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Numero do processo: 15578.720005/2011-56
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2010
COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. MULTA ISOLADA. QUALIFICAÇÃO DA MULTA.
É cabível a aplicação da multa qualificada de 150% na hipótese de ser caracterizado a conduta dolosa de ocultar a real natureza dos créditos, declarando serem decorrentes de pagamentos próprios indevidos ou a maior, quando se tratam de créditos não tributários, visando à extinção de débitos fiscais de maneira artificiosa.
Numero da decisão: 9101-003.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Relatora e Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Rafael Vidal de Araújo, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Correa, Luis Flavio Neto, Viviane Vidal Wagner, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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MULTA ISOLADA. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. É cabível a aplicação da multa qualificada de 150% na hipótese de ser caracterizado a conduta dolosa de ocultar a real natureza dos créditos, declarando serem decorrentes de pagamentos próprios indevidos ou a maior, quando se tratam de créditos não tributários, visando à extinção de débitos fiscais de maneira artificiosa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Relatora e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Rafael Vidal de Araújo, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Correa, Luis Flavio Neto, Viviane Vidal Wagner, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 57 8. 72 00 05 /2 01 1- 56 Fl. 1196DF CARF MF Processo nº 15578.720005/201156 Acórdão n.º 9101003.574 CSRFT1 Fl. 1.197 2 Relatório A FAZENDA NACIONAL, com fundamento no Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, recorre a este Colegiado por meio do Recurso Especial contra o Acórdão nº 1102000.976 que, por unanimidade de votos, negou provimento aos recursos voluntário e de ofício, neste último manteve a redução da multa isolada de 150% para 75% feita pela instância a quo. Transcrevese a ementa do acórdão recorrido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 RECURSO DE OFÍCIO. MULTA. Correta a redução do percentual da multa de ofício aplicada na hipótese em que não há comprovação de fraude na forma dos artigos 71 a 73 da Lei n. 4.502/64. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. MULTA DE OFÍCIO. Utilizados em compensação créditos de natureza não tributária (IBAMA) adquiridos de terceiros, hipótese que se subsume ao art. 74, § 12, II da Lei n. 9.430/96, legítima a imposição de multa isolada de que trata o art. 18 da Lei 10.833/03, com redação dada pela Lei n. 11.488/2007. Recurso voluntário provido em parte Da Autuação O presente processo trata de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário relativo à multa isolada (regulamentar), prevista no art. 18 da Lei n° 10.833/03, com redação dada pelas Leis nº 11.051, de 2004 e 11.196, de 2005; e pelo art. 18 da Lei n° 11.488, de 15/06/2007, decorrente de compensação indevida efetuada em Declaração de Compensação (DCOMP) prestada pelo contribuinte, em que foi considerada NÃO DECLARADA, por envolver créditos de natureza não tributária (créditos oriundos de desapropriações feitas pelo IBAMA). A referida multa isolada no percentual de 150% sobre a integralidade de débitos compensados indevidamente, decorre de declarações de compensação objetos dos processos n°s 10166.008268/201031 (efls. 74 a 166) e 10166.008796/201090 (efls. 167 a 256). Dos processos correlatos Confirmando a origem do alegado indébito, os Pareceres SEORT/DRF/VITES n°s 2.808/2010 (efls. 58 a 64) e 380/2011 (efls. 65 a 71) consideraram não declaradas as compensações porque o crédito não se refere a tributos administrados pela RFB, os quais foram confirmados pelos respectivos despachos decisórios. Das provas e razões da autuação Fl. 1197DF CARF MF Processo nº 15578.720005/201156 Acórdão n.º 9101003.574 CSRFT1 Fl. 1.198 3 A fiscalização, em síntese, afirma que as provas dos autos demonstram que o contribuinte era sabedor de que manejava créditos de natureza tributária expressamente vedados por lei e assim agiu com fraude ao promover compensações utilizandose de créditos decorrentes de indenização promovida pelo IBAMA, com a deliberada intenção de evitar ou, pelo menos, postergar o adimplemento dos tributos devidos. Acrescenta que houve falsidade na declaração haja vista que "(...) o direito creditório adviria de pagamento indevido ou a maior, o qual estaria informado no processo administrativo nº 10166.008268/201031". A informação falsa se daria na medida em que informou que se tratava de um pagamento indevido, sendo que nem de crédito tributário se tratava. Eis o TVF detalhando mais amiúde as circunstâncias a partir das quais considerou que a referida multa isolada deveria ser qualificada em 150%: Consoante informações constantes dos documentos de compensação apresentados, a empresa, expressamente, registra que o direito creditório adviria de pagamento indevido ou a maior, o qual estaria informado no processo administrativo nº 10166.008268/201031. No entanto, no processo administrativo indicado pela Empresa declarante, o suposto direito creditório adviria de valores supostamente indenizáveis junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, decorrente de desapropriação de imóveis rurais de sua propriedade. Consoante já mencionado, para a comprovação do pretenso crédito foram juntados nos autos daquele processo administrativo cópia de legislação sobre a criação de Estações Ecológicas e Parques Nacionais (fls. 05/18), cópia de Escritura e Certidões correspondentes à compra de imóveis rurais pela Brazil Trading Ltda (fls. 19/26, 31/35, 40/47) e cópia da solicitação de indenização junto ao IBAMA (fl. 50). Induvidoso que o crédito indicado a dar lastro às compensações à luz da legislação que disciplina o tema da compensação de tributos e contribuições administrados pela RFB não é oponível à Fazenda Pública para utilização na compensação de débitos tributários. A empresa requerente, em tese, agiu com fraude ao promover compensações utilizandose de créditos decorrentes de indenização promovida pelo IBAMA, sendo tal comportamento punido com a aplicação de multa isolada prevista no art. 18, § 4º da Lei n.º 10.833/2003. Não se pode descurar que para efetuar a compensação o procedimento é célere e simples: basta ao contribuinte entregar uma declaração de compensação. O conteúdo da declaração, entretanto, há de ser verídico, formal e materialmente. Os dados fornecidos pelo contribuinte devem tanto permitir que a autoridade identifique a origem do crédito, o montante e os tributos compensados, quanto o crédito que lastreia a compensação deve ter respaldo legal suficiente para que possa ser utilizado nessa modalidade de extinção dos débitos. ............................................................................................................................. Fl. 1198DF CARF MF Processo nº 15578.720005/201156 Acórdão n.º 9101003.574 CSRFT1 Fl. 1.199 4 Evidente que o agir da empresa buscou se eximir do pagamento de tributos apresentando declaração de compensação amparada em pretensos créditos que, sabidamente, não se referiam a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, e, portanto, não podiam ser utilizados para esse fim (compensação). Também a legislação que rege a compensação no âmbito da RFB é clara ao vedar a utilização de créditos que não sejam decorrentes de tributos por ela administrados. Assim, resta evidente que a interessada agiu em busca da concretização de seu propósito (não recolher os tributos devidos), desconsiderando as vedações impostas pela legislação e assumindo o risco dessa empreitada. (...) O processo administrativo indicado nas declarações de compensação como sendo processo de restituição de pagamento indevido ou a maior na realidade albergava pedido de restituição de indenização por desapropriação que teria sido promovida junto ao IBAMA. Portanto, sequer se referia a crédito de natureza tributária. A pretensão da Declarante interessada, materializada nos dados espelhados nas declarações de compensação por meio da utilização do Programa PER/DCOMP, não pode ser acolhida, e as compensações foram consideradas como não declaradas pelas razões adiante aduzidas: 1) Os Processos Administrativos Fiscais nº 10166.008268/201031 e 10166.008796/201090, que albergariam o suposto direito creditório fazem menção a pedido de restituição de indenização por desapropriação que teria sido promovida pelo IBAMA. 2) Ou seja, o alegado direito creditório jamais foi reconhecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil; 3) Os dados somente puderam ser informados por meio de DCOMP e só puderam ser transmitidos em razão de inserção de informações em total descompasso com os fatos da realidade, uma vez que há na DCOMP afirmações falsas como as que dão conta de que o direito creditório emergiria de pagamento indevido ou a maior, quando, na realidade, sequer tratase de crédito de natureza tributária. Aliado a isso, foi indicado, expressamente, que o direito creditório que adviria do suposto pagamento indevido ou a maior teria sido reconhecido no bojo do Processo Administrativo Fiscal nº 10166.008268/201031. (...) Destacouse Da Defesa da Contribuinte nas instância a quo Em sua defesa, a contribuinte defendeuse, em resumo, por meio das seguintes alegações que foram bem resumidas pelo relato da DRJ: o Sr. Arnaldo Córdova Duarte não possui poderes para declarar compensações da forma que procedeu; Fl. 1199DF CARF MF Processo nº 15578.720005/201156 Acórdão n.º 9101003.574 CSRFT1 Fl. 1.200 5 não ratifica nenhum ato praticado por mandatário que age sem poderes ou em excesso de mandato; são ineficazes os atos praticados pelo Sr. Amaro de Araújo Pereira Filho e pelo substabelecido Sr. Arnaldo Córdova Duarte; as declarações de compensações formuladas afastamse completamente das prescrições legais e normativas sobre a matéria, constituindose em verdadeira declaração inepta, não produzindo quaisquer efeitos jurídicos próprios de uma DCOMP; os débitos tributários objetos das compensações solicitadas estão parcelados na RFB e na PFN; em 30 de março de 2011 promoveu o cancelamento de todas as declarações de compensações realizadas por meio do PER/DCOMP; não merece prosperar o reconhecimento de fraude, pois a hipótese trazida a lume não se subsume ao respectivo conceito legal disposto no art. 72 da Lei n° 4.502/1964. Do resultado dos julgamentos anteriores A DRJ reduziu a multa de 150% para 75% e Recorreu de Ofício, tendo a 2ª Turma 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF negado provimento a este recurso de ofício e ao recurso voluntário. Da lide e da desistência parcial A lide circunscrevese à negativa do recurso de ofício em que está em questão a qualificação da multa isolada por compensação considerada não declarada. Registrese que a contribuinte, para usufruir dos benefícios previstos no §1º do artigo 5º da Lei nº 13.496/2017, que instituiu o ("PERT" Programa Especial de Regularização Tributária), por meio de petição protocolada à efl. 1143, apresentou DESISTÊNCIA PARCIAL do recurso especial impetrado na parte em que foi vencida, ressalvando que sua desistência seria apenas parcial, não abarcando a matéria objeto do recurso de ofício, ora em julgamento: redução da multa de 150% para 75%. O processo foi encaminhado à repartição de origem para as tomadas de providências necessárias e retornou para prosseguimento do julgamento. Do RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL Da divergência Em seu recurso especial, a Fazenda Nacional aponta divergência jurisprudencial em relação à desqualificação da multa isolada, por ter divergido da orientação nos acórdãos paradigmas que mantiveram a qualificação da multa em situação assemelhada, relacionada ao descumprimento da legislação tributária que vedava a compensação com créditos não tributários, conjugando com o fato de as declarações de compensação terem sido elaboradas com informações inverídicas, sendo do conhecimento da contribuinte que o crédito não possuía as características requeridas por lei para ser compensado com débitos tributários. Fl. 1200DF CARF MF Processo nº 15578.720005/201156 Acórdão n.º 9101003.574 CSRFT1 Fl. 1.201 6 Em relação à divergência suscitada, transcrevese as ementas dos acórdãos indicados como paradigmas: Acórdão n° 1802002.153: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2011 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. É cabível a multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO. A conduta da contribuinte de ocultar a real natureza dos créditos, alegados como decorrentes de pagamentos próprios indevidos ou a maior, quando, se tratam de créditos de terceiros relativos a obrigações da Eletrobrás, visando à extinção de débitos fiscais, denota o elemento subjetivo da prática dolosa e enseja a aplicação de multa qualificada de 150% pela ocorrência de fraude prevista no art. 72 da Lei n° 4.502/1964. Acórdão n° 180301.096: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS. Não compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil promover a restituição de obrigações da Eletrobrás nem sua compensação com débitos tributários (Súmula CARF nº 24). COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. MULTA ISOLADA. Aplicase a multa isolada prevista no art. 18, § 4° da Lei n° 10.833/2003 nos casos de compensação não declarada prevista no inciso II, § 12 do art. 74 da Lei n° 9.430/96, independentemente da possibilidade de seu enquadramento cumulativo com o disposto no inciso I do mesmo dispositivo legal. Com relação ao segundo paradigma, para melhor evidenciar o ponto da divergência, transcreveu trechos do voto condutor, do qual destacase o seguinte: Diferente do alegado pela defesa, entendo que no contexto da autuação que se deu em razão das compensações serem consideradas "não declaradas" e praticadas com a nítida intenção de burlar o fisco porque indicada como origem do direito creditório "pagamento indevido ou a maior" que na realidade seria "credito de terceiros" oriundo de "obrigações da Eletrobrás", resta aplicável a multa de 150%, nos termos da legislação acima transcrita (Art. 18, § 4° da Lei n° 10.833/03, com redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 junho de 2007). A Procuradoria procura demonstrar a divergência nos seguintes termos: Fl. 1201DF CARF MF Processo nº 15578.720005/201156 Acórdão n.º 9101003.574 CSRFT1 Fl. 1.202 7 (...) Observase que a divergência reside justamente no fato de que, enquanto os acórdãos paradigmas entenderam pela imposição da multa isolada qualificada em razão do crédito informado em Dcomp não ser passível de compensação por expressa disposição legal e da configuração de evidente intuito de fraude na informação falsa apresentada em Dcomp com base no art. 18 da Lei n. 10.833/2003 c/c art. 44, II da Lei n. 9.430/96, a Câmara a quo afastou a qualificadora da multa em questão. Ressaltese que ambos os paradigmas se referem a DCOMPS não declarada, cujo crédito se refere a créditos não administrados pela Receita Federal do Brasil, e aplicação da multa isolada qualificada (aplicada em dobro, ou seja, 150%). Das Razões Recursais da Fazenda Nacional Nas razões do seu recurso especial para reformar o acórdão recorrido, a Procuradoria inicialmente faz um apanhado sobre a evolução da legislação de regência para daí concluir que não haveria a menor dúvida de que o contribuinte, ao informar na Dcomp a informação falsa de que tratarseia inicialmente de um pagamento indevido ou a maior, praticou a fraude na medida em que pretendeu extinguir débitos, escondendo a informação da natureza dos créditos em questão (créditos não tributários que adviriam de área desapropriada pelo IBAMA). O recurso foi admitido por meio do Despacho de efls. 730/732, fundamentado, em sua essência, nos seguintes termos: De fato, tanto os paradigmas quanto o acórdão recorrido referemse a situações em que a DCOMP foi considerada não declarada (art. 74, § 12, II, da Lei n. 9.430/96), por envolver créditos de natureza não tributária adquiridos de terceiros. Enquanto o acórdão recorrido entendeu que, nestes casos, não seria possível a configuração de fraude, na forma dos artigos 71 a 73 da Lei n. 4.502/64, motivo pelo qual o percentual aplicável só poderia ser o de 75%, os paradigmas, diante da mesma situação fática e arcabouço legal, mantiveram a multa qualificada, aplicada no percentual de 150% ao fundamento de configuração de fraude (art. 72 da 73 da Lei n. 4.502/64). Ao final, requer a Procuradoria seja conhecido e provido o recurso especial para que seja reformada a decisão recorrida e restabelecida a qualificação da multa. Contrarrazões da Contribuinte ao Recurso Especial da Fazenda Nacional A Contribuinte apresentou contrarrazões ao Recurso Especial da Fazenda Nacional (efls. 786 e ss.) assim sintetizadas: Contesta a divergência jurisprudencial arguida pela PGFN, por caracterizar situação fática não assemelhada, pois essencialmente os paradigmas não diriam respeito a crédito de terceiros, como inveridicamente apontou a PGFN em seu recurso especial, e o recorrido tratou de créditos de natureza não tributária (indenização por desapropriação promovida pelo IBAMA). conforme consta do TVF e Pareceres SEORT/DRF/VIT n° 2808/2010 1e n° 0380/20112, que consideram não declaradas as Dcomps. 1 Normas Gerais de Direito Tributário Ementa: Compensação com supostos valores indenizáveis junto ao IBAMA. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 1202DF CARF MF Processo nº 15578.720005/201156 Acórdão n.º 9101003.574 CSRFT1 Fl. 1.203 8 Acrescenta que a fundamentação legal mencionada nos referidos pareceres: alínea "e" do inciso II do §12 do art. 74 revela que as Declarações de Compensação foram consideradas não Declaradas porque os valores indenizáveis perante o IBAMA não se referem a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. Aduz também que "não guarda relação com a Requerente a situação fiscal relatada no Recurso Especial (fls. 695) de que ´há na DCOMP afirmações falsas como as que dão conta de que o direito creditório emergiria de pagamento indevido ou a maior´". Contesta tal afirmativa extraída do TVF explicando que nos processos correlatos Pareceres SEORT/DRF/VIT n° 2808/2010 e n° 0380/2011 não fizeram qualquer menção a este fato. Posto, isso conclui que não similitude fática com os paradigmas. Em relação à divergência apontada no primeiro paradigma, aduz o seguinte: No contencioso administrativo acima, o colegiado constatou a existência de conduta dolosa do sujeito passivo, posto ter apresentado declarações de compensação de débitos tributários (DCOMPs), tendo informado possuir créditos oriundos de pagamentos indevidos ou a maior, quando na realidade se tratavam de créditos de terceiros referentes a títulos da Eletrobrás. Já no caso do presente processo, a autoridade fiscal, que proferiu os Pareceres SEORT/DRF/VIT n° 2808/2010 (fls. 364) e n° 0380/2011 (fls. 371), afirma que o procedimento de compensação de débitos foi baseado em créditos próprios, originários de indenizações por desapropriações de terras pelo IBAMA, tendo sido considerado não formulado o pedido de restituição e não declaradas as compensações. A conduta da Requerente não revela a prática dolosa tendente à compensação de débitos tributários. Ao contrário do que ocorreu no Acórdão n° 1802002.153 2a Turma Especial (1° paradigma), no pleito da Requerente não constam do pedido quaisquer alegações de possuir um crédito decorrente de indébito tributário. Em relação ao segundo paradigma contesta a falta de similitude fática, nos seguintes termos, naquilo que é relevante: Será considerada não declarada a compensação em que o crédito não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). A Declaração de Compensação apresentada em formulário encontra respaldo normativo, todavia, nas situações excepcionalíssimas ali dispostas e desde que acompanhada de documentação que demonstre a impossibilidade de fazêla por intermédio do programa específico. Quando inobservadas tais condições, temse como não declarada a compensação. 2 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ementa: Restituição. Compensação com supostos créditos oriundos de áreas desapropriadas pelo IBAMA. IMPOSSIBILIDADE. Será considerada não decfarada a compensação em que o crédito não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Dispositivos Legais: Art. 74, § 12, inciso II, alínea "e", da Lei n° 9.430/96 com as alterações supervenientes; art. 34, § 3o, inciso I, alínea "e", e art. 39, § 1°, da Instrução Normativa RFB n° 900/2008. Fl. 1203DF CARF MF Processo nº 15578.720005/201156 Acórdão n.º 9101003.574 CSRFT1 Fl. 1.204 9 Em primeiro lugar, os créditos oriundos do IBAMA analisados no presente processo não se encontravam alcançados pela prescrição, não tendo sido admitidos para compensação dos débitos tributários da Requerente porque se enquadravam entre aqueles de natureza não tributária. Em segundo lugar, a Requerente não utilizou as DCOMPs como subterfúgio para liquidar débitos próprios, como teria sido o caso da empresa no acórdão paradigma. (Destacouse) As suas razões recursais, em síntese, limitase a repetir as premissas acima postas para afastar a divergência jurisprudencial. Ou seja, lastreandose nos conteúdos dos Pareceres SEORT/DRF/VIT n° 2808/2010 e n° 0380/2011 volta a afirmar que a Requerente não informou ser detentora de direito creditório originários de pagamentos indevidos ou a maior que o devido, não tendo portanto feito nenhuma declaração falsa na compensação. Por fim, transcreve trechos do voto condutor do recorrido para afirmar que a multa isolada lançada deve ter mesmo o percentual de 75%, uma vez que não houve a prática de fraude na compensação dos débitos e que os fatos não se enquadram no tipo de que cuida o art. 72 da Lei n° 4.502, de 1964. Ao final, pleiteia pelo não conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, e caso conhecido, que seja negado provimento. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora O recurso especial da Fazenda Nacional é tempestivo. Análise dos demais pressupostos de admissibilidade A presente lide, conforme relatado, trata do lançamento da multa isolada, qualificada em 150%, prevista no art. 18 da Lei n° 10.833/03, decorrente de compensação considerada não declarada, envolvendo créditos de natureza não tributária. O TVF especifica melhor tais créditos: "....suposto direito creditório adviria de valores supostamente indenizáveis junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, decorrente de desapropriação de imóveis rurais de sua propriedade. (Créditos oriundos de desapropriação de imóveis pelo IBAMA) que seriam expressamente vedados por lei." A recorrida contesta a divergência jurisprudencial arguida pela PGFN, por caracterizar situação fática não assemelhada. Em apertada síntese, alega que essencialmente os paradigmas diriam respeito a créditos de terceiros e o recorrido tratou de créditos de natureza não tributária. Afirma também que a situação fática do recorrido difere também porque não houve a prática de fraude na compensação dos débitos, como ocorreu nos paradigmas. Reproduzse, novamente, as ementas dos acórdãos indicados como paradigmas: Fl. 1204DF CARF MF Processo nº 15578.720005/201156 Acórdão n.º 9101003.574 CSRFT1 Fl. 1.205 10 Paradigma 1: Acórdão n° 1802002.153: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2011 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. É cabível a multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO. A conduta da contribuinte de ocultar a real natureza dos créditos, alegados como decorrentes de pagamentos próprios indevidos ou a maior, quando, se tratam de créditos de terceiros relativos a obrigações da Eletrobrás, visando à extinção de débitos fiscais, denota o elemento subjetivo da prática dolosa e enseja a aplicação de multa qualificada de 150% pela ocorrência de fraude prevista no art. 72 da Lei n° 4.502/1964. Paradigma 2 Acórdão n° 180301.096: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS. Não compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil promover a restituição de obrigações da Eletrobrás nem sua compensação com débitos tributários (Súmula CARF nº 24). COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. MULTA ISOLADA. Aplicase a multa isolada prevista no art. 18, § 4° da Lei n° 10.833/2003 nos casos de compensação não declarada prevista no inciso II, § 12 do art. 74 da Lei n° 9.430/96, independentemente da possibilidade de seu enquadramento cumulativo com o disposto no inciso I do mesmo dispositivo legal. A Procuradoria procura demonstrar a divergência, nos seguintes termos: (...) Observase que a divergência reside justamente no fato de que, enquanto os acórdãos paradigmas entenderam pela imposição da multa isolada qualificada em razão do crédito informado em Dcomp não ser passível de compensação por expressa disposição legal e da configuração de evidente intuito de fraude na informação falsa apresentada em Dcomp com base no art. 18 da Lei n. 10.833/2003 c/c art. 44, II da Lei n. 9.430/96, a Câmara a quo afastou a qualificadora da multa em questão. Ressaltese que ambos os paradigmas se referem a DCOMPS não declarada, cujo crédito se refere a créditos não administrados pela Receita Federal do Brasil, e aplicação da multa isolada qualificada (aplicada em dobro, ou seja, 150%). De fato, em momento algum o TVF referese a crédito de terceiros. Apenas coloca em dúvida a aquisição de tais "créditos" seja pela terminologia utilizada ("suposto"), seja porque faz uma referência indireta à fragilidade da prova trazida (aquisição de Fl. 1205DF CARF MF Processo nº 15578.720005/201156 Acórdão n.º 9101003.574 CSRFT1 Fl. 1.206 11 determinados bens pela Recorrente e "uma solicitação de indenização junto ao IBAMA") denotando que os "créditos" seriam ainda de terceiros, ou no mínimo adquiridos de terceiros: "....suposto direito creditório adviria de valores supostamente indenizáveis junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, decorrente de desapropriação de imóveis rurais de sua propriedade. (Créditos oriundos de desapropriação de imóveis pelo IBAMA) que seriam expressamente vedados por lei." (...) Para comprovação do seu pretenso crédito foram juntados nos autos daquele processo administrativo cópia de legislação sobre a criação de Estações Ecológicas e Parques Nacionais (fls. 05/18), cópia de Escritura e Certidões correspondentes à compra de imóveis rurais pela Brazil Trading Ltda (fls. 19/26, 31/35, 40/47) e cópia da solicitação de indenização junto ao IBAMA (fl. 50). No entanto, crédito de terceiro é tudo aquilo que simplesmente não é crédito próprio, independente de ser de natureza tributária ou não. E nesse sentido, toda aquisição de crédito de natureza não tributária de per si já não seria crédito considerado próprio, mas de terceiros ou, no mínimo, que foi adquirido de terceiros: tributário ou não, não sendo próprio, seriam créditos de terceiros. Ou seja, a aquisição desses créditos não o tornam créditos próprios, no sentido de que já nascem com o interessado. E vejase que apesar de os imóveis serem da interessada, a indenização solicitada depende da aprovação de terceiros (IBAMA). A esse respeito, a ementa do próprio acórdão ora recorrido abraça esse entendimento, fazendo menção expressa a crédito de terceiros: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 RECURSO DE OFÍCIO. MULTA. Correta a redução do percentual da multa de ofício aplicada na hipótese em que não há comprovação de fraude na forma dos artigos 71 a 73 da Lei n. 4.502/64. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. MULTA DE OFÍCIO. Utilizados em compensação créditos de natureza não tributária (IBAMA) adquiridos de terceiros, hipótese que se subsume ao art. 74, § 12, II da Lei n. 9.430/96, legítima a imposição de multa isolada de que trata o art. 18 da Lei 10.833/03, com redação dada pela Lei n. 11.488/2007. (destacouse). Aliás, não só na ementa, mas também no próprio voto condutor se revela isso: Ao contrário do quanto defendido pela Contribuinte, a compensação em referência, nada obstante tenha sido formulada em parte em relação a débitos já inscritos em dívida ativa, foi tida como não declarada especialmente pelo fato de terem sido utilizados créditos de natureza não tributária (IBAMA) adquiridos de terceiros, hipótese que se subsume ao art. 74, § 12, II da Lei n. 9.430/96 (Destacou se). Fl. 1206DF CARF MF Processo nº 15578.720005/201156 Acórdão n.º 9101003.574 CSRFT1 Fl. 1.207 12 Nesse contexto, é que se verifica também que tal classificação (crédito de terceiros), quando conjunta com crédito de natureza não tributária, é até desnecessária ou redundante para efeito de tipificação, prevalecendo a informação mais específica (Créditos de natureza não tributária), como constou no presente TVF. Em face disso é que o § 4º da Lei nº 10.833/2003 (com redação dada pela Lei n. 11.488/2007) c/c inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, atribui a situação de "compensação não declarada" e aplicação da multa isolada concorrentemente para qualquer dessas duas situações (crédito de terceiros ou de natureza não tributária), independente de se cumularem ou não: § 4º da Lei nº 10.833/2003: (...) § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1º, quando for o caso. (...) § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430/96: (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei ii° 11.051, de 2004) I previstas no § 3 deste artigo; (Incluído pela Lei n° 11.051, de 2004) II em que o crédito: (Incluído pela Lei n° 11.051, de 2004) a) seja de terceiros; (Incluída pela Lei n° 11.051, de 2004) b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1° do DecretoLei n° 491, de 5 de março de 1969; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) c) refirase a titulo público, (Incluída pela Lei n°11.051, de 2004) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou (Incluída pela Lei n°11.051, de 2004) e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluída pela Lei n° 11.051, de 2004 (Destacouse) Ou seja, para a qualificação da multa, é irrelevante se tratar de qualquer das alíneas do inciso II do §12 do art. 74 pois as hipóteses se equivalem. Fl. 1207DF CARF MF Processo nº 15578.720005/201156 Acórdão n.º 9101003.574 CSRFT1 Fl. 1.208 13 A qualificação da multa isolada para 150% no recorrido se deveu a agravante idêntico ao que ocorreu nesse primeiro paradigma: a inserção de informação dita falsa pela Fiscalização (pagamento indevido ou a maior ao invés de restituição de créditos de natureza não tributária e/ou de terceiros) na Dcomp, de forma a dificultar ou atrasar o reconhecimento daquela situação expressamente vedada em lei e que, se assim o fosse, o sistema automaticamente impediria o prosseguimento do feito através de sua não recepção imediata. Segue abaixo trecho deste primeiro paradigma, embora se possa constatar essa circunstância relevante na sua própria ementa, em que se verifica que as minúcias do modus operandi foram não só assemelhadas, mas quase idênticas ao do recorrido: Relatório: (...) À semelhança do procedimento adotado anteriormente pelo cedente, o pedido formulado no processo 10930.720981/201129, citado como ‘crédito oriundo da empresa Apollo’ ‘transformase’ em crédito próprio, decorrente de ‘pagamento indevido ou a maior’. A transmissão de DCOMP a partir, de crédito desta natureza submetese à verificação da existência de DARF informado pelo interessado se este não constar da base de dados da RFB, o pedido sequer é admitido. No entanto, tal verificação pode ser inibida, quando o peticionário informar ‘sim’ no campo ‘informado em processo administrativo anterior’, artifício adotado pelo autuado. No entanto, como já visto, o crédito informado no processo 10930.720981/201129 nada tem a ver com ‘pagamento indevido ou a maior’ eventualmente efetuado pela empresa. Todos estes Pedidos/DCOMP foram considerados como não formulado/não declaradas. (...) Voto: (...) Diferente do alegado pela defesa, entendo que no contexto da autuação que se deu em razão das compensações serem consideradas “não declaradas” e praticadas com a nítida intenção de burlar o fisco porque indicada como origem do direito creditório “pagamento indevido ou a maior” que na realidade seria “credito de terceiros” oriundo de “obrigações da Eletrobrás”, resta aplicável a multa de 150%, nos termos da legislação acima transcrita (Art. 18, § 4º da Lei nº 10.833/03, com redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 junho de 2007 Compulsandose os autos, constatase que as 04 (quatro) DCOMPs relatadas, apresentadas em junho de 2011, declaravam crédito do contribuinte “Pagamento Indevido ou a Maior”, “Informado em Processo Administrativo Anterior: SIM, Número do Processo: 10930.720981/201129” e DCTFs retificadoras com os créditos vinculados a “Compensação de Pagamento Indevido ou a Maior”. Ora, o exercício de toda formalidade/artifício e apresentada à declaração de compensação resulta exatamente na fraude que exterioriza um fato diferente da realidade, pois, o crédito compensado com os débitos nas DCOMPs não tem Fl. 1208DF CARF MF Processo nº 15578.720005/201156 Acórdão n.º 9101003.574 CSRFT1 Fl. 1.209 14 origem em Pagamento Indevido ou a Maior de acordo com a legislação vigente e sim, a criação de um processo administrativo com número para mascarar a DCOMP e ser recepcionada pelo sistema eletrônico da Receita Federal, pois, acaso informado que o crédito compensado no PERDCOMP seria de “terceiros” ou de “títulos da dívida pública” os PERDCOMPs seriam rejeitados de plano pelo mesmo sistema eletrônico, pois, incorridos nas hipóteses vedadas pela legislação vigente (inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). E o ponto relevante da qualificação da multa sem dúvida alguma passa por este último parágrafo transcrito do voto condutor deste primeiro paradigma: (....) acaso informado que o crédito compensado no PERDCOMP seria de “terceiros” ou de “títulos da dívida pública” os PERDCOMPs seriam rejeitados de plano pelo mesmo sistema eletrônico, pois, incorridos nas hipóteses vedadas pela legislação vigente (inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). (Destacouse) Ou seja, neste trecho fica bem claro que não importa se o crédito é de terceiros ou de natureza não tributária: no caso paradigma, títulos da dívida pública, Títulos da Eletrobrás); no caso do recorrido, indenização por desapropriação pelo IBAMA. O importante para se caracterizar a similitude fática é que ambos estão fundados em informação relatada pelos autuantes como falsa para o sistema eletrônico (pagamento indevido ou a maior), que diz respeito ao modus operandi da compensação. E é isso no contexto de créditos considerados não declarados que trazem a semelhança relevante para esses casos. A esse respeito, vejase este outro parágrafo ainda do primeiro paradigma que foi o ponto de partida para a conclusão revelada acima: Ora, o exercício de toda formalidade/artifício e apresentada à declaração de compensação resulta exatamente na fraude que exterioriza um fato diferente da realidade, pois, o crédito compensado com os débitos nas DCOMPs não tem origem em Pagamento Indevido ou a Maior de acordo com a legislação vigente e sim, a criação de um processo administrativo com número para mascarar a DCOMP e ser recepcionada pelo sistema eletrônico da Receita Federal, pois, acaso informado que o crédito compensado no PERDCOMP seria de “terceiros” ou de “títulos da dívida pública” os PERDCOMPs seriam rejeitados de plano pelo mesmo sistema eletrônico, pois, incorridos nas hipóteses vedadas pela legislação vigente (inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). A recorrida se contrapõe afirmando que no recorrido não houve a inserção de informação falsa na forma de indicar pagamento indevido. Com a devida vênia, esta discussão diz respeito ao mérito do curso. Para fins de conhecimento, o que importa é que em todos os casos havia uma acusação fiscal baseada em falsidade de declaração, falsidade esta praticada a partir do fato de se informar que o crédito era de pagamento indevido ou a maior quando a realidade se mostrou que não o era. Ou seja, o que importa é que as circunstâncias apresentadas em todos os casos foram as mesmas, no que diz respeito ao modus operandi de proceder com a compensação, ou seja, em todos os julgados houve a indicação inicial de um pagamento Fl. 1209DF CARF MF Processo nº 15578.720005/201156 Acórdão n.º 9101003.574 CSRFT1 Fl. 1.210 15 indevido ou a maior em que se apontou um outro processo ligado. A consequência e a valoração dessa situação fática já é matéria de mérito a ser explorada no espaço apropriado. Com relação ao segundo paradigma, concordase com a recorrida que não se configura a divergência pois o foco principal da decisão foi o de analisar a cumulação de multa isolada quando havia crédito não passível de compensação com débito já inscrito em dívida ativa, sem se discutir o modus operandi da compensação para justificar a qualificação da multa. Neste sentido, transcrevese a essência do voto vencedor: Não há no entanto, se reconhecer qualquer prejudicialidade entre as duas modalidades – utilizar crédito não passível de compensação – com débitos igualmente não passíveis de compensação, pois a compensação foi em tese realizada pela contribuint e até que foi formalmente considerada não declarada. Conheço, então, do Recurso Especial da Fazenda Nacional apenas em relação ao paradigma 1802002.153 (primeiro paradigma). MÉRITO Delimitação da Lide O objeto da lide é a multa qualificada lançada isoladamente em função de compensação terem sidas consideradas não declaradas. Isso porque o crédito era de natureza não tributária, ou seja, não administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. As compensações consideradas "não declaradas" já foram julgadas em outros processos (PAF nº 10166.008268/201031 e PAF nº 10166.008796/201090) de forma desfavorável ao contribuinte e definitiva3. Sendo definitivos na esfera administrativa os despachos proferidos em tais processos por meio dos quais as compensações foram consideradas não declaradas, está presente o pressuposto de fato para a incidência da multa isolada, com base no art. 18, § 4º da Lei nº 10.833/2003, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 11.488/2007, matéria esta também já decidida na instância a quo e não recorrida, portanto, já também definitivamente julgada. Portanto, o que se julga neste processo é apenas a consequência lógica desses fatos aliada a outras circunstâncias agravantes (existência ou não de declaração de informações falsas), para, assim, averiguarse se foi correta a qualificação da multa isolada por compensação não declarada. Iniciandose pela legislação de regência em vigor à época das compensações, temse: Lei 10.833/2003 com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007:4 3 O art. 74, § 13 da Lei nº 9.430/96 veda a abertura do rito do Decreto nº 70.235/72 quando a compensação é considerada não declarada Fl. 1210DF CARF MF Processo nº 15578.720005/201156 Acórdão n.º 9101003.574 CSRFT1 Fl. 1.211 16 . Art. 18 O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6o a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso. § 5o Aplicase o disposto no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2o e 4o deste artigo. (Destacouse). Lei 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. 4 Redação anterior: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória n" 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei na 4.502, de 30 de novembro de 1964 Fl. 1211DF CARF MF Processo nº 15578.720005/201156 Acórdão n.º 9101003.574 CSRFT1 Fl. 1.212 17 § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 12º Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: II em que o crédito: (...) e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal — SRF. (...) (Destacouse) Como se vê, a multa isolada aplicada encontra previsão na redação do art. 18 da Lei n.° 10.833, de 2003, mais precisamente em seu § 4º, e, assim, aplicase o percentual previsto no inciso I do art. 44 da Lei n.º 9.430, de 1996, de 75%, podendo ser duplicado para 150%, desde que seja o caso, ou seja, quando haja comprovação da falsidade da declaração apresentada, conforme caput do art. 18 da Lei n.° 10.833, de 2003. Portanto, o legislador com a nova redação do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, dada pela Lei nº 11.488, de 2007, deixou agora bem claro que o diferenciador das hipóteses sujeitas às multas de 75% e 150% é a ocorrência de falsidade na declaração apresentada. É sabido que na redação anterior dada pela Lei nº 11.051, de 2004, o legislador por meio do art. 18 da Lei nº 10.833/2003 e suas referências aos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, a título de qualificação da multa isolada, terminou por regular situações associadas ao fato gerador, o que, de fato, dificultava a aplicação da multa nas hipóteses em que a fraude ocorria no tocante ao crédito, e não ao débito. É nesse contexto que o voto condutor do Ac. nº 34032565, transcrito pelaa decisão recorrida e usado também como razões adicionais de decidir, entendeu pelo cancelamento da presente multa afirma: Para dar aplicabilidade à multa qualificada do art. 18, § 4º da Lei nº 10.833/2003, o legislador deveria ter adotado as definições de sonegação e de fraude previstas nas Leis nº 4.729/65 e 8.137/91. Porém, é de se evidenciar que o caso tratado pelo acórdão que fundamentou a decisão recorrida foi todo calcado na legislação anterior ao que ora se tem. Com efeito, é 5 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006, 2007 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. Nos casos de compensação não declarada, infligese a multa isolada sobre o valor do débito indevidamente compensado, aplicandose o percentual previsto no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, nos casos em que a conduta do contribuinte não se amolde ao previsto nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. Fl. 1212DF CARF MF Processo nº 15578.720005/201156 Acórdão n.º 9101003.574 CSRFT1 Fl. 1.213 18 preciso atentar para a mudança legislativa veiculada por meio da Lei nº 11.488, de 2007, resultante da conversão da MP nº 351, de 2007. Essa alteração, a toda evidência, não foi enfrentada pelo acórdão recorrido, tampouco por aquele ali transcrito. Nesse sentido, a redação atual do caput do art. 18 da Lei nº 10.833/2003 dada pela Lei n° 11.488/2007, vigente à época da compensação, deixou isso bastante transparente em sua nova redação, tirando completamente o foco do fato gerador e voltandoo para todo o objeto da dcomp, que não constituído apenas do débito, mas também do crédito e o relacionamento crédito e débito (modus operandi da compensação): "(...) quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo". No caso, a nova hipótese legal, bem mais objetiva, substituiu a hipótese anterior, que fazia referência direta, no próprio caput do art. 18 da Lei 10.833/2003, à prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, amoldandose agora à conduta penal regulada na lei de crime contra a ordem tributária, conforme disposto no art. 2º, I da Lei n.º 8.137/906, que possui um âmbito de abrangência bem mais largo do que os artigos 71 a 73 da Lei 4.502/64, pois estes dispositivos restringemse a ocorrências ligadas ao fato gerador do tributo que está sendo confessado. A respeito disso, vejase o teor do art. 2º da Lei 8.137/90 e as duas redações da Lei nº 10.833/2003 (anterior e atual) abaixo emparelhadas: Art. 2° Constitui crime da mesma natureza: I fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo” (destacouse) Eis a nova redação do art. 18 da Lei nº 10.833/2003 dada pela Lei nº 11.488, de 2007, praticamente reproduzindo o conteúdo semântico art. 2º da Lei 8.137/90 que é muito mais abrangente: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (Destacouse) Redação anterior da Lei 10.833/2003 dada pela Lei nº 11.051, de 2004: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) 7 6 Lei que regula os crimes contra a ordem tributária entre outros 7 Redação anterior: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória n" 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de Fl. 1213DF CARF MF Processo nº 15578.720005/201156 Acórdão n.º 9101003.574 CSRFT1 Fl. 1.214 19 Certamente tal alteração foi feita para dar mais aplicabilidade e eficácia a este normativo. E não faz sentido entender que o legislador admitiu a qualificação para as compensações não homologadas e, para aquelas que sequer podem ser consideradas como declaradas, por se tratar de créditos expressamente vedados, deixaria de aplicar a multa. Aliás, tanto isso não faz sentido, que o legislador estabeleceu expressamente a possibilidade de o inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 ser aplicado em dobro: § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso. Assim, a interpretação do §4º acima transcrito, deve ser buscada com uma interpretação com o caput do art. 18, que expressamente fez referência, com a mudança legislativa, a falsidade na declaração. Por pertinente, reproduzse novamente a Lei 10.833/2003, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, dessa feita fazendo uma separação didática para se entender a "atecnicidade" porventura aduzida por quem afasta essa multa: . Art. 18 O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6o a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Ou seja, no caso de não homologação da compensação, aplicase multa de 150% apenas se for comprovada a falsidade na declaração. Não existe mais a multa de 75% no caso de não homologação. Já para a compensação considerada não declarada, a multa pode existir no percentual de 75% ou, quando for o caso, de 150%. Quando for o caso, é evidente, de se identificar uma falsidade na declaração: compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei na 4.502, de 30 de novembro de 1964 Fl. 1214DF CARF MF Processo nº 15578.720005/201156 Acórdão n.º 9101003.574 CSRFT1 Fl. 1.215 20 § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso. Da análise dos Fatos Posto, isso e rejeitado a interpretação dada pelo acórdão recorrido, passase à análise dos fatos. A qualificação da multa na conduta "apresentar declaração falsa" no contexto de uma declaração já considerada não declarada, por evidente, demanda uma análise dos fatos trazidos pela fiscalização relativos à conduta da contribuinte, para deles se extrair se houve o dolo no procedimento que envolve a declaração de compensação. Por conseguinte, há a necessidade que a fiscalização aponte efetivamente alguma fraude ou falsidade envolvendo o procedimento de compensação e que o contribuinte teve a intenção de fazêlo. E isso aconteceu. É o que se passa a demonstrar. Por oportuno, esclarecese desde já que o presente processo não trata do fato de a contribuinte estar discutindo a interpretação de matéria em que conste crédito expressamente vedado a sua compensação por lei. Ou seja, a Fiscalização não está lançando mão deste expediente, como foi o caso do processo n. 10920.003730/200981, já julgado por esta Turma, de minha relatoria, em que se aplicou a qualificação da multa em 150%, fundamentandose apenas no fato de se tratar da hipótese de compensação considerada não declarada por utilização de créditos de natureza não tributária ou de terceiros, pois como se disse naquele caso, isso "distorceria completamente a inteligência do art. 18, § 4o da Lei nº 10.833/2003". Nesse sentido, transcrevese até a ementa da decisão daquele processo: Ementa do Acórdão nº 9101003.109: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO. OBRIGAÇÕES DA ELETROBRAS. MULTA ISOLADA. APLICABILIDADE. PERCENTUAL. BASE DE CALCULO. Considerada nãodeclarada a compensação em face de pretensão de utilização de créditos advindos de obrigações da Eletrobrás, cabível a aplicação da multa isolada, no percentual de 75%, sendo impingida a multa qualificada de 150% somente na hipótese de ser caracterizado o evidente intuito de fraude referido pela legislação, não se podendo presumir a consciência da ilicitude em função da natureza da matéria. O caso que se cuida é bem diferente deste outro, mas pelo teor de declaração de voto constante no presente acórdão recorrido, parece que os fatos foram compreendidos de forma mais restrita do que foi exposto pelo TVF: Fl. 1215DF CARF MF Processo nº 15578.720005/201156 Acórdão n.º 9101003.574 CSRFT1 Fl. 1.216 21 No caso, a declaração foi considerada como não declarada, pois o crédito apontado não se referia a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. E a acusação fiscal considerou comprovado o dolo pela simples apresentação de declaração com crédito não tributário. Assim, pelo raciocínio do fiscal, qualquer compensação não declarada seria apenada com 150%, pois sempre estaria implícita a intenção do contribuinte de reduzir tributo de forma dolosa, já que se saberia haver vedação legal. Discordo do argumento. Se existe a possibilidade de lançar com 75% ou 150%, a ação dolosa tem que estar devidamente provada com elementos adicionais (Destacouse). Bem, não é o que de fato aconteceu. Pelas provas dos autos, diferentemente do que ocorreu no caso do Ac. nº 9101003.109, não restam dúvidas que no presente processo a fiscalização efetivamente demonstrou a comprovação da inserção sistemática de informação falsa na declaração apresentada pelo sujeito passivo, não se tratando qualificação da multa pela simples correlação com um crédito de natureza não tributária expressamente vedado em lei e uma presumida consciência de ilicitude dessa situação. Neste caso, se apresenta elementos adicionais mais fortes, especialmente no modus operandi utilizado para se fazer a compensação, que justificam a presença do dolo e a qualificação da multa isolada. A recorrida se contrapõe afirmando que no acórdão recorrido não houve a inserção de informação falsa na forma de indicar pagamento indevido ou a maior. Centrase na argumentação de que os pareceres que consideram a compensação não declarada não fizeram referência a essa situação. Ora, tratase apenas do seu juízo de valor, pois é exatamente isso que consta literalmente no TVF do presente processo, que é o processo competente para avaliar os pressupostos para o lançamento da multa isolada e da sua qualificação. Os processos correlatos contendo os referidos pareceres não analisaram a qualificação da multa isolada, mas tão somente serviam para verificar os pressupostos da homologação ou não das compensações; ou considerálas ou não declaradas. No presente caso, o foco da interpretação não deve se ater apenas ao fim pretendido pelo contribuinte (discutir a possibilidade de compensação mesmo diante de um crédito sabidamente não permitido) para efeito de se avaliar a qualificação da multa, mas aos meios que foram empregados para alcançar esse fim. Isso porque ficou bem demonstrado pelo TVF que a falsidade foi caracterizada pela inclusão intencional de situação fática inverídica em seu conteúdo, em que se procurou simular a ocorrência de um fato que impediria, como foi o caso, a identificação de situações que se informadas ao sistema eletrônico, seriam impeditivas do envio das Dcomps. TVF: (...) Os dados somente puderam ser informados por meio de DCOMP e só puderam ser transmitidos em razão de inserção de informações em total descompasso com os fatos da realidade, uma vez que há na DCOMP afirmações Fl. 1216DF CARF MF Processo nº 15578.720005/201156 Acórdão n.º 9101003.574 CSRFT1 Fl. 1.217 22 falsas como as que dão conta de que o direito creditório emergiria de pagamento indevido ou a maior, quando, na realidade, sequer tratase de crédito de natureza tributária. Aliado a isso, foi indicado, expressamente, que o direito creditório que adviria do suposto pagamento indevido ou a maior teria sido reconhecido no bojo do Processo Administrativo Fiscal nº 10166.008268/201031. No caso, a contribuinte iniciou no processo nº 10166.008268/201031, não informando um pedido de restituição, mas sim informação de que se tratava de um pagamento indevido quando sabia não sêlo, não somente em uma Dcomp, mas em várias8, de forma reiterada. Mas não podia fazer essa indicação de pagamento indevido ou a maior sem indicar um número de um outro processo, pois o sistema automaticamente impediria o prosseguimento se não fosse informado um DARF cujo pagamento estaria sendo considerado indevido. Na falta desse DARF (porque de pagamento indevido ou a maior nunca se tratou), então, para contornar esse obstáculo colocado pelo sistema de bloqueio automático, inseriuse uma outra informação também falsa, remetendo o controle do referido processo (201031) para um outro processo, inserindose que o pagamento indevido estaria presente na verdade no processo nº 10166.008796/201090, recém criado (alguns dias depois) e contendo Dcomp retificadora, onde seria então apresentado pela primeira vez o pedido de restituição em papel de direito creditório supostamente indenizável pelo IBAMA, de natureza não tributária. Neste outro processo além do pedido de restituição dos referidos créditos vinculados ao IBAMA, vinculouse também a este processo várias Dcomps, em que em uma das telas consta a existência de um DARF preenchido de 440.000.000,00: 8 Dcomps vinculadas ao processo nº 10166.008268/201031: 37853.41831.240910.1.3.048486 e 42456.290910.1.3.040042 Dcomps vinculadas ao processo nº 10166.008796/201090: e 22308.65830.141010.1.7.048368 e 01256.53508.041010.1.3.049783 Fl. 1217DF CARF MF Processo nº 15578.720005/201156 Acórdão n.º 9101003.574 CSRFT1 Fl. 1.218 23 A confusão produzida foi tanta que o Parecer SEORT/DRF/VITES n° 380/2011 que tratou de considerar não declarada as compensações (dcomps) que acompanharam este segundo processo onde constaria pela primeira vez um pedido de restituição e que este seria um pedido retificador do primeiro processo aberto pelo contribuinte (10166.008268/201031 em que constavam apenas dcomps), acrescentou como forma de estranheza que o pedido de compensação deste outro processo (201031) não existiria "nenhum pedido de restituição vinculado". Afinal, como pode nascer um pedido de compensação sem vinculação a uma origem de crédito (pedido de restituição ou ressarcimento)? Eis os termos do referido parecer: 1. Servem os autos de pedido de restituição, protocolado em 04/10/2010, no montante de R$ 440.000.000,00 (quatrocentos e quarenta milhões de reais). O interessado informa no formulário de fl. 01 que o suposto direito creditório seria decorrente de área desapropriada pelo IBAMA e que o presente pedido de restituição seria retificador do pedido constante do processo n° 10166.008268/2010 31. Cumpre esclarecer que o referido processo trata somente de declarações de compensação, não existindo nenhum pedido de restituição vinculado ao mencionado processo administrativo. Mas, para conseguir burlar o sistema para poder incluir de qualquer forma compensações expressamente vedadas por lei, a Recorrida encontra maneiras tais que implicam necessariamente em prestação de informações falsas no processo, mesmo produzindo as inconsistências acima reveladas. Ou seja, criase inicialmente um processo de compensação (com 2 (duas) Dcomps) apenas, sem amparo em um pedido de restituição vinculado anterior (processo n° 10166.008268/201031); informase por diversas vezes nas várias dcomps apresentadas que tratarseia de pagamentos indevidos ou a maior a ser tratado à parte em um outro processo (nº 10166.008796/201090. Fl. 1218DF CARF MF Processo nº 15578.720005/201156 Acórdão n.