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Numero do processo: 19515.002564/2010-95
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jan 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA
A decadência do direito de o fisco constituir crédito por multas por descumprimento de obrigação acessória é aquela do lançamento de ofício, contados cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Apesar de hígido o direito do fisco de efetuar lançamento de apurar infração de obrigação acessória, a aferição da multa com aplicação da retroatividade benigna, ao levar em conta base de cálculo já decaída, implica em valor nulo da multa.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado a divergência dos resultados alcançados para situações similares e prequestionamento das matérias recorridas.
Numero da decisão: 9202-006.322
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte, apenas quanto à decadência e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para aplicação da Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, com redução da multa, ao valor nela previsto, nos períodos de apuração até julho de 2005.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Recorrentes FAZENDA NACIONAL EISENMANN DO BRASIL EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA A decadência do direito de o fisco constituir crédito por multas por descumprimento de obrigação acessória é aquela do lançamento de ofício, contados cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Apesar de hígido o direito do fisco de efetuar lançamento de apurar infração de obrigação acessória, a aferição da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 25 64 /2 01 0- 95 Fl. 305DF CARF MF 2 multa com aplicação da retroatividade benigna, ao levar em conta base de cálculo já decaída, implica em valor nulo da multa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado a divergência dos resultados alcançados para situações similares e prequestionamento das matérias recorridas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte, apenas quanto à decadência e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para aplicação da Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, com redução da multa, ao valor nela previsto, nos períodos de apuração até julho de 2005. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Do auto de infração ao recurso voluntário Trata o presente processo de auto de infração AI, DEBCAD nº 37.046.477 0, à efl. 02, no qual foram constituídos constituídos créditos referentes à multa por descumprimento de obrigação acessória, pois a empresa apresentou GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, tendo omitido valores referentes aos pagamentos efetuados aos empregados, a titulo de vale alimentação sem PAT, conforme demonstrado no auto de infração da obrigação principal. O auto de infração foi cientificado à contribuinte em 21/08/2010 (efl. 47) e constituiu créditos, para a competência de 01/2005 (mês em que a penalidade foi inferior à calculada a partir da vigência da MP nº 449/2008), com multa no valor de R$ 2.863,58, e tem seus relatórios fiscais de infração e aplicação da multa postos às efls. 38 e 39. O presente processo foi apensado ao de número 19515.002565/201030, conforme informado no termo de apensação à efl. 107, datado de 20/12/2011. O auto de infração foi impugnado, às efls. 51 a 66, em 21/09/2010. Já a 14ª Turma da DRJ/SP1, no acórdão nº 1636.239, prolatado em 23/02/2012, às efls. 108 a 123, Fl. 306DF CARF MF Processo nº 19515.002564/201095 Acórdão n.º 9202006.322 CSRFT2 Fl. 306 3 considerou, por unanimidade, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Inconformada, em 23/10/2012, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, às efls. 132 a 147, argumentando, em apertada síntese: · a decadência que teria alcançado a penalidade referente ao mês de janeiro de 2005, em face ao preconizado no art. 150, § 4º do CTN; · ela estaria em consonância com o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT e por isso não seria obrigada a incluir o auxílio alimentação na base de cálculo das contribuições previdenciárias; · há posicionamento judicial contrário ao entendimento do fisco de que o auxílioalimentação in natura sofra incidência das contribuições sociais; · é também descabida a aplicação do Parecer PGFN nº 2.117/2011 ao caso, pois editado posteriormente aos fatos que são objeto do auto de infração; e · doutrinadores afirmam que benefícios aos trabalhadores que não correspondam a contraprestações sinalagmáticas entre eles e as empresas não representam remuneração. O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 14/08/2013, resultando no acórdão nº 2302002.665, às efls. 155 a 184, que tem as seguintes ementas: AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ART. 32, IV DA LEI Nº 8212/91. Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8212/91 a entrega de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural), sujeitando o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Fl. 307DF CARF MF 4 Todas as obrigações tributárias objeto do vertente lançamento referemse a fatos geradores ocorridos em competências ainda não alcançadas pelo instituto da decadência tributária. ALIMENTAÇÃO. PARCELA FORNECIDA NA FORMA DE VALE/CARTÕES ALIMENTAÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os valores despendidos pelo empregador na forma de vale/cartões alimentação fornecidos ao trabalhador integram o conceito de remuneração, na forma de benefícios, compondo assim o Salário de Contribuição dos segurados favorecidos, para os específicos fins de incidência de contribuições previdenciárias, eis que não encampadas expressamente nas hipóteses de não incidência tributária elencadas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. O acórdão teve o seguinte teor: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para que a multa seja calculada considerando as disposições do art. 32A, inciso I, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Vencidos na votação os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral, Fabio Pallaretti Calcini e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a verba paga a título de alimentação na forma de vale/cartões não integra o salário de contribuição e, por isso, não é passível de declaração em GFIP. RE da Fazenda A Procuradoria da Fazenda interpôs recurso especial de divergência, em 11/12/2013, às efls. 185 a 195. Em seu recurso, aponta entendimento expresso em acórdãos paradigmas de números: 240101.552 e 920202.086, que vão de encontro ao recorrido no tocante à aplicação da retroatividade benigna às multas lançadas. Nos acórdãos paradigmas tratouse a matéria com o seguinte entendimento (efl. 192) : ...em hipóteses como a dos presentes autos em que houve lançamento de ofício da obrigação principal, bem como lançamento da obrigação acessória, devese efetuar o seguinte cálculo: somar as multas da sistemática antiga (art. 35, II e art. Fl. 308DF CARF MF Processo nº 19515.002564/201095 Acórdão n.º 9202006.322 CSRFT2 Fl. 307 5 32 da norma revogada) e comparar o resultado dessa operação com a multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009 e que remete ao art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 (75%). Já o Colegiado a quo, no acórdão recorrido, sustenta que, tratandose de auto de infração para cobrança de multa por descumprimento de obrigação acessória, a comparação para fins de aplicação da retroatividade benigna deve ser feita (em separado) entre a penalidade previstas no art. 32, IV, da norma revogada, e aquela indicada no art. 32A da Lei n. 8.212/91. Por fim, entendendo ser a posição dos paradigmas a mais adequada, requer que seja conhecido e provido o seu recurso especial para reforma do acórdão recorrido a fim de que prevaleça a forma de cálculo utilizada pela autoridade fiscal para aferição da multa mais benéfica ao contribuinte, em conformidade com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 1.027/2010. O recurso especial de divergência da Procuradora foi apreciado por este Presidente da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos dos arts. 67 e 68 Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, no despacho de efls. 196 a 200, datado de 31/05/2016, entendendo por lhe dar seguimento, ao vislumbrar similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma e o recurso cumprir os demais requisitos regimentais. Contrarrazões da contribuinte Houve encaminhamento de intimação (efl. 202) do acórdão nº 2302 002.665, do recurso especial de divergência da Fazenda e do seu despacho de admissibilidade, da qual a contribuinte teve ciência em 01/11/2016 (efl. 205). Em 09/11/2016, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial de divergência da Procuradoria, às efls.273 a 279. Afirma que a aplicação de penalidades deve ser mantida conforme o recorrido, pela aplicação do princípio tempus regit actus, limitandose a multa a 75%, resultando essa a situação menos gravosa à contribuinte à luz do art. 106, inc. II, "c", do CTN, com rechaço ao disposto na IN RFB nº 1.207/210. Finaliza requerendo o recebimento de suas contrarrazões e a manutenção do benefício retroativo da multa do acórdão do recurso voluntário. RE da contribuinte Em 09/11/2016, a contribuinte também interpôs recurso especial de divergência, às efls. 207 a 217. Em seu recurso especial o representante da empresa salienta, como preliminar, que se considera alcançado pela decadência o período de apuração de janeiro de 2005, com base no art. 150, § 4º, do CTN, pois teriam ocorrido pagamentos antecipados a menor. Esgrime como paradigmas os acórdãos nº 10192.642 e nº 2201002.858. Quanto ao mérito, sobre a exigência de tributação dos pagamentos de auxílio alimentação, a contribuinte afirma que cumpria os requisitos para participação do PAT desde Fl. 309DF CARF MF 6 2001 e fora recadastrada em 01/03/2004. Aponta a divergência de entendimentos com base no acórdão nº 2401003.361, que para situação similar a sua entendeu que se deveria deduzir do montante lançado a parcela de auxílio alimentação paga in natura. Conclui requerendo que seja conhecido seu recurso especial de divergência e que ele seja provido para tornar totalmente improcedente a exigência fiscal. O recurso especial de divergência da contribuinte foi apreciado por este Presidente da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos dos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, no despacho de efls. 287 a 290, datado de 30/04/2017, entendendo por darlhe seguimento, tanto em relação à preliminar quanto em relação ao mérito. Contrarrazões da Procuradoria A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, às efls. 291 a 304, em 15/06/2017. Em breve resumo, argumenta pela não admissibilidade do recurso, relativamente ao auxílio alimentação, porque inexistiria divergência com o acórdão paradigma apontado, de nº 2401003.631, o qual afirmava não ser possível afastar a exação do vale transporte, mas na sua ementa admitia a natureza salarial do vale, repercutindo o que fora expresso no voto da relatora. Além disso, na eventualidade de ser apreciada essa matéria, há que se considerar que os valores fornecidos em forma de pecúnia, inclusive desconto em folha, vale refeição e ticket aos empregados a título de auxílioalimentação integram o saláriode contribuição, já que não se enquadram como prestação in natura. O decreto nº 5/1991, que regulamenta o programa, em seu art. 4º , não inclui o pagamento em pecúnia nas modalidades de fornecimento de alimentação, independentemente da empresa estar, ou não, inscrita no programa. Já em relação a decadência, não reconhecida no acórdão recorrido, tratando se de lançamento de multa, por meio de auto de infração, cujo lançamento será sempre de ofício, e não por homologação, não existe dispositivo legal que autorize deslocar o termo inicial da decadência para o fato gerador, devendo ser aplicada a regra geral do artigo 173, I do CTN Finaliza requerendo que não seja conhecido o recurso especial da contribuinte, em razão da ausência de pressupostos de admissibilidade para a primeira matéria e, caso contrário, que seja a ele negado provimento para as duas matérias em discussão. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Passo a analisar os recursos na ordem em inversa de sua interposição. Fl. 310DF CARF MF Processo nº 19515.002564/201095 Acórdão n.º 9202006.322 CSRFT2 Fl. 308 7 RE DA FAZENDA Conhecimento O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo, e cumpre todos os requisitos para seu conhecimento. Mérito A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 311DF CARF MF 8 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no auto de infração de obrigação acessória AIOA somado com a multa aplicada na NFLD do auto de infração da obrigação principal AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da Fl. 312DF CARF MF Processo nº 19515.002564/201095 Acórdão n.º 9202006.322 CSRFT2 Fl. 309 9 fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: Fl. 313DF CARF MF 10 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou Fl. 314DF CARF MF Processo nº 19515.002564/201095 Acórdão n.º 9202006.322 CSRFT2 Fl. 310 11 · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Fl. 315DF CARF MF 12 Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº Fl. 316DF CARF MF Processo nº 19515.002564/201095 Acórdão n.º 9202006.322 CSRFT2 Fl. 311 13 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, há que se aplicar a de retroatividade benigna em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04/12/2009 e o que se observa na apuração da multa, às efls. 40 e 41, é que foi esse o critério adotado pela fiscalização no presente processo. Por essas razões, voto por conhecer do recurso especial de divergência da Procuradora, dandolhe provimento para reformar o acórdão a quo, retomando o critério utilizado no auto de infração. RE DA CONTRIBUINTE Decadência O recurso especial de divergência da contribuinte é tempestivo e dele conheço quanto à discussão sobre a decadência, haja vista que há similaridade fática, entre o acórdão a quo e o paradigma, divergindo na aplicação das normas sobre a matéria. Em tese, assiste razão à Procuradora da Fazenda, quando afirma que em casos de descumprimento de obrigação acessória, se trata exigência de multa com lançamento de ofício e por isso a ele, diretamente, não se aplica a regra do art. 150, § 4º do CTN, mas sim a do art. 173, inciso I, do mesmo Código. Contudo, tendo em vista a forma de apuração da multa mais benéfica, conforme acima discutida, a decadência do tributo em determinado mês implica que o cálculo de seu valor naquele mês reste zerado, apesar de o direito de apurar tal infração continuar hígido. No caso em análise, no julgamento do recurso voluntário relativo à obrigação principal, no processo nº 19515.002565/201030, foram considerados decaídos os meses de competência de janeiro a julho de 2005, sem que tenha havido interposição de recurso para afastar e decisão quanto a isso; apenas a contribuinte intentou que fosse alargado o período até agosto do mesmo ano. Com a decadência do principal, a multa aplicável não seria calculada nos termos constantes do lançamento original, mas apenas no valor determinado pelo art. 32A da Lei n° 8.212, de 1991. Assim, ainda que considere incorreto o critério jurídico que a contribuinte pretendeu aplicar para apurar a decadência ao direito de lançar a multa por descumprimento de Fl. 317DF CARF MF 14 obrigação acessória, a decadência, já reconhecida do tributo, no mês para o qual aqui há controvérsia, me leva a votar pelo provimento parcial ao seu recurso especial de divergência. Em face da situação, voto por conhecer do recurso especial de divergência da contribuinte para darlhe provimento em parte, para aplicação da multa prevista no art. 32A da Lei n° 8.212, de 1991, nos períodos de apuração até julho de 2005. Auxílio alimentação Com relação a essa matéria, entendo haver interesse recursal da contribuinte, no sentido de que, caso não seja exigível a contribuição previdenciária sobre o auxílio alimentação, também não seria exigível a multa lançada. Todavia, entendo que, conforme já fundamentado nos processos 19515.002565/201030, 19515.002566/201084 e 19515.002567/201029, em que são discutidas exações referentes à obrigação principal que ensejou o lançamento da multa ora em debare, a matéria não deve ser conhecida. Portanto, resta prejudicado o conhecimento deste recurso. Todavia, caso a Turma entenda ainda relevante a apreciação do restante do recurso especial da contribuinte, sigo na apreciação da matéria. Conhecimento A despeito de ter conhecido originariamente do recurso especial, em face dos argumentos da Procuradoria da Fazenda em contrarrazões, na análise agora realizada para prolação do acórdão, me vejo forçado a rever minha posição, relativamente à exigência de tributos sobre as parcelas de vale alimentação não declaradas em GFIP. Analisandose os acórdãos em confronto, verificase, na verdade, que tanto o paradigma quanto o recorrido entendem que em casos de parcelas pagas in natura, tais pagamentos podem ser excluídos do salário de contribuição, mesmo sem a inscrição da empresa empregadora no PAT, com base em julgados reiterados do STJ e no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011. Na visão da recorrente, a divergência se estabeleceria porque, no presente caso, o acórdão recorrido adota o entendimento de que em havendo parcelas pagas que não sejam relativas ao fornecimento de alimentação pronta para consumo ao empregado não se trata de pagamento in natura. Já o paradigma admite que outras formas de pagamento, que não sejam em espécie, realizadas por empresa inscrita no PAT, se enquadrem no critério que leva à sua exclusão do salário de contribuição. Todavia, o relatório fiscal do auto de infração informa, à efl. 49, pagamento em pecúnia: A verificação da conta 3.5.01.01.012, nos balancetes de 01 a 12 do ano de 2005, constatou pagamentos a segurados empregados a titulo de Vale Refeição, bem como o respectivo desconto na folha de pagamento a mesmo titulo. (Negritei.) Ou seja, se está tratando de pagamentos em pecúnia. e tal fato já fora ressaltado no acórdão da DRJ, no item 8.2, à efl. 163: Os pagamentos foram efetuados aos segurados empregados a titulo de Vale Refeição, com desconto na folha de pagamento a mesmo titulo, valor do desconto como definido e ajustado em Fl. 318DF CARF MF Processo nº 19515.002564/201095 Acórdão n.º 9202006.322 CSRFT2 Fl. 312 15 Convenção Coletiva da categoria, ou seja, restou caracterizado o pagamento em pecúnia do salário utilidade alimentação, que integra a base de cálculo de Contribuição Previdenciária. Já no acórdão paradigma, temse informado no relatório (efl. 315): ...a empresa, no lugar de fornecer a alimentação nas modalidades previstas no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. instituído pela lei n° 6.321, de 14 de abril de 1976, fornece para alguns empregados o salário utilidade/alimentação em pecúnia, creditado como proventos em seus contracheques. Apesar de regularmente inscrita no PAT durante o período fiscalizado, o pagamento em espécie do salário utilidade/alimentação, modalidade que não está prevista para o cumprimento do Programa, faz com que esse beneficio seja considerado basedecálculo para fins da contribuição previdenciária. Adicionalmente, cumpre referir que, no acórdão recorrido não foi sequer enfrentado o fato de a contribuinte, estar ou não, inscrita no PAT. Assim, quando vemos a decisão final, não há verdadeira divergência entre os acórdãos cotejados. Como pontos em comum, quanto à situação fática no recorrido e no paradigma, temos pagamentos em pecúnia. Já o critério jurídico utilizado em ambos é o de inclusão desses pagamentos no salários de contribuição. Como pontos distintos, temos que no paradigma de pronto se admite a inscrição da empregadora no PAT, enquanto no acórdão recorrido tal informação não é apreciada, pois o simples fato de o pagamento ser desconsiderado como in natura, foi suficiente para que o relator entendesse que sobre ele incidiria a tributação de contribuição social. Todavia, ainda que no acórdão a quo se admitisse a inscrição da contribuinte no PAT, nada teria mudado, tornando ainda mais similares os entendimentos quanto à motivação para a tributação dos valores pagos. Apesar de os acórdãos revelarem distintos entendimentos jurídicos em alguns pontos, essas distinções não permitiram que houvesse divergência entre eles; decidiram no mesmo sentido em frente de pagamentos da mesma natureza. Logo, não há divergência quando paradigma e recorrido são consonantes quanto à possibilidade de tributar como parcela do salário de contribuição os valores pagos a título de alimentação quando esses não se qualificam como in natura, ainda que se admita a possibilidade teórica de discussão do que seria o pagamento in natura. Por outra banda, o argumento trazido pela contribuinte no tocante à comprovação de sua inscrição no PAT não poderia ser apreciado, tendo em vista que não foi enfrentado no acórdão recorrido, carecendo de prequestionamento, ou de embargos que levantassem essa omissão. Além disso, como já ficou claro, nada garante que isso afetaria o decidido. Finalizando, resumidamente, para que houvesse divergência comprovada, apta ao conhecimento do recurso especial da contribuinte, teria sido necessário: Fl. 319DF CARF MF 16 (1) embargar a decisão recorrida, para trazer à discussão a questão relativa à inscrição no PAT, como suficiente, ou não, para afastar a tributação dos valores pagos em pecúnia, através de ticket, para fins de prequestionamento, e (2) apresentar, a título de acórdão paradigma, uma decisão que tivesse entendido pela não tributação de pagamento de auxílio alimentação em pecúnia, realizado através de ticket por empresa inscrita no PAT. Como nada disso ocorreu, entendo não haver divergência a ser apreciada por esta Câmara Superior de Recursos Fiscais. CONCLUSÃO Com base no exposto, voto por: a) conhecer do recurso especial de divergência da Fazenda Nacional, para darlhe provimento; b) conhecer parcialmente do recurso da contribuinte, quanto à decadência, para, na parte conhecida, darlhe parcial provimento, para aplicação da multa prevista no art. 32A da Lei n° 8.212, de 1991, nos períodos de apuração até julho de 2005. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 320DF CARF MF
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Numero do processo: 13609.000665/2006-10
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO APLICÁVEL AO PLEITO. CONHECIMENTO. SIMILITUDE FÁTICA.
Considerando que o acórdão recorrido, para além da aplicação do prazo decenal, tomou como critério de decidir o fato de o pedido de restituição haver sido protocolizado em 14/09/2006, após a vigência da Lei Complementar n. 118/05, não se pode conhecer o recurso especial cujos paradigmas se resumam à discussão sobre o prazo de cinco ou dez anos, que se refiram a pedidos anteriores à vigência da referida lei complementar ou ainda à decadência tratada pelo artigo 45 da Lei n. 8212/91, carecendo da similitude fática necessária à configuração da divergência.
