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Numero do processo: 13819.906238/2012-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38.
É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999.
COMPENSAÇÃO.
Ultrapassa-se o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda, em razão do decidido em solução de consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação.
Numero da decisão: 1301-003.309
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso do contribuinte para ultrapassar o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda, em razão do decidido em solução de consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual, oportunizando, ainda, ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos ou esclarecimentos que entender necessários.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999. COMPENSAÇÃO. Ultrapassase o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda, em razão do decidido em solução de consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso do contribuinte para ultrapassar o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda, em razão do decidido em solução de consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual, oportunizando, ainda, ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos ou esclarecimentos que entender necessários. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 62 38 /2 01 2- 10 Fl. 194DF CARF MF Processo nº 13819.906238/201210 Acórdão n.º 1301003.309 S1C3T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão proferido pela 4ª Turma da DRJ/REC, que, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade apresentada, entendeu, por unanimidade de votos, considerá la improcedente, não reconhecendo o direito creditório e não homologando a compensação declarada. Tratase de Dcomp que visou a compensar crédito decorrente de pagamento indevido/maior de IRPJ, no período especificado. Referida compensação não foi homologada, via Despacho Decisório eletrônico, à razão de que, dadas as características do Darf discriminado naquela Dcomp, localizouse pagamento integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para compensação do débito nela declarado. Na manifestação de inconformidade, é aduzido, em síntese, que constituiu e pagou PIS e COFINS que não eram devidos, com amparo em legislação que reduziu a zero as alíquotas do PIS e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da execução de industrialização por encomenda de produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal; quando percebeu o erro, já havia pago as contribuições, surgindose crédito de pagamento indevido/a maior; e, que aproveitou o crédito em Dcomp, porém olvidou a retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Naquela oportunidade, a r.turma julgadora entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade apresentada, ratificando a decisão recorrida, vez que o contribuinte não trouxe aos autos argumentos para defender a existência do crédito pleiteado. Ciente do acórdão recorrido, e com ele inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, acompanhado de documentos, pugnando pelo provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o relatório. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 13819.906238/201210 Acórdão n.º 1301003.309 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.306, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13819.906236/2012 21, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.306): "O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais de admissibilidade, portanto, dele conheço. Da Juntada de Novos Documentos em sede de Recurso Voluntário Preliminarmente, deve ser submetida à deliberação deste colegiado a possibilidade de juntada de novos documentos, e que eles sejam admitidos como provas no processo. Esses documentos foram juntados quando da apresentação do recurso voluntário. Em relação a esse ponto, é importante destacar a disposição contida no §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que trata da apresentação da prova documental na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Em que pese existir entendimento pela não admissão destes documentos com fulcro no dispositivo citado, penso que não se deve cercear o direito de defesa do contribuinte, impedindoo de apresentar provas em sua defesa, sob pena de ferir o princípio da verdade material, princípio da formalidade moderada, entre outros, e por isso, deve estes princípios prevalecerem sobre a aplicação do dispositivo contido no 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, pois podem revestirse de elementos suficientes para a confirmação, pelo menos em parte, do direito creditório pleiteado. Semelhante raciocínio chegou o CSRF, no julgamento do Acórdão nº 9101002.781, que ocorreu na sessão de 06 de abril de 2017, onde foi reconhecida a possibilidade de juntada de documentos posterior à apresentação de impugnação administrativa, em observância a estes princípios e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999: Fl. 196DF CARF MF Processo nº 13819.906238/201210 Acórdão n.º 1301003.309 S1C3T1 Fl. 5 4 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/199 (G.N) Por entender pertinente, colaciono trechos extraídos do voto vencedor deste mesmo acórdão, exarado pela I. Conselheira Cristiane Silva Costa, cujos argumentos evidenciam o atual posicionamento da CSRF sobre a matéria: Com a devida vênia ao Ilustre Relator, divirjo da interpretação conferida ao artigo 16, do Decreto nº 70.235/1972. Como mencionado pelo Ilustre Relator, prescreve o artigo 16, do Decreto nº 70.235/1972: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) A interpretação isolada do artigo 16 e seu §4º poderia implicar na interpretação bastante rigorosa da impossibilidade de juntada de documentos depois da apresentação de impugnação administrativa, ressalvadas as hipóteses dos incisos do §4º, acima colacionado (impossibilidade de apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos). No entanto, não me parece seja o caso de adotar interpretação tão rigorosa. A Lei nº 9.784/1999 trata dos processos administrativos no âmbito da Administração Pública Federal, explicitando a necessidade de observância aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade proporcionalidade, ampla defesa e contraditório: Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade,proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: A mesma Lei acrescenta que os processos administrativos devem atender aos critérios dos quais se destacam: Fl. 197DF CARF MF Processo nº 13819.906238/201210 Acórdão n.º 1301003.309 S1C3T1 Fl. 6 5 Art. 2º: (...) Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; (...) VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio. Os processos administrativos, portanto, devem atender a formalidade moderada, com a adequação entre meios e fins, assegurandose aos contribuintes a produção de provas e, principalmente, resguardandose o cumprimento à estrita legalidade, para que só sejam mantidos lançamentos tributários que efetivamente atendam à exigência legal. Especificamente sobre a possibilidade de juntada de provas, o artigo 38, da Lei nº 9.784/1999 prescreve que: Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Ao tratar do artigo 16, §4º, do Decreto nº 70.235/1972, são as pertinentes considerações de Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López: Ao se levar às últimas consequências, as regras atualmente vigentes para o Decreto nº 70.235/72, estarseia mitigando a aplicação de um dos princípios mais caros ao processo administrativo que é o da verdade material. (...) Assim, revela destacar que a depender da situação é possível flexibilizar a norma, desde que evidentemente, a prova apresentada seja inconteste e nesse sentido Fl. 198DF CARF MF Processo nº 13819.906238/201210 Acórdão n.º 1301003.309 S1C3T1 Fl. 7 6 independa da análise de uma instância inferior, eis que a preclusão ligase ao princípio do impulso processual. (...) Na prática, quer nos parecer que, o direito à parte à produção de provas comporta graduação a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade desejável e a segurança indispensável na realização da justiça. (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3ª edição, Dialética, 2010, fls. 305 e 306.) Diante de tais razões, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte, determinando a baixa dos autos para que a Turma a quo aprecie os documentos apresentados pelo contribuinte. Assim, embora o artigo 16, §4ª, do Decreto nº 70.235/72, estabeleça regra atribuindo o efeito de preclusão a respeito de prova documental, enfatizando que a prova documental seja apresentada juntamente com a impugnação do contribuinte, isso não impede, segundo meu juízo, com base em outros princípios contemplados no processo administrativo fiscal, em especial princípio da verdade material e formalidade moderada, além da própria disposição contida no artigo 38, da Lei nº 9.784/1999, que o julgador conheça e analise novos documentos apresentados após a defesa inaugural, sobretudo quando se prestam a corroborar com tese aventada em sede de primeira instância e contemplada pelo Acórdão recorrido. Dessa forma, os documentos apresentados pelo recorrente em sede de recurso devem ser admitidos e apreciados. Da Análise do Recurso Voluntário Inferese dos autos que a discussão se reporta a direito creditório proveniente de suposto recolhimento indevido ou a maior de IRPJ, efetuado no anocalendário de 2010, via DARF, apresentado através de Dcomp. Em suas razões de recurso, discorre o contribuinte que não se trata de crédito oriundo de pagamento indevido de PIS e COFINS e sim de recolhimento indevido ou a maior de IRPJ, tal como declarado em sua Dcomp. Pontua que promoveu o pagamento do PIS e da COFINS pelo regime cumulativo, antes de realizar a opção pelo lucro real quando do pagamento do imposto de renda e da contribuição social, situação essa que lhe causou dúvida sobre o acerto de sua opção. Em face disso, apresentou Consulta Administrativa ao órgão competente, solucionada, nos termos a seguir transcritos: a) a entrega espontânea da DCTF onde informa que o regime de apuração é pelo lucro presumido, combinado com as informações referentes às contribuições ao Fl. 199DF CARF MF Processo nº 13819.906238/201210 Acórdão n.º 1301003.309 S1C3T1 Fl. 8 7 Pis/Pasep e a Cofins bem como seus respectivos pagamentos pelo regime cumulativo, também informados na Dacon, constituem opção pelo lucro presumido sendo tal opção definitiva para todo o ano calendário. b) Eventuais diferenças dos tributos e contribuições recolhidos no regime de lucro real, caso sejam estes (IRPJ, CSLL, Pis/Pasep e Cofins) inferiores aos valores apurados pelo lucro presumido, poderão ser recolhidas até o trigésimo dia seguinte ao da ciência da Solução de Consulta, sem aplicação de multa e de juros de mora, de acordo com art. 14 da Instrução Normativa RFB nº 740, de 02 de maio de 2007. Ou seja, entendeu a RFB, através de Solução de Consulta (documento se encontra nos autos e apresentado juntamente com o recurso voluntário) que o contribuinte fez a opção pelo lucro presumido, quando da entrega da DCTF e quando realizou os pagamentos das contribuições ao PIS e a COFINS pelo regime cumulativo, sendo esta opção definitiva para todo o anocalendário, dizendo ainda que eventuais diferenças deveriam ser recolhidas até o trigésimo dia seguinte ao da ciência da referida Solução de Consulta, sem aplicação de multa e de juros de mora, nos termos da legislação vigente. Porém, de acordo com o contribuinte, não havia pagamento a menor e sim, pagamento a maior por ter efetuado o recolhimento erroneamente na forma de tributação pelo lucro real quando deveria ter sido apurado na forma presumida, o que lhe daria o direito de pleitear a compensação desse montante. Apresentada a Dcomp, a mesma foi indeferida, sob a alegação de que o recolhimento encontravase inteiramente alocado, não havendo saldo para compensação. O motivo para que o cotejo de dados não tenha resultado em favor do contribuinte, pelo que se vê, é que não houve a retificação dos valores informados como devidos ao fisco na declaração do imposto de renda do período. Como se sabe, descabe a retificação da declaração de rendimentos apresentada para tributação com base do lucro real, para substituíla por declaração optando pelo lucro presumido. Nada podendo apresentar a declaração retificadora porque o sistema eletrônico da Secretaria da Receita Federal não permite, devese, ao meu ver, ultrapassar esse obstáculo, permitindo ao contribuinte provar a existência do alegado direito creditório, através de documentos hábeis e idôneos, para análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Ante o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso do contribuinte, para ultrapassar o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda em razão do que decidido na Solução de Consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação, retomandose, a partir daí, o rito Fl. 200DF CARF MF Processo nº 13819.906238/201210 Acórdão n.º 1301003.309 S1C3T1 Fl. 9 8 processual habitual, oportunizando, ainda, ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos ou esclarecimentos que entender necessários." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar parcial provimento ao recurso do contribuinte para ultrapassar o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda, em razão do decidido em solução de consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual, oportunizando, ainda, ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos ou esclarecimentos que entender necessários, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 201DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.720260/2012-34
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Data do fato gerador: 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 31/05/2007, 30/06/2007
MULTA QUALIFICADA NO PERCENTUAL DE 150%. DOLO.
Justifica-se a aplicação da multa no percentual de 150% quando restar demonstrado que o contribuinte agiu de forma dolosa, em conduta reiterada e uniforme, estando presentes os elementos cognitivo e volitivo, visando se esquivar do pagamento de tributos.
Numero da decisão: 9101-003.850
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Gerson Macedo Guerra e Demétrius Nichele Macei.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Data do fato gerador: 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 31/05/2007, 30/06/2007 MULTA QUALIFICADA NO PERCENTUAL DE 150%. DOLO. Justifica-se a aplicação da multa no percentual de 150% quando restar demonstrado que o contribuinte agiu de forma dolosa, em conduta reiterada e uniforme, estando presentes os elementos cognitivo e volitivo, visando se esquivar do pagamento de tributos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Gerson Macedo Guerra e Demétrius Nichele Macei. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo.
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DOLO. Justificase a aplicação da multa no percentual de 150% quando restar demonstrado que o contribuinte agiu de forma dolosa, em conduta reiterada e uniforme, estando presentes os elementos cognitivo e volitivo, visando se esquivar do pagamento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Gerson Macedo Guerra e Demétrius Nichele Macei. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 02 60 /2 01 2- 34 Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10120.720260/201234 Acórdão n.º 9101003.850 CSRFT1 Fl. 286 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo. Relatório Tratase de recurso especial (efls. 224/227) interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ("PGFN") em face do Acórdão nº 1801001.702 (efls. 206/216), da sessão de 9 de outubro de 2013, proferido pela 1ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, que deu provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a qualificação da multa de ofício. A autuação fiscal, de IRPJSimples e reflexos (efls. 04/70) tipificou duas infrações, (1) diferença de base de cálculo, apurado por meio da análise do Livro Registro de Apuração do ICMS, Livro Registro de Prestação de Serviços e Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica SIMPLES, com multa qualificada de 150%; e (2) insuficiência no recolhimento em razão de percentual incorreto do coeficiente sobre a receita bruta, com multa proporcional de 75%. A decisão de primeira instância (efls. 162/166) julgou a impugnação (e fls. 154/155) improcedente. Foi interposto recurso voluntário (efl. 181) pela Contribuinte, cujo provimento foi parcial nos termos da ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício:2008 SIMPLES. BASE DE CÁLCULO. O Simples, como um sistema integrado de pagamento de tributos, é determinado pela aplicação do percentual correspondente ao valor acumulado mensalmente da receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. JUROS DE MORA. Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais. MULTA QUALIFICADA. IMPROCEDÊNCIA. A multa de ofício de 150% só pode ser aplicada quando presentes as circunstâncias que autorizam a qualificação da penalidade. No caso concreto, uma vez que não foram demonstrados os elementos ou quaisquer outras circunstâncias que pudessem evidenciar o intuito doloso, a multa aplicada deve ser reduzida ao patamar de 75%. Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10120.720260/201234 Acórdão n.º 9101003.850 CSRFT1 Fl. 287 3 LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de CSLL, de Cofins e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. A PGFN interpôs recurso especial para tratar da matéria sobre a qualificação da multa de ofício (150%). Apresentou dois paradigmas, nº 1101001.066 e 1402001.416 para demonstrar a divergência. Discorre que restou caracterizada a contumácia do intuito de prestar informação falsa ao Fisco. Requer pela reforma do acórdão recorrido e pelo provimento do recurso especial. Despacho de exame de admissibilidade (efls. 262/265) deu seguimento ao recurso especial, por entender que a divergência restou demonstrada para o paradigma nº 1101 001.066. Sobre o paradigma nº 1402001.416, decidiu que não estaria caracterizada a divergência. Consta nos autos intimação via postal com "AR" devolvido. Na sequência, houve intimação por meio de Edital (efls. 271/272). Não foram apresentadas contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Sobre a admissibilidade, adoto as razões do despacho de exame de admissibilidade de efls. 262/265, para conhecer do recurso especial da PGFN. Passo ao exame do mérito. A qualificação da multa de ofício deuse na infração denominada " diferença de base de cálculo", assim descrita pela autoridade fiscal: O Contribuinte fez a opção de apuração dos Tributos Federais pelo Sistema Simplificado, denominado SIMPLES, informando a Receita Bruta de cada mês, conforme DJSI (fls. 60/71). Assim, a Fiscalização fez o levantamento da Base de Cálculo para apuração do SIMPLES, de acordo com a Receita Bruta registrada nos Livros Fiscais Registro de Prestação de Serviços e de Apuração do ICMS (fls. 18/59), corroborada pelas informações prestadas pelo próprio Contribuinte ao Fisco Estadual, através das Declarações Periódicas de Informações DPIs (fls. 72/77). Vale ressaltar que a obtenção destas informações se deu em função do Convênio de Cooperação Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10120.720260/201234 Acórdão n.º 9101003.850 CSRFT1 Fl. 288 4 Técnica assinada entre a RFB e o Fisco Estadual, em novembro de 1998, nos termos do art. 199 da Lei nº 5.172/66 (CTN). A Fiscalização verificou também que o Contribuinte entregou a PJSI (fls. 60/71) do período em referência, com valores de Receita Brutal muito abaixo dos valores efetivamente registrados em seus Livros Fiscais. Fazendo um comparativo entre a Receita Bruta informada à Receita Federal e a escriturada nos Livros Fiscais e informada à Secretaria da Fazenda do Estado de Goiás SEFAZ, notase que, para o Fiscal Federal, o Contribuinte declarou apenas 2,6% (dois vírgula seis por cento) do valor efetivamente auferido, conforme planilha de apuração da Receita Bruta (fls. 78). A tabela elaborada pela autoridade fiscal ilustra com clareza a discrepância entre o valor declarado ao Fisco Estadual e ao Fisco Federal: Ora, resta clara a presença do dolo na conduta da Contribuinte. No caso concreto, o plus na conduta é evidente, ultrapassando o tipo objetivo da norma tributária. Verificase a presença dos elementos cognitivo e volitivo, consumandose o intuito doloso, cuja definição é apresentada com clareza por CEZAR ROBERTO BITENCOURT1: O dolo, elemento essencial da ação final, compõe o tipo subjetivo. Pela sua definição, constatase que o dolo é constituído por dois elementos: um cognitivo, que é o conhecimento do fato constitutivo da ação típica; e um volitivo, que é a vontade de realizála. O primeiro elemento, o conhecimento, é pressuposto do segundo, a vontade, que não pode existir sem aquele. Sobre o elemento cognitivo, BITENCOURT 2 discorre com didática: Para a configuração do dolo exigese a consciência daquilo que esse pretende praticar. Essa consciência deve ser atual, isto é, deve estar presente no momento da ação, quando ela está sendo realizada Sobre o elemento volitivo, são claros os ensinamentos 3: 1 BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de direito penal : parte geral, volume 1, 11ª ed. São Paulo : Saraiva, 2007, p. 267. 2 BITENCOURT, 2007, p. 269. 3 BITENCOURT, 2007, p. 269. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10120.720260/201234 Acórdão n.º 9101003.850 CSRFT1 Fl. 289 5 A vontade, incondicionada, deve abranger a ação ou omissão (conduta), o resultado e o nexo causal. A vontade pressupõe a previsão, isto é, a representação, na medida em que é impossível querer algo conscientemente senão aquilo que se previu ou representou na nossa mente, pelo menos, parcialmente. A presença dos elementos cognitivo e volitivo resta evidente, tendo em vista que a Contribuinte tinha conhecimento pleno dos valores apurados, tanto que fez a declaração ao Fisco Estadual com os valores corretos, enquanto que, para o Fisco Federal, de maneira consciente, buscou se esquivar das obrigações tributárias, com declaração informando a apuração de receita bruta em valores expressivamente inferiores (2,6% do montante registrado nos livros fiscais para o Fisco Estadual). E a conduta não foi restrita a um fato gerador, pelo contrário: os fatos geradores lançados pela autoridade fiscal dizem respeito aos períodos de 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 31/05/2007, 30/06/2007. Não foi um acidente, ou um acaso. Tratouse de conduta deliberada e consciente. Nesse contexto, mostram precisas as conclusões da autoridade autuante: Estes procedimentos demonstram a consciência da conduta da Contribuinte, visando eximirse do pagamento de parte dos tributos e contribuições, neste caso o SIMPLES, pela omissão de declaração de grande parte da Receita Bruta da empresa, o qual serviria de base para apuração deste Tributo. Por este motivo,a Multa de Ofício foi qualificada para 150% e elaborada a Representação Fiscal para Fins Penais. Cabe, portanto, ser restabelecida a qualificação da multa. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao recurso especial da PGFN. (assinatura digital) André Mendes de Moura Fl. 289DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.954285/2008-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/09/2000
PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. NÃO OFENSA. RETIFICAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA.
Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior.
Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantém-se a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a consequente não homologação das compensações pleiteadas.
PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS.
Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-004.085
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário e não reconhecer o direito creditório.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/09/2000 PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. NÃO OFENSA. RETIFICAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantém-se a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a consequente não homologação das compensações pleiteadas. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário e não reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1680; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.954285/200851 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201004.085 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente ICE CARTÕES ESPECIAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/09/2000 PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. NÃO OFENSA. RETIFICAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a consequente não homologação das compensações pleiteadas. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário e não reconhecer o direito creditório. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 42 85 /2 00 8- 51 Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10880.954285/200851 Acórdão n.º 3201004.085 S3C2T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologar a compensação de créditos da contribuição (Cofins/PIS), decisão essa lastreada na ausência de direito creditório disponível, uma vez que os pagamentos declarados já haviam sido integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado que os créditos compensados eram decorrentes de Levantamento Fiscal lastreado em Demonstrativos de Apuração elaborados por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, em que se apuraram débitos referentes a cálculos e recolhimentos a menor da contribuição, bem como créditos relativos a recolhimentos a maior, que resultaram na compensação declarada. Informou, ainda, que a DCTF havia sido retificada para constar a apuração correta do débito, conforme planilha de apuração fiscal e demonstrativo contendo a descrição da base de cálculo apurada e o valor do imposto devido. A Delegacia de Julgamento, por meio do acórdão nº 16033.413, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento de que a apresentação de DCTF retificadora após o despacho decisório não era hábil a alterar a decisão proferida e que qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF devia vir acompanhada de documentação hábil e suficiente que o comprovasse. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte requereu a reforma da decisão de primeira instância ou, alternativamente, a conversão do julgamento em diligência, repisando os mesmos argumentos de defesa e alegando que procedera à retificação da DCTF de forma a fazer constar o valor do crédito pendente de reconhecimento e que, mesmo tendo sido apresentada após a ciência do despacho decisório, a declaração retificadora cumprira com os requisitos para a homologação da compensação, devendo prevalecer a verdade real. Sustentou, ainda, com fundamento no art. 147, § 2º, do CTN, que a falta da DCTF retificadora não era suficiente para negar ou impedir a homologação, uma vez que a DCTF original deveria ter sido retificada pela própria Receita Federal. É o relatório. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10880.954285/200851 Acórdão n.º 3201004.085 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201004.079, de 25/07/2018, proferido no julgamento do processo 10880.954277/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.079): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise de cada um dos pontos do Recurso Voluntário. Preliminarmente registro que a recorrente teve garantido o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa nas duas instâncias administrativas. A retificação da DCTF depois de prolatado o despacho decisório não impede o deferimento do pedido de compensação, quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original (§ 1º do art. 147 do CTN). Citese jurisprudência do CARF sobre este ponto: Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Câmara Superior de Recursos Fiscais. 3ª Turma Acórdão nº 9303006.266 do Processo 13896.902360/200818 Data: 25/01/2018 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. PROVAS DO ERRO COMETIDO. A retificação da DCTF depois de prolatado o despacho decisório não impede o deferimento do pedido, quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original (§ 1º do art. 147 do CTN). O entendimento deste órgão para admitir a comprovação do direito creditório em momento posterior ao despacho decisório está fundamentado no §1º do art. 147 do CTN. Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiros, quando um ou outro, na forma da Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10880.954285/200851 Acórdão n.º 3201004.085 S3C2T1 Fl. 5 4 legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. De acordo com tal dispositivo legal, cabe a recorrente comprovar o erro. Tal comprovação pode ser feita de diversas formas, inclusive por meio de planilhas, documentos contábeis, cópias de documentos, cupons, recibos e tantos outros. O fato é que o princípio da verdade material, alegado pela recorrente, exige provas que a ela competia trazer aos autos. Ainda que fosse na segunda instância, se juntasse as provas no recurso voluntário, certamente contaria com a possibilidade de seu acolhimento nesta segunda instância de julgamento. Ocorre que a recorrente não reúne provas na forma de documentação complementar, insistindo erroneamente em argumentar que o Demonstrativo de Apuração, elaborado pela Receita Federal seria suficiente. Sobre tal argumento, a DRJ se pronunciou alegando que o Demonstrativo de Apuração informa a inexistência de saldo. (efls. 122123) É improcedente a afirmação do contribuinte, pois o crédito compensado neste PER/DCOMP, no montante originário de R$3.135,41, relativo ao suposto pagamento, indevido ou a maior de contribuição do PIS/PASEP (Código de Receita 8109), recolhida em 15/10/1999, não decorre do Levantamento Fiscal noticiado, eis que o DEMONSTRATIVO DE SITUAÇÃO FISCAL APURADA juntado à Manifestação de Inconformidade (fls. 68/75) informa a INEXISTÊNCIA DE SALDO APURADO, fato confirmado na análise dos valores declarados pelo próprio Interessado na DCTF entregue à Receita Federal do Brasil, conforme telas de consulta que juntamos a estes autos (fls. 114/117) De fato, mesmo com boa vontade, o Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada, as efls. 68 75 dos autos, não deixa claro a existência de saldo creditório. Ao contrário, tratase de documento com anotações manuscritas, que necessitam de documentação complementar para tornar o crédito líquido e certo. Mesmo se o Demonstrativo fosse claro, ainda assim, não seria suficiente para garantir o direito. Faltaria a comprovação de erro por parte da recorrente no preenchimento da DCTF. No caso em exame, a recorrente não trouxe aos autos, nas duas oportunidades em que neles compareceu, quando da manifestação de inconformidade e agora em fase de recurso voluntário, qualquer prova documental para demonstrar o erro que alega que cometera no preenchimento da DCTF. Em grau de recurso não cabe fazer um pedido genérico para futura juntada de documentos ou diligência, sem alinhavar a hipótese legal em que se funda tal solicitação. Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10880.954285/200851 Acórdão n.º 3201004.085 S3C2T1 Fl. 6 5 Finalmente, observo que à autoridade julgadora administrativa é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa a princípios constitucionais. Nesse sentido, citase a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Conclusão Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 253DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12571.000031/2010-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.744
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000200/2010-57, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000200/2010-57, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000200/201057, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP de créditos de PIS/Pasep mercado interno e exportação, apurados no regime de incidência nãocumulativa, com base no art. 3º, §1º da Lei nº 10.637/2002. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 25 71 .0 00 03 1/ 20 10 -5 5 Fl. 173DF CARF MF Processo nº 12571.000031/201055 Resolução nº 3301000.744 S3C3T1 Fl. 173 2 Cabe ressaltar a existência dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, que tratam dos Autos de Infração de PIS/Pasep e Cofins, respectivamente, lançados em decorrência da análise do direito creditório promovida nos créditos das referidas contribuições dos anos de 2003 a 2007. Além da glosa dos créditos, foi verificado que, em diversos períodos de apuração, ocorreu a não tributação de algumas receitas pelo Contribuinte, motivo pelo qual lhe restou saldo devedor da contribuição a pagar, sendo, então, lavrados os dois Autos de Infração citados. No âmbito dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, proferiuse as Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, respectivamente. Nestas resoluções decidiuse por converter os julgamentos em diligências para fins de juntada de processos vinculados, processos esses, inclusive o presente, em que se estão sendo analisados os créditos de PIS/Pasep e Cofins (PER/DCOMPs) e que deram ensejo aos autos de infração constantes dos processos referidos. No cumprimento da Resolução nº 3301000.520 assim constou do Despacho de Encaminhamento: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Devolvamse os presentes autos ao Conselheiro Valcir Gassen, para prosseguimento, informando que os processos 12571.000024/2010 53, 12571.000025/201006, 12571.000026/201042, 12571.000027/201097, 12571.000028/201031, 12571.000029/201086, 12571.000030/201019, 12571.000031/201055, 12571.000032/201008, 12571.000033/201044, 12571.000034/201099, 12571.000035/201033, 12571.000036/201088, 12571.000037/201022, 12571.000038/201077, 12571.000039/201011, 12571.000040/201046, 12571.000041/201091, 13931.000368/200874, 13931.000948/200861, 13931.000949/200814, 13931.000950/200831, 13931.000951/200885, 13931.000952/200820, 13931.000953/200874, 13931.000954/200819, 13931.000955/200863, 13931.000956/200816 e 13931.000957/200852, que tratam da análise de créditos de PIS (PER/DECOMPs) e que deram ensejo ao auto de que trata este processo foram distribuídos ao referido Conselheiro, em cumprimento à determinação constante da Resolução 3301000.520, de 28/9/2017. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator Quando da análise dos autos para julgamento dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, distribuídos a este relator, constatouse que os dois processos referemse a autos de infração, o primeiro no que tange a contribuição ao PIS e o segundo diz respeito a Cofins, e que existiam outros processos vinculados a estes e que Fl. 174DF CARF MF Processo nº 12571.000031/201055 Resolução nº 3301000.744 S3C3T1 Fl. 174 3 tratam de pedidos de restituição e de compensação (PER/DCOMP) de PIS e Cofins mercado interno e exportação apurados no regime de incidência nãocumulativa. Em pesquisa realizada no eprocesso verificouse que esses processos vinculados aos autos de infração encontravamse distribuídos em fases distintas. Por intermédio das Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, proferidas nos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, os processos vinculados foram reunidos e distribuídos a este Conselheiro prevento. Assim, entendo que foram atendidas as Resoluções nº 3301000.520 e 3301 000.521. Verificando os processos de PER/Dcomps, constatase que o Auto de Infração alcança todos os períodos de apuração dos PER/Dcomps vinculados, sendo que a solução do litígio no processo do lançamento alcança os processos de ressarcimento/compensação vinculados. Assim, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que o presente processo seja encaminhado à repartição de origem, onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão definitiva no processo nº 12571.000200/201057, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, neste processo. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 175DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13807.002375/00-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 1998
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. VEROSSIMILHANÇA DOS FATOS ACERCA DA TEMPESTIVIDADE. AFASTAMENTO DA MULTA.
A entrega da declaração de ajuste anual é obrigação acessória a ser cumprida pelo contribuinte e sua apresentação intempestiva enseja aplicação de multa. Contudo, a penalidade deve ser afastada quando forem apresentados elementos que convirjam para a constatação de que a declaração foi entregue de forma tempestiva, sobretudo na época em que as declarações eram entregues nas agências bancárias e estas eram responsáveis pela remessa à Receita Federal.
Numero da decisão: 2201-004.712
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 1998 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. VEROSSIMILHANÇA DOS FATOS ACERCA DA TEMPESTIVIDADE. AFASTAMENTO DA MULTA. A entrega da declaração de ajuste anual é obrigação acessória a ser cumprida pelo contribuinte e sua apresentação intempestiva enseja aplicação de multa. Contudo, a penalidade deve ser afastada quando forem apresentados elementos que convirjam para a constatação de que a declaração foi entregue de forma tempestiva, sobretudo na época em que as declarações eram entregues nas agências bancárias e estas eram responsáveis pela remessa à Receita Federal.
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OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente WILSON ASSIS DIAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 1998 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. VEROSSIMILHANÇA DOS FATOS ACERCA DA TEMPESTIVIDADE. AFASTAMENTO DA MULTA. A entrega da declaração de ajuste anual é obrigação acessória a ser cumprida pelo contribuinte e sua apresentação intempestiva enseja aplicação de multa. Contudo, a penalidade deve ser afastada quando forem apresentados elementos que convirjam para a constatação de que a declaração foi entregue de forma tempestiva, sobretudo na época em que as declarações eram entregues nas agências bancárias e estas eram responsáveis pela remessa à Receita Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 23 75 /0 0- 26 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13807.002375/0026 Acórdão n.º 2201004.712 S2C2T1 Fl. 51 2 Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) Relatório Cuidase de recurso voluntário de fl. 38, interposto contra decisão da DRJ em São Paulo/SP, de fls. 22/28, a qual julgou procedente o lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória, referente a ausência de apresentação de Declaração de Ajuste Anual relativa ao anocalendário de 1998. A entrega intempestiva, datada de 14/01/2000 da referida declaração de ajuste anual, conforme esclarecido pelo contribuinte na fl. 02, ocasionou lançamento de multa correspondente no valor de R$ 165,74, já descontada do valor restituído ao mesmo. Ainda conforme a petição de fl. 02, o RECORRENTE alega que recebeu sua restituição de IR com a dedução da multa por atraso na entrega da declaração. Assim, mesmo sem ter recebido qualquer extrato do auto de infração da multa por atraso na entrega da Declaração Anual, requereu a revisão do lançamento da multa e a restituição da mesma, uma vez que alega ter efetuado a entrega da declaração no dia 26/04/1999 (protocolo à fl. 06), conforme se infere do pedido de restituição de fls. 4. Afirma que, tendo em vista o não recebimento de nenhuma notificação de devolução de restituição, procurou a unidade da Secretaria da Receita Federal, quando foi informado de que sua declaração não havia sido processada. Assim emitiu nova declaração e a entregou no dia 14/01/2000 diretamente na unidade da Secretaria da Receita Federal (fl. 08). Neste sentido, a Delegacia da Receita Federal em São Paulo determinou o retorno dos autos para a CAC/TATUAPÉ para proceder com a juntada do auto de infração, conforme decisão de fls. 12. Por sua vez, o CAC/TATUAPÉ determinou o encaminhamento à DISAR/E/CCOB/SP para juntar o auto de infração. Este último, tendo em vista a impossibilidade de localizar o AR do contribuinte, determinou o encaminhamento do processo à DRJ/SECAV/SP. O espelho do auto de infração foi acostado à fl. 18. Da Decisão da DRJ A DRJ de origem julgou procedente o lançamento, conforme acórdão de fls. 22/28, com a seguinte ementa: “Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 1998 Ementa: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13807.002375/0026 Acórdão n.º 2201004.712 S2C2T1 Fl. 52 3 DA DECLARAÇÃO — AUSÊNCIA DE PROVA DA ENTREGA TEMPESTIVA. A entrega da declaração de ajuste anual após o prazo fixado, estando o contribuinte obrigado à sua apresentação, enseja a aplicação da multa. A alegação de entrega tempestiva de declaração anterior somente pode ser aceita na presença de elemento de prova inequívoco. Lançamento Procedente” Preliminarmente, ante a ausência de juntada do auto de infração, para evitar cerceamento de defesa do contribuinte, entendeu ser tempestiva a impugnação. No mérito, entendeu ser procedente o lançamento da multa. Isso porque o contribuinte se limita a explicar os fatos que lhe convém, sem, no entanto, fazer prova do direito que alega ter, de modo que a DRJ de origem não pôde se fundamentar nas razões expostas, visto que desprovidas de provas que atestem sua veracidade. Do Recurso Voluntário O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 4/3/2009, conforme AR de fl. 37, apresentou Recurso Voluntário de fl. 38, datado de 3/4/2009. Em suas razões de recurso, o RECORRENTE reitera as alegações trazidas em sede de impugnação. Acrescenta, ainda, que as dificuldades que alega ter enfrentado também foram enfrentadas por sua esposa, Sra. Marcia Ferreira de Oliveira Dias, diante do que foi instaurado o processo nº 13807.002377/0051, no qual, por meio do Acórdão DRJ/SPOII nº 01.344 de 29/08/2002, foi deferido o ressarcimento do valor da multa cobrada indevidamente. Para se fazer crer, anexa ao recurso voluntário cópias de Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física em seu nome, referente ao ano calendário 1998, bem como despacho decisório, que possui como contribuinte a sua esposa, no qual é homologado o direito ao crédito contra a Fazenda Pública no valor de R$ 165, 74. Este recurso voluntário compôs lote, sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13807.002375/0026 Acórdão n.º 2201004.712 S2C2T1 Fl. 53 4 O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. O presente litígio diz respeito tãosomente à multa de R$ 165,74 aplicada pela imputação de entrega intempestiva da Declaração de Ajuste Anual relativa ao ano calendário de 1998 por parte do RECORRENTE. Tal valor já foi descontado do saldo da restituição paga ao contribuinte. No caso, o sistema da Receita Federal não detectou a declaração entregue pelo contribuinte e, em razão disso, o mesmo apresentou uma nova declaração, datada de 14/01/2000, a qual foi considerada intempestiva e originou a multa ora em debate. Em sua defesa, o RECORRENTE alega que está sendo cobrado indevidamente pela multa, uma vez que entregou tempestivamente sua declaração na data de 26/04/1999 (então tempestiva, conforme previsão do art. 2º da IN SRF nº 25, de 18/03/1997), mas que a Caixa Econômica Federal – CEF cometeu erro procedimental, diante do que teve que voltar a apresentar a referida declaração em 14/01/2000, razão pela qual lhe foi imputada a multa ora discutida. Para comprovar os fatos alegados, apresenta a cópia de sua declaração entregue perante a CEF (fl. 06) que, de fato, indica uma data manuscrita de 26/04/1999. Contudo, o carimbo de recepção encontrase ilegível/rasurado. Mesmo assim, é possível constatar o que parece ser o número “26” em tal carimbo. Sabese que, naquela época, as agências bancárias não recebiam declaração de imposto de renda após o prazo limite para entrega. Portanto, tal fato, alinhado à constatação de que a data do carimbo à fl. 06 aparenta ser o dia “26”, converge para o entendimento de que a data de entrega foi antes do prazo final (que era 30/04/1999), podendo ser, por exemplo, 26/04/1999 ou ainda 26/03/1999. Afirmou, também, que situação semelhante ocorreu com a sua esposa, Sra. Marcia Ferreira de Oliveira Dias, que foi penalizada com a mesma multa pelo atraso na entrega da declaração (processo nº 13807.002377/0051). Contudo, afirmou que, ao contrário do que ocorreu no seu caso, a DRJ reconheceu o direito da contribuinte de ser ressarcida do valor da multa de R$ 165,74, conforme despacho decisório datado de 21/02/2003, o qual remete sua fundamentação à Decisão da DRJ/SPO nº 00.528 (fl. 42). Neste sentido: Considerando que a data do carimbo de recepção da declaração de imposto de renda, de fato, aparenta ser o dia “26” (fl. 06); Considerando o fato de que, naquela época, as agências bancárias não podiam receber as declarações fora do prazo; Considerando que a mesma multa foi lavrada em desfavor de sua esposa e que tal penalidade foi cancelada pela DRJ/SPO, o que converge para a verossimilhança das alegações do RECORRENTE, já que ambas as declarações podem ter feito parte de um lote que foi extraviado da CEF, por exemplo; e Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13807.002375/0026 Acórdão n.º 2201004.712 S2C2T1 Fl. 54 5 Considerando que o valor da multa objeto do presente processo é irrisório e não justifica a conversão da conversão em diligência para verificação da data de fl. 06; Entendo que a deve ser dado provimento ao presente Recurso Voluntário para cancelar a multa de R$ 165,74 pelo atraso na entrega da declaração e, consequentemente, reconhecer o direito creditório do RECORRENTE ao citado valor. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, conforme razoes acima apresentadas. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 54DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11131.000970/2006-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 08/02/2001 a 14/03/2003
PRAZO DECADENCIAL. SUBFATURAMENTO DE II E IPI
Uma vez que houve pagamentos de II e IPI, ainda que insuficientes, há que se aplicar, respectivamente, os prazos decadenciais previtos nos parágrafo único do artigo 138 do Dl n° 33/66 e o § 4° do art. 150 do CTN.
