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Numero do processo: 11522.000154/2005-41
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/07/2002, 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 30/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 30/07/2004
VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA DIF-PAPEL IMUNE.
Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da DIF-Papel Imune deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês-calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.158-35/ 2001.
RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO.
Por força da alínea c, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato.
Numero da decisão: 9303-008.430
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial para aplicação do inciso II do § 4º do art. 1º da Lei nº 11.945 de 4 de junho de 2009.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da “DIFPapel Imune” deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mêscalendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.15835/ 2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Por força da alínea “c”, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial para aplicação do inciso II do § 4º do art. 1º da Lei nº 11.945 de 4 de junho de 2009. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 52 2. 00 01 54 /2 00 5- 41 Fl. 587DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Tratase de auto de infração de efls. 25 a 31, para exigência de multa no valor de R$ 256.500,00, decorrente de atraso na entrega da Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIFPapel Imune). A contribuinte teve ciência do auto de infração em 23/02/2005 (efl. 35). A apuração dos valores das muitas se deu conforme tabela a seguir: Período Data da entrega Data limite Meses* Multa** 2º trim. de 2002 Não entregue 31/07/2002 31 46.500,00 3º trim. de 2002 Não entregue 31/10/2002 28 42.000,00 4º trim. de 2002 Não entregue 31/01/2003 25 37.500,00 1º trim. de 2003 Não entregue 30/04/2003 22 33.000,00 2º trim. de 2003 Não entregue 31/07/2003 19 28.500,00 3º trim. de 2003 Não entregue 30/10/2003 16 24.000,00 4º trim. de 2003 Não entregue 30/01/2004 13 19.500,00 1º trim. De 2004 Não entregue 30/04/2004 10 15.000,00 2º trim. de 2004 Não entregue 30/07/2004 7 10.500,00 TOTAL 256.500,00 * Meses de atraso contados até Fevereiro de 2005; ** Com redução de 70% para optante do SIMPLES. A empresa apresentou impugnação ao lançamento, às efls. 41 a 61. Já a 3ª Turma da DRJ/BEL, em 06/11/2007, no acórdão nº 019.690, às efls. 368 a 374, apreciou a impugnação para, por unanimidade, considerar procedente o auto de infração, mantendo integralmente a exação. Irresignado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário ao CARF, às efls. 381 a 434. Em síntese, a contribuinte alegou a nulidade do auto de infração por: ofensa a princípios constitucionais, erro na capitulação legal, vício na motivação do ato, ocorrência de força maior impedindo o cumprimento da obrigação acessória Além disso, subsidiariamente, requer a redução da multa para R$ 13.500,00 pela correta interpretação da legislação aplicada, ou, alternativamente, redução para R$ 22.472,50, correspondente a 5% da receita bruta anual. A 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento apreciou o recurso voluntário, em 29/07/2010, tendo prolatado o acórdão nº 330200.511, às e fls. 456 a 463, que foi assim ementado: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA CRIADA PELA RFB. PENALIDADE APLICÁVEL. Antes da edição da Medida Provisória nº 451/2008, a falta de apresentação de DIF Papel Imune no prazo estabelecido na legislação ensejava a aplicação da multa prevista no art. 507 do RIPI/2002 e não a prevista do art. 505, também do RIPI/02. Fl. 588DF CARF MF Processo nº 11522.000154/200541 Acórdão n.º 9303008.430 CSRFT3 Fl. 588 3 O referido acórdão teve a seguinte redação: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido a conselheira Fabiola Cassiano Keramidas. O relator utilizouse de entendimento do Conselheiro Walber José da Silva, em processo sobre a mesma matéria, para afirmar: Entendo que a DIF Papel Imune classificase como um documento de prestação de informação a que se refere o art. 368 do RIPI/2002 (como o era a DIPI) e, conseqüentemente, ao descumprimento de sua apresentação aplicase a penalidade prevista no art. 507 do RIPI/2002, acima transcrito, e não a penalidade do art. 505, reproduzido no art. 12 da IN SRF no 71/2001. Em conclusão, entendo que o fundamento da multa aplicada ao caso concreto é o art. 507 e não o art. 505, ambos do RIPI/2002, sendo, portanto, improcedente o lançamento. Recurso especial da Fazenda A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o recurso especial de divergência de efls. 466 a 472, em 07/06/2011. Aponta divergência quanto a aplicação da multa com base em acórdãos paradigmas nº 20218.446 e nº 20403.437, do antigo Conselho de Contribuintes, no qual, para questão fática similar, foi mantida a multa aplicada com fulcro no art. 505 do RIPI/2002 (base legal: art. 57, da MP nº 2.15835/2001), divergindo do recorrido que utilizouse do art. 507 do RIPI/2002 (base legal: DecretoLei nº1.680/1979, art. 4º, e Lei nº 9.249/1995, art. 30). Finaliza pleiteando o conhecimento e provimento do recurso especial para que se reforme o acórdão a quo, e se restabeleça a decisão de primeira instância. Em 02/07/2013, o Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, com amparo no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256 de 22/06/2009, apreciou o recurso especial da Fazenda, no despacho de efls. 480 a 482, e deulhe seguimento, admitindo a discussão na Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF. Contrarrazões da contribuinte Em 14/11/2013, a contribuinte foi cientificada (efl. 484) do acórdão de recurso voluntário, do recurso especial de divergência da fazenda e do despacho de sua admissibilidade. A empresa apresentou contrarrazões ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, em 29/11/2013, às efls. 486 a 494. Invoca preliminarmente que não seja conhecido o recurso especial do Procurador, por falta de indicação analítica dos pontos divergentes. Outrossim, o paradigma não aborda a existência de erro na fundamentação legal da multa ou da multa aplicada com base no art. 507 do RIPI/2002, restando evidente que o recorrido e o paradigma tratam de situações diversas. Fl. 589DF CARF MF 4 No mérito, afirma necessidade de considerar a retroatividade de norma com penalidade mais benéfica, pela aplicação ao caso do inc. II, do § 4º, do art. 1º da Lei nº 11.945/200, como vem sendo reconhecido em diversas decisões do CARF. Assim, pleiteia o não conhecimento do recurso especial de divergência da Fazenda e, caso contrário, que seja o recurso improvido, mantendose inalterado o acórdão recorrido. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial de divergência é tempestivo. Conhecimento Nesse ponto, não tem razão a contribuinte, como se pode observar diretamente das ementas transcritas no recurso especial, os dois acórdãos utilizados como paradigmas tratam da imposição de multa por falta ou atraso na entrega da DIF Papel Imune, com obrigações acessórias relativas a fatos ocorridos entre 2002 e 2004, situação fática idêntica a destes autos. A legislação em discussão também é a mesma do lançamento em litígio, como se observa no seguinte trecho do voto do acórdão paradigma nº 20218.446, à efl. 471: Em resumo, a obrigação acessória em comento está definida no art. 113 do CTN, prevista nos arts. 10 e 11 IN SRF n° 71, de 2001 alterad2 pelas IN SRF n° 101, de 2001, e 134, de 2002 com base na delegação de competência estabelecida no art. 16 da Lei n° 9.779/99, e a penalidade pelo seu descumprimento foi estabelecida no art. 57 da Medida Provisória n° 2.15834, de 2001,... Resta evidente que há divergência demonstrada pelo Procurador no seu recurso especial de divergência, pois para situação fátivca idêntica, houve utilização de critério jurídico distinto entre os paradigmas e o acórdão a quo. Por essa razão, voto por conhecer do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional. Mérito Esta matéria não é estranha aos julgados desta Turma e, em 21/02/2019, fui relator para o acórdão nº 9303008.193, que trata de caso análogo ao presente, por isso, peço licença pra utilizar as razões por mim expostas no voto condutor daquele aresto. Para delimitar a divergência, cumpre ressaltar que não há qualquer controvérsia que envolva a situação fática que originou o lançamento de multa pelo descumprimento da obrigação acessória de entrega da DIFPapel Imune. A norma legal que impunha a multa à época do lançamento era o artigo 57, inciso I, da MP nº 2.15835/ 1997, resultando em R$ 5.000,00 por mêscalendário ou fração para quem descumprisse obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779/1999. Estando tal norma reproduzida no art. 12 da IN SRF nº 71/2001. Aqui há de se observar dois pontos que no meu entender são relevantes para a apreciação do litígio, tanto a Fl. 590DF CARF MF Processo nº 11522.000154/200541 Acórdão n.º 9303008.430 CSRFT3 Fl. 589 5 medida provisória citada, quanto a Lei a que ela se refere tratam de vários regramentos tributários e não apenas da multas isoladas vinculadas ao IPI. A Lei nº 9.779/1999 tinha a seguinte ementa: Altera a legislação do Imposto sobre a Renda, relativamente à tributação dos Fundos de Investimento Imobiliário e dos rendimentos auferidos em aplicação ou operação financeira de renda fixa ou variável, ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, à incidência sobre rendimentos de beneficiários no exterior, bem assim a legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, relativamente ao aproveitamento de créditos e à equiparação de atacadista a estabelecimento industrial, do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou Relativas a Títulos e Valores Mobiliários IOF, relativamente às operações de mútuo, e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, relativamente às despesas financeiras, e dá outras providências. E a redação de seu artigo 16 assim se mantém: Art.16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Logo, é certo que nessa norma se incluem quaisquer obrigações acessórias sobre as quais a antiga SRF viesse a regular ou criar, sem tratar de penalidades porque sabidamente estas só podem ser criadas por Lei. O art. 57 da MP nº 2.15835/ 2001 cumpriria esse papel, também de forma genérica, criadas as obrigações acessórias do art. 16 pela SRF e não atendidas, incidiria sobre elas essa multa. A MP nº 2.15835/ 2001, por sua vez, tinha a seguinte ementa: Altera a legislação das Contribuições para a Seguridade Social COFINS, para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor PúblicoPIS/ PASEP e do Imposto sobre a Renda, e dá outras providências. Seu art. 57, inc. I, era assim redigido, à época dos fatos geradores: Art.57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; (...) As transcrições demonstram claramente que nenhuma dessas normas legais tratava com mais especificidade a situação aqui discutida do que a Lei nº 11.945 de 04/06/2009, senão, vejamos a redação dos seus artigos 1º e 2º: Fl. 591DF CARF MF 6 Art. 1º Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e II adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. § 1º A comercialização do papel a detentores do Registro Especial de que trata o caput deste artigo faz prova da regularidade da sua destinação, sem prejuízo da responsabilidade, pelos tributos devidos, da pessoa jurídica que, tendo adquirido o papel beneficiado com imunidade, desviar sua finalidade constitucional. § 2º O disposto no § 1º deste artigo aplicase também para efeito do disposto no § 2º do art. 2o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no § 2º do art. 2º e no § 15 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e no § 10 do art. 8º da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004. § 3º Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4º O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3º deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. § 5º Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4 º deste artigo será reduzida à metade. Art. 2º O Registro Especial de que trata o art. 1o desta Lei poderá ser cancelado, a qualquer tempo, pela Secretaria da Fl. 592DF CARF MF Processo nº 11522.000154/200541 Acórdão n.º 9303008.430 CSRFT3 Fl. 590 7 Receita Federal do Brasil se, após a sua concessão, ocorrer uma das seguintes hipóteses: (...) (Negritei.) Evidentemente que nova lei veio regular situação específica, seguindo a Medida Provisória hígida para a penalização dos descumprimentos das demais obrigações acessórias, e as multas nela definidas não serão aplicadas por mêscalendário de atraso, mas para cada falta de apresentação. O art. 57 da MP 2.15835/2001 sofreu diversas alterações até o momento, mas nenhuma dessas alterações fez qualquer referência especifica à multa pelo descumprimento da obrigação acessória de entregar a DIFPapel Imune, como o fez a Lei nº 11.945/2009. Ou seja, pretender que norma genérica pelo descumprimento de qualquer obrigação acessória se sobreponha àquela que trata especificamente da falta de entrega da DIF Papel Imune, não encontra respaldo nas regras de hermenêutica que tratam do conflito de normas. Quando o Procurador cita o art. 12 da IN SRF nº 71/2001, esquece que ela não tinha como fazer referência a qualquer norma específica decorrente da Lei nº 11.945/2009, haja vista que esta inexistia quando da elaboração da referida IN. Ignorou ainda que aquela IN foi revogada a partir de 08/12/2009 pelo art. 18 da IN RFB nº 976/2009, que igualmente em seu art. 12 adotou o disposto no art. 1º, §§ 4º e 5º da Lei nº 11.945/2009: Art. 12. A nãoapresentação da DIFPapel Imune, nos prazos estabelecidos no art. 11, sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. Parágrafo único. Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do caput será reduzida à metade. Mesmo a IN RFB nº 976/2009 já foi revogada, em 24/07/2018, pela IN RFB nº 1.817/2018, contudo, sempre mantendo o disposto naquela Lei, apenas agora em outro artigo: Art. 17. A nãoapresentação da DIFPapel Imune nos prazos previstos no art. 16 sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I multa de 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), sobre o Fl. 593DF CARF MF 8 valor da operação com papel imune omitida ou apresentada de forma inexata ou incompleta; e II multa de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais), em caso de micro e pequenas empresas, e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais pessoas jurídicas, independentemente da sanção prevista no inciso I, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. Parágrafo único. Se a informação que tenha sido omitida ou tenha sido prestada de forma incompleta for apresentada fora do prazo determinado, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do caput será reduzida à metade. Evidentemente que não poderia ser diferente, as IN podem regular as leis que disciplinam especificamente essa matéria, mas não sobreporse a elas no tocante às definições das multas aplicadas. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional, para que se considere a incidência da norma mais benéfica extraída do inciso II do § 4º do art. 1º da Lei nº 11.945 de 4 de junho de 2009, resultando na manutenção das multas para cada uma das DIFs PAPEL IMUNE não apresentadas no prazo legal, calculadas conforme o referido dispositivo legal, cabendo à unidade preparadora verificar os valores e a condição da empresa (Microempresa/ EPP/outros) para efeito de liquidação deste julgado. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 594DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.901630/2013-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2011 a 31/08/2011
PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracteriza-se a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade.
Numero da decisão: 3302-006.851
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracterizase a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. Relatório Trata o presente processo do Pedido de Restituição (PER), transmitido pelo contribuinte acima identificado, no qual solicita a restituição de PIS. Consta no processo Despacho Decisório Eletrônico proferido pela unidade de origem, o qual concluiu pela improcedência do crédito original informado no PER, sob o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 16 30 /2 01 3- 34 Fl. 365DF CARF MF Processo nº 16682.901630/201334 Acórdão n.º 3302006.851 S3C3T2 Fl. 3 2 fundamento de que o pagamento relacionado havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Cientificado desta decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela DRJ, nos termos do Acórdão nº 12088.997. Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) A ausência de retificação de DCTF ou de qualquer outra obrigação acessória jamais poderia ser impeditivo do reconhecimento do seu direito ao crédito, na medida em que o Fisco possui outros meios de apurar a existência de eventual indébito tributário. Assim, não restam dúvidas de que a falta de retificação da DCTF não deve implicar na perda do direito ao crédito; b) Não há concomitância entre o presente processo e o Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. A lide proposta foi no sentido de que fosse reconhecido o direito líquido e certo da recorrente não se sujeitar à incidência do PIS/Cofins sobre as receitas de interconexão, bem como para reconhecer o crédito referente a eventuais valores pagos indevidamente, relativamente a contribuições apuradas e recolhidas após a impetração do writ. O objeto da ação judicial se destina apenas às contribuições de PIS e Cofins apuradas e recolhidas após a distribuição do referido MS; c) No caso concreto, há uma divisão muito clara. Os pagamentos indevidos de PIS/COFINS sobre receitas de interconexão de redes, apuradas antes de 23.9.2013, foram objeto de pedido administrativo de restituição. Apenas os pagamentos realizados com base em apurações de PIS/COFINS feitas partir de 23.9.2013, foram objeto do pedido judicial formulado no Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. Bem verdade que há certa semelhança entre as causas de pedir dos processos administrativos e judicial. Ambos estão fundados na “não incidência do PIS/COFINS sobre receitas de interconexão”. Todavia, os pedidos efetuados para se afastar o PIS e a COFINS sobre as receitas de interconexão, bem como para se reconhecer o crédito sobre pagamentos indevidos realizados envolvem a mesma discussão para períodos de apuração distintos. Frisese: os pedidos administrativos se voltam às contribuições apuradas e pagas antes da impetração do mandado de segurança. Já aquelas apuradas e pagas após o ajuizamento da ação judicial são objeto do mandado de segurança. Diante desse cenário, verificase que não há concomitância entre o mandado de segurança em curso perante o Poder Judiciário e o presente processo administrativo, tendo em vista que os períodos de apuração relativos ao crédito referente ao indébito tributário são distintos; d) Os valores recebidos pela Recorrente e repassados a outras operadoras a título de interconexão de redes não configuram receita tributável pelo PIS e COFINS, pois não se trata de “receita” auferida pela Recorrente, quer do ponto de vista jurídico, quer mesmo do ponto de vista contábil. No caso dos valores recebidos pela Recorrente e repassados a terceiros a título de interconexão de redes, o que se verifica é um mero e transitório ingresso de recursos que devem ser repassados ao terceiro que cedeu seus meios de rede à Recorrente. Não há, portanto, qualquer efetivo acréscimo patrimonial da Recorrente, porque já há um imediato e compulsório destino para aquele valor recebido, que é repassado para as outras operadoras de telecomunicação; e) A tributação nos moldes pretendidos pelo Fisco implica a tributação pelo PIS/COFINS da receita total auferida pela Recorrente pela prestação do serviço de Fl. 366DF CARF MF Processo nº 16682.901630/201334 Acórdão n.º 3302006.851 S3C3T2 Fl. 4 3 telecomunicação, incluindo a parcela que será repassada a terceiros pela interconexão de redes. E, além dessa tributação, nos termos da pretensão fiscal, haveria uma nova incidência do PIS/COFINS pelo terceiro que realiza a interconexão, no momento em que ele apropriar a receita que lhe é repassada, caracterizando o bis in idem tributário; f) A base de cálculo do PIS/COFINS não deve ser integrada por elementos estranhos à receita auferida, notadamente pelos valores que devem ser repassados a terceiros a título de interconexão de redes. Na prática, isso faz com que todo o valor pago pela Recorrente a título de PIS/COFINS sobre esses valores de interconexão de redes seja qualificado como indébito tributário, que lhe deve ser restituído. Termina o recurso requerendo o provimento para que seja reformado o acórdão recorrido, a fim de que seja deferido o pedido de restituição formulado. É o breve relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.815, de 25 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.900008/201490, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.815): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise. O cerne da questão está em decidir se há concomitância entre esse processo administrativo e o Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. Para tanto, é necessário analisar os objetos dos respectivos processos. Conforme já mencionado na decisão a quo, o indébito pleiteado no Pedido de Restituição decorre, nas palavras do contribuinte, “da indevida inclusão na base de cálculo do PIS de valores referentes a ingressos de numerário em razão de contratos de interconexão, os quais não constituem "receita" da Manifestante”. Portanto, defende em processo administrativo a não incidência do PIS/COFINS sobre tarifas de interconexão. Vejamos o objeto do MS nº 002418579.2013.4.02.5101: Pela petição inicial, temos os seguintes pedidos: a) concessão de medida liminar para assegurar o direito liquido e certo da impetrante à suspensão da exigibilidade dos créditos tributários, nos termos do art. 151, IV, do CTN, das Fl. 367DF CARF MF Processo nº 16682.901630/201334 Acórdão n.º 3302006.851 S3C3T2 Fl. 5 4 contribuições ao PIS e a Cofins, sobre os meros ingressos apurados mensalmente pelo regime de competência pela impetrante decorrentes tão somente das tarifas de interconexão recebidas dos usuários pela coprestação dos serviços de telecomunicações prestados pelas demais operadoras e a elas integralmente repassadas (serviços de transmissão, emissão ou recepção de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza); b) determinação à Autoridade Coatora sobre o contudo da decisão liminar, bem como acerca do conteúdo do presente mandamus, para que no prazo legal, preste as informações que entender necessárias, com a posterior oitiva do representante do Ministério Público; c) Ciência à União Federal, nos termos do art. 7º, II, da Lei nº 12.016/2009; d) ao final, a concessão da segurança para confirmar a liminar requerida e assegurar o direito liquido e certo de a impetrante não se sujeitar à incidência das contribuições ao PIS e à Cofins, sobre meros ingressos apurados mensalmente pelo regime da competência pela impetrante decorrentes tão somente das tarifas de interconexão recebidas dos usuários pela coprestação dos serviços de telecomunicações prestados pelas demais operadoras e a elas integralmente repassadas (serviços de transmissão, emissão ou recepção de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza), sob pena de violação ao art. 2º da Lei nº 9,718/99 e aos arts. 5º, II; 145 § 1º; 150, I e IV e 195, I, "b" da Constituição Republicana de 1988, com a consequente compensação do indébito dessas contribuições, apurados desde a distribuição do presente writ, devidamente atualizado pela Taxa Selic, após o trânsito em julgado, nos termos dos artigos 165, 170 e 170A do CTN. A sentença de primeiro grau do Mandado de Segurança nº 002418579.2013.4.02.5101, assim decidiu: Tratase de mandado de segurança com pedido de liminar impetrado por INTELIG COMUNICAÇÕES LTDA contra ato atribuído ao DELEGADO DA DELEGACIA ESPECIAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE MAIORES CONTRIBUINTES NO RIO DE JANEIRO DEMAC, objetivando a declaração de não incidência das contribuições ao PIS e à COFINS, sobre os ingressos apurados mensalmente pelo regime de competência pela Impetrante, decorrentes de tarifas de interconexão serviços prestados pelas demais operadoras, que são posteriormente repassados àquelas congêneres, bem como a declaração do direito de compensar o indébito referente a estas contribuições, apurado desde a distribuição do writ. Sustenta, em apertada síntese, que as chamadas "tarifas de interconexão" não constituem receita, e sim meros ingressos econômicos ou financeiros, tendo cm vista que são recebidas, cm um primeiro momento, pela Impetrante, porem repassadas cm seguida às operadoras que efetivamente prestaram os serviços ao cliente usuário da Impetrante. (...) Fl. 368DF CARF MF Processo nº 16682.901630/201334 Acórdão n.º 3302006.851 S3C3T2 Fl. 6 5 Pelo exposto, com fulcro no art. 269. I, do CPC. JULGO PROCEDENTE O PEDIDO e CONCEDO A SEGURANÇA, para determinar ao Impetrado que se abstenha de exigir da Impetrante que recolha o PIS e a Cofins, incluindo na base de cálculo o valor recebido pela Impetrante e posteriormente repassado a operadora congênere, que prestou efetivamente o serviço, a título de "tarifa de interconexão", bem como para declarar o direito da Impetrante à compensação do indébito, apurado desde a distribuição do presente, na forma da lei de regência, de acordo com a modalidade escolhida pelas Impetrantes, aplicandose a SELIC como critério de atualização do indébito, vedada a cumulação com qualquer outro índice, nos termos da fundamentação supra. Analisando as razões jurídicas apresentadas na peça recursal, fico convencido da identidade das demandas administrativa e judicial, pois nas duas esferas o que se discute é a inexistência de relação jurídica tributária do PIS e da Cofins em relação as receitas de interconexão. O próprio recorrente reconhece essa congruência entre os processos administrativo e judicial. Sua alegação para afastar a concomitância se ampara no fato de que os pagamentos indevidos de PIS/COFINS sobre receitas de interconexão de redes, apuradas antes de 23.9.2013, foram objeto de pedido administrativo de restituição, e que apenas os pagamentos realizados com base em apurações de PIS/COFINS feitas partir de 23.9.2013, foram objeto do pedido judicial formulado no Mandado de Segurança n° 0024185 79.2013.4.02.5101. Não comungo do entendimento no qual a concomitância é afastada pela falta de identidade entre os períodos de apuração apontados nos processos judicial e administrativo. O diferencial entre os períodos de apuração, aqueles contemplados pelo mandamus e os não contemplados, na minha visão, referese somente à possibilidade de o recorrente utilizálos para pedido de compensação antes do trânsito em julgado, por ordem judicial, conforme sua solicitação na exordial. Os demais períodos de apuração, os que foram apurados antes da distribuições do writ, deverão esperar o trânsito em julgado da ação para poderem se credenciar a objeto de um pedido de restituição, com possíveis compensações. Digo isso, pois a decisão do Poder Judiciário sobre a incidência do PIS e da Cofins nas receitas oriundas das tarifas de interconexão, terá reflexos para todos os períodos de apuração, independentemente se foi contemplado no pedido do MS nº 002418579.2013.4.02.5101 ou não Isso se deve ao fato de que na existência de processos paralelos, com objeto e finalidade idênticos, não é salutar que haja decisões com efeitos redundantes ou antagônicos. Em qualquer das hipóteses, prevalecerá a decisão judicial, motivo pelo qual a concomitância de processos ofende o princípio da economia processual. Em face disso, a opção do contribuinte pela via judicial encerra o processo administrativo fiscal em definitivo, em qualquer das fases em que ele se encontre. Fl. 369DF CARF MF Processo nº 16682.901630/201334 Acórdão n.º 3302006.851 S3C3T2 Fl. 7 6 Registrese que a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição Federal, que adota o modelo de jurisdição una, onde são soberanas as decisões judiciais. Sendo assim, nos casos em que o sujeito passivo opta pela via judicial para a discussão de matéria tributária implica na renúncia ao poder de recorrer nesta instância, nos termos do parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/80 e do § 2º, art. 1º do Decretolei nº 1.737, de 1979. Ratificando este entendimento, foi aprovado o enunciado de Súmula CARF nº 01, in verbis: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Na linha do entendimento fixado, não conheço do recurso quanto à matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário e na parte conhecida, nego provimento ao recurso por enxergar identidade entre os pedidos e as causas de pedir apresentados no MS nº 2007.70.00.0222765 e neste recurso administrativo." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 370DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.722284/2011-78
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES.
Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas.
Numero da decisão: 2001-001.271
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Honório Albuquerque de Brito, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas.
