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Numero do processo: 10880.909837/2006-13
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/06/2000
BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES EM PRODUTOS. EQUIPARAÇÃO A DOAÇÕES.
Os valores a título de concessão de bonificações autônomas em produtos equiparam-se a doações e não configuram receitas para efeito de apuração da base de cálculo da contribuição.
COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO.
Caracterizado o recolhimento a maior da contribuição é cabível o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-003.873
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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BONIFICAÇÕES EM PRODUTOS. EQUIPARAÇÃO A DOAÇÕES. Os valores a título de concessão de bonificações autônomas em produtos equiparamse a doações e não configuram receitas para efeito de apuração da base de cálculo da contribuição. COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO. Caracterizado o recolhimento a maior da contribuição é cabível o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 98 37 /2 00 6- 13 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.909837/200613 Acórdão n.º 3801003.873 S3TE01 Fl. 0 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratase de Despacho Decisório que não homologa Declaração de Compensação (fl 1). A razão foi a falta de crédito pois o pagamento no Darf indicado (data: 30/06/00 ; receita: 8109 – Pis) foi todo usado para quitar débitos e não restou saldo passível para a compensação declarada (Pis agosto de 2003; valor: 909,86;fl 9 ). A base legal foram os artigos 165 e 170, do CTN, e o artigo 74, da Lei 9.430/96. Em 31/7/2008 ocorreu a ciência da decisão (fl 4). Há várias declarações de compensação do Pis de agosto de 2003 (processadas separadamente). Por isso, em 27/8/2008, houve manifestação de inconformidade (processo 10.880.909811/200667) reproduzida nos demais (fl 12 e ss), na qual a defesa pede a apensação de processos afins, para análise conjunta da defesa e das provas e argui: a) nulidade, pela falta de intimação prévia para prestar esclarecimentos; b) devem ser apreciados os documentos ora juntados, sob pena de cerceamento; c) no mérito, ter recolhido indevidamente Pis e Cofins de setembro de 1998 a julho de 2003 sobre produtos em bonificação (sem auferir receita), que não geravam obrigação fiscal, pois não eram vendas. Ao final, requer emissão de novo Despacho e/ou homologação das compensações deste e dos procedimentos que pleiteia anexar. Apensa documentos da representação processual e societários. No processo 10880.909811/200667 foram juntadas cópias de notas fiscais de bonificações, apurações mensais, planilhas dos alegados indébitos e demonstrativos contábeis. A DRJ em São Paulo I (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Quando o ato administrativo obedece às suas formalidades essenciais não cabe falar em nulidade. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.909837/200613 Acórdão n.º 3801003.873 S3TE01 Fl. 0 3 Não fica configurado cerceamento de defesa quando o contribuinte é regularmente cientificado do despacho decisório, sendolhe possibilitada a apresentação de manifestação de inconformidade no prazo legal. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A vinculação total do pagamento indicado a um débito do próprio interessado expressa a inexistência de direito creditório para fins de compensação e é circunstância apta a embasar a nãohomologação de compensação. A alegação da existência de pagamento indevido ou a maior, desacompanhada de suficientes elementos comprobatórios, não é suficiente para reformar decisão não homologatória de declaração de compensação. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Em breve arrazoado, inicialmente, descreve os fatos citando trechos da decisão recorrida. Postula a reforma do acórdão da DRJ argumentando que, de fato, as operações de bonificação praticadas pela recorrente não possuíam a natureza de desconto incondicional aplicado às suas vendas no período e que a recorrente não fundamentou sua manifestação de inconformidade segundo essa premissa. Pugna pela homologação da compensação em análise com base no fundamento de que suas saídas em bonificação foram feitas de maneira desvinculada de suas vendas, ou seja, foram realizadas gratuitamente (sem auferimento de receita). Sustenta que a inexistência de vínculo entre suas operações de bonificação e as vendas praticadas no caso concreto é patente, pois suas bonificações decorreram do cumprimento de obrigações pactuadas contratualmente junto a seus clientes: bonificálos (premiálos) com mercadorias em face da ocorrência de fatos específicos (aniversário de loja, renovação de contrato, aniversário contratual, superação de metas de vendas, etc). Apresenta trechos de contratos firmados com os destinatários das mercadorias oferecidas em bonificação. Pontua que as operações de bonificação têm como objetivo o estreitamento do vínculo comercial entre vendedor e comprador, proporcionando a fidelização de suas relações comerciais. Tece comentários sobre a espécie de bonificação comumente conhecida no âmbito empresarial como “dúzias de treze”. Insiste que as operações de bonificação da recorrente não se caracterizam como “dúzias de treze”. Destaca o caráter de gratuidade de que se revestem as operações de bonificação praticadas pela recorrente, impossibilitando a incidência da contribuição sobre o montante das notas fiscais que as documentaram. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.909837/200613 Acórdão n.º 3801003.873 S3TE01 Fl. 0 4 Alega que nas bonificações praticadas pela recorrente não houve qualquer recebimento de receita supostamente integrante do resultado do período. Colaciona jurisprudência do CARF. Por fim, requer a reforma do acórdão recorrido e homologado o crédito compensado. Posteriormente apresenta petição requerendo a juntada das cópias das notas fiscais, do balancete contábil e da planilha de recomposição da base de cálculo das contribuições sociais ora tratadas. É o relatório. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.909837/200613 Acórdão n.º 3801003.873 S3TE01 Fl. 0 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomo conhecimento. A controvérsia desse litígio administrativo cingese a verificar se as bonificações concedidas em produtos podem ser excluídas da receita bruta na composição da base de cálculo da contribuição. A recorrente sustenta que suas saídas em bonificação foram feitas de maneira desvinculada de suas vendas, ou seja, foram realizadas gratuitamente (sem auferimento de receita). Assiste razão à recorrente, conforme será demonstrado. A legislação de regência, art. 3º, § 2º, inciso I da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, disciplina: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; (grifouse) Pelos documentos comprobatórios juntados aos autos, constatase que, de fato, as saídas de produtos a título de bonificações foram autônomas, isto é, não estavam vinculadas as operações de vendas específicas, portanto não configuram descontos incondicionais. Cabe, mais, acrescentar que as bonificações em discussão caracterizamse como doações, sendo que o estabelecimento vendedor entrega ao adquirente uma quantidade de produtos, sem vinculação com uma venda, isto é, não é cobrado qualquer valor do cliente pela quantidade excedente de produtos entregues. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.909837/200613 Acórdão n.º 3801003.873 S3TE01 Fl. 0 6 O fato gerador da contribuição em discussão é o auferimento de receita pela pessoa jurídica. Diferentemente do fato gerador do Imposto Sobre Produtos Industrializados, a saída do produto do estabelecimento não implica na incidência da contribuição. Resta evidente que a incidência da contribuição está associada ao ingresso de receita, o que não ocorreu no presente caso. Colhese do processo que não houve o ingresso de recursos financeiros no patrimônio da interessada. É de se ver, portanto, que as operações em discussão não podem ser consideradas como bonificações, mas sim, como doações. Assim, a saída de mercadorias a título de doações não está no campo de incidência da contribuição. Neste sentido a Solução de Consulta Solução de Consulta editada pela Divisão de Tributação da 8ª Região Fiscal, de nº 130, de 03 de maio de 2012, assim ementada: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS VINCULADAS A OPERAÇÃO DE VENDA. As bonificações em mercadorias, quando vinculadas á operação de venda, concedidas na própria Nota Fiscal que ampara a venda, e não estiverem vinculadas á operação futura, por se caracterizarem como redutoras do valor da operação, constituemse em descontos incondicionais, previstos na legislação de regência do tributo como valores que não integram a sua base de cálculo e, portanto, para sua apuração, podem ser excluídos da base cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. BASE DE CÁLCULO . BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS A TÍTULO GRATUITO, DESVINCULADAS DE OPERAÇÃO DE VENDA.. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e definida legalmente como o valor do faturamento, entendido este como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Nos casos em que a bonificação em mercadoria é concedida por liberalidade da empresa vendedora, sem vinculação a operação de venda e tampouco vinculada a operação futura, não há como caracterizála como desconto incondicional, pois não existe valor de operação de venda a ser reduzido. Por não haver atribuição de valor, pois que a Nota Fiscal que acompanha a operação tem natureza de gratuidade, natureza jurídica de doação, não há receita e, portanto, não há que se falar em fato gerador do tributo, pois a receita bruta não será auferida. Dessa forma, a bonificação em mercadorias, de forma gratuita, não integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. Dispositivos Legais: Artigo 195 da CF/88; Artigo 1º Lei nº 10.637, de 2002 e Parecer CST/SIPR nº 1.386, de 1982.(rgifou se) Fl. 178DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.909837/200613 Acórdão n.º 3801003.873 S3TE01 Fl. 0 7 Na mesma direção a Solução de Consulta editada pela Divisão de Tributação da 10ª Região Fiscal, de nº 136, de 21 de agosto de 2012: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS A TÍTULO GRATUITO. A concessão de bonificação em mercadorias, desvinculada de uma operação de venda, constitui doação, não estando incluída entre as hipóteses de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, por não configurar receita. Dispositivos Legais: CF, de 1988, art. 195, I, “b”; Lei nº 10.406, de 2002, Código Civil, art. 538; Lei nº 10.637, de 2002, arts. 1º, §§ 1º e 2º, e 3º, I e II; Lei nº 10.833, de 2003, arts. 3º, IX, e 15, II; IN SRF nº 51, de 1978; PN CST nº 113, de 1978. (grifouse) No caso vertente restou comprovado que as bonificações em tela caracterizamse como doações e não estão sujeitas à incidência da contribuição porque não configuram receitas. Tratase de uma despesa operacional da pessoa jurídica. Convém ressaltar que o direito à repetição de indébito está previsto no artigo 165 do Código Tributário Nacional – CTN, verbis Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; (...) Quanto ao direito à restituição do indébito, Luciano Amaro em Direito Tributário Brasileiro, 11ª ed. – São Paulo: Saraiva, 2005, p. 420, esclarece: O direito à restituição do indébito encontra fundamento no princípio que veda o locupletamento sem causa, à semelhança do que ocorre no direito privado. Registrese, por oportuno, que não se exige para o reconhecimento do indébito a retificação da DCTF, pois o importante é aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito, de acordo com o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional). No caso em discussão, o direito creditório se apresentou líquido e certo nos conjunto probatório. Registrese, por fim, que essa decisão reconhece apenas o direito material da recorrente de excluir da base de cálculo da contribuição Cofins, período de apuração de 30/11/1999, os valores das notas fiscais a título de bonificações. Incumbe à Delegacia de Fl. 179DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.909837/200613 Acórdão n.º 3801003.873 S3TE01 Fl. 0 8 origem com base na escrituração fiscal (Livros, DCTF, etc) e contábil apurar o valor do pagamento indevido ou a maior (quantum) e homologar a compensação até o limite do crédito reconhecido (atualizável pela taxa Selic). Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da recorrente de excluir da receita bruta na composição da base de cálculo da Cofins as bonificações concedidas em produtos e homologar a compensação até o limite do crédito a ser apurado pela Delegacia de origem. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 180DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10746.721026/2011-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não se configura nulidade por cerceamento de defesa quando foi oportunizada ao recorrente a possibilidade de apresentar defesa, inclusive com juntada de documentação necessária a provar o direito alegado.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS SÓCIOS/REPRESENTANTES. INFRAÇÃO A LEI. POSSIBILIDADE.
Demonstrados os requisitos do art. 135, III, do CTN, deve ser declarada a responsabilidade solidária pela obrigação tributária dos sócios e/ou representantes da empresa contribuinte.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS. POSSIBILIDADE DE ARBITRAMENTO.
Quando o contribuinte é intimado diversas vezes para apresentar os livros e documentos fiscais e deixa de fazê-lo, resta à autoridade fiscalizatória realizar o arbitramento do lucro em cumprimento ao art. 530, III, do RIR/99.
OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA 2/CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1302-001.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em afastar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Cristiane Costa e Alberto Pinto que mantinham na sujeição passiva indireta apenas a sócia com poderes de administração e reduziam o percentual de multa de ofício para 75%.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, CRISTIANE SILVA COSTA, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA.
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NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se configura nulidade por cerceamento de defesa quando foi oportunizada ao recorrente a possibilidade de apresentar defesa, inclusive com juntada de documentação necessária a provar o direito alegado. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS SÓCIOS/REPRESENTANTES. INFRAÇÃO A LEI. POSSIBILIDADE. Demonstrados os requisitos do art. 135, III, do CTN, deve ser declarada a responsabilidade solidária pela obrigação tributária dos sócios e/ou representantes da empresa contribuinte. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS. POSSIBILIDADE DE ARBITRAMENTO. Quando o contribuinte é intimado diversas vezes para apresentar os livros e documentos fiscais e deixa de fazêlo, resta à autoridade fiscalizatória realizar o arbitramento do lucro em cumprimento ao art. 530, III, do RIR/99. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA 2/CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em afastar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Cristiane AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 72 10 26 /2 01 1- 96 Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA 2 Costa e Alberto Pinto que mantinham na sujeição passiva indireta apenas a sócia com poderes de administração e reduziam o percentual de multa de ofício para 75%. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, CRISTIANE SILVA COSTA, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA. Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10746.721026/201196 Acórdão n.º 1302001.225 S1C3T2 Fl. 1.076 3 Relatório Tratase de análise de recurso voluntário. Exigese, na origem, tributos não recolhidos em razão de omissão de receitas. Em suma, tratase de IRPJ (R$ 10.956.361,80) e CSLL (R$ 4.963.333,65), constituídos no processo n. 10746.721026/201196 (fls. 03/16). Separadamente, exigese PIS (R$ 2.877.715,56) e COFINS (R$ 13.281.765,10), constituídos processo n. 10746.721027/2011 31(fl. 04/19). Os processos mencionados foram decididos separadamente na DRJ, mas, ao serem distribuídos no CARF, foi determinada a reunião em razão da conexão (Res. n.º 1302 000.220), razão pela qual a presente decisão envolve ambos os procedimentos. Isto posto, temse que o AFRFB convenceuse pela ocorrência dos seguintes fatos, consoante narra o Relatório Fiscal (fl. 18/28 do PAF 10746.721026/201196): (i) Que a empresa foi intimada do Termo de Início do Procedimento Fiscal em 11/03/2010 (fl. 37/40) para apresentar documentos contábeis e fiscais; (ii) A empresa respondeu ao Termo de Início do Procedimento Fiscal, através da sócia (Ana Paulina Meneses da Costa), informando a suspensão de suas atividades em setembro/2007 e indicando o nome de uma contadora como responsável pela prestação de informações à RFB (fl. 41). Não apresentou nenhum documento solicitado. (iii) A partir de 03/05/2010 todos os documentos lavrados e enviados pelos Correios à empresa recorrente retornaram, com a informação de que mudou de endereço. Dessa Forma, entendeu o AFRFB pela notificação da empresa por meio de editais (art. 10, IV, do Dec. 7.574/11) (fl. 42/66); (iv) Foram abertos, em 09/06/2010, sete Mandados de Procedimento Fiscal – Diligência (fl. 67/80), com o fim de coletar informações junto a clientes da empresa recorrente, solicitando as notas fiscais de compras realizadas na empresa recorrente durante o anobase fiscalizado, com os respectivos comprovantes de pagamento (fl. 275/930); (v) Expediuse ofício à Junta Comercial solicitando o Contrato Social da empresa (fl. 82/119). Solicitouse também as guias de informação e apuração mensal do ICMS (GIAM) (fl. 120) e os arquivos Sintegra da empresa. Foi informado que a empresa apresentou apenas as GIAMs dos meses de janeiro a julho e de outubro de 2007 (fls. 120/148940/941); (vi) Em 29/10/2010 foram lavrados Termos de Cientificação e Intimação Fiscal em nome dos sócios da empresa recorrente – Sra. Ana Paulina Meneses da Costa e Frinorte Empreendimentos Participações Ltda. –, bem como em nome dos sócios da Frinorte Empreendimentos Participações Ltda. Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA 4 (Srs. Rogério Marcio Menezes Costa, Roberto Augusto Menezes da Costa e Renato Mauro Menezes Costa), sendo enviado pelos Correios (fl. 149/175); (vii) Dos Termos acima citados, apenas a Sra. Ana Paulina Meneses da Costa foi cientificada pela via postal (fl. 151), sendo os demais devolvidos pelos Correios. Assim, foi publicado o edital n.º 02/2011 para ciência do Termo lavrado em nome da Frinorte Empreendimentos e Participações (fl. 152). Não houve nenhuma manifestação ou apresentação de documentos; (viii) A empresa recorrente não entregou nenhuma DCTF e/ou DIPJ, nem realizou qualquer recolhimento de IRPJ ou CSLL para o período em análise; (ix) Que a empresa teria que apurar o IRPJ pelo lucro real trimestral, pois não optou pelo lucro presumido e teve receitas superiores a R$ 48.000.000,00 em 2007; (x) Que a empresa não apresentou nenhum livro ou documento contábil ou fiscal, apesar de intimada várias vezes, o que impossibilita a apuração do lucro real, restando como única forma de tributação o arbitramento do lucro tributável, segundo o art. 530, III, do Dec. n.º 3000/99; (xi) Para fins de determinação do lucro, utilizouse dos valores declarados pela empresa à SEFAZ/TO, através das GIAMs, para os meses de janeiro a julho e outubro, de 2007, conforme anexo I (fl. 29); (xii) Para os meses de agosto e setembro de 2007, utilizouse como receita bruta de vendas as notas fiscais de saída, emitidas pela empresa recorrente, obtidas junto aos principais clientes desta, segundo anexo II e III (fl. 30/33); (xiii) Desta forma, o lucro arbitrado foi determinado mediante a utilização do percentual de 9,6% sobre a receita bruta trimestral, de acordo com o art. 16, Lei n. 9.249/95, c.c. art. 27, da Lei n. 9.430/07; (xiv) Com relação à CSLL, a sua base de cálculo foi determinada pelo valor correspondente a 12% da receita bruta trimestral, conforme Lei n. 9.430/96, art. 29, I, c.c. e IN SRF n.º 93/97, art. 56, I; (xv) Os valores do lucro arbitrado e da base de cálculo da CSLL, bem como a apuração do IRPJ e CSLL, estão demonstrados no anexo IV (fl. 34); (xvi) Para fins de apuração do PIS e da COFINS foi realizada a apuração pelo regime cumulativo, de acordo com a Lei n. 10.637/02, art. 8º, II, e a Lei n. 10.833/03, art. 10, II; (xvii) A base de cálculo do PIS/COFINS para os meses de janeiro a julho e outubro de 2007, foi determinada através das vendas brutas, descontadas as devoluções, informadas pela empresa recorrente à SEFAZ/TO, desconsiderando as vendas realizadas para o exterior, tudo conforme anexo V (fl. 35); (xvii) Para os meses de agosto e setembro de 2007 foi utilizado para obtenção da receita bruta, os valores das notas fiscais de saída emitidas pela empresa (anexos II e III – fl. 30/33), sendo apurado o PIS/COFINS conforme anexo VI (fl. 36); Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10746.721026/201196 Acórdão n.º 1302001.225 S1C3T2 Fl. 1.077 5 (xviii) Ficou demonstrada a intenção do sujeito passivo de ocultar os valores de débitos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS uma vez que informou os valores de vendas somente à SEFAZ/TO através de GIAM, caracterizando prática reiterada e incorrendo a empresa em sonegação, segundo o art. 71, I, da L. n.º 4.502/64, razão pela qual aplicouse a multa qualificada de 150% (art. 44, I, e §1º, da Lei n. 9.430/96); (xix) A multa qualificada foi agravada para 225% (art. 44, §2º, da Lei n. 9.430/96), uma vez que não foi apresentado nenhum livro comercial ou fiscal, bem como os arquivos em meio digital relativos à contabilidade e às notas fiscais, solicitados no decorrer da fiscalização; (xx) Que o contrato social da empresa recorrente (Frinorte Alimentos Ltda.) demonstra que o quadro societário é formado por Ana Paulina Meneses da Costa (10%) e Frinorte Empreendimentos e Participações S.A. (90%); (xxi) Por sua vez, a Frinorte Empreendimentos e Participações S.A. tem o quadro societário composto por Rogério Marcio Menezes Costa, Renato Mauro Menezes Costa e Roberto Augusto Menezes da Costa (10% cada), e Marcélia 3 Empreendimentos e Participações S.A. (70%); (xxii) Que a empresa Marcélia 3 Empreendimentos e Participações S.A. tem como diretores os Srs. Rogério Marcio Menezes Costa, Renato Mauro Menezes Costa e Roberto Augusto Menezes da Costa; (xxiii) Que a partir da 4ª alteração contratual da empresa recorrente (fl. 98/105) houve a previsão de assinatura de pelo menos um representante da Frinorte Empreendimentos e Participações S.A. em quaisquer transações bancárias, além da assinatura da sócia Ana Paulina Meneses da Costa, evidenciado funções administrativagerenciais dos Srs. Rogério Marcio Menezes Costa, Renato Mauro Menezes Costa e Roberto Augusto Menezes da Costa; (xxiv) Que a empresa Marcélia 3 Empreendimentos e Participações S.A. aparece na 5ª alteração contratual da empresa (fl. 107/113); (xxv) Que os Srs. Rogério Marcio Menezes Costa, Renato Mauro Menezes Costa e Roberto Augusto Menezes da Costa tomaram vultosos empréstimos da empresa recorrente, segundo informações das Declarações de IRPF; (xxvi) Que a Confederação Nacional da Indústria – CNI publica em seu sítio virtual como principal executivo da empresa recorrente o Sr. Renato Mauro Menezes Costa; (xxvii) Que a Associação Brasileira de Frigoríficos – ABRAFRIGO publicou notícia na qual o Sr. Rogério Marcio Menezes Costa aparece como diretor da empresa recorrente (fl. 942); (xxiii) Que o Ministério Público Federal do Tocantins apresentou denúncia de crime de sonegação de contribuição previdenciária sobre os Srs. Renato Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA 6 Mauro Menezes Costa e Rogério Marcio Menezes Costa, citados como proprietários da empresa recorrente (fl. 943); (xxix) Assim, foi lavrado Termo de Sujeição Passiva Solidária individualizado para os sócios da empresa recorrente Sra. Ana Paulina Meneses da Costa, e os Srs. Rogério Marcio Menezes Costa, Renato Mauro Menezes Costa e Roberto Augusto Menezes da Costa, com base no art. 135, III, do CTN, por omissão na declaração e recolhimento dos tributos federais referente ao período fiscalizado, de maneira reiterada, pois a omissão ocorreu durante todo o anocalendário de 2007, caracterizando assim a prática de sonegação, conforme art. 71, I, da L. n.º 4.502/64; (xxx) Ressaltou ainda o AFRFB que a empresa fiscalizada estava com o CNPJ ativo junto à RFB e o seu contrato social não faz menção de encerramento das atividades, caracterizando dissolução irregular da sociedade com fundamento no art. 135, III, do CNT, c/c a Súmula 435/STJ, por não ter sido encontrada em seu domicílio fiscal. Encerrada a fiscalização, os recorrentes tiveram ciência dos autos de infração em 30/11/2011, como se verifica de fl. 946/950, do PAF 10746.721026/201196 (IRPJ e CSLL), e fl. 949/953, do PAF 10746.721027/201131 (PIS/COFINS). Na sequência, os recorrentes apresentaram impugnação em 27/12/2011 em ambos os processos. Em análise das defesas, a DRJ entendeu pela integral improcedência dos argumentos. É o que se nota da ementa do acórdão exarado no PAF 10746.721026/201196 (fl. 990/1019): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ. Anocalendário: 2007. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIOS. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Reputase válido o auto de infração formalizado em conformidade com as normas legais e que contém todos os requisitos formais exigidos pela legislação processual, de modo a permitir que o sujeito passivo, na impugnação, exerça o direito ao contraditório e à ampla defesa. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ARGUIÇÃO DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. Devem ser mantidos no pólo passivo da obrigação tributária os sóciosadministradores da pessoa jurídica autuada, quando comprovada a prática de infração à lei, uma vez que o art. 135 do CTN trata de responsabilidade solidária. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O lucro da pessoa jurídica deve ser arbitrado quando o contribuinte, regularmente intimado, deixa de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos em conformidade com as normas de escrituração comercial e fiscal. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. Os órgãos julgadores administrativos não detêm competência para apreciar arguições de inconstitucionalidade contra diplomas legais regularmente editados, devendo a autoridade administrativa constituir o Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10746.721026/201196 Acórdão n.º 1302001.225 S1C3T2 Fl. 1.078 7 crédito tributário em conformidade com o estipulado pela legislação. MULTA QUALIFICADA. DOLO. A prestação de informações ao Fisco Estadual e a omissão reiterada das mesmas informações ao Fisco Federal, acompanhada da ausência de pagamento dos tributos devidos, constituem fatos que evidenciam conduta dolosa e implicam a qualificação da multa de ofício. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de produção de provas adicionais quando estas são desnecessárias à solução do litígio e a solicitação é apresentada em desacordo com o art. 16 do Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre a preclusão do direito de apresentar novas provas após a impugnação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ. Anocalendário: 2003 ACÓRDÃO. IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA. TRANSCRIÇÃO NA ÍNTEGRA. NECESSIDADE. Deve ser transcrito o acórdão desde o assunto, anocalendário etc., até o resultado. ACÓRDÃO. FORMA DE ELABORAÇÃO. CONSULTAR MANUAL DE REDAÇÃO. Tenho um manual de redação do CARF com indicações de como fazer a ementa. Lançamento Procedente. No mesmo sentido está a ementa do acórdão proferido no PAF 10746.721027/201131 (fl. 994/1020): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Ano calendário: 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIOS. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Reputase válido o auto de infração formalizado em conformidade com as normas legais e que contém todos os requisitos formais exigidos pela legislação processual, de modo a permitir que o sujeito passivo, na impugnação, exerça o direito ao contraditório e à ampla defesa. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ARGUIÇÃO DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. Devem ser mantidos no pólo passivo da obrigação tributária os sóciosadministradores da pessoa jurídica autuada, quando comprovada a prática de infração à lei, uma vez que o art. 135 do CTN trata de responsabilidade solidária. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. Os órgãos julgadores administrativos não detêm competência para apreciar arguições de inconstitucionalidade contra diplomas legais regularmente editados, devendo a autoridade administrativa constituir o Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA 8 crédito tributário em conformidade com o estipulado pela legislação. MULTA QUALIFICADA. DOLO. A prestação de informações ao Fisco Estadual e a omissão reiterada das mesmas informações ao Fisco Federal, acompanhada da ausência de pagamento dos tributos devidos, constituem atos que evidenciam conduta dolosa e implicam a qualificação da multa de ofício. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de produção de provas adicionais quando estas são desnecessárias à solução do litígio e a solicitação é apresentada em desacordo com o art. 16 do Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre a preclusão do direito de apresentar novas provas após a impugnação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIOS. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Reputase válido o auto de infração formalizado em conformidade com as normas legais e que contém todos os requisitos formais exigidos pela legislação processual, de modo a permitir que o sujeito passivo, na impugnação, exerça o direito ao contraditório e à ampla defesa. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ARGUIÇÃO DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. Devem ser mantidos no pólo passivo da obrigação tributária os sóciosadministradores da pessoa jurídica autuada, quando comprovada a prática de infração à lei, uma vez que o art. 135 do CTN trata de responsabilidade solidária. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. Os órgãos julgadores administrativos não detêm competência para apreciar arguições de inconstitucionalidade contra diplomas legais regularmente editados, devendo a autoridade administrativa constituir o crédito tributário em conformidade com o estipulado pela legislação. MULTA QUALIFICADA. DOLO. A prestação de informações ao Fisco Estadual e a omissão reiterada das mesmas informações ao Fisco Federal, acompanhada da ausência de pagamento dos tributos devidos, constituem fatos que evidenciam conduta dolosa e implicam a qualificação da multa de ofício. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de produção de provas adicionais quando estas são desnecessárias à solução do litígio e a solicitação é apresentada em desacordo com o art. 16 do Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre a preclusão do direito de apresentar novas provas após a impugnação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimados das decisões supratranscritas (fl. 1029/1039 do PAF 10746.721026/201196; fl. 1031/1040 e 1084 do PAF 10746.721027/201131), os recorrentes Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10746.721026/201196 Acórdão n.