apresenta documentos novos. Voto Fl. 329DF CARF MF Processo nº 19985.722344/201631 Acórdão n.º 2001001.177 S2C0T1 Fl. 4 5 Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Tratase de discussão relativa a : (i) dedução indevida de previdência privada e FAPI, no valor de R$703,60; (ii) dedução indevida com despesa de instrução, no valor de R$3.375,83; (iii) dedução indevida de pensão alimentícia judicial, no valor de R$ 68.819,30; e (iv) dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$3.715,00. fl.223 Do exame do processo, verificase o fundamento da recusa no voto da DRJ foi a falta de comprovação do pagamento. O contribuinte pleiteou a obrigação de pagar a a dedução de pensão de R$ 68.819,30. Apresentou declarações dos alimentandos, dando quitação desse valor. Apresentou pagamento de escola, despesas médicas, odontológicas variadas, inclusive declaradas separadamente do valor de pensão. Fl. 330DF CARF MF 6 Entendemos que a apresentação das declarações e de alguns pagamentos comprovam que a determinação legal de prover aos alimentandos aquilo que foi determinado no acordo judicial ocorreu. Cabe observar que o valor de pensão declarado, e pleiteado na impugnação foi R$ 68.819,30. Esse valor que entendemos comprovado. Em relação ao valor de R$ 703,60, pagos a INSS, o contribuinte o comprovou com a apresentação de novos documentos, podendo ser dedutível como previdência oficial, de acordo com a Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º. A despesa médica própria, de R$ 550,00, entendemos comprovada pelo recibo da fl. 263, emitido em nome do contribuinte. Para as despesas de avaliação nutricional não há previsão legal para dedução, está fora das disposições do art. 8º da Lei nº 9.250, de 1995. As demais despesas médicas e despesas com instrução para alimentandos confundemse com os pagamentos da pensão e encontramse dentro dos valores de comprovação da declaração dos alimentandos. Entendo correta à glosa, por esse motivo, além dos motivos de falta de previsão já apresentados ao contribuinte, tanto no acórdão de impugnação, como pelo lançamento. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, aceitando pensão alimentícia de R$ 68.819,30; previdência oficial de R$ 703,60; despesa médica própria, de R$ 550,00. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 331DF CARF MF Processo nº 19985.722344/201631 Acórdão n.º 2001001.177 S2C0T1 Fl. 5 7 Fl. 332DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11618.003324/2006-61
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3002-000.034
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência para a Unidade de Origem digitalizar o conteúdo do processo administrativo nº 11618.000660/2005-71 e, caso tenha sido reconhecido algum direito creditório naquele processo, informar sobre sua utilização e concluir, objetivamente, sobre a existência de eventual crédito passível de ser utilizado na compensação ora analisada.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência para a Unidade de Origem digitalizar o conteúdo do processo administrativo nº 11618.000660/200571 e, caso tenha sido reconhecido algum direito creditório naquele processo, informar sobre sua utilização e concluir, objetivamente, sobre a existência de eventual crédito passível de ser utilizado na compensação ora analisada. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 18 .0 03 32 4/ 20 06 -6 1 Fl. 135DF CARF MF Processo nº 11618.003324/200661 Resolução nº 3002000.034 S3C0T2 Fl. 136 2 Relatório O processo administrativo ora em análise trata da DCOMP nº 02428.70325.151205.1.3.044981 (fl. 03/06), transmitido em 15/12/2005, cujo crédito teria origem no processo administrativo nº 11618.000660/200571. A compensação declarada não foi homologada, conforme Despacho Decisório (fl. 14/18), pelos seguintes motivos: "NÃO HOMOLOGO a compensação efetuada por meio da Declaração de Compensação n° 02428.70325.151205.1.3.044981, tendo em vista a inexistência do crédito que a fundamentou, uma vez que o Pedido de Restituição a ele relativo foi considerado nãoformulado" Após ser cientificada da decisão, a ora recorrente apresentou, tempestivamente, Manifestação de Inconformidade em 22/12/2006 (fl. 21), a qual foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife, por Acórdão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. O fato de o contribuinte ingressar com Pedido de Compensação de débitos cujos créditos por ele indicados ainda se encontravam pendentes de decisão administrativa não constitui razão suficiente para a sua nãohomologação, uma vez que tal hipótese não encontra respaldo na legislação pertinente à matéria, mormente quando o pedido de reconhecimento desses créditos for formulado anteriormente à compensação pleiteada. A compensação, nos termos em que está definida em lei (art. 170 do CTN), como em qualquer outra compensação dessa natureza, só poderá ser homologada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos estejam revestidos dos atributos de liquidez e certeza. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Não se encontra abrangida pela competência da autoridade tributária administrativa a apreciação da inconstitucionalidade das leis, uma vez que neste juízo os dispositivos legais se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese. negarlhe execução. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. A extensão dos efeitos das decisões judiciais, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucional idade da lei que esteja em litígio e, ainda assim, desde que seja editado ato específico do Sr. Secretário da Receita Federal nesse sentido. Não estando enquadradas nesta hipótese, as sentenças judiciais só Fl. 136DF CARF MF Processo nº 11618.003324/200661 Resolução nº 3002000.034 S3C0T2 Fl. 137 3 produzem efeitos para as partes entre as quais são dadas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Solicitação Indeferida Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 81/112), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, tecendo, em linhas gerais, os seguintes argumentos a seu favor: sobre a jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes, que entendia que as sociedades civis eram isentas do recolhimento da COFINS; sobre ser a ora recorrente uma sociedade isenta da COFINS; sobre a hierarquia das Leis; sobre o regime tributário; sobre a prescrição decenal; sobre a correção monetária do crédito pleiteado; sobre o direito subjetivo à compensação; sobre os direitos e garantias individuais e sobre a competência dos Órgãos administrativos para julgar a inconstitucionalidade dos atos normativos. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme o disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Como relatado anteriormente, a questão a ser decidida nos autos se restringe a compensação intentada através da DComp eletrônica nº 02428.70325.151205.1.3.044981, cujo crédito teria origem no processo administrativo nº 11618.000660/200571, a qual foi não homologada por não haver crédito disponível no citado processo. Dessa forma, duas questões básicas devem ser assentadas desde logo: a primeira questão referese ao crédito pleiteado pela contribuinte, assim, tendo em vista que a origem desse suposto crédito é o processo administrativo nº 11618.000660/200571, qualquer discussão sobre a pertinência, justeza, liquidez e certeza desse crédito foi realizada, ou deveria ter sido realizada, naquele processo, sendo, em decorrência disso, matéria estranha ao presente. A segunda questão referese a falta de crédito disponível naquele processo, uma vez que a ora recorrente não se insurgiu contra essa afirmação em seu Recurso Voluntário e, Fl. 137DF CARF MF Processo nº 11618.003324/200661 Resolução nº 3002000.034 S3C0T2 Fl. 138 4 por outro lado, embora encontrese anexado o processo digital do PA citado, contudo, não há conteúdo nele. Assim, não há como este Colegiado saber qual o resultado da eventual discussão sobre o crédito pleiteado no processo informado como origem na DComp analisada e sobre a existência ou não de crédito passível de ser utilizado no presente. Voto, portanto, no sentido de converter o julgamento em diligência, para fins de determinar que o processo seja baixado à Unidade de Origem, para que esta digitalize o conteúdo do processo administrativo nº 11618.000660/200571 e, caso tenha sido reconhecido algum direito creditório naquele processo, informe sobre sua utilização e conclua, objetivamente, sobre a existência de eventual crédito passível de ser utilizado na compensação ora analisada. Por fim, deverá ser dada ciência à contribuinte dessa diligência e oportunizado prazo de 30 dias para, querendo, manifestarse. Após, os autos deverão retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 138DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.002839/2007-29
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2006 a 31/07/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. PERDA DE OBJETO.
Considerando-se indevida a exigência da obrigação principal, por meio de decisão definitiva, o Recurso Especial que trata da multa por descumprimento da obrigação acessória correlata (AI-68) perde o objeto.
Numero da decisão: 9202-007.722
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. PERDA DE OBJETO. Considerandose indevida a exigência da obrigação principal, por meio de decisão definitiva, o Recurso Especial que trata da multa por descumprimento da obrigação acessória correlata (AI68) perde o objeto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de ação fiscal que originou os seguintes procedimentos: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 28 39 /2 00 7- 29 Fl. 100DF CARF MF 2 PROCESSO DEBCAD TIPO FASE 11065.002837/200730 37.098.5915 (Emp., SAT, Seg. e Terceiros) Obrig. Principal Crédito Exonerado Ac. 240300.345 xxxxxxxxxxxxxxxxxxx 37.098.5923 Obrig. Acessória xxxxxxxxxxxxxx 11065.002839/200729 37.098.5931 (AI68) Obrig. Acessória Recurso Especial O presente processo trata do Debcad 37.098.5931 (AI68), lavrado em razão da apresentação de Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as Contribuições Previdenciárias, nos períodos de 06/2006 a 07/2007, conforme Relatório Fiscal de fls. 11/12. Em sessão plenária de 09/02/2011, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 240300.346 (fls. 54 a 57), assim ementado: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/06/2006 a 31/07/2007 VÍCIO MATERIAL. NULIDADE. No recurso do Processo Administrativo Fiscal PAF predomina o princípio da verdade material. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. O erro na identificação do sujeito passivo caracteriza vício substancial, material, uma nulidade absoluta..” A decisão foi assim registrada: “ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso declarando nulo por vício material. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.” O processo foi recebido na PGFN em 21/06/2011 (carimbo aposto na Relação de Movimentação de fls. 59), e em 19/07/2011, o Procurador da Fazenda Nacional foi intimado (fls. 58). Em 20/07/2011, foi interposto o Recurso Especial de fls. 61 a 65 (Relação de Movimentação de fls. 60), com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir a natureza do vício que gerou a nulidade, se formal ou material. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2400 423/2011, de 09/08/2011 (fls. 68/69). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta as seguintes alegações: Fl. 101DF CARF MF Processo nº 11065.002839/200729 Acórdão n.º 9202007.722 CSRFT2 Fl. 101 3 pela leitura dos arts. 10 e 11, do Decreto nº 70.235, de 1972, e art. 37, da Lei nº 8.212, de 1991, percebese que os requisitos elencados possuem natureza formal, ou seja, determinam como o ato administrativo, in casu, o lançamento, deve exteriorizarse; temse que um lançamento tributário é anulado por vício formal quando não se obedece às formalidades necessárias ou indispensáveis à existência do ato, isto é, às disposições de ordem legal para a sua feitura; na hipótese em apreço, a descrição deficiente dos empregados não declarados em GFIP, vício apontado pelo colegiado como causa de nulidade do lançamento, a toda vista, não pode ser considerado como de natureza material, pois se assim fosse estarseia afirmando que o motivo (fato jurídico) nunca existiu; contudo, não é essa a situação retratada nos autos, pois o fato que originou o lançamento, ausência de declaração e recolhimento de Contribuições Previdenciárias devidas pela empresa, resta devidamente evidenciado na NFLD 37.098.5915; a propósito, a jurisprudência administrativa é farta em decisões que, ao determinarem o cancelamento do lançamento por falta de preenchimento de alguns de seus requisitos, consideraram que se tratava de nulidade por vício de forma; por tudo, concluise que o acórdão recorrido mostrase equivocado ao afirmar que a deficiência na descrição dos fatos originários do lançamento por falta de identificação de todos os empregados que não constaram da GFIP constitui vício material, eis que se vício existe no lançamento, este é de natureza formal, visto que relacionado a elemento de exteriorização do ato administrativo. Ao final, a Fazenda Nacional requer seja conhecido e provido o Recurso Especial, para que o vício do lançamento seja declarado como de natureza formal. Cientificada, a Contribuinte quedouse silente (efls. 98/99). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Não foram oferecidas Contrarrazões. Tratase do Debcad 37.098.5931 (AI68), lavrado em razão da apresentação de Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as Contribuições Previdenciárias, nos períodos de 06/2006 a 07/2007. No caso do acórdão recorrido, foi declarada a nulidade do lançamento por vício material. A Fazenda Nacional, por sua vez, entende que o vício seria formal. Fl. 102DF CARF MF 4 Ocorre que a obrigação principal correlata ao presente AI68, cuja exigência tramitou por meio do processo nº 11065.002837/200730, foi julgada em caráter definitivo, mediante a prolação do Acórdão nº 240300.345, de 09/02/2011, com a seguinte decisão: "ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso declarando nulo por vício material. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro." Com efeito, intimada do Acórdão nº 240300.345 em 16/05/2011, a Fazenda Nacional não interpôs Recurso Especial, registrando "apenas com ciência" (fls. 246 do processo nº 11065.002837/200730), de sorte que a exoneração do crédito tributário já havia se consolidado em favor da Contribuinte, quando da interposição do presente Recurso Especial pela Fazenda Nacional, em 20/07/2011. Registrese que o citado processo já se encontra inclusive arquivado. Destarte, não há como sequer cogitar do conhecimento do presente Recurso Especial, por absoluta falta de interesse de agir, tendo em vista que, cancelandose a exigência da obrigação principal, não há que se falar em multa por descumprimento da correlata obrigação acessória de declarála em GFIP (AI68). Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 103DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17883.000391/2007-51
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
DECLARAÇÃO DE IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - DIPJ. PRAZO PARA RETIFICAÇÃO. CINCO ANOS. CONVERGÊNCIA COM HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
A apuração originária do tributo sujeito a lançamento por homologação (art. 150 do CTN) é encargo do sujeito passivo, e pode ser objeto de revisão pelo Fisco no prazo de cinco anos, sob pena de homologação tácita, ou, caso não haja pagamento ou declaração prévia de débito, aplica-se a contagem do art. 173, inciso I do CTN. Consumando-se o prazo previsto para a homologação tácita, concretiza-se definitivamente a apuração do tributo, para fins de lançamento de ofício. Restaria completamente esvaziada a homologação tácita caso se admitisse que, posteriormente ao prazo, pudesse o sujeito passivo promover uma revisão e alterar o saldo de prejuízos fiscais, que tem reflexos diretos na apuração do resultado da empresa. Incontestável que o prazo para retificação da DIPJ coincide com o prazo homologatório do tributo estipulado no §4º, do art. 150, do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, a perda do prazo para retificar a declaração fulmina o direito de se alterar os valores declarados.
