Sistemas: Acordãos
Busca:
mostrar execução da query
7614746 #
Numero do processo: 13603.002493/2009-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-001.053
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e Jose Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201901

ementa_s :

turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019

numero_processo_s : 13603.002493/2009-11

anomes_publicacao_s : 201902

conteudo_id_s : 5963084

dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 15 00:00:00 UTC 2019

numero_decisao_s : 1001-001.053

nome_arquivo_s : Decisao_13603002493200911.PDF

ano_publicacao_s : 2019

nome_relator_s : JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA

nome_arquivo_pdf_s : 13603002493200911_5963084.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e Jose Roberto Adelino da Silva

dt_sessao_tdt : Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019

id : 7614746

ano_sessao_s : 2019

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:38:04 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713051417468469248

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1172; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C0T1  Fl. 2          1 1  S1­C0T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13603.002493/2009­11  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1001­001.053  –  Turma Extraordinária / 1ª Turma   Sessão de  16 de janeiro de 2019  Matéria  OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS   Recorrente  DECMINAS DISTRIBUICAO E LOGISTICA S.A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF.  ANO­CALENDÁRIO 2007  A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança  a  penalidade  decorrente  do  atraso  na  entrega  de  declaração,  consoante  a  Súmula CARF nº 49.      Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo.  ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar  provimento ao Recurso Voluntário.    (assinado digitalmente)  Lizandro Rodrigues de Sousa ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  José Roberto Adelino da Silva­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Edgar  Bragança  Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e Jose Roberto Adelino  da Silva    Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 24 93 /2 00 9- 11 Fl. 103DF CARF MF     2 Trata­se de Recurso Voluntário contra o acórdão n° 02­24.139, da 3° Turma  da DRJ/BHE que negou provimento à  impugnação, apresentada pela ora  recorrente,  contra a  Notificação  de  Lançamento  que  exigiu  o  crédito  tributário,  no  valor  de  R$  12.796,73,  relativamente a multa pelo atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários  Federais ­ DCTF, relativa ao mês de junho de 2007.  Resumo, a seguir o relatório:  Pede­se  que  o  auto  de  infração  seja  anulado,  porque  a  exação  é  ilegal  e  abusiva,  e.  subsidiariamente,  que a multa  seja  reduzida  a monta de R$ 500,00, de  acordo com os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, e à legislação de  regência. Os argumentos que fundamentos o pedido são os a seguir resumidos:  • A contribuinte  está  livre  da  responsabilidade  pela  infração  imputada,  com  razão  de  denúncia  espontânea,  conforme  previsto  no  art.  138  do  CTN,  segundo  fundamentação esposada;  O beneficio do  art.  138 do CTN não pode  ser negado, porque o pagamento  dos débitos  tributários  acompanhado da denúncia  espontânea  a 1iisia  aplicação de  penalidades, inclusive multas;  Como abono de sua tese são citadas ementas de decisão do STJ  A imposição de multas ao contribuinte que se denuncia implica em violação  ao principio constitucional da  isonomia,  pois o  coloca na mesma posição, daquele  que foi autuado e paga em decorrência da ação da administração;  O atraso foi causado pelo extravio de inúmeros documentos da contabilidade;  Deve ser levada em conta, prioritariamente, a idoneidade da impugnante, que  procedeu  a  imediata  entrega  das  DCTF  ao  fisco,  tão  logo  teve  ciência  das  irregularidades;  • A multa é abusiva:  A  penalidade  configura  afronta  aos  princípios  da  razoabilidade  e  proporcionalidade;  A penalidade deve ser cancelada com base no art. 112do CTN. que determina  a aplicação de interpretação mais favorável;  A multa  é  confiscatória  e  atropela  o  direito  de  propriedade  da  impugnante,  insculpido no inciso XXII do art. 5°e inciso II do art. 170, da Constituição;  Suportar  multa  tão  excessiva,  principalmente  em  face  do  atual  quadro  recessivo que assola o Pais, é completamente inaceitável;  Eventualmente, caso a multa seja considerada devida, deve ser reduzida para  o valor mínimo de R$ 500,00, conforme fixada em outros Autos de Infração;  • A sanção, no caso, constitui bis in idem, porque aplicada sobre o montante  dos tributos e contribuições informados na DCTF, em cada mês calendário:  A proibição do bis in idem parte da premissa basilar de que não se pode punir  mais de uma vez pela mesma infração;  Só se pode cobrar multa pela falta de entrega da DCTF. o que não ocorre no  caso, tendo em vista que foram capituladas multas sobre tudo o que declarado;   Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13603.002493/2009­11  Acórdão n.º 1001­001.053  S1­C0T1  Fl. 3          3 A  infração  cometida  não  causou  nenhum prejuízo  ao  fisco,  já  que  todos  os  tributos foram devidamente recolhidos;  A recorrente foi cientificada da decisão em 14/10/2009 (fl 62) e apresentou o  seu recurso voluntário em 12/01/2010 ( fl 77)    Voto             Conselheiro Jose Roberto Adelino da Silva ­ Relator  Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que  apresenta os pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele  eu conheço.  A recorrente alega, basicamente, as mesmas razões apresentadas em sua  impugnação requerendo que:  V ­ DO PEDIDO  34.  Diante  dos  invencíveis  ora  expendidos,  confia  e  espera  a  Recorrente  seja  acolhida a  presente defesa  para  reconhecer  os  argumentos  ora  aduzidos,  declarando­se  a  NULIDADE  da  autuação  fiscal  formalizada  no Auto  de  Infração  ora  debatido,  porquanto  manifestamente  ilegal  a  exação,  bem  como  porque  amplamente demonstrada a sua abusividade.  35. Subsidiariamente, requer a Recorrente seja reduzida a multa  aplicada à monta  de R$500,00  (quinhentos  reais),  sob  pena de  desobediência  aos  princípios  da  razoabilidade  e  proporcionalidade, e à legislação de regência.   Quanto  à  nulidade  do  auto  de  infração,  a  DRJ  manifestou­se,  no  meu  entendimento, corretamente, ao qual peço a devida vênia para reproduzir:  Quanto  à  argüição  de  nulidade  do  Auto  de  Infração,  ela  é  descabida.  A  matéria é regida exclusivamente pelos artigos 59 e 60 do Dec. n." 70.235, de 1972,  abaixo transcritos:  "Art. 59 ­ São nulos:  I ­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  II  ­os  despachos  e  decisões  proferidas  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa.  Art.  60.  As  irregularidades,  incorreções  e  omissões  diferentes  das  referidas  no  artigo  anterior  não  importarão  em nulidade  e  serão  sanadas  quando  resultarem  em  prejuízo  para  o  sujeito  passivo,  salvo  se  este  lhes  houver  dado  causa,  ou  quando  não  influírem na solução do litígio.  Fl. 105DF CARF MF     4 Como o auto de infração foi lavrado por pessoa competente e não é despacho  nem  decisão,  as  razões  apresentadas  não  se  enquadram  nas  hipóteses  do  art.  59  acima. Portanto, o ato não é nulo.  Outras  irregularidades,  incorreções  e  omissões  não  importam  nulidade. mas  saneamento, quando muito. Entretanto, nada há que demande o saneamento previsto  no  art.  60  retro.  No  ato  contestado  não  há  o  que  prejudique  o  próprio  processo,  estabelecimento da relação jurídica processual, nele constando todas as formalidades  exigida na legislação para que seja considerado válido ou juridicamente perfeito. Em  verdade, no sc  Quanto  à  alegação,  a  da  denúncia  espontânea,  prevista  no  artigo  138,  do  Código Tributário Nacional ­ CTN, esta já foi objeto de súmula por este CARF a n°49, como  versa:  Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código  Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do  atraso na entrega de declaração.  As  demais  alegações  foram  devidamente  analisadas  e  devidamente  combatidas pela DRJ, em seu voto, o qual, por  concordar com as  conclusões, peço a devida  vênia, para reproduzi­lo (parcialmente):  Quanto ao mérito, o lançamento se mantém, porque a multa foi aplicada como  determina a legislação tributária.  A  obrigatoriedade  de  apresentar  a  DCTF  e  a  conseqüente  penalidade  na  hipótese  de  não  ser  entregue  ou  entregue  fora  do  prazo  está  categoricamente  estabelecida na  legislação  tributária. A multa  imposta  foi  instituída pelo  art.  7" da  MP n." 16, de 27 de dezembro de 2001, convertido no art. 7" da Lei n." 10.426, de  24 de abril de 2002, que assim dispõe:  ...  A  entrega  da  declaração  após  o  prazo  previsto  configura  infração  da  legislação  tributária.  A  caracterização  da  infração  independe  da  ocorrência  dc  sonegação ou falta de pagamento de tributo. Pelo que dispõe o art. 113 do CTN, a  finalidade das  regras  tributárias não se  restringe  ao  estabelecimento de obrigações  principais,  mas  também  obrigações  acessórias,  entre  as  quais  está  a  entrega  da  DCTF. De acordo com o § 2" do art. II do CTN, a obrigação acessória decorre da  legislação  tributária  e  tem  por  objeto  as  prestações.  positivas  ou  negativas,  nela  previstas  no  interesse  da  arrecadação  ou  da  fiscalização  tributos.  Diz  o  §  3'  do  mesmo  artigo,  que  a  obrigação  acessória,  pelo  simples  fato  da  sua  inobservância,  converte­se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária  Assim, o descumprimento da obrigação acessória está longe de ser um evento  irrelevante, mas. sim, sujeita o infrator à punição igualmente prevista em lei.  Dai decorre o lançamento em questão. Realmente, a motivação da autuação é  a entrega de DCTF fora do prazo. Tal motivação foi devidamente descrita no auto de  infração,  inclusive  com  indicação  da  data  de  encerramento  do  prazo  e  da  data  da  entrega.  impugnante  não  nega  que  a  entrega  se  fez  fora  do  prazo.  Portanto,  confirma­se a ocorrência do ato que motivou o  lançamento, e a sua caracterização  como infração.  Frise­se,  ainda,  que  princípios,  como o  da  proporcionalidade.  razoabilidade,  isonomia e etc., norteiam o legislador e não o aplicador da lei. Realmente. variações  de intensidade da punição em razão do tempo de atraso e de outros são fixadas de  Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13603.002493/2009­11  Acórdão n.º 1001­001.053  S1­C0T1  Fl. 4          5 forma  objetiva  na  própria  legislação,  não  havendo  oportunidade  para  discricionariedade  da  autoridade  fiscal.  Portanto,  o  lançamento  efetuado  conforme  manda  legislação e  com base  em  fatos  e dados  cuja veracidade  a  impugnante não  logra  abalar.  já  atende,  no  âmbito  de  atuação  do  agente  do  fisco,  os  invocados  princípios.  A este respeito, temos a Súmula 2 deste CARF:  Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.   Quanto  ao  propósito  de  a  impugnante  suscitar  a  redução  da  penalidade  aplicada.  cabe  esclarecer  que  as  reduções  para  a  multa  em  questão,  quando  cabíveis.  independem de requerimento e são objetivamente definidas na legislação. A aplicação do item  II do § 3" do art. 7° da Lei 10.426/2002, somente será efetuado quando, do cálculo da multa,  resultar em valor inferior a R$ 500,00.  Assim,  não  assiste  razão  a  recorrente  e,  portanto,  nego  provimento  ao  presente Recurso Voluntário e mantenho o crédito tributário apurado.  É como voto.  (assinado digitalmente)  José Roberto Adelino da Silva                           Fl. 107DF CARF MF

score : 1.0
7586941 #
Numero do processo: 13819.905360/2008-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
Numero da decisão: 3201-004.563
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar o provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201811

camara_s : Segunda Câmara

ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019

numero_processo_s : 13819.905360/2008-92

anomes_publicacao_s : 201901

conteudo_id_s : 5956327

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019

numero_decisao_s : 3201-004.563

nome_arquivo_s : Decisao_13819905360200892.PDF

ano_publicacao_s : 2019

nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA

nome_arquivo_pdf_s : 13819905360200892_5956327.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar o provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.

dt_sessao_tdt : Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018

id : 7586941

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:36:43 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713051417489440768

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1857; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C2T1  Fl. 2          1  1  S3­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13819.905360/2008­92  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3201­004.563  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  28 de novembro de 2018  Matéria  COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.  Recorrente  TOYOTA DO BRASIL LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003  DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.  A  DCTF  é  instrumento  formal  de  confissão  de  dívida,  e  sua  retificação,  posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.  VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.  As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos  respectivos  elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade  material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de  apresentar,  no  momento  processual  apropriado,  as  provas  necessárias  à  comprovação do crédito alegado.  COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.  O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo  contribuinte,  porque  é  seu  o  ônus.  Na  ausência  da  prova,  em  vista  dos  requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser  negado.        Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar o  provimento ao Recurso Voluntário.   (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza ­ Presidente e Relator.   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Charles  Mayer  de  Castro  Souza  (Presidente),  Paulo  Roberto  Duarte  Moreira,  Tatiana  Josefovicz  Belisário,  Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi  de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri  (suplente     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 53 60 /2 00 8- 92 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13819.905360/2008­92  Acórdão n.º 3201­004.563  S3­C2T1  Fl. 3          2  convocado),  Leonardo  Vinícius  Toledo  de  Andrade,  Laércio  Cruz  Uliana  Júnior.  Ausente,  justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.  Relatório  Reproduzo o relatório da primeira instância administrativa:  Trata­se  de Despacho Decisório  que não homologou Declaração de  Compensação eletrônica.  Na fundamentação do ato, consta:  A  partir  das  características  do  DARF  discriminado  no  PER/DCOMP  acima  identificado,  foram  localizados  um  ou  mais  pagamentos,  abaixo  relacionados,  mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação  dos  débitos  informados no PER/DCOMP.  (.)  Diante  da  inexistência  do  crédito,  NÃO  HOMOLOGO  a  compensação declarada.  Cientificada,  a  interessada  apresentou  Manifestação  de  Inconformidade tempestiva, alegando, em síntese, que:  (...) transmitiu o (...) PER/DCOMP (...) pelo qual pleiteou a  homologação  de  compensação,  valendo­se  de  créditos  de  contribuições  recolhidas  a  maior  em  decorrência  da  não  dedução de vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus.  Em  termos  práticos,  a  decisão  ora  combatida  afirma  que  o  DARF  discriminado  no  PER/DCOMP  foi  integralmente  usado para quitação de débitos do contribuinte.  Não  é  o  que  mostra,  contudo,  a  Declaração  de  Débitos  e  Créditos  Tributários  Federais  —  DCTF,  (...),  apresentada  pela Manifestante (...).  Da análise de tal documento, pode­se concluir, em absoluto,  que há crédito suficiente para a compensação formalizada na  PER/DCOMP em questão (.).  Ante  o  exposto,  a  não  homologação  da  compensação  não  merece prosperar em hipótese alguma, eis que comprovada a  existência do crédito da Manifestante.  Caso  V.  Sas.  não  entendam  dessa  forma,  o  que  se  admite  apenas para fins de argumentação, a Manifestante, desde já,  esclarece  a  legalidade,  regularidade  e  tempestividade  das  informações prestadas a esta Secretaria.  Ao encaminhar, originalmente, o PER/DCOMP em questão,  todos  os  valores  informados  pela  Manifestante  já  eram  Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13819.905360/2008­92  Acórdão n.º 3201­004.563  S3­C2T1  Fl. 4          3  absolutamente  condizentes  com  a  realidade,  ou  seja,  a  Manifestante,  àquela  altura,  já  detinha  todos  os  créditos  pleiteados.  Os  créditos  da  Manifestante,  decorrentes  de  pagamento  a  maior  por  não  dedução  em  vendas  para  a  Zona  Franca  de  Manaus,  SEMPRE  existiu  (sic)  e,  agora,  ainda  mais,  resta  plenamente  demonstrado  na  DCTF  da  Manifestante,  ora  anexada.  A Manifestante,  portanto,  jamais  causou  qualquer  prejuízo  ao  erário  público,  ao  compensar  valores  com  créditos  dos  quais dispunha integralmente.  Assim,  não  bastasse  a  regularidade  da  compensação,  que  deve  ser  plenamente  homologada,  nunca  houve  mora  ou  infração  da  Manifestante,  motivo  pelo  qual  a  cobrança  de  multa  e  juros  apresentada  no  despacho  decisório  é  igualmente descabida.  Caso  entendam  V.  Sas.  que  há  alguma  irregularidade  no  caso,  nem  mesmo  mero  erro  de  fato  poderia  ser  cogitado,  entendimento  que,  aliás,  ocasionaria  verdadeiro  enriquecimento ilícito da Unido Federal.  A  DRJ/Campinas/SP,  por  meio  do  Acórdão  05­036.277,  decidiu  pela  improcedência da Manifestação de Inconformidade. Transcrevo a ementa:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003  EMENTA:  DESPACHO  ELETRÔNICO.  DECLARAÇÃO  RETIFICADORA POSTERIOR.  O despacho decisório  eletrônico  funda­se  nas  informações  prestadas  pela  interessada  nas  declarações  apresentadas  à  Administração  Tributária.  A  inexistência  do  crédito  informado  nas  declarações  justifica  a  não­homologação,  sendo  que  a  retificação  de  tais  declarações  posteriormente  à  emissão  do  despacho  eletrônico  não  o  invalidam.  COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO.  É  requisito  indispensável  ao  reconhecimento  da  compensação  a  comprovação  dos  fundamentos  da  existência  e  a  demonstração  do  montante  do  crédito  que  lhe  dá  suporte,  sem  o  que  não  pode  ser  admitida.  No  Recurso  Voluntário,  a  empresa  reforça  a  invocação  do  princípio  da  verdade  material,  e  reitera  que  a  DCTF  retratava  a  condição  de  liberação  do  pagamento  indevido.  É o relatório.    Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13819.905360/2008­92  Acórdão n.º 3201­004.563  S3­C2T1  Fl. 5          4  Voto             Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 3201­004.544, de  28/11/2018, proferido no julgamento do processo 13819.903407/2008­83, paradigma ao qual o  presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201­004.544):  "O recurso é  tempestivo e preenche as condições de admissibilidade, devendo ser  conhecido.  O Despacho Decisório  foi  cientificado  ao  contribuinte  em  21/08/2008,  e  a DCTF  retificadora foi transmitida em 08/09/2008, portanto, depois da ciência do Despacho Decisório.  Portanto, o débito no valor integral do Darf foi confessado em DCTF. A DCTF é o  instrumento  formal  para  confissão  de  débito,  no  lançamento  por  homologação  (Decreto­lei  2.124/84),  de  modo  que  o  crédito  tributário  representado  pelo  valor  integral  do  Darf  foi  formalmente constituído, passível de posterior homologação.   A DCTF  retificadora  apresentada  antes  de  qualquer  procedimento  de  ofício  tem o  mesmo  valor  da  original,  e  a  substitui  integralmente,  porque  a  motivação  da  alteração  é  espontânea. Todavia, após qualquer procedimento de ofício, a retificação da DCTF incide em  ausência de espontaneidade, caracterizando vício de motivação, e por isso, exige comprovação  material.  Vigia, então, a Instrução Normativa RFB 786/2007:  Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada  mediante  apresentação  de  DCTF  retificadora,  elaborada  com  observância  das  mesmas  normas  estabelecidas  para  a  declaração  retificada.  § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente  apresentada,  substituindo­a  integralmente,  e  servirá  para  declarar  novos  débitos,  aumentar  ou  reduzir  os  valores  de  débitos  já  informados  ou  efetivar  qualquer alteração nos créditos vinculados.  §  2º  A  retificação  não  produzirá  efeitos  quando  tiver  por  objeto  alterar  os  débitos relativos a impostos e contribuições:  I  ­  cujos  saldos  a  pagar  já  tenham  sido  enviados  à PGFN para  inscrição  em  DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos;  http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?idArquiv oBinario=0  II ­ cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às  informações  indevidas  ou  não  comprovadas  prestadas  na  DCTF,  sobre  pagamento,  parcelamento,  compensação  ou  suspensão  de  exigibilidade,  já  tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou  Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13819.905360/2008­92  Acórdão n.º 3201­004.563  S3­C2T1  Fl. 6          5  III ­ em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada sobre o início  de procedimento fiscal.  § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do  montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU, somente poderá  ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência  de erro de fato no preenchimento da declaração.  § 4º Na hipótese do inciso III do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início  do  procedimento  fiscal,  em  valor  superior  ao  declarado,  a  pessoa  jurídica  poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e  nos  termos  desta,  para  sanar  erro  de  fato,  sem  prejuízo  das  penalidades  calculadas na forma do art. 9º.  § 5º A pessoa jurídica que apresentar declaração retificadora, relativa ao ano­ calendário utilizado como referência para o enquadramento no disposto no art.  3º,  nos  casos  em  que  a  retificação  implicar  seu  desenquadramento  dessa  condição, poderá pedir dispensa de apresentação da DCTF Mensal.  §  6º  O  pedido  de  dispensa  de  que  trata  o  §  5º  será  formalizado,  mediante  processo administrativo, perante a unidade da RFB do domicílio  tributário da  pessoa jurídica.  § 7º Em caso de deferimento do pedido de que  trata o § 5º,  a pessoa  jurídica  estará dispensada da apresentação da DCTF Mensal a partir do ano­calendário  em que ocorreu o enquadramento com base na declaração retificada, desde que  não se enquadre, novamente, na condição de obrigada à DCTF Mensal.  § 8º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que  tenham sido informados:  I  ­  na  Declaração  de  Informações  Econômico­Fiscais  da  Pessoa  Jurídica  (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e  II  ­  no Demonstrativo  de Apuração de Contribuições  Sociais  (Dacon),  deverá  apresentar, também, Dacon retificador.  §  9º  A  retificação  de  declarações,  cuja  alteração  de  valores  resulte  no  enquadramento  da  pessoa  jurídica  segundo  as  hipóteses  do  art.  3º,  obriga  a  apresentação da DCTF Mensal desde o início do ano­calendário a que estaria  obrigada  com  base  na  declaração  retificada,  sendo  devidas  as  multas  pelo  atraso  na  entrega  das  DCTF  Mensais  relativas  ao  período  considerado,  calculadas na forma do art. 9º.  § 10. Verificando­se a existência de imposto de renda postergado, deverão ser  apresentadas DCTF retificadoras  referentes ao  período em que o  imposto  era  devido, caso as DCTF originais do mesmo período já tenham sido apresentadas.  § 11. A retificação de DCTF não será admitida quando resultar em alteração da  periodicidade, mensal ou semestral, de declaração anteriormente apresentada.  Estando o crédito tributário formalmente constituído pela DCTF original, e o Fisco  agindo em consonância com o que foi formalmente constituído, para que se pudesse retificá­lo  – o crédito tributário ­ após o procedimento de ofício, seria necessária prova de sua inexatidão.  Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções  permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou  documento  legal  que  se  revista  do  caráter  de  prova,  e  respectivos  lastros  documentais  (nfs,  contratos, etc). Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/991, art. 373, I  do CPC2).                                                              1 Art.  36. Cabe  ao  interessado  a  prova  dos  fatos  que  tenha  alegado,  sem  prejuízo  do  dever  atribuído  ao  órgão  competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei.  2 Art. 373.  O ônus da prova incumbe:  Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13819.905360/2008­92  Acórdão n.º 3201­004.563  S3­C2T1  Fl. 7          6  Esses aspectos da força probante dos documentos são tratados nos artigos 219 e 226  do Código Civil:  Art.  219.  As  declarações  constantes  de  documentos  assinados  presumem­se verdadeiras em relação aos signatários.  Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições  principais  ou  com  a  legitimidade  das  partes,  as  declarações  enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de  prová­las.  (...)  Art.  226.  Os  livros  e  fichas  dos  empresários  e  sociedades  provam  contra  as  pessoas  a  que  pertencem,  e,  em  seu  favor,  quando,  escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por  outros subsídios.  Parágrafo único. A prova resultante dos livros e fichas não é bastante  nos  casos  em  que  a  lei  exige  escritura  pública,  ou  escrito  particular  revestido de requisitos especiais, e pode ser  ilidida pela comprovação  da falsidade ou inexatidão dos lançamentos.  A  obrigação  de  conservar  os  registros  até  que  prescrevam  os  direitos  reclamados  com base neles, consta do Código Tributário Nacional, §único do artigo 195:  Art.  195.  Para  os  efeitos  da  legislação  tributária,  não  têm  aplicação  quaisquer  disposições  legais  excludentes  ou  limitativas  do  direito  de  examinar  mercadorias,  livros,  arquivos,  documentos,  papéis  e  efeitos  comerciais  ou  fiscais,  dos  comerciantes  industriais  ou  produtores,  ou  da obrigação destes de exibi­los.  Parágrafo  único.  Os  livros  obrigatórios  de  escrituração  comercial  e  fiscal  e  os  comprovantes  dos  lançamentos  neles  efetuados  serão  conservados  até  que  ocorra  a  prescrição  dos  créditos  tributários  decorrentes das operações a que se refiram.  Tem­se ainda o Decreto­Lei 486/69, art. 4º:  Art  4º  O  comerciante  é  ainda  obrigado  a  conservar  em  ordem,  enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, a  escrituração, correspondência e demais papéis relativos à atividade, ou  que  se  refiram  a  atos  ou  operações  que modifiquem ou  possam  vir  a  modificar sua situação patrimonial.  Fechando o arcabouço legal pertinente, tem­se ainda que, em se tratando de pedido  de restituição e consequente compensação, o ônus da prova é do contribuinte, conforme art. 36  da Lei 9.784/993, art. 373, I do CPC4.  Caso a DCTF ativa  (original ou  retificadora) estivesse com os valores que alega a  recorrente,  a  compensação  poderia  ser  sido  auditada,  para  eventual  prova  de  sua  inconsistência, e para conferir o crédito. Em outras palavras, o Fisco tem o dever de averiguar                                                                                                                                                                                             I ­ ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito;  3 Art.  36. Cabe  ao  interessado  a  prova  dos  fatos  que  tenha  alegado,  sem  prejuízo  do  dever  atribuído  ao  órgão  competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei.  4 Art. 373.  O ônus da prova incumbe:    I ­ ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito;  Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13819.905360/2008­92  Acórdão n.º 3201­004.563  S3­C2T1  Fl. 8          7  e comprovar apenas o que  for diferente daquilo que foi declarado pelo contribuinte. Após o  procedimento de ofício, que agiu em conformidade com o que estava declarado, a contraprova,  o ônus probatório, no caso de restituição/compensação, passa ao contribuinte.  Dado que a DCTF ativa tinha o valor total do Darf de pagamento, a compensação foi  negada por comparativo eletrônico.   Sem os elementos de prova do direito da recorrente, atento aos requisitos de certeza  e  liquidez do crédito, de acordo com art. 1705 do CTN, se mostra  impossível desconstituir o  que formalmente foi constituído, por meio da DCTF original.  Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário."  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  o  colegiado  NEGOU  PROVIMENTO ao Recurso Voluntário.        (assinado digitalmente)   Charles Mayer de Castro Souza                                                              5 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à  autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos  ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.                                  Fl. 87DF CARF MF

score : 1.0
7627984 #
Numero do processo: 10920.000343/2007-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.712
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido de ressarcimento da Cofins, cumulado com compensação de débito próprio, com origem no quarto trimestre de 2005. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Trata o presente processo de Declarações de Compensação de débitos da interessada junto a RFB com créditos decorrentes de pagamentos a maior que o devido da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins, referentes ao período janeiro de 2004 a dezembro de 2005, no montante de R$ 4.558.526,47. Do Despacho Decisório Na apreciação do pleito, manifestou-se a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinville/SC pelo reconhecimento parcial do direito de crédito pleiteado e pela homologação da compensação somente at o limite do credito reconhecido (Termo Fiscal e Despacho Decisório juntados aos autos), fazendo-o com base no não acatamento de certos valores incluídos pela contribuinte na base de cálculo apurada, conforme segue. 1. Bens e Serviços utilizados como insumos Extrai-se do relatório fiscal que foram glosados por não se enquadrarem no conceito de insumo adotado no âmbito da contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas: os gastos com materiais de consumo; as despesas indiretas com pessoal, entre essas alimentação, transporte, cestas básicas, despesas com viagens, uniformes e equipamentos de segurança; as despesas administrativas indiretas como projetos de produtos, assessoria empresarial ou comercial, honorários advocatícios, serviços de telefonia fixa e móvel, comissões de venda e vigilância de seus estabelecimentos; e também as despesas incorridas referentes a aquisições de "equipamentos, partes, peças, máquinas, incluídos os materiais para sua fabricação ou manutenção, e quaisquer outros itens que devam ser incorporados ao ativo imobilizado da empresa, a teor do que dispõe o art. 301 do Decreto n.° 3.000/1999". 2. Outros Valores/Operações com Direito a Crédito Relata a autoridade fiscal que glosou os valores informados no Dacon a este título em razão de a interessada não ter trazido o demonstrativo destes, apesar de intimada duas vezes para tanto. 3. Despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas A autoridade fiscal glosou os valores informados a titulo de despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas, no caso, as empresas Rocha Top Terminais e Operadores Portuários Ltda. (R$ 942.579,96), Cargolink Armazéns de Carga Ltda. (R$ 5.509.147,17) e WR Operadores Portuários Ltda. (R$ 7.381.682,79) — valores informados no período analisado, no caso, os anos de 2003 a 2005, por entender que os fatos apurados demonstram que, na realidade, "...todo o mecanismo utilizado foi simulado, visando elisão fiscal, mascarando a operação real de aquisição pela WRC dos equipamentos como locação de terceiros...". Em relação à empresa Rocha Top, foram glosadas os valores dos pagamentos efetuados entre janeiro/2003 e abril/2004, os quais não foram acompanhados de emissão dos respectivos documentos fiscais, somente de recibos; foram aceitos pagamentos e também outros referentes a outras locações de equipamentos semelhantes com a Rocha Top respaldados por nota fiscal, no caso ocorridos a partir de maio/2004. Os mencionados valores foram glosados pelas razões que seguem. 3.1. Obrigatoriedade das Notas Fiscais Informa, inicialmente, a autoridade fiscal que apesar de os locadores serem prestadores de serviços, possuindo notas fiscais do modelo requerido, não houve a apresentação de notas fiscais de serviços. Relata que quando intimada a apresentar as notas fiscais referentes às operações de locação de equipamentos e de aquisição de bens do ativo imobilizado, a interessada não o fez, alegando serem operações dispensadas de emissão. Afirma então que, apesar de ser "pacifico entendimento de que o ISSQN somente é devido nas locações de bens móveis com mão-de-obra, estando portanto a locação pura e simples do bem fora do campo de incidência de tal tributo", é obrigatória a emissão de notas fiscais de serviço por todos os prestadores de serviços, desde que não dispensados desta obrigação por meio de Decreto Municipal ou Estadual. Informa, então, que em consulta à Secretaria de Finanças do Município de São Francisco do Sul, esta informou via e-mail que as empresas em questão não estão dispensadas da emissão de nota fiscal fatura de serviços por aquela Secretaria. No mais, afirma que, a teor do artigo 41 da Lei Complementar n.° 9/1999 do Município de Sao Francisco do Sul, abaixo transcrito, "quem está sujeito ao pagamento do imposto é o contribuinte (sujeito passivo) e não a operação (fato gerador) para obrigação de emissão de nota fiscal", razão pela qual ser prestador de serviço de operação portuária ou agenciamento marítimo configura fato suficiente para enquadrar a pessoa jurídica como contribuinte do ISS, e portanto obrigado à emissão de nota fiscal, mesmo que podendo efetuar prestações abrangidas e outras não abrangidas pelo campo de incidência do tributo. Segue o artigo mencionado: Art. 41: Os contribuintes sujeitos ao pagamento do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, calculado sobre o preço dos serviços, ficam obrigados a emitir Nota Fiscal de Serviços e / ou Nota Fiscal Fatura de Serviços, de modelo Oficial, ou cztpom do terminal de venda - PDV estabelecidos peia Secretaria de Finanças. 3.2. Contratos de locação de equipamentos Em relação aos Contratos de Locação de Equipamentos firmados entre a interessada e as empresas Rocha Top, CargOlink e WR, relata a autoridade fiscal: Contrato Firmado com Rocha Top: Contrato de Locação de Equipamentos firmado com Rocha Top..., originariamente pertencida WR, que foi substituída pela WRC como contratante através do Segundo Termo Aditivo, datado de I.° de maio de 2002, mês de inicio de suas operações e seguinte ao de sua constituição. Tem por objeto a locação de duas empilhadeiras modelos Top Loader e Reach Stacker. Apesar de o locador ser prestador de serviços, possuindo notas ,fiscais do modelo requerido, os pagamentos efetuados entre janeiro/2003 e abril/2004 não foram acompanhados de emissão dos respectivas documentos fiscais, somente de recibos. A partir de maio/2004 estes pagamentos e também outros referentes a outras locações de equipamentos semelhantes com a Rocha Top foram respaldados por nota/iscal. Contrato Firmado com Cargolink: O Contrato de Locação de Equipamentos firmado com Cargolink foi assinado em 11 de março de 2002, antes do inicio das operações do interessado, e refere-se a um guindaste portuário modelo HMK 300-E. O instrumento inicia dizendo "Considerando que para financiar a aquisição do Equipamento a CARGOLINK contraiu, junto ao Banco Bradesco S.A., empréstimo e que, como garantia do referido empréstimo, deu o Equipamento em alienação fiduciária em favor do Banco Bradesco S.A...."e continua "Considerando que a WRC é uma sociedade que está sendo constituída pela CARGOLINK, em sociedade com a WR OPERADORES PORTUÁRIOS LTDA. para o desenvolvimento conjunto de atividades de movimentação de carga no porto de Sao Francisco do Sul..." (grifou-se). A cláusula segunda estipula "Pela Locação do Equipamento, a WRC pagará à CARGOLINK I quantia semestral correspondente às parcelas de amortização do principal, juros, tributos, prêmios de se tiro, comissão de repasse e demais encargos que sejam devidos pela CARGOLINK ao Banco Bradesco S.A. em decorrência do Contrato de Financiamento (o "Aluguel") ... Os valores, prazos e demais condições dos pagamentos a serem efetuados a titulo de Aluguel... serão reajustados nos mesmos termos do reajuste das parcelas a serem pagas pela CARGOLINK ao Banco Bradesco.S.A. em decorrência do Contrato de Financiamento." (grifou-se). Quando intimado a apresentar cópia da nota fiscal de aquisição do equipamento GUINDAB-0001 - Guindaste Móvel Portuário sob o qual calculou créditos de depreciação, o interessado apresentou um Contrato de Opção de Compra firmado entre Cargolink e WR datado de 08 de março de 2002 com a mesma descrição, e portanto dele originário, do Contrato de Locação de Equipamentos em questão, com Termo de Cessão e Aditivo onde WR repassa o direito a opção de compra para WRC, datado de 11 de março de 2002, mesma data do Contrato objeto desta análise e antes do inicio de sua operações. O Contrato de Opção de Compra estipula que "Em contrapartida à outorga da Opção de Compra. WR paga neste ato à CARGOLINK ... a quantia de R$ 674.313,00... pelo que a CARGOLINK dá à WR plena quitação da quantia ora recebida." e segue "Na hipótese de a WR exercer a Opção de Compra, o preço a ser pago pela WR à CARGOLINK para a aquisição do Equipamento fica fixado em RS 10.000,00..." (grifou-se). Esta contrapartida paga pela Cargo link foi reembolsada pela WRC quando iniciou as operações, considerando que houve mesmo a transferência de valor, tanto que imobilizou o bem em janeiro/2003 e iniciou a depreciação sob descrição GUINDAA-000I Guindaste Móvel Portuário, com valor de aquisição R$ 674.313,00, conforme denota-sena planilha de depreciações entregue pelo interessado,... Percebe-se também que este valor é muito próximo aos 15% exigidos como entrada, conforme cláusula 3 Terms of Payment do contrato de compra do guindaste firmado entre Cargolink e Demag Mobile Cranes segundo fax de Demag Mobile Cranes ... foi de C 375.000 menos bônus de C 40.000, total C 335.000 (trezentos e trinta e cinco mil euros),convertido a taxa de câmbio vigente em 20/07/2001, data .final para pagamento determinada na mesma cláusula, perfaz R$ 717.070,85 (2,14051 REAL/BRASIL (790) = I EURO/COM.EUROPEIA (978), fonte: Banco Central). Contrato Firmado corn WR: O Contrato de Locação de Equipamentos firmado corn WR... foi assinado em 11 de março de 2002, antes do inicio das operações do interessado, e refere-se a um guindaste portuário modelo HMK 300-E, Mutatis mutandis, é idêntico ao Contrato de Locação de Equipamentos firmado com Cargolink. 0 instrumento inicia dizendo "Considerando que em 25 de junho de 2002 a WR adquiriu um guindaste..." (grifou-se), num claro erro de datas pois o contrato seria anterior aquisição, confirmado pelos documentos seguintes. Prossegue "Considerando que o Equipamento é objeto de contrato de arrendamento mercantil..." e "Considerando que a WRC é uma sociedade que está sendo constituída pela WR, em sociedade com a CARGOLINK ARMAZÉNS DE CARGA LTDA.... para o desenvolvimento conjunto de atividades de movimentação de carga no porto de São Francisco do Sul..." (grifou-se). A clausula segunda estipula "Pela Locação do Equipamento, a WRC pagará à WR quantia correspondente a todas as obrigações pecuniárias, incluindo o valor residual garantido, juros, tributos e demais encargos que sejam devidos pela WR ao Safra Leasing S.A. —Arrendamento Mercantil em decorrência do Contrato de Arrendamento Mercantil (o "Aluguel") .. Os valores, prazos e demais condições dos pagamentos a serem efetuados a titulo de Aluguel... serão reajustado nos mesmos termos do reajuste das parcelas a serem pagas pela WR ao Safra Leasing S.A. - Arrendamento Mercantil em decorrência do Contrato de Arrendamento Mercantil." (grifou-se). A cláusula oitava da o prazo de vigência de 5 anos, terminando em fevereiro/2007, enquanto o arrendamento encerrou em outubro/2005, juntamente com o último pagamento efetuado. O Contrato de Arrendamento Mercantil do equipamento estipula o valor residual garantido "VRG Final devido no final (parte ou total): R$ 69.050.02" com vencimento juntamente cOni a última contraprestação em 31/10/2005. Este valor, que seria devido pela arrendatária W R, se houve mesmo pagamento, Ibi pago pela WRC, tanto que imobilizou o bem ern outubro/2005 e iniciou a depreciação sob descrição GUINDAB-0001 Guindaste Móvel Portuário, com valor de aquisição R$ 69.050,02 conforme denota-se na planilha de depreciações entregue pelo interessado No tópico "4.3.1.4.3 Da vineulação entre as empresas" o auditor fiscal inicialmente destaca que a WR e WRC funcionam no mesmo endereço, Rua Marechal Deodoro, 156, com a denominação adicional "sala A" para WRC. Relata que a WR foi sócia, em conjunto com Cargolink e outros, da WRC até 14/07/2006, que havia participações recíprocas nos quadros societários de várias empresas e que em 13 de julho de 2006 a WR foi incorporada pela WRC. Resume, então, a confusão verificada nos quadros societários das empresas, demonstrando as pessoas físicas detentoras das empresas, "atualmente ou no período sob análise", através do quadro que abaixo se reproduz: (...) Conclui que a empresa WRC pertencia fundamentalmente a todas as pessoas listadas, através de participações cruzadas envolvendo outras empresas como por exemplo Cabral Serviços Marítimos Ltda., Douat Cia. de Participações, Litoral Investimentos Ltda., Litoral Empreendimentos Ltda. e Litoral Agencia Marítima Ltda. Ante os fatos apresentados, afirma a autoridade fiscal: Todos os fatos acima descritos levam esta auditoria a acreditar que todo o mecanismo utilizado foi simulado, visando a elisão fiscal, mascarando a operação real de aquisição pela WRC dos equipamentos como locação de terceiros, tendo como intuito a geração de créditos das contribuições objeto desta análise, e, possivelmente, criação de despesas dedutíveis na apuração do IREI e CSLL e distribuição disfarçada de lucros visto que se tratam na verdade das mesmas pessoas [os sócios das empresas]. Da Manifestação de Inconformidade Inconformada com as razões postas para as glosas efetuadas a contribuinte as contestou por meio dos argumentos que seguem. No tópico "II. Da inexistência de obrigatoriedade relacionada a emissão de Nota Fiscal por conta da realização de operação de locação de bem móvel" a contribuinte inicialmente discorre sobre "o correto tratamento tributário dispensado pela legislação e pelos Tribunais pátrios com relação à locação de bens móveis", e alega: (..) resta consolidado no ordenamento jurídico brasileiro a não incidência do ISS sobre as atividades de locação relacionadas aos bens móveis. Assim sendo, nota-se na legislação que a obrigatoriedade de emissão de Nota Fiscal esta intimamente vinculada ao controle do calculo do ISS sobre o preço dos serviços de contribuintes sujeitos ao seu pagamento. Logo, se o tributo em tela não incide sobre determinada atividade, ou seja, sobre o seu preço, não se mantem a obrigatoriedade de emitir Nota Fiscal et empresa que a realiza. (. ) Se irregularidade alguma houve, aplicável ao caso a pena pelo descumprimento da obrigação tributário acessória de emissão de nota fiscal e não o indeferimento do crédito, que encontra amparo na legislação tributária federal e foi apropriado com base em uma operação efetivamente ocorrida, documentada Ressalte-se que o ilustre auditor fiscal da Receita Federal do Brasil em seu relatório não põe em dúvida a validade dos contratos de locação dos bens e nem a efetiva realização das operações, limitando-se o mesmo a desconsiderar as operações do contribuinte com base em suposta simulação e caracterização de distribuição disfarçada de lucros... Ademais, os vícios de simulação e distribuição disfarçada de lucros nem sequer foram imputados à operação de locação de empilhadeiras realizada entre a Contribuinte e a empresa Rochatop Terminais e Operadores Portuários Ltda. tendo o Auditor Fiscal da RFB desconsiderado os créditos de PIS/COFINS sobre estas despesas simplesmente pela ausência de notas fiscais, como se a despesa não tivesse ocorrido e fosse necessária as atividades da contribuinte. Nos tópicos "III. Da inexistência de fraude ou simulação", "IV. Não Caracterização de Distribuição Disfarçada de Lucros" e "V. Ainda Sobre a Simulação: Sua Distinção de Negócio Jurídico Indireto - Histórico do Negócio Havido entre as Partes Contratantes da Locação" A interessada traz argumentos de variada ordem tanto no sentido de demonstrar a irregularidade do feito fiscal como em defesa da regularidade das operações de locação de equipamentos utilizados em sua atividade produtiva a fim de demonstrar que não houve qualquer tipo de simulação de sua parte no intuito de beneficiar-se indevidamente de créditos da não-cumulatividade da contribuição para o PIS e da Cofins, criação de despesas dedutíveis na apuração do IRPJ e CSLL e distribuição disfarçada de lucros. Em relação aos insumos aplicados na prestação de serviços, titulo VI, a interessada inicialmente lista os bens e serviços adquiridos e seus respectivos fornecedores, abaixo reproduzida, a fim de que "possam ser analisados os argumentos": (...) Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário (arquivo não paginável), por meio do qual alega, no que interessa ao deslinde do litígio, a nulidade do acórdão recorrido, com fundamento nas seguintes razões de defesa: Em face das alegações apresentadas pela empresa, a DRJ baixou os autos em diligência, a fim de que a unidade preparadora providenciasse a análise da demonstração e da composição da base de cálculo do PIS não cumulativo, mediante a comprovação por meio de documentos contábeis e/ou fiscais. Na sua realização, requereu-se a entrega do balancete de março de 2003 e orientou-se a empresa sobre o fato de que os Livros Diário e Razão deveriam ficar à disposição do Fisco, caso requeridos. Segue, então, argumentando que em todos estes documentos fiscais evidencia-se que a empresa adquiriu bens ou contratou serviços os quais foram totalmente aplicados em suas atividades, as quais se relacionam à operação portuária e envolvem o maquinário utilizado para a sua realização; o que em nenhum momento foi impugnado pela autoridade fiscal. Afirma que a glosa dos créditos de PIS/COFINS ocorreu, portanto, conforme se infere da invocação ao artigo 301 do RIR/99 pela autoridade fazenddria, pelo fato de esta ter considerado todas as aquisições de produtos como enquadráveis no ativo imobilizado e não enquanto insumos. Com base nesse entendimento, argumenta que os produtos adquiridos o foram com a finalidade exclusiva de manter os seus ativos em condições operacionais e que, quando incorporados as respectivas máquinas e equipamentos, possuem vida útil inferior a um ano e/ou não aumentam a vida útil dos bens do seu ativo imobilizado em prazo superior a um ano, razão pela qual não se justifica a sua incorporação ao ativo permanente, para que seja então depreciado ou amortizado. Aduz que o elevado custo de aquisição de um bem não impõe sua classificação no ativo imobilizado e acrescenta que a prova do aumento da vida útil do bem para além de um ano, para fins de sua inclUsdo no ativo imobilizado, cabe ao fisco, a teor de várias decisões do Conselho de Contribuintes que elenca. Por fim, em relação aos outros valores/operações com direito a crédito argumenta que, ao contrário do que afirma a autoridade fiscal, forneceu à fiscalização todos os documentos necessários, como comprovam as cópias em anexo dos protocolos prestados pelo Auditor Fiscal, indicando o recebimento dos documentos solicitados, e a consignação que consta do recebimento dos documentos solicitados no Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal. Aduz que, por não haver qualquer impugnação especifica quanto aos documentos apresentados por esta contribuinte, torna-se impossível à mesma exercer seu direito de defesa nos termos asseguradOs pela Constituição Federal de 1988. Pugna então pelo afastamento da glosa em vista de não ser verdadeira a informação de que a contribuinte deixou de se manifestar quando lhe foram solicitados documentos e informações. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/FNS n.º 07-22.156, de 12/11/2010 (fls. 850 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004, 2005 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. CERCEAM ENTO DE DEFESA. inexiste cerceamento de defesa quando ao contribuinte é oportunizado contestar, por meio da Manifestação de lnconformidade, a razão dada pela autoridade fiscal para não reconhecer o crédito pleiteado. inexiste cerceamento de defesa quando se encontram presentes nos autos as informações e os elementos necessários e bastantes para que à contribuinte seja possível defender-se ampla e adequadamente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Ano-calendário: 2004, 2005 REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Dão direito a crédito, no âmbito do regime da não-cumulatividade, custos e despesas com bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no Pais, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados A venda. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da não-cumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados A venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no Pais, aplicados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito creditório não reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 880 e ss., por meio do qual aponta equívoco da decisão ao dizer que houve parcial revelia dela (por não se manifestar quanto a algumas glosas), porquanto todas as glosas teriam sido impugnadas; reitera as suas razões sobre o direito aos créditos sobre aluguéis de equipamentos, sobre insumos e serviços de outras pessoas jurídicas; invoca, noutros termos, alteração de fundamentos, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, para a manutenção das glosas a título de "outros valores/operações com direito a crédito", ao tempo em que menciona impossibilidade de exercício de defesa, por não haver impugnação específica aos documentos por ela apresentados, no mister de comprovar seus créditos. Evoca o art. 112 do CTN - in dubio pro contribuinte. Ao final, requer a reforma da decisão de primeiro grau e o reconhecimento integral dos créditos. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201901