º 1302001.225 S1C3T2 Fl. 1.079 9 apresentaram, então, recursos voluntários, nos quais ventilam exatamente as mesmas argumentações para ambos os processos. Em resumo: (i) Cerceamento ao direito de defesa e do contraditório, pois alegam que não tiveram oportunidade de se manifestar sobre o arbitramento realizado uma vez os processos correram à revelia, requerendo nulidade dos mesmos; (ii) Que o AFRFB desconsiderou a personalidade jurídica da empresa recorrente de forma arbitrária e sem respaldo legal, pois, segundo o art. 50, do CC, esta somente pode ser realizada pelo Poder Judiciário e sob a presença de requisitos legais, o que não se comprovou no caso; (iii) Que o art. 134, do CTN, somente permite a responsabilização por terceiros quando se demonstra a impossibilidade do cumprimento pela obrigação tributária e, ainda, apenas com relação às matérias de caráter moratório (penalidades); (iv) Que o art. 135, do CTN, apresenta as pessoas que serão responsabilizadas no caso de prática de atos com excesso de poderes ou infração a lei, contrato social ou estatutos, não se configurando o mero inadimplemento hipótese de responsabilidade subsidiária dos sócios, conforme entendimento do STJ; (v) Que segundo o entendimento pacífico do STJ e doutrina majoritária a responsabilidade prevista nos art. 134 e 135, do CTN, é de natureza subsidiária, pelo que devem os recorrentes pessoas físicas serem excluídos do polo passivo do lançamento tributário; (vi) Inexistência de fraude e sonegação, pois, a empresa recorrente observava o método de apuração do lucro real para determinar os tributos federais devidos; (vii) Absoluta boafé quando da instauração do procedimento fiscal, pois colocou à disposição do AFRFB contador responsável pelas transmissões de suas informações fiscais, o qual nunca foi contatado; (viii) Que o AFRFB não pode presumir a ocorrência de fatos geradores de obrigação tributária, sendo que a presunção do art. 42, da Lei 9.430/96 não pode alterar o conceito de renda ou provento para ampliar seu conceito, conforme art. 110, do CTN. Juntou jurisprudência que trata o tema; (ix) Que a empresa recorrente não pode ser submetida ao recolhimento do tributo uma vez que o arbitramento realizado exorbita o valor real do imposto devido; (x) Que a penalidade imposta possui caráter confiscatório, superando sua capacidade contributiva, o que é vedado pela Constituição Federal; (xi) Que não foram observados os princípios da capacidade econômica, razoabilidade ou proporcionalidade; Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA 10 (xii) Que a multa qualificada e agravada, no importe de 225%, é desproporcional e desarrazoada, pois não houve oportunidade para que os sócios responsabilizados prestassem informações e esclarecimentos necessários; (xiii) Que o STF reconheceu a repercussão geral das multas/sanções exorbitantes, devendo o processo administrativo fiscal ser sobrestado até o pronunciamento definitivo do STF sobre a matéria (no RE 640.452/RO); (xiv) Preliminarmente, requereu a nulidade do auto de infração por cerceamento do direito ao contraditório e à ampla defesa e a exclusão dos sócios da empresa por ilegalidade da desconsideração da personalidade jurídica em âmbito administrativo e por ilegalidade da declaração de responsabilidade solidária, quando sua natureza é subsidiária; (xv) No mérito, requereu a improcedência do auto de infração, pois as obrigações teriam sido prescritas de forma inadequada. Alternativamente, requer a exclusão da multa ou sua aplicação de acordo com os princípios da razoabilidade, proporcionalidade, capacidade contributiva do contribuinte e vedação ao confisco, em respeito à Constituição Federal; (xvii) Por fim, pede o sobrestamento do processo administrativo até o pronunciamento definitivo pelo STF acerca do RE n.º 640.452/RO. É o relatório. Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10746.721026/201196 Acórdão n.º 1302001.225 S1C3T2 Fl. 1.080 11 Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, então dele conheço. 1. Das Alegações Preliminares 1.1 Do Direito à Defesa e ao Contraditório Os recorrentes alegam o cerceamento ao direito de defesa e ofensa ao princípio do contraditório, pois não teriam tido a oportunidade de se manifestarem sobre o arbitramento do lucro que originou o crédito tributário combatido. Assim, invocaram a nulidade do processo administrativo com amparo no art. 59, II, do Decreto n.º 70.235/72. O princípio do contraditório e da ampla defesa traduz a necessidade de dar conhecimento da existência da ação e dos atos a ela inerentes, bem como de facultar às partes o uso dos meios de defesa e a possibilidade de manifestaremse, como bem ensina Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López: (...) O princípio do contraditório tem íntima ligação com o da igualdade das partes e se traduz de duas formas: por um lado, pela necessidade de se dar conhecimento da existência da ação de todos os atos do processo às partes e, de outro, pela possiblidade das partes reagirem aos atos que lhe forem desfavoráveis, ou seja, os litigantes têm direito de deduzir pretensões e defesas, realizarem provas que requereram para demonstrar a existência do direito, em suma, direito de serem ouvidos paritariamente no processo em todos os seus termos. (NEDER, Marcos Vinicus; LÓPEZ, Maria Teres Martínez; Processo administrativo fiscal federal comentado; 3 ed.; São Paulo: Dialética, 2010) Isto posto, e considerando o que nos autos consta, é possível concluir que o direito dos recorrentes à ampla defesa e ao contraditório foi observado em todo o procedimento fiscal e administrativo, pois estes tiveram a possibilidade de contraditar os atos da autoridade fiscalizadora. Melhor esclarecendo. Consoante se denota do art. 14, do Decreto n.º 70.235/72, a instauração da fase litigiosa apenas se realiza com a apresentação da impugnação do contribuinte, após o lançamento do crédito tributário, in verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA 12 Concluise, portanto, que até a apresentação da impugnação o procedimento desenvolvese inquisitorialmente, ou seja, até que o sujeito passivo seja intimado da lavratura do auto de infração e do lançamento do crédito tributário, inexiste caráter contencioso conflito de interesses, mas apenas dever de fiscalização do Fisco e dever de colaboração do contribuinte. Nesta fase, o sujeito ativo apenas deverá ser cientificado naquelas situações expressamente previstas na lei, tal como ocorre por meio do “Termo de Início da Verificação Fiscal”, onde consta o número do Mandado de Procedimento Fiscal e a senha para seu acesso pelo sítio eletrônico da RFB. Examinando os autos, observase que a empresa recorrente foi devidamente intimada do início do procedimento fiscal (fl. 37/40 PAF 10746.721026/201196; fl. 40/43 PAF 10746.721027/201131), tanto que inclusive respondeu à intimação, na pessoa de sua sócia Ana Paulina Menezes da Costa (fls. 41 PAF 10746.721026/201196; fl. 44 PAF 10746.721027/201131). Não bastasse isto, como já relatado, todos os demais atos do AFRFB foram devidamente informados aos recorrentes por intimação pela via postal, a princípio, e por edital, quando aquelas foram devolvidas pelos Correios (fl. 149/175 PAF 10746.721026/201196; fl. 152/178 PAF 10746.721027/201131), tudo conforme art. 23, do Decreto 70.235/72. Tanto é assim que os recorrentes buscam a anulação do procedimento fiscal apenas por não terem sido intimados a se manifestarem sobre o arbitramento do lucro realizado pelo AFRFB. Merece destaque o fato de que os recorrentes não responderam a nenhuma das intimações realizadas durante o procedimento fiscal, não entregaram quaisquer livros ou documentos fiscais e contábeis da empresa, restando ao AFRFB proceder conforme determina o art. 530, inciso III, e art. 537, ambos do Decreto 3.000/99: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; Art. 537. Verificada omissão de receita, o montante omitido será computado para determinação da base de cálculo do imposto devido e do adicional, se for o caso, no período de apuração correspondente, observado o disposto no art. 532 (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24). No caso da omissão de receita, prevista no art. 537, supratranscrito, não há nenhuma previsão de que o contribuinte deve ser intimado a apresentar esclarecimentos antes de o AFRFB realizar o lançamento, sendo que, no presente caso, não havendo a entrega dos livros e documentos fiscais solicitados, determinouse o lucro pelo arbitramento, sobre o qual ocorreu a incidência tributária, como bem esclarecido no Relatório Fiscal e seus anexos (fl. 18/28 PAF 10746.721026/201196; fl. 21/31 PAF 10746.721027/201131). Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10746.721026/201196 Acórdão n.º 1302001.225 S1C3T2 Fl. 1.081 13 Depois de realizado o lançamento tributário através dos Autos de Infração, os recorrentes foram regularmente intimados (fl. 946/950 PAF 10746.721026/201196; fl. 949/953 PAF 10746.721027/201131) para apresentarem suas impugnações, oportunidade em que poderiam ter se insurgido contra o arbitramento de forma a demonstrar sua receita no exercício fiscalizado e comprovar a insubsistência da forma de determinação do imposto. Ou seja, neste momento, poderiam fazer valer seu direito à ampla defesa e ao contraditório. No mesmo sentido é a jurisprudência deste Conselho: ARBITRAMENTO DO LUCRO. CONTRADITÓRIO. DIREITO DE DEFESA. É na impugnação apresentada ao auto de infração que o contribuinte exerce seu direito de defesa e exercita o contraditório ao arbitramento do lucro e não durante a apuração do crédito tributário no curso do processo investigatório. (...) (Primeiro Conselho de Contribuinte. Acórdão n.º 120100.080. Rel. Regis Magalhães Soares Queiroz. Sessão de 14/05/2009) CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de ofício quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. (...) (CARF. Acórdão n.º 3102 001.870. Rel. Winderley Morais Pereira. Sessão de 23/05/2013) NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se confirmando o erro ou a falta de enquadramento legal das exigências dos tributos, das multas de ofício e dos juros de mora, deve ser rejeitada a alegação de cerceamento de direito de defesa, principalmente quando o exame da impugnação evidencia a correta percepção do conteúdo e da motivação das exigências. ARBITRAMENTO DOS LUCROS. É cabível o arbitramento dos lucros quando o sujeito passivo não apresenta os livros e documentos de sua escrituração contábil. (...) (CARF. Acórdão n.º 1202000.960. Rel. Geraldo Valentim Neto. Sessão de 09/04/2013) PRELIMINAR DE NULIDADE. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. CIÊNCIA POR AVISO DE RECEBIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não padece de nulidade o auto de infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 11 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, nos prazos devidos, o seu direito Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA 14 de defesa. (...) (CARF. Acórdão n.º 2801003.053. Rel. Marcio Henrique Sales Parada. Sessão de 18/06/2013). PREVIDENCIÁRIO. DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados e praticados. AFERIÇÃO INDIRETA. A fiscalização previdenciária tem suporte legal para apurar as importâncias devidas por meio de arbitramento quando houver recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, constituindose em presunção legal relativa, cumprindo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. (...) (CARF. Acórdão n.º 2403001.563. Rel. Ivacir Júlio de Souza. Sessão de 14/08/2012) Dessa forma, voto por afastar a preliminar de nulidade do processo administrativo por cerceamento de defesa, uma vez que tal direito foi oportunizado aos recorrentes. 1.2 Da Responsabilidade Tributária Os recorrentes alegam ilegalidades na responsabilização dos sócios da empresa fiscalizada, postulando a exclusão da Sra. Ana Paulina Menezes da Costa e dos Srs. Rogério Márcio Menezes Costa, Renato Mauro Menezes Costa e Roberto Augusto Menezes da Costa do polo passivo da obrigação tributária. Em um primeiro momento, importa destacar que as argumentações sobre o art. 50, do CC, e o art. 134, do CTN, encontramse desconexos com a fundamentação dos Termos de Sujeição Passiva Solidária para os sócios da empresa recorrente, pois estes fundamentamse no art. 135, III, do CTN , e Súmula 435/STJ (fl. 932/939 PAF 10746.721026/201196; fl. 935/942 PAF 10746.721027/201131), pelo que se faz desnecessário maiores dilações sobre tais alegações. Sob a visão das autoridades precedentes, a responsabilização pessoal dos sócios da empresa com fundamento no art. 135, III, do CTN seria justificada pelo fato da empresa recorrente não ter entregue nenhuma DCTF e/ou DIPJ, não ter recolhido IRPJ ou CSLL durante o período fiscalizado, mesmo auferindo renda, como se verificou das informações declaradas ao SEFAZ/TO e das notas fiscais de vendas obtidas junto aos seus principais clientes. Inobstante a prática dos atos acima, entendo que o fundamento principal deve centrarse no teor da súmula 435 do STJ, uma vez que é incontroverso que a Frinorte Alimentos efetuou a baixa regular de sua inscrição junto à Administração Fazendária Estadual, o mesmo não ocorrendo no âmbito federal. Assim, quanto à sócia Ana (administradora), aplica se o verbete abaixo: Súmula 435, STJ. Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente. Quanto aos demais sócios, ficou comprovado pelo AFRFB que estes detinham relevante influência sobre as decisões que são próprias dos administradores de Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10746.721026/201196 Acórdão n.º 1302001.225 S1C3T2 Fl. 1.082 15 sociedades empresariais, consoante esclarece o AFRFB na seguinte passagem, que adoto como razões de decidir (fls. 27 e ss.): 45. A inclusão dos Srs. Rogério Márcio Menezes Costa, CPF 574.915.26691, Renato Mauro Menezes Costa, CPF 574.915.50649, e Roberto Augusto Menezes da Costa, CPF 564.238.02653, no pólo passivo dessa ação fiscal deuse pelos seguintes fatos: A partir da 4ª alteração do Contrato Social da Frinorte – Alimentos Ltda, em 16/08/2004, houve a previsão de assinatura de pelo menos um representante da Frinorte Empreendimentos e Participações Ltda (Roberto, Renato ou Rogério) em quaisquer transações bancárias, tais como assinaturas de cheques, ordens de pagamentos, contratos de empréstimos e transferências financeiras, além da assinatura da sócia Ana Paulina Meneses da Costa, evidenciando funções administrativo gerenciais dos três citados; A empresa Marcélia 3 Empreendimentos e Participações S/A está com a situação cadastral não habilitado pelo fisco de Goiás, desde de 2003, segundo página do SINTEGRA. No entanto, aparece em alteração contratual da Frinorte – Alimentos Ltda na data de 05/04/2007, com assinatura dos Srs. Renato Mauro Menezes Costa e Rogério Márcio Menezes Costa. Os três citados anteriormente (Roberto, Renato ou Rogério) tomaram empréstimos junto à Frinorte – Alimentos Ltda, nos valores de R$300.000,00, R$1.420.000,00 e R$1.480.000,00, respectivamente, segundo informações declaradas nas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física dos mesmos; Em página da internet da Confederação Nacional da Indústria – CNI, especificamente no catálogo de exportadores brasileiros, o Sr. Renato Mauro Menezes Costa aparece como o principal executivo da Frinorte – Alimentos Ltda; Em notícia no site da Associação Brasileira de Frigoríficos – ABRAFRIGO, datada de 18/06/2007, o Sr. Rogério Márcio Menezes Costa aparece como Diretor da Frinorte – Alimentos Ltda; O Ministério Público Federal do Tocantins apresentou denúncia de crime de sonegação de contribuição previdenciária sobre os Srs. Renato Mauro Menezes Costa e Rogério Márcio Menezes Costa, citados na notícia como proprietários da Frinorte – Alimentos Ltda. (grifo não original) Não bastasse isto, a empresa fiscalizada não apresentou nenhum livro ou documento contábil e fiscal, mesmo após intimada diversas vezes, nem os apresentou nas oportunidades em que exerceu o contraditório e a ampla defesa (impugnação e recurso voluntário). Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA 16 Assim, correta foi a responsabilização das pessoas físicas recorrentes, pois o lançamento da obrigação tributária se originou dos atos realizados pela empresa e pelas pessoas físicas em afronta à legislação tributária, como ficou comprovado através do Relatório Fiscal (fl. 18/28 PAF 10746.721026/201196; fl. 21/31 PAF 10746.721027/201131), quando aqueles encontravamse na função de representantes da empresa recorrente. No mesmo sentido, não subsiste a alegação dos recorrentes de que o mero inadimplemento não implica na responsabilização dos sócios da contribuinte, uma vez que existem provas em sentido diverso, consoante dito acima. Já com relação à suposta ilegalidade na responsabilização solidária dos sócios quando presente os requisitos do art. 135, III, do CTN, não guardam razão as alegações dos recorrentes, visto que o entendimento deste Conselho tem se dirigido em sentido contrário, observese: (...) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO ADMINISTRADOR. FRAUDE FISCAL. CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. A sequência de atos, robustamente comprovados nos autos, demonstra o intuito doloso da contribuinte em modificar as características essenciais da ocorrência do fato gerador, caracterizando a fraude fiscal, e corresponde a tipo previsto na lei de crimes contra a ordem tributária, razão pela qual os sóciosadministradores devem ser responsabilizados solidariamente com a pessoa jurídica, consoante norma do artigo 135, inciso III do CTN. (...) (CARF. Acórdão n.º 1402001.316. Rel. Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Sessão de 05/03/2013) (...) SOLIDARIEDADE E RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. DISTINÇÃO. (...) Os mandatários, administradores, prepostos, diretores, gerentes, sócios, sejam eles de fato ou de direito, só se tornam terceiros responsáveis nos casos em que, por ação ou omissão, praticarem uma das condutas descritas nos artigos 134, 135 e 137, do CTN. (...) (CARF. Acórdão n.º 1402001.188. Rel. Moisés Giacomelli Nunes da Silva. Sessão de 11/09/2012) SOLIDARIEDADE PASSIVA. SÓCIO RETIRANTE DA SOCIEDADE. A responsabilidade solidária de sócio por dividas tributárias da sociedade só pode ser imposta quando presentes os requisitos do art. 135 do CTN, qual seja, quando os créditos tributários sejam "resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos".(...) (CARF. Acórdão n.º 120100.217. Rel. Regis Magalhães Soares de Queiroz. Sessão de 28/01/2010) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA — Para fins de responsabilização com base no inciso III do art. 135 da Lei N„_ 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, entendese como responsável solidário o sócio, pessoa fisica ou jurídica, ou o terceiro não sócio, que possua poderes de gerência sobre a pessoa jurídica, independentemente da denominação Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10746.721026/201196 Acórdão n.º 1302001.225 S1C3T2 Fl. 1.083 17 conferida, à época da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. (...) (CARF. Acórdão n.º 110200.322. Rel. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. Sessão 02/09/2010) Nestes termos, voto no sentido de manter a Sra. Ana Paulina Menezes da Costa e os Srs. Rogério Márcio Menezes Costa e Renato Mauro Menezes Costa, todos recorrentes, como responsáveis solidários da obrigação tributária lançada em desfavor da empresa recorrente, pelos fatos acima descritos. Como bem observou o julgador da DRJ, em seu acórdão, com relação ao Sr. Roberto Augusto Menezes da Costa não há procuração nos autos para sua representação e sequer seu nome consta na qualificação dos recorrentes, no prefácio na peça recursal, pelo que não se poderia conhecer qualquer pleito em nome deste, subsistindo sua sujeição passiva pela obrigação tributária tal como realizado pelo fisco. 2. Do Mérito 2.1. Da Alegação de Inexistência de Fraude ou Sonegação Os recorrentes buscam desqualificar o lançamento tributário sobre o lucro arbitrado alegando que o montante do tributo lançado exorbita o valor real que seria devido. Contudo, há de se ressaltar que os recorrentes em nenhum momento demonstram qual seria o suposto valor real do tributo devido, não apresentam nenhum documento contábil ou fiscal capaz de afastar arbitramento do seu lucro, apenas se esmeram num discurso que trata sobre presunções, referindose inclusive ao art. 42, da Lei n. 9.430/96, que em nada tem relação com o lançamento ora em discussão, correlacionandoo com a impossibilidade das normas tributárias alterarem os conceitos de direito privado. Assertivas que em nada lhe aproveitam nesta oportunidade. O fato é que a empresa recorrente, bem como seus sócios, foram intimados diversas vezes para tomar ciência do procedimento fiscal e, também, para apresentação de documentos solicitados pelo fisco (fl. 37/40; 149/175 PAF 10746.721026/201196; fl. 40/43; 152/178 PAF 10746.721027/201131), sendo que em nenhum momento atenderam à solicitação do AFRFB, não justificaram a impossibilidade ou pediram prorrogação de prazo para fazêlo. Sobre o tema, convém observar a jurisprudência deste Conselho: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFRAÇÃO. DEIXOU DE EXIBIR LIVROS OU DOCUMENTOS À FISCALIZAÇÃO. Constitui infração deixar a empresa de exibir quaisquer documentos ou livros relacionados com as contribuições previdenciárias, consoante art. 33, §2º da Lei nº 8.212/91. (CARF. Acórdão n.º 2401003.076. Rel. Carolina Wanderley Landim. Sessão de 19/06/2013) Assim, restou ao AFRFB proceder ao arbitramento do Lucro da empresa recorrente, nos moldes do art. 530, III, do RIR, que assim ensina: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA 18 arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º):[...] III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; [...] Importa destacar, mais uma vez, que mesmo na oportunidade da impugnação do lançamento tributário, ou do recurso voluntário, não houve qualquer comprovação da existência dos procedimentos fiscais e contábeis mantidos pela empresa contribuinte, atendose os recorrentes em fundamentar sua defesa em inexistente e incabível irregularidade formal do lançamento. Desta forma, entendo correto o proceder do AFRFB pelo arbitramento do lucro e lançamento do tributo conforme o art. 537, do RIR, através das informações transmitidas pela empresa recorrente ao fisco estadual e, também, das notas fiscais de saídas obtidas com seus maiores clientes, como bem descrito no Relatório Fiscal (fl. 18/28 PAF 10746.721026/201196; fl. 21/31 PAF 10746.721027/201131). Ademais, os recorrentes admitem a falta de transmissão ao fisco da DIPJ e a DCTF referente ao anocalendário fiscalizado, mesmo tendo ordinariamente realizado a transmissão de informações da sua receita ao fisco estadual, ou seja, é evidente o dolo dos recorrentes em não informar ao fisco federal as receitas obtidas, com o fim de impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Dessa forma, voto no sentido de manter o lançamento tributário sobre o Lucro arbitrado uma vez que, mesmo intimada várias vezes, a empresa contribuinte ou seus representantes não apresentaram os livros e documentos fiscais e contábeis, nem demonstraram na oportunidade da impugnação e deste recurso quaisquer informações que pudessem desabonar o valor da obrigação tributária lançada. 2.2. Da Incompetência para Pronúncia sobre Inconstitucionalidade. Da Multa Qualificada e Agravada. Os recorrentes se insurgem contra o valor do lançamento tributário, inclusive no que tange a multa no percentual de 225%, alegando ofensa a diversos princípios constitucionais. Contudo, este Conselho é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei, observese: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, uma vez que os recorrentes invocam princípios como a vedação ao confisco e a capacidade contributiva para combater o lançamento tributário, temse a impossibilidade deste Conselho de realizar qualquer juízo de valor sobre o tema. O lançamento realizado pelo AFRFB está em consonância com a legislação vigente, devidamente demonstrada no Relatório Fiscal, razão pela qual é improcedente o recurso voluntário neste ponto. Buscam ainda os recorrentes o sobrestamento do processo administrativo em face do julgamento RE n.º 640.452/RO no que tange as multas/sanções aplicadas. Entretanto não há compatibilidade entre a matéria tratada no presente feito (multa de ofício qualificada e agravada) e no recurso especial paradigma (que versa sobre multas isoladas aplicadas por descumprimento de obrigação tributária acessória, em razão da prática de atos dos quais não decorra crédito tributário). Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10746.721026/201196 Acórdão n.º 1302001.225 S1C3T2 Fl. 1.084 19 Assim, voto no sentido de manter o lançamento tributário. 3. Da Conclusão Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto, para manter os créditos tributários lançados a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, bem como a multa de ofício oriunda dos mesmos, nos termos do relatório e voto. E manter a responsabilidade tributária da sócia e administradora Sra. Ana Paulina Menezes da Costa e os dos administradores de fato os Srs. Rogério Márcio Menezes Costa e Renato Mauro Menezes Costa. Ressaltando que o sócio Sr. Roberto Augusto Menezes da Costa permanece como responsável tributário por não ter recorrido. (assinado digitalmente) Márcio Rodrigo Frizzo – Relator. Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA 20 Declaração de Voto Conselheira Cristiane Silva Costa Com a devida vênia ao entendimento do nobre Conselheiro Relator, divirjo da existência de responsabilidade tributária dos Srs. Renato Mauro Menezes Costa, Rogério Márcio Menezes Costa e Roberto Augusto Menezes da Costa. Sobreleva considerar a disposição contida no artigo 135, III, do Código Tributário Nacional: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III. os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. A existência de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, por força do artigo 135, III, é condição indispensável para a responsabilização tributária. Como também é indispensável que estes figurassem como diretores, gerentes ou representantes da devedora (Frinorte Alimentos Ltda.). Com relação à responsabilidade tributária atribuída nestes autos, é importante mencionar que são reproduzidos os seguintes fundamentos em cada um dos Termos de Sujeição Passiva Solidária, com relação aos Sr. Renato Mauro Menezes Costa, Rogério Márcio Menezes Costa e Roberto Augusto Menezes da Costa: “contribuiu para a omissão na declaração e recolhimento dos tributos federais referentes ao período fiscalizado” e, ainda, que “ficou caracterizado também a dissolução irregular da Frinorte – Alimentos Ltda, já que a situação cadastral no Sistema Integrado \de Informações sobre Operações Interestaduais com Mercadorias e Serviços – SINTEGRA é, desde 20/11/2007, não habilitado, ainda que o CNPJ do contribuinte esteja ativo perante à RFB e o seu Contrato Social e Alterações não faça nenhuma menção de paralisação ou encerramento das atividades.” Nesse contexto, com a aplicação do artigo 135, III, do Código Tributário Nacional e do Enunciado nº 435, da Súmula do Superior Tribunal de Justiça lhes foi atribuída a responsabilidade tributária. Ocorre que o Srs. Renato Mauro Menezes Costa, Rogério Márcio Menezes Costa e Roberto Augusto Menezes da Costa não figuravam como sócios e tampouco como administradores da pessoa jurídica autuada (Frinorte Alimentos Ltda.), mas apenas sócios de uma das cotistas desta sociedade. Este fato é confirmado pelos documentos sociais acostados aos autos às fls. 83 a 119: Nesse contexto, inadequada a aplicação do artigo 135, III, do Código Tributário Nacional. Destaquese precedente do E. Superior Tribunal de Justiça, quando trata da atribuição de responsabilidade na hipótese de dissolução irregular da pessoa jurídica, verbis: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. REDIRECIONAMENTO. ART. 135 DO CTN. DISSOLUÇÃO IRREGULAR. Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10746.721026/201196 Acórdão n.º 1302001.225 S1C3T2 Fl. 1.085 21 1. Esta Corte Superior firmou entendimento, no REsp 1.101.728/SP, julgado pela sistemática do art. 543C do CPC, no sentido de que o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente da empresa somente é cabível quando comprovado que ele agiu com excesso de poderes, infração à lei ou contra o estatuto, ou na hipótese de dissolução irregular da empresa. 2. O redirecionamento da execução fiscal, na hipótese de dissolução irregular da sociedade, pressupõe a permanência do sócio na administração da empresa ao tempo da ocorrência da dissolução. 3. Agravo regimental não provido. (Agravo Regimental no Agravo em Recurso Especial n. 473765, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, DJe 21.03.2014) Portanto, também na hipótese de dissolução irregular é imprescindível que a pessoa física figure como administrador da pessoa jurídica devedora, exigindose, ainda, que exerça tal função ao tempo da dissolução irregular. Sobreleva considerar que, especificamente quanto aos Srs. Renato Mauro Menezes Costa, Rogério Márcio Menezes Costa e Roberto Augusto Menezes da Costa, consta no Relatório Fiscal de fls. 18 a 28: A inclusão dos Srs. Rogério Márcio Menezes Costa, CPF 574.915.26691, Renato Mauro Menezes Costa, CPF 574.915.50649, e Roberto Augusto Menezes da Costa, CPF 564.238.02653, no pólo passivo dessa ação fiscal deuse pelos seguintes fatos: A partir da 4ª alteração do Contrato Social da Frinorte – Alimentos Ltda, em 16/08/2004, houve a previsão de assinatura de pelo menos um representante da Frinorte Empreendimentos e Participações Ltda (Roberto, Renato ou Rogério) em quaisquer transações bancárias, tais como assinaturas de cheques, ordens de pagamentos, contratos de empréstimos e transferências financeiras, além da assinatura da sócia Ana Paulina Meneses da Costa, evidenciando funções administrativogerenciais dos três citados; Os exatos termos da cláusula do contrato social referida no Relatório Fiscal são os seguintes: CLÁUSULA OITAVA – DA ADMINISTRAÇÃO DA SOCIEDADE. A administração dos negócios da sociedade será exercida pela sócia ANA PAULINA MENEZES DA COSTA, conforme indicada na forma deste Instrumento, que representará a sociedade ativa e passiva, judicial e extrajudicialmente. Parágrafo Primeiro – Todas as transações bancárias, tais como assinaturas de cheques, ordens de pagamento, contratos de empréstimos e transferências financeiras, serão sempre Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA 22 realizados com assinaturas em conjunto, sendo uma das assinaturas da sócia ANA PAULINA MENEZES DA COSTA e a outra de um dos administradores do sócio FRINORTE EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. Tais transações poderão também ser realizadas por intermédio de procuradores com poderes expressos para tal finalidade, mediante instrumentos públicos outorgados por ambos os sócios. Notase, assim, que s representantes da Frinorte Empreendimentos e Participações Ltda. (Renato Mauro Menezes Costa, Rogério Márcio Menezes Costa e Roberto Augusto Menezes da Costa) não passaram a ter poderes amplos de administração da Frinorte Alimentos Ltda., mas apenas para assinatura de documentos relacionados às transações bancárias. E estas assinaturas em transações bancárias certamente não lhes atribuem poderes para a prática de eventuais atos com excesso de poderes, infração de lei, do contrato social ou estatutos, na forma tratada pelo artigo 135, III, do Código Tributário Nacional. Diante de tais razões, rendendo minhas homenagens ao voto do Ilustre Conselheiro Relator, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, excluindo do pólo passivo os Srs. Renato Mauro Menezes Costa, Rogério Márcio Menezes Costa e Roberto Augusto Menezes da Costa. (assinado digitalmente) CRISTIANE SILVA COSTA – Conselheira. Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA
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Numero do processo: 10935.906238/2012-03
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 16/10/2008
Recurso Voluntário não conhecido
A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito.
Numero da decisão: 3802-003.205
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 62 38 /2 01 2- 03 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ/CTA, a qual, por unanimidade de votos julgou pelo não acolhimento da manifestação de inconformidade apresentada. Em ato contínuo, o despacho decisório pela DRF de Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do PER/DCOMP, devido à inexistência de crédito pleiteado, já que o pagamento de PIS/PASEP, do período acima indicado, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte o mesmo fato gerador, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 16/10/2008 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PERD/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE NORMAS VIGENTES JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da COFINS, sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, já que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998 não pode ser alargado ao ponto de abranger o conceito de ingresso. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Tendo em vista que a matéria posta para análise – inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, não está afeta à competência desse Fl. 56DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906238/201203 Acórdão n.º 1802003.205 S1TE02 Fl. 12 3 colegiado, já que não é permitido aos Conselheiros do CARF se pronunciarem sobre os aspectos constitucionais de lei tributária. É de rigor a aplicação da Súmula CARF nº 02 que determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Precedentes: Acórdão nº 10194876, de 25/02/2005 Acórdão nº 10321568, de 18/03/2004 Acórdão nº 10514586, de 11/08/2004 Acórdão nº 10806035, de 14/03/2000 Acórdão nº 10246146, de 15/10/2003 Acórdão nº 20309298, de 05/11/2003 Acórdão nº 201 77691, de 16/06/2004 Acórdão nº 20215674, de 06/07/2004 Acórdão nº 20178180, de 27/01/2005 Acórdão nº 20400115, de 17/05/2005. Portanto, pelas razões por mim aqui expostas, NÃO CONHEÇO do recurso ora interposto (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10670.001383/2007-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 01/12/2003, 31/05/2004
RECURSO INTERPOSTO SEM DEPÓSITO RECURSAL
Recurso interposto sem o recolhimento do depósito ou arrolamento no valor correspondente a 30% do valor da autuação, permissível face Súmula Vinculante n° 21 do STF
PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR
Da mera formalidade de ausência de inscrição por falta de atualização junto ao PAT do Ministério do Trabalho e ou o Fornecimento de Tickets Alimentação sem que haja inscrição no PAT, não configura a incidência do artigo 28, I da Lei 8.212 de 1991, combinado com o Artigo 214, parágrafo 9, inciso III e o parágrafo 10 do Regulamento da Previdência Social - RPS, porque, havendo contornos do programa que atende ao objeto que é alimentar o trabalhador, é bastante assaz para justificar a não incidência.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2301-002.542
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos Mauro José Silva e Marcelo Oliveira, que votaram em negar provimento ao recurso. Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes.
