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Numero do processo: 11060.002085/2009-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2302-000.317
Decisão: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2008
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para aguardar decisão definitiva quanto à exclusão do SIMPLES.
Liege Lacroix Thomasi Presidente
Juliana Campos de Carvalho Cruz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Leonardo Henrique Pires Lopes e Juliana Campos de Carvalho Cruz.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2008 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para aguardar decisão definitiva quanto à exclusão do SIMPLES. Liege Lacroix Thomasi Presidente Juliana Campos de Carvalho Cruz - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Leonardo Henrique Pires Lopes e Juliana Campos de Carvalho Cruz.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1454; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 597 1 596 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11060.002085/200919 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2302000.317 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 17 de julho de 2014 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente PEREIRA E PERIPOLLI LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2008 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para aguardar decisão definitiva quanto à exclusão do SIMPLES. Liege Lacroix Thomasi –Presidente Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Leonardo Henrique Pires Lopes e Juliana Campos de Carvalho Cruz. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 60 .0 02 08 5/ 20 09 -1 9 Fl. 428DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por LIEGE LACRO IX THOMASI Processo nº 11060.002085/200919 Resolução nº 2302000.317 S2C3T2 Fl. 598 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela empresa PEREIRA E PIREPOLLI LTDA contra a decisão proferida pela 12ª Turma da DRJ/RJ1 que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o crédito previdenciário no importe de R$ 599.376,70 (quinhentos e noventa e nove mil, trezentos e setenta e seis reais e setenta centavos), acrescidos de juros e multas. O Auto de Infração (DEBCAD n° 37.214.6104) referese à cobrança das contribuições previdenciárias correspondentes à parte patronal e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho GILRAT. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 87/89), a empresa tem como objeto social a distribuição e comercialização de jornais, revistas, periódicos, revistas, livros e afins. Neste contexto, a fiscalização, ao consultar os sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil (RFB), verificou que o contribuinte, no período de 01/2004 a 06/2007, era optante do Simples e, no período de 01/01/2008, do Simples Nacional. Porém, tendo sido constatada situação de vedação no período de 01/01/2004 a 30/06/2007 ao Simples e no período de 01/01/2008 a 31/12/2008 ao Simples Nacional, formalizouse o PAF n° 11060.002082/200985 de exclusão dos referidos sistemas de tributação, com a emissão do Ato Declaratório Executivo de Exclusão do Simples Nacional n° 020/2009/DRFSTM e Termo de Exclusão do Simples Nacional TESN n° 03/2009/DRFSTM, cópias às fls. 113/114. Informa, ainda, a Autoridade Fiscal (fls. 111): a) Que a empresa foi excluída do Simples por exercer atividade vedada, conforme Ato Declaratório Executivo AD ExtraSIVEX n° 017/2004, de 22/11/2004, do processo de exclusão; b) Que o contribuinte apresentou impugnação contra o referido ato, obtendo êxito. Por causa disso, o Ato Declaratório foi cancelado em 05/02/2007. De acordo com o julgamento, a pessoa jurídica que desenvolve a atividade de distribuição de livros, jornais e revistas, poderia optar pelo Simples; c) Que o contrato de prestação de serviços que a empresa/autuada mantém com a empresa jornalística Zero Hora foi firmado em 01/01/2004, renovado em 26/05/2006, e tem por objetivo os seguintes serviços: Gestão do Centro de Distribuição que atende as localidades estabelecidas no contrato; e, Distribuição, recolhimento do encalhe e cobrança dos jornais editados pela contratante e de produtos agregados aos mesmos e ou intermediados pela contratante, ou pessoa por ela autorizada, nos termos especificados no instrumento; d) Que diferentemente da prestação de serviços anteriormente analisada e que deu origem ao Ato Declaratório 017/2004, os contratos ora analisados, introduzem um novo item, qual seja: a Gestão do Centro de Distribuição; Fl. 429DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por LIEGE LACRO IX THOMASI Processo nº 11060.002085/200919 Resolução nº 2302000.317 S2C3T2 Fl. 599 3 e) Que o contrato de prestação de serviço firmado entre a empresa autuada e a RBS – Zero Hora Editora Jornalística S/A estabelece que a contratada (autuada) é a única responsável pelo cumprimento de todas as obrigações de natureza trabalhista, social, tributária e previdenciária dos serviços pactuados, desenvolvidos em áreas indicadas pela contratante (cláusula Sétima); f) Que a empresa autuada exerce atividade de locação de mãodeobra ou cessão de mãodeobra, com base nos contratos de prestação de serviços, atividade elencada nas vedações previstas no inciso XII, alínea "f”, do art. 9°, da Lei n° 9.317/96 e no art. 17, XII, da Lei Complementar n° 123/2006; g) Que a convicção de que a empresa realiza cessão de mãodeobra é firmada no exame do contrato de prestação de serviços entre ela e a empresa RBS – Zero Hora Editora Jornalística S/A, do qual se infere que, diariamente, os empregados da contratada são colocados à disposição da contratante, durante o prazo, locais e na forma de trabalho definido pela contratante, caracterizandose, com isso, prestação de serviços com locação de mãodeobra; h) Que o próprio contribuinte declara nas GFIP’s que presta serviços com cessão de mãodeobra, conforme consta do cabeçalho das GFIP, às fls. 46/51, destacando e se submetendo à retenção disposta na Lei n° 9.711 /98. Às fls. 52/53 dos autos constam, respectivamente, o Termo de Exclusão do Simples Nacional n° 03, de 20/08/2009, que declara que o contribuinte foi excluído do Simples Nacional a partir de 1º de janeiro de 2008 e o Ato Declaratório Executivo nº 020, de 20/08/2009 (LC nº 123/06), que declara a exclusão do contribuinte a partir de 1º de janeiro de 2004 do SIMPLES (Lei nº 9.137/96). Notificado, o Contribuinte apresentou Impugnação (fls.116/138), no prazo legal, alegando que não presta serviço mediante cessão de mãodeobra, razão pela qual tem o direito de recolher as contribuições previdenciárias na sistemática de tributação diferenciada. Na decisão proferida pela 12ª Turma da DRJ/RJ1 (Acórdão nº 12.36.731 fls. 351/322), por unanimidade de votos, foi julgada improcedente a impugnação.. O sujeito passivo teve ciência do Acórdão nº 1236.731, em 12.05.2011 (fls. 324/325). Inconformado, interpôs Recurso Voluntário (fls. 326/341),reiterando a matéria apresentada na Impugnação. Eis o relatório. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por LIEGE LACRO IX THOMASI Processo nº 11060.002085/200919 Resolução nº 2302000.317 S2C3T2 Fl. 600 4 Voto: Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, Relatora O recurso cumpriu com os requisitos de admissibilidade, portanto, merece ser apreciado. O presente lançamento referese à cobrança das contribuições previdenciárias destinadas a outras Entidades em decorrência da exclusão da Recorrente na sistemática do SIMPLES e SIMPLES NACIONAL. Por causa disso, foi lavrado o PAF nº 11060.002082/200985 de modo a permitir a empresa apresentar impugnação em face do Ato Declaratório de Exclusão. Analisando o PAF nº 11060.002082/200985 (exclusão do SIMPLES) vislumbrei que os autos estão em fase de julgamento, não havendo trânsito em julgado acerca do ato de exclusão. Sendo este julgamento prejudicial à discussão travada nos presentes autos, já que o julgamento ali proferido afetará diretamente a cobrança pretendida pelo Fisco previdenciário, entendo não ser possível prosseguir com o julgamento in foco sem que antes seja decidido acerca da definitividade da exclusão da empresa na sistemática do SIMPLES e SIMPLES NACIONAL cuja competência é da 1ª Seção, conforme art. 2º, inciso V, do Capítulo I, Título I, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Por todo o exposto, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que os autos retornem à origem para aguardar a decisão definitiva a ser proferida no PAF nº 11060.002082/200985, sobre a exclusão da Recorrente do SIMPLES e SIMPLES NACIONAL e, somente após o julgamento, retornem a este Colegiado. Do resultado da diligência deve ser dado conhecimento a autuada e concedido prazo para manifestação. É como voto. Sala das Sessões, 17 em de Julho de 2014. Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por LIEGE LACRO IX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10850.904566/2011-16
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
COMBUSTÍVEIS. DERIVADOS DE PETRÓLEO. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Os distribuidores e varejistas de combustíveis, tributados à alíquota zero em razão do regime monofásico, não podem se creditar das aquisições de produtos destinados à revenda em face de vedação expressa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.653
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
:
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 COMBUSTÍVEIS. DERIVADOS DE PETRÓLEO. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Os distribuidores e varejistas de combustíveis, tributados à alíquota zero em razão do regime monofásico, não podem se creditar das aquisições de produtos destinados à revenda em face de vedação expressa. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. : (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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DERIVADOS DE PETRÓLEO. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Os distribuidores e varejistas de combustíveis, tributados à alíquota zero em razão do regime monofásico, não podem se creditar das aquisições de produtos destinados à revenda em face de vedação expressa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. : (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 45 66 /2 01 1- 16 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904566/201116 Acórdão n.º 3801003.653 S3TE01 Fl. 3 2 Relatório Adotase o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciado Pedido de Ressarcimento (PER/DCOMP) de nº 20002.27048.201008.1.1.113120, por intermédio da qual o contribuinte pretende ver ressarcido crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo, no valor de R$ 31.146,09, concernente a COFINS (COFINS NÃO CUMULATIVO MERCADO INTERNO), período de apuração: 2º trimestre de 2007. Por meio de despacho decisório de fl. 7, com fundamento na informação fiscal de fls. 55/57, constatouse que o interessado apurou créditos relativos às aquisições de gasolina e óleo diesel para pleitear ressarcimento junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), considerando as suas saídas com alíquota zero. O pedido do contribuinte foi indeferido, pois apesar de sair produtos com alíquota zero, as tributações do COFINS, referentes ao óleo diesel e à gasolina, ocorrem de forma concentrada (incidência monofásica) no produtor ou importador, não havendo previsão legal da possibilidade de manutenção de créditos na aquisição pelo distribuidor ou revendedor atacadista ou revendedor varejista. Diante disso, como não foi constatado o auferimento de receitas não tributadas no mercado interno, passíveis de ressarcimento, o despacho decisório concluiu que o interessado não tem direito ao ressarcimento pleiteado. Regularmente cientificado do Despacho Decisório em 17/01/2012 (fl. 8), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 09/47, insurgindose contra o teor do despacho decisório de fl. 7, acompanhado de Informação Fiscal, na qual alega, em síntese, que: a) por entender ter direito ao crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, em relação aos produtos que adquiriu, pleiteou o seu ressarcimento; b) não pleiteou direito ao creditamento sobre álcool, gás liquefeito ou natural ou biodiesel, mas apenas ao creditamento na aquisição de gasolina A e óleo diesel, doravante englobados pelo termo combustível; c) as normas devem ser interpretadas sistematicamente sob pena de desvirtuamento da ordem jurídica, sendo desejo expresso do legislador que não existisse mais qualquer vedação ao creditamento pretendido como forma de dar efetividade à não cumulatividade; d) a contribuinte está obrigatoriamente sob a incidência das leis da nãocumulatividade, nos termos da Lei nº 10.637/2002 (PIS não cumulativo) e da Lei nº 10.833/2003 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904566/201116 Acórdão n.º 3801003.653 S3TE01 Fl. 4 3 (Cofins nãocumulativa), já que não se enquadra nas exceções; e) é de se consignar que os distribuidores já constaram expressamente como jungidos à cumulatividade, mas houve uma mutação na redação original que instituiu como substituto a refinaria e substituídos os distribuidores; f) a Lei nº 9.990/00 retirou a distribuidora da incidência; g) há ainda uma menção residual aos distribuidores de combustíveis, mas totalmente esvaziada, pois já não existe mais a substituição tributária aventada; h) há norma latente para os distribuidores enquanto substitutos, mas não há como contribuintes diretos, pois não estão mais na cumulatividade; i) quem se encontra em limbo tributário são os produtores não os distribuidores, já que passaram a ser submetidos às chamadas alíquotas diferenciadas; j) essa mixórdia se refere a “produtor” e “importador”, não arrastando para a balbúrdia os “distribuidores”; k) a legislação da cumulatividade não se destina à contribuinte já que os distribuidores, que apuram resultados para o imposto sobre a renda pelo lucro real, foram postos compulsoriamente na nãocumulatividade; l) cita os artigos que foram apresentados como fundamento para vedação definitiva dos créditos aqui discutidos; m) na cadeia produtiva de combustíveis, as distribuidoras estão em uma etapa que está sob a incidência da legislação do PIS/Cofins nãocumulativos e, para completar os critérios da regramatriz de incidência, já tinha ficado estabelecido que os distribuidores operariam com alíquota zero, conforme MP nº 2.15835/01; n) é descabido confundir alíquota zero com não incidência, pois são fenômenos distintos; o) quando a lei estabelece a tributação dita monofásica, ela expressamente coloca a incidência em uma única fase que não se confunde com a nãocumulatividade que pressupõe a tributação em várias fases mesmo que em uma ou alguma delas a incidência se dê à alíquota zero; p) nesse caso, não há direito a creditamento para outras fases, porque o resto da cadeia está fora do campo de incidência do tributo, uma vez que a tributação ficou inteiramente concentrada em um único contribuinte, independente da sistemática dos demais elos da cadeia produtiva. Nestes específicos casos, descabe falar em cumulatividade ou nãocumulatividade. Todavia, se incidir, ainda que com alíquota zero, não é o caso de tributação monofásica, o que não ocorreu com os combustíveis aqui discutidos: gasolina A e Diesel; q) é constrangedora a freqüência com que se repete, até em atos regulamentares inferiores, que os combustíveis estão sob o sistema de monofasia, porém não há tributação monofásica justamente porque todos estão submetidos à incidência da tributação das citadas contribuições (alíquota zero); r) por meio da MP nº 206, publicada e vigente em 09/08/2004, surgiu o artigo 16, que virou o artigo 17, quando convertida na Lei nº 11.033/2004, criando condições para a plena nãocumulatividade no que tange ao PIS/Cofins, como expresso na Exposição de Motivos da referida MP; s) a MP que introduziu o artigo 17 é norma politemática; t) a Lei nº 11.116/2005 veio para dar maior efetividade ao creditamento como instrumento da nãocumulatividade; u) a autoridade administrativa usou o argumento equivocado para Fl. 138DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904566/201116 Acórdão n.º 3801003.653 S3TE01 Fl. 5 4 negar o direito da empresa, citando as disposições da IN SRF nº 594/2005, que teria expressamente introduzido a vedação, e mais, com efeito retroativo. No Estado Democrático de Direito, as limitações e restrições ao agir dos contribuintes somente podem estar previstas em lei; v) pela normatização do PIS/Cofins nãocumulativos, o método escolhido pelo legislador foi o indireto subtrativo, ou seja, independe de quanto foi, ou sequer se houve, tributação na cadeia anterior, ou se o elo anterior estava no regime da nãocumulatividade, pois se baseia somente em incidência da alíquota base sobre as aquisições, independente se a aquisição seja decorrente de creditamento sobre etapas não tributadas, ou tributadas com alíquota diferente; x) em 03/01/2008, foi editada a MP nº 413, que alterou o permissivo de creditamento das leis da nãocumulatividade, porém tal dispositivo não foi aprovado; y) após toda a exposição, transcreve as seguintes premissas: 1) se a contribuinte é distribuidora de combustíveis; 2) se a contribuinte é tributada pelo Lucro Real (regime nãocumulativo para o PIS/Cofins); 3) o único instrumento com poderes para criar restrições é a lei; 4) existe norma que previu expressamente que a contribuinte deveria tributar o PIS/Cofins com alíquota zero sobre seu faturamento, e não em monofasia ou não incidência; 5) o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 prevê expressamente que todos os contribuintes da nãocumulatividade, mesmo que faturem com alíquota zero, podem creditarse de PIS/Cofins; 6) a Lei nº 11.033/2004 é politemática; 7) o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 fez foi dotar de mais garantias a previsão do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 8) sempre se ressalva, nas novas normas, o que fica ainda regulado em outra norma anterior, o que não aconteceu com a possibilidade de creditamento para a contribuinte, sendo certo que normas infralegais não tem tal condão; 9) o creditamento é coerente com a técnica de não cumulatividade empregada no PIS/Cofins, em consonância com a prescrição constitucional; 10) o Poder Executivo, via medida provisória, tentou restaurar a vedação ao creditamento, mas por intuitiva inconstitucionalidade, não foi mantida no ordenamento jurídico; z) repisese, creditamento sobre a aquisição de Gasolina A e óleo Diesel, como consta de seu pedido. Ao final, requer a procedência da Manifestação de Inconformidade para o fim de se deferir o creditamento pretendido e homologada a compensação efetuada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DERIVADOS DE PETRÓLEO. COMBUSTÍVEIS. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. REVENDA VAREJISTA DE COMBUSTÍVEIS. SISTEMÁTICA DA NÃOCUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há direito a creditamento de PIS/PASEP relativo às operações de distribuição e varejo de combustíveis, realizadas à alíquota zero, com base na sistemática da nãocumulatividade. É Fl. 139DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904566/201116 Acórdão n.º 3801003.653 S3TE01 Fl. 6 5 incontroverso que a Lei nº 9.990/2000 fixou a incidência monofásica do PIS/PASEP e da Cofins sobre combustíveis derivados de petróleo, permanecendo concentrada na produção e importação a incidência do tributo, inviabilizando, por esse motivo, o creditamento pretendido. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, cujo teor é sintetizado a seguir. Reforça as teses suscitadas na manifestação de inconformidade e insiste que com o art. 17 da Lei n° 11.033/04 reaparece permissão para a mantença dos créditos discutidos e que o art. 16 da Lei nº 11.116/05 permitiu a utilização dos referidos créditos. Questiona o mérito das decisões judiciais colacionadas no acórdão. Argumenta que no caso da recorrente há: a) uma incidência tributária no início da cadeia, com alíquota diferenciada e ocasionalmente mais alta que a regra geral; b) e também uma incidência tributária nos demais elos da cadeia, igualmente com alíquota diferenciada e ocasionalmente mais baixa que a da regra geral. Pontua que monofásico seria, como a própria nomenclatura já adianta, só incidir em uma fase, ficando as demais como NT; que não é, como visto, o que ocorre, afinal a contribuinte está também ao alcance das contribuições sociais, apenas com uma alíquota diferenciada. Reitera que monofasia não é alíquota zero citando artigos das Leis 10.865/04 e 10.560/2002. Alega que o acórdão recorrido passou sem maiores análises sobre o fundamental art. 17 da Lei nº 11.033/04, que, por ser norma específica e posterior, revoga qualquer obstáculo que houvesse ao creditamento pretendido. Discorda da tese de que o art. 17 da Lei n° 11.033/04 não pode prevalecer sobre a vedação. Aduz que o art. 17 só pode se destinar exatamente para os casos que tinham vedação expressa. Os demais não precisavam, justamente porque não estavam vedados. De outro giro, apresenta os contornos das edições da Medidas Provisórias 413 e 451 de 2008, que não foram convertidas em Lei. Por fim, colaciona novamente as premissas legais apresentadas na manifestação de inconformidade e requer a reforma do acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904566/201116 Acórdão n.º 3801003.653 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. Para a solução da lide é importante um breve histórico da evolução legislativa em face da tributação das contribuições PIS e Cofins sobre os combustíveis. De imediato, registrese que não há controvérsia em relação ao fim do instituto da substituição tributária nas operações com combustíveis (gasolina e óleo diesel) a partir da edição da MP 199115, de 10 de março de 2000, e Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, que alteraram a redação original da Lei 9.718/98: Art. 4º As refinarias de petróleo, relativamente às vendas que fizerem, ficam obrigadas a cobrar e a recolher, na condição de contribuintes substitutos, as contribuições a que se refere o art. 2º, devidas pelos distribuidores e comerciantes varejistas de combustíveis derivados de petróleo, inclusive gás. (Vide arts. 4º e art. 92, da Medida Provisória nº 215835, de 2001) Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, a contribuição será calculada sobre o preço de venda da refinaria, multiplicado por quatro.(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Art. 4o As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, devidas pelas refinarias de petróleo serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 9.990, de 2000) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) I – dois inteiros e sete décimos por cento e doze inteiros e quarenta e cinco centésimos por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gasolinas, exceto gasolina de aviação; (Incluído pela Lei nº 9.990, de 2000) II – dois inteiros e vinte e três centésimos por cento e dez inteiros e vinte e nove centésimos por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de óleo diesel; (Incluído pela Lei nº 9.990, de 2000) III – dois inteiros e cinqüenta e seis centésimos por cento e onze inteiros e oitenta e quatro centésimos por cento incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás liqüefeito de petróleo – GLP; (Incluído pela Lei nº 9.990, de 2000) Art. 4o As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – Fl. 141DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904566/201116 Acórdão n.