camara_s : Segunda Câmara

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019

numero_processo_s : 10920.000343/2007-21

anomes_publicacao_s : 201902

conteudo_id_s : 5966562

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019

numero_decisao_s : 3201-001.712

nome_arquivo_s : Decisao_10920000343200721.PDF

ano_publicacao_s : 2019

nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA

nome_arquivo_pdf_s : 10920000343200721_5966562.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

dt_sessao_tdt : Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019

id : 7627984

ano_sessao_s : 2019

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido de ressarcimento da Cofins, cumulado com compensação de débito próprio, com origem no quarto trimestre de 2005. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Trata o presente processo de Declarações de Compensação de débitos da interessada junto a RFB com créditos decorrentes de pagamentos a maior que o devido da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins, referentes ao período janeiro de 2004 a dezembro de 2005, no montante de R$ 4.558.526,47. Do Despacho Decisório Na apreciação do pleito, manifestou-se a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinville/SC pelo reconhecimento parcial do direito de crédito pleiteado e pela homologação da compensação somente at o limite do credito reconhecido (Termo Fiscal e Despacho Decisório juntados aos autos), fazendo-o com base no não acatamento de certos valores incluídos pela contribuinte na base de cálculo apurada, conforme segue. 1. Bens e Serviços utilizados como insumos Extrai-se do relatório fiscal que foram glosados por não se enquadrarem no conceito de insumo adotado no âmbito da contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas: os gastos com materiais de consumo; as despesas indiretas com pessoal, entre essas alimentação, transporte, cestas básicas, despesas com viagens, uniformes e equipamentos de segurança; as despesas administrativas indiretas como projetos de produtos, assessoria empresarial ou comercial, honorários advocatícios, serviços de telefonia fixa e móvel, comissões de venda e vigilância de seus estabelecimentos; e também as despesas incorridas referentes a aquisições de "equipamentos, partes, peças, máquinas, incluídos os materiais para sua fabricação ou manutenção, e quaisquer outros itens que devam ser incorporados ao ativo imobilizado da empresa, a teor do que dispõe o art. 301 do Decreto n.° 3.000/1999". 2. Outros Valores/Operações com Direito a Crédito Relata a autoridade fiscal que glosou os valores informados no Dacon a este título em razão de a interessada não ter trazido o demonstrativo destes, apesar de intimada duas vezes para tanto. 3. Despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas A autoridade fiscal glosou os valores informados a titulo de despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas, no caso, as empresas Rocha Top Terminais e Operadores Portuários Ltda. (R$ 942.579,96), Cargolink Armazéns de Carga Ltda. (R$ 5.509.147,17) e WR Operadores Portuários Ltda. (R$ 7.381.682,79) — valores informados no período analisado, no caso, os anos de 2003 a 2005, por entender que os fatos apurados demonstram que, na realidade, "...todo o mecanismo utilizado foi simulado, visando elisão fiscal, mascarando a operação real de aquisição pela WRC dos equipamentos como locação de terceiros...". Em relação à empresa Rocha Top, foram glosadas os valores dos pagamentos efetuados entre janeiro/2003 e abril/2004, os quais não foram acompanhados de emissão dos respectivos documentos fiscais, somente de recibos; foram aceitos pagamentos e também outros referentes a outras locações de equipamentos semelhantes com a Rocha Top respaldados por nota fiscal, no caso ocorridos a partir de maio/2004. Os mencionados valores foram glosados pelas razões que seguem. 3.1. Obrigatoriedade das Notas Fiscais Informa, inicialmente, a autoridade fiscal que apesar de os locadores serem prestadores de serviços, possuindo notas fiscais do modelo requerido, não houve a apresentação de notas fiscais de serviços. Relata que quando intimada a apresentar as notas fiscais referentes às operações de locação de equipamentos e de aquisição de bens do ativo imobilizado, a interessada não o fez, alegando serem operações dispensadas de emissão. Afirma então que, apesar de ser "pacifico entendimento de que o ISSQN somente é devido nas locações de bens móveis com mão-de-obra, estando portanto a locação pura e simples do bem fora do campo de incidência de tal tributo", é obrigatória a emissão de notas fiscais de serviço por todos os prestadores de serviços, desde que não dispensados desta obrigação por meio de Decreto Municipal ou Estadual. Informa, então, que em consulta à Secretaria de Finanças do Município de São Francisco do Sul, esta informou via e-mail que as empresas em questão não estão dispensadas da emissão de nota fiscal fatura de serviços por aquela Secretaria. No mais, afirma que, a teor do artigo 41 da Lei Complementar n.° 9/1999 do Município de Sao Francisco do Sul, abaixo transcrito, "quem está sujeito ao pagamento do imposto é o contribuinte (sujeito passivo) e não a operação (fato gerador) para obrigação de emissão de nota fiscal", razão pela qual ser prestador de serviço de operação portuária ou agenciamento marítimo configura fato suficiente para enquadrar a pessoa jurídica como contribuinte do ISS, e portanto obrigado à emissão de nota fiscal, mesmo que podendo efetuar prestações abrangidas e outras não abrangidas pelo campo de incidência do tributo. Segue o artigo mencionado: Art. 41: Os contribuintes sujeitos ao pagamento do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, calculado sobre o preço dos serviços, ficam obrigados a emitir Nota Fiscal de Serviços e / ou Nota Fiscal Fatura de Serviços, de modelo Oficial, ou cztpom do terminal de venda - PDV estabelecidos peia Secretaria de Finanças. 3.2. Contratos de locação de equipamentos Em relação aos Contratos de Locação de Equipamentos firmados entre a interessada e as empresas Rocha Top, CargOlink e WR, relata a autoridade fiscal: Contrato Firmado com Rocha Top: Contrato de Locação de Equipamentos firmado com Rocha Top..., originariamente pertencida WR, que foi substituída pela WRC como contratante através do Segundo Termo Aditivo, datado de I.° de maio de 2002, mês de inicio de suas operações e seguinte ao de sua constituição. Tem por objeto a locação de duas empilhadeiras modelos Top Loader e Reach Stacker. Apesar de o locador ser prestador de serviços, possuindo notas ,fiscais do modelo requerido, os pagamentos efetuados entre janeiro/2003 e abril/2004 não foram acompanhados de emissão dos respectivas documentos fiscais, somente de recibos. A partir de maio/2004 estes pagamentos e também outros referentes a outras locações de equipamentos semelhantes com a Rocha Top foram respaldados por nota/iscal. Contrato Firmado com Cargolink: O Contrato de Locação de Equipamentos firmado com Cargolink foi assinado em 11 de março de 2002, antes do inicio das operações do interessado, e refere-se a um guindaste portuário modelo HMK 300-E. O instrumento inicia dizendo "Considerando que para financiar a aquisição do Equipamento a CARGOLINK contraiu, junto ao Banco Bradesco S.A., empréstimo e que, como garantia do referido empréstimo, deu o Equipamento em alienação fiduciária em favor do Banco Bradesco S.A...."e continua "Considerando que a WRC é uma sociedade que está sendo constituída pela CARGOLINK, em sociedade com a WR OPERADORES PORTUÁRIOS LTDA. para o desenvolvimento conjunto de atividades de movimentação de carga no porto de Sao Francisco do Sul..." (grifou-se). A cláusula segunda estipula "Pela Locação do Equipamento, a WRC pagará à CARGOLINK I quantia semestral correspondente às parcelas de amortização do principal, juros, tributos, prêmios de se tiro, comissão de repasse e demais encargos que sejam devidos pela CARGOLINK ao Banco Bradesco S.A. em decorrência do Contrato de Financiamento (o "Aluguel") ... Os valores, prazos e demais condições dos pagamentos a serem efetuados a titulo de Aluguel... serão reajustados nos mesmos termos do reajuste das parcelas a serem pagas pela CARGOLINK ao Banco Bradesco.S.A. em decorrência do Contrato de Financiamento." (grifou-se). Quando intimado a apresentar cópia da nota fiscal de aquisição do equipamento GUINDAB-0001 - Guindaste Móvel Portuário sob o qual calculou créditos de depreciação, o interessado apresentou um Contrato de Opção de Compra firmado entre Cargolink e WR datado de 08 de março de 2002 com a mesma descrição, e portanto dele originário, do Contrato de Locação de Equipamentos em questão, com Termo de Cessão e Aditivo onde WR repassa o direito a opção de compra para WRC, datado de 11 de março de 2002, mesma data do Contrato objeto desta análise e antes do inicio de sua operações. O Contrato de Opção de Compra estipula que "Em contrapartida à outorga da Opção de Compra. WR paga neste ato à CARGOLINK ... a quantia de R$ 674.313,00... pelo que a CARGOLINK dá à WR plena quitação da quantia ora recebida." e segue "Na hipótese de a WR exercer a Opção de Compra, o preço a ser pago pela WR à CARGOLINK para a aquisição do Equipamento fica fixado em RS 10.000,00..." (grifou-se). Esta contrapartida paga pela Cargo link foi reembolsada pela WRC quando iniciou as operações, considerando que houve mesmo a transferência de valor, tanto que imobilizou o bem em janeiro/2003 e iniciou a depreciação sob descrição GUINDAA-000I Guindaste Móvel Portuário, com valor de aquisição R$ 674.313,00, conforme denota-sena planilha de depreciações entregue pelo interessado,... Percebe-se também que este valor é muito próximo aos 15% exigidos como entrada, conforme cláusula 3 Terms of Payment do contrato de compra do guindaste firmado entre Cargolink e Demag Mobile Cranes segundo fax de Demag Mobile Cranes ... foi de C 375.000 menos bônus de C 40.000, total C 335.000 (trezentos e trinta e cinco mil euros),convertido a taxa de câmbio vigente em 20/07/2001, data .final para pagamento determinada na mesma cláusula, perfaz R$ 717.070,85 (2,14051 REAL/BRASIL (790) = I EURO/COM.EUROPEIA (978), fonte: Banco Central). Contrato Firmado corn WR: O Contrato de Locação de Equipamentos firmado corn WR... foi assinado em 11 de março de 2002, antes do inicio das operações do interessado, e refere-se a um guindaste portuário modelo HMK 300-E, Mutatis mutandis, é idêntico ao Contrato de Locação de Equipamentos firmado com Cargolink. 0 instrumento inicia dizendo "Considerando que em 25 de junho de 2002 a WR adquiriu um guindaste..." (grifou-se), num claro erro de datas pois o contrato seria anterior aquisição, confirmado pelos documentos seguintes. Prossegue "Considerando que o Equipamento é objeto de contrato de arrendamento mercantil..." e "Considerando que a WRC é uma sociedade que está sendo constituída pela WR, em sociedade com a CARGOLINK ARMAZÉNS DE CARGA LTDA.... para o desenvolvimento conjunto de atividades de movimentação de carga no porto de São Francisco do Sul..." (grifou-se). A clausula segunda estipula "Pela Locação do Equipamento, a WRC pagará à WR quantia correspondente a todas as obrigações pecuniárias, incluindo o valor residual garantido, juros, tributos e demais encargos que sejam devidos pela WR ao Safra Leasing S.A. —Arrendamento Mercantil em decorrência do Contrato de Arrendamento Mercantil (o "Aluguel") .. Os valores, prazos e demais condições dos pagamentos a serem efetuados a titulo de Aluguel... serão reajustado nos mesmos termos do reajuste das parcelas a serem pagas pela WR ao Safra Leasing S.A. - Arrendamento Mercantil em decorrência do Contrato de Arrendamento Mercantil." (grifou-se). A cláusula oitava da o prazo de vigência de 5 anos, terminando em fevereiro/2007, enquanto o arrendamento encerrou em outubro/2005, juntamente com o último pagamento efetuado. O Contrato de Arrendamento Mercantil do equipamento estipula o valor residual garantido "VRG Final devido no final (parte ou total): R$ 69.050.02" com vencimento juntamente cOni a última contraprestação em 31/10/2005. Este valor, que seria devido pela arrendatária W R, se houve mesmo pagamento, Ibi pago pela WRC, tanto que imobilizou o bem ern outubro/2005 e iniciou a depreciação sob descrição GUINDAB-0001 Guindaste Móvel Portuário, com valor de aquisição R$ 69.050,02 conforme denota-se na planilha de depreciações entregue pelo interessado No tópico "4.3.1.4.3 Da vineulação entre as empresas" o auditor fiscal inicialmente destaca que a WR e WRC funcionam no mesmo endereço, Rua Marechal Deodoro, 156, com a denominação adicional "sala A" para WRC. Relata que a WR foi sócia, em conjunto com Cargolink e outros, da WRC até 14/07/2006, que havia participações recíprocas nos quadros societários de várias empresas e que em 13 de julho de 2006 a WR foi incorporada pela WRC. Resume, então, a confusão verificada nos quadros societários das empresas, demonstrando as pessoas físicas detentoras das empresas, "atualmente ou no período sob análise", através do quadro que abaixo se reproduz: (...) Conclui que a empresa WRC pertencia fundamentalmente a todas as pessoas listadas, através de participações cruzadas envolvendo outras empresas como por exemplo Cabral Serviços Marítimos Ltda., Douat Cia. de Participações, Litoral Investimentos Ltda., Litoral Empreendimentos Ltda. e Litoral Agencia Marítima Ltda. Ante os fatos apresentados, afirma a autoridade fiscal: Todos os fatos acima descritos levam esta auditoria a acreditar que todo o mecanismo utilizado foi simulado, visando a elisão fiscal, mascarando a operação real de aquisição pela WRC dos equipamentos como locação de terceiros, tendo como intuito a geração de créditos das contribuições objeto desta análise, e, possivelmente, criação de despesas dedutíveis na apuração do IREI e CSLL e distribuição disfarçada de lucros visto que se tratam na verdade das mesmas pessoas [os sócios das empresas]. Da Manifestação de Inconformidade Inconformada com as razões postas para as glosas efetuadas a contribuinte as contestou por meio dos argumentos que seguem. No tópico "II. Da inexistência de obrigatoriedade relacionada a emissão de Nota Fiscal por conta da realização de operação de locação de bem móvel" a contribuinte inicialmente discorre sobre "o correto tratamento tributário dispensado pela legislação e pelos Tribunais pátrios com relação à locação de bens móveis", e alega: (..) resta consolidado no ordenamento jurídico brasileiro a não incidência do ISS sobre as atividades de locação relacionadas aos bens móveis. Assim sendo, nota-se na legislação que a obrigatoriedade de emissão de Nota Fiscal esta intimamente vinculada ao controle do calculo do ISS sobre o preço dos serviços de contribuintes sujeitos ao seu pagamento. Logo, se o tributo em tela não incide sobre determinada atividade, ou seja, sobre o seu preço, não se mantem a obrigatoriedade de emitir Nota Fiscal et empresa que a realiza. (. ) Se irregularidade alguma houve, aplicável ao caso a pena pelo descumprimento da obrigação tributário acessória de emissão de nota fiscal e não o indeferimento do crédito, que encontra amparo na legislação tributária federal e foi apropriado com base em uma operação efetivamente ocorrida, documentada Ressalte-se que o ilustre auditor fiscal da Receita Federal do Brasil em seu relatório não põe em dúvida a validade dos contratos de locação dos bens e nem a efetiva realização das operações, limitando-se o mesmo a desconsiderar as operações do contribuinte com base em suposta simulação e caracterização de distribuição disfarçada de lucros... Ademais, os vícios de simulação e distribuição disfarçada de lucros nem sequer foram imputados à operação de locação de empilhadeiras realizada entre a Contribuinte e a empresa Rochatop Terminais e Operadores Portuários Ltda. tendo o Auditor Fiscal da RFB desconsiderado os créditos de PIS/COFINS sobre estas despesas simplesmente pela ausência de notas fiscais, como se a despesa não tivesse ocorrido e fosse necessária as atividades da contribuinte. Nos tópicos "III. Da inexistência de fraude ou simulação", "IV. Não Caracterização de Distribuição Disfarçada de Lucros" e "V. Ainda Sobre a Simulação: Sua Distinção de Negócio Jurídico Indireto - Histórico do Negócio Havido entre as Partes Contratantes da Locação" A interessada traz argumentos de variada ordem tanto no sentido de demonstrar a irregularidade do feito fiscal como em defesa da regularidade das operações de locação de equipamentos utilizados em sua atividade produtiva a fim de demonstrar que não houve qualquer tipo de simulação de sua parte no intuito de beneficiar-se indevidamente de créditos da não-cumulatividade da contribuição para o PIS e da Cofins, criação de despesas dedutíveis na apuração do IRPJ e CSLL e distribuição disfarçada de lucros. Em relação aos insumos aplicados na prestação de serviços, titulo VI, a interessada inicialmente lista os bens e serviços adquiridos e seus respectivos fornecedores, abaixo reproduzida, a fim de que "possam ser analisados os argumentos": (...) Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário (arquivo não paginável), por meio do qual alega, no que interessa ao deslinde do litígio, a nulidade do acórdão recorrido, com fundamento nas seguintes razões de defesa: Em face das alegações apresentadas pela empresa, a DRJ baixou os autos em diligência, a fim de que a unidade preparadora providenciasse a análise da demonstração e da composição da base de cálculo do PIS não cumulativo, mediante a comprovação por meio de documentos contábeis e/ou fiscais. Na sua realização, requereu-se a entrega do balancete de março de 2003 e orientou-se a empresa sobre o fato de que os Livros Diário e Razão deveriam ficar à disposição do Fisco, caso requeridos. Segue, então, argumentando que em todos estes documentos fiscais evidencia-se que a empresa adquiriu bens ou contratou serviços os quais foram totalmente aplicados em suas atividades, as quais se relacionam à operação portuária e envolvem o maquinário utilizado para a sua realização; o que em nenhum momento foi impugnado pela autoridade fiscal. Afirma que a glosa dos créditos de PIS/COFINS ocorreu, portanto, conforme se infere da invocação ao artigo 301 do RIR/99 pela autoridade fazenddria, pelo fato de esta ter considerado todas as aquisições de produtos como enquadráveis no ativo imobilizado e não enquanto insumos. Com base nesse entendimento, argumenta que os produtos adquiridos o foram com a finalidade exclusiva de manter os seus ativos em condições operacionais e que, quando incorporados as respectivas máquinas e equipamentos, possuem vida útil inferior a um ano e/ou não aumentam a vida útil dos bens do seu ativo imobilizado em prazo superior a um ano, razão pela qual não se justifica a sua incorporação ao ativo permanente, para que seja então depreciado ou amortizado. Aduz que o elevado custo de aquisição de um bem não impõe sua classificação no ativo imobilizado e acrescenta que a prova do aumento da vida útil do bem para além de um ano, para fins de sua inclUsdo no ativo imobilizado, cabe ao fisco, a teor de várias decisões do Conselho de Contribuintes que elenca. Por fim, em relação aos outros valores/operações com direito a crédito argumenta que, ao contrário do que afirma a autoridade fiscal, forneceu à fiscalização todos os documentos necessários, como comprovam as cópias em anexo dos protocolos prestados pelo Auditor Fiscal, indicando o recebimento dos documentos solicitados, e a consignação que consta do recebimento dos documentos solicitados no Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal. Aduz que, por não haver qualquer impugnação especifica quanto aos documentos apresentados por esta contribuinte, torna-se impossível à mesma exercer seu direito de defesa nos termos asseguradOs pela Constituição Federal de 1988. Pugna então pelo afastamento da glosa em vista de não ser verdadeira a informação de que a contribuinte deixou de se manifestar quando lhe foram solicitados documentos e informações. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/FNS n.º 07-22.156, de 12/11/2010 (fls. 850 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004, 2005 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. CERCEAM ENTO DE DEFESA. inexiste cerceamento de defesa quando ao contribuinte é oportunizado contestar, por meio da Manifestação de lnconformidade, a razão dada pela autoridade fiscal para não reconhecer o crédito pleiteado. inexiste cerceamento de defesa quando se encontram presentes nos autos as informações e os elementos necessários e bastantes para que à contribuinte seja possível defender-se ampla e adequadamente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Ano-calendário: 2004, 2005 REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Dão direito a crédito, no âmbito do regime da não-cumulatividade, custos e despesas com bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no Pais, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados A venda. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da não-cumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados A venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no Pais, aplicados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito creditório não reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 880 e ss., por meio do qual aponta equívoco da decisão ao dizer que houve parcial revelia dela (por não se manifestar quanto a algumas glosas), porquanto todas as glosas teriam sido impugnadas; reitera as suas razões sobre o direito aos créditos sobre aluguéis de equipamentos, sobre insumos e serviços de outras pessoas jurídicas; invoca, noutros termos, alteração de fundamentos, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, para a manutenção das glosas a título de "outros valores/operações com direito a crédito", ao tempo em que menciona impossibilidade de exercício de defesa, por não haver impugnação específica aos documentos por ela apresentados, no mister de comprovar seus créditos. Evoca o art. 112 do CTN - in dubio pro contribuinte. Ao final, requer a reforma da decisão de primeiro grau e o reconhecimento integral dos créditos. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:38:36 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713051417493635072

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1636; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C2T1  Fl. 949          1 948  S3­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10920.000343/2007­21  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3201­001.712  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  31 de janeiro de 2019  Assunto  PIS. RESSARCIMENTO.COMPENSAÇÃO  Recorrente  WRC OPERADORES PORTUÁRIOS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.   (assinado digitalmente)   Charles Mayer de Castro Souza ­ Presidente e Relator.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro  Souza  (Presidente),  Paulo  Roberto  Duarte  Moreira,  Tatiana  Josefovicz  Belisario,  Marcelo  Giovani Vieira,  Pedro Rinaldi  de Oliveira  Lima,  Leonardo Correia Lima Macedo,  Leonardo  Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.  Relatório  A  interessada  apresentou  pedido  de  ressarcimento  da  Cofins,  cumulado  com  compensação de débito próprio, com origem no quarto trimestre de 2005.  Por  bem  retratar  os  fatos  constatados  nos  autos,  passamos  a  transcrever  o  Relatório da decisão de primeira instância administrativa:  Trata o presente processo de Declarações de Compensação de débitos  da interessada junto a RFB com créditos decorrentes de pagamentos a  maior  que  o  devido  da  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  Cofins,  referentes  ao  período  janeiro  de  2004  a  dezembro de 2005, no montante de R$ 4.558.526,47.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .0 00 34 3/ 20 07 -2 1 Fl. 950DF CARF MF Processo nº 10920.000343/2007­21  Resolução nº  3201­001.712  S3­C2T1  Fl. 950          2 Do  Despacho  Decisório  Na  apreciação  do  pleito,  manifestou­se  a  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  em  Joinville/SC  pelo  reconhecimento  parcial  do  direito  de  crédito  pleiteado  e  pela  homologação  da  compensação  somente  at  o  limite  do  credito  reconhecido (Termo Fiscal e Despacho Decisório juntados aos autos),  fazendo­o com base no não acatamento de certos valores incluídos pela  contribuinte na base de cálculo apurada, conforme segue.  1. Bens e Serviços utilizados como insumos Extrai­se do relatório fiscal  que  foram  glosados  por  não  se  enquadrarem  no  conceito  de  insumo  adotado  no  âmbito  da  contribuição  para  o  PIS  e  da  Cofins  não  cumulativas:  os  gastos  com  materiais  de  consumo;  as  despesas  indiretas  com  pessoal,  entre  essas  alimentação,  transporte,  cestas  básicas,  despesas  com  viagens,  uniformes  e  equipamentos  de  segurança;  as  despesas  administrativas  indiretas  como  projetos  de  produtos,  assessoria  empresarial  ou  comercial,  honorários  advocatícios, serviços de telefonia fixa e móvel, comissões de venda e  vigilância de seus estabelecimentos; e  também as despesas incorridas  referentes  a  aquisições  de  "equipamentos,  partes,  peças,  máquinas,  incluídos os materiais para sua fabricação ou manutenção, e quaisquer  outros  itens  que  devam  ser  incorporados  ao  ativo  imobilizado  da  empresa, a teor do que dispõe o art. 301 do Decreto n.° 3.000/1999".  2.  Outros  Valores/Operações  com  Direito  a  Crédito  Relata  a  autoridade  fiscal  que  glosou  os  valores  informados  no Dacon  a  este  título em razão de a interessada não ter trazido o demonstrativo destes,  apesar de intimada duas vezes para tanto.  3.  Despesas  de  aluguéis  de  máquinas  e  equipamentos  locados  de  pessoas  jurídicas A  autoridade  fiscal  glosou  os  valores  informados  a  titulo de despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de  pessoas  jurídicas,  no  caso,  as  empresas  Rocha  Top  Terminais  e  Operadores Portuários Ltda. (R$ 942.579,96), Cargolink Armazéns de  Carga Ltda. (R$ 5.509.147,17) e WR Operadores Portuários Ltda. (R$  7.381.682,79) — valores informados no período analisado, no caso, os  anos de 2003 a 2005, por entender que os fatos apurados demonstram  que, na realidade, "...todo o mecanismo utilizado foi simulado, visando  elisão fiscal, mascarando a operação real de aquisição pela WRC dos  equipamentos como locação de terceiros...".  Em  relação  à  empresa  Rocha  Top,  foram  glosadas  os  valores  dos  pagamentos  efetuados  entre  janeiro/2003 e abril/2004, os  quais não  foram  acompanhados  de  emissão  dos  respectivos  documentos  fiscais,  somente  de  recibos;  foram  aceitos  pagamentos  e  também  outros  referentes  a  outras  locações  de  equipamentos  semelhantes  com  a  Rocha Top respaldados por nota fiscal, no caso ocorridos a partir de  maio/2004.  Os mencionados valores foram glosados pelas razões que seguem.  3.1.  Obrigatoriedade  das  Notas  Fiscais  Informa,  inicialmente,  a  autoridade  fiscal  que  apesar  de  os  locadores  serem  prestadores  de  serviços,  possuindo  notas  fiscais  do  modelo  requerido,  não  houve  a  apresentação de notas fiscais de serviços.  Fl. 951DF CARF MF Processo nº 10920.000343/2007­21  Resolução nº  3201­001.712  S3­C2T1  Fl. 951          3 Relata que quando intimada a apresentar as notas fiscais referentes às  operações de locação de equipamentos e de aquisição de bens do ativo  imobilizado,  a  interessada  não  o  fez,  alegando  serem  operações  dispensadas de emissão.  Afirma  então  que,  apesar  de  ser  "pacifico  entendimento  de  que  o  ISSQN  somente  é  devido  nas  locações  de  bens  móveis  com  mão­de­ obra, estando portanto a locação pura e simples do bem fora do campo  de  incidência de  tal  tributo", é obrigatória a emissão de notas  fiscais  de  serviço  por  todos  os  prestadores  de  serviços,  desde  que  não  dispensados  desta  obrigação  por  meio  de  Decreto  Municipal  ou  Estadual.  Informa,  então,  que  em  consulta  à  Secretaria  de  Finanças  do  Município  de  São Francisco  do  Sul,  esta  informou  via  e­mail  que  as  empresas em questão não estão dispensadas da emissão de nota fiscal  fatura de serviços por aquela Secretaria.  No  mais,  afirma  que,  a  teor  do  artigo  41  da  Lei  Complementar  n.°  9/1999  do  Município  de  Sao  Francisco  do  Sul,  abaixo  transcrito,  "quem está  sujeito ao pagamento do  imposto é o contribuinte  (sujeito  passivo) e não a operação (fato gerador) para obrigação de emissão de  nota  fiscal",  razão  pela  qual  ser  prestador  de  serviço  de  operação  portuária  ou  agenciamento  marítimo  configura  fato  suficiente  para  enquadrar  a  pessoa  jurídica  como  contribuinte  do  ISS,  e  portanto  obrigado  à  emissão  de  nota  fiscal,  mesmo  que  podendo  efetuar  prestações  abrangidas  e  outras  não  abrangidas  pelo  campo  de  incidência do tributo. Segue o artigo mencionado:  Art.  41:  Os  contribuintes  sujeitos  ao  pagamento  do  Imposto  Sobre  Serviços de Qualquer Natureza, calculado sobre o preço dos serviços,  ficam  obrigados  a  emitir Nota  Fiscal  de  Serviços  e  /  ou Nota  Fiscal  Fatura de Serviços, de modelo Oficial, ou cztpom do terminal de venda  ­ PDV estabelecidos peia Secretaria de Finanças.  3.2. Contratos de locação de equipamentos Em relação aos Contratos  de  Locação  de  Equipamentos  firmados  entre  a  interessada  e  as  empresas Rocha Top, CargOlink e WR, relata a autoridade fiscal:  Contrato  Firmado  com  Rocha  Top:  Contrato  de  Locação  de  Equipamentos  firmado  com Rocha  Top...,  originariamente  pertencida  WR,  que  foi  substituída  pela  WRC  como  contratante  através  do  Segundo Termo Aditivo, datado de I.° de maio de 2002, mês de inicio  de suas operações e seguinte ao de sua constituição. Tem por objeto a  locação de duas empilhadeiras modelos Top Loader e Reach Stacker.  Apesar de o locador ser prestador de serviços, possuindo notas ,fiscais  do  modelo  requerido,  os  pagamentos  efetuados  entre  janeiro/2003  e  abril/2004  não  foram  acompanhados  de  emissão  dos  respectivas  documentos  fiscais,  somente  de  recibos.  A  partir  de  maio/2004  estes  pagamentos  e  também  outros  referentes  a  outras  locações  de  equipamentos  semelhantes  com  a  Rocha  Top  foram  respaldados  por  nota/iscal.  Contrato  Firmado  com  Cargolink:  O  Contrato  de  Locação  de  Equipamentos firmado com Cargolink foi assinado em 11 de março de  2002,  antes  do  inicio  das operações  do  interessado,  e  refere­se a  um  Fl. 952DF CARF MF Processo nº 10920.000343/2007­21  Resolução nº  3201­001.712  S3­C2T1  Fl. 952          4 guindaste portuário modelo HMK 300­E. O instrumento inicia dizendo  "Considerando  que  para  financiar  a  aquisição  do  Equipamento  a  CARGOLINK  contraiu,  junto  ao  Banco  Bradesco  S.A.,  empréstimo  e  que,  como  garantia  do  referido  empréstimo,  deu  o  Equipamento  em  alienação  fiduciária  em  favor  do  Banco  Bradesco  S.A...."e  continua  "Considerando que a WRC é uma sociedade que está sendo constituída  pela  CARGOLINK,  em  sociedade  com  a  WR  OPERADORES  PORTUÁRIOS LTDA. para o desenvolvimento  conjunto de atividades de  movimentação de carga no porto de Sao Francisco do Sul..."  (grifou­ se).  A  cláusula  segunda  estipula  "Pela  Locação  do  Equipamento,  a  WRC  pagará  à  CARGOLINK  I  quantia  semestral  correspondente  às  parcelas  de  amortização  do  principal,  juros,  tributos,  prêmios  de  se  tiro,  comissão de  repasse e demais  encargos que  sejam devidos  pela  CARGOLINK ao Banco Bradesco S.A. em decorrência do Contrato de  Financiamento (o "Aluguel") ...  Os  valores,  prazos  e  demais  condições  dos  pagamentos  a  serem  efetuados a  titulo de Aluguel...  serão reajustados nos mesmos termos  do reajuste das parcelas a serem pagas pela CARGOLINK ao Banco  Bradesco.S.A. em decorrência do Contrato de Financiamento." (grifou­ se).  Quando  intimado  a  apresentar  cópia  da  nota  fiscal  de  aquisição  do  equipamento GUINDAB­0001 ­ Guindaste Móvel Portuário sob o qual  calculou  créditos  de  depreciação,  o  interessado  apresentou  um  Contrato de Opção de Compra firmado entre Cargolink e WR datado  de  08  de  março  de  2002  com  a  mesma  descrição,  e  portanto  dele  originário, do Contrato de Locação de Equipamentos em questão, com  Termo  de  Cessão  e  Aditivo  onde  WR  repassa  o  direito  a  opção  de  compra  para WRC,  datado de  11  de março  de  2002, mesma data  do  Contrato objeto desta análise e antes do inicio de sua operações.  O  Contrato  de  Opção  de  Compra  estipula  que  "Em  contrapartida  à  outorga da Opção de Compra. WR paga neste ato à CARGOLINK ... a  quantia de R$ 674.313,00... pelo que a CARGOLINK dá à WR plena  quitação  da  quantia  ora  recebida."  e  segue  "Na  hipótese  de  a  WR  exercer  a  Opção  de  Compra,  o  preço  a  ser  pago  pela  WR  à  CARGOLINK  para  a  aquisição  do  Equipamento  fica  fixado  em  RS  10.000,00..."  (grifou­se). Esta contrapartida paga pela Cargo  link  foi  reembolsada  pela  WRC  quando  iniciou  as  operações,  considerando  que houve mesmo a transferência de valor, tanto que imobilizou o bem  em janeiro/2003 e iniciou a depreciação sob descrição GUINDAA­000I  Guindaste  Móvel  Portuário,  com  valor  de  aquisição  R$  674.313,00,  conforme  denota­sena  planilha  de  depreciações  entregue  pelo  interessado,... Percebe­se também que este valor é muito próximo aos  15% exigidos como entrada, conforme cláusula 3 Terms of Payment do  contrato  de  compra  do  guindaste  firmado  entre  Cargolink  e  Demag  Mobile  Cranes  segundo  fax  de  Demag  Mobile  Cranes  ...  foi  de  C  375.000 menos bônus de C 40.000, total C 335.000 (trezentos e trinta e  cinco mil  euros),convertido a  taxa de  câmbio  vigente  em 20/07/2001,  data .final para pagamento determinada na mesma cláusula, perfaz R$  717.070,85  (2,14051  REAL/BRASIL  (790)  =  I  EURO/COM.EUROPEIA (978), fonte: Banco Central).  Fl. 953DF CARF MF Processo nº 10920.000343/2007­21  Resolução nº  3201­001.712  S3­C2T1  Fl. 953          5 Contrato Firmado corn WR: O Contrato de Locação de Equipamentos  firmado  corn WR...  foi  assinado  em  11  de  março  de  2002,  antes  do  inicio  das  operações  do  interessado,  e  refere­se  a  um  guindaste  portuário  modelo  HMK  300­E,  Mutatis  mutandis,  é  idêntico  ao  Contrato  de  Locação  de  Equipamentos  firmado  com  Cargolink.  0  instrumento inicia dizendo "Considerando que em 25 de junho de 2002  a WR adquiriu um  guindaste..."  (grifou­se),  num  claro  erro  de  datas  pois o contrato seria anterior aquisição, confirmado pelos documentos  seguintes.  Prossegue  "Considerando  que  o  Equipamento  é  objeto  de  contrato de arrendamento mercantil..." e "Considerando que a WRC é  uma sociedade que está sendo constituída pela WR, em sociedade com  a  CARGOLINK  ARMAZÉNS  DE  CARGA  LTDA....  para  o  desenvolvimento conjunto de atividades de movimentação de carga no  porto  de  São  Francisco  do  Sul..."  (grifou­se).  A  clausula  segunda  estipula "Pela Locação do Equipamento, a WRC pagará à WR quantia  correspondente a  todas  as  obrigações  pecuniárias,  incluindo o valor  residual  garantido,  juros,  tributos  e  demais  encargos  que  sejam  devidos pela WR ao Safra Leasing S.A. —Arrendamento Mercantil em  decorrência  do Contrato  de Arrendamento Mercantil  (o  "Aluguel")  ..  Os  valores,  prazos  e  demais  condições  dos  pagamentos  a  serem  efetuados a titulo de Aluguel... serão reajustado nos mesmos termos do  reajuste das parcelas a serem pagas pela WR ao Safra Leasing S.A. ­  Arrendamento Mercantil em decorrência do Contrato de Arrendamento  Mercantil." (grifou­se).  A  cláusula  oitava  da  o  prazo  de  vigência  de  5  anos,  terminando  em  fevereiro/2007,  enquanto  o  arrendamento  encerrou  em  outubro/2005,  juntamente com o último pagamento efetuado.  O  Contrato  de  Arrendamento  Mercantil  do  equipamento  estipula  o  valor  residual garantido "VRG Final devido no  final  (parte ou  total):  R$  69.050.02"  com  vencimento  juntamente  cOni  a  última  contraprestação  em  31/10/2005.  Este  valor,  que  seria  devido  pela  arrendatária W  R,  se  houve  mesmo  pagamento,  Ibi  pago  pela  WRC,  tanto que  imobilizou o bem ern outubro/2005 e  iniciou a depreciação  sob descrição GUINDAB­0001 Guindaste Móvel Portuário, com valor  de  aquisição  R$  69.050,02  conforme  denota­se  na  planilha  de  depreciações  entregue  pelo  interessado  No  tópico  "4.3.1.4.3  Da  vineulação entre as empresas" o auditor fiscal  inicialmente destaca  que  a  WR  e  WRC  funcionam  no  mesmo  endereço,  Rua  Marechal  Deodoro,  156,  com  a  denominação  adicional  "sala  A"  para  WRC.  Relata  que  a WR  foi  sócia,  em  conjunto  com Cargolink  e outros,  da  WRC até 14/07/2006, que havia participações recíprocas nos quadros  societários de várias empresas e que em 13 de julho de 2006 a WR foi  incorporada  pela  WRC.  Resume,  então,  a  confusão  verificada  nos  quadros  societários  das  empresas,  demonstrando  as  pessoas  físicas  detentoras  das  empresas,  "atualmente  ou  no  período  sob  análise",  através do quadro que abaixo se reproduz:  (...)  Conclui  que  a  empresa WRC pertencia  fundamentalmente  a  todas  as  pessoas listadas, através de participações cruzadas envolvendo outras  empresas como por exemplo Cabral Serviços Marítimos Ltda., Douat  Fl. 954DF CARF MF Processo nº 10920.000343/2007­21  Resolução nº  3201­001.712  S3­C2T1  Fl. 954          6 Cia.  de  Participações,  Litoral  Investimentos  Ltda.,  Litoral  Empreendimentos Ltda. e Litoral Agencia Marítima Ltda.  Ante os fatos apresentados, afirma a autoridade fiscal:  Todos  os  fatos  acima  descritos  levam  esta  auditoria  a  acreditar  que  todo  o  mecanismo  utilizado  foi  simulado,  visando  a  elisão  fiscal,  mascarando a operação real de aquisição pela WRC dos equipamentos  como  locação  de  terceiros,  tendo  como  intuito  a  geração  de  créditos  das  contribuições  objeto  desta  análise,  e,  possivelmente,  criação  de  despesas  dedutíveis  na  apuração  do  IREI  e  CSLL  e  distribuição  disfarçada  de  lucros  visto  que  se  tratam  na  verdade  das  mesmas  pessoas [os sócios das empresas].  Da  Manifestação  de  Inconformidade  Inconformada  com  as  razões  postas para as glosas efetuadas a contribuinte as  contestou por meio  dos argumentos que seguem.  No  tópico  "II.  Da  inexistência  de  obrigatoriedade  relacionada  a  emissão  de  Nota  Fiscal  por  conta  da  realização  de  operação  de  locação de  bem móvel"  a  contribuinte  inicialmente  discorre  sobre  "o  correto  tratamento  tributário  dispensado  pela  legislação  e  pelos  Tribunais pátrios com relação à locação de bens móveis", e alega:  (..)  resta  consolidado  no  ordenamento  jurídico  brasileiro  a  não  incidência do ISS sobre as atividades de locação relacionadas aos bens  móveis.  Assim sendo, nota­se na legislação que a obrigatoriedade de emissão  de Nota Fiscal esta  intimamente  vinculada ao controle do calculo do  ISS  sobre  o  preço  dos  serviços  de  contribuintes  sujeitos  ao  seu  pagamento.  Logo,  se  o  tributo  em  tela  não  incide  sobre  determinada  atividade, ou seja, sobre o seu preço, não se mantem a obrigatoriedade  de emitir Nota Fiscal et empresa que a realiza.  (. )  Se  irregularidade  alguma  houve,  aplicável  ao  caso  a  pena  pelo  descumprimento da obrigação tributário acessória de emissão de nota  fiscal  e  não  o  indeferimento  do  crédito,  que  encontra  amparo  na  legislação  tributária  federal  e  foi  apropriado  com  base  em  uma  operação efetivamente ocorrida, documentada Ressalte­se que o ilustre  auditor  fiscal  da Receita Federal  do Brasil  em  seu  relatório não põe  em dúvida a validade dos contratos de locação dos bens e nem a efetiva  realização  das  operações,  limitando­se  o  mesmo  a  desconsiderar  as  operações  do  contribuinte  com  base  em  suposta  simulação  e  caracterização de distribuição disfarçada de lucros...  Ademais,  os  vícios  de  simulação  e  distribuição  disfarçada  de  lucros  nem sequer foram imputados à operação de locação de empilhadeiras  realizada  entre  a  Contribuinte  e  a  empresa  Rochatop  Terminais  e  Operadores Portuários Ltda.  tendo  o  Auditor  Fiscal  da  RFB  desconsiderado  os  créditos  de  PIS/COFINS sobre estas despesas simplesmente pela ausência de notas  Fl. 955DF CARF MF Processo nº 10920.000343/2007­21  Resolução nº  3201­001.712  S3­C2T1  Fl. 955          7 fiscais,  como  se a despesa não  tivesse ocorrido  e  fosse necessária as  atividades da contribuinte.  Nos  tópicos  "III.  Da  inexistência  de  fraude  ou  simulação",  "IV.  Não  Caracterização  de  Distribuição  Disfarçada  de  Lucros"  e  "V.  Ainda  Sobre a Simulação:  Sua  Distinção  de  Negócio  Jurídico  Indireto  ­  Histórico  do  Negócio  Havido  entre  as Partes Contratantes  da  Locação" A  interessada  traz  argumentos  de  variada  ordem  tanto  no  sentido  de  demonstrar  a  irregularidade  do  feito  fiscal  como  em  defesa  da  regularidade  das  operações  de  locação  de  equipamentos  utilizados  em  sua  atividade  produtiva  a  fim  de  demonstrar  que  não  houve  qualquer  tipo  de  simulação  de  sua  parte  no  intuito  de  beneficiar­se  indevidamente  de  créditos  da  não­cumulatividade  da  contribuição  para  o  PIS  e  da  Cofins, criação de despesas dedutíveis na apuração do IRPJ e CSLL e  distribuição disfarçada de lucros.  Em relação aos  insumos aplicados na prestação de  serviços,  titulo  VI, a interessada inicialmente lista os bens e serviços adquiridos e seus  respectivos  fornecedores,  abaixo  reproduzida,  a  fim  de  que  "possam  ser analisados os argumentos":  (...)  Irresignada,  a  contribuinte  apresentou,  no  prazo  legal,  recurso  voluntário  (arquivo  não  paginável),  por  meio  do  qual  alega,  no  que  interessa ao deslinde do litígio, a nulidade do acórdão recorrido, com  fundamento nas seguintes razões de defesa:  Em  face  das  alegações  apresentadas  pela  empresa,  a DRJ  baixou  os  autos  em  diligência,  a  fim  de  que  a  unidade  preparadora  providenciasse a análise da demonstração e da composição da base de  cálculo do PIS não cumulativo, mediante a comprovação por meio de  documentos  contábeis  e/ou  fiscais.  Na  sua  realização,  requereu­se  a  entrega do balancete de março de 2003 e orientou­se a empresa sobre  o fato de que os Livros Diário e Razão deveriam ficar à disposição do  Fisco, caso requeridos.  Segue,  então,  argumentando  que  em  todos  estes  documentos  fiscais  evidencia­se  que  a  empresa  adquiriu  bens  ou  contratou  serviços  os  quais  foram  totalmente  aplicados  em  suas  atividades,  as  quais  se  relacionam  à  operação  portuária  e  envolvem  o maquinário  utilizado  para a sua realização; o que em nenhum momento foi impugnado pela  autoridade  fiscal.  Afirma  que  a  glosa  dos  créditos  de  PIS/COFINS  ocorreu, portanto,  conforme  se  infere da  invocação ao artigo 301 do  RIR/99  pela  autoridade  fazenddria,  pelo  fato  de  esta  ter  considerado  todas  as  aquisições  de  produtos  como  enquadráveis  no  ativo  imobilizado e não enquanto insumos.  Com base nesse entendimento, argumenta que os produtos adquiridos o  foram  com  a  finalidade  exclusiva  de  manter  os  seus  ativos  em  condições  operacionais  e  que,  quando  incorporados  as  respectivas  máquinas  e  equipamentos,  possuem  vida  útil  inferior  a  um  ano  e/ou  não aumentam a vida útil dos bens do seu ativo imobilizado em prazo  superior a um ano, razão pela qual não se justifica a sua incorporação  Fl. 956DF CARF MF Processo nº 10920.000343/2007­21  Resolução nº  3201­001.712  S3­C2T1  Fl. 956          8 ao ativo  permanente,  para  que  seja  então  depreciado  ou  amortizado.  Aduz  que  o  elevado  custo  de  aquisição  de  um  bem  não  impõe  sua  classificação  no  ativo  imobilizado  e  acrescenta  que  a  prova  do  aumento  da  vida  útil  do  bem para  além de  um ano,  para  fins  de  sua  inclUsdo no ativo imobilizado, cabe ao fisco, a teor de várias decisões  do Conselho de Contribuintes que elenca.  Por  fim,  em  relação  aos  outros  valores/operações  com  direito  a  crédito argumenta que, ao contrário do que afirma a autoridade fiscal,  forneceu  à  fiscalização  todos  os  documentos  necessários,  como  comprovam as cópias em anexo dos protocolos prestados pelo Auditor  Fiscal,  indicando  o  recebimento  dos  documentos  solicitados,  e  a  consignação que consta do recebimento dos documentos solicitados no  Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal. Aduz que, por  não  haver  qualquer  impugnação  especifica  quanto  aos  documentos  apresentados  por  esta  contribuinte,  torna­se  impossível  à  mesma  exercer  seu  direito  de  defesa  nos  termos  asseguradOs  pela  Constituição Federal de 1988. Pugna então pelo afastamento da glosa  em  vista  de  não  ser  verdadeira  a  informação  de  que  a  contribuinte  deixou  de  se  manifestar  quando  lhe  foram  solicitados  documentos  e  informações.  A 4ª Turma da Delegacia  da Receita  Federal  de  Julgamento  em Florianópolis  julgou  improcedente  a manifestação  de  inconformidade,  proferindo  o Acórdão DRJ/FNS  n.º  07­22.156, de 12/11/2010 (fls. 850 e ss.), assim ementado:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2004, 2005  PEDIDOS  DE  RESTITUIÇÃO,  COMPENSAÇÃO  OU  RESSARCIMENTO.  COMPROVAÇÃO  DA  EXISTÊNCIA  DO  DIREITO  CREDITÓRIO.  ÔNUS  DA  PROVA  A  CARGO  DO  CONTRIBUINTE.  No  âmbito  especifico  dos  pedidos  de  restituição,  compensação  ou  ressarcimento,  é  ônus  do  contribuinte/pleiteante  a  comprovação  minudente da existência do direito creditório.  PEDIDOS  DE  RESTITUIÇÃO.  COMPENSAÇÃO  OU  RESSARCIMENTO. CERCEAM ENTO DE DEFESA.  inexiste cerceamento de defesa quando ao contribuinte é oportunizado  contestar, por meio da Manifestação de lnconformidade, a razão dada  pela autoridade fiscal para não reconhecer o crédito pleiteado.  inexiste  cerceamento  de  defesa  quando  se  encontram  presentes  nos  autos as informações e os elementos necessários e bastantes para que à  contribuinte seja possível defender­se ampla e adequadamente.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Ano­calendário: 2004, 2005  Fl. 957DF CARF MF Processo nº 10920.000343/2007­21  Resolução nº  3201­001.712  S3­C2T1  Fl. 957          9 REGIME  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  CONDIÇÕES  DE  CREDITAMENTO.  Dão  direito  a  crédito,  no  âmbito  do  regime  da  não­cumulatividade,  custos  e  despesas  com  bens  e  serviços  adquiridos  de  pessoa  jurídica  domiciliada no Pais, utilizados como insumo na prestação de serviços e  na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados A venda.  REGIME DA NÃO­CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.  No regime da não­cumulatividade, só são considerados como insumos,  para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação  ou  produção  de  bens  destinados  A  venda;  as  matérias  primas,  os  produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros  bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de  propriedades  físicas  ou  químicas,  em  função  da  ação  diretamente  exercida  sobre  o  produto  em  fabricação,  desde  que  não  estejam  incluídas  no  ativo  imobilizado;  e  os  serviços  prestados  por  pessoa  jurídica  domiciliada  no  Pais,  aplicados  diretamente  na  prestação  de  serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à  venda.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito creditório não reconhecido  Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 880 e ss., por  meio do qual aponta equívoco da decisão ao dizer que houve parcial revelia dela (por não se  manifestar quanto a algumas glosas), porquanto todas as glosas teriam sido impugnadas; reitera  as  suas  razões  sobre o direito  aos  créditos  sobre  aluguéis de  equipamentos,  sobre  insumos e  serviços  de  outras  pessoas  jurídicas;  invoca,  noutros  termos,  alteração  de  fundamentos,  pela  Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, para a manutenção das glosas a título de  "outros valores/operações com direito a crédito", ao tempo em que menciona impossibilidade  de  exercício  de  defesa,  por  não  haver  impugnação  específica  aos  documentos  por  ela  apresentados, no mister de comprovar seus créditos. Evoca o art. 112 do CTN ­ in dubio pro  contribuinte.  Ao  final,  requer  a  reforma  da  decisão  de  primeiro  grau  e  o  reconhecimento  integral dos créditos.  O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental.   É o relatório.  Voto  Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator.  Presentes  os  demais  requisitos  de  admissibilidade,  entendemos  que  o  recurso  deve ser conhecido.  A  Recorrente,  pessoa  jurídica  que  presta  serviços  portuários,  notadamente  movimentação de cargas unitizadas em contêineres, apresentou diversos pedidos eletrônicos de  Fl. 958DF CARF MF Processo nº 10920.000343/2007­21  Resolução nº  3201­001.712  S3­C2T1  Fl. 958          10 ressarcimento  de  créditos  de  PIS/Cofins,  os  quais  também  serão,  nesta  mesma  assentada,  julgados em conjunto.  Conferido  em  parte,  em  alguns  processos,  o  direito  reclamado  e  indeferido  noutros,  a  Recorrente  apresentou manifestações  de  inconformidade,  posteriormente  julgadas  improcedentes pela DRJ.  Nos autos do processo de nº 10920.000216/2007­21,  já  julgado pela 3ª Turma  Especial  desta  3ª  Seção  do  CARF,  constatou  o  relator  do  Acórdão  nº  3803­005.250,  de  29/01/2014, conselheiro Corintho Oliveira Machado:  Em  preliminar,  cumpre  atentar  para  uma  alegação  trazida  pela  recorrente desde o início da lide ­ falta de impugnação específica aos  documentos  apresentados  pela  contribuinte,  no  mister  de  comprovar  seus  créditos  que,  de  fato,  dificultou  sobremaneira  a  defesa  da  ora  recorrente.  Esse  vício na  forma como  foram apresentadas as glosas dos  créditos  solicitados  (sem  discriminação  por  nota  fiscal,  ou  mesmo  por  fornecedor)  trouxe  não  só  dificuldade  de  defesa  para  a  contribuinte  mas também para o julgador de piso, conforme ver­se­á adiante.  Nota­se, no vestíbulo do voto, que a i. relatora elenca várias rubricas  que  teriam  sido  glosadas  pela  auditoria­fiscal  (reportadas  no  item  4.3.1.3 do Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal)1 e  que não  teriam sido objeto da manifestação de  inconformidade. Nada  obstante, ao se analisar a tabela de notas fiscais glosadas do despacho  decisório,  fl.  276,  encontra­se  um  total  de  24  notas  que  são  tratadas  conjuntamente pelo Fisco, como sendo de ativo imobilizado, materiais  de  uso/consumo  e  despesas  administrativas.  Pois  bem,  essas  notas  fiscais  todas  foram  objeto  sim  da  manifestação  de  inconformidade  apresentada,  não  sobrando  espaço  algum  para  glosas  não  manifestadas.  O tratamento das glosas no despacho decisório nesse formato genérico  trouxe ainda problemas de avaliação para o julgamento que exsurgem  nos  últimos  parágrafos  do  voto,  quando  são  tratados  os  serviços  de  “intermediação  de  negócios  comerciais”  prestados  pela  empresa  Cargotop  Participações  Ltda  e  os  serviços  de  “assistência  técnica”  prestados  pela  empresa  Demag  Granes  &  Componentes  Ltda.  O  acórdão  dá  a  entender  que  tais  valores  não  foram  informados  corretamente na linha 03 da ficha do Dacon (despesas com “Serviços  Utilizados como Insumo”) e por isso nada aqui cabe ser dito, por não  haver nenhuma glosa a esse título, entretanto, o despacho decisório é  claro  ao  mencionar  expressamente  as  notas  fiscais  relativas  a  esses  fornecedores no  item 2.2.1.1, não sendo  legítimo  ignorar a existência  das glosas expressas tão somente porque não foram informados os seus                                                              1 (...) Ressalte­se que gastos com materiais de consumo, despesas indiretas com pessoal entre essas: alimentação,  transporte,  cestas  básicas,  despesas  com  viagens,  uniformes  e  equipamentos  de  segurança  e  despesas  administrativas indiretas como projetos de produtos, assessoria empresarial ou comercial, honorários advocatícios,  serviços de telefonia fixa e móvel, comissões de venda e vigilância de seus estabelecimentos, evidentemente não  se  enquadram  no  conceito  de  insumo  e  não  podem  ser  considerados  para  fins  de  apuração  dos  créditos  de  PIS/PASEP e COFINS não­cumulativos. (...)  Fl. 959DF CARF MF Processo nº 10920.000343/2007­21  Resolução nº  3201­001.712  S3­C2T1  Fl. 959          11 valores  no  campo  correto  do  Dacon,  como  sentencia  o  decisum  guerreado.  Na mesma  linha  de  raciocínio  valor  não  informado no Dacon  está  a  rubrica  "Outros  Valores/Operações  com  Direito  a  Crédito",  porém  aqui  há  vício  explícito  do  despacho  decisório,  que menciona  a  glosa  dos  valores,  por  não  haver  qualquer  documento  trazido  pelo  contribuinte, mas não menciona o valor glosado a esse título.  Ao meu  sentir,  esses  vícios  na maneira  como  foram  apresentadas  as  glosas dos créditos solicitados, ainda no despacho decisório, geraram  efetivamente  cerceamento  do  direito  de  defesa  do  solicitante,  e  merecem ser declarados como nulidades sem chance de convalescença,  pois  inquinaram  todos  os  demais  atos  processuais  deste  contencioso,  sem prejuízo do refazimento do ato administrativo (despacho decisório)  de  forma  apropriada,  ou  seja,  com  a  necessária  discriminação  das  glosas dos créditos por documento apresentado, como requer desde o  início a recorrente.  Posto isso, voto pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso voluntário,  para declarar nulo o processo desde o despacho decisório inclusive.    Seguimos  o  voto  do  relator  na  parte  em  que  descreve  as  deficiências  do  Despacho Decisório, mas alvitramos desfecho diferente.  Entendemos que uma mera diligência poderá sanar as dúvidas a serem dirimidas  (art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972).  Pelo  exposto,  voto  por  CONVERTER  O  JULGAMENTO  EM  DILIGÊNCIA,  a  fim  de  que  a  unidade  preparadora  elabore,  para  o(s)  PER/DCOMP(s)  objeto dos autos, Relatório Fiscal detalhado sobre as razões das glosas, nos moldes em que já  realizado  quando  do  refazimento  do  Despacho  Decisório  que  acostou  ao  processo  nº  10920.000216/2007­21 (novo Despacho Decisório às fls. 1015/1041 do referido processo).  Encerrada  a  instrução  processual,  a  Recorrente  deverá  ser  intimada  para  manifestar­se  no  prazo  de  30  (trinta)  dias,  findo  o  qual,  sem  ou  com  apresentação  de  manifestação,  devem  os  autos  serem  devolvidos  a  este  Colegiado  para  a  continuidade  do  julgamento.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza             Fl. 960DF CARF MF Processo nº 10920.000343/2007­21  Resolução nº  3201­001.712  S3­C2T1  Fl. 960          12                 Fl. 961DF CARF MF