Numero da decisão: 9101-004.031
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Lívia De Carli Germano, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 DECLARAÇÃO DE IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - DIPJ. PRAZO PARA RETIFICAÇÃO. CINCO ANOS. CONVERGÊNCIA COM HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A apuração originária do tributo sujeito a lançamento por homologação (art. 150 do CTN) é encargo do sujeito passivo, e pode ser objeto de revisão pelo Fisco no prazo de cinco anos, sob pena de homologação tácita, ou, caso não haja pagamento ou declaração prévia de débito, aplica-se a contagem do art. 173, inciso I do CTN. Consumando-se o prazo previsto para a homologação tácita, concretiza-se definitivamente a apuração do tributo, para fins de lançamento de ofício. Restaria completamente esvaziada a homologação tácita caso se admitisse que, posteriormente ao prazo, pudesse o sujeito passivo promover uma revisão e alterar o saldo de prejuízos fiscais, que tem reflexos diretos na apuração do resultado da empresa. Incontestável que o prazo para retificação da DIPJ coincide com o prazo homologatório do tributo estipulado no §4º, do art. 150, do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, a perda do prazo para retificar a declaração fulmina o direito de se alterar os valores declarados.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 DECLARAÇÃO DE IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA DIPJ. PRAZO PARA RETIFICAÇÃO. CINCO ANOS. CONVERGÊNCIA COM HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A apuração originária do tributo sujeito a lançamento por homologação (art. 150 do CTN) é encargo do sujeito passivo, e pode ser objeto de revisão pelo Fisco no prazo de cinco anos, sob pena de homologação tácita, ou, caso não haja pagamento ou declaração prévia de débito, aplicase a contagem do art. 173, inciso I do CTN. Consumandose o prazo previsto para a homologação tácita, concretizase definitivamente a apuração do tributo, para fins de lançamento de ofício. Restaria completamente esvaziada a homologação tácita caso se admitisse que, posteriormente ao prazo, pudesse o sujeito passivo promover uma revisão e alterar o saldo de prejuízos fiscais, que tem reflexos diretos na apuração do resultado da empresa. Incontestável que o prazo para retificação da DIPJ coincide com o prazo homologatório do tributo estipulado no §4º, do art. 150, do Código Tributário Nacional CTN. Assim, a perda do prazo para retificar a declaração fulmina o direito de se alterar os valores declarados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencida a conselheira Lívia De Carli Germano, que lhe negou provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 03 91 /2 00 7- 51 Fl. 386DF CARF MF Processo nº 17883.000391/200751 Acórdão n.º 9101004.031 CSRFT1 Fl. 387 2 (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo. Relatório Tratase de recurso especial (efls. 341/352) interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ("PGFN") em face do Acórdão nº 1803002.108 (efls. 320/339), da sessão de 13 de março de 2014, proferido pela 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, que deu provimento ao recurso voluntário interposto por SCHWEITZER MAUDUIT DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO DE PAPEL LTDA. ("Contribuinte"), nos termos de ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 ESCRITURAÇÃO. PROVA. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade a prova da não veracidade dos fatos registrados. Versam os autos sobre autuação fiscal de IRPJ (efls. 74/75 e 81/87), no qual foi tipificada compensação em excesso de prejuízo fiscal, em razão de contabilização de valor excedente ao saldo de prejuízos fiscais e compensar, relativo ao anocalendário de 2002. Intimada a prestar esclarecimentos, informou a Contribuinte que teriam sido efetuadas alterações na apuração do lucro real dos anos de 1999 e 2000. Por sua vez, constatou a autoridade autuante que não teriam sido apresentadas declarações retificadoras da DIPJ demonstrando as modificações realizadas, razão pela qual foi lavrado o auto de infração de IRPJ. Fl. 387DF CARF MF Processo nº 17883.000391/200751 Acórdão n.º 9101004.031 CSRFT1 Fl. 388 3 Foi apresentada impugnação (efls. 120/136). A 2ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I julgou o lançamento procedente (efls. 231/235), nos termos da ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 DECLARAÇÃO DE IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA DIPJ. PRAZO PARA RETIFICAÇÃO. O prazo para retificação da DIPJ coincide com o prazo homologatório do tributo estipulado no §40, do art. 150, do Código Tributário Nacional CTN. DECLARAÇÃO DE IMPOSTO SOBRE A RENDA JURÍDICA RETIFICADORA. FALTA DE ENTREGA. DIREITO DE ALTERAR VALORES DECLARADOS. A perda do prazo para retificar a declaração ou a falta declaração retificadora fulmina o direito de o contribuinte declarados. Foi interposto recurso voluntário (efls. 241/258) pela Contribuinte. A 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento deu provimento ao recurso, por meio do Acórdão nº 1803002.108. A PGFN interpôs recurso especial, apresentando como paradigmas as decisões CSRF/0103.692 e 1401000.509, com entendimento no sentido da impossibilidade de alterar os valores informados originalmente na DIPJ após o decurso do prazo de cinco anos. Aduz que as alterações contábeis que o contribuinte afirma ter realizado em seus livros fiscais nunca foram refletidas em qualquer DIPJ retificadora, e que o prazo para retificação das informações apostas na DIPJ coincide com o prazo homologatório do tributo estipulado no § 4º do art. 150 do CTN. Assim, não tendo o contribuinte apresentado DIPJ retificadora no prazo de cinco anos, não haveria como acolher, no curso do ano de 2007, a pretensão de que sejam analisadas supostas alterações realizadas em sua contabilidade nos anos de 1999 e 2000. Requer seja conhecido e provido o recurso, para reformar a decisão recorrida e restabelecer o lançamento fiscal. Despacho de exame de admissibilidade (efls. 355/358) deu seguimento ao recurso especial. A Contribuinte apresentou contrarrazões (efls. 368/378). Aduz que deve prevalecer a verdade material, vez que foi mantida a escrituração fiscal refletindo as alterações na apuração dos anos de 2000 e 2001, e que o preenchimento da DIPJ não tem o condão de afastar a veracidade dos lançamentos contábeis, e que matéria vertida no presente caso diz respeito à existência do saldo negativo indicado, e não à possibilidade de se proceder à retificação da DIPJ após o prazo de 5 (cinco) anos previsto pelo artigo 150, parágrafo quarto. Discorre que não houve comprovação da divergência jurisprudencial, vez que o caso concreto não trataria da tentativa de retificar a DIPJ após o prazo de cinco anos, mas sim acerca do reconhecimento do saldo de prejuízo fiscal acumulado em anos anteriores, que foi devidamente comprovado nos autos através de documentação fiscal idônea. No mérito, afirma que foram apresentadas provas para lastrear as alterações na apuração dos anos de 2000 e 2001, e que, Fl. 388DF CARF MF Processo nº 17883.000391/200751 Acórdão n.º 9101004.031 CSRFT1 Fl. 389 4 após a transmissão da DIPJ original, verificou equívoco no qual deixaram de ser consideradas despesas operacionais e adições de provisões, tendo sido as informações devidamente refletidas no LALUR. Entende que a ausência das DIPJ retificadoras teria sido o único descumprimento de obrigação tributária incorrido, o que poderia ter acarretado imputação de mula por apresentação de informação incorreta, o não o lançamento de ofício em debate. Requer pela negativa do provimento do recurso especial. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator A princípio, cabe esclarecimento, a respeito da decisão recorrida, no qual fui designado para ser o redator ad hoc. No caso, como o presidente da turma, e tampouco o relator, não se encontravam no CARF na época de formalização da decisão, fui encarregado para formalizar o acórdão, com base nas atribuições dos Presidentes de Câmara prevista nos arts. 17 e 18, do Anexo II do RICARF. Tratase exatamente o que consta no dispositivo do acórdão: Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, que a 3ª Turma Especial da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF), e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 25/08/2015. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator Victor Humberto da Silva Maizman não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do acórdão. Inclusive, consta registro no início do voto: Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, e tendo em vista que o relator originário do processo não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, encontrome na posição de Redator, nos termos dos arts. 17 e 18, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (RICARF). Informo que, na condição de Redator, transcrevo literalmente a minuta que foi apresentada pelo Conselheiro durante a sessão de julgamento. Portanto, a análise do caso concreto reflete a convicção do relator do voto na valoração dos fatos. Ou seja, Fl. 389DF CARF MF Processo nº 17883.000391/200751 Acórdão n.º 9101004.031 CSRFT1 Fl. 390 5 não me encontro vinculado: (1) ao relato dos fatos apresentado; (2) a nenhum dos fundamentos adotados para a apreciação das matérias em discussão; e (3) a nenhuma das conclusões da decisão incluindose a parte dispositiva e a ementa. Prestados os esclarecimentos, inicio ao exame de admissibilidade. Tratase de recurso especial da PGFN, pretendendo a devolução de matéria relativa à possibilidade de se retificar a DIPJ após o prazo de cinco anos previsto para tributos sujeito a lançamento por homologação, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. Aduz a Contribuinte em contrarrazões que o recurso não deveria ser conhecido, por ausência de similitude fática com a decisão recorrida. O caso em tela não trataria da tentativa de retificar a DIPJ após o prazo de cinco anos, mas sim a respeito do reconhecimento do saldo de prejuízo fiscal acumulado em anos anteriores, que foi devidamente comprovado nos autos através de documentação fiscal idônea. Não lhe assiste razão. Os presentes autos tratam de auto de infração de glosa de prejuízos fiscais, que ocorreram precisamente porque foi efetuada uma retificação na apuração do imposto de renda nos anoscalendário de 1999 e 2000, que proporcionaram um acréscimo no saldo de prejuízos fiscais que teve reflexos nos anoscalendário posteriores. Ocorre que tal retificação foi processada apenas em 2007, ou seja, em prazo superior a cinco anos do previsto para os tributos sujeito a lançamento por homologação, a situação dos autos. Observese que os paradigmas trataram da questão. Transcrevo excerto do voto do acórdão CSRF/0103.692: Entendo ser adequada a retificação da declaração do imposto de renda de pessoa jurídica dentro do prazo homologatório, uma vez que homologado o lançamento, não mais terá razão prática retificar qualquer informação acerca do tributo que não mais poderá ser revisto em seu acertamento. Mais claro impossível: considerando que após o prazo de cinco anos o lançamento encontrase homologado tacitamente, não há mais "razão prática" para retificar qualquer informação sobre o tributo. Por sua vez, o outro paradigma, Acórdão nº 1401000.509, delimita o litígio: O ponto crucial do litígio gira em torno da aceitação, ou não, das retificações pretendidas pela Recorrente. Neste aspecto, concordo com o entendimento da DRJ, no sentido de que não deve ser acolhida a pretensão da Recorrente de ver acatada a retificação da DIPJ do anocalendário 1996 e das DCTFs acima mencionadas. E manifestase, em caráter conclusivo: No presente caso a Recorrente pretendeu retificar, em 2007, informações de suas declarações apresentadas em 1997 e 2000. Fl. 390DF CARF MF Processo nº 17883.000391/200751 Acórdão n.