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DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Honório Albuquerque de Brito, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 22 84 /2 01 1- 78 Fl. 68DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas informadas na Declaração de Ajuste Anual DAA. O Lançamento da Fazenda Nacional em revisão da DAA modifica o resultado final da apuração do imposto que passa de uma restituição declarada pela Contribuinte de R$ 899,76 para R$ 2.301,52, de imposto de renda pessoa física a pagar, acrescido da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2008. A fundamentação do Lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento definidor da lavratura o fato de não ter sido apresentado comprovação suplementar aos recibos de prestação de serviços profissionais de despesas médicas. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente na falta de comprovação outra e além dos recibos apresentados no momento da verificação fiscal e juntados aos autos, como segue: Contra a Contribuinte acima identificado foi emitida, em 16/05/2011, a Notificação de Lançamento de fls. 06 a 10, relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF do exercício 2009, anocalendário 2008, tendo sido apurado o crédito tributário assim constituído (em Reais): (...) O lançamento teve origem na constatação da dedução indevida de despesas médicas, no montante de R$ 16.750,00, dos profissionais abaixo discriminados, por falta de comprovação do efetivo pagamento. Convém ressaltar que, em princípio, admitese como prova idônea da dedução a título de despesas médicas os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado, que contenham todas as indicações indispensáveis à identificação de quem efetuou o pagamento, em que data, referente ao tratamento de qual paciente, bem como a indicação do nome, endereço, CPF ou CNPJ do emitente. Todavia, a apresentação dos recibos não impede o direito de o Fisco solicitar que o contribuinte comprove ou justifique a dedução declarada. Foi a lei, mais precisamente o DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º, que expressamente determinou que o contribuinte pode ser instado a comprovar ou justificar as deduções, deslocando para ele o ônus probatório, sendo que o § 4º daquele mesmo artigo previu a glosa das deduções, sem a audiência do contribuinte, quando forem exageradas ou não forem cabíveis. O referido dispositivo constitui a matriz legal do art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999: Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10640.722284/201178 Acórdão n.º 2001001.271 S2C0T1 Fl. 69 3 “Art.73.Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º).” § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º).” Esclareçase que para se fazer jus a deduções na Declaração de Ajuste Anual, se torna indispensável que o contribuinte observe todos os requisitos legais, sob pena de ter os valores pleiteados glosados. Afinal, todas as deduções, inclusive as despesas médicas, por dizerem respeito à base de cálculo do imposto, estão sob reserva de lei em sentido formal, por força do disposto na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), art. 97, inciso IV. A propósito de dedução de despesas médicas, confirase o estabelecido na Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995: (...) Verificase, portanto, que a dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está, sim, condicionada ao preenchimento de alguns requisitos legais, entre eles a comprovação do efetivo pagamento, se assim for exigido pela autoridade lançadora. Desse modo, se o interessado foi intimado a comprovar o pagamento das respectivas despesas, como neste caso (Termo de Intimação Fiscal de fls. 39), fazse necessário que ele apresente provas nesse sentido para que possa fazer jus à dedução declarada. Vale dizer que o pagamento das despesas médicas em espécie não é proibido pela legislação, todavia o interessado deve possuir meios de comprovar tal operação, tais como extrato bancário em que haja correspondência entre os valores sacados em conta corrente e as quantias pagas como despesas médicas, assim como a correspondência entre as datas contidas nos recibos e as datas das retiradas bancárias. Compulsando os recibos apresentados (fls. 32 a 34) e os extratos bancários anexados (fls. 11 a 21), constatase que não consta a existência de saques nas datas dos recibos, em montante suficiente aos valores constantes nos recibos. Assim, não restou comprovado o efetivo pagamento das despesas médicas glosadas. Cumpre assinalar que a forma de pagamento dos respectivos profissionais afirmada na impugnação não coincide com aquela informada nos recibos. Enquanto a Contribuinte afirma ter pago ao Dr. Fabiano em cinco parcelas mensais de R$ 1.000,00, foram juntados dois recibos no valor de R$ 1.500,00 cada e dois no valor de R$ 1.000,00. Quanto à Dra. Bianca, a Impugnante afirma que pagou em seis parcelas de R$ 1.950,00, mas foram anexados seis recibos no valor de R$ 2.125,00 cada. Fl. 70DF CARF MF 4 Diante do exposto, voto pela IMPROCEDÊNCIA da impugnação, o que resulta na manutenção do crédito tributário. Assim, conclui o Acórdão da DRJ pela improcedência da impugnação para manter a exigência do Lançamento no valor de R$ 2.301,52, como imposto suplementar, mais acréscimos legais. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) A 6ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federa do Brasil alega que “o pagamento das despesas médicas em espécie não é proibido pela legislação, todavia o interessado deve possuir meios de comprovar tal operação, tais como extrato bancário em que haja correspondência entre valores sacados em conta corrente e as quantias pagas como despesas médicas, assim como a correspondência entre as datas contidas nos recibos e as datas das retiradas bancárias”. (...) Que outras provas o Fisco estaria a pedir se não o recibo de prestação de serviços e que atestam com segurança que a contribuinte, no caso em tela, não somente contratou os serviços, como realizou o pagamento pelos mesmos? No acórdão impugnado estáse a exigir justamente que da contribuinte não somente a apresentação dos recibos e cheques nominativos ou transferências bancárias no exato valor da prestação de serviços, como se está contestando a destinação da moeda sacada e a liberdade de circulação, na medida em que os saques, repitase, extrapolam os valores pagos aos profissionais que prestaram os serviços. Mister salientar que a informação da declaração de imposto de renda dos prestadores que realizaram os serviços só pertencem a eles e ao próprio Fisco, que tem livre acesso a estes dados c aso suspeite de fato de alguma fraude, o que, frisese não houve. A livre convicção da autoridade fiscal na apreciação de provas não pode ultrapassar o razoável. A jurisprudência pátria corrobora com est pensamento. (...) Ademais, neste caso o Fisco está a presumir a máfé do contribuinte, em contrariedade aos princípios de todo o sistema jurídico, na medida em que a boafé se presume e para se afastar a presunção de boafé da contribuinte/recorrente seria necessário que o Fisco comprovasse a existência de fraude, o que não foi sequer suscitado no presente caso. Para se desconsiderar os recibos e demais documentos apresentados pela contribuinte/recorrente e, por conseguinte, exigirlhe as Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10640.722284/201178 Acórdão n.º 2001001.271 S2C0T1 Fl. 70 5 importâncias deduzidas a título de despesas médicas, deveria o Fisco ter prosseguido em suas diligências, de modo a obter elementos que corroborassem com suas afirmações. E no caso presente o Fisco, que detém todo o aparato fiscalizatório não se utilizou de qualquer de suas bases de dados para sequer afirmar que o profissional que realizou o serviço não teria declarado aqueles honorários recebidos como renda. Ademais, a lei não determina que o contribuinte apresente mais provas do que as apresentadas, descolando o ônus da prova ao contribuinte, conforme se pretende. (...) (...) No caso em tela, porém, no que tange às despesas com tratamento odontológico, as provas apresentadas pelo autor à Receita Federal revestem idoneidade suficiente e valor probatório hábil a permitir a dedução dos valores do imposto de renda. Pois além dos recibos de pagamento do tratamento odontológico a contribuinte/recorrente apresentou à Receita Federal extratos bancários que comprovam a realização destas despesas, pois há saques realizados na época em valores até mesmo superiores aos pagamentos realizados. Não se vislumbram, portanto, outras provas que pudessem ser exigidas do contribuinte. A Receita Federal poderia, inclusive, fiscalizar se o profissional que prestou os serviços recolheu imposto de renda sobre os honorários recebidos. Desta feita, espera e requer a recorrente/contribuinte seja acolhido o presente recurso no que tange aos valores glosados a título de “Dedução indevida de despesas médicas” por falta de comprovação. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. DESPESAS MÉDICAS A divergência no que ser refere à despesa médica é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia na contenda é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pelo contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no Fl. 72DF CARF MF 6 estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Decreto nº 3.000/99 Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10640.722284/201178 Acórdão n.º 2001001.271 S2C0T1 Fl. 71 7 psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifei) A exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (deduçãotributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, assim, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagadorrecebedor do valor da prestação de serviço. No caso, há que se considerar a presunção de idoneidade da comprovação apresentada em obediência ao que dispõe a legislação. Mais ainda, em razão da ausência da apresentação, por parte do fisco, de indícios que coloquem em dúvida a idoneidade dos recibos apresentados pela Recorrente. Não basta a simples desconfiança do agente público incumbido da auditoria para que se obrigue o contribuinte a apresentar prova suplementar se não há elementos desabonadores da boa fé de quem usa a documentação especificada na lei para o exercício do direito à dedução na apuração do resultado tributário da pessoa física. Por juízo subjetivo ou simples desconfiança, sem sequer a indicação de indícios de inidoneidade da documentação, não pode a autoridade lançadora fazer exigências Fl. 74DF CARF MF 8 fora dos limites da lei. O procedimento fiscal busca amparo no que dispõe o art. 73 e seu § 1º, do Decreto nº 3.000/99, para posicionar o ônus da prova unicamente no contribuinte, nos termos em que a seguir se descreve: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). (grifei) § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). (grifei) A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. A origem do conteúdo do texto vem do período do DecretoLei acima, mais precisamente do ano de 1943, anterior, portanto, às quatro últimas Constituições do Brasil (1946, 1967, 1969 e 1988) e, muito distante do conceito atual de Direito do Contribuinte e do Estado de Direito. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento ex officio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de provo, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Longe de se contestar legalidade ou constitucionalidade, o que não cabe na competência desta instância administrativa, até mesmo por orientação sumulada do CARF, o que aqui se faz na verdade é a divergência da larga literalidade na interpretação e aplicação do art. 73, pelo ente tributante. O Novo Código de Processo Civil pode ser utilizado em apoio à interpretação aqui esposada, porque contém dispositivos pertinentes que devem ser trazidos à colação, de vez que transitam na mesma linha de entendimento que aborda a observância do direito do contribuinte de forma moderna e em consideração ao Estado de Direito. O Código avança no sentido de estabelecer o equilíbrio de forças das partes no processo de julgamento, como se vê na orientação do art. 7º, como segue: “Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório”. (grifei) Traz reforço ainda o CPC para esse entendimento quando suaviza o posicionamento anterior que atribuía ao contribuinte, de forma quase que exclusiva, o ônus da prova, e inaugura a possibilidade das partes atuarem em prol de uma instrução colaborativa, a fim de oferecer ao julgador melhores subsídios para proferir a decisão, sem que se faça uso da regra do ônus da prova de forma unilateral. Este novo procedimento está explicitado no § 1º, do art. 373, da seguinte forma: § 1o Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10640.722284/201178 Acórdão n.º 2001001.271 S2C0T1 Fl. 72 9 De forma semelhante o art. 6º do CPC reforça este entendimento colaborativo ao dizer que “Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva”. Deve ser acolhido todo o elemento de prova durante o processo administrativo fiscal visando o aclaramento da verdade material, o direito do contraditório e da ampla defesa para o atingimento de justa decisão da causa. A decisão do Acórdão da DRJ contestado na defesa da Recorrente de que somente restariam aceitos como pagamento em espécie, e como efetivo pagamento, aqueles valores constantes nos extratos resultante de saques bancários em datas correspondentes aos valores pagos aos profissionais e constantes dos recibos emitidos na mesma oportunidade. Essa exigência fiscal fere usos e costumes no trato diário dessas atividades de paciente e prestadores de serviços médicos que deve ser de livre decisão entre as partes, bastando para efeitos fiscais que quem emitiu os recibos se debite do imposto de renda de forma a estabelecer a contrapartida do uso do benefício fiscal do abatimento da despesa médica incorrida. Isso é o que pressupõe o objetivo da lei. A Recorrente apresentou os recibos de prestação de serviços médicos, fls. 32/34 que preenchem os requisitos legais para efeito de abatimento do imposto de renda e assim fez constar em sua Declaração de Ajuste Anual. E, considerandose, ainda, que a Contribuinte apresentou extratos bancários, fls. 11/21, em que se permite perceber a disponibilidade financeira compatível com os desembolsos para cobrir despesas médicas, fica provada a sua capacidade financeira de pagamento, podendo fazêlo em espécie, assim como constatada a providência de atendimento da exigência da validade dos comprovantes apresentados e legitimada a dedução do imposto efetuada na DAA no valor total informado na Declaração do Imposto de Renda. Cabe destacar ainda que eventual divergência entre o dito e o provado, vale este último que é feito de forma material pela apresentação de documentos válidos e idôneos, como se verifica no presente caso em que o profissional emitente dos recibos assume total responsabilidade pela aposição de sua assinatura e identificação, também como contribuinte do imposto de renda. Do processo, constatase que os serviços prestados correspondem à especialidade técnica de profissional habilitado na área e de acordo com as necessidades especificas do beneficiário, com o fornecimento de comprovantes de pagamento dos serviços prestados, mediante documentos assinados. Portanto, legítima a dedução a título de despesas pela apresentação de recibos e declarações, assinados por profissionais habilitados, pois tais documentos guardam ao mesmo tempo reconhecimento da prestação de serviços assim como também confirmam o seu pagamento. Verificase, neste caso, que a Recorrente apresentou a documentação comprobatória da despesa realizada correspondendo à comprovação do pagamento de profissionais habilitados e por isso a utilizou como dedutível na declaração de ajuste do imposto, razão porque se faz necessária a providência da exclusão da glosa das despesas médicas. Fl. 76DF CARF MF 10 Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito DAR PROVIMENTO, restabelecendose a dedução das despesas médicas glosadas, excluindo se, por consequência, o crédito tributário na sua integralidade. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.007788/2008-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO. HIPÓTESES DE INDISPENSABILIDADE. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO
Lançamento embasado em extratos bancários, obtidos mediante Requisição de Movimentação Financeira (RMF), devem ser firmados na Lei Complementar nº 105/2001, regulamentada pelo Decreto nº 3.724/2001.
Nas hipóteses de indispensabilidade do exame de movimentação financeira elencadas no art. 3º do Decreto 3.724/2001, a autoridade fiscalizadora deverá, em relatório circunstanciado, descrever de forma precisa e clara os fatos que motivaram o enquadramento do caso na hipótese de indispensabilidade e demonstrar a razoabilidade da situação.
Inexistindo nos autos relatório circunstanciado, impossível a verificação do cumprimento dos requisitos contidos na referida norma regulamentar federal, devendo, por isso, cancelar a exigência do crédito tributário e anular o Ato Declaratório de exclusão do SIMPLES.
Numero da decisão: 1301-003.764
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: (i) acolher a preliminar de nulidade na obtenção dos extratos bancários, e, em razão da ausência de provas, dar provimento ao recurso voluntário para cancelar integralmente a exigência do crédito tributário; e ii) anular o Ato Declaratório Executivo DRFB/FNS nº 65, de 14/11/208, que excluiu o contribuinte do SIMPLES.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO. HIPÓTESES DE INDISPENSABILIDADE. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO Lançamento embasado em extratos bancários, obtidos mediante Requisição de Movimentação Financeira (RMF), devem ser firmados na Lei Complementar nº 105/2001, regulamentada pelo Decreto nº 3.724/2001. Nas hipóteses de indispensabilidade do exame de movimentação financeira elencadas no art. 3º do Decreto 3.724/2001, a autoridade fiscalizadora deverá, em relatório circunstanciado, descrever de forma precisa e clara os fatos que motivaram o enquadramento do caso na hipótese de indispensabilidade e demonstrar a razoabilidade da situação. Inexistindo nos autos relatório circunstanciado, impossível a verificação do cumprimento dos requisitos contidos na referida norma regulamentar federal, devendo, por isso, cancelar a exigência do crédito tributário e anular o Ato Declaratório de exclusão do SIMPLES.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: (i) acolher a preliminar de nulidade na obtenção dos extratos bancários, e, em razão da ausência de provas, dar provimento ao recurso voluntário para cancelar integralmente a exigência do crédito tributário; e ii) anular o Ato Declaratório Executivo DRFB/FNS nº 65, de 14/11/208, que excluiu o contribuinte do SIMPLES. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
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AUSÊNCIA RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO Recorrente J N TRANSPORTE RODOVIÁRIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO. HIPÓTESES DE INDISPENSABILIDADE. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO Lançamento embasado em extratos bancários, obtidos mediante Requisição de Movimentação Financeira (RMF), devem ser firmados na Lei Complementar nº 105/2001, regulamentada pelo Decreto nº 3.724/2001. Nas hipóteses de indispensabilidade do exame de movimentação financeira elencadas no art. 3º do Decreto 3.724/2001, a autoridade fiscalizadora deverá, em relatório circunstanciado, descrever de forma precisa e clara os fatos que motivaram o enquadramento do caso na hipótese de indispensabilidade e demonstrar a razoabilidade da situação. Inexistindo nos autos relatório circunstanciado, impossível a verificação do cumprimento dos requisitos contidos na referida norma regulamentar federal, devendo, por isso, cancelar a exigência do crédito tributário e anular o Ato Declaratório de exclusão do SIMPLES. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: (i) acolher a preliminar de nulidade na obtenção dos extratos bancários, e, em razão da ausência de provas, dar provimento ao recurso voluntário para cancelar integralmente a exigência do crédito tributário; e ii) anular o Ato Declaratório Executivo DRFB/FNS nº 65, de 14/11/208, que excluiu o contribuinte do SIMPLES. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 77 88 /2 00 8- 57 Fl. 590DF CARF MF Processo nº 11516.007788/200857 Acórdão n.º 1301003.764 S1C3T1 Fl. 591 2 Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Relatório J N TRANSPORTE RODOVIÁRIO LTDA recorre a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 0721.593 proferido pela 3ª Turma da Delegacia de Julgamento em Florianópolis, que julgou, por unanimidade de votos, improcedentes as impugnações e a manifestação de inconformidade apresentadas contra os autos de infração e a exclusão de ofício do Simples. Por bem refletir o litígio até aquela fase processual, reproduzo o relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: Por meio dos Autos de Infração, às folhas 239 a 298, foram exigidas da contribuinte acima qualificada as importâncias abaixo indicadas, acrescidas de juros de mora e multa de oficio de 75%: As exigências referemse a fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2005. Do relato da fiscalização No “Termo de Verificação Fiscal” TVF (f. 294 a 298), a fiscalização revela o seguinte: 1 DA CONTRIBUINTE Fl. 591DF CARF MF Processo nº 11516.007788/200857 Acórdão n.º 1301003.764 S1C3T1 Fl. 592 3 A contribuinte em questão é uma empresa cadastrada sob o CNAE 4930202 e que explora a ramo de transporte de cargas, constituída em 21/01/1987, conforme Contrato Social e alterações (fls. 26/34 ). O Capital Social de RS 20.000,00, segundo a 10" alteração contratual, está dividido de acordo com o seguinte quadro societário: Marcelo Koch Mendes, CPF 912.648.04920....,... ......95,5% Elen Koch Mendes, CPF 036.925.62985...... .......4,5% Possui atualmente 2 (duas) filiais. Realizou em 01/01/2001 a opção pela sistemática do SIMPLES, e vem apresentando, desde então, suas declarações segundo esse formato (fls. 04). Apresentou declaração do SIMPLES referente ao anocalendário de 2005 com receitas compatíveis com a sistemática daquela forma de tributação (fls. 06/23), muito embora o desenrolar da auditoria venha a demonstrar que tais valores estão aquém da realidade financeira e comercial da empresa, como veremos a seguir. (...) 3 DA AÇÃO FISCAL Em atendimento ao Termo de Inicio de Ação Fiscal, a empresa, em 10/07/2008, apresentou procuração nomeando o Sr. Vicente Lisboa Capella como seu representante perante a presente ação fiscal (fls. 37/38). Nessa mesma oportunidade foi disponibilizada parte dos documentos solicitados (fls. 24/38). Em virtude da demora em atendimento pleito ao solicitado mediante o Termo de Inicio de Fiscalização foi emitido, em 13/08/2008, o Termo de Intimação Fiscal 001 (fls. 40). Através da correspondência datada de 18/08/2008 (fls. 46/47) a empresa encaminhou o livro CAIXA referente ao ano sob fiscalização. Nessa mesma oportunidade a contribuinte expressa seu entendimento de que a empresa, por estar protegida pelo sigilo bancário, não forneceria cópias dos extratos bancários. Nessa ocasião, tendo por base a falta de disponibilização dos extratos bancários, foram encaminhados às instituições financeiras nas quais a empresa mantinha contas bancárias, Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira, solicitando a apresentação por aquelas das cópias dos referidos extratos (fls.48/52). Com a disponibilização dos extratos bancários pelas instituições financeiras (fls.53/174), foi elaborado o Termo de Intimação Fl. 592DF CARF MF Processo nº 11516.007788/200857 Acórdão n.º 1301003.764 S1C3T1 Fl. 593 4 Fiscal 002. de 13/10/2008 (fls.175/184), mediante o qual solicitase a empresa que esclareça a origem dos recursos que ingressaram em suas contas correntes, uma vez que representam volume de recurso muito superiores as suas receitas declaradas. A contribuinte, através da correspondência de 07/10/2008, encaminha planilhas com informações acerca de parte dos valores listados nos anexos do Termo de Intimação Fiscal 002 (fls. 189/229). A partir dos esclarecimentos prestados, foram elaboradas relações consolidadas mediante o expurgo dos valores justificados e da totalização mensal dos valores remanescentes (fls. 230/237). 4 DA OMISSÃO DE RECEITAS Diante de todo o exposto. temos que a diferença entre os valores efetivamente ingressados em suas contas correntes, oriundos de serviços de transportes efetivamente prestados. e àqueles declarados a Receita Federal do Brasil, representa receitas omitidas, conforme preconiza a legislação Decreto n” 3. 000/99 (RIR): “Art. 287. Caracterizamse também como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (Lei n”9.430, de 1996, art. 42). (...) 5 DA EXCLUSÃO DO SIMPLES A partir da constatação de que a receita auferida pela empresa., mediante os fatos detalhados nos itens anteriores, no ano calendário de 2005, conforme demonstrativo (fls. 237), ultrapassou o limite legal permitido para o enquadramento na sistemática do SIMPLES. formalizouse, em 13/11/2008, Representação Fiscal solicitando à autoridade competente que a mesma fosse excluída do SIMPLES a partir de 01/01/2006 (fls. 01/02). Através do Ato Declaratório Executivo DRFB/FNS n” 65, de 14/11/2008 (fls. 238) a empresa foi formalmente excluída do SIMPLES, devendo, a partir de 01/01/2006, submeterse a outra forma de tributação de seus lucros e de recolhimento de tributos e contribuições federais. 6 DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Durante o procedimento de auditoria obtevese a informação de que o real gestor dos negócios da empresa seria o Sr. Norberto Koch Mendes. Fl. 593DF CARF MF Processo nº 11516.007788/200857 Acórdão n.º 1301003.764 S1C3T1 Fl. 594 5 A análise das procurações encaminhadas pelas instituições bancárias (fls. 54/57 e 143/146) confirma que os sócios da empresa delegam plenos poderes ao Sr. Norberto Koch Mendes, CPF 551.485.30987, para administração financeira dos negócios da empresa. Sendo assim, foi lavrado Termo de Sujeição Passiva Solidária, anexo ao presente Termo, onde são narrados os fatos que conduziram ao entendimento de que o Sr. Norberto Koch Mendes era pessoa interessada nos atos negociais da empresa, e. era quem praticava esses atos negocíais em nome da fiscalizada, embora seu nome não constasse de seu quadro societário. Diante do exposto no Termo de Sujeição Passiva Solidária, restou caracterizada a sujeição passiva solidária do Sr. Norberto Koch Mendes, nos termos do artigo 124 da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). 7 DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS De acordo com o estabelecido nos artigos 1° e 2º da Lei n” 8.137/90, que define os crimes contra a Ordem Tributária, e com base na obrigação funcional de Servidor Público Federal, constituise, em junção do ilícito descrito no presente item, Representação Fiscal, através do processo administrativo 11516. 007789/200800. Este ficará apenso ao processo n” 11516. 007788/2008 57 até que ocorra o seu desfecho no esfera administrativa. À f. 238, consta o Ato Declaratório Executivo DRF/FNS n° 65, de 14 de novembro de 2008, em que a autoridade competente declara a empresa excluída do Simples a partir de 1° de janeiro de 2006, em razão da apuração de excesso de receita bruta no ano de 2005. Da impugnação e da manifestação de inconformidade Intimada da autuação em 05/12/2008, a empresa autuada apresentou a impugnação e manifestação de inconformidade de f. 305 a 335, em 05/01/2009, na qual apresenta, em síntese, os seguintes argumentos: Da quebra do sigilo bancário ao arrepio da Constituição A Constituição exige para a quebra do sigilo bancário ordem judicial, nos termos do art. 5°, incisos X e XI. Assim, os procedimentos efetuados pela autoridade fiscal no sentido de obter os extratos bancários diretamente com as instituições financeiras esbarra nos referidos limites. Da ausência de ato ou formalidade essencial descumprimento do art. 4°, parágrafo 5°. do Decreto n° 3.724/2001 O Decreto n° 3.724/2001, no art. 4°, parágrafo 5°, prevê a necessidade do “relatório circunstanciado” que será elaborado pelo AuditorFiscal para embasar a expedição da Requisição de Informações sobre a Movimentação Financeira; Fl. 594DF CARF MF Processo nº 11516.007788/200857 Acórdão n.º 1301003.764 S1C3T1 Fl. 595 6 A fiscalização não observou o requisito 'previsto para a requisição do RMF. Não existindo o referido “relatório circunstanciado”, pressuposto para expedição do O RMF, não foram preenchidas as exigências que dão suporte à utilização das informações bancárias para justificar o auto de infração, ferindo o parágrafo único, do art. 142 do CTN; Ora, nesse relatório deveria constar a justificativa para o acesso do fisco aos dados bancários do contribuinte (fundamento fático), bem como a indicação do embasamento legal do requerimento (fundamento legal). Ao cidadão não poderá ser negado o direito de controlar a legalidade dos atos administrativos que lhe afetam diretamente. Portanto, não há como afastar a necessidade da presença do relatório nos autos do processo administrativo, sob pena de cerceamento de defesa. É este o entendimento do Auditorfiscal da Receita Federal, Dr. Mauro Silva, emitido em artigo publicado na Revista Dialética de Direito Tributário, cuja cópia integral segue anexa; Sobre a ausência de relatório circunstanciado que justifique a expedição do RMF, já decidiu a 1” Câmara do 1° Conselho de Contribuintes no acórdão n° 10196.355, julgado em 17/10/2007, por unanimidade de votos: PRELIMINAR REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA A AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PREVIA AO CONTRIBUINTE PARA COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS E DO RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO NULIDADE DA PROVA é requisito fundamental para a emissão de Requisição de Movimentação Financeira RMF a negativo de entrega dos documentos pela pessoa jurídica regularmente intimada para tanto, bem como o relatório circunstanciado, elaborado pelo AuditorFiscal da Receita Federal encarregado da execução do MPF ou por seu chefe imediato. com a motivação da proposta de expedição da RMF. que demonstre. com precisão e clareza, tratarse de situação enquadrada em hipótese de indispensabilidade das informações requeridas. Tendo o sujeito passivo entregue parte dos extratos bancários, caberia a sua reintimação para a apresentação dos documentos faltantes. A ausência a essa reintimação é que configuraria a recusa necessária para a emissão do RMF. Da ausência de demonstração dos requisitos fundamentação fática e legal do ato administrativo (motivação) ~ para expedição do RMF Todas as requisições de informações às instituições financeiras foram baseadas na Lei Complementar n° 105/2001; Para a quebra do sigilo bancário sem manifestação do Judiciário foram impostas condições objetivas para minimizar a invasão de privacidade. Tais requisitos estão dispostos de forma clara no Decreto n° 3724/2001, publicado no mesmo dia da Lei Complementar n° 105/2001; Fl. 595DF CARF MF Processo nº 11516.007788/200857 Acórdão n.º 1301003.764 S1C3T1 Fl. 596 7 Somente se a situação do contribuinte sob fiscalização enquadrarse em uma das hipóteses previstas no art. 3° do Decreto n° 3724/2001, seria possível a quebra do sigilo bancário; O cotejo do fundamento fático e do fundamento legal deveria constar do “relatório circunstanciado”, nos termos do art. 4°, § 6°, do Decreto n° 3.724/2001. Entretanto, conforme já relatado, não faz pane do presente processo o referido documento o que limita em muito a defesa do contribuinte. Deste modo, deve ser invalidada a expedição do RMF sem apresentação das justificativas cabíveis ao ato vinculado. Da ausência de forma do ato determinada pela Portaria SRF n° 180. de 01/02/2001 anexo I. A Portaria SRF n° 180/2001 estabelece a necessidade de um documento (forma exigida) prévio à expedição do RMF, nos termos do parágrafo 1° do art. 5°, in verbis: Art. 5º 1ncumbe ao AuditorFiscal da Receita Federal (AFRF). responsável pela execução do procedimento de fiscalização em curso, solicitar a expedição da RMF. § 1° A solicitação de que trata este artigo será apresentada conforme modelo constante do Anexo 1 e conterá. obrigatoriamente: 1 a identificação: a) do sujeito passivo submetido a procedimento de /iscalização; b) do MPF F a que se vincular e da respectiva data de expedição; c) da hipótese de indispensabilidade, que motivou a expedição da RMF;d) da instituição financeira, ou equiparado, destinatário da RMF, bem assim das informações requisitadas, forma de apresentação e prazo para atendimento; ll relatório circunstanciado contendo, no mínimo: a) descrição, com precisão e clareza, dos fatos que motivaram 0 enquadramento na hipótese de indispensabilidade; b) demonstração da razoabilidade da solicitação; c) identificação das intimações efetuadas ao sujeito passivo, para fins de obtenção das informações sobre movimentação financeira, bem assim, se for o caso, dos correspondentes atendimentos: III nome e matricula do AFRF responsável pela execução do MPF F; IV aprovação do Chefe de Equipe de Fiscalização ou da chefia imediata. Fl. 596DF CARF MF Processo nº 11516.007788/200857 Acórdão n.º 1301003.764 S1C3T1 Fl. 597 8 A Portaria trouxe no anexo I 0 modelo a ser seguido para que, somente depois, fosse expedido o RMF. Ausente tal . documento no formato definido, restou descumprida determinação legal as quais estão vinculados tanto o agente fiscal (CTN, art. 142, § único), como a cobrança do tributo (CTN, art. 3°). Do excesso de tributação Conforme se denota da planilha de folha 237, a fiscalização fixou os seguintes critérios para a apuração do montante do tributo no ano de 2005: equiparação dos ingressos à receita total; dedução do valor já oferecido a tributação; e, apuração do saldo objeto do presente lançamento; Ao analisar a planilha de folha 237, parcialmente transcrita em seguida, e' possível identificar os diversos critérios mencionados. Apesar de a fiscalização ter utilizado os ingressos nas contas correntes como receita total para 10 (dez) meses, esta conduta foi alterada para os meses de julho e agosto, conforme segue: O levantamento fiscal não possui coerência. Assim, para continuidade da exigência e sob pena de nulidade da totalidade do lançamento, deve ser deduzido da base de cálculo apurada pela fiscalização os montantes oferecidos à tributação nos meses de julho e agosto de 2005 (R$ 40.108,52 e R$ 36.417,33). Semelhanças entre a presunção do art. 42 da Lei n° 9.430/9 e o saldo credor de caixa forma de apuração da omissão O art. 42 pode, para fins de forma de apuração do montante omitido, ser equiparado à figura do saldo credor de caixa na pessoa juridica. A presunção que fundamentou o presente processo parte da premissa de que o contribuinte possui, para aplicação, as receitas declaradas. Caso o valor da movimentação bancária supere as receitas, presumese haver omissão; Fl. 597DF CARF MF Processo nº 11516.007788/200857 Acórdão n.º 1301003.764 S1C3T1 Fl. 598 9 O caso do saldo credor é análogo. A empresa possui o valor em caixa constante na contabilidade e, se aplicar/pagar/transferir montante superior, presumese a existência de omissão de receita; Entretanto, havendo saldo credor em vários meses não se pode imputar a omissão de receita a cada estouro do caixa, pois este será recorrente no ano. Em todo o momento que houver uma entrada no caixa e o saldo voltar a ser devedor, um pagamento posterior implicará, novamente, no estouro de caixa, sem que haja uma nova receita omitida; Nesta situação, a esfera administrativa tem entendido por tributar o maior saldo credor no ano e desconsiderar os demais estouros, evitando assim a tributação; No presente caso, de acordo com as conclusões da fiscalização, o contribuinte não teria oferecido à tributação o valor de R$ 553.584,73 (f. 237) no mês de dez/05, sendo que nos demais meses houve apenas a circulação de pane deste mesmo montante; Assim, a tributação deve ser limitada à quantia movimentada no mês de dezembro de 2005, visto que é a maior do ano, sendo o restante das entradas decorrência destes montantes. Do aproveitamento dos rendimentos tidos como omitidos como origem das movimentações dos meses seguintes Alternativamente ao debatido no item anterior, o valor tributado no mês de janeiro deve servir para justificar a movimentação do mês seguinte e assim sucessivamente. Caso contrario estarseia afastando a justificativa baseada nos levantamento do próprio fiscal. Também é este o entendimento da 4” Câmara do l° Conselho de Contribuintes nos acórdãos n°s 10,419.454 e l0419.482, cuja ementa segue transcrita: IRPF DEPÓSITOS BANCÁRIOS LE1N", 9.430. DE 1996 COMPROVAÇÃO Estando as Pessoas Físicas desabrigados de escrituração. os recursos com origem comprovada bem como outros rendimentos já tributados, inclusive àqueles objetos da mesma acusação, servem para justificar os valores depositados posteriormente em contas bancárias, independentemente de coincidência de datas e valores. Assim, não tendo sido demonstrado pela fiscalização que os valores considerados como omissão de receita foram consumidos, estes devem servir de origem para as movimentações ocorridas nos meses seguintes, como tem decidido o Conselho de Contribuintes. Da obrigatória suspensão dos efeitos da exclusão de oficio do Simples Fl. 598DF CARF MF Processo nº 11516.007788/200857 Acórdão n.º 1301003.764 S1C3T1 Fl. 599 10 A exclusão de oficio do Simples, baseada em apuração de excesso de receita bruta, a qual está consubstanciada em presunção de omissão de receitas, cujo lançamento fiscal está sendo discutido administrativamente, deve aguardar a constituição definitiva dos créditos tributários correspondentes; Em função da intrínseca relação de dependência do presente lançamento com as questões atinentes à exclusão do Simples, o Ato Declaratório de exclusão deverá ter seus efeitos suspensos, ou alternativamente, ter sua análise obstada até o julgamento final das questões prejudiciais ao mérito. Da responsabilidade passiva solidária O “Termo de Sujeição Passiva Solidária” pretende equiparar 0 procurador da empresa, Sr. Norberto Koch Mendes, ao responsável solidário pelo crédito tributário constituído no presente processo, nos termos do art. 124 do CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o falo gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta beneficio de ordem. Sem indicar em qual dos dois incisos do artigo citado a fiscalização simplesmente decreta a “sujeição passiva tributária”. A simples ausência da fundamentação, tanto fática como de direito, já implica na nulidade de tal ato administrativo; Apesar do afirmado, não há nos autos qualquer comprovação da ciência do pretenso responsável tributário. Tal conhecimento é imprescindível para a validade da responsabilização e para facultar a ampla defesa ao “penalizado”; Assim, deve ser afastada a responsabilidade em virtude da inexistência de comprovação da ciência do responsável acerca do lançamento, como exige o art. 145 do CTN. Da ilegalidade de inserção dos juros previstos na Lei n° 8.981/95 e da taxa Selic Devido à falta de lei tributária (lei complementar) que crie e delimite a aplicação da taxa Selic para correção de créditos tributários, ferindo o disposto no art. 150, l, da Constituição Federal de 1988, configurandose numa majoração ilegal dos tributos, deve ser recalculado conforme preceitua o art; 161, § 1°, do Código Tributário Nacional, num patamar de 12% por ano. Da diligência para ciência do sujeito passivo solidário Fl. 599DF CARF MF Processo nº 11516.007788/200857 Acórdão n.