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA Presidente
(assinado digitalmente)
WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator
(assinado digitalmente)
DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Declaração de Voto
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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Recorrida SRPSECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/12/2003, 31/05/2004 RECURSO INTERPOSTO SEM DEPÓSITO RECURSAL Recurso interposto sem o recolhimento do depósito ou arrolamento no valor correspondente a 30% do valor da autuação, permissível face Súmula Vinculante n° 21 do STF PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR Da mera formalidade de ausência de inscrição por falta de atualização junto ao PAT do Ministério do Trabalho e ou o Fornecimento de Tickets Alimentação sem que haja inscrição no PAT, não configura a incidência do artigo 28, I da Lei 8.212 de 1991, combinado com o Artigo 214, parágrafo 9, inciso III e o parágrafo 10 do Regulamento da Previdência Social RPS, porque, havendo contornos do programa que atende ao objeto que é alimentar o trabalhador, é bastante assaz para justificar a não incidência. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos Mauro José Silva e Marcelo Oliveira, que votaram em negar provimento ao recurso. Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA – Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 13 83 /2 00 7- 89 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator (assinado digitalmente) DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES – Declaração de Voto Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10670.001383/200789 Acórdão n.º 2301002.542 S2C3T1 Fl. 77 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) materializada pelo n° 37.043.3114, consolidada em 21/12/2006, no montante de R$ 38.394,32 (Trinta e oito mil, trezentos e noventa e quatro reais e trinta e dois centavos) em desfavor da empresa Recorrente por distribuir ticket de alimentação aos seus empregados, no período de 12/2003 a 05/2004, sem a devida inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). De acordo com o relatório fiscal (fls. 23/25) a conseqüência da ausência da inscrição da empresa no PAT, caracteriza o fornecimento de tais tickets como salário contribuição, de acordo com o que dispõe o artigo 28, inciso I da Lei nº 8.212/99 c/c artigo 214, § 9º, inciso III e o §10 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Para a apuração completa do débito, foi verificado que a empresa cadastrou se no PAT em 30/03/1999 e somente cadastrouse novamente em 11/05/2004, conforme prevê os documentos anexados pela empresa após a ciência do TIAD – Termo de Intimação para Apresentação de Documentos datados em 12/09/2006. No entanto, o artigo 30 da Portaria Interministerial n° 5, do Ministério do Trabalho e Emprego, da Fazenda e da Saúde, de 30 de novembro de 1999, publicada no DOU em 3 de dezembro de 1999, dispõe que a adesão ao PAT poderá ser efetuada a qualquer tempo e terá validade a partir da data de registro do formulário de adesão na ECT, por prazo indeterminado. Todavia, como já foi mencionado, a empresa se cadastrou no PAT em 30/03/1999, período anterior a vigência da Portaria supramencionada, considerando, assim, que os atos normativos anteriores determinavam que a vigência do cadastro no PAT seria de apenas um ano. Segundo a fiscalização, como o último cadastro realizado pela empresa em data anterior a publicação da referida Portaria, em 30/03/1999, e o cadastro por prazo indeterminado, de acordo com os ditames da nova Portaria, ocorreu somente em 11/05/2004, os valores pagos aos segurados empregados a título de alimentação, no período de 12/2003 a 05/2004, inclusive, devem ser considerados como salário de contribuição, já que nesse período a empresa não tinha cadastro válido no PAT. A empresa alega que apresentou email encaminhado ao Ministério do Trabalho, no qual consta que não era necessária nova inscrição para aqueles que já haviam se cadastrado em 1999. Em virtude da empresa não ter declarado os referidos valores em GFIP foi lavrado o Auto de Infração n° 37.043.3106. Por fim, o relatório fiscal expõe que o “fato do ato de suprimir ou reduzir contribuição social previdenciária mediante omissão de informação na Guia de Recolhimento Fl. 89DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP configurar, em tese, o ilícito tipificado no art. 337A do DecretoLei n° 2.848, de 7 de dezembro de 1940 — Código Penal, acrescido pela Lei n°. 9.983, de 14/07/2000, será comunicado do fato a autoridade pública competente para a proposição de eventual ação penal Ministério Público Federal, em relatório à parte.” Irresignada com a autuação, a Recorrente apresentou sua impugnação tempestiva (fls.33/37) onde, em síntese, alega a improcedência dos fatos narrados no relatório fiscal, sob o argumento de que a empresa esteve regularmente inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Para corroborar com tal argumento, acostou na impugnação a resposta do e mail encaminhado a "COORDENAÇÃO DO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR" do "MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO", com o ofício datado de 12 de janeiro de 2007. In verbis: “Em atenção a solicitação de Vossa Senhoria, informamos que a empresa Fiação e Tecidos Santa Bárbara Ltda., CNPJ 22.662.142/000157, está regular no Programa de Alimentação do Trabalhador — PAT, anos de 1992, 1993, 1995, 1996, 1997, 1998 e 1999, sendo assim a inscrição realizada no exercício de 1999 passou a ter validade por tempo indeterminado, não havendo a necessidade de renovar sua inscrição neste período, pois sua validade foi válida até 31/12/2003, conforme a Portaria Interministerial n° 05 de 30 de novembro de 1999, em vigor, em anexo. 2. Entretanto, de forma a proceder a uma avaliação mais criteriosa dos resultados alcançados pelo Programa, foi baixada a Portaria n° 66 de 19 de dezembro de 2003, dispondo sobre o recadastramento, até maio de 2004, das empresas participantes do PAT, o qual foi prorrogado até 29 de agosto de 2004 pela Portaria n° 81 de 27 de maio de 2004 e a Portaria n° 69 de 02 de março de 2004, que dispõe sobre o efeito retroativo a 1° de janeiro de 2004, da inscrição de pessoas jurídicas beneficiárias no Programa de Alimentação do Trabalhador — PAT. 3. Informamos, ainda, que a empresa efetuou o recadastramento em 2004, esse é por tempo indeterminado. Para maiores esclarecimentos favor entrar em contato. Atenciosamente. Matilde Francelino de Sousa — Coordenadora Substituta." Defende, ainda, que ao fazer o recadastramento em 11/05/2004, a empresa colocouse em situação regular junto ao PAT, em relação aos meses de janeiro a maio de 2004, conforme dispõe o artigo 1° da Portaria nº 69 de 02 de março de 2004, que prevê o efeito retroativo da inscrição de pessoas jurídicas beneficiárias no referido Programa: "Art. 1° As inscrições de pessoas jurídicas como beneficiárias no Programa de Alimentação do trabalhador (PAT), efetuadas no período de 1° de março a 31 de maio de 2004 terão efeito retroativo a 10 de janeiro de 2004." Nesse sentido, a empresa aduz sua regular inscrição junto ao PAT, motivo pelo qual não enseja a distribuição dos tickets como salário contribuição, no período de dezembro de 2003 a maio de 2004. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10670.001383/200789 Acórdão n.º 2301002.542 S2C3T1 Fl. 78 5 Por fim, a empresa requer o cancelamento da NFLD e que sejam apuradas as responsabilidades e determinada a reparação dos danos sofridos pela impugnante, por ter sido imputada injustamente a prática de ato ilícito penal, bem como a punição daqueles que pelo exercício arbitrário do poder de fiscalizar, que buscaram prejudicar tanto financeiramente como moralmente a empresa, ora Recorrente. No entanto, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão n° 0216.544 proferido pela 9ª Turma da DRJ/BHE (fls. 57/62), julgou procedente em parte o lançamento fiscal na NFLD nº 37.043.3114, mantendo o lançamento referente a competência de 12/2003. Assevera, que a empresa, ora Recorrente, deveria ter requerido nova adesão ao PAT após a publicação da Portaria Interministerial n 05, de 30 de novembro de 1999, adesão esta que teria validade até a publicação da nova Portaria que dispõe sobre o recadastramento. Ressalta, ainda, que as normas posteriores não asseguravam que o cadastro feito em data anterior à publicação da mencionada portaria teria validade por prazo indeterminado. Ato contínuo, DRJ/BHE conclui que até 31/12/2003 a empresa não demonstrou que estaria inscrita no PAT já que só apresentou o comprovante de adesão ao programa feito em 30/03/1999. E, por fim, a DRJ/BHE decidiu que não procede aos lançamentos referente aos períodos de competências 01/2004 a 05/2004, tendo em vista que a Portaria 69, de 02 de março de 2004 concedeu efeitos retroativos à 1° de janeiro de 2004 para as inscrições efetuadas no período de 10 de março a 31 de maio de 2004, situação a que se enquadra a empresa pois providenciou novo cadastro em 11/05/2004. Em síntese, a decisão foi proferida nesse sentido: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2003 a 31/05/2004 PREVIDENCIÁRIO. TICKET ALIMENTAÇÃO. NÃO INSCRIÇÃO NO PAT. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. A parcela "in natura" recebida sem que a empresa tenha efetivado sua adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador PAT integra o salário de contribuição. Lançamento Procedente em Parte.” Inconformada com a aludida decisão, a Recorrente interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário (fls. 67/69) alegando, em síntese o que segue: Preliminarmente: a) Pela apreciação do Recurso Voluntário, sem ao menos precisar instruílo com prova de depósito administrativo no valor correspondente a, no mínimo, 30% (trinta por cento) da Fl. 91DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 condenação discutida, por entender que tal exigência vai contra a decisão do Supremo Tribunal Federal. b) Aduz, ainda, que está propondo Mandado de Segurança, com pedido de liminar, com o objetivo de ver apreciado o presente recurso administrativo, independente da efetivação do depósito recursal prévio. Mérito: b) Reitera os argumentos já expostos na impugnação supramencionada. Em síntese, requer o cancelamento da NFLD n° 37.043.3114, respaldado no argumento de que a empresa sempre esteve regularmente inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Eis o relato dos fatos. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10670.001383/200789 Acórdão n.º 2301002.542 S2C3T1 Fl. 79 7 Voto Conselheiro Wilson Antônio de Souza Corrêa , Relator Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame do mérito. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação ‘a quo’ sem o recolhimento do depósito ou arrolamento, o que permissível face Súmula Vinculante n° 21 do STF, ‘in verbis’: STF Súmula Vinculante nº 21 PSV 21 DJe nº 223/2009 Tribunal Pleno de 29/10/2009 DJe nº 210, p. 1, em 10/11/2009 DOU de 10/11/2009, p. 1 Constitucionalidade Exigência de Depósito ou Arrolamento Prévios de Dinheiro ou Bens para Admissibilidade de Recurso Administrativo. É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. GN Como dizem os latinos: ‘na clareza da lei cessa sua interpretação’. Estando a impugnação e o recurso voluntário tempestivos, não havendo a necessidade de recolhimento de depósito recursal e tão pouco arrolamento de bens, em razão de Súmula Vinculante, os pressupostos extrínsecos encontramse adequados, merecendo avaliação as preliminares e ao exame do mérito. DO PAT – PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR Penso não ser apropriada a forma com que a administração Pública trata o empresariado com relação ao PAT, especificamente no caso em tela, onde a Recorrente cumpriu com o objeto principal do programa, ou seja, oferecer melhores condições ao trabalhador, e por mera formalidade ser considerada inadimplente com o mesmo. De mais a mais, a Recorrente procurou tempestivamente e antes da ação fiscal o Ministério do Trabalho e ficou presa na burocracia de informações desencontradas ou sem a devida condução legal, o que fere frontalmente o princípio da eficiência pública. É que as formalidades que prendem o empresariado em inscrição e não inscrição, renovação de certo período, noutro período a desnecessária renovação, no meu modesto pensar é um desrespeito do Estado para com aqueles e, ‘permissa venia’, chega a raia de afrontar até mesmo o princípio da legalidade. Sim, porque o que é legal dentro de pouco tempo passa ser ilegal, haja vista que a própria administração pública mudou a regra em diversas fase da existência do PAT, não informando devidamente os empregadores. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 A desordem e o desmando na administração pública causa ingerência ao empresariado, que se vê à mercê desta balbúrdia, perdendo mercado à concorrência, sendo execrado na Justiça do Trabalho e ainda tendo que pagar multas exorbitantes quando não acode a determinação de recadastramento. No caso em tela, tenho que houve uma inscrição inicial no PAT, onde a Recorrente atendeu, ao menos naquele momento, as necessidades estatuídas pela lei vigente. Tenho que houve alteração nas regras, e esta alteração é que trouxe prejuízo á Recorrente, sendo considerada pela fiscalização irregularidade, ensejadora de penalidade tributária. Seja como for, mesmo não acudindo a determinação de recadastramento a Recorrente continuou a executar o Programa de Alimentação ao Trabalhador, razão pela qual tenho que entendeu a fiscalização haver necessidade de cumprir formalidades, independente de se saber se o programa vinha sendo executado ou não. Mas, como ficou evidenciado nos autos, a Recorrente realizava o programa quando foi autuada, injustamente. E neste sentido, o conspícuo Superior Tribunal de Justiça, por diversas vezes tem se manifestado, acolhendo a tese de que o Programa tem que atender as suas finalidades, independente de ter acudido suas formalidades. ‘In verbis’: RECURSO ESPECIAL 1.051.294/PR 2008/00873730 Ministra ELIANA CALMON T2 SEGUNDA TURMA – 10/02/2009 EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR SALÁRIO IN NATURA DESNECESSIDADE DE INSCRIÇÃO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADORPAT NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. 1. Quando o pagamento é efetuado in natura, ou seja, o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, com o objetivo de proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, sendo irrelevante se a empresa está ou não inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT. 2. Recurso especial não provido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça "A Turma, por unanimidade, negou provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)Relator(a)." Os Srs. Ministros Castro Meira, Humberto Martins, Herman Benjamin e Mauro Campbell Marques votaram com a Sra. Ministra Relatora. AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.119.787 - SP (2009⁄0112976-2) EMENTA Fl. 94DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10670.001383/200789 Acórdão n.º 2301002.542 S2C3T1 Fl. 80 9 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. FGTS. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA.PRECEDENTES. 1. O pagamento do auxílio-alimentação in natura, ou seja, quando a alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, razão pela qual não integra as contribuições para o FGTS. Precedentes: REsp 827.832⁄RS, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13⁄11⁄2007, DJ10⁄12⁄2007 p. 298; AgRg no REsp 685.409⁄PR, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20⁄06⁄2006, DJ 24⁄08⁄2006 p. 102; REsp 719.714⁄PR, PRIMEIRA TURMA, julgado em 06⁄04⁄2006, DJ 24⁄04⁄2006 p. 367; REsp 659.859⁄MG, PRIMEIRA TURMA, julgado em 14⁄03⁄2006, DJ 27⁄03⁄2006 p. 171. 2. Ad argumentandum tantum, esta Corte adota o posicionamento no sentido de que a referida contribuição, in casu, não incide, esteja, ou não, o empregador, inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT. 3. Agravo Regimental desprovido PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. FGTS. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA. 1. A jurisprudência desta Corte é pacífica no sentido de que o pagamento do auxílio-alimentação in natura, ouseja, quando a alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT. Pela mesma razão, não integra a base de cálculo das contribuições para o FGTS. 2. Recurso especial desprovido. (REsp 827.832⁄RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13⁄11⁄2007, DJ 10⁄12⁄2007 p. 298) Assim, coaduno o meu modesto pensar com o Superior Tribunal de Justiça, onde mais vale atender a finalidade do Programa de Alimentação ao Trabalhador, ou seja, alimentar o trabalhador, do que cumprir as formalidades. CONCLUSÃO Isto posto, por acudir as exigências processuais, tenho que deve ser conhecido o presente recurso aviado, para acolher os fortes argumentos da Recorrente, julgando procedente em sua totalidade, já que não há necessidade de recolhimento de depósito recursal, e quanto ao PAT tenho que as pequenas formalidades que não foram cumpridas não são assaz para desfigurar a essência do programa que é alimentar o trabalhador. É como voto. (assinado digitalmente) Wilson Antonio de Souza Corrêa Relator Fl. 95DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 Declaração de Voto 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça vem pacificando o entendimento no sentido de que o pagamento ‘in natura’ do auxílioalimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Com tal atitude, a empresa planeja, apenas, proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais. (Precedentes. EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 08/11/2004, REsp 719.714/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 24/04/2006). 2. Neste sentido, entendo que os valores pagos a título de alimentação não está no escopo salarial, dada a natureza jurídica indenizatória e, portanto, não é devida a contribuição social previdenciária imposta pelo fisco. (assinado digitalmente) Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes Fl. 96DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 10580.731531/2012-60
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009, 2010
IRPF. DEPENDENTES. COMPANHEIRA E ENTEADO.
Afasta-se a glosa por falta de comprovação da relação de dependência, quando comprovado nos autos que se trata de companheira, com a qual o declarante possui filho, e de enteado.
IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. PRESENÇA DE INDÍCIOS EM DESFAVOR DOS RECIBOS. INTIMAÇÃO FISCAL. ÔNUS DE COMPROVAÇÃO ATRIBUÍDO AO CONTRIBUINTE.
Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes que desabonam os recibos o que implica inadmitir a dedução por ausência de outros elementos de prova.
IRPF. DESPESAS MÉDICAS. NÃO COMPROVAÇÃO. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. ÔNUS DO FISCO. QUALIFICAÇÃO FUNDAMENTADA EXCLUSIVAMENTE EM CONDUTA REITERADA. PRECEDENTES DA 2ª TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS (CSRF). AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA DO CONTRIBUINTE. DESQUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO.
Ainda que o contribuinte não tenha se desincumbido do ônus de provar as despesas declaradas, é do Fisco o dever de provar o dolo na conduta do contribuinte, do contrário a multa de ofício, embora cabível, não pode ser aplicada na modalidade qualificada. No caso dos autos, a fundamentação para a qualificação da multa foi exclusivamente a conduta reiterada em três exercícios. Tem prevalecido na jurisprudência da 2ª Turma da CSRF que a prática da infração em exercícios seguidos não é suficiente para comprovar o evidente intuito de fraude que justificaria a qualificação da multa.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-003.047
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de dois dependentes e afastar a qualificação da multa de ofício, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 18/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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DEPENDENTES. COMPANHEIRA E ENTEADO. Afastase a glosa por falta de comprovação da relação de dependência, quando comprovado nos autos que se trata de companheira, com a qual o declarante possui filho, e de enteado. IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. PRESENÇA DE INDÍCIOS EM DESFAVOR DOS RECIBOS. INTIMAÇÃO FISCAL. ÔNUS DE COMPROVAÇÃO ATRIBUÍDO AO CONTRIBUINTE. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes que desabonam os recibos o que implica inadmitir a dedução por ausência de outros elementos de prova. IRPF. DESPESAS MÉDICAS. NÃO COMPROVAÇÃO. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. ÔNUS DO FISCO. QUALIFICAÇÃO FUNDAMENTADA EXCLUSIVAMENTE EM CONDUTA REITERADA. PRECEDENTES DA 2ª TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS (CSRF). AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA DO CONTRIBUINTE. DESQUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. 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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de dois dependentes e afastar a qualificação da multa de ofício, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 18/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios 2008, 2009 e 2010, anocalendário 2007, 2008 e 2009, respectivamente, devido a glosa de deduções de previdência privada, dependentes, despesas com instrução, despesas médicas e pensão judicial, com aplicação de multa de ofício qualificada pautada pelo intuito de fraude na declaração sistemática de despesas indevidas em três exercícios. O impugnante sustentou que o lançamento era nulo por desconsiderar provas apresentadas e pelo fato de a descrição dos fatos impossibilitar o direito de defesa, no mérito, sustentou que as despesas são verdadeira, que foram comprovadas e que não agiu de forma fraudulenta. O acórdão recorrido deferiu a impugnação em parte, em síntese, com a fundamentação de que (a) o auto de infração descreveu de forma clara e suficiente as glosas efetuadas e que não houve cerceamento do direito de defesa por alegada falta de informação sobre os documentos que não teriam sido aceitos como prova, pois a defesa pode ser exercida com a juntada de provas à impugnação; (b) ficha do empregado não comprova relação de dependência e não foram apresentados documentos das pessoas que foram declaradas como companheira e enteado, todavia admitiuse a dedução dos pais; (c) quanto à qualificação da multa, os fatos relatados pelo autuante comprovam que o contribuinte informara falsamente deduções exageradas, sistemática e repetidamente em diversos exercícios com objetivo de.enganar a Administração e obter restituições indevidas e a prática reiterada da irregularidade basta para revelar o dolo, especialmente quando associada aos valores significativos das restituições; a alegação de que não dispõe dos documentos foge ao campo do possível, principalmente quando se trata de contribuições à previdência privada que declara à Mongeral em três exercícios, ou da pensão alimentícia a que estaria obrigado, documentos que poderiam ser obtidos a qualquer tempo nas correspondentes Instituições. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.731531/201260 Acórdão n.º 2802003.047 S2TE02 Fl. 236 3 Ciente da decisão em 1707/2013, o recorrente interpôs o recurso voluntário em 06/08/2013, que em resumo, constituise das seguintes alegações: Preliminares 1. a autoridade fiscal não indicou elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão para desconsiderar os documentos apresentados, adotou interpretação do art. 73 do RIR1999 em desarmonia com o Estado de Direito e não observou os termos do §1º do art. 845 do RIR1999, a título de exemplo, indaga qual a razão de não terem sido considerados quatro dos cinco dependentes declarados, notadamente porque o documento que serviu de base para que a autoridade fiscal considerasse comprovada a relação de dependência de Diego de Souza Paiva é o mesmo que comprova a relação de dependência dos demais, e a descrição feita no Termo de Verificação Fiscal não possibilita o exercício do direito de defesa; adotando a mesma espécie de conduta a autoridade fiscal glosou as demais deduções e entendeu que o contribuinte agiu com intuito deliberado de fraudar; a subjetiva apreciação das provas desrespeitou o §1º do art. 904 do RIR1999; 2. sem saber quais os documentos foram ou não aceitos e em que medida os mesmos serviram para o lançamento e quais os fundamentos jurídicos em que se baseou a autoridade lançadora, sustenta a legalidade das deduções: 3. Roque Ribeiro Paiva e Aurelina Sacramento Paiva são pais biológicos do impugnante, condição reconhecida em primeira instância, Lucas de Souza Mendes é enteado, filho de sua companheira Soraia Pereira de Souza, condições constantes na ficha de dependentes prestadas pelo empregador, o que pode ser igualmente constatado pela análise dos documentos anexos que atestam coabitação, desde 2004, (com a companheira) e filiação (enteado); 4. Corrobora a assertiva de que não agiu fraudulentamente, o fato de ter um outro filho, Rafael Ribeiro Paiva, que não declarou como dependente, pois já consta como dependente da exesposa; 5. a glosa das despesas com instrução e médicas relativas aos dependentes decorreu da glosa dos dependentes; 6. ratifica que realizou as despesas médicas declaradas, que efetivou gastos com o filho biológico do primeiro casamento, em que pese não haver pensão judicial formalizada, e que não agiu fraudulentamente, sustenta que não se pode confundir a inexistência de documentos comprobatórios e o intuito de fraude; sem a prova contundente do intuito fraudulento, consoante doutrina e precedentes, devese aplicar o art. 112 do Código Tributário Nacional – CTN. O recorrente desistiu do recurso voluntário em relação ao anocalendário 2007 (fls. 223 e ss.). Consequentemente, o crédito tributário correspondente foi transferido para o processo 10580721.282/201466 (fls. 232). O processo foi distribuídos a este Relator, por sorteio, durante a sessão de maio de 2014. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Preliminares No Termo de Verificação Fiscal, que integra o auto de infração, foi descrito que após a intimação fiscal, houve um pedido de prorrogação de prazo e em seguida o contribuinte apresentou parte da documentação solicitada, do que decorreu a glosa parcial das deduções, os valores comprovados foram acatados, a falta de apresentação de documentação comprobatória foi o que motivou a glosa. O Termo de Verificação Fiscal é suficiente para o exercício do contraditório e da ampla defesa. O recorrente alega que não foi informado o motivo da desconsideração da documentação, mas não comprova que tenha apresentado documentos não acatados pela Fiscalização. Houvesse apresentado como alega, poderia ter comprovado na fase contenciosa sem qualquer prejuízo. Preliminar rejeitada. Mérito Em relação aos anocalendário 2008 e 2009 as glosas em litígio referemse a contribuições à previdência privada, dependentes (Soraia e Lucas), despesas com instrução e despesas médicas. O recorrente alega que não tem documento comprobatório relativo às despesas médicas e com instrução. De outro giro, comprova que possui com a Srª Soraia Pereira de Souza o filho Diego de Souza Paiva (fls. 189) e vida em comum (cohabitação, cotitularidade de conta corrente, dependência na empresa em que trabalha). Portanto, está comprovado o direito a ter a companheira como dependente. Às fls. 217, comprovouse que o dependente declarado Lucas Souza Mendes Santos é filho de Soraia de Souza Mendes Santos e que possuía menos de 21 anos nos ano calendário em análise. É razoável concluir que se trata da mesma Srª Soraia, e que a diferença em parte do nome (Soraia Pereira de Souza x Soraia de Souza Mendes Santos) se deve à alteração nominal em virtude de casamento (possivelmente com o pai de Lucas, Sr. Antônio Jorge Mendes Santos), entendimento reforçado pelo cadastro no Banco do Brasil (fls. 193), o qual mostra que Pereira de Souza faz parte do nome do pai da Srª Soraia. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.731531/201260 Acórdão n.º 2802003.047 S2TE02 Fl. 237 5 A dedução em questão é prevista no art. 35 da lei 9.250/1995: Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: (...) II o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho;(...) Com isso, devese restabelecer a dedução de dependentes referente a Soraia Pereira de Souza (companheira) e Lucas Souza Mendes Santos (enteado). A falta de comprovação das demais deduções legitima as glosas respectivas. Da qualificação da multa de ofício. A apuração de imposto decorrente da glosa das deduções, independentemente do dolo, tem como conseqüência imediata a aplicação da multa de ofício, mas para que haja a qualificação dessa multa exigese da autoridade lançadora a prova do dolo. Uma glosa de despesa por falta de comprovação, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício. Cabe à autoridade fiscal autuante, e não ao Órgão Julgador descrever a fundamentação para a qualificação. Neste caso concreto, a fundamentação foi registrada no Termo de Verificação Fiscal (fls. 102): “A prática sistemática de pleitear deduções não comprovadas, em três anos calendário consecutivos, demonstra que o contribuinte agiu com dolo, objetivando reduzir a base de cálculo do imposto, de modo a aumentar o valor a ser restituído.” A autoridade fiscal fundamentouse, exclusivamente, na reiteração da conduta em exercícios seguidos para comprovar o intuito doloso, porém a jurisprudência da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF tem considerado que a conduta reiterada, isoladamente, não é suficiente para qualificar a multa de ofício, como se exemplifica pelos excertos de precedentes abaixo, da 2ª Turma da CSRF. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. GLOSAS DESPESAS MÉDICAS, PENSÃO, DEPENDENTES E INSTRUÇÃO. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO COMPROVADOS. SIMPLES CONDUTA REITERADA. IMPOSSIBILIDADE AGRAVAMENTO. De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), condicionase à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude do contribuinte. Assim não o tendo feito, não prospera a aplicação da multa qualificada, sobretudo Fl. 239DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 quando a autoridade lançadora utiliza como lastro à sua empreitada a simples reiteração da conduta, fundamento que, isoladamente, não se presta à aludida imputação, consoante jurisprudência deste Colegiado. Recurso especial negado. (acórdão 9202002.341, de 24 de setembro de 2012, no mesmo sentido o acórdão 9202002.340, de mesma data). (grifos acrescidos) IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONDUTA REITERADA. MULTA QUALIFICADA. IMPOSSIBILIDADE. A apontada conduta reiterada de pessoa física nos exercícios de 2002, 2003 e 2004, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n°. 9.430, de 1996. Precedentes da 2ª Turma da CSRF. RECEITAS DA ATIVIDADE RURAL. COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTOS DIFERENTES DE NOTAS FISCAIS E DOCUMENTOS OFICIAIS. POSSIBILIDADE. É admitida a comprovação de receitas da atividade rural com documentos diversos daqueles usualmente utilizados para esse fim, como ocorreu no presente caso, posto que comprovada está a receita oriunda de venda de gado. Mesmo admitindo a comprovação de receitas da atividade rural com documentos diversos daqueles usualmente utilizados para esse fim, o contribuinte não logrou êxito nesta comprovação. Pelo contrário, o fisco promoveu a glosa das receitas de atividade rural com a venda de cereais porque comprovou que o recorrente não exerceu a referida atividade em decorrência da inexistência das despesas necessárias e imprescindíveis à alegada produção agrícola. Recurso especial da Fazenda Nacional negado. Recurso especial do Contribuinte provido em parte. (Acórdão 9202002.361, de 25 de setembro de 2012). (grifos acrescidos) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001 IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO COMPROVADOS. SIMPLES CONDUTA REITERADA E/OU ELEVADO MONTANTE MOVIMENTADO. IMPOSSIBILIDADE QUALIFICAÇÃO. De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), condicionase à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude do contribuinte. Assim não o tendo feito, não prospera a qualificação da multa, sobretudo quando a autoridade lançadora utiliza como lastros à sua empreitada a simples reiteração da conduta e/ou o volume/montante da movimentação bancária do contribuinte, fundamentos que, isoladamente, não se prestam à aludida imputação, consoante jurisprudência deste Colegiado. (...) (grifos acrescidos) (acórdão 9202002.653, de 24/04/2013) (...) IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO Fl. 240DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.731531/201260 Acórdão n.º 2802003.047 S2TE02 Fl. 238 7 COMPROVADOS. SIMPLES CONDUTA REITERADA. IMPOSSIBILIDADE AGRAVAMENTO. A qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), condicionase à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude do contribuinte. Assim, não prospera a aplicação da multa qualificada com base em simples reiteração da conduta, fundamento que, isoladamente, quando da inocorrência de conduta (comissiva) do sujeito passivo no sentido de impedir a ciência, por parte da autoridade fiscal, da ocorrência do fato gerador, não se presta à aludida imputação, consoante jurisprudência deste Colegiado.(Acórdão 9202003.096, de 25/03/2014. No mesmo sentido: Acórdão 9202002.956, de 06/11/2013).(grifos acrescentados) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2003, 2004, 2005 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO COMPROVADOS. SIMPLES CONDUTA REITERADA. IMPOSSIBILIDADE QUALIFICAÇÃO. De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), condicionase à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude do contribuinte. Assim não o tendo feito, não prospera a qualificação da multa, sobretudo quando a autoridade lançadora utiliza como lastro à sua empreitada a simples reiteração da conduta do contribuinte, fundamento que, isoladamente, não se presta à aludida imputação, consoante jurisprudência deste Colegiado. Recurso especial negado. (Acórdão 9202003.195, de 08/05/2014) (grifos que não constam do original) Enfim, de um lado o recorrente não se desincumbiu de provar as despesas, de outro, o Fisco não se desincumbiu do dever de provar o dolo, o que justifica manter a glosa, porem desqualificar a multa, exigindoa no patamar da multa de ofício regular (75%). Portanto, votase pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso voluntário para restabelecer a dedução de dois dependentes e afastar a qualificação da multa de ofício. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 241DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 Fl. 242DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10680.015129/2008-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
DECISÃO RECORRIDA. INOVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE.