º 9101004.031 CSRFT1 Fl. 391 6 Ora, não é razoável admitir que somente após a apresentação de manifestação de inconformidade, isto é mais de sete anos após a entrega das suas declarações, é que a Recorrente venha suscitar a necessidade de retificar a sua DIPJ anocalendário de 1996 e as suas DCTFs relativas ao 2º e 3º trimestres de 2000, para fazer constar novas informações sobre os supostos créditos de titularidade da Recorrente. Nesse caso, observase que se trata de processo de reconhecimento de direito creditório, no qual se discutiu a possibilidade de se retificar declarações relativas aos anos calendário de 1996 e 2000, no decorrer do anocalendário de 2007. Como se pode observar, foram cumpridos os requisitos do art. 67 do Anexo II do RICARF, dentre os quais a divergência jurisprudencial, razão pela qual o recurso mostra se apto para ser apreciado. Dessa maneira, entendo não haver reparos ao despacho de exame de admissibilidade, cujos fundamentos adoto para conhecer do recurso especial, com fulcro no art. 50, caput e § 1º da Lei nº 9.784, de 1999. Passo ao exame do mérito. Entendo não haver reparos à decisão da DRJ, que foi reformada pelo acórdão recorrido. A apuração originária do tributo sujeito a lançamento por homologação (art. 150 do CTN) é encargo do sujeito passivo, e pode ser objeto de revisão pelo Fisco no prazo de cinco anos, sob pena de homologação tácita, ou, caso não haja pagamento ou declaração prévia de débito, nos termos da contagem do art. 173, inciso I do CTN. Ora, consumandose o prazo previsto para a homologação tácita, concretiza se definitivamente a apuração do tributo, para fins de lançamento de ofício. Restaria completamente esvaziada a homologação tácita caso se admitisse que, posteriormente ao prazo, pudesse o sujeito passivo promover uma revisão e alterar o saldo de prejuízos fiscais, que tem reflexos diretos na apuração do resultado da empresa. Não poderia ser mais cirúrgico a conclusão do acórdão CSRF/0103.692: Entendo ser adequada a retificação da declaração do imposto de renda de pessoa jurídica dentro do prazo homologatório, uma vez que homologado o lançamento, não mais terá razão prática retificar qualquer informação acerca do tributo que não mais poderá ser revisto em seu acertamento. O voto da DRJ também demonstra com clareza o entendimento: 10 O que não foi feito neste prazo, quer seja o lançamento, quer seja a retificação da declaração, o que foi declarado está homologado, ainda que o contribuinte tenha outros valores em sua contabilidade. Fl. 391DF CARF MF Processo nº 17883.000391/200751 Acórdão n.º 9101004.031 CSRFT1 Fl. 392 7 11 Caso o princípio da verdade material superasse a questão do prazo, e o contribuinte pudesse alterar seus valores, da mesma forma seria permitido à Fazenda Pública efetuar lançamentos em prazos superiores ao fixado para a decadência. Se um pode fazer, outro também pode, pois o direito é igual. 12 O que diria o interessado se no ano de 2007, na revisão de suas correções procedidas nas apurações do IRPJ dos anos calendário de 1999 e 2000, a fiscalização apurasse erros, procedendo os respectivos lançamentos? Com certeza alegaria decadência. Ou seja, dois pesos e duas medidas. Enfim, registrese que a situação é distinta daquela relativa a processo de reconhecimento de direito creditório, quando se exige que o crédito pleiteado tenha atributos de certeza e liquidez (art. 170 do CTN). No caso, havendo necessidade de retroagir a análise de eventos após os cinco anos, o Fisco fica limitado a indeferir o pleito do direito creditório, mas não pode mais efetuar o lançamento de ofício para exigir eventuais diferenças na apuração da base de cálculo, precisamente em razão da decadência, Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao recurso especial da PGFN. (assinatura digital) André Mendes de Moura Fl. 392DF CARF MF
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Numero do processo: 13227.900640/2008-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1201-000.569
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13227.900981/2009-21, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13227.900981/200921, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. Relatório Na condição de Presidente da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, no uso das atribuições conferidas pelo art. 17, III, do Anexo II do RICARF, designome Redator ad hoc para formalizar a Resolução nº 1201000.569 de 17/08/2018, referente ao presente processo, julgado na sistemática de recursos repetitivos de que trata o art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 32 27 .9 00 64 0/ 20 08 -7 4 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13227.900640/200874 Resolução nº 1201000.569 S1C2T1 Fl. 3 2 2015, tendo em vista que a então Presidente da Turma, Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, deixou de fazêlo, em virtude de sua aposentadoria. O contribuinte interpôs seu tempestivo Recurso Voluntário, considerando que acórdão, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ratificou o despacho decisório, não homologando a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) pela inexistência do crédito de pagamento a maior de estimativa mensal de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) De acordo com referido despacho decisório, o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Entretanto, o contribuinte afirma no seu recurso que existia crédito compensável, como indicado na PER/DCOMP, porém, não foi homologado pela ausência de processamento da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), versão retificadora, transmitida antes do despacho decisório. É o relatório. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Redator ad hoc Inicialmente, quando da sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou a cópia do Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), presumindo que era suficiente para homologação da sua Declaração de Compensação (DCOMP). Todavia, o acórdão recorrido concluiu pela inexistência do direito de crédito, em síntese, diante da insuficiência da prova documental anexada à Manifestação de Inconformidade, in verbis: Em hipótese tal qual a dos autos, fazse indispensável, portanto, a exibição dos registros contábeis da conta de ativo do tributo a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, regularmente transcritos no livro “Diário”, a demonstração do resultado do exercício, a devida contabilização das receitas auferidas pela pessoa jurídica, os lançamentos de eventuais compensações, os registros pertinentes do livro “LALUR” etc. No caso concreto, ao que consta dos autos, a antecipação em tela foi apurada pelo sujeito passivo nos termos e em conformidade com a legislação vigente (haja vista a não exibição de balanços ou balancetes, regularmente transcritos no livro Diário, que autorizassem a suspensão ou redução do pagamento do tributo devido art. 230, § 1° do RIR/I999). Também a documentação trazida aos autos pela interessada (limitada à cópia de DARF fl. 11) não autoriza a conclusão de que decorre da estimativa mensal em tela a existência de qualquer indébito. O artigo 170 do Código Tributário Nacional preceitua que "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13227.900640/200874 Resolução nº 1201000.569 S1C2T1 Fl. 4 3 compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública". Portanto, imprescindível a certeza e a liquidez do crédito compensável, facultando ao contribuinte que impugne a não homologação formalizada através de despacho decisório, instruindo sua manifestação com as provas em contrário, garantindo, assim, o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa. O processo administrativo tributário é regido por normas específicas, principalmente, o Decreto nº 70.235/1972, a Lei nº 9.430/1996 e o Decreto nº 7.574/2011, orientado pelos princípios que norteiam a Administração Pública, incluindo a moralidade, eficiência e impessoalidade. Conquanto submetido ao regime de apuração pelo lucro real presumido, inicialmente, o contribuinte não demonstrou o pagamento a maior do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), mediante a idônea escrituração contábil e fiscal, motivando, assim, a retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Ressalvase que a "escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza.", conforme o artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR), instituído pelo Decreto nº 3.000/1999. O ônus do contribuinte era que demonstrasse seu indébito, por exemplo, com Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), balanço patrimonial ou balancetes mensais, Livro Diário e/ou Livro Razão, justificando a redução do valor devido e pelo próprio declarado de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), considerando os artigos 7º, § 4º, e 8º, inciso I, do Decretolei nº 1.598/1977: Art 7º O lucro real será determinado com base na escrituração que o contribuinte deve manter, com observância das leis comerciais e fiscais. (...) § 4º Ao fim de cada períodobase de incidência do imposto o contribuinte deverá apurar o lucro líquid o do exercício mediante a elaboração, com observância das disposições da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do exercício e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados. Art 8º O contribuinte deverá escriturar, além dos demais registros requeridos pelas leis comerciais e pela legislação tributária, os seguintes livros: I de apuração de lucro real, no qual: I de apuração do lucro real, que será entregue em meio digital, e no qual: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) a) serão lançados os ajustes do lucro líquido do exercício, de que tratam os §§ 2º e 3º do artigo 6º; b) será transcrita a demonstração do lucro real (§ 1º); Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13227.900640/200874 Resolução nº 1201000.569 S1C2T1 Fl. 5 4 b) será transcrita a demonstração do lucro real e a apuração do Imposto sobre a Renda; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) c) serão mantidos os registros de controle de prejuízos a compensar em exercícios subseqüentes (art. 64), de depreciação acelerada, de exaustão mineral com base na receita bruta, de exclusão por investimento das pessoas jurídicas que explorem atividades agrícolas ou pastoris e de outros valores que devam influenciar a determinação do lucro real de exercício futuro e não constem de escrituração comercial (§ 2º). Posteriormente, quando da interposição do Recurso Voluntário, o contribuinte esclareceu a origem do seu crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ): A forma de tributação na qual estava enquadrada a empresa, no exercício em questão (exercício em que esta sendo discutida a compensação) era “lucro real presumido” no qual é feito o recolhimento por estimativa mensal, baseandose na receita bruta, devendo ser ao final do ano calendário realizada à apuração do tributo devido, forma de tributação esta detalhadamente explicada no relatório do acórdão, elaborado pela relatora, do qual transcrevemos trechos. Contudo, quando do termino do ano calendário, ao ser realizada a apuração do imposto devido, momento em que é possível se fazer à comparação entre o valor pago e o efetivamente devido, é que se obteve o valor de crédito, (advindo da diferença entre créditos e débitos), que poderia vir a ser usado em futuras compensações, ou seja, abatimento de impostos devidos. No exercício em pauta, conforme a nossa explanação, ao serem analisados os valores apurados e devidamente registrados nos documentos que seguirão em anexo, é possível chegar ao valor de crédito abaixo identificado: Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13227.900640/200874 Resolução nº 1201000.569 S1C2T1 Fl. 6 5 Outrossim, o Recurso Voluntário anexou: (i) Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), referente ao anocalendário de 2002; (ii) Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), com pagamento da estimativa mensal do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), período de apuração de maio/2002 e valor de R$ 86,40, e; (iii) Livro Diário, anocalendário de 2002, contendo a transcrição do Balanço Patrimonial, Demonstração do Resultado e Demonstração dos Lucros e Prejuízos acumulados. A prova documental instruirá a impugnação "precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual", consoante o artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972, exceto (I) demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (II) refirase a fato ou a direito superveniente e; (III) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de Fl. 78DF CARF MF Processo nº 13227.900640/200874 Resolução nº 1201000.569 S1C2T1 Fl. 7 6 perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que:(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) O erro da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), retificado antes do despacho decisório, não é determinante para o indeferimento da Declaração de Compensação (DCOMP), prevalecendo a verdade material, como se extrai do Parecer Normativo da CoordenaçãoGeral de Tributação (COSIT) nº 02/2015: "Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR." As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar Fl. 79DF CARF MF Processo nº 13227.900640/200874 Resolução nº 1201000.569 S1C2T1 Fl. 8 7 em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Avaliando a prova documental existente no recurso, valorizando o princípio da verdade material, notase que o Recorrente, aparentemente, comprova seu crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), havendo o pagamento a maior da estimativa mensal. Todavia, demonstrou somente o pagamento da estimativa mensal de maio/2002, com valor de R$ 86,40, não anexando os demais comprovantes, que somariam o montante total de R$ 3.551,63. Entendo que é indispensável a conversão do presente julgamento em diligência, com fundamento no artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972, visto