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Numero do processo: 13888.905584/2012-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.805
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 55 84 /2 01 2- 67 Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13888.905584/201267 Acórdão n.º 3201002.805 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório GENERAL CHAINS DO BRASIL LTDA. transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório decorrera do recolhimento indevido da contribuição sobre receitas financeiras, que, segundo ele, estavam sujeitas à alíquota zero. Argumentou que, apesar de não ter declarado o referido pagamento por compensação em DCTF, procedera à retificação da declaração logo após ter sido notificado, tratandose, portanto, de mero erro de fato, passível de superação em prol da justiça e da boa fé. Não obstante essa sua afirmação, o contribuinte alegou também em sua Manifestação de Inconformidade o seguinte: Não há meios para efetuar a DCTF retificadora de forma a corrigir o inequívoco erro, o que a Lei admite, pois expirou o prazo prescricional de 05 anos para referida retificação via meios eletrônicos e ainda em face de que a empresa teve os seus demonstrativos da época em referência nesta manifestação extraviados (DACONs), em decorrência de alteração da administração contábil da empresa. Dessa forma requer que a administração promova a retificação ex oficio das declarações, a fim de que a contabilidade da empresa e seus documentos fiscais espelhem a realidade dos fatos diante do erro cometido pelo contribuinte. (destaques nossos) Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou cópias do Despacho Decisório, do PER/Dcomp e do recibo da DCTF original. Nos termos do Acórdão nº 02050.331, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando que o direito creditório decorre da inclusão equivocada, na base de cálculo da Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13888.905584/201267 Acórdão n.º 3201002.805 S3C2T1 Fl. 4 3 contribuição, de receitas financeiras sujeitas à alíquota zero, desde 02/08/2004, por força do Decreto nº 5.164/2004. Na sequência, sustenta que seu direito creditório é legítimo e incontestável e que promovera a retificação da DCTF em razão do erro de fato ocorrido em seu preenchimento. Destaca a Recorrente que é "dever da administração promover a retificação ex oficio das declarações, a fim de que a contabilidade da empresa e seus documentos fiscais espelhem a realidade dos fatos diante do erro cometido". Cita doutrina, transcreve jurisprudência do STJ e deste Conselho para amparar sua alegações e argumenta que o Código Tributário Nacional (CTN) admite a remissão total ou parcial do crédito tributário no caso de erro de matéria de fato escusável e requer a observância ao princípio da boa fé. Reclama que a turma julgadora de primeira instância centrou seu juízo em interpretação restritiva "pelo texto frio da lei" e repisa seus argumentos no sentido de que se trata de um inequívoco erro de fato no preenchimento da DCTF. Conclui que a jurisprudência de nossos Tribunais Judiciais admite a realização de correções em DCTF até mesmo após a inscrição do débito em dívida ativa ou mesmo após a sua execução. Aponta que a intimação que antecedeu o despacho decisório não teve o intuito de estabelecer o procedimento fiscal e argumenta que a documentação apresentada à Receita Federal era satisfatória para a comprovação da compensação (DCTF retificadora, Dacon retificadora, DIPJ e as correspondentes planilhas de cálculo em que se apurou o pagamento a maior da contribuição). Por fim, requer a declaração de nulidade do procedimento e, por conseguinte, a reforma da decisão de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.770, de 26/04/2017, proferido no julgamento do processo 13888.905548/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.770): Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13888.905584/201267 Acórdão n.º 3201002.805 S3C2T1 Fl. 5 4 Observados os pressupostos recursais, a peça (...) merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Belo Horizonte/2ª Turma (...) de 29 de outubro de 2013. No presente caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação da DCTF para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar o motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar a reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Neste ponto, cabe transcrever excertos da decisão recorrida (grifei): A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2º, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Ele não comprova seu vínculo à tese apresentada. Afirma que o erro está comprovado nos documentos contábeis anexos, mas tais documentos não existem no processo. A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, diverge do valor confessado na DCTF. Conforme se vê, à época da emissão do Despacho Decisório, já havia divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF e nas retificações efetuadas após a ciência desse despacho surgiu ainda um terceiro valor relativamente ao total do débito apurado. Agora, no recurso voluntário, o interessado informa que aportou aos autos novos documentos, planilhas de cálculo, que Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13888.905584/201267 Acórdão n.º 3201002.805 S3C2T1 Fl. 6 5 não haviam sido oferecidas à autoridade julgadora de primeira instância. A possibilidade de conhecimento desses novos documentos, não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O PAF, assim dispõe, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). O processo administrativo fiscal pode ser considerado como um método de composição dos litígios, empregado pelo Estado ao cumprir sua função jurisdicional, com o objetivo imediato de aplicar a lei ao caso concreto para a resolução da lide. Em razão de vários fatores, a forma como o processo se desenvolve assume feições diferentes. Humberto Theodoro Júnior em "Curso de Direito Processual Civil, vol. I" (ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303) assim diz: “enquanto processo é uma unidade, como relação processual em busca da prestação jurisdicional, o procedimento é a exteriorização dessa relação e, por isso, pode assumir diversas feições ou modos de ser.” Ensina o renomado autor que “procedimento é, destarte, sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo”. Neste sentido, o procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13888.905584/201267 Acórdão n.º 3201002.805 S3C2T1 Fl. 7 6 tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Conforme os antes transcritos artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF), é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, que instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Por sua vez, o art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. Contudo, uma fria análise da norma pode vir a chocarse com os princípios da verdade material e da ampla defesa. Vejamos que a Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo em geral, no art. 3º, possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Entretanto, conforme a melhor doutrina, deve ser aplicada ao caso a lei específica existente, Decreto nº 70.235/1972, que determina o rito do processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral. Neste ponto, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, cabe mencionar que de fato existe na jurisprudência uma tendência de atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam tratarse daqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitam o fácil e rápido convencimento do julgador. Logo, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação e será determinado a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, bem como à percepção de que efetivamente houve um esforço na busca de comprovar o direito alegado, que é ônus daquele que objetiva a restituição, ressarcimento e/ou compensação de tributos. Como se vê, as alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque, conforme já dito, o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13888.905584/201267 Acórdão n.º 3201002.805 S3C2T1 Fl. 8 7 O § 4º do art. 16 do PAF estabelece que só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Especificamente no caso desses autos, o recorrente não se preocupou em produzir oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O recorrente tampouco comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do PAF, que justificasse a apresentação tão tardia dos referidos documentos. No caso, o acórdão da DRJ foi bastante claro ao fundamentar suas conclusões pela insuficiência da comprovação do direito creditório alegado quando afirmou: "o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Ele não comprova seu vínculo à tese apresentada. Afirma que o erro está comprovado nos documentos contábeis anexos, mas tais documentos não existem no processo." (grifei). Ao final, a decisão recorrida novamente destaca: "Conforme se vê, à época da emissão do Despacho Decisório, já havia divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF e nas retificações efetuadas após a ciência desse despacho surgiu ainda um terceiro valor relativamente ao total do débito apurado." A propósito dos novos documentos anexados que instruem a peça recursal (planilhas de cálculo [...], cópia do DACON [...], cópia da DIPJ [...]), verificase que o contribuinte anexou na verdade algumas planilhas confeccionadas com a finalidade exclusiva de amparar suas alegações no presente recurso, mas Fl. 125DF CARF MF Processo nº 13888.905584/201267 Acórdão n.º 3201002.805 S3C2T1 Fl. 9 8 não trouxe aos autos qualquer documentação contábil que permita a comprovação as informações constantes das referidas planilhas. No caso, optou por reiterar suas alegações quanto à existência de erro de fato e à obediência ao princípio da boa fé, quando deveria procurar demonstrar de maneira efetiva suas alegações juntando cópias de pelo menos parte de sua documentação contábil, para que o julgamento ocorresse com base em elementos concretos, capazes de comprovar a veracidade do alegado direito creditório. Como se vê, novamente, agora em sede de recurso voluntário, a documentação juntada pelo recorrente não se revela suficiente para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada e demandaria a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo, exceto em casos excepcionais. Devese, mais uma vez, ressaltar que o contribuinte já havia sido alertado na decisão recorrida, quando esta critica a defesa por apontar que o erro estaria comprovado em documentos contábeis, mas verifica que tais alegados documentos não existem no processo. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) deveria ter sido efetuada mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais que patenteassem que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não atingiu o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito). Como tal documentação não foi juntada no momento processual oportuno e nem mesmo agora em sede de recurso voluntário foi integralmente apresentada, quedou sem comprovação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Sobre a jurisprudência, decisões administrativas e judiciais, trazidas à colação pelo recorrente, devese contrapor que se trata de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratase de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 13888.905584/201267 Acórdão n.º 3201002.805 S3C2T1 Fl. 10 9 Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 127DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.002879/2008-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.845
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE. Relatório. Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte em fls. 60 em face da decisão de primeira instância da DRJ/RJ de fls. 44 que manteve parcialmente o lançamento reflexo de IRPJ para o PIS, diante de indícios de falta ou insuficiência de recolhimento em RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .0 02 87 9/ 20 08 -1 9 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 15374.002879/200819 Resolução nº 3201000.845 S3C2T1 Fl. 89 2 razão de ingressos de variação cambial em operação de empréstimo. A autoridade lavrou o Auto de Infração de PIS às fls. 07. Como é de costume desta Turma de julgamento a transcrição do relatório do Acórdão de primeira instância, segue para apreciação conforme fls. 44 apontadas acima: “Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, relativo A falta de recolhimento da Contribuição para Programa de Integração Social — PIS, abrangendo os períodos de apuração 01/00 a 12/02 (fls. 223 a 233), no valor de R$ 95.691,34, com o acréscimo de multa de oficio de 75%, no valor de R$ 71.768,37, com juros de mora, calculados até 31/08/2005, no valor de R$ 56.515,59, totalizando um crédito tributário apurado de R$ 223.975,30, em decorrência de ação fiscal levada a efeito pela Defic/RJO, conforme Mandado de Procedimento Fiscal As fls. 01. 2. No Termo de Constatação Fiscal (fls. 222), o AFRF autuante informa que o contribuinte, nos anos de'2000, 2001 e 2002, deixou de recolher o PIS e a COFINS incidentes sobre as receitas de variações cambiais ativas, conforme demonstrativos efetuados pela própria empresa (fls. 221), ficando sujeita ao lançamento de oficio, vez que não incluiu tais tributos em suas DCTF. 3. 0 enquadramento legal da autuação foi: artigos 1° e 3° da Lei Complementar n° 7/70; artigos 2°4, 8°I e 9° da Lei n° 9.715/98; artigos 2° e 3° da Lei n° 9.718/98; artigos 2°I "a" e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto n° 4.524/02. A base legal da multa de oficio e dos juros de mora exigidos encontrase As fls. 229. 