Numero da decisão: 9101-003.270
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa e Rafael Vidal de Araújo, que conheceram do recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Ausente, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO APLICÁVEL AO PLEITO. CONHECIMENTO. SIMILITUDE FÁTICA. Considerando que o acórdão recorrido, para além da aplicação do prazo decenal, tomou como critério de decidir o fato de o pedido de restituição haver sido protocolizado em 14/09/2006, após a vigência da Lei Complementar n. 118/05, não se pode conhecer o recurso especial cujos paradigmas se resumam à discussão sobre o prazo de cinco ou dez anos, que se refiram a pedidos anteriores à vigência da referida lei complementar ou ainda à decadência tratada pelo artigo 45 da Lei n. 8212/91, carecendo da similitude fática necessária à configuração da divergência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa e Rafael Vidal de Araújo, que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 06 65 /2 00 6- 10 Fl. 269DF CARF MF 2 Ausente, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rêgo. Relatório Tratase de pedido de restituição (Efls. 1 ss.) apresentado em 14/09/2016, para a recuperação de valores de IRPJ e CSLL apurados em 2001, 2002 e 2003, diante da sua equiparação a prestadoras de serviços hospitalares, assim sintetizado (Efls. 33 ss.): “Diante dos fatos e argumentos alhures expostos, e, frente ao direito líquido e certo do contribuinte, conforme exaustivamente dissertados, requerse a peticionária: A declaração de que a Requerente está enquadrada dentre as atividades médicas relacionadas no disposto pelo o Ministério da Saúde, ou seja, a Portaria GM nº 1.884, de 11 de novembro de 1994, Parte II, Capítulo 2, aplicandolhe a base tributável do Imposto de Renda sobre alíquota de 8%, bem como a CSLL sobre alíquota de 12%. Seja afastada a imposição de retenção do CSLL e IRPJ, na medida em que os serviços prestados pela Impetrante são equiparados a serviços hospitalares, uma vez que este regime de recolhimento antecipado fere os mais basilares fundamentos legais e constitucionais. Requer ainda, por conta deste pedido, o reconhecimento do pagamento a maior demonstrada através da planilha de cálculo anexo. Por derradeiro, requer a homologação das declarações de compensação que serão efetuadas com base neste pedido. São José dos Campos, 22 de agosto de 2006” O despacho da Delegacia da Receita Federal em Sete Lagoas (Efls. 90 ss.) indeferiu o pedido de restituição com relação aos pagamentos realizados em 30/04/2001 e 31/07/2001, por compreender que o direito da contribuinte haveria decaído em função do transcurso do prazo de cinco anos, segundo sua leitura do CTN, razão pela qual o programa teria impedido a transmissão do Pedido de Restituição Eletrônico, conforme a Efl. 2. Com referência aos pagamentos efetuados em 31/10/01, 31/01/02, 13/12/02 e 31/07/03, o pedido foi considerado não formulado, sob o fundamento de que de acordo com o art. 3º, § 1º, da Instrução Normativa SRF nº 600/2005, a restituição da parcela que teria sido paga a maior deveria ser pleiteada por meio do Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), disponível no site da Secretaria da Receita Federal (www.receita.fazenda.gov.br). Fl. 270DF CARF MF Processo nº 13609.000665/200610 Acórdão n.º 9101003.270 CSRFT1 Fl. 270 3 Por fim, pontuouse na decisão que não haveria previsão legal para a expedição de uma declaração de que o contribuinte estaria enquadrado nas atividades médicas relacionadas na Portaria GM nº 1.884, de 11 de novembro de 1994. Insurgindose, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade (Efls. 97 ss.) pleiteando a aplicação do prazo decenal, diante da ilegalidade do artigo 3º da Lei Complementar nº 118/2005 e do novo entendimento do STJ, reiterou suas considerações a respeito da equiparação de seus serviços aos hospitalares e do direito à compensação dos respectivos créditos, tratando, por fim, da necessidade de sua correção monetária. Registrese, por oportuno, que embora ao final de sua peça tenha pleiteado “o provimento integral do presente recurso, para modificar por completo a decisão proferida, deferindo o pedido e consequentemente homologando todas as compensações efetuadas com base neste processo”, ao final consignou: “no tocante aos valores efetuados em 30/04/01 e 31/07/01”, de fato nada mencionando sobre a parte do pedido considerado não formulado, em razão da falta de PER/DCOMP. Com o acórdão nº 0213101, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (Efls. 135 ss.) também restringiu o exame ao ponto recorrido e não acolheu o pleito do contribuinte, aplicandose o prazo decadencial de cinco anos, contados da data do pagamento indevido, entendendose prejudicado o restante das questões diante do julgamento desta preliminar. Leiase a sua ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Exercício: 2002, 2003, 2004 Ementa: COMPENSAÇÃO – EFEITOS DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. Nos processos de compensação tributária, a manifestação de inconformidade do sujeito passivo contra apreciações dos DRF em processos administrativos relativos à compensação de tributos instaura a fase litigiosa do procedimento, circunscrevendose o litígio à matéria expressamente contestada pelo manifestante. PRELIMINAR Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis. VINCULAÇÃO A atividade da autoridade tributária é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. PRESCRIÇÃO O prazo para pedir restituição de tributos pagos indevidamente ou a maior é de cinco anos, contados da extinção do débito tributário, extinção esta que, no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, ocorre na data do respectivo pagamento. Fl. 271DF CARF MF 4 INCONSTITUCIONALIDADE As alegações de inconstitucionalidade não podem ser examinadas no contencioso administrativo, por transbordarem a competência das autoridades judicantes. Solicitação Indeferida. Acordam os membros da 4ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, indeferi a solicitação” O contribuinte apresentou recurso voluntário (Efls. 144 ss.), basicamente renovando as razões postas em sua manifestação de inconformidade, com a adição de tópico sobre a competência do órgão administrativo para a apreciação de alegações de inconstitucionalidade de normas. O recurso voluntário foi julgado pelo acórdão n. 10516.759 (Efls. 187 ss.), que lhe negou provimento sob o seguinte fundamento: “No entanto, mesmo aceitando a jurisprudência do STJ, que não aceita a aplicação retroativa da LC 118, esta interpretação não se aplica ao caso do contribuinte. Ele ingressou com o pedido em 14 de setembro de 2006, quando estava vigente, válida e eficaz a LC 118, sendo plenamente aplicável ao caso concreto. A contribuinte então interpôs recurso especial (Efls. 196 ss.) sustentando a divergência entre o acórdão recorrido e os acórdãos n. 20311.098 e 10807.107 quanto à aplicação do prazo de decadência de cinco ou dez anos, e novamente versando sobre a ilegalidade o artigo 3º da Lei nº 118/2005, o novo entendimento do STJ e sua equiparação à prestadora de serviço hospitalar. O recurso foi recepcionado por dois despachos de admissibilidade (Efls. 251 ss. e 261 ss.) e a Recorrida reiterou, às Efls. 266, as contrarrazões oferecidas anteriormente (Efls. 255 ss.) sustentando a legitimidade da incidência do artigo 3º da Lei Complementar n. 118, uma vez que o pedido do contribuinte teria se dado apenas em 2006, posteriormente à vigência da norma, verificada 120 dias contados de 09 de fevereiro de 2003. Passase à apreciação do recurso. Voto Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora CONHECIMENTO O conhecimento do Recurso Especial condicionase ao preenchimento de requisitos enumerados pelo artigo 67 do Regimento Interno deste Conselho, que exigem analiticamente a demonstração, no prazo regulamentar do recurso de 15 dias, de (1) existência de interpretação divergente dada à legislação tributária por diferentes câmaras, turma de câmaras, turma especial ou a própria CSRF; (2) legislação interpretada de forma divergente; (3) prequestionamento da matéria, com indicação precisa das peças processuais; (4) duas decisões divergentes por matéria, sendo considerados apenas os dois primeiros paradigmas no caso de apresentação de um número maior, descartandose os demais; (5) pontos específicos dos paradigmas que divirjam daqueles presentes no acórdão recorrido; além da (6) juntada de cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas, da publicação em que tenha sido divulgado ou de publicação de até 2 ementas, impressas diretamente do sítio do CARF ou Fl. 272DF CARF MF Processo nº 13609.000665/200610 Acórdão n.º 9101003.270 CSRFT1 Fl. 271 5 do Diário Oficial da União quando retirados da internet, podendo tais ementas, alternativamente, serem reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. Observase que a norma ainda determina a imprestabilidade do acórdão utilizado como paradigma que, na data da admissibilidade do recurso especial, contrarie (1) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal (art. 103A da Constituição Federal; (2) decisão judicial transitada em julgado (arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil; e (3) Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Voltandose então ao caso sob exame, adiantouse que o contribuinte interpôs Recurso Especial (Efls. 196 ss.) indicando como paradigmas os acórdãos n. 20311.098 e 108 07.107 para sustentar a divergência quanto à aplicação do prazo de decadência de cinco ou dez anos ao IRPJ e à CSLL, defendendo a ilegalidade do artigo 3º da Lei Complementar n. 118/2005 e o entendimento do STJ quanto à sua irretroatividade. Para tanto, em suas razões, colacionou apenas a ementa do acórdão recorrido, que assim restou redigida: “IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ EXERCÍCIO: 2002, 2003, 2004 COMPENSAÇÃO – O prazo para o contribuinte ingressar com pedido de compensação junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil é de cinco anos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso voluntário interposto por LABORATÓRIO SANTA CLARA LTDA. ACORDAM os Membros da QUINTA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Eduardo da Rocha Schmidt, Roberto Bekierman (Suplente Convocado) e Marcos Vinícius Barros Ottoni (Suplente Convocado)”. Ocorre que, diante do que também adiantado quanto ao conteúdo do voto, entendese essencial que se verifique o seu inteiro teor, o qual se reproduz integralmente: “Voto Conselheiro MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Relator O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. Inicialmente devese esclarecer que a lide foi definida ainda na impugnação, quando o contribuinte questionou apenas o indeferimento do crédito dos valores pagos em 30/04/01 e 31/07/01, não se manifestando sobre os demais valores pleiteados, que foram indeferidos com fundamentação diversa à da decadência do direito de pedir a restituição/compensação. Definido limite da lide, passo a abordar o mérito do recurso. Fl. 273DF CARF MF 6 O recorrente alega que O STJ entende que o direito de pedir a restituição/compensação nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação extinguese apenas em dez anos após o pagamento indevido, utilizando conjuntamente os arts. 165 e 150 do CTN. Alega ser inconstitucional e incompatível com o CTN a Lei Complementar 118 e traz jurisprudência do STJ sobre a aplicação da LC 118. No entanto, mesmo aceitando a jurisprudência do STJ, que não aceita a aplicação retroativa da LC 118, esta interpretação não se aplica ao caso do contribuinte. Ele ingressou com o pedido em 14 de setembro de 2006, quando estava vigente, válida e eficaz a LC 118, sendo plenamente aplicável ao caso concreto. Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (Sala da Sessões, em 07 de novembro de 2007.” (grifouse) Isso porque, da leitura do trecho grifado, compreendese que o critério determinante para a decisão, no acórdão recorrido, foi o fato de o pedido de restituição haver sido protocolizado pela contribuinte em 14/09/2006, isto é, quando já vigente a Lei Complementar n. 118/2005, não havendo mais que se falar em irretroatividade da norma, conforme a jurisprudência do STJ, com a qual inclusive se concordaria, conforme indicado. Ocorre que esse ponto não é enfrentado pelo recurso especial, que coloca a questão como uma divergência entre o acórdão recorrido que teria decidido que o prazo decadencial aplicável seria de cinco anos, enquanto os paradigmas permitiriam a contagem decenal para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Nesse sentido, além de não se entender realizado o devido cotejo analítico, não se entende ser possível demonstrar a necessária divergência ao conhecimento do recurso, afinal, se esse foi o enfoque do acórdão recorrido, pensase que os paradigmas também deveriam girar em torno da data em que realizado o pedido de restituição – aliás, como orienta o STJ e a própria súmula CARF nº 91, mas com resultado contrário. No entanto, um retorno ao primeiro paradigma, acórdão nº 20311.098, indica que a discussão mantevese na tese conhecida da aplicação do prazo de cinco ou dez anos. Leia se: “VOTO DO CONSELHEIRORELATOR CÉSAR PIANTAVIGNA Venho reiteradamente expondo meu posicionamento quanto ao prazo decadencial em casos de restituição de indébito. Sigo a orientação do STJ para a hipótese, isto é, de 10 (dez) anos contados de cada qual dos recolhimentos indevidos: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. COMPENSAÇÃO. PIS. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA. INÍCIO DO PRAZO. PRECEDENTES. 1. Está uniforme na 1ª Seção do STJ que, no caso de lançamento tributário por homologação e havendo silêncio do Fisco, o prazo decadência só se inicia após decorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento estando o tributo Fl. 274DF CARF MF Processo nº 13609.000665/200610 Acórdão n.º 9101003.270 CSRFT1 Fl. 272 7 em tela sujeito a lançamento por homologação, aplicamse a decadência e a prescrição nos moldes acima delineados. 2. Não há que se falar em prazo prescricional a contar da declaração de inconstitucionalidade pelo STF ou da Resolução do Senado. A pretensão foi formulada no prazo concebido pela jurisprudência desta Casa Julgadora como admissível, visto que a ação não está alcançada pela prescrição, nem o direito pela decadência. Aplicase, assim, o prazo prescricional nos moldes em que pacificado pelo STJ, id est, a corrente dos cinco mais cinco. 3. A ação foi ajuizada em 23/03/2001. Valores recolhidos, a título de PIS, no período de 12/89 a 04/96. Não transcorreu, entre o prazo do recolhimento (contado a partir de 03/1991) e o ingresso da ação em juízo, o prazo de 10 (dez) anos. Inexiste prescrição sem que tenha havido homologação expressa da Fazenda, atinente ao prazo de 10 (dez) anos (5+5), a partir de cada fato gerador da exação tributária, contados para trás, a partir do ajuizamento da ação. 4. Precedentes desta Corte Superior. 5. Embargos de divergência parcialmente acolhidos para, com base na jurisprudência predominante da Corte, declarar a prescrito, apenas, das parcelas anteriores a 03/91, concedendo as demais, nos termos do voto. (EResp. nº 500.231/RS. 1ª Seção. Rel. Min. José Delgado. Julgado em 10/11/2004. DJU 17/12/2004 – grifo da transcrição). Desta forma, sou firme em afirmar que os pagamentos injustificados distribuídos no período de 04/90 a 11/95 (fls. 03/48) figuram passíveis de devolução no que despontem excessivos, na medida em que a protocolização do pleito em exame nesses autos foi efetivada em 20/12/1999, antes, portanto, de transpostos os 10 (dez) anos avátados na decisão do referido Tribunal Superior. Delongarme no trato da decadência traduziria repetição de argumentos e posições sobejamente conhecidos no contexto desse Sodalício. Face ao exposto, dou provimento parcial ao recurso para admitir a restituição do indébito no que respeita aos recolhimentos efetivados entre os meses de 04/90 a 11/95 (fls. 03/48). O montante a ser restituído à contribuinte deverá corresponder à diferença entre os valores que foram pagos e as importâncias que figurariam legitimamente exigíveis pelo Fisco mediante aplicação da sistemática do “PISrepique”. Sala das Sessões, em 30 de junho de 2006”. (grifouse) Observase, também, a complementar a conclusão alcançada, que o caso em análise no acórdão nº 20311.098, tratase de pedido protocolado em 20/12/1999, portanto, anteriormente à vigência da Lei Complementar nº 118/2005, de modo a não caracterizar a similitude fática requerida para a análise de divergência. Fl. 275DF CARF MF 8 O mesmo se diga, ainda que por outros motivos, com relação ao acórdão n. 10807.107, apresentado como segundo paradigma. Muito embora se tenha um posicionamento de se considerar muitas vezes prescindível a identidade entre as espécies tributárias ou, em determinadas situações, entre os dispositivos legais tratados, ao se proceder à análise de divergência para efeitos de conhecimento de recurso especial, no presente caso o distanciamento verificado se faz relevante. Além de o segundo paradigma também não partir de uma questão de apresentação de pedido de restituição na vigência da Lei Complementar n. 118/2005, sequer sua discussão básica sobre o prazo decadencial de cinco ou dez anos gira em torno da mesma legislação tratada pelo acórdão recorrido. Do confronto entre os votos vencidos e vencedor do acórdão n. 10807.107, vêse que, diferentemente da decisão recorrida, a solução pela aplicação do prazo decenal partiu da conclusão sobre a incidência do artigo 45 da Lei n. 8212/1991. “Voto vencido – José Henrique Longo Já é pacífico neste órgão colegiado que, a partir de 1992, os lançamentos de IR e CSL são por homologação e deve ser contado o prazo da decadência conforme o art. 150, § 4º, do CTN. As demais contribuições sociais também se classificam como lançamento por homologação, e tendo transcorrido prazo superior a 5 anos (art. 150, § 4º, CTN) desde o fato gerador e até o lançamento de ofício, é inquestionável a extinção de eventual crédito tributário em face da decadência. De mais a mais, não há que se falar em prazo decadencial de 10 anos para as contribuições sociais, previsto na Lei 8212/91, uma vez que somente lei complementar pode estabelecer limitações ao poder de tributar (Constituição Federal, art. 146, II), inclusive acerca de decadência (inciso II, b), e, no atual sistema jurídico, a norma desse nível hierárquico que estabelece a decadência para tributos é o Código Tributário Nacional, e lá está previsto o prazo de 5 anos (art. 150, § 4º). Nesse sentido decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste colegiado na sessão de 17/04/2001 (Acórdão CSRF/13.348, além de noutras oportunidades (v.g. CSRF/13.906). 41111 Assim, reconheço a decadência dos lançamentos até o mês de maio de 1994. Voto vencedor – Manoel Gadelha Dias Sustentou o douto Conselheiro Relator que, em face do disposto os arts. nº 146, III, “b” e 149, da Carta Magna de 1988, a decadência do direito de lançar as contribuições sociais deve ser disciplinada em lei complementar, e que a falta da lei complementar específica dispondo sobre a matéria, ou de lei anterior recebida pela Constituição, a Fazenda Pública deve seguir as regras de caducidade previstas no Código Tributário Nacional. Ocorre que, ao assim decidir, deixou o i. Relator de aplicar dispositivo de lei, publicada posteriormente ao CTN, que disciplina a decadência das contribuições destinadas à Seguridade Social. Fl. 276DF CARF MF Processo nº 13609.000665/200610 Acórdão n.º 9101003.270 CSRFT1 Fl. 273 9 Eis o teor do art. 45 da Lei 8212, de 24 de julho de 1991, na sua redação original, em vigor nas datas de ocorrência dos fatos geradores em tela no ano de 1994: “Art. 45 – O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; II – da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada. Não se alegue que a norma acima transcrita seria aplicável somente às contribuições previdenciárias, de competência do Instituto Nacional do Seguro Social – INSS. A uma porque o referido dispositivo trata do “direito da Seguridade Social” e não da Previdência Social, da qual o INSS é órgão integrante. A duas porque o fato de a Secretaria da Receita Federal não ser órgão do Ministério da Previdência e Assistência Social não lhe retira a competência para fiscalizar e arrecadar as contribuições sociais sobre o lucro (CSL) e sobre o faturamento (FINSOCIAL e COFINS). A três porque a Lei nº 8212/91, que “dispõe sobre a organização da Seguridade Social, institui Plano de Custeio, e dá outras providências”, identifica todas as fontes de custeio da Seguridade Social, dentre elas as contribuições sociais, estabelecendo suas bases de cálculo, alíquotas e órgãos competentes para fiscalizá las. Especificamente quanto às contribuições sociais, dispõe o § único do art. 11 da Lei 8212/91: I) Parágrafo único. Constituem contribuições sociais: a) as das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou credita aos segurados a seu serviço; b) as dos empregadores domésticos; c) as dos trabalhadores, incidentes sobre o seu salário de contribuição; d) as das empresas, incidentes sobre o faturamento e lucro; e) as incidentes sobre a receita de concursos de prognósticos”. No que tange às contribuições das empresas, os arts. 22 e 23 disciplinam: Fl. 277DF CARF MF 10 “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no artigo 23, é de: I – 20% (vinte por cento) sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados empregados, empresários, trabalhadores avulsos e autônomos que lhe prestem serviços; Art. 23. As contribuições a cargo da empresa provenientes do faturamento e do lucro, destinadas à Seguridade Social, além do disposto no artigo 22, são calculadas mediante à aplicação das seguintes alíquotas: I – 2% (dois por cento) sobre sua receita bruta, estabelecida segundo o disposto no § 1º do artigo 1º do DecretoLei nº 1.940, de 25 de maio de 1982, com a redação dada pelo artigo 22, do DecretoLei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, e alterações posteriores; II – 10% (dez por cento) sobre o lucro líquido do períodobase, antes da provisão para o Imposto sobre a Renda, ajustado na forma do artigo 2º da Lei nº 8.034, de 12 de abril de 1990. § 1º. No caso das instituições citadas no § 1º do artigo 22 desta Lei, a alíquota da contribuição prevista no inciso II é de 15% (quinze por cento). § 2º. O disposto neste artigo não se aplica às pessoas de que trata o artigo 25.” Quanto à competência para arrecadação, fiscalização e normatização das contribuições sociais, dispõe o art. 33, caput: “Art 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c! do parágrafo único do artigo 11; e ao Departamento da Receita FederalDRF, compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas “d” e “e” do parágrafo único do artigo 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente.” Observese que todo o disciplinamento baixado pela Lei nº 8.212/91 está em perfeita harmonia com a nova ordem constitucional. Estabelece a Constituição Federal de 1988 que a Seguridade Social “compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade” (art. 194) e que “será financiada por toda a sociedade” (art. 195), mediante, entre outros recursos, os provenientes das já referidas contribuições sociais. No texto constitucional, a Seguridade Social mereceu capítulo próprio (Capítulo II), dentro do Título VIII – da Ordem Social, no qual foram inseridas quatro Seções: das disposições gerais (Seção I), da Saúde (Seção II), da Previdência Social (Seção III) e da Assistência Social (Seção IV). Fl. 278DF CARF MF Processo nº 13609.000665/200610 Acórdão n.º 9101003.270 CSRFT1 Fl. 274 11 Ora, à toda evidência em face das disposições gerais estabelecidas no art. 194 da Constituição, quis o legislador conceder à Seguridade Social maior garantia na apuração e constituição de seus créditos, razão pela qual não faz nenhum sentido concluir que essa garantia adicional se daria apenas em relação a algumas contribuições (o prazo de decadência das contribuições previdenciárias seria de 5 anos) e não a outras (o prazo da decadência da CSL, FINSOCIAL e COFINS seria de 10 anos). E essa regra propina para a decadência das contribuições sociais destinadas à Seguridade Social também encontra respaldo no próprio CTN. Como bem demonstra o Conselheiro José Antonio Minatel, no Ac. 10804.119: “É fora de dúvida que a legislação do FINSOCIAL, seguindo a sistemática da maioria dos tributos, atribui “ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa”, encaixandose, portanto, na sistemática da homologação prevista no art. 150 do CTN, onde o seu § 40 é taxativo no sentido de fixar prazo de 5 (cinco) anos para o exame da autoridade administrativa, com vistas à homologação ali referida, isto com a ressalva prévia de seu “caput”: “se a lei não fixar prazo à homologação...” Ocorre que a já mencionada Lei nº 8.212/91, em seu artigo 45, expressamente estabeleceu o prazo de decadência das referidas contribuições sociais em 10 (dez) anos. Por outro lado, a despeito de respeitável o entendimento adotado pelo Senhor Relator, no sentido de que a Lei nº 8.212/91, por ser lei ordinária, não poderia disciplinar a matéria decadência das contribuições destinadas à Seguridade Social, em face das disposições do art. 146, III, “b”, da Constituição Federal, lembro que alguns Tribunais Regionais Federais vêm decidindo em sentido contrário, o que, por si só, recomenda aguardarse o pronunciamento final e definitivo dos nossos Tribunais Superiores. Eis o decidido, à unanimidade, pela E. 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, na Apelação Cível nº 96.01.562729MG, em 08/10/1999: “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO SÍNDICO. CTN, ART. 134, V. LEF. ART. 4º, I. DECADÊNCIA. CTN, ARTS. 150, § 40 E 174 LOPS, ART. 144. LEI 8.212, DE 24 DE JULHO DE 1991, ART. 45. (negritei) I. Em face do status de lei complementar do CTN (Constituição Federal, art. 146), não prevalece em tema de responsabilidade tributária, a restrição contida no art. 40, § 1º da LEF. (..)7 e 141 Fl. 279DF CARF MF 12 II. A responsabilidade tributária do síndico não pode, entretanto, ser oposta quando o processo falimentar for extinto no seu nascedouro sem exame de mérito. III. A decadência das contribuições previdenciárias, enquanto em vigor a Emenda Constitucional 08/77, regiase, à falta de norma específica, pelas disposições do CTN consagradas no art. 150, § 4º (prazo de cinco anos e termo inicial na data da ocorrência do fato gerador). IV. A Carta de 1988 atribuiulhes, inequívoca essência tributária (art. 149). O prazo de decadência continuou, pois a ser qüinqüenal com o termo a que previsto no art. 150, § 4º do CTN. V. Essa situação se alterou com o início da vigência da Lei 8.212/91, que estabeleceu o prazo de decadência de dez anos, o qual prevalece sobre a regra geral da Codificação Tributária, em face de permissivo inserto na parte inicial do § 40 do art. 150 do CTN. (negritei) VI. O termo inicial de decadência, não obstante o disposto no art. 45 da Lei 8.212/91, continua, entrementes, sendo o previsto no § 4º do art. 150 do CTN, de vez que a regra de contagem a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado (CTN, art. 173, I) tem, como destinatários, os lançamentos de ofício e por declaração. VII. Hipótese em que as competências de janeiro a dezembro de 1985 foram alcançadas pela decadência. VIII. Apelo e remessa oficial improvidos.” Também na doutrina se encontram vozes respeitáveis que sustentam a aplicabilidade do prazo de 10 (dez) anos para as contribuições destinadas à seguridade e social, valendo transcrever os ensinamentos do Professor Roque Antonio Carrazza, in Curso de Direito Constitucional Tributário, 17ª ed., São Paulo, Malheiros, 2002, pp. 789 a 794: “1. Atualmente, muito se tem discutido sobre quais são os prazos de decadência e de prescrição das chamadas “contribuições previdências” (contribuições sociais para a seguridade social), diante do disposto no art. 146, III, “b”, in fine, da CF. 3. Concordamos em que as chamadas “contribuições previdenciárias” são tributos, devendo, por isso mesmo, obedecer às “normas gerais em matéria de legislação tributária”. Também não questionamos que as normas gerais em matéria de legislação tributária devem ser veiculadas por meio de lei complementar. Temos, ainda, por incontroverso que as normas gerais em matéria de legislação tributária devem disciplinar a prescrição e a decadência tributárias. Fl. 280DF CARF MF Processo nº 13609.000665/200610 Acórdão n.