Inexiste agravamento da situação da Recorrente nos casos em que a decisão recorrida acrescenta outros argumentos àqueles já constantes do Termo de Verificação Fiscal para justificar a manutenção do lançamento, pois o crédito tributário se mantém inalterado. Os argumentos utilizados pela decisão recorrida não são argumentos diversos daqueles tomados pela autoridade lançadora, mas serviram apenas como um plus, a justificar a manutenção deste lançamento.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. HIPÓTESES. INTERESSE COMUM.
A responsabilidade solidária por crédito tributário só pode ocorrer nas hipóteses e nos limites fixados na legislação, que a restringe às pessoas expressamente designadas em lei e àquelas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Comprovado o interesse comum, é de ser mantida a solidariedade.
IRPF. DECADÊNCIA. ENTENDIMENTO STJ. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
A questão da decadência nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação teve sua repercussão geral reconhecida pelo Eg. STJ, que, utilizando-se da sistemática prevista no art. 543-C do CPC, ao julgar o REsp 973.733/SC (Rel Min. Luiz Fux, julgado em 12.8.2009), reiterou o entendimento no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação não declarado e inadimplido, o Fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173, I, do CTN. Obrigatoriedade de aplicação deste entendimento, nos termos do art. 62-A do Regimento Interno deste Conselho.
TAXA SELIC
Em atenção à Súmula nº 04 deste CARF, é aplicável a variação da taxa Selic como juros moratórios incidentes sobre créditos tributários.
MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. JUSTIFICATIVA PARA SUA APLICAÇÃO.
Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502, de 1964. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos.
PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. CARACTERIZAÇÃO.
A pessoa jurídica que efetuar a entrega de recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitar-se-á à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa, nos termos do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995.
Numero da decisão: 2102-003.014
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 30/07/2014
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
Nome do relator: Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003, 2004, 2005 DECISÃO RECORRIDA. INOVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. Inexiste agravamento da situação da Recorrente nos casos em que a decisão recorrida acrescenta outros argumentos àqueles já constantes do Termo de Verificação Fiscal para justificar a manutenção do lançamento, pois o crédito tributário se mantém inalterado. Os argumentos utilizados pela decisão recorrida não são argumentos diversos daqueles tomados pela autoridade lançadora, mas serviram apenas como um plus, a justificar a manutenção deste lançamento. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. HIPÓTESES. INTERESSE COMUM. A responsabilidade solidária por crédito tributário só pode ocorrer nas hipóteses e nos limites fixados na legislação, que a restringe às pessoas expressamente designadas em lei e àquelas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Comprovado o interesse comum, é de ser mantida a solidariedade. IRPF. DECADÊNCIA. ENTENDIMENTO STJ. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. A questão da decadência nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação teve sua repercussão geral reconhecida pelo Eg. STJ, que, utilizandose da sistemática prevista no art. 543C do CPC, ao julgar o REsp 973.733/SC (Rel Min. Luiz Fux, julgado em 12.8.2009), reiterou o entendimento no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação não declarado e inadimplido, o Fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173, I, do CTN. Obrigatoriedade de aplicação deste entendimento, nos termos do art. 62A do Regimento Interno deste Conselho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 51 29 /2 00 8- 20 Fl. 745DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 TAXA SELIC Em atenção à Súmula nº 04 deste CARF, é aplicável a variação da taxa Selic como juros moratórios incidentes sobre créditos tributários. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. JUSTIFICATIVA PARA SUA APLICAÇÃO. Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502, de 1964. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. CARACTERIZAÇÃO. A pessoa jurídica que efetuar a entrega de recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitarseá à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa, nos termos do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 30/07/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA. Relatório Em face da contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 7/27 para exigência do Imposto sobre a Renda retido na Fonte (IRRF) sobre pagamentos cuja causa não foi demonstrada ou relacionados a operações não comprovadas, conforme o TVF de fls. 29/38. Cientificada do lançamento, por meio de edital, a Interessada apresentou a impugnação de fls. 209/245. Sua irresignação foi assim resumida pela decisão recorrida:. Fl. 746DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.015129/200820 Acórdão n.º 2102003.014 S2C1T2 Fl. 396 3 Tempestividade • A impugnante tomou ciência do auto de infração em 21.11.2009, por via postal. 0 prazo para a defesa é de trinta dias, nos termos do artigo 15 do Decreto n° 70.235, de 1972. Sendo assim, o prazo não se encerra antes de 22.12.2007. Apresentada nessa data, a impugnação é manifestamente tempestiva. Resenha dos fatos • A pretensão por parte da Fazenda Nacional de responsabilizar Marco Aurélio Prata é totalmente improcedente, uma vez que, sendo ele mero contador da empresa, não há nenhuma prova de que tenha agido de forma dolosa, com excesso de poderes ou infração de lei, a par da simples falta de pagamento do tributo. Não obstante, insiste a fiscalização em conferir a essa pessoa fisica a mencionada responsabilidade, como se isso fosse possível fazer ao arrepio da lei e das provas que se juntam à impugnação. • As acusações da fiscalização, sobre repousarem em meros indícios não comprovados e, por isso, sem maior valia, podem ser facilmente contestadas por meio da documentação acostada aos autos, esta sim, probante e robusta. Preliminares • Questionase a legitimidade do termo de sujeição passiva solidária, uma vez que o Decreto n° 70.235, de 1972, a ele não faz nenhuma referência. Não se alegue que o artigo 8° desse decreto e o artigo 135 do CTN dariam embasamento legal ao documento. • t sabido que todos os termos e atos lavrados pelas autoridades fiscais prescindem de autorização legal e de normas infralegais para surtir os efeitos que lhes são próprios e ser validamente eficazes. Não é o que se verifica do termo de sujeição, que nem sequer traz sua fundamentação legal. Por essa razão, é requerido que seja o documento desentranhado dos autos, sob pena de nulidade. • 0 processo administrativo fiscal fundamentouse, inicialmente, no Decreto n° 70.235, de 1972, legislação vetusta e por demais posta em prática, principalmente nos inúmeros acórdãos emitidos pelo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Tais normas visam disciplinar as duas vertentes mais importantes do processo administrativo fiscal, a saber, os procedimentos fiscais e de julgamento e os instrumentos necessários para realização desses procedimentos. • Entre estes últimos avultam os termos expedidos pela fiscalização no curso dos procedimentos de auditoria fiscal. São eles conhecidos e vigentes até o momento presente: termo de inicio de fiscalização, termo de intimação e reintimação fiscal, termo de retenção de documentos, termo de lacração de móveis, termo de encerramento da ação fiscal, todos criados em atos administrativos infralegais, os quais contem a sua normatização e limites. Fl. 747DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 • 0 termo de sujeição é documento desconhecido na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Não havia sido emitido nos procedimentos anteriores e tratase de coisa inédita, verdadeiro corpo estranho à intimação e ao auto de infração. Por isso, não pode compor o processo fiscal. • Por se apoiar a pretensão fiscal em flagrante nulidade processual e tendo em vista se tratar de documento espúrio e sem nenhuma referencia quanto a sua criação e origem legal, pedese que seja desconsiderado, com o consequente cancelamento do lançamento e arquivamento dos autos. Mérito — decadência • A fiscalização adotou entendimento que diverge frontalmente da melhor jurisprudência administrativa. • Desde a vigência do Decretolei n° 1.967, de 1982, o imposto de renda das pessoas jurídicas (IRPJ) tornouse um tributo lançado por homologação. Uma vez vigorante o novo sistema, continuou o IRPJ a incidir anualmente sobre os lucros, a despeito de as empresas não aguardarem mais uma manifestação do fisco antes de realizarem o recolhimento. • Com o agravamento do processo inflacionário, o legislador transformou o IRPJ em imposto mensal, por meio da Lei n° 8.383, de 1991. Portanto, não resta dúvida, quer na jurisprudência, quer na doutrina, que o IRPJ é tributo lançado por homologação e incide sobre o lucro apurado mensalmente. • Cai por terra o entendimento, hoje superado, de que, nos casos em que não houve recolhimento, iniciarseia a contagem do prazo de decadência do primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, o qual só é aplicável nos casos de impostos lançados por declaração. • Uma vez fixada a espécie de lançamento do IRRF, pago pelas pessoas jurídicas (por homologação) e os períodos relativos aos fatos geradores apurados, todos mensais, tornase forçoso concluir que o lançamento fiscal relativo aos meses de janeiro a novembro de 2003 é nulo de pleno direito. Já havia decaído o direito do fisco com relação aos fatos geradores ocorridos até 21.11.2003, em decorrência do disposto no § 4 0 do artigo 150 do CTN. • Conforme demonstra ementa de acórdão atribuído ao Conselho de Contribuintes, é possível afirmar que a orientação jurisprudencial solidificouse ainda mais a partir da edição da Lei n°8.383, de 1991, que deslocou o fato gerador do IRPJ do período anual para o mensal e atribuiu ao contribuinte o dever de apurar o IRPJ sem exame prévio ou notificação da autoridade administrativa. • Ao efetuar o lançamento, a autuante fez tabula rasa do contido no artigo 150, § 4°, do CTN e da jurisprudência sobre a matéria, tentando tributar supostos fatos geradores já atingidos pela decadência, sem ter provado a existência de ato doloso ou de outra circunstância agravante. A Fazenda Pública somente poderia constituir crédito tributário de IRRF caso os pagamentos tivessem ocorridos após 21.11.2003. Fl. 748DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.015129/200820 Acórdão n.º 2102003.014 S2C1T2 Fl. 397 5 • Nestas circunstâncias, esperase que a preliminar ora suscitada seja acolhida e que seja determinado o cancelamento da exigência fiscal. A decadência está provada, uma vez que os períodos considerados para cálculo do IRRF pelo lançamento são os quatro trimestres de 2003. Estão atingidos pela decadência, na melhor hipótese, os onze primeiros meses de 2003. Ilegalidade dos juros Selic na correção de débitos tributdrios • Não obstante a existência de súmula do Primeiro Conselho de Contribuintes em sentido contrário, contestase a legalidade da aplicação dos juros Selic ao débito lançado. • 0 artigo 13 da Lei n° 9.065, de 1995, apontado como fundamento legal da exigência de juros, padece de vícios que impedem sua aplicação. • 0 legislador não se ocupou de esclarecer o que seria essa taxa ou de determinar como ela devia ser calculada, mas simplesmente ordenou que fosse aplicada. Esse é o primeiro defeito jurídico da norma. 0 CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora e, se a lei não dispuser de modo diverso, os juros serão calculados à taxa de um por cento ao mês (art. 161, § 1°). Assim, o CTN estava exercendo a obrigação de estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária quanto ao crédito (art. 146, III, "b", da Constituição Federal de 1988— CF 1988). • Existe a possibilidade de cobrar juros diversos do montante de 1% ao mês, mas a forma como serão calculados deve obrigatoriamente estar fixada em lei, em seu sentido estrito, pois só a ela é permitido determinar uma taxa de juros diversa da prevista no CNT. Isso, porém, não foi feito na norma citada. • Como a taxa Selic era uma taxa já existente (foi criada pela Resolução BC n° 1.124, de 1996), regulamentada e fixada pelo Banco Central, é esse órgão quem está fixando e regulamentando a taxa de juros a ser paga pelo contribuinte em atraso. As leis determinadoras da aplicação da taxa Selic nada determinam, a não ser que o Banco Central fixe os juros que julgue convenientes. • Tal situação encerra verdadeira e ilegal delegação de poderes. O CTN determinou que competia ao legislador ordinário fixar uma taxa de juros diferente da de um por cento, e não que caberia ao Banco Central essa atividade, ou que competia a lei ordinária atribuir a um órgão do Executivo a tarefa de estabelecer parâmetros da taxa de juros dos débitos tributários em atraso. • 0 CTN regula as limitações ao poder de tributar, funcionando como um estatuto do contribuinte. Dessa forma, ao determinar que a taxa de juros é de um por cento se a lei não dispuser de forma contrária, o CTN não está permitindo ao legislador fixar Fl. 749DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 uma taxa de juros superior a um por cento ao mes, mas tão somente inferior. Nesse sentido é a doutrina que examinou a matéria. Sendo a taxa Selic invariavelmente superior a um por cento, sua incidência nos débitos tributários é novamente contrária ao § 10 do artigo 150 da CF 1988. Segundo essa regra constitucional, é vedado exigir ou aumentar imposto sem lei que o estabeleça. • Os juros incidem por um descumprimento da norma legal, configurando, por consequência, uma sanção. As sanções devem estar previstas em lei em sentido estrito. • Tornase ainda mais evidente a inconstitucionalidade da aplicação da taxa Selic quando se verifica o descompasso existente entre a natureza e fundamentação da taxa Selic e as relações existentes no campo tributário. Ela reflete a liquidez dos recursos financeiros do mercado monetário. Seu uso para correção dos débitos tributários é inadequado, pois ela diz respeito A álea e ao risco do mercado financeiro. Todavia, contribuinte não é investidor e tributo devido não é titulo federal. • As características da taxa Selic, a falta de previsão legal e a inadequação entre sua natureza e o campo tributário, que vêm somarse A delegação de competência contrária ao CTN, tornam sua aplicação aos débitos tributários absolutamente inaceitável, razão pela qual deve ser prontamente afastada. In aplicabilidade da multa agravada de 150% • Com respeito A matéria em epígrafe, transcrevese na impugnação o voto proferido no acórdão n 10321527 pela Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, no qual é examinada a impropriedade de aplicar a multa agravada a supostos ilícitos não comprovados como tais, a exemplo dos descritos no auto de infração, sobretudo se se considera que a tributação proposta repousa totalmente sobre pagamentos sem causa, capitulo que se insere no rol das presunções legais. • Na situação dos autos, de forma idêntica, não ficaram provadas a máfé e a ilicitude dos atos praticados, razão pela qual a penalidade em comento não tem como prosperar. Os argumentos da defesa aqui expostos demonstram a saciedade que existem inúmeras dúvidas e meias provas na ausência de um correto levantamento dos fatos. Além disso, todos os faturamentos da empresa tiveram os impostos federais retidos, conforme a Lei n° 10.833 e o artigo 31 do RIR. Se os impostos federais foram retidos, recolhidos e declarados pelos tomadores de serviços, não há falar em máfé e ilicitude dos fatos praticados pela impugnante. Toda distribuição de lucro é isenta, conforme Lei n° 9.249, de 1995, artigo 10. Estas circunstâncias invalidam a auditoria e a suposta comprovação, absolutamente inexistente, dos ilícitos. • Cabe invocar a Súmula 14 do Primeiro Conselho de Contribuintes, segundo a qual, a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a Fl. 750DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.015129/200820 Acórdão n.º 2102003.014 S2C1T2 Fl. 398 7 comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Após a edição dessa súmula, o tema já não comporta discussões. • 0 julgado põe fim a eventuais dúvidas acerca do assunto e indica a necessidade de aprofundamento maior da auditoria fiscal quando se tratar da apuração de ilícitos tipificados como crime de natureza tributária. Tal pesquisa, a exemplo da situação em exame, não é feita pela fiscalização, nos casos de tributação por presunção de pagamentos supostamente feitos sem causa. Diante da inexistência de prova efetiva da máfé ou do evidente intuito de fraude não há falar em multa de 150% nem em representação fiscal para fins penais. Não é o outro o entendimento do Conselho de Contribuintes, conforme as ementas transcritas na impugnação. • A citada súmula vem em boa hora, pois a fiscalização andava exorbitando em autuações fiscais a esse titulo, aplicando a multa majorada em qualquer circunstância, sem se preocupar em provar o evidente intuito de fraude. • Admitir a aplicação da penalidade agravada em autuações pautadas em mera presunção de omissão de receitas por falta de comprovação de origem dos depósitos bancários implica legitimar a acusação de dolo, fraude ou simulação por presunção da presunção, o que afronta o disposto no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430, de 1996, que exige a prova do crime para a exasperação da penalidade. • Uma vez comprovada a inaplicabilidade da penalidade agravada em autuações pautadas em mera presunção, esperase que a preliminar seja acolhida e que seja determinado o cancelamento da exigência fiscal relativa aos anoscalendários de 2003, 2004, e 2005. Impossibilidade de responsabilização pessoal do impugnante pelo débito tributário • A argumentação da Fazenda Nacional para atribuir responsabilidade pessoal a Marco Aurélio Prata, nos termos do artigo 135 do CTN, não deve prevalecer, uma vez que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça uniformemente entende que a falta de pagamento de tributo não enseja essa responsabilidade, porque não caracteriza infração de lei. • 0 fisco, contrariando a doutrina e a jurisprudência majoritária, entende que é despiciendo perquirir se houve dolo ou máfé e que a simples falta de recolhimento dos tributos no prazo legal é suficiente para ensejar a responsabilidade pessoal do dirigente, gerente ou representante de pessoa jurídica de direito privado. Todavia, segundo o artigo 135 do CTN, não respondem por débito fiscal da sociedade os diretores, sóciosgerentes e representantes legais que não tenham praticado atos com excesso de poderes ou com infração de lei, contrato social ou estatutos. • A regra é não responderem essas figuras pessoalmente. Sua responsabilização é exceção, que s6 se faz oportuna quanto aos Fl. 751DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 8 tributos incidentes sobre atos praticados com excesso de poderes ou com infração de lei, contrato social ou estatutos. • Tem razão Hugo de Brito Machado ao sustentar que a falta de recolhimento de tributo constitui uma ilicitude, porquanto o conceito lato de ilícito é o descumprimento de qualquer dever jurídico, decorrente de lei ou contrato. Mas a infração a que se refere o artigo 135 não é objetiva, e sim subjetiva, dolosa. Dos casos de responsabilidade de terceiros por mera culpa, nos atos em que intervierem e pelas omissões de que foram responsáveis, cuida o artigo 134. No artigo 135, o dolo é elementar e ha de ser rigorosamente provado. Abonase o argumento com exemplo de decisão atribuida ao Supremo Tribunal Federal. • Não há falar em responsabilidade pessoal da pessoa fisica do procurador da empresa pela divida desta, uma vez que não há nenhuma prova, nem mesmo alegação, de que tenha agido de forma dolosa, com excesso de poderes ou infração de lei, a par da simples falta de pagamento de tributo. Ilustrase o argumento com a citação de inúmeras decisões atribuídas h. Justiça. • A responsabilidade dos dirigentes pelo pagamento dos tributos não recolhidos pela pessoa jurídica depende da intenção do agente ou do responsável, sem embargo do disposto nos artigos 135 e 136 do CTN. A própria disposição do artigo 136 do C'TN encerra caráter supletivo, evidenciado por sua própria introdução e deve ser interpretada em harmonia com o artigo 112 do mesmo CTN, que versa sobre princípios de interpretação e aplicação e abre ensanchas A consideração equitativa dos conflitos fiscais e em harmonia com o artigo 137 do CTN. • Portanto, é descabida a indicação de Marco Aurélio Prata como responsável solidário pelo débito não pago pela empresa, razão pela qual se impõe o arquivamento do termo de sujeição passiva e o cancelamento do débito que lhe foi imputado. Mérito das imputações • A impugnante declarou o total das receitas por ela recebidas nos anoscalendários de 2003, 2004 e 2005. Nada havia de irregular nas DIPJ e DCTF entregues. A autuação fiscal foi feita não por receitas recebidas, mas por meros pagamentos feitos. Todos os dados constantes no auto de infração foram retirados das declarações apresentadas pela impugnante. Assim, a fiscalização nada descobriu de ilícito no proceder da impugnante como contribuinte de tributos federais, valendose de dados que lhe foram ofertados pela própria impugnante. Esse procedimento, por si s6, afasta as figuras do dolo e da máfé, que existem sempre quando a empresa age de forma dissimulada, ocultando práticas ou falsificando dados que serão entregues a autoridade fiscal. Na situação vertente, não houve, em nenhum momento, tal ocultação, o que significa que a autuante não trouxe aos autos nenhum dado novo nem desconhecido. Ao contrário, a fiscalização sempre se referiu aos dados das declarações apresentadas pela impugnante. Não houve tampouco declaração inexata, mas meros pagamentos feitos pela impugnante considerados sem causa, tudo dentro de Fl. 752DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.015129/200820 Acórdão n.º 2102003.014 S2C1T2 Fl. 399 9 procedimento no qual se aplica uma presunção legal criada em lei. • Marco Aurélio Prata sempre se apresentou perante a fiscalização como contador da empresa, nunca deixando de prestar, por outro lado, informações a respeito A autoridade fiscal. A prova disso pode ser vista, com facilidade, na resposta que o interessado deu A fiscalização, em 03.10.2007, conforme documento que se encontra nos autos, no qual esta dito que ele era o único contador responsável pelos serviços contábeis prestados pela empresa no anocalendário de 2003, na condição de profissional liberal autônomo, devidamente registrado no Conselho Regional de Contabilidade. • Do fato de a pessoa fisica mencionada ser apenas contratada (e não sócia), a fiscalização inferiu que houve máfé e, por via de consequência, crime de sonegação fiscal. A pretensão da autuante, porém, não pode subsistir. A pessoa fisica envolvida nunca negou ter sido contratada pela empresa como contador que lhe prestaria serviços. Não se vislumbra crime algum no fato de uma empresa contratar profissional qualquer, terceirizando os serviços por ela vendidos. Recordese que todos os dados utilizados pela fiscalização na lavratura do auto de infração, ou foram obtidos diretamente nas declarações apresentadas pela impugnante, ou foram entregues e declarados pelo contador Marco Aurélio Prata à autuante. Tal procedimento afasta a possibilidade de se cogitar em máfé. • Conforme certidão que se junta A impugnação, a autuada nunca teve, em momento algum, José Ferreira Primo como sócio, absolutamente nada sabendo os demais sócios a respeito da figura dele. A menção ao seu nome decorreu de erro grosseiro de digitação do seu CPF n°989.671.26891 no lugar do CPF n° 405.640.10634 do verdadeiro sócio, João Batista de Azevedo, ocorrido por ocasião da primeira alteração contratual. • 0 fato pode ser comprovado claramente, pois as alterações posteriores, constantes nos autos em momento algum mencionam a pessoa ou o CPF de José Ferreira Primo. Assim, em momento algum seu nome foi usado indevidamente ou sem seu consentimento. 0 erro s6 foi detectado quando arquivada a 6a alteração contratual, pois na transmissão dos dados da alteração para a Receita Federal se constatou que a participação societária da empresa totalizava 101 %, ou seja, os mesmos 1% de participação constante na primeira alteração contratual de propriedade de João Batista de Azevedo. • Cabe perguntar, de qualquer forma, quais vantagens, licitas ou ilícitas, teve a autuada em declarar um sócio que ela própria desconhecia. A fiscalização não responde a essa pergunta no termo de verificação fiscal; limitase a levantar dúvidas a respeito da lisura do procedimento da autuada. Reiterase o pedido de que a declaração juntada a esta impugnação seja Fl. 753DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 10 examinada pelos julgadores. Conforme provado, a inclusão do nome do desconhecido José Ferreira Primo não se deu por culpa da autuada, mas por mero erro de digitação. Dessa falha não adveio nenhuma vantagem para a autuada. Nessas condições, não pode produzir e embasar entendimentos desfavoráveis A autuada no aspecto processual e jurídico, razão pela qual se pede que o episódio seja desconsiderado como irreal, fictício e absurdo. • Juntamse à impugnação documentos que provam ter sido Marco Aurélio Prata fiscalizado pela DRF/Belo Horizonte quanto ao exercício de 2005. Em consequência, em 06.08.2008 foi lavrado um auto de infração, que foi impugnado pelo interessado. Isso vai de encontro ao disposto no artigo 906 do RIR 1999. • Não consta do procedimento fiscal nenhum documento que possa substituir a ordem prevista no preceito citado. Tratase de preceito legal imprescindível, razão pela qual o lançamento, quanto ao exercício de 2005 deve ser integralmente considerado nulo. 0 mandado de procedimento legal não pode substituir a ordem escrita a que alude tal norma. A esse respeito já se pronunciou o Primeiro Conselho de Contribuintes, afastando a possibilidade de acolher tal entendimento. • Em face do exposto, pedimos que seja acatada a preliminar de nulidade ora exposta, arquivandose o feito fiscal quanto ao exercício de 2005. A preliminar vale tanto para a pessoa fisica de Marco Aurélio Prata quanto para a Arquivo Empresarial Ltda, uma vez que ambas, no entendimento da fiscalização, respondem pelo crédito tributário. Assim, o provimento pelo tribunal administrativo de parte de uma das impugnações aproveita a outra naquilo que lhe for favorável. • Finalmente, juntamse A impugnação o livro caixa, onde se declara o faturamento com todos os impostos federais retidos, conforme Lei n° 10.833 e o artigo 31 do RIR e no qual se encontra provada a causa dos pagamentos feitos nos anos de 2003 a 2005. • Compulsandose as páginas desse livro, convencese de que: a) a empresa teve obviamente custos e despesas, como qualquer empresa; b) os cheques sacados na boca do caixa e que tiveram como beneficiária a própria empresa eram destinados a pagamentos diversos, os quais, por sua vez, estavam destinados a cobrir despesas diversas, além de lucros distribuídos aos sócios, isentos de imposto de renda, conforme Lei n° 9.249, de 1995, e artigo 10 do RIR. • Caso se aceite o entendimento da fiscalização como correto e válido, haveria de se concluir que nos três anos fiscalizados a empresa não teve nenhum custo ou despesa, já que todos os pagamentos feitos por ela foram considerados receitas ou pagamentos sem causa. • Tal conclusão é absurda e não pode prosperar, por conflitar frontalmente com o principio básico de contabilidade, aplicável ao IRPJ, segundo o qual não existe receita sem despesa. Fl. 754DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.015129/200820 Acórdão n.º 2102003.014 S2C1T2 Fl. 400 11 Poderseia eventualmente questionar parte dos pagamentos feitos, mas nunca todos eles como pagamento sem causa. • A vista dos livros caixa ora apresentados, os pagamentos foram realizados com cheques sacados na boca do caixa, em razão de serem os valores destinados, posteriormente, ao pagamento de diversas despesas, que beneficiariam diversos profissionais. De qualquer forma, a existência de um livro razão, no qual são discriminados os pagamentos feitos pela autuada, merecerá a atenção e apreciação dos julgadores. Pedido • Em face do exposto, requerse que sejam acatadas as razões de defesa e que o feito seja arquivado. O sócio Marco Aurélio Prata, tendo tomado ciência do lançamento por via postal, apresentou a impugnação de fls. 268/304, com conteúdo idêntico ao da peça impugnatória ofertada pela pessoa jurídica. Na análise de todos estes argumentos, os integrantes da DRJ em Belo Horizonte decidiram pela integral manutenção do lançamento, rejeitando as nulidades suscitadas e mantendo também a sujeição passiva solidária. Inconformada, a contribuinte interpôs o Recurso Voluntário (em conjunto com o responsável solidário) de fls. 366/388, por meio do qual afirma que as razões de impugnação estariam sendo reiteradas, e que por terem sido os lançamentos julgados em conjunto (em face da empresa e da pessoa física), o Recurso interposto era um só para aproveitar a ambos. Daí porque seriam objeto do recurso não só o lançamento do IRRF, mas também a sujeição passiva solidária imputada ao Sr. Marco Aurélio Prata. Pugnou pelo reconhecimento da nulidade da decisão recorrida, a qual teria se tornado um verdadeiro apêndice do Auto de Infração, já que acabou por trazer mais fundamentos para o lançamento, ao invés de simplesmente julgar as razões de impugnação. Entende que deveria ter sido intimada a contraditar tais argumentos, por serem inovações no processo. Suscitou ainda a decadência parcial do lançamento, quanto aos fatos geradores ocorridos entre janeiro e novembro de 2003, indevida utilização da taxa Selic como juros, e a inaplicabilidade da multa qualificada de 150%. Seu pedido final foi assim resumido: Em face a todo o exposto, requer a Impugnante o acolhimento de suas razões de defesa relativas (1) ao pedido de anulação da decisão de primeira instância, tendo em vista a existência de cerceamento do direito de defesa, (2) decadência do direito de o fisco lançar, (3) a aplicação indevida dos juros SELIC e (4) o agravamento injustificado da multa de oficio pela não comprovação da prática de qualquer ilícito penal. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Fl. 755DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 12 Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora A contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 25.03.2009, como atesta o AR de fls. 365. O Recurso Voluntário foi interposto em 22.04.2009 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de lançamento para exigência de IRRF sobre pagamentos cuja causa deixou de ser comprovada. O lançamento foi efetuado em face da pessoa jurídica Arquivo Empresarial, mas foi também lavrado Termo de Sujeição Passiva Solidária em nome de Marco Aurélio Prata. A decisão recorrida foi uma só, que tratou de ambas as Impugnações. Em face de tal decisão, a pessoa jurídica Arquivo Empresarial interpôs o Recurso Voluntário, no qual afirma que: Outra observação de suma importância a ser feita é a resumida no fato de que havia, na época da lavratura dos autos de infração, duas notificações fiscais, a primeira do processo fiscal de no. 10.680.015129/200820, relativo à pessoa jurídica Arquivo Empresarial Ltda., e outra notificação fiscal mencionando o mesmo número, relativa pessoa física de Marco Aurélio Prata, CPF no. 428.562.80668. Ambas as notificações estão ora juntas, tendo sido julgadas na mesma ocasião e pelo mesmo acórdão da Delegacia de Julgamento de Belo Horizonte. Pugna assim que o Recurso Voluntário – apesar de estar em seu próprio nome – seja aproveitado para ambas as partes. Este pedido merece acolhida por dois motivos. Primeiro, porque o AR de fls. 365, por meio do qual deuse ciência “às partes” da decisão recorrida está em nome do Sr. Marco Aurélio Prata, tendo o nome da pessoa jurídica ao lado, entre parêntesis. Pelo que consta dos autos, este foi o único AR enviado, de forma que houve verdadeira confusão entre as partes (sujeito passivo principal e responsável solidário). Em segundo lugar, foi o Sr. Marco Aurélio que assinou o recurso em nome da empresa (ou em conjunto com ela), demonstrando que corroborava tudo o quanto estava ali expresso. Acresçase a isto que a própria decisão recorrida trata as impugnações de forma una, razão pela qual seria, a meu ver, um formalismo exacerbado a exigência de que ambas as partes interpusessem seus respectivos Recursos Voluntários. Assim, entendo que o Recurso interposto deve ser entendido como recurso de ambas as partes interessadas, aproveitando a ambas. Passase, então, à sua análise. Em sua defesa, os Recorrentes suscitam: i) a nulidade da decisão recorrida que inovou no fundamento utilizado para manter o lançamento, notadamente no que diz respeito à qualificação da multa de ofício; ii) a falta de previsão legal para a lavratura do termo de sujeição passiva solidária; iii) a decadência com relação aos meses de janeiro a novembro de Fl. 756DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.015129/200820 Acórdão n.º 2102003.014 S2C1T2 Fl. 401 13 2003; iv) a ilegalidade da incidência da Selic sobre o crédito tributário; v) inaplicabilidade da multa agravada de 150%; vi) impossibilidade de responsabilização pessoal do Sr. Marco Aurélio Prata; vii) a se admitir que todos os pagamentos efetuados pela empresa não tiveram causa, estarseia admitindo que a mesma não teve quaisquer custos e despesas, o que seria inadmissível. Nulidade da decisão recorrida Alegam os Recorrentes que teria havido cerceamento do seu direito de defesa, na medida em que a decisão recorrida teria inovado ao justificar as razões para a manutenção da multa de ofício qualificada aplicada ao lançamento. No entanto, a alegada inovação não implica em qualquer nulidade no processo. Isto porque a decisão recorrida apenas trouxe mais argumentos a justificar a qualificação da multa, sem que tais argumentos agravassem a situação da Recorrente, pois o crédito tributário já estava devidamente constituído através do lançamento. Os argumentos utilizados pela decisão recorrida não são argumentos diversos daqueles tomados pela autoridade lançadora, mas serviram apenas como um plus, a justificar, no entender das autoridades julgadoras, a manutenção da qualificação da multa de ofício aqui aplicada. Como não houve qualquer tipo de agravamento à situação da Recorrente, não há que se falar em nulidade. Ademais, com a abertura do prazo para interposição do Recurso Voluntário, abriuse o prazo para a Recorrente contraditar todos os argumentos utilizados pela decisão recorrida, de forma que cerceamento do seu direito de defesa não há (e não houve). Por isso, não merece a colhida a referida preliminar. Termo de Sujeição Passiva Solidária e a Responsabilização do Sr. Marco Aurélio Prata Conforme mencionado anteriormente, o Recurso Voluntário foi interposto pela pessoa jurídica (Arquivo Empresarial Ltda.) e também pela pessoa física (Marco Aurélio Prata) contra a qual foi lavrado o Termo de Sujeição Passiva Solidária de fls. 42/43. Nele foi questionada esta sujeição passiva que, segundo os Recorrentes, não encontra fundamento em lei. Como os Recorrentes tratam em 2 tópicos diversos deste mesmo tema, ficam ambos aqui reunidos para fins deste julgamento. A justificativa utilizada pela autoridade lançadora para lavrar o referido termo de sujeição passiva foi a seguinte: Verificouse que a empresa não pagou e nem declarou à Secretaria da Receita Federal do Brasil o Imposto de Renda na Fonte sobre os pagamentos efetuados às pessoas física e jurídicas nos anoscalendário de 2003 a 2005, caracterizados como pagamentos sem causa. Verificouse ainda que, aliado à omissão quanto à obrigação tributária, o contribuinte retirouse de direito da sociedade sem, no entanto, deixar de exercer as funções de sócio administrador. Fl. 757DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 14 Desse modo, a infração à legislação tributária e a simulação de retirada da sociedade se revestem de atos pessoais do sócio de fato. Em vista desses acontecimentos, que estão detalhados no Termo de Verificação Fiscal — TVF anexado neste processo, cabe consignar, primeiramente, que o artigo 121 do Código Tributário Nacional — CTN relaciona como Sujeito Passivo da obrigação principal, juntamente com o Contribuinte, a figura do RESPONSÁVEL. Assim, restando caracterizada a Sujeição Passiva Solidária nos termos dos artigos 121, 124 e 135, III, da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional), fica o Sujeito Passivo Solidário supra mencionado CIENTIFICADO da exigência tributária do Imposto de Renda Retido na Fonte lavrado contra a Pessoa Jurídica ARQUIVO EMPRESARIAL LTDA, CNPJ 65.165.847/000171, na data de 24/12/2008, e controlado pelo Processo Administrativo Fiscal n° 10680.015129/200820, do qual faz parte o presente Termo. Como se vê, a lavratura deste termo foi fundada na premissa de que o Sr. Marco Aurélio Prata teria ocultado do Fisco o fato de ainda atuar como administrador da pessoa jurídica autuada, e teve como base legal os arts. 121, 124 e 135, III do CTN, cuja aplicabilidade neste caso concreto é a seguir analisada. Quanto à aplicação das referidas normas em casos como este, já me manifestei por ocasião do julgamento do Acórdão nº 210200.562, de 12 de maio de 2010, ocasião em que foi apreciada a sujeição passiva solidária de forma semelhante ao julgamento realizado pela então 4ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, através de voto cuja relatoria foi do Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, e do qual se extrai: (...) Da responsabilidade solidária (...) Pois bem, o Código Tributário Nacional — CTN, no seu artigo 121 assim delimita as possibilidades, em geral, da sujeição passiva tributária principal. Diz, verbis: "Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: 1— contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II — responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei." A doutrina caminha unida no entendimento que essa relação pessoal e direta com a situação que constitua o fato gerador corresponde à própria realização do fato gerador. Isso é particularmente claro quanto aos fatos geradores definidos em Fl. 758DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.015129/200820 Acórdão n.º 2102003.014 S2C1T2 Fl. 402 15 função de estado da pessoa, isto é ser proprietário de imóvel, importar mercadoria obter a disponibilidade de renda, etc. Assim, o sujeito passivo emerge da própria definição do fato gerador. Na peculiar expressão de Paulo de Barros Carvalho, "é no critério pessoal do conseqüente da regra matriz de incidência que colhemos elementos informadores para a determinação do sujeito passivo." A mim me parece claro, portanto, que o artigo 121 do CTN só deixa margem a duas possibilidades de sujeição passiva tributária, isto é, à possibilidade de se imputar a uma pessoa a obrigação de pagar tributo ou penalidade: ter relação pessoal e direta com o fato gerador, nos termos acima referidos, ou ser expressamente apontadas pela lei. Dito isso, passo ao exame do caso concreto, em que a autuação aponta como fundamentos para a imputação de responsabilidade solidária, além do art. 121, II, os artigos 124, I e 135, II e III. Passo ao exame desses outros dispositivos. Reza o art. 124, verbis: "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I — as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II — as pessoas expressamente designadas por lei. Cuidase no caso, da hipótese referida no inciso 1. A questão aqui é definir o alcance da expressão "interesse comum na situação que constitua o fato gerador do imposto", tema controvertido dada a vagueza da expressão. Paulo de Barros Carvalho a reconhece quando diz que "o interesse comum dos participantes na realização do fato jurídico tributário é o que define, segundo o inc. 1, o aparecimento da solidariedade entre os devedores", mas exclui a simples participação nos acontecimentos envolvendo o fato gerador como critério definidor do vínculo de solidariedade. Diz Paulo de Barros, "aquilo que vemos repetirse com freqüência, em casos dessa natureza, é que o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vinculo da solidariedade". É dizer, não basta participar dos fatos envolvendo os acontecimentos caracterizadores do fato gerador. É como no exemplo mencionado por Paulo de Barros Carvalho de uma operação de compra e venda de mercadorias, onde ambos, comprador e vendedor, têm interesse comum na operação, porém não se cogita de responsabilidade solidária entre ambos. Concordando com essas ponderações, penso que o "interesse comum" referido no inciso I do art. 124 deve ser interpretado em conformidade com o limite estabelecido no inciso I do art. 121. Isto é, se o art. 121 limita as possibilidades de sujeição passiva às pessoas expressamente apontadas pela lei e àquelas que têm relação pessoal e direta com o fato gerador, ao versar sobre a responsabilidade solidária, não pode o mesmo CTN referirse a Fl. 759DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 16 situação que amplia essas possibilidades. É dizer, esse interesse comum referido no inciso I deve, necessariamente, estar associado a uma relação pessoal e direta com o fato gerador. Assim, além das pessoas expressamente apontadas pela lei, seriam solidariamente obrigadas ao pagamento do tributo pessoas que tenham, em comum, relação pessoal e direta com a situação que constitua o fato gerador. Luciano Amaro propõe a seguinte solução para a interpretação do art. 124, I coerente com a regra do art. 121, a saber: "O interesse comum no fato gerador põe o devedor solidário numa posição também comum. Se em dada situação (a co propriedade, no exemplo dado), a lei define o titular do domínio como contribuinte, nenhum dos coproprietários seriam qualificados como terceiros, pois ambos ocupariam, no binômio Fiscocontribuinte, o lugar do segundo (ou seja, o lugar de contribuinte). Ocorre que cada qual só se poderia dizer contribuinte em relação à parcela de tributo que correspondesse à sua quota de interesse na situação. Como a obrigação tributária (sendo pecuniária) seria divisível, cada qual poderia, em princípio, ser obrigado apenas pela parte equivalente ao seu quinhão de interesse. O que determina o Código Tributário Nacional (art. 124, I) é a solidariedade de ambos como devedores da obrigação inteira, onde se poderia dizer que a condição de sujeito passivo assumiria forma híbrida em que cada codevedor seria contribuinte na parte que lhe toca e responsável pela porção que caiba ao outro." (pp. 308) Penso que a grande virtude dessa construção é explicitar a vinculação do interesse comum do art. 124, I à condição de sujeito passivo como contribuinte, do 121, I. Isto é, para figurar como obrigado solidário com base no art. 124, I a pessoa teria que estar numa posição em que poderia ser considerada contribuinte, ainda que em relação a apenas uma parte da obrigação. A sujeição passiva solidária decorreria da impossibilidade de divisão, dado o interesse comum, da parcela da obrigação a ser imputada a cada um ou mesmo da opção do legislador, no caso de interesse comum, de atribuir responsabilidade solidária, sem interferir na divisão, entre os coobrigados da parcela de cada um. O exemplo geralmente mencionado pela doutrina e referido por Luciano Amaro é o da copropriedade de imóvel. Todos os coproprietários estariam na situação referida no art. 121, I e, portanto, poderiam ser considerados contribuintes, pelo menos em relação ao seu quinhão. Não basta, portanto, para ser apontado responsável solidário, nos termos do art. 124, I do CTN, que a pessoa concorra para a realização do fato gerador, que participe de ações que culminem com a ocorrência do fato gerador. É preciso que, mais do que participar do fato gerador, o realize, ao lado de outras pessoas, que envergue a condição pessoal ou realize as ações definidas como necessárias à ocorrência do fato gerador: obter a disponibilidade de renda, ter o domínio útil de imóvel, obter receita, etc. No caso que se examina, tratase de lançamento para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda, exigido da Fl. 760DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.015129/200820 Acórdão n.º 2102003.014 S2C1T2 Fl. 403 17 fonte pagadora. Sem examinarmos, por enquanto, essa circunstância de o imposto ser de tributação exclusiva de fonte, a autuação não demonstra que os indigitados obrigados solidários tenham sido os beneficiários da disponibilidade econômica ou jurídica da renda. A acusação, segundo se extrai da descrição dos fatos, é de que concorreram diretamente para a realização dos pagamentos irregulares e para a ocultação desses fatos por meios fraudulentos. Por tudo o que foi acima exposto, essa participação não está compreendida como hipótese de sujeição passiva tributária, com base no art. 124, I do CTN. A autuação menciona, também, como fundamento da imputação de responsabilidade solidária o art. 135, II e III, que a seguir transcrevo: "Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto: (...) II— os mandatários, prepostos ou empregados; III — os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado." (...) Para admitirse, no caso, a responsabilidade solidária, com fundamento no 135, II e III, terseia, necessariamente, que excluir a contribuinte (...) do pólo passivo. (...) (Ac. nº 10421.662, julgado em 21.06.2006) O estudo feito pelo Conselheiro Pedro Paulo esclarece de forma brilhante a aplicação das referidas normas em casos como o presente. De acordo com os esclarecimentos acima, resta claro que a solidariedade no Direito Tributário pode decorrer de duas situações: a) expressa disposição legal; ou b) idêntico interesse das partes na situação que “constitua o fato gerador” da obrigação. No caso em tela, não se poderia aplicar o inc. II do art. 124 do CTN, já que inexiste disposição legal expressa que inclua o Sr. Marco Aurélio como responsável solidário pelo credito tributário. Também não se aplica o art. 135 do CTN, pois, como visto, para tanto seria necessário que o Sr. Marco Aurélio passasse a ser o único responsável pelo crédito tributário – o que também não é o caso. Assim, resta analisar se seria possível a manutenção do Sr. Marco Aurélio como responsável solidário em face do disposto no inc. I do art. 124 do CTN, que assim determina: Art. 124. São solidariamente obrigadas: Fl. 761DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 18 I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...) Sobre o conceito de “interesse comum” mencionado pela referida norma, Aliomar Baleeiro assim o define: O CTN não diz em que consiste ou em que casos se manifesta o ‘interesse comum’. A lei tributária o dirá. Em princípio, os participantes do fato gerador. Na prática de ato jurídico ou negócio podem ser todas as partes, e disso há exemplo no próprio CTN, arts. 42 e 66. (em Direito Tributário Brasileiro, 11ª Ed., atualizada por Mizabel Abreu Machado Derzi, pág. 728). Já Fabio Fanucchi assim se manifestou acerca da solidariedade em matéria tributária, ao tratar do art. 124, I, do CTN: Na verificação da solidariedade de fato, entretanto, não é impossível que se cometam excessos, tentando envolver a responsabilidade de terceiros numa relação obrigacional tributária de cujo fato gerador não se tenham beneficiado ou, nele, não tenham interesse comum ao do sujeito passivo. É possível que a lei crie a solidariedade do transmitente, do tabelião e do oficial do registro de imóveis, por exemplo, face ao imposto de transmissão de uma operação na qual estejam envolvidos, porém, se não o fizer de forma expressa, é impossível, sob alegação de solidariedade de fato, trazelos para dentro da relação tributária só porque participaram da operação tributável, quando se verifica que nenhuma dessas pessoas tem interesse igual ao do adquirente do imóvel, erigido em contribuinte pela lei. Entretanto, havendo lucro numa dada transação comercial tributável, que beneficia a mais de uma pessoa natural, embora elas não estejam relacionadas entre si por constituição jurídica (sociedade de direito), ainda assim responderão por igual pela obrigação tributária daí nascida, como se de direito a sociedade fosse. Aí sim, os interesses das diversas pessoas seriam absolutamente idênticos. (em “Curso de Direito Tributário Brasileiro, Ed. Resenha Tributária Ltda./IBET São Paulo, 4ª ed., pág. 249/250). No caso em exame, não há qualquer disposição de lei que determine a solidariedade em questão; no entanto, como bem salientado pela autoridade lançadora, podese dizer sim que o Sr. Marco Aurélio Prata tivesse interesse comum com a pessoa jurídica Arquivo Empresarial na realização dos pagamentos “sem causa” que deram origem a este lançamento, já que ele mesmo (ou pessoas a ele relacionadas, cf. tabelas de fls. 40/42) foram os principais beneficiários dos mesmos. É o que demonstra o Termo de Verificação Fiscal, verbis: 11 Diante dos fatos narrados fica comprovado que o Sr. Marco Aurélio Prata, apesar de não constar mais do quadro societário da empresa, conforme alterações contratuais ocorridas, nunca deixou de exercer as funções de sócio de fato da mesma em vista de haver permanecido no controle da contacorrente da Arquivo Empresarial Ltda, sendo responsável, em conjunto com sua esposa, pela emissão de todos os cheques sacados da referida Fl. 762DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.015129/200820 Acórdão n.º 2102003.014 S2C1T2 Fl. 404 19 conta corrente que os beneficiaram direta ou indiretamente e de ter assinado os Pareceres dos balanços da Construtora Aterpa S/A, exercendo atividade típica da sociedade. (grifamos) Assim, restou configurado aí o interesse comum a que alude o inc. I do art. 124 do CTN, razão pela qual é de se reconhecer que está correta a inclusão do Sr. Marco Aurélio no pólo passivo do lançamento em questão, não merecendo acolhida a pretensão das partes quanto à sua exclusão. Neste sentido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA 1RPJ Anocalendário: 2004, 2005 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. LIMITES. A utilização das informações sobre as movimentações fmanceiras para efetuar lançamento de oficio, relativo a fatos geradores ocorridos antes da vigência da Lei n° 10.174/2001, é legitimada pelo § 1° do art. 144 do CTN, por se tratar de mero procedimento que ampliou os poderes de investigação das autoridades fiscais. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. A responsabilidade solidária pressupõe o interesse jurídico que surge a partir da existência de direito e/ou deveres comuns de pessoas situadas do mesmo lido. de uma mesma relação jurídica privada que constitua o fato jurídico tributário. A existência de sócios de fato que movimentavam recursos em conta corrente de pessoa jurídica é prova do interesse comum das pessoas físicas que movimentaram os recursos omitidos em beneficio próprio. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. No caso de lançamento de oficio será aplicada multa calculada sobre o crédito tributário apurado, no percentual de 150%, quando caracterizado o evidente intuito de fraude por parte do autuado, uma vez constata a existência de grupo econômico que ocultava não só o real sujeito passivo da obrigação tributária, mas toda a obrigação tributária, repetidamente. Recurso Voluntário Negado. (120200.037, de 13.05.2009) Decadência Neste tópico de seu recurso, a Recorrente afirma que teriam sido abrangidos pela decadência os créditos lançados cujos fatos geradores tivessem ocorrido entre janeiro e agosto de 2003, já que a ciência do Auto de Infração se deu em novembro de 2008 com base no art. 150, § 4º do CTN, que deveria ser aplicado à hipótese. Com efeito, a questão da decadência nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação teve sua repercussão geral reconhecida pelo Eg. STJ, que, utilizandose da sistemática prevista no art. 543C do CPC, ao julgar o REsp 973.733/SC (Rel Min. Luiz Fux, julgado em 12.8.2009), reiterou o entendimento no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação não declarado e inadimplido, o Fisco dispõe de cinco Fl. 763DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 20 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173, I, do CTN. De acordo com este entendimento, somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador, como determina o art. 150, § 4º, do CTN. O art. 62A do Regimento Interno deste Conselho estabelece que devem ser obedecidas pelas turmas julgadoras as decisões proferidas pelo Eg. STJ quando a matéria julgada o tiver sido com base na sistemática do art. 543 (‘B’ e ‘C’) do CPC, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Exatamente o caso da discussão em tela. Por isso, para que se possa analisar em cada caso concreto julgado por este Conselho a efetiva ocorrência, ou não, da decadência, é preciso que se analise antes de mais nada se houve o pagamento antecipado do imposto. Somente então é que se pode analisar qual a forma do cômputo do prazo decadencial: se com base no art. 150 ou 173 do CTN. No caso que ora se analisa, não há qualquer prova nos autos de que tenha sido efetuado qualquer recolhimento a título de IRRF sobre os pagamentos tidos como sem causa (e que deram origem a este lançamento). Assim, não há que se falar na aplicação do art. 150, § 4º ao caso concreto, em face da inexistência de antecipação. Este foi, aliás, o fundamento tomado pela decisão recorrida para negar o pedido da Recorrente, como se depreende do seguinte trecho: Para dirimir a questão, basta que se considere o segundo requisito. Este não foi observado, já que a autuada não apresenta comprovantes de que foi quitado, total ou parcialmente, o IRRF incidente sobre os pagamentos não comprovados que deram ensejo ao lançamento. Na impugnação tampouco se alega que semelhante quitação tenha sido feita. Como se trata de IRRF, para o fim de determinar o inicio do prazo de decadência, cumpre verificar a ocorrência ou não de pagamento em relação a cada evento isoladamente. Para esse propósito, não se computa como pagamento eventual quitação de imposto de renda da pessoa jurídica que a autuada tenha efetuado em relação a rendimentos próprios (seja sob a forma de retenções na fonte em que figura como beneficiária, seja sob a forma de antecipações por estimativa, seja ainda pagamentos do saldo apurado na declaração de ajuste anual), porque a autuada é sujeito passivo do IRRF exigido na condição de apenas responsável (por ter sido a fonte pagadora). 0 fato gerador do imposto de renda da pessoa jurídica dizse complexo, porque o que o caracteriza é a obtenção de lucro ou resultado fiscal positivo ao final da apuração. 0 lucro, por sua vez, grosso modo apurase somente ao final do período de apuração, com o soma dos ganhos e a subtração das perdas geradas pelas atividades operacionais e não operacionais da empresa. No caso do IRRF, Fl. 764DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.015129/200820 Acórdão n.º 2102003.014 S2C1T2 Fl. 405 21 porém, cada pagamento de rendimento a determinado beneficiário constitui um fato gerador completo e isolado e deve ser analisado individualmente e independentemente do fato gerador das obrigações tributárias próprias da fonte pagadora. Por fim, e apenas por amor à argumentação, é de se destacar que a multa aplicada ao lançamento foi qualificada, razão pela qual a regra aplicável à espécie seria, em princípio, aquela do art. 173, I do CTN, e não a do referido art. 150. Diante destes argumentos, não há que se falar na ocorrência da decadência. Da Selic A Recorrente suscita a inaplicabilidade da taxa Selic sobre o crédito tributário objeto deste lançamento, ao argumento de que seria ilegal a sua aplicação. Este pedido, porém, também não merece acolhida. Quanto a este assunto, foi editada a Súmula nº 4 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, segundo a qual: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.”. Por isso, em obediência ao art. 72 do Regimento Interno deste Conselho de Contribuintes, deixo de acolher o pedido de afastamento da referida taxa. Da Qualificação da Multa Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente afirma que a multa de ofício não poderia ter sido qualificada, pois seria inaplicável a ilícitos não comprovados. Pugnou pela aplicação da Súmula 14 do Conselho de Contribuintes. Do Termo de Verificação Fiscal é possível extrair os seguintes argumentos para justificar a qualificação da multa: 18 Considerando que ficou comprovada a intenção do fiscalizado de ocultar sua condição de sócio da empresa Arquivo Empresarial Ltda, visando com isto eximirse das obrigações que tal condição lhe imputaria, incorrendo portanto na previsão de sonegação contida no inciso II do artigo 71 da Lei n° 4:502/64 e art. 299 do Decreto Lei n° 2.848/40 (Código Penal), efetuaremos o lançamento do imposto de renda exclusivamente na fonte com multa qualificada, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, que dispõe: Decorre daí que a justificativa tomada pela autoridade lançadora para qualificar a multa neste lançamento fora o fato de que o “responsável”, Sr. Marco Aurélio Prata teria agido com o intuito de esconder do Fisco sua condição de sócio da referida pessoa jurídica. A decisão recorrida, por outro lado, tomou por base os seguintes argumentos para justificar a manutenção da qualificação da multa e, com isso, afastar a pretensão da Recorrente quanto a este aspecto do seu inconformismo: i) o fato de o Sr. Marco Aurélio ter se Fl. 765DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 22 “ocultado” como sócio da pessoa jurídica; ii) o fato de a empresa não estar localizada em seu endereço cadastrado no sistema da Receita Federal (e estar situada em local não sabido); iii) o fato de a mesma ter efetuado alteração do seu objeto social, excluindo do contrato social a atividade contábil quando ainda a exercia; iv) o fato de nem a empresa nem o Sr. Marco Aurélio terem conseguido comprovar a destinação dos pagamentos efetuados. A conclusão tomada foi a de que: Ante o conjunto de circunstâncias mencionadas nos parágrafos precedentes, está solidamente demonstrado que a infração apurada se enquadra, em tese, na hipótese de ilícito penal tributário previsto no artigo 71, inciso II, da Lei n° 4.502, de 1964. Seguese também que se justifica a aplicação da penalidade qualificada de 150%. Além de todos os motivos já salientados no Termo de Verificação Fiscal e na decisão recorrida, deve ser ressaltado o fato de que o Sr. Marco Aurélio – a despeito de não ser mais formalmente o sócio da pessoa jurídica em tela (usando nomes de terceiros que não exerciam efetivamente a administração da pessoa jurídica), era o verdadeiro responsável pelos pagamentos sem causa efetuados, ao mesmo tempo em que era beneficiário dos mesmos. Por tudo isso, a qualificação é de ser mantida. Responsabilização pessoal do Sr. Marco Aurélio Este tópico já foi objeto de análise acima, quando se tratou do termo de sujeição passiva solidária, razão pela qual não há necessidade de apreciálo novamente. Comprovação dos pagamentos O último tópico suscitado pela Recorrente diz respeito à comprovação dos beneficiários dos pagamentos efetuados. Afirma, de forma genérica, que todos os pagamentos por ela efetuados não poderiam ter sido desconsiderados, sob pena de presumirse que nenhum custo ou despesa ela teve, quando isso não corresponde à realidade. Tal pedido, porém, não merece acolhida. Primeiramente por ser excessivamente genérico, já que para comprovar os beneficiários e as causas dos pagamentos por ela efetuados, caberia a ela comprovar documentalmente cada um destes pagamentos, apontando – um a um os respectivos beneficiários e causas. Não tendo agido assim, não há como reputar comprovada a causa dos mesmos. Além disso, a decisão recorrida já tratou de esclarecer as razões pelas quais o Livro Caixa de fls. 254/266 não poderia ser utilizado como prova, sendo certo que caberia à Recorrente ter trazido a documentação que lastreasse as informações lá escrituradas, sob pena das mesmas não serem acolhidas por esta Turma Julgadora. Sem as provas das causas dos pagamentos que deram origem ao lançamento, está o mesmo correto e deve ser mantido por seus próprios fundamentos. Diante do exposto, VOTO no sentido de REJEITAR as preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao Recurso. Assinado Digitalmente Fl. 766DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.015129/200820 Acórdão n.º 2102003.014 S2C1T2 Fl. 406 23 Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 767DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 11060.003548/2010-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/08/2007
PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS E PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. As provas devem ser apresentadas no momento da impugnação, sob pena de preclusão, salvo nos casos previstos em lei. É improcedente o pedido de prova pericial realizado sem atender aos requisitos legais. Consequentemente, não há que se falar em cerceamento de defesa.
AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EMISSÃO ELETRÔNICA. CIÊNCIA DO CONTRIBUINTE.
Faz-se configurada a ciência do contribuinte do Mandado de Procedimento Fiscal diante da sua disponibilização por meio eletrônico e da sua respectiva impugnação.
AUSÊNCIA DE MPF ACOSTADO AOS AUTOS. MPF EMITIDO POR MEIO ELETRÔNICO. NULIDADE. NÃO CONFIGURAÇÃO
À época dos fatos, a emissão de MPF se dava por meio eletrônico, motivo pelo qual a sua ausência nos autos não importa em nulidade do auto de infração.
NULIDADE PELA AUSÊNCIA DE DISCRIMINAÇÃO DE VALORES NA AUTUAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Nos anexos do relatório fiscal se encontram discriminados os valores considerados pela autoridade fiscal para formalizar a autuação, as situações que deram causa à incidência da contribuição previdenciária bem como a explicação detalhada dos motivos que levaram a fiscalização a autuar a Recorrente.
DECADÊNCIA. DEPÓSITO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO PARCIAL. REGRA DO ART. 173, I DO CTN.
Não se equipara o depósito judicial sem conversão em renda ao pagamento, ainda que parcial, do valor exigido, aplicando-se para fins de decadência o art. 173, I do CTN.
PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO. RENÚNCIA À DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA
A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência do litígio nas instâncias administrativas.