º 1301003.764 S1C3T1 Fl. 600 11 Por conta da ausência de comprovação da ciência do sujeito passivo solidário, o processo foi encaminhado em diligência por esta Turma de Julgamento (f. 347), a repartição de origem, para que o interessado fosse devidamente cientificado do Termo de Sujeição Passiva Solidária e demais peças do processo e pudesse apresentar sua impugnação, no prazo legal. Da impugnação do responsabilizado solidariamente Devidamente cientificado em 18/08/2010 (f. 349), 0 interessado Norberto Koch Mendes apresentou, em 15/09/2010, impugnação ao Termo de Sujeição Passiva Solidária, na qual apresenta, em síntese, os seguintes argumentos: Da impossibilidade da autoridade julgadora suprir atos privativos da autoridade lançadora A constituição do crédito tributário é tarefa da autoridade lançadora; O Conselho de Contribuintes tem anulado acórdãos da 1ª Instância quando se depara com invasão de competência para lançamento fiscal, restrita aos Auditores Fiscais da Receita Federal, como se pode observar na seguinte ementa: IRPJ e CSLL Exs: 1994 e 1995 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AGRAVAMENTO DA EXIGÊNCIA. INOVAÇÃO NOS FUNDAMENTOS DA AUTUAÇÃO EM DECISÃO DE DELEGADO DE JULGAMENTO. LANÇAMENTO REALIZADO POR AUTORIDADE INCOMPETENTE. NULIDADE Nulo é o agravamento da exigência. promovido em decisão de primeiro grau mediante inovação nos fundamentos da autuação. porque falece competência do Delegado de Julgamento para lavratura do ata. O Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n° 30/2005, não prevê a conclusão da atividade de lançamento fiscal. Do decurso do prazo MPF Após expirado o prazo de validade do mandado, isto é, após cessada a competência dos fiscais para atuarem em nome da Receita, ocorreram atos típicos da fiscalização, dentre eles a constituição do credito tributário que se perfectibiliza com a ciência do sujeito passivo. Assim, não poderia ter sido dada continuidade à fiscalização posto que é um ato administrativo vinculado, isto é, deve observar estritamente o previsto na legislação, emitindose um novo MPF. Da decadência em relação ao período de janeiro a agosto de 2005 Sendo necessária a constituição do crédito contra o responsável, aplicase a este o limite temporal denominado Fl. 600DF CARF MF Processo nº 11516.007788/200857 Acórdão n.º 1301003.764 S1C3T1 Fl. 601 12 decadência. No caso em tela, o art. 150, parágrafo 1° estabelece o marco de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador para o lançamento. Tal prazo foi extrapolado em relação aos fatos geradores ocorridos antes de' 18/08/2005, vez que a ciência do sujeito passivo deuse em 18/08/2010 (Í1. 349). Da inexistência de interesse comum nos fatos geradores inexistência de sujeição passiva solidária A ausência de indicação expressa do fundamento legal no qual se embasa o ato administrativo é razão suficiente para sua nulidade. Contudo, tomando 'o contexto geral das vagas afirmações transcritas acima, passase a analisar a situação sob o enfoque do inciso I, do art. 124 do CTN, que prevê a responsabilidade solidária entre pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Mesmo porque para a aplicação do inciso II,, seria necessário designar a lei específica; O “interesse comum” vem sendo tratado pela doutrina especializada como a atuação conjunta dos sujeitos passivos na realização de um único fato gerador. Ensina Leandro Paulsen: Referese à hipótese de, eg., duas pessoas serem coproprietários de um imóvel rural. Responderão solidariamente pelo total do ITR respectivo. Ou seja, o raciocínio vale para quando mais de uma pessoa pode ser enquadrada como contribuinte pela ocorrência de uma situação de fato comum a ambas. O Sr. Norberto Koch Mendes e' procurador da empresa. Os poderes a ele outorgados pelo sóciogerente, Sr. Marcelo Koch Mendes, seu irmão, com a concordância da outra sócia, Sra. Elen Koch Mendes, sua mãe. As referidas procurações não retiram os poderes contratuais dos sócios, que, como se pode verificar nos próprios autos administrativos, praticam regularmente atos em nome da sociedade: ciência do Tenno de Início de Fiscalização (f. 03), outorga de procuração (f. 37 e 299), solicitações às instituições financeiras (f. 40, 41, 42, 43, 44 e 45) e etc.; A existência de pessoa alheia ao quadro societário nao é novidade no mundo empresarial e tampouco fere a lei ou o contrato social. Do mesmo modo, a capacidade de gestão não torna o administrador responsável solidário pelos débitos da pessoa jurídica. Se assim fosse, todos os sóciosgerentes estariam, automaticamente, sujeitos ao Termo de Sujeição Passiva Solidária, quando da lavratura de auto de infração contra suas empresas. Para a caracterização da solidariedade, o art. 124, inciso I, do CTN exige a demonstração de interesse comum no fato gerador, o que não decorre da simples competência de gestão da empresa; Responsabilidade, se houvesse, no caso de atuação em desacordo com o contrato social, seria aquele do artigo 135, inciso III, do CTN, de caráter subsidiário. O CTN prevê que a atuação de administradores de bens alheios em desacordo com o Fl. 601DF CARF MF Processo nº 11516.007788/200857 Acórdão n.º 1301003.764 S1C3T1 Fl. 602 13 mandato, atrai a responsabilidade tributária pelos tributos devidos pelos representados. A diferença de situações é gritante. Enquanto o art. 124 coloca o responsável solidário como verdadeiro sujeito passivo da obrigação, por participar diretamente na realização do fato gerador, o art. 135 regula 0 caso específico de responsabilidade decorrente de abuso de poder ou omissão. Na seqüência, foi proferido o acórdão recorrido, com o seguinte ementário: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Nesta presunção legal, os depósitos bancários sem origem comprovada são considerados de forma individualizada e independente, competindo ao contribuinte esclarecer se, eventualmente, correspondem ao mesmo recurso, ou se existe outra relação entre eles. ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. SUSPENSÃO DOS EFEITOS. HIPÓTESE. Quando as exigências de crédito tributário relativo a infrações apuradas no Simples tiverem dado origem à exclusão do sujeito passivo dessa forma de pagamento simplificada, a exclusão do Simples e o lançamento de oficio de crédito tributário dela decorrente serão objeto de um único processo administrativo. Nesta situação, o recurso eventualmente interposto contra O mérito de qualquer um destes atos tem o condão de suspender os efeitos de ambos os atos, ante o vínculo de dependência. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 SIGILO BANCÁRIO. ACESSO AS INFORMAÇÕES PELO FISCO. LEGITIMIDADE. Os agentes do fisco podem ter acesso a informações sobre a movimentação financeira dos contribuintes sem que isso se constitua violação ao sigilo bancário, eis que se trata de exceção expressamente prevista em lei. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. REQUISIÇÃO AS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. HIPÓTESE. Fl. 602DF CARF MF Processo nº 11516.007788/200857 Acórdão n.º 1301003.764 S1C3T1 Fl. 603 14 As informações referentes à movimentação bancária do contribuinte, podem ser obtidas pelo fisco junto às instituições financeiras, no âmbito de procedimento de fiscalização em curso, quando ocorrer embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos em que se assente a escrituração das atividades do sujeito passivo, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição do auxílio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA (RMF). AUSÊNCIA DO RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO. Constando do relatório fiscal e demais peças dos autos que a RMF foi emitida por agente competente e nas situações previstas na legislação, de forma a possibilitar ao contribuinte aferir a legalidade do procedimento administrativo, não há que se falar em nulidade do procedimento, ainda que não conste dos autos um relatório circunstanciando a hipótese que determinou a emissão da RMF. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. CIÊNCIA DO TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA APOS O PRAZO DE VALIDADE DO MPF. Valida é a ciência do Termo de Sujeição Passiva, ainda que feita após O prazo de validade do MPF, pois este ato não se inclui dentre os procedimentos de fiscalização sujeito ao prazo previsto no MPF. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTANCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Assunto: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. SÓCIO GERENTE DE FATO. Comprovado que o sujeito passivo solidário atuava, de fato, como sóciogerente da empresa, na qual se apurou a prática de infração de lei (reiterada omissão de receitas), que beneficiou tanto a empresa quanto O próprio sóciogerente de fato, deve o fisco vinculálos na condição de responsáveis solidários pelo crédito tributário resultante. Impugnação Improcedente e Crédito Tributário Mantido Fl. 603DF CARF MF Processo nº 11516.007788/200857 Acórdão n.º 1301003.764 S1C3T1 Fl. 604 15 Após sua regular intimação, a empresa autuada apresenta, tempestivamente, o respectivo Recurso Voluntário, pugnando pelo seu provimento, onde apresenta argumentos que serão posteriormente analisados. Colocado em pauta, o processo foi submetido a uma primeira apreciação por este Colegiado que, mediante a Resolução nº 1301000.604, resolveu converter o julgamento em diligência, para que fossem adotadas duas providências: i) intimar o Sr. Norberto Koch Mendes da decisão recorrida, inclusive com abertura de prazo recursal; ii) anexar aos autos cópia do relatório circunstanciado. Em atendimento a referida Resolução, a unidade de origem realizou duas tentativas frustradas de ciência postal, e, em seguida, procedeu com a ciência via Edital Eletrônico, publicado em 26/10/2018, cuja ciência ocorreu em 12/11/2018. Transcorrido o prazo recursal de 30 dias, não houve apresentação de recurso voluntário pelo sujeito passivo solidário Sr. Norberto Koch Mendes. Tudo em conformidade com o documento de fls. 581/587. Quanto ao relatório circunstanciado, a unidade de origem fez acostar aos autos "Informação Fiscal" (fls. 562/564), noticiando que o referido relatório não foi localizado (item 4). Concluída a diligência solicitada, foi dado ciência do seu resultado à empresa interessada e ao sujeito passivo solidário (fl. 565 a 569), sendo que apenas a empresa se manifestou. Por conseqüência, carreou aos autos o documento de fls. 572 a 577. É o relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator O recurso apresentado pela empresa autuada é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais de admissibilidade, portanto, dele conheço. Da Análise do Recurso Voluntário O contribuinte é acusado de omissões de rendimentos caracterizados por extratos bancários, anocalendário de 2005, com aplicação de multa de 75%. Além disso, a partir da constatação de que a receita auferida pela empresa ultrapassou o limite legal permitido para o enquadramento na sistemática do SIMPLES, foi emitido o Ato Declaratório Executivo DRFB/FNS nº 65, de 14/11/208, excluindoo formalmente da citada sistemática, com efeitos a partir de 01/01/2006. E, ainda, foi lavrado o Termo de Sujeição Passiva Solidária contra o Sr. Norberto Koch Mendes. Em sede de recurso, a empresa autuada pugna pela nulidade do lançamento efetuado com base na movimentação bancária. Afirma que a fiscalização não trouxe aos autos documento denominado de "relatório circunstanciado", e que o Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou a Lei Complementar nº 105, prevê a necessidade do referido documento para embasar a expedição da Requisição de Movimentação Financeira RMF. Cita precedentes do CARF em favor de suas alegações. Fl. 604DF CARF MF Processo nº 11516.007788/200857 Acórdão n.º 1301003.764 S1C3T1 Fl. 605 16 Como visto, em oportunidade anterior, este Colegiado resolveu converter o julgamento em diligência, para determinar a juntada do mencionado "relatório circunstanciado", ao constatar que o lançamento foi embasado em extratos bancários, obtidos mediante Requisição de Movimentação Financeira (RMF), sob o entendimento de que sua análise de mostra necessária, para se aferir a regularidade da prova que fundamentou o lançamento. Com efeito, tal determinação guardou consonância com o entendimento do E. Supremo Tribunal Federal, firmado no julgamento da ADI 2.859DF, no sentido de ser imprescindível de que os atos que envolvam a obtenção de documentos e extratos bancários observem os ditames da Lei Complementar nº 105/2001 e Decreto nº 3.724/2001.1 Pois bem, efetuada a diligência, verificase que a autoridade responsável por sua confecção, através de documento denominado de "Relatório Fiscal", expressamente afirma que o aludido documento não foi localizado, o que compromete, a meu ver, a validade do lançamento fiscal em análise. Isso porque, embora seja possível o repasse de informações ao Fisco por instituições financeiras, inclusive fornecimento de extratos de movimentação bancária, não há como negar que este repasse vinculase aos procedimentos previstos em lei, de forma a evitar abusos, bem como seja preservada a segurança jurídica e a transparência do processo fiscal. Com efeito, de acordo com o art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, as autoridades e os agentes fiscais tributários da União somente podem examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, acaso cumpridos dois requisitos, quais sejam: i) a existência de processo administrativo ou procedimento fiscal em curso e; ii) a indispensabilidade do exame de prova ou documento para a investigação fiscal: Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Quanto à primeira das condições, inexiste controvérsia, eis que contra a recorrente foi instaurado, de forma regular, procedimento fiscal. No que toca à indispensabilidade do exame das informações, o Decreto nº 3.724, de 2001, que regulamenta o art. 6º acima mencionado, relacionou objetivamente as hipóteses em que os exames são considerados indispensáveis. Ou seja, o seu art. 3º determina taxativamente todas as situações nas quais as informações serão consideradas indispensáveis, in verbis: 1 No referido julgamento , além de declarar a constitucionalidade do acesso direto pelo Fisco à movimentação financeira do contribuinte, a Suprema Corte fez expressa referência na ementa do acórdão ao Decreto nº 3.724, para consignar que Estados e Municípios só poderiam ter acesso direto àquelas informações, quando a matéria estivesse devidamente regulamentada, por eles, de maneira análoga à do Decreto nº 3.724. Fl. 605DF CARF MF Processo nº 11516.007788/200857 Acórdão n.º 1301003.764 S1C3T1 Fl. 606 17 Art. 3º Os exames referidos no § 5o do art. 2o somente serão considerados indispensáveis nas seguintes hipóteses: (Redação dada pelo Decreto nº 6.104, de 2007). I subavaliação de valores de operação, inclusive de comércio exterior, de aquisição ou alienação de bens ou direitos, tendo por base os correspondentes valores de mercado; IIobtenção de empréstimos de pessoas jurídicas não financeiras ou de pessoas físicas, quando o sujeito passivo deixar de comprovar o efetivo recebimento dos recursos; IIIprática de qualquer operação com pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada em país enquadrado nas condições estabelecidas no art. 24 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996; IVomissão de rendimentos ou ganhos líquidos, decorrentes de aplicações financeiras de renda fixa ou variável; Vrealização de gastos ou investimentos em valor superior à renda disponível; VIremessa, a qualquer título, para o exterior, por intermédio de conta de não residente, de valores incompatíveis com as disponibilidades declaradas; VIIprevistas no art. 33 da Lei no 9.430, de 1996; VIIIpessoa jurídica enquadrada, no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), nas seguintes situações cadastrais: a) cancelada; b)inapta, nos casos previstos no art. 81 da Lei no 9.430, de 1996; IXpessoa física sem inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou com inscrição cancelada; Xnegativa, pelo titular de direito da conta, da titularidade de fato ou da responsabilidade pela movimentação financeira; XIpresença de indício de que o titular de direito é interposta pessoa do titular de fato. §1oNão se aplica o disposto nos incisos I a VI, quando as diferenças apuradas não excedam a dez por cento dos valores de mercado ou declarados, conforme o caso. §2 Considerase indício de interposição de pessoa, para os fins do inciso XI deste artigo, quando: Ias informações disponíveis, relativas ao sujeito passivo, indicarem movimentação financeira superior a dez vezes a renda disponível declarada ou, na ausência de Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda, o montante anual da movimentação Fl. 606DF CARF MF Processo nº 11516.007788/200857 Acórdão n.º 1301003.764 S1C3T1 Fl. 607 18 for superior ao estabelecido no inciso II do § 3o do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996; IIa ficha cadastral do sujeito passivo, na instituição financeira, ou equiparada, contenha: a) informações falsas quanto a endereço, rendimentos ou patrimônio; ou b) rendimento inferior a dez por cento do montante anual da movimentação. Aqui entra a questão da necessidade de relatório circunstanciado. O artigo 4º do Decreto, em especial seus §§5º e 6º, impõe a necessidade de sua emissão, nos termos seguintes: Art. 4º Poderão requisitar as informações referidas no §5º do art. 2º as autoridades competentes para expedir o TDPF (...) §2º A RMF será precedida de intimação ao sujeito passivo para apresentação de informações sobre movimentação financeira, necessárias à execução do procedimento fiscal. (...) §5º A RMF será expedida com base em relatório circunstanciado elaborado pelo AuditorFiscal da Receita Federal encarregado da execução do procedimento fiscal ou pela chefia imediata. §6º No relatório referido no parágrafo anterior, deverá constar a motivação da proposta de expedição da RMF, que demonstre, com precisão e clareza, tratarse de situação enquadrada em hipótese de indispensabilidade prevista no artigo anterior, observado o princípio da razoabilidade (G.N) Notese que o §6º determina a necessidade de demonstrar que o RMF se trata de medida indispensável à realização da fiscalização. Indispensabilidade essa que, nos termos do próprio §6º, deve ser aferida pelas situações descritas no artigo 3º, do mesmo Decreto, observado o princípio da razoabilidade. Nesse passo, a ausência do referido "relatório circunstanciado" acerca do procedimento de obtenção dos extratos bancários pelo Fisco, impede a verificação do cumprimento dos requisitos elencados acima. Embora a fiscalização afirme, quando da diligência, que a solicitação de extratos de movimentação bancária do contribuinte foi realizada em conformidade com a legislação de regência, nos termos do inciso VII do art. 3º do Decreto nº 3.724/2001 (fl. 562/564), ainda assim, não há como, a partir de suas afirmações, atribuir o condão de legalidade na produção das provas. Primeiro, porque não há como aceitar que considerações produzidas hoje pelo agente fiscal em resposta à Resolução nº 1301000.604 possua efeito retroativo para validar prévia expedição de RMF. Ou os motivos de fato e direito existem ou não. Existindoos, Fl. 607DF CARF MF Processo nº 11516.007788/200857 Acórdão n.º 1301003.764 S1C3T1 Fl. 608 19 deveriam ser encontrados no "relatório circunstanciado" em questão, sob pena de grave cerceamento de defesa do contribuinte. Segundo, ainda que se aceitasse o motivo mencionado, não há como aceitar de que teria ocorrido in casu embaraço à fiscalização, pois uma simples conduta de não apresentar extratos bancários, penso, não configura embaraço e muito menos autoriza o acesso a movimentação financeira do contribuinte por meio de requisição às instituições bancárias. Com efeito, a recorrente foi intimada a apresentar os extratos bancários, e não os fez, por entender que estas informações estariam protegidas pelo sigilo bancário. Nada mais há nos autos capaz de refletir condutas que justifiquem o enquadramento da pessoa jurídica na hipótese estampada no inciso I do art. 33 da Lei nº 9.430, de 1996, ou até mesmo em qualquer das outras hipóteses ali discriminadas. Por outro lado, com a devida vênia, entendo extremamente frágil sustentar que a mera não apresentação dos extratos bancários pelo contribuinte seria suficiente para expedir a RMF e possibilitar ao Fisco o acesso direto dos extratos junto às instituições financeiras. Se assim não fosse, não haveria necessidade de o artigo 3º do Decreto nº 3.724, de 2001, relacionar 11 hipóteses autorizadoras de acesso direto aos extratos bancários do contribuinte, bastando apenas uma: intimar o contribuinte para que apresentasse os aludidos extratos e, uma vez não apresentados, expedir a RMF. Tal raciocínio, com a devida vênia, pareceme ser uma interpretação abusiva e extensiva, além de não razoável, de dispositivos que devem ser interpretados restritivamente Ressaltese a importância de ter sido editado o Decreto nº 3.724, de 2001 para a hipótese de quebra de sigilo bancário do contribuinte; sua existência é tão relevante, que o próprio Supremo Tribunal Federal, ao julgar a ADI 2.859DF, e declarar constitucional o direito do Fisco à movimentação financeira do contribuinte, fez expressa referência, na ementa do acórdão, que as autoridades fiscais dos Estados e Municípios somente poderão acessar diretamente estas informações, quando os respectivos poderes executivos editarem regulamentos semelhantes ao citado Decreto federal. Por fim, registrese que este entendimento não é inédito no âmbito do CARF, sendo ele adotado, a título de exemplo, em dois julgados. Primeiro, acórdão 1301002.986, de relatoria do Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto: O outro ponto trazido pela recorrente a respeito da suposta nulidade da RMF seria a violação decorrente do não enquadramento nas hipóteses legais previstas no art. 33 da Lei nº 9.430, de 1996. Pois bem, a respeito do tema, assim dispõe a Lei Complementar nº 105, de 2001: Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições Fl. 608DF CARF MF Processo nº 11516.007788/200857 Acórdão n.º 1301003.764 S1C3T1 Fl. 609 20 financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Ato contínuo, o Poder Executivo editou o Decreto nº 3.724, de 2001 para regulamentar o art. 6º da LC nº 105, de 2001, relativamente à requisição, acesso e uso, pela Secretaria da Receita Federal, de informações referent es a operações e serviços das instituições financeiras e das entidades a elas equiparadas. É importante ressaltar o disposto no § 5º do art. 2º do Decreto nº 3.724, de 2001: Art. 2º [...] § 5o A RFB, por intermédio de servidor ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, somente poderá examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. Conforme se observa, e em sintonia com o disposto no art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, para que o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil possa examinar informações de terceiros contidas nos registros das instituições financeiras fazse necessário ter procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis. Em seu artigo 3º o Decreto em questão listou em quais hipóteses os exames serão considerados indispensáveis. Vejase sua redação à época da realização do procedimento fiscal: Art. 3o (...) Conforme se observa, somente nessas 11 hipóteses é que a autoridade fiscal poderia requisitar às instituições financeiras as informações do contribuinte sob procedimento fiscal. Tratase de norma que deve ser interpretada restritivamente, uma vez que se trata de informações protegidas pelo sigilo de dados e, em se tratando de pessoas físicas, que podem inclusive violar a intimidade do sujeito passivo, sendo que o sigilo bancário a que as instituições estão obrigadas, uma vez repassadas as informações ao Fisco, convolase em sigilo fiscal. No art. 4º do Decreto nº 3.724, de 2001, determinase que antes da emissão da RMF o contribuinte deve ser previamente intimado a apresentar as informações sobre sua movimentação financeira: Fl. 609DF CARF MF Processo nº 11516.007788/200857 Acórdão n.º 1301003.764 S1C3T1 Fl. 610 21 Art. 4o Poderão requisitar as informações referidas no § 5o do art. 2o as autoridades competentes para expedir o MPF § 1o A requisição referida neste artigo será formalizada mediante documento denominado Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) e será dirigida, conforme o caso, ao: [...] § 2o A RMF será precedida de intimação ao sujeito passivo para apresentação de informações sobre movimentação financeira, necessárias à execução do MPF. § 3o O sujeito passivo responde pela veracidade e integridade das informações prestadas, observada a legislação penal aplicável. [...] § 5º A RMF será expedida com base em relatório circunstanciado, elaborado pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil encarregado da execução do procedimento fiscal ou pela chefia imediata. § 6o No relatório referido no parágrafo anterior, deverá constar a motivação da proposta de expedição da RMF, que demonstre, com precisão e clareza, tratarse de situação enquadrada em hipótese de indispensabilidade prevista no artigo anterior, observado o princípio da razoabilidade. [...] § 8º A expedição da RMF presume indispensabilidade das informações requisitadas, nos termos deste Decreto. Pois bem, conforme se observa, para que a autoridade fiscal possa requerer informações de determinado contribuinte diretamente às instituições financeiras este deve estar sob procedimento fiscal, o exame deverá ser considerado indispensável, enquadrandose o caso concreto em uma das 11 hipóteses contidas no art. 3º do Decreto nº 3.724/2001 e o contribuinte deve ter sido previamente intimado a apresentar tais informações e assim não tenha procedido. Além disso, a emissão da RMF deverá se basear em relatório circunstanciado elaborado pela autoridade fiscal, no qual se demonstre tratarse de situação enquadrada em hipótese de indispensabilidade (observado o princípio da razoabilidade), nos termos dos §§ 5º e 6º do art. 4º do Decreto nº 3.724/2001. Convém ainda ressaltar que o disposto no § 8º do art. 4º do Decreto nº 3.724/2001, no que diz respeito à presunção de indispensabilidade das informações requisitadas em RMF, é dirigida à instituição financeira requerida, a fim de que não se abrisse a terceiros a possibilidade de se questionar a legalidade da requisição efetuada pela autoridade fiscal. Fl. 610DF CARF MF Processo nº 11516.007788/200857 Acórdão n.º 1301003.764 S1C3T1 Fl. 611 22 Obviamente tal restrição não se aplicaria ao contribuinte sob procedimento fiscal, uma vez que tal interpretação implicaria franco e evidente cerceamento ao exercício de seu direito à ampla defesa. No caso concreto, a autoridade fiscal fundamentou a emissão da RMF com base no inciso VII do art. 3º do Decreto nº 3.724/2001 (hipóteses previstas no art. 33 da Lei no 9.430, de 1996). Vejase excerto da RMF, incluindo o relatório circunstanciado a que se refere o § 5º do art. 4º do Decreto nº 3.724/2001 (fls. 434, e 438439): (...) Pois bem, conforme bem argumentado pela recorrente, a autoridade fiscal não indicou em qual hipótese prevista no art. 33 da Lei nº 9.430, de 1996, teria se enquadrado o caso concreto. Entendo que, por si só, essa falta de indicação não seria suficiente para caracterizar vício na emissão da RMF, desde que se possa extrair do relatório fundamentado em que se baseia a RMF ao menos um fato que se enquadre nas hipóteses previstas no art. 33 da Lei nº 9.430, de 1996. Analisando o sucinto relatório (fls. 438439), entendo que o fato ali contido que pode ser enquadrado nas hipóteses elencadas no art. 33 da Lei nº 9.430, de 1996, é a não apresentação, por parte do contribuinte, dos extratos e documentos bancários requeridos pela autoridade fiscal em sua intimação. Vejase a redação dessa hipótese, prevista no inciso I do art. 33 da Lei nº 9.430/96: I embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos em que se assente a escrituração das atividades do sujeito passivo, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição do auxílio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966; Pois bem, em sua defesa, aduz a recorrente que a não apresentação dos documentos se deu porque o rol de elementos solicitados pelo Fisco não estavam à sua disposição. A meu ver, independentemente disso, entendo extremamente frágil a interpretação dada pela autoridade fiscal de que a mera não apresentação dos extratos e documentos bancários por parte do fiscalizado seja suficiente para se expedir a RMF e possibilitar ao Fisco o acesso direto dessas informações junto às instituições financeiras. Se assim fosse, não haveria necessidade de o art. 3º do Decreto nº 3.724, de 2001, listar 11 hipóteses para que o sigilo bancário do contribuinte pudesse ser transferido ao Fisco. Bastaria uma: Fl. 611DF CARF MF Processo nº 11516.007788/200857 Acórdão n.º 1301003.764 S1C3T1 Fl. 612 23 intimar o contribuinte e esse não apresentar os documentos solicitados. Ora, tal raciocínio, com a devida vênia, pareceme ser uma interpretação abusiva e extensiva, além de não razoável, de dispositivos que devem ser interpretados restritivamente. (...) Por consequência, entendo que o lançamento encontrase maculado por um vício insanável, implicando o cancelamento integral da exigência. Segundo, acórdão 1302000.489, da relatoria do Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães: Trata a lide de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e reflexos, relativas ao anocalendário de 2003, formalizadas em decorrência da apuração de omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Em sede de recurso voluntário, a contribuinte sustenta, entre outras alegações, a nulidade do lançamento efetivado com base na movimentação bancária. Afirma que a decisão recorrida não demonstrou, em momento algum, quais foram os fundamentos utilizados pelo Fisco para que fosse expedida a requisição de movimentação financeira, tendo havido, assim, explícita violação às normas que disciplinam a matéria. Em virtude de tal argumentação, este Colegiado decidiu pela conversão do julgamento me diligência para que fosse carreado aos autos o RELATÓRIO que serviu de suporte para a expedição da Requisição de Movimentação Financeira. Em atendimento, a Delegacia da Receita Federal em Florianópolis juntou o documento de fls. 364. Analisandose o referido documento, constatase que a Solicitação de Emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira teve por base as hipóteses previstas no art. 33 da Lei nº. 9.430, de 1996. Para dar sustentação à referida fundamentação, a autoridade solicitante consignou: A empresa, após regularmente intimada, não disponibilizou os extratos bancários, sendo que sua movimentação bancária difere significativamente das receitas declaradas. O artigo 6º da Lei Complementar nº. 105, de 2001, que autoriza as autoridades e os agentes fiscais tributários da União examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a conta de depósitos e aplicações financeiras, estabelece as seguintes condições: a) existência de processo administrativo ou procedimento fiscal em curso; e b) indispensabilidade do exame. Fl. 612DF CARF MF Processo nº 11516.007788/200857 Acórdão n.º 1301003.764 S1C3T1 Fl. 613 24 No que tange à primeira das condições, inexiste controvérsia, eis que contra a Recorrente foi instaurado, de forma regular, procedimento fiscal. Quanto à segunda, o Decreto nº. 3.724, de 2001, regulamentando o art. 6º acima referenciado, estabeleceu as hipóteses em que os exames são considerados indispensáveis. Entre tais hipóteses, sem dúvida, há a que foi apontada pela autoridade fiscal (as previstas no art. 33 da Lei nº. 9.430, de 1996). Contudo, apesar de indicar as hipóteses do art. 33 em comento como fundamento para requisitar as informações bancárias, a referida autoridade, em relatório por demais econômico, simplesmente afirma que a contribuinte não disponibilizou os extratos e que a sua movimentação bancária difere significativamente das receitas declaradas. O artigo 33 da Lei nº. 9.430, de 1996, que trata do regime especial para cumprimento de obrigações pelo sujeito passivo, elenca as seguintes hipóteses: I embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos em que se assente a escrituração das atividades do sujeito passivo, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição do auxílio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966; II resistência à fiscalização, caracterizada pela negativa de acesso ao estabelecimento, ao domicílio fiscal ou a qualquer outro local onde se desenvolvam as atividades do sujeito passivo, ou se encontrem bens de sua posse ou propriedade; III evidências de que a pessoa jurídica esteja constituída por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionistas, ou o titular, no caso de firma individual; IV realização de operações sujeitas à incidência tributária, sem a devida inscrição no cadastro de contribuintes apropriado; V prática reiterada de infração da legislação tributária; VI comercialização de mercadorias com evidências de contrabando ou descaminho; VII incidência em conduta que enseje representação criminal, nos termos da legislação que rege os crimes contra a ordem tributária. Desconsiderada a hipótese de que a requisição da movimentação bancária da Recorrente tenha sido feita em razão da divergência com os valores declarados, vez que, nesse caso, a fundamentação deveria ser com base no inciso XI do art. 3º do Decreto nº. 3.724, a única situação que tangencia os motivos Fl. 613DF CARF MF Processo nº 11516.007788/200857 Acórdão n.º 1301003.764 S1C3T1 Fl. 614 25 descritos pela autoridade fiscal é a estampada no item I acima (EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO). Nessa linha, o embaraço estaria caracterizado pela não fornecimento de informações sobre movimentação financeira. Se foi essa a direção adotada pelo agente fiscal, creio que o relatório de fls. 364 deveria ter reunido elementos capazes de caracterizar o embaraço à fiscalização, pois, considerada um interpretação sistemática da legislação, a simples ausência de apresentação de extratos bancários não autoriza o acesso à movimentação financeira do contribuinte por meio de requisição às instituições bancárias. Observese que, se assim fosse, todas as demais hipóteses previstas no art. 3º do Decreto nº. 3.724/2001 tornarseiam dispensáveis, visto que bastaria intimar o contribuinte a apresentar os documentos bancários e, uma vez não tendo sido apresentada resposta satisfatória, expedir a competente requisição aos estabelecimentos bancários. A meu ver, resta fora de dúvida que o embaraço à fiscalização fica configurado a partir de condutas que, não obstante isoladamente pouco possam significar, no seu conjunto deixam clara a intenção do contribuinte de obstaculizar o prosseguimento da ação fiscalizadora. Nessas circunstâncias, deve a autoridade fiscal, com o intuito de robustecer a acusação (de embaraço), colacionar aos autos elementos capazes de demonstrar tal intenção. No caso vertente, entretanto, não identifico nos autos tais elementos. Com efeito, a Recorrente foi intimada a apresentar os extratos bancários (fls. 04) e, afirmando estar com as atividades paralisadas, esclareceu que havia solicitado aos estabelecimentos bancários os citados documentos. Posteriormente, foi intimada a comprovar a origem dos valores ingressados em suas contas bancárias (fls. 142), vez que a Fiscalização, por meio de requisição de movimentação, obteve os extratos correspondentes. Nada mais consta no processo capaz de refletir condutas que justifiquem o enquadramento da pessoa jurídica na hipótese estampada no inciso I do art. 33 da Lei nº. 9.430, de 1996, ou em qualquer das outras hipóteses ali discriminadas. [...] Nessas circunstâncias, sou pela exoneração do sujeito passivo relativamente à matéria tributável apurada com base nos depósitos bancários, conforme indicação abaixo. [...] Fl. 614DF CARF MF Processo nº 11516.007788/200857 Acórdão n.º 1301003.764 S1C3T1 Fl. 615 26 Destaco que, no caso, não há que se falar em nulidade in totum dos feitos fiscais, eis que a inobservância das exigências legais por parte da autoridade fiscal contaminou, apenas, a parcela do crédito tributário constituído com suporte nos extratos bancários. Por essas razões, impõese reconhecer que a prova produzida pela fiscalização para embasar o lançamento, qual seja, extratos bancários, se deu de forma ilícita, em razão da irregularidade mencionada quando da expedição do RMF. Por conseguinte, inexistindo outras provas que possam dar suporte ao lançamento, devese reconhecer a improcedência dos autos de infração em tela, por ausência de provas. Quanto ao Ato Declaratório Executivo DRFB/FNS nº 65, de 14/11/2008, também não há como prosperar seus efeitos, posto que se apoia nos mesmos extratos bancários. Sem os extratos, os motivos que foram determinantes para a exclusão do contribuinte desaparecem, pois não há nos autos outros documentos que respaldam a conclusão fiscal de excluílo da sistemática do SIMPLES., devendo ser anulado o referido Ato. Conclusão Do exposto, acolho a preliminar de nulidade na obtenção dos extratos bancários e, em razão da ausência de provas, voto por dar provimento ao recurso voluntário para : i) cancelar integralmente a exigência do crédito tributário; ii) anular o Ato Declaratório Executivo DRFB/FNS nº 65, de 14/11/2008, que excluiu o contribuinte do SIMPLES. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 615DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10242.720009/2015-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2010
CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. REGIME MONOFÁSICO. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. DIREITO A CRÉDITO. FRETE. REVENDA. VAREJISTA. POSSIBILIDADE.