score : 1.0
7625438 #
Numero do processo: 18471.000258/2008-91
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. COMPROVAÇÃO. A omissão reiterada de informações ao Fisco (recorrência) em montantes significativos quando comparados com a receita declarada (relevância) pode caracterizar o dolo ensejador da multa qualificada. Não há como se admitir que a infração tenha sido fruto de mero erro ou negligência contábil. A conduta da contribuinte durante os trabalhos de auditoria também reforça o dolo na supressão dos tributos, em momento anterior. Foram inúmeros os termos de intimação, e conforme registrado no Termo de Constatação de Infração, o contribuinte não logrou êxito em respondê-los, nem tão pouco justificou e ou comprovou a origem dos recursos depositados em suas várias contas bancárias. A informação de que a contribuinte poderia estar vendendo a particulares veículos adquiridos com benefícios fiscais só agrava a infração de omissão de receita pela falta de comprovação da origem dos depósitos bancários. Nessas circunstâncias provado está, para além de qualquer dúvida razoável, o evidente intuito do agente em fraudar o Erário Público, sendo portanto cabível a qualificação da multa de ofício.
Numero da decisão: 9101-003.970
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente a conselheira Lívia De Carli Germano, substituída pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201901

camara_s : 1ª SEÇÃO

ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. COMPROVAÇÃO. A omissão reiterada de informações ao Fisco (recorrência) em montantes significativos quando comparados com a receita declarada (relevância) pode caracterizar o dolo ensejador da multa qualificada. Não há como se admitir que a infração tenha sido fruto de mero erro ou negligência contábil. A conduta da contribuinte durante os trabalhos de auditoria também reforça o dolo na supressão dos tributos, em momento anterior. Foram inúmeros os termos de intimação, e conforme registrado no Termo de Constatação de Infração, o contribuinte não logrou êxito em respondê-los, nem tão pouco justificou e ou comprovou a origem dos recursos depositados em suas várias contas bancárias. A informação de que a contribuinte poderia estar vendendo a particulares veículos adquiridos com benefícios fiscais só agrava a infração de omissão de receita pela falta de comprovação da origem dos depósitos bancários. Nessas circunstâncias provado está, para além de qualquer dúvida razoável, o evidente intuito do agente em fraudar o Erário Público, sendo portanto cabível a qualificação da multa de ofício.

turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS

dt_publicacao_tdt : Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019

numero_processo_s : 18471.000258/2008-91

anomes_publicacao_s : 201902

conteudo_id_s : 5965822

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019

numero_decisao_s : 9101-003.970

nome_arquivo_s : Decisao_18471000258200891.PDF

ano_publicacao_s : 2019

nome_relator_s : RAFAEL VIDAL DE ARAUJO

nome_arquivo_pdf_s : 18471000258200891_5965822.pdf

secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente a conselheira Lívia De Carli Germano, substituída pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza.

dt_sessao_tdt : Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019

id : 7625438

ano_sessao_s : 2019

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:38:27 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713051417577521152