4. Após tomar ciência da autuação em 03/10/2005 (fls. 223), a empresa autuada, inconformada, apresentou a impugnação anexada As fls. 246 a 264 em 31/10/2005, com as alegações abaixo resumidas: 4.1. 0 ponto central da presente controvérsia gira em torno da correta definição de receita e da necessidade de que a mesma tenha caráter definitivo para que possa integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS, fazendose necessário investigar a definição de receita; 4.2. Receita significa aumento do ativo de uma empresa, ou redução de seu passivo, ressaltando que o aumento deve ser efetivo, e não simples expectativa, causada por variação momentânea da moeda, que pode ser revertida no mês subseqüente; 4.3. É absurda a cobrança do PIS e da COFINS sobre a chamada "receita financeira" percebida pela impugnante em determinado mês, decorrente de eventual valorização do real, vez que inexiste a certeza de que efetivamente a receita venha a ser auferida, pois o dólar pode voltar a aumentar, o mesmo ocorrendo Com a expectativa de aumento de receita; 4.4. A sistemática de cálculo das contribuições em tela não permite que o contribuinte compense o que foi, pago nos meses de valorização do real com os de desvalorização, o que garantiria um saldo a favor do contribuinte; Fl. 89DF CARF MF Processo nº 15374.002879/200819 Resolução nº 3201000.845 S3C2T1 Fl. 90 3 4.5. Somente se poderá afirmar que existe receita passível de tributação caso na efetiva liquidação das obrigações e dos créditos em dólar, a moeda nacional tenha se desvalorizado de tal forma que permita A impugnante pagar menos r ,ais para guitar os débitos, ou tenha se valorizado, permitindo recebimento maior de numerário; 4.6. Tal entendimento foi adotado pelo TRF2aRegido, pelo STJ e pelo Conselho de Contribuintes; 4.7. A tributação de tais receitas infringe os princípios constitucionais da capacidade contributiva e da proibição ao confisco, vez que exige o pagamento das contribuições sobre valores que o contribuinte não dispõe; 4.8. A Emenda Constitucional n° 33/01 estabeleceu a imunidade, impossibilitando a incidência de qualquer modalidade de contribuição social sobre receitas decorrentes de exportação, tornandose a União incompetente para instituir ou cobrar tais contribuições sobre tais receitas; 4.9. A desobediência a tal preceito constitui extrapolação de seu direito constitucional para tributdr, sendo manifestamente inconstitucional; 4.10. Assim, a cobrança de PIS e COFINS sobre receitas de exportação, bem como sobre os acréscimos decorrentes das variações cambiais sobre tais receitas, é inconstitucional; 4.11. A principal violação cometida pela Lei n° 9.718/98 diz respeito ampliação da base de cálculo sem previsão constitucional, vez que tal Lei foi publicada anteriormente à Emenda Constitucional n° 20/98, que supostamente lhe daria suporte constitucional de validade; 4.12. Considerando o principio constitucional da irretroatividade da lei tributária, podese afirmar que, quando da publicação da Lei n° 9.718/98, a Constituição e as Leis Complementares Ifs 70/91 e 7/70 não davam qualquer sustentação legal à nova hipótese de incidência e base de cálculo; 4.13. Considerando que uma lei só pode regulamentar um preceito constitucional já existente, a Lei n° 9.718/98 não pode ter sanada sua constitucionalidade pela EC 20/98, que lhe é posterior, em afronta ao principio da legalidade, da segurança jurídica e aberração da ordem constitucional; 4.14. Além disso, temse alterações de leis complementares por medida provisória e lei ordinária, o que afronta o principio constitucional da hierarquia legal; 4.15. Também há afronta 'ao disposto no artigo 110 do CTN, pois a Lei n° 9.718/98 emprega ao conceito de "faturamento" (próprio do direito privado) as receitas financeiras e quaisquer outras; 4.16. Antes de confrontar o artigo 110 do CTN, a norma não encontra respaldo na Constituição, pois o artigo 195I, quando da edição da Lei n° 9.718/98, prescrevia como hipótese de incidência somente o "faturamento", estando tal conceito configurado na LC 70/91; Fl. 90DF CARF MF Processo nº 15374.002879/200819 Resolução nº 3201000.845 S3C2T1 Fl. 91 4 4.17. As aplicações financeiras e outras receitas não originadas da venda mercantil não subsumem ao conceito de faturamento dado pela doutrina e pelo STF. Portanto , a base de cálculo ampliada é ilegal, pois afronta a lei complementar que é o CTN, artigo 110; 4.18. A simples variação cambial é somente um direito que se adiciona aos demais e que s6 é receita o "plus" que integrar em definitivo o patrimônio da pessoa, não sujeito a condições ou eventos futuros e incertos, conforme preceito pacifico em doutrina e jurisprudência, aceito pela SRF em atos normativos; 4.19. A variação cambial por si so não gera tributação, sendo necessário verificar as variações ativas e passivas, por regiirie de competência (ou de caixa), como determinado pelos artigos 30 e 31 da MP n°1.858 10/99, atual 2.15835; 4.20. É indispensável para a apuração das bases de cálculo que se verifique a variação cambial efetivamente realizada, levandose em conta as perdas das operações que deram origem à suposta receita, visando não tributar somente as receitas ocorridas quando da alta da moeda, conforme procedeu o agente fiscal. 0 Conselho de Contribuintes deixou claro que s6 podem ser consideradas receitas as variações cambiais que gerarem efeito; 4.21. Caso não sejam acolhidos os argumentos anteriores, s6 há que permanecer a exigência das variações cambiais das operações já liquidadas, devendo ser refeita a fiscalização; 4.22. Não cabe a aplicação da taxa SELIC para apuração dos juros de mora, pois a sua criação e forma vem se dando através de atos administrativos, em desrespeito ao principio constitucional da legalidade, expresso no artigo 9°4 do CTN; 4.23. Além disso, tal índice reflete outra realidade: o aumento dos negócios realizados entre instituições financeiras e não o aumento da cesta básica, dos bens de consumo, da perda do poder aquisitivo da moeda de forma geral, demonstrandose imprestável para fins tributários; 4.24. A taxa SELIC também ofende o artigo 110 do CTN, pois seria necessária a edição de lei para a cobrança de juros inferiores ou superiores ao limite fixado no referido artigo, sendo que a Lei n° 9.065/95 não atende tal exigência, pois não dispôs expressamente qual seria o percentual de juros a ser aplicado, mas remeteu a aplicação da taxa, que, além de ser remuneratória do capital, traz embutida a correção monetária, não se prestando aos fins do artigo 161; 4.25. Também se verifica ofensa ao artigo 192 da Constituição e ao Decreto n° 22.626/33, sendo vedada a cobrança de juros mensais superiores" a 1% e, portanto, a aplicação da taxa SELIC, que é superior a este limite, é ilegal e inconstitucional; 4.26. Pelo exposto, requer a procedência da impugnação e o arquivamento do presente processo. Alternativamente, requer seja determinada diligencia a "fim de que sejam refeitos os cálculos da planilha, para excluir as "perdas", uma vez que o mesmo só considerou Fl. 91DF CARF MF Processo nº 15374.002879/200819 Resolução nº 3201000.845 S3C2T1 Fl. 92 5 os "ganhos", sendo considerados apenas os contratos liquidados e afastada a aplicação da taxa SELIC. Por fim, requer a produção de provas, tais como a juntada de novos, documentos e a realização de perícia contábil para se apurar a correção dos valores exigidos." Este Acórdão de primeira instância da DRJ/RJ de fls. 44 foi publicado com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2000.a 31/12/2002 PIS BASE DE CALCULO VARIAÇÕES CAMBIAIS A partir de 01/01/00, as receitas decorrentes de variações monetárias vinculadas à taxa de câmbio serão consideradas quando da liquidação da correspondente operação, para fins de determinação da base de cálculo do IR, da CSLL, do PIS e da COFINS, quando esta tenha sido a opção do contribuinte. PIS BASE DE CALCULO VARIAÇÕES CAMBIAIS VINCULADAS A EXPORTAÇÕES As receitas decorrentes de variação cambial vinculada a venda de mercadoria ou serviço para o exterior estão .sujeitas à incidência do PIS, não se lhes estendendo a isenção/imunidade prevista para as receitas de vendas para o exterior. ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS DE MORA TAXA SELIC A partir de 01/04/95 os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, por determinação legal. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE Não compete à autoridade administrativa julgadora apreciar argiiições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. IMPUGNAÇÃO PROVA A prova documental deve ser apresentada pelo cont buinte no momento da impugnação do lançamento. PERÍCIA/DILIGÊNCIA INDEFERIMENTO A perícia/diligência requerida pelo contribuinte não justifica quando as questões abordadas no julgamento já estejam súficientemente claras nos autos. LANÇAMENTO INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO APLICÁVEL Cancelase o lançamento de oficio realizado em desacordo com a legislação aplicável. Lançamento Procedente em Parte." Já apreciada a lide administrativa por este Conselho em fls 77, ficou determinada a seguinte diligência, conforme Resolução 3102000.169 de 07/07/2011: "Ora, compulsando os autos do presente processo, percebese que teve início través da representação de fl. 01 da DERAT/RJ, a qual tinha como objetivo a reconstituição dos autos do processo nº 18471.001376/200573. De acordo com a referida representação o processo após roubo e incêndio não foi totalmente destruído, assim foram anexados alguns documentos, entretanto quedou consignado que outros documentos Fl. 92DF CARF MF Processo nº 15374.002879/200819 Resolução nº 3201000.845 S3C2T1 Fl. 93 6 deveriam ser anexados pelo contribuinte, razão pela qual foi proposta a intimação do contribuinte para anexar cópia do recurso a ser apreciado por este conselho, entretanto apesar da determinação da representação o contribuinte não foi intimado para apresentar cópia do recurso protocolado. De acordo com às fls. 57, identificase que existe nos autos apenas uma folha do recurso, assim para permitir o prosseguimento do julgando, deve ser procedida a intimação do contribuinte para reapresentar cópia de inteiro teor do recurso protocolado, para o então segundo Conselho de Contribuintes. Atendida da diligência os autos devem retorna para julgamento." Foi considerada cumprida a diligência e os autos retornaram para julgamento, assim como, em seguida, foram distribuídos para este Conselheiro e pautados nos termos do regimento interno. Relatório proferido. Voto. Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Verificase nos autos e no presente relatório que houve Resolução deste Conselho que determinou a intimação do contribuinte para a juntada das cópias do Recurso Voluntário, que por caso fortuito em razão de incêndio seguido de roubo nos arquivos da autoridade de origem, conforme relatado em fls. 2, restaram ausentes dos autos. Verificase também, que ao concluir pelo cumprimento da diligência, a autoridade de origem, conforme fls. 82, 85 e 86, devolveu os autos a este Conselho para prosseguimento do julgamento em razão do contribuinte não ter se manifestado ou juntado a cópias do Recurso Voluntário queimado em incêndio seguido de roubo na autoridade de origem. Ora, conforme as fls. citadas acima, não há nos autos comprovante da intimação via correio com Aviso de Recebimento, há somente o "Termo de Registro de Mensagem na Caixa Postal" e "Ciência Eletrônica por Decurso do Prazo". Situação que ofende às determinações legais do devido processo legal, contraditório e ampla defesa. Seguir com o presente julgamento no estado em que se encontra poderia resultar em supressão de instância ou ofensa ao devido processo legal, contraditório e ampla defesa, o que conflita com o disposto no art. 93, inciso IX da Constituição Federal, bem como ao prescrito no art. 31 do Decreto n. 70.235/723 e art. 2.º da lei n. 9.784/99. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 15374.002879/200819 Resolução nº 3201000.845 S3C2T1 Fl. 94 7 É necessário determinar se a aparente nulidade na manutenção e preparo dos autos deverá ou não ser sanada mediante nova intimação ao contribuinte, via correio com Aviso de Recebimento, sendo este o correto procedimento no entender deste Conselheiro Relator. Diante do exposto no Art. 60 do PAF, Decreto 70.235/72, “as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” Pois bem, a situação influencia no litígio pois sem Recurso Voluntário não há como apreciar a defesa do contribuinte após a decisão de primeira instância e, como informado nos autos, não foi o contribuinte quem deu causa ao incêndio que danificou as peças presentes nos autos. Logo, a nulidade decorrente dos danos causados à instrução do processo podem ser sanadas diante de previsão legal expressa. A situação deverá ser solucionada e, portanto, determinase a intimação do contribuinte, por correio, com AR, com novo prazo para a apresentação de novo Recurso Voluntário no caso do contribuinte não ter a posse do Recurso Voluntário original, protocolado antes do incêndio. Os sócios da empresa contribuinte também devem ser intimados e por último, caso não realizada ou infrutífera a intimação, o escritório de advocacia que patrocina esta lide em defesa do contribuinte deve ser intimado. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 94DF CARF MF
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Numero do processo: 10909.001832/2004-13
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999, 2000
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO.
Os requisitos para a qualificação da multa de ofício estão presentes na hipótese do contribuinte omitir concientemente percentuais elevados de suas receitas de maneira reiterada.