º 9101003.270 CSRFT1 Fl. 275 13 O que, porém, pomos em dúvida é o alcance destas “normas gerais em matéria de legislação tributária”, que, para nós, nem tudo podem fazer, inclusive nestas matérias. De fato, também a alínea “h” do inciso III do art. 146 da CF não sobrepõe ao sistema constitucional tributário. Pelo contrário, com ele deve se coadunar, inclusive obedecendo aos princípios federativo, da autonomia municipal e da autonomia distrital. O que estamos tentando dizer é que a lei complementar, ao regular a prescrição e a decadência tributárias, deverá limitarse a apontar diretrizes e regras gerais. Não poderá, por um lado, abolir os institutos em tela (que foram expressamente mencionados na Casa Suprema) nem, por outro, descer a detalhes, atropelando a autonomia das pessoas políticas tributantes. O legislador complementar não recebeu um “cheque em branco” para disciplinar a decadência e a prescrição tributárias. Melhor esclarecendo, a lei complementar poderá determinar – como de fato determinou (art. 156, V, do CTN) – que a decadência e a prescrição são causas extintivas de obrigações tributárias. Poderá, ainda, estabelecer – como de fato estabeleceu (arts. 173 e 174 do CTN) – o dies a quo destes fenômenos jurídicos, não de modo a contrariar o sistema jurídico, mas a prestigiálo. Poderá, igualmente, elencar – como de fato elencou (arts. 151 e 174, parágrafo único, do CTN) – as causas impeditivas, suspensivas e interruptivas da prescrição tributária. Neste particular, poderá, aliás, até criar causas novas (não contempladas no Código Civil Brasileiro), considerando as peculiaridades do direito material violado. Todos estes exemplos enquadramse, perfeitamente, no campo de normas gerais em matéria de legislação tributária. Não é dado, porém, a esta mesma lei complementar entrar na chamada “economia interna”, vale dizer, nos assuntos de peculiar interesse das pessoas políticas. Estas, ao exercitarem suas competências tributárias, devem obedecer, apenas, às diretrizes constitucionais. A criação in abstrato de tributos, o modo de apurar o crédito tributário e a forma de se extinguirem obrigações tributárias, inclusive a decadência e a prescrição, estão no campo privativo das pessoas políticas, que lei complementar alguma poderá restringir, nem, muito menos, anular. Eis por que, segundo pensamos, a fixação dos prazos prescricionais e decadenciais depende de lei da própria entidade tributante. Não de lei complementar. Nesse sentido, os artigos 173 e 174 do Código Tributário Nacional, enquanto fixam prazos decadenciais e prescricionais, tratam de matéria reservada à lei ordinária de cada pessoa política. Portanto, nada impede que uma lei ordinária federal fixe novos prazos prescricionais e decadenciais para um tipo de tributo Fl. 281DF CARF MF 14 federal. No caso, para as “contribuições previdenciárias”. (negritei) Falando de modo mais exato, entendemos que os prazos de decadência e prescrição das “contribuições previdenciárias”são, agro, de 10 (dez) anos, a teor, respectivamente, dos arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, (negritei) que segundo procuramos demonstrar, passam pelo teste da constitucionalidade Assim, como as contribuições em tela (CSL e COFINS) referem se ao período de janeiro a dezembro de 1994, os lançamentos de fls. 49/53 e 290/292 notificados ao contribuinte em 08/06/1999, foram efetuados dentro do decêndio legal. Nessa conformidade, voto no sentido de REJEITAR a preliminar de nulidade, acolher a preliminar de decadência do IRPJ, do IR FONTE e da contribuição para o PIS, relativas aos meses de janeiro a maio de 1994 e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. BrasíliaDF, 17 de setembro de 2002.” Nesse sentido, também o segundo paradigma apresentado não demonstra similitude fática em relação ao acórdão recorrido, permitindo a identificação de divergência entre eles e, assim, o conhecimento do recurso. Por essas razões, votase por NÃO CONHECER o Recurso Especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio Fl. 282DF CARF MF
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Numero do processo: 13811.002487/98-11
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1993 PRESCRIÇÃO. TERMO DE INÍCIO. Em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o termo de início da contagem do prazo prescricional de cinco anos começa a fluir a partir da data em que ocorrer a homologação tácita ou expressa do pagamento no caso de a petição de indébito estiver sido formalizada até 08.06.2005. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a Recorrente.
Numero da decisão: 1801-000.859
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para se pronunciar sobre o valor do direito creditório pleiteado e a respeito dos pedidos de compensação dos débitos, nos termos do voto da Relatora. O Conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira votou pelo provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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TERMO DE INÍCIO. Em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o termo de início da contagem do prazo prescricional de cinco anos começa a fluir a partir da data em que ocorrer a homologação tácita ou expressa do pagamento no caso de a petição de indébito estiver sido formalizada até 08.06.2005. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para se pronunciar sobre o valor do direito creditório pleiteado e a respeito dos pedidos de compensação dos débitos, nos termos do voto da Relatora. O Conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira votou pelo provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Fl. 376DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13811.002487/9811 Acórdão n.º 180100.859 S1TE01 Fl. 277 2 Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente formalizou em 28.12.1998 os Pedidos de Restituição, fls. 01, 0607 e os Pedidos de Compensação com débitos próprios, fls. 5455 e de terceiros, fls. 47 e 52, utilizandose do crédito relativo ao saldo negativo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) do anocalendário de 1992, fls. 2331, no valor atualizado até dezembro de 1998 de R$304.535,19. Em conformidade com o Despacho Decisório DRF/Taubaté/SPO de 30.06.2088, fls. 8185, consta que os pedidos foram deferidos em parte. Restou ementado EMENTA: IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA Anocalendário: 1992 O valor do IRRF, a título de antecipação do IRPJ devido no período de apuração/exercício, é passível de restituição e/ou compensação somente após o encerramento do períodobase.O pretenso indébito alegado pela interessada está irremediavelmente atingido pelo instituto da prescrição, haja vista a inoperância da contribuinte a seu devido tempo. PEDIDO INDEFERIDO. Declaração de Compensação, convertida de Pedido de Compensação, formulada pela própria interessada, está homologada por expressa disposição legal. COMPENSAÇÕES HOMOLOGADAS. A compensação apresentada por terceiros não foi alcançada pela legislação superveniente; portanto não é passível de homologação, tendo em vista a ausência de crédito líquido e certo em face da Fazenda Nacional pela cedente. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO INDEFERIDO. Cientificada em 23.12.2008, fl. 89verso, a Recorrente, acompanhada pelos terceiros Componentes Estruturais Ltda, CNPJ 01.599.435/000167 e Companhia Iochpe, CNPJ 92.753.367/000102, sucessora por incorporação da Petropinho Participações S/A, apresenta a manifestação de inconformidade em 22.01.2009, fls. 90121, argumentando em síntese que discorda da conclusão da análise do pedido. Aduz que a exigibilidade dos débitos constantes nos pedidos está suspensa, explicando que não há impedimento expresso na legislação (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional). Suscita que não há que falar em prescrição do pedido de reconhecimento do direito creditório para utilização na compensação de débitos com terceiros, uma vez que o Fl. 377DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13811.002487/9811 Acórdão n.º 180100.859 S1TE01 Fl. 278 3 prazo de cinco anos começa a fluir após findo lapso temporal de cinco anos para homologação a contar da ocorrência do fato gerador (§ 4º do art. 150, inciso I do art. 165 e inciso I do art. 168 do Código Tributário Nacional). Defende que e que à época havia permissivo legal que amparava a compensação de débitos de terceiros com utilização de crédito próprio. Argumenta que os pedidos compensação dos débitos de terceiros foram alcançados pelo instituto da homologação tácita (§ 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Diante do exposto requer seja conhecida a presente Manifestação de Inconformidade e, afinal, provido inteiramente o pedido de restituição, para, consequentemente, deferir os Pedidos de Compensação de Créditos com Débitos de Terceiros autuados sob os n°s 11080.220120/9908 (Petropinho Participações S/A) e 10860.003205/200411 (Maxion Componentes Estruturais Ltda.). Ademais, requerse o cancelamento das cartas cobrança recebidas pela Reclamante bem como de qualquer procedimento de cobrança (como a inscrição em dívida ativa), de modo que seja determinada a suspensão dos pedidos de compensação até o deslinde do pedido de restituição, ante a suspensão da exigibilidade do crédito tributário (CTN, art. 151, III). Termos em que, Pedem deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/CPS/SP nº 0533.874, de 06.06.2011, fls. 184193: “Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Restou ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA D E PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1992 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO. ART. 168 DO CTN. Nos termos do art. 168 do CTN, o direito de pleitear o reconhecimento de direito creditório, visando a restituição ou a compensação de tributos ou contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário. SALDO NEGATIVO. ANTECIPAÇÕES. As antecipações convertemse em pagamento extintivo do crédito tributário no encerramento do período de apuração, momento que, para o anocalendário de 1992, é postergado para a data fixada para entrega da declaração anual de ajuste, a Fl. 378DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13811.002487/9811 Acórdão n.º 180100.859 S1TE01 Fl. 279 4 partir da qual, se superiores ao tributo ou contribuição incidente sobre o lucro apurado, constituem indébito passível de compensação, ou, alternativamente, de requerimento de restituição. INDISPONIBILIDADE DO CRÉDITO. INDEFERIMENTO DOS PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO E DE COMPENSAÇÃO COM DÉBITO DE TERCEIRO. Indeferese o pedido de restituição e de compensação de crédito de saldo negativo do anocalendário de 1992 formalizados depois de ultrapassados 5 (cinco) anos da data fixada para entrega da correspondente declaração anual de ajuste. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITO DE TERCEIRO. IMPOSSIBILIDADE DA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA E DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. Os pedidos de compensação de crédito com débito de terceiros, apresentados na vigência da IN SRF n° 21, de 1997, não foram convertidos em Declaração de Compensação (DCOMP) por ausência de previsão legal, não se cogitando, portanto, da possibilidade de homologação tácita de tais compensações, pois a elas não se aplica o regime instituído pelo artigo 74 da Lei n° 9.430/1996 e suas alterações. COBRANÇA DE DEBITO. Não há previsão legal para apreciação nas DRJ, n o âmbito da legislação que rege o Processo Administrativo Fiscal, de oposição contra aspectos relacionados à cobrança de débito, a qual deve ser apresentada no processo pró p r i o e submeterse às disposições da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Notificada em 24.06.2011 (sextafeira), fl. 195verso, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 25.07.2011, fls. 196218, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Conclui Ante o exposto, requer as Recorrentes seja reformado o v. acórdão para: a) afastar o óbice temporal quanto ao pedido de restituição, autorizandose a restituição dos valores apurados, uma vez que (i) tratouse de restituição automática, realizada através da entrega da Declaração de Rendimentos de 1993 (anobase de 1992), (ii) o prazo do art. 168 do CTN apenas teria início após o decurso do prazo para que a Administração homologasse o procedimento e (iii) o prazo do artigo 168 do CTN estaria relacionado ao último dia do exercício; b) reconhecer a homologação tácita dos pedidos de compensação de crédito com débitos de terceiros, em razão do transcurso do prazo de cinco anos (CTN, art. 150, § 4o) da data do protocolo dos mesmos sem que houvesse intimação quanto ao despacho decisório. Nestes termos, Pede deferimento. Apresentou sustentação oral a representante legal da Recorrente Dra. Fabiana Vicedomini Coelho, OAB/São Paulo nº 141.398. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13811.002487/9811 Acórdão n.º 180100.859 S1TE01 Fl. 280 5 É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente alega que em 28.12.1998 quando apresentou os Pedidos de Restituição, fls. 01, 0607 e os Pedidos de Compensação com débitos de terceiros, fls. 47 e 52, havia permissivo legal que amparava a compensação de débitos de terceiros com utilização de crédito próprio. Analisando as normas de regência da matéria, até 10 de abril de 2000 a legislação tributária permitiu expressamente que a parcela do crédito a ser restituído a um contribuinte pode ser utilizada para a compensação com débitos de outro contribuinte1. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) pacificou a questão analisada sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil (CPC) no sentido de que em se tratando de compensação tributária, deve ser considerado o regime jurídico vigente à época do pedido, não podendo ser a causa julgada à luz do direito superveniente2, cuja decisão definitiva de mérito deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF3. Como os pedidos foram apresentados antes de 10.04.2000, o arrazoado estabelecido pela defendente se prova como verídico. A Recorrente afirma que o pedido não foi alcançado pela prescrição. Compete antes de examinar as demais razões da defesa, analisar a objeção de prescrição por ser matéria de ordem pública que pode ser conhecida a requerimento da parte ou de ofício, a qualquer tempo e em qualquer instância de julgamento. Este instituto pode ser definido como a perda da pretensão do direito de a Fazenda Pública cobrar o crédito tributário já constituído pelo lançamento, tendo em vista o decurso do prazo de cinco anos previsto em lei. Em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação e pagos antecipadamente, o termo de início da contagem do prazo prescricional de cinco anos começa a fluir a partir da data da homologação tácita ou expressa do pagamento no caso de a petição de indébito ter sido formalizada até 08.06.2005 e da data do pagamento antecipado e indevido de tributo no caso de a petição de indébito ter sido formalizada a partir de 09.06.2005. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no Recurso Extraordinário nº 566.621/RS4, substituto do 1 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, Instrução Normativa SRF nº 21, de 10 de março de 1997 e Instrução Normativa SRF nº 41, de 7 de abril de 2000. 2 Disponível em: https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=7569264&sReg=200900823661 &sData=20100201&sTipo=5&formato=PDF . Acesso em: 01 fev. 2011. 3 Fundamentação legal: art. 106, art. 165, art. 168 e art. 174 do Código Tributário Nacional, art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 2005, art. 28 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. 4 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Recuso Extraordinário de nº 566621/RS. Ministra Relatora: Ellen Gracie. Plenário, Brasília, DF, 4 de agosto de 2011. Disponível Fl. 380DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13811.002487/9811 Acórdão n.º 180100.859 S1TE01 Fl. 281 6 paradigma da Repercussão Geral no Recurso Extraordinário nº 561.908/RS5, que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF6. No presente caso, o Pedidos de Compensação foram formalizados em 28.12.1998, fl. 47 e 30.12.1999, fl. 52, relativamente saldo negativo de IRPJ referente ao ano calendário de 1992. Verificase que a petição de indébito não foi alcançada pela prescrição. E isto porque, em verdade, o fato de o único fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébito decorrente do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1992 apresentado extemporaneamente, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento, nos termos do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade de deferimento da Per/DComp, cujo pretenso direito creditório se refere ao pagamento de estimativa em valor indevido, impõe, pois, o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB7. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébito de saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2002, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos unidade de jurisdição da Recorrente, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva em:<http://www.stf.jus.br/portal/informativo/verInformativo.asp?s1=566621&numero=634&pagina=1&base=INF O> . Acesso em> 25 aog. 2011. 5 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Repercussão Geral em Recurso Extraorniário nº561908/RS. Ministro Relator: Marco Aurélio. Plenário, Brasília, DF, 16 de agosto de 2011. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudenciaRepercussao/verAndamentoProcesso.asp?incidente=2554040&numero Processo=561908&classeProcesso=RE&numeroTema=4> . Acesso em: 25 ago. 2011. 6 Fundamentação legal: art. 106, art. 165, art. 168 e art. 174 do Código Tributário Nacional, art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 2005, art. 28 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. 7 Fundamentação legal: art. 9º do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13811.002487/9811 Acórdão n.º 180100.859 S1TE01 Fl. 282 7 Fl. 382DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13851.902220/2009-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
DCTF - PRAZO PARA RETIFICAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO
O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN.
DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92
A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.525
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 DCTF - PRAZO PARA RETIFICAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN. DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
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DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 22 20 /2 00 9- 47 Fl. 44DF CARF MF Processo nº 13851.902220/200947 Acórdão n.º 1302002.525 S1C3T2 Fl. 3 2 Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do indeferimento da Manifestação de Inconformidade apresentada em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito(s) (COFINS e PIS/PASEP) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Cientificada do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que se equivocou no preenchimento da DCTF e que a existência do crédito tem fundamento na Solução de Divergência n° 14, de 07/08/2003, que reduziu o percentual de 32% para 16% sobre a receita bruta, para fins de apuração da base de cálculo do lucro presumido, bastandose comparar os valores apresentados na DIPJ retificadora (Declaração de Informações EconômicoFiscais) com a guia de recolhimento do tributo. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. [...] Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com o decisum, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que é dever do Fl. 45DF CARF MF Processo nº 13851.902220/200947 Acórdão n.º 1302002.525 S1C3T2 Fl. 4 3 Fisco analisar os pedidos de compensação, quer pela garantia que a RFB deve ter em relação a valores, quer em relação a defesa do interesse público envolvido, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP e DIPJ, as quais apresentam presunção de legitimidade, valendose apenas e tão somente da informação prestada em DCTF para promover a cobrança. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais, devendo ser conhecido. A controvérsia instaurada devese a pedido de compensação de débito(s) de responsabilidade da interessada com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.403, de 19.10.2017, proferido no julgamento do processo nº 13851.902171/200942, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.403): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. No caso em tela, a contribuinte restringe a controvérsia à existência do crédito reportado na DCOMP, buscando comprovar suas alegações, essencialmente, por intermédio de sua DIPJretificadora e cópia do documento de arrecadação federal. Salientese que a contribuinte não apresentou qualquer retificação em sua DCTForiginal, nem prova documental que abrigue a alegada alteração dos importes que foram levados a efeito para fins de constituição definitiva do imposto, sob a modalidade de lançamento por homologação, cuja informação confessada na declaração original serviu de base para certificação da inexistência de crédito tipificado na modalidade de pagamento indevido ou a maior. Nesse sentido, cumpre observar que a DIPJ, desde o ano calendário de 1999, tem caráter meramente informativo, isto é, as informações nela prestadas não configuram confissão de dívida a Instrução Normativa n° 127, de 30 de outubro de Fl. 46DF CARF MF Processo nº 13851.902220/200947 Acórdão n.º 1302002.525 S1C3T2 Fl. 5 4 1998, que extinguiu, em seu art. 6°, inciso I, a DIRPJ Declaração .de Rendimentos da Pessoa Jurídica e instituiu, em seu art. 10, a DIPJ — Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica, deixou de fazer referência à confissão de tributos ou contribuições a pagar, cabendo apenas a DCTF está função. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 92: “A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.” Feitas essas considerações, passaremos a análise do presente caso. O documento intitulado Declaração de Compensação (DCOMP) se presta, assim, a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. De fato, o pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto do processo. Eventual manifestação da instância julgadora sobre a legitimidade de crédito tributário não admitido junto à autoridade responsável pelo exame de pedidos dessa natureza representaria verdadeira usurpação da competência da referida autoridade, o que também não se pode admitir. O Decreto nº 70.235/72 (art. 32) que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal fala o seguinte sobre as inexatidões materiais: Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. Logo, por inexatidões materiais, no preenchimento dos PER/DCOMP primitivos ou originais, entendese serem os lapsos manifestos que se percebem primo ictu oculi; que, de plano, se verifica não traduzirem o pensamento ou vontade do contribuinte; consistem, em suma, em pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade, cuja correção não inova o teor do ato objeto de correção. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13851.902220/200947 Acórdão n.º 1302002.525 S1C3T2 Fl. 6 5 Assim, são exemplos de inexatidões materiais: inversão ou troca da ordem dos dígitos, equívoco de datas, erros ortográficos de digitação, troca de campos no preenchimento etc. A pretensão da recorrente, como já dito, não se trata de mera correção de inexatidão material, mas, sim, de inovação (retificação de DCTF para disponibilização do seu direito creditório almejado), exigindose, quanto à compensação dos débitos em aberto, a apresentação de DCTF retificador, situação que não ocorreu no presente caso. Como bem defendido no acórdão recorrido, é vedada a retificação de DCTF após o decurso do prazo de 5 anos, sendo este o prazo que tem direito o contribuinte para proceder à retificação da DCTF, no que se refere às alterações e retificações pertinentes aos impostos e contribuições federais. Dessa forma, evidenciase que a DCTForiginal, reportada na manifestação de inconformidade da contribuinte, fora transmitida em 13/11/2001. Portanto já transcorrido 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador correlato ao IRPJ, código de receita: 2089, inerente ao 3° trimestre de 2001, encontrase formalmente homologada e definitivamente extinta perante a Fazenda Nacional, em conformidade com os termos do art. 150, § 4° do CTN. Noutra senda, tomando por substrato os atributos essenciais pertinentes ao crédito para sua restituição/compensação (certeza e liquidez), o reconhecimento de um direito creditório e a consequente homologação (total ou parcial) ou não de uma compensação estão condicionados à perfeita identificação do crédito pela postulante (origem e valor), haja vista ser o instituto da compensação eletrônica procedimento efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal quanto do contribuinte, correndo contra a primeira o prazo de homologação, que uma vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, e de outro lado, sobre o contribuinte, que tem o dever de evidenciar o crédito em todos os seus atributos, visto que, uma vez analisado o PER/DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do seu conteúdo por imposição legal. Assim, à luz dos elementos constantes no pedido (DCOMP), não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a recorrente, haja vista a não identificação correta da origem do crédito pleiteado e que o crédito aludido pelo contribuinte já foi totalmente alocado para quitação de outro débito, não havendo saldo disponível para pleitear o pagamento indevido ou a maior. Por fim, verificase que a recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a prolação do despacho decisório, bem como em relação a decisão proferida em primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13851.902220/200947 Acórdão n.º 1302002.525 S1C3T2 Fl. 7 6 Para esse Relator, fica claro que a recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão n.°2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Ante ao exposto e, em face da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, adoto os fundamentos do acórdão paradigma acima transcritos e voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 49DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.000441/2001-72
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 1995
DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN, APENAS QUANDO EXISTIR PAGAMENTO PARCIAL.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 - SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação. No caso em questão, não há evidência de ter ocorrido recolhimento a título de antecipação da contribuição referente aos trimestres em litígio. Assim, aplicável a regra do art. 173, I, do CTN.