que demanda uma análise sobre se os documentos, anexados ao Recurso Voluntário, constituem a necessária prova de certeza e de liquidez do crédito. Isto posto, voto pela conversão do julgamento em diligência, solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um relatório sobre as informações e os documentos anexados ao Recurso Voluntário, por fim, opinando pela existência do crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), oriundo do Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13227.900640/200874 Resolução nº 1201000.569 S1C2T1 Fl. 9 8 pagamento a maior de estimativa mensal, referente ao anocalendário de 2002, que totalizaram R$ 3.551,63. Finalizada esta diligência, ressalvo a necessidade de promover a ciência do contribuinte sobre o "Relatório Conclusivo", fixando o prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação, antes do retorno dos autos para novo julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência, solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um relatório sobre as informações e os documentos anexados ao Recurso Voluntário, por fim, opinando pela existência do crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), oriundo do pagamento a maior de estimativa mensal, referente ao anocalendário de 2002, que totalizaram R$ 3.551,63. Finalizada esta diligência, ressalvo a necessidade de promover a ciência do contribuinte sobre o "Relatório Conclusivo", fixando o prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação, antes do retorno dos autos para novo julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Isto posto, voto pela conversão do julgamento em diligência, solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um relatório sobre as informações e os documentos anexados ao Recurso Voluntário, por fim, opinando pela existência do crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), oriundo do pagamento a maior de estimativa mensal, referente ao Período de Apuração de 31/03/2000 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 81DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.005803/2005-06
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/1999
NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. PERDA DE INTERESSE RECURSAL.
Ocorrendo a perda de objeto no decurso do processo administrativo fiscal, impõe-se o não conhecimento de recurso especial.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/1999
PRAZO DECADENCIAL. LANÇAMENTO.
Por força do disposto no art. 62 do RICARF/2015 c/c a decisão do STJ, no REsp 973.733/SC, em sede de repetitivo, a contagem do prazo qüinqüenal decadencial de que a Fazenda Nacional dispõe para a constituição de créditos tributário deve ser efetuada, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN, para os casos em que houve antecipação de pagamento por conta das parcelas lançadas e exigidas; e, nos termos do inciso I do art. 173, desse mesmo Código, para os casos em que não houve antecipação.No presente caso, havendo pagamento parcial da Cofins, deve-se aplicar a contagem disposta no art. 150, § 4º do CTN.
Numero da decisão: 9303-008.108
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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PERDA DE INTERESSE RECURSAL. Ocorrendo a perda de objeto no decurso do processo administrativo fiscal, impõese o não conhecimento de recurso especial. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/1999 PRAZO DECADENCIAL. LANÇAMENTO. Por força do disposto no art. 62 do RICARF/2015 c/c a decisão do STJ, no REsp 973.733/SC, em sede de repetitivo, a contagem do prazo qüinqüenal decadencial de que a Fazenda Nacional dispõe para a constituição de créditos tributário deve ser efetuada, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN, para os casos em que houve antecipação de pagamento por conta das parcelas lançadas e exigidas; e, nos termos do inciso I do art. 173, desse mesmo Código, para os casos em que não houve antecipação.No presente caso, havendo pagamento parcial da Cofins, devese aplicar a contagem disposta no art. 150, § 4º do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 58 03 /2 00 5- 06 Fl. 855DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recursos interpostos pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo contra Acórdão nº 20181.037, da 1ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, que: · Pelo voto de qualidade, rejeitou a preliminar de decadência suscitada; · No mérito, por unanimidade de votos, deu provimentos parcial ao recurso para excluir da base de cálculo o valor das demais receitas incluídas pela Lei 9.718/98. O Colegiado, assim, consignou a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/1999 LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. PRAZO. O prazo para a Fazenda exercer o direito de fiscalizar e constituir, pelo lançamento, a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins é o fixado no art. 45 da Lei nº 8.212/91, à qual não compete ao julgador administrativo negar vigência. Fl. 856DF CARF MF Processo nº 10283.005803/200506 Acórdão n.º 9303008.108 CSRFT3 Fl. 854 3 INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. Tendo o plenário do STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, deve o Segundo Conselho de Contribuinte aplicar esta decisão para afastar a exigência da Cofins sobre receitas financeiras e outras receitas, inclusive variação cambial ativa. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. A penalidade pecuniária aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória convertese em obrigação principal e está sujeita, como tal, a incidência de juros de mora após o seu vencimento. ” Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, trazendo, entre outros, que: · Diante da declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei 8.212/91 promovida pelo STF, resta intacto apenas o crédito tributário referente ao mês de dezembro de 1999, pois a ausência de recolhimento do tributo redunda na aplicação do prazo contido no art. 173, inciso I, do CTN; · Quanto à presunção de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98, o acórdão impugnado determinou a exclusão da base de cálculo da Cofins das receitas fundadas no §1° do art. 3° da Lei 9.718/98, sob o argumento de que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. · Sabese, entretanto, que a referida inconstitucionalidade foi pronunciada em controle difuso, não se tendo até o momento conhecimento da edição de Resolução do Senado Federal que suspendesse a execução da referida norma do Ordenamento Jurídico, nos termos do que lhe permite o art. 52, X da Constituição de 1988; · Inexistindo resolução do Senado Federal que suspenda a execução da citada norma, como também qualquer medida judicial em controle abstrato que a inquine de inconstitucionalidade, é Fl. 857DF CARF MF 4 imperioso concluir que em favor da aludida regra do § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 continua vigorando presunção de sua conformidade com a ordem constitucional vigente, pelo que deve a norma em apreço continuar sendo aplicada pelo intérprete, já que inexiste dispositivo legal que desautorize a sua aplicação, inclusive aos órgãos integrantes da Administração Pública Federal Direta, os quais estão obrigados a cumprila; · Não procede a argumentação no sentido de ter sido a Lei 9.718/98 promulgada antes da EC 20/98, o que exigiria nova lei posterior à promulgação desta; · Embora a Lei 9.718 tenha sido promulgada no dia 27 de novembro de 1998, oriunda da conversão da Medida Provisória 1.724, editada no dia 29 de outubro de 1998, portanto antes da promulgação da EC 20/98, em 15 de dezembro de 1998, ela fez parte de um pacote de medidas destinadas a regulamentar a chamada reforma da previdência; · Os dispositivos da Lei 9.718/98 que tratam da incidência da COFINS e do PIS com base na receita bruta só passaram a produzir efeitos a partir de 1° de fevereiro de 1999, quando a EC 20/98 já estava em vigor; · De fato, o art. 17 da Lei 9.718/98 determinou que os arts. 2° a 8° da lei, que tratam das alterações legislativas na COFINS e no PIS, só produziriam efeitos em relação a fatos geradores ocorridos a partir de 10 de fevereiro de 1999. Pouco importa que a lei tenha entrado em vigor antes da emenda constitucional. O que realmente importa é que ela só atingiu a fatos geradores ocorridos quando a emenda já estava em vigor. Em Despacho às fls. 418 a 424, foi dado seguimento parcial ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional somente quanto ao prazo decadencial de o Fisco fiscalizar e constituir o crédito de Cofins. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pelo sujeito passivo, que trouxe, entre outros, que: Fl. 858DF CARF MF Processo nº 10283.005803/200506 Acórdão n.º 9303008.108 CSRFT3 Fl. 855 5 · O recurso não deve ser conhecido, pois com o advento da Portaria MF 147/07, este órgão ficou autorizado a afastar os efeitos de lei declarada inconstitucional de forma definitiva pelo Plenário do STF, independentemente da forma do controle de constitucionalidade, se difuso ou concentrado; · E foi justamente com base no art. 49, inciso I, que a decisão ora combatida reconheceu a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da Cofins; · Embora tenha reconhecido expressamente a inaplicabilidade do art. 45 da Lei 8.212/95, por força do teor da Súmula Vinculante 08, a D. Procuradora da Fazenda Nacional sustenta que a contagem do prazo decadencial para a COFINS deve seguir a norma prevista no art. 173, I, do CTN, sob a alegação de ausência de pagamento; · Conforme relatado no auto de infração, o lançamento do suposto débito da COFINS se refere tãosomente às receitas não operacionais, do que se infere ter a Recorrida efetuado o recolhimento integral dos valores declarados em DCTF. Esta informação pode ser facilmente constatada mediante análise do Demonstrativo acostado ao auto de infração; · Ou seja, no presente caso, houve declaração e pagamento prévio da COFINS, que ficou ao crivo do Fisco Federal para ser, ou não, homologado. Mas, ao cabo de sua análise, a fiscalização entendeu pela sua não homologação, daí a constituição de crédito tributário relativo à diferença entre a tributação das "demais receitas" e aquelas sobre as quais a Recorrente efetuou o pagamento prévio; · Nessa toada, indiscutível a aplicação da contagem do prazo decadencial prevista no art. 150, §4°, do CTN, que estabelece como termo inicial da decadência dos tributos sujeitos à homologação, tais como a COFINS, a ocorrência do fato gerador; · Isso quer significar que todos os valores relativos a fatos geradores ocorridos há mais de cinco anos contados regressivamente à data em que se materialize o eventual lançamento de oficio (23 de novembro Fl. 859DF CARF MF 6 de 2005) já terão sido alcançados pela decadência, ficando defeso à administração efetuar seu lançamento. Requer, em contrarrazões, que seja negado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, diante da inobservância dos requisitos legais exigidos para a sua interposição. E, na eventualidade de a discussão avançar o mérito, que deva ser negado provimento ao recurso, considerando a jurisprudência administrativa e judicial. Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que: · Em relação à decadência, o CARF já pacificou entendimento contrário pela aplicabilidade do prazo decadencial estabelecido no art. 150, § 4º, do CTN; · O efeito vinculante da inconstitucionalidade do art. 45 da Lei 8.212/91 – Súmula Vinculante 8 foi reconhecido tanto pelo Conselho de Contribuintes como pelo atual CARF; · No caso em tela, ao aplicar o prazo decadencial, verificase que, contados os 5 anos previstos na legislação para o último fato gerador tributado, o direito de a administração efetuar o lançamento se extinguiu em dezembro de 2004 – o que antecede a ciência expressa do contribuinte ocorrida em 23.11.05; · E, se aplicado o art. 173, inciso I, do CTN, terseá como devidos os valores relativos ao mês de dez/99 –o que vale ressaltar que os valores de tal período de apuração foram totalmente cancelados pela instância a quo e, em relação à essa matéria, o Recurso Especial da Fazenda Nacional não foi admitido. Em Despacho às fls. 758 a 760, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Contrarrazões ao recurso do sujeito passivo foram apresentadas pela Fazenda Nacional, que trouxe, entre outros, que, não se verificando recolhimento de exação e montante a homologar, o prazo decadencial para o lançamento dos tributos sujeitos a lançamento por homologação é a do art. 173, inciso I, do CTN. Fl. 860DF CARF MF Processo nº 10283.005803/200506 Acórdão n.