Numero da decisão: 9101-002.824
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinatura digital)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(assinatura digital)
Luís Flávio Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999, 2000 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Os requisitos para a qualificação da multa de ofício estão presentes na hipótese do contribuinte omitir concientemente percentuais elevados de suas receitas de maneira reiterada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinatura digital) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. (assinatura digital) Luís Flávio Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1395; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 508 1 507 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10909.001832/200413 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101002.824 – 1ª Turma Sessão de 11 de maio de 2017 Matéria Multa. Qualificação. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ILSON ROBERTO SCHMITZ ME ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999, 2000 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Os requisitos para a qualificação da multa de ofício estão presentes na hipótese do contribuinte omitir concientemente percentuais elevados de suas receitas de maneira reiterada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinatura digital) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (assinatura digital) Luís Flávio Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 18 32 /2 00 4- 13 Fl. 1086DF CARF MF 2 Tratase, em brevíssima síntese, de recurso especial interposto pela PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL (doravante chamada de “PFN” ou “recorrente”), contra o acórdão nº 10808.925 (doravante acórdão a quo ou acórdão recorrido), proferido pela 8ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes (doravante “Câmara a quo”), o qual julgou parcialmente procedente o recurso voluntário apresentado pela ILSON ROBERTO SCHMITZ – ME (EMPRESA INDIVIDUAL) (doravante “contribuinte” ou “recorrida”). O recurso especial trata da qualificação da multa de ofício. Vale transcrever a descrição dos fatos colhida do acórdão a quo (efls. 245 e seg.): “A fiscalização analisou a movimentaçaõ financeira do contribuinte verificando a existência de depósitos bancários não contabilizados, o que, conforme o disposto no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, deve ser considerado como omissão de receita. Com base nos extratos bancários entregues pela instituição financeira, foram elaboradas planilhas de depósitos bancários contendo valores maiores ou iguais a R$ 1000,00 (um mil reais), creditados nas contas do contribuinte. Nenhum documento foi apresentado para comprovar a origem de tais valores. Através dos livros contábeis e fiscais apresentados foram identificadas as receitas escrituradas, mês a mês, nos anoscalendário de 1999 e 2000. Foi considerada como omissão de receitas em cada mês dos anoscalendário de 1999 e 2000, a diferença entre o total de créditos efetuados na conta bancária do contribuinte e o valor da receita escriturada em seus livros contábeis e fiscais, tais valores estão dispostos na planilha "Valores a lançar como Omissão de Receitas" (fls. 914). Ainda, em decorren̂cia do procedimento de fiscalização, verificouse que a fiscalizada deixou de oferecer ao crivo de tributaçaõ valores significativos relativos aos anoscalendário de 1999 a 2000. Tais valores não foram escriturados, nem declarados e/ou pagos, considerandose, desse modo, evidente intuito de fraude, ficando, em tese, tipificadas as hipóteses descritas nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, aplicandose multa de oficio de 150% (cento e cinqüenta por cento) do valor do tributo. De outra parte foram identificadas as receitas escrituradas, mês a mês, nos anoscalendário de 1999 a 2002, fato que deu margem à apuração do valor devido de IRPJ trimestralmente, vez que esta foi a forma adotada pelo contribuinte quando da entrega das declarações à SRF. Os valores devidos fazem parte das planilhas "apuraca̧õ de débitos" (fls. 875 e 878). Com relação a tais valores foi aplicada multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) da obrigação devida, em razão de não ter ficado comprovado o evidente intuito do contribuinte em fraudar a legislaçaõ tributária federal na forma definida pelos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, pois o fato de ter declarado valores a menor não impediu que a autoridade tributária tomasse conhecimento do fato gerador da obrigação tributária, em virtude de as receitas estarem devidamente registradas em sua contabilidade. Em breve retrospecto processual, verificase que, em face da impugnação administrativa (efls. 169 e seg.) apresentada pelo contribuinte, a 4ª Turma da DRJ Florianópolis/SC proferiu o acórdão n. 4.661, de 23 de setembro de 2004 (efls. 203 e seg.), assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2000 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CARACTERIZAÇÃO Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida junto Fl. 1087DF CARF MF Processo nº 10909.001832/200413 Acórdão n.º 9101002.824 CSRFT1 Fl. 509 3 a instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos e recursos utilizados nessas operações. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2000 Ementa: CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA — Descabida a argüição de cerceamento do direito de defesa, quando se constata que o auto de infração contém todos os elementos necessários à perfeita compreensão das razões de fato e de direito que fundamentaram o lançamento de ofício. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. MATÉRIA PROCEDIMENTAL. RETROATIVIDADE — Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. LANÇAMENTOS DECORRENTES. EFEITOS DA DECISÃO RELATIVA AO LANÇAMENTO PRINCIPAL Em razão da vinculação entre o lançamento principal e os que lhe são decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação destes, desde que não presentes arguições específicas ou elementos de prova novos. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO — As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Lançamento Procedente Nesse seguir, o contribuinte interpôs recurso voluntário (efls. 222 e seg.), em face do qual foi proferida a decisão ora recorrida, que restou assim ementada (efls. 241 e seg.): PAF — CERCEAMENTO DE DEFESA — Não há que se falar em cerceamento de defesa quando é possibilitado ao contribuinte pleno acesso à documentação que instruiu o procedimento de fiscalização, inclusive com a possibilidade de extração de cópias. DADOS DA CPMF INECIO DO PROCEDIMENTO FISCAL NULIDADE DO PROCESSO FISCAL O lançamento se rege pelas leis vigentes à época da ocorrência do fato gerador, porém os procedimentos e critérios de fiscalização regemse pela legislação vigente à época de sua execução. Assim, incabível a decretação de nulidade do lançamento, por vício de origem, pela utilização de dados da CPMF para dar início ao procedimento de fiscalização. LANÇAMENTO LASTREADO EM DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS DA EFETIVA RECEITA TRIBUTADA Não há que se falar em lançamento baseado em meros indícios quando a autoridade fiscal faz prova dos elementos que deram margem à tributação, mormente quando se trata de documentação fornecida pelo próprio contribuinte. MULTA DE OFÍCIO — Correta a aplicação de multa de ofício à razão de 75%, nas situações previstas no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/1996. MULTA AGRAVADA — O intuito de fraude não pode ser presumido ou alicerçado em meros indícios. A penalidade qualificada somente é admissível quando factualmente constatada as hipóteses de fraude, dolo ou simulação. DECADÊNCIA IRPJ, CSL, PIS E COFINS — Desqualificado a penalidade e em se tratando de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo Fl. 1088DF CARF MF 4 decadencial para constituição do crédito tributário é de cinco anos, contado da ocorrência do fato gerador, de acordo com o disposto no artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional. JUROS DE MORA — O não pagamento de débitos para com a União, decorrente de tributos e contribuições, sujeita a empresa à incidência de juros de mora calculados, com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia — SELIC. A PFN interpôs, então, recurso especial (efls. 260 e seg.), o qual foi apenas parcialmente admitido quanto à questão da qualificação da multa de ofício para 150%, que foi reduzida para 75% pela Turma a quo (efls. 275 e seg.). Alega o PFN que a conduta do contribuinte se enquadraria no disposto no art. 44, inciso II, da Lei 9.430/96, pois teria apresentado declarações com informações falsas ou incompletas com a finalidade de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador. Notese que não foi admitido o recurso especial da PFN quanto à aplicação do art. 45 da Lei nº 8.212/91 para a contagem do prazo decadencial das contribuições, em face do Súmula Vinculante nº 8 do STF. O contribuinte não interpôs recurso especial e, também, não apresentou contrarrazões ao recurso especial da PFN (efls. 279). Concluise, com isso, o relatório. Voto Conselheiro Luís Flávio Neto, o relator. O recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, de forma que deve ser conhecido. Quanto à questão de mérito deste recurso especial, assim se pronunciou a Turma a quo: “No tocante à multa de 150% (cento e cinqüenta por cento), entendo que esta não pode ser presumida ou alicerçada em indícios. A penalidade qualificada ' somente é admissível quando factualmente constatada(s) a(s) hipótese(s) de fraude, dolo ou simulação. Assim, tratandose de presunção de omissão de receitas, ainda que de presunção legal, a multa deve ser desqualificada, reduzindo o percentual de 150% para 75%. Em decorrência da desqualificação da penalidade, e, considerando o disposto no art. 150, § 40 do Código tributário Nacional, suscito a decadência do lançamento referente ao 1RPJ e CSLL quanto ao 1° e 2° trimestres do ano de 1999, bem como a decadência dos períodos compreendidos até o mês de julho de 1999 para a Contribuição ao Pis e a Cofins, uma vez que a notificação do Auto de Infração só se verificou em 26.07.04, portanto após 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, já que se tratam de tributos sujeitos ao lançamento por homologação.” Consta, ainda, no TVF (efls. 155 e seg.): “A fiscalizada havia apresentado declarações à SRF, relativas aos anos calendário 1999 a 2001, como optante pelo SIMPLES, sem que houvesse feito a devida opção, e apresentou declaração como inativa no anocalendário 2002, Fl. 1089DF CARF MF Processo nº 10909.001832/200413 Acórdão n.º 9101002.824 CSRFT1 Fl. 510 5 apesar de ter apresentado movimento. Nos anoscalendário 1999 e 2001 informou receita bruta anual de R$1,00 (um real), e no anocalendário 2000 receita bruta nula (fls. 09 a 20)”. “Com base nos extratos bancários entregues pela instituição financeira, elaboramos planilhas de depósitos bancários, contendo valores maiores ou iguais a R$ 1.000,00 (mil reais) creditados nas contas da fiscalizada, as quais integraram o Termo de Intimação Fiscal n° 001 (fls. 645 a 676); por meio deste termo a fiscalizada foi intimada a comprovar a origem dos recursos creditados nas contas da fiscalizada, no total de R$ 6.111.523,70 (seis milhões, cento e onze mil, quinhentos e vinte e três reais e setenta centavos)”. “Em decorrência dos procedimentos adotados e descritos no presente relatório, verificamos que a fiscalizada deixou de oferecer ao crivo da tributação valores significativos nos anoscalendário 1999 e 2000, na medida em que sua movimentação bancária revela inúmeros depósitos relativos a recebimentos cuja origem não foi comprovada. Tais valores não foram escriturados, nem declarados e/ou pagos. Deste modo consideramos evidenciado o intuito de fraude, ficando, em tese, tipificada as hipóteses descritas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, e aplicamos a multa de ofício de 150%”. (efls. 160) “Para esta infração foi aplicada a multa de ofício de 75%, em razão de não ter ficado comprovado o evidente intuito do contribuinte em fraudar a legislação tributária federal na forma definida pelos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, pois o fato de ter declarado valores a menor não impediu que a autoridade tributária tomasse conhecimento do fato gerador da obrigação tributária, em virtude de as receitas estarem devidamente registradas em sua contabilidade”. O aludido artigo 44, da Lei 9.430/1996, apresentava a seguinte redação à época dos fatos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.o 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) A matriz legal prescrita pelo legislador ordinário prevê penalidades diferentes para hipóteses factuais distintas: multa de ofício de 75%(Lei n. 9.430/96, art. 44, I): cabível quando o sujeito passivo tributário deixar de pagar ou recolher, declarar ou apresentar declaração inexata do tributo devido; multa de ofício de 150% (Lei n. 9.430/96, art. 44, II): cabível quando o contribuinte além de deixar de pagar ou recolher, declarar ou apresentar declaração inexata do tributo devido, o faz mediante conduta dolosa, isto é, quando ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n. 4.502/64, notadamente fraude, sonegação ou conluio. É da essência da sonegação o propósito de ocultar, de impedir ou retardar o conhecimento da autoridade administrativa a respeito da ocorrência do fato jurídico, de algum de seus elementos ou de condições pessoais do contribuinte que lhe digam respeito. O dolo Fl. 1090DF CARF MF 6 pode ser verificado em uma série de fatores que evidenciam a intuito de privar o Estado de arrecadação tributária a que faria jus. No presente caso, a questão reside em saber se os fatos descritos pelo acórdão a quo correspondem à figura da “sonegação”, de forma a confirmar a entendimento do agente fiscal, que qualificou a multa imposta ao contribuinte para 150%. A questão que se coloca é: há um acervo de provas que torne “evidente” a pratica de atos dolosos, vocacionados a ocultar o fisco o conhecimento quanto à ocorrência do fato gerador (sonegação) ou mesmo fraudar a ocorrência deste? No caso sob análise, há evidências de que houve dolo na omissão de declarações à fiscalização federal, na emissão de declarações de inaptidão quando a empresa estava em atividade, na condução dos atos de forma a submeterse a regime privilegiado a que não faria jus (SIMPLES NACIONAL), o que evidencia dolo tendente a impedir ou retardar o conhecimento por parte desta da ocorrência do fato gerador, acrescendose o fato de tais fatos serem reiterados. A Súmula 14 do CARF, no caso, não é aplicável, pois há outros elementos além da omissão de receitas presentes e que conduzem ao preenchimento dos requisitos para a qualificação da multa. Voto, portanto, no sentido de conhecer do recurso especial e, no mérito, dar lhe provimento. (assinatura digital) Luís Flávio Neto Fl. 1091DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.720026/2010-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2005
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.899
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2005 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1805; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10909.720026/201088 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.899 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de março de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente GLOBOVEL COMÉRCIO DE VEÍCULOS E PEÇAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 72 00 26 /2 01 0- 88 Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10909.720026/201088 Acórdão n.º 3302003.899 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 07030.443. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10909.720026/201088 Acórdão n.º 3302003.899 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10909.720026/201088 Acórdão n.º 3302003.899 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10909.720026/201088 Acórdão n.º 3302003.899 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10909.720026/201088 Acórdão n.º 3302003.899 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 158DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.904994/2012-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 20/06/2008
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO.
Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada.
Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.550
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO DE CREDITO. Recorrente O. G. SISTEMAS DE EXAUSTÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 20/06/2008 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verificase no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 49 94 /2 01 2- 61 Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10865.904994/201261 Acórdão n.º 3301003.550 S3C3T1 Fl. 3 2 utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, conforme relatado na decisão recorrida, alegando que após análise efetuada junto a seus arquivos verificou que pediu restituição para o período em discussão e solicitou futura compensação, na qual a empresa se beneficia de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, daí a origem do crédito. Por não ter feito a retificação da DCTF, houve o indeferimento. Solicita que seja feita a retificação na DCTF, uma vez que não há tempo hábil nem permitido para devida retificação, pois assim se fará um ato de justiça. Requerendo, ainda, a reavaliação do Despacho Decisório. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 06044.006. O fundamento adotado, em síntese, foi a necessidade de comprovação pelo contribuinte do direito creditório pretendido. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, através do qual alega, resumidamente: (i) que o crédito pleiteado decorre do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%); (ii) que o indébito em questão estaria comprovado por meio da documentação acostada em seu recurso voluntário (faz pedido alternativo de diligência, caso se entenda necessário); (iii) que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. Requer, então, que o recurso seja provido, a fim de reformar a r. decisão de primeira instância, culminando com o reconhecimento do direito creditório e a consequente homologação das compensações vinculadas. Posteriormente, o contribuinte protocolizou nova petição aos autos, através da qual requereu a juntada de notas fiscais, no intuito de comprovar o seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.443, de 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10865.905013/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.443): "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10865.904994/201261 Acórdão n.º 3301003.550 S3C3T1 Fl. 4 3 Conforme relatado acima, a compensação apresentada pelo contribuinte fora indeferida por ausência de comprovação do crédito pleiteado. Os fundamentos do voto proferido pela DRJ consta da transcrição a seguir: No processo de restituição, de ressarcimento ou de compensação, é o contribuinte quem toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, mediante a apresentação do PerDcomp. No Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC, art. 333). No Processo Administrativo Fiscal não há uma regra própria, por isso utilizase a existente no CPC. Por essa razão, cabe ao contribuinte provar a existência do crédito pretendido. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Esse entendimento aplicase também à restituição. Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Feitas estas considerações, passemos ao exame da manifestação de inconformidade. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS 5 ANOS DO FATO GERADOR A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2o, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Limitase a informar que se beneficia de tributação monofásica de “alguns produtos” que comercializa, mas não informa quais são os produtos. Além disso, não apresenta nenhum documento fiscal ou contábil que confirme seus argumentos. Ademais, o prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10865.904994/201261 Acórdão n.º 3301003.550 S3C3T1 Fl. 5 4 à retificação da respectiva declaração apresentada. Esse entendimento foi adotado pelo Parecer Cosit nº 48, de 7 de julho de 1999, que trata da declaração de rendimentos, mas que se aplica por analogia à presente situação: “Dos comandos legais citados, temos que extinguese no prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da declaração de rendimentos ou da data em que se tornar definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Assim, da mesma forma que a Fazenda Pública submetese a um prazo final para rever de ofício seu lançamento ou para constituir o crédito tributário, o contribuinte deve igualmente dispor de um termo para que sejam corrigidos eventuais erros cometidos quando da elaboração de sua declaração de rendimentos.” (grifouse) O Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) também já se pronunciou nesse sentido: “DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS DCTF RETIFICAÇÃO PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de o contribuinte proceder à retificação das DCTF trimestrais extinguese após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência dos correspondentes fatos geradores, como analogamente ao Fisco seria vedado o direito de proceder à sua revisão. IRPJ e CSLL COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO A compensação de tributos em face de seu alegado pagamento a maior condicionase à demonstração efetiva da ocorrência do pagamento em excesso, mediante documentação hábil (1º CC; 8ª Câmara; processo 13707.001451/0087; Acórdão nº 10808913; data da sessão: 23/06/2006). (grifouse) Diante disso, verificase que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. APURAÇÃO DO TRIBUTO A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos relatados e podem ser assim consolidadas: (...). Em face do exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10865.904994/201261 Acórdão n.º 3301003.550 S3C3T1 Fl. 6 5 Concordo com os termos da decisão recorrida, a qual entendo não merecer reparos. Como é cediço, é do contribuinte o ônus da prova do seu direito creditório. Tanto que este, em seu recurso voluntário, reconhece a ausência de comprovação do seu direito creditório nas fases anteriores do presente processo. Pleiteia, contudo, que a documentação apresentada quando do Recurso Voluntário seja levada em consideração por este Conselho, seja para fins de reconhecimento do crédito pleiteado, seja para fins de, ao menos, determinar diligência para fins de confirmação do direito requerido. Alega, para tanto, que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. É importante que se esclareça, em princípio, que esta turma julgadora tem, em determinadas situações, admitido a análise de documentos anexados pelo contribuinte a destempo, desde que aptas a comprovar o direito alegado, em atenção ao princípio da verdade material. Entendo, contudo, que não deve ser esta a conduta a ser adotada neste caso concreto. Isso porque, consoante bem assinalou a decisão recorrida, o contribuinte apresentou DCOMP indicando um suposto crédito oriundo de DARF já integralmente utilizado para fins de quitação de outro débito do contribuinte. Logo, não havia como se admitir a compensação apresentada, por ausência de direito creditório. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte limitouse a alegar que o seu direito creditório decorreria do recolhimento indevido realizado em razão de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, e que o indeferimento teria se dado em razão da ausência de retificação da DCTF, uma vez que não havia tempo hábil para proceder à devida retificação. Neste ponto, entendeu corretamente a decisão recorrida no sentido de que não se deve admitir DCTF retificadora fora do prazo legal de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Verificase no caso concreto aqui analisado que o período que o contribuinte pretende retificar reportase ao 2º semestre de 2005, ao passo que a primeira manifestação de que haveria informação incorreta na referida DCTF outrora apresentada reportase a setembro de 2012, quando o contribuinte apresentou a sua manifestação de inconformidade, já comunicando a impossibilidade de apresentação da DCTF retificadora. Sendo assim, não havia mais tempo hábil para se admitir a retificação da DCTF pretendida pelo contribuinte, ou mesmo para se reanalisar as informações ali transmitidas pelo próprio contribuinte. Nesse sentido, inclusive, trazse à colação decisões deste Conselho, proferidas à unanimidade de votos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10865.904994/201261 Acórdão n.º 3301003.550 S3C3T1 Fl. 7 6 É ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador ou da entrega da declaração para fins de comprovação de pagamento indevido passível de compensação. O prazo para constituição do crédito tributário deve ser o mesmo para o Fisco e para o contribuinte. Também ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. (Acórdão n. 3802001.464). *** Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus de sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem que faça prova de sua liquidez e certeza. DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. Por aplicação do parágrafo único do art 149 do CTN, as novas informações trazidas em DCTF retificadora somente produzem efeito se a retificação ocorrer dentro do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário negado. (Acórdão n. 3202000.862). É importante que se tenha em mente que o direito não socorre aos que dormem. Nesse contexto, da mesma forma que a Fazenda possui prazos para fiscalizar o contribuinte, este possui prazos para retificar as suas declarações, no intuito de constituir direito creditório que entende fazer jus. A observância de tais prazos legais, inclusive, precisam ser observadas em benefício da sociedade como um todo, em prol da segurança jurídica. É importante que se esclareça que não se está aqui dispondo que a verdade material não deve prevalecer sobre a verdade formal. Contudo, a aplicação do princípio da verdade material possui limites que precisam ser observados, a exemplo dos prazos decadencial e prescricional, os quais devem ser observados sem distinção, às vezes a favor, às vezes contra o contribuinte/Fisco. E, uma vez encerrado o prazo legal para retificação da DCTF, resta forçoso reconhecer que a documentação apresentada pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário não o socorre em seu pleito. Ainda que tivesse o contribuinte direito ao crédito pleiteado em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não poderia o contribuinte pleitear tal crédito ad eternum. Existe um marco temporal que precisa ser observado e a apresentação de documentos comprobatórios quando já decorrido tal prazo não deve ser considerada. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10865.904994/201261 Acórdão n.º 3301003.550 S3C3T1 Fl. 8 7 É a mesma situação que ocorre quando um crédito tributário resta fulminado pela decadência. Ainda que a Receita Federal tenha provas cabais de que determinado montante é devido, não pode exigilo após o decurso do prazo quinquenal previsto na legislação. Diante das razões acima expostas, entendo que deverá ser negado provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo a decisão recorrida em sua integralidade, por seus próprios fundamentos." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não se admitindo a DCTF retificadora e a documentação comprobatória apresentados a destempo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 150DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.000449/2009-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 9202-000.107
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que seja dada ciência ao sujeito passivo do despacho de admissibilidade que negou seguimento ao seu recurso especial e demais providências, com retorno dos autos ao relator, para prosseguimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CONSITA TRATAMENTO DE RESIDUOS S/A Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que seja dada ciência ao sujeito passivo do despacho de admissibilidade que negou seguimento ao seu recurso especial e demais providências, com retorno dos autos ao relator, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD nº 37.215.3062, às efls. 04 a 64, cientificado à contribuinte em 23/01/2009 (efl. 97), com relatório fiscal da infração às efls. 86 a 94. A autuação foi lavrada par exigir os créditos das contribuições destinadas a Outras Entidades e Fundos denominadas "Terceiros", num total de 5,8% incidentes sobre os valores pagos aos segurados empregados a titulo de cesta básica e valerefeição. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 04 .0 00 44 9/ 20 09 -1 1 Fl. 567DF CARF MF Processo nº 15504.000449/200911 Resolução nº 9202000.107 CSRFT2 Fl. 568 2 A contribuinte deixou de incluir entre os valores que compõem o salário de contribuição de seus segurados empregados aqueles relativos ao pagamento de auxílio alimentação em pecúnia; com isso deixou de reter e recolher o tributo correspondente aos terceiros. O crédito lançado atingiu o montante de R$485.068,08, consolidado na data de 16/01/2009, para o período de apuração de 01/01/2003 a 31/01/2006. O lançamento de obrigação principal foi impugnado, às efls. 102 a 114, em 25/02/2009. Já a 7ª Turma da DRJ/BHE, no acórdão nº 0228.641, prolatado em 17/09/2010, às efls. 324 a 346, considerou, por unanimidade, a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário exigido. Inconformada, em 04/03/2011, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, às e fls. 386 a 356, alegando, em síntese: não incidência das contribuições previdenciárias sobre valores pagos a título de fornecimento de alimentação, por ter natureza indeniZatória e decorrer de convenção coletiva de trabalho; deveria ser analisada a questão com base nos princípios da razoabilidade e proporcionalidade em vista das condições fáticas da empresa e seus funcionários. O recurso voluntário foi apreciado pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 19/06/2012, resultando no acórdão 2403001.399, às efls. 4120 a 429, que tem a seguinte ementa: PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO PAGAMENTO EM ESPÉCIE ALIMENTAÇÃO EMPRESA NÃO INSCRITA NO PROGRAMA DE Fl. 568DF CARF MF Processo nº 15504.000449/200911 Resolução nº 9202000.107 CSRFT2 Fl. 569 3 ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O pagamento, em espécie, de alimentação aos segurados empregados por empresa não inscrita no PAT Programa de Alimentação do Trabalhador, integra o salário de contribuição e se constitui em fato gerador de contribuições sociais previdenciárias. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte O acórdão teve o seguinte teor: ACORDAM os membros do Colegiado: I) por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, mantendo os Levantamentos Cesta Básica e Vale Refeição . Vencidos os conselheiros Cid Marconi, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Magalhães Peixoto; II) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que se recalcule o valor da multa de mora, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. RE da Fazenda Nacional Cientificada do acórdão, em 12/12/2012 (efl. 430), a Procuradoria da Fazenda Nacional, na mesma data, manejou recurso especial de divergência RE (efls. 431 a 445) ao citado acórdão, entendendo que o aresto diverge de entendimentos firmados no CARF em critério aplicação da retroatividade benigna às multas lançadas. A divergência relativa foi assim destacada pela Procuradora,à efl. 439: ... Ao examinar a matéria pertinente à multa aplicada, o acórdão recorrido entendeu que deveria ser aplicada ao caso a retroatividade Fl. 569DF CARF MF Processo nº 15504.000449/200911 Resolução nº 9202000.107 CSRFT2 Fl. 570 4 benigna, sob o fundamento de que o artigo 35, caput, da Lei nº 8.212/1991 deveria ser comparado com a atual redação emprestada pela Lei nº 11.941/2009. E como na atual redação, há remissão ao art. 61 da Lei nº 9.430/96, entendeu que o patamar da multa aplicada estaria limitado a 20% (§ 2º do art. 61). Ao revés, os paradigmas adotaram solução diametralmente oposta. Para os órgãos prolatores dos paradigmas, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 deveria agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei nº 11.941/2009, qual seja, o art. 35A que, por sua vez, faz remissão ao art. 44, da Lei nº 9.430/96. Nos julgados paradigmas, a aplicação da retroatividade benigna na forma de aplicação do art. 61, § 2º, da Lei nº 9.430/1996 (norma à qual a atual redação do caput do art. 35 com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 faz remissão) foi rechaçada de forma expressa. Foram indicados como paradigmas das divergências para a matéria os acórdãos nº 230100283 e nº 240100120. Por fim, a Procuradora requer o conhecimento e o provimento do RE para a reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91 (na atual redação conferida pela Lei nº 11.941/2009), em detrimento do art. 35A, também da Lei nº 8.212/91, devendose verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei nº 8.212/91. O RE da Fazenda foi apreciado pelo então Presidente da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos dos arts. 67 e 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, por meio do despacho nº 2400278/2013, às efls. 483 a 486, datado de 25/03/2013, entendendo por lhe dar seguimento, em face do cumprimento dos requisitos regimentais. RE da contribuinte A contribuinte foi intimada do acórdão nº 2403001.399, do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional e do despacho nº 2400278/2013, por meio da Intimação nº 2008 (efl. 488) e apresentou recurso especial de divergência em 09/08/2013, às efls. 490 a 513. Aponta como divergentes os entendimentos do acórdão a quo, quando considera que o fornecimento de alimentação em dinheiro não integra o saláriodecontribuição quando atenda aos requisitos do programa de alimentação do trabalhador (PAT), previamente aprovado pelo Ministério do Trabalho, pois os paradigmas, contrariamente, entendem que essas verbas para alimentação do trabalhador teriam natureza não salarial, até mesmo sem haver inscrição no PAT. Indicou como acórdãos paradigmas da matéria os de nº 2301003.004, nº2803 001.727 e nº 2403001.629. Por fim, requer o recebimento do seu recurso especial de divergência para que ele seja provido para que se julgue improcedente o lançamento. Em 22/01/2014, o Presidente da 4ª Câmara, no despacho de admissibilidade nº 2400088/2014, às efls. 561 a 563, com base nos arts. 67 e 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de Fl. 570DF CARF MF Processo nº 15504.000449/200911 Resolução nº 9202000.107 CSRFT2 Fl. 571 5 22/06/2009, negou seguimento ao recurso especial da contribuinte, por entender não haver similitude fática entre as matérias do recorrido e dos paradigmas, uma vez que os paradigmas tratavam de pagamentos de auxílioalimentação in natura enquanto o recorrido tratava de pagamento em espécie. Em 07/05/2014, o Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, em reexame da admissibilidade de nº 2400367R/2014, à efl. 564, confirmou as conclusões do despacho acima, igualmente negando seguimento ao recurso especial de divergência da contribuinte. Contrarrazões da contribuinte Na mesma data em que interpôs seu recurso especial de divergência, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial da Fazenda, às efls. 549 a 555. De início argumenta que a exposição da Procuradoria não seria suficiente para caracterizar a divergência, pois as ementas não fazem menção ao debate sobre a regra de aplicação de multa de mora no tempo ou sobre a aplicação da legislação mais benéfica, e as alegações posteriores com base considerações da fundamentação dos votos vencedores não seriam bastantes, pois haveria ausência do inteiro teor dos julgados para poderse afirmar com certeza absoluta que estas se encontrariam nos acórdãos paradigmas. Na sequência, reafirma a correção do entendimento do acórdão a quo. Assevera que a legislação previdenciária não adotava a dicotomia entre multa de mora e de ofício, por isso incidência do art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação anterior à vigência da MP nº 449/2008. Afirma que, quando da aplicação da multa, a legislação vigente relativa à multa de mora seria a mais benéfica à contribuinte (20%) e por isso deve ela ser sustentada. Inaplicável o art. 35A da mesma lei para os fatos anteriores à sua vigência. Requer a admissão das contrarrazões para que se julgue improcedente o recurso especial de divergência da Procuradoria, mantendose integralmente o entendimento firmado no acórdão recorrido em relação a aplicação de multa. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Verifico que, após os despachos de números: 2400088/2014 e 2400367R/2014, que negaram a admissibilidade do recurso especial de divergência da contribuinte, não lhe foi dada ciência de nenhum deles. Entendo que, ainda que não houvesse previsão para essa ciência no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, vigente à época, deve ser dada ciência à contribuinte daqueles despachos. Dessarte, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência, para que seja dada ciência ao sujeito passivo do despacho denegatório de seguimento de seu recurso especial e demais providências, com posterior retorno ao conselheiro relator, para prosseguimento. Fl. 571DF CARF MF Processo nº 15504.000449/200911 Resolução nº 9202000.107 CSRFT2 Fl. 572 6 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 572DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.005379/2009-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
DECADÊNCIA.