º 3801003.653 S3TE01 Fl. 8 7 PIS/PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS devidas pelos produtores e importadores de derivados de petróleo serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I – 5,08% (cinco inteiros e oito centésimos por cento) e 23,44% (vinte inteiros e quarenta e quatro centésimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.051, de 2004) II – 4,21% (quatro inteiros e vinte e um centésimos por cento) e 19,42% (dezenove inteiros e quarenta e dois centésimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de óleo diesel e suas correntes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.051, de 2004) III – 10,2% (dez inteiros e dois décimos por cento) e 47,4% (quarenta e sete inteiros e quatro décimos por cento) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás liquefeito de petróleo (GLP) dos derivados de petróleo e gás natural; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III 10,2% (dez inteiros e dois décimos por cento) e 47,4% (quarenta e sete inteiros e quatro décimos por cento) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vide Lei nº 11.051, de 2004) IV – sessenta e cinco centésimos por cento e três por cento incidentes sobre a receita bruta decorrente das demais atividades.(Incluído pela Lei nº 9.990, de 2000) Parágrafo único. Revogado.(Redação dada pela Lei nº 9.990, de 2000)" Anotese, por pertinente, que a MP 199115, de 10 de março de 2000 (atual e em vigor MP nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001) em seu art. 43 reduziu a zero as alíquotas das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre os combustíveis vendidos pelos distribuidores e comerciantes, uma vez que se adotou o regime concentrado com alíquotas diferenciadas: Art. 43 Ficam reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: I gasolina automotiva, óleo diesel e GLP, auferida por distribuidores e comerciantes varejistas;(...) Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica às hipóteses de venda de produtos importados, que se sujeita ao disposto no art. 6º da Lei no 9.718, de 1998, com a redação atribuída pelo art. 2º desta Medida Provisória. (...) Fl. 142DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904566/201116 Acórdão n.º 3801003.653 S3TE01 Fl. 9 8 Art. 46. Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: (...) II no que se refere à nova redação dos arts. 4o a 6o da Lei no 9.718, de 1998, e ao art. 43 desta Medida Provisória, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de julho de 2000, data em que cessam os efeitos das normas constantes dos arts. 4o a 6o da Lei no 9.718, de 1998, em sua redação original, e dos arts. 4º e 5º desta Medida Provisória. . Como visto, o regime de substituição tributária nas operações com combustíveis foi extinto a partir da edição da MP 199115/2000 e de suas reedições. Desta forma, o regime em relação à incidência das contribuições PIS e Cofins passou a ser concentrado, em uma única fase, incidindo apenas sobre a receita de venda das refinarias. Com a instituição da sistemática de incidência nãocumulativa para as contribuições PIS e Cofins, as receitas de venda de combustíveis, inicialmente, não integravam a base de cálculo da contribuição em face de vedação legal, PIS/Pasep: art. 1°, § 3°, inciso IV, da MP nº 66/2002 e da Lei n° 10.637/2002 e Cofins: art. 1°, § 3°, inciso IV, da MP nº 135/2003 e da Lei n° 10.833/2003. Este status foi alterado pela Lei n° 10.865/2004 (DOU 30/4) que permitiu por força do disposto nos artigos 21 e 37, a utilização da sistemática nãocumulativa em relação às receitas da venda de gasolinas (exceto gasolina de aviação), óleo diesel e gás liquefeito de petróleo (GLP) e autorizou o aproveitamento dos créditos relativos a tais produtos. Destacase a vedação da utilização de créditos por parte dos revendedores em relação aos produtos adquiridos para revenda, nos termos do art. 3°, inciso I, da Lei n° 10.637/2002 e art. 3°, inciso I, da Lei n° 10.833/2003. Art. 2o Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I nos incisos I a III do art. 4o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e gás liquefeito de petróleo (GLP) derivado de petróleo e gás natural; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I nos incisos I a III do art. 4o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP Fl. 143DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904566/201116 Acórdão n.º 3801003.653 S3TE01 Fl. 10 9 derivado de petróleo e de gás natural; (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) (Vide Lei nº 10.925, de 2004) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008)(grifouse) A recorrente insiste que o art. 17 da Lei nº 11.033/04 alterou esse cenário e por ser norma específica e posterior, revoga qualquer obstáculo ao pretenso crédito. Não assiste razão à recorrente. Este dispositivo legal, abaixo transcrito, não alcança os produtos sujeitos ao regime monofásico. Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Por força de expresso dispositivo legal (art. 3°, inciso I, da Lei n° 10.637/2002 e art. 3°, inciso I, da Lei n° 10.833/2003), o regime monofásico não possibilita o creditamento referentes as aquisições de mercadorias para revenda. Tenhase presente que a tributação concentrada nos produtores, importadores e refinarias de petróleo foi uma opção do legislador e não foi modificada pelo citado art. 17. Não se pode perder de vista que o referido artigo 17 foi antes da conversão da Lei expresso no artigo16 da MP 206/2004. A exposição de motivos reafirma o caráter meramente interpretativo deste diploma legal: “as disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS” Deste modo, o artigo 17 da Lei nº 11.033/04 não gerou novas hipóteses de creditamento como quer fazer crer a recorrente. Reiterase que a vedação expressa não foi revogada tacitamente. Interpretação equivocada a da recorrente e que não tem guarita neste Conselho e no Poder Judiciário. Por pertinente, transcrevese a expressão do § 8º da exposição de motivos da MP 66/2002, convertida na Lei n.º 10.637/2002: 8. Sem prejuízo de convivência harmoniosa com a incidência não cumulativa do PIS/Pasep, foram excluídos do modelo, em vista de suas especificidades, as cooperativas, as empresas optantes pelo Simples ou pelo regime de tributação do lucro presumido, Fl. 144DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904566/201116 Acórdão n.º 3801003.653 S3TE01 Fl. 11 10 as instituições financeiras e os contribuintes tributados em regime monofásico ou de substituição tributária.(grifouse). Nesse sentido, recentemente, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Agravo Regimental no Recurso Especial 1.259.770 PR, assim se pronunciou: COFINS. CREDITAMENTO. ART. 17 DA LEI 11.033/2004, C/C ART. 16, DA LEI N. 11.116/2005. REVENDA DE VEÍCULOS AUTOMOTORES E AUTOPEÇAS. REGIME DE INCIDÊNCIA MONOFÁSICA DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS. REGIME ESPECIAL EM RELAÇÃO AO REGIME DE INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. 1. Consoante os precedentes desta Segunda Turma de Direito Tributário do Superior Tribunal de Justiça, as receitas provenientes das atividades de venda e revenda sujeitas ao pagamento das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS em Regime Especial de Tributação Monofásica não permitem o creditamento pelo revendedor das referidas contribuições incidentes sobre as receitas do vendedor por estarem fora do Regime de Incidência NãoCumulativo, a teor dos artigos 2º, §1º, e incisos; e 3º, I, "b" da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003. Desse modo, não se lhes aplicam, por incompatibilidade de regimes e por especialidade de suas normas, o disposto nos artigos 17, da Lei n. 11.033/2004, e 16, da Lei n. 11.116/2005, cujo âmbito de incidência se restringe ao Regime NãoCumulativo, salvo determinação legal expressa. Precedentes: REsp. Nº 1.267.003 RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 17.09.2013; AgRg no REsp. Nº 1.239.794 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 17.09.2013. 2. Indiferentes se tornam as alterações efetuadas no art. 8º VII "a" da Lei n.º 10.637/2002 e art. 10, VII "a" da Lei n.º 10.833/2003 pelo art. 42, III, "c" e "d", da Lei n. 11.727/2008, e pelo art. 21, da Lei n. 10.865/2004 no art. 1º, §3º, IV, da Lei n. 10.833/2003 e pelo art. 37 da Lei n. 10.865/2004 no art. 1º, §3º, IV, da Lei n. 10.637/2002, pois a incompatibilidade é dos próprios regimes de tributação. 3. Incompatibilidade que se restringe às mercadorias e produtos sujeitos à tributação monofásica, não alcançando as atividades empresariais como um todo. 4. Agravo regimental não provido.(grifouse) Assinalese, também, que este entendimento está em consonância com os princípios constitucionais da capacidade contributiva, que se aplica as diversas espécies tributárias, e universalidade do custeio da seguridade social. Uma interpretação equivocada de um dispositivo legal, art. 17 da Lei nº 11.033/04, não pode enriquecer ilicitamente parcela dos contribuintes. De outro giro, o financiamento da seguridade social por toda a sociedade, esteado no princípio da solidariedade, não autoriza o creditamento dos produtos adquiridos para revenda sujeitos à tributação concentrada. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904566/201116 Acórdão n.º 3801003.653 S3TE01 Fl. 12 11 De modo que, ao contrário do alegado, não há que se falar em direito à restituição dos valores de PIS e Cofins, visto que há vedação expressa ao creditamento referente às aquisições de produtos monofásicos destinados à revenda. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto, não reconhecendo o direito creditório e não homologando as compensações pleiteadas. Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 146DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10380.004994/2007-44
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2006
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. REGRA APLICÁVEL.
O Código Tributário Nacional, que dá tratamento específico no que tange a aplicação temporal de norma que trate penalidades, em seu art. 106, prevê que caso a nova lei traga tratamento mais benéfico para o contribuinte, deve se reduzir ou cancelar as multas aplicadas.
No presente caso a obrigação tributária principal foi lançada acompanhada da multa prevista no art. 35, II da Lei nº 8.212, de 1991.
Sob a égide da sistemática anterior à MP n.º 449, de 2008, a multa aplicada poderia alcançar o patamar de 100%, conforme previsto no art. 35, III, "d" da Lei nº 8.212, de 1991.
Portanto, no presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 35, II que se refere à sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, o cotejo da multa mais benéfica deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.277
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator), Manoel Coelho Arruda Junior e Pedro Anan Junior (suplente convocado). Votou pelas conclusões o Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Elias Sampaio Freire.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire Redator-Designado
EDITADO EM: 04/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Ausente, justicadamente, o Conselheiro Marcelo Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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RETROATIVIDADE BENIGNA. REGRA APLICÁVEL. O Código Tributário Nacional, que dá tratamento específico no que tange a aplicação temporal de norma que trate penalidades, em seu art. 106, prevê que caso a nova lei traga tratamento mais benéfico para o contribuinte, deve se reduzir ou cancelar as multas aplicadas. No presente caso a obrigação tributária principal foi lançada acompanhada da multa prevista no art. 35, II da Lei nº 8.212, de 1991. Sob a égide da sistemática anterior à MP n.º 449, de 2008, a multa aplicada poderia alcançar o patamar de 100%, conforme previsto no art. 35, III, "d" da Lei nº 8.212, de 1991. Portanto, no presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 35, II que se refere à sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, o cotejo da multa mais benéfica deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator), Manoel Coelho Arruda Junior e Pedro Anan Junior (suplente convocado). Votou pelas conclusões o Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Elias Sampaio Freire. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 49 94 /2 00 7- 44 Fl. 255DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – RedatorDesignado EDITADO EM: 04/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Ausente, justicadamente, o Conselheiro Marcelo Oliveira. Relatório JOSE IRANDSON BEZERRA, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo administrativo em referência, teve contra si lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD nº 37.044.0935, em 31/01/2007, exigindolhe crédito tributário referente às contribuições previdenciárias devidas e não recolhidas pelo notificado, concernentes à parte dos segurados, da empresa, do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas a Terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), incidentes sobre a remuneração decorrente da mãodeobra empregada em obra de construção civil de responsabilidade de pessoa física, apurada por aferição indireta, com espeque no artigo 33, § 4º, da Lei nº 8.212/91, em relação à competência 12/2006, conforme Relatório Fiscal, às fls. 18/20, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à Segunda Seção de Julgamento do CARF contra decisão da 7a Turma da DRJ em Fortaleza/CE, Acórdão n° 08 11.192/2007, às fls. 40/44, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a egrégia 3ª Turma Ordinária da 4a Câmara, em 09/02/2011, por unanimidade de votos, achou por bem conhecer do Recurso do contribuinte e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, o fazendo sob a égide dos fundamentos consubstanciados no Acórdão nº 240300.357, com sua ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAI PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2006 Fl. 256DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10380.004994/200744 Acórdão n.º 9202003.277 CSRFT2 Fl. 196 3 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO AFERIÇÃO INDIRETA. Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante aferição indireta. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso voluntário provido em parte.” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 93/105, com arrimo no artigo 67 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, alegando ter contrariado entendimento levado a efeito pelas demais Turmas do CARF, consubstanciado nos Acórdãos nºs 230100.283 e 2401 00.120, a respeito da mesma matéria, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada à divergência argüida. Sustenta que os Acórdãos encimados, ora adotados como paradigmas, divergem do decisum guerreado, na medida em que, ao analisarem autuação/notificação fiscal, determinaram que o art. 35 da Lei n° 8.212/1991 deveria agora ser observado à luz da norma Fl. 257DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 introduzida pela Lei n° 11.941/2009, qual seja, o art. 35A que, por sua vez, faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430/96, ao contrário do que restou assentado no decisório recorrido que impôs a limitação da multa de mora aplicada ao percentual de 20%, com esteio no artigo 61 da Lei n° 9.430/91, aplicado retroativamente à hipótese vertente. Em defesa de sua pretensão, infere que o artigo 35 da Lei n° 8.212/91 na nova redação conferida pela MP n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, não pode ser entendido de forma isolada do contexto legislativo no qual está inserido, sobretudo de forma totalmente dissociada das alterações introduzidas pela MP n° 449 à legislação previdenciária. Explicita a alteração legislativa ocorrida após a edição da MP n° 449/2008, bem como os casos de aplicação da multa de ofício e de mora, para concluir que na hipótese de lançamento ocorre a imputação da multa de ofício, enquanto a de mora somente se dá quando o contribuinte pretende fazer o pagamento espontâneo do tributo a destempo, sem que tenha ocorrido a autuação fiscal, o que deverá ser observado para as contribuições previdenciárias. Neste sentido, assevera que apesar da denominação, a antiga multa de mora prevista no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 tem natureza de multa de ofício, uma vez que aplicada somente nos casos de realização de lançamentos fiscais, não se podendo comparar com aquela penalidade inscrita no artigo 61 da Lei n° 9.430/96, que contempla da multa de mora para pagamento espontâneo fora do prazo legal. Partindo dessas premissas, não se pode cogitar na aplicação retroativa do disposto no artigo 61 da Lei n° 9.430/96 para fins de limitar a multa de mora (de ofício) aplicada aos lançamentos previdenciários pretéritos à edição da Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Procuradoria, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido divergiu do entendimento consubstanciado nos paradigmas a respeito da mesma matéria, consoante se positiva do Despacho nº 2400280/2011, às fls. 124/128. Instado a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou suas contrarrazões, às fls. 159/163, corroborando os fundamentos do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. Igualmente, o contribuinte apresentou Recurso Especial de Divergência, às fls. 131/135, repisando as razões de fato e de direito esposadas no recurso voluntário, sobretudo quanto à data a ser admitida como final da obra, para efeito da contagem do prazo decadencial, não tendo, porém, obtido êxito em sua empreitada relativamente aos pressupostos de conhecimento de sua peça recursal, a qual não fora conhecida em razão da ausência de comprovação de divergência jurisprudencial, nos termos do Despacho n° 2400189/2012, de fl. 189, ratificado pelo Despacho n° 2400 – 242R/2012, do Presidente da CSRF, em face de reexame necessário. É o relatório. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10380.004994/200744 Acórdão n.º 9202003.277 CSRFT2 Fl. 197 5 Voto Vencido Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 4ª Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF a divergência suscitada, conheço do Recurso Especial da Procuradoria e passo à análise das razões recursais. Consoante se positiva dos elementos que instruem o processo, notadamente Relatório Fiscal da Notificação, no presente lançamento exigese as contribuições previdenciárias referentes à parte dos segurados, da empresa, do SAT e as destinadas a Terceiros, incidentes sobre a remuneração decorrente da mãodeobra empregada em obra de construção civil de responsabilidade de pessoa física, apurada por aferição indireta, com espeque no artigo 33, § 4º, da Lei nº 8.212/91, em relação à competência 12/2006. Por sua vez, ao analisar a demanda, a Turma recorrida entendeu por bem dar provimento parcial ao recurso da contribuinte, determinando o recálculo da multa de mora com esteio no artigo 61 da Lei n° 9.430/96, limitandoa ao percentual de 20%, nos termos dos preceitos estabelecidos na MP n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, por se apresentar como legislação posterior à ocorrência do fato gerador mais benéfica ao contribuinte, o que impôs a sua retroatividade em observância aos ditames do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. Inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional opôs o presente Recurso Especial, suscitando que o Acórdão guerreado malferiu entendimento levado a efeito por outras Turmas do CARF, consubstanciado nos Acórdãos nºs 230100.283 e 240100.120, a respeito da mesma matéria, impondo seja conhecida a peça recursal, uma vez comprovada à divergência argüida. A fazer prevalecer seu entendimento, sustenta que os Acórdãos encimados, ora adotados como paradigmas, divergem do decisum guerreado, na medida em que, ao analisarem notificação/autuação fiscal da mesma natureza, determinaram que o art. 35 da Lei n° 8.212/1991 deveria agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei n° 11.941/2009, qual seja, o art. 35A que, por sua vez, faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430/96, ao contrário do que restou assentado no decisório recorrido que impôs a limitação da multa de mora aplicada ao percentual de 20%, com esteio no artigo 61 da Lei n° 9.430/91, aplicado retroativamente à hipótese vertente. Em defesa de sua pretensão, infere que o artigo 35 da Lei n° 8.212/91 na nova redação conferida pela MP n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, não pode ser entendido de forma isolada do contexto legislativo no qual está inserido, sobretudo de forma totalmente dissociada das alterações introduzidas pela MP n° 449 à legislação previdenciária. Explicita a alteração legislativa ocorrida após a edição da MP n° 449/2008, bem como os casos de aplicação da multa de ofício e de mora, para concluir que na hipótese de lançamento ocorre a imputação da multa de ofício, enquanto a de mora somente se dá quando o Fl. 259DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 contribuinte pretende fazer o pagamento espontâneo do tributo a destempo, sem que tenha ocorrido a autuação fiscal, o que deverá ser observado para as contribuições previdenciárias. Neste sentido, assevera que apesar da denominação, a antiga multa de mora prevista no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 tem natureza de multa de ofício, uma vez que aplicada somente nos casos de realização de lançamentos fiscais, não se podendo comparar com aquela penalidade inscrita no artigo 61 da Lei n° 9.430/96, que contempla da multa de mora para pagamento espontâneo fora do prazo legal. Partindo dessas premissas, não se pode cogitar na aplicação retroativa do disposto no artigo 61 da Lei n° 9.430/96 para fins de limitar a multa de mora (de ofício) aplicada aos lançamentos previdenciários pretéritos à edição da Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009. Não obstante as substanciosas alegações da recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos autos, conjugada com a legislação de regência, concluise que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. Em que pese a procedência da autuação em relação ao seu mérito, na forma decidida pelo Acórdão recorrido, mister destacar que posteriormente à ocorrência dos fatos geradores ora lançados fora publicada a Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, trazendo nova ordem na aplicação de multas de ofício e/ou acessória e, bem assim, determinando a exclusão da multa de mora do artigo 35 da Lei nº 8.212/91, com a consequente aplicação das multas constantes da Lei nº 9.430/96. Antes mesmo de contemplar as razões meritórias, mister analisarmos o disposto no artigo 113 do Código Tributário Nacional, o qual determina que as obrigações tributárias são divididas em duas espécies, principal e obrigação acessória. A primeira diz respeito à ocorrência do fato gerador do tributo em si, por exemplo, recolher ou não o tributo propriamente dito, extinguindo juntamente com o crédito decorrente. Por outro lado, a obrigação acessória relacionase às prestações positivas ou negativas constantes da legislação de regência, de interesse da arrecadação ou fiscalização tributária, sendo exemplo de seu descumprimento deixar a contribuinte de informar em GFIP a totalidade dos fatos geradores das contribuições previdenciárias. Após a unificação das Secretarias das Receitas Previdenciária e Federal, em Receita Federal do Brasil (“Super Receita”), as contribuições previdenciárias passaram a ser administradas pela RFB que, em curto lapso temporal, compatibilizou os procedimentos fiscalizatórios e, por conseguinte, de constituição de créditos tributários, estabelecendo, igualmente, para os tributos em epígrafe multas de ofício a serem aplicadas em observância à Lei n° 9.430/1996, conforme alterações na legislação introduzidas pela Lei nº 11.941/2009. Como se observa, a nova legislação, de fato, contemplou inédita formula de cálculo de aludidas multas que, em suma, vem sendo conduzida pelo Fisco, da seguinte forma: 1) Na hipótese do descumprimento de obrigações acessórias ocorrer de maneira isolada (p.ex. tão somente deixar de informar a totalidade dos fatos geradores em GFIP), com a ocorrência da observância da obrigação principal (pagamento do tributo devido), aplicarseá para o cálculo da multa o artigo 32A da Lei n° 8.212/91; 2) Por seu turno, quando o contribuinte, além de inobservar as obrigações acessórias, também deixar de recolher o tributo correspondente, a multa a ser aplicada deverá Fl. 260DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10380.004994/200744 Acórdão n.