º 9101003.574 CSRFT1 Fl. 1.219 24 Dando continuidade, preencheu a contribuinte novamente informação falsa, dessa vez preenchendo tela do sistema informando o valor exato do pagamento indevido, tela essa reproduzindo o design exato de um DARF padrão (vide tela acima), o que caracteriza mais um motivo pelo qual se reforça a hipótese de a contribuinte saber do que se está tratando e não apenas cometendo um simples erro de preenchimento. Na tela baixo se colaciona a dcomp retificadora, mantendo ainda o pagamento indevido, mas agora fazendo referência ao processo recém criado 10166.008796/201090, em que somente nessa oportunidade informa que a natureza do pedido seria de restituição, obrigando a se fazer um tratamento manual e não automático. O TVF detalha mais amiúde essa circunstância: Nos autos do processo administrativo fiscal nº 10166.008268/201031 foram protocoladas, em 17 de setembro de 2010, declarações de compensação em formulário papel indicando diversos débitos, inclusive débitos já inscritos em dívida ativa da União, com o intuito de extinguilos por meio de compensação. Aliado a isso, foram transmitidas, nos dias 24 e 29 de setembro de 2010 as declarações de compensação DCOMP nº 37853.41831.240910.1.3.048486 e 42467.42456.290910.1.3.040042, respectivamente, com a utilização do programa PER/DCOMP disponível no sítio da RFB na internet também com a finalidade de extinguir débitos próprios sob a administração da RFB. Consoante informações constantes dos documentos de compensação apresentados, a empresa, expressamente, registra que o direito creditório adviria de pagamento indevido ou a maior, o qual estaria informado no processo administrativo nº 10166.008268/201031. Fl. 1219DF CARF MF Processo nº 15578.720005/201156 Acórdão n.º 9101003.574 CSRFT1 Fl. 1.220 25 No entanto, no processo administrativo indicado pela Empresa declarante, o suposto direito creditório adviria de valores supostamente indenizáveis junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, decorrente de desapropriação de imóveis rurais de sua propriedade. Os campos disponíveis no programa eram bastante objetivos a esse respeito, e a única conclusão que se pode extrair dessa ocultação que se deu de forma reiterada é que ela foi proposital com deliberada intenção de burlar os controles computacionais da Secretaria da Receita Federal e assim não ver a compensação de seus débitos bloqueada de imediato. E tal situação nada mais é do que a fraude prevista no caput da Lei nº 10.833/2003: falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Nesse sentido, peço vênia para discordar da conclusão chegada pelo Acórdão recorrido, que se deu nos seguintes termos, procurando correlacionar o dolo com o simples fato de o crédito ser de natureza não tributária: A despeito de eventuais efeitos penais decorrentes da conduta da Contribuinte, os quais não devem ser tratados por esse Colegiado em razão de seus estritos limites de competência, impõese afastar eventual alegação de falsidade de declaração no caso, pois (a) em todos os requerimentos apresentados pela Contribuinte à RFB (notadamente as DCOMP, em papel e eletrônicas) fezse referência aos Processos Administrativos n. 10166.008268/201031 e n. 10166.008796/201090 como sendo aqueles que deram origem ao direito creditório compensado e (b) a RFB teve condições desde sempre de constatar a natureza dos créditos utilizados pela Contribuinte e a improcedência da compensação pretendida, ante o domínio que tinha sobre os referidos PA´s relativos ao direito creditório alegado. A opção “pagamento indevido ou a maior” constante da declaração de compensação não tem o condão de modificar o entendimento supra, pois, a par de não ser unívoca (já que a restituição dos valores pretendidos também decorre de pagamento “indevido ou a maior”), não afasta o pleno e prévio conhecimento que tinha a RFB a respeito da natureza da compensação pretendida pela Contribuinte. Como já se colocou retro, repitase, não se pode olvidar de todos os meios ardilosos utilizados, na forma de burlar o sistema eletrônico da Per/Dcomp, mesmo que o fim maior estivesse cristalino: apresentar um direito creditório não permitido pelo sistema de Dcomps de forma a suspender a exigibilidade ou execução dos débitos (parte deles estavam na PFN) até a confecção do despacho decisório. Ora, também se refuta o argumento utilizado pelo recorrido no sentido de afirmar que a Receita Federal tinha o domínio do fato, haja vista que uma conduta de apresentar declaração falsa não pode ser afastada pelo fato de poder ser identificada ou não pelo Fisco. O aspecto a ser analisado é se apresentou ou não declaração falsa. Se o Fisco tinha ou não elementos ou condições para identificar isso, não afasta a ilicitude da conduta. Aliás, se este raciocínio estivesse correto, as multas qualificadas jamais seriam aplicadas, porque se o Fisco descobriu, não caberia a multa. Por essas razões, voto no sentido de conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 1220DF CARF MF Processo nº 15578.720005/201156 Acórdão n.º 9101003.574 CSRFT1 Fl. 1.221 26 Declaração de Voto Conselheira Cristiane Silva Costa Com a devida vênia ao voto da Ilustre Relatora, entendo pela manutenção do acórdão recorrido. Com efeito, a Medida Provisória nº 2.158/2001, trata do lançamento de ofício de diferenças apuradas, nas seguintes situações: Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Em sua redação original, o artigo 18, da Lei nº 10833/2003, tratou da possibilidade de lançamento de multa isolada, (i) por impossibilidade jurídica da compensação (do crédito ou débito), (ii) crédito não ter natureza tributária ou (iii) quando caracterizadas as situações descritas nos artigos 71 a 73, da Lei nº 4.502/1964: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. A Lei nº 11.051/2004 alterou o dispositivo legal para confirmar a imposição de multa isolada quanto às compensações não homologadas, restringindo à hipótese de caracterização da sonegação, fraude ou conluio, conformadas às hipóteses dos artigos 71 a 73, da Lei nº 4.502/1964: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2º do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) Fl. 1221DF CARF MF Processo nº 15578.720005/201156 Acórdão n.º 9101003.574 CSRFT1 Fl. 1.222 27 Assim, enquanto vigente a Lei nº 11.051/2004, poderia ser imposta multa qualificada (150%, conforme art. 44, II, da Lei nº 9.430/1996) no caso de compensações, nas quais caracterizado o dolo do contribuinte, nas condutas de sonegação, fraude ou conluio. A Lei nº 11.488, de 2007, novamente alterou o artigo 18, para então prever que a falsidade na declaração de compensação, poderia justificar a imposição de lançamento de ofício da multa isolada: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) A mesma Lei (11.488) alterou o §2º e §4º, do artigo 18, prevendo a aplicação de multa isolada na compensação (com falsidade hipótese do caput), expressamente referindose à multa de ofício de 75% (inciso I, do artigo 44), como também à multa de ofício qualificada, de 150% (inciso II, do artigo 44): § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 4º Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 5º Aplicase o disposto no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2o e 4o deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) A aplicação da multa qualificada (150%), portanto, depende de apuração da efetiva ocorrência das hipóteses identificadas pelo artigo 71 a 73, da Lei nº 4.502/1964. Tanto assim que o §4º menciona a duplicação da multa de ofício "quando for o caso". E o caso é constatado nas hipóteses comprovadas de sonegação, fraude ou conluio. Caso não comprovado o dolo do contribuinte, conformando a hipótese aos artigos 71 a 73, sequer seria cabível multa qualificada. No caso dos autos, lembro que a fiscalização imputou multa qualificada, fundamentandoa nos artigos 18, §4º, da Lei nº 10.833/2003, combinado com os artigos 44, §1º, da Lei nº 9.430/1996 e artigo 72, da Lei nº 4.502/1964. Assim, o auditor fiscal enquadrou a situação dos autos como fraude, nos termos do artigo 72. Ocorre que não é caso de fraude, que é conceituada pela lei como "tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento." (art. 72, Lei 4.502/1964). Fl. 1222DF CARF MF Processo nº 15578.720005/201156 Acórdão n.º 9101003.574 CSRFT1 Fl. 1.223 28 Lembro que a Turma a quo decidiu pelo cancelamento da multa, nos termos do voto do Relator, exConselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, justamente enfrentando a caracterização de fraude: Depreendese do texto legal que a fraude – para servir de qualificação da conduta sancionada por normas tributárias (art. 72 da Lei n. 4.502, de 1964, em especial) – requer a presença de dolo específico, ou seja, exige que a ação ou omissão do sujeito passivo tenha sido conscientemente direcionada para o específico fim de impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal ou de excluir ou modificar as suas características essenciais e, com isso, por conseqüência, reduzir o montante do tributo devido ou evitar ou diferir o seu pagamento. Com efeito, a fraude a que alude a legislação tributária está diretamente vinculada aos efeitos da conduta do sujeito passivo sobre o fato gerador da obrigação tributária principal (e não ao pagamento do tributo). Nos termos da referida lei, apenas ocorre a fraude prevista no citado dispositivo se a conduta do contribuinte impactar o fato gerador do tributo. (...) No caso, os débitos objeto de compensação foram confessados e constituídos, ou seja, não há como se falar que a Contribuinte agiu de forma dolosa para impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador, uma vez que a compensação de débito constitui etapa posterior a este (fato gerador). Como bem identificado pelo Colegiado a quo, não houve qualquer conduta anterior ao fato gerador, caracterizadora do dolo do contribuinte para "impedir ou retardar.... a ocorrência do fato gerador". Poderseia cogitar a ocorrência de sonegação, mas é vedado o enfrentamento sob tal ótica, diante de autuação fiscal fundamentada no artigo 72, da Lei nº 4.502/1964, não sendo possível a modificação do critério jurídico do lançamento, conforme artigo 146, do Código Tributário Nacional. Adotando as razões do acórdão recorrido, com as adições acima explicitadas, entendo por negar provimento ao recurso especial da Procuradoria. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 1223DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.002075/2005-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/01/2004
LANÇAMENTO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Não padece de nulidade o lançamento que observa os requisitos formais do art. 10 do Decreto nº 70.235/72, bem assim, como espécie de ato administrativo, a regularidade de seus elementos constitutivos (sujeito, forma, objeto, motivo e finalidade).
CONCORRÊNCIA DE PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL COM O MESMO OBJETO. CONCOMITÂNCIA. CONFIGURAÇÃO.
A propositura pelo contribuinte de ação judicial onde se alterca a mesma matéria veiculada em processo administrativo, a qualquer tempo, antes ou após a inauguração da fase litigiosa administrativa, conforme o caso, importa em renúncia ao direito de recorrer ou desistência do recurso interposto quanto ao tema submetido à apreciação judicial. Súmula CARF nº 1.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/01/2004
COFINS. BASE DE CÁLCULO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. ART. 3º, § 1º DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. RECONHECIMENTO. EFEITOS. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DE ICMS. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXCLUSÃO.
Definido em decisão judicial transitada em julgado que o conceito de faturamento, para fins de incidência da Cofins, é aquele constante do art. 2º da Lei Complementar nº 70/91, correspondente à receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, assim entendido o somatório das receitas típicas da atividade empresarial do sujeito passivo, ante a inconstitucionalidade da definição veiculada pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, há de ser excluída da base de apuração da contribuição os valores referentes à cessão de créditos de ICMS a terceiros e o crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3401-005.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir da autuação os valores relativos à cessão de créditos de ICMS a terceiros e crédito presumido de IPI.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado, Cassio Schappo e Lázaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/01/2004 LANÇAMENTO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não padece de nulidade o lançamento que observa os requisitos formais do art. 10 do Decreto nº 70.235/72, bem assim, como espécie de ato administrativo, a regularidade de seus elementos constitutivos (sujeito, forma, objeto, motivo e finalidade). CONCORRÊNCIA DE PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL COM O MESMO OBJETO. CONCOMITÂNCIA. CONFIGURAÇÃO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial onde se alterca a mesma matéria veiculada em processo administrativo, a qualquer tempo, antes ou após a inauguração da fase litigiosa administrativa, conforme o caso, importa em renúncia ao direito de recorrer ou desistência do recurso interposto quanto ao tema submetido à apreciação judicial. Súmula CARF nº 1. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/01/2004 COFINS. BASE DE CÁLCULO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. ART. 3º, § 1º DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. RECONHECIMENTO. EFEITOS. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DE ICMS. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXCLUSÃO. Definido em decisão judicial transitada em julgado que o conceito de faturamento, para fins de incidência da Cofins, é aquele constante do art. 2º da Lei Complementar nº 70/91, correspondente à receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, assim entendido o somatório das receitas típicas da atividade empresarial do sujeito passivo, ante a inconstitucionalidade da definição veiculada pelo art. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 20 75 /2 00 5- 18Fl. 312DF CARF MF 2 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, há de ser excluída da base de apuração da contribuição os valores referentes à cessão de créditos de ICMS a terceiros e o crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir da autuação os valores relativos à cessão de créditos de ICMS a terceiros e crédito presumido de IPI. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente (assinado digitalmente) Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado, Cassio Schappo e Lázaro Antonio Souza Soares. Relatório Tratase de lançamento de Cofins, apuração cumulativa, período dezembro/02 a janeiro/2004, em razão da não inclusão, na apuração da contribuição, de valores referentes a cessão de créditos de ICMS, crédito presumido de IPI e venda de produção do estabelecimento (notas fiscais que especifica – efl. 124). A impugnação sustentou que os créditos de ICMS transferidos a terceiros não se conformam ao conceito de receita e/ou faturamento, bem assim, que o crédito presumido de IPI é parcela redutora do custo de exportação e, nessa condição, também não configura receita, passando a discorrer sobre os temas; que o conceito de faturamento veiculado nas Leis nºs 9.718/98, 10.637/02 e 10.833/03 ofende a Constituição Federal de 1988, assinalando as razões para tal inferência; que a a taxa selic é inaplicável aos tributos; e, que haveria vício formal no lançamento, por não indicar o dispositivo legal que amparou a pretensão fiscal. A DRJ Porto Alegre/RS manteve o lançamento: “BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIAS DE CRÉDITOS DE ICMS. A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP e a COFINS até a vigência dos arts. 7 1, 8° e 90 da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008. Fl. 313DF CARF MF Processo nº 11065.002075/200518 Acórdão n.º 3401005.059 S3C4T1 Fl. 313 3 BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. O crédito presumido de IPI, previsto na Lei n° 9.363/96, integra a base de cálculo da contribuição, a partir de 02/1999. CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis.” O recurso voluntário ratificou a impugnação, destacando a nulidade do lançamento pela ausência de indicação do dispositivo em que fundada a exigência. No mérito, defendeu que o conceito de receita bruta não alcança os ressarcimentos de créditos presumidos de IPI previstos na Lei nº 9.363/96; que o alargamento do conceito de faturamento ditado pelas Leis nºs 9.718/98, 10.637/02 e 10833/03 é inconstitucional, havendo interposição de ação judicial (Ação Ordinária nº 2005.71.08.0079376 – TRF 4ª Região) para discussão dessa questão; e, que a cessão de créditos de ICMS não constitui receita tributável pela Cofins. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Preliminarmente, quanto à propalada nulidade, por suposta ausência de indicação dos dispositivos legais que embasam o lançamento, não assiste razão ao recorrente, porquanto o auto de infração, no quadro denominado “Enquadramento Legal” (efl. 126), aponta o seguinte fundamento legal: “Arts. 2º , inciso II e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto nº 4.524/02”. Além do que, a fundamentação jurídica é bem objetiva e indica claramente as pretensas infrações cometidas, não havendo que se falar em cerceamento do direito de defesa ou prejuízo ao contraditório. Na seqüência, invertendo a ordem de enfrentamento das questões devolvidas ao Colegiado, atinente às alegações de inconstitucionalidade, acentuo que é entendimento assente neste sodalício, inclusive com edição de súmula de jurisprudência, que às instâncias administrativas não compete se manifestar sobre o tema, prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário, que detém o monopólio da jurisdição. Nesse sentido, a súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Esta situação ficou ainda mais evidente com a edição da Lei nº 11.941/09, que, alterando o Decreto nº 70.235/72, incluiu o art. 26A, cuja redação é a seguinte: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 314DF CARF MF 4 § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Como não bastasse, o próprio recorrente noticia a proposição de ação judicial perante a Justiça Federal objetivando debater a (in)constitucionalidade do conceito de faturamento apresentado pelas Leis nºs 9.718/98, 10.637/02 e 10.833/03. Nesse passo, em consulta ao sítio virtual do TRF 4ª Região verifiquei que a Ação Ordinária nº 2005.71.08.0079376/RS, patrocinada por Móveis Kappesberg Ltda., transitou em julgado em 17/12/2007, inclusive com liquidação de execução de sentença (repetição de indébito), sendo baixada definitivamente em 18/12/2007. A decisão proferida na fase de conhecimento, em primeira instância, é a seguinte: “AÇÃO ORDINÁRIA (PROCEDIMENTO COMUM ORDINÁRIO) Nº 2005.71.08.0079376/RS AUTOR : MOVEIS KAPPESBERG LTDA ADVOGADO : LILIANA ROSA FERREIRA RÉU : UNIAO FEDERAL SENTENÇA 1. RELATÓRIO: Tratase de ação ordinária em que a autora se insurge contra a exigência de PIS e COFINS sobre a totalidade das suas receitas auferidas. Refere que as alterações da Lei 9718/98, essencialmente no ponto em que ampliou a base de cálculo da COFINS e do PIS (art. 3º, I), conflita com o texto constitucional. Em síntese, sustenta haver necessidade de lei complementar para a alteração da base de cálculo do PIS e da COFINS, pois a inovação trazida pela referida norma deve ser entendida como criação de novo tributo, já que antes da EC 20/98 as exações somente poderiam incidir sobre o faturamento e não em relação à receita bruta, tal Fl. 315DF CARF MF Processo nº 11065.002075/200518 Acórdão n.º 3401005.059 S3C4T1 Fl. 314 5 com determinado pela legislação questionada. Postula o reconhecimento do indébito e a sua restituição ou compensação, após o trânsito em julgado da lide. Junta documentos. Na contestação, a União suscitou em preliminar a prescrição do pedido de repetição do indébito, nos termos indicados pela Lei Complementar 118. No mérito, abordou a evolução legislativa da matéria, alegando que o termo faturamento inscrito no texto constitucional não teve a intenção de restringir o conceito, ao contrário, indica que as contribuições sociais dos empregadores deverão incidir sobre a receita bruta da atividade exercida pela sociedade. Salientou que a Lei 9.718/98 não introduziu uma nova conceituação, somente veio esclarecer um conceito já utilizado pela jurisprudência. Disse ainda que a inovação só produziu efeitos quando já vigorava a Emenda Constitucional nº 20, que colocou um ponto final na controvérsia acerca da base de cálculo das contribuições sociais, deixando claro que estas podem incidir sobre a receita das pessoas jurídicas, sem qualquer restrição quanto à sua abrangência. Argumentou que a exigência de lei complementar como instrumento legislativo para instituição e/ou modificação diz respeito às novas contribuições sociais, ou seja, às residuais, que não é o caso da lide. Tratandose exclusivamente de matéria de direito, vieram os autos conclusos para sentença. É o relatório. Decido. 2. FUNDAMENTAÇÃO: O Pleno do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 346.084, considerou inconstitucional a base de cálculo do PIS/COFINS definida no §1º do art. 3º da Lei 9718/98 porque a Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998, que alterou o art. 195 da Carta Magna, permitindo a instituição da contribuição social sobre a receita ou faturamento, foi superveniente à publicação da Lei 9718, ocorrida em 28 de novembro de 1998, e jamais poderia ter o efeito de constitucionalizála pelo simples fato de que ela, no ponto referente à base de cálculo, era uma autêntica natimorta. Logo, em relação à COFINS, a alíquota de 3% definida pela Lei 9718/98 (art. 8º) deverá incidir sobre a base de cálculo prevista no art. 2º da LC 70/91. No que tange ao PIS, o tributo deverá ser apurado com a alíquota de 0,65% (art. 8º da Lei 9715/98), incidente sobre a base de cálculo prevista no art. 3º da Lei 9715/98. Tudo que tiver sido pago de maneira diversa comporta restituição ou compensação. De outra parte, deve ser observado que a compatibilização da base de cálculo do PIS/COFINS pelas Leis 10637/02 (art. 1º) e 10833/03 (art. 1º) , respectivamente, ocorreu apenas em relação às empresas que estão sujeitas ao regime nãocumulativo das citadas contribuições. De fato, o art. 8º da Lei 10637/02 dispõe que ‘permanecem sujeitas às normas da legislação para o PIS/PASEP, vigente anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 6º....as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado’. No caso da COFINS, o art. 10 da Lei 10833/03 repete disposição idêntica, estabelecendo ‘permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não Fl. 316DF CARF MF 6 se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º....as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado’. As Leis 10637/02 e 10833/03 instituíram o sistema nãocumulativo para a cobrança do PIS e da COFINS, tal como dispõe o Capítulo I que as encabeça. O sistema nãocumulativo não se aplica para todas as pessoas jurídicas, mas apenas para aquelas que operam pelo lucro real. As optantes pelo lucro presumido ou sujeitas ao lucro arbitrado continuam recolhendo as contribuições para a COFINS e o PIS com base na Lei 9718/98, não tendo havido modificação legislativa superveniente a esta lei. Quer dizer, devem ser diferenciadas duas situações: a) Para as empresas optantes pelo lucro real e que recolhem as contribuições pelo regime nãocumulativo, os pagamentos indevidos a título de COFINS abrangem o período de 01 de fevereiro de 1999 (art. 17 da Lei 9718/98) até 30 de janeiro de 2004, quando passou a vigorar a Lei 10833/03, resultado da conversão da MP 135, de 30 de outubro de 2003. No caso do PIS, os recolhimentos indevidos vão de 01 de fevereiro de 1999 (art. 17 da Lei 9718/98) até 30 de novembro de 2002, quando compatibilizada a base de cálculo pela MP 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei 10637/02. b) As optantes pelo lucro presumido ou arbitrado têm direito à restituição ou compensação dos valores que foram ou continuam sendo indevidamente pagos, uma vez que não se lhes aplicam as disposições das Leis 10637/02 e 10833/03. Portanto, observadas as distinções supramencionadas, os valores indevidamente pagos a tal título comportam compensação ou restituição, a critério da autora por ocasião da execução e após o trânsito em julgado da sentença. A compensação deverá se dar com quaisquer tributos administrados pela SRF, devendo a autora submeter o procedimento ao disposto no art. 74 da Lei 9430/96. Em qualquer caso, os créditos deverão ser apurados a partir de cada recolhimento indevido, ficando sujeitos à incidência da taxa SELIC, nos termos do art. 39 da Lei 9250/95. Quanto à prescrição, tenho que prevalece a sistemática dos 5+5, ou seja, de dez anos, a contar dos respectivos fatos geradores. Como as contribuições são lançadas por homologação, a extinção do crédito tributário ocorre cinco anos depois do fato gerador (art. 150, §4º do CTN), quando há a homologação tácita. Extinto o crédito, o contribuinte tem o prazo de cinco anos para rever o indébito (art. 168, I do CTN). Afastase, na hipótese dos autos, o prazo de cinco anos, a contar do pagamento indevido, nos termos do disposto no art. 3º da LC 118/05: Art. 3º. Para efeito da interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172. de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei. Art. 4º Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, inciso I da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional. A respeito do tema, escrevi no livro Curso de Direito Tributário, publicado pela editora Verbo Jurídico em 2005, págs. 290/291: ‘Tais entendimentos jurisprudenciais acerca do momento da extinção do crédito tributário nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação certamente Fl. 317DF CARF MF Processo nº 11065.002075/200518 Acórdão n.