Para o lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória a regra da contagem do prazo decadencial é aquela prevista no art. 173, I, do CTN.
RELEVAÇÃO DA MULTA. INAPLICABILIDADE.
Com o advento do Decreto n° 6.727, de 12 de janeiro de 2009, restou revogado o artigo 291 do Decreto 3.048/99 que, enquanto vigente, possibilitava a atenuação ou relevação das multas aplicadas, conforme o caso, não havendo, pois, a partir de então, qualquer possibilidade de ser afastada.
Numero da decisão: 2401-004.852
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, não reconhecer a decadência e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. Para o lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória a regra da contagem do prazo decadencial é aquela prevista no art. 173, I, do CTN. RELEVAÇÃO DA MULTA. INAPLICABILIDADE. Com o advento do Decreto n° 6.727, de 12 de janeiro de 2009, restou revogado o artigo 291 do Decreto 3.048/99 que, enquanto vigente, possibilitava a atenuação ou relevação das multas aplicadas, conforme o caso, não havendo, pois, a partir de então, qualquer possibilidade de ser afastada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, não reconhecer a decadência e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. Para o lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória a regra da contagem do prazo decadencial é aquela prevista no art. 173, I, do CTN. RELEVAÇÃO DA MULTA. INAPLICABILIDADE. Com o advento do Decreto n° 6.727, de 12 de janeiro de 2009, restou revogado o artigo 291 do Decreto 3.048/99 que, enquanto vigente, possibilitava a atenuação ou relevação das multas aplicadas, conforme o caso, não havendo, pois, a partir de então, qualquer possibilidade de ser afastada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 53 79 /2 00 9- 19 Fl. 114DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, não reconhecer a decadência e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 19515.005379/200919 Acórdão n.º 2401004.852 S2C4T1 Fl. 115 3 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 97/106) interposto em face do Acórdão nº. 1626.631 (fls. 82/90) que julgou improcedente a impugnação da ora recorrente, cuja ementa restou assim redigida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 Ementa: GFIP. APRESENTAÇÃO MENSAL. Constitui infração a empresa deixar de apresentar, mensalmente, o documento GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Obrigações acessórias previdenciárias decaem no prazo previsto no artigo 173, inciso I, do CTN, pois, não há que se falar em antecipação de pagamento para as mesmas. RELEVAÇÃO DA MULTA. INAPLICABILIDADE. Com o advento do Decreto n° 6.727, de 12 de janeiro de 2009, restou revogado o artigo 291 do Decreto 3.048/99 que, enquanto vigente, possibilitava a atenuação ou relevação das multas aplicadas, conforme o caso, não havendo, pois, a partir de então, qualquer possibilidade de ser afastada. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. ALTERAÇÃO NOS CÁLCULOS E LIMITES DA MULTA. APLICAÇÃO DA NORMA MAIS BENÉFICA. Tratandose de ato não definitivamente julgado, a Administração deve aplicar a lei nova a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática, assim observando, quando da aplicação das alterações na legislação tributária referente às penalidades, a norma mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, "c", do CTN). De acordo com a legislação vigente à época da autuação, a alíquota da multa moratória incidente sobre contribuição previdenciária incluída em lançamento tributário será definida no momento do pagamento, ocasião em que deverá ser realizado o confronto entre as multas aplicáveis de acordo com a legislação vigente à época do lançamento e a atual, para a fixação daquela menos severa ao contribuinte. O presente processo decorre do crédito tributário lançado em face da recorrente, por meio do DEBCAD nº. 37.248.5952. Nos termos do Relatório Fiscal de fls. 21, tratase de multa por deixar a empresa de informar por intermédio de GFIP na competência Fl. 116DF CARF MF 4 12/2004 e 13º salário os dados cadastrais, todos os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias e outras informações, nos termos do art. 32, IV, § 3º e 9º, da Lei nº. 8.212/91 c/c art. 225, IV, §§ 2º, 3º e 4º do Decreto 3.048/99, conforme demonstrativo da multa aplicada e cálculo da penalidade mais benéfica, fls 23/24. Ainda, tendo em vista os demais autos de infração lançados em decorrência da mesma ação fiscal que originou o presente, em todos os processos foi realizada a análise comparativa para aplicação da multa mais benéfica (conforme planilha de fls. 24) e, neste PAF, verificouse que a legislação vigente à data do lançamento não era a mais benéfica para a competência em questão (12/2004), razão pela qual a multa para a mencionada competência foi lançada no presente auto de infração (Relatório fls. 22). Apresentada a impugnação (fls. 42/51), esta foi julgada improcedente, nos termos do acórdão reproduzido acima. Intimada do referido acórdão em 28/02/2011 (fl. 96), apresentou tempestivamente o seu recurso voluntário (fls. 97/106) em 21/03/2011, alegando, em síntese: a) Decadência, por aplicação do art. 150, § 4º, CTN, por se tratar de tributo sujeito ao lançamento por homologação e pelo lançamento ter sido realizado em 03/12/2009 e exigir as contribuições do período referente a 01/01/2004 a 31/12/2004; b) Relevação da multa, por força do art. 291, § 1º, do Decreto 3.048/99, que exige a correção da infração no prazo para apresentação de defesa, ser primária e não contar circunstância agravante. O presente processo administrativo e seus 7 apensos foram incluídos em pauta de julgamento do dia 16 de abril de 2014, quando todos foram convertidos em diligência, por meio de resoluções específicas para cada processo, a fim de que fossem prestadas as seguintes explicações (as mesmas em todos os processos): Ante todo o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que os autos do presente processo baixem à Delegacia de Origem, com todos os seus 07 (sete) apensos, para que a fiscalização informe se as GFIP´s juntadas às fls. 62/76 do processo 19515.005379/2009 19: (i) se relacionam ao presente lançamento; (ii) se o pagamento dos valores de cada uma delas fora devidamente recepcionado e consta no sistema da SRFB; (iii) se tais pagamentos se referem ao crédito tributário objeto do presente lançamento ou em qualquer dos outros objeto dos processos apensados a este Auto de Infração; (iv) se tais pagamentos foram aproveitados no presente lançamento ou em qualquer outro dos lançamentos constantes dos processos apensados; (v) Se tais GFIP´s foram apresentadas pela contribuinte durante a ação fiscal, tendo sido ou não consideradas na oportunidade da realização do lançamento; Fl. 117DF CARF MF Processo nº 19515.005379/200919 Acórdão n.º 2401004.852 S2C4T1 Fl. 116 5 (vi) Se tais GFIp´s apresentam a informação acerca de valores pagos à contribuintes individuais cujas remunerações foram omitidas em GFIP e folha de pagamentos relativamente a todos os processos apensados ao presente Auto de Infração; Em resposta à Resolução nº. 2401000.361 (fls. 110/113) do presente processo, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Paulo, emitiu a Informação Fiscal de fls. 176/177 do PAF 19515.005375/200931, apresentando as seguintes conclusões aos questionamentos desta turma julgadora: Assim, retornaram os autos a este e. Conselho e foram a mim distribuídos. É o relatório. Fl. 118DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Decadência A recorrente traz alegações quanto à decadência ante a natureza do crédito tributário (principal), alegando ser o mesmo tributo sujeito ao lançamento por homologação. Assim, discorre que por ser tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial deve ser contado pela regra do art. 150, § 4º do CTN. Em que pese as razões de seu recurso, estas parecem impertinentes ao presente PAF. Ora, o presente trata do lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória, razão pela qual pouco sentido fazem as alegações do recorrente. Por essa razão, entendo que a regra da contagem do prazo decadencial deve ser dar pelo art. 173, I, do CTN, por se tratar de lançamento por descumprimento de obrigação acessória, o que atrai a regra geral de contagem do prazo decadencial, nos termos do já decidido pelo STJ e entendimento pacificado neste E. Conselho. Assim, afasto a alegação de decadência do lançamento. Do pedido de relevação da multa Pugna a recorrente pela aplicação do disposto no art. 291, § 1º, do Decreto 3.048/99: Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. § 1o A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. O presente auto de infração data de 25/11/2009, ao passo que a redação o referido artigo fora revogado pelo Decreto 6.727/2009, datado de 12 de janeiro. O que pleiteia a recorrente é a aplicação de um dispositivo legal revogado, sob o fundamento de que o lançamento deve regerse pela lei vigente à época dos fatos geradores. Ora, regerse o lançamento pela lei vigente à época dos fatos geradores não implica na aplicação de lei revogada quanto à benefícios de redução/relevação da multa. O dispositivo legal suscitado pela recorrente estava revogado no momento da lavratura do auto de infração, razão pela qual não há qualquer fundamento legal que justifique a sua aplicação. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 19515.005379/200919 Acórdão n.º 2401004.852 S2C4T1 Fl. 117 7 Ainda, destaquese ser absolutamente inaplicáveis ao presente caso os mencionados artigos 144 e 106 do CTN, apresentados pela Recorrente em seu recurso voluntário. Assim, afasto o pedido de relevação da multa por ausência de fundamento legal. CONCLUSÃO Isto posto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Fl. 120DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.000656/99-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 13 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2201-000.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra. e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra. e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra. e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório O contribuinte apresentou vários pedidos de compensação de crédito com débito de terceiro com base na IN 21/1997. Os pedidos de fls. (8/19) apontam como supostos créditos RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .0 00 65 6/ 99 -8 5 Fl. 475DF CARF MF Processo nº 13851.000656/9985 Resolução nº 2201000.260 S2C2T1 Fl. 467 2 aqueles constantes do pedido de restituição/ ressarcimento dos seguintes processos, cujo detentor é a empresa Cambuhy Citrus Comercial e Exportadora S/A: n°l3851.000476/9812 (fls. 08 a 12) nº 13851.000278/9859 ( fls. 13 a 17) nº 13851.000280/9809 (fls. 18/19) O referido crédito de terceiro foi indeferido totalmente pela Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte (Araraquara), conforme Termos de Intimação DRF/AQA/Sorat nº 38/2005 proferido (fls. 26/27). Em face dessa intimação o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade fls. 29/142 alegando, em síntese, que: com base nos referidos pedidos de restituição da empresa Cambuhy Citrus Comercial e Exportadora S/A, foram apresentados diversos pedidos de compensação com débitos tributários que esta mesma empresa possuía perante a Secretaria da Receita Federal; além disso, com fundamento na legislação então em vigor, aquela empresa lhe cedeu parte de seus créditos, a qual, por sua vez, utilizouos para compensar tributos devidos; em decorrência das compensações realizadas, foi instaurado o presente processo administrativo, cujo andamento ficou suspenso até que fosse analisado o pedido de restituição em questão nos autos do processo n° 13851.000476/98 12; a Delegacia da Receita Federal em AraraquaraSP proferiu despacho decisório nos autos daquele processo administrativo, indeferindo o pedido de restituição por entender que não restou demonstrada a existência do respectivo crédito; no que se refere aos diversos pedidos de compensação relacionados àquele processo, a mencionada decisão adotou dois entendimentos diferentes: com relação à compensação efetuada pela empresa Cambuhy Citrus foi reconhecida a ocorrência da homologação tácita, haja vista que já teria transcorrido prazo superior a cinco anos da data do protocolo dos respectivos pedidos; relativamente às compensações efetuada por terceiros, na qual se inclui, não houve o reconhecimento da homologação tácita, razão pela qual os débitos estariam "em aberto"; contra o despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição, a empresa Cambuhy Citrus apresentou manifestação de inconformidade; muito embora aquela manifestação de inconformidade esteja pendente de julgamento, foi intimada a recolher os valores que deixaram de ser pagos em função da compensação realizada, por meio da mencionada comunicação DRF/AQA/Sorat n° 38/2005; Fl. 476DF CARF MF Processo nº 13851.000656/9985 Resolução nº 2201000.260 S2C2T1 Fl. 468 3 a cobrança por ela recebida não merece prevalecer, uma vez que está em desacordo com a legislação tributária em vigor, além de contrariar a jurisprudência a respeito; o direito à apresentação da manifestação de inconformidade decorre de disposição legal expressa contida no parágrafo 7° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996; portanto, não há qualquer motivo que justifique o nãoconhecimento da presente manifestação de inconformidade; Para completar suas alegações, a interessada se reporta às normas vigentes sobre a compensação de tributos federais, introduzidas pelas Leis n°s 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, como é o caso, por exemplo, do § 4° da Lei n° 9.430, de 1996, que estabelece que os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação desde o seu protocolo, o que, no seu entender, significa que não há diferenciação entre as compensações com créditos próprios e com créditos de terceiros. Relativamente às alterações introduzidas pela Lei n° 10.833, de 2003, destaca o § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, o qual estabelece o prazo