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Numero do processo: 15956.000469/2007-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2008
ISENÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO. IMPETRAÇÃO DE MANDADO DE SEGURANÇA E AÇÃO ORDINÁRIA. IDENTIDADE DE OBJETOS. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Tendo em vista que a recorrente impetrou Mandado de Segurança e Ação Ordinária com o mesmo objeto do presente processo administrativo fiscal, pleiteando o reconhecimento de sua isenção ao recolhimento das contribuições previdenciárias em razão de sua qualidade de entidade beneficente, é de se reconhecer a renúncia ao contencioso administrativo fiscal. Aplicação da Súmula CARF n. 01.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72, a matéria que não foi expressamente contestada pela recorrente deve ser considerada como não impugnada.
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 106, II, C. LEI 11.941/09. GFIP. INCORREÇÕES NÃO RELACIONADAS COM FATOS GERADORES. Diante das disposições constantes no art. 106, II, c, do CTN, a infração por apresentar GFIP´s com incorreções, submete-se a multa prevista no art. 32-A, I da Lei 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-003.697
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) conhecer parcialmente do recurso; e II) na parte conhecida, dar provimento parcial ao recurso para limitar o valor da multa ao previsto no art. 32-A, I da Lei nº 8.212/91.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Igor Araújo Soares - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2008 ISENÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO. IMPETRAÇÃO DE MANDADO DE SEGURANÇA E AÇÃO ORDINÁRIA. IDENTIDADE DE OBJETOS. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Tendo em vista que a recorrente impetrou Mandado de Segurança e Ação Ordinária com o mesmo objeto do presente processo administrativo fiscal, pleiteando o reconhecimento de sua isenção ao recolhimento das contribuições previdenciárias em razão de sua qualidade de entidade beneficente, é de se reconhecer a renúncia ao contencioso administrativo fiscal. Aplicação da Súmula CARF n. 01. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72, a matéria que não foi expressamente contestada pela recorrente deve ser considerada como não impugnada. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 106, II, C. LEI 11.941/09. GFIP. INCORREÇÕES NÃO RELACIONADAS COM FATOS GERADORES. Diante das disposições constantes no art. 106, II, c, do CTN, a infração por apresentar GFIP´s com incorreções, submete-se a multa prevista no art. 32-A, I da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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DADOS NÃO RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES Recorrente COLÉGIO NOSSA SENHORA AUXILIADORA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2008 ISENÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO. IMPETRAÇÃO DE MANDADO DE SEGURANÇA E AÇÃO ORDINÁRIA. IDENTIDADE DE OBJETOS. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Tendo em vista que a recorrente impetrou Mandado de Segurança e Ação Ordinária com o mesmo objeto do presente processo administrativo fiscal, pleiteando o reconhecimento de sua isenção ao recolhimento das contribuições previdenciárias em razão de sua qualidade de entidade beneficente, é de se reconhecer a renúncia ao contencioso administrativo fiscal. Aplicação da Súmula CARF n. 01. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72, a matéria que não foi expressamente contestada pela recorrente deve ser considerada como não impugnada. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 106, II, “C”. LEI 11.941/09. GFIP. INCORREÇÕES NÃO RELACIONADAS COM FATOS GERADORES. Diante das disposições constantes no art. 106, II, “c”, do CTN, a infração por apresentar GFIP´s com incorreções, submetese a multa prevista no art. 32A, I da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 04 69 /2 00 7- 10 Fl. 393DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/10/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) conhecer parcialmente do recurso; e II) na parte conhecida, dar provimento parcial ao recurso para limitar o valor da multa ao previsto no art. 32A, I da Lei nº 8.212/91. Elias Sampaio Freire Presidente Igor Araújo Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 394DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/10/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 15956.000469/200710 Acórdão n.º 2401003.697 S2C4T1 Fl. 394 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo COLÉGIO NOSSA SENHORA AUXILIADORA, irresignado com o acórdão por meio do qual fora mantida parcialmente o AI n. 37.126.3948, lavrada para a cobrança de multa por ter a recorrente apresentado GFIP com erros relativamente a dados não relacionados com os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Consta do relatório fiscal que a recorrente, no período de 01/2001 a 05/2003, utilizouse incorretamente do FPAS 639 (entidade isenta) quando o correto seria 574 (estabelecimento de ensino). Também restou verificado que incorreu em erros na "Declaração para o INSS" (folha de rosto da GFIP), deixando de informar nas competências 12/2001 e 12/2002 os campos: "contrib desc prev socIal comp 13" e "valor devido prev social comp 13” O lançamento compreende o período de 01/2001 a 05/2003, com a ciência do contribuinte acerca do lançamento efetivada em 28/09/2007 (fls. 01). O acórdão de primeira instância entendeu por reconhecer a decadência do lançamento com base no art. 173, I do CTN, declarando a extinção do lançamento relativamente ao período até 12/2001. Em seu recurso, alega o recorrente que está amparado pelos institutos do direito adquirido e do ato jurídico perfeito uma vez que o mesmo conforme os documentos acostados aos autos é detentor do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos permanente, por força do Decretolei n o 1572/77. Afirma, por conseguinte, ter por finalidade a assistência social por meio da educação, da cultura e da assistência social, como instrumento de promoção, defesa e proteção da infância, da adolescência, da juventude e de adultos, em consonância com a Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), a Lei de Diretrizes e Bases da Educacão Nacional (LDB) e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), bem como aplica a totalidade de seus recursos econômicofinanceiros integralmente na consecução de suas finalidades institucionais dentro do Território Nacional e os seus diretores, presidente e membros do conselho exercem seus cargos gratuitamente, sem qualquer tipo de remuneração, não distribuindo lucros ou dividendos. Defende se considerada como instituição de utilidade pública Federal, Estadual e Municipal, além de ser inscrita no CNAS e declarada como de fins filantrópicos desde 1975. Sustenta que impetrou junto ao Superior Tribunal de Justica STJ, o Mandado de Segurança 11.393/DF contra ato do Senhor Ministro de Estado da Previdência Social, estando, portanto, o equivocado cancelamento de seu Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEAS, pendente de julgamento, motivo pelo qual o presente auto de infração deve ser cancelado. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/10/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 4 Relata que a segurança fora denegada pelo Superior Tribunal de Justica STJ, estando o mesmo pendente de julgamento de recurso interposto ao Supremo Tribunal Federal – STF, que através do Min. Marco Aurélio de Mello, concedeu medida liminar suspendendo a exigibilidade da cota patronal em favor da recorrente. Por fim, defende que o Auto de Infracão e acórdão ora impugnados contrariam ordem judicial emanada do Mandado de Segurança 1999.61.00.0291982, o qual, em sentença proferida pelo Juízo da 2 a Vara da Justiça Federal da Segunda Subseção Judiciária de Ribeirão Preto confirmada em acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 3a Região TRF 3a REGIÃO, concedeu segurança a fim de isentar o recorrente do recolhimento da contribuição incidente sobre a folha de salários, por ser portador do "Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEAS/CEBAS) " junto Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS. Esta Eg. Turma converteu o julgamento em diligência para que viessem aos autos informações acerca das ações judiciais impetradas pela recorrente, o que fora atendido pela diligência fiscal, na qual foram trazidas as informações acerca do MS 11.393/DF e 1999.61.00.0291982. Sem contrarrazões da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, novamente vieram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/10/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 15956.000469/200710 Acórdão n.º 2401003.697 S2C4T1 Fl. 395 5 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Conforme já relatado, o presente processo retorna a este Conselho após realização de diligência para que se apurassem informações acerca das ações judiciais impetradas pela ora recorrente. Assim, analisando as informações do ilustre fiscal, trago à colação excerto do relatório do MS 11.393, em trâmite no STJ, através do qual fica bem delimitada a matéria que lá é objeto de discussão: Sustenta o impetrante que: 1) é uma associação civil e religiosa, educacional, beneficente e filantrópica, sem fins lucrativos, portadora de Certificado de Entidade Filantrópica, expedido em 15/05/67, declarada de utilidade pública federal pelo Decreto 56.494/65, de utilidade pública estadual pela Lei 8.537/64 e de utilidade pública municipal pela Lei 1.476/64; 2) está registrado no anterior Conselho Nacional de Assistência Social CNAS, desde 29/09/64, e devidamente recadastrado, nos termos da Resolução 058/97 (fl. 121); 3) não obstante preencher todos os requisitos para o gozo da imunidade/isenção, o impetrante teve a renovação do CEBAS indeferida por despacho da autoridade coatora nos processos administrativos 44006.005106/200099, 44000.001118/200462 e 44000.001467/200484, sob o argumento de que a instituição não teria cumprido o disposto no art. 2º, IV, do Decreto 752/93, posteriormente previsto no art. 3º, VI, do Decreto 2.536/98, no que toca à aplicação de 20% da sua receita bruta em serviços gratuitos; 4) tem direito adquirido à imunidade/isenção das contribuições previdenciárias, especialmente quanto à quota patronal de Previdência Social sobre suas folhas de pagamento de empregados e autônomos, em decorrência da Lei 3.577/59 e do Decreto 1.572/77; 5) cumpre com todas as exigências constantes dos arts. 9º e 14 do CTN e toda legislação aplicável às entidades beneficentes. Esses requisitos estão contidos em seu estatuto Fl. 397DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/10/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 6 social, confirmandoo como entidade isenta/imune de contribuições para a Seguridade Social; 6) as entidades que possuíam o Certificado de Fins Filantrópicos em decorrência da Lei 3.577/59 e do Decreto lei 1.572/77, como é o caso da impetrante, possuíam e possuem "certificado definitivo" e "certificado provisório", com fundamento nos princípios constitucionais do direito adquirido e do ato jurídico perfeito e, ainda, no entendimento esposado por esta Corte no julgamento do MS 5.930/DF; 7) o art. 55 da Lei 8.212/91 reconheceu o direito adquirido das entidades beneficentes de assistência social que, na data de sua promulgação, estivessem no gozo da isenção/imunidade quanto ao pagamento da Contribuição para a Seguridade Social quota patronal de Previdência Social, que é o caso do impetrante, que já usufruía disso antes mesmo do advento do Decretolei 1.572/77; 8) em cumprimento aos Decretos 752/93 e 2.536/98, o impetrante sempre concedeu gratuidades em valor, inclusive, superior à imunidade da quota patronal de Previdência Social usufruída, bem como em relação ao percentual de 20% aplicado sobre sua receita bruta; 9) esses decretos estão eivados de inconstitucionalidades e ilegalidades, porque extrapolam "o espírito, o conteúdo e as exigências" das Leis 8.732/93 e 8.212/91; 10) os Pareceres CJ 806/96 e 1.730/99 da Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social reconhecem o direito adquirido das Entidades Beneficentes de Assistência Social que, em 1º de setembro de 1977, data da entrada em vigor o Decretolei 1.572/77, possuíam o Certificado de Entidades de Fins Filantrópicos, eram reconhecidas como de utilidade pública federal, se encontravam em gozo de isenção e seus diretores não percebiam remuneração. Ademais, quanto ao MS 1999.61.00.0291982, sustenta a recorrente que: o Auto de Infracão e acórdão ora impugnados contrariam ordem judicial emanada do Mandado de Segurança 1999.61.00.0291982, o qual, em sentença proferida pelo Juízo da 2 a Vara da Justiça Federal da Segunda Subseção Judiciária de Ribeirão Preto confirmada em acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 3a Região TRF 3a REGIÃO, concedeu segurança a fim de isentar o recorrente do recolhimento da contribuição incidente sobre a folha de salários, por ser portador do "Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEAS/CEBAS) " junto Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS. Ademais, a ementa do julgamento de segunda instância (fls. 442) relativamente ao sobredito Mandado de Segurança bem delimita a discussão objeto dos autos: AGRAVO LEGAL. MANDADO DE SEGURANÇA. APLICAÇÃO DO ART. 557 DO CPC. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 55 DA LEI 8.212/91. ADI N. 2028 MC/DF. PRECEDENTES DAS CORTES SUPERIORES E DA E. QUINTA TURMA. NÃO PROVIMENTO. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/10/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 15956.000469/200710 Acórdão n.º 2401003.697 S2C4T1 Fl. 396 7 1. Correta foi a aplicação do art. 557 do CPC, pois a decisão recorrida está em consonância com julgados das Cortes Superiores e com o entendimento dessa E. Quinta Turma. 2. O E. STF, em face da decisão proferida na ADI n. 2028 MC/Df, suspendeu a eficácia das alterações introduzidas pelo art. 1º, na parte em que alterou a redação do art. 55, III da Lei nº 8.212/91 e acrescentoulhe os parágrafos 3º, 4º e 5º e dos artigos 4º, 5º e 7º, todos da Lei n. 9.732/98. 3. O art. 14 do CTN não se incompatibiliza com as diretrizes traçadas pelo art. 55 da Lei 8.212/91, para que o impetrante possa usufruir a imunidade prevista no art. 195, § 7º da CF. 4. Diante do princípio da especialidade e consoante interpretação conferida à ADI n. 20285, remanesce a vigência do art. 55 da Lei 8.212/91, sem as alterações introduzidas pela Lei 9.732/98, cuja aplicabilidade se impõe. 5. Agravo legal não provido. Logo, não vejo outra conclusão passível de ser acatada, senão pelo reconhecimento da concomitância entre as instâncias administrativa e judicial, diante da identidade das discussões travadas nos autos dos processos surpa, situação esta que gera a renúncia ao contencioso administrativo fiscal, nos termos da Súmula CARF n. 01, a seguir: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Ante todo o exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário nesta parte. MÉRITO No que tange ao fato gerador da multa aplicada objeto do presente processo, verifico dos autos que a recorrente sequer chegou a impugnálos quando de sua defesa em primeira instância e mesmo quando da interposição do recurso voluntário, de modo que os tenho por incontroversos. Tal fato chegou a ser reconhecido, também pelo v. acórdão de primeira instância, conforme trecho a seguir: Erros de campo nas GFIP — matéria não impugnada No presente caso, ressaltase que a impugnante não questionou os aspectos fáticos ou materiais que foram constatados na auditoria fiscal e que serviram de base para a lavratura do Al. Foram apenas apresentadas, em sua defesa, Fl. 399DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/10/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 8 questões de cunho estritamente jurídico, relacionados à alegada condição de isenta da parte patronal das contribuições previdenciárias, culminando com o pedido genérico pela improcedência da autuação. Dessa forma, em face da ausência de impugnação expressa, tenho que deva ser aplicado in casu o disposto no art. 17 do Decreto 70.235/72, a seguir: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Por fim, cumpre ressaltar que o presente lançamento fora levado a efeito antes mesmo das inovações trazidas a lume pela Lei 11.941/09, que trouxe alterações na sistemática de cálculo da multa objeto do presente Auto de Infração. Vejamos a nova redação dada ao art. 32A pelo supracitado diploma legal: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). E de acordo com o art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional, a legislação superveniente, acaso mais benéfica ao contribuinte, deve ser aplicada a fatos geradores ocorridos antes de sua vigência, em casos como o presente, ainda não definitivamente julgados. Confirase o teor da norma: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/10/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 15956.000469/200710 Acórdão n.º 2401003.697 S2C4T1 Fl. 397 9 Ante todo o exposto, voto no sentido de conhecer em parte do recurso, e na parte conhecida, em DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para limitar o valor da multa ao disposto no art. 32A, I da Lei 8.212/91. É como voto. Igor Araújo Soares. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/10/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por IGOR ARAUJO SOARES
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Numero do processo: 14751.001686/2008-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
IMPOSTO DE RENDA. VALORES INCLUÍDOS NA BASE DE CÁLCULO. RECURSO PROVIDO.