º 9202003.277 CSRFT2 Fl. 198 7 obedecer aos ditames do artigo 35A da Lei n° 8.212/91, que remete ao artigo 44 da Lei n° 9.430/96, determinando a aplicação de multa de ofício de 75%; Inobstante parecer simples, aludida matéria encontrase distante de remansoso desfecho. Isto porque, a legislação anterior apartava as autuações por descumprimento de obrigações acessórias das notificações fiscais (NFLD) decorrentes de inobservância das obrigações principais, levando a efeito multas distintas, inclusive, no segundo caso, com aplicação de multa de mora variável no decorrer do tempo (fases processuais). Assim, com a introdução de novas formas de cálculo da multa, nos casos de descumprimento de obrigações tributárias (principal e acessória), os lançamentos pretéritos, bem como aqueles mais recentes que abarcam fatos geradores relacionados a período anterior a referida alteração, tiveram que ser reanalisados com a finalidade de se verificar a melhor modalidade do cálculo da penalidade e, se mais benéfico, aplicálo. Na hipótese dos autos, a fiscalização achou por bem aplicar a multa de mora insculpida no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e, bem assim, da lavratura da autuação fiscal, ou seja, antes das alterações na legislação promovidas pela MP n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009. No entanto, com as novas modalidades de multas contempladas pela legislação hodierna, a multa de mora prescrita no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 deixou de existir, passando a dar lugar à multa de ofício estabelecida no artigo 44 da Lei n° 9.430/96, o que fez florescer o entendimento de que a multa de mora aplicada em lançamentos pretéritos teriam que ser rechaçadas ou mesmo limitadas a 20%, na esteira da previsão contida no artigo 61 da Lei n° 9.430/96. Com mais especificidade, analisando a legislação previdenciária constatase que a multa moratória achavase regulamentada pelo artigo 35 da Lei n° 8.212/91, que assim prescrevia: “Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei 9.528, de 10/12/97) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: (Inciso e alíneas restabelecidas, com nova redação, pela Lei 9.528, de 10/12/97) a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) Fl. 261DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99)” Entrementes, a Medida Provisória n° 449, de 04/12/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, em seu artigo 24, alterou a redação do dispositivo legal encimado, revogando, ainda, os seus incisos e parágrafos, passando a estabelecer o seguinte: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Por sua vez, os artigos 44 e 61 da Lei n° 9.430/96, trazem em seu bojo as seguintes determinações: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; Fl. 262DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10380.004994/200744 Acórdão n.º 9202003.277 CSRFT2 Fl. 199 9 b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Conforme se verifica da evolução da legislação acima transcrita, constatase que, para as contribuições previdenciárias, as notificações fiscais eram lavradas com a exigência de multa de mora gradativa, dependendo da época em que fosse pago o tributo. Não havia, porém, a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados. Em via, os débitos administrados pela Receita Federal do Brasil, anteriormente à unificação com a Previdência, se pagos em atraso estariam sujeitos à multa de mora, limitada a 20%, na forma do artigo 61 da Lei n° 9.430/96. No entanto, na hipótese de lançamento de ofício, aplicase a multa de ofício contemplada no artigo 44 da Lei n° 9.430/96, deixando de se exigir a multa de mora do artigo 61 do mesmo Diploma Lega. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Em outras palavras, no que concerne as contribuições previdenciárias, antes da edição da Lei n° 11.941/2009, somente se exigiria multa de mora, que podia variar de acordo com a data do pagamento, não se cogitando em multa de ofício. Por seu turno, na Receita Federal do Brasil a multa de mora só é exigida no pagamento a destempo, antes do lançamento de ofício, que, se ocorrer, sujeitará o contribuinte à multa de ofício, não mais a de mora. Assim, a partir da edição da MP n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, a multa de mora exigida/lançada nas Notificações Fiscais de Lançamento de Débito – NFLD e/ou Autos de Infração de contribuições previdenciárias, como in casu, deixou de ter amparo legal, eis que aqueles Diplomas Legais determinaram que somente seria cobrada multa de mora, limitada a 20%, no caso de pagamento e, multa de ofício, na hipótese de lançamento. Dessa forma, tendo a multa moratória encontrado limite legal, qual seja, 20% (vinte por cento), nos termos do artigo 61 da Lei nº 9.430/96, por força da alteração introduzida pela Lei n° 11.941/2009, devem seus efeitos retroagir para alcançar fatos geradores ocorridos anteriormente à sua edição, por tratarse de norma que comina penalidade mais branda, com base no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, in verbis: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II – tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática.” Observese que a multa de ofício, atualmente exigida no lançamento de ofício, não poderá ser aplicada retroativamente, tendo em vista não ser mais benéfica ao contribuinte, ao contrário do que ocorre com a multa de mora. Neste sentido, aliás, impende transcrever os ensinamentos do doutrinador LEANDRO PAULSEN, que assim preleciona: “Penalidade, inclusive multa moratória. A retroatividade abrange qualquer penalidade pelo descumprimento da legislação tributária, incluindose, nesta categoria, evidentemente, a multa moratória. Ou juros moratórios, por não terem caráter punitivo, não sofrem a incidência deste dispositivo. Na nota acima, sob a rubrica Retroatividade da lei mais benigna, há ementas de acórdãos dando aplicação ao art. 106, II, c, do CTN em relação a multas moratórias.” (Direito tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência / Leandro Paulsen. 10 ed. Ver. Atual. – Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora;a ESMAFE, 2008) A propósito da matéria, não é demais citar outro excerto da obra de Leandro Paulsen, supratranscrita, corroborando a pretensão da contribuinte, senão vejamos: “ – Multa moratória. Art. 61 da Lei 9.430/96. O percentual de multa moratória teve inúmeras variações ao longo do tempo. Alternouse entre 20% e 30% e chegou até mesmo a 40% Fl. 264DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10380.004994/200744 Acórdão n.º 9202003.277 CSRFT2 Fl. 200 11 aplicada com suporte na Lei 8.218/91, tendo sido novamente reduzida para 30% pelo art. 84, III, c, da Lei n° 8.981/95 e para 20% novamente em razão da superveniência do art. 61 da Lei 9.430/96. Sempre que o percentual aplicado tenha sido superior a 20%, cabe reduzir a mesma a este percentual por força da lei superveniente em cumprimento ao art. 106, II, c, do CTN.” (grifamos) Na esteira desse entendimento, impõese manter a ordem legal no sentido de limitar a exigência de multa de mora no percentual de 20 % (vinte por cento), na forma do disposto no artigo 9.430/96, atualmente aplicada ao caso. Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela 3a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão recorrido em consonância com as normas que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA E NEGAR LHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 265DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Voto Vencedor Conselheiro Elias Sampaio Freire, Designado Ouso divergir do ilustre conselheiro relator no que diz respeito à regra de aplicação da multa. No presente caso a obrigação tributária principal foi lançada acompanhada da multa prevista no art. 35, II da Lei nº 8.212, de 1991. Ocorre que a MP n.º 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, ao mesmo tempo em que revogou os referidos dispositivos da Lei nº 8.212, de 1991, promoveu nova sistemática de aplicação de multas. Assim dispunha, à época, o no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I – para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II – para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) III – para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: Fl. 266DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10380.004994/200744 Acórdão n.º 9202003.277 CSRFT2 Fl. 201 13 a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Por certo o Código Tributário Nacional, que dá tratamento específico no que tange a aplicação temporal de norma que trate penalidades, em seu art. 106, prevê que caso a nova lei traga tratamento mais benéfico para o contribuinte, deve se reduzir ou cancelar as multas aplicadas, in verbis: "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II – tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão» desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática." Portanto, é Indubitável a aplicação da multa benéfica, conforme disciplina do art. 106, II, “c” do CTN. O ponto submetido a apreciação deste colegiado resumese em definir como deve ser aplicada a multa nos termos da atual regência normativa. Ante o exposto e em decorrência da alteração legislativa, o acórdão recorrido optou por aplicar a regra contida no art. 35 da Lei n.º 8.212, de 1991, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O aludido dispositivo faz remissão expressa ao art.61, da Lei n. º 9.430, de 2009, in verbis: Fl. 267DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de No presente caso, não há de se falar aplicação da multa do art. 32, § 5º, da Lei 8.212, de 1991, que poderia corresponder a 100% do valor relativo às contribuições não declaradas, posto que os fatos geradores objeto do lançamento foram regularmente declarados em GFIP, posto que o contribuinte alegava ser imune a impostos e isenta de contribuições previdenciárias patronais, em face da aplicação do art. 55, §5º, da Lei n. º 8.212/1991, arts. 150, VI, c, e 195, §7º, ambos da CF/1988. Saliento que, sob a égide da sistemática anterior à MP n.º 449, de 2008, a multa aplicada poderia alcançar o patamr de 100%, conforme previsto no art. 35, III, "d" da Lei nº 8.212, de 1991. Entendo que na atual sistemática, nos casos de lançamento de ofício, têmse uma única multa, prevista no art. 35A da Lei 8.212, de 1991, que faz remissão expressa ao art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, in verbis: “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Portanto, no presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 35, II que se refere à sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, o cotejo da multa mais benéfica deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997. Isso posto, voto no sentido de conhecer do recursos especial, para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional, para que se limite o valor da multa aplicada ao valor da multa prevista no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996. É como voto. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 268DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10380.004994/200744 Acórdão n.º 9202003.277 CSRFT2 Fl. 202 15 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10935.902424/2012-65
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/08/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.579
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/08/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de PIS/PASEP que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/08/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 24 24 /2 01 2- 65 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.729, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 01/08/2012, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 08937.82963.161107.1.2.040609, rastreamento nº 029225040, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 4.235,38, uma vez que o pagamento de PIS/PASEP (Código 6912), do período de 31/07/2003, efetuado em 15/08/2003, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 13/08/2012, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 61DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902424/201265 Acórdão n.º 3802002.579 S3TE02 Fl. 122 3 Data do fato gerador: 15/08/2003 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao Fl. 62DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902424/201265 Acórdão n.º 3802002.579 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 64DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902424/201265 Acórdão n.º 3802002.579 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 66DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902424/201265 Acórdão n.º 3802002.579 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 68DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10880.962379/2008-02
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO ALEGADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de ressarcimento é fundamental a comprovação da materialidade do crédito pleiteado. Diferentemente do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CONCEITO DE PROVA. PLANILHAS INTERNAS OU RESUMOS DA APURAÇÃO.
Na tarefa de comprovar a materialidade do crédito, não se insere no conceito de prova a mera apresentação de planilhas e resumos internos da apuração. As planilhas devem constituir um resumo destinado a visualizar e analisar a prova juntada, sendo esta compreendida por documentos fiscais e/ou contábeis oponíveis ao fisco.
Numero da decisão: 3802-002.263
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, CONHECER do Recurso Voluntário para NEGAR-LHE o provimento.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim Presidente em exercício..
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco Jose Barroso Rios (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Waldir Navarro Bezerra e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO ALEGADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de ressarcimento é fundamental a comprovação da materialidade do crédito pleiteado. Diferentemente do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CONCEITO DE PROVA. PLANILHAS INTERNAS OU RESUMOS DA APURAÇÃO. Na tarefa de comprovar a materialidade do crédito, não se insere no conceito de prova a mera apresentação de planilhas e resumos internos da apuração. As planilhas devem constituir um resumo destinado a visualizar e analisar a prova juntada, sendo esta compreendida por documentos fiscais e/ou contábeis oponíveis ao fisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, CONHECER do Recurso Voluntário para NEGARLHE o provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 96 23 79 /2 00 8- 02 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim – Presidente em exercício.. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco Jose Barroso Rios (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Waldir Navarro Bezerra e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra Acórdão lavrado pela 6ª Turma da DRJ de São Paulo, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela interessada. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente que sejam revisitados os atos e fases processuais já superados. Por bem resumir a controvérsia até a respectiva fase processual, tomo emprestado a descrição fática lançada no acórdão da instância a quo acima referido (fls. 42 e seguintes): 1. A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação n° 38335.89078.101104.1.3.044235 em 10/11/04 (fls. 06/10), pleiteando a compensação de débitos de PIS, com créditos de PIS, decorrentes de suposto pagamento a maior ou indevido efetuado em 14/06/02. 2. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico de fl. 01, emitido em 11/12/08, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que a partir das características do DARF por meio do qual teria ocorrido o pagamento a maior ou indevido, o pagamento foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. 3. Cientificado da decisão em 05101/09 (fls. 04/05), o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 11/14) alegando, em síntese, que: 3.1 Como se pode observar no demonstrativo da composição das bases de cálculo, o crédito de PIS utilizado para sua compensação referese A parcela da contribuição Fl. 183DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.962379/200802 Acórdão n.º 3802002.263 S3TE02 Fl. 184 3 indevidamente paga sobre valores relativos As saídas gratuitas ("brindes") de seus produtos. 3.2 Se a base de cálculo tanto do PIS quanto da COFINS é constituída pela receita ou pelo faturamento, não há que se falar em ocorrência do fato gerador sobre o valor de notas fiscais de saída de mercadorias, sem que haja de fato ou de direito a correspondente receita ou faturamento. 3.3 Ao compor a base de cálculo das contribuições, cometeu equivoco de incluir valores que não constituíam sua receita ou faturamento, e deveria ter apresentado retificações de suas declarações para excluir destas bases de cálculos do PIS e da COFINS estes valores. 3.4 Em determinados casos, suas declarações não foram retificadas, e assim, cometeu erro de fato no procedimento tendente A apresentação desta PER/DCOMP. 3.5 Tal equivoco não macula seu direito à obtenção dos créditos, de fácil apuração, caso a autoridade administrativa competente tivesse cumprido sua obrigação legal e diligenciado ao estabelecimento da ora requerente, como determina o artigo 24 da IN SRF 600/2005. 3.6 Não procedendo assim, o despacho decisório representa ofensa aos princípios da moralidade administrativa, da razoabilidade, da finalidade e da oficialidade, além de ensejar o enriquecimento sem causa da União, ferindo o capuz do artigo 37 da Carta Magna, e os artigos 2°, 3°, inciso I, e 50, inciso I da Lei 9.784/99. 3.7 Requer a reforma do Despacho Decisório, reconhecendo seu direito creditório na sua totalidade e homologando a compensação do PER/DCOMP. 4. É o relatório. Ao analisar a reclamação, a 6ª Turma da DRJ/SPO entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, mantendo a glosa do crédito requerido pela contribuinte e proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA PIS Anocalendário: 2002 DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para Fl. 184DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. EFEITO. A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O julgador de 1ª instância entendeu que as provas apresentadas pelo contribuinte (balancete e resumo da apuração) não eram suficientes para demonstrar o direito creditório suscitado. Em seu Recurso Voluntário (fls. 67 e seguintes), que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, sob o argumento de que, ao contrário do indicado na decisão recorrida, a DRJ não deveria ter indeferido de plano seu pedido ante a suposta ausência de provas, pois cabe a ela verificar a materialidade do crédito suscitado; e que, ainda que se entendesse pela possibilidade de a DRJ negar o pedido ante a ausência de provas, o Recorrente apresenta, além das provas acostadas à manifestação de inconformidade, cópias dos Livro Registro de Saídas do ICMS, demonstrando a veracidade das suas alegações. Com base nos argumentos apresentados, a Recorrente pede a procedência do Recurso Voluntário para que seja reformada a decisão de 1ª instância e, consequentemente, homologadas as compensações efetuadas. Voto Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi, Relator O presente recurso é tempestivo e, ausentes outras questões preliminares, passo à análise de mérito. Tratase de processo de revisão de compensação, em que o contribuinte embasa seu pleito na alegação de que teria, equivocadamente, submetido à tributação de PIS e COFINS diversas saídas de brindes. No caso em tela, instado pela DRJ a apresentar provas cabais da materialidade de seu crédito, a Recorrente apresentou uma série de documentos – basicamente, além das informações do balancete que apresentou em sede de manifestação de inconformidade, consta um demonstrativo das notas fiscais do período envolvido no seu pedido e uma cópia do Livro Registro de Saídas do ICMS, que indica que as notas fiscais foram efetivamente escrituradas. Acontece que as provas apresentadas ainda não são suficientes para demonstrar a materialidade dos créditos do Recorrente. Vejase. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.962379/200802 Acórdão n.º 3802002.263 S3TE02 Fl. 185 5 O balancete apresentado pelo sujeito passivo apresenta os saldos das contas contábeis, com ênfase para as contas referentes às saídas a título gratuito. Além do balancete, foi acostado um relatório indicando as notas fiscais de CFOP referente a tais saídas. No entanto, esse relatório não indica totalização para fins de conferência dos saldos das contas indicadas no balancete apresentado. Outrossim, o Livro Registro de Saídas não indica o CFOP apresentado pelo sujeito passivo, o que não permite a aferição das informações apresentadas em seu relatório. Somase a isso o fato de que não há cópia de sequer uma nota fiscal no processo, o que permitiria verificar cabalmente os dados informados naquele documento fiscal. Ora, no rito do processo de análise de pedidos de compensação ou ressarcimento, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. No caso em tela, o Recorrente não me parece ter demonstrado, de modo cabal, a verdade material que lhe assiste. Nesse sentido, importante destacar que o julgador não pode se basear em planilhas internas apresentadas pelo contribuinte. Vale repisar, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de ressarcimento o contribuinte deve demonstrar cabalmente as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Em que pese a juntada de planilhas, temse que estas são nada além de um arrazoado na forma esquemática, ou mesmo matemática. Mas sempre arrazoado, não prova. Prova é a documentação, oponível ao fisco, que redunde em demonstração inequívoca do direito de crédito. Sobre essa prova é que deverão ser elaboradas planilhas resumo; porém é certo que as planilhas, em si, não constituem prova. Friso ainda que, com relação à afirmação do Recorrente, de que há presunção de veracidade nas declarações apresentadas, que mais do que declarações, é necessário que o conjunto fáticoprobatório dos autos é fundamental para se assegurar o direito de crédito suscitado em DCOMP. A presunção de boa fé nas informações, da maior importância para todo o ordenamento jurídico, não pode se sobrepor à necessidade de instrução probatória (ou seja, documental e não meramente informativa) no rito da revisão de compensação. Destarte, oriento meu voto no sentido de que seja mantida a decisão de primeira instância, mantendo a glosa das compensações, pois o Recorrente não demonstrou cabalmente a origem dos créditos de PIS/COFINS a serem compensados. Conclusão Isto posto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para NEGARLHE o provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 186DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Fl. 187DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10935.906183/2012-23
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 12/07/2005
Recurso Voluntário não conhecido
A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito.
