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Numero do processo: 16643.000331/2010-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2007
RECURSO DE OFÍCIO. EXONERAÇÕES PROCEDENTES.
Não é digna de reparo a decisão que, amparada por diligência fiscal efetuada pela própria autoridade autuante, acolhe argumento da contribuinte acerca da ocorrência de erro de fato no fornecimento de dados utilizados na determinação da matéria tributável, e, por meio de controles internos, apura que parte das exigências formalizadas já são objeto de outro feito administrativo, caracterizando, assim, duplicidade de lançamento.
RECURSO VOLUNTÁRIO. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PRL60. ILEGALIDADE DA IN SRF 243/2002.
Restando reconhecida a ilegalidade das disposições da IN SRF 243/2002, especificamente no que se refere aos critérios por ela indicados para a quantificação do preço-parâmetro e os conseqüentes ajustes na aplicação do método PRL60 (sobretudo antes da publicação da Lei 12.715/2012), é de reconhecer, portanto, a completa invalidade do lançamento.
Numero da decisão: 1301-001.235
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir da matéria tributária apurada o montante de R$ 189.960,16, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator; por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário quanto às demais matérias, vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães e Paulo Jakson da Silva Lucas. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Augusto de Andrade Jenier. Declarou-se impedido o Conselheiro Valmir Sandri.
documento assinado digitalmente
Plínio Rodrigues Lima
Presidente.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator.
documento assinado digitalmente
Carlos Augusto de Andrade Jenier
Redator designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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EXONERAÇÕES PROCEDENTES. Não é digna de reparo a decisão que, amparada por diligência fiscal efetuada pela própria autoridade autuante, acolhe argumento da contribuinte acerca da ocorrência de erro de fato no fornecimento de dados utilizados na determinação da matéria tributável, e, por meio de controles internos, apura que parte das exigências formalizadas já são objeto de outro feito administrativo, caracterizando, assim, duplicidade de lançamento. RECURSO VOLUNTÁRIO. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PRL60. ILEGALIDADE DA IN SRF 243/2002. Restando reconhecida a ilegalidade das disposições da IN SRF 243/2002, especificamente no que se refere aos critérios por ela indicados para a quantificação do preçoparâmetro e os conseqüentes ajustes na aplicação do método PRL60 (sobretudo antes da publicação da Lei 12.715/2012), é de reconhecer, portanto, a completa invalidade do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir da matéria tributária apurada o montante de R$ 189.960,16, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator; por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário quanto às demais matérias, vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães e Paulo Jakson da Silva Lucas. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Augusto de Andrade Jenier. Declarouse impedido o Conselheiro Valmir Sandri. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 03 31 /2 01 0- 02 Fl. 1270DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 5/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16643.000331/201002 Acórdão n.º 1301001.235 S1C3T1 Fl. 1.271 2 “documento assinado digitalmente” Plínio Rodrigues Lima Presidente. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator. “documento assinado digitalmente” Carlos Augusto de Andrade Jenier Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 1271DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 5/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16643.000331/201002 Acórdão n.º 1301001.235 S1C3T1 Fl. 1.272 3 Relatório Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativas ao anocalendário de 2006, formalizadas a partir da imputação das seguintes infrações: i) ausência de ajustes decorrentes das regras de preços de transferência; e ii) compensação indevida de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas de CSLL. Por bem sintetizar os fatos apurados, as razões de defesa trazidas pela autuada por meio de peça impugnatória, o procedimento de diligência requisitado e o pronunciamento complementar da contribuinte, reproduzo fragmentos do relato feito em primeira instância. [...] DOS PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA Da metodologia Os itens importados no período foram objeto de análise da fiscalização por amostragem com os limites estabelecidos pelos dados informados pela contribuinte e apresentados nas respectivas tabelas de banco de dados, certificadas digitalmente, conforme Termo de Certificação Digital de Dados. Da apuração dos preços e respectivos ajustes – Método PRL Na apuração dos ajustes de preços de transferência segundo o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), a fiscalização, conforme impõe o § 4º do artigo 4º da IN SRF nº 243/2002, trabalhou com o custo CIF, ou seja, os valores do frete e do seguro, suportados pelo importador, foram incluídos no cálculo. O preço praticado, por item, conforme disposto nas planilhas de cálculo, deve ser apurado por meio da divisão do total do item em reais (custo CIF + imposto de importação + estoque inicial) pela sua quantidade (estoque inicial + importações), de acordo com o disposto nos §§ 2º e 3º do artigo 12 da IN SRF nº 243/2002. Dos cálculos e ajustes realizados pela contribuinte e pela fiscalização Após a análise dos dados fornecidos pela contribuinte, a fiscalização selecionou, de acordo com o método PRL, os itens passíveis de ajuste para fins de preços de transferência. Foi utilizado o método PRL com margem de 20% (PRL20) para os itens objeto de revenda simples e o método PRL com margem de 60% (PRL60) para os itens aplicados à produção, com base nas próprias informações da contribuinte. Os itens empregados na produção constam da tabela “InsumoProduto” entregue pela empresa e certificada digitalmente, cujo CDROM se encontra anexo ao presente processo. Ressalta a fiscalização que a contribuinte não apresentou cálculos nem documentos relativos aos demais métodos (PIC – Preços Independentes Comparados Fl. 1272DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 5/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16643.000331/201002 Acórdão n.º 1301001.235 S1C3T1 Fl. 1.273 4 e CPL – Custo de Produção mais Lucro), mas apenas planilhas relativas ao método PRL (PRL20 e PRL60). Destaca também a fiscalização que, para todos os cálculos, foi levada em consideração a margem de divergência prevista no artigo 38 da IN SRF nº 243/2002, de modo que só foram ajustados os itens cujos preçosparâmetro, acrescidos da margem de 5%, ainda assim foram inferiores aos respectivos preços praticados. Com base nas premissas expostas, foram detectados, para fins de ajuste, 185 itens, discriminados na tabela de fls. 429/433, totalizando o montante de R$ 101.226.574,22. Como a contribuinte efetuou ajustes a título de preços de transferência decorrentes de importações, no anocalendário sob fiscalização (2006), conforme informações constantes da DIPJ/2007, no valor de R$ 3.519.665,48, esse montante deve ser excluído do ajuste total apurado pela fiscalização, de tal sorte que o ajuste líquido, base de cálculo para os Autos de Infração, passa a ser de R$ 97.706.908,74. Das planilhas e demonstrativos dos cálculos realizados Todas as planilhas apresentadas pela contribuinte e que serviram de base aos cálculos realizados pela fiscalização constam do CDROM anexo ao presente processo (fl. 466), certificado digitalmente. Também todas as planilhas e demonstrativos dos cálculos realizados pela fiscalização a partir dos dados fornecidos pela contribuinte se encontram no presente processo, como Anexos. Das infrações apuradas por compensação indevida de IRPJ e CSLL A fiscalização constatou, ainda, a partir da base de dados da RFB, sistema SAPLI, que a contribuinte efetuara, no anocalendário de 2006, compensações indevidas, em relação aos prejuízos fiscais acumulados, no valor de R$ 24.959.865,83. Também constatou a compensação indevida de base de cálculo negativa da CSLL no anocalendário de 2007, no valor de R$ 14.297.980,89. Da retificação do LALUR A contribuinte foi intimada a proceder às retificações necessárias no Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR, referentes às alterações do crédito tributário apurado na fiscalização, de acordo com as planilhas anexas ao Auto de Infração e informações oferecidas pelo sistema SAPLI, e também atualizar os registros de controle da base de cálculo negativa da CSLL. [...] DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos lançamentos em 09/12/2010 (fls. 441, 447 e 456), a contribuinte, por meio de seus advogados, regularmente constituídos (fl. 523), apresentou, em 07/01/2011, a impugnação de fls. 468/510, alegando, em síntese, o seguinte: PRELIMINAR – ERRO DE FATO – INFORMAÇÕES FORNECIDAS PELA REQUERENTE DURANTE O PROCESSO DE FISCALIZAÇÃO Fl. 1273DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 5/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16643.000331/201002 Acórdão n.º 1301001.235 S1C3T1 Fl. 1.274 5 Por erro, dentre os arquivos magnéticos entregues à fiscalização, a impugnante transmitiu informações incorretas a respeito do valor relativo às contribuições para o PIS e para a COFINS, para cada um dos produtos finais comercializados. No arquivo enviado à fiscalização, as alíquotas de PIS e COFINS foram informadas em valores muito superiores aos determinados pela legislação e efetivamente praticados pela contribuinte. Como o preço médio de revenda é apurado a partir do preço bruto de revenda, subtraído de comissões, descontos e tributos incidentes na venda, esse erro levou a fiscalização a apurar um preço líquido de revenda reduzido, o que também reduziu o preçoparâmetro, aumentando os ajustes. Para evidenciar o erro, e a distorção dele resultante, observese, como exemplo, os produtos finais “Lipitor” (códigos 117102, 117110, 117188, 117129, 117196, 117161, 117218, 117170 e 117234), resultantes da manipulação da “Atorvastatina” (código 022009), insumo de maior ajuste unitário da lista de produtos indicados pela fiscalização. Nos arquivos magnéticos enviados à fiscalização, as alíquotas do PIS e da COFINS informadas para esses produtos foram de 48% e 10,10%, respectivamente, quando, na realidade, esse produto consta na lista negativa das contribuições, estando sujeita à alíquota zero. Somados os valores resultantes da aplicação das alíquotas incorretamente informadas para os 185 itens, os preços líquidos de revenda foram reduzidos, no total, em R$ 756.422.573,94, conforme cálculo anexo elaborado pela contribuinte (doc. 05). Essa redução indevida do preço de revenda resultou em ajustes indevidos de preços de transferência no montante de R$ 84.764.100,82. Tratase de erro material sem qualquer intuito de fraude ou dolo por parte da impugnante, já que resulta em ajustes muito superiores àqueles efetivamente devidos. Vale dizer que os livros e declarações fiscais da impugnante comprovam os valores efetivamente recolhidos a título de PIS e COFINS com relação aos produtos objeto da fiscalização. Vale mencionar que Conselho de Contribuintes (atual CARF) já se manifestou sobre a necessidade de revisão do lançamento nas hipóteses de erro material decorrente de informações prestadas pelo contribuinte sem dolo ou intuito de fraude (ementa às fls. 474/475). Diante do exposto, a impugnante pleiteia que seja reconhecida a preliminar de nulidade e cancelada a atuação, vez que apurada a partir de informações que não condizem com a realidade e distorcem sobremaneira os ajustes e, conseqüentemente, o lançamento. Sucessivamente, requer que seja realizada diligência e revisto o lançamento, a partir das informações corretas quanto ao preço de revenda, acostadas à presente, sendo aplicadas as alíquotas regulamentares de PIS e COFINS sobre os produtos finais. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA – DOS FATOS A partir das informações constantes do Termo de Constatação Fiscal e dos cálculos anexos ao Auto de Infração, é possível identificar as seguintes razões para a diferença entre os ajustes apurados pela contribuinte e os apurados pela fiscalização. Fl. 1274DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 5/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16643.000331/201002 Acórdão n.º 1301001.235 S1C3T1 Fl. 1.275 6 1. adoção, pela contribuinte, da metodologia prevista na Lei nº 9.430/96 para o cálculo do PRL60, em detrimento das disposições da IN SRF nº 243/2002; 2. adoção, pela contribuinte, do método PRL20 nas hipóteses de importação de medicamentos a granel, por se tratar de revenda e não de industrialização, como supõe a fiscalização; e 3. o valor utilizado pela fiscalização para a determinação da quantidade de produtos que afetaram o resultado do período (a fiscalização não levou em consideração que parcela dos produtos importados em 2006 só foi consumida em períodos subseqüentes); 4. para consideração dos produtos existentes nos estoques iniciais do período, a fiscalização utilizouse dos valores registrados nos livros de inventário da impugnante, nos quais estão representados os valores dos custos de aquisição, ou seja, considerou para essas operações um valor maior de aquisição pago a pessoas vinculadas (valor CIF + imposto de importação), conforme determinado para as demais operações de importação do ano. Com relação ao primeiro item, registrese que todo o procedimento da contribuinte na apuração do PRL60 está em absoluta conformidade com a sistemática prevista na Lei nº 9.430/96, com as alterações da Lei nº 9.959/2000, e que a IN SRF nº 243/2002 inovou com relação à referida lei. Essa diferença de cálculos afeta 50 insumos, relacionados à fl. 478. Quanto ao segundo item, a fiscalização equivocadamente entende que a contribuinte não poderia ter utilizado o método PRL20 para os medicamentos importados a granel, já em forma definitiva, sob o argumento de que estaria havendo agregação de valor a esses produtos antes da revenda. Essa diferença de entendimento afeta 27 produtos, relacionados à fl. 479/480. Quanto ao terceiro item, há que se observar que, enquanto a contribuinte, em conformidade com a legislação, apura as operações sujeitas a preços de transferência no período a partir da quantidade de insumos e produtos para revenda consumidos durante o anocalendário, a fiscalização utilizou como referência somente o saldo inicial do inventário mais as importações realizadas durante o ano fiscalizado, sem levar em consideração o saldo final. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA – DO DIREITO Da ilegalidade da IN SRF nº 243/2002 A IN SRF nº 243/2002, fundamento principal da autuação é ilegal, uma vez que contém disposições não previstas na Lei nº 9.430/96, as quais provocam aumento substancial e indevido no valor dos ajustes tributáveis e, portanto, na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Por força do artigo 97 do CTN, somente a lei pode fixar a alíquota e a base de cálculo do tributo ou majorar sua cobrança. E equiparase à majoração do tributo a modificação de sua base de cálculo que importe em tornálo mais oneroso. A IN SRF nº 243/2002, enquanto norma regulamentar secundária, jamais poderia alterar o critério legal de apuração do PRL, agregando novos componentes às disposições da Lei nº 9.430/96, de modo a tornar mais onerosos os ajustes tributáveis de preços de transferência. Fl. 1275DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 5/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16643.000331/201002 Acórdão n.º 1301001.235 S1C3T1 Fl. 1.276 7 A impossibilidade de uma instrução normativa inovar com relação ao disposto na lei já foi objeto de farta jurisprudência do Conselho de Contribuintes, inclusive em matéria de preços de transferência. A ilegalidade da IN SRF nº 243/2002 é tão flagrante que o próprio Ministério da Fazenda reconheceu, na Exposição de Motivos da MP nº 478/2009, a necessidade de “instituir, em dispositivo legal, [...] medidas que hoje constam apenas em Instrução Normativa”. A impugnante destaca, ainda, decisões judiciais nas quais a ilegalidade da IN SRF nº 243/2002 é reconhecida. Da possibilidade de aplicação do PRL20 para os produtos importados a granel Segundo a Resolução Anvisa RDC nº 350/2005: “Produto a Granel (“bulk”): material processado que se encontra em sua forma definitiva, ainda não submetido a acondicionamento e embalagem para ser considerado produto terminado, ou quando apresentado em sua embalagem primária”. Tendo em vista que a impugnante revendeu os produtos em questão sem submetêlos a qualquer processo produtivo precedente, houve por bem utilizar o método PRL20 para efetuar os cálculos dos ajustes de preços de transferência. Todavia, a fiscalização considerou que a atividade de rotulagem e embalagem exercida no Brasil estaria agregando valor ao produto, de maneira que estaria vedada a utilização do método PRL20, nos termos do artigo 12, § 9º, da IN SRF nº 243/2002. Ocorre que o artigo 18 da Lei nº 9.430/96, com as alterações trazidas pela Lei nº 9.959/2000, determina que o PRL20 pode ser utilizado em qualquer hipótese, excetuandose apenas aquelas em (que) haja a aplicação dos bens importados à produção. Em momento algum a lei vedou a utilização do método PRL20 nas hipóteses em que haja mera agregação de valor ao produto no Brasil. Assim, forçoso concluir que, tendo a IN SRF nº 243/2002 determinado que o método PRL20 não poderia ser utilizado em hipóteses em que há mera agregação de valor ao produto, foi além daquilo que determinava a lei. No caso em tela, não há que se falar em produção, já que a impugnante não transforma os medicamentos importados através de qualquer processo produtivo, mas apenas os coloca em embalagens, para que possam ser comercializados. Não se está tratando da importação de princípios ativos e sua transformação agregando outras substâncias, como água ou outro excipiente, de modo a possibilitar o seu consumo. E ainda que se considerasse que a contribuinte deveria aplicar o método PRL60 para calcular os ajustes referentes aos produtos a granel, o que se admite apenas para argumentar, tal cálculo deveria ter sido feito com base na sistemática prevista na Lei nº 9.430/96, alterada pela Lei nº 9.959/2000, e não conforme a metodologia prevista na IN SRF nº 243/2002. Da determinação da quantidade consumida no período No cálculo efetuado pela fiscalização foram levados em conta os saldos iniciais do estoque (produtos importados em anos anteriores mas consumidos somente em 2006), no entanto, a fiscalização olvidouse de desconsiderar o saldo final (produtos importados em 2006, mas não consumidos nesse anocalendário). Fl. 1276DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 5/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16643.000331/201002 Acórdão n.º 1301001.235 S1C3T1 Fl. 1.277 8 Ocorre que a lei não determina o controle dos preços de transferência para operações que não afetaram o lucro tributável, como é o caso dos produtos importados que não foram consumidos durante o anocalendário. Por essa razão, a contribuinte, no cálculo dos preços de transferência, apura seus ajustes somente para os itens efetivamente consumidos durante o ano calendário. O consumo referese ao cálculo das quantidades que afetaram o resultado do anocalendário fiscalizado, considerando os saldos iniciais informados (constantes no livro de inventário modelo 7), adicionados às compras do ano e subtraídas das quantidades que permaneceram no saldo final (livro de inventário modelo 7). As quantidades informadas nos saldos iniciais e finais são valoradas através da identificação das compras realizadas tanto no anocalendário sob análise quanto nos anteriores, mediante a aplicação do método contábil “PEPS” (o Primeiro que Entra é o Primeiro que Sai). Ao desconsiderar as quantidades remanescentes (saldo final), a fiscalização realizou ajustes para itens que não afetaram o resultado final do período. Tais ajustes devem ser cancelados. DOS PREJUÍZOS FISCAIS E DA BASE NEGATIVA DA CSLL Nem o Termo de Constatação Fiscal nem os documentos anexos à autuação contêm qualquer elemento ou informação que justifique as razões que levaram a fiscalização a considerar indevidas as compensações realizadas pela impugnante. A fim de demonstrar a regularidade dos seus cálculos acerca dos prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL, a impugnante junta aos autos cópia (docs. 6 e 7) da DIPJ/2007 (anocalendário 2006) e da DIPJ/2008 (anocalendário 2007). Vale mencionar que a impugnante, nos autos do processo administrativo nº 16643.000032/200926, já discute compensações supostamente indevidas de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL realizadas nos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007. As diferenças entre os saldos registrados na contabilidade da contribuinte e os valores apontados pela fiscalização se devem a 2 Autos de Infração, que deram origem aos processos administrativos nºs 16561.000185/200711 e 16561.000189/200881, que ainda não foram encerrados (aguardam julgamento do recurso voluntário interposto). Por essa razão, nos autos do processo administrativo nº 16643.000032/2009 26, requereuse que a compensações feitas pela requerente nos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007 deveriam ser mantidas e, conseqüentemente, declarada a improcedência integral da cobrança objeto do referido processo. DA MULTA E DOS JUROS Na forma aplicada, a multa configura uma situação abusiva, extorsiva, expropriatória, além de confiscatória e em total confronto com o artigo 150, inciso IV, da CF/88, devendo ser reduzida a um percentual razoável. No que se refere aos juros de mora, a jurisprudência tem reconhecido a inaplicabilidade da taxa SELIC aos créditos tributários, uma vez que essa taxa não foi criada por lei para fins tributários. Fl. 1277DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 5/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16643.000331/201002 Acórdão n.º 1301001.235 S1C3T1 Fl. 1.278 9 Dessa forma, a contribuinte contesta a sua aplicação e requer a sua desconsideração no cômputo do crédito tributário principal. Ainda que os juros de mora incidam apenas sobre o valor dos tributos lançados, a contribuinte manifestase, para assegurar que, diante de um futuro resultado desfavorável, a atualização do débito não seja feita com a incidência de juros pela taxa SELIC sobre a multa aplicada. A Lei nº 9.250/95, que instituiu a taxa SELIC como parâmetro para a correção de débitos tributários, somente é aplicável ao valor principal, isto é, tributos e contribuições propriamente ditos. A multa é penalidade e, como tal, não há lei que autorize a sua correção pela taxa SELIC. DA CONCLUSÃO E DO PEDIDO A impugnante sintetiza, às fls. 508/510, suas razões de defesa, e requer que seja cancelado o Auto de Infração. Para comprovar todas as suas alegações, protesta pela posterior juntada de novos documentos e/ou a realização de diligências. DA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA Constatando, com relação aos preços de transferência, a possibilidade de haver, de fato, ocorrido erro quanto às informações fornecidas pela contribuinte durante a ação fiscal e equívoco da fiscalização na determinação da quantidade consumida no período, o presente processo foi encaminhado à DEMAC/SÃO PAULO, para o Auditor Fiscal autuante (fls. 1050/1052): • Manifestarse acerca das alegações da contribuinte; • Em respeito ao princípio da verdade material, verificar, analisando os livros e documentos fiscais da contribuinte, se houve, ou não, o alegado erro de fato relativo aos valores de PIS e COFINS incidentes sobre as vendas, refazendo, se for o caso, o cálculo dos preçosparâmetro; • Demonstrar como foram calculadas as quantidades sujeitas a ajuste no ano calendário de 2006, corrigindo eventuais equívocos, observando que: o estão sujeitos a ajuste apenas os itens importados de vinculadas (em 2006 e em anoscalendário anteriores) consumidos no período (anocalendário de 2006); o não estão sujeitos a ajuste os itens consumidos no período importados de não vinculadas ou adquiridos no mercado interno; o devese segregar as importações de vinculadas realizadas em 2006 das realizadas em anos anteriores, dandolhes o tratamento específico correspondente; o a legislação dos preços de transferência não adotou o método contábil “PEPS” (o Primeiro que Entra é o Primeiro que Sai), mas a “Média Ponderada Móvel”. • Refazer, se for o caso, o cálculo dos ajustes e da matéria tributável relativa aos preços de transferência. DO RELATÓRIO DA AUTORIDADE FISCAL Fl. 1278DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 5/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16643.000331/201002 Acórdão n.º 1301001.235 S1C3T1 Fl. 1.279 10 Em atendimento ao solicitado por esta Delegacia de Julgamento, o Auditor Fiscal autuante elaborou o Relatório de Diligência de fls. 1077/1082, expondo, em síntese o seguinte. Em razão das alegações trazidas ao processo na impugnação, a fiscalização solicitou à contribuinte a comprovação, por meio de documentos e esclarecimentos, dos valores que julga corretos para o PIS e a COFINS das operações de venda, dado que a origem de tais informações não consta das notas fiscais e dos arquivos de vendas utilizados durante os procedimentos de auditoria. A contribuinte entregou, então, relação dos produtos transacionados, com a classificação NCM, o enquadramento legal e as correspondentes alíquotas de PIS e COFINS (total de 529 produtos, doc. 1). Apresentou, ainda, nova tabela de dados com as informações de vendas do anocalendário de 2006, com as alterações nas alíquotas de PIS e COFINS. O resultado da análise das vendas demonstrou que, s.m.j., efetivamente houve erro de fato em relação aos valores de PIS e COFINS da planilha de vendas entregue à fiscalização durante os procedimentos de auditoria. A fiscalização verificou os valores de PIS e COFINS unitários apresentados na nova planilha de vendas e, por amostragem, constatou que eles se mostraram factíveis diante das informações prestadas pela contribuinte. Ainda assim, solicitou à contribuinte declaração por escrito de todos os regimes e fundamentações para o enquadramento do PIS e da COFINS aplicados aos produtos sob fiscalização, bem como eventuais atos declaratórios concessivos de regime especial expedidos pela Receita Federal do Brasil. Em atendimento à solicitação, a contribuinte encaminhou documento com os enquadramentos dos produtos, fundamentação legal e cópia do Ato Declaratório Executivo COSAR nº 66/2001, que concede regime especial para PIS e COFINS com base na Lei nº 10.147/2000 (doc. 2). Com base nas constatações citadas, a fiscalização refez o cálculo dos preços parâmetro e correspondentes ajustes relativos ao anocalendário de 2006. Ressalta a fiscalização que foram utilizados exatamente os mesmos dados e critérios de apuração da versão anterior, à exceção da planilha de vendas, que foi substituída pela versão entregue pela contribuinte durante esta diligência, com as alterações nos valores unitários de PIS e COFINS. Houve significativa redução no montante dos ajustes, decorrente das alterações nos preçosparâmetro e, ainda, do fato de que vários itens, com base nas novas margens, deixaram de ser ajustados em relação à versão anterior. No que tange à alegação da contribuinte sobre o cálculo das quantidades passíveis de ajuste, informa a fiscalização que seguiu o entendimento esposado pela legislação, no sentido de só ajustar as quantidades efetivamente consumidas e levadas a custo durante o anocalendário de 2006, conforme planilha "Estoques Consumidos em Vendas Diretas e Indiretas (insumos)". A metodologia empregada identifica o total comercializado de cada item pela contribuinte (constante da planilha de vendas), tanto para produtos de simples revenda, como para aqueles que contêm insumos importados de vinculadas. Fl. 1279DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 5/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16643.000331/201002 Acórdão n.º 1301001.235 S1C3T1 Fl. 1.280 11 A quantidade identificada foi deduzida do estoque inicial eventualmente existente para o item e do montante importado, sendo certo que o restante comporá o saldo final a ser transferido para o próximo exercício. As quantidades consumidas em vendas diretas e indiretas (insumos) passíveis de ajuste constam da tabela de fl. 1080 (mesma metodologia utilizada no cálculo anterior, acostado a este processo). As quantidades da tabela acima foram extraídas das informações prestadas pela contribuinte e constam das planilhas "Inventário", "InsumoProduto", "Importações", "Compras" e "Vendas", conforme o caso. Ressalta a fiscalização que foram somadas as quantidades existentes no estoque inicial com as importações realizadas no período. O resultado foi deduzido das vendas efetivadas e eventual saldo não foi objeto de ajuste, passando a compor o estoque final do período. Para o cálculo dos ajustes foi utilizada a média móvel ponderada, nos termos da legislação em vigor. De se notar que para os itens comuns, presentes nas duas listas (ajustes antes da correção do erro de fato e ajustes com as novas informações) não houve alteração nas quantidades ajustadas nem nos preços praticados, mas apenas nos preços parâmetro, de sorte que a diferença no ajuste total decorre da significativa variação nos valores outrora apresentados a título de PIS e COFINS. Os novos ajustes calculados pela fiscalização (com as novas informações sobre o valor das contribuições a título de PIS e COFINS) estão sintetizados à fl. 1081, totalizando R$ 5.426.007,44. A nova planilha de vendas apresentada pela contribuinte, assim como todas as planilhas e demonstrativos dos cálculos realizados pela fiscalização a partir dos dados fornecidos, se encontram no próprio processo. DA MANIFESTAÇÃO DA CONTRIBUINTE Intimada a se manifestar sobre o resultado da diligência, a contribuinte o fez às fls. 1104/1107, expondo, em síntese, o seguinte: DO ERRO DE FATO Preliminarmente, a contribuinte concorda com os ajustes nos cálculos realizados pela fiscalização, corretamente reconhecendo o equívoco no fornecimento de informações referentes às alíquotas das contribuições para o PIS e a COFINS incidentes sobre produtos finais comercializados. DAS DEMAIS QUESTÕES ABORDADAS NA IMPUGNAÇÃO Não obstante a correção do Relatório de Diligência quanto ao erro de fato, outros pontos levantados na impugnação não foram objeto de retificação por parte da fiscalização e persistem como questões controvertidas. A contribuinte discorda dos ajustes realizados pela fiscalização, por razões já alegadas em impugnação, resumidas a seguir. PRL60 Fl. 1280DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 5/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16643.000331/201002 Acórdão n.º 1301001.235 S1C3T1 Fl. 1.281 12 Conforme alegado na impugnação, todo o procedimento realizado pela contribuinte na apuração de seu PRL60 está em absoluta conformidade com a sistemática prevista na Lei nº 9.430/96, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.959/2000. A IN SRF nº 243/2002 inovou com relação à lei, ao introduzir elementos no cálculo do PRL60 que não estão previstos no artigo 18, inciso II, da Lei nº 9.430/96. PRL20 Medicamentos a granel Conforme detalhado na impugnação, não há restrição legal à utilização do método PRL20 para os produtos importados a granel, já que tais medicamentos não são aplicados à produção, mas são somente rotulados e embalados. Ainda que se considerasse que a contribuinte deveria utilizar o PRL60, tal método deveria ter sido aplicado em conformidade com as disposições da Lei nº 9430/96, e não conforme a IN SRF nº 243/2002. Dos ajustes já realizados pela contribuinte A contribuinte reforça o argumento que, no decorrer dos trabalhos do MPF n° 08.171.002009002638, a fiscalização lavrou outros dois Autos de Infração em decorrência de suposta compensação indevida de prejuízos e da base negativa da CSLL. Todavia, demonstrouse por meio das DIPJs dos períodos que o procedimento realizado pela contribuinte estava em absoluta conformidade com a legislação. Ainda que houvesse qualquer irregularidade, a fiscalização deveria ter incluído no Termo de Constatação Fiscal ou em suas memórias de cálculo os motivos que a levaram ao entendimento de que as compensações seriam indevidas, motivo pelo qual estas autuações são nulas, devendo ser integralmente canceladas. Além disso, caso se entenda que os ajustes realizados pela fiscalização estão de acordo com o ordenamento vigente, o que se admite somente para argumentar, a contribuinte ressalta que já realizou ajustes no montante de R$ 3.708.778,29 (ficha 34 da DIPJ), valor não considerado pela fiscalização na diligência. DA CONCLUSÃO Diante do exposto, a contribuinte reitera todos seus argumentos alegados na impugnação, e requer que sejam cancelados os Autos de Infração. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, São Paulo, apreciando as razões trazidas pela autuada, decidiu, por meio do acórdão nº 16 36.386, de 27 de fevereiro de 2012, pela procedência parcial dos lançamentos tributários. O referido julgado restou assim ementado: AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais, rejeitase a preliminar argüida pela impugnante. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. PREÇO PARÂMETRO. ILEGALIDADE/INCONSTITUCIONALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA. Fl. 1281DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 5/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16643.000331/201002 Acórdão n.º 1301001.235 S1C3T1 Fl. 1.282 13 Não compete à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PRODUTOS IMPORTADOS A GRANEL. AGREGAÇÃO DE VALOR. VEDAÇÃO DE UTILIZAÇÃO DO MÉTODO PRL20. O método do PRL20 não pode ser aplicado nas hipóteses em que haja, no País, agregação de valor ao custo dos bens, não configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. ERRO DE FATO. EXONERAÇÃO PARCIAL. Constatado erro de fato na apuração dos ajustes a título de preços de transferência, exonerase parcialmente a exigência. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. DUPLICIDADE. EXONERAÇÃO TOTAL. Constatado que a matéria tributável objeto do presente processo relativa à compensação indevida de resultados negativos já foi objeto de autuação em outro processo administrativo, exatamente no mesmo montante, exonerase integralmente a exigência. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA À TAXA SELIC. A aplicação da multa de ofício e o cálculo dos juros de mora com base na taxa SELIC têm previsão legal, não competindo à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Diante da exoneração de parte do crédito tributário constituído, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício. Irresignada com a manutenção parcial das exigências, a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 1.140/1.179, em que, renovando a argumentação expendida nas peças de defesa apresentadas anteriormente, adita: que dos vinte e sete produtos que, de acordo com a diligência fiscal efetuada, os ajustes não estão corretos, dois deles não constaram da lista inicial de cento e oitenta e cinco produtos que serviu de base para a autuação original; que, ainda que tivesse sido observado o devido procedimento para o seu lançamento (lavratura de um novo auto de infração), os débitos decorrentes dos ajustes relativos aos dois produtos em questão não poderiam ser exigidos, haja vista o decurso do prazo decadencial; que, além da ilegalidade na fórmula de cálculo trazida pela IN 243/02, esta também excede dos limites da legalidade no que tange à definição de quais bens importados de partes vinculadas devem sujeitarse ao método PRL 20 e quais devem sujeitarse ao PRL 60; Fl. 1282DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 5/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16643.000331/201002 Acórdão n.º 1301001.235 S1C3T1 Fl. 1.283 14 que não será qualquer alteração nas características físicas do produto que deverá ser qualificada como PRODUÇÃO, visto que a revenda pode englobar formas mais simples de industrialização; que não há como prevalecer o entendimento manifestado na decisão recorrida no sentido de que “acondicionamento” para o direito tributário é diferente do mesmo conceito no direito privado; que a sistemática da IN 243/02 não segue os parâmetros estabelecidos pela Lei nº 9.430/96, alterada pela Lei nº 9.959/00, e provoca um aumento substancial no valor dos ajustes tributáveis, introduzindo uma série de elementos no cálculo do PRL 60 que sequer se interpretam do art. 18, II, da Lei 9.430/96; que é tão flagrante a ilegalidade do cálculo do método PRL 60 introduzido pela IN 243/02 que o próprio Ministério da Fazenda reconheceu a necessidade de lei para tanto, ao editar a Medida Provisória nº 478, de 2009, e a Medida Provisória nº 563, de 2012. A Fazenda Nacional, amparada pelas disposições do parágrafo 2º do art. 48 do ANEXO II do Regimento Interno deste Colegiado (Ricarf), apresentou contrarrazões, em que: pondera pela desconsideração da argumentação da contribuinte autuada acerca da suposta inclusão, por meio da diligência fiscal, de produtos que não constavam na lista relativa ao procedimento original, visto que a fiscalizada foi intimada do resultado da citada diligência e nada argüiu a respeito; que, ainda que se considere que tais produtos não estavam presentes no lançamento original, considerando que o fato gerador do imposto de renda relativo a ajustes preços de transferência do exercício de 2006 é 31/12/2006, o termo a quo para a constituição do crédito tributário respectivo seria 31/12/2011; que, ainda que assim não se entenda, acatandose a tese da recorrente de que seria imprescindível a lavratura de auto de infração ou notificação de lançamento complementar, há que se frisar que nessa hipótese teríamos presente um vício na forma legalmente prevista para a constituição do credito tributário relativo a esses dois produtos: enquanto a legislação prevê a lavratura de novo auto como formalidade indispensável, a autoridade fiscal teria apenas adicionado os ajustes complementares no auto já existente; que, não tendo havido preterição do direito de defesa, eis que a autuada foi devidamente intimada dos novos cálculos e pôde apresentar manifestação complementar à impugnação, concluise tratar de nulidade exclusivamente por vício formal, passível de novo lançamento na forma do artigo 173, II, do CTN; que, caso se entenda por afastar a exigência fiscal em relação aos dois produtos, é mister que fique consignado o caráter formal do vício constatado; que, em que pese não tenha havido a transformação ou exaustão dos bens importados, não se pode afirmar que os produtos importados a granel foram objeto de simples revenda, visto que tais mercadorias foram submetidas a uma última etapa de produção em território nacional, que consiste no processo de blisterização e embalagem, etapa de produção que inegavelmente representa agregação de valor ao produto, às vezes ínfima, às vezes de Fl. 1283DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 5/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16643.000331/201002 Acórdão n.º 1301001.235 S1C3T1 Fl. 1.284 15 elevada monta, principalmente quando há aposição de marca, sendo certo que a legislação não distingue a pequena agregação de valor da elevada agregação; que a submissão de um bem à atividade produtiva não pressupõe necessariamente a transformação da matéria, elemento necessário apenas à caracterização da industrialização; que um bem também é aplicado à produção quando lhe são acrescentados elementos que o completam sem, contudo, interferir em sua integridade; que qualquer intervenção realizada pelo importador que não caracterize a mera revenda, acarretando agregação de valor, implica na submissão do item à produção local, sendo inafastável a incidência do PRL60; que não se pode confundir o processo aqui descrito com o mero acondicionamento ou reacondicionamento, definido no artigo 4º, inciso IV, do RIPI/98, pois o procedimento de blisterização, embalagem e aposição de marca representa etapa do processo produtivo/industrial, já que a embalagem, no caso, tem por objetivo adequar o produto para alcançar o consumidor final, enquanto o acondicionamento/reacondicionamento significa que a embalagem se destina apenas ao transporte da mercadoria e apresentase, em geral, sem o acabamento elaborado ou a rotulagem, que agregam valor ao produto; que a metodologia de cálculo exposta na IN SRF nº 243/2002 simplesmente regulamenta o disposto no art. 18, inciso II, da Lei nº 9.430/96, em estrita conformidade à intenção do legislador: evitar a transferência indireta de lucros para o exterior nas operações praticadas entre partes vinculadas, através do controle dos preços dos bens importados; que, considerando que a finalidade do método PRL60 consiste na mensuração do preçoparâmetro da matériaprima importada, visando evitar seu superdimensionamento, a sua sistemática de cálculo deve ser fundamentada no valor de revenda do insumo importado, e não no valor total do bem produzido; que a metodologia do PRL 60 defendida pela recorrente não é adequada para a apuração do custo dedutível do insumo importado, na medida em que estabelece o cálculo da margem de lucro de 60% sobre o preço líquido de venda do bem produzido, o que enseja a majoração indevida do preçoparâmetro, divergindo, assim, da previsão do artigo 18 da Lei 9.430/96, uma vez que o legislador não estabeleceu a incidência da margem de lucro de 60% sobre o valor integral do preço líquido de venda do bem produzido, diminuído do valor agregado no país, mas, sim, uma margem mínima sobre o valor de revenda do bem importado, de modo que é impossível fazer isso sem considerar a fração do produto final que corresponde ao bem importado, que foi nele incorporado; que é necessário deixar claro que a interpretação meramente gramatical do art. 18 da Lei nº 9.430/96 pode resultar em diferentes fórmulas de cálculo do PRL 60, constatação esta que se agrava pela impropriedade de redação apontada, o que denota que não há uma única fórmula “pronta e acabada” no diploma legal; que, como em qualquer texto, a interpretação da Lei nº 9.430/96 é plurívoca, e dá margem a dúvidas que devem ser esclarecidas pela regulamentação administrativa, de acordo com a finalidade da Lei; Fl. 1284DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 5/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16643.000331/201002 Acórdão n.º 1301001.235 S1C3T1 Fl. 1.285 16 que a metodologia do PRL 60 prevista no art. 12 da IN SRF nº 243/2002 simplesmente explicita o disposto no art. 18, II, da Lei nº 9.430/96, em coerência à intenção do legislador plasmada na Exposição de Motivos, o que demonstra a sua legalidade; que essa foi a orientação adotada pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região em 10/2/2011, por ocasião do julgamento do processo nº 2003.61.00.0173814/SP, no qual a Terceira Turma reviu seu entendimento anterior e decidiu pela legalidade da sistemática do PRL 60 estabelecida na IN SRF nº 243/2002, por unanimidade de votos; que, mais recentemente, a Sexta Turma do TRF3 também reconheceu a legalidade da IN nº 243/02, por unanimidade de votos (processo nº 2003.61.00.0061258/SP); que, por ser a multa, indubitavelmente, obrigação principal, não se pode chegar a outra conclusão se não a de que ela integra o crédito tributário, de modo que, tanto sobre o tributo (principal), quanto sobre a multa, deve incidir juros, como determina o § 1º do art. 161 do Código Tributário Nacional. É o Relatório. Fl. 1285DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 5/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16643.000331/201002 Acórdão n.