º 9303008.108 CSRFT3 Fl. 856 7 A Fazenda Nacional interpôs, em 10.2.16, agravo ao despacho proferido em 4.5.09, requerendo o conhecimento e o provimento do presente para que seja integramente admitido o Recurso Especial. Em Despacho de análise do agravo às fls. 785 a 787, o agravo foi acolhido para dar seguimento ao recurso especial relativamente à matéria “presunção de constitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98”. Contrarrazões ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional foram apresentadas pelo sujeito passivo, que trouxe, entre outros, que: · O recurso não deva ser conhecido; · Com o advento da Portaria MF 147/2007, este órgão Colegiado ficou autorizado a afastar os efeitos de lei declarada inconstitucional de forma definitiva pelo Plenário do STF, independentemente da publicação da Resolução Senatorial; · E, foi justamente com fundamento neste dispositivo que o acórdão recorrido reconheceu a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da COFINS nos termos da Lei 9.718/98; · Assim, acertadamente o presidente da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho 2101046, não admitiu o recurso especial no que tange à inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98, com fundamento na ausência de comprovação de divergência entre a decisão combatida e o acórdão paradigma, nos termos do art. 7º, II do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF 147/2007; · A fiscalização entendeu que a Recorrida não teria apurado corretamente a COFINS relativa aos períodos de fevereiro a dezembro de 1999, procedendo, assim, à nova apuração para incluir, na base de cálculo desta contribuição, as receitas financeiras, variação cambial ativa e outras receitas não operacionais, com fundamento no §1º do art. 3º da Lei 9.718/98; · Conforme relatado no auto de infração, o lançamento do suposto débito da COFINS se refere tãosomente às receitas não operacionais, Fl. 861DF CARF MF 8 do que se infere ter a Recorrida efetuado o recolhimento integral dos valores declarados em DCTF. Esta informação pode ser facilmente constatada pela análise do demonstrativo acostado ao auto de infração; · Assim, havendo pagamento, ainda que parcial, contase o prazo decadencial nos termos do art. 150, §4º do CTN, ou seja, 5 (cinco) anos a partir da ocorrência do fato gerador, que, no caso concreto, terminou em dezembro de 2004; · De acordo com o art. 1º, inciso V, da Portaria PGFN 294/2010, combinado com o item 1.1 da mencionada lista2, os Procuradores da Fazenda Nacional ficam autorizados a não apresentar recurso quando a decisão tratar da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da COFINS, promovido pelo §1º do art. 3º da Lei 9.718/98. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama – Relatora. Depreendendose da análise dos recursos interpostos, discorrendo, primeiramente, sobre o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, em respeito ao art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. Recordase que tal recurso traz a discussão do prazo decadencial, vez que o art. 45 da Lei 8.212/91 foi declarado inconstitucional. A declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, ocorreu após a decisão recorrida, e nesse particular, a própria Fazenda Nacional já havia manifestado sua discordância com o julgado, que desafiou recurso especial da PGFN, admitido justamente nessa matéria. Sendo assim, conheço o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Quanto ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, recordo que ressurgiu em seu recurso com a discussão de duas matérias: Fl. 862DF CARF MF Processo nº 10283.005803/200506 Acórdão n.º 9303008.108 CSRFT3 Fl. 857 9 · Prazo decadencial de o Fisco fiscalizar e constituir o crédito de Cofins; · Presunção de constitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98. Da análise do recurso, entendo que não devo conhecêlo, por falta de interesse – perda do objeto. Ventiladas tais considerações, passo a discorrer sobre o prazo decadencial de o fisco constituir o crédito tributário – em síntese, se aplicável o art. 150, § 4º, do CTN ou o art. 173, inciso I, do CTN. Importante recordar que o prazo decadencial das contribuições sociais, dentre elas a Cofins, é o definido pelo art. 45 da Lei 8.212/91. Tal discussão não mais existe, considerando a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei 8.212/91, sendo superada pela Súmula Vinculante 8 do STF que efetivamente afastou o referido dispositivo. Quanto ao termo inicial de contagem do prazo fatal para a constituição do crédito tributário, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, temse que tal matéria encontrase pacificada com o entendimento expressado no item 1 da ementa da decisão do STJ, na apreciação do REsp 973.733/SC, apreciado na sistemática de recursos repetitivos: “O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. Assim, nos termos da jurisprudência atual, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação será: I Em caso de dolo, fraude ou simulação: 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN); II Nas demais situações: a) se houve pagamento antecipado ou declaração de débito: data do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN); Fl. 863DF CARF MF 10 b) se não houve pagamento antecipado ou declaração de débito: 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN). Vêse, então, que essa discussão não poderia mais ser apreciada no CARF, pois os Conselheiros, por força do art. 62, § 2º, Anexo II, do Regimento Interno RICARF, estão vinculados ao que restou decidido no RESP 973.733. O que, regra geral, para os casos “comuns”, a discussão acerca da contagem para o prazo decadencial não poderia mais ser apreciada no CARF, pois os Conselheiros, por força do art. 62, § 2º, Anexo II, do Regimento Interno RICARF, estão vinculados ao que restou decidido no RESP 973.733. No caso vertente, importante recordar que: · A fiscalização entendeu que o contribuinte não teria apurado corretamente a COFINS relativa aos períodos de fevereiro a dezembro de 1999, procedendo, assim, à nova apuração para incluir, na base de cálculo desta contribuição, as receitas financeiras, variação cambial ativa e outras receitas não operacionais, com fundamento no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98; · O lançamento do suposto débito da COFINS se refere tãosomente às receitas não operacionais, do que se infere ter a Recorrida efetuado o recolhimento integral dos valores declarados em DCTF. Esta informação pode ser facilmente constatada pela análise do demonstrativo acostado ao auto de infração (fls. 24). Houve declaração e pagamento da Cofins – mas a fiscalização não homologou e constituiu crédito tributário da diferença entre a tributação das “demais receitas”. Sendo assim, houve efetivamente o pagamento parcial da Cofins – sobre as receitas operacionais, o que entendo que se deve aplicar o art. 150, § 4º do CTN. Sendo cientificado o contribuinte em 23.11.05, todo o período se encontra alcançado pela decadência. No caso de o Colegiado entender que seria aplicável o art. 173, inciso I, do CTN, não sendo conhecido o recurso da Fazenda na parte da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98, sobrando apenas o período de dez/99, devese considerar que não há crédito tributário a se cobrar, pois as receitas não seriam passíveis de tributação pela Cofins. Em vista do exposto, voto por: Fl. 864DF CARF MF Processo nº 10283.005803/200506 Acórdão n.º 9303008.108 CSRFT3 Fl. 858 11 · Não conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional; · Conhecer o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo e darlhe provimento. É como voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 865DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.900223/2006-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1201-000.543
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 13851.900234/2006-83, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 13851.900234/200683, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. Relatório Na condição de Presidente da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, no uso das atribuições conferidas pelo art. 17, III, do Anexo II do RICARF, designome Redator ad hoc para formalizar a Resolução nº 1201000.543, de 17/08/2018, referente ao presente processo, julgado na sistemática de recursos repetitivos de que trata o art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 00 22 3/ 20 06 -0 1 Fl. 99DF CARF MF Processo nº 13851.900223/200601 Resolução nº 1201000.543 S1C2T1 Fl. 3 2 2015, tendo em vista que a então Presidente da Turma, Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, deixou de fazêlo, em virtude de sua aposentadoria. O contribuinte interpôs seu tempestivo Recurso Voluntário, considerando que acórdão, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ratificou o despacho decisório, não homologando a Declaração de Compensação (DCOMP) de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) pela inexistência do crédito de pagamento indevido ou a maior. De acordo com referido despacho decisório, o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Entretanto, o contribuinte afirma no seu recurso que existia crédito compensável, como indicado na PER/DCOMP, porém, não foi homologado pela ausência de retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), inerente ao 3º trimestre de 2002. O contribuinte retificou a mencionada Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), por fim, requerendo o provimento do Recurso Voluntário para homologar a pretendida compensação. É o relatório. Voto Lizandro Rodrigues de Sousa Redator ad hoc O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.535 , de 17/08/2018, proferida no julgamento do Processo nº 13851.900234/2006 83, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.535): Inicialmente, quando da sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou uma cópia da DCTF, versão retificadora, pertinente ao 4º trimestre de 2002, presumindo que era suficiente para homologação da sua Declaração de Compensação (DCOMP). Noentanto, o acórdão recorrido concluiu pela inexistência do direito de crédito, vez que "exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoo com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente e análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o montante de tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado." O artigo 170 do Código Tributário Nacional preceitua que "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a Fl. 100DF CARF MF Processo nº 13851.900223/200601 Resolução nº 1201000.543 S1C2T1 Fl. 4 3 compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública". Portanto, imprescindível a certeza e a liquidez do crédito compensável, facultando ao contribuinte que impugne a não homologação formalizada através de despacho decisório, instruindo sua manifestação com as provas em contrário, garantindo, assim, o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa. O processo administrativo tributário é regido por normas específicas, principalmente, o Decreto nº 70.235/1972, a Lei nº 9.430/1996 e o Decreto nº 7.574/2011, orientado pelos princípios que norteiam a Administração Pública, incluindo a moralidade, eficiência e impessoalidade. Conquanto submetido ao regime de apuração pelo lucro real, inicialmente, o contribuinte não demonstrou o pagamento a maior do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), mediante a idônea escrituração contábil e fiscal, motivando, assim, a retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Ressalvase que a "escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza.", conforme o artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR), instituído pelo Decreto nº 3.000/1999. O ônus do contribuinte era que demonstrasse seu indébito, por exemplo, com Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), balanço patrimonial, Livro Diário e/ou Livro Razão, justificando a redução do valor devido e pelo próprio declarado de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), considerando os artigos 7º, § 4º, e 8º, inciso I, do Decretolei nº 1.598/1977: Art 7º O lucro real será determinado com base na escrituração que o contribuinte deve manter, com observância das leis comerciais e fiscais. (...) § 4º Ao fim de cada períodobase de incidência do imposto o contribuinte deverá apurar o lucro líquido do exercício mediante a elaboração, com observância das disposições da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do exercício e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados. Art 8º O contribuinte deverá escriturar, além dos demais registros requeridos pelas leis comerciais e pela legislação tributária, os seguintes livros: I de apuração de lucro real, no qual: I de apuração do lucro real, que será entregue em meio digital, e no qual: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) a) serão lançados os ajustes do lucro líquido do exercício, de que tratam os §§ 2º e 3º do artigo 6º; b) será transcrita a demonstração do lucro real (§ 1º); Fl. 101DF CARF MF Processo nº 13851.900223/200601 Resolução nº 1201000.543 S1C2T1 Fl. 5 4 b) será transcrita a demonstração do lucro real e a apuração