Numero da decisão: 3301-005.024
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para declarar a decadência parcial do lançamento.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 08/02/2001 a 14/03/2003 PRAZO DECADENCIAL. SUBFATURAMENTO DE II E IPI Uma vez que houve pagamentos de II e IPI, ainda que insuficientes, há que se aplicar, respectivamente, os prazos decadenciais previtos nos parágrafo único do artigo 138 do Dl n° 33/66 e o § 4° do art. 150 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para declarar a decadência parcial do lançamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Por bem descrever e retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de piso de fls.784802: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 13 1. 00 09 70 /2 00 6- 30 Fl. 838DF CARF MF Processo nº 11131.000970/200630 Acórdão n.º 3301005.024 S3C3T1 Fl. 839 2 Tratamse de dois autos de infração resultantes de ação fiscal que constatou subfaturamento nos preços declarados em várias DI registradas nos anos de 2001 a 2003 e lançou o correspondente crédito tributário abaixo discriminado: Auto de Infração II Receita e matéria tributável Base legal específica Valor Imposto sobre diferença do preço subfaturado Art. 87, I do RA/85 13.463,56 Juros sobre o imposto Art. 61, § 3º da Lei 9.430/96. 11.419,45 Multa de 150% sobre o imposto Art. 44, II da Lei nº 9.430/96 20.195,34 Multa de 100% sobre diferença do preço subfaturado Controle Adminstrativo (CA) Art. 86 e 88, parágrafo único da MP 2.15835, de 24/08/2001. Multa de 30% sobre Valor Aduaneiro, por falta de Licenciamento de Importação – (CA) Art. 432 e 526, II do RA/85; Ato Declaratório Cosit 5 e 12 de 19/97 e Portarias Secex 21 e 22 de 1996. 163.511,86 Multa equivalente ao Valor Aduaneiro relativa à DI 03/02108739 (conversão do perdimento em multa) DL 1.455/76, art. 23, § 3º, com redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637/02 (MP 66 de 30/08/2002) 40.935,27 Receita Total 249.525,48 Auto de Infração IPI Receita e matéria tributável Base legal específica Valor Imposto sobre diferença do preço subfaturado Lei nº 4.502, de 1964, art. 80, inciso II, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 45 2.671,96 Juros sobre o imposto Art. 61, § 3º da Lei 9.430/96. 2.247,83 Multa de 150% sobre o imposto Art. 44, II da Lei nº 9.430/96 4.007,94 Receita Total 8.927,73 O Relatório Final de Fiscalização, fls. 3355, informa que a presente ação fiscal originouse da constatação de fraude, conforme circunstanciado no Relatório de Procedimento Especial referente ao procedimento fiscal MPF n° 2003.0016250 (doc. 42) aplicado às DI n° 03/04197550 e 03/05781540 registradas pelo contribuinte, mediante utilização de documento falso na instrução das respectivas DI, em razão da inexistência formal do exportador estrangeiro declarado, BALCROSS CO. LTD., que é o mesmo em 05 das 08 importações da presente autuação. Também informa que foi motivo para o início da presente ação fiscal a parametrização automática para o canal cinza de conferência aduaneira das DI n° 01/01360635, 02/01346766, 02/03574596, 02/043544344 e 03/02108739, por apresentarem preço unitário declarado, na condição FOB (free on board, preço no local de embarque, não inclusos seguro e frete internacional), bastante inferior aos de outras importações. Ao final das investigações a fiscalização concluiu que além da fraude detectada nas operações de importação com fatura comercial em nome do exportador fictício, BALCROSS, também existiriam outras 03 DI falsificadas tendo como emitente exportador a empresa INTERNATIONAL TIRES CORPORATION. Segundo a fiscalização, ambas as empresas teriam praticado subfaturamento, autorizando, assim, o arbitramento do valor aduaneiro das oito DI, conforme demonstrativo abaixo. (...) Os motivos que levaram a esta conclusão fiscal serão detalhados no voto. Fl. 839DF CARF MF Processo nº 11131.000970/200630 Acórdão n.º 3301005.024 S3C3T1 Fl. 840 3 Noticia a fiscalização que o auto de infração relativo às DI n° 03/04197550 e 03/05781540 citadas no início do seu relatório foi mantido integralmente por esta DRJ [processo 11131.000138/200471], conforme ementa adiante transcrita. EMENTA: PENA DE PERDIMENTO CONVERTIDA EM MULTA CORRESPONDENTE AO VALOR DA MERCADORIA NÃO LOCALIZADA. FATURA FALSA. INEXISTÊNCIA DA EMPRESA APONTADA COMO EXPORTADORA. A inexistência da empresa apontada como exportadora implica em se considerar falsa a fatura comercial emitida em seu nome. A falsidade da fatura comercial é hipótese de dano ao erário, sujeitando à pena de perdimento as mercadorias por esta acobertada. Não sendo localizadas as mercadorias sujeitas à pena de perdimento, tal pena será convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro das mesmas. Data do fato gerador: 20/05/2003, ACÓRDÃO N° 5768 de 24 de fevereiro de 2005 da 2ª Turma da DRJ/Fortaleza. Impugnação Cientificada do lançamento inicialmente em 31/08/2006, a autuada foi novamente cientificada por Aviso de Recebimento (AR) em 08/09/2006, sextafeira, em virtude de ter sido incluído indevidamente na descrição dos fatos o seguinte trecho: "mediante a simulação do fornecedor estrangeiro, BALCROSS COMPANY”, o qual foi suprimido (fls. 649651). Em 09/10/2006 a autuada apresentou a impugnação de fls. 663756 alegando, preliminarmente, que “não há como prosperar a presente autuação, haja visto (sic) que o objeto meritório desta impugnação está sendo discutido já em vias judiciais” tendo em vista os Mandados de Segurança impetrados perante a 6ª Vara Federal do Ceará sob o nº 2003.81.00.0152404. Há também, em decorrência do processo originário da 6ª Vara de nº 2003.81.00.0247282 (cópia anexa), o Agravo de Instrumento de nº 2819CE já julgado por perda do objeto em razão do julgamento do Mandado de Segurança. A sentença do Mandado de segurança foi objeto de Apelação, aguardando resultado da referida apelação junto ao TRF da 5ª Região. Em relação ao mérito alega, em síntese, que: A empresa já teria pagado a diferença de Impostos cobrados na época do evento, e assim não haveria como repetir na autuação a cobrança já realizada e liquidada., conforme DARF's em anexo, existindo inclusive pedido de restituição de IPI por ter sido pago a maior, conforme processo 11131.000969/200109. Conforme farta documentação apresentada, a Impetrante efetivou toda a sua importação pelas vias legais, ou seja, mediante prévio deferimento da Licença de Importação via sistema eletrônico do SISCOMEX. Os documentos de solicitação foram DEFERIDOS pelo SISCOMEX/DECEX, não sendo plausível nem robusta a alegação de fraude pelos motivos já aqui expostos. Em relação à empresa Balcross, afirma que a autuação teria fundamentação na "constatação de fraude", dedução esta baseada tão somente em "evidencias" sem provas ou perícias da auditora fiscal e informações prestadas via net com o adido tributário. Fl. 840DF CARF MF Processo nº 11131.000970/200630 Acórdão n.º 3301005.024 S3C3T1 Fl. 841 4 Se a empresa Balcross não existisse, indaga a impugnante, como poderia: a) requerer Licença de Importação e receber a referida licença? b) liquidar o câmbio da importação de forma regular, junto ao Banco do Brasil, e Banco Central do Brasil? c) como terceiros e outros desconhecidos efetivarem [negócios] nesta Cidade de Fortaleza, com a empresa BALCROSS sediada nos Estados Unidos???? A autuada teria apresentado à fiscalização os documentos solicitados, tais como: todos os contratos de câmbios inclusive liquidação cambial, comprovando respectivo endereço da empresa BALCROSS COMPANY LTD, através do Banco do Brasil S/A, em Miami, demonstrando assim que efetivamente havia o exportador, haja vista que alguém recebeu os numerários pelas remessas das mercadorias, seja a empresa INTERNATIONAL TIRES CORP. LTD OU BALCROSS LTD., fato este que posteriormente foi confirmado com os endereços dos Bancos, através do adido tributário. Contestando a indagação fiscal de: por que a autuada foi capaz de localizar, após o procedimento fiscal instaurado, determinada faturada da Balcross, mas mostrouse incapaz de encontrar elementos esclarecedores quanto a existência da Balcross? a impugnante alega que “não tem o dever legal de localizar onde esta instalada a empresa, tampouco se ela encerrou suas atividades ou não. Este trabalho é de quem autoriza a importação.” Em relação às faturas da empresa International Tires, a impugnante alega que os fiscais não tem expertise para afirmarem falsidade de assinatura, e indaga por que não se realizou perícia técnica. Sobre a valoração alega que o valor arbitrado pelo agente aduaneiro não corrobora com a realidade da mercadoria constante das DI, comprovando mais uma vez em erro substancial que por via de conseqüência leva a nulidade do ato, haja vista que o valor arbitrado pelo agente fiscal é de pneus não similar e sim RADIAL (1.R.20) e não os pneus importados pela Impugnante (Convencional) 1X20 e 1.100X22, que são a metade do preço, fato este facilmente comprovado com a própria mercadoria e não observado fielmente pelo auditor fiscal responsável. Alega ainda equívoco da fiscalização ao registrar no demonstrativos de cálculos NCM/TEC com base na classificação tarifária 4011.20.90 e 4011.10.00, quando na verdade deveria ter classificado corretamente em 4013.10.9. Em 29 de janeiro de 2014, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, por maioria de votos, julgou improcedente em parte a impugnação apresentada pela Recorrente nos seguintes termos: 1. PRELIMINARMENTE, a) Declarar a inexistência de processo judicial com a mesma matéria objeto do presente lançamento; b) Declarar decaído o crédito tributário relativo às multas administrativas sobre as infrações ocorridas anteriores ao dia 08/09/200l, num total de RS 80.755,00, conforme tabela constante no voto; c) Rejeitar a alegação de dupla tributação; e Fl. 841DF CARF MF Processo nº 11131.000970/200630 Acórdão n.º 3301005.024 S3C3T1 Fl. 842 5 d) Considerar prescindível a realização de diligência e, não formulado o pedido de perícia por falta dos requisitos legais., 2. NO MÉRITO, julgar improcedente a impugnação. Vencido o julgador Ícaro Nonato Lopes Cezar, que, preliminarmente, votou pela nulidade, por vício material, da parte do lançamento referente a DI nº 03/02108739 (conversão do perdimento em multa) e, no mérito, por entender ser improcedente a parte da exigência fiscal motivada por ausência de Licença de Importação. A DRJ julgou a impugnação parcialmente procedente e o Acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 08/02/2001 a 14/03/2003 INEXISTÊNCIA DA EMPRESA APONTADA COMO EXPORTADORA. A inexistência jurídica da empresa apontada como exportadora implica em se considerar falsa a fatura comercial emitida em seu nome. A falsidade da fatura comercial é hipótese de dano ao erário, sujeitando à pena de perdimento as mercadorias por esta acobertada. PENA DE PERDIMENTO CONVERTIDA EM MULTA CORRESPONDENTE AO VALOR DA MERCADORIA NÃO LOCALIZADA. FATURA FALSA. Não sendo localizadas as mercadorias sujeitas à pena de perdimento, tal pena será convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro das mesmas. SUBFATURAMENTO. ARBITRAMENTO DO VALOR ADUANEIRO. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO AGRAVADA E MULTAS DO CONTROLE ADMINISTRATIVO DA IMPORTAÇÃO. A declaração de valores inferiores aos reais, lastreada em faturas comerciais inidôneas, para fins de despacho aduaneiro de importação de mercadorias, caracteriza a prática do subfaturamento e permite o arbitramento do valor aduaneiro. Cabível na espécie a aplicação da multa de ofício agravada, de 150% dos tributos não recolhidos, além das duas multas administrativas relativas ao controle da importação, de 100% sobre a diferença de valor aduaneiro e de 30% sobre o valor da mercadoria. Normas Gerais de Direito Tributário MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVOTRIBUTÁRIA. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. O prazo para efetuar lançamento de multas relacionadas ao controle aduaneiro das importações é de cinco anos, contado da data da infração, portanto, seu quinto aniversário encerra o período permissivo (SCI nº 32, de 2013 Cosit). Intimada de decisão em 07.03.2014 (fls.819), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 07.04.2014 (fls. 814818), alegando, em síntese: (i) que o recurso voluntário está instruído com procuração, cópia do contrato social, comprovantes de pagamento de diferença de impostos da DI´s objeto da presente impugnação, comprovante de pagamento da cobrança, realizada quando da adesão ao REFIS na forma da Lei 11.941/09; (ii) que a Recorrente Fl. 842DF CARF MF Processo nº 11131.000970/200630 Acórdão n.º 3301005.024 S3C3T1 Fl. 843 6 extinguiu o crédito tributário, através do pagamento integral, nos termos do art.156, do CTN; (iii) que o fisco tem 05 (cinco) para constituir o crédito tributário. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira Admissibilidade O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Preliminar de decadência A Recorrente apresentou arrazoado sobre o instituto da decadência, previsto nos artigos 150 § 4º e 173, do Código Tributário Nacional, e citou as Súmulas CARF nº 17 e 25. Contudo, não informou quais débitos sofreriam incidência dos citados dispositivos do CTN e/ou estariam sujeitos às Súmulas CARF nº 17 (incabível a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência) e n° 25 (a simples presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos não autoriza a qualificação da multa de ofício). Em razão de a decadência ser matéria de ordem pública, examino o tema, adiante. Quanto aos demais argumentos acima citados, não os conheço, pois estranhos à contenda. O Auto de Infração (fls. 2 a 32) foi lavrado para cobrança do Imposto de Importação, multas administrativas (falta de LI, subfaturamento e conversão da pena de perdimento) e Imposto sobre Produtos Industrializados, bem como de multas de ofício qualificadas, relativos aos fatos gerados ocorridos entre 08/02/2001 e 10/07/2003 (fl. 33). A Recorrente foi intimada do lançamento fiscal em 08.09.06 (fl. 629). Para fins do lançamento do IPI, recorro ao prazo decadencial previsto no CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (. . .) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se Fl. 843DF CARF MF Processo nº 11131.000970/200630 Acórdão n.º 3301005.024 S3C3T1 Fl. 844 7 tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (. . .) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. O prazo do § 4° do art. 150 incide, quando houver pagamento antecipado. Caso contrário, aplicase o do inciso I do 173 (Recurso Especial Representativo de Controvérsia no 973.733/SC). No caso em tela, houve pagamentos de IPI. Contudo, devemos utilizar o art. 173 do CTN, pois houve acusação de subfaturamento, com fraude. Por outro lado, para exame da decadência, no âmbito aduaneiro, recorro aos artigos 138 e 139 do Decretolei n° 33/66: "Art.138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração." Reitero que as infrações foram cometidas em operações cursadas no período de 08/02/2001 e 10/07/2003 (fl. 33) e que a Recorrente foi intimada do lançamento fiscal em 08.09.06 (fl. 629). Provocada, a DRJ examinou a questão e corretamente cancelou as multas por falta de LI e subfaturamento relativas às infrações cometidas até 08/09/2001 não houve recurso de ofício, pois o valor total exonerado era inferior ao limite de alçada. Contudo, outros créditos tributários também foram fulminados pela decadência. Como houve pagamentos de II, ainda que insuficientes, o prazo decadencial é de cinco anos, a partir do pagamento efetuado (parágrafo único do art. 138 do Decretolei n° Fl. 844DF CARF MF Processo nº 11131.000970/200630 Acórdão n.º 3301005.024 S3C3T1 Fl. 845 8 33/66), motivando o cancelamento dos lançamentos relativos às diferenças de II que deveriam ter sido pagas até 07/09/01. No tocante ao IPI, conforme acima mencionado, o prazo é de cinco anos, a partir do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador (art. 173 do CTN). Como o primeiro fato gerador ocorreu em 08/02/01 (contagem do prazo a partir de 01/01/02) e a notificação do lançamento em 08/09/06, não houve decadência. Isto posto, dou provimento parcial à preliminar de decadência. Mérito A Recorrente noticiou que realizou o pagamento integral do crédito sob análise e pleiteou a extinção do. A fiscalização prestou informações no sentido de inexistir pagamento/parcelamento do crédito exigido neste processo, conforme se verifica no documento de fls. 832: Senhor Chefe, O autuado apresentou recurso voluntário em 07.04.2014, e anexou os documentos de fls. 826/830. Primeiramente requereu que o recurso fosse recebido, processado regularmente, e comunicado ao setor competente para a sua baixa no sistema, e finalmente, requereu pela aplicação da EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE EM RAZÃO DO PAGAMENTO JÁ EFETUADO, conforme faz prova farta documentação em anexo, suplicando pela total IMPROCEDÊNCIA. Diante dos documentos apresentados passo a informar o seguinte: 1 que não consta do presente processo, pedido de parcelamento ou termo de desistência da impugnação apresentada. 2 que o DARF fls. 826, código da receita 1194, referese a pagamento de parcelamento efetuado junto à PGFN; 3 que o documento de fls. 827, trata de informação sobre parcelamento de débitos, na modalidade 1194 PGFN; 4 que nas consultas Paex, fls. 828/829, temos a informação da existência de parcelamento de dívida consolidada junto à PGFN. 5 que no documento de fls. 830, temos duas informações: –a primeira sobre a existência do processo nº 11131.000.970/200630, com exigibilidade suspensa na Receita Federal, em vista do julgamento da impugnação; –e a segunda a respeito de exigibilidade suspensa na Procuradoria da Fazenda Nacional, em vista de parcelamento conforme Lei nº 11.941/09, esta sim, atualmente LIQUIDADA. Prestadas as informações, encaminho o presente processo para fins de conhecimento do acima exposto, e caso entenda suficiente, proponho que o presente processo seja encaminhado ao CARF para fins de julgamento do recurso voluntário. Fl. 845DF CARF MF Processo nº 11131.000970/200630 Acórdão n.º 3301005.024 S3C3T1 Fl. 846 9 Nego provimento ao argumento. Conclusão Diante do exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 846DF CARF MF
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Numero do processo: 14485.003262/2007-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2402-000.673
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem, com base nos esclarecimentos e documentos apresentados pelo contribuinte, já mencionado no voto do relator, manifeste-se acerca da tese de defesa referente à constatação, pelo sujeito passivo, de que valores pagos a título de antecipação de participação nos lucros e resultados foram considerados em duplicidade na apuração do crédito tributário, elaborando, se for o caso, novo demonstrativo de débito. Declarou-se impedida a Conselheira Renata Toratti Cassini. Participou do julgamento o Conselheiro Virgílio Casino Gil (suplente convocado).
Após a manifestação da autoridade administrativa fiscal, dê-se ciência, primeiro, à douta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional para, querendo, apresentar a sua competente manifestação e, na sequência, ao sujeito passivo, para também, caso assim julgar necessário, apresentar a sua manifestação.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado em substituição ao impedimento da Conselheira Renata Toratti Cassini) e Gregorio Rechmann Junior.