º 3401005.059 S3C4T1 Fl. 315 7 passarão por acirradas discussões, frente ao disposto nos artigos 3° e 4° da LC 118/05. É que o art. 3° desta lei, para efeito de interpretação do art. 168, I, do CTN, fixou a data do pagamento antecipado como o momento em que ocorre a extinção do crédito tributário, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação. E o art. 4° mandou que fosse observado, quanto ao art. 3°, o disposto no art. 106, I, do CTN. Ou seja, o legislador acabou com o entendimento dos "cinco mais cinco" e atribuiu à norma que considera extinto o crédito tributário no momento do pagamento, nos tributos lançados por homologação, um caráter meramente interpretativo. Com isto, pretende que o dispositivo alcance os pagamentos anteriores à data da vigência da LC 118/05, cujos efeitos vigorarão a partir de junho de 2005 (art. 4°). Em princípio, a Constituição Federal não proíbe a edição de leis retroativas. A proibição alcança apenas as normas que vulnerem a coisa julgada, o direito adquirido e o ato jurídico perfeito (art. 5°, XXXVI). O Supremo Tribunal Federal tem admitido a chamada retroatividade das leis interpretativas, desde que permaneçam intangíveis as situações juridicamente consolidadas. O Min. OROSIMBO NONATO, em 1950, no julgamento do RE 10039/SP, já dizia que a Constituição impunha um efeito limitador da aplicação retrooperante das leis interpretativas. Segundo ele, "o problema da retroatividade da lei interpretativa, que é uma anomalia, como observa Capitant, e traduz 'una mala política legislativa', na observação de Salvat é considerado diversamente pelos D.D.". Depois de fazer referência ao magistério de Bento de Faria, esclarecia o Ministro que "a chamada retroatividade da lei puramente interpretativa seria de simples aparência. Como argumenta lucidamente Gaston Jèze se a lei nada encerra de novo é pura superfluidade. E o que rege o passado é a lei antiga repetida ociosamente. Se contém algo de novo, é lei nova. E, então, quando é constitucional a vedação da retroatividade, não poderá ela ter projeção retrooperante". No caso, o CTN já dispunha acerca do momento da extinção do crédito tributário nos tributos lançados por homologação. De fato, o art. 156, VII estabelece que extingue o crédito tributário o pagamento antecipado e a homologação do lançamento, nos termos do disposto no art. 150 e seus §§1° e 4°. Nos tributos lançados por homologação o pagamento antecipado nunca foi uma causa de extinção do crédito tributário. E não havia extinção justamente por causa da necessidade de homologação, expressa ou tácita, da Fazenda Pública ao pagamento efetuado pelo contribuinte. O art. 3° da LC 118/05 não é uma norma simplesmente interpretativa, de maneira a alcançar pagamentos anteriores à data da sua vigência. É uma lei nova que não poderá reger o passado para vulnerar situações jurídicas concretizadas de acordo com a norma então vigente. "Exige o Código Tributário Nacional", diz BERNARDO RIBEIRO DE MORAES, "para tal aplicação seja a norma 'expressamente interpretativa' (art. 106, I). Portanto, a lei tributária expressamente interpretativa, isto é, lei com cláusula de retroatividade, retroage ao dia em que entrou em vigor a lei interpretada. Em verdade, afirma Limongi França, as leis interpretativas não retroagem no sentido próprio do termo, pois 'o que se dá é a aplicação da própria lei interpretada, a partir da sua entrada em vigor'. Em verdade, a lei interpretativa não inova a ordem jurídica, não cria e nem altera relações inexistentes (caso contrário não seria interpretativa), mas apenas oferece novo entendimento à norma interpretada". Logo, entendemos que apenas os pagamentos efetuados a partir do momento em que passar a vigorar a LC 118/05 é que se submeterão à nova modalidade de extinção do crédito tributário. Ou seja, os tributos lançados por homologação somente poderão ser considerados extintos pelo pagamento quando este ocorrer após Fl. 318DF CARF MF 8 a entrada em vigor da LC 118/05. Nesta situação, o contribuinte terá o prazo de cinco anos, a contar do pagamento, para postular a restituição’. Acerca da retroatividade das leis interpretativas, escreveu o Ministro Carlos Velloso no RE 120.446PB, DJU 13.12.96: ‘ A questão das leis interpretativas costuma envolver juristas em equívocos, principalmente aqueles que lêem autores cujos sistemas jurídicos não dão ao princípio da irretroatividade das leis status constitucional. No Brasil, o princípio da irretroatividade das leis, em obséquio ao direito adquirido, embasase na Constituição. É por isso que Baleeiro, lembrei em trabalho doutrinário que escrevi – ‘ A Irretroatividade da Lei Tributária Irretroatividade e Anterioridade Imposto de Renda e Empréstimo Compulsório", em "temas de Direito Público", Del Rey Editora, 1994, pág; 298 comentando o art. 106, I, CTN, que estabelece que a lei interpretativa se aplica a ato ou fato pretérito, leciona que, " nos países, como o nosso (CF/69, art. 153, §§ 3º, 16, 36), em que a irretroatividade da lei em relação às situações jurídicas definitivamente constituídas assume caráter de direito e garantia individuais do Estatuto Político, a interpretação autêntica há de ser limitada à sua função específica: esclarecer e suprir o que foi legislado, sem arrogarse a jus novum, mais oneroso para o cidadão. Lei que interpreta outra há de ser retroativa por definição no sentido de que lhe espanca as obscuridades e ambigüidades. Mas contaminarseá de inconstitucionalidade se, em matéria fiscal, criar tributos, penas, ônus ou vexames que não resultavam expressa ou implicitamente do texto interpretado. Tais inovações só alcançam para o futuro.’ (Aliomar Baleeiro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Forense, pág. 428). O Ministro também faz referência pertinente à lição de Pontes de Miranda: ‘ em sistemas jurídicos, que têm o princípio da legalidade, da irretroatividade das leis e da origem democrática da regra jurídica, não se pode pensar em regra jurídica interpretativa, que, a pretexto da autenticidade da interpretação, retroaja.’ (Temas de Dir. Público", pág. 229). Em decorrência disso, como todos os pagamentos indevidos remontam ao ano de 1999 e ação foi proposta em 08 de agosto de 2005, não existem créditos que tenham sido atingidos pela prescrição. 3. DISPOSITIVO: Pelo exposto, julgo procedente o pedido para condenar a União na restituição, ou compensação, dos valores indevidamente pagos, nos termos supramencionados. Condeno a União no pagamento de honorários advocatícios de 10% sobre o valor atualizado da causa e na restituição das custas adiantadas pela autora, ambos atualizados pelo IPCAE. Sentença sujeita ao reexame necessário. Publiquese. Registrese. Intimese. Novo Hamburgo, 15 de fevereiro de 2006.” Diante da apelação apresentada pela União Federal e pela remessa necessária, o TRF 4ª Região assim se pronunciou: “APELAÇÃO CÍVEL Nº 2005.71.08.0079376/RS RELATOR :Des. Federal JOEL ILAN PACIORNIK Fl. 319DF CARF MF Processo nº 11065.002075/200518 Acórdão n.º 3401005.059 S3C4T1 Fl. 316 9 APELANTE :UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) ADVOGADO :Simone Anacleto Lopes APELADO :MOVEIS KAPPESBERG LTDA/ ADVOGADO :Liliana Rosa Ferreira e outro REMETENTE :JUÍZO FEDERAL DA 01A VF DE NOVO HAMBURGO EMENTA TRIBUTÁRIO. PIS. COFINS. LEI 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. LC 118/2005. CORREÇÃO MONETÁRIA. SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA. 1. O Supremo Tribunal Federal, em recente decisão prolatada no julgamento dos Rext 357950/RS, rel. orig. Min. Marco Aurélio, e RExt 346084/PR, rel. orig. Min. Ilmar Galvão, em sessão realizada no dia 09.11.2005, rematou a controvérsia declarando a inconstitucionalidade do alargamento da definição de faturamento como base de cálculo do PIS e da COFINS promovida pelo §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98. 2. Cuidandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo para pleitear a restituição inicia a partir da data em que ocorrer a homologação do lançamento. Diante da homologação tácita, dispõe o contribuinte do prazo de dez anos para postular a restituição, a contar do fato gerador, cinco dos quais relativos à homologação tácita e os outros cinco ao prazo prescricional propriamente dito. 3. O e. Superior Tribunal de Justiça, em julgamento dos Embargos de Divergência no Recurso Especial nº 327043, decidiu, por unanimidade, que se aplica o prazo do referido art. 3º da LC 118/2005 somente às ações ajuizadas a partir de 09 de junho de 2005, o que não é o caso dos autos. 4. A restituição dos valores indevidamente recolhidos tem assento no art. 165 do CTN, que assegura ao contribuinte o direito à devolução total ou parcial do tributo, seja em decorrência de pagamento indevido ou a maior. 5. Na forma da Lei nº 8.383/91, é possível a compensação dos valores pagos indevidamente com prestações vincendas das próprias contribuições, extinguindose o crédito sob condição resolutória da ulterior homologação (art. 150, § 1º, do CTN). Saliento, entretanto, que relativamente aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, admitese a compensação com débitos oriundos de quaisquer tributos e contribuições administrados por este órgão, de acordo com a nova redação do art. 74 da Lei nº 9.430/96, dada pela Lei nº 10.637, de 30122002. Fl. 320DF CARF MF 10 6. Cuidandose de tributo objeto de contestação judicial, para que a compensação tenha o condão de operar a extinção do crédito tributário, deve ser efetivada depois do trânsito em julgado da decisão. 7. A Lei nº 9.430/96 não derrogou o art. 66 da Lei nº 8.383/91, no que se refere aos tributos e contribuições administrados pela Receita Federal, podendo o contribuinte escolher o regime de compensação que lhe convier. 8. Optando o contribuinte pelo regime da Lei nº 8.383/91, deve compensar o crédito com prestações vincendas de tributo da mesma espécie e destinação constitucional, a partir do trânsito em julgado, extinguindose o crédito sob condição resolutória da ulterior homologação. 9. Se o contribuinte escolher pelo sistema da Lei nº 9.430/96, pode compensar com qualquer tributo ou contribuição arrecadado pela Receita Federal, porém deve apresentar declaração na via administrativa e submeterse às regras postas na Lei, inclusive a que proíbe a utilização do crédito antes do trânsito em julgado da sentença. 10. O provimento judicial limitase a declarar o direito do contribuinte a realizar a compensação, seja nos moldes da Lei nº 8.383/91, seja de acordo com a Lei nº 9.430/96, sem que isso implique antecipação ou substituição do juízo administrativo. 11. A correção monetária deve incidir sobre os valores desde a data do pagamento indevido por aplicação do entendimento assentado pela Súmula nº 162 do STJ com incidência da taxa SELIC, aplicável a partir de 01/01/96, excluindose qualquer índice de correção monetária ou juros de mora (art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95). 12. Em havendo sucumbência recíproca, compensamse os honorários advocatícios, cada parte arcando com a verba honorária de seus respectivos patronos. 13. Apelação desprovida e remessa oficial provida em parte. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia 1ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar provimento à apelação e dar provimento parcial à remessa oficial, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 27 de setembro de 2006. RELATÓRIO Fl. 321DF CARF MF Processo nº 11065.002075/200518 Acórdão n.º 3401005.059 S3C4T1 Fl. 317 11 Móveis Kappesberg Ltda. ajuizou ação ordinária pretendendo a declaração de inexigibilidade do PIS e da COFINS nos moldes das bases de cálculo introduzidas pelas Leis nºs 9.718/98, 10.637/2002 e 10.833/2003, com o reconhecimento do direito à compensação/restituição dos valores recolhidos indevidamente a esse título a partir de fevereiro de 1999. Alegou que a Lei nº 9.718/98 incluiu na base de cálculo do PIS e da COFINS outras receitas que não aquelas integrantes do conceito de faturamento previsto nas respectivas LC nº 07/70 e LC nº 70/91. Referiu que a EC nº 20/98 não tem o condão de retroagir e convalidar vícios da Lei nº 9.718/98, sendo esta inconstitucional desde sua edição. Argumentou que as alterações da base de cálculo das contribuições em apreço promovidas pelas Leis nºs 9.718/98, 10.637/2002 e 10.833/2003 contrariam os conceitos de direito privado, em violação ao art. 110 do CTN, bem como a definição de faturamento já explicitada pelo STF. Sustentou a impossibilidade de uma lei ordinária modificar dispositivo de lei complementar, por afronta ao princípio da hierarquia das leis estampado no art. 59 da CF. Regularmente processado o feito, sobreveio sentença, às fls. 105110, julgando procedente o pedido para declarar o direito da requerente à restituição ou compensação dos valores indevidamente recolhidos a título de contribuição ao PIS e à COFINS, com base no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98, a ser a compensação efetuada com tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal, devendo a autora submeter o procedimento ao disposto no art. 74 da Lei nº 9.430/96, corrigidos monetariamente pela taxa SELIC, condenada a União à restituição das custas adiantadas pela demandante e ao pagamento dos honorários advocatícios, estes fixados em 10% sobre o valor da causa. A União Federal interpôs recurso de apelação, às fls. 113122, alegando, primeiramente, a ocorrência da prescrição qüinqüenal prevista na LC nº 118/2005. Sustentou, em breve relato, que o art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98 permanece vigente, uma vez que foi objeto de declaração de inconstitucionalidade pelo STF somente pela via difusa, com efeitos inter partes, sendo que apenas após a resolução do Senado Federal é que surtirá efeitos perante todos. Com contrarazões (fls. 125140), subiram os autos a esta Corte, ainda, por força da remessa oficial. É o relatório. Peço dia. VOTO A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, §1º, ao estabelecer a base de cálculo do PIS e da COFINS, ampliou a definição de faturamento, considerandoo como a ‘... totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas’. De fato, não se desconhece que, após ampla e reiterada discussão sobre a inovação introduzida pelo referido dispositivo, este Tribunal firmou posicionamento, em julgamento da Argüição de Inconstitucionalidade nº 1999.04.01.0802741/SC, pela constitucionalidade da modificação da base de Fl. 322DF CARF MF 12 cálculo do PIS e da COFINS introduzida pela Lei nº 9.718/98, porquanto inserida no conceito de receita bruta. Ocorre, contudo, que o Supremo Tribunal Federal, em recente decisão prolatada no julgamento dos Rext 357950/RS, rel. orig. Min. Marco Aurélio, e RExt 346084/PR, rel. orig. Min. Ilmar Galvão, em sessão realizada no dia 09.11.2005, rematou a controvérsia declarando a inconstitucionalidade do alargamento da definição de faturamento como base de cálculo do PIS e da COFINS promovida pelo §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98. A propósito, vale transcrever o texto extraído do Informativo do STF nº 408, in verbis: Concluído julgamento de uma série de recursos extraordinários em que se questionava a constitucionalidade das alterações promovidas pela Lei 9.718/98, que ampliou a base de cálculo da COFINS e do PIS, cujo art. 3º, § 1º, define o conceito de faturamento ("Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º. Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas.") v. Informativos 294, 342 e 388. O Tribunal, por unanimidade, conheceu dos recursos e, por maioria, deulhes provimento para declarar a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Entendeuse que esse dispositivo, ao ampliar o conceito de receita bruta para toda e qualquer receita, violou a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, b, da CF, na sua redação original, que equivaleria ao de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, conforme reiterada jurisprudência do STF. Ressaltouse que, a despeito de a norma constante do texto atual do art. 195, I, b, da CF, na redação dada pela EC 20/98, ser conciliável com o disposto no art. 3º, do § 1º da Lei 9.718/98, não haveria se falar em convalidação nem recepção deste, já que eivado de nulidade original insanável, decorrente de sua frontal incompatibilidade com o texto constitucional vigente no momento de sua edição. Afastouse o argumento de que a publicação da EC 20/98, em data anterior ao início de produção dos efeitos da Lei 9.718/98 o qual se deu em 1º.2.99 em atendimento à anterioridade nonagesimal (CF, art. 195, § 6º) , poderia conferirlhe fundamento de validade, haja vista que a lei entrou em vigor na data de sua publicação (28.11.98), portanto, 20 dias antes da EC 20/98. Reputouse, ademais, afrontado o § 4º do art. 195 da CF, se considerado para efeito de instituição de nova fonte de custeio de seguridade, eis que não obedecida, para tanto, a forma prescrita no art. 154, I, da CF ("Art. 154. A União poderá instituir: I mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo anterior, desde que sejam nãocumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição;").RE 357950/RS, rel. orig. Min. Marco Aurélio (RE357950).RE 346084/PR, rel. orig. Min. Ilmar Galvão, 9.11.2005. (RE346084). Malgrado outro tenha sido o entendimento deste Tribunal sobre a matéria, a discussão perde relevância ante a nova orientação dada pela Suprema Corte, órgão máximo para resolver as questões relativas à compatibilidade formal e material das leis frente à Constituição Federal, no sentido de ser inconstitucional a exigência do PIS e da COFINS nos termos da base de incidência trazida pela Lei nº 9.718/98. Deixo, portanto, de argüir a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 ao Plenário desta Corte, em atendimento ao art. 481, parágrafo único, do CPC. Com efeito, as subseqüentes Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, resultado da conversão das respectivas Medidas Provisórias nº 65 e 135, mantiveram a base de cálculo do PIS e da COFINS definida anteriormente pela Lei nº 9.718/98, assim compreendida como o resultado da totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua classificação contábil, mas instituíram a Fl. 323DF CARF MF Processo nº 11065.002075/200518 Acórdão n.º 3401005.059 S3C4T1 Fl. 318 13 cobrança nãocumulativa dessas contribuições, permitindo o abatimento de vários créditos. Contudo, foram excluídas dessa nova sistemática de cálculo as instituições financeiras, as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado, as optantes pelo Simples, as imunes a impostos, dentre outras pessoas jurídicas e grandezas econômicas mencionadas no art. 8º da Lei nº 10.637/2002 e art. 10º da Lei nº 10.833/2003, que devem permanecer sujeitas às normas da legislação vigente anteriormente a essas Leis. Ressaltese, outrossim, que não há falar em ilegalidade ou inconstitucionalidade na ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS promovida pelas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, visto que promovida posteriormente à nova redação dada ao art. 195, I, b, da CF, dada pela EC nº 20/98, que consignou serem a receita ou o faturamento expressões equivalentes. Não prospera, igualmente, o argumento de que uma lei ordinária não tem o condão de modificar uma lei complementar. É posição pacífica nesta Corte que a LC nº 07/70 foi recepcionada como se fosse lei ordinária, bem como que a LC nº 70/91, na verdade, é materialmente lei ordinária, necessitando para a sua alteração de normas da mesma hierarquia. Não há falar, na hipótese, em inconstitucionalidade formal da lei ordinária modificadora, porquanto as matérias para as quais se reclama a veiculação por lei complementar encontram previsão no próprio texto Constitucional, não estando as contribuições ao PIS e a COFINS enquadradas nessa exigência. Forçoso destacar, por oportuno, que o STF já se pronunciou no sentido de que a eficácia do provimento judicial em controle concentrado, entendimento que pode ser aplicado ao controle concreto, por analogia, passa a valer a partir da publicação, no DJU, da ata de julgamento, e não do trânsito em julgado do acórdão. Nesse sentido, imperioso transcrever trecho do voto do Min. Celso de Mello, em que foi Relator na Rcl 3309, pub. DJU de 4.8.2005, no qual cita precedentes da Suprema Corte que serviram de fundamento para sua decisão: ‘(...) O extremo relevo que assumem as conseqüências jurídicas decorrentes da suspensão cautelar da aplicabilidade de atos normativos, quando impugnados em sede de controle concentrado de constitucionalidade, impõe que se defina o "dies a quo" a partir do qual a decisão desta Suprema Corte passa a ter eficácia. Cabe relembrar, neste ponto, que o Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao apreciar questão de ordem suscitada na ADI 711/AM, Rel. Min. NÉRI DA SILVEIRA, definiu, como termo inicial da plena instauração de eficácia da medida cautelar concedida em ação direta, a data em que publicada, no Diário da Justiça da União, a ata da sessão do respectivo julgamento, ressalvadas as hipóteses excepcionais indicadas no precedente referido: "Ação Direta de Inconstitucionalidade. Medida cautelar deferida. Questão de Ordem. 2. A decisão que concede medida cautelar, em ação direta de inconstitucionalidade, possui eficácia, 'ex nunc'. Com a concessão da liminar, o ato normativo impugnado fica com sua eficácia suspensa, até o julgamento final. (...) 4. O deferimento da medida cautelar produz seus efeitos a partir da data da publicação da ata de julgamento no Diário da Justiça da União.(...)." (grifei) (...) Não foi por outra razão que esta Suprema Corte, ao julgar a Rcl 2.576/SC, Rel. Min. ELLEN GRACIE, reiterou essa orientação, assinalando, então, que se revela "Desnecessário o trânsito em julgado para que a decisão proferida no julgamento do mérito em ADI seja cumprida", sendo de aplicarse, ainda, "(...) o critério adotado por esta Corte, quando do julgamento da Questão de Ordem, na ADI 711, em que a decisão, em julgamento de liminar, é válida a partir da data da publicação no Diário da Justiça da ata da sessão de julgamento" (grifei) (...). Concedida a medida cautelar (que se reveste de Fl. 324DF CARF MF 14 caráter temporário), a eficácia ex nunc (regra geral) 'tem seu início marcado pela publicação da ata da sessão de julgamento no Diário da Justiça da União (...)(ADIn 711AM (Questão de Ordem), Rel. Min. NÉRI DA SILVEIRA) (...)." (RTJ 164/506509, Rel. Min. CELSO DE MELLO, Pleno) (...) Esse mesmo entendimento é também perfilhado pelo eminente Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI ("Eficácia das Sentenças na Jurisdição Constitucional", p. 67, item n. 3.4, 2001, RT),(...) "O termo inicial da eficácia da liminar é, em regra, o da data da publicação, no Diário de Justiça da União, da ata da sessão de julgamento em que a medida foi deferida, ressalvada decisão expressa em outro sentido." (grifei) (...). Vê se, desse modo, considerada a orientação jurisprudencial acima referida, que a eficácia da decisão plenária do Supremo Tribunal Federal, tal como proferida na ADI 2.409MC/ES (eficácia "ex nunc"), passou a operar somente a partir do dia 20/03/2002, data em que foi publicada, no DJU, a ata pertinente à sessão de julgamento daquele processo de fiscalização abstrata de constitucionalidade, o que permite reconhecer que a prática dos atos ora reclamados não se pôs em conflito com o acórdão que deferiu a medida cautelar na já mencionada ADI 2.409MC/ES (...). Prescrição Ante a natureza tributária das contribuições ora enfocadas (PIS e COFINS), não se aplica a prescrição qüinqüenal prevista no Decreto nº 20.910/32. A regra especial prevalece sobre a geral, incidindo as disposições específicas do Código Tributário Nacional sobre prescrição e decadência. Neste passo, cuidase, na espécie, de tributo sujeito a lançamento por homologação, no qual o contribuinte antecipa o pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa; somente depois de feito o recolhimento é que o Fisco constatará a sua regularidade, dependendo a extinção do crédito de posterior homologação do lançamento (art. 150, caput e § 1º, do CTN). Não havendo a homologação expressa, considerase definitivamente extinto o crédito no prazo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, ocorrendo o que se denomina de homologação tácita (art. 150, § 4º, do CTN). Assim, o prazo de cinco anos para pleitear a restituição, contado da extinção do crédito tributário (art. 168, I, do CTN), inicia a fluir a partir da data em que ocorrer a homologação do lançamento. Diante da homologação tácita, dispõe o contribuinte do prazo de dez anos para postular a restituição, a partir do fato gerador, cinco dos quais relativos à homologação tácita e os outros cinco ao prazo prescricional propriamente dito. Neste sentido, há farta jurisprudência do Colendo STJ, expressa no REsp nº 171.999/RS (Rel. Min. Demócrito Reinaldo, DJU 1412 98), Embargos de Divergência no REsp nº 54.3809/PE (Rel. Min. Humberto Gomes de Barros, DJU 070895), REsp nº 134.732/RS (Rel. Min. Hélio Mosimann, DJU 181196), REsp nº 120.939/RS (Rel. Min. Peçanha Martins, DJU 201097). No caso, ajuizada a demanda em 08 de junho de 2005, não há parcelas atingidas pela prescrição. Por outro lado, descabe a invocação da Lei Complementar nº 118/2005, já que, examinando a matéria, a Primeira Seção do e. Superior Tribunal de Justiça, em julgamento dos Embargos de Divergência no Recurso Especial nº 327043, decidiu, por unanimidade, que se aplica o prazo do referido art. 3º somente às ações ajuizadas após 09 de junho de 2005, o que não se verifica na hipótese dos autos. Repetição do indébito Fl. 325DF CARF MF Processo nº 11065.002075/200518 Acórdão n.º 3401005.059 S3C4T1 Fl. 319 15 A modalidade de restituição dos valores indevidamente recolhidos tem assento no art. 165 do CTN, que assegura ao contribuinte o direito à devolução total ou parcial do tributo, seja em decorrência de pagamento indevido ou a maior. Assim, tanto a compensação como a restituição via precatório são modos de se efetuar a repetição do tributo declarado indevido. Todavia, considerando que nesta fase processual o provimento jurisdicional limitase ao reconhecimento do direito à repetição do indébito pretendido, bem como em traçar os parâmetros para apuração do montante a ser devolvido, nada impede que, quando da execução do julgado, seja facultado ao contribuinte optar pela forma de restituição por meio de precatório ou compensação, de acordo com o que lhe for mais favorável, consoante o disposto no §2º do art. 66 da Lei nº 8.383/91. Compensação A compensação, segundo o art. 170 do CTN, constitui modalidade de extinção do crédito tributário, na qual o contribuinte obrigado ao pagamento do tributo é credor da Fazenda Pública. Os principais regimes de compensação são estabelecidos pelo art. 66 da Lei nº 8.383/91 e pelo art. 74 da Lei nº 9.430/96, com características, requisitos e efeitos próprios. O contribuinte não pode criar um regime misto, em que combine apenas os aspectos que lhe são mais favoráveis. Regime da Lei nº 8.383/91 A Lei nº 8.383/91, no art. 66, autorizou a compensação de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciários, pagos indevidamente ou a maior, mesmo quando resultantes de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, no recolhimento da importância correspondente a períodos subseqüentes, condicionando, no § 1º, que seja feita entre tributos e contribuições da mesma espécie. Cuidase de uma compensação de futuro crédito tributário (logo, de crédito não constituído ainda) com um crédito que tem o contribuinte perante a Fazenda em virtude de pagamento indevido de tributo. Da mesma forma que o pagamento antecipado, a compensação referida no art. 66 da Lei nº 8.383/91 extinguirá o crédito sob condição resolutória da ulterior homologação, conforme art. 150, § 1º, do CTN. O sujeito passivo da relação tributária compensa os créditos por sua conta e risco, assumindo a responsabilidade de seu ato. Uma vez que não é necessário provocar a via administrativa, o contribuinte deve informar o procedimento compensatório na DCTF, GFIP ou documento equivalente. Se o Fisco constatar irregularidade, deve realizar lançamento de ofício, dentro do prazo legal (CTN, art. 150, § 4º), pois não há falar em confissão de dívida quanto ao débito quitado através da compensação. A condição imposta no § 1º do art. 66 da Lei deve ser entendida como tributos e contribuições com a mesma espécie e destinação constitucional, porquanto o encontro de contas farseá perante o ente responsável pela arrecadação, fiscalização e lançamento do tributo. Há outra razão de ordem financeira: se o tributo que for compensado tiver destinação diversa daquele que já foi pago indevidamente, não se estará mantendo o equilíbrio das receitas tributárias, imprescindível para a distribuição destas receitas. Nesse regime, somente pode haver a compensação de prestações vincendas, isto é, posteriores ao pagamento indevido, desde que não se trate, obviamente, de crédito tributário constituído na forma da lei. Fl. 326DF CARF MF 16 O art. 170A do CTN, acrescentado pela Lei Complementar nº 104, de 10/01/2001, que veda a compensação de tributo objeto de contestação judicial antes do trânsito em julgado da sentença, é aplicável a sentenças proferidas após a vigência deste dispositivo. Quando o pedido fundamentase na invalidade de dispositivo de lei, é necessário que o crédito seja determinado quanto ao seu objeto e certo quanto à sua existência, condição esta alcançada tãosomente por ocasião da chancela do Poder Judiciário sobre a tese defendida pelo contribuinte. Regime da Lei nº 9.430/96 O art. 74 da Lei nº 9.430/96 aplicase apenas aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, admitindo a compensação com débitos oriundos de quaisquer tributos e contribuições administrados por este órgão. A Lei nº 10.637/2002 alterou significativamente o regime legal, que, embora seja em alguns pontos semelhante ao da Lei nº 8.383/91, difere substancialmente em outros. Transcrevo o inteiro teor do dispositivo, com as modificações supervenientes, destacando as diferenças: ‘Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física;(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 327DF CARF MF Processo nº 11065.002075/200518 Acórdão n.