Numero da decisão: 9900-001.005
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos à unidade de origem, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Gerson Macedo Guerra, Ana Paula Fernandes, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargo Autran, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Demetrius Nichele Macei, Heitor de Souza Lima Junior, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gerson Macedo Guerra, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: Relator
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1995 DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN, APENAS QUANDO EXISTIR PAGAMENTO PARCIAL. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação. No caso em questão, não há evidência de ter ocorrido recolhimento a título de antecipação da contribuição referente aos trimestres em litígio. Assim, aplicável a regra do art. 173, I, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, com retorno dos autos à unidade de origem, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Gerson Macedo Guerra, Ana Paula Fernandes, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargo Autran, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 04 41 /2 00 1- 72 Fl. 856DF CARF MF Processo nº 10920.000441/200172 Acórdão n.º 9900001.005 CSRFPL Fl. 857 2 conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Demetrius Nichele Macei, Heitor de Souza Lima Junior, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gerson Macedo Guerra, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Tratase de Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 910100.138 da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, consignando a seguinte ementa: “Ementa: IRPJ DECADÊNCIA A ausência ou insuficiência de recolhimento não desnatura o lançamento, pois o que se homologa é a atividade exercida pelo sujeito passivo, da qual pode resultar ou não crédito tributário devido. Em razão da natureza e modalidade originária de apuração, para o IRPJ aplicase a regra decadencial prevista no § 4º do Fl. 857DF CARF MF Processo nº 10920.000441/200172 Acórdão n.º 9900001.005 CSRFPL Fl. 858 3 artigo 150 do Código Tributário Nacional, salvo na ocorrência de dolo fraude ou simulação, quando o dies a quo do prazo deslocase do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual o lançamento poderia ser realizado (artigo 173, inciso I do CTN). ” Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Extraordinário contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, em síntese, que o entendimento jurisprudencial em que se fundamenta o presente recurso, e que foi recentemente firmado pelo STJ, é no sentido de que, não havendo recolhimento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do respectivo crédito tributário regerseá pelo disposto no art. 173,1, do CTN, e não pelo art. 150, § 4º, do mesmo diploma legal. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão da CSRF 0105.992, entendo que devo conhecêlo, eis que observados os pressupostos para a admissibilidade do r. recurso. O que concordo com a manifestação dada em Despacho às fls. 227/229. Eis que no cotejo do acórdão recorrido e do indicado como paradigma, constatouse a divergência, vez que, embora o acórdão recorrido e o paradigma digam respeito a tributos diferentes, a matéria abordada em ambos é o início da contagem do prazo decadencial. O acórdão recorrido esposou entendimento de que sendo o tributo sujeito a lançamento por homologação, o direito de a Fazenda constituir o crédito tributário extinguese com o transcurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador e sujeitase às regras contidas no art. 150, § 4º, do CTN, independente de ter havido ou não pagamento, ao passo que o paradigma entendeu que mesmo sendo tributo sujeito a lançamento por homologação, a regra Fl. 858DF CARF MF Processo nº 10920.000441/200172 Acórdão n.º 9900001.005 CSRFPL Fl. 859 4 aplicada depende de ter havido ou não pagamentos. O que, no caso apreciado pela turma, por não ter ocorrido pagamento antecipado, entendeu que, mesmo sendo tributo sujeito a lançamento por homologação, este sujeitarseia às regras do artigo 173, inciso I, e não às do art. 150, § 4º, do CTN. Ventiladas tais considerações, passo a analisar o cerne da lide – qual seja, o prazo decadencial para a constituição de crédito tributário referente à CSLL. Primeiramente, importante trazer que o tema abrangente do prazo – se aplicável os dez anos ou cinco anos, à época, foi amplamente debatido no CARF. Não obstante, em virtude da Súmula Vinculante nº 08 do STF, houve clarificação dessa questão, ao afastar o art. 45 da Lei 8.212/1991. Restando, portanto, a priori, analisar se o termo inicial dos 5 anos previstos no CTN considera a da data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, § 4º ou o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia haver sido efetuado, nos termos do art. 173, inciso I. Quanto ao termo inicial de contagem do prazo fatal para a constituição do crédito tributário, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, temse que tal matéria encontrase pacificada com o entendimento expressado no item 1 da ementa da decisão do STJ, na apreciação do REsp nº 973.333SC, apreciado na sistemática de recursos repetitivos: “O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. Assim, nos termos da jurisprudência atual, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação será: Fl. 859DF CARF MF Processo nº 10920.000441/200172 Acórdão n.º 9900001.005 CSRFPL Fl. 860 5 I Em caso de dolo, fraude ou simulação: 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN); I Nas demais situações: a) se houve pagamento antecipado ou declaração de débito: data do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN); b) se não houve pagamento antecipado ou declaração de débito: 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN). Vêse, então, que essa discussão não poderia mais ser apreciada no CARF, pois os Conselheiros, por força do art. 62, § 2º, Anexo II, do Regimento Interno RICARF, estão vinculados ao que restou decidido no RESP 973.733. O que, regra geral, para os casos “comuns”, a discussão acerca da contagem para o prazo decadencial não poderia mais ser apreciada no CARF, pois os Conselheiros, por força do art. 62, § 2º, Anexo II, do Regimento Interno RICARF, estão vinculados ao que restou decidido no RESP 973.733. O que, por conseguinte, se o STJ decidiu que o pagamento antecipado ou declaração de débito são relevantes para caracterizar o lançamento por homologação, a princípio, seria importante discorrer se no presente caso ocorreu efetivamente o pagamento ou a declaração do tributo em discussão. A priori, depreendendose da análise dos autos, recordase que o Auto de Infração foi lavrado em 17.4.00. O que, por conseguinte, nos termos do acórdão da CSRF e de embargos foi considerada a decadência de o fisco lançar o período de 1994, relativamente ao IRPJ imputado no auto de infração, vez que à época foi deduzida a CSLL, ainda não paga, de sua base de cálculo: “Portanto, devese complementar o acórdão embargado, fazendo nele constar que os efeitos da decisão de negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, tendo em vista a decadência do direito de o fisco efetuar o lançamento, estendem Fl. 860DF CARF MF Processo nº 10920.000441/200172 Acórdão n.º 9900001.005 CSRFPL Fl. 861 6 se ao auto de infração relativo ao processo nº 10920.000420/0096, cuja ciência deuse em 17/04/2000.” Aquele Colegiado entendeu pela decadência daquele período, aplicandose o prazo disposto no art. 150, § 4º, do CTN. É de se verificar que o sujeito passivo entregou as declarações (DIPJ) com a apuração do IRPJ daquele período, independentemente de não ter encontrado nos autos do processo comprovante de pagamento. O que, por conseguinte, em vista da declaração, nos termos do decidido pelo STJ, aplico o art. 150, § 4º, do CTN, mantendo a decisão recorrida. Sendo assim, é de se aplicar para fins de contagem do prazo decadencial a regra preceituada no art. 150, § 4º, do CTN, por ter havido declaração pelo sujeito passivo e “pagamento”. Em vista do exposto, voto por conhecer o Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional e negarlhe provimento. É como voto. Tatiana Midori Migiyama Fl. 861DF CARF MF Processo nº 10920.000441/200172 Acórdão n.º 9900001.005 CSRFPL Fl. 862 7 Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior Redator designado Com a devida vênia ao posicionamento esposado pela Relatora, ouso discordar quanto ao mérito do Recurso Especial de iniciativa da Fazenda Nacional. Também acedo aqui, para fins do deslinde da questão, inicialmente, á vinculação deste CARF às decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça quando submetidas ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, a partir do disposto no art. 62, §2o. do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho em vigor, aprovado pela Portaria MF no. 343, de 09 de junho de 2015: RICARF Art. 62. (...) (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, ainda que se admita que a questão relativa à contagem do prazo decadencial é bastante tormentosa (daí a adoção de diversas interpretações relativas à matéria no âmbito deste Conselho), de se reconhecer que o Superior Tribunal de Justiça – STJ, órgão máximo de interpretação das leis federais, recentemente pacificou, sob a sistemática de recursos repetitivos, o entendimento no sentido de que a regra do art. 173, I, do CTN, deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo não antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação e inexista declaração prévia do débito. Reproduzse, a seguir, a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (Proc. 2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, devidamente submetido à sistemática prevista no art. 543C do Código de Processo Civil, sendo, assim, referido decisum, repitase, de observância obrigatória neste CARF, a partir do disposto no art. 62, §2o. do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho em vigor, aprovado pela Portaria MF no. 343, de 09 de junho de 2015. Reza a decisão : PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 862DF CARF MF Processo nº 10920.000441/200172 Acórdão n.º 9900001.005 CSRFPL Fl. 863 8 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Desta forma, ao adentrar o mérito da questão, este CARF forçosamente deve abraçar a interpretação do Recurso Especial nº 973.733/SC supra, no sentido de que, quando houver previsão legal de pagamento antecipado, a regra do art. 173, I, do CTN, deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo não antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação e inexista declaração prévia do débito. Fl. 863DF CARF MF Processo nº 10920.000441/200172 Acórdão n.º 9900001.005 CSRFPL Fl. 864 9 Assim, no caso em questão, uma vez afastada a hipótese de dolo, fraude ou simulação, devese se verificar se há pagamento realizado pelo contribuinte para os tributos objeto de lançamento, de forma a se concluir pela correção da aplicação ou não do art. 173, I, do CTN, para fins contagem do prazo decadencial. Quanto à declaração prévia do débito : a) Com a devida vênia a alguns Conselheiros deste CARF, em especial à nobre relatora, não comungo do entendimento que estabelece a possibilidade da declaração supracitada, ainda que confissão de dívida seja, mas sem a comprovação da existência de qualquer recolhimento e/ou depósito judicial não levantado, caracterizar pagamento antecipado para fins de contagem do prazo decadencial. Tratamse de institutos completamente diversos juridicamente (a declaração, nas hipóteses em que representa confissão de dívida, encontrase vinculada à etapa de constituição do crédito tributário, enquanto que o pagamento, a meu ver sinônimo de recolhimento e/ou depósito judicial não levantado, opera na etapa de sua extinção, não havendo, a meu ver, que se falar de homologação sem que se atinja esta última etapa). b) Ainda, entendo que a melhor leitura da ementa do Recurso Repetitivo citado, pode ser encontrada nos perfeitos esclarecimentos de natureza lógica realizados pelo Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, no âmbito do Acórdão 990000.275, deste mesmo Pleno, datado de 07/12/2011, verbis; (...) Esclarecimentos quanto ao Item “1” da Ementa do REsp Logo de início, fazse necessário esclarecer o sentido e alcance do disposto no item “1” da ementa antes reproduzida “1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. Para corretamente entender a complexa afirmação do item “1” é necessário apresentála na forma de implicação lógica: SE não houver previsão legal de pagamento antecipado da exação OU SE houver previsão legal de pagamento antecipado E não existir pagamento E não for constatado dolo, fraude ou simulação E não existir declaração prévia do débito ENTÃO o prazo decadencial é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado Fl. 864DF CARF MF Processo nº 10920.000441/200172 Acórdão n.º 9900001.005 CSRFPL Fl. 865 10 Esclareçase que, em se tratando de implicações lógicas, se o antecedente ocorrer no mundo fenomênico, necessariamente o conseqüente deverá ocorrer. Vale dizer: (A) a inexistência de previsão legal de pagamento antecipado ou; (B) ainda, (i) a previsão legal de pagamento antecipado juntamente com (ii) a inexistência do pagamento, (iii) com a não constatação de dolo fraude ou simulação e (iv) com a inexistência de declaração prévia do débito; são condições suficientes para que (C) o prazo decadencial seja contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Em hipótese alguma poderá acontecer de, ocorrendo o antecedente (A ou B acima), não ser aplicável o conseqüente (C acima). Entretanto, caso o antecedente não ocorra, o conseqüente pode ou não ocorrer. Essa é uma regra básica de lógica dedutiva e facilmente verificável ao caso, pois: existindo previsão legal de pagamento antecipado com a inexistência de pagamento, porém com constatação de dolo, fraude ou simulação e com inexistência de declaração prévia do débito, sabemos que o prazo decadencial também é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Pior, ainda, é o equívoco em concluir – apressadamente – que se o antecedente não ocorrer, o conseqüente seria necessariamente a contagem do prazo decadencial a partir do fato gerador. Ora, no item “1” não há qualquer menção à contagem do prazo decadencial a partir do fato gerador, podendo o conseqüente lógico ser qualquer outro. Inclusive, já vimos, no parágrafo acima, que em situações diversas daquela descrita como condição antecedente, o conseqüente lógico pode ser o mesmo. Com esses esclarecimentos, podemos enfrentar agora a situação em que (a) há previsão legal de pagamento antecipado, (b) não há pagamento, (c) não há constatação de dolo, fraude ou simulação, porém, (d) existe declaração prévia do débito a ser lançado. Nesse caso, de acordo com o item “1” da ementa do RESP n° 973.733 – SC, não é necessário que se conte o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Isso, por uma questão muito simples: a declaração a que se refere o item sob comento é aquela que tem a natureza de confissão de dívida e, com o débito confessado, é despiciendo qualquer lançamento, posto que ele pode ser imediatamente executado e, com essa declaração, iniciase o prazo prescricional de cobrança. Totalmente equivocado é tentar concluir que, não sendo necessário que o prazo decadencial se conte a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia Fl. 865DF CARF MF Processo nº 10920.000441/200172 Acórdão n.º 9900001.005 CSRFPL Fl. 866 11 ser efetuado, aplicarseia como termo inicial da contagem do prazo decadencial o fato gerador. Maior confusão ainda é a de, frente à situação em que há declaração apenas parcial do débito, sem qualquer recolhimento, não aplicar como termo inicial da contagem do prazo decadencial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Nessa situação, temos totalmente atendido o antecedente lógico (a) há previsão legal de pagamento antecipado, (b) não há pagamento, (c) não há constatação de dolo, fraude ou simulação e (d) não existe declaração prévia do débito a ser lançado. Assim, ocorrendo a condição antecedente lógica, é necessária a aplicação do conseqüente, com a contagem do prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. (...)" c) De se notar, também, que o entendimento acima alinhase perfeitamente com minha leitura do teor das Súmulas STJ nos. 436 e 555, que, a meu ver, estabelecem que o lançamento de débitos declarados (confessados) é ato despiciendo, mas não vedado. Assim, com a devida vênia a posicionamentos em contrário, não considero que a existência de débitos declarados (confessados), quando da inexistência de prova de recolhimento ou depósito judicial não levantado de qualquer monta, possa ser utilizada para fins de que se conclua pela utilização do art. 150, §4o. do CTN, em detrimento do art. 173, I do mesmo diploma, quando da contagem do prazo decadencial. Entendo, em verdade, a propósito, que a possibilidade de ocorrência de atividade homologatória pelo Fisco e da contagem pelo art. 150, §4o. do CTN está necessariamente atrelada à ocorrência de antecipação de pagamento (recolhimento ou depósito judicial não levantado), em linha com o disposto no caput do referido artigo. Feita tal digressão e, agora, atendome ao caso em questão, faço notar que permanecem em litígio somente os fatos geradores de IRPJ ocorridos no anocalendário de 1994 (Processo originário 10920.000420/0096, com ciência em 17/04/2000) . Destarte, quanto à tal anocalendário, devese buscar caracterizar se houve ou não pagamento antecipado para o fato gerador objeto de tributação, de forma a que se possa concluir pela forma de contagem a ser aplicada para fins de cômputo do prazo decadencial. A propósito, verifico que não há qualquer evidência de que tenha havido montante recolhido ou depositado não levantado de IRPJ para o anocalendário em litígio, sendo, desta forma, de se aplicar a contagem do prazo decadencial estabelecida na forma do art. 173, I do CTN. Ou seja, diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional, uma vez que constatada a inexistência de pagamento antecipado. a fim de que a contagem do prazo decadencial se dê consoante o art. 173, I do CTN. Retornemse os autos à instância a quo para apreciação das demais matérias constantes do Recurso Especial, uma vez que a decadência sob análise foi reconhecida pela 1a. Turma da CSRF a partir de argumento levantado em Tribuna pelo patrono da recorrente (vide voto de fls. 778/779). Fl. 866DF CARF MF Processo nº 10920.000441/200172 Acórdão n.º 9900001.005 CSRFPL Fl. 867 12 È como voto. Heitor de Souza Lima Junior Fl. 867DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.000414/2009-63
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, busca-se a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte.
Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço.
COOPERATIVA PRODUTORA DE LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. PALLETS DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO STRETCH. PROCESSO DE "PALLETIZAÇÃO". DIREITO AO CRÉDITO.
Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. Assim, os pallets utilizados para armazenagem e movimentação das matérias-primas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, devem ser considerados como insumos. Da mesma forma, os materiais de acondicionamento e transporte - plástico de coberto e filme plástico do tipo "stretch" - são insumos pois indispensáveis ao adequado armazenamento e transporte das mercadorias produzidas pela Contribuinte, face ao tamanho reduzido das embalagens.