do Imposto sobre a Renda; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) c) serão mantidos os registros de controle de prejuízos a compensar em exercícios subseqüentes (art. 64), de depreciação acelerada, de exaustão mineral com base na receita bruta, de exclusão por investimento das pessoas jurídicas que explorem atividades agrícolas ou pastoris e de outros valores que devam influenciar a determinação do lucro real de exercício futuro e não constem de escrituração comercial (§ 2º). Posteriormente, quando da interposição do Recurso Voluntário, o contribuinte esclareceu a origem do seu crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ): A Recorrente, equivocadamente, apurou os valores a recolher de CSLL e IRPJ em cada trimestre calendário fracionando o recolhimento nos três meses seguintes. Ocorre que na apuração dos valores devidos, houve por recolher valor a maior, resultado em oneração indevida e pagamento a maior. A origem desses créditos pode ser comprovada através dos lançamentos contábeis realizados e toda escrituração da apuração fiscal realizada aqui apresentada. Outrossim, o Recurso Voluntário anexou: (i) Balancete analítico trimestral, incluindo o período de 01.07.2002 a 30.09.2002; (ii) Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), versão Fl. 102DF CARF MF Processo nº 13851.900223/200601 Resolução nº 1201000.543 S1C2T1 Fl. 6 5 original, referente ao anocalendário de 2002, com Imposto de Renda a pagar de R$ 44.422,98 e; (iii) Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), período de apuração de 30.09.2002, concernente à 3ª quota do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), apurado no 3º trimestre/2002, com valor principal de R$ 18.791,90. A prova documental instruirá a impugnação "precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual", consoante o artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972, exceto (I) demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (II) refirase a fato ou a direito superveniente e; (III) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que:(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) O erro da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), retificado após o despacho decisório, não é determinante para o indeferimento da Declaração de Compensação (DCOMP), prevalecendo a verdade material, como se extrai do Parecer Normativo da CoordenaçãoGeral de Tributação (COSIT) nº 02/2015: Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13851.900223/200601 Resolução nº 1201000.543 S1C2T1 Fl. 7 6 "Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR." As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13851.900223/200601 Resolução nº 1201000.543 S1C2T1 Fl. 8 7 não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Entendo que não há necessidade de conversão do presente julgamento em diligência ou qualquer outra perícia (artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972), visto que se restringe à análise sobre os documentos constituírem ou não a imprescindível prova de certeza e de liquidez do crédito, ainda que trazidos aos autos somente com Recurso Voluntário. Avaliando a prova documental existente no recurso, valorizando o princípio da verdade material, notase: 1. O contribuinte demonstrou, com balancete analítico trimestral, vários lançamentos contábeis, que validariam as informações da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e da planilha denominada "Da Comprovação Exaustiva da Origem dos Créditos". 2. A Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), versão original, referente ao anocalendário de 2002, consignou o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) a pagar de R$ 44.422,98. 3. Por fim, o contribuinte anexou um único Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), período de apuração de 30.09.2002, equivalente à 3ª quota do declarado Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), com valor principal de R$ 18.791,90. Em resumo, o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) devido foi de R$ 44.422,98, porém, o Recorrente comprovou o pagamento apenas da 3ª quota de R$ 18.791,90, não demonstrando o adimplemento superior ao montante exigível. A Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), versão retificadora, embora em um primeiro momento resultasse no despacho decisório, que não homologou a declaração de compensação, não influenciou nessa conclusão, limitada à prova documental sobre o crédito, acostada no Recurso Voluntário. Entendo que é indispensável a conversão do presente julgamento em diligência, com fundamento no artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972, visto que demanda uma análise sobre se os documentos, anexados ao Recurso Voluntário, constituem a necessária prova de certeza e de liquidez do crédito. Adicionalmente, presumível que o Recorrente adimpliu as demais quotas do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), caracterizando o pagamento a maior, suscetível de restituição e compensação. Isto posto, voto pela conversão do julgamento em diligência, solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um relatório sobre as informações e os documentos anexados ao Recurso Voluntário, por fim, opinando pela existência do crédito de Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13851.900223/200601 Resolução nº 1201000.543 S1C2T1 Fl. 9 8 Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), oriundo do pagamento a maior, argumentado pelo Recorrente. Finalizada esta diligência, ressalvo a necessidade de promover a ciência do contribuinte sobre o "Relatório Conclusivo", fixando o prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação, antes do retorno dos autos para novo julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Voto por converter o julgamento do recurso em diligência., solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um relatório sobre as informações e os documentos anexados ao Recurso Voluntário, por fim, opinando pela existência do crédito de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), Período de Apuração 30/06/2002, oriundo do pagamento a maior, argumentado pelo Recorrente. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.961906/2008-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/11/1999
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-006.171
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/11/1999 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz.
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DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicandose o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 96 19 06 /2 00 8- 53 Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10880.961906/200853 Acórdão n.º 3402006.171 S3C4T2 Fl. 0 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 1629.939, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP, que por unanimidade de votos julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a decisão administrativa pela não homologação da compensação pretendida. Cientificada desta decisão, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário ora em apreço, através do qual pede a reforma da decisão de primeira instância, o que fez com os seguintes argumentos: i) Com fulcro na Lei 9.430/96 e alterações posteriores, apresentou diversos pedidos de compensação de créditos tributários oriundos de pagamento indevidos de tributos, os quais foram utilizados para compensação de débitos tributários decorrentes de suas atividades empresariais; ii) O agente administrativo limitouse a lançar um despacho padronizado indeferindo as compensações sob o argumento de que não existia o crédito perseguido pelo contribuinte; iii) Em nenhum momento foi propiciado à Recorrente a oportunidade de demonstrar o seu crédito, se limitando a Autoridade Administrativa a consultar os sistemas informatizados do próprio Fisco; iv) O julgado foi precipitado e invocou como fundamento o fato (verdadeiro) que para homologar as compensações é imprescindível a demonstração pelo contribuinte da "liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas."; v) O objeto do presente processo administrativo é justamente garantir ao contribuinte a oportunidade de demonstrar a liquidez e certeza de seus créditos. Todavia, da maneira em que conduzido o processo não está sendo permitido ao contribuinte demonstrar o seu crédito e usase a falta dessa prova para indeferir o pedido. É o relatório. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10880.961906/200853 Acórdão n.º 3402006.171 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.148, de 25 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.686726/200968, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402006.148): "Pressupostos legais de admissibilidade Nos termos do relatório o recurso é tempestivo, bem como o preenche os demais requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. Mérito Da análise dos autos, constatase que o objeto principal deste litígio se resume ao ônus da prova sobre o direito creditório perseguido pela Contribuinte. Cabe observar que a origem da base de cálculo do crédito e inconstitucionalidade do artigo 3°, § 2°, inciso III da Lei 9.718/98 não é ponto controvertido a ser analisado, uma vez que não foi a razão do indeferimento e tampouco matéria enfrentada em razões recursais. Em síntese, o argumento principal da parte em Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário versa sobre a conclusão da Autoridade Administrativa pela inexistência do crédito "sem sequer solicitar ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não a existência e suficiência do crédito utilizado na compensação". A Contribuinte havia requerido em Manifestação de Inconformidade a anulação do despacho decisório e a determinação para que a Autoridade Fiscal efetuasse as diligências necessárias para comprovar a origem e a existência do crédito utilizado nas compensações ou, alternativamente, a homologação da compensação efetuada. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10880.961906/200853 Acórdão n.º 3402006.171 S3C4T2 Fl. 0 4 Por sua vez, a Autoridade Julgadora de Primeira Instância salientou que a compensação que se pretende é a proveniente de lançamento por homologação, em que o contribuinte apura por sua conta e risco o valor a ser restituído e efetua a compensação, incumbindo ao Fisco verificar se o encontro de contas foi realizado corretamente ou não, consoante o artigo 66 da Lei n° 8.383/1991. Com efeito, em razão da busca pela verdade material, sempre deverá prevalecer a possibilidade de apresentação de todos os meios de provas necessários para comprovação do direito pleiteado. Constatase que a Recorrente instruiu tanto a manifestação de Inconformidade quanto o Recurso Voluntário apenas com o instrumento de procuração, identificação da procuradora, cópias das decisões recorridas, identificação dos sócios proprietários e atos constitutivos da empresa. No entanto, é da Contribuinte o ônus da prova passível de contrapor a constatação de utilização dos créditos declarados para compensação, o que não ocorreu no presente caso, pois a Recorrente em nenhum momento anexou aos autos quaisquer documentos e/ou planilhas de apuração, tampouco apresentou retificação da DCTF para demonstrar o crédito perseguido. Ou seja, não há nos autos sequer um indício da existência de tal crédito. Aplicase o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, bem como a incidência do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Neste sentido, citase o Acórdão nº 9303007.218, proferido pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais1. Com isso, está correta a decisão de primeira instância. Dispositivo Ante o exposto, conheço e nego provimento ao Recurso Voluntário. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. 1 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 20/04/2007 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10880.961906/200853 Acórdão n.º 3402006.171 S3C4T2 Fl. 0 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 71DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13889.720049/2018-13
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2016
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-001.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para considerar como dedutível o valor de R$3.791,20 do valor da despesa médica glosada, eis que tal parcela resta comprovada ser despesa própria do contribuinte. Vencido o Conselheiro Jorge Henrique Backes que dava-lhe provimento integral.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2016 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para considerar como dedutível o valor de R$3.791,20 do valor da despesa médica glosada, eis que tal parcela resta comprovada ser despesa própria do contribuinte. Vencido o Conselheiro Jorge Henrique Backes que dava-lhe provimento integral. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho.