º 1301001.235 S1C3T1 Fl. 1.286 17 Voto Vencido Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço dos apelos. Em conformidade com o TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL de fls. 422/437, foram as seguintes as infrações imputadas à contribuinte pela Fiscalização: i) diferença de ajuste de preços de transferência, apurada a partir da seguinte metodologia: utilização do método PRL 20 para os itens objeto de simples revenda, e do método PRL 60 para os itens aplicados à produção; cálculo de acordo com as disposições da Instrução Normativa nº 243, de 2002; e inclusão, no cálculo, dos valores referentes ao frete e ao seguro; ii) compensação indevida de prejuízos fiscais e de bases negativas de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Aprecio, pois, os recursos impetrados. RECURSO DE OFÍCIO O recurso necessário foi interposto em razão de a autoridade julgadora de primeiro grau ter exonerado a contribuinte de parte do crédito tributário constituído relativamente ao ajuste de preços de transferência originalmente apurado, e da totalidade do que decorreu das compensações indevidas de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL. A exoneração relativa ao ajuste de preços de transferência tomou por base confirmação, por meio de diligência fiscal, da ocorrência de erro na prestação de informações pela contribuinte à autoridade fiscal, relativamente aos valores de PIS e COFINS incidentes sobre as vendas. Refazendo o cálculo dos preçosparâmetro a partir das informações corrigidas, a autoridade fiscal responsável pela diligência fiscal (a mesma que promoveu os lançamentos tributários) apurou um ajuste de R$ 5.426.007,44. Diante de tal fato, a autoridade julgadora de primeira instância apurou um ajuste tributável adicional de R$ 1.906.341,96, eis que deduziu do valor apurado por meio da diligência fiscal (R$ 5.426.007,44) o montante declarado pela contribuinte (R$ 3.519.665,48). Relativamente a tal questão, não identifico reparo a ser feito na decisão a quo, vez que o crédito tributário encontrase lastreado em verificações empreendidas pela própria autoridade autuante, por meio de diligência fiscal. No que diz respeito às compensações de prejuízos fiscais e de bases negativas, o cancelamento das exigências decorreu da constatação de duplicidade de autuação, Fl. 1286DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 5/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16643.000331/201002 Acórdão n.º 1301001.235 S1C3T1 Fl. 1.287 18 visto que no processo nº 16643.000032/200926 a matéria tributável compreendeu, da mesma forma do que no presente, a compensação indevida de prejuízos fiscais no anocalendário de 2006 no montante de R$ 24.959.865,83 e de bases negativas de CSLL no valor de R$ 14.297.980,89. Correto, pois, o decidido pela Turma Julgadora de primeira instância. Assim, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO INCLUSÃO DE PRODUTOS NÃO PRESENTES NA AUTUAÇÃO Alega a Recorrente que, dos vinte e sete produtos apontados pela Fiscalização na diligência fiscal como tendo sido objeto de ajustes incorretos, dois deles não constavam da lista inicial de cento e oitenta e cinco produtos que constituiu o objeto do auto de infração (ITEM 1003720, GELFOAM, AJUSTE DE R$ 189.810,94 e ITEM 240036, APLICADOR PARA CIDR OVINOS, AJUSTE DE R$ 149,22). Destaca que as exigências relacionadas a esses dois produtos referemse ao anocalendário de 2006, de modo que, independentemente do prazo decadencial que se pretenda aplicar, tais débitos já se encontram decaídos. Os produtos passíveis de ajuste apurados por meio do procedimento de diligência fiscal encontramse discriminados no quadro de fls. 1.081. Ali, constatase a inclusão dos produtos mencionados pela Recorrente em sua peça de defesa, quais sejam: código 1003720 e código 240036. A autuação original, por sua vez, foi promovida com base no quadro de fls. 429/433, que integra o TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL. Promovendo a comparação entre os referidos quadros, verifico que, de fato, os produtos de códigos 1003720 e 240036 não fizeram parte da autuação, isto é, não foi constituído crédito tributário relativo a ajustes de qualquer natureza. Penso que os argumentos da Recorrente relativamente ao presente item devam ser acolhidos. À evidência, a diligência fiscal requerida na instância a quo deveria limitarse à revisão dos ajustes relacionados aos produtos (itens) que constaram da exigência inicial, revelando inovação a eventual inclusão, por meio do referido procedimento, de qualquer produto ou item que dela (da exigência inicial) não constavam. Na linha do sustentado pela Recorrente, a eventual constatação de produto/item não incluído no lançamento original deveria obedecer as prescrições do parágrafo 3º do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo reproduzido. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Fl. 1287DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 5/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16643.000331/201002 Acórdão n.º 1301001.235 S1C3T1 Fl. 1.288 19 [...] § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. Com o devido respeito, não vejo como acolher a argumentação do ilustre Representante da Fazenda Nacional no sentido de que o fato de a contribuinte ter sido intimada do resultado da diligência supre a ausência da constituição do crédito tributário ora questionada. Nos exatos termos do disposto no art. 9º do Decreto nº 70.235/72, a exigência de crédito tributário deve ser formalizada em autos de infração ou notificações de lançamento os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Discordo, também, de que, no caso, estamos diante de mero vício de forma, o que possibilitaria a aplicação do disposto no inciso II do art. 173 do Código Tributário Nacional, vez que, inexistente lançamento anterior, não há de se falar em vício de qualquer natureza, mas, sim, de absoluta ausência de constituição de crédito tributário. Sou, pois, pela exclusão do montante de R$ 189.960,16 da matéria tributável apurada. PRODUTOS IMPORTADOS A GRANEL Alega a Recorrente que, no que tange aos quatro produtos importados em sua forma final, calculou seus ajustes pelo Método PRL 20, por entender não ter havido qualquer produção no Brasil que impusesse a necessidade de aplicação do Método PRL 60. Diz que a Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, excede dos limites de legalidade no que tange à definição de quais bens importados de partes vinculadas devem sujeitarse ao método PRL 20 e quais devem sujeitarse ao PRL 60. A meu ver, descabe falar em ilegalidade da Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, na situação em que ela estabelece a circunstância em que pode ser aceita a aplicação do PRL 20 (hipótese em que, no País, não haja agregação de valor ao custo dos bens, serviços ou direitos importados). No caso, o ato normativo complementou, em absoluta conformidade com o art. 100 do Código Tributário Nacional, a disposição de lei, esclarecendo a amplitude dos termos “revenda” e “produção” por ela utilizados. Assim, quando a referida Instrução Normativa estabelece que o método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento não pode ser aplicado quando há agregação de valor ao custo dos bens, serviços ou direitos importados (parágrafo 9º do art. 12), não inova em relação ao disposto na lei de suporte, apenas explicita, em perfeita consonância com a teoria econômica e contábil, o significado das expressões “produção” e “revenda” utilizados por ela. Com efeito, na “revenda” o que temos são encargos necessários à comercialização dos bens, serviços ou direitos, que não se agregam ao custo; na “produção”, Fl. 1288DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 5/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16643.000331/201002 Acórdão n.º 1301001.235 S1C3T1 Fl. 1.289 20 diferentemente, os gastos são incorridos no processo interno de geração de bens por parte da empresa, sendo eles agregados ao custo. No caso, não se trata, como parecer crer a Recorrente, de buscar na lei o conceito de “agregação de valor”, mas de investigar se nela existe tal elemento como indicador da diferença entre as atividades de PRODUÇÃO e REVENDA. Não me parece restar dúvida de que a Lei nº 9.430, de 1996, ao determinar a exclusão do valor agregado na determinação do preçoparâmetro com base no método PRL 60, deixa claro que, ressalvadas obviamente as margens de lucro fixadas, este é o elemento de diferenciação dos métodos, isto é, se existe AGREGAÇÃO DE VALOR AO CUSTO, estamos diante de PRODUÇÃO, se não existe referida agregação, mas, sim, encargos (despesas) de comercialização, tratase de mera REVENDA. Cabe destacar que, nos termos em que restou consignado pela Fiscalização, os itens considerados aplicados à produção foram levantados com base em informações prestadas pela própria contribuinte e constavam de tabela INSUMOPRODUTO por ela entregue, não se tratando o processo, portanto, de simples acondicionamento e embalagem de produtos. Embora eu tenha integrado o Colegiado por ocasião do julgamento do processo nº 16327.001248/200568 (acórdão nº 10517.210), momento em que se decidiu em sentido diverso do agora esposado, hoje, após densos debates acerca da matéria, tenho a firme convicção de que o marco divisório estampado na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, para fins de utilização do método PRL 60, qual seja, “agregação de valor”, como já dito, além de não contrariar a lei que lhe serviu de fundamento, encontra respaldo no que a teoria econômica e a contábil entende por “produção” e por “revenda”. Nesse diapasão, alinhome ao entendimento esposado pelo ilustre Redator do voto vencedor do acórdão nº 130200.915, Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ali, restou consignado, in verbis: [...] Com a devida vênia a lei nº 9.430/1996 é bastante clara ao estabelecer a aplicação do método PRL – 60% na hipótese de bens importados aplicados à produção, restringindo a aplicação do método PRL – 20% aos casos de simples revenda de produtos tais como importados, in verbis: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I – Método dos Preços Independentes Comparados PIC: definido como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes; Fl. 1289DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 5/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16643.000331/201002 Acórdão n.º 1301001.235 S1C3T1 Fl. 1.290 21 II – Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL :definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) (...) (Grifei) Por sua vez o art. 12 da IN.SRF, 243/2002, na esteira do texto legal define que o método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento somente será aplicado quando não haja agregação, no país, de valor ao custo dos bens, serviços ou direitos importados, configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos bens, serviços ou direitos importados. Havendo agregação de valor ao produto importado, ou seja, se o bem é aplicado na produção o PRL deve observar a margem de lucro de 60% . É o que dispõem os §§º 9º e 10 da IN, in verbis: (GRIFO DO ORIGINAL) Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. (...) Fl. 1290DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 5/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16643.000331/201002 Acórdão n.º 1301001.235 S1C3T1 Fl. 1.291 22 § 9º O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento somente será aplicado nas hipóteses em que, no País, não haja agregação de valor ao custo dos bens, serviços ou direitos importados configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos bens, serviços ou direitos importados. § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção. (...) (Grifei) Como se vê a instrução normativa nada mais fez do que desdobrar os conceitos trazidos pelo texto legal, sem qualquer modificação de seu conteúdo. Como bem apontado no voto vencido o conceito de produção equivale ao de fabricação ou industrialização. E, o conceito de industrialização está consagrado no Regulamento do IPI, amparado por duas leis quase sexagenárias: a Lei nº 5.172/1966 (CTN) e a Lei nº 4.502/1964. Definese industrialização como qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, entre elas a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento). É o que dispõe o art. 4º do Regulamento do IPI (Decreto nº 7.212/2010 que revogou o Decreto nº 4.502/2002), in verbis: Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 5.172, de 1966, art. 46, parágrafo único, e Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único): (...) IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou (...) Não resta dúvida que, no caso concreto, o acondicionamento dos medicamentos importados à granel em embalagens, alterando a apresentação do produto para venda no mercado interno, caracteriza processo de industrialização que agrega valor ao produto final. Não se trata de mera embalagem para transporte, mas de apresentação comercial do produto, da qual resulta agregação de valor em relação ao produto importado a granel. Fl. 1291DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 5/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16643.000331/201002 Acórdão n.º 1301001.235 S1C3T1 Fl. 1.292 23 Não se trata, portanto, de mera revenda dos produtos na forma como foram importados. Pelas razões expostas, sou pela manutenção das exigências relacionadas ao presente item. ILEGALIDADE DA IN SRF Nº 243/2002 Argumenta a Recorrente que a sistemática da IN SRF nº 243, de 2002, estabelecida para determinação do preçoparâmetro com base no método PRL 60, está em desacordo com as normas estampadas pela Lei nº 9.430/96. Diz que a alteração no modo de cálculo do método PRL promovida pelo citado ato normativo modifica o próprio critério de determinação da base de incidência tributária, o que não pode ser admitido, haja vista tratarse de norma secundária de direito tributário. Sustenta que é tão flagrante a ilegalidade do cálculo do método PRL 60 introduzido pela IN 243/02 que o próprio Ministério da Fazenda reconheceu a necessidade de lei para tanto, ao editar as Medidas Provisórias nºs 479, de 2009, e 563, de 2012. De início, creio que releva destacar que o art. 18 da Lei nº 9.430/96 não estabeleceu qualquer fórmula para a determinação do preço parâmetro relativo ao denominado método PRL 60%. As fórmulas, seja a porventura trazida pelo contribuinte, sejam as previstas em atos normativos editados pela Receita Federal (Instruções Normativas nºs 113/2000; 32/2001; e 243/2002), representam expressões matemáticas do exercício interpretativo feito pelo aplicador da lei, relativamente às disposições do art. 18 da Lei nº 9.430/96. A análise a ser empreendida no presente caso, portanto, dirigese no sentido de que seja aferido se a Instrução Normativa nº 243, de 2002, ao estabelecer fórmula para determinação do denominado preço parâmetro, foi além dos limites a ela impostos, isto é, extrapolou a lei que objetivou complementar. Digo que a questão limitase à análise das prescrições trazidas pela Instrução Normativa nº 243/2002, pois, no caso vertente, o anocalendário fiscalizado foi o de 2006, período em vigia o referido ato normativo. Penso que merece ser repisado que não estamos diante de instituição, pelo Poder Executivo, de fórmula de cálculo do preço parâmetro pelo método PRL 60% absolutamente diversa da fórmula estabelecida pelo Poder Legislativo (art.18 da Lei nº 9.430/1996), vez que, como já dito, a lei (o Poder Legislativo) não estabeleceu “fórmula”, isto é, não exprimiu por meio de símbolos os elementos que compunham o chamado preço parâmetro (a rigor, nem mesmo a Instrução Normativa nº 243/2002 fez isso). Vejamos, então, o disposto em cada um dos atos antes referenciados, relativamente ao caso em debate (art. 18 da Lei nº 9.430/96 e art. 12 da Instrução Normativa nº 243/2002). Lei nº 9.430/96 Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, Fl. 1292DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 5/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16643.000331/201002 Acórdão n.º 1301001.235 S1C3T1 Fl. 1.293 24 somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: ... II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; ... Instrução Normativa nº 243/2002 Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: ... b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. § 1º Os preços de revenda, a serem considerados, serão os praticados pela própria empresa importadora, em operações de venda a varejo e no atacado, com compradores, pessoas físicas ou jurídicas, que não sejam a ela vinculados. § 2º Os preços médios de aquisição e revenda serão ponderados em função das quantidades negociadas. § 3º Na determinação da média ponderada dos preços, serão computados os valores e as quantidades relativos aos estoques existentes no início do período de apuração. Fl. 1293DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 5/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16643.000331/201002 Acórdão n.º 1301001.235 S1C3T1 Fl. 1.294 25 § 4º Para efeito desse método, a média aritmética ponderada do preço será determinada computandose as operações de revenda praticadas desde a data da aquisição até a data do encerramento do período de apuração. § 5º Se as operações consideradas para determinação do preço médio contiverem vendas à vista e a prazo, os preços relativos a estas últimas deverão ser escoimados dos juros neles incluídos, calculados à taxa praticada pela própria empresa, quando comprovada a sua aplicação em todas as vendas a prazo, durante o prazo concedido para o pagamento. § 6º Na hipótese do § 5º, não sendo comprovada a aplicação consistente de uma taxa, o ajuste será efetuado com base na taxa: I referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), para títulos federais, proporcionalizada para o intervalo, quando comprador e vendedor forem domiciliados no Brasil; II Libor, para depósitos em dólares americanos pelo prazo de seis meses, acrescida de três por cento anuais a título de spread, proporcionalizada para o intervalo, quando uma das partes for domiciliada no exterior. § 7º Para efeito deste artigo, serão considerados como: I incondicionais, os descontos concedidos que não dependam de eventos futuros, ou seja, os que forem concedidos no ato de cada revenda e constar da respectiva nota fiscal; II impostos, contribuições e outros encargos cobrados pelo Poder Público, incidentes sobre vendas, aqueles integrantes do preço, tais como ICMS, ISS, PIS/Pasep e Cofins; III comissões e corretagens, os valores pagos e os que constituírem obrigação a pagar, a esse título, relativamente às vendas dos bens, serviços ou direitos objeto de análise. ... § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção. § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação Fl. 1294DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 5/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16643.000331/201002 Acórdão n.º 1301001.235 S1C3T1 Fl. 1.295 26 percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. A Recorrente assinala: [...] 70. A sistemática da IN 243/02 claramente não segue os parâmetros estabelecidos pela Lei 9.430/96, alterada pela Lei 9.959/00, e provoca um aumento substancial no valor dos ajustes tributáveis, introduzindo uma série de elementos no cálculo do PRL 60 que sequer se interpretam do artigo 18, ii, da Lei 9.430/96. 71. A margem de lucro de 60%, nos termos da IN 243/02, deve ser aplicada somente sobre o valor da participação do bem importado sobre o preço líquido de venda, e não sobre o preço líquido de venda total, como determina a Lei 9.430/96. Ainda, por meio da proporcionalização prevista na IN 243/02, o desconto do valor agregado não se faz na apuração da margem de lucro (como propõe a Lei 9.430/96, em seu artigo 18, II, “d”, 1), mas sim diretamente do preço líquido de venda, como se o valor agregado fosse equivalente aos descontos, impostos e comissões, previstos nas alíneas “a”, “b” e “c” do artigo 18, II, da Lei 9.430/96. [...] Resta evidente que a leitura que a Recorrente faz do disposto no art. 18 da Lei nº 9.430/96 resulta de exercício interpretativo, representando, apenas, uma, entre tantas interpretações possíveis. Para fins de solução da controvérsia, contudo, o que importa apreciar é se a interpretação feita pela Recorrente efetivamente traduz a disposição da lei. Cabe, da mesma forma, verificar se a “interpretação oficial”, promovida pela Receita Federal e esposada na Instrução Normativa nº 243, reflete o comando da lei, de modo a afastar a trazida pela ora Recorrente. Não me parece restar dúvida que o valor resultante da aplicação da “fórmula” descrita pela Recorrente não tem qualquer relação com o denominado preço parâmetro almejado pela lei. Fl. 1295DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 5/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16643.000331/201002 Acórdão n.º 1301001.235 S1C3T1 Fl. 1.296 27 As regras de preços de transferência, introduzidas no ordenamento jurídico pátrio por meio da já citada Lei nº 9.430, de 1996, objetivam impedir que, por meio de artifícios, rendas que deveriam permanecer no país sejam transferidas para o exterior. Tratandose de operações de importação de bens, serviços e direitos, tais transferências poderiam se dar por meio de superfaturamento, em que os custos seriam artificialmente majorados. A diferença entre o custo majorado e o que seria incorrido em uma operação sem artificialismos revela o montante da renda que, indevidamente, está sendo remetido ao exterior. O que, no parágrafo anterior, denominouse CUSTO INCORRIDO SEM ARTIFICIALISMOS, nada mais é que o PREÇO PARÂMETRO almejado pela lei a partir do estabelecimento de métodos matemáticos. O que a legislação de preços de transferência objetiva, portanto, é identificar, por meio de métodos matemáticos, o custo (no caso da importação) efetivo de determinado bem, serviço ou direito, caso a operação não seja realizada com pessoa vinculada ou com pessoa situada em país ou dependência com tributação favorecida ou cuja legislação interna oponha sigilo à divulgação de informações referentes à sua constituição societária ou titularidade. Observase que, no método em debate (PRL 60), o legislador partiu do preço de revenda para chegar ao custo. Assim, me parece razoável que se possa buscar a expressão matemática do preço parâmetro por meio do caminho inverso, isto é, através dos elementos formadores do preço. Em elevada sintetização, a formação de preços consiste em um processo de acumulação de custos, acrescida de uma margem de lucro. Admitida uma liberdade terminológica, isto é, abandonado o rigor dos conceitos próprios da teoria econômica, podese afirmar que o preço praticado por determinado unidade produtiva resulta da soma dos custos totais incorridos no processo produtivo, incluídos aí a remuneração dos fatores de produção (valor agregado), acrescidos de uma margem de lucro. A grosso modo, o preço de venda (PV) de um determinado produto poderia ser assim determinado: PV = custo de importação dos insumos + custo incorrido no processo produtivo (remuneração de fatores = valor agregado) + impostos, descontos incondicionais, comissões, etc. (despesas fixas e variáveis) + margem de lucro. No caso da aplicação do método do Preço de Revenda menos Lucro a insumo importado utilizado no processo produtivo, o preço parâmetro representa o custo de importação livre dos elementos previstos na lei como integrantes do preço de revenda. Daí que se considera esse preço de revenda diminuído dos descontos incondicionais; dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; das comissões e corretagens pagas; da margem de lucro fixada pela lei (60% sobre o preço de revenda após deduzidos os descontos incondicionais, os impostos e contribuições incidentes sobre as vendas e as comissões e corretagens pagas); e do valor agregado do país. Exprimindo matematicamente esta primeira análise, teríamos: PP = PR – C/D – ML (PR – C/D) – VA Onde: Fl. 1296DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 5/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16643.000331/201002 Acórdão n.º 1301001.235 S1C3T1 Fl. 1.297 28 PP = Preço Parâmetro; C/D = Custos e Despesas previstos na lei; ML = Margem de Lucro VA = Valor Agregado Considerando “PR – C/D” como Preço Líquido de Revenda (PLV), teríamos: PP = PLV – ML (PLV) – VA Vêse, pois, que, na metodologia do PRL, a determinação do preço parâmetro parte do preço de revenda para, excluindo os elementos formadores deste mesmo preço (custos e despesas incorridos; margem de lucro; e valor agregado) chegar ao valor de comparação estipulado pela lei. Noutra vertente, utilizandose a mesma nomenclatura acima, o preço parâmetro também poderia ser expresso da seguinte forma: PP = PLV – ML (PLV – VA) ou PP = PLV – ML (PLV) + ML (VA) Notese que, neste caso, o preço de comparação (preço parâmetro), que deveria representar o preço de revenda diminuído dos seus elementos formadores, passa a ser o preço de revenda diminuído dos custos e despesas incorridos e da margem de lucro incidente sobre ele, porém, acrescido da margem de lucro incidente sobre o valor agregado, o que, à evidência, revela artificialismo na sua determinação e desvio em relação ao pretendido pela lei. Como reforço à interpretação aqui expendida, sirvome do pronunciamento do Ilustre Conselheiro Leonardo Andrade do Couto (acórdão nº 110200610, de 23 de novembro de 2011), que, escudandose em estudo feito pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, naquilo que importa reproduzir, assinalou: [...] Em recente trabalho sobre o tema, a PGFN justifica o porquê da apuração nos termos supra estipulados em detrimento à sistemática suscitada pelo sujeito passivo, e esclarece que pela leitura do art. 18, da Lei nº 9.430/96 já se poderia chegar a essa conclusão: É importante ressaltar, nesse passo, que a fórmula mencionada pode ser extraída da leitura do art. 18 da Lei nº 9.430/96, considerando a falta de clareza na redação do item 1 do inciso II, in verbis: II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; Fl. 1297DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 5/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16643.000331/201002 Acórdão n.º 1301001.235 S1C3T1 Fl. 1.298 29 b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (grifos do original) De fato, é possível interpretar o texto legal no sentido de que o parâmetro seria obtido a partir da “média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos (i) dos descontos incondicionais concedidos, (ii) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, (iii) das comissões e corretagens pagas, (iv) da margem de lucro de sessenta por cento, e (v) do valor agregado no País”. A margem de lucro de sessenta por cento, por sua vez, seria calculada exclusivamente “sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores”. Nesse sentido, vale transcrever as observações de Ricardo Marozzi Gregório acerca da falta de clareza do texto legal: “Neste ponto, um importante aspecto deve ser observado. Trata se da falta de clareza do texto introduzido no item “1” da nova alínea “d”. Com efeito, afirmase que a margem de lucro de 60% deve ser “calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País” Ora, uma primeira leitura deste trecho faz pressupor que houve erro gramatical na utilização da preposição “de” juntamente com o artigo “o” antes da expressão “valor agregado”. Assim, para que ficasse gramaticalmente correta, ao invés de “do valor agregado” deveria se assumir que a lei quis dizer “o valor agregado”. [...] Quanto à primeira investigação, já se mencionou que uma possível premissa para a interpretação da falta de clareza do texto introduzido no item “1” da nova alínea “d” do artigo 18, inciso II, da Lei nº 9.430/96, é a aceitação de que houve um erro gramatical na utilização da preposição “de” juntamente com o artigo “o” antes da expressão “valor agregado”. Pois bem, uma outra possível premissa é a que sustenta que não houve erro gramatical, mas técnica redacional inapropriada. Para melhor esclarecimento, vale a pena reproduzir a íntegra do novo texto do artigo 18, inciso II, depois da alteração introduzida pela Lei nº 9.959/00: [...] A técnica redacional inapropriada, identificada por Victor Polizelli, decorre da percepção de que a expressão “do valor agregado” não se refere à palavra “deduzidos”, presente no mesmo item “1” da alínea “d”, mas sim à palavra “diminuídos”, que consta no “caput” do próprio inciso II. Esta Fl. 1298DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 5/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16643.000331/201002 Acórdão n.º 1301001.235 S1C3T1 Fl. 1.299 30 técnica seria justificada pela intenção de se evitar a inserção de uma alínea “e”, pois a exclusão do valor agregado só se aplicaria na hipótese de bens aplicados à produção. [...] Assumindo essa premissa para as hipóteses de produção local, uma outra fórmula de apuração do preço parâmetro pode ser identificada: PP = PL – 0,6 x PL – VA.” 1 Nessa linha de raciocínio, notase que a expressão “do valor agregado” se refere ao termo “diminuídos” (inciso II), e não à palavra “deduzidos” (item 1 da alínea d). Como apontado no trecho citado, cuidase de técnica redacional inapropriada, voltada a evitar a inclusão de mais uma alínea no inciso II do art. 18, hipótese que se visualiza abaixo: II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. e) e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção. Por outro lado, a tese de que o valor agregado deve ser incluído no cálculo da margem de lucro não está em sintonia à própria dicção do dispositivo legal Para abrigar a interpretação proposta pela contribuinte, o item 1 do inciso II do art. 18 da Lei nº 9.430/96 deveria ser redigido nos seguintes termos: “1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e o valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção.” ou “1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após a dedução dos valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção.” 1 Preços de Transferência: uma avaliação da sistemática do método PRL. In: Tributos e Preços de Transferência. 3º vol. São Paulo: Dialética, 2009. p. 170195. Fl. 1299DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 5/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16643.000331/201002 Acórdão n.º 1301001.235 S1C3T1 Fl. 1.300 31 ... Em resumo, é necessário deixar claro que a interpretação meramente gramatical do art. 18 da Lei nº 9.430/96 pode resultar em diferentes fórmulas de cálculo do PRL 60, o que denota que não há uma única fórmula “pronta e acabada” no diploma legal. Assim como em qualquer texto, a interpretação da Lei nº 9.430/96 é plurívoca, o que dá margem a dúvidas que devem ser esclarecidas pela regulamentação administrativa. Creio não restar dúvida de que a Instrução Normativa 243/2002 revela interpretação distinta da que foi feita pela a que lhe antecedeu (Instrução Normativa SRF nº 32, de 2001), mas isso não autoriza a conclusão de que a interpretação anterior estava em conformidade com a lei e a atual representou inovação. Ao contrário, como anteriormente demonstrado, a interpretação trazida pela Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, é a que melhor traduz os comandos estampados no art. 18 da Lei nº 9.430/96, vez que revela com maior precisão o objetivo almejado pelo referido diploma legal. No que diz respeito à proporcionalização, penso que a questão é de ordem puramente matemática (e não jurídica), que empresta maior exatidão na determinação do preço parâmetro. Tratandose de comparação de custos (CUSTO LEGAL/PREÇO PARÂMETRO X CUSTO APROPRIADO), resta evidente que eu não posso confrontar o custo do insumo (PARTE DO PRODUTO) com o custo total do produto. Ademais, a proporcionalização em comento produz a exclusão in totum do valor agregado, permitindo, assim, a explicitação mais adequada do preço parâmetro. A alegada “majoração (indevida) da base de cálculo do IRPJ e da CSLL”, logicamente, é mera decorrência do exercício interpretativo feito pela Recorrente acerca das disposições do art. 18 da Lei nº 9.430/96, que, afastando os preceitos da Instrução Normativa nº 243/2002, revelou alternativa matemática mais favorável para a determinação do ajuste exigido pela legislação de regência. O fato de a exposição de motivos da Medida Provisória nº 478, de 2009, assinalar que grande parte da legislação relativa a preços de transferência encontrase baseada em normas complementares não autoriza concluir que referida Medida pretendeu, como quer crer a Recorrente, corrigir ilegalidades da Instrução Normativa SRF nº 243/2002. O objetivo, a bem da verdade, foi, nos exatos termos ali expressos, “reduzir a litigiosidade que a matéria tem suscitado”. Resta evidente que a inclusão da fórmula de determinação do preço parâmetro sob discussão em dispositivo com força de lei, a exemplo do que fez a Medida Provisória nº 563, de 03 de abril de 2012, atual Lei nº 12.715, de 2012, contribui para a redução dos litígios, mas, como dito, isto não significa dizer que a interpretação trazida pela norma complementar editada pela Receita Federal inovou em relação ao comando legal da qual ela emergiu. Em sentido contrário, penso que a contemplação em referência reafirma a procedência da interpretação infralegal, vez que representa absoluta convergência com o objetivo almejado pelas regras de preços de transferência. Cabe destacar que, não obstante a reprodução da metodologia trazida pela Instrução Normativa 243/2002, tanto a Medida Provisória nº 478, como a de nº 563, não Fl. 1300DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 5/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16643.000331/201002 Acórdão n.º 1301001.235 S1C3T1 Fl. 1.301 32 trataram exclusivamente desta matéria (metodologia do cálculo do preço parâmetro), eis que promoveram, fundamentalmente, alteração na margem de lucro. Releva notar que os efeitos econômicos decorrentes da aplicação do método PRL 60, residem, essencialmente, na fixação, pela lei, da margem de lucro de 60%, matéria em relação a qual, ao menos em seara administrativa, a autoridade julgadora não pode se desviar do estabelecido em lei. A Medida Provisória nº 563/2012 (Lei nº 12.715, de 2012), ao reproduzir a metodologia estampada na Instrução Normativa 243/2002, joga por terra o argumento de que referida norma complementar viola o princípio “arm’s lenght” e reafirma o reverberado por densa doutrina no sentido de que, visto pela ótica econômica, o fator negativo do método PRL 60 repousa na margem de lucro de 60%, considerada excessiva se comparada a aplicável aos casos de importação para revenda (20%). Esclareço que, aqui, não se está negando eventuais efeitos negativos, do ponto de vista econômico, da fórmula estampada na IN 243, mas, apenas, destacando que ela retrata de forma fiel o estabelecido pela lei de regência. A Recorrente, por sua vez, presumivelmente ciente de que a margem de lucro fixada pela lei revelouse excessiva e de que a autoridade administrativa julgadora encontrase impedida de atenuar os efeitos decorrentes de tal excessividade, empresta interpretação equivocada na aplicação do método, procurando, por via oblíqua, reduzir o ajuste tributário. Reitero, pois, o entendimento no sentido de que a expressão matemática extraída das disposições da IN 243 é a que otimiza o pretendido pelas normas de preços de transferência, eis que: i) matematicamente, preserva uma margem de lucro mínima, no patamar fixado pela lei (60%); ii) possibilita o ajuste tomando por base o insumo importado, e não o valor total do produto dele decorrente; iii) exclui integralmente o valor agregado, permitindo a explicitação do preço parâmetro livre de qualquer artificialismo; iv) em que pese eventuais distorções econômicas no âmbito em que é aplicada (empresas submetidas ao controle), alcança o objetivo pretendido pelas normas de preços de transferência. Mantenho, assim, as exigências decorrentes dos fatos apreciados no presente item. MULTA DE OFÍCIO E JUROS SELIC Para Recorrente, há excesso na exigência de multa de ofício de 75%, motivo pelo qual ela deve ser reduzida a um percentual razoável. Diz que, na forma aplicada, a multa configura uma situação abusiva, extorsiva, expropriatória, além de confiscatória e em total confronto com o art. 150, inciso VI, da Constituição Federal. Argumenta a Recorrente que a jurisprudência tem reconhecido a inaplicabilidade da taxa SELIC aos créditos tributários, uma vez que a referida taxa não foi criada por lei para fins tributários. Fl. 1301DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 5/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16643.000331/201002 Acórdão n.º 1301001.235 S1C3T1 Fl. 1.302 33 No que diz respeito à suposta violação a princípios constitucionais por parte da norma que serviu de suporte para a aplicação da penalidade, cabe observar que, nos termos da súmula CARF nº 2, abaixo reproduzida, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre tal matéria. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Na mesma linha, a questão da aplicação dos juros selic já se encontra pacificada no âmbito deste Colegiado, conforme súmula CARF nº 4 abaixo transcrita. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Sustenta a Recorrente que não é possível a cobrança de juros à taxa selic sobre a multa de ofício aplicada. No que tange à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, em que pese a existência manifestações em sentido diverso, mantenho o entendimento de que a expressão “ ...débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal” assinalada pelo artigo 61 da Lei nº 9.430/96, não dá respaldo para que, com base no parágrafo 3º do mesmo artigo, possa ser cobrado juros SELIC sobre a multa de ofício. Diante de tais circunstâncias, inclinome no sentido de acolher os argumentos trazidos pela ilustre Conselheira Sandra Maria Farone no acórdão nº 10194.441, de 03 de dezembro de 2003. Ali restou ementado, verbis: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – Acolhemse os embargos de declaração para deixar claro que, na execução do acórdão, os juros de mora à taxa selic só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. Sobre a multa podem incidir juros de mora à taxa de 1% ao mês, contados a partir do vencimento do prazo para impugnação. Os fundamentos de tal entendimento encontramse a seguir reproduzidos. [...] O art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ressalvando apenas a pendência de consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento do crédito. O § 1º do mesmo artigo determina que, se a lei não dispuser de forma diversa, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. No caso de multa por lançamento de ofício, seu vencimento dáse no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração. Assim, o valor da multa lançada, se não pago no prazo de impugnação, sujeitase aos juros de mora. As disposições legais que tratam dos juros de mora são as seguintes: Fl. 1302DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 5/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16643.000331/201002 Acórdão n.º 1301001.235 S1C3T1 Fl. 1.303 34 Lei 8.383/91 Art. 59. Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de vinte por cento e a juros de mora de um por cento ao mês calendário ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. Lei 8.981/95 Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; Lei 9.065/95 Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. (Obs. A alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei 8.847/94 e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei 8.981/95 referemse a juros sobre parcelamentos). Lei 9.430/96 Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Como se vê, só há dispositivo legal autorizando a cobrança de juros de mora à taxa SELIC sobre a multa no caso de lançamento de multa isolada, não porém quando ocorrer a formalização da exigência do tributo acrescida da multa proporcional. Nesse caso, só podem incidir juros de mora à taxa de 1%, a partir do trigésimo dia da ciência do auto de infração, conforme previsto no § 1o do art. 161 do CTN. [...] Nessa mesma linha, os acórdãos abaixo indicados: Fl. 1303DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 5/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16643.000331/201002 Acórdão n.º 1301001.235 S1C3T1 Fl. 1.304 35 ACÓRDÃO nº 10709.344, julgado em 16/04/2008: MULTA DE OFÍCIO JUROS DE MORA – Sobre a multa de ofício lançada juntamente com o tributo ou contribuição, não paga no vencimento, incidem juros de mora de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do art. 161 do Código Tributário Nacional. ACÓRDÃO nº 10196.448, julgado em 09/11/2007: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO – No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de ofício não paga no vencimento incidem juros de mora. Em se tratando de tributos cujos fatos geradores tenham ocorrido após 31/12/1994, sobre a multa por lançamento de ofício incidem juros de mora de 1% ao mês. Por todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO E DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO para excluir da matéria tributável apurada o montante de R$ 189.960,16, e para determinar que na execução da presente decisão sejam cobrados juros de mora de 1% sobre a multa de ofício lançada. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 1304DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 5/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16643.000331/201002 Acórdão n.º 1301001.235 S1C3T1 Fl. 1.305 36 Voto Vencedor Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, redator designado. Em que pese o brilhantismo do voto do ilustre Sr. Relator, com toda a acuidade que lhe é peculiar, ouso dele discordar, neste caso, específica e exclusivamente no que diz respeito à discussão em torno da (in)validade das disposições da IN SRF 243/2002 e a adequada exegese das disposições da Lei 9.430/96. A discussão travada nos autos, conforme já aqui antes demonstrado, referese ao debate em torno à discussão da validade do lançamento fiscal, efetivado em face da discordância entre a contribuinte e os agentes fazendários, a respeito da adequada e válida aplicação dos métodos de apuração dos conhecidos “Preços de Transferência”, de que tratam as disposições da IN 243/2002. A matéria, como se sabe, é tema de relevantes debates neste Conselho, envolvendo, em seu cenário, exatamente a discussão em torno da legalidade das disposições contidas na referida IN 243/2002, em face das disposições contidas na Lei 9.430/96, que, em suas disposições originárias, assim, á época, apresentavase: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I Método dos Preços Independentes Comparados PIC: definido como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes; II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) III Método do Custo de Produção mais Lucro CPL: definido como o custo médio de produção de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no país onde tiverem sido originariamente produzidos, acrescido dos impostos e taxas cobrados pelo referido país na exportação e de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o custo apurado. § 1º As médias aritméticas dos preços de que tratam os incisos I e II e o custo médio de produção de que trata o inciso III serão calculados considerando os preços praticados e os custos incorridos durante todo o período de apuração da base de cálculo do imposto de renda a que se referirem os custos, despesas ou encargos. § 2º Para efeito do disposto no inciso I, somente serão consideradas as operações de compra e venda praticadas entre compradores e vendedores não vinculados. Fl. 1305DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 5/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16643.000331/201002 Acórdão n.º 1301001.235 S1C3T1 Fl. 1.306 37 § 3º Para efeito do disposto no inciso II, somente serão considerados os preços praticados pela empresa com compradores não vinculados. § 4º Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, observado o disposto no parágrafo subseqüente. § 5º Se os valores apurados segundo os métodos mencionados neste artigo forem superiores ao de aquisição, constante dos respectivos documentos, a dedutibilidade fica limitada ao montante deste último. § 6º Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. § 7º A parcela dos custos que exceder ao valor determinado de conformidade com este artigo deverá ser adicionada ao lucro líquido, para determinação do lucro real. § 8º A dedutibilidade dos encargos de depreciação ou amortização dos bens e direitos fica limitada, em cada período de apuração, ao montante calculado com base no preço determinado na forma deste artigo. § 9º O disposto neste artigo não se aplica aos casos de royalties e assistência técnica, científica, administrativa ou assemelhada, os quais permanecem subordinados às condições de dedutibilidade constantes da legislação vigente. (grifos e destaques nossos) Essas disposições, conforme apontado, eram as disposições originárias contidas na referida norma à época da ocorrência dos fatos tratados nos presentes autos, já tendo sido efetivada a pretensão de sua alteração (conforme apontado pela recorrente) a partir da inserção, em nosso sistema jurídico, das disposições da MP 478/2009 (não convertida), e, mais recentemente, da MP 563/2012, esta convertida na recente Lei 12.715/2012, de 17 de Setembro de 2012, que, promovendo relevantes alterações no sistema, será aqui ainda analisada. Nada obstante, cumpre destacar, a princípio, que, conforme destacado, a discussão fundamental havida nos autos referese à discussão a respeito da legalidade das disposições contidas na IN 243/2002, tendo em vista o apontamento efetivado pela recorrente de que este diploma regulamentar não teria observado, em suas disposições, as determinações contidas na respectiva legislação de regência, estando assim eivada de ilegalidade, nos termos apontados. Diante dessas considerações, destaquemos as expressas disposições da referida IN 243/2002, especificamente no que aqui especificamente nos interessa: Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. § 1º Os preços de revenda, a serem considerados, serão os praticados pela própria empresa importadora, em operações de venda a varejo e no atacado, com compradores, pessoas físicas ou jurídicas, que não sejam a ela vinculados. § 2º Os preços médios de aquisição e revenda serão ponderados em função das quantidades negociadas. § 3º Na determinação da média ponderada dos preços, serão computados os valores e as quantidades relativos aos estoques existentes no início do período de apuração. Fl. 1306DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 5/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16643.000331/201002 Acórdão n.