Numero da decisão: 3802-003.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 12/07/2005 Recurso Voluntário não conhecido A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 61 83 /2 01 2- 23 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ/CTA, a qual, por unanimidade de votos julgou pelo não acolhimento da manifestação de inconformidade apresentada. Em ato contínuo, o despacho decisório pela DRF de Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do PER/DCOMP, devido à inexistência de crédito pleiteado, já que o pagamento de PIS/PASEP, do período acima indicado, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte o mesmo fato gerador, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/12/2004 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PERD/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE NORMAS VIGENTES JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da COFINS, sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, já que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998 não pode ser alargado ao ponto de abranger o conceito de ingresso. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Tendo em vista que a matéria posta para análise – inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, não está afeta à competência desse Fl. 56DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906183/201223 Acórdão n.º 1802003.150 S1TE02 Fl. 12 3 colegiado, já que não é permitido aos Conselheiros do CARF se pronunciarem sobre os aspectos constitucionais de lei tributária. É de rigor a aplicação da Súmula CARF nº 02 que determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Precedentes: Acórdão nº 10194876, de 25/02/2005 Acórdão nº 10321568, de 18/03/2004 Acórdão nº 10514586, de 11/08/2004 Acórdão nº 10806035, de 14/03/2000 Acórdão nº 10246146, de 15/10/2003 Acórdão nº 20309298, de 05/11/2003 Acórdão nº 201 77691, de 16/06/2004 Acórdão nº 20215674, de 06/07/2004 Acórdão nº 20178180, de 27/01/2005 Acórdão nº 20400115, de 17/05/2005. Portanto, pelas razões por mim aqui expostas, NÃO CONHEÇO do recurso ora interposto (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 16643.000033/2009-71
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1103-000.148
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 43 .0 00 03 3/ 20 09 -7 1 Fl. 2541DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16643.000033/200971 Resolução nº 1103000.148 S1C1T3 Fl. 2.542 2 Relatório Tratase de autos de infração de IRPJ e CSLL, relativos aos anoscalendário 2004 e 2005 (fls.1.548/1.570) 1, com incidência de multa de ofício de 75% e juros de mora. A ciência do sujeito passivo ocorreu em 11/11/09 (fl.1.659). As infrações foram assim relatadas no campo “Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)”: IRPJ 001 CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS. GLOSA DE DESPESAS DE ROYALTIES INDEVIDAMENTE COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. Valor apurado conforme Termo de Verificação Fiscal anexo, o qual constitui parte integrante e inseparável do presente Auto de Infração. 002 DEPRECIAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. COTAS DE DEPRECIAÇÃO NÃO DEDUTÍVEIS. Valor apurado conforme item 3.1.1.10 do Termo de Verificação Fiscal, o qual constitui parte integrante e inseparável do presente Auto de Infração. 003 DESPESAS COM ASSISTÊNCIA TÉCNICA, CIENTÍFICA OU TECNOLÓGICA. BENEFICIÁRIOS NO EXTERIOR / INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. Valor apurado conforme Termo de Verificação Fiscal anexo, o qual constitui parte integrante e inseparável do presente Auto de Infração. 004 DESPESAS COM ASSISTÊNCIA TÉCNICA, CIENTÍFICA OU TECNOLÓGICA. BENEFICIÁRIOS NO EXTERIOR / INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. Valor apurado conforme Termo de Verificação Fiscal, o qual constitui parte integrante e inseparável do presente Auto de Infração. 005 GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. SALDO DE PREJUÍZOS INSUFICIENTES. Compensação de prejuízos fiscais, tendo em vista a alteração do saldo de prejuízos de anos anteriores a 2004, consignada no Auto de Infração formalizado sob o nº 16561.000190/200813, bem como em função das infrações apuradas conforme Termo de Verificação Fiscal anexo, o qual constitui parte integrante e inseparável do presente Auto de Infração. CSLL 001 CSLL. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL. Valor apurado conforme Termo de Verificação Fiscal anexo, o qual constitui parte integrante e inseparável do presente Auto de Infração. 002 CSLL. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE BASE DE 1 A indicação das páginas neste acórdão referese à numeração estabelecida automaticamente pelo sistema e processo. Fl. 2542DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16643.000033/200971 Resolução nº 1103000.148 S1C1T3 Fl. 2.543 3 CÁLCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES. Compensação indevida de bases negativas de CSLL, tendo em vista a alteração do saldo de tais bases negativas de anos anteriores a 2004, consignada no auto de infração formalizado sob o nº 16561.000190/200813, bem como em função das infrações apuradas conforme Termo de Verificação Fiscal anexo, o qual constitui parte integrante e inseparável do presente Auto de Infração. No Termo de Verificação Fiscal (fls.1.575/1.656), consignouse, em síntese: quanto ao anocalendário 2003, foram ajustadas exofficio as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, em razão da apuração de infrações no curso do procedimento fiscal que culminou em autuações objeto do processo nº 16561.000190/200813; na DIPJ retificadora do anocalendário 2005, entregue durante a auditoria, o contribuinte basicamente reduziu os valores de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL, tendo admitido, no item 12 de sua resposta datada de 16/10/09, que as alterações decorreram da apuração de algumas infrações consignadas no processo nº 16561.000190/200813, em relação às quais não recorreu; a retificação das bases de cálculo não produzem efeito, vez que ocorreu após o início do procedimento fiscal, não se podendo falar em denúncia espontânea nos termos do art.138 do Código Tributário Nacional (CTN); Dos serviços prestados por residentes no exterior conforme Termo de Intimação nº 01, o contribuinte foi intimado a apresentar cópias dos contratos de câmbio concernentes a remessas ao exterior realizadas nos anoscalendário 2003 a 2005, sendo que os “...os lançamentos decorrentes do exame dos contratos do anocalendário de 2003 foram consignados nos já referidos autos de infração formalizados sob o nº 16561.000190/200813”; “Conforme informações constantes nestes contratos de câmbio, todas as suscitadas remessas guardavam relação com pagamentos efetuados a residentes no exterior como contraprestação de serviços técnicos que lhe foram prestados”, sendo os beneficiários controladoras estrangeiras indiretas, pessoas integrantes do “Grupo Voith” ou terceiros; a dedutibilidade, na apuração do lucro real, das importâncias pagas a beneficiários no exterior a título de serviços de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante regulase pelos artigos 354 e 355 do RIR/99, que estabelecem os seguintes requisitos: os contratos devem ser registrados no Banco Central do Brasil (Bacen) e corresponderem a serviços efetivamente prestados por técnicos, desenhos ou instruções enviadas ao Brasil, ou estudos técnicos realizados no exterior por conta da empresa; que o montante anual não exceda ao limite fixado pelo Ministro da Fazenda; e que o correspondente ato ou contrato seja registrado/averbado no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), quando envolverem transferência de tecnologia; mostrase essencial o exame dos contratos celebrados com os prestadores de serviços para a exata delimitação do objeto, razão pela qual “...o fiscalizado, por mais de uma vez, foi intimado a apresentar todos os contratos comerciais celebrados com as sociedades estrangeiras e que guardassem relação com os 63 (sessenta e três) contratos de câmbio especificados no Termo de Intimação nº 14. A despeito das sucessivas intimações (Termos de Intimação nº 14 e nº 16), o fiscalizado apresentou apenas 03 (três) contratos que se relacionam a 17 (dezessete) das aludidas remessas”; Fl. 2543DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16643.000033/200971 Resolução nº 1103000.148 S1C1T3 Fl. 2.544 4 “[...] excetuandose as 17 (dezessete) remessas que se referem aos três contratos apresentados, nas demais 46 (quarenta e seis) examinadas os objetos dos correspondentes contratos que ensejaram os pagamentos ao exterior foram deduzidos não só a partir das descrições e naturezas dos serviços as quais foram individualmente apresentadas pelo fiscalizado em suas respostas , mas também das ‘invoices’, das ‘purchase orders’ e dos demais documentos que foram apresentados â fiscalização”; quanto aos contratos questionados por meio dos Termos de Intimação Fiscal nº 14 e 16, o contribuinte informou a ausência de registro no Bacen e no INPI), tendo ainda afirmado que não teria havido transferência de tecnologia, “...à exceção da remessa com base no contrato de câmbio 04/032038”; o fiscalizado assumiu o ônus quanto ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), incidente nas operações auditadas. “[...] no caso dos serviços compartilhados (correspondentes aos contratos de câmbio n° 04/027958, n° 04/044139 e n° 04/056045), não reajustou a base de cálculo, já que o beneficiário no exterior assumiu o ônus do IRRF”; alguns pagamentos por serviços de natureza técnica prestados por residentes no exterior, contabilizados como “compra de matériaprima” (conta contábil 3110100), foram apropriados como despesa, tendo como conseqüência a redução do resultado do período; analisouse a natureza dos serviços relacionados a cada uma das remessas ao exterior, os valores envolvidos e as respectivas contabilizações. “[...] Em relação a cada um dos contratos de câmbio houve a apresentação de um demonstrativo evidenciando não só todos os valores que compuseram o montante total contabilizado como custo/despesa, mas também as contas utilizadas nos lançamentos contábeis [...]. De um modo geral, o montante total relacionado a cada remessa e que foi deduzido do resultado (custo/despesa) é composto dos seguintes elementos: valor do contrato de câmbio, IRRF, Cide, Cofins Importação de Serviços, PIS Importação de Serviços, ISS e serviço aduaneiro. Contudo, nas remessas ora examinadas nem sempre esses sete elementos integram o montante total deduzido”; “Da combinação dos artigos 682, 708 e 717 do RIR/99, e levandose em conta o art. 3° da Medida Provisória n° 2.15970, depreendese que nos casos ora examinados o fiscalizado, ao efetuar os pagamentos aos prestadores dos serviços no exterior, revestiase da condição de responsável tributário pela retenção e recolhimento do IRRF. A despeito de os prestadores dos serviços serem os contribuintes do imposto, ao fiscalizado competia reter e recolher tal tributo por eles devido. É inegável, portanto, que o IRRF é elemento componente das importâncias pagas pelo fiscalizado aos prestadores dos serviços no exterior. Porém, por força da legislação brasileira, a fonte pagadora (fiscalizado) reteve parte de cada um dos pagamentos devidos aos estrangeiros, recolhendoos aos cofres públicos a titulo de IRRF”; nas situações em que reste configurado o descumprimento das condições de dedutibilidade, os respectivos valores do IRRF compõem os montantes glosados, aplicandose o mesmo raciocínio ao ISS. A fiscalização, então, passou a especificar as razões pelas quais não aceitou a dedutibilidade dos valores, quanto às remessas analisadas, que podem ser assim resumidas, por contrato de câmbio: CC nºs 04/008601 e 04/0011065: não averbação, no Bacen e no INPI, dos respectivos contratos de prestação de serviços (“consultoria técnica relacionada ao Projeto Tucuruí, prestada no Brasil por técnico da ‘Siemens AG’, sediada na Alemanha”), tendo sido os valores Fl. 2544DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16643.000033/200971 Resolução nº 1103000.148 S1C1T3 Fl. 2.545 5 contabilizados na conta 0311.0100.00000 (compra de matériaprima) e apropriados como custos incorridos no mesmo período; CC nº 04/033127: não averbação, no Bacen e no INPI, dos respectivos contratos de prestação de serviços (“prestação de serviço de assistência técnica no Brasil por parte de técnicos enviados por empresa estrangeira”), tendo sido o valor contabilizado na conta 0133.3010.01000 (“Ordens de Servs/Obras AndamOS”) e deduzidos na DIPJ como “Outras Despesas Operacionais”; CC nº 04/004477: não averbação, no Bacen e no INPI, do respectivo contrato de prestação de serviços (“prestação de serviço de assistência técnica no Brasil por parte de técnico estrangeiro”), tendo sido o valor contabilizado na conta 0120.7500.00000 (“Ordem Servs Transitórias – OST”) e deduzidos na DIPJ como “Despesas com pesquisas técnicas (P&D)”; CC nº 04/004765: não averbação, no Bacen e no INPI, do respectivo contrato de prestação de serviços (“prestação de serviço de assistência técnica no exterior por parte de técnico estrangeiro, com o encaminhamento do projeto/relatório ao Brasil”), tendo sido o valor contabilizado na conta 0120.7500.00000 (“Ordem Servs Transitórias – OST”) e deduzidos na DIPJ como “Despesas com pesquisas técnicas (P&D)”; CC nºs 04/005828 e 04/005985: não averbação, no Bacen e no INPI, dos respectivos contratos de prestação de serviços (“prestação de consultoria técnica de engenharia hidráulica concernente a diversos projetos desenvolvidos no Brasil pelo fiscalizado”), tendo sido os valores contabilizados nas contas 0311.0100.00000 e 0330.0200.00904; CC nº 04/009462: não averbação, no Bacen e no INPI, do respectivo contrato de prestação de serviços (“serviços de assistência técnica no Brasil por parte de técnico estrangeiro de sua vinculada norteamericana”), tendo sido o valor contabilizado na conta 0330.0200.00949 (“Serviços de Terceiros”); CC nº 04/010872: não averbação, no Bacen e no INPI, do respectivo contrato de prestação de serviços (“prestação de serviço de assistência técnica no Brasil por parte de técnicos enviados pela controladora indireta estrangeira”), tendo sido o valor contabilizado na conta 0311.0100.00000 (compra de matériaprima) e apropriado como custo incorrido no mesmo período; CC nº 04/017964: não averbação, no Bacen e no INPI, do respectivo contrato de prestação de serviços (“prestação de serviços de assistência técnica no exterior (estudo técnico realizado no exterior) por sua controladora estrangeira”), tendo sido o valor contabilizado na conta 0330.0200.00909 (“Serviços de Terceiros”); CC nº 04/023181, 04/043952, 04/049232 e 04/001946: não averbação, no Bacen e no INPI, do respectivo contrato de prestação de serviços (“transferência de tecnologia ao fiscalizado, porquanto caracterizada a aquisição de conhecimentos tecnológicos fornecidos pelo residente no exterior”), tendo sido os valores contabilizados nas contas 0120.7500.00000 (“Ordem Servs Transitórias – OST”) e 0311.0100.00000 (“Matériaprima”); CC nº 04/032038: não averbação, no Bacen e no INPI, do respectivo contrato de prestação de serviços (“serviço prestado pela controladora estrangeira a titulo de ‘Service for realkation of the Index Test”), tendo sido o valor contabilizado na conta 0133.3990.00000 (“Imobilizações a Classificar”). Os montantes contabilizados a título de encargos de depreciação do aludido ativo foram glosados (R$ 5.030,52, AC 2004; e R$ 12.073,24, AC 2005); CC nº 04/054247: não averbação, no Bacen e no INPI, do respectivo contrato de prestação de serviços (“prestação de serviços de assistência técnica no exterior (estudo técnico realizado no Fl. 2545DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16643.000033/200971 Resolução nº 1103000.148 S1C1T3 Fl. 2.546 6 exterior) por sua controladora estrangeira”), tendo sido o valor contabilizado na conta 0311.0100.00000 (compra de matériaprima) e apropriado como custo incorrido no mesmo período; CC nº 04/063974: não averbação, no Bacen e no INPI, do respectivo contrato de prestação de serviços (“prestação de serviços de assistência técnica no exterior (estudo técnico realizado no exterior) por sua controladora estrangeira”), tendo sido o valor contabilizado na conta 0311.0100.00000 (compra de matériaprima) e apropriado como custo incorrido no mesmo período; CC nº 04/009832: não averbação, no Bacen e no INPI, do respectivo contrato de prestação de serviços (“serviços de assistência técnica no exterior por sua vinculada estrangeira”), tendo sido o valor contabilizado na conta 0330.0200.00934 (“Serviços de Terceiros”); CC nº 04/049262: não averbação, no Bacen e no INPI, do respectivo contrato de prestação de serviços (“prestação de serviço de assistência técnica no Brasil por parte de técnico estrangeiro”), tendo sido o valor contabilizado na conta 0311.0100.00000 (compra de matéria prima) e apropriado como custo incorrido no mesmo período; CC nº 04/044588: não averbação, no Bacen e no INPI, do respectivo contrato de prestação de serviços (“prestação de serviços de assistência técnica no exterior por sua controladora estrangeira”), tendo sido o valor contabilizado na conta 0311.0100.00000 (compra de matéria prima) e apropriado como custo incorrido no mesmo período; CC nº 05/055965: não averbação, no Bacen e no INPI, do respectivo contrato de prestação de serviços (“prestação de serviço de assistência técnica no Brasil por parte de técnico estrangeiro”), tendo sido o valor contabilizado na conta 0120.7500.00000 (“Ordem Servs Transitórias – OST”) e deduzido na DIPJ como “Despesas com pesquisas técnicas (P&D)”; CC nº 05/067156, 05/055967, 05/056304 e 05/061509: não averbação, no Bacen e no INPI, dos respectivos contratos de prestação de serviços (“prestação de consultoria técnica de engenharia concernente a diversos projetos desenvolvidos no Brasil pelo fiscalizado”), tendo sido os valores inicialmente contabilizados nas contas 0311.0100.00000 (“Compra de matéria prima”), 0120.7500.00000 (“Ordem Servs Transitórias – OST”) e 0330.0222.00934 (“Outros serviços – coligadas”); CC nº 05/011923, 05/037725, 05/037727, 05/052042, 05/061570 e 05/062813: não averbação, no Bacen e no INPI, do respectivo contrato de prestação de serviços (“transferência de tecnologia ao fiscalizado, porquanto caracterizada a aquisição de conhecimentos tecnológicos fornecidos pelo residente no exterior”), tendo sido os valores contabilizados nas contas 0120.7500.00000 (“Ordem Servs Transitórias – OST”) e 0311.0100.00000 (“Matéria prima”); CC nº 05/028338: não averbação, no Bacen e no INPI, do respectivo contrato de prestação de serviços (“prestação de serviços de assistência técnica no exterior por sua vinculada estrangeira”), tendo sido o valor contabilizado na conta 0330.0223.00934 (“Outros Serviços Terceiros”); CC nº 05/036368: não averbação, no Bacen e no INPI, do respectivo contrato de prestação de serviços (“reembolso de despesas de técnicos estrangeiros, os quais prestaram serviços de assistência técnica no Brasil para a UHE PF”), tendo sido o valor contabilizado na conta 0311.0100.00000 (compra de matériaprima) e apropriado como custo incorrido no mesmo período; Fl. 2546DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16643.000033/200971 Resolução nº 1103000.148 S1C1T3 Fl. 2.547 7 CC nº 05/034384: não averbação, no Bacen e no INPI, do respectivo contrato de prestação de serviços (“serviço de consultoria (‘design review') prestado por técnico estrangeiro, necessário para que o fiscalizado fabricasse uma válvula da obra de Tai An (China)”), tendo sido o valor contabilizado na conta 0311.0100.00000 (compra de matériaprima) e apropriado como custo incorrido no mesmo período; CC nº 05/045813: não averbação, no Bacen e no INPI, do respectivo contrato de prestação de serviços (“consultoria técnica relacionada a projeto desenvolvido pelo fiscalizado”), tendo sido o valor contabilizado na conta 0120.7500.00000 (“Ordem Servs Transitórias – OST”) e deduzido na DIPJ como “Despesas com Pesquisa Científica e Tecnológica”; CC nº 05/063144: não averbação, no Bacen e no INPI, do respectivo contrato de prestação de serviços (“assistência técnica/consultoria prestada ao fiscalizado no Brasil, relacionada a testes que foram feitos na Noruega”), tendo sido o valor contabilizado na conta 0120.7500.00000 (“Ordem Servs Transitórias – OST”) e deduzido na DIPJ como “Despesas com Pesquisa Científica e Tecnológica”; CC nº 05/062815: não averbação, no Bacen e no INPI, do respectivo contrato de prestação de serviços (“serviço essencialmente técnico (estudos referentes a válvulas de Irape) prestado por especialista estrangeiro e que se relaciona a um projeto desenvolvido no Brasil pelo fiscalizado (Irape)”), tendo sido o valor contabilizado na conta 0311.0100.00000 (compra de matériaprima) e apropriado como custo incorrido no mesmo período; CC nº 05/061573: não averbação, no Bacen e no INPI, do respectivo contrato de prestação de serviços (“serviço essencialmente técnico (inspeção e finalização de dimensionamento) prestado por técnico estrangeiro e que se relaciona a um projeto desenvolvido no Brasil pelo fiscalizado (Irape).”), tendo sido o valor contabilizado na conta 0311.0100.00000 (compra de matériaprima) e apropriado como custo incorrido no mesmo período; CC nº 05/065198: não averbação, no Bacen e no INPI, do respectivo contrato de prestação de serviços (“suporte técnico prestado ao fiscalizado, relacionado à parte mecânica da turbina do Projeto Rio Madeira”), tendo sido o valor contabilizado na conta 0120.7500.00000 (“Ordem Servs Transitórias – OST”) e deduzido na DIPJ como “Despesas com Pesquisa Científica e Tecnológica”; CC nº 05/006083: não averbação, no Bacen e no INPI, do respectivo contrato de prestação de serviços (“prestação de serviços de assistência técnica no Brasil por parte de técnicos enviados por empresa estrangeira”), tendo sido o valor contabilizado na conta 0311.0100.00000; A respeito das demais infrações, a autoridade autuante consignou: Dos “royalties” pagos à controladora estrangeira no anocalendário 2004 conforme informações do contribuinte, os valores declarados na Linha 26 da Ficha 05A da DIPJ seriam referentes a royalties pagos a beneficiário no exterior, no caso à sua controladora alemã, pela exploração de know how, tendo averbado no INPI o respectivo contrato (nº 020201/02); diante dos esclarecimentos prestados pelo contribuinte, após “...cotejo entre o valor total dedutivel computado pela fiscalização com base nos documentos apresentados (R$7.118.161,42) e o montante efetivamente deduzido pelo fiscalizado para fim de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL do anocalendário de 2004 (R$7.231.702,02), apurouse uma diferença de R$ 113.540,60, a qual não encontra respaldo na documentação apresentada”; Fl. 2547DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16643.000033/200971 Resolução nº 1103000.148 S1C1T3 Fl. 2.548 8 Da tributação em bases universais no anocalendário 2005, considerando as participações societárias do contribuinte no exterior, o valor a ser informado na DIPJ quanto à controlada mexicana deveria totalizar R$ 244.500,49 em vez de R$ 244.178,56; Da compensação indevida de prejuízos fiscais e de base negativa de CSLL em razão das alterações dos saldos de prejuízo fiscal e de base de cálculo de CSLL acumulados em anos anteriores, formalizadas no auto de infração objeto do processo nº 16561.000190/200813, e das demais infrações, fezse necessário ajustar a compensação a título de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas de CSLL do anocalendário de 2005. A Primeira Turma da DRJ – São Paulo I (SP) considerou procedentes em parte os lançamentos, conforme acórdão de fls.2.292/2.343, que recebeu a seguinte ementa: RELATÓRIO FISCAL. RAZÕES. IDENTIFICAÇÃO DA INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Ê afastada a hipótese de nulidade do lançamento por falta de motivação quando o relatório fiscal contém elementos suficientes para identificação da conduta infracional e a impugnação contesta detalhadamente os fatos imputados a fiscalizada. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Ê desnecessária a realização de perícia quando as explicações e elementos documentais juntados aos autos compõem instrução probatória suficiente para a formação do convencimento do julgador. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. FALTA DE INDICAÇÃO DO TRIBUTO FISCALIZADO. NULIDADE DE LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. A falta de indicação do tributo ou contribuição em Mandado de Procedimento Fiscal, instrumento de controle interno da administração tributária, é mera irregularidade, não dando causa à nulidade do lançamento. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. AÇÃO FISCAL. INÍCIO. INTIMAÇÃO. ESPONTANEIDADE. EXCLUSÃO. O Mandado de Procedimento Fiscal contém ordem para instauração de procedimento de fiscalização, mas não configura seu inicio, que ocorre com a ciência do sujeito passivo do termo de inicio de ação fiscal ou de termo de intimação expedido por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil para que sejam prestados esclarecimentos ou apresentados documentos relativos ao cumprimento de suas obrigações tributárias, momento em que fica excluída a espontaneidade. GLOSA DE DESPESAS. SERVIÇOS TÉCNICOS. CONTROLADORA NO EXTERIOR. AVERBAÇÃO NO INPI. É vedada a dedução de despesas incorridas com pagamentos de serviços técnicos tomados de controladoras domiciliadas no exterior, quando os respectivos contratos estão desprovidos de averbação junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial ou, se forem descumpridos seus termos e prazo. GLOSA DE DESPESAS. SERVIÇOS TÉCNICOS. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. REGISTRO NO BACEN. O registro no Bacen de contrato de serviço de assistência técnica, cientifica, administrativa ou semelhantes, de projetos ou serviços técnicos especializados tomados de controladora domiciliada no exterior é requisito de dedutibilidade Fl. 2548DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16643.000033/200971 Resolução nº 1103000.148 S1C1T3 Fl. 2.549 9 do respectivo pagamento da base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica tomadora dos serviços, independentemente de ocorrida transferência de tecnologia. BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. AJUSTES AO LUCRO LÍQUIDO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. O registro no Bacen e a averbação no INPI de contratos causadores de pagamentos de royalties e remuneração por serviços técnicos tomados de controladoras domiciliadas no exterior são condições de dedutibilidade de despesa previstas exclusivamente na legislação do Imposto sobre a Renda, não se comunicando para a base de cálculo da CSLL. Em razão do valor exonerado da CSLL, interpôsse recurso de oficio. Devidamente cientificado em 8/2/11 (fl.2.350), o contribuinte apresentou tempestivamente recurso voluntário em 2/3/11 (fls.2.355/2.408), em que sustenta: deixou de impugnar determinadas matérias, tendo procedido aos respectivos pagamentos; o auto de infração de CSLL seria nulo em razão de no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) ter sido apontado apenas o IRPJ como tributo a ser fiscalizado; teria havido violação ao princípio da verdade material, vez que a autoridade fiscal deixou de expor as razões pelas quais concluiu que os serviços de assistência técnica envolveriam transferência de tecnologia. Ademais, os Julgadores não teriam analisado os documentos carreados aos autos com a impugnação; o indeferimento do pedido de perícia representaria cerceamento ao direito de defesa; quanto à CSLL, não se poderia falar em ausência de espontaneidade da retificação da DIPJ do anocalendário 2005, vez que as infrações apontadas no processo nº 16561.000190/200813 (deduções de despesas com pagamentos de CIDE, de royalties e com serviços técnicos) não interfeririam na apuração de sua base de cálculo daquela contribuição, como já reconhecido pelo próprio acórdão recorrido ao exonerar parcela do crédito tributário; não há se falar em compensações indevidas de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas de CSLL no anocalendário 2005, vez que “...indevidas foram as glosas do Auto de Infração de 12/12/2008”; a análise das despesas com serviços técnicos não estaria “...ao alcance dos conhecimentos do Sr. Auditor Fiscal ou da DRJ/SPOI, que carecem de formação especializada em engenharia de turbinas hidráulicas e geradores elétricos para avaliar se ocorreu ou não transferência de tecnologia na hipótese”; a relação dos serviços técnicos especializados não registráveis no INPI seria meramente exemplificativa e não exaustiva; haveria distinção entre os contratos de prestação de serviços comuns (sem transferência de tecnologia) e os contratos de transferência de tecnologia (“Know how”). Quando não se transmite conhecimento, inexistiria transferência de tecnologia; no caso concreto, que se relaciona com despesas atinentes à construção de turbinas hidráulicas para usinas hidrelétricas, não teria havido, em quaisquer das fases industriais, transferência de tecnologia. Não se poderia chegar à conclusão diversa a partir do fato de o contribuinte ter recebido relatórios e compilação de testes; o acórdão recorrido teria incorrido em equívoco ao concluir que “ficaria caracterizada a prestação de serviços de assistência técnica, pois os serviços de ensaio de modelo hidráulico Fl. 2549DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16643.000033/200971 Resolução nº 1103000.148 S1C1T3 Fl. 2.550 10 de turbinas e simulações prestados pela controladora no exterior produzem um relatório descritivo das circunstâncias, condições e elementos que influenciaram os resultados obtidos e orientam o projeto de construção”. Por não dispor do banco de dados de experiências acumuladas e do sofisticadíssimo laboratório existente nos EUA e na Alemanha, estaria totalmente incapacitada absorver qualquer tecnologia relacionada às fases 1 e 2 do projeto de turbinas; quanto aos serviços de reforma de máquinas de isolamento do enrolamento do estator de hidrogeradores, contratara um técnico da Micamation, sociedade suíça não vinculado ao grupo Voith, “...que não colocaria seu negócio a perder transferindo sua tecnologia a terceiros estranhos”, tendo prestado apenas serviço comum; para a caracterização de um serviço como assistência técnica com transferência de tecnologia, não bastaria o envio de técnicos ao Brasil; quanto aos serviços de avaliação das trincas nas chapas de duas cruzetas inferiores de turbinas de Itaipu, prestados no local por especialista alemão em soldas, não se poderia concluir pela transferência de tecnologia a partir da produção de relatórios pela controladora alemã. “...não há que se cogitar aqui de transferência de tecnologia, pois a Recorrente simplesmente contratou em fevereiro de 2004 os serviços de um técnico de sua controladora, o qual avaliou as trincas e propôs soluções, sem ensinar como teria chegado àquelas conclusões. Aliás, por se tratar de um problema raro, a Recorrente nem teria interesse na aquisição desse tipo de conhecimento, tendo pago exclusivamente pelos resultados!”; no que concerne aos serviços de pesquisa para aperfeiçoamento dos cálculos no programa de computador DI 1204, que dimensiona os hidrogeradores fabricados pela Recorrente, a análise do respectivo contrato seria complexa para leigos em engenharia. O agente fiscal teria confundido despesas de assistência técnica, científica ou administrativa (arts.354 e 355 do RIR/99), com despesas com pesquisas científicas ou tecnológicas (art.349 do RIR/99), sendo que os contratos relativos a estas não se sujeitariam a registro no Bacen e no INPI. “[...] nesse tipo de serviços a transferência de tecnologia é impossível porque inexiste uma tecnologia que possa ser objeto de transferência. Ninguém vende um bem ou direito que não detém! Nesse caso, a Universidade de Dresden apenas vendeu sua mãodeobra (obrigação de fazer) e não um bem ou direito”. Conforme provas dos autos, as despesas seriam com pesquisa. Ademais, o software DI 1204 sempre foi de sua propriedade, que o desenvolveu; teria havido violação ao tratado BrasilAlemanha, que limitaria a competência tributária do Brasil sobre os rendimentos pagos por fonte no Brasil a residentes na Alemanha. “[...] a glosa de uma despesa paga de fonte pagadora no Brasil a beneficiário no exterior viola o Tratado BrasilAlemanha, pois tal atribui à União o duvidoso direito de tributar no Brasil os rendimentos de nãoresidentes de competência da Alemanha [...]. Como os serviços em discussão não envolvem transferência de tecnologia, em verdade, não passam de remunerações pagas ‘por informações correspondentes à experiência adquirida no setor industrial’, qualificandose como royalties para os exclusivos fins do Tratado BrasilAlemanha [...].Ora, como o Brasil já recebeu da Recorrente os 15% de IRFonte sobre em todas as remessas à Alemanha, tal qual comprova o próprio Termo de Verificação Fiscal, o Brasil já esgotou sua competência tributária sobre os rendimentos relativos aos serviços pagos à Alemanha, estando assim proibido de tributar tais rendimentos”; seria imprescindível a realização de perícia, vez que a verificação da existência ou não de transferência de tecnologia depende “...de conhecimentos técnicos, altamente especializados em engenharia hidráulica, certamente fora da esfera de conhecimento e competência funcional dos Srs. Julgadores e dos Auditores Fiscais, justificando a requerida Perícia de Engenharia”. Fl. 2550DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16643.000033/200971 Resolução nº 1103000.148 S1C1T3 Fl. 2.551 11 Em contrarrazões, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional aduziu (fls.2.411/2.448): as infrações apuradas quanto ao IRPJ estariam intimamente vinculadas à CSLL, de modo que não se poderia falar em nulidade quanto ao lançamento desta, até mesmo porque o Recorrente teria exercido sua defesa exaustivamente. A fiscalização quanto à CSLL teria sido incluída na auditoria com base no art.9º da Portaria nº 3.007/01; a não dedutibilidade das despesas restara comprovada nos autos, não se podendo falar em nulidade das autuações, até mesmo porque os vícios relacionados nos artigos 59 e 60 do Decreto nº 70.235/72 não estariam presentes na hipótese; tendo sido a DIPJ/06 entregue após o início da ação fiscal, não restara configurada a denúncia espontânea. “[...] seja porque a CSLL é um tributo reflexo do IRPJ que estava sendo objeto de investigação e que poderia ser incluída no lançamento, seja porque houve a descrição pormenorizada da CSLL no Termo de Intimação nº 1 como escopo da investigação, não há que se aplicar o instituto da denúncia espontânea à presente hipótese. Cumpre frisar, ainda, que a adesão ao parcelamento após o início do procedimento administrativo não enseja denúncia espontânea em face da retificação da CSLL na DIPJ relativa ao anocalendário 2005”. Não se poderiam transportar para o presente processo matérias debatidas no processo nº 16561.000190/200813; seria desnecessária a realização de perícia, pois as questões podem ser solucionadas com os elementos constantes dos autos; quanto à suposta incorreção das glosas realizadas no processo nº 16561.000190/200813, o Recorrente não teria apresentado as respectivas provas; “O cerne da questão está no fato de que tais serviços envolveram transferência de tecnologia, estando a dedutibilidade dos respectivos custos na base de cálculo do IRPJ e da CSLL condicionada à averbação dos contratos no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual INPI e de registro no Banco Central do Brasil BACEN. A Recorrente tenta sustentar a dedutibilidade dos referidos custos na ausência de efetiva transferência de tecnologia, o que dispensaria a averbação dos contratos no INPI e registro no BACEN”; de acordo com os artigos 354 e 355 do RIR/99, as despesas com assistência técnica, científica, administrativa e semelhantes, de pessoa jurídica sediada no Brasil com sua controladora no exterior, em regra não seriam dedutíveis das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL; a Circular Bacen nº 2.816/98 instituíra o Registro Declaratório Eletrônico (RDE) quanto a contratações com fornecedores e/ou financiadores não residentes no Brasil, abarcando as operações de fornecimento de tecnologia e de assistência técnica submetidas a registro no INPI ou outras operações não submetidas à averbação em tal órgão. “[...] haja ou não transferência de tecnologia, as despesas dos contratos de assistência técnica a título de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante igualmente dependem do registro no BACEN. Tratase de requisito autônomo que não foi observado pela Recorrente para fins de dedutibilidade de despesas”. a CartaCircular Bacen nº 2.795/98, que regulamentou o RDE, confirma a necessidade de registro dos serviços técnicos complementares e/ou despesas vinculadas às operações que envolvam direitos de propriedade industrial, fornecimento de tecnologia, prestação de serviços de assistência técnica e franquia, mesmo quando não sujeitos à averbação pelo INPI. Ainda que fosse dispensado tal requisito, a falta de registro no Bacen já seria suficiente para impossibilitar a dedução de tais despesas; Fl. 2551DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16643.000033/200971 Resolução nº 1103000.148 S1C1T3 Fl. 2.552 12 conforme art.211 da Lei nº 9.279/96, “O INPI fará o registro dos contratos que impliquem transferência de tecnologia, contratos de franquia e similares para produzirem efeitos em relação a terceiros”; o extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, no acórdão nº 1037331, já entendeu que “A averbação dos contratos no INPI [...] é de inexcedível importância, isto porque ele vai detectar se há efetiva transferência de tecnologia e, além disso, em que medida, qualidade e quantidade, sob pena de, haja vista a complexidade dos serviços, ficar a autoridade fiscal à mercê das alegações dos contratantes dos serviços”; para o INPI, “...os contratos de prestação de serviços de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, de projetos ou serviços técnicos especializados também envolvem transferência de tecnologia e, portanto, devem ser averbados”, não havendo a necessidade de se vincular a “...efetividade da transferência de tecnologia à capacidade da tomadora de serviços em absorver ou implementála”; quanto à incidência do tratado BrasilAlemanha, “...se as remessas ao exterior forem consideradas contraprestações de royalties, como desejado pela própria Recorrente no particular, igualmente não serão dedutíveis, por força do art. 353 do RIR/99. Aliás, o art. 353, V, “a” e parágrafo único do RIR/99 vedam expressamente a dedução dos royalties a beneficiários domiciliados no exterior que não sejam registrados no BACEN ou tampouco averbado no INPI. Com isso, a Recorrente peca pela ausência de cumprimento dos requisitos indispensáveis à dedutibilidade do pagamento de royalties a sua controladora, razão pela qual as glosas, também por esses motivos, devem prevalecer”; ao afirmar que os serviços “não passam de remunerações pagas ‘por informações correspondentes a experiência adquirida no setor industrial’, qualificandose como royalties para os exclusivos fins do Tratado BrasilAlemanha”, o Recorrente “...confessa algo que tentou esconder durante todos os tópicos precedentes do recurso voluntário, qual seja que os serviços prestados implicaram transferência de tecnologia. Sim! Se as despesas foram pagas por informações decorrentes de experiências adquiridas por outrem no setor industrial, significa dizer que ela adquiriu o know how de terceiros, que, em vista da complexidade do objeto dos serviços prestados, implicaram transferência de tecnologia”; o Recorrente “...arvorouse na leitura açodada do art. 14 do referido Tratado, data venia. Com efeito, o item 1 do dispositivo em exame prevê que os rendimentos obtidos pelos profissionais liberais residentes do Estado Contratante são tributáveis somente nesse Estado, contudo, ressalva a possibilidade em que o pagamento desses serviços caiba a um estabelecimento permanente ou sociedade residente desse outro Estado, ocasião em que a tributação competirá ao outro Estado”. Igualmente, tentou “...convolar a natureza dos serviços, de assistência técnica prestados pela sua controladora em royalties, o que revela um desespero jurídico para obstar a tributação”; “...O auto de infração não tem o escopo de tributar os rendimentos decorrentes do pagamento de royalties. O objeto em contenda foi a glosa das despesas indevidamente deduzidas pela Recorrente e, não, a tributação dos serviços técnicos/científicos prestados por pessoas no exterior. Em suma, não há instituição do IRPJ, mas apenas adaptação da respectiva base de cálculo à legislação que veda a dedução de tais despesas [...].os royalties são elementos que compõem a apuração do lucro real, mas que, com este, não se confunde. O que existiu é a tributação sobre os lucros e não sobre os royalties, razão pela qual não há que se falar em dupla tributação sobre os mesmos serviços”. Fl. 2552DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16643.000033/200971 Resolução nº 1103000.148 S1C1T3 Fl. 2.553 13 A Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção de Julgamento converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 140200.112 (fls.2.451/2.474), de 9/5/12. Na oportunidade, após transcrever o pedido de perícia veiculado na impugnação, bem como os fundamentos do seu indeferimento pela Primeira Turma da DRJ – São Paulo I (SP), aquele colegiado assim decidiu: “[...] Pela análise dos autos, formei convencimento de que essa questão é absolutamente técnica e necessita mesmo de um parecer especializado. Registro, ainda, que é recomendável realizar o julgamento deste processo em conjunto com o de número 16561.000190/200813, que trata da mesma ação fiscal e infrações, relativas ao anocalendário de 2003. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para realização da Perícia propugnada pela recorrente, ficando a critério da Unidade de origem designar outro perito para também se manifestar sobre a questão, caso entenda necessário.” A Divisão de Fiscalização IV da Delegacia Especial da Receita Federal de Maiores Contribuintes em São Paulo, em vista da petição do Recorrente dirigida ao Delegado daquela unidade (fls.2.484/2.492), quando formulou novos quesitos e acrescentou informações quanto aos peritos, devolveu os autos ao CARF para pronunciamento sobre tal pleito apresentado após a mencionada Resolução, conforme despacho de fls.2.493/2.494. Em petição dirigida ao Presidente da Segunda Turma da Quarta Câmara da Primeira Seção de Julgamento, subscrita em 25/5/12 e recebida na Secretaria da Câmara em 4/6/12, o Recorrente consolida os quesitos a serem respondidos pelo perito por ele indicado (fls.2.495/2.502). O Recorrente pleiteou, em 23/10/12, com base no art.24 da Lei nº 11.457/07, o reconhecimento da preclusão quanto à elaboração de prova pericial pela Fazenda Nacional, bem como o encerramento da fase de instrução, nos termos do art.49 da Lei nº 9.784/99, entendendo, ainda que em razão da omissão negligente da Fazenda Nacional deveria ser considerado como verdadeiro o fato provado mediante a prova pericial apresentada pelo contribuinte (ausência de transferência de tecnologia) (fls.2.514/2.524). Em 6/3/13, a Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção de Julgamento, encaminhou os autos à Secretaria da Primeira Seção do CARF para que fosse distribuído em conjunto com o processo nº 16561.000190/200813, sorteado a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Inicialmente cabe analisar a competência deste colegiado para apreciar o processo, tendo em vista que se trata de retorno de diligência requerida por outra Turma da Primeira Seção de Julgamento. Fl. 2553DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16643.000033/200971 Resolução nº 1103000.148 S1C1T3 Fl. 2.554 14 Como relatado, a Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara devolveu, em 6/3/13, os autos à Secretaria da Primeira Seção de Julgamento para relato em conjunto com o processo nº 16561.000190/200813, nos termos do seguinte voto condutor: “Conforme relatado acima, bem como na esclarecido no relatório da Resolução 1402000.112, é imprescindível que o julgamento deste processo seja feito em conjunto com o de nº 16561.000190/200813, haja vista que as infrações tributadas naquele além de serem da mesma natureza deste, implicaram na glosa do prejuízo fiscal objeto de parte desta autuação. Diante do exposto, voto no sentido de encaminhar o presente processo a Secretaria da 1ª. Seção do CARF para que seja distribuído em conjunto com o processo 16561.000190/200813.” À luz das normas regimentais vigentes, entendo que tal decisão, com a devida vênia, foi equivocada, considerandose que o Relator da Resolução nº 1402000.112 ainda compunha aquela Turma à época. O art.49, §7º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF estabelece que os processos que retornarem de diligência serão distribuídos ao mesmo Relator, independentemente de sorteio: “Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. ..... §7° Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc.” (destaquei) Ora, se a conexão com o processo nº 16561.000190/200813 foi reconhecida pela Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara, o correto seria a sua distribuição para aquele colegiado, com base no mesmo dispositivo regimental, até porque os autos ainda estavam na Primeira Seção de Julgamento para distribuição/sorteio em 6/3/13. Contudo, com a saída do Relator daquela Resolução do CARF, a situação mudou. Conforme art.50, §3º, do Anexo II do Regimento Interno, na hipótese de o Relator não mais exercer mandato o processo deve compor lote a ser sorteado a novo Relator. Vejamos: “Art. 50. No prazo máximo de 6 (seis) meses, contado da data do sorteio, o relator deverá incluir em pauta os processos a ele destinados. §1° O Presidente da Câmara fará encaminhar mensalmente aos conselheiros, relatório contendo os processos distribuídos e não incluídos em pauta de julgamento e os julgados pendentes de formalização de voto. §2° Os processos cujo julgamento do litígio for convertido em diligência, no seu retorno deverão ser encaminhados ao relator, que os Fl. 2554DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16643.000033/200971 Resolução nº 1103000.148 S1C1T3 Fl. 2.555 15 indicará para inclusão em pauta de julgamento no prazo máximo de 3 (três) meses. §3° Na hipótese do §2°, em não estando mais o relator exercendo mandato, o processo deverá compor lote a ser distribuído no 1° (primeiro) sorteio subsequente ao retorno, devendo o novo relator incluílo em pauta no prazo máximo referido no caput. § 4° O presidente da Câmara notificará o relator da expiração dos prazos estabelecidos no caput e no § 2°.” (destaquei) Sendo assim, considerando tal regra regimental, não houve qualquer irregularidade no posterior sorteio dos autos e do processo nº 16561.000190/200813 a novo Relator, ainda que pertencente a colegiado distinto. Observese que o dispositivo não determina que a distribuição/sorteio a outro Relator seja realizada(o) no mesmo colegiado que determinou a diligência, ao contrário, por exemplo, da hipótese de impedimento ou suspeição, tratada no art.44, parágrafo único, do Anexo II do Regimento Interno do CARF: “Art. 44. O impedimento ou a suspeição será declarado por conselheiro ou suscitado por qualquer interessado, cabendo ao arguído, neste caso, pronunciarse por escrito sobre a alegação antes do término do julgamento, o qual, se não for por ele reconhecido, será submetido à deliberação do colegiado. Parágrafo único. No caso de impedimento ou suspeição do relator, o processo será redistribuído a outro conselheiro integrante do colegiado.” Reconheço, portanto, a competência desta Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento para apreciar a controvérsia. Quanto ao pleito do Recorrente, para se reconhecer a preclusão quanto à elaboração de prova pericial pela Fazenda Nacional e se considerar como verdadeiro o fato supostamente provado