MULTA POR DEIXAR DE DECLARAR OS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EM GFIP. DISCUSSÃO TRAVADA EM PROCESSO ESPECÍFICO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE NESTES AUTOS
Tendo o contribuinte sofrido autuação para a exigência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória relativa a não declaração, em GFIP, dos fatos geradores das contribuições previdenciárias, tal matéria deve ser decidida no processo específico.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.088
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes,Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Luciana de Souza Espíndola Reis e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. As provas devem ser apresentadas no momento da impugnação, sob pena de preclusão, salvo nos casos previstos em lei. É improcedente o pedido de prova pericial realizado sem atender aos requisitos legais. Consequentemente, não há que se falar em cerceamento de defesa. AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EMISSÃO ELETRÔNICA. CIÊNCIA DO CONTRIBUINTE. Fazse configurada a ciência do contribuinte do Mandado de Procedimento Fiscal diante da sua disponibilização por meio eletrônico e da sua respectiva impugnação. AUSÊNCIA DE MPF ACOSTADO AOS AUTOS. MPF EMITIDO POR MEIO ELETRÔNICO. NULIDADE. NÃO CONFIGURAÇÃO À época dos fatos, a emissão de MPF se dava por meio eletrônico, motivo pelo qual a sua ausência nos autos não importa em nulidade do auto de infração. NULIDADE PELA AUSÊNCIA DE DISCRIMINAÇÃO DE VALORES NA AUTUAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Nos anexos do relatório fiscal se encontram discriminados os valores considerados pela autoridade fiscal para formalizar a autuação, as situações que deram causa à incidência da contribuição previdenciária bem como a explicação detalhada dos motivos que levaram a fiscalização a autuar a Recorrente. DECADÊNCIA. DEPÓSITO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO PARCIAL. REGRA DO ART. 173, I DO CTN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 35 48 /2 01 0- 01 Fl. 278DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 22/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 Não se equipara o depósito judicial sem conversão em renda ao pagamento, ainda que parcial, do valor exigido, aplicandose para fins de decadência o art. 173, I do CTN. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO. RENÚNCIA À DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência do litígio nas instâncias administrativas. MULTA POR DEIXAR DE DECLARAR OS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EM GFIP. DISCUSSÃO TRAVADA EM PROCESSO ESPECÍFICO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE NESTES AUTOS Tendo o contribuinte sofrido autuação para a exigência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória relativa a não declaração, em GFIP, dos fatos geradores das contribuições previdenciárias, tal matéria deve ser decidida no processo específico. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Julio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes,Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Luciana de Souza Espíndola Reis e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 22/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 11060.003548/201001 Acórdão n.º 2402004.088 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 23/11/2010 (fl. 3), decorrente de lançamento das contribuições devidas a outras entidades e fundos (0,2% SENAR – Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural adquirida pela Cooperativa Regional Tritícola Santiaguense Ltda de produtores rurais pessoas físicas a ela associados e de terceiros, em competências compreendidas entre 03/2005 a 08/2008. A autoridade fiscal deixou de lançar multa de ofício, ocasião em que apenas fora lançada a multa de mora de 24% (vinte e quatro por cento). O Recorrente interpôs impugnação (fls. 4799) requerendo a total improcedência do lançamento. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto AlegreRS, ao analisar o presente caso (fls. 235244), julgou o lançamento procedente, entendendo que: (i) é válida prorrogação de Mandado de Procedimento fiscal, desde que não esteja extinto; (ii) a produção de provas pericial deve observar a legislação atinente – seu indeferimento não pode ter como escopo a supressão de oportunidade perdida para tanto por parte do contribuinte; (iii) inexistente a decadência ao caso. A Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 249268) argumentando que: (i) fora indeferida produção de prova pericial – consequente cerceamento de defesa; (ii) que restou ausente o Mandado de Procedimento Fiscal; (iii) não houve fundamentação específica para a procedência do Auto de Infração; (iv) a pretensão fazendária está fulminada pela decadência; (v) o tributo em exigência é inconstitucional; (vi) inexiste declaração inexata de GFIP; e (vii) não lhe fora aplicada a multa mais benéfica ao caso. É o relatório. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 22/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Indeferimento do pedido de perícia. Ausência de violação a princípios constitucionais Preliminarmente, a Recorrente alega que a decisão recorrida deve ser anulada, por ofensa ao devido processo legal, ao princípio da razoabilidade e da legalidade, posto que indeferiu o pedido de perícia solicitado para que todas as suas alegações fossem devidamente apreciadas. Entende a Recorrente que se o contribuinte arguiu a necessidade de perícia, não pode a autoridade administrativa eximirse de cumprila. Sustenta ainda que, no presente caso, a perícia seria totalmente necessária, pois demonstraria, de modo cabal, que as bases de cálculo identificadas pela fiscalização são improcedentes, tendo gerado um tributo muito maior que o devido. No entanto, é importante pontuar que os valores consubstanciados no relatório de lançamentos foram apurados pelo auditor fiscal de acordo com os documentos que foram encontrados na empresa, transferindo à Recorrente, a partir daí, o ônus de provar que a incidência da contribuição previdenciária sobre tais valores não merece prosperar. Assim, através de argumentos genéricos quanto a um suposto erro na apuração da base de cálculo do tributo, percebese que a Recorrente busca instaurar perícia para “refazer” o trabalho dos auditores fiscais, sem embasamento legal, o que não se admite. As alegações de que o indeferimento de prova pericial ofende o princípio do devido processo legal, da legalidade e da verdade material, são totalmente insubsistentes, posto que foi dado prazo legal para que toda a matéria de defesa fosse alegada pela Recorrente, não podendo os órgãos da administração fazendária se subsumir à vontade do contribuinte, sem que haja embasamento plausível para tanto. Da impugnação e do recurso apresentados pelo contribuinte notase que ele não traz uma única competência onde a fiscalização teria cometido qualquer equívoco na apuração da base de cálculo. Muito embora se reconheça que, em determinados casos, o prazo de 30 dias pode ser curto para se colacionar todas as provas para a apuração do direito alegado, é mister destacar que o contribuinte não teve apenas os 30 dias de prazo da impugnação para realizar tal mister. Ainda que a prova que o contribuinte diz ser essencial não pudesse ser produzida nesse curto espaço de tempo, não era vedado ao contribuinte vir aos autos, mesmo que após o protocolo da sua impugnação, e demonstrar, através de documentos, ainda que de forma exemplificativa, o equívoco que alega ter cometido a fiscalização, realizando o devido cotejamento do seu alegado direito com as provas apresentadas. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 22/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 11060.003548/201001 Acórdão n.º 2402004.088 S2C4T2 Fl. 4 5 Não há, portanto, procedência na alegação de nulidade da decisão recorrida por indeferir o pedido de produção de prova pericial. Da suposta nulidade pela ausência de Mandado de Procedimento Fiscal A Recorrente traz na impugnação a alegação de que o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF não fora juntado aos autos. Consequentemente, alega que os efeitos seriam os mesmos de sua inexistência. Todavia, o MPF foi emitido exclusivamente de forma eletrônica e disponibilizado na internet com a utilização de código de acesso consignado no Termo de Início de Procedimento Fiscal constante às fls. 39 do Processo Administrativo Fiscal 11060.003550/201072, anexo (como, aliás, podese confirmar ainda hoje mediante consulta no endereço eletrônico da Receita Federal). Nesse tocante, ressaltase que a Portaria RFB nº 11.371/07, que dispunha sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelecia normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, vigente à época da autuação, estabelecia o seguinte: “Do Mandado de Procedimento Fiscal Art. 4º O MPF será emitido exclusivamente em forma eletrônica e assinado pela autoridade outorgante, mediante a utilização de certificado digital válido, conforme modelos constantes dos Anexos de I a III desta Portaria. Parágrafo único. A ciência pelo sujeito passivo do MPF, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 , com redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de novembro de 1997 , darseá por intermédio da Internet, no endereço eletrônico www.receita.fazenda.gov.br, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal.” Analisandose o MPF disponível no site da Receita Federal do Brasil, é possível extrair ainda as seguintes informações: · Emissão: 19/09/2008, com vencimento em 17/01/2009 (120 dias) · 1ª Prorrogação por 60 dias: até 18/03/2009; · 2ª Prorrogação por 60 dias: até 17/05/2009; · 3ª Prorrogação por 60 dias: até 16/07/2009; · 4ª Prorrogação por 60 dias: até 14/09/2009; · 5ª Prorrogação por 60 dias: até 13/11/2009; · 6ª Prorrogação por 60 dias: até 12/01/2010; · 7ª Prorrogação por 60 dias: até 13/03/2010; Fl. 282DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 22/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 6 · 8ª Prorrogação por 60 dias: até 12/05/2010; · 9ª Prorrogação por 60 dias: até 11/07/2010; · 10ª Prorrogação por 60 dias: até 09/09/2010; · 11ª Prorrogação por 60 dias: até 08/11/2010; · 12ª Prorrogação por 60 dias: até 07/01/2011. Não há que se falar, assim, igualmente, em vício no lançamento pelo fato de não ter ocorrido prorrogações no prazo de vigência do respectivo MPF. Por fim, ainda no tocante ao tema nulidade do procedimento de fiscalização, é preciso afirmar que o contribuinte foi cientificado do encerramento da ação fiscal e da autuação em 24/11/2010 (Auto de Infração, fls. 3, e Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal – TEPF, fls. 47 do Processo Administrativo Fiscal 11060.003550/201072, anexo), antes, portanto, do vencimento da última prorrogação, obedecendo ao parágrafo único do artigo 14 da Portaria RFB nº 11.371/2007. Logo, não há que se falar em nulidade da autuação, visto que observados os requisitos legais. Fundamentação do Auto de Infração Da suposta ausência de discriminação dos valores autuados A Recorrente sustenta que houve falha na fundamentação da presente autuação, que fora impossível de se identificar os valores exatos da autuação e que o auto de infração não menciona a qual processo administrativo fiscal estaria relacionado. Analisando o processo, verificase que às fls. 3742 constam o relatório fiscal e os seus anexos, onde se encontram discriminados os valores considerados pela autoridade fiscal para formalizar a autuação, as situações que deram causa à incidência da contribuição previdenciária, bem como a explicação detalhada dos motivos que levaram a fiscalização a autuar a Recorrente. Está claro pela análise do processo que a autuação versa sobre contribuições devidas à outras entidades e fundos (0,2% SENAR – Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, incidente sobre a comercialização de produção rural adquirida pela cooperativa, de produtores rurais pessoas físicas a ela associados e de terceiros. Ainda, importante salientar que o Auto de Infração previdenciário é identificado pelo número do Debcad – de conhecimento do Recorrente, tanto é que o citou em sua impugnação , de modo que a ausência de indicação de número do processo administrativo, ainda que isso tivesse ocorrido, não implicaria em invalidade do ato, motivo pelo qual não há que se falar em nulidade do lançamento, até mesmo porque não houve qualquer prejuízo ao contribuinte em sua defesa. Da Decadência A Recorrente defende que parte da pretensão fazendária estaria fulminada pela decadência – competências de 03/2005 a 10/2005, vez que o Auto de Infração foi lavrado em 23/11/2010. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 22/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 11060.003548/201001 Acórdão n.º 2402004.088 S2C4T2 Fl. 5 7 Invoca, para tanto, o art. 150, § 4º do CTN, sustentando que houve o pagamento oportuno do valor devido. Contudo, analisandose os autos constatouse, através do Relatório Discriminativo do Débito, juntado às fls. 1121, que não houve pagamento antecipado de qualquer valor a título das contribuições ora exigidas, não havendo também nos autos qualquer documento que comprove esse recolhimento. Verificase, igualmente, que não houve conversão em renda dos depósitos judiciais realizados pelo contribuinte nos autos da Ação Judicial nº 2008.71.00.0298211, proposta pelo contribuinte para contestar a exigência da contribuição autuada, não havendo que se falar, portanto, em pagamento antecipado para fins de aplicação do art. 150, § 4º do CTN. Como não houve, de qualquer forma, o pagamento antecipado, aplicase o disposto no art. 173, I do CTN, segundo o qual o prazo de 5 anos para a lavratura do respectivo auto de infração passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Vejase: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Identificado o dispositivo legal de regência para a contagem do prazo decadencial no presente caso, tomemos como base o primeiro e mais antigo lançamento objeto da fiscalização, que remonta à competência de 03/2005, para verificar se a ação fiscal estaria fulminada pela decadência. Nos termos do inciso I do supracitado dispositivo, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial para a exigência da contribuição não recolhida, referente à competência 03/2005, seria 01/01/2006, primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (ano de 2005). Levandose adiante o raciocínio e completando com o que determina o caput do artigo, o termo final para o lançamento do crédito seria 5 anos após 01/01/2006. Ou seja, 01/01/2011. Como o auto de infração foi lavrado em 11/2010, não há que se falar em decadência da exigência, haja vista ter decorrido 4 anos e 11 meses do termo a quo para a contagem do prazo decadencial relativo ao fato gerador mais remoto da autuação, motivo pelo qual deve subsistir o crédito em favor da Fazenda Nacional. Inconstitucionalidade do Tributo e Inexistência de Declaração Inexata (GFIP) Traz a Recorrente o argumento de que seria inconstitucional a exigência das contribuições em apreço. Pretende, inclusive, a declaração de inconstitucionalidade dos tributos por intermédio da Ação Judicial nº 2008.71.00.298211. Ocorre, no entanto, que a existência ou propositura, pelo Recorrente, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência do litígio Fl. 284DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 22/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 8 nas instâncias administrativas, nos termos do parágrafo único do art. 38 da Lei 6.830/80, verbis: Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo (mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória) importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Parênteses nossos. Nesse sentido, prosseguirão no processo administrativo discussões apenas em relação às matérias distintas da constante do processo judicial. Por isso, as alegações de inconstitucionalidade não serão abordadas nesse julgamento, haja vista a sua submissão ao Poder Judiciário. No tocante à alegação do contribuinte quanto à ausência de descumprimento de obrigação acessória (apresentar as GFIP’s com dados não correspondentes a todos os fatos geradores), verificase que tal discussão está sendo tratada em processo próprio (Processo Administrativo nº 11060.003545/201060, AI Debcad nº 37.256.9153, CFL 68), não cabendo, portanto, qualquer manifestação a respeito desta questão neste processo. O mesmo vale em relação à exigência de contribuição previdenciária que foi depositada judicialmente pelo sujeito passivo, vez que foram objeto de outros lançamentos (Processo Administrativo nº 11060.003546/201012, AI Debcad nº 37.256.9170 e Processo Administrativo nº 11060.003549/201048, AI Debcad nº 37.256.9188). Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, ficando suspensa a cobrança na origem até a conclusão do processo principal nº 11060.003549/201048. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 22/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
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Numero do processo: 10510.003835/2009-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AIOP - TERCEIROS - FNDE - FATOS GERADORES CORRELATOS -
A fiscalização previdenciária possui competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94 da Lei 8.212/91.
ABONO ÚNICO - PREVISÃO EM ACORDO OU CONVENÇÃO COLETIVA - ATO DECLARATÓRIO Nº 16 /2011 PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL
A PROCURADORA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2114 /2011, desta Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 09/12/2011 , DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária.
O parecer que resultou na elaboração do referido ato declaratório, em face da alteração trazida pela Lei nº 11.033, de 2004, à Lei nº 10.522/2002, terá também o condão de dispensar a apresentação de contestação pelos Procuradores da Fazenda Nacional, bem como de impedir que a Secretaria da Receita Federal do Brasil constitua o crédito tributário relativo à presente hipótese, obrigando-a a rever de ofício os lançamentos já efetuados, nos termos do citado artigo 19 da Lei nº 10.522/2002. ] Acredito que o lançamento do ABONO previsto em convenção coletiva, apreciado no referido acordão, se enquadra na exclusão prevista no Parecer PARECER PGFN/CRJ/Nº 2114/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda que ensejou a publicação do Ato Declaratório 16/2011, de 20/12/2011 que no meu entender, atribui razão ao recorrente para que não haja incidência de Transcrevo abaixo o ato em questão para esclarecimentos da sua aplicabilidade.
SALÁRIO INDIRETO EDUCAÇÃO.- RESTRIÇÃO AO ACESSO DE TODOS OS EMPREGADOS - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO
Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração atribuída ao empregado em desacordo com as previsões de não incidência contidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91, mais precisamente quando a empresa cria restrições que impossibiltam a livre concessão do benefício a todos os empregados e dirigentes.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS - DESCUMPRIMENTO DA LEI 10.101/2000 - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES
Quanto a apuração da contribuição sobre os valores de participação nos lucros entendo que uma vez descumprida a regras da lei 10.101,correto a inclusão dos valores na base de cálculo de contribuições previdenciárias
Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para não incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento.
PERIODICIDADE INFERIOR A UM SEMESTRE CIVIL - DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO DA LEI 10.101/2000 - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA APENAS SOBRE AS PARCELAS EXCEDENTES.
Além da exigência legal quanto ao número de pagamentos no ano civil, a empresa deve obedecer, ainda, a norma que a impede de efetuar o pagamento em periodicidade inferior a um semestre civil, o que restou descumprido no PLR 2004. Todavia, a incidência tributária deve atingir apenas as parcelas que excederam a periodicidade legal.
ESTAGIÁRIOS - PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM DESCONFORMIDADE COM A LEI - CARACTERIZAÇÃO COMO SEGURADO EMPREGADO PARA EFEITOS PREVIDENCIÁRIOS
A contratação de estagiários em desconformidade com a lei 6494/77, em especial vinculação do curso com o serviço prestado, gera a caracterização de vínculo de emprego para efeito previdenciários.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-003.651
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade. II) Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento: a) o levantamento ABN - Abono; o levantamento PA2, ATÉ 2 PARC PLR DESACORDO LEI; b) o levantamento P26 , PG EM 022006 PLR EM DESACORDO; c) do levantamento PM2, MAIS D 2 PARC PLR DESACORDO LEI, as competências 02/2005 e 08/2005. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que excluía tão somente o levantamento ABN, Abono. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Kleber Ferreira de Araújo Redator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ABONO ÚNICO PREVISÃO EM ACORDO OU CONVENÇÃO COLETIVA ATO DECLARATÓRIO Nº 16 /2011 PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2114 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 09/12/2011 , DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária”. O parecer que resultou na elaboração do referido ato declaratório, em face da alteração trazida pela Lei nº 11.033, de 2004, à Lei nº 10.522/2002, terá também o condão de dispensar a apresentação de contestação pelos Procuradores da Fazenda Nacional, bem como de impedir que a Secretaria da Receita Federal do Brasil constitua o crédito tributário relativo à presente hipótese, obrigandoa a rever de ofício os lançamentos já efetuados, nos termos do citado artigo 19 da Lei nº 10.522/2002. ] Acredito que o lançamento do ABONO previsto em convenção coletiva, apreciado no AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 38 35 /2 00 9- 61 Fl. 718DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 referido acordão, se enquadra na exclusão prevista no Parecer PARECER PGFN/CRJ/Nº 2114/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda que ensejou a publicação do Ato Declaratório 16/2011, de 20/12/2011 que no meu entender, atribui razão ao recorrente para que não haja incidência de Transcrevo abaixo o ato em questão para esclarecimentos da sua aplicabilidade. SALÁRIO INDIRETO EDUCAÇÃO. RESTRIÇÃO AO ACESSO DE TODOS OS EMPREGADOS INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração atribuída ao empregado em desacordo com as previsões de não incidência contidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91, mais precisamente quando a empresa cria restrições que impossibiltam a livre concessão do benefício a todos os empregados e dirigentes. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DESCUMPRIMENTO DA LEI 10.101/2000 INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES Quanto a apuração da contribuição sobre os valores de participação nos lucros entendo que uma vez descumprida a regras da lei 10.101,correto a inclusão dos valores na base de cálculo de contribuições previdenciárias Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para não incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. PERIODICIDADE INFERIOR A UM SEMESTRE CIVIL DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO DA LEI 10.101/2000 INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA APENAS SOBRE AS PARCELAS EXCEDENTES. Além da exigência legal quanto ao número de pagamentos no ano civil, a empresa deve obedecer, ainda, a norma que a impede de efetuar o pagamento em periodicidade inferior a um semestre civil, o que restou descumprido no PLR 2004. Todavia, a incidência tributária deve atingir apenas as parcelas que excederam a periodicidade legal. ESTAGIÁRIOS PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM DESCONFORMIDADE COM A LEI CARACTERIZAÇÃO COMO SEGURADO EMPREGADO PARA EFEITOS PREVIDENCIÁRIOS A contratação de estagiários em desconformidade com a lei 6494/77, em especial vinculação do curso com o serviço prestado, gera a caracterização de vínculo de emprego para efeito previdenciários. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 719DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10510.003835/200961 Acórdão n.º 2401003.651 S2C4T1 Fl. 718 3 ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade. II) Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento: a) o levantamento ABN Abono; o levantamento PA2, ATÉ 2 PARC PLR DESACORDO LEI; b) o levantamento P26 , PG EM 022006 PLR EM DESACORDO; c) do levantamento PM2, MAIS D 2 PARC PLR DESACORDO LEI, as competências 02/2005 e 08/2005. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que excluía tão somente o levantamento ABN, Abono. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 720DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob o n. 37.230.1711, em desfavor da recorrente tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, levantadas sobre os valores pagos a pessoas físicas na qualidade de empregados e contribuintes individuais (diretores e conselheiros), no período compreendido entre 01/2005 a 12/2005. O presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob o n. 37.157.8710, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela destinada a terceiros, , no período de 01/2005 a 02/2006 . Conforme descrito no relatório fiscal OS LEVANTAMENTO contidos no presente AI referemse: ABN: Abono; ETD, ETP, Z3 E Z4: estagiários e P26, PA2 E PM2: participação nos lucros paga em desacordo.com a lei 10.101/000 Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 09/11/2009, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 16/11/2009. Inconformado com a NFLD, a notificada apresentou defesa, conforme fls. 94 a 116 . Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, fls. 162 a 169. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 558 a 596, onde, em síntese a recorrente alega: 1. Nulidade do AI face descumprimento do art. 142 do CTN, incorreção na determinação da matéria tributável, quando faz no relatório, referência a contribintes individuais, quando o lançamento referese apenas a empregados. 2. A improcedência do AI em face da inequívoca inconstitucionalidade e ilegalidade da incidência da contribuição relativa ao salário educação sobre os valores pagos à título de: abono único, bolsa de estudo, bolsa estagiário e bolsa paga a estagiário, bem como em relação aos valores pagos de participação nos lucros. 3. Não pode o acórdão recorrido determinar o recolhimento pelo recorrente, no que se refere ao aluguel e condomínio em benéfico dos diretores Srs. André Tavares Andrade e Jair Araújo, bem como quanto a diferença de remuneração paga ao ultimo citado e ao sr. Edgard D’Avilla, uma vez que se tratam de diretores que jamais foram empregados 4. Ao contrário do entendimento adotado pela autoridade fiscal o valor dos abonos pagos aos segurados empregados não consiste em salário de contribuição, primeiramente Fl. 721DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10510.003835/200961 Acórdão n.º 2401003.651 S2C4T1 Fl. 719 5 porque não se trata de pagamento habitual, pelo contrário é paga uma única vez ao ano; ademais, existe expressa previsão em convenção coletiva para o pagamento. 5. Demonstrado que os valores dos abonos não constituem remuneração deve ser reformada a decisão. 6. Os pagamento feitos à título de bolsa para o estagiário não constituem salário de contribuição, sendo equivacado o entendimento que caracterizou os estagiários como segurados empregados, basenadose primeiramente no fato de que a Resolução CNE/CEB n. 1 de 2004, não pode ultrapassar os ditames legais, fixando jornada de trabalho do estagiário. 7. Quanto a alegação de que o estágio encontravase irregular, posto que não eram exercidas atividades vinculadas estritamente a grade curricular do curso que o estagiário estava cursando, ressaltase que nada impede que uma aluno de radicalismo não poderia exercer a profissão bancária, tão antiga quanto o capitalismo, mais antiga que a previdência social. Ademais, a simples leitura do acordão observase que a autoridade fiscal atribuiu a quase totalidade dos estagiários as mesmas funções sem observar as peculiaridades de cada contrato celebrado. 8. Mesmo para os estagiários de agência, que em regra tem a pretensão de tornaremse bancários, senão não teriam buscado estágio nessa área, queda clara a aquisição de conhecimento. 9. Todos os compromissos de estágio foram submetidos as instituições de ensino que chancelaram integralmente os termos firmados. 10. Resta absurda a pretensão da decisão ora recorrida de formar vínculo face a existência dos requisitos do vínculo de emprego, atribuindose a condição de juiz do trabalho. 11. Ademais, para ingressar nos quadros do banco necessária a realização de concurso público, não se admitindo que se determine vínculo de emprego com os estagiários. 12. Quanto ao pagamento de PLR, ressaltese que os critérios encontramse detalhadamente previstos nos programas das moedas, descritos pela Resolução 000218/2002 e ratificado pelo acordo coletivo 2005/2006. Assim, não obstante que os critérios estejam claras e plenamente disponíveis, já que o programa de moedas está anexo ao AC. 13. O papel da autoridade julgadora, no processo administrativo é a de atuar com imparcialidade, buscando por todos os meios atuar com imparcialidade, na busca da verdade material. 14. Em tempo algum as regras chanceladas no respectivo acordo ou os valores distribuídos à título da verba em questão foram questionados pela autoridade administrativa, a qual preferiu restringirse a ausência de transcrição das respectivas regras (plenamente conhecidas no acordo coletivo. 15. Além disso, a referida lei exige apenas que os instrumentos de negociação contem regras claras e objetivas para distribuição dos resultados, o que efetivamente ocorreu. Observa se que a lei não exige que as regras constem “no” dispositivo, mas tão somente “do” dispositivo. Fl. 722DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 16. Assim, como a distribuição dos valores inequivocadamente obedeceu todos os requisitos previstos em lei, não há como se alterar a natureza jurídica do pagamento. 17. Por fim, quanto ao suposto pagamento em mais de duas parcelas anuais, cumpre verificar que estes recolhimentos não refletem novas distribuições, mas apenas complementação da parcela antecipada em montante menor que o firmado na Convenção Coletiva de Trabalho, fato este que não é capaz por si só de desvirtuar a natureza jurídica do pagamento. 18. O maior exemplo de que o plano encontrase correto é que a empresa nunca foi demandada judicial na esfera trabalhista, para que se questione a natureza dos pagamentos. 19. Face o exposto, requer a nulidade da autuação, tendo em vista que ao desconsiderar o limite do salário de contribuição do segurado ofendeu o art. 142 do CTN. 20. Caso assim, não entenda, seja reformada a decisão posto que não incidem contribuições sobre os valores pagos a título de abono, participação no lucros e bola estágio. 21. Caso, seja mantida qualquer contribuição, requer seja determinada a realização de diligência para o recálculo pela fiscalização, a fim de adequála a legislação em vigor. O processo retornou a origem face solicitação da mesma para realização de desmembramento do débito, nos termos da resolução 2401021, fls. 681, abaixo transcrita: O presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob o n.37.157.8710, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela destinada a terceiros, no período de 01/2005 a 02/200. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 71 a 86, o lançamento compreende os seguintes levantamentos: ABN Abono Rubrica 1045; ETD, ETP, Z3, Z4 Estagiários caracterizados como empregados, P26, PA2, PM2 remuneração de empregados paga em desacordo com a lei 10.101/00. Foi encaminhado a este Conselho o Memorando n. 31/2012/ACAT/DRFAJU/ SRRF05/RFB/MFSE, de 14 de março de 2012, acerca da Solicitação de Devolução do Processo n. 10510.003835/200961, com o objetivo de que possa ser realizado o desmembramento do débito, seguindo orientação dada pela DRJ/SDR/BA. Assim, restituímos o processo à origem para as providências cabíveis. A DRFB efetuou o desmembramento do débito, excluindo do lançamento em questão os levantamentos: AFN – RESSARC. DESP. ATIVIDADE FÍSICA; RDN – REM N DCL GFIP (PARCIAL);. Assim, remanescem no presente AI os levantamentos: ABN – Abono; BEM – Bolsa de estudo, ETD – ESTÁGIO DESACORDO LEI DEVIDO; ETP – ESTÁGIO DESACORDO LEI PAGO; MDN – DESPESA COM MORADIA; P26 – PG EM 022006 PLR EM DESACORDO; PA2 – ATÉ 2 PARC PLR DESACORDO LEI, PM2 – MAIS D 2 PARC Fl. 723DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10510.003835/200961 Acórdão n.º 2401003.651 S2C4T1 Fl. 720 7 PLR DESACORDO LEI, RDN – REM N DCL GFIP (PARCIAL), conforme DADD – Discriminativo Analítico desmembrado. A DRFB encaminhou o recurso a este Conselho para Julgamento. É o Relatório. Fl. 724DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 638. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Preliminarmente, alega o recorrente a inobservância do art. 142 do CTN, face a exigência de contribuições, sem que a mesma tenha previsão legal, alegando que encontram se lançadas contribuições à título de salário educação, sobre a remuneração paga a contribuintes individuais. Todavia, destacase que a alegação de imprópria a cobrança de contribuições a título de salário educação dos diretores Srs. André Tavares Andrade e Jair Araújo, bem como quanto a diferença de remuneração paga ao ultimo citado e ao sr. Edgard D’Avilla, posto que não são empregados da autuada, mas contribuintes individuais. Todavia, na decisão de primeira instância, restou evidenciado perante os sistemas previdenciários, ratificado pela própria declaração de imposto de renda de um dos beneficiários da condição de assalariado. Neste caso, não colacionou o recorrente, após a decisão proferida, qualquer documento que demonstrasse suas alegações ou mesmo que rebatesse os argumentos trazidos pelo julgador. DO MÉRITO Cumpre observar, primeiramente, que fiscalização previdenciária possui competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94 da Lei 8.212/91. Outro ponto que merece destaque é que o Auto de Infração de Obrigação principal correspondente a parte patronal (contribuição da empresa), já foi objeto de apreciação no âmbito deste Conselho, por meio do acórdão 230201.858, de relatoria da Conselheira Liege Lacroix Thomasi Relatora. Em sendo julgados em separado, a matéria deve ser submetida em sua totalidade novamente ao colegiado, para que o mesmo aprecie todos os fatos geradores elencados no presente AI. Assim, feita a correlação dos processos, devese destacar, que no AI principal, constam levantamentos, ou seja fatos geradores de obrigações patronais, mas que não ensejam constribuições destinadas a terceiros (mais especificamente ao FNDE), quais sejam: Cooperativas de Trabalho e retenção de 11%. Da mesma forma, importante destacar que parte do crédito foi desmembrada (diligência requerida pela DRFB), considerando a não impugnação pelo autuado de parte do crédito para inclusão em parcelamento. Fl. 725DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10510.003835/200961 Acórdão n.º 2401003.651 S2C4T1 Fl. 721 9 Assim, remanescem no presente AI os levantamentos: ABN – Abono; BEM – Bolsa de estudo, ETD – ESTÁGIO DESACORDO LEI DEVIDO; ETP – ESTÁGIO DESACORDO LEI PAGO;; P26 – PG EM 022006 PLR EM DESACORDO; PA2 – ATÉ 2 PARC PLR DESACORDO LEI, PM2 – MAIS D 2 PARC PLR DESACORDO LEI, RDN – REM N DCL GFIP (PARCIAL), conforme DADD – Discriminativo Analítico desmembrado. Dessa forma, considerando que os levantamentos descritos no presente AI foram integralmente apreciados pela ilustre conselheira Liege Lacroix e como mencionado anteriormente a contribuição destinada a terceiros fundase nos mesmos argumentos jurídicos e fáticos já apreciados no acórdão 230201.858. Contudo, considerando a independência entre os processos, passo a apreciar isoladamente cada fato gerador, valendome em determinadas ocasiões do voto proferido no acórdão. Importante salientar, ainda, que o julgador de primeira instância já havia julgado procedente em parte o lançamento de acordo com a exclusão da parcela atinente a ajuda de custo contida no levantamento MDN.. Para iniciarmos a análise da procedência ou não do lançamento, importante identificar quais as contribuições apuradas pelo lançamento. Assim, foram apuradas contribuições sobre os valores pagos s pessoas físicas, enquanto empregados à título de abonos, participação nos lucros em desconformidade com a lei, bem como bolsas de estagiários. CONCEITO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO De pronto para efeitos de esclarecimento, convém trazer a definição do conceito de salário de contribuição. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) grifo nosso. Existem parcelas que não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 726DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; Fl. 727DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10510.003835/200961 Acórdão n.º 2401003.651 S2C4T1 Fl. 722 11 i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)Grifo nosso n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Grifo nosso q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 728DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Segundo o ilustre professor Arnaldo Süssekind em seu livro Instituições de Direito do Trabalho, 21ª edição, volume 1, editora LTr, o significado do termo remuneração deve ser assim interpretado: No Brasil, a palavra remuneração é empregada, normalmente, com sentido lato, correspondendo ao gênero do qual são espécies principais os termos salários, vencimentos, ordenados, soldo e honorários. Como salientou com precisão Martins Catharino, “costumeiramente chamamos vencimentos a remuneração dos magistrados, professores e funcionários em geral; soldo, o que os militares recebem; honorários, o que os profissionais liberais ganham no exercício autônomo da profissão; ordenado, o que percebem os empregados em geral, isto é, os trabalhadores cujo esforço mental prepondera sobre o físico; e finalmente, salário, o que ganham os operários. Na própria linguagem do povo, o vocábulo salário é preferido quando há prestação de trabalho subordinado.” ABONO ÚNICO PAGO EM CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO Embora tenha a Colnselheira Liege quando do julgamento da parte patronal, determinado a procedência da autuação em relação a rubrica ABONO, valhome do da alteração trazida pela Lei nº 11.033, de 2004, à Lei nº 10.522/2002, para apreciar a questão sob outro enfoque. Assim, prescreve a referida lei.: Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) I matérias de que trata o art. 18; II matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça, do Tribunal Superior do Trabalho e do Tribunal Superior Eleitoral, sejam objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fl. 729DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10510.003835/200961 Acórdão n.º 2401003.651 S2C4T1 Fl. 723 13 Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) III (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) IV matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) V matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) § 1o Nas matérias de que trata este artigo, o Procurador da Fazenda Nacional que atuar no feito deverá, expressamente, reconhecer a procedência do pedido, quando citado para apresentar resposta, hipótese em que não haverá condenação em honorários, ou manifestar o seu desinteresse em recorrer, quando intimado da decisão judicial. (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) § 1o Nas matérias de que trata este artigo, o Procurador da Fazenda Nacional que atuar no feito deverá, expressamente:(Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) I reconhecer a procedência do pedido, quando citado para apresentar resposta, inclusive em embargos à execução fiscal e exceções de préexecutividade, hipóteses em que não haverá condenação em honorários; ou (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) II manifestar o seu desinteresse em recorrer, quando intimado da decisão judicial. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) § 2o A sentença, ocorrendo a hipótese do § 1o, não se subordinará ao duplo grau de jurisdição obrigatório. § 3o Encontrandose o processo no Tribunal, poderá o relator da remessa negarlhe seguimento, desde que, intimado o Procurador da Fazenda Nacional, haja manifestação de desinteresse. § 4o A Secretaria da Receita Federal não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que trata o inciso II do caput deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) § 4o A Secretaria da Receita Federal do Brasil não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que tratam os incisos II, IV e V do caput, após manifestação da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Fl. 730DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 § 5o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) § 5o As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 6o (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) § 7o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Conforme descrito, a referida norma orienta a impossibilidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil constitua o crédito tributário relativo à presente hipótese, obrigandoa a rever de ofício os lançamentos já efetuados, nos termos do citado artigo 19 da Lei nº 10.522/2002. Não discordo do posicionamento adotado pelo auditor, bem como pela ilustre julgadora da parte patronal, em relação ao ABONO, considerando os aspectos descritos na lei previdenciária e nos atos normativos; todavia convém analisar a questão considerando não apenas a literalidade do texto legal, mas em especial, os atos emanados da Procuradoria da Fazenda Nacional a respeito da questão. Nesse sentido, acredito que o lançamento do ABONO previsto em convenção coletiva, apreciado no referido acordão, se enquadra na exclusão prevista no Parecer PARECER PGFN/CRJ/Nº 2114/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda que ensejou a publicação do Ato Declaratório 16/2011, de 20/12/2011 que no meu entender, atribui razão ao recorrente para que não haja incidência de Transcrevo abaixo o ato em questão para esclarecimentos da sua aplicabilidade. ATO DECLARATÓRIO Nº 16 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2114 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 09/12/2011 , DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, Fl. 731DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10510.003835/200961 Acórdão n.º 2401003.651 S2C4T1 Fl. 724 15 desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: REsp nº 434.471/MG (DJ 14/2/2005), REsp nº 1.125.381/SP (DJe 29/4/2010), REsp nº 840.328/MG (DJ 25/9/2009) e REsp nº 819.552/BA (DJe 18/5/2009). Brasília, 20 de dezembro de 2011. Neste ponto, entendo que o resultado em questão deva acompanhar o da obrigação principal, acórdão 230201.858, nos fatos geradores correlatos aos dois AI, destacando apenas que por força do Ato Declaratório n. 16/2011 da PGFN deva ser excluído do presente lançamento o levantamento ABN. QUANTO A CARACTERIZAÇÃO DOS ESTAGIÁRIOS Quanto a caracterização dos estagiários como segurados empregados, citese que não houve a pretensão da autoridade fiscal de investirse de magistrado do trabalho como alegado pelo recorrente, mas tão somente em constatando que a realidade dos fatos descreve que a contratação de estagiários encontravase desvirtuada, descumprindo os preceitos da lei 6.494/77, haverseia de caracterizar os trabalhadores como segurados empregados para efeitos previdenciários. Notese que para a regular caracterização, deve os auditor identificar o dispositivo descumprido, bem como a presença dos requisitos do vínculo de emprego, quais sejam: continuidade, subordinação, onerosidade e pessoalidade, o que entendo logrou êxito o auditor. Convém destacar que o relatório fiscal, fls. 34 a 40, descreveu o auditor individualmente os estagiários, as respectivas funções descritas pelo termo de compromisso, a formação do estagiário, a jornada cumprida, além dos requisitos ensejadores. Ao contrário do entendimento trazido pelo recorrente, concordo com a autoridade fiscal, ao definir que para os estudantes de nível médio, os preceitos da legislação de estágio descumpridos dizem respeito a jornada superior ao limite estabelecido pela Resolução CNE/CEB n. 01/2004. À época da lei 6494, já existia expressa previsão de que a jornada do estágio deveria ser compatível com a escola, sendo que a referida resolução estabele jornada máxima de 4 horas, razão porque entendo que restou descumprida a legislação do estágio em relação aos alunos do ensino médio. Já quanto aos estagiários de nível superior descritos no relatório ressaltese que ao contrário do entendimento do recorrente, não entendo que um estudante de radialista, possa realizar serviços bancários, como extensão de sua educação profissionalizante. Assim, como exposto pelo auditor, para que o estágio seja regular tem que estar diretamente relacionado ao que o estudante está estudante, pois caso contrário tornase meio fraudulento de obtenção de mão de obra barata. Face o exposto entendo que logrou êxito o auditor em demonstrar que a legislação pertinente a contratação de estagiários restou descumprida devendo ser formado o vínculo como segurado empregado para efeitos previdenciários. Fl. 732DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 BOLSA DE ESTUDOS DE GRADUAÇÃO, PÓSGRADUAÇÃO, MESTRADO E CURSO DE LÍNGUAS Em relação ao levantamento BOLSA DE ESTUDOS – BEM, dois foram os argumentos apontados pelo auditor: 1) que o art. 28, § 9º da lei 8212/91, não exclui do conceito de salário de contribuição as bolsas destinadas a cursos superior, pósgraduação e curso de línguas; 2) e que o regulamento do programa de bolsa de estudos em vigor no primeiro semestre de 2005, destacam como requisitos para participação: não possuir punições disciplinares em vigor ou não ter sido dispensado da função por motivo de desempenho, pelo período de um ano e não possuir processos judiciais contra o banco. Dessa forma, descreveu a autoridade fiscal, que a bolsa graduação, pós graduação, mestrado e língua estrangeira, não se enquadra nas exclusão prevista no art. 28, § 9, “t” da lei 8212/91, razão pela qual constitui salário de contribuição. Vejamos o dispositivo que trata da questão: O artigo 28, § 9°, "V', da Lei n°. 8.212/91, estabelece que não integra o saláriodecontribuição: "O valor relativo a plano educacional que vise a educação básica, nos termos do art. 21 da Lei n° 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada. pela Lei n°9.711, de 20.11.98)" (grifo nosso) • • Assim, podemos destacar que dois são os fundamentos da autoridade fiscal, o primeiro por simplesmente tratarse de educação superior e o segundo por não ser extensível a todos os empregados. Quanto a questão da educação superior entendo que o argumento de que os cursos de capacitação e qualificação profissionais abrangem os cursos superiores, especialmente porque os mesmos possuem intima ligação com a capacitação e qualificação profissional de qualquer funcionário, o art. 39, abaixo transcrito, da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, Lei n° 9.394/96, seja em sua redação original, vigente à época dos fatos geradores, como na dada pela Lei n° 11.741/2008, vigente época da lavratura do Auto de Infração, de fato estabelece a possibilidade de os cursos superiores abrangerem os cursos profissionais: Art. 39. A educação profissional, integrada às diferentes formas de educação, ao trabalho, a ciência e à tecnologia, conduz ao permanente desenvolvimento de aptidões para a vida produtiva. (redação original). Parágrafo único. O aluno matriculado ou egresso do ensino fundamental, médio e superior, bem como o trabalhador em geral, jovem ou adulto, contará com a possibilidade de acesso a educação profissional. (redação original) Fl. 733DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10510.003835/200961 Acórdão n.º 2401003.651 S2C4T1 Fl. 725 17 Art. 39. A educação profissional e tecnológica, no cumprimento dos objetivos da educação nacional, integrase aos diferentes níveis e modalidades de educação e às dimensões do trabalho, da ciência e da tecnologia. (Redação dada pela Lei n° 11.741, de 2008) (..) § 29 A educação profissional e tecnológica abrangerá os seguintes cursos:(incluído pela Lei n° 11.741, de 2008) III — de educação profissional tecnológica de graduação e pós graduação. (incluído pela Lei n° 11.741, de 2008) Ocorre que a não basta simplesmente fornecer, mas devese relacionar com a atividade desenvolvida na empresa, como preceitua o dispositivo da lei 8212/91. Só que essa informação deve ser requerida pela autoridade fiscal, quando identifica a concessão dos benefícios aos empregados de empresa alvo de procedimento fiscal, o que não ocorreu, ensejando a exclusão desse argumento para que se determine o descumprimento da lei. O que entendo é que a imputação fiscal não se mostrou clara ao descrever esse fundamento como lançamento. Contudo, ainda restanos enfrentar outro ponto: qual seja, a não extensão do benefício a todos os empregados e dirigentes da empresa. Nesse ponto, entendo correto o lançamento, considerando que estabelecer restrições para o acesso ao benefício, em especial inexistência de processos judiciais contra o banco, restringe o direito dos empregados a valer do benefício de acesso a qualificação profissional. Independente do tipo de restrição, a lei é enfática e não cria possibilidades: , “desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo”. Isto posto, mantenho o lançamento em relação ao levantamento BOLSA DE ESTUDOS. QUANTO A PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS Com relação aos levantamentos referentes aos pagamento de participação nos lucros aos empregados, entendo que razão também não assiste ao recorrente Os argumentos trazidos pela autoridade fiscal para consideração dos valores pagos à título de PLR configurarem salário de contribuição foram: ausência de metas estipuladas no acordo e pagamento em periodicidade acima do previsto em lei. Quanto ao primeiro argumento, esclareceu a autoridade fiscal que a empresa institui Programa “Moedas”, que consiste de uma sistema de premiação, criado em 2002, unilateralmente pela empresa. Neste sentido, descreve o auditor que a Lei 10.101 descreve a necessidade de fixação de metas no instrumento que previu o pagamento de PLR, contudo, considerando que os acordos são de 2004, 2005 e 2006, e o programa de metas é de 2002. Assim, não houve negociação das metas que deveriam ser alcançados pelo empregado para que o mesmo tenha conhecimento do quanto seu trabalho irá interferir no capital da empresa, estimulando a sua participação e engajamento. Às fls. 37 consta informação, clara que as metas eram fixadas unilateralmente, sem negociação prévia. Fl. 734DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 Alegou o recorrente, de que os acordos e convenções acabavam por ratificar o referido programa de metas, contudo, não consegui identificar no autos dita ratificação, razão porque correto o posicionamento do auditor. Contudo, entendo que não é só este ponto que enseja a configuração dos valores como base de cálculo de contribuições., conforme descrito pela autoridade fiscal. Ou seja, o pagamento em mais de duas parcelas também foi elemento relevante para definir que o valores pagos constituem salário de contribuição. Quanto a isso manifestouse o recorrente no seguinte sentido Por fim, quanto ao suposto pagamento em mais de duas parcelas anuais, cumpre verificar que estes recolhimentos não refletem novas distribuições, mas apenas complementação da parcela antecipada em montante menor que o firmado na Convenção Coletiva de Trabalho, fato este que não é capaz por si só de desvirtuar a natureza jurídica do pagamento. Realmente, conforme apontado pelo auditor, a lei 10.101/2000 não admite o pagamento de PLR mais duas vezes no ano, ou com periodicidade inferior a um semestre civil, ou seja, entendo que os dois prazos são cumulativos e não uma opção. Assim, ao pagar PLR em desconformidade com a lei, também em relação a periodicidade, passam os valores distribuídos a compor o conceito de salário de contribuição. Assim descreve o dispositivo legal a respeito: Art. 3º A participação de que trata o art. 2onão substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Contudo, para que seja descumprido o requisito da periodicidade, deve o auditor indicar que a empresa distribuiu efetivamente PLR aos empregados com a inobservância da lei. Se confirmada a alegação da empresa, que tratase de meras diferenças, esses valores, não merecem ser tratados como outra parcela de PLR, mas simples ajuste do mesmo, como o fim de realizar o pagamento correto após apuração. No presente caso, entendo que razão assiste ao recorrente.no sentido, que o simples fato de existirem mais pagamentos, não desnatura o PLR. Contudo, o ANEXO VI – , fl. 296, Relação de empregados que receberam o PPR mais de duas vezes no ano calendário 2009, descreve empregado a empregado, aqueles que receberam em mais de duas parcelas, e não entendi, como os meros complementos. Muitos pagamentos extras, apresentam o mesmo valor da ultima parcela, mesmo que em valores menores que a parcela inicial. Assim, embora, aceite o argumento teórico do recorrente, não consegui identificar nos presentes autos que os terceiros pagamentos, representem simples diferença, tendo o auditor identificado pontualmente cada um dos beneficiados. CONCLUSÃO: entendo que para a relação apresentada pela autoridade fiscal, foi descumprido o limite máximo de salário de contribuição, razão pela qual deve consistir base de cálculo de contribuição. Fl. 735DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10510.003835/200961 Acórdão n.º 2401003.651 S2C4T1 Fl. 726 19 FUNDAMENTO: descumprimento do §2o do art. 3 da lei 10.101/2000. Quanto a verba participação nos lucros e resultados em primeiro lugar deve se ter em mente que é norma constitucional de eficácia limitada. Com efeito, para ilustrar o item 02, do Parecer CJ/MPAS no 547, de 03 de maio de 1996, aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro do MPAS, dispõe, verbis: (...) de forma expressa, a Lei Maior remete à lei ordinária , a fixação dos direitos dessa participação. A norma constitucional em foco pode ser entendida, segundo a consagrada classificação de José Afonso da Silva, como de eficácia limitada, ou seja, aquela que depende "da emissão de uma normatividade futura, em que o legislador ordinário, integrandolhe a eficácia, mediante lei ordinária, lhes dê capacidade de execução em termos de regulamentação daqueles interesses". (Aplicabilidade das normas constitucionais, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1968, pág. 150). (Grifamos) Vale ressaltar o que o Parecer CJ/MPAS nº 1.748/99 traz em seu bojo acerca da matéria: EMENTA DIREITO CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO TRABALHADOR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ART. 7º , INC. XI DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA POSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. 1) O art. 7º , inciso XI da Constituição da República de 1988, que estende aos trabalhadores o direito a participação nos lucros desvinculado da remuneração é de eficácia limitada. 2) O Supremo Tribunal Federal ao julgar o Mandado de Injunção nº 426 estabeleceu que só com o advento da Medida Provisória nº 794, de 24 de dezembro de 1994, passou a ser lícito o pagamento da participação nos lucros na forma do texto constitucional. 3) A parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados antes da regulamentação ou em desacordo com essa norma, integra o conceito de remuneração para os fins de incidência da contribuição social. (...) 7. No entanto, o direito a participação dos lucros, sem vinculação à remuneração, não é auto aplicável, sendo sua eficácia limitada a edição de lei, consoante estabelece a parte final do inciso anteriormente transcrito. 8. Necessita portanto, de regulamentação para definir a forma e os critérios de pagamento da participação nos lucros, com a finalidade precípua de se evitar desvirtuamento dessa parcela. 9. A regulamentação ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, 29 de dezembro de 1994, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das Fl. 736DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 20 empresas e dá outras providências, hoje reeditada sob o nº 1.76956, de 8 de abril de 1999. 10. A partir da adoção da primeira Medida Provisória e nos seus termos, passou a ser lícito o pagamento de participação nos lucros desvinculada da remuneração, mas, destaco, a desvinculação da remuneração só ocorrerá se atender os requisitos pré estabelecidos. 11. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ao julgar o Mandado de Injunção nº 426, onde foi Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, que tinha por escopo suprir omissão do Poder Legislativo na regulamentação do art. 7º, inc. XI, da Constituição da República, referente a participação nos lucros dos trabalhadores, julgou a citada ação prejudicada, face a superveniência da medida provisória regulamentadora. 12. Em seu voto, o Ministro ILMAR GALVÃO, assim se manifestou: O mandado de injunção pretende o reconhecimento da omissão do Congresso Nacional em regulamentar o dispositivo que garante o direito dos trabalhadores de participarem dos lucros e resultados da empresa (art. 7º, inc. IX, da CF), concedendose a ordem para efeito de implementar in concreto o pagamento de tais verbas, sem prejuízo dos valores correspondentes à remuneração. Tendo em vista a continuação da transcrição a edição, superveniente ao julgamento do presente WRIT injuncional, da Medida Provisória nº 1.136, de 26 de setembro de 1995, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências, verificase a perda do objeto desta impetração, a partir da possibilidade de os trabalhadores, que se achem nas condições previstas na norma constitucional invocada, terem garantida a participação nos lucros e nos resultados da empresa. (grifei) 14. O Pretório Excelso confirmou, com a decisão acima, a necessidade de regulamentação da norma constitucional (art. 7º, inc. XI), ficando o pagamento da participação nos lucros e sua desvinculação da remuneração, sujeitas as regras e critérios estabelecidos pela Medida Provisória. 15. No caso concreto, as parcelas referemse a períodos anteriores a regulamentação do dispositivo constitucional, em que o Banco do Brasil, sem a devida autorização legal, efetuou o pagamento de parcelas a título de participação nos lucros. 16. Nessa hipótese, não há que se falar em desvinculação da remuneração, pois, a norma do inc. XI, do art. 7º da Constituição da República não era aplicável, na época, consoante ficou anteriormente dito. (Grifamos) Neste contexto podemos descrever normas constitucionais de eficácia limitada são as que dependem de outras providências normativas para que possam surtir os efeitos essenciais pretendidos pelo legislador constituinte. Ou seja, enquanto não editada a norma, não há que se falar em produção de efeitos. Fl. 737DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10510.003835/200961 Acórdão n.º 2401003.651 S2C4T1 Fl. 727 21 Conforme disposição expressa no art. 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, notase que a exclusão da parcela de participação nos lucros na composição do saláriode contribuição está condicionada à estrita observância da lei reguladora do dispositivo constitucional. Essa regulamentação somente ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, reeditada sucessivas vezes e convertida na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, que veio regular o assunto em tela. De forma expressa, a Constituição Federal de 1988 remete à lei ordinária a fixação dos direitos da participação nos lucros, nestas palavras: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. A Lei nº 8.212/1991, em obediência ao preceito constitucional, na alínea “j”, § 9º, do art. 28, dispõe, nestas palavras: Art. 28 § 9º Não integram o saláriodecontribuição: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. A edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, que dispunha sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas, veio atender ao comando constitucional. Desde então, sofreu reedições e remunerações sucessivamente, tendo sofrido poucas alterações ao texto legal, até a conversão na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000. Os pagamentos referentes à Participação nos Lucros pela recorrente sofrem incidência de contribuição previdenciária, haja vista no período em que foram efetuados terem sido realizadas em desacordo com a legislação específica. A Lei nº 10.101/2000 dispõe, nestas palavras : Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao Fl. 738DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 22 cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3º (...) § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. (...) Art. 4º Caso a negociação visando à participação nos lucros ou resultados da empresa resulte em impasse, as partes poderão utilizarse dos seguintes mecanismos de solução do litígio: I – Mediação; II – Arbitragem de ofertas finais. § 1º Considerase arbitragem de ofertas finais aquela que o árbitro deve restringirse a optar pela proposta apresentada, em caráter definitivo, por uma das partes. § 2º O mediador ou o árbitro será escolhido de comum acordo entre as partes. § 3º Firmado o compromisso arbitral, não será admitida a desistência unilateral de qualquer das partes. § 4º O laudo arbitral terá força normativa independentemente de homologação judicial. Cabe observar que o § 2º, do art. 2º, da Lei n ° 10.101, foi introduzido no ordenamento jurídico a partir da Medida Provisória nº 955, de 24 de março de 1995, e o § 3º, do art. 3º, a partir da Medida Provisória nº 1.69851, de 27 de novembro de 1998. Dessa forma, os empregados e empregadores de comum acordo poderiam eleger qualquer dos mecanismos descritos no dispositivo legal para atribuir legitimidade ao acordo proposto, bem como incluir as metas estabelecidas em acordo coletivo próprio dando respaldo ao pagamento do PLR. Ao descumprir os preceitos legais e efetuar pagamentos de participação nos lucros, o recorrente assumiu o risco de não se beneficiar pela possibilidade de que tais valores estariam desvinculados do salário. Fl. 739DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10510.003835/200961 Acórdão n.º 2401003.651 S2C4T1 Fl. 728 23 Ademais, a interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo é literal. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre esse benefício fiscal, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I, nestas palavras: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso, para rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir o levantamento ABN – Abono, nos termos do voto proferido, mantendo os demais levantamentos. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 740DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 24 Voto Vencedor Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado Minha discordância do voto da Ilustre Relatora resumese às suas conclusões acerca da incidência de contribuições sobre as parcelas pagas a título de participação nos lucros, levantamentos P26, PA2 e PM2. Concordando com o posicionamento do fisco, a Relatora manifestou o entendimento de que os Acordos Coletivos de Trabalho – CCT tratando da PLR não continham as regras claras e objetivas exigidas pelo § 1. do art. 2. da Lei n. 10.101/2000. Extraí do relatório fiscal que, nos ACT 2004/2005 e 2005/2006, o pagamento da PLR estava condicionado ao alcance de metas fixadas no Plano de Premiação por Atingimento e Superação de Metas, o chamado “Programa das Moedas”. O fisco ponderou que o “Programa das Moedas” foi fixado unilateralmente pela empresa 14/02/2002, portanto, em período anterior aos ACT, por isso não atenderia aos ditames da lei específica, haja vista não ter sido objeto de negociação entre patrão e trabalhadores. Entendo de forma diversa. Na Lei n. 10.101/2000 o legislador quis privilegiar a livre negociação entre as partes na fixação das regras atinentes ao pagamento da PLR. Percebese que no próprio § 1. do art. 2. os critérios e condições são citados apenas a título de exemplo, não estando as partes impedidas de fixarem outros parâmetros. Também não há a exigência de que as regras claras e objetivas para aquisição do direito à percepção da verba estejam escritas no corpo do instrumento de negociação, o que sugere que essas normas podem vir em documento apartado, desde que haja menção ao mesmo no acordo ou convenção coletiva. Nesse sentido, patrão e empregados agiram em conformidade com a norma quando dispuseram no ACT que as regras para pagamento da PLR seriam aquelas tratadas no “Programa das Moedas”. Embora os critérios deste tenham sido fixado pela Diretoria do Banco, as partes concordaram que o pagamento da participação ficasse condicionado ao alcance das metas ali fixadas. A jurisprudência do CARF tem se inclinado no sentido de aceitar que estam em conformidade com a Lei os instrumentos de negociação que mencionem documento apartado que apresente regras que serão utilizadas na fixação dos valores a serem repassados a título de PLR. É o que se pode ver de decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, consubstanciada no Acórdão n. 9202003.105, de 25/03/2014: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2005 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA PLR. IMUNIDADE. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. A Participação nos Lucros e Resultados PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre Fl. 741DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10510.003835/200961 Acórdão n.º 2401003.651 S2C4T1 Fl. 729 25 capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho. Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica, notadamente artigo 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, bem como MP nº 794/1994 e reedições, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados. A exigência de outros pressupostos, não inscritos objetivamente/literalmente na legislação de regência, como a necessidade de pagamentos igualitários a todos os empregados, é de cunho subjetivo do aplicador/intérprete da lei, extrapolando os limites das normas específicas em total afronta à própria essência do benefício, o qual, na condição de verdadeira imunidade, deve ser interpretado de maneira ampla e não restritiva. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. EXISTÊNCIA DE ACORDO PREVENDO REGRAS PARA PAGAMENTO DA VERBA. MAIOR ESPECIFICIDADE EM SISTEMA DE GESTÃO DE DESEMPENHO DA PRÓPRIA EMPRESA. VALIDADE. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Constatandose que a empresa concedeu Participação nos Lucros e Resultados com base em Acordo Coletivo com a explicitação de regras claras e objetivas, não há se falar em incidência de contribuições previdenciárias, ainda que a contribuinte tenha instrumentalizado aludido regramento em ato próprio denominado Sistema de Gestão de Desempenho, o qual contempla com maior especificidade as condições e fórmula de cálculo para concessão de referida verba, mormente quando fora devidamente informado aos beneficiários, os quais tem comissão permanente para tratar da matéria. Recurso especial negado. De se concluir que não há desconformidade com a Lei n. 10.101/2000, o fato das partes haverem resolvido que as regras para pagamento da PLR seriam aquelas constantes em programa específico elaborado pelo Banco e instituído em data anterior aos ACT. Ouso também discordar do brilhante voto da Relatora na parte que diz respeito à apreciação do descumprimento da periodicidade legal para pagamento da PLR relativa ao anobase de 2004.. Em relação à periodicidade da distribuição dos lucros ou resultados, o fisco indicou que a autuada distribuiu lucros, no exercício de 2005, em três ocasiões qual sejam: 02/2004; 08/2004 e 10/2005 (Levantamentos PA2 e PM2). Fl. 742DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 26 Todavia, verificase que no levantamento PA2 a parcela distribuída em 10/2005, diz respeito apenas a resíduos, posto que o valor constante naquela parcela totaliza apenas R$ 56.885,15, que corresponde apenas a 3,8% do total da PLR distribuída para aquele grupo de trabalhadores. Assim, os Auditores concluíram que as contribuições previdenciárias deveriam incidir sobre todas as parcelas pagas em 2005 pela empresa a título de participação nos lucros e resultados para o programa de 2004. Tal entendimento foi mantido pela DRJ e adotado pela Relatora. Peço vênias para discordar desse posicionamento. O art. 3º, §2º da Lei 10.101/00, limita o pagamento de antecipação ou distribuição de valores a título de PLR a duas vezes ao ano, em periodicidade não inferior a um semestre civil: Art. 3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Da leitura da legislação (Lei 10.101/00) acima mencionada, verificase que não há nenhuma exceção em relação aos pagamentos referentes às competências anteriores ou posteriores, ou seja, ainda que se trate de antecipação ou complementação, tal parcela será considerada na aplicação da regra da periodicidade. Contudo, havendo mais de um pagamento no mesmo semestre civil, entendo que não se pode tributar a totalidade dos pagamentos efetuados, mas apenas aquele pagamento que acabou por violar a regra de periodicidade prevista na lei. Esse posicionamento vem sendo manifestado tanto pela jurisprudência administrativa quanto a judicial, conforme se observa dos trechos abaixo transcritos: Quanto ao pagamento de PLR efetuado aos empregados nas localidades em que a recorrente firmou acordo coletivo com o sindicato da categoria, entendo que a recorrente deixou de cumprir os requisitos legais apenas no exercício de 2000, quando efetuou pagamento de PLR três vezes no exercício, sendo duas delas dentro do mesmo semestre civil. A recorrente efetuou pagamentos em 05/2000, 06/2000 e 12/2000. A meu ver, a parcela que representou o descumprimento do requisito legal corresponde àquela efetuada em 06/2000 e sobre esta devem incidir as devidas contribuições. (CARF, trecho do voto condutor, proferido pela Relatora Conselheira Ana Maria Bandeira, Acórdão 20601.025, Sessão de 02/07/2008). TRIBUTÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PERIODICIDADE MÍNIMA DE SEIS MESES. ART. 3º, § 2º, da Lei 10.101/2000 (CONVERSÃO DA MP 860/1995) C/C O ART. 28, § 9º, "j", DA LEI 8.212/1991. REDUÇÃO DA MULTA MORATÓRIA. ART. 27, § 2º, DA LEI 9.711/1998. EXIGÊNCIA DE PAGAMENTO INTEGRAL. ART. Fl. 743DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10510.003835/200961 Acórdão n.º 2401003.651 S2C4T1 Fl. 730 27 35 DA LEI 8.212/1991. REDAÇÃO DADA PELA LEI 9.528/1997. DISCUSSÃO ACERCA DA CONSTITUCIONALIDADE. NÃOCONHECIMENTO.[...] 12. Escapam da tributação apenas os pagamentos que guardem, entre si, pelo menos seis meses de distância. Vale dizer, apenas os valores recebidos pelos empregados em outubro de 1995 e abril de 1996 não sofrem a incidência da contribuição previdenciária, já que somente esses observaram a periodicidade mínima prevista no art. 3º, § 2º, da Lei 10.101/2000 (conversão da MP 860/1995). [...] (STJ, REsp 496.949/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 25/08/2009, DJe 31/08/2009) Desse modo, apenas sobre as parcelas dos lucros ou resultados pagas ou creditadas em inobservância à regra legal devem incidir as contribuições previdenciárias. Já as parcelas pagas em observância ao art. 3º, §2º da Lei n. 10.101/2000 – uma vez por semestre e, no máximo, duas vezes por ano – devem ser excluídas. Como já se disse, as parcelas foram distribuídas, respectivamente, em 02/2004; 08/2004 e 10/2005. Assim, pelo raciocínio acima, somente houve o descumprimento em relação à parcela paga em 10/2005, posto que distribuída no mesmo semestre civil que a parcela anterior. Todavia, os pagamentos efetuados em 02/2005 e 08/2005 não padecem de qualquer contrariedade a norma encartada no § 2. do art. 3. da Lei n. 10.101/2000. Quanto a parcela paga no levantamento PA2, para a competência 10/2005, conforme ponderei acima, tratase apenas de diferenças, não devendo ser considerada. Portanto, das parcelas pagas a título de PLR, devem ser excluídas do lançamento: a) Levantamento P26: competência 02/2006 (existência de regras claras); b) Levantamento PA2: competências 02/2005 e 08/2005 (existência de regras claras e respeito à periodicidade) e competência 10/2005 (valor relativos a diferenças); c) Levantamento PM2: competências 02/2005 e 08/2005 (existência de regras claras e respeito à periodicidade). Conclusão Voto por dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento as parcelas pagas a título de PLR a seguir: o levantamento P26, o levantamento PA2 e, do levantamento PM2, MAIS D 2 PARC PLR DESACORDO LEI, as competências 02/2005 e 08/2005 Kleber Ferreira de Araújo Fl. 744DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 28 Fl. 745DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 11610.010145/2002-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 26 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3201-000.474
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por UNANIMIDADE de votos, em converter os autos em diligência.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausente momentaneamente a conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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JOEL MIYAZAKI Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausente momentaneamente a conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. RELATÓRIO e VOTO Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Tratase de manifestação de inconformidade, apresentada pela empresa em epígrafe, ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo que indeferiu o pedido de ressarcimento e não homologou as compensações declaradas anexas ao presente processo administrativo. Consta nos autos que o crédito tributário que se pretendeu compensar referese ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei n° 9363/96 e na Portaria MF n° 38/97, referente ao 1º trimestre de 2001, no montante de R$ 152.645,28, valor a ser aproveitado na compensação declarada pelas Dcomp acostadas às fls. 192 a 197 do processo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 10 .0 10 14 5/ 20 02 -2 7 Fl. 4684DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11610.010145/200227 Resolução nº 3201000.474 S3C2T1 Fl. 4.685 2 A Delegacia de origem, em 4/02/2010, mediante despacho decisório, indeferiu o pedido de ressarcimento, sem análise do mérito, em razão de a contribuinte ter deixado de apresentar, embora intimada, os documentos solicitados com o fim de comprovar a certeza e liquidez do direito creditório requerido e não esclarecer a origem do ressarcimento solicitado (base legal) e, conseqüentemente, não homologou as compensações relacionadas no processo. Regularmente cientificada, em 09/04/2010 (doc fls. 203verso), do indeferimento de seu pleito, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual, em resumo, fez as seguintes considerações: • A recorrente protocolou, exatamente no dia 28/01/2010 (ultimo dia do prazo dado para entrega de documentos), documento solicitando a prorrogação do prazo, visto que não conseguiria atender a intimação no prazo concedido tendo em vista que os documentos solicitados datam de 10 anos e, acreditando que seu crédito já estava homologado, os documentos estavam no arquivo morto fora da sede da empresa; • Motivos de força maior (fortuito) impediram a empresa de atender a intimação fiscal, já que os documentos estavam no arquivo morto, fora da sede da empresa, que fora atingida por sinistro causado por fortes chuvas em 2008; • A empresa neste ato exibe, para que seja apreciado por quem de direito, toda a documentação exigida pelo termo de intimação fiscal n° 211/2009 e o faz amparada nos preceitos constitucionais do direito de impugnação administrativa, direito ao contraditório, direito à cognição formal e material ampla, direito à produção de provas, direito a recurso hierárquico; • Deve ser acolhida a pretensão da ora recorrente em ter apreciado, nesta instância, os documentos ora acostados, por analogia do preceituado no artigo 517, do Código de Processo Civil: "As questões de fato, não propostas no juízo inferior, poderão ser suscitadas na apelação, se a parte provar que deixou de fazêlo por motivo de força maior"; • O motivo de força maior encontrase sobejamente provado por meio dos documentos juntados na manifestação que demonstram não ter havido a máfé da ora recorrente em não apresentar a documentação objeto da intimação fiscal dentro do prazo concedido, seja pelo sinistro j á comentado, seja pela mudança do sistema de informação, seja até pela sua ignorância na contagem do prazo, visto que, chegaria à raia da teratología imaginar que o contribuinte, tendo toda a documentação exigida, deixar de apresentála ao fisco, j á que está apresentando neste ato; • Inaplicabilidade da IN n° 900/2008, já que o pedido foi efetivado no ano de 2000. Verificase que, no caso concreto, o pedido de ressarcimento foi efetivado no ano de 2000, embasando o despacho decisório em legislação não vigente à data da ocorrência do fato gerador. Por sua vez, a IN n° 21/97, vigente à época dos fatos, bem como a que lhe sucedeu (IN n° 210/2002), contém disposição muito mais genérica, que Fl. 4685DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11610.010145/200227 Resolução nº 3201000.474 S3C2T1 Fl. 4.686 3 apenas assegura à fiscalização a possibilidade de diligenciar no estabelecimento da pessoa jurídica para obtenção de informações. Existe uma diferença entre "determinar a realização de diligência", conforme previsto pelas IN n° 21/97 e 210/02 e "condicionar o reconhecimento do direito creditório", conforme previsto pela IN n° 900/08; • É obrigação da autoridade fazendária perquerir a verdade material em determinado caso concreto. Importante notar que no caso concreto a verdade material não foi alcançada, eis que o despacho de indeferimento do pedido baseouse em formalismo exarcebado, sendo nulo o despacho decisório; • O despacho decisório afronta não só o Princípio da Verdade Material como também os Princípios da Razoabilidade e o da Proporcionalidade. Por fim, solicitou que seja conhecida a presente manifestação de inconformidade para, após ser deferida, determinar que sejam analisados os documentos acostados aos autos, deferir o pedido de ressarcimento e homologar as declarações de compensação vinculadas ao crédito solicitado neste processo. Protestou, ainda, pela produção de provas que se julgar necessárias no intuito de comprovar a veracidade dos fatos alegados nesta, inclusive por perícia, com a finalidade de comprovação do sinistro relatado, bem como a mudança de seu sistema de informação. Sobreveio decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 Ementa: RESSARCIMENTO DE IPI. COMPROVAÇÃO. Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará o indeferimento do pleito. IPI. RESSARCIMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que, regularmente intimado, tenha deixado de apresentar as provas solicitadas, visando à comprovação do direito reclamado. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. E ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. Fl. 4686DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11610.010145/200227 Resolução nº 3201000.474 S3C2T1 Fl. 4.687 4 Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário, reiterando os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. Na oportunidade, anexou os documentos de fls. 934 a 4.674, solicitados pela autoridade fiscal, entendendo restar comprovado seu direito creditório. É o relatório. Do exposto, constatase que o pleito da recorrente foi negado devido a falta de atendimento de intimação para prestar esclarecimentos e comprovar o crédito. A recorrente, em sede de recurso voluntário, anexou aos autos documentos suficientes para comprovar a existência de um direito creditório, todavia não é possível verificar o montante deste direito. Assim sendo, em atendimento ao princípio da verdade material e da estrita legalidade, entendo pela conversão do feito em diligência para que a Delegacia da Receita Federal de origem: a) proceda com a análise dos documentos apresentados e trazidos em sede de recurso voluntário; b) verifique junto aos documentos fiscais da recorrentes o montante de seu direito creditório. Após a realização das análises solicitadas, profira parecer conclusivo sobre o crédito pretendido e abra vista para que a recorrente se pronuncie, se entender necessário; bem como a Procuradoria da Fazenda NacionalPGFN. Concluída a diligência solicitada, retornem os autos para seguimento no julgamento por esta turma do CARF. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator Fl. 4687DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI
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Numero do processo: 11516.002791/2010-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2007, 2008
ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO.