º 1301001.235 S1C3T1 Fl. 1.307 38 § 4º Para efeito desse método, a média aritmética ponderada do preço será determinada computandose as operações de revenda praticadas desde a data da aquisição até a data do encerramento do período de apuração. § 5º Se as operações consideradas para determinação do preço médio contiverem vendas à vista e a prazo, os preços relativos a estas últimas deverão ser escoimados dos juros neles incluídos, calculados à taxa praticada pela própria empresa, quando comprovada a sua aplicação em todas as vendas a prazo, durante o prazo concedido para o pagamento. § 6º Na hipótese do § 5º, não sendo comprovada a aplicação consistente de uma taxa, o ajuste será efetuado com base na taxa: I referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), para títulos federais, proporcionalizada para o intervalo, quando comprador e vendedor forem domiciliados no Brasil; II Libor, para depósitos em dólares americanos pelo prazo de seis meses, acrescida de três por cento anuais a título de spread, proporcionalizada para o intervalo, quando uma das partes for domiciliada no exterior. § 7º Para efeito deste artigo, serão considerados como: I incondicionais, os descontos concedidos que não dependam de eventos futuros, ou seja, os que forem concedidos no ato de cada revenda e constar da respectiva nota fiscal; II impostos, contribuições e outros encargos cobrados pelo Poder Público, incidentes sobre vendas, aqueles integrantes do preço, tais como ICMS, ISS, PIS/Pasep e Cofins; III comissões e corretagens, os valores pagos e os que constituírem obrigação a pagar, a esse título, relativamente às vendas dos bens, serviços ou direitos objeto de análise. § 8º A margem de lucro a que se refere a alínea "a" do inciso IV do caput será aplicada sobre o preço de revenda, constante da nota fiscal, excluídos, exclusivamente, os descontos incondicionais concedidos. § 9º O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento somente será aplicado nas hipóteses em que, no País, não haja agregação de valor ao custo dos bens, serviços ou direitos importados, configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos bens, serviços ou direitos importados. § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção. § 11. Na hipótese do §10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. Diante dessas circunstâncias, passemos então à análise das circunstâncias apontadas: Fl. 1307DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 5/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16643.000331/201002 Acórdão n.º 1301001.235 S1C3T1 Fl. 1.308 39 Da (in)validade das disposições da IN 243/2002 Em relação a esse primeiro ponto de destaque, cumpre ressaltar que, de acordo com as disposições da r. decisão de origem, a matéria sequer fora especificamente analisada, tendo em vista apenas, e tão somente, o apontamento de que tratandose, na essência, de discussão a respeito da validade (legalidade) do ato normativo regulamentar, descaberia às Delegacias Regionais de Julgamento qualquer manifestação a seu respeito, tendo em vista a falta de competência para tanto. A discussão a respeito da legitimidade da avaliação da legalidade dos atos normativos infralegais pelos órgãos de julgamento, de fato, é tema hoje pacífico na doutrina e jurisprudência pátria, sendo aí relevante o destaque que se faz em relação á diferença entre às Delegacias da Receita Federal, responsáveis pela fiscalização e pelo lançamento de tributos contra os contribuintes, e os atos próprios das chamadas Delegacias Regionais de Julgamento – DRJ, cuja competência, a teor do que estabelecido nas disposições do Decreto 70.235/72, é, exatamente, a de controle de legalidade dos atos administrativos. Nessa linha, afasto, desde já, o apontamento contido na r. decisão de origem a respeito da impossibilidade de apreciação da legalidade das Instruções Normativas pelos órgãos administrativos julgados, sobretudo após a instauração da fase contenciosa do Processo Administrativo Fiscal, sendo este, de fato, o momento propício e adequado para a devida e regular avaliação da legalidade do referido ato normativo. A limitação existente quanto à atuação dos órgãos julgadores, de fato, é relativa á constitucionalidade dos atos da administração e da própria legislação, inexistindo, entretanto, qualquer óbice à prática do controle de legalidade, como forma de garantir, inclusive, a garantia de observância aos princípios da legalidade, moralidade, eficiência e economicidade, próprios que são da específica atuação administrativa brasileira. Feitas essas considerações, importante agora analisar a discussão havida nos autos, e, neste ponto, a especifica discussão em torno da (i)legalidade das disposições da referida IN 243/2002, que, segundo aponta a contribuinte, teria transbordado da competência que lhe fora conferida pela Lei de regência, não podendo, assim, ser aqui efetivamente aplicada. Nessa linha, cumpre destacar que, conforme apontado, a discussão em relação a esse específico tema nos autos cingese à verificação de que, nas disposições da referida IN 243/2002, teriam sido incluídos conceitos completamente inexistentes nas referidas disposições legais de regência, carecendolhes, assim, conforme apontado pela recorrente, o necessário amparo de legalidade. Vejamos. A primeira questão destacada pela contribuinte, seria decorrente da verificação de que, de acordo com as disposições então contidas na Lei 9.430/96, a apuração da margem de lucro de 60%, por ela determinada, deveria levar em conta, especificamente, o valor da participação do bem importado sobre o preço líquido de venda, e não sobre o preço líquido da venda total, sendo essa, especificamente, a divergência verificada entre as disposições da Lei de regência e aquelas apontadas pela referida IN 243/2002. Para a adequada análise, comparemos aqui a específica redação dos dispositivos apontados: Fl. 1308DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 5/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16643.000331/201002 Acórdão n.º 1301001.235 S1C3T1 Fl. 1.309 40 Lei 9.430/96: II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) (...) IN 243/2002 Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. (...) § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção. § 11. Na hipótese do §10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. A discussão em torno do confronto entre as referidas disposições, vale destacar, decorre do fato de que da leitura de cada uma delas extraemse diferentes conclusões matemáticas, fazendo nascer, assim, o imbróglio da adequada fórmula a ser aplicada nas operações praticadas pela contribuinte. Independentemente de toda a discussão relativa à adequação ou não do texto das normas apontadas, é relevante destacar que, a rigor, os métodos apontados são Fl. 1309DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 5/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16643.000331/201002 Acórdão n.º 1301001.235 S1C3T1 Fl. 1.310 41 apresentados como instrumentos para a metrificação dos valores aplicados em decorrência de operações havidas entre partes relacionadas, especificamente como forma de garantir a impossibilidade da distribuição disfarçada de resultados, o que, insistase, é o cerne fundamental das normas relativas ao controle dos chamados “preços de transferência”. Nessa linha, é relevante o destaque de que, conceitualmente, o percentual da margem de lucro considerada (60%) deva incidir, especificamente, sobre o montante representativo do bem inicialmente importado na ulterior comercialização do bem produzido, não podendo, de forma alguma, ser aplicado sobre o total da venda posteriormente realizada, sob pena de causar conseqüências completamente exdrúxulas, conforme reiteramente exemplificado pelos estudiosos da matéria (ex.; o parafuso na produção do avião...). De fato, adequada interpretação das disposições originariamente contidas na lei 9.430/96 levam á necessária conclusão de que a apontada margem de lucro deve incidir, apenas e tão somente, sobre o montante econômico representativo do bem importado, sendo, por isso, necessárias as deduções e exclusões apontadas. Assim, a discussão apontada desbota, então, na construção das seguintes formulações matemáticas: 1) PP = PLV – 60%(PLVVAB) 2) PP = PLV – 60%(PLV) VAB A primeira hipótese, insta destacar, é a hipótese construída pela aplicação direta das disposições contidas na Lei 9.430/96, nos termos antes previstos nas disposições da IN 32/2001, ao passo que a segunda, conforme se verifica, seria aquela construída a partir da aplicação das disposições da IN 243/2002, que, substituindo a primeira, passou, a partir de então, a pretender disciplinar a atuação dos contribuintes e dos agentes da fiscalização, inaugurando, assim, um atormentado período de debates a respeito de sua validade. Da forma como destacado, de fato, a distinção que se faz entre as duas hipóteses apresentadas é verificada pelo fato de que enquanto na primeira a margem de lucro a ser aplicada (60%) incidiria pelo valor líquido da transação (Preço líquido de venda, menos, o valor agregado no país), na segunda, aquela margem seria aplicada sobre o total do preço líquido de venda, sendo apenas posteriormente subtraído o valor agregado no Brasil. A discussão apontada era de tão grave relevância que, conforme antes aqui inclusive destacado, passouse a buscar a alteração das disposições da respectiva legislação de regência, com vistas a compatibilizar as suas disposições com aquelas constantes na referida IN 243/2002, o que, conforme se verifica, fora atualmente verificado, tendo em vista as disposições inseridas no mencionado art. 18 da Lei 9.430/96 pela MP 563/2012, agora recentemente convertida na Lei 12.715/2012. Eis as novéis disposições da Lei 9.430/96: "Art. 18. ....................................................................... I Método dos Preços Independentes Comparados PIC: definido como a média aritmética ponderada dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda empreendidas pela própria interessada ou por terceiros, em condições de pagamento semelhantes; Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 5/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16643.000331/201002 Acórdão n.º 1301001.235 S1C3T1 Fl. 1.311 42 II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética ponderada dos preços de venda, no País, dos bens, direitos ou serviços importados, em condições de pagamento semelhantes e calculados conforme a metodologia a seguir: a) preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem, direito ou serviço produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; b) percentual de participação dos bens, direitos ou serviços importados no custo total do bem, direito ou serviço vendido: a relação percentual entre o custo médio ponderado do bem, direito ou serviço importado e o custo total médio ponderado do bem, direito ou serviço vendido, calculado em conformidade com a planilha de custos da empresa; c) participação dos bens, direitos ou serviços importados no preço de venda do bem, direito ou serviço vendido: aplicação do percentual de participação do bem, direito ou serviço importado no custo total, apurada conforme a alínea b, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com a alínea a; d) margem de lucro: a aplicação dos percentuais previstos no § 12, conforme setor econômico da pessoa jurídica sujeita ao controle de preços de transferência, sobre a participação do bem, direito ou serviço importado no preço de venda do bem, direito ou serviço vendido, calculado de acordo com a alínea c; e 1. (revogado); 2. (revogado); e) preço parâmetro: a diferença entre o valor da participação do bem, direito ou serviço importado no preço de venda do bem, direito ou serviço vendido, calculado conforme a alínea c; e a "margem de lucro", calculada de acordo com a alínea d; e III Método do Custo de Produção mais Lucro CPL: definido como o custo médio ponderado de produção de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, acrescido dos impostos e taxas cobrados na exportação no país onde tiverem sido originariamente produzidos, e de margem de lucro de 20% (vinte por cento), calculada sobre o custo apurado. § 1o As médias aritméticas ponderadas dos preços de que tratam os incisos I e II do caput e o custo médio ponderado de produção de que trata o inciso III do caput serão calculados considerandose os preços praticados e os custos incorridos durante todo o período de apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda a que se referirem os custos, despesas ou encargos. ............................................................................................. § 6o Não integram o custo, para efeito do cálculo disposto na alínea b do inciso II do caput, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, desde que tenham sido contratados com pessoas: I não vinculadas; e II que não sejam residentes ou domiciliadas em países ou dependências de tributação favorecida, ou que não estejam amparados por regimes fiscais privilegiados. § 6oA. Não integram o custo, para efeito do cálculo disposto na alínea b do inciso II do caput, os tributos incidentes na importação e os gastos no desembaraço aduaneiro. ............................................................................................. § 10. Relativamente ao método previsto no inciso I do caput, as operações utilizadas para fins de cálculo devem: I representar, ao menos, 5% (cinco por cento) do valor das operações de importação sujeitas ao controle de preços de transferência, empreendidas pela pessoa jurídica, no período de apuração, quanto ao tipo de bem, direito ou serviço importado, na hipótese em que os dados utilizados para fins de cálculo digam respeito às suas próprias operações; e II corresponder a preços independentes realizados no mesmo anocalendário das respectivas operações de importações sujeitas ao controle de preços de transferência. § 11. Na hipótese do inciso II do § 10, não havendo preço independente no anocalendário da importação, poderá ser utilizado preço independente relativo à operação efetuada no ano calendário imediatamente anterior ao da importação, ajustado pela variação cambial do período. Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 5/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16643.000331/201002 Acórdão n.º 1301001.235 S1C3T1 Fl. 1.312 43 § 12. As margens a que se refere a alínea d do inciso II do caput serão aplicadas de acordo com o setor da atividade econômica da pessoa jurídica brasileira sujeita aos controles de preços de transferência e incidirão, independentemente de submissão a processo produtivo ou não no Brasil, nos seguintes percentuais: I 40% (quarenta por cento), para os setores de: a) produtos farmoquímicos e farmacêuticos; b) produtos do fumo; c) equipamentos e instrumentos ópticos, fotográficos e cinematográficos; d) máquinas, aparelhos e equipamentos para uso odontomédicohospitalar; e) extração de petróleo e gás natural; e f) produtos derivados do petróleo; II 30% (trinta por cento) para os setores de: a) produtos químicos; b) vidros e de produtos do vidro; c) celulose, papel e produtos de papel; e d) metalurgia; e III 20% (vinte por cento) para os demais setores. § 13. Na hipótese em que a pessoa jurídica desenvolva atividades enquadradas em mais de um inciso do § 12, deverá ser adotada para fins de cálculo do PRL a margem correspondente ao setor da atividade para o qual o bem importado tenha sido destinado, observado o disposto no § 14. § 14. Na hipótese de um mesmo bem importado ser revendido e aplicado na produção de um ou mais produtos, ou na hipótese de o bem importado ser submetido a diferentes processos produtivos no Brasil, o preço parâmetro final será a média ponderada dos valores encontrados mediante a aplicação do método PRL, de acordo com suas respectivas destinações. § 15. No caso de ser utilizado o método PRL, o preço parâmetro deverá ser apurado considerandose os preços de venda no período em que os produtos forem baixados dos estoques para resultado. § 16. Na hipótese de importação de commodities sujeitas à cotação em bolsas de mercadorias e futuros internacionalmente reconhecidas, deverá ser utilizado o Método do Preço sob Cotação na Importação PCI definido no art. 18A. § 17. Na hipótese do inciso I do § 10, não havendo operações que representem 5% (cinco por cento) do valor das importações sujeitas ao controle de preços de transferência no período de apuração, o percentual poderá ser complementado com as importações efetuadas no anocalendário imediatamente anterior, ajustado pela variação cambial do período." (NR) Ora, pela alteração legislativa apontada, verificase, agora sim, a consonância entre os critérios presentes na respectiva norma legal de regência e aquelas aplicadas pela Instrução Normativa apontada, o que, inegavelmente, anteriormente não se verificava. Diante dessas considerações, adotando, no caso, o preceito hermenêutico máximo de que “a lei não possui palavras inúteis”, a inclusão atual das disposições apontadas, inexistentes à época da efetivação do lançamento aqui discutido, simplesmente confirma a previsão de que, de fato, inexistia fundamento legal para as disposições da referida IN 243/2002, estando, por isso, desde antes, fadada de ilegalidade a conduta praticada pela fiscalização na presente vertente. Com base nesses fundamentos, entendo, neste particular, pela completa e total invalidade/ilegalidade das disposições contidas na IN 243/2002 – especificamente em relação às disposições contidas em seu art. 12 , relativamente ao período anterior às alterações efetivadas pela MP 563/2012 (convertida na Lei 12.715/2012), não se podendo, assim, de forma alguma, admitir como válida a sua aplicação pela fiscalização nos presentes autos, e, por conseguinte, concluindo pela adequada regularidade dos procedimentos adotados pela contribuinte, quando da efetiva aplicação do método PRL60, nos termos por ela então especificamente sustentado. Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 5/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16643.000331/201002 Acórdão n.º 1301001.235 S1C3T1 Fl. 1.313 44 Em face dessas circunstâncias, encaminho o meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto, reconhecendo a ilegalidade das disposições do referido art. 12 da IN SRF 243/2002 (especificamente no período anterior à Lei 12.715/2012), em face de sua dissonância em relação às disposições da Lei 9.430/96 e os critérios legais para a aplicação do mencionado PRL60, determinando, assim, a desconstituição integral do lançamento, nos termos e fundamentos aqui então devidamente apresentados. É como voto. “documento assinado digitalmente” CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER – Redator designado. Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 5/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001325/2006-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/03/2000, 31/08/2000, 30/09/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001
CONTRIBUIÇÕES. INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 45 DA LEI Nº nº. 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 08.
Os prazos para constituir crédito da Fazenda Nacional, pertinente às contribuições para a Seguridade Social, são os de cinco anos, previstos nos artigos 150, § 4o ou 173, I, do CTN, tendo em vista a edição da Súmula no 8 do STF, que declarou inconstitucional o art. 45 da Lei no 8.212/91, que fixava tal prazo em dez anos.
CONTRIBUIÇÕES. DECADÊNCIA PARA LANÇAR. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO RICARF.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Por tal razão, o prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à Contribuição para Programa de Integração Social - PIS-Pasep e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins, é de 05 anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido, ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento.
Recurso de Ofício negado
Numero da decisão: 3202-001.273
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Ausente, justificadamente, a conselheira Tatiana Midori Migiyama.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Adriene Maria de Miranda Veras.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/03/2000, 31/08/2000, 30/09/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001 CONTRIBUIÇÕES. INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 45 DA LEI Nº nº. 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 08. Os prazos para constituir crédito da Fazenda Nacional, pertinente às contribuições para a Seguridade Social, são os de cinco anos, previstos nos artigos 150, § 4o ou 173, I, do CTN, tendo em vista a edição da Súmula no 8 do STF, que declarou inconstitucional o art. 45 da Lei no 8.212/91, que fixava tal prazo em dez anos. CONTRIBUIÇÕES. DECADÊNCIA PARA LANÇAR. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO RICARF. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Por tal razão, o prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à Contribuição para Programa de Integração Social - PIS-Pasep e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins, é de 05 anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido, ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento. Recurso de Ofício negado
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DECADÊNCIA PARA LANÇAR. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ALSTOM HYDRO ENERGIA BRASIL LTDA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2000, 31/08/2000, 30/09/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001 CONTRIBUIÇÕES. INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 45 DA LEI Nº nº. 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 08. Os prazos para constituir crédito da Fazenda Nacional, pertinente às contribuições para a Seguridade Social, são os de cinco anos, previstos nos artigos 150, § 4o ou 173, I, do CTN, tendo em vista a edição da Súmula no 8 do STF, que declarou inconstitucional o art. 45 da Lei no 8.212/91, que fixava tal prazo em dez anos. CONTRIBUIÇÕES. DECADÊNCIA PARA LANÇAR. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Por tal razão, o prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à Contribuição para Programa de Integração Social PISPasep e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, é de 05 anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido, ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento. Recurso de Ofício negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 13 25 /2 00 6- 31 Fl. 672DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 01/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Ausente, justificadamente, a conselheira Tatiana Midori Migiyama. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Adriene Maria de Miranda Veras. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Tratase de impugnação (fls. 159/165 e 211/218) da ALSTOM HYDRO ENERGIA BRASIL LTDA., supra qualificada, apresentada em face dos Autos de Infração de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — Cofins (fls. 148/149) e de Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS (fls. 154/156). Conforme consta no Termo de Verificação (fls. 142/144), a empresa ABB Alstom Power Brasil Ltda. (CNPJ 03.215.403/000146), amparada em liminar concedida no Mandado de Segurança n° 2000.61.03.0023957 (3ª Vara da Justiça Federal em São José dos Campos/SP), procedeu aos cálculos e declarou a Cofins com base na LC n° 70/91 (Faturamento) e PIS com base na LC n° 7/70 (Faturamento), em vez de apurar referidas contribuições com base na Lei n° 9.718/98 (Receita Bruta). O processo judicial encontravase aguardando apreciação dos Embargos de Declaração opostos em face de decisão prolatada em Recurso Extraordinário julgado no Supremo Tribunal Federal. A ABB Alstom Power Brasil Ltda. foi incorporada pelo interessado em março de 2001. Para constituir o crédito tributário correspondente aos valores discutidos na ação judicial, foram lavrados o Auto de Infração de Cofins (fls. 148/149) no valor de R$ 1.647.148,89, já incluídos os juros de mora calculados até 30.06.2006, e o Auto de Infração de PIS (fls. 154/156), no valor de R$ 356.882,22, igualmente incluindo os acréscimos legais. O crédito tributário foi lançado com a sua exigibilidade suspensa e não foi aplicada a multa de oficio, nos termos do art. 63 da Lei n° 9.430/96 (fls. 147 e 153). Tendo sido cientificado da exigência em 07.07.2006 (fls. 148 e 154), o contribuinte apresentou em 08.08.2006 a Impugnação de fls. 159/165 (PIS) e 211/218 (Cofins), alegando, em apertada síntese, que o presente processo administrativo haveria de ser sobrestado até trânsito em julgado da sentença judicial e que decaiu o direito de o Fisco efetuar o lançamento em função do decurso do prazo de cinco anos previsto no § 4°, do art. 150, do CTN.” A DRJSão Paulo I/SP julgou procedente a impugnação (efls. 570/576), nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/03/2000, 31/08/2000, 30/09/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001 Fl. 673DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 01/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 19515.001325/200631 Acórdão n.º 3202001.273 S3C2T2 Fl. 663 3 DECADÊNCIA. Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91 por meio de Súmula Vinculante n° 08, considera se de cinco anos o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2000, 31/08/2000, 30/09/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001 DECADÊNCIA. Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91 por meio de Súmula Vinculante n° 08, considera se de cinco anos o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Chegam os autos a este Colegiado para julgamento, em razão de interposição de recurso de ofício. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Relatora Ao teor do relatado, tratase de apreciação de recurso de ofício, interposto pelo órgão julgador a quo, em razão de haver exonerado o sujeito passivo em montante superior ao seu limite de alçada. A lide cingese tão somente à questão do prazo e do termo inicial para contagem da decadência do direito de a Fazenda Publica lançar o crédito tributário relativo ao PIS, visto que a matéria de fundo encontrase sob apreciação do Poder Judiciário. No tocante ao prazo decadencial, é remansosa a jurisprudência de todas as Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF, no sentido de adotar o prazo limite de cinco anos, estabelecido no CTN, em face da Súmula Vinculante nº. 08 do STF. Referida Súmula passou a produzir efeitos a partir de 20 de junho de 2008 para os demais órgãos do Poder Constituído Judiciário, bem como para a Administração Pública, direta e indireta, e pelos demais entes federativos. Por ela, foram reduzidos os prazos de decadência e Fl. 674DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 01/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 4 prescrição das contribuições previdenciárias para cinco anos, diferente dos 10 anos preconizados na Lei Ordinária 8.212/1991: “São inconstitucionais os parágrafos único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Assim, afastada a incidência do art. 45 da Lei 8.212/1991, resta decidir o termo inicial do prazo quinquenal previsto no CTN. O art. 62A do Regimento Interno do CARF estabelece que as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recursos repetitivos, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal e a decisão daquela Corte deve ser aqui adotada, independentemente das convicções pessoais dos julgadores. Esta é justamente a hipótese dos autos, em que o STJ, em sede de recurso repetitivo, versando sobre matéria idêntica à do recurso ora sob exame, decidiu que, nos tributos cujo lançamento se dá por homologação, o prazo o Fisco constituir o crédito tributário é de 5 anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento (art. 150, §4º do CTN), ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, nos casos de ausência de antecipação de pagamento (art. 173, I, do CTN). O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o Fl. 675DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 01/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 19515.001325/200631 Acórdão n.º 3202001.273 S3C2T2 Fl. 664 5 pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) No caso em questão, a autoridade julgadora administrativa de primeira instância, utilizandose do disposto na Súmula Vinculante STF nº 08, que declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº. 8.212/91, entendeu que o prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo às contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS seria de 5 anos, contados a partir da data do fato gerador, tendo em vista que a contribuinte teria efetuado o pagamento parcial daquelas contribuições. Afirmou aquela autoridade: “No presente caso, os fatos geradores ocorreram entre março de 2000 e março de 2001, e o contribuinte havia recolhido o PIS e a Cofins apenas parcialmente (fls. 126/140). Portanto, o lançamento ocorrido em 07.07.2006 (fls. 148 e 154) é totalmente extemporâneo, pois já havia expirado o prazo decadencial de cinco anos para que o Fisco pudesse constituir o respectivo crédito tributário.” De fato, o Auto de Infração deixa claro a existência de pagamento parcial, tendo em vista que o lançamento foi efetuado, mês a mês, apenas em relação à diferença a ser Fl. 676DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 01/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 6 levantada referente ao montante devido daquelas contribuições calculados nos termos da Lei Complementar nº. 07/70 e nos termos da lei nº. 9.718/98, com a base de cálculo alargada. Assim, tendo havido antecipação de pagamento em relação a todos os períodos glosados pela Fiscalização, o dies a quo do prazo de 5 anos é a data da ocorrência do fato gerador. Deste modo, temse atingidos pela decadência todos os períodos autuados, vez que o fato gerador mais recente data de 31/03/2001, sendo que a ciência do auto de infração se deu em 07/07/2006, quando, então, o prazo decadencial já se havia esgotado em 31/03/2006. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso de ofício. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Fl. 677DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 01/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 10925.902317/2009-51
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2005
COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE ESTIMATIVAS APURADAS. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM SALDO NEGATIVO APURADO. ADMISSIBILIDADE.
Não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no ano-calendário correspondente àquelas estimativas.
Numero da decisão: 1803-002.401
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005 COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE ESTIMATIVAS APURADAS. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM SALDO NEGATIVO APURADO. ADMISSIBILIDADE. Não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no anocalendário correspondente àquelas estimativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 23 17 /2 00 9- 51 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.902317/200951 Acórdão n.º 1803002.401 S1TE03 Fl. 85 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.902317/200951 Acórdão n.º 1803002.401 S1TE03 Fl. 86 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido: Por meio do Despacho Decisório eletrônico que consta do presente processo, a autoridade competente não homologou a compensação pretendida pela Contribuinte acima identificada, formalizada por meio de Declaração de Compensação (DComp), na qual foi indicado, como crédito do tipo “Pagamento Indevido ou a Maior”, um documento de arrecadação (DARF) com código de receita referente a estimativa mensal. De acordo com o referido Despacho, inexiste direito creditório em razão de o pagamento indicado na DComp encontrarse integralmente utilizado na quitação de débito declarado pela Contribuinte, com idênticas características. Irresignada, a Contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade, na qual informa que apresentou a respectiva DComp indicando, como crédito, o tipo “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR, quando o correto seria informar o tipo de compensação de SALDO NEGATIVO”. Por outro lado, no restante de sua petição, a Contribuinte dá a entender que detém o direito creditório, em razão de não existir o débito ao qual se vincula o Darf indicado na DComp. Inclusive, em demonstrativo elaborado para fundamentar a existência de seu direito, referindose ao débito de estimativa vinculado ao Darf, a Contribuinte indica o seguinte: “Valor DEVIDO a ser Retificado na DCTF: R$ 0,00”. 2. A decisão da instância a quo foi assim fundamentada: A manifestação de inconformidade é tempestiva e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual podese dela conhecer. Conforme relatado, a declaração de compensação sob exame não foi homologada, em razão da inexistência do direito creditório pleiteado pela Contribuinte. De acordo com o que restou esclarecido, o pagamento indicado como crédito referese a estimativa mensal, e encontrase integralmente utilizado na extinção de débito com idênticas características. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Contribuinte primeiro informa que apresentou a respectiva DComp, indicando, como crédito, o tipo “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR, quando o correto seria informar o tipo de compensação de SALDO NEGATIVO”. Depois, defende que possui o direito creditório, em razão de não existir o débito de estimativa ao qual se vincula o Darf indicado na DComp. Inclusive, em demonstrativo elaborado para fundamentar a existência de seu direito, referindose ao débito de estimativa vinculado ao Darf, a Contribuinte indica o seguinte: “Valor DEVIDO a ser Retificado na DCTF: R$ 0,00”. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.902317/200951 Acórdão n.º 1803002.401 S1TE03 Fl. 87 4 Neste momento, há que se registrar que a autoridade competente da DRF de jurisdição sobre o domicílio fiscal da Contribuinte não se manifestou em relação ao saldo negativo que teria sido apurado no respectivo anocalendário. Em outras palavras, o saldo negativo apurado pela Contribuinte não constitui o objeto do presente litígio. Na verdade, o cerne do litígio é outro. Ao que tudo indica, a Contribuinte apurou saldo negativo no anocalendário em referência e, ao invés de utilizálo como crédito em compensação, conforme lhe é facultado, levou à DComp sob análise um pagamento a título de estimativa, devidamente declarada em DCTF, que teria contribuído para formar o referido saldo negativo. Muito embora possa ter contribuído com a formação do saldo negativo, a estimativa mensal apurada, conforme disposição legal, não constitui pagamento indevido ou maior que o devido, de modo que não pode ser utilizada como crédito em compensação pleiteada em face da Fazenda Nacional. Sabese que a obrigação de recolher estimativas mensais integra a sistemática legalmente prevista para a apuração do IRPJ e da CSLL, segundo as regras de Lucro Real na periodicidade anual. Segundo essa sistemática, ao longo do anocalendário, a pessoa jurídica se obriga a mensalmente antecipar o valor do tributo que somente será conhecido em definitivo no final do período, em 31 de dezembro, quando então se considera ocorrido o fato gerador. Encerrado o anocalendário, a pessoa jurídica deve apurar o tributo devido e, para encontrar o valor do saldo a pagar, ou do saldo negativo a restituir, do valor do tributo devido pode deduzir os valores recolhidos antecipadamente, a título de estimativa. Portanto, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, é este valor que pode ser utilizado como crédito em compensação, e não as antecipações regularmente apuradas que o compuseram, efetuadas ao longo do ano. Ademais, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, não há que se providenciar uma retificação da DCTF para zerar o débito a título de estimativa e, consequentemente, “liberar” o Darf ao qual estiver vinculado, como parece ser o entendimento da Contribuinte. Em verdade, tendo sido regularmente apuradas, as estimativas mensais são devidas, ainda que ao final do ano se descubra a formação de um saldo negativo. Nesse caso, a retificação da DCTF pretendida pela Contribuinte, se efetuada, não encontraria respaldo legal. De se reiterar que, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, este, sim, pode ser objeto de compensação, conforme estabelece a vigente Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 20121: Art. 4º Os saldos negativos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição, nas seguintes hipóteses: I – de apuração anual, a partir do mês de janeiro do anocalendário subsequente ao do encerramento do período de apuração; [...] 1 Disposições semelhantes já eram encontradas na Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, na Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004, na Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, e na Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.902317/200951 Acórdão n.º 1803002.401 S1TE03 Fl. 88 5 Art. 41. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 56 a 60, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à RFB do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo VII, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. § 2º A compensação declarada à RFB extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. [...] Portanto, como na DComp sob exame a Contribuinte não utilizou direito creditório passível de compensação, mostrase correta a conclusão do Despacho Decisório atacado, razão pela qual não há como reformálo. Ante o exposto, é de se considerar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Interessada. 3. Devidamente cientificada da referida decisão, a tempo, apresenta a interessada Recurso Voluntário, nele argumentando, em síntese: a) que o débito de estimativa, objeto de compensação não homologada, deverá ser considerado na formação do saldo negativo; b) que o entendimento da Receita Federal – de glosar o saldo negativo quando este for composto por estimativas quitadas por compensação não homologada – implica dupla cobrança do mesmo crédito tributário; c) que o contribuinte terminaria pagando duas vezes o mesmo débito; mediante a redução do saldo negativo e pela via da execução fiscal (cobrança do débito de estimativa objeto da compensação não homologada); d) que, no mérito, existindo, sim, saldo negativo a ser compensado, o contribuinte não pode ser penalizado com a dupla cobrança, pelo fiscal, de um tributo já declarado e compensado por erro de fato do mesmo, declarado em PER/DComp incorreta, sem a possibilidade de retificar a mesma e demonstrar os créditos oriundos formados para a efetivação da compensação do débito compensado; e e) que a dupla cobrança ocorrerá, se o contribuinte tiver de pagar novamente o débito compensado não homologado na PER/DComp, aplicandose a decadência do crédito de saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL. Em mesa para julgamento. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.902317/200951 Acórdão n.º 1803002.401 S1TE03 Fl. 89 6 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Concordase inteiramente com a decisão recorrida, quando esta afirma que (destaque do original): Muito embora possa ter contribuído com a formação do saldo negativo, a estimativa mensal apurada, conforme disposição legal, não constitui pagamento indevido ou maior que o devido, de modo que não pode ser utilizada como crédito em compensação pleiteada em face da Fazenda Nacional. [...]. Portanto, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, é este valor que pode ser utilizado como crédito em compensação, e não as antecipações regularmente apuradas que o compuseram, efetuadas ao longo do ano. [...]. De se reiterar que, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, este, sim, pode ser objeto de compensação, conforme estabelece a vigente Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012: [...]. 5. É que não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no ano calendário correspondente àquelas estimativas. 6. Como decorrência, cabe à repartição de origem reexaminar a compensação requerida, devendo, para tanto, considerar, como direito creditório pleiteado, o saldo negativo apurado no respectivo anocalendário. 7. Já com relação à preocupação externada pela Recorrente, em seu Recurso Voluntário, as estimativas não pagas, mas compensadas, se não homologada a respectiva compensação, serão objeto de cobrança na correspondente DComp, não cabendo a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ, conforme entendimento já externado, tanto pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), quanto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN): Solução de Consulta Interna Cosit nº 18, de 2006: Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a Fl. 89DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.902317/200951 Acórdão n.º 1803002.401 S1TE03 Fl. 90 7 glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. Parecer PGFN/CAT/nº 88, de 2014: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Opção por tributação pelo lucro real anual. Apuração mensal dos tributos por estimativa. Lei no 9.430, de 27.12.1996. Não pagamento das antecipações mensais. Inclusão destas em Declaração de Compensação (DCOMP) não homologada pelo Fisco. Conversão das estimativas em tributo após ajuste anual. Possibilidade de cobrança. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que a repartição de origem reexamine a compensação requerida, devendo, para tanto, considerar, como direito creditório pleiteado, o saldo negativo apurado no respectivo anocalendário. Deve ser observada a eventual existência de outros processos nos quais o direito creditório a ser considerado como pleiteado corresponda ao mesmo saldo negativo. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 90DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 10920.000849/2006-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3402-000.698
Decisão: RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Helder Massaaki Kanamaru, Mara Cristina Sifuente e Fenelon Moscoso de Almeida.
RELATÓRIO
Trata o processo de auto de infração que constituiu créditos tributários do PIS e da Cofins referentes aos períodos de apuração compreendidos entre 01/01/2003 e 31/12/2004.
O lançamento teve como fundamento jurídico:
Utilização de créditos do regime não-cumulativo referentes a pagamentos a pessoa física, gastos em edificações e benfeitorias;
Simulação de compra de insumos no mercado interno;
Simulação de exportação de produtos;
Inexistência de valores restituir a título de IRPJ e CSLL para fins de compensação dos débitos tributários referentes aos períodos de apuração ora em discussão;
O recorrente apresentou impugnação refutando todas as imputações feitas pelo fisco.
A Delegacia de Julgamento de Curitiba manteve o auto de infração na íntegra.
O sujeito passivo apresentou tempestivamente recurso voluntário valendo-se dos mesmos argumentos apresentados na impugnação.
É o sucinto relatório.