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PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. Recorrente ITAÚ SEGUROS S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem, com base nos esclarecimentos e documentos apresentados pelo contribuinte, já mencionado no voto do relator, manifestese acerca da tese de defesa referente à constatação, pelo sujeito passivo, de que valores pagos a título de antecipação de participação nos lucros e resultados foram considerados em duplicidade na apuração do crédito tributário, elaborando, se for o caso, novo demonstrativo de débito. Declarouse impedida a Conselheira Renata Toratti Cassini. Participou do julgamento o Conselheiro Virgílio Casino Gil (suplente convocado). Após a manifestação da autoridade administrativa fiscal, dêse ciência, primeiro, à douta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional para, querendo, apresentar a sua competente manifestação e, na sequência, ao sujeito passivo, para também, caso assim julgar necessário, apresentar a sua manifestação. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado em substituição ao impedimento da Conselheira Renata Toratti Cassini) e Gregorio Rechmann Junior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 44 85 .0 03 26 2/ 20 07 -1 0 Fl. 2033DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ RELATÓRIO Nos termos do relatório do Acórdão nº 9202005.512 da 2ª Turma da CSRF (fls. 841 a 852), tratase, o presente processo, de Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD nº 37.120.9986, às efls. 02 a 26, cientificado à contribuinte em 27/12/2007 (efl. 02), com relatório fiscal da infração às efls. 45 a 51. A autuação foi lavrada para exigir os créditos relativos a contribuições sociais destinadas ao custeio da Previdência Social, parcelas relativas à parte dos segurados empregados, da empresa, as destinadas ao financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) e terceiros (INCRA e FNDE), relativas às remunerações dos seus empregados, rubrica participação nos lucros e resultados, sem atender a todos os requisitos exigidos pela legislação. O crédito lançado atingiu o montante de R$ 28.955.047,72, consolidado na data de 26/12/2007. O lançamento de obrigação principal foi impugnado, às efls. 146 a 161, em 24/01/2008. Já a 21ª Turma da DRJ/SPI, em 22/04/2008, no acórdão nº 1616.944, às efls. 184 a 202, por unanimidade, julgou o lançamento procedente, mantendo o crédito tributário exigido. Inconformada, em 04/12/2008, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, às efls. 212 a 228. Esse recurso voluntário foi apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 15/10/2013, resultando no acórdão 240103.227, às efls. 469 a 479, que, por unanimidade de votos, anulou a decisão de primeira instância, por não ter esta apreciado questões da impugnação que levariam ao cerceamento de defesa da contribuinte. Em face da nulidade do acórdão nº 1616.944, a impugnação foi então apreciada pela 14ª Turma da DRJ/SPO, em 28/05/2014, tendo resultado no acórdão 1658.203, às efls. 511 a 554, que considerou a impugnação procedente em parte, mantendo parcialmente o crédito tributário lançado. O acórdão reconheceu a decadência de competências que iam até 08/2001 implicando retificação dos valores da NFLD para R$ 20.789.221,62. Também em relação ao acórdão nº 1616.944, em 24/07/2014, a contribuinte interpôs recurso voluntário, às efls. 560 a 587, que em apertada síntese traz os seguintes argumentos, extraídos do relatório do acórdão do recurso voluntário: 1. Preliminarmente, a decadência dos créditos tributários até o período de 11/2002, nos termos do art.. 150, § 4º do CTN. 2. A Convenção Coletiva em favor dos bancários fixa participação nos resultados e não nos lucros, sendo isso admitido pela Lei nº 10.101/2000, tal fixação foi feita por simplicidade; esse tratamento é adequado, mormente em face de acordo entre as partes que há de ser respeitado; ainda que se considere tal parcela fixa como um Fl. 2034DF CARF MF Processo nº 14485.003262/200710 Resolução nº 2402000.673 S2C4T2 Fl. 4 3 abono anual, sobre ela tampouco incidiria a contribuição previdenciária, tendo em vista o disposto no art. 28, §9°, "e", 7, da Lei n. 8212/91. 3. Atendidos as demais normas estabelecidas, não há impedimento legal à concomitância de mais de um plano de participação em lucros e resultados, principalmente sendo um em âmbito nacional, de uma determinada categoria e outro regional, dentro de determinada empresa. 4. A Lei nº 10.101/2000 tampouco prevê data limite para fins de ratificação por assinatura de acordo ou convenção; seu art. 2º, no § 1º, afirma que podem existir outros critérios a serem considerados, entre eles o pacto prévio do programa. 5. Diferentemente do que alega a fiscalização, há documentos que comprovam a participação dos empregados na elaboração de regras do programa de participação nos lucros, inclusive escritura pública de um funcionário da recorrente nesse sentido; constam também atas que demonstram a eleição de membros de comissão para elaboração de acordo. 6. O próprio CARF reconhece em acórdãos que a época do registro dos acordos pode ser flexibilizada, desde que as tratativas estejam em andamento e sejam conhecidas pelos empregados, não havendo limite ou sanção definidos em lei pelo inadimplemento, desde que atendidos os parâmetros substantivos do caput do art. 2º da Lei nº 10.100/2000; além disso, houve o arquivamento dos acordos de PLR de 2003 e 2006 com o Sindicato dos Securitários do Estado de São Paulo. 7. Uma vez mais, a existência de planos segregados e restritos a determinados empregados é admitida pela legislação, havendo isonomia formal na convenção coletiva, com regras objetivas quanto à diferenciação; além disso, a DRJ em sua decisão teria inovado, em relação ao relatório fiscal, ao tratar do pagamento de lucros e resultados a administradores, tratandoos como remuneração, o que levaria a vício insanável do acórdão. 8. Haveria erro na quantificação da base de cálculo pela soma de parcelas de antecipação da PLR ao total devido a esse título, erro esse não sanado por diligência que fora solicitada, e que agora importaria em nulidade por cerceamento do direito de defesa; caso não seja declarada a nulidade, pleiteia a realização de perícia para sanar o lançamento. (destaquei) 9. Seria inconstitucional a contribuição ao INCRA incluída na autuação, já tendo sido reconhecida no STF e agora exigida em sede de repercussão geral. Esse recurso voluntário foi apreciado por essa 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 20/01/2015, resultando no acórdão 2402004.478, às efls. 729 a 747, que tem a seguinte ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições Fl. 2035DF CARF MF Processo nº 14485.003262/200710 Resolução nº 2402000.673 S2C4T2 Fl. 5 4 previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. Entendese como pagamento parcial o recolhimento da contribuição previdenciária sobre outras parcelas remuneratórias que compõem a folha de pagamento da empresa (Súmula CARF nº 99). PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Uma vez que os segurados tinham prévio conhecimento das metas e demais requisitos durante parte do período de apuração para o benefício, a data de assinatura do acordo não é motivo para se afastar a imunidade de contribuição previdenciária sobre a participação nos lucros ou resultados da empresa. Recurso Voluntário Provido. O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. RE da Fazenda Nacional Cientificada do acórdão, em 03/02/2015 (efl. 748), a Procuradoria da Fazenda Nacional, em 16/03/2015, manejou recurso especial de divergência (efls. 749 a 765) ao citado acórdão. A Procuradora indica duas matérias na divergência: a) Necessidade de que o acordo seja celebrado no ano anterior ao exercício: o paradigma entende que o acórdão deve ser sempre celebrado previamente ao exercício, para que haja atendimento à finalidade da lei de estimular a busca das metas e não criar uma remuneração indireta, enquanto o recorrido não vê mácula caso assim não se proceda; b) ausência de regras claras e objetivas pagamento de valor fixo: o recorrido não vê irregularidade no acordo, pois admite o pagamento de valor fixo a todos os empregados, sem a fixação de qualquer meta, como se observa no Acordo Coletivo de 2004; já o paradigma, não admite a ausência de fixação de metas para que seja possível o pagamento de valores fixos, por desvincular os pagamentos aos resultados e lucros da empresa, que é a finalidade da legislação. Foram indicados como paradigmas das divergências: o acórdão nº 240100.545 e nº 240102.251, para a matéria a), e nº 2803003.689 e nº 2301002.859, para matéria b). Por fim, a Procuradora requer o conhecimento e o provimento do recurso especial de divergência para reformar o acórdão, restabelecendose a integralidade do lançamento. Fl. 2036DF CARF MF Processo nº 14485.003262/200710 Resolução nº 2402000.673 S2C4T2 Fl. 6 5 O RE da Fazenda foi apreciado pela Presidente da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos dos arts. 67 e 68 Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, por meio do despacho às efls. 768 a 778, datado de 05/04/2016. Nesse despacho, entendeuse por ver reconhecida a divergência apenas em relação a necessidade de assinatura do acordo no ano anterior ao exercício e com relação a existência de pagamentos de valor fixo desnaturando a finalidade da legislação. Não conheceu de divergência relativamente à ausência de regras claras e objetivas, por inexistir similitude da situação fática e jurídica entre paradigmas e recorrido nesse ponto. Na mesma data, houve despacho do Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, em reexame de admissibilidade do recurso especial, às efls. 779 e 780, que manteve na íntegra ao despacho da Presidente da 4ª Câmara. Contrarrazões da contribuinte Em 05/05/2016 (efl. 789), a contribuinte foi intimada (efl. 787) do acórdão de recurso voluntário nº 2402004.478, do recurso especial de divergência da Fazenda Nacional e dos despachos de exame e reexame da admissibilidade do recurso especial, apresentando contrarrazões, em 13/05/2016, às efls. 792 a 803. Em relação às duas matérias admitidas no recurso especial, contraargumenta em relativamente à admissibilidade e ao mérito. a) Necessidade de assinatura do acordo no ano anterior ao exercício a.1) Admissibilidade O acórdão paradigma nº 2401000.245 não trata de simples ausência de assinatura do acordo em período anterior ao exercício, mas de inexistência de acordo prévio ao exercício, omissão absoluta em estabelecer o direito substantivo e regras adjetivas em acordo, sendo a questão formal (assinatura) aspecto secundário, obter dictum na decisão. No acórdão paradigma 2401002.251, não se aceita os acordos por inexistir até mesmo menção a datas de formalização do plano de participação, não sendo o caso do acórdão a quo, para o qual há regras previamente definidas e conhecidas, reproduções de acordos passados, que seriam simplesmente formalizados. a.2) Mérito No tocante ao mérito, reafirma que a formalização com assinatura prévia não é exigência legal, a complexidade do processo das negociações e a falta de controle sobre ele tirariam a efetividade da lei se houvesse tal limitação e, além disso, a assinatura é anterior aos pagamentos das parcelas finais. Ao final da apuração do resultado, constatada a existência de lucro, pagavase a última parcela da PLR convencionada, com base no critério convencionado. Fl. 2037DF CARF MF Processo nº 14485.003262/200710 Resolução nº 2402000.673 S2C4T2 Fl. 7 6 b) Pagamento de valor fixo b.1) Admissibilidade O acórdão paradigma nº 2803003.689 afirma que valores fixos de lucros e resultados configuram verba salarial, sem que interprete a legislação, fundamente ou justifique minimamente a tese, para que se saiba a razão desse entendimento. Relativamente ao acórdão 2301002.859, o argumento é de que apesar de tratar de pagamentos de valores fixos, esses seriam possíveis se houvesse metas claramente definidas a serem atingidas. Já no recorrido também se admitiria a existência de pagamentos fixos, como elemento do programa, na forma de antecipação, sujeito a ajuste após avaliação final, com existência de regra adjetiva claramente fixada. Ambos teriam o mesmo sentido, admitir o pagamento fixo em face de regras adjetivas que estipulem metas; ausente a divergência. b.2) Mérito Não haveria impedimento legal a pagamento de parcela fixa. Além disso, quando a lei admite os planos de participação por meio de convenções coletivas, permitiria também regras adjetivas mais gerais, flexíveis, com universalidade suficiente para atender todas as empresas do ramo. Se assim não for, com exigências de maior detalhamento se estará inviabilizando a convenção coletiva como meio adequado para atendimento aos programas de participação em lucros e resultados. Ao final, expõe a necessidade de, em caso de reforma do acórdão recorrido, que lhe seja dado o ensejo interpor recurso, tendo em vista que entende existente duplicidade no lançamento, que geraria nulidade do decisão de primeira instância, não acatada no acórdão a quo, e como o resultado do acórdão recorrido lhe fora favorável, não havia porque manifestarse em recurso naquela oportunidade. Ato contínuo, na sessão de julgamento realizada em 25/05/2017, a 2ª Turma da CSRF, por meio da decisão consubstanciada no Acórdão 9202005.512 (fls. 841 a 852), conheceu parcialmente do Recurso Especial da Fazenda, apenas quanto à anterioridade da assinatura do acordo, e, na parte conhecida, deulhe provimento, nos seguintes termos, em síntese: Acórdão 9202005.512 Mérito a) Necessidade de que o acordo seja celebrado no ano anterior ao exercício (...) Em vista da legislação, com relação à formalização do PLR, considero que a assinatura do acordo em data posterior à do período de apuração dos lucros ou resultados a serem distribuídos, já é suficiente para darlhe natureza tributável. Isso porque retira da verba paga uma de suas características essenciais: a recompensa Fl. 2038DF CARF MF Processo nº 14485.003262/200710 Resolução nº 2402000.673 S2C4T2 Fl. 8 7 pelo esforço conjunto entre o capital e o trabalho, para alcance de metas; o que traria competitividade à empresa e, em última análise, ao país. Entendo que o acordo necessita ser assinado antes de iniciado o período a que se refere, porquanto a PLR tem por finalidade incentivar o trabalhador a incrementar sua produtividade, situandoa acima do que lhe é usual ou ordinário. Sem que o acordo se dê antes de iniciado o período, não haveria como o trabalhador saber, com precisão, em quanto deveria aumentar o seu esforço para alcançar metas e qual o possível efeito financeiro que isto lhe acarretaria. No caso concreto, a formalização ocorreu em pactos firmados até meses após o início da vigência dos acordos, conforme destacado no relatório fiscal (efls. 47 e 48). Por fim, não há que se falar em conhecimento prévio do pacto como um atenuante na norma legalmente posta, visto que, na norma, não há previsão dessa possibilidade. Por essas razões, discordo da decisão do acórdão recorrido e considero acertado o lançamento das contribuições sobre os valores a título de PLR que não se cingiram às disposições legais. Por fim, em que pese não caber nova discussão do colegiado a quo quanto à eventual nulidade, como ele ainda não se manifestou quanto à apuração da base de cálculo em face de alegada duplicidade do valor considerado no lançamento, entendo ser necessário que os autos retornem para discussão quanto à apuração da base de cálculo. O dispositivo do acórdão recebeu a seguinte redação: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à anterioridade da assinatura do acordo. No mérito, na parte conhecida, por voto de qualidade, acordam em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem a fim de que seja discutida a apuração da base de cálculo, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que não conheceram do recurso e negaramlhe provimento. Cientificado da decisão da CSRF, o sujeito passivo peticionou (fls. 870 a 873), destacando que: * a quantificação da base de cálculo autuada foi feita, em parte, de forma equivocada, o que determina a nulidade do lançamento por cerceamento de defesa ou, no mínimo, a necessidade de correção do lançamento; Fl. 2039DF CARF MF Processo nº 14485.003262/200710 Resolução nº 2402000.673 S2C4T2 Fl. 9 8 * há evidente duplicidade no lançamento a ser, agora, julgada pelo E. CARF, pois a Fiscalização somou ao total dos valores pagos aos funcionários da Requerente os montantes que foram antecipadamente quitados (item IV.1.8 e seguintes do Recurso Voluntário, fls. 579 a 587 do eprocesso); * a corroborar tal alegação, já devidamente comprovada neste feito, juntou aos autos, no momento do julgamento, parecer técnico de empresa de auditoria independente, citado (e, obviamente, visualizado no processo) pelo Relator do acórdão objeto do recurso especial da União (final das fls. 736 do eprocesso) e, agora, novamente juntado a este feito (docs. 02 a 04); * vale lembrar que a alegação de nulidade não foi acatada pelo acórdão recorrido que, ainda em relação ao equívoco da quantificação do lançamento, considerou que tal matéria deveria ser analisada conjuntamente ao mérito (vide fls. 738 e 739 daquele decisório); * como houve êxito, no mérito, em relação ao cumprimento de todos os requisitos legais relativos à PLR, inexistia, naquele momento, interesse recursal, omissão ou matéria a ser debatida (ou mesmo necessidade, na visão da Turma a quo, de enfretamento de tal questão, uma vez que, reiterese, o lançamento, como um todo, foi cancelado); * todavia, a reforma do acórdão do CARF pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, como reconhecido por aquele colegiado, deu ensejo à necessidade de nova análise deste ponto pela Turma Ordinária do CARF; Assim foi que, reiterando todas as razões de defesa pertinentes à matéria a ser julgada pelo E. CARF, o sujeito passivo requereu a juntada da referida petição e documentos aos autos e, caso se entenda necessário, que se abra vistas à PGFN no momento oportuno, para, querendo, se manifestar sobre o ora exposto. Requereu, ainda, a juntada do aditivo ao parecer mencionado acima (doc.05), que demonstra a vigência e as datas de assinatura constantes nos programas próprios de participação nos lucros e resultados, e nas convenções coletivas de trabalho especificas sobre participação, vigentes durante os anoscalendário de 2002 a 2006. É o relatório. VOTO Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator Tratase de recurso voluntário já analisado por essa 2ª Turma Ordinária na sessão de julgamento realizada em 20 de janeiro de 2015, cuja decisão restou consubstanciada no Acordão nº 2402004.478 (fls. 729 / 747). Fl. 2040DF CARF MF Processo nº 14485.003262/200710 Resolução nº 2402000.673 S2C4T2 Fl. 10 9 Nos termos do Acórdão nº 9202005.512 da 2ª Turma da CSRF (fls. 841 a 852), o preferente processo foi devolvido para essa douta Turma Ordinária para discussão quanto à apuração da base de cálculo, considerando que ainda não houve, por parte deste Colegiado, manifestação quanto à apuração da base de cálculo em face de alegada duplicidade do valor considerado no lançamento. Na impugnação apresentada, o sujeito passivo destacou que após análise das suas folhas de pagamento, constatou que os valores pagos a título de antecipação de participação nos lucros e resultados foram considerados em duplicidade na apuração do crédito tributário. Tal equívoco gerou um lançamento a maior de R$ 8.711.324,29, conforme apontam as planilhas anexas (doc. 03 da impugnação). (vide fls. 160) Assim, pugnou pela realização de perícia, formulando os seguintes quesitos: a) os valores que serviram de base de cálculo para apuração das contribuições previdenciárias lançadas na NFLD n° 37.120.9986 correspondem aos valores efetivamente pagos pela Itaú Seguros S/A a título de participação nos lucros e resultados no período lançado (janeiro de 1999 a dezembro de 2006)? b) caso seja negativa a resposta ao quesito a) e considerandose os valores efetivamente pagos a título de participação nos lucros e resultados no período lançado (janeiro de 1999 a dezembro de 2006), qual seria o valor da diferença (a maior ou a menor) em relação à base de cálculo utilizada na autuação? A DRJ, por ocasião do segundo julgamento em primeira instância (Acórdão 16 58.203, fls. 511 / 554), concluiu pela insubsistência de tal argumento defensivo, aduzindo que a fiscalização utilizou o regime de competência. É o que se verifica, pois, do excerto abaixo reproduzido: (fls. 552) 21.4. Dos documentos juntados pela Impugnante constatamos que: 21.4.1. Ano de 2000 Vlr de 169.623,83 – Vide fls 173. Referese a antecipação de valores descontado à época do pagamento. A fiscalização utilizou o regime de competência. 21.4.2. Ano 2001 – Vlr de 188.079,96 e 218.270,63 no total de 406.350,59, Vide fls. 174. Referese a antecipação de valores descontado à época do pagamento. A fiscalização utilizou o regime de competência. 21.4.3. Ano 2002 – Vlr de 192.599,59 e 626.657,65, no total de 819.257,24. Vide fls 175. Referese a antecipação de valores descontado à época do pagamento. A fiscalização utilizou o regime de competência. 21.4.4. Ano de 2003 – Vlr de 12.349,46 e 1.026.673,54, no total de 1.039.023,00, Vide fls. 176. Referese a antecipação de valores descontado à época do pagamento. A fiscalização utilizou o regime de competência. Fl. 2041DF CARF MF Processo nº 14485.003262/200710 Resolução nº 2402000.673 S2C4T2 Fl. 11 10 21.4.5. Ano de 2004 – Vlr de 1.379.824,75, Vide fl. 177. Referese a antecipação de valores descontado à época do pagamento. A fiscalização utilizou o regime de competência. 