Numero da decisão: 9303-006.069
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CRÉDITO. EMBALAGENS DE TRANSPORTE. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COOPERATIVA SANTA CLARA LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. COOPERATIVA PRODUTORA DE LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. “PALLETS” DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO “STRETCH”. PROCESSO DE "PALLETIZAÇÃO". DIREITO AO CRÉDITO. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. Assim, os “pallets” utilizados para armazenagem e movimentação das matériasprimas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, devem ser considerados como insumos. Da mesma forma, os materiais de acondicionamento e transporte plástico de coberto e filme plástico do tipo "stretch" são insumos pois indispensáveis ao AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 04 14 /2 00 9- 63 Fl. 388DF CARF MF Processo nº 11020.000414/200963 Acórdão n.º 9303006.069 CSRFT3 Fl. 3 2 adequado armazenamento e transporte das mercadorias produzidas pela Contribuinte, face ao tamanho reduzido das embalagens. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 3802001.618, proferido em 28/02/2013, que possui ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 PIS/PASEP. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. INSUMO. CONCEITO. CUSTO DE PRODUÇÃO. DESPESAS DE VENDA. EXIGÊNCIAS REGULATÓRIAS INDISPENSÁVEIS AO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE ECONÔMICA. O conceito de insumo, ressalvadas as exceções expressamente previstas na Lei nº 10.833/2003, abrange o custo de produção (DecretoLei n. 1.598, de 1977, art. 13, § 1º; Decreto n. 3.000/1999, arts. 290 e 291) e as despesas de venda do produto industrializado, quando incorridas para atender exigências regulatórias indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto. Fl. 389DF CARF MF Processo nº 11020.000414/200963 Acórdão n.º 9303006.069 CSRFT3 Fl. 4 3 LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. AQUISIÇÃO DE “PALLETS” DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO “STRETCH”. INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO RECONHECIDO. Não cabe, à luz das disposições da Instruções Normativas n° 247/2002 e n° 404/2004, restringir o direito ao crédito às embalagens incorporadas ao produto no processo de industrialização. No segmento de laticínios, a paletização que envolve o acondicionamento no “pallet”, plástico de coberto e colocação do filme “strecht” não é realizada apenas para fins de transporte, mas para a própria estocagem do produto no estabelecimento industrial. Decorre ainda de normas de controle sanitário na área de alimentos (Portaria SVS/MS nº 326, de 30 de julho de 1997), que exigem o acondicionamento dos produtos acabados em estrados (item 5.3.10), de forma a impedir a contaminação e a ocorrência de alteração ou danos ao recipiente ou embalagem (item 8.8.1). Tratandose, assim, de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que decorre de exigências sanitárias, deve ser reconhecido o direito ao crédito. RECEITAS DECORRENTES DA VENDA DE PRODUTOS SUJEITO À ALÍQUOTA ZERO. CRITÉRIO DE RATEIO PROPORCIONAL. O critério de rateio proporcional, nos termos do art. 3º, §§ 7º e 8º, II, da Lei nº 10.883/2003, deve considerar a totalidade da receita bruta auferida no mês, e não apenas as receitas do estabelecimento produtor de bens sujeitos à alíquota zero. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Em face da referida decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto ao reconhecimento do direito de crédito das contribuições não cumulativas com relação a materiais de embalagem, acondicionamento e transporte – empregados na “palletização” – concedidos em sede de julgamento de recurso voluntário. Colacionou como paradigmas os acórdãos 3302002.027 e 310100.795. O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido por meio de despacho proferido pelo Presidente da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época. A Cooperativa Santa Clara apresentou contrarrazões postulando a negativa de provimento ao recurso especial. Na mesma oportunidade apresentou recurso especial, que, todavia, teve o seguimento negado, razão pela qual não será objeto de exame por este Colegiado. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Fl. 390DF CARF MF Processo nº 11020.000414/200963 Acórdão n.º 9303006.069 CSRFT3 Fl. 5 4 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.045, de 12/12/2017, proferido no julgamento do processo 11020.001732/201085, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.045): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito A discussão principal posta nos autos referese ao conceito de insumos para determinação se pode ser utilizado pela Contribuinte como crédito de PIS/Pasep os gastos incorridos com os materiais utilizados para a “palletização” – material de embalagem, acondicionamento e transporte dos produtos finais para a venda. Cumpre observar ter sido deferido nos presentes autos o direito ao creditamento das aquisições de matérias de embalagem (pallets de madeira), plástico de coberto e filme plástico do tipo “stretch”, com fulcro na atividade econômica desempenhada pela Contribuinte; na essencialidade dos referidos insumos para a produção e, ainda, nas exigências sanitárias correspondentes para o processo produtivo e de transporte, além da própria estocagem no estabelecimento industrial. Para o reconhecimento do direito ao crédito e reforma da decisão proferida pela DRJ, o acórdão recorrido passou ao largo da apresentação de provas pela Contribuinte, razão pela qual esse aspecto encontrase superado na presente demanda. Portanto, a discussão a ser travada no recurso especial referese à possibilidade de deferimento de créditos de PIS/Pasep dos valores relativos à aquisição de “pallets” de madeira, plástico de coberto e colocação do plástico filme “stretch”. Inicialmente, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Fl. 391DF CARF MF Processo nº 11020.000414/200963 Acórdão n.º 9303006.069 CSRFT3 Fl. 6 5 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotarse o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 392DF CARF MF Processo nº 11020.000414/200963 Acórdão n.º 9303006.069 CSRFT3 Fl. 7 6 operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processo no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo Fl. 393DF CARF MF Processo nº 11020.000414/200963 Acórdão n.º 9303006.069 CSRFT3 Fl. 8 7 de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo únic o, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de não cumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações Fl. 394DF CARF MF Processo nº 11020.000414/200963 Acórdão n.º 9303006.069 CSRFT3 Fl. 9 8 se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Ainda no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema está novamente em julgamento no recurso especial nº 1.221.170 PR, pela sistemática dos recursos repetitivos, contendo votos pelo reconhecimento da ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério amplo/próprio na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime não cumulativo. O julgamento não foi concluído até a presente data. A posição do Superior Tribunal de Justiça, para definição de insumo, mantémse pela adoção de critério próprio/amplo em função da receita, atendendo aos requisitos da pertinência, relevância e essencialidade. Embora existam casos isolados cujas decisões adotaram o critério restritivo (IPI), não há fato novo ou mudança de entendimento do Tribunal da Cidadania suficiente para acarretar mudança de posição da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Do contrário, estarseia adotando premissa de julgamento equivocada e, ainda, violando frontalmente o princípio da segurança jurídica. Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. De posse do critério a ser adotado para definição dos insumos aptos a gerar créditos de PIS e COFINS não cumulativos, adentrarseá a análise do caso concreto. A Contribuinte é pessoa jurídica que, nos termos do art. 2º do seu Estatuto Social (fls. 41 a 63), exerce atividade econômica na área de alimentos e tem por objetivos sociais: Art. 2º A Sociedade objetiva, com base na colaboração recíproca a que se obrigam seus associados, promover: I o estímulo, o desenvolvimento e a defesa de suas atividades econômicas de caráter comum; II A importação, a exportação, a industrialização e a comercialização em comum de sua produção agrícola, produção animal em geral, pecuária e de hortifrutigranjeiros, industrializada ou em espécie, tais como carnes, ovos, peixes, frutas, cereais, verduras, legumes, gorduras, condimentos em geral; café e ervas para infusão, laticínios, margarinas e derivados de soja, massas alimentícias, farinhas e fermentos em geral; doces, pós para fabricação de doces, açúcar e adoçantes em geral, bebidas alcoólicas e não alcoólicas, xaropes e sucos em geral; animais vivos e ovos para incubação; alimentos para animais; plantas e flores naturais, etc, nos mercados locais, nacionais ou internacionais; Fl. 395DF CARF MF Processo nº 11020.000414/200963 Acórdão n.º 9303006.069 CSRFT3 Fl. 10 9 [...] Em razão de sua atividade econômica, sujeitase a controles e exigências de diversos órgãos públicos, exemplificativamente: Agência Nacional de Vigilância Sanitária ANVISA, Ministério da Agricultura, Serviço de Inspeção Federal, Ministério da Saúde. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. No que concerne às embalagens utilizadas para transporte no processo produtivo da Contribuinte, uma vez essenciais, pertinentes e relevantes para obtenção do produto final, há de se considerarem as mesmas como insumos. As embalagens são realmente necessárias à armazenagem/conservação do produto nas diversas fases do processo produtivo. Considerandose a atividade própria da Contribuinte, temse que os “pallets” utilizados para armazenagem e movimentação das matériasprimas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, também devem ser considerados como insumos. Para atendimento das exigências sanitárias impostas pelos órgãos públicos responsáveis pelo controle e fiscalização, na movimentação e na armazenagem das matériasprimas e dos bens a serem utilizados na fabricação do produto final, e dos produtos finais em si, não pode haver contato com o chão, justamente para se evitar a contaminação por microorganismos, constituindose em mais uma das razões pelas quais é imprescindível a utilização dos “pallets” na cadeia produtiva. Levandose em conta a significativa quantidade de matériasprimas e produtos que serão empregados no processo produtivo e que precisam ser armazenados e transportados no ambiente fabril, é indispensável à Contribuinte utilizarse de mecanismos e ferramentas que, além de garantirem a observância das normas de higiene e limpeza, impostas pela ANVISA, otimizem o seu processo produtivo. Há de ser destacada, nesse aspecto, a desnecessidade do consumo do produto em contato direto com o bem produzido, admitindose o emprego indireto no processo de produção para caracterizarse determinado bem como insumo. Assim, os pallets guardam nítida relação de pertinência, relevância e essencialidade com a atividade produtiva do Sujeito Passivo, constituindose em insumos do processo produtivo e da fase de comercialização passíveis de creditamento de PIS e COFINS não cumulativos. Com relação a esse item, essa 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu decisão em casos análogos, nos processos administrativos nºs 10925.720046/2012 12 e 10925.720686/201222, na sessão realizada, em que receberam a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INDÚSTRIA AVÍCOLA. INDUMENTÁRIA. A indumentária de uso obrigatório na indústria de processamento de carnes é insumo indispensável ao processo produtivo e, como tal, gera direito a crédito DO PIS/COFINS. PIS/COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. ALÍQUOTA. Após a alteração veiculada pela Lei nº 12.865, de 2013, expressamente interpretativa, indiscutivelmente, os insumos da indústria alimentícia que processem produtos de origem animal classificados Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos Fl. 396DF CARF MF Processo nº 11020.000414/200963 Acórdão n.º 9303006.069 CSRFT3 Fl. 11 10 códigos 15.17 e 15.18, adquiridos de não contribuintes farão jus ao crédito presumido no percentual no percentual de 60% do que seria apurado em uma operação tributada. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS As leis instituidoras da sistemática nãocumulativa das contribuições PIS e COFINS, ao exigirem apenas que os insumos sejam utilizados na produção ou fabricação de bens, não condicionam a tomada de créditos ao "consumo" no processo produtivo, entendido este como o desgaste em razão de contato físico com os bens em elaboração. Comprovado que o bem foi empregado no processo produtivo e não se inclui entre os bens do ativo permanente, válido o crédito sobre o valor de sua aquisição. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVOS. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. Nos termos do § 4º do art. 3º das Leis 10.637 e 10.833 "o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes". Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 TAXA SELIC. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. REP Provido em Parte e REC Provido em Parte Acordam os membros do Colegiado, por maioria, em dar provimento parcial aos recursos especiais da Fazenda Nacional e do sujeito passivo, nos seguintes termos: I) recurso especial da Fazenda Nacional: a) limpeza e desinfecção: por maioria, em negar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator) e Carlos Alberto Freitas Barreto; b) embalagens utilizadas para transporte: por maioria em negar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres e Carlos Alberto Freitas Barreto; c) despesas de períodos anteriores: por maioria, em negar provimento. Vencido o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres; d) serviços de lavagem de uniformes: pelo voto de qualidade, em dar provimento. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Valcir Gassen, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martinez López; e) percentual de crédito presumido: por unanimidade, em negar provimento; f) juros sobre multa de ofício: por maioria, em dar provimento. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martinez López; e II) recurso especial do sujeito passivo: a) indumentária: por maioria, em dar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator), Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas e Carlos Alberto Freitas Barreto; e b) pallets: por maioria, em dar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator) e Carlos Alberto Freitas Barreto. Designados para redigir os votos vencedores o Conselheiro Júlio César Alves Ramos em relação às letras "a", “b” e “c” do item I e letra “b” do item II; e o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho em relação à letra a do item II. (grifouse) Há, ainda, de se examinar a caracterização dos materiais de acondicionamento e transporte plástico de coberto e filme plástico do tipo “stretch” – como insumos passíveis de gerar crédito de PIS/Pasep. Na linha relacional traçada no presente voto, considerandose que as mercadorias para serem devidamente armazenadas e transportadas após a produção, até chegarem ao consumidor final, exigem a utilização do plástico de coberto e do filme plástico do tipo “stretch”, é nítida a relação de pertinência, relevância e essencialidade com o processo produtivo, sendo imprescindível o seu reconhecimento como insumo. Fl. 397DF CARF MF Processo nº 11020.000414/200963 Acórdão n.º 9303006.069 CSRFT3 Fl. 12 11 Por fim, cumpre consignar que os itens, analisados no presente recurso especial, são empregados na “palletização” dos produtos a serem estocados e transportados pela Contribuinte, procedimento indispensável à correta armazenagem dos produtos face ao tamanho reduzido das embalagens individuais e, mais ainda, ao atendimento de exigências das normas de controle sanitário da área de alimentos, consoante Portaria SVS/MS (Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde) nº 326/1997. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, mantendose o reconhecimento ao direito creditório da Contribuinte. " Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 398DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.908417/2009-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 02/10/2008
PROCESSUAL - ART. 17 DO DECRETO 70.235/75 - INADMISSIBILIDADE DO RECURSO.
Se o recurso voluntário não devolve a matéria abordada na manifestação de inconformidade, inovando a discussão tratada nos autos, não há como dele conhecer, mormente pela preclusão da matéria inovada.
Numero da decisão: 1302-002.471
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 02/10/2008 PROCESSUAL - ART. 17 DO DECRETO 70.235/75 - INADMISSIBILIDADE DO RECURSO. Se o recurso voluntário não devolve a matéria abordada na manifestação de inconformidade, inovando a discussão tratada nos autos, não há como dele conhecer, mormente pela preclusão da matéria inovada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca.
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Se o recurso voluntário não devolve a matéria abordada na manifestação de inconformidade, inovando a discussão tratada nos autos, não há como dele conhecer, mormente pela preclusão da matéria inovada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 84 17 /2 00 9- 23 Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10875.908417/200923 Acórdão n.º 1302002.471 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Cuidam os autos de processo de compensação em que o recorrente pretendeu a quitação de obrigações afeitas ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica mediante pretenso crédito decorrente de pagamento indevido. A vista disto, transmitiu, em 09/08/2007, a Dcomp de nº 15267.70536.090807.1.3.047601, vinculando um DARF de recolhimento, sob o código IRPJ (2362 Estimativa), pago em 02/10/2008, no valor de R$ 173.807,21, a fim de quitar débito do próprio CSLL, relativo à competência de outubro de 2006 e PIS de abril de 2007 e IRPJ, de outubro de 2006, no montante de R$ 194.681,46. Em Outubro de 2010, foi proferido despacho decisório por meio do qual deixouse de homologar a predita compensação tendo em conta a seguinte fundamentação fática: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas Integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos Informados no PER/DCOMP. O contribuinte manejou manifestação de inconformidade abordando, genericamente o seu direito de compensar o valor declinado na DCOMP, destacando que o direito creditório em questão decorreria de erro de preenchimento da DCTF. Em sessão realizada em maio de 2014, a DRJ de Juiz de Fora houve por bem julgar improcedente a manifestação de inconformidade, conforme argumentos resumidos na ementa, O contribuinte teve ciência do resultado do julgamento acima em 27/06/2014, uma sextafeira (AR de fl. 51), tendo interposto o seu recurso administrativo em 29/07/2014 (doc. de fl. 53). O trecho a seguir transcrito resume suficientemente a tese central do apelo. Vejase: Sobre o assunto, a impugnante, absolutamente impossibilitada dado inexistir via legal de fazer frente à exigência de juntada de todos os documentos necessários e aptos a comprovação da regularidade de seu agir, antecipa a apresentação daqueles que instruem a presente 'Manifestação' (notas Fiscais e Extratos), cuja crítica cautelar e minudente já é suficiente ao desnude da conclusão, de que os valores dos serviços tomados e os valores destacados no recebimento líquido dos seus preço guardam identidade com os montantes declarados com retidos e que por consequência compuseram o meio formal da compensação ora discutida (PERDCOMP). Ao final, invoca o princípio da verdade material a fim de reforçar a sua tese quanto a consideração dos documentos, segundo ele, colacionados no feito. O processo foi, então, encaminhado à este Colegiado para análise e julgamento. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10875.908417/200923 Acórdão n.º 1302002.471 S1C3T2 Fl. 4 3 É o relatório. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10875.908417/200923 Acórdão n.º 1302002.471 S1C3T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator Nos presentes autos o contribuinte solicita a restituição do pretenso pagamento indevido de IRPJ (2362 Estimativa) pago em 02/10/2008. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.402, de 19.10.2017, proferido no julgamento do processo nº 10875.900328/200858, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.402): O recurso voluntário é tempestivo, e sobre isso não há dúvidas. O problema, todavia, é que há, no caso, uma confusão impar!!! A questão aventada na manifestação de inconformidade cingia se à "erro material" de preenchimento da DCTF, na qual foi informado o DARF para recolhimento de IRPJ (estimativa) e que, em razão deste erro, transmitiuse, após a prolação do despacho decisório, declaração retificadora. A DRJ não acolheu a manifestação porque, a despeito da transmissão de uma nova DCTF para demonstrar a existência do crédito, considerando que esta providência se deu no curso de ação fiscal, caberia ao contribuinte demonstrar, por meio de documentos idôneos, que o novo valor refletiria, de fato, a correção da realidade apresentada, valendo destacar, neste particular, que da relação que consta da citada manifestação, não foram descritos livros, balancetes ou documentos fiscais que pudessem dar suporte às informações retificadas. No recurso voluntário, como se dessume do relatório acima, o contribuinte lança discussão absolutamente desconectada das razões propostas na manifestação de inconformidade e do próprio acórdão! Discutese, no apelo, a comprovação de valores retidos por tomadores de serviços a título de IRRF (?!?) e que tais valores poderiam ser objeto de compensação com outros tributos ou com o próprio IRPJ relativo à competências subsequentes (?!?!?!), invocando, inclusive, o princípio da verdade material para justificar o conhecimento, pela autoridade julgadora, das notas fiscais juntadas ao processo (?!?!?!??!!?). Esta discussão, digase, é totalmente estranha ao processo; não se conecta com a manifestação de inconformidade, nem tampouco se opõe aos argumentos tratados no acórdão recorrido (cuja análise se cingiu à imprestabilidade da apresentação de DCTF após a prolação do despacho decisório, desacompanhada dos documentos que se prestariam para Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10875.908417/200923 Acórdão n.º 1302002.471 S1C3T2 Fl. 6 5 demonstrar, de fato, os motivos que levaram o contribuinte a retificar a sua declaração). No caso, pois, recurso voluntário é inadmissível, ante a inegável preclusão ocorrida quanto a fatos/argumentos não suscitados na manifestação de inconformidade, em especial à luz do que dispõe o art. 17 do Decreto 70.235/72, cujo teor transcrevo a seguir: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Objetivamente, o contribuinte nem mesmo aventou os motivos pelos quais não trouxe a alegação, e respectivas provas, quando do oferecimento de sua manifestação de inconformidade. Se é fato que o processo administrativo admite uma flexibilização no procedimento de instrução, e, portanto, se pauta, de fato, pelo princípio da verdade material, não se pode olvidar que determinadas amarras não podem ser sobrepujadas; o primado da verdade material pode nortear o julgador de sorte a garantir que ele aprecie provas e argumentos não contempladas pela instância interior, mas que tenham sido produzidas no momento oportuno; pretender, neste ponto, analisar provas e argumentos que não foram sequer disponibilizadas à DRJ, representaria iniludível supressão de instância. Em vista do exposto, não conheço recurso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 101DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.001890/2007-76
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
CRÉDITO. CÁLCULO. RATEIO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. EXCLUSÃO.
As receitas decorrentes de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação não integram o total das receitas de exportação da empresa comercial exportadora, para efeito de cálculo do índice de rateio utilizado, na apuração do crédito da contribuição passível de aproveitamento.
CRÉDITOS. COMBUSTÍVEIS. GLOSA.
Mantém-se a glosa dos créditos aproveitados indevidamente sobre os gastos com combustíveis que não foram utilizados na produção industrial dos produtos fabricados e vendidos.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO.
A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja e milho, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO.
Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação.
SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO.