VOTO
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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(assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Helder Massaaki Kanamaru, Mara Cristina Sifuente e Fenelon Moscoso de Almeida. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .0 00 84 9/ 20 06 -5 9 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10920.000849/200659 Resolução nº 3402000.698 S3C4T2 Fl. 101 2 RELATÓRIO Trata o processo de auto de infração que constituiu créditos tributários do PIS e da Cofins referentes aos períodos de apuração compreendidos entre 01/01/2003 e 31/12/2004. O lançamento teve como fundamento jurídico: a) Utilização de créditos do regime nãocumulativo referentes a pagamentos a pessoa física, gastos em edificações e benfeitorias; b) Simulação de compra de insumos no mercado interno; c) Simulação de exportação de produtos; d) Inexistência de valores restituir a título de IRPJ e CSLL para fins de compensação dos débitos tributários referentes aos períodos de apuração ora em discussão; O recorrente apresentou impugnação refutando todas as imputações feitas pelo fisco. A Delegacia de Julgamento de Curitiba manteve o auto de infração na íntegra. O sujeito passivo apresentou tempestivamente recurso voluntário valendose dos mesmos argumentos apresentados na impugnação. É o sucinto relatório. VOTO O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dela tomo conhecimento e passo a análise. Preliminarmente, entendo que os autos não estão maduros para serem apreciados nesta sentada. Há informações imprescindíveis para solução da lide que não consta no processo. O recorrente alega possuir indébito tributário de IRPJ e CSLL que deveria ser utilizado para extinguir parte do crédito tributário constituído nestes autos. Não identifiquei o pedido de restituição e a respectiva declaração de compensação. O fisco afirma que a operação de compra e venda de insumos da recorrente foi pura simulação. Já o recorrente afirma que efetuou a compra dos insumos de boafé. Não há documentos nos autos que atestem a baixa dos CNPJ das empresas que venderam os insumos ao recorrente, tampouco a comprovação do efetivo pagamento. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10920.000849/200659 Resolução nº 3402000.698 S3C4T2 Fl. 102 3 O contribuinte afirma que tem direito à depreciação dos gastos com edificações e benfeitorias. Contudo, não consigo identificar se os imóveis que foram beneficiados estão ligados ao processo produtivo da empresa. Por derradeiro, o recorrente afirma que entregou seu produto final a empresas comerciais exportadoras e essas operações são equiparadas à exportação. Não obstante, não há documentos probatórios que atestem a entrega dessas mercadorias em recinto alfandegado, condição sine qua non para a equiparação à exportação. Diante dessas lacunas na instrução processual, converto o julgamento em diligência para que a Unidade Preparadora promova a complementação dos autos, aduzindo as seguintes informações: a) A existência de declaração de compensação onde o recorrente tenha indicado os créditos tributários referentes ao PIS e a Cofins dos períodos de apuração compreendidos entre 01/01/2003 e 31/12/2004; b) Se os CNPJ da empresas que venderam insumo ao recorrente foram baixados. Caso positivo, elaborar uma planilha que confronte a data de baixa do CNPJ com a data da operação de venda e compra dos insumos; c) Se há comprovação de pagamento dos valores referentes a compra dos insumos no mercado interno; d) Se todos os produtos vendidos às empresas “comercial exportadora” foram entregues em recinto alfandegado. Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte, abrindolhe o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito. Após todos os procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. Sala das Sessões, 17/09/2014 GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Fl. 3DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 11030.002467/2007-38
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2006
PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL.
O produtor rural pessoa jurídica deve recolher as contribuições incidentes sobre a comercialização da produção rural, destinadas à Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho.
MULTA. RETROATIVIDADE. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Fica assegurada à empresa a aplicação, se mais benéfica, da multa prevista na legislação atual.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-003.698
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para: I- excluir da autuação fiscal as competências 01/1999 a 11/1999, inclusive, em razão da decadência pela regra do art. 173, inciso I do CTN; II- excluir as competências 12/2000 a 10/2001, em razão da produção dos efeitos a partir de 01/11/2001 do art. 22-A da Lei 8.212/81, incluído pela Lei 10.256/2001; e III- aplicar ao valor da multa de ofício em razão da apresentação de GFIP com incorreções ou omissões, o disposto no art. 32-A, inciso I, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte. A análise do valor da multa para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento, nos termos do § 4º do art. 2º da Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 /12 /2009.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Ricardo Magaldi Messetti, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior.
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Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2006 PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. O produtor rural pessoa jurídica deve recolher as contribuições incidentes sobre a comercialização da produção rural, destinadas à Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. MULTA. RETROATIVIDADE. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Fica assegurada à empresa a aplicação, se mais benéfica, da multa prevista na legislação atual. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para: I- excluir da autuação fiscal as competências 01/1999 a 11/1999, inclusive, em razão da decadência pela regra do art. 173, inciso I do CTN; II- excluir as competências 12/2000 a 10/2001, em razão da produção dos efeitos a partir de 01/11/2001 do art. 22-A da Lei 8.212/81, incluído pela Lei 10.256/2001; e III- aplicar ao valor da multa de ofício em razão da apresentação de GFIP com incorreções ou omissões, o disposto no art. 32-A, inciso I, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte. A análise do valor da multa para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento, nos termos do § 4º do art. 2º da Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 /12 /2009. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Ricardo Magaldi Messetti, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior. .
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ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2006 PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. O produtor rural pessoa jurídica deve recolher as contribuições incidentes sobre a comercialização da produção rural, destinadas à Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. MULTA. RETROATIVIDADE. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Fica assegurada à empresa a aplicação, se mais benéfica, da multa prevista na legislação atual. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para: I excluir da autuação fiscal as competências 01/1999 a 11/1999, inclusive, em razão da decadência pela regra do art. 173, inciso I do CTN; II excluir as competências 12/2000 a 10/2001, em razão da produção dos efeitos a partir de 01/11/2001 do art. 22A da Lei 8.212/81, incluído pela Lei 10.256/2001; e III aplicar ao valor da multa de ofício em razão da apresentação de GFIP com incorreções ou omissões, o disposto no art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte. A análise do valor da multa para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento, nos termos do § 4º do art. 2º da Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 /12 /2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 24 67 /2 00 7- 38 Fl. 656DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11030.002467/200738 Acórdão n.º 2803003.698 S2TE03 Fl. 657 2 (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Ricardo Magaldi Messetti, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior. Fl. 657DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11030.002467/200738 Acórdão n.º 2803003.698 S2TE03 Fl. 658 3 . Relatório A empresa GRATO AGROPECUÁRIA LTDA, empresa agropecuária, foi autuada pela omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias sobre Receita de Comercialização de Produção Rural, alíquota 2,5% mais 0,1% de Sat/Rat, período 01/1999 a 09/2006 (fls. 24/26), a que está obrigada pelo inciso IV do artigo 32 da Lei 8.212/91 e § 5° conforme descrição sumária da infração na folha 1 e Relatório Fiscal da Infração da folha 10. A multa aplicada corresponde a 100% das contribuições devidas e não declaradas, limitadas a duas vezes o valor mínimo (R$1.156,95), atualizado pela Portaria MPS no 342/2006, considerando que a autuada manteve entre 16 e 50 empregados mensais no período. O sujeito passivo foi cientificado da autuação fiscal, em 18/10/2006 (fl. 2 dos autos digitalizados) apresentando impugnação. O órgão julgador de primeiro grau administrativo emitiu decisão considerando o lançamento fiscal procedente em parte, declarando a decadência do período: 01/1999 a 11/1999, pela regra do art. 173, inciso I do CTN. O contribuinte foi cientificado da decisão, irresignado apresentou Recurso Voluntário, argumentando em síntese: reitera a duplicidade de penalidade. Tanto o Lançamento de Débito (LDC) efetuado quanto o Auto de Infração contém a mesma penalidade; ou seja a Recorrente pagou, juntamente com o débito principal, multa. Agora, pelo mesmo fato gerador, aplica uma multa autônoma por não ter apresentado a GFIP; a existência da ADIN — Ação Direta de Inconstitucionalidade, n° 1103, proposta pela Confederação Nacional da Indústria, reconhecera o descabimento da contribuição patronal sobre a folha de salários com base no valor estimado da produção agrícola própria. O conselho administrativo é competente para analisar a inconstitucionalidade e ilegalidade dos atos administrativos; a Associação de Agricultores e Irrigantes do Oeste da Bahia — AIBA. da qual a Recorrente é sócia, impetrou o Mandado de Segurança 062/99, contra o superintendente do INSS da Bahia para obstar a cobrança da contribuição rural sobre a receita bruta da comercialização da produção. Este Mandado de Segurança não foi julgado definitivamente até hoje, tendo sido concedida liminar para que a Autoridade Coatora se abstenha da prática de quaisquer atos que objetivem a cobrança da incidência tributária ora impugnada; a decadência. A redução da multa ao valor mínimo; por fim, o cancelamento da autuação fiscal. É o Relatório. Fl. 658DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11030.002467/200738 Acórdão n.º 2803003.698 S2TE03 Fl. 659 4 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de lima. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. Consta da decisão de primeira instância administrativa fiscal, fls 591/597: Voto Preliminarmente, cabe reafirmar que a empresa foi autuada por omitir fatos geradores de contribuições previdenciárias a que está obrigada a declarar na GFIP — Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social, conforme previsto no inciso IV e §5° do artigo 32 da Lei n° 8.212/91. Trata a autuação do cumprimento de obrigação acessória, independente do cumprimento da obrigação principal que, entende a impugnante, estar desobrigada de fazêlo por força de Mandado de Segurança impetrado contra o INSS através da AIBA, no estado da Bahia. Quanto à duplicidade na aplicação da penalidade arguída na peça impugnatória, não procede ao entendimento da autuada, posto que não se confundem. A multa decorrente do atraso no recolhimento das contribuições previdenciárias está prevista no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 e possui caráter irrelevável, enquanto a multa do Auto de Infração, capitulada no §5° do art. 32 da Lei n° 8.212/91, com a redação da MP n° 1.59614, convertida na Lei n°9.528/97, constitui penalidade por descumprimento de obrigação acessória e pode ser relevada , conforme o §1o do art. 291 do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Quando a pretensas inconstitucionalidades mencionadas na peça impugnatória, a Portaria RFB n° 10.875, de 16/08/2007, que rege o contencioso administrativo fiscal no âmbito da Receita Federal do Brasil, veda a autoridade julgadora afastar a aplicação da lei por inconstitucionalidade ou ilegalidade, enquanto não expressamente declarada pelo Supremo Tribunal Federal ou por resolução do Senado Federal. Tal entendimento está pacificado na Súmula nº 2 do Segundo Conselho de Contribuintes aprovada na Sessão Plenária de 18/09/07, que define sua incompetência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da legislação tributária: "0 Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária." Portanto, não cabe a esta instância de julgamento reformar decisões do Conselho de Contribuintes ou manifestarse sobre inconstitucionalidades ou ilegalidades. Fl. 659DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11030.002467/200738 Acórdão n.º 2803003.698 S2TE03 Fl. 660 5 Quanto a possível suspensão da exigibilidade do crédito tributário previsto no inciso IV do art. 151 do Código Tributário Nacional — CTN, observase que no presente caso que, embora a existência de sentença da Sexta Vara Federal negando a segurança pleiteada pela AIBA na ação inicial, não se aplica ao estabelecimento matriz, pois beneficiaria tão somente a filial com CN PJ 92.007.459/000216 , conforme declaração da AIBA da folha 225 e, portanto, não extensiva ao estabelecimento matriz como quer a impugnante. Quanto ao argumento de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN nº 1.103) a presente autuação, há que se reiterar a manifestação da Juiza Rosane N. a W. Kaufmann (fl. 275) de que não se aplica ao presente a decisão da referida Ação Direta de Inconstitucional idade, contemplando tão somente as empresas agroindustriais. Quanto a preliminar de decadência, a recente edição da Súmula Vinculante n° 08 do Supremo Tribunal Federal — STF, firmou entendimento sobre a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n°8.212/91, publicada no DOU de 20/06/2008, in verbis: Súmula Vinculante n°8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decreto lei 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.(g.n.) (...) Portanto, com base na legislação precedente, cabe revisão do lançamento fiscal a luz do Código Tributário Nacional — CTN com base dos artigos 173 do CTN, estando decadentes as competências 01/1999 a 11/1999, utilizada para gradação da multa objeto neste Auto de Infração. Por fim. não há como atender o pedido de relevação da multa e tampouco sua aplicação em valor mínimo. No primeiro caso, não houve comprovação da correção da falta como previsto no §1° do art. 291 do RPS e no segundo não há como alterar a multa expressa na legislação pelo descumprimento da obrigação especifica. Neste último, a impugnante quer a aplicação da multa pela não apresentação dos documentos solicitados no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD (fls.07/08). Exposto o anterior e considerando que a autuada, embora sendo primaria e sem agravantes, não corrigiu a falta, VOTO no sentido de julgar PROCEDENTE EM PARTE a presente autuação mantendo a multa remanescente de (...), no período de 01/2000 a 06/2006. Como se pode notar da decisão recorrida e do recurso voluntário apresentado pelo contribuinte é que os argumentos da recorrente já foram analisados, cujo resultado foi pelo provimento parcial em razão da decadência de parte da autuação fiscal, contendo as razões e fundamentação legal. Fl. 660DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11030.002467/200738 Acórdão n.º 2803003.698 S2TE03 Fl. 661 6 DECADÊNCIA Por se tratar de lançamento de ofício por descumprimento de obrigação acessória deve se aplicar o art. 173, inciso I do CTN. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Assim, para o período do lançamento 01/1999 a 09/2006, encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores apurados pela fiscalização para o período: 01/1999 a 11/1999, inclusive. A contar de 01/01/2000 fluiria o prazo decadencial em 01/01/2005. A ciência da autuação fiscal se deu em 18/10/2006 (fl. 2). Para a competência 12/2000 a contagem tem início a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, sendo certo que o lançamento só poderia ocorrer em janeiro/2001, após o vencimento espontâneo para o cumprimento da obrigação tributária. Deste modo, a contar de 01/01/2002 fluiria o prazo decadencial em 01/01/2007. Destarte, não estão decadentes as competência 12/2000 a 09/2006, nos termos do art. 173, inciso I do CTN. Correta a decisão de primeira instância. CONTRIBUIÇÃO DECORRENTE DA PRODUÇÃO RURAL A autuação fiscal se refere a omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias sobre Receita de Comercialização de Produção Rural, alíquota 2,5% mais 0,1% de Sat/Rat, período 01/1999 a 09/2006 (fls. 24/26), a que está obrigada pelo inciso IV do artigo 32 e § 5°da Lei 8.212/91. As contribuições apuradas não foram declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. São devidas pela empresa e tem por base de cálculo a comercialização da produção rural de pessoa jurídica, prevista nos incisos I e II do art. 22A da Lei 8.212/91, introduzido pela Lei 10.256, de 9/07/2001. Os valores foram apurados por intermédio da contabilidade do contribuinte. Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de:(Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). I dois vírgula cinco por cento destinados à Seguridade Social;(Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). Fl. 661DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11030.002467/200738 Acórdão n.º 2803003.698 S2TE03 Fl. 662 7 II zero vírgula um por cento para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade.(Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). A Lei 10.256, de 9/07/2001, em seu art. 5o, estabelece que os efeitos da regra do art. 22A da Lei 8.212/91 serão entrará em vigor a partir do dia 1o(primeiro) do mês seguinte ao 90o(nonagésimo) dia da publicação. Art. 5oEsta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos, quanto ao disposto no art. 22A da Lei no8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada por esta Lei, e à revogação do§ 4odo art. 25 da Lei no8.212, de 24 de julho de 1991, a partir do dia primeiro do mês seguinte ao nonagésimo dia daquela publicação, sendo mantida, até essa data, a obrigatoriedade dos recolhimentos praticados na forma da legislação anterior. A publicação da Lei 10.256 no Diário Oficial da União – DOU se deu em 10/07/2001. Assim, seus efeitos contam a partir de 01/11/2001. Em razão da produção dos efeitos a partir de 01/11/2001 do art. 22A da Lei 8.212/81, incluído pela Lei 10.256/2001, estão excluídas as competências 12/2000 a 10/2001 e válidas para a autuação fiscal em epígrafe as competências: 11/2001 a 09/2006. Não há duplicidade de penalidade entre os valores parcelados pelo contribuinte (LDC) e o auto de infração em epígrafe. Como bem informado na decisão recorrida , a multa decorrente pelo atraso no recolhimento das contribuições previdenciárias, relativa à obrigação principal de pagar tributo, está prevista no artigo 35 da Lei 8.212/91. Diferentemente, a multa do Auto de Infração em epígrafe, por descumprimento de obrigação acessória (apresentar GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias) está capitulada no art. 32, inciso IV e §5° da Lei 8.212/91. São dispositivos legais distintos, não sendo a mesma penalidade. Não se confunde obrigação principal com obrigação acessória Consta de decisão recorrida que, embora haja existência de sentença da Sexta Vara Federal negando a segurança pleiteada pela AIBA na ação inicial, não se aplica ao estabelecimento matriz, pois beneficiaria tão somente a filial com CN PJ 92.007.459/000216 , conforme declaração da AIBA (fls. 451 dos autos digitalizados) e, portanto, não extensiva ao estabelecimento matriz como quer a impugnante. Quanto ao argumento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN nº 1.103) há que se reiterar a manifestação da Juiza Rosane N. A. W. Kaufmann (fl. 551) de que não se aplica ao presente a decisão da referida Ação Direta de Inconstitucionalidade, contemplando tão somente as empresas agroindustriais. A recorrente não contesta de forma direta os argumentos da decisão recorrida. Apenas menciona existência da ADIN n° 1103, proposta pela CNI. Argumentações genéricas sem comprovação não são suficientes para a desconstituição da autuação fiscal. Fl. 662DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11030.002467/200738 Acórdão n.º 2803003.698 S2TE03 Fl. 663 8 A declaração de inconstitucionalidade de lei é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. Assim, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, nos termos do art. 26A e parágrafo único, do Decreto n. 70.235/72, bem como, art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria GMF n º 256, de 22 de junho de 2009. No mesmo sentido é o que discorre a Súmula n ° 2 do CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. O Mandado de Segurança 062/99 com efeito de proibir a autoridade fiscal da cobrança da incidência tributária ora impugnada não impede o lançamento do crédito para prevenir a decadência. Não houve a correção da falta pelo contribuinte, assim não é possível a relevação da multa com base no §1° do art. 291 do RPS, tampouco sua aplicação em valor mínimo, por falta de previsão legal para o caso. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Contudo, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II, do CTN, que determina a aplicação da lei a ato ou fato pretérito, não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. As multas em GFIP foram alteradas pela lei 11.941/09, que beneficiam a recorrente. Foi acrescentado o art. 32A à Lei 8.212, in verbis: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 663DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11030.002467/200738 Acórdão n.º 2803003.698 S2TE03 Fl. 664 9 § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). A conduta de apresentar a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitava o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do artigo 32 da Lei 8.212 de 1991. Agora, com a Lei 11.941/2009, a tipificação passou a ser: “apresentar a GFIP com incorreções ou omissões”, com multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. No caso em debate não há dúvida de que o art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN é plenamente aplicável. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto em dar provimento parcial ao recurso, para: I excluir da autuação fiscal as competências 01/1999 a 11/1999, inclusive, em razão da decadência pela regra do art. 173, inciso I do CTN; II excluir as competências 12/2000 a 10/2001, em razão da produção dos efeitos a partir de 01/11/2001 do art. 22A da Lei 8.212/81, incluído pela Lei 10.256/2001; e III aplicar ao valor da multa de ofício em razão da apresentação de GFIP com incorreções ou omissões, o disposto no art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte. A análise do Fl. 664DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11030.002467/200738 Acórdão n.º 2803003.698 S2TE03 Fl. 665 10 valor da multa para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento, nos termos do § 4º do art. 2o da Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 /12 /2009. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Fl. 665DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10680.722450/2010-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS. ARRECADAÇÃO E RECOLHIMENTO.
A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações, e a recolher o produto arrecadado nos prazos definidos em Lei. O desconto da contribuição dos segurados empregados sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto na Lei.
FATO GERADOR DISSIMULADO. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGOCIO JURÍDICO. POSSIBILIDADE.
A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária.
PERSONALIDADE JURÍDICA DE EMPRESA TERCEIRIZADA. DESCONSIDERAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Estando presentes todos os elementos caracterizadores da relação de segurado empregado, impõe-se a incidência imperativa das normas tributárias inscritas na Lei nº 8.212/91 sobre a empresa tomadora e sobre o segurado, sem que tal sujeição implique a desconsideração da personalidade jurídica da empresa terceirizada, a qual permanece produzindo todos os demais efeitos no mundo jurídico.
CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. SUBSUNÇÃO DO FATO À HIPÓTESE NORMATIVA.
Impera no Direito Previdenciário o princípio da primazia da realidade sobre a forma, sendo necessária e suficiente a subsunção do fato à hipótese legal prevista no art. 12, inciso I, letra "a" da Lei n° 8.212/91 para que se opere a caracterização de segurado empregado.
É prerrogativa da autoridade administrativa a desconsideração de atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, a teor do Parágrafo Único do art. 116 do CTN.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DOCUMENTAÇÃO DEFICIENTE. AFERIÇÃO INDIRETA. CABIMENTO.
A constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, de que a contabilidade não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, é motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPETÊNCIA PRIVATIVA DO AUDITOR FISCAL.
Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições previdenciárias previstas na Lei nº 8.212/91, a fiscalização lavrará de ofício notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.344
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, quanto ao mérito, mantendo o lançamento quanto à desconsideração da prestação de serviços através de interpostas pessoas jurídicas. Vencidos na votação os Conselheiros Fábio Pallaretti Calcini, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, que entenderam pela nulidade do lançamento, por descumprimento do artigo 142 do Código Tributário Nacional, já que as provas, quanto aos fatos geradores, foram trazidas aos autos por amostragem.
Por voto de qualidade em dar provimento parcial ao recurso devendo a contribuição social a cargo dos segurados empregados ser recalculada, tomando como Salário de Contribuição os valores de remuneração de cada segurado empregado, mediante a incidência das alíquotas 8%, 9% e 11%, na forma fixada no art. 20 da Lei nº 8.212/91, observado o reajustamento previsto no §1º desse mesmo Dispositivo Legal e o limite do Salário de Contribuição encartado no §5º do art. 28 da Lei de Custeio da Seguridade Social.
Por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a multa como aplicada, considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91. Vencidos na votação os Conselheiros Fábio Pallaretti Calcini, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deveria ser limitada ao percentual de 20%, em decorrência das disposições introduzidas pela MP nº 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96).
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS. ARRECADAÇÃO E RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas das respectivas remunerações, e a recolher o produto arrecadado nos prazos definidos em Lei. O desconto da contribuição dos segurados empregados sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto na Lei. FATO GERADOR DISSIMULADO. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGOCIO JURÍDICO. POSSIBILIDADE. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. PERSONALIDADE JURÍDICA DE EMPRESA TERCEIRIZADA. DESCONSIDERAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Estando presentes todos os elementos caracterizadores da relação de segurado empregado, impõese a incidência imperativa das normas tributárias inscritas na Lei nº 8.212/91 sobre a empresa tomadora e sobre o segurado, sem que tal sujeição implique a desconsideração da personalidade jurídica da empresa terceirizada, a qual permanece produzindo todos os demais efeitos no mundo jurídico. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. SUBSUNÇÃO DO FATO À HIPÓTESE NORMATIVA. Impera no Direito Previdenciário o princípio da primazia da realidade sobre a forma, sendo necessária e suficiente a subsunção do fato à hipótese legal AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 24 50 /2 01 0- 89 Fl. 2158DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 prevista no art. 12, inciso I, letra "a" da Lei n° 8.212/91 para que se opere a caracterização de segurado empregado. É prerrogativa da autoridade administrativa a desconsideração de atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, a teor do Parágrafo Único do art. 116 do CTN. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DOCUMENTAÇÃO DEFICIENTE. AFERIÇÃO INDIRETA. CABIMENTO. A constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, de que a contabilidade não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, é motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPETÊNCIA PRIVATIVA DO AUDITOR FISCAL. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições previdenciárias previstas na Lei nº 8.212/91, a fiscalização lavrará de ofício notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, quanto ao mérito, mantendo o lançamento quanto à desconsideração da prestação de serviços através de interpostas pessoas jurídicas. Vencidos na votação os Conselheiros Fábio Pallaretti Calcini, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, que entenderam pela nulidade do lançamento, por descumprimento do artigo 142 do Código Tributário Nacional, já que as provas, quanto aos fatos geradores, foram trazidas aos autos por amostragem. Por voto de qualidade em dar provimento parcial ao recurso devendo a contribuição social a cargo dos segurados empregados ser recalculada, tomando como Salário de Contribuição os valores de remuneração de cada segurado empregado, mediante a incidência das alíquotas 8%, 9% e 11%, na forma fixada no art. 20 da Lei nº 8.212/91, observado o reajustamento previsto no §1º desse mesmo Dispositivo Legal e o limite do Salário de Contribuição encartado no §5º do art. 28 da Lei de Custeio da Seguridade Social. Por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a multa como aplicada, considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91. Vencidos na votação os Conselheiros Fábio Pallaretti Calcini, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deveria ser limitada ao percentual de 20%, em decorrência das disposições introduzidas pela MP nº 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96). Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Fl. 2159DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10680.722450/201089 Acórdão n.º 2302003.344 S2C3T2 Fl. 1.895 3 Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 2160DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Relatório Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 Data da lavratura do AIOP: 18/08/2010. Data da ciência do AIOP: 18/08/2010. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração nº 37.283.3403, consistente em contribuições sociais previdenciárias destinadas ao custeio da Seguridade Social a cargo dos segurados empregados, incidentes sobre os seus respectivos Salário de Contribuição, que não foram inclusos nas folhas de pagamento, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 15/31. De acordo com o relatório da Fiscalização, a exigência fiscal consubstancia se em contribuições previdenciárias a cargo dos segurados empregados, incidentes sobre seus respectivos Salários de Contribuição, apurados por aferição indireta a partir dos valores informados nas notas fiscais de serviço emitidas por pessoa jurídica em face da INDG, estando presentes entre a Autuada e os trabalhadores todos os elementos caracterizadores da relação de segurado empregado, nos termos do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, quais sejam, a pessoalidade, a natureza não eventual, a subordinação e a onerosidade. De acordo com o que na auditoria fiscal ficou constatado, a empresa de consultoria empresarial Instituto de Desenvolvimento Gerencial S/A INDG realizou sistemática irregular de contratação de centenas de empregados profissionais da área de consultoria, realizandoas através de acordos de parceria celebrados com estes profissionais na figura de empresários sócios de centenas de pessoas jurídicas PJ. A contratação de empregados de forma irregular nessa empresa houvese também por constatada e levantada pelo Ministério do Trabalho e Emprego – MTE, que através da Superintendência Regional do Estado de Minas Gerais Seção de Fiscalização do Trabalho SFISC representou à Receita Federal do Brasil as autuações incidentes sobre o levantamento de 492 empregados contratados pelo INDG de forma irregular através de pessoas jurídicas dentro do período de Março/2003 a Dezembro/2008. Os levantamentos do Ministério do Trabalho constam das anotações do Livro de Inspeção do Trabalho do INDG, reproduzidas no Anexo I do relatório fiscal, a fls. 32/42 do Processo Administrativo Fiscal nº 10680.722449/201054. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 155/196. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG lavrou decisão administrativa textualizada no Acórdão nº 0244.216 – 6ª Turma da DRJ/BHE, a fls. 1805/1819, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Fl. 2161DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10680.722450/201089 Acórdão n.º 2302003.344 S2C3T2 Fl. 1.896 5 O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 15/05/2013, conforme Aviso de Recebimento – AR, a fl. 1822. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 1825/1872, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Impossibilidade de se desconsiderar a personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços intelectuais para fins tributários, sob pena de ofensa ao art. 129 da Lei 11.196/05; · Que não estão presentes os pressupostos para a utilização da aferição indireta; · Ilegalidade do lançamento por vício substancial na composição da base de cálculo. Aduz que não poderia a autoridade fiscal ter considerado como remuneração o total dos valores constantes das notas fiscais de prestação de serviços, mas apenas os valores pagos aos sócios a título de pro labore ou de distribuição de lucros; · Que é necessário excluir da base de cálculo os valores de tributos retidos nas notas fiscais; · Ilegalidade do lançamento por desconsideração do limite do Salário de Contribuição; · Ausência dos requisitos fáticojurídicos para caracterização da relação de emprego; · Que todas as pessoas jurídicas contratadas foram regularmente constituídas, muitas delas, inclusive, em período anterior ao período fiscalizado; · Que diversas pessoas jurídicas prestaram serviço não apenas para o INDG, mas também para outras empresas no mesmo período da autuação; · Que a pessoalidade não descaracteriza o contrato civil de prestação de serviços nem autoriza a desconsideração das pessoas jurídicas contratadas; · Que no caso dos autos fica caracterizada a não habitualidade, pois as pessoas jurídicas são contratadas de acordo com a demanda e a natureza dos projetos que serão por ele desenvolvidos pela recorrente junto às empresas; · Que a onerosidade não é suficiente para que se conclua pela existência da relação de emprego; · Que inexistem subordinação e disponibilidade das pessoas físicas tidas como empregados da recorrente, pois as pessoas jurídicas contratadas podem livremente decidir se participarão ou não dos projetos; Fl. 2162DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 · Que não há subordinação característica do contrato de trabalho, na medida em que a recorrente não controla e dirige os trabalhos a serem prestados, não determina qual técnica será utilizada e como será utilizada; · Que a contratação de terceiras empresas de sua confiança para colaborar junto com seu corpo de empregados na execução de um ou outro projeto não significa de per se relação empregatícia, especialmente porque o tempo de permanência de cada empresa dos projetos é variável de acordo com o serviço a ser desenvolvido; · Que os valores pagos mensalmente às pessoas jurídicas consultoras varia consideravelmente, o que descaracteriza a relação empregatícia pretendida pela Fiscalização; Ao fim, requer a declaração de nulidade do Auto de Infração. No mérito, requer que sejam declaradas indevidas as contribuições ora exigidas. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 2163DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10680.722450/201089 Acórdão n.º 2302003.344 S2C3T2 Fl. 1.897 7 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 15/05/2013. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 14 de junho do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Estando cumpridos os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA Defende o Recorrente a impossibilidade de se desconsiderar a personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços intelectuais para fins tributários, sob pena de ofensa ao art. 129 da Lei 11.196/05. Mas não há no presente lançamento qualquer procedimento de desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços. De maneira alguma. A personalidade jurídica de tais empresas permanece hígida, produzindo todos os efeitos que lhe são de estilo, como no momento de sua constituição. O que há, de fato, no presente caso, é a caracterização da condição de segurado empregado de pessoas físicas laborando para empresa sob condições reais de não eventualidade, pessoalidade, subordinação jurídica e onerosidade, disfarçada e encoberta por um falacioso formalismo de Pessoa Jurídica. Não se deve olvidar que, tal qual no ramo do Direito do Trabalho, aplicase igualmente no Direito Previdenciário o Princípio da Primazia da Realidade dos fatos sobre a Forma Jurídica dos atos, o qual propugna que, havendo divergência entre a realidade das condições efetivamente levadas a efeito numa determinada relação jurídica e as forma dos atos jurídicos hipoteticamente concebidos em seus registros e idealizados para a sua execução, prevalecerá a realidade dos fatos em detrimento da formalidade dos atos. Havendo discordância entre o que ocorre na prática e o que está expresso em assentamentos públicos, documentos ou acordos, prevalecerá a realidade dos fatos. O que conta não é a qualificação contratual ou a concepção idealizada dos atos, mas a natureza das funções exercidas em concreto. Fl. 2164DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 No dizer de Américo Plá Rodrigues: “em matéria de trabalho importa o que ocorre na prática, mais do que aquilo que as partes hajam pactuado de forma mais ou menos solene, ou expressa, ou aquilo que conste em documentos, formulários e instrumentos de controle. Ou seja, o princípio da primazia da realidade significa que, em caso de discordância entre o que ocorre na prática e o que emerge de documentos ou acordos, devese dar preferência ao primeiro, isto é, ao que sucede no terreno dos fatos”. Em trabalho primoroso, Mauricio Godinho Delgado leciona que “No Direito do Trabalho devese pesquisar, preferentemente, a prática concreta efetivada ao longo da prestação de serviços, independentemente da vontade eventualmente manifestada pelas partes na respectiva relação jurídica. A prática habitual – na qualidade de uso altera o contrato pactuado, gerando direitos e obrigações novos às partes contratantes, respeitada a fronteira da inalterabilidade contratual lesiva” (DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de Direito do Trabalho, 2ª ed. São Paulo: LTr, 2003, p.207) . No caso sub examine, o auditor fiscal acusou a presença ostensiva dos elementos caracterizadores da relação de segurado empregado, consubstanciados na prestação de serviço de natureza urbana a empresa, em caráter intuitu personae, de natureza não eventual, sob subordinação jurídica do contratado pessoa física ao contratante e mediante remuneração pelos serviços prestados. Nessa esteira, uma vez constatada prestação remunerada de serviços à empresa por pessoa física na condição de segurado empregado, a Fiscalização, por força da natureza plenamente vinculada do seu dever de ofício, e com fulcro no art. 37 da Lei de Custeio da Seguridade Social, verificado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições previdenciárias decorrentes de tal prestação laboral, lavrou o competente auto de infração ora em debate. Assim, com fundamento no permissivo encartado no Parágrafo Único do art. 116 do CTN, e mediante os procedimentos estabelecidos na Lei nº 8.212/91, procederam os Auditores Fiscais à desconsideração substancial dos atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. Anotese que na formalização do presente lançamento, houvese por operada, tão somente, a desconsideração substancial dos atos simulados, mas não a desconstituição formal desses atos, os quais permanecem produzindo os seus efeitos típicos no mundo jurídico. O permissivo estampado no Parágrafo Único do art. 116 do CTN apenas desconsiderou, para fins exclusivamente de constituição do crédito previdenciário, os efeitos jurídicos dos atos simulados, na seara previdenciária, sem, no entanto, desconstituílos. Em outras palavras: Apesar de os contratos de prestação de serviços haverem sido FORMALMENTE celebrados com pessoas jurídicas, a prestação dos serviços contratados se deu MATERIALMENTE sob os mantos caracterizadores da relação de segurado empregado. Diante desse quadro, a norma tributária que aflui do Parágrafo Único do art. 116 do CTN opera como se, juridicamente, tais contratos formais não produzissem os efeitos de estilo, exclusivamente, para os fins da tributação previdenciária ora em debate, porém, mantendose hígidos, todavia, para todos os demais fins, inclusive para os fins da Lei nº 11.196/05. Registrese, por relevante, que a administração tributária federal não se encontra jungida à obtenção prévia de declaração administrativa ou judicial definitiva de nulidade de atos jurídicos simulados como condição de procedibilidade para a tributação da Fl. 2165DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10680.722450/201089 Acórdão n.º 2302003.344 S2C3T2 Fl. 1.898 9 real operação ocorrida, visto que os atos simulados são ineficazes perante o Fisco, conforme dessai do preceito inscrito no art. 118 do CTN: Código Tributário Nacional CTN Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I – da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II – dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Por tais razões, para os fins exclusivos do presente lançamento, revelase desnecessária a desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços intelectuais. A situação jurídica de tais empresas perante o Ordenamento Jurídico permanece inalterada, malgrado o lançamento ora em debate. O fundamento do lançamento em questão, reiterese, assentase na efetiva existência de vínculo de segurado empregado (Instituto de Direito Previdenciário), revelado pela constatação da presença de todos os elementos caracterizadores de tal qualificação jurídica previstos no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, circunstância que sujeita a Autuada e os segurados em apreço às obrigações previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social. Não se deve olvidar que inexiste impedimento legal para que uma mesma pessoa física seja sócia de uma empresa prestadora de serviços intelectuais e, concomitantemente, mantenha múltiplos e legítimos vínculos empregatícios com diversas outras empresas. Decerto, a condição de segurado empregado não exige exclusividade com a empresa sujeito passivo da obrigação tributária, de molde que um mesmo trabalhador pode estar vinculado previdenciariamente, nessa condição, a duas ou mais empresas, e ser segurado contribuinte individual em relação a uma outra empresa distinta da primeira, e assim por diante ... No caso, com fulcro no princípio da primazia da realidade sobre a forma, a Fiscalização constatou a existência de vínculo material de segurado empregado entre os trabalhadores em tela e a Autuada, bem como a ocorrência de fatos geradores, em relação aos quais não houve o correto recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes, e procedeu ao lançamento das contribuições previdenciárias decorrentes desse vínculo previdenciário, tudo em conformidade com os ditames legais, no exercício da atividade plenamente vinculada que lhe é típica, sem promover qualquer vínculo trabalhista (Instituto de Direito do Trabalho) entre os trabalhadores em tela e a Autuada, ora Recorrente. Por tais razões, rejeito a preliminar de desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. Fl. 2166DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 3.1. DA CARACTERIZAÇÃO DA CONDIÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO O Recorrente alega ausência dos requisitos fáticojurídicos para caracterização da relação de emprego. Em primeiro lugar, há que se deixar claro que o presente caso não trata da caracterização da relação de emprego. Tal caracterização já se houve por levada a efeito pelo Ministério do Trabalho e Emprego – MTE, através da Superintendência Regional do Estado de Minas Gerais Seção de Fiscalização do Trabalho – SFISC, que representou à Receita Federal do Brasil as autuações incidentes sobre o levantamento de 492 empregados contratados pelo INDG de forma irregular, através de pessoas jurídicas, dentro do período de Março/2003 a Dezembro/2008. O caso ora em estudo versa, tão somente, sobre a caracterização da condição de segurado empregado (instituto de Direito Previdenciário) e o lançamento das contribuições previdenciárias devidas, decorrentes da prestação remunerada de serviços por tais trabalhadores à Autuada. Muito embora semelhantes em alguns pequenos aspectos, as legislações trabalhista e previdenciária não se confundem. Tendo como assentada tal premissa, fácil é perceber que o segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social RGPS qualificado com “segurado empregado” não é aquele definido no art. 3º da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, mas, sim, a pessoa física especificamente conceituada para fins previdenciários no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, em seguimentos rememorados a seguir para facilitar a compreensão da questão posta em debate. Consolidação das Leis do Trabalho CLT Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Parágrafo único. Não haverá distinções relativas à espécie de emprego e à condição de trabalhador, nem entre o trabalho intelectual, técnico e manual. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Fl. 2167DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10680.722450/201089 Acórdão n.º 2302003.344 S2C3T2 Fl. 1.899 11 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; b) aquele que, contratado por empresa de trabalho temporário, definida em legislação específica, presta serviço para atender a necessidade transitória de substituição de pessoal regular e permanente ou a acréscimo extraordinário de serviços de outras empresas; c) o brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em sucursal ou agência de empresa nacional no exterior; d) aquele que presta serviço no Brasil a missão diplomática ou a repartição consular de carreira estrangeira e a órgãos a ela subordinados, ou a membros dessas missões e repartições, excluídos o não brasileiro sem residência permanente no Brasil e o brasileiro amparado pela legislação previdenciária do país da respectiva missão diplomática ou repartição consular; e) o brasileiro civil que trabalha para a União, no exterior, em organismos oficiais brasileiros ou internacionais dos quais o Brasil seja membro efetivo, ainda que lá domiciliado e contratado, salvo se segurado na forma da legislação vigente do país do domicílio; f) o brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em empresa domiciliada no exterior, cuja maioria do capital votante pertença a empresa brasileira de capital nacional; g) o servidor público ocupante de cargo em comissão, sem vínculo efetivo com a União, Autarquias, inclusive em regime especial, e Fundações Públicas Federais; (Alínea acrescentada pela Lei n° 8.647, de 13.4.93) i) o empregado de organismo oficial internacional ou estrangeiro em funcionamento no Brasil, salvo quando coberto por regime próprio de previdência social; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). j) o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social; (Incluído pela Lei nº 10.887, de 2004). II como empregado doméstico: aquele que presta serviço de natureza contínua a pessoa ou família, no âmbito residencial desta, em atividades sem fins lucrativos; Olhando com os olhos de ver, avulta que os conceitos de “empregado” e “segurado empregado” presentes nas legislações trabalhista e previdenciária, respectivamente, são plenamente distintos. Esta qualifica como “segurado empregado” não somente os Fl. 2168DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 trabalhadores tipificados como “empregados” na CLT, mas, também, outras categorias de laboristas. De outro eito, determinadas categorias de trabalhadores tidas como “empregados” pela CLT podem não ser qualificadas como segurados empregados para os fins colimados pela lei de custeio da Seguridade Social. Exemplo emblemático do que acabamos de expor é o caso dos empregados domésticos. Malgrado este trabalhador seja qualificado como empregado pela Consolidação Laboral, para a Seguridade Social, tal segurado não integra a categoria de “segurado empregado”, art. 12, I da Lei nº 8.212/91, mas, sim, a de “segurado empregado doméstico”, art. 12, II da Lei nº 8.212/91, uma classe absolutamente distinta da de “segurado empregado”, com regras de tributação distintas e completamente diversas daquelas aplicáveis aos “segurados empregados”. Dessarte, mostrase irrelevante para fins de custeio da seguridade social o conceito de “empregado” estampado na Consolidação das Leis do Trabalho. Prevalecerá, sempre, para tais fins, a conformação dos segurados obrigatórios abrigada nos incisos do art. 12 da Lei nº 8.212/91. Portanto, para os fins do custeio da Seguridade Social, serão qualificados como segurados empregados, e nessa qualidade se subordinando empregador e segurados às normas encartadas na Lei nº 8.212/91, as pessoas físicas que prestarem serviços de natureza urbana ou rural à empresa, aqui incluídos os órgãos públicos por força do art. 15 da Lei nº 8.212/91, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração. Conforme já salientado anteriormente, vigora no Direito Previdenciário o Princípio da Primazia da Realidade sobre a Forma, o qual propugna que, havendo divergência entre a realidade das condições ajustadas numa determinada relação jurídica e as verificadas em sua execução, prevalecerá a realidade dos fatos. Havendo discordância entre o que ocorre na prática e o que está expresso em assentamentos públicos, documentos ou acordos, prevalece a realidade dos fatos. O que conta não é a qualificação contratual, mas a natureza das funções exercidas em concreto. No caso sub examine, o auditor fiscal acusou a presença ostensiva dos elementos caracterizadores da relação de segurado empregado (reiterese, não a de vínculo empregatício, que é irrelevante ao caso), consubstanciados na prestação de serviço de natureza urbana à empresa, em caráter não eventual, sob subordinação jurídica do contratado pessoa física ao contratante e mediante remuneração. A não eventualidade encontrase patente no prolongado período em que os obreiros prestaram serviços ao Recorrente, combinado com a espécie de serviços prestados, os quais são inerentes ao atuar típico da empresa Autuada. Podese perceber a não eventualidade, ainda, no elevado volume de centenas de operações contínuas e de rotina, originárias desta relação entre o INDG e seus contratados PJ, comprovadas em amostragens nos diversos relatórios anexos ao Relatório Fiscal. Ademais, a sindicância da não eventualidade se apura mais em razão da atividade realizada pelo tomador do que pelo prazo de vigência do contrato. Nessas circunstâncias, sendo o serviço contratado uma necessidade contínua da empresa, eis que inerente à sua atividade econômica, ou essencial ao desempenho satisfatório do objeto social da pessoa jurídica, caracterizada estará a não eventualidade do serviço, independentemente do prazo em que cada serviço seja contratado. Fl. 2169DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10680.722450/201089 Acórdão n.º 2302003.344 S2C3T2 Fl. 1.900 13 No caso em litígio, a não eventualidade diz espeito à contratação de serviços relacionados com a atividade fim da Autuada e à natureza do trabalho desenvolvido pelo profissional em relação à natureza do trabalho a que a Autuada se propõe executar em favor de seus clientes, bem como à necessidade permanente dessas categorias de profissionais especializados para a realização de seu objeto social. Com efeito, o INDG é uma empresa de consultoria empresarial e os trabalhos executados pelos contratados como "parceiros" configuramse na própria consultoria proposta como objeto do INDG, como pode ser visto na descriminação dos serviços contidos nas notas fiscais das pessoas jurídicas e nos históricos dos lançamentos contábeis no INDG, reproduzidos por amostragem nos Anexos X e XIV, a fls. 532/574 e 1013/1015 do Processo Administrativo Fiscal nº 10680.722449/201054. Os Parceiros PJ caracterizados como segurados empregados pela Fiscalização inseremse na dinâmica regular do INDG, que necessita do trabalho por eles desempenhado para atender às múltiplas demandas inerentes ao seu objetivo social e aos contratos celebrados com os seus clientes. Registrese que nas prestações de contas de despesas, para fins de reembolso, fica evidenciado o nome da pessoa que prestou o serviço e não a empresa prestadora. Há que se registrar que os contratos de adesão são firmados pelo prazo de dois anos, podendo ser prorrogado mediante aditivo contratual, fato que ocorreu com elevada frequência. Nada obstante, a cláusula décima segunda prevê a rescisão contratual independentemente de procedimento judicial, nos casos em que: · Uma das partes venha a ceder, transferir ou caucionar a terceiros, no todo ou em parte, os direitos e obrigações contratuais, sem prévia autorização da outra, por escrito. · Por inadimplemento de quaisquer disposições contratuais; · Mediante comum acordo entre as partes. · Seja decretada judicialmente a insolvência, concordata ou falência de qualquer das partes. · Por exclusiva iniciativa de uma das partes, desde que comunicado à outra, por escrito, com antecedência de 30 (trinta) dias. Mais uma vez se revela a não eventualidade dos serviços e o direito de cada uma das partes de rescindir a relação contratual, unilateralmente, mesmo que de forma imotivada, sem direito a qualquer espécie de indenização típica do direito privado, como sói ocorrer nas relações de emprego. A pessoalidade tem sua caracterização realçada no fato de as pessoas jurídicas contratadas atuarem, unicamente, por intermédio das pessoas físicas dos seus sócios, sendo apurado pela Fiscalização que nenhum dos Parceiros PJ possuem empregados em seu Fl. 2170DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 quadro, conforme assim demonstra o Anexo VI, a fls. 461/466 do Processo Administrativo Fiscal nº 10680.722449/201054. As provas dos autos revelam a prestação exclusiva dos serviços ao contratante, a natureza intuitu personae dos serviços pactuados, inexistindo nos autos qualquer elemento fático ou jurídico de convicção que possa desaguar na ilação de que tais trabalhadores, ao seu alvedrio único, exclusivo e próprio, e sem qualquer ingerência da empresa autuada, pudessem se fazer substituir, na execução do serviço para o qual fora contratado, por outro trabalhador qualquer, mesmo que de idêntica capacitação. No caso em tela, observase que as Pessoas Jurídicas Prestadoras de Serviços foram constituídas, em regra, por ex empregados do IDG, sem estrutura operacional e sem empregados, e contratados pela Autuada exclusivamente para atender, por intermédio dos próprios sócios e de acordo com as suas especialidades técnicas, às necessidades específicas dos serviços contratados pelo INDG perante seus clientes, circunstância que caracteriza a pessoalidade na relação entre os Parceiros PJ e a Recorrente. E diga o Relatório Fiscal: “8.1.1.1 Criadas ou adaptadas as PJ, estas "empresas" recém estabelecidas no mercado de consultoria, sem comprovar Know how, sem possuir estrutura profissional e sem empregados, estabelecem contratos (acordos de parceria) com o INDG, para atuarem na ponta de suas atividades fins e na ponta de toda sua estrutura operacional, representandoa diante dos seus clientes. Evidentemente que esta representação profissional se faz, como consultores do quadro funcional ou Equipe da INDG, e não como empresas de consultoria recém criadas e sem estrutura própria. 8.1.1.2 É dispensável a existência da PJ na execução dos trabalhos determinados nos aditivos que complementam os acordos de parceria. Necessário é, na verdade, que exista alguém específico, preparado e com capacidade técnica adequada para cumprimento daquela demanda. Daí a pessoalidade. Quem detém o conhecimento e quem realiza as tarefas designadas é a pessoa física e não a pessoa jurídica. 8.1.1.3 Comprovase ainda que este alguém capacitado para o exercício das atividades demandadas não tem como exercêla sem assistência ou sem a atuação em conjunto com outros profissionais. 8.1.1.4 Assim, formamse as equipes de pessoas físicas as quais o INDG denomina "Equipe Técnica". 8.1.1.5 Evidentemente que as equipes não têm a correspondência equacional de, para cada uma PJ existe uma equipe, pois assim, considerando que a maioria das PJ não têm empregados e apenas um sócio presta serviços, existiriam centenas de equipes formadas por uma única pessoa. 8.1.1.6 Na verdade, equipe técnica é o conjunto de profissionais do ramo de consultoria, provenientes do quadro funcional do INDG de empregados regulares e empregados não regulares (PJ). No sítio oficial da rede mundial de internet www.INDG.com.br/ o INDG propaga: "Equipe Técnica" "O INDG possui uma experiente equipe, com uma singular ação de complementaridade, composta por cerca de 900 consultores, sendo 300 consultores seniores com mais de 5 anos de experiência em Fl. 2171DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10680.722450/201089 Acórdão n.º 2302003.344 S2C3T2 Fl. 1.901 15 consultoria, que atuam em todo Brasil em diversos assuntos de Gestão Empresarial, além de staff administrativo de 83 pessoas... ...Os integrantes da equipe INDG de consultores têm em comum as seguintes competências: Produtividade/eficácia; Trabalho em equipe com foco em resultados; Capacidade de perceber ambientes; Conhecimento do PDCA/SDCA; Domínio das soluções; Visão sistêmica; Iniciativa; Foco no cliente. 8.1.1.6.1 Na propagação da INDG, conforme descrito no item anterior, além de serem identificados os consultores, como sendo os integrantes da equipe INDG e não Pessoas Jurídicas ("os integrantes da equipe INDG de consultores" grifei), a auditoria fiscal constatou que os números médios mensais de profissionais empregados (constantes da folha de pagamento) mais as PJ (não constantes da folha de pagamento) perfaz, de fato, à média de 983 profissionais entre consultores e não consultores conforme propagado no sítio oficial da rede mundial de internet da autuada. 8.1.1.7 A pessoalidade e a identidade da pessoa física ficam também evidenciadas quando o INDG reembolsa, diretamente a elas (pessoas físicas), as despesas com viagens, através de cheques nominais, ordens de pagamentos e depósitos bancários em suas contas pessoais, ficando claro que a relação comercial se dá entre a empresa INDG e os contratados na identidade de suas pessoas físicas. (Anexo XV e XVI). 8.1.1.7.1 Em qualquer relação comercial entre empresas, os pagamentos ou prestação de contas efetuadas entre elas, a qualquer título, são dirigidos às pessoas jurídicas, por cumprimento de obrigações fiscais e pelo princípio contábil da identidade. 8.1.1.8 Ainda com relação aos lançamentos contábeis de Reembolsos de Despesas de Viagens e os documentos que os sustentam, foi constatado que constam também dentre os beneficiários dos pagamentos de reembolsos, empregados regulares da folha de pagamento da INDG, demonstrando que, tanto empregados quanto os sócios das PJ estão lado a lado e inseridos no mesmo contexto profissional a serviço da INDG. 8.1.1.9 Como prova também da pessoalidade e da participação direta da pessoa física e não da PJ na relação entre INDG e seus contratados apontase, como exemplo, os acordos de parceria das PJ: ANDRE LUIZ DAMETTO CONSULTORIA EM GESTÃO EMPRESARIAL LTDA e CONHALATO CONSULTORIA LTDA (Anexo XI). 8.1.1.9.1 Estes acordos foram celebrados antes mesmo que estas sociedades estivessem inscritas no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas CNPJ. As inscrições se deram respectivamente em 27/04/2004 e 09/09/2004 (dados da RFB). Os acordos foram assinados em 08/04/2004 e 12/08/2004 através dos funcionários Fl. 2172DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 recém desligados da INDG: André Luiz Dametto e Rodrigo da Silva Conhalato, deixando bem claro que, os acordos foram celebrados com as pessoas e não com as empresas PJ (Anexo III) Corrobora, insofismavelmente, a natureza intuitu personae dos serviços pactuados, a circunstância de os pagamentos decorrentes de despesas de viagem, para fins de reembolso, serem feitos mediante cheques nominais, ordens de pagamentos e depósitos bancários diretamente na conta pessoal do Parceiro PJ, sendo certo que nas relações comerciais entre empresas, os pagamentos ou prestação de contas efetuadas entre elas, a qualquer título, são dirigidos às pessoas jurídicas, por cumprimento de obrigações fiscais e pelo princípio contábil da identidade. Ora, o Parceiro PJ faz jus ao reembolso das despesas com passagens, refeições, hospedagem, material didático, propostas e reembolso de despesas, etc. mediante a apresentação de relatório detalhado de viagem demonstrando e comprovando tais gastos, sendo consideradas absolutamente incompatíveis: bebidas alcoólicas, cigarros, telefonemas, brindes e outros similares. . Afinal, de quem é o risco e custo da atividade econômica ?? Não seria da pessoa jurídica que exerce a atividade com autonomia e sem subordinação à contratante ?? No que pertine à subordinação, esta tem que ser averiguada em seu aspecto jurídico, não apenas no hierárquico. O conceito geral de subordinação foi elaborado levandose em consideração a evolução social do trabalho, com sua consequente democratização, passando da escravidão e da servidão para o trabalho contratado, segundo a vontade das partes. Sob tal prisma, revelase inconteste que a subordinação jurídica é intrínseca a toda a prestação remunerada de serviços por pessoa física, seja a empresas, seja a outras pessoas físicas. A subordinação jurídica configurase como o elemento da relação contratual na qual a pessoa física contratada sujeita o exercício de suas atividades laborais à vontade do contratante, em contrapartida à remuneração paga por este àquele. Irradia de maneira nítida da subordinação jurídica a identificação de quem manda e de quem obedece; de quem remunera e de quem é remunerado, de quem determina o que fazer, como, quando e quanto e de quem executa o serviço de acordo com o parametrizado. Podemos identificar no conceito de subordinação jurídica duas vestes de uma mesma nudez: De um lado, figura a faculdade do contratante de utilizarse da força de trabalho do contratado pessoa física como um dos fatores da produção, sempre no interesse do empreendimento cujos riscos assumiu, e do outro, a obrigação do empregado de sujeitar a execução do seu serviço à direção do empregador, no poder de ordenar o que fazer e como fazêlo, dentro dos fins a que este se propõe a alcançar, em contrapartida à remuneração que irá auferir. Para Gomes e Gottschalk (in Curso de direito do trabalho, Rio de Janeiro, Forense, 2005, pag. 134), “todo contrato gera o que denomina de estado de subordinação do empregado, pois este deve sujeitarse aos critérios diretivos do empregador, suas disposições quanto ao tempo, modo e lugar da prestação do trabalho, bem como aos métodos de execução e modalidade próprios da empresa, da indústria e do comércio”. Fl. 2173DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10680.722450/201089 Acórdão n.º 2302003.344 S2C3T2 Fl. 1.902 17 À vista dos ensinamentos colhidos na melhor doutrina, vislumbrase que a subordinação jurídica conformase como um estado de sujeição em que se coloca o trabalhador, por sua livre e espontânea vontade, diante do empregador, em virtude de um contrato de trabalho pelo qual ao contratante é dado o poder de dirigir a força de trabalho do empregado, seja manual ou intelectual, em troca de uma contraprestação remuneratória. Dessarte, havendo prestação remunerada de serviços por pessoa física, por mais autonomia que tenha o contratado na condução do serviço a ser prestado, presente sempre estará, em menor ou maior grau, a subordinação jurídica do contratado ao contratante. Como exemplo meramente ilustrativo, mesmo a contratação pela Arquidiocese do Rio de Janeiro de renomado escritor, v.g. o Paulo Coelho, para a elaboração de uma compilação dos pronunciamentos do Papa Francisco em sua visita ao Brasil na Jornada Mundial da Juventude, mesmo aqui presente estará a subordinação jurídica, eis que a aludida Compilação deverá atender aos objetivos e interesses do Contratante e ser elaborado no tempo e nas condições por este especificado, sob pena de não se celebrar o liame jurídico. Dessarte, caso o citado escritor, sob o pálio de suposta autonomia funcional plena e de ausência de subordinação, resolva unilateralmente focar o seu trabalho nos pronunciamentos da Dercy Gonçalves, certamente os contrato não se consolidará ou será tido como não cumprido. Da mesma maneira, se o ProcuradorGeral do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, Sr. Paulo Schmitt, celebrar contrato de prestação de serviço de pintura artística com o pintor de fama internacional Romero Britto para a confecção de um quadro representativo do time do Fluminense F. C. , mas este renomado pintor, em honra de suposta autonomia funcional e de ausência de subordinação, decidir, ao seu único e exclusivo arbítrio, retratar em pop art o time da Portuguesa de Desportos, com certeza o contrato será imediatamente rescindido, com fundamento em justa causa decorrente do descumprimento, por parte do oblato, das determinações contidas no liame ajustado. No caso presente, todos os acordos de parceria ostentam as características de contrato de adesão, na medida em que possuem a mesma forma, o mesmo conteúdo, o mesmo padrão e todos eles preveem na cláusula primeira do objeto, que: "Para a realização do objeto, as empresas parceiras valerseão de termo aditivo, para cada um dos trabalhos a serem desenvolvidos". A sujeição do Prestador Terceirizado à vontade unilateral da Autuada avulta de forma clara do fato de os acordos de parceria, apesar de individualizados por Parceiro PJ, excluir dos Interessados a liberdade de pactuar os Termos do Contrato, a eles restando, tão somente, a opção de aderir ou não ao que foi oferecido pelo Autuado. No que pertine à condução do serviço, deflui da cláusula segunda dos “Contratos de Parceria” que os Parceiros PJ não possuem autonomia para gerir sua própria atividade empresarial, na medida em que o serviço tem que ser prestado na exata medida consignada em cada Termo Aditivo. Ao revés, como traço característico da relação Patrão Empregado, o Parceiro PJ tem que planejar, organizar e realizar as suas atividades de maneira a atender aquilo que foi ajustado entre o INDG e os clientes desta. Revelase aqui o atributo da alteralidade, na medida em que, na realidade dos fatos, o Parceiro PJ não atua em nome próprio, mas, sim, como longa manus da IDG, ou seja, em nome da própria IDG. Fl. 2174DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 A alteralidade avulta de maneira insofismável da cláusula 2.3. que impõe taxativamente ao Parceiro PJ a obrigação inarredável de Representar o INDG em reuniões com empresas ou outros eventos, com autorização prévia do IDG. CLÁUSULA SEGUNDA DAS OBRIGAÇÕES DA TERCEIRIZADA 2.1. Realizar consultorias e treinamentos voltados para o objeto contratual, de acordo com termo aditivo. (informa de quem é o poder de impor o quê, quando, quanto e como deve ser feito o serviço) 2.2. Planejar, organizar e realizar todas as atividades inerentes ao alcance do objeto acordado. 2.3. Representar o INDG em reuniões com empresas ou outros eventos, com autorização prévia da EDG; 2.4 Apresentar semestralmente certidões negativas de quitação de tributos federal, estadual e municipal, CND/INSS, CRF/FGTS, execução da Justiça Federal, execução da Justiça Estadual, e Cópia de Declaração do Imposto de Renda. 2.5 Apresentar mensalmente GFEP e GPS, até o 10° dia do mês subsequente. 2.6 Guardar sigilo e respeito à confidencialidade das informações recebidas, relativas à qualquer atividade que venha a ser desenvolvida. A cláusula terceira dos contratos firmados com os Parceiros PJ dá a dimensão exata, na relação jurídica em testilha, de quem assume o risco da atividade econômica, de quem detém o know how para execução do serviço, de quem determina como o serviço será executado, de quem é a administração do serviço prestado, de quem determina o código de conduta dos prestadores do serviço, de quem realiza o controle sobre os serviços realizados. CLÁUSULA TERCEIRA DAS OBRIGAÇÕES DO INDG 3.1 Captar propostas para a realização de serviços dentro do escopo do presente acordo. (assume o risco da atividade econômica) 3.2 Transferir o "Knowhow" necessário para a realização dos serviços. (diz como deve ser feito o serviço) 3.3 Fornecer todo o apoio administrativo necessário, incluindo: passagens aéreas, hospedagem, material didático, propostas, enfim, providenciar toda a logística para a realização das atividades terceirizadas. (É quem administra o serviço prestado) 3.3.1 Os deslocamentos necessários para ministração de conferências, monitoria e/ou prestação de serviços de treinamento no trabalho serão reembolsados mediante a apresentação do relatório de viagem, em até 48 (quarenta e oito) horas após o retorno para a sede. (É quem assume os custos da prestação do serviço) 3.3.2 Serão reembolsadas apenas as despesas compatíveis com a viagem. (É quem assume os custos da prestação do serviço) 3.3.3 São consideradas absolutamente incompatíveis: bebidas alcoólicas, cigarros, telefonemas, brindes e outros similares. (É quem assume os custos da prestação do serviço) 3.3.4 As passagens aéreas ou rodoviárias serão fornecidas previamente pelo IDG. (Administração do serviço) Fl. 2175DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10680.722450/201089 Acórdão n.º 2302003.344 S2C3T2 Fl. 1.903 19 3.4. Desenvolver novos produtos compatíveis com as necessidades do mercado. (Risco da atividade econômica) 3.5. Efetuar os pagamentos das atividades que venham a ser aprovadas, conforme termo aditivo. (controle do serviço prestado) Como visto, a subordinação se revela às escancaras com o tomador em foco, que detém todo o poder de chefia, de comando de como, o quê, quando e quanto do serviço será executado, além do poder disciplinar sobre o trabalhador e o poder de controle sobre o serviço. Ao aderirem aos Contratos de Parceria ofertados pelo IDG, os Parceiros PJ não participam do risco do empreendimento que é exclusivo do Autuado, cabendo a eles, tão somente, a execução do serviço contratado pelo IDG, na forma, na medida e com o know how determinado unilateralmente pelo Instituto autuado. O poder de controle do INDG sobre os Parceiros PJ é tão intenso que as cláusulas 2.4 e 2.5 dos Contratos de Parceria impõem aos terceirizados o dever de apresentar semestralmente certidões negativas de quitação de tributos federal, estadual e municipal, CND/INSS, CRF/FGTS, execução da Justiça Federal, execução da Justiça Estadual, e Cópia de Declaração do Imposto de Renda, além de apresentar mensalmente GFIP e GPS, até o 10° dia do mês subsequente. Ora, se os contratos são realizados com pessoas jurídicas e inexistentes, no caso, subsunção ao regime da retenção de contribuições previdenciárias ou da responsabilidade solidária, de onde advém o poder do INDG de determinar a apresentação de tal documentação? Ora, tão somente da subordinação a que se sujeitam os Parceiros PJ . Tal poder de controle avulta de maneira gritante da Cláusula Décima primeira, que prevê a designação de um representante do INDG com competência para aprovar os relatórios apresentados pela TERCEIRIZADA e autorizar a liberação das parcelas previstas nos termos aditivos. CLÁSULA DÉCIMA PRIMEIRA – REPRESENTANTE DO INDG 11.1 Para acompanhar o andamento dos trabalhos em nome do IDG, será designado oportunamente um representante, competindo lhe aprovar os relatórios apresentados pela TERCEIRIZADA e autorizar a liberação das parcelas previstas nos termos aditivos. De outro viés, o Recorrente alega que os profissionais PJ contratados possuem notório saber e conhecimento atuando livremente no mercado junto a diversas empresas e, sendo contratados pelo IDG, irão atuar em projetos que demandam os conhecimentos detidos pelos sócios. Afinal .... De onde decorre, então, o dever o Parceiro PJ de guardar sigilo e respeito à confidencialidade das informações recebidas, relativas a qualquer atividade que venha a ser desenvolvida? O notório saber e o conhecimento já não pertencem ao patrimônio cultural e técnico do profissional ? Este não atua livremente no mercado junto a diversas empresas? O Parceiro PJ não atua junto o INDG com autonomia plena? CLÁUSULA SEGUNDA DAS OBRIGAÇÕES DA TERCEIRIZADA Fl. 2176DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 2.6 Guardar sigilo e respeito à confidencialidade das informações recebidas, relativas à qualquer atividade que venha a ser desenvolvida. CLÁUSULA NONA DA CONFIDENCIALIDADE 9.1 A TERCEIRIZADA se obriga a manter sigilo em relação a quaisquer dados, informações, inovações, segredos comerciais, marcas, criações, especificações técnicas e comerciais recebidas em decorrência das atividades constantes do objeto contratual e de seus termos aditivos, comprometendose, outrossim, a não revelar, reproduzir, utilizar ou dar conhecimento, salvo com a expressa anuência, por escrito, da Contratante, bem como a não permitir que nenhum de seus sócios, funcionários ou prepostos faça uso indevido desses dados confidenciais. 9.1.1 A quebra do sigilo profissional, sem autorização expressa e por escrito do INDG possibilitará a imediata rescisão deste ACORDO , bem como arcará a TERCEIRIZADA com as penalidades que estiver sujeita a Contratante em decorrência do descumprimento de cláusula contratual nas relações desta última para com terceiros." Se nos antolha não ser bem esse o tom que banda toca. As circunstâncias e as provas acostadas pela Fiscalização aos autos bem demonstram o modus operandi da Organização em tela. O INDG celebra contrato de Consultoria, de desenvolvimento gerencial ou similar com algum cliente e necessita contratar profissional especializado para a efetiva execução só serviço contratado. Busca no mercado de trabalho o profissional que melhor atende às suas necessidades, mas só o contrata se for na condição de pessoa jurídica. Diante de tal quadro, ou o profissional se ajusta ao requerido e cria sua própria pessoa jurídica, atuando sozinho ou em conjunto com algum sócio na mesma condição, mas sempre sem empregados, ou se sujeita a permanecer no ostracismo no mercado de trabalho. A Fiscalização apurou que os Parceiros PJ possuem em comum características que deixam claro que foram criadas, ou adaptadas mediante alterações contratuais, para atenderem ao modelo de contratação de empregados implementado pela INDG. Os contratados como Parceiros PJ são, na verdade, profissionais pessoas físicas, muitos deles ex empregados do IDG, que em caráter não eventual executam pessoalmente os trabalhos contratados, visando atender as atividades normais da empresa, relacionadas diretamente com os fins do seu empreendimento econômico. Dentre estas características apontase em geral que: · As pessoas jurídicas foram originárias de exempregados do INDG e/ou profissionais da área de consultoria empresarial, formando sociedades com pessoas que detêm participações mínimas no capital social e não participam da gestão da sociedade, conforme arrolamento nominal, fichas de registro de empregados do INDG e contratos sociais acostados por amostragem nos Anexos III e IV, a fls. 56/433 do Processo Administrativo Fiscal nº 10680.722449/201054; Fl. 2177DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10680.722450/201089 Acórdão n.º 2302003.344 S2C3T2 Fl. 1.904 21 · Profissionais voltados à área de consultoria empresarial, mas que, ainda figuravam nas Fichas de Registro de Empregados como Assistentes ou Instrutores Juniores, também se tornaram pessoas jurídicas logo em seguida ao desligamento do quadro de funcionários da INDG, como assim demonstram os documentos coligidos aos Anexos III e IV acima citados. · O código de atividade econômica no cadastro nacional de pessoas jurídicas das pessoas jurídicas em foco é o mesmo código do INDG 70.204/00 Atividade de Consultoria em Gestão Empresarial, exceto Consultoria Técnica Específica, conforme ilustrado no Anexo V, a fls. 434/460 do Processo Administrativo Fiscal nº 10680.722449/201054; · Tais pessoas jurídicas não mantêm empregados em seus quadros, evidenciando que quem de fato prestava os serviços contratados pelo INDG é a pessoa do sócio, conforme demonstrado no Anexo VI, a fls. 461/466 do Processo Administrativo Fiscal nº 10680.722449/201054; · A sede social de muitos prestadores de serviços PJ encontrase localizada, fisicamente, no mesmo endereço junto à sede da INDG, Alameda da Serra, nº 420, sala 405 – Bairro Vila da Serra, Nova Lima/MG, conforme demonstrado no Anexo VII a fls. 467/475, e nos Cartões CNPJ a fls. 476/514 do Processo Administrativo Fiscal nº 10680.722449/201054; · As pessoas jurídicas em foco possuem a mesma assistência jurídica e contábil do Sr. William Giovanni Barros, que foi o responsável pela assinatura, juntamente com os sócios, de diversos contratos sociais de constituição das pessoas jurídicas ora em foco, sendo também, empregado da União Consultoria Ltda, e se apresentando como sócio do INDG no site da empresa (www.INDG.com.br, item "Palavra de Sócio"). · As pessoas jurídicas não possuem empregados em atividades fim ou meio, tampouco independência ou estrutura profissional própria (vide Anexos VI, VII e VIII do Processo Administrativo Fiscal nº 10680.722449/2010 54); · Os dados arrolados no Anexo IX, a fls. 518/531 do Processo Administrativo Fiscal nº 10680.722449/201054, demonstram inexistir diferença entre os totais de notas fiscais emitidas pelos Parceiros PJ em face do INDG e os faturamentos anuais dessas pessoas jurídicas, permitindo concluir que as PJ não prestavam serviços a outros contratantes e que foram criadas exclusivamente para atender ao modelo de contratação implementado pelo INDG. · As notas fiscais emitidas pelos Parceiros PJ, arroladas no anexo X a fls. 532/574 do Processo Administrativo Fiscal nº 10680.722449/201054, fazem referência a "Serviços de Consultoria Prestados na Área de Gestão Empresarial", independentemente de os objetivos sociais constantes de seus contratos sociais preverem a prática de atividades diversas. Fl. 2178DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 O item 7 do Relatório Fiscal a fl. 21 descortina o mecanismo de contratação irregular de empregados implementado pelo IDG: As Pessoas Jurídicas Prestadoras de Serviços eram constituídas ou adaptadas mediante alterações contratuais e logo em seguida já eram firmados os acordos de parceria com a INDG, conforme ilustrado no Anexo XI, a fls. 575/916 do Processo Administrativo Fiscal nº 10680.722449/201054; Os acordos de parceria um Termo de Adesão, estes não determinam todas as atividades a serem "desenvolvidas pelas PJ", nem mesmo quando e onde, uma vez que, estas atividades contínuas dentro do contexto empreendedor da INDG, variam de cliente para cliente e seguem etapas de projetos desenvolvidos e a desenvolver, de acordo com supervisão e aprovação da INDG. Por tal razão, o item 1.3 da cláusula primeira, comum a todos os acordos, estabelece que as atividades seriam determinadas mediante aditivos, os quais são editados de maneira sequencial e contínua, especificando as tarefas a serem executadas pelos Parceiros PJ e prorrogando os prazo de duração dos acordos de parceria, conforme ilustrado no Anexos XII, a fls. 917/969 do Processo Administrativo Fiscal nº 10680.722449/201054. Os pagamentos efetuados às Pessoas Jurídicas Prestadoras de Serviços, conforme foi estabelecido na cláusula sexta item 6.1 de todos os acordos, são realizados com regularidade no 5º dia útil de cada mês, ou seja, na mesma data de pagamento dos demais empregados da Autuada, mediante autorizações de débitos emitidas pelo INDG e creditados, em regra, em contas do Banco do Brasil S/A, consoante Anexo XIII, a fls. 970/ 1009 do Processo Administrativo Fiscal nº 10680.722449/201054; Dentro deste modelo, em contrapartida, as Pessoas Jurídicas em realce emitem notas fiscais de serviço, com referência a "Serviços de Consultoria Prestados na Área de Gestão Empresarial", que comprovam os pagamentos efetuados pela contratante e sustentam sua contabilização em custo dos serviços prestados sem incidir sobre tais notas fiscais qualquer contribuição previdenciária, consoante documentos acostados no Anexo X e no Anexo XIV, a fls. 1013/1015 do Processo Administrativo Fiscal nº 10680.722449/201054; Não procede a alegação de que “inexistem subordinação e disponibilidade das pessoas físicas tidas como empregados da recorrente, pois as pessoas jurídicas contratadas podem livremente decidir se participarão ou não dos projetos”. A subordinação só passa a ocorrer a partir do momento em que a pessoa assina o contrato e se engaja no projeto. A julgar pela tese do Recorrente, também inexistiria subordinação entre um empregado clássico e a empresa contratante, uma vez que o trabalhador também pode decidir se assina ou não o contrato de trabalho com a empresa. Aqui também a subordinação jurídica só passa a existir após a assinatura do contrato de trabalho. A onerosidade, por derradeiro, foi apurada diretamente dos lançamentos registrados pelo INDG em sua contabilidade, em custos de serviços prestados e através das notas fiscais de prestação de serviços, nas quais tais trabalhadores figuravam como sócios das pessoas jurídicas prestadoras de serviços, alcançando a cifra de R$ 87.918.500,70 (oitenta e sete milhões, novecentos e dezoito mil, quinhentos reais e setenta centavos). Fl. 2179DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10680.722450/201089 Acórdão n.º 2302003.344 S2C3T2 Fl. 1.905 23 Tais pagamentos eram efetuados às Pessoas Jurídicas Prestadoras de Serviços, com regularidade, no 5º dia útil de cada mês, ou seja, na mesma data de pagamento dos demais empregados da Autuada, mediante autorizações de débitos emitidas pelo INDG e creditados, em regra, em contas do Banco do Brasil S/A. A apuração do salário de contribuição das pessoas físicas ora consideradas como segurados empregados, se deu por aferição indireta, com base nos valores das Notas Fiscais, Lançamentos Contábeis e DIRF, com esteio no preceito inscrito nos §§ 3º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. Não procede a alegação de que os valores pagos mensalmente às pessoas jurídicas consultoras varia consideravelmente, o que descaracteriza a relação empregatícia pretendida pela Fiscalização. Ora bolas !!! ... e desde quando exige a lei que todos os empregados de uma empresa têm que receber a mesma remuneração pela prestação de serviços diferente ??? O que caracteriza a relação de segurado empregado é a prestação remunerada de serviços por pessoa física à empresa, sob o manto da pessoalidade, não eventualidade e subordinação, independentemente de quanto seja a remuneração auferida. Nesse panorama, muito embora os assentamentos contratuais formais apontem para a celebração de contrato de prestação de serviços com pessoas jurídicas, as condições em que os serviços contratados foram prestados ao Recorrente subsumemse à hipótese genérica e abstrata das de segurado empregado estabelecida no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, eis que presentes todos os ingredientes atávicos à receita típica de segurado empregado. Ante tal quadratura, a fiscalização constatou a existência dos elementos qualificadores da citada condição de segurado empregados existente entre o Recorrente e as pessoas físicas dos sócios das pessoas jurídicas contratadas, importando na submissão de contratante e prestador de serviços, estes na qualidade de segurado empregado, às obrigações fixadas na aludida Lei de Custeio da Seguridade Social. Conforme assinalado no Parágrafo Único do art. 116 do CTN, é prerrogativa da autoridade administrativa a desconsideração de atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. Para o mesmo norte aponta a regra trabalhista fixada no art. 9º do DecretoLei nº 5.452, de 1º de maio de 1943 – CLT ao dispor que “Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação”. Tratamse de normas antielisivas, visando ao combate à fraude à lei, com fundamento no primado da substância sobre a forma. A desconsideração do ato ou do negócio jurídico praticado visa apenas a reaproximar a qualificação jurídica, do verdadeiro conteúdo material do ato decorrente do desenho da hipótese de incidência. Assim, a norma antielisiva mune a administração tributária com o poder/dever de proceder à requalificação jurídica formal da relação, fazendoa coincidir com a realidade substancial. Fl. 2180DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 24 Investido em tal poder, o Fisco pode prescindir das aparências do ato simulado e determinar a obrigação tributária segundo a realidade oculta, sem necessidade de declarar a nulidade do ato jurídico aparente. No caso dos autos, da dicção do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91 deflui que a relação jurídica real existente entre o Recorrente e os segurados apurados pela fiscalização é a de segurado empregado, circunstância que impinge às partes dessa relação jurídica a obediência às obrigações tributárias estabelecidas no diploma legal acima citado. Dessarte, conforme determinado no art. 37 do mesmo Pergaminho Legal aludido no parágrafo precedente, constatado o não recolhimento total ou parcial das contribuições tratadas na Lei de Custeio da Seguridade Social, a fiscalização tem por dever de ofício, plenamente vinculado, que lavrar o competente Auto de Infração de Obrigação Principal, como assim sucedeuse no caso presente. A tais conclusões também chegou a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego/MG do MTE, conforme consignado no Relatório de Fiscalização, a fls. 32/42 do Processo Administrativo Fiscal nº 10680.722449/201054, do qual extraímos excertos eloquentes para a melhor compreensão das conclusões: “RELATÓRIO DE FISCALIZAÇÃO I Dados da Empresa Fiscalizada Razão Social: Instituto de Desenvolvimento Gerencial S/A CNPJ: 05.485.279/000164 Endereço: Alameda da Serra, 500 salas 201,203,205,207 Bairro: Vale do Sereno Nova Lima/MG CEP 34.000000 CNAE 70.20400 Empregados alcançados: 492 Período fiscalizado: março/2003 a dezembro/2008 II Auditores Fiscais do Trabalho Responsáveis Fernando César Gonçalves de Castro CIF: 034169, José Gomes Pacheco Filho CIF: 027979 e Raquel Ferreira Filogônio CIF: 019330 III Situação encontrada O Instituto de Desenvolvimento Gerencial S/A INDG, empresa de prestação de serviços de consultoria em gestão empresarial, foi fiscalizado por auditores do Grupo Operacional de Fiscalização do FGTS GOFGTS tendo sido encontradas diversas irregularidades. Conforme fartamente detalhado no Relatório do Auto de Infração n° 019031581 anexo, a fiscalização do trabalho detectou a contratação fraudulenta pela empresa fiscalizada de consultores/instrutores, profissionais cuja função está intimamente ligada à sua atividadefim. A fraude se dava pela criação de Pessoas Jurídicas (PJ) pelos trabalhadores de maneira a mascarar a relação de emprego com a adoção de contratos civis de parceria. Todavia, mantinhamse todos os pressupostos fáticojurídicos do vinculo empregatício, com trabalho executado de maneira não Fl. 2181DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10680.722450/201089 Acórdão n.º 2302003.344 S2C3T2 Fl. 1.906 25 eventual por pessoa física, com pessoalidade, subordinação e onerosidade. A partir de 2008, o INDG passou a concentrar os pagamentos das PJ na empresa União Consultoria Ltda., constituída unicamente para agregar os antigos PJ individuais, que migraram para um único empreendimento. Foi visto que tais procedimentos fraudulentos foram arquitetados com amplo conhecimento dos fundadores do Instituto, senhores JOSE MARTINS DE GODOY e VICENTE FALCONI CAMPOS, os quais, pelo que se pôde apurar, valeramse do apoio do advogado e contador da empresa, Senhor WILLIAN GIOVANI BARROS. O Sr. William, além de advogado/contador do INDG, foi também responsável por assinar juntamente com os sócios, diversos contratos sociais de constituição das PJ fraudulentas. É, também, empregado da União Consultoria Ltda. e se apresenta como sócio do INDG no site da empresa (www.INDG.com.br, item "Palavra de Sócio"). Assim, concluiu a fiscalização que todas as manobras engendradas foram destinadas exclusivamente à burla da legislação trabalhista e consequente evasão fiscal, valendose de atos simulados com o intuito de mascarar a relação empregatícia existente entre o INDG e seus consultores. E tal se justificava tendo em vista o montante envolvido. Os valores de remuneração pagos aos consultores foram colhidos por meio da análise da documentação contábil da empresa, em especial, Razão e Diário, sendo que tais valores embasaram o levantamento de débito do FGTS e Contribuição Social incidentes sobre os salários pagos extrafolha por intermédio das PJ. Foi, portanto, lavrada a Notificação Fiscal para Recolhimento do Fundo de Garantia e da Contribuição Social NFGC n° 506.218.694. Os valores apurados foram: FGTS atualizado R$ 19.521.494,50 CS atualizada R$ 666.521,74 Total R$ 20.188.016,24 IVAutos de Infração lavrados Além da fraude ao vínculo empregatício apontada, outras irregularidades foram verificadas pelos AuditoresFiscais, o que foi objeto de lavratura dos respectivos Autos de Infração. a) Auto de Infração n.