Demonstrado que os valores objeto de lançamento já tinham sido incluídos na base de cálculo, pelo regime de caixa, é caso de dar provimento ao recurso para cancelar a exigência.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 1402-001.762
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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VALORES INCLUÍDOS NA BASE DE CÁLCULO. RECURSO PROVIDO. Demonstrado que os valores objeto de lançamento já tinham sido incluídos na base de cálculo, pelo regime de caixa, é caso de dar provimento ao recurso para cancelar a exigência. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 16 86 /2 00 8- 33 Fl. 950DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 14751.001686/200833 Acórdão n.º 1402001.762 S1C4T2 Fl. 9 2 Relatório Conforme auto de infração de fls. 04 e seguintes, tratase da exigência de IRPJ, em cada um dos trimestres do anocalendário de 2006, nos seguintes valores: Fato gerador valor tributável ou imposto Multa(%) 31/03/2006 2.925,59 75% 30/06/2006 9.599,20 75% 30/09/2006 19.574,79 75% 31/12/2006 66.938,63 75% O quadro acima demonstra que a autoridade fiscal lançou o valor do imposto devido, sendo que em relação à CSLL a exigência consta da fl. 10 dos autos e se refere a valores no segundo, terceiro e quarto trimestres de 2006, nos montantes de R$ 2.241,83; R$ 7.691,39 e R$ 25.117,32, respectivamente. As planilhas de fls. 209 e 210, repetidas às fls. 895 e 896, as quais transcrevo no voto, esclarecem tais circunstâncias. Apresentada impugnação de fls. 215/220, com a demonstração de que a empresa tinha sua contabilidade pelo regime de caixa (fl. 230), a DRJ, por meio da decisão de fl. 353, converteu o julgamento em diligência para que "fosse verificado os valores referentes às vendas de bens e serviços na medida do recebimento estar indicado perfeitamente nos registros contábeis, de modo a permitir a finalidade almejada pela IN SRF nº 104, de 98" Como resultado da diligência veio aos autos o relatório de fls. 897 e seguintes, bem como os demonstrativos de fls. 895 e 906 concluindo pela inexistência de imposto a pagar em relação aos dois primeiros trimestres e de IRPJ, nos terceiro e quarto trimestres, de R$ 6.005,43 e R$ 49.653,21, respectivamente. No que diz respeito à CSLL os valores apurados como devidos, nos dois trimestres aqui indicados foram de R$ 4.689,16 e R$ 21.960,25, respectivamente. Intimado, a recorrente manifestouse sobre o resultado da diligência dizendo ter ocorrido aumento da base de cálculo no montante de R$ 1.000.097,49, destacando, dentre outros fatos: Fl. 951DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 14751.001686/200833 Acórdão n.º 1402001.762 S1C4T2 Fl. 10 3 A DRJ, por meio do acórdão de fls. 922 e seguintes, cujos fundamentos analisarei em meu voto, considerou procedente em parte a impugnação para manter o lançamento nos valores propostos na diligência. O despacho de encaminhamento de fl. 937 encontrase datado de 23/10/2012, o que está a indicar que a data pouco ilegível que consta no AR de fl. 940 é 8 de novembro de 2012, sendo que o recurso foi protocolizado em 10/12/2012 (segundafeira). É o relatório. Fl. 952DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 14751.001686/200833 Acórdão n.º 1402001.762 S1C4T2 Fl. 11 4 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator No AR de fl. 940 é possível identificar, com clareza, o dia "08" e o ano de "2012". O mês encontrase inelegível. Contudo, se nos atermos ao despacho de fl. 937, datado de 23/10/2012, determinando a intimação da autuada, que apresentou recurso em 10/12/2012, a conclusão que se chega é que a referida intimação deuse em 08/11/2012. Assim, tendo o trigésimo dia coincidido com dia em que não há expediente ((08/12/2012 sábado), o primeiro dia útil seguinte foi o dia 10/12/2012, segundafeita, portanto tempestivo o recurso e sem efeito o termo de perempção que sequer contém data ou destaca os motivos pelos quais seria perempta a manifestação da parte recorrente. Outro detalhe a ser destacado é que o lançamento, originariamente, foi efetuado sem observar o regime de caixa, adotado pela contribuinte. Contudo, verificado que a empresa adotou o regime aqui mencionado, a DRJ converteu o julgamento em diligência para que fosse verificado se os valores objeto de lançamento estavam contabilizados. Só por esta razão, terseia, aparentemente, a mudança de critério jurídico do lançamento. Regime de competência para regime de caixa. A divergência se prende entre as datas contabilizadas como sendo os valores recebidos pela recorrente e as datas consideradas pelo fisco. Em busca de informações a autoridade preparadora mencionou consultar registros existentes na contabilidade das fontes pagadoras e no Tribunal de Contas. A contribuinte, por sua vez, discorda de tal sistemática dizendo, por exemplo, que as inúmeras notas fiscais emitidas à Prefeitura de João Pessoa, em 29/12/2006 (sextafeira último dia útil de 2006), embora contabilizadas pelo referido órgão público como pagas em tal data, os pagamentos somente ocorreram nas datas em que os valores foram contabilizados. Neste ponto, tive o cuidado de consultar no sítio da FEBRABAN (www.frebaban.org.br consulta realizada em 23/07/2014), para verificar se houve expediente bancário no dia 29/12/2006, extraindo resposta negativa para tal, conforme segue: Dado que o litígio ficou limitado aos dois últimos trimestres de 2006, das planilhas elaboradas pela autoridade fiscal, quando da diligência, relacionadas às Prefeituras de Cabedelo/PB; Campina Grande/PB e João Pessoa/PB, transcrevo a que corresponde à última, pois as apurações em relação as outras duas não produzem reflexos na exigência do crédito tributário, isto é, não há valor recebido em um trimestre ou ano/calendário que tenha sido considerado contabilizado em outro ou viceversa. 01 de março (Quarta) QuartaFeira de Cinzas 24 de dezembro (Domingo) Véspera de Natal 29 de dezembro (Sexta) Último dia útil do ano (Não haverá expediente ao público) Fl. 953DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 14751.001686/200833 Acórdão n.º 1402001.762 S1C4T2 Fl. 12 5 O quadro acima demonstra que a controvérsia reside em relação às notas fiscais nº 182, 189 e 193, que a fiscalização considerou como recebidas em 29/12/2006 e a contribuinte contabilizou como recebidas, respectivamente, em 25/02/2007; 22/01/2007 e 22/01/2007. Contudo, apesar do não funcionamento ao público do sistema bancário no dia 29/12/06 e da pouca probabilidade de ser emitida uma nota fiscal contra o poder público e ser paga neste mesmo dia, há que se analisar as razões pelas quais a autoridade considerou os pagamentos realizados pela Prefeitura de João Pessoa no dia 29/12/2009. Neste sentido, do item 16 do relatório da diligência, colho os seguintes dados: Nº da NF emissão Valor Observação da fiscalização Os valores constantes das notas 182, 189, 193 e 194 foram considerados como recebidos em 2006 e os valores das NF 178 e 185 foram excluídos pelos motivos anteriores. 178 21/11/06 352.648,53 Contabilizada como recebida em 21/12/2006, porém o pagamento ocorreu em 30/03/2007,conf. extrato do TCE e registrado no Livro razão de 2007. Contribuinte Fl. 954DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 14751.001686/200833 Acórdão n.º 1402001.762 S1C4T2 Fl. 13 6 contabilizou este recebimento em duplicidade (ver fl. 855 e 859). 182 06/12/06 792.144,98 Contabilizada como recebida em 15/02/07, porém o pg. ocorreu em 11/12/06, conforme ofício da Prefeitura autorizando o débito do valor e cópia do razão referente à conta (ver. fls. 595, 854, 858, 862 e 864). 185 21/12/06 16.604,15 Contabilizada como recebida em 28/12/06. Porém a referida NF foi cancelada 189 29/12/06 215.584,65 Contabilizada como recebida em 22/01/07. Porém o pg. ocorreu em 29/12/06. Ch. no valor de 300mil, correspondente à soma de 215.584,65 + 73.167,94 6.695,53) Ver doc. 528 e 760/761 e de R$ 11.147,41 fls. 764, que foi restituído ao contribuinte. 193 29/12/06 268.737,52 Emitida em 29/12/06, foi contabilizada como recebida em 25/01/07. Porém o pg. ocorreu em 29/12/2006, no valor líquido de 243.207,46 (fls. 629 e 656/658). 194 29/11/06(sic) 66.472,12 Contabilizada como recebida em 26/12/06 e também em 24/01/07. Porém a data correta do pg. ocorreu em 29/12/06, através do ch. 850045 (fl. 766) no valor de 300 mil, conforme comentado acima, quando analisado a NF 189. 182 06/12/06 792.144,98 Contabilizada como recebida em 15/02/07, porém o pg. ocorreu em 11/12/06, conforme ofício da Prefeitura autorizando o débito do valor e cópia do razão referente à conta (ver. fls. 595, 854, 858, 862 e 864). Examinando a questão envolvendo a NF 178, no valor de R$ 332.475,59, à fl. 531, no detalhamento do emprenho da Prefeitura de João Pessoa, com os dados abaixo referidos, verifiquei que consta como data de pagamento o dia de sua emissão (29/12/06). Porém, a autoridade fiscal diz que identificou junto ao Tribunal de Contas que tal NF foi paga em 30/03/2007, o que demonstra que não é possível seguir pelo documento abaixo indicado, até porque em 29/12/2006 não teve expediente bancário. Da análise quanto à data do efetivo pagamento da NF 178, no valor de R$ 332.475,59, ocorrido em 30/03/2007, se depreende que o fato da Prefeitura ter efetuado o lançamento em 29/12/2006, em nada corresponde com a data de pagamento e, tal circunstância aplicase às demais notas antes indicadas. Fl. 955DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 14751.001686/200833 Acórdão n.º 1402001.762 S1C4T2 Fl. 14 7 O ofício da Prefeitura, à fl. 596, datado de 11/12/2006, autorizando o Banco do Brasil a efetuar o pagamento do valor de R$ 792.131,98, correspondente à NF 182, por si só não é indicativo de pagamento. Quanto aos demais documentos indicados na diligência, à fl. 854, que corresponde à fl. 855 da numeração digitalizada, o que se tem é o registro do pagamento em 15/02/07, conforme segue: No que se refere ao pagamento da NF 189, no valor de R$ 215.584,65, emitida em 29/12/06, não é possível afirmar que tenha sido paga no mesmo dia 29/12/06, pois como referido anteriormente a fonte pagadora emitia ofício ao Banco autorizando o pagamento e em tal data sequer houve expediente bancário. Neste ponto, a prova dos autos, à fl. 764 digitalizada, não deixa dúvidas de que no dia 29/12/2006 a prefeitura emitiu um cheque no valor de R$ 300.000,00 com o seguinte histórico: "adiantamento relativo aos processos 20714/06 e 29861/06". O recibo de fl. 768 não contém data. Ademais, além da circunstância de não haver expediente no dia 29/06/2006, tendo a autoridade fiscal constatado que o referido pagamento foi contabilizado em 22/01/2007, caso entendesse que deveria ter sido tributado em 29/12/2006, estarseia diante de postergação e não de omissão. O que foi dito em relação à nota fiscal nº 189 também se aplica às notas fiscais nº 193 e 194, emitidas em 29/12/2006. Do exame da prova e da experiência comum, tendo o setor público orçado determinados valores para o ano de 2006, a percepção que tenho é que no último dia útil, quando sequer havia funcionamento do sistema bancário, tratou a administração de contabilizar os registros dos pagamentos acima indicados, para que não precisasse incluir no orçamento do ano seguinte. Isto, bem dito, não exclui a questão referente ao fato de que, em sendo os valores contabilizados em 2007 estarseia diante de postergação e não omissão. Com o entendimento até aqui exposto, desnecessário adentrar na análise do IRRF, indicado no quadro abaixo: Fonte Pagadora Rendimento Bruto IRRF Fls. dos autos Prefeitura de Campina Grande 08.993.917/000146 1.871.897,20 18.718,94 196 Prefeitura de Campina Grande 08.993.917/000146 Retificadora (desconsiderar linha anterior) 1.871.897,20 20.077,84 197 Conselho Reg. de Medicina da Paraíba 10.764.0033/000161 397.070,44 23.228,64 198 Fundação de Apoio à Pesquisa 09.185.398/000152 178.026,98 8.278,25 199 CEF 00.360.305;000104 11,13 2,22 203 Fl. 956DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 14751.001686/200833 Acórdão n.º 1402001.762 S1C4T2 Fl. 15 8 ISSO POSTO, voto no sentido de dar provimento ao recurso para cancelar a exigência remanescente. assinado digitalmente Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 957DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA
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Numero do processo: 10850.902031/2011-19
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.835
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 02 03 1/ 20 11 -1 9 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.902031/201119 Resolução nº 3801000.835 S3TE01 Fl. 126 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER) eletrônico, transmitido em 28 de outubro de 2005, por meio da qual a contribuinte solicita restituição de valor que teria sido indevidamente recolhido a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, no valor de R$ 980,78, em 14 de março de 2003, relativo ao período de apuração de fevereiro de 2003. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto SP pelo indeferimento do pedido de restituição, mediante Despacho Decisório (DD), à folha 5, emitido em 6 de junho de 2011, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o Darf discriminado no PER/Dcomp, não foi localizado nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Inconformada com o indeferimento do pedido de restituição, a contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade, na qual alega que o pagamento informado na ficha Darf do Pedido de Restituição foi realizado por meio de compensação, conforme comprova a Declaração de Compensação no processo administrativo nº 10850.000917/200316 que junta aos autos. A contribuinte argumenta, ainda, que não obstante o erro de preenchimento, tal fato não prejudica seu direito creditório, em razão dos princípios da estrita legalidade e da verdade material, entre outros. Por fim, a contribuinte requer a produção de perícia, realização de diligência e juntada de documentos. Em 09 de agosto de 2013, esta Turma proferiu o Acórdão nº 0732.231 equivocadamente, uma vez que o Despacho Decisório em litígio se refere a Pedido de Restituição. Este voto, portanto, tem como objetivo retificar o citado Acórdão. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DARF NÃO LOCALIZADO. INDEFERIMENTO. Não tendo sido localizado o Darf com as características indicadas pelo contribuinte como origem do crédito, ratificase o despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.902031/201119 Resolução nº 3801000.835 S3TE01 Fl. 127 3 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ESPÉCIE DE PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. LIMITES DA APRECIAÇÃO EM SEDE ADMINISTRATIVA No âmbito dos pedidos de restituição, a apreciação administrativa da regularidade do procedimento do contribuinte se limita à aferição da existência de crédito contra a Fazenda Nacional estritamente informado no Pedido de Restituição (PER) eletrônico. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho alegando, na essência: · que o crédito pleiteado se refere à inclusão indevida, na base de cálculo da contribuição Cofins, de receitas estranhas ao conceito de faturamento dada a inconstitucionalidade do artigo 3o, parágrafo 1o, da Lei n. 9718/98; · pede vénia para que, em observância ao princípio da economia processual, seja determinada a reunião dos processos que versam sobre a mesma matéria; · que a não retificação do pedido de restituição não interfere na obrigação principal (recolhimento do imposto indevidamente) e, portanto, não impede o reconhecimento do direito creditório da recorrente; · que, por um escusável lapso por parte da ora Recorrente, deixou de ser informado no pedido de restituição em análise que o pagamento no qual se lastreia o crédito nele pleiteado não foi realizado por meio de recolhimento com guia DARF, mas através da declaração de compensação em discussão no processo administrativo n. 10850.000917/200316, cuja cópia foi oportunamente apresentada junto com sua manifestação de inconformidade; · que para corroborar os fatos já demonstrados pela documentação carreada à manifestação de inconformidade, e também com vistas a contrapor os argumentos aventados pelo acórdão recorrido, a recorrente requer, nos termos da alínea "c", do parágrafo 4o, do art. 16, do Decreto n. 70235/72, a juntada aos presentes autos do livro razão, o qual, por si só, tem o condão de comprovar o direito creditório ora postulado; · que essa discussão se encontra totalmente superada na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal que, em sessão plenária, declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1o, do art. 3o, da Lei n. 9718/98; bem como em recurso em que foi reconhecida a repercussão geral da matéria; Fl. 127DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.902031/201119 Resolução nº 3801000.835 S3TE01 Fl. 128 4 · que a jurisprudência administrativa já se manifestou favoravelmente à aplicação, pelo fisco, das decisões que declararam a inconstitucionalidade do parágrafo 1o, do art. 3o, da Lei 9718/98, com fulcro no inciso I, do parágrafo 6o, do art. 26A, incluído no Decreto n. 70235, de 6.3.1972, pela Lei n. 11941, de 27.5.2009 e também no Regimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), no seu art. 62, parágrafo 1o, inciso I, aprovado pela Portaria MF n. 256, de 22.6.2009; Assim, requer, requer que o seu recurso seja conhecido e provido, reformando se o v. acórdão recorrido, com o reconhecimento do direito à plena restituição da COFINS calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do artigo 3o, parágrafo 1o, da Lei n. 9718/98, declarada pelo Supremo Tribunal Federal e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. É o Relatório. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.902031/201119 Resolução nº 3801000.835 S3TE01 Fl. 129 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre valores de COFINS pagos com base no art. 3º, § 1, da Lei n° 9.718, de 1998, que foram posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Todavia, nas PER/DCOMPs que utilizaram este crédito não houve pagamento no sentido estrito e sim compensação do débito informado como pagamento indevido. Diante disso, o pagamento não foi localizado, sendo exarado Despacho Decisório indeferindo a restituição pleiteada. Por certo, na sistemática da análise dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não, caso o contribuinte não informe corretamente os dados do pagamento ele efetivamente não será localizado, o que de fato ocorreu conforme consta no Despacho Decisório. Nesse procedimento não se está adentrando efetivamente no mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Não obstante os equívocos cometidos pela recorrente na formalização do pedido de restituição, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, conforme ensina Marcos Vinicius Neder e Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos Fl. 129DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.902031/201119 Resolução nº 3801000.835 S3TE01 Fl. 130 6 inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 1 Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados. Neste sentido, os documentos colacionados, em tese, ratificam os argumentos apresentados. Apesar da complementação das alegações da recorrente e a correspondente documentação comprobatória terem sido apresentadas apenas em sede de Recurso Voluntário, o que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, estes devem ser aceitos em obediência ao principio da verdade material, com respaldo ainda na alínea “c” do § 4º art. 16 do PAF (Decreto nº 70.235/1972), quando a juntada de provas destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, mormente quando a Turma de Julgamento de primeira instância manteve a decisão denegatória da restituição com base no argumento de que não foram apresentadas as provas adequadas e suficientes à demonstração e comprovação da existência do indébito, quando tal questão não fora abordada no âmbito do Despacho Decisório guerreado. No mérito, entendo que assiste razão à recorrente, senão vejamos: A Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como a receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Todavia, o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF) declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, que instituiu nova base de cálculo para a incidência de PIS e da Cofins, no julgamento dos RE 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084, conforme ementa abaixo: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e 1 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3ª ed. São Paulo: Dialética, 2010, p. 78. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.902031/201119 Resolução nº 3801000.835 S3TE01 Fl. 131 7 faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF, RE 390.840, j. em 09/11/2005) Destaquese que o STF, no julgamento do RE nº 585.235, publicado no DJE nº 227 do dia 28/11/2008, reconheceu a repercussão geral da questão constitucional e reafirmou a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98. Segue a ementa, in verbis: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Neste sentido, entendo estarmos diante da hipótese prevista no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, conforme colacionado acima. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF No mais, o artigo 26A do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941 de 27/05/2009 e o artigo 62 do RICARF, estabelecem estar vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, com exceção dos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, no que também se amolda o presente caso. Desta forma, deve ser reconhecido o direito creditório do Recorrente caso exista, em seu favor, crédito oriundo de recolhimentos efetuados a título de COFINS na forma da Lei nº 9.718/98, excluindose da sua base de cálculo as receitas não compreendidas no conceito de faturamento nos moldes da Lei Complementar nº 70/91, nos termos dos conceitos já firmados pelo Supremo Tribunal Federal. No entanto, no caso vertente a recorrente informa que o indébito no qual se lastreia o crédito nele pleiteado não foi realizado por meio de recolhimento com guia DARF, mas através de compensação, formalizada por meio da declaração de compensação apresentada Fl. 131DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.902031/201119 Resolução nº 3801000.835 S3TE01 Fl. 132 8 no processo administrativo n. 10850.000917/200316, cuja cópia foi oportunamente apresentada junto com sua manifestação de inconformidade. Não obstante a compensação declarada extinguir o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, necessário se faz a verificação da liquidez e certeza do crédito a ser restituído ou compensado, nos termos do artigo 170 do CTN. Para que se possa verificar se houve a extinção do crédito tributário e o atendimento aos pressupostos de certeza e a liquidez do crédito pleiteado, que possam ensejar a repetição do indébito, devese solicitar que a Delegacia de origem informe qual a situação do débito compensado. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) Informe qual a situação do débito compensado no processo administrativo n. 10850.000917/200316 e colacione cópia do Despacho Decisório homologando ou não a compensação, caso haja; b) Caso tenha sido interposto recurso, aguarde o encerramento do contencioso administrativo no âmbito do processo nº 10850.000917/200316 e após a liquidação da decisão definitiva informe qual a situação do débito compensado relativo a Cofins (2172), apurado no período de fevereiro de 2003; c) cientifique a interessada quanto ao resultado da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de 30(trinta) dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 132DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 11543.000590/2010-30
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO
Constatada a existência de contradição no acórdão embargado, devem ser acolhidos os embargos de declaração de forma a sanar o vício apontado.