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2065; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T1  Fl. 2          1 1  CSRF­T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  18471.000258/2008­91  Recurso nº               Especial do Procurador  Acórdão nº  9101­003.970  –  1ª Turma   Sessão de  16 de janeiro de 2019  Matéria  MULTA QUALIFICADA  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  PR SERVIÇOS, LOCAÇÃO, NEGÓCIOS E PARTICIPAÇÕES  IMOBILIARIAS EIRELLI ­ EPP    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2004  MULTA  QUALIFICADA.  EVIDENTE  INTUITO  DE  FRAUDE.  COMPROVAÇÃO.  A  omissão  reiterada  de  informações  ao  Fisco  (recorrência)  em  montantes  significativos quando comparados com a receita declarada (relevância) pode  caracterizar o dolo ensejador da multa qualificada. Não há como se admitir  que  a  infração  tenha  sido  fruto  de  mero  erro  ou  negligência  contábil.  A  conduta da contribuinte durante os  trabalhos de  auditoria  também  reforça o  dolo  na  supressão  dos  tributos,  em  momento  anterior.  Foram  inúmeros  os  termos  de  intimação,  e  conforme  registrado  no  Termo  de  Constatação  de  Infração,  o  contribuinte  não  logrou  êxito  em  respondê­los,  nem  tão  pouco  justificou e ou comprovou a origem dos recursos depositados em suas várias  contas bancárias. A informação de que a contribuinte poderia estar vendendo  a particulares veículos adquiridos com benefícios fiscais só agrava a infração  de  omissão  de  receita  pela  falta  de  comprovação  da  origem  dos  depósitos  bancários. Nessas circunstâncias provado está, para além de qualquer dúvida  razoável,  o  evidente  intuito  do  agente  em  fraudar  o  Erário  Público,  sendo  portanto cabível a qualificação da multa de ofício.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do  Recurso  Especial  e,  no mérito,  por maioria  de  votos,  em  dar­lhe  provimento,  vencido  o  conselheiro José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe negou provimento.   (assinado digitalmente)  Adriana Gomes Rêgo ­ Presidente     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 02 58 /2 00 8- 91 Fl. 805DF CARF MF Processo nº 18471.000258/2008­91  Acórdão n.º 9101­003.970  CSRF­T1  Fl. 3          2 (assinado digitalmente)  Rafael Vidal de Araujo ­ Relator   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  André  Mendes  de  Moura,  Cristiane  Silva  Costa,  Rafael  Vidal  de  Araújo,  Demetrius  Nichele  Macei,  Viviane  Vidal  Wagner,  Luis  Fabiano  Alves  Penteado,  José  Eduardo  Dornelas  Souza  (suplente  convocado),  Adriana  Gomes  Rêgo  (Presidente).  Ausente  a  conselheira  Lívia  De  Carli  Germano, substituída pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza.  Relatório  Trata­se  de  recurso  especial  de  divergência  interposto  pela  Procuradoria­ Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo  II  da  Portaria  MF  nº  343,  de  09/06/2015,  que  aprova  o  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (CARF),  em  que  se  alega  divergência  jurisprudencial  relativamente ao que se decidiu sobre a aplicação da multa qualificada de 150%.  A  recorrente  insurge­se  contra  o Acórdão  nº  1803­002.320,  de  27/08/2014,  por  meio  do  qual  a  3a  Turma  Especial  da  1a  Seção  de  Julgamento  do  CARF,  entre  outras  questões,  por  unanimidade  de  votos,  decidiu  reduzir  a multa  de  150%  para  o  percentual  de  75%,  relativamente  às  exigências  fiscais  que  subsistiram  no  curso  do  presente  processo,  apuradas com base na infração de omissão de receitas.  O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo:  ASSUNTO:  SISTEMA  INTEGRADO  DE  PAGAMENTO  DE  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  DAS  MICROEMPRESAS  E  DAS  EMPRESAS  DE  PEQUENO PORTE ­ SIMPLES   Exercício: 2007, 2008   NULIDADE.  DEVER  DE  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO  PELO  LANÇAMENTO.  No  caso  de  o  enfrentamento  das  questões  na  peça  de  defesa  denotar  perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento  não há que se falar em nulidade do ato em litígio.  Cabe  ao  Auditor­Fiscal  da  Receita  Federal  do  Brasil,  na  atribuição  do  exercício  da  competência  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  em  caráter  privativo,  no  caso  de  verificação  do  ilícito,  constituir  o  crédito  tributário,  cuja  atribuição  é  vinculada  e  obrigatória,  sob  pena  de  responsabilidade funcional.  OMISSÃO  DE  RECEITA.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  ORIGEM  NÃO  COMPROVADA.  A  pessoa  jurídica  fica  sujeita  à  presunção  legal  de  omissão  de  receita  caracterizada  pelos  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto à  instituição  financeira, em relação aos quais o  titular regularmente  intimada, não comprove, mediante documentação hábil  e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.  Fl. 806DF CARF MF Processo nº 18471.000258/2008­91  Acórdão n.º 9101­003.970  CSRF­T1  Fl. 4          3 Havendo  previsão  legal  e  procedimento  administrativo  instaurado,  a  prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas  pelo  órgão  fiscal  tributário  não  constitui quebra do sigilo bancário, mas de  mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantê­ los no âmbito do sigilo fiscal.  MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL.  A  multa  de  ofício  proporcional  é  uma  penalidade  pecuniária  aplicada  em  razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento  direto com a comprovação da conduta culposa.  DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.  Somente  devem  ser  observados  os  entendimentos  doutrinários  e  jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.  INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.  O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária.  LANÇAMENTOS DECORRENTES.  Os lançamentos de PIS, de CSLL, de COFINS e de INSS sendo decorrentes  das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa  leva  a  que  os  resultados  dos  julgamentos  destes  feitos  acompanhem  aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.  Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento  parcial  ao  recurso  voluntário.  Vencidos  os  Conselheiros  Ricardo  Diefenthaeler  e  Carmen  Ferreira  Saraiva  que  negavam  provimento  em  relação à dedução da base de cálculo do valor da receita constante na DIPJ.  Designado  o  Conselheiro  Sérgio  Rodrigues  Mendes  para  redigir  o  voto  vencedor. Ausente justificadamente o Conselheiro Henrique Heiji Erbano.  A  PGFN  afirma  que  o  acórdão  recorrido  deu  à  legislação  tributária  interpretação  divergente  da  que  tem  sido  dada  em  outros  processos,  relativamente  à matéria  acima mencionada.  Para  o  processamento  de  seu  recurso,  a  PGFN  desenvolve  os  argumentos  descritos abaixo:      DOS FATOS.  ­  imputou­se  ao  contribuinte  multa  de  ofício  no  percentual  de  150%.  A  incidência  da multa  qualificada  recebeu  a  devida  justificativa  por  parte  da  Fiscalização  (fls.  226):  A presente ação  fiscal  iniciou­se com base na  representação do Ministério  Público Federal do Rio  de Janeiro,  solicitando avaliar a oportunidade  e a  conveniência para possível ação fiscal em empresas que praticaram venda, a  particulares, de veículos novos adquiridos por locadoras e transportadoras,  Fl. 807DF CARF MF Processo nº 18471.000258/2008­91  Acórdão n.º 9101­003.970  CSRF­T1  Fl. 5          4 de  modo  direto  das  concessionárias,  com  benefícios  fiscais,  para  suposta  composição de  frota. Segundo o Ministério Público Federal, o  contribuinte  adquiriu 48 (quarenta e oito) veículos no ano de 2004.   A  denúncia  foi  encaminhada  ao  DIPAC,  que  analisou  a  declaração  da  empresa e junto com o dossiê de dados internos da Receita Federal do Brasil  programou  para  o  ano­calendário  de  2004  a  operação  movimentação  financeira,  por  verificar  incompatibilidade  entre  a  receita  declarada  e  a  movimentação financeira.   Tendo  em  vista  que:  1)  o  contribuinte  não  registrou  contabilmente  a  movimentação  financeira  ocorrida  durante  o  ano­calendário  de  2004  nas  seguintes instituições financeiras: Banco Banerj ­ Ag. 3432 ­ conta nº 09445­ 0; Banco Bradesco ­ Ag. 1075­8, conta nº 60.614­6; Banco Itaú ­ Ag. 6138 ­  conta nº 04572­6; Banco Santander  ­ Ag. 00247  ­  conta nº 0082335940;  e  Banco HSBC ­ Ag. 1609 ­ conta n° 06712­40; 2) o contribuinte não logrou  êxito em responder, nem  tampouco  justificar e ou comprovar a origem dos  recursos  descritos  no  Termo  de  Intimação  lavrados  em  02.04.2007,  24.04.2007,  22.05.2007,  20.06.2007,  23.07.2007,  02.08.2007,  11.08.2007,  03.10.2007, 30.1.2007, 28.12.2007, 25.02.2008 e 05.04.2008.   Devido à evidente OMISSÃO DE RECEITA, da Representação do Ministério  Público Federal, enfim, o conjunto dos fatos levou a fiscalização a majorar a  multa  de  oficio  para  150%,  procedendo­se  à  devida  Representação  Fiscal  para Fins Penais.   ­ tendo a fiscalização apurado que as receitas declaradas representam menos  de 17% das receitas omitidas, conforme se extrai do relatórios fiscal às fls.: 238:   A  movimentação  financeira  total  ocorrida  nas  contas  bancárias  do  contribuinte soma R$ 1.427.275,26, sendo que a Receita Declarada na DIPJ  2005 soma o valor de R$ 304.283,00.   ­ insurge­se a Fazenda Nacional contra o r. acórdão proferido pela e. Câmara  a quo que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário, para reduzir a  multa  do  lançamento  de  ofício  de  150%  ao  percentual  de  75%.  Confira­se  a  ementa  do  acórdão: [...];  ­ o colegiado a quo entendeu que não ficou comprovada a ocorrência de dolo,  fraude ou simulação, razão pela qual afastou a qualificação da multa. Data máxima vênia, o r.  acórdão, consoante se verá a seguir, merece reforma;  DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL.  ­  cuida­se  de  autuação  por  omissão  de  receitas  decorrente  de  depósitos  bancários de origem não comprovada, relativa aos fatos geradores ocorridos no ano­calendário  de  2004,  tendo  sido  imputada  multa  de  ofício  no  percentual  de  150%,  em  virtude  da  caracterização de evidente intuito de fraude;   ­  trata­se nos autos de  típico caso de dolo,  já que caracterizado o  intuito de  burlar  o  legítimo  pagamento  do  imposto  de  renda,  por  meio  da  conduta  de  declarar  valor  Fl. 808DF CARF MF Processo nº 18471.000258/2008­91  Acórdão n.º 9101­003.970  CSRF­T1  Fl. 6          5 inferior ao efetivamente auferido. O contribuinte demonstrou, ao omitir significativa quantia de  rendimentos  no  ano­calendário  de  2004,  a  intenção  de  impedir  ou  retardar,  total  ou  parcialmente,  o  conhecimento,  pela  autoridade  fazendária,  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais;  ­ desse modo, apresenta­se sem qualquer pecha a majoração da multa imposta  ao contribuinte, considerando­se  todo o corpo probatório e  indiciário que  instrui os presentes  autos, bem demonstrando a materialidade da conduta dolosa do sujeito passivo;  ­ nesse sentido, analisando caso concreto similar, já decidiu pela manutenção  da multa qualificada imposta ao contribuinte a colenda Terceira Câmara do Segundo Conselho  de Contribuintes, no âmbito do Acórdão 203­09.098, paradigma ora suscitado para demonstrar  a divergência de interpretação dada à lei tributária, cuja ementa se transcreve abaixo:  Acórdão : 203­09.098  COFINS  ­  MULTA  DE  OFÍCIO  ­  MAJORAÇÃO  DO  PERCENTUAL  ­  SITUAÇÃO QUALIFICATIVA ­ FRAUDE ­ O sujeito passivo, ao declarar e  recolher  valores menores  que aqueles devidos,  agiu de modo a  impedir  ou  retardar o conhecimento por parte da autoridade  fiscal do  fato gerador da  obrigação tributária principal, restando configurado que a autuada incorreu  na  conduta  descrita  como  sonegação  fiscal,  cuja  definição  decorre  do  art.  71,  I,  da  Lei  nº  4.502/64.  A  omissão  de  expressiva  e  vultosa  quantia  de  rendimentos  não  oferecidos  à  tributação  demonstra  a  manifesta  intenção  dolosa do agente, tipificando a infração tributária como sonegação fiscal. E,  em  havendo  infração,  cabível  a  imposição  de  caráter  punitivo,  pelo  que,  pertinente a infligência da penalidade inscrita no art. 44, II, da Lei nº 9.430.  (...) Recurso ao qual se nega provimento.  ­  o  acórdão  paradigma  acima  evidenciado  foi  claro,  em  caso  análogo  ao  presente, em manter a multa de 150%, por aplicação do art. 44, II, da Lei n.º 9.430/96, uma vez  constatado o evidente intuito de fraude, em hipótese, igualmente, em que o contribuinte omite  montante expressivo da renda auferida;   ­ com efeito, o v. acórdão ora recorrido desqualificou a multa de ofício, em  contrariedade ao artigo 44, inciso II, da Lei nº. 9.430/1996 (atual art. 44, I, c/c § 1º, da Lei n.º  9.430/96,  conforme  nova  redação  conferida  pela  Lei  n.º  11.488,  de  15  de  junho  de  2007,  resultante da conversão da MP n.º 351/2007), cujo teor é o seguinte: [...];  ­  para  bem  demonstrar  o  equívoco  em  que  laborou  o  acórdão  exarado,  é  importante  transcrever  ensinamento  de  Marco  Aurélio  Greco  (GRECO,  Marco  Aurélio.  Planejamento Tributário, Dialética, 2004, p. 231.), que assim se pronuncia ao dissertar sobre o  inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96:  Na  segunda  hipótese,  o  Fisco,  em  razão  dos  fatos  ocorridos,  tem  um  interesse a ser protegido (um crédito a haver) que é impedido ou  frustrado  pela  conduta  do  contribuinte.  É  o  que  se  poderia  chamar  de  fraude  em  sentido estrito ou de feição penal.  É nítido que o inciso II do artigo 44 está se referindo a este segundo tipo de  fraude  e não ao primeiro. Tanto  é assim que a parte  final do dispositivo  é  Fl. 809DF CARF MF Processo nº 18471.000258/2008­91  Acórdão n.º 9101­003.970  CSRF­T1  Fl. 7          6 explicita ao prever que a incidência da multa de 150% dar­se­á independente  de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.  Ora,  se  a  lei  em  questão  estabelece  que  tal  multa  tributária  incidira  independentemente de outras penalidades,  inclusive criminais,  isto significa  que  o  pressuposto  de  fato  captado  pelo  dispositivo  tributário  é  um  pressuposto de fato que também se enquadra em norma penal.  ­ o mencionado inciso II determina que além das hipóteses do inciso I, se faz  necessário integrar com as previsões dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n 4.502/64. Dispõem tais  artigos: [...];  ­ verifica­se que a sonegação, do artigo 71, refere­se à conduta (comissiva ou  omissiva)  para  impedir  ou  retardar  o  conhecimento  da  ocorrência  do  fato  gerador  ou  das  condições pessoais da contribuinte. Fraude, do artigo 72, que não se trata de fraude à lei, mas  ao  Fisco,  atua  na  formação  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  impedindo  ou  retardando  sua  ocorrência,  como,  também,  depois  de  formado,  modificando­o  para  reduzir  imposto ou diferir seu pagamento;  ­  repita­se,  para  consolidar  a  memória,  a  afirmação  do  autor  sobre  o  pressuposto de fato captado pelo dispositivo tributário: é um pressuposto de fato que também  se enquadra em norma penal;  ­ pois bem. Há necessidade de se analisar a conduta do(a) contribuinte, se de  fato ocorreu dano ao erário e se possuía ou devia possuir consciência de que causava o dano;  ­ no caso concreto, faz­se mister examinar se a materialidade da conduta se  ajusta à norma inserida nos artigos da Lei n° 4.502/64 a que remete a Lei n° 9.430/96 em seu  artigo  44,  inciso  II  (atual  art.  44,  I,  c/c  §  1°,  da  Lei  n.°  9.430/96,  conforme  nova  redação  conferida  pela  Lei  n.°  11.488,  de  15  de  junho  de  2007,  resultante  da  conversão  da MP  n.°  351/2007);  ­ de acordo com a autuação, durante todo o ano­calendário de 2004, apenas  cerca de 17% das receitas auferidas e apuradas pela Fiscalização foram escrituradas no Livro  Caixa. Vale a pena transcrever trecho do Termo de Verificação Fiscal:   A  movimentação  financeira  total  ocorrida  nas  contas  bancárias  do  contribuinte soma R$ 1.427.275,26, sendo que a Receita Declarada na DIPJ  2005 soma o valor de R$ 304.283,00.   ­  como  visto,  restou  cristalina  a  atividade  ilícita  do  autuado,  observada  a  partir  da  conduta  de  omitir  rendimentos  significativos,  para  os  quais  o  titular,  regularmente  intimado,  não  comprovou  a  respectiva  origem.  Tais  práticas  revelaram  evidente  intuito  fraudulento, a ensejar a  incidência da multa qualificada. Reforça tal constatação o fato de ter  sido o contribuinte sujeito à representação fiscal para fins penais;   ­ dessarte, conforme provam os documentos constantes dos autos que afastam  a possibilidade de mero erro do contribuinte, o sujeito passivo, repita­se, por sua ação firme e  abusiva,  em  burla  ao  cumprimento  da  obrigação  fiscal,  demonstrou  conduta  consciente  que  procura e obtém determinado resultado: enriquecimento sem causa;  Fl. 810DF CARF MF Processo nº 18471.000258/2008­91  Acórdão n.º 9101­003.970  CSRF­T1  Fl. 8          7 ­  a  esse  respeito,  dissertando  sobre  o  tipo  de  injusto  de  ação  doloso,  Luiz  Regis Prado (PRADO, Luiz Regis. Comentários ao Código Penal — 2ª ed., Editora Revista dos  Tribunais, 2003, p. 109) afirma desdobrar­se esse em tipo objetivo e tipo subjetivo;  ­  o  tipo  objetivo  desdobra­se  em  elementos  descritivos  (seres  ou  atos  perceptíveis  pelos  sentidos)  e  elementos  normativos,  os  quais  exigem  um  juízo  de  valor —  valoração jurídica (exs.: cheque, casamento) ou extrajurídica (ex. ato obsceno);  ­  o  tipo  subjetivo  abrange  os  aspectos  pertencentes  ao  campo  anímico  espiritual do agente. É formado pelo dolo (elemento subjetivo geral) e pelo elemento subjetivo  do injusto (elemento subjetivo especial do tipo). Assevera o autor: [...];  ­  para  o  elemento  subjetivo  do  injusto,  há  exigência  de  outros  elementos,  destacando­se,  para  o  caso,  o  especial  fim  de  agir,  onde  o  agente  busca  um  resultado  compreendido no tipo, mas que não precisa necessariamente alcançar;  ­  no  seu magistério,  Fernando Capez  (CAPEZ,  Fernando. Curso  de Direito  Penal: parte geral, vol. 1, 7ª ed., Saraiva, 2004, pp. 108 e 129) assevera que a ação ou omissão  humana,  consciente  e  voluntária,  dirigida  a  uma  finalidade,  é  conduta,  e  esta,  dolosa  ou  culposa,  corresponde a  um dos quatro  elementos do  fato  típico  (fato material  que  se amolda  perfeitamente aos elementos constantes do modelo previsto na lei penal);  ­  dai  deflui,  de  imediato,  que  surgem  como  elementos  da  conduta  a  consciência e a vontade, pois que a conduta foi realizada e, mais, dirigida a uma determinada  finalidade, além de ser exteriorizada;  ­ tudo considerado, conclui­se que o contribuinte:  i) praticou atividade  ilícita comprovada, detalhadamente descrita no auto de  infração, observada  a partir  da  apuração de omissão de  rendimentos decorrente de depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada,  em  atividade  que  reforça  o  intuito  de  fraude, motivo  pelo qual foi aplicada pela fiscalização a multa de 150%;   ii) como resultado de sua conduta dolosa, houve diminuição do efetivo valor  da obrigação tributária, com o conseqüente pagamento a menor do tributo devido, em evidente  prejuízo ao erário;   iii)  a  conduta  foi  sempre  resultado  de  sua  vontade,  livre  e  consciente,  objetivando impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade  fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal;   iv)  a  conduta demonstrou desprezo ao  cumprimento da obrigação  fiscal,  ao  princípio da solidariedade de matriz constitucional e ao dever legal de participação, indicando a  intensidade do dolo.   ­  por  todos os motivos  expostos,  deve ser mantida a qualificação da multa,  dado  que  amparada  nos  comandos  legais  aplicáveis  e  justificada  pelo  contexto  probante  que  instrui os presentes autos;  DO PEDIDO  Fl. 811DF CARF MF Processo nº 18471.000258/2008­91  Acórdão n.º 9101­003.970  CSRF­T1  Fl. 9          8 ­ ante o exposto, a União (Fazenda Nacional) requer seja conhecido e provido  o presente recurso, para reformar o acórdão exarado pela Câmara a quo, restabelecendo a multa  de 150% (cento e cinqüenta por cento), uma vez que configurado o evidente intuito de fraude  do contribuinte, nos termos da fundamentação supra, incidente o inciso II do artigo 44 da Lei  nº 9.430/96 (atual art. 44, I, c/c § 1º, da Lei n.º 9.430/96, conforme nova redação conferida pela  Lei n.º 11.488, de 15 de junho de 2007).  Quando  do  exame  de  admissibilidade  do Recurso Especial  da  PGFN,  o  Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado  em  26/04/2016,  deu  seguimento  ao  recurso,  fundamentando  sua  decisão  na  seguinte  análise  sobre a divergência suscitada:  [...]  I ­ Matéria objeto do recurso especial   A Fazenda Nacional  insurge­se contra a parte do acórdão em que foi  dado provimento parcial ao recurso voluntário para desqualificar a multa de  ofício.  [...]  III ­ Análise da admissibilidade do Recurso Especial   Passo  à  verificação  da  divergência  apontada  no  recurso,  quanto  à  matéria suscitada no recurso:   ­ Manutenção da multa qualificada de 150%.   A  Recorrente  pugna  pela  manutenção  da  multa  de  150%  sob  o  argumento  de  que  o  fato  de  a  contribuinte  declarar  menos  de  17%  das  receitas,  tendo­se comprovado omissão decorrente de depósitos bancários  de origem não comprovada, ensejaria a manutenção da multa  tal como foi  imputada.   Na decisão vergastada, adotou­se o entendimento de que haveria, tão  somente, conduta culposa da contribuinte, afastando­se o dolo.  O acórdão trazido à divergência foi assim ementado: [...];  Como se constata, o paradigma decidiu no mesmo sentido externado  pela  Recorrente,  o  de  que  a  conduta  reiterada  de  omitir  à  tributação  significativa parte de suas receitas manifesta a  intenção dolosa do agente,  ensejando a majoração do percentual da multa de ofício.   Tendo  em  vista  que  o  acórdão  combatido  julgou  que  tal  conduta  se  resumiria ao tipo culposo, considero comprovada a divergência.   DOU SEGUIMENTO À MATÉRIA.  Em 25/05/2016, a contribuinte foi intimada do Acórdão nº 1803­002.320, do  recurso especial da PGFN, e do despacho que admitiu esse recurso, e ela não apresentou nem  recurso  especial  contra  a  parte  da  decisão  que  lhe  foi  desfavorável,  e  nem  contrarrazões  ao  recurso da PGFN.    Fl. 812DF CARF MF Processo nº 18471.000258/2008­91  Acórdão n.º 9101­003.970  CSRF­T1  Fl. 10          9 É o relatório.  Fl. 813DF CARF MF Processo nº 18471.000258/2008­91  Acórdão n.º 9101­003.970  CSRF­T1  Fl. 11          10   Voto             Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator.  O  presente  processo  tem  por  objeto  lançamento  a  título  de  IRPJ  e  tributos  reflexos (CSLL, PIS, COFINS e  INSS) sobre fatos geradores ocorridos no ano­calendário de  2004.  A  autuação  fiscal  está  baseada  em  omissão  de  receita  apurada  a  partir  de  depósitos bancários não escriturados, com origem não comprovada.  A contribuinte era optante do Simples, e o lançamento foi realizado de acordo  com as regras desse sistema de tributação.  A omissão de receitas ainda gerou uma segunda infração ­ "insuficiência de  recolhimento"  sobre a  receita declarada,  em  razão das mudanças de  faixa de  faturamento no  decorrer do ano.  Para os valores apurados em razão da infração principal (omissão de receita),  foi  aplicada  a  multa  qualificada  de  150%.  E  para  a  segunda  infração  (insuficiência  de  recolhimento), foi aplicada a multa normal de 75%.  A  autuação  fiscal  foi  integralmente  mantida  pela  decisão  de  primeira  instância administrativa.  A  decisão  de  segunda  instância  (acórdão  ora  recorrido),  por  sua  vez,  deu  provimento parcial ao recurso voluntário para fins de desqualificar a multa de ofício aplicada, e  também  para  deduzir  as  receitas  declaradas  da  base  de  cálculo  dos  depósitos  bancários  de  origem não comprovada.  Com seu recurso especial, a PGFN procura  restabelecer a multa qualificada  para a infração de omissão de receitas.  Antes  de  adentrar  no  mérito  do  recurso  especial,  é  preciso  fazer  algumas  considerações sobre sua admissibilidade.  O acórdão recorrido afastou a qualificadora dizendo, entre outras coisas, que  “a  simples  apuração  de  omissão  de  receita  ou  de  rendimentos,  por  si  só,  não  autoriza  a  qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude  do sujeito passivo, nos termos do enunciado da Súmula CARF nº 14":  [...]  A  Recorrente  discorda  da  aplicação  da  multa  de  ofício  proporcional  qualificada.  Via  de  regra,  a  norma  jurídica  secundária  impõe  uma  sanção  em  decorrência  da  inobservância  da  conduta  prescrita  na  norma  jurídica  primária. A multa de natureza  tributária,  penalidade que  tem como  fonte a  Fl. 814DF CARF MF Processo nº 18471.000258/2008­91  Acórdão n.º 9101­003.970  CSRF­T1  Fl. 12          11 lei, é imposta em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal  ou  acessória  e  expressa  a  obrigação  de  dar  determinada  quantia  em  dinheiro ao sujeito passivo.  A  aplicação  da multa  de  ofício  proporcional  pressupõe a  constituição  do crédito tributário pelo  lançamento direito, diante da constatação da falta  de pagamento ou recolhimento, pela falta de declaração e pela declaração  inexata de obrigações tributárias pelo sujeito passivo.  Tem­se  que  a  multa  de  ofício  proporcional  pode  ser  reduzida  nos  seguintes  percentuais,  se  o  sujeito  passivo,  uma  vez  notificado,  efetuar  o  pagamento,  a  compensação  ou  o  parcelamento  dos  tributos  lançados  de  ofício: [...];  Houve  constituição  do  crédito  tributário  pelo  lançamento  direito  e  a  Recorrente  não  efetuou o  pagamento,  a  compensação  ou o  parcelamento  dos tributos lançados de ofício até a notificação da decisão administrativa de  primeira  instância,  de  modo  que  tem  cabimento  a  aplicação  da  multa  de  ofício proporcional.  No presente caso, não se verifica a má­fé, a omissão dolosa, o ajuste  doloso  tampouco  a  simulação  ou  falsificação  de  documentos.  Houve  tão­ somente a comprovação, de plano, da conduta culposa do agente, que é a  falta cometida contra um dever, por ação ou omissão, de forma a evidenciar  a inobservância de diligência que deveria ser observada quando da prática  de um ato a que se está obrigado.  A aplicação da multa de ofício proporcional qualificada não se justifica  tão­somente pela  falta de  registro contábil da movimentação  financeira, ou  seja,  dos  valores  creditados  na  conta­corrente  nº  094450  da  agência  nº  3432  do  Banco  Banerj  S/A,  fls.  3538,  na  conta­corrente  nº  60.6146  da  agência  nº  10758  do  Bradesco  S/A,  fls.  106112,  na  conta­corrente  nº  045726 da agência nº 6138 do Banco Itaú S/A, fls. 4652, na conta­corrente  nº 0082335940 da agência nº 00247 do Banco Santander S/A, fls. 5791, e  na conta­corrente nº 0671240 da agência nº 1609do Banco HSBC S/A, fls.  96105, conforme o Termo de Constatação Fiscal, fls. 154164.  Está  registrado  no  Termo  de  Constatação  Fiscal,  fls.  154164,  cujas  informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser  adotados de plano:  A  presente  ação  fiscal  iniciou­se  com  base  na  representação  do  Ministério  Público  Federal  do  Rio  de  Janeiro,  solicitando  avaliar  a  oportunidade e a conveniência para possível ação fiscal em empresas  que praticaram venda, a particulares, de veículos novos adquiridos por  locadoras e transportadoras, de modo direto das concessionárias, com  benefícios fiscais, para suposta composição de frota.  Segundo  o  Ministério  Público  Federal,  o  contribuinte  adquiriu  48  (quarenta e oito) veículos no ano de 2004.  A denúncia  foi encaminhada ao DIPAC que analisou a declaração da  empresa junto com o dossiê de dados Internos da Receita Federal do  Brasil  e  programou  para  o  ano  calendário  de  2004  a  operação  movimentação financeira por verificar incompatibilidade entre a receita  declarada e a movimentação financeira.  Fl. 815DF CARF MF Processo nº 18471.000258/2008­91  Acórdão n.º 9101­003.970  CSRF­T1  Fl. 13          12 Tendo em vista que:  1)  O  contribuinte  não  registrou  contabilmente  a  movimentação  financeira  ocorrida  durante  o  ano­calendário  de  2004  nas  seguintes  instituições  financeiras:  Banco  Banerj  Ag.  3432  conta  n°  094450,  Banco Bradesco Ag.  10758  conta  n°  60.6146  e Banco  Itaú Ag.  6138  conta n° 045726, Banco Santander Ag. 00247 conta n° 0082335940 e  Banco HSBC Ag. 1609 conta n° 0671240;   2)  O  contribuinte  não  logrou  êxito  em  responder,  nem  tão  pouco,  justificar e ou comprovar a origem dos recursos descritos nos Termos  de  Intimação  lavrados  em  02/04/2007,  24/04/2007,  22/05/2007,  20/06/2007,  23/07/2007,  02/08/2007,  11/08/2007,  03/10/2007,  30/11/2007, 28/12/2007 e 25/02/2008.  Observe­se que a representação do Ministério Público Federal do Rio  de  Janeiro  teve  por  escopo  a  simples  avaliação  da  “oportunidade  e  a  conveniência para possível ação fiscal em empresas que praticaram venda,  a  particulares,  de  veículos  novos  adquiridos  por  locadoras  e  transportadoras”.  Esses  fatos  não  são  suficientes  para  exigir  a  multa  de  ofício  qualificada,  pois,  “a  simples  apuração  de  omissão  de  receita  ou  de  rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo  necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo”,  nos termos do enunciado da Súmula CARF nº 14. No presente caso, deve­ se reduzir para 75% o percentual da multa de ofício proporcional aplicada. A  conclusão oferecida pela defendente subsiste nesse particular.  É preciso registrar que a referida súmula foi citada no sentido de reforço de  argumentação, e que ela não engloba todo o fundamento do acórdão recorrido, e nem poderia  servir a esse fim porque o seu comando não é de aplicação direta, objetiva, nem tem alcance  para tanto.  Com efeito, o próprio texto da Súmula CARF nº 14 faz uma devida ressalva  para a sua aplicação.  A  súmula  não  diz  que  a  simples  apuração  de  omissão  de  receita  ou  de  rendimentos  não  autoriza  a  qualificação  da multa  de  ofício,  o  que  ela  diz  é  que  "a  simples  apuração de omissão de  receita ou de  rendimentos,  por  si  só,  não  autoriza  a qualificação da  multa  de  ofício,  sendo  necessária  a  comprovação  do  evidente  intuito  de  fraude  do  sujeito  passivo".  Essa ressalva no conteúdo da súmula restringe o seu alcance, e mitiga o seu  comando. A questão que se apresenta é: se a omissão significativa de rendimentos configura ou  não a intenção de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento, pela autoridade  fazendária,  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  sua  natureza  ou  circunstâncias materiais  (evidente intuito de fraude), questão que está além da citada súmula,  porque não pode ser respondida por ela.  E  é  exatamente  por  isso  que  existem  muitas  decisões  do  CARF  (como  o  paradigma  trazido pela PGFN) que mantém a qualificadora em autuações senão  idênticas, ao  menos muito semelhantes à que sendo ora examinada.  Fl. 816DF CARF MF Processo nº 18471.000258/2008­91  Acórdão n.º 9101­003.970  CSRF­T1  Fl. 14          13 Acertado, portanto, o exame de admissibilidade do recurso especial.   A  divergência  restou  comprovada  e  o  recurso  deve mesmo  ser  conhecido.  Pelas  razões acima expostas, não se aplica aqui  a  regra  regimental que veda a apreciação de  recurso especial contra "decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de  jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF" (art. 67, §3º, do Anexo  II da Portaria MF nº 343/2015).  Logo,  conheço  do  recurso,  pois  este  preenche  os  requisitos  de  admissibilidade.   Nos  termos  do  inciso  II  do  art.  44  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  somente  se  admite a aplicação da multa no percentual de 150%, nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da  Lei nº 4.502, de 1964, que são os que contêm o  termo subjetivo  (evidente  intuito de  fraude)  demandado pela norma. Seguem os dispositivos citados:  Art. 71. Sonegação é  toda ação ou omissão dolosa  tendente a  impedir ou  retardar,  total  ou  parcialmente,  o  conhecimento  por  parte  da  autoridade  fazendária:   I­  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  sua  natureza ou circunstâncias materiais;   II­ das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação  tributária principal ou o crédito tributário correspondente;  Art.  72.  Fraude  é  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir  ou  retardar,  total  ou  parcialmente,  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar  as  suas  características  essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou  diferir o seu pagamento.  Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou  jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72.   Desse modo, a multa de 150% terá aplicação sempre que, em procedimento  fiscal, a autoridade lançadora reunir elementos que a convençam da ocorrência de sonegação,  fraude ou conluio.  Vê­se  que,  para  enquadrar  determinado  ilícito  fiscal  nos  dispositivos  dessa  lei, há necessidade de que esteja indicado o dolo. O dolo, que se relaciona com a consciência e  a  vontade,  é  pressuposto  de  todos  os  tipos  penais  de  que  trata  a  Lei  nº  4.502/64,  ou  seja,  a  vontade  de  obtenção  de  um  fim  em  desacordo  com  o  ordenamento  jurídico  ao  se  praticar  determinada conduta. Ou ainda, nos termos do inciso I do art. 18 do Código Penal (Decreto­Lei  nº 2.848, de 7/12/1940),  é o doloso o  crime quando o  agente quis o  resultado ou assumiu o  risco de produzi­lo.  Assim, a autoridade fiscal deve estar convencida e apresentar os motivos que  a convenceram de que a conduta praticada teve o intuito consciente voltado ao fim de suprimir  ou reduzir o pagamento do tributo ou contribuições devidos.  O dolo é a intenção da prática de um ato ilícito. Sendo um aspecto interno ao  agente, não se pode comprovar o dolo diretamente (a não ser por via da confissão ou, em países  Fl. 817DF CARF MF Processo nº 18471.000258/2008­91  Acórdão n.º 9101­003.970  CSRF­T1  Fl. 15          14 em  que  são  aceitos,  por  meio  de  testes  de  medição  da  verdade),  daí  que  o  dolo  deflue  do  conjunto  de  elementos  a  partir  dos  quais  seja muito  aceitável  ter  aquela  sido  a  intenção  do  agente da prática e que seja pouquíssimo aceitável de que tenha sido outra a intenção.   Ou ainda, sendo o dolo sempre comprovado  indiretamente, a verdade é que  comprovação  indireta  não  é  uma  comprovação  absoluta  (não  é  possível  comprovar  absolutamente  a  intenção,  que  é  um  elemento  subjetivo,  interior  ao  agente),  é  sempre  uma  comprovação suficiente, ou seja, trata­se de um convencimento de que houve comprovação.  As  expressões  "inequivocamente  comprovado",  "minuciosamente  comprovada",  "certeza  absoluta  do  dolo",  "plena  comprovação",  utilizadas  numa  velha  jurisprudência dos Antigos Conselhos de Contribuintes (que, depois, chegou a ser encampada  por algumas das turmas de julgamento de primeira instância), equivalem, em termos literários  ao  sonho  de  Tartarim1  de  Tarascon,  personagem  do  clássico  francês  escrito  por  Alphonse  Daudet  em  1872,  sonho  este  que  consistia  em  caçar  leões  pelos  corredores  da  casa,  onde,  porventura, não há senão ratos e pouco mais; ou ainda, em termos populares, a enveredar na  busca de um unicórnio sabendo da inexistência do mesmo.  Assim, pode­se afirmar que a autoridade lançadora, ao qualificar a autuação,  esteve  convencida da  intenção da prática do  ilícito,  ou  seja,  esteve  convencida do dolo  e da  ocorrência da sonegação, o que a conduziu a aplicar a multa qualificada. Da mesma forma, o  dolo estará  suficientemente comprovado quando o  julgador  tiver  firmado seu convencimento  de  que  a  conduta  foi  dolosa.  Somente  após  os  sucessivos  convencimentos  do  aplicador  (autoridade  fiscal)  e  dos  intérpretes  (julgador/conselheiro/juiz)  da  lei  quanto  à  correta  subsunção  dos  fatos  específicos  à  norma  penal  é  que  o  dolo  estará  definitivamente  comprovado.  Portanto, a discussão desloca­se para a aferição do que é aceitável/razoável,  para  fins  de  convencimento  da  intenção  de  agir.  E,  nesta  aferição,  são  muito  importantes  critérios  de  relevância  (magnitude  do  que  está  em  jogo)  e  de  recorrência/reiteração  (repetição ao longo do tempo) da conduta. Por que esses critérios?  Certamente é natural que se cometam erros até certo ponto e mesmo erros de  razoável magnitude e, da mesma forma, é natural que se cometam erros durante um certo lapso  de tempo. Não obstante, a medida que crescem a relevância e a duração da prática no tempo;  decresce, na mesma medida, a probabilidade de algo  ter  sido  fruto de mero erro  (é o que se  denomina de inversamente proporcional) e aumenta a probabilidade de ter sido premeditado ou  intencional.  São  duas  faces  da mesma moeda:  num  lado  está  o  erro,  o  equívoco;  no  outro  a  intenção  (de  fazer  algo  errado  ou  de  deixar  de  fazer  algo  certo  a que  se  estava  obrigado),  a  vontade de obtenção de um fim ao se praticar uma conduta.   A combinação desses critérios também pode ser determinante: pode­se errar  pouco durante muito tempo, assim como errar muito num curto espaço de tempo; agora errar  muito durante muito tempo é algo que desafia o bom senso do homem comum (e porque não  dizer até do homem um pouco fora do desvio padrão).                                                              1  Homem  que  carrega  “a  alma  de  Dom  Quixote”  e  “o  corpo  barrigudo  e  atarracado”  de  Sancho  Pança,  personagens imortalizados pelo castelhano Miguel de Cervantes num dos maiores clássicos da literatura universal:  “Dom Quixote”.  Fl. 818DF CARF MF Processo nº 18471.000258/2008­91  Acórdão n.º 9101­003.970  CSRF­T1  Fl. 16          15 Não  obstante  essas  diretrizes,  há  ainda  excludentes  do  dolo,  não  tanto  excludentes  na  intenção,  mas  sim  muito  mais  na  consciência  do  ilícito;  que,  para  sua  configuração,  exige  que  haja:  i)  o  reconhecimento  da  intenção  do  que  foi  praticado;  e  ii)  a  existência  de  uma  justificativa  plausível  para  se  ter  adotado  determinado  comportamento  (a  exemplo  de  dúvida  na  interpretação  de  norma  legal,  erro  de  cálculo  no  qual  possa  ser  identificado  a  imprecisão  na  fórmula  do  cálculo  e  que  seja  coerente  com  os  valores  daí  decorrentes, etc).  Na mesma linha (na verdade, na sua origem) da aferição a partir dos critérios  da  relevância  e  da  recorrência  (ou  reiteração),  situa­se  o  Acórdão  nº  1201­001.048,  de  04/06/2014, fundamentado em voto do Conselheiro Marcelo Cuba Netto, o qual reflete, a meu  juízo,  a mais  evoluída  e  moderna  jurisprudência  sobre  o  tema.  Confira­se  a  ementa  do  mesmo, na parte pertinente:  CONDUTA DOLOSA. COMPROVAÇÃO.  Havendo a omissão de receitas sido levada a efeito pelo sujeito passivo por  três  anos  consecutivos  (recorrência),  em montantes  significativos  quando  comparados  com  a  receita  declarada  (relevância),  e  dadas  as  demais  circunstâncias do caso, não há como se admitir que a infração possa ter  sido fruto de mero erro ou negligência contábil. Nessas circunstâncias  provado está, para além de qualquer dúvida razoável, o dolo do agente.  Vale  também  transcrever  trechos do voto que orientou o Acórdão nº 1201­ 000.841, de 06/08/2013, da lavra do mesmo conselheiro acima mencionado:  Mas  antes  de  arrolar  as  razões  pelas  quais  entendo  haver  sido  comprovado o dolo, desejo refutar a idéia segundo a qual não seria possível  qualificar­se  a  multa  de  ofício  em  casos  de  presunção  de  omissão  de  receita. Como a prova do dolo é sempre indireta, os defensores dessa idéia  afirmam que haveria "presunção da presunção".  Pois bem, quanto a isso bastaria apontarmos o texto da aludida súmula  25  do  CARF,  que  expressamente  admite  a  qualificação  da  multa  em  infrações  apuradas  por  presunção  legal,  desde  que  comprovada  a  ocorrência do dolo em qualquer das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e  73 da Lei n° 4.502/64.  Mas  não  é  só.  ...,  os  elementos  de  prova  juntados  em  qualquer  processo  não  são  propriamente  "prova"  dos  fatos  alegados  pelas  partes  enquanto  o  órgão  julgador  não  disser  estar  convencido  de  que  aqueles  elementos "provam" o fato alegado.  ...  A  questão,  portanto,  recai  sobre  o  "grau"  de  convencimento  do  julgador a fim de que ele possa afirmar que os elementos de prova juntados  aos autos "provam" o fato alegado.  As  afirmações acima são particularmente  importantes quando o  fato a  ser provado é o dolo do agente. ... Nesse sentido, o julgador dirá que está  convencido  de  que  os  elementos  indiretos  de  prova  juntados  aos  autos  "provam"  o  fato  alegado  quando  atingido  determinado  grau  de  convencimento.  Fl. 819DF CARF MF Processo nº 18471.000258/2008­91  Acórdão n.º 9101­003.970  CSRF­T1  Fl. 17          16 O  voto  vencedor  que  orientou  o  já  referido  Acórdão  nº  1201­001.048,  de  04/06/2014, que subsidiou a ementa transcrita acima, traz outros referenciais sobre o tema em  pauta:   Iniciemos então o exame do julgado da DRJ pela afirmação de que " [A]  princípio, o dolo não se presume...".    Como é cediço, dolo é a vontade livre e consciente de uma pessoa se  conduzir contrariamente ao estabelecido pela ordem jurídica. E uma vez que  a vontade é algo  interno à consciência humana, não pode ser ela provada  por meios diretos, a não ser pela declaração prestada pelo próprio agente.    Isso  posto,  ao  contrário  do  afirmado  pela  DRJ,  o  dolo  do  agente,  no  mais  das  vezes,  somente  poderá  ser  provado  por  meios  indiretos,  em  especial mediante presunção tomada a partir da experiência comum ou pela  observação do que ordinariamente acontece (art. 335 do CPC). Somente na  (raríssima) hipótese de confissão do agente é que se pode falar em prova  direta do dolo.    A outra afirmação do órgão a quo que merece comentário é a que diz  respeito à exigência de prova "inconteste e cabal" do dolo.    É que, ao  contrário do alegado pela DRJ, o  direito  [qualquer  ramo do  direito] não exige que o convencimento do julgador acerca da "verdade dos  fatos"  atinja  o  grau  de  "certeza". Admite  que  o  convencimento  se  dê  com  base apenas em verossimilhança, ou seja, que seja provável, ainda que não  seja absolutamente  inconteste, que a  "verdade dos  fatos" seja essa e não  aquela.  Trata­se  aqui  de  um  dos  aspectos  do  princípio  do  livre  convencimento motivado.    Mesmo  sem  adentrarmos  nos  alicerces  teóricos  dessa  afirmação2,  é  intuitivo que,  no mais das vezes,  o  direito  se  contente  com mero  juízo de  verossimilhança. Seja porque, por vezes, o grau de certeza é impossível de  ser  alcançado  no  caso  concreto.  Seja  porque, mesmo  nos  casos  em  que  teoricamente  isso  seja  possível,  a  dificuldade  para  alcançá­lo  tornaria  o  processo infindável.    Apenas para ilustrar o que acima foi dito, a prova pericial lastreada em  exame  de  DNA  de  duas  pessoas  distintas  poderá  concluir,  com  probabilidade superior a 99,99%, mas não de 100%, que uma delas é o pai  biológico da outra. Acaso o direito exigisse que o convencimento do julgador  acerca da "verdade dos fatos" devesse alcançar o grau de "certeza", o juiz  não poderia proferir sentença declarando a paternidade.    Outro  exemplo.  No  rumoroso  caso  Nardoni  é  inquestionável  que,  mesmo  diante  de  um  conjunto  probatório  robusto,  não  foi  possível  aos  membros  do  Tribunal  do  Juri  alcançar  um  convencimento  com  grau  de  "certeza" acerca da culpa dos  réus. Não há dúvida de que a alegação da  defesa, segundo à qual o autor do crime teria sido uma terceira pessoa que                                                              2 Na doutrina pátria vide, dentre outros, Luiz Guilherme Marinoni, in Formação da Convicção e Inversão  do  Ônus  da  Prova  Segundo  as  Peculiaridades  do  Caso  Concreto  (artigo  acessado  no  sítio  http://www.abdpc.org.br/abdpc/artigos/Luiz%20G%20Marinoni(15)%20­formatado.pdf).  Entre  os muitos  trabalhos  estrangeiros  sobre  o  assunto  confira  James Q. Whitman  in The Origins  of  "Reasonable  Doubt"  (artigo  acessado  no  sítio  http://digitalcommons.law.yale.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1000&context=fss_papers).  Fl. 820DF CARF MF Processo nº 18471.000258/2008­91  Acórdão n.º 9101­003.970  CSRF­T1  Fl. 18          17 se encontrava no apartamento quando os acusados lá chegaram, apesar de  improvável,  não  chegou  a  ser  cabalmente  afastada.  Apesar  disso,  o  Juri  concluiu pela culpa dos réus, o que claramente foi feito com base em juízo  de verossimilhança.    Os exemplos acima referidos estão longe de ser incomuns. Em verdade  os julgados lastreados em juízo de verossimilhança são bastante freqüentes  em  todos  os  ramos  do  direito.  Não  me  surpreenderia,  inclusive,  se  uma  eventual pesquisa sobre o assunto revelasse que os julgados lastreados em  juízo de verossimilhança são em número bem superior àqueles tomados em  juízo de certeza.    Bem, mas se é inescusável o fato de que o convencimento do julgador  poderá ser validamente alcançado com base em  juízo de verossimilhança,  então a questão a ser discutida resume­se ao grau desse convencimento.    Embora  a  jurisprudência  pátria  ainda  não  tenha  expressamente  estabelecido os padrões (standards) de grau de convencimento que devam  ser adotado em cada caso concreto, é indiscutível que em processos penais  os julgadores, ainda que intuitivamente, exigem um grau de verossimilhança  alto para se declararem convencidos acerca da "verdade dos fatos" em caso  de condenação.    Esse  padrão  de  grau  de  convencimento  alto  por  nós  empregado  no  âmbito  do  direito  penal  em  caso  de  condenação  é  denominado  no  direito  norte  americano  de  evidência  para  além  de  qualquer  dúvida  razoável  (evidence beyond a reasonable doubt)3.    Em resumo, o emprego desse padrão implica que, para condenar o réu,  o julgador somente se considerará convencido sobre a "verdade dos fatos"  quando houver um alto grau de verossimilhança entre  as alegações  feitas  pela acusação e aquilo que for possível concluir com base nos elementos de  prova  presentes  nos  autos.  Havendo  dúvida  razoável,  julgador  deverá  considerar­se não convencido. Todavia,  incertezas que extrapolem o  limite  do razoável devem ser desprezadas, tal como o foram nos exemplos antes  referidos (paternidade e caso Nardoni).    É certo que esse grau de convencimento alto, no mais das vezes, não é  possível de ser determinado de maneira exata, comportando assim um certo  subjetivismo. Em outras palavras, diante de um mesmo caso concreto, um  julgador  poderá  se  considerar  convencido,  para  além  de  qualquer  dúvida  razoável, acerca da culpa do acusado, enquanto outro poderá entender que  ainda  restam  dúvidas  razoáveis  que  impossibilitam  a  condenação.  Esse  subjetivismo,  entretanto,  é  minimizado  pela  necessária  motivação  da  decisão e pelo duplo4 grau de jurisdição.  Dito isso, adoto neste julgamento esse rigoroso parâmetro/critério de grau de  convencimento  que  me  permita  afirmar,  para  além  de  qualquer  dúvida  razoável,  que  os  elementos  de  prova  juntados  aos  autos  "provam"  o  dolo  do  agente.  Em  outras  palavras,                                                              3 Esse padrão de grau de convencimento alto é também adotado nas cortes norte americanas nos julgamentos de  processos penais. Existem, todavia, outros padrões de convencimento lá empregados, todos com grau mais baixo  do que o do evidence beyond a reasonable doubt. Uma explanação bastante  resumida da aplicação de cada um  desses padrões pode ser encontrada em http://en.wikipedia.org/wiki/Legal_burden_of_proof.  4 Essa minimização do subjetivismo é maior ainda quando se considera que o processo administrativo fiscal ainda  poderá ser submetido à apreciação judicial.  Fl. 821DF CARF MF Processo nº 18471.000258/2008­91  Acórdão n.º 9101­003.970  CSRF­T1  Fl. 19          18 segundo  esse  critério,  os  elementos  de  prova  "provarão"  o  dolo  se,  e  somente  se,  me  proporcionarem o convencimento, para além de qualquer dúvida razoável, de que o agente agiu  dolosamente.  Pois  bem,  o  Termo  de  Constatação  de  Infração  (e­fls.  153/156  do  vol.  1)  aponta os seguintes fatos para justificar a qualificação da multa:  A  movimentação  financeira  total  ocorrida  nas  contas  bancárias  do  contribuinte soma R$ 1.427.275,26, sendo que a Receita Declarada na DIPJ  2005 soma o valor de R$ 304.283,00.  A  presente  ação  fiscal  iniciou­se  com  base  na  representação  do  Ministério  Público  Federal  do  Rio  de  Janeiro,  solicitando  avaliar  a  oportunidade e a conveniência para possível ação fiscal em empresas que  praticaram venda, a particulares, de veículos novos adquiridos por locadoras  e  transportadoras,  de  modo  direto  das  concessionárias,  com  benefícios  fiscais,  para  suposta  composição  de  frota.  Segundo  o  Ministério  Público  Federal,  o  contribuinte  adquiriu  48  (quarenta  e  oito)  veículos  no  ano  de  2004.  A denúncia  foi encaminhada ao DIPAC que analisou a declaração da  empresa junto com o dossiê de dados Internos da Receita Federal do Brasil  e  programou  para  o  ano  calendário  de  2004  a  operação  movimentação  financeira  por  verificar  incompatibilidade  entre  a  receita  declarada  e  a  movimentação financeira.  Tendo em vista que:  1)  O  contribuinte  não  registrou  contabilmente  a  movimentação  financeira  ocorrida  durante  o  ano­calendário  de  2004  nas  seguintes  instituições financeiras: Banco Banerj ­ Ag. 3432 ­ conta n° 09445­0, Banco  Bradesco ­ Ag. 1075­8 ­ conta n° 60.614­6 e Banco Itaú ­ Ag. 6138 ­ conta  n° 04572­6, Banco Santander ­ Ag. 00247 ­ conta n° 0082335940 e Banco  HSBC ­ Ag. 1609 ­ conta n° 06712­40;  2)  O  contribuinte  não  logrou  êxito  em  responder,  nem  tão  pouco,  justificar  e  ou  comprovar  a  origem dos  recursos  descritos  nos  Termos  de  Intimação  lavrados  em  02/04/2007,  24/04/2007,  22/05/2007,  20/06/2007,  23/07/2007, 02/08/2007, 11/08/2007, 03/10/2007, 30/11/2007, 28/12/2007 e  25/02/2008.  Devido  a  evidente  OMISSÃO  DE  RECEITA,  da  Representação  do  Ministério Público Federal, enfim, o conjunto dos fatos levou a fiscalização a  majorar  a  multa  de  ofício  para  150%,  procedendo­se  a  devida  Representação Fiscal Para Fins Penai  Os  fatos  apontados  configuram  evidências  suficientes  para  me  convencer,  para  além  de  qualquer  dúvida  razoável,  de  que  a  infração  apurada  tem  a marca  do  dolo  da  contribuinte. Pois não é razoável admitir­se que tenha sido fruto de mero erro ou negligência o  fato  de  a  pessoa  jurídica,  relativamente  a  todo  o  ano­calendário  de  2004,  omitir  receitas  em  valores tão significativos, quando comparados com as receitas declaradas ao Fisco.     Fl. 822DF CARF MF Processo nº 18471.000258/2008­91  Acórdão n.º 9101­003.970  CSRF­T1  Fl. 20          19 Há  relevância  na  infração,  porque  a  contribuinte  omitiu  valores  bastante  significativos  quando  comparados  com  as  receitas  declaradas.  E  também  há  recorrência,  porque  essa  forma de  proceder  foi  constatada  ao  longo dos  doze meses  fiscalizados. Não  se  trata da omissão relativa a um simples depósito bancário, ou a alguns poucos depósitos.  A conduta da contribuinte durante os trabalhos de auditoria também reforça o  dolo na supressão dos tributos, em momento anterior. Foram inúmeros os termos de intimação,  e conforme registrado no Termo de Constatação de Infração, o contribuinte não  logrou êxito  em respondê­los, nem tão pouco justificou e ou comprovou a origem dos recursos depositados  em suas várias contas bancárias.   Destaco  ainda  a  circunstância  de  que  a  ação  fiscal  foi  motivada  por  "representação  do  Ministério  Público  Federal  do  Rio  de  Janeiro,  solicitando  avaliar  a  oportunidade e a conveniência para possível ação fiscal em empresas que praticaram venda, a  particulares, de veículos novos adquiridos por locadoras e transportadoras, de modo direto das  concessionárias, com benefícios fiscais, para suposta composição de frota".   Consta ainda a informação de que, "segundo o Ministério Público Federal, o  contribuinte adquiriu 48 (quarenta e oito) veículos no ano de 2004."  A  meu  ver,  e  ao  contrário  do  que  entendeu  o  acórdão  recorrido,  essa  informação  de  que  a  contribuinte  poderia  estar  vendendo  a  particulares  veículos  adquiridos  com benefícios fiscais só agrava a infração de omissão de receita pela falta de comprovação da  origem dos depósitos bancários.  O entendimento defendido pelo acórdão recorrido, no sentido de que "a falta  cometida  contra  um  dever,  por  ação  ou  omissão,  de  forma  a  evidenciar  a  inobservância  de  diligência  que  deveria  ser  observada  quando  da  prática  de  um  ato  a  que  se  está  obrigado"  configura  apenas  conduta  dolosa  não mais  está  em  consonância  com  a  atual  jurisprudência  administrativa.  Aliás, relativamente à conduta reiterada em omitir informações do Fisco, que  se caracteriza como elemento para convencimento dos julgadores quanto ao dolo que conduz à  qualificação  da multa  de  ofício,  não  é de  hoje  que  a  jurisprudência  desta Turma da Câmara  Superior (bem como de outros colegiados do CARF) vem admitindo­a, conforme se depreende  dos precedentes abaixo:  MULTA AGRAVADA ­ CONDUTA REITERADA ­ Nos termos da jurisprudência  majoritária da CSRF, e das Câmaras da Primeira Seção do CARF, a prática reiterada  de  infrações  à  legislação  tributária  denota  a  intenção  dolosa  do  contribuinte  defraudar  a  aplicação  da  legislação  tributária  e  lesar  o  Fisco.  (Acórdão  nº  9101­ 00.140, sessão de 12/05/2009, da relatoria do Conselheiro Antônio Carlos Guidoni  Filho).   MULTA QUALIFICADA DE 150% ­ A aplicação da multa qualificada pressupõe a  comprovação  inequívoca  do  evidente  intuito  de  fraude,  nos  termos  do  artigo  44,  inciso  II,  da Lei  9430/96. O  fato  de  o  contribuinte  ter  apresentado Declaração  de  Rendimentos de forma reiterada e com valores significativamente menores do que o  apurado, legitima a aplicação da multa qualificada. (Acórdão nº 9101­00.172, sessão  de 15/06/2009, que teve por relatora a Conselheira Karem Jureidini Dias).  Fl. 823DF CARF MF Processo nº 18471.000258/2008­91  Acórdão n.º 9101­003.970  CSRF­T1  Fl. 21          20 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA É aplicável a multa de oficio qualificada de  150%  naqueles  casos  em  que  restar  constatado  o  evidente  intuito  de  fraude.  A  conduta  ilícita  reiterada  ao  longo  do  tempo,  descaracteriza  o  caráter  fortuito  do  procedimento, evidenciando o  intuito doloso  tendente  à  fraude.  (Acórdão nº 9101­ 00.320, sessão de 25/08/2009, relator o Conselheiro Antônio Praga).  MULTA  DE  OFÍCIO  QUALIFICADA.  Cabível  quando  o  Contribuinte  presta  declaração, em três anos consecutivos, com os valores zerados, não apresenta DCTF  nem realiza qualquer pagamento. Este conjunto de fatos demonstra a materialidade  da  conduta,  configurado  o  dolo  especifico  do  agente  evidenciando  não  somente  a  intenção  mas  também  o  seu  objetivo.  (Acórdão  nº  9101­00.417,  sessão  de  03/11/2009, relatora a Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Moteiro).  Logo,  pelas  circunstâncias  descritas  neste  processo,  estando  presentes  o  elemento  subjetivo  (dolo  de  omitir/retardar  o  conhecimento  do  Fisco  do  fato  gerador)  e  o  elemento  objetivo  (ausência  de  recolhimento  dos  tributos  devidos),  decido  que  a  infração  relativa à omissão de receitas se amolda perfeitamente à hipótese descrita no art. 71 da Lei nº  4.502/1964 (sonegação), o que leva ao restabelecimento da multa qualificada no percentual de  150%.  Desse modo, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso especial da  PGFN.  Em síntese, voto por CONHECER do recurso e DAR­LHE PROVIMENTO.  (assinado digitalmente)  Rafael Vidal de Araujo                              Fl. 824DF CARF MF

score : 1.0
7589886 #
Numero do processo: 10314.005370/2011-14
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 26/03/2011 PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES INTEMPESTIVA NO SISCOMEX. É devida a multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. LEGITIMIDADE PASSIVA. O recorrente na condição de agente de carga possui legitimidade passiva nos termos previstos na lei.
Numero da decisão: 3003-000.003
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva. (Assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente. (Assinado digitalmente) Márcio Robson Costa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Márcio Robson Costa (relator), Marcos Antonio Borges (presidente) e Vinicius Guimarães.
Nome do relator: MARCIO ROBSON COSTA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201812

ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 26/03/2011 PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES INTEMPESTIVA NO SISCOMEX. É devida a multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. LEGITIMIDADE PASSIVA. O recorrente na condição de agente de carga possui legitimidade passiva nos termos previstos na lei.

turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019

numero_processo_s : 10314.005370/2011-14

anomes_publicacao_s : 201901

conteudo_id_s : 5957494

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019

numero_decisao_s : 3003-000.003

nome_arquivo_s : Decisao_10314005370201114.PDF

ano_publicacao_s : 2019

nome_relator_s : MARCIO ROBSON COSTA

nome_arquivo_pdf_s : 10314005370201114_5957494.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva. (Assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente. (Assinado digitalmente) Márcio Robson Costa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Márcio Robson Costa (relator), Marcos Antonio Borges (presidente) e Vinicius Guimarães.

dt_sessao_tdt : Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018

id : 7589886

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:37:02 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713051417613172736