º 3401005.059 S3C4T1 Fl. 320 17 § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I previstas no § 3º deste artigo; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) a) seja de terceiros; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1º do DecretoLei no 491, de 5 de março de 1969; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) c) refirase a título público; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) § 13. O disposto nos §§ 2º e 5º a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 328DF CARF MF 18 § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004)’ Enfatizo que, mesmo na vigência da Lei nº 10.637/2002, é imprescindível a declaração de compensação, por meio de procedimento administrativo adequado (DCOMP). A mera informação na DCTF, portanto, não equivale à Declaração de Compensação, devendo o contribuinte submeterse ao crivo da Secretaria da Receita Federal. A principal diferença em relação ao regime da Lei nº 8.383/91, porém, diz respeito aos efeitos da compensação. Caso não seja homologada a compensação e o contribuinte não manifeste inconformidade, a Receita pode inscrever em dívida ativa o que foi declarado e cobrar o débito, sem prévio lançamento, pois a declaração de compensação constitui confissão de dívida. Além disso, o § 12 do art. 74 enumera várias situações em que a compensação será considerada não declarada, ou seja, sequer haverá decisão posterior não homologatória; o fisco simplesmente vai ignorar a declaração. Insta mencionar que o art. 170A do CTN também é aplicável à compensação prevista na Lei nº 9.430/96, permitindose ao contribuinte valerse de seus créditos depois do trânsito em julgado da sentença. A Lei nº 9.430/96 não derrogou o art. 66 da Lei nº 8.383/91, no que se refere aos tributos e contribuições administrados pela Receita Federal. O contribuinte pode escolher o regime que lhe convier, pois, inexistindo antagonismo entre ambos, sua coexistência é admissível. O que é absolutamente vedado é mesclar elementos dos dois. O provimento judicial, portanto, limitase a declarar o direito do contribuinte a realizar a compensação, seja nos moldes da Lei nº 8.383/91, seja de acordo com a Lei nº 9.430/96, sem que isso implique antecipação ou substituição do juízo administrativo. Obviamente que, optando o contribuinte pelo regime da Lei nº 8.383/91, deve compensar o crédito com prestações vincendas de tributo da mesma espécie e destinação constitucional, a partir do trânsito em julgado. Se escolher pelo sistema da Lei nº 9.430/96, pode compensar com qualquer tributo ou contribuição arrecadado pela Receita Federal, porém deve apresentar declaração na via administrativa e submeterse às regras postas na Lei, inclusive a que proíbe a utilização do crédito antes do trânsito em julgado da sentença. Correção monetária Prosseguindo, anoto que os valores deverão ser corrigidos monetariamente desde a data do pagamento indevido por aplicação do entendimento assentado pela Súmula nº 162 do STJ com incidência da taxa SELIC, índice aplicável a partir de 01/01/96, excluindose qualquer outro indicador de correção monetária ou juros de mora (art. 39,§ 4º, da Lei nº 9.250/95). No particular, aponto, ainda, que a partir do advento da Lei nº 9.250/95, legalmente estabelecido que a atualização dos valores compensados segundo a sistemática do artigo 66 da Lei nº 8.383/91 observará a forma do citado artigo 39, § 4º. Honorários advocatícios Esclareço, inicialmente, que a sentença foi de parcial procedência e não de procedência total do pedido como consignado às fls. 105110, haja vista que o pedido da autora de declaração de inconstitucionalidade da alteração da base de cálculo do PIS e da COFINS promovido pelas respectivas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 não foram reconhecidos pela r. decisão monocrática. Portanto, merece reparos a condenação da União ao pagamento dos honorários advocatícios fixados em 10% sobre o valor atualizado da causa. Considerando que, na hipótese, as partes foram reciprocamente sucumbentes, os honorários advocatícios hão de ser compensados, sendo que cada litigante deve Fl. 329DF CARF MF Processo nº 11065.002075/200518 Acórdão n.º 3401005.059 S3C4T1 Fl. 321 19 arcar com a verba honorária devida aos seus correspondentes patronos, em atendimento ao art. 21, caput, do CPC. Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento à apelação da União e dar provimento parcial à remessa oficial para ressaltar que a compensação do indébito deve aguardar o trânsito em julgado, em atendimento ao art. 170A do CTN, bem como para reconhecer a sucumbência equivalente das partes, tudo nos termos da fundamentação precedente.” (grifos no original) Reproduzidas integralmente as decisões judiciais proferidas na ação em comento, constatase que, de fato, a inconstitucionalidade in genere do conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718/98 e estendido às Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 foi lá deduzida, manifestandose o Poder Judiciário, em decisão definitiva, pelo vício da primeira e higidez destas últimas, fixando, em síntese e pela integração dos julgados, que o faturamento, para fins de incidência da Cofins, sob a égide da Lei nº 9.718/98, que é o período abarcado pela autuação e interessa ao julgamento administrativo, é a receita bruta definida no art. 2º da LC 70/91 (“... em relação à COFINS, a alíquota de 3% definida pela Lei 9718/98 (art. 8º) deverá incidir sobre a base de cálculo prevista no art. 2º da LC 70/91”). Cumpre registrar que a opção pela via judicial configura renúncia ao direito de recorrer ou desistência do recurso interposto, na esfera administrativa, quanto à questão submetida à apreciação daquela instância, como se extrai do art. 1º, § 2º do DecretoLei nº 1.737/79, in verbis: “Art 1º Serão obrigatoriamente efetuados na Caixa Econômica Federal, em dinheiro ou em Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional ORTN, ao portador, os depósitos: I relacionados com feitos de competência da Justiça Federal; II em garantia de execução fiscal proposta pela Fazenda Nacional; III em garantia de crédito da Fazenda Nacional, vinculado à propositura de ação anulatória ou declaratória de nulidade do débito; IV em garantia, na licitação perante órgão da administração pública federal direta ou autárquica ou em garantia da execução de contrato celebrado com tais órgãos. § 1º O depósito a que se refere o inciso III, do artigo 1º, suspende a exigibilidade do crédito da Fazenda Nacional e elide a respectiva inscrição de Dívida Ativa. § 2º A propositura, pelo contribuinte, de ação anulatória ou declaratória da nulidade do crédito da Fazenda Nacional importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto.” (destcado) Não discrepa, quanto a substância, o art. 38, parágrafo único da Lei nº 6.830/80: “Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Fl. 330DF CARF MF 20 Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto.” (destacado) Desta Casa, cito o verbete da súmula CARF nº 1 (Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial) e o art. 78, § 2º, in fine do seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/15: “Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. (...) § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. (...)” (destacado) Portanto, a constitucionalidade do conceito de faturamento previsto nas Leis nºs 9.718/98, 10.637/02 e 10.833/03 não serão examinadas nesta assentada, ex vi das Súmulas CARF nºs 1 e 2, adrede transcritas. Resta, então, exclusivamente a aplicação do que decidido em caráter definitivo pelo Poder Judiciário ao lançamento formalizado, consistente na delimitação do conceito de faturamento àquele inserto no art. 2º da LC 70/91, uma vez que o período autuado alberga apenas a Cofins apurada no regime cumulativo, com fulcro na Lei nº 9.718/98. Consoante referido dispositivo, faturamento corresponde à receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, assim compreendida como a totalidade das receitas típicas da atividade empresarial da pessoa jurídica, na esteira de reiteradas decisões do Superior Tribunal de Justiça: “TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COFINS. INCIDÊNCIA. RES SPERATA . CONTRATOS DE DEREITO DE RESERVA DE ÁREA COMERCIAL PARA INSTALAÇÃO DE LOJA. RECEITAS QUE INTEGRAM O FATURAMENTO EMPRESARIAL. ANÁLISE DO CONTEXTO FÁTICO DOS AUTOS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. 1. Esta Corte tem entendido que as receitas decorrentes de atividade de comercialização, administração, incorporação, permuta, locação de bens imóveis sujeitamse à incidência da COFINS, por integrarem esses valores o faturamento da empresa, compreendido como o resultado econômico da atividade empresarial exercida. 2. Nos termos do art. 2º da Lei Complementar n. 70/91 ‘a contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza’ (grifo nosso) 3. Com efeito, tendo a Corte de origem entendido, com base no contexto fático dos autos que a receita auferida dos contratos de res sperata possui natureza decorrente da atividade empresarial e se subsume à determinação Fl. 331DF CARF MF Processo nº 11065.002075/200518 Acórdão n.º 3401005.059 S3C4T1 Fl. 322 21 prevista no art. 2º da Lei Complementar n. 70/91, entendimento diverso demandaria a análise do contexto fático dos autos, impossível nesta Corte ante o óbice da Súmula 7/STJ. Agravo regimental improvido.” (AgRgAGREsp 367.055/RJ) (destaques no original) “TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. PIS E COFINS. LOCAÇÃO DE BENS IMÓVEIS. As ações ajuizadas, a partir de 09 de junho de 2005, para a repetição do indébito dos tributos sujeitos a lançamento por homologação têm o respectivo prazo prescricional de cinco anos contados do pagamento antecipado (CTN, art. 150, § 1º). A Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS incidem sobre as receitas provenientes de locação de bens imóveis, aplicandose, por analogia, a Súmula nº 423 do Superior Tribunal de Justiça. Agravo regimental interposto pela União provido e agravo regimental interposto por Rowan Consultoria e Planejamento Ltda. desprovido.” (AgRgREsp 1.232.330/PR) “AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. INCIDÊNCIA NA RECEITA PROVENIENTE DA LOCAÇÃO DE IMÓVEIS PRÓPRIOS. ACÓRDÃO RECORRIDO QUE SE ENCONTRA EM CONSONÂNCIA COM A ORIENTAÇÃO DA 1A. SEÇÃO DESTE STJ. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS FIXADOS EM 10% DO VALOR DA CAUSA. ART. 20, § 4o. DO CPC. MODIFICAÇÃO DOS CRITÉRIOS DE ARBITRAMENTO DA VERBA HONORÁRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. AGRAVO REGIMENTAL DA ADMINISTRADORA VALENTE HYCZY LTDA. DESPROVIDO. 1. A Primeira Seção desta Corte consolidou o entendimento de que a receita proveniente da locação de imóveis próprios sujeitase à incidência do PIS e da COFINS (Súmula 423/STJ). 2. Outrossim, é pacífica a jurisprudência de que não é possível a modificação dos critérios de fixação dos valores relativos aos honorários advocatícios, visto que estes normalmente derivam da ponderação de aspectos fáticos, insuscetíveis de reapreciação em sede de Recurso Especial, por incidência do enunciado 7 da Súmula desta Corte, salvo quando resultarem em valores flagrantemente irrisórios ou manifestamente exorbitantes, o que não se verifica na hipótese destes autos. 3. Agravo Regimental desprovido.” (AgRgREsp 1.318.183/PR) TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PIS/COFINS. INCLUSÃO DAS RECEITAS OBTIDAS COM A LOCAÇÃO Fl. 332DF CARF MF 22 DE BENS MÓVEIS EM SUAS BASES DE CÁLCULO. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 929.521/SP E SÚMULA 423/STJ. 1. A Primeira Seção, em sede de recurso especial repetitivo (art. 543C do CPC), estabeleceu que as receitas provenientes das operações de locação de bens móveis caracterizamse como faturamento, razão pela qual integram a base de cálculo do PIS e da COFINS. Precedente: Recurso representativo da controvérsia: 1ª. Seção, Edcl no REsp. 929.521/SP, Rel. Min. LUIZ FUX, DJe 12.05.2010. 2. Quanto à COFINS foi editada, por esta Corte, a Súmula 423, que assim dispõe: ‘a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS incide sobre as receitas provenientes das operações de locação de bens móveis’. 3. ‘[S]e no agravo regimental a parte insiste apenas na tese de mérito já consolidada no julgamento submetido à sistemática do art. 543C do CPC, é certo que o recurso não lhe trará nenhum proveito do ponto de vista prático, pois, em tal hipótese, já se sabe previamente a solução que será dada ao caso pelo colegiado" (Questão de Ordem no AgRg no REsp 1.025.220/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Primeira Seção, julgada em 25/3/2009). 4. Agravo regimental não provido, com aplicação de multa no percentual de 1% (um por cento) do valor da causa, com espeque no artigo 557, § 2º, do CPC.” (AgRgREsp 1.346.884/RS) “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. COFINS. LOCAÇÃO DE BENS MÓVEIS. INCIDÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. A Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS incide sobre as receitas provenientes das operações de locação de bens móveis, uma vez que ‘o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais’ (Precedente do STF que versou sobre receitas decorrentes da locação de bens imóveis: RE 371.258 AgR, Relator(a): Min. Cezar Peluso, Segunda Turma, julgado em 03.10.2006, DJ 27.10.2006). Precedentes das Turmas de Direito Público do STJ acerca de receitas decorrentes da locação de bens móveis: AgRg no Ag 1.136.371/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 04.08.2009, DJe 27.08.2009; AgRg no Ag 1.067.748/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.05.2009, DJe 01.06.2009; REsp 1.010.388/PR, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.02.2009, Dje 11.02.2009; e AgRg no Ag 846.958/MG, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 05.06.2007, DJ 29.06.2007. 2. Deveras, "a base de incidência da COFINS é o faturamento, assim entendido o conjunto de receitas decorrentes da execução da atividade empresarial e (b) no conceito de mercadoria da LC 70/91 estão compreendidos até mesmo os bens imóveis, com mais razão se há de reconhecer a sujeição das receitas auferidas com a operações de locação de bens móveis à mencionada contribuição" (REsp 1.010.388/PR, Rel. Ministro Fl. 333DF CARF MF Processo nº 11065.002075/200518 Acórdão n.º 3401005.059 S3C4T1 Fl. 323 23 Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.02.2009, Dje 11.02.2009; e EDcl no REsp 534.190/PR, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 19.08.2004, DJ 06.09.2004). 3. Conseqüentemente, a definição de faturamento/receita bruta engloba as receitas advindas das operações de locação de bens móveis, que constituem resultado mesmo da atividade econômica empreendida pela empresa. 4. O artigo 535, do CPC, resta incólume quando o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 5. A ofensa a princípios e preceitos da Carta Magna não é passível de apreciação em sede de recurso especial. 6. A ausência de similitude fática entre os arestos confrontados obsta o conhecimento do recurso especial pela alínea "c", do permissivo constitucional. 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ08/2008. Proposição de verbete sumular.” (destaques no original) Como se extrai dos julgados em destaque, mesmo a declaração de inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 não afetou a jurisprudência dominante do STJ, consoante a qual faturamento e receita bruta são expressões equivalentes, “uma vez que o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”, segundo o último aresto mencionado. Fixada essa diretriz, tenho que a cessão de créditos de ICMS a terceiros e o crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, instituído pela Lei nº 9.363/96, não configuram faturamento, à luz da definição do art. 2º da LC 70/91, porque não se encartam dentre as atividades típicas e diretamente relacionadas ao exercício das atividades empresariais do recorrente, que, segundo seu contrato social, é a industrialização, comércio, importação e exportação de móveis, artesanatos, estofados, camas de metal e matériasprimas para fabricação de móveis (efl. 204), ainda que delas decorrentes. Demais disso, particularmente a questão da incidência das contribuições ao PIS/Pasep e Cofins sobre a cessão de créditos de ICMS foi objeto de manifestação do Supremo Tribunal Federal, em sede de repercussão geral, com efeito erga omnes, no RE 606.107/RS, de 22/05/2013 e trânsito em julgado em 10/12/2013, plenamente aplicável ao caso vertente, porque não deduzida essa matéria especificamente na ação judicial alhures referenciada: “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, Fl. 334DF CARF MF 24 adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X , “a”, da CF) . Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificam Fl. 335DF CARF MF Processo nº 11065.002075/200518 Acórdão n.º 3401005.059 S3C4T1 Fl. 324 25 se como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC.” Consoante art. 62, § 2º do RICARF/15 (Portaria MF 343/15), as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, de maneira que a parcela referente à cessão de créditos de ICMS, ainda que não fosse a inconstitucionalidade do conceito de faturamento da Lei nº 9.718/98, nos termos da decisão judicial própria, deveria ser excluído da autuação por força desse aresto. Inclusive, a meu sentir, a mesma linha de raciocínio estampada no sobredito recurso extraordinário deveria ser empregada ao crédito presumido de IPI, ainda que não de forma impositiva, porquanto, sem sombra de dúvida caracterizase como uma “receita decorrente de exportação”, como mencionado no a. 149, § 2º da CF/88, e, por conseqüência, abrigada da incidência das contribuições sociais, dado ao seu claro caráter desoneratório, como textualmente reconhecido no art. 1º, caput, da Lei nº 9.363/961, aplicandose à situação a regra de hermenêutica jurídica “ubi eadem legis ratio ibi eadem dispositio” (onde há a mesma razão de ser, deve prevalecer a mesma razão de decidir). Vale registrar que parte da autuação, referente venda de produção do estabelecimento (notas fiscais que especifica – efl. 124), não foi contestada no mérito, mas tão somente por via reflexa, mediante preliminar de nulidade formal do lançamento, já devidamente rechaçada. 1 A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Fl. 336DF CARF MF 26 Com essas considerações, voto por dar parcial provimento ao recurso para excluir da autuação os valores relativos à cessão de créditos de ICMS a terceiros e crédito presumido de IPI. Robson José Bayerl Fl. 337DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.914988/2012-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos converter o julgamento em diligência. Fez sustentação oral o patrono Dr.Gustavo Minatel, OAB/SP 210.198, escritório Minatel Advogados.
Winderley Morais Pereira - Presidente.
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos converter o julgamento em diligência. Fez sustentação oral o patrono Dr.Gustavo Minatel, OAB/SP 210.198, escritório Minatel Advogados. Winderley Morais Pereira Presidente. Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: "Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração fevereiro de 2007, no valor de R$ 22.095,74, transmitida através do PER/Dcomp nº 26760.40894.240211.1.3.043501. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Campinas não homologou a compensação, por meio do despacho decisório eletrônico RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 14 98 8/ 20 12 -1 9 Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10830.914988/201219 Resolução nº 3201001.249 S3C2T1 Fl. 3 2 de fl. 49, já que pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido utilizado para quitar débito de Cofins do respectivo período de apuração. Cientificado do despacho em 21/01/2013 (fl. 52), o recorrente apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 2/12, em 20/02/2013, para alegar que não seria contribuinte da Cofins, pois seria cooperativa e somente praticaria atos cooperados. Defendeu que se enquadraria no conceito de cooperativa, conforme o art. 3º da Lei nº 5.764/71, e que teria as características previstas no art. 4º da mesma lei. Argumentou que sua atividade seria a coordenação de serviços de saúde, laboratoriais e de hospitais para seus cooperados, de modo que todos seus atos seriam cooperativos, estando isentos da Cofins. Concluiu, para requerer o provimento de sua manifestação de inconformidade, a ineficácia do despacho decisório, o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação. É o relatório." A decisão recorrida indeferiu a manifestação de inconformidade e apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 28/02/2007 COOPERATIVAS. COFINS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. A isenção da Cofins para as cooperativas, prevista no art. 6°, I, da LC n° 70, de 1991, vigorou até outubro de 1999, quando foi revogada pela MP nº 1.8586 de 1999. A base de cálculo da Cofins devida pelas cooperativas passou a ser apurada como a das demais pessoas jurídicas. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" O recurso voluntário foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: (i) possui direito ao crédito pleiteado em respeito ao princípio da verdade material; (ii) que o acórdão que julgou a Manifestação de inconformidade improcedente é insubsistente, pois a Administração deveria ter investigado com maior afinco a origem do Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10830.914988/201219 Resolução nº 3201001.249 S3C2T1 Fl. 4 3 crédito indicado pela recorrente não se limitando unicamente na alegação de que há ausência de crédito; (iii) prova de que o mero argumento de vinculação a obrigação confessada em DCTF não é suficiente para a negativa do direito creditório, é que somente com a decisão que fundamentos de direto foram aduzidos, em arrepio ao contraditório e ampla defesa uma vez que o acórdão combatido extrapola os limites da lide que foram demarcados pelo indeferimento no despacho decisório; (iv) a recorrente é uma cooperativa e que no acórdão proferido pela DRJ não foi consignada nenhuma objeção em relação a tal fato; (ii) a Constituição Federal prevê tratamento diferenciado às cooperativas; (iii) menciona o art. 3° da Lei n° 5764/71 que traz a definição de sociedade cooperativa; (iv) o art. 5° da Lei n° 5764/71 permite que as sociedades cooperativas tenham por objeto qualquer gênero de serviços, operação ou atividade; (v) o art. 4° da Lei n° 5764/71 elenca as características das sociedades cooperativas; (vi) não há incidência da COFINS sobre os atos cooperativos; (vii) a discussão travada nos autos não diz respeito a isenção da COFINS, mas a não incidência da aludida contribuição sobre os atos cooperativos; (viii) o 79 da Lei n° 5764/71 preceitua o que são atos cooperativos; (ix) no caso em apreço a recorrente exerce a coordenação de serviços de saúde, laboratoriais e de hospitais para seus cooperados; (x) todos os valores ingressados na cooperativa decorrem das contribuições dos cooperados; (xi) os valores ingressados na recorrente para a contratação de médicos, dentistas, psicólogos, serviços de laboratórios e de hospitais, estão diretamente ligados à sua atividade; (xii) os referidos ingressos servem para custear os atos praticados entre os cooperados e a cooperativa; (xiii) que o direito ao crédito decorre de recolhimento indevido efetuado a título de COFINS; (xiv) os atos praticados pela recorrente, o são no propósito de assegurar a contratação de serviços médicos, odontológicos, laboratoriais e hospitalares, em preço inferior e com melhores condições, possuindo nítido caráter cooperativo; e (xv) a matéria está submetida a Repercussão Geral no Supremo Tribunal Federal (RE 672215). Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10830.914988/201219 Resolução nº 3201001.249 S3C2T1 Fl. 5 4 Pede, ao final, o provimento do Recurso Voluntário ou, alternativamente, a conversão do feito em diligência em respeito ao princípio da verdade material. É o relatório. Voto O presente processo tramita na condição de paradigma, sendo aplicável o contido no art. 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09 de junho de 2015: "Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para defini lo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento." Depreendese do caderno processual, que não há oposição em relação ao fato de que a recorrente praticou atos cooperativos. Assim, o cerne da questão está em apreciar o direito de a recorrente ter afastada a tributação pela COFINS, dos atos cooperativos típicos por ela praticados, quais sejam, de operações entre a Cooperativa e seus associados, o que lhe conferiria o direito de ter retornado ao seu patrimônio o valor pago a maior a título de COFINS, o que viabilizaria a compensação pretendida. Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10830.914988/201219 Resolução nº 3201001.249 S3C2T1 Fl. 6 5 não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que seja intimada a recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, a apresentar (i) os cálculos e (ii) outros documentos, porventura, ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, inclusive do relatório elaborado pela fiscalização, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. É como voto. Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 125DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10872.000152/2010-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
OMISSÃO DE RECEITAS.
Constituem omissões de receitas diferenças positivas entre valores recebidos de cartões de crédito/débito e a receita bruta mensal declarada, omisso o contribuinte intimado a identificar, documentalmente, as origens das diferenças apuradas.
PENALIDADE. AGRAVAMENTO.
Justificável o agravamento de penalidade de ofício quando o sujeito passivo se omite ante reiteradas intimações fiscais.
Numero da decisão: 1302-002.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. Constituem omissões de receitas diferenças positivas entre valores recebidos de cartões de crédito/débito e a receita bruta mensal declarada, omisso o contribuinte intimado a identificar, documentalmente, as origens das diferenças apuradas. PENALIDADE. AGRAVAMENTO. Justificável o agravamento de penalidade de ofício quando o sujeito passivo se omite ante reiteradas intimações fiscais.