mediante perícia, não pode ser acolhido. Primeiro, que o art.24 da Lei nº 11.457/07 2 apenas estabelece a obrigatoriedade de se proferir decisão administrativa no prazo de 360 dias a contar do protocolo do recurso, sem impor os efeitos desejados pelo Recorrente. Segundo, que não se pode avaliar uma prova pericial que sequer foi produzida. Terceiro, que a valoração do resultado de uma diligência ou perícia cabe, por força legal, ao julgador, conforme Decreto nº 70.235/72: “Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” Indefiro, portanto, os pedidos constantes da petição de fls.2.514/2.524. Passase à análise do despacho da unidade de origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), que motivou a devolução dos autos ao CARF nos seguintes termos (fls.2.493/2.494): 2 Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. Fl. 2555DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16643.000033/200971 Resolução nº 1103000.148 S1C1T3 Fl. 2.556 16 “[..] Por meio da Resolução n° 140200112 (2ª Turma Ordinária, 4ª Câmara, Primeira Seção), o egrégio Conselho Administrativo Fiscal baixou em diligência os autos do presente processo para realização de perícia nos termos formulados pelo sujeito passivo. O referido feito foinos distribuído para cumprimento da citada determinação da autoridade julgadora. Nada obstante, nesse ínterim, o sujeito passivo apresentou petição de fls.2484/2492 com modificações aditivas quanto aos quesitos originalmente formulados e ao perito. Ademais, pleiteia ainda a formulação futura de novos quesitos já no curso do procedimento pericial. Nos termos do art. 16, inciso IV, do Decreto 70.235/72, com redação dada pela Lei nº 8.748/93, os pedidos de perícia devem ser acompanhados dos quesitos, da identificação completa do perito e dos motivos que fundamentem os exames. Por seu turno, o §1° do mesmo artigo determina que seja considerado como não formulado o pedido de perícia que não atender aos referidos requisitos, e a jurisprudência do CARF é pacífica neste sentido. A título exemplificativo, transcrevemos o recente acórdão, in verbis: PEDIDOS DE PRODUÇÃO DE PROVAS E PERÍCIA. INDEFERIMENTO. As provas devem ser apresentadas no momento da impugnação, sob pena de preclusão, salvo nos casos previstos em lei. É improcedente o pedido de prova pericial realizado sem atender aos requisitos legais. (AC n° 2402002.246, de 30 de novembro de 2011) Dessa forma, entendemos que a identificação do perito e os quesitos formulados são da essência do pedido de perícia e, portanto, se submetem às regras de preclusão. Essa preclusão só poderia ser superada nas hipóteses previstas nas alíneas, do §4º, art. 16 do já citado Decreto n°70.235/72 e, assim mesmo, mediante esforço de aplicação analógica do direito. A ocorrência de qualquer das referidas hipóteses, contudo, nem sequer foi alegada pelo contribuinte, quanto mais comprovada. No entanto, vale aqui observar uma questão preliminar. Como a prova é dirigida ao julgador, a competência para avaliar a sua produção, a qual pode ser inclusive determinada de ofício, é da sua competência, a qual não pode ser usurpada por esta autoridade preparadora. Dessa forma, entendemos que a petição formulada pelo sujeito passivo deve ser encaminhada para a apreciação e deliberação da autoridade julgadora de segundo grau.” Pois bem. Nos termos da Resolução nº 140200.112, resolveuse: “[...] converter o julgamento em diligência para realização da Perícia propugnada pelo recorrente, ficando a critério da Unidade de origem designar outro perito para também se manifestar sobre a questão, caso entenda necessário”. Assim, é fato que o colegiado permitiu ao Recorrente apresentar respostas aos quesitos por ele formulados, reproduzidos no voto condutor daquela Resolução. Fl. 2556DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16643.000033/200971 Resolução nº 1103000.148 S1C1T3 Fl. 2.557 17 Quanto à inclusão de novos quesitos e alteração do perito, a rigor tais providências não poderiam realmente ter sido deferidas pela unidade de execução da diligência. Porém, considerando que a realização de perícia já foi determinada pela Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara, não pode agora esta Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara simplesmente ignorar tal decisão, ainda que dela discorde, até porque não se constitui em instância revisora de um convencimento firmado por outro colegiado de igual grau. Vale lembrar que não se trata da apreciação de recurso interposto, a exemplo de embargos de declaração, mas da análise de uma espécie de complemento ao pedido de perícia já deferido. A rigor, a unidade da RFB, como não poderia ser diferente, sequer questionou o teor da Resolução nº 140200.112. Logo, em resguardo a direito já deferido ao contribuinte e em homenagem ao princípio da confiança, é de rigor uma nova conversão do julgamento em diligência para que a unidade de origem da RFB intime o Recorrente a apresentar as respostas aos quesitos por ele formulados, conforme art.36, §§1º e 3º, do Decreto nº 7.574, de 29/11/11: “Art.36. A impugnação mencionará as diligências ou perícias que o sujeito passivo pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, e, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito deverão constar da impugnação (Decreto no 70.235, de 1972, art. 16, inciso IV, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o). §1º Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder, e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados (Decreto no 70.235, de 1972, art. 18, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o). ..... §3º Determinada, de ofício ou a pedido do impugnante, diligência ou perícia, é vedado à autoridade incumbida de sua realização escusarse de cumprilas.” Considerando o disposto no art.18 do Decreto nº 70.235/72, que autoriza a autoridade julgadora a determinar de ofício a realização de diligências/perícias, bem como a compreensão já fixada pela Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara, de que “...a questão é absolutamente técnica e necessita mesmo de um parecer especializado”, não vislumbro, nesta fase processual, qualquer prejuízo em se deferir o pleito do Recorrente, de acrescentar novos quesitos e perito, aproveitando a particularidade, conforme anotado acima, de que os autos devem necessariamente ser devolvidos à unidade de origem da RFB por força da Resolução nº 140200.112. É importante ainda ressaltar que caberá aos Conselheiros, na apreciação da prova produzida, formar livremente sua convicção, nos termos do supracitado art.29 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 2557DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16643.000033/200971 Resolução nº 1103000.148 S1C1T3 Fl. 2.558 18 A diligência, então, também deverá propiciar ao Recorrente a apresentação, no prazo de 60 (sessenta) dias, por meio dos peritos técnicos Edmundo Koelle e Paulo Shinzato, de respostas aos quesitos formulados às fls.2.489/2.491. Prosseguindo. Verificase ainda que as infrações referentes às glosas a título de encargos de depreciação (R$ 5.030,52, AC 2004; e R$ 12.073,24, AC 2005), quanto à apuração do IRPJ, destacadas no item 3.1.1.10 do TVF, quando se apreciaram as remessas relativas ao CC nº 04/032038, não foram impugnadas pelo contribuinte, estando consolidadas administrativamente, conforme observado no acórdão recorrido. De igual maneira, a infração, quanto ao IRPJ e à CSLL, referente à diferença de R$ 321,93, resultante da diferença entre o valor dos lucros auferidos por sua controlada mexicana e aquele efetivamente oferecido à tributação. Também não foram impugnados alguns valores relacionados a remessas atreladas a determinados Contratos de Câmbio, conforme exposto pela Primeira Turma da DRJ – São Paulo I (SP), verbis: “[...] A autuada não impugnou o IRPJ incidente sobre a parcela do lucro real reajustado em R$ 793.877,61 (itens 3.1.1.1, 3.1.1.6 e 3.1.1.13 do TVF) em 2004 e, R$ 801.957,21 (itens 3.1.2.2, 3.1.2.5, 3.1.2.6, 3.1.2.8, 3.1.2.10 e 3.1.2.12 do TVF) em 2005, correspondentes a despesas de serviços de assistência técnica prestados por pessoas residentes no exterior, com transferência de tecnologia, sem o cumprimento dos requisitos legais. Também não impugnou a CSLL incidente sobre a parte do resultado reajustado em R$493.872,41, correspondente ao anocalendário 2004 (item 3.1.1.13 do TVF), nem sobre a parcela acrescida ao resultado de 2005, de R$590.856,77 (item 3.1.2.12 do TVF). Não restando tais pontos controvertidos, as correspondentes infrações encontramse definitivamente caracterizadas.” Por sua vez, o Recorrente confirmou que, relativamente a determinadas remessas analisadas neste processo, efetuou pagamentos de IRPJ e de CSLL, valendose dos benefícios da Lei nº 11.941/09, tendo reconhecido a procedência das seguintes glosas realizadas pela fiscalização: Item do TVF Contrato de Câmbio Beneficiário Objeto e Motivo Bases de Cálculo IRPJ (R$) Base de Cálculo CSLL (R$) 3.1.1.1 04/008601 Siemens AG Revisão de equipamentos, com documentos insuficientes 217.126,23 0,00 3.1.1.1 04/011065 Siemens AG Revisão de equipamentos, com documentos insuficientes 51.129,08 0,00 3.1.1.10 04/032038 VSHPG (Alemanha) Index Test, com transferência de tecnologia 17.103,76 0,00 3.1.1.6 04/009462 Voith Siemens H.P.G. Inc. (EUA) Serviços com transferência de tecnologia 31.749,89 0,00 3.1.1.13 04/009832 Voith Siemens H.P.G. Shanghai Reembolso de despesas, com documentação insuficiente 493.872,41 3.2 Diversos VSHPG (Alemanha) Variação cambial relativa a Despesas, mero erro 113.540,60 3.1.2.5 05/036368 Siemens AG Serviços com transferência de 27.708,47 0,00 Fl. 2558DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16643.000033/200971 Resolução nº 1103000.148 S1C1T3 Fl. 2.559 19 tecnologia 3.1.2.6 05/034384 VSHPG (Alemanha) Transferência de tecnologia na fabricação de válvulas (Mr. Heine) 91.224,87 0,00 3.1.2.8 05/063144 Voith Siemens H.P.G. AS (Noruega) Assistência técnica com transferência de tecnologia 46.992,06 0,00 3.1.2.10 05/061573 VSHPG (Alemanha) Serviços com transferência de tecnologia 34.355,59 0,00 3.1.2.12 05/006083 Consorcio de Ingeniería Eleromecánica CIE Serviços e equipamentos para Omkareshwar (Índia) 590.856,77 590.856,77 3.3.2 Lucro Auferido no Exterior 321,93 321,93 Também reconheceu que acertada foi a glosa abaixo, tendo efetuado o respectivo pagamento de IRPJ sem os benefícios da Lei nº 11.941/2009: Item do TVF Contrato de Câmbio Pedido de Compra/Fatura Internacional Objeto e Motivo Bases de Cálculo IRPJ (R$) Base de Cálculo CSLL (R$) 3.1.2.2 05/061569 173247/DR20525140 Treinamento de pessoal com transferência de tecnologia 10.819,45 0,00 Logo, a respeito das glosas dos valores a título de remessas ao exterior, como contraprestações de serviços técnicos prestados ao contribuinte, a controvérsia remanesce quanto às relativas aos Contratos de Câmbio nº 04/033127, 04/004477, 04/004765, 04/005828, 04/005985, 04/010872, 04/017964, 04/023181, 04/043952, 04/049232, 04/001946, 04/054247, 04/063974, 04/049262, 04/044588, 05/055965, 05/067156, 05/055967, 05/056304, 05/061569 (parcial), 05/011923, 05/037725, 05/037727, 05/052042, 05/061570, 05/062813, 05/028338, 05/045813, 05/062815 e 05/065198. A correlação entre os serviços tomados e as respectivas remessas pode assim ser visualizada: Serviços Contratos de Câmbio Fornecimento de especificações de turbinas hidráulicas. 05/067156, 05/055967, 05/056304, 05/061569, 05/065198, 04/005828 e 04/005985 Ensaio de modelo hidráulico de turbinas e simulações. 04/017964, 04/063974, 04/044588, 05/028338 e 05/062815 Aproveitamento de resultados de ensaios de modelos hidráulicos de turbinas construídas para outros projetos. 04/054247 Supervisão de desmontagem, montagem e reforma de máquinas de isolamento do enrolamento do estator de hidrogeradores. 04/033127 Avaliação de trincas em turbinas da usina de Itaipu 04/010872 Realização de pesquisa científica pela Universidade Técnica de Dresden e colaboradores na Alemanha (contrato de fls.2.183/2.213). 04/001946, 04/043952, 04/049232, 04/023181, 05/011923, 05/037725, 05/037727, 05/052042, 05/061570, 05/062813, 04/004477, 04/049262, 05/055965, 04/004765 e 05/045813 Conforme relato supra, a impossibilidade de dedução das despesas decorreria do fato de que os respectivos contratos não estariam registrados/averbados no Bacen e no INPI, tese esta contestada pelo Recorrente, que sustenta que os serviços não envolveriam transferência de tecnologia. Fl. 2559DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16643.000033/200971 Resolução nº 1103000.148 S1C1T3 Fl. 2.560 20 Dispõe o Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 na específica Subseção XIV (“Aluguéis, Royalties e Assistência Técnica, Científica ou Administrativa”) da Seção III (“Custos, Despesas Operacionais e Encargos”) do Capítulo V (“Lucro Operacional”): “Art.354. As importâncias pagas a pessoas jurídicas ou físicas domiciliadas no exterior a título de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante, quer fixas, quer como percentagem da receita ou do lucro, somente poderão ser deduzidas como despesas operacionais quando satisfizerem aos seguintes requisitos (Lei nº 4.506, de 1964, art. 52): I constarem de contrato registrado no Banco Central do Brasil; II corresponderem a serviços efetivamente prestados à empresa através de técnicos, desenhos ou instruções enviadas ao País, ou estudos técnicos realizados no exterior por conta da empresa; III o montante anual dos pagamentos não exceder ao limite fixado por ato do Ministro de Estado da Fazenda, de conformidade com a legislação específica. §1º As despesas de assistência técnica, científica, administrativa e semelhantes somente poderão ser deduzidas nos cinco primeiros anos de funcionamento da empresa ou da introdução do processo especial de produção, quando demonstrada sua necessidade, podendo esse prazo ser prorrogado até mais cinco anos por autorização do Conselho Monetário Nacional (Lei nº 4.131, de 1962, art. 12, §3º). §2º Não serão dedutíveis as despesas referidas neste artigo, quando pagas ou creditadas (Lei nº 4.506, de 1964, art. 52, parágrafo único): I pela filial de empresa com sede no exterior, em benefício da sua matriz; II pela sociedade com sede no Brasil a pessoa domiciliada no exterior que mantenha, direta ou indiretamente, o controle de seu capital com direito a voto. §3º O disposto no inciso II do parágrafo anterior não se aplica às despesas decorrentes de contratos que, posteriormente a 31 de dezembro de 1991, venham a ser assinados, averbados no Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI e registrados no Banco Central do Brasil, observados os limites e condições estabelecidos pela legislação em vigor (Lei nº 8.383, de 1991, art. 50). Art.355. As somas das quantias devidas a título de royalties pela exploração de patentes de invenção ou uso de marcas de indústria ou de comércio, e por assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante, poderão ser deduzidas como despesas operacionais até o limite máximo de cinco por cento da receita líquida das vendas do produto fabricado ou vendido (art. 280), ressalvado o disposto nos arts. 501 e 504, inciso V (Lei nº 3.470, de 1958, art. 74, e Lei nº 4.131, de 1962, art. 12, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 6º). §1º Serão estabelecidos e revistos periodicamente, mediante ato do Ministro de Estado da Fazenda, os coeficientes percentuais admitidos para as deduções a que se refere este artigo, considerados os tipos de produção ou atividades reunidos em grupos, segundo o grau de essencialidade (Lei nº 4.131, de 1962, art. 12, §1º). Fl. 2560DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16643.000033/200971 Resolução nº 1103000.148 S1C1T3 Fl. 2.561 21 §2º Não são dedutíveis as quantias devidas a título de royalties pela exploração de patentes de invenção ou uso de marcas de indústria e de comércio, e por assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante, que não satisfizerem às condições previstas neste Decreto ou excederem aos limites referidos neste artigo, as quais serão consideradas como lucros distribuídos (Lei nº 4.131, de 1962, arts. 12 e 13). §3º A dedutibilidade das importâncias pagas ou creditadas pelas pessoas jurídicas, a título de aluguéis ou royalties pela exploração ou cessão de patentes ou pelo uso ou cessão de marcas, bem como a título de remuneração que envolva transferência de tecnologia (assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, projetos ou serviços técnicos especializados) somente será admitida a partir da averbação do respectivo ato ou contrato no Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI, obedecidos o prazo e as condições da averbação e, ainda, as demais prescrições pertinentes, na forma da Lei nº 9.279, de 14 de maio de 1996.” (destaquei) Segundo a autoridade fazendária, os procedimentos de averbação ou registro de contratos que impliquem transferência de tecnologia, na forma da Lei de Propriedade Industrial e de legislação complementar, estariam estabelecidos no Ato Normativo nº 135, de 15/4/97, e em informações disponibilizadas no sítio do INPI na internet, relativas aos efeitos da averbação/registro: “1. Produzir efeito em relação a terceiros. A averbação produzirá efeitos em relação a terceiros a partir da data de sua publicação na Revista de Propriedade Industrial (Artigos 61, 62, 68, 121, 139, 140 e 211 da Lei N° 9.279/96); 2. Legitimar, conforme a Lei n.° 4.131/62, os pagamentos para o exterior decorrentes da contratação. Nota: Por delegação do Banco Central do Brasil — BACEN (Circular BACEN N° 2.816/98), a aprovação do registro de operações de transferência de tecnologia e ou franquia se dará após manifestação do INPI. 3. Autorizar a dedutibilidade fiscal, por delegação de competência da Receita Federal e posteriormente por competência legal (Decreto N° 3.000/99), das importâncias pagas ou creditadas pelas pessoas jurídicas, a titulo de royalties pela exploração ou cessão de patentes, pelo uso ou cessão de marcas, bem como a titulo de remuneração que envolva transferência de tecnologia (aquisição de knowhow, assistência técnica, cientifica, administrativa ou semelhantes, projetos ou serviços técnicos especializados) e franquia.” (destaquei) Sobre a matéria cabe ainda lembrar o que dispõe a Lei nº 9.279, de 14/5/96: “DA TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA E DA FRANQUIA Art. 211. O INPI fará o registro dos contratos que impliquem transferência de tecnologia, contratos de franquia e similares para produzirem efeitos em relação a terceiros. Parágrafo único. A decisão relativa aos pedidos de registro de contratos de que trata este artigo será proferida no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data do pedido de registro.” Fl. 2561DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16643.000033/200971 Resolução nº 1103000.148 S1C1T3 Fl. 2.562 22 O mencionado Ato Normativo INPI nº 135/97, reproduzido no TVF, dispõe: “O PRESIDENTE DO INPI, no uso de suas atribuições, CONSIDERANDO que a finalidade principal do INPI é executar as normas que regulam a Propriedade Industrial, tendo em vista sua função econômica, social, jurídica e técnica; e CONSIDERANDO que a Lei n.° 9279, de 14 de maio de 1996 (doravante LPI), prevê a averbação ou registro de certos contratos, RESOLVE: 1. Normalizar os procedimentos de averbação ou registro de contratos de transferência de tecnologia e de franquia, na forma da LPI e de legislação complementar, especialmente a Lei n.° 4131, de 3 de setembro de 1962, Lei n.° 4506, de 30 de novembro de 1964 e normas regulamentares sobre o imposto de renda, Lei n.° 7646, de 18 de dezembro de 1987, Lei n.° 8383, de 31 de dezembro de 1991, Lei n.° 8884, de 11 de junho de 1994, Lei n.° 8955, de 15 de dezembro de 1994 e Decreto Legislativo n.° 30, de 30 de dezembro de 1994, combinado com o Decreto Presidencial n.° 1355, da mesma data. I. DA AVERBAÇÃO OU DO REGISTRO 2. O INPI averbará ou registrará, conforme o caso, os contratos que impliquem transferência de tecnologia, assim entendidos os de licença de direitos (exploração de patentes ou de uso de marcas) e os de aquisição de conhecimentos tecnológicos (fornecimento de tecnologia e prestação de serviços de assistência técnica e cientifica), e os contratos de franquia. 3. Os contratos deverão indicar claramente seu objeto, a remuneração ou os “royalties”, os prazos de vigência e de execução do contrato, quando for o caso, e as demais clausulas e condições da contratação. 4. O pedido de averbação ou de registro deverá ser apresentado em formulário próprio, por qualquer das partes contratantes, instruído com os seguintes documentos: 4.1 original do contrato ou do instrumento representativo do ato, devidamente legalizado; 4.2 tradução para o vernáculo quando redigido em idioma estrangeiro; 4.3 carta explicativa justificando a contratação; 4.4 fichacadastro da empresa cessionária da transferência de tecnologia ou franqueada; 4.5 outros documentos, a critério das partes, pertinentes ao negócio jurídico; 4.6 comprovante do recolhimento da retribuição devida; e 4.7 procuração, observando o disposto nos arts. 216 e 217 da LPI.” Notese, portanto, que o INPI encarregase da análise dos pedidos de registro de contratos que impliquem transferência de tecnologia, proferindo decisão no prazo de 30 (trinta) dias (art.211 da LPI). Sobre a necessidade de registro dos contratos no Bacen, reproduzse o seguinte excerto do TVF: Fl. 2562DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16643.000033/200971 Resolução nº 1103000.148 S1C1T3 Fl. 2.563 23 “[...] No que diz respeito ao registro junto ao Banco Central do Brasil das operações de fornecimento de tecnologia, serviço de assistência técnica, franquia, cessão e licença de uso de marca e patente, mostra se relevante também apresentar a legislação que rege a matéria. O Banco Central do Brasil, por meio de seu sítio na Internet (endereço eletrônico http://www.bcb.gov.br/htms/firce/rof/Manual RDE ROF.pdf), disponibiliza o denominado ‘RDEROF Manual do Declarante’, o qual contém instruções para a utilização do módulo de Registro de Operações Financeiras – ROF do sistema de Registro Declaratório Eletrônico de capitais estrangeiros no país. As operações relacionadas a fornecimento de tecnologia, serviço de assistência técnica, franquia, cessão e licença de uso de marca e patente são passíveis de registro no módulo ROF. O item 8.1 do aludido manual assim preceitua: O registro no RDEROF das operações de fornecimento de tecnologia; serviços de assistência técnica; licença de uso/cessão de marca; licença de exploração/cessão de patente; franquia; alem de outras modalidades que vierem a ser averbadas pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial, serviços técnicos complementares e/ou despesas vinculadas às operações enunciadas acima não sujeitos a averbação pelo INPI, aquisição de bens intangíveis com prazo de pagamento superior a 360 dias, bem como o financiamento dessas operações, é regulamentado pela Circular 2.816 e Carta Circular 2.795, de 15.04.1998. Por sua vez, o art.1º da Circular 2.816, de 15/04/1998, referida no trecho anteriormente transcrito do ‘RDEROF Manual do Declarante’, instituiu o Registro Declaratório Eletrônico (RDE) para as operações ali especificadas, conforme transcrição literal a seguir: Art.1° Instituir. a partir de 22.04.98, o Registro Declaratório Eletrônico (RDE) para as operações contratadas com fornecedores e/ou financiadores não residentes no Pais, relativas a: I. Fornecimento de tecnologia; II. Serviços de assistência técnica; III. Licença de uso/Cessão de marca; IV. Licença de exploração/Cessão de patente; V. Franquia; VI. Demais modalidades, além das elencadas de I a V acima, que vierem a ser averbadas pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI; VII. Serviços técnicos complementares e/ou despesas vinculadas às operações enunciadas nos incisos I a VI deste artigo não sujeitos à averbação pelo INPI, e VIII. Aquisição de bens intangíveis com prazo de pagamento superior a 360 dias; IX. Financiamento das operações mencionadas neste artigo. O art. 2° da Circular n° 