É expressamente vedado por lei a atualização monetária do ressarcimento do saldo credor trimestral dos créditos da Cofins não cumulativa, pela taxa Selic.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-005.823
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Demes Brito.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITO. CÁLCULO. RATEIO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. EXCLUSÃO. As receitas decorrentes de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação não integram o total das receitas de exportação da empresa comercial exportadora, para efeito de cálculo do índice de rateio utilizado, na apuração do crédito da contribuição passível de aproveitamento. CRÉDITOS. COMBUSTÍVEIS. GLOSA. Mantém-se a glosa dos créditos aproveitados indevidamente sobre os gastos com combustíveis que não foram utilizados na produção industrial dos produtos fabricados e vendidos. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja e milho, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. É expressamente vedado por lei a atualização monetária do ressarcimento do saldo credor trimestral dos créditos da Cofins não cumulativa, pela taxa Selic. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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DIREITO A CRÉDITOS. Recorrente FERTIMOURAO AGRICOLA EIRELI EM RECUPERACAO JUDICIAL Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITO. CÁLCULO. RATEIO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. EXCLUSÃO. As receitas decorrentes de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação não integram o total das receitas de exportação da empresa comercial exportadora, para efeito de cálculo do índice de rateio utilizado, na apuração do crédito da contribuição passível de aproveitamento. CRÉDITOS. COMBUSTÍVEIS. GLOSA. Mantémse a glosa dos créditos aproveitados indevidamente sobre os gastos com combustíveis que não foram utilizados na produção industrial dos produtos fabricados e vendidos. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja e milho, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. É expressamente vedado por lei a atualização monetária do ressarcimento do saldo credor trimestral dos créditos da Cofins não cumulativa, pela taxa Selic. Recurso Especial do Contribuinte Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 18 90 /2 00 7- 76 Fl. 669DF CARF MF Processo nº 10950.001890/200776 Acórdão n.º 9303005.823 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Demes Brito. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3801004.385, da 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que negou provimento ao recurso, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RESSARCIMENTO. No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não cumulatividade das contribuições sociais, excluise da proporção as receitas de exportação decorrentes das aquisições de mercadorias com fim específico de exportação. VENDAS MERCADO INTERNO E EXTERNO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS COMUNS. RATEIO PROPORCIONAL. A determinação do crédito pelo rateio proporcional, entre receitas de exportação e receitas do mercado interno, aplicase somente aos custos, despesas e encargos que sejam vinculados às receitas de mercado interno e exportação. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS. COMPROVAÇÃO. Os combustíveis utilizados ou consumidos diretamente no processo fabril geram o direito de descontar créditos da contribuição apurada de forma não cumulativa, todavia o reconhecimento dos créditos está condicionado a efetiva comprovação de que as aquisições de combustíveis são utilizadas efetivamente no processo produtivo. Fl. 670DF CARF MF Processo nº 10950.001890/200776 Acórdão n.º 9303005.823 CSRFT3 Fl. 4 3 CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. CEREALISTA. VEDAÇÃO. Há vedação legal ao aproveitamento do crédito presumido para as cerealistas que exerçam cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal. VENDAS COM SUSPENSÃO. VIGÊNCIA. DO ART. 9º DA LEI Nº 10.925, DE 2004. O art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004 teve eficácia a partir de 4 de abril de 2006, data prevista na norma regulamentadora, in casu, a Instrução Normativa SRF nº 660, de 2006. RESSARCIMENTO DE CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CORREÇÃO MONETÁRIA PELA TAXA SELIC. VEDAÇÃO EXPRESSA. É incabível, por expressa vedação legal, a incidência de atualização monetária pela taxa Selic sobre o ressarcimento de créditos de contribuição não cumulativa. Recurso Voluntário Negado. ” Irresignado, o sujeito passivo opôs Embargos de Declaração, alegando que a decisão prolatada incorreu em contradição entre a decisão e seus fundamentos. Todavia, os embargos foram rejeitados. O sujeito passivo interpôs, então, Recurso Especial suscitando divergência em relação às seguintes matérias: · Rateio dos créditos apurados; · Glosa das aquisições de combustíveis; · Aproveitamento do crédito presumido da atividade agroindustrial; · Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido; · Vendas efetuadas com suspensão; e · Atualização monetária. Mediante Despacho do Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF foi dado seguimento parcial ao recurso. Foram admitidas as matérias “rateio dos créditos apurados”, “glosa das aquisições de combustíveis”, “aproveitamento do crédito presumido da atividade agroindustrial”, “possibilidade de ressarcimento do crédito”, e “atualização monetária (SELIC)”. Apenas a matéria “vendas efetuadas com suspensão – eficácia do art. 9º da Lei 10.925/04” teve o seguimento negado. Contrarrazões ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo foram apresentadas pela Fazenda Nacional. É o relatório. Fl. 671DF CARF MF Processo nº 10950.001890/200776 Acórdão n.º 9303005.823 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303 005.815, de 17/10/2017, proferido no julgamento do processo 10950.001882/200720, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.815): Da Admissibilidade "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, na parte admitida em Despacho, eis que atendidos os critérios de conhecimento trazidos pelo art. 67 do RICARF/2015 – com alterações posteriores. O que concordo com o despacho de exame de admissibilidade. Ora, em relação à discussão acerca: · Do rateio dos créditos apurados, foi comprovada a divergência, vez que a decisão recorrida entendeu pela exclusão das receitas de exportação decorrentes das aquisições de mercadorias com fim específico de exportação do cálculo do rateio proporcional e o acórdão indicado como paradigma de nº 3202001.618 concluiu pela não exclusão dos valores de receita que se originaram de operações com o fim específico de exportação; · Das aquisições de combustíveis, foi comprovada a divergência, eis que enquanto o aresto recorrido adotou um conceito restritivo de insumo e o indicado como paradigma de nº 203.12.896 reconheceu o direito de aproveitar créditos decorrentes de aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo e nas operações de vendas e entrega direta da produção; · Do crédito presumido da atividade agroindustrial, foi comprovada a divergência, vez que o aresto recorrido entendeu pela vedação legal ao aproveitamento do crédito presumido por enquadrar o sujeito passivo como cerealista que exerce cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal e o acórdão indicado como paradigma de nº 3202001.618 divergiu da interpretação relativa ao processo produtivo de grão e o conceito de agroindústria, sem a restrição ao direito creditório; · Da possibilidade de ressarcimento do crédito presumido, também foi comprovada a divergência, eis que o aresto recorrido não conheceu das alegações em relação à forma de utilização do crédito presumido, divergindo, assim, da interpretação adotada no acórdão paradigma de nº 3803002.336 que, por sua vez não aplicou a restrição prevista na IN Fl. 672DF CARF MF Processo nº 10950.001890/200776 Acórdão n.º 9303005.823 CSRFT3 Fl. 6 5 SRF 660/06 quanto ao direito a compensação e/ou ressarcimento do Crédito Presumido de PIS e COFINS; · Da atualização monetária, foi comprovada a divergência, vez que o aresto recorrido entendeu não ser cabível a aplicação de correção monetária, com base na taxa Selic, nos casos de pedidos de ressarcimento de contribuição nãocumulativa, por expressa vedação legal, enquanto que o acórdão paradigma de nº 3802001.418 entendeu pela possibilidade de atualização do crédito pela taxa Selic. Em vista do exposto, entendo que devo conhecer o recurso especial em relação às matérias admitidas em Despacho de Exame de Admissibilidade – ou seja, sobre as seguintes matérias: · Rateio dos créditos apurados; · Glosa das aquisições de combustíveis; · Aproveitamento do crédito presumido da atividade agroindustrial; · Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido; · Atualização monetária. Contrarrazões devem ser consideradas, eis que tempestivas." Do Mérito "Antes de se adentrar a cada matéria, importante trazer breve histórico do caso vertente: · O sujeito passivo desenvolve atividades agroindustriais e produz as mercadorias de NCM dos capítulos 8 a 12 referidas no art. 8º da Lei 10.925/074, realizando operações no mercado interno e exportações diretas e indiretas; · Observa a sistemática não cumulativa das contribuições, nos termos da Lei 10.833/03 e da Lei 10.637/02, sendo que para a sua atividade, adquire de fornecedores pessoas físicas residentes no país e jurídicas situadas no mercado interno, bens e serviços – insumos – para a produção de mercadorias; · Tendo acumulado créditos por aquisições – custos, despesas e demais encargos, protocolou pedido de ressarcimento do saldo de crédito. Ventiladas tais considerações, passo a discorrer a priori sobre o critério de rateio dos créditos apurados e em seguida sobre as demais matérias conhecidas." (...)1 "Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões. A discussão gira em torno das seguintes matérias: i) rateio das receitas de exportação; ii) glosa de créditos sobre combustíveis; iii) aproveitamento do crédito presumido da agroindústria; iv) ressarcimento/compensação do crédito presumido da agroindústria; e, v) atualização monetária do ressarcimento do saldo credor. 1 Deixouse de transcrever, do voto do paradigma, a parte na qual a relatora enfrentou as questões admitidas no recurso, pois todos os entendimentos foram vencidos na votação, não se aplicando, portanto, na solução do presente litígio (íntegra do voto no acórdão do processo paradigma). Fl. 673DF CARF MF Processo nº 10950.001890/200776 Acórdão n.º 9303005.823 CSRFT3 Fl. 7 6 i) rateio das receitas de exportação O contribuinte questionou o critério utilizado pela autoridade administrativa para o rateio das receitas, utilizado para apuração dos créditos da Cofins, passiveis de desconto e/ ou ressarcimento. Conforme demonstrado nos autos e não impugnado pelo contribuinte, as receitas de exportação decorrem de vendas de mercadorias próprias e de mercadorias adquiridas de terceiros com o fim específico de exportação. A Lei nº 10.833, de 29/12/2003, assim dispõe sobre os créditos da Cofins não cumulativa, vinculados às exportações: "Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; (...). III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3º O disposto nos §§ 1º e 2º aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3o. § 4º O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1º não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação."(destaque não original). Ora, nos termos deste dispositivo, é vedado o aproveitamento (desconto) de créditos vinculados às receitas de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação, por da parte da exportadora (comercial/trading). Assim, se tais receitas não geram créditos para a exportadora, obviamente, que não podem integrar as receitas de exportação, para efeito de cálculo do índice de rateio utilizado para a apuração dos créditos da contribuição a que o contribuinte faz jus. No mês de outubro de 2006, as receitas de exportação do contribuinte decorreram integralmente da exportação de mercadorias adquiridas de terceiros com o fim específico de exportação. Portanto, neste mês, o índice apurado foi de zero, caso contrário, estaria permitindo o aproveitamento com base num índice de 100,0%, em total desacordo com o § 4º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, citado e transcrito anteriormente. ii) glosa de créditos sobre combustíveis. Fl. 674DF CARF MF Processo nº 10950.001890/200776 Acórdão n.º 9303005.823 CSRFT3 Fl. 8 7 A Lei nº 10.833, de 2003, prevê o aproveitamento de créditos sobre custos com combustíveis, desde que utilizados na produção ou fabricação dos bens vendidos, conforme estabelece o art. 3º, inciso II, literalmente: "Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...). II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; " (...)." No presente caso, conforme demonstrado nos autos e não impugnado pelo contribuinte as glosas foram efetuadas sobre os gastos com combustíveis que não foram utilizados/consumidos no processo de produção ou fabricação dos produtos vendidos e sim em outros setores da empresa. Comprova esta afirmativa excertos transcritos do relatório produzido pela fiscalização, abaixo transcrito: iii) aproveitamento do crédito presumido da agroindústria O contribuinte pleiteia créditos presumidos da Cofins sobre as aquisições de produtos agrícolas (soja e milho) adquiridos de produtores rurais pessoas físicas, beneficiados e vendidos por ele. No entanto, somente faz jus a esse crédito as pessoas jurídicas produtoras de mercadorias de origem animal e vegetal, conforme estabelece a Lei nº 10.925, de 23 de junho de 2004, que assim dispõe: "Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos Fl. 675DF CARF MF Processo nº 10950.001890/200776 Acórdão n.º 9303005.823 CSRFT3 Fl. 9 8 códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (...); III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...). § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; (destaques não originais) (...)." No presente caso, do exame da Trigésima Quarta Alteração do Contrato Social às fls. 129/138, constatase que o contribuinte exerce, dentre outras, as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, bem como a atividade agrícola, o que o enquadra no § 4º, inciso I, do art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, que veda o aproveitamento de crédito presumido da agroindústria para tais atividades. Além disto, segundo o disposto no art. 8º, citado e transcrito anteriormente, a pessoa jurídica para ter direito ao crédito presumido da agroindústria deve produzir mercadorias classificadas nos capítulos e códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul elencados no caput do artigo; as mercadorias devem ser destinadas à alimentação humana ou animal; e as pessoas jurídicas produtoras devem adquirir os insumos (conforme alusão ao inciso II do art. 3o da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e ao inciso II do art. 3o da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003) de pessoas físicas, de cerealista ou de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária, o que não é o caso em discussão. iv) ressarcimento/compensação do crédito presumido da agroindústria. Embora o julgamento desta matéria tenha ficado prejudicado, em virtude do não reconhecimento do direito de o contribuinte aproveitar os créditos presumidos da Fl. 676DF CARF MF Processo nº 10950.001890/200776 Acórdão n.º 9303005.823 CSRFT3 Fl. 10 9 agroindústria, ora reclamados, demonstrase, a seguir, a falta de amparo para o ressarcimento/compensação de tais créditos. O crédito presumido da agroindústria referente ao PIS e à Cofins foi inicialmente instituído pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003, art. 3º, § 11, foi extinto pela Lei nº 10.925, de 23/07/2004, art. 16, convertida da MP nº 183, de 30/4/2004. Contudo, esta mesma lei o reinstituiu, nos termos do art. 8º, já citado e transcrito anteriormente, e art. 15, que assim dispõe: "Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (destaque não original) [...]." Ora, segundo o disposto nos art. 8º e 15, citados e transcritos anteriormente, o crédito presumido da agroindústria somente pode ser utilizado para a dedução da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, inexistindo previsão legal para o ressarcimento/compensação. Com efeito, não é despiciendo reiterar que a compensação e o ressarcimento admitidos pelo art. 6º da Lei n° 10.833, de 2003, contemplam unicamente aos créditos apurados na forma do art. 3º daquela lei, assim dispondo: "Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...]; § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art 3º, para fins de: (destaque não original) [...]." Neste diapasão, a IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, dispõe em seu art. 21: “Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637. de 30 de dezembro de 2002. e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: (destaque não original) [...].” Segundo, estes dispositivos legais, apenas os créditos apurados na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, podem ser objeto de pedido de restituição/compensação, ou seja, os créditos sobre insumos adquiridos com incidência da contribuição cujo ônus do pagamento efetivo é do adquirente. Fl. 677DF CARF MF Processo nº 10950.001890/200776 Acórdão n.º 9303005.823 CSRFT3 Fl. 11 10 Os créditos presumidos da agroindústria não são apurados na forma daquele artigo, mas sim nos termos do art. 8º, § 3º da Lei nº 10.925, de 23/07/2004. Já suas utilizações estão previstas no próprio art. 8º e no art. 15, desta mesma lei, citados e transcritos anteriormente, ou seja, podem ser utilizados apenas e tão somente para dedução da contribuição devida em cada período de apuração. v) atualização monetária do ressarcimento do saldo credor. A atualização monetária do ressarcimento de saldo credor da Cofins não cumulativa, calculados à taxa Selic, é expressamente vedado pela própria Lei nº 10.833, de 2003, que instituiu o regime nãocumulativo, assim dispondo: “Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores.” Contra disposição expressa da lei não é cabível aplicar analogias com decisões judiciais não aplicáveis ao caso concreto, como pretende a relatora. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 678DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.720017/2014-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 30 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1401-000.488
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto e Daniel Ribeiro Silva.
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Declarouse impedido de votar o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto e Daniel Ribeiro Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 20 01 7/ 20 14 -0 7 Fl. 51343DF CARF MF Processo nº 16682.720017/201407 Resolução nº 1401000.488 S1C4T1 Fl. 51.344 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ 1), que, por meio do Acórdão 1269.536, de 23 de outubro de 2014, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela empresa. Importante cientificar que este processo está apensado ao processo nº 16682.906949/201275, que também trata de análise de saldo negativo do anocalendário de 2007, constante no PER 37117.76052.240708.1.7.024477, cujo valor monta a R$ 129.683.138,37. Posteriormente a isso, a empresa apresentou dois novos pedidos (PER/DCOMP) que se referem ao mesmo período de apuração, qual seja, saldo negativo de IRPJ de 2007. Um dos novos pedidos consta neste processo em análise (nº 16682.720017/201407), se refere ao PER/DCOMP nº 32322.02615.201212.1.2.021302, cujo valor monta a R$ 2.528.461,78; enquanto que o outro pedido consta no processo também em análise (nº 16682.720019/2014 98), também apensado a este processo, e se refere ao PER/DCOMP nº 34078.39876.201212.1.2.024206, cujo valor monta a R$ 1.599.894,86. Segundo a empresa, o saldo negativo constante no processo nº 16682.720019/201498 deriva de créditos que não foram utilizados no PER/DCOMP constante no processo nº 16682.906949/201275, apesar de se tratarem do mesmo período (SN IRPJ 2007). Por economia, reproduzo o relatório constante no Acórdão da DRJ: (início da transcrição do acórdão da DRJ) O presente processo versa sobre o PER 32322.02615.201212.1.2.021302. O crédito no valor de R$ 2.528.461,78 (fl. 3), se refere ao Saldo Negativo de IRPJ do anocalendário de 2007. No Despacho Decisório (fl.13), consta o indeferimento do PER, sob alegação de que se trata de matéria já apreciada pela autoridade administrativa e não foi reconhecido crédito suficiente para o atendimento deste pedido. O Saldo Negativo de IRPJ do anocalendário de 2007, no montante de R$ 129.683.138,52, foi analisado nos autos do processo 16682.906949/201275, onde foi proferido, pela 15ª Turma da DRJ/RJ1, o Acórdão 12066.190 em 11 de junho de 2014 (fl). A interessada se insurgiu contra o disposto no Despacho Decisório, do qual tomou ciência em 24/04/2013 (fl.14), através de manifestação de inconformidade (fl. 9 a 23), apresentando os argumentos que se seguem: Fl. 51344DF CARF MF Processo nº 16682.720017/201407 Resolução nº 1401000.488 S1C4T1 Fl. 51.345 3 • A parcela do direito creditório a ser restituída não está contida na parcela compensada do crédito de Saldo Negativo do IRPJ apresentado à RFB em 24/07/2008, através do PER/DCOMP n° 37117.76052.240708.1.7.024477, no valor de R$ 129.683.138,52. • A Manifestante apresentou PER/DCOMPs distintos, onde um deles visa à compensação de parte do crédito e o outro visa à restituição de outra parcela do crédito, sendo que o montante dessas parcelas do crédito, que compõe o saldo negativo do IRPJ de 2007, não ultrapassa o total do direito creditório existente daquele períodobase. • A Manifestante dentro do prazo para o exercício de seu direito ao crédito, qual seja, de 5 anos, apresentou em 20/12/2012, Pedido de Restituição Complementar ao PER/DCOMP transmitido em 24/07/2008, para fazer constar à parcela de IRRF de Órgão Público, no valor de R$ 2.528.461,78, que não compôs originalmente o valor do crédito compensado relativo ao Saldo Negativo do IRPJ do ano de 2007. • A DEMAC /RJ indeferiu o Pedido de Restituição, ao argumento equivocado, de que "se trata de matéria já apreciada pela autoridade administrativa e não foi reconhecido direito creditório suficiente para atendimento deste pedido". • Não se trata de matéria já apreciada pela autoridade administrativa, tampouco se trata do mesmo crédito objeto de Despacho Decisório do PA n°. 16682 906.949/201275. • DAS NULIDADES • NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO ANTE A AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO JURÍDICA PARA A GLOSA RESTITUIÇÃO. • O sistema pátrio não admite decisão sem a devida fundamentação fática e de direito, nos termos do art. 50, I, da Lei n° 9.784/99. A autoridade não fundamentou juridicamente a possível impertinência ao crédito declarado. A base legal utilizada não se aplica ao caso vertente. • A autoridade utilizase de base legal genérica e inaplicável ao caso, não apontando no referido despacho decisório nenhuma norma existente na legislação pátria que a Manifestante possivelmente teria afrontado. • Os fatos apontados no despacho decisório não se coadunam com a base normativa apontada como infringida. • O simples fato de existir a dúvida quanto à norma infringida macula o ato administrativo por preterição ao direito de defesa, assim, indiscutivelmente, referido despacho decisório é carecedor de motivação contundente. • O despacho exarado em 16/04/2013, faz menção à IN da RFB n° 900/2008, que não mais vigia à época do referido ato administrativo, que esteve em vigor até novembro de 2012, oportunidade em que foi revogada pela IN RFB n°. 