O artigo 3º, inciso I das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante o direito ao crédito correspondente aos produtos adquiridos para revenda, mas excetua textualmente o direito ao crédito da aquisição de combustíveis, os quais são tributados pela Contribuições pelo regime monofásico (artigo 3º, inciso I, alínea "b"). Tal exceção, contudo, não invalida o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do combustível para revenda, que compõe o custo de aquisição do produto (art. 289, §1º do RIR/99). Isto porque o frete é uma operação autônoma em relação à aquisição do combustível, paga à transportadora, na sistemática de incidência da não-cumulatividade. Sendo os regimes de incidência distintos, do produto (combustível) e do frete (transporte), permanece o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do combustível para revenda.
CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO. BENS DE PEQUENO VALOR OU DE VIDA ÚTIL INFERIOR A UM ANO. BENFEITORIAS.
Os materiais de construção adquiridos em grande quantidade (concreto, areia, ferragens, pisos, forros e revestimentos, materiais para instalações elétricas e hidráulicas) utilizados em construção, benfeitoria ou reforma, devem ser ativados, independentemente do custo unitário, tendo em vista a sua utilização conjunta e incorporação ao imóvel (artigo 79 e 81, inciso II do Código Civil). Dessarte, os dispêndios com materiais de construção, assim como se dá com as benfeitorias, somente geram direito de crédito da Contribuição ao PIS e COFINS na forma de depreciação.
CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. ALUGUÉIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS VINCULADOS A BENFEITORIAS.
Os dispêndios com aluguéis de máquinas e equipamentos destinados à realização de benfeitorias devem ser contabilizados no ativo imobilizado e, como tais, somente geram direito de crédito de PIS e Cofins na forma de depreciação.
MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. CARF.
A argumentação sobre o caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2
Numero da decisão: 3402-006.469
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para exonerar os valores correspondentes às glosas referentes aos gastos com frete na aquisição de combustíveis para revenda. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra que negavam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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REGIME MONOFÁSICO. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. DIREITO A CRÉDITO. FRETE. REVENDA. VAREJISTA. POSSIBILIDADE. O artigo 3º, inciso I das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante o direito ao crédito correspondente aos produtos adquiridos para revenda, mas excetua textualmente o direito ao crédito da aquisição de combustíveis, os quais são tributados pela Contribuições pelo regime monofásico (artigo 3º, inciso I, alínea "b"). Tal exceção, contudo, não invalida o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do combustível para revenda, que compõe o custo de aquisição do produto (art. 289, §1º do RIR/99). Isto porque o frete é uma operação autônoma em relação à aquisição do combustível, paga à transportadora, na sistemática de incidência da nãocumulatividade. Sendo os regimes de incidência distintos, do produto (combustível) e do frete (transporte), permanece o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do combustível para revenda. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO. BENS DE PEQUENO VALOR OU DE VIDA ÚTIL INFERIOR A UM ANO. BENFEITORIAS. Os materiais de construção adquiridos em grande quantidade (concreto, areia, ferragens, pisos, forros e revestimentos, materiais para instalações elétricas e hidráulicas) utilizados em construção, benfeitoria ou reforma, devem ser ativados, independentemente do custo unitário, tendo em vista a sua utilização conjunta e incorporação ao imóvel (artigo 79 e 81, inciso II do Código Civil). Dessarte, os dispêndios com materiais de construção, assim como se dá com as benfeitorias, somente geram direito de crédito da Contribuição ao PIS e COFINS na forma de depreciação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 2. 72 00 09 /2 01 5- 36 Fl. 575DF CARF MF 2 CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. ALUGUÉIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS VINCULADOS A BENFEITORIAS. Os dispêndios com aluguéis de máquinas e equipamentos destinados à realização de benfeitorias devem ser contabilizados no ativo imobilizado e, como tais, somente geram direito de crédito de PIS e Cofins na forma de depreciação. MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. CARF. A argumentação sobre o caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para exonerar os valores correspondentes às glosas referentes aos gastos com frete na aquisição de combustíveis para revenda. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra que negavam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Fortaleza, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela Contribuinte sobre a cobrança de Contribuição ao PIS e da COFINS. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, com riqueza de detalhes, colaciono o relatório do Acórdão recorrido in verbis: Contra o contribuinte retro identificado foram lavrados os autos de infração da Cofins (fls. 8/12) e do PIS (fls. 3/7), nos valores de respectivamente R$ 54.394,41 e R$ 11.809,04, já Fl. 576DF CARF MF Processo nº 10242.720009/201536 Acórdão n.º 3402006.469 S3C4T2 Fl. 334 3 incluídos multas e juros, totalizando na data do lançamento a importância de R$ 66.203,45. O procedimento de fiscalização teve por escopo a análise dos créditos decorrentes da não cumulatividade do PIS e da COFINS escriturados pela empresa no ano calendário de 2010. De acordo com o DACON, o contribuinte apurou os seguintes valores de créditos de PIS e Cofins vinculados a vendas não tributadas no mercado interno: Referidos créditos foram objeto Pedidos de Ressarcimento – PER, em valores parciais, conforme abaixo discriminados: Em procedimentos de fiscalização para a apuração dos créditos, foram realizadas as seguintes glosas: 1. créditos indevidos sobre gastos com frete na aquisição de combustíveis para revenda; 2. créditos indevidos sobre gastos com a realização de benfeitorias; Fl. 577DF CARF MF 4 3. créditos indevidos sobre locações de máquinas e equipamentos utilizados em benfeitorias; 4. créditos indevidos apurados sobre a aquisição de bens para revenda sujeitos à incidência monofásica; 5. créditos indevidos apurados sobre a devolução de vendas de bens sujeitos à incidência monofásica; Após as glosas e a recomposição, mês a mês, dos saldos de PIS e Cofins, o contribuinte apresentou saldos devedores nos meses de maio, agosto, novembro e dezembro, conforme valores a seguir discriminados, os quais foram objeto dos lançamentos de oficio de que trata este processo: O detalhamento e a fundamentação das glosas, bem como a apuração dos saldos devedores objeto de lançamento, constam do Relatório Fiscal de fls. 14 a 72. A relação das notas fiscais objeto de glosa consta dos Anexos I a IV às fls. 73 a 195. Em decorrência do mesmo procedimento fiscal e com funadmento [SIC] no mesmo Relatório (fls. 14 a 72), foram formalizados os processos abaixo relacionados, referentes a indeferimentos totais ou parciais de PER/Dcomps, objeto de Manifestação de Inconformidade por parte do contribuinte, a saber: Fl. 578DF CARF MF Processo nº 10242.720009/201536 Acórdão n.º 3402006.469 S3C4T2 Fl. 335 5 Ciente dos lançamentos em 16/01/2014, o contribuinte apresentou em 16/02/2014 a impugnação de fls. 475/500. Conforme já relatado, as glosas impostas pela fiscalização foram as seguintes: 1. créditos indevidos sobre gastos com frete na aquisição de combustíveis para revenda; 2. créditos indevidos sobre gastos com a realização de benfeitorias; 3. créditos indevidos sobre locações de máquinas e equipamentos utilizados em benfeitorias; 4. créditos indevidos apurados sobre a aquisição de bens para revenda sujeitos à incidência monofásica; 5. créditos indevidos apurados sobre a devolução de vendas de bens sujeitos à incidência monofásica; Destas glosas, somente as correspondentes aos itens 1 e 3 foram expressamente impugnadas neste processo, tendo o contribuinte silenciado quanto às demais. Essa lacuna teria, em princípio, o efeito de tornar definitivas as glosas correspondentes aos itens 2, 4 e 5, mantendoas independentemente de apreciação meritória, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Contudo, as glosas relativas aos itens 2, 4 e 5 foram expressamente contraditadas nos processos de Manifestações de Inconformidade acima identificados e, em se tratando dos mesmos fatos, reputo razoável importar para este processo as razões de defesa expressas naqueles processos, os quais, aliás, estão sendo julgados conjuntamente com este na presente sessão. O faço arrimado nos princípios do contraditório e da ampla defesa. Fl. 579DF CARF MF 6 Assim, na síntese dos argumentos de defesa que se segue constam não só as razões opostas na presente Impugnação, mas também as opostas nos processos de Manifestação de Inconformidade. Seguemse, em síntese, os argumentos de defesa apresentados neste processo, aditados com os opostos nos processos de Manifestação de Inconformidade conexos: Do direito de crédito: a impugnante realiza a venda de gasolinas, óleo diesel e demais combustíveis, sendo seus produtos destinadas ao mercado interno e tributados à alíquota zero para PIS e Cofins, conforme determina a legislação vigente; a Impugnante, com base no artigo 3º das Leis 10.637/2002 para PIS e artigo 3º da Lei 10.833/2003 para COFINS, realizou créditos sobre insumos e serviços necessários a atividade que exerce. No entanto, cabe ressaltar, que não se apropriou de créditos sobre a aquisição de combustíveis, já que estes são tributados pelo regime monofásico e não dão direito a créditos; considerando que seu produto final é tributado à alíquota zero, com base no artigo 17 da Lei 11.033/2004 e artigo 16 da Lei 11.116/2005 a empresa protocolou através do programa Perdcomp os pedidos de ressarcimento dos créditos vinculados a saídas para o mercado interno, bem como apresentou para o período a Dacon a fim de demonstrar a apuração das contribuições para o PIS e a Cofins; Créditos indevidos sobre gastos com frete na aquisição de combustíveis para revenda: o agente fiscal transcreveu toda esta legislação para dizer que há vedação expressa para desconto de créditos sobre aquisições de combustíveis e, por extensão, também “não há como permitir o desconto de créditos em relação ao frete, o qual compõe o custo de aquisição de tais bens (combustíveis)” (cfe Relatório Fiscal – pg 21); a redação da norma que exclui os combustíveis da base de crédito é clara. E com base nesta norma que a Recorrente não tomou créditos de PIS e Cofins sobre as aquisições de combustíveis. No entanto, em momento alguma qualquer norma relativa ao PIS e Cofins disciplinou qualquer regra acerca de custo ou insumos/serviços vinculados; o artigo 3º das leis 10.637/2002 e 10.833/2003 autoriza expressamente que as empresas submetidas ao regime não cumulativo poderão creditarse de “bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços, na produção, na fabricação de bens ou produtos destinados à venda”; Fl. 580DF CARF MF Processo nº 10242.720009/201536 Acórdão n.º 3402006.469 S3C4T2 Fl. 336 7 o frete é um insumo necessário e imprescindível para a realização da atividade comercial a que se propõem a Recorrente. o frete é uma operação comercial totalmente independente da compra do combustível, tem fornecedores distintos e documentos fiscais (NFs) distintos, de forma que o pagamento deste serviço independe da operação “compra de combustível”; a Receita Federal, através da IN 404/2004, conceituou insumo para fins de créditos de Cofins e atribuiu o conceito que se aplica ao IPI, pois conceituou insumos apenas para empresas que realizam a fabricação de algum produto. Ao editar tal norma, a RFB foi além do seu dever de normatizar, ao tentar impor um conceito restritivo e oriundo das regras de IPI, já que o conceito estabelecido pela IN remete à fabricação ou produção, desgaste e alteração; a questão já foi tema de decisões do CARF e de tribunais judiciais que em suas decisões entenderam que os créditos de PIS/Cofins devem abranger todo custo ou despesa necessária à atividade da empresa; da mesma forma que vem decidindo o CARF e os Tribunais, as Soluções de Consulta da Receita Federal também dispõem neste sentindo, reconhecendo inclusive o frete sobre compras como insumo. Créditos indevidos sobre gastos com a realização de benfeitorias: a empresa trata como benfeitorias as definidas nos §§ 2º e 3º do artigo 96 do Novo Código Civil, Lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002, a saber: “São necessárias as que têm por fim conservar o bem ou evitar que se deteriore” ou ainda, “podem facilitar seu uso”; todas as manutenções e reparos necessários à conservação das instalações, prédio e reformas da estrutura física da empresa, necessárias e utilizadas para realização da atividade fim da empresa, são lançados a título de benfeitorias; o regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 em seu artigo 301, define o tratamento dado as pequenas despesas e dita que os custos de aquisição cujo valor sejam de até R$ 326,61 ou se de valor maior e que sua vida útil seja de até um ano podem ser lançadas diretamente como custos, sem serem imobilizadas; as benfeitorias são de valores inferiores ao limite ou de vida útil menos que um ano, foram lançadas direto como custos no mês incorrido, portanto não sofrem depreciação; Fl. 581DF CARF MF 8 para que funcione adequadamente e o cliente se sinta bem, constantemente são realizados benfeitorias em todo o empreendimento; como há grande movimentação de veículos pesados no pátio, como o calçamento é a base de lajota, constantemente são realizados reparos no pátio e nos muros que cercam o estabelecimento, com a utilização de pó de pedra, areias, cimentos, brita, etc. e com geração de entulhos; na área de abastecimento, como já afirmado, caminhões de grande porte circulam nas rampas, constantemente há reparos, com a utilização de ferragens, cimento, brita, pinturas em geral, sinalizações, troca de telhas da cobertura, manutenção em forros de PVC, gerando entulhos, etc; no que se refere aos banheiros destinados aos motoristas, sempre ocorre quebra de pias e vasos sanitários, culminado com sua troca, manutenção de chuveiros, hidráulica, lâmpadas, instalações elétricas, pisos, revestimentos, telhados, peças de reposição do aquecimento solar, pinturas em geral, etc. com geração de entulhos; esta é a destinação dos materiais adquiridos pela empresa, a título de benfeitorias, em que são utilizadas na manutenção de todas as instalações e que são úteis e necessárias para a conservação do patrimônio e realização da venda; estas pequenas manutenções/reparos denominados benfeitorias no caso em análise são efetuados sem projeto de execução, de forma que os documentos que comprovam sua realização são as notas fiscais e cupons fiscais de pagamentos de materiais e serviços, todas já apresentados ao Auditor e integrantes a este processo; na verdade, benfeitorias são obras ou gastos realizados na coisa imóvel, com a finalidade de conservála, melhorála ou embelezála, com o intuito na atividade comercial, em dar boa aparência ao ambiente e atrair o cliente. Se essas obras ou gastos mudassem a natureza da coisa imóvel, aí sim deveria haver um projeto, não podendo então ser consideradas como benfeitorias e sim como imobilizações e sofreriam a depreciação ou a amortização em caso de bens de terceiros; Créditos indevidos sobre locações de máquinas e equipamentos utilizados em benfeitorias. o Auto de Infração glosou integralmente os valores dos aluguéis de máquinas e equipamentos pagos à Pessoas Jurídicas; o art. 3° inciso IV das Leis nºs 10.637/2002 (PIS) e 10.833/2003 (Cofins) é expresso em admitir o desconto de crédito de de “aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa”; no entanto, o agente fiscal fundamentou sua glosa no fato de tais máquinas e equipamentos terem sido alugados para realização das benfeitorias em prédios próprios e de terceiros e Fl. 582DF CARF MF Processo nº 10242.720009/201536 Acórdão n.º 3402006.469 S3C4T2 Fl. 337 9 nesta condição deveriam estas despesas ter sido imobilizadas e os créditos tomados através dos encargos e depreciação e amortização; a legislação é clara quando autoriza a realização de créditos sobre aluguéis de máquinas e equipamentos, desde que pagos à pessoa jurídica. Somente isso; a legislação que autoriza o lançamento de créditos sobre aluguéis de máquinas e equipamentos pagos a pessoas jurídicas não estabelece qual deverá ser a contabilização de tal serviço, tampouco determina o que deve ser imobilizado ou não; Créditos indevidos apurados sobre a aquisição de bens para revenda sujeitos à incidência monofásica: a Recorrente equivocadamente considerou como tributadas alguns tipos de mercadorias que tem incidência monofásica para PIS e Cofins, conforme apontou o agente fiscal em seu relatório, no qual relacionou os itens excluídos; é correta a referida exclusão, se confirmada a tomada de créditos de produtos monofásicos. Mas também será correta a análise da base de débitos, já que a Recorrente oferecia a tributação todos os produtos sobre os quais tomava crédito; em momento algum, o Auditor Fiscal manifestouse no Relatório Fiscal acerca dos pagamentos indevidos efetuados pela Recorrente. Também não apresentou qualquer demonstrativo de cálculo que pudessem contemplar tais ajustes; assim, para que a glosa de tais itens esteja correta é preciso que se analisem os tipos de produtos, se monofásicos ou não e, também a base de débitos, para que o ajuste seja correto; desta forma, é justo e correto que tais valores sejam revistos, tanto em relação ao débito quanto em relação ao crédito; desde já requerse tal ajuste, para que a empresa não seja duplamente prejudicada, tendo em vista que o Despacho Decisório em debate excluiu o crédito e manteve o débito. Créditos indevidos apurados sobre a devolução de vendas de bens sujeitos à incidência monofásica: indevidamente a recorrente tomou créditos sobre devolução de mercadorias que tem incidência monofásica para PIS e Cofins conforme apontou o agente fiscal em seu relatório, no qual relacionou os itens excluídos; a contabilização dos créditos na devolução de vendas de mercadorias sujeitas à incidência monofásica é prova de que a empresa tributou indevidamente esses produtos na saída; Fl. 583DF CARF MF 10 desta forma, é justo e correto que tais valores sejam revistos, tanto em relação ao débito quanto em relação ao crédito; desde já requerse tal ajuste, para que a empresa não seja triplamente prejudicada, tendo em vista que o Despacho Decisório em debate excluiu o crédito e manteve o débito. Dos débitos lançados e da multa cobrada: ficou claro em todo Relatório emitido pelo próprio agente fiscal que a Impugnante reconheceu e deduziu no Dacon os valores devidos a título da referida contribuição e que este débito somente existe porque ocorreu a glosa de créditos; a Impugnante não cometeu nenhuma infração sobre a qual deva sofrer sansão tão onerosa de 75% cujo percentual foi aplicado sobre um débito que sequer foi comprovado até o momento, um débito que decorre do entendimento equivocado e sem respaldo legal, já que, como exposto acima, trouxe a lide argumentos alheio aos Pis e a Cofins; a cobrança de multa pressupõe a existência de um principal, pois é de seu objetivo o reforço daquele; logo, inexistindo o principal não subsiste a multa; de qualquer forma, caso assim não se entender, o que não se espera, mesmo assim o crédito tributário merece repúdio; desta feita em face da inconstitucionalidade e ilegalidade da multa aplicada; Suspensão da exigibilidade dos débitos: de acordo com o art. 151, inciso II do CTN, o débito deve ter sua exigibilidade suspensa; Vinculação de processos: conforme largamente debatido nesta peça, este Auto de Infração decorre única e exclusivamente da análise dos pedidos de ressarcimento de créditos de PIS e Cofins nãocumulativos (mercado interno) efetuados pela Impugnante para o ano de 2010, cuja análise do fisco concluiu pela glosa de créditos lançados e consequente aumento dos débitos; sendo assim, requer a Impugnante que esta impugnação seja vinculada as decisões que serão emitidas sobre os Despachos Decisórios e Manifestações de Inconformidade sobre os referidos créditos, tendo em vista que um processo decorre do outro e não podem ser avaliados isoladamente; requerse também a extinção do processo 10242 720.019/201571 em que a Impugnante figura em Representação Fiscal para Fins Penais, uma vez que todos os processos são relacionados e como já dito e frisado, um depende do outro. (...) Fl. 584DF CARF MF Processo nº 10242.720009/201536 Acórdão n.º 3402006.469 S3C4T2 Fl. 338 11 Sobreveio então o Acórdão 0835.962, da 5ª Turma da DRJ/FOR, negando provimento à impugnação da Contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 PIS/COFINS. EMPRESA DISTRIBUIDORA OU REVENDEDORA. FRETE NA AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. Os distribuidores e varejistas de combustíveis, tributados à alíquota zero de PIS e Cofins nas vendas, em razão do regime monofásico, não podem creditarse dos custos de frete incidentes na compra dos combustíveis. BENFEITORIAS. Os dispêndios com benfeitorias, sejam elas necessárias, úteis ou voluptuárias, devem ser contabilizados no ativo imobilizado e, como tais, somente geram direito de crédito de PIS e Cofins na forma de depreciação. BENFEITORIAS. BENS DE PEQUENO VALOR OU DE VIDA ÚTIL INFERIOR A UM ANO. Os materiais de construção adquiridos em grande quantidade (concreto, areia, ferragens, pisos, forros e revestimentos, materiais para instalações elétricas e hidráulicas) utilizados em construção, benfeitoria ou reforma, devem ser ativados, independentemente do custo unitário, tendo em vista a sua utilização conjunta e incorporação ao imóvel (art 43 do CC). ALUGUÉIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS VINCULADOS A BENFEITORIAS. Os dispêndios com aluguéis de máquinas e equipamentos destinados à realização de benfeitorias devem ser contabilizados no ativo imobilizado e, como tais, somente geram direito de crédito de PIS e Cofins na forma de depreciação. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos em que se discute direito creditório, sua comprovação incumbe ao contribuinte, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência ou perícia a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. MULTA. LANÇAMENTO DE OFICIO. CONSTITUCIONALIDADE. No caso de lançamento de ofício, aplicase a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. Fl. 585DF CARF MF 12 As Delegacias da Receita Federal de Julgamento DRJ não tem competência legal para pronunciaremse sobre controvérsias referentes a Processo de Representação Fiscal para Fins Penais. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls 540/570) a este Conselho, em que repisa os argumentos apresentados em sua impugnação. Contudo, não foram objeto de recurso, nem nestes autos nem nos pedidos de ressarcimentos: i) a exclusão dos créditos sobre bens para revenda sujeitos à incidência monofásica da Contribuição ao PIS e da COFINS; ii) a exclusão dos créditos sobre devolução de vendas de bens sujeitos à incidência monofásica da Contribuição ao PIS e da COFINS; iii) o pedido relacionado à representação fiscal para fins penais. É o relatório. Voto Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora A Contribuinte teve ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 04/06/2016, conforme Termo de ciência por abertura de mensagem de fls. 536 e apresentou em 30/06/2016 o recurso voluntário de fls. 540/570, conforme o artigo 33 do Decreto 70.235/72. Assim, o recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Inicialmente, saliento que este processo está sendo julgado conjuntamente com os processos decorrentes de pedido de ressarcimento, aplicandose àqueles as mesmas conclusões firmadas neste. Assim, passo aos pontos relacionados ao mérito. 1. Créditos indevidos sobre gastos com frete na aquisição de combustíveis para revenda A Recorrente é empresa dedicada preponderantemente ao comércio varejista de combustíveis e lubrificantes, conforme se depreende do seu Contrato Social e é salientado pela autoridade lançadora no Relatório fiscal (fls 22), nos seguintes termos: "a atividade comercial da contribuinte, consiste, resumidamente, na revenda de combustíveis e lubrificantes (Matriz – Vilhena/RO e Filial 1 – Porto Velho/RO), com exceção da Filial 2 – Vilhena/RO, denominada “Fazenda Batista”, que tem como atividade principal o reflorestamento." É então dentro desse específico setor da economia que deve ser analisada a tributação da Contribuição ao PIS e da COFINS no presente caso. Pois bem. Os combustíveis (gasolina, óleo diesel, querosene de aviação e outros) a partir de 1º de julho de 2000 são tributados pelas referidas Contribuições pela modalidade monofásica, incidindo uma única vez no fabricante ou importador, desonerando a receita da venda desses produtos nos distribuidores e varejistas. Como é consabido, a incidência monofásica tem por objetivo concentrar a incidência tributária, de modo que são aplicadas aos produtores ou importadores alíquotas diferenciadas, superiores às básicas, enquanto os demais (atacadistas e verejistas) são tributados à alíquota zero. Fl. 586DF CARF MF Processo nº 10242.720009/201536 Acórdão n.º 3402006.469 S3C4T2 Fl. 339 13 Cumpre destacar que a incidência monofásica não se confunde com o instituto da substituição tributária, uma vez que nesta última as receitas estão obrigatoriamente sujeitas ao regime cumulativo, o que não acontece na primeira. Dessa forma, mesmo dentro da sistemática monofásica, os produtos sujeitos às alíquotas diferenciadas poderão estar sujeitos ao regime cumulativo ou não cumulativo, de acordo com o regime de tributação da pessoa jurídica (presumido ou real, respectivamente). Ou seja, a incidência monofásica não é exceção à aplicação do regime não cumulativo e, consequentemente, no desconto de créditos inerente à essa modalidade de tributação. 1 Contudo, há regras na legislação que precisam ser observadas. Quando ocorre a tributação concentrada no início da cadeia produtiva, não haverá a apuração de créditos e débitos nas etapas posteriores. Por isso é que, com relação aos varejistas, acertadamente o artigo 3º, inciso I das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante o direito ao crédito correspondente aos produtos adquiridos para revenda, mas excetua o direito ao crédito da aquisição de combustíveis (dentre outros produtos), os quais são tributados pela Contribuições pelo regime monofásico (artigo 3º, inciso I, alínea "b"). Vejamos: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; Assim, não há dúvida de que não poderia a Recorrente tomar crédito dos combustíveis que adquire para revenda. E corretamente não o fez. Tal exceção ao creditamento dos produtos atingidos pela monofasia, contudo, não invalida o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do combustível para revenda. Explico. Mas antes de tudo, ressalto que não se discute aqui o direito ao crédito segundo a regra do artigo 3º, inciso II, das Leis n. 10.637/2002 (PIS) e 10.833/2003 (COFINS), na condição de insumo necessário. Com efeito, a discussão em torno do que seriam insumos para fins de apuração de créditos da não cumulatividade das Contribuições não guarda relação com o caso dos autos, vez que o inciso II do artigo 3º cuida de hipótese de bens e serviços, utilizados como insumo, na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Essa, contudo, não é a situação da Recorrente, que pagava o frete na aquisição de bem destinado para a revenda. A revenda, enquanto operação comercial (como o atacado e o varejo), não se confunde com a prestação de serviços ou com a produção de bens, como de longa data vaticinam a Receita Federal, este Conselho e o Poder Judiciário. 1 BERGAMINI, Adolpho. et alii. Manual do PIS e da COFINS. São Paulo: Fiscosoft Editora Ltda, 2013, pp. 367 a 369. Fl. 587DF CARF MF 14 O direito ao crédito do frete referente à compra de mercadorias para revenda, aplicável ao presente caso decorre, isto sim, do próprio inciso I do artigo 3º das Leis n. 10.637/2002 (PIS) e 10.833/2003 (COFINS) Tratando especificamente do frete de empresas varejistas, a doutrina já se manifestou em diversas ocasiões, exatamente no sentido do seu resguardo pelo supracitado dispositivo legal (inciso I do artigo 3º da Lei n. 10/.833/2003 e 10.837/2002). As palavras de Marco Aurélio Greco2 sobre o tema são as seguintes: Assim, quando uma empresa adquire para revenda determinado bem e contrata o respectivo transporte, este faz parte indissociável da aquisição a que se refere o inciso "I", ainda que seja um dispêndio separado do preço do bem em sentido técnico. Realmente, só tem sentido adquirir para revender se o comprador receber o que comprou, pois, sem isto, não poderá garantir a entrega ao cliente. Portanto, para quem compra para revenda, o direito ao crédito de PIS/COFINS sobre o frete pago para que o bem chegue em seu estabelecimento está abrangido pelo inc. I do art. 3º da Lei n. 10.833/2003. A conclusão, de fato, não poderia ser outra. Afinal, o frete compõe o custo de aquisição do produto, conforme dispõe o artigo 289, §1º do RIR/99, vigente à época dos fatos: Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matérias primas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). § 1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação Nesse sentido, a própria Receita Federal já se manifestou em algumas oportunidades sobre o direito ao crédito decorrente do frete contratado na aquisição de produtos para revenda: Solução de Consulta Nº 234, de 13 de Agosto de 2007 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS O contribuinte poderá descontar créditos calculados em relação aos bens adquiridos para revenda ou utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. O valor do frete incidente na compra destes bens integra o custo de aquisição, podendo, portanto, compor a base de cálculo na apuração dos créditos da COFINS. Dispositivos Legais: Lei Nº 10.833, de 2003, art. 3º; RIR/99, art. 289,§ 1º e Instrução Normativa SRF Nº 247, de 2002, art. 66. 2 PIS e COFINS Fretes pagos para o transporte de Mercadorias. in PEIXOTO, Marcelo Magalhães e MOREIRA JUNIOR, Gilberto de Castro (coords). PIS e COFINS à luz da jurisprudência do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Volume 2. São Paulo: MP Editora, 2013, p 356. Fl. 588DF CARF MF Processo nº 10242.720009/201536 Acórdão n.