21.4.6. Ano de 2005 – Vlr de 1.921.123,95, Vide fls 178. Referese a antecipação de valores descontado à época do pagamento. A fiscalização utilizou o regime de competência. 21.4.7. Ano de 2006 – Vlr de 2.976.120,93, Vide fls. 179. Referese a antecipação de valores descontado à época do pagamento. A fiscalização utilizou o regime de competência. 21.5. Do exposto não há erro no lançamento fiscal, os valores foram corretamente apurados. O Contribuinte, por meio do seu recurso voluntário (fls. 560 /587), reiterou tal tese defensiva (vide fls. 579), aduzindo que como se demonstrou nos autos, por simples planilha, a quantificação dos pagamentos foi feita, em parte, de forma equivocada, pois se somou ao total dos valores pagos aqueles que foram antecipadamente quitados. Com vistas a demonstrar a veracidade das suas afirmações, deu, como exemplo, os valores pagos ao funcionário Acácio Pires de Almeida, conforme abaixo demonstrado: Destacou, o Recorrente, que o erro acima apontado ocorreu em função de todos os empregados, conforme evidencia documento anexo (doc. 07 do recurso voluntário). Fl. 2042DF CARF MF Processo nº 14485.003262/200710 Resolução nº 2402000.673 S2C4T2 Fl. 12 11 Ato contínuo, em sede de aditamento ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos Parecer Técnico elaborado por auditores externos, denominado de “Termo de Constatação”, juntado aos autos às fls. 880 e seguintes, por ocasião da sua reapresentação pelo sujeito passivo em sede de manifestação aos termos do Acórdão nº 9202005.512 da CSRF. Analisandose o referido Termo de Constatação, verificase que, dentre outros, o sujeito passivo formulou o seguinte quesito para os auditores externos: Quesito 3: Com base exclusivamente nos resumos das folhas de pagamentos (FOPAG) e nos regulamentos dos programas próprios de participação nos lucros aplicáveis para os anoscalendários de 2002 a 2006, favor constatar quais foram os valores efetivamente pagos a título de participação nos lucros e resultados no período de dezembro de 2002 a dezembro de 2006 e apontar as eventuais diferenças entre estes valores e aqueles considerados pela Receita Federal do Brasil para lançamento do crédito tributário. Em resposta ao referido quesito, concluíram os auditores externos que a Fiscalização considerou em duplicidade o montante de R$ 7.316.092,63, para lançamento do crédito tributário a título de pagamento de PLR pela Itaú Seguros, durante o período de dezembro de 2002 a dezembro de 2006, o que fizeram com base nos seguintes esclarecimentos: De acordo com os regulamentos dos planos próprios de participação nos resultados da Itaú Seguros S.A. (Anexo de 1.1 a 1.25), os pagamentos das parcelas de PLR aos empregados elegíveis aos programas poderiam ser realizados: (i) semestralmente, de acordo com os planos das Diretorias de Grandes Empresas e Brokers e de Tecnologia; ou (ii) anualmente, até o último dia útil do mês subsequente ao da publicação do balanço da empresa, deduzidos os valores antecipados por liberalidade da empresa a título de Participação nos Resultados e/ou decorrentes de Convenção Coletiva de Trabalho, de acordo com os demais planos. Com base no Relatório de Lançamentos constante na NFLD 37.120.9986 (Anexo 2), relacionamos, nas tabelas 3 e 4 abaixo, os valores considerados pela fiscalização como base de cálculo para lançamento do crédito tributário (i) a título de pagamentos pela Convenção Coletiva de Trabalho (Tabela 3) e (ii) pelos planos próprios de PLR da Itaú Seguros S.A. (Tabela 4), no período compreendido entre dezembro de 2002 e dezembro de 2006: Fl. 2043DF CARF MF Processo nº 14485.003262/200710 Resolução nº 2402000.673 S2C4T2 Fl. 13 12 A partir das informações demonstradas nas tabelas 3 e 4 acima e com base nos relatórios de folhas de pagamentos dos anos de 2002 a 2006 (Anexos de 3 a 15), confrontamos os valores considerados pela fiscalização com a natureza das verbas informadas nos relatórios de folhas de pagamentos disponibilizados pela Itaú Seguros S.A. Como é possível observar na tabela 5 abaixo, os lançamentos efetuados pela fiscalização a título de pagamentos de PLR pelos planos próprios da Itaú Seguros S.A., referemse às seguintes verbas: 5989 (Antecipação PLR CCT); 5974 (PLR Bancários); 5031 (PLR Securitários); 5440 (PR Plano Próprio/05); 5993 (Particip. Resultados); e 5029 (PR. Camp. Economiz.), como segue: Fl. 2044DF CARF MF Processo nº 14485.003262/200710 Resolução nº 2402000.673 S2C4T2 Fl. 14 13 Da análise dos relatórios de folhas de pagamentos (Anexos de 3 a 15), foi possível constatar que, como a própria fiscalização esclarece na observação dos valores dos lançamentos no Relatório de Lançamentos (coluna (C) tabela 4 acima e Anexo 2), os pagamentos referentes às verbas 5993 (Particip. Resultados) eram efetuados em 2 (duas) parcelas: a primeira em agosto de determinado ano; e a segunda em fevereiro do ano subsequente. Para uma melhor compreensão, apresentaremos, a título exemplificativo, o pagamento efetuado pela Itaú Seguros S.A. ao empregado Elio Mosquim a título de Participação nos Resultados (número funcional 543082598), referente ao ano calendário de 2003. Fl. 2045DF CARF MF Processo nº 14485.003262/200710 Resolução nº 2402000.673 S2C4T2 Fl. 15 14 Nesse contexto, foi possível verificar no relatório da folha de pagamentos de 2003 (Anexo 6 folha 2/5) que o empregado Elio Mosquim recebeu, em agosto de 2003, o pagamento líquido de R$ 11.647,74, relativo à primeira parcela de PLR vigente durante aquele ano, o qual foi composto de acordo com a tabela 6: Adicionalmente, em relação à segunda parcela de pagamento de PLR vigente durante o anocalendário de 2003, o referido empregado recebeu, em fevereiro de 2004, o pagamento líquido de R$ 12.148,26, segundo o relatório de folha de pagamentos de 2004 (Anexo 8 folha 8/25). Tal valor foi composto da seguinte forma: Nesse sentido, com base nas tabelas 6 e 7 acima, foi possível observar que, no cálculo da segunda parcela paga a título de PLR, em fevereiro de 2004, foi descontado do empregado Elio Mosquim (referência (2) da tabela 7), o valor da primeira parcela de PLR paga em agosto de 2003 (referência (1) da tabela 6). Acontece que, conforme demonstrado na tabela 5, a fiscalização considerou como base de cálculo da autuação referente à competência de fevereiro de 2004, o total da verba 5993 (Particip. Resultados), sem deduzir os valores referentes à verba 5941 (Desc. PR 1 Semestre), valores esses que não compuseram o valor de PLR paga aos empregados em fevereiro de 2004. Ademais, em relação à competência de agosto de 2003 (primeira parcela), a fiscalização também considerou como base de cálculo o total da verba 5993 (Particip. Resultados), conforme demonstrado na tabela 5. Nesse sentido, foi possível constatar que, ao não descontar a parcela referente à verba 5941 (Desc. PR 1 Semestre) da base de cálculo objeto da NFLD 37.120.9986 de fevereiro de 2004, tais valores encontramse lançados em duplicidade, no montante de R$ 15.321,46, uma vez que já foram considerados no lançamento referente a agosto de 2003, como pode ser observado na tabela 8 abaixo, em relação aos pagamentos efetuados ao empregado Elio Mosquim: Fl. 2046DF CARF MF Processo nº 14485.003262/200710 Resolução nº 2402000.673 S2C4T2 Fl. 16 15 Replicamos a análise efetuada para o empregado Elio Mosquim aos demais 1.774 pagamentos (Anexo 8) realizados a título de PLR dos planos próprios vigentes para o anocalendário de 2003 (1ª parcela paga em agosto de 2003 e 2ª parcela paga em fevereiro de 2004), sendo que destacamos os seguintes fatos: • No Anexo 17, realizamos o confronto entre (i) os valores pagos em agosto de 2003 verba 5993 (Particip. Resultados) que totalizam o montante de R$ 1.521.299,11; e (ii) os valores descontados dos pagamentos de PLR efetuados em fevereiro de 2004, sob a verba 5941 (Desc. PR 1 Semestre), que perfizeram o total de R$ 1.379.824,75, conforme tabela 9 abaixo. • A partir desse confronto, foi possível constatar que todos os valores descontados a título de PLR em fevereiro de 2004, relativos à “verba 5941 Desc. PR 1° Semestre” (vide coluna (B) da tabela 9) haviam sido efetivamente pagos em agosto de 2003 e considerados pela fiscalização para lançamento do crédito tributário, constantes na NFLD 37.120.9986, na própria competência de agosto de 2003, conforme demonstrado na tabela 5. • Portanto, constatamos que este montante foi lançado em duplicidade pela fiscalização em fevereiro de 2004. • Por outro lado, cumpre destacar que, em agosto de 2003, houveram valores efetivamente pagos, no total de R$ 141.474,36, os quais não foram descontados em fevereiro de 2004, conforme demonstrado na coluna (C) da tabela 9 acima. Portanto, esses valores não foram considerados em duplicidade pela fiscalização. • A mesma análise pode ser replicada para pagamentos de PLR previstos na Convenção Coletiva e que foram efetuados para durante o mês de fevereiro de 2003. Conforme relatório de folhas de pagamentos de fevereiro 2003 (Anexo 5)¸ verificamos que o montante de R$ 12.349,46 foi deduzido dos pagamentos de PLR, sob a verba de dedução 5947 (Antecip. PLR CCT), as quais, conforme demonstrado no Anexo 4, haviam sido pagas aos funcionários no mês de janeiro de 2003. No relatório de lançamentos, a fiscalização considerou para lançamento do crédito tributário, em fevereiro de 2003, o total das verbas de PLR (Anexo 2), sem deduzir os descontos efetuados neste mês referentes aos pagamentos já adiantados em janeiro. Contudo, a fiscalização já havia considerado esses valores para lançamento do crédito tributário em janeiro de 2003, conforme demonstrado no Anexo 20. Nesse contexto, a partir das disposições acima relatadas, consolidamos no Anexo 21 o total dos valores considerados em duplicidade pela fiscalização, durante o período de dezembro de 2002 a dezembro de 2006, como segue: Fl. 2047DF CARF MF Processo nº 14485.003262/200710 Resolução nº 2402000.673 S2C4T2 Fl. 17 16 Diante do exposto e conforme demonstrado na tabela 10 acima, constatamos que as Autoridades Fiscais consideraram em duplicidade o montante de R$ 7.316.092,63, para lançamento do crédito tributário a título de pagamento de PLR pela Itaú Seguros, durante o período de dezembro de 2002 a dezembro de 2006. Como se vê, desde a impugnação apresentada e antes do julgamento do seu recurso voluntário, o contribuinte vem aduzindo que há evidente duplicidade no lançamento, pois a Fiscalização somou ao total dos valores pagos aos funcionários os montantes que foram antecipadamente quitados, tendo juntado respectiva documentação comprobatória, inclusive o susodito Termo de Constatação, que, no seu entender, corroboram tal afirmação. Neste contexto, tendo os presentes autos retornado a este Colegiado para discussão quanto à apuração da base de cálculo, em face de alegada duplicidade do valor considerado no lançamento, entendo ser imprescindível, no caso vertente, a manifestação da autoridade administrativa fiscal da matéria em análise. Fl. 2048DF CARF MF Processo nº 14485.003262/200710 Resolução nº 2402000.673 S2C4T2 Fl. 18 17 De fato, tratandose de discussão que repercute na apuração da base de cálculo utilizada pela fiscalização para lançamento do crédito tributário exigido por meio do presente PAF, o envio dos autos para a Autoridade Administrativa Fiscal da Unidade Origem é medida que se impõe para que esta, analisando os argumentos e documentos apresentados pelo sujeito passivo, manifestese, elaborando, se for o caso, novo(s) demonstrativo(s) de débito(s). Isto porque, e sem que isso represente qualquer juízo de mérito, analisandose os exemplos destacados tanto no Recurso Voluntário, quanto no Termo de Constatação dos auditores externos, verificase, à primeira vista, que a argumentação do contribuinte neste particular é, no mínimo, coerente com aqueles exemplos. Conclusão Neste espeque, com vistas a evitar a emissão de uma decisão em desacordo com a realidade dos fatos, propõese, em homenagem ao princípio da verdade material, a conversão do presente em julgamento para a Unidade de Origem para que esta, com base nos esclarecimentos e documentos apresentados pelo contribuinte, já mencionados neste voto, manifestese acerca da tese de defesa referente à constatação, pelo sujeito passivo, de que valores pagos a título de antecipação de participação nos lucros e resultados foram considerados em duplicidade na apuração do crédito tributário, elaborando, se for o caso, novo(s) demonstrativo(s) de débito(s). Após a manifestação da autoridade administrativa fiscal, dêse ciência, primeiro, à douta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional para, querendo, apresentar a sua competente manifestação e, na sequência, ao sujeito passivo, para também, caso assim julgar necessário, apresentar a sua manifestação. É como voto. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior. Fl. 2049DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10970.720041/2016-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Oct 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013
NF-E. EFD. SAÍDA JURÍDICA DO PRODUTO. ÔNUS DA PROVA. FATO GERADOR DO IPI NÃO COMPROVADO.
A mera emissão de NF-e que no Portal Nacional da Nota Fiscal Eletrônica, no ambiente SPED não é condição necessária e suficiente para a ocorrência do fato gerador do tributo. A escrituração da situação cancelada na EFD aliada à ausência de qualquer evidência da efetiva saída dos produtos da contribuinte é suficiente para afastar a acusação fiscal.
Numero da decisão: 3401-006.717
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Lázaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Lázaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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EFD. SAÍDA JURÍDICA DO PRODUTO. ÔNUS DA PROVA. FATO GERADOR DO IPI NÃO COMPROVADO. A mera emissão de NFe que no Portal Nacional da Nota Fiscal Eletrônica, no ambiente SPED não é condição necessária e suficiente para a ocorrência do fato gerador do tributo. A escrituração da situação cancelada na EFD aliada à ausência de qualquer evidência da efetiva saída dos produtos da contribuinte é suficiente para afastar a acusação fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Lázaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 72 00 41 /2 01 6- 78 Fl. 1138DF CARF MF Processo nº 10970.720041/201678 Acórdão n.º 3401006.717 S3C4T1 Fl. 1.139 2 Relatório Transcrevo o relatório da r. DRJ posto que pertinente: 1. Cuida o presente processo da lavratura de Auto de Infração contra o Interessado em epígrafe, tendo sido constituído crédito tributário relativamente ao Imposto sobre Produtos Industrializados IPI no valor de R$ 8.766.713,04, acrescido da multa de ofício de R$6.575.034,77 e dos juros de mora (calculados até 04/2016) de R$2.401.144,14, totalizando a exigência de R$17.742.891,95, referente ao Período de Apuração de 01/01/2013 a 31/12/2013. 2. Acostado aos autos encontrase o Termo de Verificação Fiscal, parte integrante e indissociável do referido Auto de Infração. Nele, registrou a Autoridade Tributária os fatos apurados, bem como as irregularidades encontradas, no exercício de sua competência legal, conferida pelo disposto na alínea “a” do inciso I do art. 6º da Lei n.º 10.593/2002. Eis o que consta, em síntese, no Termo de Verificação Fiscal: 2) Instaurado o procedimento de fiscalização, decorrente do Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal (TDPF) de número 0610900201600031, a empresa foi intimada a apresentar, através da lavratura do Termo de Início do Procedimento Fiscal em 04/03/2016 (recebido com Aviso de Recebimento AR em 10/03/2016), documentos e esclarecimentos relativos à apuração de IPI no período de 01/01/2013 a 31/12/2013, em especial quanto à não escrituração, na EFD (Escrituração Fiscal Digital), das notas fiscais eletrônicas relacionadas no Anexo A do TIPF. Em resposta postada no dia 31/03/2016 foram apresentados todos os elementos solicitados. 3) Foram identificadas divergências entre os valores de IPI constantes nas notas fiscais eletrônicas emitidas pelo estabelecimento e os valores escriturados na sua EFD, com o consequente não recolhimento do imposto. Assim, com base nas divergências constatadas, nos esclarecimentos prestados e à luz da legislação aplicável, expedese o presente Termo de Verificação Fiscal para subsidiar lançamento de ofício de IPI, conforme detalhado no item 4 a seguir. 4) IPI DESTACADO EM NOTAS FISCAIS ELETRÔNICAS E NÃO ESCRITURADO E NÃO RECOLHIDO A divergência apurada referese às notas fiscais eletrônicas descritas no quadro abaixo, que foram regularmente emitidas pela empresa, com a devida autorização pelo fisco estadual e transmissão para o ambiente Sped Nacional: Fl. 1139DF CARF MF Processo nº 10970.720041/201678 Acórdão n.º 3401006.717 S3C4T1 Fl. 1.140 3 Estão anexos ao presente processo os relatórios com os dados completos de cada uma das notas fiscais eletrônicas acima listadas. Tais relatórios foram obtidos no Portal Nacional da Nota Fiscal Eletrônica a partir das respectivas chaves de acessos, e comprovam que na presente data todas a notas fiscais encontramse na situação ATIVA (autorizada), ou seja, com plena eficácia para produção de seus efeitos jurídicos. Ocorre que os valores de IPI destacados nas notas fiscais acima listadas não compuseram os débitos de IPI escriturados nas respectivas EFD mensais apresentadas pela fiscalizada. Verificase tal situação na análise dos relatórios "Registros fiscais dos documentos de saídas de mercadorias e prestação de serviços", anexos ao presente processo. Tais relatórios equivalem aos Livros de Registro de Saídas (LRS) e foram gerados no Programa Validador Assinador Sped Fiscal EFD ICMS/IPI, a partir das EFD entregues pela fiscalizada e armazenadas no ambiente Sped. Como se vê em tais relatórios, as notas fiscais eletrônicas acima listadas foram escrituradas na situação 02 Canceladas. Mas, considerando que se encontram na situação ATIVA, configurando a ocorrência da operação tributada, deveriam ter sido escrituradas na situação 00, de forma que os valores de IPI nelas destacados compusessem os débitos de cada período de apuração. (...) 5) DO NÃO ACATAMENTO DAS JUSTIFICATIVAS APRESENTADAS PELA FISCALIZADA Na sua resposta ao TIPF, a fiscalizada busca justificar a falta de escrituração/recolhimento da seguinte forma: Fl. 1140DF CARF MF Processo nº 10970.720041/201678 Acórdão n.º 3401006.717 S3C4T1 Fl. 1.141 4 "... as notas relacionadas no anexo A do presente termo foram canceladas em nosso sistema fiscal e devidamente escrituradas com Situação 02 Cancelada no SPED Fiscal. Devido a uma falha sistêmica no processo de cancelamento das notas fiscais relacionadas, este não foi refletido no ambiente da Nota Fiscal Eletrônica. Assim sendo, a empresa está tomando providências no sentido de solicitar cancelamento extemporâneo junto a Sefaz de origem.” “É importante frisar que não houve saída e circulação dessas mercadorias. Nos casos em que isso ocorreu, notas substitutivas foram geradas e o novo valor do IPI destacado, corretamente recolhido, como foi o caso das notas 165080, 167294, 167487, 171050, 174569 e 174752, 174724, canceladas e substituídas pelas notas 165082, 167296, 167491, 171053, 174953, 174730, respectivamente." As justificativas apresentadas pela fiscalizada não podem ser acatadas, conforme se verá a seguir, inclusive com análise de cada um dos elementos trazidos pela fiscalizada. De início, temse que foram descumpridas as regras legais sobre a situação de cancelamento de notas fiscais eletrônicas, abaixo transcritas (grifos nossos): AJUSTE SINIEF 07/2005, DE 30 DE SETEMBRO DE 2005 D.O.U.: 05.10.2005 (Republicado no D.O.U.: 07.12.2005) Institui a Nota Fiscal Eletrônica e o Documento Auxiliar da Nota Fiscal Eletrônica. O Conselho Nacional de Política Fazendária CONFAZ e o Secretário Geral da Receita Federal do Brasil, na 119a reunião ordinária do Conselho Nacional de Política Fazendária, realizada em Manaus, AM, no dia 30 de setembro de 2005, tendo em vista o disposto no art. 199 do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966), resolvem celebrar o seguinte AJUSTE: Cláusula primeira. Fica instituída a Nota Fiscal Eletrônica NFe, que poderá ser utilizada pelos contribuintes do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI ou Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre a Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS em substituição: [...] Nova redação dada à cláusula décima segunda pelo Ajuste SINIEF 12/12, efeitos a partir de 01.11.12: Cláusula décima segunda. Em prazo não superior a vinte e quatro horas, contado do momento em que foi concedida a Autorização de Uso da NFe, de que trata o inciso III da cláusula sétima, o emitente poderá solicitar o cancelamento da respectiva NFe, desde que não tenha havido a circulação da mercadoria ou a prestação de serviço e observadas as normas constantes na cláusula décima terceira. Parágrafo único. A critério de cada unidade federada, em casos excepcionais, poderá ser recepcionado o pedido de cancelamento de forma extemporânea. Nova redação dada ao caput da cláusula décima terceira pelo Ajuste SINIEF 16/12, efeitos a partir de 01.12.12: Fl. 1141DF CARF MF Processo nº 10970.720041/201678 Acórdão n.