Não havendo alteração do resultado do julgamento proferido no acórdão embargado, este deve ser re-ratificado.
Embargos Acolhidos sem Efeitos Infringentes
Numero da decisão: 2801-003.804
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar o vício apontado, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Pachoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
José Valdemir da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araújo Rodrigues Torres, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: JOSE VALDEMIR DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO Constatada a existência de contradição no acórdão embargado, devem ser acolhidos os embargos de declaração de forma a sanar o vício apontado. Não havendo alteração do resultado do julgamento proferido no acórdão embargado, este deve ser re-ratificado. Embargos Acolhidos sem Efeitos Infringentes
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EXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO Constatada a existência de contradição no acórdão embargado, devem ser acolhidos os embargos de declaração de forma a sanar o vício apontado. Não havendo alteração do resultado do julgamento proferido no acórdão embargado, este deve ser reratificado. Embargos Acolhidos sem Efeitos Infringentes Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar o vício apontado, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Pachoalin Presidente. Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araújo Rodrigues Torres, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 05 90 /2 01 0- 30 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/11/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 11543.000590/201030 Acórdão n.º 2801003.804 S2TE01 Fl. 69 2 Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 2801003.458 (fls.56/59numeração digital) que deu provimento em parte ao recurso da contribuinte para cancelar a multa de ofício. Aduz a Embargante que o acórdão embargado incide em contradição, pois, de acordo com a ementa, o Recurso Voluntário da Contribuinte foi provido, conquanto a conclusão do julgado e a conclusão do votocondutor são no sentido de que o Recurso Voluntário foi provido em parte. Diante do exposto, a União (Fazenda Nacional) requer sejam conhecidos e providos os presentes Embargos de Declaração a fim de serem sanadas as contradições. É o relatório. Voto Conselheiro José Valdemir da Silva, Relator Os embargos são tempestivos e atendem às demais condições de admissibilidade, portanto merecem ser conhecidos. Assiste razão à Embargante. Conforme consta do resumo do Acórdão nº 2801003.458 e seu dispositivo (fls. 56 e 59), o recurso voluntário da contribuinte foi provido parcialmente para cancelar a multa de ofício aplicada pela Fiscalização. Nada obstante, constou da ementa do acórdão que o recurso foi provido integralmente. Nesse contexto,acolho os embargos para retificar a ementa do acórdão nº 2801003.458 que passa a conter a seguinte redação: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONFRONTO DE INFORMAÇÕES. É legítimo o lançamento baseado em omissão de rendimentos apurada pelo confronto das informações prestadas pela fonte pagadora com os rendimentos tributáveis declarados pelo contribuinte. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. LAUDO PERICIAL. REQUISITO LEGAL. É imprescindível para o reconhecimento de direito à isenção por moléstia grave a sua comprovação mediante laudo pericial Fl. 69DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/11/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 11543.000590/201030 Acórdão n.º 2801003.804 S2TE01 Fl. 70 3 emitido por serviço médico oficial da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios. Recurso Voluntário Provido em Parte Ante o exposto, voto por acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar o vício apontado. Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Fl. 70DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/11/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 15504.017424/2008-75
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2005 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-003.386
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para limitar a 75% a multa da NFLD juntamente com a do auto de infração correlato. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Votou pelas conclusões o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
EDITADO EM: 23/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2005 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Recurso especial provido em parte.
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para limitar a 75% a multa da NFLD juntamente com a do auto de infração correlato. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Votou pelas conclusões o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 74 24 /2 00 8- 75 Fl. 291DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 15504.017424/200875 Acórdão n.º 9202003.386 CSRFT2 Fl. 282 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator EDITADO EM: 23/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de lançamento (Auto de Infração / NFLD 37.145.7521, de fls. 01 a 62) das contribuições destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre: (a) folhas de pagamento de salários, (b) termos rescisões de contrato de trabalho, (c) o valor bruto de notas fiscais/faturas de serviços prestados por cooperados intermediados por cooperativa de trabalho médico a determinados segurados empregados, em desconformidade com a legislação e (d) incidentes sobre notas fiscais referentes às remunerações (comissões sobre vendas) pagas ou creditadas pela empresa a segurados contribuintes individuais a seu serviço, para as quais não foram efetuados os devidos descontos e que não foram declaradas em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP. O Acórdão nº 2.403000.993, da 3a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção de Julgamento deste CARF (fls. 223 a 225), julgado na sessão plenária de 20 de janeiro de 2012, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, ao artigo 35 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Transcrevese a ementa do julgado: MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 15504.017424/200875 Acórdão n.º 9202003.386 CSRFT2 Fl. 283 3 COMISSÕES. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Comissões pagas a não empregados por serviços prestados à empresa são tributados como remuneração a contribuintes individuais Contra essa decisão, a Fazenda Nacional manejou recurso especial, com base no art. 67, II do atual Regimento Interno deste CARF aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009 (efls. 264 a 277). Defende a Fazenda Nacional, em seu recurso, que deva ser aplicada retroativamente (somente quando benéfica em comparação com a multa estabelecida pelo art. 35, II da redação revogada da Lei n° 8.212, de 1991) não a multa prevista no art. 61, § 2°, da Lei n° 9.430, de 1996, conforme determinação da nova redação do art. 35, caput, da Lei n° 8.212, de 1991, introduzido pela Lei n° 11.941, de 2009 e consoante recorrido, mas, sim, a multa prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Ou seja, a multa deve ser no percentual de 75%, consoante art. 35A da mesma Lei n° 8.212, de 1991, incluído pela Lei n° 11.941, de 2009. Tal posicionamento estaria sustentado no âmbito dos acórdãos então adotados como paradigma pela recorrente e proferidos pela Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara e Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara, ambas da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a saber, respectivamente, no Acórdão n° 2.30100.283 e Acórdão n° 2.40100.120. Entende a Fazenda Nacional que a multa moratória prevista no art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, somente se aplicaria para casos de recolhimento não incluídos em lançamento de oficio, ou seja, nas hipóteses em que a contribuinte incorreu na mora e efetuou o recolhimento em atraso, de forma espontânea, antes do lançamento de ofício, o que não é o caso. Requer, assim, a recorrente que seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 35, caput, da Lei nº 8.212, de 1991 (na atual redação conferida pela Lei nº 11.941, de 2009), em detrimento do art. 35A, também da Lei nº 8.212, de 1991, devendose verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991. O recurso especial foi admitido por meio do despacho de efls. 278 a 281 . Devidamente cientificado tanto do acórdão como do recurso especial da Fazenda Nacional em 07/12/2012 (efl. 284), o contribuinte não apresentou contrarrazões ou recurso especial de sua iniciativa. É o relatório. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 15504.017424/200875 Acórdão n.º 9202003.386 CSRFT2 Fl. 284 4 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Julgo, inicialmente, não haver como se afastar a aplicabilidade, ao caso, da retroatividade benéfica prevista no art. 106, inciso II, alínea “c”, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Para tanto, trago à colação os dispositivos de interesse ao caso sob análise, bem como excertos do brilhante voto do Ilustre Conselheiro Marcelo Oliveira no âmbito do Acórdão no 9.202003.070, proferido por esta mesma 2a Turma, em 13 de fevereiro de 2014, por concordar integralmente com os seus fundamentos, na forma a seguir transcrita: Lei 5.172/66 (CTN) Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.(g.n.) Lei 8.212/1991 (Redação anterior): Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento (g.n.): a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (g.n.): a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 294DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 15504.017424/200875 Acórdão n.º 9202003.386 CSRFT2 Fl. 285 5 b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: (...) Lei 8.212/1991 (nova redação): Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora (g.n.), nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício (g.n.) relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Acórdão 9.202003.070 – Voto do Conselheiro Marcelo Oliveira “ (...) Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. (...) Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício (grifos no original), com penalidade aplicada quando o Fl. 295DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 15504.017424/200875 Acórdão n.º 9202003.386 CSRFT2 Fl. 286 6 sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora (grifos no original). Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora (grifos no original), que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício (grifos no original), como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício (grifos no original). É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício (grifos no original). Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 15504.017424/200875 Acórdão n.º 9202003.386 CSRFT2 Fl. 287 7 Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não tem caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício (grifos no original) e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado a penalidade determinada pelo II, Art. 35 da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original)), antiga redação, com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (nos casos de lançamento de ofício (grifos no original)). Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas. (...)” Verifico, assim, que, ainda que a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora”, independentemente da denominação que tenha se dado à penalidade, não resta dúvida de que estavam ali descritas duas diferentes espécies de multas: a) as multas de mora propriamente ditas e b) as multas lançadas de ofício. As primeiras eram cobradas com o tributo recolhido espontaneamente. As últimas, cobradas nos lançamentos de ofício e através de notificação fiscal de lançamento de débito, ou, posteriormente, após a fusão entre a SRP e RFB, através de auto de infração (lançamento de obrigação principal) e auto de infração (no caso de obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambas por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais. Ainda, quanto às multas de ofício, estas duas situações supra elencadas se encontravam, respectivamente, regradas na forma dos antigos arts. 35, II (multa referente à obrigação principal constituída através de NFLD ou AI) e 32, IV, §4o. ou §5o. (ambos referindose à obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambos da Lei nº 8.212, de 1991, sendo que, com a alteração legislativa propugnada no referido diploma, passaram a estar regradas conjuntamente na forma de seu art. 35A. Assim, entendo que a penalidade a ser aplicada não pode ser aquela mais benéfica a ser obtida pela comparação da antiga “multa de mora” estabelecida pela anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991, com a do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, agora referida pela nova redação dada ao mesmo art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, pela Lei nº 11.941, de 2009 e que, notese, pressupõe a espontaneidade, inaplicável à situação fática em tela. A propósito, entendo que, para fins de aplicação da retroatividade benéfica, se deva comparar àquela antiga multa regrada na forma da anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991 (repetindose, indevidamente denominada como “multa de mora”, nos Fl. 297DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 15504.017424/200875 Acórdão n.º 9202003.386 CSRFT2 Fl. 288 8 casos de lançamento por força de ação fiscal), quando somada à multa aplicada no âmbito dos AIs conexos, lavrados de ofício por descumprimento de obrigação acessória (na forma da anterior redação do art. 32, inciso IV, §4o ou 5o da Lei nº 8.212, de 1991), a multa estabelecida pelo art. 44, da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e atualmente aplicável quando dos lançamentos de ofício, consoante disposto no art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991. Assim, entendo que, no caso em questão, deva ser dado provimento parcial ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, para restabelecer a penalidade nos termos em que constante do presente lançamento e dos demais AIs conexos referentes ao lançamento de obrigação principal, bem como dos AI(s) de obrigação acessória vinculados, respectivamente estabelecidas pela redação anterior do art. 35, inciso II e do art. 32, inciso IV, §§4o e 5o, da Lei nº 8.212, de 1991, limitada a soma das penalidades ao percentual de 75% (limite atual previsto no art. 44 da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e referenciado no art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, aplicável aqui a retroatividade benéfica). Esclarecendo, para fins da fase de execução desta decisão, é que, como há também outros AIs de obrigação principal, bem como autos de infração de obrigação acessória correspondentes, estes últimos lavrados em função do descumprimento ao disposto no art. 32, inciso IV, § 4o ou 5o, da Lei nº 8.212, de 1991 (vide item 16 do relatório à fl. 28), será aplicada a situação mais benéfica para a contribuinte dentre as abaixo: a) a soma das multas, aplicadas na presente AI e nos AIs conexos, bem como nos Autos de Infração correspondentes, respectivamente previstas nos arts. 35, II e 32, IV, §4o. e 5o. da antiga redação da Lei no 8.212, de 1991; ou b) a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Destarte, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, dar provimento em parte ao recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 298DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS
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Numero do processo: 10215.720144/2008-80
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. VERIFICAÇÃO IN LOCO DO IMÓVEL. DESNECESSIDADE.
A interpretação conjunta do art. 14 da Lei nº 9.393/1996 e dos artigos 47 e 51 do Decreto nº 4.382/2002 permite concluir que verificação in loco da área do imóvel somente é imprescindível quando a fiscalização não dispuser de elementos suficientes que lhe possibilitem a apuração dos dados necessários à constituição do crédito tributário. Hipótese em com o Fisco dispõe dos elementos necessários para feitura do lançamento.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Se o contribuinte revela conhecer plenamente a infração que lhe foi imputada, rebatendo-a de forma meticulosa, mediante a apresentação de impugnação e recurso, abrangendo não só questões preliminares como também razões de mérito, não resta configurado cerceamento do direito de defesa.
VALOR DA TERRA NUA - VTN. ARBITRAMENTO.
O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra - SIPT referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura dos Estados, do DF ou dos Municípios que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. O valor apurado pela Autoridade fiscal pode ser contestado pelo contribuinte mediante a apresentação de Laudo Técnico revestido de rigor científico, com atendimento dos requisitos mínimos exigidos na NBR 14.653-3 da ABNT, que é a norma técnica que consolidou os conceitos, métodos e procedimentos gerais para avaliações de imóveis rurais e que serve de parâmetro para tais avaliações. Hipótese em que o contribuinte não apresentou o Laudo Técnico de Avaliação.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. APRESENTAÇÃO DE ADA. NECESSIDADE.