º 3402006.469 S3C4T2 Fl. 340 15 Assunto: Contribuição para o PIS O contribuinte poderá descontar créditos calculados em relação aos bens adquiridos para revenda ou utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. O valor do frete incidente na compra destes bens integra o custo de aquisição, podendo, portanto, compor a base de cálculo na apuração dos créditos do PIS. Dispositivos Legais: Lei Nº 10.637, de 2002; Lei Nº 10.833, de 2003,arts. 15 e 16; RIR/99, art. 289, § 1º e Instrução Normativa SRF Nº 247, de 2002, art. 66. (grifamos). SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 15 de 27 de Fevereiro de 2007 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: FRETES NA AQUISIÇÃO Os custos de transporte até o estabelecimento do contribuinte, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País, integram custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda, constituindo base de cálculo dos créditos a serem descontados das contribuições devidas. ICMSSUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA Para fins de determinação da base de cálculo da contribuição, independentemente de qual seja o regime de cobrança desta, o contribuinte substituto do ICMS pode excluir da receita bruta o respetivo valor cobrado a título de substituição tributária destacado em nota fiscal, visto não ter a natureza de receita própria. (grifamos) Daí é que a própria autoridade fiscal, ao lavrar o presente auto de infração, justificou a glosa no fato de que, por estar o combustível sujeito ao regime monofásico e não gerar direito a crédito de PIS e Cofins na aquisição pelo revendedor, do mesmo modo, não geraria direito a crédito o frete respectivo, já que compõe o custo de aquisição do combustível (fls 34). Ou seja, admite que, caso inexistente a questão da monofasia com a vedação ao crédito do produto, seria o caso de se reconhecer o crédito relativo ao frete contratado pela varejista. Assim, o raciocínio da autoridade é claro: o frete segue a mesma sorte do produto transportado, no que diz respeito ao direito ao creditamento. Entretanto, há um erro na premissa adotada e, consequentemente, na conclusão que se chegou no lançamento tributário. Vejamos. A Recorrente adquire mercadorias para revenda (combustíveis), porém a empresa vendedora não entrega os produtos no seu pátio mais especificamente, em seus tanques. Dessa forma, ela precisa contratar serviços de fretes de outra pessoa jurídica (transportadora) para que o produto chegue até seus estabelecimentos e que possa ser destinado à venda. Este frete, enquanto receita da transportadora, é tributado pela Contribuição ao PIS e pela COFINS. Em outras palavras, no caso do frete pago pelo comprador, há duas notas fiscais distintas. Uma para a distribuidora e outra para o transportador. A Distribuidora é sujeita ao regime monofásico, mas o transportador é tributado pelo regime não cumulativo. Fl. 589DF CARF MF 16 Nesses termos, fica evidente que o frete é uma operação autônoma em relação a aquisição do combustível. Tratase, em verdade, de operação comercial com a transportadora, na sistemática de incidência da nãocumulatividade, sendo que, repitase, a sua receita pela transportadora é tributada pela Contribuições. Vejase que, efetivamente, a Recorrente contrata empresa transportadora para proceder o frete, emitindo nota fiscal específica para essa operação (distinta daquela emitida pela distribuidora de combustível), conforme informações constantes do Anexo I do auto de infração (fls 73 123). Tais dispêndios, portanto, são custo de aquisição de serviços de fretes e não custo de aquisição de combustível. Ou seja, muito embora estejam relacionadas como acima mencionado, já que o custo do frete integra o custo de aquisição do bem para revenda, nos termos do artigo 289, §1º do RIR/99 são operações distintas, com fornecedores distintos, e o mais importante, regimes de incidência distintos. Dessarte, devem ser analisadas de forma separada no que tange ao direito crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS. 3 Traçada tal premissa, fica clara a conclusão no sentido de que, sendo os regimes de incidência distintos, do produto (combustível, no modelo monofásico, pago ao distribuidor) e do frete (transporte, na nãocumulatividade, pago à empresa transportadora), não há que se falar que o destino do crédito do frete segue o mesmo daquele da mercadoria, como fez a autoridade fiscal ao fundamentar o lançamento tributário (fls 34). Pelo contrário. Justamente em razão da distinção de regimes, permanece o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do combustível para revenda, nos termos do artigo 3º, inciso I das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002, assim como existe para qualquer outro atacadista ou varejista que trabalhe com produtos tributados na sistemática da não cumulatividade. Não há na legislação nada que impeça tal creditamento para empresas como a Recorrente, já que inexiste critério de discrímem, em relação ao frete, do presente caso em comparação com qualquer outra empresa atacadista ou varejista. Inclusive, o raciocínio aqui empregado é o mesmo daquele adotado em outros julgamentos deste Conselho a respeito da possibilidade de tomada de crédito das Contribuições relativamente ao frete de produtos não tributados. Destaco a seguir passagem do voto da Conselheira Maysa De Sá Pittondo Deligne, no Acórdão 3402003.520, a respeito do tema: "Entretanto, ao contrário do que afirmou a fiscalização, o direito ao crédito pelo serviço de transporte prestado (frete) não se condiciona à tributação do bem transportado, inexistindo qualquer exigência nesse sentido na legislação. A restrição ao crédito se refere, APENAS, ao bem/serviço não tributado ou sujeito à alíquota zero (art. 3º, §2º, II, Leis n.º 10.637/2002 e n.º 10.833/2003), e não aos serviços tributados que possam ser a eles relacionados, como o caso: "Art. 3º (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou 3 Não é demais reavivar a passagem da doutrina de Marco Aurélio Greco alhures transcrita, que confirma que tecnicamente os dispêndios com o produto e com o frete não se confundem: "assim, quando uma empresa adquire para revenda determinado bem e contrata o respectivo transporte, este faz parte indissociável da aquisição a que se refere o inciso "I", ainda que seja um dispêndio separado do preço do bem em sentido técnico." Fl. 590DF CARF MF Processo nº 10242.720009/201536 Acórdão n.º 3402006.469 S3C4T2 Fl. 341 17 serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)" (grifei) Como evidenciado pela fiscalização, não se discute aqui a natureza da operação sujeita ao crédito (frete na aquisição de bens para revenda, tributado e assumido pelo adquirente). O que se discute, apenas, é a suposta impossibilidade de tomada do crédito em razão do bem transportado ser sujeito à alíquota zero, restrição esta não trazida na Lei. Nesse sentido, vejamse outros acórdãos deste E. Conselho: "(...) CRÉDITOS. FRETE DE BENS QUE CONFIGURAM INSUMOS. SERVIÇO DE TRANSPORTE QUE CONFIGURA INSUMO, INDEPENDENTE DO BEM TRANSPORTADO ESTAR SUJEITO À CONTRIBUIÇÃO. O frete de um produto que configure insumo é, em si mesmo, um serviço aplicado como insumo na produção. O direito de crédito pelo serviço de transporte não é condicionado a que o produto transportado esteja sujeito à incidência das contribuições. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte" (Processo n.º 13971.005212/200994 Sessão de 20/08/2014. Relator Alexandre Kern. Acórdão n.º 3403003.164. Voto Vencedor do Conselheiro Ivan Allegretti. Maioria grifei) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 (...) COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. SERVIÇOS VINCULADOS A AQUISIÇÕES DE BENS COM ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. É possível o creditamento em relação a serviços sujeitos a tributação (transporte, carga e descarga) efetuados em/com bens não sujeitos a tributação pela contribuição." (Processo n.º 10950.003052/200656. Sessão de 19/03/2013. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3403001.938. Maioria grifei) A mesma premissa adotada pela fiscalização no presente caso, mantida pela decisão de primeira instância, foi afastada com veemência e clareza pelo I. Conselheiro Relator Rosaldo Trevisan em seu voto no julgamento do último acórdão acima ementado: "A fiscalização não reconhece o crédito por ausência de amparo normativo, e afirma que o frete e as referidas despesas integram o custo de aquisição do bem, sujeito à alíquota zero (por força do art. 1o da Lei no 10.925/2004), o que inibe o creditamento, conforme a vedação estabelecida pelo inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.637/2002 (em relação à Contribuição para o PIS/Pasep), e pelo inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.833/2003 (em relação à Cofins): (...) Contudo, é de se observar que o comando transcrito impede o creditamento em relação a bens não sujeitos ao pagamento da contribuição e serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Não trata o dispositivo de serviços sujeitos a tributação efetuados em/com bens não sujeitos a tributação (o que é o caso do presente Fl. 591DF CARF MF 18 processo). Improcedente assim a subsunção efetuada pelo julgador a quo no sentido de que o fato de o produto não ser tributado “contaminaria” também os serviços a ele associados. Vejase que é possível um bem não sujeito ao pagamento das contribuições ser objeto de uma operação de transporte tributada. E que o dispositivo legal citado não trata desse assunto" (grifei). Cito ainda no mesmo sentido, os Acórdãos nº 3403001.944, de 09 de março de 2013 e 3302004.886, de 25 de outubro de 2017. Por tudo quanto exposto, voto no sentido de reverter as glosas referentes aos fretes de combustíveis. 2. Créditos indevidos sobre gastos com a realização de benfeitorias A glosa aqui tratada se deu porque, segundo a fiscalização, a Contribuinte se creditou da Contribuição ao PIS e da Cofins na aquisição de bens do ativo imobilizado diretamente sob forma de custo no mês em que incorrido, quando na realidade, deveria creditarse na forma de dapreciação futura. De outra parte, Recorrente afirma que as compras eram destinadas à benfeitorias necessárias à suas atividades e que, como tais, geram direito de crédito na forma de custos. Ou seja, a divergência repousa não no direito ao crédito em si, mas na forma de sua apropriação. A matéria em discussão é disciplinada pelo artigo 3° das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, abaixo transcritos na parte que interessa à solução da presente lide: Lei 10.637, de 30 de dezembro de 2002 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI (...) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mão deobra, tenha sido suportado pela locatária; (...) § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (...) Fl. 592DF CARF MF Processo nº 10242.720009/201536 Acórdão n.º 3402006.469 S3C4T2 Fl. 342 19 III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; _________________________ Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI (...) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; (...) §1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (...) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; Pela leitura dos dispositivos, vemos que existem duas formas de geração de crédito excludentes entre si. Os bens adquiridos como insumos (inciso II) geram direito de crédito diretamente sobre o custo incorrido no mês (§ 1º, inciso I). Enquanto isso, no caso dos bens do ativo imobilizado, o direito de crédito se dá na forma de futura depreciação (§ 1º, inciso III). É certo que o ativo imobilizado (artigo 179, inciso IV da Lei n. 6.404/76) 4 compreende os bens de natureza duradoura, destinados ao funcionamento normal da sociedade e do seu empreendimento, assim como os direitos exercidos com essa finalidade. 5 Em outras palavras, o ativo imobilizado compreende os bens e direitos necessários ao exercício contínuo das atividades da pessoa jurídica (vide artigo 301 do RIR/99 e CPC n. 27), aí incluídos aqueles que tem finalidade unicamente administrativa, ou seja, que não são empregados diretamente na produção ou na comercialização de mercadorias e de serviços, ou ainda, na locação, integram o ativo permanente. 4 Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: (...) IV – no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens; 5 In: FIPECAFI. Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações. São Paulo. Atlas, p. 198. Fl. 593DF CARF MF 20 Também não há dúvidas de que as instalações prediais da empresa e, por conseguinte, as benfeitorias nelas realizadas, se inserem no conceito de ativos imobilizados. Logo, seus créditos de PIS e Cofins devem, em regra, ser calculados sobre a depreciação, conforme preconiza o citado artigo 3º, §1º, inciso III das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003. Somente seria possível a contabilização de bens ativáveis como custos se o valor unitário do bem fosse inferior a R$ 326,61 ou se sua vida útil inferior a um ano. No caso de bens valor unitário inferior a R$ 326,61, a contabilização como custo depende ainda de que atividade exercida não exija utilização de um conjunto desses bens. Tudo isso nos termos do artigo 301 do RIR/99, vigente à época dos fatos aqui tratados. In verbis: Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano. § 1º Nas aquisições de bens, cujo valor unitário esteja dentro do limite a que se refere este artigo, a exceção contida no mesmo não contempla a hipótese onde a atividade exercida exija utilização de um conjunto desses bens. § 2º Salvo disposições especiais, o custo dos bens adquiridos ou das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser ativado para ser depreciado ou amortizado. Portanto, e como bem posto pela decisão Recorrida, em se tratando de bens corpóreos adquiridos para a manutenção das atividades da empresa, sua contabilização deverá ocorrer obrigatoriamente em conta do imobilizado, pouco importando se a aquisição se destina a manutenção, reparo, ampliação de instalações, com ou sem projetos, seja benfeitoria necessária, útil ou voluptuária. Ainda sobre o artigo 301 do RIR/99, friso que, conforme se verifica dos autos e se confirma nas palavras da própria Recorrente, os bens objeto de glosa são em sua grande maioria materiais de construção (areia, cimento, brita, ferragens, tintas, telhas, forros de PVC, vasos sanitários, instalações elétricas e hidráulicas, pisos, revestimentos, etc), aos quais não se aplica a regra do valor unitário prevista no art. 301 do RIR/99, tendo em vista sua utilização conjunta e/ou incorporação ao imóvel. É o que concluímos pela jurisprudência administrativa a respeito da matéria: ACÓRDÃO 1º Conselho de Contribuintes n°: 10193.676 de 07/11/2001 IRPJ. CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS. BENS DO ATIVO DEDUZIDOS COMO DESPESAS. Os materiais de construção adquiridos em grande quantidade (concreto, areia, ferragens, pisos, forros e revestimentos, materiais para instalações elétricas e hidráulicas) utilizados na construção de muros de arrimo, benfeitorias e reformas, devem ser ativados, independentemente do custo unitário tendo em vista a sua utilização conjunta e incorporação ao imóvel (art 43 do CC). Tal conclusão se alinha com os artigos 79 e 81, inciso II do Código Civil de 2002, os quais esclarecem que não perdem o caráter de imóveis os materiais provisoriamente separados de um prédio para nele se reempregarem. Fl. 594DF CARF MF Processo nº 10242.720009/201536 Acórdão n.º 3402006.469 S3C4T2 Fl. 343 21 Corroborando tudo quanto exposto, temos que permitir que os contribuintes tomem crédito dos gastos com os materiais para obras de benfeitorias no momento em que incorrem nessas despesas, significaria conceder o crédito em duplicidade, pois o mesmo será apropriado também no futuro, via depreciação da benfeitoria que estará contabilizada no ativo imobilizado, uma vez concluída a obra. Finalmente, destaco que a jurisprudência desse Conselho vai no mesmo sentido das razões aqui adotadas, conforme se infere da ementa a seguir colacionada: Ementa(s) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL, DO INFORMALISMO MODERADO E DA AMPLA DEFESA. OFENSA. INOCORRÊNCIA. Inocorre ofensa aos princípios da verdade material, do informalismo moderado e da ampla defesa quando a Administração tributária atua em conformidade com a legislação tributária, material e processual, bem como com as informações e os elementos probatórios presentes nos autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. INSUMOS. Na não cumulatividade das contribuições sociais, o elemento de valoração é o total das receitas auferidas, o que engloba todo o resultado das atividades que constituem o objeto social da pessoa jurídica, e o direito ao creditamento alcança todos os bens e serviços, úteis ou necessários, utilizados como insumos diretamente na produção, e desde que efetivamente absorvidos no processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária. MATERIAL DE EMBALAGEM. DIREITO AO CRÉDITO. No regime da não cumulatividade da contribuição para o PIS e da Cofins, há direito à apuração de créditos sobre as aquisições de bens utilizados na embalagem para transporte, cujo objetivo é a preservação das características do produto vendido. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. Os valores referentes a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, para manutenção das máquinas e equipamentos empregados na produção de bens destinados à venda, abarcando as peças de reposição, podem compor a base de cálculo dos créditos a serem descontados da contribuição não cumulativa, desde que respeitados todos os demais requisitos legais atinentes à espécie. Fl. 595DF CARF MF 22 BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. BENFEITORIAS. DEPRECIAÇÃO. AMORTIZAÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. Em relação aos bens do ativo imobilizado, com expectativa de utilização no processo produtivo por mais de um ano, e aos serviços de mão de obra e materiais da construção civil, comprovadamente prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no País, os créditos serão calculados com base no valor do encargo de depreciação/amortização incorrido no período, observados os demais requisitos exigidos pela lei. CREDITAMENTO. BENS CONSUMIDOS DURANTE O PROCESSO PRODUTIVO. INSUMOS. Dão direito a crédito as aquisições de insumos consumidos durante o processo produtivo na marcação das matériasprimas e dos produtos finais fabricados, bem como na proteção das máquinas utilizadas no setor produtivo. (Acórdão 380303.205, Sessão de 17 de julho de 2012) Assim, encaminho o meu voto no sentido de que, de fato, os créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS foram apropriados de forma equivocada pela Recorrente, já que não poderiam ter sido tomados como custos no mês em que incorrido, mas sim na forma de depreciação futura. Portanto, deve ser mantida a glosa dos créditos sobre gastos com a realização de benfeitorias. 3. Créditos indevidos sobre locações de máquinas e equipamentos utilizados em benfeitorias A glosa aqui tratada diz respeito à locação de caçambas, máquinas e outros equipamentos utilizados em construção civil. Com efeito, em resposta à intimação da Fiscalização, a Contribuinte informou que tais bens foram locados para utilização na limpeza e preparação de realização de benfeitorias do imóvel, bem como na retirada de entulho de tais obras. Diante desses elementos, entendeu a autoridade fiscal que os dispêndios integram os custos de benfeitorias em imóvel próprio e de terceiro, portanto, deveriam ser contabilizadas no ativo imobilizado, para posterior depreciação, e somente nesta condição seriam válidos os créditos da Contribuição ao PIS e da Cofins. É a literalidade do TVF, o qual reproduzo abaixo (fls 44 e 45): 3.4.3 Créditos indevidos sobre locações de máquinas e equipamentos utilizados em benfeitorias. Analisando a documentação apresentada, verificouse a existência de valores referentes a locação de caçambas, máquinas e outros equipamentos utilizados em construções civis, valores estes que foram informados no DACON na Linha 6 “Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoa Jurídica”. Fl. 596DF CARF MF Processo nº 10242.720009/201536 Acórdão n.º 3402006.469 S3C4T2 Fl. 344 23 Em função disso, intimouse a contribuinte, por meio do TIF nº 3, de 08/12/14, para justificar em qual atividade da empresa é utilizado o bem locado. Em resposta, a contribuinte informou que tais bens foram locados para utilização na limpeza e preparação da realização de benfeitorias do imóvel, bem como na retirada de entulhos decorrentes de tais obras. O Art. 3º, IV, da Lei 10.637/2002 e o Art. 3º, IV, da Lei 10.833/2003 permitem o desconto de créditos apurados em relação à locação de prédios, máquinas e equipamentos, desde que pagos a pessoas jurídicas e utilizados nas atividades da empresa. Lei 10.637, de 30 de dezembro de 2002 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; _______________________________ Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; Entretanto, em que pese o permissivo legal acima transcrito, entendemos que tais gastos integram o custo das benfeitorias realizadas e que, portanto, deveriam ter o mesmo tratamento a elas atribuído, qual seja, a contabilização no imobilizado para posterior depreciação ou amortização. Com relação a benfeitorias, a estas cotas de depreciação e/ou amortização é que a lei permite a apuração de créditos de PIS e COFINS. Desse modo, pelas mesmas razões expostas no tópico 3.4.2 Créditos indevidos sobre gastos com a realização de benfeitorias, foram glosadas as despesas efetuadas com a locação de bens utilizados na preparação, limpeza e remoção de entulhos decorrentes das obras de benfeitorias realizadas pela contribuinte, cuja relação completa encontrase no Anexo III desse relatório, que resultou nos valores mensais constantes da tabela abaixo. (...) (grifei) Pois bem. É verdade que os valores gastos pela Recorrente com aluguel de máquinas e equipamento para a construção de benfeitorias deve seguir a mesma sorte das obras, ou seja, ser contabilizado no ativo imobilizado. Fl. 597DF CARF MF 24 Isto porque nas normas contábeis a esse respeito (NBC TG 27), segundo o princípio do reconhecimento dos custos de um item do ativo imobilizado, "esses custos incluem custos incorridos inicialmente para adquirir ou construir item do ativo imobilizado e os custos incorridos posteriormente para renoválo, substituir suas partes, ou dar manutenção a ele" (item 10). Ademais, na parte de mensuração no reconhecimento segundo a qual o reconhecimento como ativo deve ser mensurado pelo seu custo está claro que integram os elementos do custo "quaisquer custos diretamente atribuíveis para colocar o ativo no local e condição necessárias para o mesmo ser capaz de funcionar da forma pretendida pela administração" (item 16, b). Dentre os exemplos de custos diretamente atribuíveis, estão os "custos de preparação do local" (item 17, b). Por essas razões, assim como ocorre com os materiais de construção tratados no item anterior, os alugueis de máquinas e equipamentos para a edificação de benfeitorias deve ser contabilizado no ativo imobilizado tão logo a obra seja finalizada, iniciandose o período de depreciação fiscal e, consequentemente, o direito a tomada de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS segundo a legislação sobre o tema, qual seja o inciso VI do artigo 3º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, conjuntamente com o seu §1º, inciso III. Com efeito, a legislação de regência da Contribuição ao PIS e da COFINS permite a apuração de créditos em relação a "máquinas e equipamentos" em duas situações distintas. A primeira é aquela tratada no inciso IV do artigo 3º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, a qual versa sobre o aluguel das referidas máquinas e equipamentos, condicionando que os valores pagos a título da locação sejam destinados à pessoa jurídica, para a consecução de atividades da empresa. Aqui, a lei diz somente que os gastos com aluguel devem estar direcionados à atividade da empresa, de modo que o crédito não está necessariamente ligado ao setor fabril ou a prestação de serviços. Portanto, mesmo a despesa com aluguel relativa à área administrativa das empresas ou aquelas tidas por empresas comerciais pode gerar crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS (vide Solução de Consulta DISIT/SRRF 08 n. 492, de 31 de dezembro de 2009 6 e Acórdão 3301005.016, de 28 de agosto de 20187). Na apropriação de créditos nos termos do inciso IV, estes serão calculados no 6 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep CRÉDITO. ALUGUEL DE PRÉDIOS. No cálculo da contribuição para o PIS/Pasep apurada pelo regime nãocumulativo podem ser descontados créditos relativos ao valor dos aluguéis de prédios utilizados nas atividades da empresa, aí compreendidas tanto suas atividades industriais, comerciais e de prestação de serviço, quanto suas atividades administrativas, desde que esses aluguéis sejam pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil. Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso IV e § 3º. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins CRÉDITO. ALUGUEL DE PRÉDIOS. No cálculo da Cofins apurada pelo regime nãocumulativo podem ser descontados créditos relativos ao valor dos aluguéis de prédios utilizados nas atividades da empresa, aí compreendidas tanto suas atividades industriais, comerciais e de prestação de serviço, quanto suas atividades administrativas, desde que esses aluguéis sejam pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil. Dispositivos Legais: Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso IV e § 3º. 7 (...) REGIME NÃO CUMULATIVO. DESPESAS COM ALUGUEL DE MAQUINAS E EQUIPAMENTOS. DESCONTO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Se o disposto no art. 3º, IV, da Lei 10.833/2003, não restringiu o desconto de créditos da Cofins apenas às despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos ao processo produtivo da empresa, não cabe ao intérprete restringir a utilização de créditos somente aos alugueis de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo.(...) Fl. 598DF CARF MF Processo nº 10242.720009/201536 Acórdão n.º 3402006.469 S3C4T2 Fl. 345 25 momento do dispêndio sobre o valor da locação, sendo que esse montante estará contabilizado como custo da sociedade. Já a segunda situação vem disciplinada pelo inciso VI do mesmo artigo, o qual autoriza a apuração de créditos de “máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços”. Aqui, portanto, falase em máquinas e equipamentos que serão contabilizados no ativo imobilizado da sociedade. Nesse caso, o legislador restringiu o direito a tomada de crédito, ao estabelecer que as situações que permitem a sua apuração estão adstritas aos bens adquiridos ou fabricados para: a) locação a terceiros; b) utilização da produção de bens destinados à venda; ou c) utilização na prestação de serviços. Ou seja, não é todo e qualquer bem destinado ao ativo imobilizado que dará direito ao crédito das Contribuições, mas tão somente aqueles destinados a uma das três citadas finalidades estabelecidas pela lei (vide Acórdãos 3301002.806 e 3102002.166 deste Conselho). 8 Apurarseá os créditos nos moldes do inciso VI de acordo com a depreciação dos bens corpóreos adquiridos, contabilizados no ativo imobilizado. A decisão recorrida estabelece a distinção dos regimes, dando exemplos didáticos sobre sua aplicação. São seus dizeres: A interpretação integrada do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 (PIS) e 10.833/2003 (Cofins) deve levar à seguinte conclusão: os aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, são sim, em regra, passiveis de créditos calculados a partir dos valores pagos nessas operações, desde que não ativáveis, hipótese em que o crédito será calculado sobre a depreciação. À evidência, as máquinas e equipamentos a que se refere o inciso IV, passiveis de crédito, são aquelas utilizadas nas 8 A jurisprudência deste Conselho é tranquila a respeito do tema, conforme é possível depreender das ementas abaixo colacionadas: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/2008 a 28/02/2008 PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO PELA AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O inciso VI do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 vincula o creditamento em relação a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado além de seu emprego para locação a terceiros a seu uso na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Portanto, o legislador restringiu o creditamento da contribuição à aquisição de bens diretamente empregados na industrialização das mercadorias (ou na prestação de serviços), não sendo razoável admitir que seja passível do cômputo de créditos a aquisição irrestrita de bens necessários ao exercício das atividades da empresa como um todo. (...) (Processo 13603.724612/201113, Acórdão 3301002.806) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 (...) ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Não é admissível o direito à apropriação de créditos da Cofins não cumulativa sobre os encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado se não foi comprovado pelo contribuinte que os bens depreciados foram utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, ou utilizados nas atividades da empresa, no caso de edificações e benfeitorias, e que foram adquiridos a partir de 1/4/2004. (Processo n. 11080.931975/201116. Acórdão 3102002.166). Fl. 599DF CARF MF 26 atividades operacionais da empresa. Assim, por exemplo, se um posto de gasolina utiliza bombas de combustíveis locadas de terceiro, essa locação será contabilizada como custo e, por óbvio, poderá ser objeto de crédito de PIS e Cofins, calculado sobre o valor da locação, na forma do inciso IV. Por outro lado, se esse mesmo posto de gasolina aluga andaimes de terceiros para a execução de uma obra de ampliação de suas instalações, o valor dessa locação deverá ser contabilizado no ativo imobilizado e, por conseguinte, não gerará direito de crédito de PIS e Cofins sobre o custo de locação, mas sobre a depreciação do imóvel. Traçada tal conceituação, fica realmente claro que a fiscalização motivou o lançamento pelo fato de que as despesas com aluguel de máquinas e equipamentos "integram o custo das benfeitorias realizadas e que, portanto, deveriam ter o mesmo tratamento a elas atribuído, qual seja, a contabilização no imobilizado para posterior depreciação ou amortização". Ou seja, atribuiu como fundamento jurídico da autuação o comando do inciso VI do artigo 3º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003. Desse modo, assim como concluído no item anterior, encaminho o meu voto no sentido de que, de fato, os créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS foram apropriados de forma equivocada pela Recorrente, já que não poderiam ter sido tomados como custos no mês em que incorrido, mas sim na forma de depreciação futura. Portanto, deve ser mantida a glosa dos créditos sobre gastos com o aluguel de máquinas para a realização de benfeitorias. 4. Dos débitos lançados Como bem aponta a Recorrente, o auto de infração foi lavrado porque a autoridade fiscal não reconheceu os créditos pleiteados em seus pedidos de ressarcimento, julgados em conexão com os presentes autos. Assim, não há dúvida de que, o quanto decidido em relação aos créditos implicará numa manutenção ou diminuição dos débitos calculados pela Fiscalização, e cobrados por meio do lançamento tributário ora sob apreço. Desse modo, não há controvérsia sobre essa matéria, aqui simplesmente mencionada no intuito de evitar eventuais embargos de declaração. 5. Da multa de lançamento de oficio A Recorrente brada ainda pela decretação do caráter confiscatório da multa que lhe foi aplicada, com base no artigo 150 inciso IV, além do princípio da proporcionalidade e da razoabilidade, todos estampados na Constituição Federal. Entretanto, a argumentação da Recorrente não escapa de uma necessidade de aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 600DF CARF MF Processo nº 10242.720009/201536 Acórdão n.º 3402006.469 S3C4T2 Fl. 346 27 Ademais, no âmbito do processo administrativo fiscal é expressamente vedado afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, por força do artigo 59 do Decreto no 7.574/2011. Portanto, não merece conhecimento a alegação de que a multa seria confiscatória, desproporcional, não razoável e, portanto, inconstitucional. 6. Da suspensão da exigibilidade. Com relação ao pedido de suspensão da exigibilidade do crédito tributário constituído nos presentes autos, com fundamento no art. 151 do CTN, o mesmo carece de objeto, pois atendido está. Dispositivo Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar as glosas referentes aos gastos com frete na aquisição de combustíveis para revenda. Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 601DF CARF MF
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Numero do processo: 14112.000278/2010-12
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005, 2006
VALORAÇÃO. CRÉDITO. DÉBITO.