de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação, para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo. Entende que esse parágrafo extingue definitivamente o crédito tributário após o transcurso do prazo de cinco anos, devendo ser aplicado ao caso dos autos pelo fato de os pedidos de compensação terem sido apresentados em dezembro de 1998, bem como em janeiro e fevereiro de 1999, enquanto que o comunicado Sorat ora impugnado somente foi recebido em 09/02/2005, ou seja, quando já havia transcorrido o período de cinco anos previsto no mencionado § 5°. Aduz também que ocorreu a decadência do direito de o fisco exigir os valores "sub judice", haja vista os débitos em questão serem relativos a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1998, bem como em janeiro e fevereiro de 1999. Para corroborar sua tese menciona os acórdãos da Câmara Superior de Recursos Fiscais n°s CSRF/0104260, de 02/12/2002, CSRF/0104907, de 17/02/2004, CSRF/0201152, de 20/05/2002 e CSRF/01 04719, de 01/10/2003. Ainda segundo o prazo decadencial, menciona o art. 173, I, do CTN, o qual, segundo entende, aplicase também ao presente caso, pois o vencimento dos tributos em questão ocorreu durante os anos de 1998 e 1999, o que evidencia que o prazo de cinco anos previsto no referido artigo começaria a correr a partir de 1° de janeiro de 1999 e 1° de janeiro de 2000, encerrandose o prazo decadencial, portanto, em 1° de janeiro de 2004 e 1° de janeiro de 2005. Destaca, também, o suposto equívoco do posicionamento segundo o qual o prazo de decadência relativo às contribuições destinadas ao financiamento da seguridade social seria de 10 anos, nos termos do art. 45 da Lei n° 8.212/91. Por fim, argumenta, em resumo, que mesmo na hipótese de serem afastadas as preliminares acima expostas, a cobrança não pode prosseguir tendo em vista que: Fl. 477DF CARF MF Processo nº 13851.000656/9985 Resolução nº 2201000.260 S2C2T1 Fl. 469 4 o crédito utilizado nas compensações em questão está ainda em discussão no processo n° 13851.000476/9812, e, dessa forma, todos os fundamentos utilizados pela empresa Cambuhy Citrus para justificar o direito à restituição discutido no referido processo são inteiramente aplicáveis ao caso "sub judice", devendo as razões das manifestações e inconformidade apresentadas fazerem parte integrante da presente petição; diante das razões apresentadas, as quais demonstram a efetividade do direito creditório utilizado na compensação por ela realizada, deve ser cancelada a cobrança em questão nos presentes autos; em face da conexão existente entre as questões discutidas nos presentes autos e aquelas que são objeto dos processos mencionados, qualquer exigência fiscal relativa à compensação "sub judice" somente deve ocorrer após ser proferida uma decisão definitiva no que diz respeito aos créditos compensados; não prevalecendo o entendimento acima, corre o risco de incorrer no "solve et repete", banido há muito tempo de nosso ordenamento jurídico e repudiado pela doutrina e jurisprudência; tal hipótese estaria configurada se, no presente caso, fosse obrigada a recolher os créditos tributários que quitou por meio de compensação e, posteriormente, obtiver uma decisão favorável no processos n° 13851.000476/9812; a jurisprudência sempre entendeu que não é possível a Administração exigir tributos indevidos, forçando os contribuintes a pedirem, em momento posterior, a restituição do montante pago, como é o caso do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal ao julgar o Recurso Extraordinário n° 63.026, de 25/04/1968. Diante do exposto, requer que a presente manifestação de inconformidade seja julgada procedente, com o conseqüente cancelamento da cobrança ora impugnada. [...]”Às fls. 143 informação da SORAT de Araraquara informando: “Senhor Chefe: Os débitos às folhas 06/09 foram objeto de pedido de compensação com crédito de terceiro já indeferido no processo 13851.000476/9812. (fls.23/24 e 40/42). Às folhas 25/142 o interessado apresenta sua "manifestação de inconformidade" alegando que o PEDIDO DE COMEPENSAÇÃO COM CRÉDITO DE TERCEIRO teria convertido em DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, portanto, sua exigibilidade estaria suspensa até a decisão irreformável proferida no processo de crédito 13851.000476/9812. Informo que atualizei a situação deste processo no PROFISC retirando a PENDÊNCIA DE COMPENSAÇÃO e registrando a REVISÃO DE LANÇAMENTO. Isto posto, proponho o encaminhamento destes autos à DRF/AQA/Sorat/Eqort para que seja proferida outra decisão negando seguimento ao recurso.” Fl. 478DF CARF MF Processo nº 13851.000656/9985 Resolução nº 2201000.260 S2C2T1 Fl. 470 5 Às fls. 112/116 Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal de Araraquara assim decidida: “ À Vista de todo o exposto e em razão do constante nos autos, sou pelo não seguimento da Manifestação de Inconformidade à Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto em virtude da não conversão dos pedidos de compensação em declaração de compensação consoante o demonstrado e da inexistência de disposição legal autorizando que este tipo de reclamação administrativa, formulada pelo terceiro devedor do pedido de compensação, seja utilizada nesta hipótese.” Às fls. 119/125 o contribuinte apresenta o que chama de recurso com base no art. 56 da Lei 9.784/09 pedindo em síntese: Com base nos fundamentos do recurso acima desenvolvidos, a recorrente requer que seja reconhecida a nulidade do despacho decisório ora recorrido, em razão da inexistência de competência do Sr. Chefe do SORAT para apreciar o cabimento da manifestação de inconformidade apresentada nestes autos. Conseqüentemente, requer que os autos sejam remetidos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, órgão competente para a apreciação da manifestação de inconformidade apresentada. Por fim, requer a suspensão de qualquer ato de cobrança, antes do julgamento da referida petição. Logo após às fls. 159/162 liminar da 2ª Vara da Justiça Federal de Araraquara nos autos do Mandado de Segurança nº 2006.61.20.0062673 determinando a suspensão do crédito tributário e que a autoridade fazendária recebesse e processasse a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte. Às fls. 164 foi encaminhada a manifestação de inconformidade para julgamento na DRJ e às fls. 169 informação de que a segurança havia sido denegada com cópia da sentença às fls. 171/178. Com base nessa informação a DRJ às fls. 179 determinou o reenvio dos autos para a SORAT de Araraquara. Às fls. 180 uma informação importante da SACAT com informação relevante para o deslinde do presente assunto que diz: Nos autos do processo de restituição de IRPJ n° 13851.000476/9812, de valores que a contribuinte alega ter pago a maior ou indevidamente, a contribuinte logrou êxito na demanda administrativa, através de recurso voluntário ao conselho de contribuinte e com o crédito efetuou compensações que abrangem a presente representação. Assim, mesmo obstante a decisão desfavorável de folhas retro, os autos devem, de acordo com a portaria n° 55, de 02 de maio de 2007, serem encaminhados à Seção de Orientação e Análise Tributária para as providências de compensação. Essa informação de fls. 180 sequer foi analisada pela autoridade fazendária que nos autos do PAF 13851.0004476/9812 em que o contribuinte é a Citrovita (cujo crédito foi Fl. 479DF CARF MF Processo nº 13851.000656/9985 Resolução nº 2201000.260 S2C2T1 Fl. 471 6 utilizado nesses autos para efetuar a compensação dos pedidos de fls. 08/12 não foram analisadas caindo no esquecimento, ao que parece, passando desapercebido inclusive pelo próprio contribuinte. A autoridade fazendária fez juntar aos autos cópia do despacho decisório do terceiro (Cambuy Citrus Comercial e Exportadora Ltda.,) às fls. 185/188 que reconheceu em parte a compensação no PAF 13851.000278/9859 compensado apenas os créditos próprios denegando dos terceiros e às fls. 189 Intimação 320/2008 da SAORT informando o contribuinte desses autos que em decorrência do julgamento do crédito utilizado do terceiro no outro processo ter sido negado são exigíveis os débitos nesse processo. Mais uma vez o contribuinte agora às fls. 191/200 apresenta manifestação de inconformidade e às fls. 311 intimação da 818/2011 da SAORT informando o contribuinte de que este E. CARF havia negado provimento ao recurso administrativo do contribuinte no PAF 13851.000278/9859 em nome de Cambuy Citrus Comercial e Exportadora Ltda. e portanto exigindo o tributo nesses autos. O contribuinte em arrazoado de fls. 319/321 levanta vários argumentos para a autoridade fiscal pedindo para que fosse encaminhado a manifestação de inconformidade para julgamento pela DRJ e às fls. 324/331 juntando cópia do V. Acórdão do E. TRF da 3ª Região que na apelação nos autos do mandado de segurança havia reformado a r. sentença denegatória da segurança e determinando que se fosse processada as manifestações de inconformidade do contribuinte. Às fls. 351 informação interna da SAORT assim aduzida: Senhor Chefe, O presente processo controla débitos fazendários em nome do contribuinte acima identificado, os quais foram por ele compensados com a utilização de suposto crédito de terceiro nos anos de 1998/1999 (na época permitido pelas normas então vigentes). Derrotado na esfera administrativa, o atual sucessor desse hipotético direito creditório, Votorantim Participações S/A, CNPJ 61.082.582/000197, não se manifestou contra decisão desfavorável do CARF, quando notificado por esta delegacia em 07/11/2011 (ciência realizada no processo 13851.000278/9859, folhas 309/310, no qual se promoveu o debate de mérito). Já o devedor Cambuhy Agrícola Ltda., quando cobrado por meio da Intimação 0818/2011, folhas 336/337 deste processo, se achou injustiçado e pediu o afastamento dos pagamentos, por diversos motivos, como se vê em sua apelação exibida nas folhas 344 a 373. Assim, em decorrência do que foi aqui exposto, submeto este assunto e o seu desenrolar a apreciação e a deliberação por parte desta Chefia, a fim que possa dar prosseguimento aos processos supramencionados. A autoridade fiscal às fls. 352/357 apresentou informação fiscal em resposta ao contribuinte e após a decisão da DRJRPO (fls. 374/387) julgando improcedente a Manifestação de Inconformidade, decidindo que os procedimentos de cobrança levados a efeito pela autoridade local da RFB não careciam de reparos. Fl. 480DF CARF MF Processo nº 13851.000656/9985 Resolução nº 2201000.260 S2C2T1 Fl. 472 7 Cientificado da decisão de piso (fls. 473), irresignado, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 394/407 e 423/436), nos seguintes termos: A partir das alterações das regras acerca das compensações, com o advento do artigo 74, § 4º, da Lei nº 9.430/96, os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa devem ser considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, sem a distinção, pelo intérprete da norma, quanto aos créditos próprios ou de terceiros, vedação pacificada na doutrina e jurisprudência; Não há como desconsiderar o pedido de compensação que utilizou crédito de terceiro, ante a autorização legal à época, permitida pelo artigo 15 da IN SRF nº 21/97; Ocorreu a homologação tácita do pedido de compensação do Recorrente, haja vista que o pedido de restituição ocorreu em 1998 e o comunicado da SAORT informando a glosa na compensação ocorreu somente em julho de 2008, fato que contraria o parágrafo 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, que dispõe que o prazo para a homologação da declaração de compensação é de 5 (cinco) anos contados da sua apresentação; Em razão do quanto informado no item acima, ocorreu a decadência do direito de lançar; Ocorreu a prescrição sub judice, pois a DCTF declaratória do crédito foi transmitida em 04/08/1998 e o comunicado da SAORT informando a glosa na compensação ocorreu somente em julho de 2008, há mais de dez anos da apresentação daquela; Requer novamente a análise das razões da manifestação de inconformidade apresentada no PAF 13851.000278/9859, pois demonstram a efetividade do direito creditório utilizado na compensação, o que evitará a solve et repete, banida h muito tempo de nosso ordenamento jurídico, resguardando o Recorrente de ser obrigado a recolher os débitos tributários que quitou por meio de compensação e, posteriormente, caso seja proferida decisão favorável naqueles autos, terá o valor restituído; Ao final, requereu o conhecimento e provimento do recurso, para reformar a decisão de piso, desamparada na legislação e jurisprudência em vigor, que deixou de homologar as compensações levadas a efeito regularmente. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator Esclarecimentos Duplicidade de Protocolo de Recurso Inicialmente, cumpre esclarecer que o mesmo recurso foi interposto em duplicidade, conforme constatase da análise às fls. 394/407 e 423/436. Fl. 481DF CARF MF Processo nº 13851.000656/9985 Resolução nº 2201000.260 S2C2T1 Fl. 473 8 Dessa forma, passarei a considerar as razões de ambos a fim de se evitar a alegação de cerceamento de defesa. Conexão Cumpre frisar que, segundo informa o Despacho proferido pela SAORT às fls. 371, este processo tramita em conexão ao processo nº 13851.000278/9859, que controla o crédito (Pedido de Restituição) objeto da compensação requerida através do presente PAF, conforme abaixo transcrito: “Este processo deve ser analisado junto com o processo 13851.000278/9859, sendo que o mesmo é de RESTITUIÇÃO PJ. É o processo que contém os supostos créditos que a interessada quer compensar com este, que é de REPRESENTAÇÃO PJ e controla os débitos (ver também o Despacho/Informação Fiscal de fls. 376 a 381).” Feitos esses esclarecimentos, passo ao julgamento. Saneamento do Processo Conforme o Termo de Informação Fiscal relatado pela Seção de Orientação e Análise Tributária (Saort), da DRF/Araraquara, acostado às fls. 352/357, o pedido de compensação tratado nestes autos foi ancorado em pedidos de restituição/ressarcimento formalizados nos PAFs n° 13851.000476/9812, 13851.000278/9859 e esqueceuse do PAF 13851.00028098/09, cujo detentor dos créditos é a empresa Cambuhy Citrus Comercial e Exportadora S.A. (empresa, à época, pertencente ao grupo econômico do qual o Recorrente estava vinculado). Como facilmente se constata pela pesquisa do andamento do processo n° 13851.000476/9812 realizada no site deste E. CARF, foi reconhecido o direito creditório requerido naquele expediente no qual a própria autoridade fazendária às fls. 180 informou que o detentor do crédito sagrouse vencedor no E. CARF, contudo, essa informação oficial desta situação não está acostada nestes autos, nem sequer há informação da SAORT acerca da utilização daquele direito creditório pelo Recorrente nesse processo para eventual extinção dos débitos dos pedidos de fls. (fls. 08 a 12). Na mesma toada, não existem informações relativas ao PAF 13851.000280 98/09 cujo crédito está sendo utilizado para compensação dos pedidos de fls. (18/19). Assim, entendo que documentos comprobatórios das situações acima descritas devem integrar estes autos, com a finalidade de auxiliar o julgador a formar a sua convicção e decidir conforme a verdade dos fatos. Percebese também não integrar estes autos o comunicado oficial do Poder Judiciário noticiando o provimento da decisão (apelação) em mandado de segurança que ordenou o processamento da manifestação de inconformidade ventilada neste expediente processual. Muitos documentos e informações estão no PAF 13851.000278/9859 que ora está sendo apensado a esses autos e outrora não, criando enormes dificuldades para a análise do assunto. Fl. 482DF CARF MF Processo nº 13851.000656/9985 Resolução nº 2201000.260 S2C2T1 Fl. 474 9 Dessa forma, privilegiando o interesse público e para a análise da realidade dos fatos, com o fim de se buscar a verdade material e na forma como orienta o “Manual do Conselheiro – CARF 2016”, as diligências devem ser determinadas exclusivamente para esclarecer pontos ou complementar informações processuais com vistas a dirimir dúvidas e suprir deficiências de instrução processual decorrentes dos fatos relatados pela autoridade administrativa ou em face das alegações e elementos trazidos pela parte interessada em sua impugnação e recurso. Dessa forma, decido por converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora para: 1 À vista da situação atual dos processos que lastream os pedidos de compensação de fl. 08 a 19, Justificar a necessidade de envio do presente processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; 2 Confirmada tal necessidade, juntar ao presente processo cópia das conclusões proferidas nos PAF nº 13851.000476/9812 e 13851.000278/9859, os quais trataram do direito creditório pleiteado CAMBUHY CITRUS COMERCIAL E EXPORTADORA S/A; 3 Juntar ao presente processo cópia das conclusões proferidas no PAF nº 13851.000280/9809, o qual tratou do direito creditório pleiteado CAMBUHY MC INDUSTRIAL LTDA; 4 Elaborar relatório circunstanciado do qual deverá constar: 4.1 a situação atual dos processos citados nos itens “b” e “c”; 4.2 a natureza dos créditos pleiteados; 4.3 indicação expressa se os débitos indicados nos pedidos de compensação de fl. 08 a 19 foram compensados nos processos de crédito supracitados; 5 caso a resposta ao item anterior seja negativa, indicar se há direito creditório que possa ser utilizado para promover tal extinção, quantificandoo, por processo de crédito; 6 no caso de existência de crédito, ainda que parcial, os valores deverão ser reservados para o presente processo, para evitar eventual utilização no lapso de tempo entre a conclusão da presente diligência e a execução posterior de decisão exarada por este Conselho; 7 no caso de inexistência total ou parcial de crédito para ser compensado com os débitos do presente processo, elaborar extrato de utilização dos créditos reconhecidos. Ao final, se for o caso, deverá ser dada ciência ao Contribuinte do resultado da diligência para eventual manifestação. Ante a todo o exposto, voto por converter o processo em diligência. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 483DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.722263/2014-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012
BASE DE CÁLCULO. PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. RETENÇÃO NA FONTE. DEDUÇÃO.
A base de cálculo do PASEP devido pelas pessoas jurídicas de direito público interno é composta pelo valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebida.
FUNDEB. BASE DE CÁLCULO. O fundo instituído pela Lei Federal 11.494/2007 não possui personalidade jurídica, não se qualificando como hipótese de dedução da base de cálculo da contribuição.
CONVÊNIO. BASE DE CÁLCULO.
As transferências decorrentes de convênios, mesmo que com objeto definido, compõem a base de cálculo do PASEP dos municípios.
CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE.
Não cabe a esse Tribunal afastar lei ou tratado por vício de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2 e artigo 62, do RICARF.
Numero da decisão: 3401-003.815
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
TIAGO GUERRA MACHADO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayer, Augusto Fiel Jorge D'Oiveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. RETENÇÃO NA FONTE. DEDUÇÃO. A base de cálculo do PASEP devido pelas pessoas jurídicas de direito público interno é composta pelo valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebida. FUNDEB. BASE DE CÁLCULO. O fundo instituído pela Lei Federal 11.494/2007 não possui personalidade jurídica, não se qualificando como hipótese de dedução da base de cálculo da contribuição. CONVÊNIO. BASE DE CÁLCULO. As transferências decorrentes de convênios, mesmo que com objeto definido, compõem a base de cálculo do PASEP dos municípios. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE. Não cabe a esse Tribunal afastar lei ou tratado por vício de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2 e artigo 62, do RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente. TIAGO GUERRA MACHADO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 22 63 /2 01 4- 93 Fl. 546DF CARF MF Processo nº 11516.722263/201493 Acórdão n.º 3401003.815 S3C4T1 Fl. 547 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayer, Augusto Fiel Jorge D'Oiveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 515 e seguintes) contra decisão da Delegacia Regional de Julgamento (DRJ) que considerou improcedente as razões da Recorrente sobre a nulidade de Auto de Infração referente à insuficiência de pagamento da Contribuição para o PASEP, durante o período compreendido entre janeiro de 2010 e dezembro de 2012. Do auto de infração Em cumprimento a Mandado de Procedimento Fiscal, foi verificada a insuficiência de recolhimento da contribuição social ao PASEP. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 11 e seguintes), foi constatado que: (a) A recorrente é pessoa jurídica de direito público interno e está sujeito ao pagamento da contribuição ao PASEP, calculada sobre suas receitas, incluindo as transferências de recursos recebidas. O fato gerador da referida contribuição ocorre quando o sujeito passivo aufere tais receitas/transferências. (b) Com base nas informações fornecidas pela Recorrente, quanto do procedimento de fiscalização, foi possível diferenciar as entidades que possuem personalidade jurídica própria dos fundos que possuem natureza meramente contábil/financeira. (c) Diante disso, temos que as entidades que possuem natureza jurídica própria são: Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto SAMAE 82.559.154/000182 Lei n. 428/1972 Fundação Ambiental Municipal de Orleans FAMOR 09.388.320/000135 Lei n. 2.154/2007 (d) Enquanto isso, subsiste um fundo, pertencente ao Recorrente, sem personalidade jurídica própria e que tem natureza meramente contábil/financeira: Fundo Municipal de Saúde – FMS 03.230.443/000167 Lei n. 1.021/1992 Fl. 547DF CARF MF Processo nº 11516.722263/201493 Acórdão n.º 3401003.815 S3C4T1 Fl. 548 3 (e) Nesse cenário, a Fiscalização entendeu que a base de cálculo da contribuição deveria incluir as receitas auferidas e transferências recebidas pela Prefeitura Municipal de Orleans e pelo seu fundo sem personalidade jurdíca própria, o Fundo Municipal de Saúde; (f) Com relação ao FUNDEB Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação – foi constatado que as deduções para sua formação na circunscrição do Recorrente eram constituídas as seguintes contas: 9.1.7.2.1.01.02.00.00.00 Dedução CotaParte do FPM Formação FUNDEB 9.1.7.2.1.01.05.00.00.00 Dedução de Receita p/ Formação do FUNDEB ITR 9.1.7.2.1.36.01.00.00.00 Ded Rec p/ Form do FUNDEB ICMS Deson LC 87/96 9.1.7.2.2.01.01.00.00.00 Dedução do ICMS para Formação do FUNDEB 9.1.7.2.2.01.02.00.00.00 Dedução de Receita para Formação do FUNDEB IPVA 9.1.7.2.2.01.04.00.00.00 Ded Cota Parte IPIExp p/ Formação FUNDEB (g) Com relação a essas rubricas, da mesma forma, a D. Fiscalização entendeu ser indevida sua exclusão da base de cálculo, em vista de “as transferências ao FUNDEB não podem ser deduzidas da base de cálculo do PASEP por falta de previsão legal”. Por fim, o auditorfiscal reconstituiu a apuração da contribuição, incluindo as transferências ao FUNDEB e as receitas atinentes ao Fundo Municipal de Saúde, vindo a lançar crédito tributário sobre a diferença encontrada entre o valor apurado pelo auditor e os valores declarados pelo Recorrente. Da Impugnação Irresignada, a Recorrente ofereceu impugnação (fls. 393 e seguintes), que, em síntese, assim afirmava: (a) Que haveria de ser declarado nulo o lançamento, que, diante da imprecisão dos valores ora lançados e falta de descrição pormenorizada da suposta infração, estaria eivado de vício formal a prejudicar o exercício da ampla defesa; (b) Não teriam sido excluídas, no cálculo efetuado pela fiscalização, as receitas correntes e de capitais, conforme previsto nos artigos 2º e 7º, da Lei Federal nº 9.715/1998; (c) A Lei nº 12.810, de 15 de maio de 2012, acrescentou o § 7º no art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, excluindo das receitas correntes e das transferências correntes e de capital recebidas os recursos provenientes de convênios, contratos de repasse ou instrumentos congêneres, de modo que “o auditor fiscal não excluiu da base Fl. 548DF CARF MF Processo nº 11516.722263/201493 Acórdão n.º 3401003.815 S3C4T1 Fl. 549 4 de cálculo do PIS/Pasep os recursos provenientes de convênios, contratos de repasse ou instrumentos congêneres recebidos pelo município” (d) Diante disso, o Recorrente solicita perícia contábil para avaliar a base de cálculo da contribuição. (e) Deveriam ser deduzidos os valores a título de PIS/Pasep retidos na fonte quando das transferências correntes e de capital recebidas pelo município, tais como: FPM, ITR, CFM, Cide, FEP, ICMS desoneração das exportações e outras; (f) Deveriam ser excluídos também, os valores do FUNDEB, eis que “a União, ao creditar aos cofres municipais os recursos destinados do Fundeb, já realiza a retenção na fonte da importância de um por cento para fins de contribuição ao PIS/Pasep e, portanto, é dispensada tal obrigação ao município, senão haverá evidente bitributação, o que é expressamente vedado pela Constituição Federal.” (g) “Por ser obscura e divergente a legislação que guarnece a matéria, em atenção ao princípio constitucional da legalidade e de que a legislação tributária deve ser interpretada sempre em favor do contribuinte, a base de cálculo do PASEP sobre o FUNDEB deverá ser sobre o valor que efetivamente o Ente Público recebe quando do rateio dos recursos do FUNDEB, e não em relação ao quantum vertido para o referido Fundo, via repasse da União”; (h) A multa de ofício aplicada no importe de 75% teria caráter confiscatório, devendo, pois, ser excluída, sob pena de violação ao art. 150, inciso IV, da Constituição Federal, ou reduzida para os percentuais que vêm sendo arbitrados pela Justiça na importância máxima de 10%; Da Decisão de Primeiro Grau Sobrevindo o julgamento de primeira instância, a Delegacia de Julgamento manteve o crédito lançado nos seguintes termos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 BASE DE CÁLCULO. PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. RETENÇÃO NA FONTE. DEDUÇÃO. A base de cálculo do PIS/Pasep devido pelas pessoas jurídicas de direito público interno é composta pelo valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebida. Da contribuição apurada deve ser deduzida a já retida na fonte quando das transferências constitucionais. Fl. 549DF CARF MF Processo nº 11516.722263/201493 Acórdão n.º 3401003.815 S3C4T1 Fl. 550 5 CONVÊNIO. BASE DE CÁLCULO. As transferências decorrentes de convênios, mesmo que com objeto definido, compõem a base de cálculo do PIS/Pasep dos municípios. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE. Não cabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade ou a ilegalidade de lei ou ato normativo em vigor. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIAS. Não pode recair mais de uma contribuição ao PIS/Pasep sobre as transferências de recursos entre as entidades públicas. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Transcrevo, ainda, a parte mais relevante concernente à exclusão de rubricas aludidas pela Recorrente: “Quanto à possibilidade de deduzir da base de cálculo do PIS/Pasep as receitas decorrentes de convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com objeto definido, digase que à época da ocorrência dos fatos geradores não havia nenhuma previsão para isso. Apenas com a edição da Lei nº 12.810, de 15 de maio de 2013, cujo art. 13 incluiu o § 7º no art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, passou a existir a hipótese de exclusão da base de cálculo do PIS/Pasep para os valores de transferências decorrentes de convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com objeto definido. A inclusão desse § 7º no art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, deixa claro que antes disso o PIS/Pasep incidia sim sobre essas receitas, pois, se assim não fosse, esse dispositivo teria sido acrescentado inutilmente, o que contraria o princípio basilar de hermenêutica jurídica, segundo o qual a lei não contém palavra inúteis. Com relação à alegação de que o autuante não teria excluído os valores repassados aos consórcios e demais entidades públicas, o impugnante não trouxe aos autos nenhum comprovante desses repasses e tampouco da natureza jurídica dos beneficiários. Observese que, nos termos do art. 7º da Lei nº 9.715, de 1998, acima transcrito, somente podem ser deduzidas da base de cálculo as transferências efetuadas a outras entidades públicas.” Quanto a se os valores retidos foram levados em consideração no cálculo do lançamento: “Em relação aos valores retidos na fonte pelo Banco do Brasil quando das transferências correntes recebidas pelo município, pela citada planilha de fl. 19, constante do Relatório Fiscal, observase que o autuante fez sim a redução dos valores retidos. Esses valores não são idênticos aos reclamados pelo contribuinte, como se nota pelo cotejo da planilha do auditor fiscal às fls. 366/372 e a planilha Fl. 550DF CARF MF Processo nº 11516.722263/201493 Acórdão n.