A partir do exercício de 2001 é indispensável a protocolização do Ato Declaratório Ambiental - ADA no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA como condição para exclusão da área de reserva legal da base de cálculo do ITR.
RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. NECESSIDADE.
Toda a compreensão da tributação territorial rural deve ser feita à luz do princípio da defesa do meio ambiente, sendo certo que o direito tributário, mormente quando consubstanciado em tributos de acentuado caráter extrafiscal, caso do ITR, pode e deve ser utilizado como instrumento de atuação do Estado na economia e na proteção ambiental. A isenção do ITR apresenta inequívoca e louvável finalidade de estímulo à proteção do meio ambiente, tanto no sentido de premiar os proprietários que contam com reserva legal devidamente identificada e conservada, como de incentivar a regularização por parte daqueles que estão em situação irregular. Inexistindo o registro, que tem por escopo a identificação do perímetro da reserva legal, não se pode cogitar de regularidade da área protegida e, por conseguinte, de direito à isenção tributária correspondente. Inteligência daquilo que foi decidido nos Embargos de Divergência nº 1.027.051/SC, julgado em 28/08/2013 pelo STJ.
JUROS. TAXA SELIC. LEGALIDADE.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
Nos casos de lançamento de ofício será aplicada a multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata.
Preliminares Rejeitadas
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.739
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre, Flávio Araújo Rodrigues Torres, Ewan Teles Aguiar e Tânia Mara Paschoalin.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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VERIFICAÇÃO IN LOCO DO IMÓVEL. DESNECESSIDADE. A interpretação conjunta do art. 14 da Lei nº 9.393/1996 e dos artigos 47 e 51 do Decreto nº 4.382/2002 permite concluir que verificação in loco da área do imóvel somente é imprescindível quando a fiscalização não dispuser de elementos suficientes que lhe possibilitem a apuração dos dados necessários à constituição do crédito tributário. Hipótese em com o Fisco dispõe dos elementos necessários para feitura do lançamento. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Se o contribuinte revela conhecer plenamente a infração que lhe foi imputada, rebatendoa de forma meticulosa, mediante a apresentação de impugnação e recurso, abrangendo não só questões preliminares como também razões de mérito, não resta configurado cerceamento do direito de defesa. VALOR DA TERRA NUA VTN. ARBITRAMENTO. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra SIPT referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura dos Estados, do DF ou dos Municípios que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. O valor apurado pela Autoridade fiscal pode ser contestado pelo contribuinte mediante a apresentação de Laudo Técnico revestido de rigor científico, com atendimento dos requisitos mínimos exigidos na NBR 14.6533 da ABNT, que é a norma técnica que consolidou os conceitos, métodos e procedimentos gerais para avaliações de imóveis rurais e que serve de parâmetro para tais avaliações. Hipótese em que o contribuinte não apresentou o Laudo Técnico de Avaliação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 5. 72 01 44 /2 00 8- 80 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10215.720144/200880 Acórdão n.º 2801003.739 S2TE01 Fl. 133 2 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. APRESENTAÇÃO DE ADA. NECESSIDADE. A partir do exercício de 2001 é indispensável a protocolização do Ato Declaratório Ambiental ADA no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA como condição para exclusão da área de reserva legal da base de cálculo do ITR. RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. NECESSIDADE. Toda a compreensão da tributação territorial rural deve ser feita à luz do princípio da defesa do meio ambiente, sendo certo que o direito tributário, mormente quando consubstanciado em tributos de acentuado caráter extrafiscal, caso do ITR, pode e deve ser utilizado como instrumento de atuação do Estado na economia e na proteção ambiental. A isenção do ITR apresenta inequívoca e louvável finalidade de estímulo à proteção do meio ambiente, tanto no sentido de premiar os proprietários que contam com reserva legal devidamente identificada e conservada, como de incentivar a regularização por parte daqueles que estão em situação irregular. Inexistindo o registro, que tem por escopo a identificação do perímetro da reserva legal, não se pode cogitar de regularidade da área protegida e, por conseguinte, de direito à isenção tributária correspondente. Inteligência daquilo que foi decidido nos Embargos de Divergência nº 1.027.051/SC, julgado em 28/08/2013 pelo STJ. JUROS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Nos casos de lançamento de ofício será aplicada a multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Preliminares Rejeitadas Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre, Flávio Araújo Rodrigues Torres, Ewan Teles Aguiar e Tânia Mara Paschoalin. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10215.720144/200880 Acórdão n.º 2801003.739 S2TE01 Fl. 134 3 Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 331.992,11, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, às fls. 29/30 deste processo digital, que, após ser regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou, por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.6533 da ABNT, o valor da terra nua declarado, o que determinou o arbitramento do referido valor com base nas informações do Sistema de Preços da Terra – SIPT da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB. A contribuinte apresentou a impugnação de fls. 37/53, que foi julgada improcedente por meio do acórdão de fls. 67/84, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 DA NULIDADE DO LANÇAMENTO Contendo a Notificação de Lançamento todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal (PAF) e tendo sido o procedimento fiscal instaurado em conformidade com as normas e os princípios constitucionais vigentes, possibilitando a contribuinte exercer plenamente o seu direito de defesa, não há que se falar em qualquer irregularidade que macule o lançamento (Nulidade). DO ÔNUS DA PROVA Cabe ao contribuinte, quando solicitado pela autoridade fiscal, comprovar com documentos hábeis, os dados cadastrais informados na sua DITR, posto que é seu o ônus da prova. DA INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10215.720144/200880 Acórdão n.º 2801003.739 S2TE01 Fl. 135 4 DA RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO PERDA DA ESPONTANEIDADE O início do procedimento administrativo ou medida de fiscalização exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores, portanto cabe ser mantida as informações declaradas na DITR quanto à distribuição das áreas do imóvel, que não são objeto da lide. DAS ÁREAS DE RESERVA LEGAL O fato de imóvel estar situado na Amazônia Legal não é suficiente para o reconhecimento de isenção de área nela situada. As áreas de reserva legal, para fins de exclusão da tributação do ITR, devem estar incluídas no requerimento do Ato Declaratório Ambiental (ADA) protocolado tempestivamente junto ao IBAMA, além da averbação tempestiva dessa área à margem da matrícula do imóvel. DO VALOR DA TERRA NUA (VTN) SUBAVALIAÇÃO Deve ser mantido o VTN arbitrado pela fiscalização, com base no SIPT, por falta de documentação hábil (Laudo Técnico de Avaliação, elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotada no CREA, em consonância com as normas da ABNT NBR 14.6533), demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preço de mercado, à época do fato gerador do imposto, e a existência de características particulares desfavoráveis, que pudessem justificar a revisão do VTN em questão. DA MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. DOS JUROS DE MORA (TAXA SELIC) A vedação ao confisco pela Constituição da República é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicála, nos moldes da legislação que a instituiu. Apurado imposto suplementar em procedimento de fiscalização, no caso de informação incorreta na declaração do ITR ou subavaliação do VTN, cabe exigilo juntamente com a multa e os juros aplicados aos demais tributos. Por expressa previsão legal, os juros de mora equivalem à Taxa SELIC. Cientificado da decisão de primeira instância em 28/02/2012 (fl. 88), a Interessada interpôs, em 21/03/2012, o recurso de fls. 98/113. Na peça recursal aduz, em síntese, que: PRELIMINARMENTE Nulidade do lançamento Desconsideração do princípio da legalidade Desconsideração do art. 14 da Lei nº 9.393/1996 Ausência de certeza e liquidez face os vícios na aferição do valor lançado Fl. 135DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10215.720144/200880 Acórdão n.º 2801003.739 S2TE01 Fl. 136 5 Os julgadores desconsideraram o texto da lei que claramente impõe como condicionante a fiscalização local da área a ser considerada para cômputo do tributo, o que não fora efetuado, não se seguindo assim a letra da lei, ou seja, ferindo o principio da legalidade. O acórdão contrapõem os sentidos do art. 14 da Lei nº 9.393/1996, bem como do art. 149 do Código Tributário Nacional CTN. Quanto ao art. 149, inciso V, do CTN cabe consignar que o Interessado não nega a possibilidade de ser efetuado o lançamento de ofício, pois o que de fato fora impugnado e não observado pelos prolatores do acórdão é que o ora Recorrente questiona a omissão e não efetivação da imposição legal positivada na parte final do caput do art. 14 da Lei nº 9.396/1996 (e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização). O acórdão limitouse a considerar que a aferição é meramente documental, o que se mostra uma incongruência, restringindose a busca pela verdade real. Se aferição do valor do tributo sequer levou em consideração a área real tributável, pois deixou de proceder a fiscalização necessáriao que teria o fim de justamente sanar qualquer dúvida quanto à contabilização do tributo em relação ao terreno do imóvel tributado, logicamente que não se pode ter a certeza e liquidez do crédito constituído. Cerceamento de defesa Insuficiência de elementos comprovadores da infração tributária Os meios de defesa não foram assegurados ao contribuinte em sua plenitude. A ação fiscal utilizou a mera correlação da área informada com atualização do VTN. Tal correlação seria inconcebível tendo em vista que todos os outros fatores pertinentes ao fato encontravamse em inteira conformidade com os procedimentos tributários fiscais. Assim, restou prejudicada a defesa do contribuinte em virtude impossibilidade de conhecer quais as razões que o levam à via administrativa buscar defesa de ato infracional tributário. Não há mero indício no ato que evidencie que o contribuinte agiu em detrimento do patrimônio público, o que torna o lançamento viciado e passível de anulação. MÉRITO Desconsideração da área tributável Desconsideração da área isenta de tributação Não obrigatoriedade de averbação da área isenta de tributação O imóvel possui área de reserva legal e de preservação permanente, sem exploração ou degradação, respeitandose integralmente o que preceitua a legislação. A alegada falta de apresentação de laudo de avaliação que ensejou o arbitramento do valor da terra nua com base nas informações do SIPT da RFB é incabível, visto que os parâmetros de arbitramento foram realizados tomando por base toda a área do Fl. 136DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10215.720144/200880 Acórdão n.º 2801003.739 S2TE01 Fl. 137 6 imóvel, portanto sem a exclusão dos 80% de reserva legal e das áreas de preservação permanente, o que desvirtua integralmente o valor apurado. A base de cálculo do VTN deve excluir, obrigatoriamente, a reserva legal e as áreas de preservação permanente, conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça STJ. Há de ser observado que a própria legislação dispensa a obrigatoriedade de registro na matrícula do imóvel das áreas de preservação permanente e de reserva legal, o que ainda assim não justifica a não exclusão da área quando do cômputo do tributo (§ 7º do art. 10 da Lei nº 9.393/1996). Cabe a reforma do acórdão recorrido e a determinação de revisão do valor do tributo, excluindose o percentual de 80% da área contabilizada quando da aferição do tributo, dado o fato de que 80% do terreno do imóvel se tratar de área da preservação permanente e área de reserva legal, as quais são isentas na conformidade da Lei nº 9.393/1996. Inaplicabilidade da taxa SELIC Revisão da multa aplicada Quanto à taxa SELIC, destacase que não é o caso de aplicála como critério para atualização de débito fiscal, por englobar num único índice correção monetária com juros remuneratórios. Mesma sorte recai sobre a aplicação da multa de 75 %. Tal entendimento surge da oposição direta da aplicação do percentual da multa ao principio do não confisco aplicável em matéria tributária. Percentual tão elevado, além de desproporcional, também impõe a impossibilidade de pagamento do tributo, tudo em razão de suposto erro material quando da declaração do ITR pelo contribuinte. PEDIDO Ao final, requer seja o recurso conhecido e provido, para o fim de ser declarado insubsistente o acórdão, pela sua mais absoluta ausência de sustentação fática e legal, devendo ser reconhecida a nulidade do mesmo. Por via de consequência, também improcedem todos os acessórios, especialmente acréscimos de juros, multa e correção monetária. Em caso de manutenção da validade do lançamento que o valor seja revisto e consideradas as áreas de reserva legal e de preservação permanente, tanto no cômputo do principal como do acessório constante do lançamento. Protesta pela produção de todas as provas admitidas em direito e não defesa em lei. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10215.720144/200880 Acórdão n.º 2801003.739 S2TE01 Fl. 138 7 As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital, que difere da numeração de folhas do processo físico. Preliminares Validade do lançamento Interpretação adequada do art. 14 da Lei nº 9.393/1996 Aduz o Recorrente que os julgadores da instância de piso desconsideraram o texto da lei que claramente impõe, como condicionante ao lançamento de ofício, que se fiscalize o local da área a ser considerada no cômputo do tributo, conforme previsão constante da parte final do caput do art. 14 da Lei nº 9.396/1996, assim descrito: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. O entendimento da Interessada, ao que parece, é no sentido de que a apuração, em procedimento de fiscalização, dos dados da área do imóvel deveria ser feita in loco. Sem razão a Recorrente. É que o Decreto nº 4.382, de 19 de setembro de 2002, que regulamentou a tributação, a fiscalização, a arrecadação e a administração do ITR, disciplinou a revisão da declaração apresentada pelo contribuinte nos seguintes termos: Art.47. A DITR está sujeita a revisão pela Secretaria da Receita Federal, que, se for o caso, pode exigir do sujeito passivo a apresentação dos comprovantes necessários à verificação da autenticidade das informações prestadas. §1º A revisão é feita com elementos de que dispuser a Secretaria da Receita Federal, esclarecimentos verbais ou escritos solicitados ao contribuinte ou por outros meios previstos na legislação. § 2º O contribuinte que deixar de atender ao pedido de esclarecimentos ficará sujeito ao Lançamento de ofício de que tratam os arts. 50 e 51(Lei nº5.172, de 1966, art. 149, inciso III). (...) Art.51. O lançamento será efetuado de ofício quando o sujeito passivo (Lei nº5.172, de 1966, art. 149;Lei nº9.393, de 1996, art. 14): (...) II deixar de atender aos pedidos de esclarecimentos que lhe forem dirigidos, recusarse a prestálos ou não os prestar satisfatoriamente no tempo aprazado; Fl. 138DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10215.720144/200880 Acórdão n.º 2801003.739 S2TE01 Fl. 139 8 III apresentar declaração inexata, considerandose como tal a que contiver ou omitir qualquer elemento que implique redução do imposto a pagar; A leitura dos trechos em destaque revela que a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB tem competência para exigir do sujeito passivo a apresentação dos comprovantes necessários à verificação da autenticidade das informações prestadas em sua declaração, sendo certo que a revisão desta poderá ser feita com os elementos de que dispõe o Fisco, com esclarecimentos verbais ou escritos solicitados ao contribuinte ou por outros meios previstos na legislação. Se o sujeito passivo não apresenta os documentos necessários à verificação da autenticidade das informações prestadas, ou deixa de atender aos pedidos que lhe forem dirigidos, sujeitarseá ao lançamento de ofício, mormente quando a Autoridade lançadora constatar, na declaração apresentada, a existência de elementos que implique na redução do valor do ITR a pagar. Portanto, a interpretação conjunta do art. 14 da Lei nº 9.393/1996 e dos artigos 47 e 51 do Decreto nº 4.382/2002 permite concluir que verificação in loco da área do imóvel somente é imprescindível quando a fiscalização não dispuser de elementos suficientes que lhe possibilitem a apuração dos dados necessários à feitura do lançamento, o que, no caso em tela, é totalmente dispensável, como se verá ao diante. Inocorrência de cerceamento do direito de defesa Suficiência de elementos comprovadores da infração tributária Os parâmetros utilizados no arbitramento da terra nua estão previstos em disposição literal de lei, mais precisamente no § 1º do art. 14 da Lei nº 9.393/1996, expressamente citado pela Autoridade lançadora na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” (fl. 29/30) da Notificação de Lançamento, de cujo teor se extrai a seguinte dicção: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. O art. 12 da Lei nº 8.629/1993, por seu turno, estabelece: Art.12. Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: (Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Fl. 139DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10215.720144/200880 Acórdão n.