No que se refere a valoração, em regra, o termo inicial da incidência dos juros de mora incidente sobre o valor do crédito referente ao pagamento indevido ou a maior é o mês subsequente ao do recolhimento. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica sofrem a incidência de acréscimos legais até a data de entrega do Per/DComp.
Numero da decisão: 1003-000.646
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006 VALORAÇÃO. CRÉDITO. DÉBITO. No que se refere a valoração, em regra, o termo inicial da incidência dos juros de mora incidente sobre o valor do crédito referente ao pagamento indevido ou a maior é o mês subsequente ao do recolhimento. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica sofrem a incidência de acréscimos legais até a data de entrega do Per/DComp. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama. Relatório A Recorrente formalizou os Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declarações de Compensação (Per/DComp) nº 31035.34692.201107.1.3.040262, em 20.11.2007, fls. 6064, nº 35865.60003.211107.1.3.042982 em 21.11.2007, fls. 6569, e nº AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 11 2. 00 02 78 /2 01 0- 12 Fl. 295DF CARF MF Processo nº 14112.000278/201012 Acórdão n.º 1003000.646 S1C0T3 Fl. 296 2 01471.57990.281107.1.7.040582 em 28.11.2007, fls. 7076, utilizandose dos créditos relativos aos pagamentos a maior efetuados pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples, código 6106, do mês de fevereiro do anocalendário de 2005, bem como dos meses de janeiro e março do anocalendário de 2006 nos valores respectivamente de R$22.117,67 arrecadado em 21.02.2005, R$22.117,67 arrecadado em 10.01.2006 e R$20.917,97 arrecadado em 17.03.2006, para compensação dos débitos ali confessados. Consta no Despacho Decisório Eletrônico, fls. 9192, que as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo deferimento em parte do pedido: RELATÓRIO O presente processo foi formalizado para tratar manualmente Declarações de Compensação transmitidas pelo interessado em referência, após justificar ausência de Declaração do Simples, a qual havia sido intimada a apresentar, sob pena de não homologação das compensações. [...] N° PER/DCOMP Dados dos créditos [...] Código Receita Data do pagamento Valor total do DARF [...] 31035.34692.201107.1.3.040262 (fls. 60/64) 6106 21/02/2005 22.117,67 [...] 35865.60003.211107.1.3.042982 (fls. 65/69) 6106 10/01/2006 12.409 44 [...] 01471.57990.281107; 1.7.040582 (fls. 70/76) 6106 17/03/2006 20.917,97 [...] No requerimento, argumentou que fora excluído retroativamente do Simples e que apresentou as DIPJ e DCTF apurando os tributos devidos pelo regime de tributação do Lucro Presumido. Informou que as Declarações do Simples foram canceladas e não são devidas, motivo pelo qual não poderia atender às intimações. Juntou cópia das intimações, das Dcomp, das DIPJ, de documentos relativos à exclusão do Simples e de alteração contratual. FUNDAMENTAÇÃO A restituição e a compensação de créditos junto a Secretaria da Receita Federal do Brasil, à época, era disciplinada através da Instrução Normativa SRF 600, de 2005, [...]. A motivação apresentada pelo contribuinte para a compensação é a de que a empresa teria efetuado recolhimento no âmbito do Simples, sendo, posteriormente, excluído do regime. Utiliza os pagamentos para compensar débitos apurados pelo regime do Lucro Presumido. Fl. 296DF CARF MF Processo nº 14112.000278/201012 Acórdão n.º 1003000.646 S1C0T3 Fl. 297 3 A exclusão retroativa do Simples foi confirmada, assim como os pagamentos utilizados (fls. 77), que estão disponíveis para utilização. Ademais, verificamos que as DCTF foram apresentadas. Ocorre, no entanto, que as quantias pleiteadas não são suficientes para compensar integralmente os débitos, consoante cálculos de fls. 78 a 90. [...] DECISÃO Diante do exposto, no uso da Delegação de Competência de que trata a Portaria DRF/CGE n° 91, de 10/06/2011, HOMOLOGO PARCIALMENTE as compensações declaradas. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 6ª Turma/DRJ/POA/RS nº 1055.016, de 14.05.2015, efls. 246250: PER/DCOMP ENTREGUE APÓS O VENCIMENTO DO DÉBITO. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. JUROS COMPENSATÓRIOS. A extinção do crédito tributário pelo instituto da compensação se verifica no momento da entrega do PER/DCOMP, sendo que os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e sobre os débitos haverá a incidência de juros e multa de mora, calculados do seu vencimento até a data de transmissão de declaração. A transmissão de PER/DCOMP em data posterior ao vencimento do débito a compensar implica a incidência da multa moratória, o que, no caso, tornou o direito creditório insuficiente para a homologação total da compensação. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE As impugnações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo administrativo tributário, suspendem a exigibilidade do crédito tributário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 08.06.2015, efl. 258, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 06.07.2015, efls. 259287, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fundamentos de fato e de direito aduz que: 3.RAZÕES DE RECURSO VOLUNTÁRIO; Em que pese o notório saber da Excelsa Turma julgadora, a r. Decisão recorrida não merece prosperar, pelas razões a seguir descritas. 3.1 PRELIMINARES DE MÉRITO: 3.1.1 DA PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE: A duração razoável do processo está ligada ao princípio da eficiência da administração pública, ao qual encontrase estritamente vinculada (art. 37, CF). Embora inserto no próprio texto constitucional, no ano de 2007 foi publicada a Lei n° 11.457, que em seu artigo 24, determinou: Fl. 297DF CARF MF Processo nº 14112.000278/201012 Acórdão n.º 1003000.646 S1C0T3 Fl. 298 4 É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. Grifo nosso. Cuidandose de norma de natureza processual deve ter aplicação imediata. Compulsando os autos verificase que a manifestação de inconformidade foi protocolada em 07 de outubro de 2011, e o julgamento ocorreu em 14 de maio de 2015, ou seja, após três anos e sete meses. Ante o exposto, requer seja declarada a prescrição intercorrente nos presentes autos, extinguindose o crédito tributário como medida de direito e de inteira justiça. 3.1.2 PA NULIDADE DO JULGAMENTO POR NÃO ATENDER AOS REQUISITOS INERENTES AO ATO: Caso superado o disposto no item 3.1.1, o que se admite apenas a título de argumentação, ainda assim o julgamento deve ser declarado nulo de pleno direito. Como é cediço, o processo administrativo fiscal encontrase regulado, em seu aspecto formai, pelo Decreto n° 70.235/72, e, especificamente no que se refere a constituição das Turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federai do Brasil de Julgamento DRJ's, pela Portaria MF n° 341, de 12 de julho de 2011. De simples análise ao r. Acórdão recorrido, constatase que há apenas um voto, qual seja, da Relatoria, sendo que a legislação regente impõe julgamento colegiado. O ato não estaria eivado de nulidade caso houvesse a sua remessa aos demais membros da turma, para apreciação, concordância ou dissidência em relação ao voto da relatoria, fazendo constar tais votos no julgamento. Ou então, que se colhesse os votos do membros presentes demais julgadores. Entretanto, nada há nos autos que identifique o voto dos demais julgadores. Isso não pode ser presumido. Precisa ser inequivocamente provado, sob pena de nulidade absoluta. O r. Acórdão recorrido foi assinado digitalmente pela Relatoria e pela Presidente da Turma. Em seu teor parte inicial consta apenas que: Participaram ainda do presente julgamento, as julgadoras Lilian Kerber Bolsson e Maria Breyer Kosciuk. Assim, com o devido respeito, o r. Acórdão em momento algum indica se os demais membros da Turma votaram, ou ainda que tivessem votado, se o voto individualizado teria sido a favor ou contra a decisão da Relatoria, razão peia qual não se pode "presumir" pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, para condenar o Contribuinte, ora Recorrente, ao pagamento do suposto crédito tributário, sobretudo pelo fato de o Julgamento ter afrontado o disposto na Portaria MF n° 341 de 12/07/2011, acima mencionada, que disciplinou a constituição das Turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ. [...] Fl. 298DF CARF MF Processo nº 14112.000278/201012 Acórdão n.º 1003000.646 S1C0T3 Fl. 299 5 Verificase que no r. Acórdão consta o nome de apenas 4 (quatro) membros, sendo que apenas 1 (um) externou o seu voto, enquanto que o art. 1ª da supramencionada Portaria determina o número mínimo de 5 (cinco) julgadores. Referida Portaria, em seus artigos 14 e 15, parágrafos e incisos, deixa claro o procedimento a ser adotado em cada sessão de Julgamento, que, com o devido respeito também não foi observado pela ínclita Turma Julgadora, [...] De simples análise nos autos constatase a ausência de votos dos demais membros da Turma, além da ausência de quorum, requisitos formais que atraem, irremediavelmente, a nulidade do julgamento. Ademais, fere princípios Constitucionais basilares, como o do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. Se o julgamento deve ser efetuado por um colegiado, a ausência de voto de todos os seus membros não pode convalidar o ato. Ante o exposto, requer seja declarado nulo o v. Acórdão recorrido, determinando o retorno dos autos à origem para prolação de nova decisão, como medida de direito e de inteira justiça. 3.2 RAZÕES DE MÉRITO: Na eventualidade de serem superados os argumentos encetados em preliminares de mérito, também não merece prosperar a r. Decisão Recorrida, como restará a seguir demonstrado. É fato incontroverso, nos autos, que: a)Os fatos geradores apurados nas declarações LUCRO PRESUMIDO são os mesmos daqueles apurados nas declarações SIMPLES. b)Houve recolhimentos tempestivos de todos os impostos e contribuições sociais enquanto a empresa se manteve no SIMPLES, e que tais recolhimentos foram reconhecidos pelo Sujeito Ativo da Obrigação Tributária, tanto que convalidou tais valores nas compensações. c)A retroatividade na exclusão do SIMPLES não altera o fato gerador da obrigação tributária, nem a personalidade jurídica do ente tributado Recorrente. d)O Código Tributário Nacional admite o instituto da compensação. e)A Recorrente, ao ser intimada da exclusão no SIMPLES, praticou todos os atos, in continenti, efetuando a entrega da Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica com base no Lucro Presumido. f)A diferença entre os impostos/contribuições apuradas pelo regime SIMPLES e LUCRO PRESUMIDO, foi paga com o acréscimo da multa. Nada obstante, na Decisão Recorrida invocouse o artigo 74, parágrafos 1° e 2°, da Lei n° 9.430/96, e artigos 28 e 52 da Instrução Normativa SRF n° 600, para determinar a exação no que pertine a multa de mora, razão pela qual o valor dos créditos não teriam sido suficientes para compensar os débitos. Com a devida vénia discorda a ora Recorrente, uma vez que se trata de créditos tributários referentes ao mesmo fato gerador e à mesma competência. Fl. 299DF CARF MF Processo nº 14112.000278/201012 Acórdão n.º 1003000.646 S1C0T3 Fl. 300 6 Logo, se houve a compensação apenas dos valores efetivamente pagos, não poderia haver tal exação sob pena de caracterizar enriquecimento sem causa por parte do Sujeito Ativo da Obrigação Tributária, uma vez que tais valores já estavam com o Erário desde o seu vencimento, sendo pois inegável que os pagamentos foram efetuados tempestivamente. Sendo ambos os valores crédito do fisco e crédito do contribuinte iguais e da mesma competência, a simples alocação de créditos, ou a emissão de REDARF extinguiria o crédito tributário, sendo pois, desnecessário o preenchimento da PerDcomp. No entanto, tendo o Contribuinte intentado desta forma junto à Receita Federai do Brasil, lhe fora negado tal procedimento, ex surgindo, daí, toda a celeuma que desencadeou na presente lide. Além dos procedimentos acima descritos, que poderiam ter sido implementados, à época, há que considerar, ainda, que se trata de crédito decorrente de obrigação principal do contribuinte quitando débito decorrente de obrigação principal do mesmo contribuinte, frisese, referente ao mesmo fato gerador e competência. Logo, ainda que não tenha sido possível, à época, a alocação dos recursos ou emissão de REDARF para extinguir o crédito tributário, por razões que o Contribuinte desconhece, o instituto da norma mais benéfica deve ser aplicado em favor do Recorrente para considerar que parte da obrigação principal apurada na Declaração entregue sob a modalidade de LUCRO PRESUMIDO já havia sido paga nos respectivos meses de competência sob a forma de SIMPLES e não se sujeita à exação da multa. Diante disso, no máximo e por hipótese, o que deveria prevalecer seria apenas e tão somente a multa por atraso na entrega da declaração na modalidade LUCRO PRESUMIDO, destarte afigurandose grande injustiça a dupla penalidade, sobretudo pelo fato de tal crédito tributário já ter sido satisfeito à época (tempestivamente), enquanto sob o regime do SIMPLES. No que concerne ao pedido conclui que: 33 DOS PEDIDOS: Ex positis, requer: a)Seja acolhida a preliminar de prescrição intercorrente para declarar extinto o crédito tributário; b)Superado o pedido anterior, que seja reconhecida a nulidade do julgamento por vício formal insanável, determinando o retorno dos autos à origem para prolação de nova decisão; c)Superados os pedidos anteriores, que seja recebido o presente recurso para, no mérito reformar a decisão recorrida e determinar a extinção do crédito tributário como medida de direito e de inteira JUSTIÇA. d)Tendo a Recorrente Interposto tempestivamente o presente Recurso, permanece a fase litigiosa do procedimento, situação que impõe a manutenção da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, tornando ineficaz a decisão recorrida até final julgamento, o que também se requer. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 14112.000278/201012 Acórdão n.º 1003000.646 S1C0T3 Fl. 301 7 É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente expressamente considera incontroversas as seguintes matérias conforme consta no recurso voluntário em 06.07.2015, efls. 259287: É fato incontroverso, nos autos, que: a)Os fatos geradores apurados nas declarações LUCRO PRESUMIDO são os mesmos daqueles apurados nas declarações SIMPLES. b)Houve recolhimentos tempestivos de todos os impostos e contribuições sociais enquanto a empresa se manteve no SIMPLES, e que tais recolhimentos foram reconhecidos pelo Sujeito Ativo da Obrigação Tributária, tanto que convalidou tais valores nas compensações. c)A retroatividade na exclusão do SIMPLES não altera o fato gerador da obrigação tributária, nem a personalidade jurídica do ente tributado Recorrente. d)O Código Tributário Nacional admite o instituto da compensação. e)A Recorrente, ao ser intimada da exclusão no SIMPLES, praticou todos os atos, in continenti, efetuando a entrega da Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica com base no Lucro Presumido. f)A diferença entre os impostos/contribuições apuradas pelo regime SIMPLES e LUCRO PRESUMIDO, foi paga com o acréscimo da multa. A Recorrente aduz que houve prescrição intercorrente. Contrariamente a esse entendimento a matéria consta de enunciado sumular, que é de observância obrigatória pelos membros do CARF (art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do Carf, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015): Súmula CARF nº 11 Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.(Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. O Despacho Decisório foi lavrado por servidor competente que verificando a ocorrência da causa legal emitiu o ato revestido das formalidades legais com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilo ou impugnálo no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa Fl. 301DF CARF MF Processo nº 14112.000278/201012 Acórdão n.º 1003000.646 S1C0T3 Fl. 302 8 jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância (inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art 6º da Lei nº 10.593, de 06 de dezembro de 2001, art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Diferentemente do entendimento do Recorrente, o art. 31 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972 determina que "a decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação". O procedimento foi realizado conforme o rito previsto na Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011, que disciplina a constituição das Turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ): Art. 15. Anunciado o julgamento de cada processo, o Presidente da Turma dá a palavra ao relator para leitura do relatório e, em seguida, aos demais membros da Turma para debate de assuntos pertinentes ao processo. § 1º Encerrado o debate, o Presidente da Turma toma, sucessivamente, o voto do relator, o dos membros da Turma que tiverem vista e o dos demais, e vota por último, anunciando, em seguida, o resultado do julgamento. [...] § 12. O voto será encaminhado ao Presidente da Turma no prazo de até 30 (trinta) dias após a sessão de julgamento, no caso de voto reformulado em sessão ou de designação de relator para o acórdão. § 13. A declaração de voto escrita integra o acórdão, se encaminhada ao Presidente da Turma dentro de até 8 (oito) dias contados da sessão de julgamento ou da entrega do voto pelo relator designado. [...] Art. 21. As decisões serão assinadas pelo relator, pelo redator designado, sendo o caso, e pelo Presidente da Turma, e delas constarão o nome dos julgadores presentes, mencionandose, se houver, os impedidos, os ausentes, bem como os julgadores vencidos e a matéria em que o foram. Consta na parte dispositiva do Acórdão da 6ª Turma/DRJ/POA/RS nº 10 55.016, de 14.05.2015, efls. 246250, que prevalece sobre o teor do conteúdo decisório: Acordam os membros da 6ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. Sala de Sessões, em 14 de maio de 2015. Assinado digitalmente por Estelita Rovinski AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil Relatora Fl. 302DF CARF MF Processo nº 14112.000278/201012 Acórdão n.º 1003000.646 S1C0T3 Fl. 303 9 Assinado digitalmente por Cecília Dutra Pillar AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil Presidente Participaram ainda do presente julgamento, as julgadoras Lílian Kerber Bolsson e Maria Marta Breyer Kosciuk. (grifos acrescentados) Ademais, a decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da Recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. Sobre a matéria, cabe indicar o entendimento emanado em algumas oportunidade pelo Supremo Tribunal Federal1: Não há falar em negativa de prestação jurisdicional quando, como ocorre na espécie vertente, "a parte teve acesso aos recursos cabíveis na espécie e a jurisdição foi prestada (...) mediante decisão suficientemente motivada, não obstante contrária à pretensão do recorrente" (AI 650.375 AgR, rel. min. Sepúlveda Pertence, DJ de 1082007), e "o órgão judicante não é obrigado a se manifestar sobre todas as teses apresentadas pela defesa, bastando que aponte fundamentadamente as razões de seu convencimento" (AI 690.504 AgR, rel. min. Joaquim Barbosa, DJE de 2352008).[AI 747.611 AgR, rel. min. Cármen Lúcia, j. 13102009,1ª T, DJE de 13112009.] =AI 811.144 AgR, rel. min. Rosa Weber, j. 2822012, 1ª T, DJE de 1532012 = AI 791.149 ED, rel. min. Ricardo Lewandowski, j. 1782010, 1ª T, DJE de 2492010 (grifos do original) As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. A proposição afirmada pela Recorrente, desse modo, não pode ser ratificada. A Recorrente aponta informações sobre o procedimento de Redarf. O Parecer Normativo Cosit nº 08, de 03 de setembro de 2014, prevê: Conclusão 81. Em face do exposto, concluise que: [...] b) a retificação de ofício de débito confessado em declaração, para reduzir o saldo a pagar a ser encaminhado à PGFN para inscrição na Dívida Ativa, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração; Por seu turno, o Anexo I do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil (RFB), aprovado pela Portaria MF nº 430, de 09 de outubro de 2017, determina: Art. 270. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil (DRF), à Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes do Rio de Janeiro (Demac/RJO), à Delegacia 1 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. A constituição e o supremo do art. 93. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/constituicao/artigoBd.asp#visualizar>. Acesso em: 30 mai. 2018. Fl. 303DF CARF MF Processo nº 14112.000278/201012 Acórdão n.º 1003000.646 S1C0T3 Fl. 304 10 Especial da Receita Federal do Brasil de Pessoas Físicas (Derpf) e às Alfândegas da Receita Federal do Brasil (ALF) compete, no âmbito da respectiva jurisdição, no que couber, gerir e executar as atividades de cadastros, de arrecadação, de controle, de cobrança, de recuperação e garantia do crédito tributário, de direitos creditórios, de benefícios fiscais, de atendimento e orientação ao cidadão, de comunicação social, de fiscalização, de controle aduaneiro, de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística, de gestão de pessoas e de planejamento, avaliação, organização e modernização. [...] § 6º As atividades de prestação de informações ao contribuinte, excetuandose as que envolverem a interpretação da legislação tributária, aduaneira e correlata, de recepção de documentos, de alteração cadastral e de retificação de documentos de arrecadação deverão ser executadas por qualquer Delegacia ou Alfândega, independentemente da sua jurisdição. A atividade de retificação de documentos de arrecadação e a revisão de ofício do débito tributário confessado cabe a autoridade administrativa, nos termos do art. 149 do Código Tributário Nacional. A Recorrente discorda do procedimento fiscal a incidência de juros de mora e aplicação da multa de mora sobre os débitos confessados nos Per/DComp. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em 31.10.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§1º do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, art. 17 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003). O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995). Instaurada a fase litigiosa do procedimento, a Recorrente deve detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, Fl. 304DF CARF MF Processo nº 14112.000278/201012 Acórdão n.º 1003000.646 S1C0T3 Fl. 305 11 orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrarseia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. No que se refere a valoração, em regra, o termo inicial da incidência dos juros de mora incidente sobre o valor do crédito referente ao pagamento indevido ou a maior é o mês subsequente ao do recolhimento. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica sofrem a incidência de acréscimos legais até a data de entrega do Per/DComp, na forma da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que determina: Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Esta previsão legal consta no art. 28 da Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, no art. 28 da Instrução Normativa SRF nº 460, de 17 de outubro de 2004, no art. 28 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, no art. 53 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, no art. 43 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de dezembro de 2012 e no art. 70 da Instrução Normativa RFB nº 1.717, de 17 de julho de 2017, todas editadas com fundamento no poder disciplinar da RFB previsto no § 14 do art. 74 da Lei n º 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Os direitos creditórios pleiteados foram integralmente utilizados para quitação dos débitos ali confessados e valorados nos termos da legislação de regência. O argumento de que os débitos objeto de compensação referente aos tributos devidos apurados com base no lucro presumido somente são pagos fora dos prazos previstos nas normas específicas em razão da exclusão do Simples, não pode ser ratificado em razão da falta de previsão legislativa. Fl. 305DF CARF MF Processo nº 14112.000278/201012 Acórdão n.º 1003000.646 S1C0T3 Fl. 306 12 No presente caso, a partir das características dos DARF's discriminados nos Per/DComp foram identificadas aa alocações para quitação de débitos da Recorrente, não restando crédito disponível para compensação. Verificase que todos os documentos constantes nos autos foram analisados. As informações constantes na peça de defesa não podem ser consideradas, pois não foram produzidos no processo elementos de prova mediante assentos contábeis e fiscais que evidenciem as alegações ali constantes, nos termos do art. 145 e art. 147 do Código Tributário Nacional, bem como art. 15, art. 16 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, que estabelecem critérios de adoção do princípio da verdade material. Observese que não foram carreados aos autos pela Recorrente os dados essenciais a produzir um conjunto probatório robusto da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado. Consta no Acórdão da 6ª Turma/DRJ/POA/RS nº 1055.016, de 14.05.2015, efls. 246250, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): O Interessado procura demonstrar que possui crédito e que estava autorizado a aproveitálo em compensação. A decisão impugnada reconheceu o montante pleiteado e o usou para extinguir parte do débito confessado. A compensação foi homologada apenas parcialmente porque o crédito reconhecido foi insuficiente para compensar o débito declarado. Nesse sentido, cabe lembrar que a extinção do crédito tributário, pelo instituto da compensação, justamente o que pretendeu o interessado, somente se verifica no momento da entrega do PER/DCOMP. Como a transmissão se deu em 11/2007, somente nessa data é que se efetivou a compensação, consoante dispõe o art. 74, §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430/1996. Conforme informações do processo, para aproveitar os recolhimentos efetuados pela sistemática do Simples, o contribuinte transmitiu três pedidos de compensação: 1 em 20/11/2007 o de nº 31035.34692.201107.1.3.040262: onde pede para compensar crédito do Simples do período de apuração 31/01/2005 (pago em 21/02/2005) com débitos de IRPJ (2089) dos períodos de apuração 1º Trim/2005 (vencimento em 29/04/2005) e 2º Trim/2004 (vencimento em 31/07/2004); 2 em 21/11/2007 o de nº 25865.60003.211107.1.3.042982: onde pede para compensar crédito do Simples do período de apuração 31/12/2005 (pago em 10/01/2006) com débitos de CSLL (2372) dos períodos de apuração 1º Trim/2005 (vencimento em 29/04/2005) e 4º Trim/2005 (vencimento em 31/01/2006); 3 em 28/11/2007 o de nº 01471.57990.281107.1.7.040582: onde pede para compensar crédito do Simples do período de apuração 28/02/2006 (pago em 17/03/2006)com débitos de CSLL (2372) dos períodos de apuração 1º Trim/2006 (vencimento em 28/04/2006), 2º Trim/2006 (vencimento em 31/07/2006), 3º Trim/2006 (vencimento em 31/10/2006), 4º Trim/2006 (vencimento em 31/01/2007); de COFINS (2172) dos períodos de apuração Jan/2006 (vencimento em 15/02/2006) e Jul/2006 (vencimento em 15/08/2006). Como as Declarações de Compensação foram transmitidas em 11/2007 e os Darfs foram recolhidos em 21/02/2005, 10/01/2006 e 17/03/2006, o crédito deve ser corrigido pela Selic (mês do pagamento até 11/2007), de acordo com o art. 28 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28/12/2005, vigente à época da transmissão dos Fl. 306DF CARF MF Processo nº 14112.000278/201012 Acórdão n.º 1003000.646 S1C0T3 Fl. 307 13 pedidos de compensação, e os débitos sofrerão incidência de acréscimos legais até a data da entrega da Declaração de Compensação [...] Como exemplo citamos o débito de IRPJ, 2089, do período de apuração 1º Trim/2005, no valor de R$ 29.674,27, que venceu em 29/04/2005. Como o PER/DCOMP foi entregue em 20/11/2007, considerase que sobre este débito, por estar em atraso, incidirá multa de mora e juros até a data de sua extinção, de acordo com o art. 61 da Lei Nº 9.430/1996: [...] Ressaltese que este pedido de compensação não é retificador de outro, o que poderia modificar a data de extinção do débito compensado. Fazendose, então, o encontro de contas entre crédito e débito chegase ao saldo devedor exatamente como demonstrou o Despacho Decisório recorrido (fls. 164/166) e telas de fls. 138/162. No caso, como a incidência de tais acréscimos decorre de expressa previsão legal, e houve atraso efetivo no pedido de extinção dos débitos, não há como atender a solicitação do contribuinte, devendo ser mantidos os termos do Despacho Decisório bem como a exigência nele constante. Quanto à suspensão da exigibilidade do crédito, as impugnações e recursos apresentados pelo contribuinte dentro do prazo de defesa suspendem a sua exigibilidade, nos termos do artigo 151, III, do Código Tributário Nacional. Temse que nos estritos termos legais este entendimento está de acordo com o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 307DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.965246/2009-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1301-000.673
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão proferido pela 1ª Turma da DRJ/CTA, que, ao apreciar a Manifestação de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 65 24 6/ 20 09 -0 2 Fl. 314DF CARF MF Processo nº 15374.965246/200902 Resolução nº 1301000.673 S1C3T1 Fl. 315 2 Inconformidade apresentada, entendeu, por unanimidade de votos, considerála improcedente, não reconhecendo o direito creditório e não homologando a compensação declarada. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento de primeira instância, a seguir transcrito: Tratase de Declaração de Compensação retificadora nº 22954.46910.240108.1.3.048496, constante de fls. 144 a 148, apresentada em 24/01/2008, para utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior que o devido de IRPJ (cód. 2089), relativo ao período de apuração do 4º trimestre de 2006, no valor total de R$ 95.439,95, com débito do mesmo tributo, no mesmo valor, relativo ao período de apuração do 4º trimestre de 2007. Conforme Despacho Decisório nº 848605612, de fl. 151, foi indeferido o pedido, em virtude da inexistência do crédito informado, uma vez que o pagamento discriminado no PER/DCOMP, cujo valor original total era de R$ 174.332,58, foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada em 20/10/2009 (AR de fl. 150), a contribuinte interpôs, em 28/10/2009, manifestação de inconformidade de fls. 2 e 3, acompanhada de documentos de fls. 4 a 143. Alega, em apertada síntese, houve divergência no preenchimento da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) relativa ao segundo semestre de 2006, no campo do valor do débito, cujo valor correto seria de R$ 88.482,03, e uma vez que efetuou o pagamento no valor de R$ 174.332,58, teria direito ao crédito no valor de R$ 85.850,45 Informa que o crédito original foi descrito e regularizado na DCTF retificadora, apresentada em 26/10/2009, relativa ao segundo semestre de 2006. Comprova suas alegações através de DCTF retificadora do segundo semestre de 2006 e Darf com recolhido a maior, no valor de R$ 174.332,58. Por fim, requer a reanálise a PER/DCOMP nº 22954.46910.240108.1.3.048496, o cancelamento do débito fiscal reclamado e do indeferimento de seu pleito. Efetuei a juntada da relação de DCTFs Semestrais, relativas ao ano calendário de 2006, apresentadas pela interessada, bem como do Demonstrativo do Saldo a Pagar do Débito do IRPJ do 4º Trim /2006, da DCTF relativa ao 2º Semestre de 2006, apresentada pela interessada em 22/05/2007. É o relatório. Naquela oportunidade, a r.turma julgadora entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade apresentada, nos termos do Acórdão a seguir ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 315DF CARF MF Processo nº 15374.965246/200902 Resolução nº 1301000.673 S1C3T1 Fl. 316 3 Anocalendário: 2008 DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS. RETIFICAÇÃO APÓS CIÊNCIA DE DESPACHO DECISÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ciente do acórdão recorrido em 13/08/2012 (fls. 166), e com ele inconformado, a recorrente apresentou em 12/09/2012 (fl. 168), tempestivamente, recurso voluntário, através de representante legal, pugnando pelo provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Porém, do exame dos autos, considero que o processo ainda não reúne condições de julgamento, pelos motivos que passo a expor. Da Análise do Recurso Voluntário Da Juntada de Novos Documentos em sede de Recurso Voluntário Antes da análise dos argumentos de defesa, deve ser submetida à deliberação deste Colegiado a possibilidade de juntada de novos documentos, e que eles sejam admitidos como provas no processo. Esses documentos foram acostados ao processo quando da apresentação do recurso voluntário. Em relação a esse ponto, é importante destacar a disposição contida no §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que trata da apresentação da prova documental na impugnação. Em que pese existir entendimento pela não admissão destes documentos com fulcro nesse dispositivo, penso que não se deve cercear o direito de defesa do contribuinte, impedindoo de apresentar provas, sob pena de ferir os princípios da verdade material, da racionalidade, da formalidade moderada e o da própria efetividade do processo administrativo fiscal. Primeiro, de acordo com esse mesmo Decreto, em seu artigo 18, pode o julgador, espontaneamente, em momento posterior à impugnação, determinar a realização de diligência, com a finalidade de trazer aos autos outros elementos de prova para seu livre convencimento e motivação da sua decisão. Se isso é verdade, porque não poderia o mesmo julgador aceitar provas, ainda que trazidas aos autos após à Impugnação, quando verificado que Fl. 316DF CARF MF Processo nº 15374.965246/200902 Resolução nº 1301000.673 S1C3T1 Fl. 317 4 são pertinentes ao tema controverso e servirão para seu livre convencimento e motivação da decisão? A rigidez na aceitação de provas apenas em um momento processual específico não se coaduna com a busca da verdade material, que é indiscutivelmente informador do processo administrativo fiscal pátrio. Desse modo, existindo matéria controvertida, e o contribuinte traz novos elementos de provas relacionados a essa matéria, de modo a corroborar, materialmente, com o desfecho da lide, ainda que as apresente após sua Impugnação. não deve estas provas ser desconsideradas pelo julgador administrativo, em face do momento processual em que ocorre a juntada. Notese que a possibilidade de conhecer de elementos de provas trazidos posteriormente à impugnação, não só representa uma medida de racionalização e maximização da efetividade jurisdicional do processo administrativo fiscal, como também representa um positivo reflexo na redução da judicialização de litígios tributários. Logo, embora o artigo 16, §4ª, do Decreto nº 70.235/72, estabeleça regra atribuindo o efeito de preclusão a respeito de prova documental, isso não impede, segundo meu modo de ver, com base em outros princípios contemplados no processo administrativo fiscal, em especial os princípios da verdade material, da racionalidade e o da própria efetividade do processo administrativo fiscal, que o julgador conheça e analise novos documentos apresentados após a defesa inaugural. Semelhante raciocínio chegou o CSRF, no julgamento do Acórdão nº 9101 002.781, em que também se conheceu da possibilidade de juntada de documentos posterior à apresentação de impugnação administrativa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/199 (G.N) Por estes motivos, os documentos apresentados em sede de recurso devem ser admitidos e apreciados. Da Conversão do Julgamento em Diligência Conforme relato, o contribuinte requer a compensação de direito creditório oriundo de pagamento a maior que o devido, a título de IRPJ (código 2089), relativo ao período de apuração do 4º trimestre de 2006, no valor de R$ 95.439,95, com débito do mesmo tributo, no mesmo valor, relativo ao período de apuração do 4º trimestre de 2007. Por meio de despacho decisório, a DRF analisou o pedido formulado, decidindo por seu indeferimento, sob o argumento de inexistir o direito creditório postulado, após Fl. 317DF CARF MF Processo nº 15374.965246/200902 Resolução nº 1301000.673 S1C3T1 Fl. 318 5 constatar que o valor recolhido foi alocado integralmente a débitos de idênticos valores, informados em DCTF. Em sua defesa, o contribuinte aduz que preencheu incorretamente a DCTF do período (em 22/05/2007) e que, posteriormente, após ter sido cientificado do teor do despacho decisório, corrigiu tal informação com a apresentação de DCTF retificadora (em 26/10/2009). Logo, ao recolher o valor de R$ 174.332,58, referente ao mesmo período, concluiu remanescer a quantia de R$ 85.850,45, recolhida a maior, que em valores atualizados alcançariam R$ 95.439,95. Analisando seus argumentos, a 5ª Turma da DRJ/RJ1 negou provimento à manifestação de inconformidade apresentada, sob o seguinte entendimento: A informação prestada em DCTF retificadora apresentada após a ciência do despacho decisório que indeferiu a homologação da compensação, em razão da inexistência de direito creditório pleiteado, em virtude de que o pagamento declarado foi completamente alocado a débitos confessados na DCTF original, não pode ser considerada desacompanhada de documentação, hábil e idônea, comprobatória da correção da informação retificada, conforme preceitua o § 1º, do art. 147, do Código T ributário Nacional. Uma vez que a DCTF apresentada em 22/05/2007 foi preenchida pela própria contribuinte e devia retratar os dados da escrituração da pessoa jurídica, a simples alegação de que a DCTF foi preenchida incorretamente não é suficiente para se comprovar o erro no preenchimento daquela declaração, sem apoio nos registros contábeis e fiscais da interessada e/ou em outros elementos consistentes de prova. Assim, impõese reconhecer que inexiste o direito creditório pleiteado, à vista da correspondência dos recolhimentos efetuados aos débitos informados em DCTF. Vale notar que a DRJ não apresentou nenhum obstáculo para que o contribuinte retificasse a DCTF após ter sido cientificado do despacho decisório, apenas disse que, se assim o faz, deve apresentar os registros contábeis e fiscais da interessada e/ou em outros elementos consistentes de prova, para dar respaldo a retificação efetuada. Irresignado com a decisão que lhe foi desfavorável, o contribuinte apresenta recurso voluntário a este Conselho, juntando na oportunidade novos documentos, quais sejam: DIPJ 2007 (anocalendário 2006) retificadora; DCTF retificadora; Per/Dcomp; DARF; Relação de rendimentos e imposto retido por fonte pagadora; cópia do balancete contábil de dez/2006, entre outros. E, ao final, pugnou pela procedência do seu recurso. Como se viu anteriormente, admitiuse a juntada dos documentos trazidos em sede de recurso e sobre eles não se manifestou a unidade de origem. Da análise destes documentos, em tese, vêse que eles podem comprovar a existência do direito creditório postulado. Assim, conduzo meu voto no sentido de que os autos sejam convertidos em diligência, para que a Delegacia de Origem adote as seguintes providências: Fl. 318DF CARF MF Processo nº 15374.965246/200902 Resolução nº 1301000.673 S1C3T1 Fl. 319 6 i) aferir a existência do direito creditório postulado, inclusive a sua disponibilidade, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas; ii) Após, deverá a autoridade fiscal elaborar relatório conclusivo das verificações efetuadas no item anterior. iii) Ao final do relatório conclusivo, o contribuinte deverá ser cientificado do seu resultado, facultandolhe a oportunidade de se manifestar nos autos sobre suas conclusões, no prazo de 30 dias, em conformidade com o parágrafo único, art. 35, do Decreto 7.574/2011. Na seqüência, o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento, sendo distribuído a este Conselheiro independentemente de sorteio. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 319DF CARF MF