º 3401006.717 S3C4T1 Fl. 1.142 5 Cláusula décima terceira. O cancelamento de que trata a cláusula décima segunda será efetuado por meio do registro de evento correspondente. [...] Cláusula décima quintaB. Na ocorrência dos eventos abaixo indicados fica obrigado o seu registro pelas seguintes pessoas: 1 pelo emitente da NFe modelo 55: a) Carta de Correção Eletrônica de NFe; b) Cancelamento de NFe; [...] Redação anterior dada à cláusula décima quintaB pelo Ajuste SINIEF 11/13, efeitos a partir de 01.09.13 a 31.01.14: Cláusula décima quintaB, São obrigatórios os registros dos seguintes eventos: I pelo emitente da NFe: a) Carta de Correção Eletrônica de NFe; b) Cancelamento de NFe; [...] Acrescida à cláusula décima quintaB pelo Ajuste SINIEF 17/12, efeitos de 01.12.12 a 31.08.13: Cláusula décima quintaB. O registro de eventos é de uso facultativo pelos agentes mencionados no § 2° da cláusula décima quintaA, sendo obrigatório nos seguintes casos: I registrar uma Carta de Correção Eletrônica de NFe; II efetuar o cancelamento de NFe; [...] Como decorre da legislação transcrita, em especial dos trechos negritados, cabe ao emitente da nota fiscal eletrônica, obrigatoriamente, informar o cancelamento no prazo de 24 horas contado do momento em que foi concedida a autorização de uso da NFe, ou seja, praticamente 24 horas contadas da emissão da nota fiscal. As notas fiscais listadas foram emitidas em 2013, mas até o momento, decorridos quase três anos, não consta cancelamento das mesmas no ambiente do Sped. Ora, o estabelecimento das regras atinentes ao cancelamento das notas fiscais não é simples formalidade, é um pilar do sistema que visa a regularidade fiscal, tanto que teve atenciosa definição nas regras legais que instituem a nota fiscal eletrônica. Ao descumprir sua obrigação de comunicar o cancelamento no prazo legal, a fiscalizada fica impedida de alegar a seu favor o evento de cancelamento, mantendose íntegra a nota fiscal eletrônica e devidos os tributos nela destacados. (...) Fl. 1142DF CARF MF Processo nº 10970.720041/201678 Acórdão n.º 3401006.717 S3C4T1 Fl. 1.143 6 São analisadas a seguir as demais justificativas apresentadas pela fiscalizada. a) alega a fiscalizada que as notas fiscais em tela estão na situação CANCELADA na EFD transmitida ao Sped. Efetivamente, conforme já relatado no item 4, acima, tal afirmação é verdadeira. Ocorre que, conforme já visto, a mera escrituração da situação cancelada na EFD não possui o efeito de cancelar a nota fiscal eletrônica; ao contrário, não tendo sido cumpridos os requisitos do Ajuste Sinief 07/2005, as notas fiscais não estão canceladas, mantendose íntegros seus efeitos. b) a alegada falha sistêmica parece ser apenas um esclarecimento sobre os supostos motivos para que não tivessem ocorridos os cancelamentos das notas fiscais em tela, não sendo justificativa que sobreponha à obrigatoriedade de efetuar o cancelamento nos termos previstos na legislação. Mas, de qualquer forma, a justificativa é contraditada pelo fato de que nos mesmos períodos de apuração sob análise tenham ocorrido diversos outros cancelamentos que se refletiram normalmente no ambiente da nota fiscal eletrônica, a exemplo da nota fiscal eletrônica n° 165079 (relatório anexo ao presente processo), a qual foi emitida momentos antes da nota fiscal n° 165080 (não cancelada e não escriturada) e consta como cancelada tanto na EFD quanto no Sped. Ou seja, não parece lógico que o sistema tenha funcionado corretamente e em momento subsequente tenha falhado. c) ainda buscando sanar sua situação, a fiscalizada alega que solicitará cancelamento extemporâneo junto à Sefaz Minas Gerais. Tal medida, além de não ter sido comprovada e muito menos ter surtido o efeito proposto pela fiscalizada (ou seja, o cancelamento), não é hábil para lhe trazer benefício no presente processo. Isso porque caracterizase a necessidade de denúncia espontânea, situação que fica afastada no presente processo posto que, com a ciência do Termo de Início do Procedimento Fiscal, restou excluída a espontaneidade da fiscalizada, por força do art. 7º, inciso I e §1º, do Decreto n° 70.235/72: (...) d) a fiscalizada alega que não houve saída e circulação das mercadorias acobertadas pelas notas fiscais em tela. Entretanto, não apresenta provas de tal alegação. E, mesmo que as apresentasse, seriam inócuas no presente processo. Isso porque, conforme já visto, a não saída é apenas uma das condições exigidas para o cancelamento das notas fiscais eletrônicas, e as demais condições não foram cumpridas. e) a fiscalizada apresenta por fim a justificativa de que algumas das notas fiscais teriam sido substituídas por outras, inclusive apresentando no atendimento ao TIPF planilha em que tenta demonstrar tal correlação. Ocorre que, ao se analisar os DANFE relativos às notas fiscais supostamente substitutas (anexos à resposta da fiscalizada ao TIPF), verificase que em nenhuma delas constou a expressão "nota fiscal emitida em substituição à nota fiscal x", ou expressão similar. Vem de longe a praxe de fazer constar tal expressão, e sua inexistência fragiliza ainda mais a justificativa apresentada, que tampouco seria suficiente para fazer frente ao descumprimento das disposições do Ajuste Sinief 07/2015. No tocante às notas fiscais 174569 e 174752, que a fiscalizada alega terem sido substituídas pela nota fiscal 174953, a justificativa apresentada afigurase despropositada, pois as três notas fiscais foram emitidas com grande Fl. 1143DF CARF MF Processo nº 10970.720041/201678 Acórdão n.º 3401006.717 S3C4T1 Fl. 1.144 7 distanciamento temporal: dias 06/12/2013, 10/12/2013 e 13/12/2013, respectivamente. Quanto às notas fiscais 165080, 167294, 171050 e 174724, que a fiscalizada alega terem sido substituídas respectivamente pelas notas fiscais 165082, 167296, 171053 e 174730, o espaço temporal entre a nota dita original e a nota alegadamente substituta é bem menor, variando entre 1h42min e 5 minutos. Ocorre que, conforme já esclarecido, na nota fiscal dita substituta não consta observação de que tenha sido emitida em substituição, tampouco se trata de situação prevista como autorizadora de cancelamento em desobediência às regras legais acima debatidas. Quanto às notas fiscais 168864, 170000, 174096 e 174297, a fiscalizada não apresentou justificativa de existência de notas fiscais supostamente substitutas. De todo o contexto acima exposto, extraise que a regra para cancelamento de notas fiscais eletrônicas é cogente e de amplo conhecimento pelos contribuintes, não cabendo à fiscalizada tentar desvencilharse de seu cumprimento. Os documentos fiscais em situação ativa fazem prova das operações praticadas, não cabendo ao fisco desconhecêlas, em especial no tocante ao IPI destacado. Assim, não sendo cabíveis as justificativas apresentadas pela fiscalizada, prevalece a conclusão constante no item 4, acima, qual seja, a necessidade de lançamento de ofício para exigência do IPI destacado e não escriturado/recolhido. 3. Cientificado do Auto de Infração e do Termo de Verificação Fiscal, o contribuinte apresentou Impugnação nos seguintes termos: I O QUE DE FATO OCORREU Como se vê pelo quadro constante da página 2 do Termo de Verificação fiscal, ali são relacionadas 10 Notas fiscais Eletrônicas, emitidas entre 01/06/2013 e 10/12/2013, relativas às transferências de cigarros de produção do estabelecimento autuado para outros estabelecimentos da empresa, todas com lançamento do IPI devido, totalizando R$ 8.766.713.04. Ocorre, no entanto, que todas essas NF's foram canceladas e devidamente escrituradas como canceladas no SPED fiscal, embora, devido a uma falha sistêmica no processo de cancelamento dessas notas, não tenha isto sido refletido no Ambiente da Nota Fiscal Eletrônica. De fato, essas notas fiscais foram canceladas, não ocorrendo, portanto, o fato gerador do IPI. (...) Não obstante, e isto é sumamente importante e não pode deixar de ser levado em consideração, é que, como já exposto pela autuada em sua resposta ao TIPF, essas notas fiscais canceladas não movimentaram os estoques, mesmo sendo algumas delas substituídas por outras, como está claro no quadro anexo (doc. I), pelo qual se pode ver que as notas substitutas foram emitidas iguais às substituídas, ou seja, com os mesmos destinatários, produtos, quantidades e valores de mercadorias e de IPI e ICMS. Fl. 1144DF CARF MF Processo nº 10970.720041/201678 Acórdão n.º 3401006.717 S3C4T1 Fl. 1.145 8 Em suma, portanto, foram essas notas fiscais substitutas e não as substituídas que movimentaram estoques e que foram escrituradas com o débito do IPI, cujos valores foram recolhidos no prazo legal. Para que não subsista qualquer dúvida em relação às afirmações retro sobre notas fiscais substitutas e substituídas e quanto à escrituração, inclusive quanto ao controle de estoque pertinente, a autuada está anexando à presente impugnação as devidas cópias para apreciação (doc. 2). II. QUANTO AO MÉRITO DA AUTUAÇÃO Por tudo o que foi dito, não pode prevalecer uma autuação dessa grandeza de valor, com cobrança de imposto, que já foi pago, com cobrança de multa, para a qual não existe previsão legal específica e com cobrança de juros, tudo sem cabimento, sobretudo quando se tem em conta que a infração pretensamente cometida pela autuada relacionase exclusivamente com a falta de cumprimento de uma obrigação acessória, sendo verdadeiramente absurda, portanto, a cobrança dos valores referentes ao principal do imposto que já foi recolhido, pois, se isto prevalecer, estará sendo o tributo cobrado em duplicidade, configurando enriquecimento ilícito para a União federal. (...) No presente caso, está mais do que evidente que a autuação fiscal foi caprichosa e arbitrária, ao exigir o pagamento do IPI, com acréscimo de multa e juros sobre produtos que já foram tributados e o imposto recolhido, como já exposto, através das notas substitutas. Por tudo, não tem a mínima razoabilidade a pretensão de se cobrar de novo o tributo já pago, com multa e juros, multa, ainda mais considerando que a empresa autora agiu nesse episódio com evidente boafé, não obstante o já referido descumprimento de obrigação acessória, o que, definitivamente, não pode justificar a autuação ora impugnada. Por ter agido de boafé, sem qualquer prejuízo ao Fisco, para arrematar, a impugnante se reporta à lúcida decisão do Pretório Excelso que afastou a aplicação de multa punitiva, quando demonstrada a boafé do contribuinte, ao fundamento de que "o judiciário pode graduar ou excluirá multa, de acordo com a gravidade da infração, e com a importância desta para os interesses da arrecadação. (RE n° 61.160/SP, rel. Min. Evandro Lins e Silva, 19/03/1968). (...) De qualquer forma, como está claro, o erro da autuada foi simplesmente o de não ter cumprido uma obrigação acessória, que consiste em não ter observado essa falha sistêmica, que não refletiu o cancelamento no ambiente da Nota Fiscal Eletrônica, e não ter cumprido a obrigatoriedade de informar o cancelamento da nota fiscal eletrônica no prazo de 24 horas, contado da sua emissão, pelo que, em sentido contrário, é possível concluir que se isto tivesse sido feito, certamente não teria havido essa equivocada autuação. (...) Portanto, o que ocorreu foi o descumprimento de uma obrigação acessória, o que deveria dar ensejo à aplicação do que prescreve o § 3º do art. 113 do CTN: Fl. 1145DF CARF MF Processo nº 10970.720041/201678 Acórdão n.º 3401006.717 S3C4T1 Fl. 1.146 9 "A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária.” Esse deveria ter sido o caminho adotado pelo fisco, que errou ao desconsiderar pagamentos de IPI que foram comprovadamente efetuados, na medida em que exige imposto, multa e juros nesse equivocado auto de infração. (...) IV. CONCLUSÃO Pelas razões expostas, a autuada pede e espera que seja julgado improcedente o lançamento efetuado através o auto de infração ora impugnado, que deve ser cancelado ou julgado improcedente. Protestando pela posterior juntada de prova documental. A r. acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 NFe. Cancelamento. EFD. A NFe que não esteja cancelada no Portal Nacional da Nota Fiscal Eletrônica, no ambiente SPED, encontrandose na situação ATIVA, permanece produzindo todos os efeitos que lhe são inerentes. A mera escrituração da situação cancelada na EFD não possui o efeito de cancelar a nota fiscal eletrônica. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Recorrente apresentou Recurso Voluntário em que reitera as razões da impugnação, enfatizando o mero erro no preenchimento de obrigações acessórias, e a desproporcionalidade da multa. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Extraise dos autos que foi lavrado auto de infração em decorrência de a Recorrente não ter cancelado nota fiscal eletrônica em conformidade com o que dispõe o Ajuste SINIEF 7/2005. Fl. 1146DF CARF MF Processo nº 10970.720041/201678 Acórdão n.º 3401006.717 S3C4T1 Fl. 1.147 10 A Recorrente aduz que as notas fiscais constam como canceladas na EFD e que foram emitidas notas fiscais substitutivas. Prosperou na r. DRJ o entendimento do relator que assim se fundamentava: 12. Entretanto, as alegações do contribuinte não têm como prosperar. Apesar de ter indicado que as notas fiscais em tela estão na situação CANCELADA na EFD que foi transmitida ao SPED, o AuditorFiscal identificou que as mesmas se encontram ATIVAS no ambiente SPED. Isso significa que o respectivo DANFE pode ser emitido a qualquer tempo, de forma plenamente válida, produzindo todos os efeitos que lhe são característicos. (...) 18. A questão é simples: para a circulação das mercadorias, os transportadores precisam estar de posse da DANFE, que deverá ser apresentada em postos fiscais, aos destinatários, etc. Este documento possui uma “chave de acesso”, conforme Art. 11A, § 1º, inciso III, que poderá ser verificada pelos sistemas informatizados. Isso minimiza as chances de uso de documentos falsos. Dessa forma, buscase garantir que as mercadorias vendidas foram devidamente contabilizadas, com a correta apuração dos tributos, uma vez que só podem ser postas em circulação após a emissão da NFe e da DANFE. 19. O sistema estaria completamente falho caso houvesse a possibilidade de uma empresa realizar uma venda, emitir a correspondente NFe e a DANFE, por a mercadoria em circulação, entregála ao seu destinatário, e depois simplesmente cancelar a NFe na sua escrituração fiscal (EFD). A legislação considera que, nos casos onde seja realmente necessário o cancelamento, o prazo de 24 hs é suficiente. Um prazo maior teria o inconveniente de continuar a possibilitar fraudes, nos casos, por exemplo, em que a circulação das mercadorias não se desse por um tempo muito prolongado. 20. Em 24 hs, contadas da concessão de Autorização de Uso, há muito pouco tempo para a circulação da mercadoria. Entretanto, é tempo suficiente, por exemplo, para que um funcionário, ao revisar as emissões de NFe, perceba algum equívoco e cancele a solicitação de emissão. 21. Logo, imperioso concluir que não se trata de mera formalidade ou um simples descumprimento de obrigação acessória, como o Impugnante insiste em afirmar. Seria necessário que este fizesse prova inequívoca de que não houve a circulação da respectiva mercadoria ou prestação de serviço, o que não ocorreu. 22. O que se tem, de concreto, é que as NFe foram regularmente expedidas e permanecem aptas a produzir todos os efeitos jurídicos que lhe são inerentes. O cancelamento ocorreu apenas na escrituração fiscal do contribuinte, com repercussão interna, em sua contabilidade, não produzindo qualquer efeito perante terceiros. Tal cancelamento serve apenas, por óbvio, para evitar a contabilização da venda e o débito dos tributos correspondentes. Observase, neste ponto, que, para proteger seu patrimônio, o contribuinte tomou todas as precauções necessárias, de forma bastante diligente, a fim de evitar o pagamento dos tributos respectivos. Entretanto, no que se refere a cumprir as normas fiscais, a fim de garantir um mínimo de segurança nas fiscalizações conduzidas pelos Fiscos federal e estadual, não houve a mesma preocupação. Fl. 1147DF CARF MF Processo nº 10970.720041/201678 Acórdão n.º 3401006.717 S3C4T1 Fl. 1.148 11 23. A simples indicação de outras NFe emitidas para substituir as supostamente canceladas, com os mesmos destinatários, produtos, quantidades e valores de mercadorias e de IPI e ICMS, não prova absolutamente nada, simplesmente porque não impede que ambas as NFe, supostamente substitutas e substituídas, tenham sido utilizadas. Vejase que o destinatário de todas as NFe é outro estabelecimento do próprio contribuinte, o que obviamente torna sem utilidade até mesmo uma circularização com os destinatários, que poderia produzir prova a favor ou contra o Impugnante. 24. Os produtos à venda também são os mesmos, das marcas fabricadas pela Souza Cruz. Nessa situação, não há qualquer surpresa na emissão de NFe coincidentes, posto que isso pode até mesmo ser recorrente pelas próprias características da operação da empresa. Sem contar que, sendo emitente e destinatários empresas pertencentes ao Impugnante, tais operações podem perfeitamente serem padronizadas, conforme o interesse do grupo empresarial. Em que pese o entendimento acima transcrito, ele não merece prosperar. A presunção de boafé é a regra geral que orienta nosso ordenamento jurídico, devendo a máfé ser provada. Dessa forma não pode a r. DRJ afirmar que tanto a nota fiscal substituta como a substituída poderiam ter sido usadas sem que isto se comprove. Além disso, não há como a Recorrente “fizesse prova inequívoca de que não houve a circulação da respectiva mercadoria ou prestação de serviço”, por se tratar de prova impossível. No mínimo caberia a fiscalização demonstrar de forma clara e inequívoca que as alegadas notas substitutas e substituídas se referem a operações diversas – seja no aspecto material, quantitativo ou pessoal. Nesse sentido, alinhome à posição vencida no colegiado a quo: A não saída dos produtos do estabelecimento autuado não é “apenas uma das condições exigidas para o cancelamento das notas fiscais eletrônicas” (grifei), quando as demais condições não foram cumpridas, tal como alegado. Para a caracterização da ocorrência do fato gerador do IPI e incidência do imposto, é, extreme de dúvidas, a mais importante, a principal e a imprescindível. Nas notas fiscais substitutas o IPI foi devidamente destacado. Temse, então, como necessária a comprovação da ocorrência do fato do gerador, sob pena de se cobrar em duplicidade o imposto. O autuante buscou provar que foram “descumpridas as regras legais sobre a situação de cancelamento de notas fiscais eletrônicas”, mas não há nos autos qualquer evidência de que ele tenha buscado comprovar a efetiva saída dos produtos, tanto aqueles constantes das notas fiscais canceladas, quanto das notas substitutas, hipótese que confirmaria que o IPI destacado nas notas fiscais tida como canceladas deveria ter sido incluído na apuração do imposto. Restaria mais do que justificada a sua cobrança mediante a lavratura do Auto de Infração, ante o não recolhimento dos valores devidos. Não houve sequer a anexação do Livro de Controle da Produção e do Estoque, previsto no artigo 461 do RIPI/2010, que se destina ao controle quantitativo da produção e do estoque de mercadorias. Ao revés disso, a impugnante anexou fotocópias do referido livro, nas quais não há qualquer registro de que as notas fiscais levantadas pelo autuante tenham lastreado a saída das mercadorias, ao passo Fl. 1148DF CARF MF Processo nº 10970.720041/201678 Acórdão n.º 3401006.717 S3C4T1 Fl. 1.149 12 em que nas referidas fotocópias estão relacionadas as saídas de mercadorias amparadas pelas notas fiscais que as substituíram. Da mesma forma, ainda que se trate de saídas para outros estabelecimentos da mesma empresa, não há qualquer documento que confirme que as notas fiscais canceladas foram registradas nos Livros de Entradas daqueles estabelecimentos; também sequer há elementos que indiquem que foram infrutíferas as tentativas nesse sentido, como, por exemplo, mediante circularização. Ou, até mesmo, não há nos autos qualquer registro contábil da autuada indicando o auferimento de receita em decorrência das operações suportadas pelas notas fiscais cujos procedimentos para o cancelamento não foram seguidos. Portanto, caso o lançamento tratasse de multa regulamentar pelo descumprimento de alguma obrigação acessória não observada pela contribuinte quanto ao cancelamento das notas fiscais, aí sim, teriam o autuante e a autoridade julgadora plena razão. Como se verifica, a Recorrente fez prova documental, por meio da juntada do Livro de Controle da Produção e do Estoque, de que as notas substituídas não lastrearam qualquer operação – ainda que “potencialmente” pudessem fazêlo, tendo seus efeitos jurídicos “restaurados” e, no mesmo sentido, a incidência tributária não se dá no potencial, mas somente quando da ocorrência de fato gerador. Assim sendo, voto por conhecer e, no mérito, dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 1149DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10240.720147/2007-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Nov 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2005
ITR. IMÓVEL INVADIDO. FATO GERADOR INEXISTENTE. ESVAZIAMENTO DOS ELEMENTOS DA PROPRIEDADE.
É inexigível o ITR diante do desaparecimento da base material do fato gerador e da violação dos referidos princípios da propriedade, a saber, o domínio e a posse sobre a área, para que sobre ela possa ser exercida qualquer destinação econômica. Perda dos atributos da propriedade.