º 2801003.739 S2TE01 Fl. 140 9 I localização do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) II aptidão agrícola; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) III dimensão do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IV área ocupada e ancianidade das posses; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) §1o Verificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA. (Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) §2o Integram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel. (Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) §3o O Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela superavaliação comprovada ou fraude na identificação das informações. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001). A legislação transcrita evidencia que, nos casos de subavaliação do VTN ou prestação de informações inexatas ou incorretas, o lançamento de ofício deve considerar as informações constantes de sistema instituído pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB (Sistema de Preços de Terra – SIPT), referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. No caso concreto, o VTN/ha declarado na DITR/2004, no valor irrisório de R$ 1,15, foi alterado com base no SIPT, pois o contribuinte, após ser regularmente intimado, não comprovou, por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.6533 da ABNT, o valor da terra nua declarado. A Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, às fls. 29/30, revela que a Autoridade lançadora utilizou o VTN/médio por aptidão agrícola para o Município de Altamira, exercício de 2004, cujo VTN médio/ha calculado pela Secretaria Estadual de Agricultura foi R$ 85,00 para áreas de florestas (tela SIPT à fl. 33). É sabido que o valor apurado pela Autoridade fiscal pode ser contestado pelo contribuinte, fazendo prevalecer a verdade real. A contestação pode, por exemplo, se dar mediante a apresentação de Laudo Técnico revestido de rigor científico, com atendimento dos Fl. 140DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10215.720144/200880 Acórdão n.º 2801003.739 S2TE01 Fl. 141 10 requisitos mínimos exigidos na parte 3 da NBR 14.6533 da ABNT, que é a norma técnica que consolidou os conceitos, métodos e procedimentos gerais para avaliações de imóveis rurais e que serve de parâmetro para tais avaliações. Assim, a busca pela verdade real, ao contrário do afirmado pelo Recorrente, foi restringida por ele próprio, que poderia ter apresentado o Laudo Técnico com os requisitos mínimos exigidos na NBR 14.6533 da ABNT, hipótese em que deixaria de prevalecer os dados utilizados na apuração da base de cálculo pela Autoridade lançadora. Noutros termos: o Interessado foi regularmente intimado a apresentar o Laudo de Avaliação do imóvel, o que lhe possibilitou produzir a prova necessária para obstar a utilização dos dados apurados pela Secretaria Estadual de Agricultura. Contudo, quedouse inerte, devendo prevalecer, nessa hipótese, o arbitramento levado a cabo pela Autoridade lançadora, haja vista que este procedimento, mediante utilização do VTN por aptidão agrícola, encontra previsão legal. Acrescento, ainda, por oportuno, se o contribuinte revela conhecer plenamente a infração que lhe foi imputada, rebatendoa de forma meticulosa, mediante a apresentação de impugnação e de recurso, ambos abrangendo não só questões preliminares como também razões de mérito, não resta configurado cerceamento do direito de defesa. Pelos motivos expostos, sou pela rejeição das preliminares suscitadas pelo Recorrente. MÉRITO ADA como requisito necessário à exclusão, da base de cálculo do ITR, das áreas de preservação permanente e de reserva legal O Interessado pretende incluir em sua Declaração do ITR, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, supostas áreas de reserva legal e de preservação permanente. Ocorre que, além de se mostrar inadequada a via eleita para tal procedimento, o Recorrente também não apresentou o Ato Declaratório Ambiental ADA. O § 1º do art. 17O da Lei nº 6.938/1981, na redação dada pela Lei nº 10.165/2000, vigente no ordenamento jurídico pátrio, espancou qualquer dúvida sobre a obrigatoriedade do Ato Declaratório Ambiental – ADA para fruição do benefício fiscal previsto na alínea “a” do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei nº 9.393/1996, ao eleger tal ato como requisito formal necessário à exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da base tributável do ITR. Oportuna é a transcrição do dispositivo mencionado: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher aoIBAMAa importância prevista noitem 3.11 do Anexo VII da Lei no9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) (...) Fl. 141DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10215.720144/200880 Acórdão n.º 2801003.739 S2TE01 Fl. 142 11 § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) A norma do § 1º poderia ser lida, sem qualquer alteração de seu conteúdo, da seguinte forma: a utilização do ADA, para fins de exclusão das áreas de interesse ambiental da base tributável do ITR, dentre elas as APP e as ARL, é obrigatória. Registro, ademais, que interpretação a contrário sensu da Súmula CARF nº 41 permite concluir que, a partir do exercício de 2001, a apresentação do ADA é imprescindível à fruição do benefício fiscal de exclusão da APP e da RL da base tributável do ITR. Confira: Súmula CARF nº 41: A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. Nesse contexto, descabe pretender incluir na Declaração do ITR áreas de preservação permanente e de reserva legal, haja vista que a apresentação do ADA é obrigatória para exclusão de tais áreas da base de cálculo do ITR a partir do exercício de 2001. Averbação da reserva legal na matrícula do imóvel como requisito necessário à exclusão, da base de cálculo do ITR, da área de reserva legal Consoante mencionado acima, a Recorrente pretende incluir em sua declaração, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, suposta área de reserva legal. Para a Interessada é desnecessário, para esse fim, o registro da área de reserva legal na matrícula do respectivo imóvel. Embora a inexistência de ADA já inviabilize tal inclusão, oportuno registrar que a averbação à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no registro competente sempre foi, em meu entendimento, requisito formal necessário para que uma área de reserva legal seja excluída da base de cálculo do ITR, a teor de uma interpretação conjugada do artigo 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/1996 e §§ 2º e 8º do art. 16 da revogada Lei nº 4.771/1965, assim descritos: Lei nº 9.393/1996 Art. 10. (...) § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Lei nº 4.771/1965 Art. 16. (...) Fl. 142DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10215.720144/200880 Acórdão n.º 2801003.739 S2TE01 Fl. 143 12 §2o A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3odeste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. (...) § 8oA área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código.(Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Embora a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ sobre o tema fosse vacilante até pouco tempo atrás, a imprescindibilidade da averbação da ARL, para fins de fruição da isenção prevista no art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/1996, foi confirmada nos Embargos de Divergência nº 1.027.051/SC, julgado em 28/08/2013. O STJ, no referido julgamento, pacificou o entendimento de que a averbação da área de reserva legal é dever que incumbe diretamente ao proprietário do imóvel, não fazendo sentido que este se valha da isenção legal quando em mora com o cumprimento de tal dever. Pela importância do julgamento, relevante transcrever os fundamentos que levaram o Egrégio Tribunal Superior a se posicionar pela necessidade da averbação da reserva legal no registro de imóveis: A Lei de Registros Públicos estabelece que é obrigatória a averbação da área de reserva legal (Lei 6.015/73, art. 167, inciso II, n° 22). O ITR caracterizase como tributo extrafiscal, que tem por finalidade desestimular a existência de latifúndios improdutivos e de incentivar práticas de uso racional dos recursos naturais e de preservação do meio ambiente. A tributação por esse imposto revestese de mais um instrumento dedicado à fiscalização das atividades potencialmente nocivas ao meio ambiente. A isenção do imposto deve ser interpretada como estímulo à adoção, pelo contribuinte, de medidas tendentes à preservação da área sob sua responsabilidade, assegurandose, dessa forma, o princípio constitucional da função social da propriedade. Apenas a determinação prévia da averbação seria útil aos fins da lei tributária e da lei ambiental. Caso contrário, a União e os municípios não teriam condições de bem auditar a declaração dos contribuintes e, indiretamente, de promover a preservação ambiental. Inexistindo o registro, que tem por objetivo a identificação da área destinada à reserva legal, não se pode cogitar de regularidade da área protegida e, consequentemente, de direito à isenção tributária correspondente. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10215.720144/200880 Acórdão n.º 2801003.739 S2TE01 Fl. 144 13 A inércia do proprietário em não registrar a reserva legal de sua propriedade rural constitui irregularidade e, como tal, não pode ensejar a aludida isenção fiscal, sob pena de premiar contribuinte infrator da legislação ambiental. O resultado do julgamento encontrase consubstanciado na seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NO RECURSO ESPECIAL. ITR. ISENÇÃO. ART. 10, § 1º, II, a, DA LEI 9.393/96. AVERBAÇÃO DA ÁREA DA RESERVA LEGAL NO REGISTRO DE IMÓVEIS. NECESSIDADE. ART. 16, § 8º, DA LEI 4.771/65. 1. Discutese nestes embargos de divergência se a isenção do Imposto Territorial Rural (ITR) concernente à Reserva Legal, prevista no art. 10, § 1º, II, a, da Lei 9.393/96, está, ou não, condicionada à prévia averbação de tal espaço no registro do imóvel. O acórdão embargado, da Segunda Turma e relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, entendeu pela imprescindibilidade da averbação. 2. Nos termos da Lei de Registros Públicos, é obrigatória a averbação “da reserva legal” (Lei 6.015/73, art. 167, inciso II, n° 22). 3. A isenção do ITR, na hipótese, apresenta inequívoca e louvável finalidade de estímulo à proteção do meio ambiente, tanto no sentido de premiar os proprietários que contam com Reserva Legal devidamente identificada e conservada, como de incentivar a regularização por parte daqueles que estão em situação irregular. 4. Diversamente do que ocorre com as Áreas de Preservação Permanente, cuja localização se dá mediante referências topográficas e a olho nu (margens de rios, terrenos com inclinação acima de quarenta e cinco graus ou com altitude superior a 1.800 metros), a fixação do perímetro da Reserva Legal carece de prévia delimitação pelo proprietário, pois, em tese, pode ser situada em qualquer ponto do imóvel. O ato de especificação fazse tanto à margem da inscrição da matrícula do imóvel, como administrativamente, nos termos da sistemática instituída pelo novo Código Florestal (Lei 12.651/2012, art. 18). 5. Inexistindo o registro, que tem por escopo a identificação do perímetro da Reserva Legal, não se pode cogitar de regularidade da área protegida e, por conseguinte, de direito à isenção tributária correspondente. Precedentes: REsp 1027051/SC, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17.5.2011; REsp 1125632/PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 31.8.2009; AgRg no REsp 1.310.871/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 14/09/2012. 6. Embargos de divergência não providos. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10215.720144/200880 Acórdão n.º 2801003.739 S2TE01 Fl. 145 14 O entendimento firmado nos Embargos de Divergência nº 1.027.051/SC vem sendo ratificado pelo STJ. Confira: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ISENÇÃO. AVERBAÇÃO NO REGISTRO IMOBILIÁRIO. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do EREsp nº 1.027.051, SC, reafirmou o entendimento de que, para gozar da isenção fiscal prevista no art. 10, § 1º, II, a, da Lei nº 9.393, de 1996, relativa ao imposto territorial rural, é imprescindível a averbação da área de reserva legal no respectivo registro imobiliário. Embargos de divergência a que se nega provimento (EREsp 1.310.871/PR, Rel. Ministro Ari Pargendler, primeira seção, DJe 04/11/2013). TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ITR. ISENÇÃO. ART. 10, § 1º, II, a, DA LEI 9.393/96. AVERBAÇÃO DA ÁREA DA RESERVA LEGAL NO REGISTRO DE IMÓVEIS. NECESSIDADE. ART. 16, § 8º, DA LEI 4.771/65. 1. A Primeira Seção firmou o entendimento de que a isenção do ITR relativa à área de Reserva Legal está condicionada à prévia averbação desse espaço no registro do imóvel. Precedentes: EREsp 1.310.871/PR, Rel. Ministro Ari Pargendler, DJe 04/11/2013; EREsp 1.027.051/SC, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, DJe 21/10/2013. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no Resp 1.243.685/PR, julgado em 05/12/2013) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVOS REGIMENTAIS NO RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. ITR. ISENÇÃO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. INSTITUIÇÃO POR DISPOSIÇÃO LEGAL. AVERBAÇÃO DA ÁREA DA RESERVA LEGAL NO REGISTRO DE IMÓVEIS. NECESSIDADE. 1. Quando do julgamento do EREsp 1027051/SC (Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Seção, DJe 21.10.2013), restou pacificado que, "diferentemente do que ocorre com as áreas de preservação permanente, as quais são instituídas por disposição legal, a caracterização da área de reserva legal exige seu prévio registro junto ao Poder Público ". 2. Dessa forma, quanto à área de reserva legal, é imprescindível que haja averbação junto à matrícula do imóvel, para haver isenção tributária. Quanto às áreas de preservação permanente, no entanto, como são instituídas por disposição legal, não há nenhum condicionamento para que ocorra a isenção do ITR. 3. Agravos regimentais não providos. (AgRg nos EDcl no RECURSO ESPECIAL Nº 1.342.161 – SC, julgado em 04/02/2014) Fl. 145DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10215.720144/200880 Acórdão n.º 2801003.739 S2TE01 Fl. 146 15 Ressalto, ainda, por relevante, que a controvérsia não diz respeito à necessidade, ou não, de prévia comprovação da reserva legal por ocasião da apresentação da declaração do ITR (§ 7º do art. 10 da Lei 9.393/96), mas, sim, à própria caracterização da referida área para os fins tributários almejados. Tal como ocorre com qualquer outro tributo sujeito a lançamento por homologação, o contribuinte jamais junta prova do que pode ser glosado. No imposto de renda, por exemplo, o sujeito passivo que alega ter tido despesas médicas não precisa anexar à declaração de ajuste anual os comprovantes de despesas. Existe uma diferença entre a existência do fato jurígeno e sua prova. Assim, toda a compreensão da tributação territorial rural deve ser feita à luz do princípio da defesa do meio ambiente, sendo certo que o direito tributário, mormente quando consubstanciado em tributos de acentuado caráter extrafiscal, caso do ITR, pode e deve ser utilizado como instrumento de atuação do Estado na economia e na proteção ambiental. Nesse cenário, homenageando a posição do STJ sobre a matéria, que é o guardião das leis federais, mantenho o meu entendimento de que a averbação da reserva legal à margem da inscrição da matrícula do imóvel é requisito formal necessário para que uma ARL seja excluída da base de cálculo do ITR. Aplicabilidade da taxa SELIC e manutenção da multa aplicada. A Recorrente contesta a legalidade de aplicação da taxa SELIC por esta por englobar num único índice correção monetária e juros remuneratórios, bem como a abusividade da multa aplicada sob o enfoque de ofensa ao princípio constitucional da vedação ao confisco. A cobrança dos juros e multa, sobre o crédito tributário não pago no vencimento, está disciplinada na Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 5º. (...) §3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (...) Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Vide Lei nº 10.892, de 2004)(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 146DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10215.720144/200880 Acórdão n.º 2801003.739 S2TE01 Fl. 147 16 Como se vê, tanto os juros como a multa estão regulados em disposição literal de lei, aplicandose, à espécie, as Súmulas CARF nº 2 e 4º, de observância obrigatória aos membros deste Conselho (RICARF, Anexo I, art. 72), assim descritas: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Desnecessidade de produção de novas provas Pleiteia o Recorrente, ainda, produção de todas as provas admitidas em direito. Entendo desnecessária a produção de novas provas, haja vista que o Recorrente, em três oportunidades (procedimento fiscal, impugnação e recurso), não apresentou qualquer documento que desse suporte às suas alegações. CONCLUSÃO Face ao exposto, voto por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 147DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 11610.007345/2003-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002
Ementa:
IRPJ. SALDO NEGATIVO. DEDUÇÃO DE IRRF. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. O prazo para a interposição de Recurso Voluntário é de 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão, nos termos do artigo 33 do Decreto n. 70.235/1972.
Numero da decisão: 1101-001.190
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, em NEGAR CONHECIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que seguem em anexo.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator.
EDITADO EM: 02/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marrcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Paulo Mateus Ciccone e Marcelo de Assis Guerra.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001, 2002 Ementa: IRPJ. SALDO NEGATIVO. DEDUÇÃO DE IRRF. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. O prazo para a interposição de Recurso Voluntário é de 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão, nos termos do artigo 33 do Decreto n. 70.235/1972.