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1437; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C0T3  Fl. 91          1 90  S3­C0T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10314.005370/2011­14  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3003­000.003  –  Turma Extraordinária / 3ª Turma   Sessão de  11 de dezembro de 2018  Matéria  MULTA REGULAMENTAR ADUANEIRA  Recorrente  WILSON SONS AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 26/03/2011  PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES INTEMPESTIVA NO SISCOMEX.   É devida a multa pelo descumprimento da obrigação de prestar  informação  sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo  estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.  LEGITIMIDADE PASSIVA.  O  recorrente  na  condição  de  agente  de  carga  possui  legitimidade  passiva  nos  termos previstos na lei.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento  ao  Recurso  Voluntário.  Declarou­se  impedido  de  participar  do  julgamento  o  conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva.  (Assinado digitalmente)  Marcos Antonio Borges ­ Presidente.   (Assinado digitalmente)  Márcio Robson Costa ­ Relator.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Márcio Robson Costa  (relator), Marcos Antonio Borges (presidente) e Vinicius Guimarães.         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 53 70 /2 01 1- 14 Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10314.005370/2011­14  Acórdão n.º 3003­000.003  S3­C0T3  Fl. 92          2 Relatório  Trata­se  de  Auto  de  infração  lavrado  contra  a  Recorrente,  na  condição  de  agência de navegação responsável pela importação, para exigir multa regulamentar com fulcro  na previsão do art. 107, inciso IV, alínea "e" do Decreto­lei nº 37/1966, passível de ser aplicada  "por  deixar  de  prestar  informação  sobre  veículo  ou  carga  nele  transportada,  ou  sobre  as  operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal".  Conforme  indicado  no  relatório  fiscal  da  autuação,  o  fato  que  ensejou  a  lavratura  da  autuação  foi  o  atraso  no  envio  das  informações  sobre  veículo  ou  carga  nela  transportada, que competem à transportadora, conforme abaixo transcrevo:  A  empresa  WILSON,  SONS  AGÊNCIA  MARÍTIMA  LTDA.  solicitou  retificação  de  informação  do  CE­MERCANTE  N.º  151105066849190,  referente  ao  conhecimento  de  carga  n.º  SAN8927200269,  consignado  à  empresa  Fulstanding  Shows  e  Eventos MC Ltda.  A  informação  referia­se  ao NCM  informado  incorretamente. Em 12/05/2011 foi feita a correção de ofício,nos  termos do artigo 48, parágrafo único da IN N.º 800/2007  Inconformada,  a  empresa  apresentou  Impugnação  Administrativa,  julgada  integralmente  improcedente  pelo Acórdão  12­94.752­4ª Turma da DRJ/RJO,  com a  seguinte  conclusão.  Vale  dizer,  ainda,  que  o  Decreto­Lei  nº  37/1966,  que  possui  força de lei e alterações posteriores sustentam as penalidades as  quais  são  explicadas  e  definidas  pelas  Instruções  Normativas  expedidas pela RFB, e que tanto a fiscalização quanto o julgador  administrativo de primeira  instância adstritos. Nesse  sentido, o  lançamento  extemporâneo  do  conhecimento  eletrônico,  fora  do  prazo  estabelecido  na  IN  SRF  nº  800/2007,  por  causar  transtornos ao controle aduaneiro, deve ser mantido na presente  autuação.  Assim,  DEIXO  DE  ACOLHER  A  IMPUGNAÇÃO  e  considero devido o crédito tributário lançado.  Cientificada  desta  decisão  em  26/02/2018  (e­fls.63),  a  empresa  apresentou  Recurso Voluntário  em  27/03/2018  (e­fls.  66­77)  reiterando  suas  razões  de  defesa,  alegando  em síntese:  I  ­  PRELIMINAR DE  INAPLICABILIDADE DA MULTA  ­  ilegitimidade  passiva na condição de agência marítima e não de agente de carga por agir  por  representação.  II  ­  NULIDADE  DO  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  Inaplicabilidade da multa com base no artigo 121, parágrafo único, inciso II  do CTN.  Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho.  É o relatório    Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10314.005370/2011­14  Acórdão n.º 3003­000.003  S3­C0T3  Fl. 93          3 Voto             Conselheiro Márcio Robson Costa, Relator.  O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive  quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele toma­se conhecimento.  I ­ DA LEGITIMIDADE PASSIVA DA RECORRENTE  Inicialmente  importa  ressaltar  o  descabimento  das  alegações  da Recorrente  quanto à sua ilegitimidade passiva.  Em  sua  impugnação,  afirma  a  ora Recorrente  que  teria  agido  como  agente  marítimo e por  representação, não  lhe sendo cabível a  imputação da penalidade. Ocorre que,  como  se  depreende  do  relato  fiscal  acima  transcrito  (e­fls.  9/14)  a  empresa  Recorrente  foi  identificada como verdadeiro transportador das mercadorias, não como agente marítimo.  Compulsando os  autos, encontra­se o contrato  social da Recorrente, por ela  acostado (e­fls. 33/48) e observa­se que nele há a informação de que seu objeto social não se  restringe  ao  agenciamento  marítimo,  podendo  igualmente  agir  como  agente  de  cargas  ­  consolidador e desconsolidador de cargas marítimas, vide Cláusula Terceira (e­fls. 39).  Além disso,  o  extrato  do  conhecimento  eletrônico  (e­fls  20)  informa que  o  transportador  ou  representante  é  a  recorrente,  CNPJ  00.423.733/0016­15  WILSON  SONS  AGENCIA MARÍTIMA.  Nesse  lastro,  há  também  previsão  legal  para  que  o  transportador  seja  representado por agência de navegação ou por agente de carga. Artigo 5º da IN 800 RFB de  2008:  Art.  5o  As  referências  nesta  Instrução  Normativa  a  transportador  abrangem  a  sua  representação  por  agência  de  navegação ou por agente de carga.  De toda forma, ainda que a Recorrente teria atuado como agente marítimo, o  que  aqui  se  admite  apenas  para  enfrentamento  do  argumento  por  ela  veiculado,  não  cabe  se  falar em ilegitimidade passiva.   Essa  hipótese  de  responsabilização  encontraria  respaldo  no  Decreto­lei  n.º  37/1966 (art. 37, §1º1) por ser o agente marítimo o responsável pela inserção das informações  no  SISCOMEX  CARGA,  e  ainda  no  artigo  5ª  da  IN  800  RFB  de  2007,  conforme  acima  transcrito                                                              1  "Art.  37.  O  transportador  deve  prestar  à  Secretaria  da  Receita  Federal,  na  forma  e  no  prazo  por  ela  estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente  do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)  § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do  importador ou do exportador,  contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador  portuário,  também  devem  prestar  as  informações  sobre  as  operações  que  executem  e  respectivas  cargas.  (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)" (grifei)  Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10314.005370/2011­14  Acórdão n.º 3003­000.003  S3­C0T3  Fl. 94          4 Com  efeito,  a  irregularidade  na  prestação  de  informações  é  cometida  pelo  agente  marítimo,  responsável  por  inserir  os  dados  da  operação,  navio  e  mercadorias  no  SISCOMEX  em  nome  do  transportador  estrangeiro,  ainda  que  sob  sua  orientação.  Nesse  sentido é a jurisprudência deste Conselho:    "Assunto:  Obrigações  Acessórias  Data  do  fato  gerador:  16/05/2008  AGENTE  MARÍTIMO.  INFRAÇÃO  POR  ATRASO  NA  PRESTAÇÃO  DA  INFORMAÇÃO  SOBRE  CARGA  TRANSPORTADA.  ILEGITIMIDADE  PASSIVA.  INOCORRÊNCIA.  O  agente  marítimo  que,  na  condição  de  representante do  transportador  estrangeiro,  comete a  infração  por  atraso  na  informação  sobre  carga  transportada  responde  pela multa sancionadora da referida infração. (…)." (Processo  11128.007671/2008­47  Data  da  Sessão  25/05/2017  Relatora  Maria do Socorro Ferreira Aguiar Nº Acórdão 3302­004.311  ­  grifei)    "Assunto:  Obrigações  Acessórias  Data  do  fato  gerador:  06/02/2011  INFRAÇÃO.  LEGITIMIDADE  PASSIVA.  AGENTE  MARÍTIMO.  O  agente  marítimo  que,  na  condição  de  representante  do  transportador  estrangeiro,  comete  a  infração  por  atraso  na  prestação  de  informação  de  embarque  responde  pela multa sancionadora correspondente. Precedentes da Turma.  Ilegitimidade passiva afastada. (...) Recurso Voluntário Negado.  Crédito  Tributário Mantido."  (Processo  11684.720091/2011­39  Data  da  Sessão  27/11/2013  Relator  Solon  Sehn  Nº  Acórdão  3802­002.315)    "Assunto:  Obrigações  Acessórias  Data  do  fato  gerador:  03/11/2004,  04/11/2004,  08/11/2004,  12/11/2004,  15/11/2004,  18/11/2004,  23/11/2004,  26/11/2004  MULTA  POR  DESCUMPRIMENTO  DE  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA.  REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE.  MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. IMPOSIÇÃO DA MULTA.  OBRIGATORIEDADE. O descumprimento  do  prazo de  7  (sete)  dias, fixado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB)  para o registro, no Siscomex, dos dados do embarque marítimo,  subsume­se  à  hipótese  da  infração  por  atraso  na  informação  sobre  carga  transportada,  sancionada  com  a  respectiva  multa  regulamentar.  INFRAÇÃO POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DA  INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA  IV ­ de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº  10.833, de 29.12.2003)   (...)  e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele  transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no  prazo  estabelecidos  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10314.005370/2011­14  Acórdão n.º 3003­000.003  S3­C0T3  Fl. 95          5 aplicada  à  empresa  de  transporte  internacional,  inclusive  a  prestadora  de  serviços  de  transporte  internacional  expresso  porta­a­porta, ou ao agente de carga; e" (grifei)    Como indicado no relato fiscal, o prazo estabelecido pela Receita Federal no  artigo 22 da  IN/SRF 800 de 2007 o prazo  é de 48 horas  antes da  chegada da  embarcação  a  descarregar em porto nacional.   INSTRUÇÃO  NORMATIVA  RFB Nº 800, DE 27  DE  DEZEMBRO DE 2007  Art.  22.  São  os  seguintes  os  prazos  mínimos  para  a  prestação  das informações à RFB:  [...]  d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para  os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional,  ou que permaneçam a bordo; e  Conforme  bem  mencionado  no  auto  de  infração  a  emissão  do  registro  de  informações ocorreu em 26/03/2011 e  a  retificação das  informações ocorrera em 12/05/2011  (e­fls 17) e a recorrente não impugna esse fato.   Desta  forma,  comprovado  que  a  empresa  transportadora  prestou  as  informações  a  destempo,  após  mais  de  48  horas  da  chegada  da  embarcação,  deve  ser  efetivamente aplicada a penalidade.   Nesse  sentido,  inclusive,  já  houve  outras manifestações  por  esta  instituição  julgadora,  como  por  exemplo  no Acórdão  n.º  3402­004.601,  de  26/09/2017,  de  relatoria  do  Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto. Vejamos:  Processo  10821.000735/2010­11.  relatado  por  CARLOS  AUGUSTO DANIEL NETO Acórdão n.º 3402­004.601  Assunto:Obrigações  Acessórias  Data  do  fato  gerador:  20/02/2006  INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO.  O  agente  marítimo  que,  na  condição  de  representante  do  transportador  estrangeiro,  comete  a  infração  por  atraso  na  prestação  de  informação  de  embarque  responde  pela  multa  sancionadora  correspondente.  Ilegitimidade  passiva  afastada.  REGISTRO  DE  DADOS  DE  EMBARQUE  EM  ATRASO.  PENALIDADE  APLICADA  POR  VIAGEM  EM  VEÍCULO  TRANSPORTADOR.  A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto­ Lei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque  de mercadorias , destinadas à exportação no Siscomex é cabível  quando o atraso é superior a sete dias, nos termos da IN SRF nº  1096/2010.  Recurso  Voluntário  Negado.(grifei)    II ­ DO MÉRITO ­ DA MANUTENÇÃO DA MULTA APLICADA  Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10314.005370/2011­14  Acórdão n.º 3003­000.003  S3­C0T3  Fl. 96          6 Alega  a  parte  recorrente  a  inaplicabilidade  da  multa  como  preliminar,  contudo, a matéria é de mérito e assim a enfrentarei.  Superado  o  debate  acerca  da  legitimidade  passiva  do  recorrente  já  que  o  mesmo não comprovou estar agindo apenas como agência marítima e ainda que assim o fosse,  restou  comprovada  a  sua  atuação  como  transportador  da  carga  (extrato  do  conhecimento  eletrônico ­ e­fls 20), resta nos ater ao argumento de inaplicabilidade da multa.  Fácil verificar que da leitura da expressão do art. 107, IV, "e", do Decreto­lei  n.º 37/1966, a penalidade é aplicada quando as informações relativas ao veículo ou cargas neles  transportadas, ou quanto às operações realizadas, deixarem de serem prestadas à Secretaria da  Receita Federal na forma e prazo por ela prevista:    "Art. 107. Aplicam­se ainda as seguintes multas: (Redação dada  pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)  (...)  IV ­ de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº  10.833, de 29.12.2003)   (...)  e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele  transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no  prazo  estabelecidos  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  aplicada  à  empresa  de  transporte  internacional,  inclusive  a  prestadora  de  serviços  de  transporte  internacional  expresso  porta­a­porta, ou ao agente de carga; e" (grifei)    Como indicado no relato fiscal, o prazo estabelecido pela Receita Federal no  artigo 22 da  IN/SRF 800 de 2007, o prazo é de 48 horas antes da chegada da  embarcação a  descarregar em porto nacional.   No  relatório  de  consulta  realizado  pela  autoridade  fiscal  (e­fls17/21)  resta  evidenciado que o registro dos dados ocorreu em 26/03/2018 e a correção das informações do  CE­MERCANTE  N.º  151105066849190,  referente  ao  conhecimento  de  carga  n.º  SAN8927200269, consignado à empresa Fulstanding Shows e Eventos MC Ltda. que referia­se  ao NCM informado incorretamente   Nesse  sentido,  a  intempestividade  da  prestação  de  informações  corretas  ao  sistema de cargas é notória e com isso o embaraço no despacho aduaneiro restou configurado,  sendo cabível a aplicação da multa prevista na legislação, tendo em vista que a previsão legal  tem justamente a finalidade de coibir tais situações.  Assim,  não  assiste  razão  a  Recorrente  no  mérito,  pelos  motivos  e  razões  acima expostos, devendo ser mantida integralmente a autuação.  III DISPOSITIVO  Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10314.005370/2011­14  Acórdão n.º 3003­000.003  S3­C0T3  Fl. 97          7 Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  negar  provimento  ao  Recurso  Voluntário, mantendo o crédito tributário pelos fundamentos acima expostos.  É o meu entendimento  Márcio Robson Costa ­ Relator                               Fl. 97DF CARF MF

score : 1.0
7584712 #
Numero do processo: 16327.910841/2011-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/10/2000 PIS. BASE DE CÁLCULO. No regime cumulativo, a base de cálculo do PIS e da Cofins é o faturamento do contribuinte, entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, originária da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social.
Numero da decisão: 3201-004.408
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade: a) indeferir a realização de diligência suscitada pela conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, que foi acompanhada dos conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior; b) rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, que entendeu que se deveria afastar a incidência das receitas não operacionais, conforme definição do Plano de Contas Cosif, e os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que lhe deram provimento parcial em maior extensão, para também excluir da base de cálculo as receitas decorrentes da aplicação de recursos próprios. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201811

camara_s : Segunda Câmara

ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/10/2000 PIS. BASE DE CÁLCULO. No regime cumulativo, a base de cálculo do PIS e da Cofins é o faturamento do contribuinte, entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, originária da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Fri Jan 25 00:00:00 UTC 2019

numero_processo_s : 16327.910841/2011-45

anomes_publicacao_s : 201901

conteudo_id_s : 5954992

dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 25 00:00:00 UTC 2019

numero_decisao_s : 3201-004.408

nome_arquivo_s : Decisao_16327910841201145.PDF

ano_publicacao_s : 2019

nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA

nome_arquivo_pdf_s : 16327910841201145_5954992.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade: a) indeferir a realização de diligência suscitada pela conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, que foi acompanhada dos conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior; b) rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, que entendeu que se deveria afastar a incidência das receitas não operacionais, conforme definição do Plano de Contas Cosif, e os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que lhe deram provimento parcial em maior extensão, para também excluir da base de cálculo as receitas decorrentes da aplicação de recursos próprios. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo).

dt_sessao_tdt : Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018

id : 7584712

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:36:30 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713051417620512768

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2170; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C2T1  Fl. 2          1 1  S3­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16327.910841/2011­45  Recurso nº  1   Voluntário  Acórdão nº  3201­004.408  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  28 de novembro de 2018  Matéria  CONTRIBUIÇÕES. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO.  INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS.  Recorrente  BRADESCO S/A CORRETORA DE TÍTULOS E VALORES  MOBILIÁRIOS  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Data do fato gerador: 31/10/2000  PIS. BASE DE CÁLCULO.   No regime cumulativo, a base de cálculo do PIS e da Cofins é o faturamento  do contribuinte, entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da  prestação  de  serviços,  originária  da  atividade  típica  da  empresa,  em  consonância com o seu objeto social.      Acordam  os membros  do  colegiado,  pelo  voto  de  qualidade:  a)  indeferir  a  realização  de  diligência  suscitada  pela  conselheira  Tatiana  Josefovicz  Belisario,  que  foi  acompanhada dos conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de  Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior; b) rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar  provimento  ao  Recurso  Voluntário,  vencida  a  conselheira  Tatiana  Josefovicz  Belisario,  que  entendeu que se deveria afastar a incidência das receitas não operacionais, conforme definição  do  Plano  de  Contas  Cosif,  e  os  conselheiros  Pedro  Rinaldi  de  Oliveira  Lima,  Leonardo  Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que lhe deram provimento parcial  em  maior  extensão,  para  também  excluir  da  base  de  cálculo  as  receitas  decorrentes  da  aplicação de recursos próprios.  (assinatura digital)  Charles Mayer de Castro Souza ­ Presidente e Relator.   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Charles  Mayer  de  Castro  Souza  (Presidente),  Paulo  Roberto  Duarte  Moreira,  Tatiana  Josefovicz  Belisario,  Marcelo  Giovani  Vieira,  Pedro  Rinaldi  de  Oliveira  Lima,  Leonardo  Vinicius  Toledo  de  Andrade,  Laercio  Cruz  Uliana  Junior  e  Orlando  Rutigliani  Berri  (suplente  convocado  para  substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo).     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 08 41 /2 01 1- 45 Fl. 153DF CARF MF Processo nº 16327.910841/2011­45  Acórdão n.º 3201­004.408  S3­C2T1  Fl. 3          2       Relatório  Trata  o  presente  processo  de Pedido  de Restituição  de  crédito  de PIS,  com  lastro em pagamento efetuado indevidamente ou a maior que o devido, segundo informado no  PER/Dcomp.  A  Deinf  São  Paulo  indeferiu  o  pedido  por  meio  de  despacho  decisório  eletrônico, já que o pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para  quitar débito declarado pelo contribuinte.  Cientificado  do  despacho decisório,  o  contribuinte  apresentou manifestação  de  inconformidade  alegando  que  antes  do  pleito  ser  indeferido  deveria  ter  sido  intimado  a  prestar esclarecimentos, pois o Pedido de Restituição seria referente à parcela do alargamento  da  base  de  cálculo  das  Contribuições  para  o  PIS/Pasep  e Cofins,  implementada  pela  Lei  nº  9.718/98 e julgada inconstitucional pelo STF.  Afirmou que o STF  já  teria declarado a  inconstitucionalidade da ampliação  da  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  Cofins  nos  Recursos  Extraordinários  nº  346.084,  357.390,  358.273 e 390.840.  Alegou que seria corretora de  títulos e valores mobiliários,  e que o PIS e a  Cofins  incidiriam  sobre  suas  principais  receitas,  ligadas  ao  seu  objeto  social  e  que  seriam  receitas  de  serviços  prestadas  a  terceiros,  como  receitas  de  comissões  de  corretagem  e  administração de fundos de investimento.  Argumentou que as receitas decorrentes de operações com recursos próprios,  quando não haveria  intermediação financeira, estariam excluídas do conceito de prestação de  serviços.  Defendeu  que  o  conceito  de  faturamento  não  seria  alterado  em  função  do  objeto  social  da  empresa  e  que  o  STF  teria  reconhecido  que  o  PIS  e  a  Cofins  só  poderiam  incidir  sobre o  faturamento,  entendido  como  a  receita  bruta  das  vendas  de mercadorias  e  de  serviços. Argumentou que não haveria qualquer identidade entre tal conceito de faturamento e  sua atividade principal.  Ressaltou que qualquer  empresa  auferiria  receitas  financeiras em  função do  fluxo de caixa.  Afirmou  que  a  questão  estaria  sendo  apreciada  pelo  STF,  nos  autos  do  Recurso Extraordinário nº 609.096 e que por tal motivo, o presente processo também deveria  ser  sobrestado,  conforme  os  arts.  62­A,  §§  1º  e  2º  do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais.  Concluiu  requerendo  a procedência da manifestação de  inconformidade  e  a  reforma do despacho decisório, com o conseqüente deferimento do Pedido de Restituição.  Fl. 154DF CARF MF Processo nº 16327.910841/2011­45  Acórdão n.º 3201­004.408  S3­C2T1  Fl. 4          3 A  5ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Ribeirão  Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/RPO  n.º 14­063.870, de 23/01/2017, assim ementado:  ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep  Data do fato gerador: 31/10/2000  SOCIEDADE  CORRETORA  DE  VALORES  MOBILIÁRIOS.  RECEITA BRUTA. RECEITA OPERACIONAL.  O  conceito  de  receita  bruta  sujeita  à  Contribuição  para  o  PIS/Pasep compreende a receita de venda de mercadorias e da  prestação  de  serviços,  incluídas  as  receitas  oriundas  do  exercício  das  atividades  empresariais  típicas  da  sociedade  corretora de valores mobiliários.  DESPACHO  DECISÓRIO  ELETRÔNICO.  FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.  Como o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida  teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de  declarações do próprio sujeito passivo, não há que se  falar em  cerceamento de defesa.  DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.  Incumbe ao  sujeito  passivo  a  demonstração,  acompanhada das  provas  hábeis,  da  composição  e  a  existência  do  crédito  que  alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas  sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.  RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR.  Verificado  que  o  crédito  pleiteado  foi  totalmente  utilizado  em  momento  anterior  para  quitação  de  débitos  declarados  em  DCTF, resta impossibilitada a restituição por ausência de saldo.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 31/10/2000  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  SOBRESTAMENTO.  IMPOSSIBILIDADE.  Inexiste a figura do sobrestamento de processo administrativo. O  princípio da oficialidade obriga a administração a impulsionar o  processo até sua decisão final.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário por  meio do qual alega, em síntese, que devia ter sido intimada para apresentar esclarecimentos e  documentos a respeito do crédito a ser restituído (cita atos normativos da RFB e a Lei nº 9.784,  de 1999) e que a não retificação de DCTF não fulmina o seu direito. No mérito, traz as mesmas  alegações de defesa já declinadas em sua manifestação de inconformidade.  É o relatório.  Fl. 155DF CARF MF Processo nº 16327.910841/2011­45  Acórdão n.º 3201­004.408  S3­C2T1  Fl. 5          4     Voto             Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 3201­004.399, de  28/11/2018, proferido no julgamento do processo 16327.910834/2011­43, paradigma ao qual o  presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201­004.399):  "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso deve  ser conhecido.  A Recorrente apresentou e teve indeferido pedido eletrônico de restituição de crédito  decorrente de pagamento a maior da Cofins, apurada em maio de 2000, ao fundamento de que,  a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP,  localizou­se pagamento  integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível  para a restituição requerida.   Em  sua  primeira  peça  de  defesa,  alega  que  devia  ter  sido  intimada  a  apresentar  esclarecimentos  e documentos  a  respeito do  crédito a  ser  restituído  (cita  atos normativos da  RFB e a Lei nº 9.784, de 1999), e que a não retificação de DCTF não fulmina o seu direito.  Com efeito, sabe­se que a só falta de retificação da DCTF, notadamente quando feita  após a prolação do Despacho Decisório, não obsta o reconhecimento crédito, desde que venha  acompanhada  de  informações  e/ou  documentos  necessários  à  comprovação  do  valor  reclamado.  Não  há,  todavia,  a  necessidade  da  intimação  prévia,  quando  a  repartição  fiscal  já  detém  as  informações  necessárias  à  apreciação  do  pedido.  Aplicável  aqui,  por  analogia,  a  Súmula CARF nº 46, segundo a qual "O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia  intimação  ao  sujeito  passivo,  nos  casos  em que  o Fisco  dispuser  de  elementos  suficientes  à  constituição do crédito tributário". (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018,  DOU de 08/06/2018).  Vejam que o § 4º do art. 3º da Instrução Normativa ­ IN RFB nº 900, de 2008, citado  pela  Recorrente  em  seus  recursos,  refere­se  aos  documentos  mencionados  no  parágrafo  anterior, que  trata,  especificamente, de pedido de  restituição  formulado por  representante do  sujeito  passivo,  o  qual  deverá  apresentar  à  RFB  o  instrumento  que  respalda  a  sua  representação:  Art. 3º A restituição a que se refere o art. 2º poderá ser efetuada:  I  ­  a  requerimento  do  sujeito  passivo  ou  da  pessoa  autorizada  a  requerer a quantia; ou  II ­ mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual  do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF).  Fl. 156DF CARF MF Processo nº 16327.910841/2011­45  Acórdão n.º 3201­004.408  S3­C2T1  Fl. 6          5 § 1º A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo  sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição,  Ressarcimento  ou  Reembolso  e  Declaração  de  Compensação  (PER/DCOMP).  §  2º  Na  impossibilidade  de  utilização  do  programa  PER/DCOMP,  o  requerimento  será  formalizado  por  meio  do  formulário  Pedido  de  Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de  Restituição  de  Valores  Indevidos  Relativos  a  Contribuição  Previdenciária,  constante  do  Anexo  II,  conforme  o  caso,  aos  quais  deverão  ser  anexados  documentos  comprobatórios  do  direito  creditório.  § 3º Na hipótese de pedido de restituição formulado por representante  do sujeito passivo, o requerente deverá apresentar à RFB procuração  conferida por instrumento público ou por instrumento particular com  firma reconhecida, termo de tutela ou curatela ou, quando for o caso,  alvará ou decisão judicial que o autorize a requerer a quantia.  § 4º Tratando­se de pedido de restituição formulado por representante  do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os  documentos  a  que  se  refere  o  §  3º  serão  apresentados  à  RFB  após  intimação  da  autoridade  competente  para  decidir  sobre  o  pedido.  (g.n.)  Trata­se de situação específica, não extensível a todos os casos.  No mérito, vemos que a Recorrente, uma corretora de títulos e valores mobiliários  (CTVM),  pretende  dar  tratamento  tributário  diverso  a  suas  receitas,  conforme  trabalhe  com  recursos  próprios  ou  de  terceiros.  Argumenta  que,  como  típica  prestadora  de  serviços,  não  presta serviços a ninguém quando aplica recursos seus, de modo que a receita daí decorrente  não pode ser tributada pelo PIS/Cofins.  No  passado,  chegamos  a  adotar  posição  semelhante,  mas  hoje,  depois  de  melhor  meditar  sobre  o  tema,  colocamo­nos  entre  os  que  defendem  que,  na  sistemática  cumulativa  (aqui  aplicável!),  a  receita  bruta  de  vendas  de  mercadorias  e  da  prestação  de  serviços  –  o  faturamento, nos termos do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 – corresponde àquela originária da  atividade típica da empresa.  A  matéria  sobre  se  as  receitas  das  instituições  financeiras  –  as  originadas  da  realização de sua atividade principal – se enquadram no conceito de receitas financeiras (não  de faturamento), é objeto do Recurso Extraordinário – RE n.º 609.096/RS (ainda não decido),  no qual o Supremo Tribunal Federal ­STF reconheceu a existência de repercussão geral.  Todavia, quando o STF considerou incompatível com o então Texto Constitucional  a  ampliação  da  base  de  cálculo  do  PIS/Cofins  (§  1º  do  art.  3º  da  Lei  n.º  9.718,  de  1998),  pacificou o entendimento de que o faturamento de fato correspondia apenas à receita bruta das  vendas de mercadorias e da prestação de serviços (Rel. p/ Acórdão Min. Marco Aurélio Mello,  RE  346.084,  DJ  de  1/09/2006).  Mas  alguns  votos  dos  ministros  que  participaram  do  julgamento indicaram o verdadeiro sentido que a esta expressão deve ser conferido.  Segundo o Min. Cezar Peluso, acompanhado pelo Min. Sepúlveda Pertence:  Faturamento  nesse  sentido,  isto  é,  entendido  como  resultado  econômico  das  operações  empresariais  típicas,  constitui  a  base  de  cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato  econômico  tributado. Noutras palavras, o  fato gerador constitucional  da  COFINS  são  as  operações  econômicas  que  se  exteriorizam  no  faturamento  (sua  base  de  cálculo),  porque  não  poderia  nunca  Fl. 157DF CARF MF Processo nº 16327.910841/2011­45  Acórdão n.º 3201­004.408  S3­C2T1  Fl. 7          6 corresponder  ao  ato  de  emitir  faturas,  coisa  que,  como  alternativa  semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não  emitir faturas para se furtar à tributação. (g.n.).  E, concluindo, asseverou:  Por  todo o  exposto,  julgo  inconstitucional o § 1º do art.  3º  da Lei  nº  9.718/98,  por  ampliar  o  conceito  de  receita  bruta  para  “toda  e  qualquer  receita”,  cujo  sentido  afronta  a  noção  de  faturamento  pressuposta  no  art.  195,  I,  da Constituição  da República,  e,  ainda,  o  art.  195, § 4º,  se considerado para efeito de nova  fonte de custeio da  seguridade  social. Quanto ao  caput  do art.  3º,  julgo­o  constitucional,  para  lhe  da  r  interpretação  conforme  à  Constituição,  nos  termos  do  julgamento  proferido  no  RE  nº  150.755/PE,  que  tomou  a  locução  receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado  de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”,  adotado  pela  legislação  anterior,  e  que,  a  meu  juízo,  se  traduz  na  soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais.  (g.n.).  Ainda mais preciso, o Min. Ayres Britto, a partir da redação original do art. 195 da  Constituição Federal (anterior à promulgação da Emenda Constitucional – EC n.º 20, de 1998),  identificou o conceito de faturamento com o de receita operacional:  A Constituição de 88, pelo seu art.195, I, redação originária, usou do  substantivo “faturamento”, sem a conjunção disjuntiva “ou” receita”.  Em que sentido separou as coisas? No sentido de que  faturamento é  receita  operacional,  e  não  receita  total  da  empresa.  Receita  operacional  consiste  naquilo  que  já  estava  definido  pelo  Decreto­lei  2397,  de  1987,  art.22,  §  1º,  “a”,  assim  redigido  –  parece  que  o  Ministro Velloso acabou de fazer também essa remissão à lei:  Art.22 [...]  §  1º  [...]  a)  a  receita  bruta  das  vendas  de  mercadorias  e  de  mercadorias  e  serviços,  de  qualquer  natureza,  das  empresas  públicas  ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela  legislação do Imposto de Renda;”  Por  isso,  estou  insistindo  na  sinonímia  “faturamento”  e  “receita  operacional”,  exclusivamente,  correspondente  àqueles  ingressos  que  decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional,  do  seu  ramo  de  negócio,  enfim.  Logo,  receita  operacional  é  receita  bruta  de  tais  vendas  ou  negócios,  mas  não  incorpora  outras  modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimentos de  aplicações financeiras, indenizações etc. (g.n.).  E isso porque o inciso I do art. 195 da Constitucional, na redação anterior à EC n.º  20,  de  receita  não  falava, mas  apenas  de  faturamento  e  lucro,  como  que  a  abraçar  todas  as  dimensões de riqueza geradas pela pessoa jurídica a partir da realização de seu objeto social –  a receita operacional.  Acresça­se o fato de que o próprio Supremo já consolidou o entendimento de que, às  instituições  financeiras,  aplica­se  o  Código  de  Defesa  do  Consumidor,  pois  considerou  constitucional o § 2º do art. 3º do CDC (“Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado  de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e  securitária,  salvo  as  decorrentes  das  relações  de  caráter  trabalhista.”),  deixando  claro  que  a  atividade bancária se enquadra no conceito amplo de prestação de serviços, entre os quais se  inclui a intermediação financeira (ADI n.º 2591, DJ de 29/9/2006).  Fl. 158DF CARF MF Processo nº 16327.910841/2011­45  Acórdão n.º 3201­004.408  S3­C2T1  Fl. 8          7 Mesmo que se entenda que o conceito vale apenas para a proteção que o Estado deve  conferir ao consumidor – de ordinário hipossuficiente nas relações de consumo –, a verdade é  que isso demonstra que a  interpretação que se pretende conferir ao  termo “faturamento”, em  ordem a excluir, desse conceito, as receitas auferidas pelas instituições financeiras em face da  intermediação  financeira  que  realizam,  não  é  compatível  com o  entendimento que  a própria  Suprema Corte já entremostrou quando apreciou assuntos correlatos.  Como último argumento  em  reforço  à  tese aqui  exposta,  ainda há o  fato de que o  legislador, ao instituir a Cofins apurada no regime cumulativo, excluiu o seu pagamento sobre  o  faturamento  das  entidades  elencadas  no  §  1º  do  art.  23  da  Lei  n.º  8.212,  de  1991,  o  que  demonstra que se o conceito desta  expressão de  riqueza  fosse o pretendido pela Recorrente,  absolutamente desnecessário seria todo o parágrafo único do art. 11 da Lei Complementar n.º  70, de 1991, uma vez que não se exclui algo que incluído não estava. Vejamos:  Art. 1° Sem prejuízo da cobrança das contribuições para o Programa  de  Integração  Social  (PIS)  e  para  o  Programa  de  Formação  do  Patrimônio  do  Servidor  Público  (Pasep),  fica  instituída  contribuição  social para financiamento da Seguridade Social, nos termos do inciso I  do  art.  195  da  Constituição  Federal,  devida  pelas  pessoas  jurídicas  inclusive  as  a  elas  equiparadas  pela  legislação  do  imposto  de  renda,  destinadas  exclusivamente  às  despesas  com  atividades­fins  das  áreas  de saúde, previdência e assistência social.  (...)  Art. 11. Fica elevada em oito pontos percentuais a alíquota referida no  §  1°  do  art.  23  da  Lei  n°  8.212,  de  24  de  julho  de  1991,  relativa  à  contribuição social sobre o lucro das instituições a que se refere o § 1°  do art. 22 da mesma lei, mantidas as demais normas da Lei n° 7.689,  de  15  de  dezembro  de  1988,  com  as  alterações  posteriormente  introduzidas.  Parágrafo único. As pessoas jurídicas sujeitas ao disposto neste artigo  ficam  excluídas  do  pagamento  da  contribuição  social  sobre  o  faturamento, instituída pelo art. 1° desta lei complementar. (g.n.)  Esse entendimento – o de que o conceito de faturamento corresponde, na verdade, à  receita operacional da pessoa jurídica – também vem sendo reproduzindo noutros tribunais do  Poder Judiciário:  TRIBUTÁRIO.  PIS/COFINS.  PRESCRIÇÃO.  BASE  DE  CÁLCULO.  FATURAMENTO.  INSTITUIÇÃO  FINANCEIRA.  INAPLICABILIDADE  DAS  LEIS  10.637/2002  E  10.833/2003.  ART.  3º,§  1º  DA  Lei  9.718/1998.  INCONSTITUCIONALIDADE  DECLARADA  PELO  STF.  COMPENSAÇÃO.  CORREÇÃO  MONETÁRIA.  1.  A  segunda  parte  do  art.  4º  da  LC  118/2005  foi  declarada inconstitucional, e considerou­se válida a aplicação do novo  prazo de cinco anos apenas às ações ajuizadas a partir de 9/6/2005 ­  após o decurso da vacatio legis de 120 dias (STF, RE 566621/RS, rel.  ministra  Ellen  Gracie,  Tribunal  Pleno,  DJe  de  11/10/2011).  2.  O  Supremo  Tribunal  Federal  firmou  entendimento  pela  inconstitucionalidade  da  ampliação  do  conceito  de  faturamento,  previsto no art. 3º, caput, § 1º, da Lei 9.718/1998 (repercussão geral,  RE  585.235  QO­RG/MG).  3.  As  instituições  financeiras  estão  obrigadas  ao  recolhimento  do  PIS  e  da  COFINS  de  acordo  com  a  base  de  cálculo  estabelecida  nas  Leis  Complementares  7/1970  e  70/1991.  Apenas  a  eventual  incidência  dessas  contribuições  sobre  receitas não operacionais é que será indevida. 4. Não se aplica a tais  instituições  às  disposições  das  Leis  10.637/2002  e  10.833/2003,  consoante  disposto  no  inciso  I  dos  arts.  8º  e  10,  respectivamente.  5.  Fl. 159DF CARF MF Processo nº 16327.910841/2011­45  Acórdão n.º 3201­004.408  S3­C2T1  Fl. 9          8 Apelação da Fazenda Nacional e remessa oficial, tida por interposta, a  que  se  nega  provimento.  6.  Apelação  da  parte  autora  a  que  se  dá  parcial  provimento.  (TRF1,  DESEMBARGADORA  FEDERAL  MARIA DO CARMO CARDOSO, AC n.º 200638000070234, e­DJF1  DATA:06/09/2013 ).(g.n.).  PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. ALTERAÇÃO DA  BASE DE CÁLCULO.  INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 3º,  §  1º,  DA  LEI  N.  9.718/98.  RECURSO  PROVIDO  I  ­  O  Supremo  Tribunal  Federal,  concluindo  o  julgamento  do RE  346.084  (rel. Min.  Ilmar  Galvão,  DJU  9.11.2005),  em  que  se  questionava  a  constitucionalidade  das  alterações  promovidas  pela  Lei  n.º  9.718/98,  que  ampliou  a  base  de  cálculo  da  COFINS  e  do  PIS,  declarou,  por  maioria, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/98. II  ­ A Corte Constitucional  entendeu  que  esse  dispositivo,  ao  ampliar  o  conceito de receita bruta para toda e qualquer receita, violou a noção  de  faturamento prevista no art.  195,  I, “b”,  da Constituição Federal,  na  sua  redação  original,  que  equivaleria  ao  de  receita  bruta  das  vendas  de  mercadorias,  de  mercadorias  e  serviços  e  de  serviços  de  qualquer  natureza.  III  ­  Em  que  pese  ter  sido  declarada  a  inconstitucionalidade  do  §  1º  do  art.  3º  da  Lei  nº  9.718/98,  as  instituições financeiras e as demais equiparadas a elas, devem ter sua  incidência de PIS e COFINS nos termos do art. 3º, caput e §§ 5º e 6º da  Lei  9.718/98  sobre  o  faturamento  da  empresa,  incluindo­se  todas  as  receitas  financeiras  apuradas.  IV  ­  Apelação  e  remessa  providas.  (TRF2,  Desembargadora  Federal  LANA  REGUEIRA,  AMS  n.º  200651010226515, E­DJF2R ­ Data: 12/07/2013). (g.n.).    TRIBUTÁRIO.  PEDIDO  DE  DESISTÊNCIA  PARCIAL  HOMOLOGADO.  INCIDÊNCIA  DE  PIS,  COFINS  E  IOF.  EMPRESAS  DE  FOMENTO  MERCANTIL.  FACTORING.  DIREITOS  CREDITÓRIOS.  1.  Cabível  a  homologação de pedido de desistência parcial da presente ação (fls. 370/371),  relativamente  ao  ponto  de  incidência  de  PIS  e  COFINS,formulado  pela  Empresa  ECX  CARD  ADMINISTRADORA  E  PROCESSADORA  DE  CARTÕES,  em  razão  de  exigência  da  desistência  das  ações  judiciais  e  à  renúncia do direito sobre o qual estas se fundam como condição para a adesão  a  programa  de  parcelamento.  A  empresa  em  comento,  filiada  ao  sindicato  impetrante, figura como substituída na presente ação mandamental, o que lhe  confere  legitimidade  para  deduzir  referido  pedido.  2.  "Não  há  nenhum  dispositivo  na  Constituição  da  República  que  atribua  ao  IOF  natureza  extrafiscal,  não  bastando  para  tal  desiderato  a  exclusão  deste  tributo  do  campo de incidência dos princípios da legalidade e da anterioridade. Deve ser  reforçado,  ainda,  que  não  há  tributo  com  feição  exclusivamente  extrafiscal,  como quer fazer crer a impetrante, podendo a exação ser utilizada como meio  de  obtenção  de  receita.  Por  outro  lado,  mister  que  se  espanque  qualquer  alegação  de  inconstitucionalidade  do  artigo  13  da  Lei  nº  9.799/99,  que  submeteu as operações de crédito referentes a mútuos de recursos financeiros  entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física à incidência do  IOF,  de  acordo  com  as  normas  aplicáveis  às  operações  de  financiamento  e  empréstimos feitas pelas instituições financeiras, não obstante a finalidade de  tal  norma  seja  fiscal.  O  STF,  na  ADI­MC  1763/DF,  Rel.  Min.  Sepúlveda  Pertence, Julgamento 20/08/1998, Tribunal Pleno,DJ 26/09/2003, decidiu que:  "IOF: incidência sobre operações de factoring (L. 9.532/97, art. 58): aparente  constitucionalidade  que  desautoriza  a  medida  cautelar.  O  âmbito  constitucional de incidência possível do IOF sobre operações de crédito não se  restringe  às  praticadas  por  instituições  financeiras,  de  tal  modo  que,  à  primeira vista, a lei questionada poderia estendê­la às operações de factoring,  quando  impliquem  financiamento  (factoring  com  direito  de  regresso  ou  com  adiantamento do valor do crédito vincendo ­ conventional factoring); quando,  Fl. 160DF CARF MF Processo nº 16327.910841/2011­45  Acórdão n.º 3201­004.408  S3­C2T1  Fl. 10          9 ao  contrário,  não  contenha  operação  de  crédito,  o  factoring,  de  qualquer  modo,  parece  substantivar  negócio  relativo  a  títulos  e  valores  mobiliários,  igualmente  susceptível  de  ser  submetido  por  lei  à  incidência  tributária  questionada."  (grifo  nosso)"  (AMS  200001000252943,  Relator  JUIZ  FEDERAL  RAFAEL  PAULO  SOARES  PINTO,  DJ  DATA:30/11/2007  PAGINA:187). 3. O c. STJ, no julgamento do REsp 776705/RJ, enfrentando a  mesma matéria de fundo da presente ação mandamental, na qual se questiona  a  higidez  do  disposto  no  Itens  I,  alínea  "c",  e  II,  do  Ato  Declaratório  (Normativo) COSIT 31/97, que determinam que a base de cálculo da COFINS,  devida  pelas  empresas  de  fomento  comercial  (factoring),  é  o  valor  do  faturamento mensal,  compreendida,  entre  outras,  a  receita  bruta  advinda  da  prestação  cumulativa  e  contínua  de  "serviços"  de  aquisição  de  direitos  creditórios  resultantes  das  vendas  mercantis  a  prazo  ou  de  prestação  de  serviços,  computando­se  como  receita  o  valor  da  diferença  entre  o  valor  de  aquisição  e  o  valor  de  face do  título  ou  direito  adquirido,  entendeu  que  " A  Contribuição para Financiamento da Seguridade Social ­ COFINS, ainda que  sob  a  égide  da  definição  de  faturamento mensal/receita  bruta  dada  pela  Lei  Complementar 70/91,  incide sobre a soma das receitas oriundas do exercício  da atividade empresarial de factoring, o que abrange a receita bruta advinda  da  prestação  cumulativa  e  contínua  de  "serviços"  de  aquisição  de  direitos  creditórios  resultantes  das  vendas  mercantis  a  prazo  ou  de  prestação  de  serviços.  A  Lei  9.249/95  (que  revogou,  entre  outros,  o  artigo  28,  da  Lei  8.981/95), ao tratar da apuração da base de cálculo do imposto de renda das  pessoas  jurídicas,  definiu  a  atividade  de  factoring  como  a  prestação  cumulativa  e  contínua  de  serviços  de  assessoria  creditícia,  mercadológica,  gestão  de  crédito,  seleção  de  riscos,  administração  de  contas  a  pagar  e  a  receber,  compra  de  direitos  creditórios  resultantes  de  vendas  mercantis  a  prazo ou de prestação de serviços (artigo 15, § 1º,III, "d"). Deveras, a empresa  de fomento mercantil ou de factoring realiza atividade comercial mista atípica,  que compreende o oferecimento de uma plêiade de serviços, nos quais se insere  a aquisição de direitos creditórios, auferindo vantagens financeiras resultantes  das  operações  realizadas,  não  se  revelando  coerente  a  dissociação  das  aludidas atividades empresariais para efeito de determinação da receita bruta  tributável.  Conseqüentemente,  os  Itens  I,  alínea  "c",  e  II,  do  Ato  Declaratório  (Normativo)  COSIT  31/97,  coadunam­se  com  a  concepção  de  faturamento mensal/receita bruta dada pela Lei Complementar 70/91 (o que  decorra das vendas de mercadorias ou da prestação de serviços de qualquer  natureza, vale dizer a soma das receitas oriundas das atividades empresariais,  não  se  considerando  receita  bruta  de  natureza  diversa,  definição  que  se  perpetuou com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do artigo 3º, da  Lei 9.718/98)." (AgRg na DESIS no REsp 776705 / RJ, Relator Ministro LUIZ  FUX,  Data  da  Publicação/Fonte  DJe  05/10/2010).  4.  Referido  entendimento  consagrado  no  âmbito  do  STJ  ao  apreciar  a  alegação  quanto  à  COFINS,  também se aplica ao PIS, pela similitude entre as duas contribuições sociais. 5.  Remessa  oficial  e  apelação  providas.  (TRF1,  JUIZ  FEDERAL  NÁIBER  PONTES DE ALMEIDA, e­DJF1 DATA:08/05/2013). (g.n.)    TRIBUTÁRIO.  MANDADO  DE  SEGURANÇA.  COFINS.  LC  70/91.  INSTITUIÇÕES  FINANCEIRAS.  LEI  Nº  9.718/98.  INCIDÊNCIA  DA  CONTRIBUIÇÃO  SOBRE  VERBAS  OPERACIONAIS.  NÃO  VIOLAÇÃO  AO  PRINCÍPIO  DA  HIERARQUIA  DAS  NORMAS.  ADVENTO  DA  LEI  Nº  10./833/03. PRESCRIÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. 1­ O excelso Supremo  Tribunal  Federal,  por  ocasião  do  julgamento  do  RE  nº  566.621/RS,  de  relatoria  da  Ministra  Ellen  Gracie,  de  04.08.11,  publicado  em  11.10.11,  declarou  a  inconstitucionalidade  do  art.  4º,  segunda  parte,  da  Lei  Complementar nº 118/2005, e fixou o entendimento de que é válida a aplicação  do prazo prescricional quinquenal para as ações ajuizadas após o decurso da  vacatio  legis  de  120  dias  da  referida  lei,  ou  seja,  a  partir  de  09/06/2005.  Vejamos o diz  a  ementa do  referido  julgamento: 2­ O art.  195, § 4º, CR, ao  Fl. 161DF CARF MF Processo nº 16327.910841/2011­45  Acórdão n.º 3201­004.408  S3­C2T1  Fl. 11          10 determinar  obediência  ao  artigo  154,  I,  o  faz  tão­somente  em  relação  a  “outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade  social”; não no tocante às contribuições que ela própria, Constituição, prevê.  Desse  modo,  refere­se,  por  óbvio  ao  comando  do  art.  154,  I,  CR,  porém,  somente  é  aplicável  às  hipóteses  “novas”  de  contribuições,  isto  é,  que  não  estão  previstas  no  texto  constitucional  vigente,  tal  como  ocorre  com  a  COFINS, que se encontra, de forma prévia e expressa, prevista pelo Supremo  Texto Legal. 3­ A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento do  contribuinte  (no  caso,  a  instituição  financeira),  entendido  como  a  receita  bruta  da  venda  de  mercadorias  e  da  prestação  de  serviços,  originária  da  atividade  típica  da  empresa,  em  consonância  com  o  seu  objeto  social.  As  receitas  financeiras de natureza não­operacional estão  fora do  faturamento  das empresas comerciais ou prestadoras de serviços, não podendo, por  isso,  serem  tributadas  pelas  contribuições  em  comento.  4­  Com  a  posterior  promulgação das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, posterior à EC 20/98, pôs­se  fim às divergências sobre a base de cálculo do PIS e COFINS, alargadas pela  Lei  nº  9.718/98,  positivando  no  ordenamento  jurídico  brasileiro  o  entendimento de que essa base de cálculo deve corresponder à receita bruta da  venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as  demais  receitas  auferidas pela  pessoa  jurídica,  conforme disposto no  art.  1º,  §1º daquele diploma legal. Não obstante, no caso em tela essa conclusão não  se aplica, em princípio, dado que, segundo expressas disposições das  leis em  comento, as empresas  financeiras  encontram­se excluídas de  sua sistemática,  estando  submetidas  às  disposições  da  Lei  nº  9.718/98.  5­  Quanto  à  compensação,  insta  mencionar  que  poderá  ser  realizada,  com  correção  unicamente  pelo  índice  de  correção  da  taxa  SELIC,  com  os  tributos  administrados pela Secretaria da Receita Federal, pela exegese do art. 74 da  Lei nº 9.430/96, com redação alterada pela Lei nº 10.637/02, haja vista ter sido  ajuizada  a  demanda  após  o  advento  deste  diploma  legal,  ressaltando­se,  todavia,  que  caberá  à  administração  fiscalizar  a  existência  de  recolhimento  referente  à  COFINS  incidente  sobre  as  receitas  ditas  não­operacionais.  6­  Remessa  necessária  e  recurso  de  apelação  parcialmente  providos.  (TRF2,  Desembargador  Federal  LUIZ  ANTONIO  SOARES,  APELRE  200951010106419, E­DJF2R ­ Data:11/09/2012) (g.n.)    TRIBUTÁRIO.  COFINS.  INSTITUIÇÕES  FINANCEIRAS  E  EQUIPARADAS.  LEI  9.718/98.  CONCEITO  DE  "RENDA  BRUTA  OPERACIONAL".  INSUFICIÊNCIA  DA  LEGISLAÇÃO  ORDINÁRIA.  MISSÃO  INTEGRATIVA  DO  PODER  JUDICIÁRIO.  INOVAÇÕES  DO  MERCADO  FINANCEIRO  MUNDIAL.  NOVAS  PERSPECTIVAS  DE  NEGÓCIOS.  APLICAÇÕESFINANCEIRAS  QUE  SE  AFIGURAM  NOVAS  OPÇÕES  COMERCIAIS  DOS  BANCOS  E  SIMILARES.  INSERÇÃO  EM  SUA  ATIVIDADE­FIM.  RECEITAS  FINANCEIRAS.  INCLUSÃO  NA  RENDA  BRUTA  OPERACIONAL.  1.  Controvérsia  sobre  o  conceito  de  faturamento  para  o  recolhimento  do  PISe  da  COFINS  pelas  instituições  financeiras  e  entidades equiparadas.  2. A  legislação pátria não contribui  satisfatoriamente  para  esclarecer  se  as  receitas  financeiras  integram  ou  não  a  receita  bruta  operacional dasinstituições  financeiras  e  entidades  equiparadas.  3. O que  se  percebe  é  que  nenhum  diploma  legal  esclarece  perfeitamente  o  alcance  da  receita  bruta  operacional  das  instituições  financeiras,  pois  servem  quase  exclusivamente à definição de faturamento das empresas que têm como objeto  social  o  oferecimento de bens ou  serviços  convencionais,  como  se depreende  do art. 44 da Lei 4.506/64, do art. 12 do Decreto­lei 1.598/77 e do art. 44 do  Decreto 1.041/94 (RIR). 4. O mesmo ocorre com as Leis 9.701/98 e 9.718/98,  as quais, em momento algum, excluem as receitas financeiras do faturamento  ou  receita  operacional  dos  bancos  e  similares.  5.  A missão  de  resolver  esta  controvérsia fica entregue ao Poder Judiciário, com o indispensável suporte da  doutrina.  6.  As  instituições  financeiras,  por  exigência  do  mercado,  estão  se  despregando do modelo clássico de captação e intermediação de crédito pelos  Fl. 162DF CARF MF Processo nº 16327.910841/2011­45  Acórdão n.º 3201­004.408  S3­C2T1  Fl. 12          11 bancos comerciais e estão abrindo  frente a novas operações, como os  títulos  interbancários, a securitização, o mercado de derivativos etc, que por vezes se  apresentam mais lucrativas do que as tradicionais operações de intermediação  entre  depositantes  e  tomadores  de  empréstimos.  7.  Há  que  se  mencionar,  ainda,  as  operações  de  aquisição  pelasinstituições  financeiras  de  títulos  da  dívida pública, remunerados no Brasil por atraentes  juros, dentre os maiores  do  mundo,  como  parte  da  política  monetária,  acentuadamente  a  partir  do  advento do Plano Real,  em 1994. 8. Para  as  instituições  financeiras,  aplicar  seus  recursos  em  títulos  públicos,  no  mercado  de  derivativos  e  em  outras  formas de investimento passou a ser parte de uma estratégia comercial, como  forma  de  adaptação  ao  mercado  financeiro  mundial.  9.  Enquanto  para  as  empresas  comuns  as  aplicações  financeiras  são  uma  garantia  contra  a  desvalorização da moeda ou  forma de angariar  recursos  adicionais,  para  as  instituições  financeiras  elas  consistem  numa  opção  mercadológica  de  obter  maiores  lucros  com  os  recursos  disponíveis.  10.  Estando  inseridas  na  atividade­fim dos  bancos,  não  há  como  ignorar  que  as  receitas  financeiras  também  integram o  seu  faturamento e, nesta condição, devem ser  incluídas  na base de cálculo do PIS. 11. Não se vislumbra inconstitucionalidade da Lei  9.718/98 na parte em que cuida da matéria referente ao faturamento ou receita  bruta  das  instituições  financeiras  e  entidades  equiparadas.  12.  Cumpre  observar  que,  nos  termos  da  fundamentação  acima,  não  se  aplica  às  instituições  financeiras  o  §  1º  do  artigo  3º  da  Lei  nº  9.718/98,  pois  é  válido  apenas para as empresas que operam com bens ou serviços, de modo que não  pode  subsistir  a  douta  sentença.  13.  Não  conheço  do  agravo  retido,  nego  provimento à apelação da impetrante e dou provimento à apelação da União e  à  remessa  oficial,  para  denegar  a  segurança.  (TRF3,  JUIZ  CONVOCADO  RUBENS  CALIXTO,  AMS  n.º  00350202220074036100,  e­DJF3  Judicial  1  DATA:14/02/2014). (g.n.).  No  caso  em  exame,  porém,  a  Recorrente  também  aufere  receitas  decorrentes  da  aplicação de seus próprios recursos, daí defender que, nesta hipótese, não haveria prestação de  serviços.  Bem, se há ou não prestação de serviços,  isso nos parece de nenhuma importância  para  o  deslinde  da  questão,  visto  que,  na  acepção  que  vimos  de  dar,  o  faturamento  de  uma  instituição financeira, como uma corretora de títulos e valores mobiliários, corresponde a soma  das  receitas oriundas das atividades empresariais, pouco  importando se derivou da aplicação  de  recursos próprios ou de  terceiros. Nesse  contexto,  não podem ser  excluídas das bases de  cálculo do PIS/Cofins, de forma a viabilizar a restituição pretendida, as receitas a que se refere  a Recorrente.  Por  fim,  ainda  há  de  se  registrar  que,  por  tudo  que  dissemos  anteriormente,  e  conforme  consignado  na  Solução  de  Consulta  Cosit  nº  84,  de  08/06/2016,  a  alteração  promovida no art. 12 do Decreto­lei nº 1.598, de 1977, pela Medida Provisória ­ MP nº 627, de  2013,  convertida  na Lei  nº  12.973,  de  2014,  apenas  veio  para  expressar  o  entendimento,  já  pacificado,  acerca  da  abrangência  das  receitas  decorrentes  da  atividade  empresarial.  De  conseguinte,  não  há  como  admiti­lo  válido  apenas  a partir  do  início da  vigência  da  referida  MP.  Ante  o  exposto,  rejeito  a  preliminar  de  nulidade  e,  no  mérito,  NEGO  PROVIMENTO ao recurso voluntário."   (...)1                                                              1 Deixou­se de  transcrever  a declaração  de voto  apresentada no  acórdão do processo  paradigma por manifestar  entendimento que restou vencido, não se aplicando, portanto, à solução do litígio do presente processo. Todavia,  sua íntegra consta do Acórdão 3201­004.399 (processo 16327.910834/2011­43).  Fl. 163DF CARF MF Processo nº 16327.910841/2011­45  Acórdão n.º 3201­004.408  S3­C2T1  Fl. 13          12 Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado rejeitou a preliminar de  nulidade e, no mérito, NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário.        (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza                              Fl. 164DF CARF MF