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LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. Constituem omissões de receitas diferenças positivas entre valores recebidos de cartões de crédito/débito e a receita bruta mensal declarada, omisso o contribuinte intimado a identificar, documentalmente, as origens das diferenças apuradas. PENALIDADE. AGRAVAMENTO. Justificável o agravamento de penalidade de ofício quando o sujeito passivo se omite ante reiteradas intimações fiscais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 2. 00 01 52 /2 01 0- 87 Fl. 378DF CARF MF Processo nº 10872.000152/201087 Acórdão n.º 1302002.773 S1C3T2 Fl. 379 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Versa o processo sobre recurso voluntário, interposto pela contribuinte face ao Acórdão nº 1254.857 da 2ª Turma da DRJ/RJ1. Para a devida síntese do processo, transcrevo o relatório da DRJ: “Tratam os presentes autos de exigências de ofício do imposto de renda de pessoa jurídica, R$ 5.804,85, fls. 217; do PIS, R$ 4.258,95, fls. 227; da CSLL, R$ 6.844,79, fls. 237; da COFINS, R$ 20.538,50, fls. 248 e do INSS, R$ 56.170,60, fls. 259, relativamente ao ano calendário de 2006, de pessoa jurídica tributada sob o SIMPLES, acrescidas de penalidade de ofício, 75% incidentes sobre as insuficiências de valores não recolhidos sobre a receita bruta declarada, e, agravada, 112,5%, para a receita omitida, e encargos moratórios. 2. De acordo como Termo de Constatação Fiscal de fls. 198/200, intimado a justificar a origem dos valores constantes dos extratos dos cartões, e se teriam sido computados na base de cálculo dos tributos a que estariam sujeitos, o contribuinte não se manifestou. 2.1.Fundamentaram as exigências as diferenças positivas apuradas entre valores mensalmente recebidos de cartões de crédito/débito e a receita bruta declarada, demonstrativo de fls. 199. 2.2. Em consequência, foram exigidas diferenças tributárias por insuficiências de coeficientes aplicados à receita bruta, dada a receita omitida apurada. 2.3.A penalidade de ofício foi agravada, 112,5%, ao fundamento ausência de qualquer manifestação da fiscalizada com relação à intimação recebida, e, por não haver solicitado nenhuma dilação do prazo que lhe foi estipulado, fls. 200. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10872.000152/201087 Acórdão n.º 1302002.773 S1C3T2 Fl. 380 3 3.Ciente das exigências o sujeito passivo acostou aos autos a impugnação de fls. 284/294, protocolada em 26/07/2010, através da qual alega, em síntese: 3.1.em preliminares, da nulidade das autuações por cerceamento do direito de defesa, dado sequer conter a descrição de quais mercadorias teriam sido vendidas sem documentação fiscal. Além disso, o auto de infração deve: 3.1.1.discriminar, com precisão e clareza os dispositivos legais supostamente violados, os fatos geradores e respectivos períodos de apuração, dando ao contribuinte o pleno conhecimento do ilícito fiscal praticado; 3.2.No mérito, 3.2.1.se créditos bancários, cabe ao fisco aprofundar as investigações, ao invés de obrigar o contribuinte a comprovar a causa da operação e se esta foi tributada; 3.2.2.nem toda operação com cartão de crédito da impugnante diz respeito a venda de mercadoria, uma vez que o próprio, familiares e amigos se utilizam do sistema para gerar recursos financeiros. Igualmente, a troca de mercadoria gera uma operação de venda cancelada (SIC); 3.2.3. a autuação violou os princípios da legalidade, da capacidade contributiva e da segurança jurídica, além de o auditor fiscal descumprir os elementos básicos do direito administrativo: competência, motivo, finalidade, forma e objeto. 3.3.Quanto ao agravamento da penalidade, alega que o autuante dispunha de informações das empresas de cartões de crédito, o que descaracteriza embaraço fiscal”. Após análise das razões de impugnação, a DRJ/RJ1 decidiu pela sua improcedência e manteve o crédito tributário, como denota a ementa do julgado a seguir transcrito: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. Constituem omissões de receitas diferenças positivas entre valores recebidos de cartões de crédito/débito e a receita bruta mensal declarada, omisso o contribuinte intimado a Fl. 380DF CARF MF Processo nº 10872.000152/201087 Acórdão n.º 1302002.773 S1C3T2 Fl. 381 4 identificar, documentalmente, as origens das diferenças apuradas. PENALIDADE. AGRAVAMENTO. Justificável o agravamento de penalidade de ofício quando o sujeito passivo se omite ante reiteradas intimações fiscais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Notificado da decisão de 1ª instância o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, o que segue: a) Preliminarmente Da nulidade do AI – Cerceamento do Direito de Defesa A Recorrente sustenta que a autuação sequer contém em seu relato a descrição de quais mercadorias teria a Recorrente vendido sem documentação fiscal de modo a levar à conclusão de omissão de receita e mercadoria desacompanhada de documento fiscal. Que o Fisco deixou de levar em conta as vendas canceladas e restituídas em espécie. Que houve violação à ampla defesa e ao contraditório e que a autuação é fundamentada em referências genéricas. b) Do Mérito Alegou que a autuação foi baseada em mera presunção. Que o lançamento carece dos elementos básicos: competência, motivo, finalidade, forma e objeto. Que não restou demonstrada a ocorrência do fato gerador e que as intimações não foram atendidas uma vez que a autuada buscava junto a sua contabilidade levantar todos os dados para fornecer ao fisco. c) Da Multa Aplicada Aduz que a multa aplicada é exorbitante tendo em vista que o fundamento foi o não atendimento à intimação fiscal e que o autuante tinha informações fornecidas pelas empresas de Cartão de Crédito, o que por si só descaracteriza embaraço fiscal e a aplicação da multa de 112,5%. d) Considerações Finais Solicitou diligências a fim de responder aos seguintes questionamentos: Qual o critério que foi adotado para apurar a base de cálculo do imposto? Que mercadorias foram vendidas com omissão de receita? Se neste levantamento havia mercadorias para revenda e qual o valor apurado? A empresa vem recolhendo o imposto referente às suas vendas e está em dia? É o relatório. Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10872.000152/201087 Acórdão n.º 1302002.773 S1C3T2 Fl. 382 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Presentes os pressupostos de admissibilidade recursal, tomo conhecimento do presente Recurso Voluntário. Lançando mão do disposto no art. 57, § 3º, do RICARF e tendo em vista que as razões do recurso voluntário foram as mesmas da impugnação, adoto as razões da decisão de primeira instância, na medida em que se mostram suficientes a resolução do caso posto à apreciação por este Conselho, as quais passo a transcrever: “5.Em preliminares, o fato de a impugnante expressamente se referenciar 5.1.ao dispositivo legal infringido, inclusive, reproduzir, artigo 849 do RIR/99 fls. 286, verbis: Art. 849. Caracterizamse também como omissão de receita ou de rendimento, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil ou idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (Lei nº 9.430 , de 1996, art. 42 ). (grifos não do original). 5.2.aos fatos relatados e documentados do Termo de Constatação Fiscal, parte integrante e fundamentos materiais das autuações, fls. 285; 5.3.que os procedimentos fiscais e as autuações foram formalizadas por Auditor Fiscal, autoridade administrativa que praticou o lançamento, fls. 290; tais fatos, reconhecidos na peça impugnatória, dispensam quaisquer enfoques às alegações, quer preliminares, quer de mérito, dado que os próprios termos impugnatórios respondem às mesmas. 5.Por pertinente, herança do direito romano, ínsita do art. 333 do Código do Processo Civil, onus probandi incumbit ei qui dicit. Ao ônus da prova responde quem alega. Ora, nenhuma prova foi trazida aos autos de utilização de cartões de créditos de familiares e amigos para mera geração de recursos financeiros, como alegado. Menos crível, ainda, que a troca de mercadoria gera uma operação de venda cancelada (SIC). 6.Desnecessário reportar que, no cumprimento da legislação aplicável, a autuação, evidentemente, não violou o princípio da legalidade. Menos, ainda da capacidade contributiva: haja vista que o imposto é proporcional à renda real, presumida ou arbitrada. Fl. 382DF CARF MF Processo nº 10872.000152/201087 Acórdão n.º 1302002.773 S1C3T2 Fl. 383 6 7.Por fim, os objetivos elementos integrantes do presente feito afastam, per se, as equivocadas alegações de descumprimento de elementos básicos do direito administrativo: competência, motivo, finalidade, forma e objeto. 8.Quanto ao agravamento da penalidade, também descabe razão à impugnante: em nenhum momento processual foi respondida qualquer das intimações a ela dirigidas em 13/07/09 (fls. 23/24, em 04/09/09 (fls. 25/26), em 03/10/09 (fls. 27/28), em 10/12/09 (fls. 29/30), em 01/02/2010 (fls. 31/32), em 17/03/10 (fls. 33/34), em 06/05/10 (fls. 35/36) e em 21/05/10, fls. 187. Ainda que, para requerer dilação de prazo à sua resposta, como bem o salientou a fiscalização. 8.1.Daí, em casos como tais, a prescrição legal de agravamento da penalidade (Lei nº 9.430/96, art. 44 § 2º; redação do art. 14 da Lei nº 11.488/07). Mormente porque a fiscalização atua sob responsabilidade funcional vinculada e obrigatória (Lei nº 5.172/66, art. 142, § único). 9.No rastro dessas considerações, nego provimento à impugnação”. Conclusão Diante do exposto, NEGO provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 383DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.912805/2009-96
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/01/2005
PIS SOBRE FOLHA DE PAGAMENTOS. COOPERATIVA DE CREDITO. VINCULAÇÃO DA SOLUÇÃO DE CONSULTA.
Não se aplica às cooperativas de crédito a incidência cumulativa do PIS sobre a Folha de Pagamentos e o PIS sobre as receitas auferidas, uma vez que as exclusões previstas no art. 15 da MP n" 2.15835/2001 não se referem à atividade dessa espécie de cooperativa.
Efeitos da Solução de Consulta n.° 412/2004, em que a Receita Federal reconheceu a impossibilidade de exigência da Contribuinte da Contribuição ao PIS com base na folha de salários, por ter sido expressamente excluída do rol de contribuintes do PIS folha enquadrados no artigo 13 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, entendendo pela incidência exclusiva sobre o PIS Faturamento.
Numero da decisão: 9303-006.566
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2005 PIS SOBRE FOLHA DE PAGAMENTOS. COOPERATIVA DE CREDITO. VINCULAÇÃO DA SOLUÇÃO DE CONSULTA. Não se aplica às cooperativas de crédito a incidência cumulativa do PIS sobre a Folha de Pagamentos e o PIS sobre as receitas auferidas, uma vez que as exclusões previstas no art. 15 da MP n" 2.15835/2001 não se referem à atividade dessa espécie de cooperativa. Efeitos da Solução de Consulta n.° 412/2004, em que a Receita Federal reconheceu a impossibilidade de exigência da Contribuinte da Contribuição ao PIS com base na folha de salários, por ter sido expressamente excluída do rol de contribuintes do PIS folha enquadrados no artigo 13 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, entendendo pela incidência exclusiva sobre o PIS Faturamento.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2035; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10680.912805/200996 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303006.566 – 3ª Turma Sessão de 10 de abril de 2018 Matéria PIS. INCIDÊNCIA. FOLHA DE PAGAMENTOS. Recorrente FEDERAÇÃO INTERF. DAS COOP. DE TRABALHO MÉDICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2005 PIS SOBRE FOLHA DE PAGAMENTOS. COOPERATIVA DE CREDITO. VINCULAÇÃO DA SOLUÇÃO DE CONSULTA. Não se aplica às cooperativas de crédito a incidência cumulativa do PIS sobre a Folha de Pagamentos e o PIS sobre as receitas auferidas, uma vez que as exclusões previstas no art. 15 da MP n" 2.15835/2001 não se referem à atividade dessa espécie de cooperativa. Efeitos da Solução de Consulta n.° 412/2004, em que a Receita Federal reconheceu a impossibilidade de exigência da Contribuinte da Contribuição ao PIS com base na folha de salários, por ter sido expressamente excluída do rol de contribuintes do PIS folha enquadrados no artigo 13 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, entendendo pela incidência exclusiva sobre o PIS Faturamento. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 28 05 /2 00 9- 96 Fl. 442DF CARF MF Processo nº 10680.912805/200996 Acórdão n.º 9303006.566 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão nº 3201001.259, decisão que negou provimento ao recurso voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem na Declaração de Compensação gerada pelo Contribuinte pelo programa PER/DCOMP, transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente a PIS – Folha de Salários e de compensar os débitos discriminados no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada não foi homologada. Inconformado, o Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, o seguinte: registra, inicialmente, a tempestividade da defesa; assevera que, ao contrário do que supõe a fiscalização, não requereu a utilização daquele crédito para a quitação de qualquer outro débito, mas tão somente daquele objeto do ora discutido PER/DCOMP, sendo perfeitamente suficiente para a compensação a ser realizada (documentação anexa); esclarece que o procedimento adotado atendeu regularmente a todos os requisitos da legislação então em vigor, e que a controvérsia que persiste nos autos referese exclusivamente à existência do crédito no equivocado entendimento fiscal de que o contribuinte teria pleiteado a compensação de crédito já compensado em processo administrativo diverso; fazendo menção ao art. 156, II do Código Tributário Nacional (CTN), afirma que resta demonstrado o direito creditório postulado, objeto do despacho decisório ora questionado, devendo ser reconhecida e homologada a compensação procedida, desconstituindose a exigência das diferenças apontadas pelo Fisco Federal. Assim, ao final, requer seja homologado o direito de compensação, por todos fundamentos aqui apresentados. Na hipótese de não se conhecer a referida homologação, garantindolhe o direito constitucional previsto no artigo 5°, LV, de ampla defesa, requer que a Receita Federal do Brasil apresente as supostas duplicações de compensações alegadas no referido despacho decisório. A Segunda Turma da DRJ/BHE julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte. Fl. 443DF CARF MF Processo nº 10680.912805/200996 Acórdão n.º 9303006.566 CSRFT3 Fl. 4 3 Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, que teve seu provimento negado pelo Colegiado a quo. Prevaleceu o entendimento de que as sociedades cooperativas estão sujeitas ao PIS sobre o valor da folha mensal de salários, à alíquota de 1,0 %, e sobre as receita operacional bruta, com as exclusões da base de cálculo previstas em lei, à alíquota de 0,65 %., bem como de que a restituição/compensação de indébito tributário está condicionado à certeza e liquidez do valor pleiteado/declarado. O Contribuinte opôs embargos de declaração, sendo que estes foram rejeitados. O Contribuinte interpôs então o Recurso Especial de Divergência ora em apreço, suscitando divergência quanto à incidência da Contribuição PIS sobre a Folha de Salários. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, foi apresentado e apreciado o acórdão 3403002.500, nos termos do § 5º, art. 67 do RICARF. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, manifestando pelo não provimento do Recurso Especial do Contribuinte e que fosse mantido o v. acórdão. É o relatório em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.545, de 10 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.912761/200902, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.545): Da admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, dele conheço. O acórdão recorrido decidiu por negar provimento ao recurso voluntário, sob o entendimento de que, à época dos fatos, as sociedades cooperativas estavam sujeitas ao PIS sobre o valor da folha mensal de salários, à alíquota de 1,0 %, e sobre as receita operacional bruta, com as exclusões da base de cálculo previstas em lei, à alíquota de 0,65 %. O acórdão paradigma nº 3403002.500 decidiu, em sede de embargos de declaração, que havia omissão no acórdão embargado, passível de integração e com efeitos infringentes, adotando, por derradeiro, o Fl. 444DF CARF MF Processo nº 10680.912805/200996 Acórdão n.º 9303006.566 CSRFT3 Fl. 5 4 entendimento de que, com base no que fora expresso na Solução de Consulta 412/2004, a empresa, por não preencher as condições para o tratamento fiscal do art. 13, não estava sujeita à Contribuição sobre a Folha de Salários. Com estas considerações, concluiuse que a divergência jurisprudencial foi comprovada. Do Mérito. Tratase pedido de compensação não homologado por despacho decisório que entendeu que o crédito declarado de PIS/Folha seria inexistente, eis que já teria sido integralmente utilizado para a quitação de débitos do Contribuinte daquela mesma natureza. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, entendeu, de forma diferente da fiscalização em Despacho Decisório, que, enquanto Federação de Cooperativas, a Federação não estaria dispensada do recolhimento de PIS sobre a folha de salários, em razão do disposto no artigo 32, § 4o, do Decreto n.º 4.524/2002, que determina que a cooperativa que fizer uso de qualquer das exclusões da receita bruta previstas neste artigo contribuirá, cumulativamente, para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários. Em face de tal decisão o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, no qual foi demonstrado a existência da Solução de Consulta n.º 412/2004, na qual a própria Receita Federal a afasta do rol de contribuintes do PIS Folha. No entanto, foi negado provimento, mantendo o entendimento exarado pela 2a Turma de Julgamento da DRJ/BHE. No presente caso devemos inicialmente analisar a Solução de Consulta n.º 412/2004, que tem efeito vinculante para o Contribuinte. Verificase que da análise da Solução de Consulta n.° 412/2004, a Receita Federal reconheceu a impossibilidade de exigência da Contribuinte da Contribuição ao PIS com base na folha de salários, por ter sido expressamente excluída do rol de contribuintes do PIS folha enquadrados no artigo 13 da Medida Provisória n.° 2.15835/2001, entendendo pela incidência exclusiva sobre o PIS Faturamento. Ou seja, a própria Receita Federal afastou a Contribuinte do rol de contribuintes deste tributo. Vale ressaltar que o Contribuinte quando realizou a Consulta fez o questionamento referente a sua sujeição ou não ao PIS/ Folha, decorrente do entendimento de que estaria enquadrada dentre as entidades que a lei enquadra como contribuintes daquele tributo, no caso o artigo 13 da Medida Provisória n.° 2.15835, quais seja, entidades imunes/isentas ao PIS Faturamento, senão vejamos: Relatório da Superintendência Regional da Receita Federal da 6a Região Fiscal: "Relatório 1. A interessada informa que é uma federação de cooperativas dedicadas à assistência médicohospitalar, na forma da Lei n.° 5.764/71 e de seu estatuto. Fl. 445DF CARF MF Processo nº 10680.912805/200996 Acórdão n.º 9303006.566 CSRFT3 Fl. 6 5 Diz que, no desenvolvimento de suas atividades, presta serviços às cooperativas suas associadas, recebendo pagamentos mensais, a título de "taxas de manutenção", necessárias à sua sobrevivência e atuação, tratando se também de ato cooperativo, destinado a manter a sociedade cooperativa de segundo grau. 2. Cita o disposto no art. 13 da Medida provisória n" 2.15835, de 24 de agosto de 2001, ao qual faz menção aos sindicados, as federações e confederações, concluindo que são isentas da Coftns as receitas das atividades próprias dessas entidades, as quais contribuem para o PIS com base na folha de salários. 3. Aduz que, aplicandose à consulte tal dispositivo, combinado com o art. 60 da Lei n° 5.764/71, temse que ela está sujeita ao PIS com base unicamente na folha de salários. E, quanto à Cofins, a taxa de manutenção e demais ingressos destinados a garantir sua sobrevivência e atuação constituem receitas de suas atividades próprias, sendo, portanto, isentos dessa contribuição. 4. Isso posto, pergunta se está correto o seu entendimento quanto à isenção da Cofins sobre as mencionadas receitas e o pagamento do PIS com base na folha de salários, como exposto na consulta." (destaques nossos) Fundamentos Legais (...) 9. No que diz respeito ao PIS e à Cofins, a Medida Provisória n. ° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, tem os seguintes comandos: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; VII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IXcondomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § lo da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971 (...) 10. E, por sua vez, o Decreto n." 4.524, de 17 de dezembro de 2002, que regulamentou as contribuições sociais para o PIS e a COFINS, dispõe: Fl. 446DF CARF MF Processo nº 10680.912805/200996 Acórdão n.º 9303006.566 CSRFT3 Fl. 7 6 Art. 9o São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, art. 13): I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei n°9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, cientifico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei n° 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VIserviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; VIII fundações de direito privado; X condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e IX Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e as organizações estaduais de cooperativas previstas no art. 105 e seu § I o da Lei n° 5.764, de 16 de dezembro de 1971. (...) Pelos termos expostos na consulta, a interessada se julga enquadrada no inciso V do art. 13 da MP n.° 2.15835, de 2001. Entretanto, ressaltese que as "federações e confederações" referidas no inciso V da Medida Provisória n." 2.15835, de 24 de agosto de 2001 se referem a federações e confederações de sindicatos. Portanto, ao contrário do que expõe da consultente, ela não está entre as entidades referidas no inciso V do art. 13 da MP n."2.15835, de 2001. (...) 14. Pode a consulente estar enquadrada, todavia, no inciso IV do mesmo art. 13 da MP n.° 2.15835, de 2001, que contempla as associações que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei n. ° 9.532/1997. 15. Entre esses requisitos, está o de não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados. Todavia, a transcrição da ata da assembleia geral ordinária da consulente, realizada em 08/03/2002 (...), informa que a mesma assembleia fixou o valor dos honorários para os membros da Diretoria Executiva, inclusive reajustando os referidos honorários" (destaques nossos). Ou seja, a resposta dada é que o Contribuinte não é contribuinte do PIS/ Folha, inclusive à luz do mencionado Decreto. Assim, diante da resposta acima, o Contribuinte que havia recolhido indevidamente a contribuição, fez à sua compensação com débitos diversos, conforme determina a Lei n.° 9.430/96 e o Código Tributário Nacional. Portanto, a glosa da compensação do PIS/Folha recolhido indevidamente viola explicitamente seu próprio ato administrativo que entendeu pela sua não incidência. Quanto a aplicação do artigo 2o, § 1o, da Lei nº 9.715/98, que informa que a sociedade cooperativa, estaria sujeita ao recolhimento do Fl. 447DF CARF MF Processo nº 10680.912805/200996 Acórdão n.º 9303006.566 CSRFT3 Fl. 8 7 PIS/folha de salário. Entendo que a previsão da contribuição sobre a folha de pagamento mensal das sociedades cooperativas, inicialmente prevista no § 1o, do artigo 2o da Lei 9.715/98, perdeu seu fundamento desde a edição da edição da Lei nº 9.718/98. Com o advento da Lei n.° 9.718/1998 o legislador determinou a exigência do PIS somente sobre faturamento/receita, revogando, portanto, a exigência do PIS/Folha. Essa alteração foi confirmada pela Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de junho de 1999, a exigência daquela contribuição em relação às entidades sem fins lucrativos que menciona ficou adstrita ao PIS apurado sobre o faturamento/receita bruta (no caso das sociedades cooperativas, decorrente da prática de atos não cooperativos), afastandose o recolhimento de uma mesma contribuição duplamente, e com duas bases de cálculo distintas (faturamento/receita e folha). Notase que a MP nº 1.8589, de 24 de setembro de 1999 (atual MP n.° 2.15835/01) determinou a incidência do PIS Folha apenas sobre as sociedades cooperativas especificamente relacionadas no inciso X do artigo 13 daquele instrumento, bem como sobre aquelas cooperativas que procedessem às deduções enumeradas no artigo 15 (claramente direcionadas às cooperativas de produção). Vejase: MP n.° 1.8589, de 24/09/99 até MP n.° 2.15835, de 24/08/01 Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. (...) Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2° e 3° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: Fl. 448DF CARF MF Processo nº 10680.912805/200996 Acórdão n.º 9303006.566 CSRFT3 Fl. 9 8 I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. § I o Para os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. § 2o Relativamente às operações referidas nos incisos I a Vdo caput: I a contribuição para o PIS/PASEP será determinada, TAMBÉM, de conformidade com o disposto no art. 13; II serão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas." Assim, pela leitura do dispositivo acima, fica demonstrado que as exclusões tratadas nos incisos I a V (art. 15 da MP n° 2.15835/2001) não se aplicam às cooperativas médicas de prestação de serviços. Tais exclusões referemse às cooperativas de produção (também chamadas cooperativas de produtores ou cooperativas de vendas em comum), uma vez que aquelas exceções decorrem de atividades típicas desse tipo de cooperativa. Assim, as sociedades cooperativas que não têm um tratamento específico estão impedidas de excluir da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins os valores repassados aos associados a qualquer título. A exclusão prevista no art. 15, I, da MP n° 2.15835, de 2001, refere se a produto (mercadoria) que pode ser entregue à cooperativa para ser comercializado, não abrangendo, portanto, serviços. Portanto, as exclusões e deduções específicas previstas no art. 15 da MP n° 2.15835/2001 (art. 32, incisos Ia V, do Decreto n" 4.524/2002) não se aplicam às cooperativas de trabalho médico. As demais exclusões, previstas no art. 32 do Decreto n° 4.524/202 e no art. 3o, § 2o, da Lei nº 9.718/98, também não respaldam as exclusões pretendidas. Desta forma, a partir de 01/11/1999, a contribuição ao PIS e COFINS das sociedades cooperativas passou a incidir sobre o total da receita bruta, como definido na Lei 9.718/98, não se diferenciando os atos cooperativos dos nãocooperativos, ou seja, as sociedades cooperativas passaram à condição de contribuintes da COFINS e do PIS/FATURAMENTO também sobre as receitas oriundas de atos cooperativos, sendo admitidas, entretanto, além das exclusões comuns a Fl. 449DF CARF MF Processo nº 10680.912805/200996 Acórdão n.º 9303006.566 CSRFT3 Fl. 10 9 todas as pessoas jurídicas, a exclusões expressas no artigo 15 da MP 18587/99 e suas reedições. Entretanto, as exclusões expressas no dispositivo legal acima citado não alcançam as atividades cooperativas em geral, tendo em vista que essas exclusões decorrem da atividades típicas das cooperativas de produção agropecuária. Logo, tratandose o Contribuinte em questão de uma sociedade cooperativa de trabalho médico, não fará jus às exclusões expressas no artigo 15 da MP 18587/99 e suas reedições. Assim que, nos termos da legislação retro transcrita, todas as demais cooperativas que não cooperativas de produção, incluídas as de trabalho médico, deveriam recolher, exclusivamente, o PIS sobre faturamento/receita. O entendimento do CARF em situação semelhante: "Período de apuração: 2002, 2003, 2004, 2005 PIS. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. BASE DE CÁLCULO A base de cálculo das Contribuições ao PIS das cooperativas de crédito, a partir da edição da Lei no. 10.637/2002, é a receita total auferida, excluindose as sobras, na forma do par. 2o do art. I o da Lei n° 10.676/2003. PIS SOBRE FOLHA DE PAGAMENTOS. COOPERATIVA DE CREDITO. Não se aplica às cooperativas de crédito a incidência cumulativa do PIS sobre a Folha de Pagamentos e o PIS sobre as receitas auferidas, uma vez que as exclusões previstas no art. 15 da MP n" 2.15835/2001 não se referem à atividade dessa espécie de cooperativa. Recurso Voluntário Provido em Parte." (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais 2a Turma Ordinária/ 3a Câmara/ 3a Seção Processo n.° 16327.000.833/200621 Acórdão n.° 330201.449 Relator Gileno Gurjão Barreto Sessão de 15/02/2012) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2003 (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2003 NULIDADE DO LANÇAMENTO. ARGÜIÇÃO BASEADA EM TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL DE OUTRO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. Cabe rejeitar a nulidade de lançamento da Cofins requerida com base em termo de verificação fiscal que integra lançamentos de outros tributos, embora todos decorrentes de uma única fiscalização, por serem os fundamentos e legislação da autuação da Contribuição distintos daqueles das outras autuações. ATOS COOPERATIVOS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. PERÍODOS DE APURAÇÃO A PARTIR DE NOVEMBRO DE 1999. INCIDÊNCIA. EXCLUSÕES NA BASE DE CÁLCULO. A partir de novembro de 1999 as receitas dos atos cooperativos compõem a base de cálculo do PIS Faturamento, com as exclusões estabelecidas no art. 15 da Medida Provisória n°2.15835/2001, na Lei n° 10.676/2003 e no art. 17 da Lei n° 10.684/2003. Antes, até os fatos geradores de outubro de Fl. 450DF CARF MF Processo nº 10680.912805/200996 Acórdão n.º 9303006.566 CSRFT3 Fl. 11 10 1999, somente as receitas dos atos nãocooperativos se submetiam ao PIS Faturamento, estando as sociedades cooperativas obrigadas apenas ao PIS sobre a folha de salários, caso não auferissem receitas de atos não cooperados. Recurso Negado.” (destaques nossos) (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – 1ª Turma Ordinária/4ª Câmara/ 3ª Seção –Processo n.º 10825.002.833/200588 – Acórdão n.º 340100.680 – Relator Emanuel Carlos Dantas de Assis – Sessão de 29/04/2010) Destaquese segue o trecho do voto do acórdão acima, reconhecendo (i) a revogação do dispositivo que previa a exigência do PIS Folha às cooperativas, e (ii) a necessidade de haver alguma das exclusões permitidas, constantes da Medida Provisória 1.8586/99, atual MP n.º 2.15835/01, para que se possa exigir o PIS Folha das cooperativas: “A MP IV 1.8586 e suas reedições trouxe uma série de alterações na legislação do PIS e Cofins das sociedades cooperativas, a culminarem com a revogação da isenção de forma ampla para o ato cooperativo e a instituição de uma tributação incidente sobre uma base de cálculo reduzida, com diversas exclusões específicas. As modificações, veiculadas pelas medidas provisórias adiante, aconteceram como segue: MP n° 1.8586, de 29/06/99, que no seu art. 23, I, revogou, a partir de 28/09/99, o inc. II do art. 2° da Lei n° 9.715/98 — segundo o qual as "entidades sem fins lucrativos definidas como empregadoras pela legislação trabalhista e as fundações", contribuíam com o PIS sobre a folha de salários , e no inciso II, "a", do mesmo artigo, revogou, a partir de 30/06/99, o inciso I da Lei Complementar n° 70/91, referente à isenção da COFINS. Esclareço que as cooperativas vinham contribuindo com o PIS sobre a folha de salários com base na LC n° 7/70, art. 3°, § 4°, Resolução do Conselho Monetário Nacional n° 174/71, art. 4°, § 6°, e ADN Cosit n° 14/85; (...) MP n° 1.8589, de 24/09/99, que no seu art. 15 passou a mencionar também o PIS/Pasep, acrescentou novas exclusões na base da COFINS e do PIS Faturamento, referindose desta feita às operações com cooperados, e manteve o PIS sobre a folha de salários na hipótese das cooperativas efetuarem tais exclusões (§ 2°, I, do art. 15). Assim, cumulativamente com o PIS Faturamento incidente sobre a base de cálculo reduzida, as cooperativas continuaram a pagar o PIS sobre a folha. Somente na hipótese de não haver exclusão específica, é que inexiste contribuição para o PIS sobre a folha.” Vejase, portanto, que manter a exigência do PIS/Folha para as sociedades cooperativas de trabalho médico pelo Decreto n. 4.524/2002 (reiterado pelas INS n°s 145/99, 247/2002) ofende ao próprio ato realizado pela Solução de consulta 412/2004. Desta maneira, a cooperativa de serviços médicos não tem direito à apuração do PIS sobre a folha de salários, como previsto no art. 15, §2º, I, da MP 2.158/01, uma vez que não se está diante de operações mencionadas nos incisos I a V do "caput" do art. 15 da referida medida provisória. Por fim, transcrevo a seguir o trecho do Acórdão dos Embargos nº 3403002.504 de lavra do ilustre Conselheiro Rosaldo Trevisan, que trata da solução de consulta e de caso semelhante a esse e que adoto, in totum, seus fundamentos como razão de decidir no presente feito. Fl. 451DF CARF MF Processo nº 10680.912805/200996 Acórdão n.º 9303006.566 CSRFT3 Fl. 12 11 Em relação à argumentação de que a Solução de Consulta apontada (com conclusão desfavorável à empresa) apresenta excerto (na fundamentação) no qual a “Receita Federal acabou por afastar o enquadramento da embargante como contribuinte do PIS/Folha”, há que se aprofundar a análise, na busca de eventual omissão ou obscuridade. O excerto a que se refere a embargante, que lhe asseguraria o direito a não recolher o “PIS/Folha”, é o seguinte (fls. 176/1771): “Pelos termos expostos na consulta, a interessada se julga enquadrada no inciso V do art. 13 da MP n. 2.15835, de 2001. Entretanto, ressaltase que “as federações e confederações” referidas no inciso V da Medida Provisória n. 2.15835, de 24 de agosto de 2001 se referem a federações e confederações de sindicatos. Portanto, ao contrário do que expõe da (sic) consulente, ela não está entre as entidades referidas no inciso V do art. 13 da MP n. 2.15835, de 2001.” Assim, o fato de não se enquadrar no disposto no art. 13 da referida Medida Provisória traria um efeito contrário à embargante (inexistência de isenção da Contribuição para o PIS/PASEP para receitas relativas a atividades próprias percebido pelo acórdão embargado) e outro favorável (ausência de exigência da Contribuição para o PIS/PASEP com base na folha de salários sobre o qual o acórdão teria sido omisso/obscuro). A Solução de Consulta, como destacado na decisão embargada, é no sentido de que a empresa “não preenche as condições para o tratamento fiscal previsto nos arts. 13 e 14 da MP no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, devendo ter o tratamento fiscal geral aplicável às pessoas jurídicas que não gozam de isenção ou imunidade”. A Solução de Consulta fulcra seus pressupostos na impossibilidade de utilização de “isenção/imunidade” pela embargante, afastandoa do art. 13 (e por consequência do art. 14, X) da Medida Provisória no 2.15835/ 2001. E é imperioso reconhecer que realmente tal exclusão ocasiona a impossibilidade de exigência da Contribuição para o PIS/PASEP com base na folha de salários, ao menos na forma estabelecida no art. 13 da referida MP. Se a empresa não preenche as condições para o tratamento fiscal do art. 13, e tal artigo dispõe que “a contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento”, em relação às entidades que contempla, indevida a contribuição paga sob tal fundamento. Acolhese, assim, a argumentação de omissão no acórdão embargado, reconhecendose que a decisão proferida na Solução de Consulta, em dezembro de 2004 (processo administrativo no 10680.013505/200418), implica, além dos efeitos reconhecidos em tal acórdão, a impossibilidade de exigência da Contribuição para o PIS/PASEP com base na folha de salários, ao menos na forma estabelecida no art. 13 da referida MP (desde que não exista alteração de entendimento comunicada à recorrente, na forma do art. 48, § 12 da Lei no 9.430/1996). Mister se faz, por consequência, analisar o impacto de tal acolhida na decisão inicialmente proferida. A Medida Provisória no 2.15835/ 2001, em seu art. 15 (que não foi objeto de análise na mencionada Solução de Consulta) estabelece exclusões que podem ser efetuadas pelas cooperativas na base de cálculo faturamento das contribuições (para o PIS/PASEP e COFINS), e que tais exclusões não impedem a exigência da Contribuição para o Fl. 452DF CARF MF Processo nº 10680.912805/200996 Acórdão n.º 9303006.566 CSRFT3 Fl. 13 12 PIS/PASEP com base na folha de salários, na forma do art. 13 (comando materializado no § 4o do art. 32 do Decreto no 4.524/2002). Contudo, entendese não ser oponível tal comando ao presente caso, porque a Solução de Consulta expressamente excluiu a empresa do tratamento tributário do art. 13 (a empresa informa que ainda que houvesse a exigibilidade, continuaria inaplicável a ela, pois não promoveu nenhuma das exclusões referidas no art. 15). Restaria assim derradeiramente avaliar como o aqui exposto (não exigibilidade da Contribuição para o PIS/PASEP com base na folha de salários) afeta a questão probatória, presente nas decisões de primeira e segunda instâncias. A DCOMP transmitida em 18/08/2008 (fls. 9 a 14) objetivava compensar valores pagos a maior ou indevidamente a título da Contribuição para o PIS/PASEP sobre Folha de Salários código 8301 (R$ 2.082,56, recolhidos em 15/02/2005) com débitos de IRPJ de outubro de 2005 (no valor de R$ 2.082,56). Assim, após o exposto, e diante da verdade material, menor relevância passa a assumir a questão probatória. Tendo sido objeto da compensação um recolhimento comprovadamente efetuado no código 8301 (referente à Contribuição para o PIS/PASEP sobre Folha de Salários) e sendo indevida tal espécie de contribuição pela empresa, irrelevante seria a que título se deu o recolhimento, pois o tributo continuaria indevido. Temse, destarte, que a evidenciação de omissão no acórdão embargado provoca diametral modificação de rumo na decisão, devendo ser integralmente reconhecido o direito creditório da embargante, visto que o pagamento comprovado se refere a espécie de contribuição à qual a empresa não estava sujeita. Diante disto, dou provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido, e, no mérito, o colegiado deulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 453DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.916328/2011-75
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2002
BASE DE CÁLCULO. REGIME CUMULATIVO.
A declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, resultou no entendimento de que o conceito de faturamento, para fins de incidência dessas contribuições sociais, corresponde às receitas vinculadas à atividade mercantil típica da pessoa jurídica.
Numero da decisão: 9303-006.453
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2002 BASE DE CÁLCULO. REGIME CUMULATIVO. A declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, resultou no entendimento de que o conceito de faturamento, para fins de incidência dessas contribuições sociais, corresponde às receitas vinculadas à atividade mercantil típica da pessoa jurídica.
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FEY PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002 BASE DE CÁLCULO. REGIME CUMULATIVO. A declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, resultou no entendimento de que o conceito de faturamento, para fins de incidência dessas contribuições sociais, corresponde às receitas vinculadas à atividade mercantil típica da pessoa jurídica. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 91 63 28 /2 01 1- 75 Fl. 154DF CARF MF Processo nº 13971.916328/201175 Acórdão n.º 9303006.453 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contra o Acórdão nº 3402003.951, de 28/03/2017, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 COFINS. ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF. Recurso Voluntário Provido. Intimada da decisão, a PFN apresentou embargos de declaração, os quais, todavia, foram rejeitados mediante despacho do Presidente da 4ª Câmara. Também interpôs recurso especial, por meio do qual suscita divergência quanto ao conceito de faturamento, especialmente com relação à incidência do PIS/Cofins sobre receitas de aluguéis recebidas por empresa que se dedica à atividade de locação, face à declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3401002.726 e nº 330200.289. O recurso foi admitido por intermédio do Despacho de Admissibilidade do Presidente da 4ª Câmara. Intimada, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 13971.916328/201175 Acórdão n.º 9303006.453 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.426, de 13/03/2018, proferido no julgamento do processo 13971.916300/201138, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.426): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Cumpre observar, inicialmente, que o objeto social principal da contribuinte é a exploração das atividades de locação, loteamento e arrendamento de bens próprios, construídos ou a construir, bem como a comercialização de bens móveis e imóveis, abrangendo a compra e venda, permuta, exceto a intermediação, assessoria e orientação técnica em negociações imobiliárias (vide fl. 25). Pois bem. O acórdão recorrido, aplicando decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, deu provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito à restituição dos valores de PIS calculados sobre receitas não operacionais auferidas pela contribuinte com fulcro em dispositivo inconstitucional da Lei nº 9.718/98. As receitas que expressamente reconheceu não tributáveis foram as receitas financeiras ("JUROS RECEBIDOS", "VARIAÇÃO CAMBIAL") e os valores de "ALUGUÉIS RECEBIDOS". O primeiro paradigma, contudo, em flagrante dissenso interpretativo, concluiu o contrário, conforme facilmente comprova a simples leitura de sua ementa: Acórdão nº 3401002.726: LOCAÇÃO DE BENS IMÓVEIS. FATURAMENTO. PIS/PASEP E COFINS. INCIDÊNCIA. Na esteira da jurisprudência dos tribunais superiores, mormente o Superior Tribunal de Justiça, as receitas provenientes da locação de bens imóveis, quando objeto das atividades mercantis da pessoa jurídica, sujeitamse à incidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, tanto sob a regência da Lei Complementar nº 70/91, quanto pela Lei nº 9.718/98, não prejudicando tal entendimento a declaração de inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo promovida pelo art. 3º, § 1º deste último diploma legal (g.n.) No mérito, entendemos assistir razão à Recorrente. Como já é do conhecimento geral e referido no acórdão recorrido, o STF considerou incompatível com o então Texto Constitucional a ampliação da base de cálculo do PIS/Cofins (§ 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718, de 1998), pacificando o entendimento de que o faturamento corresponde apenas à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços (Rel. p/ Acórdão Min. Marco Aurélio Mello, RE 346.084, DJ de 1/09/2006). Contudo, alguns votos dos ministros que participaram do julgamento indicaram – e não como obiter dictum – o verdadeiro sentido que a esta expressão deve ser conferido. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 13971.916328/201175 Acórdão n.º 9303006.453 CSRFT3 Fl. 5 4 Segundo o Min. Cezar Peluso, que foi acompanhado pelo Min. Sepúlveda Pertence: Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. (g.n.). E, concluindo, asseverou: Por todo o exposto, julgo inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, § 4º, se considerado para efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe da r interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (g.n.). Ainda mais preciso, o Min. Ayres Britto, a partir da redação original do art. 195 da Constituição Federal (anterior à promulgação da Emenda Constitucional – EC n.º 20, de 1998), claramente identificou o conceito de faturamento com equivalente à receita operacional: A Constituição de 88, pelo seu art.195, I, redação originária, usou do substantivo “faturamento”, sem a conjunção disjuntiva “ou” receita”. Em que sentido separou as coisas? No sentido de que faturamento é receita operacional, e não receita total da empresa. Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo Decretolei 2397, de 1987, art.22, § 1º, “a”, assim redigido – parece que o Ministro Velloso acabou de fazer também essa remissão à lei: Art.22 [...] § 1º [...] a) a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;” Por isso, estou insistindo na sinonímia “faturamento” e “receita operacional”, exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim. Logo, receita operacional é receita bruta de tais vendas ou negócios, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimentos de aplicações financeiras, indenizações etc. (g.n.). E isso porque o inciso I do art. 195 da CF, na redação anterior à EC n.º 20, de receita não falava, mas apenas de faturamento e lucro, como que a abraçar todas as dimensões de riqueza geradas pela pessoa jurídica a partir da realização de seu objeto social. No caso ora em exame, a locação de bens integra, conforme demonstrado, a receita decorrente da realização das atividades típicas da contribuinte, de sorte que constitui, parte Fl. 157DF CARF MF Processo nº 13971.916328/201175 Acórdão n.º 9303006.453 CSRFT3 Fl. 6 5 integrante do seu faturamento – base de cálculo da contribuição. Não, porém, as receitas financeiras. Ante o exposto, com essas considerações, conheço do recurso especial e, no mérito, doulhe provimento, para que, na base de cálculo do PIS, incluamse as receitas com locação de bens." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento, para que, na base de cálculo das contribuições, incluamse as receitas com locação de bens. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 158DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.909941/2012-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2007
PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ.
Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno.
Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.446
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria qualificada de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. O Conselheiro Ari Vendramini votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2007 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno. Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria qualificada de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. O Conselheiro Ari Vendramini votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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ICMS NA BASE DE CÁLCULO. Recorrente QUÍMICA AMPARO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2007 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno. Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por maioria qualificada de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. O Conselheiro Ari Vendramini votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 99 41 /2 01 2- 41 Fl. 99DF CARF MF Processo nº 13839.909941/201241 Acórdão n.º 3301004.446 S3C3T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 06051.763, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba. Por meio de Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal de Jundiaí foi indeferido o pleito constante do Pedido Eletrônico de Restituição – PER transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. Em referido ato administrativo, a autoridade fiscal indeferiu o pleito da interessada tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para quitação do débito de PIS cumulativa/o, não restando saldo de crédito disponível para o reconhecimento do crédito solicitado. A contribuinte foi cientificada do citado despacho decisório e apresentou, tempestivamente, a Manifestação de Inconformidade cujo conteúdo é resumido a seguir. A interessada defende, em apertada síntese, o direito ao crédito solicitado com a alegação de ter incluído de forma indevida o ICMS na base de cálculo da contribuição recolhida. Diz que o ato administrativo foi proferido de forma precipitada e com flagrante desrespeito à legislação tributária, notadamente a que trata da necessidade de lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional). Sustenta a legitimidade do indébito tributário informado no pedido de restituição alegando que no presente caso não existe óbice à restituição, nos termos do art. 165, do Código Tributário Nacional, uma vez que houve um erro na composição da base de cálculo da contribuição e que a vinculação do DARF, pago indevidamente, a um débito declarado em DCTF, constituise em uma mera informação. Relata que está juntando ao processo planilha por meio da qual se pode constatar a existência do pagamento a maior do que o devido e que este documento faz a prova necessária para confirmar o indébito alegado. Acrescenta que em caso de dúvida quanto ao crédito o julgamento pode ser convertido em diligência para que a interessada seja intimada a demonstrar, através de outros elementos, o crédito vindicado. Defende a tese relativa a improcedência da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição alegando que referido tributo não integra o conceito de faturamento (receita bruta), pois tratase de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF, consoante o voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio no Recurso Extraordinário nº 240.785/MG, entendeu que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo das contribuições Fl. 100DF CARF MF Processo nº 13839.909941/201241 Acórdão n.º 3301004.446 S3C3T1 Fl. 4 3 (PIS e Cofins). Sustenta que a interpretação da autoridade tributária relacionada com a questão da inclusão do ICMS nas receitas dos contribuinte (interpretação do art. 3º da Lei 9.718, de 1988) é contrária ao art. 110 do CTN, uma vez que não se caracteriza como juízo de inconstitucionalidade, mas sim como controle administrativo interno dos atos administrativos. Aduz, por fim, que a declaração de inconstitucionalidade (exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição) em referido RE é iminente e que o proferimento dela pelo Supremo Tribunal Federal tornará sua observância obrigatória pela Administração Tributária. Diante do exposto, requer a interessada o acolhimento da manifestação para o fim de afastar o Despacho Decisório questionado e deferir integralmente o pedido de restituição. O citado acórdão decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob o fundamento, em síntese, que falece ao julgador da esfera administrativa competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária e pela impossibilidade de exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição. Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs recurso voluntário, basicamente, repetindo os argumentos trazidos em sede de manifestação. Ao final, pugna pela reforma do acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 13839.909941/201241 Acórdão n.º 3301004.446 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.397, de 22 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 13839.900183/201204, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.397): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. O núcleo da discussão em pauta é a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da Cofins. O acórdão recorrido enumera diplomas legais de regência, concluindo não haver previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins: Pelas argumentações trazidas em sua manifestação de inconformidade, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, na forma aduzida pela interessada, já que esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário. De fato. A Lei Complementar nº 7, de 1970, a Lei Complementar nº 70, de 1991, a Lei nº 9.715, de 1998 (que resultou da conversão da Medida Provisória nº 1.212, de 1995 e suas reedições), a Lei nº 9.718, de 1998, e, mais recentemente, as Leis 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, ao longo de seus dispositivos, definem expressamente todos os aspectos das hipóteses de incidência vinculadas ao PIS e à Cofins. As citadas normas definem os sujeitos passivos da relação tributária, os casos de nãoincidência, a alíquota, a base de cálculo, o prazo de recolhimento, etc., e submetem as contribuições às normas do processo administrativo fiscal, além do que, para os casos de atraso de pagamento e penalidades, as 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 102DF CARF MF Processo nº 13839.909941/201241 Acórdão n.º 3301004.446 S3C3T1 Fl. 6 5 subordina, de forma subsidiária, à legislação do imposto de renda. Como se percebe, nada resta a definir. Os atos legais descrevem expressamente todas as feições das exações instituídas, nada deixando ao alvedrio do intérprete. Quando remetem atribuições a normas de outro tributo, o fazem estabelecendo com precisão os limites da remissão; limites estes, aliás, que, in concreto, jamais se estendem sobre a definição das bases de cálculo das contribuições. O conceito de faturamento tem sua extensão perfeitamente delimitada pela explicitação de seu conteúdo e pela expressa enumeração das exclusões passíveis de serem efetuadas, não havendo dentre essas, como se vê, qualquer referência ao ICMS devido pela venda de mercadorias. Caso pretendesse o legislador excluir o ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, estaria a hipótese expressamente prevista como uma das exclusões da receita bruta. Sobre o tema, o STJ decidiu, em recurso especial sob a sistemática de recurso repetitivo, pela inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, já com trânsito em julgado. Já o STF entendeu pela sua não inclusão, em recurso extraordinário sob a sistemática da repercussão geral, mas em caráter não definitivo, pois pende de decisão sobre embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional. É o que detalha decisão recente deste Conselho: PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO. Decisão STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática do recurso repetitivo, art. 543C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto. Recurso Voluntário Negado (CARF, 3º Seção, 4º Câmara, 2º Turma Ordinária, Ac. 3402 004.742, de 24/10/2017, rel. Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire). Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13839.909941/201241 Acórdão n.º 3301004.446 S3C3T1 Fl. 7 6 Assim, transitada em julgado decisão do STJ, em recurso especial, sob a sistemática de recurso repetitivo, pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, deve este Conselho observála, nos termos do seu Regimento Interno, descabendo analisar argumentos trazidos aos autos sobre o tema. A decisão do STF, em sentido contrário, em recurso extraordinário de repercussão geral, mas de caráter não definitivo, não tem o mesmo efeito. Nos ditos embargos, a Fazenda Nacional requer a modulação dos efeitos da decisão embargada, para que produza efeitos ex nunc, apenas após o julgamento dos embargos. Ora, se há pedido de modulação dos efeitos, tratase de atividade satisfativa, incluíndose na solução de mérito nos termos do art. 487 do atual CPC. E se assim é, podese afirmar que não houve ainda decisão definitiva de mérito, independentemente do transito em julgado. A embargante ainda suscita, entre outras questões, haver erro material ou omissão, por ter a corrente vencedora prestado ao art. 187 da Lei 6.404/76 efeito que ele não possui: estabelecer conceito de receita bruta: 7. Observese que, no caso dos autos, alguns votos da corrente vencedora2 [...] concederam grande relevância ao fundamento de que “receita bruta”, expressão a que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, ao longo de inúmeros julgados, equiparou ao vocábulo “faturamento” (art. 195, I, b, da Constituição), possui um sentido próprio no direito privado, definido no art. 187, I, da Lei 6.404/76. 8. No entanto, cumpre destacar que há um equívoco evidente em tal linha de argumentação: o mencionado dispositivo legal não estabelece qualquer conceito para receita bruta. Apenas disciplina que, na demonstração do resultado do exercício, deverá estar descrita a “receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos”. A assertiva, simplesmente, permite concluir que tais expressões se referem a grandezas diferentes, mas não afirma que uma não esteja contida na outra. Levanta também, na mesma toada que os votos vencedores "deixaram de considerar o disposto no art. 12 do DecretoLei 1.598/77, reiteradamente citado pelos votos vencidos", que dá pela inclusão dos tributos na receita bruta: art. 12. A receita bruta compreende: I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; II o preço da prestação de serviços em geral; III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. § 1o A receita líquida será a receita bruta diminuída de: (...) III tributos sobre ela incidentes; e Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13839.909941/201241 Acórdão n.º 3301004.446 S3C3T1 Fl. 8 7 (...) § 4o Na receita bruta não se incluem os tributos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de mero depositário. § 5o Na receita bruta incluemse os tributos sobre ela incidentes e os valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações previstas no caput, observado o disposto no § 4o. (Grifos do original). Ainda que sejam três os pilares da argumentação da corrente vencedora, apenas um deles tratando do conceito de receita, tratase evidentemente de questão meritória. A recorrente traz aos autos planilha na qual recalcula a base de cálculo da Cofins "sem o ICMS", com a qual, juntamente como os documentos mencionados na seqüência, pretende provar o seu direito ao crédito em discussão: (...) Instrui o recurso voluntário com relatórios "NOVA GIA" a demonstrarem a apuração do ICMS, referente apenas a novembro de 2011, como também o balancete referente apenas a este período. O acordão recorrido assim se manifestou quando lhe fora levada dita planilha: "não sendo hábil para a comprovação do direito à repetição do indébito, uma simples planilha, desacompanhada de documentação contábil e fiscal que lhe conceda suporte e validade.A planilha segue abaixo". Tais elementos não demonstram o direito ao crédito sem que a questão de direito que defende, de não inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, prospere. A planilha mencionada também não se fez acompanhar de documentos que lhe fizessem prova, para todos os períodos. Assim, também, a diligência que requer, para, eventualmente, "atestar in loco a regularidade da escrituração e do crédito", somente mereceria provimento, em caso de demonstração da exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins. Insurgese a recorrente contra a afirmação do acórdão de piso de que "o débito de Cofins cumulativa, do período de apuração de nov/2002 (para o qual consta alocado o pagamento objeto do pedido de restituição), foi constituído, nos termos do art. 142 do CTN, através de [...] DCTF apresentada pela interessada, posto que essa declaração constituí confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito tributário, conforme prevê o § 1º do art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984". Ainda que se apliquem tais normas, há decisões deste Conselho que têm entendido pela relativização de tal meio de prova, com as quais concordo, privilegiandose o princípio da verdade material: Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13839.909941/201241 Acórdão n.º 3301004.446 S3C3T1 Fl. 9 8 COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. INFORMAÇÕES CONSTANTES DA DOCUMENTAÇÃO SUPORTE. LIQUIDEZ E CERTEZA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O direito creditório pleiteado não pode ser vinculado a requisitos meramente formais, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional. Assim, ainda que a DCTF seja instrumento de confissão de dívida, a comprovação por meio de outros elementos contábeis e fiscais que denotem erro na informação constante da obrigação acessória, acoberta a declaração de compensação, em apreço ao princípio da verdade material Recurso Voluntário Provido (CARF, 3º Seção, 3º Câmara, 1º Turma Ordinária, Ac. 3301 002.678, de 08/12/2015, rel. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas). O acórdão de piso entendeu não ter se configurado qualquer das hipóteses do art. 165 do CTN, aquele que estabelece o direito à restituição de tributo, especialmente por que "não existe a comprovação de que tenha ocorrido, em face da legislação aplicável, pagamento da contribuição em valor a maior do que o devido"; como também porque "não foi demonstrada a existência de decisão judicial transitada em julgado reconhecendo a existência de indébito tributário (relativamente ao pagamento apontado no pedido de restituição – PER) que diga respeito à inclusão indevida do ICMS na base de cálculo da contribuição. não havendo decisão". Argumenta a recorrente ter havido erro na composição da base de cálculo da Cofins, visto que "a Recorrente considerou inadvertidamente o ICMS como componente de sua receita bruta", nos termos do inciso II, do dito artigo. Mais uma vez, somente com a demonstração do direito ao crédito, o que não ocorre, poderseia falar no dito erro. Assim, pelo exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13839.909941/201241 Acórdão n.º 3301004.446 S3C3T1 Fl. 10 9 Fl. 107DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.917588/2011-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002
DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INDEVIDO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO.