2.816, de 15/04/1998, estabelece as diretrizes básicas para a elaboração do RDE por meio do SISBACEN, nos seguintes termos: Fl. 2563DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16643.000033/200971 Resolução nº 1103000.148 S1C1T3 Fl. 2.564 24 Art. 2° Determinar que o Registro Declaratório Eletrônico de que trata o artigo anterior seja efetuado por intermédio de transações do Sistema de Informações Banco Central SISBACEN, ficando os cessionários e devedores das operações registradas obrigados a manter a disposição do Banco Central do Brasil, atualizados e em perfeita ordem, por 5 (cinco) anos após o pagamento da última parcela de cada operação, os documentos que comprovem as declarações prestadas. Parágrafo 1° A prestação de informações incorretas, incompletas, intempestivas, ou a omissão de informações no SISBACEN poderá implicar, alem do cancelamento do registro, a aplicação de multas regulamentares. Parágrafo 2° O disposto no parágrafo anterior não elide responsabilidades que possam ser apuradas pelo Banco Central do Brasil ou outros órgãos envolvidos, e abrange todas as instituições autorizadas ou credenciadas, alem do cessionário ou importador. Já a CartaCircular n° 2.795, de 15/04/1998, regulamenta o RDE de operações elencadas no art. 1° da Circular n° 2.816, de 15/04/1998. Por entender oportuno, transcrevemse também os artigos 1º e 2° do regulamento anexo à aludida cartacircular: Art.1º. Este regulamento aplicase às operações definidas no artigo 1° da Circular n° 2.816, de 15.04.98. Art.2°. O registro declaratório eletrônico de cada operação efetuase após obtenção do Certificado de Averbação concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) para operações que envolvam direitos de propriedade industrial, fornecimento de tecnologia, prestação de serviços de assistência técnica e franquia. Parágrafo único. Devem ser registrados, ainda, os serviços técnicos complementares e/ou despesas vinculadas às operações descritas no "caput" deste artigo, mesmo quando não sujeitos a averbação pelo INPI. [...]” Postas tais considerações, entendo, com o fim de agregar informações que auxiliem na solução da controvérsia, que não há qualquer prejuízo em se consultar previamente o INPI sobre a necessidade de registro/averbação dos mencionados contratos, bem como o Bacen para que esclareça se todos os contratos de serviços de assistência técnica, que envolvam operações contratadas com fornecedores e/ou financiadores não residentes no país, devem ser registrados, ou se apenas os que envolvam fornecimento de tecnologia, e como se efetua tal registro, considerando o disposto no art.50 da Lei nº 8.383, de 30/12/91: “Art. 50. As despesas referidas na alínea b do parágrafo único do art. 52 e no item 2 da alínea e do parágrafo único do art. 71, da Lei n° 4.506, de 30 de novembro de 1964, decorrentes de contratos que, posteriormente a 31 de dezembro de 1991, venham a ser assinados, averbados no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e registrados no Banco Central do Brasil, passam a ser dedutíveis para Fl. 2564DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16643.000033/200971 Resolução nº 1103000.148 S1C1T3 Fl. 2.565 25 fins de apuração do lucro real, observados os limites e condições estabelecidos pela legislação em vigor. Parágrafo único. A vedação contida no art. 14 da Lei n° 4.131, de 3 de setembro de 1962, não se aplica às despesas dedutíveis na forma deste artigo.” (destaquei) Por todo o exposto, em homenagem ao princípio da verdade material que permeia o processo administrativo tributário federal, VOTO no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem da RFB: a) intime o autuado a apresentar, em 60 (sessenta) dias, por meio dos técnicos Edmundo Koelle e Paulo Shinzato, respostas aos quesitos formulados às fls.2.489/2.491, podendo a RFB, caso entenda necessário, designar outro perito para também se manifestar sobre a questão; b) intime o autuado a apresentar os contratos de prestação de serviços técnicos relacionados abaixo, ou outros instrumentos que tenham lastreado os acordos de execução, trasladados para a língua portuguesa por tradutor juramentado, se for o caso: Serviços Contratos de Câmbio Fornecimento de especificações de turbinas hidráulicas. 05/067156, 05/055967, 05/056304, 05/061569, 05/065198, 04/005828 e 04/005985 Ensaio de modelo hidráulico de turbinas e simulações. 04/017964, 04/063974, 04/044588, 05/028338 e 05/062815 Aproveitamento de resultados de ensaios de modelos hidráulicos de turbinas construídas para outros projetos. 04/054247 Supervisão de desmontagem, montagem e reforma de máquinas de isolamento do enrolamento do estator de hidrogeradores. 04/033127 Avaliação de trincas em turbinas da usina de Itaipu 04/010872 c) oficie o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) para informar, à luz do contrato de fls.2.183/2.213 e dos demais disponibilizados pelo contribuinte, se era necessário o registro/averbação nos termos do art.211 da Lei nº 9.279/96; d) oficie o Banco Central do Brasil para, levandose em conta o disposto na CircularBacen n° 2.816, de 15/4/98, e o art.50 da Lei nº 8.383/91, ou outro ato normativo vigente nos anos calendário 2004 e 2005, informar se todos os contratos de prestação de serviços de assistência técnica, que envolvam operações contratadas com fornecedores e/ou financiadores não residentes no país, devem ser objeto de registro, ou se apenas os que envolvam fornecimento de tecnologia, e como se efetua tal registro, podendo prestar esclarecimentos adicionais sobre a matéria; e) após as providências acima, elabore relatório circunstanciado; f) cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência, para, se assim desejar, apresentar manifestação limitada às considerações constantes do respectivo relatório, no prazo legal de 30 (trinta) dias, conforme art.35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; g) findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 2565DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 19515.003021/2006-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1302-000.329
Decisão: Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto S. Jr Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Márcio Rodrigo Frizzo, Alberto Pinto Souza. Junior, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Waldir Rocha. Ausente o Conselheiro Hélio Araújo.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrente AGROPASTORIL PRATA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto S. Jr – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Márcio Rodrigo Frizzo, Alberto Pinto Souza. Junior, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Waldir Rocha. Ausente o Conselheiro Hélio Araújo. Versa o presente processo sobre recurso voluntário interposto pelo contribuinte (doc. a fls. 343 e segs.) em face do Acórdão n˚ 1230.532 (doc. a fls. 325 e segs.), proferido pela 4ª Turma da DRJ/RJI, pelo qual foi negado provimento à impugnação do contribuinte e, consequentemente, mantidos os lançamentos do IRPJ, CSLL, Cofins e PIS, se não vejamos como dispõe a sua ementa, in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICAIRPJ Anocalendário: 2001, 2002 OMISSÃO DE RECEITA OU RENDIMENTO. DEPOSITO BANCÁRIO. ORIGEM NÃO COMPROVADA. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 03 02 1/ 20 06 -1 7 Fl. 675DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.003021/200617 Resolução nº 1302000.329 S1C3T2 Fl. 676 2 Configuram omissão de receita ou rendimento os valores creditados em conta bancaria cuja origem não tenha sido comprovada, mediante documentação hábil e idônea, pelo contribuinte regularmente intimado. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESPROVIDA DE PROVA. MANUTENÇÃO DA EXIGÊNCIA FISCAL. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o sujeito passivo, que pode refutar a presunção mediante oferta de provas hábeis e idôneas. Não trazendo aos autos documentos e alegações capazes de elidir, no todo ou em parte, o lançamento fiscal, este fica mantido em sua integralidade. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS/COFINS/CSLL. O decidido quanta ao lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ deve nortear a decisão dos lançamentos decorrentes, tendo em vista que se originam dos mesmos elementos de prova. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001, 2002 PROTESTO POR NOVAS PROVAS. Indeferese o pedido pela produção posterior de provas, quando não são atendidas as exigências contidas na norma de regência do contencioso administrativo fiscal vigente á. época da impugnação. FALTA DE PROVAS. INADMISSIBILIDADE DA NEGAÇÃO GERAL E DA MERA ALEGAÇÃO. As alegações de defesa devem vir acompanhadas de fundamentos de fato e de direito. Não se admitem, no processo administrativo fiscal, a negação geral nem as alegações desprovidas de fundamentos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A recorrente, cientificada do Acórdão em 28/05/2010 (cf. Termo a fls. 572), interpôs, em 25/06/2010, recurso voluntário (doc. a fls. 574 e segs.). Como se trata de uma questão exclusivamente de prova, peço vência aos meus pares para transcrever integralmente o recurso voluntário, mesmo porque, no seu corpo, traz a resposta da DRJ à impugnação da recorrente, in verbis: A Recorrente desenvolve as seguintes atividades sociais, locação e administração de seus bens móveis e imóveis, exploração da atividade agropecuária em geral por conta própria, com terceiros e de terceiros. Para o desenvolvimento de suas atividades, a Recorrente era proprietária de um imóvel rural denominado Fazenda Prata, com área total de 10.611,40 hectares, localizado na Cidade de Cárceres, 15 km após Curvelândia 12 Km esquerda, Estado do Mato Grosso, cadastrado na Receita Federal do Brasil sob o NIRF 31844898. Vale mencionar que em 19 de janeiro de 2001, a Fazenda Prata foi desapropriada pelo INCRA, conforme se verifica na Certidão expedida nos autos da Ação de Desapropriação, processo n° 2000.36.00.0083376, em trâmite perante a Vara da Justiça Federal da Seção Judiciária de Mato Grosso. Frisese que, o imóvel denominado Fazenda Prata era o único imóvel, ou seja, era a única fonte de rendimento e faturamento da Recorrente, estando "aberta" perante a Receita Federal somente para aguardar o pagamento das verbas indenizatórias em decorrência da desapropriação Fl. 676DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.003021/200617 Resolução nº 1302000.329 S1C3T2 Fl. 677 3 realizada pelo INCRA, ou seja, após janeiro de 2001, não teve mais operações comerciais. Ocorre que, a Recorrente foi surpreendida, com o Auto de Infração lavrado pela Receita Federal do Brasil, nos autos do Processo Administrativo n° 19515.003021/200617, decorrente da conclusão do Mandado de Procedimento Fiscal n° 08.1.90.002006009688, pela qual foram analisadas as movimentações financeiras realizadas em nome da Empresa, nos exercícios de 2001 e 2002. Isso porque, através do referido Mandado de Procedimento Fiscal, foi constatada a movimentação financeira realizada em uma conta corrente n° 260070, aberta na Cooperativa de Crédito Rural do Noroeste do Mato Grosso — SICREDI NOROESTE MT, no valor de R$ 4.514.386,12, em 2001, e R$ 2.881.525,78 em 2002, que não correspondia com as receitas e rendimentos declarados pela Recorrente. Desta forma, foi lavrado o referido Auto de Infração pela Receita Federal do Brasil, visando exigir da EmpresaRequerente o valor de R$ 6.900.342,57 (seis milhões, novecentos mil, trezentos e quarenta e dois reais e cinqu enta e sete centavos), que corresponde aos seguintes tributos, IRPJ, PIS, CSLL e COFINS, acrescidos de multa de oficio e mora, bem como de juros moratórios, incidentes sobre a suposta omissão de receita (movimentação financeira realizada na Cooperativa de Crédito Rural do Noroeste do Mato Grosso — SICREDI NOROESTE MT). Desta forma, a Recorrente apresentou sua Defesa Administrativa informando que a conta corrente aberta na Cooperativa de Crédito Rural do Noroeste do Mato Grosso — SICREDI NOROESTE MT, foi realizada de forma fraudulenta. No entanto, de forma totalmente equivocada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I, julgou improcedente a impugnação, sob as infundadas argumentações, a saber: Não se admite mais a negação geral, que é a simples discordância desprovida de provas, É evidente que qualquer movimentação financeira retrata um fato patrimonial. A não demonstração da origem dessa movimentação implica na sujeição à tributação com fundamento na presunção legal de que a mesma corresponde a uma receita omitida, ou seja, uma aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica em consonância com o disposto no ad. 43 do Código Tributário Nacional CTN, sendo esta receita omitida a base de cálculo dos tributos ora guerreados; ainda que se alegasse a inexistência desta alteração contratual (06/10/1998), ou mesmo que a assinatura não se assemelhasse as constantes da suposta alteração contratual, ainda assim, não seria possível afirmar que a procuração não foi conferida pela empresa, pois, é notório que muitas pessoas apresentam mais de uma assinatura, ou mesmo, com o passar do tempo, alteramna; Fl. 677DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.003021/200617 Resolução nº 1302000.329 S1C3T2 Fl. 678 4 Não é possível acolher a alegação de não titulariedade da contacorrente, pelo simples fato de a assinatura da procuração não conter a identificação da pessoa que a assina e nem se assemelhar às assinaturas constantes dos documentos acima citados. Em outras palavras, esta alegação não prova que o mandato não tenha sido conferido pela empresa em epígrafe. inverossímil que alguém pudesse abrir uma conta de forma fraudulenta em nome de pessoa jurídica há anos instalada em uma região próxima a fim de praticar diversos ilícitos penais durante 1 (um) ano e 7 (sete) meses; a prova contundente de que a empresa era, de fato, detentora da conta existente na Cooperativa de Crédito (SICREDI) encontrase nos cheques acostados às folhas 462/482 em decorrência da dlligência fiscal realizada (emitidos de forma nominativa a diferentes pessoas físicas e jurídicas); estes cheques foram compensados em diferentes instituições financeiras, o que denota, a existência de todas essas pessoas. não é crível que diferentes pessoas físicas e jurídicas estivessem envolvidas em um enorme conluio, arquitetado em apenas 6 (seis) dias, praticando diversos ilícitos penais contra a empresa em epigrafe, ou, ainda, que tivessem recebido valores tão expressivos de outra pessoa que não aquela emitente dos cheques recebidos e descontados, o que conduz à conclusão que estes cheques, e, consequentemente, que a conta existente na Cooperativa de Crédito eram, de fato, de propriedade do sujeito passivo. Ocorre que, tais fundamentações são totalmente descabidas e indevidas, devendo tal decisão ser integralmente reformada, pelos motivos a seguir expostos: II — DA FRAUDE NA ABERTURA DA CONTA CORRENTE NA COOPERATIVA DE CREDITO RURAL DO NOROESTE DO MATO GROSSO — SICREDI Ao contrário do que alega a respeitável decisão ora recorrida, está evidente que houve fraude na abertura da Conta Corrente na SICREDI, eis que: a procuração não possui o reconhecimento de firma; não existe a identificação do responsável legal da Agropastoril Prata Ltda. que outorgou a referida procuração; as assinaturas da procuração não correspondem, nem se assemelham a qualquer uma das assinaturas dos sócios da empresa, conforme se verifica nos Contratos Sociais; a Conta Corrente fraudulenta foi aberta utilizandose o Instrumento Particular de Constituição de Filial, onde não existe qualquer cláusula com a Fl. 678DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.003021/200617 Resolução nº 1302000.329 S1C3T2 Fl. 679 5 previsão de poderes de administração ou de possibilidade de outorga de procuração, isso porque, tal previsão consta somente no Contrato Social da matriz da Empresa; a procuração em nome da Agropastoril somente poderia ser outorgada pelos sócios Onisio Prata ou Albertina de Grammont Machado Prata, de forma isolada, conforme podese verificar pelo Contrato Social. Vale frisar, que diante das barbaridades e dos crimes praticados por desconhecidos interessados na abertura fraudulenta da conta corrente, antes mesmo de tomar ciência da decisão ora recorrida, em 13 de maio de 2010, a Recorrente apresentou DENÚNCIA perante o Ministério Público Federal em São Paulo, solicitando a abertura de Inquérito Policial, visando apurar o crimes aqui cometidos (doc. n° 02). O Procurador da República, Doutor Patrick Montemor, recebeu a DENÚNCIA, processandoa sob o n° 1.34.0001.004833/201086, e encaminhandoa para o Superintendente da Policia Federal em São Paulo através do Oficio MPF/PR/SP/GAB n° 12578/2010. Vale mencionar, ainda, que o Superintendente da Policia Federal determinou a abertura de Inquérito, bem como o direcionamento do mesmo para a Policia Fazendária, recebendo as seguintes identificações: SIAPRO 08500.039042/201091 e Protocolo COR— 121.9371. Ora Excelências, a Recorrente quer ver a resolução do caso, tanto quanto a Receita Federal do Brasil, com a apuração dos verdadeiros interessados na abertura da Conta Corrente fraudulenta. Vale mencionara, que para melhor investigação do caso, eis que a Recorrente não possui os meios adequados para isso, foi necessário acionar o Ministério Público Federal e a Policia Federal, para que estes possam investigar tais fatos, eis que como a Receita Federal do Brasil (que podemos dizer, poderia ter acionado estes órgãos há muito tempo antes da lavratura do Auto de Infração), possuem os meios legais para apuração de tais fatos, inclusive com a possibilidade de solicitar a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico dos envolvidos em tais crimes. Além do mais, a alegação da respeitável decisão, de que mesmo a procuração não tenha todos os dados do outorgante, bem como de seu representante legal que possa conferir poderes á terceiros, e ainda que não tenha a firma reconhecida, que isto não comprova que a procuração não foi outorgada pela Recorrente, deve ser totalmente afastada, eis que totalmente e drúxula ilegal. Isso porque, a outorga de uma procuração segue normas legais rígidas, que se não admite qualquer tipo violação sob pena de ser considerada inválida. Assim, a procuração somente será considerada totalmente válida, se seguir fielmente o disposto nos artigos 1.288 e 1.289, do antigo Código Civil (vigente à época da outorga da Procuração Falsa), a saber:... Além do mais, o Banco Central do Brasil editou a resolução n° 2747, de 2000, pela qual determinou que as instituições financeiras, adotassem critérios que visassem evitar a fraude e prejuízos 5 terceiros, com a solicitação de Fl. 679DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.003021/200617 Resolução nº 1302000.329 S1C3T2 Fl. 680 6 informações e documentos comprobat6rios 5 todos que desejassem abrir uma conta corrente em uma Instituição Financeira, a saber:... Logo, deveria a Instituição Financeira, solicitar informações, como atividade principal, atos que qualifiquem e autorizem os representantes legais para a outorga de procuração, entre outros requisitos, no entanto, sem qualquer explicação não foi requerido nenhum documento essencial para verificar a veracidade dos dados na abertura da conta corrente. Isso porque, como dito anteriormente, foi utilizadomcomo "ato/documento que Autoriza a Representação", um Instrumento Particular de Constituição de Filial, onde nem consta o tipo de atividade da Recorrente, muito menos a sua representação legal (administração perante terceiros), muito menos ficou demonstrado por quem foi outorgada a procuração, ou seja, está evidente, que houve fraude e o conluio do SICREDI, pois nenhum documento apresentado para a abertura da Conta Corrente, obedeceu o que estava disposto no Código Civil, muito menos as Resoluções do Banco Central do Brasil. Ademais, como já dito, a procuração foi elaborada de forma maliciosa, omitindo os dados do representante legal da empresa que possui poderes para a outorga de poderes á terceiros, ou seja, como é possível conferir se a assinatura contida naquela procuração é válida, se não sei quem a assinou? Ora, mais um motivo pelo qual o Código Civil determinava o reconhecimento da firma na procuração, para poder confirmar que quem outorgou a procuração tinha poderes para tanto, seja por um Instrumento Público, ou por determinação contida no Contrato Social da empresa. Vale mencionar, ainda, que a assinatura constante na Procuração "Falsa" não corresponde à nenhuma das assinaturas dos sócios, o que pode ser facilmente verificado pela análise de todos os contratos sociais acostados aos autos. Além do mais, o reconhecimento d firma, requisito obrigatório por lei, o que comprova a fraude e o conluio da SICREDI, já confirmaria de imediato de quem seria a assinatura constante na procuração, e digase, novamente, não pertence à nenhum dos sócios da Recorrente. Para comprovar mais uma vez, a fraude e o conluio do SICREDI, vale mencionar, que foi utilizada como "ato/documento que Autoriza a Representação", um Instrumento Particular de Constituição de Filial, registrado na JUCESP em 16 de junho de 1988, conforme se verifica na FichaProposta Cadastro para Abertura de Contas. O Instrumento Particular de Constituição de Filial, possui 2 (duas) páginas, e em nenhuma cláusula ou parágrafo, dispõe sobre a concessão de poder de administração, ou de qualquer possibilidade de outorga de procuração, eis que somente disciplina o seguinte: 1 0 local onde sera instalada a Filial; 2 A transferência do capital social da Matriz para a Filial para a sua constituição; e Fl. 680DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.003021/200617 Resolução nº 1302000.329 S1C3T2 Fl. 681 7 3 total do capital social da filial consolidado. Ora Excelências, o poder de administração e de representação legal da Recorrente, esta prevista, única e exclusivamente, no Contrato Social da Matriz, a qual concede tal poder somente para os sócios Onísio Prata ou Albertina de Grammont Machado Prata, de forma isolada. Logo, está evidente, mais uma vez, que a Conta Corrente foi aberta de maneira fraudulenta, e em conluio com o SICREDI, eis que este nem verificou se o ato que embasou a outorga de procuração (falsa), tinham os requisitos necessários para a sua concessão (poder de administração de quem a assinou). Vale mencionar, ainda, que a Cooperativa de Crédito Rural do Noroeste do Mato Grosso — SICREDI NOROESTE MT encaminhou resposta à Secretaria da Receita Federal em 1º de novembro de 2006, informando o seguinte: "Informamos, ainda, que não é usual, por parte desta cooperativa, a utilização de procuração sem firma reconhecida, bem como que a entrega dos extratos ao referido diente era efetuada na própria agência desta cooperativa, na cidade de São José dos Quatro Marcos MT". Ora, está evidente que não é comum uma Instituição Financeira adotar tal procedimento, até porque isto vai totalmente contra o Código Civil, bem como as normas do BACEN. Além do mais, vale mencionar, que após uma busca pelo nome do Fraudador ou "Laranja", Vagner Alberto Gouveia, foi descoberto através do website do Diário de Cuiabá, uma noticia publicada em 20 de maio de 2003, que o mesmo trabalhava como "responsável pelo setor de compra de bovinos”, para a Frigorifico Quatro Marcos, inscrita no CNPJ sob o n° 01.311.661/000109, que incrivelmente está localizada na cidade de Sao José dos Quatro Marcos, ou seja, na mesma Cidade onde a Conta Corrente foi aberta na SICREDI (doc. n° 03). Ademais, é importante mencionar, que o Frigorifico Quatro Marcos era o maior abatedouro da região, e um dos maiores de Mato Grosso (com várias plantas frigorificas espalhadas pelo Estado), onde adquiria grande parte da produção da bovina da região, inclusive da Recorrente, quando esta ainda estava em atividade. O mais alarmante e intrigante, é que os cheques juntados aos autos pela SICREDI, são destinados às empresas que têm como objeto social, criação de bovinos ou criação de bovinos para corte, bem como para algumas pessoas físicas (provavelmente produtores rurais), ou seja, provavelmente, seria