A escrituração que não contemple a movimentação financeira da empresa, inclusive bancária e, ademais, contenha vícios e erros que impossibilitem a apuração do lucro real é causa para o arbitramento do lucro.
LUCRO ARBITRADO. CÁLCULO.
O lucro arbitrado das pessoas jurídicas é determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta, quando conhecida, dos percentuais fixados para o cálculo do lucro presumido, acrescidos de vinte por cento.
MULTA QUALIFICADA. DECLARAÇÕES ZERADAS.
Correta a aplicação da multa qualificada de 150%, na situação em que o contribuinte entregou declarações (DIPJ, DCTF e DACON) com valores zerados, em períodos consecutivos, o que leva à conclusão do intuito doloso de ocultar da autoridade fazendária o conhecimento dos fatos geradores tributários. Caracterização da sonegação, nos termos do art. 71 da Lei nº 4.502/1964.
Numero da decisão: 1302-001.499
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Márcio Rodrigo Frizzo e Guilherme Pollastri Gomes da Silva, que votaram por reduzir o percentual da multa de ofício para 75%. Ausente momentaneamente o Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2007, 2008 ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO. A escrituração que não contemple a movimentação financeira da empresa, inclusive bancária e, ademais, contenha vícios e erros que impossibilitem a apuração do lucro real é causa para o arbitramento do lucro. LUCRO ARBITRADO. CÁLCULO. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas é determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta, quando conhecida, dos percentuais fixados para o cálculo do lucro presumido, acrescidos de vinte por cento. MULTA QUALIFICADA. DECLARAÇÕES ZERADAS. Correta a aplicação da multa qualificada de 150%, na situação em que o contribuinte entregou declarações (DIPJ, DCTF e DACON) com valores zerados, em períodos consecutivos, o que leva à conclusão do intuito doloso de ocultar da autoridade fazendária o conhecimento dos fatos geradores tributários. Caracterização da sonegação, nos termos do art. 71 da Lei nº 4.502/1964.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Márcio Rodrigo Frizzo e Guilherme Pollastri Gomes da Silva, que votaram por reduzir o percentual da multa de ofício para 75%. Ausente momentaneamente o Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior - Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007, 2008 ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO. A escrituração que não contemple a movimentação financeira da empresa, inclusive bancária e, ademais, contenha vícios e erros que impossibilitem a apuração do lucro real é causa para o arbitramento do lucro. LUCRO ARBITRADO. CÁLCULO. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas é determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta, quando conhecida, dos percentuais fixados para o cálculo do lucro presumido, acrescidos de vinte por cento. MULTA QUALIFICADA. DECLARAÇÕES ZERADAS. Correta a aplicação da multa qualificada de 150%, na situação em que o contribuinte entregou declarações (DIPJ, DCTF e DACON) com valores zerados, em períodos consecutivos, o que leva à conclusão do intuito doloso de ocultar da autoridade fazendária o conhecimento dos fatos geradores tributários. Caracterização da sonegação, nos termos do art. 71 da Lei nº 4.502/1964. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Márcio Rodrigo Frizzo e Guilherme Pollastri Gomes da Silva, que votaram por reduzir o percentual da multa de ofício para 75%. Ausente momentaneamente o Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 27 91 /2 01 0- 07 Fl. 1339DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11516.002791/201007 Acórdão n.º 1302001.499 S1C3T2 Fl. 1.340 2 (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório BENDO TRANSPORTES E CONSULTORIA LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1444.782, de 17/09/2013, da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, do qual extraio os trechos a seguir transcritos: Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela empresa supra, segundo consta da descrição dos fatos, foi tributada, nos anos calendário de 2006 e 2007, receita provenientes de transporte. Foi arbitrado o lucro, com base no art. 530, II do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR, de 1999), tendo em vista que a escrituração mantida pela contribuinte é imprestável para determinação do lucro real, em virtude de erros e falhas relatadas no Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal (TVF). Foram lavrados os autos de infração exigindo os seguintes valores: [Quadro à fl. 1300] O enquadramento legal para o lançamento dos tributos deuse como a seguir demonstrado: [...] Consta no TVF (fls. 394 a 402) que a contribuinte apresentou Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJs) com opção de tributação pelo lucro presumido para o ano calendário 2006 e pelo lucro real para o ano calendário 2007, tendo informado nessas declarações, no entanto, valores zerados de receitas tributáveis. Apresentou Declarações de Débitos e Créditos de Tributos Federais (DCTFs) para os 1° e 2º semestres de 2006 e para o 2º semestre de 2007, também com valores totalmente zerados (fls. 38 a 41). Não apresentou DCTF para o 1º semestre de 2007. Não procedeu a nenhum recolhimento de tributos federais relativos aos períodos sob fiscalização (2006 e 2007). Fl. 1340DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11516.002791/201007 Acórdão n.º 1302001.499 S1C3T2 Fl. 1.341 3 Relatou o autuante que a contribuinte foi intimada a apresentar os livros Diário e Razão ou o livro Caixa, e o livro Registro de Saídas ou o livro fiscal no qual constem os registros dos conhecimentos de transporte. Em resposta, apresentou livros Registro de Entradas, de Saídas, Apuração de ICMS, Diário e Razão, sendo que esses dois últimos livros possuíam escrituração somente até o mês de setembro de 2007. Informada da irregularidade, a fiscalizada apresentou posteriormente livros complementares referentes ao período de outubro a dezembro de 2007, protocolados na JUCESC em 26/05/2010, conforme cópias dos Termos de Abertura e Encerramento às fls.77 e 78 (Diário), 243 e 264 (Razão). Apresentou também cópias de extratos com movimentação financeira dos bancos Bradesco, Unibanco, Safra e da Cooperativa de Crédito de Livre Admissão de Associados Sul Catarinense CREDISULCA. Verificou a fiscalização que os livros Diário e Razão apresentados não continham a escrituração da movimentação financeira de nenhuma das contas correntes referentes aos extratos apresentados. Os valores de receitas tributáveis constantes nos livros Registro de Saídas (fls. 265 a 347) e Diário/Razão (fls. 79 a 264) são os abaixo destacados: [Quadros às fls. 1301 e 1302] Objetivando identificar alguma consistência na escrituração contábil, que suprisse a inexistência dos registros bancários e evitasse a adoção do arbitramento como forma de apuração das bases de cálculo, a fiscalização listou, de forma individualizada, os créditos e débitos superiores a R$20.000,00 nos demonstrativos "Créditos superiores a R$20.000,00" e "Débitos superiores a R$20.000,00" (as fls. 52 a 58), constantes dos extratos bancários disponíveis, e intimou a contribuinte a identificar, nos livros Diário e Razão apresentados, os valores listados nos citados demonstrativos. Intimou, ainda, a contribuinte a ratificar ou retificar os valores de receitas escrituradas nos livros Diário, Razão, Registro de Saídas e Apuração de ICMS anteriormente destacadas. Em 26/07/2010, a contribuinte protocolou resposta ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal, à fl. 60 a 69, quando ratificou os valores escriturados nos Livros Diário, Razão, Registros de Saídas e Apuração de ICMS. Não se manifestou sobre a identificação, nos Livros Diário e Razão, dos valores listados nos demonstrativos "Créditos superiores a R$20.000,00" e "Débitos superiores a R$20.000,00". Tendo em vista que a fiscalizada apresentou Livros Diário e Razão nos quais não constavam a escrituração da movimentação bancária de nenhuma das contas correntes de 04 (quatro) instituições financeiras, foi arbitrado o lucro com base na receita constante nos livros Registro de Saídas e Apuração do ICMS. Tendo em vista que a contribuinte apresentou, por 2 anos consecutivos, DIPJs e DCTFs em branco (no 1º semestre/2007 a DCTF não foi apresentada), DACONs, apenas para o 2º semestre de 2007 (fls. 348 a 355), também zeradas, e não procedeu ao recolhimentos (mesmo que parciais) de nenhum dos tributos relacionados a este procedimento (IRPJ, CSLL, COFINS e PIS) foi aplicada a multa de 150% e foi feita a Representação Fiscal para Fins Penais. Fl. 1341DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11516.002791/201007 Acórdão n.º 1302001.499 S1C3T2 Fl. 1.342 4 Sendo notificada da autuação em 13/08/2010, a contribuinte ingressou com a impugnação de fls. 461 a 479, subscrita pelo procurador Fabiano Ferreira (fls. 453 a 459), alegando: · Mantinha a escrituração comercial e fiscal, nas quais constavam os montantes das receitas tributáveis. Portanto, sobre estes deveriam ser calculados os tributos objeto da autuação. · Não há que se falar, também, em imprestabilidade da escrituração contábil, pelo fato de não constar a escrituração da movimentação bancária, e imputar à impugnante o arbitramento do lucro por fato de terceiro. O contador, por liberalidade, por inexperiência, desconhecimento ou desídia, preferiu não incluir a movimentação bancária nos registros. O artigo 268 do Regulamento do Imposto de Renda dispõe sobre a responsabilidade do contador na manutenção da escrituração da empresa. Os proprietários da empresa são pessoas com poucos estudos e sem qualquer conhecimento técnico em contabilidade. Diante dessa situação, seu contador foi quem decidiu permanecer inerte em relação à solicitação do fisco, não incluindo na escrituração as movimentações financeiras. · Não existem motivos suficientes para a desconsideração dos registros existentes e para o arbitramento do lucro, tendo em vista que a escrituração dá conta dos valores tributáveis nos exercícios de 2006 e 2007, devendo servir de base de cálculo para as contribuições e para o imposto de renda, este na base de 8% (conforme IN SRF nº 93/1997, art 3º, e RIR/1999, art. 223) · No caso da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, deverá ser de 12%, em se tratando de serviço de transporte de cargas (IN SRF nº 390/2004, arts. 88 e 89). Por sua vez, a Contribuição para o PIS e a COFINS deverão ser tributadas na ordem de 1,65% e 7,6%, respectivamente. · A fiscalização informa que tomou como base para verificar a existência de infração, arbitrando o lucro, a não comprovação da procedência dos valores acima de R$ 20.000,00 contidos em conta bancária. Entretanto, o agente fiscal não demonstrou que tais movimentações referiamse a receitas da empresa e acabou imputandolhe infração com base em indícios e presunções (prova indireta). · A fiscalização tributária lançou tributo e lavrou auto de infração contra a impugnante, pois deduziu que os depósitos de valores na conta da empresa autuada se consubstanciaram em receita operacional omitida (fato desconhecido). Deduziu, porque não evidenciou (comprovou) através de elementos probatórios válidos (documentos, testemunhos, etc), que aquele numerário depositado em sua conta corrente era total ou em parte, base de cálculo para os tributos lançados (ganho de capital, faturamento e lucro líquido). Fl. 1342DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11516.002791/201007 Acórdão n.º 1302001.499 S1C3T2 Fl. 1.343 5 Notase, que a comprovação por parte da administração fiscal da ocorrência do fato gerador do tributo, ou ainda, da circunstância qualificada pela legislação como infração, é impositiva, tendo em vista a aplicação do artigo 9º do Decreto 70.235/72. Acrescentese que os incisos IV, V, VI e VII do artigo 149 do Código Tributário Nacional (CTN) também expressamente obrigam a autoridade administrativa tributária a comprovar a ocorrência do fato gerador do tributo e do ato infracional praticado. · Assim, não tendo a fiscalização comprovado a ocorrência dos fatos geradores e das supostas infrações imputadas à impugnante em relação às movimentações financeiras e diante da existência e veracidade das escriturações apresentadas, mostramse insubsistentes os lançamentos de ofício efetuados e os autos de infração lavrados com base no lucro arbitrado. · A autoridade lançadora dos tributos aplicou para a infração do item 3.3 a multa de 150%, com base no § 1º do artigo 44 da Lei n° 9.430/96. A redação do referido parágrafo foi dada pelo artigo 14 da Lei n° 11.488 de 15 de junho de 2007 (e antes pelo artigo 14 da MP n° 351, 22 de janeiro de 2007), ou seja, o seu texto entrou em vigor em momento posterior a ocorrência dos fatos geradores (2006 e 1 ° semestre de 2007). Em razão disso, a autoridade fiscal impôs penalidade que foi instituída em data posterior à ocorrência dos fatos geradores das infrações, aplicando uma norma tributária a fato pretérito (aplicação retroativa), o que é vedado pelo ordenamento jurídico pátrio, consoante dispõe os artigos 1º e 6° do Decreto Lei n° 4.657/42 (Lei de Introdução ao Código Civil) e artigo 105 do CTN. Alternativamente a Multa Qualificada deve ser convertida em Multa Formal, na base de 75%. · Frente aos argumentos tecidos anteriormente, somados ao fato de as declarações dos anos de 2006 e 2007 terem sido confeccionadas pelo profissional contábil contratado e este, por vontade própria, as apresentou conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, é imperativo a retirada da Representação para Fins Penais. · Solicita o deferimento de prova pericial contábil, a fim de que se possa aferir a receita operacional pelo regime de lucro presumido, conforme os quesitos apresentados a seguir, desejando que seja nomeado como perito assistente o Sr. Gilberto Augusto Oliveira de Freitas, brasileiro, contabilista, inscrito no CPF sob o n° 135.304.370 34, com escritório profissional na Avenida Soledade, n° 442 Bairro Pretópolis, Porto Alegre, RS CEP 90.470 340. 1. É possível com a documentação apresentada, quantificar a receita operacional da empresa Bendo Transportes e Consultoria Ltda., nos anos de 2006 e 2007, com base no regime de apuração pelo lucro presumido? Em caso negativo, por que? 2. Em caso de resposta positiva ao quesito anterior, qual seria a base de cálculo para apuração do quantum a pagar em relação ao a). Imposto de Renda Pessoa Jurídica Lucro Presumido; b) Fl. 1343DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11516.002791/201007 Acórdão n.º 1302001.499 S1C3T2 Fl. 1.344 6 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido;.c) Contribuição para o Programa de Integração Social; d) Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social? · Requer que todas as notificações e/ou intimações, acerca de todos e quaisquer atos relativos ao presente processo administrativo, sejam feitas, sob pena de nulidade, em nome de EVERALDO JOÃO FERREIRA, advogado, inscrito na OAB/SC sob. n° 1.967, MAURI NASCIMENTO, advogado, inscrito na OAB/SC sob n° 5.938 e FABIANO FERREIRA, advogado, inscrito na OAB/SC sob o n° 30.142, todos com escritório profissional na Avenida Nereu Ramos, n° 1699, em Sombrio/SC, CEP 88.960000. A 3ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1444.782, de 17/09/2013 (fls. 1298/1310), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO. A escrituração que contenha vícios e erros e não reflita toda a movimentação bancária da empresa implica o arbitramento do lucro. LUCRO ARBITRADO. CÁLCULO. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas é determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta, quando conhecida, dos percentuais fixados para o cálculo do lucro presumido, acrescidos de vinte por cento. CSLL. PIS. COFINS. A escrituração que contenha vícios e erros e não reflita toda a movimentação bancária da empresa enseja a adoção da forma de tributação pelo lucro arbitrado para apuração do IRPJ e CSLL, bem como a adoção da sistemática cumulativa para apuração do PIS e da Cofins. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese, por prescindível, o pedido de perícia, quando não existir nos autos matéria que necessite de opinião de perito para ser decidida. INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL. Fl. 1344DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11516.002791/201007 Acórdão n.º 1302001.499 S1C3T2 Fl. 1.345 7 Dada a existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo no domicílio fiscal eleito por ele. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO REDUÇÃO. Caracterizado o intuito de fraudar o fisco, não há que se falar em redução da multa de ofício. ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE AO CONTADOR. É descabida a pretensão de afastar a aplicação da lei pela autoridade administrativa sob a alegação de que a escrituração e as declarações incorretas são de responsabilidade do contador. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. As Delegacias da Receita Federal de Julgamento não têm competência para se manifestar sobre processo de formalização de representação fiscal para fins penais. Ciente da decisão de primeira instância em 20/11/2013, conforme Aviso de Recebimento à fl. 1318, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 20/11/2013 conforme carimbo de recepção à folha 1320. No recurso interposto (fls. 1321/1337), a interessada repisa, com as mesmas palavras, os argumentos trazidos anteriormente em sede de impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Observo, inicialmente, que o recurso voluntário interposto não se dirige contra a decisão recorrida, mas sim contra o lançamento. Os argumentos trazidos, idênticos àqueles que constam da peça impugnatória, já foram apreciados e fundamentadamente rejeitados em primeira instância. Diante de tal constatação, cumpre a este Colegiado efetuar uma revisão do lançamento, verificando sua correção, bem assim a correção da decisão de primeira instância que o manteve integralmente. O primeiro ponto de aparente divergência é quanto às receitas auferidas pela interessada. E digo que a divergência é apenas aparente, pois o Fisco lançou mão das receitas escrituradas pela própria interessada em seus livros de Registro de Saídas (LRS) e de Registro Fl. 1345DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11516.002791/201007 Acórdão n.º 1302001.499 S1C3T2 Fl. 1.346 8 e Apuração de ICMS (LRAICMS). Não obstante as irregularidades encontradas na escrita contábil (assunto que será abordado mais adiante, neste voto), foi possível ao Fisco cotejar as receitas escrituradas nos LRS/LRAICMS com aquelas que constavam dos livros Diário e Razão, com diferenças irrisórias. Ainda, o Fisco solicitou à então fiscalizada que ratificasse ou retificasse os valores de receitas que constavam de sua escrituração, e a resposta da interessada foi no sentido de expressamente ratificar as receitas escrituradas. Insisto: o lançamento não se baseou em presunções, legais ou não, não foram lançadas receitas apuradas com base em créditos bancários, como parece crer a recorrente. As receitas objeto de lançamento foram exclusivamente aquelas escrituradas pela própria interessada (prova direta) e por ela expressamente ratificadas ainda antes do lançamento. Não há, pois, qualquer litígio acerca das receitas auferidas pela interessada, devendo ser rejeitados quaisquer argumentos que versem sobre presunções, prova indireta ou movimentações bancárias. Estabelecido este ponto, é de se verificar se o procedimento do Fisco, ao arbitrar o lucro da interessada com base nas receitas conhecidas, foi ou não correto. No anocalendário 2006, a DIPJ apresentada pela interessada foi na forma do lucro presumido, muito embora todos os valores estivessem zerados. No anocalendário 2007, a forma da declaração foi o lucro real, também com valores zerados. Em qualquer caso (lucro presumido ou lucro real), a contribuinte estaria obrigada à apresentação de escrituração contábil completa, nos termos da legislação comercial. No caso do lucro presumido, a escrita contábil poderia ser dispensada, caso fosse apresentado Livro Caixa, no qual deveria constar toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Decreto nº 3.000/1999 – Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, arts. 251 e segs. e art. 527). Pois bem. O Fisco constatou que a escrita contábil apresentada pela interessada não continha a escrituração de nenhuma das contas correntes referentes aos extratos bancários apresentados de quatro instituições financeiras: Bradesco, Unibanco, Safra e CREDISULCA. De imediato, tal constatação já implicaria infração às disposições relativas à escrituração, referidas no parágrafo anterior e o consequente arbitramento dos lucros. A fiscalização não se satisfez com essa constatação e aprofundou as investigações. Foi então lavrado o Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 001, onde consta o que segue (fl. 74): Objetivando verificar alguma consistência nos livros contábeis apresentados e sanar as dificuldades com a correta identificação de valores recebidos ou pagos, nos livros Diário e Razão apresentados, procedemos à intimação que se segue. A fiscalizada foi intimada a identificar, nos livros Diário e Razão apresentados, valores de créditos e débitos, todos superiores a R$ 20.000,00, listados em demonstrativos anexados à intimação. Esses demonstrativos, às fls. 76/87, relacionam doze páginas de lançamentos (créditos e débitos) bancários. A interessada permaneceu silente sobre esse item da intimação. Diante disso, outra alternativa não havia para a fiscalização a não ser a aplicação do art. 530 do RIR/99, que determina o arbitramento do lucro na situação em que o Fl. 1346DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11516.002791/201007 Acórdão n.º 1302001.499 S1C3T2 Fl. 1.347 9 contribuinte não escriture sua movimentação financeira, inclusive bancária, ou quando a escrita apresentada contiver tais deficiências que a tornem imprestável para a apuração do lucro real. Correto, pois, o arbitramento do lucro, tal como decidido em primeira instância. No que tange aos percentuais aplicados ao arbitramento e à determinação das contribuições, também não merece reparo a decisão recorrida, que peço vênia para transcrever e adotar também aqui como razões de decidir (fls. 1306/1307). É improcedente a alegação de que devem ser aplicados, para a apuração da base de cálculo, o coeficiente de 8% (IRPJ), pois sendo arbitrado o lucro aplicase o disposto nos arts. 15 e 16 da Lei nº 9.249/1995: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981 de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) II dezesseis por cento: a) para atividade de prestação de serviços de transporte, exceto o de carga, para o qual se aplicará o percentual previsto no caput deste artigo; (...) Art. 16. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta, quando conhecida, dos percentuais fixados no art. 15, acrescidos de vinte por cento. Com relação ao PIS e à Cofins, as Leis nº 10.637/2002 (art. 8º) e nº 10.833/2003 (art.10), ao estabelecerem o regime nãocumulativo, determinaram que as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro arbitrado permanecem sujeitas às normas da legislação vigentes anteriormente. E, como foi arbitrado o lucro da empresa, deve ser aplicado o Decreto nº 4.524/2002, que fixou a alíquota de 0,65% para o PIS e de 3% para a Cofins. Quanto à CSLL, verificase no auto de infração que foi aplicado o coeficiente de 12% para apuração da base de cálculo. Assim não há como acatar as objeções da defesa ao arbitramento do lucro e as conseqüentes exigências de IRPJ e CSLL, bem como de PIS e Cofins pela adoção da sistemática cumulativa. No que tange à multa de 150% aplicada ao lançamento, as reclamações da recorrente de que teria sido empregada base legal inexistente à época dos fatos geradores já foi detalhadamente esclarecida e refutada em primeira instância. Tratase, aqui, da modificação na redação do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, com o advento do art. 14 da Medida Provisória nº 351/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007. Com isso, a multa de 150%, que Fl. 1347DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11516.002791/201007 Acórdão n.º 1302001.499 S1C3T2 Fl. 1.348 10 era prevista no inciso II do art. 44, passou a constar do inciso I e § 1º do mesmo artigo. Não obstante, a previsão legal para a aplicação da multa nunca deixou de existir, e os enquadramentos estão minuciosamente explicitados, para cada período de apuração, no demonstrativo de multa e juros de mora, às fls. 409/410, pelo que os reclamos da recorrente não podem ser acolhidos. Ainda sobre a qualificação da multa, tenho por correto o procedimento do Fisco, que considerou presente o intuito de fraude, especificamente a sonegação, conforme previsto no art. 71 da Lei nº 4.502/1964, verbis: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Com efeito, a entrega de declarações com valores zerados, em períodos consecutivos, leva à conclusão do intuito doloso de ocultar da autoridade fazendária o conhecimento dos fatos geradores tributários. Ressaltese, ainda, que não se trata da presunção de ocorrência dos fatos geradores, mas de prova direta, visto que as receitas foram extraídas dos livros Registro de Saídas e de Apuração de ICMS da recorrente, em expressivos montantes. Essa situação foi bem caracterizada no acórdão recorrido (fl. 1308), confirase: No presente caso, a contribuinte, apesar de ter auferido receita tributável nos anoscalendário de 2006 e 2007 nos totais de R$ 12.045.068,61 e R$ 11.290.753,61, respectivamente, não declarou qualquer valor à Receita Federal, entregando as DIPJ (AC 2006 e 2007), DCTF e Dacon com valores zerados (1º e 2º semestres de 2006 e 2º semestre de 2007) e não efetuou o recolhimento dos tributos federais devidos relativos a esses anoscalendário. Esse procedimento reiterado na entrega de declarações com informações inexatas sobre o auferimento de receitas e a falta de pagamento dos tributos devidos demonstram a intenção da contribuinte de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, tal como previsto no art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964. Pelo exposto, nego provimento a este item do recurso, mantendo a multa aplicada no percentual de 150%. A recorrente pede a retirada da Representação Fiscal para Fins Penais. Essa matéria é objeto da Súmula CARF nº 28, a seguir transcrita, o que dispensa maiores considerações. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. O pedido de perícia contábil deve também ser rejeitado, pois todos os elementos necessários à formação da convicção e decisão dos julgadores já se encontram presentes nos autos. Desta forma, indefiro o pedido, tal como já havia feito a autoridade julgadora em primeira instância, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972. Fl. 1348DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11516.002791/201007 Acórdão n.º 1302001.499 S1C3T2 Fl. 1.349 11 Finalmente, quanto à solicitação de que futuras intimações sejam feitas em nome dos advogados e a eles endereçadas, já foi esclarecido no acórdão recorrido que o processo administrativo fiscal contém regras específicas quanto à intimação do sujeito passivo, as quais impedem o atendimento a essa solicitação. Em conclusão, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 1349DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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