score : 1.0
7628308 #
Numero do processo: 10675.002980/2005-19
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 COFINS NÃO CUMULATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. CONCEITO DE INSUMO. ESSENCIALIDADE. INCABÍVEL Para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo na sistemática da não-cumulatividade das Contribuições para o PIS e da COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente. Com isso não restou caracterizada a essencialidade dos gastos com equipamento de segurança, limpeza e higiene, suprimento de informática, material de laboratório, assinaturas técnicas, manutenção e reparos e serviços regulares e seguros.
Numero da decisão: 3001-000.726
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Renato Vieira de Ávila que lhe deu provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcos Roberto da Silva. Orlando Rutigliani Berri - Presidente (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Redator Designado e Ad Hoc (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente a época da Sessão de Julgamento), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. Atuou como redator (Ad Hoc) o Conselheiro Marcos Roberto da Silva, Presidente da Turma por ocasião da formalização do presente voto, tendo em vista que o relator original, que já teve seu voto coletado em janeiro/2019, não mais compõe o colegiado, conforme Portaria SE/ME no 380, de 15/02/2019.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201901

ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 COFINS NÃO CUMULATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. CONCEITO DE INSUMO. ESSENCIALIDADE. INCABÍVEL Para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo na sistemática da não-cumulatividade das Contribuições para o PIS e da COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente. Com isso não restou caracterizada a essencialidade dos gastos com equipamento de segurança, limpeza e higiene, suprimento de informática, material de laboratório, assinaturas técnicas, manutenção e reparos e serviços regulares e seguros.

turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019

numero_processo_s : 10675.002980/2005-19

anomes_publicacao_s : 201902

conteudo_id_s : 5966572

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019

numero_decisao_s : 3001-000.726

nome_arquivo_s : Decisao_10675002980200519.PDF

ano_publicacao_s : 2019

nome_relator_s : RENATO VIEIRA DE AVILA

nome_arquivo_pdf_s : 10675002980200519_5966572.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Renato Vieira de Ávila que lhe deu provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcos Roberto da Silva. Orlando Rutigliani Berri - Presidente (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Redator Designado e Ad Hoc (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente a época da Sessão de Julgamento), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. Atuou como redator (Ad Hoc) o Conselheiro Marcos Roberto da Silva, Presidente da Turma por ocasião da formalização do presente voto, tendo em vista que o relator original, que já teve seu voto coletado em janeiro/2019, não mais compõe o colegiado, conforme Portaria SE/ME no 380, de 15/02/2019.

dt_sessao_tdt : Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019

id : 7628308

ano_sessao_s : 2019

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:38:37 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713051417625755648

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1609; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C0T1  Fl. 115          1 114  S3­C0T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10675.002980/2005­19  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3001­000.726  –  Turma Extraordinária / 1ª Turma   Sessão de  24 de janeiro de 2019  Matéria  COFINS  Recorrente  AABC­AGRICULTURA E PECUARIA S/A­ABC­A&P   Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005  COFINS NÃO CUMULATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. CONCEITO DE  INSUMO. ESSENCIALIDADE. INCABÍVEL  Para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo  na  sistemática  da  não­cumulatividade  das  Contribuições  para  o  PIS  e  da  COFINS,  imprescindível  a  sua  essencialidade  ao  processo  produtivo  ou  prestação  de  serviço,  direta  ou  indiretamente.  Com  isso  não  restou  caracterizada  a  essencialidade  dos  gastos  com  equipamento  de  segurança,  limpeza  e  higiene,  suprimento  de  informática,  material  de  laboratório,  assinaturas técnicas, manutenção e reparos e serviços regulares e seguros.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  negar  provimento  ao  Recurso  Voluntário,  vencido  o  conselheiro  Renato  Vieira  de  Ávila  que  lhe  deu  provimento  parcial.  Designado  para  redigir  o  voto  vencedor  o  Conselheiro  Marcos  Roberto  da  Silva.   Orlando Rutigliani Berri ­ Presidente  (assinado digitalmente)    Marcos Roberto da Silva ­ Redator Designado e Ad Hoc  (assinado digitalmente)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 29 80 /2 00 5- 19 Fl. 115DF CARF MF     2   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Orlando  Rutigliani  Berri  (Presidente a época da Sessão de Julgamento), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da  Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. Atuou como redator (Ad Hoc) o Conselheiro Marcos  Roberto da Silva, Presidente da Turma por ocasião da formalização do presente voto, tendo em  vista que o relator original, que já teve seu voto coletado em janeiro/2019, não mais compõe o  colegiado, conforme Portaria SE/ME no 380, de 15/02/2019.  Relatório  (cf.  relatório  constante  na  pasta  da  sessão  de  julgamento,  repositório  oficial  do  CARF, onde foi disponibilizado pelo relator original aos demais conselheiros)    Pedido de Compensação  Trata­se  de  declaração  de  compensação  de  créditos  de  COFINS  do  período  de  outubro de 2005, no valor de R$ 83.034,61 (oitenta e três mil e trinta e quatro reais e sessenta e um  centavos).    Despacho Decisório  A autoridade  fiscal  concluiu por  estar parcialmente  comprovado o direito  creditório  de  COFINS  relativo  a  outubro  de  2005  no  valor  de  R$  65.250,88,  afirmando  que  os  pagamentos  realizados  foram  parcialmente  utilizados  para  a  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  portanto,  homologou o pedido de compensação, restando a ser recolhido o montante de R$ 17.783,73.    Manifestação de Inconformidade  Em sede de  sua manifestação de  inconformidade, o  recorrente  alega,  em  suma, que  houve  equívoco  na  conclusão  da  autoridade  fiscal  quanto  ao  direito  creditório  de  COFINS  e  à  compensação pleiteada.     Não­cumulatividade ­ Direito ao creditamento de insumos   Alega  o  manifestante  que  possui  o  direito  creditório  informado  na  declaração  de  compensação em decorrência da utilização de  insumos em seu processo produtivo em decorrência do  princípio da não­cumulatividade aplicado à COFINS.    DRJ/JFA    A manifestação de inconformidade foi julgada e recebeu a seguinte ementa:  Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10675.002980/2005­19  Acórdão n.º 3001­000.726  S3­C0T1  Fl. 116          3   Acórdão 09­32.727 – 1ª Turma da DRJ/JFA    Sessão de 02 de dezembro de 2010    Processo 10675.002980/2005­19    Interessado ABC AGRICULTURA E PECUÁRIA S/A – ABC A&P    CNPJ/CPF 19.929.074/0001­35    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA o FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL –  COFINS    Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005    NÃO  CUMULATIVIDADE.  GERAÇÃO  DE  CRÉDITOS.  GASTOS  NÃO  CARACTERIZADOS COMO INSUMOS. IMPOSSIBILIDADE.    Somente  geram  créditos  no  regime  da  não  cumulatividade  os  dispêndios  com  bens  e  serviços que se enquadram no conceito de insumo definido na legislação.    DECLARAÇAO  DE  COMPENSAÇÃO.  INSUFICIÊNCIA  DE  DIREITO  DE  CREDITÓRIO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.    Verificada a insuficiência de direito creditório, não se homologa a parcela indevidamente  compensada.    Manifestação de Inconformidade Improcedente    Direito Creditório Não Reconhecido    O relatório, por bem retratar a realidade fática dos autos, merece ser transcrito.    Trata­se o presente de Declaração de Compensação ­ Dcomp, de débito de IRPJ, período  de apuração 10/2005, com crédito da Cofins do regime não cumulativo, mercado interno,  do 3° trimestre de 2005, no valor de R$83.034,61 (fls. 1 e 2).    Com fundamento na Informação Fiscal de fls. 51 e 52, foi exarado o Despacho Decisório  n° 825 ­ DRF/UBE, de fls. 55 e 56, por meio do qual foi reconhecido o 1 direito creditório  a  favor  da  interessada  no  valor  de  R$65.250,88  e  homologada  parcialmente  a  1  compensação  declarada,  remanescendo  um  saldo  devedor  a  título  de  IRPJ,  período  de  apuração 10/2005, no valor de R$l7.783,73.    Cientificada em 10/09/2010, conforme Aviso de Recebimento ­ AR, de fl. 58, a interessada  apresentou  a  manifestação  de  fls.  59  a  69,  na  qual,  com  base  em  posicionamentos  doutrinários, aduz em síntese que:    2  ­  DO  DIREITO.  A  NÃO­CUMULATIVIDADE  DA  COFINS  À  LUZ  DO  TEXTO  CONSTITUCIONAL /AMPLO DIREITO AO CREDI TA MEN TO DOS INSUMOS    Fl. 117DF CARF MF     4 [...]  todo  e  qualquer  insumo  que  tenha  sido  objeto  de  tributação  anterior  da COFINS,  SEM EXCEÇÃO, deverá gerar créditos de COFINS ao adquirente.    [...]  a  condição  de  crédito  físico  que  a  Receita  federal  insiste  atribuir  aos  insumos  na  hipótese  em  questão  está  totalmente  divorciada  do  sentido  teleológico  da  Lei  n°  10.833/03.    [...] nada mais falacioso e equivocado [...] pretender caracterizar o rol do § 4º, do art. 8º,  da Instrução Normativa SRF nº 404/04, como numerus clausus, em frontal divergência os  ditames constitucionais anteriormente analisados.    [...]  a  visão  [...]  tacanha  da  fiscalização,  no  que  se  refere  a  insumos,  não  retrata  a  realidade,  gerando  um  crédito  tributário  em  favor  da  Fazenda  Nacional  que  absolutamente não existe [...].    É o relatório.    A  DRJ  entendeu  que  deve  ser  considerado  insumo  para  fins  de  creditamento  de  COFINS pela sistemática da não­cumulatividade somente aquilo que atender o conceito legal, qual seja  aquilo  que  for  empregado na  fabricação  do  produto  final  ou  na  prestação  de  serviços  e  se  consome,  desgasta ou tem suas propriedades físico­químicas alteradas.  Desse modo,  considerou que os gastos  com uniformes,  equipamentos de  segurança,  material  de  escritório,  material  de  higiene  e  limpeza,  suprimentos  de  informática,  material  de  laboratório  e  reparos  de  bens  e  veículos  não  se  enquadram  no  conceito  de  insumo,  portanto,  não  conferem o direito creditório pleiteado.  Isso posto, considerou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo o  despacho decisório.    Recurso Voluntário  Após  relatar  brevemente  os  eventos  fáticos  transcorridos,  o  recorrente  repete  os  argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, quais sejam:  Não­cumulatividade ­ Direito ao creditamento de insumos   Aduz o recorrente que possui direito aos créditos de COFINS pleiteados na declaração  de compensação por ocasião da utilização de insumos em suas atividades em decorrência do princípio  da não­cumulatividade aplicado à contribuição em questão.   É o relatório.  Voto Vencido  Conselheiro Marcos Roberto da Silva, Redator Ad Hoc  O voto  a  seguir  reproduzido  entre  aspas  é de  lavra do Conselheiro Renato Vieira  de  Ávila, relator original do processo, que, conforme Portaria SE/ME no 380, de 15/02/2019, teve o mandato  extinto antes da formalização do resultado do presente julgamento. O texto do voto, in verbis, foi retirado  Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10675.002980/2005­19  Acórdão n.º 3001­000.726  S3­C0T1  Fl. 117          5 da  pasta  da  sessão  de  julgamento,  repositório  oficial  do  CARF,  onde  foi  disponibilizado  pelo  relator  original, ainda em janeiro de 2019, aos demais conselheiros.    “Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  em  face  de  decisão  que  homologou  parcialmente o pedido de compensação de créditos de COFINS.     Admissibilidade do Recurso   O  contribuinte  teve  ciência  do  acórdão  de  manifestação  de  inconformidade  em  07.01.2011, conforme Aviso de Recebimento ­ AR de fl. 100, nos termos do inciso II do parágrafo 2º do  artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF), iniciando­se a contagem do prazo para apresentação  de recurso no dia útil subsequente, conforme artigo 5º, também do PAF.  Art.  5º  Os  prazos  serão  contínuos,  excluindo­se  na  sua  contagem  o  dia  do  início  e  incluindo­se o do vencimento.   Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no  órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato.    Verifica­se,  pois,  que  o  recorrente  apresentou  o  competente  Recurso  Voluntário  em  27.01.2011,  conforme  comprova  o  carimbo  da  ARF  de  UBERLÂNDIA  à  fl.  101,  logo,  o  recurso  apresentado é tempestivo ao prazo legal estabelecido no artigo 56 do PAF:  Art.  56.  Cabe  recurso  voluntário,  com  efeito  suspensivo,  de  decisão  de  primeira  instância, dentro de trinta dias contados da ciência.    Por fim, observo que, em conformidade com o art. 23­B do Anexo II da Portaria MF n°  343  de  2015  (Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  –  RICARF),  este  colegiado é competente para apreciar o feito, tendo em vista que o valor do litígio está dentro do limite  estabelecido pelo dispositivo.    DOS FATOS  Trata  o  presente  processo  de  compensação  de  créditos  de  COFINS  do  período  de  outubro de 2005 no valor de R$ 83.034,61, o qual foi homologado parcialmente no montante de    R$  65.250,88, restando a recolher R$ 17.783,73. O pedido está lastreado na utilização de supostos insumos  no  processo  produtivo  do  contribuinte,  que  ensejaria direito  creditório  em decorrência  do  princípio  da  não­cumulatividade.    MÉRITO  Fl. 119DF CARF MF     6    CONCEITO DE INSUMO  As teses adversárias, por um lado, o entendimento fazendário restritivo, vinculado à IN  404/04 e, por outro lado, a pretensão do contribuinte em ser­lhe aplicado o tratamento previsto para fins  de despesa do IRPJ, podendo gerar crédito para fins das contribuições, sob o mesmo entendimento dado  às despesas dedutíveis.  Neste  sentido,  sobreveio decisão  em sede de Recurso Repetitivo  sob n.º  1.221.170­R  Esp para  fixar o conceito de  insumo, sendo aplicado nas decisões deste CARF. O conceito adotado de  serviço, portanto, previsto na Lei 10.833/03, em seu artigo 3.º, segue a utilização no precedente abaixo:  Acórdão nº 9303005.623  CONCEITO DE INSUMO.  O  termo  “insumo”  utilizado  pelo  legislador  na  apuração  de  créditos  a  serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota  uma  abrangência  maior  do  que  MP,  PI  e  ME  relacionados  ao  IPI.  Por  outro  lado,  tal  abrangência  não  é  tão  elástica  como  no  caso  do  IRPJ,  a  ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à  atividade da empresa.  Sua justa medida caracteriza­se como o elemento diretamente responsável  pela  produção  dos  bens  ou  produtos  destinados  à  venda,  ainda  que  este  elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as  demais exigências legais.  No  caso  julgado,  são  exemplos  de  insumos:  a)  serviço  de  limpeza  e  passagem  (remoção  de  minério  para  permitir  a  passagem  de  veículos  extratores  de  caulim);  b)  serviço  de  locação  de  equipamentos  para  a  extração do minério; c) serviço de decapeamento (retirada de vegetação e  solo); d) serviço de lavra (extração do minério da natureza); e, finalmente,  e) Óleo diesel (utilizado nos caminhões para transporte de caulim).  Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.  Adiciona­se  excerto  do  voto  condutor,  no  sentido  de  compreender  o  conceito  de  essencialidade   Acórdão de nº 930101.741  Em minha opinião, o texto do artigo 3º da Lei 10.637/2002, bem assim da  Lei  10.833/2003,  não  poderia  ser  mais  específico  ao  regrar  os  créditos  suscetíveis de abatimento pelo contribuinte. É evidente que não se tem como  enumerar  todos  os  eventos  capazes  de  gerar  crédito,  mas  diante  do  que  dispõe a lei para identificar se o dispêndio é suscetível de abatimento, se o  mesmo  se  consubstancia  em  insumo,  basta  verificar  se  o  mesmo  corresponde  a  resposta  afirmativa  da  seguinte  indagação: o dispêndio é indispensável à produção de bens ou  à prestação de serviços geradores de  receitas  tributáveis pelo  PIS ou pela COFINS não cumulativos? Se sim, o direito de crédito do  contribuinte, a meu ver, é inquestionável.  Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para  verificar  que  o  legislador  não  restringiu  a  apropriação  de  créditos  de  PIS/Pasep  aos  parâmetros  adotados  no  creditamento  de  IPI. No  inciso  II  Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10675.002980/2005­19  Acórdão n.º 3001­000.726  S3­C0T1  Fl. 118          7 desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no  conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica.  14. Analisandose detalhadamente as regras constantes dos atos transcritos  acima  e  das  decisões  da  RFB  acerca  da  matéria,  podese  asseverar,  em  termos mais explícitos, que somente geram direito à apuração de créditos  da  não  cumulatividade  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins  a  aquisição  de  insumos  utilizados  ou  consumidos  na  produção  de  bens  que  sejam destinados à venda e de serviços prestados a  terceiros, e que, para  este fim, somente podem ser considerados insumo:  b) serviços que vertem sua utilidade diretamente na produção de bens ou  na prestação de serviços, o que geralmente ocorre:  b.1) pela aplicação do serviço sobre o bem ou pessoa beneficiados  pela prestação de serviço;   b.2)  pela  prestação  paralela  de  serviços  que  reunidos  formam  a  prestação de serviço  final disponibilizada ao público externo  (como  subcontratação de serviços, etc);  c) serviços de manutenção de máquinas, equipamentos ou veículos  utilizados  diretamente  na  produção  de  bens  ou  na  prestação  de  serviços.  (g.n.)  A respeito do critério para verificação da essencialidade, conforme transcrito a seguir,  responda­a positivamente, haja vista, nas operações, como a da recorrente, que, dentre outras tantas como  industrialização  e  comercialização,  necessita,  contratar  serviços  especializados  para  lidar  com  a  complexa burocracia aduaneira, sob pena de inviabilizar sua operação, caso deva verticalizar a execução  de seus préstimos.   basta verificar se o mesmo corresponde a resposta afirmativa da seguinte  indagação: o dispêndio é indispensável à produção de bens ou à prestação  de serviços geradores de receitas tributáveis pelo PIS ou pela COFINS não  cumulativos?  Se  sim,  o  direito  de  crédito  do  contribuinte,  a  meu  ver,  é  inquestionável.  Acórdão nº 9303005.941  PIS  NÃO  CUMULATIVO.  CONCEITO  DE  INSUMO.  CRITÉRIO  DA  ESSENCIALIDADE.  DIREITO  A  CRÉDITO.  DESPESAS  COM  O  DESCARREGAMENTO  DE  MERCADORIAS  NO  PORTO  E  SEU  TRANSPORTE ATÉ A UNIDADE FABRIL POR TUBOVIA. DESPESAS DE  ARMAZENAGEM  E  FRETES  NA  OPERAÇÃO  DE  VENDA.  POSSIBILIDADE.  De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II,  do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de  modo  ampliativo,  desde  que  o  bem  ou  serviço  seja  essencial  a  atividade  empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS não cumulativo sobre  despesas com o descarregamento de mercadorias no porto e seu transporte  até  a  unidade  fabril  por  tubovia,  despesas  de  armazenagem  e  fretes  na  operação de venda.  Fl. 121DF CARF MF     8  Fundamento Legal Invocado  Art.  3o  Do  valor  apurado  na  forma  do  art.  2o  a  pessoa  jurídica  poderá  descontar créditos calculados em relação a:  II ­ bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços  Portanto, dos itens listados às fls. 49 e 50, Reverte­se a glosa para:   · Equipamento de Segurança  · limpeza e higiene  · suprimento de informática  · Material de laboratório  · Assinaturas técnicas  · Manutençao e Reparos  · Serviços Regulares  · Seguros  Conclusão  Diante  do  exposto,  conheço  totalmente  do  recurso  para  dar  parcial  provimento,  revertendo  as  glosas  de  Equipamento  de  Segurança,  limpeza  e  higiene,  suprimento  de  informática,  Material de laboratório, Assinaturas técnicas, Manutençao e Reparos, Serviços Regulares e Seguros”    (assinado digitalmente)  Marcos Roberto da Silva (Ad Hoc)    Voto Vencedor  Conselheiro Marcos Roberto da Silva, Redator Designado    Considerando  o  bem  redigido  voto  do  ilustre  Conselheiro  Relator  Renato  Vieira de Ávila, ouso divergir parcialmente do seu entendimento, como será visto a seguir.  Inicialmente,  conforme  exposto  pelo  nobre  relator,  é  entendimento  deste  Conselho que o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e  10.833/2003, deve ser  interpretado seguindo o critério da essencialidade. Este critério busca  uma  posição  "intermediária"  construída  pelo  CARF  na  definição  insumos,  com  vistas  a  alcançar uma  relação  existente entre o bem ou  serviço,  utilizado como  insumo e  a atividade  realizada pelo Contribuinte.  Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10675.002980/2005­19  Acórdão n.º 3001­000.726  S3­C0T1  Fl. 119          9 Reproduzo  a  seguir  um  conceito  de  insumo  consignado  no  Acórdão  nº  9303003.069, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF, e que vem servindo de  base para os julgamentos dos processos deste Conselho:  [...]  Portanto,  "insumo"  para  fins  de  creditamento  do  PIS  e  da  COFINS  não  cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das  próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003),  deve  ser  entendido  como  todo  custo,  despesa  ou  encargo  comprovadamente  incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto  que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas  (critério  relacional),  dependendo,  para  sua  identificação,  das  especificidades  de  cada processo produtivo. (grifos da reprodução)  Sintetizando,  para  que  determinado  bem  ou  prestação  de  serviço  seja  considerado  insumo na sistemática da não­cumulatividade das Contribuições para o PIS e da  COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço,  direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova.  Com  isso,  reputo  corretas  as  glosas  efetuadas  pela  fiscalização  e  mantidas  pela decisão de piso referentes a equipamento de segurança, limpeza e higiene, suprimento de  informática, material  de  laboratório, assinaturas  técnicas, manutenção  e  reparos  e  serviços  regulares e seguros tendo em vista que não foram identificadas correlações que demonstrassem  a  sua  essencialidade  entre  tais  gastos  e o processo produtivo  e pudesse caracterizá­los  como  insumos na sistemática da não cumulatividade das COFINS.  Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário.    (assinado digitalmente)  Marcos Roberto da Silva                      Fl. 123DF CARF MF

score : 1.0
7578560 #
Numero do processo: 10665.900023/2014-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO. ENDERÇO DE ADVOGADO DO SUJEITO PASSIVO. NÃO CABIMENTO. SÙMULA CARF 110. No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo, conforme Súmula CARF no 110. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.
Numero da decisão: 3401-005.451
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Redator Ad Hoc. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201810

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO. ENDERÇO DE ADVOGADO DO SUJEITO PASSIVO. NÃO CABIMENTO. SÙMULA CARF 110. No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo, conforme Súmula CARF no 110. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Jan 21 00:00:00 UTC 2019

numero_processo_s : 10665.900023/2014-60

anomes_publicacao_s : 201901

conteudo_id_s : 5952381

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 21 00:00:00 UTC 2019

numero_decisao_s : 3401-005.451

nome_arquivo_s : Decisao_10665900023201460.PDF

ano_publicacao_s : 2019

nome_relator_s : ANDRE HENRIQUE LEMOS

nome_arquivo_pdf_s : 10665900023201460_5952381.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Redator Ad Hoc. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.

dt_sessao_tdt : Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018

id : 7578560

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:36:02 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713051417630998528

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1606; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T1  Fl. 90          1 89  S3­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10665.900023/2014­60  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3401­005.451  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  22 de outubro de 2018  Matéria  PER/DCOMP ­ PIS/COFINS  Recorrente  HERTAPE SAÚDE ANIMAL S.A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2012  PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.  INTIMAÇÃO. ENDERÇO DE  ADVOGADO  DO  SUJEITO  PASSIVO.  NÃO  CABIMENTO.  SÙMULA  CARF 110.  No  processo  administrativo  fiscal,  é  incabível  a  intimação  dirigida  ao  endereço de advogado do sujeito passivo, conforme Súmula CARF no 110.  PEDIDOS  DE  COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO.  ÔNUS  PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA.  Nos  processos  derivados  de  pedidos  de  compensação/ressarcimento,  a  comprovação  do  direito  creditório  incumbe  ao  postulante,  que deve  carrear  aos  autos  os  elementos  probatórios  correspondentes.  Não  se  presta  a  diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou  do fisco.  VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO.  A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração  somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade  de propiciar  a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos  acontecimentos.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso.    (assinado digitalmente)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 00 23 /2 01 4- 60 Fl. 90DF CARF MF     2 Rosaldo Trevisan – Presidente e Redator Ad Hoc.    Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros  Rosaldo  Trevisan  (presidente), Marcos  Antonio  Borges  (suplente  convocado),  Tiago Guerra Machado,  Lázaro  Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio  Schappo  e  Leonardo  Ogassawara  de  Araújo  Branco  (vice­presidente).  Ausente  justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.    Relatório  Versam  os  autos  sobre  DCOMP  invocando  crédito  de Contribuição  para  o  PIS/PASEP,  ano­calendário  2012,  que  não  fora  homologada  pela  DRF  de  origem,  pois,  segundo o Despacho Decisório Eletrônico – DDE, o crédito era inexistente, vez que o valor já  havia sido utilizado para quitação do débito relativo ao período de apuração ao qual se referia.  A empresa postulante ao crédito apresentou Manifestação de Inconformidade,  na  qual  defendeu  que  houve  compensação  de  parte  dos  débitos  da  Contribuição  para  o  PIS/PASEP com créditos de ressarcimento do IPI, e mais o pagamento de R$ 49.445,20. Disse  ainda  que,  posteriormente,  retificou  o  valor  do  débito  em DACON,  restando  crédito,  e  que  também retificou DCTF posteriormente.  A DRJ/FNS, à unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de  inconformidade, concluindo que quando “...a existência do indébito incluído em declaração de  compensação  está  associada  à  alegação  de  que  o  valor  declarado  em  DCTF  e  recolhido  é  indevido,  só  se  pode  homologar  tal  compensação,  independentemente  de  eventuais  outras  verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica  regularmente a DCTF”.  A  contribuinte  tomou  ciência  da  referida  decisão  por  meio  AR,  em  06/11/2015 (efl. 53), vindo a interpor recurso voluntário em 04/12/2015 (efl. 57), basicamente  defendendo que (1) retificar a Declaração posteriormente não desnatura a existência do crédito;  (2) há de prevalecer a verdade real; e (3) é inadmissível o enriquecimento ilícito da União.  Sobreveio  Despacho  de  Encaminhamento  (efl.  89),  informando  a  tempestividade recursal.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Rosaldo Trevisan, Redator Ad Hoc    Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10665.900023/2014­60  Acórdão n.º 3401­005.451  S3­C4T1  Fl. 91          3 O  voto  a  seguir  reproduzido  é  de  lavra  do  Conselheiro  André  Henrique  Lemos, relator original do processo, que, conforme Portaria CARF no 143, de 30/11/2018, teve  o mandato extinto antes da formalização do resultado do presente julgamento. O texto do voto,  in verbis, foi retirado da pasta da sessão de julgamento, repositório oficial do CARF, onde foi  disponibilizado  pelo  relator  original  aos  demais  conselheiros.  Na  versão  inicial,  o  relator  propunha a  conversão  em diligência,  por  entender nebulosa  a  tempestividade  (por  tomar  em  conta a data do carimbo de recepção e não a de postagem), demandando que a unidade local da  RFB a checasse, mas, após os debates no colegiado, adotou posicionamento pela negativa de  provimento, como aclarado adiante.  O recurso voluntário interposto é tempestivo, logo, dele tomo conhecimento.    Em sua peça recursal, a empresa postulante ao crédito afirma que tem direito  à compensação, conforme documentação que anexa, e que houve violação à verdade material,  com  enriquecimento  ilícito  da  União,  não  havendo  impedimento  para  retificação  da  DCTF  depois  de  apresentado  o  PER/DCOMP,  conforme  Parecer  Normativo  COSIT  no  2,  de  28/08/2015. Requer, por fim, que sejam cientificados da decisão seus advogados.    Sobre  a  demanda  derradeira  por  intimação  no  endereço  do  advogado,  destaque­se que a intimação, nos processos tributários, como o presente, é regida pelo disposto  no  Decreto  no  70.235/1972,  que  não  contempla  a  intimação  no  endereço  de  advogado  do  contribuinte,  tema  que  é  assentado  neste  tribunal  administrativo  a  ponto  de  recentemente  ensejar a edição de súmula:  Súmula CARF nº 110  No  processo  administrativo  fiscal,  é  incabível  a  intimação  dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo.  Expurgada essa discussão do contencioso,  resta verificar  se as alegações de  defesa  são  aptas  a  comprovar  o  direito  de  crédito  da  empresa.  Isso  porque  nos  processos  derivados  de  pedidos  de  compensação/ressarcimento,  a  comprovação  do  direito  creditório  incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes,  como reiteradamente decidindo, de forma unânime, este CARF:  “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO  QUAL  SE  FUNDAMENTA  A  AÇÃO.  INCUMBÊNCIA  DO  INTERESSADO.  Cabe  ao  interessado  a  prova  dos  fatos  que  tenha  alegado.  DILAÇÃO  PROBATÓRIA.  DILIGÊNCIAS.  A  realização  de  diligências  destina­se  a  resolver  dúvidas  acerca  de questão controversa originada da confrontação de elementos  de prova  trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja  feito  aquilo  que  a  lei  já  impunha  como  obrigação,  desde  a  instauração  do  litígio,  às  partes  componentes  da  relação  jurídica.”  (Acórdãos  n.  3403­002.106  a  111,  Rel.  Cons.  Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso)  “PEDIDOS  DE  COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO.  ÔNUS  PROBATÓRIO.  Nos  pedidos  de  compensação/ressarcimento,  Fl. 92DF CARF MF     4 incumbe  ao  postulante  a  prova  de  que  cumpre  os  requisitos  previstos na  legislação  para  a  obtenção  do crédito pleiteado.”  (grifo  nosso)  (Acórdão  n.  3403­003.173,  Rel  Cons.  Rosaldo  Trevisan,  unânime  ­  em  relação  à  matéria,  sessão  de  21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403­003.166, Rel  Cons. Rosaldo Trevisan, unânime ­ em relação à matéria, sessão  de  20.ago.2014;  Acórdão  3403­002.681,  Rel  Cons.  Rosaldo  Trevisan,  unânime  ­  em  relação  à  matéria,  sessão  de  28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403­002.472, 473, 474, 475 e 476,  Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes  ­  em relação à matéria,  sessão de 24.set.2013)  “CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  PIS/PASEP.  RESSARCIMENTO.  ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos relativos a ressarcimento  tributário,  incumbe  ao  postulante  ao  crédito  o  dever  de  comprovar efetivamente seu direito.” (Acórdãos 3401­004.450 a  452,  Rel  Cons.  Rosaldo  Trevisan,  unânimes,  sessão  de  22.mar.2018)  “PEDIDOS  DE  COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO.  ÔNUS  PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a  respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação  do  direito  creditório  recai  sobre  aquele  a  quem  aproveita  o  reconhecimento  do  fato,  que  deve  apresentar  elementos  probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta  a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do  contribuinte  ou  do  fisco.  PAGAMENTO  A  MAIOR.  COMPENSAÇÃO.  AUSÊNCIA  DE  PROVA.  A  carência  probatória  inviabiliza  o  reconhecimento  do  direito  creditório  pleiteado”.  (Acórdão  3401­004.923  –  paradigma,  Rel.  Cons.  Leonardo  Ogassawara  de  Araújo  Branco,  unânime,  sessão  de  21.mai.2018)  No  presente  processo,  a  recorrente  alega,  desde  sua  manifestação  de  inconformidade,  que  a  retificação  de  DACON  e  DCTF  ocorreu  após  a  transmissão  do  PER/DCOMP, o que seria permitido, merecendo prevalecer a verdade material. No entanto, em  sede  de  manifestação  de  inconformidade,  não  junta  documentação  comprobatória  de  suas  alegações (como detalhamento da escrituração fiscal / cópias de livros e notas).  E  o  processo,  em  sede  de  recurso  voluntário,  não  recebe  acréscimo  de  documentação  necessária  à  prova  do  direito  de  crédito,  que,  como  exposto,  resta  a  cargo  da  postulante.  No CARF, até poderia ser analisada, em nome da verdade material, a questão  referente à  retificação posterior das declarações, desde que a parte  sobre a qual  recai o ônus  probatório dele se desincumbisse.  Mas isso não acontece nestes autos, nos quais a recorrente invoca a verdade  material (e eventual enriquecimento ilícito da União) para afirmar que tem direito a crédito que  não  comprova,  por  ater­se  apenas  a  discussão  preliminar,  sobre  possibilidade  ou  não  de  retificação de declarações, ignorando ser seu o ônus probatório da existência e da liquidez do  crédito invocado.  Assim,  torna­se  irrelevante  a  discussão  sobre  a  possibilidade  de  retificação  posterior, se sequer prova a contribuinte deter o crédito. Ainda que se discordasse do julgador  Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10665.900023/2014­60  Acórdão n.º 3401­005.451  S3­C4T1  Fl. 92          5 de piso sobre a possibilidade de retificação posterior de declarações, tais retificações deveriam  ser acompanhadas de documentação que comprovasse o alegado.   Sobre a verdade material, bem ensina James MARINS que envolve não só o  dever de investigação, por parte do fisco, mas o dever de colaboração, do sujeito passivo:  “As  faculdades  fiscalizatórias  da  Administração  tributária  devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e  seu  resultado  deve  ser  reproduzido  fielmente  no  bojo  do  procedimento  e  do  Processo  Administrativo.  O  dever  de  investigação  da  Administração  e  o  dever  de  colaboração  por  parte do particular têm por finalidade propiciar a aproximação  da  atividade  formalizadora  com  a  realidade  dos  acontecimentos.”1  No  caso,  faltou  com  seu  dever  de  colaboração  a  recorrente,  desde  a  manifestação de inconformidade até o recurso voluntário.  Não  procedem,  assim,  as  alegações  de  violação  à  verdade  material  e  enriquecimento ilícito.  Conclui­se,  então,  que  a  empresa postulante  ao  crédito  efetivamente não  se  desincumbe  de  seu  dever  de  comprová­lo,  cabendo  a  este  colegiado  endossar  a  negativa  do  direito de crédito.    Pelo  exposto,  voto  no  sentido  de  negar  provimento  ao  recurso  voluntário  apresentado.    (assinado digitalmente)  Rosaldo Trevisan                                                              1 Direito Processual Tributário Brasileiro – Administrativo e Judicial, 8. Ed., São Paulo: Dialética, p. 174.                              Fl. 94DF CARF MF

score : 1.0
7612011 #
Numero do processo: 11080.910546/2011-13
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da não-cumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) essencialidade ou relevância com/ao processo produtivo ou prestação de serviço; e sua (ii) aferição, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e a atividade desenvolvida pela empresa. PIS. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS INCORRIDAS COM O CONTROLE DE PRAGAS. Os gastos com produtos aplicados para controle de pragas, observando-se o critério da essencialidade e relevância, subsumem-se no conceito de insumo para empresa do setor agroindustrial, e ensejam a tomada de créditos. PIS. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS INCORRIDAS COM LOCAÇÕES DE PALETES, CONTENTORES E GUINCHOS. As despesas com locações de paletes, aluguéis de contentores destinados ao armazenamento de entulhos e resíduos e locação de guinchos, observando-se o critério da essencialidade e relevância, subsumem-se no conceito de insumo para empresa do setor agroindustrial, e ensejam a tomada de créditos. PIS. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins. DESPESAS COM ALUGUEL DE VEÍCULOS. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO Na apuração do PIS e Cofins não cumulativos, é incabível o desconto de créditos calculados em relação ao valor incorrido no mês relativo aos aluguéis de veículos, posto não se confundir com o termo “máquinas” utilizados ao longo de toda legislação. DESPESAS DE FRETES DE MATÉRIA-PRIMA PARA DEPÓSITO. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de créditos sobre as despesas com fretes de matéria-prima para depósito está condicionada à comprovação de que as respectivas mercadorias estão sujeitas ao pagamento da contribuição, tendo em vista que tais despesas integram o custo de suas vendas. CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. As despesas com fretes para o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, para venda/revenda, constituem despesas na operação de venda e geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor apurado sobre o faturamento mensal, nos termos do art. 3º, inciso IX, das Lei 10.833/03 e Lei 10.637/02. CRÉDITOS CALCULADOS SOBRE AQUISIÇÕES DE INSUMOS SUJEITOS À SUSPENSÃO DO PIS/COFINS. Comprovando-se o preenchimento de todas as condições legais previstas para que se verifique a suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS poderia o contribuinte, então, optar, ou não, pelo crédito presumido, mas não caberia utilizar-se do crédito básico. Crédito negado.
Numero da decisão: 3003-000.100
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para conceder crédito sobre as despesas despendidas no controle de pragas e expurgos, despesas de fretes na transferência de produtos acabados, despesas com locações de paletes, despesas de aluguéis de contentores destinados ao armazenamento de entulhos e resíduos e locação de guinchos. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201901

ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da não-cumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) essencialidade ou relevância com/ao processo produtivo ou prestação de serviço; e sua (ii) aferição, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e a atividade desenvolvida pela empresa. PIS. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS INCORRIDAS COM O CONTROLE DE PRAGAS. Os gastos com produtos aplicados para controle de pragas, observando-se o critério da essencialidade e relevância, subsumem-se no conceito de insumo para empresa do setor agroindustrial, e ensejam a tomada de créditos. PIS. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS INCORRIDAS COM LOCAÇÕES DE PALETES, CONTENTORES E GUINCHOS. As despesas com locações de paletes, aluguéis de contentores destinados ao armazenamento de entulhos e resíduos e locação de guinchos, observando-se o critério da essencialidade e relevância, subsumem-se no conceito de insumo para empresa do setor agroindustrial, e ensejam a tomada de créditos. PIS. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins. DESPESAS COM ALUGUEL DE VEÍCULOS. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO Na apuração do PIS e Cofins não cumulativos, é incabível o desconto de créditos calculados em relação ao valor incorrido no mês relativo aos aluguéis de veículos, posto não se confundir com o termo “máquinas” utilizados ao longo de toda legislação. DESPESAS DE FRETES DE MATÉRIA-PRIMA PARA DEPÓSITO. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de créditos sobre as despesas com fretes de matéria-prima para depósito está condicionada à comprovação de que as respectivas mercadorias estão sujeitas ao pagamento da contribuição, tendo em vista que tais despesas integram o custo de suas vendas. CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. As despesas com fretes para o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, para venda/revenda, constituem despesas na operação de venda e geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor apurado sobre o faturamento mensal, nos termos do art. 3º, inciso IX, das Lei 10.833/03 e Lei 10.637/02. CRÉDITOS CALCULADOS SOBRE AQUISIÇÕES DE INSUMOS SUJEITOS À SUSPENSÃO DO PIS/COFINS. Comprovando-se o preenchimento de todas as condições legais previstas para que se verifique a suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS poderia o contribuinte, então, optar, ou não, pelo crédito presumido, mas não caberia utilizar-se do crédito básico. Crédito negado.

turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019

numero_processo_s : 11080.910546/2011-13

anomes_publicacao_s : 201902

conteudo_id_s : 5962321

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019

numero_decisao_s : 3003-000.100

nome_arquivo_s : Decisao_11080910546201113.PDF

ano_publicacao_s : 2019

nome_relator_s : MARCOS ANTONIO BORGES

nome_arquivo_pdf_s : 11080910546201113_5962321.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para conceder crédito sobre as despesas despendidas no controle de pragas e expurgos, despesas de fretes na transferência de produtos acabados, despesas com locações de paletes, despesas de aluguéis de contentores destinados ao armazenamento de entulhos e resíduos e locação de guinchos. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.

dt_sessao_tdt : Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019

id : 7612011

ano_sessao_s : 2019

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:38:01 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713051417633095680

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1895; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C0T3  Fl. 2          1 1  S3­C0T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11080.910546/2011­13  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3003­000.100  –  Turma Extraordinária / 3ª Turma   Sessão de  23 de janeiro de 2019  Matéria  PIS/COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE.  Recorrente  SLC ALIMENTOS S.A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009  NÃO­CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS   O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da não­cumulatividade  do  PIS  Pasep  e  da  COFINS  é  aquele  em  que  o  os  bens  e  serviços  cumulativamente  atenda  aos  requisitos  de  (i)  essencialidade  ou  relevância  com/ao processo produtivo ou prestação de  serviço; e  sua (ii) aferição, por  meio  do  cotejo  entre  os  elementos  (bens  e  serviços)  e  a  atividade  desenvolvida pela empresa.  PIS.  COFINS.  CRÉDITO.  NÃO  CUMULATIVIDADE.  DESPESAS  INCORRIDAS COM O CONTROLE DE PRAGAS.  Os gastos com produtos aplicados para controle de pragas, observando­se o  critério da essencialidade e relevância, subsumem­se no conceito de insumo  para empresa do setor agroindustrial, e ensejam a tomada de créditos.  PIS.  COFINS.  CRÉDITO.  NÃO  CUMULATIVIDADE.  DESPESAS  INCORRIDAS  COM  LOCAÇÕES  DE  PALETES,  CONTENTORES  E  GUINCHOS.  As despesas com locações de paletes, aluguéis de contentores destinados ao  armazenamento de entulhos e resíduos e locação de guinchos, observando­se  o critério da essencialidade e relevância, subsumem­se no conceito de insumo  para empresa do setor agroindustrial, e ensejam a tomada de créditos.  PIS.  COFINS.  CRÉDITO.  NÃO  CUMULATIVIDADE.  FRETES  NA  AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU  ADQUIRIDOS  COM  SUSPENSÃO  DO  PIS  E  DA  COFINS.  IMPOSSIBILIDADE.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 05 46 /2 01 1- 13 Fl. 553DF CARF MF Processo nº 11080.910546/2011­13  Acórdão n.º 3003­000.100  S3­C0T3  Fl. 3          2 Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de  fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao  PIS e a Cofins.  DESPESAS  COM  ALUGUEL  DE  VEÍCULOS.  IMPOSSIBILIDADE  DE  CRÉDITO   Na  apuração  do  PIS  e  Cofins  não  cumulativos,  é  incabível  o  desconto  de  créditos  calculados  em  relação  ao  valor  incorrido  no  mês  relativo  aos  aluguéis  de  veículos,  posto  não  se  confundir  com  o  termo  “máquinas”  utilizados ao longo de toda legislação.  DESPESAS  DE  FRETES  DE  MATÉRIA­PRIMA  PARA  DEPÓSITO.  CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.  O aproveitamento de créditos sobre as despesas com fretes de matéria­prima  para  depósito  está  condicionada  à  comprovação  de  que  as  respectivas  mercadorias estão sujeitas ao pagamento da contribuição, tendo em vista que  tais despesas integram o custo de suas vendas.  CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS  ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA.  As  despesas  com  fretes  para  o  transporte  de  produtos  acabados  entre  estabelecimentos  do  contribuinte,  para  venda/revenda,  constituem  despesas  na operação de venda e geram créditos da contribuição, passíveis de desconto  do valor  apurado  sobre  o  faturamento mensal,  nos  termos do  art.  3º,  inciso  IX, das Lei 10.833/03 e Lei 10.637/02.  CRÉDITOS  CALCULADOS  SOBRE  AQUISIÇÕES  DE  INSUMOS  SUJEITOS À SUSPENSÃO DO PIS/COFINS.  Comprovando­se o preenchimento de todas as condições legais previstas para  que  se  verifique  a  suspensão  da  Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da  COFINS poderia o contribuinte, então, optar, ou não, pelo crédito presumido,  mas não caberia utilizar­se do crédito básico. Crédito negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento  parcial  ao  Recurso  Voluntário,  para  conceder  crédito  sobre  as  despesas  despendidas no controle de pragas e expurgos, despesas de fretes na transferência de produtos  acabados, despesas com locações de paletes, despesas de aluguéis de contentores destinados ao  armazenamento de entulhos e resíduos e locação de guinchos.  (assinado digitalmente)  Marcos Antonio Borges ­ Presidente e Relator.   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marcos  Antonio  Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.    Fl. 554DF CARF MF Processo nº 11080.910546/2011­13  Acórdão n.º 3003­000.100  S3­C0T3  Fl. 4          3 Relatório  Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento,  que narra bem os fatos:  Trata­se de manifestação de inconformidade apresentada contra  despacho  decisório  emitido  pela Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  em  Porto  Alegre  ­  RS  que  indeferiu  parcialmente  pedido  de  ressarcimento/compensação  (PER/Dcomp),  relativo  ao  saldo  credor  de  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  Cofins  não  cumulativa,  oriundo  de  operações receitas de exportação (art. 5º da Lei 10.637/2002) e  (art. 6º da Lei 10.833/2003), analisado no período de 01/10/2009  a 31/12/2009, vide informação fiscal constante dos autos.   O  interessado discorda da glosa parcial,  pois não se  conforma  com  o  indeferimento  da  parcela  dos  créditos  pleiteados,  argumentando, em síntese:   ­  Preliminarmente,  reclama  contra  uma  suposta  ausência  de  fundamentação/motivação, nas glosas das despesas de fretes de  transferência  de  matéria­prima  para  deposito  e  de  fretes  de  transferências  entre  estabelecimentos.  No  caso,  aponta  que  somente  seria  possível  verificar  que  as  referidas  glosas  ocorreram,  pela  leitura  da  parte  final  do Relatório Fiscal,  nas  tabelas demonstrativas de cálculo presentes no tópico IV. Neste  sentido,  entende  que  o  despacho  decisório  teria  se  limitado  a  fazer  referência  à  uma  tabela  de  valores  glosados  e  não  apresentaria  argumentos  que  possibilitassem  a  contradição  do  que  concluiu  a  fiscalização.  Tal  falta  de  fundamentação  na  indicação  das  glosas  em  apreço,  afrontaria  os  princípios  e  critérios do processo administrativo fiscal tais como legalidade,  motivação,  ampla  defesa,  contraditório  e  segurança  jurídica.  Conclui  então  que  o  despacho  atacado  deveria  ser  devolvido  para  a  Autoridade  Fazendária  de  origem  a  fim  de  que  seja  corrigido,  transcreve  jurisprudência  do  CARF  para  embasar  seus argumentos.   ­  Após  discorrer  sobre  o  conceito  de  insumo  para  o  PIS  e  a  Cofins  não­cumulativos,  onde  procura  sustentar  que  as  aquisições  de  insumos  glosadas  na  verdade  estariam  de  pleno  acordo  com  as  Instrucoes  Normativas  SRF  n°  247/2002  e  404/2004,  logo  gerariam  o  direito  aos  créditos  de  PIS  e  COFINS  na modalidade  não­cumulativa.  Aponta,  ainda,  que  deveria  ser  considerado o  conceito  de  insumo proposto pelo  CARF e reconhecido pelo TRF da 4ª Região, que reconhecem  a  possibilidade  de  creditamento  sobre  custos  e  despesas  estritamente  vinculados  e  essenciais  à  atividade  produtiva  e  econômica  das  empresas,  com  base  nos  Arts.  290  e  299  do  RIR/99. Passa, então, a sustentar seu direito a apurar créditos  sobre  as  despesas  incorridas  com  o  controle  de  pragas  (insetos  e  roedores),  o  qual  se  trataria  de  serviço  Fl. 555DF CARF MF Processo nº 11080.910546/2011­13  Acórdão n.º 3003­000.100  S3­C0T3  Fl. 5          4 indispensável,  consumido  de  forma  direta  em  sua  atividade.  Esclarece que durante seu processo produtivo seria obrigada  a cumprir normas sanitárias com a finalidade de manter seu  produto final (arroz) dentro da classificação adequada, como  apto  ao  consumo  e  livre  de  pragas.  Para  amparar  seus  argumentos,  cita  e  transcreve  legislação  e  atos  normativos  tributários,  jurisprudência  administrativa,  bem como  trechos  de  normas  e  regulamentos  expedidos  pelo  Ministério  da  Agricultura e pela ANVISA.   ­ Considera igualmente legítimos os créditos apurados sobre  as despesas de fretes de transferência de matéria­prima para  depósito  e  entre  os  estabelecimentos  da  própria  pessoa  jurídica,  com  o  fundamento  de  que  tais  despesas  lançadas  seriam desdobramentos das despesas dos fretes incorridos nas  operações  de  venda.  Discorre  sobre  sua  necessidade  de  possuir  diversos  centros  de  distribuição  para  possibilitar  o  atendimento das diferentes regiões do país, bem como para as  exportações  de  suas  mercadorias.  Aponta  que  as  referidas  despesas  de  fretes  foram  suportadas  pelo  contribuinte  e  despendidas  para  transportar  matéria­prima  que  acabou  sendo  adquirida  para  ser  empregada  no  seu  processo  produtivo, logo, seriam creditadas por se enquadrarem como  insumo,  conforme  definição  de  conceito  obtida  da  interpretação  do  art.  3º,  inciso  II,  das  Leis  n°  10.637/02  e  10.833/03 e do art. 290 e 299 do RIR/99. Conclui, então, que  pelas razões logísticas expostas, as operações de fretes entre  seus  estabelecimentos  seriam apenas  um desdobramento  das  operações  de  venda.  Cita  e  transcreve  jurisprudência  do  CARF, além de doutrina e legislação tributária para amparar  seus  argumentos  no  sentido  de  que  a  glosa  destas  despesas  afrontaria ao princípio constitucional da não­cumulatividade.   ­ Defende  a apuração de créditos  sobre os  fretes  incorridos  nas operações de compra de bens não sujeitos a  tributação  do  Pis/Pasep  e  da  Cofins  ou  com  tributação  suspensa  (crédito  presumido).  No  caso,  aponta  que  a  autoridade  administrativa  teria deixado de perceber que o creditamento  realizado  foi  tão­somente  sobre  os  valores  referentes  às  despesas  de  fretes  dos  produtos  e  não  sobre  os  valores  de  aquisição  dos  insumos  adquiridos  com  alíquota  zero  destas  contribuições. Sustenta que as operações de transporte seriam  distintas  e  independentes  das  operações  de  aquisição  de  arroz. Entende que a vedação do art. 3°, § 2°, inciso II, da Lei  n°  10.833/2003,  só  seria  aplicável  ao  caso,  se  na  aquisição  dos insumos sujeitos à alíquota zero das contribuições, o frete  fosse  arcado  pelo  vendedor.  Explica  que  na  situação  em  apreço,  a  aquisição  dos  insumos  tributados  à  alíquota  zero  contempla  apenas  o  preço  de  aquisição  das  mercadorias,  sendo  o  frete  das  mercadorias  de  responsabilidade  do  comprador.  Cita  e  transcreve  Solução  de  Consulta  para  embasar  seu  entendimento  e  conclui  pela  legitimidade  do  Fl. 556DF CARF MF Processo nº 11080.910546/2011­13  Acórdão n.º 3003­000.100  S3­C0T3  Fl. 6          5 creditamento  destes  valores  referentes  à  estas  despesas  de  frete,  visto  que  se  tratariam  de  serviços  tributados  pelas  contribuições.   ­  Para  sustentar  seu  direito  a  apurar  créditos  sobre  despesas  com  aluguéis  de  veículos,  argumenta  que  na  sua  atividade  econômica  de  comercialização  de  arroz,  utiliza­se  de  veículos  alugados de terceiros para proporcionar o deslocamento de seus  representantes  comerciais.  Da  mesma  maneira,  utilizou  de  serviços  de  táxi  executivo,  prestados  pela  empresa  Way  Transporte  Executivo,  para  deslocar  seus  representantes  em  viagens  de  negócios  com  o  propósito  de  celebrar  contratos  de  vendas,  nas  localidades  onde  possui  filiais  de  Centro  de  Distribuição. Por conseguinte, creditou­se da locação de ônibus  intermunicipal, na ocasião em que os seus funcionários da filial  de Capão  de  Leão  se  deslocaram,  a  serviço  da  empresa,  para  outras  filiais  da  ora Manifestante. Como a  despesa de  locação  de  veículos  e  a  tomada  de  serviços  de  táxi  executivo  são  despesas  mensais  e  estritamente  vinculadas  a  sua  atividade  comercial,  a  ora  Manifestante  realizou  o  créditamento  dessas  despesas.  Contesta  o  entendimento  do  fisco  de  que  somente  os  alugueis de prédios, maquinas e equipamentos gerariam direito  ao créditamento, pois o inciso IV, do art. 3º, da Lei n° 10.833/03  e  da  Lei  n°  10.637/02,  não  teria  feito  qualquer  limitação  ao  conceito de maquinas e  equipamentos,  apenas  condicionou que  os  mesmos  fossem  locados  com  a  finalidade  de  que  fossem  utilizados  nas  atividades  da  empresa.  Ao  prever  a  expressão  "maquina", não estabeleceu a sua definição ou restrição ao seu  alcance, de modo que e perfeitamente cabível o enquadramento  de  veículos  automotores  ao  significado  de  maquina.  A  única  restrição  contida  no  referido  dispositivo  seria  de  que  as  maquinas alugadas tenham como finalidade a sua utilização na  atividade  econômica  da  empresa.  Reitera  que  o CARF  já  teria  decidido que, o conceito de insumo para o PIS e a COFINS deve  ser  concebido  como  os  bens,  serviços,  custos  de  produção  e  despesas  operacionais  essenciais  ao  exercício  da  atividade  econômica da empresa, ou seja, necessárias para a obtenção de  receita,  com  base  nos  art.  3º,  inciso  II,  da  Lei  n°  10.637  e  10.833/03  combinado  com  os  arts.  290  e  299  do  RIR/99.  Em  vista o critério material do PIS e da COFINS, ou seja, obtenção  de receita, as despesas com alugueis de veículos enquadram­se  perfeitamente na hipótese dos artigos 290 e 299 da RIR/99.   ­  Da  mesma  forma,  considera  as  despesas  com  serviços  de  armazenagem de  cargas,  relativas ao aluguel de pallets,  como  intrínsecas  à  sua  atividade  e  portanto  seriam  legítimos  os  créditos calculados sobre as mesmas. Acrescenta que de acordo  com o art. 14, § 6º, da IN/RFB n° 740/2007, o entendimento da  Solução  de  Consulta  poderia  ser  alterado  pela  própria  Autoridade Fazendária que a emitiu, inclusive, em caso da nova  orientação  ser  mais  favorável  ao  contribuinte.  Informa  que  os  pallets  e  contentores  seriam  equipamentos  alugados  para  o  acondicionamento  do  arroz,  objetivando  o  armazenamento  seguro  das  mercadorias,  conforme  exigência  do  próprio  Ministério  da  Agricultura,  Pecuária  e  Abastecimento  ­ MAPA,  Fl. 557DF CARF MF Processo nº 11080.910546/2011­13  Acórdão n.º 3003­000.100  S3­C0T3  Fl. 7          6 portanto se tratariam de despesas obrigatórias e intrinsecamente  vinculadas  às  despesas  de  armazenagem,  o  que  igualmente  legitimaria o respectivo creditamento.   ­ Sustenta seu direito a se creditar sobre despesas de aluguéis de  contendores  de  entulhos/resíduos,  reclama  que  a  Autoridade  Fiscal teria glosado tais despesas por entender que se tratavam  de  serviços  de  coleta  e  não  de  locação  de  maquinas  ou  equipamentos.  No  caso,  esclarece  que  embora  a  empresa  responsável  pela  locação  dos  contendores,  também  realize  a  coleta dos resíduos, tal fato não afasta a circunstância de que a  preponderância  da  despesa  seria  a  locação  dos  contentores,  haja vista que a remoção dos resíduos é periódica, enquanto que  a  locação  dos  contentores  é  continua  e  permanente  no  tempo  determinado  do  contrato  de  locação.  Considera  legítimo  o  creditamento  sobre  tais  despesas,  pois,  primeiro,  estaria­se  diante de locação de equipamentos, na forma do art. 3o,  inciso  IV, das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, segundo, estaria­se diante  da tomada de um serviço (de coleta de lixo industrial) necessário  para  a  salubridade  das  dependências  produtivas,  ou  seja,  essencial para a continuidade da atividade produtiva.   ­  Sustenta,  também,  a  legitimidade  de  seu  direito  a  se  creditar  sobre  despesas  de  aluguéis  de  guinchos,  onde  reclama  que  a  fiscalização  teria  entendido  que  se  tratariam  de  serviços  de  guinchos para montagem e desmontagem de estruturas. No caso,  sustenta  que  se  trataria  de  despesa  diretamente  ligada  ao  seu  processo  produtivo.  As  notas  fiscais  emitidas  pela  Irmãos  Dittgen corresponderiam à locação de guinchos, ou à prestação  de  serviço  de  guincho  para  a  montagem  de  maquinas  e  transportes  de  maquinas  ou  partes  das  maquinas,  utilizadas  na construção de usina de parbo e na obra da termoelétrica.  Dessa  forma,  as  despesas  relacionadas  aos  guinchos  teriam  como propósito a montagem de maquinas a  serem utilizadas  no processo produtivo, nos termos dos incisos IV ou II, do Art.  3º  das  Leis  n°  10.637/02  e  10.833/03,  combinados  com  os  arts. 290 e 299 do RIR.   ­  Justifica  o  cálculo  de  créditos  sobre  a  integralidade  das  compras  de  insumos  adquiridos  com  a  suspensão  da  contribuição, com o argumento de que, no caso do arroz em  casca,  a  manifestante  não  cumpriria  com  os  requisitos  já  consagrados  pela  Lei  10.925/04  para  o  cálculo  do  crédito  presumido e normatizados pela IN SRF nº 660/2006, portanto  não estaria sujeita à obrigatoriedade de observar a suspensão  da  exigibilidade  das  contribuições,  conforme  entendeu  a  fiscalização. Informa que o advento da IN SRF nº 977, de 14  de dezembro de 2009, com eficácia normativa a partir de 1º  de novembro de 2009, alterou o anteriormente disposto na IN  SRF  nº  660/2006,  para  tornar  obrigatória  a  aplicação  da  suspensão  em  todos  os  casos  elencados  no  Art.  2º  da  IN  660/66.  Desta  forma,  sustenta  que  a  nova  Instrução  Normativa modificou o sentido que até então era vigente para  o  caso,  ou  seja,  trouxe  uma  inovação  no  ordenamento,  Fl. 558DF CARF MF Processo nº 11080.910546/2011­13  Acórdão n.º 3003­000.100  S3­C0T3  Fl. 8          7 tornando  obrigatório  o  que  antes  era  facultativo.  Conclui,  assim, que anteriormente à inovação trazida pela IN 977/09, a  utilização da sistemática da suspensão/crédito presumido não  era  obrigatória,  sendo  ela,  portanto,  uma  opção  do  contribuinte.  Reitera  que  não  se  adequaria  aos  requisitos  determinados  na  IN  n°  660/06,  portanto  não  haveria  a  suspensão.  Sobre  a  alteração  legislativa  promovida  pela  Instrução  Normativa  número  977/09,  reitera  que  somente  após  a  efetiva  vigência  desta  alteração  se  tornaria  obrigatória a suspensão, a qual assim, antes seria facultativa.   ­ Aponta que haveriam equívocos referentes à glosa do credito  decorrente  da  aquisição  de  arroz  em  casca,  esclarece  que  no  período  em  exame  teria  adquirido  arroz  em  casca  de  pessoas  jurídicas  e  de  cooperativas  de  produção  agropecuária,  nesta  operações  registrou  créditos  de PIS  e COFINS às alíquotas de  1,65%  e  7  ,6  %  respectivamente,  uma  vez  que,  conforme  já  tratado  anteriormente,  suas  vendas  de  arroz  em  casca  não  estariam sob o manto da suspensão prevista no Art. 9º da Lei n°  10.925/04  e  na  IN  n°  660,  porquanto  não  cumpriam  com  os  requisitos exigidos pela legislação. As Notas Fiscais relativas à  compra de arroz emitidas no período em questão, não conteriam  a  expressão  "Venda  efetuada  com  suspensão  da  contribuição  para o PIS/PASEP e da COFINS", requisito formal exigido pelo  Art.  2º,  §  24ºo  da  IN  n°  660/06.  Diante  da  inexistência  de  ressalva  quanto  às  informações  constantes  na  Nota  Fiscal  de  seus  fornecedores,  entende  que  nas  operações  de  compra  de  arroz  em  casca  de  cooperativas  e  demais  pessoas  jurídicas  deveriam­se aplicar as regras gerais da não­cumulatividade, tal  qual antes exposto. Sustenta que deva ser observado um aspecto  extremamente  relevante  em  relação  ao  caráter  comercial  da  operação, pois por mais que se repise acerca da inexistência da  declaração  de  "Venda  efetuada  com  suspensão  das  contribuições...  ",  não  seria  apenas  essa  evidência  na  Nota  Fiscal que caracterizaria a operação como sendo realizada sob  a  batuta  da  suspensão/credito  presumido  ou  da  aplicação  da  forma  regular  de  tributação.  Não  se  trataria  da  mera  formalidade de incluir (ou não) tal declaração na Nota Fiscal e,  sim,  envolveria  toda  uma  discussão  acerca  do  preço  a  ser  cobrado pela mercadoria. Deve ser entendido que a não inclusão  da declaração na Nota Fiscal implicaria na inclusão no preço da  mercadoria  das  contribuições  acima  referidas,  devendo,  portanto, por  fidelidade ao conceito da não­cumulatividade,  ter  direito  ao  registro  de  credito  sobre  as  citadas  contribuições.  Reitera que os requisitos para a concessão do crédito presumido  não  eram  adimplidos  em  sua  totalidade,  bem  como  seus  fornecedores também não teriam direito a suspender os tributos.  Cita Solução de Consulta proferida pela RFB para justificar seu  entendimento  de  que  a  referida  suspensão  seria  considerada  como  um  benefício  fiscal,  condicionado  ao  cumprimento  de  determinadas  regras,  o  que  também  seria  o  entendimento  do  egrégio  STJ,  em  jurisprudência  transcrita.  Conclui  que  a  informação fidedigna enviada pelo fornecedor não atenderia aos  anseios da fiscalização em tolher seu direito, fazendo com que os  Fl. 559DF CARF MF Processo nº 11080.910546/2011­13  Acórdão n.º 3003­000.100  S3­C0T3  Fl. 9          8 fatos,  por  mais  cristalinos,  sejam  deturpados  para  o  fim  de  convergir  para  a  conclusão  de  que  haveria  equivoco  na  sua  apuração,  muito  embora  os  fatos,  na  sua  forma  correta,  demonstrariam  o  contrário.  Em  suma,  sustenta  que  seu  posicionamento se apresentaria de todo congruente, conforme já  demonstrado,  nos  meses  de Outubro  e  Novembro  de  2009  não  vigia  a  IN  977/09  (publicada  no  DOU  de  16/12/09),  não  havendo,  então,  obrigatoriedade  da  suspensão  da  contribuição  para  o  PIS  e  a  Cofins  por  parte  dos  fornecedores,  mas  sim  a  opção  para  tanto,  permitindo  que  a  Manifestante  apurasse  o  credito integral do período.   ­ Alternativamente, requer a garantia de que nas operações aqui  guerreadas  seja mantida  a possibilidade  de  registro  do  crédito  presumido  nos  termos  da  Lei  10.925/04.  Considera  que  na  hipótese  de  desprovimento  da  presente  Manifestação  de  Inconformidade, não poderia  restar sem qualquer possibilidade  de registro de crédito nestas operações, sendo que se revestiria  de caráter lógico a concessão do crédito presumido no caso de  desacolhimento dos pedidos aqui trazidos.   Ao  final,  pede  que  sua  Manifestação  de  Inconformidade  seja  acolhida, para que, preliminarmente, seja anulado, em parte, o  despacho  decisório  e  devolvido  à  autoridade  de  origem,  no  mérito,  requer  a  imediata  reforma  do Despacho Decisório  ora  combatido, com o deferimento total do crédito pleiteado.   Sucessivamente,  caso  não  seja  deferido  o  direito  creditório  integral  em  relação  aos  fretes  de  transferência  entre  os  estabelecimentos,  requer  seja  deferido  o  direito  ao  registro  do  crédito pela forma prevista no art. 3º, inciso II e § 3º, inciso II,  das  Leis  n.°s  10.637/02  e  10.833/03,  visto  que  o  frete  representaria  um  insumo  utilizado  pela  Manifestante,  na  concretização  da  comercialização  (operação  de  venda)  que  acaba  sendo  o  último  átimo  da  sua  atividade  econômica  e,  portanto,  para  que  seja  respeitado  o  princípio  da  não­ cumulatividade consagrado no art. 195, § 12, da Constituição de  1988.   Sucessivamente,  caso  não  seja  deferido  o  direito  creditório  integral  em  relação  aos  fretes  de  transferência  entre  os  estabelecimentos,  requer  seja  deferido  o  direito  ao  registro  do  crédito presumido decorrente do custo de aquisição de arroz em  casca  de  produtor,  com  fundamento  no  art.  8  o  da  Lei  n°  10.925/04.   Requer, ainda, a possibilidade de juntar outros documentos que  possam  corroborar  com  a  comprovação  da  legitimidade  dos  créditos  pleiteados,  durante  o  trâmite  do  presente  processo  administrativo,  bem  como,  caso  se  entenda  necessário,  seja  determinada diligência fiscal.  A Delegacia  da Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Porto  Alegre  (RS) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa:  Fl. 560DF CARF MF Processo nº 11080.910546/2011­13  Acórdão n.º 3003­000.100  S3­C0T3  Fl. 10          9 ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS   Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009   Ementa: DESPESAS COM CONTROLE DE PRAGAS. Existe  vedação  legal  para  o  creditamento  de  despesas  que  não  podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática  de  apuração  de  créditos  pela  não­cumulatividade  de  Pis  e  Cofins.   FRETES NAS AQUISIÇÕES DE INSUMOS TRIBUTADOS À  ALÍQUOTA ZERO E COM SUSPENSÃO.  Se  não  ocorreu  a  tributação sobre os insumos, não gerando direito de desconto  de  crédito  da  contribuição,  também  não  pode  haver  sobre  bens e insumos que se agregam à matéria­prima.   MOVIMENTAÇÃO  E  ACONDICIONAMENTO  DE  MERCADORIAS.  As  despesas  com  a  movimentação  e  o  acondicionamento  de  mercadorias  não  podem  ser  descontadas como crédito da Cofins e da Contribuição para o  PIS/Pasep,  por  não  se  configurarem  como  despesas  de  armazenamento.   FRETES  ENTRE  ESTABELECIMENTOS  DA  MESMA  EMPRESA.  Não  existe  previsão  legal  para  o  cálculo  de  créditos  a  descontar  da  Cofins  e  do  PIS  não­cumulativos  sobre  valores  relativos  a  fretes  realizados  entre  estabelecimentos da mesma empresa.   DESPESAS  FORA  DO  CONCEITO  DE  INSUMOS.  Existe  vedação  legal  para  o  creditamento  de  despesas  que  não  podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática  de apuração de créditos pela não­cumulatividade.   Manifestação de Inconformidade Improcedente  Inconformada,  a  contribuinte  recorre  a  este  Conselho,  através  de  Recurso  Voluntário apresentado, no qual reproduz, na essência, as  razões apresentadas por ocasião da  manifestação de inconformidade quanto ao mérito do seu direito creditório.  É o Relatório.  Fl. 561DF CARF MF Processo nº 11080.910546/2011­13  Acórdão n.º 3003­000.100  S3­C0T3  Fl. 11          10    Voto             Conselheiro Marcos Antonio Borges, Relator.  O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive  quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele toma­se conhecimento.  Com  fundamento  em  doutrina  e  jurisprudência  do  CARF,  a  recorrente  argumenta que o conceito de insumo utilizado na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e  da  COFINS  é  mais  amplo  que  o  utilizado  na  legislação  do  IPI,  devendo­se  observar  cada  insumo sob o critério da essencialidade ao processo produtivo.  I ­ Do conceito de insumos  A discussão travada no cenário jurídico acerca das contribuições para o PIS e  para  COFINS  se  refere  aos  créditos  passíveis  de  aproveitamento  para  fins  de  apuração  das  contribuições ante o teor do inciso II do artigo 3º das Leis n.º 10.637/2002 e 10.833/2003.  A discussão tem se balizado na amplitude do conceito de insumo expresso na  norma como fundamento para fins de creditamento de PIS/Pasep e da Cofins.  O dispositivo em exame é o inciso II do artigo 3º das Leis n.º 10.637/2002 e  10.833/2003, assim expresso (os destaques são nossos):  Art. 3º. Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica  poderá descontar créditos calculados em relação a:  (...)  II  ­  bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados  à  venda,  inclusive  combustíveis  e  lubrificantes,  exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº  10.485,  de  3  de  julho  de  2002,  devido  pelo  fabricante  ou  importador,  ao  concessionário,  pela  intermediação  ou  entrega  dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;  A partir do exame dos julgados do CARF, identificaram­se três correntes de  entendimento quanto ao termo “insumo” ou “bens e serviços, utilizados como insumo”:  a) O termo insumo (na verdade bens e serviços, utilizados como insumos...)  referido na legislação do PIS e da COFINS deve ser interpretado de acordo com a legislação do  IPI;  b) O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela  não cumulatividade de PIS e Cofins deve ser entendido como toda e qualquer custo ou despesa  necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ;  Fl. 562DF CARF MF Processo nº 11080.910546/2011­13  Acórdão n.º 3003­000.100  S3­C0T3  Fl. 12          11 c) Os bens e serviços que geram os insumos previstos na legislação do PIS e  da COFINS  não  podem  ser  assumidos  como  similares  ao  da  legislação  do  IPI  e,  tampouco,  estão  inseridos  nos  conceitos  de  custos  ou  despesas  previstos  na  legislação  do  IRPJ.  Tais  insumos  (bens  e  serviços  classificáveis  como  insumos)  devem  ser  definidos  por  critérios  próprios.  Não  obstante  o  meu  entendimento  pessoal,  o  que  é  certo  que  a  terceira  corrente tem sido amplamente vencedora nas deliberações da Câmara Superior desse Conselho,  pela análise de cada caso, independentemente das legislações do IPI ou do IRPJ.  Nesse  contexto,  afastando  as  correntes  doutrinárias  tradicionais,  a  jurisprudência majoritária do CARF tem assentado que o conceito de insumos, no âmbito do  PIS/COFINS não­cumulativos, pressupõe que os bens ou serviços sejam consumidos durante o  processo  produtivo  (ou  de  prestação  de  serviços)  e  dentro  de  seu  espaço,  salvo  expressas  disposições  legais,  como  é  o  caso  das  despesas  com  frete  e  armazenagem nas  operações  de  comercialização, as quais  se dão  após o  término do processo produtivo, mas geram direito a  crédito de PIS/COFINS por inequívoca previsão normativa: art. 3º, inciso IX, e art. 15, inciso  II, ambos da Lei 10.833/03.  A  jurisprudência  majoritária  do  CARF  se  orienta,  portanto,  no  sentido  de  vincular o conceito de insumos à relação de pertinência ou inerência da despesa incorrida com  o limite espaço­temporal do processo produtivo (ou de prestação de serviços).   Não  obstante  a  discussão  acerca  da  conceituação  do  termo  “insumos”  na  doutrina e da  jurisprudência administrativa,  sobreveio a decisão do STJ, no REsp 1.221.170,  em sede de recurso repetitivo, que definiu que o conceito de insumo, para fins de constituição  de  crédito  de  PIS  e  de Cofins,  devendo  observar  o  critério  da  essencialidade  e  relevância  –  considerando­se  a  imprescindibilidade  ou  a  importância  de  determinado  item  para  o  desenvolvimento da atividade produtiva, consistente na produção de bens destinados à venda  ou de prestação de serviços.  O acórdão proferido foi assim ementado:    TRIBUTÁRIO.  PIS  E  COFINS.  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS.  NÃO­ CUMULATIVIDADE.  CREDITAMENTO.  CONCEITO  DE  INSUMOS.  DEFINIÇÃO  ADMINISTRATIVA  PELAS  INSTRUÇÕES  NORMATIVAS  247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E  DESVIRTUADOR  DO  SEU  ALCANCE  LEGAL.  DESCABIMENTO.  DEFINIÇÃO  DO  CONCEITO  DE  INSUMOS  À  LUZ  DOS  CRITÉRIOS  DA  ESSENCIALIDADE  OU  RELEVÂNCIA.  RECURSO  ESPECIAL  DA  CONTRIBUINTE  PARCIALMENTE  CONHECIDO,  E,  NESTA  EXTENSÃO,  PARCIALMENTE  PROVIDO,  SOB  O  RITO  DO  ART.  543C  DO  CPC/1973  (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015).  1.  Para  efeito  do  creditamento  relativo  às  contribuições  denominadas  PIS  e  COFINS,  a  definição  restritiva  da  compreensão  de  insumo,  proposta  na  IN  247/2002  e  na  IN  404/2004,  ambas  da  SRF,  efetivamente  desrespeita  o  comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que  contém rol exemplificativo.  2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade  ou  relevância,  vale  dizer,  considerando­se  a  imprescindibilidade  ou  a  Fl. 563DF CARF MF Processo nº 11080.910546/2011­13  Acórdão n.º 3003­000.100  S3­C0T3  Fl. 13          12 importância de determinado  item – bem ou serviço – para o desenvolvimento  da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte.  3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e,  nesta  extensão, parcialmente provido, para determinar o  retorno dos autos à  instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da  empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas  com:  água,  combustíveis  e  lubrificantes,  materiais  e  exames  laboratoriais,  materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual­EPI.  4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015),  assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista  nas  Instruções  Normativas  da  SRF  ns.  247/2002  e  404/2004,  porquanto  compromete  a  eficácia  do  sistema de  não­cumulatividade  da  contribuição  ao  PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b)  o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou  relevância, ou seja, considerando­se a imprescindibilidade ou a importância de  terminado item bem ou serviço para  o  desenvolvimento  da  atividade  econômica  desempenhada  pelo Contribuinte.  (Resp  n.º  1.221.170  PR  (2010/02091150),  Relator  Ministro  Napoleão  Nunes  Maia Filho).    Do julgamento acima, restou decidido que o conceito de insumos, no âmbito do  regime não­cumulativo, abarca todos os bens e serviços empregados no processo produtivo ou  de  prestação  de  serviços  e  que  sejam  essenciais  ou  relevantes  à  atividade  econômica  da  empresa, afastando­se, desse modo, aquele conceito restritivo de insumos enunciado pelas IN´s  nº 247/2002 e 404/2004. Observa­se, portanto, que o STJ assimilou uma concepção de insumos  que é intermediária, distinta daquelas albergadas pela legislação do IPI e do Imposto de Renda.   Da  posição  firmada  pelo  STJ,  em  especial  da  leitura  de  seu  voto  condutor,  exsurge,  de  forma  clara,  a  necessidade  de  aferição  casuística  da  aplicação  do  conceito  de  insumos  a  determinado  gasto,  tendo  sempre  em  vista  a  atividade  desempenhada  pelo  contribuinte. Em outras palavras, saber se determinado dispêndio integra o conceito de insumos  para fins de direito creditório no regime das contribuições não­cumulativas passa pela análise  de sua essencialidade ou relevância em face das particularidades da atividade que determinada  empresa desempenha.   Nesse  contexto,  a  instrução  probatória  ganha  sensível  importância,  pois,  em  cada caso e para cada despesa, deverão ser demonstradas a  relevância e a essencialidade dos  gastos  para  atividade  empresarial  desenvolvida.  Em  cada  caso  concreto,  a  subsunção  de  um  determinado  gasto  ao  conceito  de  insumos  deverá  ser  pautada  pela  análise  da  sua  essencialidade e/ou relevância para a atividade produtiva ou de prestação de serviços, levando­ se em consideração a natureza da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte.   Passo à análise das glosas na seqüência referida no Recurso Voluntário.  II ­ Controle de pragas  A Recorrente  tem  como  atividade  econômica  precípua  a  industrialização,  a  comercialização, a exportação e importação de exportação de carnes, aves, ovos, peixes, frutas,  cereais, legumes, gorduras e condimentos em geral, em especial o arroz.  Sustentar seu direito a apurar créditos sobre as despesas incorridas com o  controle  de  pragas  (insetos  e  roedores),  o  qual  se  trataria  de  serviço  indispensável,  Fl. 564DF CARF MF Processo nº 11080.910546/2011­13  Acórdão n.º 3003­000.100  S3­C0T3  Fl. 14          13 consumido  de  forma  direta  em  sua  atividade.  Esclarece  que  durante  seu  processo  produtivo  seria obrigada a cumprir normas sanitárias com a finalidade de manter seu produto final (arroz)  dentro da classificação adequada, como apto ao consumo e livre de pragas. Para amparar seus  argumentos,  cita  e  transcreve  legislação  e  atos  normativos  tributários,  jurisprudência  administrativa,  bem  como  trechos  de  normas  e  regulamentos  expedidos  pelo  Ministério  da  Agricultura e pela ANVISA.  Por se tratar de uma empresa agroindustrial, entendo que merece prosperar a  argumentação da recorrente, de que as despesas despendidas no controle de pragas e expurgos,  enquadram­se  no  conceito  de  insumos  para  fins  de  creditamento  do  PIS  e  da COFINS,  por  serem  inerentes  à  atividade  da  recorrente,  essenciais  ao  seu  processo  produtivo,  e  utilizados  ainda  que  indiretamente  na  produção,  sendo  que  a  subtração  desses  insumos  no  processo  produtivo,  certamente  comprometeria  a  cadeia  de  segurança  alimentar,  inviabilizando  a  qualidade do produto final.  Dessa  forma,  as  glosas  dos  valores  creditados  relativos  aos  gastos  com  produtos aplicados para controle de pragas (tratamento e expurgos) são indevidas.    III  ­ Despesas de  fretes na  operação de  compra de bens  sujeitos  à  alíquota  zero  e  com  suspensão (crédito presumido);  Conforme relatado, o contribuinte adquire insumos com alíquota zero ou com  suspensão  da  incidência  do  PIS  e  da  Cofins  e  pretende  creditar­se  dos  serviços  de  frete  contratados para o transporte desses insumos.  Transcrevo  os  artigos  da  Lei  10.833/2003,  que  repetem  basicamente  o  que  dispõe a Lei 10.637/2002, que tratam do creditamento de PIS e Cofins:   Art. 3o Do valor apurado na  forma do art. 2o a pessoa  jurídica  poderá descontar créditos calculados em relação a:  (...)  II  bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação de serviços e na produção ou fabricação de  bens  ou  produtos  destinados  à  venda,  inclusive  combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de  que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de  julho de 2002,  devido  pelo  fabricante  ou  importador,  ao  concessionário,  pela  intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições  87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de  2004)  (...)  IX  armazenagem  de mercadoria  e  frete  na  operação de  venda,  nos  casos dos  incisos  I  e  II,  quando o ônus  for  suportado pelo  vendedor.  (...)  Fl. 565DF CARF MF Processo nº 11080.910546/2011­13  Acórdão n.º 3003­000.100  S3­C0T3  Fl. 15          14 §  2o Não dará  direito  a  crédito o  valor:  (Redação dada  pela Lei nº 10.865, de 2004)  (...)  II  da  aquisição  de  bens  ou  serviços  não  sujeitos  ao  pagamento da  contribuição,  inclusive  no  caso  de  isenção,  esse  último  quando  revendidos  ou  utilizados  como  insumo  em  produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não  alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de  2004)  Na  atividade  comercial,  compra  e  revenda  de  mercadorias,  e  na  atividade  industrial,  fabricação  de  produtos  para  venda,  as  despesas  com  fretes  nas  aquisições  das  mercadorias  vendidas  e  dos  insumos  (matéria­prima,  embalagem  e  produtos  intermediários),  quando  suportadas  pelo  adquirente,  integram  o  custo  de  suas  vendas  e  o  custo  industrial  de  produção, nos termos do art. 13, caput, § 1º, "a", do Decreto­lei nº 1.598/1977, assim dispondo:  "Art  13  O  custo  de  aquisição  de  mercadorias  destinadas  à  revenda  compreenderá  os  de  transporte  e  seguro  até  o  estabelecimento  do  contribuinte  e  os  tributos  devidos  na  aquisição ou importação.  §  1º  O  custo  de  produção  dos  bens  ou  serviços  vendidos  compreenderá, obrigatoriamente:  a) o  custo  de  aquisição  de matérias­primas  e  quaisquer  outros  bens  ou  serviços  aplicados  ou  consumidos  na  produção,  observado o disposto neste artigo; [...]."  Portanto  da  análise  da  legislação,  verifica­se  que  o  frete  na  aquisição  de  insumos só pode ser apropriado integrando o custo de aquisição do próprio insumo, ou seja, se  o insumo é onerado pelo PIS e pela Cofins, o frete integra o seu custo de aquisição para fins de  cálculo  do  crédito  das  contribuições.  Não  sendo  o  insumo  tributado,  como  se  apresenta  no  presente caso, não há previsão legal para este aproveitamento.  Essa matéria foi analisada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF),  em recurso no qual era parte a presente recorrente, sendo vencedor esse entendimento.   Neste  sentido  colaciono  o  entendimento  expresso  no  voto  vencedor  do  acórdão nº 9303­005.156, o qual adoto como razão de decidir, conforme faculta o art. 50, §1º,  da Lei nº 9.784/99:  (...)  Conforme  já  registrado  alhures,  repita­se,  sendo  taxativas  as  hipóteses contidas nos incisos dos arts. 3º das Leis nº 10.637/02  (PIS) e nº 10.833/03 (COFINS) referente à autorização de uso de  créditos  aptos  a  serem  descontados  quando  da  apuração  das  contribuições,  somente  geram  créditos  os  custos  e  despesas  explicitamente relacionados nos incisos do próprio artigo, salvo  se  os  custos  e  despesas  integrarem  os  valores  dos  insumos  utilizados na produção de bens ou na prestação de serviços, de  acordo com a atividade da pessoa jurídica. Assim, se dá com os  valores referentes aos fretes.  Fl. 566DF CARF MF Processo nº 11080.910546/2011­13  Acórdão n.º 3003­000.100  S3­C0T3  Fl. 16          15 Também já  foi manifestado acima que, em conformidade com o  prescrito no art. 3º das Leis nº 10.637/2002 (PIS) e 10.883/2003  (COFINS), somente em duas situações é possível creditar­se do  valor de frete para fins de apuração do PIS e COFINS:  1) Quando o  valor  do  frete  estiver  contido no  custo do  insumo  previsto no inciso II do referido art. 3º, seguindo, assim, a regra  de crédito na aquisição do respectivo insumo; 2) Quando se trate  de  frete  na  operação  de  vendas,  sendo  o  ônus  suportado  pelo  vendedor,  consoante  previsão  contida  no  inciso  IX  do  mesmo  artigo 3º.  Se  o  frete pago pelo  adquirente  (como  se  dá no  presente  caso,  segundo  afirma  a  recorrente)  compõe  o  valor  do  custo  de  aquisição do insumo e sendo este submetido à tributação do PIS  e COFINS na sistemática da não cumulatividade, então o crédito  a  ser  deduzido  terá  como  base  de  cálculo  o  valor  pago  na  aquisição do bem, que, por lógica, incluirá o valor do frete pago  na  aquisição  de  bens  para  revenda  ou  utilizado  como  insumo,  posto que este valor do frete se agrega ao custo de aquisição do  insumo. Para a apuração do crédito, aplica­se, então, sobre tal  valor de aquisição do insumo a alíquota prevista no caput do art.  2º das Leis nº 10.637/02 (PIS) e nº 10.833/03 (COFINS). É o que  prescreve o dispositivo no §1º do art. 3º das leis de regência do  PIS e COFINS não cumulativos:  (...)  Se o insumo tributado para as contribuições do PIS e Cofins, no  entanto,  está  sujeito  à  alíquota  zero  ou  à  suspensão,  o  crédito  encontra­se  vedado  por  determinação  legal  contida  no  Art.  3°  §2°  inciso  II  das  Leis  nº  10.637/02  (PIS)  e  nº  10.833/03  (COFINS).  (...)  Tal  orientação  consta  no  ajuda  do  preenchimento  da DACON,  conforme  destacou  a  auditora  fiscal  na  sua  informação  fiscal  que a seguir se transcreve:  “O  frete  faz  parte  do  custo  de  aquisição  dos  bens  e  produtos  adquiridos para revenda ou utilizados como insumos sendo essa  a  única  forma  que  esses  fretes  entram  na  base  de  cálculo  dos  créditos, ou seja, como custo de aquisição e não como serviços  utilizados  como  insumos  e  tal  orientação  inclusive  consta  do  Ajuda  do  Dacon  –  Demonstrativo  de  Apuração  das  Contribuições Sociais.  AJUDA DO DACON  –  INSTRUÇÕES DE PREENCHIMENTO  BASE DE CÁLCULO DOS CRÉDITOS À ALÍQUOTA DE 1,65%  Linha 06A/01 – Bens para Revenda Informar nesta linha o valor  das  aquisições,  efetuadas  no  mercado  interno,  de  bens  ou  mercadorias para revenda.  Atenção:  Fl. 567DF CARF MF Processo nº 11080.910546/2011­13  Acórdão n.º 3003­000.100  S3­C0T3  Fl. 17          16 1) ...  2) ...  3) Integram o custo de aquisição dos bens e das mercadorias o  seguro  e  o  frete  pagos  na  aquisição,  quando  suportados  pelo  comprador.  Linha  06A/02  –  Bens  Utilizados  como  Insumos  Informar  nesta  linha o  valor das aquisições,  efetuadas no mercado  interno, de  bens  utilizados  como  insumos  na  prestação  de  serviços  e  na  produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.  (..)  3) Integram o custo de aquisição dos insumos o seguro e o frete  pagos na aquisição, quando suportados pelo comprador”.  Não  obstante  tenha  a  recorrente  alegado  que  o  transportador  das mercadorias constitui fato distinto da aquisição dos insumos,  não  comprovou  ter  contratado  diretamente  este  serviço.  Contudo,  mesmo  que  houvesse  comprovado,  tal  alegação  é  irrelevante  para  o  presente  caso.  Pois  que,  em  sendo  de  fato  operação  distinta  da  aquisição  dos  insumos,  não  compondo  o  frete em questão o custo de aquisição dos insumos, tal frete não  poderia servir de base de apuração de crédito para dedução do  PIS  e  COFINS,  por  total  falta  de  previsão  legal,  já  que  não  estaria  inserta  em  nenhuma  das  hipóteses  legais  de  crédito  referente  à  frete  acima  mencionadas,  sendo  indevida  a  sua  dedução.  (...)  Assim, mantenho a glosa em relação a esta matéria.  IV­ Despesas de fretes na transferência de matéria­prima para depósito;  Alega a Recorrente que presta serviços de armazenamento do arroz “verde”  em silos, bem como de secagem do arroz em casca ao produtor. Na quase totalidade das vezes,  após  a  prestação  desses  serviços,  o  produtor  negocia  a  venda  do  arroz  em  casca  à  própria  Recorrente, visto que o produto já está armazenado nos silos da empresa.   Sustenta ainda que nessas aquisições teria direito ao credito das despesas de  fretes  no  transporte  desse  arroz  para  os  seus  silos,  ou  seja,  de  uma  despesa  que  acabou  se  tornando um frete na aquisição do arroz em casca e, como tal, passa a fazer parte do custo do  seu processo produtivo.  Se o frete pago pelo adquirente (como se dá no presente caso, segundo afirma  a  recorrente)  compõe  o  valor  do  custo  de  aquisição  do  insumo  e  sendo  este  submetido  à  tributação  do  PIS  e  COFINS  na  sistemática  da  não  cumulatividade,  então  o  crédito  a  ser  deduzido terá como base de cálculo o valor pago na aquisição do bem, que, por lógica, incluirá  o valor do frete pago na aquisição de bens para revenda ou utilizado como insumo, posto que  este valor do frete se agrega ao custo de aquisição do insumo.  Fl. 568DF CARF MF Processo nº 11080.910546/2011­13  Acórdão n.º 3003­000.100  S3­C0T3  Fl. 18          17 O parágrafo 2º, inciso II, do art. 3º, citados e transcritos anteriormente, prevê  que as aquisições de mercadorias não sujeitas ao pagamento da contribuição, ou seja, isentas,  alíquota  zero  ou  não  alcançada  por  ela,  não  dão  direito  a  créditos.  Segundo  o  art.  13  do  Decreto­lei,  citado  e  transcrito  anteriormente,  as  despesas  com  fretes  de  mercadorias  adquiridas,  quando  suportadas  pelo  adquirente,  integram  o  seu  custo.  Como  o  crédito  da  contribuição  é  calculado  sobre  o  custo  de  aquisição,  torna­se  imprescindível,  demonstrar  e  provar que as mercadorias transportadas estavam oneradas pela contribuição.  No caso, as aquisições de arroz em casca junto à pessoas jurídicas sofrem a  suspensão da incidência das contribuições do PIS e COFINS conforme prevê o caput do artigo  9° da Lei 10.925/2004.  Verifica­se que tais operações comerciais não estão sujeitas ao pagamento da  contribuição por força de dispositivos legais, tais como isenção, alíquota zero, não alcançadas  pela incidência e com suspensão,   Nos  pedidos  de  ressarcimento/compensação,  o  ônus  de  provar  a  certeza  e  liquidez  do  valor  pleiteado/compensado  é  do  reclamante,  neste  caso,  do  contribuinte.  As  normas legais, a Lei nº 13.105/2015 (novo CPC), art. 373, inciso I, e a Lei nº 9.784/1999, art.  36, prevêem que cabe ao interessado provar os fatos que alega.  Assim, por não restar comprovado que as despesas de fretes de matéria­prima  para  depósito  foram  incorridas  com  mercadorias  tributadas  pela  contribuição.  mantém­se  a  glosa em relação a esta matéria.  V ­ Despesas de fretes de transferências de produtos acabados;  Alega  a  recorrente  que  os  fretes  de  produtos  acabados  em  discussão  são  essenciais para a regular desempenho de sua atividade econômica, eis que:  · ·transfere os seus produtos para centros de distribuição  de sua propriedade, a fim de obter melhores resultados,  visto  que  devido  às  exigências  do  mercado,  em  não  havendo  estes  centros  para  estocagem,  tornar­se­ia  inviável a venda de seus produtos para compradores das  Regiões  Sudeste,  Centro­Oeste,  Norte  e  Nordeste  do  País,  bem  como  para  as  exportações  de  suas  mercadorias;   · ·Os grandes consumidores dos produtos industrializados  e  comercializados  pelo  sujeito  passivo,  possuem  uma  logística  que  não  mais  comporta  grandes  estoques,  devido  à  extensa  diversidade  de  produtos  necessários  para  abastecer  suas  unidades,  bem  como  devido  ao  custo que lhes geraria a manutenção de locais com o fito  exclusivo  de  estocagem,  visto  a  alta  rotatividade  dos  produtos em seus estabelecimentos;   · a Recorrente  que  possui  sede  em Porto Alegre,  se  viu  obrigada  a  manter  centros  de  distribuição  em  pontos  estratégicos  do  país,  visto  que  seus  grandes  clientes,  adquirentes de seus produtos, situam­se, em sua grande  Fl. 569DF CARF MF Processo nº 11080.910546/2011­13  Acórdão n.º 3003­000.100  S3­C0T3  Fl. 19          18 maioria,  na  Região  Sudeste  e  necessitam  do  produto  à  pronta entrega quase que diariamente.   · Da mesma maneira, em relação às exportações de suas  mercadorias,  a  empresa  também  necessita  que  os  seus  produtos  estejam  nos  centros  de  distribuição,  a  fim  de  que  possam  ser  exportados,  de  modo  que  necessita  contratar  prestadoras  de  serviços  de  transporte  rodoviário  e  aquaviário  (documento  11),  a  fim  de  que  tenha  mercadoria  a  pronta  entrega  aos  seus  compradores e seus importadores.  Não obstante à essa fundamentação e tendo em vista que:  · A maioria dos fretes são destinados ao Centro de Distribuição da empresa,  para que se  torne viável a remessa dos produtos e, para conseguir atender a sua demanda de  pedidos,  o  sujeito  passivo,  devido  à  demora  no  trânsito  das mercadorias,  já  transacionou  as  mercadorias,  sendo  que  ao  chegarem  as  mercadorias  ao  destino  muitas  já  se  encontram  vendidas;  · A mercadoria  já  é  vendida  em  trânsito,  para  quando  chegar  ao Centro  de  Distribuição já sair para a pronta entrega ao adquirente, descaracterizando, assim, um frete para  mero estoque com venda posterior.  É de se entender que, em verdade, se trata de frete para a venda, passível de  constituição de crédito das contribuições, nos termos do art. 3º, inciso IX, das Lei 10.833/03 e  Lei 10.637/02 – pois a inteligência desse dispositivo considera o frete na “operação” de venda.  A venda de per si para ser efetuada envolve vários eventos. Por  isso, que a  norma  traz  o  termo  “operação”  de  venda,  e  não  frete  de  venda.  Inclui,  portanto,  nesse  dispositivo os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda, dentre as quais o  frete ora em discussão.  As despesas incorridas com fretes para a transferência/transporte de produtos  acabados, industrializados pelo contribuinte, entre seus estabelecimentos, para venda posterior,  se  enquadram  como  despesa  de  frete  na  operação  de  venda  e,  conseqüentemente,  geram  créditos da contribuição, nos termos do art. 3º, inciso IX, das Lei 10.833/03 e Lei 10.637/02.  VI ­ Despesas de aluguéis de veículos;  Não restou comprovado que os veículos locados participam efetivamente do  processo produtivo ou atende ao critério da essencialidade e relevância, conseqüentemente, as  despesas com aluguéis de veículos não podem ser considerados insumos para fins de apuração  de créditos das contribuições, previsto nos art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637 e 10.833/03.  Sustenta  ainda  a  recorrente  o  enquadramento  no  inc.  IV  do mesmo  art.  3º,  que prevê o crédito sobre as despesas com locação de máquinas e equipamentos. Vejamos:  Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica  poderá descontar créditos calculados em relação a:  (...)  Fl. 570DF CARF MF Processo nº 11080.910546/2011­13  Acórdão n.º 3003­000.100  S3­C0T3  Fl. 20          19 IV  –  aluguéis  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos,  pagos  a  pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa;   Aqui,  de  forma  diferente  do  inc.  II,  prevê  o  crédito  não  só  nas  atividades  diretas do processo produtivo, mas em todas as atividades da empresa. No entanto a previsão  legal  para  o  creditamento,  se  restringe  a  locação  de  prédios, máquinas  e  equipamentos,  não  cabendo a extensão pretendida pela recorrente em relação aos veículos. É incabível o desconto  de créditos calculados em relação ao valor incorrido no mês relativo aos aluguéis de veículos,  posto não se confundir com o termo “máquinas” utilizados ao longo de toda legislação.  Mantenho assim a glosa em relação as despesas com aluguéis de veículos.  VII ­ Despesas com armazenagem de cargas (paletes);  Pleiteia  a  recorrente  o  creditamento  dos  valores  referentes  às  despesas  de  armazenagem despendidas com locações de paletes e contentores com fulcro no art. 3.º, inciso  IX e art. 15, inciso II, da Lei n.º 10.833/03.  Alega  ainda  que  "a  armazenagem  do  arroz  em  paletes  é  uma  despesa  intrínseca  à  atividade­fim  da  Recorrente,  haja  vista  que  sem  estes  equipamentos  de  armazenagem, o arroz  (tanto o “verde”,  como o beneficiado)  estaria  vulnerável à umidade,  insetos,  entre  outros  riscos  potenciais  à  segurança  e  condições  técnicas  do  arroz,  que  sem  elas, se tornaria impróprio para o consumo e a empresa perderia o seu produto."  Não  obstante  entender  que não  se  tratam de  despesas  de  armazenagem por  estarem vinculados preponderantemente à movimentação de mercadorias – serviços de carga e  descarga, conforme reconhece a decisão recorrida, considerando sua essencialidade à atividade  do sujeito passivo e tendo em vista a recente decisão do STJ, no REsp 1.221.170, em sede de  recurso repetitivo, que definiu que o conceito de insumo, para fins de constituição de crédito de  PIS e de Cofins, devendo­se observar o critério da essencialidade e relevância, as despesas com  locações de paletes devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da  Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02.  Em  outro  caso,  o  STJ  reconheceu  o  direito  aos  créditos  sobre  embalagens  utilizadas  para  a  preservação  das  características  dos  produtos  durante  o  transporte,  condição  essencial  para  a  manutenção  de  sua  qualidade  (REsp  1.125.253).  O  que,  peço  vênia,  para  transcrever a ementa do acórdão:  COFINS  –  NÃO  CUMULATIVIDADE  –  INTERPRETAÇÃO  EXTENSIVA  –  POSSIBILIDADE  –  EMBALAGENS  DE  ACONDICIONAMENTO  DESTINADAS  A  PRESERVAR  AS  CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE,  QUANDO  O  VENDEDOR  ARCAR  COM  ESTE  CUSTO  –  É  INSUMO  NOS  TERMOS  DO  ART.  3º,  II,  DAS  LEIS  N.  10.637/2002 E 10.833/2003.  1.  Hipótese  de  aplicação  de  interpretação  extensiva  de  que  resulta  a  simples  inclusão  de  situação  fática  em  hipótese  legalmente  prevista,  que  não  ofende  a  legalidade  estrita.  Precedentes.  2.  As  embalagens  de  acondicionamento,  utilizadas  para  a  preservação  das  características  dos  bens  durante  o  transporte,  Fl. 571DF CARF MF Processo nº 11080.910546/2011­13  Acórdão n.º 3003­000.100  S3­C0T3  Fl. 21          20 deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no  art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a  operação  de  venda  incluir  o  transporte  das  mercadorias  e  o  vendedor arque com estes custos.”  Dessa forma, considero as glosas referentes a essa matéria como indevidas.  VIII  ­ Despesas de aluguéis de contentores destinados ao armazenamento de entulhos  e  resíduos e locação de guinchos;  Alega  a  recorrente  que  creditou­se  de  despesas  de  aluguéis  de  contentores  destinados ao armazenamento de entulhos e de resíduos, para posterior coleta dos mesmos, em  razão de não ser permitida a eliminação desses detritos e resíduos industriais em vias públicas e  locação de  guinchos,  ou  à prestação de  serviço  de guincho para  a montagem de máquinas  e  transportes de máquinas ou partes das máquinas, utilizadas na construção de usina de parbo e  na obra da termoelétrica.  Entendo  que  merece  prosperar  a  argumentação  da  recorrente  quanto  a  pertinência dessas despesas em relação à atividade produtiva, seja quanto a necessidade para a  salubridade das dependências produtivas no caso da remoção dos resíduos industrias ou quanto  às despesas  relacionadas aos guinchos utilizados na montagem de máquinas, enquadrando­se  no  referido  conceito  de  insumos  para  fins  de  creditamento  do PIS  e  da COFINS,  por  serem  inerentes à atividade da recorrente e essenciais ao seu processo produtivo.  Dessa forma, considero as glosas referentes a essa matéria como indevidas.    IX  ­  Apuração  de  créditos  calculados  sobre  aquisições  de  insumos  sem  suspensão  do  PIS/COFINS;  A recorrente entende ter direito a calcular créditos básicos sobre as aquisições  de arroz em casca junto à pessoas jurídicas, nos termos do art. 3º , II da Leis n° 10.637/2002 e  n° 10.833/2003, alegando que tais operações não estavam sob o manto da suspensão prevista  no  art.  9º  da  Lei  nº  10.925/04  e  na  IN  nº  660,  porquanto  não  cumpriam  com  os  requisitos  exigidos pela legislação.  A Lei  10.925/2004  estabeleceu  um  tratamento  tributário  específico  atinente  às  contribuições  do  PIS  e  da Cofins,  prevendo  crédito  presumido  na  aquisição  dos  insumos  (art.8º)  e  a  suspensão da  incidência das  contribuições  sociais  ao PIS e da Cofins  referente  a  receita de venda dos produtos que menciona nos seus incisos (Art.9º), in verbis:  Lei nº 10.925/2004   “Art.  8º  As  pessoas  jurídicas,  inclusive  cooperativas,  que  produzam  mercadorias  de  origem  animal  ou  vegetal,  classificadas nos  capítulos 2,  3,  exceto os produtos vivos desse  capítulo,  e  4,  8  a  12,  15,  16  e  23,  e  nos  códigos  03.02,  03.03,  03.04,  03.05,  0504.00,  0701.90.00,  0702.00.00,  0706.10.00,07.08,  0709.90,  07.10,  07.12  a  07.14,  exceto  os  códigos  0713.33.19,  0713.33.29  e  0713.33.99,  1701.11.00,  1701.99.00,  1702.90.00,  18.01,  18.03,  1804.00.00,  1805.00.00,  20.09,  2101.11.10  e  2209.00.00,  todos  da  NCM,  destinadas  à  Fl. 572DF CARF MF Processo nº 11080.910546/2011­13  Acórdão n.º 3003­000.100  S3­C0T3  Fl. 22          21 alimentação  humana  ou  animal,  poderão  deduzir  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da Cofins,  devidas  em  cada  período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor  dos bens referidos no  inciso II do caput do art. 3o das Leis nºs  10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro  de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado  pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vide  art. 37 da Lei nº 12.058, de 13 de outubro de 2009)(Vide art. 57  da Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010)  §  1º  O  disposto  no  caput  deste  artigo  aplica­se  também  às  aquisições efetuadas de:  I  cerealista  que  exerça  cumulativamente  as  atividades  de  limpar,  padronizar,  armazenar  e  comercializar  os  produtos  in  natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01  a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01,  todos  da  NCM;  (Redação  dada  pela  Lei  nº  11.196,  de  21/11/2005);  II – pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de  transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III  –  pessoa  jurídica  que  exerça  atividade  agropecuária  e  cooperativa de produção agropecuária.(Redação dada pela Lei  nº 11.051, de 2004  § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o §1º  deste  artigo  só  se  aplica  aos  bens  adquiridos  ou  recebidos,  no  mesmo  período  de  apuração,  de  pessoa  física  ou  jurídica  residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º  do  art.  3º  das  Leis  nºs  10.637,  de  30  de  dezembro  de  2002,  e  10.833, de 29 de dezembro de 2003.  (...).  Art.  9º  A  incidência  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins fica suspensa no caso de venda: ( Redação dada pela Lei  nº  11.051,  de  2004  )  (Vide  art.  37  da  Lei  nº  12.058,  de  13  de  outubro  de  2009  )(Vide  art.  57  da  Lei  nº  12.350,  de  20  de  dezembro  de  2010  )  (Vide  arts  2º  e  9º  da MP  nº  609,  de  8  de  março de 2013)  I de produtos de que trata o inciso I do § 1º do art. 8º desta Lei,  quando  efetuada  por  pessoas  jurídicas  referidas  no  mencionado inciso; ( Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004 )  II  de  leite  in  natura,  quando  efetuada  por  pessoa  jurídica  mencionada no inciso II do § 1º do art. 8º desta Lei; e ( Incluído  pela Lei nº 11.051, de 2004 )  III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas  no  caput  do  art.  8º  desta  Lei,  quando  efetuada  por  pessoa  jurídica  ou  cooperativa  referidas  no  inciso  III  do  §  1º  do  mencionado artigo. ( Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004 )  Fl. 573DF CARF MF Processo nº 11080.910546/2011­13  Acórdão n.º 3003­000.100  S3­C0T3  Fl. 23          22 §  1º O  disposto  neste  artigo:  (  Incluído  pela  Lei  nº  11.051,  de  2004 )  I aplica­se  somente  na  hipótese  de  vendas  efetuadas  à  pessoa  jurídica tributada com base no lucro real; e ( Incluído pela Lei  nº 11.051, de 2004 )  II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de  que tratam os §§ 6º e 7º do art. 8º desta Lei. ( Incluído pela Lei  nº 11.051, de 2004 )  § 2º A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e  condições  estabelecidos  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  SRF.” ( Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004 ) ).(destaquei).  Não obstante as disposições contidas nos §2º do art. 2º1 e §§1º e 2º do art. 4º  2da  Instrução  Normativa  660/2006,  vigente  à  época  dos  fatos,  quanto  a  necessidade  da  informação  na  Nota  fiscal  acerca  da  suspensão,  trata­se,  na  verdade,  de  uma  obrigação  acessória do fornecedor, visando proporcionar melhor controle e operacionalização, mas, não,  como regras impeditivas da suspensão prevista em lei.  Os  requisitos  exigidos  no  art.  4º  da  referida  instrução  para  a  ocorrência  da  suspensão das contribuições são apenas os relacionados nos incisos I a III3 do referido artigo,  que são meras repetições da regra legal.  E ainda, tal como ressalvado no acórdão recorrido, acrescente­se, “a IN SRF  nº 660/2006 determina que tal informação deve constar da nota fiscal, entretanto não veda a  venda com suspensão caso esta determinação não seja observada.”  Inclusive,  ressalte­se  que,  inicialmente,  sequer  havia  essa  disposição  na  Instrução  Normativa  nº  636,  de  24  de  março  de  2006,  o  que  reforça  a  idéia  de  que  tais  dispositivos  vieram  apenas  no  sentido  de  facilitar  um  controle,  de  facilitar,  também,  a  operacionalização da regra (obrigatória) da suspensão, quando ocorre a subsunção dos fatos às  regras.                                                              1 INSTRUÇÃO NORMATIVA N° 660, EM 17 DE JULHO DE 2006  Art.2 º Fica suspensa a exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da  Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda:  (...);  §2º Nas notas fiscais relativas às vendas efetuadas com suspensão, deve constar a expressão "Venda efetuada com  suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com especificação do dispositivo legal  correspondente.  2 Art.4º Aplica­se a suspensão de que trata o art. 2º somente na hipótese de, cumulativamente, o adquirente:  (...);  §1ºPara os efeitos deste artigo as pessoas jurídicas vendedoras relacionadas nos incisos I a III do caput do art. 3º  deverão exigir, e as pessoas jurídicas adquirentes deverão fornecer: (Revogado pela Instrução Normativa RFB nº  977, de 14 de dezembro de 2009 )  I a Declaração do Anexo I , no caso do adquirente que apure o imposto de renda com base no lucro real; ou  II a Declaração do Anexo II , nos demais casos.  §2º  Aplica­se  o  disposto  no  §1º  mesmo  no  caso  em  que  a  pessoa  jurídica  adquirente  não  exerça  atividade  agroindustrial  3 Art.4º Aplica­se a suspensão de que trata o art. 2º somente na hipótese de, cumulativamente, o adquirente:  I apurar o imposto de renda com base no lucro real;  II exercer atividade agroindustrial na forma do art. 6º; e  III utilizar o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e  II do art. 5º.  Fl. 574DF CARF MF Processo nº 11080.910546/2011­13  Acórdão n.º 3003­000.100  S3­C0T3  Fl. 24          23 Portanto, no caso em questão, o relatório fiscal exaustivamente comprovou o  preenchimento  de  todas  as  condições  legais  previstas  para  que  se  verifique  a  suspensão  das  contribuições.  E,  estando  demonstrado  pela  fiscalização  que  as  vendas  do  arroz  em  casca  efetuadas à recorrente atendem aos requisitos para a aplicação da suspensão da incidência das  contribuições previstas no caput do artigo 9° da Lei 10.925/2004, posto tratar­se de vendas de  arroz  com  casca  (código  1006.10  da  NCM)  para  adquirentes  pessoa  jurídica  agroindustrial  tributada  pelo  lucro  real,  destinadas  à  produção  de  arroz  de  códigos  1006.20,  1006.30  e  1006.40  da  NCM,  de  acordo  com  os  arts.  4º  ,  incisos  I  a  III,  e  6º  ,  inciso  I,  da  IN  SRF  660/2006, à recorrente caberia, então, optar, ou não, pelo o crédito presumido, mas não caberia  utilizar­se do crédito básico.  X ­ Pedido alternativo – atribuição de crédito presumido.  Sobre  tal  pedido  alternativo,  como  bem  ressaltou  o  relatório  fiscal,  há  previsão  legal,  no  caso  das  operações  com  arroz  em  casca,  para  que  o  interessado  calcule  crédito presumido à alíquota de 35% sobre o valor dessas aquisições, nos termos do disposto  no §1º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, valor que poderá apenas ser deduzido dos débitos da  própria  contribuição,  não  servindo  para  ser  ressarcido  ou  compensado  com  outros  créditos  tributários devidos pela contribuinte.  Como já ressaltado,o creditamento previsto no artigo 8º da mesma Lei é de  caráter facultativo:  “Art.  8º  As  pessoas  jurídicas,  inclusive  cooperativas,  que  produzam  mercadorias  de  origem  animal  ou  vegetal,  [...]destinadas  à  alimentação  humana  ou  animal,  poderão  deduzir  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins,  devidas em cada período de apuração, crédito presumido, [...]  ” (grifei)  Desta forma, o acórdão recorrido esclareceu devidamente que “Desta forma,  sobre o pedido alternativo do  contribuinte  em  relação ao  registro de  crédito presumido nas  operações em comento, cabe apenas informar que existe tal direito ao crédito presumido. No  caso,  o  interessado deve,  ele  próprio,  calcular  os  referidos  créditos  presumidos  através  dos  procedimentos adequados.  Inexiste a possibilidade para que  tais créditos sejam apurados de  ofício pela fiscalização, conforme sugere em seu pedido..”  CONCLUSÕES  Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  fim  de  dar  provimento  parcial  ao  recurso apresentado, concedendo crédito sobre as despesas despendidas no controle de pragas e  expurgos, despesas de fretes na transferência de produtos acabados, despesas com locações de  paletes,  despesas  de  aluguéis  de  contentores  destinados  ao  armazenamento  de  entulhos  e  resíduos  e  locação  de  guinchos,  discriminadas  no  voto,  negando  provimento  em  relação  às  demais matérias.  (assinado digitalmente)  Marcos Antonio Borges    Fl. 575DF CARF MF Processo nº 11080.910546/2011­13  Acórdão n.º 3003­000.100  S3­C0T3  Fl. 25          24                             Fl. 576DF CARF MF