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Numero do processo: 13851.901916/2011-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.865
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento no Rio de Janeiro que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versa o processo sobre pedido de ressarcimento e declaração de compensação relativos a crédito de PIS/COFINS não cumulativa. A DRF de origem exarou o despacho decisório, reconhecendo em parte o direito creditório e homologando as compensações objeto da Dcomp analisada, até o limite do direito creditório remanescente após o procedimento especial de ressarcimento de que trata a Portaria MF 348/2010. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, mediante a qual manifestou concordância com a fiscalização em relação aos itens: “6.3. Despesas com alugueis de prédios locados”, “6.4.2. Partes e peças importadas utilizadas na manutenção de máquinas e equipamentos diretamente aplicados na produção” e “6.6. Receita na venda de sucatas”; e RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 01 91 6/ 20 11 -7 1 Fl. 510DF CARF MF Processo nº 13851.901916/201171 Resolução nº 3402001.865 S3C4T2 Fl. 3 2 sustentou a legitimidade dos demais créditos, em linhas gerais, sob o conceito de insumo delimitado pelo critério da necessidade/essencialidade dos gastos com bens ou serviços utilizados pela empresa em sua atividade. A Delegacia de Julgamento não acatou os argumentos da manifestante, entendendo que nenhum dos itens glosados contestados poderia ser gerador de crédito, conforme ementa abaixo: (...) NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Para fins de apuração de créditos da nãocumulatividade, consideramse insumos os bens e serviços diretamente aplicados ou consumidos na fabricação do produto. SERVIÇOS DE TRANSPORTE. MOVIMENTAÇÃO INTERNA. As despesas com serviço de transporte contratado para movimentação interna de produtos não gera direito a crédito a ser descontado no regime nãocumulativo da COFINS, por não se enquadrar no conceito de insumos nem se caracterizar como frete nas operações de venda. INSUMOS. MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Cofins nãocumulativa as despesas com a aquisição de partes e peças de reposição utilizadas em máquinas e equipamentos que atuem diretamente no processo de fabricação ou produção dos bens destinados à venda, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado da empresa. (...) Cientificada dessa decisão em, a contribuinte apresentou recurso voluntário, sustentando o seu direito creditório sob os seguintes tópicos: II 1. Da Legitimidade da Apropriação dos Créditos de COFINS Oriundos dos Serviços Prestados pelas Empresas SERVISYSTEM e TRANSPORTADORA TRANSCARGA (itens 7.2 e 7.5 do Termo de Verificação Fiscal) Essencialidade dos Serviços na Atividade Produtiva da Recorrente. II. 1.2. Sobre os serviços de condução de veículos industriais prestados pela SERVISYSTEM II. 1.3. Serviços de Administração de Almoxarifado. II. 1.4. Ad Argumentandum Tantum Necessidade de manutenção dos créditos de COFINS ao menos em relação ao fornecimento dos veículos industriais pela Servisystem II.2. Do Direito ao Crédito de PIS Decorrente da Aquisição de Partes. Pecas. Lubrificantes, Graxas e Serviços de Manutenção de Máquinas Pertencentes à Recorrente Atuação Direta desse Maquinário no Processo de Fabricação ou Produção (Itens 7.4.1 e 7.4.2 do Relatório de Atividade Fiscal) II.2. a. Nulidade do Acórdão Recorrido Falha da Fiscalização Necessidade de Verificação, In loco, da Utilização dos Insumos e das Máquinas no Processo Produtivo da Recorrente Conversão do Julgamento deste Recurso em Diligência II.2.b. Do Direito da Recorrente aos Créditos de COFINS sobre instintos e serviços essenciais à sua linha de produção e aplicados no maquinário que não entram diretamente em contato com o produto final produzido pela Recorrente. II.2.a. Da Efetiva Participação das Máquinas e Insumos no Processo de Produção da Recorrente. Fl. 511DF CARF MF Processo nº 13851.901916/201171 Resolução nº 3402001.865 S3C4T2 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Resolução nº 3402 001.855, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 13851.721690/2011 26. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela resolução (Resolução nº 3402001.855): "Do conceito de insumo para o PIS e a Cofins não cumulativos O Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR (2010/02091150), pelo rito dos Recursos Repetitivos, decidiu no sentido de que o conceito de insumo deve ser aferido segundo os critérios de essencialidade ou relevância para o processo produtivo da contribuinte, bem como que há ilegalidade no conceito de insumo previsto nas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004. A Procuradoria da Fazenda Nacional expediu a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, com a aprovação da dispensa de contestação e recursos sobre o tema, com fulcro no art. 19, IV, da Lei nº 10.522, de 2002, c/c o art. 2º, V, da Portaria PGFN nº 502, de 2016, o que vincula a Receita Federal nos atos de sua competência. O conceito de insumo delimitado no REsp nº 1.221.170/PR (2010/02091150) não diverge muito do entendimento que já vinha sendo adotado predominantemente neste CARF sobre a matéria, a qual reclama há muito tempo uniformização na jurisprudência em homenagem à segurança jurídica, razões pelas quais se adota desde já o entendimento do STJ veiculado no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR (2010/02091150), cuja ementa consta abaixo: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, Fl. 512DF CARF MF Processo nº 13851.901916/201171 Resolução nº 3402001.865 S3C4T2 Fl. 5 4 efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3º, II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço –para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Os critérios da essencialidade e relevância considerados são aqueles delimitados no Voto da Ministra Regina Helena Costa, conforme observação que constou na Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN MF: 35. O STJ, seguindo o voto da Ministra Regina Helena Costa adotou a posição intermediária quanto ao conceito de insumo, ao adotar os critérios de relevância e essencialidade – também adotadas no CARF – e afastando o conceito de insumo da legislação do IPI e IRPJ. De acordo com o voto da Ministra Regina Helena estabeleceuse o critério de relevância – mais abrangente que o de pertinência adotado pelo Ministro Mauro Campbell Marques. Os Ministros Mauro Campbell Marques e Napoleão Nunes Maia Filho realinharam os seus votos para acompanhar Ministra Regina Helena Costa. (...) Observação 1. Observase que o STJ adotou a interpretação intermediária acerca da definição de insumo, considerando que seu conceito deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância. Vale destacar que os critérios de essencialidade e relevância estão esclarecidos no voto da Ministra Regina Helena Costa, de maneira que se entende como critério da essencialidade aquele que “diz com o item do qual dependa, intrínseca e Fl. 513DF CARF MF Processo nº 13851.901916/201171 Resolução nº 3402001.865 S3C4T2 Fl. 6 5 fundamentalmente, o produto ou serviço”, a)”constituindo elemento essencial e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço” ou “b) quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”. Por outro lado, o critério de relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja: a) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva” b) seja “por imposição legal.” Vale aqui também fazer as ressalvas efetuadas pela Procuradoria da Fazenda Nacional na Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF no sentido de que foi estabelecido no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR somente um conceito abstrato de insumo, cabendo ao julgador ou aplicador da norma avaliar, em cada caso concreto, se o insumo em questão enquadrase ou não nesse conceito, ou mesmo, se não se trata de hipótese de vedação ao creditamento ou de outras previsões específicas constantes nas Leis nºs 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.865/2005. A Receita Federal, por sua vez, trouxe outros delineamentos para a interpretação do conceito abstrato de insumo trazido pelo STJ mediante o PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05, de 17 de dezembro de 2018, cujo entendimento também vincula a fiscalização em seus atos. Observase, no entanto, que, para verificar o enquadramento do caso concreto ao referido conceito abstrato de insumo, algumas questões ainda precisam ser esclarecidas pela fiscalização e pela recorrente. II1. Da Apropriação dos Créditos de Cofins relativos aos serviços prestados pelas Empresas SERVISYSTEM e TRANSPORTADORA TRANSCARGA (itens 7.2 e 7.5 do Termo de Verificação Fiscal) Um dos contratos celebrados em 2010 com a empresa SERVISYSTEM tem o seguinte objeto: “O objeto da presente contratação é a prestação de serviços, pela CONTRATADA, de administração de almoxarifados e serviços administrativos, no Projeto denominado “deficientes” nas dependências indicadas pela CONTRATANTE. Também faz parte da presente contratação, a utilização de mão de obra por parte da CONTRATANTE, no que ser refere ao setor de Análise e Estatística da Qualidade, cujos serviços dizem respeito a desmontagem de produtos avariados.” (...) Embora haja nos autos alguma descrição do que seria a administração de almoxarifados, falta um melhor detalhamento acerca do serviço relacionado ao "setor de Análise e Estatística da Qualidade", bem como quanto aos demais "serviços administrativos" ou ao Projeto denominado “deficientes”. Fl. 514DF CARF MF Processo nº 13851.901916/201171 Resolução nº 3402001.865 S3C4T2 Fl. 7 6 Dessa forma, é conveniente que se solicite à recorrente um laudo técnico com descrição detalhada dos serviços relativos ao Contrato celebrado em 2010 com a empresa SERVISYSTEM que tem como objeto prestação de serviços "de administração de almoxarifados e serviços administrativos", em especial, o eventual enquadramento desses serviços no conceito abstrato de insumo delimitado acima e/ou no entendimento veiculado pelo PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05, de 17 de dezembro de 2018. Caso seja possível, solicitase a segregação das remunerações dos serviços do contrato, diante da possibilidade de se manter algumas glosas de serviços e reverter outras do mesmo contrato. De outra parte, para uma maior segurança no julgamento pelo Colegiado seria também de grande utilidade um laudo técnico nesses termos relativamente aos demais contratos celebrados com a SERVISYSTEM ou com a TRANSCARGA. II.2. Da Aquisição de Partes, Peças, Lubrificantes, Graxas e Serviços de Manutenção de Máquinas pertencentes à Recorrente Relativamente a este tópico, as glosas foram efetuadas em relação às aquisições diretamente encaminhadas aos centros de custos que não estavam diretamente relacionados ao processo produtivo conforme entendimento da fiscalização (item 7.4.1 do Relatório Fiscal). Os centros de custos foram assim descritos pela fiscalização: Com relação aos centros de custos de "Engenharia de Produtos" e "Desenvolvimento de Novos produtos", relativos ao desenvolvimento de novos processos de fabricação de compressores, haveria a possibilidade de creditamento caso os itens adquiridos para estes centros (partes, peças, lubrificantes, graxas e serviços) atendessem aos Fl. 515DF CARF MF Processo nº 13851.901916/201171 Resolução nº 3402001.865 S3C4T2 Fl. 8 7 requisitos constantes no item 8.1 ("Pesquisa e Desenvolvimento") do PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05/2018. Relativamente aos centros de custos de manutenção, quais sejam, Construção e Reforma de Máquinas; Ferramentaria; Fábrica geral; Funilaria e Manutenção Industrial; há, em tese, a possibilidade de creditamento como insumos somente para os bens e serviços que não devam ser objeto de ativação (creditamento por encargos de depreciação). Essa matéria também foi tratada no Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05/2018 no item 7.1 ("Manutenção periódica e substituição de partes de ativos imobilizados"). Assim, a recorrente deve ser intimada para que apresente Laudo Técnico acerca da análise da essencialidade/relevância ao processo produtivo das partes, peças, lubrificantes, graxas e serviços aplicados nos centros de produção de manutenção ou de pesquisa e desenvolvimento, em especial, se atendem aos requisitos de creditamento nos termos dos itens 7.1 ou 8.1 do PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05/2018. Nessa esteira, com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/72 e nos arts. 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, voto no sentido de determinar a realização de diligência para que a Unidade de Origem: a) Intime a recorrente a, dentro de prazo razoável, apresentar Laudo Técnico com os seguintes quesitos: a.1) Descrição detalhada dos serviços relativos ao Contrato celebrado em 2010 com a empresa SERVISYSTEM que tem como objeto prestação de serviços "de administração de almoxarifados e serviços administrativos", em especial, o eventual enquadramento desses serviços no conceito abstrato de insumo delimitado no Voto da Ministra Regina Helena Costa no REsp nº 1.221.170/PR e/ou no PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05, de 17 de dezembro de 2018. Caso seja possível, solicitase a segregação das remunerações dos serviços do contrato, diante da eventual possibilidade de o Colegiado manter algumas glosas de serviços e reverter outras do mesmo contrato. a.2) Descrição detalhada dos serviços relativos aos demais contratos celebrados com a SERVISYSTEM ou com a TRANSCARGA e do seu eventual enquadramento no conceito de insumo e segregação da remuneração, conforme delineado no item precedente. a.3) Análise da essencialidade/relevância ao processo produtivo das partes, peças, lubrificantes, graxas e serviços aplicados nos centros de produção de manutenção e de pesquisa e desenvolvimento, em especial, se atendem aos requisitos de creditamento nos termos dos itens 7.1 ou 8.1 do PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05/2018. b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da apuração das informações solicitadas nos itens acima, manifestandose acerca dos fatos e fundamentos apresentados pela recorrente, inclusive, sobre o eventual enquadramento dos itens glosados contestados no conceito de insumo delimitado no Voto da Ministra Regina Helena Costa proferido no Fl. 516DF CARF MF Processo nº 13851.901916/201171 Resolução nº 3402001.865 S3C4T2 Fl. 9 8 REsp nº 1.221.170/PR e/ou no PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05/2018, ambos de aplicação obrigatória no âmbito da RFB. 3. Após a intimação da recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011, devolva o processo a este Colegiado para prosseguimento." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por determinar a realização de diligência para que a Unidade de Origem: a) Intime a recorrente a, dentro de prazo razoável, apresentar Laudo Técnico com os seguintes quesitos: a.1) Descrição detalhada dos serviços relativos ao Contrato celebrado em 2010 com a empresa SERVISYSTEM que tem como objeto prestação de serviços "de administração de almoxarifados e serviços administrativos", em especial, o eventual enquadramento desses serviços no conceito abstrato de insumo delimitado no Voto da Ministra Regina Helena Costa no REsp nº 1.221.170/PR e/ou no PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05, de 17 de dezembro de 2018. Caso seja possível, solicitase a segregação das remunerações dos serviços do contrato, diante da eventual possibilidade de o Colegiado manter algumas glosas de serviços e reverter outras do mesmo contrato. a.2) Descrição detalhada dos serviços relativos aos demais contratos celebrados com a SERVISYSTEM ou com a TRANSCARGA e do seu eventual enquadramento no conceito de insumo e segregação da remuneração, conforme delineado no item precedente. a.3) Análise da essencialidade/relevância ao processo produtivo das partes, peças, lubrificantes, graxas e serviços aplicados nos centros de produção de manutenção e de pesquisa e desenvolvimento, em especial, se atendem aos requisitos de creditamento nos termos dos itens 7.1 ou 8.1 do PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05/2018. b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da apuração das informações solicitadas nos itens acima, manifestandose acerca dos fatos e fundamentos apresentados pela recorrente, inclusive, sobre o eventual enquadramento dos itens glosados contestados no conceito de insumo delimitado no Voto da Ministra Regina Helena Costa proferido no REsp nº 1.221.170/PR e/ou no PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05/2018, ambos de aplicação obrigatória no âmbito da RFB. 3. Após a intimação da recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011, devolva o processo a este Colegiado para prosseguimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 517DF CARF MF
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Numero do processo: 10469.902325/2009-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO.
ERRO DE FATO.
Erro de fato no preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei.
Reconhece-se a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem deferir o pedido de repetição do indébito ou homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez e certeza pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014.
Numero da decisão: 1401-003.252
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso tão-somente para reconhecer o erro de fato na formulação do pedido de repetição de indébito, afastando o óbice de retificação de ofício do Per/DComp apresentado, determinando a restituição dos autos à Unidade de Origem para análise da liquidez e certeza do crédito pretendido. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10469.902321/2009-43, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ERRO DE FATO. Erro de fato no preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. Reconhecese a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem deferir o pedido de repetição do indébito ou homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez e certeza pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso tãosomente para reconhecer o erro de fato na formulação do pedido de repetição de indébito, afastando o óbice de retificação de ofício do Per/DComp apresentado, determinando a restituição dos autos à Unidade de Origem para análise da liquidez e certeza do crédito pretendido. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10469.902321/200943, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 90 23 25 /2 00 9- 21 Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10469.902325/200921 Acórdão n.º 1401003.252 S1C4T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente). Relatório Trata o presente feito de PER/DComp apresentado pelo contribuinte, no qual pleiteou o deferimento de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ e declarou a compensação deste crédito com débitos de estimativas de IRPJ. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, por meio de Despacho Decisório, decidiu não homologar a compensação declarada. A DRF constatou que o valor integral do DARF informado pelo contribuinte no PER/DComp havia sido inteiramente utilizado. Portanto, não havia saldo para a compensação pretendida. Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade na qual, em síntese, alegou que teria cometido erro de fato no preenchimento do PER/DComp, uma vez que deveria ter pleiteado crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ ao invés de pagamento indevido ou a maior. O contribuinte informou na Manifestação de Inconformidade que apresentou DIPJ retificadora na qual corrigiu a informação e passou a registrar o dito saldo negativo. Ao final pediu que a primeira instância de julgamento reconhecesse o crédito oriundo de saldo negativo e homologasse a compensação declarada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. Inicialmente, a DRJ registrou que a autoridade administrativa não poderia ter homologado a compensação declarada pois inexistia o crédito pleiteado decorrente de pagamento a maior ou indevido. Em seguida, a DRJ declarou sua incompetência para realizar o exame inaugural do crédito sob novo fundamento, ou seja, decorrente de saldo negativo de IRPJ. Inconformado com a decisão de piso, o contribuinte manejou o recurso voluntário, no qual reiterou os argumentos da Manifestação de Inconformidade e ainda lançou mais duas questões, a saber: (i) que, embora a competência originária para apreciar o crédito pleiteado seja da DRF, devese conjugar com as garantias processuais, de forma que se adote as decisões e providências processuais necessárias para que se retorne e se aprecie a matéria em primeira instância, com posterior oferecimento de oportunidade recursal ao contribuinte; e (ii) que a autoridade julgadora de segunda instância se manifeste acerca da possibilidade legal e jurídica da nova análise dos fundamentos que levam à manutenção do crédito pleiteado pela recorrente, à luz da suspensão da exigibilidade do crédito pela Fazenda Pública, bem como pela Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10469.902325/200921 Acórdão n.º 1401003.252 S1C4T1 Fl. 4 3 manutenção desse direito creditório em razão da necessidade de nova decisão de competência da DRF/Natal. É o que havia para relatar. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº1401003.245, de 19/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10469.902321/2009 43, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401003.245): O recurso voluntário é tempestivo e cumpre os requisitos legais. Passo a analisálo. No que tange às razões adotadas pela DRJ para declinar da competência para analisar o crédito pleiteado sob novo fundamento na Manifestação de Inconformidade, impende asseverar, de pronto, que as autoridades julgadoras não detêm competência para a realização de atos primários, como se vê na lição de Gilson Wessler Michels: O que resulta dessa distinção [entre recurso do tipo reexame e recurso do tipo revisão] é que, na medida em que no contencioso administrativo brasileiro foi adotada a separação entre órgãos de lançamento (Administração Ativa) e órgãos de julgamento (Administração Judicante), não sendo dada a esses a competência para praticar os atos primários de que são exemplos o lançamento e o despacho denegatório do pleito repetitório, mas sim a de praticar o ato secundário de reapreciação daqueles atos primários, só podem os órgãos julgadores administrativos prolatar decisões na esfera das quais anulam ou confirmam, parcial ou integralmente, o ato contestado (modalidade revisão), e jamais decisões nas quais substituem tal ato (modalidade reexame). (MICHELS, Gilson Wessler. Processo Administrativo Fiscal. São Paulo: Cenofisco, 2018. p 33.) É oportuno reprisar que o crédito que foi submetido pelo contribuinte à análise de liquidez e certeza por parte da autoridade administrativa da Delegacia da Receita Federal do Brasil, com fulcro no artigo 170 do CTN, derivava de pagamento a maior ou indevido de IRPJ. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10469.902325/200921 Acórdão n.º 1401003.252 S1C4T1 Fl. 5 4 O pedido de repetição decorrente do direito creditório calcado em pagamento a maior ou indevido de IRPJ foi corretamente indeferido pela autoridade administrativa competente. E, na esteira dos ensinamentos acima mencionados, as autoridades julgadoras são incompetentes para efetuar o exame inaugural da liquidez e certeza de um crédito diverso, qual seja, de um crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ. Neste sentido, realmente não competia à DRJ proceder à análise pedida pelo contribuinte na Manifestação de Inconformidade. Todavia, no recurso voluntário, o contribuinte formulou pedidos diversos. Ao reconhecer a competência original da DRF, o contribuinte pediu que a segunda instância julgadora devolvesse os autos para que a DRF pudesse realizar o exame de liquidez e certeza do crédito, agora sob novo fundamento, ou seja, crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ. Também pediu que este Conselho se pronuncie sobre a possibilidade de nova análise pela DRF, em vista da suspensão da exigibilidade do crédito. É oportuno destacar que, embora em regra, não seja permitido aos contribuintes inovarem em razões de fato e de direito no recurso voluntário, no presente caso, a questão da incompetência da DRJ surgiu somente na decisão de primeira instância. Assim, em respeito ao contraditório e à ampla defesa, tomo conhecimento das razões expostas e dos pedidos formulados. Os pedidos demandam uma análise detalhada. Em julgados anteriores, já me manifestei acerca da possibilidade de superar o erro de fato no preenchimento do PER/DComp, quando o contribuinte indica equivocadamente como fundamento do crédito o pagamento indevido ou a maior, quando deveria ter indicado saldo negativo, ou viceversa. Contudo, não vislumbro na regulamentação do Processo Administrativo Fiscal, veiculado pelo Decreto nº 70.235/72, a possibilidade de a segunda instância determinar o retorno do processo à autoridade lançadora para que esta possa exercer sua competência original. Mesmo que se submetesse o feito a uma diligência, nesta etapa do processo, o conhecimento da matéria e o exame de liquidez e certeza do crédito seria feito originariamente pela autoridade julgadora, o que, como dito, não é possível. Contudo, há que se ter uma solução legítima que evite que o contribuinte perca seu eventual direito a crédito por força de erro de fato no preenchimento do PER/DComp. Neste contexto, adoto como razão de decidir a fundamentação exarada no Acórdão nº 1301003.599, de relatoria do Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10469.902325/200921 Acórdão n.º 1401003.252 S1C4T1 Fl. 6 5 Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, pois, sua lógica jurídica é perfeitamente aplicável ao presente caso: O crédito a que refere a Recorrente tratase de Saldo Negativo de IRPJ, porém, ao preencher a Per/DComp para declarar a compensação informou como IRPJ Pago a Maior ou Indevidamente, gerando a não homologação das respectivas compensações. O ponto aqui é que a Per/DComp apresentada pelo contribuinte contém erro material, e tal fato, por si só não pode embasar a negação ao seu direito de crédito, bem como leva ao enriquecimento ilícito do Estado. Em relação à possibilidade de comprovação de erro de fato no preenchimento da declaração, inclusive na própria DCOMP, o entendimento atual, inclusive da RFB, é de que é possível superar esse equívoco, desde que haja comprovação de tal erro, conforme bem delineado pela RFB no Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014, cujo excerto de interesse de sua ementa reproduzse a seguir: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. REVISÃO E RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO – DE LANÇAMENTO E DE DÉBITO CONFESSADO, RESPECTIVAMENTE – EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. CABIMENTO. ESPECIFICIDADES. A revisão de ofício de lançamento regularmente notificado, para reduzir o crédito tributário, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, no caso de ocorrer uma das hipóteses previstas nos incisos I, VIII e IX do art. 149 do Código Tributário Nacional – CTN, quais sejam: quando a lei assim o determine, aqui incluídos o vício de legalidade e as ofensas em matéria de ordem pública; erro de fato; fraude ou falta funcional; e vício formal especial, desde que a matéria não esteja submetida aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. A retificação de ofício de débito confessado em declaração, para reduzir o saldo a pagar a ser encaminhado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN para inscrição na Dívida Ativa, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. REVISÃO DE DESPACHO DECISÓRIO QUE NÃO HOMOLOGOU COMPENSAÇÃO, EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. A revisão de ofício de despacho decisório que não homologou compensação pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese de ocorrer erro de fato no preenchimento de declaração (na própria Declaração Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10469.902325/200921 Acórdão n.º 1401003.252 S1C4T1 Fl. 7 6 de Compensação – Dcomp ou em declarações que deram origem ao débito, como a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF e mesmo a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, quando o crédito utilizado na compensação se originar de saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ ou de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL), desde que este não esteja submetido aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. Dessa forma, este Colegiado tem tido o entendimento de se reconhecer parte do requerido pela Recorrente, no sentido de não lhe suprimir instâncias de julgamento, e oportunizar que, após o contribuinte ser devidamente intimado para tanto, sejam apresentados documentos e estes sejam analisados a fim de se averiguar a ocorrência do erro alegado e consequentemente a aferição de seu direito de crédito. Assim, tendo em vista o princípio da busca da verdade material, já que juntou documentos, ainda que em sede recursal daquilo que faria jus ao seu direito, voto no sentido de se afastar o óbice de retificação da Per/DComp apresentada. E dessa forma, a unidade de origem poderá verificar o mérito do pedido, acerca da existência do crédito e da respectiva compensação, bem como analisar a liquidez e certeza do referido crédito, nos termos do art. 170, do CTN, retomandose a partir de então o rito processual de praxe. Na decisão a quo, a DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte. Mas, em verdade, considerouse incompetente para o exame do crédito, destacando que se tratava de competência da DRF. No precedente da 1ª TO da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF supra, dáse um passo a mais ao conhecer parcialmente o pedido do contribuinte tãosomente para "afastar o óbice de retificação da Per/DComp apresentada". Reconhecese, assim, o erro de fato que autoriza a autoridade administrativa a realizar a revisão de ofício, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. Neste diapasão, havendo a comprovação do erro de fato na demonstração do crédito, a autoridade administrativa da DRF poderia, de ofício, considerar o crédito decorrente de saldo negativo e passar à análise de liquidez e certeza. Em relação ao segundo pedido da contribuinte, o próprio Parecer Normativo citado aduz que a revisão de ofício do Despacho Decisório pode ser feita enquanto os créditos tributários não estiverem prescritos. Tais créditos foram Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10469.902325/200921 Acórdão n.º 1401003.252 S1C4T1 Fl. 8 7 considerados compensados indevidamente no Despacho Decisório, mas, tendo em vista que a Manifestação de Inconformidade dá início ao contencioso tributário sob a égide do Decreto nº 70.235/72, os créditos encontramse com a exigibilidade suspensa, nos termos do artigo 151, III, do CTN. Desta forma, não se afasta a competência da autoridade da DRF de verificar a ocorrência da hipótese de revisão de ofício, de realizar o exame inaugural da liquidez e certeza do crédito pleiteado e, se for o caso, de homologar a compensação com débitos vencidos ou vincendos. Conclusão Voto por dar provimento parcial ao recurso tãosomente para reconhecer o erro de fato na formulação do pedido de repetição de indébito, nos termos da fundamentação acima, e afastar o óbice de retificação de ofício do Per/DComp apresentado. Restituase os autos para análise da sua liquidez e certeza pela unidade de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso tãosomente para reconhecer o erro de fato na formulação do pedido de repetição de indébito, nos termos da fundamentação acima, e afastar o óbice de retificação de ofício do Per/DComp apresentado. Restituase os autos para análise da sua liquidez e certeza pela unidade de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 111DF CARF MF
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Numero do processo: 13807.009765/00-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/1989 a 30/06/1994
COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. TRIBUTO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA.