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SALDO NEGATIVO. DEDUÇÃO DE IRRF. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. O prazo para a interposição de Recurso Voluntário é de 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão, nos termos do artigo 33 do Decreto n. 70.235/1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, em NEGAR CONHECIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que seguem em anexo. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator. EDITADO EM: 02/10/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 73 45 /2 00 3- 83 Fl. 223DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marrcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Paulo Mateus Ciccone e Marcelo de Assis Guerra. Relatório Por bem retratar a situação, adoto o relatório lançado pela D. DRJ/SP1: “Trata o presente processo de Declaração de Compensação (DCOMP), fl. 01, de saldo negativo de IRPJ, correspondente aos anoscalendários de 2000, 2001 e 2002, com débitos de imposto de renda retido na fonte (código de receita 0561) e, ainda, débito de CSLL (código de receita 24841), este último declarado no PERDCOMP nº 28441.75736.050803.1.3020400 (fls. 122/125). Foram juntados por anexação os processos nº 10880.721905/200878 e 10880.721906/200812, segundo AVISO nº 10551 à fl. 148. A DERAT/0SPO/DIORT proferiu o Despacho Decisório de fls. 88, por meio do qual (a) convalidou as compensações sem processo correspondentes ao saldo negativo de IRPJ do exercício de 2002 (R$ 142.922,67) com os débitos de fls. 68 e 69 (extrato às fls. 70 a 72) e (b) homologou as compensações dos débitos indicados às fls. 01 e 125 com os créditos relativos aos saldos negativos de IRPJ do exercício de 2002 (remanescente das compensações sem processo) e de IRPJ do exercício de 2003, até o limite dos valores de R$ 10.574,95 e R$ 239.896, 74, respectivamente. Para tanto, foram considerados comprovados os Saldos Negativos apurados nas Declarações de Rendimentos nos seguintes valores: Ressaltase, no tocante ao anocalendário de 2000, que a DIORT considerou comprovado o Saldo Negativo em valor inferior ao Declarado, fundamentandose na proporcionalidade entre a receita da prestação de serviços declarada e a que corresponderia ao IRRF deduzido na apuração do saldo negativo indicado na DIPJ/2001. Quanto ao IRRF de aplicações financeiras, foi integramente deferido. Os valores são demonstrados abaixo: Fl. 224DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 11610.007345/200383 Acórdão n.º 1101001.190 S1C1T1 Fl. 224 3 Informouse, ainda, no mencionado despacho, em relação às compensações do crédito do exercício de 2001, o que segue transcrito: ‘Em pesquisa ao DCTF GER 4.8 foram verificados 8 (oito) débitos do anocalendário 2001 compensados sem processo com o saldo credor de IRPJ do período anterior (fls. 75 e 76). Portanto, tendo em vista os débitos serem do anocalendário 2001, conclui se que o saldo credor de IRPJ utilizado é o referente ao anocalendário 2000/exercício 2001. Utilizando o programa NEO SAPO para simular as compensações sem processo realizados pelo contribuinte dos referidos débitos declarados em DCTF (fls. 57 a 64) com o crédito acima calculado referente ao saldo credor de IRPJ do exercício de 2001 (R$ 197.005,52), não verificouse saldo credor de IRPJ remanescente, conforme extrato às fls. 65 a 67. Tendo em vista a utilização de todo o saldo credor de IRPJ do exercício de 2001 nas compensações sem processo (fls. 57 a 64), não há que se reconhecer saldo credor de IRPJ do exercício 2001, a ser aproveitado, conforme extrato às fls. 65 a 67.’ Em 05/05/2008, a contribuinte tomou ciência da citada decisão (Aviso de Recebimento à fl. 87). Em 04/06/2008, representada pela Diretoria Administrava e Financeira da EMURB (fl. 89), apresentou manifestação de inconformidade de fls. 88. Intimada a regularizar sua representação processual (fl. 150/151) a interessada fez anexar aos autos a petição em fls. 152, assinada desta vez por dois diretores, cumprindose o disposto no artigo 17 do Estatuto Social da empresa. Manifesta a defesa nos seguintes termos: ‘I – Recebemos em 05 de maio de 2008, o Despacho Decisório EQPIR/DIORT/DERAT/SPI – Processo nº 11610.007345/200383, de 29 de abril de 2008, relativo à conclusão sobre as Declarações de Compensação com créditos referentes aos Saldos Negativos de IRPJ dos exercícios 2001, 2002 e 2003, cuja decisão desfavorável à nossa Empresa não está em conformidade com os registros contábeis/fiscais realizados em 12/05/2003, através da DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃOSALDO NEGATIVO DE IRPJ E CSLL, dos exercícios mencionados. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 4 II – O saldo credor de R$ 2.413,96 consoante na IRPJ/EX.2001, teve sua origem no IRRF, código 1708, por serviços prestados à Prefeitura do Município de São Paulo, cujo reconhecimento da DESPESA ORÇAMENTÁRIA por aquela entidade, ocorre em regime de Caixa, ou seja, na data do efetivo pagamento com respectiva retenção do IR, enquanto que na EMURB, o reconhecimento da RECEITA OPERACIONAL, sem provisionamento do IRF, pelo regime de competência. Dessa forma apresentamos a seguir os lançamentos que mostram a existência do mencionado saldo credor e por consequência ser levada com consideração a sua compensação: R$ 14.714.951,33 – DESP. ORÇAMENTÁRIA. PMSP (declarada DIRF/EX.2001 e paga EX.2000) R$ 12.992.073,13 – RECEITA EMURB (CONTABILIZADA EM 2000) R$ 1.722.073,13 – RECEITA EMURB (PROVISIONADA EM 1999 OU EM ANOS ANTERIORES) Documentos anexos: cópia do proc. Compensação nº 11610.007345/2003 83 cópias DCTF – 2º e 3º trimestres/2001. cópia comprovante anual rendimentos pagos e retenção IRF PMSP’ Ao final, pede a reconsideração do mencionado saldo credor.” (fls. 183/184) Ao analisar a manifestação de inconformidade, a DRJ/SP1 a julgou improcedente, por reconhecer que a questão discutida é exclusivamente de prova e que o contribuinte não teria apresentados documentos hábeis a comprovar que o valor de R$ 1.722.073,13, não declarado na DIPJ de 2001 (anocalendário 2000), teria sido oferecido à tributação em anoscalendários anteriores, de modo a fundamentar seu direito à compensação com base no saldo negativo total de R$ 220.724,27 e não apenas os R$ 194.881,09, homologados em primeira instância, in verbis: “Decorre, daí, que o pedido de compensação deve estar necessariamente instruído com as provas do indébito tributário no qual se fundamenta, sob pena de pronto indeferimento, configurandose imprescindível, no caso de saldo negativo de IRPJ, decorrente de IRRF (código 1708), que seja comprovado o cômputo no lucro real dos rendimentos correspondentes. […] Neste caso, a manifestante poderia ter acostado aos autos, cópia autenticada de páginas dos registros contábeis (livros Diário e Razão), além de termos de abertura e encerramento e registro do Diário, com o intuito de comprovar que a apropriação das receitas não declaradas no anocalendário de 2000 teria se dado em anos anteriores. Contudo, uma vez não produzida a prova, voto pelo indeferimento do pleito e consequente não homologação do débito remanescente (fl. 133) após execução da compensação homologada autoridade administrativa (fl. 129). ” (fl. 186). Fl. 226DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 11610.007345/200383 Acórdão n.º 1101001.190 S1C1T1 Fl. 225 5 Intimado em 26/08/2009 (fl. 189), o Contribuinte apresentou “recurso voluntário” – em verdade, mera petição assinada pelos seus Diretores Administrativos e Financeiros, limitandose a juntar os documentos exemplificativamente indicados pela decisão de primeira instância e sem quaisquer fundamentos jurídicos –, no qual entende “estar claro e documentado o valor compensado, [e] nestes termos, pede que a decisão do Acórdão nº 1621.894 seja reconsiderada e nosso direito garantido.” (fl. 190). É o relatório. Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Inicialmente, cumpre aferir a tempestividade do recurso voluntário interposto às fls. 189/190. O Recorrente foi intimado do r. decisum de primeira instância em 27/07/2009 (segundafeira) – consoante AR de fl. 188 –, nos moldes do art. 63, §4°, do RICARF. O trintídio legal para interposição do recurso findaria, portanto, em 26/08/2009 (quartafeira), nos termos do art. 33 do Decreto n. 70.235/1972. Ocorre que apenas em 28/08/2009 (sextafeira) o contribuinte apresentou o recurso voluntário (fls. 189/190), ou seja, 32 (trinta e dois) dias após a ciência da r. decisão da instância a qua. Essa conclusão é extraída a partir do contraste das fls. 188 e 189. Por todo o exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Fl. 227DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 13984.000977/2003-01
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
DECADÊNCIA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PENALIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRAZO.
Em se tratando de exigência de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, incide o disposto no art. 149, inciso VI, do Código Tributário Nacional - CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), atinente a lançamento de ofício, aplicando-se-lhe o prazo decadencial previsto no art. 173, inciso I, do mesmo diploma legal.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Numero da decisão: 1803-002.287
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Roberto Armond Ferreira da Silva e Ricardo Diefenthaeler.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Roberto Armond Ferreira da Silva e Ricardo Diefenthaeler.
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NÃO APLICAÇÃO NO PAF. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11). ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 DECADÊNCIA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PENALIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRAZO. Em se tratando de exigência de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, incide o disposto no art. 149, inciso VI, do Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), atinente a lançamento de ofício, aplicandoselhe o prazo decadencial previsto no art. 173, inciso I, do mesmo diploma legal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 00 09 77 /2 00 3- 01 Fl. 2261DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13984.000977/200301 Acórdão n.º 1803002.287 S1TE03 Fl. 1.396 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Roberto Armond Ferreira da Silva e Ricardo Diefenthaeler. Fl. 2262DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13984.000977/200301 Acórdão n.º 1803002.287 S1TE03 Fl. 1.397 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido, na parte mantida (fls. 1.366 a 1.368): Contra o sujeito passivo, acima identificado, foi lavrado Auto de Infração de multa regulamentar referente aos anoscalendário 1998, 1999, 2000, 2001 e 2002, fls. 1137/1213, para formalização e cobrança de multa regulamentar, no valor total de R$ 500.861,95, ciência em 28/07/2003 (fl. 1213). 2. A infração apurada pela fiscalização, a qual está relatada na descrição dos fatos e enquadramento legal, fl. 1138, e no Termo de Verificação Fiscal de fls. 1149/1155, foi atraso na apresentação e apresentação com incorreções, entre setembro/1998 e maio/2003, das declarações sobre operação imobiliária DOI, pelo Lages Cartório Segundo Tabelionato de Notas e Protestos, CNPJ 83.827.550/0001 06, para as operações listadas às fls. 1156/1212. 2.1. Segundo Termo de Verificação Fiscal de fls. 1149/1155, e de acordo com o art. 940 do RIR/99 e com o art. 8º da Lei nº 10.426, de 24/04/2002, os serventuários da Justiça deverão informar as operações imobiliárias anotadas, averbadas, lavradas, matriculadas ou registradas nos Cartórios de Notas ou de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos sob sua responsabilidade, mediante a apresentação de Declaração sobre Operações Imobiliárias (DOI), em meio magnético, nos termos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. No caso presente, houve atraso na declaração das operações listadas no anexo I (DOIs entregues espontaneamente), anexo II (DOIs entregues após intimação), anexo III (DOIs não entregues) e anexo IV (DOIs com incorreções ou omissões), aplicandose o que prevê o § 1º do último artigo citado, ou seja, multa de 0,1% ao mêscalendário ou fração, sobre o valor da operação, limitada a um por cento, observandose o limite mínimo de R$ 500,00, previsto no inciso II do § 2º do mesmo artigo. [...]. O contribuinte apresentou impugnação em 27/08/2003 (conforme fl. 1226), fls. 1226/1235, em que apresenta, em resumo, as seguintes reclamações: a) o lançamento referese a informações prestadas em DOIs emitidas pelo LAGES CARTÓRIO DO SEGUNDO TABELIONATO DE NOTAS E PROTESTOS, CNPJ 83.827.550/000106, do qual o sujeito passivo é titular. Mas, o MPF 09.2.05.0020030005222 determinava a fiscalização de tributos da pessoa física Célia Maria da Silva Castro, e não da titular do Cartório; b) o lançamento contempla período já prescrito, em conformidade com o art. 150, § 4º, do CTN e art. 40, § 2º e 3º, da LEF; c) o ato ultrapassa, em muito, os honorários cobrados pela tabeliã. Desrespeitouse o principio da capacidade contributiva. d) com relação às DOIs, as autoridades, através do termo de intimação nº 002, em seu item III CONSTATAÇÃO, dizem: (...) “CONSTATAMOS também que as DOIs de números de controle 001/98 a 071/98, relacionadas nesses recibos de entrega, não se encontram em nosso Banco de Dados”. Ora, senhor julgador, isto é Fl. 2263DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13984.000977/200301 Acórdão n.º 1803002.287 S1TE03 Fl. 1.398 4 problema administrativo da SRF, pois ela os recebeu. Lógico, poderia solicitar nova entrega, porém, jamais imputar multa por tal problema. e) as autoridades fiscais, através do termo de intimação número 002, no item IV – INTIMAÇÃO, dizem: (...) 1. Apresentar DOIs retificadoras a seguir relacionadas, e as relaciona uma a uma. Logo, o contribuinte as retifica, pois, segundo os notificantes, as DOIs estavam incorretas, deveriam contemplar todos os fatos, ou seja, para cada unidade negociada, mesmo que com mesmo vendedor e comprador, corresponderia uma DOI. f) o programa da DOI dá mostras de que OPERAÇÃO é o conjunto transacionado na escritura, pois nem sequer traz a possibilidade de ser declarado mais de um valor, ora, se o CPF do vendedor e comprador é o mesmo, porque abrir nova DOI para registro da transação, lógico que a SRF está atrás do valor da transação, e não da quantidade de unidades escrituradas. g) após as retificações, as autoridades procederam a multa correspondente a cada DOI já entregue nos prazos, aí aplicando multa por erro na emissão da 001, e, o mais grave, aplicaram MULTA pelas novas DOIs retificadoras, como se elas nunca tivessem existido. Ora, o próprio Conselho Federal de Contribuintes tem se manifestado sobre RETIFICAÇÃO, onde o entendimento é uníssono no sentido que a retificadora supre a retificada em todos os seus termos. h) Fazse necessário, também, interpretar o alcance e real significado da chamada “multa mínima", a que se refere o § 1º, conjugado com o disposto no § 2º, inciso III, do art. 8º. Em uma interpretação literal, facilmente se conclui que, tanto o § 1º quanto o § 2º estariam se referindo à imposição de multa por cada DOI entregue fora do prazo ou não entregue. E cada DOI corresponde a uma operação imobiliária. Nesse contexto, uma DOI entregue com 12 meses de atraso, como regra geral, ficaria sujeita a uma multa de 0,1 % ao mês calendário, incidente sobre o valor da operação imobiliária. O valor assim encontrado, no entanto, tem dois fatores condicionantes: 1) está limitado a 1% do valor da operação; e 2) tem que ser, no mínimo, R$ 500,00. E é, pois, a partir dessas condições, que se verifica ser impossível a conclusão de que tal valor mínimo de R$ 500,00 seja por operação imobiliária (por DOI). i) desse modo, se faz necessária uma interpretação teleológica, buscandose o real sentido que o legislador (no caso o poder executivo, haja vista [que] o texto original foi veiculado através da Medida Provisória) quis dar à norma. j) ora, se o objetivo é a redução de penalidades, adequandoas aos efetivos danos causados ao Poder Público, não se pode entender que a multa de R$ 500,00 seja por operação. Se assim for, estarseá em sentido totalmente contrario ao da exposição de motivos. Considerando, pois, a motivação para a redução das multas pelo descumprimento de obrigação acessória, e se esse valor de R$ 500,00 fosse realmente por operação, o texto normativo deveria dizer “será, no máximo, R$ 500,00”, porque, como visto pelos exemplos numéricos acima, como regra geral, o valor da multa sempre será inferior a R$ 500,00, o qual, se for por operação, será, então, uma multa máxima, e não mínima Se o texto traz valor “mínimo”, é pelo conjunto das infrações verificadas. Portanto, o limite máximo de 1% sobre o valor da operação imobiliária é incompatível com o valor mínimo de R$ de 500,00, se for considerado por ato. Este último normalmente prevalecerá, deixando sem sentido o limite máximo de 1%. Fl. 2264DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13984.000977/200301 Acórdão n.º 1803002.287 S1TE03 Fl. 1.399 5 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada, na parte mantida (fls. 1.365): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 DENÚNCIA ESPONTÂNEA A inobservância da obrigação acessória, pela imperatividade do § 3º do art. 113 do CTN, converteu a penalidade pecuniária em obrigação principal, e, como tal, encontrase ela sujeita à aplicação das demais cominações legais. [...]. Lançamento Procedente em Parte 3. Cientificada da referida decisão em 20/05/2009 (fls. 1.377), a tempo, em 19/06/2009, apresenta a interessada Recurso de fls. 1.378 a 1.389, instruído com os documentos de fls. 1.390 e 1.391, nele argumentando, em síntese: a) que ocorreu a prescrição intercorrente, eis que o julgamento, pela autoridade fiscal, demandou lapso temporal superior ao lustro legal; b) que é inconstitucional o encargo legal previsto no Decretolei nº 1.025, de 1969, por afrontar o princípio da isonomia e do juiz natural; por invasão da matéria reservada à lei complementar; por implicar tributo sem suporte em nenhuma das normas de competência; e por violação à razoabilidade, pela ausência de relação com qualquer despesa efetiva e com a efetiva remuneração dos procuradores; e c) que, ao contrário das razões utilizadas para decidir, os períodos compreendidos entre o mês de abril a julho de 1998 foram atingidos pela decadência, uma vez que superado o lustro legal para constituição definitiva do crédito tributário, razão pela qual deve ser reconhecida a extinção do tributo referente a esses períodos. Em mesa para julgamento. Fl. 2265DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13984.000977/200301 Acórdão n.º 1803002.287 S1TE03 Fl. 1.400 6 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Prescrição intercorrente 4. No que se refere à alegação da Recorrente de ocorrência de prescrição intercorrente, aplicase a Súmula CARF nº 11, assim redigida: “Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.” Inconstitucionalidade do encargo legal previsto no Decretolei nº 1.025, de 1969 5. Com relação à arguição da Recorrente de inconstitucionalidade do encargo legal previsto no Decretolei nº 1.025, de 1969, incide na espécie a Súmula CARF nº 2, de seguinte teor: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Decadência para constituição do credito tributário 6. Por fim, no tocante à pretendida decadência dos períodos compreendidos entre os meses de abril a julho de 1998, observase que o lançamento, deflagrado em 28/07/2003 (fls. 1.137), unicamente para a aplicação da multa referente à Declaração sobre Operações Imobiliárias (DOI), observa rigorosamente o contido no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional – CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), por se tratar de aplicação de penalidade em decorrência de procedimento de lançamento de ofício, e não de exigência de tributo homologável. 7. É que, na hipótese, incide o disposto no art. 149, inciso VI, do CTN1, atinente a lançamento de ofício, não havendo que se falar em lançamento por homologação, o qual, conforme dicção do art. 150, “ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa”. 1 Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: [...]; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; Fl. 2266DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13984.000977/200301 Acórdão n.º 1803002.287 S1TE03 Fl. 1.401 7 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 2267DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10120.006691/2006-46