º 3401003.815 S3C4T1 Fl. 551 6 anexada pelo impugnante às fls. 421/429, referente esta a apenas alguns períodos de apuração. Entretanto, pela consulta realizada por este julgador ao sítio na internet do Banco do Brasil, verificase que os dados considerados pelo autuante é que estão corretos. Exemplos dessa consulta foram anexados às fls. 458/496.” Quanto à exclusão dos valores referentes ao FUNDEB: “Quanto ao Fundeb, é certo que os valores repassados a esse fundo não podem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasep, pois não estão abrangidos pela hipótese de dedução prevista no art. 7º da Lei nº 9.715, de 1998, já que não se trata de uma entidade pública, mas meramente de um fundo contábil. Esse foi o procedimento da fiscalização conforme se verifica pela planilha às fls. 248/251, na qual estão discriminados os repasses aos Fundeb, que foram contabilizados pelo autuado em contas de deduções da receita corrente.” Ainda em relação a essa rubrica, foi constatado que, de fato, não deveria ser objeto de nova incidência do PASEP no caso em que fosse oriundo de repasses da União Federal por já haver ocorrido a incidência da contribuição social anteriormente: “Assim, com esse mesmo entendimento, devem ser deduzidos da base de cálculo os recursos recebidos pelo autuado do Fundeb (conta 1724.01.00), tendo em vista se tratar de receitas já tributadas em operações anteriores. De fato, esses valores já sofreram antes a incidência da contribuição devida por outras pessoas jurídicas que repassaram tais recursos a esse fundo, como é justamente aqui o caso, quando o auditor fiscal faz incidir o PIS/Pasep sobre os repasses do autuado ao Fundeb.” Quanto ao caráter confiscatório da multa de 75%: “No que tange à multa aplicada, as alegações do contribuinte se voltam contra a constitucionalidade da legislação que fundamentou a lavratura do auto de infração. Com efeito, a vedação ao confisco prevista no art. 150, IV, da Constituição Federal dirigese ao legislador com o intuito de impedir a instituição de tributo que tenha em seu conteúdo aspectos ameaçadores à propriedade ou à renda tributada, mediante, por exemplo, a aplicação de alíquotas muito elevadas. Portanto, a observância desse princípio relacionase com o momento de instituição do tributo ou de determinação da multa a ser aplicada no caso de falta de recolhimento. Concluise que, uma vez vencida a etapa da sua criação, não configura confisco a aplicação da lei tributária. Esse mesmo raciocínio pode ser aplicado no que diz respeito ao princípio da razoabilidade e da proporcionalidade. Portanto, a alegação da impugnante de confisco ou de ofensa ao princípio da proporcionalidade e da razoabilidade se reporta à constitucionalidade da legislação que fundamentou a aplicação da multa de ofício, não cabendo a esta Turma de Julgamento apreciála. Com efeito, em sede de processo administrativo, são vedadas as discussões em torno da suposta inconstitucionalidade da legislação, como determina o Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 26A(...)” Fl. 551DF CARF MF Processo nº 11516.722263/201493 Acórdão n.º 3401003.815 S3C4T1 Fl. 552 7 Do Recurso Voluntário Como decorrência da decisão da DRJ, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário, em que veio a reprisar os argumentos da impugnação. É o relatório. . Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Das Preliminares Sobre o cerceamento de defesa, não entendo haver vício capaz de ser enquadrado no artigo 59, do Decreto 70.235/1972. O lançamento foi fundamentado e relatado à exaustão pela autoridade conforme pode ser atestado pelo extenso Termo de Verificação Fiscal. Nesse sentido, não merecendo prosperar a tese levantada pela Recorrente, nego provimento à preliminar de nulidade apresentada. Do Mérito Entendo que o cerne do presente Recurso se divide nas seguintes partes: (a) Quais rubricas devem ser exclusão da base de cálculo da contribuição ao Pasep; (b) Inconstitucionalidade da multa de ofício de 75% diante de seu caráter confiscatório. Passo às minhas considerações. (a) Quanto à base de cálculo do PASEP Fl. 552DF CARF MF Processo nº 11516.722263/201493 Acórdão n.º 3401003.815 S3C4T1 Fl. 553 8 A base de cálculo do PASEP está prevista na Lei Federal 9.715/1998, em seu artigo 2º: Art. 2o A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: (...) III pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. Ressaltese, ainda, que, à época dos fatos geradores sob análise, o parágrafo sétimo1, do mesmo artigo, não havia sido inserido ao texto original, de modo que não havia previsão de exclusões da base de cálculo que não as referenciadas no artigo 7º, da mesma Lei, abaixo transcrito. Art. 7º Para os efeitos do inciso III do art. 2º, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. De tal sorte que não merece igualmente prosperar a intenção da Recorrente de ver excluídas da base de cálculo, quaisquer recursos provenientes de convênios, contratos de repasse ou instrumentos congêneres recebidos pelo município ocorridos até 2013, que compõe a integralidade do período lançado pela fiscalização. Da mesma forma, com relação à inteligência do artigo 7º, supramencionado, somente é possível a exclusão das “transferências efetuadas a outras entidades públicas”, sendo certo que deve se entender como “entidade pública” outra pessoa jurídica de direito público interno, de modo a ser evitar a incidência “em cascata” da contribuição, fazendoa incidir uma única vez, da origem do recurso à aplicação final do valor transferido. Contudo, a Recorrente deseja ter os recursos destinados ao FUNDEB excluídos da base de cálculo. O FUNDEB foi instituído pela Lei Federal 11.494/20072, para alcançar a efetividade da obrigação prevista no artigo 60, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). 1 §7º Excluemse do disposto no inciso III do caput deste artigo os valores de transferências decorrentes de convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com objeto definido. 2 Art. 1º É instituído, no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal, um Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação FUNDEB, de natureza contábil, nos termos do art. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT. (...) I pelo menos 5% (cinco por cento) do montante dos impostos e transferências que compõem a cesta de recursos do Fundeb, a que se referem os incisos I a IX do caput e o § 1o do art. 3o desta Lei, de modo que os recursos previstos no art. 3o desta Lei somados aos referidos neste inciso garantam a aplicação do mínimo de 25% (vinte e cinco por cento) desses impostos e transferências em favor da manutenção e desenvolvimento do ensino; Fl. 553DF CARF MF Processo nº 11516.722263/201493 Acórdão n.º 3401003.815 S3C4T1 Fl. 554 9 Portanto, o FUNDEB, é um fundo especial composto por recursos da União, dos Estados e dos municípios, tendo natureza meramente contábil, Não é, portanto, uma entidade dotada de personalidade jurídica, não fazendo jus à sua inclusão no rol das deduções previstas no aludido artigo 7º. Nem se diga que a existência de registro perante o Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) seria indício de que há personalidade jurídica de tais fundos, já que a legislação regulamentar do CNPJ prevê a obrigatoriedade de registro de entidades que, por sua vez, não possuem, indubitavelmente, personalidade jurídica, como os consórcios de empresas. Por fim, restando claro pelos autos que a fiscalização veio a deduzir da base de cálculo todas as retenções, não há o que se falar de exclusão adicional nesse ínterim. Isto posto, entendo pela manutenção integral do lançamento impugnado, haja vista não haver previsão legal para as exclusões da base de cálculo pretendidas pela Recorrente. (b) Quanto à inconstitucionalidade da multa de ofício Em vista da Súmula CARF nº 2, declinome de analisar essa parte do Recurso, uma vez que é vedado a esse tribunal administrativo exercer controle de constitucionalidade. Da mesma forma, esse Tribunal não é obrigado a seguir a jurisprudência das Cortes superiores, a não ser nos casos previstos no parágrafo segundo, do artigo 62, do Regulamento do CARF. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Não é o presente caso. Das Conclusões Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário, porém negolhe provimento. II pelo menos 25% (vinte e cinco por cento) dos demais impostos e transferências. Art. 2º Os Fundos destinamse à manutenção e ao desenvolvimento da educação básica pública e à valorização dos trabalhadores em educação, incluindo sua condigna remuneração, observado o disposto nesta Lei. Fl. 554DF CARF MF Processo nº 11516.722263/201493 Acórdão n.º 3401003.815 S3C4T1 Fl. 555 10 Tiago Guerra Machado Relator Fl. 555DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.908718/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/06/2001
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.719
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/06/2001 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado
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CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 87 18 /2 00 9- 11 Fl. 70DF CARF MF Processo nº 15374.908718/200911 Acórdão n.º 3201002.719 S3C2T1 Fl. 3 2 ABW FACTORING FOMENTO MERCANTIL LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, a contribuinte alegou, em síntese, que parte do pagamento declarado era indevido, sem, contudo, trazer aos autos qualquer elemento probatório do crédito pleiteado, como a escrita fiscal ou notas fiscais. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 1332.702. A DRJ fundamentou sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário a Recorrente alega, em resumo, que a legislação não se encontra autorizada a alterar conceitos adotados na Constituição Federal, não sendo possível, por conseguinte, a ampliação da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e Cofins), uma vez que, no período de apuração sob comento, a base de cálculo se restringia ao faturamento, ou seja, ao resultado das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, dada a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições promovido pela Lei 9.718/1998. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.640, de 30/03/2017, proferido no julgamento do processo 13558.901073/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.640): O Recurso Voluntário é tempestivo, e não verificando outros óbices, tomo conhecimento dele. A recorrente alega que a parcela do Darf que considera indevida seria referente à ampliação da base de cálculo da Cofins, promovida pela Lei 9.718/98. Dois obstáculos impedem o provimento solicitado. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 15374.908718/200911 Acórdão n.º 3201002.719 S3C2T1 Fl. 4 3 O primeiro é que toda a argumentação quanto à base de cálculo da Cofins não foi feita na Manifestação de Inconformidade, e por isso, tal matéria encontrase atingida por preclusão, conforme art. 17 do PAF – Decreto 70.235/721, combinado com art. 74, §§ 9º, 10 e 11 da Lei 9.430/962. O segundo obstáculo é que o crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Cofins, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/993, art. 373,I do CPC4). Sem tais elementos, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído. Também considero inaplicável o pedido de diligência. Com efeito, a recorrente já teve duas oportunidades para demonstrar seu direito material: 1 – após a ciência do Despacho Decisório, e 2 – após a ciência do Acórdão de manifestação de inconformidade. Permitir agora uma terceira oportunidade malfere o art. 16, § 4º do PAF Decreto 70.235/72: §4º – A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 2 § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 72DF CARF MF Processo nº 15374.908718/200911 Acórdão n.º 3201002.719 S3C2T1 Fl. 5 4 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Não se verificando nenhuma dessas exceções, não pode agora o processo ser submetido a nova fase probatória, nas quais se mostrariam necessárias verificações fiscais, batimentos, etc, que não tiveram lugar no tempo próprio. Desse modo, e ainda por homenagem aos princípios da preclusão probatória, do ônus probatório, da impulsão oficial do processo e da celeridade, não vislumbro espaço para determinação de diligência. Assim, o crédito solicitado não pode ser deferido, em vista dos dois fundamentos expostos, cada um per se suficiente para o desprovimento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Destaquese que, neste processo, não houve preclusão de matéria, situação que ocorreu no paradigma, dado que a recorrente já havia informado na Manifestação de Inconformidade que a origem do direito creditório alegado era a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Todavia, da mesma forma que no caso do paradigma, nos presentes autos a contribuinte não demonstrou, "documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova", o que, por si só, impede o reconhecimento do direito creditório em litígio. Dessa forma, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 73DF CARF MF
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