° 019031581 Admitir ou manter empregado sem o respectivo registro em livro, ficha ou sistema eletrônico competente. Capitulação: art. 41, caput, da Consolidação das Leis do Trabalho. b) Auto de Infração n.° 019031645 Manter empregado trabalhando sob condições contrárias às disposições de proteção ao trabalho. Capitulação: art. 444 da Consolidação das Leis do Trabalho. c) Auto de Infração n.° 019031637 Apresentar a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), contendo omissão, declaração falsa ou informações inexatas. Capitulação: art. 24, da Lei n° 7.998, de Fl. 2182DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 26 11.1.1990, combinado com o art. 7º , do Decreto n° 76.900, de 23.12.1975. d) Auto de Infração n.° 019031629 Deixar de comunicar ao Ministério do Trabalho e Emprego, até o dia 7 (sete) do mês subsequente ou no prazo definido em regulamento, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED). Capitulação: art. 1º , § 1º , da Lei n° 4.923, de 23.12.1965. e) Auto de Infração n.° 019031653 Deixar de efetuar o pagamento do 13° (décimo terceiro) salário até o dia 20 (vinte) de dezembro de cada ano, no valor legal. Capitulação: art. 1 o da Lei n° 4.090, de 13.7.1962, com as alterações Introduzidas pelo art. 1°, da Lei n° 4.749, de 12.8.1965. f) Auto de Infração n.° 019031661 Deixar de recolher, ou recolher após o vencimento sem os acréscimos legais, a contribuição social incidente sobre a remuneração paga ou devida a cada empregado, à alíquota de 0,5% (cinco décimos por cento). Capitulação: art. 2º da Lei Complementar n° 110, de 29.6.2001. g) Auto de Infração n.° 019031670 Deixar de depositar mensalmente o percentual referente ao FGTS. Capitulação: art. 23, § 1º , inciso I, da Lei n° 8.036, de 11.5.1990. h) Auto de Infração n.° 019031602 Deixar de conceder intervalo para repouso ou alimentação de, no mínimo, 1 (uma) hora e, no máximo, 2 (duas) horas, em qualquer trabalho continuo cuja duração exceda de 6 (seis) horas. Capitulação: art. 71, caput, da Consolidação das Leis do Trabalho. i) Auto de Infração n.° 019031599 Prorrogar a jornada normal de trabalho, além do limite legal de 2 (duas) horas diárias, sem qualquer justificativa legal. Capitulação: art. 59, caput c/c art. 61, da Consolidação das Leis do Trabalho. j) Auto de Infração n.° 019031611 Manter empregado em serviço externo sem portar ficha, papeleta ou documento que legalmente a substitua, em que conste seu horário de trabalho. Capitulação: art. 74, § 3º , da Consolidação das Leis do Trabalho. V Encaminhamentos sugeridos Considerando a existência de fraude e que o pagamento extrafolha tem impacto não somente no FGTS e Contribuição Social não recolhidos, mas também nas contribuições previdenciárias sonegadas, sugerese o encaminhamento à Secretaria da Receita Previdenciária, para providências concernentes às citadas contribuições. Além disso, concluise pela possível existência de débito do Imposto de renda pessoa física, uma vez que o pagamento dos salários extra folha era feito por meio de emissão de Nota Fiscal pela Pessoa Jurídica e posterior distribuição de lucros. Como o regime tributário, neste caso, é diferente da tributação dos salários, com alíquotas inferiores, poderá haver Imposto de Renda da Pessoa Física não pago. Sugerese o encaminhamento à Secretaria da Receita do Brasil, para providências julgadas cabíveis. Tendo em vista que há caracterização, em tese, de crime contra a ordem tributária e contra a organização do trabalho, sugerimos o envio do resultado da fiscalização ao Departamento de Polícia Federal e ao Ministério Público Federal, para apuração desses delitos. Fl. 2183DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10680.722450/201089 Acórdão n.º 2302003.344 S2C3T2 Fl. 1.907 27 Por fim, uma vez que a fiscalizada, embora devidamente orientada pelos auditores, recusouse a regularizar o registro dos empregados, sugerese o encaminhamento do resultado da fiscalização ao Ministério Público do Trabalho, para providências”. As constatações empreendidas pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego/MG do MTE não deixam dúvidas, e corroboram aquilo que foi verificado in loco pela Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil: A contratação fraudulenta de consultores/instrutores e outros profissionais pela empresa Instituto de Desenvolvimento Gerencial S/A, cuja função era intimamente ligada à sua atividadefim. A fraude se dava pela criação de Pessoas Jurídicas (PJ) pelos trabalhadores, de maneira a mascarar a relação de emprego e a previdenciária, mediante a adoção de contratos civis de parceria, restando presentes, todavia, todos os pressupostos fáticojurídicos caracterizadores do vínculo jurídico empregatício e da condição de segurado empregado, com trabalho executado de maneira não eventual, por pessoa física, com pessoalidade, subordinação e onerosidade. Nas últimas duas décadas, passouse a observar neste País, uma tendência, capitaneada por grandes empresas, máxime as de comunicação, de se exigir que seus empregados se transformem em empresa individual ou pessoa jurídica para contratálos como prestadores de serviços, com o fito de esquivarse do recolhimento de encargos trabalhistas e previdenciários, sob o rótulo de “planejamento tributário”. Nessa nova arquitetura, o ex empregado, ao constituir sua própria empresa individual ou pessoa jurídica e, nessa condição, assim ser contratado, deixa de ser empregado da contratante e passa a ser um mero prestador de serviços, mas continua cumprindo horário, recebendo ordens e exercendo as mesmas atividades de antes, nas dependências do contratante ou nas de terceiros. Como consequência imediata dessa mudança de status (de pessoa física e empregado para pessoa jurídica e prestador de serviços), o ex empregado perde os direitos trabalhistas e previdenciários assentados na CLT e na Lei nº 8.213/91, respectivamente, enquanto que a empresa contratante, por seu turno, além de poder contar com a prestação ininterrupta de serviços pelos 12 meses do ano pessoa jurídica não tem direito a férias , se exclui dos encargos trabalhistas e previdenciários inerentes à relação de emprego e à condição de segurado empregado. A fiscalização Trabalhista, em sua atividade de rotina, ao se deparar com semelhante burla à legislação do trabalho, tem a competência de promover ex officio a desconstituição da aludida irregularidade, com fulcro nos artigos 3º e 9º da CLT, restaurando se o statu quo ante. De forma semelhante, mas vinho de outra pipa, a fiscalização previdenciária, diante de situação concreta nas circunstâncias acima delineadas, com esteio no princípio da Primazia da Realidade, identificando estarem presentes os elementos caracterizadores da condição de segurado empregado, impõe a incidência dos preceitos estatuídos na Lei nº 8.212/91 associados a tal condição, desconsiderando, para fins meramente tributários, o contrato formal celebrado pelo contratante com a pessoa jurídica prestadora de serviços, fazendo prevalecer, repisese, para fins unicamente de incidência de contribuições previdenciárias, os efeitos da condição de segurado empregado verificada no caso concreto. Fl. 2184DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 28 A atuação fiscal acima abordada encontra lastro jurídico nas disposições encaixadas no Parágrafo Único do art. 116 do Código Tributário Nacional, que confere à Autoridade Notificante a competência para desconsiderar os efeitos de atos e negócios jurídicos praticados com o fito de ocultar a ocorrência do fato gerador tributário. Código Tributário Nacional CTN Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; (grifos nossos) II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (grifos nossos) O desvirtuamento dos direitos trabalhistas e previdenciários tratado nos parágrafos precedentes ganhou notoriedade na mídia com a celeuma que cercou a, assim denominada, Emenda 3, a qual, se aprovada, impediria a fiscalização do Trabalho de coibir situações fraudulentas desse jaez, na medida em que tal atribuição passaria a ser da competência exclusiva da Justiça do Trabalho, a qual, por seu turno, exige como condição sine qua non a provocação do prejudicado, digase, o trabalhador. Nesse contexto, o ex empregado, agora prestador de serviço, dificilmente irá questionar semelhante transgressão nos Tribunais Trabalhistas, eis que, ao buscar o acessório, incorre no risco de perder o principal o trabalho. As conclusões pautadas nos parágrafos precedentes não discrepam das vigílias assentadas no Enunciado nº 331 do Tribunal Superior do Trabalho, o qual impõe, na contratação de trabalhadores por interposta pessoa, o estabelecimento de vínculo do obreiro diretamente com o contratante, tomador dos serviços. Enunciado nº 331 do TST Contrato de Prestação de Serviços Legalidade I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). (grifos nossos) II A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da administração pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, da CF/1988). (Revisão do Enunciado nº 256 TST) III Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 20061983), de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. Fl. 2185DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10680.722450/201089 Acórdão n.º 2302003.344 S2C3T2 Fl. 1.908 29 IV O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços, quanto àquelas obrigações, inclusive quanto aos órgãos da administração direta, das autarquias, das fundações públicas, das empresas públicas e das sociedades de economia mista, desde que hajam participado da relação processual e constem também do título executivo judicial (art. 71 da Lei nº 8.666, de 21.06.1993). (Alterado pela Res. 96/2000, DJ 18.09.2000) Encontramse presentes, portanto, os elementos essenciais caracterizadores da condição de segurado empregado insculpidos no art. 12, I da Lei nº 8.212/91, fato que deságua, como consequência inafastável, na observância das normas de custeio inscritas no supracitado diploma legal. Nesse cenário, dúvidas não mais existem de que o Recorrente se utilizou de formas irregulares de contratação de profissionais, quiçá para esquivarse dos rigores dos encargos tributários e trabalhistas. Cumpre enfatizar que a mera disposição contratual assentada na cláusula 1.2 dos contratos de parceria de que “O presente acordo não gerará a obrigatoriedade de fidelidade e exclusividade na realização do objeto para nenhuma das partes que reconhecem, neste ato, o direito de livre escolha das empresas e instituições, concordando não caber qualquer política de reserva de mercado concernente às atividades que as mesmas desenvolvam” não é suficiente para afastar a pessoalidade e a subordinação desses profissionais na prestação dos serviços ao contratante, atributos esses que foram apurados por outros meios de prova, conforme acima detalhado. Com efeito, nada impede que um trabalhador mantenha, concomitantemente, múltiplos e legítimos vínculos empregatícios com diversas empresas, sem que isso represente qualquer irregularidade. A condição de segurado empregado não exige exclusividade com o empresa sujeito passivo da obrigação tributária, de molde que um mesmo trabalhador pode estar vinculado previdenciariamente, nessa condição, a duas ou mais empresas, ou ser operar como segurado contribuinte individual em relação a outra distinta da primeira, e assim por diante ... Registrese, por relevante, que o lançamento das contribuições sociais ora em exame não tem o condão de estabelecer qualquer vínculo empregatício entre os trabalhadores em destaque e a empresa recorrente. Tampouco detém o auditor fiscal notificante competência para tanto. A questão é meramente tributária não irradiando qualquer espécie de efeito sobre a esfera trabalhista da empresa notificada. A fiscalização tão somente constatou a ocorrência de fatos geradores, em relação aos quais não houve o correto recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes, e, em conformidade com os ditames legais, no exercício da atividade plenamente vinculada que lhe é típica, procedeu ao lançamento das exações devidas pelo Sujeito Passivo, sem promover qualquer vínculo trabalhista entre os trabalhadores e o Recorrente. Fl. 2186DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 30 Diante da pletora probatória acostada aos autos, firmase a convicção de que os fatos trazidos pela fiscalização não deixaram dúvida quanto à real situação dos trabalhadores mencionados, os quais se ajustam taylor made na categoria de segurados empregados, visto que presentes todos os pressupostos elencados no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91. Como resultado, subsistem inabaladas as obrigações tributárias destacadas no AIOP em apreço, o qual não demanda reparos. 3.2. DO ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO O Recorrente alega ilegalidade do lançamento por vício substancial na composição da base de cálculo. Aduz que não poderia a autoridade fiscal ter considerado como remuneração o total dos valores constantes das notas fiscais de prestação de serviços, mas apenas os valores pagos aos sócios a título de pro labore ou de distribuição de lucros. Argumenta, ainda, não estarem presentes os pressupostos para a utilização da aferição indireta. Razão não lhe assiste. Cumpre neste comenos destacar que, no capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, a Carta Constitucional outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre as obrigações tributárias, dentre outras. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Nessa vertente, no exercício da competência que lhe foi outorgada pelo Constituinte Originário, o CTN honrou prescrever, com propriedade, a distinção entre as duas modalidades de obrigações tributárias, ad litteris et verbis: Código Tributário Nacional CTN Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas Fl. 2187DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10680.722450/201089 Acórdão n.º 2302003.344 S2C3T2 Fl. 1.909 31 no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. (grifos nossos) §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (grifos nossos) As obrigações acessórias, consoante os termos do Diploma Tributário, consubstanciamse deveres de natureza instrumental, consistentes em um fazer, não fazer ou permitir, fixados na legislação tributária, na abrangência do art. 96 do CTN, em proveito do interesse da administração fiscal no que tange à arrecadação e à fiscalização de tributos. No plano infraconstitucional, no que pertine às contribuições previdenciárias, a disciplina da matéria em relevo ficou a cargo da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual fez inserir na Ordem Jurídica Nacional uma diversidade de obrigações acessórias, criadas no interesse da arrecadação ou da fiscalização das contribuições previdenciárias, sem transpor os umbrais limitativos erguidos pelo CTN. Envolto no ordenamento realçado nas linhas precedentes, o art. 32 da citada lei de custeio da Seguridade Social estatuiu como obrigação acessória da empresa o lançamento mensal, em títulos próprios da contabilidade, de forma descriminada, de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, o montante das quantias descontadas dos segurados, as contribuições a cargo da empresa, bem como os totais por esta recolhidos. Impôs também ao sujeito passivo o dever instrumental de elaborar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela legislação tributária. Além disso, determinou que o contribuinte informasse, mensalmente, mediante GFIP, todos os dados relacionados a todos os fatos geradores de contribuição previdenciária, e outras informações do interesse do INSS. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) No que pertine à elaboração das folhas de pagamento, ouvimos em alto e bom som das normas assentadas no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 que a folha de pagamento deve ser elaborada mensalmente, de forma coletiva por Fl. 2188DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 32 estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, devendo, necessariamente, discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; agrupar os segurados por categoria, assim entendidos: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; destacar o nome das seguradas em gozo de saláriomaternidade; destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais e indicar o número de quotas de salário família atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. No que toca à GFIP, exige a lei que em tal documento sejam declarados mensalmente pelo empregador, dentre outras informações, os dados cadastrais do empregador/contribuinte, dos trabalhadores e tomadores/obras; as Bases de incidência do FGTS e das contribuições previdenciárias, compreendendo o total das remunerações dos trabalhadores, a comercialização da produção, a receita de espetáculos desportivos/patrocínio, o pagamento a cooperativa de trabalho, a movimentação de trabalhadores (afastamentos e retornos), saláriofamília e saláriomaternidade, compensação de contribuições previdenciárias, assim como retenção de 11% sobre nota fiscal/fatura, exposição a agentes nocivos/múltiplos vínculos, valor da contribuição do segurado, nas situações em que não for calculado pelo SEFIP (múltiplos vínculos/múltiplas fontes, trabalhador avulso), valor das faturas emitidas para o tomador, dentre tantas outras previstas no Manual da GFIP, aprovado pela Instrução Normativa RFB nº 880, de 16/10/2008 e pela Circular CAIXA nº 451, de 13/10/2008. De outro canto, mas ária de outra ópera, a lei ordena que sejam lançados mensalmente em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, todos os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Mostrase auspicioso destacar que a contabilidade tem como uma de suas finalidades assegurar o controle do patrimônio e fornecer as informações sobre a composição e variações patrimoniais, bem como o resultado das atividades econômicas envolvidas, visando a atender, de forma uniforme, às exigências das leis e regulamentos dos órgãos públicos. Na atualidade ela cumpre, igualmente, o papel de instrumento gerencial, que se utiliza de um sistema de informações para registrar as operações da organização, elaborar e interpretar relatórios que mensurem os resultados, e fornecer informações necessárias à tomada de decisões no processo de gestão, planejamento, execução e controle. Contudo, a razão maior para a uniformização dos princípios gerais da contabilidade é a configuração de um sistema de informações tributárias, através do qual o fisco possa sindicar os fatos geradores ocorridos e apurar os tributos devidos, fiscalizar a regularidade do seu recolhimento, para, assim, traçar as diretrizes da política tributária. Registrese, por relevante, que os registros contábeis devem ser feitos de modo preciso, com esteio em documentação idônea, a qual deve ser conservada em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, bem como a escrituração, correspondência e demais papéis relativos à atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, a teor do art. 4º do DecretoLei nº 486, de 3 de março de 1969. Avulta nesse panorama que as prestações adjetivas ordenadas na legislação tributária têm por finalidade precípua permitir à fiscalização a sindicância ágil, segura e integral dos fatos jurígenos tributários ocorridos nas dependências jurídicas do sujeito passivo, motivo pelo qual se exige que a escrituração seja: Fl. 2189DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10680.722450/201089 Acórdão n.º 2302003.344 S2C3T2 Fl. 1.910 33 a) Mensal, em razão do critério de apuração das contribuições previdenciárias ser por competência. b) Em títulos próprios, que propicie uma fácil e rápida identificação pelos agentes fiscais das contas contábeis onde se encontram registrados os fatos geradores de contribuições previdenciárias. c) De forma discriminada, de molde a se identificar as rubricas integrantes da base de incidência das contribuições previdenciárias, eis que, a cada uma delas corresponde uma alíquota própria a ser empregada no cômputo da contribuição devida. d) Que individualize o montante das quantias descontadas dos segurados, as contribuições a cargo da empresa, bem como os totais por esta recolhidos, de maneira que a fiscalização possa verificar a correcção das importâncias descontadas dos segurados e os montantes a cargo destes e os devidos pela empresa vertidos aos cofres públicos. Não se mostra demasiado enaltecer que o registro dessas informações nas folhas de pagamento, nas GFIP e na contabilidade não se configura como uma faculdade da empresa, mas, sim, uma obrigação tributária a ela imposta diretamente, com a força de império da lei formal, gerada nas Conchas Opostas do Congresso Nacional, segundo o trâmite gestacional plasmado nos artigos 61 a 69 da nossa Lei Soberana. Citese que tais documentos devem ser mantidos pela empresa à disposição da fiscalização, observadas as normas estabelecidas pelos órgãos competentes, até que ocorra a decadência das obrigações tributárias a eles associadas ou deles decorrentes. No âmbito das contribuições sociais previdenciárias, a Lei nº 8.212/91 atribuiu à fiscalização previdenciária a prerrogativa de examinar toda a contabilidade da empresa, não podendo lhe ser oposta qualquer disposição legal excludente ou limitativa do direito de examinar os livros, arquivos, documentos ou papéis comerciais ou fiscais, assim como o poder de exigir a exibição de todos os livros e documentos relacionados com as contribuições sociais previdenciárias, ficando a empresa obrigada a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados, a teor do art. 33 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o Fl. 2190DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 34 disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. (grifos nossos) §2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (...) §6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Salientese que as diretivas ora enunciadas não discrepam dos mandamentos encartados no Código Tributário Nacional CTN, cujo art. 195 aponta, inflexivelmente, para o mesmo norte. Código Tributário Nacional CTN Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Com efeito, a estrutura normativa dos tributos em geral aponta no sentido de que a sua base de cálculo, em princípio, deve ser apurada com base em documentos do Sujeito Passivo que registrem, de forma precisa, os montantes pecuniários correspondentes a cada hipótese de incidência prevista nas leis de regência correspondentes. Para tanto, no caso das contribuições previdenciárias, exige o art. 32 da Lei de Custeio da Seguridade Social que a empresa, mensalmente, elabore folhas de pagamento, lance em títulos próprios de sua contabilidade todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, informe ao Fisco Federal, mediante GFIP, todos os citados fatos geradores e outras informações de interesse do INSS, etc. Excepcionalmente, nas ocasiões em que o conhecimento fiel dos fatos geradores ocorridos na empresa, pelo exame dos documentos acima referidos, não for viável, o ordenamento jurídico admite o emprego meios indiretos para a apuração da base de cálculo das contribuições sociais devidas. Fl. 2191DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10680.722450/201089 Acórdão n.º 2302003.344 S2C3T2 Fl. 1.911 35 No caso em apreciação, dentre as muitas outras irregularidades apontadas pelos agentes fiscais, exsurge em relevo, conforme destacado no item 10.2 do Relatório Fiscal, que a empresa Recorrente não incluiu em suas folhas de pagamento o nome e remuneração das pessoas físicas dos sócios das pessoas jurídicas prestadoras de serviço, qualificados pela Fiscalização como segurados empregados, tampouco declarou em GFIP os fatos geradores de contribuições previdenciárias decorrentes de tal prestação remunerada de serviços prestados por pessoa física sob o manto da não eventualidade, onerosidade, pessoalidade e subordinação. Em ádito, citese que os valores correspondentes à remuneração de tais segurados empregados houvese por registrado na contabilidade como custo dos serviços prestados, e não em título próprio destinado ao registro de fatos geradores de contribuições previdenciárias. A não observância das obrigações tributárias exigidas pela legislação de regência frustrou os objetivos da lei, prejudicando a atuação ágil e eficiente dos agentes do fisco, que se viram impelidos a despender uma energia investigatória suplementar na apuração dos fatos jurígenos tributários em realce, não somente nos documentos suso destacados, mas, igualmente, em outras fontes de informação, tais como a Representação do Ministério do Trabalho à Receita Federal do Brasil, as anotações da Fiscalização do Trabalho no livro de Inspeção do Trabalho da INDG, as notas fiscais de serviço emitidas pelos Parceiros PJ em face da INDG, lançamentos contábeis referentes a pagamentos de notas fiscais pessoa jurídica, autorizações de débitos, etc. Nessas circunstâncias, a apresentação deficiente de qualquer documento ou informação, assim como a constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, de que a contabilidade não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, é motivo justo, bastante, suficiente e determinante para que a fiscalização inscreva de ofício a importância reputada como devida, mesmo que mediante a apuração de sua base de cálculo por aferição indireta, transferindo aos ombros do sujeito passivo o ônus da prova em contrario, a teor do permissivo legal encartado nos parágrafos 3º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. Não procede, portanto, a alegação de que não estão presentes os pressupostos para a utilização da aferição indireta; Diante desse quadro, o convencimento do auditor fiscal acerca da existência dissimulada da relação previdenciária em litígio decorreu dos elementos de convicção elucidativamente descritos no Relatório Fiscal, corroborados pela Representação do Ministério do Trabalho à Receita Federal do Brasil e as anotações da Fiscalização do Trabalho no livro de Inspeção do Trabalho da INDG, dos quais dimana a persuasão de que os assim denominados Parceiros PJ prestavam serviços na empresa autuada na condição de segurado empregados, nos termos do art. 12, I, ‘a’, in fine a Lei nº 8.212/91. Na sequência, ante a inexistência de documentos específicos de onde pudesse ser extraída, diretamente e com confiabilidade, a matéria tributável, houvese a base de cálculo das contribuições em realce apuradas por arbitramento, com fulcro dos §§ 3º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, a partir das informações contidas nas Notas Fiscais de serviço, nos Lançamentos Contábeis e na DIRF. Fl. 2192DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 36 No procedimento de apuração da matéria tributável por arbitramento, valese a Autoridade Fiscal de outros elementos de sindicância que não aqueles documentos assinalados pela lei como adequados ao registro lapidado dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, tais como as folhas de pagamento, GFIP e os Livros Fiscais. Tais elementos podem ser os mais diversos. Alguns dos critérios de aferição indireta a serem empregados pela Fiscalização, nas hipóteses autorizadas pela lei, encontramse positivados na legislação previdenciária, ostentando natureza meramente procedimental interna, não interferindo, de maneira alguma, extra muros, eis que não vinculam nem impõem obrigações, de qualquer espécie, aos Contribuintes. A abrangência de seus comandos, advirta se, restringese, tão somente, ao critério de apuração indireta das bases de cálculo de contribuições previdenciárias, nada mais. Em outros casos, como se deu ocorrer no presente, a fiscalização tem que buscar outros parâmetros de aferição os mais diversos imagináveis, de molde a construir hipoteticamente o arcabouço substancial da matéria tributável, tendo por alicerce, tão somente, o principio da razoabilidade. No caso em apreciação, considerando que : · A empresa não incluiu os empregados identificados na ação fiscal nas Folhas de Pagamento e nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social GFIP; · A empresa não identificou e não declarou as remunerações dos respectivos empregados (salários, ordenados, rubricas em geral e reflexos dos direitos trabalhistas) nas Folhas de Pagamento e nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social GFIP; · As remunerações dos segurados empregados lhes foram pagas indiretamente, via pessoas jurídicas, nos valores destacados nas notas fiscais de serviços, contabilizados pelo INDG em custos dos serviços prestados, e declarados pelo INDG à Secretaria da Receita Federal do Brasil através da Declaração de Impostos Retidos Fonte DIRF ("pagamentos efetuados a pessoas jurídicas"); · As pessoas jurídicas contratadas não possuíam empregados, e os serviços eram prestados diretamente pelos seus sócios; · As pessoas jurídicas contratadas não possuíam estrutura empresarial, funcionando no mesmo endereço junto à IDG; · Não consta nas notas fiscais de serviço o destaque de qualquer importância a título da retenção de que trata o art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.711/98, destinada ao custeio da Seguridade Social; Concluiu a Fiscalização que todo o montante consignado nas notas fiscais emitidas pelos Parceiros PJ em face do INDG correspondiam à contraprestação pecuniária pelos serviços prestados pelos profissionais, na condição de segurado empregado, à Autuada. Fl. 2193DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10680.722450/201089 Acórdão n.º 2302003.344 S2C3T2 Fl. 1.912 37 Não procede, portanto, a alegação de que não poderia a autoridade fiscal ter considerado como remuneração o total dos valores constantes das notas fiscais de prestação de serviços, mas apenas os valores pagos aos sócios a título de pro labore ou de distribuição de lucros. Ante a refigurada distribuição do ônus da prova, havendo algum valor a ser deduzido, deveria a empresa, mediante documentação idônea, ter demonstrado e comprovado tal situação. Não procede, igualmente, a alegação de que deveriam ser excluídos da base de cálculo os valores de tributos retidos nas notas fiscais. Compulsando os autos, verificamos que as retenções contidas nas notas fiscais referemse exclusivamente ao Imposto de Renda, CSLL, COFINS e PIS/PASEP. Tais retenções não são dedutíveis dos montantes lançados a título de contribuições previdenciárias. A todo saber, a única retenção dedutível é a retenção de 11% incidente sobre o valor bruto das notas fiscais de serviço a que se refere o art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.711/98. Se de fato houve alguma retenção de 11%, esta deveria ter sido demonstrada e provada pelo Recorrente, ante a inversão do ônus da prova. Ora, nos termos do art. 22, I da Lei nº 8.212/91, a contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, é de vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa, além da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho prevista no inciso II do mesmo dispositivo legal. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados Fl. 2194DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 38 empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732/98) a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.876/99). Envolta em tal singularidade, observadas as considerações acima expendidas, a Fiscalização dimensionou, por arbitramento, a matéria tributável, lançando de ofício como salário de contribuição dos segurados empregados, os valores extraídos das notas fiscais emitidas pelos Parceiros PJ contra o INDG, confrontadas e confirmadas com os lançamentos contábeis e com as DIRF, obedecendose ao seguinte critério: a) Para os segurados que figuram como única pessoa física que prestou serviços ao INDG através da respectiva PJ, foi considerado como salário de contribuição mensal, o valor integral das Notas Fiscais, Lançamentos Contábeis e DIRF, dentro das respectivas competências. b) Para os segurados que figuraram como mais de uma pessoa física que prestou serviços ao INDG através de uma única PJ, foi considerado como salário de contribuição mensal, o valor integral constante das Notas Fiscais, Lançamentos Contábeis e DIRF, na proporção fracionada por igual a cada um deles, dentro das respectivas competências. Tais valores de salários de contribuição encontramse analiticamente indicados por competência e individualizados por empregado nos Anexos XVIII – 2006 e XVIII – 2007, a fls. 1170/1182 do Processo Administrativo Fiscal nº 10680.722449/201054. Nessa perspectiva, conforme expressamente estatuído na lei, não concordando o sujeito passivo com o valor aferido pela Autoridade Lançadora, competelhe, ante a refigurada distribuição do ônus da prova, que lhe é avesso, demonstrar por meios idôneos que tais montantes não são condizentes com a realidade. Tivesse a empresa cumprido, com o devido rigor, as obrigações acessórias impostas pela legislação, os fatos geradores teriam sido apurados diretamente nas folhas de pagamento, nas GFIP ou na escrituração contábil. Mas assim não ocorreu. A não observância das formalidades exigidas pela legislação tributária quebrou o mecanismo idealizado pelo legislador ordinário para a apuração ágil e precisa dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, obrigando os agentes fiscais a investigar uma miríade de outros documentos e Fl. 2195DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10680.722450/201089 Acórdão n.º 2302003.344 S2C3T2 Fl. 1.913 39 títulos diversos e genéricos da contabilidade, para a captação dos fatos jurígenos tributários de sua competência, no cumprimento efetivo do seu dever de ofício. 3.3. DO LIMITE DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO O Recorrente alega ilegalidade do lançamento em razão da desconsideração do limite do Salário de Contribuição no cálculo das contribuições previdenciárias devidas pelas segurados empregados. Aduz que o art. 449 da IN RFB nº 971/2009 contraria claramente a Lei nº 8.212/91, que define um limite da base de cálculo da contribuição previdenciária, sem estabelecer distinção sobre a forma de sua aferição, se direta ou indireta, enquanto que a IN RFB nº 971/2009 retira o limite em razão do uso da aferição em direta. Calma ... Sem afoutos. Conforme destacado no item 3.2 supra, em razão de o Recorrente não ter incluído em suas folhas de pagamento o nome e a remuneração das pessoas físicas dos sócios das pessoas jurídicas prestadoras de serviço, qualificados pela Fiscalização como segurados empregados, tampouco haver declarado em GFIP os fatos geradores de contribuições previdenciárias decorrentes de tal prestação remunerada de serviços, somado ao fato de os valores correspondentes à remuneração de tais segurados empregados ter sido registrado na contabilidade como custo dos serviços prestados, e não em título próprio destinado ao registro de fatos geradores de contribuições previdenciárias, a matéria tributável do lançamento em apreço houvese por apurada mediante aferição indireta, tendo como base os valores informados nas notas fiscais emitidas pelos Parceiros PJ em face da INDG, confrontados com os lançamentos dos custos dos serviços prestados nos livros contábeis. Conforme salientado, igualmente, no item 3.2 supra, no procedimento de apuração da matéria tributável por arbitramento, valese a Autoridade Fiscal de outros elementos de sindicância que não aqueles documentos assinalados pela lei como adequados ao registro lapidado dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, tais como as folhas de pagamento, GFIP e os Livros Fiscais. Alguns dos critérios de aferição indireta a serem empregados pela Fiscalização encontramse positivados na legislação previdenciária, ostentando natureza meramente procedimental interna, não interferindo, de maneira alguma, extra muros, eis que não vinculam nem impõem obrigações, de qualquer espécie, aos Contribuintes. A abrangência de seus comandos, advirtase, restringese, tão somente, ao critério de apuração indireta das bases de cálculo de contribuições previdenciárias, nada mais. É o caso do preceito inscrito no art. 449 da IN RFB nº 971/2009, que se aplica, exclusivamente, na apuração da contribuição social previdenciária do segurado empregado incidente sobre a remuneração da mãodeobra indiretamente aferida. Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009 Fl. 2196DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 40 TÍTULO VI DAS ATIVIDADES FISCAIS CAPÍTULO ÚNICO DOS PROCEDIMENTOS ESPECIAIS Seção Única Da Aferição Indireta Art. 449. No cálculo da contribuição social previdenciária do segurado empregado incidente sobre a remuneração da mãode obra indiretamente aferida, aplicase a alíquota mínima, sem limite e, para os fatos geradores ocorridos até 31 de dezembro de 2007, sem compensação da CPMF. Os preceitos inscritos nos artigos 20 e 28, I e §5º da Lei nº 8.212/91 e art. 214 do Regulamento da Previdência Social devem ser aplicados sempre que o Sujeito Passivo, cumprindo honradamente as obrigações tributárias acessórias fixadas na Lei de Custeio da Seguridade Social, informar com exatidão todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias nas suas folhas de pagamento, em suas GFIP e em títulos próprios da contabilidade. Nesses casos, a Fiscalização, tendo conhecimento do valor exato do Salário de Contribuição de cada segurado empregado, pode com perfeição calcular o montante devido por cada um deles, aplicando as alíquotas previstas no art. 20 da Lei nº 8.212/91 e o limite do Salário de Contribuição assinalado no §5º do art. 28 do mesmo Diploma Legal. No caso em litígio o Recorrente OMITIU das folhas de pagamento, de suas GFIP e da contabilidade os valores individualizados dessas remunerações, circunstância que motivou a apuração da matéria tributável por arbitramento. Estando na seara da aferição indireta, a Fiscalização, em obediência ao comando procedimental descrito na norma, fez incidir a regra tributária insculpida no art. 449 da IN RFB nº 971/2009, transferindo para o Sujeito Passivo o ônus da prova em contrário, conforme estatuído nos §§ 3º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. Inexiste, portanto, qualquer ilegalidade. Apenas aplicação de norma tributária específica para o cálculo da contribuição dos segurados empregados, nas hipóteses de aferição indireta da base de cálculo. Em decorrência da inversão do ônus da prova, caberia ao Recorrente, além de alegar que o cálculo não é fidedigno, demonstrar e comprovar, mediante documentos idôneos, quais seriam os valores corretos. Esta segunda parte, que é a mais importante, o Autuado deixou passar in albis. Limitouse, a seu risco, a alegar suposta contrariedade de normas infralegais e transcrever acórdãos do CARF, sem preocuparse em rechear suas alegações com as indispensáveis “provas em sentido contrário”. Parafraseando o Prof. Raimundo, personagem celebre do Saudoso Chico Anysio de Oliveira Paula Filho, em suas cenas clássicas com Rolando Lero (Rogério Cardos): “eu não devia ... Mas vou lhe ajudar” Fl. 2197DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10680.722450/201089 Acórdão n.º 2302003.344 S2C3T2 Fl. 1.914 41 Por se tratar de matéria de ordem pública, tal condição nos autoriza a examinar, ex officio, a questão relativa à perfeita subsunção do fato concreto à hipótese de incidência tributária prevista na lei, e, a partir de tal ajuste, aproximar com a maior verossimilhança possível, o valor devido calculado por aferição indireta daquele calculado analiticamente. No caso em apreço, a Fiscalização, de fato, apurou a remuneração auferida por cada uma das pessoas físicas caracterizadas como segurados empregados a partir dos valores informados nas notas fiscais emitidas pelos Parceiros PJ em face do INDG. Os agentes fiscais foram diligentes, e por zelo cuidaram de informar tais valores no Anexo XVIII – 2006, a fls. 1170/1176, e Anexo XVIII – 2007, a fls. 1177/1182, ambos do Processo Administrativo Fiscal nº 10680.722449/201054, discriminados individualmente por segurado empregado, CPF, e competência. Do exame das informações contidas em tais anexos, confrontadas com as bases de cálculo lançadas no Discriminativo do Débito do vertente lançamento, a fls. 06/10, constatamos que os valores totais são coincidentes, de onde se concluiu que as remunerações apuradas indiretamente pelo Fisco e informadas nos Anexos XVIII – 2006 e XVIII – 2007 acima referidos são representativos do Salário de Contribuição mensal de cada um dos segurados empregados em tela, contingência que permite o cálculo analítico da contribuição devida por cada segurado, mediante a aplicação das alíquotas 8%, 9% e 11%, conforme art. 20 da Lei nº 8.212/91, observado, em cada caso, o limite do Salário de Contribuição previsto no §5º do art. 28 do mesmo Diploma Legal, sem se descuidar dos reajustamentos previstos no §1º do art. 20 acima citado. Se expedito como os agentes fiscais fosse o Recorrente, este teria trazido à colação o que agora se reconhece de ofício. Merece ser enaltecido que os valores dos recolhimentos a que se referem os documentos acostados a fls. 1057/1224 do presente PAF não poderão ser abatidos do presente crédito tributário, porquanto tais recolhimentos referemse a outros tributos de natureza jurídica distinta das contribuições previdenciárias ora lançadas, tais como PISFATURAMENTO, CSLL, COFINS, IRPJ – LUCRO PRESUMIDO, RETENÇÃO DE CSLL/PIS/COFINS, IRRF, etc. Por todo o exposto, a contribuição social a cargo dos segurados empregados deve ser recalculada, tomando como Salário de Contribuição os valores de remuneração de cada segurado empregado exposto no Anexo XVIII – 2006, a fls. 1170/1176, e Anexo XVIII – 2007, a fls. 1177/1182, ambos do Processo Administrativo Fiscal nº 10680.722449/201054, mediante a incidência das alíquotas 8%, 9% e 11%, na forma fixada no art. 20 da Lei nº 8.212/91, observado o reajustamento previsto no §1º desse mesmo Dispositivo Legal e o limite do Salário de Contribuição encartado no §5º do art. 28 da Lei de Custeio da Seguridade Social. Fl. 2198DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 42 3.4. DA RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO Cabe trazer à balha que o inciso I do art. 30 da Lei nº 8.212/91 imputou à empresa a obrigação instrumental de arrecadar, mediante desconto das respectivas remunerações, as contribuições previdenciárias a cargo dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, e a de recolher à seguridade social o produto assim arrecadado, no prazo normativo. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; b) recolher o produto arrecadado na forma da alínea anterior, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, até o dia dois do mês seguinte ao da competência; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). Não se mostra despiciendo relembrar que tal obrigação não se apresenta como uma faculdade para a empresa, mas, sim, uma obrigação imposta formal e expressamente pela lei, valendo destacar que o referido desconto sempre se presumirá feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com a lei. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256/2001). (...) §5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Fl. 2199DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10680.722450/201089 Acórdão n.º 2302003.344 S2C3T2 Fl. 1.915 43 Da análise de tudo o quanto se considerou no presente julgado, podese asselar categoricamente que, ressalvado o cálculo da contribuição dos segurados empregados, a decisão de primeira instância não demanda, alfim, qualquer reparo. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo a contribuição social a cargo dos segurados empregados ser recalculada, tomando como Salário de Contribuição os valores de remuneração de cada segurado empregado exposto no Anexo XVIII – 2006, a fls. 1170/1176, e Anexo XVIII – 2007, a fls. 1177/1182, ambos do Processo Administrativo Fiscal nº 10680.722449/201054, mediante a incidência das alíquotas 8%, 9% e 11%, na forma fixada no art. 20 da Lei nº 8.212/91, observado o reajustamento previsto no §1º desse mesmo Dispositivo Legal e o limite do Salário de Contribuição encartado no §5º do art. 28 da Lei de Custeio da Seguridade Social. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 2200DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 16327.915402/2009-12
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. APROVEITAMENTO EM OUTRA DCOMP. DIREITO INEXISTENTE.