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COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para considerar como dedutível o valor de R$3.791,20 do valor da despesa médica glosada, eis que tal parcela resta comprovada ser despesa própria do contribuinte. Vencido o Conselheiro Jorge Henrique Backes que davalhe provimento integral. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 9. 72 00 49 /2 01 8- 13 Fl. 48DF CARF MF 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2016, anocalendário de 2015, devido a dedução indevida de despesas médicas, especialmente por falta de detalhamento dos beneficiários do plano de saúde, já que não informa dependentes na sua declaração anual de ajuste pessoa física. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação alegando que a despesa se referia a Fundação Waldemar Barnsley Pessoa, CNPJ 56.893.209/0001 86 e foi devidamente comprovada através da DMED juntada ao processo; A DRJ Juiz de Fora, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que não assiste razão ao contribuinte eis que , mais uma vez, através da análise dos documentos apresentados percebese que o contribuinte faz parte de um plano de saúde denominado Standart com Dependentes e, não tendo declarado dependentes em sua Declaração de Ajuste Anual, não poderia deduzir despesas com aqueles, com exceção daquelas relativas a ele próprio. Não havendo documento que discrimine os valores do titular e dos dependentes não há como acatar a dedução pleiteada. Em sede de Recurso Voluntário,junta DMED detalhada, informando que R$3.791,20 referemse a despesas médicas próprias e R$3.791,20 referese a despesa médica com a sua esposa, sra Noêmia Aparecida Morandi Rissardi. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13889.720049/201813 Acórdão n.º 2001001.185 S2C0T1 Fl. 3 3 II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente trouxe DMED, em sede de Recurso Voluntário, evidenciando que do total da despesa declarada como dedutível a título de despesa médica, R$3.791,20 referese a despesa médica com a sua esposa, sra Noêmia Aparecida Morandi Rissardi . Ocorre que, como muito bem frisado pela DRJ Juiz de Fora, o contribuinte não informa nenhum dependente na sua declaração anual de ajuste de imposto de renda pessoa física. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham Fl. 50DF CARF MF 4 daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se no quanto apresentado e evidenciado, ou seja, de que do montante declarado como despesa medica, apenas R$3.791,20 se refere a despesa própria, entendo que deve ser dado provimento parcial ao Recurso Voluntário para acatar a dedutibilidade da despesa médica própria, já que não tem dependente para fins fiscais informados na sua decaração.. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, considerar como dedutível o valor de R$3.791,20 do valor da despesa medica glosada, eis que tal parcela resta comprovada ser despesa própria do contribuinte. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13889.720049/201813 Acórdão n.º 2001001.185 S2C0T1 Fl. 4 5 Fl. 52DF CARF MF
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Numero do processo: 13603.720129/2007-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
INTIMAÇÃO POR EDITAL. REGULARIDADE
A intimação poderá ser realizada por edital, quando demonstrando que a intimação via postal foi improfícua.
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO.
É intempestivo o recurso voluntário apresentado após o decurso do prazo de trinta dias, contados da data de ciência da decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 2202-005.024
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson. - Presidente
(assinado digitalmente)
Rorildo Barbosa Correia - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andrea de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RORILDO BARBOSA CORREIA
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REGULARIDADE A intimação poderá ser realizada por edital, quando demonstrando que a intimação via postal foi improfícua. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO. É intempestivo o recurso voluntário apresentado após o decurso do prazo de trinta dias, contados da data de ciência da decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Presidente (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 01 29 /2 00 7- 75 Fl. 310DF CARF MF 2 Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andrea de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 0331.496 proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF DRJ/BSA, a qual julgou procedente o lançamento e manteve o crédito tributário correspondente ao Imposto Territorial Rural ITR, exercício de 2005, referente ao imóvel rural denominado Fazenda Bela Vista, com área total de 622,5 ha., NIRF 3.578.7686, localizado no município de Sarzedo/MG (fls. 241/258 e 273/301). Do Lançamento Tributário No tocante ao lançamento tributário, o relatório que acompanha a decisão da DRJ/BSA (fl. 243) mencionou o seguinte: Contra a contribuinte interessada foi emitida, em 01.10.2007, a Notificação de Lançamento n° 06110/00008/2007 de fls. 01/05, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário no montante de R$ 461.458,29, a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, do exercício de 2005, acrescido de multa de oficio (75,0%) e juros legais calculados até 28.09.2007, incidentes sobre o imóvel rural denominado "Fazenda Bela Vista", cadastrado na RFB, sob o n° 3.578.7686, com área de 608,0 ha, localizado no Município de Sarzedo/MG. Regulamente intimada do lançamento, a Agro Industrial Bela Vista Ltda apresentou impugnação que foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DRJ/BSA (fls. 241/258). Da Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Quando da apreciação do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF julgou procedente o lançamento, conforme ementas a seguir transcritas (fls. 241/242): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 DA NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Tendo a contribuinte compreendido as matérias tributadas e exercido de forma plena o seu direito de defesa, por meio da entrega tempestiva de sua impugnação, não há que se falar em NULIDADE do lançamento, que contém todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal PAF. A intimação inicial para apresentação de documentos não é de natureza obrigatória, podendo ser dispensada, a critério da autoridade fiscal. Fl. 311DF CARF MF Processo nº 13603.720129/200775 Acórdão n.º 2202005.024 S2C2T2 Fl. 311 3 DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. As áreas de preservação permanente e de reserva legal, para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente ADA. DO VALOR DA TERRA NUA Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base nos VTN/ha apontados no SIPT, exigese que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel e a existência de possíveis características particulares desfavoráveis, que pudessem justificar o valor pretendido. DA MULTA DE OFÍCIO LANÇADA E DOS JUROS DE MORA. Apurado imposto suplementar em procedimento de fiscalização, no caso de informação incorreta na declaração do ITR e/ou subavaliação do VTN declarado, cabe exigilo juntamente com os juros e a multa aplicados aos demais tributos. Lançamento Procedente Da Ciência ao Contribuinte da Decisão de Primeira Instância Administrativa O Acórdão nº 0331.496 foi julgado pela 1ª Turma da DRJ/BSA, em 17 de junho de 2009, e a decisão foi encaminhada, em 24 de julho de 2009, para ciência à contribuinte, por via postal, para o endereço Fazenda Bela Vista, s/n, Bairro Sarzedo, Ibirité/MG, sendo devolvido pelos Correios à RFB, como não procurado (fls. 263/264). A decisão do referido acórdão foi novamente encaminhada, em 30 de setembro de 2009, para ciência ao contribuinte, por via postal, para o endereço Rua Felipe do Santos, 667 apto 104 Bairro de Lourdes Belo Horizonte MG, sendo devolvido pelos Correios a RFB, com três tentativas de entrega não concretizadas (fls. 265/266). Após duas tentativas de ciência ao contribuinte por vai postal não realizadas, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Contagem/MG, com o objetivo de cientificar a empresa, em 04 de novembro de 2009, publicou o edital nº 061/2009 intimado à contribuinte para, no prazo de quinze dias, tomar ciência do acórdão referente à decisão proferida pela DRJ/BSA, com a retirada do edital em 19 de novembro de 2009 e, logo em seguida, lavrou o Termo de Perempção (fls. 267/268). Do Recurso Voluntário A Recorrente apresentou recurso voluntário (fls. 273/300 e 309), em primeiro de março de 2010, contestando a decisão da DRJ/BSA. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente se insurgiu contra o acórdão da decisão proferida pela DRJ/BSA, preliminarmente alegando ausência de perempção e a tempestividade do recurso, afirmando que tomou ciência do teor da decisão, ora recorrida, em 09 de fevereiro de 2010 e que o recurso deve ser recebido com efeito suspensivo. Fl. 312DF CARF MF 4 A Recorrente questionou a intimação por meio de edital, alegando que houve ilegalidade neste procedimento (fls. 275/280): O meio do edital somente deve ser utilizado quando restarem improfícuos os outros meios de intimação, ou seja, via postal e via pessoal. E isso inclui, obviamente, a notificação por meio dos procuradores regularmente constituídos.(fl. 279 ). Contestando o Acórdão nº 0331.496 proferido pela 1ª Turma DRJ/BSA, a recorrente alegou que houve nulidade, afirmando que (fl. 281): 16) Ora, tal decisão não se pode admitir!! A própria relatora entende que o procedimento de intimação "visa evitar a formalização de notificações e autos de infração inconsistentes, desnecessários, em prejuízo da administração tributária e do próprio contribuinte, que teria que arcar com os custos de sua defesa". Além disso, como ela mesma afirmou, o termo é dispensado quando o auditor fiscal entende ser o mesmo desnecessário. No presente caso, se o auditor entendeu necessário que a recorrente prestasse esclarecimentos, o prazo para sua prestação deveria ter sido respeitado. No seu recurso, em relação a área de reserva legal e a área de preservação permanente, a recorrente se insurgiu contra a decisão da DRJ/BSA, alegando o seguinte (fls. 287/288): 27) Conforme já mencionado, mesmo exaustivamente comprovada a existência das áreas de reserva legal e preservação permanente, e o entendimento dominante de que a apresentação do ADA não é determinante para a isenção do ITR, a recorrente requereu, em 2007, referente ao exercício de 2006, seu ADA. 28) Ora, por todo exposto percebese que (e não poderia ser diferente) que o que determina a exclusão das áreas de reserva legal e de preservação permanente são a sua existência material, e sendo a mesma comprovada, como ocorreu no presente caso, não há que falar em desconsideração da mesma em virtude de sua comprovação não se dar por meio do ADA, devendo, portanto a presente decisão ser reformada para retirar da área tributável do imposto as áreas declaradas e comprovadamente existentes relativas à preservação permanente e reserva legal. Em relação ao valor da terra nua VTN, a recorrente apresentou laudo de avaliação elaborado por engenheiro com a finalidade de demonstrar o VTN, alegando o seguinte (fls. 288/295): O Laudo referente à Fazenda Boa Vista alcança a pontuação necessária, conforme exigido nas Tabelas 1 e 2 do item 9.2 e Tabela 3 do item 9.3 da NBR citada acima, pois atinge mais do que os 36 pontos exigidos para Fundamentação II, bem como a amplitude, conforme pontuação apresentada pelo Engenheiro Agrônomo Rodrigo Octávio Monteiro de Sousa Lima, responsável pelo Laudo Técnico (doc. 2). (fl. 291). Fl. 313DF CARF MF Processo nº 13603.720129/200775 Acórdão n.