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.321
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/BSA/DF. “Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado, por auditorfiscal da DRF/Goiânia — GO, o Auto de Infração de fls.173/181. O valor do crédito tributário é de R$1.174.218,16, e está assim constituído, em Reais: Imposto 127.940,34 Juros de Mora (Calculado até 29/09/2006) 120.123,18 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .0 06 69 1/ 20 06 -4 6 Fl. 874DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10120.006691/200646 Resolução nº 2801000.321 S2TE01 Fl. 875 2 Multa Proporcional (Passível de Redução) 95.955,25 Total do Crédito Tributário 344.018,77 O lançamento, consubstanciado em Auto de Infração, originouse na constatação de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados nas contas de depósito ou de investimento, mantidas nas instituições financeiras discriminadas em anexo ao Auto de Infração, em relação aos quais, o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Enquadramento legal no artigo 42, da Lei n.° 9.430/96; artigo 4°, da Lei n.° 9.481/97; art. 1°, da Lei n.° 9.887/99; art. 849, do RIR199. Inicialmente, o contribuinte foi autuado em relação aos exercícios de 1999, 2000 e 2001, no processo n.° 10120.007877/200370, impugnando o lançamento. Quando da análise do processo pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil, foi constatada a necessidade de fosse efetuada diligência no sentido de que fossem juntados alguns documentos ao processo. Ao executar a diligência, a Delegacia da RFB constatou que havia deixado de efetuar lançamento referente a algumas contas correntes do contribuinte, reabrindo as investigações que culminaram neste novo lançamento, que foi impugnado pelo contribuinte. Quando da análise da impugnação na DRJ, constatouse que seria necessário que se juntassem cópias de alguns documentos presentes no processo n° 10120.007877/2003 70, levando a que se desse ciência ao interessado, reabrindo prazo para que aditasse a impugnação. O contribuinte apresentou o aditamento de fls.335/339, acompanhado de novos documentos, que passaram a integrar este processo. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou, em 13 de novembro de 2006, impugnação ao lançamento, às fls.186/192, mediante as alegações relatadas a seguir: Preliminar. Afirma ter ficado surpreso pelo fato de que a DRJ em Brasília teria, no processo 10120.007877/200370, solicitado, por meio de "Informação", que fossem verificadas divergências nos extratos bancários, cientificando o contribuinte dos resultados, mas que o Fiscal, ao invés de cumprir o solicitado, lavrou novo Auto de Infração, ponto que considera crucial para o cancelamento do lançamento. Lançamento Fundamentado em Depósitos Bancários. Argumenta que o inciso VII, do artigo 9", do Decreto 2.471/88, determina que sejam cancelados os débitos referentes ao imposto de renda que tenham por base o lançamento exclusivamente em extratos ou comprovantes de depósitos bancários e, mesmo assim, a Receita Fl. 875DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10120.006691/200646 Resolução nº 2801000.321 S2TE01 Fl. 876 3 Federal continua lavrando Autos de Infração baseados em depósitos bancários. Transcreve trechos de julgados administrativos do Conselho de Contribuintes para reforçar seus argumentos. Da Comprovação dos Depósitos. Lista vários depósitos ocorridos nas contas n.° 5.2760 e 6.3207, ambas na agência 14478 do Bradesco, explicando a origem dos recursos utilizados em cada um deles, de acordo com documentos apresentados com a impugnação.” A impugnação foi julgada procedente em parte, conforme Acórdão de fls. 806/817, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 REEXAME DE EXERCÍCIO JÁ FISCALIZADO Presente a autorização do Delegado da Receita Federal, é possível, nos termos do art. 906 do RIR/99, um segundo exame de exercício já fiscalizado. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei 9.430, de 1996, no seu artigo 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. Lançamento Procedente em Parte Regularmente cientificado daquele Acórdão em 09/09/2008 (AR, fl. 825), o interessado, representado por sua advogada (fl. 834), interpôs o recurso de fls. 826/833, em 08/10/2008. Em sua defesa, faz contestações de cada item não aceito pelos julgadores de primeira instância. Ressalta que são raras as operações de venda de produtos agrícolas à vista, principalmente grãos, portanto na maioria das operações são feitas a prazo e ou parceladas, desta forma quando apresenta um valor referente a venda de grãos, com uma nota fiscal para justificar diversos depósitos, é porque foi vendido parcelado, e os depósitos vão sendo efetuados nas datas combinadas. Quanto aos valores serem divergentes nas notas fiscais de saída, lembra que os preços são fixados nas datas dos pagamentos, portanto esse fator não descaracteriza a origem dos depósitos, que são realmente da atividade rural. Aduz que a matéria aqui discutida, referese ao exercício de 2001, ano base 2000, portanto as empresas compradoras de grãos já não possuem os documentos desta época, para fornecer ao recorrente. Alega que os julgadores insistem em tributar valores abaixo dos permitidos pela legislação, são valores pequenos, alguns até abaixo de R$ 500,00, onde fica complicado de localizar documentos da origem. Conforme Resolução de fls. 867/873, foi sobrestado o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§1º e 2º do Regimento do CARF, tendo em vista que a quebra de Fl. 876DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10120.006691/200646 Resolução nº 2801000.321 S2TE01 Fl. 877 4 sigilo bancário é matéria reconhecida de repercussão geral e aguarda julgamento pelo STF (RE 601314). Com a revogação dos §§1º e 2º do art. 62A do Regimento do CARF, conforme Portaria nº 545 de 18 de novembro de 2013, publicada no DOU de 20 de novembro de 2013, o recurso voluntário foi incluído em pauta para julgamento. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, amparada no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Consta na DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO(S) LEGAL(IS), à fl. 177, o seguinte registro: Diante do exposto, constatase a ocorrência de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados nas contas de depósito ou de investimento, mantidas no Banco Bradesco S/A, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme demonstrativos em anexo. Obs.: Só foi considerado 50% dos depósitos efetuados na conta corrente nº 6.3207, uma vez que se trata de conta conjunta. O art. 42, § 6º, da Lei nº 9.430/96 determina o rateio dos depósitos bancários em contas com cotitulares quando estes não comprovam a origem dos depósitos, bem como tenham rendimentos independentes, com apresentação de declarações de ajuste em separado. Para contas bancárias com mais de um titular, portanto, a presunção legal somente se aperfeiçoa com a intimação de todos cotitulares das referidas contas. Nesse sentido, dispõe a Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. No presente processo, não há informação sobre a existência de intimação a IVAN PEDRO PARMEGGIANI (cotitular) para comprovar a origem dos depósitos bancários Fl. 877DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10120.006691/200646 Resolução nº 2801000.321 S2TE01 Fl. 878 5 na conta corrente 6.3207, da agência 14478, do Bradesco, mantida com o Autuado no ano calendário de 2000. Face o acima exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à unidade de origem para que se junte ao processo termo de intimação que solicitou a IVAN PEDRO PARMEGGIANI a comprovação da origem dos depósitos bancários na referida conta bancária mantida com ROGERIO LUIZ GRADIN no anocalendário de 2000. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 878DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 11065.722236/2012-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Exercício: 2009, 2010, 2011
MERCADORIA IMPORTADA IRREGULARMENTE. ENTREGA A CONSUMO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR DA MERCADORIA.
A multa no valor comercial da mercadoria é devida quando não se comprove, a origem da mercadoria importada, seja pelos documentos de importação, ou qualquer documento que ampare a sua aquisição, como se depreende do art. 83, I da Lei n. 4502/64.
MULTA AGRAVADA. CABIMENTO.
A multa agravada, prescrita na Lei n. 9430/96, no art. 44, §1o, independentemente de outras penalidades administrativas cabíveis, será cabível caso constatadas as hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4502/64. Dos autos, verifica-se que houve alienação de mercadoria estrangeira, sem a comprovação de sua origem, e, por conseguinte, de sua regularidade fiscal, o que, em tese, poderia inclusive, tipificar a conduta criminal de descaminho, permitindo qualificá-la no art. 71 da Lei n. 4502/64, duplicando a multa de ofício.
Numero da decisão: 3201-001.664
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Exercício: 2009, 2010, 2011 MERCADORIA IMPORTADA IRREGULARMENTE. ENTREGA A CONSUMO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR DA MERCADORIA. A multa no valor comercial da mercadoria é devida quando não se comprove, a origem da mercadoria importada, seja pelos documentos de importação, ou qualquer documento que ampare a sua aquisição, como se depreende do art. 83, I da Lei n. 4502/64. MULTA AGRAVADA. CABIMENTO. A multa agravada, prescrita na Lei n. 9430/96, no art. 44, §1o, independentemente de outras penalidades administrativas cabíveis, será cabível caso constatadas as hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4502/64. Dos autos, verifica-se que houve alienação de mercadoria estrangeira, sem a comprovação de sua origem, e, por conseguinte, de sua regularidade fiscal, o que, em tese, poderia inclusive, tipificar a conduta criminal de descaminho, permitindo qualificá-la no art. 71 da Lei n. 4502/64, duplicando a multa de ofício.
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ENTREGA A CONSUMO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR DA MERCADORIA. A multa no valor comercial da mercadoria é devida quando não se comprove, a origem da mercadoria importada, seja pelos documentos de importação, ou qualquer documento que ampare a sua aquisição, como se depreende do art. 83, I da Lei n. 4502/64. MULTA AGRAVADA. CABIMENTO. A multa agravada, prescrita na Lei n. 9430/96, no art. 44, §1o, independentemente de outras penalidades administrativas cabíveis, será cabível caso constatadas as hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4502/64. Dos autos, verificase que houve alienação de mercadoria estrangeira, sem a comprovação de sua origem, e, por conseguinte, de sua regularidade fiscal, o que, em tese, poderia inclusive, tipificar a conduta criminal de descaminho, permitindo qualificála no art. 71 da Lei n. 4502/64, duplicando a multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 22 36 /2 01 2- 12 Fl. 714DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 2 Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño. Relatório Referese o presente processo a auto de infração para cobrança de tributos aduaneiros, multa de ofício agravada e multa por introdução irregular de mercadorias no País. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Cuidase de processo administrativo fiscal, no qual as Autoridades Aduaneiras, por meio de Autos de Infração (fls. 01 a 37; e anexos), constituíram crédito tributário em face da empresa MILTON DAPPER, e coms responsáveis solidários, o Sr. MILTON DAPPER, CPF 474.364.33091, e a Sra. RAQUEL CRISTINA HENNEMANN CPF 532.228.22034. O valor total do crédito tributário lançado em face da MILTON DAPPER perfaz a soma de R$ 563.725,48 (quinhentos e sessenta e três mil, setecentos e vinte e cinco reais e quarenta e oito centavos), conforme o Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, à fl. 02 dos presentes autos. Os Autos de Infração Nos termos da autuação fiscal, do respectivo Relatório de Fiscalização e dos documentos que instruem o processo, asseveram as Autoridades Aduaneiras que a subscreveram haverem constatado, em apertada síntese, que: 1. Que a infração apurada consistem em Entregar a consumo mercadoria de procedência estrangeira introduzida clandestinamente no País, conduta infracional capitulada na Lei n. 4.502, de 1964, art. 83, inciso I; e no Decreto n° 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro RA), art. 704, tendo como penalidade legalmente prevista a multa no valor das mercadorias objeto da infração. 2. Que “a venda de centenas de consoles de vídeo games estrangeiros, situação comprovada através das notas fiscais de venda emitidas pela Milton Dapper. constantes do anexo intitulado "Notas Fiscais de Venda", sem a correspondente comprovação de sua aquisição, quiçá apresentação de documentos de sua regular importação, é suficiente para enquadrar tal fato na hipótese prevista na Lei n° 4.502, de 1964, art. 83, inciso I, cuja pena prevista é o lançamento de multa no valor comercial da mercadoria, sem prejuízo da cobrança dos tributos devidos com multa de ofício agravada. Tal agir, Fl. 715DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 11065.722236/201212 Acórdão n.º 3201001.664 S3C2T1 Fl. 94 3 corroborado com as notas fiscais impressas de compras feitas em lojas de cidade Del Este, Paraguai, em nome da Milton Dapper, constantes do anexo intitulado "Notas Fiscais Paraguaias" e retidas na sede da empresa, em tese, configura o crime de descaminho, previsto no artigo 334, parágrafo 1°, alínea "C" do Código Penal”. 3. Que a maneira de agir do contribuinte, então autuado, pode ser assim resumida: “Modus Operandi e a habitualidade e dolo no descaminho praticado: a Milton Dapper, cujo nome fantasia é TV GAME, atua de forma expressiva no comércio varejista de produtos importados, em especial vendendo consoles e jogos para vídeo games.” Que localizou propagandas nesse sentido na internet (propaganda acostada à autuação). Que há “provas da habitualidade e do dolo nos atos praticado pela autuada, através do Sr. Milton Dapper e a Sra. Raquel Cristina Hennemann, CPF 532.228.22034, mediante a comprovação de aquisição de mercadorias em Ciudad Del Este, Paraguai, para fins comerciais, e a promoção de sua entrada no País de forma irregular, burlando a fiscalização aduaneira de forma consciente”. 4Fazendo menção aos anexos à autuação, cita e analisa diversas negociações da empresa autuada, por meio do Sr. Milton Dapper e a Sra. Raquel Cristina Hennemann, tanto relativas à venda de produtos eletrônicos no mercado interno, quanto relativas à compra dos mesmos produtos no Paraguai. 