score : 1.0
7561998 #
Numero do processo: 10880.904522/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1401-000.608
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, nos termos do voto do Relator, vencido o Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, que lhe negou provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.683947/2009-84, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente). Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) e Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201811

camara_s : Quarta Câmara

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019

numero_processo_s : 10880.904522/2009-14

anomes_publicacao_s : 201901

conteudo_id_s : 5946082

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019

numero_decisao_s : 1401-000.608

nome_arquivo_s : Decisao_10880904522200914.PDF

ano_publicacao_s : 2019

nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES

nome_arquivo_pdf_s : 10880904522200914_5946082.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, nos termos do voto do Relator, vencido o Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, que lhe negou provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.683947/2009-84, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente). Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) e Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado).

dt_sessao_tdt : Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018

id : 7561998

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:34:52 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713051417641484288

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1699; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T1  Fl. 2          1  1  S1­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10880.904522/2009­14  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  1401­000.608  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  22 de novembro de 2018  Assunto  IRPJ  Recorrente  AVAYA BRASIL LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.   Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  converter  o  julgamento  do  recurso  em  diligência  à Unidade  de Origem,  nos  termos  do  voto  do Relator,  vencido o Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, que lhe negou provimento. O julgamento  deste processo segue a sistemática dos recursos  repetitivos. Portanto, aplica­se o decidido no  julgamento  do  processo  10880.683947/2009­84,  paradigma  ao  qual  o  presente  processo  foi  vinculado.   (assinado digitalmente).  Luiz Augusto de Souza Gonçalves ­ Presidente e Relator   Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira  Neto, Livia de Carli Germano, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo  Zanin,  Daniel  Ribeiro  Silva,  Leticia  Domingues  Costa  Braga,  Luiz  Augusto  de  Souza  Gonçalves (Presidente) e Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado).      Relatório.  Trata­se de recurso voluntário interposto contra Acórdão daTurma da DRJ/SPO,  que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade, dada a  impossibilidade de retificação de ofício de inexatidão material verificada no preenchimento da  Per/Decomp,  desde  que  esteja  pendente  de  decisão  administrativa  à  data  do  envio  do  documento retificador.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 04 52 2/ 20 09 -1 4 Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10880.904522/2009­14  Resolução nº  1401­000.608  S1­C4T1  Fl. 3          2  A  interessada  apresentou  Declaração  de  Compensação  (Dcomp),  visando  compensar crédito  supostamente decorrente de pagamento efetuado a maior a  título de  IRPJ,  com débitos de PIS e COFINS apurados dentro do mesmo ano calendário.  O Despacho Decisório não homologou a referida compensação, sob fundamento  de que o crédito pleiteado pela Recorrente, por se tratar de estimativa de IRPJ, não poderia ter  sido utilizado na compensação tributária.  O  crédito  compensado  refere­se  a  um  pagamento  de  IRPJ,  o  qual  foi  considerado  indisponível  pela  DERAT/SP  por  tratar­se  o  crédito  de  pagamento  a  título  de  estimativa mensal da pessoa  jurídica  tributada pelo Lucro Real,  caso em que o  recolhimento  somente  pode  ser  utilizado  na  dedução  de  IRPJ  ou  da CSLL  devida  ao  final  do  período  de  apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período.  Mesmo após a Manifestação de Inconformidade, restou mantido integralmente o  Despacho Decisório.  Inconformada,  interpôs  Recurso  Voluntário  repisando  o  argumento  quanto  a  erro de fato no preenchimento de sua DIPJ e uma vez demonstrada a inexistência de vedação  legal  (Lei  n.  9.430/96)  para  a  compensação  de  crédito  oriundo  de  pagamento  a  maior  de  estimativa de IRPJ, forçoso concluir que a Recorrente teria direito ao crédito integral objeto da  DCOMP em questão e, consequentemente, homologação integral da compensação pleiteada.  É o relatório do essencial.      Voto.  Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves ­ Relator   O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido na Resolução nº  1401­000.600, de 22/11/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10880.683947/2009­84,  paradigma ao qual o presente processo fica vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1401­000.600):  "O recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos  de admissibilidade, por isso, dele conheço.  Conforme  esclarece  a Recorrente,  no  ano calendário  em  discussão, ela teria efetuado o pagamento de IRPJ apurado em um mês  daquele ano, contudo, passado algum tempo, verificou que, na verdade,  não haveria imposto algum a recolher naquele mês.  Ao  final do ano, em virtude das  retenções  sofridas e das  antecipações pagas pela Recorrente, restou apurado saldo negativo de  Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10880.904522/2009­14  Resolução nº  1401­000.608  S1­C4T1  Fl. 4          3  IRPJ,  o  qual,  de  acordo  com  a  legislação,  poderia  ser  utilizado  na  compensação de outros tributos administrados pela RFB.  No entanto, quando do preenchimento da DECOMP para  a  compensação  do  referido  crédito  com  outros  débitos  relativos  ao  período  de  apuração  seguinte,  sustenta  a  ocorrência de  erro  no  qual  acabou  optando  equivocadamente  pelo  tipo  de  crédito  relativo  a  pagamento  indevido  ou  a  maior  e  não  saldo  negativo  de  IRPJ  e  procurou  demonstrar  que  esse  erro  de  preenchimento  não  seria  a  causa  suficiente  a  ensejar  o  indeferimento  do  crédito  pleiteado,  especialmente pelo princípio da verdade material.  Erro esse, que defende a recorrente poderia ser retificado  de  ofício,  pois  segundo  ela  a  Declaração  de  Compensação  é  o  instrumento  hábil  e  suficiente  paras  a  exigência  de  débitos  indevidamente compensados.  Diversamente  do  entendimento  da  decisão  recorrida,  entendo que restou caracterizado o erro de fato no preenchimento da  DCOMP quanto à informação do crédito utilizado/pleiteado.  Resta  evidente  que  a  informação  prestada  na  DCOMP,  quanto à origem do crédito, está em dissonância, em parte, com a DIPJ  que trata da apuração do imposto e do pretenso crédito do imposto do  ano­calendário  em  questão  (declaração  de  ajuste  anual),  pois  o  pretenso crédito pleiteado do ano­calendário discutido restou apurado  pela contribuinte a título de saldo negativo e não a título de pagamento  indevido de estimativa mensal.   Lembre­se que a Súmula CARF nº 84 permite a restituição  de  estimativa  mensal  recolhida  em  excesso,  a  partir  da  data  do  respectivo  recolhimento,  no  caso  de  erro  de  fato  comprovado  na  apuração  da  base  de  cálculo  da  estimativa  mensal  (erro  quanto  à  apuração  com  base  na  receita  bruta  ou  com  balancete  de  suspensão/redução),  ou  seja,  recolhimento  que  extrapolou,  em  completa  dissonância  em  relação  à  base  de  cálculo  demonstrada  na  escrituração  contábil/fiscal  na  forma  da  legislação  de  regência,  que  não é o caso, pois a contribuinte não alegou erro de fato na apuração  do  IRPJ  –  Estimativa  Mensal  que  tivesse  gerado  recolhimento  em  excesso  à  revelia  da  base  de  cálculo  de  que  trata  a  legislação  de  regência, mas apenas erro de informação na DCOMP quanto à origem  do crédito pleiteado na DCOMP.   Como  demonstrado,  restou  configurada  a  existência  do  erro na informação do direito creditório no preenchimento da DCOMP  objeto  dos  autos  (inexatidão  material  quanto  à  origem  do  crédito  utilizado/demandado), sendo então hipótese para retificação, correção  da DCOMP, conforme art. 57 da IN SRF 460/2004 e IN ulteriores que  tratam  da  matéria,  art.  147,  §  2º,  do  CTN,  e  art.  32  do  Decreto  nº  70.235/72.   Reconhecido,  caracterizado,  o  erro  de  fato  no  preenchimento da DCOMP (inexatidão material quanto à  informação  do direito creditório), deve ser afastado, por conseguinte, o óbice que  impediu  a  decisão  recorrida  de  enfrentar  o  mérito  do  crédito,  sua  Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10880.904522/2009­14  Resolução nº  1401­000.608  S1­C4T1  Fl. 5          4  liquidez e certeza, a título de saldo negativo do IRPJ do ano­calendário  questionado.   Ou  seja,  o  erro  de  fato  no  preenchimento  dos  dados  do  crédito  na  DCOMP,  diversamente  do  entendimento  da  decisão  recorrida, configura sim  inexatidão material a que alude o art. 57 da  IN SRF nº 460/2004, podendo ser corrigida de ofício pelo julgador, e  IN seguintes que tratam da matéria, art. 147, § 2º, do CTN, e art. 32 do  Decreto nº 70.235/72.  Neste sentido:  LUCRO  REAL  ANUAL.  DECLARAÇÃO  DE  JUSTE  ANUAL.  DEDUÇÃO  INTEGRAL  DOS  PAGAMENTOS  ANTECIPADOS  POR  ESTIMATIVA  MENSAL.  APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO NA DIPJ. PEDIDO  DE  APROVEITAMENTO  DE  CRÉDITO  DE  PAGAMENTO  INDEVIDO  DE  ESTIMATIVA  MENSAL  NA  DCOMP.  ERRO  DE  FATO.  POSSIBILIDADE  DE  RETIFICAÇÃO  DA  DCOMP.  ÓBICE  AFASTADO.  DEVOLUÇÃO DOS AUTOS À DRJ PARA ANÁLISE DE  MÉRITO  DO  CRÉDITO  A  TÍTULO  DE  SALDO  NEGATIVO.  Restando  comprovado  nos  autos  que  o  recolhimento  da  estimativa  mensal  foi  computado  no  saldo negativo do imposto na declaração de ajuste anual,  configura  erro  de  fato  no  preenchimento  da  DCOMP,  quando  o  contribuinte  presta  informação  acerca  do  crédito  pleiteado  a  título  de  pagamento  indevido  ou  a  maior  de  estimativa  mensal,  quando  deveria  fazê­lo  a  título  de  saldo  negativo.  Trata­se  de  inexatidão material  no preenchimento da DCOMP, a qual pode ser retificada  de ofício pelo  julgador ou a pedido do contribuinte para  correção  do  erro  de  informação  quanto  ao  crédito  do  referido  do  ano­calendário,  nos  termos  do  art.  57  da  IN  SRF 460/04, art. 147, § 2º, do CTN, e art. 32 do Decreto  nº 70.235/72.   ACÓRDÃO: 1802­002.532 Ademais,  para  evitar  prejuízo  ao contraditório e à ampla defesa e para evitar subtração  de instância de julgamento quanto à análise de mérito do  direito  créditório  –  saldo  negativo  do  IRPJ  do  ano­calendário  em questão,  torna­se necessário devolver  os  autos  à  primeira  instância  de  julgamento,  para  que  proceda análise de mérito do direito creditório a título de  saldo negativo do IRPJ.   Por tudo que foi exposto, entendo possível afastar o óbice  que impediu a decisão recorrida de enfrentar o mérito do crédito, sua  liquidez e certeza, a título de saldo negativo do IRPJ do ano­calendário  questionado e voto no sentido de converter os autos em diligência a fim  de  que  a  DRF  de  origem  faça  nova  apreciação  no  que  se  refere  ao  direito  creditório alegado para que  se analise  se além do pagamento  reclamado para compensação havia também saldo negativo do imposto  passível de aproveitamento naquele ano calendário.  É como voto."  Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10880.904522/2009­14  Resolução nº  1401­000.608  S1­C4T1  Fl. 6          5  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o  julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito.   (assinado digitalmente)  Luiz Augusto de Souza Gonçalves      Fl. 121DF CARF MF

score : 1.0