As informações sobre o direito de crédito e os débitos compensados assinaladas em DCOMP integram a essência do encontro de contas entre sujeito passivo e Fazenda Pública e definem os limites da compensação.
Não se homologa compensação de débito com direito de crédito já inteiramente comprometido em outra DCOMP transmitida.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3802-003.660
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras. Ausente justificadamente o conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Proferiu sustentação oral, pelo recorrente, Dr. William Rodrigues Alves, OAB/SP nº 314.908.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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NÃO HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. APROVEITAMENTO EM OUTRA DCOMP. DIREITO INEXISTENTE. As informações sobre o direito de crédito e os débitos compensados assinaladas em DCOMP integram a essência do encontro de contas entre sujeito passivo e Fazenda Pública e definem os limites da compensação. Não se homologa compensação de débito com direito de crédito já inteiramente comprometido em outra DCOMP transmitida. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 54 02 /2 00 9- 12 Fl. 1416DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras. Ausente justificadamente o conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Proferiu sustentação oral, pelo recorrente, Dr. William Rodrigues Alves, OAB/SP nº 314.908. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 14a Turma da DRJ de Ribeirão Preto – SP (fls. 1.341/1.355), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pelo recorrente, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Anocalendário: 2005 DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. APROVEITAMENTO EM DCOMP ANTERIOR. DIREITO INEXISTENTE. As informações sobre o direito de crédito e os débitos compensados assinaladas em Declaração de Compensação integram a essência do encontro de contas entre contribuinte e Fazenda Pública e definem os limites da compensação, não podendo ser alterados em sede de manifestação de inconformidade. Não se homologa compensação de débito com direito de crédito já inteiramente comprometido em DCOMP anterior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: A contribuinte apresentou Declaração de Compensação (nº 28926.07450.240608.1.3.048939) pretendendo a extinção de débito próprio com direito de crédito decorrente de suposto pagamento a maior de CPMF. Por meio de despacho decisório, a unidade local não homologou a compensação declarada por inexistência de crédito. Segundo a decisão, cruzamento de informações mantidas pela Administração Fiscal acusara que o pagamento indicado como efetuado a maior estava integralmente alocado a débito confessado em DCTF, não havendo, portanto, saldo disponível para suportar a compensação declarada. Fl. 1417DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.915402/200912 Acórdão n.º 3802003.660 S3TE02 Fl. 1.417 3 Inconformada, a interessada interpôs manifestação de inconformidade reiterando o direito ao crédito e mencionando a retificação da DCTF à qual o pagamento fora alocado na íntegra. Referida manifestação foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal em Campinas. Entendeu a DRJ que a contribuinte não teria comprovado a liquidez e certeza do crédito aproveitado. Os autos subiram à segunda instância administrativa. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deu provimento parcial ao recurso voluntário apresentado contra a decisão da DRJ Campinas, para que a compensação fosse novamente apreciada, havendo entendido aquele colegiado que a apresentação da DCTF retificadora alterando o valor do débito ao qual fora vinculado o pagamento indicado como feito a maior, desconstituiria a causa original da não homologação, impondose o novo exame do feito. Encaminhados os autos à origem, a unidade de jurisdição emitiu novo despacho decisório no qual informa que: A DCOMP nº 28926.07450.240608.1.3.048939, objeto deste processo, referese exclusivamente ao DARF de nº 49030166698, período de apuração 02/03/2005, código de receita 5869, no valor original de R$ 84.837.039,75, data de arrecadação 09/03/2005. Com base neste mesmo DARF o interessado apresentou ainda as seguintes Declarações de Compensação DCOMP: [seguese tabela com as compensações que teriam se utilizado do mesmo DARF, totalizando débitos de R$ 28.285,89] O despacho relata que a contribuinte foi intimada a apresentar documentos relativos ao alegado direito de crédito. Informa ainda a autoridade fiscal que a documentação apresentada comprovaria a cobrança indevida de CPMF do clientes listado em tabela presente no despacho decisório, assim como dos correspondentes estornos, em um total de R$ 28.207,40. A seguir, conclui o despacho decisório: O interessado comprovou um crédito de pagamento indevido ou a maior no valor de R$ 28.207,40 [...] mas transmitiu, utilizando este crédito, declarações de compensação em um valor original total de R$ 28.285,89 [...]Na PER/DCOMP nº 06538.35861.220206.1.3.043212, com informação do crédito relativo a PER/DCOMP nº 28926.07450.240608.1.3.048939, objeto deste processo, foi informado um crédito de R$ 32,56, totalmente utilizado na própria PER/DCOMP. Não restando crédito disponível, propomos a não homologação da PER/DCOMP nº 28926.07450.240608.1.3.048939. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade argumentando em resumo que: Fl. 1418DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 a) o crédito em questão referese à CPMF recolhida a maior que tem origem em retenções indevidas sobre movimentações financeiras de clientes, sendo o montante utilizado em duas declarações de compensação; b) atendendo a intimação fiscal, foram apresentados apenas os documentos relativos à formação do direito de crédito aproveitado na DCOMP examinada e não o conjunto probatório de todo o crédito apurado no pagamento; daí porque os valores comprovados não seriam suficientes para a homologação de todas as compensações; c) equivocase a autoridade fiscal que elaborou o despacho decisório ao afirmar que na DCOMP que contem a do crédito utilizado na declaração de compensação ora em exame, informouse crédito de R$ 32,56, totalmente utilizado na própria DCOMP; no entanto, o próprio despacho reconhece o pagamento a maior de R$ 28.207,40, restando crédito a ser alocado à presente, o que não foi observado pela Administração; d) nesse contexto, é inconteste a legitimidade de direito de crédito devendose reformar o despacho decisório. A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 22/01/2014 (ciência eletrônica, fl. 1.360). Inconformada, a mesma apresentou, em 06/02/2014, o recurso voluntário de fls. 1.362/1.367, onde, além dos argumentos já aduzidos na primeira instância, ressalta que: a) verificase que a não homologação da compensação do crédito de CPMF, período de apuração de março de 2005, no valor original de R$ 28.253,33, ocorreu por conta de um erro do Recorrente, qual seja, a entrega de DCTF original sem a contemplação do valor do crédito. Todavia, essa DCTF já foi retificada e contempla o crédito controvertido, conforme documentos acostados aos autos; b) o crédito em discussão nesses autos, referese à uma parte da CPMF recolhida a maior no valor total de R$ 28.253,33, objeto de outros pedidos de compensação, conforme detalhamento constante deste recurso; c) o crédito total de CPMF recolhido foi devidamente demonstrado na DCTF do mês de março de 2005, tem origem do pagamento da CPMF apurada naquele período, no valor de R$ 84.808.753,86, com um DARF no valor de R$ 84.837.039,75, conforme documentos anexados; d) o crédito tem origem em valores recolhidos indevidamente sobre diversas operações praticadas pelo cliente Sul América Cia Nacional de Seguros. Para tanto, elabora um quadro demonstrativo das operações que ensejaram os recolhimentos indevidos; e) para comprovar o recolhimento indevido e a assunção do ônus tributário, junta aos autos, documentos contábeis e fiscais, incluindo a contabilização das compensações, estorno da operação, demonstrando que o ônus não recaiu sobre o seu cliente; f) a parcela de crédito excedente é discutida em outros processos que, vale o registro, não possuem relação direta com a presente demanda e a cobrança,na hipótese de não homologação definitiva do crédito, ocorreu ou ocorrerá no processo próprio. Daí porque, os valores aqui comprovados não seriam suficientes para a homologação de todas as compensações. Fl. 1419DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.915402/200912 Acórdão n.º 3802003.660 S3TE02 Fl. 1.418 5 g) de todo o exposto, restou comprovada a existência do indébito tributário que originou a compensação em tela e em observância ao princípio da verdade material sobre a formal, as provas trazidas aos autos devem ser acolhidas, requer que seja dado provimento ao seu recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra A ciência (eletrônica) da decisão recorrida se deu em 22/01/2014. Por sua vez, o recurso voluntário foi apresentado em 06/02/2014, tempestivamente, portanto. No mais, o recurso preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Extraise dos autos que o Recorrente apresentou Declaração de Compensação nº 28926.07450.240608.1.3.048939, pretendendo a extinção de débito próprio com direito de crédito decorrente de suposto pagamento a maior de CPMF. A DRF de origem não homologou a compensação declarada por inexistência de crédito, não havendo, portanto, saldo disponível para suportar a compensação declarada na referida DCOMP. Inconformada, a interessada interpôs manifestação de inconformidade reiterando o direito ao crédito e mencionando a retificação da DCTF à qual o pagamento fora alocado na íntegra. Entendeu a DRJ que a contribuinte não teria comprovado a liquidez e certeza do crédito aproveitado. Então, os autos subiram à segunda instância administrativa. Consta dos autos que em 24/07/2009 fora transmitida pela internet DCTF retificadora, portanto em data anterior à emissão do Despacho Decisório, ocorrido em 07/10/2009. Analisando todo o acima exposto, o CARF deu provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, decidindo no sentido de que a compensação fosse novamente apreciada, havendo entendido que a apresentação da DCTF retificadora, alterando o valor do débito ao qual fora vinculado o pagamento indicado como feito a maior, desconstituiria a causa original da não homologação, impondose o novo exame do feito. Em cumprimento ao Acórdão nº 330201.506 (fls. 73/78), a unidade de jurisdição emitiu novo despacho decisório (fls. 1.269/1.272), concluindo que: A DCOMP nº 28926.07450.240608.1.3.048939, objeto deste processo, referese exclusivamente ao DARF de nº 49030166698, período de apuração 02/03/2005, código de receita 5869, no valor original de R$ 84.837.039,75, data de arrecadação 09/03/2005. Com base neste mesmo DARF o interessado apresentou ainda as seguintes Declarações de Compensação DCOMP: [seguese tabela com as compensações que teriam se utilizado do mesmo DARF]. Fl. 1420DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Na sequência, conclui o despacho decisório: O interessado comprovou um crédito de pagamento indevido ou a maior no valor de R$ 28.207,40 [...] mas transmitiu, utilizando este crédito, declarações de compensação em um valor original total de R$ 28.285,89 [...]Na PER/DCOMP nº 06538.35861.220206.1.3.043212, com informação do crédito relativo a PER/DCOMP nº 28926.07450.240608.1.3.048939, objeto deste processo, foi informado um crédito de R$ 32,56, totalmente utilizado na própria PER/DCOMP. Não restando crédito disponível, propomos a não homologação da PER/DCOMP nº 28926.07450.240608.1.3.048939. Nesse contexto, assim se posicionou a decisão a quo, a respeito da compensação tratada na DCOMP nº 28926.07450.240608.1.3.048939: (...) Como relatado, os autos retornam a esta Delegacia de Julgamento por força de acórdão prolatado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que determinou novo exame da compensação declarada pela contribuinte. Entendeu aquele colegiado que a apresentação de DCTF retificadora teria alterado a situação jurídica na qual se baseara o despacho decisório de não homologação, devendose reexaminar a existência do direito creditório. Em novo despacho decisório, a unidade de origem reconheceu a existência de pagamento a maior. Porém, não haveria como homologar a presente declaração de compensação já que o direito de crédito estaria integralmente comprometido na absorção de débito declarado em outra DCOMP (g.n). O Recorrente, em seu recurso, alega que a não homologação da compensação do crédito de CPMF, período de apuração de março de 2005, no valor original de R$ 28.253,33, ocorreu por conta de um erro do Recorrente, qual seja, a entrega de DCTF original sem a contemplação do valor do crédito. Todavia, essa DCTF já foi retificada e contempla o crédito controvertido, conforme documentos acostados aos autos. Aduz que o crédito em discussão nesses autos, referese à uma parte da CPMF recolhida a maior no valor total de R$ 28.253,33, objeto de outros pedidos de compensação e que o crédito total de CPMF recolhido foi devidamente demonstrado na DCTF do mês de março de 2005, tem origem do pagamento da CPMF apurada naquele período, no valor de R$ 84.808.753,86, com um DARF no valor de R$ 84.837.039,75, conforme documentos anexados. Que o crédito tem origem em valores recolhidos indevidamente sobre diversas operações praticadas pelo cliente Sul América Cia Nacional de Seguros. Para tanto, elabora um quadro demonstrativo das operações que ensejaram os recolhimentos indevidos, e provar a assunção do ônus tributário, junta aos autos, documentos contábeis e fiscais, incluindo a contabilização das compensações, estorno da operação, demonstrando que o ônus não recaiu sobre o seu cliente; Ao final, alega que a parcela de crédito excedente é discutida em outros processos que, vale o registro, não possuem relação direta com a presente demanda e a cobrança,na hipótese de não homologação definitiva do crédito, ocorreu ou ocorrerá no Fl. 1421DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.915402/200912 Acórdão n.º 3802003.660 S3TE02 Fl. 1.419 7 processo próprio. Daí porque, os valores aqui comprovados não seriam suficientes para a homologação de todas as compensações. Registrese que no recurso apresentado pelo Recorrente na época, bem como no Acórdão proferido pelo CARF, restringiase ao erro no preenchimento da DCTF e da retificadora, conforme se observa na ementa do Acórdão: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário:2005 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA.EFEITOS. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, sendo consequência de sua apresentação, após a não homologação de compensação por ausência de saldo de créditos na DCTF original, a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Acórdão nº 330201.406 sessão de 26/01/2012. No entanto, agora na presente discussão, observase que a não homologação da compensação teve como motivação que o Recorrente transmitiu sua DCOMP compensando débito com suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, e verificado que as características do direito de crédito compensado estaria integralmente comprometido na absorção de débito declarado em outra DCOMP. Ou seja, no encontro de contas promovido pela contribuinte na DCOMP em exame, o direito de crédito, indicado como informado em outro documento de compensação foi inteiramente comprometido na compensação declarada naquele documento. Atinente a este fato, vejase trecho do Acórdão recorrido: Com efeito, na DCOMP sob exame (fl. 23 do eprocesso), a contribuinte assinala que o direito de crédito compensado fora informado em outra declaração de compensação, a de nº 06538.35861.220206.1.3.043212. Confirase: (...) Essa última DCOMP traz, portanto, as características que definem a natureza e a dimensão do direito de crédito aproveitado na declaração de compensação ora em análise. A citada DCOMP que contém as características do pagamento indevido indica o montante do direito de crédito: R$ 32,56. Confirase (fl. 1.260): (...). Esse valor, como se vê, foi integralmente vinculado à compensação do débito informado naquela mesma declaração. Fl. 1422DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 Ou seja, o direito de crédito cujo aproveitamento foi formalizado na DCOMP objeto do presente exame está inteiramente comprometido na compensação de outra dívida, não restando saldo disponível para outra compensação (g.n). É sabido que o documento intitulado Declaração de Compensação (DCOMP) se presta, assim, a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. De fato, o pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto do processo. Eventual manifestação da instância julgadora sobre a legitimidade de crédito tributário não admitido junto à autoridade responsável pelo exame de pedidos dessa natureza representaria verdadeira usurpação da competência da referida autoridade, o que também não se pode admitir. Com efeito, como é cediço, a compensação que, nos termos do art. 170 do CTN, pressupõe liquidez e certeza dos créditos, é levada a efeito por meio de declaração capaz de extinguir o débito tributário sob condição da sua ulterior homologação, nos termos dos parágrafos 1º e 2º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme a redação que lhes foi fornecida pela Lei nº 10.637, de 2002. Portanto, cabe ao Fisco analisar se cabe ou não homologar uma compensação declarada. Noutro giro, os parágrafos sétimo a nono do mesmo art. 74 da mesma Lei nº 9.430, de 1996, incluídos pela Lei nº 10.833, de 20033, indicam as consequências da não homologação da DCOMP, bem assim o objeto do litígio instaurado em razão da apresentação de manifestação de inconformidade. Focado nesses parâmetros, entendo que o pleito do sujeito passivo não merece acolhida, pois não cabe a este Colegiado ir além da análise do ato de não homologação da Declaração de Compensação e tal ato, como decidido pelo acórdão recorrido, não merece reparo. Neste sentido, quanto ao princípio da verdade material em detrimento do formalismo que deve nortear o processo administrativo fiscal, alegado pelo Recorrente, temos em conta que a DCOMP faz parte de maneira inseparável à compensação. A pesquisa da verdade material se dá em relação às informações assinaladas na DCOMP. Não se trata de investigar minuciosamente da existência ou não do pagamento a maior no montante mencionado pela contribuinte. No caso da compensação, as informações sobre o débito e o crédito inscritas na DCOMP, como dito, fazem parte da essência da compensação. Por fim, temos em conta ainda que como se sabe, tratandose a CMPF de tributo pago por terceiros, cabendo ao interessado, na condição de contribuinte de fato, tão somente a obrigação por seu recolhimento, o direito à sua restituição/compensação se subsume, a teor do disciplinado pelo art. 166 do CTN. É fato que o Recorrente juntou cópia de demonstrativo dos extratos das contas correntes que receberam os créditos e dos valores estornados dos clientes, visando corroborar as suas alegações de que suportou o ônus de pagamento da CPMF indevidamente retida. Fl. 1423DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.915402/200912 Acórdão n.º 3802003.660 S3TE02 Fl. 1.420 9 Conclusão Portanto, a unidade de origem reconheceu a existência de pagamento a maior pleiteado. Porém, não haveria como homologar a presente Declaração de Compensação (DECOMP), já que o direito de crédito analisado estaria integralmente comprometido na absorção de débito declarado em outra DCOMP, como demonstrado neste relatório. O Recorrente apresentou uma declaração de compensação cujo crédito informado inexiste na base de dados da Receita Federal, não podendo agora, em sede de contencioso, modificar o âmbito de seu pedido. Sendo essas as considerações que reputo suficientes e necessárias à resolução da lide, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 1424DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 13890.000010/99-03
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Apr 26 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Fri Nov 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998
CONCOMITÂNCIA. CARACTERIZAÇÃO.
Quando na solicitação judicial é incluído o pedido administrativo de reconhecimento de crédito tributário e compensação fica caracterizada a identidade de objetos e, consequentemente, a concomitância de pedidos entre as esferas judicial e administrativa.
CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA.
A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, com o mesmo objeto da solicitação administrativa, importa em renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa competente. Matéria Sumulada. Sumula 1 do CARF.
SÚMULA Nº 1 do CARF: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR PROVIDO
Numero da decisão: 9303-000.876
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acórdão os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidas as Conselheiras Maria Teresa Martínez López (Relatora) e Nanci Gama, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas.
CARLOS ALBERTO BARRETO - Presidente
MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ - Relatora
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998 CONCOMITÂNCIA. CARACTERIZAÇÃO. Quando na solicitação judicial é incluído o pedido administrativo de reconhecimento de crédito tributário e compensação fica caracterizada a identidade de objetos e, consequentemente, a concomitância de pedidos entre as esferas judicial e administrativa. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA. A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, com o mesmo objeto da solicitação administrativa, importa em renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa competente. Matéria Sumulada. Sumula 1 do CARF. SÚMULA Nº 1 do CARF: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR PROVIDO
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CARACTERIZAÇÃO. Quando na solicitação judicial é incluído o pedido administrativo de reconhecimento de crédito tributário e compensação fica caracterizada a identidade de objetos e, consequentemente, a concomitância de pedidos entre as esferas judicial e administrativa. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA. A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, com o mesmo objeto da solicitação administrativa, importa em renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa competente. Matéria Sumulada. Sumula 1 do CARF. SÚMULA Nº 1 do CARF: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acórdão os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidas as Conselheiras Maria Teresa Martínez López (Relatora) e Nanci Gama, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 0. 00 00 10 /9 9- 03 Fl. 392DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ , Assinado digitalmente em 17/09/2014 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13890.000010/9903 Acórdão n.º 9303000.876 CSRFT3 Fl. 367 2 CARLOS ALBERTO BARRETO Presidente MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ Relatora RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase, originariamente, da análise de pedido de ressarcimento de saldo credor do IPI, com fundamento no DL nº 491/69 e na lei nº 8.402/92, mediante a compensação com débitos em processo de parcelamento. Em 05/04/2000, a recorrida ingressou com ação judicial com o mesmo pedido do administrativo. Em 01/12/2000, a contribuinte protocolizou petição na 2ª Vara da Justiça Federal de Piracicaba, solicitando desistência do MS 2000.61.09.0017548 e requerendo que o mesmo fosse extinto sem julgamento de mérito. Consta dos autos que esse pedido foi homologado judicialmente. A DRF em Piracicaba/SP, corroborada pela 2ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP, houve por bem indeferir o pedido de ressarcimento por entender que a propositura, pela contribuinte, de ação judicial, por qualquer modalidade, com o mesmo objeto, importa em renúncia às instâncias administrativas. Inconformada com tal resultado, a contribuinte apresentou recurso voluntário, o qual foi julgado parcialmente procedente pela Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, ficando o julgado assim ementado: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. DECISÃO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. Não será declarada a nulidade da decisão recorrida quando se puder decidir favoravelmente ao sujeito passivo. PROCESSO JUDICIAL. EXTINÇÃO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO. EFEITOS NO PROCESSO DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ , Assinado digitalmente em 17/09/2014 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13890.000010/9903 Acórdão n.º 9303000.876 CSRFT3 Fl. 368 3 Existindo identidade de objeto, a extinção do processo judicial, sem julgamento de mérito e antes de qualquer provimento, não gera direitos e nem implica em desistência de pedido administrativo de reconhecimento de créditos (restituição ou ressarcimento). O pedido administrativo deve ser apreciado. Recurso provido em parte. Por maioria de votos foi dado provimento parcial ao recurso para determinar que a DRF aprecie o mérito do pedido. A Fazenda Nacional, por meio de sua Procuradora, interpôs, em 16/07/2007, recurso especial alegando, em princípio, divergência entre a decisão recorrida e outras proferidas pelos Conselhos de Contribuintes, nas quais se expressa o entendimento de que basta a propositura pela contribuinte de ação judicial para caracterizar a renúncia à esfera administrativa. Alega a recorrente, também a ocorrência de contrariedade ao Decretolei nº 1.737/79 e à Lei nº 6.830/80 e, ainda, ao Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes. O recurso especial foi recebido pelo Despacho nº 201479/07, tendo em vista que a decisão foi não unânime e também fundamentouse em contrariedade à lei. Cientificada a contribuinte apresentou contrarazões ao recurso especial alegando, em suma, que a Fazenda Nacional não foi capaz de demonstrar a contrariedade à lei; que os acórdãos apontados como divergentes não tratam da mesma matéria, e aquele que mais se aproxima foi proferido pela própria Primeira Câmara, o que vai de encontro com o que determina a norma que regula a interposição de Recurso Especial; que em vista da decisão recorrida ter “anulado” tanto a decisão da DRJ como das DRF, seria incabível a interposição de recurso diante do que preceitua o § 3º do artigo 7º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais1. É o relatório. 1 §3º Não cabe recurso especial ... ou que na apreciação de matéria preliminar decida pela anulação da decisão de primeira instância. Fl. 394DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ , Assinado digitalmente em 17/09/2014 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13890.000010/9903 Acórdão n.º 9303000.876 CSRFT3 Fl. 369 4 Voto Vencido Conselheira MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ, Relatora Duas questões merecem a análise desta E. Câmara. A primeira diz respeito ao cabimento do recurso especial interposto pela D. Procuradoria pela análise do atendimento aos pressupostos formais de admissibilidade. A segunda, se superada a primeira, diz respeito ao mérito do recurso especial apresentado pela r. Procuradora. Passo as matérias. I Admissibilidade do recurso: A interessada, em suas contrarrazões alega o não cabimento do recurso interposto pela Fazenda Nacional face a inexistência de divergência jurisprudencial. Alega em suma, que a Fazenda Nacional não foi capaz de demonstrar a contrariedade à lei; que os acórdãos apontados como divergentes não tratam da mesma matéria, e aquele que mais se aproxima foi proferido pela própria Primeira Câmara, o que vai de encontro com o que determina a norma que regula a interposição de Recurso Especial. Verificase tratarse de recurso especial apresentado com fundamento no inc.II, do art. 55 do Regimento Interno do então Conselhos de Contribuintes c/c. o inciso I, do art. 7º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais2 , aprovado pela Portaria nº 147/2007, em face do acórdão não unânime. Como se vê, a questão não diz respeito à divergência jurisprudencial e sim, a se a decisão recorrida teria ou não contrariado à lei ou à evidências de provas. Na verdade, o exame de contrariedade à lei, necessariamente implica no conhecimento do mérito, razão pela qual, passo ao exame do mérito precisamente. Por oportuno, no que se refere à admissibilidade, cabe esclarecer o seguinte fato: embora tenha ocorrido a alteração do artigo 37, do Decreto nº 70.235/72, pela Lei nº 11.941/2009, e Portaria nº 256/2009, que criou o novo Regimento Interno do CARF, de forma a deixar de existir o recurso especial fundamentado em contrariedade à lei, o presente recurso especial foi interposto quando ainda vigente a legislação anterior (decisão proferida até junho/09), razão porque, atendidas aquelas formalidades legais, deve ser conhecido. II da figura da renúncia administrativa 2 Artigo 7º Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: I decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova; e ... Fl. 395DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ , Assinado digitalmente em 17/09/2014 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13890.000010/9903 Acórdão n.º 9303000.876 CSRFT3 Fl. 370 5 A decisão recorrida entendeu que com a extinção da ação judicial, sem julgamento de mérito, deve o processo administrativo retornar para a DRF, para que se aprecie o pedido administrativo de ressarcimento. A r. Procuradora defende em apertada síntese, a renúncia administrativa, independentemente de ter ocorrido a extinção da ação judicial, sem julgamento do mérito. As normas que a D. Procuradoria entendeu violadas são o parágrafo 2º do artigo 1º do Decretolei nº 1.737/79 e artigo 38 da lei nº 6.830/80, abaixo transcritos: Decretolei nº 1.737/79 “(...) § 2º A propositura, pelo contribuinte, de ação anulatória ou declaratória da nulidade do crédito da Fazenda Nacional importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto.” Lei nº 6.830/80 “(...) Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto.” A D. Procuradoria, para sustentar seu entendimento, pretende que a legislação seja aplicada ao pé da letra, ou seja, basta a propositura de uma ação judicial para que se configure a renúncia administrativa, seja em face da Lei nº 6.830/80 ou do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes. Não importa, no caso, para a D. Procuradoria, ter havido ou não, a extinção do processo judicial sem julgamento de mérito. Nesse aspecto, o voto vencido e o voto vencedor são coincidentes no sentido de se conhecer do recurso eis que inexistente matéria concomitante entre o Judiciário e o administrativo. A diferença, aliás, nos dois votos resulta na forma de apreciação do mérito. No voto vencido, o Conselheirorelator manifestouse no sentido de ser nula a decisão da DRJ ao não conhecer da matéria sob o fundamento de ter a contribuinte procurado a via do Judiciário. Já, o voto vencedor, mesmo admitindo (fl.304) “que a decisão recorrida não apreciou, de maneira clara e direta, a alegação da recorrente de que ocorreu um fato novo (desistência do processo judicial) e que não mais existiria óbice para a análise do mérito e deferimento do pedido de ressarcimento de IPI” aplicou o art. 59, § 3º do Dec. nº 70.235/72. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ , Assinado digitalmente em 17/09/2014 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13890.000010/9903 Acórdão n.º 9303000.876 CSRFT3 Fl. 371 6 Peço vênia para transcrever as razões de decidir do Conselheiro LUIZ DA GAMA D´EÇA, no voto vencido (fl.301/303): “O recurso voluntário reúne as condições de admissibilidade e merece ser provido para anular a r. decisão exarada pela 2ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto – SP. Inicialmente, verifico que inocorre a alegada concomitância invocada pela r. decisão recorrida como pretexto para não examinar a matéria da impugnação, eis que, como registra a própria r. decisão recorrida, “em 01/12/2000, a manifestante protocolizou petição na 2ª Vara da Justiça Federal de Piracicaba, solicitando desistência do MS 2000.61.09.0017548 e requerendo que o mesmo fosse extinto sem julgamento de mérito” sendo certo que “tal pedido foi homologado judicialmente”, donde decorre que desde aquela data, efetivamente, inexiste no caso a possibilidade de decisões conflitantes entre as instâncias administrativa e judicial. Assim, embora não se possa ignorar que “a discussão concomitante de matérias nas esferas judicial e administrativa enseja a renúncia nesta, pelo princípio da inafastabilidade e unicidade da jurisdição” (cf. Acórdão nº 20177.493, Recurso nº 122.188, da 1ª Câmara do 2º CC, em sessão de 17/02/2004, rel. Antonio Mario de Abreu Pinto; cf. também Acórdão no 201 77.519, Recurso no 122.642, em sessão de 16/03/2004, rel. Gustavo Vieira de Melo Monteiro), o mesmo não se pode dizer nos casos em que fato novo (desistência da ação judicial) elimina a possibilidade de decisões conflitantes entre as instâncias judicial e administrativa, impondose o exame de mérito por esta última, tal como tem reiteradamente proclamado a jurisprudência deste Egrégio Conselho e se pode ver das seguintes e elucidativas ementas: “NORMAS PROCESSUAIS NULIDADE Existindo ação judicial paralela ao pleito administrativo, ambos objetivando a compensação de tributo, a autoridade administrativa não tomará conhecimento do pedido feito na via administrativa em virtude da prevalência do que for decidido na via judicial. No entanto, se a empresa desiste da ação judicial, deixa de existir o obstáculo, e a matéria, quanto ao mérito, deverá ser enfrentada. No caso da desistência ocorrer após as decisões da Delegacia da Receita Federal e da Delegacia da Receita Federal de Julgamento pelo Conselho de Contribuintes, deve a decisão da DRF ser nula para que outra seja prolatada, apreciando o mérito do litígio. A nulidade atinge todos os atos posteriores à decisão, nos termos do art. 59 e parágrafos do Decreto nº. 70.235/72. Processo que se anula, a partir da decisão de primeira instância, inclusive.” (cf. Acórdão nº 20173.131 da 1ª Câmara do 2º CC, Recurso nº 111.054, Processo nº 10930.001840/9749, em sessão de 15/09/99, rel. Conselheiro Serafim Fernandes Corrêa, recorrente: PVC Brasil Ind. de Tubos e Conexões Ltda.) “(...). Fl. 397DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ , Assinado digitalmente em 17/09/2014 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13890.000010/9903 Acórdão n.º 9303000.876 CSRFT3 Fl. 372 7 MEDIDA JUDICIAL ANTERIOR À MANIFESTAÇÃO DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL FATO NOVO POSSIBILIDADE DE INGRESSO NA VIA ADMINISTRATIVA Ficando constatado que a medida judicial impetrada pelo contribuinte teve início e cabo antes da manifestação expressa das autoridades fiscais reconhecendo o seu direito, no caso em tela a Instrução Normativa SRF nº 165, de 31 de dezembro de 1998, restaurase a possibilidade da via administrativa, com fundamento em fato novo. Decadência afastada.” (cf. Acórdão nº 10612.063 da 6ª Câmara do 1º CC, Recurso nº 125.158, Processo nº 13811.002877/9919, em sessão de 22/06/2001, rel. Conselheiro Edison Carlos Fernandes, recorrente: José Luiz D'Angelo) Por seu turno, a omissão injustificada sobre ponto fundamental do contraditório instalado, pela r. decisão recorrida, obviamente, desatende aos requisitos essenciais que os arts. 31 e 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, enumeram como condição de sua validade, ensejando nulidade por preterição aos direitos da defesa, como também tem reiteradamente proclamado a jurisprudência da Egrégio Câmara Superior de Recursos Fiscais e dos Conselhos de Contribuintes, como se pode ver das seguinte ementas: “EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Configurandose omissão de ponto sobre o qual a Turma devia se pronunciar, é de se acolher os Embargos interpostos, conforme determina o art. 27, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA DO CONTRIBUINTE NULIDADE Tendo a câmara recorrida deixado de decidir sobre matéria trazida no recurso voluntário do contribuinte, configurase preterição do direito de defesa e, conseqüentemente, a nulidade do acórdão recorrido. Embargos de declaração acolhido.” (Acórdão da 3ª Turma da CSRF no Recurso de Divergência nº 301122696, Processo nº 13149.000230/9605, em sessão de 17/05/2005, Acórdão da CSRF/0304.421, rel. Conselheiro Paulo Roberto Cucco Antunes, em nome de Viação Xavante Ltda.) “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. TEMA NÃO ENFRENTADO PELA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO. IMPUGNAÇÃO DEDUZIDA POR CONTRIBUINTE. Toda a matéria suscitada em impugnação deve ser enfrentada pela delegacia da receita federal de julgamento, pois a omissão a respeito de quaisquer das matérias cogitadas em tal expediente enseja a nulidade da decisão exarada ao ensejo do exame da defesa do contribuinte. toda a extensão da defesa do contribuinte merece exame e definição, por força da previsão do artigo 31 do Decreto nº 70.235/72. A nulidade da decisão proferida pela delegacia da receita federal de julgamento implica em retorno Fl. 398DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ , Assinado digitalmente em 17/09/2014 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13890.000010/9903 Acórdão n.º 9303000.876 CSRFT3 Fl. 373 8 do processo administrativo para tal órgão julgador, a fim de que novo provimento seja exarado com vistas a não ensejar supressão de instância. inteligência do artigo 25, I e II, do Decreto nº 70.235/72. Processo anulado, a partir da decisão de primeira instância, inclusive.” (cf. Acórdão nº 20309919, da 3ª Câmara do 2º CC, Recurso nº 122.925, Processo nº 10830.005027/9776, rel. Conselheiro César Piantavigna, em sessão de 02/12/2004, em nome de Miracema Nuodex S/A Indústrias Químicas). Decisão: ‘Por unanimidade de votos, anulouse o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive.” “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU NULIDADES A OMISSÃO NO EXAME DE MATÉRIA POSTA NA PEÇA IMPUGNATÓRIA DETERMINA A NULIDADE DA DECISÃO ASSIM PROFERIDA. Preliminar acolhida, declarada nula a decisão de primeiro grau. (DOU 11/10/01)” cf. Acórdão nº 10320570, da 3ª Câmara do 1º CC, Recurso nº 124.874, Processo nº 10820.000854/0004, rel. Conselheiro Márcio Machado Caldeira, em sessão de 19/04/2001, em nome de Color Visão do Brasil Indústria Acrílica Ltda.). Decisão: “Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso para, acolhendo a preliminar suscitada pela recorrente, declarar a nulidade da decisão ‘a quo’ e determinar a remessa dos autos à repartição para que nova decisão seja prolatada. A contribuinte foi defendida pelo Dr. Ives Gandra da Silva Martins, inscrição OAB/SP nº 11.178.” “PROCESSO ADMINISTRATIVO NULIDADE OMISSÃO DO JULGADOR NA APRECIAÇÃO DA MATÉRIA ALEGADA NA IMPUGNAÇÃO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Caracterizase cerceamento do direito de defesa a falta de análise e pronunciamento pela autoridade julgadora acerca de documentos e argumentações apresentadas na impugnação pelo sujeito passivo, implicando na declaração de nulidade da decisão, com fundamento no art. 59, II, do Decreto 70235/72. Declarada nula a decisão singular.” (cf. Acórdão nº 10805949, da 8ª Câmara do 1º CC, Recurso nº 120.305, Processo nº 13971.000266/9868, rel. Conselheiro José Henrique Longo, em sessão de 08/12/1999). Decisão: “Por unanimidade de votos, DECLARAR a nulidade da decisão de primeiro grau.” Isto posto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para, com fundamento nos arts. 31 e 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, anular a r. decisão exarada pela 2ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto SP, a fim de que outra seja proferida, analisando a questão de mérito dos pedidos de ressarcimento e compensação, retomandose o devido processo legal do contencioso administrativo tributário. É o meu voto.” Fl. 399DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ , Assinado digitalmente em 17/09/2014 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13890.000010/9903 Acórdão n.º 9303000.876 CSRFT3 Fl. 374 9 Já o voto vencedor do Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, muito embora afaste a nulidade da decisão da DRJ, assim se posiciona conclusivamente: Em conclusão, a decisão recorrida deve ser reformada para declarar o direito de a recorrente ver apreciados, pela autoridade administrativa (Delegado da DRF em Piracicaba – SP), seus pedidos de ressarcimento e de compensação, esclarecendo que, havendo reconhecimento do crédito pleiteado, os débitos devem ser compensados na forma do então vigente art. 13 da IN SRF nº 21/97, com as alterações da IN nº 73/97, devendo ser canceladas as eventuais inscrições em dívida ativa da União dos débitos objeto do pedido de compensação. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para determinar a apreciação, pela autoridade administrativa (Delegado da DRF em piracicaba – SP), do mérito dos pedidos de ressarcimento e de compensação da recorrente. É fato já pacífico nos órgãos julgadores que nenhum dispositivo legal ou princípio processual permite a discussão paralela da mesma matéria em instâncias diversas, sejam elas administrativas ou judiciais, ou uma de cada natureza. Na sistemática constitucional, o ato administrativo está sujeito ao controle do Poder Judiciário, sendo este último, em relação ao primeiro, instância superior e autônoma. Superior, porque pode rever, para cassar ou anular o ato administrativo. Autônoma, porque a parte não está obrigada a recorrer, antes, às instâncias administrativas, para ingressar em juízo. Não é o caso apresentado. Houve a extinção do processo judicial, sem julgamento de mérito, antes , inclusive, da decisão proferida pela respeitável DRJ. Se não há a possibilidade de se ter decisões conflitantes, não há como deixar de analisar o mérito. Assim, entendo que o pedido administrativo deve ser apreciado. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ Fl. 400DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ , Assinado digitalmente em 17/09/2014 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13890.000010/9903 Acórdão n.º 9303000.876 CSRFT3 Fl. 375 10 Voto Vencedor Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas Redator Designado Conforme se depreende do relatório, a lide do presente se restringe à verificação da existência ou não de identidade entre os objetos do processo judicial e o administrativo, e consequentemente a possibilidade de se apreciar o mérito, que, se for o caso, deverá ser feito pela autoridade administrativa. A DRF em Piracicaba indeferiu as solicitações de ressarcimento e compensação, pois verificou a existência de pleito idêntico na esfera judicial, alegando que a propositura contra a Fazenda Nacional de ação judicial, com o mesmo objeto, importa renúncia às esferas administrativas. A empresa apresentou manifestação de inconformidade alegando, entre outros, que o Mandado de Segurança impetrado objetivava ordem judicial a obrigar a autoridade administrativa cumprir seu dever legal, ou seja, analisar e deferir os pedidos efetuados pelos contribuintes, afirmando não existir identidade de objetos e que seu pedido deveria ser apreciado em seu mérito. Conforme se verifica dos documentos acostados ao processo (inicial apresentada na peça judicial), a contribuinte impetrou mandado de segurança, com pedido de liminar objetivando resguardar direito líquido e certo de se ver restituída, mediante a utilização de seus créditos excedentes de IPI, acrescido de juros Selic, para fins de quitação de prestações vincendas de parcelamento, já deferido e em curso perante a agência de Rio Claro, bem como para fins de compensação de débitos relativos ao PIS, Cofins, IRPJ e CSLL (caso remanesça saldo creditório de IPI em favor da impetrante). Alegou textualmente, que o pedido serviria para afastar a “indevida, imotivada e ilegal recusa da autoridade coatora em assim proceder relativamente a pedidos administrativos de idêntico teor protocolados desde 07/98 até 01/00”, em relação aos quais ainda não havia sido verificada qualquer manifestação por parte da autoridade administrativa. Também consta na petição inicial a relação dos pedidos administrativos (no que se inclui o presente processo), a origem do crédito relativo a cada um, o fato gerador e o valor a ser compensado, e a alegação de que não restou outra alternativa à impetrante senão recorrer ao judiciário por meio da ação, para ver reconhecido o direito e implementado o aludido procedimento compensatório. Está claro nos autos que a impetrante solicitou judicialmente o reconhecimento de seu direito ao crédito de IPI e sua compensação com débitos de parcelamento, tendo em vista a demora no pronunciamento administrativo em pedidos “idênticos”. Assim, não procede o argumento de que o Mandado de Segurança impetrado objetivava somente ordem judicial a obrigar a autoridade administrativa cumprir seu dever legal, ou seja, analisar e deferir os pedidos efetuados pelo contribuinte. Tratamse, portanto, ambas solicitações do reconhecimento de direito creditório para compensação, de mesmas exações e débitos. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ , Assinado digitalmente em 17/09/2014 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13890.000010/9903 Acórdão n.º 9303000.876 CSRFT3 Fl. 376 11 Resta, pois, evidente que a matéria de que trata o presente processo administrativo está contida na aludida ação judicial e que a contribuinte buscou concomitantemente junto ao Poder Judiciário e à Administração Tributária à mesma matéria. Embora não se faça necessário, já que o assunto já foi discutido administrativamente de forma definitiva, mas para reforçar o entendimento anteriormente exposto, devese ressaltar que a via judicial é uma opção adotada pela contribuinte no seu livre exercício de escolha. No entanto, o ordenamento jurídico brasileiro não contempla o instituto da dualidade de jurisdição, não podendo haver, sob nenhuma hipótese, a sobreposição da decisão administrativa à sentença judicial. Somente ao Poder Judiciário é dada a capacidade de examinar as questões a ele submetidas de forma definitiva, com efeito de coisa julgada. Consagrase, assim, o monopólio da jurisdição ao Poder Judiciário e o direito de invocar a atividade jurisdicional como direito público subjetivo. O exercício dessa faculdade produz como efeito processual obrigatório a perda do poder de continuar a parte a litigar na esfera administrativa, ou seja, importa renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência de recurso interposto, a teor do Decretolei no 1.737, de 20 de dezembro de 1979, art. 1º, § 2º, c/c a Lei no 6.830, de 22 de setembro de 1980, art. 38, parágrafo único. O processo administrativo é apenas uma alternativa, ou seja, uma opção, conveniente tanto para a administração como para o contribuinte, por ser um processo gratuito, sem a necessidade de intermediação de advogado e, geralmente, com maior celeridade que a via judicial. A propositura de ação judicial pelo contribuinte nos pontos em que haja idêntico questionamento torna ineficaz o processo administrativo. De fato, havendo o deslocamento da lide para o Poder Judiciário, perde o sentido a apreciação da mesma matéria na via administrativa. Do contrário, terseia a absurda hipótese de modificação, pela autoridade administrativa, de decisão judicial transitada em julgado e, portanto, definitiva. A posição predominante sempre foi nesse sentido, como comprova o Parecer da Procuradoria da Fazenda Nacional publicado no DOU de 10/07/1978, pág. 16.431, e cujas conclusões são as seguintes: 32. Todavia, nenhum dispositivo legal ou princípio processual permite a discussão paralela da mesma matéria em instâncias diversas, sejam administrativas ou judiciais ou uma de cada natureza. 33. Outrossim, pela sistemática constitucional, o ato administrativo está sujeito ao controle do Poder Judiciário, sendo este último, em relação ao primeiro, instância superior ou autônoma. SUPERIOR, porque pode rever, para cassar ou anular, o ato administrativo; AUTÔNOMA, porque a parte não está obrigada a percorrer as instâncias administrativas, para ingressar em juízo. Pode fazêlo diretamente. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ , Assinado digitalmente em 17/09/2014 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13890.000010/9903 Acórdão n.º 9303000.876 CSRFT3 Fl. 377 12 34. Assim sendo, a opção pela via judicial importa em princípio, em renúncia às instâncias administrativas ou desistência de recurso acaso formulado. 35. Somente quando a pretensão judicial tem por objeto o próprio processo administrativo (v.g. a obrigação de decidir de autoridade administrativa; a inadmissão de recurso administrativo válido, dado por intempestivo ou incabível por falta de garantia ou outra razão análoga) é que não ocorre renúncia à instância administrativa, pois aí o objeto do pedido judicial é o próprio rito do processo administrativo. 36. Inadmissível, porém, por ser ilógica e injurídica, é a existência paralela de duas iniciativas, dois procedimentos, com idêntico objeto e para o mesmo fim. (Grifos originais) Cabe ainda citar o Parecer PGFN n.º 1.159/1999, da lavra do ilustre Procurador representante da PGFN junto aos Conselhos de Contribuintes, Dr. Rodrigo Pereira de Mello, aprovado pelo Procurador Geral da Fazenda Nacional e submetido à apreciação do Sr. Ministro de Estado da Fazenda e cujos itens 29 a 34 assim esclarecem: 29. Antes de prosseguir, cumpre esclarecer que o Conselho de Contribuintes, ao contrário do aventado na consulta, não tem entendimento diverso àquele que levou ao disposto no ADN n.º 03/96. Conforme verificase, dentre inúmeros outros, dos acórdãos n.º 0202.098, de 13.12.98, 0102.127, de 17.3.97, e 0303.029, de 12.4.99, todos da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), e 10192.102, de 2.6.98,10192.190, de 15.7.98, 10318.091, de 14.11.96, e 108.03.984, estes do Primeiro Conselho de Contribuintes, há firme entendimento no sentido da renúncia à discussão na esfera administrativa quando há anterior, concomitante ou superveniente argüição da mesma matéria junto ao Poder Judiciário. O que ocorreu algumas vezes, e excepcionalmente ainda ocorre, é que há conselheiros – e, quiçá, certas Câmaras em certas composições – que assim não entendem, especialmente quando a ação judicial é anterior ao lançamento: alegam, aqui, que ninguém pode renunciar àquilo que ainda não existe. Nestes casos – isolados e cada vez mais excepcionais, repitase – a PGFN, forte nos precedentes da CSRF acima referidos, vem sistematicamente levando a questão àquela superior instância, postulando e obtendo sua reforma neste particular. 30. Voltando ao tema do procedimento a adotar nos casos enunciados no item 28, preliminarmente anotamos que não nos parece existir qualquer distinção entre a ocorrência destas situações antes ou após o trânsito em julgado da decisão judicial menos favorável ao contribuinte, pois sendo a decisão administrativa imediatamente executável e mandatória à administração (art. 42, inciso II, do Decreto n.º 70.235/72) – enquanto a decisão judicial será apenas declaratória dos interesses da Fazenda Nacional , a situação de impasse se instalará qualquer que seja a posição processual do trâmite judicial. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ , Assinado digitalmente em 17/09/2014 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13890.000010/9903 Acórdão n.º 9303000.876 CSRFT3 Fl. 378 13 31. No mérito, verificase que muitas destas situações são evitadas quando os agentes da administração tributária, conforme é da sua incumbência, diligenciam nos atos preparatórios do lançamento para verificar a existência de ação judicial proposta pelo contribuinte naquela matéria, ou ainda, preocupamse em rapidamente informar aos órgãos julgadores (de primeira ou de segunda instância) acerca do mesmo fato quando identificado no curso de tramitação do processo administrativo. O mesmo se diga com a boafé processual que deve presidir as atitudes do contribuinte, pois que ele – mais que qualquer agente da administração – estaria em condições de informar no processo administrativo sobre a existência de ação judicial e igualmente informar no processo judicial acerca de eventual decisão na instância administrativa: no primeiro caso, o órgão administrativo deixaria de apreciar o litígio na matéria idêntica àquela deduzida em juízo; no segundo caso, provavelmente o Poder Judiciário deixaria de enfrentar os temas já resolvidos prócontribuinte na instância administrativa, até mesmo por superveniente carência de interesse da União; em qualquer hipótese, estaria evitado o conflito entre as jurisdições. 32. Naquelas ocorrências onde estas cautelas não são possíveis ou não atingem os efeitos almejados, temos que analisar o tema sobre duas óticas diversas: o primeiro, da superioridade do pronunciamento do Poder Judiciário; o segundo, da revisibilidade da decisão administrativa e dos procedimentos à realização deste intento. 33. Não há qualquer dúvida acerca da superioridade do pronunciamento do Poder Judiciário em relação àquele que possa advir de órgãos administrativos. Fosse insuficiente perceber a óbvia validade dessa assertiva em nosso modelo constitucional, assentada na unicidade jurisdicional, basta verificar que as decisões administrativas são sempre submissíveis ao crivo de legalidade do judicium, não sendo o reverso verdadeiro . É por esse motivo que havendo tramitação de feito judiciário concomitante à de processo administrativo fiscal, considerase renunciado pelo contribuinte o direito a prosseguir na contenda administrativa. É também por este motivo que a administração não pode deixar de dar cumprimento a decisão judiciária mais favorável que outra proferida no âmbito administrativo. 34. Ora, caracterizada a prevalência da decisão judicial sobre a administrativa em matéria de legalidade, temse de verificar as possibilidades de revisão da decisão definitiva proferida pelo Conselho de Contribuintes quando, nesta específica hipótese, for menos favorável à Fazenda Nacional. A possibilidade da revisão existe, conforme comentado nos itens 3/10 supra, e sendo definitiva a decisão do Conselho de Contribuintes, nos termos do art. 42 do Decreto n.º 70.235/72 – pois se não for devem ser utilizados os competentes instrumentos recursais (recurso especial e embargos de declaração, este inclusive pelas autoridades julgadora de primeira instância e executora do acórdão) – resta apenas a cassação da decisão pelo Sr. Ministro Fl. 404DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ , Assinado digitalmente em 17/09/2014 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13890.000010/9903 Acórdão n.º 9303000.876 CSRFT3 Fl. 379 14 da Fazenda, que pode ser total ou parcial, mas sempre vinculada apenas à parte confrontadora com o Poder Judiciário. Neste quadro, o exercício excepcional desta prerrogativa estaria assentado nas hipóteses de inequívoca ilegalidade (quando houver o confronto de posições tout court) ou abuso de poder (quando deliberadamente ignorada a submissão do tema ao crivo do Poder Judiciário), conforme o caso. Destarte, em se discutindo o mesmo objeto concomitantemente em ambas esferas, o legislador reputou prudente a abstenção da autoridade administrativa em face da supremacia do Poder Judiciário. Por isso, a opção da contribuinte pela via judicial encerra o Processo Administrativo Fiscal em definitivo, em qualquer fase, e independe de o mérito ter sido julgado ou não no processo judicial. Assim, não pode o julgador administrativo conhecer da impugnação cujo mérito verse exclusivamente sobre matérias sub judice, em face da renúncia à esfera administrativa. Pelo exposto, em face da existência de concomitância de objetos entre a solicitação administrativa e a judicial, voto por prover o Recurso Especial da Fazenda Nacional, considerando que houve concomitância e, conseqüentemente, renúncia do pleito administrativo. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 405DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ , Assinado digitalmente em 17/09/2014 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 15374.907449/2008-95
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.554
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do Voto do Relator.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa- Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marciel Eder Costa.
Nome do relator: LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do Voto do Relator. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marciel Eder Costa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 07 44 9/ 20 08 -9 5 Fl. 170DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 05/11/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 15374.907449/200895 Resolução nº 1802000.554 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Da Notificação de Lançamento. Tratase de pedido de compensação que é objeto da declaração 24290.12752.260906.1.7.046142, no valor de R$ 465.671,82, referente a suposto pagamento indevido de estimativa de CSLL, no mês de 12/2003, cujo valor total soma R$ 788.128,94. Referido pedido foi julgado improcedente, uma vez que o recolhimento declarado CSLL estimativa 12/2003 como origem de crédito não foi identificado nos registros eletrônicos da RFB. Da Impugnação Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando que, equivocadamente, informou no Per/Dcomp que seu crédito seria referente a pagamento indevido de estimativa, quando, na verdade, era oriundo de saldo negativo de CSLL, apurado em 2003. Alegou, ainda, que incorreu em mero erro formal e acrescentou que o crédito pleiteado foi corretamente demonstrado e informado na DIPJ do ano de 2004. Do Acórdão da DRJ Em sessão de 17 de maio de 2012, a 6ª Turma da DRJ/RJ1 proferiu o Acórdão 1246.581, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não homologou a compensação declarada, com base nos seguintes fundamentos: Que a contribuinte declarou ter crédito decorrente de pagamento indevido de estimativa de CSLL de dezembro de 2003 quando, na verdade, o que tinha, era saldo negativo desse citado tributo. Que a contribuinte alega erro formal na descrição do crédito pretendido e solicita, na manifestação de inconformidade, que seu pedido seja analisado considerandose a natureza do crédito tida como correta, ou seja, saldo negativo de 2003, e não como declarara na Dcomp. Que as estimativas constituem antecipações referentes ao tributo cujo fato gerador ocorrerá ao fim do ano calendário e, assim, não se confundem, em sua natureza, com o saldo negativo, já que este incorpora o resultado de toda a apuração do período. Que com base nessa assertiva, concluise que o erro alegado pela interessada foi tal que efetivamente impediu a análise, por parte do órgão competente, do pedido formulado. Que todas as verificações e batimentos feitos pelo órgão de origem tiveram como base crédito diverso daquele que, conforme manifestação de inconformidade, seria de fato o pretendido. Que a retificação da declaração de compensação só pode ocorrer enquanto não prolatada decisão administrativa. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 05/11/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 15374.907449/200895 Resolução nº 1802000.554 S1TE02 Fl. 4 3 Que o art. 170 do CTN autoriza a compensação tributária nas condições que estipular ou cuja estipulação, em cada caso, atribuir à autoridade administrativa, e que a lei estabelece prazo limite para a retificação da declaração de compensação, o que, no caso concreto, não foi respeitado. Que diante dos fatos analisados, e considerando que a aceitação da retificação pretendida implica na apreciação de pedido diverso daquele que ensejou a emissão do despacho recorrido, não é devida a homologação da compensação. Do Recurso Voluntário Cientificado da decisão em 25/01/2013, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 22/02/2013, onde alega, em preliminar, que neste processo discutese um crédito pleiteado de R$ 336.301,50, portanto, parte dos R$ 788.128,94 e que referido crédito teve sua existência não reconhecida por análise e posterior decisão da DRJ/RJ 1 proferida nestes mesmos autos. Afirma que se tratam de dois valores distintos, que ainda não foram apreciados pela Receita Federal do Brasil, devendo os autos serem encaminhados à DRJ competente para a prolação de outro acórdão. No mérito, reforça a alegação de que teria informado equivocadamente que o tipo de crédito que pretende compensar decorre de Pagamento Indevido ou a Maior, quando na verdade a indicação correta seria de Saldo Negativo de CSLL, o que configura mero erro formal. Alega ainda que no momento do preenchimento de sua Declaração de Informações EconômicosFiscais da Pessoa Jurídica 2004, a Recorrente informou corretamente o Saldo Negativo de CSLL no valor de R$ 788.128,94, e que mesmo assim o direito de crédito da contribuinte não fora reconhecido, e as compensações pleiteadas não foram homologadas. Afirma que essa decisão baseouse em premissas equivocadas, ferindo os Princípios norteadores da Administração Pública. Prossegue afirmando que a não homologação fundouse numa suposta inexistência de crédito, e que se referidos créditos tivessem sido identificados, a homologação teria ocorrido, porém, o agente fiscal, ao invés de investigar a fundo a existência ou não dos supostos créditos, preferiu não apurar os fatos. Ressalta que os documentos ora anexados demonstram claramente a existência do crédito pleiteado, e pleiteia a homologação da compensação requerida. Esse o Relatório. Segue o meu VOTO. VOTO Conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Relator. DA TEMPESTIVIDADE Fl. 172DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 05/11/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 15374.907449/200895 Resolução nº 1802000.554 S1TE02 Fl. 5 4 A ciência do Acórdão da DRJ deuse em 25/01/2013. O Recurso Voluntário foi apresentado em 22/02/2013, portanto, tempestivamente. Sendo assim, dele tomo conhecimento. DA PRELIMINAR ALEGADA A preliminar arguida pela Recorrente há de ser superada, pois o presente processo será decidido em conjunto com os processos ns. 15374.907446/200851 e 15374.907447/200804, sendo que o que a decisão, conforme adiante demonstrado, buscará a confirmação ou negativa definitiva da existência do crédito declarado de R$ 788.128,94, que compreende todos os pedidos de compensação postos em litígio, pelo que não é caso de sobrestamento de nenhum desses feitos. DO MÉRITO Tratase de Recurso Voluntário em face do Acórdão 1246.581, proferido em sessão de 17 de maio de 2012, pela 6ª Turma da DRJ/SP1, o qual julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não homologou a compensação declarada pelo contribuinte. A autoridade fiscal decidiu pela não homologação da compensação declarada, face à informação equivocadamente prestada pela contribuinte, cujo erro impediu a análise do pedido formulado. Ao analisar as alegações da Recorrente e a documentação trazida aos autos, entendo assistirlhe razão. Embora a contribuinte tenha descrito de forma equivocada o crédito pretendido, o que impossibilitou a análise do pedido, e o prazo para retificação já tenha se esgotado, é dever da Administração perseguir a verdade material. Acolho em meu voto o trabalho de autoria do professor JAMES MARINS, in verbis: "O princípio da verdade material que governa o procedimento e o processo administrativo opõemse ao princípio da verdade formal que preside o processo civil, pois este prioriza a formalidade processual probatória — como ônus processual próprio das partes que tem como motor o princípio da segurança jurídica que cria amarras e restrições à atividade promovida pelo magistrado no processo judicial. No processo judicial a convicção do juiz advém unicamente do conjunto de elementos produzidos pelas partes em rígido sistema de preclusão. Isso não significa que a verdade formal não possa conter a verdade material, mas apenas que a liberdade investigativa, os meios próprios de averiguação dos eventos de interesse tributário (diligências administrativas como a fiscalização in loco) e as faculdades procedimentais e processuais conferidas à Administração, se apresentam como instrumentos mais apropriados para a aproximação com a verdade material do que aquelas que são usualmente disponíveis no processo judicial. Enquanto no processo judicial de caráter civil ao magistrado não é licito tomar a frente do processo e determinar ex officio a produção de provas que entender indispensáveis, no procedimento e no processo administrativo tributário a autoridade administrativa pode e deve promover as diligências averiguatórias e probatórias que contribuam para a aproximação com a verdade objetiva ou material." (Direito Processual Tributário Brasileiro — Administrativo e Judicial, ed. Dialética, 3a. edição, pág.1 80) (g. n.) Nesse sentido, temse pronunciado este E. Conselho reiteradamente. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 05/11/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 15374.907449/200895 Resolução nº 1802000.554 S1TE02 Fl. 6 5 No presente caso, vêse que o crédito no valor de R$ 788.128,94, indicado como pagamento indevido a título de estimativa de dezembro de 2003, corresponde exatamente ao saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2003, que foi apurado e declarado em DIPJ. A Contribuinte apuros as estimativas de CSLL "com base na receita bruta e acréscimos" até o mês de novembro de 2003, e a estimativa do mês de dezembro de 2003 foi apurada "com base em balancete de suspensão ou redução". Esta (a Contribuinte) informou em DIPJ que havia recolhido até o mês de novembro de 2003 estimativas no montante de R$ 2.320.705,82, o que teria gerado o alegado excedente de R$ 788.128,94, tanto em relação ao mês de dezembro de 2003, como em relação ao ano calendário de 2003. Conforme a Ficha 17 da DIPJ, parte das estimativas apuradas ao longo do ano (R$ 633.414,13) teriam sido objeto de pedido de parcelamento. Nesse contexto, entendo que o julgamento do presente processo demanda uma instrução complementar. É necessário que a Delegacia de origem, à luz dos documentos apresentados pela Recorrente, dos dados constantes dos próprios sistemas da Receita Federal, e de outros que se entenda relevantes: 1. discrimine o valor das estimativas efetivamente recolhidas até a data de apresentação do PER/DCOMP objeto destes autos, destacando especialmente as parcelas quitadas no referido parcelamento; 2. verifique e informe se houve excesso no pagamento de CSLL em 2003, seja em relação às estimativas mensais, seja em relação ao ajuste anual; 3. indique o valor do excedente, bem como sua disponibilidade, caso tal excedente seja confirmado. Dessa forma, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem (DERAT Rio de Janeiro, RJ), atenda ao acima solicitado. Esse o meu Voto. Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator Fl. 174DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 05/11/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Numero do processo: 10660.001696/2009-18
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DECADÊNCIA. RECURSO REPETITIVO JULGADO PELO STJ. ARTIGO 62-A DO RICARF. NÃO HAVENDO PAGAMENTO ANTECIPADO EM RAZÃO DE COMPORTAMENTO DO CONTRIBUINTE VISANDO FURTAR-SE À TRIBUÇÃO, A DECADÊNCIA REGE-SE PELO ART.173.I, DO CTN. PRELIMINAR REJEITADA.
Nos termos de recurso repetitivo julgado pelo STJ, de observância obrigatória pelo CARF nos termos do art.62-A de seu Regimento, a decadência, quando não há pagamento antecipado do tributo em razão de comportamento que nitidamente visava furtar-se à tributação, rege-se pelo art.173, I, do CTN.
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA FUNDAMENTADA DE COMPROVAÇÃO DE EFETIVO DESEMBOLSO. SÚMULA N. 40 DO CARF. GLOSA MANTIDA.
Fundamentada a exigência de comprovação de efetivo desembolso na apresentação documentação declarada inidônea por Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz ou de apresentação, em outros exercícios financeiros posteriores, de documentação relativo ao mesmo profissional cujos comprovantes foram declarados inidôneos pela sistemática mencionada, é de manter-se a glosa.
MULTA QUALIFICADA. A UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS ALCANÇADOS POR SÚMULA ADMINISTRATIVA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ E A NÃO APRESENTAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS QUE PUDESSEM COMPROVAR A EFETIVIDADE DOS PAGAMENTOS OU DO TRATAMENTO JUSTIFICA A APLICAÇÃO EM DOBRO DA MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA N. 40 DO CARF
Havendo utilização de documentação declarada inidônea por Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz e não trazidos aos autos quaisquer elementos comprobatórios de efetivo desembolso ou da efetividade dos tratamentos, presente a hipótese do art. 44, §1o, da Lei n. 9430/96, a justificar a imposição da multa qualificada na razão de 150%.
Recurso improvido.
Numero da decisão: 2802-003.005
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 10/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos André Ribas de Mello (Relator), Ronnie Soares Anderson, German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior e Juliana Bandeira Toscano.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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DECADÊNCIA. RECURSO REPETITIVO JULGADO PELO STJ. ARTIGO 62A DO RICARF. NÃO HAVENDO PAGAMENTO ANTECIPADO EM RAZÃO DE COMPORTAMENTO DO CONTRIBUINTE VISANDO FURTARSE À TRIBUÇÃO, A DECADÊNCIA REGESE PELO ART.173.I, DO CTN. PRELIMINAR REJEITADA. Nos termos de recurso repetitivo julgado pelo STJ, de observância obrigatória pelo CARF nos termos do art.62A de seu Regimento, a decadência, quando não há pagamento antecipado do tributo em razão de comportamento que nitidamente visava furtarse à tributação, regese pelo art.173, I, do CTN. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA FUNDAMENTADA DE COMPROVAÇÃO DE EFETIVO DESEMBOLSO. SÚMULA N. 40 DO CARF. GLOSA MANTIDA. Fundamentada a exigência de comprovação de efetivo desembolso na apresentação documentação declarada inidônea por Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz ou de apresentação, em outros exercícios financeiros posteriores, de documentação relativo ao mesmo profissional cujos comprovantes foram declarados inidôneos pela sistemática mencionada, é de manterse a glosa. MULTA QUALIFICADA. A UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS ALCANÇADOS POR SÚMULA ADMINISTRATIVA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ E A NÃO APRESENTAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS QUE PUDESSEM COMPROVAR A EFETIVIDADE DOS PAGAMENTOS OU DO TRATAMENTO JUSTIFICA A APLICAÇÃO EM DOBRO DA MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA N. 40 DO CARF AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 16 96 /2 00 9- 18 Fl. 226DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/ 11/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 Havendo utilização de documentação declarada inidônea por Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz e não trazidos aos autos quaisquer elementos comprobatórios de efetivo desembolso ou da efetividade dos tratamentos, presente a hipótese do art. 44, §1o, da Lei n. 9430/96, a justificar a imposição da multa qualificada na razão de 150%. Recurso improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 10/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos André Ribas de Mello (Relator), Ronnie Soares Anderson, German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior e Juliana Bandeira Toscano. Relatório Tratase de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, a fls. 2/6, relativo aos anos calendários de 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007, por supostas omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas e dedução indevida de despesas médicas, com imposição de multa qualificada no caso de apresentação de documentos considerados inidôneos por Súmula de Documentação Tributariamente Ineficaz, tudo conforme minuciosamente descrito no Termo de Verificação Fiscal de fls. 7/15, do qual se extrai que: 1) a ação fiscal originouse da investigação efetuada contra Valéria de Fátima Fonseca psicóloga, que segundo declarações de rendimentos de diversos contribuintes do IR, entre os quais o impugnante, essa psicóloga foi beneficiária de pagamentos na monta de R$2.628.000,00, nos anos calendários de 2003 a 2006, não condizente com a movimentação financeira e patrimônio dessa profissional e seu cônjuge; 2) a investigação partiu de denúncia formalizada por um cidadão de Lavras/MG ao sistema policial "disquecidadão", registrada em 12/02/2007 (fl. 138), que relatou que a psicóloga vendia recibos cobrando cinco por cento do valor neles constantes; constatado se tratar de um crime de sonegação fiscal foi acionada a Policia Federal (fl. 139), que, por sua vez, realizou trabalhos a fim de esclarecer as denúncias de vendas de recibos por parte da psicóloga, inclusive por escuta telefônica, tendo sido constatada a prática nesse sentido, culminando no encaminhamento da denuncia à DRF Varginha/MG (fls. 144/179); Fl. 227DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/ 11/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10660.001696/200918 Acórdão n.º 2802003.005 S2TE02 Fl. 227 3 3) instaurouse, então, investigação fiscal contra a pessoa da psicóloga, intimandoa a prestar esclarecimentos; em resposta a uma das intimações, fl. 133, a psicóloga foi clara dizendo que não possuía, por falta de controle, nomes e CPF das pessoas que efetuaram pagamentos referentes aos anos calendários fiscalizados; foi verificado que essa falta de controle deveuse ao fato de ter passado a contadores recibos assinados e com valores, sem nome do beneficiário, para que fossem revendidos; 4) ao fim da investigação fiscal levada a efeito contra a referida psicóloga, desenvolvida no processo n° 10660.003617/200822, concluiuse pela inidoneidade dos recibos por ela emitidos no período de 2003 a 2006, tendo sido elaborada a Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, que foi publicada no DOU, em 06/01/2009, por meio do Ato Declaratório Executivo n° 76, de 30/12/2008, fl. 180, dando ciência a todos os contribuintes da inidoneidade dos recibos emitidos por essa profissional nesse período; 5) estando o contribuinte entre aqueles que se valeram desses recibos, foi, inicialmente, lavrado o Termo de Intimação Fiscal de fls. 25, intimando o interessado a apresentar, entre outros, os recibos originais emitidos pela citada psicóloga por ele utilizados e documentos comprobatórios da efetividade da prestação dos serviços e da realização dos pagamentos, tendo ele oferecido os documentos de fls. 28/48 e afirmado que os pagamentos ocorreram na maioria das vezes em dinheiro; posteriormente, contra ele foi instaurada ação fiscal para verificação da correção de todas suas despesas médicas pleiteadas como dedução nas DIRPF relativas aos exercício financeiros de 2004 a 2007, anos calendários de 2003 a 2006, quando então foi lavrado o Termo de Inicio de Procedimento Fiscal de fls. 49/50, solicitando todos os comprovantes das despesas médicas declaradas pelo contribuinte nos anos calendários de 2004 a 2007, exceto aqueles referentes às despesas com a psicóloga Valéria nos anos calendários de 2003 a 2006, pois estes já tinham sido entregues, faltando apenas os relativos ao ano de 2007; foram então oferecidos os documentos de fls. 52/129; após análise desses documentos o interessado foi cientificado do seu resultado, conforme Termo de Constatação Fiscal de fls. 130/131 e proporcionandolhe a oportunidade de apresentar esclarecimentos e/ou outros documentos que pudessem modificar as glosas que se pretendia fazer; foram também, nessa oportunidade, levadas ao conhecimento do investigado as constatações de omissões de rendimentos percebidos pelos dependentes declarados, nos anos calendários de 2004 a 2007, para que ele se pronunciasse a respeito; essa intimação não foiatendida; 6) após algumas considerações finais, a autoridade lançadora concluiu por haver fortes indícios de fraude também nos recibos emitidos pela psicóloga Valéria em 2007, período não abrangido pela Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, incluindoos juntamente com os demais na Representação Fiscal para Fins Penais, processo n° 10660.001697/200962, já que entendeu ter ficado configurado, em tese, crime contra a ordem tributária cometido pelo contribuinte; esclarece que o fato deste ter agido com a intenção de fraudar o Fisco, permitiu alcançar os fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2003, nos termos do art. 173, I, do CTN; 7) por último, esclarece que para o imposto decorrente das glosas das despesas médicas declaradas com Valéria Fátima Fonseca foi aplicada a multa de oficio no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento); para as demais glosas e omissões de rendimentos a multa de 75% (setenta e cinco por cento); transcreve a seguir ementas de Acórdãos do Conselho de Contribuintes. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/ 11/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 4 Cientificado do Auto de Infração, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 193/196, solicitando a nulidade do feito fiscal por entender terlhe sido cerceado o direito de defesa, uma vez que não recebeu o termo de constatação fiscal datado de 20/10/2009 para prestação de esclarecimentos adicionais e documentos outros; afirma que somente tomou ciência deste termo quando do recebimento do Auto de Infração contra ele lavrado. Alega ter atendido as intimações anteriores e que o não recebimento daquele termo lhe privou de se defender das constatações fiscais, motivo pelo qual o Auto de Infração deve ser cancelado de oficio, visto que deixou de observar os requisitos constantes dos arts. 835, 841 e 844 do RIR, isto é, que o lançamento somente poderia ser efetuado se tivesse ele deixado de atender ao pedido de esclarecimentos que lhe foi dirigido, recusado a prestálos ou não os prestar satisfatoriamente, e isso não poderia ter ocorrido pois não recebeu o indigitado termo. Requer, ao final, a devolução do prazo para tal manifestação e, se for o caso de novo lançamento fiscal, seja reaberto o prazo de impugnação. A impugnação foi julgada pela 4ª Turma da DRJ/JFA, por unanimidade, pela procedência do lançamento, aos seguintes fundamentos: que o contribuinte não impugnou o mérito do lançamento, limitandose a arguir a sua nulidade por violação do art. 841, II, do RIR/99; que não ser verifica nenhuma das causas de nulidade constantes do artigo 59 do Decreto n° 70.235/1972; que não há que se falar em cerceamento direito de defesa antes da lavratura do auto de infração, em fase de investigação administrativa, pois somente surge imputação a partir do lançamento, quando passa a ter lugar a incidência do direito de defesa; que no caso de intimação por via postal, é irrelevante quem a tenha recebido, desde entregue no domicílio fiscal do contribuinte; que o lançamento pode ser feito de ofício quando o Fisco dispuser dos elementos suficientes para tando, exercendose o contraditório e ampla defesa após o lançamento. Não satisfeito com o resultado do julgamento, do qual foi intimado (fl.206), o contribuinte interpôs tempestivamente recurso voluntário (fl. 208 e ss.), arguindo decadência, a validade dos documentos apresentados para fundar suas deduções e repisando os argumentos esgrimidos na inicial. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. Em sede preliminar, o recurso deve ser conhecido, por tempestivo, nos limites de seu objeto, isto é, na impugnação da autuação por omissão de rendimentos e dedução indevida de despesas médicas. Quanto às alegações de nulidade por cerceamento de defesa, nada há a acrescentar ao já expendido pela d. DRJ, na medida em que o contribuinte teve todas as oportunidades de exercer o contraditório e a ampla defesa após o lançamento. Quanto à decadência, o auto de infração foi lavrado em 27/11/2009, alcançando o exercício 2004, como o mais remoto dentre os atingidos. Considerando a utilização de documentos considerados inidôneos pela Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz de fls.180, bem como que o contribuinte não trouxe aos autos nenhum comprovante de efetivo desembolso e de efetiva ocorrência do tratamento psicológico referente aos recibos inidôneos exibidos, presente a hipótese do art. 44, §1o, da Lei n. 9430/96. Sendo assim, não houve pagamento antecipado do tributo em razão do Fl. 229DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/ 11/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10660.001696/200918 Acórdão n.º 2802003.005 S2TE02 Fl. 228 5 procedimento dissimulado adotado pelo contribuinte, caso em que, não apenas fica justificada a multa qualificada, como incide a regra do art.173, I, do CTN, caso em que o prazo decadencial começou a fluir, para o exercício 2004, em 01/01/2005, extinguindose em 31/12/2009, quando o auto de infração já havia sido lavrado e dele foi o contribuinte cientificado em 03/12/2009, ainda antes de expirado o prazo aludido. É o entendimento estabelecido pelo julgamento do Recurso Especial n. 973.733 – SC (2007/01769940), pelo STJ, Relator Ministro Luiz Fux, julgado segundo a sistemática do art.543C do CPC, de seguimento obrigatório por este Conselho por força do RICARF, art.62A. Afastada, portanto, a preliminar de decadência e justificada a imposição de multa qualificada. Quanto ao mérito, no caso presente, ainda diante dos recibos apresentados, é admissível a exigência de prova de efetivo desembolso dos valores correspondentes, diante da apresentação pelo contribuinte, quanto a outros profissionais, de documentação tida por inidônea pela Receita em razão de súmula administrativa de documentação tributariamente ineficaz, e mesmo em relação ao exercício de 2007, não alcançado pela referida súmula, subsiste razão de dúvida a justificar a exigência de escalrecimentos complementares. Tanto no que tange à prova de efetivo desembolso, quanto no tocante à multa qualificada incide a Súmula CARF nº 40, consoante a qual “a apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício”. Isto posto, sou pela manutenção do lançamento, improvendose o recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/ 11/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
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