o pagamento pela aquisição de bovinos para abate. Vale mencionar, ainda, que o Frigorifico Quatro Marcos em 2009, por má gestão entrou com o pedido de Recuperação Judicial, e que atualmente, arrendou sua planta em São José do Quatro Marcos para o Grupo JBS — Friboi, conforme noticias colhidas em diversos websites (doc.n° 04). A Recorrente, usualmente, vendia gados para abate para o Frigorifico Quatro Marcos, quando ainda estava em atividade e antes de ter sua Fazenda desapropriada pelo INCRA. Fl. 681DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.003021/200617 Resolução nº 1302000.329 S1C3T2 Fl. 682 8 Desta forma, existe uma coincidência, nestes fatos, em que um funcionário, do setor de compras de bovinos, do Frigorifico Quatro Marcos, abrir uma conta corrente em nome da Recorrente, onde estes sabiam que esta já estava sem atividade em decorrência da desapropriação da sua Fazenda. E ainda, as movimentações bancárias serem, provavelmente, para a aquisição de bovinos. Isso porque, a maioria dos cheques nominais eram destinados às empresas do setor de criação de bovinos, ou pessoas físicas (provavelmente produtores rurais). Outro fato grave, é que a movimentação financeira, era, única e exclusivamente, realizada pelo falso procurador, ou seja, nenhum outro representante legal tinha poderes para tanto, fato no mínimo curioso, e ainda, os extratos e cheques eram retirados somente na agência da SICREDI, ou seja, nunca iam para o endereço da Recorrente, talvez para evitar que esta descobrisse a fraude. Além do mais, a fraude foi perpetrada por um grupo seleto de pessoas, mas não conforme menciona a decisão ora recorrida, por todos aqueles destinatários de créditos (representados por cheques nominais), mas alguém que tinha interesse de esconder a receita obtida por estas transações de compra e venda de bovinos, provavelmente para fazer "caixa 2" ou lavagem de dinheiro. E ainda, vale mencionar, que certamente, eles não fizeram isso em 6 (seis) dias como sugere a decisão, mas foi prémeditado muito antes disso, mas a falha cometida pelos Fraudadores, foi que não se atentaram para o fato de que a partir de 2001, a Receita Federal começou a fiscalizar as movimentações bancárias, para apuração de ilícitos fiscais, ou seja, pensaram que nunca iriam descobrir a abertura fraudulenta da contacorrente. Diante destas novas informações obtidas, em 18 de junho de 2010, a Recorrente apresentou esses novos fatos à Delegacia da Policia Federal Fazendária, conforme comprova a petição protocolizada (doc. n° 05). Vale informar, ainda, que a Recorrente também solicitou abertura de procedimento administrativo perante o Banco Central do Brasil, para que investigasse a fraude bancária, bem como a responsabilidade da Cooperativa de Crédito Rural do Noroeste do Mato Grosso — SICREDI NOROESTE MT, no presente caso (doc. n° 06). Desta forma, está evidente que a Conta Corrente foi aberta de forma fraudulenta por Terceiros, ou seja, a Recorrente não tem qualquer relação com as movimentações financeiras realizadas na Cooperativa de Crédito Rural do Noroeste do Mato Grosso — SICREDI NOROESTE MT. Logo, a única explicação para as movimentações financeiras é de que foi realizada por Terceiros totalmente desconhecidos da Recorrente, e que abriram a Conta Corrente na Cooperativa de Crédito Rural do Noroeste do Mato Grosso — SICREDI NOROESTE MT de forma fraudulenta, e provavelmente com o interesse de realizar "caixa 2" ou lavagem de dinheiro, fato este que está sendo investigado pelo Ministério Público Federal, e pela Policia Federal, em razão da DENÚNCIA apresentada pela Recorrente. III — DO PEDIDO Fl. 682DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.003021/200617 Resolução nº 1302000.329 S1C3T2 Fl. 683 9 Ante ao acima exposto, requer que o presente RECURSO ADMINISTRATIVO seja devidamente recebido e processado, para que seja reformada a respeitável decisão recorrida, para que o Auto de Infração, processo n° 19515.003021 1200617 seja devidamente cancelado e anulado, por ser totalmente indevido e descabido. Em 30/04/2012, a recorrente apresentou petição ao Presidente da 1ª Sejul/CARF, na qual alega o seguinte: Em 25 de abril de 2011, a ora Requerente ajuizou uma AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICA cumulada com REPARAÇÃO DE DANOS MATERIAIS E MORAIS em face da COOPERATIVA DE CRÉDITO RURAL DO NOROESTE DO MATO GROSSO — SICREDI NOROESTE MT, processo nº 583.00.2011.1377028 (Ordem nº 692/2011), em trâmite perante a 21ª Vara Cível do Foro Central da Comarca de São Paulo, objetivando declarar a nulidade o contrato de abertura de conta corrente pelo falso procurador, Wagner Alberto Gouveia. Tendo em vista a matéria discutida nos autos, o MM. Juizo da 21ª Vara Cível do Foro Central determinou a realização de perícia grafotécnica, para verificar se a assinatura constante na procuração não tinha sido firmada por algum dos Sócios da ora Requerente. O Perito Judicial, Senhor Shunji Nassuno, em 27 de março de 2012 apresentou seu Laudo Pericial onde concluiu que a assinatura oposta na falsa procuração não pertence à nenhum dos sócios da ora Requerente, ou seja, confirmando a fraude na abertura da contacorrente perante a Sicredi. Logo, está evidente que as movimentações financeiras, na contacorrente que gerou a suposta omissão de receita, foram realizadas por Terceiros totalmente desconhecidos da Recorrente. Vale destacar, ainda, que tal fato está sendo apurado no Inquérito Policial que está tramitando perante a 1ª Vara Criminal da Justiça Federal da Subseção Judiciária de São Paulo, processo nº 001342692.2010.4.03.6181, que foi iniciado somente após a requisição formal da ora Recorrente. Ante ao acima exposto, reitera o pedido para que o presente RECURSO ADMINISTRATIVO seja integralmente provido, para que o Auto de Infração, processo nº 19515.003021/200617, seja devidamente cancelado e anulado, por ser totalmente indevido e descabido. O laudo do perito Shunji Nassuno foi juntado a fls. 618 e segs, sendo que, ao responder quesitos, o perito sustenta que a assinatura aposta na procuração em tela não era de nenhum dos sócios nem poderia ser por algum deles simulada, no mesmo sentido responde o perito com relação ao Sr. Vagner Alberto Gouveia. É o relatório. Fl. 683DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.003021/200617 Resolução nº 1302000.329 S1C3T2 Fl. 684 10 O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por mandatários com poderes para tal, conforme procuração e substabelecimento a fls. 529 e 536, razão pela qual dele conheço. A questão posta para decisão deste Colegiado se resume apenas em saber se a conta bancária n° 260070 junto à Cooperativa de Crédito Rural do Noroeste de Mato Grosso — SICREDI é de titularidade da recorrente ou se ela foi vítima de uma fraude como alega. Se, pelos elementos dos autos, concluirmos que a conta era efetivamente da titularidade da recorrente, há que se manter os lançamentos em tela, caso contrário, cancelálos. Assim sendo, entendo de fundamental importância que seja juntada aos autos a certidão de objeto e pé da AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICA cumulada com REPARAÇÃO DE DANOS MATERIAIS E MORAIS, que a recorrente diz ter ajuizado em face da COOPERATIVA DE CRÉDITO RURAL DO NOROESTE DO MATO GROSSO — SICREDI NOROESTE MT, nos autos do processo nº 583.00.2011.1377028 e, que segundo informa, tramitou ou tramita perante a 21ª Vara Cível do Foro Central da Comarca de São Paulo. Isso porque se já houve o trânsito em julgado da referida ação, deve ser observado por este Colegiado o que fora decidido acerca da verdadeira titularidade da conta bancária n° 260070 junto à Cooperativa de Crédito Rural do Noroeste de Mato Grosso — SICREDI, tendo assim consequência direta sobre o destino dos lançamentos em tela. Por último, informo que fiz várias pesquisas no sítio da Justiça Paulista, com os mais diversos critérios (nome da parte, número do processo etc.), mas não logrei êxito. Em face do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que a Unidade Preparadora: a) junte, aos autos, a certidão de objeto e pé da AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICA cumulada com REPARAÇÃO DE DANOS MATERIAIS E MORAIS, que a recorrente diz ter ajuizado em face da COOPERATIVA DE CRÉDITO RURAL DO NOROESTE DO MATO GROSSO — SICREDI NOROESTE MT, nos autos do processo nº 583.00.2011.1377028 e, que segundo informa, tramitou ou tramita perante a 21ª Vara Cível do Foro Central da Comarca de São Paulo; b) após cumprida a diligência, conceder prazo de 30 dias à recorrente para se pronunciar sobre as conclusões da diligência e, posteriormente, encaminhar os autos ao CARF para prosseguimento do julgamento. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 684DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 14041.001118/2007-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004
IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROFISSIONAL CUJA INIDONEIDADE FORA RECONHECIDA POR ATO DECLARATÓRIO. MANUTENÇÃO DA GLOSA.
Nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu). Em alguns casos, porém, pode a autoridade fiscal solicitar que o contribuinte apresente outros elementos comprobatórios da efetividade da despesa e do serviço prestado. Quando estes outros elementos não são apresentados, deve prevalecer a glosa da referida despesa. Aplicação da Sumula 40 do CARF.
Numero da decisão: 2102-002.971
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 10/06/2014
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROFISSIONAL CUJA INIDONEIDADE FORA RECONHECIDA POR ATO DECLARATÓRIO. MANUTENÇÃO DA GLOSA. Nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu). Em alguns casos, porém, pode a autoridade fiscal solicitar que o contribuinte apresente outros elementos comprobatórios da efetividade da despesa e do serviço prestado. Quando estes outros elementos não são apresentados, deve prevalecer a glosa da referida despesa. Aplicação da Sumula 40 do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 10/06/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 11 18 /2 00 7- 68 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 31/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA. Relatório Em face da Contribuinte acima identificada, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 82/94, exigindose a importância de R$16.456,49, já acrescidos de multa de ofício 150% e juros de mora, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2003e 2004, anos calendário 2002 e 2003. No decorrer da ação fiscal, foram emitidos os Mandados de Procedimento Fiscal Fiscalização e Termo de Início de Fiscalização todos devidamente notificados à Contribuinte. Da Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is) constantes no respectivo Auto de Infração, consta o seguinte: 001 DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (AJUSTE ANUAL) DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS Redução indevida da Base de Cálculo com despesas médicas, pleiteadas indevidamente, conforme Termo de Verificação Fiscal que é parte integrante deste Auto de Infração. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa 31/12/2002 R$12.000,00 150,00 31/12/2003 R$10.000,00 150,00 ENQUADRAMENTO LEGAL Art. 11, § 3°do DecretoLei nº 05.844/43; (...) Formalizando o lançamento, a autoridade fiscal aplicou a multa qualificada de 150% sobre a infração relativa à glosa de dedução de despesas médicas, justificando: (...) Em virtude da não comprovação, com documentação hábil e idônea, dos pagamentos que teriam sido feitos a Sra. Maria Feijó, e em face de todo conjunto probatório anteriormente exposto, foram glosados no presente lançamento os valores deR$ 12.000,00 em 2002 e R$ 10.000,00 em 2003 relativos a pagamentos informados nas DIRPF's destes respectivos anos calendário a Sra. Maria Feijó. As ocorrências acima descritas, verificadas no curso desta fiscalização, implicaram na qualificação da Multa de Ofício que foi aplicada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), acarretando, também, a respectiva Representação Fiscal Para Fins Penais. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 31/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 14041.001118/200768 Acórdão n.º 2102002.971 S2C1T2 Fl. 140 3 Os créditos tributários correspondentes aos valores não comprovados por meio dos documentos apresentados pelo contribuinte e/ou por meio das informações obtidas nas circularizacões efetuadas, estão sendo lançados mediante a lavratura do presente Auto de Infração. (...)” Cientificada do lançamento fiscal e inconformada, a Contribuinte apresentou a Impugnação de fls. 97/101, por meio do qual, resumidamente, alegou: que submeteuse a tratamento de terapia ocupacional ministrado pela Sra.Maria Feijó, à noite em seu domicilio; que nem todos os recibos firmados pela Sra. Maria Pierrangeli Zabulon Feijó seriam inidôneos; que a lesão no pulso é própria da sua profissão (lesão de esforço repetitivo); que o horário noturno das sessões de exercícios é compatível com as atividades profissionais de ambas, a terapeuta e a paciente, e, também com a proximidade de seus domicílios; que a declaração da Sra. Maria Pierrangeli Zabulon Feijó de fls. 69, confirmaria que os serviços profissionais teriam sido efetivamente realizados; que teria pago em dinheiro, fato este compatível com sua profissão, não havendo legislação obrigandoa a proceder ao pagamento por via bancária ou mesmo recolher ao banco todos os rendimentos profissionais; e que, diante de todo o exposto, o Auto de Infração de fls. 82/94 deve ser julgado totalmente improcedente. Na análise das alegações apresentadas em sede de Impugnação, os integrantes da 3ª Turma da DRJ/BSA, decidiram por unanimidade de votos, pela manutenção integral do lançamento fiscal, através de decisão da qual se extrai a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003, 2004 DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A falta de comprovação, por documentação hábil e idônea, dos valores informados a titulo de dedução de despesas médicas importa na manutenção da glosa. MULTA QUALIFICADA DE 150%.LANÇAMENTO DE OFÍCIO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%,prevista no art. 44, II, da Lei nº9.430/1996, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase, em tese, dentre as hipóteses tipificadas nos artigos 71,72 e 73, da Lei n°4.502, de1964. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 31/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 Lançamento Procedente A Contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 128/136, por meio do qual reiterou integralmente as alegações contidas em sua Impugnação, requerendo a procedência do Recuso Voluntário interposto, ressaltando ainda que não teria como se precaver de que, após 4 anos, os recibos passados por sua fisioterapeuta em 2002 e 2003, pertinentes a serviços efetivamente realizados, poderiam perder a validade, em função de um ato declaratório que somente foi proferido em 2007. Assim, os autos foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora A contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 01.07.2008, conforme certidão de fls. 126. O Recurso Voluntário foi interposto em 28.07.2008 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de processo decorrente de lançamento por meio do qual foram glosadas as despesas declaradas pela Recorrente como pagas à profissional Maria Pierrangelo Zabulon Feijó, nos valores de R$ 12.000,00 e R$ 10.000,00 (nos anos calendário 2002 e 2003 respectivamente). Tais despesas seriam – segundo a Recorrente – comprovadas através de recibos que preencheriam os requisitos da lei, e teriam sido pagas em espécie. Insiste que não haveria qualquer lei que a obrigasse a efetuar seus pagamentos via sistema bancário. A decisão recorrida deixou de acolher seus argumentos, em razão do fato de que os recibos emitidos pela profissional em questão eram reconhecidamente inidôneos, e caberia à contribuinte ter comprovado a efetividade dos pagamentos cuja dedução pleiteou. De fato, a legislação fiscal prevê que para que o contribuinte possa se beneficiar da dedução de suas despesas médicas do Imposto de Renda, deverá ele ter em mãos, além dos recibos competentes (que devem preencher os requisitos da lei), quaisquer outros documentos que demonstrem, ainda que minimamente, a efetividade dos serviços prestados, bem como o seu efetivo pagamento. É o que determina o art. 8º da Lei nº 9.250/95: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...) II das deduções relativas: Fl. 142DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 31/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 14041.001118/200768 Acórdão n.º 2102002.971 S2C1T2 Fl. 141 5 a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; (...) No caso em exame, a Recorrente se limitou a apresentar recibos emitidos por profissional cuja inidoneidade fora reconhecida através de Ato Declaratório, não comprovou a efetividade de nenhum dos pagamentos efetuados, e tampouco demonstrou a necessidade de submeter aos tratamentos alegadamente feitos pela referida profissional. Assim, a decisão recorrida merece ser mantida. Vale ressaltar que durante o procedimento fiscal, a profissional signatária dos recibos reconhece que emitia recibos de forma graciosa, e ainda que emitia outros em valores não correspondentes à realidade, como demonstra o seguinte trecho, extraído do Termo de Verificação Fiscal: Que em referência à Relação de Declarantes anexa ao Termo de Intimação Fiscal n° 2, declarou que não prestou serviços à maioria das pessoas relacionadas; que os respectivos recibos relativos às pessoas para as quais não foram prestados os serviços foram vendidos a elas; que eram cobrados percentuais que variavam de 2% a 5% do valor dos recibos; que não se recorda de quando começou a efetuar tal prática; que era procurada por pessoas que queriam comprar recibos e também procurava por pessoas para vendelos, quando se encontrava em dificuldades financeiras; que, em relação às pessoas para as quais efetivamente prestou serviços, os valores consignados nos respectivos recibos não correspondiam aos valores efetivamente Fl. 143DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 31/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 recebidos; que, dentre as pessoas relacionadas na supracitada Relação de Declarantes, irá identificar as pessoas para as quais prestou efetivamente serviços no prazo de 7 (sete) dias a contar da data de hoje. A inidoneidade dos recibos emitidos pela referida profissional foi reconhecida através do Ato Declaratório Executivo n° 113, de 31 de agosto de 2007. Assim sendo, caberia à Recorrente ter comprovado, de forma contundente, que os serviços a que os mesmos se referem foram efetivamente prestados e, principalmente, que os valores neles estampados foram pagos. Como esta prova deixou de ser feita, o lançamento é de ser mantido. Neste sentido foi editada a Súmula CARF nº 40, segundo a qual: Súmula CARF nº 40: A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício. Sendo assim, deve ser aplicado aqui o caput art. 72 do Regimento Interno deste Conselho, que assim determina: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Diante do exposto, VOTO no sentido de NEGAR provimento ao Recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 144DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 31/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 13888.917240/2011-10
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/12/2000
Ementa:
COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE.
Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberando-se, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixa-se de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-003.976
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário no sentido de se reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/12/2000 Ementa: COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberando-se, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixa-se de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário no sentido de se reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
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BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberandose, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixase de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário no sentido de se reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 72 40 /2 01 1- 10 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917240/201110 Acórdão n.º 3801003.976 S3TE01 Fl. 51 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). Fl. 51DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917240/201110 Acórdão n.º 3801003.976 S3TE01 Fl. 52 3 Relatório Por bem relatar os fatos transcrevo o relatório da DRJ de Ribeirão Preto, assim expresso: Trata o presente de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação), cujo crédito provém de pagamento indevido ou a maior da Cofins referente ao fato gerador de... A DRF/Piracicaba, por meio do despacho decisório (eletrônico) de fl., indeferiu o pedido de restituição, porquanto o Darf relativo ao crédito indicado no PER/DCOMP já havia sido utilizado para extinguir a própria contribuição, não restando crédito a restituir. Cientificada do despacho e inconformada com o indeferimento de seu pedido, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade às fls. 2/8, alegando, em resumo, que a ampliação da base de cálculo da contribuição, prevista no § 1o do art. 3o da Lei no 9.718, de 1998, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) no 346.084/PR. Assim, somente seriam tributáveis as receitas provenientes da venda de bens e serviços, o faturamento propriamente dito, sendo excluídos os valores recebidos a título de receitas financeiras e outras receitas. Tanto é assim que o referido § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718, de 1998, foi revogado pelo art. 79 da Lei n.º 11.941, de 2009. Argumenta também que o Conselho de Contribuintes vem decidindo nesse sentido, conforme julgados cujas ementas transcreve. Conclui requerendo a reforma da decisão combatida com o conseqüente deferimento do pedido de restituição da parcela da contribuição indevidamente paga. A DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade com base na seguinte ementa: CONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. ALCANCE. A decisão do Supremo Tribunal Federal, prolatada em Recurso Extraordinário, não possui efeito erga omnes. CONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917240/201110 Acórdão n.º 3801003.976 S3TE01 Fl. 53 4 A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório não Reconhecido A Recorrente apresenta o presente Recurso Voluntário se valendo dos mesmo argumentos apontados na Manifestação de Inconformidade. É o que importa relatar. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917240/201110 Acórdão n.º 3801003.976 S3TE01 Fl. 54 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, relator. Conforme apontado tratamse de pedidos de Restituição/Compensação de valores pagos a maior em decorrência da indevida ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS pelo § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585.235. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF n.º 586, de 21 de dezembro de 20101 (Regimento 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). Fl. 54DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917240/201110 Acórdão n.º 3801003.976 S3TE01 Fl. 55 6 Interno do CARF), devese afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, § 1º, da Lei n.º 9.718, de 1998. Evidentemente, tais decisões vinculam a autoridade administrativa. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. Negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917240/201110 Acórdão n.º 3801003.976 S3TE01 Fl. 56 7 Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 4 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator 4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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