A contagem do prazo da prescrição qüinqüenal do direito à restituição de indébito tributário decorrente de tributo sujeito a lançamento por homologação, cujo pedido foi protocolado até a data de 8 de junho de 2005, deve ser feita segundo a tese dos cinco mais cinco, cinco anos para extinção do crédito tributário pela homologação tácita e mais cinco para exercer o direito, resultando prazo total de dez anos a partir do fato gerador.
BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. SÚMULA 15 DO CARF.
Até fevereiro de 1996 (período anterior ao início da vigência da MP 1.212/1995), a base de cálculo do PIS, nos termos do parágrafo único do art. 6º da LC nº 7/70, corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária até a data do respectivo vencimento (STJ, REsp nº 144.708/RS e Súmula 15 do CARF).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-006.478
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/1989 a 30/06/1994 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. TRIBUTO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. A contagem do prazo da prescrição qüinqüenal do direito à restituição de indébito tributário decorrente de tributo sujeito a lançamento por homologação, cujo pedido foi protocolado até a data de 8 de junho de 2005, deve ser feita segundo a tese “dos cinco mais cinco”, cinco anos para extinção do crédito tributário pela homologação tácita e mais cinco para exercer o direito, resultando prazo total de dez anos a partir do fato gerador. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. SÚMULA 15 DO CARF. Até fevereiro de 1996 (período anterior ao início da vigência da MP 1.212/1995), a base de cálculo do PIS, nos termos do parágrafo único do art. 6º da LC nº 7/70, corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária até a data do respectivo vencimento (STJ, REsp nº 144.708/RS e Súmula 15 do CARF). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 97 65 /0 0- 17 Fl. 534DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de Pedido de Restituição de PIS, referente a pagamentos que o Recorrente entende efetuados a maior, correspondentes à diferença gerada entre a forma de recolhimento prevista pelas Leis Complementares nºs 07/70 e 17/73, em relação aos Decretos Leis nºs 2.445/88 e 2.449/88. Em 22/11/2002, de acordo com Despacho Decisório anexado às fls. 228/237. O Pedido de Restituição foi indeferido e, conseqüentemente, as compensações declaradas às fls. 105, 115, 141, 166, 192, 215, 219 e 223, do presente processo, protocolizadas a partir de 09/10/2000, não foram homologadas. Os referidos PER foram combinados com Pedidos/Declarações de Compensação, relativo à contribuição para o PIS/Pasep no que tange ao(s) período(s) de apuração compreendido(s) entre junho de 1989 e junho de 1994. Após a ciência da decisão pelo contribuinte em 30/12/02 (fl. 241), foram anexados ao processo os Pedidos de Compensação às fls. 243 e 266, convertidos (i) em declarações de compensação conforme art. 74 da Lei no 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 10.837/02, protocolizados em 06/07/01 e 13/07/01, respectivamente. Foram apensados ao presente, os PAF de nºs 13804.008170/200207, 13804.009013/200219 e 13804.007526/200287, com Declarações de Compensação protocolizadas em 11/11/02, 12/12/02, 10/10/02, respectivamente. Mediante o Despacho Decisório de fls. 228/237, o Fisco indeferiu o Pedido de Restituição e não homologou a Declaração de Compensação de débitos àquele condicionada. A posição da DRF de origem vai, em suma, no sentido: (i) de que o direito à restituição foi fulminado pelo transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, conforme previsto no artigo 168, I, do Código Tributário Nacional CTN (Lei n° 5.172, de 25/10/1966), entendimento este que é corroborado pelo Ato Declaratório SRF n° 96, de 26.11.1999; e, (ii) de que com a edição da Lei nº 7.691/88, não mais subsiste o prazo de seis meses entre o fato gerador e o pagamento da contribuição ao PIS, não ficando caracterizada a existência de pagamento indevido ou a maior. Contra o aludido Despacho Decisório foi apresentada a Manifestação de Inconformidade de fls. 276/298. Aduz a Recorrente em sua Manifestação, em síntese, que: (i) a decadência do direito de reaver pagamento do PIS em causa ocorre após transcorridos cinco anos a partir da Resolução do Senado Federal 49/95; (ii) sob outro prisma, o prazo para pleitear a restituição de indébito é de 5 anos, acrescidos de mais 5 anos; (iii) em consonância com o Decreto 2.346/97, a norma inconstitucional perde seus efeitos desde sua edição (ex tunc), exceção feita às hipóteses em que o ato praticado com base em tal norma não seja mais suscetível de revisão, o que não se aplica ao caso presente; Fl. 535DF CARF MF Processo nº 13807.009765/0017 Acórdão n.º 3402006.478 S3C4T2 Fl. 535 3 (iv) a Lei nº 7.691/88 não cuida da base de cálculo da contribuição, estando o Parecer PGFN/CAT 437/98 sobre o assunto superado pela jurisprudência favorável ao entendimento de que a base de cálculo contribuição correspondia ao faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador; e (v) que a presente impugnação deve ser recebida no seu efeito suspensivo (fl. 313), tendo a Recorrente, segundo alega, a possibilidade de compensação dos créditos correspondentes ao direito creditório sob análise de mérito na esfera administrativa. No entanto a 9ª Turma da DRJ em São Paulo I/SP, julgou procedente em parte a Manifestação de Inconformidade da Recorrente, conforme ementa abaixo (fl. 441): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/1989 a 30/06/1994. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. O direito de pleitear restituição de tributo ou contribuição pago á~maior ou indevidamente extingui. se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data da extinção do crédito tributário. Observância da Lei Complementar d 118, inclusive. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Estabelecese como tacitamente homologada a compensação, relativa a declaração de compensação e a pedido de compensação convertido em declaração de compensação, que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo da declaração ou do pedido. Solicitação Deferida em Parte No Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I, restou consignado que considerando o indeferimento do pedido de restituição e, por via de conseqüência, a não homologação das declarações de compensações, exceto as compensações realizadas em 06/07/2001 no importe R$ 1.044.798,59 e em 13/07/2001 no importe de R$ 45.903,70, bem como aquelas que originaram os PAFs n° 13804.00817012002 07, protocolado em 11/11/2002 no valor de R$ 44.595,97, n° 13804.0090131200219, protocolado em 12/12/2002 no valor de R$ 42.215,24 e a de n° 13804.0075261200287, protocolado em 10/10/2002 no valor de R$ 42.136,32, às quais foram declarada tacitamente homologadas pelo acórdão. Em relação as demais compensações vinculadas mantevese a decisão do Despacho Decisório, ou seja, não homologou sob a alegação de que não teria ficado caracterizada a existência de pagamentos indevidos ou a maior, em face da legislação aplicável e, ainda, entendeu que o Pedido de Restituição estaria extinto pela decadência. Intimada da decisão em 15/05/2009 (fl. 464), apresentou às fls. 465/493, seu Recurso Voluntário em 22/05/2009 (fl. 465), repisando seus argumento da Manifestação de Inconformidade e requerendo, em síntese que: Fl. 536DF CARF MF 4 (i) a Recorrente em na data de 09 de outubro de 2000, propôs Pedido administrativo de Restituição de contribuições federais, tendo por escopo a restituição dos valores indevidamente recolhidos no período de junho de 1989 a junho de 1994, sendo que posteriormente protocolou as seguintes declarações de compensação: relação fls. 469/470; (ii) na fundamentação do acórdão os julgadores entenderam que o direito da Recorrente está extinto pela decadência, nos termos do artigo 168, 1 e 168, 1 do CTN, sedimentado nos termos no artigo 30 da Lei Complementar n° 118/2005 e Ato Declaratório SRF n.° 096/99, eis que na data de 09/10/2000 (quando da formalização do pedido restituitório), o direito de solicitar eventual restituição em relação à totalidade do débito já tinha sido extinto, pois alcançado pela decadência (a qual teria se operado com o decurso do prazo de cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário pelo pagamento); (iii) o termo inicial do prazo decadencial quinquenal ocorre quando da publicação da Resolução do Senado Federal n.° 491/95, a qual se deu no dia 09/10/1995, logo prazo fatal ocorreu na data de 09/10/2000, após transcorridos os 5 (cinco) anos previstos no artigo 168 do CTN, e este é justamente o caso do presente processo. A Recorrente propôs o pedido restituitório exatamente no último dia possível, data de 09 de outubro de 2000; (iv) requer a SUSPENSÃO da exigibilidade dos débitos compensados até decisão (administrativa) definitiva no presente processo. (v) por fim, que seja dado provimento ao recurso voluntário, conseqüentemente reformado o Acórdão nº 1620.971 da DRJ/SPO I, em face da não incidência da decadência ao pleito de restituição dos recolhimentos a título de contribuição ao PIS efetuado a maior, nos termos dos Decretosleis n° 2.445188 e 2.449/88 declarados inconstitucionais, ao invés da aplicação do art. 6º, da LC n° 07170 (base de calculo faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador), a fim de garantir o direito líquido e certo da Recorrente de ver restituídos os valores recolhidos indevidamente a maior a TITULO DE CONTRIBUIÇÃO AO PIS, NO PERÍODO COMPREENDIDO ENTRE JUNHO DE 1989 A JUNHO DE 1.994, e, sejam homologadas todas e as compensações vinculadas ao pedido de restituição. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Waldir Navarro Bezerra 1. Da Admissibilidade do recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação regente da matéria. Assim, dele se toma conhecimento. 2. Do objeto da lide Como relatado, parte das Declaração de Compensação pleiteadas foram declaradas tacitamente homologadas pela decisão a quo, em face do transcurso do prazo de 5 (cinco) anos estabelecido no art. 74, §5º da Lei n° 9.430/2002, conforme as alterações promovidas pela Lei n° 10.833/03 (fl. 462). Fl. 537DF CARF MF Processo nº 13807.009765/0017 Acórdão n.º 3402006.478 S3C4T2 Fl. 536 5 Nas demais Declaração de Compensação, a lide cingese na fundamentação do Acórdão que entendeu que o direito da Recorrente está extinto pela decadência, nos termos do artigo 168, 1 e 168, 1 do CTN, sedimentado nos termos no artigo 3º da Lei Complementar n° 118/2005 e Ato Declaratório SRF nº 96/99, eis que na data de 09/10/2000 (quando da formalização do pedido restituitório), o direito de solicitar eventual restituição em relação à totalidade do débito já tinha sido extinto, pois alcançado pela decadência, a qual teria se operado com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data da extinção do crédito tributário pelo pagamento. 3. Preliminar de suspensão do Crédito tributário Uma vez que é efeito automático do Recurso Voluntário a suspensão da exigibilidade do crédito lançado, por força do art. 151, inciso III, do CTN, e do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, descabe qualquer providência do Órgão Julgador quanto ao pedido levado a efeito pela Recorrente nesse sentido. 4. Do Direito à COMPENSAÇÃO Entende a Recorrente que é pacifico o entendimento de que a compensação de tributos declarados inconstitucionais independe de autorização prévia ou de requerimento administrativo para a concretização do referido direito. Assim, fazendo jus ao direito que lhe assiste, a deu inicio às compensações dos valores pagos maior a titulo de PIS, por força dos Decretos em referência, com débitos próprios perante a Fazenda. Pois bem. A compensação é uma das opções que os contribuintes têm como forma de extinção do crédito tributário, conforme previsão contida nos arts. 156 e 170 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN), exigindose a certeza e a liquidez dos créditos a compensar. Como se sabe, o instituto da compensação encontrase regido no art. 170 do CTN, que determina: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Conforme pode ser observado do dispositivo acima, a compensação sujeitase a duas condições: (i) a existência de previsão legal; (ii) a existência de crédito liquido e certo. A necessidade de lei autorizativa foi suprida primeiramente pela edição da Lei n° 8.383/1991, revogada pela Lei n° 9.430/1996, que se encontrava vigente quando o contribuinte ingressou com o seu pedido na esfera administrativa. Dispunha o art. 74 deste Diploma legal, em sua redação original: Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de crédito a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob a sua administração. Fl. 538DF CARF MF 6 À época dos fatos aqui tratados, para disciplinar a referida lei, foi expedida a Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, alterada pela Instrução Normativa n° 73, de 1997. E foi nesse contexto que na decisão piso restou declarado que "estariam tacitamente homologadas as compensações pleiteadas através dos documentos de fls. 266 (protocolizado em 06.07.2001) e fls. 288 (protocolizado em 13.07.2001), bem como as compensações declaradas em 11.11.2002, 12.12.2002 e 10.10.2002 concernentes aos processos n°s 13804.008170/200707, 13804.009013/200219 e 13804.007526/200287, em face do transcurso do prazo de 5 anos estabelecido no art. 74, § 5º da Lei n° 9.430/2002, conforme as alterações promovidas pela Lei n° 10.833/03". Quanto ao PAF nº 13807.000788/200371 (apensado a este em 2013), destaco a seguinte informação constante no Despacho da DERAT/SP às fls. 66 e 67: "Trata o presente processo administrativo de inscrições em Divida Ativa da União de contribuição ao PISFaturamento, nº 80.7.03.01089757 (fls. 26/37), e de IPI, nº 80.3.03.00140059 (fls. 22/25). Os valores inscritos estavam controlados no processo 13807.009765/0017. Tais débitos foram transferidos para este processo, em 31/01/03. O presente processo foi então enviado à PFN para prosseguimento e inscrição de débitos em DAU(fl. 21). Contudo, as referidas inscrições em DAU foram canceladas em virtude de decisão judicial de 1ª instancia, de nº 2003.61.00.0073080 (fls. 40/41)e o processo encaminhado ao arquivo em seguida (fl. 58), Porém, o acórdão da TRF/3ª Região transitou em julgado em 09/03/2007 e conferiu suspensão da exigibilidade apenas dos débitos constantes da inscrição nº 80.7.01089757, referente ao PIS (fls. 59/65). Em relação ao débitos constantes da inscrição nº 80.3.03.00140059, referente ao IPI, determinou que a mesma poderia ser cobrado. Tendo em vista as constatações acima, encaminhese o presente processo à EODIC/DIORT/DERAT/SPO para: • Cobrar os débitos de IPI constantes da inscrição em DAU nº 80.3.03.00140059, visto que sua exigibilidade não se encontra suspensa pela decisão judicial transitada em julgado: • Transferir os débitos de PIS, constantes da Inscrição em DAU n° 80.7.03.01089757, para o processo administrativo nº 13807.009765/0017 ou, em caso de impossibilidade, efetuar a transferência dos débitos para um processo de representação a ser apensado no processo 13807.009765/0017"; (...). Grifei. Desta forma, constatase à fl. 76 do PAF nº 13807.000788/200371 (apensado a este), a seguinte informação em Despacho da DERAT/SP: "(...) Tendo em vista o despacho de fls. 66/67 e considerando que os débitos de IPI da inscrição 8030300140059 estão sendo cobrados no processo 10880.009295/200164, os mesmos foram excluídos do presente processo, sendo mantidos somente os débitos de PIS. Com isso, proponho o envio do presente ao CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS para juntada ao processo 13807.009765/0017". Em sintonia com o Despacho acima, às fls. 522 e 533 dos autos sob análise, verificase as seguintes informações em datas distintas (em 26/12/2013 e 24/06/2015): Fl. 539DF CARF MF Processo nº 13807.009765/0017 Acórdão n.º 3402006.478 S3C4T2 Fl. 537 7 "TERMO DE APENSAÇÃO (1) Nessa data, foi juntado por apensação a este processo, o PAF nº 13807.000788/200371 DATA DE EMISSÃO: 24/06/2015" Em 03/12/2014, a Recorrente solicitou e recebeu cópia integral do processo, incluindo a informação de apensação acima, conforme Despacho abaixo (fl. 525): Desta forma, com a ciência da Recorrente referente a apensação do PAF nº 13807.000788/200371 a estes autos, o resultado do julgamento aqui definido, aplicarseá aos respectivos apensos, incluindo o PAF nº 13807.000788/200371. 5. Do prazo Prescricional (decadencial) Aduz a Recorrente em seu recurso que "(...) Tal acórdão deve ser reformado, conferindo à Recorrente o amparo ao seu direito, por ser o mesmo líquido e certo, afinal o mencionado direito de solicitar eventual restituição perante a Secretaria da Receita Federal de São Paulo é plenamente manifesto, eis que o termo inicial do prazo decadencial quinquenal ocorre quando da publicação da Resolução do Senado Federal nº 49195, a qual se deu no dia 09/10/1995". Conclui afirmando que o prazo fatal ocorreu na data de 09/10/2000, após transcorridos os 5 (cinco) anos previstos no artigo 168 do CTN, e este é justamente o caso do presente processo. A Recorrente propôs o pedido restituitório exatamente no último dia possível, ou seja, na data de 09 de outubro de 2000. Alternativamente, requer que, caso não se entenda que o prazo qüinqüenal deve fluir a partir da publicação da Resolução do Senado Federal, como vem decidindo este Conselho, ainda assim assiste direito à Recorrente, eis que o Superior Tribunal de Justiça já firmou entendimento no sentido de que nas ações que versem sobre tributos lançados por homologação (art. 150 do CTN), o prazo para restituição é de 10 (dez) anos, ou seja , 05 (cinco) anos decadenciais para a Fazenda efetuar a homologação do lançamento, mais 05 (cinco) anos da contados a partir da homologação expressa ou tácita das informações declaradas pelo contribuinte, prazo prescricional, portanto, do direito do contribuinte para reaver tributo pago a maior e/ou indevidamente (art. 168, I, do CTN). Pois bem. Na época, na ausência de manifestação dos órgãos jurisdicionais quanto prescrição, de fato deveria ser aplicado no processo o entendimento da Administração Tributária sobre o tema, que toma por base as disposições do CTN. O referido prazo regese pelo art. 168 do CTN, c/c o art. 165 do Código Tributário Nacional. Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; […]. Fl. 540DF CARF MF 8 Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; [...].” Nesse diapasão, no presente caso, a Recorrente requereu atualização referente aos pagamentos feitos utilizandose da sistemática prevista nos Decretoslei nºs 2.445/88 e 2.449/88, que ocorreram entre o período de 06/1989 e 06/1994, conforme pode ser observado no recurso, bem como nos Demonstrativos de cálculos de fls. 68/69. Por outro lado, verificase que a DRJ em seu acórdão concluiu no seguinte sentido: "Portanto, ainda que não houvesse sido editada a adiante destacada Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005 (e ainda que o dispositivo abaixo transcrito porventura não fosse interpretativo), qualquer pedido de restituição relativo a pagamentos efetuados há mais de cinco anos é indevido, conforme demonstrado, Lei Complementar nº 118/2005 esta que, corroborando as considerações anteriores, estabelece: (...)". (Grifei) Pois bem. No que tange à discussão acerca do termo inicial a ser considerado para a contagem do prazo prescricional/decadencial, importante trazer a baila o que preceitua o art. 62, § 2º, Anexo I, do RICARF/2015 (Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015), determinando que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 (antigo CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, essa questão não mais comportaria debates. Como vimos no início deste tópico, nos termos dos dispositivos legais, o prazo de cinco anos para se verificar a prescrição do direito à repetição de indébitos tributários, no caso de pagamento indevido e/ou a maior, deveria ser contado a partir da extinção do crédito tributário pela homologação tácita. No entanto, no julgamento do RE nº 566.621/RS, de 04/08/2011, que tratou da aplicação do art. 3º da Lei Complementar (LC) nº 118, de 9 de fevereiro de 2005, que deu interpretação ao inciso I do art. 168 do CTN (Lei nº 5.172, de 1966), sobre a ocorrência da extinção do crédito tributário, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que aquele artigo somente se aplica às ações (pedidos) de restituição, ajuizadas (protocolados) a partir de 9 de junho de 2005. Como se vê, o Supremo Tribunal Federal, por conseguinte, enfrentando o tema, decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário 566.621/RS (04/08/2011), ser aplicável o novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Ou seja, para os pedidos de repetição de indébito apresentados anteriormente a 9 de junho de 2005, poderseia considerar o prazo prescricional/decadencial de 10 anos. Para melhor compreensão, transcrevo a ementa do referido Acórdão: PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RIO GRANDE DO SUL. RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE Fl. 541DF CARF MF Processo nº 13807.009765/0017 Acórdão n.º 3402006.478 S3C4T2 Fl. 538 9 DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. (Grifei) Assim, em face dessa decisão e do disposto no art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), c/c decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no REsp nº 1.012.903/RJ, temos que para os Pedidos de Restituição protocolados até a data de 8 de junho de 2005, a extinção do crédito tributário, de forma tácita, se deu somente depois de decorridos 5 (cinco) anos contados a partir do respectivo fato gerador e, consequentemente, o prazo prescricional qüinqüenal para se pedir a restituição de indébito decorrente de pagamento indevido e/ ou maior deve ser contado a partir da data da extinção tácita, resultando prazo total de 10 (dez) anos, tese “dos cinco mais cinco”, até então aplicada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). No mesmo sentido, este CARF já consolidou tal dispositivo, vejase o teor da Súmula CARF nº 91: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.” Pois bem. Consta dos autos que o Pedido de Restituição em discussão, foi protocolado em 09/10/2000 (fl. 02). Assim, de acordo com o disposto no Recurso Extraordinário 566.621/RS (04/08/2011), o direito à restituição dos valores indevidos abrange os recolhimentos efetuados após 09/10/1990. Os pagamentos feitos pelos contribuintes utilizandose da sistemática prevista nos Decretoslei nºs 2.445/88 e 2.449/88 ocorreram entre 06/1989 e 06/1994, conforme Demonstrativo de fls. 68/69. Ou seja, em 09/10/2000, data de protocolização do Primeiro Pedido de Restituição (fl. 02), já estava extinto todo o direito à restituição relativo aos tributos recolhidos até 09/10/1990, persistindo o direito apenas quanto ao recolhimento efetuado após esta data. Fl. 542DF CARF MF 10 Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte para reconhecer seu direito à repetição/compensação dos indébitos decorrentes dos pagamentos indevidos e/ ou maior do PIS, para os fatos geradores ocorridos a partir de 09 de outubro de 1990 em diante, cabendo à autoridade administrativa, caso haja, apurar os indébitos e seu montante. 6. Das considerações acerca do Decreto nº 2.346/97 Como bem pontuado pela decisão DRJ, quanto às alegações da Recorrente em relação ao Decreto nº 2.346/97, cabe assinalar, em tempo, que o referido diploma foi lembrado no Despacho Decisório (fl. 233), ensejando sua abordagem pela Contribuinte. Todavia, a alusão ao Decreto foi feita no Despacho Decisório na altura em que no mesmo se discorria sobre decadência, inserindose em meio a meros comentários da Unidade de origem, sem repercussão sobre o tema que se estava a tratar, qual seja, a decadência, cujo tema encontrase discutido no tópico anterior. 7. Da questão da "semestralidade" do PIS Aduz a Recorrente em seu recurso "(...) que a jurisprudência já está pacificada tanto no Superior Tribunal de Justiça, quanto na Câmara Superior de Recursos Fiscais (vide acórdãos nºs 107.04.102, 101.89.249, 107.04.721, etc.), no sentido de que a base de cálculo do PIS, até a edição da Medida Provisória n° 1.212195, é o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador". A decisão de piso rebateu afirmando que "Melhor sorte não pode ter o procedimento adotado pela interessada de considerar a base de cálculo do sexto mês anterior, notadamente quando tal procedimento empresta relevância às diferenças apuradas da contribuição, tendo em vista as regras dos Decretosleis n° 2.445/88 e n° 2.449/88 e da Lei Complementar n° 7/70 e alterações, como revela seu demonstrativo (fls. 68/70), isso porque, a partir da edição da Lei n° 7.691/88, não mais subsiste o prazo de seis meses entre o fato gerador e o pagamento da contribuição para o PIS. Com relação à essa questão trazida pela Recorrente, temos que, pacificando a consolidada jurisprudência do STJ, foi editada a Súmula nº 468 com os seguintes dizeres: Súmula STJ nº 468 " A base de cálculo do PIS, até a edição da MP 1.212/1995, era o faturamento ocorrido no sexto mês anterior ao fato gerador.” No mesmo sentido estabelece a Súmula CARF nº 15: Súmula CARF nº 15 "A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária". (Vinculante, conforme Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de 14/07/2010). Portanto, no âmbito deste Conselho vem decidindo que enquanto foi vigente o texto original da Lei Complementar nº 7/70, a base de cálculo a ser utilizada para o recolhimento da Contribuição ao PIS era o faturamento do sexto mês anterior ao fato gerador. Tratase do famigerado “PIS semestralidade”. Essa realidade normativa foi alterada com o advento da MP 1.212/1995, passando a base de cálculo da exação a ser o faturamento do próprio mês do fato gerador. Fl. 543DF CARF MF Processo nº 13807.009765/0017 Acórdão n.º 3402006.478 S3C4T2 Fl. 539 11 O artigo 15 da referida Medida Provisória, de 28 de novembro de 1995, estabeleceu que seus dizeres aplicarseiam para fatos geradores ocorridos a partir de 1º de outubro de 1995. Entretanto, por força do princípio da anterioridade nonagesimal, que constitucionalmente limita a cobrança da Contribuição Social sob apreço, os Tribunais judiciais têm decidido que a vigência da MP 1.212, de 1995, iniciouse em 1º de março de 1996 (AgReg nº ARESP19.488/RJ). Assim, até fevereiro de 1996, a base de cálculo do PIS, nos termos do parágrafo único do art. 6º da LC nº 7/70, corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária até a data do respectivo vencimento, conforme definido pelo REsp STJ nº 144.708/RS, Súmula 468 (STJ) e Súmula 15 do CARF. 8. Dispositivo Diante todo o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao provimento ao Recurso Voluntário, para: i) reconhecer seu direito à repetição/compensação dos indébitos decorrentes dos pagamentos indevidos e/ ou maior do PIS, para os fatos geradores ocorridos a partir de 09 de outubro de 1990 em diante, cabendo à autoridade administrativa, caso haja, apurar os indébitos e seu montante, e ii) reconhecer que, até fevereiro de 1996 (período anterior ao início da vigência da MP 1.212/1995), a base de cálculo do PIS, nos termos do parágrafo único do art. 6º da LC nº 7/70, corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária até a data do respectivo vencimento, conforme definido pelo REsp STJ nº 144.708/RS, Súmula nº 468 do STJ e Súmula nº 15 do CARF. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 544DF CARF MF
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