Conforme reconstrução lógica e expressa de dispositivos da Constituição Federal, do Código Tributário Nacional e da legislação pertinente ao Processo Administrativo Fiscal, assim como do previsto no art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, o contribuinte deve comprovar o direito creditório e o pagamento indevido em casos de pedido de restituição.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.601
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002 DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INDEVIDO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO. Conforme reconstrução lógica e expressa de dispositivos da Constituição Federal, do Código Tributário Nacional e da legislação pertinente ao Processo Administrativo Fiscal, assim como do previsto no art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, o contribuinte deve comprovar o direito creditório e o pagamento indevido em casos de pedido de restituição. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório DELTA VEÍCULOS LTDA. apresentou Pedido de Restituição (PER) de alegado pagamento indevido da contribuição (PIS/Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o pedido, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 75 88 /2 01 1- 00 Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10480.917588/201100 Acórdão n.º 3201003.601 S3C2T1 Fl. 3 2 integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente solicitou a reunião para julgamento conjunto dos processos administrativos conexos, arguindo o seguinte: a) o pagamento indevido decorrera da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, declarada em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal (STF), de observância obrigatória por parte dos órgãos da Administração Tributária por força do art. 26 A, § 6º, do Decreto nº 70.235/1972 e do art. 59 do Decreto nº 7.574, de 2011, bem como do art. 62, § 1º, I, do Regimento Interno do CARF (RICARF); b) contrariamente ao disposto no art. 65 da Instrução Normativa SRF nº 900, de 2008, não fora intimado a esclarecer a higidez de seu crédito e que, tivesse isto ocorrido, o pedido de restituição teria sido deferido, na medida em que teria logrado comprovar o direito ao reconhecimento do indébito; c) nos termos do art. 142 do CTN, é dever da Fiscalização aprofundar o exame da situação concreta, de modo que o lançamento e também as demais glosas fiscais se baseiem na correta subsunção dos fatos à lei, não tendo a Fiscalização sequer tomado conhecimento das razões que justificavam o pedido de restituição; d) o art. 62A, caput, do RICARF vincula o Colegiado a adotar as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF sob o regime previsto no art. 543B do CPC, tal como ocorrera, na situação aqui tratada, no RE nº 585.235, pois “um dispositivo de lei declarado inconstitucional é uma norma absolutamente nula, impossibilitada de produzir efeitos jurídicos válidos, em razão de seu desacordo com o texto constitucional, a quem deve irrestrita obediência”, sendo ilógico "que a administração fazendária continuasse a reconhecer a validade de um texto de lei já declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal”, entendimento esse escorado em diversos precedentes administrativos da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF); e) na base de cálculo da contribuição, “somente deveriam ter sido incluídos pela requerente os valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem às suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços”. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou, além de documentos de representação processual, (i) planilha com as rubricas sobre as quais apurou o suposto crédito a ser restituído e (ii) cópia de folhas de Balancete correspondente ao período de apuração aqui tratado. Nos termos do Acórdão nº 11040.497, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento (DRJ) decidido que o reconhecimento do direito à restituição exige a comprovação da realização de pagamento de tributo indevido ou a maior, cujo ônus recai sobre o sujeito passivo. Decidiu também a DRJ que, ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c” do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, as provas comprobatórias do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10480.917588/201100 Acórdão n.º 3201003.601 S3C2T1 Fl. 4 3 Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterou seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa, e juntou aos autos cópias de documentos que, segundo ele, comprovariam o direito creditório pleiteado. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.578, de 21/03/2018, proferido no julgamento do processo 10480.900123/201292, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.578): Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Em que pese a brilhante construção de argumentos a favor do contribuinte, não há nos autos nenhuma prova inequívoca do direito creditório, que permita caracterizar as receitas como hipóteses de exclusão da base de cálculo do Pis, mesmo dentro do conceito de faturamento determinado pelo STF. Desse modo, votase para que a decisão de primeira instância seja mantida sob o fundamento da ausência de comprovação do direito creditório por parte do contribuinte, nos mesmos moldes do seguinte trecho: "44. Antes de adentrar no exame da possibilidade, ou não, desta primeira instância administrativa afastar a disposição contida no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, consigno que, para evidenciar o seu direito à restituição, a contribuinte se limitou a apresentar planilha em que lista diversas rubricas que entende escapariam do conceito de receita de vendas de mercadorias e/ou de prestação de serviços e, além disto, cópia de Balancete Mensal em que constam registros de diversas receitas, mas não comprovou que, efetivamente, incluiu, na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep recolhida de acordo com o valor confessado em DCTF, as receitas por ele indicadas na Manifestação de Inconformidade. 45. Para fazer jus à repetição do indébito, a recorrente, além de ter comprovado que auferiu as outras receitas por ela apontada no recurso, deveria ter apresentado demonstrativo, acompanhado dos correspondentes Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10480.917588/201100 Acórdão n.º 3201003.601 S3C2T1 Fl. 5 4 documentos contábeis fiscais/contábeis comprobatórios de sua exatidão, da apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, devida à alíquota de 0,65%, sobre as receitas de venda de mercadorias e/ou prestação de serviços, o que aqui é indispensável, pois, diante da atividade exercida pela recorrente, é evidente que ela também comercializa produtos (tais como veículos) cujas receitas sofre a incidência desta contribuição à alíquota zero, pois o produto, a depender do período de apuração, foi submetido em etapa anterior à tributação por substituição tributária ou de forma concentrada5." Conforme reconstrução lógica e expressa de dispositivos da Constituição Federal, do Código Tributário Nacional e da legislação pertinente ao processo administrativo fiscal, assim como do previsto no Art. 16 do Decreto 70.235/72, o contribuinte deve comprovar o direito creditório e o pagamento indevido em casos de pedido de restituição. Diante do exposto, votase para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Voto proferido. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 120DF CARF MF
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Numero do processo: 13502.900995/2013-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
PRODUÇÃO DE PROVAS. DILAÇÃO.
No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na defesa, salvo quando comprovado fato superveniente. O pedido de dilação de prazo para a produção de provas no recurso voluntário não tem fundamento e deve ser indeferido.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e liquidez do indébito tributário são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, constitui fundamento legítimo para a não homologação da compensação.
Numero da decisão: 1201-002.017
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 PRODUÇÃO DE PROVAS. DILAÇÃO. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na defesa, salvo quando comprovado fato superveniente. O pedido de dilação de prazo para a produção de provas no recurso voluntário não tem fundamento e deve ser indeferido. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do indébito tributário são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, constitui fundamento legítimo para a não homologação da compensação.
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DILAÇÃO. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na defesa, salvo quando comprovado fato superveniente. O pedido de dilação de prazo para a produção de provas no recurso voluntário não tem fundamento e deve ser indeferido. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do indébito tributário são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, constitui fundamento legítimo para a não homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 90 09 95 /2 01 3- 24 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13502.900995/201324 Acórdão n.º 1201002.017 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório A Recorrente transmitiu declaração de compensação (DCOMP), objetivando compensar crédito de CSLL com débito tributário de sua responsabilidade. Por meio de Despacho Decisório, a compensação não foi homologada em razão da constatação de insuficiência de crédito, uma vez que o valor informado já teria sido alocado a débito confessado em DCTF. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que possui direito a compensação, tendo em vista que o crédito oriundo de pagamento a maior já havia sido desvinculado da DCTF do período que gerou o indébito. A manifestação em questão foi julgada improcedente pela DRJ, por entender que o contribuinte não comprovou a liquidez e certeza do alegado direito creditório. Cientificada da decisão, a empresa interpôs Recurso Voluntário, requerendo a prorrogação do prazo para apuração adequada do efetivo direito ao crédito, bem como a suspensão da exigibilidade do crédito tributário nos termos do artigo 151, III, do CTN. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.001, de 23.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 13502.900993/201335, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.001): "O recurso é tempestivo e cumpre os requisitos legais, razão pela qual dele tomo conhecimento. De acordo com o despacho decisório, e na linha do que decidiu a DRJ, o crédito pleiteado pela Recorrente não existiria, uma vez que teria sido utilizado para quitar débitos lançados em DCTF, não havendo, portanto, pagamento a maior ou indevido passível de compensação. Já a empresa sustenta na defesa que o referido crédito já estaria "desvinculado" da DCTF, mas não apresenta qualquer prova nesse sentido. No recurso voluntário, alega não ter certeza da Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13502.900995/201324 Acórdão n.º 1201002.017 S1C2T1 Fl. 4 3 origem do direito creditório, razão pela qual requer expressamente a dilação de prazo para fazer essa comprovação. Ora, em se tratando de compensação, a comprovação da liquidez e certeza do crédito constitui ônus da contribuinte, conforme interpretase do 170 do CTN, in verbis: “Artigo 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Grifei. Nesse caso concreto, a própria Recorrente expressamente diz que não cumpriu com este ônus, razão pela qual é evidente a não comprovação do direito creditório analisado. Vale assinalar que a jurisprudência do CARF, conforme atestam as ementas dos julgados abaixo, admite a possibilidade de compensação de indébito, mas desde que haja comprovação cabal quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado, o que não ocorreu. “RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.” (Ac. 1102000.890. Sessão de 14/08/2013). “DESPACHO DECISÓRIO E DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São válidos o despacho decisório e a decisão que apresentam todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da nãohomologação da compensação declarada. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte”. (Ac. 3302 002.383.. Sessão de 02/11/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação” (Ac. 3802002.076. Sessão de 14/08/2013). À falta, então, da demonstração cabal e comprovação do crédito informado na DCOMP analisada, correta a não homologação da compensação. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13502.900995/201324 Acórdão n.º 1201002.017 S1C2T1 Fl. 5 4 Cumpre observar, ainda, que no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a produção de provas documentais deve ser feita, como regra, na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: “Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior”. A juntada de “novos documentos” aos autos é medida excepcional e permitida nas situações contempladas nos dispositivos citados, não havendo autorização legal que permita conceder pedido de dilação probatória tal como formulado. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 85DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.722628/2011-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Data do fato gerador: 05/08/2005
FINSOCIAL. DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
Compete a quem transmite o DCOMP o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado.
À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação.
Numero da decisão: 3401-004.470
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente
(assinado digitalmente)
André Henrique Lemos - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, André Henrique Lemos, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Mara Cristina Sifuentes e Tiago Guerra Machado. Ausente à sessão o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Data do fato gerador: 05/08/2005 FINSOCIAL. DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Compete a quem transmite o DCOMP o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) André Henrique Lemos - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, André Henrique Lemos, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Mara Cristina Sifuentes e Tiago Guerra Machado. Ausente à sessão o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1271; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 274 1 273 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.722628/201191 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401004.470 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de abril de 2018 Matéria FINSOCIAL Recorrente CVP COMERCIAL DE VEÍCULOS E PEÇAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Data do fato gerador: 05/08/2005 FINSOCIAL. DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Compete a quem transmite o DCOMP o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, André Henrique Lemos, Leonardo Ogassawara de Araújo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 26 28 /2 01 1- 91 Fl. 274DF CARF MF 2 Branco, Mara Cristina Sifuentes e Tiago Guerra Machado. Ausente à sessão o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida. Relatório Tratase de processo de Declaração de Compensação DCOMP, referente ao FINSOCIAL com diversos tributos, tendo como origem ação judicial 91.00296945, transitada em julgado, a qual reconheceu o direito da contribuinte de compensar os valores recolhidos a maior a título do FINSOCIAL. As DCOMP foram citadas no corpo do relatório da DRJ/SP I (efl. 239): Adoto o Relatório feito pela DRJ/SP I, pois bem resume o caso: 2. Às fls. 65 a 67, foi acostado aos autos a cópia do Despacho Decisório EQAJUD/DICAT/DRF/BSA nº 9, de 08/06/2006, que Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10166.722628/201191 Acórdão n.º 3401004.470 S3C4T1 Fl. 275 3 apreciou o pedido de habilitação de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, para fins de compensação tributária nos termos do art. 51 da instrução Normativa SRF nº 600, de 2005, então vigente. O referido Despacho Decisório encontrase assim ementado: “HABILITAÇÃO DE CRÉDITO RECONHECIDO POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. O contribuinte possui título executivo judicial decorrente de decisão transitada em julgado, que lhe reconhece o direito creditório oriundo de pagamento indevido de tributo administrado pela SRF, não executado perante o Poder Judiciário. O reconhecimento da existência do crédito não implica na homologação da compensação pretendida nem do valor calculado pelo contribuinte, cujo quantum será aferido na apreciação da PER/DCOMP.” 3. No Despacho Decisório de fls. 184 a 191, do qual a contribuinte tomou ciência em 16/06/2011 (fl. 197), o auditor fiscal que apreciou o pedido, consignou, em preliminar que o direito de a contribuinte efetuar a compensação está previsto no art. 170 do Código Tributário Nacional CTN; no artigo 74 da Lei n° 9.430 de 1996; e regulamentado pela IN SRF n° 600/2005, vigente à época do pedido, que em seu art. 2o combinado com o art. 26, (...),faculta ao sujeito passivo o direito de restituir/compensar o crédito decorrente de tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, desde que decorrente de pagamento espontâneo, indevido ou maior que o devido, e mediante apresentação à RFB de Declaração de Compensação. Reportandose aos art. 50 e 51 da IN SRF nº 600, de 2005, apontou ter sido feita a habilitação prévia do crédito reconhecido por decisão judicial transitado em julgado pela Divisão de Controle e Acompanhamento Tributário Dicat/DRF/BSB através do processo n° 10166.003349/200668 o qual teve como resultado o deferimento do pedido (fls. 65 a 67) destacando as conclusões: (grifo do relator) a) que a contribuinte figura no pólo ativo da ação; b) que a ação tem por objeto a condenação da União à restituição dos créditos tributários indevidamente pagos ou recolhidos a maior a título de FINSOCIAL, tributo este administrado pela Secretaria da Receita Federal; c) que o STJ decidiu pela inclusão dos expurgos inflacionários no cálculo da correção monetária, em conta de liquidação de sentença; d) que o trânsito em julgado da decisão ocorreu em 05/08/2005; Fl. 276DF CARF MF 4 e) que o pedido de habilitação do crédito foi formalizado dentro do prazo de 5 (cinco) anos, a contar do trânsito em julgado da decisão; f) que a contribuinte requereu a renúncia à execução do título judicial; 3.1. Concluiu, então, que tendo sido o direito creditório habilitado, restaria apenas a determinação de seu “quantum”, nesse sentido, registra ser inquestionável a inconstitucionalidade dos dispositivos que majoraram a alíquota e a base de cálculo do FINSOCIAL e que foi assegurado à contribuinte o direito de pagar a referida contribuição até 30/03/1992, á alíquota de 0,5%¨, conforme certidão de inteiro teor do processo (fl. 74). Não havendo divergências quanto à interpretação do conteúdo da decisão judicial transitada em julgado, passase a apuração do montante do crédito a que tem direito a contribuinte. Para a verificação (cálculo) do montante do crédito foram seguidos os seguintes passos: a) cálculo do tributo devido, à alíquota de 0,5%, para os períodos de outubro/1989 a março/1992; b) confirmação dos pagamentos realizados entre outubro/1989 a março/1992; c) apuração da diferença entre os valores efetivamente pagos e os valores devidos; d) atualização dos créditos; 3.2. Registra o auditor fiscal que, para apuração da base de cálculo do FINSOCIAL, nos períodos abrangidos pela decisão judicial, a contribuinte foi intimada (fl. 75) a apresentar as Declarações de ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Jurídica dos anoscalendário de 1989 a 1990, tendo sido apresentados os documentos de fl.s 77 a 136. Como base de cálculo foram considerados os valores constantes da Demonstração da Base de Cálculo do Finsocial (anocalendário de 1990 fl. 97; anocalendário de 1991 – fl. 114; e ano calendário de 1992 fl. 126. em relação ao anocalendário de 1989, a autoridade fiscal consignou que a respectiva DIRPJ (exercício 1990) não apresentava o Demonstrativo da base de Cálculo do Finsocial, motivo pelo qual foi contactado o procurador da contribuinte solicitandolhe a apresentação dos livros contábeis do anocalendário de 1989. (negrito do relator). 3.2.1. O auditor fiscal explica que: A contribuinte entregou então o Livro Diário N° 60 a 65. No entanto, devido ao grande volume de informações e à inexistência de um plano de contas que permitisse identificar a natureza de cada lançamento contábil, tornouse impossível a apuração da base de cálculo dos meses de outubro a dezembro de 1989 a partir das informações do Livro Diário. Segundo o Sr. Itamar da Silva Rodrigues, o livro Razão foi incinerado e a empresa não mais dispõe do plano utilizado à época dos lançamentos. Assim, não sendo possível a apuração da base de cálculo dos meses de outubro a dezembro de 1989, serão considerados como realmente devidos os valores pagos relativos a tais períodos. Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10166.722628/201191 Acórdão n.º 3401004.470 S3C4T1 Fl. 276 5 Por conseguinte, somente serão apurados os valores de pagamento a maior a partir de janeiro/1990. (negrito do relator). 3.3. O auditor fiscal registra ainda ter sido a contribuinte também intimada (fl. 75) a apresentar os comprovantes de pagamentos, tendo, como resposta, apresentado apenas os documentos de arrecadação relativos aos períodos de apuração de janeiro a abril de 1992, sendo que o P.A. abril de 1992 não se encontra abrangido pela ação judicial e, assim, não foi computado para apuração do montante do crédito. Assinalou, ainda, a autoridade fiscal que: Os pagamentos realizados para os períodos de apuração janeiro a outubro de 1991 foram confirmados nos sistemas informatizados da RFB, de acordo com os extratos de fls 139 a 148. Os períodos de novembro e dezembro de 1991 não serão considerados no cálculo do montante do crédito, pois para os citados períodos a contribuinte efetuou o depósito judicial dos valores apurados. Posteriormente, mediante ordem judicial, houve conversão em renda de 25 % dos depósitos e a devolução do saldo remanescente à contribuinte, conforme fls. 167 a 171.(negrito do relator). 3.3.1. No tocante aos períodos de apuração de outubro de 1989 a dezembro de 1990, houve confirmação de todos os pagamentos, conforme Memorando nº 130, de 2011 da Seção de Controle da Rede Arrecadadora da DICAT (docs. de fls. 172 a 174). (negrito do relator). 3.4. Explica, ainda, o auditor fiscal designado para apreciar as declarações de compensação que, de posse de todas as informações, elaborou a planilha de fl. 175 (para apuração do crédito atualizado até 31/12/1992), sendo que os coeficientes utilizados para a atualização dos valores de pagamento a maior até dezembro de 1991 foram obtidos da Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08, conforme planilha de fl. 176. (negrito do relator). Advertiu ter havido apenas ajuste dos índices para os meses de janeiro e fevereiro de 1989; março, abril, maio, julho, agosto e outubro de 1990 e fevereiro de 1991, conforme os valores considerados pela Justiça Federal e chancelados pelas decisões judiciais; em relação aos pagamentos realizados a partir de janeiro de 1992, foram utilizados os coeficientes da planilha de fl. 177, calculados a partir da variação da UFIR, conforme determina o art. 66, § 3o, da Lei 8.383/1991. 3.4.1. Conclui pelo valor de R$ 172.518,58 relativo ao crédito reconhecido em 31812/1995, o qual deve ser corrigido pela taxa Selic a partir desta data, conforme disposto no art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250, de 1995. 3.5. Ao confrontar os débitos (fl. 178) e o crédito (fl. 179) utilizandose do sistema próprio para geração do Demonstrativo Analítico de Compensação (fls. 180 a 183), verificase que o crédito não é suficiente para compensar Fl. 278DF CARF MF 6 integralmente todos os débitos informados nas declarações de compensação em apreço. (negrito do relator). 3.6. Dessa forma, com base no art, 170 do CTN e nos arts. 2º, 26, 50 e 51 da In SRF nº 600, de 2005, a autoridade administrativa competente decidiu: • homologar totalmente as seguintes declarações: 22566.42451.130606.1.3.579004, 17089.12374.220606.1.3.579009 e 19097.48382.120706.1.3.578222; • homologar parcialmente a declaração 16116.14966.130706.1.3.570625; • não homologar as declarações 33495.80796.100806.1.3.573380, 34775.59551.220806.1.3.574736, 11516.03214.120906.1.3.570064, 38753.43078.111006.1.3.577721, 30257.94544.131006.1.3.572040 e 09588.02271.141106.1.3.578743. 4. Inconformada com o Despacho Decisório de fls. 184 a 191, a contribuinte apresentou, em 15/07/2001, a manifestação de inconformidade de fls. 199 a 205, acompanhada dos documentos de fls. 206 (procuração) a 232. 4.1. Na peça de defesa, a contribuinte argui, preliminarmente, com base no art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430, de 1996, a homologação tácita dos créditos tributários compensados antes de julho de 2006. Reportase a ementas de acórdãos do CARF que colaciona às fls. 201. 4.2. Sob o tópico “IV FUNDAMENTO TÉCNICOJURÍDICO DO INCONFORMISMO – CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM SENTENÇA COM TRANSITO EM JULGADO – HABILITAÇÃO CRÉDITO – AVAL DO FISCO – CERTEZA E LIQUIDEZ DO DIREITO”, a contribuinte alega que: com base no art. 51 da In 600, de 2005, em junho de 2006, através do Despacho Decisório EQAJUD/DICAT/DRF/BSA nº 09, de 08/06/2006, a Receita Federal do Brasil– RFB conferiu e chancelou o direito á compensação via administrativa do crédito fiscal no valor de R$ 1.025.701,32; diante do aval procedeu a contribuinte, o período de junho a novembro de 2006, à compensação do valor autorizado, conforme Dcomp’s anexadas à defesa; após mais de seis anos de ter compensado os créditos líquidos e certos, vem o despacho decisório afirmar que a contribuinte somente tem direito ao valor original do crédito fiscal (R$ 172.518,58), e não o valor total autorizado no despacho decisório supra mencionado; considera que o direito ao crédito fiscal no valor de R$ 1.025.701,32 foi incorporado definitivamente ao patrimônio da Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10166.722628/201191 Acórdão n.º 3401004.470 S3C4T1 Fl. 277 7 contribuinte sobre o qual não paira dúvida ou contestação possível, desde junho/2006; o presente despacho decisório restringe o direito líquido e certo da contribuinte, inclusive fere o princípio da COISA JULGADA e o alcance da TUTELA JURISDICIONAL, citando ementas de acórdãos proferidos pelo CARF. 4.3. Em tópico final, a manifestante pede: 1 Preliminarmente, reconhecer a PRESCRIÇÃO diante da Homologação tácita das Declaração de Compensação enviadas cinco anos antes da notificação da decisão atacada; 2 – DECLARAR o direito do crédito tributário conforme DESPACHO DECISÓRIO EQAJD/ DICAT/DRF/BSA nº 09, de 08.06/2006, no valor de R$ 1.025.701,32; 3 – o provimento integral da manifestação da contribuinte. À efl. 237 e seguintes, sobreveio decisão da DRJ/SP I, a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa se transcreve: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Data do fato gerador: 05/08/2005 FINSOCIAL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. APRECIAÇÃO. PRAZO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Tendo sido apreciadas as declarações de compensação apresentadas pela contribuinte antes do prazo prescricional estabelecido por lei, HABILITAÇÃO DE CRÉDITO. DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. VALOR RECONHECIDO. CONTESTAÇÃO. O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação. A aferição do valor do crédito reclamado pelo contribuinte deve ser feita por ocasião da apreciação da declaração de compensação e mediante a comprovação da ocorrência de pagamento indevido ou a maior. Em 01/08/2014, a contribuinte tomou ciência do acórdão, conforme efl. 250, protocolando recurso voluntário em 01/09/2014 (efl. 252), no qual pediu: Fl. 280DF CARF MF 8 É o relatório. Voto Conselheiro André Henrique Lemos, relator O recurso voluntário é tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. Disse em seu recurso: 1) Em 24/05/1994 ocorreu o trânsito em julgado da decisão judicial sobre a inconstitucionalidade do FINSOCIAL, dandolhe o direito à restituição/compensação; 2) No dia 10/11/2005, a contadoria judicial apresentou cálculo do crédito tributário em seu favor, no valor de R$ 1.023.295,30; 3) Em 20/04/2006, foi publicada a sentença determinando a extinção do processo, tendo em vista o pedido de compensação do crédito de R$ 1.023.295,30; 4) Dia 08/06/2006, o pedido de compensação foi deferido pelo delegado adjunto da RF em Brasília/DF para habilitação prévia de crédito do FINSCOCIAL, no valor de R$ 1.025.701,32: 5) Entre 13/06/2006 e 14/11/2006, foi efetuado a transmissão da DCOMP sem ressalva pela RFB; 5) Em 16/07/20011, foi recebido o despacho decisório, homologando 3 (três) DCOMP, uma parcialmente, das 10 (dez) que foram enviadas; Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10166.722628/201191 Acórdão n.º 3401004.470 S3C4T1 Fl. 278 9 6) Em busca da verdade material, a administração pública poderá rever seus atos, principalmente diante de fatos novos e circunstâncias relevantes que possam justificar a inadequação da decisão proferida. Assim, antes de não homologar as DCOMP, a DRF deveria solicitar a apresentação dos documentos comprobatórios de seu crédito; 7) O valor já havia sido habilitado pela própria RFB, vez que a base de cálculo fora apurada nos autos do processo 10166.003349/200668, e mais, homologado judicialmente, estando em conformidade com o artigo 1.184 do CC e com os artigos 923 e 924 do Decreto 3.000/99 (RIR/99). Como se viu, o despacho decisório EQAJUD/DICAT/DRF/BSA 9, de 8/06/2006 (efl. 65 e seguintes), deferiu o pedido de habilitação prévia do FINSOCIAL reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, e disse que a contribuinte estava apta a apresentar DCOMP no valor de R$ 1.025.701,32, porém, ressalvou que o deferimento do pleito não implicaria homologação da compensação pretendida, de acordo com o artigo 51 da IN/SRF 600/2005, pois a verificação dos demais requisitos previstos no artigo 74 da Lei 9.430/96, bem como a confirmação do quantum creditório informado pelo contribuinte serão efetuados no momento da PER/DECOMP. Já o despacho decisório/DRF/BSB/DIORT (efl. 187) diz que não divergências quanto ao conteúdo da decisão judicial transitada em julgado, mas sim quanto à apuração do montante do crédito a que a contribuinte tem direito, com a posterior homologação ou não das compensações. A contribuinte foi intimada a apresentar seus livros contábeis do ano calendário de 1989, entregando o Livro Diário números 60 a 65, impossibilitando a autoridade fazendária identificar a natureza de cada lançamento contábil, de modo que se tornou impossível apurar a base de cálculo dos meses de outubro a dezembro de 1989, vindo a informar que o Livro Razão havia sido incinerado e que a empresa não dispunha de um plano de contas à época dos lançamentos, somente sendo apurados os valores do pagamento a maior, a partir de janeiro de 1990. Notese que a questão cingese à instrução da prova, e esta, quando se trata de PER/DCOMP um pedido de iniciativa do sujeito passivo , a ele cabe tal ônus. Por mais longínquo e penoso tenha sido o percurso judicial e administrativo percorrido pela Recorrente no caso concreto, a conclusão é de que o contribuinte há de fazer esta prova. Dos autos consta certidão da Justiça Federal (efl. 74), todavia, por meio desta não dá para se saber se a Recorrente possuía o crédito de R$ 1.025.701,32 que diz ter direito. Se realmente no processo judicial que redundou em sua vitória sobre a inconstitucionalidade do FINSOCIAL constasse tal quantia, deveria a Recorrente fazer esta prova. Fez a prova de sua vitória judicial, mas não do seu quantum. Diz que houve esta apuração, mas não há prova sobre isto no presente feito. Fl. 282DF CARF MF 10 Como destacou a decisão da manifestação de inconformidade (efls. 247/248), o artigo 4° do DL 486/69, determina: Art 4º O comerciante é ainda obrigado a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, a escrituração, correspondência e demais papéis relativos à atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. Esta também é a exegese do art. 373, I do CPC/2015, aplicado subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal PAF (Decreto 70.235/72): "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito;" A propósito, neste sentido entende o CARF: COFINS. DCOMP. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Compete a quem transmite o Per/DComp o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação. DCOMP. CRÉDITOS. HOMOLOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação eficaz desses atributos impossibilita à homologação. (Acórdão 3802 003.395, v.u., para negar provimento ao recurso voluntário) RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido. (Acórdão 3301003.192, v. u. para negar provimento ao recurso voluntário). Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. André Henrique Lemos Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10166.722628/201191 Acórdão n.º 3401004.470 S3C4T1 Fl. 279 11 Fl. 284DF CARF MF
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