1.300/2012, de 20/11/2012. Insta salientar, que o pedido de restituição formulado pela Manifestante é datado de 20/12/2012, posterior à data de revogação da IN. • Mesmo que vigente estivesse a referida IN RFB n° 900/2008, ainda assim, os artigos apontados não se coadunam com a situação em exame. Fl. 51345DF CARF MF Processo nº 16682.720017/201407 Resolução nº 1401000.488 S1C4T1 Fl. 51.346 4 • A motivação implica no dever de a autoridade justificar os atos administrativos que venha a praticar, é a demonstração, pela autoridade administrativa, da existência de correlação lógica entre os fatos ocorridos que serviram de motivo determinante para a produção do ato administrativo e a legislação mencionada pela autoridade. • A fiscalização deixou de indicar, de modo específico, as razões e motivos jurídicos pelos quais o crédito não fora acolhido. • Realizouse glosa ampla e genérica baseada em um único fundamento: de que "supostamente" a matéria já teria sido apreciada pela autoridade administrativa em outro PER/DCOMP e que, naquela oportunidade, não foi reconhecido o direito creditório suficiente. • Não se trata da ausência absoluta de motivação, mas sim da insuficiência da motivação jurídica contundente ao caso, uma vez que a precariedade da análise realizada, prejudica o exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. • Ainda que se alegue que a Manifestante poderia exercer seu direito à ampla defesa, o mesmo não pode ocorrer em relação ao exercício do contraditório, pois, conforme exposto, não foram oferecidas as razões jurídicas e específicas para o indeferimento do Pedido de Restituição de parte do Saldo Negativo do IRPJ, relativo a 2007, correspondente ao IRRF por órgãos e empresas da administração pública, autarquias e equivalentes, sendo de rigor a decretação da nulidade do r. despacho proferido, por conter vício insanável. • Houve cerceamento do direito de defesa e do exercício do contraditório pela Manifestante, haja vista a inexistência de elementos sólidos para definir os motivos específicos do indeferimento. • A indicação específica dos fatos que ensejaram a glosa dos créditos tributários é um dos requisitos de validade de todos os atos administrativos, conforme se depreende do art. 50, I, da Lei 9.784/99. • O despacho decisório ser declarado nulo de pleno direito, deferindose na totalidade o Pedido de Restituição formulado pela Manifestante que corresponde à parte do saldo negativo do IRPJ de 2007. • III.3. DA VIOLAÇÃO AO ARTIGO 76 DA IN RFB N° 1.300/2012 • A autoridade administrativa, para decidir pelo indeferimento do pleito, não atentou ao detalhe de que a Manifestante revendo suas apurações, ajustes e deduções, apresentou PER/DCOMP complementar n° 32322.02615.201212.1.2.021302, para fazer constar o crédito relativo ao IRRF pelos órgãos e empresas da administração pública que integram o saldo negativo, mas que não constavam no primitivo PER/DCOMP de compensação nº 37117.76052.240708.1.7.024477. • Não foi observado o procedimento determinado pelo artigo 76, da IN RFB nº 1.300/2012. • Nesse sentido, é cediço que para o deferimento da restituição a autoridade administrativa deve exigir do contribuinte, se existir alguma dúvida quanto ao seu direito, a prévia apresentação de documentos comprobatórios, nos estritos termos do artigo 76, da Instrução Normativa RFB n° 1.300/2012. • Não houve intimação da mesma para prestar qualquer esclarecimento ou apresentação de documento necessário comprobatório do referido direito, bem como não houve qualquer diligência fiscal à unidade sede da Manifestante a fim de examinar Fl. 51346DF CARF MF Processo nº 16682.720017/201407 Resolução nº 1401000.488 S1C4T1 Fl. 51.347 5 sua documentação fiscal e dissolver toda e qualquer espécie de indagações a cerca do crédito de saldo negativo de 2007. • Em que pese referido dispositivo conter a palavra "poderá", o comando emana norma impositiva, que deve ser observada. • Os atos das autoridades administrativas são vinculados e devem ser praticados sob a determinação de uma disposição legal que predetermina, objetiva e completamente, o comportamento a ser adotado na situação descrita, como ocorre na hipótese em comento. • Desta forma, a Manifestante requer o reconhecimento da nulidade do despacho decisório, em virtude da afronta à regra do art. 76 da IN RFB n° 1.300/2012, a qual a autoridade administrativa está plenamente vinculada. • DO MÉRITO. • DA INEXISTÊNCIA DE COINCIDÊNCIA ENTRE O CRÉDITO PLEITEADO NO PERDCOMP N° 37117.76052.240708.1.7.024477 E O DE N° 32322.02615.201212.1.2.021302, OBJETO DOS PRESENTES AUTOS. • Se o saldo negativo de IRPJ do períodobase de 2007, relativo ao IRRF por órgãos e empresas da administração pública não constou da primitiva PER/DCOMP de compensação n° 37117.76052.240708.1.7.024477, não é verdadeira a alegação do despacho decisório de que a autoridade administrativa já teria apreciado o crédito consignado no PER/DCOMP de restituição n°. 32322.02615.201212.1.2.021302, transmitido em 20/12/2012. • Não existe qualquer dispositivo normativo capaz de obstar o direito de pleitear a restituição do direito creditório, desde que não seja ultrapassado o total do direito creditório existente. Não há vedação expressa no CTN ou em leis ordinárias, nem tampouco na IN RFB n°. 1.300/2012, que impeça a Manifestante de pleitear os créditos. • A Manifestante por não ter informado na PER/DCOMP de compensação os créditos relativos ao IRRF por órgãos e empresas da administração pública apresentou PER/DCOMP complementar pleiteando a restituição da parcela não compensada no valor de R$ 2.528.461,78. • A razão de ser da presente defesa, a autoridade julgadora indeferiu o pedido da Manifestante ao argumento leve e frágil de que a autoridade administrativa já teria apreciado a matéria. • São pedidos distintos (compensação e restituição), cuja formação do crédito do direito creditório também não é a mesma, visto que uma é complementar à outra, havendo coincidência apenas do períodobase de apuração do direito creditório. • O valor do saldo negativo da Manifestante é um só, ou seja, o somatório da parcela requerida em 24/07/2008, no PER/DCOMP n°. 37117.76052.240708.1.7.02 4477, de R$ 129.683.138,52 e mais o valor do Pedido de Restituição requerido no PER/DCOMP n°. 32322.02615.201212.1.2.021302, transmitido em 20/12/2012, de R$ R$ 2.528.461,78. • A autoridade administrativa não analisou o mérito do direito creditório da Manifestante, já que restou esclarecido que a presente demanda trata especificamente de uma parcela do saldo negativo do IRPJ do períodobase de 2007, que corresponde ao IRRF por órgãos e empresas da administração pública que não compuseram a primitiva PER/DCOMP de compensação. Fl. 51347DF CARF MF Processo nº 16682.720017/201407 Resolução nº 1401000.488 S1C4T1 Fl. 51.348 6 • Da simples comparação entre ambas as PER/DCOMP n°: 37117.76052.240708.1.7.02 4477 e 32322.02615.201212.1.2.021302, é possível verificar, de modo bastante claro, que as composições do crédito do saldo negativo do períodobase de 2007, apontadas nas referidas PER/DCOMP não se confundem. • Segue quadro comparativo entre os PER/DCOMP PER/DCOMP nº 37117.76052.240708.1.7.024477 PER/DCOMP nº 32322.02615.201212.1.021302 Fonte Pagadora Código da Receita Valor em R$ Fonte Pagadora Código da Receita Valor em R$ 33.042.953/000171 0924 2.246.975,41 00.001.180/000126 6190 103.092,34 33.700.394/000140 0924 89.419,73 00.038.166/000105 6190 62.221,11 31.516.198/000194 0924 40.400,07 00.322.818/000120 6190 51.550,81 02.558.134/000158 3426 561.215,99 00.348.003/000110 6190 43.178,86 03.986.348/000198 3426 64.806,67 00.357.038/000116 6190 60.651,37 04.030.087/000109 3426 1.794,12 00.394.494/002260 6190 41.265,96 04.034.792/000176 3426 1.567,67 00.394.494/008030 6190 92.369,12 04.164.616/000159 3426 73.941,15 00.394.494/010875 6190 72.650,12 07.237.373/000120 3426 857.003,49 00.394.494/011090 6190 55.014,18 30.306.294/000145 3426 2.958,80 00.394.502/001540 6190 45.897,78 59.588.111/000103 3426 14.174,78 00.394.502/039431 6190 53.089,43 36.113.876/000191 3426 37.185,53 00.394.544/017150 6190 92.953,34 58.160.189/007564 3426 1.804.169,46 00.394.544/019285 6190 91.777,79 00.000.000/018309 3426 30.640.679,60 00.394.544/020291 6190 48.011,92 02.107.946/000187 3426 1.312,19 00.399.857/000126 6190 58.720,27 06.190.163/000160 3426 2.302.341,04 00.662.270/000320 6190 40.605,80 15.114.366/000240 3426 1.395,99 01.298.583/000141 6190 43.101,24 31.516.198/000194 3426 76.556,80 02.341.467/000120 6190 47.248,02 33.042.953/000171 3426 880.266,67 02.839.639/000190 6190 75.924,64 33.172.537/000198 3426 1.269.575,77 05.962.421/000117 6190 56.531,55 33.700.394/000140 5273 21.864,55 05.967.350/000145 6190 62.848,70 33.042.953/000171 5273 155.546,19 06.170.517/000105 6190 63.545,70 00.000.000/000191 6190 4.713.596,98 06.840748/000189 6190 134.285,67 00.360.305/000104 6190 70.664,70 15.180.714/000104 6190 79.722,74 00.038.166/000105 6190 264.338,31 23.274.194/000119 6190 106.994,41 23.274.194/000119 6190 149.181,03 25.944.455/000196 6190 53.766,33 33.000.167/000101 6190 20.974.328,83 26.461.699/000180 6190 48.173,83 26.989.350/001783 6190 52.517,11 29.979.036/021903 6190 77.054,25 33.541.368/000116 6190 136.090,55 33.781.055/000135 6190 72.536,11 33.781.055/000305 6190 59.088,69 33.781.005/004980 6190 43.132,73 34.023.077/000107 6190 112.625,27 34.621.748/000123 6190 53.604,02 42.357.483/000126 6190 63.591,12 42.540.211/000167 6190 73.028,90 TOTAL 67.317.261,52 TOTAL 2.528.461,78 Fl. 51348DF CARF MF Processo nº 16682.720017/201407 Resolução nº 1401000.488 S1C4T1 Fl. 51.349 7 • A legislação não impede de maneira que a Manifestante possa complementar seu pedido de Saldo Negativo de IRPJ do mesmo período. • Da leitura dos art. 165 do CTN e 4º da IN RFB nº 1.300/2012 verificase: (a) não existe qualquer impedimento legal à Manifestante capaz de efetuar administrativamente Pedido Complementar de Saldo Negativo do IRPJ do mesmo período: (b) havendo quantia recolhida a maior a título de tributo sob a administração da RFB e, uma vez requerido pelo contribuinte, via PER/DCOMP, de rigor a restituição da quantia devida ao contribuinte. • DO INEQUÍVOCO DIREITO CREDITÓRIO DA MANIFESTANTE. • A Manifestante sofreu em 2007, diversa retenção do IRF de empresas ou órgãos públicos, dentre os quais podemos exemplificativamente listar: BACEN, EMBRAPA, Caixa Econômica Federal, RADIOBRAS, TRF da 8a Região, FURNAS Centrais Elétricas SA, PETROBRAS, Empresa Brasileira de Telégrafos, Banco do Brasil SA, sendo porquanto credora de Saldo Negativo do IRPJ relativo ao períodobase de 2007, ainda não compensado, na monta de R$ 2.528.461,78. • A Manifestante sofreu indiscutivelmente as retenções do IRRF dos órgãos e empresas da administração pública e, mais, a própria fiscalização caso tivesse qualquer espécie de dúvida quanto às retenções, possui em sua base de dados amplas condições de cruzamento dessas informações com aquelas informadas nas DIRFs das respectivas fontes pagadoras, devendo, se julgar necessário, obter tais informações em sua base de dados em conformidade com o disposto no art. 37 da Lei n° 9.784/99. • Caso houvesse mais dúvidas por parte da fiscalização, caberia a ela atender no art. 76 da IN RFB n° 1.300/2013. • DA DILIGÊNCIA. • A Manifestante pugna pela realização de diligência ou perícia, nos termos do inciso IV, do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. • Em se decidindo pela perícia, a Manifestante indica como seu assistente Luciano Inocêncio dos Santos, CRC 1SP 146.893/01, inscrito no CPF/MF sob n°: 079.896.658 08, cujo endereço profissional é Av. Nove de Julho, n°. 4.506, Jd. Paulista, CEP: 01406100 São Paulo SP, apontando os seguintes quesitos. • i. A Manifestante no períodobase de 2007 apurou Saldo negativo de IRPJ considerando todos os recolhimentos e retenções correspondentes àquele período? Se sim, de quanto? • ii. A Manifestante apresentou duas PER/DCOMPs relativas ao Saldo negativo do IRPJ do períodobase de 2007, cujas numerações são: 37117.76052.240708.1.7.02 4477 e 32322.02615.201212.1.2.021302, a composição do crédito informado em ambas é mesma ou uma é complementar a outra para composição do saldo negativo total apontado no quesito "i"? • iii. Qual a composição de referidos PER/DCOMP? Fl. 51349DF CARF MF Processo nº 16682.720017/201407 Resolução nº 1401000.488 S1C4T1 Fl. 51.350 8 • iv. O crédito informado no PER/DCOMP n°. 32322.02615.201212.1.021302, já foi analisado pela autoridade administrativa no PER/DCOMP nº 37117.76052.240708.1.7.024477? • v. Compensado o crédito informado no PER/DCOMP n°. 37117.76052.240708.1.7.02 4477, remanesce saldo a compensar do saldo negativo apurado na forma do quesito V? É o relatório. (término da transcrição do acórdão da DRJ) A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 DA NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Descabe a decretação de nulidade quando não existirem atos insanáveis e quando a autoridade observa os devidos procedimentos fiscais, previstos na legislação tributária. DILIGÊNCIA E PERÍCIA Rejeitase o pedido de perícia ou diligência quando a lide se resolveria com uma simples juntada de documentos pela interessada. RESTITUIÇÃO A falta de comprovação do direito creditório acarreta o indeferimento do pedido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada eletronicamente do resultado do julgamento em 1ª instância na data de 30/10/2014 (efl. 116), e insatisfeita com a decisão da DRJ, a empresa apresentou recurso voluntário (efls. 120 a 145) na data de 01/12/2014 (efl. 119), em que repisa os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade. Trarei agora, por oportuno, questões discutidas no processo "principal" nº 16682.906949/201275, por pertinentes à análise do crédito aqui pleiteado: (início de questões apresentadas no processo nº 16682.906949/201275) Na sessão de 23/10/2014, a turma da DRJ/RJO 1 juntou processo "principal" nº 16682.906949/201275 informação (efls. 1.186 e 1.187) de que a empresa não havia sido notificada sobre a decisão deste processo (nº 16682.720017/201407) e do processo nº 16682.720019/201498. Assim, a DRJ anexou ao processo nº 16682.906949/201275 Fl. 51350DF CARF MF Processo nº 16682.720017/201407 Resolução nº 1401000.488 S1C4T1 Fl. 51.351 9 informação para que a unidade de origem desse ciência dos referidos processos (citados abaixo) à empresa, vejase: O processo retornou a DRJ sob alegação de que não haviam sido analisados os seguintes PER: 32322.02615.201212.1.2.021302 – processo nº 16682.720017/201407 e 34078.39876.201212.1.2.024206 processo 16682.720019/201498, conforme Despacho de Encaminhamento de fl. 1.185. Os citados processos foram julgados através dos seguintes Acórdãos proferidos pela 5ª Turma da DRJ/RJO, todos negando provimento à manifestação de inconformidade: · PER 32322.02615.201212.1.2.021302 processo nº 16682.720017/201407 Acórdão 12069.536 de 23 de outubro de 2014. · PER 34078.39876.201212.1.2.024206 processo 16682.720019/201498 Acórdão 12069.537 de 23 de outubro de 2014. Face o exposto, o membros da 5ª Turma da DRJ/RJO RESOLVEM encaminhar para a Diort da DEMACRJ o presente processo e apensos, para que seja dada ciência ao contribuinte dos Acórdãos que julgaram os litígios e adote as providências necessárias ao fiel cumprimento do que ficou decidido: Tratarei mais à frente sobre o teor dos citados processos nº 16682.720017/2014 07 e nº 16682.720019/201498, que estão apensados a este processo nº 16682.906949/201275. Voltando à análise deste processo, em julgamento no CARF, a turma resolveu baixar o processo em diligência, para que a unidade de origem verificasse as informações sobre as retenções e a tributação das receitas que geraram as retenções do imposto de renda na fonte. Tudo isso em razão da anexação ao processo de parecer de auditoria efetuado por empresa de auditoria independente, cujo objeto era de se demonstrar que todas as receitas sujeitas à retenção na fonte, no anocalendário de 2007, foram oferecidas à tributação: Por ser sintético o voto do relator, reproduzoo na íntegra: Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Inicialmente apresentei meu voto, bastante extenso, negando provimento ao recurso voluntário. No entanto, durante os debates, sensibilizeime com os argumentos apresentados pelos meus pares, particularmente em relação ao laudo pericial realizado pela empresa de consultoria Ernst & Young, com o intuito de comprovar que as receitas que geraram o IRRF glosado e as receitas declaradas são totalmente compatíveis. Assim, proponho a conversão do presente julgamento em diligência, para que a autoridade competente da unidade de origem se manifeste sobre o retrocitado laudo pericial. Conclusão Fl. 51351DF CARF MF Processo nº 16682.720017/201407 Resolução nº 1401000.488 S1C4T1 Fl. 51.352 10 Diante do exposto, voto no sentido de baixar o presente feito em diligência, solicitando que a unidade de origem analise e se pronuncie sobre o laudo pericial realizado pela consultoria Ernst & Young. Após as devidas análises, deve a autoridade diligenciante elaborar um parecer conclusivo, dando ciência à contribuinte para, se desejar, manifestarse no prazo de 10 dias. Insatisfeita com o teor da referida Resolução e temendo uma diligência improfícua em razão do que fora discutido no julgamento e o que foi consignado na Resolução, a recorrente apresentou Embargos sobre uma possível contradição e omissão no pedido da diligência. Entretanto, tal pedido não foi analisado pela turma. Eis o pedido da ora recorrente em seus embargos (efls. 57.177 a 57.179): No dia 20.01.2016 o presente processo foi pautado para julgamento, ocasião em que os patronos da Embargante realizaram sustentação oral reiterando os argumentos do recurso voluntário sintetizados acima. Ato contínuo, o Ilmo. Relator Fernando Luiz Gomes de Mattos proferiu voto negando provimento ao recurso voluntário para manter na íntegra a decisão proferida pela DRJ. Entretanto, o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes abriiu divergência por concordar com os argumentos do contribuinte, e determinar a baixa dos autos em diligência com o seguinte escopo: a) Verificar o oferecimento das receitas de prestação de serviços para órgãos públicos à tributação a partir das premissas adotadas pelo laudo técnico elaborado pela Ernst & Young; e também b) Verificar a comprovação do oferecimento das receitas de aplicação financeira à tributação. A divergência aberta pelo Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes foi seguida pelos demais julgadores, restando vencido o Conselheiro relator. Este foi resultado proclamado em sessão1. Entretanto, no acórdão publicado há notícia de que o relator originário modificou seu voto para concordar com a realização da diligência, cujo escopo restou determinado da seguintes forma: A empresa transcreveu o teor do pedido da diligência, conforme já trazido acima. 1 RICARF: "Art. 57. (...) § 3º O conselheiro poderá solicitar ao presidente a alteração de seu voto, desde que o faça antes da proclamação do resultado de julgamento, relativo ao conhecimento, à preliminar ou ao mérito. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) § 4º Os votos proferidos pelos conselheiros, inclusive quanto ao conhecimento e às preliminares, serão consignados na ata da sessão, independentemente de ter sido concluído o julgamento do recurso. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" Fl. 51352DF CARF MF Processo nº 16682.720017/201407 Resolução nº 1401000.488 S1C4T1 Fl. 51.353 11 E continua a ora recorrente em seus embargos: Com a devida vênia, a Embargante entende que há nítida OMISSÃO na Resolução nº 1401000.367, uma vez que, ao contrário do que restou consignado na sessão de julgamento, não foi determinada a análise do oferecimento à tributação das receitas vinculadas ao IRRF de aplicações financeiras. Ademais, o votovencedor determinava expressamente que fosse analisado o oferecimento das receitas de órgãos públicos à tributação de acordo com as premissas adotadas pelo laudo pericial juntado aos autos, e não a mera manifestação da autoridade fiscal sobre o mesmo como consta no acórdão publicado. Tal ponto demonstra CONTRADIÇÃO, pois o escopo da diligência ora definido não será conclusidvo quanto à legitimidade do aproveitamento das retenções em questão. Como dito, os embargos não foram analisados pela turma ordinária e o processo foi baixado em diligência, nos termos requerido pelo relator do processo. Após diligência efetuada, a delegacia de fiscalização emitiu seu parecer sobre o quanto pedido pela turma do CARF. Assim, apresentou suas ponderações e conclusão (efls. 57.823 a 57.825): (...) A parcela não reconhecida do crédito solicitado após o julgamento da DRJRJ1 que permanece em litígio é relativa à IRRF não confirmado, demonstrado como se segue: Valor declarado na DCOMP de IRRF (a) R$ 67.317.261,52 Parcelas confirmadas integralmente pelos sistemas da RFB de IRRF (b) R$ 6.361.724,35 Parcelas confirmadas parcialmente pelos sistemas da RFB de IRRF (c) R$ 4.185.844,25 Valor Glosado de IRRF = a (b+c) R$ 56.769.692,92 (negritei) O contribuinte recorreu à Câmara Administrativa de Recursos Fiscais (CARF), que converteu o julgamento em diligência (Resolução de fls. 6255/6262) para verificar se as receitas que geraram o IRRF glosado e as receitas declaradas são compatíveis. Fundamentação A fim de verificar se há indício de omissão de receita, bem como comprovar o efetivo valor de IRRF, intimamos as 13 (treze) fontes pagadoras cujos valores de IRRF não foram confirmados pelos sistemas da RFB total ou parcialmente, que compõem a linha (c) da tabela acima. Com base nas respostas apresentadas pelas fontes pagadoras (anexadas às fls. 57.240/57.818), e também como os dados extraídos da DIPJ (fl. 57.819) e da DIRF (fls.57.820/57.821), elaboramos as planilhas anexadas aos autos como documento não paginável (fl. 57.822), demonstrando que: A soma da receita apurada em DIRF com as receitas informadas pelas fontes pagadoras em respostas às intimações é bastante inferior ao total de receita declarado na DIPJ, bem como o total de “outras receitas financeiras” declaradas na DIPJ, logo, salvo Fl. 51353DF CARF MF Processo nº 16682.720017/201407 Resolução nº 1401000.488 S1C4T1 Fl. 51.354 12 melhor juízo, não verificamos indício de omissão de receita, sendo os rendimentos relativos às retenções na fonte informadas compatíveis com o total oferecido à tributação. Receita apurada com base na DIRF R$ 772.000.498,78 Receita informada pelas fontes pagadoras R$ 214.418.762,12 Soma R$ 986.416.260,90 Receita com vendas na DIPJ R$ 20.294.641.640,99 Receita Financeira na DIPJ R$ 1.436.068.048,52 Salientamos que o critério acima foi adotado por que os documentos apresentados pelo contribuinte são inconclusivos, pois, nos balancetes não constam as receitas financeiras, e as receitas com vendas não estão individualizadas por cliente. Igualmente são inconclusivas as listagens com a prestação de serviços de telefonia que não especificam o tipo de serviço ou retenção na fonte vinculada. Entretanto, apenas parte das retenções na fonte foram confirmadas pelas fontes pagadoras em resposta às intimações, sendo necessário abater uma parte do valor relativo a fonte pagadora Banco do Brasil S/A que já havia sido confirmado pelos sistemas da RFB (fl. ), de forma que o IRRF confirmado deve ser alterado da seguinte forma: Valor declarado na DCOMP de IRRF (a) R$ 67.317.261,52 Parcelas confirmadas integralmente pelos sistemas da RFB de IRRF (b) R$ 6.361.724,35 Parcelas confirmadas parcialmente pelos sistemas da RFB de IRRF (c) R$ 15.365.557,24 Valor Glosado de IRRF = a (b+c) R$ 45.589.979,93 (negritei) Conclusão Concluímos, salvo melhor juízo da autoridade julgadora, pela compatibilidade das retenções na fonte reconhecidas com a receita total oferecida à tributação, bem como propomos o reconhecimento adicional de R$ 11.179.712,99 (R$ 15.365.557,24 R$ 4.185.844,25) a título de IRRF para compor o saldo do período. (...) Ciente sobre o parecer emitido pela fiscalização, a empresa apresentou manifestação sobre o seu teor, em que repisa pela necessidade de nova diligência, suportada pelo fato de que a diligência anterior não teria sido feita conforme requerido pela turma do CARF. Eis os pedidos efetuados pela recorrente em sua manifestação sobre o resultado da diligência: 1) A empresa pede pela nulidade da diligência em razão da falta de análise dos Embargos propostos por ela, após constatação de que o conteúdo da resolução nº 140100.367, de 20/01/2016, não correspondia ao resultado proclamado no julgamento do processo. 