5Na capitulação da infração, consigna o artigo 83, I, da Lei n° 4.502/64, que dispõe sobre a aplicação de pena de multa igual ao valor comercial da mercadoria (100%) para quem entregar a consumo mercadorias estrangeiras introduzidas clandestinamente ou importadas de forma irregular ou fraudulentamente. Consigna ainda, de se ressaltar, o disposto no artigo 103 do DecretoLei37/66, que é no sentido de que a cobrança da multa acima referida não exime o importador do pagamento dos tributos devidos na importação. Sintetiza o enquadramento legal da seguinte forma: “Incidência de tributos: DecretoLei n° 37/66, art. 1o (II); Lei n° 10.865/2004, art. 3o (Pis e Cofins). Infrações: Lei n° 9.430/1996, art. 44, caput e parágrafo 1o, com redação dada pela Lei n° 11.488/2007 (multa de ofício agravada); Lei n° 4.502/64, art. 83, caput e inciso I (multa administrativa de 100% do valor comercial). Sujeição Passiva: Lei n° 5.172/1966, Código Tributário Nacional (CTN), art. 121, inciso II c/c art. 124, inciso I; art. 135, inciso III. 6 Em relação à sujeição passiva tributária, esclarece que: “o crédito tributário decorrente deste procedimento fiscal está sendo lavrado em nome do sujeito passivo MILTON DAPPER, CNPJ 08.828.581/000166, na condição de contribuinte, na acepção do inciso I, art. 121 do Código Tributário Nacional (CTN), Lei n° 5.172/1966 (sujeição passiva direta), em virtude Fl. 716DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 4 da situação fática de descaminho ter sido provada com base nas notas fiscais de venda desse estabelecimento combinado com a não comprovação de regular aquisição, quiçá da regular importação, das mercadorias estrangeiras descritas nesses documentos. Com base na mesma argumentação contida no final do titulo anterior, em negrito, e no título "Modus Operandi e a habitualidade e dolo no descaminho praticado", devese atentar para a responsabilidade (sujeição passiva indireta, nos termos do inciso II, artigo 121 do CTN) pelo pagamento do presente lançamento das pessoas físicas MILTON DAPPER, CPF 474.364.33091, e RAQUEL CRISTINA HENNEMANN CPF 532.228.22034”. Com base nos fatos narrados, e documentos carreados ao processo, foram lavrados os Autos de Infração ora em exame. A Impugnação O contribuinte MILTON DAPPER, CNPJ sob o n° 08.828.581/000166, teve ciência do Auto de Infração em 28/05/2012 (v. fl. 615 dos autos). Interpôs a impugnação de fls. 624 a 640, tempestivamente, em 27/06/2012. Os responsáveis solidários tiveram ciência da autuação na mesma data (v. fls. 618 a 621). Em sua impugnação, a MILTON DAPPER alega, em apertado resumo: 1. Que, preliminarmente, a autuação fiscal é embasada “no conteúdo de mensagens eletrônicas (MSN) extraídas dos arquivos magnéticos da Litigante, nas quais esta supostamente estaria negociando a aquisição de consoles de videogames com vendedores de lojas situadas no Paraguai”. Nessa linha, suscita que “o procedimento fiscal, no entanto, é nulo, pois, viola garantias fundamentais do cidadão e, especificamente, da Contribuinte e dos responsáveis solidários Milton Dapper e Raquel Cristina Hennemann tais como a intimidade e a privacidade”. Alega, em síntese, que “a extração e a cópia, pelo Fisco, dos arquivos magnéticos da impugnante, sem qualquer autorização judicial, afrontam o disposto no art. 5o, incisos X e XII da Constituição Federal, os quais garantem a inviolabilidade da intimidade, do sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas”. 2. Tangendo ao mérito da autuação, alega o impugnante que “ainda que se pudesse cogitar a ocorrência de importação irregular, não há nenhum elemento que comprove a relação entre as supostas negociações e a venda das 486 mercadorias relacionadas nas fls.132 a 140, cujos valores foram utilizados como base de cálculo das exigências fiscais, vez que diversas dessas mercadorias sequer foram objeto de negociação nas mensagens.”. 3Que “além da incomprovada importação, há uma insubsistência na quantificação das pretensas bases de cálculo dos tributos incidentes na presumida importação, pois o Fisco Fl. 717DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 11065.722236/201212 Acórdão n.º 3201001.664 S3C2T1 Fl. 95 5 presumiu, ilegalmente, um valor aleatório como preço de uma também presumida importação, para sobre ela calcular os tributos de II, PIS e COFINS. Segundo o próprio Autuante (fl. 30), no caso, o inc. I do art. 88 da MP 2.15835/2001 determinaria a forma de arbitramento do preço da mercadoria, isto é, com base "no preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar". Todavia, segundo se infere do relatório fiscal (fl. 30, letra "c"), sete modelos tiveram seu preço de importação estipulado segundo regra criada pelo digno Autuante, e os modelos restantes teriam sido fixados com base no inc. I do art. 88 da MP 2.15835/2001. Ademais, não é mostrada a origem dos preços dos "modelos restantes" e também,pela descrição dos fatos, não é possível inferir a quais modelos foram aplicados um ou outro critério”. 4Alega ainda haver no lançamento “desrespeito ao disposto no art. 144 do CTN que determina: "O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada". Nessa linha, afirma que “embora o Fisco reconhecesse, em vista do disposto no art. 116, inc. I, do CTN, que "seria razoável considerar o fato gerador como ocorrido no momento da venda de cada uma das mercadorias descaminhadas" (fl. 29) (sublinhamos), tal legislação não foi obedecida, pois o Fisco, ilegalmente, adotou o art. 23 do DLn° 37/66, na redação dada pela Lei n° 12.350/2010, posterior aos fatos geradores autuados. 5Alega ser indevida a aplicação da multa de oficio qualificada. Aduz que “não seria cabível a multa de ofício de 150%, por incomprovado dolo, fraude ou simulação, nos termos dos arts. 71, 72 ou 73, da Lei n° 4.502/64.”. Pois que “os tributos estão lastreados em presumível importação irregular, inferida a partir das vendas colhidas das Notas Fiscais emitidas pela Impugnante...”. Ainda com vistas a defender o não cabimento da multa de 150% sobre os tributos não recolhidos, alega boafé da impugnante, por haver a Fiscalizada fornecido ao Fisco as Notas Fiscais de venda. 6Por derradeiro, alega que “ainda que os produtos informados nas Notas Fiscais da Litigante tivessem sido importados, aqui admitido por hipótese, a multa administrativa referida na letra "a" da fl. 26 não pode ser exigida em concomitância com a multa de ofício aplicada sobre os tributos cobrados sobre essa mesma pretensa importação, conforme pacífica jurisprudência do CARF, a exemplo dos julgados que assim restaram ementados: [...] Fl. 718DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 6 7. Com base nessa alegação e na trasladada jurisprudência administrativa, encerra o impugnante que “a multa de ofício e a multa isolada não podem coexistir quando impostas sobre uma mesma base de cálculo. In casu, a base de cálculo das duas multas é idêntica, ou seja, o valor das mercadorias pretensamente importadas de forma irregular...”. 8. Pelo esposado, requer o impugnante seja acolhida a impugnação para que seja declarado NULO o lançamento tributário em sua integralidade e para que sejam julgadas procedentes as alegações. E, ainda, para que sejam excluídas da sujeição passiva solidária as pessoas físicas Milton Dapper e Raquel Cristina Hennemann. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a impugnação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Exercício: 2009, 2010, 2011 MERCADORIA IMPORTADA IRREGULAR OU FRAUDULENTAMENTE. ENTREGA A CONSUMO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR DA MERCADORIA. Incorrerão em multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente. SOLIDARIEDADE. Segundo a legislação do Comércio Exterior, a pessoa, física ou jurídica, que concorra, de alguma forma, para a prática de atos fraudulentos ou deles se beneficie responde solidariamente pelo crédito tributário decorrente. Exegese do art. 95 do Decretolei 37/1966. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO LEGAL. É do contribuinte, importador, o ônus de provar que as mercadorias em seu poder, ou por ele expostas à venda, ou vendidas, foram regularmente importadas. Inteligência da presunção legal do vigente art. 105, X, do Decretolei n. 37, de 1966. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Na decisão ora recorrida entendeuse, em síntese, que: i. sobre a solidariedade passiva tributária, sendo diversos os coautores da infração sujeita a pena pecuniária, são todos responsáveis solidários, por possuírem interesse Fl. 719DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 11065.722236/201212 Acórdão n.º 3201001.664 S3C2T1 Fl. 96 7 jurídico comum no ilícito que dá azo à penalidade pecuniária (obrigação principal), nos termos do artigo 124, inciso I, do CTN e artigos 94 e 95 do DecretoLei nº 37/1966; ii. gerência da empresa MILTON DAPPER era exercida em conjunto pelo Sr. Milton Dapper e pela Sra. Raquel Cristina Hennemann; iii. os Auditores Fiscais, autores dos lançamentos, tiveram, além da precisão na capitulação legal de suas prerrogativas, o necessário e recomendável cuidado na exposição e registro das circunstâncias em que foram colhidas as provas, nos termos dos arts. 195, 196 e 198 do CTN e arts. 34, 35 e 36 da Lei n. 9.430, de 1996; iv. o fato de dentre os documentos apreendidos ou conhecidos pela Autoridade Fiscal encontraremse, correspondências (em papel ou eletrônicas) não implica quebra de sigilo. Isso por força do que dispõe o art. 198 do CTN, conforme também acima visto), quanto ao dever do Auditor Fiscal de guardar sigilo fiscal sobre tudo o quanto tiver conhecimento em razão do exercício do cargo; v. sobre o mérito, afirma que sobejam acostadas aos autos provas da irregular importação de produtos (em sua maioria jogos eletrônicos, “video games”) do Paraguai, inclusive diversas notas fiscais de venda emitidas por vendedores paraguaios, e encontradas no estabelecimento comercial; vi. a lei tributária aduaneira inverte o ônus da prova quando se trata de comprovar a regular importação de mercadorias, dispondo que cabe ao importador apresentar essa prova., nos termos do vigente art. 105, X, do Decretolei n. 37, de 1966; vii. contribuinte teve todas as oportunidades para apresentar as notas fiscais de aquisição dos produtos que vendeu no mercado interno, ou então as cópias das DI (Declarações de Importação) das quais constem que as mercadorias que vendeu (“video games”, jogos eletrônicos) foram regularmente importadas e desembaraçadas com o regular recolhimento dos tributos devidos na importação; viii. nem todas as mercadorias objeto da autuação constam das mensagens eletrônicas (MSN), e as notas fiscais de venda, emitidas pelas lojas paraguaias, e encontradas (em suas vias originais), no estabelecimento do contribuinte não abraçam todas as exatas 486 mercadorias relacionadas, contudo, é irrelevante o fato, porque as ditas mensagens nada mais são do que provas secundárias, que meramente auxiliam na demonstração e no entendimento do modo como o contribuinte operava seu comércio: adquiria mercadorias no Paraguai, sem nada declarar ao Fisco; ix. a autuação expõe com clareza os critérios utilizados para a formação das bases de cálculo o inciso I do artigo 88 da MP 2.15835/2001; x. não há ofensa ao art. 144 do CTN, pois o novo Regulamento Aduaneiro, Decreto n.6.759/2009, com alteração introduzida pelo Decreto n.7.213/2010, regulou tal matéria para o caso em tela na alínea "d", inciso II, art. 73, considerando como data do fato gerador a data do lançamento, prescrição, com base no inciso II, parágrafo único, artigo 23 do DecretoLei n. 37/66; Fl. 720DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 8 xi. aplicável a multa de ofício agravada, pois havidos os aspectos previstos nos arts. 71, 72 ou 73 da Lei n. 4502, de 1964, a multa deve ser obrigatoriamente agravada (dobrada), não havendo margem de discricionariedade para a Autoridade Fiscal; xii. a multa de ofício incide sobre o valor do tributos que deixaram de ser recolhidos ao Erário, e a multa isolada tem com base de cálculo o valor das mercadorias (não dos tributos), e constituise em penalidade (multa) administrativa, autônoma, pela prática do ato de entregar a consumo mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente, de forma que não se confundem; não possuem a mesma base de cálculo; e podem coexistir por disposição expressa de lei: vide o § 1o do art. 44 da Lei n.9.430/1996. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente reiterou os argumentos da impugnação, acrescendo que o acórdão combatido determina que a Recorrente produza provas negativas, pois não restou comprovada, pelo Fisco, a importação das mercadorias apreendidas e utilizadas como base de cálculo para a exigência imposta, não havendo lógica em afirmar que caberia ao importador apresentar a prova da regularidade da importação. Ainda, alega que se pudesse cogitar a ocorrência de importação irregular, não há elemento que comprove a relação entre as supostas negociações e a venda das 486 mercadorias relacionadas nas fls. 132 a 140. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Tal como relatado, inicialmente, verificase que não foram apresentados recursos voluntários pelos responsáveis solidários. Inicialmente, sobre a preliminar de violação do sigilo de dados da Recorrente, respaldado no art. 5o, incisos X e XII da Constituição Federal, os quais garantem a inviolabilidade da intimidade, do sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas. Verificase que, no âmbito da operação de fiscalização denominada “Dezembro Negro”, foi expedido o termo de início de fiscalização (efls.39 e ss.) para que a Recorrente apresentasse todos os arquivos magnéticos referentes a suas operações, bem como livros e documentos fiscais. Do procedimento no estabelecimento da Recorrente, houve a retenção e lacração de mercadorias estrangeiras não identificadas, documentos e informações digitais, do qual houve a regular ciência, sem manifestar qualquer resistência (efls.41). Portanto, não há fundamento para a alegação de que houve violação do sigilo de seus dados, como argumenta em seu recurso. Fl. 721DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 11065.722236/201212 Acórdão n.º 3201001.664 S3C2T1 Fl. 97 9 Ademais, conforme acertadamente afirma a autoridade administrativa de primeira instância, as provas colhidas no procedimento de fiscalização, especialmente os arquivos em que constam a troca de mensagens eletrônicas com o suposto vendedor das mercadorias no Paraguai (MSN), não são o pilar fundamental, sobre o qual se constituiu a autuação. Destarte, com base no bloco de notas fiscais de vendas, retidas pela fiscalização, verificouse que não houve quaisquer provas da origem das mercadorias naquelas consignadas. A Recorrente alega que faltaria fundamento de validade ao auto de infração, por não demonstrar que as mercadorias relacionadas nas notas fiscais de venda, seriam importadas, de maneira que a exigência de comprovação de sua regular importação, equivaleria a exigir a realização de provas negativas. Contudo, o dispositivo legal em que se assenta a autuação, determina que a multa no valor comercial da mercadoria é devida quando não se comprove, a origem da mercadoria importada, seja pelos documentos de importação, ou qualquer documento que ampare a sua aquisição, como se depreende do art. 83, I da Lei n. 4502/64: Art . 83. Incorrem em multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe é atribuído na nota fiscal, respectivamente: (Vide DecretoLei nº 326, de 1967) I Os que entregarem ao consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dêle saído ou nêle permanecido desacompanhado da nota de importação ou da notafiscal, conforme o caso; Constatada a condição de estrangeira das mercadorias retidas pela fiscalização no estabelecimento da Recorrente, e daquelas relacionadas nas notas fiscais de venda, à mingua da apresentação de quaisquer documentos que comprovassem a sua aquisição, cabível a penalidade capitulada. Embora a fiscalização tenha trazido aos autos outros elementos probatórios para corroborar as afirmações, como notas fiscais de aquisição das mercadorias no Paraguai, e as próprias mensagens trocadas com o fornecedor, entendese que se tratam de elementos indiciários importantes para confirmar os fatos tal como ocorridos, muito embora a ausência de comprovação de aquisição já seria suficiente para tipificar a conduta imputada. Sobre a alegação de estipulação de um valor aleatório às mercadorias, para cálculo dos tributos incidentes , o que invalidaria a autuação, temse que às efls. 3031, a autoridade de autuação, descreve de maneira pormenorizada a forma como foram fixadas as bases de cálculo dos tributos cobrados. Destarte, foram arbitrados os valores das mercadorias com base no art. 88, I da Medida Provisória 215835, que assim determina: Art 88.No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na Fl. 722DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 10 importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: Ipreço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; Assim, às efls. 30, descreveuse minuciosamente o procedimento utilizado pela fiscalização para encontrar as bases de cálculo dos tributos, basicamente, empregandose os valores encontrados no SISCOMEX, para mercadorias similares, ao tempo em que ocorridas as importações. Embora a Recorrente tenha se insurgida genericamente contra a forma de fixação das bases de cálculo, mantevese totalmente omissa, não fazendo a contraprova para elidir a metodologia da autuação. Nesse sentido, ademais, a conduta da fiscalização resta amparada pela disposição do art. 148 do CTN, in verbis: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. No que tange ao argumento segundo o qual , pela aplicação do art. 116, I do CTN, a data que deveria ser considerada pela autuação, como a data de ocorrência dos fatos geradores, deveria ser aquela das vendas das mercadorias, entendese que não há qualquer norma jurídica, anterior à Lei n. 12.350/2000, que introduziu o parágrafo único ao art. 23 do Decretolei n. 37/66, estabelecesse prescrição nesse sentido. O referido parágrafo único determina que no caso de introdução de mercadoria estrangeira no território nacional, sem submissão ao despacho para consumo, reputase ocorrido o fato gerador, no advento do lançamento de ofício. Para que fosse considerada a venda no mercado interno das mercadorias, haveria de ter uma norma jurídica que estabelecesse um verdadeira hipótese de ficção jurídica, na medida em que atribuiria uma conseqüência jurídica, independentemente da verificação da ocorrência do fato jurídico. É dizer, o fato jurídico que dá ensejo ao nascimento da obrigação tributária de pagar tributos aduaneiros é a importação, e não a venda no mercado interno. In casu, a Recorrente não logrou comprovar a origem das mercadorias importadas vendidas e retidas em seu estabelecimento, e o momento em que constituise juridicamente o fato jurídico da importação, ainda que irregular, foi o momento da lavratura do lançamento de ofício. Finalmente, quanto à aplicação da multa agravada, a Lei n. 9430/96, no art. 44, §1o , determina, que independentemente de outras penalidades administrativas cabíveis, será cabível caso constatadas as hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4502/64, como se depreende: 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de Fl. 723DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 11065.722236/201212 Acórdão n.º 3201001.664 S3C2T1 Fl. 98 11 novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Dos autos, verificase claramente que houve alienação de mercadoria estrangeira, sem a comprovação de sua origem, e, por conseguinte, de sua regularidade fiscal, o que, em tese, poderia inclusive, tipificar a conduta criminal de descaminho, o permite qualificála no art. 71 da Lei n. 4502/64, duplicando a multa de ofício. Em face de todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 724DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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