Numero da decisão: 2401-007.037
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a ausência de sujeição passiva. Vencidos os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier que negavam provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(documento assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Jose Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado) e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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IMÓVEL INVADIDO. FATO GERADOR INEXISTENTE. ESVAZIAMENTO DOS ELEMENTOS DA PROPRIEDADE. É inexigível o ITR diante do desaparecimento da base material do fato gerador e da violação dos referidos princípios da propriedade, a saber, o domínio e a posse sobre a área, para que sobre ela possa ser exercida qualquer destinação econômica. Perda dos atributos da propriedade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a ausência de sujeição passiva. Vencidos os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier que negavam provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (documento assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Jose Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado) e Miriam Denise Xavier (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 72 01 47 /2 00 7- 25 Fl. 343DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-007.037 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10240.720147/2007-25 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife - PE (DRJ/REC) que julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento, conforme ementa do Acórdão nº 11-26.635 (fls. 280/298): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2005 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. COMPROVAÇÃO. A exclusão de áreas declaradas como de utilização limitada da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada ao protocolo do Ato Declaratório Ambiental - ADA, no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. A exclusão da área de reserva legal da tributação pelo ITR depende de sua averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, até a data da ocorrência do fato gerador. VALOR DA TERRA NUA. • O Valor da Terra Nua - VTN é o preço de mercado da terra nua apurado em 1º de janeiro do ano a que se referir a DITR. Lançamento Procedente O presente processo trata da Notificação de Lançamento – Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR (fls. 144/150), lavrada em 10/09/2007, referente ao Exercício 2005 do imóvel de Nirf n° 3.880.321-6, denominado "Seringal Bela Vista", no município de Machadinho D'Oeste – RO com área de 21.671,4 ha, que apurou Crédito Tributário no valor de R$ 867.035,67, sendo R$ 428.737,42 de Imposto Suplementar, código 7051, R$ 116.745,19 de Juros de Mora, calculados até 28/09/2007, e R$ 321.553,06 de Multa de Ofício, passível de redução. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 146) foram apuradas as seguintes infrações: 1. Área de Reserva Legal não comprovada: Regularmente intimado, o Contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a título de Reserva Legal no imóvel rural; 2. Valor da Terra Nua declarado não comprovado: Regularmente intimado, o Contribuinte não comprovou através de laudo de avaliação do imóvel o valor da terra nua declarado, conforme prescrito na NBR 14.653 da ABNT. Complementando a Descrição dos Fatos a Fiscalização afirmou que para as áreas de utilização limitada é necessário que o proprietário do imóvel averbe as referidas áreas à margem da inscrição da matrícula do imóvel, até o último dia do ano anterior a que se refere o fato gerador. O Contribuinte tomou ciência da Notificação de Lançamento, via Correio, em 04/10/2007 (AR - fl. 154) e, tempestivamente, em 30/10/2007, apresentou sua Impugnação de fls. 156/202, instruída com os documentos nas fls. 206 a 276. Fl. 344DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-007.037 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10240.720147/2007-25 O Processo foi encaminhado à DRJ/REC para julgamento, onde, através do Acórdão nº 11-26.635, em 15/06/2009 a 1ª Turma julgou no sentido de reconhecer a procedência do lançamento efetuado, mantendo integralmente o Crédito Tributário exigido. O Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ/REC, via Correio, em 24/07/2009 (AR - fl. 304) e, inconformado com a decisão prolatada, em 14/08/2009, tempestivamente, interpôs seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 310/342, através do qual: 1. Afirma que persevera nas razões impugnativas, como parte integrante e inseparável do Recurso apresentado; 2. Discorre sobre a desnecessidade de averbação da área de reserva legal no registro do imóvel para a obtenção da isenção do ITR; 3. Insurge-se contra o arbitramento do VTN. Finaliza seu Recurso Voluntário requerendo seu recebimento e processamento a fim de reformar integralmente a Decisão recorrida, cancelando-se definitivamente o lançamento de ofício. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto, Relatora. Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito O presente processo trata da exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, exercício 2005, relativo ao imóvel denominado "Seringal Bela Vista", localizado no município de Machadinho D'Oeste - RO, com área total de 21.671,4 ha, cadastrado na SRF sob o n° 3.880.321-6. Segundo a fiscalização o contribuinte, após regularmente intimado, não comprovou a Área de Reserva Legal e o Valor da Terra Nua, razão porque houve arbitramento com base nas informações do Sistema de Pregos de Terra – SIPT da RFB. Fl. 345DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-007.037 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10240.720147/2007-25 O contribuinte apresentou Recurso Voluntário através do qual afirma que persevera nas razões impugnativas, como parte integrante e inseparável do apelo, e acrescenta sua insurgência discorrendo sobre a desnecessidade de averbação da área de reserva legal no registro do imóvel para a obtenção da isenção do ITR, bem como se insurge contra o arbitramento do VTN. Cabe, inicialmente, no presente caso, uma análise mais detalhada dos fatos que envolveram o imóvel objeto de exigência do ITR, trazidos ao conhecimento da fiscalização durante o procedimento fiscal. Durante o procedimento fiscalizatório e em resposta ao Termo de Intimação Fiscal lavrado, o contribuinte informou que teve suas terras invadidas por sem terras e que os documentos acostados aos autos demonstram a impossibilidade de levantamento e elaboração de laudos, vez que os invasores, sob constante ameaça, não permitem que outras pessoas, inclusive os proprietários, adentrem ao imóvel. O contribuinte juntou aos autos o Ofício nº 008/02, emitido em 25/06/2002 pelo IBAMA, dirigido ao Juiz de Direito de Ouro Preto do Oeste/RO, através do qual dá notícia de que a área denominada fazenda - TD - Bela Vista, que se limita com a Reserva Biológica do Jaru/IBAMA, e que faz parte do entorno da reserva, foi completamente invadida e que já foram realizadas 03 (três) operações de retirada de invasores juntamente com a Polícia Federal, mas os mesmos retornaram com incentivos de políticos locais. O anexo, que traz a síntese da situação, assim esclarece: E uma faixa de terra existente entre o rio Machado e a divisa da Reserva Biológica do Jaru. Dentro do contexto do Zoneamento, está inserida na chamada zona 03 e representa uma importante faixa de segurança para manutenção da integridade da Reserva Biológica do Jaru. Pois está inserida na RESOLUÇÃO/CONAMA/N° 013 de 06 de dezembro de 1990, em seu art. 2° onde esclarece que nas áreas circundantes das Unidades de Conservação, num raio de dez quilômetros, qualquer atividade que possa afetar a biota, deverá ser obrigatoriamente licenciada pelo órgão ambiental competente. Sem que tenha ocorrido nenhum posicionamento do INCRA, IBAMA e Governo do Estado no que concerne um possível estudo de ocupação. O local foi gradativamente sendo objeto de invasão. No que pese aos trabalhos que o IBAMA vem realizando, esclarecendo que no atual momento aquelas invasões são totalmente irregulares e ao arrepio da lei, aliado as três reuniões que já aconteceram, onde o INCRA não deu nenhuma esperança de legalização fundiária, a cada dia a situação fica mais complicada e tensa. Isso é perfeitamente notado, quando servidores da Reserva procuram dialogar com os posseiros e esses continuamente fazem os mais diversos tipos de ameaças aos funcionários do IBAMA, ampliam suas marcações, tanto na faixa marginal quanto no interior da Reserva. De acordo com informes de pessoas ligadas aos posseiros existem muitas especulações imobiliárias com marcações custando entre R$ 500,00 a 1.000,00, e o mais curioso é que, 90% das pessoas que estão praticando esse tipo de invasão são funcionários públicos, comerciantes, pessoas que já possuem terra e que vivem na cidade, pouquíssimos são os que realmente precisam da terra para sobreviver e dar sustentação as suas famílias, caracterizando assim puro e simplesmente a chamada especulação. O contribuinte adunou aos autos o Decreto nº 83.716/79 que cria a Reserva Biológica do Jaru e parecer técnico de viabilidade, emitido pelo IBAMA em 2004, demonstrando a imprescindibilidade da integração da propriedade TD Bela Vista à Reserva Biológica do Jaru, nos termos cujos trechos transcreve-se a seguir: (...) Fl. 346DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-007.037 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10240.720147/2007-25 Pela sua localização, isto é, por margear o Rio Machado em toda a sua extensão, trata-se de urna área de importância incomensurável para a biodiversidade, sobretudo por alagar considerável faixa marginal no período das cheias, assim como par permanecer como barreiros por importante período do ano. Em observações feitas por imagens de satélite, assim como pelas inúmeras visitas feitas in loco, em alguns trechos, verifica-se que esta faixa de inundação pode atingir até mais de 2 km de largura em área florestada, dentro do TD Bela Vista, revelando a existência de uma ampla Área de preservação permanente (Figura 02 e 03). Um ambiente com estas características abriga, consequentemente, diversos ecossistemas constituídos os ecológicos muito específicos, de importância fundamental para preservação da biodiversidade e para pesquisas cientificas. Ao mesmo tempo, para a ictiofauna estes ambientes constituem sítios de alimentação e de reprodução, destacando-se corno importantes refúgios de alevinos nos períodos das cheias. (...) Embora os crimes ambientais praticados pelos invasores sejam graves, para o universo da propriedade, os valores computados até agora acabam dissipando-se e, sem dúvida, não invalidam a transformação da área em Unidade de Conservação integral. Por outro lado, uma ocupação efetiva constituiria em perdas irreparáveis para o ecossistema local e para aquele quo compõe a Reserva Biológica do Jaru. Dada a expansão da pressão por parte dos invasores, inclusive com especulações sobre a possibilidade de aquisição das terras, este é o momento de impedir a completa degradação ambiental da área, incorporando-a à Reserva Biológica do Jaru. Vale lembrar que, em se tratando de invasões organizadas, como é o caso da que ocorre na referida área, o desrespeito à legislação ambiental é acintoso e, por extensão, dificilmente controlável por parte do Poder Público. É importante ressaltar que tais invasores atingiram, também, o interior da Reserva Biológica do Jaru, fato este explicado, especialmente, pela própria existência da faixa de terras que a separa de sua principal via de acesso, o Rio Machado, tomando-se um empecilho para as equipes de fiscalização ao longo dos 88,9 km da linha seca que separa a Unidade de Conservação e o TD Bela Vista. Outros fatores contribuíram, igualmente, para o avanço das invasões, como o abandono das terras por parte de seus proprietários durante mais de urna década; a ausência de demarcação dos limites entre a propriedade TD Bela Vista e a Reserva Biológica do Jaru logo após a sua criação, trabalho este realizado apenas em 2003. Nesta mesma linha que aponta para a importância da integração do TO Bela Vista A Reserva Biológica do Jaru, está o Zoneamento Ecológico-Econômico do Estado de Rondônia que classificou a área como imprópria para outro tipo de exploração que não seja o extrativismo, não se prestando para a implantação de atividades agropastoris, dada a baixa fertilidade natural das terras e a fragilidade dos ecossistemas (subzona 1.3). Ademais, após estudos efetuados pelo INCRA, a área também foi classificada como imprópria para efeito de assentamento rural, sobretudo por compor-se de Área de floresta primária, em acordo com o Artigo 37A, Parágrafo 6°. da Lei 4.771865. A Resolução CONAMA n°. 013/90 quo regulamenta o Artigo 27 do Decreto 99.274/90, que trata das normas referentes ao entorno das Unidades de Conserva0o destaca, ainda, que "Nas áreas circundantes das Unidades de Conservação, num raio de dez quilômetros, qualquer atividade que possa afetar a biota deverá ser obrigatoriamente licenciada pelo Órgão ambiental competente". Certamente, uma exploração econômica desta Área traria enormes prejuízos para a flora e, notadamente, para a fauna, uma vez que a presença de animais domésticos, sobretudo de cães caçadores, comuns na região, afugenta os animais silvestres. (...) Nestes termos, manifestamos nossa convicção de haver bem demonstrado técnica, científica e ambientalmente a imprescindibilidade da integração da propriedade TD Bela Vista à Reserva Biológica do Jaru. Fl. 347DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-007.037 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10240.720147/2007-25 Traz ainda NOTA A IMPRENSA IBAMA/REBIO JARU N° 001/2006, através da qual se esclarece a continuidade da ampliação da Reserva Biológica do Jaru, que é uma Unidade de Conservação Federal de Proteção Integral, administrada pelo IBAMA, e que em função da sua importância e dos inúmeros problemas de invasão da área, o IBAMA solicitou a ampliação da reserva, com a incorporação da fazenda TD Bela Vista, fato este concretizado com a assinatura do Decreto de 02 de maio de 2006 pelo Presidente da República. Informa a Nota nº 001/2006 que a Associação ASPROR VERDE VALE, representante de posseiros da área, em sua maioria comerciantes, funcionários públicos e criadores de gado, tem questionado a ampliação da reserva e incentivado atos de desrespeito ao Decreto Presidencial, com a invasão da área da reserva. No entanto ressaltou que a área do TD Bela Vista já é parte de uma Reserva Biológica Federal desde o dia 02 de maio, fato irreversível, onde não são permitidas ações que possam causar danos ambientais e que o IBAMA tem perante a sociedade de Rondônia a responsabilidade de garantir a sua proteção. Colaciona ainda petição inicial da ação reivindicatória cumulada com danos materiais e tutela antecipada ajuizada em 2003, através da qual informa que suas terras foram invadidas e que, paralelamente à invasão da propriedade, o presidente da Associação dos Produtores Rurais Verde Vale — ASPROR também promove o loteamento e a venda ilegal de terras pertencentes a reversa biológica do Jaru, conforme relatório do IBAMA. Aduz que está impossibilitado de exercer de forma plena seu direito de posse e propriedade do imóvel e requer a expedição de mandado de desocupação imediata da área reivindicada ao seu legitimo proprietário. O contribuinte, ora recorrente, apresentou as suas razões de impugnação ao lançamento do crédito tributário, onde, além de questionar a necessidade de averbação no registro do imóvel a área de reserva legal e o arbitramento do VTN por não consideração das peculiaridades do imóvel como as invasões ocorridas, questiona também a limitação da utilização da propriedade pelos órgãos ambientais que o consideram como de utilização limitada em seu todo, pois referido imóvel constitui área contígua, adjacente à Reserva Biológica do rio Jaru, criada pelo Decreto Federal n° 83.716, de 11/07/1979, reiterando no Recurso Voluntário todos os argumentos aduzidos na impugnação. O Recorrente junta aos autos a Resolução/CONAMA/N° 013 de 06 de dezembro de 1990, o Decreto nº 83.716, de 11 de julho de 1979, e o Diário Oficial da União com a publicação do Decreto da Presidência da República que amplia os limites da Reserva Biológica do Jaru. Pois bem. O ato administrativo de lançamento deve se ater aos ditames do artigo 142 do Código Tributário Nacional que estabelece que “compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.”. Com efeito, o fato gerador e o sujeito passivo do ITR estão disciplinados nos artigos 1º e 4º, da Lei nº 9.363/1996, que assim estabelece: Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. Fl. 348DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-007.037 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10240.720147/2007-25 Art. 4º Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título. No mesmo sentido, prescreve o Código Tributário Nacional, senão vejamos: Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localização fora da zona urbana do Município. Art. 30. A base do cálculo do imposto é o valor fundiário. Art. 31. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título. Conforme se verifica da legislação de regência da matéria, o fato gerador do ITR é a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel rural. O sujeito passivo do tributo é aquele que possui o animus domini em relação àquele imóvel, capaz de justificar a tributação. É cediço que o proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavê-la do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha. Sendo o possuidor, quem detém de fato o exercício, pleno ou não, de algum dos poderes inerentes à propriedade. Destarte, como a propriedade pressupõe o domínio, em que pese ser a propriedade um dos fatos geradores do ITR, essa propriedade não é plena quando o imóvel encontra-se invadido, pois o proprietário é tolhido das faculdades inerentes ao domínio sobre o imóvel. Pelos elementos trazidos aos autos, constata-se que, não obstante o direito de propriedade, o Recorrente estava impedido de usar, gozar e dispor do imóvel em questão, pois sem a posse, na essência, os direitos inerentes à propriedade deixam existir de maneira plena, até porque, encontra-se o imóvel sob impossibilidade de utilização econômica plena. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça STJ firmou-se no sentido de que, nos casos em que se encontra consolidado em definitivo, o esvaziamento dos atributos da propriedade (gozo, uso e disposição do bem), decorrente de invasões irreversíveis ou desapropriação indireta, não incidem os tributos sobre eles incidentes, conforme decisões proferidas no Resp 1.144.982/PR, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Dje 15/10/2009 e Resp 963.499/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Dje 14/12/2009, a seguir transcritas: TRIBUTÁRIO. ITR. INCIDÊNCIA SOBRE IMÓVEL. INVASÃO DO MOVIMENTO "SEM TERRA". PERDA DO DOMÍNIO E DOS DIREITOS INERENTES À PROPRIEDADE. IMPOSSIBILIDADE DA SUBSISTÊNCIA DA EXAÇÃO TRIBUTÁRIA. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. RECURSO ESPECIAL NÃO PROVIDO. 1. Conforme salientado no acórdão recorrido, o Tribunal a quo, no exame da matéria fática e probatória constante nos autos, explicitou que a recorrida não se encontraria na posse dos bens de sua propriedade desde 1987. 2. Verifica-se que houve a efetiva violação ao dever constitucional do Estado em garantir a propriedade da impetrante, configurando-se uma grave omissão do seu dever de garantir a observância dos direitos fundamentais da Constituição. 3. Ofende os princípios básicos da razoabilidade e da justiça o fato do Estado violar o direito de garantia de propriedade e, concomitantemente, exercer a sua prerrogativa de constituir ônus tributário sobre imóvel expropriado por particulares (proibição do venire contra factum proprium). 4. A propriedade plena pressupõe o domínio, que se subdivide nos poderes de usar, gozar, dispor e reivindicar a coisa. Em que pese ser a propriedade um dos fatos geradores do ITR, essa propriedade não é plena quando o imóvel encontra-se Fl. 349DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2401-007.037 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10240.720147/2007-25 invadido, pois o proprietário é tolhido das faculdades inerentes ao domínio sobre o imóvel. 5. Com a invasão do movimento "sem terra", o direito da recorrida ficou tolhido de praticamente todos seus elementos: não há mais posse, possibilidade de uso ou fruição do bem; consequentemente, não havendo a exploração do imóvel, não há, a partir dele, qualquer tipo de geração de renda ou de benefícios para a proprietária. 6. Ocorre que a função social da propriedade se caracteriza pelo fato do proprietário condicionar o uso e a exploração do imóvel não só de acordo com os seus interesses particulares e egoísticos, mas pressupõe o condicionamento do direito de propriedade à satisfação de objetivos para com a sociedade, tais como a obtenção de um grau de produtividade, o respeito ao meio ambiente, o pagamento de impostos etc. 7. Sobreleva nesse ponto, desde o advento da Emenda Constitucional n. 42/2003, o pagamento do ITR como questão inerente à função social da propriedade. O proprietário, por possuir o domínio sobre o imóvel, deve atender aos objetivos da função social da propriedade; por conseguinte, se não há um efetivo exercício de domínio, não seria razoável exigir desse proprietário o cumprimento da sua função social, o que se inclui aí a exigência de pagamento dos impostos reais. 8. Na peculiar situação dos autos, ao considerar-se a privação antecipada da posse e o esvaziamento dos elementos de propriedade sem o devido êxito do processo de desapropriação, é inexigível o ITR diante do desaparecimento da base material do fato gerador e da violação dos referidos princípios da propriedade, da função social e da proporcionalidade. 9. Recurso especial não provido. (REsp 1144982/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 13/10/2009, DJe 15/10/2009) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OFENSA AO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. ITR. IMÓVEL INVADIDO POR INTEGRANTES DE MOVIMENTO DE FAMÍLIAS SEM-TERRA. AÇÃO DECLARATÓRIA. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. FATO GERADOR DO ITR. PROPRIEDADE. MEDIDA LIMINAR DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE NÃO CUMPRIDA PELO ESTADO DO PARANÁ. INTERVENÇÃO FEDERAL ACOLHIDA PELO ÓRGÃO ESPECIAL DO TJPR. INEXISTÊNCIA DE HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. PERDA ANTECIPADA DA POSSE SEM O DEVIDO PROCESSO DE DESAPROPRIAÇÃO. ESVAZIAMENTO DOS ELEMENTOS DA PROPRIEDADE. DESAPARECIMENTO DA BASE MATERIAL DO FATO GERADOR. PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA BOA-FÉ OBJETIVA. 1. A solução integral da controvérsia, com fundamento suficiente, não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC. 2. O Superior Tribunal de Justiça tem entendimento pacífico de que se aplica o prazo prescricional do Decreto 20.910/1932 para demanda declaratória que busca, na verdade, a desconstituição de lançamento tributário (caráter constitutivo negativo da demanda). 3. O Fato Gerador do ITR é a propriedade, o domínio útil, ou a posse, consoante disposição do art. 29 do Código Tributário Nacional. 4. Sem a presença dos elementos objetivos e subjetivos que a lei, expressa ou implicitamente, exige ao qualificar a hipótese de incidência, não se constitui a relação jurídico-tributária. 5. A questão jurídica de fundo cinge-se à legitimidade passiva do proprietário de imóvel rural, invadido por 80 famílias de sem-terra, para responder pelo ITR. Fl. 350DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2401-007.037 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10240.720147/2007-25 6. Com a invasão, sobre cuja legitimidade não se faz qualquer juízo de valor, o direito de propriedade ficou desprovido de praticamente todos os elementos a ele inerentes: não há mais posse, nem possibilidade de uso ou fruição do bem. 7. Direito de propriedade sem posse, uso, fruição e incapaz de gerar qualquer tipo de renda ao seu titular deixa de ser, na essência, direito de propriedade, pois não passa de uma casca vazia à procura de seu conteúdo e sentido, uma formalidade legal negada pela realidade dos fatos. 8. Por mais legítimas e humanitárias que sejam as razões do Poder Público para não cumprir, por 14 anos, decisão judicial que determinou a reintegração do imóvel ao legítimo proprietário, inclusive com pedido de Intervenção Federal deferido pelo TJPR, há de se convir que o mínimo que do Estado se espera é que reconheça que aquele que diante da omissão estatal e da dramaticidade dos conflitos agrários deste Brasil de grandes desigualdades sociais não tem mais direito algum não pode ser tributado por algo que só por ficção ainda é de seu domínio. 9. Ofende o Princípio da Razoabilidade, o Princípio da Boa-Fé Objetiva e o bom senso que o próprio Estado, omisso na salvaguarda de direito dos cidadãos, venha a utilizar a aparência desse mesmo direito, ou o resquício que dele restou, para cobrar tributos que pressupõem a sua incolumidade e existência nos planos jurídico (formal) e fático (material). 10. Irrelevante que a cobrança do tributo e a omissão estatal se encaixem em esferas diferentes da Administração Pública. União, Estados e Municípios, não obstante o perfil e personalidade próprios que lhes conferiu a Constituição de 1988, são parte de um todo maior, que é o Estado brasileiro. Ao final das contas, é este que responde pela garantia dos direitos individuais e sociais, bem como pela razoabilidade da conduta dos vários entes públicos em que se divide e organiza, aí se incluindo a autoridade tributária. 11. Na peculiar situação dos autos, considerando a privação antecipada da posse e o esvaziamento dos elementos da propriedade sem o devido processo de Desapropriação, é inexigível o ITR ante o desaparecimento da base material do fato gerador e a violação dos Princípios da Razoabilidade e da Boa-Fé Objetiva. 12. Recurso Especial parcialmente provido somente para reconhecer a aplicação da prescrição quinquenal. (REsp 963.499/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/03/2009, DJe 14/12/2009) Conforme comprovado nos autos, as invasões ocorreram antes mesmo do exercício tributário em questão e persistiram nos anos vindouros, tanto que para preservar a área ambiental, e em virtude dos inúmeros problemas decorrentes da invasão da área, o IBAMA solicitou a ampliação da reserva, com a incorporação da fazenda TD Bela Vista à Reserva Biológica do Jaru. Assim, com a invasão, o direito de propriedade ficou desprovido de praticamente todos os elementos a ele inerentes, haja vista a inexistência de posse e a impossibilidade de uso ou fruição do bem. Conforme bem assentou o Ministro Herman Benjamin no REsp 963.4997, o “direito de propriedade sem posse, uso, fruição e incapaz de gerar qualquer tipo de renda ao seu titular deixa de ser, na essência, direito de propriedade, pois não passa de uma casca vazia à procura de seu conteúdo e sentido, uma formalidade legal negada pela realidade dos fatos.” Assim, tendo em vista a contrariedade ao art. 142 do CTN, pois ressaem descaracterizados os elementos essenciais ao lançamento, quais sejam, o próprio fato gerador contido na hipótese de incidência tributária, decorrentes da perda dos atributos da propriedade, o que reflete na própria sujeição passiva, deve ser exonerado o crédito tributário. Fl. 351DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2401-007.037 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10240.720147/2007-25 Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e DAR-LHE PROVIMENTO. (documento assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 352DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.910205/2016-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/01/2015 a 31/03/2015
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. BENS E DIREITOS APLICADOS NA ATIVIDADE DO SUJEITO PASSIVO.