º 2202005.024 S2C2T2 Fl. 312 5 38) Assim, diante do exposto, requerse que seja reformada a decisão constante do Acórdão 0331.495, substituindo o valor arbitrado pelo fiscal, com base no SPIT, que aponta o valor de R$ 8.000,00 por hectare (4.864.000,00 pela área total), pelo valor constante do laudo técnico de R$ 1233,08 (hum mil duzentos e trinta e três reais e oito centavos) por hectare, no período considerado, segundo laudo técnico, elaborado segundo os parâmetros requeridos pela Receita, com minuciosa pesquisa realizada junto a órgãos oficiais e privados, corretores especializados, proprietários, por ser o valor gerado pelo SPIT totalmente incompatível com a realidade da região em que se encontra a propriedade.(fl. 295). Alegou ainda que houve inconstitucionalidade na aplicação da multa e na aplicação da Taxa Selic (fls. 295/299): 40) Primeiramente, em relação à multa aplicada, este percentual previsto na lei 9430196, de 75%, é flagrantemente inconstitucional, por majorar de forma absurdaa penalidade pelo não cumprimento da obrigação principal.(fl. 296). 41) Também se configura inconstitucional a taxa utilizada para cálculo dos juros de mora, como já demonstrado na impugnação apresentada. Vale destacar, mais uma vez, que a Administração pode sim, aliás, tomase um dever, deixar de aplicar norma inconstitucional, pelas razões já expostas.(fl. 297). A Recorrente, com o objetivo de corroborar seus argumentos, ainda apresentou, ao longo do seu recurso, legislação, doutrina, jurisprudências e acórdãos de decisões proferidos pelo CARF. Ao final, a recorrente requer que (fls. 299/310) : a) Que seja recebido o presente recurso com efeito suspensivo, na forma do art. 35 do Decreto 70235/72, com a suspensão da exigibilidade do débito, relativo ao ITR 2005, tido como pendência constante das informações cadastrais da empresa, para que a recorrente não seja impedida de retirarsua certidão negativa junto a Receita Federal; b) Que seja declarada nula a intimação realizada no presente feito, e consequentemente invalidado o termo de perempção, considerandose a não intimação dos procuradores regularmente constituídos bem como a impossibilidade de utilização do edital sem que fossem esgotadas asformas cabíveis de localização da ora recorrente; c) Seja, assim, recebido o presente recurso e analisado seu mérito, pela absoluta ausência de perempção, como demonstrado neste feito; d) Que seja anulado o Termo de Intimação Fiscal 06110/100012/2007 que gerou a presente notificação de lançamento, uma vez que desrespeitado o prazo para que a recorrente apresentasse a documentação necessária para Fl. 314DF CARF MF 6 esclarecimento da autoridade fiscal, o que tomaria desnecessário o presente feito; e) Que seja reformada a decisão relativa a glosa das áreas de reserva legal e preservação permanente, sendo as mesmas retiradas da base tributável do imposto devido; f) Seja revisto o valor determinado para a terra nua previsto pelo SPIT e substituído pelo valor apontado pelo laudo elaborado por profissional habilitado, no valor de R$ 1563,08 (hum mil quinhentos e sessenta e três reais e oito centavos) por hectare. g) Que não seja aplicada a multa de 75%, por ser a mesma de caráter claramente confiscatório, e, portanto, inconstitucional; h) Que não seja aplicada a taxa SELIC relativa aos juros de mora, aplicandose o art. 161, § 1º do CTN, por não ser lícita a cobrança de juros remuneratórios não aplicáveis a relações tributárias, como demonstrado acima; i) Caso não entenda esse Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pela improcedência dos itens V, "g", e "h", pelo princípio da eventualidade, requer sejam aplicados juros e multa apenas sobre o valor real do tributo, descontadas as áreas de reserva legal e de preservação permanente, bem como considerando os valores para terra nua constantes do laudo técnico. A impugnante requer, ainda, seja aberta possibilidade de apresentação de novos documentos caso necessários. Por fim, a recorrente requer seja intimada sempre por meio de seus representantes legais, no seguinte endereço: Rua Timbiras 1560, sl. 1103, Bairro Lourdes, Belo HorizonteMG, CEP 30140061. É o relatório. Voto Conselheiro Rorildo Barbosa Correia Relator Preliminar: Alegação de Tempestividade De acordo com o Termo de Encaminhamento emitido pela Seção de Controle e Acompanhamento Tributário da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Contagem/MG (fl. 309), a Agro Industrial Bela Vista Ltda apresentou recurso voluntário intempestivamente em primeiro de março de 2010, nos seguintes termos: Por oportuno informo que foram feitas duas tentativas de intimar o interessado a tomar ciência do resultado do julgamento feito pela DRJBSA – DF, conforme envelopes que retornaram devolvidos, fl. 236 e 237, (cujos originais encontramse anexados ao processo 13603.720128/200721), motivo pelo qual lavrouse Edital de ciência, a qual se deu em 19/11/2009. Observese que a Fl. 315DF CARF MF Processo nº 13603.720129/200775 Acórdão n.º 2202005.024 S2C2T2 Fl. 313 7 intimação de ciência foi enviada para dois endereços: da empresa e do responsável. Por outro lado, a recorrente, em sede de recurso voluntário, se insurgiu contra o acórdão da decisão proferida pela DRJ/BSA, preliminarmente, alegando ausência de perempção e pela tempestividade do recurso, afirmando que tomou ciência do teor da decisão, ora recorrida, em 09 de fevereiro de 2010 e que o recurso deve ser recebido com efeito suspensivo. Dessa forma, como a recorrente alegou tempestividade em seu recurso, fezse necessário apreciar tal alegação, em relação a este ponto. Assim sendo, passouse a analisar em qual momento a recorrente tomou ciência do Acórdão nº 0331.496 proferido pela DRJ/BSA. Compulsando os autos, precisamente as folhas 263/266, conforme AR, notase que houve duas tentativas de cientificar a Agro Industrial Bela Vista Ltda por via postal, uma em 24 de julho de 2009 e outra, em 30 de setembro de 2009, nos termos do art. 23, inciso II, do Decreto 70.235/72. Todavia, verificase que as duas tentativas que a DRF/Contagem/MG realizou para cientificar a empresa foram improficuas, não restando outra alternativa ao Órgão preparador, a publicação de edital, conforme disciplina o art. 23, § 1º do Decreto 70.235/72, para dar ciência ao sujeito passivo do acórdão referido. Neste sentido, observase que a DRF/Contagem/MG, com o objetivo de cumprir suas obrigações legais, no que se refere cientificar a empresa do resultado do julgamento, publicou o Edital nº 061/2009 em 04 de novembro de 2009 e desafixouo em 19 de novembro de 2009 (fls. 267), com o seguinte teor: Pelo presente EDITAL, nos termos do artigo 23, item III do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, alterado pelo artigo 67 da Lei 9.532, de 10 de dezembro de 1997, por se encontrar(em) em lugar(es) incerto (s) e ignorado(s), fica(m) intimado(s) o(s) contribuinte(s) abaixo relacionado(s), bem como seus representantes legais, a tomarem ciência dos Acórdãos de n° 03 31.495 e 0331.496, de, 17 de junho de 2009, proferidos pela 1ª Turma da DRJ/BSA DF, dentro do prazo de 15 dias, contados do dia da afixação deste, cujo(s) processo(s) se encontra(m) nesta SACAT, 1° andar. Após a publicação do Edital, em 04 de novembro de 2009, a contribuinte foi considerada devidamente cientificada do acórdão nº 0331.496 proferido DRJ/BSA, em 19 de novembro de 2009, depois de transcorrido o prazo de 15 dias, conforme dispõe o inciso IV, do § 2°, do art. 23, do Decreto nº 70.235/72. Assim, passado trinta dias da ciência sem que o contribuinte tivesse apresentado alguma contestação sobre a exigência do crédito, a DRF/Contagem/MG emitiu termo de perempção (fl. 268). Transcorrido o prazo regulamentar de 30 (trinta) dias (Decreto n° 70.235/1972, art. 33) e não tendo o interessado apresentado recurso à instância superior da decisão da autoridade de primeira instância, lavrase este termo de perempção na forma da legislação vigente. Fl. 316DF CARF MF 8 Por sua vez, o Recurso Voluntário foi apresentado no dia 01/03/2010 (fls. 273/301), conforme Termo de Encaminhamento emitido pela Seção de Controle e Acompanhamento Tributário da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Contagem/MG (fl. 309), no qual o sujeito passivo alegou que houve irregularidade na intimação realizada (274/275): Ora, é flagrante a irregularidade da intimação realizada. Primeiramente, pela não tentativa de localização dos procuradores regularmente constituídos da ora recorrente; e, além disso, pelo absurdo não encaminhamento da carta de cobrança nem à parte pessoalmente, nem a seus procuradores. 06) Assim, o presente recurso é tempestivo, uma vez que o inicio do prazo deve contar a partir da ciência do interessado, o que, repitase, ocorreu somente em 09/02/2010, quando o mesmo fez o requerimento de certidão negativa. Neste ponto, entendo que não podem prosperar os argumentos e os questionamentos apresentados pela Recorrente, pois não houve nenhuma irregularidade quando da realização da ciência do resultado do julgamento de primeira instância administrativa, uma vez que o acórdão proferido pela DRJ/BSA foi encaminhado por via postal para o endereço da contribuinte, como previsto no art. 23, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, como resultou improfícua a tentativa de ciência, a contribuinte foi intimada por edital, nos termos do art. 23, § 1º, do Decreto nº 70.235/72. Isto posto, notase que as alegações apresentadas pela Recorrente, questionando a tempestividade, não encontram suporte no ordenamento jurídico de que trata a matéria, uma vez que a forma de intimação do contribuinte está definida pelo art. 23 do Decreto 70.235/72 e foi fielmente cumprida pela Órgão preparador. Além disso, cabe frisar que os prazos não se suspendem, salvo motivo de força maior devidamente comprovado, o que não é o caso, conforme dispõe o artigo 67 da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. Neste caso, como o recurso voluntário foi interposto em 01/03/2010, após o prazo regulamentar de 30 dias, conforme disciplinado pelo art. 33 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, há que se declarar o recurso intempestivo. No mesmo sentido, cabe frisar que a aplicabilidade do art. 28 do referido decreto nº 70.235/72 ficou prejudicada, dada a incompatibilidade entre a preliminar e o mérito. Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) Deste modo, como não foi acolhida a preliminar de tempestividade argüida, ocorreu a preclusão processual, ficando impedido o julgador de apreciar as razões de mérito e de conhecer o teor do recurso voluntário. Por este motivo, temse por inócua quanto à possibilidade de suspensão do crédito tributário, na forma do Art. 151, III, do Código Tributário Nacional, limitandose o presente voto à apreciação da preliminar de tempestividade invocada. Destarte, não conheço das razões de mérito do recurso voluntário apresentado, haja vista que a intempestividade é prejudicial ao exame do mérito. Fl. 317DF CARF MF Processo nº 13603.720129/200775 Acórdão n.º 2202005.024 S2C2T2 Fl. 314 9 Decisão Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia Fl. 318DF CARF MF
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