2) Alega que no despacho decisório foi reconhecido apenas o valor de R$ 10.547.568,70 a título de retenção na fonte de imposto de renda. Entretanto, conforme cópia das DIRFs das fontes pagadoras, que têm como beneficiários os CNPJs da recorrente, Fl. 51354DF CARF MF Processo nº 16682.720017/201407 Resolução nº 1401000.488 S1C4T1 Fl. 51.355 13 apresenta o montante de R$ 64.735.215,92 a título de retenção na fonte de imposto de renda. Justifica essa divergência em razão das inúmeras operações que ensejam retenção na fonte, apresentando possíveis erros de transcrição, como informação em CNPJ da matriz, em vez de ser da filial, alteração de CNPJ da fonte pagadora, e outros. Desta forma, justifica que os erros cometidos nas informações prestadas no PER/DCOMP não devem servir como motivação para o indeferimento de seu pedido, pois tenta comprovar que a realidade favorece seu direito creditório. Por fim, alega que não se trata de alterar o valor do crédito, mas sim de alterar informações adicionais prestadas equivocadamente. 3) Quanto à necessária análise do laudo técnico preparado pela empresa de auditoria, que tem como objetivo comprovar o oferecimento à tributação das retenções referentes às receitas de órgãos públicos (códigos 6190 e 6147), a empresa apresenta justificativa para a forma de informação dos valores na DIPJ, mas afirma que as receitas advindas de contratos com órgãos públicos foram oferecidas à tributação. Essa situação peculiar levou a empresa, em alguns anoscalendários, como o de 2007, a preencher a ficha da DIPJ, quanto à indicação das fontes pagadoras do setor público, de forma aglutinada. Ou seja, a empresa totalizou, por determinado período de tempo, os valores relativos aos serviços prestados a órgãos públicos federais e as correspondentes retenções. Isso se faz através do chamado "ciclo de faturamento", para os quais seus sistemas contábeis e fiscais estão ajustados. 4) Quanto à comprovação das retenções decorrentes de receitas auferidas com aplicações financeiras, a recorrente alega o seguinte: É que, não raro, as instituições financeiras alteram o CNPJ da fonte pagadora do rendimento decorrente da aplicação financeira (por exemplo, caso de uma empresa financeira que cede seu crédito para uma outra), o que causa divergências entre o CNPJ declarado na DIPJ ou PER/DCOMP e a DIRF. Nesse contexto, temse que, no resgate de Fundos de Investimento (código 6800), considerando apenas a DIRF do CNPJ da matriz, foi encontrado IRRF de R$ 11.527,405,65, referentes a rendimentos no valor de R$ 65.513.042,81 (já reconhecido pela diligência). Já paras as retenções sofridas na liquidação de Aplicações Financeiras de Renda Fixa (código 3426), as maiores fontes pagadoras foram o Banco Itaú BBA (R$ 76.556,80), Tele Norte Leste Participações S/A (R$ 560.963,60), Banco do Brasil (R$ 688.418,68), Banco Safra (R$ 1.748.410,50); CEF (R$ 322.327,21) e Banco do Nordeste (R$ 976.744,25). Apenas o extrato DIRF da matriz comprova a existência de IRRF de R$ 4.515.558,27, referente a rendimentos no valor de R$ 24.245.023,81. Fl. 51355DF CARF MF Processo nº 16682.720017/201407 Resolução nº 1401000.488 S1C4T1 Fl. 51.356 14 Como se vê, os rendimentos de aplicações financeiras (R$ 24.245.023,81) e fundos de renda fixa (R$ 65.513.042,81) que geraram o IRRF glosado, somados, alcançam o montante de R$ 89.758.066,62. Por outro lado, o total de rendimentos declarados na linha 22 da Ficha 06A (outras receitas financeiras), corresponde a R$ 1,4 bilhão, ou seja, valor muito superior aos R$ 90 milhões que geraram o IRRF utilizado na composição do saldo negativo. 17. LUCRO BRUTO 5.397.235.535,02 18. Variações Cambiais Ativas 348.599.885,05 19. Ganhos Aufer. Mercado Renda Variável, exceto DayTrade 6.766.972,41 20. Ganhos em Operações DayTrade 0,00 21. Receitas de Juros sobre o Capital Próprio 0,00 22. Outras Receitas Financeiras 1.436.068.048,52 Logo, as receitas financeiras declaradas na DIPJ são totalmente compatíveis com o IRRF sobre as aplicações financeiras e fundos de renda fixa declarados, de modo que resta claro que as mesmas existem e foram oferecidas à tributação, logo, devem ser consideradas na composição do saldo negativo. 5) E para tratar especificamente do teor do resultado da diligência, a recorrente alega que houve subtração em duplicidade de valores que já haviam sido reconhecido no despacho decisório em relação à fonte pagadora Banco do Brasil, causando um erro na conclusão da diligência. Segundo a recorrente, a fiscalização confirmou retenções de R$ 20.079.154,22, em relação aos CNPJs das fontes pagadoras totalmente glosadas pelo despacho decisório. Desse valor, foi subtraído o valor de R$ 4.713.589,98, que se referia a retenções do Banco do Brasil que já havia sido homologado pelo despacho decisório, apesar de estar vinculado a outro CNPJ, que resultou no montante de crédito adicional de R$ 15.365.557,24. Entretanto, em sua conclusão, a fiscalização extraiu novamente o valor de R$ 4.713.589,98, chegando a um montante de R$ 11.179.712,99 (= R$ 15.365.557,24 R$ 4.713.589,98). E informa o que segue: Assim, mesmo como base no julgamento da DRJ (que reconheceu saldo negativo de R$ 48.143.850,32 fl. 1.154) e na diligência realizada (que reconheceu IRRF adicional de R$ 15.365.557,24) chegase a um saldo negativo apurado de R$ 63.509.407,56, conforme tabelas abaixo: Fl. 51356DF CARF MF Processo nº 16682.720017/201407 Resolução nº 1401000.488 S1C4T1 Fl. 51.357 15 (...) 6) Por fim, a recorrente pede para adicionar ao saldo negativo as estimativas pagas e compensadas que foram ignoradas pelo despacho decisório. De todo modo, a DRJ alegou ter localizado mediante pesquisa no SIEF as estimativas pagas que não foram indicadas pela Recorrente no PER/DCOMP, e incluído as mesmas na composição do saldo negativo (fl. 1.153): "De acordo com as pesquisas no sistema SIEF, verificouse que os valores que constam da tabela não estão incluídos em outros processos de compensação. O total das estimativas de IRPJ pagas monta a R$ 424.332.357,76, que somado ao IRRF confirmado de R$ 10.547.568,60, perfaz um montante de R$ 434.879.926,36, sendo este o valor a ser deduzido do IRPJ devido de R$ 386.736.076,04, o que resulta em saldo negativo de IRPJ de R$ 48.143.850,32. Ocorre que também a DRJ deixou de considerar na composição do saldo negativo todas as estimativas pagas pela Recorrente ao longo do ano de 2007. Com efeito, a DRJ não considerou as compensações de estimativas de fevereiro, junho e julho que perfazem mais de R$ 22 milhões, devidamente declaradas na DCTF (doc. nº 01), e que compõem o total de R$ 516.419.214,41 pleiteado no PER/DCOMP: (...) Além disso, também foram desconsiderados diversos DARFs pagos sob o código 3262 entre janeiro e julho/2007 que alcançam quase R$ 400.000,00 de reais: Assim, ainda que mantida a glosa das retenções (o que se admite apenas por argumentar), devese ao menos adicionar ao saldo negativo reconhecido as estimativas mensais efetivamente pagas por compensação e DARF que foram ignoradas pelo despacho decisório e pela DRJ, chegandose a um crédito de R$ 86.418.349,67. Nessa linha, a recorrente pede o seguinte (efls. 57.862 e 57.863): a) determinada a realização de nova diligência, que fique restrita ao objeto determinado por essa Turma por ocasião da sessão de julgamento do dia 20.01.2016, ou seja, limitandose a aferir, mediante o mesmo método adotado no laudo elaborado pela EY, o efetivo oferecimento à tributação dos rendimentos que geraram as retenções constantes dos relatórios fornecidos pela própria RFB e juntados aos pela empresa, análise essa que deve abranger também as receitas financeiras objeto de retenções listadas no referido documento; Fl. 51357DF CARF MF Processo nº 16682.720017/201407 Resolução nº 1401000.488 S1C4T1 Fl. 51.358 16 b) determinada a inclusão no saldo negativo das estimativas pagas e compensadas que deixaram de ser analisadas pelo despacho decisório, não obstante tenham sido informadas no PER/DCOMP; c) Após a diligência, seja dada vista à Recorrente para se manifestar no prazo de 30 dias, na forma do Decreto nº 7.574/2011; e d) Consequentemente, sejam integralmente homologadas as compensações aqui declaradas, extinguindose integralmente o crédito tributário constituído. (término de questões apresentadas no processo nº 16682.906949/201275) Com relação a este processo (nº 16682.720017/201407), o argumento principal da recorrente é de que saldo negativo de R$ 2.528.461,78, constante neste processo, tem origem em créditos que não foram utilizados no processo "principal" nº 16682.906949/2012 75. Assim, tal saldo negativo deverá ser reconhecido. Retornado o processo ao CARF, e em razão de término do mandato do conselheiro Relator, o processo foi novamente sorteado, cabendo a mim sua relatoria. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Inicialmente, mister observar que a proposta da diligência por meio da Resolução nº 140100.367, de 20/01/2016, constante no processo nº 16682.906949/201275, não teve o condão de vincular este relator ou qualquer outro conselheiro sobre o seu teor. Desta forma, questões apresentadas pela recorrente como "superadas pelo CARF" como a apresentada abaixo não merecem guarida, visto que o julgamento do processo não foi efetuado: Com efeito, caso o entendimento do órgão fosse pela insuperabilidade dos erros no preenchimento do PER/DCOMP, a diligência determinada sequer seria necessária: para quê analisar a comprovação do oferecimento das receitas a tributação se há uma questão prejudicial (erro no preenchimento do PER/DCOMP) resolvida em desfavor do contribuinte? Em seguimento, importa demonstrar que a discussão neste processo e no processo "principal" nº 16682.906949/201275 resumese em verificar as seguintes questões: i) Cabe aceitar os valores de estimativas que a empresa indica ter a DRJ desconsiderado em sua decisão? Fl. 51358DF CARF MF Processo nº 16682.720017/201407 Resolução nº 1401000.488 S1C4T1 Fl. 51.359 17 ii) Cabe aceitar os valores de retenção na fonte, apresentados pela recorrente a partir dos extratos das DIRFs entregues pelas fontes pagadoras, mesmo que as informações do PERDCOMP e da DIPJ estejam divergentes em relação às referidas DIRFs? iii) Caso positiva a proposição acima, o laudo apresentado a destempo pela recorrente pode ser aceito por esta turma? iv) Caso positiva a proposição imediatamente acima, há possibilidade desta turma formar uma convicção pelo teor do laudo anexado, do parecer da fiscalização e da manifestação da recorrente sobre o resultado do julgamento? v) Caso positiva a proposição imediatamente acima, o laudo apresentado pela recorrente demonstra, de forma inequívoca, que os rendimentos sujeitos à retenção do imposto de renda na fonte efetivamente foram tributados? vi) Cabe aceitar valores de fonte informados neste processo nº 16682.720017/201407, mesmo que se refiram ao mesmo período (ac 2007)? vii) Há impedimento legal para apresentar mais de um PER/DCOMP em relação ao saldo negativo de um mesmo tributo e período? Pois bem. Entendo que o processo ainda não está maduro o suficiente para ser julgado. Concordo com a recorrente de que o objeto da diligência distinguiu consideravelmente do que acordado pela turma julgadora, na sessão que deliberou sobre a diligência constante na Resolução nº 1401000.367, constante no processo nº 16682.906949/201275. Outras questões também não foram esclarecidas o suficiente para que forme minha convicção a respeito da decisão a ser prolatada no referido processo, como, por exemplo, verificar se realmente a origem do saldo negativo constante no processos nº 16682.720017/201407 não faze parte deste processo de nº 16682.906949/201275. Desta forma, proponho que este processo seja novamente baixado em diligência, para que a unidade de origem verifique o que segue: 1) Verificar se as receitas decorrentes de contratos com órgãos públicos foram efetivamente tributadas. Sugiro que a fiscalização utilize o método constante no parecer de auditoria acostado ao processo, porém que seja feita nova amostragem, com período distinto do referido parecer. 2) Verificar se as receitas financeiras foram efetivamente tributadas. Sugiro que a fiscalização utilize o método constante no parecer de auditoria acostado ao processo, porém que seja feita nova amostragem, com período distinto do referido parecer. 3) Verificar se as estimativas do período de fevereiro, junho e julho, no montante de 22 milhões, foram efetivamente quitadas por compensação. Peço o favor de juntar a DIPJ completa do exercício 2008, anocalendário 2007. Fl. 51359DF CARF MF Processo nº 16682.720017/201407 Resolução nº 1401000.488 S1C4T1 Fl. 51.360 18 4) Confirmar se as DIRFs apresentadas pela empresa, referente às fontes pagadoras, incluindo os órgãos públicos, que não constam no PER/DCOMP, estão nos sistemas da RFB, mesmo que se refiram a CNPJs das filiais da recorrente. 5) Verificar se houve alteração de CNPJ da fonte pagadora dos rendimentos decorrentes de aplicações financeiras, conforme alegado pela recorrente, para justificar a falta de concordância entre as informações prestadas pela recorrente e as informações prestadas pela fonte pagadora. 6) Verificar se os saldos negativos constantes nos processos nº 16682.906949/201275 e 16682.720019/201498, que também são objeto de diligência, são formados por créditos que não foram utilizados neste processo nº 16682.720017/201407, e viceversa. 7) Após isso, favor refazer cálculo sobre os valores que efetivamente foram confirmados na diligência fiscal. 8) Ao final da diligência, favor elaborar parecer conclusivo sobre o teor da diligência, e encaminhálo à recorrente para que se manifeste sobre o seu teor, no prazo de 30 (trinta) dias, conforme estabelecido pela Lei 9.784/1999. 10) Após isso, devolver este processo ao CARF, para prosseguimento de seu julgamento. Observações Observo que a recorrente é quem deve fornecer elementos suficientes para que corroborem suas informações sobre os eventuais erros cometidos na apresentação do PER/DCOMP e da DIPJ, sempre tendo como premissa que os documentos e esclarecimentos devem estar concatenados a tal ponto que se consiga avaliar, nas minúcias que o caso requer, se efetivamente todos os argumentos ofertados pela recorrente são verdadeiros. Além disso, convém mais uma vez repisar que esta diligência não tem o propósito de vincular este conselheiro ou qualquer outro julgador sobre o teor de seu resultado, podendo, inclusive, ser o pedido da recorrente indeferido na integralidade. É como voto! (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 51360DF CARF MF Processo nº 16682.720017/201407 Resolução nº 1401000.488 S1C4T1 Fl. 51.361 19 Fl. 51361DF CARF MF
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Numero do processo: 15889.000583/2007-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Nov 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DO CONTRIBUINTE. PLEITO DE AVALIAÇÃO DE RECURSO DE OFICIO. FALTA DE INTERESSE. INADIMISSIBILIDADE. SUMULA CARF Nº 103.
Não tem o contribuinte interesse processual em ver analisado recurso de oficio contrario a sua tese de defesa. E sendo o valor do credito exonerado, na data de julgamento dos embargos, inferior ao de alçada os mesmos não devem ser admitidos. Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-006.025
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para o fim de não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filhos - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Fernanda Melo Leal, João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Maurício Nogueira Righetti.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DO CONTRIBUINTE. PLEITO DE AVALIAÇÃO DE RECURSO DE OFICIO. FALTA DE INTERESSE. INADIMISSIBILIDADE. SUMULA CARF Nº 103. Não tem o contribuinte interesse processual em ver analisado recurso de oficio contrario a sua tese de defesa. E sendo o valor do credito exonerado, na data de julgamento dos embargos, inferior ao de alçada os mesmos não devem ser admitidos. Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para o fim de não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filhos - Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Fernanda Melo Leal, João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Maurício Nogueira Righetti.
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PLEITO DE AVALIAÇÃO DE RECURSO DE OFICIO. FALTA DE INTERESSE. INADIMISSIBILIDADE. SUMULA CARF Nº 103. Não tem o contribuinte interesse processual em ver analisado recurso de oficio contrario a sua tese de defesa. E sendo o valor do credito exonerado, na data de julgamento dos embargos, inferior ao de alçada os mesmos não devem ser admitidos. Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 05 83 /2 00 7- 82 Fl. 1225DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para o fim de não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filhos Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Fernanda Melo Leal, João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Maurício Nogueira Righetti. Fl. 1226DF CARF MF Processo nº 15889.000583/200782 Acórdão n.º 2402006.025 S2C4T2 Fl. 1.226 3 Relatório Cuidamse de Embargos de Declaração de fls. 1200 usque 1206, voltado contra Acórdão emanado da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara deste e. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso (fls. 1138/1161). O Acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005 Ementa: CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. INEXISTÊNCIA. Após a lavratura do auto de infração, instaurase a fase litigiosa, entre o fisco e o contribuinte, sendo, portanto, a partir deste momento, possível a aplicação dos preceitos constitucionais e legais relativos h. ampla defesa e ao contraditório. Antes de cientificado o contribuinte a respeito da lavratura do auto de infração, portanto, não há que se falar em cerceamento de defesa, especialmente porque teve o contribuinte acesso a todos os documentos acostados aos autos, suficientes4, pois, para sua defesa administrativa. PRAZO DE DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO O lançamento tributário efetuado nos casos em que haja comprovação de dolo, fraude, ou simulação tem o dies a quo deslocado para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, consoante determinado pela combinação dos arts. 150, §4°, e 173, I, do CTN. SUJEITO PASSIVO. IDENTIFICAÇÃO. A comprovação do uso de conta bancária em nome de terceiros para movimentação de valores tributáveis enseja o lançamento sobre o titular de fato, verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária. COMPROVAÇÃO MATERIAL. CARACTERIZAÇÃO. A comprovação material é passível de ser produzida não apenas a partir de uma prova única, concludente por si só, mas também como resultado de um conjunto de indícios que, se isoladamente nada atestam, agrupados tem o condão de estabelecer a certeza manifesta de uma dada situação de fato. Nesses casos, a comprovação é deduzida como conseqüência lógica destes vários elementos de prova, não se confundindo com as hipóteses de presunção. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 10 de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo, inclusive quando efetuados ern conta bancária mantida em nome de interposta pessoa. ASPECTO TEMPORAL DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA CONSUMADO EM 31/12 DO ANOCALENDÁRIO. INTERPRETAÇÃO EQUIVOCADA DO ART. 42, §4°, DA LEI 9.430/96. Sendo certo que o aspecto temporal do IRPF é anual, afigurase equivocada a interpretação conferida pelo Recorrente ao art. 42, §4°, da Lei n.° 9.430/96. o Fl. 1227DF CARF MF 4 disposto pelo artigo citado, ao contrário, apenas corrobora o sistema de apuração do IRPF existente desde a edição da Lei n.° 7.713/88, de bases correntes, impondo o dever de anteciparse o recolhimento do imposto em conformidade com a percepção dos rendimentos ao longo do anocalendário. Nesse sentido, é preciso lembrar que os rendimentos sujeitos à tabela progressiva obrigatoriamente são colacionados no ajuste anual, quando, então, apurase o imposto devido, a partir do confronto entre os fatosacréscimos e os fatosdecréscimos. 0 fato, portanto, de a legislação determinar a sujeição dos depósitos à tabela progressiva, portanto, poderia no máximo ensejar uma eventual autuação do contribuinte para cobrança de multa isolada, nas hipóteses em que inexistissem tributos devidos ao final do ano calendário. INTERPOSIÇÃO FICTÍCIA DE PESSOAS. PROCURAÇÃO CONFERIDA COM AMPLOS PODERES PARA OS SUPOSTOS MANDATÁRIOS. FALECIMENTO DE DOIS PROCURADORES NO CURSO DOS ANOSCALENDÁRIOS OBJETO DA FISCALIZAÇÃO. Havendo sido comprovado que as contascorrentes detidas junto à instituição financeira no exterior nia nome de interposta pessoa eram de titularidade efetiva de seus supostos Procuradores, fazse mister a divisão dos recursos percebidos nas contas bancárias entre todos os beneficiários. Após a morte de alguns dos "procuradores", no entanto, não existindo provas a respeito da vinculação do espólio ou dos herdeiros com as contas em referência, não é possível atribuir os rendimentos lá depositados a estes. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Comprovandose o dolo, a fraude ou a simulação, impõese ao infrator a aplicação da multa qualificada no montante de 150% prevista na legislação de regência. Recurso negado.~ Pretende o Recorrente, via aclaratórios, ver complementada a decisão embargada, eis que não teria, em seu conteúdo, abordado, em resumo, os seguintes pontos: · Não teria sido analisado o recurso de ofício interposto pela 6ª Turma de Julgamento da DRJ/SPOII, relativo à exoneração de crédito tributário superior a seu limite de alçada; · Que haveria divergência entre a exposição e a conclusão do voto condutor no que se refere a remessa ao exterior, negada pelo recorrente tanto em sua Impugnação como em seu apelo. Bem como que não constaria no acórdão vergastado qualquer referências às objeções opostas no recurso voluntário. No mais, reprisa os argumentos lançados em sua peça recursal e, por tais motivos, quer seja conhecido este recurso que, a seu ver, sanaria os vícios apontados, atribuindolhes efeitos infringentes, modificariam o resultado do julgado. É o relatório Fl. 1228DF CARF MF Processo nº 15889.000583/200782 Acórdão n.º 2402006.025 S2C4T2 Fl. 1.227 5 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza 1. Admissibilidade O recurso preenche os requisitos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade recursal, merecendo, portanto, ser conhecido. 2. Dos Embargos 2.1. Da dispensa de Analise do Recurso de Oficio Os Embargos foram interpostos pelo contribuinte (fls.1200/1208) que estranhamente deseja ver avaliado recursos de oficio interposto pelo presidente da 6ª Turma de Julgamento da DRJ/SPOII, tendo em vista a exoneração de credito com valor inferior a 2 milhões de reais, conforme demonstrativo de folhas 1132. Atualmente, nos termos da Portaria MF nº 63 de 09 de fevereiro de 2017, o limite de alçada para conhecimento de recurso de oficio passou a ser de dois milhões e meio de reais, portanto, no presente caso, fica dispensado o conhecimento do referido recurso nos termos da Súmula Carf nº 103: "Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância." Outrossim, o recurso de oficio vai contra os interesses do embargante, o que evidencia clara ausência de interesse de agir neste ponto. Assim, dada as questões apontadas os embargos não merecem conhecimento neste ponto. 2.2. Divergências entre a exposição e a conclusão do voto condutor Alega o embargante que haveria divergência entre a exposição e a conclusão do voto condutor no que se refere a remessa ao exterior, negada pelo recorrente tanto em sua Impugnação como em seu apelo. Bem como que não constaria no acórdão vergastado qualquer referências às objeções opostas no recurso voluntário. Quanto tais alegações, os embargos não podem ser acolhidos, visto que, conforme apontado no próprio despacho de admissibilidade, "a decisão abordou todos os pontos trazidos no Recurso Voluntário, rebatendo as teses do contribuinte e explicitando os motivos para a manutenção da autuação." Em pese o julgador não estar obrigado a se manifestar sobre todos os pontos do recurso, no presente caso isto não ocorreu, pois, ainda que de maneira suscinta, o voto condutor abordou todas as questões recursais. Também, em nosso sentir, não se vislumbra qualquer divergência entre o voto condutor e a conclusão. Fl. 1229DF CARF MF 6 Conclusão Ante ao exposto voto no sentido de acolher os embargos para o fim de não conhecer do recurso de ofício.. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 1230DF CARF MF
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