Tendo o sujeito passivo obtido provimento judicial assegurando-lhe o direito a calcular a contribuição não cumulativa somente sobre a taxa de administração, considerada seu faturamento, correspondente à remuneração pelo serviço de intermediação de mão de obra, somente gerarão créditos os bens e serviços adquiridos que forem aplicados nessa atividade.
Recurso Voluntário Improvido
Numero da decisão: 3201-006.095
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente e Relator), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2015 a 31/03/2015 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. BENS E DIREITOS APLICADOS NA ATIVIDADE DO SUJEITO PASSIVO. Tendo o sujeito passivo obtido provimento judicial assegurando-lhe o direito a calcular a contribuição não cumulativa somente sobre a taxa de administração, considerada seu faturamento, correspondente à remuneração pelo serviço de intermediação de mão de obra, somente gerarão créditos os bens e serviços adquiridos que forem aplicados nessa atividade. Recurso Voluntário Improvido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente e Relator), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 91 02 05 /2 01 6- 05 Fl. 729DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-006.095 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.910205/2016-05 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte acima identificado em contraposição ao despacho decisório da repartição de origem que indeferira o Pedido de Ressarcimento da COFINS não cumulativa formulado pelo interessado. Na análise do Pedido de Ressarcimento na repartição de origem, apurou-se que o contribuinte detinha ação judicial transitada em julgado que lhe assegurava o direito de considerar como receita tributável, para fins de incidência das contribuições (PIS/Cofins), apenas a taxa administrativa cobrada no exercício de sua atividade de intermediação de mão de obra. Na referida ação judicial, o interessado pleiteou e obteve provimento judicial definitivo garantindo-lhe o direito de não incluir na base de cálculo das contribuições os valores referentes às remunerações repassadas aos trabalhadores, aos encargos sociais e trabalhistas e aos reembolsos de despesas (vale transporte, tíquete refeição, materiais de limpeza etc.), sendo considerado que tais parcelas representavam valores que apenas transitavam por sua contabilidade e que não representavam seu faturamento, tratando-se, em verdade, de gastos suportados pelos terceiros contratantes. O direito creditório pleiteado pelo contribuinte se refere a despesas com alimentação dos trabalhadores, fardamento, vale transporte, material utilizado em serviço, serviços prestados por pessoas jurídicas (manutenção e informática), aluguéis, combustíveis, energia elétrica e locação de veículos e equipamentos. Considerou, ainda, a repartição de origem que, se o valor repassado pelo tomador do serviço se referia à integralidade dos gastos realizados a esse título, tal fato significava que o contribuinte não arcava com qualquer parcela de PIS/Cofins eventualmente embutida nesses gastos, pois, de fato, era o tomador do serviço de cessão/locação de mão de obra que, na condição de consumidor final de fato, arcava com esses tributos, não cabendo ao pleiteante dos presentes autos o direito a crédito sobre esses dispêndios. A autoridade administrativa argumentou, também, que, quanto ao art. 27, inciso II, da IN SRF n° 1.300/2012, tal dispositivo restringia a hipótese de ressarcimento de eventuais saldos credores de PIS e Cofins aos casos decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, hipóteses essas não aplicáveis ao presente caso, pois, tendo o contribuinte obtido provimento judicial garantindo-lhe o direito de considerar como base de cálculo apenas a taxa administrativa, receita essa totalmente tributada pelas contribuições, os demais recebimentos seriam apenas repasses de terceiros, não incluídos em seu faturamento. Nesse contexto, se o contribuinte não possuía vendas com suspensão, isenção ou alíquota zero, ele se encontrava impedido de solicitar ressarcimento de eventuais créditos com base no referido dispositivo normativo, pois, para usufruir de tal benefício, ele deveria ter Fl. 730DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-006.095 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.910205/2016-05 considerado como receita tributável tanto a taxa de administração quanto os demais ingressos afastados pela decisão judicial. De acordo com o inciso X do art. 3° das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, o direito a crédito relativo a alimentação dos trabalhadores, fardamento, vale transporte e material utilizado nos serviços se restringia às atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção, atividades essas não prestadas pelo contribuinte, conforme restou consignado na ação judicial. Quanto aos créditos relativos aos serviços vinculados, basicamente, à manutenção do escritório e de informática, a repartição de origem considerou que, de acordo com o art. 3° das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, não se tratava de dispêndios consumidos ou aplicados diretamente na atividade de intermediação exercida pelo contribuinte, pois referidos gastos não podiam ser considerados necessários ao funcionamento administrativo da empresa, não se agregando, por conseguinte, ao seu objeto final. No que se refere aos créditos relativos à aquisição de combustíveis, a glosa efetuada decorreu do entendimento de que, não obstante a previsão de direito a crédito na aquisição de combustíveis contida no art. 3°, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, o parágrafo 2º, inciso II, do mesmo artigo vedava o crédito na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição e, tendo sido tais combustíveis adquiridos diretamente de estabelecimentos varejistas, eles não geravam direito a crédito. Além disso, considerando que tais gastos não se enquadravam no conceito legal de insumo para a atividade desenvolvida pelo fiscalizado, os créditos vinculados a essa rubrica também foram glosados na íntegra. Quanto à locação de veículos e equipamentos, considerou a repartição de origem que ela não gerava direito a crédito por se referir a despesas não expressamente relacionadas no art. 3º da Lei n° 10.637/2002 e da Lei n° 10.833/2003 e não enquadráveis no conceito de insumo para o tipo de atividade prestada pelo fiscalizado, uma vez que não era um serviço que fosse consumido ou se agregasse diretamente ao serviço de intermediação. Por outro lado, no que tange aos aluguéis e taxas de condomínio, concluiu a autoridade administrativa que os pagamentos respectivos realizados junto a pessoas jurídicas se referiam a imóveis das filiais e da sede da empresa, tratando-se, portanto, de situação geradora de crédito que deveria ser reconhecido em sua íntegra. Também os créditos decorrentes de gastos com energia elétrica consumida nas atividades da empresa foram acatados pela Fiscalização com base no art. 3°, IX, da Lei n° 10.637/2002 e art. 3°, III, da Lei nº 10.833/2003. Considerando que os valores das contribuições retidos na fonte haviam sido suficientes para deduzir os débitos apurados pela fiscalização a partir das glosas efetuadas, não houve necessidade de lavratura de autos de infração, sendo ressaltado que, mesmo após esse aproveitamento, restaram saldos credores cujos pedidos de restituição encontravam-se sob análise no setor da repartição de origem denominado Seort. Em sua Impugnação, o contribuinte requereu a reforma do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: Fl. 731DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-006.095 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.910205/2016-05 a) considerando que a sua receita tributável se restringia à taxa de administração, os valores das remunerações, encargos, uniformes, vale transporte, vale alimentação, planos de saúde e material de limpeza passaram a ser considerados receitas não tributáveis pelas contribuições, gerando créditos em virtude das disposições contidas no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, no art. 16 da Lei nº 11.116/2005 e no art. 27 da IN SRF nº 1.300/2012; b) os créditos pleiteados foram calculados sobre insumos utilizados na prestação dos seus serviços (energia elétrica consumida nos seus estabelecimentos, aluguel de prédios pagos à pessoa jurídica, máquinas, equipamentos e outros bens destinados ao seu ativo, edificações e benfeitorias, vale-transporte, vale refeição ou vale-alimentação, fardamento e uniformes fornecidos aos seus empregados), uma vez que se enquadra como empresa locadora de mão de obra especializada em limpeza, conservação e manutenção, conforme consta no seu Contrato Social. A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. O relator do voto condutor do acórdão de primeira instância destacou que, em relação ao item “Locação de Veículos e Equipamentos”, apesar de ter constado do Termo de Verificação Fiscal que os créditos relacionados haviam sido glosados na íntegra, isso em verdade não aconteceu, pois, de acordo com os Demonstrativos Mensais de Apuração do PIS e da Cofins, dentre os créditos mantidos pela fiscalização, encontrava-se o de Locação de Veículos e Equipamentos. Ressaltou, ainda, o julgador de piso que, à exceção da taxa de administração (remuneração pelo serviço de intermediação), os bens e serviços adquiridos não se destinavam ao patrimônio do contribuinte, pois representavam itens direcionados a terceiros, não se tratando, por conseguinte, de custos operacionais. Arguiu, também, que o regime da não cumulatividade do PIS e da Cofins dava direito a crédito na aquisição dos insumos que seriam utilizados na produção do bem ou na prestação dos serviços, objetos da atividade-fim da empresa, bem como de créditos calculados sobre outras despesas ou encargos taxativamente listados nas leis de regência, sendo que, como o próprio contribuinte afirmara que não prestava serviços de limpeza e conservação, argumento esse acatado em juízo, os créditos deviam ser calculados somente sobre os bens e serviços relacionados à administração, pois os demais gastos não haviam sido suportados por ele, mas pelos terceiros contratantes, assim como a remuneração, sendo esses gastos lançados na Fatura/Nota Fiscal como “Remuneração pelo agenciamento de mão de obra”, juntamente com os “Encargos Sociais” e a “Comissão/Taxa de Administração”. Cientificado da decisão da DRJ, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em e requereu a reforma do acórdão recorrido, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Fl. 732DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-006.095 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.910205/2016-05 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3201- 006.083, de 23 de outubro de 2019, proferido no julgamento do processo 10380.910198/2016- 33, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Portanto, transcreve-se como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3201-006.083): “O recurso é tempestivo, atende os demais requisitos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, trata-se de Pedido de Ressarcimento amparado em decisão judicial transitada em julgado em que se assegurou ao Recorrente o direito de considerar como receita tributável, para fins de incidência das contribuições (PIS/Cofins), apenas a taxa administrativa cobrada no exercício de sua atividade de intermediação de mão de obra, excluindo-se, por conseguinte, as remunerações repassadas aos trabalhadores, os encargos sociais e trabalhistas e os reembolsos de despesas (vale transporte, tíquete refeição, materiais de limpeza etc.), por se considerar que tais parcelas apenas transitavam pela contabilidade e que não compunham o faturamento, tratando-se de gastos suportados pelos terceiros contratantes. Nesse contexto, tem-se que, em conformidade com o provimento judicial obtido, a atividade do Recorrente se restringe à intermediação de mão de obra, não abarcando, por conseguinte, os serviços de limpeza e conservação, em razão do quê as aquisições de insumos utilizados nesses serviços não repercutem na apuração das contribuições não cumulativas devidas pelo Recorrente. Somente custos operacionais essenciais à atividade administrativa desempenhada pelo Recorrente podem gerar créditos, observados os demais requisitos da lei, como, por exemplo, gastos com aluguéis, taxas de condomínio, energia elétrica e locação de veículos, gastos esses cujos créditos já foram reconhecidos na repartição de origem. Há que se destacar desde já que, informado da compensação de ofício realizada pela repartição de origem dos créditos relativos a retenções na fonte com os débitos apurados durante a ação fiscal, o Recorrente não se contrapôs a tal procedimento, tratando-se, portanto, de matéria incontroversa. Portanto, a controvérsia nestes autos se restringe ao direito de crédito em relação às aquisições de (i) alimentação para os trabalhadores, (ii) fardamento, (iii) vale transporte, (iv) material utilizado em serviço, (v) serviços de manutenção do escritório, (vi) informática e (vii) combustíveis. No que tange aos créditos relativos a combustíveis, conforme já apontado pela repartição de origem, a glosa efetuada decorrera do fato de que, por se tratar de aquisição de bens no comércio varejista não tributada pelas contribuições, o direito pleiteado encontrava-se vedado pelo parágrafo 2º, inciso II, do art. 3° das Leis nº Fl. 733DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-006.095 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.910205/2016-05 10.637/2002 e 10.833/2003. Além disso, o Recorrente não demonstrou nem comprovou que tais combustíveis haviam sido utilizados em sua atividade administrativa de intermediação. Quanto aos créditos identificados como relativos à manutenção do escritório e de informática, o Recorrente não demonstrou e nem comprovou que tais itens se relacionam com sua atividade de intermediação, não se vislumbrando, por conseguinte, possibilidade de reversão de tais glosas. Em relação às demais aquisições de bens e serviços, o Recorrente não contesta a afirmativa da repartição de origem e da DRJ de que tais dispêndios foram repassados aos terceiros contratantes dos seus serviços, amparando sua defesa no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 1 , no art. 16 da Lei nº 11.116/2005 2 e no art. 27 da IN SRF nº 1.300/2012 3 , que, segundo seu entendimento, assegurar-lhe-iam o direito de apurar créditos das contribuições relativos a receitas não tributáveis, como o eram, também segundo ele, as receitas decorrentes dos serviços de manutenção e limpeza. Nota-se que o Recorrente constrói uma argumentação pautada em aspectos literais ou linguísticos das normas jurídicas referenciadas, ignorando que, ao demandar judicialmente e obter o reconhecimento de que a sua atividade tributável pelas contribuições se restringia à intermediação de mão de obra e que seu faturamento compunha-se apenas da taxa de administração, ele passou a ter direito a apurar as contribuições somente a partir de débitos e créditos inerentes a tal atividade. Os dispositivos normativos por ele invocados, acima referenciados, preveem a manutenção de créditos decorrentes da aquisição de bens e serviços tributados mas quando tais itens sejam empregados no processo produtivo do sujeito passivo, cuja saída seja não tributável (suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência). No presente caso, os gastos com alimentação para os trabalhadores, fardamento, vale transporte e material utilizado em serviços de manutenção e limpeza, ainda que tributados pelas contribuições PIS e Cofins, não são aplicados na prestação de serviços de intermediação, atividade essa eminentemente administrativa. Note-se que o art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.833/2003, prevê o desconto de créditos mas referentes a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda”; logo, conforme já dito, se os de bens e serviços adquiridos não forem utilizados na prestação de serviços do contribuinte, eles não podem gerar créditos, dado que estranhos ao processo produtivo. 1 Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. 2 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II - pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestre- calendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. 3 Art. 27. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados no desconto de débitos das respectivas Contribuições, poderão ser objeto de ressarcimento, somente depois do encerramento do trimestre-calendário, se decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados: (...) II - às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência; Fl. 734DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3201-006.095 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.910205/2016-05 O Recorrente obteve provimento judicial para restringir a base de cálculo dos débitos das contribuições à taxa administrativa cobrada pela intermediação de mão de obra, mas, paradoxalmente, pretende manter o mais amplo possível o direito de crédito. Em outras palavras, na parte que o onera, o Recorrente advoga o refreio do alcance da norma; na parte que o beneficia, defende sua fruição da forma mais ampla possível – o melhor de dois mundos –, situação essa que não se coaduna com a sistemática da não cumulatividade das contribuições. Quando se reporta aos débitos da contribuição, o Recorrente restringe sua atividade à intermediação de mão de obra (atividade administrativa), quando pretende se creditar da forma mais ampla possível, se vale do argumento de que, no seu objeto social, consta a atividade de locação de mão de obra especializada em limpeza e conservação. O inciso X do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, introduzido pela Lei nº 11.898/2009, prevê hipótese de desconto de créditos no cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins no regime de apuração não cumulativa nas aquisições de “vale- transporte, vale-refeição ou vale-alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados”, mas apenas para as pessoas jurídicas que exploram as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção, o que não é o caso do Recorrente, conforme já reconhecido em ação judicial transitada em julgado. Reproduz-se, na sequência, trechos do voto condutor do acórdão recorrido em que tal matéria foi claramente abordada: Assim, resta cristalino que os valores gastos com Alimentação Trabalhador, Fardamento, Vale-Transporte, Material Utilizado Serviço, Serviço Prestado por PJ e Combustíveis, não foram suportados pelo contribuinte, mas sim pelos terceiros contratantes, assim como a remuneração, sendo esses gastos lançados na Fatura/Nota Fiscal como “Remuneração pelo agenciamento de mão de obra”, juntamente com os “Encargos Sociais” e “Comissão/Taxa de Administração”. (...) Assim, diante do alegado pelo contribuinte em sua Manifestação de Inconformidade e do contido na decisão judicial, concluímos que: I- a sua Taxa de Administração/Comissão corresponde à sua Receita Bruta (leia-se Receitas Tributáveis e Não Tributáveis); II- os demais valores não representam seu faturamento uma vez que não lhe pertencem, pois constituem meros repasses de terceiros. Pelo que se expôs, observa-se que não se trata de vendas efetuadas pelo contribuinte com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. Portanto, tal benefício (crédito) não pode ser aplicado visto que os valores das remunerações, encargos, uniformes, vale transporte, vale alimentação, planos de saúde e material de limpeza não integram o montante da receita bruta sujeita à incidência não-cumulativa e nem o da receita bruta total. Por fim, registre-se que, conforme apontado pela repartição de origem, se o valor repassado pelo tomador dos serviços se referia à integralidade dos gastos realizados a esse título, tal fato significava que o contribuinte não arcava com qualquer parcela de PIS/Cofins eventualmente embutida nesses gastos, pois, de fato, era o tomador do serviço que, na condição de consumidor final, arcava com esses tributos, não cabendo ao pleiteante dos presentes autos o direito a crédito sobre esses dispêndios. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 735DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3201-006.095 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.910205/2016-05 É como voto.” Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo recorrente, nos termos do voto paradigma. (documento assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 736DF CARF MF
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